Convenio FENIPE e FATEFINA Promoção dos 300.

000 Cursos Grátis Pelo Sistema de Ensino a Distancia – SED CNPJ º 21.221.528/0001-60 Registro Civil das Pessoas Jurídicas nº 333 do Livro A-l das Fls. 173/173 vº, Fundada em 01 de Janeiro de 1980, Registrada em 27 de Outubro de 1984 Presidente Nacional Reverendo Pr. Gilson Aristeu de Oliveira Coordenador Geral Pr. Antony Steff Gilson de Oliveira APOSTILA Nº. 18/300.000 MIL CURSOS GRATIS EM 270 PAGINAS. Apostila 18 Estudando sobre a Igreja CONSAGRADO PARA CUIDAR Parte I O capítulo 8 de Levítico é o cumprimento da ordem dada em Êxodo 29 em relação à consagração dos sacerdotes (cohanim), Arão e seus filhos, dada por Moisés, o libertador e líder do povo de Israel. É um ato de extrema seriedade que descreve, de modo gráfico a responsabilidade dos consagrandos, que eram os guardiães espirituais do povo de Deus. Deste ato distante de nós cerca de 3.300 anos, desejamos extrair lições para o ministro do século 21, tarefa esta do intérprete da Bíblia Sagrada. O Ato de Consagração O ritual é um sacrifício de comunhão com a função especial de consagrar. A cerimônia pode ser dividida em quatro partes: vv. 1-13 Purificação, Vestidura, Unção dos Consagrandos vv. 14-17 Oferta pelo pecado dos Sacerdotes vv. 18-21 Oferta queimada vv. 22-36 Oferta de paz Uma análise da liturgia nos mostra em primeiro lugar o oferecimento de uma oferta pelo pecado, que seria totalmente consumida de acordo com as instruções do capítulo 4 do mesmo livro; e o oferecimento de dois carneiros.

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O primeiro seria oferecido em holocausto, de acordo com o capítulo 1. O segundo, porém tem uma parte especialíssima na cerimônia, razão porque é chamado de "o carneiro da consagração", conforme o verso 22 deste capítulo 8. Lê-se no verso 23 que houve aplicação do seu sangue a algumas partes do corpo dos consagrandos. Este sangue foi usado para trazer Arão e seus filhos a um estado sem igual de santidade. O restante do sangue será jogado ao redor do altar, estabelecendo com este ato um relacionamento especial entre o altar, símbolo do ministério, e os ordenandos, agentes desse ministério. As partes do corpo tocadas pelo sangue são orelha, mão e pé. Esse toque pelo sangue lava-os e dedica-os simbolicamente ao Senhor. Quer também dizer que o ministro de Deus ouvirá e obedecerá, e suas mãos e pés servirão ao Senhor. As lições são extraordinárias: O OUVIR (v. 23) O ministro de Deus há de ouvir corretamente. Referimo-nos à conversação pastoral, chamada por alguns de Clínica Pastoral no gabinete, na visitação ou informalmente. Não a confunda, porém, com aquilo que jocosamente chamam de "papoterapia". Como ministro de Deus e da Igreja de Jesus Cristo, você deve conhecer exatamente o papel que lhe corresponde. Não será um profissional da psicologia, da psicanálise ou das variadas terapias oferecidas à clientela. E, no entanto, seu ministério de ouvir é comparável ao do psicoterapeuta, do conselheiro matrimonial, ou do psicólogo. Muito de seu trabalho tem a ver com ouvir-e-aconselhar. Entretanto, você não receberá honorários pelo aconselhamento, nem fará contrato de trabalho para isso. Você é um ministro de Deus e será procurado não por um paciente ou cliente, mas por uma ovelha sua, ou um semelhante seu que precisa de ajuda. Há quem apenas deseja falar, conversar; dê ouvidos, pois para isso sua orelha foi ungida. Há quem queira injeções de otimismo cristão, de esperança. Há quem tenha sérios sentimentos de culpa, de rejeição. Há quem precise ser confrontado. Uma coisa, porém, é certa: você tem autoridade dada por Deus e pela igreja que o chamou para dar esse conselho, essa exortação ou esse confronto. O ministro de Deus deve ouvir corretamente. Assim, você precisa ouvir o que está por trás das palavras. Palavras ditas, palavras não ditas, e palavras em suspenso. Talvez os lábios digam algo, mas a expressão facial, as mãos, 2

a expressão corporal digam outra. Você precisa "ouvir" corretamente os sentimentos de quem está à sua frente. Na Clínica Pastoral, ouça bastante antes de opinar. Leve a ovelha a falar; viva a situação do outro. Você é chamado a um ministério de simpatia, de carinho, de afeição e de amor. Sobretudo quando você é enérgico! Desde que você começa a ouvir, está fazendo Psicoterapia Pastoral. Isso é afirmado pelo Dr. Wayne Oates, autor ou co-autor de mais de quarenta livros e por muitos anos professor de Aconselhamento Pastoral (Pastoral Care), no The Southern Baptist Theological Seminary em Louisville. Você é visto dentro de um esquema todo especial: há um significado simbólico em você como ministro de Deus. O pastor, por exemplo, é um ponto de referência na igreja para o povo de Deus. Ele simboliza e representa a comunidade cristã, e é agente dessa comunidade de Cristo, de Deus. Há muita esperança quando alguém procura o pastor. Por essa razão, é terrível, medonho mesmo, quando as palavras do pastor são divinas, mas seus hábitos de vida contradizem essa dimensão... Você representa e simboliza muito mais do que você mesmo: você representa o Pai, você leva a palavra de Cristo e o faz sob a direção do Espírito Santo. Quem vai ao seu gabinete espera e deve sair abençoado. Você vai ouvir confissões, vai ouvir palavras de arrependimento. Mas não pressione: ajude no processo de crescimento. O TOCAR (v. 23) O ministro de Deus é ungido na mão para tocar vidas. Estamos nos referindo, então, à influência. Você vai tocar muitas vidas e deve fazê-lo com cuidado e leveza. Use suas mãos para abençoar a criança, o jovem, o adulto, o idoso. E faça-o com carinho. Leve-os à consciência do santo, lembrando ao crente em Jesus Cristo que a rigor, para o povo de Deus, não existem espaços separados, compartimentos estanques entre o secular e o religioso, o sagrado e o profano, pois a vida pública, social, civil do crente em Jesus Cristo há de ser normatizada pelo senso do santo. Leve-os ao senso da providência, à fé, à gratidão, ao arrependimento, à comunhão, à vocação. Você há de tocar vidas; há de xer com as emoções das pessoas: raiva, medo, alegria. Você vai lidar com almas enfermas. São doenças do comportamento, mazelas do espírito, enfermidades psicossomáticas. Você terá um ministério a desempenhar nas crises. Crise é qualquer acontecimento que ameace o bem-estar de uma pessoa, e interfira na sua rotina de vida. O nascimento de uma criança, a morte de um parente, o fim 3

de um casamento, o desemprego, a aposentadoria são crises . Você há de entrar em contato e reduzir a ansiedade, encorajando a pessoa a agir. Lembre-se de que cada situação de crise é única, sem igual. Ou como o povo diz, "Cada caso é um caso". Você há de tocar vidas em diferentes níveis de cuidado pastoral: o Nível da Amizade; o Nível do Conforto; o Nível da Confissão, o Nível do Ensino e o Nível do Aconselhamento e Psicoterapia. Devo estas classificações ao Dr. Oates. Há pessoas aflitas que necessitam de apoio; há aqueles enfrentando a morte que precisam do poder espiritual que o pastor representa; há pessoas com enfermidades crônicas; há deficientes físicos; há famílias com filhos com déficit mental; há os deprimidos e os desapontados com o amor ou outra causa. Todos estes estão no Nível de Conforto. Há o jovem solteiro, os jovens casados, o adulto de meia-idade, a viúva, a mãe solteira, o separado/desquitado/divorciado, o hospitalizado, todos em diferentes níveis do seu cuidado pastoral. O ANDAR (v. 23) O ministro de Deus é ungido no pé para andar santamente. Estamos falando de ética. Para isso, necessária é a ajuda do Espírito Santo. Se você não tem a ajuda do Espírito de Deus para crescer na graça e na maturidade, vai ser difícil entender a Bíblia, impossível aplicá-la às vidas, será um problema conviver com as ovelhas, e terrível dominar atitudes internas. Mais do que nunca, é preciso ser imitador de Cristo. Para sê-lo, porém, é preciso andar no Espírito, andar santamente. E andar santamente exige análise freqüente de nós mesmos, submissão do eu a Deus, e plenitude do Espírito Santo, que é o Seu controle em nossas vidas. Você há de visitar. Irá a muitos lugares e lares. Há dois tipos de visitas: as regulares e as de emergência. Não visite só nas crises: você precisa visitar o seu rebanho em tempos de paz. Seja ético, então, quanto ao que ouve, vê e aconselha. CONCLUSÃO O final da narração de Levítico 8 registra a obediência dos consagrandos, Arão e filhos. Isso nos ensina que consagração é entrega absoluta marcada pela obediência irrestrita às ordens de Deus. Nossa oração é que nosso ministério seja pontuado agora, hoje, sempre pela disciplina, obediência, entrega e consagração total àquele que é o Mestre de nossas vidas, Senhor do nosso futuro, Salvador de nosso ser. A Catedral

