Apostila 18 - Igreja Consagrado Para Cuidar

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000 Cursos Grátis Pelo Sistema de Ensino a Distancia – SED CNPJ º 21.221.528/0001-60 Registro Civil das Pessoas Jurídicas nº 333 do Livro A-l das Fls. 173/173 vº, Fundada em 01 de Janeiro de 1980, Registrada em 27 de Outubro de 1984 Presidente Nacional Reverendo Pr. Gilson Aristeu de Oliveira Coordenador Geral Pr. Antony Steff Gilson de Oliveira APOSTILA Nº. 18/300.000 MIL CURSOS GRATIS EM 270 PAGINAS. Apostila 18 Estudando sobre a Igreja CONSAGRADO PARA CUIDAR Parte I O capítulo 8 de Levítico é o cumprimento da ordem dada em Êxodo 29 em relação à consagração dos sacerdotes (cohanim), Arão e seus filhos, dada por Moisés, o libertador e líder do povo de Israel. É um ato de extrema seriedade que descreve, de modo gráfico a responsabilidade dos consagrandos, que eram os guardiães espirituais do povo de Deus. Deste ato distante de nós cerca de 3.300 anos, desejamos extrair lições para o ministro do século 21, tarefa esta do intérprete da Bíblia Sagrada. O Ato de Consagração O ritual é um sacrifício de comunhão com a função especial de consagrar. A cerimônia pode ser dividida em quatro partes: vv. 1-13 Purificação, Vestidura, Unção dos Consagrandos vv. 14-17 Oferta pelo pecado dos Sacerdotes vv. 18-21 Oferta queimada vv. 22-36 Oferta de paz Uma análise da liturgia nos mostra em primeiro lugar o oferecimento de uma oferta pelo pecado, que seria totalmente consumida de acordo com as instruções do capítulo 4 do mesmo livro; e o oferecimento de dois carneiros.

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O primeiro seria oferecido em holocausto, de acordo com o capítulo 1. O segundo, porém tem uma parte especialíssima na cerimônia, razão porque é chamado de "o carneiro da consagração", conforme o verso 22 deste capítulo 8. Lê-se no verso 23 que houve aplicação do seu sangue a algumas partes do corpo dos consagrandos. Este sangue foi usado para trazer Arão e seus filhos a um estado sem igual de santidade. O restante do sangue será jogado ao redor do altar, estabelecendo com este ato um relacionamento especial entre o altar, símbolo do ministério, e os ordenandos, agentes desse ministério. As partes do corpo tocadas pelo sangue são orelha, mão e pé. Esse toque pelo sangue lava-os e dedica-os simbolicamente ao Senhor. Quer também dizer que o ministro de Deus ouvirá e obedecerá, e suas mãos e pés servirão ao Senhor. As lições são extraordinárias: O OUVIR (v. 23) O ministro de Deus há de ouvir corretamente. Referimo-nos à conversação pastoral, chamada por alguns de Clínica Pastoral no gabinete, na visitação ou informalmente. Não a confunda, porém, com aquilo que jocosamente chamam de "papoterapia". Como ministro de Deus e da Igreja de Jesus Cristo, você deve conhecer exatamente o papel que lhe corresponde. Não será um profissional da psicologia, da psicanálise ou das variadas terapias oferecidas à clientela. E, no entanto, seu ministério de ouvir é comparável ao do psicoterapeuta, do conselheiro matrimonial, ou do psicólogo. Muito de seu trabalho tem a ver com ouvir-e-aconselhar. Entretanto, você não receberá honorários pelo aconselhamento, nem fará contrato de trabalho para isso. Você é um ministro de Deus e será procurado não por um paciente ou cliente, mas por uma ovelha sua, ou um semelhante seu que precisa de ajuda. Há quem apenas deseja falar, conversar; dê ouvidos, pois para isso sua orelha foi ungida. Há quem queira injeções de otimismo cristão, de esperança. Há quem tenha sérios sentimentos de culpa, de rejeição. Há quem precise ser confrontado. Uma coisa, porém, é certa: você tem autoridade dada por Deus e pela igreja que o chamou para dar esse conselho, essa exortação ou esse confronto. O ministro de Deus deve ouvir corretamente. Assim, você precisa ouvir o que está por trás das palavras. Palavras ditas, palavras não ditas, e palavras em suspenso. Talvez os lábios digam algo, mas a expressão facial, as mãos, 2

a expressão corporal digam outra. Você precisa "ouvir" corretamente os sentimentos de quem está à sua frente. Na Clínica Pastoral, ouça bastante antes de opinar. Leve a ovelha a falar; viva a situação do outro. Você é chamado a um ministério de simpatia, de carinho, de afeição e de amor. Sobretudo quando você é enérgico! Desde que você começa a ouvir, está fazendo Psicoterapia Pastoral. Isso é afirmado pelo Dr. Wayne Oates, autor ou co-autor de mais de quarenta livros e por muitos anos professor de Aconselhamento Pastoral (Pastoral Care), no The Southern Baptist Theological Seminary em Louisville. Você é visto dentro de um esquema todo especial: há um significado simbólico em você como ministro de Deus. O pastor, por exemplo, é um ponto de referência na igreja para o povo de Deus. Ele simboliza e representa a comunidade cristã, e é agente dessa comunidade de Cristo, de Deus. Há muita esperança quando alguém procura o pastor. Por essa razão, é terrível, medonho mesmo, quando as palavras do pastor são divinas, mas seus hábitos de vida contradizem essa dimensão... Você representa e simboliza muito mais do que você mesmo: você representa o Pai, você leva a palavra de Cristo e o faz sob a direção do Espírito Santo. Quem vai ao seu gabinete espera e deve sair abençoado. Você vai ouvir confissões, vai ouvir palavras de arrependimento. Mas não pressione: ajude no processo de crescimento. O TOCAR (v. 23) O ministro de Deus é ungido na mão para tocar vidas. Estamos nos referindo, então, à influência. Você vai tocar muitas vidas e deve fazê-lo com cuidado e leveza. Use suas mãos para abençoar a criança, o jovem, o adulto, o idoso. E faça-o com carinho. Leve-os à consciência do santo, lembrando ao crente em Jesus Cristo que a rigor, para o povo de Deus, não existem espaços separados, compartimentos estanques entre o secular e o religioso, o sagrado e o profano, pois a vida pública, social, civil do crente em Jesus Cristo há de ser normatizada pelo senso do santo. Leve-os ao senso da providência, à fé, à gratidão, ao arrependimento, à comunhão, à vocação. Você há de tocar vidas; há de xer com as emoções das pessoas: raiva, medo, alegria. Você vai lidar com almas enfermas. São doenças do comportamento, mazelas do espírito, enfermidades psicossomáticas. Você terá um ministério a desempenhar nas crises. Crise é qualquer acontecimento que ameace o bem-estar de uma pessoa, e interfira na sua rotina de vida. O nascimento de uma criança, a morte de um parente, o fim 3

de um casamento, o desemprego, a aposentadoria são crises . Você há de entrar em contato e reduzir a ansiedade, encorajando a pessoa a agir. Lembre-se de que cada situação de crise é única, sem igual. Ou como o povo diz, "Cada caso é um caso". Você há de tocar vidas em diferentes níveis de cuidado pastoral: o Nível da Amizade; o Nível do Conforto; o Nível da Confissão, o Nível do Ensino e o Nível do Aconselhamento e Psicoterapia. Devo estas classificações ao Dr. Oates. Há pessoas aflitas que necessitam de apoio; há aqueles enfrentando a morte que precisam do poder espiritual que o pastor representa; há pessoas com enfermidades crônicas; há deficientes físicos; há famílias com filhos com déficit mental; há os deprimidos e os desapontados com o amor ou outra causa. Todos estes estão no Nível de Conforto. Há o jovem solteiro, os jovens casados, o adulto de meia-idade, a viúva, a mãe solteira, o separado/desquitado/divorciado, o hospitalizado, todos em diferentes níveis do seu cuidado pastoral. O ANDAR (v. 23) O ministro de Deus é ungido no pé para andar santamente. Estamos falando de ética. Para isso, necessária é a ajuda do Espírito Santo. Se você não tem a ajuda do Espírito de Deus para crescer na graça e na maturidade, vai ser difícil entender a Bíblia, impossível aplicá-la às vidas, será um problema conviver com as ovelhas, e terrível dominar atitudes internas. Mais do que nunca, é preciso ser imitador de Cristo. Para sê-lo, porém, é preciso andar no Espírito, andar santamente. E andar santamente exige análise freqüente de nós mesmos, submissão do eu a Deus, e plenitude do Espírito Santo, que é o Seu controle em nossas vidas. Você há de visitar. Irá a muitos lugares e lares. Há dois tipos de visitas: as regulares e as de emergência. Não visite só nas crises: você precisa visitar o seu rebanho em tempos de paz. Seja ético, então, quanto ao que ouve, vê e aconselha. CONCLUSÃO O final da narração de Levítico 8 registra a obediência dos consagrandos, Arão e filhos. Isso nos ensina que consagração é entrega absoluta marcada pela obediência irrestrita às ordens de Deus. Nossa oração é que nosso ministério seja pontuado agora, hoje, sempre pela disciplina, obediência, entrega e consagração total àquele que é o Mestre de nossas vidas, Senhor do nosso futuro, Salvador de nosso ser. A Catedral

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Uma catedral para a honra e a glória de nosso Senhor Jesus Cristo se constrói momento a momento à medida que uma mão se estende e toca outra mão com amor humano, e à medida que um coração responde em amor a outro coração capacitado pelo Espírito Santo para anelar, escutar, elevar e amar-nos uns aos outros. Para que todos, em todo lugar possamos oferecer outros dons que Deus nos tem dado: Integridade nas relações, Alegria e paz na fidelidade, Fortaleza para fazer por meio da igreja, Mais do que pedimos ou imaginamos. Margaret Shannon Parte II LEVANDO A SÉRIO A CEIA DO SENHOR "Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, havendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo que é por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto do meu sangue; Fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha. De modo que qualquer que comer do pão, ou beber do cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim como do pão e beba do cálice. Porque quem come e bebe, come e bebe para sua própria condenação, se não discernir o corpo do Senhor" (1Co 11.23-29). A Ceia Memorial tem sido celebrada num ambiente espiritual, profundo, reverente e cheio de certeza, além do destaque que a Ceia do Senhor nos fala numa linguagem silenciosa porém plena de energia. Temos o pão e o vinho, elementos simples, porém altamente destacados nesta celebração. E nesta simplicidade, ela se torna um meio de comunicação de algumas importantes mensagens para o povo de Deus. Quando levamos a sério a celebração da Ceia do Senhor, usamos de determinadas linguagens: A LINGUAGEM DE COMEMORAÇÃO (v.25)

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apenas uma filigrana lingüística: na língua hebraica. e quando tomamos o cálice. todas as vezes que o beberdes. Pela inspiração do Espírito de Deus. "o Verbo habitou. depois de cear. fosse no deserto. Quando João escreveu a narrativa que abre o Evangelho que leva o seu nome. a palavra que significa "manifestação de Deus. ou nas grandes batalhas. no entanto.60. ou vontade de Deus que as palavras assemelhadas fossem usadas pelo escritor sagrado? Para que se manifeste a glória de Deus. São ordenanças sem qualquer benefício acessório para a salvação.1. mas já estava com Jesus Cristo no paraíso após a crueldade daquele momento. tomou o cálice. e somente duas: o Batismo e a Ceia Memorial. A outra ordenança é a Ceia do Senhor. em memória de mim". precisamos de memoriais para que nos lembremos de quem somos. os memoriais brasileiros se apresentam por todos os lados: é a bandeira do Brasil sendo desfraldada. mas pelo Senhor. do Batismo. Sl 78. é que o vocábulo utilizado por João para dizer. na verdade não precisa. Is 18. Quando nosso país joga na Copa.19). e habitou entre nós. é que a Ceia do Senhor é celebrada por Sua Igreja. O impressionante. Então. presença divina" é shekinah. Cada vez que a glória do Senhor se manifestava no meio do povo de Israel. porque estamos aqui. para acrescentar algum valor maior à salvação. porque estamos pregando o Seu sacrifício para a salvação de todo aquele que crê. a palavra grega utilizada não é do hebraico: é grega. marcou presença. e para que pensemos nEle. Uma pessoa em sendo salva por Jesus Cristo. dizemos que o sangue de Jesus Cristo foi derramado por nós. fazemos algo pelo Senhor. Percebam o som do hebraico sh ki nah e do grego s ki nê. e quem já passou por isso o 6 . Aqui. até mesmo a escolha de certas palavras tem o seu lugar na Escritura Sagrada. quando observamos a Ceia do Senhor. cheio de graça e de verdade".Paulo diz isso: "Semelhantemente também. não por nós ou pelos outros. Estamos dizendo isso quando tomamos o pão nas mãos. dizendo: Este cálice é o novo pacto no meu sangue. que é o corpo de Jesus Cristo que sofreu no Calvário. ele disse "E o Verbo se fez carne. a gloriosa presença de Deus no meio do Seu povo. Jesus Cristo estabeleceu duas ordenanças." A presença de Jesus Cristo é algo extraordinário na vida cristã. manifestou-se entre nós". fazei isto. daquilo que somos. é a palavra grega que diz skinê. E não existe sentimento maior. "para que pensem novamente em mim. Coincidência. Estamos pregando a mensagem de livramento de redenção para todo o que crê! Como precisamos de memoriais! Sim. tem outra origem. As duas palavras têm praticamente o mesmo radical. em Canaã. ou seja. e aonde estamos indo. O malfeitor da cruz não precisou se batizar. 22. sempre era celebrada a manifestação da shekinah divina (cf.

e pelo tronco da cruz. pela lembrança de Cristo na cruz. porém.sabe. mas não é comunhãode-cafezinho! Por isso. mas a minha cruz! Há uma comunhão entre os crentes na Ceia Memorial. não estamos tendo uma visão. não é comunicação com um morto como querem ensinar por aí. porque me vem à mente que sou indigno pecador. que vou dizer-vos não vos louvo. ainda me emociono quando participo da Ceia do Senhor! E cada vez que seguro o pão. 17). o amor cívico. mas uma comunhão espiritual. infelizmente. não estamos dizendo que nos unimos a Jesus Cristo através do Nirvana. e o Seu sangue escorrendo pelas mãos. místico. mas para o pior. não para melhor. porquanto vos ajuntais. e diz "Mas. entre o homem pecador e o Deus perfeito. patriótico. e derramo um pouco no cálice. que vou dizer-vos não vos louvo. Assim. Sim. reunia-se para a indignidade. são 39 anos celebrando a Ceia do Senhor praticamente mês a mês (e houve época quando o fiz duas vezes no mês). e se emocionar com o verde-amarelo tremulando nos mastros com outras bandeiras. precisamos de memoriais. ao se participar da Ceia do Senhor.. e que pela graça de Deus fui feito Seu filho! Lembro-me. Não há comunhão física. Por essa razão. se a levamos a sério. não estamos falando de encontro sobrenatural. É isso o exatamente o que faz a Ceia do Senhor: ela nos relembra o dom da vida através da morte de Jesus Cristo. como querem pregar as religiões orientais. Isso se chama filia. e pela nossa identificação com essa cruz: a minha cruz. quando tomo a jarra de vinho. pela Sua testa. Não confundamos as coisas: quando falamos de comunhão. mas para pior" (v. pela face. a data principal da Bahia! Falamos de amor conjugal. que se reuniu não para o melhor. Paulo está preocupado. Ao longo destes 39 anos de ministério da palavra e das ordenanças. utilizamos a linguagem da comemoração. nós não temos tal costume. Não é doença. Aconteceu. há uma comunhão espiritual pela lembrança de Cristo na cruz. Temos que lembrar da nossa indignidade e da beleza do perdão. se alguém quiser ser contencioso. não: é patriotismo mesmo! Sim. não! A Palavra nos ensina que a Ceia do Senhor é um memorial. mas ainda hoje tremo quando tenho na minha memória e coração a cena de Jesus Cristo no Calvário. porquanto vos 7 . Quando se ouve o nome de Maria Quitéria. não de Cristo. não. com a igreja de Corinto. que estar num outro país. porém. Com certeza: precisamos de memoriais. eu me emociono. de que fico com as mãos trêmulas. A LINGUAGEM DA COMUNHÃO (vv.. nem tampouco as igrejas de Deus. e o parto na frente dos irmãos. temos o memorial da Ceia do Senhor. Nisto. quando nos reunimos seriamente para celebrar este ato memorial. logo lembramos do Dois de Julho. lembramos a aliança. 17-20) Paulo disse: "Nisto. sem dúvida.

10. e assim coma do pão e beba do cálice". Os levitas funcionavam. nem os levitas que eram os seus auxiliares. Havia divisões na igreja de Corinto quanto a questões de doutrina. os levitas pegavam o pacote e faziam o carregamento nos carros de boi para o transporte pelo deserto. por essa razão é dever de cada um solene e seriamente examinarse sobre quais são os seus interesses e propósitos quando se aproxima da Mesa do Senhor. pois. Fiquei arrepiado! Que coisa impressionante a legislação. e os outros. lei de guerra! O "estranho" não era o pagão. será culpado do corpo e do sangue do Senhor. embalavam os móveis. e depois que tudo era embalado. Estive lendo sobre os levitas e sacerdotes (Números 3 e 4). por isso podemos nos aproximar dos objetos. é isso o que estamos proclamando! A LINGUAGEM DA CONSAGRAÇÃO (vv. com várias camadas de tecidos (e de cores diferentes para mostrar o grau de santidade do objeto). era o próprio povo de Israel. A lei não era fácil: era marcial. a unidade da igreja. Só que há uma diferença muito grande: na Igreja Cristã o pastor não é o sacerdote. e ninguém via a forma do objeto. no entanto. como eram as normas no acampamento de Israel no deserto: somente podiam se aproximar dos móveis os sacerdotes. não para melhor. da Mesa do Senhor! Mas tem uma coisa: se o irmão vier à Mesa do Senhor com as mãos sujas. os sacerdotes entravam. sairemos com a mesma amargura e rancor com que entramos. "De modo que qualquer que comer do pão. Examine-se. não. capítulos 12 e 14). e o propósito da Ceia! O que Paulo está enfatizando é a harmonia da Ceia. E depois todos queriam se reunir para "tomar cafezinho"?! A Ceia do Senhor não é para isso. E. mas para pior". entre outros deveres. porque a tomamos agora. a qualidade de vida espiritual. 27-29) Quando celebramos a Ceia usamos esse tipo de linguagem. Quando havia necessidade de desmontar o tabernáculo para se transferirem para outro lugar.). e quando celebramos com seriedade a Ceia. o homem a si mesmo. e se não temos essa impressão profunda. ou beber do cálice do Senhor indignamente. "será culpado 8 . Interessante que a Ceia do Senhor não torna ninguém melhor: ninguém vai sair melhor porque tomou a Ceia do Senhor. E sempre é lembrado o seguinte: "e o estranho que se chegar será morto" (Nm 3. etc. A conduta dos irmãos de Corinto destruía o propósito da igreja.ajuntais. o "povão"! Na Igreja de Cristo fomos todos elevados ao sacerdócio. há um paradoxo: o irmão pode sair pior se tomou a Ceia do Senhor indignamente! É o que Paulo diz. como guardas de segurança do tabernáculo. A igreja estava seccionada por causa de trajes (capítulo 11)?! Havia divisões por causa de uma doutrina (cf. Veja bem a seriedade de seus objetivos.

assim. havendo dado graças. 9 . Examine-se. na noite em que foi traído. além do destaque que a Ceia do Senhor nos fala numa linguagem silenciosa porém plena de energia. mas pode sair pior do santuário. e assim como do pão e beba do cálice. e consagração pessoal porque esse é o propósito. Fazei isto. ou manchadas. o alvo de nossa vida sempre. come e bebe para sua própria condenação. e sou eu um com os Seus? Estou em harmonia. Meu coração está limpo. e. devemos dar graças a Deus pelo privilégio de termos um diálogo com a Ceia do Senhor. de alegria. dizendo: Este cálice é o novo pacto do meu sangue. profundo. reverente e cheio de certeza.23-29). ou beber do cálice do Senhor indignamente. E lembrando. se não discernir o corpo do Senhor" (1Co 11. até que ele venha. Temos o pão e temos o vinho. Semelhantemente também.do corpo e do sangue do Senhor" (1Co 11. que venhamos à mesa do Senhor em espírito de comemoração porque essa é a linguagem que falamos agora. salvo pelo sangue de Jesus? Lavado pelo Seu sangue? · Que é que eu tenho feito? Minhas mãos estão limpas. minha vida é digna da comunhão com os outros crentes? Permanece a minha aliança com o Deus vivo? Se não conheço a Jesus Cristo. estou vindo com fé na morte de Jesus Cristo? Vivo diariamente pelo poder da ressurreição de Jesus Cristo? São perguntas que tenho que fazer! É Jesus realmente o alimento da minha alma? Sou eu um dos Seus. pois.27b)! O irmão não sai melhor. fazei isto em memória de mim. o objetivo. e. como posso me lembrar dEle? Phillip Henry diz que o crente quando for participar da Ceia deve fazer três perguntas: · Que é que eu sou? Filho de Deus. Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor. tomou o cálice. será culpado do corpo e do sangue do Senhor. o homem a si mesmo. Quanto seriedade é exigida dos participantes?! Então. que almejo na Causa de Jesus Cristo? Não é sério? Então. ou borrado. em comunhão espiritual porque essa é a realidade que vivemos agora. De modo que qualquer que comer do pão. sobretudo. em memória de mim. que a Ceia do Senhor não é um funeral (para que cara triste?): a Ceia do Senhor é uma celebração de fé. de esperança porque nós olhamos para o dia da volta de nosso Senhor Jesus Cristo! Parte III O DIÁLOGO DA CEIA DO SENHOR Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus. o partiu e disse: Isto é o meu corpo que é por vós. tomou o pão. A Ceia Memorial tem sido celebrada num ambiente espiritual. depois de cear. todas as vezes que o beberdes. Porque quem come e bebe. sujo? · Que é que eu desejo? Quais os meus sonhos e visões.

e quando tomamos o cálice. fosse no deserto. em memória de mim". e mandou que a Igreja praticasse o batismo. dizemos que o sangue de Jesus Cristo foi derramado por mim e por 10 . em Canaã. não tem a mesma categoria. mas já estava com Jesus Cristo no paraíso após aquele momento cruel. e somente duas: o Batismo e a Ceia Memorial. 22. a gloriosa presença de Deus no meio do Seu povo. Pela inspiração do Espírito de Deus. Pois bem.1. a palavra que significa "manifestação de Deus. Sl 78. A outra ordenança é a Ceia do Senhor. quando observamos a Ceia do Senhor. o que fazemos como testemunho público do que Jesus Cristo fez na nossa vida. ou seja. Is 18. não por nós ou pelos outros. todas as vezes que o beberdes. a palavra grega utilizada nada tem a ver com o hebraico: é outra língua. outra origem. a palavra que João utilizou para dizer "o Verbo habitou. tomou o cálice. apenas uma filigrana lingüística: na língua hebraica. marcou presença. mas pelo Senhor. que é o corpo de Jesus Cristo que sofreu no Calvário. presença divina" é shekinah. fazei isto. E nesta simplicidade. na verdade não precisa do Batismo para acrescentar algum valor maior à salvação. Aqui. ele disse "E o Verbo se fez carne. Então. Quando João escreveu a narrativa que abre o Evangelho que leva o seu nome.60. ou vontade de Deus que as palavras assemelhadas fossem usadas pelo escritor sagrado? Para que se manifeste a glória de Deus. manifestou-se entre nós". é a palavra grega que diz skinê. ela se torna um meio de comunicação de algumas importantes mensagens para o povo de Deus. cheio de graça e de verdade". ou nas grandes batalhas. porque estamos pregando a Sua morte para a salvação de todo aquele que crê. fazemos algo pelo Senhor. é que a Ceia do Senhor é celebrada por Sua Igreja. inclusive lingüística. e habitou entre nós. mas o batismo é um ato de obediência: Jesus até foi batizado por João. As duas palavras têm praticamente o mesmo radical. Jesus Cristo estabeleceu duas ordenanças. Coincidência. depois de cear. Não é preciso. Uma pessoa em sendo salva por Jesus Cristo. dizendo: Este cálice é o novo pacto no meu sangue. Cada vez que a glória do Senhor se manifestava no meio do povo de Israel. O malfeitor da cruz não precisou se batizar. até mesmo a escolha de certas palavras tem o seu lugar na Escritura Sagrada. e para que pensemos nEle.19). Estamos dizendo isso quando tomamos o pão nas mãos. É extraordinária a presença de Jesus Cristo na vida cristã.elementos simples e destacados nesta celebração. São ordenanças sem qualquer benefício acessório para a salvação. Percebam o som do hebraico sh ki nah e do grego s ki nê.25) Paulo diz isso: "Semelhantemente também. "para que pensem novamente em mim". A LINGUAGEM DE COMEMORAÇÃO (v. sempre era celebrada a manifestação da shekinah divina (cf.

17). temos o memorial da Ceia do Senhor. daquilo que somos. Sim. por nós. o amor cívico. O Novo Testamento nos ensina que a Ceia do Senhor é um memorial. ensinando que no momento em que são pronunciadas as palavras de instituição ("isso é o meu corpo" e "isso é o meu sangue") que tanto o pão quanto o vinho mudam a sua substância. pela lembrança de Cristo na cruz. entre o homem pecador e o Deus perfeito. Assim. e as suas substâncias tornam-se. Isso aconteceu. ela utiliza a linguagem da comemoração. Que coisa triste.você. porém. precisamos de memoriais para que nos lembremos de quem somos. não estamos tendo uma visão. 11 . precisamos de memoriais. místico. não para melhor. que vou dizer-vos não vos louvo. Por essa razão. quando nos reunimos para a Ceia. não estamos dizendo que nos unimos a Jesus Cristo através do Nirvana. a da carne e do sangue de Jesus Cristo! O Senhor tenha piedade! Isso não se encontra na Escritura?! A comunhão com Cristo não necessita que a substância desses elementos materiais seja mudada. E não existe sentimento maior que estar em outro país. não. não estamos falando de encontro sobrenatural. como querem pregar orientais. Isso se chama filia. porquanto vos ajuntais. mas uma comunhão espiritual. com a igreja de Corinto. Não há comunhão física. que se reunia para a indignidade. Estamos pregando a mensagem de livramento de redenção para todo o que crê! Como precisamos de memoriais! Sim. É isso o exatamente o que faz a Ceia do Senhor: ela nos relembra o dom da vida através da morte de Jesus Cristo. patriótico. infelizmente. mas para pior" (v. Como a transubstanciação. ao se participar da Ceia do Senhor. e aonde estamos indo. os memoriais brasileiros se apresentam por todos os lados: é a bandeira do Brasil sendo desfraldada. A LINGUAGEM DA COMUNHÃO (vv. não é comunicação com um morto como querem ensinar por aí. porque estamos aqui. a data principal da Bahia! Falamos de amor conjugal. lembramos a aliança. Sem dúvida. Temos que lembrar da nossa indignidade e da beleza do perdão. reunirem-se os nossos irmãos para atos indignos! Não confundamos as coisas: quando falamos de comunhão. não! É por esses erros todos que doutrinas estranhas surgiram ao longo da história da Igreja Cristã. e se emocionar com o verde-amarelo tremulando nos mastros com outras bandeiras. logo lembramos do Dois de Julho. Quando se ouve o nome de Maria Quitéria. Quando nosso país joga na Copa. respectivamente. precisamos de memoriais. 17-20) Paulo disse: "Nisto. sem dúvida.

porque me vem à mente que sou indigno pecador. Fiquei arrepiado! Que coisa impressionante a legislação. e o parto na frente dos participantes. ninguém vai sair melhor porque tomou a Ceia do Senhor. porquanto vos ajuntais. A igreja estava dividida por causa de uma doutrina (cf. havia divisões por causa de trajes (capítulo 11)?! E depois todos queriam se reunir para "tomar cafezinho"?! A Ceia do Senhor não é para isso. como eram as 12 . o homem a si mesmo.Ao longo destes quase quarenta anos de ministério da palavra e das ordenanças. E agora o paradoxo: o irmão pode sair pior se tomou a Ceia do Senhor indignamente! É o que Paulo diz. há uma comunhão espiritual pela lembrança de Cristo na cruz. nós não temos tal costume. nem tampouco as igrejas de Deus. não! Porque tomamos agora. "De modo que qualquer que comer do pão. quando tomo esta jarra de vinho. são 39 anos celebrando a Ceia do Senhor praticamente mês a mês (e houve época quando o fiz duas vezes no mês). e que pela graça de Deus fui feito Seu filho! Lembro-me. e o Seu sangue escorrendo pelas mãos.. e você ia ficar com vergonha se ficasse sentado e não participasse? Quais são seus propósitos quando se aproxima da Mesa do Senhor? Estive lendo sobre a congregação dos levitas e sacerdotes (Números 3 e 4). mas a minha cruz! Há uma comunhão entre os crentes. mas não é comunhão-de-cafezinho. por essa razão é dever de cada um solene e seriamente examinar-se sobre quais são os seus interesses em Jesus Cristo. se alguém quiser ser contencioso. não de Cristo. e pelo tronco da cruz. e o propósito da Ceia! O que Paulo está enfatizando aqui é a harmonia da Ceia. pela face. pela Sua testa. ou beber do cálice do Senhor indignamente.. Paulo está preocupado. fico com as mãos trêmulas ainda. não para melhor. e derramo um pouco no cálice. Interessante que a Ceia do Senhor não torna ninguém melhor. é a unidade da igreja. pois. Examine-se. capítulos 12 e 14). a qualidade de vida espiritual. mas ainda hoje tremo quando tenho na minha mente e coração a cena de Jesus Cristo no Calvário. e diz "Mas. Sim. Nisto. porém. e se não temos essa impressão profunda. Você participou da Ceia só porque os outros iam ver. e assim coma do pão e beba do cálice". e pela nossa identificação com essa cruz: a minha cruz. mas para pior". e quando celebramos a Ceia. é isso o que estamos dizendo! A LINGUAGEM DA CONSAGRAÇÃO (vv. Terrível! Havia divisões na igreja de Corinto quanto a questões de doutrina. eu me emociono. porque a Ceia do Senhor não é isso! Por isso. Na verdade. 27-29) Quando celebramos a Ceia usamos essa linguagem. será culpado do corpo e do sangue do Senhor. tenho me emocionado sempre que participo da Ceia Memorial! E cada vez que seguro a côdea de pão. que vou dizer-vos não vos louvo. sairemos de novo com a mesma raiva e amargura do nosso irmão em Jesus Cristo! A conduta dos irmãos de Corinto destruía o propósito da igreja.

devemos dar graças a Deus pelo privilégio de termos um diálogo com a Ceia do Senhor. Quando havia necessidade de desmontar o tabernáculo para ir para outro lugar. salvo pelo sangue de Jesus? Lavado pelo Seu sangue? · Que é que eu tenho feito? Minhas mãos estão limpas. Meu coração está limpo. "será culpado do corpo e do sangue do Senhor" (1Co 11. como guardas de segurança do tabernáculo. os sacerdotes entravam. lei de guerra! O "estranho" não era o pagão. o alvo de nossa vida sempre. e os outros. nem os levitas quer eram os seus auxiliares.normas no acampamento de Israel no deserto: somente podiam se aproximar dos móveis os sacerdotes. mas pode sair pior do santuário. assim. de alegria. ou manchadas. o objetivo. A lei não era fácil: era marcial. minha vida é digna da comunhão com os outros crentes? Permanece a minha aliança com o Deus vivo? Se não conheço a Jesus Cristo. que a Ceia do Senhor não é um funeral (para que cara triste?): a Ceia do Senhor é uma celebração de fé. Os levitas funcionavam. que almejo na Causa de Jesus Cristo? Então. E lembrando. da Mesa do Senhor! Mas tem uma coisa: se o irmão vier à Mesa do Senhor com as mãos sujas.27b)! O irmão não sai melhor. o "povão"! Na Igreja de Cristo fomos todos elevados ao sacerdócio. estou vindo com fé na morte de Jesus Cristo? Vivo diariamente pelo poder da ressurreição de Jesus Cristo? São perguntas que tenho que fazer! É Jesus realmente o alimento da minha alma? Sou eu um dos Seus.10. sujo? · Que é que eu desejo? Quais os meus sonhos e visões. Só que há uma diferença muito grande: na Igreja Cristã o pastor não é o sacerdote. entre outros deveres. e depois que tudo era embalado. e consagração pessoal porque esse é o propósito. por isso podemos nos aproximar dos objetos. era o próprio povo de Israel. sobretudo. não. ou borrado. Então. e sou eu um com os Seus? Estou em harmonia. com várias camadas de tecidos (e de cores diferentes para mostrar o grau de santidade do objeto). e ninguém via a forma do objeto. de esperança porque nós olhamos para aquele dia! Que o Senhor nos ajude e abençoe! Patte IV VESTIMENTA NA IGREJA 13 . em comunhão espiritual porque essa é a realidade que vivemos agora. que venhamos à mesa do Senhor em espírito de comemoração porque essa é a linguagem que falamos agora.). como posso me lembrar dEle? Por isso que Phillip Henry diz que o crente quando for participar da Ceia deve fazer três perguntas: · Que é que eu sou? Filho de Deus. E sempre é lembrado o seguinte: "e o estranho que se chegar será morto" (Nm 3. embalavam os móveis. e. etc. os levitas pegavam o pacote e faziam o carregamento nos carros de boi para o transporte pelo deserto.

visando o bem-estar físico. permanecendo fiel a Cristo e a convicção ministerial que temos de que a igreja brasileira necessita urgentemente experimentar um avivamento de santidade. em nome de Jesus. da quebra dos paradigmas. Chegou para ficar e se estabelecer como referencial de comportamento cristão. Não importa a razão. pretendemos persistir no combate desta maldição. Porém. Faço minhas as palavras da personagem de Tarcísio Meira na série Um só Coração. da Rede Globo. para asseverar a minha convicção espiritual em relação a vestimenta do cristão verdadeiro. razão pela qual decidimos tratar francamente deste assunto com toda a igreja. A primeira roupa . Há algum tempo temos alertado a igreja sobre esta questão. Medidas que se tornaram necessárias por causa da corrupção imposta pelo pecado à natureza humana. as pessoas estão cada vez mais nuas. Aquelas que insistem em se vestir bem e com decoro. pois creio que na igreja de Jesus Cristo não deve existir a preocupação exagerada com a moda. Não pretendemos desenvolver um tratado teológico sobre o tema e nem desejamos agir com rigorismo em termos de usos e costumes. Apenas desejamos apresentar aos irmãos textos bíblicos que devem nortear a nossa experiência de fé e de vida cristã. transformações essas que nos atribuam redobrada autoridade espiritual e testemunhal diante desta geração corrompida e perversa em que vivemos. Inicialmente. bem como no combate de toda a sorte de malignidade que tenta corromper os parâmetros de Deus para a santidade do cristão. 1. causando transformações radicais em nossas mentes. dos regionalismos ou da libertinagem e do hedonismo peculiar a pós-modernidade. Tais vestimentas são precursoras de muitas outras medidas adotadas por Deus. Seja em nome da moda. mesmo sob a pecha de radical.. O trágico é reconhecer que esta nudez desenfreada chegou à igreja. Vejamos no Texto Sagrado alguns ensinamentos bem objetivos sobre a vestimenta do povo de Deus. mas sim com o recato e o decoro que devem ser peculiares aos santos. o que é absurdo.. 14 . que se reflete na vestimenta. da liberação feminina. de retrógrado. vejamos algo sobre. cercadas de pessoas nuas por todos os lados. mas parece que não temos sido bem-sucedido nestes alertas. relacionadas a moral e aos bons costumes. Há uma monumental investida contra a moralidade do ser humano. parece que estão ilhadas. ou seja. de antiquado ou de autoritário.21: Vemos que o primeiro a apresentar a preocupação com a vestimenta do ser humano foi o próprio Deus. do tropicalismo. social e espiritual da humanidade.Gênesis 3.Introdução: "Nesta casa não tem moda. tem recato".

As roupas para a adoração . É reconhecimento do caráter divino e da santidade do Deus objeto da adoração. visto que nos aproximaremos de Deus. Adoração é ato de culto. O homem foi criado em santidade e a nudez não lhe causava constrangimento diante do Criador. Podemos verificar também os versos 31-35 e 39-43 de Êxodo 28.9.. Em segundo lugar. com o rasgar do véu no templo. Se a sua mente tenta justificar a não aplicação deste texto em sua vida. A nudez neste contexto representa a consciência da corrupção. Pior ainda é a seminudez. Por esta razão. Ou seja. Deus fez túnicas de peles. Devemos observar que mesmo sob maldição. a nudez passou a ser motivo de medo. com a roupa íntima do sacerdote. A glória de Deus manifesta é símbolo real e indiscutível da presença de Deus no culto ministrado diante dele e para ele. puras e santificadas. 15 . roupas de gala. que instiga e explora a sensualidade. a partir do sacrifício de Jesus. destacando a preocupação de Deus até com os calções.1-4: Neste texto Deus exige roupas especiais. O princípio que se encerra neste contexto bíblico é o de que as vestimentas que usamos no ato de culto devem ser limpas. Apocalipse 1. da quebra de um padrão estabelecido por Deus.Nos versos 10 e 11 de Gênesis 3 o homem alega medo de Deus devido a sua nudez. Mas depois do pecado. uma vez quebrada a imagem e semelhança moral de Deus no homem. verso 21. verso 42. ou seja.. O conceito básico que estabelece os parâmetros da vestimenta sacerdotal é o de que as roupas são como referencial de apresentação diante da glória de Deus e para a glória do Deus que é adorado. em pecado. que fazem referência aos paramentos e assessórios sacerdotais. devo ressaltar que a Palavra de Deus assevera que. para o sacerdote na ministração do culto e da adoração. para a desonra.6 e 1 Pedro 2. Desta referência concluímos que estar na presença de Deus consciente da nudez imoral é afronta contra o Senhor. É pecado. todos fomos feitos sacerdotes para Deus. Deus exige roupas especiais para o ato de culto verdadeiro. Deus não expulsou o homem do Éden nu.Êxodo 28. provocando pensamentos impuros e constrangimentos ao desnudo. roupa que cobre tudo o que deve ser preservado e que indica parâmetros de moralidade e de respeito entre serem humanos. 2. vejamos algo sobre. que é santíssimo.

curado e salvo. Naamã fosse quebrantado. A realidade. uma experiência íntima com ele. Ficou frustrado e aborrecido ao se sentir desprezado pelo profeta.14. ou seja. Roupas como sinal de reverência . bem como pelo fato de o profeta não aceitar os seus presentes. que é o que nos habilita a estarmos diante do Senhor em adoração. Hebreus 12. ou ainda. nem roupas indecorosas ou falta de roupa que se deve levar para a presença do Senhor ou do servo de Deus. que o representa na ministração para as nossas vidas. trajados com decência. quando nos apresentamos diante do Senhor para prestar-lhe culto. o seu coração ainda era obstinado e Deus conduziu o profeta para que. por isso.indicando que o cuidado de Deus vai além da roupa aparente. As afirmações destes versos. nem modismo. eram roupas especiais. o grande general.2 e 96. roupas de festa. Porém. Não podemos estar na Casa de Deus com vestimentas que não sejam expressão da nossa busca de santidade.. a tomarem cuidado com os seus trajes quando estiverem em uma situação que saibam que estarão diante de Deus. Vejamos em seguida algo sobre. desejando causar boa impressão e agrada-lo. Somos os sacerdotes consagrados por ele e para ele. embora traduzidas como "esplendor do seu santuário" ou "esplendor da sua santidade".9. por 16 . Pensando ainda em roupas para a adoração. Este gesto de Naamã aponta para o reconhecimento da superioridade do profeta em relação a ele e para o reconhecimento da soberania de Deus em relação a sua vida e circunstância. levou roupas finas e luxuosas. indicam. com aquela atitude. Desta maravilhosa narrativa bíblica fica para nós a seguinte lição: não é molambo. Este texto mostra que Naamã ao se dirigir ao servo de Deus. não entendia bem tudo o que estava acontecendo.1-6: Reverência tem a ver com a postura resultante da conscientização a que chegamos em relação ao valor do outro. Deus requer moralidade na adoração e na ministração dos cultos.2 Reis 5. devemos observar ainda os ensinos de Salmos 29. 3. Afinal. como "beleza da sua santidade". Naamã. Vale ressaltar que o Texto Sagrado alerta até mesmo aqueles que não são servos de Deus e que não têm.. amados. humilhado. em sua idéia mais remota. a luz do contexto geral da Bíblia. nem trapo velho encardido. bem como durante os cultos. prata e cravejadas de pedras preciosas. é que Deus requer decência de cada um de nós. Devemos ter a consciência de que estamos diante do próprio Deus e que. com aplicações em ouro. que devemos estar bem vestidos.

mas com decência e decoro. Em Jesus não somos mais pessoas separadas de Deus.Lucas 15.. O parâmetro de Deus para a vestimenta do cristão . Por fim. desnudados ou vestidos de maneira indecorosa. Mais uma vez a sua mente. em especial osversos 16-18. o Deus que está pronto a nos quebrantar. Os farrapos de uma vida dissoluta e distanciada de Deus e dos parâmetros da moralidade devem ser jogados fora e trocados por vestimentas novas. indica a transformação de vida que o jovem experimentara. que simbolizam a nossa restauração e a retomada da nossa condição de filhos. Estas roupas novas simbolizam o perdão que nos foi outorgado. vejamos algo sobre. Vamos nos ater as roupas. 4. A exigência de decoro e de moralidade na vestimenta é para mulheres e homens ao mesmo tempo. sapatos e um anel. mesmo que com roupas humildes e simples. Roupas como sinal de restauração . devemos estar bem trajados. tendo regatado a nossa posição espiritual como filhos de Deus. Em Cristo nos tornamos pessoas especiais. O que comprova isso é o contexto geral do capítulo.isso. 5.9-10: Estes versos falam em trajes decorosos e sem luxúria como a vestimenta ideal para o servo de Deus. principalmente a dos homens. Apocalipse 3. A condição de coitado.. Vejamos ainda algo sobre. a nos curar e ministrar salvação. que exige dos homens um alto padrão de santidade para a oração. em seu retorno. limpas e decentes.. "a melhor roupa". bem como da restituição do nosso direito espiritual como herdeiros de Deus em Cristo. Isso não é verdade. em especial o verso 8. vestes espirituais.21-22: Neste texto identificamos duas questões importantes: O filho reconhecendo o seu estado e admitindo a perda da condição de filho e o pai amoroso dando ao filho pródigo. miserável e nu é para aqueles que serão vomitados pelo Senhor devido a mornidão espiritual. A entrega de roupas novas para o filho. como que deserdadas por causa do pecado. mostrando que reconhecemos a superioridade e a soberania de Deus. pode estar tentando se justificar dizendo que o ensinamento paulino não se aplica a você.. e não para os filhos que vivem em perfeita comunhão com o Pai. levando o melhor possível. roupas novas. servindo também como prova da nossa aceitação na casa do Pai. 17 .1 Timóteo 2. não podemos mais permanecer maltrapilhos.14-22. Quando nos convertemos Deus nos honra e nos dá novas vestes.

pois não haverá tempo para trocar de roupa antes de entramos no céu. por certo. Paulo usa o termo para fazer referência também a moralidade sexual que nos é exigida por Deus e que deve se refletir em nossas roupas. utilizado por Paulo. ou roupa decorosa. que reflete a sua compostura moral e espiritual. imorais. Ou seja. em nosso caráter.23-24. que é o desejo de pecar. É licenciosidade moral que denota a lascívia. Deus exige dos seus filhos uma vestimenta decorosa e isenta de qualquer sintoma de luxúria. que descreve o fato de termos as roupas sempre à mão como sinal de preparo espiritual para o encontro com Jesus. O jeito como nos vestimos reflete a nossa consciência moral em termos de sexualidade. A luxúria se contrapõe acirradamente ao decoro. O que vestimos mostra o que esperamos que as pessoas pensem de nós em relação a maneira como tratamos a nossa sexualidade. que fala da roupa dos mártires na glória. Isso é verdade desde que não haja falsidade em nossos corações A escolha não é muito difícil. que é agora santificado pela ação do Espírito Santo que em nós habita. e a concupiscência. no que diz respeito a nossa vestimenta. do indivíduo. Em contrapartida.Decoro é recato no comportamento e decência no vestir. suas roupas. falarão mais alto do que as suas palavras em meio ao burburinho esganiçado da promiscuidade na qual chafurda a nossa sociedade. Nossas roupas indicam se temos maus ou bons costumes morais. que é pecado. de valor e de discreta beleza usadas por Jesus. A nossa roupa pode refletir o nosso caráter. bem como o nosso senso de preservação da nossa integridade moral. ou seja. Está relacionado com a postura que adotamos para a vida. 18 . ultrapassa a idéia de vestuário simplesmente. O termo traduzido por "traje decoroso". Apocalipse 7. A maneira como nos vestimos ressaltam o valor moral que atribuímos ao nosso corpo diante de Deus. que falam das roupas de boa qualidade. que refletem lascívia e libertinagem imoral. que eram as mesmas vestes que usavam aqui na terra. e Apocalipse 16. no original. Deus exige de nós um comportamento recatado através do qual as pessoas percebam que estamos libertos do desejo de pecar e que fomos restaurados em nossa moralidade. tais como João 19. Se nos vestimos com luxúria as pessoas poderão imaginar que somos licenciosos.15. Roupas sobrecarregadas de luxúria e de sensualidade. Lembre-se. Luxúria é comportamento desregrado em relação a sexualidade. Se nos vestimos com decoro. Conclusão: Outros textos poderíamos estudar sobre o tema.9-17. mas creio que já vimos o bastante para estabelecermos parâmetros éticos para a nossa igreja. por certo as pessoas perceberão que nós nos honramos e que lutamos para nos preservar em santidade diante de Deus.

Seria uma bênção se estas normas fossem aplicadas pelos irmãos e irmãs de modo geral. para declamar. desigual e agonizante como percebemos a nossa. É Bíblia. e nem decotes meia-taça que 19 . devem ser estabelecidas algumas regras bíblicas em relação a vestimenta que se usará para a participação e para ministração nos cultos. como já dissemos neste estudo. de hoje em diante. visto que imoralidade. O resultado da imoralidade no vestir é uma sociedade corrompida. Será mesmo que não temos razões que justificam estudar este tema? Vale ressaltar ainda que este estudo. lascívia. sem relativizações éticas e sem a tentativa de se fazer a vontade humana. pois o pastor não deve se dar ao trabalho de vigiar ninguém. a aceitação parcimoniosa do divórcio e. sem ajustes humanos. Se você procura outro evangelho que não o de Jesus Cristo. que nos quer santos para ele e santificadores pelo testemunho cristão autêntico. Por fim. Este estudo apresenta o evangelho que é a luta por se fazer a vontade de Deus. na escola. não podemos fazer o papel do Espírito Santo no convencimento das pessoas. para qualquer coisa. é também evangelístico. em todo o lugar onde estivermos e no nosso cotidiano. A igreja de Cristo não é o seu lugar. o culto ou qualquer outra participação. Não só na igreja. embora de cunho ético. a gravidez na adolescência. a prostituição desenfreada. como pastores. Não importa. famílias destroçadas. nossa oração é para Deus. É Palavra de Deus. não se deve permitido blusas de alças (aquelas blusas que só tem as alcinhas e mais nada). a banalização do adultério. Uma vez realizado o estudo. no trabalho. Não nos preocupa nem mesmo o fato de você pensar que este assunto não deveria ser tratado na igreja. toque em nossas mentes e corações a fim de que mudemos radicalmente a maneira de nos vestirmos. bateu no estudo errado. promiscuidade. no cóxi ou no "rego". pois em diversas ocasiões manifestamos nossa posição bíblica sobre a questão da vestimenta do cristão. visto que. Deus há de restaurar e transformar a consciência de cada um. bem como para se subir na plataforma para ministrar o louvor. na igreja.Talvez você esteja se perguntando: Onde se pretende chegar com este estudo? Ou quem sabe você esta ruminando com os seus botões. Pois apresenta o evangelho verdadeiro. no que diz respeito a utilização do púlpito. O resultado dessas estratégias diabólicas tem sido a violência sexual contra as crianças. para cantar. tomara que caia (que para os mais afoitos devia chamar "pena que não caiu"). Porém. "Já até sei qual vai ser o resultado disso". decote umbilical.. mas em casa. ao estar na frente para ministrar o culto. pelo Espírito Santo.. como decorrência. exploração da sensualidade na vestimenta e o cinicamente chamado nu artístico são ações maléficas do diabo contra a natureza humana e a sociedade. Por isso. Mas devemos tratar destas questões na igreja sim. em fim. Lógico que cabe ao pastor a ministração da Palavra e a supervisão quanto a obediência aos ensinamentos do Senhor. vamos ao objetivo deste estudo que não é nada que a igreja já não saiba. Não é o pastor que manda.

projetam os seios para os olhos incautos dos homens ávidos por aconchego ou mesmo dos desavisados. aos críticos. não se deve permitir mais uma vestimenta indecorosa. expressa na Bíblia Sagrada. Vamos assumir a nossa responsabilidade e corrigir a nossa conduta moral. Haja unção para olhar e não pecar. para ministrar o culto ou o louvor. diante de Deus. ficamos com a Bíblia. fazer anúncios. para ministrar na presença de Deus. cantar em conjunto ou pregar. Somos nós e os nossos filhos que nos vestimos indevidamente. Não precisaríamos ouvir críticas ou cobranças por causa de vestimenta. Entre a relativização ética e o Texto Sagrado. Quanto às críticas ao autor e ao estudo. micro-saia. ou mesmo roupas esculachadas. que não condizem com o padrão de Deus para a vestimenta do salvo e nem com o testemunho cristão. Mesmo que isso nos imponha a impopularidade. vestidos curtos (daqueles que vão só até a cabeça do fêmur) ou transparentes e translúcidos. fazendo a sua vontade. modismos exagerados e imorais. e nem com uma calça comprida atarracada no corpo. no que diz respeito a vestimenta.. Se não compramos. 20 . cantar. em nome de Jesus. por que estas não são roupas adequadas para se estar na frente da congregação. Esperamos no Senhor que este estudo seja suficiente para uma tomada de posição nossa como igreja de Cristo no Brasil. tocar. demonstrando que não temos mais os temores do pecado quanto a nossa nudez. ficamos com a Bíblia. e que estamos devidamente vestidos para a adoração e em profunda e sincera reverência a Deus. Não importa. o estigma de radical ou a renúncia do pastorado. Diante de Deus e da congregação devemos estar bem trajados. mesmo que para isso tenhamos que fazer uma "fogueira santa" com as roupas que usávamos até sermos exortados na Palavra de Deus. Não mais se deve permitir o uso de mini-saia. Diante da igreja. Com roupas deste tipo não se deve participar da ministração. ficamos com a Palavra de Deus. Somos nós que compramos as roupas dos nossos filhos. entre a frouxidão moral e Palavra de Deus. Porém. na genitália ou no traseiro. Não se deve ir para a igreja com calça de cós baixo (daqueles que ficam no púbis) sem uma blusa ou camiseta que cubra os quadris. admitimos que eles comprem ou que usem. Seja para apresentar visitantes. Seria maravilhoso se num domingo fizéssemos esta fogueira para queimar as roupas das quais o Senhor nos libertou depois de termos estudado a Palavra. Entre a perversão do modismo e as Escrituras. Seja para dirigir programa.. Isto por quê? Porque fomos restaurados por Deus da nossa natureza pecaminosa e porque estamos dispostos a obedecer ao Senhor. muito obrigado.

ou como bem o expressou A. “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor!” (cf. confessamos nossos pecados em conjunto. No culto. das mãos. O povo ia ao Templo de Jerusalém. “de romaria” ou “de procissão” em outras traduções). níveis sociais. Podemos. visto que. Adorar. há pessoas de diferentes origens. edificante experiência de ver o povo de Deus chegando cada manhã ao templo é uma alegria dominicalmente renovada. e cantando à medida que iam se aproximando dos portões da Cidade Santa. o crente deve dar é unir-se ao povo de Deus na instituição que Ele estabeleceu para o propósito de lhe trazer crescimento: a igreja local. coluna e esteio da verdade” (1Tm 3. Parte V “ALEFREI-ME QUANDO ME DISSERAM. apóstolo: “Escrevo-te estas coisas. Assim. Na verdade.14.4) Jesus Cristo ensina que o Senhor busca adoradores (Jô 4. e saímos para servir com um só propósito embora em situações e contextos distintos. dos lábios que se renderam ao Criador. crentes com espírito de louvor. O crente troca a independência. saibas como se deve proceder na casa de Deus. dos pés. submissão e pedido de socorro. não poderemos trabalhar aceitável e adequadamente pelo reino de Deus. e vem hoje ao templo. Há. É o que diz a nota de explicação do Salmo 122 com a expressão “cântico de degraus” (“gradual” ou “de romagem”. é mais que qualquer um desses atos. No culto comunitário. Cantar. cultuar é confessar que se mantém um relacionamento com o Criador. mesmo. orar. raças e 21 . v. fato esquecido hoje em dia por liberais. imaginar as multidões indo à Beth haMikdash (Templo) em Jerusalém. as tribos do Senhor. Porém. inspiradora. recebemos a Palavra em conjunto. tudo leva à adoração. é se deixar inflamar pelo Deus Pai. pelo Deus Filho e por Deus Espírito Santo. É nesse pensamento que o poeta exclama com tanto entusiasmo. Se não somos adoradores..15). para que. meditar. a rebeldia pela rendição a Deus.. Tozer: “Deus salva os homens para fazê-los adoradores.. com que objetivo? A Casa de Deus É lugar de adoração. W.1) A tocante. a qual é a igreja do Deus vivo. embora esperando ir ver-te em breve. no caso de eu tardar. como testemunho para Israel." Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor” (Sl 122. louvamos a Deus em conjunto. Está na Palavra Santa: “. após a salvação. pois o Espírito Santo age através do coração. no entanto.aonde sobem as tribos. No dizer de Paulo. a auto-suficiência. a fim de darem graças ao nome do Senhor” (Sl 122. 4).23). pela entrega. seitas e (até) cristãos bíblicos”.. que ser assim. porém. o louvor é a nossa resposta ao amor de Deus. o passo mais importante que o novo crente.Amém.

eu sinto a maior alegria. a robustez. Habacuque expressou este clamor ao dizer. na oração. “Orai pela paz de Jerusalém” pede o salmista no Salmo 122. eterno amor.20). ao vir ao culto. e orar.20).. Não expressa a Escritura.14). vidas são áridas num mundo árido. muito grave. queremos e pelo qual clamamos.” É a fé estimulada. a coragem. na entrega dos bens e vidas.. pela compreensão do grande. que se chama pelo meu nome. se humilhar. prezamos.4. e se desviar dos seus maus caminhos. Jesus Cristo está presente: “onde se acham dois ou três reunidos em meu nome. É o reaquecimento. tendo eles orado.. e. “Guarda o teu pé quando fores à casa de Deus” (Ec 5. e traz sério prejuízo espiritual para toda a igreja. diz o adorador-em-espíritoe-em-verdade.13). alegrei-me quando me disseram: vamos à casa do Senhor!” A casa de Deus é um lugar de oração. eu sinto real harmonia. O cristão evangélico não “assiste ao culto”: dele participa. quando o culto termina. alegrei-me com tudo o que eu sou. se evaporam no canto congregacional. aquilo que é tão bem expresso na Bênção Apostólica: “A graça do Senhor Jesus Cristo. Por vezes.31). e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós” (2Co 13. são as energias espirituais renovadas. “Alegrei-me de verdade. a mãos. por que no culto. E. Isso nos recorda o ensino bíblico de que é pecado trazer no culto divino e ao serviço do Senhor qualquer coisa que não proceda de uma vida renascida.5: “Pelo que todos quanto somos perfeitos tenhamos este sentimento.2). aí estou eu no meio deles” (Mt 18. Assim. e anunciavam com intrepidez a palavra de Deus” (At 4. É o senso de conjunto. se sentis alguma coisa de modo diverso. e enriquecida pela comunhão dos irmãos. Deus está presente: “O Senhor está no seu santo templo.. no entanto. na mesma expectativa quanto à pregação.3. surgindo a necessidade de reavivar-se a chama dentro de nós. o despertamento que buscamos. A dinâmica do culto consiste em deixar-se o crente individualmente. os olhos. tremeu o lugar em que estavam reunidos. e todos foram cheios do Espírito Santo. O 22 . é ambiente de conseqüente avivamento. e buscar a minha face.6. algo vai acontecer: sua vida será agraciada pela presença de Deus. ó Senhor. e a igreja como um todo tocar pelo Espírito de Deus. a esperança fortalecidas. o Espírito Santo está presente: “E. no canto coral. Todas essas distinções. na leitura bíblica. e o amor de Deus.1a)? É até possível ampliar a explicação exortando a guardar os ouvidos.culturas. a tua obra no meio dos anos. e perdoarei os seus pecados. quando estou com o povo de Deus. O crente há de compreender que. Há um popular hineto que diz: “Quando estou com o povo de Deus. Deus também vo-lo revelará”. Irreverência na casa do Senhor é pecado grave. “Aviva. É o fogo estranho de que fala Levítico 10. a mente e o coração. de adoração conjunta em perfeito acordo com o que Paulo acentuou em Filipenses 3. faze que ela seja conhecida no meio dos anos.1 e Números 3. E o Senhor nos responde: “e se o meu povo. na ira lembra-te da misericórdia” (3. Dominados haveremos de ser por um anseio de uma maior consagração. então eu ouvirei do céu. e sararei a sua terra” (2Cr 7.” (Hc 2.

a TV. improvisada. a alegria do culto divino é um sentimento antecipado. as falsas idéias e doutrinas corrigidas. sem humildade. trazer o amor de Deus e enfatizar a adoração. sem quebrantamento e sem consagração. o dever de casa. sem ensaio. Aliás. a praia. ou ligar a TV e ter a igreja eletrônica com um pregador de estúdio “olhando” para você (?!) da tela fria do televisor. a “axé music” evangélica em vez da calma onde se manifestou o Espírito de Deus a Elias (1Rs 19. a alegria da presença de Deus.. Sim.25). o “trio elétrico” evangélico”. Não pode haver culto se não há adoração com seriedade. É ato corporativo. porque nada vai compensar o culto que você perdeu. sem confiança. se o louvor é sem reverência. Consiste na obediência.. hinetos e doxologias por corinhos de paladar duvidoso.culto não é um drama encenado para uma platéia de espectadores. O objetivo é unicamente a glória de Deus.. a oração e as ofertas para o tema a ser explanado e desenvolvido no sermão.. o calor. ou o turismo eclesiástico nos impeça de vir à própria congregação. Há quem se interesse pelo som. bíblico. o futebol. É não deixar que a chuva. não basta a um cristão dizer que pode orar. os temores afastados. em vez da liturgia (palavrinha boa que significa “o trabalho do leigo”). “Jesus é a aliança entre você e eu. todo culto. Portanto. a corrida de automóveis. pois é preciso crescer com a igreja. com uma teologia que não é bíblica..”. A música deve afunilar juntamente com as leituras bíblicas. A palavra de Deus é claríssima sobre esse tema: “consideremo-nos uns aos outros. crescer na igreja. o frio. pela harmonia ou pelo ritmo. O irmão Lawrence afirmou. na realidade. cantar. escritos em mau português. sem espírito de dependência.12b). ler e meditar em casa. A tradução do Pe. ou realizado tão somente pelo oficiante sem a presença de um auditório. mas não pelo Senhor que é exaltado nos seus versos. sem espírito de cooperação. Cuidado com a música de qualquer jeito. não abandonando a nossa congregação. há quem se interesse pelo barulho em vez do serviço a Deus. Algo Prático O cantar. A música são as flores do jardim da adoração. 23 .. e a fé revigorada na adoração coletiva. popularescos.. nunca o destaque pessoal. e nada vai comprar as bênçãos divinas. o velho e persistente comodismo. por exemplo.” (Hb 10. visto que. e acentuada essa alegria quando compartilhamos a adoração com outros crentes. Há quem esteja mais interessado no que alguém imaginosamente chamou de LITORGIA. O bom hino comunica o amor do Pai. porque a alegria não é encontrada em cantar certo tipo de música ou viver com certo grupo. onde em poucas palavras há um erro crasso de linguagem? O hino deve ser reverente.” É ausentar-se podendo estar presente. os passeios. É errado chamar a primeira parte do culto de Louvor. e o culto todo é uma tremenda apoteose de louvor. . As ausências.24. “Não deixando as nossas reuniões. como é costume de alguns. como. “Não consigo imaginar como pessoas religiosas podem viver satisfeitas sem a prática da presença de Deus”. porque nosso Deus não merece nem tolera isso! Por que substituir os teológica e musicalmente bem escritos hinos. Negromonte esclarece ainda mais..

quando saímos é amor.etc. que alguém pode ser cristão sem conhecer a Deus. pois a alegria do Senhor é a vossa força” (8. E até a "boa teologia". sim. conscientemente. Se a adoração não nos levar a maior obediência. Nosso 24 . se a Igreja pode prescindir do conhecimento de Deus e da Sua obra e ainda ser Igreja de Deus. não pode ser chamado culto. Quando entramos no templo é a expectativa. a comunidade de fé de você faz parte. E o que é verdadeira Teologia? Como o próprio nome indica. Perguntamos se a verdadeira Teologia é necessária à Igreja. o segundo. quando nos ausentamos da igreja.2. quando entramos é fé e esperança. o que Ele requer de nós. Esse trabalho parte de três pressupostos: O primeiro é o de que Deus existe. o culto não nos transformar. mas não um ato de culto. se não investigarmos o que Ele deixou revelado para nosso conhecimento? Pois esse é o trabalho da Teologia. “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor!” Parte VI A IGREJA PRECISA DE TEOLOGIA? Introdução e Conceitos É comum ouvirmos que "a teologia mata a religião" ou que "a Igreja não precisa de teologia e. Warfield). perdemos o fervor. como. definindo mais formalmente. Serão verdadeiras essas afirmações? Admitimos que há muita coisa por aí levando o nome de "teologia" que não passa de especulação humana. por isso. Se a adoração. É quase certo que aqueles que negam a necessidade da Teologia na vida da Igreja não diriam. principalmente.21).crescer para a Igreja de Cristo em sua expressão local. 1 Pd 1:20.Sl19:1. Não é disto que falamos aqui.2.10b).Revelação Geral . louvor. ou. Portanto não vos entristeçais. "é a ciência que trata de Deus em Si mesmo e em relação com a Sua obra" (B. quando se torna um fim em si mesma.Hb1:1. Mt 5. de vida".23. Teologia é o estudo de Deus. quando saímos é obediência. Neemias nos inspira: “porque este dia é consagrado ao nosso Senhor. louvar. o espírito de unidade. adoração (cf. pode não ter qualquer uso prático e reduzir-se a mero academicismo. nas Santas Escrituras (Revelação Especial . de que Ele tem Se revelado tanto por meio de Suas obras (criação e providência . não recebemos as bênçãos do culto.24). É porque Deus Se revelou que podemos conhece-Lo. Perguntamos. de que Ele pode ser conhecido. o louvor. por não se basear em pressupostos de uma hermenêutica bíblica. At 14:17). cultuar é transformarse. quem somos nós em relação a Ele. visto que adorar. Como podemos conhecer a Deus sem estudar a revelação que Ele faz de Si mesmo? Como saber quem Ele é e o que Ele tem feito e faz. O que lhes falta é um bom conhecimento do que é Teologia e de suas implicações.. Quando deixamos a congregação.B. por conseguinte. é só agitação. não levamos os filhos a crescer e a igreja perde a cooperação. embora não de modo exaustivo e completo. e o terceiro.

como ao conteúdo do que é ensinado (Rm 6:17. dá-se inclusive. 25 . devidamente aplicada pelo Espírito no coração do crente. Assim entendidas. Sua segunda vinda. nesse sentido. Não somos salvos através de uma correta teoria a respeito da pessoa de Cristo. mas sobre os atos poderosos e eficazes do nosso soberano Deus. Seu nascimento sobrenatural. A essa forma ordenada de doutrinas. a que damos o nome de "doutrina". Sua morte substitutiva. não altera o conceito de "teologia". Sua ressurreição. Por isso. de modo mais completo agora. Tito 1:2. É possível alguém ser "bom teólogo". o nome de "Teologia Sistemática". Como viemos a saber que aquele menino que nasceu em Belém é o Filho de Deus? Por que descansamos na eficácia da Sua morte para a expiação dos nossos pecados? Por que sabemos que a Sua ressurreição. mesmo que extraídas corretamente da Bíblia. nem mesmo "descobrir" a Deus.). é que assegura essa graça. e ainda não experimentar as graças ensinadas nas doutrinas que expõe. meio e princípio regulador não é "teologia". A palavra "teologia" não ocorre na Bíblia e o termo que lhe é equivalente. no grego).T. mas conhecer e compreender a revelação que Ele próprio deu de Si. propriamente. há dois mil anos atrás. 2Tim 4:3-4. "Fazer teologia". Sua ascensão e assentamento à direita do Pai. não é inventar teorias a respeito de Deus e de Suas obras. etc. que vem de uma raiz que significa "ensinar" e pode se referir tanto ao ato de ensinar.conhecimento de Deus não é intuitivo. O adjetivo aqui. mas pela própria pessoa de Cristo. e que são apresentadas de modo sistemático. Elas se baseiam em duas falsas antíteses: 1. Mas voltemos ao nosso tema. Mas como sabemos que esses são os fatos? Que sentido teriam esses acontecimentos se não tivessem sido interpretados? É a doutrina que lhes dá sentido. Podemos dizer. garante a nossa justificação? É porque esses fatos são todos explicados e interpretados pela doutrina. portanto. nem através de um exato entendimento da doutrina da Expiação. qualquer estudo de Deus que não tiver a Sua revelação como base. Duas são as razões geralmente apresentadas para se dizer que a Igreja não precisa de Teologia. são os grandes fatos que tornam garantida a salvação dos eleitos.9. mas comunicado por Ele mesmo através dos meios que soberanamente escolheu. na forma de um corpo de doutrinas. é "doutrina" ( "didache" ou "didaskalia". no N. nem natural. A doutrina realmente não salva. A obra de Cristo.. A primeira é a suposição de que o Cristianismo se baseia em fatos e não em doutrinas Concordamos que nossa salvação não repousa sobre um conjunto de teorias ou idéias. devidamente entendida. que Teologia é o conjunto de verdades extraídas dos ensinos bíblicos a respeito de Deus e de Sua obra. mas pelo próprio ato expiatório. Sua vida de perfeita obediência à Lei. fica evidente que não há diferença entre Teologia e Doutrina.1Tm 6:3-4.

ou quando a chamam de "mãe natureza"?. Não é o acontece quando as pessoas dizem que "a natureza é sábia". Quando Paulo afirma que Jesus "foi entregue por causa das nossas transgressões. cheio de graça e de verdade" (Jo 1:14). Doutrina sem fato é mito. nossa fé é vã e permanecemos ainda em nossos pecados"( Selected Shorter Writings. não em doutrina Por trás dessa afirmação podem estar raízes do conceito filosófico que exalta o misticismo. Até mesmo os fatos manifestos na natureza (Revelação Geral) não seriam devidamente compreendidos se não fossem explicados pela Bíblia (Revelação Especial). Concluímos. e não somente que Ele aja. as emoções. Seria o mesmo que indagar qual das duas pernas é mais importante para o nosso caminhar. não é a doutrina que deve dirigir a vida. consiste em "fatos que são doutrinas e doutrinas que são fatos".B. Sem a revelação do Criador. pois sem ela não existe verdadeiro Cristianismo. mas pode tornar o homem sábio para a salvação (2Tm 3:15). argumentam. Fato e doutrina se complementam no Cristianismo. não está apenas apresentando um fato. de igual modo está dando uma interpretação aos fatos da morte e ressurreição de Cristo. sua mensagem (a dos céus) passaria despercebida e eles poderiam até ocupar o lugar do Criador. desde que mutável. o sentimento religioso do homem. Ele diz: "A Encarnação é uma doutrina: nenhum olho viu o Filho de Deus descer dos céus e entrar no ventre da virgem.e ressuscitou por causa da nossa justificação" (Rm 4:25). na expressão de B. Tito 1:9. e. Ef 4:11). à razão. dizem. Quando João diz: "E o Verbo se fez carne. mas fato sem doutrina é mera história. Até chamam a isso de "teologia contemporanizada" ou "contextualizada". adaptada sempre à dinâmica da vida e conformada às "necessidades" da época e do lugar onde a vida do Cristianismo se manifesta. A doutrina não salva. Segundo esse ponto de vista. 234). portanto. que os fatos só têm sentido quando acompanhados da doutrina. a criatura toma o seu lugar. Nem é pertinente perguntar qual dos dois é mais importante. Isto é o que se vê em toda a Escritura. portanto. p. como lemos em Rm 1:18-32. A prática (práxis) é colocada acima da doutrina não só em importância. e que procura eliminar da religião todo apelo ao intelecto. mas o espírito vivifica".Esta não só informa o fato como também dá o seu significado. portanto. fria. Sem essa explicação. e habitou entre nós. vol 2. Aqueles que assim pensam até admitem um certo tipo de doutrina. "A letra mata. Podemos hoje entender que "os céus manifestam a glória de Deus" (Sl 19:1) porque o Criador nos tem revelado isso na Sua Palavra. fluente. não pode ser compatível com o caráter do Cristianismo". Warfield. Daí dizer-se que para se conhecer a Deus é preciso que Ele fale. 2Tm 2:2. gerando a idolatria (devido ao pecado). está explicando-o também. O ensino da doutrina é uma das ênfases da Bíblia (1Tm 3:2. especialmente nas epístolas. 2. A segunda é a suposição de que o Cristianismo consiste em vida. mas esta àquela. "Religião é vida e a vida é dinâmica. a doutrina é estática. mas também 26 . O Cristianismo. mas se isso não for um fato histórico também.

nos moldes escriturísticos. não a sua norma. a doutrina é o que menos interessa. o meio que o Espírito soberanamente usa para nos fazer conhecer a vontade de Deus e nos levar a praticá-la. E não há outra forma de se fazer isto a não ser pela doutrina. O princípio de que "a Igreja reformada deve estar sempre se reformando" visa manter sempre a mesma posição em relação à verdade. assim. da "piedade". É ela que nos aponta os meios de graça deixados pelo próprio Senhor. isto sim. Mas devemos ou podemos prescindir da doutrina para que essa vida se manifeste? Antes de tudo. ninguém verá o Senhor ( 1 Ts 4:3. primeiramente vida. É através dela que ficamos sabendo que a vontade de Deus é a nossa santificação e que. Foi a falta da verdadeira doutrina que enfraqueceu a Igreja e a lançou num tradicionalismo vazio e pagão.É a doutrina que dá característica à vida. Não admira que haja tanta "fluidez" e instabilidade entre os que assim pensam. Sem dúvida. Será que aquilo que foi deixado por Paulo e pelos outros apóstolos como doutrina para os seus dias deveria ser mudado nos dias de Agostinho. tão bem exposta pelos reformadores e tão negligenciada pela Igreja. nem princípio fixo. para dar lugar às manifestações de vida? Não creio que a Bíblia justifique essa posição nem que esses teólogos a tenham entendido assim. Não basta apenas um sentimento religioso para fazer de um homem um cristão. e que sejam facilmente levados "por todo vento de doutrina". até os nossos dias. que é quem nos 27 . Para estes. Hb 12:14). sucessivamente. produz vida. É para que continue sempre sacudindo de si toda tradição e acréscimo humano que não estejam de acordo com os valores fixos e absolutos da palavra de Deus. depois doutrina? Existe tal antítese? Se essa posição for verdadeira. nem revelação objetiva. É a correta aplicação da doutrina que produz a verdadeira vida cristã. Concordamos também que Cristianismo é vida. sem esta. que a trouxe de volta às origens e lhe recuperou a vida. falta a alma da verdadeira religião. Mas será essa a visão bíblica do Cristianismo? Podemos dizer. no século XVI. independente da obra santificadora do Espírito. depois nos dias de Warfield e dos Hodge e. é a verdade de Deus relativa? Depende o seu valor do lugar e da época em que se encontram os homens? Sabemos que esta é a posição atual dos que se denominam pluralistas e esse é o pressuposto básico desta posição. não alterá-la. então não haverá verdade absoluta. A doutrina é. Tudo cairá no campo dos valores relativos e passará a depender do subjetivismo. Há até quem interprete assim a célebre divisa: "Igreja reformada sempre se reformando". Reformar é voltar às origens. ou. É preciso que sua vida seja moldada na doutrina de Cristo. que o Cristianismo é vida e não doutrina. não estamos afirmando que apenas a doutrina. Foi a doutrina bíblica.no tempo: a doutrina passa a ser um produto da vida cristã. das emoções. para que seja aplicável em todas as épocas. ao que foi intencionado no princípio por Deus. depois nos dias de Lutero e Calvino. com base na palavra de Deus. e graças a Deus por isso! Onde a vida não se manifesta.

2 Cor. a íntima relação entre doutrina e prática é evidenciada pelo seu método de apresentar primeiro a argumentação teológica (doutrinária) para depois tirar as implicações práticas dela decorrentes (Ex. A NATUREZA E AS FUNÇÕES DA IGREJA COMO CORPO 2.Plenitude de Cristo . tanto através do púlpito como pelos estudos semanais.A primeira referência bíblia sobre a igreja aparece em Mateus 16:18 1.Templo do Espírito Santo . Ap. o ensino da doutrina é indispensável na Igreja. onde o fazer a vontade de Deus está ligado ao conhecer a doutrina: "Se alguém quiser fazer a vontade dele. 1:22-23 . pela Escola Dominical e por qualquer outro meio disponível.No Novo Testamento .Noiva do Cordeiro . 2:21-22 . para depois pervadir todas as áreas do ser e se transformar em manifestações de vida que O agradem e glorifiquem. A ORIGEM DA IGREJA 1.santifica (Lv 20:7-8. CORPO DE CRISTO TEXTO: EFÉSIOS 1:22-23 PROPOSTA: A nossa proposta é a de conhecer o que a Bíblia fala sobre a igreja."chamados para fora" . mas é pela pregação da Palavra que vem a fé que transforma (Rm 10:7) A espada do Espírito é a Palavra (Ef 6:17).O nascimento da Igreja ocorreu n dia de Pentecoste. portanto.1 .Corpo de Cristo . Conclusão Concluímos. conhecerá a respeito da doutrina. 12-16: prática).Ef. 19:7 28 .1 . 1:23 . Ef 5:26). Rm 1-11: doutrina.Ef. Isso se torna ainda mais claro na oração sacerdotal de Cristo. Qual o verdadeiro significado deste termo! Quais as responsabilidades daqueles que dela participam. que a Igreja precisa da Teologia. 01. Parte VII A IGREJA. em que Ele associa a prática da santificação com a doutrina da Palavra: "Santifica-os na verdade.2 . da razão. a tua palavra é a verdade" (Jo 15 :17) e em João 7:17. se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo". O conhecimento de Deus começa pela porta do intelecto. porque precisa da doutrina nela contida para dar sentido e expressão aos fatos do Cristianismo e para prover os meios de manifestação da verdadeira vida cristã. 11:2.Outros títulos: . Atos 2:1-4 02. Por isso."povo de Deus" "Ekklesia" . Nossa demonstração de vida pode impressionar as pessoas e despertar nelas certa admiração.Ef. Nas epístolas paulinas.

Ela tem responsabilidades .Ef.participar do louvor. "eleita".Diversificação de ministérios .1 Cor. "a fim de". dos desafios . CORPO DE CRISTO II TEXTO: MATEUS 28:18 PROPOSTA: Este estudo visa mostrar que a mesma autoridade que Jesus recebeu do Pai. 12:25 . 2:9.Col.reconhecer ministérios . "para serem".Lavoura de Deus .A Igreja como corpo deve: . foi também delegada a igreja.Santuário de Deus . 3:16 . 12:12 .. Observe as expressões: "escolheu". AS FUNÇÕES DOS MEMBROS . 3:9 .sustentar os membros . 04. 4:16 .Rebanho .Exclusividade .João 10:16 . 12:14 .ministrar . Ela se tornou a agência mediante a qual o Senhor manifesta o seu poder. CARACTERÍSTICAS DO CORPO . 2:19 .Edifício de Deus . 1 Ped. 3:9 . Rom.nutrir os demais membros . a sua 29 . 12:17 . A FORMAÇÃO A IGREJA . da comunhão.1 Cor.instruir seus filhos na Palavra 03.Colaboração . 4:9 05.1 Cor.criar unidade no corpo .1 Cor. 1:4.1 Cor.1 Cor. 8:29. 12:28-29 06.transmitir ordens .Ef. "conheceu".1 Cor.Fil.Individualidade .1 Cor.Coluna e Baluarte da verdade .1 Tim. "para sermos". SÍMBOLOS BÍBLICOS QUE DESCREVEM A IGREJA .Ela é formada pela união de seus membros .Harmonia .1 Cor.manter a unidade da fé . 12:21 .1 Cor. 12:25 . 3:15 Parte VIII A IGREJA.

Mat.Mat. AUTORIDADE E PODER A autoridade representa a própria essência de Deus.2 . recebeu do Senhor Jesus.Hades representa o deus que tinha autoridade sobre os mortos! . 17:20. e não simplesmente realizar os mesmos feitos de Deus.3 . Mas. 02.A igreja como corpo. 16:19. Mat.Mat.1 . AUTORIDADE E PODER DELEGADOS À IGREJA . 10:8 . 2. mas retêm o perdão àqueles que menosprezam a sua autoridade. 5:3-5 .A igreja pode perdoar os pecados (ofensas) cometidos contra ela.Resumo: a igreja não pode morrer. 20-21-22 .Mar. o poder do reino do mundo inferior! .5 .Autoridade sobre os espíritos . força o diabo a nos obedecer.representava a corte. 30 . Mat.Porta .esse poder é manifestado através da oração. 2. Jó 20:23. Tg. Satanás não tem medo de uma pessoa que prega a Palavra. toda a autoridade e poder para se tornar uma igreja viva e vitoriosa.Autoridade para ligar e desligar . Esta autoridade não é um exercício individual. 2. sim. 5:14-15 Diferença entre: "pecado" e "pecados" . 10:19. A autoridade a nós foi delegada. só através do sangue de Cristo.A autoridade da igreja é maior do que o poder do Diabo . 1Cor.Para exercer esta autoridade a igreja precisa estar em perfeita sintonia com o Espírito Santo.A luta profetizada pôr Jesus: . 2.Luc. Ele tem medo das pessoas que se submetem a autoridade de Cristo. e. o pecado. 8:30 .Jesus comandou o espírito que atormentava o jovem e o expulsou. 6:14. 01. Ela se torna em realidade devido a autoridade que Cristo concedeu à igreja.Autoridade sobre os pecados . Luc. Mat. Isaías 14:13-14 Obs. provocado pela queda do homem.4 . Ela é eterna. A queda de Satanás ocorreu.graça e autoridade."Portas do Hades" . 2. porque ele desejou ser igual a Deus.Autoridade sobre a natureza . 18:18. enquanto o poder expressa os seus atos! Isaías 40:25-26 Deus pode perdoar aqueles que duvidam de seus feitos.Igreja x Portas do inferno . coletivo. 5:9.

Números 12 3. à autoridade de Deus que está nesse homem.2 . ou negar-se a si mesmo.Rebelião de Nadabe e Abiú . Koinonia .Rebelião de Cão . Watchamann Nee: "A maior das exigências que Deus faz ao homem não é a de carregar a cruz.3.A insubmissão de Absalão .10 .Levítico 10:1-2 3.CONTESTANDO A AUTORIDADE DELEGADA . como também da igreja. .A transgressão de Uzias .Encurtando as distâncias . Não se obedece a homens. Leon Tolstói: "Todos pensam em mudar a humanidade e ninguém pensa em mudar-se a si mesmo".0 .Rebelião de Coré .4 .Números 16 3.1 . das pessoas. Kerygma . Transformação é o segredo de um organismo vivo. sim. é a necessidade de adaptação ao curso da História.7 .Obs.Obs. 15:22-23 . Diakonia . servir.comunhão c. e.Kerygna . Zac.2 Crônicas 26:16 4.Queda do querubim da guarda . 13:17.1 Reis 11 3. Os maiores castigos mencionados na Bíblia ocorreram em razão da desobediência à autoridade delegada pôr Deus.A igreja só crescerá quando todos os membros estiverem debaixo do autoridade de Deus delegada aos seus ministros. 1 Cor.mensagem b.1 . das pessoas.Castigo de Arão e Miriã . 16:15-16.3 . Para que ela produza 31 .2 . CORPO DE CRISTO III TEXTO: ROMANOS 12:1-2 PROPÓSITO: A maior necessidade do mundo.Queda de Adão e Eva .2 Samuel 15 3. 5:12-13.A desobediência de Saul . e da igreja em se transformarem.Ezequiel 28:13-17 3. 13:7 Parte IX A IGREJA.1 Sam.A idolatria de Salomão .Gênesis 2 e 3 3.A comunicação se processa através de três elementos básicos: a . Esta adaptação só se viabiliza mediante a disposição do mundo.serviço 1.AUTORIDADE E A LIDERENÇA DA IGREJA .5 .6 .João 13:12-17 A mensagem .0 .A nossa obediência deve ser praticada não em função da pessoa mas da autoridade nela investida. A maior das exigências é que ele obedeça" .8 .9 . 1 Tes.1 Samuel 15 3.não funciona isoladamente.Gênesis 9:20-27 3. 1. 3. Heb. dar ofertas. Ilust.

Disciplina na prática da santidade .o egoísmo passa a predominar nas relações . quando isso ocorre todo o corpo é prejudicado. 12:17-18 .contestação da vontade de Deus . de troca a mobilidade e harmonia do corpo.Princípio de Dependência . 3:17 . 12:15-16 .1Cor. Um membro não pode inibir a ação do outro.Ef.desvalorização do membro .resultados positivos.0 .a unidade é a fonte geradora de toda a energia. Ela foi criada para ser o instrumento de Deus na transformação da sociedade.TRANSFORMANDO A NOSSA RELAÇÃO COM OS OUTROS MEMBROS Este processo de transformação ocorre através da prática de quatro princípios bíblicos.Disciplina na prática de ouvir/falar . 12:21-22 .1 Cor. .desequilíbrio em todo o sistema .1Cor.1 Cor.TODA TRANSFORMAÇÃO EXIGE UMA FONTE DE DISCIPLINA PESSOAL .A igreja precisa ser a autora e não a espectadora no processo de mudanças. 34:17 .este princípio visa das a todos os membros a mesma chance de trabalho.2 . João 17:23 3. 5:15-16 . Sem unidade.3 . 5:13 .um espírito de concorrência .quando este princípio é quebrado.Gal.2 .um enfraquecimento de todos os membros .A quebra desse princípio provoca: .Disciplina na prática do perdão . a igreja perde a sua função.1Cor.A falta de oportunidade produz: .Disciplina na prática do tempo . .Princípio da oportunidade . 9: 24 .2 Cor.4 . .1 .Col.Disciplina na prática da liberdade . 12:25-26. ocorre: .Disciplina na prática dos hábitos .cada membro tem sua função. 5:22 Parte X 32 . Ez.um anemiamento espiritual 2.João 8:47 . Um membro não deve aspirar o lugar do outro. 0.Afastamento dos outros membros . 13:5 .desperdício de forças 2.Marcos 11:25 . 2.Disciplina na prática da fé .1 Tim. é necessário que o membro exercite a Koinonia e a Diakonia.Princípio da Unidade .a arrogância quebra a linha de comunicação 2.Princípio da integração .

fazem parte da Igreja do Senhor Jesus. UMA CONVIVÊNCIA DESAGRADÁVEL . 12:15."Porei tendões (nervos) sobre vós.enferma o corpo! . dá sustentação. 4:22 2. 2.Ne..hipersensibilidade ..perturbação da nutrição -prejudica o metabolismo do corpo.. mantém a sensibilidade."Farei crescer carne sobre vós.Gên. 1 Ezequiel não só foi levado ao vale de ossos secos.cria a união. 2 Cor. participação.4 .Há três aspectos importantes sobre este elemento: a . .para comprometer o profeta com o desafio de restauração 1.2 .Esta convivência foi necessária: 1. Col.."E porei em vós o fôlego da vida e vivereis. a carne fala do conhecimento da Palavra. .. Heb.para mostrar qual o propósito de Deus 02. Ele andou pôr entre aqueles ossos. Rom. a carne representa unidade." . integração . mantém a flexibilidade e resistência do corpo.. Mas a realidade daquele vale ainda é a mesma em nossos dias.1 .a pele é o elemento de proteção.. 5:11-14 2.V. A distrofia . HARMONIZANDO O CORPO O texto de Ezequiel 37:6 nos ensina quatro verdades básicas sobre a harmonia do corpo de Cristo. 1 Cor." . 8:13-15 c. 2:23 b.2 . 3:1-2.estimulam. . Ef. Sentiu os odores daquele ambiente fétido. 5:26. Fil. CORPO DE CRISTO IV TEXTO: EZEQUIEL 37:1-14 Autor(a): PR. Ela funciona também como um filtro.3 . 33 ." O resultado final de um corpo equilibrado e harmônico é a presença do Espírito Santo agindo em todos os membros. 15:2..A experiência de Neemias .17. Uma pele ressecada prejudica a respiração do corpo. 2:3. a carne é o elemento do corpo.Rom."tendões" . 2:11-15 .para identificar a situação do povo 1." . O alvo deste estudo é recriar uma nova esperança no coração daqueles que como membros."E sobre vós estenderei pele.A IGREJA.3 . VANDERLEI FRARI PROPÓSITO: Cerca de 2960 anos nos separam da experiência de Ezequiel junto ao vale de ossos secos. É o alimento sólido. 01. Conviveu com a morte. Gál. 3:12 2.1 ."nervos" .

Ecl. e muito menos eletrizante.Is.Prov.5 b.. sabedoria como atributo e qualidade de Deus .Gên. no momento certo.v. que Deus derramará o seu Espírito Santo . se não surgirem homens mais sábios.14 Parte XI A IGREJA. tem usado ignorantemente a armadura de Saul.3. Moisés nos dá um bom exemplo de falta de sabedoria. 2. 3. CORPO DE CRISTO V TEXTO: PROVÉRBIOS 4:7 Pôr falta de sabedoria.Prov. 41:38. 22:6 b. O processo de restauração ocorre através da ação profética. O homem sábio é aquele que é capaz de reconhecer um necessitado. e à pessoa certa. um grande exército . AGENTE ESPIRITUALIZANTE A sabedoria não é uma virtude isolada.10 d. 19:18. sabedoria como doutrina . 5:15.Gên.v.(Concílio Vaticano II) 01. Êxodo 18:13-18 a . 41:39 2. "Realmente estará em perigo a sorte do mundo.v.sabedoria no diálogo . Cabe a cada membro do corpo a mesma responsabilidade.sabedoria em tudo. DEFININDO A SABEDORIA . sabedoria como virtude de homem . 1:17 c. tem perdido enfim o poder de atuação.COMO SE PROCESSA ESTA RESTAURAÇÃO? Ezequiel foi o instrumento usado pôr Deus para restaurar os ossos secos.3 . um pobre. um que precisa de oração". SABEDORIA. 1 Pd.sabedoria nos negócios . 7:16 2. 26:4. que Deus harmonizará o corpo beneficiando assim cada membro em particular v. que Deus pode vivificar o que está morto em nossas vidas .sabedoria no comportamento . que Deus abrirá as sepulturas e libertará todos os que vivem presos . 9:4-5 2. 10:12 02. 3:1-2 2. Dan. a igreja tem lutado mais contra si mesma do que contra os verdadeiros adversários. 28:29. a sabedoria torna-se em elemento indispensável em nossos relacionamentos inter . 1 Reis 3:25-28 2.6 .0 .1 . 8:12.v.sabedoria nas decisões .O que profetizar? a .Prov.12-13 e.7 c.pessoais.5 .4 . Jer.2 .. A IMPORTÂNCIA DA SABEDORIA Pôr vivermos em grupos sociais. Não é contrária 34 .Ef. tem fomentado divisões.1 .Sabedoria é saber fazer a coisa certa.Jer.sabedoria nas amizades . que Deus fará de membros soltos e sem vida. 03.

Ela é antes de tudo o fiel da balança espiritual. quando.1 Cor. 3.Atos 6:3 3. é imperioso resgatarmos a relevância da igreja no contexto sociocultural em que trilhamos a jornada da santificação. 17)..Exigência dos apóstolos . Falar dos objetivos da igreja em contraposição as megatendências da pósmodernidade e o modismo quanto a quebra de paradigmas que resultam na perda da identidade doutrinária.A verdadeira busca . a igreja só será relevante para o mundo e para o Reino.17-30 Introdução A igreja será apenas uma instituição humana se não tiver a visão de Jesus Cristo para o contexto e a realidade histórica na qual está inserida. escrevendo a história da salvação na vida das pessoas e para isto.1 . fazendo verdadeira diferença neste mundo com Agência reformadora de Deus. A vontade decisiva e decisória de Deus onde não cabe relativizações ou negociatas..Tiago 3:13-18 Resumo: Igreja sábia produz santos verdadeiros! Parte XII A IGREJA QUE FAZ A DIFERENÇA Mateus 26. soberana. Romanos 12. não andar a reboque da historieta escrita nos alfarrábios desta geração corrompida e perversa. agradável e perfeita". Como Jesus. Não podemos nos contentar em causar impacto na história com os nossos escândalos ou com a nossa inércia contemplativa enquanto o céu não vem. 12:8 3. Devemos evitar a visão antropocêntrica e buscarmos uma visão horizonal.3 . devemos admitir nossa humanidade em sua plenitude mas sempre 35 . Mas amados. Efésios 3. Só a vontade de Deus para a igreja é "boa. apenas a submissão. cristológica e cristossímel.A força de Estevão . vontade ativa.2 . Os anseios e vontades humanas desembocam sempre no hedonismo ou nas guerras cruentas e desumanas. Estivermos preocupados com a vontade do Mestre e não com a nossa própria vontade – (Vs.a verdadeira espiritualidade.Atos 6:8-10 3. arrefecendo a autoridade da igreja em sua ação reformadora no mundo. cristocêntrica.A oferta do Espírito Santo .4 . A igreja deve interagir na história.10.1. 1. do mundanismo que gera a mundanalidade incrustada na igreja pela relativização da ética cristã. É imperativo fazermos diferença no mundo. A igreja é manifestação de Deus na história. Somos o povo do Deus que é Senhor da história e que se manifesta através da história. "Onde queres" – Théleis.