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Uma catedral para a honra e a glória de nosso Senhor Jesus Cristo se constrói momento a momento à medida que uma mão se estende e toca outra mão com amor humano, e à medida que um coração responde em amor a outro coração capacitado pelo Espírito Santo para anelar, escutar, elevar e amar-nos uns aos outros. Para que todos, em todo lugar possamos oferecer outros dons que Deus nos tem dado: Integridade nas relações, Alegria e paz na fidelidade, Fortaleza para fazer por meio da igreja, Mais do que pedimos ou imaginamos. Margaret Shannon Parte II LEVANDO A SÉRIO A CEIA DO SENHOR "Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, havendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo que é por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto do meu sangue; Fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha. De modo que qualquer que comer do pão, ou beber do cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim como do pão e beba do cálice. Porque quem come e bebe, come e bebe para sua própria condenação, se não discernir o corpo do Senhor" (1Co 11.23-29). A Ceia Memorial tem sido celebrada num ambiente espiritual, profundo, reverente e cheio de certeza, além do destaque que a Ceia do Senhor nos fala numa linguagem silenciosa porém plena de energia. Temos o pão e o vinho, elementos simples, porém altamente destacados nesta celebração. E nesta simplicidade, ela se torna um meio de comunicação de algumas importantes mensagens para o povo de Deus. Quando levamos a sério a celebração da Ceia do Senhor, usamos de determinadas linguagens: A LINGUAGEM DE COMEMORAÇÃO (v.25)

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é que a Ceia do Senhor é celebrada por Sua Igreja. para acrescentar algum valor maior à salvação.19). O impressionante. a palavra que significa "manifestação de Deus. A outra ordenança é a Ceia do Senhor. quando observamos a Ceia do Senhor. Quando nosso país joga na Copa. "para que pensem novamente em mim. ou vontade de Deus que as palavras assemelhadas fossem usadas pelo escritor sagrado? Para que se manifeste a glória de Deus. precisamos de memoriais para que nos lembremos de quem somos.1. daquilo que somos.Paulo diz isso: "Semelhantemente também. mas pelo Senhor. Estamos dizendo isso quando tomamos o pão nas mãos. em memória de mim". mas já estava com Jesus Cristo no paraíso após a crueldade daquele momento. em Canaã. marcou presença. porque estamos aqui. do Batismo. que é o corpo de Jesus Cristo que sofreu no Calvário. cheio de graça e de verdade". todas as vezes que o beberdes. Então. manifestou-se entre nós". e para que pensemos nEle. dizendo: Este cálice é o novo pacto no meu sangue. porque estamos pregando o Seu sacrifício para a salvação de todo aquele que crê. Estamos pregando a mensagem de livramento de redenção para todo o que crê! Como precisamos de memoriais! Sim. e quando tomamos o cálice. presença divina" é shekinah. São ordenanças sem qualquer benefício acessório para a salvação. Sl 78. ele disse "E o Verbo se fez carne. depois de cear." A presença de Jesus Cristo é algo extraordinário na vida cristã. e somente duas: o Batismo e a Ceia Memorial. Percebam o som do hebraico sh ki nah e do grego s ki nê. os memoriais brasileiros se apresentam por todos os lados: é a bandeira do Brasil sendo desfraldada. e aonde estamos indo. Uma pessoa em sendo salva por Jesus Cristo. dizemos que o sangue de Jesus Cristo foi derramado por nós. e habitou entre nós. Quando João escreveu a narrativa que abre o Evangelho que leva o seu nome. e quem já passou por isso o 6 . não por nós ou pelos outros. Is 18. é que o vocábulo utilizado por João para dizer. As duas palavras têm praticamente o mesmo radical. 22. fosse no deserto. O malfeitor da cruz não precisou se batizar. ou seja. é a palavra grega que diz skinê. Pela inspiração do Espírito de Deus. Aqui. tomou o cálice. fazei isto. apenas uma filigrana lingüística: na língua hebraica. a palavra grega utilizada não é do hebraico: é grega. ou nas grandes batalhas. sempre era celebrada a manifestação da shekinah divina (cf. Jesus Cristo estabeleceu duas ordenanças. Cada vez que a glória do Senhor se manifestava no meio do povo de Israel. E não existe sentimento maior. na verdade não precisa. fazemos algo pelo Senhor.60. a gloriosa presença de Deus no meio do Seu povo. até mesmo a escolha de certas palavras tem o seu lugar na Escritura Sagrada. no entanto. "o Verbo habitou. Coincidência. tem outra origem.

quando tomo a jarra de vinho. eu me emociono. e que pela graça de Deus fui feito Seu filho! Lembro-me. Sim. e diz "Mas. que se reuniu não para o melhor. a data principal da Bahia! Falamos de amor conjugal. como querem pregar as religiões orientais. e se emocionar com o verde-amarelo tremulando nos mastros com outras bandeiras. Não confundamos as coisas: quando falamos de comunhão. não: é patriotismo mesmo! Sim. não estamos falando de encontro sobrenatural. não estamos dizendo que nos unimos a Jesus Cristo através do Nirvana. não. quando nos reunimos seriamente para celebrar este ato memorial. 17-20) Paulo disse: "Nisto. Não há comunhão física. mas ainda hoje tremo quando tenho na minha memória e coração a cena de Jesus Cristo no Calvário. Não é doença. reunia-se para a indignidade. pela lembrança de Cristo na cruz. e o Seu sangue escorrendo pelas mãos. não! A Palavra nos ensina que a Ceia do Senhor é um memorial. lembramos a aliança. porquanto vos 7 . sem dúvida. Quando se ouve o nome de Maria Quitéria. porquanto vos ajuntais. patriótico. Por essa razão. que estar num outro país. e o parto na frente dos irmãos. e derramo um pouco no cálice. Isso se chama filia. mas para pior" (v. de que fico com as mãos trêmulas. Assim. nós não temos tal costume. mas não é comunhãode-cafezinho! Por isso. ao se participar da Ceia do Senhor. e pelo tronco da cruz. não é comunicação com um morto como querem ensinar por aí. precisamos de memoriais. não estamos tendo uma visão.. Nisto. ainda me emociono quando participo da Ceia do Senhor! E cada vez que seguro o pão. Temos que lembrar da nossa indignidade e da beleza do perdão. nem tampouco as igrejas de Deus. Paulo está preocupado. mas a minha cruz! Há uma comunhão entre os crentes na Ceia Memorial. temos o memorial da Ceia do Senhor. místico. não de Cristo. infelizmente. utilizamos a linguagem da comemoração. Com certeza: precisamos de memoriais. logo lembramos do Dois de Julho. se alguém quiser ser contencioso. mas para o pior. A LINGUAGEM DA COMUNHÃO (vv. entre o homem pecador e o Deus perfeito. são 39 anos celebrando a Ceia do Senhor praticamente mês a mês (e houve época quando o fiz duas vezes no mês). se a levamos a sério.. porque me vem à mente que sou indigno pecador. com a igreja de Corinto. mas uma comunhão espiritual. e pela nossa identificação com essa cruz: a minha cruz. pela face. há uma comunhão espiritual pela lembrança de Cristo na cruz. o amor cívico. É isso o exatamente o que faz a Ceia do Senhor: ela nos relembra o dom da vida através da morte de Jesus Cristo. 17). que vou dizer-vos não vos louvo. porém. porém. pela Sua testa.sabe. Aconteceu. não para melhor. que vou dizer-vos não vos louvo. Ao longo destes 39 anos de ministério da palavra e das ordenanças.

Só que há uma diferença muito grande: na Igreja Cristã o pastor não é o sacerdote. 27-29) Quando celebramos a Ceia usamos esse tipo de linguagem. ou beber do cálice do Senhor indignamente. Os levitas funcionavam. entre outros deveres. A igreja estava seccionada por causa de trajes (capítulo 11)?! Havia divisões por causa de uma doutrina (cf. E. e quando celebramos com seriedade a Ceia. e o propósito da Ceia! O que Paulo está enfatizando é a harmonia da Ceia. Estive lendo sobre os levitas e sacerdotes (Números 3 e 4). lei de guerra! O "estranho" não era o pagão. não. como eram as normas no acampamento de Israel no deserto: somente podiam se aproximar dos móveis os sacerdotes. Interessante que a Ceia do Senhor não torna ninguém melhor: ninguém vai sair melhor porque tomou a Ceia do Senhor. mas para pior". "De modo que qualquer que comer do pão. A lei não era fácil: era marcial. por essa razão é dever de cada um solene e seriamente examinarse sobre quais são os seus interesses e propósitos quando se aproxima da Mesa do Senhor. há um paradoxo: o irmão pode sair pior se tomou a Ceia do Senhor indignamente! É o que Paulo diz. nem os levitas que eram os seus auxiliares. e assim coma do pão e beba do cálice". sairemos com a mesma amargura e rancor com que entramos. Havia divisões na igreja de Corinto quanto a questões de doutrina. por isso podemos nos aproximar dos objetos. E depois todos queriam se reunir para "tomar cafezinho"?! A Ceia do Senhor não é para isso. e depois que tudo era embalado. o "povão"! Na Igreja de Cristo fomos todos elevados ao sacerdócio. o homem a si mesmo. pois. Veja bem a seriedade de seus objetivos. no entanto. a unidade da igreja. os sacerdotes entravam. será culpado do corpo e do sangue do Senhor. era o próprio povo de Israel. e ninguém via a forma do objeto. capítulos 12 e 14).10. Quando havia necessidade de desmontar o tabernáculo para se transferirem para outro lugar. etc. como guardas de segurança do tabernáculo. e os outros. com várias camadas de tecidos (e de cores diferentes para mostrar o grau de santidade do objeto). é isso o que estamos proclamando! A LINGUAGEM DA CONSAGRAÇÃO (vv. "será culpado 8 . a qualidade de vida espiritual. embalavam os móveis. porque a tomamos agora. Fiquei arrepiado! Que coisa impressionante a legislação. e se não temos essa impressão profunda.). não para melhor.ajuntais. da Mesa do Senhor! Mas tem uma coisa: se o irmão vier à Mesa do Senhor com as mãos sujas. E sempre é lembrado o seguinte: "e o estranho que se chegar será morto" (Nm 3. A conduta dos irmãos de Corinto destruía o propósito da igreja. os levitas pegavam o pacote e faziam o carregamento nos carros de boi para o transporte pelo deserto. Examine-se.

De modo que qualquer que comer do pão. havendo dado graças. Fazei isto. além do destaque que a Ceia do Senhor nos fala numa linguagem silenciosa porém plena de energia. come e bebe para sua própria condenação. assim. tomou o pão. se não discernir o corpo do Senhor" (1Co 11. pois.do corpo e do sangue do Senhor" (1Co 11. o alvo de nossa vida sempre. Quanto seriedade é exigida dos participantes?! Então. que almejo na Causa de Jesus Cristo? Não é sério? Então. como posso me lembrar dEle? Phillip Henry diz que o crente quando for participar da Ceia deve fazer três perguntas: · Que é que eu sou? Filho de Deus. até que ele venha. minha vida é digna da comunhão com os outros crentes? Permanece a minha aliança com o Deus vivo? Se não conheço a Jesus Cristo. ou manchadas. estou vindo com fé na morte de Jesus Cristo? Vivo diariamente pelo poder da ressurreição de Jesus Cristo? São perguntas que tenho que fazer! É Jesus realmente o alimento da minha alma? Sou eu um dos Seus. será culpado do corpo e do sangue do Senhor.27b)! O irmão não sai melhor. mas pode sair pior do santuário. salvo pelo sangue de Jesus? Lavado pelo Seu sangue? · Que é que eu tenho feito? Minhas mãos estão limpas. A Ceia Memorial tem sido celebrada num ambiente espiritual. Semelhantemente também. 9 . Examine-se. profundo. Meu coração está limpo. depois de cear. e consagração pessoal porque esse é o propósito. em comunhão espiritual porque essa é a realidade que vivemos agora. fazei isto em memória de mim. o homem a si mesmo. Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor. Temos o pão e temos o vinho. na noite em que foi traído. que a Ceia do Senhor não é um funeral (para que cara triste?): a Ceia do Senhor é uma celebração de fé. tomou o cálice. e assim como do pão e beba do cálice. que venhamos à mesa do Senhor em espírito de comemoração porque essa é a linguagem que falamos agora. ou borrado. Porque quem come e bebe. de alegria. dizendo: Este cálice é o novo pacto do meu sangue. em memória de mim. ou beber do cálice do Senhor indignamente. E lembrando.23-29). devemos dar graças a Deus pelo privilégio de termos um diálogo com a Ceia do Senhor. o partiu e disse: Isto é o meu corpo que é por vós. e. sujo? · Que é que eu desejo? Quais os meus sonhos e visões. todas as vezes que o beberdes. de esperança porque nós olhamos para o dia da volta de nosso Senhor Jesus Cristo! Parte III O DIÁLOGO DA CEIA DO SENHOR Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus. o objetivo. e. e sou eu um com os Seus? Estou em harmonia. reverente e cheio de certeza. sobretudo.

Pela inspiração do Espírito de Deus. Aqui. Jesus Cristo estabeleceu duas ordenanças. em memória de mim". Não é preciso. dizemos que o sangue de Jesus Cristo foi derramado por mim e por 10 . não por nós ou pelos outros. Uma pessoa em sendo salva por Jesus Cristo. mas pelo Senhor. Cada vez que a glória do Senhor se manifestava no meio do povo de Israel. fazemos algo pelo Senhor. a palavra que significa "manifestação de Deus. sempre era celebrada a manifestação da shekinah divina (cf. manifestou-se entre nós". a palavra que João utilizou para dizer "o Verbo habitou. Coincidência. 22. e somente duas: o Batismo e a Ceia Memorial. todas as vezes que o beberdes. na verdade não precisa do Batismo para acrescentar algum valor maior à salvação. outra origem. "para que pensem novamente em mim". O malfeitor da cruz não precisou se batizar. ela se torna um meio de comunicação de algumas importantes mensagens para o povo de Deus. e habitou entre nós. é a palavra grega que diz skinê. inclusive lingüística. ou vontade de Deus que as palavras assemelhadas fossem usadas pelo escritor sagrado? Para que se manifeste a glória de Deus. e mandou que a Igreja praticasse o batismo. A LINGUAGEM DE COMEMORAÇÃO (v. marcou presença. e quando tomamos o cálice.60. Quando João escreveu a narrativa que abre o Evangelho que leva o seu nome. em Canaã. ou nas grandes batalhas. ou seja. As duas palavras têm praticamente o mesmo radical. mas já estava com Jesus Cristo no paraíso após aquele momento cruel. apenas uma filigrana lingüística: na língua hebraica. mas o batismo é um ato de obediência: Jesus até foi batizado por João. a palavra grega utilizada nada tem a ver com o hebraico: é outra língua.elementos simples e destacados nesta celebração. e para que pensemos nEle. cheio de graça e de verdade". presença divina" é shekinah. fazei isto. dizendo: Este cálice é o novo pacto no meu sangue. é que a Ceia do Senhor é celebrada por Sua Igreja. até mesmo a escolha de certas palavras tem o seu lugar na Escritura Sagrada. ele disse "E o Verbo se fez carne. É extraordinária a presença de Jesus Cristo na vida cristã. a gloriosa presença de Deus no meio do Seu povo. Percebam o som do hebraico sh ki nah e do grego s ki nê. quando observamos a Ceia do Senhor.1. tomou o cálice. Estamos dizendo isso quando tomamos o pão nas mãos. Is 18.19). Sl 78. depois de cear. que é o corpo de Jesus Cristo que sofreu no Calvário.25) Paulo diz isso: "Semelhantemente também. Então. São ordenanças sem qualquer benefício acessório para a salvação. E nesta simplicidade. fosse no deserto. Pois bem. não tem a mesma categoria. A outra ordenança é a Ceia do Senhor. porque estamos pregando a Sua morte para a salvação de todo aquele que crê. o que fazemos como testemunho público do que Jesus Cristo fez na nossa vida.