Uma festa alegre e vívida em gratidão pela libertação do pecado que nos é outorgada por Cristo. da morte às mão do opressor. Estivermos conscientes da brevidade do tempo da salvação – (Vs. de alegria e satisfação prezeirosa em nossos cultos. Na dispensação da igreja. mensurado e controlado pelo homem. 18). era um memorial da libertação do Egito. Nossos cultos se tornarem verdadeira celebração ao Cristo vivo. Estar preparados para adentrarmos com ele em sua glória implica em testemunho e pregação incessantes. aqui não é nosso lugar. Não induz ao radicalismo ou ao êxtase emocional espiritualista esotericamente espiritualizado. A festa. no sangue da remissão. e a pregação deve ser levada a efeito "a tempo e fora de tempo". didáskalos. Jesus.13. como se fossemos senhores do tempo. infinito. à Denominação ou à Eclesiologia – (Vs. O tempo da Deus é kairós. ou se queremos vislumbrar os nossos olhos com feitos pitorescos ou com manifestações pneumotécnicas. Não sabemos quando o Mestre voltará.42. "Meu tempo está próximo". e não kronos. devido a presença do próprio Deus entre nós. é hoje. resultado de mentes renovadas em Cristo no entendimento dos mistérios da salvação. Mestre. Vale ressaltar a expressão "o Mestre diz". O texto não prevê sectarismo ou uniformidade. É imperioso buscarmos a consciência de libertação. santo e agradável". honra e dignidade. eterno. 36 . mas a tua". o tempo é sempre presente. 3. de festa.14-16. limitado. e de celebração. Romanos 12. o texto aponta para um denominacionalismo desvairado e promotor de uma nefasta negligência ao que é bíblico em defesa de um hediondo tradicionalismo históricodenominacional. Páscoa. alguém que ensina revestido de capacidade. Lucas 22. Devemos buscar a consciência de que o Senhor está em seu trono de glória para receber de nós um culto "vivo. 2 Timóteo 4. Se perseguimos palco. Se quer. 2. Êxodo 12.14-17. Mateus 25. 1 Coríntios 2. sendo Deus. não à liturgia. é Senhor do tempo e fala com autoridade quanto a brevidade do tempo para a pregação do evangelho.1.orando: "não se faça a minha vontade. apresentações e números especiais. Da mesma forma. 18b e 19). nossos cultos devem ser verdadeira celebração pela e para salvação em Cristo. diz o Mestre. A Igreja não pode postergar a pregação. a Páscoa. da graça salvadora.2.

admitindo-o apenas como rabi. "me entregará". Colossenses 2. Jeremias. a partir do arrependimento e da confissão sincera diante de nosso Advogado e único mediador. e se nos dispomos à perfeita adoração. denota que Jesus bem sabia das intenções daqueles que o perseguiam.. evidenciado na proclamação do evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. irmanados em Jesus Cristo. Em quinto e último lugar. 28). No culto verdadeiro Deus sempre manifesta sua glória. se buscamos relevância para a sociedade. devemos vivenciar íntima comunhão. se pretendemos fazer a diferença já em nosso tempo. mestre da lei. sempre somos levados à contrição e ao arrependimento. Somos assolapados pela consciência de pecado que desemboca no arrependimento ou permanecemos insensíveis e nada nos impulsiona à santidade? A expressão do verso 21.14. permanecendo na inércia petrificada do comodismo. fazendo-nos um só povo. a fim de que dediquemos nossas vidas em perfeito louvor.4. não conseguem olhar para Jesus e identificá-lo com Senhor absoluto de todas as coisa. Jacó.18 e 19.1-8. no original. O sangue que "nos purifica de todo o pecado". Qual a nossa reação diante da expressão "um de vós me trairá". Muitos. para nos reconciliar com Deus.14-18 e 1 João 4. Isaías 6. Jesus Cristo. 21 e 22). O sangue do pacto foi derramado "para a remissão de pecados". mesmo estando diante de Jesus e sendo desafiados ao arrependimento.32. Retirar-se do culto sem experimentar restauração santificadora. o que não é uma característica da personalidade de Jesus. Se somos igreja. Atos 4. O sangue do pacto promover aliança de compromisso em nós – (Vs. Paulo e muitos outros indicados no Texto Sagrado. insistindo nos passos de Caim e na decisão diabólica tomada por Judas Iscariotes. Pedro. Isaías. não podemos permanecer aguilhoados ao pelourinho do pecado e dissociados pelo preconceito que ressalta as idiossincrasias. profetizando um futuro melhor. Não divisionismo ou sectarismo autofágico e se quer. para cobrir e apagar o escrito de culpa que recaia sobre nós. É assombroso que muitos crentes não sintam o sabor amargo de pecado como sentiram Moisés. Efésios 4. 2 Coríntios 5.. para um preconceito satanicamente beatificado pelo denominacionalismo coercitivo. l 37 . afirmo que a igreja fará diferença no mundo e resgatará sua relevância e autoridade na pregação quando. 5. Somos contristados pela possibilidade de sermos o traidor – (Vs.20.4 e conjugando-nos em só coração. é constituir-se em traidor. Como igreja. persistindo na traição. Efésios 2. Kírios.

João 1.8, 2.2 e 1 Timóteo 2.5, nos impõe a comunhão que afaga o coração e acarinha o aflito e o existencialmente desesperançado. Pelo que, a igreja deve retirar-se do templo, após o culto prestado, restaurada, perdoada, transbordando em amor e alegria e amalgamada no sangue de Jesus Cristo. Todo o nosso pecado e preconceito devem ser abandonados aos pés da cruz de Cristo, o Cristo que "é tudo em todos", Colossenses 3.11. Conclusão Amados, é urgente e premente uma reflexão quanto relevância e a atuação da igreja no mundo da globalização e, em especial, aqui em São Paulo. Se não identificamos estas cinco assertivas em nossa expressão cúltica e identidade doutrinária e denominacional, corremos o risco de sermos vitimados por descomunal aridez teológica, eclesiológica e doutrinária. Nos tornaremos insipientes, insignificantes e dispensáveis ao homem que carece de salvação e não de liturgias, eventos sociais ou verdadeiros shows pseudo-espirituais aromatizados com essência de enxofre, não com o hálito do Espírito Santo. Sejamos igreja. Corpo vivo de Cristo. Submissos a ordem do Mestre e conscientes da brevidade do tempo para a salvação. Sejamos igreja que festeja a vitória de Cristo na Cruz e que é contristada pela consciência de pecado. Sejamos igreja santa e poderosa na evangelização para que desfrutemos as benesses do perdão, do amor e da comunhão íntima, expressão inconteste da nossa reconciliação com Deus em Cristo Jesus. Parte XIII A LIDERANÇA CRISTÃ E O DISCIPULADO Creio na liderança cristã e creio no discipulado. Compreendo que a liderança cristã tem o trabalho de despertar e conduzir o ser humano para Deus e para tudo o que de Deus recebeu. Creio numa liderança comprometida com o reino de Deus (cf. Mt 6.33), o que, aliás, é uma qualidade-chave do líder cristão. Uma liderança comprometida é fiel (1Co 4.2), disponível (Lc 9.57-62), receptiva à capacitação, ou seja, ao treinamento (um teste é convidar 12 a 20 pessoas para reuniões de treinamento, e observar quem retorna a partir da segunda reunião. O treinamento, por sinal, já é uma seleção). Descobrir pessoas que possuam potencial é tarefa do líder, e isso com o objetivo de treiná-las de modo a que em dado momento a organização possa funcionar sem ele, líder. É um facilitador no ensino dos novos discípulos e na participação deles no global do processo; é exemplo e ajuda em vez de apenas verbalizar, valoriza a participação dos outros, é paciente e confia no Espírito Santo como conselheiro e auxílio nas dificuldades. Creio na liderança capacitada pelo Espírito de Deus, "carismatizada" para o benefício da Igreja de Cristo, para que todo o edifício bem ajustado cresça para templo santo cuja glória seja unicamente a de Deus, ou como colocou a Bíblia em Português Corrente (edição da Sociedade Bíblica de Portugal, 1993): "É em Cristo 38

que todo o edifício está seguro e cresce até se transformar num templo que honre ao Senhor" (Ef 2.21). Creio também no discipulado cristão, pois é somente observar a ênfase dada por Jesus ao cuidado, carinho, busca e instrução dos que O seguiam. "Discípulo", por sinal, parece ser a palavra favorita de Jesus para aqueles cuja vida estava ligada a dEle. Aparece 269 vezes nos Evangelhos e no livro dos Atos dos Apóstolos. O líder cristão do século 21 não pode esquecer que as condições do discípulo são um daqueles princípios imutáveis, apesar das transformações litúrgicas, administrativas, pelas quais a Igreja de Cristo vem passando através dos séculos. Quem as declara são os Evangelhos: · Transportar a cruz (Lc 14.27). A cruz não é brinquedo, mas instrumento de morte, na qual o eu deve morrer. Ir-para-o-Calvário é um caminho escolhido deliberadamente, visto que a cruz é o símbolo da perseguição, vergonha e abuso que o mundo jogou sobre o Filho de Deus e jogará sobre os que escolhem navegar contra a corrente, o discípulo. · Renúncia (Lc 14.33), que é entrega irrevogável a Jesus Cristo, autonegação, nos termos de Lucas 14.26 e Mateus 16.24. Nosso amor a Jesus e à Sua causa há de ser tão evidente que, em comparação, todos os demais serão diminuídos. Billy Graham afirmou que "a salvação é de graça, mas o discipulado custa tudo o que temos". · Constância (Jo 8.31). É passar a viver em companhia de Jesus, comunhão de destinos com Ele, segui-Lo, permanecer nEle. O verdadeiro discípulo se caracteriza pela estabilidade. · Produção de frutos (Jo 15.8). União frutífera como Senhor (Jo 15.4,5). O líder cristão há de observar os dois aspectos básicos do discipulado em sua própria experiência de vida: a união com Cristo e a dedicação sem reservas, que Jesus Cristo descreveu em termos de videira e ramos (cf. Jo 15.5ss). Em relação ao primeiro aspecto, Paulo usa inúmeras vezes a expressão "em Cristo" para com isso significar que nós estamos nEle e Ele está em nós (Cl 1.27). Por sua vez, Romanos 6.1-12 indica o significado do regime de dedicação exclusiva a Jesus. O alvo do discipulado deve permanecer bem definido na mente do líder cristão: é a semelhança de Cristo em caráter e em serviço. O Espírito Santo dá-nos o caráter de filhos de Deus, e nessa linha de raciocínio, o fruto do Espírito é o retrato desse caráter: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e autodomínio. OIKOS, UM CONCEITO PARA O SÉCULO 21 As grandes cidades, sejam capitais legais, formais ou informais são um centro dominante A característica maior é a concentração de população várias vezes superior à cidade seguinte em importância. Tem primazia política, econômica, acadêmica e cultural (a área metropolitana de Tóquio é maior que a metade da população do Canadá). É também nessa situação que o líder cristão há de exercer o discipulado. 39

São características dos habitantes da urbis: · Um ser solitário. Quem mora na roça vive praticamente num sistema de clã (estilo semita bíblico). Na cidade grande está perdido. · Um ser pobre. Mora em invasão. · Um ser que sonha. Não perdeu essa capacidade. · Um ser que escuta. E a ele muitos "discipuladores" querem falar. OIKOS, UM NOVO VELHO CONCEITO Oikos é o "lar familiar", a esfera de influência. É o sistema social primário composto por aqueles que que são relacionados por laços comuns de família, trabalho e vizinhança. Três são as constantes culturais: o parentesco, a comunidade e a associação: · parentesco são laços de sangue ou de afinidade. · A associação é voluntária com normas, autoridade, mobilização de recursos, e movidas por amizade, sexo, poder, ideais, interesses, prestígio (sindicatos, igrejas, clubes). · A comunidade é determinada pela geografia. Se isso existe hoje, e é uma constante antropológica, existiu nos dias neotestamentários. É o oikos (cf. Michael Green. Evangelização na Igreja Primitiva). Alguns casos são: · a família de Betânia (Jo 12.1-3); · a casa de Cornélio, oficial romano (At 10); · a casa de Lídia (At 16.13-15); · a família do carcereiro de Filipos (At 16.25-34); · a casa de Prisca e Áqüila (Rm 16.3-5); · a casa de Aristóbulo (Rm 16.10); · a casa de Narciso (Rm 16110. Os descrentes têm dois problemas: o de informação (não conhecem a um cristão de verdade), e o de reputação (conhecem um "cristão" que não tem a mente de Cristo).

IMPEDIMENTOS Liderança que não encarna ideais e falta de mobilização do povo de Deus. Falar de liderança é falar de pastores, presbíteros, diáconos, ministros na várias áreas, professores, conselheiros, relatores, etc. Através da história, Deus tem chamado homens e mulheres para abençoar Seu povo. No século 21 muita coisa tem mudado: igrejas querem dinheiro, não poder do 40

Espírito; santuários cheios de pessoas, mas não de poder; animação, mas não renovação. A liderança há de ter visão. A LIDERANÇA E A PALAVRA DE DEUS

A liderança cristã não pode prescindir de utilizar a Bíblia Sagrada como fonte de reflexão, de meditação, de discipulado e caminho de vida. O desenvolvimento do Salmo 119 bem o demonstra. Afinal, a Bíblia se evidencia Palavra de Deus nas profecias e cumprimentos, em mostrar o ser humano em sua realidade e pelos seus efeitos na vida do homem que é transformado em discípulo de Jesus Cristo. Por essa razão, há o líder de nela meditar (Sl 1.1,2), de nela viver (v.3) e conhecêla para crescer em graça (v.3). OMO A PALAVRA DE DEUS TEM SIDO DESAFIADA A proposta de um evangelho para o Terceiro Milênio. Exemplo típico deste desafio à Escritura Sagrada e o seu ensinamento é o feito por Huáscar Terra do Valle em seu Tratado de Teologia Profana. No capítulo em que trata de "Além do Bem e do Mal", Valle explica que a moral do judaísmo se resume na expressão "Olho por olho, dente por dente", buscando provar com tal exposição que o Deus dos hebreus, é mau e vingativo. Javé é colocado no mesmo nível de Marduque dos babilônios, de Baal dos fenícios e outros deuses semitas. Civilizado é, no seu entender, o Zoroastrismo que prega a eterna luta entre o bem e o mal (Ormuz e Arimã) e a presença de Mitra, encarregado de ajudar o ser humano a lutar pelo bem. Chega esse pensador à conclusão que a figura de Deus vem do fundo do inconsciente, referindo-se ao comando instintivo dos genes. Há uma tremenda carga emocional que inspira profundo respeito e é codificada para o entendimento do consciente como Deus onipotente, criador, etc. Expressão dessa carga emocional é o misticismo. Religião, diz ele, é uma adoração da própria raça, que são os genes, ou na figura de Deus ou na imagem dos ancestrais. Pecado é a desobediência aos mandamentos dos genes, sendo, a rigor, um conceito tribal. A proposta de uma nova moral. Tratando-se de uma nova moral para o Terceiro Milênio, não se pode negar a sobrevivência do mais apto, ou seja, daquele que soubesse compatibilizar os interesses do indivíduo com os da sociedade. As religiões nada fizeram para melhorar os padrões de moralidade da sociedade como um todo, visto que vivem confinadas em suas próprias doutrinas, e consideram os elementos de outras 41

religiões como gentios ou pagãos. A nova moral, como a nova religião, tem que ser universal excluindo apenas um grupo, os fanáticos. A idéia de Deus não é indispensável para um comportamento moral. A proposta é a de um código de ética baseado na ciência, pois a Astronomia mostra a insignificância do ser humano no universo; a Biologia, a Genética, a Teoria da Evolução e a Sociobiologia de mostram que o ser humano não foi criado à semelhança de Deus, e sim do macaco e de outros animais. Valle declara não acreditar em outra vida, por isso o céu deve ser procurado nesta, evitando, também que a vida se transforme em um inferno. O destino do ser humano é entregar aos descendentes os genes que recebeu dos antepassados, o que o transforma em uma máquina de sobrevivência apenas. Igreja É a prostituição da religião. A verdadeira religião consiste em agir desinteressadamente, visando ao bem da coletividade, e não, entre outras coisas, citar a Bíblia, fazer sermões de duvidosa sinceridade, ou pagar o imposto do céu (o dízimo). Por isso, prescinde de Deus. O sentimento religioso pode ser transmitido de várias maneiras, sobressaindo-se a música, que é emoção pura. O arrebatamento religioso poderá vir por meio dela. É PRECISO... Resgatar o senso da soberania e majestade de Deus. Ou seja, um conceito adequado de Deus e da sua doutrina. Porque homens e mulheres levaram Deus a sério, foram escolhidos para altas missões (Gn 6.9; 7.1; 12.1-3; Is 6.1ss); tiveram visões (2Rs 6.17; Ez 1); foram mães de grandes homens (1Sm 1.1ss; Jz 13.2,3; Lc 1.1ss). Deus não é algo, uma força ou uma influência. Mas, ensina a Escritura e a nossa própria experiência, uma Pessoa com quem podemos manter comunhão. O Nome e o toque de Deus. O Deus à minha imagem e semelhança: o Deus Papai Noel, o Deus da Arte, o Deus-que-me-obedece, o Deus utilitário. Quem é Deus? É o Deus único (Is 45.22; Dt 6.4); é o Deus que está presente (Ez 48.35); é o Deus Vivo, Santo e Verdadeiro. Resgatar o senso da messianidade e da obra de Jesus Cristo. A doutrina de Cristo, no Cristianismo, dá significado a todas as outras (Revelação, o Ser Humano, Igreja, Escatologia, etc.) Uma pergunta tão antiga quanto o evangelho é "Quem dizem os homens que eu sou?" (Lc 9.18,19). * "O Homem Perfeito" * "O Homem Ideal", modelo dos outros * "A mais bela alma que jamais existiu" (Auguste Sabatier, filósofo francês) * "Curvo-me diante de Jesus Cristo como diante da revelação divina do princípio supremo da moralidade" (Goethe) 42

128 p. Tratado de Teologia Profana. Maria J. Augsburg. Lavonn D. 1976. C. Alfa Ômega. Christianity Close to life. Parte XIV A MISSÃO DA IGREJA Na confrontação com a opressão espiritual Uma das questões mais cruciais da missiologia é a definição do próprio conceito de missão. o Filho do Deus Vivo" (Mt 16. Blauch. 1974. 1973. Trad. SP. Livros sugeridos BLANCHARD.. KNUTSON. Ele criou o mundo das almas puras.82 p. 1961. Aceptado por Dios. 1978. 1998. Resgatar o valor da Escritura Sagrada como norma de vida Os estandartes da Reforma: Sola Gratia. Huáscar Terra do. J.* "Um grande mestre" * "(Jesus com) seu perfeito idealismo.W." (Ernest Renan) * "(foi Jesus quem) pôs à luz. Pedro faz a confissão de fé evangélica ao dizer "o Cristo. John. LAMEGO. Sola Fide. e RAHM. Convention Press. VALLE. e penetrante e apta. é a mais alta regra da vida. Eu Sou Quem Sou.16). Sola Scriptura. pela primeira vez. Shaping your Faith. SP. 349 p. His Only Son Our Lord.. Confederação Evangélica do Brasil. NEILL. A Palavra de Deus é viva e eficaz (Hb 4. Senhor.M. Stephen.12). Kent S.2. a mais destacada e a mais virtuosa. O propósito da Bíblia Sagrada e dos seus registros: para que homens e mulheres venham a crer (Jo 20. Verbo ou Palavra.31) e os crentes cresçam (1Pe 2. CHRISTIAN. Trad.R. L. 1966. BROWN. Glasgow. 57 p. etc. El Estandarte de la Verdad. Collins. Cristo ("Ungido"). Rita. Minneapolis. Nashville. o valor de cada alma humana e ninguém pode desfazer o que ele fez" (Harnack). Um modo de reconhecer os atributos de Jesus Cristo é examinar os seus títulos no Novo Testamento: Jesus ("Salvação do Senhor"). 1980. Haroldo. Waco.3). Edinburgh. Word. Quem é Jesus Cristo? Rio. Truths that Make a Difference. Uma antiga abordagem foi o debate em torno de 43 . O que se deve entender por missões cristãs? Quais são a natureza e os objetivos da missão da igreja? Evidentemente essas perguntas podem receber uma grande variedade de respostas a partir de diferentes pressupostos e compromissos teológicos. Loyola. A Caruso SNOWDEN.

fazer um apanhado dos principais movimentos de que tem participado e apresentar alguns dos principais temas e ênfases da sua reflexão missiológica. diaconia e outros conceitos.3 Isso excluiu a América Latina do âmbito daquele encontro. uma vez que somente foram convidadas para a conferência as sociedades missionárias que atuavam entre povos não-cristãos. um dos mais destacados missiólogos evangélicos contemporâneos da América Latina. sendo admitidas apenas as missões que trabalhavam entre as tribos pagãs desse continente. presença cristã. evangélico. por vários anos ele tem sido professor em instituições teológicas norte-americanas. escritor e orador extremamente articulado e criativo. contextual e sensível às complexas realidades espirituais. realizada em Edimburgo em 1910. Ele tem um profundo conhecimento da situação religiosa. na amplitude de suas necessidades e relacionamentos. tem estado em diálogo constante com representantes de grupos e movimentos importantes do cristianismo latinoamericano e mundial.”1 Hoje é mais comum falar-se em evangelismo e responsabilidade social. o secretário executivo da Junta de Missões Estrangeiras da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos.2 Todavia. justiça e paz. políticas. iremos fornecer algumas informações biográficas sobre Samuel Escobar. tendo trabalhado em vários países como pastor e missionário. sociais e econômicas da América Latina. Ao longo dos anos. é um teólogo. Escobar tem defendido um conceito de missão que é ao mesmo tempo bíblico. Nossa análise começa com um retrospecto histórico da discussão missiológica protestante na América Latina.evangelização e “civilização. A escolha de Escobar justifica-se por várias razões. social e política da América Latina. ele propõe um programa que implica em levar o evangelho integral ao ser humano integral. Robert E. 44 . mas também sumamente importante para a igreja e para os cristãos individuais. A seguir. Concluiremos o estudo acrescentando algumas de nossas próprias convicções a respeito do tema em questão. o que o coloca numa posição privilegiada para falar a uma audiência mais ampla e levar ao primeiro mundo uma valiosa perspectiva do terceiro mundo acerca de missões. ou seja. Certamente este é um assunto controvertido. Diferentes autores do século XX têm procurado expressar a missão da igreja em termos de desenvolvimento. finalmente. a missão da igreja na sociedade. Durante a conferência. Como pode a igreja ser o que deve ser e fazer o que deve fazer se não tiver uma clara compreensão acerca do seu propósito na sociedade e no mundo? O objetivo deste estudo é abordar o tema a partir da perspectiva de Samuel Escobar. diálogo interreligioso. Speer (1867-1947). tem sido um líder respeitado em círculos missiológicos e teológicos. esse estímulo ocorreu às avessas. ANTECEDENTES A reflexão sistemática e abrangente sobre o trabalho missionário protestante na América Latina foi desencadeada pela célebre Conferência Missionária Mundial. Criticando os modelos missionários reducionistas ou dicotômicos. I.

sob os auspícios da Conferência de Missões Estrangeiras da América do Norte. realizou-se em Nova York. os norte-americanos ficaram a cargo da organização e presidiram todas as comissões. suas metas principais foram a evangelização das classes cultas. apenas 21 eram latino-americanos natos. o maior encontro das forças protestantes desse continente realizado até aquela data. em 1929 reuniu-se em Havana o Congresso Evangélico Hispano-Americano. Finalmente. 1961) e CELA III (Buenos Aires. 1949). Como resultado desses entendimentos. Dos 230 delegados oficiais. missões. em março de 1913. O Congresso mostrou a necessidade de maior cooperação em áreas como educação religiosa. Por outro lado.” Como resultado do encontro do Panamá.convidou vários delegados interessados na América Latina a se reunirem informalmente para discutir como essa lacuna poderia ser suprida. o Congresso do Panamá revelou duas ênfases que se tornariam problemáticas para os evangélicos latino-americanos: uma atitude simpática para com a Igreja Católica e uma forte influência do “evangelho social. Uruguai. Mais especificamente. O primeiro.7 Essas conferências estavam ligadas às denominações históricas. CELA II (Lima. reuniu-se em Montevidéu. embora a participação de latino-americanos tenha sido maior (o pastor presbiteriano brasileiro Erasmo Braga foi eleito presidente do congresso). uma conferência sobre missões na América Latina. 1969). a CCLA patrocinou o Congresso de Ação Cristã na América Latina. em 1925. o congresso foi inteiramente organizado e conduzido por latinoamericanos e as ênfases recaíram sobre a nacionalização e o auto-sustento das igrejas evangélicas. reunido no Panamá em fevereiro de 1916. que rapidamente tornavam-se minoritárias no contexto geral do protestantismo da América Latina. denominado Congresso de Ação Cristã na América do Sul. Aqui.4 Essa conferência criou a Comissão de Cooperação na América Latina (CCLA). o evento produziu a primeira discussão séria do protestantismo latino-americano e estimulou a criação de órgãos cooperativos regionais em vários países. O protestantismo ecumênico das CELAs recebia a influência do protestantismo histórico declinante do hemisfério norte. Uma segunda série de encontros do protestantismo latino-americano foi representada por três Conferências Evangélicas continentais: CELA I (Buenos Aires. presidido pelo metodista mexicano Gonzalo Baez-Camargo. literatura e formação teológica. buscava aproximar-se do catolicismo 45 . tendo como presidente o próprio Robert Speer e como secretário executivo Samuel Guy Inman. a unificação da educação teológica através de seminários unidos. o desejo de dar uma dimensão social ao trabalho missionário na América Latina e o esforço em promover a unidade protestante. Desta feita. Por sua vez.6 Mesmo assim. o Congresso do Panamá foi uma reunião de representantes de juntas missionárias estrangeiras.5 Na realidade. antes que um encontro de líderes protestantes latino-americanos. nos anos seguintes realizaram-se dois congressos missionários regionais.

na América Latina. em 1962. O CLADE I permitiu que líderes preocupados em relacionar a fé evangélica com a realidade latino-americana compartilhassem as suas inquietações. que mantinham o seu vigor evangelístico apesar das debilidades da sua teologia. que eventualmente identificou-se com a célebre “teologia da libertação. Para Valdir Steuernagel. 1966). CLADE II (Lima. Ao lado das Conferências Evangélicas continentais (CELAs) e do ISAL. buscássemos uma teologia da encarnação que estabelecesse as pautas para um diálogo com a situação de sofrimento e opressão que se vivia em toda a América Latina. 1969).11 Foi no CLADE I que se articulou a criação da Fraternidade Teológica Latino46 . O CLADE IV deverá realizar-se em setembro do ano 2000 no Equador. Em 1972. tornava-se urgente que.9 Uma característica desse protestantismo ecumênico era o crescente declínio do seu ímpeto evangelizador. E. Colômbia. 1979) e CLADE III (Quito. sendo evangélicos. que constituem a terceira das séries mencionadas acima: CLADE I (Bogotá.” A teologia da libertação adquiriu notoriedade no âmbito católico romano com a segunda assembléia da Conferência Episcopal Latino-Americana (CELAM). Naquela ocasião e naquele contexto. o protestantismo ecumênico latino-americano criou várias estruturas paraeclesiásticas com o fim de promover os seus objetivos. reunida em Medellín.10 O primeiro CLADE foi organizado pela Associação Evangelística Billy Graham. as duas correntes teológicas puseram-se em contato no I Congresso Latino-Americano de Cristãos pelo Socialismo. Alguns organismos importantes são ou foram os seguintes: Movimento Estudantil Cristão (MEC). esse congresso teve duas marcas distintivas: Manifestou com clareza que. União Latino-Americana de Juventudes Evangélicas – depois. somos e queremos ser evangélicos. como evangélicos. sob o impulso do Congresso Mundial de Evangelização (Berlim.8 Anos antes. Comissão Evangélica Latino-Americana de Educação Cristã (CELADEC). Ecumênicas (ULAJE). Do seio desse protestantismo majoritário surgiu o impulso para os Congressos LatinoAmericanos de Evangelização. Ela tornou-se o centro de convergência dos teólogos protestantes da libertação. Agência de Serviços Ecumênicos Latino-Americanos (ASEL). Coordenadoria de Projetos Ecumênicos (COPEC) e Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI).posterior ao Concílio Vaticano II (1962-1965) e procurava responder à difícil situação social do continente com uma teologia radical. após uma consulta realizada em Huampaní. Peru. tendo como órgão o periódico Cristianismo e Sociedade. em contraste com a vitalidade das igrejas vinculadas a missões independentes ou ao movimento pentecostal. somos e queremos ser latino-americanos. no ano anterior. 1992). convocado pela revista evangélica Christianity Today. os protestantes haviam criado a organização Igreja e Sociedade na América Latina (ISAL). em 1968. realizado em Santiago do Chile.

a Fraternidade Teológica Latino-Americana convocou os CLADEs posteriores.14 II. Escobar assim expressou os objetivos da Fraternidade: Desde o primeiro momento. Estados Unidos. em Lima. inclusive o que irá realizar-se no ano 2000.16 Escobar foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Fraternidade Teológica Latino-Americana (1970-1984) e de 1979 a 1985 ocupou o cargo de secretário geral da Fraternidade Internacional de Estudantes Evangélicos. mas ao mesmo tempo preocupou-se em abordar a questão de uma perspectiva que entendia ser mais bíblica e equilibrada. Ele trabalhou como missionário entre estudantes universitários na Argentina e no Brasil15 e foi diretor da Comunidade Evangélica Kairós.Americana. secundário e superior.) na Universidade Complutense de Madri e eventualmente trabalhou como secretário da Fraternidade Cristã Universitária (Inter-Varsity Christian Fellowship) do Canadá. após o que dedicou-se ao ensino nos níveis primário.17 Atualmente. ele fez o curso de doutorado em filosofia (Ph. Em 1956. Alguns anos depois. há muitos anos ele é membro da Comissão Teológica da Fraternidade Evangélica Mundial (World Evangelical Fellowship). Nas décadas de 1960 e 1970. a FTL procurou ser uma plataforma de encontro e diálogo teológico da qual participassem pastores. Entre os seus participantes mais destacados e influentes está o líder que é o enfoque principal deste artigo — Samuel Escobar. visitando praticamente todos os países da América Latina.D. Bolívia. Samuel Escobar é presidente das Sociedades Bíblicas Unidas e professor titular de missiologia no Seminário Teológico Batista do Leste. com sede em Toronto. o Peru. ele recebeu o seu grau de mestre em artes e educação na Universidade de São Marcos. dentro do marco evangélico de uma lealdade comum à autoridade bíblica e à fé evangélica como base da reflexão e de um compromisso ativo com o cumprimento da missão cristã. em Buenos Aires. missionários e pensadores evangélicos. Além disso. em Filadélfia.13 A Fraternidade procurou estar tão consciente da problemática social latino-americana quanto o grupo ISAL. Ela é também mais representativa do protestantismo popular da América Latina que a sua congênere ecumênica.18 Ele também leciona sobre missões em seu país natal. organizada no ano seguinte em Cochabamba. tendo Pedro Savage como seu primeiro secretário e Samuel Escobar como seu primeiro presidente. DADOS BIOGRÁFICOS E ESCRITOS Samuel Escobar nasceu no Peru e freqüentou uma escola missionária inglesa em Arequipa. ele e outros teólogos latino-americanos tornaram-se bem conhecidos em círculos evangélicos e ecumênicos internacionais através de sua participação em importantes conferências. 47 .12 Por sua vez. Em 1959 Escobar tornou-se o secretário itinerante da Fraternidade Internacional de Estudantes Evangélicos (International Fellowship of Evangelical Students) — representada no Brasil pela Aliança Bíblica Universitária —. tendo participado de muitas de suas consultas ao redor do mundo.

“Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America” (IBMR. Irrupción Juvenil (1978). “500 Years after Columbus: Requiem 48 . Escobar também escreveu diversos ensaios que foram publicados como capítulos de livros.” em Is Revolution Change? (1972). 1991). Alguns títulos representativos podem dar-nos uma idéia de seus temas prediletos: “Social Concern and World Evangelism. 1990). 1986). “The Elements of Style in Crafting New International Mission Leaders” (EMQ.” em New Face of the Church in Latin America: Between Tradition and Change (1994). “A Pauline Paradigm of Mission: A Latin American Reading. “Missions and Renewal in Latin American Catholicism” (Missiology.Samuel Escobar é autor de vários livros sobre teologia e missiologia: Diálogo entre Cristo y Marx (1967). International Bulletin of Missionary Research. René Padilla). 1987). “A Movement Divided: Three Approaches to World Evangelization Stand in Tension with One Another” (Transformation. 1992). Finalmente. com John Driver). Decadencia da la Religión (1972).” em Emerging Voices in Global Christian Theology (1994).” em Christ the Liberator (1971). Quien es Cristo Hoy? (1970. 1987). 1991).” em Toward the Twenty-First Century in Christian Mission (1993).” em The Good News of the Kingdom (1993). os próprios títulos de alguns artigos representativos dão uma clara idéia dos principais temas com os quais Escobar tem trabalhado ao longo dos anos: “The Social Responsibility of the Church in Latin America” (EMQ. 1982). com C. “Mission in Latin America: An Evangelical Pespective” (Missiology. Evangelical Review of Theology. 1989). 1970).” em Historia y Misión: Revisión de Perspectivas (1994).” em Bible Translation and the Spread of the Church (1990). Paulo Freire: Una Pedagogia Latinoamericana (1993). “Recruitment of Students for Mission” (Missiology. “Evangelism and Man´s Search for Freedom. “La Presencia Protestante en America Latina: Conflicto de Interpretaciones. “Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological Christology” (Missiology. Christian Mission and Social Justice (1978. Uma vez mais. Justice and Fulfillment. seus numerosos artigos têm aparecido em renomados periódicos como Evangelical Missions Quarterly. “From Lausanne 1974 to Manilla 1989: The Pilgrimage of Urban Mission” (Urban Mission. “The Social Impact of the Gospel. “The Search for a Missiological Christology in Latin America. “Transformation in Ayacucho: From Violence to Peace and Hope” (Transformation. Liberation Themes in Reformational Perspective (1989). Missiology e International Review of Mission. Transformation. entre outros. 1992). “The Church in Latin America after Five Hundred Years” e “Conflict of Interpretations of Popular Protestantism. Um dos seus livros mais recentes é Desafios da Igreja na América Latina: História.”19 em The Role of NGOs: Charity and Empowerment (1997). publicado em 1998 pela Editora Ultimato. La Fe Evangelica y las Teologías de la Liberación (1987).” em Let the Earth Hear His Voice (1974). “Latin America. “Religion and Social Change at the Grass Roots in Latin America. entre outros. “Has McGavran´s Missiology Been Devoured by a Lion?” (Missiology.” em Missiological Education for the Twenty-First Century (1996). “The Training of Missiologists for a Latin American Context. Evangelio y Realidad Social (1988). “The Role of Translation in Developing Indigenous Theologies: A Latin American View. Estratégia e Teologia de Missões.

Bassham descreve o desenvolvimento das teologias de missão ecumênica. marcado por injustiça e opressão generalizada. Escobar tem um profundo interesse em missões. regimes ditatoriais e caos sócioeconômico. especialmente através dos movimentos de que participou a partir da década de 1960. golpes militares. Como pastor. Para ele. A igreja deve proclamar Jesus Cristo como Salvador e Senhor porque os seres humanos carecem tanto de reconciliação com Deus quanto de dignidade e integridade em sua vida neste mundo. 1994). Escobar considera sua tarefa articular essa missiologia holística e inspirar outras pessoas — estudantes. Para ele. O evangelho tem implicações sociais e políticas revolucionárias que não podem ser omitidas.20 As influências recebidas por Escobar. e a igreja deve partilhar desse interesse de Deus. evangélica conservadora e católica. Rodger C. em particular depois de 1966. 1994). professor e teólogo. em meados da década de 60. especialmente entre 1948 e 1975. Por outro lado. Sua identidade latino-americana também é essencial para a reflexão e os envolvimentos teológicos de Escobar. os evangélicos começaram a constituir uma comunidade verdadeiramente global com uma visão abrangente de missões. 1992). “The Legacy of John Alexander Mackay” (IBMR. líder de movimentos estudantis. como indivíduos e como membros da sociedade. ajudam a entender as preocupações reveladas pelos títulos dos seus escritos.21 Isto significa. sendo bastante crítico da sua teologia/ideologia. 1998). violência política. 1992). e os ensinos e o ministério de Jesus em particular. “Missions´ New World Order: The Twenty-First Century Calls for us to Give up our Nineteenth-Century Models for Worldwide Ministry” (Christianity Today. pastores. tanto católica quanto protestante. Ele observa que. Tendo vivido em um período de grande turbulência na história latino-americana. “Beyond Liberation Theology: A Review Article” (Themelios. leigos e líderes cristãos — a compartilhar essa visão. especialmente em um contexto de pobreza e sofrimento. “The Whole Gospel for the Whole World from Latin America” (Transformation.or Te Deum?” (EMQ. ele sempre interessou-se pela missão da igreja. a mensagem bíblica em geral. mostram o interesse de Deus por todas as necessidades humanas. ele está longe de partilhar das idéias e compromissos do fundamentalismo. o evangelho tem relevância para a totalidade da vida. que ele não tem nenhuma conexão particular com as correntes da teologia da libertação que foram e ainda são uma expressão importante da teologia latinoamericana. REFLEXÃO TEOLÓGICA E ENVOLVIMENTOS Samuel Escobar identifica-se como um evangélico. Em seu livro Mission Theology. III. “A Missiological Approach to Latin American Protestantism” (IRM. o ano em que eles patrocinaram duas grandes conferências mundiais sobre missões e 49 . 1993). Escobar e alguns colegas sentiram que não era suficiente pregar um evangelho puramente espiritual. Conseqüentemente. por um lado.

”23 Em todos esses acontecimentos importantes houve uma decidida participação de teólogos latino-americanos. imperialista e colonialista.22 Os congressos de Wheaton e Berlim marcaram um novo estágio na emergência de uma identidade evangélica. que evocou manifestações de opinião de toda a comunidade evangélica. 1974). 50 . Ele exortou os missionários a superar a mentalidade paternalista. Estes por sua vez contribuíram para o Congresso Internacional de Evangelização Mundial (Lausanne. à medida que os participantes se debatiam com as questões da teologia de missão no mundo contemporâneo. 1966). 1974). Bassham observa que “as apresentações e discussões de Lausanne mostraram um espírito de abertura. positiva e consistente.evangelização. à medida que evangélicos de todo o mundo começaram a empreender juntos uma análise da situação enfrentada por aqueles que estavam envolvidos com missões e evangelismo em todos os continentes. nos anos 60. Samuel Escobar estando entre eles. o principal forum internacional em que se ouviu a voz de Escobar foi o Congresso Internacional de Evangelização Mundial (Lausanne.”26 Uma das grandes influências nas deliberações do congresso veio através das contribuições de oradores do terceiro mundo. O impacto de líderes como Samuel Escobar e C. O Congresso Mundial de Evangelização (Berlim. o Pacto de Lausanne demonstra que “os evangélicos desenvolveram uma teologia de missão amadurecida.24 Na convenção de 1970. 1966) – a primeira grande reunião mundial de evangélicos no século XX – também estimulou congressos regionais de evangelização em vários continentes.25 No entanto. e o crescente número de vozes evangélicas provenientes de fora da América do Norte. Nesse contexto. dotadas de uma liderança nacional bem-treinada. Escobar falaria apaixonadamente sobre a necessidade de se estabelecer uma relação entre as preocupações sociais e a evangelização mundial. o forte impacto do conceito de “crescimento da igreja” sobre a teologia evangélica de missões. e capazes de atuar eficazmente em seu contexto local. Estados Unidos. Escobar estava entre os muitos líderes do terceiro mundo que falaram enfaticamente em prol das igrejas nativas. a fim de permitir o surgimento de igrejas nativas alicerçadas na fé. Bassham identifica vários desdobramentos importantes: os primórdios de uma teologia evangélica de missão altamente representativa (a Declaração de Wheaton). No Congresso Mundial de Evangelização (Berlim. diversidade de perspectivas e profundidade de análise jamais alcançado anteriormente em uma assembléia evangélica. Escobar foi ouvido pela primeira vez por grandes audiências internacionais nas convenções da Fraternidade Cristã Universitária realizadas em Urbana. Ele e outros oradores da América Latina desafiaram os evangélicos norte-americanos a reconhecer a necessidade de promover justiça social e reformas políticas como parte dos seus deveres como cristãos. a luta em torno da relação entre evangelização e ação social. Para Bassham.

devemos rejeitar a falsa noção de que a preocupação com as implicações sociais do evangelho e as dimensões sociais do testemunho cristão resultam de uma falsa doutrina ou de uma ausência de convicção evangélica. nem a libertação política seja salvação. Orlando Costas e Samuel Escobar proferiram as declarações mais fortes no sentido de que a preocupação com as necessidades sociais da humanidade e o envolvimento com as mesmas é uma parte necessária do testemunho e da responsabilidade dos cristãos em favor do mundo.27 Muitas vezes durante o congresso os participantes afirmaram ter um interesse profundo e permanente pela ação social em favor dos pobres e necessitados. Ao contrário.René Padilla. Lausanne abordou o tema abrangente da evangelização mundial. Em seu capítulo sobre a “Responsabilidade Social Cristã. não importa qual seja a sua raça. cultura.. econômicos e políticos —. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus. De uma vez por todas. referindo-se com isso ao ministério e à missão total da igreja. foi de especial importância. nem a ação social seja evangelismo. e não explorada.. Bassham cita as seguintes afirmações de Escobar: Uma espiritualidade sem discipulado nos aspectos diários da vida — sociais.28 No âmbito continental. toda pessoa. cor. Enquanto que a orientação teológica de Lausanne permaneceu firmemente evangélica. Oradores latino-americanos como René Padilla. todavia afirmamos que tanto a evangelização como o envolvimento socio-político são parte do nosso dever cristão. é religiosidade e não cristianismo. Portanto. tanto pela nossa negligência quanto por às vezes termos considerado a evangelização e a preocupação social como mutuamente exclusivas. O Pacto de Lausanne foi muito além das declarações evangélicas tradicionais. devemos partilhar da sua preocupação com a justiça e a reconciliação em toda a sociedade humana e com a libertação dos homens de todo tipo de opressão. Também aqui manifestamos o nosso arrependimento.” o Pacto de Lausanne declara: Afirmamos que Deus é tanto o Criador como o Juiz de todos os homens. tem uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida. é o interesse pela integridade do Evangelho que nos motiva a acentuarmos a sua dimensão social. Samuel Escobar teve uma importante participação no 51 . através do grupo de Discipulado Radical. demonstrando que o evangelismo bíblico é inseparável da responsabilidade social. a singularidade de Cristo e a necessidade da evangelização. até mesmo ao ponto de se esforçarem pela mudança das estruturas sociais. religião. sexo ou idade. do discipulado cristão e da renovação da igreja. Embora a reconciliação com o ser humano não seja o mesmo que a reconciliação com Deus. ela também produziu algumas mudanças bemdefinidas na teologia evangélica de missões. classe. acentuando a autoridade da Bíblia.

. a sua apresentação sobre a responsabilidade social da igreja recebeu a atenção mais entusiástica.33 O próprio Escobar acha que o seu modelo pode ser melhor descrito como “holístico. Bogotá. três anos antes. evangélicos. é levar às suas últimas conseqüências os ensinos a respeito de Deus. Orlando Costas comenta que 1969 foi para os protestantes o que 1968 havia sido para os católicos (II Conferência Episcopal Latino-Americana.Primeiro Congresso Latino-Americano de Evangelização (CLADE I. de Jesus Cristo.31 Essa ênfase achou lugar na Declaração Evangélica de Bogotá. pelo contrário. Samuel Escobar e C. Colômbia).”34 Ele argumenta que os evangélicos latino-americanos escolheram o Pacto de Lausanne como uma expressão do seu consenso doutrinário básico e do seu claro compromisso com um modelo de missão integral e bíblico. Escobar menciona duas outras 52 . é uma evangelização defeituosa. planejado em resposta a pedidos de delegados latino-americanos presentes no Congresso de Berlim. René Padilla.” Os participantes afirmaram que “o exemplo de Cristo devia ser encarnado na crítica situação latino-americana de subdesenvolvimento.30 Escobar afirmou a certa altura: Existe base suficiente na história da Igreja e nos ensinamentos da Palavra de Deus para afirmar categoricamente que a preocupação pelo aspecto social do testemunho evangélico no mundo não é um abandono das verdades fundamentais do Evangelho. que formam a base desse Evangelho. em Medellín. de uma expressão mais autêntica de unidade cristã no empreendimento missionário e de uma reflexão missiológica mais séria e profunda. levarmos a sério a nossa responsabilidade social. que afirmou: “É chegada a hora de nós. essa terceira busca tem assumido várias formas. em Buenos Aires. uma das quais é o modelo ético-missiológico — missão da perspectiva de questões éticas — articulado por. Ele argumentou eloqüentemente que tanto a evangelização quanto a ação social são necessárias para o testemunho cristão. 1969). do homem e do mundo. que trai o ensino bíblico e não segue o modelo proposto por Cristo. Em sua opinião. entre outros. violência e desespero. além do CLADE I. Costa vê nos documentos de ambos os eventos a emergência de novas tendências missiológicas caracterizadas por um tríplice interesse: a busca de um entendimento histórico de missões. fome.29 Dentre os 28 discursos principais.35 Em um capítulo sobre a América Latina que escreveu para o livro Toward the Twenty-First Century in Christian Mission (1993). que envia o evangelista. Apesar das diferenças existentes entre os dois movimentos. Naquele ano. injustiça.”32 se os cristãos quisessem testemunhar fielmente em seu contexto sócio-cultural.. os protestantes latino-americanos realizaram ainda outra grande conferência – a Conferência Evangélica LatinoAmericana (CELA III). Sustentamos que uma evangelização que não toma conhecimento dos problemas sociais e que não anuncia a salvação e a soberania de Cristo dentro do contexto no qual vivem os que ouvem.

iniciado por Donald McGavran em 1960. Uma delas foi o Primeiro Congresso Missionário Latino-Americano (Curitiba. mas também o esforço consciente de executar essa tarefa segundo moldes bíblicos.40 O que Escobar questiona é se uma pessoa pode realmente evangelizar anunciando a Cristo como Salvador e então deixar a questão do senhorio de Cristo sobre toda a criação para uma segunda etapa.”36 Todavia. hoje o Senhor está nos chamando para cruzarmos as fronteiras da desigualdade. que poderá nunca chegar. cujo pacto manteve a ênfase de Lausanne sobre a preocupação social como parte da missão da igreja: “Assim como no passado o chamado de Jesus Cristo e da sua missão foi um chamado para cruzar fronteiras geográficas. somente em seu nome há salvação para a humanidade. porque Jesus Cristo é Senhor. inclusive a clamorosa realidade de pobreza que circundava o próprio local em que se reuniram os delegados. São Paulo. 1987) deixou de abordar conceitos básicos do entendimento de missões. como evangélico.39 Em resposta a um artigo de McGavran. Ele preocupa-se com a “missiologia gerencial” que dá ênfase à proclamação verbal e ao crescimento numérico de adesões à igreja como o principal componente das missões cristãs.37 Por essa razão.” que McGavran faz. testemunha-se o surgimento de uma nova teologia contextual que conclama à “integridade” da missão e procura associar o zelo evangelístico com a paixão holística. ele lamenta o fato de que o Congresso Missionário Ibero-Americano (COMIBAM. ambas realizadas no Brasil. O que o movimento do Crescimento da Igreja necessita é o corretivo de uma sólida teologia bíblica. Ele observa que os grandes missionários dos primeiros 1800 anos da igreja dificilmente fariam a distinção entre “espiritual” (evangelização) e “o resto. Assim sendo. ou irá adotar as técnicas e padrões da sociologia funcionalista.38 Ele acha que a base desse questionamento tem sido o compromisso claro com a tarefa de missões e evangelização. pois operavam com uma noção bíblica holística do ser humano. injustiça e idolatria ideológica. a igreja nunca deve perder o seu senso de missão e do seu chamado para proclamar a Jesus Cristo como Salvador e Senhor. do marketing e das relações públicas?41 53 . Reagindo contra o triunfalismo fácil das estatísticas e a tirania do controle de dados.conferências missionárias latino-americanas. Escobar argumenta que o grande dilema para o qual a missiologia deve estar alerta é diferente: A obra missionária será realizada segundo o modelo de Jesus e a prática apostólica. e essa singularidade de Jesus Cristo é essencial para a mensagem da igreja. ele concorda integralmente com dois pontos do apelo de McGavran: primeiro. Segundo. Eles não procurariam estabelecer prioridades nesses termos. 1976). Escobar é um crítico rigoroso do movimento do Crescimento da Igreja. Escobar acredita que o êxito do avanço protestante na América Latina deve ser interpretado fazendo-se perguntas sérias sobre o seu dinamismo transformador e a sua contribuição para a justiça nas relações sociais. Escobar afirma que.

Escobar entende que a Teologia da Libertação é uma voz eloqüente que procura reinterpretar a história cristã e a mensagem cristã. mas a única maneira disponível de encontrar aceitação social. Escobar declara que "para as massas em transição. nas palavras de René Padilla. ele aborda esse movimento na qualidade de “um observador-participante. Escobar reafirma a ênfase evangélica na centralidade da Escritura e questiona a abordagem fortemente ideológica da interpretação bíblica demonstrada pelos teólogos da libertação. à medida que a Igreja Católica Romana latino-americana buscou nova relevância social e política. o evangelho era a verdadeira força libertadora nas vidas dos latino-americanos. Escobar e os seus colegas da Fraternidade Teológica Latino-Americana têm refletido sobre o Jesus dos 54 . no início das missões protestantes na América Latina. Ele observa como. enfatize “o discipulado cristão como algo que implica em colocar a totalidade da vida debaixo do senhorio de Jesus Cristo. A missiologia evangélica deve avaliá-la. Escobar vê com apreciação o dinamismo e o crescimento do protestantismo popular (pentecostalismo) na América Latina. é um movimento popular."43 Ele observa que alguns pentecostais latino-americanos também escolheram o Pacto de Lausanne como expressão do seu compromisso com um modelo de missão holístico e bíblico. alcançar dignidade humana e sobreviver ao impacto das forças anômicas que atuam nas grandes cidades.”46 Na área da hermenêutica. um na área da consciência histórica e o outro na da hermenêutica.”47 Contra o Cristo “docético” do catolicismo latino-americano tradicional.Compreensivelmente. Como evangélico.”42 Ele destaca várias lições missiológicas que podem ser extraídas do impressionante crescimento do pentecostalismo latinoamericano: é um movimento religioso (e não social ou político). e apela a uma genuína cristologia missiológica que. por um lado. embora Escobar considere inadequadas a análise marxista e a “escatologia” da Teologia da Libertação.45 A Teologia da Libertação confronta a missiologia evangélica com dois desafios. essas igrejas estão oferecendo não somente um abrigo ou refúgio no sentido mais limitado. alguém que tem procurado ser um crítico e intérprete amoroso – um crítico severo em alguns pontos – do lado de dentro. e a religião oficial uma força opressora. Escobar diverge da escola do Crescimento da Igreja.44 Em décadas recentes. Com relação ao primeiro. mobiliza as pessoas para a missão e cria um senso de comunidade. Ele admite que a hermenêutica evangélica necessitar ser constantemente purificada de pressuposições ideológicas. Se. a Teologia da Libertação foi uma das conseqüências desse processo. por outro lado ele não sente entusiasmo pela Teologia da Libertação. ele admite que a missiologia evangélica está aprendendo a encarar a história missionária com uma atitude menos ingênua e mais madura. Ele admite: “Nós não mais podemos aceitar uma missiologia que recusa-se a levar a sério as realidades políticas e sociais.

Escobar identifica essa reflexão missiológica que está vindo não só da América Latina. Nessas igrejas do hemisfério sul. Escobar observa que a internacionalização das missões cristãs implica em reconhecer que Deus tem levantado igrejas grandes e florescentes no terceiro mundo. Há uma séria reflexão acerca daquilo que os evangelhos dizem sobre a pessoa e a obra de Jesus de Nazaré. mas também da África e da Ásia. ele destaca a importância do treinamento de missionários e missiólogos para o contexto latino-americano.”50 Em sua obra publicada recentemente em português. crescimento da igreja. Nesse sentido. e como ele o está fazendo. experiência de vida.”48 Essa missiologia cristológica busca um novo modelo para inspirar e moldar a ação missionária. especialmente nas fronteiras de missão. O material bíblico é abordado a partir de várias perspectivas possuidoras de significado missiológico. como uma missiologia crítica da periferia. terceiro mundo) pudessem convergir em um movimento mais articulado e cooperativo para enfrentar a tarefa missionária do terceiro milênio. suas formas contextualizadas de culto e ação missionária e o destaque 55 . mesmo que essa leitura signifique um exame incômodo e sério da herança evangélica. as igrejas dos pobres. Ele observa que tal missiologia “é caracterizada por uma forte ênfase hermenêutica que insiste na importância de ler o mundo e ler a Palavra. Escobar gostaria de ouvir as igrejas norte-americanas dizerem: “Vamos descobrir o que Deus está fazendo em outras partes do mundo. Inicialmente. Deus está despertando uma nova força missionária.evangelhos. consciência histórica e preocupação pastoral. mas é totalmente incapaz de relacionar o Evangelho com a ética social e a vida social. Escobar cita novamente seu amigo René Padilla: “(O evangelicalismo) afirma o poder transformador de Cristo em relação ao indivíduo.”51 Mais uma vez ele expressa o seu entusiasmo pelo protestantismo popular (pentecostalismo) devido a sua ênfase na mobilização dos leigos. sobre como a sua obra e ensino são relevantes para todas as áreas da vida. Escobar aborda em cinco ensaios algumas de suas preocupações mais fundamentais. Há também uma preocupação quanto às marcas da missão de Jesus. ele argumenta que “nosso programa de treinamento na América Latina precisa ser elaborado com base em convicções bíblicas.”49 Ele argumenta que seria grandemente desejável para a globalização das missões e da teologia evangélica se as diferentes correntes missiológicas do evangelicalismo (européias. e vamos unirnos aos nossos irmãos e irmãs a fim de completarmos a tarefa inacabada. Além disso. há uma busca do significado e da “integridade” do evangelho — Jesus Cristo é tanto o conteúdo quanto o modelo e o alvo da proclamação do evangelho. tanto individual quanto social. com o entendimento de que ser seu discípulo é ser chamado por ele tanto para conhecê-lo quanto para participar da sua missão. mencionada no início deste trabalho. Essa reflexão inclui uma crítica do cristianismo evangélico na América Latina. Em um artigo sobre a preparação de líderes de missões.

Escobar alerta os cristãos evangélicos para a necessidade de um constante processo de encarnação e contextualização que rejeita toda e qualquer forma de paternalismo e discriminação.53 Finalmente. muito embora as suas práticas nem sempre tenham correspondido às suas convicções. que vai além da experiência religiosa pessoal para incluir a comunidade e o mundo. Escobar reconhece que. Nos escritos do grande reformador. ao lado da sua anterior ênfase cristocêntrica. alguns pontos da sua missiologia merecem reparos. em anos recentes. elas enfrentam os riscos do excesso de individualismo. uma vez que está filiado à Igreja Menonita. a dar uma grande ênfase ao papel do Espírito Santo nas missões cristãs. ele aponta que os evangélicos latino-americanos têm maior afinidade com os pietistas. sermões ou nas Institutas.”52 Ao mesmo tempo que expressa sua admiração pelas igrejas populares.54 Historicamente. e conclui com uma análise do modelo missionário de Paulo. Após salientar o “fator novo” na história do cristianismo que é a transferência do dinamismo missionário para o hemisfério sul (África. Isso tem levado Escobar. Sua biografia e envolvimentos revelam uma conexão preponderante com a tradição anabatista. o nosso continente testemunha o crescimento cada mais acentuado de uma classe média significativa que também deve ser alvo do interesse da igreja. Ásia e América Latina). algumas de suas suas ênfases certamente contariam com o aval de João Calvino e de muitos dos seus seguidores. os reformados têm acentuado um conceito abrangente acerca da missão da igreja. Não precisamos concordar com tudo o que Samuel Escobar tem escrito. falta de uma eclesiologia clara e atitudes sectárias. Não obstante. vemos uma preocupação constante com as implicações sociais e comunitárias do Evangelho. Escobar tende a superestimar os valores positivos das igrejas 56 .dado ao ministério do Espírito Santo e ao elemento de conflito espiritual relacionado com a missão da igreja. Na realidade. como a sua ênfase quase que exclusiva sobre as massas empobrecidas da América Latina como objeto da ação missionária da igreja. fato que tem sido amplamente documentado por diversos pesquisadores. Ao lado disso. Ele encarece a necessidade de uma espiritualidade profunda aliada a uma preocupação igualmente intensa com as exigências éticas do evangelho. cartas. com sua notável interação entre reflexão e ação missionária. com sua ênfase na conversão de indivíduos ao evangelho. a partir da sua própria comunidade local. espírito de competição. Ele entende que “os evangélicos latino-americanos necessitam de um impulso renovado do Espírito Santo e de uma leitura nova e contextual da Palavra de Deus. seja em seus comentários. Ainda que isso não deixe de ser importante. REFLEXÕES FINAIS Samuel Escobar não se identifica como um reformado ou calvinista. Para superar esses problemas ele novamente propõe o modelo de missão integral. morávios e avivalistas dos séculos XVIII e XIX do que com os reformadores do século XVI.

notadamente nas áreas doutrinária e ética. que falam com convicção. Samuel Escobar e seus companheiros da Fraternidade Teológica LatinoAmericana fizeram um esforço sério no sentido de apresentar uma alternativa a essa teologia que fosse bíblica. como é caso de alguns recentes movimentos neopentecostais. Isso foi ilustrado de maneira extraordinária por Jesus.populares. muitos cristãos aderiram à agenda revolucionária da Teologia da Libertação. poucos afeitos à pregação do evangelho. Escobar e seus colegas têm algo importante a dizer às igrejas evangélicas históricas da América Latina e do Brasil. evangélica e igualmente radical em suas implicações. quando. manifestou o interesse de Deus por todos os tipos de pessoas e pela pessoa integral. Não obstante. Ao mesmo tempo que enviavam pregadores do evangelho para todos os quadrantes do mundo. Basta lembrarmos o intenso esforço de missões e de reforma social gerado pelos grandes despertamentos dos séculos XVIII e XIX. Eles demonstraram que as igrejas podem permanecer fiéis às suas convicções históricas e ao mesmo tempo adotar uma postura ousada e coerente em relação aos problemas sociais. são o nosso grande paradigma de missão. A Bíblia fala de um Deus que toma a iniciativa. 57 . as disputas teológicas tão bem exemplificadas pela controvérsia modernistafundamentalista nos Estados Unidos. tendo como alvo a conversão individual. pois que a igreja cristã em geral e as igrejas evangélicas de modo particular têm uma longa e honrosa tradição de “missão integral” ao mundo. dando pouca atenção a alguns sérios problemas apresentados pelas mesmas. que busca a humanidade com amor e compaixão. Tal ocorrência seria um retrocesso histórico lastimável. ideológicas e sociais. Infelizmente. especialmente como reveladas no seu Filho. do combate ao alcoolismo e de tantas outras causas nobres. da luta contra o trabalho infantil. ao passo que os liberais. da reforma das prisões. devemos levar a sério os desafios desses líderes. na Europa e nos Estados Unidos. no início deste século. em seu ministério terreno. Os conservadores em grande parte aferraram-se à idéia de que a missão exclusiva da igreja é a evangelização. Num período conturbado da história recente da América Latina. Como Escobar destaca. que quer dar vida e dignidade à sua criação. a atitude e as ações de Deus em relação ao mundo. quando nosso continente foi sacudido por profundas convulsões políticas. que realmente correm o risco de tornar-se irrelevantes na sociedade caso não despertem para algumas dolorosas realidades que existem ao seu redor. optaram decididamente por atividades de cunho social. Jesus Cristo. como agente e instrumento de Deus. as igrejas e cristãos individuais estavam na vanguarda de movimentos em prol da extinção do tráfico negreiro. Como cristãos brasileiros preocupados tanto com a missão da igreja quanto com as difíceis realidades sócio-econômicas de nosso país. produziram a concepção dicotômica da missão da igreja que hoje observamos. coerência e clareza sobre a necessidade de um entendimento abrangente da tarefa da igreja no mundo. da abolição da escravatura.

Jesus lutou e morreu na cruz. Mott e Robert E. Obs. eram provenientes do movimento cristão de estudantes.: O presente estudo é uma versão ampliada do artigo “Samuel Escobar e a Missão Integral da Igreja: Uma Perspectiva Latino-Americana. John R. com uma contribuição e uma mensagem singular. ela também precisa expressar o interesse de Deus por toda a vida e espelhar a atitude daquele que disse: “Eu vinham para que tenham vida. Speer. Desde uma perspectiva evangélica. a sua mensagem e ações desafiam todas as áreas da vida particular e coletiva.” em A History of the Ecumenical Movement: 1517-1948. Ver.” publicado em Vox Scripturae 8/1 (Julho 1998): 95-111. 353-402 (Genebra: World 58 . necessariamente fará com que a igreja enfrente as diferentes situações que afetam a vida humana neste mundo caído. e a tenham em abundância. Ele instruiu os seus seguidores a continuarem a sua obra de proclamação do reino (Jo 20. 1987). Latourette. eds. Tudo deve ser colocado debaixo do propósito e do senhorio de Deus. as famílias e as comunidades à reconciliação e nova vida em Jesus Cristo – certamente é básica e essencial. É para essas implicações mais amplas do evangelho e da missão da igreja que cristãos comprometidos e inquiridores como Samuel Escobar chamam a nossa atenção. 3ª ed. A Conferência de Edimburgo é considerada o berço do moderno movimento ecumênico. físicas e emocionais. Essa mensagem. O reino de Deus e seus novos valores devem ser manifestos em todos os tipos de relacionamentos humanos. Oldham. a preocupação com prioridades. Seus líderes. Ver Kenneth S. Hutchison. Por causa do seu forte senso de missão. “Ecumenical Bearings of the Missionary Movement and the International Missionary Council.21s). Todavia. Ruth Rouse e Stephen C. À medida que a igreja evangeliza. a evangelização – convidar os indivíduos. Ela é uma instituição singular. praticidade ou. vamos concentrar os nossos esforços no que é primordial – a evangelização – e as outras preocupações cuidarão de si mesmas. como Joseph H.O Cristo do Novo Testamento interessa-se por todas as necessidades humanas — espirituais. Inevitavelmente é levantada a questão das prioridades: uma vez que não podemos fazer tudo que Deus espera que façamos. o importante livro de William R. esses sublimes ideais nem sempre encontram plena expressão nas vidas diárias dos cristãos e das igrejas. Evidentemente.” A igreja não deve ser reduzida a uma organização social ou a um grupo de pressão política como tantos que existem na sociedade. a esse respeito. muitas vezes.. o propósito total de Deus para a humanidade e para a comunidade redimida. Errand to the World: American Protestant Thought and Foreign Missions (Chicago: The University of Chicago Press. Neill. estatísticas e resultados rápidos não deve cegar a igreja para a integridade da missão. se vivida até as suas últimas conseqüências.

entre outros. Rolando Gutiérrez. Nelson. 1986). entre 1962 e 1964. Álvaro Reis e Erasmo Braga.” Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). José Porfirio Miranda. Escobar. de Iquitos. um velho Catalina da Panair. Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). enquanto que todos os CLADEs ocorreram nos países andinos. Em 1959 e 1960 percorri como evangelista e discipulador um bom número de centros universitários. até Manaus. Erasmo eventualmente tornou-se o secretário da Comissão Brasileira de Cooperação. 35. “Los ‘CLADEs’ y la Misión de la Iglesia. em 1953. “Los ‘CLADEs’ y la Misión de la Iglesia. Entre os latino-americanos presentes no congresso estavam apenas três brasileiros. especial (Novembro 1978): 521. René Padilla. 1952). Tito Paredes. Citado por Tito Paredes em “Visión Histórica de los ‘CLADEs’. os presbiterianos Eduardo Carlos Pereira. autor de Uma Teologia da Libertação (1971). “Panamá 1916 y su Impacto sobre el Protestantismo Latinoamericano. 59 . 13.Council of Churches. John Kessler e Wilton M. ed. nos primeiros anos da Aliança Bíblica Universitária.” 22. Os critérios de seleção procuram ser os mais abrangentes possíveis em termos de faixas etárias dos participantes. 20. Dali percorri o Norte e o Nordeste. Ecumenical Foundations: A History of the International Missionary Council and its Nineteenth-Century Background (Nova York: Harper and Brothers. o órgão cooperativo correspondente ao CLAI é a Confraternidade de Evangélicos da América Latina (CONELA). Sobre a sua relação com o Brasil.” Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). até chegar a São Paulo.” Pastoralia 1/2.” Samuel Escobar. entidade que promoveu o maior esforço cooperativo até hoje empreendido pelas igrejas evangélicas brasileiras e foi precursora da Confederação Evangélica do Brasil. identidade étnica e filiação eclesiástica. metade das inscrições é reservada para participantes pentecostais. o próprio Escobar afirma em uma obra recente: “Desde a minha primeira visita ao Brasil. Daí o subtítulo utilizado: “Para considerar os problemas missionários relativos ao mundo não-cristão. apaixonei-me por esse imenso país. Entre os evangélicos conservadores. Ver Samuel Escobar. na selva peruana. Outros membros bem conhecidos da Fraternidade Teológica são C. duas realizaram-se na cosmopolita e culta Buenos Aires. O historiador Sidney Rooy identifica uma seqüência de três séries ou ciclos de encontros do protestantismo latino-americano. Os próprios locais dessas conferências e congressos são reveladores. como jovem delegado peruano a um congresso mundial da juventude batista. Um dos primeiros e mais importantes articuladores dessa teologia foi o sacerdote peruano Gustavo Gutiérrez. Cheguei de avião. com seus enormes problemas sociais e suas dinâmicas igrejas populares. trabalhei como missionário na frente estudantil. Henrique Dussel e Leonardo Boff. Das três CELAs. Hugo Assmann. 131-32. Neste último aspecto. onde. sexo. no campo protestante destacaram-se José Miguez Bonino e Rubem Alves. Jon Sobrino.” William R. Outros nomes importantes no campo católico são Juan Luis Segundo. Núnez e o brasileiro Valdir Steuernagel. Hogg. Emílio A.

publicou os trabalhos apresentados nessa consulta. Escobar também foi responsável por vários periódicos. Escobar participou de uma conferência sobre economia e missões promovida pelo Concílio de Ministérios Internacionais das igrejas menonitas norteamericanas. em 1982 Escobar participou da Consulta de Teólogos do Terceiro Mundo. como ocorre nos Estados Unidos. em nível de pós-gradução.” Como no Brasil. o termo “evangélico” tem sido virtualmente sinônimo de “protestante. esta é a tradução dos títulos dos artigos de Escobar: “A responsabilidade social da igreja na América Latina”. e diretor de Pensamiento Cristiano. “Além da teologia da libertação: missiologia evangélica na América Latina”. Para os leitores não familiarizados com o inglês.” Escobar também leciona no curso de Administração do Eastern College. “Um movimento dividido: três abordagens da evangelização mundial permanecem em tensão entre si”. “O recrutamento de estudantes para missões”. “Além da teologia da libertação: artigo-resenha” e “Uma abordagem missiológica do protestantismo latino-americano. ele foi editor de Certeza.” os estudiosos estão utilizado o anglicismo “evangelical” para designar especificamente os evangélicos conservadores. 11. Mackay”. “A Latin American Critique of Latin American Theology.” Evangelical Review of Theology 7. Pedro Arana. David Bosch menciona pelo menos seis tipos básicos: (1) novos evangelicais (como Billy Graham). 1997). culturais e tecnológicos. “Teologia evangélica na América Latina: o desenvolvimento de uma cristologia missiológica”. “Transformação em Ayacucho: da violência à paz e esperança”. Valdir Steuernagel e Rodrigo Zapata. “O evangelho inteiro para o mundo inteiro a partir da América Latina”. “De Lausanne 1974 até Manilla 1989: a peregrinação da missão urbana”. “500 anos após Colombo: Requiem ou Te Deum?”. órgão oficial da referida Comissão Teológica. “o missiologista Samuel Escobar disse que um conceito holístico de missão conclama os cristãos a compartilhar tanto a vida espiritual quanto recursos materiais e a utilizar instrumentos espirituais. Por exemplo. Por força de suas ocupações.Desafios da Igreja na América Latina: História. na Coréia do Sul. A revista Evangelical Review of Theology. “Missões e renovação no catolicismo latino-americano”. Por exemplo. em março de 1998. “A nova ordem mundial das missões: o século XXI nos conclama a abandonarmos nossos modelos de ministério mundial procedentes do século XIX”. um deles escrito por Escobar e três colegas latinoamericanos. “Elementos de estilo na formação de novos líderes missionários internacionais”. “A missiologia de McGavran foi devorada por um leão?”. Segundo o Mennonite Brethren Herald. uma revista para estudantes universitários. “Missão na América Latina: uma perspectiva evangélica”. Seu papel principal é ajudar os estudantes a considerar as missões cristãs no contexto da justiça econômica. publicado na Argentina. Também publicado em Annals of the American Academy of Political & Social Science 554 (Nov 1997). em distinção dos progressistas ou liberais. um órgão de exposição do pensamento evangélico. “O legado de John A. realizada em Seul. nº 1 (abril 1983): 48-62. (2) evangelicais separatistas 60 . Estratégia e Teologia de Missões (Viçosa. MG: Editora Ultimato. Mais recentemente. que tentam unificar todos os evangelicais. historicamente. Ver Samuel Escobar.

Festo Kivengere e Arthur Glasser).” 241. Rodger C. “Mission in Latin America: An Evangelical Perspective. Samuel Escobar. Ibid. Bassham. 187. Escobar atribui ao CLADE I.. Bassham. “Has McGavran´s Missiology been Devoured by a Lion?” Missiology 17 (Julho 1989). o surgimento de uma “teologia nacional” entre os evangélicos latino-americanos. (4) evangelicais pentecostais e carismáticos.” a instabilidade 61 . denota o que diz respeito a totalidades ou sistemas completos.homenet. A medicina holística. Mission Theology. “Latin America. “Mission in Latin America. “Latin America. Califórnia: William Carey Library. 22. James M. 104.” em Pensamiento Cristiano 93 (Março 1978): 170-175. e (6) evangelicais ecumênicos (como John Stott. Ibid.. “Anômicas” deriva de “anomia.” em Toward the Twenty-First Century in Mission. que recebeu 920 delegados de 25 países. por exemplo. 25. Phillips e Robert T. The Lausanne Covenant: An Exposition and Commentary (Minneapolis: World Wide. Ibid.(como Carl McIntire e o seu Concílio Internacional de Igrejas Cristãs). Coote (Grand Rapids: Eerdmans... Samuel Escobar. 291. Desafios da Igreja. 1975). Quando Escobar concluiu sua palestra.” do grego hólos (“inteiro”. A palestra foi publicada na íntegra por Edições Vida Nova. O COMIBAM deu uma forte ênfase à segunda vinda de Cristo. René Padilla e Orlando Costas).html. 237. (5) evangelicais radicais (como Samuel Escobar.br/cem/postura. Conn e Samuel F. tratamento ou divisão em partes. 244. Ver Internet. Ibid.” Missiology 20 (Abril 1992). Ibid. 231.. Samuel Escobar. 131.” 134. Ibid. Esse congresso foi o berço da Fraternidade Teológica Latino-Americana. 133. and Roman Catholic (Pasadena. 1979). A Responsabilidade Social da Igreja. Ibid. “Holístico. Orlando Costas.. os delegados colocaram-se de pé e demonstraram a sua aprovação aplaudindo-o entusiasticamente. Michigan: Urbanus. Um bom exemplo das idéias de Escobar acerca da evangelização pode ser encontrado no seu artigo “Vivir y Evangelizar. Tópicos do Momento 3 (São Paulo: Vida Nova. procura tratar tanto a mente como o corpo. 1984). 7-8. Ibid. www. Escobar. ed. Romen (Farmington. em contraste com a análise.” em Missions and Theological Education in World Perspective. “completo”). Mission Theology: 1948-1975 – Years of Worldwide Creative Tension – Ecumenical. 262. Escobar.com. 349-350. “Missiology in Contemporary Latin America: A Survey. Ver Samuel Escobar.. Mission Theology. 295. 225. (3) evangelicais por confissão (como Peter Beyerhaus). ed. 350. Bassham. 1970). Evangelical. John Stott. 1993). Harvie M.

obras como as de René Padilla e Timóteo Carriker são dignas de nota. alienação e incerteza que decorre da ausência de propósito ou ideais. é enorme. 69-88. Ibid.. realizada em Londres de 9 a 14 de abril de 1996.” Missiology 19 (Julho 1991). Nele nada menos que 27 articulistas tratam da missão integral da Igreja. Ibid. Desafios da Igreja na América Latina.. sob o título “Discernindo o Espírito na América Latina.social resultante do colapso dos padrões e valores.” Evangelical Missions Quarterly 28 (Janeiro 1992). Escobar participou de mais uma consulta da Comissão Teológica da Fraternidade Evangélica Mundial. 108. Samuel Escobar. trad. conforme observamos no 62 . Mas existem muitos outros autores que não aparecem no livro de Steuernagel. 1990). teve como tema “Fé e Esperança para o Futuro: Por Uma Teologia Evangélica Vital e Coerente para o Século XXI. Um bom exemplo da diversidade da missão integral é o livro A Missão da Igreja. Escobar. 48. 7. 328.. Desafios da Igreja na América Latina. missiólogos e pensadores que têm escrito e palestrado sobre a missão da Igreja. 111. gerando uma espiritualidade nova e radical. Samuel Escobar. 321. Não é original porque missão integral já faz parte da discussão teológica da Igreja há algum tempo. e em seus vários aspectos. Samuel Escobar. Não é um trabalho original e nem exaustivo.” Evangelical Review of Theology 20/4 (Outubro 1996)..” Escobar foi o autor de um dos seis estudos apresentados ao plenário. Ibid. Waldyr Carvalho Luz (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana. Escobar.” Fides Reformata 3:1 (Jan-Jun 1998). do autor do presente artigo. 316. O Pensamento Econômico e Social de Calvino. e “Jonathan Edwards: Teólogo do Coração e do Intelecto. “Mañana – Discerning the Spirit in Latin America. Ibid.” International Bulletin of Missionary Research 6 (Julho 1982). Valdir Steuernagel em 1994. no sentido individual. “The Elements of Style in Crafting New International Mission Leaders. 72-87 Parte XV A MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA Introdução: Que é missão integral? O que envolve a missão da Igreja a ponto de investigarmos o que é mito e o que é realidade? Na procura de respostas para estas e outras perguntas semelhantes é que este estudo veio a lume. organizado pelo Dr. Samuel Escobar. Não é exaustivo porque o número de teólogos. Ibid. “Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological Christology. Ver também.” em que revela o seu grande interesse pela dimensão pneumatológica da missão da igreja e conclama os evangélicos a estarem receptivos ao novo vento do Espírito que sopra na igreja. Há poucos anos. significa a inquietação. Tal consulta. Além disso. 110. “Amando a Deus e ao Próximo: João Calvino e o Diaconato em Genebra. 19.” Fides Reformata 2:2 (Jul-Dez 1997). 64. É o caso de André Biéler.. “Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America.

ou pelo menos não deveria haver (1). Por causa dessa variedade de autores foi preciso adotar alguns critérios. justamente porque ao se discutir prioridades (estamos falando apenas de evangelização e ação social) a igreja deixa de fazer bem uma e outra coisa. isto é. O MITO E A REALIDADE DA MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA 1. Evangelização e responsabilidade social devem andar juntas como causa e efeito de uma mesma verdade evangélica. pois há situações em que o 63 .capítulo sobre o conceito de missão integral da Igreja na teologia contemporânea. a saber. O mito da missão integral da Igreja O que poderíamos denominar de mito ou mitos na missão integral da Igreja? Após relativa pesquisa e análise cuidadosa deste assunto. 14). o ser humano considerado em partes separadas ao invés do todo.1. O relatório da Consulta Internacional realizada em Grand Rapids (EUA). a. Os outros dois são uma explanação bíblico-teológica e pragmática do primeiro. p. a consciência social da igreja brasileira hoje parece ser maior do que algumas décadas atrás. O mito da polarização teológica Que evangelização e responsabilidade social são verdades bíblicas para a Igreja de Jesus Cristo não há dúvida. chegamos à conclusão que dois pontos resumiriam bem o mito de missão integral da Igreja. neste capítulo. se por um lado a Igreja vem melhorando em sua visão social. 1998. também não estamos afirmando que sejam duas coisas diametralmente separadas. também. concluiu que na questão da primazia entre evangelização e ação social "a evangelização tem uma certa prioridade. ainda não amadureceu tanto em sua concepção de missão integral. Felizmente. Com isso não queremos dizer que evangelização e ação social devam ser entendidas como sendo a mesma coisa. por outro. O primeiro deles estaria relacionado a um debate que perdura já algum tempo na igreja evangélica mundial e na brasileira em particular. Por outro lado. I. Nosso estudo divide-se em três capítulos principais. Não estamos falando em prioridade temporal. Alguns fatores que possibilitaram o surgimento desses mitos é o que veremos. O segundo mito estaria diretamente ligado à dicotomia humana. mas em prioridade lógica. "Um ministério integral verdadeiro define a evangelização e a ação social como funcionalmente separadas. Nosso objetivo é mostrar que a Igreja evangélica brasileira só pode ser verdadeiramente missionária quando no desempenho de sua missão integral. a polarização entre evangelização e a responsabilidade social da Igreja. O primeiro trata da missão integral como mito e realidade propriamente dito. Entretanto. vez ou outra mencionados no corpo deste trabalho. mas relacionalmente inseparáveis e necessárias para um ministério integral da igreja" (YAMAMORI. presidida por John Stott em 1982.

Evangelização e responsabilidade social são partes integrantes da missio Dei. cultura. portanto. pelo menos nas sociedades livres. 23) A discussão pouco louvável no meio cristão sobre a missão prioritária da Igreja no mundo também levou o comitê de Lausanne a elaborar uma declaração sóbria e amadurecida. O evangelho social e a teologia da libertação A influência perniciosa e nefasta do liberalismo teológico do século XX. estas duas realidades (evangelização e ação social) são inseparáveis. toda pessoa. cor.ministério social precisa vir primeiro" (STOTT. 1983. classe social. e raramente teremos de optar entre uma e outra. A fé sem obras é morta" (Idem. foi um dos fatores que colaboraram para a polarização entre evangelização e a ação social no meio 64 . Aqui também nos arrependemos de nossa negligência e de termos algumas vezes considerado a evangelização e a atividade social mutuamente exclusivas. sexo ou idade possui uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida. Façamos. p. Em lugar de estarem em competição. IV). devemos partilhar o seu interesse pela justiça e pela reconciliação em toda a sociedade humana. p. o ingresso em sua igreja e um serviço responsável no mundo" (O PACTO DE LAUSANNE. inseparáveis e indispensáveis na missão integral da Igreja de Jesus Cristo no mundo e para o mundo (2). E ainda: Afirmamos que Deus é o Criador e o Juiz de todos os homens. elas se sustentam e fortalecem mutuamente. em seus artigos. em particular das teologias do evangelho social e da libertação. sem distinção de raça. a seguir. Diz assim. o chamado Pacto de Lausanne: "Os resultados da evangelização incluem a obediência a Cristo. Portanto. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus. 1983. 1983. numa espiral ascendente de preocupação crescente (STOTT. como aconteceu no ministério público de Jesus. e pela libertação dos homens de todo tipo de opressão. (Idem. e não explorada. nem a ação social evangelização. E na prática? Na prática. Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus. afirmamos que a evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. uma rápida apresentação de dois grandes movimentos que contribuíram negativamente para o distanciamento da Igreja de sua missão integral. 23). V). V) (Grifos nossos) E mais: "A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais. religião. nem a libertação política salvação.

A influência missionária e da teologia sistemática Norman L. um grande mal. "Esta ênfase foi dirigida pelos cristãos na Idade Média e tem sido transmitida para o presente". como também o próprio evangelho para o qual ela foi chamada a proclamar no mundo. principalmente desta última). Partindo da perspectiva bíblica. a ausência da compreensão do indivíduo como ser integral.homem ou mulher . Resultado: No afã de se preservar o espiritual. A correção deste erro está no ensino bíblico acerca da unidade essencial do ser humano. na pior. pecou na espiritualidade sem encarnação. O ser humano . a igreja evangélica brasileira. pois. b. é uma necessidade urgente em nossos dias. tem levado a mesma a desvalorizar não somente o ser humano na sociedade. há de se admitir que. por outro lado. 59). o ser humano poderia ser definido como sendo 'uma comunidade integrada de corpo e alma' (STOTT. p. Entretanto. na melhor das hipóteses. Geisler (1985. e sem qualquer preocupação de ser rotulada e perseguida por isso. Se de um lado as teologias liberais mencionadas cometeram o pecado do social sem espiritualidade. boa parte das igrejas brasileiras está envolvida em trabalhos sociais. Em síntese o platonismo argumenta que o ser humano é essencialmente um ser espiritual e que apenas tem conexão funcional com um corpo que. por sua vez. Contudo. p. isto é. "só existe fidelidade na evangelização quando existe fidelidade na missão integral da igreja". O esforço de se combater a teologia do evangelho social e depois a teologia da libertação (por causa da ênfase social à parte do evangelho bíblico e de uma filosofia marxista. a influência missionária européia e norte-americana e a teologia sistemática. a Igreja acabou se equivocando e não enxergou a mensagem social autêntica que o mesmo evangelho oferecia. Um dos maiores males cometidos na igreja evangélica brasileira de hoje é limitar o conceito de salvação. o platonismo. não dictomizado. 1989. como ocorria em tempos atrás. tanto o evangelho social quanto a teologia da libertação provocaram uma reação positiva na Igreja. pela própria Igreja.evangélico. A Igreja foi levada a refletir seus valores. 38). 154) observa que parte do descuido do "homem total" tem sua origem na ênfase platônica não-cristã sobre a dualidade do ser humano. é um impedimento e. 65 . Veremos a seguir que pelo menos três fatores contribuíram negativamente para o surgimento do mito da dicotomia humana. como salientou muito bem Manfred (1987. como o é pela Bíblia. provocou um mal-estar na igreja brasileira. p. achando que Cristo veio salvar apenas a alma do homem ou da mulher. Hoje em dia.é um todo e deveria sempre ser visto assim. O mito da dicotomia humana Ver o indivíduo completo. conforme veremos no decorrer deste estudo. dando uma reviravolta considerável nessa história toda.

39. perdeu-se de vista a perspectiva bíblica de que somos um todo. Embora as Escrituras sejam invioláveis.Além da influência platônica. 1. isto tem sido um dos fatores prejudiciais na compreensão da missão da Igreja. o texto bíblico precisa ser reinterpretado e reaplicado ao contexto moderno. os missionários europeus e norte-americanos que aqui estiveram parece que não conseguiram passar adiante a idéia da missão integral. 515). independente de sua linha confessional. Uma terceira razão foi observada pelo missiólogo norte-americano Timóteo Carriker. p. com raríssimas exceções. Bruce A. e em seus conceitos dicotômicos e tricotômicos. Embora a teologia sistemática seja uma tentativa interessante de organizar em um ou mais compêndios conceitos e pensamentos religiosos variados. em seu artigo Teologia Sistemática (In EHTIC1990. de tempos em tempos. pelo contrário. e durante tanto tempo vem caminhando lentamente na questão social? Pelo menos por três razões principais: Uma delas tratamos há pouco. a omissão da Igreja. Por isso. 55). embora não justifique. Ashbell Green Simonton e outros. certamente. por que a igreja evangélica brasileira de modo geral não herdou a totalidade da visão desses bons exemplos de missionários. o que. contribuiu para a difusão do evangelho social e principalmente da teologia da libertação em nosso país. ora nobre e sacrificial. não transmitiam a mesma visão missionária para as igrejas autóctones. que desempenharam um papel social muito grande em nosso país. Outra razão é que a maioria dos missionários estrangeiros que aqui chegaram tendia para a corrente do evangelho individual (KRIEGER. O que é facilmente percebido nas mensagens bíblicas e hinos que os missionários nos legaram.40). Assim. DEMAREST. p. In Teses. (Grifo nosso) (3) Outro fator que infelizmente tem colaborado para a dicotomia humana é a teologia sistemática. mas. pp. é preciso ter cautela com a mesma. de certa forma. e segundo: porque novas questões e problemas continuam a surgir para desafiar a igreja. isso não quer dizer que não houve qualquer tipo de envolvimento social. nosso espiritualismo desencarnado no campo social. 1993. deixaram a impressão de que missões é coisa que o Brasil recebe e não que faz (CARRIKER. faz uma advertência importante: Alguns consideram a teologia sistemática como um depósito eterno e inalterável de verdades divinas. novos entendimentos teológicos e reformulações são necessários a cada geração. quando diz que boa parte dos missionários europeus e norte-americanos que aqui estiveram "realizaram o trabalho. A realidade da missão integral da Igreja 66 . isto é. Isso explica.1988. na análise da questão corpo. o conjunto da verdade cristã deve ser vestido em roupagens contemporâneas a fim de permanecer inteligível. Porém. por causa daquela reação ao evangelho social e à teologia da libertação.2. Nossa herança missionária é deveras espiritualista. Primeiro: porque à medida que a linguagem e as formas culturais mudam. até hoje sentida. No estudo da natureza do ser humano na teologia sistemática. E. é claro. ora dominador e paternalista. a história da igreja brasileira registra dignos exemplos de missionários como Robert e Sarah Kalley. alma e/ou espírito. Mas então.

porém. como diria Orlando COSTAS (1979. É mais que isso. expressam bem a realidade dessa missão. em nossa opinião. Precisa deixar o monte da transfiguração (entenda-se contemplação) e descer até ao sopé onde se encontram os excluídos. como veremos mais adiante. Onde está. em se tratando de benefícios a serem recebidos. tem o dever ético e moral de ser mais justa do que qualquer governo ou partido político pretenda ser. Conforme salientou Jorge GOULART (1941. o primeiro sempre sai perdendo. É verdade que a Igreja não é uma instituição político-partidária que deva defender qualquer bandeira política. conflitos. o seu grau de participação na vida. É preciso sim que os pobres desse mundo recebam um tratamento preferencial porque foi assim que Deus os tratou na Bíblia. 102). Não é fácil inculcar na cabeça do nosso povo que o envolvimento da Igreja deve ser total. mas cria uma consciência democrática. A Igreja deve ser a voz do que clama no deserto a fim de fazer a diferença no mundo. mas também à criação de Deus em geral. a Igreja "não prega uma forma de governo. como prova concreta do amor de Deus" (COSTAS. 229). por exemplo. Por isso mesmo. somente o pobre precisa ser atendido também em suas necessidades básicas prioritárias. a. Os cristãos foram postos no mundo para ser a consciência da sociedade. verdadeira afronta contra a imagem e semelhança de Deus. a consciência ecológica da Igreja? (4) Além disso. destaquemos dois fatores que. tem solapado nosso país e a Igreja muitas vezes tem se afastado como se nada tivesse com isso.Em contrapartida ao mito da teologia de missão integral da Igreja. sobretudo. a Igreja como sal da terra e luz do mundo deve fazer a diferença nos vários setores da sociedade. p. de respeito ao próximo e. Orlando Costas via nesta dimensão diaconal ou encarnacional da Igreja "a intensidade de serviço que a igreja presta ao mundo. 113). sabemos que a ortopraxia da missão integral não é tão óbvia como deveria ser. Quando se coloca o pobre e o rico lado a lado. à luz dos conceitos de liberdade. temores e esperanças da sociedade e a medida em que seu serviço ajuda a aliviar a dor humana e a transformar as condições sociais que têm condenado milhões de 67 . Ela é uma instituição divina supra partidária. de amor a Deus e à humanidade". principalmente no socorro aos menos favorecidos. por causa da má distribuição de renda de nosso país. 1994. como resultado de uma política social opressora. p. Não só no que se refere ao indivíduo. p. de dignidade humana. A missão da Igreja é holística e diaconal Por mais óbvia que pareça esta afirmação. Uma opção preferencial pelos pobres? E por que não? O evangelho é para todos. E ainda: Esta dimensão envolve o impacto que o ministério reconciliador da igreja exerce sobre o mundo. A injustiça social.

1. A missão da Igreja não é filosofia e muito menos modismo. A opção por apenas um desses seus aspectos (doutrina ou prática) causará profunda ojeriza em Deus. A missão integral na Bíblia A missão integral tem raízes bíblicas profundas. A missão da Igreja é bíblica Quando dizemos que a missão integral da Igreja é bíblica. A integralidade da Igreja é bíblica e se baseia na missão integral de Deus. A missão integral da Igreja é ampla. p. mulheres e crianças à pobreza. "Nada é mais claro na Bíblia do que ser Deus o campeão dos pobres. Sem esta dimensão a igreja perde sua autenticidade e credibilidade. pois somente na medida em que conseguir dar visibilidade e concreticidade à sua vocação de amor e serviço ela pode esperar ser ouvida e respeitada. p. Isso é verdade. 15) salienta: Tanto no Antigo como no Novo Testamentos a Bíblia ordena à igreja que ministre à pessoa como um todo. A Bíblia não incentiva nenhum blá-blá-blá teórico desinteressado. assim como é ampla a missão integral de Deus. Segue abaixo uma abordagem resumida sobre o assunto. No capítulo 2 desse estudo falaremos um pouco mais sobre a base bíblica da missão integral da Igreja. p. à luz da Bíblia. No capítulo anterior mencionamos que a missão integral da Igreja é ampla. A BASE BÍBLICA E TEOLÓGICA DA MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA 2. como um todo deve ser a missão integral de Sua Igreja. A Bíblia é doutrina e prática. visto que a dimensão dessa missão é vertical e horizontal. isto é. Tetsunao YAMAMORI (1998. aos pobres deste mundo. dos oprimidos e dos explorados". mais especificamente. 56). (BRYANT. aquele que está diretamente relacionado à pessoa do indivíduo ou. 1988. ainda que sejam separadas em termos funcionais. 22) resumiu a missão intergral da Igreja em "comunhão.4). adoração. Isto quer dizer que se deve atender tanto às necessidades físicas como às espirituais. II. A Bíblia não existe para o deleite de nossa mente carnal. evangelismo e serviço". b. Por isso mesmo nosso objetivo agora será tratar. (COSTAS. É uma verdade bíblica que precisa ser resgatada e praticada em sua totalidade. apenas de um dos aspectos da missão integral. 1994. pp. significa que ela (a missão integral da Igreja) não é uma filosofia cega ou um modismo passageiro. O compromisso da Igreja com Deus (vertical) resulta nela um compromisso com a criação em geral e com o ser humano em particular (horizontal). 113.homens. Sua Palavra é um todo. 68 . Não é por acaso que GRELLERT (1987. edificação. que estão inseparavelmente relacionadas.

49 afirma que o pecado de Sodoma. O cuidado de Jesus com os pobres e marginalizados é enorme. Isto não significa que Deus faça acepção de pessoas ou de classe social. é que vocês cortem as ligaduras da impiedade.2. sendo rica e abastada. do humilhado. quer pelo sistema religioso. e seus próprios operários. Em Mateus 4. pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo". Ezequiel 16. o pobre. Em Isaías 58. p.23 lemos também: "Percorria Jesus toda a Galiléia. Os apóstolos deram continuidade ao tema da missão integral de Jesus em seus ministérios. No Novo Testamento Jesus Cristo é a revelação máxima da missão integral de Deus no mundo. No Antigo Testamento Se folhearmos as páginas do Antigo Testamento veremos que existe uma clara opção preferencial de Deus pelos pobres e oprimidos. da vaidade e da imoralidade era que aquela cidade. 35). é que ajam com justiça em relação aos desamparados". 25) notamos que além da questão do se "fazer igualmente a Cristo".3-8. ensinando nas sinagogas. pelo que me ungiu para evangelizar os pobres. 69 . quer pelo sistema econômico. (MACEDO FILHO. e o jejum que eu quero.1. Vinte e cinco palavras hebraicas para falar do oprimido. do desesperado. No início de seu ministério terreno o Senhor Jesus deixou bem clara a sua missão quando declarou: "O Espírito do Senhor está sobre mim. e apregoar o ano aceitável do Senhor" (Lc 4. mas enfrentando exatamente aqueles que oprimiam o povo. veremos que o objetivo de toda a legislação era que não houvesse miseráveis e injustiçados no meio do povo de Israel. do desamparado. b. Veja também Isaías 1. 10. o órfão. De modo algum! Mas com certeza Ele olha de maneira especial para aqueles que não têm vez. enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos. Se olharmos na legislação do povo de Deus no Velho Testamento. E ainda em Mateus (cap. do fraco.17. "Nós nunca encontramos Jesus Cristo de dedo apontado contra os pobres e marginalizados. que não têm voz. a viúva.18. nunca atendeu o pobre e o necessitado. vocês estão oprimindo os pobres. quando o povo de Deus pergunta: "Por que é que nós oramos e jejuamos e tu não nos respondes?".a. para por em liberdade os oprimidos. Só no AT nós temos 300 referências sobre causas. realidade e conseqüências da pobreza. Deus diz: "É porque vocês jejuam e oram para a iniqüidade. 1988. o estrangeiro. do destituído. além do orgulho. do carente. do que clama por justiça.19). ou sistema político de sua própria época". a nossa atitude para com os desfavorecidos deste mundo será um critério importante de julgamento no Juízo Final. Veja por exemplo Atos 5 e 6.