reunirem-se os nossos irmãos para atos indignos! Não confundamos as coisas: quando falamos de comunhão. o amor cívico. sem dúvida. por nós. Estamos pregando a mensagem de livramento de redenção para todo o que crê! Como precisamos de memoriais! Sim. O Novo Testamento nos ensina que a Ceia do Senhor é um memorial. Quando se ouve o nome de Maria Quitéria. Que coisa triste. Sim. Temos que lembrar da nossa indignidade e da beleza do perdão. logo lembramos do Dois de Julho. quando nos reunimos para a Ceia. não. 17-20) Paulo disse: "Nisto. temos o memorial da Ceia do Senhor. não estamos dizendo que nos unimos a Jesus Cristo através do Nirvana. respectivamente. os memoriais brasileiros se apresentam por todos os lados: é a bandeira do Brasil sendo desfraldada. místico. e as suas substâncias tornam-se. entre o homem pecador e o Deus perfeito. A LINGUAGEM DA COMUNHÃO (vv. Isso se chama filia. não! É por esses erros todos que doutrinas estranhas surgiram ao longo da história da Igreja Cristã. Assim. Isso aconteceu.você. precisamos de memoriais. Quando nosso país joga na Copa. 17). patriótico. precisamos de memoriais. e se emocionar com o verde-amarelo tremulando nos mastros com outras bandeiras. 11 . mas uma comunhão espiritual. ao se participar da Ceia do Senhor. ensinando que no momento em que são pronunciadas as palavras de instituição ("isso é o meu corpo" e "isso é o meu sangue") que tanto o pão quanto o vinho mudam a sua substância. não estamos falando de encontro sobrenatural. a da carne e do sangue de Jesus Cristo! O Senhor tenha piedade! Isso não se encontra na Escritura?! A comunhão com Cristo não necessita que a substância desses elementos materiais seja mudada. infelizmente. ela utiliza a linguagem da comemoração. a data principal da Bahia! Falamos de amor conjugal. Por essa razão. E não existe sentimento maior que estar em outro país. É isso o exatamente o que faz a Ceia do Senhor: ela nos relembra o dom da vida através da morte de Jesus Cristo. pela lembrança de Cristo na cruz. como querem pregar orientais. que se reunia para a indignidade. lembramos a aliança. e aonde estamos indo. porquanto vos ajuntais. daquilo que somos. não para melhor. que vou dizer-vos não vos louvo. com a igreja de Corinto. Sem dúvida. Não há comunhão física. porque estamos aqui. não estamos tendo uma visão. porém. não é comunicação com um morto como querem ensinar por aí. precisamos de memoriais para que nos lembremos de quem somos. Como a transubstanciação. mas para pior" (v.

capítulos 12 e 14). não! Porque tomamos agora. e assim coma do pão e beba do cálice". quando tomo esta jarra de vinho. a qualidade de vida espiritual. Interessante que a Ceia do Senhor não torna ninguém melhor. há uma comunhão espiritual pela lembrança de Cristo na cruz. Você participou da Ceia só porque os outros iam ver. nós não temos tal costume. nem tampouco as igrejas de Deus. é isso o que estamos dizendo! A LINGUAGEM DA CONSAGRAÇÃO (vv. Na verdade. porém. 27-29) Quando celebramos a Ceia usamos essa linguagem.. Sim. não para melhor.Ao longo destes quase quarenta anos de ministério da palavra e das ordenanças. e que pela graça de Deus fui feito Seu filho! Lembro-me. Terrível! Havia divisões na igreja de Corinto quanto a questões de doutrina. E agora o paradoxo: o irmão pode sair pior se tomou a Ceia do Senhor indignamente! É o que Paulo diz. ou beber do cálice do Senhor indignamente. será culpado do corpo e do sangue do Senhor. e derramo um pouco no cálice. pois. e se não temos essa impressão profunda. porque a Ceia do Senhor não é isso! Por isso. porque me vem à mente que sou indigno pecador. e diz "Mas. mas a minha cruz! Há uma comunhão entre os crentes.. e pela nossa identificação com essa cruz: a minha cruz. Examine-se. se alguém quiser ser contencioso. e o propósito da Ceia! O que Paulo está enfatizando aqui é a harmonia da Ceia. Fiquei arrepiado! Que coisa impressionante a legislação. tenho me emocionado sempre que participo da Ceia Memorial! E cada vez que seguro a côdea de pão. e o Seu sangue escorrendo pelas mãos. sairemos de novo com a mesma raiva e amargura do nosso irmão em Jesus Cristo! A conduta dos irmãos de Corinto destruía o propósito da igreja. porquanto vos ajuntais. o homem a si mesmo. A igreja estava dividida por causa de uma doutrina (cf. e o parto na frente dos participantes. fico com as mãos trêmulas ainda. como eram as 12 . Nisto. mas não é comunhão-de-cafezinho. eu me emociono. mas ainda hoje tremo quando tenho na minha mente e coração a cena de Jesus Cristo no Calvário. e você ia ficar com vergonha se ficasse sentado e não participasse? Quais são seus propósitos quando se aproxima da Mesa do Senhor? Estive lendo sobre a congregação dos levitas e sacerdotes (Números 3 e 4). pela face. ninguém vai sair melhor porque tomou a Ceia do Senhor. que vou dizer-vos não vos louvo. não de Cristo. "De modo que qualquer que comer do pão. é a unidade da igreja. Paulo está preocupado. pela Sua testa. e pelo tronco da cruz. havia divisões por causa de trajes (capítulo 11)?! E depois todos queriam se reunir para "tomar cafezinho"?! A Ceia do Senhor não é para isso. e quando celebramos a Ceia. por essa razão é dever de cada um solene e seriamente examinar-se sobre quais são os seus interesses em Jesus Cristo. mas para pior". são 39 anos celebrando a Ceia do Senhor praticamente mês a mês (e houve época quando o fiz duas vezes no mês).

ou borrado.10. E lembrando. Os levitas funcionavam. etc. e depois que tudo era embalado. como posso me lembrar dEle? Por isso que Phillip Henry diz que o crente quando for participar da Ceia deve fazer três perguntas: · Que é que eu sou? Filho de Deus. o alvo de nossa vida sempre. que venhamos à mesa do Senhor em espírito de comemoração porque essa é a linguagem que falamos agora. sujo? · Que é que eu desejo? Quais os meus sonhos e visões. que a Ceia do Senhor não é um funeral (para que cara triste?): a Ceia do Senhor é uma celebração de fé. E sempre é lembrado o seguinte: "e o estranho que se chegar será morto" (Nm 3. nem os levitas quer eram os seus auxiliares. e os outros. por isso podemos nos aproximar dos objetos. estou vindo com fé na morte de Jesus Cristo? Vivo diariamente pelo poder da ressurreição de Jesus Cristo? São perguntas que tenho que fazer! É Jesus realmente o alimento da minha alma? Sou eu um dos Seus.). como guardas de segurança do tabernáculo. mas pode sair pior do santuário. Quando havia necessidade de desmontar o tabernáculo para ir para outro lugar.normas no acampamento de Israel no deserto: somente podiam se aproximar dos móveis os sacerdotes. ou manchadas. entre outros deveres. A lei não era fácil: era marcial. o objetivo. e consagração pessoal porque esse é o propósito. que almejo na Causa de Jesus Cristo? Então. salvo pelo sangue de Jesus? Lavado pelo Seu sangue? · Que é que eu tenho feito? Minhas mãos estão limpas. e. era o próprio povo de Israel. Então. sobretudo. em comunhão espiritual porque essa é a realidade que vivemos agora. embalavam os móveis. e sou eu um com os Seus? Estou em harmonia. Só que há uma diferença muito grande: na Igreja Cristã o pastor não é o sacerdote. os sacerdotes entravam. "será culpado do corpo e do sangue do Senhor" (1Co 11. Meu coração está limpo. minha vida é digna da comunhão com os outros crentes? Permanece a minha aliança com o Deus vivo? Se não conheço a Jesus Cristo. com várias camadas de tecidos (e de cores diferentes para mostrar o grau de santidade do objeto).27b)! O irmão não sai melhor. os levitas pegavam o pacote e faziam o carregamento nos carros de boi para o transporte pelo deserto. lei de guerra! O "estranho" não era o pagão. e ninguém via a forma do objeto. devemos dar graças a Deus pelo privilégio de termos um diálogo com a Ceia do Senhor. de esperança porque nós olhamos para aquele dia! Que o Senhor nos ajude e abençoe! Patte IV VESTIMENTA NA IGREJA 13 . de alegria. da Mesa do Senhor! Mas tem uma coisa: se o irmão vier à Mesa do Senhor com as mãos sujas. o "povão"! Na Igreja de Cristo fomos todos elevados ao sacerdócio. assim. não.

do tropicalismo. da Rede Globo.. Tais vestimentas são precursoras de muitas outras medidas adotadas por Deus. Chegou para ficar e se estabelecer como referencial de comportamento cristão. ou seja. parece que estão ilhadas. para asseverar a minha convicção espiritual em relação a vestimenta do cristão verdadeiro. Apenas desejamos apresentar aos irmãos textos bíblicos que devem nortear a nossa experiência de fé e de vida cristã. de antiquado ou de autoritário.Gênesis 3. relacionadas a moral e aos bons costumes. cercadas de pessoas nuas por todos os lados. 14 . Há algum tempo temos alertado a igreja sobre esta questão. visando o bem-estar físico. A primeira roupa . pois creio que na igreja de Jesus Cristo não deve existir a preocupação exagerada com a moda. O trágico é reconhecer que esta nudez desenfreada chegou à igreja. permanecendo fiel a Cristo e a convicção ministerial que temos de que a igreja brasileira necessita urgentemente experimentar um avivamento de santidade. o que é absurdo.. mas parece que não temos sido bem-sucedido nestes alertas.21: Vemos que o primeiro a apresentar a preocupação com a vestimenta do ser humano foi o próprio Deus. Há uma monumental investida contra a moralidade do ser humano. Não importa a razão. bem como no combate de toda a sorte de malignidade que tenta corromper os parâmetros de Deus para a santidade do cristão. pretendemos persistir no combate desta maldição. as pessoas estão cada vez mais nuas. Inicialmente. tem recato". mas sim com o recato e o decoro que devem ser peculiares aos santos.Introdução: "Nesta casa não tem moda. causando transformações radicais em nossas mentes. transformações essas que nos atribuam redobrada autoridade espiritual e testemunhal diante desta geração corrompida e perversa em que vivemos. Medidas que se tornaram necessárias por causa da corrupção imposta pelo pecado à natureza humana. em nome de Jesus. que se reflete na vestimenta. dos regionalismos ou da libertinagem e do hedonismo peculiar a pós-modernidade. social e espiritual da humanidade. Vejamos no Texto Sagrado alguns ensinamentos bem objetivos sobre a vestimenta do povo de Deus. 1. da liberação feminina. da quebra dos paradigmas. razão pela qual decidimos tratar francamente deste assunto com toda a igreja. Seja em nome da moda. Porém. Aquelas que insistem em se vestir bem e com decoro. de retrógrado. vejamos algo sobre. mesmo sob a pecha de radical. Faço minhas as palavras da personagem de Tarcísio Meira na série Um só Coração. Não pretendemos desenvolver um tratado teológico sobre o tema e nem desejamos agir com rigorismo em termos de usos e costumes.

roupa que cobre tudo o que deve ser preservado e que indica parâmetros de moralidade e de respeito entre serem humanos. Se a sua mente tenta justificar a não aplicação deste texto em sua vida. para o sacerdote na ministração do culto e da adoração. puras e santificadas. destacando a preocupação de Deus até com os calções. com o rasgar do véu no templo. Apocalipse 1. que instiga e explora a sensualidade. O princípio que se encerra neste contexto bíblico é o de que as vestimentas que usamos no ato de culto devem ser limpas. devo ressaltar que a Palavra de Deus assevera que. verso 42.9. visto que nos aproximaremos de Deus. Em segundo lugar. Mas depois do pecado. roupas de gala. que é santíssimo.Nos versos 10 e 11 de Gênesis 3 o homem alega medo de Deus devido a sua nudez.6 e 1 Pedro 2. Deus não expulsou o homem do Éden nu. É reconhecimento do caráter divino e da santidade do Deus objeto da adoração. a nudez passou a ser motivo de medo. com a roupa íntima do sacerdote. para a desonra. a partir do sacrifício de Jesus.. verso 21. Desta referência concluímos que estar na presença de Deus consciente da nudez imoral é afronta contra o Senhor.Êxodo 28. Pior ainda é a seminudez. que fazem referência aos paramentos e assessórios sacerdotais. Ou seja.1-4: Neste texto Deus exige roupas especiais. Podemos verificar também os versos 31-35 e 39-43 de Êxodo 28. As roupas para a adoração . A glória de Deus manifesta é símbolo real e indiscutível da presença de Deus no culto ministrado diante dele e para ele. Deus fez túnicas de peles. ou seja. 2. 15 . em pecado. uma vez quebrada a imagem e semelhança moral de Deus no homem. da quebra de um padrão estabelecido por Deus. O conceito básico que estabelece os parâmetros da vestimenta sacerdotal é o de que as roupas são como referencial de apresentação diante da glória de Deus e para a glória do Deus que é adorado. Devemos observar que mesmo sob maldição. Deus exige roupas especiais para o ato de culto verdadeiro. Por esta razão.. vejamos algo sobre. todos fomos feitos sacerdotes para Deus. provocando pensamentos impuros e constrangimentos ao desnudo. Adoração é ato de culto. A nudez neste contexto representa a consciência da corrupção. O homem foi criado em santidade e a nudez não lhe causava constrangimento diante do Criador. É pecado.

curado e salvo. roupas de festa. o seu coração ainda era obstinado e Deus conduziu o profeta para que. bem como durante os cultos. Não podemos estar na Casa de Deus com vestimentas que não sejam expressão da nossa busca de santidade.. eram roupas especiais. nem modismo. Roupas como sinal de reverência . com aplicações em ouro. Devemos ter a consciência de que estamos diante do próprio Deus e que. Pensando ainda em roupas para a adoração. amados. com aquela atitude. 3. por 16 . Desta maravilhosa narrativa bíblica fica para nós a seguinte lição: não é molambo. quando nos apresentamos diante do Senhor para prestar-lhe culto. Vejamos em seguida algo sobre.1-6: Reverência tem a ver com a postura resultante da conscientização a que chegamos em relação ao valor do outro. a luz do contexto geral da Bíblia. a tomarem cuidado com os seus trajes quando estiverem em uma situação que saibam que estarão diante de Deus. levou roupas finas e luxuosas. humilhado. prata e cravejadas de pedras preciosas.14. nem roupas indecorosas ou falta de roupa que se deve levar para a presença do Senhor ou do servo de Deus. Afinal. que o representa na ministração para as nossas vidas. uma experiência íntima com ele. Ficou frustrado e aborrecido ao se sentir desprezado pelo profeta. trajados com decência. Somos os sacerdotes consagrados por ele e para ele. que é o que nos habilita a estarmos diante do Senhor em adoração. nem trapo velho encardido.indicando que o cuidado de Deus vai além da roupa aparente. Naamã. Naamã fosse quebrantado. em sua idéia mais remota. Vale ressaltar que o Texto Sagrado alerta até mesmo aqueles que não são servos de Deus e que não têm. Este texto mostra que Naamã ao se dirigir ao servo de Deus.2 Reis 5. embora traduzidas como "esplendor do seu santuário" ou "esplendor da sua santidade". devemos observar ainda os ensinos de Salmos 29. bem como pelo fato de o profeta não aceitar os seus presentes. por isso. o grande general. Este gesto de Naamã aponta para o reconhecimento da superioridade do profeta em relação a ele e para o reconhecimento da soberania de Deus em relação a sua vida e circunstância. ou seja. é que Deus requer decência de cada um de nós. ou ainda. Porém.. que devemos estar bem vestidos. desejando causar boa impressão e agrada-lo. não entendia bem tudo o que estava acontecendo. como "beleza da sua santidade".9. Hebreus 12. A realidade. Deus requer moralidade na adoração e na ministração dos cultos. indicam.2 e 96. As afirmações destes versos.