Um Deus soberano e misericordioso é o ator último das parábolas de Jesus. as igrejas de Corinto (II Co 8 e 9). não fica passiva em relação à soberania de Deus.14-26. É este Deus salvador que alcança além das leis judaicas. Reconhecer que a missão é essencialmente de Deus. nossos dois teólogos são duas das maiores autoridades mundiais sobre a missão integral da Igreja. e gentios recebem a misericórdia de Deus. missio Dei. Falar do trabalho de cada um desses autores. A missão integral na teologia contemporânea O número de teólogos que escreveram e escrevem sobre a missão integral da Igreja não é pequeno. contudo. A igreja. O seu reino tem um escopo universal até cósmico. mulheres. Seu objetivo é ressaltar as diversas dimensões. então. Valdir Steuernagel em que ele reúne nada menos que 27 autores. No Antigo Testamento Javé é o Deus soberano sobre toda a sua criação. Em primeiro lugar. Destacamos. Tiago e João) recomendaram a Paulo e a Barnabé que não se esquecessem dos pobres. O conceito de Timóteo Carriker O livro de Timóteo Carriker é uma teologia bíblica de missões. e Ele vai cumpri-lo. e explico porquê. "o que também me esforcei por fazer". diz o apóstolo em Gálatas 2. 5. Um bom exemplo disso é a obra do Dr. A confiança no cumprimento do seu plano dá a igreja motivação para perseverar até o fim. samaritanos. vale a pena conferir a ênfase e a abordagem distintas que ambos conferem em seus respectivos livros acerca da missão integral da Igreja. na palavra de Deus. sem considerar outro tanto que Steuernagel não menciona. 1-7. não significa que a participação da igreja na evangelização mundial tem pouca significância.2-10) e das doze tribos da dispersão (Tg 2. Deus tem um plano salvífico que alcança tanto judeu quanto gentio. p. Em terceiro lugar. Em segundo lugar. Várias igrejas foram orientadas por cartas a agirem com a mesma visão de integralidade bíblica dos apóstolos. seria simplesmente impossível para as dimensões do nosso trabalho. A seguir exporemos alguns dos principais conceitos da missão integral de Carriker. dentre outras. São praticamente dois 70 . Sua aproximação do homem exige a atitude de conversão. a liberdade de selecionar apenas dois deles. Muito pelo contrário.10. a missio Dei exige os missiones eclesiae. da Galácia (Gl 6.Em Jerusalém as três colunas do colégio apostólico (Pedro. da identidade e tarefa missionárias do povo de Deus (1992. Timóteo Carriker e René Padilla. cada um deles escreveu um livro com o mesmo título (Missão Integral) com cerca de 300 páginas cada. 11). Estou tomando. a saber.2. a. Os marginalizados. 2. Esta imagem de Deus está no coração do Novo Testamento também.1-6).

julgamento e salvação. 139). seus princípios são eminentemente bíblicos. por sua vez. A missão urbana. através da história. e este movimento entrou na sua fase final com a ressurreição de Cristo. Percebemos. Hoje é o dia da salvação. A "explosão urbana" é um fenômeno mundial. a cidade é. uma igreja e um evangelho. Padilla desenvolve seu tratado em termos de desafios. de modo algum. a sua conclusão. portanto. b. O Deus da Bíblia é o Deus que age na história. o que não diminui. o desafio da colaboração e da unidade e o desafio do desenvolvimento e da justiça. p. Ele é. É na nossa história humana que Deus se revela e o faz com movimento para frente. do dilúvio e do cativeiro no Velho Testamento. Chegou o momento de encontrar maneiras de reduzir a distância entre as igrejas no Ocidente e no 71 . Seus argumentos principais são os seguintes: Um conceito um tanto romântico da obra missionária impulsionou as missões a concentrarem seu esforço em pequenas tribos nas selvas. A humanidade está indo na direção do cumprimento. é uma prioridade em todas as partes. Por "menos bíblica" queremos afirmar que o livro de Padilla não é uma teologia bíblica nos moldes do livro de Timóteo Carriker. a perspectiva cristã da história é essencialmente escatológica. na cidade. vê-se com clareza a necessidade de um evangelho com poder para transformar a totalidade da vida. O conceito de René Padilla A abordagem de René Padilla é mais teológica e menos bíblica. sem dúvida. todos eventos históricos até "seculares". com todo seu poder desumanizante. Diz ele que o maior desafio que a igreja enfrenta atualmente é o desafio da missão integral (1992. O desafio da missão integral. Num mundo que está se urbanizando rapidamente. o símbolo do desafio que a evangelização e o discipulado colocam para a igreja. Atua através do êxodo. o valor da obra dele. através da sua morte e ressurreição. Apesar de não termos o objetivo de comparar os dois autores. acima de tudo. Porque há um mundo. pessoal e age nos eventos e experiências concretas das nossas vidas. Ele atua através da vida humana do seu filho Jesus. eventos bem visíveis que fazem parte da nossa história. vale ressaltar que as aplicações de Padilla são mais contextualizadas que as de Carriker. esquecendo-se das cidades. porém. a saber: O desafio da evangelização e do discipulado.lados da mesma moeda. Por "mais teológica" queremos dizer que os argumentos de Padilla estão mais na área das idéias. uma doutrina que podemos elaborar. Não é principalmente apresentado como um conceito ou idéia. a missão cristã não pode ser outra coisa que missão realizada em colaboração mútua. subdivide-se em outros três. Deus não se restringe a uma dimensão mística da nossa vida. Assim. Lá.

1. mas podemos e devemos fazer confrontações sociais sérias. isto é. nem a libertação política salvação. A igreja evangélica brasileira tem desafios enormes nesta área. O desafio que a igreja encara no campo de desenvolvimento hoje é fundamentalmente o desafio de um desenvolvimento humano. Confrontação não é violência. à universalidade da igreja e à interdependência dos seres humanos no mundo. Os desafios sociais da Igreja Não são poucos e nem pequenos os problemas sociais brasileiros. Fazem falta modelos de missão plenamente adaptados a uma situação marcada por uma distância abismal entre ricos e pobres. Não devemos. Os modelos de missão baseados na riqueza do Ocidente solidarizam-se com esta situação de injustiça e condenam as igrejas do mundo pobre a uma permanente dependência. afirmamos que evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. são contraproducentes para a missão. OS DESAFIOS E IMPLICAÇÕES DA MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA 3. de início é preciso que encaremos com seriedade e maturidade o dilema de até onde podemos e devemos nos envolver nestes desafios. partir para a ignorância e violência. Os desafios que agora mencionaremos tratam da igreja brasileira em solo brasileiro. Robert C. Desafios da missão integral da Igreja Observamos no capítulo anterior que René Padilla apresenta a missão integral da Igreja em termos de desafios. Dividimo-nos em duas partes distintas. O desafio tanto para os cristãos no Ocidente como para os cristãos nos países subdesenvolvidos é criar modelos de missão centrados num estilo de vida profético.Terceiro Mundo. nem a ação social evangelização. mas é necessário fazer muito mais para desenvolver modelos de solidariedade acima das barreiras políticas. a. III. Entretanto. modelos que apontem para Jesus Cristo como Senhor da totalidade da vida. no sentido de envolver a missão da Igreja num âmbito mundial ou. na América Latina. Já há experiências úteis que estão sendo levadas a cabo com este propósito. Que a igreja evangélica brasileira não deve se esquivar de sua missão integral. no contexto da justiça. sociais e culturais. Porém. sua abordagem é ampla. os desafios sociais e os desafios eclesiais. é o nosso comum acordo com a declaração de Lausanne: Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus. Linthicum 72 . portanto. econômicas. como Igreja de Cristo. No final das contas. É preciso sim que a Igreja seja a consciência da sociedade e a voz profética que denuncia os desmandos desta mesma sociedade. e para estimular a colaboração mútua entre as igrejas. no mínimo.

pp. Porém. ou porque os liderados não se envolvem na obra. A palavra significa literalmente "testa-a-testa" .isto é.2) explica: Há muita confusão sobre a natureza da confrontação e da violência. a moral dignificada. Por outro lado. Portanto. Internamente ela estava pegando fogo.(1996. O certo é: Se não chegarmos a um consenso. pois. mas à resolução do problema. estão desafiando uns aos outros. Os desafios eclesiais da Igreja Certamente um dos maiores desafios da igreja brasileira na atualidade é vencer seus próprios desafios. educação. segurança. É nesse espírito de verdadeira confrontação que a Igreja deve encarar seus desafios sociais. empenhemos-nos pela dignidade do povo brasileiro. procurando o fim da resolução. o evangelho e o bom testemunho não sejam prejudicados e. mas não podemos ficar indiferentes ao que ocorre em nossa volta. pois. trabalho e salário digno. simplesmente criticando por criticar o governo. De uma forma mais profunda. Era uma igreja unida em seus propósitos e se amava de verdade. E até onde podemos e devemos ir nesta questão toda? Até onde os direitos sejam verdadeiramente assegurados. com propostas terapêuticas para uma sociedade enferma. 171. e sim antônimas. essas palavras não são sinônimas. Enquanto a confrontação é verbal. jamais sairemos do lugar comum. a fim de ganhar uma disputa. o amor ao próximo evidenciado. Confrontação é simplesmente a atividade entre seres humanos na qual eles discordam. É um encontro face a face. Reivindiquemos. as testas colocadas fisicamente uma contra-aoutra. salgando a nós mesmos e iluminando nossos umbigos. Continuaremos marcando passo. O governo tem (e como tem!) suas culpas e responsabilidades. Tentarei explicar esta minha tese. Ou porque a liderança não se empenha. b. o nome de Jesus seja glorificado. 73 . um ato de violência é a indicação de que a confrontação falhou. Uma lição é preciso aprender com a igreja de Jerusalém. Pesa (e como pesa!) sobre o povo de Deus também a responsabilidade pelo bem-estar social do nosso país. a violência é física. se não juntarmos forças. sobretudo. desejosa de pregar o evangelho. A igreja de Jerusalém estava consciente de sua missão no mundo. em sua própria natureza. Os desafios sociais da igreja brasileira não são combatidos e vencidos como deveriam porque falta vontade eclesiástica por parte da mesma. em obediência ao mandado de Cristo. A confrontação boa e eficaz nunca deve levar à violência. violência é o exercício da força física. direto. e devido a esta discordância. os seus e os nossos direitos: Saúde.

31). o que muito se vê. O que está "matando" muito crente novo (e velho também) é a igreja não-funcional. A revisão de estruturas não-funcionais O que muito tem contribuído para um mau desempenho da Igreja em sua missão integral é a falta de estruturas que funcionem. não será por meio de decreto conciliar que conseguiremos qualquer êxito. Às vezes é preciso muita coragem para mudar certos parâmetros que já não funcionam mais. daqueles que confundem inovação com inovacionismo. Senhor. enquanto estendes as mãos para fazer curas.2. mas internamente muito de nossas igrejas estão enfermas.29. Hoje. Pilatos. aberto e amigável é a chave do sucesso. tradição com tradicionalismo. E Deus atendeu ao clamor de sua Igreja (At 4.externamente os desafios eram humanamente insuperáveis. por uma questão de prudência e respeito àqueles que não pensam como nós. entendemos que estes desafios são implicações naturais para uma igreja que queira verdadeiramente cumprir sua missão integral. As idéias devem ser amadurecidas no meio da comunidade. à nível de igreja local. b. porém. sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus" (At 4. fechada em quatro paredes. Uma coisa aprendi em meus poucos anos de ministério pastoral: Se a igreja não comprar a nossa idéia. Um diálogo franco. Estruturas enrijecidas pelo tradicionalismo matam ou impedem a visão de uma igreja. que se limita a suas atividades internas. Então a Igreja orou: "agora. é preciso que os paradigmas sejam quebrados aos poucos.30). À primeira vista parece fácil mudar aquilo que se tornou obsoleto. mas não é tão simples assim. A quebra de paradigmas é uma das coisas fundamentais para que a estrutura de uma igreja se torne funcional. Atendeu porque a Igreja deixou de lado seus próprios interesses para servir ao mundo. sem atropelos. é a própria igreja criando obstáculos para não fazer a obra do Senhor. Externamente desfruta-se de uma liberdade religiosa como nunca se viu. olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra. Contudo. a. Antes é preciso mudar a mentalidade dos acomodados e principalmente dos saudosistas. A reafirmação do compromisso missionário 74 . mas progressivamente. 3. quando na verdade eram elas que deveriam estar curando! A seguir daremos duas sugestões práticas para que esse quadro sombrio possa se reverter. Herodes e muita gente se levantaram contra a Igreja de Deus. Implicações da missão integral da Igreja As implicações que aqui abordaremos não deixam de ser verdadeiros desafios para a igreja brasileira.

Dizemos "basicamente" porque a missão integral da Igreja é na verdade universal. Etal e Atrás do Sol. atender o indivíduo na totalidade de suas necessidades. C. BARRO. O mais importante é que a igreja seja cientificada de que sua missão no mundo é integral. do indivíduo e da sociedade. Os mitos não fazem sentido quando são resultados baratos de um reducionismo evangélico. Missão integral é uma realidade bíblica. Evangelizar não é simplesmente distribuir folhetos como alguns pensam. p.Aquelas igrejas que um dia receberam orientação missionária. rapidamente minguarão. além do auxílio de uma boa agência ou junta missionária. Sermões e estudos bíblicos missionários. e todas as atividades nestas direções devem estar debaixo do serviço a Deus em primeiro lugar (A. com certeza produzirão novo alento. Concordamos que uma igreja possa fazer uma opção temporária entre evangelizar e assistir ao necessitado. com a graça de Deus. Por outro lado. A verdadeira espiritualidade do povo de Deus se expressa em sua integralidade. o que fez antes. A mesma igreja que proclama as boas novas do reino deve ser a mesma que estende a mão ao necessitado. filmes específicos como As Primícias. para a honra e glória de Deus Pai. A Igreja que troca a evangelização por qualquer outra responsabilidade social está fora de propósito e. deveria partir sempre para uma ação social transformadora. 5). descaracterizada como igreja de Jesus Cristo. portanto. que nenhuma igreja pense ser mais espiritual porque optou pela evangelização. polarização entre evangelização e ação social. Por isso mesmo. porém. Cada igreja deve refletir sobre sua motivação em praticar evangelismo e ação social. Evangelizar é a sua qualidade primordial. Se a igreja chegou a se empolgar com missão algum dia. Geralmente a frieza por missões acontece por causa da rotina. a Igreja nunca deveria deixar se levar pela prática do paternalismo e assistencialismo paliativos. se não forem constantemente lembradas daquele compromisso. é sinal que ela tem potencial para fazer. Abrange vários aspectos. Em segundo lugar é preciso conscientizá-la de que ela está no mundo para servir o mundo integralmente. Os mitos (pelo menos os que aqui estudamos) deturpam a missão 75 . Conclusão: A missão integral da Igreja é basicamente evangelização e ação social. e quando se deixa de contemplar o indivíduo em sua totalidade. E como revitalizar uma igreja que começou com tanto entusiasmo por missões e de repente esfriou? Em primeiro lugar é preciso reconscientizar a igreja de sua missão no mundo. mas nunca uma opção permanente. sem data. mas sim. Uma vez que o mal foi detectado é necessário que seja combatido com atividades variadas. O ponto de partida é o parâmetro bíblico e o contexto da igreja local.

COSTAS. Série Lausanne. São Paulo: Vida Nova. ________________ org. mas a realidade bíblica de uma missão integral em nossa sociedade. GRELLERT. Manfred. v. Saúde integral a partir da igreja local.2. 1985. A missão do povo de Deus. 1989. Orlando E. 2. Missão integral: Uma teologia bíblica. 1998. Jorge. San José: Editorial Caribe. FÁBIO. BARRO. Enciclopédia histórico-teológica da igreja cristã. GOULART. 1990. C. Quebrando paradigmas. Artigo não publicado. 1979. São Paulo: Abba press. KIVITZ. EVANGELIZAÇÀO e responsabilidade social: Relatório da consulta internacional realizda em Grand Rapids sob a presidência de John Stott. Antonio Carlos. Londrina/Curitiba: Descoberta. 1995. Rio de Janeiro: Juerp. ed. Rio de Janeiro/Belo Horizonte: Juerp/Mundo Cristão. Artigo não publicado. Anthony. Samuel et al. que não seja ela mesma um mito. V. (editor).1. Missões e a igreja brasileira: A vocação missionária. então devemos almejar por uma igreja brasileira autêntica. V.3. E. São Paulo: Editora Sepal. V. Tive fome: Um desafio a servir a Deus no mundo. _______________ . 2. 1993. Um projeto de espiritualidade integral. São Paulo: Editora Mundo Cristão. Thurmon. ESCOBAR. 2. Ética cristã: Alternativas e questões contemporâneas. Compromiso y misión. Série Lausanne. BRYANT. 1988. Niterói: Vinde. ELWELL. São Paulo: Vida Nova. Se queremos atentar para o ensino bíblico. GEISLER. CARRIKER. São Paulo/Belo Horizonte: ABU/Visão Mundial. 76 . Ed René. 1987. 1. Igreja e sociedade.integral da Igreja. Walter A. São Paulo/Belo Horizonte: ABU/Visão Mundial. Os compromissos da missão: A caminhada da Igreja no contexto brasileiro. 1994. Teses. Timóteo. A ação social da igreja. Norman L. Caio. 1992. 1941. ed. O cristão e a fome mundial. ed. 1985. Bibliografia ALLEN.

4. Belo Horizonte: Missão Editora. p. org. Servindo com os pobres na América Latina: Modelos de ministério integral. 1983. STOTT. 1996. 41). 1988. Curitiba/Londrina: Descoberta. pp. 33). O PACTO de Lausanne. Rio de Janeiro: Juerp. MASTON. O cristão em uma sociedade não cristã. 1992.”1 Hoje é mais comum falar-se em evangelismo e responsabilidade social. MISSÃO da igreja e responsabilidade social: Teses do congresso batista de ação social. diálogo inter77 . Valdir R. presença cristã. (1) Veja Manfred Grellert (1987. PADILLA. Missão integral. Série Lausanne. Ricardo. O que se deve entender por missões cristãs? Quais são a natureza e os objetivos da missão da igreja? Evidentemente essas perguntas podem receber uma grande variedade de respostas a partir de diferentes pressupostos e compromissos teológicos.. (2) Para um argumento interessante contra este reducionismo evangélico (a polarização teológica ente evangelização e ação social) veja Manfred Grellert (1987. ed.W. veja Francis A. 1998. 1994. YAMAMORI. 3. Tetsunao et al. Parte XVI A MISSÃO DA IGREJA Uma perspectiva latino-americana Uma das questões mais cruciais da missiologia é a definição do próprio conceito de missão. São Paulo: Nascente. São Paulo: Temática Publicações. Robert C. ZANDRINO. 1989.B. John R. Rio de Janeiro: Co-edição. Geisler (O cristão e a ecologia). Diferentes autores do século XX têm procurado expressar a missão da igreja em termos de desenvolvimento. São Paulo: Bompastor. p. T. A igreja e o mundo. 1987. São Paulo/Belo Horizonte: ABU/Visão Mundial. (3) Veja também MACEDO FILHO (In TESES. Revitalizando a igreja. Dr. Uma antiga abordagem foi o debate em torno de evangelização e “civilização. STEUERNAGEL. Niterói: Vinde. Curar também é tarefa da igreja. 1988. 41-43). René. A missão da igreja. 1986.LINTHICUM. V. (4) Para uma compreensão importante sobre a responsabilidade da Igreja com a natureza. Schaeffer (Poluição e morte do homem) e Norman L.

religioso, justiça e paz, diaconia e outros conceitos. Certamente este é um assunto controvertido, mas também sumamente importante para a igreja e para os cristãos individuais. Como pode a igreja ser o que deve ser e fazer o que deve fazer se não tiver uma clara compreensão acerca do seu propósito na sociedade e no mundo? O objetivo deste estudo é abordar o tema a partir da perspectiva de Samuel Escobar, um dos mais destacados missiólogos evangélicos contemporâneos da América Latina. A escolha de Escobar justifica-se por várias razões. Ele tem um profundo conhecimento da situação religiosa, social e política da América Latina, tendo trabalhado em vários países como pastor e missionário; é um teólogo, escritor e orador extremamente articulado e criativo; tem sido um líder respeitado em círculos missiológicos e teológicos; tem estado em diálogo constante com representantes de grupos e movimentos importantes do cristianismo latinoamericano e mundial; finalmente, por vários anos ele tem sido professor em instituições teológicas norte-americanas, o que o coloca numa posição privilegiada para falar a uma audiência mais ampla e levar ao primeiro mundo uma valiosa perspectiva do terceiro mundo acerca de missões. Nossa análise começa com um retrospecto histórico da discussão missiológica protestante na América Latina. A seguir, iremos fornecer algumas informações biográficas sobre Samuel Escobar, fazer um apanhado dos principais movimentos de que tem participado e apresentar alguns dos principais temas e ênfases da sua reflexão missiológica. Ao longo dos anos, Escobar tem defendido um conceito de missão que é ao mesmo tempo bíblico, evangélico, contextual e sensível às complexas realidades espirituais, políticas, sociais e econômicas da América Latina. Criticando os modelos missionários reducionistas ou dicotômicos, ele propõe um programa que implica em levar o evangelho integral ao ser humano integral, na amplitude de suas necessidades e relacionamentos. Concluiremos o estudo acrescentando algumas de nossas próprias convicções a respeito do tema em questão, ou seja, a missão da igreja na sociedade. I. ANTECEDENTES A reflexão sistemática e abrangente sobre o trabalho missionário protestante na América Latina foi desencadeada pela célebre Conferência Missionária Mundial, realizada em Edimburgo em 1910.2 Todavia, esse estímulo ocorreu às avessas, uma vez que somente foram convidadas para a conferência as sociedades missionárias que atuavam entre povos não-cristãos.3 Isso excluiu a América Latina do âmbito daquele encontro, sendo admitidas apenas as missões que trabalhavam entre as tribos pagãs desse continente. Durante a conferência, Robert E. Speer (1867-1947), o secretário executivo da Junta de Missões Estrangeiras da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, convidou vários delegados interessados na América Latina a se reunirem informalmente para discutir como essa lacuna poderia ser suprida. Como 78

resultado desses entendimentos, realizou-se em Nova York, em março de 1913, uma conferência sobre missões na América Latina, sob os auspícios da Conferência de Missões Estrangeiras da América do Norte.4 Essa conferência criou a Comissão de Cooperação na América Latina (CCLA), tendo como presidente o próprio Robert Speer e como secretário executivo Samuel Guy Inman. Por sua vez, a CCLA patrocinou o Congresso de Ação Cristã na América Latina, reunido no Panamá em fevereiro de 1916, o maior encontro das forças protestantes desse continente realizado até aquela data. O Congresso mostrou a necessidade de maior cooperação em áreas como educação religiosa, missões, literatura e formação teológica. Mais especificamente, suas metas principais foram a evangelização das classes cultas, a unificação da educação teológica através de seminários unidos, o desejo de dar uma dimensão social ao trabalho missionário na América Latina e o esforço em promover a unidade protestante.5 Na realidade, o Congresso do Panamá foi uma reunião de representantes de juntas missionárias estrangeiras, antes que um encontro de líderes protestantes latino-americanos. Dos 230 delegados oficiais, apenas 21 eram latino-americanos natos.6 Mesmo assim, o evento produziu a primeira discussão séria do protestantismo latino-americano e estimulou a criação de órgãos cooperativos regionais em vários países. Por outro lado, o Congresso do Panamá revelou duas ênfases que se tornariam problemáticas para os evangélicos latino-americanos: uma atitude simpática para com a Igreja Católica e uma forte influência do “evangelho social.” Como resultado do encontro do Panamá, nos anos seguintes realizaram-se dois congressos missionários regionais. O primeiro, denominado Congresso de Ação Cristã na América do Sul, reuniu-se em Montevidéu, Uruguai, em 1925. Aqui, embora a participação de latino-americanos tenha sido maior (o pastor presbiteriano brasileiro Erasmo Braga foi eleito presidente do congresso), os norte-americanos ficaram a cargo da organização e presidiram todas as comissões. Finalmente, em 1929 reuniu-se em Havana o Congresso Evangélico Hispano-Americano, presidido pelo metodista mexicano Gonzalo Baez-Camargo. Desta feita, o congresso foi inteiramente organizado e conduzido por latinoamericanos e as ênfases recaíram sobre a nacionalização e o auto-sustento das igrejas evangélicas. Uma segunda série de encontros do protestantismo latino-americano foi representada por três Conferências Evangélicas continentais: CELA I (Buenos Aires, 1949), CELA II (Lima, 1961) e CELA III (Buenos Aires, 1969).7 Essas conferências estavam ligadas às denominações históricas, que rapidamente tornavam-se minoritárias no contexto geral do protestantismo da América Latina. O protestantismo ecumênico das CELAs recebia a influência do protestantismo histórico declinante do hemisfério norte, buscava aproximar-se do catolicismo posterior ao Concílio Vaticano II (1962-1965) e procurava responder à difícil situação social do continente com uma teologia radical, que eventualmente 79

identificou-se com a célebre “teologia da libertação.” A teologia da libertação adquiriu notoriedade no âmbito católico romano com a segunda assembléia da Conferência Episcopal Latino-Americana (CELAM), reunida em Medellín, Colômbia, em 1968.8 Anos antes, em 1962, os protestantes haviam criado a organização Igreja e Sociedade na América Latina (ISAL), após uma consulta realizada em Huampaní, Peru, no ano anterior. Ela tornou-se o centro de convergência dos teólogos protestantes da libertação, tendo como órgão o periódico Cristianismo e Sociedade. Em 1972, as duas correntes teológicas puseram-se em contato no I Congresso Latino-Americano de Cristãos pelo Socialismo, realizado em Santiago do Chile. Ao lado das Conferências Evangélicas continentais (CELAs) e do ISAL, o protestantismo ecumênico latino-americano criou várias estruturas paraeclesiásticas com o fim de promover os seus objetivos. Alguns organismos importantes são ou foram os seguintes: Movimento Estudantil Cristão (MEC), União Latino-Americana de Juventudes Evangélicas – depois, Ecumênicas (ULAJE), Agência de Serviços Ecumênicos Latino-Americanos (ASEL), Comissão Evangélica Latino-Americana de Educação Cristã (CELADEC), Coordenadoria de Projetos Ecumênicos (COPEC) e Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI).9 Uma característica desse protestantismo ecumênico era o crescente declínio do seu ímpeto evangelizador, em contraste com a vitalidade das igrejas vinculadas a missões independentes ou ao movimento pentecostal, que mantinham o seu vigor evangelístico apesar das debilidades da sua teologia. Do seio desse protestantismo majoritário surgiu o impulso para os Congressos LatinoAmericanos de Evangelização, que constituem a terceira das séries mencionadas acima: CLADE I (Bogotá, 1969), CLADE II (Lima, 1979) e CLADE III (Quito, 1992). O CLADE IV deverá realizar-se em setembro do ano 2000 no Equador.10 O primeiro CLADE foi organizado pela Associação Evangelística Billy Graham, sob o impulso do Congresso Mundial de Evangelização (Berlim, 1966), convocado pela revista evangélica Christianity Today. O CLADE I permitiu que líderes preocupados em relacionar a fé evangélica com a realidade latino-americana compartilhassem as suas inquietações. Para Valdir Steuernagel, esse congresso teve duas marcas distintivas: Manifestou com clareza que, na América Latina, somos e queremos ser evangélicos. E, como evangélicos, somos e queremos ser latino-americanos. Naquela ocasião e naquele contexto, tornava-se urgente que, sendo evangélicos, buscássemos uma teologia da encarnação que estabelecesse as pautas para um diálogo com a situação de sofrimento e opressão que se vivia em toda a América Latina.11 Foi no CLADE I que se articulou a criação da Fraternidade Teológica LatinoAmericana, organizada no ano seguinte em Cochabamba, Bolívia, tendo Pedro Savage como seu primeiro secretário e Samuel Escobar como seu primeiro 80

presidente. Escobar assim expressou os objetivos da Fraternidade: Desde o primeiro momento, a FTL procurou ser uma plataforma de encontro e diálogo teológico da qual participassem pastores, missionários e pensadores evangélicos, dentro do marco evangélico de uma lealdade comum à autoridade bíblica e à fé evangélica como base da reflexão e de um compromisso ativo com o cumprimento da missão cristã.12 Por sua vez, a Fraternidade Teológica Latino-Americana convocou os CLADEs posteriores, inclusive o que irá realizar-se no ano 2000.13 A Fraternidade procurou estar tão consciente da problemática social latino-americana quanto o grupo ISAL, mas ao mesmo tempo preocupou-se em abordar a questão de uma perspectiva que entendia ser mais bíblica e equilibrada. Ela é também mais representativa do protestantismo popular da América Latina que a sua congênere ecumênica. Entre os seus participantes mais destacados e influentes está o líder que é o enfoque principal deste artigo — Samuel Escobar.14 II. DADOS BIOGRÁFICOS E ESCRITOS Samuel Escobar nasceu no Peru e freqüentou uma escola missionária inglesa em Arequipa. Em 1956, ele recebeu o seu grau de mestre em artes e educação na Universidade de São Marcos, em Lima, após o que dedicou-se ao ensino nos níveis primário, secundário e superior. Em 1959 Escobar tornou-se o secretário itinerante da Fraternidade Internacional de Estudantes Evangélicos (International Fellowship of Evangelical Students) — representada no Brasil pela Aliança Bíblica Universitária —, visitando praticamente todos os países da América Latina. Ele trabalhou como missionário entre estudantes universitários na Argentina e no Brasil15 e foi diretor da Comunidade Evangélica Kairós, em Buenos Aires. Alguns anos depois, ele fez o curso de doutorado em filosofia (Ph.D.) na Universidade Complutense de Madri e eventualmente trabalhou como secretário da Fraternidade Cristã Universitária (Inter-Varsity Christian Fellowship) do Canadá, com sede em Toronto.16 Escobar foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Fraternidade Teológica Latino-Americana (1970-1984) e de 1979 a 1985 ocupou o cargo de secretário geral da Fraternidade Internacional de Estudantes Evangélicos. Nas décadas de 1960 e 1970, ele e outros teólogos latino-americanos tornaram-se bem conhecidos em círculos evangélicos e ecumênicos internacionais através de sua participação em importantes conferências. Além disso, há muitos anos ele é membro da Comissão Teológica da Fraternidade Evangélica Mundial (World Evangelical Fellowship), tendo participado de muitas de suas consultas ao redor do mundo.17 Atualmente, Samuel Escobar é presidente das Sociedades Bíblicas Unidas e professor titular de missiologia no Seminário Teológico Batista do Leste, em Filadélfia, Estados Unidos.18 Ele também leciona sobre missões em seu país natal, o Peru.

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Samuel Escobar é autor de vários livros sobre teologia e missiologia: Diálogo entre Cristo y Marx (1967), Quien es Cristo Hoy? (1970, com C. René Padilla), Decadencia da la Religión (1972), Christian Mission and Social Justice (1978, com John Driver), Irrupción Juvenil (1978), La Fe Evangelica y las Teologías de la Liberación (1987), Evangelio y Realidad Social (1988), Liberation Themes in Reformational Perspective (1989), Paulo Freire: Una Pedagogia Latinoamericana (1993), entre outros. Um dos seus livros mais recentes é Desafios da Igreja na América Latina: História, Estratégia e Teologia de Missões, publicado em 1998 pela Editora Ultimato. Escobar também escreveu diversos ensaios que foram publicados como capítulos de livros. Alguns títulos representativos podem dar-nos uma idéia de seus temas prediletos: “Social Concern and World Evangelism,” em Christ the Liberator (1971); “The Social Impact of the Gospel,” em Is Revolution Change? (1972); “Evangelism and Man´s Search for Freedom, Justice and Fulfillment,” em Let the Earth Hear His Voice (1974); “The Role of Translation in Developing Indigenous Theologies: A Latin American View,” em Bible Translation and the Spread of the Church (1990); “Latin America,” em Toward the Twenty-First Century in Christian Mission (1993); “A Pauline Paradigm of Mission: A Latin American Reading,” em The Good News of the Kingdom (1993); “La Presencia Protestante en America Latina: Conflicto de Interpretaciones,” em Historia y Misión: Revisión de Perspectivas (1994); “The Church in Latin America after Five Hundred Years” e “Conflict of Interpretations of Popular Protestantism,” em New Face of the Church in Latin America: Between Tradition and Change (1994); “The Search for a Missiological Christology in Latin America,” em Emerging Voices in Global Christian Theology (1994); “The Training of Missiologists for a Latin American Context,” em Missiological Education for the Twenty-First Century (1996); “Religion and Social Change at the Grass Roots in Latin America,”19 em The Role of NGOs: Charity and Empowerment (1997). Finalmente, seus numerosos artigos têm aparecido em renomados periódicos como Evangelical Missions Quarterly, Evangelical Review of Theology, International Bulletin of Missionary Research, Transformation, Missiology e International Review of Mission, entre outros. Uma vez mais, os próprios títulos de alguns artigos representativos dão uma clara idéia dos principais temas com os quais Escobar tem trabalhado ao longo dos anos: “The Social Responsibility of the Church in Latin America” (EMQ, 1970), “Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America” (IBMR, 1982), “Transformation in Ayacucho: From Violence to Peace and Hope” (Transformation, 1986), “Missions and Renewal in Latin American Catholicism” (Missiology, 1987), “Recruitment of Students for Mission” (Missiology, 1987), “Has McGavran´s Missiology Been Devoured by a Lion?” (Missiology, 1989), “From Lausanne 1974 to Manilla 1989: The Pilgrimage of Urban Mission” (Urban Mission, 1990), “A Movement Divided: Three Approaches to World Evangelization Stand in Tension with One Another” (Transformation, 1991), “Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological Christology” (Missiology, 1991), “Mission in Latin America: An Evangelical Pespective” (Missiology, 1992), “The Elements of Style in Crafting New International Mission Leaders” (EMQ, 1992), “500 Years after Columbus: Requiem 82

que ele não tem nenhuma conexão particular com as correntes da teologia da libertação que foram e ainda são uma expressão importante da teologia latinoamericana. evangélica conservadora e católica. Sua identidade latino-americana também é essencial para a reflexão e os envolvimentos teológicos de Escobar. 1993). mostram o interesse de Deus por todas as necessidades humanas. o ano em 83 . a mensagem bíblica em geral. os evangélicos começaram a constituir uma comunidade verdadeiramente global com uma visão abrangente de missões. ele sempre interessou-se pela missão da igreja.20 As influências recebidas por Escobar. A igreja deve proclamar Jesus Cristo como Salvador e Senhor porque os seres humanos carecem tanto de reconciliação com Deus quanto de dignidade e integridade em sua vida neste mundo. 1992). violência política. em meados da década de 60. especialmente através dos movimentos de que participou a partir da década de 1960. marcado por injustiça e opressão generalizada. sendo bastante crítico da sua teologia/ideologia. “A Missiological Approach to Latin American Protestantism” (IRM. professor e teólogo. REFLEXÃO TEOLÓGICA E ENVOLVIMENTOS Samuel Escobar identifica-se como um evangélico. por um lado. Escobar tem um profundo interesse em missões. “Missions´ New World Order: The Twenty-First Century Calls for us to Give up our Nineteenth-Century Models for Worldwide Ministry” (Christianity Today. Para ele. Escobar e alguns colegas sentiram que não era suficiente pregar um evangelho puramente espiritual. e os ensinos e o ministério de Jesus em particular. Rodger C. Tendo vivido em um período de grande turbulência na história latino-americana. Conseqüentemente. 1992). 1994). O evangelho tem implicações sociais e políticas revolucionárias que não podem ser omitidas. e a igreja deve partilhar desse interesse de Deus.21 Isto significa. Como pastor. “The Legacy of John Alexander Mackay” (IBMR.or Te Deum?” (EMQ. Para ele. ele está longe de partilhar das idéias e compromissos do fundamentalismo. tanto católica quanto protestante. especialmente em um contexto de pobreza e sofrimento. Bassham descreve o desenvolvimento das teologias de missão ecumênica. 1994). golpes militares. como indivíduos e como membros da sociedade. 1998). o evangelho tem relevância para a totalidade da vida. ajudam a entender as preocupações reveladas pelos títulos dos seus escritos. III. “Beyond Liberation Theology: A Review Article” (Themelios. “The Whole Gospel for the Whole World from Latin America” (Transformation. Escobar considera sua tarefa articular essa missiologia holística e inspirar outras pessoas — estudantes. Em seu livro Mission Theology. pastores. regimes ditatoriais e caos sócioeconômico. Por outro lado. Ele observa que. leigos e líderes cristãos — a compartilhar essa visão. líder de movimentos estudantis. especialmente entre 1948 e 1975. em particular depois de 1966.

nos anos 60. Escobar estava entre os muitos líderes do terceiro mundo que falaram enfaticamente em prol das igrejas nativas. e capazes de atuar eficazmente em seu contexto local. Escobar foi ouvido pela primeira vez por grandes audiências internacionais nas convenções da Fraternidade Cristã Universitária realizadas em Urbana. e o crescente número de vozes evangélicas provenientes de fora da América do Norte. Escobar falaria apaixonadamente sobre a necessidade de se estabelecer uma relação entre as preocupações sociais e a evangelização mundial. que evocou manifestações de opinião de toda a comunidade evangélica. 1966) – a primeira grande reunião mundial de evangélicos no século XX – também estimulou congressos regionais de evangelização em vários continentes.25 No entanto.”26 Uma das grandes influências nas deliberações do congresso veio através das contribuições de 84 . diversidade de perspectivas e profundidade de análise jamais alcançado anteriormente em uma assembléia evangélica. 1966). o Pacto de Lausanne demonstra que “os evangélicos desenvolveram uma teologia de missão amadurecida. Bassham identifica vários desdobramentos importantes: os primórdios de uma teologia evangélica de missão altamente representativa (a Declaração de Wheaton). à medida que os participantes se debatiam com as questões da teologia de missão no mundo contemporâneo. Bassham observa que “as apresentações e discussões de Lausanne mostraram um espírito de abertura.que eles patrocinaram duas grandes conferências mundiais sobre missões e evangelização. Ele e outros oradores da América Latina desafiaram os evangélicos norte-americanos a reconhecer a necessidade de promover justiça social e reformas políticas como parte dos seus deveres como cristãos. positiva e consistente. Estados Unidos. imperialista e colonialista. No Congresso Mundial de Evangelização (Berlim. Nesse contexto.24 Na convenção de 1970. Para Bassham.”23 Em todos esses acontecimentos importantes houve uma decidida participação de teólogos latino-americanos. Ele exortou os missionários a superar a mentalidade paternalista. Samuel Escobar estando entre eles. à medida que evangélicos de todo o mundo começaram a empreender juntos uma análise da situação enfrentada por aqueles que estavam envolvidos com missões e evangelismo em todos os continentes. o forte impacto do conceito de “crescimento da igreja” sobre a teologia evangélica de missões. a fim de permitir o surgimento de igrejas nativas alicerçadas na fé. Estes por sua vez contribuíram para o Congresso Internacional de Evangelização Mundial (Lausanne. 1974). 1974).22 Os congressos de Wheaton e Berlim marcaram um novo estágio na emergência de uma identidade evangélica. a luta em torno da relação entre evangelização e ação social. O Congresso Mundial de Evangelização (Berlim. o principal forum internacional em que se ouviu a voz de Escobar foi o Congresso Internacional de Evangelização Mundial (Lausanne. dotadas de uma liderança nacional bem-treinada.

classe. do discipulado cristão e da renovação da igreja. René Padilla. cor. todavia afirmamos que tanto a evangelização como o envolvimento socio-político são parte do nosso dever cristão. Embora a reconciliação com o ser humano não seja o mesmo que a reconciliação com Deus. a singularidade de Cristo e a necessidade da evangelização. Oradores latino-americanos como René Padilla. é religiosidade e não cristianismo. Enquanto que a orientação teológica de Lausanne permaneceu firmemente evangélica.. referindo-se com isso ao ministério e à missão total da igreja. Portanto. é o interesse pela integridade do Evangelho que nos motiva a acentuarmos a sua dimensão social. acentuando a autoridade da Bíblia. Ao contrário.” o Pacto de Lausanne declara: Afirmamos que Deus é tanto o Criador como o Juiz de todos os homens. Orlando Costas e Samuel Escobar proferiram as declarações mais fortes no sentido de que a preocupação com as necessidades sociais da humanidade e o envolvimento com as mesmas é uma parte necessária do testemunho e da responsabilidade dos cristãos em favor do mundo. devemos partilhar da sua preocupação com a justiça e a reconciliação em toda a sociedade humana e com a libertação dos homens de todo tipo de opressão. cultura. demonstrando que o evangelismo bíblico é inseparável da responsabilidade social. e não explorada. foi de especial importância. até mesmo ao ponto de se esforçarem pela mudança das estruturas sociais.28 85 . toda pessoa. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus.27 Muitas vezes durante o congresso os participantes afirmaram ter um interesse profundo e permanente pela ação social em favor dos pobres e necessitados. religião. através do grupo de Discipulado Radical. Também aqui manifestamos o nosso arrependimento. Lausanne abordou o tema abrangente da evangelização mundial. Bassham cita as seguintes afirmações de Escobar: Uma espiritualidade sem discipulado nos aspectos diários da vida — sociais. De uma vez por todas. não importa qual seja a sua raça.oradores do terceiro mundo. Em seu capítulo sobre a “Responsabilidade Social Cristã. ela também produziu algumas mudanças bemdefinidas na teologia evangélica de missões. O Pacto de Lausanne foi muito além das declarações evangélicas tradicionais. devemos rejeitar a falsa noção de que a preocupação com as implicações sociais do evangelho e as dimensões sociais do testemunho cristão resultam de uma falsa doutrina ou de uma ausência de convicção evangélica. nem a libertação política seja salvação. O impacto de líderes como Samuel Escobar e C. tanto pela nossa negligência quanto por às vezes termos considerado a evangelização e a preocupação social como mutuamente exclusivas.. econômicos e políticos —. tem uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida. nem a ação social seja evangelismo. sexo ou idade.

a sua apresentação sobre a responsabilidade social da igreja recebeu a atenção mais entusiástica. Samuel Escobar teve uma importante participação no Primeiro Congresso Latino-Americano de Evangelização (CLADE I.”34 Ele argumenta que os evangélicos latino-americanos escolheram o Pacto de Lausanne como uma expressão do seu consenso doutrinário básico e do seu claro compromisso com um modelo de missão integral e bíblico.”32 se os cristãos quisessem testemunhar fielmente em seu contexto sócio-cultural. levarmos a sério a nossa responsabilidade social.No âmbito continental. Orlando Costas comenta que 1969 foi para os protestantes o que 1968 havia sido para os católicos (II Conferência Episcopal Latino-Americana. 1969). essa terceira busca tem assumido várias formas. Sustentamos que uma evangelização que não toma conhecimento dos problemas sociais e que não anuncia a salvação e a soberania de Cristo dentro do contexto no qual vivem os que ouvem.35 Em um capítulo sobre a América Latina que escreveu para o livro Toward the 86 . de uma expressão mais autêntica de unidade cristã no empreendimento missionário e de uma reflexão missiológica mais séria e profunda. entre outros. em Medellín. uma das quais é o modelo ético-missiológico — missão da perspectiva de questões éticas — articulado por. é levar às suas últimas conseqüências os ensinos a respeito de Deus. três anos antes. que trai o ensino bíblico e não segue o modelo proposto por Cristo. que afirmou: “É chegada a hora de nós.33 O próprio Escobar acha que o seu modelo pode ser melhor descrito como “holístico. fome. Em sua opinião. evangélicos. violência e desespero. Samuel Escobar e C. que envia o evangelista.29 Dentre os 28 discursos principais. Colômbia). Apesar das diferenças existentes entre os dois movimentos. Bogotá. é uma evangelização defeituosa.30 Escobar afirmou a certa altura: Existe base suficiente na história da Igreja e nos ensinamentos da Palavra de Deus para afirmar categoricamente que a preocupação pelo aspecto social do testemunho evangélico no mundo não é um abandono das verdades fundamentais do Evangelho.” Os participantes afirmaram que “o exemplo de Cristo devia ser encarnado na crítica situação latino-americana de subdesenvolvimento. de Jesus Cristo.. do homem e do mundo. pelo contrário. planejado em resposta a pedidos de delegados latino-americanos presentes no Congresso de Berlim. injustiça. os protestantes latino-americanos realizaram ainda outra grande conferência – a Conferência Evangélica LatinoAmericana (CELA III). que formam a base desse Evangelho. René Padilla. Ele argumentou eloqüentemente que tanto a evangelização quanto a ação social são necessárias para o testemunho cristão. Naquele ano. além do CLADE I.31 Essa ênfase achou lugar na Declaração Evangélica de Bogotá. Costa vê nos documentos de ambos os eventos a emergência de novas tendências missiológicas caracterizadas por um tríplice interesse: a busca de um entendimento histórico de missões. em Buenos Aires..

Reagindo contra o triunfalismo fácil das estatísticas e a tirania do controle de dados. São Paulo. a igreja nunca deve perder o seu senso de missão e do seu chamado para proclamar a Jesus Cristo como Salvador e Senhor.38 Ele acha que a base desse questionamento tem sido o compromisso claro com a tarefa de missões e evangelização. testemunha-se o surgimento de uma nova teologia contextual que conclama à “integridade” da missão e procura associar o zelo evangelístico com a paixão holística.”36 Todavia. Escobar argumenta que o grande dilema para o qual a missiologia deve estar alerta é diferente: A obra missionária será realizada segundo o modelo de Jesus e a prática apostólica. 1976). Ele preocupa-se com a “missiologia gerencial” que dá ênfase à proclamação verbal e ao crescimento numérico de adesões à igreja como o principal componente das missões cristãs.37 Por essa razão. iniciado por Donald McGavran em 1960.39 Em resposta a um artigo de McGavran. como evangélico. ou irá adotar as técnicas e padrões da sociologia 87 . ambas realizadas no Brasil. Ele observa que os grandes missionários dos primeiros 1800 anos da igreja dificilmente fariam a distinção entre “espiritual” (evangelização) e “o resto. 1987) deixou de abordar conceitos básicos do entendimento de missões. injustiça e idolatria ideológica. Escobar acredita que o êxito do avanço protestante na América Latina deve ser interpretado fazendo-se perguntas sérias sobre o seu dinamismo transformador e a sua contribuição para a justiça nas relações sociais. Segundo. ele lamenta o fato de que o Congresso Missionário Ibero-Americano (COMIBAM. pois operavam com uma noção bíblica holística do ser humano.Twenty-First Century in Christian Mission (1993). Uma delas foi o Primeiro Congresso Missionário Latino-Americano (Curitiba. O que o movimento do Crescimento da Igreja necessita é o corretivo de uma sólida teologia bíblica. Escobar é um crítico rigoroso do movimento do Crescimento da Igreja. hoje o Senhor está nos chamando para cruzarmos as fronteiras da desigualdade. porque Jesus Cristo é Senhor. Escobar menciona duas outras conferências missionárias latino-americanas. cujo pacto manteve a ênfase de Lausanne sobre a preocupação social como parte da missão da igreja: “Assim como no passado o chamado de Jesus Cristo e da sua missão foi um chamado para cruzar fronteiras geográficas.40 O que Escobar questiona é se uma pessoa pode realmente evangelizar anunciando a Cristo como Salvador e então deixar a questão do senhorio de Cristo sobre toda a criação para uma segunda etapa. Eles não procurariam estabelecer prioridades nesses termos. mas também o esforço consciente de executar essa tarefa segundo moldes bíblicos. Escobar afirma que. somente em seu nome há salvação para a humanidade. inclusive a clamorosa realidade de pobreza que circundava o próprio local em que se reuniram os delegados.” que McGavran faz. e essa singularidade de Jesus Cristo é essencial para a mensagem da igreja. Assim sendo. ele concorda integralmente com dois pontos do apelo de McGavran: primeiro. que poderá nunca chegar.

funcionalista. Escobar declara que "para as massas em transição."43 Ele observa que alguns pentecostais latino-americanos também escolheram o Pacto de Lausanne como expressão do seu compromisso com um modelo de missão holístico e bíblico.”46 Na área da hermenêutica. Escobar diverge da escola do Crescimento da Igreja. ele aborda esse movimento na qualidade de “um observador-participante. A missiologia evangélica deve avaliá-la. à medida que a Igreja Católica Romana latino-americana buscou nova relevância social e política. o evangelho era a verdadeira força libertadora nas vidas dos latino-americanos. a Teologia da Libertação foi uma das conseqüências desse processo. Ele admite: “Nós não mais podemos aceitar uma missiologia que recusa-se a levar a sério as realidades políticas e sociais. nas palavras de René Padilla. alcançar dignidade humana e sobreviver ao impacto das forças anômicas que atuam nas grandes cidades. Como evangélico.45 A Teologia da Libertação confronta a missiologia evangélica com dois desafios. Escobar entende que a Teologia da Libertação é uma voz eloqüente que procura reinterpretar a história cristã e a mensagem cristã. Ele admite que a hermenêutica evangélica necessitar ser constantemente purificada de pressuposições ideológicas. Com relação ao primeiro. enfatize “o discipulado cristão como algo que implica em colocar a totalidade da vida debaixo do senhorio de Jesus Cristo. no início das missões protestantes na América Latina. um na área da consciência histórica e o outro na da hermenêutica. e apela a uma genuína cristologia missiológica que. mas a única maneira disponível de encontrar aceitação social. essas igrejas estão oferecendo não somente um abrigo ou refúgio no sentido mais limitado. alguém que tem procurado ser um crítico e intérprete amoroso – um crítico severo em alguns pontos – do lado de dentro.44 Em décadas recentes.”47 Contra o Cristo “docético” do catolicismo latino-americano tradicional. Ele observa como.”42 Ele destaca várias lições missiológicas que podem ser extraídas do impressionante crescimento do pentecostalismo latinoamericano: é um movimento religioso (e não social ou político). embora Escobar considere inadequadas a análise marxista e a “escatologia” da Teologia da Libertação. por outro lado ele não sente entusiasmo pela Teologia da Libertação. ele admite que a missiologia evangélica está aprendendo a encarar a história missionária com uma atitude menos ingênua e mais madura. é um movimento popular. mobiliza as pessoas para a missão e cria um senso de comunidade. e a religião oficial uma força opressora. do marketing e das relações públicas?41 Compreensivelmente. Escobar e os seus colegas 88 . Escobar reafirma a ênfase evangélica na centralidade da Escritura e questiona a abordagem fortemente ideológica da interpretação bíblica demonstrada pelos teólogos da libertação. Escobar vê com apreciação o dinamismo e o crescimento do protestantismo popular (pentecostalismo) na América Latina. Se. por um lado.

Inicialmente. Escobar identifica essa reflexão missiológica que está vindo não só da América Latina.”50 Em sua obra publicada recentemente em português. Escobar gostaria de ouvir as igrejas norte-americanas dizerem: “Vamos descobrir o que Deus está fazendo em outras partes do mundo. Ele observa que tal missiologia “é caracterizada por uma forte ênfase hermenêutica que insiste na importância de ler o mundo e ler a Palavra. Nesse sentido. Escobar cita novamente seu amigo René Padilla: “(O evangelicalismo) afirma o poder transformador de Cristo em relação ao indivíduo. como uma missiologia crítica da periferia. sobre como a sua obra e ensino são relevantes para todas as áreas da vida.da Fraternidade Teológica Latino-Americana têm refletido sobre o Jesus dos evangelhos. ele argumenta que “nosso programa de treinamento na América Latina precisa ser elaborado com base em convicções bíblicas. Em um artigo sobre a preparação de líderes de missões. Há uma séria reflexão acerca daquilo que os evangelhos dizem sobre a pessoa e a obra de Jesus de Nazaré. Deus está despertando uma nova força missionária. terceiro mundo) pudessem convergir em um movimento mais articulado e cooperativo para enfrentar a tarefa missionária do terceiro milênio.”51 Mais uma vez ele expressa o seu entusiasmo pelo protestantismo popular (pentecostalismo) devido a sua ênfase na mobilização 89 . com o entendimento de que ser seu discípulo é ser chamado por ele tanto para conhecê-lo quanto para participar da sua missão.”49 Ele argumenta que seria grandemente desejável para a globalização das missões e da teologia evangélica se as diferentes correntes missiológicas do evangelicalismo (européias. Escobar aborda em cinco ensaios algumas de suas preocupações mais fundamentais. Além disso. Há também uma preocupação quanto às marcas da missão de Jesus. há uma busca do significado e da “integridade” do evangelho — Jesus Cristo é tanto o conteúdo quanto o modelo e o alvo da proclamação do evangelho. experiência de vida. as igrejas dos pobres. especialmente nas fronteiras de missão. Nessas igrejas do hemisfério sul. O material bíblico é abordado a partir de várias perspectivas possuidoras de significado missiológico. ele destaca a importância do treinamento de missionários e missiólogos para o contexto latino-americano.”48 Essa missiologia cristológica busca um novo modelo para inspirar e moldar a ação missionária. tanto individual quanto social. mas também da África e da Ásia. consciência histórica e preocupação pastoral. mesmo que essa leitura signifique um exame incômodo e sério da herança evangélica. e vamos unirnos aos nossos irmãos e irmãs a fim de completarmos a tarefa inacabada. e como ele o está fazendo. crescimento da igreja. Essa reflexão inclui uma crítica do cristianismo evangélico na América Latina. mencionada no início deste trabalho. Escobar observa que a internacionalização das missões cristãs implica em reconhecer que Deus tem levantado igrejas grandes e florescentes no terceiro mundo. mas é totalmente incapaz de relacionar o Evangelho com a ética social e a vida social.

Sua biografia e envolvimentos revelam uma conexão preponderante com a tradição anabatista. suas formas contextualizadas de culto e ação missionária e o destaque dado ao ministério do Espírito Santo e ao elemento de conflito espiritual relacionado com a missão da igreja. algumas de suas suas ênfases certamente contariam com o aval de João Calvino e de muitos dos seus seguidores. muito embora as suas práticas nem sempre tenham correspondido às suas convicções. Ele encarece a necessidade de uma espiritualidade profunda aliada a uma preocupação igualmente intensa com as exigências éticas do evangelho. morávios e avivalistas dos séculos XVIII e XIX do que com os reformadores do século XVI. Ainda que isso não deixe de ser importante. vemos uma preocupação constante com as implicações sociais e comunitárias do Evangelho. ele aponta que os evangélicos latino-americanos têm maior afinidade com os pietistas. como a sua ênfase quase que exclusiva sobre as massas empobrecidas da América Latina como objeto da ação missionária da igreja. que vai além da experiência religiosa pessoal para incluir a comunidade e o mundo. Nos escritos do grande reformador. REFLEXÕES FINAIS Samuel Escobar não se identifica como um reformado ou calvinista. elas enfrentam os riscos do excesso de individualismo. em anos recentes. Isso tem levado Escobar. Após salientar o “fator novo” na história do cristianismo que é a transferência do dinamismo missionário para o hemisfério sul (África.53 Finalmente. falta de uma eclesiologia clara e atitudes sectárias. Escobar alerta os cristãos evangélicos para a necessidade de um constante processo de encarnação e contextualização que rejeita toda e qualquer forma de paternalismo e discriminação. os reformados têm acentuado um conceito abrangente acerca da missão da igreja. uma vez que está filiado à Igreja Menonita. com sua notável interação entre reflexão e ação missionária. Para superar esses problemas ele novamente propõe o modelo de missão integral. a dar uma grande ênfase ao papel do Espírito Santo nas missões cristãs.54 Historicamente. Ásia e América Latina). cartas. Não obstante. fato que tem sido amplamente documentado por diversos pesquisadores. alguns pontos da sua missiologia merecem reparos.dos leigos. ao lado da sua anterior ênfase cristocêntrica.”52 Ao mesmo tempo que expressa sua admiração pelas igrejas populares. sermões ou nas Institutas. o nosso continente testemunha o crescimento cada mais acentuado de uma 90 . Escobar reconhece que. com sua ênfase na conversão de indivíduos ao evangelho. espírito de competição. Na realidade. e conclui com uma análise do modelo missionário de Paulo. a partir da sua própria comunidade local. Ele entende que “os evangélicos latino-americanos necessitam de um impulso renovado do Espírito Santo e de uma leitura nova e contextual da Palavra de Deus. Não precisamos concordar com tudo o que Samuel Escobar tem escrito. seja em seus comentários.

Como Escobar destaca. a atitude e as ações de Deus em relação ao mundo. como é caso de alguns recentes movimentos neopentecostais. especialmente como reveladas no seu Filho. que realmente correm o risco de tornar-se irrelevantes na sociedade caso não despertem para algumas dolorosas realidades que existem ao seu redor. no início deste século. ideológicas e sociais. que busca a humanidade com amor e compaixão. quando nosso continente foi sacudido por profundas convulsões políticas. Isso foi ilustrado de maneira extraordinária por 91 . evangélica e igualmente radical em suas implicações. Os conservadores em grande parte aferraram-se à idéia de que a missão exclusiva da igreja é a evangelização. as disputas teológicas tão bem exemplificadas pela controvérsia modernistafundamentalista nos Estados Unidos. optaram decididamente por atividades de cunho social. que quer dar vida e dignidade à sua criação. na Europa e nos Estados Unidos.classe média significativa que também deve ser alvo do interesse da igreja. Infelizmente. Jesus Cristo. A Bíblia fala de um Deus que toma a iniciativa. tendo como alvo a conversão individual. do combate ao alcoolismo e de tantas outras causas nobres. Como cristãos brasileiros preocupados tanto com a missão da igreja quanto com as difíceis realidades sócio-econômicas de nosso país. Não obstante. da abolição da escravatura. como agente e instrumento de Deus. Samuel Escobar e seus companheiros da Fraternidade Teológica LatinoAmericana fizeram um esforço sério no sentido de apresentar uma alternativa a essa teologia que fosse bíblica. dando pouca atenção a alguns sérios problemas apresentados pelas mesmas. coerência e clareza sobre a necessidade de um entendimento abrangente da tarefa da igreja no mundo. pois que a igreja cristã em geral e as igrejas evangélicas de modo particular têm uma longa e honrosa tradição de “missão integral” ao mundo. notadamente nas áreas doutrinária e ética. da reforma das prisões. da luta contra o trabalho infantil. Tal ocorrência seria um retrocesso histórico lastimável. são o nosso grande paradigma de missão. produziram a concepção dicotômica da missão da igreja que hoje observamos. Ao lado disso. Escobar e seus colegas têm algo importante a dizer às igrejas evangélicas históricas da América Latina e do Brasil. poucos afeitos à pregação do evangelho. Basta lembrarmos o intenso esforço de missões e de reforma social gerado pelos grandes despertamentos dos séculos XVIII e XIX. as igrejas e cristãos individuais estavam na vanguarda de movimentos em prol da extinção do tráfico negreiro. que falam com convicção. ao passo que os liberais. muitos cristãos aderiram à agenda revolucionária da Teologia da Libertação. Escobar tende a superestimar os valores positivos das igrejas populares. devemos levar a sério os desafios desses líderes. Ao mesmo tempo que enviavam pregadores do evangelho para todos os quadrantes do mundo. Eles demonstraram que as igrejas podem permanecer fiéis às suas convicções históricas e ao mesmo tempo adotar uma postura ousada e coerente em relação aos problemas sociais. Num período conturbado da história recente da América Latina.

Todavia.” publicado em Vox Scripturae 8/1 (Julho 1998): 95-111. Essa mensagem. À medida que a igreja evangeliza. Errand to the World: American Protestant Thought and Foreign Missions (Chicago: The University of Chicago Press. Ela é uma instituição singular. Mott e Robert E. ela também precisa expressar o interesse de Deus por toda a vida e espelhar a atitude daquele que disse: “Eu vinham para que tenham vida. vamos concentrar os nossos esforços no que é primordial – a evangelização – e as outras preocupações cuidarão de si mesmas. e a tenham em abundância. o propósito total de Deus para a humanidade e para a comunidade redimida. a preocupação com prioridades. É para essas implicações mais amplas do evangelho e da missão da igreja que cristãos comprometidos e inquiridores como Samuel Escobar chamam a nossa atenção. Obs. quando. eram provenientes do movimento cristão de estudantes. praticidade ou.: O presente estudo é uma versão ampliada do artigo “Samuel Escobar e a Missão Integral da Igreja: Uma Perspectiva Latino-Americana. o importante livro de William R. estatísticas e resultados rápidos não deve cegar a igreja para a integridade da missão. esses sublimes ideais nem sempre encontram plena expressão nas vidas diárias dos cristãos e das igrejas. muitas vezes. Jesus lutou e morreu na cruz. Tudo deve ser colocado debaixo do propósito e do senhorio de Deus.21s).Jesus. John R. O reino de Deus e seus novos valores devem ser manifestos em todos os tipos de relacionamentos humanos. Seus líderes. O Cristo do Novo Testamento interessa-se por todas as necessidades humanas — espirituais. as famílias e as comunidades à reconciliação e nova vida em Jesus Cristo – certamente é básica e essencial. com uma contribuição e uma mensagem singular. físicas e emocionais. manifestou o interesse de Deus por todos os tipos de pessoas e pela pessoa integral. como Joseph H. necessariamente fará com que a igreja enfrente as diferentes situações que afetam a vida humana neste mundo caído. a esse respeito. Ver. Ele instruiu os seus seguidores a continuarem a sua obra de proclamação do reino (Jo 20. em seu ministério terreno. “Ecumenical Bearings of the Missionary Movement and the 92 . Latourette. Ver Kenneth S. 1987). Desde uma perspectiva evangélica. Hutchison. Por causa do seu forte senso de missão. Evidentemente. A Conferência de Edimburgo é considerada o berço do moderno movimento ecumênico. Oldham. a evangelização – convidar os indivíduos. a sua mensagem e ações desafiam todas as áreas da vida particular e coletiva.” A igreja não deve ser reduzida a uma organização social ou a um grupo de pressão política como tantos que existem na sociedade. Inevitavelmente é levantada a questão das prioridades: uma vez que não podemos fazer tudo que Deus espera que façamos. Speer. se vivida até as suas últimas conseqüências.

autor de Uma Teologia da Libertação (1971).” em A History of the Ecumenical Movement: 1517-1948. “Panamá 1916 y su Impacto sobre el Protestantismo Latinoamericano. de Iquitos. Álvaro Reis e Erasmo Braga.” Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). Ruth Rouse e Stephen C. Cheguei de avião. Daí o subtítulo utilizado: “Para considerar os problemas missionários relativos ao mundo não-cristão. os presbiterianos Eduardo Carlos Pereira. entre outros. Emílio A. 3ª ed. 1952). Henrique Dussel e Leonardo Boff. na selva peruana. identidade étnica e filiação eclesiástica. no campo protestante destacaram-se José Miguez Bonino e Rubem Alves. Entre os latino-americanos presentes no congresso estavam apenas três brasileiros.” Pastoralia 1/2. 131-32. 1986). “Los ‘CLADEs’ y la Misión de la Iglesia. Entre os evangélicos conservadores. apaixonei-me por esse imenso país. 13. Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). Em 1959 e 1960 percorri como evangelista e discipulador um bom número de centros universitários. 20. duas realizaram-se na cosmopolita e culta Buenos Aires. Ecumenical Foundations: A History of the International Missionary Council and its Nineteenth-Century Background (Nova York: Harper and Brothers. um velho Catalina da Panair. Sobre a sua relação com o Brasil. Das três CELAs.” William R. sexo.” Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). ed. Neste último aspecto. O historiador Sidney Rooy identifica uma seqüência de três séries ou ciclos de encontros do protestantismo latino-americano. Os próprios locais dessas conferências e congressos são reveladores. John Kessler e Wilton M. o próprio Escobar afirma em uma obra recente: “Desde a minha primeira visita ao Brasil. Rolando Gutiérrez. enquanto que todos os CLADEs ocorreram nos países andinos. Um dos primeiros e mais importantes articuladores dessa teologia foi o sacerdote peruano Gustavo Gutiérrez. eds. Hugo Assmann. Os critérios de seleção procuram ser os mais abrangentes possíveis em termos de faixas etárias dos participantes. entidade que promoveu o maior esforço cooperativo até hoje empreendido pelas igrejas evangélicas brasileiras e foi precursora da Confederação Evangélica do Brasil. Núnez e o brasileiro Valdir Steuernagel. Jon Sobrino. Citado por Tito Paredes em “Visión Histórica de los ‘CLADEs’.. em 1953. metade das inscrições é reservada para participantes pentecostais. o órgão cooperativo correspondente ao CLAI é a Confraternidade de Evangélicos da América Latina (CONELA). Outros membros bem conhecidos da Fraternidade Teológica são C. especial (Novembro 1978): 521. José Porfirio Miranda. René Padilla. Escobar. 353-402 (Genebra: World Council of Churches. Ver Samuel Escobar. Outros nomes importantes no campo católico são Juan Luis Segundo.International Missionary Council. até Manaus. até chegar a 93 . “Los ‘CLADEs’ y la Misión de la Iglesia. Dali percorri o Norte e o Nordeste. Erasmo eventualmente tornou-se o secretário da Comissão Brasileira de Cooperação. 35.” 22. com seus enormes problemas sociais e suas dinâmicas igrejas populares. Neill. como jovem delegado peruano a um congresso mundial da juventude batista. Hogg. Tito Paredes. Nelson.

“Transformação em Ayacucho: da violência à paz e esperança”. o termo “evangélico” tem sido virtualmente sinônimo de “protestante. Mackay”. um órgão de exposição do pensamento evangélico. onde. órgão oficial da referida Comissão Teológica. “Além da teologia da libertação: artigo-resenha” e “Uma abordagem missiológica do protestantismo latino-americano.” Como no Brasil. “Teologia evangélica na América Latina: o desenvolvimento de uma cristologia missiológica”.” os estudiosos estão utilizado o anglicismo “evangelical” para designar especificamente os evangélicos conservadores. entre 1962 e 1964. Seu papel principal é ajudar os estudantes a considerar as missões cristãs no contexto da justiça econômica. realizada em Seul. “De Lausanne 1974 até Manilla 1989: a peregrinação da missão urbana”. David Bosch 94 . A revista Evangelical Review of Theology. Também publicado em Annals of the American Academy of Political & Social Science 554 (Nov 1997). “o missiologista Samuel Escobar disse que um conceito holístico de missão conclama os cristãos a compartilhar tanto a vida espiritual quanto recursos materiais e a utilizar instrumentos espirituais.São Paulo. em março de 1998. “A missiologia de McGavran foi devorada por um leão?”. “Além da teologia da libertação: missiologia evangélica na América Latina”. Para os leitores não familiarizados com o inglês. MG: Editora Ultimato. em distinção dos progressistas ou liberais. Desafios da Igreja na América Latina: História. nº 1 (abril 1983): 48-62. “500 anos após Colombo: Requiem ou Te Deum?”. “Missões e renovação no catolicismo latino-americano”. 11.” Samuel Escobar. Estratégia e Teologia de Missões (Viçosa. Pedro Arana. Ver Samuel Escobar.” Escobar também leciona no curso de Administração do Eastern College. “O legado de John A. e diretor de Pensamiento Cristiano. “O recrutamento de estudantes para missões”. Segundo o Mennonite Brethren Herald. 1997). “A nova ordem mundial das missões: o século XXI nos conclama a abandonarmos nossos modelos de ministério mundial procedentes do século XIX”. Escobar também foi responsável por vários periódicos. publicou os trabalhos apresentados nessa consulta. “O evangelho inteiro para o mundo inteiro a partir da América Latina”. ele foi editor de Certeza. “A Latin American Critique of Latin American Theology. Por força de suas ocupações. “Missão na América Latina: uma perspectiva evangélica”. em nível de pós-gradução. historicamente. nos primeiros anos da Aliança Bíblica Universitária. um deles escrito por Escobar e três colegas latinoamericanos. Valdir Steuernagel e Rodrigo Zapata. Por exemplo. trabalhei como missionário na frente estudantil. na Coréia do Sul. publicado na Argentina. Por exemplo. culturais e tecnológicos. “Elementos de estilo na formação de novos líderes missionários internacionais”.” Evangelical Review of Theology 7. esta é a tradução dos títulos dos artigos de Escobar: “A responsabilidade social da igreja na América Latina”. em 1982 Escobar participou da Consulta de Teólogos do Terceiro Mundo. Mais recentemente. “Um movimento dividido: três abordagens da evangelização mundial permanecem em tensão entre si”. uma revista para estudantes universitários. Escobar participou de uma conferência sobre economia e missões promovida pelo Concílio de Ministérios Internacionais das igrejas menonitas norteamericanas. como ocorre nos Estados Unidos.

html.homenet. Quando Escobar concluiu sua palestra. O COMIBAM deu uma forte ênfase à segunda vinda de Cristo. 1970). “completo”).” em Pensamiento Cristiano 93 (Março 1978): 170-175. em contraste com a análise. 22. (4) evangelicais pentecostais e carismáticos. Romen (Farmington. (2) evangelicais separatistas (como Carl McIntire e o seu Concílio Internacional de Igrejas Cristãs). 7-8. Harvie M. Bassham. www. Bassham. 133.. 1984). Mission Theology. “Latin America. Desafios da Igreja. Samuel Escobar. “Missiology in Contemporary Latin America: A Survey. 25. Esse congresso foi o berço da Fraternidade Teológica Latino-Americana. Califórnia: William Carey Library. A medicina holística. denota o que diz respeito a totalidades ou sistemas completos. “Mission in Latin America: An Evangelical Perspective. 237. Rodger C. Ibid. Ibid. 295. 1993). e (6) evangelicais ecumênicos (como John Stott. Escobar atribui ao CLADE I. Ibid. 244. 95 . Ibid. que tentam unificar todos os evangelicais.. René Padilla e Orlando Costas). The Lausanne Covenant: An Exposition and Commentary (Minneapolis: World Wide. Mission Theology: 1948-1975 – Years of Worldwide Creative Tension – Ecumenical. A palestra foi publicada na íntegra por Edições Vida Nova. tratamento ou divisão em partes.” em Toward the Twenty-First Century in Mission.. Conn e Samuel F. 291. 1975). Samuel Escobar. por exemplo. procura tratar tanto a mente como o corpo.. Um bom exemplo das idéias de Escobar acerca da evangelização pode ser encontrado no seu artigo “Vivir y Evangelizar. Ver Internet. Ibid.menciona pelo menos seis tipos básicos: (1) novos evangelicais (como Billy Graham).. que recebeu 920 delegados de 25 países. 187. 231. 225. Ibid. Samuel Escobar.. Ver Samuel Escobar.com. os delegados colocaram-se de pé e demonstraram a sua aprovação aplaudindo-o entusiasticamente. 262.” em Missions and Theological Education in World Perspective. “Has McGavran´s Missiology been Devoured by a Lion?” Missiology 17 (Julho 1989).” Missiology 20 (Abril 1992). and Roman Catholic (Pasadena. 349-350. A Responsabilidade Social da Igreja. 104. (3) evangelicais por confissão (como Peter Beyerhaus). (5) evangelicais radicais (como Samuel Escobar. Orlando Costas. 1979). “Holístico. ed. 350. Coote (Grand Rapids: Eerdmans. Ibid.” do grego hólos (“inteiro”. Tópicos do Momento 3 (São Paulo: Vida Nova. Phillips e Robert T. Festo Kivengere e Arthur Glasser). Mission Theology. ed. Bassham.br/cem/postura. James M. 131. Michigan: Urbanus. Ibid.. o surgimento de uma “teologia nacional” entre os evangélicos latino-americanos. John Stott. Evangelical.

” em que revela o seu grande interesse pela dimensão pneumatológica da missão da igreja e conclama os evangélicos a estarem receptivos ao novo vento do Espírito que sopra na igreja.” International Bulletin of Missionary Research 6 (Julho 1982). 316. 96 .” Fides Reformata 2:2 (Jul-Dez 1997). “Mañana – Discerning the Spirit in Latin America. “The Elements of Style in Crafting New International Mission Leaders. Mas avivamento? Já passamos por tanta confusão. “Latin America. 64. Desafios da Igreja na América Latina. e “Jonathan Edwards: Teólogo do Coração e do Intelecto. Samuel Escobar. 110. no sentido individual. mas de fato almejam um avivamento autêntico. Samuel Escobar. 48. Waldyr Carvalho Luz (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana. 328. “Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological Christology. 108. Samuel Escobar.” Fides Reformata 3:1 (Jan-Jun 1998).” a instabilidade social resultante do colapso dos padrões e valores.” Evangelical Review of Theology 20/4 (Outubro 1996).” Evangelical Missions Quarterly 28 (Janeiro 1992).” Missiology 19 (Julho 1991).” 134. Ibid. ó Senhor. trad. alienação e incerteza que decorre da ausência de propósito ou ideais. O Pensamento Econômico e Social de Calvino. 72-87 Parte XVII APRENDENDO DA HISTÓRIA DOS AVIVAMENTOS Estamos vivendo numa época em que muitos membros das nossas igrejas oram: "Aviva a tua obra.. Ibid. Não é possível repetir a história. Samuel Escobar. Escobar. 321. tribulação e separação amarga. Ibid. Ibid. “Mission in Latin America. Escobar. Outros se arrepiam imediatamente quando ouvem falar do assunto. “Anômicas” deriva de “anomia.” 241.. Tal consulta.” Escobar foi o autor de um dos seis estudos apresentados ao plenário. 1990). Não é que não queiram que as igrejas sejam vivas e dispostas para a obra do Senhor. Não seria melhor evitar o assunto? Neste artigo estudaremos um pouco da história para ver se podemos descobrir algumas lições para os dias de hoje... Ibid.. Ver também. 7. 69-88. 111. significa a inquietação. 19. Escobar. gerando uma espiritualidade nova e radical. Há poucos anos. teve como tema “Fé e Esperança para o Futuro: Por Uma Teologia Evangélica Vital e Coerente para o Século XXI. ao contrário. “Amando a Deus e ao Próximo: João Calvino e o Diaconato em Genebra. mas podemos aprender com ela. sob o título “Discernindo o Espírito na América Latina. Desafios da Igreja na América Latina. Escobar participou de mais uma consulta da Comissão Teológica da Fraternidade Evangélica Mundial. “Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America. no decorrer dos anos. do autor do presente artigo."(1) Talvez não se expressem exatamente com estas palavras. É o caso de André Biéler.Escobar. realizada em Londres de 9 a 14 de abril de 1996.

o crescimento continuou e em 1717 organizou-se o primeiro sínodo. Ele defendeu o seu próprio caso. Por volta de 1700 havia muitas famílias presbiterianas espalhadas por todas as colônias. Foi absolvido. Foi na época em que Portugal e Espanha começaram a navegar pelos oceanos e fundar o seu império ibérico. E havia outros problemas. e em 1701 um jovem pastor do nordeste da Irlanda.As nossas igrejas no Brasil foram plantadas por missionários da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos." tendo organizado igrejas e até consagrado ministros. Foi adotada a ordem eclesiástica da Escócia.(3) Ele é considerado o "pai do presbiterianismo americano. depois que foi quebrada a espinha dorsal marítima da Espanha com a derrota da sua Armada (1588). mas adoeceu gravemente devido à permanência no calabouço e foi promovido à glória. que ficou famoso na jurisprudência sobre a liberdade religiosa. Muitos colonos viviam longe das igrejas e. não é de estranhar que 97 . Os escoceses sabiam fazer isto. mormente a embriaguez. era tentado a tomar uns tragos. Muitas igrejas foram organizadas e já cinco anos depois o presbitério reuniu-se pela primeira vez em Filadélfia. com a Igreja Anglicana como a igreja oficial.. a não ser que pudessem ser industrializados. Nesse caso. Portanto. para a época que entrou na história como o "Grande Despertamento" (Great Awakening. Somente um século mais tarde nações protestantes começaram a zarpar pelos oceanos. O Presbiterianismo na América do Norte O Brasil foi descoberto em 1500. então. rebatizando-a como Nova York). e também o seu selo e lema: Nec Tamen Consumebatur. pior ainda. Nesse país também houve várias épocas de avivamento com bênçãos e problemas incontáveis. como é que foi?" Voltemos.. Os "Pais Peregrinos" foram para o nordeste do continente (1620) e estabeleceram fortes colônias congregacionais. e os preços dos produtos da lavoura muito baixos. visão ampla. mas por outro lado existiam muitos obstáculos à santificação. a situação religiosa nas colônias não era boa. Makemie foi preso por ter pregado em Nova York. I. mamãe. chamada consciente. Nos lares crentes de fato havia leitura bíblica e o catecismo era decorado. Vamos perguntar à nossa mãe espiritual: "Conte. santificação constante e disposição incansável. 17391745). Francis Makemie. da Palavra de Deus. A Inglaterra implantou colônias na América do Norte. especialmente escocesas-irlandesas. chegando em casa depois de uma longa cavalgada numa tempestade de neve. iniciou o seu trabalho itinerante de Nova York até as Carolinas. até entre pastores.(4) Apesar do crescimento numérico das igrejas em geral. Era um homem preparado para o trabalho de Deus: conversão clara. sendo Virgínia a primeira (1607). O Senhor abençoou o seu trabalho. No ano seguinte.(2) Os holandeses fundaram Nova Amsterdã (1614) com sua Igreja Reformada (mas os ingleses capturariam a colônia cinqüenta anos depois. o pastor podia ser pago em espécie e. Porém. É que os colonos eram pobres. só que não conseguiam vender o whisky a tempo.

e quando Whitefield fez uma campanha evangelística nas colônias (1739-1741).(5) Havia algumas escolas para preparação de pastores no nordeste americano. recorreu-se ao sistema conhecido na Irlanda do Norte. II. comparou-os a Zacarias e Isabel. O Grande Despertamento. Um desses foi o velho Rev. mas o impacto do sermão de Gilbert foi mais amplo pelo fato de ter sido impresso. o jovem ministro Gilbert Tennent começou a pregar como o seu colega reformado (1733). mas infelizmente nem sempre zelavam pela ortodoxia e pela ortopraxia.(11) Ao mesmo tempo. Além disso. A sua oração diária era pela "purificação dos filhos de Levi. isso não foi algo estranho ao puritanismo presbiteriano americano. houve problemas humanos. 1739-1745 Essa ênfase na pregação tinha sido (re)iniciada naquela região por "Dominie"(8) Theodore J. que eram muitas por causa da antiga colonização holandesa e que continuaram a crescer mesmo depois da conquista de Nova Amsterdã pelos ingleses. 10% da população americana da época. ou seja. Frelinghuysen. referindo-se aos colegas como "cães mortos" e outros termos negativos. O próprio Gilbert Tennent abusou da palavra. que por sua vez tinha recebido muita influência do puritanismo inglês(10) não somente uma doutrina e fé bíblicas. se alguém não sabia quando estivera 98 . William Tennent.(13) Apesar desses resultados positivos."(7) A conversão era absolutamente necessária (inclusive para os presbiterianos) e essa conversão devia ser visível. Vários pastores não souberam controlar a sua língua. no seu humilde "colégio de toras" (Log College). tais como Harvard e Yale.(14) Também puderam ser observados vários desvios teológicos. mas com um vocabulário por vezes muito veemente. E essa purificação devia começar com o corpo ministerial. o Rev. Theodore era herdeiro de uma ênfase do puritanismo holandês. depois de visitá-los. entre eles seus próprios filhos. como sempre ocorre quando o Senhor dá a sua bênção. em dois anos mais de trinta mil pessoas foram ganhas. em que candidatos ao ministério eram treinados na casa de um ou outro pastor com o dom de mestre. o pastor de uma das Igrejas Reformadas holandesas. o Senhor estava operando nas Igrejas Congregacionais do nordeste americano (1734) e algum tempo depois o Rev. mas também uma ética e comportamento bíblicos.algumas pessoas reconhecessem que a igreja precisava ser purificada para tornar-se realmente uma igreja puritana. Não era incomum o uso de linguagem violenta. Então. Jonathan Edwards pregou o seu célebre sermão "Pecadores nas mãos de um Deus irado" (1741).(9) Nesse sentido. tais como: a Lei não se aplicaria aos crentes. Quando. que preparou uns poucos jovens para o ministério sagrado.(12) Na Inglaterra.(6) O casal Tennent era um exemplo de piedade e o próprio George Whitefield. A gritaria de um certo James Davenport passou tanto dos limites. a pregação de George Whitefield e de John Wesley levou muitas pessoas ao Senhor. Em 1740 ele pregou uma mensagem com um título apropriado sobre os perigos de um ministério não convertido. as distâncias eram grandes e as despesas altas. pois. que até os seus correligionários o consideraram mentalmente fraco.

que pregava como o embaixador de um rei poderoso. David Brainerd." Sete dos "protestadores" pertenciam ao Presbitério de Donegal.sem Cristo. até sucumbir à tuberculose na casa do seu futuro sogro. que gostavam de cantar salmos em sua cozinha. pelo esforço missionário transcultural de homens como o Rev. Não somente pregou aos colonos europeus." implantou o trabalho presbiteriano na região de Richmond. No seu diário ele anotou que de vez em quando acordava com uma torrente de melodias celestiais. O Cisma Presbiteriano. praticaram uma lealdade dúplice por causa do seu corporativismo." que simplesmente declarava que os avivados não tinham lugar "neste concílio de Cristo. a sua noiva Jerusha também faleceu vitimada pela mesma enfermidade (1748). já tensas por causa da frieza. que havia se tornado uma foco de oposição. que nos deixou o seu conhecido diário. Depois da sua ordenação. o de Hanover (1755). e quatro deles deviam ser afastados do ministério por causa de problemas graves. O fato era 99 . III. Samuel Davies. Jonathan Edwards. que era presidente do colégio teológico de Princeton. afetando ambos os grupos como um vírus maligno. mas também aos escravos africanos. Davies teve o privilégio de batizar uns 150 deles. Poucos meses depois. veio a falecer por causa da varíola. Jonathan Edwards. ó graça real. Menos conhecido. 1741-1758 Infelizmente as tensões aumentaram tanto durante a época do Grande Despertamento. mas não menos importante. se alguém não sentia o sopro do Espírito Santo como um vento verdadeiro. David trabalhou incansavelmente durante quatro anos entre os indígenas. Colocaram no túmulo desse servo. Nessa época.(17) A Ala Nova é mais conhecida por causa do seu trabalho evangelístico. Dizendo-se leais a Cristo. uma frase de um dos seus 600 hinos: "Inspira a minha alma. No início do sínodo daquele ano um grupo de doze ministros apresentou um documento chamado "Protestação. na Virgínia (1747-1759). não poderia ser considerado convertido. Algumas irregularidades contra a ordem presbiteriana também azedaram as relações eclesiásticas. zombaria e forte oposição dos tradicionalistas e de um certo radicalismo e farisaismo dos avivados. que resultou no primeiro presbitério do sul. pisaram o direito eclesiástico. o Rev. e toca meus lábios com fogo celestial. também formado num "colégio (teológico) de toras.(16) Alegando apoio na Constituição Presbiteriana.(18) Brainerd havia sido expulso do curso teológico de Yale por afirmar que um certo professor não tinha mais da graça de Deus do que uma cadeira. Davies foi chamado para substituí-lo. que ocorreram divisões no corpo de Cristo. seria um crente carnal. e os avivados como a "Ala Nova" do Sínodo de Nova York.(15) O cisma na Igreja Presbiteriana começou em 1741. Em primeiro lugar."(19) Um problema muito interessante era a tensão entre educação e missão. foi o trabalho de "missões nacionais" da Ala Nova. mas também faleceu depois de dois curtos anos. O grupo de tradicionalistas ficou conhecido como a "Ala Velha" do Sínodo de Filadélfia.

(20) Mas o bom era o inimigo do melhor.(24) Um pouco de estatística pastoral demonstra isto claramente: em 1741 a Ala Velha tinha 27 pastores e a Ala Nova 22. A Reunião. freqüentemente na então fronteira colonial. Mas os que conseguiam fazer o curso teológico saíam como homens bem preparados. congregações e pontos de pregação se multiplicavam. a paz entre os dois grupos deve ter sido um pouco difícil. o que diminuia o número dos que podiam estudar. não respeitando assim as normas constitucionais. O restabelecimento da união também foi possível porque ambos os lados haviam permanecido presbiterianos na doutrina e os renovados não tinham rejeitado o batismo dos filhos da aliança. sentiam ainda um profundo desejo de pregar em todo e qualquer lugar. pois os convertidos que apresentavam reações físicas (como arrepios. Uma das alavancas foi o sofrimento comum causado pela guerra contra os franceses.). basicamente por existir mais humildade nos dois lados. Não é que os presbiterianos não tivessem visão. 1758 Depois de dezessete anos. mas cresceram muito durante os anos da separação. Porém. e não somente uma fé formal. Quando chegavam aos seus campos de trabalho. gritos. desmaios. mas reconheceram que erraram algumas vezes ao invadirem campos pastorais de colegas tradicionalistas sem serem convidados. por outro lado. estavam seriamente iludidos. mas reconheceram que de fato houve muitas conversões sinceras e permanentes. Também admitiram ser necessário que os pastores (e conseqüentemente os candidatos ao ministério sagrado). tivessem uma experiência religiosa. mas sem os frutos do Espírito Santo. as duas alas conseguiram restabelecer a paz. mas havia falta de obreiros por causa das rigorosas exigências na educação teológica.(22) Os avivados. o mais importante é que o clima havia se tornado mais ameno.(23) Porém. por causa da maioria numérica da Ala Nova. mal sobrava tempo para visitarem as congregações espalhadas. No começo do cisma os avivados eram uma minoria.que as igrejas. em 1758 a Ala Velha tinha 23 pastores e a Ala Nova 73. que às vezes perdiam o contato com a igreja presbiteriana e filiavam-se a outras denominações. E a Lei do Senhor era sem dúvida uma norma de gratidão para a vida do crente convertido. As duas correntes uniram-se novamente. Os tradicionalistas ainda tinham certas restrições. eram bem-vindos como pastores e também como professores. porque eram as pessoas mais educadas da comunidade. mas admitiram que houve falta de discernimento espiritual. Também reconheceram que as suas línguas não haviam sido batizadas pelo Espírito Santo quando usavam certas expressões pejorativas ao referirem-se aos seus colegas. Os colonos pediam que o pastor ensinasse seus filhos. especialmente para os da Ala Velha. 100 .(21) IV. mas havia falta de pastores para atender aqueles vastos campos. porque uma vez envolvidos no ensino diário. sendo o próprio Gilbert Tennent o maior defensor dessa reunião. Insistiram que o avivamento era uma obra santa do Senhor. etc.

dependendo da nossa posição no processo histórico atual. santificação esta que é o alvo do Espírito Santo em cada efusão especial do poder do alto. mas assim também o foram os tradicionalistas. o avivamento não passa de emoção litúrgica. humilhar-se e começar a ter uma vida purificada. ao todo dois terços do mesmo grupo! Em virtude do "corporativismo. a fim de não perdermos o verdadeiro avivamento. no início a Ala Velha não reconheceu essa necessidade premente de santificação. Se não quisermos usar a palavra "avivamento. O fato é que o avivamento real procura maior santificação em todos os setores da vida. Sim. ou seja. Dos doze "protestadores" que iniciaram o cisma expulsando os avivados. no fim desse período. Sem dúvida. não promovendo um avivamento pelo esforço próprio. infelizmente a "causa noturna" mais provável por que o braço tradicionalista da Igreja Presbiteriana americana murchou até mesmo durante o "Grande Despertamento" foi a falta de santificação. e causas noturnas.(27) Não devíamos perder o conteúdo por causa de uma palavra. produzindo mais frutos do Espírito Santo. renová-la em todos os seus aspectos. Não deveríamos perdê-la por causa de abusos. as missões sendo sempre um índice preciso do avivamento autêntico. nem rejeitando as bênçãos incontáveis da obra do Senhor. duas marés). Dia da Renovação da Aliança Devemos ainda acrescentar um parágrafo sobre as lições espirituais que emanam desse período. foi como o historiador Trinterud afirmou: "Two sides." Parece que as lições históricas neste caso são óbvias. Oremos para que aprendamos a andar em humildade.De fato. focalizando suas críticas em aspectos mais circunstanciais. começando pelo individual. significando reviver. quatro tinham problemas morais e. "Avivamento" é uma palavra muito bíblica. E existiria ainda alguma "causa noturna"? Cremos que sim. A Ala Velha insistiu que os avivados tinham sido beneficiados pela imigração e fundos do Velho Mundo. para que a igreja seja testemunha no tempo e no lugar onde Deus a colocou na história. V. a "causa diurna" do crescimento maior da Ala Nova deve ter sido o trabalho evangelístico mais intenso e mais descentralizado dos irmãos avivados. mais quatro. Um dia especial para enfatizar 101 . patentes a todos. O conceito de avivamento também é muito bíblico: retornar ao Senhor. two tides" (duas alas." os seus presbitérios faltaram com a disciplina fraternal. Talvez tenhamos de lembrar a distinção entre causas diurnas.(26) Embora a Ala Velha também tenha feito algo pelas missões nacionais. Faltando essa característica essencial. E cada um de nós deve aplicá-las à vida. ó Senhor. à luz das Escrituras? Calvino certa vez disse o seguinte sobre aqueles que querem tirar uma série de aplicações de um texto bíblico: "A Escritura é frutífera em si mesma. E o Senhor nos convoca a renovarmos a aliança que ele estabeleceu conosco. Aquela súplica — "Aviva a tua obra.(25) Mas qual teria sido a causa dessa diferença tão patente? Muito se tem discutido. no decorrer dos anos" — é uma oração ensinada pelo próprio Espírito Santo." para nós da tradição reformada uma expressão como "Renovação da Aliança" ajudaria muito a entender o que o Senhor quer de nós. ocultas à maioria.

ao contrário. 1670 (Amsterdam: T. o crescimento e os problemas dessas igrejas reformadas (inclusive depois da conquista de Nova Amsterdã pelos ingleses em 1664). Religion in Colonial America (New York: Scribner’s. Sweet. NC: Greensboro Printing Co. 4 Adotado pela Igreja Presbiteriana da Escócia em 1635. 2 Para um resumo sobre religião na América do Norte. qualquer dia que seja. ver Gerald F. para a salvação de muitos perdidos. 1971). 10 Wilhelm Goeters. nos use. e para a santificação e edificação da igreja. W. Para o período colonial. "senhor. como é o desejo profundo de todo verdadeiro presbiteriano. 12 de agosto. Hudson. e sim para a sua glória. Francis Makemie (Grand Rapids: Eerdmans. Light in Darkness: The Story of William Tennent. 1942). senão Deus amaldiçoará até as nossas bênçãos (Ml 2. ver W. Os Estados Unidos tornaram-se independentes em 1776. ver I. 3 Sobre Makemie. Page. S. 6 Sobre Tennent e sua escola. 1993)." 9 Sobre a posição oficial. publicado em 1675. Tennent. Ou talvez o dia de Pentecoste. a fim de que ela seja sal da terra e luz neste mundo tenebroso. 1978).2 (Almeida Revista e Atualizada). seria um dia de oração e jejum para que o Senhor não nos lance fora. De Jong. M. em seu famoso livro Pia Desideria ("desejos piedosos"). incorporando muitos dos antigos huguenotes. Religion in America (New York: Scribner’s. 7 Ml 3. The Life Story of Rev.essa renovação da aliança pode ser para nós presbiterianos o dia do aniversário da nossa igreja. A. Sr.2)! 8 Como eram chamados os ministros da Igreja Reformada Holandesa: dominie.3. o ano em que a França sangrava por causa da revolução. Notas 1 Habacuque 3. Spener. and the Log College (Greensboro. do latim dominus. 1938). Die Vorbereitung des Pietismus in der Reformierten Kirche der Niederlande bis zur Labadistischen Krisis. o dia do aniversário da igreja universal. Bolland. realizou-se a primeira Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos. 102 . o grande líder do pietismo na Igreja Luterana da Alemanha.. absolutamente necessário. ver W. 5 Assim também Philipp J. não para o nosso próprio triunfalismo oco. ver M. The Dutch Reformed Church in the American Colonies (Grand Rapids: Eerdmans. Mas. e em 1789.

18 Ver Jonathan Edwards. "Irenicum Ecclesiasticum" (1749). 3a.1993). A. comp. 11 L. A Vida de David Brainerd (São José dos Campos. ver A. cap. Alexander. c. 12 Jonathan Edwards." 103 . Pecadores nas Mãos de um Deus Irado. Começou em Londres em 1717 e trinta anos depois já era influente na colônia americana. The Forming of an American Tradition (Philadelphia: Westminster Press. [1970]). 8: "The Withered Branch. George Whitefield. Trinterud. 14 A. 22 Exigência incluída também na Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil. 23 Cf. 32. Banner of Truth Trust. a maçonaria era uma espécie de reação mística contra o árido deísmo. 1949). (São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas. 1993). não ficou claro até agora. 17 "The Old and New Side" do século XVIII não devem ser confundidos com "The Old and New School" do século XIX. como a Universidade de Pittsburgh.." os batistas em "Regulars" e "Separatists. Forming of an American Tradition. SP: Editora Fiel. ed. no seu Art. Nesse século XVIII de racionalismo. 21 Valeria a pena um estudo aprofundado sobre as congregações da IPB que foram perdidas. o seu sermão publicado. Para essa biografia do seu genro. J. Dallimore." 20 Dessas escolas paroquiais nasceram instituições educacionais conhecidas. Sermons and Essays by the Tennents and their Contemporaries (Philadelphia: Presbyterian Board of Publication. 19 "Almighty grace. 15 Os congregacionais dividiram-se em "Old Lights" e "New Lights. [1855]). 2 vols. 25 Trinterud. 13 Sobre Whitefield. my soul inspire. and touch my lips with heavenly fire. ([London]: Ed." 16 Se houve também uma dupla lealdade por causa de ligações maçônicas.1974). Edwards baseou-se em grande parte no diário de Brainerd. na Pensilvânia. 24 O mesmo fenômeno de crescimento numérico ocorreu entre os congregacionais: na região de Boston havia nessa altura quase três vezes mais pastores avivados do que tradicionalistas.

disse o Espírito Santo: Separai-me. Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado. Já a igreja de Antioquia era. etc Fonte: Revista Fides Reformata Parte XVIII AS QUATRO INDISPENSÁVEIS QUALIDADES Uma Igreja Missionária "E. pois quando o Espírito Santo disse em Atos 13. Então. deveriam inspirar todas as igrejas.3). isto é. O particípio presente indica ação contínua.. Como deve ser caracterizada a igreja evangélica brasileira em seu propósito de ser uma igreja verdadeiramente missionária no Brasil e no mundo? Biblicamente falando.. Piso e a Medicina Indígena (Recife: Instituto Arqueológico. Uma igreja só pode ser verdadeiramente missionária se for verdadeiramente adoradora e vice-versa. Orlando Costas estava certo quando disse que "o culto está intrinsecamente relacionado com a ação de Deus na história e a conversão das nações ao Deus trino e uno". cresceu e frutificou. servindo eles ao Senhor. agora. e orando. Existem muitos exemplos históricos." a partir daquele momento a igreja de Antioquia não seria mais a mesma em termos de visão e ação missionárias. Ne 8.2 com o mesmo significado de latréw. com certeza. "servir em adoração". Histórico e Geográfico Pernambucano e Universidade Federal de Pernambuco. numa base missionária. workshiping [NIV]).2. obrigatoriamente. é empregado por Lucas em Atos 13. como Js 5. 23. Mas por uma série de fatores que lamentamos.14. Igreja missionária é igreja adoradora Atos 13. 24.2 inicia assim: "E. foram cuidadosamente observados e registrados por Lucas em Atos 13. 1980). Os princípios que nortearam a vida da igreja de Antioquia. e que. O particípio presente leitourgountwn (servindo [ARA]. E ainda: 104 . servindo eles ao Senhor e jejuando. nem sempre é essa a realidade em termos de igreja brasileira. jejuando. sem sombra de dúvida. do verbo leitourgéw.27 2 Cr 7. um exemplo de igreja missionária. todo campo missionário deveria se tornar.. que o Espírito Santo preparou para receber a boa semente do evangelho. A igreja que outrora foi campo. 2 Cr 29-30. os despediram" (At 13. e impondo sobre eles as mãos.2.26 Ruy dos Santos Pereira. passando a ser oficialmente o portal da missão entre os gentios. "Separai-me agora .". "prestar culto a Deus"..

Talvez um dos piores males que têm assolado. ao mesmo tempo. só o fato do culto ser dirigido a Deus e as missões aos homens já definiria. É evidente que 105 . que o culto deve levar a igreja a fazer missões (cf. surge da missão. Ambos são necessários. Os defensores da segunda posição argumentam. então. devem levar os perdidos a prestarem culto a Deus (cf. Pois uma adoração que não leva a igreja a evangelizar não passa de mera contemplação. por si só. que é preciso mais que adoração. O culto é a reunião do povo enviado ao mundo para celebrar o que Deus fez em Cristo e está fazendo mediante a participação deles na ação testemunhal do Espírito. a missão deve ser vista como um acontecimento cultual.42-47). porquanto celebra o que Deus tem feito por homens e mulheres em Jesus Cristo e os chama a receber e compartilhar o dom da graça de Deus.44-49). um povo de oração e testemunho". e missões. a questão da prioridade da igreja. tem quem afirme ser "um absurdo dizer que muitas são as responsabilidades da igreja. At 2.é a obra em si. Vemos. No culto e na missão a comunidade redimida dá evidência concreta do fato de que é. como temos visto na prática? Será que podemos afirmar que culto é mais importante que missões ou vice-versa? Mais uma vez contamos com o argumento equilibrado de Orlando Costas: Não existe dicotomia alguma entre culto e missão. outro assunto desnecessariamente polarizado. Será que precisamos mesmo priorizar uma tarefa em detrimento da outra. por sua vez.O culto. Igreja missionária é igreja de oração José Martins disse corretamente: "A oração é a essência da obra missionária. ou que "missões existem porque o culto não existe". mas sim. e uma evangelização que não leva os pecadores a adorarem a Deus está fora dos propósitos do próprio Deus. As opiniões são as mais variadas e extremistas até. "A liturgia sem missão é como um rio sem manancial. E não estamos nos referindo à questão da evangelização e responsabilidade social. estamos falando da dicotomia existente entre culto e missões. dividido e enfraquecido a igreja brasileira em nossos dias seja os constantes debates em torno da tarefa prioritária da igreja. por sua vez. At 13. a missão sem culto é como um rio sem mar. o que deve ser considerado em primeiro lugar. Sem um o outro perde sua vitalidade e significado". Do outro lado. "É preciso ter paixão pelos perdidos e obedecer ao ide de Jesus". em sua dimensão humana. É o resultado espontâneo da experiência da redenção. Do mesmo modo. De um lado temos os que insistem que "missões são a segunda mais importante atividade no mundo". quando vivida de maneira bíblica". Para os defensores da primeira posição. Não é só uma atividade necessária ao sucesso da obra . E a discussão não é se a igreja deve adorar ou evangelizar (embora às vezes é o que de fato acontece). É a prática mais missionária possível. Igreja é missões". Ao contrário. A missão é a culminação e antecipação do culto.

A ordem das palavras é significativa e não pode ser menosprezada. não é tão importante sabermos. como tem feito a maioria dos autores que consultamos. servindo eles ao Senhor. No texto grego é a mesma coisa: nestéusantes kai proseuxamenoi. Em Atos 13.". Quando o Espírito Santo ordenou que a igreja de Antioquia separasse Paulo e Barnabé para a obra que os tinha chamado. Implicitamente porque o versículo dois diz o seguinte: "E. É provável que o exemplo da igreja de Antioquia tenha marcado positivamente o ministério de Paulo. por isso mesmo. No verso 3.Martins não quer dizer que oração e missões são a mesma coisa.. 2) Acreditamos que Lucas fez questão em enfatizar a prática do jejum pela igreja de Antioquia. Seria incoerente pensar que uma igreja que estava adorando a Deus e jejuando não estivesse em oração. Lucas coloca a palavra "jejuando" na frente de "orando". e jejuando. do mesmo capítulo 13." (v3). qual o interesse dele em dar tanta ênfase a uma prática estritamente judaica? Segundo. A ênfase de Lucas é importante por duas razões pelo menos: 1) Não devemos pensar que a igreja de Antioquia jejuava porque trazia resquícios do judaísmo. Esta não seria uma forma inteligente de pensar. O fato da igreja estar jejuando subentende-se que ela estava também orando. É impressionante a ênfase que Lucas dá ao jejum na igreja de Antioquia.2 e 3. naquilo que se refere às práticas religiosas do judaísmo. a igreja estava em oração. Paulo foi um homem de oração e recomendava às igrejas que orassem por ele e pela expansão do evangelho de Jesus Cristo. a igreja de Antioquia foi uma das igrejas mais anti-judaicas do passado. Além disso. e não menciona a oração. conforme dissemos acima. temos uma evidência explícita de que a igreja de Antioquia realmente orava naquela ocasião: "Então. respectivamente. primeiramente para mostrar que jejum e oração não são incompatíveis na vida de uma igreja e. e sim. tudo indica que sim.2 ele diz que a igreja jejuava. Basta saber que a igreja de Antioquia era uma igreja de oração e que fazia da oração a base de sua missão. embora sabemos que ela também orava. a igreja de Antioquia era uma igreja que exercia a prática do jejum. jejuando e orando. em segundo lugar... Pela urgência do chamado do Espírito. que essas duas atividades devem vir interligadas uma na outra. Agora. primeiro porque Lucas era gentio (provavelmente da cidade de Antioquia da Síria) e. Direta ou indiretamente o Concílio de Jerusalém de Atos 15 aconteceu em razão desse anti-judaísmocerimonialista. mas todo jejum bíblico é feito com oração. mostrar como esta prática era (e deve ser) valorizada no meio de uma igreja verdadeiramente missionária. Mas se é o mesmo ou deixa de ser. Esta verdade está implícita e explícita em Atos 13. 106 . Nunca é demais enfatizar a importância da prática da oração na obra missionária. mais do que simplesmente orar. Nem toda oração é feita em jejum.. Não sabemos ao certo se o jejum do verso 3 é o mesmo do verso 2.

cessadas tais calamidades. de ações de graças" (Princípios de Liturgia. XI). na prática é o que tem acontecido. porém. o contexto próximo (cap. aprendi: "Sem o propósito de santificar de maneira particular qualquer outro dia que não seja o dia do Senhor. A igreja de Antioquia buscava a presença de Deus pelo simples prazer de estar servindo a Deus.. Quantos são os membros destas igrejas que jejuam? Quantos de seus pastores jejuam? Muitos de nós mal oramos. 12) indica que a Igreja Primitiva. como guerras. terremotos. Creio que o capítulo sobre jejum deveria ser revisto pela IPB. nunca existirá um dia de jejum neste país! Que o jejum deve ser praticado em dias de calamidades públicas não questionamos. Mas será que devemos jejuar somente em casos muito excepcionais de calamidades públicas? Da forma como foi redigido o princípio para a prática de jejum na IPB. o que dizer então da prática do jejum em nossas igrejas? Acredito que as igrejas históricas têm falhado até agora em subestimar a importância do jejum na vida do povo de Deus. em interceder pelos missionários e orar pela obra missionária de um modo geral. de modo geral. ele faz exatamente o contrário. ao invés de estimular o crente a praticá-lo. o rei Herodes Agripa I. como guerras. estava vivendo um dos seus melhores dias. Apesar da Igreja Primitiva ter vivido momentos de muitas provações. Que Deus conceda à igreja brasileira a graça de ser uma igreja que se alegre em estar em Sua presença. foi morto mediante a intervenção de um anjo do Senhor. pois a Bíblia nos dá vários exemplos disso. é recomendável a observância de dia de jejum ou. Pelo contrário.". epidemias. Se o povo de Deus tiver que jejuar "em casos muito excepcionais de calamidades públicas. epidemias. Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). Pedro havia sido libertado milagrosamente da prisão e um dos maiores inimigos da igreja. nada indica que naquela ocasião especial de Atos 13 a igreja de Antioquia estivesse jejuando e orando porque passava por momentos difíceis. primeiro porque ele não expressa corretamente a realidade brasileira e também por não apresentar uma definição mais completa do verdadeiro conceito bíblico de jejum. terremotos. diga-se de passagem. intercedendo dia após dia pela obra missionária do Brasil 107 . Na minha própria denominação.24). Não que o princípio fora escrito com o objetivo de desestimular quem quer que seja. Enquanto isso. "a palavra do Senhor crescia e se multiplicava" (At 12. E continuou assim quando enviou seus missionários e os sustentou com fervorosas orações. etc. conforme prescrevem os princípios de liturgia da IPB. etc. em casos muito excepcionais de calamidades públicas. e falhado mais ainda em rogar ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a Sua seara.Se muitas de nossas igrejas têm falhado na prática da oração.

com muito mais freqüência do que gostaríamos de admitir. além de precisarem ouvir o que a igreja tem a lhes dizer. pois a forma como apresentamos a Cristo é insensível.e do mundo. É nisso que Deus espera ser ouvido e obedecido. Diz ele: Primeiro. O Espírito Santo falou à igreja de Antioquia e ela imediatamente colocou Paulo e Barnabé no mundo. O Espírito Santo continua falando e ouvimos a Sua voz. em sua alienação e perdição. E o que significa ouvir o mundo? John Stott responde: "O mundo de hoje está repleto de clamores que refletem ira. ou que. mas lamentavelmente. ser ouvidos pela igreja. antes. entender as palavras. obedecendo. procurar penetrar no mundo das idéias e pensamentos da outra pessoa. uma das grandes expressões dessa obediência é estar no mundo para ouvir o mundo. embora tenham ouvido falar nele. O resultado é que. subir no nosso poleiro e vomitar a nossa mensagem. precisam. A melhor coisa é ouvir antes de falar. sem a mínima consideração para com a situação cultural ou as verdadeiras necessidades dessas pessoas. "responder antes de ouvir é estultícia e vergonha". e mais do que aguçar os ouvidos para ouvir a Sua voz. é provável que o Espírito Santo falou pelos profetas que ali estavam. portanto. Se ouvir o Espírito Santo significa obedecê-lo. Eis aí a voz do Espírito que muitas vezes tem sido ignorada pelos crentes: A igreja no mundo e para o mundo. ela ouviu. o que "o Espírito diz às igrejas". Alguém pode escutar e ouvir. que existem dois grupos de pessoas no mundo que. temos o sofrimento daqueles que nunca ouviram o nome de Jesus. nós afastamos as pessoas e até mesmo aumentamos sua alienação. estão sofrendo terrivelmente. mas ser totalmente surdo quanto à prática dessas palavras. frustração e sofrimento. ainda não o aceitaram e. tornando Sua vontade conhecida. ainda. O verbo "ouvir" é empregado em mais de um sentido nas Escrituras. no sentido literal. principalmente. o som das palavras. Mas muitas vezes nós nos fazemos de surdos diante dessas vozes de angústia". este "ouvir" nem sempre tem sido traduzido em termos de "obediência". o que costumamos fazer é sair correndo com o evangelho nas mãos. De fato. E é exatamente nesse sentido de fazer o que Deus ordena que a igreja brasileira hoje deve ouvir. desajeitada e até irrelevante. abraçar e obedecer o que se ouve. Seja como for. Stott nos lembra. Neste caso. Pode significar: captar. A igreja de Antioquia era uma igreja sensível à voz do Espírito. tentar descobrir quais são as suas possíveis 108 . Igreja missionária é igreja que ouve a voz do Espírito Santo Enquanto a igreja orava. através da Escritura. entender. Não sabemos ao certo como o Espírito Santo falou aos profetas da igreja de Antioquia. Ele falou e a igreja ouviu.

Este compromisso mostrará até onde a igreja está engajada em missões e. Em segundo lugar. Mas é essencial acrescentar que contextualizar o evangelho não é de maneira alguma manipulá-lo. o seu grau de participação na vida. e com razão.3) e com os missionários (impondo sobre eles [Barnabé e Saulo] as mãos. Atos 13. Ele contém uma solene palavra de Deus para aqueles que. de preocupar-se com a justiça social. dentre o seu povo. Quero compartilhar aqui um versículo bíblico que nós temos negligenciado e que.2. quem sabe deveríamos destacar. Esta atividade desafiadora. . como prova concreta do amor de Deus".3).13: "O que tapa o ouvido ao clamor do pobre também clamará e não será ouvido. temores e esperanças da sociedade e a medida em que seu serviço ajuda a aliviar a dor humana e a transformar as condições sociais que têm condenado milhões de homens. conflitos. dos despossuídos e dos oprimidos. em se tratando deste assunto. principalmente. 109 . de "contextualização". pois somente na medida em que conseguir dar visibilidade e concreticidade à sua vocação de amor e serviço ela pode esperar ser ouvida e respeitada. Atos 13.objeções ao evangelho e então compartilhar com ela as boas novas de Jesus Cristo de uma maneira que fale às suas necessidades.. Sem esta dimensão a igreja perde sua autenticidade e credibilidade. de certo modo. Se a igreja brasileira der ouvidos à voz do Espírito. Nós deveríamos ouvir com mais atenção os clamores e os suspiros daqueles que estão sofrendo. E mais: Esta dimensão envolve o impacto que o ministério reconciliador da igreja exerce sobre o mundo. temos o sofrimento dos pobres e dos famintos. mesmo quando atua na retaguarda. "a intensidade de serviço que a igreja presta ao mundo. mulheres e crianças à pobreza. Encontra-se em Provérbios 21. os despediram. jejuando e orando. carecem de consciência social. com certeza ouvirá a voz dos que precisam ser ouvidos. Complementando Jonh Stott. até onde ela tem sido obediente à voz do Espírito de Deus. Igreja missionária é igreja compromissada com os missionários O que determina. que também costumava chamar o compromisso da igreja para com a sociedade e o mundo de dimensão diaconal ou encarnacional. se uma igreja é ou não missionária é o seu envolvimento e compromisso com os missionários. Ela estava compromissada com Deus (servindo a Deus. humilde e perspicaz é chamada. Muitos de nós só agora é que estão despertando para a obrigação que a Escritura sempre colocou sobre o povo de Deus.. lembramos ainda de Orlando Costas. A igreja de Antioquia era uma igreja de compromissos. isto é.

14. depois de observar que "tudo posso naquele que me fortalece" (Fp 4. E ainda. e o outro é a igreja local. pois quando os missionários retornaram.15. Gl 1. usada quando duas pessoas decidem formar uma sociedade. a primeira viagem 110 . como "uma ordenação para ensinar (Paulo e Barnabé já tinham estado no ministério cristão. É que. Kistemaker diz com razão que "toda a igreja de Antioquia estava envolvida em comissionar Barnabé e Saulo. associando-vos na minha tribulação. A imposição de mãos sobre Paulo e Barnabé não deve ser entendida. Por duas vezes o apóstolo usa o verbo "associar" nesta passagem. Comentando o envio dos missionários pela igreja de Antioquia. Assim como eles se tornam sócios.15. conforme observa Liefeld. que o envolvimento missionário da igreja de Antioquia não estava limitado àqueles cinco nomes de Atos 13. ó filipenses. em um projeto missionário um dos sócios é o missionário e sua família. e Paulo considerava que a sua autoridade vinha diretamente de Deus. houve naquela ocasião um "pacto" entre a igreja de Antioquia e os missionários.13). os 'recomendou à graça de Deus'". acrescentou: "Todavia. E sabeis também vós. grifos nossos). fizestes bem.27)".1)". uma ação que. e não dos homens. E ainda: "O certo é que Paulo e Barnabé foram enviados para uma obra específica numa atmosfera de adoração. a igreja e a família estão indo juntas ao campo. nem por isso deixaria de ser o trabalho da igreja toda. segundo Atos 14. Comentando este texto de Filipenses 4.26. A interpretação de Liefeld quanto à imposição de mãos em Atos 13. que. nenhuma igreja se associou comigo no tocante a dar e receber. no qual a igreja ficaria definitivamente vinculada aos missionários e os missionários à igreja.3 é boa mas poderia ser melhorada. "o Espírito Santo movimenta a igreja e não meramente cinco pessoas para se engajarem na obra missionária". Em Atos 14. relatava a ela as coisas que Deus fazia por seu intermédio. além do que Liefeld diz.26-28.É importante destacar. Certa vez o apóstolo Paulo expressou sua gratidão para com os filipenses. senão unicamente vós outros" (Fp 4.1-3). antes de tudo. no início do evangelho. E mesmo se a imposição de mãos sobre Paulo e Barnabé tivesse sido realizada por apenas três deles. quando parti da Macedônia. oração e jejuns (At 13.14. pelo cuidado a ele dispensado e. por exemplo. por sua vez. Edison Queiroz destaca: A palavra que Paulo está usando aqui para "associar-se" é uma palavra comercial. eles relataram à igreja o que Deus tinha feito (14.1. Uma palavra grega que expressa muito bem o vínculo do relacionamento e do compromisso cristãos entre missionário e igreja é koinwnéw (associar). nem sequer por intermédio dos homens. Lucas registra que a igreja de Antioquia "acompanhou" as viagens missionárias de Paulo e este.

são elas: 1. Em Atos 13. as agências de missões. para compartilhar os frutos do trabalho com ela: ". segundo ele. Atualmente. Não queremos generalizar. relataram quantas cousas fizera Deus com eles e como abrira aos gentios a porta da fé. onde tinham sido recomendados à graça de Deus para a obra que haviam já cumprido. Ademais. se hoje elas estão ocupando o lugar das igrejas. compreendendo sua importância para missões. Em resumo. não tiram a responsabilidade missionária das igrejas. A igreja local como um todo precisa receber. compreender e assumir a visão de seu lugar na obra missionária. A igreja local. E por que? Porque ela se propôs a ser co-participante do Espírito no envio e sustento dos missionários. Falando ainda acerca da importância da igreja local em missões. é porque as igrejas estão aquém de sua vocação. Paulo e Barnabé não foram lançados num campo e deixados "ao deus dará".. deveriam acontecer em nossas igrejas. infelizmente. Havia nela o que Queiroz chama de "personalização".3 não aconteceu o que vemos hoje em dia. indo além de suas atribuições. Del Pino complementa o conceito da responsabilidade missionária da igreja dizendo: Um grande número de igrejas espalhadas por este nosso Brasil precisa ver-se como vocacionadas por Deus para exercerem a tarefa missionária como um fator de peso em seu ministério. a igreja de Antioquia não entregou Paulo e Barnabé aos cuidados da igreja de Jerusalém e muito menos os deixou por conta de uma agência missionária. mas não é. além de compreender as dimensões bíblica. o que temos visto com freqüência são as agências ou juntas de missões ocupando o lugar da igreja local.. o que muitas vezes temos visto? Além disso. De maneira nenhuma! A igreja de Antioquia tinha responsabilidade missionária. cultural e financeira desta tarefa. não se lembraram da igreja somente quando o dinheiro da missão encurtou. 111 . A igreja de Antioquia tomou para si a responsabilidade da obra missionária. Não que as agências não tenham seu devido valor. navegaram para Antioquia. 2.missionária termina com o retorno de Paulo e Barnabé à igreja enviadora para repartir os "lucros" com os "sócios". reunida a igreja. não pode transferir esta responsabilidade. por outro lado. E permaneceram não pouco tempo com os discípulos". A igreja não se esqueceu daqueles que enviou e os missionários. espiritual. Ali chegados. A missão do Espírito seria a missão da igreja. precisa ver-se como a força missionária de Deus nesse mundo e em nosso país. em si. Contudo. é claro que têm. Del Pino destaca quatro coisas que.

John STOTT. p. Idem. 67. A igreja local. ora por aquele irmão e diz para ele ir.. São Paulo: ABU Editora. São Paulo-Belo Horizonte: ABU Editora/Mundo Cristão. O que mais comumente vemos é que a igreja muito se alegra com o despertar de uma vocação em seu meio. precisamos ser evangelizados. op. Ibidem.. An introduction to the science of missions. V. 17-25. Compromiso y misión. Grand Rapids: Baker Book House. 2a ed. COSTAS. pregar tendo isso em mente. 1998. A oração dominical e missões. cit. cit. COSTAS. Mas quando chega o momento de assumir o compromisso financeiro regular e decente. precisa assumir por completo a sua responsabilidade missionária. Evangelização e responsabilidade social. op. BAVINCK. BEZERRA. como se isso não fosse problema dela. Cf. 123-125.. KISTEMAKER. trabalhar tendo isso em mente. A omissão não pode ser a missão de uma igreja vocacionada pelo Espírito Santo de Deus. p. o indivíduo assistido em sua totalidade. então está na hora de trabalhar. 150. KISTEMAKER. Simon J. Ouça o Espírito. 4. COSTAS. p. 150. 58-60. isto é. New Testament Commentary: Exposition of the Acts of the Apostles. 2001. KISTEMAKER. t. ela se silencia. 150. 113. H. p. Londrina: Descoberta.40. p. 7 José MARTINS.27-30. p.151. Orar tendo isso em mente. Cf. op. p. Phillipsburg: The Presbyterian and Reformed Publishing Company. A missão de interceder: oração na obra missionária. 455. San José-Costa Rica: Editorial Caribe. p. Por fim.. p. Cf.3. V. Se somos campo. Atos 15. Cf. agir tendo isso em mente. p. t.. ouça o mundo. vale a pena ressaltar que o verdadeiro conceito de missão para a igreja de Antioquia era (como os missiólogos contemporâneos costumam denominar) o de missão integral. conforme Atos 11. a igreja local precisa conscientizar-se e ver-se como a principal agência missionária da face da Terra. p. In: Missões e a igreja brasileira: perspectivas teológicas. J. p. 1979.21. 2ª ed. cit. mas se somos base. p. 20. 455. KISTEMAKER. STOTT. 1960. p. 229-244. p. "a prova de uma vigorosa experiência cultual será a participação dinâmica na missão: a prova de um fiel compromisso missionário será uma profunda experiência de culto" (Orlando E. Notas Segundo Orlando Costas. 151). 455. p. 1990. Durvalina B. ou somos base missionária.114. 112 . Por falar em evangelização e responsabilidade social da igreja. Idem. Para Deus só existem duas coisas: Ou somos campo. ainda. Idem. 113. 123. 1985.

fazer com que o maior número possível de membros da igreja tenha contato com os missionários". cit. Atos que contam. Idem. Às vezes faltava oportunidade para uma melhor participação da igreja (cf. não sugere "despedida definitiva". 324. Paulo passou por muitas dificuldades em seu ministério. Idem. certamente. Valdir R. O melhor para missões. p. PIERSON. Londrina: Descoberta.). Edison QUEIROZ.3 reforça a idéia de que a igreja de Antioquia estava enviando Paulo e Barnabé. QUEIROZ. 113 . p. 1994. Walter A. a importância das juntas e organizações missionárias" (E. op. 13-31.88. t. 2000. orientação quanto aos relacionamentos no campo com igrejas. Paul E. 2000. 87. p. São Paulo: Vida Nova. A importância da igreja local em missões. Diz ele: "O objetivo da igreja. e sim. governo e outras agências e avaliação in loco do andamento do trabalho. 1995. 1999. In: STEUERNAGEL. 323. In: ELWELL. 43-58. p. Carlos Del PINO. Curitiba: Encontrão Editora. São Paulo: Sepal. cit. emissão de vistos de entrada e permanência. e continuaria vinculada a eles. Daí. Oswaldo PRADO. QUEIROZ.1). 1991. (ed.Walter L. A missão da igreja e o despertar missionário na América Latina.. p. com autoridades governamentais. 2a ed. p.61. artigo não publicado. In: Misión y ministerio en America Latina.179-200. Cf. Precisa haver contatos com outras agências missionárias. T. Fp 4. p. inclusive financeiras (cf. Valdir (ed. 117. V. Igreja local e missões. 1930. V. Diz ele: "Há inúmeras dificuldades para o envio de um missionário. E. COSTAS. câmbio e envio de dinheiro. Hugo PIRIZ. p. Vol. São Paulo: Vida Nova. p. Neal Pirolo. V. V. com base em Filipenses 4.). Edison Queiroz destaca muito bem alguns pontos que evidenciam a importância de uma agência missionária. p. este "sustento" significava mais do que orar por eles. Londrina-Curitiba: Descoberta. A missão da igreja.15. E o Verbo se fez carne: desde a América Latina. In: Missões e a igreja brasileira. Londrina: Descoberta. el ministerio y el Espírito Santo: el caso de la iglesia de Antioquia. p. op. t. Robertson (em Word Pictures in the New Testament: The Acts of the Apostles. La misión. p. 2001. Fp 4. ao fazer missões. E. 56). p..117-126 e O.12). deve ser promover a máxima personalização. Não concordo com A. Imposição de mãos. p. Do chamado ao campo. A igreja e a integridade pessoal e familiar do obreiro do Senhor. LIEFELD. uma vez que o verbo apolyw. 3a ed. p. por causa das circunstâncias político-religiosas da época. 50. 60. 60. diferentemente de apospaw (At 21. 60. Todas estas tarefas são difíceis para a igreja. E. A missão de enviar: como sustentar o seu missionário. E. mas isto não aconteceu por falta de compromisso da igreja de Antioquia.10). Grand Rapids: Baker Book House. t. 1-7. In: STEUERNAGEL. 178. Enciclopédia histórico-teológica da igreja cristã.). t. De fato. (ed. QUEIROZ. II. 153-160. 1990. Belo Horizonte: Missão Editora.9) quando afirma que "Paulo e Barnabé tiveram que financiar a própria viagem". A expressão "os despediram" de Atos 13.

Thronos indicava.o 20.49. Ischys significa força física. Temos também a declaração de Pedro na casa de Cornélio a respeito de Jesus. força em ação. 1... e até aos confins da terra". At 1. Energia é poder no seu exercício.. fazia prodígios e grandes sinais. por assim dizer. Os que estavam reunidos no monte das Oliveiras perguntaram ao Mestre quando seria o tempo da restauração do reino de Israel..33). Será que existiu algum motivo especial para que Lucas usasse a palavra dynamis ao invés de qualquer outra.: chifre). A rigor é traduzida como "autoridade".44-49. "até que do alto sejais revestidos de poder. como em toda a Judéia e Samaria. Lucas sabia muito bem que ao escolher dynamis estava utilizando o termo que melhor representava a ação poderosa do revestimento do Espírito na vida do crente e da igreja. por sua vez.8). E ainda: "Estêvão. Nestes exemplos Lucas revela que desde o princípio o evangelho foi disseminado pelo poder do Espírito Santo. Lucas empregou dynamis em At 1.com o Espírito Santo e poder. a priori. a sede do governo." (At 10. Portanto. thronos. indica força e.8 é a ascensão de Cristo. pois na cidade". mas tem também exousia.8 o Senhor Jesus repete as promessas da Grande Comissão (Mt 28. juntamente com kratos. ischys. É a palavra do poder sem fronteiras. Rm 13. energia. que "Deus ungiu.. ". disse Jesus aos discípulos. Lembremos que 114 .. ao descer sobre vós o Espírito Santo. a quem Ele havia comissionado para evangelizar o mundo." (At 6." (At 4.8). O poder do Espírito Há uma série de termos para "poder" no Novo Testamento. Contudo. Contudo. Em Atos 1. mas depois passou a significar a pessoa que detinha semelhante posição de autoridade ou força. geralmente era empregada num contexto político (cf.8 E A MISSÃO DA IGREJA O contexto de Atos 1. e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém. Lc 24. ou ele a escolheu aleatoriamente? Vejamos: exousia é uma palavra usada com muita freqüência no Novo Testamento. Kratos tem um sentido semelhante ao de ischys.. J. "com grande poder os apóstolos davam o testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. Porém. formam as duas palavras do NT cujo significado fica mais perto de exousia e dynamis.21).38). mas se refere mais ao exercício da autoridade.14-18.. E keras (lit.1-3). prometeu: "Mas recebereis poder. dynamis tem um sentido todo exclusivo..8. Ela é a palavra por excelência para se referir ao poder do Espírito Santo.. kratos e keras. Mc 16.. Bia está associada ao emprego da força coerciva.18-20. O poder do Espírito é o segredo do sucesso da missão da igreja. O Senhor respondeu que não competia a eles conhecer tempos e épocas que o Pai reservou para a Sua exclusiva autoridade.. cheio de graça e poder." (Lc 24. permanecei. bia.Parte XIX ATOS 1. Quando o Espírito Santo foi derramado por ocasião do Pentecostes.

vale conferir um alerta do Dr. começando em Jerusalém e espalhando-se geográfica e culturalmente para fora. seria imprescindível o poder do alto para 115 . No Novo Testamento os dons ou manifestações do Espírito (línguas..sereis minhas testemunhas. 2. A igreja foi batizada e revestida do poder do Espírito Santo. Entretanto. Jesus disse a seus discípulos. o que significava nos tempos bíblicos e o que deveria significar para a igreja evangélica brasileira hoje ser testemunha de Jesus Cristo.. estes homens eram Seus discípulos. como nunca teve. Viram Seus sofrimentos. o poder do Espírito para a igreja não tem.8 se cumpriu (1). de modo prático. declaração de um fato como testemunha ocular de um ocorrido. Conheceram-nO intimamente. Muito dessa comissão.) foram dados com o único objetivo de que a igreja testemunhasse de Jesus ao redor do mundo.. Se alguma vez existiram homens que estivessem em melhor posição e condição de falar ao mundo acerca da ressurreição de Jesus e de todos os fatos a respeito dEle. E para uma reflexão imediata. sereis minhas testemunhas [kai esesthe mou martyres].. ouviram Seus sermões e viram Seus milagres.. etc. (5). o testemunho evangelístico da natureza e da importância de Cristo. "Recebereis poder.8).". Neste tópico procuraremos observar. Em Atos não existe esta concepção moderna equivocada de que o poder do Espírito é para edificar o crente e ficar tudo por isso mesmo. Charles van Engen: "Logo antes de sua ascensão.8: ".. disse Jesus (At 1.. (2). ao descer sobre vós o Espírito Santo. um fim em si mesmo. curas. se cumpriu. foram ensinados por Ele. ressurreição e ascensão. Pela própria natureza da evangelização e pelas perseguições e adversidades futuras que desafiariam a Igreja Primitiva. profecias. Nada do que a igreja recebe do Espírito tem nela um fim em si mesmo..os discípulos de Jesus foram homens que andaram cerca de três anos com o Mestre.". nos tempos bíblicos. Não! O poder do Espírito tinha como finalidade primordial capacitar os crentes para dar testemunho de Cristo. sendo que o último deles era a expressão mais elevada daquilo que significava ser testemunha de Jesus.". como está registrado em Atos 1. cinco significados principais. para os confins da terra (eôs eschatou tês gês). testemunha de fatos numa confissão de fé. Entretanto.(3) O substantivo grego martys (4) (martyres) do verbo martyreo já possuía.. quanto à expansão geográfica e cultural da Igreja. martírio.. Mas provavelmente não captamos as palavras de Cristo em todo o seu peso: ". o que o Senhor Jesus diz é que eles seriam totalmente incapazes de fazê-lo se do alto não fossem revestidos do poder do Espírito. morte. Poder e testemunho No dia de Pentecostes a promessa de Atos 1. e sereis minhas testemunhas. a saber: testemunha judicial de fatos.

É.14. 10. Os milagres. At 3. 2) No poder do Espírito na pregação da Palavra Em Atos o Espírito Santo. Seus milagres são chamados dynameis (cf. O que manteve Paulo dezoito meses ou mais em Corinto foi a Palavra (18.22. 19. Os milagres de Jesus são operados por um poder dentro dEle (Mc 5. A Palavra é a espada do Espírito (cf. Luke the Historian. como Representante de Deus.8.22-30). que incluía expressões como "palavra do Senhor". com o Espírito Santo em Lc 1. Lc 5.13.33. 6. A Igreja em Atos testemunhava: 1) No poder do Espírito com sinais e maravilhas Quanto a esta questão. ele diz que a Palavra do Senhor "crescia e prevalecia poderosamente" (9).8. Mediador do poder salvífico de Deus.38.8-10) é vista como prova de um poder sobrenatural" (10).K. Lc 19. At 20. pelo menos.16-34).8-12). "O principal meio através do qual o Espírito estende a soberania de Cristo é a Palavra de Deus" (7).7-12). durante os dois anos em que trabalhou ali (19. 6. portanto.11)". Que a igreja muitas vezes testemunhou ao preço de sangue é algo que dispensa comentários. outras vezes estavam intercalados numa pregação (cf. dado por Deus.35. 4. Michel Green diz que um dos grandes méritos do livro de C. A glorificação do Messias faz dEle. Heb.38). que estes podem operar atos poderosos (At 4.22-30. E quando Lucas quer indicar o sucesso de uma missão. Cf. "A pregação autoritativa dos apóstolos (At 4. Os cristãos primitivos levavam a Palavra para qualquer lugar que fossem (8.17). At 10. e a luta contra o diabo é levada a efeito no nível da existência humana (Mt 12. mas na maioria das vezes sucediam a mensagem do evangelho (cf. i. Aquele que foi ungido pelo Espírito (At 2. (6). o diabo (cf. "palavra do evangelho". (8). a pregação e o ensino da Palavra estão estritamente relacionados. dois aspectos do testemunho pelos quais os cristãos muitas vezes tiveram que pagar com a vida. pois. "atos poderosos"). para uma pregação cheia do Espírito (cf.é.37.7. Mc 6. Lucas liga este poder. o reino de Deus na terra começa a ter efeito poderoso.2. 10. por assim dizer. são encarados como evidência da parte de Deus quanto a Jesus ser o Messias. porque neles. em grau ainda maior.8 com 3. Jesus é o "mais forte" que. Contudo.14). Não é por menos que o evangelho causou tanto 116 . subjuga o "homem forte".17. Em Éfeso a mesma coisa.19). Às vezes os sinais e prodígios preparavam o palco.10).testemunhar de Jesus. 16. Ef 6. "palavra da salvação". gebûrôt. Mc 1. e "a palavra" tout simple. pelo poder do Espírito que Jesus derramou sobre os Seus servos. 8. At 19. At 1.39 par. Mc 6.5).58). é a maneira como ele destaca esta verdade da ligação do Espírito Santo com a Palavra. vale a pena conferir o teólogo alemão Otto Betz: "Cristo era "poderoso em obras e palavras" (Lc 24. é importante ressaltar.Barret.4). Isto salienta o fato de que o Espírito de Deus costuma agir através da Palavra de Deus.

Mas graças ao bom Deus. Hoje. muitas vezes. olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra.4). Senhor. Atendeu porque a igreja deixou de lado seus próprios interesses para servir ao mundo. o procônsul de Chipre (13.4 a tinham como sua grande arma. Então a igreja orou: "agora. o centurião Cornélio (10. Herodes e muita gente se levantaram contra a igreja de Deus.1). principalmente no mundo ocidental. A Igreja Primitiva tinha desafios imensuráveis. enquanto estendes as mãos para fazer curas.4). sob o poder do Espírito de Deus". Porém. é a própria igreja criando obstáculos para não fazer a obra do Senhor. (11).23-31). a igreja é perseguida pelo fantasma de sua própria morbidez por persistir. desejosa de pregar o evangelho.impacto sobre Teófilo (At 1. alienada do mundo. Quando alguém se tornava cristão é porque o Espírito iluminava o coração dos ouvintes com a mensagem apostólica (16. Felizmente (ou seria infelizmente?) seus desafios são mais de ordem interna que externa. também possui seus desafios. cf. não é a realidade de todas elas. quando na verdade eram elas que deveriam estar curando!".29. sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus" (At 4. "Não é exagero dizer que a Palavra é o principal instrumento na missão evangelizadora da igreja. Lc 1. Atualmente já não são tantos os Pilatos. Externamente desfruta-se de uma liberdade religiosa como nunca se viu. Em outro estudo de minha autoria (A Missão Integral da Igreja). Internamente ela estava pegando fogo. os judeus e gentios que estão perseguindo a igreja. O vento 117 . Era uma igreja de oração que buscava constantemente a plenitude e enchimento do Espírito Santo.30). Não é de admirar que o ministério da Palavra fosse prioridade para os doze (6. os Herodes. Clamava a Deus para ser revestida com mais e mais poder para proclamar com ousadia e intrepidez as verdades do Senhor a quem ela tanto amava (At 4. pois precisamos testemunhar. Será que o poder do Espírito dos tempos bíblicos continua sendo o mesmo para a igreja evangélica brasileira hoje? Com certeza. A igreja de hoje.28) e que os missionários anônimos de Atos 8. Também não é de admirar que eles comprometessem seus convertidos com ela (20. o que muito se vê. à nível de igreja local. mas internamente muito de nossas igrejas estão enfermas. mas não se curvava diante deles.1. externamente os desafios eram humanamente insuperáveis. Quando alguém cria é porque a Palavra trouxe fé (4. Hoje. com pouca ou nenhuma perspectiva da missão para a qual ela foi chamada. disse algo a respeito da igreja de Jerusalém que poderia ser repetido aqui. "Uma lição é preciso aprender com a igreja de Jerusalém: A igreja de Jerusalém estava consciente de sua missão no mundo. numa vida contemplativa. Pilatos. Quando alguém recebia o Espírito isto acontecia por ouvir a Palavra (10.44). E Deus atendeu ao clamor de sua igreja (At 4.44).31). Esta é a triste realidade de muitas igrejas históricas e pentecostais brasileiras em nossos dias.44).14). Era uma igreja unida em seus propósitos e se amava de verdade.7) e os cidadãos de Antioquia (13. em obediência ao mandado de Cristo. E não é possível um testemunho autêntico de Jesus sem o poder do Espírito.

como em toda a Judéia e Samaria. isto é. a maioria dos que pensam assim não está preocupada com a obra missionária nem mesmo no seu próprio país. O Pai enviou o seu Espírito para dar testemunho do seu Filho. Jesus não estava dizendo simplesmente que a Sua igreja precisava escolher uma dessas áreas geográficas para trabalhar ou que deveria começar por uma de cada vez. Em Atos 1. Portanto. em Atos 1. Em grego "tanto. temos que evangelizar lá sem esquecer de cá e vice-versa. Sem o testemunho dele o nosso seria em vão. Só então a igreja inteira se tornará um instrumento adequado em suas mãos.sopra onde quer e está soprando em muitas de nossas igrejas. precisamos orar mais. e até aos confins da terra". na fé. precisamos do poder e enchimento do Espírito para transpor nossos próprios portões. novo nascimento e crescimento cristão. pela partícula enclítica te mais a conjunção kai.8. simultaneidade de trabalho. o Espírito Santo é um Espírito missionário.. instamos com todos os cristãos para que orem pedindo pela visita do soberano Espírito de Deus.8 é para a gente também! Gostaria de concluir este tópico com uma declaração urgente e atual do Comitê de Lausanne sobre a importância do poder do Espírito Santo na missão da igreja: "Cremos no poder do Espírito Santo. hoje em dia não são poucos os crentes equivocados quanto à compreensão da ordem do Mestre. (13).. . precisamos ser avivados (no verdadeiro conceito bíblico desse avivamento). Como sabemos. fé em Cristo. A ordem e a promessa de Atos 1..15). Jerusalém 118 .. deturpar o texto bíblico. evidentemente. Infelizmente. Jesus ordena que o trabalho missionário da igreja seja te.8 Jesus especifica a missão global da igreja dizendo que ela deveria testemunhar ".como" de Atos 1. Mc 16.tanto em Jerusalém. isto é. no grego.8 é formada.. na sabedoria. é tudo obra dele. De mais a mais. de maneira que a evangelização deve surgir espontaneamente numa igreja cheia do Espírito. Convicção de pecado. Uma aplicação contextualizada das regiões citadas por Jesus fica por conta da nossa imaginação.. para que toda a terra ouça a Sua voz". a idéia bíblica do termo aqui é: atuar ao mesmo tempo em todos os lugares da terra.. Pelo contrário. Quantas vezes já não ouvimos indagações mais ou menos assim: "Por que mandar ou sustentar missionários no estrangeiro se temos tanto o que fazer no Brasil?". A evangelização mundial só se tornará realidade quando o Espírito renovar a igreja na verdade. A esfera de atuação da igreja A missão da igreja consiste em percorrer o mundo todo para pregar o evangelho a toda criatura (cf. a fim de que o seu fruto todo apareça em todo o seu povo. no amor e no poder.kai. na santidade..como" equivale ao nosso adjetivo comparativo e sugere. mas sem. a fim de sermos o verdadeiro sal da terra e a verdadeira luz do mundo. A expressão "tanto. A igreja que não é missionária se contradiz a si mesma e debela o Espírito. (12). e que todos os seus dons enriqueçam o corpo de Cristo. Deus seja louvado! Entretanto.

à luz desse fato. p. Op. Samaria era uma região mais afastada. os índios do Brasil. Desde que não se entenda que o Pentecostes deve ser desvinculado da Grande Comissão. situada ao norte da Judéia. no dia de Pentecostes. III (3. mas da teologia em geral. mas deveria ser central na reflexão sobre missões. por exemplo. 13 estão em Atos. que devemos ser testemunhas de Jesus para todos os povos. (3) (3) C. São Paulo: Vida Nova.Betz. missionário reformado na Nigéria na década de 50. (4) Das 34 ocorrências de "martys" no Novo Testamento. R. afirma que "a pregação ou 119 . 43). G. NOTAS (1) Harry Boer. e que o ponto de partida de missões no Novo Testamento é o que aconteceu em Pentecostes. Povo de Deus (São Paulo: Vida Nova. A Judéia. segundo Samuel Escobar (Desafios da Igreja na América Latina (São Paulo: Ultimato. p. van Engen. C. Nela Jesus prometeu o Espírito Santo e nela. 1997). (5) Cf. Barret. Atualmente sabe-se que "os confins da terra" de Atos 1.foi o berço dos acontecimentos básicos do cristianismo. a ponto de não ter ligação alguma com ela. Boa parte do ministério de Jesus ocorreu em Jerusalém. e tem sido relegado à periferia". A missão da igreja contemporânea é mais do que missão estrangeira. O assunto não foi totalmente ignorado. mas muito pouco sobre seu significado crucial para o testemunho missionário da igreja. 1997). ed. (6) O. estou de pleno acordo com Boer e Escobar.3 (Grifo nosso). Poderíamos comparar Samaria ao nosso paísl? Os confins da terra (14) significam. naturalmente. escreveu Pentecost and Missions (1961). G. "é que no estudo de missões prestou-se muita atenção à Grande Comissão. (7) Barret apud M. p. Cit. "A tese desse trabalho". era a província que tinha Jerusalém como capital. van Engen.Green. Sproul. "martys". 144. São Paulo: Vida Nova. p. Supomos que a nossa Judéia seja o estado onde estamos vivendo.. por sua vez. ressuscitou e ordenou a evangelização do mundo. em The Theological Dictionary of the New Testament apud C. & Friedrich. 1989).8 é mais que "universalidade concebida de forma geográfica". Evangelização na Igreja Primitiva (2. a igreja cristã foi inaugurada e habilitada para cumprir a Grande Comissão. Ele propõe uma revisão não só da teologia de missões. é missão transcultural que envolve. 1985). ed. p. segundo Green. 122. Seu cuidadoso estudo do material bíblico seguia a convicção de que escreveu-se muito sobre a obra do Espírito Santo na salvação dos seres humanos. (2) Cf. 576. pp..185. 123. Vol. podemos identificar Jerusalém com a cidade em que moramos. 1996). mas não de igual modo a Pentecostes. "Poder" em Dicionário de Teologia do Novo Testamento. Nela Jesus morreu. Povo Missionário. É geografia sim mas também é etnia. Para efeito de comparação e aplicação da ordem de Jesus. Kittel. O Mistério do Espírito Santo (São Paulo: Cultura Cristã.

T. 1983. 1993). (10) O. 185. 204).. onde te kai poderia possivelmente ser traduzido como "e". embora alguns pais permitam que seus filhos sejam batizados apenas porque faz parte da tradição religiosa na qual 120 . significa simplesmente "e" (Lc 23.24.8. (11) M. At 1. nem mesmo nesta volumosa obra (900 páginas!) Atos 1. A concepção geográfica dos cristãos primitivos era limitada. Jonh Stott Comenta o Pacto de Lausanne (São Paulo: ABU Editora). Green. p.t. (14) Convém lembrar que o conceito de confins da terra da maioria das pessoas nos tempos bíblicos não era o mesmo conceito de Jesus e do Espírito Santo.Missões em Atos 1 e 2" em Missões e a Igreja Brasileira. Entretanto. BATISMO DE CRIANÇAS Algumas Considerações A prática de batizar os filhos dos cristãos vem desde os primórdios do cristianismo. 4. "freqüentemente" não é o mesmo que "sempre".27. sem mais nem menos. (13) Júlio Paulo Tavares Zabatiero discorda da idéia de simultaneidade de Atos 1. (9) Foi assim na Judéia (6. Cit. na relação das referências de Atos. que até justificaria por ser um resumo de A Greek-English Lexicon of the New Testament and other Early Christian Literature. mostrou-se desejoso de ir à Espanha (Rm 15. como Irineu (século II).7). 185. E esta omissão não aparece somente na tradução de Zabatiero. p.12. (8) Idem. milhares de cristãos evangélicos no mundo continuam a prática.30)" (Zabatiero.recebimento desta Palavra é mencionado nada menos que trinta e duas vezes em Atos" (p. "Poder e Testemunho .8 é citado para provar tal argumento. em Lucas. 5. por exemplo. Cit. Pela fraseologia de Zabatiero e as referências citadas. Danker do qual ele foi o tradutor.8. se referem ao batismo infantil. Paulo.. Além disso. Grego/Português de F. 83). (12) O Pacto de Lausanne.20). Hoje.28). Para Gingrich e Danker te kai "freqüentemente significa simplesmente e" (p. 202). naturalmente porque entendia que ela fosse os confins do extremo ocidental da terra. Op. Op. 576. 21. Betz. III (São Paulo: Mundo Cristão. Samaria (8. deixaram de incluir na lista deles uma das principais passagens de Atos? Acredito que não.49) e na Ásia (19.24.14). Será que os autores simplesmente.1. na primeira viagem missionária (13. Para ele "a expressão grega te kai. V. porém. p. Orígines (século IV) foi batizado quando criança. Gingrich e Danker não mencionam Atos 1. tudo indica que ele está seguindo o Léxico do N. Pais da Igreja. p.4-7. Wilbur Gingrich e Frederick W. Vol. XIV.

mesmo quando este ainda não podia crer como seu pai. através desse rito iniciatório. A circuncisão. Deus determinou-lhe que circuncidasse Ismael e. Alguns me perguntam por que apresentei meus quatro filhos para serem batizados. mas é a mesma Igreja. Não é de se admirar. Mais tarde. era o selo da fé que Abraão tinha (ver Rm 43. pois havia milhares delas (1 Co 10. e determinou que fossem todos circuncidados (Gn. 17. Estou persuadido de que a Igreja cristã é a continuação da Igreja do Antigo Testamento.1-3) e castigou Acã. E não é de admirar que os apóstolos batizavam casas inteiras em suas viagens 121 . Os crentes são chamados de "filhos de Abraão" (Gl 3. antes de completar duas semanas (Gn. quando Moisés aspergiu com o sangue da aliança as tábuas da Lei dada por Deus. de vê-los crescer nos caminhos do Evangelho. Para outros.nasceram. publicamente professar sua fé pessoal em Cristo Jesus. em batismo. Foi uma grande alegria ter meus filhos batizados e vê-los. Não é de se admirar que Paulo chame o batismo de "a circuncisão de Cristo" (C12. a idade da razão. Batizei meus filhos crendo que. chamou Abraão e sua família (Gn 12. quando cada um ainda não tinha mais que dois meses. na verdade. Símbolos e rituais mudaram. o mesmo povo. disse-lhes que a promessa do Espírito Santo era para eles e para seus filhos (At 2. Minha resposta é que acredito estar seguindo a tradição bíblica.1).4). à fé em Cristo e ao batismo. quando Deus fez um pacto com Abraão. Porém. Evidentemente nem todos os evangélicos concordam que o batismo infantil seja a única maneira de se fazer isso. em Ceia.6). Coré e suas famílias juntamente.29) e a Igreja de "o Israel de Deus" (Gl 6. portanto. assim. ao refletir sobre a história de Israel e ao mencionar a passagem dos israelitas pelo Mar Morto. a Páscoa.16). quanto os que os apresentam. Isaque. Muitos preferem apresentar seus filhos ao Senhor. Deus mandou que Noé e sua família entrassem na arca (Gn.1-14). de incluir os filhos dos fiéis na aliança de Deus com o seu povo. incluindo obviamente as mães e seus filhos de colo (Hb 9. no dia de Pentecostes. e. eles passaram a fazer parte da Igreja visível de Cristo aqui na terra. quando chegarem à idade própria.38-39). Abraão creu e o sinal da sua fé foi aplicado à Isaque. 21. incluiu seus filhos na aliança. O Sábado tomou-se em Domingo. têm um desejo só.11). que remonta ao tempo do Antigo Testamento. mas. mais tarde. sem batizá-los. e que não foi abolida no Novo. aspergiu também todo o povo presente no monte Sinai. o batismo é um ato pelo qual consagram seus filhos ao Senhor. com votos solenes de educá-los nos caminhos de Deus até. Assim.19-20). 7. pois acreditam que o batismo é somente para adultos que crêem.1-4). que Pedro. é claro. e a circuncisão. mesmo assim. Deus sempre tratou com famílias (Dt 29.9-12). Minha crença sé baseia no fato de que. Paulo. receber o selo da fé que minha esposa e eu temos no Senhor Jesus. ao chamar os ouvintes ao arrependimento. diz que todo o povo foi batizado com Moisés. tanto os que batizam seus filhos. embora nunca em detrimento da responsabilidade individual. na nuvem e no mar inclusive as crianças.7.11 com Gn 15.

4). que adotam a idéia da regeneração batismal.missionárias: Paulo batizou Lídia e toda sua casa (. Talvez ele estivesse seguindo o que o Senhor Jesus havia dito. tanto os que batizaram seus filhos quanto os que os apresentaram. ao contrário dos filhos dos incrédulos. talvez seja mais seguro ficar com o ensino do Antigo Testamento. serem exemplos de vida cristã. levá-los à Igreja.3233). era de se esperar que houvesse alguma proibição neste sentido por parte dos apóstolos. Ef 6.13-16). a casa de Estéfanas (1 Co 1. é da sua inteira responsabilidade. É verdade que não se mencionam crianças nessas passagens. se houvesse crianças. para que sejam salvos. da Igreja visível. já que estavam acostumados a incluir seus filhos em todos os aspectos da religião judaica. Se os judeus que se converteram a Cristo não podiam batizar seus filhos. Neste caso. Pessoalmente não creio que seja este o ensino bíblico.38. 16. Mas não há nenhuma proibição apostólica quanto a isso. mas toda uma primeira geração de adultos que se converteram pela pregação do Evangelho. isto é. O batismo foi apenas o ritual de iniciação pelo qual foram admitidos na comunhão.6. os filhos desejem servir ao mesmo Deus de seus pais. At 2. É verdade.7. mas o entendimento mais natural de "casa" e "todos os seus" é que se refira à família do que creu e fica difícil imaginar que. que não impedissem as crianças de virem a Ele (Mc 10. Fonte: Revista Fides Reformata 122 .15). devem orar com eles e por eles. instruí-los nas Escrituras e viver de tal modo que. assim como os que foram batizados em idade adulta. elas teriam sido excluídas. At 16. Pois. Se.16). Eles terão de se converter de seus pecados e crer no Senhor Jesus. Por outro lado.coisas que uma criança em tenra idade não pode fazer. O batismo infantil não salva a criança. e que se desviam depois. uma criança que foi batizada resolver desviar-se dos caminhos em que foi criada. lembremos que passagens assim não tinham em vista os filhos dos fiéis. para Paulo. Pv 22.31) e expressa os termos da aliança que nós e nossos filhos temos com o Senhor (Dt ' 6. que..6. Mas. ao fim. ao crescer. pelo batismo. Não serão salvos pela minha fé ou da minha esposa. a criança tenha seus pecados lavados e seja salva.14). Meus filhos terão de exercer fé pessoal em Cristo Jesus. ao crescer. Mas é igualmente verdade que não há nenhum exemplo de um filho de crente sendo batizado em idade adulta. Compreendo também que alguns têm dificuldades com o batismo infantil por causa da prática da Igreja Católica e de algumas denominações evangélicas. Compreendo a dificuldade que alguns terão quanto ao batismo infantil.At. o carcereiro e todos os seus (At 16. Certamente que o Novo Testamento fala do batismo como sendo uma expressão de fé e de arrependimento por parte daqueles que se convertem a Cristo . Simboliza a fé dos seus país nas promessas de Deus quanto aos seus filhos (cf. pois não há exemplos claros de crianças sendo batizadas no Novo Testamento. os filhos dos crentes eram "santos" (1 Co 7.

35). Somos "irmãos".13.4.6. e tem muitos membros. quer escravos quer livres.12. 2Co 13. todos os membros se regozijam com ele. com responsabilidade mútua.42.10). mas o Espirito é o mesmo. irmã e mãe" (Mc 3. um compromisso de obediência comum a Cristo como Senhor.13). e Lhe obedecem seguindo-O como discípulos e tendo-O como Senhor.3. Não há superioridade. estudada. assim como o corpo é um. E há diversidade de 123 . "A Igreja é uma companhia de crentes regenerados e batizados que se associam num conceito de fé e fraternidade do evangelho". quer judeus. falamos na Igreja Batista Sião. o Espírito Santo (Fp 2. É uma saudação natural (cf. formamos uma comunidade (At 2. Assim. Pois em um só Espirito fomos nós batizados em um só corpo.1. "Ora há diversidade de dons. É a mais freqüente designação do Novo Testamento para os crentes em Jesus Cristo. e onde nos estimulamos e encorajamos a crescer em amor. Expressa-se também como um corpo local. embora muitos formam um só corpo.7).9). 1Jo 2. "Corpo de Cristo" e "Comunhão no Espírito". Aparece cerca de 250 vezes nos Atos e cartas. e todos os membros do corpo. uma participação comum no Espirito. A verdadeira comunidade cristã é criada e sustentada por uma fé e uma vida comuns em Cristo.Parte XX COMO MEMBROS DO CORPO DE CRISTO "Porque. se um membro é honrado.16). e a todos nós foi dado beber de um só Espirito. quer gregos. 1Jo 1.8). onde o nome de Jesus Cristo é exaltado. e individualmente seus membros" (1Co 12. plena participação na família de Deus. assim também é Cristo.24-27) A Igreja de Jesus Cristo tem uma natureza militante. mas que os membros tenham igual cuidado uns dos outros padecem com ele. Rm 8. e. e quer dizer que fraternidade tem a ver com amor.29. Sim. na Igreja Presbiteriana da Bahia. Tg 2. Para que não haja divisão no corpo. Sua palavra. o sangue de Cristo (1Co 10. na Igreja Evangélica Fluminense como uma dessas comunidades locais. Ora. É uma fraternidade de pessoas que crêem em Jesus Cristo como Salvador pessoal. Diferença que exista é de dom e função na Causa de Cristo. esse é meu irmão. 1Co 1. se comunidade temos algo em comum: a fé comum em Cristo Jesus (Tt 1. e é descrita através de imagens riquíssimas como "Povo de Deus". Jesus disse que "irmão" era quem fazia a vontade de Deus: "Pois aquele que fizer a vontade de Deus. e.15. A IGREJA A Igreja é isso: uma congregação de crentes cuja única cabeça é Jesus Cristo. e um compartilhar pleno na realização da vida da igreja. vos sois corpo de Cristo. não há diferença quando chamamos o outro de "meu irmão" (Mt 23.

segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor. o que significa que seu esforço. a participação nesse plano deve ser o ponto focal da lealdade do irmão e do seu trabalho.23. aos principados e potestades nas regiões celestes. Rm 8. por meio da Igreja. de conhecimento. o passo da obediência: o batismo. A cada um. e a todos nós foi dado beber de um só Espírito" (1Co 12. é .5. mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. há quem participe da comunhão terrena.19).14-17). paz. O ingresso tem seguimento pelo batismo: Jesus deu ordem definida sobre isso (cf. É uma questão de investimento espiritual. quer gregos. cf. 10. "Arrependei-vos. investimento de alto retorno em termos de crescimento. porque regenerados pelo poder do Santo Espírito (Tt 3. sim. "Para que agora a multiforme sabedoria de Deus seja manifestada . "Saíram dentre nós.ministérios. 4.11). Ef 1. para remissão de vossos pecados. e essa expressão "batismo no Espírito Santo"significa o ministério do Espírito em favor do que crê. Por outro lado. aí esta a primeira exigência para ser membro da Igreja de Cristo: regeneração através do arrependimento. um centro de trabalho e de lealdade.12. se fossem dos nosso. 16. Por isso.19. At 8. e assim unido à Igreja de Deus: "Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo . porém. A Igreja de Jesus Cristo. sua atividade. E visto que o propósito redentor de Deus é para ser realizado por meio da Igreja.47. de graça. porque filhos do mesmo Pai (Jo 1. 1Jo 2. é normal que busque a comunhão do povo de Deus. e recebereis o Dom do Espirito Santo" (At 2.4-7).10. Somos membros uns dos outros. mas todos eles saíram para que se manifestasse que não são dos nossos" (1Jo 2. é dada a manifestação do Espirito para o proveito comum" (1Co 12.15). Após a regeneração.13). Então.38). então. Gl 3. E há diversidade de operações. e o batismo há de ser realizado em nome do Pai.36-38. mas não do nascimento celestial.13. quer escravos quer livres. mas não eram dos nosso. e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo. Mt 28. Todos devem ser salvos antes de se tornarem membros de uma Igreja. E é realizado através da Igreja local.13). e 124 . pois pode uma pessoa ser cristã e não ser membro de uma Igreja local. Não se pode ser membro por ordem de outros. Importa que isso aconteça porque o salvo é batizado no Espírito Santo. de amor alegria. Lc 11. ou sem exercício da fé como no caso de recém-nascidos. e se é salvo." (Ef 3. por procuração. mas o Senhor é o mesmo. bênçãos! Muitas bênçãos! E PARA SER MEMBRO DA IGREJA? Há condições. porque. quer judeus. teriam permanecido conosco. da qual somos membros pelas razões já expostas. sua iniciativa devem ser através desta abençoada comunhão local. porque confessamos a um só Senhor: Jesus Cristo (Mt 10.32.27).33.

agregados ao Corpo de Cristo. Ap 3. Com o objetivo de "antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor. Paulo exortou "orai sem cessar" (1Ts 5. cantar. Deste modo. batizados no Espirito. administrar.10). Tomá-la para "ler. para imitar o exemplo dos primeiros cristãos (At 2. Na Reforma Protestante do século 16. os vossos pecados uns aos outros. Jesus ensinou: "Contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre. ensinar. Há os salvos.do Filho.17). Ef 2. Jo 10. 3.1. regenerados. hb 8.24ss. Atividade. Há os postiços.42) E isso para ir ao encontro do Senhor e dos irmãos (Sl 84. lembrando a exortação: "Procura apresentar-te diante de Deus aprovado.4. fortalece o espirito e alimenta a alma (Mc 12. na ressurreição (v. cf. o novo convertido é batizado para se tornar célula viva.1-13).25: "Não abandonando a nossa congregação. 2. antes admoestando-nos uns aos outros. 25.16). lavados no sangue de Cristo. Há membros e há membros. para serdes curados.21). Não crescem. consolar. na morte (v. Mt 8. e orai uns pelos outros. criam problemas. vivificados com Ele (Ef 2. E também a comunhão com os outros.1.6). e do Espírito Santo (Mt 28. Mas é preciso recordar e viver a comunhão com Cristo no batismo (Rm 6.3. 17. que maneja bem a palavra da verdade".35. a exclamação "Sola Scriptura!" ("apenas e unicamente a Escritura Sagrada!"). Socorrer.20. e Tiago deixou claro: "Confessai portanto. o que quer que seja. portanto.5.17).4). Levam freqüentemente a igreja à tristeza. e que levam a igreja a crescer. 23. viver e crescer". Amor ao estudo da Palavra de Deus. tão essencial que João a põe como prova de conversão (1Jo 3.8). não fazem crescer escandalizam até. e tanto mais. Crucificados com Ele (Gl 2. Consciência dos dons que recebeu e usá-los: pregar. Jo 13.2. QUALIDADES DO MEMBRO DA IGREJA DE CRISTO 1. como é costume de alguns. vidas inspiradoras.46). Pois oração implica em atitude de dependência de Deus. 2Tm 3. Fervor na Oração.1).14-18. Está em Hebreus 10. Assiduidade os cultos.5). para receber do Senhor bênçãos e mais abundância de vida (Sl 133. "bodes" no meio das ovelhas (Mt 13.24. 2Ts 2. quando vedes que se vai aproximando aquele dia" (cf.21.32ss).15).6.19). 1Pe 3. Mt 18.15.2. como obreiro que não tem de que se envergonhar. A Palavra de Deus que alegra o coração. em absoluta confiança em Deus. mas como um corpo estranho. em comunhão com Deus. Jesus os chamou "joio"no meio do trigal. 133.11. úteis.4). Cl 3. na vida eterna (v.4. e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós" (2Tm 2. At. exemplares. e nunca desfalecer" (Lc 18.3. e com Ele nos céus (Ef 2. 1Co 13.20). exortar. 2. A súplica de um justo pode muito na sua atuação" (Tg 5.1).16. membro ativo na comunhão de irmãos que se chama Igreja de Jesus Cristo. cf. 4. 125 .

17). de campanhas.3-5.6.9. Como é você como membro da Igreja de Cristo? Como eram os primeiros cristãos? É somente ler Atos ou as Cartas. 1Tm 1. dizendo que é o melhor patrão. Vão à igreja como quem vai ao teatro: esperam boa música. Schaly conta uma história.55. A igreja não é uma relação de sócios ou de membros ou de filiados. Mt 6. Há quem. mas só aparecem no Natal ou Noite de Ano Novo. Era imperativo que vigiassem sua conduta. alguns fazem pouco ou nada fazem.10). seja por falta grave.10-13.A IGREJA LOCAL O princípio da Igreja diz que pertencer-lhe é um santo privilégio e um sagrado dever. 9. Pr. 2Ts 3. abandono. e cantasse muito para ele (já que ele gosta de música sertaneja). eram ativos no testemunho de Jesus Cristo. mas mesmo que eu passasse todo o tempo falando de "seu" Vicente . Jd 4.17). 1Co 5. ensinou haver três tipos de membros de igreja que podem ser comparados a barcos: os que tem motor próprio. o Novo Testamento não fala de experiência cristã praticada independentemente. há quem.13. e não fizesse meu serviço com o gado. A do vaqueiro crente: "eu trabalho para "seu" Vicente. de movimento.1-3. sendo membro de uma igreja.15. estavam vigilantes quanto à Sua Segunda vinda.18-20. porém em outras igrejas. Lc 8. 12. a igreja era um investimento de vida. há quem venha se tiver cargo.10.M. Jesus andava e mantinha comunhão com seus discípulos. todos os crentes têm direito a privilégios iguais. já que há direitos iguais de acesso a Deus. e Jesus Cristo o irmão mais velho (R. 1Tm 5. 27. apreciado.50. homens e mulheres. bom sermão. Mt 10. e que todos sejam sociáveis. é muito operoso. Senhor! E que não entrarão no reino dos céus?" 126 . Harald Schaly. 16-19. encontravam alegria na comunhão.5. Estes são peso morto na igreja.2b. e tivessem a consciência de que a verdade divina lhes fora confiada. têm nome no rol de membros. já se auto-excluiu (Rm 16. nunca na sua (?!). Aliás. Tt 2. Tt 3. de fato.5. Ef 4. O falecido mestre do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil (no Recife). 23. Essa é a razão porque somos uma fraternidade. de agitação. O mesmo Pr.29. 2Jo 9-11. deve ser excluído da igreja porque. aqueles que são como balsas (são puxados). espere convite especial para vir. 8. mesmo. sendo membro da igreja. Mc 6. 9-11.13. que preservassem a harmonia entre eles.7ss. Mt 20. Se alguém está fora dessa comunhão. escândalo. Lc 8. e isolada dos outros crentes. os que possuem vela (precisam de vento.6.14.17. É uma comunhão. Só Cristo! Então.1ss.1ss. há privilégios iguais na igreja. falsa doutrina.21. uma família da qual Deus é o Pai. de novidades para vir à igreja). 1Pe 1. Há uma alegria especial em ser membro da igreja. unidos todos em amor comum e lealdade (cf. Na igreja. não trabalham e dão trabalho.9. Dizer isso significa que ninguém tem privilégio especial sobre outro. 28. 2Tm 3. Isso não se refere a diferenças de habilidades ou capacidades espirituais das pessoas. ele me mandaria embora!" Jesus não falou naqueles que dizem "Senhor.

agregando pecadores regenerados. É esse. para baixo. que amem ao próximo como amam a si mesmos. cuidado e prática diária. que amem a Palavra de Deus. nem ruga. E o modelo é o de Atos 2. Por isso. aliás. aprofundando-se na doutrina do Senhor.Pois é. e de fora para dentro. É um crescimento lento porem continuado. não inchação! É isso: precisamos de crentes que busquem o reino de Deus em primeiro lugar. Cresce a igreja. ou a 127 .15b-27). de toda a alma e de todo o entendimento. Crescer em todas as direções: para o alto. a buscar a paz com todos. que exerçam o sacerdócio dos crentes. que nos lembremos uns dos outros em nossas orações. Por isso. Crescimento. Que Deus nos ajude! Parte XXI COMO SE FAZ UMA GRANDE IGREJA "Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela. Precisamos de crentes que entendam ser a igreja local o lugar previsto por Deus para a comunhão. o mais eficiente meio de deter nossa tendência de fazer renascer a velha criatura. durante o tempo que se chama Hoje. porém santa e sem defeito" (Ef 5. buscando o altar de Deus. pela vida espiritual intensa pela consagração à causa. atingindo os não conhecem a salvação em Cristo Jesus. para que a santificasse. nem as melhores salas para a educação religiosa do seu povo. para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado" (Hb 3. cresce o reino de Deus. que sejam luz do mundo. E cada dia acrescentava-lhes o senhor os que iam sendo salvos". ou o maior balancete mensal. à EBD!). portanto.12-15). o melhor coro. e onde os recursos para o crescimento cristão ao dispor (venha. nem coisa semelhante. É desejo comum que esta nossa igreja seja grande em todos os sentidos. que sejam santos porque o Senhor é santo. tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra.16b). Como árvore que nasce da semente. para os lados. Que nos comprometamos a ter cuidado uns dos outros. que amem a Deus de todo o coração. de dentro para fora. para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa. que nos ajudemos mutuamente em nossas enfermidades (Tg 5. que confiem no poder da intervenção. a igreja é chamada a crescer. a cultivar relações francas e a delicadeza no trato e a estar pronto a perdoar as ofensas (Mt 6. ou o fermento na massa do pão (Mt 13. "Antes exortai-vos uns aos outros todos os dias.47: "Louvando a Deus.31-3). que façam do crescimento pessoal assunto de perseverança. Uma grande igreja não é a que tem o maior templo da cidade.13). e caindo na graça de todo p povo. oramos no sentido que cresça em número e espiritualidade. sem mácula.

e assim por diante. quem vai ser o pastor?" É precisamente neste tipo de pergunta que há malentendidos. o servo. é utilizada no primeiro escalão do governo. para dizer "servo" e o conseqüente serviço prestado.. de onde procedem.45). ensina a Palavra Santa que a principal tarefa do pastor é preparar.e é igualmente prático (cf. o meu dom". Isso é interessante porque podemos pensar que a palavra "ministro" é tão elevada. estar em todas as reuniões. Dom não é o talento natural. "Pastor. UMA GRANDE IGREJA É A QUE TEM UM MINISTÉRIO PARA TODOS Cada crente é chamado por Deus para ser um ministro. que ele tenha o singular condão nunca esperado de outras pessoas. treinando-a para o exercício eficaz do ministério de cada pessoa. uma grande igreja pode ter tudo o que foi mencionado. "magistrado". e. pois. de preferência ao mesmo tempo. portanto.. ainda. e quer dizer que cada um de nós tem um ministério. pois alguém pode ter um grande talento em certa área. o escravo. Há uma diferença abismal entre as palavras "ministro" e "mestre". não sei qual é o meu ministério. é palavra tão simples.". Os chamados testes dos dons dão uma pista. procedente de minus. Essa palavra "ministro" é usada. pelo fato de algumas pessoas ainda presumirem que o pastor tem que fazer tudo na igreja. No entanto. Esse é um fato altamente prático. Ministro das Finanças.. incidentalmente. e os membros os mais destacados da sociedade. Palavra. "magistério". Ef 4. "Mestre" vem de uma palavra da língua latina. Falamos em Ministro da Educação. e não ter sido capacitada por Deus para exercê-lo no ambiente de formação espiritual da igreja. Você reconhece o seu dom espiritual pela compulsão que 128 . Era que tinha com que contribuir. mas para servir. No entanto. Mc 10. algumas marcadas ao mesmo tempo. designando alguém que era procurado por ter "algo a mais (magis)". magister. No entanto. Lembremos que o pastor trabalha COM a igreja capacitando-a.12. "Ministro" vem de minister. A Bíblia diz que nós temos um serviço. alguém que tem "algo de menos". sobretudo.que levanta as maiores ofertas missionárias e para outros fins. Isso é algo básico. afinal de contas. capacitar os cristãos para o exercício eficiente de seus ministérios. é um conceito bíblico. Não é aquela cujo pastor é o melhor orador da cidade. Somos todos chamados para ser ministros de Jesus Cristo. evangélico em todos os sentidos porque Jesus declarou "O Filho do Homem (Cristo) não veio para ser servido. Você vai dizer. de estar presente em todas essas reuniões. No entanto. usada para pessoas de altíssimo gabarito. uma grande igreja é a quem tem certas características bíblicas que passaremos a enumerar. se possível. do alto escalão do governo. e. Talvez uma pergunta esteja na mente dos leitores: "se todos vão ser ministros.11.

irmã querida. outros recebem três. As posições são disponíveis e os membros dizem à Comissão. mas o feijão-com-arroz é em casa. Irmão amado. há banquete. 129 . cinco cargos. Fora. muita gente fica esquecida quando a Comissão de Indicações vai estudar os nomes e cargos. que não seja levada por todo vento de heresia ou de corrupção? Temos algumas pistas na Palavra de Deus. Li uma frase (mas não vou dar 100% de crédito porque conheço a luta de alguns irmãos): "No domingo de manhã. da ajuda. Seria uma tremenda economia para o irmã. encaminha. ele diz "Vou resolver". e não é preciso pedir "Por favor" porque o Espírito Santo já capacitou para tal trabalho. Feijão-com-arroz bem preparado. de passear pelas outras igrejas (o chamado "turismo eclesiástico"). à noite.parte do seu íntimo. e assim cada dia da semana. mas há tantos banquetes que fazem mal. sua contribuição de presença à Celebração do Nome de Jesus. quatro. Há um irmão em nossa igreja que tem o evidente carisma do socorro. a que tem um ministério para cada pessoa. há quem seja idoso. O hábito da freqüência sistemática aos cultos é uma bênção na vida do cristão por ser fundamental para a firmeza de suas convicções. se evangelismo. "Quero trabalhar nessa função". há quem tenha filhos ainda pequenos. Cada um sabe qual o seu ministério. só os fiéis". Achei-a um tanto pesada. Fulano de Tal. Assim fazendo."Mas o Espírito Santo diz "Não deixando a vossa congregação como é costume de alguns". Uma muito simples é compartilhando as experiências nos cultos. O mesmo com a doutrina: edifica.. É meio complicado para um igreja de centrão da cidade ter uma altíssima freqüência à noite: há quem more muito distante. ele responde "Pronto. e outra tantas razões. Uns são esquecidos. engorda e faz ficar bonito. Cada um faz alegria. Você sente o desejo de realizar algo. Não é a contribuição em dinheiro para resolver a débil situação econômica de alguém.. Soube de uma igreja no estado da Flórida (EUA) onde não indicação para os cargos. Traga sua alegria. e os cargos vão sendo preenchidos de acordo com a vontade de trabalhar da pessoa. fortalece. porque infelizmente.. Essa é uma grande igreja. firme. vêm todos. A Carta aos Hebreus quase que diz "Não deixando a vossa congregação como é costume de. trabalha quem quer trabalhar. diga onde está que vou buscar". se ação social. se ensino. seu louvor. É que no momento em que você diz "Preciso de tal coisa".. E esses "alguns" sabem quem são e quais são os costumes: de faltar sem necessidade. se você não tem nenhum desses impedimentos. e terça-feira na casa da tia. bem temperado edifica. Com um ministério para cada um. faz crescer. venha. quarta-feira vai para a do primo. qual a sua mesa espiritual? Já imaginou se seu filho resolvesse que amanhã vai almoçar na casa do vizinho. Porém. com prazer. essa é uma grande igreja! UMA GRANDE IGREJA É AQUELA QUE TEM FIRMEZA DE FÉ E DE DOUTRINAS Como é possível obter uma fé estável. Sem alarde.

na Igreja dos negligentes e frios na fé. situada na Rua do Mundanismo. ciúmes. Como Jesus expressou: "São os teus olhos a lâmpada do teu corpo. o teu corpo ficará em 130 . Em sua memória. o xarope de reuniões sociais" sufocou-a. mas. Os médicos constataram que sua doença foi motivada pela "frieza de coração". Constataram ainda: "dureza de joelhos" . e comprimidos de "clube de campo". nem pensar. assim mesmo quando não houver dias feriados. E é uma atividade que se demonstra em tudo o que fazemos. dona "Reunião de Oração". deram-lhe "injeções de competições esportivas".não dobravam mais . que já estava enferma desde os primeiros séculos da era cristã. Administraram-lhe muitos "acampamentos". e ausência de vida espiritual.) que deveriam e até poderiam estar presentes no Culto de Oração. isto é. pois lhe deram grande dose de "administração de empresa". tanto quanto participar das atividades da Denominação fortalece os laços de amor entre as igrejas locais.E o Culto de Oração nas quartas ou quintas-feiras que tem virado uma lástima em algumas igrejas? Alguém me repassou uma Nota de Falecimento que diz o seguinte: Nota de falecimento Faleceu. número 666.. A presença nos Cultos é fundamental para a solidez da fé. o que provocou má circulação nas amizades. devido à falta de circulação do "sangue da fé". se forem maus. carência de "água viva". mudando-lhe o regime. principalmente entre os jovens. Aos domingos. a disciplina de Jesus Cristo é uma atitude e uma atividade. Foi medicada."fraqueza de ânimo" e muita falta de boa vontade. só pela manhã. estará fechada nos cultos do meio da semana. de entrega.. haverá Culto ou Escola Bíblica. emendando o lazer de sexta a segunda e vigília. "aqueles que estão debaixo de uma disciplina". mas erroneamente. UMA GRANDE IGREJA É A QUE TEM UMA VIDA DE DISCIPLINA Os primeiros seguidores de Jesus foram chamados de "discípulos". uma pergunta: SERÁ QUE O LEITOR NÃO AJUDOU A MATAR A DONA "REUNIÃO DE ORAÇÃO"? Quantos pastores se ressentem da ausência de irmãos (até da liderança. Agora. a Igreja dos negligentes. Foi proprietária de grandes avivamentos bíblicos e de grande poder e influência no passado. de reconhecimento do senhorio de Jesus Cristo sobre nós com o objetivo nosso de aprender. Até cápsulas de "gincana" lhe deram pra tomar! RESULTADO: Morreu Dona "Reunião de Oração"! A autópsia revelou: falta de alimentação. de quebrantamento. se os teus olhos forem bons. como "pão da vida". todo o teu corpo será luminoso. trazendo ainda os males da carne: rivalidades. É uma atitude de submissão. Na Palavra de deus.

As horas consumidas no preparo disciplinado não constituem tempo perdido.. e outra horinha de noite para meditar na Palavra. Mas temos que nela colocar alma para que não vire reza (palavra que vem de "recitar"). Através do estudo da Palavra. quanto a mim. O propósito da leitura e estudo da palavra de Deus é confirmar e estimular nossa fé. Rm 10. A oração torna a nossa marcha mais firme. Jesus manteve uma vida de oração.trevas"(Lc 11. chegou a ensinar uma oração-modelo. palavra de Cristo" (cf. Orava durante o dia. orava na sinagoga.34). a nossa vida mais constante. Não posso entender o crente que não se alegra com a leitura da Palavra de Deus.". É uma atividade que olha para o alvo que é a cruz de Jesus Cristo.8b são textos basilares sobre o testemunho do cristão: "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens.17). o próprio Senhor Jesus Cristo. "Vós sois o sal da terra". Ela só é meditação constante quando aplicada à vida e cada coisa que fizermos. e o nosso trabalho mais abundante no Senhor. Todos somos chamados. cada palavra que pronunciarmos. "Vós sois a luz do mundo". mas "Ensina-nos a orar". Através de vida disciplinada no serviço. onde fala do "varão que tem o seu prazer na lei do Senhor.. Isso quando a Bíblia fala tanto de alegria e felicidade. e na sua lei medita dia e noite". modelo porque não é recitada simplesmente. cada atitude que expressamos está marcada por essa disciplina que vem da Escritura Sagrada. Há até uma bem-aventurança: no Salmo 1.13. Essa disciplina se manifesta na devoção e na vida de serviço. Lemos a Bíblia com o objetivo de estudá-la e de nela meditar. como ensina Paulo: "a fé vem pela. Observem que os discípulos não pediram a Jesus "Ensina-nos a pregar".14. Nossa igreja tem realizado seminários e simpósios de capacitação. ou ficava até de madrugada em oração. pela qual pautamos a nossa oração.. permanência na Palavra. Eles vêm para melhorar a nossa vida pessoal e da igreja como um todo. Tudo isso é testemunho! O apóstolo Paulo tem uma 131 . Prefiro esta última expressão "dia e noite" a uma outra tradução que ensina "de dia e de noite". porque a primeira fala de constância. "Irmãos. não julgo havê-lo alcançado. mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão. enquanto a segunda pode dar idéia de tirar uma horinha de dia. prossigo para o alvo. o apóstolo. Há. Sua vida de oração era intensa: ou Ele Se levantava de madrugada para orar. e Paulo. aliás. deve nele disciplinar-se. UMA GRANDE IGREJA É AQUELA QUE TEM UMA VIDA DE TESTEMUNHO Mateus 5.. uma bemaventurança para aquele que "tem prazer na lei do Senhor. no Templo. e aquele que deseja fazer de sua vida um real ministério. e na sua lei medita dia e noite".16 e Atos 1. para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus". em Filipenses 3. embora até a recitemos. O exercício da oração é prova disso.

23). e você passa a ser respeitado. O melhor testemunho é contar a vida. o testemunho é pessoal. igualmente. no passado bem passado. Que é. mas pelo espírito do Deus vivente. ele exclamou: "Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem. a única Bíblia que estas pessoas irão ler.expressão em 2Coríntios 3.56).2< "Vós sois.. 22. estando já manifestos como carta de Cristo. O conteúdo do testemunho aponta para Jesus Cristo e Sua obra na vida humana. Perceberam que isso é o que Jesus faz? É o evangelho! EU ERA ASSIM (o pecado em deixou desta maneira. Não foi ele que pediu a Deus que 132 . e a Bíblia diz. e o evangelho veio e me resgatou para Jesus!!!) É a minha história e a sua também. mas vai ler a minha e a sua vida. é o que eu conto sobre o que Deus fez por mim. e entrando com eles nas cidades. de Estêvão (7. "O que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros. e . e começa na própria experiência de Pedro (At 2. mas a minha vida mudou". Pode até acontecer que em nosso testemunho ao mundo perdido sejamos um tanto vacilantes.10). Somente temos que ler o livro dos Atos dos Apóstolos para confirmar o que foi dito.32). Ninguém fique iludido pensando não ter pecado. para que vós. produzida pelo ministério. Fico impressionado com o testemunho de Estêvão.14. Portanto. nem um sequer"" (Rm 3. de Pedro e João (3. bonito. mas sempre devemos começar com a nossa própria experiência nos termos de 1João 1. forte).3. quase me arrastando. Parece que estamos andando com os discípulos. o melhor testemunho é dizer "eu era ssim.24. Se disse que não o tem. FIQUEI ASSIM (corado. "Não há um justo. em pé à direita de Deus" (7.4-6)... Que livro extraordinário! É uma leitura empolgante. havia uma propaganda que dizia "EU ERA ASSIM (e mostrava um indivíduo bem apessoado) CHEGUEI A FICAR QUASE ASSIM (a figura era de um esqueleto) TOMEI [E DIZIA O NOME DO FORTIFICANTE]." O que é impressionante é que muita gente nunca vai abrir a Bíblia Sagrada. e não conta mais aquela piada indecente que você costumava ouvir. uma grande igrejaé aquela que tem uma vida de testemunho. e participando das pregações. O que eu vi. ainda. Outra realidade impressionante é que o melhor testemunho não é aquele que eu pesquiso e repasso às pessoas: é o da minha vida. de Paulo (20. eu fazia isso. Nesse livro.. mantenhais comunhão conosco". ""pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Rm 3.56). na lama. e naqueles momentos finais.15). ser testemunha de Jesus Cristo? É compartilhar algo da própria experiência. eu conto. já está pecando. Ele estava sendo apedrejado. escrita não com tinta. Nos bondes. E sabe quando você começa a ser respeitado? Quando aquela rodinha no trabalho ou na escola se cala quando você chega. Nós éramos assim (que palavra terrível!). conhecida e lida por todos os homens. no entanto.

peroasse os seus algozes? (7. A única prova disponível para que o mundo veja a obra de Cristo em nós é nossa própria vida. EXPRESSÕES PARA DESCREVER O MINISTÉRIO DO ESPÍRITO O Novo Testamento tem dois termos para descrever o ministério do Espírito Santo na vida e experiência dos crentes: a habitação do Espírito Santo e a plenitude do 133 .. nem vida de disciplina. Uma tarde. testemunho pessoal que parte da experiência pessoal. de gente idealista. Mas o Espírito Santo trabalhou. É um clube religioso. uma fantasia. nem vida de testemunho. Olha o nome: Atos dos Apóstolos: o Testemunho dos Apóstolos! Um livro inteiro só de testemunhos do que Deus fez através dele. Seu chefe. viram os macacos que os estavam imitando: puseram lenha para fazer uma fogueira. Há uma história sobre um grupo de missionários acampados na selva perto das vilas e aldeias. Absoluta nada. Quando o chefe soube que ele estava freqüentando uma igreja evangélica. É. "Não por força nem por poder. diz o Senhor dos Exércitos". voltavam das aldeias. Não fizemos qualquer lavagem cerebral. protestantes. amigo do Pr. nada acontecerá sem o poder do Espírito Santo. nada. Cada tardinha. em todos os casos. Era apenas uma imitação. deu-se um milagre: chegou sóbrio à fábrica e assim permaneceu por toda a semana e sempre. Tomás." UMA GRANDE IGREJA É AQUELA QUE TEM O PODER DO ESPÍRITO SANTO Não obstante. Faltava. não haverá estabilidade de fé. faziam ruídos. O Pr. a igreja não tem sentido. porém. Numa certa segunda-feira. na inspiração de Zacarias 4. Deste modo. é uma reunião de amigos.. usando a linguagem da psicologia: "Que vocês. Um testemunho eficaz inclui dois elementos básicos: um modo de viver: um modo de vida e uma comunicação oral. Assim é com a igreja: sem o fogo do Espírito. Tomás. perguntou ao Pr. mas não é uma igreja onde Jesus Cristo é Senhor.6. o mundo quer ver esta realidade vital genuína que só Cristo pode oferecer. se perguntava o que poderia fazer para ajudar. É uma mascarada. quando os missionários regressaram. Tomás Munguba contou-me sobre um operário de uma fábrica em sua cidade (João Pessoa). mas pelo meu Espírito. estão fazendo para condicionar a atitude comportamental de Fulano?" Responde o pastor. algo importante naquela fogueira: o fogo. e estavam sentados ao redor da fogueira apagada se "esquentando" como os missionários faziam nas noites frias: esfregavam as mãos. Não haverá um ministério para cada um. e todo início de semana chegava embriagado ao trabalho. um descrente. acendiam uma fogueira e ficavam ao redor contando as experiências e as bênçãos. "Nada. Lembremos que o fogo que aquece a igreja é o Espírito Santo. O homem tem dez filhos. mas também perto de uma colônia de chimpanzés selvagens.60).

Isso faz lembrar a palavra de um evangelista que afirmou com muita propriedade. se o que desejamos é uma vida abundante e vitoriosa.Espírito Santo ou ser cheio do Espírito. ou através da imprensa escrita. porque na Igreja de Jesus Cristo não reconhecemos coisas profanas e coisas sagradas. um custo financeiro. secular. e cada vez mais controlada. anda ou toca as pessoas. mas o balde em que é transportada tem que ser comprado. tão sagrada quanto uma cesta básica que é dada para uma família menos valida.18: "Não vos embriagueis com vinho. e o controle do Espírito de Deus. cada pensamento e palavra está sob Sua influência. a água da vida é grátis. O segundo significa ser controlado pelo Espírito Santo (Ef 5.14) A causa de Jesus Cristo tem seu lado financeiro. se o que queremos é uma grande igreja. todos compreendem que você está sob o domínio do Espírito de Deus. Por incrível que possa parecer. a embriaguez. Esta deve ser uma nova hora para cada pessoa que lê esta reflexão. a água da vida é levada.5). A hora de se firmar mais e cada vez mais em Jesus Cristo. tão sagrada quanto a lição da Escola Bíblica que é repassada para os alunos em uma classe. A hora de cada crente renovar sua aliança com Deus. Quando uma pessoa está "cheia de vinho" não significa que está cheia da cabeça aos pés como uma garrafa. seu olhar.16. da televisão." Quer isso significar que quando se anuncia o reino de Deus isso é feito de modo absolutamente gratuito. no qual há dissolução. havendo. Para o cristão. Paulo faz uma analogia entre a intoxicação alcoólica. Quando os irmãos se reúnem para o crescimento. seus pensamentos. forte e espiritual! Parte XXII CREIO NA CONTRIBUIÇÃO CRISTÃ "Fazei todas as vossas obras com amor" (1Co 16. A contabilidade de uma igreja local é tão sagrada quanto a mensagem que sai do púlpito. mas enchei-vos do Espírito". Ser "cheio do Espírito" significa que cada ação nossa. reconhece que o dinheiro não é o lado profano. sua conversa. Tg 4.18). O primeiro se refere à conversão (1Co 3. de algo sagrado chamado Igreja. nossa Rocha Eterna. Este é o momento sério de renovar o pacto com suas convicções. no entanto. Sua comunhão com o Espírito vai fazendo com que sua vida seja controlada. quando a igreja se reúne para a edificação ou quando espalha a mensagem através de ondas do rádio. tudo tem 134 . o que ninguém desconhece. É o controle e o domínio do Espírito Santo sobre. de tal modo que quando você fala. Ele o faz em Efésios 5. mas que cada parte de seu corpo está afetada pela bebida: seu modo de caminhar. E o crente que se consagra. A plenitude do Espírito Santo não é instantânea como a embriaguez também não o é. "Na verdade. A hora de buscar a plenitude do Espírito.