.9-10: Estes versos falam em trajes decorosos e sem luxúria como a vestimenta ideal para o servo de Deus. bem como da restituição do nosso direito espiritual como herdeiros de Deus em Cristo. em especial o verso 8. 5. roupas novas. Quando nos convertemos Deus nos honra e nos dá novas vestes. 17 . Mais uma vez a sua mente. principalmente a dos homens. como que deserdadas por causa do pecado. Os farrapos de uma vida dissoluta e distanciada de Deus e dos parâmetros da moralidade devem ser jogados fora e trocados por vestimentas novas. A condição de coitado. Apocalipse 3. Por fim.1 Timóteo 2. pode estar tentando se justificar dizendo que o ensinamento paulino não se aplica a você.14-22. sapatos e um anel.. Isso não é verdade. devemos estar bem trajados. limpas e decentes. O parâmetro de Deus para a vestimenta do cristão .Lucas 15. o Deus que está pronto a nos quebrantar.isso. O que comprova isso é o contexto geral do capítulo. que exige dos homens um alto padrão de santidade para a oração. mesmo que com roupas humildes e simples. vestes espirituais. indica a transformação de vida que o jovem experimentara. a nos curar e ministrar salvação. levando o melhor possível. "a melhor roupa". A entrega de roupas novas para o filho.. e não para os filhos que vivem em perfeita comunhão com o Pai. Em Jesus não somos mais pessoas separadas de Deus. Estas roupas novas simbolizam o perdão que nos foi outorgado. em especial osversos 16-18. desnudados ou vestidos de maneira indecorosa. A exigência de decoro e de moralidade na vestimenta é para mulheres e homens ao mesmo tempo. em seu retorno. Em Cristo nos tornamos pessoas especiais.. mostrando que reconhecemos a superioridade e a soberania de Deus. que simbolizam a nossa restauração e a retomada da nossa condição de filhos. mas com decência e decoro. Vamos nos ater as roupas. Vejamos ainda algo sobre. 4. Roupas como sinal de restauração . miserável e nu é para aqueles que serão vomitados pelo Senhor devido a mornidão espiritual. não podemos mais permanecer maltrapilhos.21-22: Neste texto identificamos duas questões importantes: O filho reconhecendo o seu estado e admitindo a perda da condição de filho e o pai amoroso dando ao filho pródigo. vejamos algo sobre. tendo regatado a nossa posição espiritual como filhos de Deus. servindo também como prova da nossa aceitação na casa do Pai.

que é agora santificado pela ação do Espírito Santo que em nós habita. que eram as mesmas vestes que usavam aqui na terra. em nosso caráter. O termo traduzido por "traje decoroso". por certo. bem como o nosso senso de preservação da nossa integridade moral. que descreve o fato de termos as roupas sempre à mão como sinal de preparo espiritual para o encontro com Jesus. Luxúria é comportamento desregrado em relação a sexualidade. Paulo usa o termo para fazer referência também a moralidade sexual que nos é exigida por Deus e que deve se refletir em nossas roupas. ou seja. de valor e de discreta beleza usadas por Jesus. Lembre-se. A maneira como nos vestimos ressaltam o valor moral que atribuímos ao nosso corpo diante de Deus. Ou seja. no que diz respeito a nossa vestimenta.23-24. É licenciosidade moral que denota a lascívia. ou roupa decorosa. imorais. Se nos vestimos com decoro. utilizado por Paulo. Se nos vestimos com luxúria as pessoas poderão imaginar que somos licenciosos.15. que é pecado. e a concupiscência. falarão mais alto do que as suas palavras em meio ao burburinho esganiçado da promiscuidade na qual chafurda a nossa sociedade. Deus exige de nós um comportamento recatado através do qual as pessoas percebam que estamos libertos do desejo de pecar e que fomos restaurados em nossa moralidade. A nossa roupa pode refletir o nosso caráter. Conclusão: Outros textos poderíamos estudar sobre o tema. pois não haverá tempo para trocar de roupa antes de entramos no céu. que refletem lascívia e libertinagem imoral. Está relacionado com a postura que adotamos para a vida. que é o desejo de pecar. O que vestimos mostra o que esperamos que as pessoas pensem de nós em relação a maneira como tratamos a nossa sexualidade.9-17.Decoro é recato no comportamento e decência no vestir. Em contrapartida. Roupas sobrecarregadas de luxúria e de sensualidade. Isso é verdade desde que não haja falsidade em nossos corações A escolha não é muito difícil. e Apocalipse 16. A luxúria se contrapõe acirradamente ao decoro. do indivíduo. por certo as pessoas perceberão que nós nos honramos e que lutamos para nos preservar em santidade diante de Deus. 18 . mas creio que já vimos o bastante para estabelecermos parâmetros éticos para a nossa igreja. que fala da roupa dos mártires na glória. suas roupas. que reflete a sua compostura moral e espiritual. no original. O jeito como nos vestimos reflete a nossa consciência moral em termos de sexualidade. Deus exige dos seus filhos uma vestimenta decorosa e isenta de qualquer sintoma de luxúria. Apocalipse 7. tais como João 19. que falam das roupas de boa qualidade. ultrapassa a idéia de vestuário simplesmente. Nossas roupas indicam se temos maus ou bons costumes morais.

como já dissemos neste estudo. sem relativizações éticas e sem a tentativa de se fazer a vontade humana. Não só na igreja. Não nos preocupa nem mesmo o fato de você pensar que este assunto não deveria ser tratado na igreja. para declamar. nossa oração é para Deus. pois em diversas ocasiões manifestamos nossa posição bíblica sobre a questão da vestimenta do cristão. É Palavra de Deus. "Já até sei qual vai ser o resultado disso". e nem decotes meia-taça que 19 . desigual e agonizante como percebemos a nossa. a gravidez na adolescência. Não importa. promiscuidade. bem como para se subir na plataforma para ministrar o louvor. visto que. não se deve permitido blusas de alças (aquelas blusas que só tem as alcinhas e mais nada). tomara que caia (que para os mais afoitos devia chamar "pena que não caiu"). devem ser estabelecidas algumas regras bíblicas em relação a vestimenta que se usará para a participação e para ministração nos cultos. Este estudo apresenta o evangelho que é a luta por se fazer a vontade de Deus. para qualquer coisa.. como decorrência. é também evangelístico. de hoje em diante.. Seria uma bênção se estas normas fossem aplicadas pelos irmãos e irmãs de modo geral. a banalização do adultério. famílias destroçadas. mas em casa. na escola. no cóxi ou no "rego". O resultado da imoralidade no vestir é uma sociedade corrompida. visto que imoralidade. vamos ao objetivo deste estudo que não é nada que a igreja já não saiba. Será mesmo que não temos razões que justificam estudar este tema? Vale ressaltar ainda que este estudo. não podemos fazer o papel do Espírito Santo no convencimento das pessoas. o culto ou qualquer outra participação. lascívia. em fim. Se você procura outro evangelho que não o de Jesus Cristo. O resultado dessas estratégias diabólicas tem sido a violência sexual contra as crianças. embora de cunho ético. para cantar.Talvez você esteja se perguntando: Onde se pretende chegar com este estudo? Ou quem sabe você esta ruminando com os seus botões. toque em nossas mentes e corações a fim de que mudemos radicalmente a maneira de nos vestirmos. Uma vez realizado o estudo. exploração da sensualidade na vestimenta e o cinicamente chamado nu artístico são ações maléficas do diabo contra a natureza humana e a sociedade. a aceitação parcimoniosa do divórcio e. É Bíblia. Por isso. Mas devemos tratar destas questões na igreja sim. Pois apresenta o evangelho verdadeiro. bateu no estudo errado. pelo Espírito Santo. sem ajustes humanos. na igreja. pois o pastor não deve se dar ao trabalho de vigiar ninguém. Não é o pastor que manda. Deus há de restaurar e transformar a consciência de cada um. ao estar na frente para ministrar o culto. no trabalho. Porém. em todo o lugar onde estivermos e no nosso cotidiano. Lógico que cabe ao pastor a ministração da Palavra e a supervisão quanto a obediência aos ensinamentos do Senhor. que nos quer santos para ele e santificadores pelo testemunho cristão autêntico. decote umbilical. a prostituição desenfreada. como pastores. Por fim. no que diz respeito a utilização do púlpito. A igreja de Cristo não é o seu lugar.

ficamos com a Bíblia. Seria maravilhoso se num domingo fizéssemos esta fogueira para queimar as roupas das quais o Senhor nos libertou depois de termos estudado a Palavra. Haja unção para olhar e não pecar. Não importa. por que estas não são roupas adequadas para se estar na frente da congregação. Entre a perversão do modismo e as Escrituras. Esperamos no Senhor que este estudo seja suficiente para uma tomada de posição nossa como igreja de Cristo no Brasil. e nem com uma calça comprida atarracada no corpo. aos críticos. ficamos com a Bíblia. e que estamos devidamente vestidos para a adoração e em profunda e sincera reverência a Deus. Mesmo que isso nos imponha a impopularidade. entre a frouxidão moral e Palavra de Deus. Seja para dirigir programa. no que diz respeito a vestimenta. mesmo que para isso tenhamos que fazer uma "fogueira santa" com as roupas que usávamos até sermos exortados na Palavra de Deus. não se deve permitir mais uma vestimenta indecorosa. diante de Deus. Somos nós que compramos as roupas dos nossos filhos. Entre a relativização ética e o Texto Sagrado. ou mesmo roupas esculachadas. fazendo a sua vontade. Não se deve ir para a igreja com calça de cós baixo (daqueles que ficam no púbis) sem uma blusa ou camiseta que cubra os quadris.. ficamos com a Palavra de Deus. Seja para apresentar visitantes. Porém. Vamos assumir a nossa responsabilidade e corrigir a nossa conduta moral. cantar em conjunto ou pregar. Não precisaríamos ouvir críticas ou cobranças por causa de vestimenta. vestidos curtos (daqueles que vão só até a cabeça do fêmur) ou transparentes e translúcidos. em nome de Jesus. Isto por quê? Porque fomos restaurados por Deus da nossa natureza pecaminosa e porque estamos dispostos a obedecer ao Senhor. fazer anúncios. admitimos que eles comprem ou que usem. cantar. 20 . Diante da igreja. Diante de Deus e da congregação devemos estar bem trajados. modismos exagerados e imorais. para ministrar o culto ou o louvor. muito obrigado. Não mais se deve permitir o uso de mini-saia. Quanto às críticas ao autor e ao estudo.projetam os seios para os olhos incautos dos homens ávidos por aconchego ou mesmo dos desavisados. Com roupas deste tipo não se deve participar da ministração. micro-saia. Somos nós e os nossos filhos que nos vestimos indevidamente. demonstrando que não temos mais os temores do pecado quanto a nossa nudez. tocar. o estigma de radical ou a renúncia do pastorado.. na genitália ou no traseiro. expressa na Bíblia Sagrada. para ministrar na presença de Deus. que não condizem com o padrão de Deus para a vestimenta do salvo e nem com o testemunho cristão. Se não compramos.

Na verdade. confessamos nossos pecados em conjunto. edificante experiência de ver o povo de Deus chegando cada manhã ao templo é uma alegria dominicalmente renovada. Adorar.. É o que diz a nota de explicação do Salmo 122 com a expressão “cântico de degraus” (“gradual” ou “de romagem”.15). “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor!” (cf. a fim de darem graças ao nome do Senhor” (Sl 122.aonde sobem as tribos. O crente troca a independência. porém. e cantando à medida que iam se aproximando dos portões da Cidade Santa. v. como testemunho para Israel. submissão e pedido de socorro. cultuar é confessar que se mantém um relacionamento com o Criador. e vem hoje ao templo. o crente deve dar é unir-se ao povo de Deus na instituição que Ele estabeleceu para o propósito de lhe trazer crescimento: a igreja local. No dizer de Paulo. e saímos para servir com um só propósito embora em situações e contextos distintos. Cantar. Há. imaginar as multidões indo à Beth haMikdash (Templo) em Jerusalém. para que. o louvor é a nossa resposta ao amor de Deus. a auto-suficiência. mesmo." Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor” (Sl 122. pelo Deus Filho e por Deus Espírito Santo. no entanto. com que objetivo? A Casa de Deus É lugar de adoração. o passo mais importante que o novo crente. das mãos. seitas e (até) cristãos bíblicos”. há pessoas de diferentes origens. após a salvação.1) A tocante. inspiradora. no caso de eu tardar. apóstolo: “Escrevo-te estas coisas. Tozer: “Deus salva os homens para fazê-los adoradores. Porém. a qual é a igreja do Deus vivo. No culto comunitário. é se deixar inflamar pelo Deus Pai. que ser assim. raças e 21 . visto que. fato esquecido hoje em dia por liberais. Está na Palavra Santa: “. saibas como se deve proceder na casa de Deus. Parte V “ALEFREI-ME QUANDO ME DISSERAM... meditar. orar. não poderemos trabalhar aceitável e adequadamente pelo reino de Deus. Podemos. embora esperando ir ver-te em breve.4) Jesus Cristo ensina que o Senhor busca adoradores (Jô 4. dos lábios que se renderam ao Criador. 4). louvamos a Deus em conjunto.14. crentes com espírito de louvor.. as tribos do Senhor.Amém. ou como bem o expressou A. tudo leva à adoração. pela entrega. coluna e esteio da verdade” (1Tm 3. Se não somos adoradores. No culto. níveis sociais. a rebeldia pela rendição a Deus. Assim. O povo ia ao Templo de Jerusalém. é mais que qualquer um desses atos. recebemos a Palavra em conjunto. dos pés. pois o Espírito Santo age através do coração. É nesse pensamento que o poeta exclama com tanto entusiasmo.23). W. “de romaria” ou “de procissão” em outras traduções).

O crente há de compreender que.31). Todas essas distinções.. E o Senhor nos responde: “e se o meu povo. e a igreja como um todo tocar pelo Espírito de Deus.3.20). Há um popular hineto que diz: “Quando estou com o povo de Deus.” (Hc 2. É o senso de conjunto.” É a fé estimulada.13).. e orar. algo vai acontecer: sua vida será agraciada pela presença de Deus.1 e Números 3.. na leitura bíblica. É o reaquecimento. a coragem.6. vidas são áridas num mundo árido. e. que se chama pelo meu nome. os olhos. no entanto. E. e o amor de Deus. a esperança fortalecidas. e todos foram cheios do Espírito Santo. e perdoarei os seus pecados. e traz sério prejuízo espiritual para toda a igreja. O 22 . aí estou eu no meio deles” (Mt 18. e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós” (2Co 13. por que no culto. Deus também vo-lo revelará”. na mesma expectativa quanto à pregação.5: “Pelo que todos quanto somos perfeitos tenhamos este sentimento. tendo eles orado. e sararei a sua terra” (2Cr 7. se humilhar. a mente e o coração.14). quando estou com o povo de Deus. de adoração conjunta em perfeito acordo com o que Paulo acentuou em Filipenses 3. são as energias espirituais renovadas. eu sinto a maior alegria. Assim. quando o culto termina. Deus está presente: “O Senhor está no seu santo templo. a robustez. se sentis alguma coisa de modo diverso. na ira lembra-te da misericórdia” (3. Habacuque expressou este clamor ao dizer. queremos e pelo qual clamamos. pela compreensão do grande. a tua obra no meio dos anos. O cristão evangélico não “assiste ao culto”: dele participa. Por vezes. Não expressa a Escritura..4. faze que ela seja conhecida no meio dos anos. então eu ouvirei do céu. “Aviva. alegrei-me com tudo o que eu sou. tremeu o lugar em que estavam reunidos. “Guarda o teu pé quando fores à casa de Deus” (Ec 5. eu sinto real harmonia. ao vir ao culto. o Espírito Santo está presente: “E. e enriquecida pela comunhão dos irmãos. se evaporam no canto congregacional. aquilo que é tão bem expresso na Bênção Apostólica: “A graça do Senhor Jesus Cristo.2). Irreverência na casa do Senhor é pecado grave. Dominados haveremos de ser por um anseio de uma maior consagração. ó Senhor. “Orai pela paz de Jerusalém” pede o salmista no Salmo 122.1a)? É até possível ampliar a explicação exortando a guardar os ouvidos. eterno amor. A dinâmica do culto consiste em deixar-se o crente individualmente.culturas. Isso nos recorda o ensino bíblico de que é pecado trazer no culto divino e ao serviço do Senhor qualquer coisa que não proceda de uma vida renascida. surgindo a necessidade de reavivar-se a chama dentro de nós. alegrei-me quando me disseram: vamos à casa do Senhor!” A casa de Deus é um lugar de oração. a mãos. é ambiente de conseqüente avivamento. no canto coral. e buscar a minha face. É o fogo estranho de que fala Levítico 10. Jesus Cristo está presente: “onde se acham dois ou três reunidos em meu nome. na entrega dos bens e vidas. muito grave. “Alegrei-me de verdade.20). prezamos. o despertamento que buscamos. na oração. e anunciavam com intrepidez a palavra de Deus” (At 4. e se desviar dos seus maus caminhos. diz o adorador-em-espíritoe-em-verdade.