" Sustentavam a obra de Jesus Cristo. existe um aspecto sagrado no dinheiro que entregamos à igreja. portanto.sacralidade. 135 . da qual saíram sete demônios. Mamon é a personalização do dinheiro. quem pense que a Bíblia ensina que o dinheiro é a raiz de todos os males. Dinheiro. que apresentam o seguinte: "E também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria. ou disse ao ouro fino: Tu és a minha segurança. faz parte do "Sermão do Monte. Não podeis servir a Deus e as riquezas". Não pode ser dessa maneira. No livro de Jó no capítulo 31.00. E havia pessoas fiéis que sustentavam o Seu ministério. não é apenas um meio de adquirir bens. Porque começa dizendo assim. "Ninguém pode servir. é que "o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males".3. O aspecto civil da lei de Moisés confundia-se com o lado cultual. "Está na Bíblia". diz o verso 24: "Se no ouro pus a minha esperança. e há um outro bem semelhante nas características e funções e custa R$ 580. ou se devotará a um e desprezará o outro.24. neste último versículo.2. ninguém pode se devotar e ninguém pode cultuar. chamada Madalena. espirituais e morais. tão sagrado que Jesus tinha um tesoureiro no colégio apostólico. E Joana. Temos nesta história todo um sistema de valores. Então. Por isso que o valor de um objeto é medido pela quantidade de dinheiro que nós gastamos nele. Algumas traduções têm "Não podeis servir a Deus e a Mamon". Ou a de odiar a um e amar o outro. O que a Bíblia diz. e Suzana. Vamos a Lucas 8. e muitas outras as quais o serviam com seus bens. a ganância. Aliás. nós colocamos no dinheiro um sistema de valores porque damos preço a um objeto pela quantidade de dinheiro investido nele. Dinheiro é um sistema de valores. procurador de Herodes. Isso não existe na palavra de Deus. e por ter a minha mão alcançado muito. às posses. Também isto seria pecado para ser punido pelos juizes. Se me alegrei por ser grande a minha riqueza. há um sugestivo ensinamento sobre uma gradação no relacionamento entre o homem e o seu dinheiro. é assunto sério.00. Assim o era no Antigo Testamento. o amor ao dinheiro. Se assim fosse. Nele está que "Ninguém pode servir a dois senhores." Na palavra de Jesus. pois eu teria sido infiel a Deus que está lá em cima. e a loja diz que custa R$ 450. É um sistema de valores econômicos. O que a Escritura ensina é que a avareza. Há. das riquezas. você vai querer saber porque um custa duzentos e pouco e o outro quinhentos e alguma coisa. Mateus 6. Sim. à conta bancária. não seria ordenado "trazei todos os dízimos à casa do tesouro". até. A Constituição do povo de Israel era a própria Lei de Moisés. é a raiz de todos os problemas e sofrimentos. em Lucas 12. E normalmente se dá mais valor ao que custa mais caro. mulher de Cusa. Se alguém vai comprar um refrigerador.15: "Acautelai-vos e guardai-vos da avareza. odiar e desprezar a Deus. a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui". amar e dedicar-se a Deus e dedicar-se aos bens. E alguém disse. Tão sério." A idéia é essa mesmo: servir. Não servir. Dinheiro. ritual e litúrgico.

"Que Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu filho unigênito". a Escritura mostra que dar é sinal da graça de Deus na sua vida e a disposição de fazê-lo é dom da operação do Espírito Santo no coração. no livro dos Atos dos Apóstolos (chamado. Contribuir significa companheirismo no serviço cristão. uma parte dele é enviada para a Convenção Batista do seu Estado. No caso particular dos Batistas. e uma das graças do Espírito na nossa vida chama-se o dom da liberalidade. nós entramos na questão do dízimo. o seu trabalho. A Convenção estadual reúne das igrejas do seu campo e remete uma porcentagem para a Convenção Batista Brasileira. A lista de versículos relacionados com dar. A própria expansão do evangelho quando mandamos um missionário ou uma família missionária. O crente faz isso através do seu dízimo. a sua personalidade. no entanto. dependendo do modo como você o usa. Vamos começar com o que o dízimo não é: O dízimo não é um meio de pressionar a igreja a levantar dinheiro a fim de suprir 136 . E parte desse projeto é 10% da renda pessoal. indo de Gênesis 4:12 a Apocalipse 22:12. podemos reconhecer a ação do Espírito Santo de Deus. Quando contribuímos. também. e. forçosamente nós temos que entrar no sistema de Deus para o financiamento do Seu projeto. como o emprega na causa de Jesus Cristo. É o governo soberano de Deus nos corações. enviando uma parte à Aliança Batista Mundial. Dar é sinal da graça de Deus. o carisma é tão forte na sua vida que se a igreja pedir o segundo dízimo dá. o carisma de ser liberal. e se a igreja pedir uma contribuição para ajudar a uma determinada causa. Também há uma palavra de Jesus registrada fora dos Evangelhos. também dá. Por isso. significa assistência aos pobres. O dízimo faz parte desse sistema de valores. Romanos 12 fala sobre isso. um sistema de valores morais porque representa o seu tempo. doar e oferecer é imensa. Então o que é e o que não é o dízimo? Vamos esclarecer algumas coisas. divide toda a contribuição recolhida pelos diversos apostolados e ministérios que realiza. há pessoas que são ajudadas com as cestas básicas há pouco mencionadas. e a sustentamos em um determinado país. Contribuir está intimamente ligado ao estado de vida espiritual e onde há contribuição generosa e liberal a Deus. O projeto de Deus é o programa de expansão do Seu reino neste mundo.O dinheiro é. Nesse ponto. a Bíblia diz tantas vezes. que também pode ser doar e oferecer. Tive a curiosidade de olhar na Concordância Bíblica a palavra dar. Realmente. E então. a qual. É um sistema de valores espirituais. de "o Evangelho do Espírito"): "Mais bem aventurada coisa é dar do que receber". quando o fiel entrega o dízimo. a manutenção do culto (ou alguém não paga essas luzes que são acesas durante o culto? Ou outros bens que nós usamos. aliás. É aquela pessoa que dá o dízimo. até. outros serviços públicos que a igreja utiliza?). por sua vez.

00 é a mesmíssima proporção de R$ 15. As bênçãos são a graça. coordena. Não é um meio de subornar a justiça de Deus. Porque o povo dava o dízimo não só de dinheiro.8 coloca o assunto da seguinte maneira: "Depois de dizer como acima: Sacrifício e oferta. e essa pessoa repassou que ele dissera. o crescimento espiritual. para a obra de Cristo. "Se eu não vos derramar sobre vós uma benção em abundância. R$1. oblações com vinho. não dê o dízimo para pagar promessa. ele é o Diretor. não é um meio de pagar para que outros façam. do endro. ela é aconselhadora.000. e agora posso exigir dele. Há quem pense." Há outras bênçãos além de dinheiro. "Não dou dízimo porque é da lei de Moisés. então. por isso. glória sobre glória! Agora. Eu só ganho R$ 151. um tem mais posição que o outro." Não é assim não. mais dinheiro uma pessoa tem. cada ministério é realizado pela igreja. 137 . não são apenas bênçãos materiais. Não dê o dízimo com medo." Faziam sacrifícios de animais.necessidades do seu orçamento. A promessa é de bênção. Mas. dou R$ 15. Não é que Deus me deva alguma coisa e com isso eu tenho credito com Ele. Por isso. às vezes. ela é visitadora. Agora vou dar o dízimo para não acontecer mais. Por isso. mas irmão Fulano ganha R$ 15 mil.10 para quem recebe R$ 151. ele dá R$ 1.00. As bênçãos de Malaquias 3. que dirigem. além de realizar obras caracteristicamente cristãs. O Coordenador de um Ministério. não. E ele até mencionou temperos usados no trivial da cozinha: dízimo do cominho. "Isso me aconteceu porque eu não dei o dízimo. Talvez seja até mais sacrificial. Não é um meio de pagar para que outros façam a obra no meu lugar. Então. Por exemplo: trigo. Nem para criar um saldo de graças com Deus. da hortelã. que levam para o campo. mas. eu preciso cumprir a minha parte. Hebreus 10. Diante de Deus é a mesma coisa. eu. "Eu tenho crédito com Deus. O dízimo não é cumprimento de exigência da lei de Moisés.00 para R$ 15. e holocausto e oblações pelo pecado não quiseste. Ela é evangelista. que lhe devo! Deus só me cobre de graça sobre graça. com pessoas que treinam. ele é o Coordenador.10". Se tinha naquele ano uma produção de dez bezerros. ele que evangelize." Não acabou nada. "Se ele é o Diretor de Evangelismo. mostrando como é natural. Quantas vezes o dinheiro tem sido maldição. Deus não se deleitava com essas coisas. Eu não tenho que criar um saldo de graças com Ele. não. a misericórdia.500. quem realiza é a Igreja de Jesus Cristo. o salário mínimo.00 de dízimo. O Diretor de Evangelismo dirige a evangelização. Não é uma maneira de mostrar posição pessoal.500. os 15 reais e 10 centavos que os 1. sim. benção sobre benção. ofertas com massas para pagar pecados. duas pertenciam ao Senhor entregava ao Templo. A palavra de Jesus diz que nós devemos.500 reais que o outro entregou. Já vi isso também. enfim. um era do Templo. mas." Como pode?! Deus não está me devendo nada. do coentro. não! Dízimo não é para isso.10." Não dê o dízimo com intenção de pagar pecados. dar o dízimo também. Ouvi contar de certo pastor que falou para alguém. dava o dízimo também de espécie. por isso. Vou dar o dízimo para ficar rico. Já vi gente dizer isso. nem neles te deleitaste os quais se oferecem segundo a lei. se tinha vinte sacas de trigo. mais miserável é.00. um era do Senhor. Porque alguém pode pensar assim: "Bom. O Novo Testamento acabou com o dízimo.

É uma boa prática não entregar na mão de ninguém. vá lá no santuário e coloque no gazofilácio. é ponderado. o que Jesus Cristo quer é você. por isso. minha irmã. Onde devo dar o dízimo? Na "casa do tesouro". e está em 1Coríntios 16. Então. água. o dízimo é do Senhor e eu o trago à casa do Senhor. ser trazido ao culto e entregue em adoração. nos ajuda a desenvolver a disciplina de um padrão. nós não podemos fazer o que umas igrejas andaram fazendo. É crime e dá cadeia. alguém pergunta. Dez por cento é apenas o começo dessa expressão de entrega. é forma de cultuar a Deus. ou fatura de clube. o padrão de contribuir. O que Ele quer é você. Isso diz que o dízimo é adequado. na igreja em culto. É um guia para o padrão de crescimento do crente na contribuição. Mas. Não é. é 10% da renda. Se para entrar. Acho que é uma boa prática não entregar dízimo na tesouraria. meu irmão querido. Isso significa que o dízimo é proporcional. E assim. O pastor pode estar errado. mas não é dessa maneira que se faz. Esse irmão de outra igreja falou isso: "Há um grupinho da igreja que está depositando o dízimo em uma poupança. não. De vez em quando."Então o que é o dízimo. É um referencial simbólico de tudo aquilo que o crente entrega a Deus. dá para entregar o dízimo na tesouraria?" Respondo. para sair tem que haver muita oração. "Faça o seguinte irmão. É assim que está na Escritura Sagrada. Porque um vai dizer.14: "Fazei todas as vossas obras com amor". Entregaram um boleto bancário para os membros. É porque é um ato de louvor e deve. que ensina que é até uma coisa mesquinha pensar apenas em 10% porque Jesus Cristo realmente pede 100% de nós. pagam-se duplicatas e prestações. eu ganho muito. paga-se luz. telefone. Aprendo que o dízimo é uma solução. Como quem paga carnê do Baú da Felicidade. por usar um expediente errado e por pressionar o pastor daquela maneira. nem na tesouraria. Há designações para isso: conspiração e formação de quadrilha. mas. não! "Dez por cento é de Deus. Mas. A Bíblia me mostra que o dízimo é uma solução para o crente pessoalmente falando. por isso. eu ganho pouco e o outro vai dizer. pastor?" Dízimo. que é para ver se com isso o pastor sai. É errado por vários motivos: por não trazer o dízimo. "Pastor. que deveriam pagá-lo no banco. O tesoureiro depois vai recolher os dízimos e ofertas". Ou você pensa que 10% é de Deus e 90% é seu? Não é. é solução para a expansão 138 . além de nos ajudar também a estabelecer corretamente quais são as prioridades da nossa vida. É solução para não só para o crente individual. não! Dízimo é expressão de adoração. qual é o motivo real para que eu dê o dízimo? Creio que só há um motivo irmãos. não é por outra razão." Está errado. No banco. Eu vou dar quanto? A resposta é a mesma. houve muita oração. Alguém de uma igreja irmã me disse certa vez que para pressionar a saída do pastor estava com outros irmãos depositando o dízimo em uma caderneta de poupança. 10%. O dízimo é reconhecimento de que eu aceito o fato de que Deus é soberano sobre o mundo e sobre a minha vida também. do resto eu faço o que quiser".

que na verdade é o seu dinheiro. os planos evangelísticos. Quando você então se une a outros crentes na sua igreja e você dá o dízimo. porque as causas missionárias. leilões. oferta é R$ 120. Está fora do padrão. O nome está dizendo Plano de Cooperação das Igrejas. que não é outro senão o programa da igreja local.00. onde fica a sede da Convenção Batista Brasileira. no Brasil e 139 . recebem porque o irmão deu o dízimo na igreja. rifas. Dízimo é solução para a vida de qualquer denominação evangélica como agente da causa de Jesus Cristo nesse mundo através de um plano de cooperação. no Canadá. ou 20%. vilas. da Capixaba. 30%. 50%..00. que na verdade é o dinheiro do Senhor. E dessa maneira distribui pelos diversos ministérios que ela executa: Junta de Missões Mundiais. JUERP. O Plano Cooperativo é um programa de integração das igrejas. Um problema financeiro que a igreja tem será resolvido com facilidade. através do Plano Cooperativo. e dá R$ 80. da Sergipana. Contribuição é menos. Se o seu dízimo é de R$ 100. quanto estiver estipulado em assembléia da respectiva Convenção. Se você deve dar R$ 100. A igreja local e a obra de Cristo não se sustenta através de bazares. Então. sorteios. sua oferta ao Senhor.. Coloca missionários em cidades. Está estipulado pela assembléia da igreja que nós daremos 10% da entrada. Aliança Batista Mundial. o desenvolvimento na educação dos novos e dos antigos crentes. o dinheiro das Convenções que na verdade é o dinheiro que veio das igrejas. da Mineira. e assim por diante.00. etc. Junta de Rádio e Televisão. 250. da Amazonense. Isso é o que se chama de Plano Cooperativo na igreja local. está dando uma contribuição. na África. E esse programa começa com o crente. Seminários. E a Convenção Batista Brasileira recebe da Convenção Baiana. a Convenção Batista Baiana estabelece seu programa de ação. sabiam? Há quem pense que oferta é menor do que o Dízimo. na Bahia. tudo se executará com largueza. Os missionários que estão no Japão. não haverá problema financeiro. enfim. Ele coopera com outros crentes e dessa maneira todos trazem seu dízimo. espalhados pelo mundo. Aliás..00. poderia contribuir com 5%.00. a nossa igreja mensalmente envia 10% para a Convenção Batista Baiana. Qual é a próxima etapa do Plano Cooperativo? A igreja local. Que mais? A Convenção Batista Baiana por sua vez. da Paraense. A nossa igreja contribui com 10%. O plano cooperativo começa com você. com amplitude. shows e coisas assemelhadas. Talvez os crentes mais novos tenham ouvido muito superficialmente na Classe de Preparação para o Batismo. 200. As outras igrejas locais do Campo Baiano fazem o mesmo: cada igreja do interior e da capital manda este sua parte e. 10%). Junta de Missões Nacionais. você começou a cooperar.da igreja.00. da Paraibana e assim por diante. remete 20% para o Rio de Janeiro. Todas as Convenções mandam uma parte (20%. com visão por causa do dízimo. vilarejos do interior. Oferta alçada é mais do que dízimo. na Romênia. chás sociais. A Convenção Batista Brasileira recebe então.

no mundo. Esse Programa de Cooperação só vai trazer uma coisa: bênçãos! Vamos para Malaquias 3.10, "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimentos na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós benção tal, que dela vos advenha a maior abastança". Abundância é questão de valores, não é questão de dinheiro. Não faça negociação com Deus. Há uma história que é passada às vezes de um modo muito lindo, no entanto, na minha interpretação, essa história, não guarda nada de nobreza.. É a história de quando Jacó estava em Betel, e teve a revelação de que naquele lugar o Senhor estava; que ali era Beth-El, a casa de Deus. Ele fez um voto dizendo: "Se Deus for comigo e me guardar nessa viagem que ora faço; e me der pão para comer e vestes para vestir, e eu em paz voltar a casa de meu pai, o Senhor será o meu Deus". Por que ele disse, "Se Deus for comigo", o problema é esse "se...", "Se Deus for comigo; se Deus me guardar; se ele me der comida; se ele me der roupa; se me fizer voltar em paz, então, eu darei o dízimo". Parece bonito, mas, o problema é que Deus lhe foi fiel e ele continuou o mesmo enganador de todo o sempre, porque dízimo é uma questão de valores espirituais e não de recompensas materiais como ele estava colocando diante do Senhor. O pastor Roberto McAlister, já falecido, faz uma pergunta, "Que é melhor: saúde ou um bom tratamento médico?". O que é que você prefere irmão, saúde ou o melhor médico da cidade tratando do seu terrível caso ? "Que é melhor, um filho simples e obediente ou um filho brilhante sem caráter? Que é melhor, um casamento humilde com muito amor ou um casamento infeliz com muito dinheiro?" O que é melhor? Porque tudo depende do senso de valores e Jesus Cristo fala de valores quando diz que devemos buscar o Reino de Deus e a sua justiça, porque o restante vem acrescentado. Quer dizer, se eu colocar o dízimo como o meu ponto de partida, a minha falta de fé vai se transformar em confiança e em sinceridade. Não vai haver falta de recursos para fazer a obra do Senhor, na casa do Senhor. A conquista de almas vai aumentar porque eu só tenho que fazer uma coisa, uma aliança com Deus; uma aliança com o Senhor na base da fé, na base da dependência Dele, pois certas coisas só podem ser realizadas com o Espírito Santo. Por isso, não é dever, é privilégio do crente, o de participar da obra do Senhor, da causa do Senhor; do projeto de Deus. Parte XXIII DESAFIOS DA LIDERANÇA CRISTÃ A verdade é que entramos no século 21 com tremendos desafios para a liderança na igreja. Um deles é, no dizer de Warren Wiersbe uma crise de integridade. E ela atinge o cerne da autoridade e da liderança da Igreja de Jesus Cristo. Wiersbe lembra que Paulo exclamou com as veras da sua alma: "não me envergonho do evangelho!" E sugere que talvez o evangelho afirme: "(mas) eu me envergonho dos cristãos". Quanta coisa tem sido praticada em nome do evangelho, com aparência de evangelho, com linguagem de evangelho, e tem dado como 140

resultado superficialidade de convicções, confusão mental e espiritual, e enfraquecimento da fé porque os líderes, pastores ou não, têm aberto campo para a falta de ética, para a manipulação dos sentimentos, para a falta de integridade. Excelente palavra a que traduz o conceito de integridade na língua hebraica: shalom, a qual é vertida para o português com alguns ricos significados, tais como "inteireza, integridade, plenitude, sucesso, salvação, saúde, prosperidade e, também paz". Não podemos fazer por menos: o instrumento que Deus tem para unir as pessoas, fatos e acontecimentos é a Igreja de Cristo. O líder há de ser íntegro, "limpo de mãos" (cf. Cl 1.9,10; 2.10; Sl 24.3,4), e "puro de coração" (cf. Sl 24.3,4). O líder cristão deve possuir uma mente como a de Cristo (cf. 1Co 2.16); sua vontade é honesta (Ed 9.6). O fato é que na época de Jeremias a religião parecia com esta do século 21: o povo dizia crer, mas havia influência secularista, pois o que cria não fazia diferença quanto ao modo de viver. O ideal evangélico está expresso em 2Coríntios 5.17. Além disso, na época de Jeremias, a religião havia se tornado um "grande negócio". É só conferir com as exclamações do profeta Jeremias que não tolerava os abusos como em 5.30,31 e Lamentações 4.13. Tudo isso é o que A. W. Tozer chamou de "tratamento comercial" do evangelho. Esse mesmo "tratamento comercial" é responsável pelo pragmatismo religioso: "visto que a igreja está cheia, Deus está abençoando", afirmam. Outro desafio às portas do século 21 são os novos estilos de culto. O que em outros países é denominado histórico ou contemporâneo, em nosso país é objeto da pergunta "tradicional ou renovado?" Outras comunidades têm utilizado a terminologia Culto Jovem contrapondo-se ao estilo recebido de liturgia e rito. É evidente que o culto é mensurado pela transformação causada nos que cultuam a Deus, e há de ser sempre "em espírito e em verdade" (Jo 4.23,24), ou não há de ser culto. É gratidão, reconhecimento, louvor, e (embora não seja o propósito primário) terapêutico. Ao tempo que o cultuante reconhece o cuidado, carinho e amor de Deus, louva-O e sai aliviado das tensões, dos cuidados e preocupações, terapia grupal no louvor comunitário. O culto, por ser dinâmico, envolve mudanças, mas envolve igualmente o que nunca deve ser mudado. Deus não muda; as verdades eternas não mudam; a Palavra de Deus não muda. Questiona-se a ressurreição de Jesus Cristo, a realidade do pecado, a necessidade de salvação, e a singularidade da obra redentora de Cristo. Mas o método pode mudar porque não são estáticos, mas se adequam aos tempos e circunstâncias. A liderança da igreja às vésperas do século 21 há de estar aberta para o novo sem perder a visão do permanente na igreja. Afinal, somos líderes e capacitadores numa comunidade local sem perder a visão do todo da Igreja de Jesus Cristo; e 141

capacitadores e líderes da Igreja de Deus sem perder a visão da comunidade como expressão local dessa Igreja. Numa análise do que chama "a Igreja do Futuro", Ralph W. Neighbour destaca que a "Igreja do Presente" se caracteriza por ser tridimensional: tem largura, comprimento e profundidade, mas não possui poder espiritual para dar à luz outra geração de cristãos. A "Igreja do Futuro", além dessas dimensões, tem mais uma: altura, ou seja, vive num mundo físico, de três dimensões como a outra, mas vive em acréscimo num ambiente espiritual onde "principados, potestades, príncipes do mundo destas trevas, hostes espirituais da iniqüidade" são diariamente enfrentados. É o caso, então, de examinar o que Neighbour destaca quanto ao que caracteriza essa Igreja dinâmica, ativa, viva, quadridimensional: · O Espírito Santo é Quem a dirige. É só permitir que Ele a controle nos termos de Efésios 3.16. A Igreja e sua liderança não são significativas pelo que possuem, mas porque são usadas por Deus. · Essa Igreja vive na quarta dimensão, sem qualquer alusão à ideologia esposada pelo pastor coreano David (antes Paul) Yongi Cho. Humanos, somos seres tridimensionais; mas como povo de Deus, e ainda mais, liderança desse povo, temos por conceito o sublime e urgente dever de ser quadridimensionais. Afinal, é nessa dimensão que o poder de Deus se revela e Satanás é vencido (cf. Jo 3.3; Ef 2.18,19). Onde se enfatizam as três dimensões, a liderança trabalha para o povo; nas quadridimensionais, a liderança trabalha com o povo. Não é de estranhar, portanto, que na Igreja onde se enfatizam as quatro dimensões a liderança seja composta por aqueles em quem os milagres de Deus acontecem de modo pessoal, e não de segunda mão. Ver a Deus, por exemplo, é experiência de primeira mão: Noé teve uma experiência sensorial com Deus e tornou-se o arauto divino para o arrependimento do seu povo (Gn 6.13); Abraão viu a Deus, e isso resultou num rompimento com a velha e surrada vida no politeísmo de sua terra natal (Gn 12.1ss); Jacó viu a Deus, e desde esse momento tornou-se "o princípe de Deus" ((israel, cf. Gn 32.22-32); Moisés viu a Deus e isso fez diferença na sua vida (Ex 3. 1-12; 34.29-35); Gideão que teve um encontro transformador com o Todo-Poderoso (Jz 6.11-24); Elias recuperou-se de um processo de depressão para a vitória porque viu a Deus (1Rs 19.8ss); Isaías nunca mais foi o mesmo depois da visão de Deus (Is 6.1ss); foi o caso de Paulo (At 9.1.ss). E "ver a Deus" dá novas energias. Quando se experimenta pessoalmente o poder de Deus, não se necessita ser aguilhoado para crer que todas as coisas são possíveis por meio de Cristo Jesus. Um líder que tenha tido uma visão definida de Deus será capaz de amar, terá todas as condições de repassar esperança, assim como capacidade de comunicar a fé. Na verdade, só podemos influenciar e liderar outros até o ponto a que nós mesmos chegamos. Nesse ponto, vai se revelar o líder espiritual em contraposição ao líder natural. Segundo Sanders, o paralelo entre estas duas qualidades de líderes é o seguinte: O Líder Natural 142

· É autoconfiante · Conhece os homens · Toma as próprias decisões · Usa os próprios métodos · Gosta de comandar os outros (e ser obedecido) · É motivado por questões pessoais · É independente. Bem diferente, portanto, do Líder Espiritual, o qual: · Confia em Deus · Conhece os homens e conhece a Deus · Faz a vontade de Deus · É humilde · Usa o método de Deus · Busca obedecer a Deus · É motivado pelo amor a Deus e aos homens · Dependência de Deus Parte XXIV DISCIPLINA NA IGREJA Introdução Disciplina eclesiástica é um termo em risco de extinção no atual vocabulário cristão. Desde que os princípios do pós-modernismo encontraram lugar no seio da igreja,(1) qualquer conceito que ameace o individualismo e a liberdade de escolha quanto ao estilo de vida, comportamento, etc., é logo taxado de arcaico, passé. A dicotomia prática de muitos cristãos gera a ilusão de que a igreja não tem nada a ver com o procedimento "secular" de seus membros. Nessa "nova era" antropocêntrica, a igreja é vista como uma organização altamente dependente do indivíduo, e que precisa conservá-lo ao custo de várias exceções. O medo da impopularidade leva muitos líderes à cumplicidade e pecados são justificados em nome de uma atitude mais "humana."(2) Por outro lado, o que dizer daqueles que, em nome do zelo pela disciplina, cometeram injustiças e causaram mais males que bens?(3) Em todo esse contexto, a disciplina tem uma vida curta e a tolerância consagra-se como a virtude da moda.(4 )Porém, o que acontece com uma igreja sem disciplina? O termo "disciplina," em geral, é empregado em vários sentidos. Podemos usá-lo para referir-nos a uma área de ensino, ao exercício da ordem, ao exercício da piedade(5) ou a medidas corretivas no seio da igreja. O objetivo deste artigo é delinear alguns fatores da importância da disciplina eclesiástica entre os membros do corpo de Cristo. O autor está plenamente consciente de que um artigo como este não coloca um ponto final no diálogo sobre o assunto. Porém, o que motiva esta reflexão é a esperança de que a mesma seja útil para elucidar a muitos quanto ao aspecto bíblico-teológico 143

da disciplina. I. Errando o alvo A igreja cristã tem sido acusada de ser o único exército que atira nos seus feridos.(6) O grau de verdade dessa acusação é, muitas vezes, devido a malentendidos com relação à disciplina eclesiástica. Tais mal-entendidos estão presentes em pelo menos dois grupos: 1) os que aplicam a disciplina, e 2) os que sofrem a aplicação da mesma. Como cada caso deve ser analisado individualmente, só nos cabe aqui listar os mal-entendidos mais comuns em relação à disciplina eclesiástica. A. Disciplina e Despotismo Com a subida ao poder do Partido Nacional na África do Sul, em 1948, a segregação foi legalizada em nome da disciplina. Como resultado, foi sancionado o aprisionamento de negros sem nenhum julgamento formal.(7) Isso não foi disciplina, mas despotismo. A história da Igreja Medieval apresenta uma vasta galeria de ilustrações da confusão entre o uso da disciplina e o exercício do despotismo.(8) Seria isto apenas um fenômeno do passado? Infelizmente basta familiarizar-se com os círculos eclesiásticos para se descobrir que o espírito medieval ainda está vivo e ativo na mente e atitude de alguns líderes modernos. Há aqueles que, como resultado da ganância pelo poder, seguem o caminho de Balaão e amam a injustiça (2 Pe 2.13,15). Estes estarão sempre prontos a "disciplinar" por motivos interesseiros (Jd 16). Não se deve esquecer, porém, que a culpa de Edom consistiu no fato de que "perseguiu o seu irmão à espada, e baniu toda a misericórdia; e a sua ira não cessou de despedaçar, e reteve a sua indignação para sempre" (Amós 1.11). B. Disciplina e Discriminação A confusa identificação entre disciplina e discriminação pode ser vista sob dois aspectos: 1) no abandono do disciplinado por parte da igreja, e 2) na recusa do disciplinado em receber a disciplina. Para se evitar o primeiro erro é imprescindível que a família cristã não desista de um dos seus membros que caiu. Paulo exorta a igreja para que manifeste perdão, conforto e reafirmação de amor para com o arrependido, para que "o mesmo não seja consumido por excessiva tristeza" (2 Co 2.7-8). Outra razão para esta exortação é para que "Satanás não alcance vantagem" sobre a igreja, criando amargura, discórdia e dissensão (v. 11). Há sempre a possibilidade de que o disciplinado não se submeta à disciplina, e acuse a igreja de discriminação. Tal atitude apenas manifesta ignorância e estupidez (Pv 12.1 - tradução literal). Segundo as Escrituras, é o pecado e a determinação em segui-lo que gera discriminação, e não a 144

ou seja.22-23). é como se aqueles que aplicam a disciplina não tivessem nenhum direito de fazer tal coisa debaixo do sol. II. É certo que o mundo vê a disciplina como expressão de ira e hostilidade.15). na Segunda Carta a Timóteo 2. na Carta aos Romanos 16. ou dureza de coração poderiam levar alguém a deturpar os princípios bíblicos sobre a disciplina eclesiástica e justificar sua ausência entre os membros do corpo de Cristo.17-18 e na Segunda Carta de João 9–11 são mencionados os que dissimulam ensinos contrários ao Evangelho." alguns argumentariam. "Que direito temos nós de tomar o corpo de Cristo e fazê-lo um com a prostituição?" (1 Co 6. o Cabeça e Senhor da Igreja (Ef 1.29). é preciso lembrar que toda atitude pecaminosa precisa ser corrigida. ao escrever a Segunda Carta aos Tessalonicenses 3.1-13. mas as Escrituras mostram que a disciplina 145 . Por exemplo. Também. Nenhum direito nos é dado. somente a ignorância.5 e 1 Tm 1. é importante lembrar que a autoridade na disciplina nunca vem daquele que a aplica. Concluindo. mas há algumas que requerem correção pública. mas daquele que a ordenou. Há um princípio claro: "Os pecados que foram explicitamente disciplinados no Novo Testamento eram conhecidos publicamente e externamente evidentes. Paulo descreve as pessoas cujas práticas trazem escândalo à igreja. e na Primeira Carta a Timóteo 1. em Mateus 18."(9) Com relação à autoridade. "Aliás. C.17 o apóstolo recomenda disciplina aos que causam divisões na igreja e.6-10 ele prescreve disciplina eclesiástica para aqueles que se deleitam na preguiça.20. mas sim a responsabilidade de amar o pecador e vigiar para que também não caiamos (1 Co 10. A Necessidade da Disciplina Aquele que ordena a disciplina na igreja é o mesmo que estabelece o padrão a ser seguido no exercício da mesma.20).4-13). O Ensino Bíblico A.12). equívocos. e muitos deles haviam continuado por um período de tempo. Por outro lado. Ou seja. Esse padrão consiste primeiramente em amor paternal (Hb 12. Essa pergunta revela um mal-entendido comum entre disciplina e arbitrariedade. a pergunta a ser feita dever ser: "Com que direito um membro da Igreja do Cordeiro profana o sangue da aliança e ultraja o Espírito da graça?" (Hb 10.16-17 o evangelista fala daqueles que se recusam a abandonar o pecado mesmo diante de uma amorosa exortação pessoal. Na sua Primeira Carta aos Coríntios 5. "não somos todos pecadores?" Primeiramente. Disciplina e Arbitrariedade "Com que direito fizeram isso?" Tal é a pergunta que constantemente se ouve em casos de disciplina.disciplina (1 Co 5. Além do mais.

O v.24).15. a mesma produz paz e retidão (v.19).1-10 e Ap 3. todavia. a disciplina na igreja está fundamentada não apenas no exercício do bom senso.5 e Gl 6. A igreja de Tiatira foi repreendida devido à sua flexibilidade moral (Ap 2. 10). 12.20). Segundo as Escrituras.1-13).. Além do mais. disciplina envolve relacionamento familiar (Hb.13).7-9).11-12a). pois nunca se pode prever a reação do mesmo. instruir. 146 .19).15-17) e nos escritos de Paulo (1 Co 5. Deus não disciplina bastardos. A disciplina que vem do Senhor "é para o nosso bem (v." Ainda que seja inicialmente doloroso receber disciplina.3. 13 ensina que o propósito de Deus em disciplinar não é o de incapacitar permanentemente o pecador. dirige nossa atenção para a alegre possibilidade de que tal irmão nos ouça. O termo hebraico rasUm é usado no Antigo Testamento como sinônimo de "instruir" (Pv 1. o grego paidei/a possui sentido semelhante e é freqüentemente usado na analogia entre a disciplina dos filhos por seus pais e a correção que vem do Senhor (ver Hb 12.5-6). o Pai celestial está apenas tratando-os como seus filhos. disciplina e sabedoria estão intimamente ligadas nas Escrituras (Sl 50. o termo grego e)/legcon ("arguir.6-8) e 3) dissuadir outros (1 Tm 5. 11). 8). Uma das melhores coisas a se fazer por um irmão em pecado é confrontá-lo em amor (Pv 27. "corrigir" (Pv 22. É este triplo propósito que aponta para os passos a serem seguidos em uma aplicação correta da disciplina eclesiástica. Jesus. A correta disciplina deve ser sempre aplicada com amor e não com ira (Pv 13. No Novo Testamento.32). O mandato bíblico referente à disciplina é encontrado especialmente no ensino de Jesus (Mt 18. A igreja sem disciplina é uma igreja sem pureza (Ef 5. Mas é sempre arriscado confrontar alguém.1). 15 (Se teu irmão pecar vai argui-lo entre ti e ele só.15 e 23. Esses passos são especialmente mencionados em Mateus 18. Além do mais. confrontar.18 e 4. Pv 1." v. O v. mas principalmente nos imperativos do Senhor. Os Passos da Disciplina Biblicamente. Amor e disciplina possuem conexão vital (Ap 3. A correção é fonte de esperança para os que a aplicam e vida para aqueles que a recebem corretamente (Pv 19. mas antes de restaurá-lo à saúde espiritual. B. O padrão de disciplina divina revela também maravilhosos benefícios. e quando os cristãos recebem disciplina divina. Nesse sentido.1-2 e 15. a disciplina na igreja tem um triplo objetivo: 1) restabelecer o pecador (Mt 18. 8). 1. ou seja.25-27) e sem poder (Js 7.de Deus é um exercício do seu amor por seus filhos.15-17.. Também.20-24). Abordagem individual. 2) manter a pureza da igreja (1 Co 5. 15) também pode ser traduzido como "trazer à luz. há clara referência bíblica de que a igreja que negligencia o exercício desse mandato compromete não apenas sua eficiência espiritual mas sua própria existência.13) ou "castigar" (Is 53.17.5).) ensina que a confrontação é um tarefa cristã. filhos ilegítimos (v. 1 Co 5.

3.12). Nenhum deles é agradável e eles só prosseguem diante de dureza de coração do ofensor."(10) É significativo o fato de que esse é o mesmo termo usado em João 16. ou seja. Com isto. e do juízo. Em outras palavras.15).No caso de o ofensor não atender à confrontação individual.210). Assim. da justiça. Há porém o conforto de saber que a presença e o poder de Jesus são reais mesmo no contexto desse processo (Mt 18. 16). evitar comentários desnecessários (2 Ts 3. É claro que cada um desses passos envolve dor.19-20). "comunicar"). a recusa ao arrependimento. tempo.expor. Com estes não há mais comunhão cristã.8 para descrever o ministério do Espírito em relação àqueles que estão no mundo. pois o ofensor deliberadamente recusou os caminhos prévios do arrependimento. Além do mais. Tal oficialização pública da disciplina traz implicações temporárias em relação aos sacramentos (1 Co 11. Se o seu pecado é heresia. eles não devem nem mesmo ser recebidos em casa (2 Jo 10-11). pois deliberadamente recusam os princípios da vida cristã (1 Co 5.(11) 4. nosso pecado traz conseqüências pessoais e coletivas. A princípio. 17) .1415) e vigiar a si próprio (1 Co 10. pode parecer que o objetivo desse passo é intimidar o ofensor. Uma atenção maior."(12) III.30. Jesus afirma que as outras pessoas envolvidas nesse processo serão testemunhas.27).11). mas algo a ser conduzido na presença do Senhor. Nesse caso. Nesse caso." Assim. Pronunciamento público (v. "fora. Exclusão pública . a disciplina eclesiástica "não é uma atividade a ser realizada facilmente. Diante de tal pronunciamento cada membro do corpo de Cristo deve orar pelo pecador.O último recurso da disciplina é o da excomunhão (do latim ex. 2." e communicare. ou seja. porém. e o ofensor é beneficiado. na qual o ofensor é privado de todos os benefícios da comunhão. Admoestação privada . Dt 17. o que diminui as chances de injustiça. a objetividade do caso é preservada. em convencê-los (confrontá-los) "do pecado. Implicações teológicas 147 . o desvio doutrinário das verdades fundamentais ensinadas nas Escrituras. levanos a entender que o propósito do mesmo pode ser o de conscientizar o ofensor quanto aos prejuízos de sua atitude para com a comunidade do corpo de Cristo.6 e 19. Isto é uma referência à prática vetero-testamentária de não se condenar alguém com base apenas em uma opinião pessoal (ver Nm 35. um número maior de pessoas é envolvido. amor e transparência. antes de confrontar um irmão. Jesus ordena que haja admoestação privada (v. o ofensor é tido como gentio (a quem não era permitido entrar nos átrios sagrados do templo do Senhor) e publicano (que eram considerados traidores e apóstatas: Lc 19. podemos sempre clamar por socorro Àquele cujo ministério de confrontação é sempre eficaz.Tal proceder nunca é violação de segredos.

Sem a intenção de limitar. nem ruga. mas tão somente de elucidar. "a disciplina eclesiástica é tão necessária quanto os ligamentos do corpo humano. a menos que pensemos que podemos omitir um recurso que o Senhor considerou necessário para nós. B. da administração dos sacramentos e do exercício da disciplina eclesiástica. ainda que esse pecador seja um dos membros da igreja. A negligência do povo de Deus quanto aos mandamentos do Senhor motiva os incrédulos a blasfemar o nome de Deus (Rm 2. C. Segundo ele. porém santa e sem defeito" (Ef 5. A. Disciplina e as Marcas da Igreja A Reforma Protestante do século XVI considerou importantíssima para a teologia cristã a seguinte questão: Como distinguir entre a igreja verdadeira e a falsa? Em outras palavras. pois é um meio instituído por Deus para manter pura a sua igreja. Assim. Sem a visão dessa seriedade. O servo de Deus sempre deve almejar a pureza da noiva do Cordeiro (2 Co 11.7 e Mt 6. A disciplina eclesiástica ressalta a seriedade do pecado."(13) A exclusiva adoração a Deus é um mandato divino (Mt 4.(14) Um princípio essencial da adoração cristã é o zelo pela santidade do nome do Senhor (Ex 20.24). e deve seguir os princípios revelados por Deus em sua Palavra.10). tais marcas consistem da proclamação da Palavra."(15) Nesse sentido. 148 . Disciplina e a Adoração Cristã A verdadeira adoração "é a mais nobre atividade de que o homem. é capaz."(16) Sendo que Cristo deseja sua igreja "sem mácula.27). o zelo pela santidade do nome de Deus implica diretamente no exercício da disciplina eclesiástica. ou como a disciplina em família. pela graça de Deus. é uma marca da fé salvadora (Fp 3. Há uma relação entre disciplina eclesiástica e evangelismo. "aqueles que pensam que a igreja pode sobreviver por longo tempo sem disciplina estão enganados.10 e Ap 19. Esse amor pelo pecador cristão também reflete o amor da mesma pelo pecador incrédulo. a igreja não é corretamente motivada a buscar a redenção do pecador.18-29). a disciplina eclesiástica é altamente relevante. mesmo diante da possibilidade da sua contaminação pelo mundo.3). quais são as marcas da verdadeira igreja cristã? Para o reformador João Calvino. Disciplina e Evangelismo A disciplina evidencia o amor cristão pelo pecador.1-3). nem coisa semelhante. oferecemos três tópicos teológicos que estão vitalmente ligados ao processo da disciplina eclesiástica.9). Uma igreja adoradora e ao mesmo tempo tolerante para com o pecado no seu seio é uma contradição de termos e recebe a repreensão do Senhor (Ap 2.

se recusa a aplicar um medicamento que pode curar o seu paciente apenas porque o mesmo é forte. ambos (evangelismo e disciplina) almejam a liberdade do pecador e a concretização do triunfo histórico da graça sobre o pecado na vida do mesmo (Rm."(17) Conclusão Laney adverte para o fato de que "a disciplina é como um medicamento muito forte: pode trazer a cura ou causar maior dano. Uma igreja sem disciplina proclama uma liberdade desconhecida. uma bênção divina (Hb 12. trad. Dining With the Devil: The Megachurch Movement Flirts With Modernity (Grand Rapids: Baker. que a disciplina requer profundo amor por parte da igreja que a aplica e semelhante humildade e quebrantamento por parte daquele que é disciplinado (2 Co 2. o bispo Robson Cavalcanti teoriza sobre casos em que a poligamia poderia ser considerada uma atitude mais humana. conseqüentemente.5-11). Como diz Barnes. 1983). 5 Richard J. 6. Essa relação vital entre evangelismo e disciplina é clara à luz de 1 Co 5. Uma séria reflexão bíblica sobre a disciplina eclesiástica evidencia dois princípios básicos. 2 Ver Guilherme de Barros. A disciplina é dirigida àqueles que estão dentro dos portões da igreja e que estão se sujeitando ao domínio do pecado." 3 Essa é uma constante referência à obra clássica de Nathaniel Howthorne. Segundo. Celebração da Disciplina: O Caminho do Crescimento Espiritual.D. ou rejeitada. Nessa entrevista. mas sim uma ordenança e. pelos seus próprios membros. nenhum doente faz opção pela morte ou pela continuidade da doença se a vida e a cura podem estar tão próximas.1-23). porém. O presente autor discorda do bispo e crê que a questão retórica a ser levantada não é se condenar a poligamia "seria humano.Uma igreja sem disciplina torna-se um impecilho para o avanço do evangelho. Illinois: Josh McDowell Ministry). Foster. que a disciplina na igreja não é uma opção. 4 Josh N." Vinde (Julho 1997):7-12. Assim. 1993). "O Pastor da Esquerda Evangélica. 1 Ver Os Guinness. Tolerating the Intolerable: A Mandate of Love (Wheaton. Também. O evangelismo é dirigido aos que estão fora dos portões da igreja e que estão escravizados pelo pecado." mas sim se a prática atual da mesma "é bíblica. Luiz Aparecido Caruso (São Paulo: Vida. "há pouca vantagem em uma greja que tenta vencer o mundo se ela já tem se rendido ao mundo.57). The Scarlet Letter. Primeiro. McDowell.12-13. 149 ."(18) Nenhum profissional médico.

14 Confissão de Fé de Westminster. Vine’s Expository Dictionary of Old and New Testament Words (Nova Jersey: Fleming H. Minha tradução. Minha tradução. A única exceção a esse princípio foi "o pecado secreto de Ananias e Safira (At 5. 15 John Calvin. 1970).. CD). 11 R. 896. ed. F. "The Biblical Practice of Church Discipline. "Discipline. Inc.. I. Minha tradução. Systematic Theology." The Banner of Truth 414 (Março 1998): 20. o veremos” (1Jo 3. 200. "Discipline. W. porque assim como é. B. 1997 (The Learning Company. 17 Peter Barnes. agora somos filhos de Deus. Revell. 1984). 283-4. “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. Systematic Theology (Grand Rapids: Zondervan.4. Por isso o mundo não nos conhece. 18 Laney. Ferguson. 9 Wayne Grudem. 13 John R.1-11). 8 Justo L. 150 . Minha tradução. XXI. 7 Compton’s Interactive Encyclopedia. Wright. e J. 1960). ed.7. "Biblical Church Discipline. 1994). Christ the Controversialist: A Study in Some Essentials of Evangelical Religion (Londres: Tyndale Press. Institutes of the Christian Religion. Packer (Downers Grove: InterVarsity. Nesse sentido a atuação extraordinária do Espírito Santo resultou em grande temor entre os membros da igreja. Bruce. 12 Grudem. S. 4. e nós o somos. González. Amados.i.2). 277-359. eds. 160. 1981). F.. John T. 1988)." 200. Minha tradução.1. porque não conheceu a ele. e ainda não é manifesto o que havemos de ser. The Story of Christianity (Nova York: HarperSanFrancisco. Parte XXV É MARAVILHOSO." em New Dictionary of Theology." 10 F. N. 898. quando ele se manifestar. Minha tradução. 16 Caswell. Caswell.6 Carl J. "The Biblical Practice of Church Discipline. D. McNeill (Filadélfia: Westminster. Mas sabemos que." Biblioteca Sacra (Outubro-Dezembro 1986): 353-64. Stott." 363. seremos semelhantes a ele. Laney.

mas eu também sou filho de Deus.. e já vencestes o Maligno” (2. não deixa por menos: “Pois todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. como. ao passarem Jesus e os discípulos por Samaria. verso 26.1). mas não é da Bíblia. pois quem não tem fé em Jesus Cristo não é filho de Deus! 151 .14). Somos uma obra de arte de Deus.” Talvez fosse. se todos somos criaturas. experimentado. fala de uma experiência presente na nossa caminhada em e com Cristo... é poeimia. por sinal. Algo especial vai acontecer. ao perceber a má vontade dos samaritanos em receber o grupo porque era composto de judeus (pois havia inimizade entre samaritanos e judeus. Lc 9. Ela tem qualidades extraordinárias. É nessa carta que ele diz que “Deus é amor” (4. Este tão intolerante e raivoso João é o mesmo que quase sessenta depois. que “temos um advogado para com o Pai” (2.. ainda. daquilo que nos aguarda. “somos feitura sua.. da presença de Jesus Cristo. e fala do futuro. “Eu escrevi. Ouvi nesta semana um pedaço de conversa no supermercado em que um cidadão dizia para o outro: “. mas a idéia geral e popular é essa. de Sua manifestação na Segunda Vinda. e nós o somos” (v. Estes dois versículos nos dão uma grande descoberta: o evangelho de Jesus Cristo tem uma mensagem de alcance mundial. Escreve esta carta debaixo de uma ternura tão grande. de onde vem nossa palavra “poema”. 1). jogado para trás. criados em Cristo Jesus para boas obras. indaga de Jesus se não seria conveniente pedir um raio que acabasse com os samaritanos tão sem hospitalidade (cf. Então. jovens. não queremos julgar. Quem são os filhos de Deus? A pergunta tem pertinência porque existe uma teologia popular que afirma que todos são filhos de Deus. da gloriosa epifania..8). É popular. amadurecido. Este é o mesmo João que um dia. ainda hoje acontece). que passaremos a comentar. Gálatas 3.51-54). Fizemos o destaque dos versículos iniciais do capítulo 3. tão extraordinária que fala de quando nosso passado foi obliterado.” Já fez uma tremenda limitação. A palavra “feitura” é muito sugestiva na língua em que Paulo escreveu esta carta. e a palavra de Deus permanece em vós. tem agora um tratamento absolutamente diferente. como atestam suas palavras do início até o verso final.Sou fascinado pela Primeira Carta de João. as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas” (Ef 2. porque sois fortes. “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. que ensina que somos criaturas de Deus. quem é filho de Deus? Há inúmeras referências na Bíblia Sagrada sobre isso. e isso é maravilhoso! É MARAVILHOSO.10). mas tão somente criaturas. ou como o apóstolo Paulo deixou registrado. É maravilhoso sermos “chamados filhos de Deus”. e.

E diz a Bíblia que quem anda na honestidade de seu coração voltado para a fé em Jesus Cristo. Palavrinha boa. e os seus não o receberam. Uma melhor tradução para esta afirmação de Jesus Cristo é “Bem-aventurados os promotores da paz. porque eles serão chamados filhos de Deus”. estava com a verdadeira face aparecendo. que são filhos de Deus os que promovem a paz. não o considera com responsabilidade na vida. ser puro de mãos e limpo de coração. A modo exclamativo. e agora temos uma vida toda nova porque fomos considerados justos pelo Senhor. sem a cera no rosto. a todos quantos o receberam. Mas. A Palavra de Deus é tão clara quando diz. que são filhos de Deus os que andam em sinceridade.Quem é filho de Deus? Os que têm fé e crêem em Cristo Jesus. a expressão facial têm enorme importância no teatro moderno. Para passar alegria. Diz ele: “Veio [Cristo] para o que era seu. Uma oração atribuída a Francisco de Assis pede 152 . visto que a postura corporal. “Bem-aventurados os pacificadores. ao Evangelho de João. Diz a Palavra Santa que é filho de Deus quem é praticante da justiça.1). deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus” (Jo 1. No teatro romano.9). o tom da voz.Se assim é. usavam-se máscaras: uma tinha a boca voltada para cima como se estivesse sorrindo. então. entre a qual resplandeceis como luminares no mundo” (Fp 2. essa pessoa é filha de Deus. o mesmo em informática: pode-se justificar pelo lado esquerdo. O modo de fazer teatro era diferente do nosso. se tristeza.. palavras Suas. colocava-se no rosto a máscara feita de cera denotando felicidade.11. É o mesmo escritor da carta que estamos apreciando. Glória a Deus porque pela fé somos considerados retos diante de Deus: tudo o que é passado vai para a lixeira da eternidade. A Bíblia diz. não. temos paz com Deus. justiça! Ser justo é ser reto no que se faz. porque eles serão chamados filhos de Deus” (Mt 5. “Como são feliz os artesãos da paz porque Deus os tem como herdeiros de Sua natureza”. A palavra sincero vem do teatro greco-romano. Quando o ator não estava de máscara. Vamos. Pacificador não é o não-violento. e dava idéia de alegria.10: “Nisto são manifestos os filhos de Deus. E o propósito do evangelho é patente: “. aos que crêem no seu nome [aos que têm fé-adesão.. pela fé. ou.12). Nas artes gráficas. Uma pessoa “sincera” (sem cera) ´não está mascarada.. Essa citação encontra outra versão em 1João 3..para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros. pelo direito ou pelo meio. filhos de Deus imaculados no meio de uma geração corrupta e perversa. mostra quem é. que teologia é essa que ensina que todos somos filhos de Deus? Se alguém não acompanha a Jesus. e denotava tristeza. nem o que foge de conflitos: é o que promove a paz. Diz a Palavra de Deus. compromisso]. não tem um comprometimento sério com Ele pode efetivamente ser chamado “filho de Deus”? Pela Escritura Sagrada. Ser sincero é ter uma face autêntica. justificar é colocar tudo reto. “Justificados. ainda. por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5. ainda. portanto. a máscara triste de cera era colocada no rosto. e os filhos do Diabo: quem não pratica a justiça não é de Deus”.15). e a outra tinha a boca voltada para baixo como se chorasse. pois.

na lei romana.... seremos semelhantes a ele. neste instante. Neste verso. E como a nossa lei é herdeira direta da linha-mestra do Direito Romano. segundo o beneplácito de sua vontade” (Efésios 1. cf. Está dentro do espírito do evangelho. nos elegeu nele antes da fundação do mundo.5 esclarece: “vindo a plenitude dos tempos. palavras que anunciam o glorioso fato de que pertencemos à família divina. porque sois filhos. adoção era considerada como equivalente à verdadeira filiação. como objetivo que os seres humanos sejam chamados Seus filhos.. para resgatar os que estavam debaixo de lei.. duas das suas idéias centrais se encontram: o amor e a filiação da parte de Deus. Diz que fomos adotados por Deus: é a adoção. A Bíblia diz que Deus nos gera no coração agora! Precisamos entender. Por isso o mundo não nos conhece. o veremos”. e isso é mais íntimo.” (1Jo 3. que clama: Aba.“Senhor.2). João nos apresenta o aspecto natural: fala de geração. Além de referendar a primeira e já comentada declaração. Um amor que tem como fim. para si mesmo. É como claramente diz João: “somos filhos de Deus”. nascido debaixo de lei. e nós o somos.. o qual . a fim de recebermos a adoção de filhos” e “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. mas João diz que fomos gerados. Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho.1. sob a qual Paulo viveu. Deus enviou seu Filho.6). respondeu com muita ternura. “Não.. Filhos de Deus são os guiados pelo Espírito Santo de Deus. e ainda não é manifesto o que havemos de ser. também no nosso Direito o filho adotado é reputado como filho que nasceu do ventre daquela mãe.14. Paulo nos dá o aspecto legal. é seu filho de criação?”. no entanto. Ao ser indagada pelo interlocutor. “E. porque não conheceu a ele.2a). “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus.. “então. acrescenta que “neste momento. para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor.3-5. Voltando ao texto básico (“Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. O Espírito mesmo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8. quando ele se manifestar. faze de mim um instrumento de Tua paz”. Gálatas 4. portanto. Amados. O fato de que agora somos filhos de Deus. nascido de mulher. é meu filho do coração. Rm 8. 16).. pois “Amados. E isso é simplesmente maravilhoso porque não 153 . agora somos filhos de Deus. Pai” (Gl 4.” Que lindo jogo de palavras. Mas sabemos que. agora somos filhos de Deus.. Paulo diz que fomos adotados. Paulo e João nos dizem que a relação fundamental dos salvos com Deus é filial. Há o filho que nasce do ventre e há o que nasce do coração. Uma pessoa quis falar de uma criança que havia adotado. Os apóstolos usam ambas as figuras. esses são filhos de Deus . e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo. 1Jo 3. agora somos filhos de Deus”! E isto é mais extraordinária porque ninguém precisa ficar esperando que uma determinada situação aconteça para tentar obter a filiação divina. descobrimos que é mais extraordinária uma declaração que vem a seguir: É MAIS MARAVILHOSO. porque assim como é.15)..

no segundo nascimento. Estamos no aguardo do retorno de Cristo. sendo filhos da ressurreição” (Lc 20. os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles. com poder e grande glória. ? Recebemos o amor e a disciplina da parte do Pai: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus” (1Jo 1. e verão vir o Filho do homem sobre as nuvens do céu. letrada ou não. no espiritual. Depois nós.36).2b).52). e procuram falar contigo. se filhos. seremos semelhantes a ele” (Jo 3. mas já acontece agora. Aqui temos três informações importantíssimas: O Senhor Jesus ainda se manifestará.46-50. também herdeiros.. profetizou que Jesus havia de morrer pela nação. E vivemos na expectativa de um futuro glorioso e radiante. Ele virá e nos tomará para Si como nos prometeu em Mateus 24. respondeu ao que lhe falava: Quem é minha mãe? e quem são meus irmãos? E. filhos de Deus. como destaca 1João 3. herdeiros da Sua glória. E porque filhos de Deus. Isso quer significar uma série de privilégios: ? Somos congregados num só corpo: “o sumo sacerdote naquele ano. 154 . os quais lhe ajuntarão os escolhidos desde os quatro ventos. itálico do autor). e todas as tribos da terra se lamentarão. Deus vos trata como a filhos. mas também para congregar num só corpo os filhos de Deus que estão dispersos” (Jo 11. se é certo que com ele padecemos. para que também com ele sejamos glorificados” (Rm 8. 17). e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. E ele enviará os seus anjos com grande clangor de trombeta.3) e “É para disciplina que sofreis. e são filhos de Deus. sabemos que. Filhos da ira que éramos. E esse estado é desfrutado agora.30.16. nas nuvens. “. É AINDA MAIS MARAVILHOSO.. irmã e mãe” (Mt 12. tornamo-nos. Pois qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus. ? Somos filhos da ressurreição: “porque já não podem mais morrer. e não somente pela nação.2. de uma à outra extremidade dos céus”. ao encontro do Senhor nos ares. ansiamos por Sua vinda. 31: “aparecerá no céu o sinal do Filho do homem.. Ele.7).17). estendendo a mão para os seus discípulos disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. ao som da trombeta de Deus. a ser explicado em seguida. Seus interesses se tornam nossos interesses. por adoção. Observe o relato a seguir: “Disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos. ? Somos herdeiros de Deus: “e. esse é meu irmão. herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo.acontecerá no futuro. pois qual é o filho a quem o pai não corrija?” (Hb 12. à voz do arcanjo.. quando ele se manifestar. pois são iguais aos anjos. e assim estaremos para sempre com o Senhor” (1 Ts 4. seja a pessoa abençoada rica ou pobre. porém. Este texto é referendado por “o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado. filhos da desobediência. No nascimento carnal.

e todas as tribos da terra se lamentarão. Diga a Jesus: “Senhor. por exemplo. Implícito em todo o que foi dito por João e Paulo está a Segunda Vinda. 155 . “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem. Como seria este “corpo espiritual”? É só lembrar o episódio da transfiguração: “tomou Jesus consigo a Pedro. creio no que Tu pregas. eu creio no que Tu falas. Mas quando Jesus retornar. e. onde muitas pessoas a cada dia seguem rumo à morte.Nós o veremos como é. E essa felicidade de que estamos gozando tem algo tremendamente emblemático: a própria palavra começa com a sílaba – FÉ -. isso já ficou para trás! Vamos vê-Lo gloriosamente retornando como a Bíblia descreve: “Eis que vem com as nuvens. com poder e grande glória” (Mt 24. então também vós vos manifestareis com ele em glória” (Cl 3. Ef 5. E não é verdade? Tudo começa com fé. repetimos. 2). pois serve a um Deus inigualável.30). Este povo é diferente. 1Co 2. e foi transfigurado diante deles.4).7a). Agora. e todo olho o verá” (Ap 1. precisamos imitar a Jesus Cristo agora (“sede pois imitadores de Deus. este povo são os remidos do Senhor Jesus Cristo. agora. fomos conquistados por Cristo. segundo o ensino da Bíblia. E tudo isso começa com uma coisa: a fé. a Tiago e a João. como filhos amados”. sem esperança alguma de salvação. faz uma oração distinta e tem um poder único. e verão vir o Filho do homem sobre as nuvens do céu. você pode se tornar filho de Deus! Parte XXVI EVANGELIZAÇÃO .1). e os conduziu à parte a um alto monte.1. possui uma mensagem diferente. o seu rosto resplandeceu como o sol. que é a nossa vida. mas também o corpo semelhante ao corpo glorioso de Cristo.16).A AÇÃO DO EVANGELHO O mundo atual no qual vivemos se encontra em um estado terrível pecaminosidade. comprados por um alto preço de sangue. Porém há um povo sobre a terra que recebeu uma mensagem de vida. se manifestar. Não fomos tomados emprestados da mão do diabo. a transformação dos corpos operada na ressurreição. comprado pelo sangue. é incompatível com o propósito da manifestação de Cristo. A Bíblia é um tanto econômica sobre esse assunto. para ser entregue aos homens. Agora o veremos na Sua glória como Rei dos reis e Senhor dos senhores! Há uma terceira etapa: isso vai completar nossa semelhança com Ele. “corpo espiritual”. vai de tal maneira que não somente teremos a mente de Cristo. irmão deste. Mas o querido leitor não precisa esperar pela Segunda Vinda de Jesus Cristo para receber a filiação divina: pela fé. Esta visão extraordinariamente gloriosa pode ser uma pista para entendermos o “corpo espiritual” de que fala Paulo. precisamos ter a mente de Cristo como Paulo enfatiza (“nós temos a mente de Cristo. e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz” (Mt 17. Por isso. Isso é extraordinário porque “Quando Cristo. não soube como dizer como seria este corpo igual ao corpo glorioso de Cristo. Este povo não pode parar diante das densas trevas que se levantam. de luz. Não como homem de dores. creio e quero receber as bênçãos do Calvário!” O pecado é incompatível com o fato de ser filho de Deus. creio na salvação trazida por Ti! Eu creio na Tua cruz. não na Sua Paixão. a reconfiguração dos que estiverem vivos naquela ocasião. colocou uma expressão. Paulo.

nada pode nos impedir. O Evangelismo é uma arma poderosa se usada de forma correta. naquele exato momento começa-se a cumprir as promessas de Deus com relação ao Salvador da humanidade. de tal maneira que os homens possam confiar nele como Salvador e servi-lo como Senhor de suas vidas. para isso vamos analisar o que a Bíblia nos ensina com respeito a este tema. EVANGELIZAÇÃO A palavra evangelização provém do grego evaggelizo. porque se isto fizer-se até mesmo as pedras clamariam. cujo significado é: "Anuncio boas novas". EVANGELHO O termo evangelho vem do grego evanguélion. boas novas. evangelização é levar o evangelho às pessoas. Definindo Três Palavras: Evangelho. enquanto uma se torna uma tarefa. hão de empenhar-se apaixonadamente na propagação do evangelho. Muito campo ainda falta para ser conquistado.10. literalmente. induzi-los à aceitação de Jesus Cristo como Filho de Deus. Deus nos chamou para destruir as obras do diabo. que tem o significado de levo ou trago boas novas. pois. muita terra para ser alcançada.Este povo não pode calar. Quando os anjos anunciaram aos pastores o nascimento de Jesus (Lc 2. com as coisas deste mundo. EVANGELISMO Evangelismo é a ação cujo objetivo é levar os homens a conhecerem sua condição de pecadores perdidos e a conhecerem o plano de Deus para sua salvação. Evangelho é então o anuncio do cumprimento da providência de Deus para salvação dos pecadores. Levantando bem alto a bandeira do Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Evangelização & Evangelismo Estas três palavras possuem definições fortes e contundentes em nossas vidas. e estão nas mãos da Igreja. Desta forma podemos definir que evangelização é quando levamos as pessoas ao pleno conhecimento da verdade de Deus em relação ao seu filho Jesus Cristo. é a apresentação de Jesus Cristo no poder do Espírito Santo. Temos que avançar. porém que entendem que a evangelização é uma ação que consiste em levar perdidos a Jesus para serem salvos por Ele.11) foi empregado o verbo correlato evanguelizo. ambas dependem uma da outra. Não podemos nos deter. Uma delas é voltada para o mundo em pecado a outra é voltada para a Igreja. e anunciarmos ao mundo que o Rei está voltando. Aqueles. a outra é a descoberta da salvação e a outra é a ação. que se realizou com a vinda de seu filho ao mundo. colocando o reino das trevas em retirada. 156 . que significa. Basicamente.

Na ordem de Jesus registrada em Marcos 16.4). 2 . nos colocamos em posição de ordem. na organização eficiente da evangelização local e missionária. cresce em poder e fé e se desenvolve.O mundo inteiro. Desta forma a evangelização de uma pessoa não termina quando ele aceita a Jesus mas está apenas começando.Informação: Evangelismo é uma ação que tem por fim informar. implica também.Convencer: Evangelizar também é convencer o homem de seu estado pecaminoso.Salvador e Senhor. vamos encontrar alguns motivos fortes que nos levam a querer fazer evangelismo. a qual não pode estar nas mãos de pessoas individualistas que não possuem compromisso com a obra de Deus.15. vejamos alguns destes pontos fortes: 1 . Essa vontade revela o amor de Deus para com todos os pecadores e ao mesmo tempo a grandiosidade da obra que é a evangelização. distinguem-se os seguintes elementos: a) O Campo de Atividade para a Evangelização . é preciso investir. que entregou seu filho para salva-lo. aplicando-se cada vez mais ao serviço de Deus.Integração: Consiste no discipulado. e integrá-los na vida cristã.O Conhecimento da Vontade de Deus . são eles: 1 . espiritual e dinâmico. 2 . chegamos a conclusão. Se faz necessário que o ser humano seja informado de sua condição de pecador e de sua vida distanciada da presença de Deus.Quando lemos a Bíblia Sagrada e nela encontramos que a principal vontade de Deus é que todos cheguem ao pleno conhecimento da Salvação (I Tm 2. treinar. Nesta definição vamos encontrar três pontos básicos de apoio que devem ser verificados. Nesta área de informação deve-se utilizar todos os meios de comunicação possível. desde o rádio até a Internet. Depois de examinarmos estas definições. além de anunciar ao homem o seu estado é necessário que o evangelista dê lugar ao Espírito Santo para que este possa usá-lo para convencer o pecador que ele precisa de salvação. MOTIVOS QUE NOS LEVAM AO EVANGELISMO Quando lemos a Bíblia Sagrada. 3 . que evangelizar é uma tarefa muito importante e difícil.Nesta ordem de Jesus podemos ver que se faz necessário a existência de um discipulado obediente.16). pois sendo Deus meu Senhor devo fazer de tudo para que a sua vontade seja cumprida. durante o qual o novo crente aprende as doutrinas bíblicas. da necessidade de arrependerse de seus pecados e ser informado que Deus o ama (Jo 3. 157 .A Ordem de Jesus . capacitar e ter métodos avançados e modernos de evangelização.

como ovelhas sem pastor.Compreensão de que Somente o Evangelho pode Salvar . Ele é com toda a certeza o maior de todos os evangelistas que o mundo já teve.Características Pessoais 158 . 23. será que vamos cruzar os braços diante desta grande tarefa ? 6 .Quando lemos na Bíblia Sagrada. 4 .Visão da Responsabilidade Pessoal . desgarradas e sofrendo. como se encontram as almas sem Cristo ( Rm 3. e os crentes tem este poder. E como podemos escapar desta responsabilidade? Não podemos.b) O Alvo a ser Atingindo . haja vista que a cada dia que se passa milhões de pessoas nascem. 5 .13-17). mas o evangelho têm. voltado inteiramente para a obra de evangelização das almas. 6.A Revelação das Sagradas Escrituras . se não tivermos esta visão das almas nunca teremos coragem de evangelizar. o desenvolvimento econômico também não têm capacidade de oferecer salvação.Jesus disse que o nosso campo seria o mundo (Mc 16.10-12. ela pode até ajudar na vida material mas. E nesta mesma revelação vamos encontrar a Bíblia afirmando que uma só alma vale mais que o mundo inteiro ( Mc 8. A grande solução da humanidade não está na política bem feita. e estão esperando por nós. Vamos ver algumas características que este grande evangelista possuía.É tolice tentar encontrar salvação fora do Evangelho (Rm 10.A pregação do evangelho. muitas em países comunistas. O EVANGELISMO VISTO NOS QUATRO EVANGELHOS Dentro dos quatro evangelhos.Quando Deus chamou a Ezequiel. vamos encontrar um personagem central. e começamos a pensar no sofrimento que há no inferno e que este sofrimento é eterno para aqueles que não aceitaram a Jesus Cristo e que eles poderão estar lá porque eu não fiz a minha parte. Ele o colocou como atalaia sobre a casa de Israel. (Ez 3.23). c) A Tarefa específica a ser cumprida .37).36. nem a ciência tem poder para isto. 3 .A Visão da Extensão da Obra . e como ele organizou uma campanha de evangelismo bem preparada e equipada. JESUS O PRIMEIRO EVANGELISTA 1 .15). Para podermos evangelizar as almas precisamos olhar como Jesus olha para elas.17) será que é diferente? Deus tem nos constituído como um atalaia não apenas em Israel mas principalmente para o mundo. não servirá de nada no lado espiritual. e este evangelho que está em nós devemos repartir com aqueles que ainda não conhecem a Salvação que está em Cristo Jesus.O homem. Deus ordenou e temos que cumprir nossa missão. que ainda impõem as cortinas de ferro.

14. d) Espírito de Sacrifício . As técnicas. ampliação sonora. dois métodos: Ensino Pessoal (Zaqueu.Jesus durante toda a sua vida. procurando. Jo 4. passava noites inteiras orando. gravação em discos. ( Lc 5. a Bíblia relata que dois dos discípulos de João Batista o seguiam. g) Dinamismo . Ele não tinha pressa em evangelizar. MÉTODOS DE EVANGELIZAÇÃO UTILIZADOS POR JESUS CRISTO Jesus empregou. vamos encontrar quando a Bíblia afirma que Jesus por compaixão as almas que ali estavam as curou de suas enfermidades. modificadas para se adaptar-se as necessidades. na evangelização.a) Esforçado . tomasse outro rumo a não ser o reino de Deus (Jo 3.Jesus compreendia as fraquezas humanas.Jesus era esforçado na obra que realizava. estas sim. Os métodos de evangelismo são imutáveis. podem evoluir. Nicodemos) e Proclamação às Massas. serem substituídas. que ajudam a divulgação do evangelho. passava horas e mais horas curando os enfermos. contudo.Neste mesmo episódio revela duas outras características de Jesus a Paciência e Determinação.28). percorria vilas e cidades pregando a palavra de Deus e jamais despediu uma pessoa sem lhe ajudar. Ele perdoava aos que se arrependiam. pois ele mesmo declarou (Mt 20. b) Paciência e Determinação . e ao invés de ser um juiz implacável. a considerar o pecador como um enfermo. e) Preciso . ensinado-lhes a palavra de Deus. Internet e etc. f) Espírito Compreensivo e Perdoador . O evangelista precisa aprender com o Mestre a combater o pecado.Em Mateus 14. viveu uma vida de sacrifícios. eles queriam apenas conhecer aonde o Mestre morava porém Jesus aproveitou a oportunidade para convence-los de que Ele era o Messias esperado por Israel. ele podia apenas ter mostrado onde morava e pronto. projeção luminosa.1-11). A Mulher Samaritana. e nós quantas vezes passamos perto de pessoas que precisam de uma palavra e nada fazemos.Jesus não gastava tempo com filosofias humanas e especulações Ele ia direto ao ponto sem perda de tempo.1-21. podemos ver isso claramente na mulher adúltera (João 8. precisamos aprender com Ele. este exemplo é que nós devemos seguir. desejosos de saber onde o mestre morava. rádio.1-30). Contudo seja qual 159 . Foi justamente isso que ele fez durante seu ministério terreno. mas ele viu a oportunidade de ensinar mais a respeito dEle e da sua missão.Jesus era dinâmico não parava um momento a não ser o necessário para descansar e repor as energias perdidas das caminhadas. infelizmente quando muitos vão evangelizar se deixam levar com conversas que os desviam totalmente do objetivo. Jesus os convidou a acompanhá-lo e permaneceu com eles quase todo aquele dia. Jesus não permitia que qualquer debate que Ele tivesse. salvar o pecador. televisão.21-24). que precisa de cuidados e não de açoites. CDs. c) Compaixão . Atualmente contamos com grande variedade de recursos técnicos.

os resultados de nosso trabalho serão multiplicados. 3. pelo contrário. e buscarmos colocá-los em prática hoje. forçosamente teremos de usar um dos dois métodos de Jesus . porém não descartou a evangelização em massa. não cessando de anunciar a Jesus Cristo (At 2.O primeiro passo na organização do evangelismo foi chamar discípulos (Mc 1. resultante das emoções. saíam a procura deles. 1.Tendo escolhido os apóstolos.Além de instruir.46.Podemos notar que me ambas as tarefas Jesus especificou o local exato para que pudessem desenvolver o trabalho.6-13. Jesus proporcionou um treinamento eficaz. 160 . é necessário que hoje haja um despertamento entre os crentes para ganhara almas para o reino de Jesus Cristo.Os discípulos testemunhavam todos os dias. se estivermos determinados a abrir novas frentes e organizarmos novas igrejas. 5. Cristo ofereceu-nos o perfeito exemplo de evangelista.ou ensinar individualmente ou Proclamar às Massas. Chamada . 4. por isso organizou o movimento de evangelização. Treinamento .1-29). para tal Jesus a organizou da seguinte maneira: 1. Ele deu ênfase à evangelização pessoal. 2. ensinando e proclamando incessantemente o evangelho. Se estivermos todos empenhados em falar de Cristo todos os dias. Eles sem os meios necessários para evangelizar conseguiram levar a mensagem da salvação em todo o mundo habitado de sua época. se quisermos ser testemunhas eficientes. O Evangelismo Primitivo era Intenso . A Obra de evangelização necessita de grandes e poderosos pregadores para as massas e de inumerável quantidade de pessoas treinadas para o ensino individual. organizando campanhas de evangelização (Mc 6.42). vilas e cidades. CARACTERÍSTICAS DO EVANGELISMO REGISTRADO NO LIVRO DE ATOS Se quisermos melhorar nossas atividades evangelizadora teremos que analisar os métodos utilizados pela Igreja Primitiva. cumpre-nos imitá-lo. 2. A ORGANIZAÇÃO DA CAMPANHA DE EVANGELIZAÇÃO POR JESUS CRISTO Jesus não podia deixar a evangelização do mundo confiada à iniciativa pessoal e espontânea.16-20.47. A evangelização deve ser um movimento racionalmente organizado. Instrução .Os discípulos não esperavam que os pecadores lhe viessem ao encontro.for o recurso empregado como auxiliar na evangelização. O Evangelismo Primitivo era Dinâmico . Lc 10.13-17). 2. Jesus passou a instruí-los para o desempenho da missão que lhe daria. percorrendo ruas. Definição da Tarefa .

3. O Evangelismo Primitivo dava Ênfase ao Ensino - A Evangelização atual com a tendência de supervalorização das concentrações, em detrimento da evangelização pessoal, restando ao ensino quase exclusivamente o campo da educação religiosa para os já crentes. O ensino tendo por objetivo a evangelização pode facilmente ser usado pelas igrejas, organizando classes especiais para interessados e visitantes. 4. O Evangelismo Primitivo era Ousado - Homens iletrados enfrentam sábios; pobres e humildes desafiaram ricos e poderosos, testemunhando de Cristo, mesmo quando a sombra das mais terríveis ameaças. 5. O Evangelismo Primitivo era culto - Assim como Deus usou a Pedro e outros incultos para darem testemunho da Palavra de Deus, também se utilizou de homens como Lucas, Mateus, Paulo e tantos outros, homens formados, que diante da alta sociedade dava grande testemunho e defesa a causa do Mestre. 6. O Evangelismo Primitivo era Impulsionado e Dirigido pelo Espírito Santo Os primitivos discípulos viviam cheios do Espírito Santo, de alegria e gozo espiritual. Isso explica todas as demais características da evangelização daqueles dias. (At 4.8,31; 5.17-41; 7.55). Se colocarmos em prática estes métodos utilizado pela Igreja Primitiva, iremos logra êxito, na evangelização do mundo no qual vivemos. A PESSOA DO EVANGELISTA A responsabilidade de evangelizar não é somente dos ministros. É de todos os discípulos, há todavia, crentes que se limitam a cooperar com a obra de evangelização freqüentando os cultos contribuindo, pensando que desta forma estão fazendo o suficiente, porém se esquecem que a ordem de ganhar as almas foi para todos e é infinita até a volta de Jesus Cristo, até os confins da terra. Como Deve ser a Pessoa do Evangelista ? 1. O Evangelista Deve ser um Verdadeiro Crente, Salvo por Jesus - Esse requisito é óbvio, mas é necessário lembrá-lo. Infelizmente existe a possibilidade de pessoas tentarem evangelizar sem que, elas próprias tenham experiência de regeneração; 2. O Evangelista Deve ser Afável e cheio de simpatia - O evangelista deve lembrar-se de que está tratando com enfermos, quando evangeliza, o pecado é enfermidade. Existem evangelistas que ao invés de tratar os pecadores com amor e carinhos os tratam com pedradas e desrespeito, desta forma ao invés de ganharem perdem. O Que o Evangelista Deve Saber ? 1. O evangelista Deve Conhecer a Bíblia - É necessário que o evangelista possa ajudar o pecador a examinar a Palavra de Deus de modo a compreender o plano da Salvação, é preciso portanto, que os crentes que 161

desejam, ganhar almas para Cristo estudem sistemática, metódica e perseverantemente a Bíblia. 2. O Evangelista Deve Conhecer a Vida dos Homens e suas Desculpas - via de regra, as pessoas que o crente procura evangelizar tenta escapar à responsabilidade de enfrentar o problema do pecado com desculpas, o evangelista não deve ser apanhado de surpresas por essas desculpadas, é preciso saber rebater cada uma delas com a Palavra de Deus. 3. O evangelista Deve Conhecer as Diversas Religiões - O evangelista precisa estar preparado não só para enfrentar as desculpas, mas também os contra-ataques dos que têm convicções em falsas religiões. O Que o Evangelista Deve Cultivar ? 1. O Evangelista Deve Cultivar a Oração Fervorosa - A Evangelização é um combate espiritual contra as hostes das trevas, cuja vitória depende do poder do Espírito Santo. E a oração, é o meio pelo qual Deus outorga esse poder, não há evangelista bem sucedido que não seja dedicado à oração. 2. O evangelista Deve Cultivar a Leitura - O Evangelista deve estar sempre procurando aumentar seus conhecimentos pela leitura. 3. O Evangelista Deve Cultivar o Desejo de ver as Almas Salvas - O objetivo da evangelização é ganhar almas para Cristo, enquanto o evangelista não estiver dominado pelo desejo de conquistar almas, não poderá ser bem sucedido. 4. O Evangelista Deve Cultivar o Hábito de ir à Casa de Deus - Quem não ama a sua Igreja, não dá valor aos cultos e não tem prazer em tomar parte em suas reuniões jamais estará em condições de ganhar almas, estes são apenas alguns deveres dos evangelistas. O Que o Evangelista não Deve Fazer ? 1. O Evangelista Nunca Deve dar ênfase a Igreja e sim à Jesus - Entre o diálogo travado entre Jesus e a mulher Samaritana, vemos um exemplo claro de que a ênfase do ganhador de almas deve ser dada ao Senhor Jesus e nunca a Igreja, ou a uma religião, ou a um lugar (Jo 4.20-29; At 4.12). 2. Nunca Discutir - E ao servo do Senhor não convém contender (II Tm 2.24,25). Existem muitas outras atitudes que não são corretas à um evangelistas porém se ele tem êxito nestes dois pontos estará realizando um bom trabalho. TRAÇANDO UMA ESTRAGÉGIA DE EVANGELISMO 162

Todo trabalho para se obter êxito se faz necessário que se tenha uma estratégia de ação. Este tipo de assunto é bastante utilizado pelas grandes empresas que desenvolvem seus planos de trabalho anual ou mensal. Para que Ter uma estratégia ? Será que isto é bom ? Traçar ou ter uma estratégia nada mais é que realizar o que Jesus realizou , Ele tinha um alvo a alcançar e para chegar a este alvo Ele usou de estratégias de trabalho., Ele próprio nos ensinou a traçar nossos objetivos para se analisar se os recursos são suficientes. (Lc 14.28-33). A estratégia não anula a direção que recebemos do Espírito Santo, a estratégia apenas põe em prática a ordem que dEle recebemos. O Apostolo Paulo utilizou de estratégia para ganhar almas para o reino de Cristo, ele mesmo escrevendo disse que quando estava evangelizando os judeus guardava a lei judaica, mas relaxava quando este evangelizava os gentios que não estavam debaixo da lei (I Co 9.22; I Co 9.19). Ter uma estratégia de trabalho não é coisa da invenção do homem, Ter uma estratégia é até mesmo recomendada pela Bíblia, vejamos o que diz: Pv 16.9 "Devemos fazer nossos planos, confiando na direção que Deus nos dá" Pv 18.15 "O homem inteligente sempre está pronto para considerar novas idéias." Desta forma notamos que a estratégia tem respaldo Bíblico, basta apenas que nós venhamos a aceitar e pratica-la. VANTAGENS EM SE TER UMA ESTRATÉGIA Se aceitarmos o padrão Bíblico iremos descobrir que existe uma série de vantagens em se traçar uma estratégia de trabalho: 1. Aumenta a nosso eficiência - em qualquer coisa que fazemos é necessário gastar tempo, energia e dinheiro. A estratégia não apenas no ajuda a decidir o que fazer, mas também nos ajuda a decidir o que não fazer, e isto é igualmente importante. Um grande número de recursos dados por Deus são desperdiçados porque líderes cristãos estão concentrando-se nas coisas menos importantes. 2. Ajuda a medir a eficácia - Uma tarefa é eficaz quando ela atinge seus objetivos. O planejamento estratégico requer que os alvos sejam expressos de forma clara, isto nos capacita a medir o progresso e saber quando o que foi projetado a fazer não esta ocorrendo bem. 3. Permite Correção no meio do Caminho - Se uma estratégia bem planejada 163

irá prever diversos pontos de averiguação onde nós verificamos a metodologia que estamos usando, se o que estamos fazendo não está funcionando bem, quando mais cedo nós descobrimos melhor. 4. Une a Equipe - Muito freqüentemente as estratégia para evangelismo e missão envolve a participação de mais de uma pessoa, se faz necessário a criação de uma equipe, quando a estratégia é adequadamente planejada, cada membro desta equipe entenderá a contribuição que se espera dele, cada membro do grupo saberá sua tarefa e desta forma poderão cumprir com os objetivos de todo o grupo. 5. Permiti uma responsabilidade natural - Muito do que é feito para a obra de Deus é voluntário, quando as pessoas não estão sendo pagas pelo que estão fazendo corrigi-las não é fácil, uma estratégia claramente preparada evita estas dificuldades porque a estratégia é como um contrato que une as pessoas que estarão realizando tal trabalho. 6. Ajuda Outros - Embora as estratégias sempre precisem ser adaptadas a cada situação, quando uma certa estratégia é bem sucedida, ela se torna um modelo, outros que desejem realizar tarefas iguais, podem aprender muito de uma boa estratégia e orientar-se por ela. Desta forma notamos a importância em se Ter uma estratégia de trabalho bem elaborada e definida, esperamos em Deus, que os queridos irmãos possam usar este método para melhorar o seu desempenho em ganhar almas para o reino de Deus. CRUZADA EVANGELÍSTICA A importância da Oração. Para êxito real numa campanha evangelística, a oração intercessória deve começar meses antes. Grupos de oração, vigílias, jejuns e muita oração, e sem dúvida os resultados aparecerão. Planejamento e Finanças Planejar local, pregador, cantor, hospedagem para pregador e equipe, som, iluminação, devem ser providenciados com muita antecedência. Além do mais, há necessidade de uma comissão de finanças para cuidar dos custos e dos gastos da Cruzada. Publicidade Os planos de publicidade de uma Cruzada devem ser feitos com muitos meses de antecedência. Música A Música tem papel muito importante numa Cruzada. Meses de ensaio para 164

bandas, conjuntos, orquestras e corais, para que se apresentem muito bem. Literatura e Treinamento de Pessoal A comissão de literatura é de grande utilidade. O diretor desta comissão, em consulta com o Pastor, deve cuidar da literatura a ser distribuída antes, durante, e depois da Cruzada. O treinamento de cooperadores para trabalhar na Cruzada é de máxima importância. Conselheiros e acomodadores, para ajudar na manutenção de ordem e cuidar dos novos-convertidos, precisam de treinamento especial para que cumpram bem suas responsabilidades. Começada a Cruzada a Campanha de Oração não pode parar as reuniões de oração devem prosseguir pela manhã, nos templos. A Publicidade chega ao seu auge durante a Cruzada Entrevistas ao vivo pela rádio e televisão despertam a atenção da população para a Cruzada. Um testemunho notável de cura ou conversão pode ser publicado no jornal local. Visita de casa em casa deixando um convite impresso para cada família, um telefonema convidando a redondeza, etc. A Pregação A pregação deve consistir da mensagem direta e simples da salvação de modo que o pecador possa entendê-la. O Apelo Durante o apelo, os obreiros da plataforma devem estar em seus postos. Muitos pecadores vão à frente sem um crente se oferecer para acompanhálos até ao altar. Por outro lado, esses obreiros da plataforma não devem ser demasiadamente insistentes e indelicados. O Trabalho após a Cruzada não pára É aí que precisa entrar em ação uma campanha intensa de visitação e os cuidados necessários para com os novos decididos. Se não houver este acompanhamento todo o trabalho será em vão mesmo que tenha havido uma boa pescaria. CONCLUSÃO Todo o evangelho a todo o mundo nesta geração! Isto demanda a mobilização e treinamento de toda a Igreja; exige oração e submissão ao Espírito Santo. Depois ele fará, por nosso intermédio, o que jamais poderíamos fazer sozinhos. Evangelizar o mundo em nossa geração: cada geração de cristão tem esta 165

aliança perpétua. toda a terra de Canaã. tu e a tua descendência no decurso das suas gerações. será contigo a minha aliança. Editora Sepal. [6] Far-te-ei fecundo extraordinariamente. Podemos consegui-lo se permitirmos que Deus opere por nosso intermédio em um ciclo perpétuo de evangelização.Dinamismo no Evangelismo Atual . em possessão perpétua. serás pai de numerosas nações. Peter . Delcyr de Souza . Paulo falava do pacto celebrado entre Deus e Abraão: (GÊNESIS Cap: 17) [1] Quando atingiu Abrão a idade de noventa e nove anos. WAGNER. fala do projeto que Jesus retoma para a Trindade. 166 . gentios na carne. BÍCEGO.Manual de Evangelismo. penso que Paulo. ELISANGELA. por mãos humanas. de ti farei nações. [9] Disse mais Deus a Abraão: Guardarás a minha aliança. rosto em terra. anda na minha presença e sê perfeito. 2. [7] Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência no decurso das suas gerações. e reis procederão de ti. [5] Abrão já não será o teu nome.Estratégias Para o Crescimento da Igreja. 3. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus. e serei o seu Deus. e Deus lhe falou: [4] Quanto a mim. além de descrever o processo da formação da Igreja.dívida para com seu próprio tempo. Valdir Nunes . chamados incircuncisão por aqueles que se intitulam circuncisos. para ser o teu Deus e da tua descendência. (EFÉSIOS Cap: 2) [11] Portanto. "Tua Incumbência Única Sobre a Terra é Ganhar Almas. 1999. [8] Dar-te-ei e à tua descendência a terra das tuas peregrinações. porque por pai de numerosas nações te constituí. vós. [3] Prostrou-se Abrão. [2] Farei uma aliança entre mim e ti e te multiplicarei extraordinariamente. isto é. lembrai-vos de que. não tinham pacto com Deus. apareceu-lhe o SENHOR e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso.Semadeal Fevereiro/2001 . Julho/1995 . na carne. O apóstolo começa a conversa lembrando aos efésios o seu passado espiritual: eram incircuncisos. LIMA. outrora.São Paulo/SP 4." Referências Bibliográficas 1. e sim Abraão.Doutrina e Prática da Evangelização. Rio de Janeiro. IDACI .Maceió/AL Parte XXVII IGREJA: RETOMADA DO PROJETO DE DEUS Neste texto.

A circuncisão é anterior à lei. é aliança. incluia sua descendência. no caso. é a marca que denota que o homem em questão. Isto quer dizer que já não estamos mais separados da comunidade de Israel. [13] Com efeito. ele não passara pela circuncisão (que era uma ordenança). A impressão é a de que o apóstolo chama atenção para um elo fraco da corrente: é feito por homens.[10] Esta é a minha aliança. não tendo esperança e sem Deus no mundo. estáveis sem Cristo. que antes estáveis longe. que não for da tua estirpe. vós. [12] naquele tempo. é feita por mãos humanas. fostes aproximados pelo sangue de Cristo. Deus é dele e ele é de Deus (v 7). é um dos escolhidos de Deus. Não adiantava o efésio tentar seguir a lei moral. será circuncidado o nascido em tua casa e o comprado por teu dinheiro. Entretanto. tendo derribado a parede da separação que estava no meio. Literalmente perdido. logo é externa e imperfeita. que não faço parte desse pacto?" Esta é a resposta de Paulo: estar fora do pacto é estar sem saída existencial. o qual de ambos fez um. Paulo. Algum efésio poderia perguntar: "e daí que eu não sou circuncidado. Não bastava converter-se ao Deus dos judeus. quebrou a minha aliança. tanto o escravo nascido em casa como o comprado a qualquer estrangeiro. que não for circuncidado na carne do prepúcio. de Deus e de suas promessas. essa vida será eliminada do seu povo. [11] Circuncidareis a carne do vosso prepúcio. agora. separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa. em Cristo Jesus. que entre eles há um pacto. somos um povo só. [12] O que tem oito dias será circuncidado entre vós. por causa do pacto que havia celebrado com Deus. e. a inimizade. era necessário tornar-se judeu. não pertencia ao povo para quem valia a pena cumprir a lei. a ponto de estigmatizar os que não o são. de que tanto os circuncisos se orgulham. [13] Mas. [14] Porque ele é a nossa paz. que guardareis entre mim e vós e a tua descendência: todo macho entre vós será circuncidado. adverte que essa circuncisão. E mais: em relação a Deus não há mais privilegiados. será isso por sinal de aliança entre mim e vós. A 167 . o que. O sangue de Jesus quebrou a lógica angustiante da circuncisão. Contudo. todo macho nas vossas gerações. aproximou os efésios e todos os não judeus que crerem em Jesus. a minha aliança estará na vossa carne e será aliança perpétua. uma vez que fomos aproximados ao mesmo Deus e às mesmas possibilidades. [14] O incircunciso.

(. A sombra que esses vestíbulos (as ordenanças) para o pacto eram. Jesus. também fostes circuncidados. [15] aboliu. vos julgue por causa de comida e bebida. citado por Foulkes. pois. não por intermédio de mãos. não se reduz ao fato de cada seguidor de Cristo ser uma nova criatura. pois. como deixou claro a colocação de Francis Foulkes. que é a circuncisão de Cristo Além do mais.Nele. de costas para a entrada. na criação do homem temos.Eds. criar uma coisa única . antecedendo-a. 27. única porta de entrada para o pacto com Deus. satisfez a justiça divina. porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir. mas no despojamento do corpo da carne. a lei dos mandamentos na forma de ordenanças. GN 1:26. porém o corpo é de Cristo. diz que é um novo tipo de criação. ou lua nova. Esse texto marca uma mudança de ritmo e de forma na criação: até então Deus falava e tudo vinha à existência. ou dia de festa. conforme a nossa semelhança. constituída pelos privilégios de um frente ao infortúnio do outro. na sua carne. É um conceito de unidade absoluta. dos dois. Segundo Francis Foulkes (Efésios: introdução e comentário. Jesus fez isto com um objetivo: criar um novo homem.. Também. um novo homem. tornando-se. para que dos dois criasse. há paz. foi derrubada.17 Ninguém. pagou pelo nosso crime. nem Deus é uma pessoa só. Por isso o sangue de Jesus nos aproximou: ao morrer sem pecado. de fato. Quem entra por essa porta recebe a verdadeira circuncisão. Estamos nas mesmas condições. 168 . pois. uma retomada da criação? Voltemos ao início. membro do povo de Deus: CL 2:11 . só víamos as sombras do mundo real. portanto. o representante da raça humana. à imagem de Deus o criou. muitas das ordenanças tipificavam o próprio Cristo: CL 2:16. Não seria. ou sábados. Penso que isso nos remete à questão do significado desse novo homem. série cultura cristã . fazendo a paz. uma declaração de intenção e uma descrição.muito mais profunda que a idéia de um único povo.Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem. isto é. que o torna. William Barclay. Parece claro que não se trata de fazer de todos os cristãos uma única pessoa.inimizade.. entretanto. o homem à sua imagem. Mundo Cristão e Vida Nova) a idéia presente aqui é a de.) Criou Deus. com a chegada de Jesus fomos libertos da caverna (Platão dizia que estávamos todos presos numa caverna. em si mesmo. foi projetada a partir do corpo de Cristo. o mundo das idéias).

estão incluídos. no original. na queda.. como declara G. se Deus não poupou anjos quando pecaram (2 Pe 2:4) Como os anjos poderiam pecar se não fossem moralmente livres. ou de uma sinfonia num soneto. então.. a partícula aditiva "e". como fizeram. diz que não há.reservando-os para juízo. se não for moralmente responsável? Além do que. os anjos. e a semelhança é aquela harmonia com a vontade de Deus. Filho e Espírito Santo. seria imagem-semelhança). penso que precisa ser considerado: se ser moralmente responsável e racional é ser imagem de Deus. W. porém. (2 Pe 2:4) Como qualquer ser pode ser julgado. parece não haver dúvidas de que os anjos.. A teologia cristã entende que essa afirmação nos apresenta a Trindade. a Trindade. também. é como se fosse o resultado de uma conferência entre as três Pessoas.. pois. são criaturas e estão no 169 . conforme a nossa semelhança.Façamos o homem. que recuperaremos quando for retomada nossa plena comunhão com o Senhor. Façamos o homem à nossa imagem. A imagem seria "expressão ou transcrição do Criador eterno e incorpóreo em termos de uma existência temporal. O que significaria isto? Segundo Derek Kidner2. são racionais. de modo que os termos se reforçam (a palavra. segundo Kidner . digamos.como se poderia tentar a transcrição. com Ló (Gn 19:10-22). por exemplo. Bromiley1 Gosto de pensar nesse texto como uma declaração de intenção. Se ser imagem-semelhança é ser transcrição do eterno em termos de existência temporais. Algo. Eis a descrição do projeto: o homem seria à imagem e semelhança de Deus. para alguns teólogos "imagem é a indelével constituição do homem como ser racional e como ser moralmente responsável. corpórea e própria de uma criatura . também. então os anjos também não o seriam? Ora. doutrina que afirma haver um só Deus em três Pessoas: Pai. perdemos dessa imagem-semelhança. Ele. foi o amor. perdida com a queda". de um poema épico numa escultura. uma vez que pecar (pelo menos no ato primeiro) exige capacidade de escolha? ." O que. senão estariam impossibilitados de comunicar-se e de arrazoar conosco. entretanto.

talvez. "A última palavra hebraica da Shema (Dt 6. a relação entre ambos não era de autoridade. somente do homem é dito que foi criado à imagem e semelhança de Deus.. duas criações? Então. realmente." Stanley Rosenthal3 E criou Deus o homem à sua imagem. isto é. Este é o livro da genealogia de Adão. Gosto de pensar que esta imagem-semelhança inclui. A palavra que aqui aparece com 'um'.. era. um só nome. no hebraico. Sendo que. E por que? Penso que só após a queda o macho teve autoridade para tal: e à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez. em 'um cacho'. (Gn 2:7) Então. no segundo ser. não lhes faça diferença. (Gn 5:1. no dia em que foram criados. à semelhança de Deus o fez. ao mesmo tempo que se trata de uma unidade que contém várias entidades. Entretanto. Gn 1. homem e mulher os criou. algo que só é comum a Deus e a nós: a unidade. como é evidente. ainda que o tempo. à imagem de Deus os criou. além do já citado.5) é echad. Seriam.4. De fato. em ambos os casos. (Gn 2:21. em meio de dores darás à luz filhos. e este adormeceu. esse único cacho de uvas consistia em muitas uvas.tempo. pois. tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. E a costela que o SENHOR Deus tomara ao homem. o SENHOR Deus fez cair pesado sono sobre o homem. em outras palavras. No dia em que Deus criou o homem. um substantivo que demonstra unidade. o teu desejo será para o teu marido. um substantivo coletivo. Mas. pois. e ele te governará (Gn 3:16). formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida. a mulher só ganhou o nome de Eva depois da queda: E deu o homem o nome de Eva a sua mulher. Deus fez desabrochar características que não fizera desabrochar no primeiro. por ser a mãe de todos os seres humanos (Gn 3:20). novamente é echad. macho e fêmea os criou. e lhes chamou pelo nome de Adão. é de se supor que antes não era assim.) Em Nm 13.2) Duas pessoas.22) Macho e fêmea parecem ser uma criação só. Se Deus condenou a mulher a essa condição subserviente ao homem como consequência da queda. e o homem passou a ser alma vivente. transformou-a numa mulher e lha trouxe. e os abençoou.27 (RC). Poderíamos citar um bom número de exemplos.(.23 os espias pararam em Escol. o barro e o sopro (que dá vida ao ser humano) só aparecem uma vez. é uma duplicação. E. tiveram começo. os anjos fiéis não perderam nada de sua criação original. O segundo ser não é uma segunda criação. onde 'cortaram um ramo de vide com um cacho de uvas'. 170 .

a exemplo da trindade. que criatura poderia expressar sua imagem-semelhança senão se constituísse. entre o macho e a fêmea. Em tal caso. A queda foi marcada pela quebra de unidade entre o homem e Deus.. para que dos dois criasse. é o projeto de Jesus. a unidade. guardadas as devidas proporções.. "Em Gn 2. O homem à imagem e semelhança de Deus é unitário-coletivo.quero crer. sugiro. (ed. este deve ser o moto de seu dia a dia.) instruiu marido e mulher a tornarem-se 'os dois uma só carne'. criou-os tendo a si como modelo: o que caracteriza a trindade é o amor. numa família? Se Deus é uma unidade-comunhão como uma criatura que não se constituísse noutra unidade-comunhão poderia ser chamado de sua imagem-semelhança? Me parece que o projeto divino passava estritamente pela unidade: criou um casal apenas.24. fazendo a paz. criou-os para. nos amaríamos tanto que. Quando Deus chamava: Adão! Macho e fêmea se voltavam para falar com Ele. Deus (. Criou-os como unidade. Ainda que a graça comum tenha nos mantido em condições de experimentarmos. penso eu. o que perdemos é inapreensível para nós.Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido. O homem à imagem e semelhança de Deus. logo. indicando que aquelas duas pessoas unir-se iam. de modo extremamente rarefeito. um novo homem. amarem-se com esse amor que unifica. tratar-se da retomada do projeto do Gênesis. por definição. formando perfeita e harmônica unidade. de fato. Por esse novo homem Jesus se sacrificou. seríamos bilhões. 171 . como disse Jesus: LC 19:10 . apesar de muitos." Stanley Rosenthal4 Se Deus é uma família. pois. entretanto. novamente a palavra hebraica é echad. é um ser coletivo. Esse. Se não tivéssemos caído. Creio. também. Se esse é o destino da Igreja. a Igreja é. o homem-comunhão que. de unidade. logo. em si mesmo. para admitir isso teríamos de considerar que a primeira continha uma falha. revista e corrigida) Segundo vejo. isto é. expressa o que a Trindade é. talvez. que une perfeitamente. uma só família. vínculo da perfeição. Criou-os para viverem em unidade. Não seria uma nova criação. a retomada do homem à imagem e semelhança de Deus. este novo homem. seríamos um só homem: o homem à imagem e semelhança de Deus. à semelhança da trindade.

enquanto corpo. temos o mesmo nome e o mesmo pai. Tem de ser saudável. paz consigo mesmo. 172 .penso. Certamente é por isso que cada um de nós chega à presença do Pai e tem de dizer: "Pai nosso". de definir pecado é estado de guerra consigo mesmo. de estar em forma. Sem paz. aceitamos o que somos e as mudanças que precisamos sofrer. é um organismo vivo (tem funcionalidade). todos os irmãos foram junto. Esse novo homem é mais que comunhão. paz com o próximo. [20] edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas. estamos no mesmo lugar. [18] porque. Somos da mesma nação. e sois da família de Deus. Não seria essa a melhor forma de diagnosticar o que está acontecendo na sociedade? Não estariam todos os relacionamentos marcados por alguma forma de violência? Paz . Todos estamos dentro desse ônibus (fomos batizados.[16] e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus. e/ou com o próximo. por ele. ambos temos acesso ao Pai em um Espírito. aceitamos a natureza. evangelizou paz a vós outros que estáveis longe e paz também aos que estavam perto. é fornecer a possibilidade da expressão (como o corpo humano é em relação a alma) e exprimir por meio da ação (corpo inerte não exprime). aceitamos o próximo. sendo ele mesmo. É o novo homem que vai à presença do Pai. [19] Assim. e/ou com a natureza. já não sois estrangeiros e peregrinos. Gosto da idéia de que aceitar é admitir e compartilhar espaços. mas. mas concidadãos dos santos. destruindo por ela a inimizade. e/ou com Deus. é uma aceitação geral: aceitamos as demandas de Deus. mergulhados nele . portanto. Uma outra forma.13). [17] E. não está sozinho.1Co 12. sem que nos aceitemos mutuamente. Jesus Cristo é a estrada e o Espírito Santo é o ônibus que nos leva. entre outras coisas. um lugar de todos nós. por intermédio da cruz. A paz é o princípio da unidade: paz com Deus. o novo homem não pode ser vivido. vindo. isto é. Todo mundo pode ir ao Pai. A gente está na presença do Pai. Somos irmãos. O papel da Igreja. Interessante pensar que evangelizar é chamar à paz.

O novo homem retoma o seu destino: (AP 21:3 . Edificar é tornar um (vários materiais. Perdemos isso. como pedras que vivem. 173 .a Trindade. tem de crescer em Cristo. de pastoreio. Propósito 1: serrnos o lugar onde Deus é adorado perfeitamente (1PE 2:5 também vós mesmos. a pedra angular. cresce para santuário dedicado ao Senhor. [22] no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito. consequentemente. assentados sobre o mesmo alicerce. ouvi grande voz vinda do trono. apesar da boa vontade de Davi e de Salomão.a fim de poderdes compreender. Em Jesus estamos sendo tornados um. Jesus é o alicerce e o construtor que ajusta cada pedra e material: (EF 3:18. sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo. para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus. dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens.) A Igreja. para ser santuário.Então. ainda que a graça comum o tenha mantido em parte.5). Estamos. para que Deus possa ter sua morada. Penso que esse é o desafio dado a cada igreja local: alcançar essa unidade. e a profundidade e conhecer o amor de Cristo. com todos os santos. Jesus Cristo retoma o projeto do gênesis: cria o novo homem. qual é a largura. um Deus vivo tem de morar numa casa viva. para crescer em Cristo tem ter unidade (bem ajustado . [21] no qual todo o edifício.19 . Isso implica em que o primeiro projeto para a igreja local deveria ser um projeto de comunhão e. e Deus mesmo estará com eles. bem ajustado. e o comprimento. Eles serão povos de Deus. enquanto pedras vivas (1 Pe 2. a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo. uma só casa).) É na realidade do novo homem que Deus é adorado como quer e deve ser. Cremos na mesma coisa (senão. e a altura. Deus habitará com eles.) ser a morada de Deus . Deus nos criou como unidade para que o expressássemos.Cristo Jesus.formando uma parede só). que excede todo entendimento. não estaríamos na Igreja) apesar de insistirmos nas diferenças.

pois tinham privilégios especiais: "Seis dias depois. irmão deste. Nem todos os mártires do cristianismo viveram junto com Cristo. começou a entristecer-se e a angustiar-se.Simão 174 .eds Mundo Cristão/Vida Nova 3 A Tri-unidade de Deus Velho Testamento . senão Pedro. 17:1) "E levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu.Fiel Parte XXVIII MÁRTIRES CRISTÃOS De acordo com o Dicionário Aurélio.3 W. Tiago.Judas Tadeu .1 in artigo Trindade.Mateus Os Pouco Conhecidos Tiago (o pequeno) ." (Mt.Fiel 4 A Tri-unidade de Deus no Velho Testamento ..João Faziam parte do círculo íntimo de Cristo.série cultura bíblica . (Setor Personagens Bíblicos).editor . tomou Jesus consigo a Pedro. e os conduziu à parte a um alto monte. 26:37) "E não permitiu que ninguém o acompanhasse. mas fizemos uma coletânia dos mais famosos e armazenamos a maior quantidade de informações possíveis neste estudo. Elwell . os que isso fizeram eram os apóstolos." (Mt.Tiago (o grande) . Muitos foram os Mártires Cristãos.Derek Kidner . irmão de Tiago. logo em seu primeiro século.Tomé . Vida Nova 2 Gênesis . e João." (Mc.Stanley Rosenthal . no passado da Igreja.introdução e comentário .Bartolomeu .Felipe . também fizemos um breve esquema para que se tenha uma idéia de quem eram os Apóstolos de Cristo. muitos foram aqueles que morreram em favor do evangelho.ed.A.Stanley Rosentahl . torturas ou a morte por sustentar a fé Cristã". Mártir é: "Pessoa que sofreu tormentos. o mesmo evangelho que hoje em dia nós temos a liberdade de defender. a Tiago e a João. in Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã .5:37) Os Trabalhadores Silenciosos André .v. Clique nos nome dos mártires que estão sublinhados para ver uma breve biografia sobre os mesmos. Os Mártires Apóstolos Pedro .

Barnabé . 23 . que foi o guia daqueles que prenderam a Jesus.começando desde o batismo de João até o dia em que dentre nós foi levado para cima. Campo de Sangue. e precipitandose.Irmãos.Orígenes . de maneira que na própria língua deles esse campo se chama Acéldama. convinha que se cumprisse a escritura que o Espírito Santo predisse pela boca de Davi. pois. que tinha por sobrenome o Justo. acerca de Judas. chamado Barsabás.E tornou-se isto conhecido de todos os habitantes de Jerusalém.Paulo Outros Mártires Cristãos Marcos .E apresentaram dois: José.Papias Mártires Após a Época dos Apóstolos Jorge .) 20 . Senhor.Inácio . 18 . 24 .Porquanto no livro dos Salmos está escrito: Fique deserta a sua habitação. e todas as suas entranhas se derramaram. que conheces os corações de todos.Cosme e Damião .para tomar o lugar neste ministério e apostolado. e Matias.É necessário. e não haja quem nela habite. e por voto comum foi ele contado com os onze apóstolos. Atos 1:16-26 Convertidos a Apóstolos depois da ascensão de Jesus Matias . 21 . ele adquiriu um campo com o salário da sua iniquidade. um deles se torne testemunha conosco da sua ressurreição. mostra qual destes dois tens escolhido 25 . 17 .(Ora. e: Tome outro o seu ministério. caiu prostrado e arrebentou pelo meio.Estevão Mártires que viveram ainda com os últimos apóstolos Policarpo . do qual Judas se desviou para ir ao seu próprio lugar. 22 . 26 .O Traidor Judas Iscariotes Foi substituído por Matias após ter traído o Senhor e ter se matatado: 16 . isto é. 19 . disseram: Tu.E orando. que dos varões que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus andou entre nós.pois ele era contado entre nós e teve parte neste ministério.Então deitaram sortes a respeito deles e caiu a sorte sobre Matias.Lucas .Sebastião 175 .

Cada real que você santifica para Deus significa que os outros nove reais também são santos ao Senhor.Fontes de Pesquisa: . 1997 . O dízimo é também uma prova de santificação da vida ao Senhor. Nós somos salvos pela fé. mas a fé que não se transforma em atos de obediência não é a fé válida para a salvação. pela fé. A mordomia do dízimo envolve.Manual Bíblico Halley .Dicionário Aurélio . na prática. O imposto é compulsório. 1. 10486. portanto. .Iranilde Campos Parte XXIX MORDOMIA DO DÍZIMO Introdução (1) O dízimo é o método de Deus para abençoar seus filhos na vida material. Conceito e origem da mordomia do dízimo (2) A mordomia do dízimo é o perfeito uso do dinheiro que pertence a Deus por direito de criador e sustentador de todas as coisas que compõem o universo. É como o cordeiro do holocausto no altar da consagração. Crer ou não crer na Palavra de Deus é crer ou não crer no próprio Deus. e não apenas com palavras.Barsa Enciclopédia. Gênesis 14. Um cordeiro santificado no altar santifica todo o rebanho.Bíblia Thompson . Dízimo é compromisso que pauta a partir do voluntariado consciente. Dízimo não é tributo.Carlos Magno . o dízimo é também uma demonstração de amor a Deus. a fé que diz ter no coração. A pessoa que diz crer em Deus e não entrega seus dízimos está negando. como os têm abençoado. 1974 .Encyclopédia Universal Ilustrada Europeu-Americana. 1262 .Encyclopédia e Dicionário Internacional. habilidade e fidelidade. Além de ser uma prova de fé.Verônica . onde Deus colocou o homem para cultivá-lo com inteligência. tanto á fidelidade na entrega do que pertence a Deus como na habilidade na aplicação ou gasto deste dinheiro 176 . Colaboradores: .22.Centro de Pesquisas Religiosas . p. Quem não paga é autuado.20 e 28. não apenas o dízimo. É o reconhecimento de que.1265. mas a totalidade dos bens e do ser pertencem ao Senhor. Amor que nos identifica com o caráter e os propósitos do Senhor e que nos leva a adora-lo com atos objetivos. na vida espiritual. pp.The Grolier Multimedia Encyclopedia. não pelas obras.

porque cremos que nos propósitos de Deus não há variantes que não foram previstas com milhares de anos de antecedência.4-12. Não pode ser menos como alguns gostariam e não pode ser mais porque é inalterável no tempo e no espaço. 10% de uma determinada quantia de dinheiro ou do peso de um corpo qualquer será sempre 10%. Enquanto dinheiro separado para Deus. Não é difícil entender que o dízimo só deve ser usado em coisas consagradas e para a glorificação do de Deus. O poder sustentador de Deus tem-se manifestado por meio da confiança daqueles que fielmente dizimam em amor de suas rendas para o Senhor. 2 Crônicas 31. o dízimo sofre uma certa força carismática. A mordomia do dízimo pode e pretende conscientizar os crentes do valor e importância prática fiel e constante do dízimo para o reino de Deus. Números 18. Natureza e finalidade da mordomia do dízimo (3) Enquanto cálculo matemático de 10% de uma quantia é isto e nada mais. Salmo 24. Os dizimistas fiéis sabem o quanto é bom confiar em Deus e praticar esta doutrina bíblica tão negligenciada por muitos servos. 2.21 e 24. A participação dos crentes no sustento diário da causa de Deus envolve todos os fiéis de todos os tempos e lugares. Deus não resolve nada em seus planos de última hora. preservando-se o que se denomina de fidelidade de propósito. Aumentar a confiança dos crentes no poder e na providência de Deus conforme a Bíblia tem nos ensinado é a finalidade da mordomia do dízimo. mas uma exigência de Deus para sustentar espiritualmente o homem.consagrado. O dízimo não é uma invenção do homem para sustentar a religião.10-12. Sua aplicação aparece em toda a Bíblia na medida em que o homem é chamado a assumir seu dever de entregar ao Senhor os dez por cento de sua renda para que Deus possa realizar também seus planos espirituais para o mundo. Levítico 27. Malaquia 3. O desafio é aprendermos a dependência da graça sustentadora do Senhor e não essencialmente dos recursos financeiros. Como devemos dizimar (4) É dever de todo cristão dizimar à luz de Malaquias 3:10 onde Deus nos ordena dizendo: "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro.1-10. visto que o Senhor de todas as coisas promete bênçãos especiais aos fiéis dizimistas conforme o Texto Sagrado.30-32. para que haja mantimento na 177 . 3. O dízimo tem sua origem na economia divina ao preparar o projeto de criação do mundo. O dízimo faz parte do planejamento de sustento da sua grandiosa obra de redenção do mundo.

mas terminaram sendo os exemplos de deslealdade em matéria de contribuição. se eu não vos abrir as janelas do céu. o crente deve começar a dizimar ainda que sem muito entusiasmo porque é tão bom contribuir que começando por obrigação terminará por alegria e consagração. Como alguém afirmou. Atos 5. não do dízimo. O crente pode usar a medida do coração.8. Deus não deve pagar nosso impostos ou taxas previdenciárias. Se é uma ordem. mesmo que não seja com muita alegria. o que é de Deus é o dízimo e não podemos ofertar ao Senhor usando o que pertence a ele. Supostamente baseados nos ensinamentos de Paulo. O problema é que não existe fidelidade parcial. e não derramar sobre vós uma bênção tal. trata de ofertas alçadas para obras sociais. Meia obediência é igual à desobediência total. É uma questão lógica. Foi o caso de Ananias e Safira que não queriam ser completamente desobedientes. que o crente só pode ser ofertante depois de ser dizimista. Todo o cristão sincero deveria ter verdadeira alegria ao contribuir para o sustento do Reino de Deus. Entregar ao Senhor o dízimo do valor líquido não é fidelidade integral. Os descontos previdenciários e os impostos que nos são deduzidos em folha de pagamento ou em carnês. só posso obedecê-la trazendo o dízimo inteiro. Deve-se ter a preocupação de se contribuir com regularidade efetiva. não a metade ou apenas uma parte.7.21. porém. 1-11. Estão errados quanto à interpretação do Texto Bíblico que neste caso. São aqueles que dão de quando em vez e não podem ser conhecidos como dizimistas porque têm renda todo mês. mas em se tratando de uma ordem. alguns dizem que devem contribuir segundo propôs no coração e assim o fazem.minha casa. em Malaquias 3. que dele vos advenha a maior abastança". 2 Coríntios 9. A quem entregar os dízimos? (5) 178 . O povo de Israel roubava a Deus nos dízimos e nas ofertas alçadas. Vale ressaltar que o dízimo deve ser entregue do valor bruto dos nossos rendimentos. embora contribuam eventualmente. Por muitos séculos Deus tem comprovado sua fidelidade para com os homens que lhe obedeceram com amor e dedicação. Deus já determinou 10% e isso é inegociável. Verificamos ainda. Quem poderá ser bom mordomo deixando de fazer o que Deus ordenou? Certamente o servo fiel é mais agradável ao seu Senhor. vale a pena cumpri-la para o nosso próprio bem. diz o Senhor dos exércitos. Esta atitude é a normal e correta. quando se trata de dízimo. Muitos contribuem com tanta irregularidade que o dinheiro chega a perder o valor. Mateus 22. são para nosso benefício e são também um compromisso espiritual. e depois fazei prova de mim. 4.

Conclusão (6) Nós. então por que não pomos em prática a doutrina do dízimo como a Bíblia ensina? No Novo Testamento. pois. Para que um tesoureiro? Para receber ofertas. que no Novo Testamento muito mais se pregou sobre dinheiro que sobre qualquer outra coisa. mas nunca de tomar atitudes pessoais para as quais não foi credenciado por Deus. 1 Coríntios 6. Este não é o método bíblico que manda trazer todo dízimo a Casa do Tesouro e consequentemente o dízimo todo para a administração da igreja. O arrependimento. 47 vezes. O batismo é mencionado 17 vezes. Vemos. nos são lícitas mas não devemos praticá-las. A vida eterna. o crente pode todas as coisas que não contrariam a natureza de Deus. Como agência do Reino de Deus a igreja está credenciada para gerenciar os seus negócios do Rei quer sejam especificamente espirituais ou materiais. prática e conduta. Pecado e pecadores.23. elegeu um tesoureiro. Eleição. Pela fé. Muito bem. 4 vezes. a sua Palavra Santa e Infalível. então posso entregar o dízimo a Deus. teríamos de eliminar da Bíblia Filipenses 4. e as que contrariam o caráter do senhor.13. Ou não entenderam de forma apropriada o compromisso da fé salvadora ou não experimentaram a salvação que se opera pela fé que desemboca na fidelidade incondicional. na igreja de Jesus Cristo em ato de adoração e culto solene. 72 vezes. mas de acordo com a consciência de Deus refletida nos ensinos da Bíblia.O texto de Malaquias é muito claro. isto é. 27 vezes. do que todo um 179 . A situação dos irmãos que insistem na infidelidade é crítica. conforme o preceito bíblico. 90 (noventa) passagens falam sobre dinheiro. É pecado. asseverando que os roubadores não herdarão o Reino de Deus. 11 vezes. Inferno. Caso isso fosse verdade. que constitui pecado. os cristãos evangélicos. é claro. quando reuniu os apóstolos. Espírito Santo. o membro tem direito de questionar e até de orientar a correção. Causa perplexidade ouvir certos membros de igreja afirmando que não dão o dízimo porque não podem. O crente não deve fazer as coisas conforme sua conveniência somente. O hades.11. 21 vezes. A Bíblia chama de ladrão a quem não entrega o dízimo. Se houver falha na mordomia da administração do dízimo por parte da igreja. A igreja aparece em 21 versículos. nos orgulhamos em afirmar que a Bíblia é o nosso único livro de fé. se assim é. o cristão arrogar-se o direito de aplicação e administração do seu próprio dízimo.12 e 10. Dízimos e ofertas alçadas. Jesus. Muito mais valem 9/10 do nosso salário com as bênçãos de Deus. 1 Coríntios 6. 7 vezes. Fala-se em cristãos que dão o seu dízimo parte em casas filantrópicas e parte na igreja. O dízimo deve ser entregue na Casa do Tesouro. Ora. se eu posso todas as coisas.

Ageu 1. 231 p. com freqüência alarmante. 161). quero pisar neste terreno mui solenemente. 1986. O que estão abandonando é o posto. 1982. (pp. Duque de Caxias: AFE. (7) Ação de soberania em conceder livre arbítrio ao seus vassalos para o exercício de aparente ou relativa autonomia Parte XXX MOTIVAÇÕES PERIGOSAS PARA O MINISTÉRIO Uma breve Reflexão sobre alguns motivos errados para o Ministério Falar de vocação não é uma tarefa fácil. (pp. Como explicar os vislumbres de certezas espirituais ? Pode a vocação de Deus ser descrita ? Talvez devesse deixar tal desafio para os mais experientes nas lidas pastorais. Amém. pp. 162-163. 124 p. Rio de janeiro: JUERP. Daniel Oliveira. Talvez nem todos têm consciência de que errar na vocação trás conseqüências desagradáveis para si mesmos e também para suas futuras igrejas. Waldomiro. o nome deles ainda consta no boletim dominical e continuam a subir não púlpito domingo após domingo. Ed. Notas (1) FALCÃO SOBRINHO. Nestes doze anos de ministério tenho visto alguns pastores perderem o rumo original e ministérios infrutíferos com igrejas fracas e em declínio. 180 . (3) Id. (4) Id. João. Após ler estas considerações de Peterson. mas realista. desviando-se para a direita e para a esquerda. Alguns pastores estão abandonando seus postos. 1997. fiz a seguinte pergunta: O que tem levado nossos jovens ao ministério ? Minha pergunta levanta a questão sobre as reais motivações de nossos vocacionados para o Ministério Pastoral. (2) CÂNDIDO. pp. Rio de Janeiro: CPCCBB. Prostituíram após outros deuses. (pp. antes de ingressar nos seminários. Ibid. Reflexões sobre Mordomia Cristã. (5) MOTTA.Aquilo que fazem e alegam ser ministério pastoral não tem a menor relação com as atitudes dos pastores que fizeram a história nos últimos vinte séculos" . Entendo que grande culpa dos problemas destas igrejas deve-se a nós mesmos. É preciso avaliar as verdadeiras motivações.3-6. Ibid. seus pastores. (5) Id. Embora uma vaga vocação para o ministério possa levar ao pastorado. Ibid. 62 p. Isto não quer dizer que estejam deixando a igreja e sendo contratados por alguma empresa. não sustentará o pastor através das ásperas realidades da vida na igreja. pp. 163-164. 3. As congregações ainda pagam seus salários. não obstante. Estou Convosco. o chamado. 31-32). Uma reflexão dura. E não só sem as bênçãos. A Doutrina Bíblica da Mordomia. 74-75). 162. mas com as maldições previstas no juízo divino que se impõe pela suserania (7) do Senhor.salário sem as suas bênçãos. Notem as palavras de Eugene Peterson: "Os pastores estão abandonando seus postos.

é possível que nem sempre esta seja a mola propulsora de um ou outro aspirante ao pastorado. até mesmo pelos escândalos envolvendo alguns líderes cristãos. desejar". É com temor e tremor que arrisco raciocinar desta maneira. excelente obra almeja" O termo "deseja"na língua grega é epithumeo. Falando da motivação que leva um jovem a decidir pelo ministério. Penso que todo candidato ao ministério deveria responder a esta pergunta: O motivo que tenho para desejar ser pastor é porque serei pago para isto? Quanto a isto. Pastorear ovelhas relutantes é uma atividade esmagadora. alisto cinco possíveis motivações erradas e egocêntricas que podem levar alguém ao Ministério: 1) Adquirir estabilidade financeira: Os motivos da nossa sociedade seculare são controlados pelo cifrão. Às vezes pregar pode ser uma tortura. pois o Senhor aborrece a entrada de compradores e vendedores em seu templo" 2) Status social: Não é de hoje que a sede de posição cega as pessoas . melhor que se afaste dele de uma vez. Alguém motivado por posição elevada e pelo desejo de atenção trará com certeza prejuízo a si mesmo e à Igreja de Cristo. mesmo que estas não sejam verbais. Paulo escreve: "se alguém deseja o pastorado. Nós pastores inevitavelmente armazenamos um certo nível de frustração em nosso trabalho. e não a posição ou status. A título de alertarnos para este perigo. o serviço. que tem o significado de "colocar o coração. Ficamos frustrados com os conflitos da igreja. qualquer outro motivo que a glória de Deus e o bem das almas em sua busca do pastorado. Contudo. quase 2 milhões de desempregados. São só na cidade de São Paulo. os títulos de Reverendo e Pastor transmitem uma certa dose de autoridade que dignifica o ser humano. sacodem o nosso coração. Sua única motivação para ser pastor é seu desejo ardente de realizar a obra de Deus e para a glória de Deus. liderar não é fácil. Este foi um erro cometido por Tiago e João (Mc 10:35:45). e lhe confere status social. O "ser pastor". O status social não pode sustentar o nosso ministério e fazer com que vivamos nossa vocação de modo responsável. depois do mais severo exame de si mesmo. passe a compreender o ministério como uma profissão e um meio de ganhar a vida. Em I Tm 3:1. Não obstante. mesmo que em nossos dias não é lá muito bem visto. ambicionar. Vivemos uma época de recessão e de desemprego. 181 . O tempo médio hoje para alguém que perde o emprego é de 1 ano até conseguir outro.Por motivação queremos dizer os motivos internos que levam uma pessoa à ação. Spurgeon escreveu: "Se um homem perceber. com a futilidade de nossos planos e com o fracasso do nosso povo. Todos nós tomamos decisões na vida motivados por algo ou alguma coisa em dado momento de nossa existência e considerando as diversas situações da vida. Ser uma figura pública sob os olhares de todos e viver sob constantes cobranças. Precisa ser observado que o objeto do desejo é a obra. mas temo que alguns jovens em nossas Igrejas. entendemos que todo genuíno vocacionado deve ter como ambição ser um instrumento de Deus .

pois depois de tentativas inglórias de ingressar em alguma outra faculdade. mas se veio o solene chamado. fique fora. vão-se embora". caso sinta que esta foi uma escolha sua e não de Deus. Alguém pontuou o seguinte: "os ministros sem a convicção do chamado carecem muitas vezes de coragem e carregam uma carta de demissão no bolso do paletó. mas porque esta é a única alternativa possível para ele. percebeu que poderia fazer um curso de nível superior pago pelo Presbitério e ainda recebendo ajuda de custo de sua Igreja. Sente-se culpado se não fizer aquilo que todos esperam dele. 182 . professores. Conheci um pastor que guardava todo exemplar do jornal Brasil Presbiteriano em que saía uma matéria com sua foto e que falava a seu respeito. entendam que o tempo de estudos e de preparação não será perdido.3) Necessidade de firmar-se como pessoa: É possível que alguém caia na armadilha de desejar o ministério por entender que a posição e o status conquistado forçam os outros a lhe dedicarem atenção. O Ministério deve ser obedecido por vocação e não por obrigação. e ninguém pode cumprir o difícil papel de pastor se não tiver a consciência de que foi comissionado por Deus. mas porque foi imposta por Deus. sentese na obrigação de ter que ir até o fim de seu "chamado". ou por não ter condições financeiras de custear um curso em uma universidade . sendo seu chamado imposto por Deus. caso sintam que não foram chamados ao pastorado. 4) O Senso de obrigação: Há quem se torne ministro. É comum termos notícias de líderes que avaliam sua eficiência ministerial através de quantas pessoas da denominação o conhecem. não fuja" Precisamos instruir aos nossos seminaristas que mesmo que tenham feito o curso de teologia no Seminário. São líderes que buscam a fama e serem aplaudidos pelos homens. não é uma preferência entre outras alternativas. fazse necessária nossa orientação aos aspirantes e candidatos ao Ministério de que não há como alguém sobreviver no pastorado. pois depois de ter passado pela família. É desnecessário dizer que este líder não desenvolverá seu ministério com alegria e prazer. Um velho pregador deu um sábio conselho a um jovem quando indagado sobre sua opinião quanto a seguir o ministério: "Se você pode ser feliz fora do ministério. Não há nada de errado em desejar ser respeitado e admirado. 5) Falta de opções: É possível que alguém decida ser um pastor. ou por falta delas. Ao menor sinal de dificuldade. Nossos jovens precisam ver que o candidato ao ministério. presbitério e ter feito o curso teológico no seminário. Todos nós que somos pastores sabemos como o ministério é desgastante. Ele é pastor não por falta de alternativas. O peso de um sentimento de obrigação não pode levar ninguém ao pastorado. Poderão ser uma excelente ajuda às igrejas como pregadores. e insisto: Vocação pastoral não pode ser por falta de opções. Na qualidade de pastores e tutores eclesiásticos. mas não é a motivação correta para o ministério. O desejo que um ser humano tem de que os outros o respeitem é um sinal louvável de sua auto-estima. conselho. oficiais e líderes.

não sabiam que há três pessoas e um só Deus. não acertaram. libertar Israel do domínio romano. Por que? Porque se Deus tivesse um filho. Foi com o povo que andou e que se confundiu. "Tu és o Cristo. de então. de fato. dois deuses. Eles não conheciam a doutrina da Trindade.15). os zelotes. uma aferição: o que as bençãos recebidas pelo povo geraram neste em termos de compreensão de quem Jesus era? [14] E eles responderam: Uns dizem: João Batista. foi com o povo que Jesus. disse: Tu és o Cristo. pela força das armas. um profeta. Pedro teria ido apenas um pouco mais adiante que o povo. [16] Respondendo Simão Pedro. entendo que o Senhor Jesus apresenta a Igreja como seu propósito. então. que. Ouvir. era de se supor que acertariam. quer pela observação no dia a dia. A resposta deixou a desejar. ortodoxos estudiosos das escrituras. quem dizeis que eu sou? Outra aferição. Tu és o Cristo. mas. e os saduceus. conseguiram ver em Jesus um grande profeta. porém. este teria de ser um Deus também. o Filho do Deus vivo. o Filho do Deus vivo". alimentou. Jesus tenha interagido com quase todos os partidos judaicos: os herodianos. quer por ensino exclusivo. obtiveram informações privilegiadas. [15] Mas vós. A pergunta era. perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem? Embora. não podia ter filho. portanto. desenvolveu o seu ministério. em seu ministério público. Ele vai mais longe: "o filho do Deus vivo". estavam mais preparados para responder. outros: Elias. eram partidários de Herodes. já não seria um único Deus. se parasse por aí: todos criam que o messias seria o maior dos profetas (Dt 18. Ao povo pregou. o salvador vislumbrado pelos patriarcas e anunciado pelos profetas.Parte XXXI O ANÚNCIO DA IGREJA Neste trecho. porém. catalogaram-no entre os maiores. os fariseus. incompleto. conforme indica o nome. responde Pedro. entretanto. seu caráter e missão: (MATEUS Cap: 16) [13] Indo Jesus para os lados de Cesaréia de Filipe. diziam que Deus era único. quer pelas perguntas que puderam fazer. curou. Certo. Pedro disse-o: Jesus de 183 . e outros: Jeremias ou algum dos profetas. o messias. que queriam. continuou ele. logo. assim como esboça sua composição. Revolucionário! Os teólogos. esta mais importante: os discípulos conviveram com Jesus. partido da classe sacerdotal. Detendo mais informações. ser curado e alimentado por Jesus não é garantia de chegar a ter dele o conhecimento que dá vida eterna (Jo 17.3).

184 . receberam. que está nos céus. Neste sentido a missão da Igreja é agradar o seu Senhor. mas meu Pai. que descia do céu. apresentado em duas partes. que dá vida eterna (Jo 17.15) . também se ajoelham. porém. como término de sua primeira parte. testemunhando sua concordância. ato contínuo. assembléia. a esposa do Cordeiro (AP 21:9). ataviada como noiva adornada para o seu esposo (AP 21:2). adoração. (JO 6:44). nação e afins. dizendo: Vem. e eu o ressuscitarei no último dia. a nova Jerusalém.Nazaré é o Cristo. é a Igreja como noiva: . a exemplo de Pedro. porque não foi carne e sangue que to revelaram. a revelação: "Tu és o Cristo. e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. fez o filme Jesus. A Igreja é a reunião daqueles que. Não sei se foi assim mesmo que aconteceu. Os teólogos entenderam que Deus haveria de mandar um salvador. indubitavelmente. cena que procurava retratar o texto que estamos trabalhando: Zefirelli descreve Pedro ajoelhando-se enquanto proferia a declaração em questão e. acerca de Jesus. Franco Zefirelli.não entenderam que. do Pai. por se tratar de ajuntamento de pessoas que têm afinidades.Então. . Não foi a convivência com Jesus que os fez saber a verdade. tinha. O filme. Resposta completa. a revelação de que Jesus Cristo é Deus vindo para salvar-nos. e sobre esta pedra edificarei a minha igreja. veio um dos sete anjos que têm as sete taças cheias dos últimos sete flagelos e falou comigo. Portanto. é uma revelação do Pai . Deus anunciava a sua visita.Vi também a cidade santa. Jesus está falando de um grupo de pessoas especiais: as pessoas que receberam a mesma revelação que Pedro e os discípulos. é Deus a ser adorado. que dá vida eterna. é a cena que mais se coaduna com a profundidade do que foi dito. Que igreja? Igreja é uma palavra que pode ser traduzida por reunião. Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és. que deve ser adorado. entenderam ser um grande profeta . Que pedra? A afirmação. mostrar-te-ei a noiva . da parte de Deus. [17] Então. que começa com a entrega da vida. acerca de Jesus. que me enviou. Foi uma revelação! O conhecimento-experiência. Não imaginavam que a salvação humana custaria tão grande preço.Moisés assim pareceu dizer (Dt 18. não o TROUXER. os demais discípulos tomados pelo impacto da afirmação.Ninguém pode vir a mim se o Pai. esta. o Filho do Deus vivo".30). mais que um mestre a ser seguido. [18] Também eu te digo que tu és Pedro. ou melhor. A Igreja é a reunião dos adoradores de Jesus. Jesus de Nazaré é Deus. características e/ou objetivos comuns. originariamente. Esse é o conhecimento. Jesus é mais que um profeta a ser ouvido. ao anunciar um salvador. cineasta italiano. que chamou de seu afresco. Simão Barjonas.

Assim Cristo edifica a sua Igreja.Examinais as Escrituras." Adoração. ii. é a satisfação do desejo do Pai: . a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. e sobre esta pedra edificarei a minha igreja A partir da confissão-adoração: "Tu és o Cristo.E todos nós. pela contemplação? Adorar tem várias conotações: prestar homenagens. porém.Os céus proclamam a glória de Deus. e são elas mesmas que testificam de mim. como por espelho. A natureza expressa a glória de Deus. porque julgais ter nelas a vida eterna. prestar culto e. Qual é o espelho? Penso e algumas coisas que devem ser usadas como espelho: i. contemplação. 33. a reunião das pessoas que estão sendo transformadas pelo Espírito Santo à imagem e semelhança de Cristo. Torna-nos parecidos com Ele à medida que o adoramos. a encarnação da bondade de Deus. Ele é a vida eterna que está no texto sagrado.Mas vem a hora e já chegou. Será que a Igreja é edificada enquanto e na medida em que adora? Paulo parece dizer que sim: . mostra-nos o Filho e o Espírito Santo nos transforma. contemplando. reverenciar. Nesta contemplação (adoração) somos edificados. Vida Nova e Mundo Cristão) diz sobre adorar na beleza da santidade: "a verdadeira adoração reflete isto no amor e admiração dados a Ele.19). de características especiais. A igreja perscruta a natureza para ver Jesus. na sua própria imagem. o Espírito (2CO 3:18). de glória em glória. contemplando. é o mesmo que contemplação amorosa. também. na sua ação de adorar.A noiva. portanto. sois raça eleita. como pelo Senhor. Por exemplo: Adorai o SENHOR na BELEZA da sua santidade (SL 96:9).a criação: SL 19:1 . como por espelho. porque são estes que o Pai procura para seus adoradores (JO 4:23). não apenas para ter informações sobre ele. com o rosto desvendado. povo de propriedade exclusiva de Deus.Vós. Aliás. nação santa. Jesus disse "e sobre esta pedra edificarei a minha igreja" num contexto muito peculiar: Haviam três nações. aqui. O Pai desvenda-nos o rosto (por meio da revelação). Igreja é. Será que adorar passa. também. A Igreja lê as escrituras para ver Jesus.ed. e encontram. que tinham 185 . e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. somos transformados. representadas por três cidades.a bíblia: JO 5:39 .introdução e comentário . em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. também. entre outras. a glória do Senhor. Por isso gosto muito do que o Pedro disse: 1PE 2:9 . o Filho do Deus vivo" Jesus construirá a sua igreja. A palavra reunião pode dar uma conotação equivocada: de que só há igreja quando essas pessoas. Derek Kidner (Salmos . a glória do Senhor. A glória de Deus é a sua bondade (Ex. sacerdócio real.

por sua vez. A medida que a igreja vai sendo edificada vai. "avivar" não significa somente preservar ou manter vivo. também. Outro elemento que.pretensões universais: romanos. mas também purificar. Parte XXXII O PADRÃO BÍBLICO DE AVIVAMENTO Qual o padrão bíblico de avivamento? Os avivamentos bíblicos oferecem alguma coordenada para a renovação da igreja evangélica no Brasil de hoje? Estas são algumas das perguntas que procuraremos responder no decorrer desse estudo. a cidade é invadida e tomada. representados por Roma. uma nação de soldados . Eis o projeto de Jesus: uma nação de adoradores .o corpo. mais eficaz se torna contra o inferno. judeus. se as portas não resistem ao ataque. Quanto mais a igreja adora. Esta é uma conseqüência natural em 186 . sua nação atacará o inferno e as portas deste não resistirão ao ataque daquela. ou seja. como sacerdotes. destruindo as obras do diabo. Por que ataque? Porque fala das portas não prevalecerem. I . O verbo hebraico hyh (avivar) tem o significado primário de "preservar" ou "manter vivo". Jesus diz que vai fundar uma nação que libertará de fato os homens do inferno. liberando os seus prisioneiros. a última defesa. representados por Atenas.a noiva. Jesus falava no contexto das cidades muradas. Porém. pois. No Antigo Testamento:. onde a porta é o último bastião. corrigir e livrar do mal. penso. uma nação de soldados da libertação. acreditavam que a tal salvação estava em todos submeterem-se a seu modo de pensar. está contido nessa afirmação é o fato de a igreja ser o braço ministerial de Jesus Cristo. Os romanos acreditavam que a salvação do mundo estava em todos se submeterem à sua "pax". Os judeus acreditavam que a salvação dos homens estava na submissão destes a eles que.1. e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. representados por Jerusalém e os gregos. como disse João: 1JO 3:8 -Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo. os conduziriam no caminho de Deus.O significado bíblico do termo "Avivamento":. 1. Pois. o que significava submeter-se a eles. os gregos. O corpo depende da noiva. assumindo seu papel ministerial.

Hernandes Dias Lopes.O que não é avivamento bíblico:. dentro ou fora da Bíblia. o avivamento é sempre indicado como uma obra ativa e intensiva de Deus. em seu livro AVIVAMENTO URGENTE. Neste sentido. Outras palavras gregas comparam o avivamento ao reacender de uma chama que se apaga aos poucos (cf.6) ou uma planta que lança novos brotos e "floresce novamente" (cf. A igreja não promove e nem faz avivamento. mesmo que rápida. acreditamos ser de grande ajuda uma abordagem. para que em ti se regozije o teu povo?" (Sl 85. São elas: 'egeíro. II . durante a qual a Igreja Cristã desfrutou. aviva a tua obra. ó Senhor. Avivamento não é um programa agendado pela igreja. Transcrevo-as quase que na íntegra. apresenta sete interessantes razões sobre o que não deve ser entendido como avivamento de verdade. Uma possível explicação para o uso escasso dos termos.10). mas de Deus.6) (4). um grau incomum de vida espiritual. na tua ira. as tuas declarações. 'anaphállo em Fp 4. O verbo "avivar". em suas várias formas (2). 'anastáso. apenas sete vezes. Antes de falarmos sobre avivamento bíblico.2). No Novo Testamento grego as palavras supracitadas aparecem. 'anazopyréo em 2 Tm 1. propriamente dito. 1. A igreja não é 187 . em comparação ao Antigo Testamento. lemos que Deus purifica. é que o Novo cobre apenas uma geração. O Rev. do que não é o padrão bíblico de avivamento. e me sinto alarmado. 2. Na história de cada avivamento. no decorrer dos anos. 'anázoe e 'anakaínoo. Um verbo nas formas do Piel expressa uma ação ativa intensiva no hebraico. Sou devedor ao dileto colega por suas pertinentes observações. como esta: "Porventura. e.1. tira a escória e as coisas que estavam impedindo o progresso da causa (1). lembra-te da misericórdia" (Hc 3. livra do mal e do pecado. Avivamento não é ação da igreja. das quais 55 vezes estão num grau chamado piel. faze-a conhecida. Encontramos no Novo Testamento grego um conjunto de palavras que expressam o conceito básico de avivamento. na maior parte do tempo.toda vez que Deus aviva. e da clássica oração do profeta Habacuque: "Tenho ouvido. no contexto de avivamento. ó Senhor. Avivamento é obra soberana e livre do Espírito Santo. não tornarás a vivificar-nos (3). é usado mais de 250 vezes no Antigo Testamento. embora a idéia básica de avivamento seja sugerida com mais freqüência. no decurso dos anos.2. No Novo Testamento:. Alguns exemplos de sua ocorrência são as clássicas orações de Davi.

Contudo. Sem obediência a Deus. não anula a responsabilidade humana. A igreja não produz o vento do Espírito. A igreja não agenda e nem programa avivamento. Louvor em que a pessoa 188 . Não há vida piedosa sem doutrina. Não é emocionalismo. como bater palmas. ajoelhado na neve. O avivamento precisa estar norteado pelas Escrituras e não por sonhos e visões.2. Precisa estar dentro das balizas da Bíblia e não dentro dos muros de revelações subjetivistas. Deus tem compromisso com a verdade e a sua Palavra é a verdade e todo avivamento precisa estar fundamentado na Palavra. com coreografia e instrumental aparatoso. dizer aleluia. num gesto de rendição e entrega (I Tm 2. O avivamento jamais virá se a igreja não preparar o caminho do Senhor (5).8). Vida sem doutrina gera misticismo e experiencialismo subjetivista. mas não as estende para o necessitado não agrada a Deus. jamais haverá derramamento do Espírito. 2.agente de avivamento. Não é ritualismo. ela só pode içar suas velas em direção a esse vento. A soberania de Deus. suava de molhar a camisa. Cometem ledo engano aqueles que querem descartar a teologia e desprezar a doutrina na busca do avivamento. em agonia de alma. Desprezar a doutrina é querer por um corpo de pé e em movimento sem a estrutura óssea. Desprezar a doutrina é dinamitar os alicerces da vida cristã. assim ele é" (Pv 23. em oração fervente. "Assim como o homem crê no seu coração. O avivamento jamais acontecerá se a igreja não se humilhar. muitas vezes feitas na carne. gingos e dança (6). Aquele jovem. Louvor que apenas levanta as mãos para o alto. as chuvas torrenciais de Deus não descerão. Quando o seu coração parecia desalentado e já não havia prenúncios de chuva da parte de Deus. A Bíblia ordena levantar mãos santas ao Senhor. 2. amém e levantar as mãos. em favor daqueles pobres índios. Avivamento não é mudança litúrgica. o Espírito foi poderosamente derramado e os corações se dobraram a Cristo aos milhares. Louvor não é encenação. é experiencialismo personalista e antropocentrista. Ele é soberano. com liturgia animada. Sem busca não há encontro. Não é apenas seguir formas pré-estabelecidas. Desprezar a doutrina é querer levantar um edifício sem lançar o fundamento. é movimento emocionalista. David Brainerd orou vários anos pelo avivamento entre os índios peles vermelhas no século XVIII. A igreja só pode buscar o avivamento e preparar o caminho da sua chegada. A doutrina é a base da ética. Não é mimetismo. quem determina o quando e o como do avivamento é Deus. Muitos crentes confundem avivamento com forma de culto.3. A teologia é mãe da ética. Louvor não é pululância. no entanto. Sem oração da igreja. Avivamento não é mudança doutrinária. Avivamento sem doutrina é fogo de palha.7).

1). senão é fogo estranho. todo avivamento mexe com a liturgia. O avivamento desinstala a liturgia ritualista. é ofensa a Deus. O louvor não é um espaço da liturgia. mas não leva Deus a sério na vida é fogo estranho diante do Senhor. Em épocas de avivamento. o seu louvor estará sempre nos meus lábios" (Sl 34. alegre. A música do mundo tem entrado nas igrejas. "Bendirei ao Senhor em todo o tempo. Mais do que nunca é preciso tocar a trombeta em Sião e condenar a idéia de que precisamos imitar o mundo para atrair o mundo. À luz destas coisas. Quarto. Davi. Não é um novo de edição. Este cântico não é para entreter ou agradar o gosto e preferência das pessoas. versículo 3. onde há abertura para o que Deus deseja falar e fazer com o seu povo. novo. a confiarem em Deus. quebrantamento. embora o avivamento não seja mudança de liturgia.. Ele procura adoradores. vemos a natureza deste cântico: "E me pôs nos lábios um novo cântico". é preciso dizer que avivamento não é mudança litúrgica. Deus é o seu alfa e o seu ômega. em espírito e em verdade. temerão e confiarão no Senhor". mas não vive em santidade. muitos verão estas coisa. é choro pelo pecado.23). ungida. no Salmo 40. cerimonialista. fria e morta e põe em seu lugar uma liturgia viva. das músicas badaladas por um ritmo sensual. é preciso dizer que. Louvor que apenas verbaliza coisas bonitas para Deus. Louvor que não produz mudança de vida. porque não ouvirei as melodias das tuas liras" (Am 5. O louvor que agrada a Deus precisa ser em espírito e em verdade. temerão e confiarão no Senhor". do "rock evangélico". Cada culto é um acontecimento singular. é mudança de vida. vemos o resultado deste cântico: "Muitos verão estas coisas. Louvor é a totalidade da vida. Hoje estamos vivendo a época dos shows evangélicos. Este cântico vem de Deus e volta para Deus. sem abandonar a ordem e a decência. Deus não procura adoração. vemos o objetivo deste cântico: ". mas novo de natureza. sem regras rígidas préestabelecidas. a liturgia é desingessada e o povo com alegria e liberdade do Espírito adora a Deus. Todavia. 189 . Terceiro. Assim diz o Senhor: "Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos. é barulho aos ouvidos de Deus. para vergonha nossa e para derrota nossa. É um cântico que expressa a marca da sua nova vida. vemos a origem deste cântico: "E me pôs nos lábios". formalista. O verdadeiro louvor leva as pessoas a se voltarem para Deus. Um hino de louvor ao nosso Deus". O louvor precisa ser bíblico.. obediência e não leva as pessoas a confiarem em Deus. Segundo. dos animadores de programas religiosos. dos show-men. Primeiro. liberta do tremendal de lama (v2). não é louvor. fala-nos sobre as balizas do louvor que agrada a Deus: "E me pôs nos lábios um novo cântico. Este louvor vem de Deus e não do homem.apenas saltita e pula. onde há liberdade do Espírito. um hino de louvor ao nosso Deus. O louvor bíblico leva as pessoas a temerem a Deus. Avivamento não é histeria carnal.

Avivamento não é efervescência carismática. Ele faz tudo quanto Ele quer. Ele não obedece à agenda dos homens. Avivamento não é conhecido pelos dons do Espírito. Ninguém pode instruir a Deus e dizer o que Ele pode e o que Ele não pode fazer. É verdade que. Ninguém pode ser o conselheiro de Deus. Ele é livre. curas e prodígios extraordinários quando Ele quer. cismas.Hoje existem muitos cultos solenes. 2. Deus pode e faz maravilhas. curas e exorcismos. e a cooperação financeira com os pobres negligenciada. A igreja hoje está correndo mais atrás de sinais do que atrás de santidade. sem observarem a abrangência global da doutrina pneumatológica. os dons estavam sendo usados erradamente. imoralidade e irmãos levando outros irmãos aos tribunais mundanos. 2. Devemos clamar como os puritanos: "Queremos liturgia pura". Ninguém pode obstaculá-lo nem ensinar-lhe qualquer coisa. Este é um sério perigo. Havia falta de compreensão acerca do casamento e da liberdade cristã. I. onde quer. em épocas de avivamento. A igreja de Corinto possuía todos os dons. havia divisões. Avivamento não é uma ênfase carismática unilateral. mas a ênfase carismática não é sinônimo de avivamento. com quem quer. se posicionam contra o avivamento porque acham que ele é a mais nova onda da igreja. alegre. Avivamento não é modismo. Toda vez que super-enfatizamos uma verdade em detrimento de outra. A igreja hoje busca mais uma vida antropocêntrica do que teocêntrica. Uma igreja pode ter todos os dons sem ser uma igreja avivada. esta não é a ênfase do avivamento. Acham que avivamento é uma 190 . aparatosos. Naquela igreja a ceia do Senhor estava sendo incompreendida. ungida. Ele é soberano. Entretanto. como quer. Há cultos solenes que estão mortos". todo avivamento muda a liturgia. dirigida pelo Espírito de Deus. os dons são buscados e exercidos para a glória de Deus e a edificação da igreja. partidos. a ressurreição dos crentes estava sendo negada. A igreja hoje anseia mais as bênçãos de Deus do que o Deus das bênçãos. Disse J.11). Ele não se deixa pressionar. Muitos crentes.4. A igreja hoje empolga-se mais com milagres do que com vida cheia do Espírito. tornando-a bíblica. todavia. pomposos. Ninguém pode deter a sua mão. mas estão mortos. "Ele faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade" (Ef 1. Muitas pessoas hoje estão limitando o avivamento a milagres. Embora o avivamento não seja mudança litúrgica. contendas. Naquela igreja profundamente carismática.5. era uma igreja imatura e bebê espiritualmente. por desconhecimento. quando quer. nós produzimos deformações e distorções nesta verdade. Packer no seu livro "Na Dinâmica do Espírito": "Não há nada mais solene do que um cadáver. mas pelo fruto do Espírito. brigas.

avivamento não é uma onda. Os pontos culminantes da igreja aconteceram em épocas de avivamento. Finney pregou ardorosamente contra a escravidão nos EUA no século passado ao mesmo tempo que foi o maior avivalista do seu país. Certamente. em Samaria. Avivamento não é uma visão dicotomizada da vida. a igreja vai aos pecadores. Tornam-se tão "espirituais" que já não sabem mais conviver com a vida. Querem sair do mundo em vez de serem guardados do mal. mas ao enfrentamento. É só ver o que Deus fez na Reforma do Século XVI. Ele é nossa herança e nosso legado e deve continuar sendo nossa aspiração e nossa busca constante. João Calvino atacou com veemência os juros extorsivos em Genebra. saem da realidade e enclausuram-se nos castelos inexpugnáveis de uma espiritualidade isolada e monástica. Avivamento não é campanha de evangelização. no avivamento. Desde o Antigo Testamento que esta é uma verdade incontestável. não é um modismo. na Inglaterra. O avivamento não leva a igreja à fuga. Dividem a vida entre sagrado e profano. fazendo da vida uma caverna de fuga. evangelização é para pecadores inconversos. Deus trabalha para a igreja. isolam-se. É só ver o grande avivamento em Jerusalém. os estudos e a vida do dia-a-dia com o mesmo interesse. pessoas que já têm vida. no avivamento. matéria e espírito. econômicas. Não podemos confundir avivamento com campanhas evangelísticas. a igreja trabalha para Deus. os pecadores apelam aos pregadores. 2. o trabalho. sem observar os negócios. pessoas que estão mortas em delitos e pecados. evangelização é para o mundo. os pregadores apelam aos pecadores. no século XVIII e em outros grandes avivamentos da história. Certamente. quando começam a buscar avivamento. Esta não é a visão bíblica nem a visão do verdadeiro avivamento. sociais e morais. em Antioquia da Síria e em Éfeso. os pecadores correm para a igreja. Acham que Deus só olha para a vida de trabalho na igreja. Na evangelização. 191 . Ele possui firmes lastros históricos. Na evangelização. aqueles que assim pensam não estudam com critério a Bíblia nem a história da igreja. Na evangelização. O avivamento sempre traz profundas mudanças políticas.coqueluche moderna e uma inovação sem nenhum respaldo bíblico e histórico. Acham que Deus está interessado apenas nas coisas espirituais. a família. Muitas pessoas. Avivamento é para a igreja. Todo o nosso viver é litúrgico. 2. corpo e alma. O grande avivalista John Wesley lutou pelas causas sociais na Inglaterra ao mesmo tempo que pregou sobre avivamento.7. Tudo em nossa vida é vazado pelo sagrado. Toda a nossa vida é cúltica. no avivamento. É só olhar para os grandes despertamentos na época de Ezequias. de Josias e de Neemias. Avivamento é para crentes nascidos de novo.6.

quase moribundos (8). Acertadamente o Dr. Ele a realiza. Em suma. neste sentido não apenas a igreja. Estritamente falando. a missão integral de servir o mundo evangelística e socialmente. Martin Lloyd-Jones: É uma experiência na vida da Igreja quando o Espírito Santo realiza uma obra incomum. O sentido estrito de avivamento. é "o retorno de algo à sua verdadeira natureza e propósito" (7). assim. por definição. reaviva e desperta a igreja sonolenta. mas a sociedade não-cristã também é beneficiada pelo avivamento. as duas características principais do avivamento são 1) o extraordinário revigoramento da igreja de Cristo e 2) a conversão de multidões que até o 192 . Comentando um pouco mais sobre o sentido estrito de avivamento.2. a igreja amortecida e tristemente doente é a primeira a ser beneficiada pelo avivamento. por sua vez. convicção de pecado na vida das pessoas. A sociedade não-cristã. 3. na igreja passa a existir uma conscientização profunda de sua missão. O Espírito Santo renova. avivamento é algo que acontece unicamente no meio do povo de Deus. Não se pode reviver algo que nunca teve vida. volta-se para Deus em resposta ao evangelho. Ele causa impacto em toda a comunidade onde a igreja de Deus está inserida" (9). Quando há esse impacto da obra do Espírito de Deus na vida da igreja. desejo profundo de santidade de vida e aumento perceptível no desejo de pregação do evangelho. dormentes. Como a própria expressão define.1.III . Ou. Héber de Campos comenta que "o reavivamento começa na igreja e termina na comunidade maior onde ela vive. um despertamento de membros de igreja que se acham letárgicos. É revitalização onde já existe vida. primeiramente. Isto acontece porque. isto é. o avivamento é primeiramente uma vivificação. O sentido amplo de avivamento. entre os membros da Igreja: é um reviver dos crentes. diz o Dr. além da atuação soberana do Espírito Santo no mundo. Em outras palavras.O Padrão Bíblico de Avivamento: Podemos definir o avivamento bíblico em dois sentidos distintos: 3. Os efeitos do reavivamento são muito mais perceptíveis nas mudanças morais que acontecem na região ou num país onde ele acontece. No avivamento a igreja vive a missão para a qual foi chamada. oração fervorosa e louvor sincero. como disse Robert Coleman. Ele não se limita simplesmente aos membros das igrejas atingidas pela obra de Deus. um revigoramento. os resultados imediatos do avivamento são sentidos no povo de Deus: senso inequívoco da presença de Deus.

Uma vez que a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática. A relação entre a Bíblia e o avivamento é tão intrínseca que é impossível um avivamento de verdade sem que a Bíblia faça parte dele. Permita-me ilustrar o que queremos dizer por "extremos". Orr menciona este fato para relatar um desses extremos em que a palavra "avivamento" ou "reavivamento" é usada aleatoriamente. 3. recorrermos à lei e ao testemunho. é ela e somente ela que nos pode dar a direção certa deste assunto. Uma delas dizia: "Reavivamento aqui todas às segundas-feiras à noite". é fundamental o equilíbrio que só a Bíblia oferece. enquanto que a outra prometia: "Reavivamento aqui todas às noites. Voltando ao lugar da Bíblia no avivamento. uma coqueluche moderna. 1) O padrão bíblico de avivamento é a Bíblia Por mais simplória e pleonástica que esta declaração pareça ser. Sabemos que hoje existem desde aqueles que vêem toda e qualquer manifestação entusiástica como avivamento. numa época de tantos extremos como este em que vivemos. notamos que os objetos do Espírito eram sempre persuadidos com e para a Bíblia. Edwin Orr (10). até àqueles que negam a sua existência.momento estiveram fora dela na indiferença e no pecado. A Bíblia passa novamente a ser honrada como a única Palavra inspirada de Deus" 193 . mais do que nunca. A autoridade da Palavra de Deus passa ser algo extremamente forte num momento genuíno de reavivamento. Estamos falando do único padrão inerrante e infalível de avivamento: a Bíblia. "que é produto da obra do Espírito Santo na igreja. disse que viu duas igrejas nos Estados Unidos convidando pessoas para suas reuniões de avivamentos. Héber de Campos. Aqui também abordaremos dois aspectos essenciais do avivamento. ou quando muito acham que avivamento é a mais nova onda do momento. Observando os avivamentos ocorridos na Bíblia e na história da igreja. diz o Dr. é importante salientar que ela foi. exceto às segundas-feiras". ela é tão autêntica e singular como dois e dois são quatro. é e sempre será a espada do Espírito Santo em todo avivamento bíblico.3. como se o avivamento fosse produzido simplesmente pelo desempenho humano com data e hora marcadas. uma das maiores autoridades sobre avivamentos. uma inovação humana sem respaldo bíblico. Além disso. É necessário. Avivamento e a Bíblia. certamente tem sua ênfase naquilo que tem sido esquecido por muito tempo: a Palavra de Deus. Não existe verdadeira espiritualidade sem a Bíblia. Avivamento onde a Bíblia não está presente não passa de um mero pentecostalismo convencional. "Um reavivamento".

Em cada ocasião Deus responde as orações. O juízo de Deus é inevitável. Sempre que a vitalidade espiritual do povo se desvanecia. de uma vez por todas. é outro grande exemplo (I Rs 8). de quando em quando.1-5.6. O que é deveras significativo. No tempo de Josué um despertamento espiritual predominou em suas campanhas. Considerando o assassinato de Abel (Gn 3.3.4-9). outro rei de Judá. pouco depois do nascimento de seu filho Enos: "Então se começou a invocar o nome do Senhor" (Gn 4. Mas quando terminaram as guerras e o povo se assentou para desfrutar os despojos da vitória.1-15).10). 32. O nome Enos quer dizer fraco ou doente. Segundo Coleman. especialmente nos acontecimentos ligados à primeira páscoa (Ex 12. e sabiam toda a obra que o Senhor tinha feito a Israel" (Js 24. o que se pode chamar de "o grande despertamento geral" ocorreu nos dias de Sete. Depois temos os patriarcas que por vários séculos lideraram o povo de Deus. Josué reuniu as tribos de Israel. entrando com a arca em Jerusalém. Um dos maiores movimentos avivalistas aparece no final desse período. Um verdadeiro avivamento segue-se a esse desafio. a quem servir (Js 24.1-8.9-15). como na travessia do rio Jordão (Js 3. 24. 2) O padrão bíblico de avivamento está na Bíblia Os primórdios do avivamento bíblico aparecem em Gênesis. A marcha de Davi. possui muitos ingredientes de um avivamento (2 Sm 6. O período de trezentos anos de liderança dos juízes mostra os israelitas.15. e todos os dias dos anciãos que ainda viveram muito tempo depois de Josué. O avivamento também chega a Judá nos dias de Asa (I Rs 15. O breve avivamento na casa de Jacó é um bom exemplo disso (Gn 35.12-23). sob a liderança de Moisés. Sabendo que seu povo estava dividido.12) e na conquista de Ai (Js 7. lidera uma reforma (I 194 . 10.1-25. O relato subseqüente do dilúvio ilustra de modo dramático o que acontece com um povo que não se arrepende de seus pecados. prosseguindo durante "todos os dias de Josué.(11).1-17).1-15).1-8. após longos anos de opressão.9. em Siquém.1-35. Então.31). na outorga da lei do Senhor no Sinai (Ex 19. há períodos empolgantes de refrigério. 4. enviando-lhes um libertador que liberta o povo na vitória contra os inimigos. traindo o Senhor e servindo a outros deuses. "É provável que fosse um reflexo da consciência da depravação humana e da necessidade da graça divina" (13).29) e no levantamento da serpente de bronze no monte Hor (Nm 21.35). uma apatia espiritual se apoderou da nação. A dedicação do templo.7. e exigiu que cada um escolhesse.9-15) e o aparecimento cada vez mais forte de doenças na raça humana. eles agiam como a força que promovia novo vigor. E Josafá. sob a direção de Samuel (I Sm 7. Tempos de renovação ocorreram periodicamente no período dos reis. no início do reinado de Salomão. À parte desta indicação não existe nenhum outro relato de avivamento no princípio da história da raça humana. o povo se arrepende e clama ao Senhor (Jz 3.21-28). Mais tarde.26) (12). o nome Enos era bastante adequado. 6.

são muitos os relatos da obra vivificadora do Espírito Santo na história da igreja. O poderoso derramamento do Espírito Santo. M. D. Uma oração por avivamento e a promessa de sua ocorrência encontramos também em Joel 2.ipcb. Habacuque 2. 2 Cr 34. ascende aos céus. de Gerard Van Groningen. sairia em seu nome a proclamar o Evangelho 'até os confins da terra' (At 1. Por três anos Jesus trabalhara na preparação desse dia . com a chegada de outra expedição liderada por Esdras. como por exemplo. onde se reconhece que a vitalidade espiritual depende 195 . redimida por seu sangue. Setenta e cinco anos depois.18). O avivamento alcança o auge poucos anos depois. (3) O significado literal da expressão hebraica "vivificar-nos". na Alemanha com a Reforma Protestante do século XVI. Outro poderoso despertamento é vivenciado na terra sob a liderança do rei Ezequias (2 Rs 18.16). Por fim. os profetas Ageu e Zacarias entraram em cena para instigar o povo a prosseguir (Ed 5.1-13. deixando-os na expectativa de receberam a promessa do Espírito (Lc 24. "vivificação". no dia de Pentecostes. "reviver" e "tornar a viver" são usados no mesmo sentido.23. "Marca-se.1-4.28-32.4-12. do Salmo 85. O livro de Atos registra a dimensão desse avivamento. durante o reinado de Josias. o início de uma nova era na história da redenção. novas reformas são iniciadas em Jerusalém.6. Lloyd-Jones. "reavivamento".31).1-6.1-2.41-50). inaugura o avivamento que Jesus havia predito (At 2. dentre outros. assim. São Paulo: Editora Vida. entre os negros Zulus da África do Sul na década de 60 e na Coréia do Sul nestes últimos tempos. Zc 1.1-21. sob a liderança de Zorobabel e Jesua.1-47). Ainda. quando Neemias se apresenta para completar a construção dos muros de Jerusalém e estabelecer um governo teocrático (Ne 1. 73.49-53.35). NOTAS (1) Cf. bem como o sacerdote Joiada (2 Rs 11. outra vez começa a reacender um novo avivamento (Ed 1.1-23). "renovação". (2) Os termos "avivamento". At 1.Rs 22. Avivamento em Jerusalém.br. dando-se mais atenção à lei (Ed 7. No apogeu de um grande avivamento Jesus aparece e é batizado por João Batista. Que Deus derrame do seu Espírito sobre nós para que possamos. Veja também. experimentar mais uma vez daquele "fogo abrasador" que nos purifica e nos santifica para uma vida cristã de obediência à sua Palavra. como igreja e povo brasileiros.o dia em que a Igreja. Escolhe e treina seus discípulos. em Antioquia da Síria e em Éfeso. em Samaria. Tendo as intimidações dos inimigos induzido os judeus a interromperem a reconstrução do templo. E de lá para cá.org. AVIVAMENTO SOB UM PRISMA VÉTERO-TESTAMENTÁRIO no site www.24).19 e Malaquias 4. Ag 1.1-10. é "causa-nos viver". discipulada por intermédio de seu exemplo.23. dá início a um dos maiores avivamentos registrados na Bíblia (2 Rs 22. pp.1-26). garantida por sua ressurreição. 1987). na Inglaterra no século XVIII.22.8)" (14).14-3. "despertamento". a descoberta do livro da lei.44). DO TEMOR À FÉ (2ª ed. 8.4.

A CHEGADA DO AVIVAMENTO MUNDIAL (São Paulo: CPAD. p.5.compromisso.Em primeiro lugar vamos examinar os fatores internos que influem no ministério cristão. disposição e acima de tudo uma visão clara do trabalho que vai realizar. CRESCIMENTO DA IGREJA: COM REFORMA OU COM REAVIVAMENTO? In Fides Reformata. VAMOS VER O MINISTÉRIO PELA PERSPECTIVA DE PAULO . p. p.inteiramente de Deus. quando avivamento é tão somente uma consciência clara e profunda da vontade de Deus (que é doutrinária) e uma disposição plena de obediência (que é prática)". A HISTÓRIA DOS AVIVAMENTOS. (12) R. Se não soubermos administrar esses fatores. Edwards em REVIVAL! A PEOPLE SATURED WITH GOD (England: Evangelical Press. 61 Parte XXXII O QUE É MINISTÉRIO? TEXTO 2 CORÍNTIOS 6:1-10 01. 196 . 53.2 Coríntios 6: 1-10 2.. Paul E.6. 1992) 320 pp. (10) Citado por Brian H. a sermões eletrizantes.qual a sua visão do seu ministério pessoal? 02. material apostilado pela Faculdade Teológica Sul Americana de Londrina . Veja também. (5) Para um ponto de vista diferente. M. op. a práticas pentecostais. p. Edijéce Martins Ferreira. etc. veja a obra do Dr. em entrevista ao Jornal Brasil Presbiteriano (Abril/94. levantar de mãos. (11) H. 1994). pp. 1996). p. Vol I. do mesmo autor. com expressão emocional. Pierson. cit. 12): "Confunde-se avivamento com atitude pessoal e inclusive corporal (física). (8) D. . porque se dá ênfase excessiva ao louvor. (13) Idem.PR. (9) Héber C. Todavia. (7) R.vocação pressupõe . 18.1 . 44. Lloyd-Jones. 15. pela confusão que se faz a doutrina sai perdendo. Há uma superficialidade doutrinária muito grande. op. Nº 1 (São Paulo: 1996). 25. (6) Uma posição semelhante foi apresentada pelo Rev. (14) Idem. O MINISTÉRIO NÃO É UMA PROFISSÃO E SIM UMA VOCAÇÃO . cit. Coleman. Edições Vida Nova. (4) O Novo Comentário da Bíblia. p. OS PURITANOS: SUAS ORIGENS E SEUS SUCESSORES (São Paulo: PES. pp. 45. dá a este Salmo o sugestivo título: UMA ORAÇÃO PEDINDO REAVIVAMENTO. Campos. acabaremos desistindo no meio do caminho. Campos.. 1993). o excelente livro AVIVAMENTO (São Paulo: PES. Essas atitudes em si não são propriamente prejudiciais. C. Coleman.

Você não consegue tirar nem uma gota de inspiração. Portanto devemos nos aquietar. A síntese desse movimento era que o mal foi planejado para o nosso bem. O medo de fracassar é um fantasma que ronda com muita freqüência o pastorado." C .A .O pastor segundo os ativistas não deve ficar deprimido.Pergunta: você tem exercido esta paciência em seu ministério? B . Somos e procuramos exteriormente demonstrar uma força que muitas vezes não temos. é chamado de Ativistas. . eu ouvi uma certa ocasião um pastor afirmar que nós precisamos ter pelo ao menos três pessoas compartilhando do nosso ministério. .A primeira é a de aceitar as aflições como uma disciplina de Deus. Esta habilidade hoje está muito comprometida. .tem o sentido de passar por "experiências adversas". Esse conceito nasceu no Séc. de firmeza! . XVII na França e na Itália e foi chamado de Quietismo.Há momentos em que a Bíblia parece um livro fechado.. Tem de ser um heroi 24 horas por dia! Nós sabemos que há momentos no ministério em que a vontade é de desaparecer. "afligir".não é ser simplesmente ser gentil. através do exercício da fé. Tudo o que acontece nesse campo de dores vem de Deus. "restringir".significa a habilidade em conservar o projeto do ministério mesmo quando as águas são agitadas. com todas as dificuldades da vida.Privação ..Ser paciente . de estabilidade.Nas aflições . .Na muita paciência . . Todo mal vem de Satanás e deve ser enfrentado com ousadia! . As aflições não podem nos afastar deste propósito.um dos grandes problemas do ministério é que o pastor nunca se acha fraco. de permanência. Isto é. de largar tudo.O outro lado que se opõe frontalmente ao quietismo. . Quem ainda não passou por esses vales profundos de pobreza ministerial. Poucos são os pastores que demonstram paciência no exercício do ministério. Para os ativistas. Vale a pena reler Romanos 12:12 "Sede pacientes na tribulação.Ilust.esta palavra tem o sentido de "espremer". . podemos acabar com todas as enfermidades. 197 . de vesuviar. Não podemos nos esquecer de que o pastor é antes de tudo um sacerdote chamado para interceder junto a Deus pelo povo.Crisóstomo afirmou: "a paciência é um porto que desconhece tempestades".paciência .Há duas situações neste contexto que precisam ser compreendidas: . O sentido da palavra aponta para um espírito de perseverança.Nas privações .

Em primeiro lugar você precisa de um Timóteo . aos "golpes" que recebemos em nossas emoções. .Em segundo lugar vamos examinar os fatores externos que acontecem com muita frequência no ministério. e não deve se abrir com muita gente. 87). Você não pode caminhar sozinho. Mas sempre há alguém mais próximo de nós.alguém que esteja no mesmo nível espiritual que você. Este ponto é muito importante no ministério pastoral. luta mas não consegue avançar. A idéia é que o ministro pode a qualquer momento ser confinado.Aqui surge um outro problema.Em terceiro lugar você precisa de um Paulo .o sentido aqui é de "estreitamento".usaram a aparência de santidade para impressionar o apóstolo Pedro.Em segundo você precisa de um Barnabé . não consegue progredir. O enfoque maior desta palavra se refere as "feridas". Angústia faz parte do ministério. Freud analizando os aspectos da melancolia chegou à conclusão que ela produz "uma anulação do interesse pelo mundo exterior. . .Em açoites . A .Pedro por sua vez demonstrou um espírito de arrogância quando foi confrontado pela criada . Hoje isto quase não acontece. É o que os pais fazem com os filhos. uma inibição de toda atividade e uma diminuição dos sentimentos de valor próprio até o ponto de auto-recriminações e auto-injúrias. 198 . Eu sei que é muito difícil você se abrir com um colega com o qual você não tem uma amizade verdadeira. pg. Estas marcas ainda são necessárias ao ministério. .Ananias e Safira .São frequentes os momentos em que os espaços diminuem.. ser levado a um ambiente apertado.Aqui também corremos um outro perigo: o de produzir um estado de melancolia. Nestas circunstâncias o pastor é levado a se esconder atrás de disfarces.. . D .Nas angústias . Procurou encobrir o seu erro camuflando-se diante de Deus. Alguém que dependa de você para vencer as dificuldades da vida. em nossa mente. fechado.2 . . Quando você tem alguém sob sua responsabilidade você se desdobra em busca de socorro. Você se esforça. .Marcos 14:66-71 ." (As Máscaras da Melancolia.o sentido desta palavra aponta para um dos sofrimentos maiores do ministério.Paulo tinha as marcas de Cristo em seu corpo. Alguém que possa servir de referencial para você nos momentos de provação. contar suas frustrações e receber todo apoio.. Esse sofrimento não tem muito a ver com sofrimento físico. 2. uma perda da capacidade de amar.alguém a quem você possa ensinar. . Alguém com quem você possa se abrir.alguém que esteja acima de você e que possa orientá-lo nos seus momentos difíceis.Adão tentou se disfarçar com uma folha de figueira.

.Lembre-se: ministério sem dor não é ministério. nas vigílias. Eles experimentam a alegria de saber que a igreja não é um espetáculo de um único homem.Devemos portanto pensar em prisão no sentido de não termos outro espaço para viver a não ser o do ministério.. Uma série de virtudes são apresentadas neste bloco. Ele diz que é fácil alimentar um espírito de desforra. O que não pode ser esquecido é que sem trabalho o ministério não cresce. . de afastamento de tudo e de todos para ouvir a voz de Deus. não é distração". George Barna diz algo muito interessante: Ele fala da ausência programada do pastor.nos trabalhos. no caso da maioria das igrejas crescentes. Eles fazem parte da nossa chamada.nos tumultos . E afirma: "Nas igrejas crescentes. Precisamos estar preparados para sofrermos esses golpes. B . a breve ausência do pastor realmente fortalece a sua igreja. . C . É importante saber que não estamos livres de tumultos na igreja. não podemos fugir desse compromisso. de "desesperança". para uma ausência planejada". A . 2. de isolamento. Há correntes contrárias que tentam desestabilizar o nosso ministério. Mesmo com todas as dificuldades já apontadas.Em terceiro lugar Paulo mostra o que o ministério exige de cada um de nós. fazendo o resto da equipe funcionar como uma unidade . E esse trabalho exige momentos de reflexão.Eu sei que cada pastor tem um sistema próprio de vida. 199 . C. Ficamos na espreita aguardando uma oportunidade para crucificar aqueles que provocaram as divisões.4 . Há muita gente interessada em tumultuar o ambiente.Sobre o isolamento pastoral. Hoje poucos sabem o que é uma prisão." (Igrejas amigáveis e acolhedoras). nos jejuns. .o sentido aqui é de "vacilação".O Bispo Roberto sempre dizia: "ministério é trabalho. de "instabilidade". Eu não sei quanto tempo você dedica ao exercício de vigiar. é fazer o pastor afastar-se da igreja. Ele aponta um trio de atividades que não podem ser menosprezadas.O perigo é querer punir os autores desses conflitos. Ainda hoje sofremos este tipo de problema na igreja.S. . 2.nas prisões .eu creio que não estamos ferindo o texto bíblico ao aplicarmos estas experiências de Paulo em nosso contexto social. "Uma estratégia que funciona bem. Fomos aprisionados por Cristo. de jejuar.3 . (Efésios 3:1). Neste ponto nós podemos nos identificar com o apóstolo Paulo.Em quarto lugar Paulo nos mostra como devemos ser. Lewis fala da "paixão vingativa". Poucos são os pastores que exercem esse ministério.

no poder de Deus. Além disso. Não ficar alheio ao que acontece no mundo. e como vice-presidente da Fraternidade Teológica LatinoAmericana.longanimidade . .amor não teatral. por honra e por desonra. como enganadores e sendo verdadeiros.fala de tolerância. de resistência. nada tendo.estar afinado com o movimento da ciência. Esta falta enfraquece o ministério. .na palavra da verdade. na ocasião de seu falecimento. .significa simplicidade.Em quinto lugar Paulo mostra o que devemos fazer em nosso ministério. transparência.saber . mas enriquecendo a muitos. vitimado por um câncer. Temos tudo e ao mesmo tempo não temos nada.5 . pelas armas da justiça. na Filadélfia. em 1973. . sinceridade. aos 45 anos de idade. ocupou o cargo de segundo vicepresidente do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI) e. Atuou como administrador da faculdade do Eastern Baptist Theological Seminary. contudo.Quem consegue entender esta composição bíblica consegue também exercer um trabalho rico e abençoado por Deus. quer defensivas. Costa Rica. na longanimidade. A . no Espírito Santo.Há uma série de paradoxos neste texto.eu disse a igreja que nós perdemos um pouco da nossa característica. Temos dado pouca ênfase nas manifestações do Espírito. Graduou-se doutor em teologia e missiologia nos Estados Unidos. porém não mortos. Há muitas oportunidades a nossa frente. . eis que vivemos. Assim é o ministério pastoral. Era pastor e teólogo batista.na bondade . Ser paciente para com os demais. entristecidos. no amor não fingido. Pouco falamos sobre os dons do Espírito. quer ofensivas.pureza .na pureza. fundou o Centro Evangélico Latino-Americano de Estudos Pastorais (CELEP). . por infâmia e por boa fama. na bondade. Não devemos apenas interpretar um papel que não vivemos na realidade. como se estivéssemos morrendo e. Que ninguém desanime nesse caminhar. onde também foi professor de missiologia e diretor de estudos hispânicos. gentileza. no saber. .no amor não fingido . em San José. 200 .generosidade. .Nós fomos chamados para um ministério singular. como desconhecidos e. . ORLANDO COSTA E A IGREJA BRASILEIRA Introdução Orlando E. atuava como professor no Andover Newton Theological School.no poder do Espírito.A . como castigados. Foi reitor e professor do Seminário Bíblico Latino-Americano de Costa Rica. entretanto bem conhecidos. mas sempre alegres . 2.no Espírito Santo . mas possuindo tudo. pobres. . em Massachussetts. Costas (1942-1987) nasceu em Porto Rico e faleceu nos Estados Unidos.

ao mesmo tempo. Padilla é amplo demais. faz um comentário interessante sobre as dimensões do crescimento integral de Orlando Costas em seu artigo Avaliação Teológica do Ministério Integral em Servindo com os pobres na América Latina: Modelos de Ministério Integral. mas o mundo em sua complexidade. Esta pesquisa é uma simples tentativa de se aplicar os conceitos de crescimento da igreja de Orlando Costas a nossa realidade brasileira. Contudo. Ele entendia que antes de tudo algumas questões importantes deveriam ser levadas em consideração. 201 . tal crescimento não deve ser almejado e nem considerado sadio quando a ética cristã está em jogo. Entretanto. Chegando lá. também não pode servir como critério de avaliação de crescimento. saúde sem crescimento é contradição de termos. rejeitando o que chamou de "império norte-americano". Nosso trabalho visa a igreja brasileira em solo brasileiro. sentiu-se atraído pela evangelização do povo latino-americano. atrelada à ditadura militar do general Augusto Pinochet. por exemplo. Crescimento de igreja sem saúde é mera inchação. enveredou-se pela "libertação social e cultural". constatou que uma igreja como aquela não podia crescer saudavelmente estando. Questionou a hegemonia política na América Latina. o que requer a mobilização da igreja em busca de uma prática libertadora integral. Entendendo que a fé não é "uma herança familiar". participando da V Semana de Atualização Teológica. René Padilla. Costas rompeu com a cultura anglo-saxônica e a mentalidade colonialista que subjuga os povos latinoamericanos. não se deixava impressionar simplesmente com números. Embora reconhecesse o valor. 1. Admirou a liderança jovem da igreja brasileira e criticou seu fraco desempenho teológico. entendendo que a missão da igreja não é simples comunicação da fé. era cuidadoso em sua análise de crescimento numérico de uma igreja. Assim. Orlando Costas. (1). O renomado teólogo considerava-se um "teólogo na encruzilhada". a importância e a necessidade de uma igreja crescer. pois o crescimento deve ser o resultado natural de uma igreja saudável. O CRESCIMENTO NUMÉRICO DA IGREJA BRASILEIRA O crescimento numérico da igreja evangélica brasileira deve fazer parte do desejo de todo cristão sincero. o rol de membros de uma igreja. calorosa e esperançosa? Ele é amoroso? Sua fé é vista através da ação? A fidelidade.Orlando Costas esteve no Brasil em junho de 1984. Além disso. Entre seus escritos são dignos de destaque o artigo Dimensões do Crescimento Integral da Igreja e o livro Compromiso y Misión. porque uma igreja que não cresce está fora dos propósitos de Deus. segundo Costas. Seu enfoque é a América Latina como um todo. por exemplo. como por exemplo: O crescimento é motivado pelo Espírito Santo? O crescimento está relacionado com os frutos do Espírito? A fé do crente é vibrante. Não é um trabalho original no que se refere ao estudo dos tipos de crescimento propriamente dito. Haja vista o clássico episódio em que Orlando Costas visitou uma igreja pentecostal no Chile.

com pouca ou nenhuma perspectiva de sua missão e de seu crescimento. mas que estão crescendo saudavelmente. sua estrutura financeira. Pelo contrário. As igrejas pentecostais do Brasil sempre serão um desafio saudável às igrejas históricas. Orlando Costas dizia que o crescimento numérico da igreja. "é parte fundamental do ser da igreja" (3). Entretanto. segundo Orlando Costas. O que não significa dizer que não haja igrejas crescendo com autenticidade. de acordo com os preceitos bíblicos. esta não é a realidade geral em nosso país. Embora nem todas as igrejas tenham vocação para ser mega-igreja. De acordo com ele. por si só. O que Costas questionava. todas devem crescer. É preciso discernimento e critério de avaliação. Porém. engessadas em suas tradições ou em seus usos e costumes. É importante deixarmos claro que Orlando Costas não era (e jamais foi) contra o crescimento da igreja. e com razão. pois nenhuma igreja foi formada para ficar estagnada e parada no tempo. o tipo de atividade na qual investe seu tempo e recursos e sua celebração cultural" (4). Costas entendia que estas devem ser preocupações salutares e necessárias. esta não é a regra geral. ou mesmo a falta dele. Independente de ser pentecostal ou histórica. O CRESCIMENTO ORGÂNICO DA IGREJA BRASILEIRA Vimos no tópico anterior que o crescimento numérico não tem sido tão favorável para a igreja evangélica brasileira de modo geral. E o que dizer do crescimento orgânico da igreja? Primeiramente é preciso saber o que é crescimento orgânico na concepção de Costas. seus líderes. Isto é um princípio bíblico que Costas fazia questão em destacar. não pode ser aceito como crescimento verdadeiro. propriamente dito. As indagações levantadas por Costas precisam ser ponderadas por todos nós. Os extremos são sempre perigosos. Na questão de crescimento da igreja não podemos ser totalmente crédulos de um lado e nem céticos do outro. Contudo. existem aquelas que experimentam um crescimento fenomenal e intrigante até. esta dimensão inclui aspectos da vida interna da igreja como "sua forma de governo. Todo crescimento de igreja. Contudo. Por outro lado. O que. e por uma razão óbvia: no Brasil existe uma forte tendência em se achar que todo e qualquer crescimento de igreja é obra do Espírito Santo. fica a pergunta: aquelas estão crescendo realmente com saúde. o crescimento orgânico da 202 . sabemos de tantas igrejas que estão marcando passo. E por que não? Porque nem sempre a ética cristã de uma vida santificada tem andado de mãos dadas com o crescimento de nossas igrejas. outras nem tanto.espiritualidade e encarnação (2) estão presentes na vida da igreja? Estas questões são fundamentais para se avaliar o crescimento da igreja brasileira hoje. Temos no Brasil igrejas abençoadas: algumas grandes. do mesmo modo como estas deveriam crescer? 2. deve ser criteriosamente analisado. eram os meios muitas vezes utilizados para se chegar em tal crescimento.

Um bom (ou seria mau?) exemplo disso é o que a igreja geralmente faz com seus novos membros ou recém-convertidos. uma igreja missionária. Segundo pesquisas. Bruce Shelley expressou a mesma preocupação de Costas quando advertiu: "Infelizmente. só que agora como embaixadores de Cristo" (7). as igrejas tendem a 'eclesiastizar' seus membros. ainda tem muita estrada para se rodar. Infelizmente a IPB é hoje o que jamais deveria ser. mas. Sua obediência a Cristo se faz apenas mediante canais institucionais ou pietistas: reuniões e programas. quando fazem! Um exemplo a ser considerado é a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). o desafio da contextualização da igreja em uma situação histórica definida. É verdade que sua visão e missão. uso do tempo e do templo estão voltados para o deleite de nossas próprias igrejas. essencialmente. no geral. inclusive. Fruto direto da obra missionária de Ashbel Green Simonton em 1859. Se o primeiro mandamento de Jesus foi 'Vinde' o segundo foi 'Ide'. voltado para dentro de si mesmo. A igreja evangélica brasileira de modo geral ainda não se conscientizou de sua missão fora dos portões como sal da terra e luz do mundo (cf. por outro lado. cerca de 80% a 90% dos recursos financeiros.13. ou reuniões de oração e grupos de discipulado. A nossa evangelização. na intenção de constituir-se em uma verdadeira comunidade com raízes autóctones" (6). Há alguns anos escrevi uma lição para a escola dominical na qual dizia: "Reconhecemos que há muita coisa boa que uma igreja local pode fazer além de missões. Nosso alvo deve ser a missão da mesma pessoa no mundo. A igreja que se orgulha de sua teologia calvinista esquece que Calvino possuía uma consciência missionária profunda (8) sendo.igreja não deve ser introspectivo. entre outras coisas. a conclusão que chegamos é que a igreja brasileira não é. todavia uma nova pessoa com novas convicções e padrões. porém. atualmente. As palavras de Shelley deve nos levar a uma reflexão séria. pois é preciso resgatar por 203 . de uns tempos para cá. Boa parte de nossas igrejas que pensam serem missionárias na verdade apenas fazem missões. denominação da qual sou pastor.14). tira o convertido do mundo e jamais o envia de volta a ele. formação de líderes. Costas fazia questão de deixar isso bem claro (5) e René Padilla interpretou muito bem o pensamento do missiólogo quando disse: "Ele (o crescimento orgânico) abrange. Mt 5. o responsável pelo envio dos primeiros missionários ao Brasil em 1555 (9). pena que às avessas. até porque o maior potencial de uma igreja é o crente novo. a IPB deveria ser. O crescimento orgânico é um dos tipos mais naturais de crescimento experimentado pela igreja brasileira. se a 'muita coisa boa' estiver desassociada de missões. A igreja não pode servir de tropeço para ela mesma. Devemos reentrar no mundo de que saímos. uma das denominações mais missionárias do país. vem progredindo . então não é tão boa quanto se pensa'. À luz do que vimos até aqui.

seu conhecimento da fonte dessa fé (as Escrituras). que "se você estiver errado em sua doutrina. segundo Costas. O CRESCIMENTO CONCEITUAL DA IGREJA BRASILEIRA A igreja brasileira não é um caso perdido. A igreja evangélica brasileira ainda não entendeu como deveria essas dimensões e suas implicações. um pastor britânico já falecido. não apenas em seu aspecto teológico. Martin Lloyd-Jones. é uma igreja que está caminhando. por exemplo. conceitual ou diaconal) acarretaria numa deficiência danosa. estará errado em todos os aspectos da sua vida" (11). sua compreensão da fé cristã. A ausência de qualquer uma daquelas dimensões (numérica. Qualidade sem crescimento é inconcebível. propriamente dita. além de uma conscientização missionária. mas caminha na esperança de um futuro promissor. começa a crescer conceitualmente também. São aquelas pessoas que confundem a boa tradição bíblica e evangélica pelo tradicionalismo 204 . O crescimento conceitual da igreja é o que poderíamos chamar de "dimensão central da igreja". cada dimensão da igreja só tem razão de ser se for vivenciada nas outras. Citemos um pequeno exemplo: Crescimento numérico sem qualidade pode ser comparado ao câncer que cresce mas não é bom. a igreja brasileira precisa passar por uma revitalização de suas estruturas. O doutor costumava dizer. Na verdade. embora a passos não tão largos como gostaríamos. o que vem comprometendo seriamente o evangelho e a aceitação do mesmo por parte da sociedade. orgânica. mas sobretudo na totalidade daquela missão integral que ficou perdida em algum lugar do passado. "expansão na inteligência da fé: o grau de consciência que a comunidade eclesial tem a respeito da sua existência e razão de ser. Talvez um dos teólogos que mais chamou a atenção da igreja para sua dimensão conceitual (embora não com esta terminologia. mas com a mesma ênfase). orgânica e ética" (10). tornando-as mais funcionais e principalmente por uma estruturação doutrinária que se expresse na vida prática. É importante lembrar que Orlando Costas entendia corretamente as dimensões do crescimento integral da igreja como um sistema interligado. Infelizmente falta sã doutrina e santidade de vida no povo de Deus. Jones e notei que muito da preocupação conceitual de Orlando Costas era a daquele também. tenha sido o Dr. Esta dimensão dá à igreja firmeza intelectual para enfrentar a todo tipo de doutrina e capacidade crítica para evitar a fossilização e garantir a criatividade evangelizadora. Isto está acontecendo porque a igreja. A qualidade da qual se derivam todas as outras dimensões. Pelo contrário.completo a boa herança reformada. o que significa. Saindo do particular para o geral. E de quem é a culpa? Certamente são daquelas lideranças que muitas vezes refletem em suas igrejas uma mentalidade tacanha e retrógrada. 3. Com a graça de Deus chegaremos lá! Aos poucos o velho conceito de fazer missões vai dando lugar ao ser missões. sua interação com a história dessa fé e sua compreensão do mundo que rodeia. Li vários livros do Dr. consciente ou inconscientemente.

A igreja brasileira não pode se calar diante dos males sociais. e sem qualquer preocupação de ser rotulada e perseguida por isso. a igreja que assumia sua responsabilidade social no mundo era taxada de comunista. É pena que a igreja foi. O CRESCIMENTO DIACONAL DA IGREJA BRASILEIRA Esta é a dimensão encarnacional da igreja. justamente porque ao se discutir prioridades (como por exemplo as que envolvem evangelização e ação social) a igreja deixa de fazer bem uma e outra coisa. porém. Evangelização e responsabilidade social são partes integrantes da missio Dei. Felizmente. precisa ser devidamente analisada e exercitada pela igreja brasileira como um todo. Orlando Costas entendia que sem este crescimento a igreja perderia sua autenticidade e credibilidade no mundo. sem deixar de olhar para fora. mas poderia andar um pouco mais depressa. e muitas vezes tem sido ainda hoje. e não faz muito tempo. quanto à participação nos problemas da sociedade. inseparáveis e indispensáveis na missão integral da igreja de Jesus Cristo no mundo e para o mundo. Uma consciência que estende a mão em ajuda aos fracos e oprimidos. a consciência social da igreja brasileira hoje parece ser maior do que algumas décadas atrás. O crescimento diaconal da igreja brasileira. influenciada pelos sistemas políticos e deixado de ser a voz profética de Deus na sociedade. De certo modo. Vale lembrar. como ocorria em tempos atrás. Estamos adentrando em um novo milênio e a igreja continua sonolenta em muitos dos aspectos de sua missão integral. ainda somos uma grande colcha de retalhos. graças ao bom Deus. inovação saudável e revitalizadora pelo inovacionismo e oba-oba. Mas ele não está estagnado. ainda não amadureceu tanto em sua concepção de missão integral. esta dimensão que nos faz olhar para dentro de nós mesmos. Para Costas. De uma igreja que se consolide pela visão integral de sua missão no mundo. por outro. Que Deus nos ajude! Conclusão: Vivemos na esperança de dias melhores para a igreja brasileira. os cristãos foram colocados no mundo "para ser a consciência da sociedade" (13). já que "somente na medida em que conseguir dar visibilidade e concreticidade à sua vocação de amor e serviço ela pode esperar ser ouvida e respeitada" (12). caminha lentamente pelo que a gente tem visto. se por um lado a igreja vem melhorando em sua visão social. assim como as demais dimensões do crescimento integral. De uns tempos para cá a igreja melhorou consideravelmente. A igreja brasileira não está parada. À luz do que vimos até aqui fica difícil dizer: "A igreja brasileira tem esta cara".mórbido. Hoje. portanto. Contudo. etc. ainda temos um longo caminho pela frente. 4. porque. liberalista. boa parte das igrejas brasileiras está envolvida em trabalhos sociais. 205 .

. 126. mas com certeza esse dia vai chegar. p. T. A.fidelidade. Fred H. 1992) p. I (São Paulo: Vida Nova.. 38-49. DIMENSÕES DO CRESCIMENTO INTEGRAL DA IGREJA em A missão da igreja (Belo Horizonte: Missão Editora. 29. 113. 5. 7. A IGREJA: O POVO DE DEUS (São Paulo: Vida Nova. op. Idem. 8. René Padilla.Comparando os quatro conceitos de crescimento de Orlando Costas à igreja brasileira.são as variáveis de controle em seu modelo de crescimento integral. "Para Costas. 1988). III. verbete ORLANDO E. 117. M. klooster. Deus visitará seu povo e o avivará para honra e glória do Seu nome! NOTAS 1. COMPROMISO Y MISION (San José: Editorial Caribe. p. 6. 3. 183. 1998) p. a igreja que gostaríamos de ser. 13. Bruce Shelley. O COMBATE CRISTÃO (São Paulo: PES. 113.. L. 9. Lloyd-Jones.4. 10. Costas. 1994) p.. Vol. nº 1 (São Paulo: 1998) pp. nota 6. Schipani. D.EN CRISTO em Misión en el camino (Buenos Aires: FTL. estas três qualidades ou critérios teológicos . Costas. 4. 2.THE HEIDELBERG CATECISM AND CALVIN em Calvin theological journal (1972) pp. op. Idem. 12. COSTAS em Enciclopédia históricoteológica da igreja cristã. A CONSCIÊNCIA MISSIONÁRIA DE JOÃO CALVINO em Fides reformata. Costas. espiritualidade e encarnação . 206 . cit. cit. 102. Orlando E. AVALIAÇÃO TEOLÓGICA DO MINISTÉRIO INTEGRAL em Servindo com os pobres na América Latina (Curitiba-Londrina: Editora Descoberta. Vol. Trata-se dos fatores ou princípios críticos em função dos quais avalia-se qualitativamente as várias classes e dimensões do crescimento eclesial e se prova a validez teológica de dito crescimento" (Daniel S. 1991) p.7. Nossa igreja brasileira ainda não é a igreja dos sonhos. 1984) pp. 11. Costas. p. Cf. 1979) p. 101. CREZCAMOS EN TODO. Antonio Carlos Barro. podemos notar um avanço em todos eles. 114. Sayão. 362. Cf. MISSIONS .

etc. visitas. Penso que na essência.. Orgulhamos por ter uma grande Igreja. procuramos nos manter sempre ocupado.15 nos informa que muitas pessoas procuravam a Jesus para serem curadas por ele e o v. em nossas muitas atividades eclesiásticas somos cada vez mais dominados por superlativos. Cito Henry Nouwen quando ele afirma que na solidão.16 afirma “ele porém se retirava para lugares solitários e orava”. escrever artigos. descobrimos que ser é mais importante que ter e que valemos muito mais que o resultado de nossos esforços. onde o autor fala de três tentações mais comuns no ministério pastoral: ser relevante.em nossa vida agitada e cheia de atividades temos fracassado em separar tempo para a solidão afim de aprofundarmos nossa vida espiritual. O v. Obviamente.. Trata-se de um desejo de compartilhar com meus irmãos e colegas pastores. Conscientemente ou não. um grande. 1º Perigo: O perigo de envolver-se tanto em atividades que negligenciamos nossa vida devocional. Se estar atarefado é ser importante. Como sempre. os quais tenho constatado em minha própria caminhada. Sutilmente somos enganados. ser espetacular e ser poderoso. Mas voltando. são sutilezas que procuram desestabilizar e adulterar o nosso pastorado. constantemente temos que provar o nosso valor. Em razão disso. fazer ligações telefônicas.Parte XXXIII PERIGOS SUTIS AO MINISTÉRIO PASTORAL "Quando fui convidado para escrever este artigo para a nossa Revista PROPOSTA. como evitar cair na armadilha do excesso de atividades ? A resposta é a mais simples possível: Precisamos praticar um tempo a sós com Deus. onde nossa identidade pastoral passa a ser derivada de nossas atividades. alguns perigos do ministério. Abro aqui um parêntesis para recomendar a leitura do livro de Henry Nouwen “ No Nome de Jesus” . Parece uma ousadia falar assim aos pastores. a nossa utilidade.16. e por fazermos parte de uma sociedade competitiva. mas aqui falo também como pastor . um grande coral. corremos atrás de atender a um modelo ideal de pastor estigmatizado por esta cultura do sucesso que é aquele líder que está sempre ocupado. Solidão é o remédio contra o ativismo pastoral. Tornamo-nos daí pastores compulsivos. Aprendemos com nosso Senhor Jesus em Lucas 5:15.. e para tanto. que a ação interna (oração) tem precedência sobre a ação externa (proclamação). existe por trás deste excesso de atividades uma cultura – nosso mundo é voltado para o sucesso. separar tempo para planejar. sem tempo para mais nada. preparar estudos e sermões. logo pensei em algo sobre o ministério pastoral. todo pastor deseja grandes mudanças em suas igrejas e daí a quantidade exorbitante de atividades a que nos entregamos todos os dias: aconselhamentos. Jesus percebeu o 207 . reunir-se com a liderança.. então preciso estar atarefado.

3º Perigo: O perigo de se afastar tanto do mundo que perdemos a consciência de que o mundo é nossa paróquia. Para isto é que existem presbíteros regentes e docentes. A princípio não há nada de errado em tudo isto. dos terrenos que a igreja adquiriu.. Pouco a pouco todos se transformam em instrumentos de trabalho. deixando de pastorear pessoas. a “ exigência” é que devemos nos retirar do 208 . dedicar tempo ás nossas ovelhas para visitá-las e orienta-las espiritualmente. etc. do formato novo do boletim informativo. Deixe a administração com o presbítero regente. Precisamos ser lembrados que fomos chamados para pastorear e não para administrar. ouvilas. negligenciando sua vida devocional. movida á produção. Talvez devêssemos perguntar: Como posso saber se estou sendo bem sucedido no cumprimento de meu ministério? Creio que Efésios 4:11-15 delineia qual é a expectativa de Deus para nós pastores – Dentre algumas das medidas de sucesso em nosso ministério. 2º Perigo: O perigo de reduzir a funções e projetos a pessoas que Deus nos mandou pastorear.. usamos estas pessoas como empregados para cumprirem uma missão que nem sempre é de Deus e sim do pastor. Quando olhamos para o ministério de Jesus.. Para fazer isto preciso gastar tempo com as pessoas – ajuda-las. mas à pessoas. etc. Quando nos tornamos pastores. Não me entendam mal. está o fato de que precisamos preparar pessoas para o ministério. e que ter uma vida profunda de oração não perde o seu valor quando somos ordenados ao ministério. das reformas feitas na estrutura física da igreja durante nosso pastorado ali. O pastor que imita as ações e a pregação de Jesus. Sob a pressão de que estão trabalhando para Jesus. são um prejuízo para a fé e um empecilho para o crescimento da igreja. Nós pastores insistimos com nossas ovelhas sobre a necessidade delas terem um tempo a sós com Deus. Corremos o perigo de abandonarmos nossa função como pastor. Nós pastores precisamos pastorear. o perigo é sutil.Pessoas são a razão de nosso ministério. homens e mulheres com quem vivemos e trabalhamos podem se tornar meros objetos. Jesus não era inclinado à programas. Mas não podemos nos esquecer que somos ovelhas também. imitar sua vida profunda de oração. e nos tornamos administradores e secretários de Igrejas. ao mesmo tempo. Neste processo da secularização da igreja. sem. Começamos a medir o sucesso no ministério pela popularidade de nossos projetos..perigo e não caiu na armadilha de se entregar ás atividades. verificamos que ele passou mais tempo cuidando de pessoas e conversando com elas do que em qualquer outra coisa. Diferentemente de nós que somos movidos para a produção. aconselha-las.

podemos dizer que nossa ordenação foi adulterada”. É surpreendente ver que Jesus não agiu desta maneira. precisamos. etc. Imagine se Jesus fosse o pastor de sua igreja! Por onde você acha que ele andaria ? Quem ele visitaria ? Se formos bem honestos. o prefeito da cidade. Creio que para evitar que nosso pastorado seja adulterado. lanchonetes. para o nosso bairro e ter uma proposta pastoral para estas pessoas aflitas. simplesmente levanos a evita-lo.. os vizinhos que moram próximos á igreja. Eram pessoas exaustas. Erroneamente. Aflitas por falta de trabalho. problemas com os filhos. Creio que já está na hora de desenvolve-lo “fora da igreja” também. talvez pela sobrecarga de trabalho. Nós pastores precisamos seguir o exemplo de Jesus e olhar para a nossa cidade. Nas palavras de Eugene Peterson “quando o trabalho que executamos para Jesus como pastores esmaece nossa consciência do mundo. por exemplo. Em Mateus 9:36 lemos que Ele andava pela cidade e vendo as pessoas compadecia-se delas porque eram como ovelhas sem pastor. afasta dele o foco de nossa atenção. prisões. etc. fazer parte da sociedade amigos de bairro. nos enfiamos nos trabalhos da Igreja que consomem todo nosso tempo e energia e cada vez menos nos interessamos pelo mundo lá fora. De tanto se afastar do “mundo”. emocional e existencial. teremos que duramente admitir que ele andaria pela nossa cidade. Eram pessoas aflitas.Assim. penso que temos que responder a três perguntas: 1) Quais são as atividades que você tem durante a semana em que você se coloca na presença de Deus na perspectiva de ovelha. um inimigo ou um competidor de nossa espiritualidade. A título de aplicação daquilo que foi dito aqui.. não ter tempo para o lazer ou por causa dos problemas do dia-a-dia. Nosso ministério corre o perigo de ser exercido basicamente dentro da Igreja. medo da violência. de filho e não de um funcionário da igreja? 209 .Ele não resumiria seu ministério apenas aos salvos. visitar a Câmara Municipal. visitando asilos. exaustas e sem rumo na vida. precisamos buscar a “paz da cidade” ( Jr 29:7 ) e para tanto é mister nos envolvermos com ela. vemos o mundo como algo mal. hospitais. nos envolver em atividades promovidas pelas pessoas da vizinhança. Nossa espiritualidade pastoral não pode ser desenvolvida apenas dentro da igreja. estabelecer amizades e se identificar com as pessoas da comunidade. colocamo-nos em competição contra ele. Pessoas com crises no casamento. seguindo seu próprio cronograma e agenda.mundo e nos entregarmos ao trabalho de uma instituição religiosa que se dedica a seus próprios assuntos.. na vida profissional. nossa linguagem vai se tornando “igrejeira” e quem é de fora entende muito pouco do que falamos. O texto ainda fala que eram pessoas sem rumo na vida. sejam crentes ou não. Se faz necessário construir relacionamentos. sem acesso a uma boa escola e inseguras quanto ao dia seguinte. ou..

21).10). Nicholas Murray Butler que disse haver três tipos de pessoas no mundo: · as que não sabem o que está acontecendo. ambientes que você freqüenta e pessoas com quem se relaciona que facilitam sua ação como sal da terra e luz do mundo? Parte XXXIV REFLETINDO SOBRE LIDERANÇA CRISTÃ Há um lugar especialíssimo para a liderança na visão do Novo Testamento.27). Não é função de mando. É um Josué. hábil na distribuição de tarefas (vv. Paulo usa a expressão "a graça que nos foi dada" (Rm 12. há de ser lembrada a palavra de Paulo em 2Timóteo 2. Na Igreja de Cristo é a liderança desse corpo. Parece ser o óbvio. pessoas de palavra e não avarentos (Ex 18.7). mas de presidência a ser exercida zelosamente. Como parte do seu aprendizado. segundo a Versão da IBB (Rm 12. com Josué e com os apóstolos. Nancy DUSILEK no seu Liderança Cristã: a arte de crescer com as pessoas. treinou os líderes escolhidos dentre critérios bem determinados: que fossem capazes. Uma música popular dos anos 70 de forte mensagem diz que "quem sabe faz a hora. foi humilde bastante a ponto de atender conselhos que lhe foram dados. transmite-o a homens fiéis. que sejam idôneos para também ensinarem os outros". São essas últimas que detêm o dom de liderança. homem submisso ã vontade de Deus (Js 6.2). 11-16 apresenta a plataforma de liderança da Igreja Apostólica. mas no seu aprendizado teve que aprender a delegar (Ex 18.1-13 oferece o padrão para os ministérios pastoral (ali denominado "episcopado") e diaconal. e Moisés reconhecia as suas próprias (Ex 4. não espera acontecer".20. Assim é que Efésios 4. mas a função do líder é liderar.10). Dr. cita o ex-reitor da Universidade de Colúmbia. e detêm funções de liderança aqueles soberanamente escolhidos para esse cometimento.6). nos EUA. e 1Timóteo 3. e em dar ordens claras (v.2) Quem são as pessoas que estão sendo afetadas pela sua vida? Pela convivência espiritual com você? 3) Quais os lugares. tementes a Deus. FUNDAMENTO BÍBLICO DA LIDERANÇA CRISTÃ Deus utiliza seres humanos como seu método. · as que observam o que está acontecendo e · as que fazem com que as coisas aconteçam. Desse modo. TEOLOGIA DA LIDERANÇA 210 . Quanto à liderança espiritual e à preparação de outros líderes da igreja apostólica.8). Assim aconteceu com Moisés. Um líder tem limitações. 6.2: "e o que de mim ouviste diante de muitas testemunhas.

10-12. Vocábulos como democracia.27. O líder cristão deve agir com fé. atividade. são igualmente basilares. Duas palavras gregas são elucidativas do conceito de poder: kratos e dynamis. autoridade". Kratos é "poder. livres. pois sem essa virtude é impossível agradar a Deus (cf. determinados títulos "religiosos" com o propósito de "autenticar" o poder de mando e comando. o líder é um condutor. energia". Pelo próprio conceito da palavra (leader>líder). e pela fé. Romanos 16 o lembra com extrema clareza: havia naquela comunidade cristã: mulheres. passam a buscar o controle.28. falemos igualmente de fé. É um com o seu povo. jovens e idosos.Recorde-se de que liderança cristã é "o trabalho de despertar e conduzir o ser humano para Deus e para tudo o que dEle recebeu". · A competência e o espírito de iniciativa. aliada a esta. Pela fé. mesmo. na falta de autêntica autoridade espiritual. conforme ensinou MINERVINO. Mt 20. permitindo que se chegue ao universo semântico de "força ou espiritual.24-31. pela fé a unidade da igreja é mantida.4). autoridade de mando". e desse modo leva os seus liderados aos cometimentos propostos. A primeira é ter ideal. 1Co 12.19. de detenção de poder decisório que só evidenciam que. comando. Porque o serviço é inerente à função. judeus e gentios.1). assumindo. homens. Fp 1. 211 . Lucas 12. gerontocracia veiculam a idéia de "poder do povo". de dinamismo ungido. 1Co 9. e utiliza para tanto os dons dos seus liderados e associados. observa-se uma profusão de kratos em numerosos líderes com sede de manipulação. Mais: o líder tem poder. Hb 11.1). a preeminência. o líder é estimula a desenvolver seu potencial (1Co 11. Do líder cristão é esperada a dynamis como fundamento e veículo da sua autoridade espiritual e da sua atividade de condutor de vidas. Mas o líder cristão reconhece que não o faz por mérito próprio: Deus está com ele (Ex 3. o líder é servo. o líder cristão exerce a perseverança. que é o "partir para a ação". potência". e dando-nos vocábulos como dínamo. libertos e escravos.6). por outro lado. Além disso. pois essa virtude determina o verdadeiro objetivo da liderança cristã que é o ser servo (cf. e. Dynamis. todos agindo. reagindo e interagindo para o bem comum e para o bem da causa de Jesus Cristo. especialmente no sentido de "poder político. dinamite e dinamismo. Lamentavelmente. Gl 5.41-48 apresenta uma palavra de Jesus Cristo a esse respeito. É observar o que diz 2Coríntios 11. ter visão: alma e olhar de condutor de vidas. QUALIDADES DO LÍDER · No mínimo as seguintes qualidades podem ser destacadas.13. Lc 22. Se estamos falando de conduzir para Deus. Não é demais dizer que a Igreja é variada e multiforme. tecnocracia. "poder da técnica" e "autoridade dos idosos". traduz "força.

segurança e confiança.2). temos que a admitir que a situação é caótica. deveríamos corre o risco de rever os nossos 212 . vale ressaltar. · que. Funções do Líder Previsão e visão que envolvem. Precisamos estudar mais as nossas doutrinas. O líder há de ser equilibrado. que se justifica quando confrontamos o projeto da maioria de nossas igrejas com o potencial das igrejas batistas. plenitude do Espírito Santo. e Atos 6. E dentro disso.3 descreve o equilíbrio desejado: boa reputação (cf. · Em seguida. Tais confrontações se materializam na leitura do perfil traçado de muitas de nossas igrejas. a postura apologética diante das ameaças à doutrina. controle da situação e avaliação do realizado. imaginação e rapidez de raciocínio. formam o perfil do líder cristão. tomando-se por base o alto índice de exclusões. análise dos acontecimentos do passado. v. Parte XXXIV REVITALIZANDO A IGREJA Introdução: Aonde chegaremos como igreja se continuarmos insistindo em ser apenas o que temos sido e em praticar somente aquilo que temos praticado nestes últimos anos? Essa pergunta estabelece a relevância do presente trabalho.5). expressa na média Brasil batista de integração que é de 40% apenas. das circunstâncias do presente e das tendências do futuro.· Segue-se a tenacidade aliada à serenidade. a média do número de membros e a incontável massa de líderes neopentecostais oriundos de nossa denominação. ao lado da simpatia. Outra importante função da liderança é a defesa. sem sombra de dúvida. às posturas e aos valores da instituição. Se analisarmos muitas de nossas igrejas sem ufanismo e sem o amor platônico que nos foi inculcado. o compromisso dos membros no exercício de cargos e no sustento da igreja com a indiferença reinante. com o arcaísmo saudosista e excludente praticado por aqueles que insistem em não pensar a batistandade. plenitude de sabedoria e de fé (cf. a necessidade de revitalização da igreja para a sobrevivência no mundo globalizado com o tradicionalismo embotador imposto por um seguimento de líderes denominacionais ideologicamente ultrapassados e quando confrontamos a gradativa contextualização denominacional em seu interminável repensar. escolha dos meios para a realização do planejamento. autenticidade e comunicação. Planejamento que envolve algumas análises preliminares: estabelecimento de objetivos. o número de dizimistas fiéis. 1Tm 3.

I . quem somos. É essa consciência de missão. Aqui. o que devemos fazer. No nosso caso. que direcionará os nossos olhos sempre para o ideal de Cristo para a igreja. a luz dessa missão. e a nossa missão prática no mundo. o que realmente permite que a igreja redirecione seu foco e retome os propósitos de Deus para o seu ministério e para o cumprimento de sua missão evangelizadora. se não sabe ao certo o que deve fazer e se não tem noção clara das estratégias possíveis para fazer o que deve. A primeira resposta é sobre a missão. que estabelece a nossa identidade. cabem duas perguntas. principalmente a igreja. os nossos objetivos e a nossa estrutura organizacional. A igreja que busca a revitalização tem o privilégio e o compromisso de prosseguir sempre vitoriosa. Este momento. independente da Denominação. que nos manterá atrelados a Palavra de Deus. o que é a nossa missão e qual seria. quando bem definida. Antes que a perda da identidade e da relevância no mundo como igreja ocorram. é a leitura hermenêutica do traçado histórico da igreja e a constatação da situação real em que nos encontramos. a nossa visão? Vejamos. o modelo e as estratégias para que não sejamos vitimados por uma nulidade eclesial devastadora. sucumbe a historicidade e torna-se dependente do tradicionalismo conservador de nulidades e acalentador da nostalgia petrificante. em Eclesiologia.Missão e Visão: ferramentas para a revitalização da igreja Se é nosso desejo revitalizar a igreja para augurarmos relevância ministerial na proclamação do evangelho. para a retomada dos ideais de Cristo para a igreja e a manifestação da glória de Deus em nossos arraiais. e que determina a qual denominação nos filiar. a partir de uma conceituação teológica. é retomar os princípios bíblicoteológicos desprezados e é reordenar a estrutura. Se esperamos ser igreja viva para cumprirmos o nosso papel no reino de Deus. buscando compreender o nosso corpo de doutrinas. bem como a nossa declaração de visão. carecemos de uma reformulação da proposta de educação teológica e prosseguir repensando a denominação.posicionamentos doutrinários. as devidas respostas. Antes que a igreja se prostre em nostalgia e desemboque nos questionamentos que provocam a rotura que tem como fim último o desaparecimento da igreja. fica mais fácil por que somos batistas e não devemos prescindir dessa 213 . * Missão é a definição objetiva e clara da nossa identidade como igreja local. Devemos revitalizar. Revitalizar é reafirmar tudo aquilo que é bíblico. o que cremos. devemos avaliar as nossas convicções doutrinárias. devemos elaborar a nossa declaração de missão. Qualquer instituição. precisamos desenvolver uma genuína consciência de missão que propicie uma visão objetiva do que somos e do mundo para o qual pregamos. mas creio que devemos urgentemente buscar a revitalização de nossas igrejas.

Tomando por base o livro de Darrell Robinson. Precisamos ou não de revitalização? Carecemos ou não de redescobrir a nossa missão? Necessitamos ou não de restaurarmos a nossa visão? A resposta para estas questões é um altissonante e retumbante sim! Não podemos negar a necessidade de restaurarmos a nossa visão para que obtenhamos vitória de Deus no cumprimento da nossa missão. Negar a necessidade de revitalização é como usar antolhos históricos e eclesiológicos. não temos o que olhar ou. Temos um verdadeiro desafio missionário no Brasil e no mundo. Na verdade. II . O que a CBB busca fazer com a aprovação do parecer do GT Repensando na última Assembléia convencional. no caso de se considerar apropriada a presente propositora. Vale ressaltar a necessidade de adaptação à realidade da igreja local. * Visão é. para onde direcionar os nossos olhos. Mais de 120 anos de igreja contra aproximadamente um milhão de batistas. bem como uma identidade denominacional definitivamente Batista.identidade denominacional. não tradicionalista. basta olharmos para o tempo de permanência da igreja batista no País e confrontarmos com o número de membros que somamos. mas para levarmos a cabo esta grandiosa tarefa carecemos de uma previsão dotada de discernimento e alicerçada na compreensão do que deveríamos ter feito como igreja de Cristo nestes mais de 120 anos de história. Nossa missão precípua é a evangelização. Nossa visão do mundo e de nós mesmos como igreja é determinada e condicionada pela nossa consciência de missão. conforme as últimas estatísticas denominacionais. bem como a nossa declaração de visão. no afã de definirmos nossa declaração de missão. Isso é ter visão. a imagem futura que fazemos do lugar onde pretendemos chegar como igreja e a concepção filosófica de como vivemos como igreja de Jesus no mundo. mas carecemos de saber e de definir conceitualmente o que é ser batista no terceiro milênio. Um número inexpressivo se comparado a densidade demográfica verificada no censo 2000 e divulgada pelo IBGE. a partir da compreensão de nossa realidade efetiva.Declaração de Missão e de Visão cabíveis para a revitalização da igreja Acreditando serem positivas as respostas às questões colocadas. sequer. Agora vejamos a resposta sobre visão. o que cremos e o que devemos fazer. Se não sabemos quem somos. buscamos nos arraiais batistas as respostas possíveis e as apresentamos no presente trabalho. que apresenta a nova análise 214 . nos deparamos com a premente necessidade de definirmos as nossas reais intenções ministeriais a fim de que adquiramos características eclesiológicas e expressão cúltica puramente bíblicas. Não podemos acreditar que está tudo muito bom.

Com relação a visão. A imagem visual se projeta e se define a partir da construção da imagem mental que se faz.15. A igreja deve se permitir a uma permanente autocrítica e praticar uma continuada hermenêutica histórica. A nossa missão só pode ser baseada em textos como Mateus 28. ou mesmo redefini-las.44-48 e João 20. de suas doutrinas e de suas estratégias ministeriais.18. em textos como Lucas 24. visto que desejamos estar afinados com a batistandade. como santos de Deus. se entendemos que se faz necessário. O tamanho da igreja é diretamente proporcional a visão que seus membros têm de Deus e ela cumpre sua missão na mesma proporção em que crê no poder de Deus ainda atuante no mundo. incitando seus membros e sua liderança à constante renovação do entendimento de si mesma. que apresenta a igreja como poderosa e vitoriosa no embate contra o inferno. ainda tomando por base Darrell Robinson.1-5. sob sua autoridade e seu senhorio. coletiva e individualmente. Logo. Essa visão está de acordo com os princípios do Novo Testamento e vem do Cabeça da igreja. para a exaltação de Cristo. É a cabeça que impõe a visão.19 e 20 e Marcos 16. capacitando-os. a fim de que obtenhamos contundente autoridade testemunhal em Cristo. que nos posiciona como casa espiritual e ministradores do sacerdócio universal praticado em genuína espiritualidade. cumprindo a nossa missão evangelizadora com autoridade espiritual e relevância sociocultural. podemos asseverar que: * A missão da nossa igreja é evangelizar os pecadores.18. para a maturidade espiritual e para o crescimento numérico da igreja. Esta declaração de missão proporciona uma vida eclesiástica equilibrada e contém tudo que é essencial para o fortalecimento doutrinário. com todas as suas implicações. Sobre a missão. que determinam a formatação missiológica designada pelo próprio Cristo para a sua igreja. Jesus. após a conversão.Antíteses indispensáveis para a revitalização bem-sucedida É extremamente produtivo definir a declaração de missão e de visão. essa missão promoverá relevância histórica e ministerial para a igreja. É isso que podemos deferir de textos como Mateus 16.bíblica dos dons espirituais no contexto Batista. mas este labor impõe antíteses entre o tradicionalismo da batistandade e a tradição bíblica que deve ser abraçada 215 . definimos a nossa declaração de missão e de visão. que apresentam a Grande Comissão delegada por Jesus e ainda. III . Temos o mesmo Senhor e Cabeça. e de 1 Pedro 2.21. se deseja cumprir sua missão. vivendo. Não há mistério nem inovações. afirmamos que: * Nossa visão é ser Corpo Vivo de Cristo. Jesus. exercendo influência ético-cristã na sociedade. Colossenses 1.

a Revolução Francesa. lidar com estas antíteses não é nada agradável e exige uma firmeza doutrinária hercúlea e uma identidade denominacional capaz de intercambiar relacionamento sem se permitir ser influenciado.pela igreja de Cristo denominada Batista. tradicionalismo é a defesa explícita da tradição no âmbito do espírito romântico. vemos em 2 Tessalonicenses 2. Muitas vezes. Não há na Bíblia qualquer referência a tradição denominacional. amor exagerado aos usos antigos.2 indicações para se preservar a tradição. e até mesmo boa parcela dos nossos líderes. Filosoficamente. onde a palavra no original significa preceitos doutrinários e está condicionada a doutrina dos apóstolos citada em Atos 2. Na Bíblia. tradição consiste em sabedoria e discernimento quanto a validade das instruções e as noções religiosas transmitidas de geração para geração. Diversos líderes postergam ao máximo a decisão de iniciar a revitalização da igreja na tentativa de evitar os desgastes decorrentes destas antíteses. que monopolizou a igreja até o movimento de Reforma Protestante. visto que tais movimentos foram uma tentativa idealista de se devolver à Igreja Católica Romana a absoluta autoridade sobre as questões religiosas. a questão reside na compreensão da diferença entre o que é ser uma Igreja Tradicional ou uma Igreja Tradicionalista. tradicionalismo é um mal devastador que afasta as pessoas 216 . não sabe a diferença efetiva entre uma coisa e outra. que são verdadeiros e que estabelecem os parâmetros e a validade do cristianismo.42. É o único reconhecimento e a única garantia da verdade. a perda de seus membros para a igreja neopentecostal que se acampou nas redondezas. Em síntese. visto que a maioria dos nossos membros. ao final. Em Teologia. até porque denominação não existia no período da Igreja Primitiva. Tradição é ato de transmitir ou de entregar. A doutrina dos apóstolos nada mais é do que os ensinamentos espirituais transmitidos por Jesus. É a transmissão de valores espirituais através das gerações. No contexto bíblico. muitas vezes lamentando. Filosoficamente. no século XVII. classificando como tradição o que se entende ser verdadeiro e não necessariamente a verdade. tradição é a herança cultural transmitida de uma geração para outra. Tradicionalismo é aferro ou apego. visando preservar as crenças. Em Teologia rejeita-se o tradicionalismo devido a sua origem no iluminismo e o seu ponto culminante.15 e em 1 Coríntios 11. A primeira Denominação Cristã surgida foi o Catolicismo Romano. no século IV. ou seja.

escribas e fariseus. e não pela iconografia muitas vezes perniciosa. no que diz respeito a Eclesiologia.do ideal de Deus para escravizá-las com rudimentos humanos ou para enganá-las com sutilezas diabólicas. Os ajustes doutrinários possíveis são os promovidos pela CBB. na formação da liderança. mais informal e menos eclesiástica. A igreja apenas se adequará a estes ajustes para permanecer fiel a Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira. que será mais efetiva e sempre direcionada pelo serviço cristão. na comunhão. que será ajustado ao Texto Sagrado. o que não se pode prescindir como Batistas. como batistas. nada mudará também. primeiro. Marcos 7. pode-se então 217 . como no caso do Espírito Santo.8-15. a pergunta talvez seja. a diferença fundamental entre tradição e tradicionalismo se identifica no quadro que se segue Este quadro reflete algo que já ouvi do próprio Pr. na educação cristã. que impunham ao povo 365 proibições e 250 mandamentos. Tradição é a fé viva dos mortos". a Declaração de Missão e de Visão. por que a igreja terá uma identidade denominacional e doutrinária própria.1-7. nos ministérios e na proclamação. fazendo o que todas as igrejas devem fazer. IV . Depois de se permitir a estas antíteses. Em quarto lugar. doutrinariamente. No contexto da igreja que busca a revitalização e que está disposta a se permitir as antíteses necessárias na avaliação de sua prática eclesiológica e cúltica. acusando-os de subjugar o povo com um fardo extremamente pesado que nem mesmo eles suportariam carregar. Tendo definido. não são temas contemplados no estudo da Eclesiologia Batista. Na verdade. o que vai mudar realmente? A resposta não é simples e nem resumida na palavra tudo. porém do jeito e da maneira mais apropriada para a realidade sociocultural na qual interage. Terceiro. utilizar bateria e guitarras. renunciando tradicionalismo histórico e promovendo mudanças radicais de vida nos membros da igreja. Mateus 23. visto que bater palmas. as mudanças reais acontecerão. Segundo. Ed Kivitz em assembléias convencionais: "Tradicionalismo é a fé morta dos vivos. não o perfil do pastor. As mudanças se efetivarão na expressão cúltica. nada.Objetivos gerais para uma igreja de visão no cumprimento de sua missão Para que a igreja tenha a motivação correta. A Eclesiologia trata dos postulados filosóficos sobre o ser igreja. deve-se estabelecer os objetivos gerais que a impulsionarão e que indicarão o seu modo peculiar de ser igreja viva na adoração.1-13 e Colossenses 2. após a revitalização. na forma do praticar o culto. Jesus combateu a tradição dos anciões. bem como cantar hinetos ou fazer coreografias nas músicas. A igreja se tornará mais contextualizada e menos ritualista.

despertado pela amizade e pela convivência com o cristão. Uma igreja. 4. ensinando aos membros da igreja as verdades de Deus em sua Palavra. mesmo que tenha um conhecimento bíblico apurado. 218 . 2 Coríntios 5.21-24. o que nos exige um padrão ético e moral elevados. com amor extremado pelos pecadores e com entusiasmo contagiante. mas o Espírito Santo trabalhará neles e através deles.Praticar o evangelismo responsável é.8-9 e 28. pois representamos o povo diante de Deus.2 Consciência ético-cristã para o exercício do sacerdócio universal e do ministério eclesiástico . seja em casa.14-16.14 e 15. Podemos agora asseverar que os objetivos gerais de uma igreja revitalizada são os seguintes: 4. dificilmente experimentará crescimento real se não aprender a vivenciar e a transmitir a outros a sua fé de forma pessoal e contagiante. Mateus 3. não trabalharão mais por suas próprias forças.1 Instrução bíblica promotora de maturidade cristã e autoridade testemunhal Deve-se desenvolver um programa de educação cristã com embasamento bíblico sólido. não depender de campanhas ou de programas especiais.39-47 e Tiago 1.8. Gálatas 2. A vivência prática da fé. no trabalho ou na rua. é fator determinante na evangelização. com dedicação. e uma dedicação extremada ao serviço cristão na igreja. a expressão cúltica. a motivação da igreja revitalizada deve derivar dos objetivos gerais definidos a partir da consciência de missão e da visão alargada em seus horizontes. mas motivar a cada cristão a uma ação pró-ativa na evangelização. 4.Deve-se levar os membros da igreja ao entendimento de que todos somos sacerdotes para Deus. Em outras palavras. para que quando o visitante chegar a igreja já tenha no seu coração o interesse pelo evangelho.8. Somente instrução bíblica com esta perspectiva pode oferecer à igreja referências claras de ensino bíblico profundo que se conciliem com uma unção incontestável na vida comunitária do cristão. João 5.11-14 e 1 Pedro 2.19-20.1-2 e 1 Pedro 3.20. À medida que os cristãos trabalharem nas igrejas conscientes dos compromissos do sacerdócio e sabedores dos seus Dons espirituais para o ministério. Atos 1. 9-10. por mais ortodoxa que seja e por melhor que seja a sua doutrina. Lucas 24. Tito 2. Vale ressaltar que a motivação da igreja deve ser a consciência objetiva quanto a missão e quanto a visão futura que se projeta do quanto se deseja alargar os horizontes do reino de Deus a partir do ministério prático da igreja.estabelecer os objetivos gerais que nortearão a eclesiologia. capacitando-os a vivenciar o quotidiano conforme o propósito de Deus. 2 Timóteo 4.45-48. certamente.3 Evangelismo responsável e baseado no testemunho pessoal . as estratégias ministeriais e a identidade denominacional levados a efeito pela igreja revitalizada. Josué 1.

7 Crescimento integrado da igreja a partir do equilíbrio entre quantidade e qualidade . motivando-nos à participação efetiva e vívida na adoração. devemos compreender que a dedicação de vidas expressa na fidelidade nos dízimos e ofertas é um fértil meio de graça na igreja. 4.10-17. 1 Crônicas 29.Isto é o mesmo que dizer que não se deve estar preocupado com o número de membros no rol.Isto é o que nos permite libertação da preocupação escravista com a liturgia ou com os estilos. 13. a partir da convicção de que Deus se faz presente em nossas celebrações.12-17. Atos 8.9-18.8 e 15. bem como a pequenez do adorador.1. Romanos 12.11-12. Não se pode permitir a crença em uma dispensação automática ou mecânica de bênçãos para os contribuintes. santo e agradável a Deus. É a igreja se tornar sensível à ação do Espírito Santo que a guiará na exaltação a Cristo e na ministração de um culto vivo. Salmo 92.7-12. sinceridade e alegria produtiva .4.Isto é o entendimento pessoal de cada membro no fato de que é Deus quem nos sustenta e de que a contribuição financeira é apenas um reflexo da dedicação amorável de nossas vidas ao Senhor. Atos 2.34-35 e 2 Coríntios 9.6 Fidelidade voluntária e incondicional na consagração de vidas e no sustento financeiro da obra . Hebreus 10.5 Comunhão dinâmica vivenciada em amor. no qual cantamos.17-20. Romanos 12.8-9.1-4.18-21. bem como ao seu povo. A verdadeira adoração nos conclama a declararmos a superioridade absoluta de Deus.20. É saber que conversão e senhorio estão amalgamados e que a insistência em não dizimar e ofertar é confissão objetiva de incredulidade.45 e 4. Colossenses 3. Isaías 38.44-47 e 4. Adorar é abrir o coração ao amor de Deus e render a nossa vontade aos propósitos dele.4 Adoração cristocêntrica que propicie verdadeiro louvor em culto vivo . Em vez de encararmos a contribuição como uma obrigação desagradável e penosa. com o patrimônio ou com a conta bancária. A oferta deve ser feita com fé e pela fé. Atos 2. glorificamos e magnificamos ao Senhor por sua santidade e por sua ação salvífica em nosso favor.17. pois por intermédio dela o Espírito Santo ministra graça e prosperidade à igreja.3-5. 4. visto que são satisfeitas as necessidades do ser integral. como devoção amorosa ao Senhor e à sua obra. A 219 .1-7. A igreja que vivencia este tipo de comunhão valoriza as pessoas e torna seu ministério muito mais efetivo.32-35. A prática do verdadeiro amor dá à igreja um brilho divino e uma alegria que se intensificam nos relacionamentos interpessoais de seus membros. Ageu 2. É um exercício do espírito humano no encontro pessoal com Deus. 4. Adoração é um mistério. na intercessão confidente e na ministração da bênção àquele que foi vitimado pelas amputações existenciais ou pelas confrontações espirituais.6-14. Sofonias 3. É a compreensão efetiva de que todos somos um.19-25 e 1 João 4. É a prática da empatia e da mutualidade na consolação. Não se pode comprar o Dom de Deus.Isto é a decretação do fim do preconceito e da segregação na igreja. Malaquias 3. Esta é a oferta que propicia bênçãos incontáveis para o cristão. Apocalipse 5. 2 Coríntios 1.

A Declaração Doutrinária dos Batistas preceitua que a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática. Evita-se a tradicionalização suicida da igreja.7-10. o arcaísmo dos estratagemas. é necessário substituí-los ou desmascará-los a luz da Palavra de Deus.15. 220 . Mateus 26. Quando se estabelece a autocrítica e a constante hermenêutica da própria realidade. bem como a mortificação da consciência cristã no fazer igreja.46-47 e 9. um edifício anexo moderno e funcional.preocupação certa é com a qualidade da vida espiritual dos membros da igreja.9 Constante autocrítica e permanente avaliação do contexto histórico. evita-se a petrificação das estruturas. da expressão cúltica e da estrutura organizacional . Salmo 15.28-32. jamais haverá crescimento verdadeiro na igreja se nos aprisionarmos ao poderio concedido pelo número de membros no rol ou pelo saldo financeiro e patrimonial.11-15. 1 Pedro 2. e entre o saber e o fazer. Atos 2. não dando atenção às questões mais profundas que afetam a humanidade em decorrência do aviltante paradoxo entre o ser e o ter. A maior contribuição que a igreja tem para oferecer ao mundo é o evangelho de Cristo e seu poder libertador. Tito 2. Deve-se querer ser batista.9e Apocalipse 2.8-10 e 2 Tessalonicenses 2. um palacete pastoral. mas deve-se desejar também que a Palavra de Deus seja a única regra de conduta.Neste objetivo reside a probabilidade de vitória. Mateus 10. do que se faz e de como se fazem as coisas. uma frota de veículos e uma equipe ministerial bem remunerada tivermos que prescindir da ética cristã e do embasamento bíblico continuaremos pequenos e pobres. a luz da Palavra de Deus.Isto é o mesmo que dizer que a igreja deve querer ser batistas.8 Identidade doutrinária e denominacional definidas a partir do Texto Sagrado e não pelo conservadorismo histórico ou tradicionalismo .19-21.20-23. porém. Sempre que o tradicionalismo denominacional se sobrepõe a doutrina bíblica ou que o tradicionalismo histórico se torna ineficiente diante dos propósitos de Deus.41-42.31. Levítico 19. mas principalmente deve querer a liberdade para praticar os ensinamentos da Palavra de Deus. sem receios da crítica mordaz da batistandade. Marcos 7. A constante autocrítica e a avaliação permanente exigirá uma continuada revitalização. fiéis ao Senhor Deus.5-9.1-5. que se reconhecer erros doutrinários historicamente defendidos ou que se quebrar alguns paradigmas denominacionais. bem como saúde e maturidade espirituais na prática efetiva do fazer igreja. outorgando cognição no pensar a igreja. mas que não aceita um doutrinismo antibíblico. por isso. Atos 2. 4.3 e 1 Coríntios 11. o que nos exige uma reflexão crítica sobre o denominacionalismo a luz da Bíblia Sagrada. uma catedral. o embotamento das idéias e o esvanecer dos ideais. Romanos 12. Colossenses 2. Se para ter dez mil membros. mesmo que para isso se tenha que renunciar a história. 4.

37-47. f) O padrão de relacionamento interpessoal e de comunhão que se desenvolverá. discipulado. ministério e comunhão. que foram praticados de forma efetiva e vitoriosa pela Igreja Primitiva. estrutura ou idéia que esteja fora do alcance de uma avaliação justa e alinhada com o propósito de Deus para a igreja. se há comprometimento com o Grande Mandamento e com a Grande Comissão. Estes propósitos sintetizam o Grande Mandamento e a Grande Comissão de Jesus para a igreja. Sem tais definições. Na verdade. o presente trabalho visa embasar a assertiva de é que possível promover a revitalização da igreja de maneira bíblica. conforme Mateus 22.37-40 e Mateus 28. Conclusão Finalizando esta proposta de trabalho com vistas a revitalização da igreja. Atos 2. como denomina George Barna. para que se defina o seguinte: a) O tipo de igreja que se pretende ser. que são: louvor. b) A expressão cúltica que será praticada. porém respeitosos. c) O referencial de ética que a igreja perseguirá. Não há pessoa. evangelismo. voltando a sentirse uma Igreja Viva que proclama a salvação e a libertação em Cristo em meio a esta geração corrompida e perversa.19 e 20. g) O método de evangelização que será usado. se pretendemos relevância testemunhal e autoridade espiritual no cumprimento da nossa missão. e) O nível de compromisso exigido dos membros da igreja. é prova inconteste de sua vulnerabilidade à deterioração e à petrificação motivadas pela maldição da negligência preceituada em Jeremias 48. é impossível levar adiante a revitalização da igreja que carece de resgatar sua identidade doutrinária e denominacional. Atos 2. São estes os mesmos propósitos que devem ser perseguidos e praticados pela igreja que busca revitalização. o que fará da igreja revitalizada uma grande igreja.A prática constante da autocrítica e da interpretação investigativa dos comportamentos da igreja revitalizada permite o desmascarar as vacas sagradas. Pode-se inovar no fazer igreja sem se alterar a essência do ser Igreja.10. h) Qual a periodicidade da avaliação. Conforme ressaltamos anteriormente. identificamos nestes nove objetivos gerais os cinco propósitos eternos de Deus para a igreja.40. negando-se a um processo de avaliação justo e construtivo. A insistência de uma igreja em não se submeter à autocrítica e à hermenêutica imparcial. deixo como sugestão a realização de estudos amplos e de debates francos. Tudo o que somos e fazemos como igreja deve estar aberto à análise e à crítica. programa. penso. seguindo os preceitos de 221 . independentemente da tradição denominacional. d) O tipo de mensagem que se proclamará.

Não se pode ter medo de se praticar culto vivo. Não se pode ter fobia de evangelismo responsável. Permita-se a Deus e ao Espírito Santo para que estes objetivos sejam realidades efetivas em sua vida. Parte XXXV UM PROJETO DE REVITALIZAÇÃO PARA A IGREJA LOCAL O presente trabalho é uma tentativa de se apresentar. Uma igreja verdadeiramente viva e motivada pela missão não tem receios de ultrapassar barreiras. A diferença básica entre o ser e o fazer igreja e uma denominação reside na comunhão com Cristo. se considera-lo procedente e biblicamente correto. Não existe Eclesiologia. dissociada da Cristologia. Pense em tudo isso e ore pedindo a Deus discernimento espiritual e direcionamento para a decisão que você precisa tomar juntamente com a sua igreja para a revitalização.Jesus e desenvolvendo uma perspectiva correta de renovação espiritual e eclesiológica. a nossa intenção não é lidar com modelos de igrejas propriamente dito. Por isso. mas nos basearemos em princípios gerais e em nossa experiência pastoral. de romper as fronteiras e de alargar seus horizontes. porque acreditamos que cada caso é um caso. Abrace este projeto. leve a sua igreja entender o que é e a desejar a revitalização. em sua igreja e em nossa denominação. entre o ser e o fazer igreja. santo e agradável a Deus. de sacerdócio universal e de comunhão dinâmica em amor. As denominações são expressões sociológicas. nenhuma igreja que afirme compromisso de missão conforme os postulados bíblicos e o mandamento de Jesus pode esquecer que o cumprimento da missão acontece em meio a difícil dialética entre o conservar a identidade doutrinária e o renunciar a tradição histórica. visando seu crescimento numérico. de modo prático (assim esperamos). isto é. que somente a igreja pode desenvolver. de discipulado biblicamente instrutivo. de quebrar paradigmas. 222 . O relato bíblico nos incentiva a perceber a dialética inevitável e continuada entre a identidade eclesial e o chamamento para a missão. seja despertado por Deus para os nove objetivos aqui propostos. como Corpo Vivo de Cristo. Corpo Vivo de Cristo. do ser igreja. Como ficará evidente. Amém. jamais compreenderemos o que realmente significa ser o povo de Deus que em Cristo é chamado para as boas obras. alguns princípios fundamentais de revitalização da igreja local. o fazer igreja. bem como um método prático para se introduzir as mudanças necessárias para a contextualização da igreja. juntamente com sua igreja. Trabalhe para que você. não é mera sociedade de pessoas humanas. Finalmente. Não critique ou refute sem estudar e orar. Pois estas são as características distintivas da igreja de Jesus Cristo no Texto Sagrado. desejo ressaltar que a igreja. Se considerarmos apenas a tradição histórica e os pressupostos denominacionais para sermos e fazermos igreja. Sejamos Igreja.

Invista-se na liderança e na formação de novos líderes e a igreja como um todo reagirá positivamente. Pastor. Os resultados serão simplesmente surpreendentes! Os líderes de igrejas que crescem concentram seus esforços em capacitar outras pessoas para ministérios específicos. que por sua vez capacitem e formem outros líderes. Uma das funções do pastor é equipar os santos. Mas também é preciso que ele capacite e equipe novos líderes. Um pastor centralizador compromete seu ministério e o futuro de sua própria igreja. Um pastor que pretende levar a carga sozinho não conseguirá ir muito longe. Eles capacitam. a energia investida por eles pode multiplicar-se quase infinitamente. esses líderes investem a maior parte do tempo na formação de novos líderes através do discipulado e do compartilhamento de tarefas. A pessoa do pastor é fundamental para a formação de uma liderança capaz e capacitadora. a fim de contribuir na formação de novos líderes. Em vez de fazer a maior parte do trabalho. Um líder não é capaz somente pela sua boa reputação dentro e fora da igreja. Investir na formação de uma boa liderança é garantir o sucesso da igreja local. A REVITALIZAÇÃO DA LIDERANÇA Não são poucas as igrejas que conhecemos que nos obrigam a fazer uma inevitável pergunta: "Onde está a liderança?". e não meros "ajudantes" ou "marionetes" com o intuito de alcançar seus próprios interesses. como revitalizar uma igreja cuja liderança está cansada e os liderados insatisfeitos? Em nossa pouca experiência temos aprendido que o segredo do sucesso está no investimento. Líderes capacitadores formam colaboradores. Sendo assim. p. Pelo contrário. descobrem como esse aspecto leva ‘por si mesmo’ ao crescimento" (C. Quando fui pastor em uma das igrejas da Grande São Paulo. mas não sabem como fazer. viajamos com eles para 223 .1. a pirâmide de autoridade é invertida: os líderes ajudam cada cristão de sua igreja a chegar à medida de plenitude intencionada por Deus para cada um. Existe boa literatura sobre administração eclesiástica que ajudarão o pastor neste empreendimento. "Líderes que se vêem como instrumentos para capacitar outros cristãos e levá-los à maturidade espiritual. Aos poucos (ir devagar é fundamental quando se chega em uma nova igreja) fomos renovando a junta diaconal. o que é deveras significativo. receber novas orientações. Investimos na nova liderança. Assim. ensine sua igreja a fazer. Para isso. pude perceber um pouco da força do que acabamos de dizer. Pegamos uma junta diaconal debilitada e sem muito compromisso. apóiam. motivam e acompanham a todos individualmente para se tornarem aquilo que Deus tem em mente. Schwarz. a varonilidade do Corpo de Cristo. a liderança deve ser constantemente revitalizada. A. trocando os "irrecuperáveis" por novos. O crescimento natural da igreja. Confie no potencial de seu rebanho. O pastor precisa delegar e distribuir tarefas. 23). a saber. O que não falta nas igrejas são pessoas que querem trabalhar.

Novos líderes devem ser formados a partir de seus dons. Tem que ser trocada. Mudança também é revitalização. 1994 e O teste dos dons/Christian A. Campinas: Luz Para o Caminho. só é possível quando os membros de uma igreja estão no lugar certo. seriam resolvidos com mais facilidade. Aos poucos. Existe muita gente boa no ministério errado. descobrimos que 80% deles não sabem os seus dons espirituais". Dr. Além de outros fatores indispensáveis para o crescimento da igreja. 224 . Ministrei sobre o tema na região sul do País durante quase um ano. Será que o resultado da pesquisa seria diferente se fosse feita com 1600 cristãos ativos nas igrejas do Brasil? Acredito que não e digo por quê. quer sejam de ordem espiritual. E esta "mobilização". e pude constatar que o resultado da pesquisa não foi diferente. Mas como preparar uma liderança capaz e capacitadora. Curitiba: Editora Evangélica Esperança. recebemos orientações específicas de líderes de juntas diaconais que estavam dando certo e em pouco tempo a junta diaconal de nossa igreja se tornou uma das mais atuantes da Grande São Paulo. 1997. quer sejam de ordem administrativa. disse acertadamente que "o maior fenômeno de revitalização na igreja é o crente novo". 62) acertou quando disse que "o crescimento da igreja depende de uma eficaz mobilização de seus membros". Schwarz faz uma declaração alarmante: "De uma pesquisa que fizemos com 1600 cristãos ativos em suas igrejas. verdadeiramente revitalizada. como veremos adiante. sem que haja frustrações no futuro? 1º) Os ministérios devem ser orientados pelos dons Acredito que muitos dos problemas de uma igreja. no ambiente de fala alemã. mas precisa ser trocada. é fundamental que os ministérios sejam orientados pelos dons. Knight. 2) Tem muita gente nova na igreja que daria um bom líder. p. Schwarz. Os diáconos reconquistaram a credibilidade da igreja. Existem bons livros que poderão ajudar na formação de ministérios orientados pelos dons. Geralmente não vale a pena tentar recuperá-la. Minha proposta é: 1) Quando uma liderança está "viciada" é preciso ser trocada. na Europa. O que seria daquela igreja se todos os setores fossem revitalizados? Infelizmente não foi possível continuar ali para ver os resultados. se todos os membros da igreja descobrissem e usassem seus dons ministeriais. Elias Dantas. E ele sabia o que estava dizendo porque levava isso a sério nas igrejas que pastoreava. Em português há pelo menos dois que recomendo: Quem é você no Corpo de Cristo?/ Lida E.um encontro de diáconos no Rio de Janeiro. É perda de tempo. a meu ver. Orlando Costas (Compromiso y misión. Revitalização nem sempre significa tentar recuperar o que não tem jeito. e a mesma se colocou à disposição para ajudá-los no que fosse preciso. ou até mesmo não existiriam. Meu ex-professor.

Às vezes é preciso coragem para quebrar paradigmas que não funcionam mais e que. são necessárias para que as estruturas de uma igreja se tornem funcionais. Os paradigmas podem ser definidos como "verdades" que se fixaram na mente. o que temos visto na prática. Infelizmente. entendo que os próprios pastores deveriam iniciar o processo de discipulado. Para um estudo interessante deste tema sugiro a leitura do livro Quebrando Paradigmas/Ed René Kivitz. indicando um jeito de ser. portanto. E quem. A preparação de um discípulo que não tem como objetivo a formação de outros não é bíblica. não funcionais. 1º) A quebra de paradigmas Paradigma é uma palavra de origem grega que significa "modelo" ou "padrão". Para isso preparou seus discípulos. por uma simples razão: Uma das principais atribuições do pastor é instruir. viver ou fazer as coisas. e até decréscimo na membresia de algumas igrejas. O segredo do sucesso está num trabalho de conscientização sério e paciente. em termos de discipulado. Duas coisas.2º) Formar discípulos para serem discipuladores O discipulado que gira em torno de si mesmo está fadado ao fracasso. orientar e superintender as atividades da igreja. daria o ponta pé inicial do discipulado? Como pastor. Os discipuladores não devem perder isso de vista se realmente desejam formar líderes capazes. por assim dizer. a fim de tornar eficiente a vida espiritual do povo de Deus. São Paulo: Abba Press. <B< ECLESIAIS ESTRUTURAS DAS REVITALIZAÇÃO A> O que muito tem contribuído para o não crescimento. 1995. Mas nem sempre é tão simples assim. A ênfase da Grande Comissão foi: "fazei discípulos". À primeira vista parece fácil mudar aquilo que se tornou obsoleto. pois foi a tônica do ministério terreno de Jesus. Isto sim é bíblico. Primeiro é preciso mudar a mentalidade dos acomodados e principalmente dos saudosistas. Toda ovelha deve ser preparada para produzir outras ovelhas. é 225 . é a preparação que visa o crescimento espiritual do discípulo e nada mais que isso. Por uma questão de prudência e respeito com aqueles que não pensam como nós. já não têm nenhum valor prático. portanto. pelo menos. daqueles que confundem inovação com inovacionismo. Um discípulo deve ser preparado para discipular e formar novos discípulos. são aquelas estruturas enrijecidas pelo tradicionalismo e. a boa tradição com tradicionalismo. que por sua vez discipularão e formarão outros e assim sucessivamente.

3. Entendíamos que separar um domingo por mês para missões era o mínimo que estávamos fazendo. Mas isso não aconteceu de um dia para o outro. aberto e amigável é a chave do sucesso. o livro Igreja local e missões. Um diálogo franco. Quando uma igreja se envolve com missões. sem atropelos. 2º) Testes de qualidade As estruturas da igreja devem ser constantemente testadas por sua liderança. Mesmo assim foi gratificante. Foi preciso um trabalho de base. E não poderia ser diferente. mas progressivamente. Neste caso específico. de muita conscientização e investimento que valeram a pena. O Domingo Missionário. como era chamado. O ideal seria todos os domingos. Algumas coisas podem ser citadas como exemplos do que não devem passar pelo teste de qualidade de uma igreja local: liderança inibidora. todas as demais áreas são abençoadas por Deus. conceitos desmotivadores de administração das finanças. etc. pode ser muito bem aproveitado.preciso que os paradigmas sejam quebrados aos poucos. a igreja orava por missões e contribuía financeiramente com a obra missionária. 1º) Um exemplo que deu certo Aprendi com um colega de ministério a separar um domingo por mês para falar de forma mais específica sobre a importância da igreja local em missões. a fim de serem revitalizadas e. aquele foi um dos períodos mais abençoados na vida daquela igreja. o surgimento de estruturas enrijecidas é evitado em grande parte. de Edison Queiroz. As idéias e conceitos devem ser amadurecidos no meio da comunidade. desse modo. Para se evitar isso é preciso lembrá-los constantemente da importância da igreja local para com a obra missionária no mundo. A REVITALIZAÇÃO DO COMPROMISSO MISSIONÁRIO Com o passar do tempo os membros de uma igreja local tendem a esquecer-se de seus compromissos missionários. servirem melhor o organismo. Segundo testemunho de irmãos antigos (que a principio foram relutantes). Tudo que não contribui para esse objetivo deve ser mudado ou eliminado. Pregávamos sobre missões. Por meio de um processo constante de avaliação e renovação. Prove! 2º) Uma questão de obediência e prioridade A experiência nos ensinou que evangelizar não é uma opção de vida de uma 226 . não será por meio de decreto conciliar que conseguiremos qualquer êxito. Uma coisa aprendi em meu ministério pastoral: Se a igreja não "comprar" a nossa idéia. era dedicado às missões. horário e duração do culto inadequados. inclusive a financeira.

além do auxílio de associações evangélicas e agências missionárias. do indivíduo e da sociedade. é preciso conscientizá-la de que ela está no mundo para servir o mundo integralmente. filmes específicos como por exemplo As Primícias. é preciso reconscientizar a igreja de sua missão no mundo. a espiritualidade contagiante da igreja local com relacionamentos marcados pelo amor fraternal. mas sim. Parte XXXVI UMA IGREJA RENOVADA TEXTO: ROMANOS 12: 1-2 227 . atender o indivíduo na totalidade de suas necessidades. é importante que a igreja saiba que sua missão no mundo é integral. como por exemplo.igreja local. entendemos que a formação de uma liderança capacitadora. Etal e Atrás do Sol. mas a própria vida de uma igreja local. com a graça de Deus. sois raça eleita. a formação de grupos familiares ou células. sacerdócio real. Uma vez que o mal foi detectado é necessário que seja combatido com atividades variadas. Geralmente a frieza por missões acontece por causa da rotina. 3º) Revitalizando a missão integral da igreja local Como revitalizar uma igreja que começou com tanta empolgação para fazer missões e de repente esfriou? Em primeiro lugar.9). é sinal que ela tem potencial para fazer. nação santa. Vejamos alguns exemplos de como a igreja poderá revitalizar sua visão missionária. para a honra e glória de Deus Pai. Além disso. Entretanto. Sermões e estudos bíblicos missionários. evangelizar não é simplesmente distribuir folhetos como alguns pensam. povo de propriedade exclusiva de Deus. Por outro lado. como bem declarou o apóstolo Pedro: "Vós. Se a igreja chegou a se empolgar com missão algum dia. um culto inspirador. as estruturas da igreja sendo funcionais e o compromisso missionário revitalizado. A igreja deve ser redirecionada. certamente produzirão novo alento. que se limita a suas atividades internas. A igreja local precisa resgatar sua visão missionária. Conclusão: Mais coisas poderiam ser ditas como parte integrante de um projeto de revitalização para a igreja local. Em segundo lugar. Isto é. fechada em quatro paredes. etc. a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz" (I Pe 2. O ponto de partida será o parâmetro bíblico e o contexto da igreja local. porém. o que fez antes. mas sempre partir para uma ação social transformadora. excelência maior de seu chamado. a igreja nunca deve deixar se levar pela prática do paternalismo e assistencialismo paliativos. naturalmente resultarão em novas realizações. O que está "matando" muito crente novo (que desperdício!) é a igreja não-funcional.

01.2 .A falta de oportunidade produz: a . O grande fator de dispersão que a enfraquece é a falta de uma boa comunicação entre seus membros. Para que ela produza resultados positivos é necessário que o membro exercite a Koinonia e a Diakonia. Esta adaptação só se viabiliza mediante a disposição do mundo. TRANSFORMANDO A NOSSA RELAÇÃO Este processo ocorre através da prática de quatro princípios bíblicos: 2. 02.desequilíbrio em todo os sistema b . Quando isto ocorre todo o corpo é prejudicado. Um membro não pode inibir a ação do outro. TRANSFORMAÇÃO ATRAVÉS DA COMUNICAÇÃO A igreja não sobrevive sem uma comunicação interna.1 .comunhão c .1 Coríntios 12: 15-16 . .mensagem b .um espírito de concorrência 228 .2 . .Kerigma .1 .cada membro tem a sua função.contestação da vontade de Deus c .este princípio visa dar a todos a mesma chance de trabalho. Um membro não deve aspirar o lugar do outro.Ilust.Princípio da integralização .Encurtando as distâncias .desvalorização do membro b .João 13: 12-17 A mensagem Kerigma .PROPÓSITO: Uma das maiores necessidades do mundo. Transformação é o segredo de um organismo vivo.Diakonia .A quebra deste princípio provoca: a . das pessoas e também da igreja é a de se adaptar ao curso da história.1 Coríntios 12:17-18 .A comunicação se processa através de três elementos básicos: a .serviço 1.desperdício de forças 2.Koinonia . . 1.Princípio da oportunidade .não funciona isoladamente. das pessoas e da igreja em se transformarem.afastamento dos outros membros d . Leon Tolstói: "Todos pensam em mudar a humanidade e ninguém pensa em mudar-se a si mesmo".

a igreja perde a sua função. grupos de pessoas ou "igrejas no lar". Paulo faz recomendações.o egoísmo passa a predominar nas relações c . É uma esclarecedora lista de como a fé evangélica se havia espalhado entre todas as classes sociais.0 .Gálatas 5:13 . Para isto o exercício da disciplina é imprescindível.A igreja precisa ser a autora e não a espectadora no processo de mudanças.3-16 No último capítulo da Carta aos Romanos. São saudações individuais a vinte e seis pessoas e a cinco famílias.Disciplina na prática do tempo . No entanto. idosos e jovens.todos os membros devem participar das atividades que os demais realizam.Quando este princípio é quebrado.Princípio da dependência .enfraquecimento de todos os demais membros b .Efésios 5:15-16 . nobres.Disciplina na prática das ações .3 .Disciplina na prática do perdão . libertos e escravos. homens e mulheres. Mostra como aquela comunhão de fé na cidade de Roma era formada de gente de várias nacionalidades. João 17:23 3.Colossenses 3:17 .Disciplina na prática da fé . são. Das pessoas mencionadas. na maioria.1 Coríntios 12: 25-26 .Princípio da unidade . escravos.Disciplina na prática de ouvir e falar . mobilidade e harmonia do corpo. ocorre: a . Treze dos nomes aparecem em inscrições ou documentos que tem a ver com a nobreza e com o palácio do imperador naquela cidade (cf. pelo menos oito são mulheres.c .Disciplina na prática da liberdade . 229 .Disciplina na prática da santidade . Fp 4.1 Coríntios 12: 21-22 . Sem ela. A independência enfraquece o corpo. saudações e votos.4 .a unidade é a fonte geradora de toda a energia. Há uma mistura de judeus e gentios.Marcos 11:25 .João 8:47 .2 Coríntios 13:5 .a arrogância quebra a linha de comunicação 2.João 13: 35 Parte XXXVII UNIDADE NA VARIEDADE Romanos 16.1 Timóteo 5:22 .22). . .TODA TRANSFORMAÇÃO EXIGE DISCIPLINA PESSOAL 1 Coríntios 9:25 . Ela foi criada para ser o instrumento de Deus na transformação da sociedade.Disciplina na prática do amor .uma anemia espiritual 2.

11). a arte da eloqüência) · Júlia = juvenil · Maria = bela (alguns traduzem como "teimosa. O significado dos nomes é igualmente muito interessante: · Áquila = águia · Asíncrito = incomparável · Epêneto = louvado · Estáquis = espiga · Filólogo = falador. Urbano. como o muro de separação entre judeus e não-judeus fora derrubado.16 (cf.9). Epêneto. Andrônico e Júnias são "meus parentes". pelo menos. e gente que vem do paganismo. ainda.28). de Apeles (v.7). Maria (v.6).14. já o dissemos. Era o caso de Priscila e Áquila (v. erudito · Flegonte = ardoroso · Hermes = intérprete (daí a palavra hermenêutica. e examinando-os com alguma análise.procedências e estratos sociais.3). Os judeus. de Maria (v. e. Há homens e há mulheres. Para Epêneto (v. gente que vem de um profundo contexto espiritual. Há ricos e há pobres. Flegonte. graciosa · Urbano = criado na cidade. vemos que os tipos são tão diferentes que só um milagre chamado evangelho pode explicar a interação naquela comunidade de fé. ou seja. cheias de gratidão e plenas de amor: Em relação a Prisca e Áquila (vv.10).6) foi a que "muito trabalhou por vós". exatamente nos termos de Efésios 2. Há judeus e há gentios. mas são muito expressivas. A COLORIDA VARIEDADE Como já enfatizado.8) e Urbano (v. A relação de nomes é de altíssimo significado. Há romanos: Ampliato (v. Registra. há nesta passagem uma visão da intensa vida da Igreja-dosPrimeiros-Dias. Estáquis.4): "meus cooperadores em Cristo" e "pela minha vida expuseram as suas cabeças" . Escravos: Ampliato. Pérside e Hermas. "meus companheiros de prisão" e "bem conceituados entre os apóstolos". No verso 7. obstinada") · Nereu = molhado · Olimpas = descido dos céus · Pátrobas = vida do pai · Priscila = venerável · Trifena = delicada · Trifosa = mimosa. 230 . 3. As saudações não são longas. de Andrônico e Júnias (v.5b): "meu amado" e "primícias da Ásia para Cristo". de Herodião (v. Gl 3. um grego.

Era um casal devotadíssimo ao apóstolo Paulo. no 9. Ampliato é "meu amado no Senhor". Drusila e Lívia. At 18. At 19. tenuíssima e fragílima 231 . o relacionamento humano é uma teia delicadíssima. nosso Salvador. como Lucia faz Lucila. Eu escrevi Prisca? Prisca ou Priscila? Dá no mesmo. Muitos problemas afloram porque nossos irmãos em Cristo (em quem corre o mesmo de Jesus nas veias) são tratados apenas como outras pessoas. A história de Prisca e Áquila.18). Eram avançadas na idade. Urbano é "nosso cooperador em Cristo"e Estáquis é chamado de "meu amado". as irmãs Trifena e Trifosa são as que "trabalham no Senhor". o grande apóstolo aos gentios. de acordo com o costume oriental de assim chamar uma senhora mais idosa.23) Tinham a mesma profissão de Paulo. É possível. Livila. Diz ele que o estilo de vida que acontece na igreja é um privilégio. que Priscila pertencesse a uma família da nobreza romana. Um estudioso do Novo Testamento diz que não há no Novo Testamento um casal mais fascinante que este. que.No verso 8. 1Co 15. Se assim ocorreu. 10) é denominado "aprovado em Cristo". o cireneu que carregou a cruz de Jesus compartilhando com Ele a dor. e incansáveis no trabalho.26). abençoadora. As duas idosas irmãs em Cristo têm histórias não contadas no texto. Paulo chamou à senhora. essa experiência que deveria ser abençoada.32. Outra história interessante é a de Rufo. é amada" e "muito trabalhou no Senhor". mas não como irmãos no Nome de Jesus Cristo. Pois é. E passando ao verso 13. Paulo usa uma palavrinha que diz isso: kopian. torna-se amarga e. Pérside ("natural da Pérsia") e Maria são pessoas que não se entregam.2. de sua mãe. veterana senhora. MEMÓRIAS Há algumas histórias por trás das lembranças de Paulo. traumatizante. Há quem admita ser Rufo filho de Simão. Apeles (v. Mc 15. gente que enche os bancos da igreja. por um tempo. a ponto de sofrerem perigo de vida (cf. a humilhação daquela manhã em Jerusalém (cf. No verso 13. Aliás. que gente extraordinária são os pais de Rufo: o pai carregou a cruz de Jesus Cristo. aplicando-as à bênção de Deus que se chama Igreja. em concórdia. E se não há o alicerce de Jesus Cristo. morou com eles. 18. o casal o acompanhou (At 18. que significa "trabalhar até o cansaço" A UNIDADE Não é fácil viver em unidade. porque Priscila é o diminutivo de Prisca (cf. mãe de Rufo. em certos casos. até. e Áqüila fosse um judeuda Ásia menor setentrional. Rufo é o "eleito no Senhor". o maltratto. Drusa. enriquecedora. no verso 12.21). Quando Paulo deixou Corinto indo para Éfeso. Mas a verdade é que é muito difícil viver em comunidade. Dietrich Bonhoffer usa as expressões "dom de uma vida comum" e "dom da adoração em comum aos domingos". e a mãe "adotou" Paulo. e Pérside.

16. de Filólogo. fez uma significativa afirmação ao dizer que será um dia glorioso quando os cárceres forem transformados em púlpitos. mas não entre os romanos. nem como uma ordenança ritual. no verso 13.14.44-48.12. 1Tessalonicenses 5. Equivale. Por outro lado. na honestidade. "os da casa de Narciso". Nesta lista há solteiras. a ponto de quase serem mortos. No verso 10. 1Co 1. At 10. mães e todas executando um admirável ministério na Causa do Senhor. Gn 29. um tom de homenagem (Gn 29. na tolerância.20. Havia casos em que pequenos grupos se reuniam em uma casa. O Novo Testamento menciona que. Fm 2). Aceitação de uns pelos outros (v.15.26 e 1Pedro 5. 5a). para evitar toda e qualquer conotação maldosa. No Novo Testamento.19. Além de ser um sinal de afeição entre parentes. Nereu e sua irmã (provavelmente. casadas.2). o relacionamento humano e cristão é dinâmico. em muitas ocasiões.48). não o entende só como sinal de amizade. PRECIOSAS LIÇÕES Sacrifício de uns pelos outros (vv. Era.11. 3-5a). no verso 11. 16. v.um sinal de amor. 232 . de Rufo. Paulo saúda a irmã na fé chamada Maria. 16.7). "ósculo santo". sua mãe e sua irmã. É digno de observação que as mulheres são significativamente proeminentes na vida da Igreja de Cristo. abertas as mãos. Paulo recomenda uma saudação muito comum no Oriente Próximo ainda hoje: o beijo (cf. o costume já se havia difundido nas igrejas conforme atestam os seguintes exemplos textuais: 1Coríntios 16. lembremos. na confiança. pai. ele fala dos "da casa de Aristóbulo". recebendo do apóstolo o reconhecimento pelo modo através do qual compartilharam de suas lutas. famílias inteiras eram batizadas (cf. no bem-querer e nas atitudes de boa vontade. Dr. Dale Moody.6). o casal amado. 33330-34. Cl 4. mas que se fortalece quando está fundamentada no respeito. poderoso e incentiva o crescimento pessoal e da Igreja como um corpo. Desde o princípio desta genuína e profunda amizade.1). Paulo até o menciona.que pode se romper com coisas mínimas e minúsculas. 18. um ato de fraternidade entre os semitas. no querer o bem. É o caso de um núcleo que tinha seus encontros na casa de Áquila e Priscila (v. nosso ex-professor. Alguns foram companheiros de prisão do apóstolo (cf. e no verso 15. Temos membros de uma mesma família fazendo parte com outras famílias de uma mesma família de fé.15.é um sinal de amizade e saudação (Mt 26.4. havia.. 16). 1Sm 10. Júlia. Na verdade. viúvas.8. Ct 1. Paulo. e aberta a porta para a expansão do nome e reino de Cristo Trabalho pelo bem comum (v. também. Paulo usa a palavra "santo". mãe e filhos). Aqui temos Priscila e Áqüila. 33. porém.11. 2Coríntios 13. então. Priscila e Áquila foram pessoas que mantiveram aberto o coração.

É ele quem põe um ponto final nas divisões. a solidariedade e a fraternidade de uns pelos outros. pois é vital para a saúde espiritual da igreja e do crente como indivíduo. Fala de uma abordagem sistêmica. Assim é: "Todas as vossas obras sejam feitas com amor".14b: "Fazei todas as vosss obras com amor". Oração Senhor. aberta e sensível Aos problemas de cada um. Que cada um de nós. Encontra-se em 1Coríntios 16. Não haja vencidos nem vencedores. Com os Teus olhos e nos amemos com o Teu coração. que regenera o interesse. É preciso lembrar que avivamento e comunhão andam de mãos juntas. Mas nos unam na busca da verdade e do bem. Que ninguém fique alheio aos momentos De cansaço. Senhor. faz desaparecer o orgulho. ao construir a própria vida. mas uma há uma comunhão o dedo e o fígado de alguém. Assim seja.em nossa cultura. um cordial "Bom dia!" É preciso recuperar o significado da comunhão. comunhão (koinonia) é uma das grandes palavras do Novo Testamento. Que a nossa fraternidade não se feche em si mesma. Será preciso lembrar que o primeiro aspecto do fruto do Espírito é o Amor? Por ele. Que nossas discussões não nos dividam. no fim de todos os caminhos. Que cada um de nós sinta e viva as dificuldades dos outros. manifesta-se a humildade (Rm 12. nenhum desejo de unidade ou de comunhão é coisa alguma sem o amor. O amor é o começo do crescimento espiritual. Que nossas diferenças não excluam ninguém da comunidade. E que. dissabor e desânimo do próximo. Mas somente irmãos. desenvolve-se a compreensão e o ministério do ouvido amigo. Que olhemos para cada um. Não impeça o outro de viver a sua. nos aproximar de alguém. Aliás. É recomendação perfeitamente pertinente porque nenhum dom espiritual.4). Devemos buscar a comunhão. Pode não parecer. nós Te pedimos: Que nos conheçamos sempre melhor Em nossas aspirações e nos compreendamos Mais e mais em nossas limitações. Amém! 233 . Mas seja disponível. a um fraternal abraço e aperto de mãos. e depois de cada encontro. Há uma recomendação do apóstolo que é apropriada para encerrar esta reflexão. a perna e o coração porque corre um sangue vital. Além de todas as buscas.

Filipe através de sua evangelização ousada junto aos samaritanos e ao etíope. A quem o Espírito Santo revelou a sua vontade? Quem eram "eles". O mesmo efeito tiveram as duas principais conversões relatadas por Lucas. através do apóstolo Pedro. provavelmente um africano e supostamente ninguém menos que Simão Cireneu. O primeiro era Barnabé. em grego chamado o "syntrophos" de Herodes o tetrarca. Também em Atos 234 . A partir de Antioquia chegaria aos confins da terra. finalmente. É mais provável que se referia aos membros da igreja como um todo já que eles e os líderes são mencionados juntos no versículo 1 de Atos 13. apesar de Chipre ter sido mencionada em Atos 11:19. O terceiro era Lúcio de Cirene e alguns conjecturam que Lucas se referia a si mesmo o que é muito improvável já que ele preserva seu anonimato em todo o livro. e jejuando" que o Espírito Santo lhes disse: "separai-me agora a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado" (At. Agora. Ele só nos dá os seus nomes. Ninguém tinha tido a visão de levar as boas novas às nações além mar. as pessoas que estavam jejuando e orando? Parece-me improvável que devamos restringi-los ao pequeno grupo dos cinco líderes.(Autor desconhecido) Parte XXXVIII O QUE LEVOU A IGREJA Em Antioquia a fazer Missões Em Atos 13 o horizonte de Lucas se alarga pois o nome de Jesus seria maciçamente testemunhado além da Judéia e Samaria. que também fora comissionado a ser o apóstolo dos gentios. Os dois diáconos evangelistas prepararam o caminho. a de Saulo. Evangelistas anônimos também pregaram o evangelho aos "helenistas" em Antioquia. A palavra pode significar que Manaém foi "criado" com ele de forma geral ou mais especificamente que era seu irmão de leite. Algumas perguntas precisam ser respondidas. nem se todos os cinco exerciam ambos os ministérios ou se os primeiros três eram profetas e os últimos dois mestres. pois isso implicaria em três deles serem instruídos acerca dos outros dois. Mas sempre a ação esteve limitada à Palestina e à Síria. A população cosmopolita de Antioquia se refletia nos membros de sua igreja e até mesmo em sua liderança. vai ser dado esse passo significativo. que significa Negro.13:2). que foi descrito com "um levita. isto é. Estevão através de seu ensino e martírio. Foi quando eles estavam "servindo ao Senhor. Lucas não explica a diferença entre esses ministérios. Havia também Manaém. que carregou a cruz para Jesus. natural de Chipre" (Atos 4:36). O segundo era Simeão que tinha o sobrenome de Níger. filho de Herodes o Grande. O quinto líder era Saulo. que consistia em cinco profetas e mestres que moravam na cidade. Estes cinco homens simbolizavam a diversidade étnica e cultural de Antioquia e da própria igreja. de Herodes Antipas. e a de Cornélio.

em parte. O jejum é uma ação negativa em relação a uma função positiva. Possivelmente Paulo e Barnabé já possuíam anterior convicção do chamado de Deus e esta verdade foi aqui revelada para toda a igreja. através do testemunho do Espírito em seus corações e mentes. O mais provável é que Deus tenha falado à igreja através de um de seus profetas. livrando-os de suas responsabilidades de ensino na igreja. Como foi revelado o chamado de Deus? Não sabemos. É verdade que o último verbo pode ser entendido como "deixou-os ir". darem um passo de fé. os despediu. Notamos que o jejum não é mencionado isoladamente. Precisamos observar também que tanto Abrão como Saulo e Barnabé precisariam. para testar o chamado de Deus e em parte para interceder pelos dois que seriam enviados. a primeira reação deles foi a de orar e jejuar. para obedecerem a Deus. "impondo sobre eles as mãos os despediram". Isto não era uma ordenação ao ministério muito menos uma nomeação para o apostolado já que Paulo insiste que seu apostolado não era da parte de homens. Portanto creio que seria certo dizer que o Espírito os enviou instruindo a igreja a fazê-lo e que a igreja os enviou. O segundo é a tendência para o institucionalismo. comissionando-os para o serviço missionário. por ter recebido instruções do Espírito. Mas de acordo com o versículo seguinte foi a igreja que.14:26-27. pois raras vezes. Então jejuando e orando. Mas seu chamado também poderia ter sido interno e não externo. quando Paulo e Barnabé retornam. muito semelhante ao chamado de Abrão: "vai para a terra que te mostrarei". o jejum é um fim em si mesmo. após a imposição de mãos. prontos para a obediência. Mas ele também o usa no sentido de dispensar. ou seja. A instrução do Espírito Santo foi "separai-me agora a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado". Qual o conteúdo da revelação do Espírito Santo à Igreja em Antioquia? Foi algo muito vago e possivelmente nos ensina que devemos nos contentar com as instruções de Deus para o dia de hoje. Quem comissionou os missionários? De acordo com Atos 13:4 Barnabé e Saulo foram enviados pelo Espírito Santo que anteriormente havia instruído a igreja no sentido de separá-los para ele. prestam conta a toda a igreja por terem sido comissionados por ela. pois às vezes Lucas usa o verbo "adulou" no sentido de soltar. O primeiro é a tendência para o individualismo pelo qual uma pessoa alega direção pessoal e direta do Espírito sem nenhuma referência à igreja. ou seja. Esse equilíbrio é sadio e evita ambos os extremos. ao que parece. Independente de como o receberam. Ele é ligado ao culto e à oração. Na verdade em ambos os casos o chamado era claro mas a terra e o país não. ou nunca. pelo qual todas as decisões são tomadas pela igreja sem 235 . mas sim uma despedida.

mas prazeroso por ter sido o instrumento de sua conversão. pelo contrário. Paulo está com sentimentos divididos: está triste e alegre. E há. Não existe chamada mais honrosa e elevada que a divina para o ministério integral.. a fim de descobrir a quem ele está concedendo dons ou chamado. É. No entanto.passei pregando o reino de Deus.. obedecê-lo e fazer da igreja local um ponto de partida para os confins da terra. uma despedida carregada de emoção. não o reservava para si. que sempre trabalhou com as próprias mãos para satisfazer as suas necessidades pessoais. missionários e pastores. Paulo menciona que sua palavra sempre foi destemida. não me esquivei de vos anunciar todo o conselho de Deus. O apóstolo Paulo mesmo demonstrou uma clara visão do seu ministério. estou limpo do sangue de todos" (Atos 20. seu trabalho. é uma obediência à visão do Senhor. a Escritura Sagrada dá grande importância a homens e mulheres que foram separados como profetas. menciona. O contexto da porção bíblica escolhida é que Paulo. apóstolo. 25 – 27). mas ajudava a suprir as necessidades de outros menos validos. detalhes que merecem análise. na verdade. Parte XXXIX MINISTÉRIOS FIÉIS ". nada cobiçou de outras pessoas.. É senso comum que qualquer outra atividade desenvolvida pelos cristãos tem sua pertinência na Causa de Cristo e não deve ser minimizada. bem como a precipitação de o fazermos com outros que possuem os dons para tal. evangelistas. 236 . ainda. e suas cartas o revelam (1). Portanto cabe a toda igreja local.. É tristeza por deixar aqueles a quem ama. Assim precisamos evitar o pecado da omissão ao deixarmos de enviar ao campo aqueles irmãos com clara convicção de que foram chamados por Deus. havia transmitido a vontade de Deus sem quaisquer reservas. está deixando um lugar onde tem exercido um ministério fiel e pleno de frutos. no seu desenvolvimento.nenhuma referência ao Espírito. e em especial aos seus líderes. mas sem confirmação do Espírito à igreja. Chamado missionário não é um ato voluntário. Conclusão Não há indícios para crermos que Saulo e Barnabé eram voluntários para o trabalho missionário. Eles foram enviados pelo Espírito através da igreja... ser sensível ao Espírito Santo. O equilíbrio é ouvir o Espírito.

do secularismo. prioritário é pregar. a cura divina. pelo contrário. Até mencionou que "Cristo não me enviou para batizar"(3). missionários. 27). Antes de sua partida. feroz e constante mantida pelos profetas. missionários. por extensão. alimentar. educadores.13. antes. Para o apóstolo. da inveja ou do sucesso.. espera-o e o enfrenta com a plena consciência de toda a direção é do Espírito. e a Timóteo exortou com a seguinte expressão: "Prega a palavra. não a sua vida(6). para ela é escolhido. Da mesma forma. os ministros fiéis não se prendem a um assunto favorito. A palavra pregar é usada por Paulo cinqüenta e nove vezes nas suas cartas. obreiros em geral para manter a pureza e a intocabilidade da Igreja de Jesus Cristo sob a sua liderança espiritual. CARACTERÍSTICA 1:FIDELIDADE À DIVINA COMISSÃO "Passei pregando o reino de Deus" (v. consagração e abandono de seu espírito ao Espírito de Deus..19-26 e 3. o perigo a que estão sujeitos. tarefa que ninguém escolhe. precioso é o evangelho. porém. traz à memória de seus amados três características de seu próprio ministério. de todos os fiéis ministros. mas proclamam todas as Doutrinas da Graça. 237 . Paulo recorda aos seus colegas de ministério algumas realidades próprias do seu múnus ministerial e profético: o dever que não é outro senão vigiar. e outras igualmente populares. CARACTERÍSTICA 2: APRESENTAÇÃO PLENA "Não me esquivei de vos anunciar todo o conselho de Deus" (v. prioritários. pois "aprouve a Deus salvar pela loucura da pregação. Filipenses 1. escreveu. profetas. Entretanto.Outra expressão de Paulo em sua despedida é o enfrentamento do futuro com confiança visto que depende unicamente do Espírito Santo. Mesmo não sabendo o que virá no dia seguinte. obreiros do Reino de Deus. Esses pregadores falam de doutrinas como o reavivamento. Para Paulo. proclamar essa mensagem abençoada e abençoadora de um evangelho eficaz para a salvação de todo aquele que crê. pastores.8. Esta convicção que queimava a sua consciência ela a reflete igualmente em Atos 21. É verdadeiramente uma luta ingente. Spurgeon fez referência a pregadores que enfatizavam apenas certas doutrinas. "cheguei a Trôade para pregar o evangelho"(4). É o que podemos chamar de "evangelho light". ajudam. 25). Os participantes da obra divina correm o perigo da contaminação do mundo. entre outros tocantes exemplos de dedicação. O método de Deus para a salvação dos perdidos não é outro senão a pregação.(2)" Outros métodos são auxiliares. contribuem. e. insta a tempo e fora de tempo"(5). bem na medida do pensamento contemporâneo de que "o preço da liberdade é a eterna vigilância". não são. evangelistas. cuidar do rebanho do Senhor que lhes foi confiado.

1 . deixando que o Espírito faça a obra de convencimento. o evangelista. A referência à culpa pela morte de alguém aplica-se. um pregador tremendamente linear. e tudo o mais que está contido na Palavra de Deus. incluindo seus aspectos como a eleição. e assim o pregador cumpriu o seu sagrado dever de ressaltar o pecado. a redenção. a santificação e a glorificação a serem explicados com toda a clareza possível. Gloriosa certeza! Extraordinária convicção! Em outro 238 . quantas vezes. ou como já foi resumido com muita pertinência. Pregava todo o plano de Deus. Paulo também o disse ecoando o profeta Ezequiel. Nosso problema. O Senhor da seara é fiel.O apóstolo Paulo não se esquivava de fazê-lo.. a responsabilidade de atender ao convite para a bênção já lhe foi passada. o pecado e a graça". A resposta dos ouvintes não era sua responsabilidade. os Seus servos devem ser fiéis na entrega da mensagem e na obrigação por causa de sua divina comissão. a justiça e o juízo.9. tem sido o desejo de ver resultados visíveis em lugar de deixarmos os resultados com Deus. Não deixava de pregar porque certas verdades não satisfaziam os paladares de seus ouvintes porque um ministro fiel não se amedronta diante dos homens. e cumpria sua tarefa. razão porque não precisamos nos preocupar com os resultados visíveis imediatos. na verdade. e vier a espada. desse modo. "estou limpo do sangue de todos" (8). o seu sangue será sobre a sua cabeça"(7). o pastor ficar tão ansioso e não se lembrar da recomendação bíblica. e apelando para que se escolha a vida. frase do missionário vertida pela BLH como "se algum de vocês se perder. Garante a Escritura que a Palavra de Deus "não voltará vazia"(10). a justificação. ao dever espiritual do missionário/evangelista pela apresentação fiel da mensagem de vida abundante: o pecador é advertido. o ministro fiel e destemido não busca a popularidade "amaciando" certas ênfases do evangelho que não apoiadas por alguns. 25a). Na verdade. Estas palavras são um eco de Ezequiel 33. eu não sou responsável" Paulo era. e não se der por avisado. Pode o missionário. CARACTERÍSTICA 3: OBRIGAÇÃO SEM CULPA "Estou limpo do sangue de todos" (v. "todo aquele que ouvir o som da trombeta. "Lança o teu pão sobre as águas"." (v.. e o levar. ÚLTIMO PENSAMENTOS "E eis agora sei. Diz a Bíblia na Linguagem de Hoje: "Esse alguém é responsável por sua própria morte". "o ser humano. até porque nos garante a conclusão desta recomendação que "depois de muitos dias o acharás"(9). como se depreende. 26). Seu tema principal é a salvação.

12 (O Novo Testamento. ousadas que podem afirmar "EU SEI.26b..17.1. prontos a entrar no santo aprisco. (4) 1Coríntios 2. Com esta expressão de fé e esperança. (11) 2Timóteo 1. tem conhecimento de sua pequenez.14-6. (2) 1Coríntios 1.12a. Atos 20. porém. o Dia do Juízo(11). Lisboa. (3) 1Coríntios 1.! EU CONHEÇO O SENHOR DA SEARA!" Que não passemos adiante a sagrada missão evangelizadora que o Senhor poderia ter confiado aos Seus anjos. e. Há lobos vorazes rondando o rebanho.. e sempre pronto a dar sustento emocional. (8) Cf.24 (7) Cf. espiritual e forças físicas para o desempenho da tarefa proposta. também o fez com a afirmação de "sei em quem pus a minha confiança e estou certo de que ele tem poder para me guardar na minha missão até ao dia marcado". fragilidade e tremenda dependência de um Pai amoroso. quanta novidade penetrando como se fossem moderníssimos métodos de proclamação. (10) Isaías 55. Cabe-nos corresponder! NOTAS (1) Cf. Tradução Interconfessional. etc. Atos 20.4. Sociedade Bíblica de Portugal. 1978) O MINISTÉRIO DA PALAVRA Introdução(1) É interessante observarmos a exigência que muitos cristãos fazem a seus pastores para que dediquem tempo em atividades secundárias. por essência e definição Seus autênticos mensageiros e ministradores. foi a nós que Ele o fez. 2Coríntios 2.24-2. A pregação da Palavra deve ser efetivada por cristãos especialmente 239 . v.4 que a tarefa pastoral precípua é a oração e o ministério da Palavra.1ss. Sem qualquer sombra de dúvida. prescindindo aquelas que o Texto Sagrado preceitua como sendo a função pastoral..14ss. cuidadoso.!" Sim. 10. quanto poder nas palavras emanadas por vidas confiantes. no entanto.10. 1Coríntios 16. Quanta deturpação doutrinária.10ss.11. (6) Cf.espaço.. o missionário/profeta/pastor/obreiro/obreira dirá "EU SEI. Vemos em Atos 6. Colossenses 1. (5) 2Timóteo 4..2a. o apóstolo introduziu os pensamentos acima analisados. 15. (9) Eclesiastes 11. corajosas.21b.23..

uns poucos disseram ser o preparo do crente para a eternidade e para o mundo atual e.4. O Ministério da Palavra. 240 . lamentavelmente. cristãos "perfeitos em Cristo". I – Finalidade específica do Ministério Pastoral (2) Em uma pesquisa realizada entre pastores perguntou-se qual seria o alvo final do trabalho pastoral e muitos responderam ser a evangelização. A idéia radical inerente ao Ministério.vocacionados em distinção a todos os demais Ministérios Eclesiásticos. muitos não souberam responder a questão proposta. O pregador da Palavra é o mensageiro de Deus e o verdadeiro mestre da sociedade. sempre divinamente inspirado e autorizado para esclarecer as manifestações de Deus decorrentes da mensagem proclamada. é o que encerra o compromisso de anunciar a Revelação de Cristo no sentido de uma comunicação divina em forma de mandamentos. o que ressalta o fato de que não desenvolveram uma visão bíblica para o Ministério da Palavra. profecias e conforto para o povo de Deus. é serviço prestado em submissão. portanto. além das tarefas primordiais indicadas em Atos 6. que no Novo testamento é o equivalente a Davar Elohim. subserviência. Colossenses 1. Estão pastores mas não são Pastores na acepção bíblica da tarefa pastoral. as responsabilidades alistadas a seguir. eleito pelo próprio Deus da Palavra para arquitetar os ideais divinos para a sociedade. O pregador da Palavra de Deus é um profeta que deve compreender claramente a beleza e a universalidade do evangelho. absorto pelo Dom de proclamá-lo com persuasão.28. em todo o Novo Testamento. Quando buscamos no Texto Sagrado a finalidade específica para o Ministério Pastoral encontramos. Aperfeiçoamentos dos crentes O pastor não pode contentar-se em visualizar nos membros da igreja apenas certas atitudes éticas pautadas na Palavra de Deus ou algumas poucas posturas próprias dos costumes e princípios denominacionais. 1. Deus espera mais dos pastores e a tarefa pastoral deve esmerar-se em apresentar ao Senhor pessoas maduras e adultas na fé que sejam cumpridores da Palavra. É o Ministério do Logos. outros a união dos crentes com o Senhor. afim de que os ouvintes passem a orientar e dirigir suas vidas a partir da Palavra proclamada. Dentre os Ministérios alistados na Bíblia o Ministério da Palavra é o mais rico na sua significação. que emprestam ao ministro dignidade e importância oficial devido a natureza e a qualidade do serviço prestado. zelo e extremado amor. É espantoso notar que muitos pastores dirigem igrejas e pregam sem ter uma noção clara quanto a finalidade do Ministério. Palavra de Deus. diligência e fidelidade. citada em hebraico 394 vezes no Antigo Testamento.

Mateus 25. Efésios 4.21-24. O Senhor espera que nos preparemos e aprendamos sobre fidelidade e dons de ministérios.22-24. Lucas 12. o que nos exige a compreensão das rupturas que se refletem no nosso cotidiano a partir da substituição da mecanicidade pela informação e informatização.26. Vivemos em uma sociedade cibernética e de realidades virtuais. É um chamado à compreensão das diferentes manifestações de Deus no mundo através da igreja local sem prescindir da comunhão em Jesus e da sinergia cooperativa entre as diversas igrejas para que cada uma delas cumpra o seu Ministério.7-10. Mateus 6. cheios do pleno conhecimento e firmados doutrinariamente. Efésios 4. deve enxergar além do horizonte da igreja local ou de sua denominação. II – A Relevância da Tarefa Pastoral para a Sociedade (3) Nossa sociedade se admite pós-moderna e adota novos paradigmas socioculturais e eclesiológicos.Deus espera que os pastores entreguem a Cristo a obra acabada.22-25 e Apocalipse 22.10-16.13. João 12. A igreja não pode 241 .14-30. Cristãos que tenham uma identidade doutrinária definida e que interagem na obra do ministério da igreja de modo geral. A igreja é uma escola de vida e de serviço. Marcos 10. cristãos aperfeiçoados em Jesus.43-45. 3.35-38. que é a figura da igreja universal gloriosa. Hebreus 10. isto é. independentemente da condição social ou cultural.13-17. preparando-nos para o serviço futuro na glória celestial.11 e 20-23. Invisível e Gloriosa. Hebreus 12. O pastor deve ter uma visão horizonal do Reino de Deus. Preservar a unidade da igreja A unidade da igreja é um desafio ao amor e ao respeito que os cristãos devem uns aos outros.4-7. sendo a igreja local condicionada pelos sinaléticos denominacionais apenas uma ínfima expressão da grande totalidade do que constitui-se a Igreja de Deus em Cristo. A convivência na igreja deve nos ensinar a servir no presente.3-4. 13. 2. edificados na igreja. Gálatas 5.9-15. Há uma realidade muito maior e superior do que a própria igreja local que é a Igreja Universal. 1 Pedro 4. isto é. Apocalipse 7. A igreja não é um estágio no qual apenas esperamos passar o tempo até que Jesus volte. Devemos servir com esmero e amor no presente para que sejamos encontrados fiéis no tempo em que formos convocados ao serviço celestial. João 17. servindo na igreja local. Capacitar os cristão para o serviço.

242 . Se na pós-modernidade a realidade é relativa. dos conceitos éticos e da própria religião. por meio da pregação contextualizada que considera as influências recebidas na formatação da personalidade. Não há como não enxergar a pluralidade dos conceitos éticos e morais estabelecidos pelo situacionismo degradante ancorado e aglutinado em torno de interesses egocêntricos. as realidades existenciais. bem como uma igreja relevante. tornando a igreja e o labor pastoral relevantes e essenciais para o nosso contexto sociocultural. descambar para a relativização dos absolutos estabelecidos na Palavra de Deus. Mediante a essa miopia sociológica é imperioso desenvolvermos uma cosmovisão pastoral que se contraponha à predisposição pós-moderna de rejeitar uma perspectiva unívoca e correta. Nossa sociedade admite variegadas contemplações do mundo supondo que a realidade seja ordenada a partir da observação das leis naturais e do ciclo existencial. Há que se redefinir a homilia. que vive em constante suspeição da própria razão ressaltando a espontaneidade em contraposição à subordinação. O pastor tem a vantagem de estar presente em quase todas as ocasiões da vida das pessoas podendo interpretar as revelações proposicionais da Bíblia a partir da atuação de Deus na história. sem contudo. os pastores devem atuar na formação da consciência cristã. A Bíblia tem pressupostos para o ceticismo humano e os pastores devem ser dotados de graça e qualificados para a interpretação dos absolutos de Deus em qualquer época da história. indeterminada e participável. o que exige da igreja o redirecionamento dos comportamentos eclesiológicos e pluralidade na expressão cúltica. A pósmodernidade implica no abandono de qualquer mito legitimador dominante desacreditando das meta-narrativas predominantes. como faz discurso evangélico tradicionalista que reproduz uma eclesiologia arcaica em detrimento da edificação e da relevância da igreja para a sociedade. isto por quê uma mensagem bíblica e profeticamente contundente aborda sobre uma variedade de problemas existenciais e práticos. Uma cosmovisão pastoral para a pós-modernidade deve considerar o fato de que o mundo não é algo exterior e que dele extraímos nossos conhecimentos. sua eclesiologia e sua expressão cúltica em paralelo a recusa do verdadeiro conhecimento de Deus. como preceitua a Palavra de Deus. deve entender e visualizar a possibilidade de criarmos os mundos. refutando e ridicularizando as micro-narrativas que se auto-arrogam credibilidade insofismável.ser acometida de refração causada pelas lentes do virtuosismo ufanista e sectário que se recusa à novas e diversificadas percepções da sociedade. Uma atuação pastoral instrutiva e construtiva. considerando a validade das emoções e da intuição na percepção ideológica da verdade e da fé. o que só será possível a partir do reposicionamento da atuação pastoral. ética e social orientando a igreja para que condicione sua mentalidade. O pastor não pode fechar os olhos às transmutações da sociedade que privilegia a privatização e a heterogeneização de interesses e valores.

Alguns membros das igrejas tecnicamente treinados têm dificuldades em respeitar e ouvir os ministros formados e habilitados em retórica e idealismo denominacional devido a crescente confiabilidade dos modelos de gerenciamento e ao pragmatismo situacionista que corroem as bases bíblico-teológicas legadas aos pastores para a realização de seus ministérios. 243 . O padrão sociológico é muito forte e o padrão bíblico é quase utópico no mundo estético e pictórico. além de se tornarem infelizes. O triunfo do individualismo criou uma igreja cheia de pessoas que se recusam a aceitar alguém que lhes diga em que devem crer ou o que devem ou não fazer. a volição e as emoções. a totalidade e a integralidade do ser. inigualável. excluem-se da nutrição espiritual que emana do púlpito da igreja. (5) É urgente e premente a necessidade de resgatarmos a credibilidade do Ministério da Palavra pois somente aqueles que abrem seus corações e suas mentes para a mensagem bíblica e à instrução pastoral crescerão espiritualmente. com a sociedade e com o Deus verdadeiro de forma completa. a igreja pós-moderna tem desvalorizado a autoridade pastoral quando exige do Ministro permanecer alheio ao desenvolvimento tecnológico e atrelado as expectativas denominacionais tradicionalistas que jamais promoverão desenvolvimento e maturidade para a igreja e para o próprio pastor. agindo como salvaguarda da Verdade Apostólica. o que se verifica pela esquizofrenia resultante do trauma causado pela confrontação da liderança. o único com argumentos capazes de superar as controvérsias ideológicas e restaurar a unidade. pela exortação bíblica e ensino da Palavra. para o ensino da Palavra de Deus e para o exercício da liderança na igreja de Jesus Cristo. O ministério pastoral é a única tarefa que pode oferecer renovada razão de ser para a sociedade em decadência ética e espiritual por enunciar mensagem verdadeira e mística. a igreja. quando consciente de sua tarefa e de seu compromisso como profeta. Os resultados disto é profundamente perturbador e causador de uma verdadeira crise de identidade ministerial entre os pastores. Nenhum outro Ministério Eclesiástico é chamado. Podemos ainda considerar de extrema relevância a tarefa pastoral por ser o pastor. no sentido pleno do termo. Conclusão (4) Não é difícil perceber que a igreja sofre as mais variadas influências e se vê pressionada pelas mais diversas tendências no atual contexto sociocultural. Os cristãos que resistem a autoridade pastoral ou que vivem buscando referenciais externos para abalizar a proclamação de seu pastor. proporcionando ao ser uma experiência agregária. a comunhão com o Deus que pode restaurar e regenerar a sociedade. sem deixar de lado o intelecto. vocacionado e lapidado para a proclamação da sã doutrina. pois a fé cristã é o único misticismo que permite ao homem comunhão consigo mesmo. levando-o. Na melhor das hipóteses.jamais apresentando-se como um discurso paliativo e superficialmente direcionado às necessidades imediatas. a amplitude.

O propósito é o treinamento dos crentes.Mestrado em Teologia Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil] . ao Senhor da seara 244 . Trabalho Pastoral. Trad. (3) FERNANDES. 1999. Quando o pastor prega a Palavra de Deus. 99-107) (4) FISHER. o de resgatar vidas das mãos de Satanás. Alberto. 148 p. Yolanda Krievin. 278 p. é o crescimento do crente individual e da igreja como corpo forte. 38 está registrado: "Jesus diz aos discípulos: A seara é realmente grande.37. visto que nossa sociedade se pauta pela negação da autoridade e pelo fato de nenhum outro ministério eclesiástico exigir cometimento e subordinação a autoridade como no caso do Ministério da Palavra. (pp. É. Pastor-teólogo na Pós-modernidade: Uma abordagem teológico-fiolosófica a respeito da atuação pastoral na sociedade pósmoderna. Fernando C.Não é exagero asseverar que no século 21 o exercício do ministério pastoral ficará ainda mais difícil. 334 p. pois. 1991. Campinas: Associação Evang. 304-307 e 318). (pp. 1981. Pregar sem autoridade rouba a essência da Palavra de Deus. 128 p. 37-38 e 46) (2) BARRIENTOS. Rio de Janeiro: JUERP. Que Deus nos ajude. Rogai. E esses dom foram dados por Deus em resposta às orações do Seu povo. Ed. o Senhor cria um momento que é especialmente divino e que não pode ser repetido. os versos 11e 12. na unção e instrumentalidade do Espírito Santo. O trabalho do pastor atinge seu auge no púlpito. sendo o instrumento que o Senhor utiliza para ministrar à igreja e ao mundo. (pp. mas os ceifeiros são poucos. Kédma Rix. Rio de Janeiro. 31-37). (5) Pictórico é algo relativo ou próprio da pintura. resultado de oração incessante e de inspiração autoconfrontante. Asa R. é o estimulo à obra do discipulado. Cada sermão é uma proclamação específica de Deus para um momento específico na vida de seu povo. 1998. Menonita. de batizar essas pessoas e de discipulá-las. O tom da liderança pastoral deverá ser estabelecido na autoridade moral e espiritual que os pastores exibirão na pregação bíblica. havendo um objetivo definido para esse ministério. Pregar deverá ser a demonstração pública de que a Palavra de Deus opera no pastor. poderoso. O termo é usado aqui para indicar o vislumbre de nossa sociedade pelo colorido das imagens e da televisão na formação de conceitos os mais diversos.(pp. Trad. O povo de Deus pedia. robusto. Notas (1) CRABTREE. a consecução do múltiplo propósito que Jesus tem para Sua igreja que é o de derrubar as portas do inferno. A Doutrina Bíblica do Ministério. ainda. o ministério da Palavra é um dom especial de Jesus Cristo à Sua igreja. QUE É UM PASTOR? De acordo com Efésios no capítulo 4. [Dissertação . São Paulo: Vida. David. Em Mateus 9. 2. O Pastor do Século 21.

no final do verso 8 onde ele diz: "Envia-me a mim". o pastorado. nem filho de profeta". ouviu a palavra do Senhor. especialmente os crentes mais novos. Todos estavam na sua profissão." É assim que Deus faz. Por essa razão. Por isso. capítulo 3. Profeta não é isso. o que se requer daquele que busca o ministério da Palavra é uma convicção da chamada especial da parte de Deus. que estava cultuando no templo. "Mas boieiro e cultivador. mas. o vocacionado estava numa atividade como Moisés que apascentava ovelhas. um sentimento tão forte naquele que é chamado que levou Isaías. profetiza o meu povo Israel. se alguém entra no ministério sem chamada vai ser um infeliz. vai ser tremendamente infeliz por uma razão. o episcopado não pode ser abraçado como se escolhe uma profissão. era de uma outra igreja e viu escrito na parte externa do templo ACONSELHAMENTO. fala sobre esse assunto. "Mas o Senhor me tirou de após o gado e me disse: Vai.que envie ceifeiros para a sua seara". ninguém queira que eu adivinhe o futuro. É assim que Deus age. "Qual é a evidência que você tem de que Deus está chamando você para ser pastor?" Ele não era ovelha minha. Disse-lhe que não fosse para o seminário." E se alguém abandona essa chamada há de ser infeliz. Ou como dizia o saudoso pastor Valdívio Coelho. Amós estava apascentando o gado e quando ele estava pastoreando o gado. se você também ouviu a chamada e não entrou no ministério. "Uma chamada divina. eu acho que Deus está me chamando para o ministério porque já fiz o vestibular três vezes e fui reprovado. a exclamar como está registrado em Isaías no capítulo 6. todos estavam trabalhando. Quando Jesus Cristo chamou os seus apóstolos. Relatos da Bíblia mostram que quando Deus ou o Senhor Jesus Cristo chamou. que envolve um preparo divino para uma obra divina". Profecia não é adivinhação do futuro. E quero dizer aos irmãos. Na 245 . consertando redes. no entanto. porque o ministério. Respondeu-me: "Pastor. porque Deus não chama fracassados nem desocupados. e essa razão está na palavra de Jesus Cristo em João no capítulo 15 que diz "Não fostes vós que me escolhestes mas fui eu que vos escolhei e vos designei para que vades e deis fruto. 2Coríntios. Ou como Davi que também apascentava ovelhas e os outros que acabei de mencionar. Lembro-me de um moço que me procurou uma ocasião e disse que achava que Deus o estava chamando para o ministério. A Escritura Sagrada enfatiza a vocação divina. E respondeu "Eu não era profeta. E isso tem base bíblica. Não pode ser uma pessoa que não tenha chamada. Talvez temos agora alguma variante. Perguntei-lhe. pescando ou no escritório como fiscal de rendas." Era agricultor. A mesma coisa aconteceu com Amós. aqueles que estão ainda se preparando para o batismo. Ele está falando aqui a Amazias. Por isso a pergunta base é: Que é um pastor? Estamos trabalhando em cima de um tema que já foi objeto de reflexão. Então eu acho que é por isso que Deus está me chamando para ser pastor". Que é um Pastor? O PASTOR É UM PROFETA E essa é uma palavra muito interessante. então entrou e veio se aconselhar. que ele estava muito enganado.

Portanto. deve advertir sobre a justiça e deve advertir sobre o juízo de Deus. A Bíblia diz que sempre existiram aproveitadores. Palavra de orientação para a vida porque Jesus Cristo é o mesmo ontem. é o porta-voz de Deus. Não. Cada sermão há de chamar a atenção para as conseqüências morais e espirituais da conduta do ouvinte. Mensagem de luz.. No entanto. E a palavra de Deus vai dizer assim. É um quadro que vemos amiúde. porque edifica. ou seja. "assim diz Walter Baptista". Talvez na linha daquele povo que diz assim: "Previsões para o ano 2000". Cada profeta então é uma sentinela guardando a doutrina que veio dos lábios do Senhor e do ensino apostólico. vai chegar a derrota e na Palavra Santa está com toda clareza e com toda as palavras a expressão de Provérbios 29 que fala "Não havendo profecia o povo se corrompe". que sempre existiram cavadores de lucro. consola homens individualmente e a igreja como um todo. vaidade e o engano do seu coração é o que vos profetizam". Sem dúvida alguma irmãos há uma tradição milenar atrás de cada sermão que é pregado de qualquer púlpito cristão. comunicar a sua vontade.mente de muitas pessoas significa uma predição do futuro. isso não é ser profeta. cada sermão deve ser atual. por que proclama a palavra do Senhor. "Disse-me o Senhor: Os profetas profetizam falsamente em meu nome. de inspiração. profeta é quem fala em nome de Deus. E porque profetiza. Mas a Bíblia mostra que não é assim. de salvação que deve ser sempre fiel e reta e ortodoxa. nem lhes falei. exorta.". o ministro da palavra tem mensagem. Por isso. são pastores que nada compreendem. mensagem de vida. muito mais profunda e mais consistente e séria porque pela Bíblia Sagrada. fundamental do profeta é se colocar entre Deus e a pessoa humana e comunicar o propósito eterno. E mesmo assim. "Ou palavra do Senhor que veio a. E a Bíblia ensina que isso é um carisma.. cada um para sua ganância. nunca se podem fartar. Acontece que hoje está muito fácil se chamar "pastor". a função primária. uma adivinhação. Querem ver mais? Jeremias 14:14. que sempre existiram mal intencionados. quando a proclamação não existe. hoje e eternamente. a palavra tem conotação muito mais ampla. Há tantos desqualificados sendo chamados de "pastor" que é uma verdadeira calamidade. E aquele que é arrependido deve apontar a misericórdia e deve apontar o perdão de Deus e a bênção da vida com Deus. basilar. cada sermão deve advertir sobre o pecar. não os enviei. mensagem de conforto. a palavra do profeta nunca é: "Assim eu digo". Sentinela e pastor. Apesar de uma tradição milenar desde o tempo dos profetas. não.11). A palavra do profeta é: "Assim diz o Senhor". todos eles se tornam para o seu caminho. Como está na Bíblia Sagrada. nem lhes dei ordem. Como profeta. todos sem exceção" (Is 56. adivinhação. 246 . É como está colocado. "Estes cães são gulosos. visão falsa. 1Coríntios capítulo12 menciona entre os dons o de profecia.

Pregar não cansa. explorando uma pessoa simples. "EIS O CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO MUNDO!!!" 247 . falarem em nome do Senhor. que vos apascentem com conhecimento e com inteligência". Paulo recomenda "Não desprezeis as profecias". E Paulo se refere a isso quando em Gálatas no capítulo 4. ao anjo. Naquele tempo não havia microfone. Aí a mão disse: "Rosinha pára com isso. Nunca foi tão fácil como nos dias de hoje. E no Apocalipse também a palavra "anjo" é usada largamente quando as sete cartas são enviadas ao pastor.Há outros textos da palavra. no entanto. Sou fascinado pela pregação. O PASTOR É UM ANJO.. Mas vamos entender irmãos. um mensageiro. não leve o paletó: porque se levar o paletó. nem me desprezastes antes me recebestes como a um anjo de Deus". Ia lá e vinha cá. o quê? Um profeta. incauta e até mesmo aquele que está desejosa de ser manipulada. recomendam-me: "Pastor. Quando ali chegou. Porque a palavra "anjo" tem significado. É porque tem uma história que diz que o pastor foi almoçar na casa de uma família.. A pregação é algo extraordinário! Fico fascinado pela pregação. Nunca foi tão fácil para alguns.". Entrou no auditório. Agora ninguém espere ver um par de asas nas costas do pastor Walter nem debaixo do paletó. E quando chegou. que estava completamente vazio. e. olhava e mexia e tocava no pastor. não me rejeitastes. da igreja de Filadélfia e às demais. Quando saio de férias. talvez devêssemos dizer para tantos. mas. o grande Charles Spurgeon. foi para o palco. e aquele auditório havia sido construído dentro dos mais modernos recursos de acústica da época. entrou em um auditório que recém-inaugurado em Londres. exclamou: "EIS O CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO MUNDO!!!" e repetiu. Tudo era à viva voz. Pastor é. a menininha da família começou a andar por trás da cadeira do pastor. ele diz: "Embora minha enfermidade na carne vos fosse uma tentação. vai ter que pregar em algum lugar". E o evangelista havia ouvido falar sobre isso. você andando para lá e para cá?!". então. o Albert Hall. a palavra do Senhor é tão clara sobre este assunto porque diz em Jeremias 3:15 "Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração. nem ampliação de som. eu sempre levo o paletó. fazia a volta e ia. Por isso. menina! Que história é essa. Pregar não me cansa. A menina respondeu: "Eu estou procurando as asas: a senhora não disse que o pastor é um anjo. Anjo é aquele que traz uma mensagem. e com a voz poderosa de pregador. Spurgeon. Então há quem queira ver essas asas nas costas do pastor.14. reivindicarem.

Por quê? Para orar com ele? Nem sempre. É da família da jaca. não sei porque não tive coragem de experimentar. da graviola. Como poderia ele falar de uma experiência que não conhece? O que se pode dizer de uma determinada fruta. Essa fruta é um pouco maior que uma graviola. Outra coisa que o pastor deve ter é piedade cristã para resistir ao escrutínio das outras pessoas. Dizem que quando se come um bago da fruta. na fé. Ele precisa ter uma fé sadia também e ter uma fé que seja ortodoxa. deve saber bem e ele deve continuar aprendendo. Hoje é um tempo em que se ama a novidade. até. falaram de uma fruta chamada durian. afirmando esse fato. apresentados à durian. não posso falar do sabor da durian porque não o conheço. Quando chegou à porta. Pois é.Experimentou e saiu convencido de que a acústica era excelente. finalmente. da fruta-pão. andar com Deus. Timóteo trouxesse o livro. Se é mais saborosa. por isso pediu que quando viesse. Nós preferimos ficar com a Palavra sempre. se não for ortodoxa nem é sadia nem é fé. na pureza". um homem o procurou e disse: "O senhor que é o pastor Spurgeon?" Ele disse: "Sou eu". Essa foi a declaração que ouvi por lá. "Só quero dizer que aceito a Jesus Cristo. Eu sou pedreiro. mas o que ele sabe. Fomos. No boletim de hoje. na amor. Por isso. é verdade. Ele tem que ter capacidade mental e eu diria capacidade acadêmica. 248 . se nunca se experimentou da mesma? Quando eu estava em Singapura. O apostolo Paulo ele diz o seguinte ao jovem pastor Timóteo. Ele precisa conhecer a Deus. na palavra. A pregação dele foi só isso: "Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo". lendo.. não é demais até lembrar que Paulo tinha muito amor pelos livros. no espírito.12. da pinha. conhecimento bíblico adequado. lendo muito para saber cada vez mais. Está na palavra em 1Timóteo 4. e dizem que é a fruta mais saborosa do mundo. foi transcrita uma palavra do Pr Nilson Fanini bem parecida com essa. O homem ficou convencido dessa verdade e se converteu. eu sei que é a mais fedorenta do mundo. Não tive coragem porque o fedor era de esgoto em dia de chuva. mais espinhenta que a jaca. no trato. Meus amados. Ele precisa conhecer as ciências teológicas. Como o pastor tem sido vítima de cobranças fiscais. Continuou o homem. Há muito culto que satisfaz mais ao ego dos chamados pastores que realmente às necessidades do povo. Ele pode não saber tudo. Por isso ele precisa de ter todas essas características aí. estava trabalhando na sala do lado quando ouvi o senhor falar lá dentro. o pastor é um anjo. é algo deliciossíssimo. ter comunhão com Ele. É necessário que haja da parte do pastor verdadeira conversão. nós preferimos o culto digno do nome do Senhor. "Ninguém despreze a tua mocidade: mas sê o exemplo dos fiéis. E essa palavra me tocou".. Que não seja amante de novidades. e li. Sua vida é vasculhada e os procuradores de agulha no palheiro usam lente de aumento sobre as falhas do ministro do evangelho. Fede que nem esgoto. o seu gosto. Aliás. Há muita novidade barateando o culto divino. No entanto.

sinto ao meu lado quando prego. Os homens serão amantes de si mesmos. mas. fortaleza e ele possa crescer igualmente. Sinto ao meu lado Elias e Moisés e Isaías e Jeremias e Ezequiel e Daniel e Oséias. Isso é dito porque há quem espere que o pastor. e que não tenha tristezas e que tenha inclusive p condão de fazer a maravilha das maravilhas que é estar em dois lugares ao mesmo tempo. Amós e os apóstolos. mas há uma terceira o pastor é um homem. que não canse e que não desanime em certas horas. São dias difíceis. conhecer a pedagogia. da fé. três compromissos e a pessoa fica zangada porque a só se pode atender a um deles. dois compromissos. como anjo de Deus. Em 2Timóteo 3. qualquer pastor de qualquer igreja em qualquer lugar. da salvação e da libertação e do perdão que vem de Deus. presunçosos. uma dose de paciência e uma dose de tolerância. levantar o que está derrubado na vida. da esperança. conhecer as relações humanas. Talvez. E a descrição do coração desses homens ímpios é a de um povo que se distancia de Deus. na mesma tradição e na mesma palavra que eles anunciaram e pregaram ao seu povo. em três lugares ao mesmo tempo. como mensageiro da palavra divina. Primeira coisa que nós dissemos é que o pastor é um profeta. apresentam-se as condições do mundo nos últimos dias. gananciosos. Descobri que ser anjo não é difícil e que também não é difícil ser profeta. como já tem acontecido comigo. profanos". seja um bom pregador e que tenha dois bons sermões todo domingo e que tenha um bom estudo em todo Culto de Oração e que atenda no gabinete a qualquer hora do dia. desobedientes a pais e mães. na mesma linha. Segunda coisa. como mensageiro de Deus. o pastor é um anjo. essa legião de testemunhas de que Hebreus fala. o joelho tremente. soberbos. 2Timóteo 3:1-5. conhecer a psicologia. Pastores são não somente humanos mas precisam ser plenamente humanos. as testemunhas do Senhor. do amor. deve fortalecer aquele que está triste. de um povo que transgride as leis da decência. É um povo saturado de orgulho. É nesse mundo que nós exercemos o ministério. com 249 . Como mensageiro de Deus. e aí segue com um catálogo de coisas do nosso tempo. blasfemos. Por isso. Joel. fortalecer o debilitado e mostrar o caminho ao que está indeciso. animar o cansado. Difícil é ser humano. Como anjo de Deus é mensageiro do Espírito de Deus. conhecer aquilo em que o ser humano é forte e aquilo que o ser humano é fraco. Não é que esteja tendo visões nem fantasmas juntos de mim. "Sabe. conhecer as ciências humanas.Precisa conhecer o ser humano também. O Pastor é um homem num mundo de homens. Essas condições que estão aqui em 1Timóteo 3:1-5 são as nossas condições hoje. que nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis. Aliás. inclusive no seu dia de folga. ingratos. e que seja somente sorrisos. de lascívia. se possível for. Agir para aquilo que é forte na sua ovelha continue forte e progrida até e aquilo que é fraco seja colocado com resistências. consolar aquele que está desconsolado. Razão porque todo pastor pede uma dose de compreensão.

Mas ele é um ministro. Ao povo que o Senhor lhe confiou. Não o procuravam porque tinha de mais. Ele é um símbolo diz o doutor Wayne Oates em um livro sobre este assunto. Ele pertence a Deus que o escolheu e o comprou e o fez ministro de Sua palavra. enquanto o mundo desce a ladeira do inferno. Ele ao mesmo tempo passa e repassa aquilo que ele tem de mais. Aí eu quero explicar a palavra mestre e a palavra ministro. Os irmãos sabem que a palavra mestre vem do latim magister. que quer dizer "mais". mas não angustiados. os ministros. Por isso. perplexos. mas é um homem de Deus. este tesouro em vasos de barro. Pensa-se que hoje a palavra "ministro" é pomposa e nós dizemos o primeiro escalão do governo. de onde vem magistério. fazer isso. não tem o que oferecer. Por que é que o mestre. Ele pertence à palavra que ele anuncia.novas formas de piedade. Dizem que uma igreja 250 . o magister ou o magistrado eram procurados? Porque tinham algo a mais a oferecer. de atrevimento. E Paulo fala de blasfêmia. não tem o que dizer a quem busca o seu conselho ou a quem vai ouvir os seus sermões. o Deus vivo e verdadeiro. ele é um servo. Timóteo. É homem que se apropria portanto da verdade divina e a repassa a suas ovelhas. negando. mas não desanimados. fala de ingratidão. comete o pecado de envelhecer. pois sem Deus na vida. É um homem de Deus mas não é um super-homem. abatidos. Porque de hora em hora o mundo piora. Trabalho pesado era do minister. ela guarda uma raiz. É vulnerável por isso. porém. infelizmente. Ele é um mestre e é um ministro. O pastor é ao mesmo tempo um mestre e um ministro. Por isso. pegar uma coisa ali adiante. é um ministro. E essa palavra magister. mas. mas não destruídos. Mas como o pastor é um servo da palavra. e é por esse motivo que ele busca ser fortalecido pelo poder do Alto. magis. de onde vem magistrado. para que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos". de orgulho. de calúnia. mas. Levando sempre por toda a parte o morrer do Senhor Jesus no nosso corpo. de onde vem magistratura. e não de nós. mas não desamparados. é exortado à fidelidade à palavra de Deus bem como todos os outros pastores. transportar uma mesa. era ele que tinha que carregar cargas. Isso quer dizer que há de ser homem de oração e totalmente submisso e consagrado a Cristo e à Sua causa. Ministro era o escravo. Ministro vem de minister onde está a raiz minus que quer dizer menos. um símbolo do evangelho. no capítulo 4 está dito da seguinte maneira: "Temos. Porque era uma pessoa que tinha de menos. um símbolo da graça e é por esse motivo que lá na Segunda Carta aos Coríntios. Ministro quer dizer isso aí. O pastor é um homem no mundo dos homens. o jovem pastor. Que ele é um símbolo da fé cristã. Ministro quer dizer escravo. para que a excelência do poder seja de Deus. é um ser humano vulnerável. Perseguidos. ao mesmo tempo ele também sendo mestre. do escravo. Em tudo somos atribulados. porém. sim tinha de menos. ele deve manter na consciência que ele pertence ao seu povo.

e não pode ter medo de responsabilidades. pastores são cooperadores. vem de filos que quer dizer amigo. "Apascenta os meus cordeirinhos. Porque já haviam passado daquela idade.. Nenhum desses grandes homens de Deus podia ser pastor. ao ministro do evangelho é confiada a causa da reconciliação porque já chegou a boa nova de que em Jesus Cristo há salvação. "Tenho sessenta e dois. tu me amas verdadeiramente?" A pergunta foi essa. E já que um enorme muro de separação existe e sempre tem existido entre os homens (Paulo fala disso em Efésios 2). Entre outras coisas dizia que o pastor deveria ter até determinada idade. quando foi escolher o novo pastor. Nilson Fanini não poderia ser pastor daquela igreja.. tu me amas? Simão. muito humano. a barreira foi quebrada e nós somos feitos um." O amor a Jesus Cristo meus irmãos. Pedro." Aí. tu me amas de verdade?". porque ele tinha sessenta e dois anos: não foi convidado.1Pedro 5. A pergunta foi Pedro agapos me? Tu me amas verdadeiramente? E Pedro deu uma resposta infeliz. "Ó Senhor. Filo. Billy Graham. mas. O único perfil que conheço e reconheço é o que está no Novo Testamento. Virou moda fazer o perfil do pastor. não pode ter medo de críticas e não pode ter medo do aparente fracasso. Por isso. Porque quando isso acontece. fez o "perfil do pastor". agapos me? Ele devia responder. que pergunta de novo: "Pedro. a Deus. Parte XXXX Dos Sínodos e Concílios Comentário do Capítulo XXXI da Confissão de Fé de Westminster 251 . "Senhor. Jesus disse." E finalmente. pastoreia minhas ovelhas. Tu sabes que eu Te amo". O pastor é humano. Tu sabes que eu te amo". quantos anos o senhor tem?" Responde o candidato. é condição sine qua non para que um ministro do evangelho possa se sustentar no evangelho da Palavra. Pedro dizer assim: "Senhor. Tu sabes que eu sou teu amigo". são anjos e são homens. quando alguém se lembrou de fazer uma perguntinha que estragou tudo: "Pastor. "Agapo te". na palavra de Deus: 1Timóteo 3. Foi isso que Pedro respondeu para Jesus. são facilitadores na obra do Senhor e o ministro do evangelho é um servo voluntário como Jesus e há de caracterizar-se pela unção do Espírito debaixo de cujo poder vive. Tu sabes que eu sou teu amigo." Mas Jesus perguntou três vezes. Tu sabes que eu Te amo. O que é necessário é amar a Cristo. Uma igreja em nossa cidade. Pastores são profetas. "Senhor. Os irmãos viram que na Bíblia. o Seu rebanho. esse amor de Cristo se estende naturalmente àqueles a quem Jesus Cristo também ama. Tu sabe todas as coisas. e aos irmãos. filho de Jonas.estava procurando um pastor. Ele não disse agapo te. é vulnerável. a resposta. Jesus perguntou a Pedro: "Pedro. A Comissão de Sucessão Pastoral entrevistou um determinado obreiro já maduro e ficou muito satisfeita com os resultados da entrevista. no ministério e sempre nesse amor a Cristo. a igreja sentiu que a Comissão murchou. Ele disse: "Filo te" é outra palavra. Tito 1. razão porque ele busca o poder de Deus. simples homens. "Senhor.

“para o bem da igreja”. I O propósito dos sínodos e concílios “Para melhor governo e maior edificação da Igreja. Para nós. assim como o presbitério e o supremo concílio. um dos grandes tratados teológicos produzidos por aquela histórica e notável assembléia. “Sínodo” ou “Concílio” é uma conferência convocada pelos líderes eclesiásticos para dar orientação à igreja.) e está registrado em Atos 15. os presbiterianos. embora a igreja os escolha para o ofício. o sínodo também é um concílio [1]. 50 A. em 325. pertence aos pastores e aos outros presbíteros das igrejas particulares criar tais assembléias e reunir-se nelas quantas vezes julgarem útil para o bem da Igreja”. O capítulo que passamos a compartilhar é parte integrante da Confissão de Fé. representar a igreja inteira. A distinção entre os vocábulos “sínodo” e “concílio” é mais aparente que real. Os interesses da igreja em geral 252 . Um concílio pode ser ecumênico (geral) e. mas este é naturalmente restrito de várias maneiras tão logo ela se associe a outras igrejas locais. recebem diretamente de Cristo aquela medida adicional que é exigida para o seu trabalho como oficiais da igreja do Senhor. O poder governante da igreja reside primariamente nos conselhos locais e destes é passado aos sínodos e concílios. Por exemplo: Doze concílios regionais reuniram-se para debater a heresia ariana entre os concílios ecumênicos de Nicéia. Cristo dotou a igreja do poder necessário para levar a efeito a obra que lhe confiou. pelo fato de ter tido uma liderança apostólica [2]. ou seja. ou seja. A Assembléia de Westminster (1643-1649) foi um dos maiores concílios na história da igreja cristã de origem reformada. O governo da igreja presbiteriana pertence aos pastores e presbíteros. o Concílio de Jerusalém deve ser distinguido dos concílios posteriores. Investe todos os membros da igreja com uma certa medida de poder. Sua autoridade não lhes é delegada pelos membros da igreja. em 381. Os sínodos e concílios existem “para melhor governo e maior edificação da igreja”.As várias denominações de hoje empregam a palavra “sínodo” de maneiras diferentes. Enquanto participam do poder geral dado a todos os membros. o sínodo – composto de ministros e presbíteros dos presbitérios – é o grau acima do presbitério e abaixo do supremo concílio (ou assembléia geral) na sua ordem de governo eclesiástico. ou pode ser local (particular). mas outorga uma medida especial dele aos oficiais da igreja. deverá haver as assembléias chamadas sínodos e concílios. O primeiro concílio ecumênico na história da Igreja foi o de Jerusalém (c. D. Em virtude do seu cargo e do poder que Cristo lhes deu para edificação e não para destruição. Cada igreja local tem um certo grau de autonomia ou independência. No entanto. tendo representação regional ou local. portanto. Os resultados daquele Concílio foram normativos para toda a igreja cristã primitiva. e de Constantinopla.

mas obrigatórias. O que isso significa? Não estão reunidos em nome de Cristo os que. pois estes. mas a condição que se adiciona: que Cristo estará no meio do concílio sempre que o mesmo for reunido em seu nome. mas tenha posto um sinal particular para diferenciar os verdadeiros dos que não são. as decisões dessas assembléias não são meramente só consultivas. E visto que Jesus Cristo não promete estar presente em todos os concílios. mas também pela autoridade através da qual são feitos. mas representado num grau maior. São obrigatórias às igrejas. Do contrário correm o risco de ficarem a quem do que se exige deles. que são a regra da perfeita sabedoria. ali estou eu no meio deles” (Mt 18.20). A autoridade dos sínodos e concílios deve ser segundo a Palavra de Deus. devem ser recebidos com reverência e submissão. Além disso. Isso se aplica não somente a qualquer reunião particular. Os seus decretos e decisões. mas aos concílios em geral. Cristo não promete nada a não ser para quem esteja reunido em seu nome. Contudo. sem ter em conta o mandato de Deus. Resolvam essa dificuldade os adversários. determinar regras e disposições para a melhor direção do culto público de Deus e governo de sua Igreja. O pacto que Deus fez antigamente com os sacerdotes levitas foi que ensinassem o que ouviam de sua boca (Ml 2. não é essa a dificuldade da questão. II A autoridade dos sínodos e concílios “Aos sínodos e concílios compete decidir. É a mesma espécie de poder.não podem ser sacrificados pelos de qualquer igreja local [3]. se desejam que se dê crédito às decisões dos homens tomadas à margem da Palavra de Deus [4]. controvérsias quanto à fé e casos de consciência. não há promessa maior do que a que se encontra nas palavras de Cristo: “Porque. decretam o que lhes dá na telha. Ele também pediu o mesmo aos seus profetas e apóstolos. ministerialmente. não podemos fazer pouco caso dessa diferença. no qual proíbe que se acrescente ou diminua algo à sua Palavra. naturalmente. ou concílios. diz Calvino. beirando (ou até praticando) o despotismo e abuso de autoridade. não só pela sintonia com a Palavra. sendo consoantes com a Palavra de Deus. ou mesmo de irem além.7). não contentes com os oráculos da Escritura. exceto em casos em que sejam explicitamente declaradas somente consultivas. a menos que sejam demonstradas como contrárias à Palavra de Deus. receber queixas em caso de má administração e com autoridade decidi-las. designada para isso em sua Palavra”. nem lhes daria autoridade alguma. Desde que diversas igrejas são representadas há. visto que essa autoridade é uma ordenação de Deus. se queremos saber qual é a autoridade dos concílios segundo a Escritura. onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome. 253 . não cessam de inventar coisas novas. Segundo Calvino. E àqueles que quebrassem esse pacto Deus não os reconheceria como sacerdotes seus. não representam uma espécie de poder superior do que se investe nos conselhos. uma acumulação de poder. As assembléias maiores.

eles podem e devem ser usados como auxílio em uma (fé) e outra coisa (prática). não estão sob a jurisdição dos sínodos e 254 . Por serem assembléias eclesiásticas. “O Espírito revelou o que os líderes da igreja deveriam dizer e fazer” [6]. tendo reunido a comunidade. entregaram a epístola. recomenda-se a submissão a elas por amor à paz. em satisfação de consciência. quer gerais quer particulares. a não ser por humilde petição em casos extraordinários. Embora os sínodos e concílios não devam constituir regra de fé e prática. Qualquer resolução do concílio. Isso. seja ela boa ou má. portanto. vai refletir primeiramente na igreja representada por ele. não devem constituir regra de fé e prática. E não podia ser diferente porque o que foi resolvido ali “pareceu bem ao Espírito Santo e a nós” (At 15. porém.III A falibilidade dos sínodos e concílios “Todos os sínodos e concílios. Quando um concílio se submete verdadeiramente ao Espírito de Deus o resultado são decisões positivas e salutares para a vida da igreja. “Quando a leram. IV O caráter eclesiástico dos sínodos e concílios “Os sínodos e concílios não devem discutir nem determinar coisa alguma que não seja eclesiástica. explica. o resultado pode ser terrivelmente desastroso para a igreja. Após a decisão do primeiro concílio da Igreja – que se reuniu com o propósito de opor-se aos esforços judaizantes – os que foram enviados à Jerusalém desceram logo para Antioquia e. se o magistrado civil os convidar a fazê-lo”. eles. A igreja é o termômetro das resoluções de um concílio. mas podem ser usados como auxílio em uma e outra coisa”. não devem imiscuir-se nos negócios civis do Estado. ou por conselhos. O Novo Testamento é muito claro nisso. desde os tempos dos apóstolos. Todos os sínodos e concílios podem errar.31). sobremaneira se alegraram pelo conforto recebido” (At 15. Mas se as decisões são contrárias à Palavra de Deus. mas não justifica uma decisão conciliar equivocada. então devemos rejeitá-las e sofrer as conseqüências [7]. podem errar. e muitos têm errado. mas não se opõem diretamente à vontade de Deus. Mas quando o Espírito Santo (assim como a Bíblia) não passa de inocente útil para satisfazer a carnalidade humana.28). Uma decisão conciliar equivocada é aquela que resulta em algum prejuízo para a igreja. O caráter eclesiástico dos sínodos e concílios nunca deve ser perdido de vista. Uma igreja pode ser bem ou mal representada. Se as decisões deles forem pouco sábias. e muitos têm errado no decorrer da história porque são formados por homens que podem e têm errado [5]. Percebe-se que a igreja de Antioquia foi ricamente abençoada pela decisão daquele Concílio. O concílio não é a igreja. mas o seu representante.

HODGE. In: EHTIC. 261. [5] Cf. Comentário. Rm 13. 1988. Mais particularmente. II.ix. III. IV. KISTEMAKER. 3a ed. [4] Institución. Manual. Concílios Eclesiásticos.11. H. de governo da igreja e disciplina. Institución de la Religión Cristiana. Institución. Calvino. Hodge. políticos. [8] Cf. toda vez que aparecer a palavra “concílio” neste artigo entenda-se concílios em geral. Isso tudo é compreensível porque aos sínodos e concílios somente lhes correspondem assuntos como os de doutrina e moral. a ordem eclesiástica ou a liturgia da igreja. 1987.2. H. 1Pe 2. p. p. têm que ver com (a) assuntos que devido a sua natureza correspondam à jurisdição de assembléias menores. WHEATON. [2] Cf. Concílios eclesiásticos. Grand Rapids: T. se por um lado os sínodos e concílios não devem tratar de assuntos que pertencem à jurisdição do magistrado civil. BERKHOF. 1990. 1990.L. 1986. 350. Comentário. Não devem se envolver nos negócios civis do Estado. Sínodo.E. [3] Cf. Hodge. Exposition of the Acts of the Apostles. quando toca diretamente nos interesses da igreja [8]. São Paulo: Vida Nova. A. Vol. comerciais ou equivalentes. correspondam à jurisdição de uma assembléia maior. do outro eles devem ensinar aos membros das igrejas seus deveres com respeito ao poder civil. ___________ Teologia Sistemática. Manual de Doutrina Cristã. São Paulo: Cultura Cristã. D. J. e (b) assuntos que devido a sua natureza. Calvino está pensando principalmente nos concílios católicoromanos. Grand Rapids: Baker Book House. L. e quaisquer outros que tenham a ver com a preservação da unidade e da boa ordem na igreja de Jesus Cristo. e do cumprimento desses deveres como obrigação religiosa (cf.11-17). 1997. New Testament Commentary.1-7. A. Notas [1] Portanto. S. A. [6] Kistemaker. J. A. L. p. J. ditas assembléias menores não podem resolver. A. A. ou por conselhos.L. In: EHTIC. se o magistrado civil os convidar a fazê-lo.10. 318. Hall. tais como assuntos relacionados com a confissão. em satisfação de consciência. CALVINO. Vol. p. 562. J. mas que por uma ou outra razão. H.. Países Bajos: Felire. Acts. HALL. IV. São Paulo: Vida Nova. Vol. Bibliografia A Confissão de Fé de Westminster. 350. p.ix. visto que pertencem às igrejas em geral. Berkhof. 2a ed. 1985. Parte XXXXI 255 . Barcelona: CLIE. Campinas/Patrocínio: LPC/Ceibel.concílios assuntos meramente científicos. Contudo. Comentário de la Confesión de Fé de Westminster.51. [7] Cf. I. a não ser por humilde petição deste em casos extraordinários. 1987.

para que façam isto com alegria e não gemendo. são vigilantes em cuidar dos membros. Quando eu disser ao perverso: Certamente.17. o apelo para obedecer a eles e submeter-se à sua autoridade é oportuno. porque isto não aproveita a vós outros. desviam ataques malignos e administram disciplina quando necessário. Cuidado prestado. ele pede ao leitor que obedeça a eles. Esses líderes devem prestar contas a Deus. “Pois velam por vossa alma. Se um líder é um ministro dedicado da Palavra de Deus. Os líderes levavam a sério a tarefa que lhe havia sido dada por Deus. maiores também nossas obrigações para com eles”. Observe.9). Nós precisamos voltar ao versículo 7 onde a mesma expressão – seus líderes – ocorre. João Calvino escreve que. 256 . porque ele é o superior deles. Assim. E no versículo 24 o escritor mais uma vez emprega essa expressão. 1Pe 5. e quanto maior for sua dificuldade e maiores os riscos que enfrentam por nós. Antes.” Eles literalmente perdem sono por causa do bem-estar espiritual dos crentes. Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles. 17. a admoestação do autor para não se deixarem “envolver por doutrinas várias e estranhas” (13. Os líderes que haviam falado a Palavra de Deus anteriormente não estavam mais presentes.1-3). os leitores poderiam questionar se essa autoridade era auto-imposta pelos líderes ou delegada a eles por Cristo. que Cristo lhe deu autoridade. mas o seu sangue da tua mão o requererei” (3. Obediência exigida. diz o autor de Hebreus (13. e tu não o avisares e nada disseres para o advertir do seu mau caminho.18).Obedeçam a Seus Líderes Comentário de Hebreus 13.7). nutre-os espiritualmente. da minha boca ouvirás a palavra e os avisarás da minha parte. morrerás. Ef 4. para lhe salvar a vida.11. Nesse versículo em particular. A falta de obediência prevalece entre alguns dos leitores. assim. Eles conhecem a Palavra de Deus falada ao profeta Ezequiel: “Filho do homem. pois quanto mais alguém sofre por nossa causa. Eles devem ser relembrados por sua conduta e fé. b. o autor enfatiza três pontos. E se Cristo confiou a tarefa de liderança a alguém.17 . “Quanto mais pesada a responsabilidade deles. Os líderes ficam com a congregação. Eles certamente são. ele prova. O escritor não está interessado na posição desses líderes – ele não dá qualquer idéia se eram presbíteros. as pessoas não devem questionar sua autoridade (At 20. pois velam por vossa alma. bispos.Por Simon Kistemaker Este versículo não tem conexão com os versículos precedentes. isso não quer dizer que os membros não são tidos como responsáveis. É claro. Os líderes precisavam de ajuda e encorajamento.28. maior honra merecem. esse perverso morrerá na sua iniqüidade. pregadores ou professores. Líderes após líderes tomaram seus lugares. eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel. a. por exemplo. como quem deve prestar contas.

Se eles todos respondem de modo favorável.36.19). há alegria nos relacionamentos interpessoais da igreja. Essa pessoa morrerá em seu pecado. Por que não observarmos o mover do passado tirando dele lições preciosas para o presente? A Igreja Primitiva tem muito a ver com o que pensamos sobre evangelismo na Igreja Contemporânea! I. Alegria experimentada. também.Eles. A igreja pertence a Jesus Cristo. OS RUMOS DO EVANGELISMO NA IGREJA PRIMITIVA E NA IGREJA CONTEMPORÂNEA Apesar de muitos pensamentos ao contrário. eles serão os perdedores. Parte XXXXII Evangelismo Ontem e Hoje INTRODUÇÃO Podemos aprender com a História da Igreja. então. harmoniosamente. Sl 135. o Senhor vinga e julga seu povo (Hb 10. Eles recebem as bênçãos do Senhor ao obedecer os líderes que Deus lhes deu. onde o comércio se propagava com facilidade. Foi a época da frase: “Todos os caminhos levam à Roma”. pois. De maneira pastoral e prudente. devem trabalhar juntos. Dt 32.13). Todo o comércio era obrigado a caminhar pelas estradas de Roma. aquele foi o melhor momento de Jesus vir ao Mundo. Onde um Império destes beneficia o Evangelho? A resposta é simples! Os evangelistas utilizavam-se das mesmas estradas usadas pelos comerciantes para disseminar a Palavra de Deus. exortai-vos mutuamente cada dia. Quando os membros se recusam a obedecer e não respeitam seus líderes. é deve ser sim! Roma construía grandes estradas para cidades circunvizinhas. Roma não era a potência mundial? César não era o “senhor” da época? Não havia pobreza e opressão por causa do Império ditador vigente? A resposta é sim.14). sobre a conduta espiritual dos leitores não será vantajoso para nenhum deles. a quem os leitores são responsáveis. para que a tarefa dos líderes seja uma alegria e não um peso. De maneira semelhante. ao invés de alegre. mas os líderes estão livres da culpa (Ez 3. que escolheu não abandonar o pecado.35. Os membros devem entender que nem eles nem os líderes são donos da igreja. a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado” (3. ele exorta os leitores a encorajarem-se mutuamente: “Pelo contrário. Para mencionar um exemplo. então. Mas. c. o trabalho de seus líderes se torna muito mais alegre. Ao dificultar o trabalho e a vida dos líderes. durante o tempo que se chama Hoje. o escritor de Hebreus observa que um relatório triste. A 257 . ou ela nos serve apenas para mostrarmos conhecimento livresco e ostentação de datas e nomes antigos? Foi desta pergunta que surgiu o interesse em escrever sobre este assunto! O evangelismo na Igreja Primitiva tem muito a nos ensinar hoje.30. Os líderes podem testificar diante do Senhor que advertiram a pessoa desviada. Por toda sua epístola o autor enfatizou a responsabilidade corporativa dos crentes. No final das contas. o trabalho na igreja se torna um grande peso. como um corpo eles devem responder a seus líderes.

por sua vez. eram fiéis à preferência deste Imperador. renúncia do “eu” (Mt. para aqueles que crêem (Hb. 8 – 10). principalmente a segurança após a morte. o comerciante ia pelo dinheiro. Um outro benefício disto. que achavam ser um ato de selvageria. de barriga para cima. isto é. muitas delas. uma faísca que ajudou na grande fogueira do cristianismo. “como consegue-se alcançar exigências tão transcendentes sendo o homem tão falho?” O Evangelho. passar por processos de “batismos” de aceitação e “pactos” de sangue. 16:24) através do sacrifício já feito na cruz do Calvário. e um animal era sacrificado sobre sua barriga. não necessitava-se de passaporte! Sabe-se até de um certo homem que viajou para Roma 72 vezes. geravam mais dúvidas e indagações como: “estaríamos conforme as exigências rituais religiosas prescritas na lei por nós seguidas?”.C. ao contrário do que alguns pensam. com tantas exigências rituais enquanto participavam das tais. As religiões serviam para saciar o desejo de segurança espiritual dos homens. os judeus. para se viajar. para ser iniciada nela. E isto foi causa até mesmo de grandes proselitismos e ajudas vindas deles (Lc. muitos começaram a aceitar a religião cristã. quando as pessoas adentravam as religiões da época da Igreja Primitiva. onde haviam morte ou dor. continuaram com sua crença e. por Cristo Jesus. “estariam nossas atitudes agradando as exigências de tais leis?”. passaram até a admirar os costumes e religião dos judeus. por exemplo. Principalmente porque os judeus tinham grandes privilégios para com os romanos. 7:5). o Evangelho veio como um refrigério. na época da Igreja Primitiva. Muitos romanos da época não aceitavam o judaísmo como religião por causa de seus rituais. os filósofos começaram a disseminar o politeísmo (embora crescem eles em algum tipo de monoteísmo).. com seu sacrifício perfeito – Jesus Cristo – conseguiu suprir todas as necessidades e incertezas humanas. haviam religiões fundamentadas nos dois princípios – monoteísta e politeísta. não necessitando o ser humano fazer mais sacrifício ou penitência alguma! Isto era algo muito chamativo para as pessoas da época. onde as pessoas tinham que ser “iniciadas”. Num período onde as religiões de “mistério”. era que. Porém. já os evangelistas iam por Cristo. Assim. ofereciam medo para adentrar-se nelas e ainda. para que seus pecados fossem perdoados! Os romanos se assustavam com a religião judaica porque acabavam generalizando. que a pessoa. Os romanos. O judaísmo foi. inclusive. os homens ainda ficavam na incerteza. de uma vítima ou do próprio iniciado. No Primeiro Século a. achando que os sacrifícios deles também eram assim. 258 . principalmente o da circuncisão. pois exigia-se do convertido. após serem iniciados. conseguiram disseminála também. que apenas conheciam deuses carrascos e extremamente exigentes! Sabe-se de uma religião daqueles tempos. quando a circuncisão foi substituída pelo batismo nas águas. Na verdade.diferença estava nos propósitos de cada um. até os tempos da Igreja Primitiva. sem precisar de “burocracia” nenhuma. na Graça. pois ficaram ao lado de César na guerra e. isto é. ao contrário disto. Mas. seus pontos de interrogações e incertezas não diminuíam. devia deitar-se no chão. que são monoteístas. Mas.

atualmente. temos liberdade religiosa apoiada pela nossa Constituição! As pessoas de hoje que não crêem em Cristo. haviam também as dificuldades para se pregar o Evangelho na época da Igreja Primitiva! Muitas vezes. Os judeus nunca foram proibidos de terem sua religião por nenhum imperador romano. que é uma língua muito conhecida por onde passamos (quase todo o mundo tem o inglês como língua comercial). contribuiu muito mais do que atrapalhou. eram bem instruídos. mostrados no capítulo anterior. em contrapartida. Por causa da helenização. também. e havia se tornado parte da cultura religiosa do povo e que os únicos que tinham liberdade religiosa eram os judeus. Vê-se isto até mesmo através da tolerância e conservação dos judeus neste Império. diferentemente deles. podia-se pregar o Evangelho em grego e ser entendido em quase todos os lugares civilizados daquele período. mas isto. levando consigo o Evangelho da Graça. achamos que só na atualidade existem as dificuldades! Achamos isto. É certo que houveram tempos onde os cristãos foram fortemente perseguidos por alguns líderes romanos. tanta chance quanto a Igreja Primitiva teve de pregar o Evangelho a toda a criatura. a maioria das pessoas entendiam o grego.Percebe-se também a facilidade de se espalhar os ensinamentos de Cristo. muitos dos principais e fariseus não criam no Evangelho. esquecemo-nos que nos tempos da Igreja Primitiva. pior foi o tempo onde não criam porque isto resultaria em discriminação e. às vezes. muitos dos que seguiam a religião judaica. a idolatria era predominante. os cristãos eram bem pouco estudados! Por este motivo. Para expor tal fato. se o evangelismo “Ontem” e “Hoje” seguem rumos bem semelhante. sem contar com os meios de comunicação de que dispomos na atualidade. em algumas localidades. e ainda eram discriminados por isto! Nós. O EVANGELISMO COM SUAS DIFICULDADES PRIMITIVAS E ATUAIS Apesar de tantos benefícios. o que estamos esperando? II. E isto. contribuiu de igual modo com a pregação do Evangelho. nem que o Ser equiparado a Ele. Se temos. pelo fato de a língua grega ser uma língua quase que Mundial naquela época. então. os cristãos acabavam se espalhando por outros lugares. Desta forma. na igreja contemporânea não temos de igual modo uma língua quase que mundial como nos tempos romanos? Sim! O inglês. no fundo. porque pensamos que se antigamente não havia tanta tecnologia. pois quando havia afronta em uma região. sofrimento e até mesmo morte! Os judeus acreditavam em um tipo de monoteísmo absolutizado em uma só pessoa da Trindade. como a Internet. assim como Roma foi o berço de muitos filósofos ateus. Enfim. perseguição. o fazem por liberdade. houve uma disseminação maior dos cristãos pelo mundo. fosse de Sua mesma natureza. Porém. pois com a perseguição assirrada. Neste tipo de monoteísmo. também como língua comercial). necessita-se de argumentos bíblicos bem apurados e. também em nossa época? É claro que sim! Porém. Ou ainda o espanhol (está em 84 países. talvez seria mais fácil as pessoas crerem em um mundo espiritual. a culpa agora é 259 . Isso não ocorre. assim. Jeová era visto como o Deus solitário. sem ninguém que se equiparasse a Ele.

23. e a expulsá-los. era mais excludente que o judaísmo do período. Perceba-se que deixaram de ser chamados de “discípulos” (literalmente “alunos” ou “aprendizes”) e só foram chamados de “apóstolos” (que significa “enviados”) depois do período de aprendizado com Jesus Cristo! Chega de desculpas irmãos! Vamos nos preparar. pois os romanos achavam que se o cristianismo havia surgido do judaísmo. ao que parece. para os romanos. porque haveria o risco dos judeus. não seria o “rei do pecado”.18). pois O Messias. por motivos variados. pela causa. por isso não os comemorava e nem ia à praça pública comemorá-las e. os materiais também contam. aliás. que o Messias seria também o Servo Sofredor que levaria sobre Si a nossa “maldição” através de Sua expiação. A única religião que poderia existir. isto é. não as esperava “vir” até elas. e quem também sofreu com isto. o Cristo não passaria por humilhação nenhuma! Esqueceram-se de ver em Isaías 53. começaram a perseguir os cristãos. estes também não poderiam permanecer mais. pois temos condições de estudar para atingirmos tanto a doutos quanto a indoutos em nossas pregações e. o Reino dele não foi deste mundo porque Sua luta foi contra um reino que também não era daqui (Jo. os “campos brancos estão para a ceifa” (Jo 4. tinha de ser examinada. A perseguição ao cristianismo começou porque não eram os cristãos como os religiosos judeus antigos. o cristianismo não aceitava os dias de festas pagãs. era o lugar onde morriam os malditos e.nossa. segundo o livro de Deuteronômio 21:22. foram os judeus. Como o Império da Morte estava em outra dimensão. mas. 18:36. O cristianismo primitivo. que esperava-se a pessoa vir por si mesma e tornar-se um prosélito. os judeus viviam entre os pagãos romanos e até mesmo se adaptavam ao governo de César sem muito problema. e nada disto aconteceu. mas sim o Império da Morte. que Ele teria grandes poderes políticos. no mundo espiritual. e acabamos. não era o de César. 2:14). e isto acabava prejudicando a esfera do material. o que diferenciasse destas duas. não tão diferente como hoje! 260 . além da religião romana. ao contrário do que o próprio Jesus ensinou. como os cristãos. O Império que realmente subjugava a humanidade. era a dos judeus.35). Outra dificuldade de se pregar o Evangelho naquela época. Cristo aniquilou o mal pela raiz. Não façamos da nossa “preguiça” ou “falta de vontade” um estorvo à pregação das Boas Novas do Reino de Deus! Nenhum dos discípulos de Cristo saíram a pregar o Evangelho sem antes serem preparados para tal. Eles achavam. só alcançando os indoutos! É claro que para a pregação do Evangelho. não pesquisamos. no mundo espiritual. Perceba-se que os pregadores primitivos “ia” às pessoas. não crescemos “na Graça e no conhecimento” junto (2ª Pe 3. para os judeus. não estudamos. na verdade. principalmente as práticas religiosas romanas. Hb. Com isto. aderirem a muitas outras crenças paralelas e excluírem as já existentes no Império Romano. o primordial são os valores espirituais. pois. o Cristo nunca teria de passar por esta humilhação. Isto é para que percebamos como o Evangelho também encontrou dificuldades contra o paganismo greco-romano. para eles. era pelo fato de que os judeus sabiam que “o Cristo” havia morrido numa cruz. o cristianismo por sua vez. ao contrário do judaísmo. em muitos lugares. A cruz. ia até as pessoas proclamando as Boas Novas e convidando-as a renunciarem todas as práticas antigas. porém.

que você conhece. Era o famoso: “Nasci nesta religião e vou morrer nela!” Seguiam os ritos. legislativo e territorial do mundo todo e cederia tudo a Israel. Porém. as promessas feitas por Deus aos profetas no Antigo Testamento. administrativo. então. imagine só pregar o Evangelho àqueles que se julgam conhecedores plenos de Deus?! Isto ocorreu com os primeiros cristãos em Roma. simplesmente cultuavam sem inquirirem nada à respeito do que criam. o que estamos esperando? III. Os seus cultos eram apenas um ritual passado de geração-a-geração. Queriam eles resolver um problema terreno e material olvidando o espiritual (Mt. Cultos esses aos quais não prostravam-se diante de imagens ou objetos considerados sagrados. 6:33). Esqueceram-se eles de seus próprios pecados e da necessidade primordial do perdão de Deus para que o “Reino dos Céus” fosse manifesto em sua vida espiritual. não aceitavam de maneira nenhuma a Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas. conseguiam enxergar a verdade sobre Jesus e a Sua Salvação proporcionada na cruz. Não seriam estas as dificuldades básicas de hoje também? Não temos atualmente religiões bem semelhantes às judaicas e às romanas do período da Igreja Primitiva? Não pregaram eles o Evangelho. Fatos estes. mas sim. Um pensamento bem semelhante ao de Hitler quando na época do “Holocausto”! O exclusivismo absoluto foi e é o grande problema do judeu. os que simplesmente seguiam a religião por motivo semelhante aos romanos. uma crença no Deus que havia morrido e ressuscitado. e seguiam apenas para não perderem as tradições. Quantas pessoas hoje. seguem sua religião porque aderiram cegamente a ela? Quantas que não querem ser alertadas. Ninguém queria saber se realmente haviam ou não os deuses aos quais adoravam e serviam. apenas por uma questão de tradicionalismo. Os judeus materialistas esperavam – como ainda hoje – o Messias político. apenas por tradição. e que estava ainda no meio deles por intermédio do Espírito Santo. porém. a toda a criatura? Se o evangelismo “Ontem” e “Hoje” encontra as mesmas dificuldades. Isto tudo era bem diferente do Evangelho. A IGREJA PRIMITIVA E A DE HOJE NA EVANGELIZAÇÃO DOS JUDEUS Se pregar o Evangelho aos desconhecedores de Deus já é difícil. Os cristãos sempre usavam como fato e como prova de que Jesus era o Messias. mas não porque era a verdade. Lá. pois acham que aceitar a Jesus é trocar de “religião”? O pior cego não é aquele que não quer ver? Esta era a situação dos judeus. poucos que realmente buscavam a Deus! Aconteceu que. como também hoje ainda o é. pois eram fanáticos materialistas. 261 . que dominaria todo setor econômico. apesar de tudo isto. os que realmente buscavam a Deus. com seus cultos calorosos e avivados. e mesmo assim eles conseguiram. haviam muitos judeus que ainda seguiam sua religião à risca.O culto greco-romano era realizado apenas por uma questão de cultura.

conseguiram ganhar muitos à Salvação. como já exposto anteriormente. sendo 262 . e provaram isto com passagens como “o bezerro de ouro”. por intermédio de muitas afirmações que diziam não ter respostas. Muitos. e com isto. são ambas as religiões a mesma coisa. A IGREJA PRIMITIVA E A ATUAL NA EVANGELIZAÇÃO DE TODOS OS POVOS EM TODAS AS CULTURAS E RAÇAS O Evangelho tem uma mensagem que alcança todo tipo de coração. etc. O que estamos esperando? IV. Jesus ressuscitou ao terceiro dia. a Vida Eterna. ser superadas na igreja de “Hoje”. Os judeus-cristãos mostravam que todas as promessas cumpriram-se em Jesus. quando chegavam à ressurreição de Cristo. Percebemos na História da Igreja Primitiva que o Evangelho foi bem recebido pelos gentios. 28:18-20). mas como o Vitorioso. vencendo as ânsias da morte (Rm. 1:16. porém. 26:56: Jo. Ele realmente ressuscitara. mas garantiu-nos o Dom gratuito de Deus. para todos os que crerem (Rm. 5:21). onde não houve sequer uma profecia que não foi cumprida Nele. na verdade. Não somente isto levava os judeus da época a se calarem diante da Verdade. “as murmurações no deserto”. porém. de igual modo. mas sim. pois não recebeu o salário do pecado. 6:23). firmando ainda a Sua Igreja para continuar disseminando a Verdade através da pregação do Evangelho a todos os povos (Mt. Disseram até mesmo que Jesus foi uma tolice judaica seguida por pessoas sem escrúpulo e que não raciocinam. disseram que apesar desta briga judaica contra o cristianismo. não como maldito. Se as dificuldades na evangelização dos judeus e das pessoas semelhantes a eles foram superadas pela igreja de “Ontem”. E isto foi mostrado desde os tempos de Jesus até aos nossos dias. também perderam muitos. 1:3) e apareceu a mais de quinhentos irmãos (I Co. pois estes eram comumente considerados como sem valor pelos judeus tradicionais da época. toda a vida de Jesus. Os judeus tentavam argumentar o fato de não ser Jesus o Messias. Porém. 15:3-8). Não entendiam que Jesus não era maldito.que nunca ninguém conseguiu refutar. Os judeus reclamavam também o fato de os cristãos usarem os mesmos livros do judaísmo (a Lei e os Profetas). os cristãos diziam que os judeus não davam o valor correto à Palavra de Deus. Diziam que haviam sido roubados. eram humilhados e sofriam para que outros se alegrassem. tolices não permanecem por tanto tempo sem serem desmentidas. A Palavra de Deus não é de cunho exclusivo e particular. não havia como negar. pelo fato de os judeus não aceitarem a idéia de que Jesus era o Messias tendo morrido numa cruz. Os gentios eram tratados como servos. É aí onde o Evangelho foi de encontro às necessidades deles! Imaginem só um Deus que já havia passado pela situação de servo. que tornou-se maldição por nós (II Co. andou entre seus discípulos por espaço de quarenta dias (At. no decorrer da história. 8:46). Porém. que é a morte. e Jesus permaneceu. mas. como também. e onde não houve pecado algum (Mt.17). podem.

Parece que a grande dificuldade encontrada por eles. como também os contemporâneos. que sofreu para a alegria de muitos. facilitando a aceitação de Jesus Cristo como único e suficiente Salvador. concernente à salvação. Tudo o que tivesse apenas aparência de idolatria era de imediato abandonado por eles. exterminando até mesmo o desejo de servir a Cristo dos que assistiam seus martírios. lutavam principalmente contra a idolatria. Jesus foi anunciado até os confins da terra. Um outro motivo pelo qual o Evangelho era bem aceito. encontraram segurança na mensagem cristã. exigia até mesmo sacrifícios e cultos a ele mesmo. Um exemplo claro quanto a isso foi a perseguição de Nero aos cristãos que não declaravam que o Imperador era “Senhor” (Kyrios no grego). principalmente os que seguiam religiões animistas. passaram a traduzir as Escrituras de forma mais empática. Os mártires cristãos. Mas. a também aceitarem o Grande e Único Deus – Jesus Cristo – por Quem esses homens e mulheres corajosos morriam! Ninguém morreria por uma farsa. mas. se Jesus era Todo-Poderoso e AutoSuficiente contra os ataques dos maus espíritos? Os primeiros cristãos. como também a proclamação do Evangelho. ou em suas cópias. e não através de sacrifícios aos espíritos. César não exigia apenas a proclamação dele como “Senhor”. que conhecia de perto o que eles passavam?! Este era o Deus que precisavam! Antioquia foi o início de tudo. Não a tradução somente das palavras mas principalmente a tradução das idéias. ao que percebe-se. que não eram muito convenientes entre os gentios. O que estamos esperando para sermos diferentes também em nossa época? O cristianismo sempre foi ousado! Sempre se arriscou! E isto fez com que o Reino dos Céus lucrasse. As tribulações que pareciam servir de derrota para a mensagem cristã. que talvez até pensavam alguns que tornariam-se em escândalo para as pessoas da época. Os cristãos primitivos se arriscavam bastante. Isto gerou uma boa recepção do Evangelho entre os intelectuais e os escravos. pensavam. Ali aconteceu a primeira faísca que acendeu a grande fogueira da evangelização mundial. Para que outros deuses ou intermediários. por um deus que não fosse menos do que o Único e Verdadeiro! Isto não aconteceu com os japoneses Kamikazes e 263 . pois a Palavra de Deus nunca volta vazia. foi o medo dos demônios que os gentios tinham. muitos eruditos da época. Os primeiros cristãos consideravam que se chamassem César de “Senhor” estariam tirando o senhorio absoluto de Jesus Cristo! Isto lhes seria abominável! É claro que historicamente falando. foram na verdade usadas por Deus como meio para chamar a atenção de todos os povos ao Evangelho. Com tudo isto. pois traziam sentido estranho quando traduzidas literalmente. enfim. Estes primeiros cristãos sabiam que toda e qualquer semelhança com o mal prejudicaria suas vidas.humilhado. foi apenas a tradução do Evangelho para as línguas dos povos evangelizados. Percebendo que pelo nome de Jesus os demônios eram expulsos. acabaram por incentivar muitos que iam nas arenas para ver sangue e sofrimento por diversão. como mostra-nos historiadores como Eusébio de Cesaréia. graças a Deus. Existiam palavras escritas nos originais. mesmo que olhando para as lutas impostas pelo mundo.

fazendo uso abusivo da palavra “mistério”. sem a real compreensão e conscientização da Verdade. “o Clube do Bolinha”. Jesus não é só uma Luz.nem ocorre com os muçulmanos. não visavam ganhar o povo pela emoção. A pregação do Evangelho era a luz num caminho de trevas. Hoje. mas sim. referindo-se às religiões que pregavam uma fé cega. existem igrejas onde a frase que mais se ouve do púlpito é: “Quem não quiser seguir a nossa cartilha. também devemos trabalhar a compreensão das pessoas quanto ao valor do batismo nas águas. pois sabiam que eles mesmos necessitaram da salvação outorgada por Cristo no Calvário. Os primeiros evangelistas pregavam com a ajuda do Espírito Santo. Não morriam para serem salvos. e quem não consegue tais evidências. A CONVERSÃO NA IGREJA PRIMITIVA E NA ATUAL A conversão foi uma questão difícil de conscientização para os primeiros séculos da Era Cristã. Saber explicar que tal ato não salva. que fazia com que as pessoas aplicassem e compreendessem o Evangelho em suas próprias vidas. como vemos em Marcos 7: Então os fariseus e os mestres da lei perguntaram a Jesus: “Por que os seus 264 . alguns têm como visão primordial na pregação do Evangelho o emocionalismo. Muitas igrejas não são mais o veículo do Evangelho para a salvação das almas. fazendo com que dessem passos no escuro. por favor. a porta da rua é a serventia da casa!” O interessante é que Jesus não ordenou à Sua Igreja seguir cartilhas de homens. Tudo ficava mais difícil ainda de se compreender quando falava-se em batismo nas águas! Alguns pensavam que este ato de batismo era como as iniciações feitas nas religiões de mistério da época. pois os que morriam por Cristo sabiam que não eram eles mesmos quem impetravam sobre si a morte. que é para os salvos é de fundamental importância às nossas igrejas. onde as pessoas seguiam suas crendices sem ao menos terem explicações um pouco mais concretas do “por quê” as seguiam! Diferentemente de tais religiões cegas. A pregação dos nossos primeiros evangelistas não era extremista quanto a questões de costumes. mas Sua Santa Palavra – A Bíblia Sagrada. mas que eram levados ao matadouro para serem oferecidos como oferta com cheiro suave ao Deus que tudo aquilo permitia por causa de seu Plano Eterno da Salvação. mas sim. V. Foi um assunto que levou muitos pensadores a quebrarem a cabeça sobre a natureza dessa exigência. Os filósofos ensinavam que as pessoas não podiam dar “passos no escuro”. e não complica a vida do ouvinte. quem sabe “o Clube da Luluzinha”. mas um Farol aceso nas densas trevas do pecado. Haviam também os que achavam que o batismo tinha um certo poder mágico que capacitava as pessoas a alcançarem a salvação. porque já eram salvos em Cristo Jesus! Não morriam para salvar. infelizmente. se quiserem participar de outro grupo. e não uma porta de mistérios às muitas dúvidas! O Evangelho explica. onde procuram somente evidências pessoais visíveis e materialistas da “presença” de Deus. não muito diferente dos primeiros séculos do cristianismo. façam o favor! Acreditem se quiser. Em nossa época.

Eles não somente pregavam o Evangelho – eles eram o Evangelho. Eles não somente pregavam a mensagem da cruz – eles tomavam cada um a sua cruz.a fé vem por se ouvir a mensagem.. A pregação do Evangelho não estava limitada apenas aos homens.” VI. as iniciações. tanto para os que não conhecem a Cristo.5-9. é a pregação genuína da Palavra de Deus. As Sagradas Escrituras mostra-nos que mulheres valorosas também tomaram parte nessa missão mundial ordenada por Cristo. como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios. como àqueles que já conhecem. Vocês negligenciam os mandamentos de Deus e se apegam às tradições dos homens”. Assim vocês anulam a palavra de Deus. mas pela fé. 2º Deve haver constante evangelização. o batismo é para quem já é salvo. do mesmo modo. pois “. O que salva não são os rituais. ao qual sabemos que não foi justificado por esse ato cerimonial e figurativo.17). Em vão me adoram. mas selo de autenticação da Salvação. o barulho pentecostal.. devido exatamente às conversões erradas. em seu livro “La Comunicación Del Evangelio en el Mundo Actual”. O ENTUSIASMO DOS EVANGELISTAS DE ONTEM E DOS DE HOJE Os evangelistas da Igreja Primitiva usavam um meio muito eficaz na proclamação do Evangelho: seus próprios testemunhos de vida. por meio da tradição que vocês mesmos transmitiram. e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo.. para quem já foi justificado por Cristo Jesus. tomando o lugar da circuncisão outorgada por Deus a Abraão. Sua devoção fazia com que outros se contagiassem e acabassem também se convencendo de que Cristo é real e verdadeiramente ressuscitou! Havia entre eles uma comunhão muito grande. É nascer de novo.” (Rm 10. E Fazem muitas coisas como essa”.13) A conversão é uma mudança total de vida. Os evangelistas do primeiro século pregavam o Evangelho com toda a ousadia. era porque compreenderam e assimilaram Jesus Cristo como o Único e Suficiente Salvador. mas o que leva as pessoas à Salvação. O batismo não é objeto salvador. Muitos pensadores da época da Igreja Primitiva se converteram a Jesus Cristo. Tais conversões não se baseavam no emocionalismo. Quando tais pessoas se convertiam.?” Ele respondeu: “Bem profetizou Isaías acerca de vocês. as profecias. pois todas as coisas eram 265 . coragem e desprendimento material. mas o seu coração está longe de mim. afirma que: “1º A evangelização deve ser tensora – o ponto em que a pessoa se decide por Cristo. E disse-lhes: “Vocês estão sempre encontrando uma boa maneira de pôr de lado os mandamentos de Deus.. a fim de obedecerem às suas tradições!. seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens’.discípulos não vivem de acordo com a tradição dos líderes religiosos. Ninguém naquela época passava necessidades enquanto outros tinham de sobra. pois. (Mc 7.. O autor Jorge A.. o Rock in Roll Gospel. Leon. hipócritas. etc. Não somente pregavam a Jesus Cristo – eram verdadeiros imitadores de Cristo. mesmo que para tal fosse preciso perder a própria vida! A vida dos evangelistas era um grande exemplo de fé.. como também não tinha uma visão materialista.

sal e imitadores de Cristo. somos conhecidos de forma diferente. O Evangelho deve ser uma chama ardendo em nossos corações. Ele está vivo. Quando aquelas mulheres foram ao sepulcro de Jesus. A alegria deles. tentando nos mostrar que cristianismo é somente riquezas e alegrias externas. Quem tinha muito. os primeiros cristãos eram felizes. muitos evangelistas de hoje não ensinam que o “barro” deve ser moldado pelo “Oleiro”. e ainda chamamos a isso de liberdade cristã! Porém. não suportava ver o sofrimento do que nada tinha! Como já ouviu-se em um hino cristão. Não se deixavam vencer facilmente. Acham que Deus está somente nos prazeres da vida. Não ouvia-se de suas bocas nenhum tipo de murmúrio ou reclamação por estarem sofrendo. como se houvesse um tipo de ética cristã individualista. Enquanto os evangelistas da Igreja Primitiva mostravam que somos peregrinos na terra. e o amor às almas a lenha que ajuda esse fogo a queimar! 266 . Além de tudo. e que as demais coisas nos seriam acrescentadas conforme a necessidade real e a vontade de Deus. Atualmente ouvimos pessoas dizendo: “Vejam com se separam!” O caráter dos cristãos daquela época era totalmente modificado. Muitas vezes tentamos encaixar a Palavra de Deus em nossas maneiras mesquinhas e exclusivistas de viver. envoltos em faixas embebidas em azeite ou piche amarrados a um poste pegando fogo. viram que Ele não estava lá. éramos conhecidos pelo amor. Preguemos com a convicção e com o entusiasmo que pregaram os evangelistas da Igreja Primitiva. Diferente de alguns contemporâneos a nós. muitos evangelistas atuais tentam nos convencer de que esta terra é um lugar definitivo e que nossa maior alegria está em tirarmos o maior proveito daqui. mas relembrando o que fez a Igreja Primitiva de positivo.comuns entre eles. onde tudo é imediato. mesmo diante de tais circunstâncias. Se a História da Igreja não nos servir de apoio para a conscientização. Somos livres para servirmos a Deus através da “Ética Absoluta Univérsica” por meio de Sua Palavra. ou em qualquer outro lugar de martírio. onde Deus é a loja e nós os consumidores insatisfeitos. então nunca passará de uma matéria técnica onde guardamos apenas nomes e datas. através de nossas tradições dogmatizadas. Muitas teologias baratas nos são ensinadas por alguns televangelistas. não somos livres para fazer o que quisermos da maneira que queremos. mesmo numa arena cheia de leões famintos querendo devorá-los. da “geração procon”. Não façamos da vida cristã uma monotonia. Nosso Deus não depende do tempo. não é Deus de mortos! O Evangelho deve ser para nós o que foi para os primeiros evangelistas: a razão da estada da Igreja aqui na terra. Enquanto isso. participantes da “geração microondas”. mas infelizmente hoje. isto é. a razão de sermos luz. mas também não significa que Ele seja um Ser “anacrônico”. Muitos até diziam: “Vejam como se amam!”. Não estamos aqui ensinando “primitivismo”. Os evangelistas eram pessoas perseverantes. fazia com que muitos espectadores se convertessem ao Evangelho. Eles sentiam-se lisonjeados quando surrados por causa da fé cristã.

em uma carruagem. casa. mas com as almas. MODOS DE PREGAÇÃO DA IGREJA PRIMITIVA E CONTEMPORÂNEA Os evangelistas da Igreja Primitiva não faziam grandes congressos evangelísticos com temas pré-determinados. não se via Deus prometendo carro.3). mas. Não faziam isto apenas como tarefa. e não almas perdidas para serem ganhas pela pregação do Evangelho. porque “quem profetiza o faz para edificação. O testemunho da Obra Salvadora de Cristo feita em suas vidas também era um meio de evangelização. etc. Quando alguém era usado no dom de profecia. e não para a mera satisfação material.20). Em muitas de suas pregações. e o pior. Não que isto seja errado. Método este bem improvisado. Entristece perceber que hoje alguns preocupam-se só com barulho. Parece que alguns congressos evangelísticos contemporâneos são mais congressos “evangelásticos”. davam lugar também à profecia. Um desses métodos era a evangelização ao ar livre.VII. a pregação teve um valor imensurável na Igreja Primitiva. Este tipo de evangelização era feito em locais onde não eram de uso exclusivo para pregadores. marido. na mesa de uma casa. etc. em uma montanha. evangelizavam através de métodos dados por Deus. dor de cabeça. Escolhiam lugares não evangelizados e levavam a Igreja ao povo. só vai crente. mas sim. mas percebe-se que essas eram totalmente baseadas nas Escrituras Sagradas (Is 8. locais improvisados na hora. passageira e individualista de cada um! Na verdade. o ensino foi um método muito utilizado por eles pois. A profecia tinha em sua essência a vontade salvadora de Deus na vida do ser humano. pela ligação de cada uma das partes. tinham em mente que o Evangelho deveria ser compreendido e não seguido cegamente como se fosse uma religião de mistérios só para “iniciados”. Os primeiros evangelistas da História da Igreja. mas já que seria mais difícil o povo ir à Igreja. na poltrona de um ônibus. esquecendo-se da eficácia regeneradora do Evangelho. encorajamento e consolação dos homens” (1ª Co 14. O evangelismo ao ar livre pode ser improvisado na polpa de um barco. O ensino evangelístico mostra o que Deus quer de cada um e o que quer da sociedade evangélica: um corpo bem ajustado. Era o método evangelístico que mostrava a prova de que 267 . E isto. E para tal. O ensino produz na vida do ser humano a fé e o sustento necessário para que nos tornemos discípulos e discipuladores. boa situação financeira. como algumas igrejas contemporâneas que marcam seus cultos ao ar livre apenas para depois ficarem se gabando de que fazem isto enquanto outras não. A evangelização pelo método do ensino não produz pessoas que sempre necessitarão de alguém para ser uma “muleta espiritual” para fazê-las caminhar. onde o intuito é juntar a maior quantidade de pessoas que puderem. na carteira de uma escola. Apenas lembramos que muitos evangelistas contemporâneos ocupam-se de tais coisas como se o foco principal dos grandes congressos fosse a satisfação pessoal do pregador e a dos crentes que lá estão. por uma mente fértil e preocupada não com a aparência.

em forma de agradecimento. dos cultos que não estavam como eles queriam. e não o marido. Era favor imerecido! Com isto. no sentido que não mudava-se o teor da mensagem quando era passada de pessoa a pessoa. pois o que está escrito não se muda. não reclamavam a vida financeira. percebiam que a Graça de Deus era manifesta em suas vidas. principalmente quando se tratava do cabeça da família. porque lembravam-se das palavras de Cristo dizendo-lhes a que amassem mais a Ele do que a família. o último método utilizado que descreveremos aqui. apesar de muitos outros utilizados pela Igreja Primitiva. até os confins da terra. enviou-lhes Seu Único Filho para morrer pela humanidade. a falta de um meio de transporte para levá-los aos locais de evangelismo. levavam o Evangelho a toda criatura.o que pregavam realmente era verdade. Os crentes de Beréia por exemplo foram evangelizados por tal método. Os amigos e os familiares eram os ouvintes. parece ser “geração de novas vidas na igreja” e não “barulhão” de velhos crentes da igreja. etc. quando era a esposa quem aceitava a Cristo. pois uma única alma tinha um valor extraordinário. que sendo ainda pecadores. Esses evangelistas não se preocupavam somente com a quantidade. Eles sabiam que Deus havia provado Seu amor para com eles. Enfim. e ainda ajuda. este poderia evangelizar o restante da casa. os primeiros evangelistas da Igreja tiveram suas motivações para evangelizar o mundo de sua época. A MOTIVAÇÃO PARA SE PREGAR O EVANGELHO ENTRE OS PRIMEIROS EVANGELISTAS ERAM AS MESMAS DOS DE HOJE? Todas as pessoas têm motivações para fazerem algo! Então. E avivamento. foi o da evangelização literária. Não murmuravam. Parece que mesmo diante de muitas dificuldades. Contudo. O evangelismo pessoal teve destaque nos primórdios da Igreja. Os lares eram pontos estratégicos do evangelismo. A escrita foi um método que muito ajudou. através de seu testemunho pessoal. Quando se ganhava uma alma em um lar. em seu sentido real. incluindo eles! Assim. Quais eram tais motivos? Em primeiro lugar. Mas isto não era um fator impedidor para essas mulheres valorosas. o que importa a alguns é o “movimento” e não o “avivamento”. porém. a resposta seria: “melhor do que mereço”! 268 . E isto de uma maneira bem mais hermenêutica. Hoje. eles eram motivados pelo sentimento de gratidão. ao que parece! Porque não conhecermos mais a Bíblia para podermos fazer como o apóstolo Paulo diante do povo bereano? Qual o valor dado ao estudo minucioso da Palavra de Deus em cursos e seminários pelos nossos atuais evangelistas? Esperamos que a resposta seja positiva! VIII. pois temos o texto ali diante de nós para inquirirmos sobre ele. Felipe e o Eunuco de Candace foram um exemplo disto. se lhes perguntássemos como estavam passando. nem que isto lhes custasse a vida! Eles tinham sentimento agradecido pela salvação até mesmo diante de uma perseguição ou agravos físicos sofridos nesta vida. Um tipo de evangelização diferente da oral. a examinar-se com detalhes o quer-se dizer com a mensagem. normalmente passava por grandes lutas quando este não simpatizava com o Evangelho.

Não se conformavam em saber que seu Imperador. etc. na escola. Assim. Eles sabiam que eram os “atalaias” de Deus. em risco por causa de uma alma. no serviço. não nos acomodamos a ponto de sermos passivos quanto a salvação do próximo? Moisés colocou sua vida em risco por causa de um povo pecador! Não colocamos nem mesmo nosso tempo. Será que muitos de nós. e não conceitos humanos. A nossa História não é uma História Sem Fim. passageiros e exclusivistas. ou mesmo em nossa casa. se o atalaia percebia que um reino inimigo se aproximava. Eles preocupavam-se com o futuro das pessoas. Toquemos a trombeta em Sião! A terceira motivação era o sentimento de preocupação. CONSIDERAÇÕES FINAIS A história deve servir-nos como alerta. não está tão longe de nós! Pode estar em nossa volta. O que aconteceu de bom deve servir-nos como auxílio para a compreensão de nossa tarefa e para que possamos continuar a desenvolvermo-nos na “economia divina”. A função do atalaia era ficar de guarda no ponto mais alto dos muros do reino. Se fosse uma visita cordial de um reino amigo. nosso cargo eclesial. tocava a trombeta no ritmo de guerra para que o povo se preparasse para tal. É uma preocupação que vem pelo fato de sabermos o que o futuro sem Cristo reserva para a humanidade descrente. preguemos a Palavra de Deus. mas não era esta a causa do evangelismo deles – ganhar as pessoas – como se fosse um jogo de quem convence mais. e assim por diante. Não é uma questão de quem tem mais seguidores.A segunda motivação era o sentimento de responsabilidade. O que aconteceu de ruim no passado deve valer-nos como disciplina para não mais errarmos como antes. Vivemos a História promulgada por Deus: a História com começo. Será que não seremos culpados de muito sangue? Não estaria na hora de despertarmos do sono? Não está na hora de pregarmos o Evangelho a todo o mundo? O mundo. mas sim. meio 269 . e não circular como pensa as religiões orientais. seu pai ou mãe iriam para o inferno! Sabiam que isto era um fato. isto é. na rua. às vezes. que é semelhante ao de responsabilidade. com o que se vestiriam ou o que comeriam. o toque da trombeta seria em ritmo amistoso. nosso nome. de qual a maior religião do mundo. Evangelizemos a tempo e fora de tempo. Os evangelistas dos primeiros séculos tinham semelhante responsabilidade concernente à pregação do Evangelho. e não um “conto de fadas”. A História é linear. devemos sempre nos perguntar: como posso melhorar na linha do tempo? Olhando a linha e aprendendo através dela parece ser um bom começo! O evangelismo de “Ontem” pode auxiliar bastante no desenvolvimento e no aprimoramento do evangelismo de “Hoje”. atualmente. uma questão de amor e compaixão pela vida do próximo. seu vizinho. Mas. A preocupação primária deles era com a eternidade do ser humano. Eles choravam com os que choram. nossa vida financeira. Não o futuro temporal. Conforme o toque de sua trombeta o povo se comportava de maneira diferente. seu irmão. Sabiam que se eles não dessem o “sonido da trombeta” ou se este fosse incerto. muitas pessoas seriam dizimadas ao inferno. Por causa disto alguns até acham que os evangelistas da Igreja Primitiva tentavam ganhar as pessoas através do medo quanto a vida após a morte. Por exemplo.

logo após respondido e corrigido o questionário. assim você poderá também receber a sua Credencial de Ministro Aspirante ao Ministério de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.5. Deus nos conclama a participarmos dela com mais responsabilidade. Eusébio de. São Paulo: Exodus. que depois do Estagio se assim o achar apto para o Ministério poderá solicitar a sua ordenação por uma de nossas organizações filiadas no Brasil ou no exterior. Estude com fé depois de ter terminado os seus estudos. História Eclesiástica. 1994. Sem nadas mais graça e Paz da Parte de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo bons estudos. Reverendo Antony Steff Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana Renovada de Nova Vida Presidente da Federação Internacional das Igrejas e Pastores no Brasil ou Fenipe 270 . 1ª ed. Períodos Filosóficos. GREEN. solicite o seu Lindo DIPLOMA de Formatura e a sua Credencial de Seminarista formado. Evangelização na Igreja Primitiva. DOUGLAS. 1997. alcançando media acima de 7. 1995. envie seu questionário com as respostas devidas para o endereço de e-mail: teologiagratis@hotmail. Michael. Série Princípios. D. João da. São Paulo: Vida Nova. Não sejamos meros espectadores da História da Humanidade. São Paulo: Vida Nova. Teologia do Novo Testamento. J.com. se assim quiser. 2ª ed. também poderá solicitar estagio missionário em uma de nossas igrejas no Brasil ou exterior traves da Federação Internacional das Igrejas e Pastores no Brasil ou Fenipe. PENHA. 1989. 3ª ed. 2ª ed. Que o “Ontem” de desperte para “Hoje”. pois devemos nos preocupar com o “Amanhã”! NOTA BIBLIOGRÁFICA CESARÉIA. LADD. São Paulo: Novo Século. Esta apostila tem 270 pagina boa sorte. George Eldon. 1999.e fim. São Paulo: Ática. O Novo Dicionário da Bíblia.

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