o calor. ou realizado tão somente pelo oficiante sem a presença de um auditório. . porque a alegria não é encontrada em cantar certo tipo de música ou viver com certo grupo. popularescos. nunca o destaque pessoal. O bom hino comunica o amor do Pai. o velho e persistente comodismo. com uma teologia que não é bíblica. A música são as flores do jardim da adoração.12b). a alegria da presença de Deus. 23 . se o louvor é sem reverência. os temores afastados. “Não consigo imaginar como pessoas religiosas podem viver satisfeitas sem a prática da presença de Deus”. As ausências. sem confiança.. Não pode haver culto se não há adoração com seriedade. pela harmonia ou pelo ritmo.. Aliás. sem espírito de cooperação. hinetos e doxologias por corinhos de paladar duvidoso. É ato corporativo. sem quebrantamento e sem consagração. todo culto. ler e meditar em casa. as falsas idéias e doutrinas corrigidas. e a fé revigorada na adoração coletiva. É não deixar que a chuva. ou ligar a TV e ter a igreja eletrônica com um pregador de estúdio “olhando” para você (?!) da tela fria do televisor. pois é preciso crescer com a igreja. o futebol.25). a TV. “Jesus é a aliança entre você e eu. escritos em mau português. e o culto todo é uma tremenda apoteose de louvor. e nada vai comprar as bênçãos divinas.. sem ensaio. os passeios. a alegria do culto divino é um sentimento antecipado. a praia. Portanto. cantar.. Sim. sem espírito de dependência.. porque nada vai compensar o culto que você perdeu. trazer o amor de Deus e enfatizar a adoração. crescer na igreja. em vez da liturgia (palavrinha boa que significa “o trabalho do leigo”). como. A tradução do Pe. bíblico. por exemplo. Há quem esteja mais interessado no que alguém imaginosamente chamou de LITORGIA. “Não deixando as nossas reuniões. mas não pelo Senhor que é exaltado nos seus versos. o dever de casa. O objetivo é unicamente a glória de Deus.. não abandonando a nossa congregação.” É ausentar-se podendo estar presente.”. A música deve afunilar juntamente com as leituras bíblicas. ou o turismo eclesiástico nos impeça de vir à própria congregação. e acentuada essa alegria quando compartilhamos a adoração com outros crentes. Cuidado com a música de qualquer jeito. a oração e as ofertas para o tema a ser explanado e desenvolvido no sermão. Há quem se interesse pelo som.24. Negromonte esclarece ainda mais. o frio. O irmão Lawrence afirmou. sem humildade. como é costume de alguns.. na realidade. a “axé music” evangélica em vez da calma onde se manifestou o Espírito de Deus a Elias (1Rs 19. visto que. não basta a um cristão dizer que pode orar.culto não é um drama encenado para uma platéia de espectadores. A palavra de Deus é claríssima sobre esse tema: “consideremo-nos uns aos outros. Algo Prático O cantar. onde em poucas palavras há um erro crasso de linguagem? O hino deve ser reverente. É errado chamar a primeira parte do culto de Louvor. Consiste na obediência. o “trio elétrico” evangélico”. há quem se interesse pelo barulho em vez do serviço a Deus.” (Hb 10. improvisada. porque nosso Deus não merece nem tolera isso! Por que substituir os teológica e musicalmente bem escritos hinos.. a corrida de automóveis.

a comunidade de fé de você faz parte. o segundo.23. Mt 5. quem somos nós em relação a Ele. Como podemos conhecer a Deus sem estudar a revelação que Ele faz de Si mesmo? Como saber quem Ele é e o que Ele tem feito e faz. Não é disto que falamos aqui. de que Ele pode ser conhecido. 1 Pd 1:20. mas não um ato de culto. que alguém pode ser cristão sem conhecer a Deus. louvor. Nosso 24 . “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor!” Parte VI A IGREJA PRECISA DE TEOLOGIA? Introdução e Conceitos É comum ouvirmos que "a teologia mata a religião" ou que "a Igreja não precisa de teologia e. embora não de modo exaustivo e completo. é só agitação. adoração (cf.crescer para a Igreja de Cristo em sua expressão local. não pode ser chamado culto. cultuar é transformarse.21).2. por conseguinte. conscientemente.etc. E o que é verdadeira Teologia? Como o próprio nome indica. Se a adoração não nos levar a maior obediência.24). de que Ele tem Se revelado tanto por meio de Suas obras (criação e providência . pois a alegria do Senhor é a vossa força” (8. definindo mais formalmente. como. por isso. "é a ciência que trata de Deus em Si mesmo e em relação com a Sua obra" (B. E até a "boa teologia". Se a adoração.2. Warfield). pode não ter qualquer uso prático e reduzir-se a mero academicismo. louvar.Hb1:1. não recebemos as bênçãos do culto.Revelação Geral . o espírito de unidade. Quando deixamos a congregação. É porque Deus Se revelou que podemos conhece-Lo. O que lhes falta é um bom conhecimento do que é Teologia e de suas implicações.10b). o louvor. Quando entramos no templo é a expectativa. Serão verdadeiras essas afirmações? Admitimos que há muita coisa por aí levando o nome de "teologia" que não passa de especulação humana. quando nos ausentamos da igreja. o que Ele requer de nós. quando saímos é obediência. não levamos os filhos a crescer e a igreja perde a cooperação. Teologia é o estudo de Deus. de vida". se não investigarmos o que Ele deixou revelado para nosso conhecimento? Pois esse é o trabalho da Teologia. principalmente.. quando se torna um fim em si mesma. At 14:17).Sl19:1. e o terceiro. sim. o culto não nos transformar. Perguntamos se a verdadeira Teologia é necessária à Igreja. Esse trabalho parte de três pressupostos: O primeiro é o de que Deus existe. Portanto não vos entristeçais. É quase certo que aqueles que negam a necessidade da Teologia na vida da Igreja não diriam. quando saímos é amor. nas Santas Escrituras (Revelação Especial . Perguntamos. ou.B. Neemias nos inspira: “porque este dia é consagrado ao nosso Senhor. se a Igreja pode prescindir do conhecimento de Deus e da Sua obra e ainda ser Igreja de Deus. por não se basear em pressupostos de uma hermenêutica bíblica. visto que adorar. perdemos o fervor. quando entramos é fé e esperança.

que Teologia é o conjunto de verdades extraídas dos ensinos bíblicos a respeito de Deus e de Sua obra. etc. Sua vida de perfeita obediência à Lei. mas sobre os atos poderosos e eficazes do nosso soberano Deus. Sua segunda vinda. Seu nascimento sobrenatural. mas pela própria pessoa de Cristo. há dois mil anos atrás. Elas se baseiam em duas falsas antíteses: 1.T. Mas voltemos ao nosso tema. devidamente entendida. são os grandes fatos que tornam garantida a salvação dos eleitos. A doutrina realmente não salva. como ao conteúdo do que é ensinado (Rm 6:17. Duas são as razões geralmente apresentadas para se dizer que a Igreja não precisa de Teologia. e que são apresentadas de modo sistemático. não altera o conceito de "teologia".9. mas comunicado por Ele mesmo através dos meios que soberanamente escolheu. meio e princípio regulador não é "teologia". de modo mais completo agora. 2Tim 4:3-4. 25 .). nesse sentido. A essa forma ordenada de doutrinas. Por isso. o nome de "Teologia Sistemática". garante a nossa justificação? É porque esses fatos são todos explicados e interpretados pela doutrina. mesmo que extraídas corretamente da Bíblia.conhecimento de Deus não é intuitivo. Sua ressurreição. Sua ascensão e assentamento à direita do Pai. mas pelo próprio ato expiatório. é que assegura essa graça. fica evidente que não há diferença entre Teologia e Doutrina. no grego). Mas como sabemos que esses são os fatos? Que sentido teriam esses acontecimentos se não tivessem sido interpretados? É a doutrina que lhes dá sentido. na forma de um corpo de doutrinas. "Fazer teologia".. É possível alguém ser "bom teólogo". devidamente aplicada pelo Espírito no coração do crente. nem mesmo "descobrir" a Deus. mas conhecer e compreender a revelação que Ele próprio deu de Si.1Tm 6:3-4. a que damos o nome de "doutrina". Sua morte substitutiva. não é inventar teorias a respeito de Deus e de Suas obras. no N. dá-se inclusive. Assim entendidas. A palavra "teologia" não ocorre na Bíblia e o termo que lhe é equivalente. Tito 1:2. Como viemos a saber que aquele menino que nasceu em Belém é o Filho de Deus? Por que descansamos na eficácia da Sua morte para a expiação dos nossos pecados? Por que sabemos que a Sua ressurreição. Não somos salvos através de uma correta teoria a respeito da pessoa de Cristo. é "doutrina" ( "didache" ou "didaskalia". portanto. Podemos dizer. qualquer estudo de Deus que não tiver a Sua revelação como base. nem natural. O adjetivo aqui. e ainda não experimentar as graças ensinadas nas doutrinas que expõe. nem através de um exato entendimento da doutrina da Expiação. propriamente. que vem de uma raiz que significa "ensinar" e pode se referir tanto ao ato de ensinar. A primeira é a suposição de que o Cristianismo se baseia em fatos e não em doutrinas Concordamos que nossa salvação não repousa sobre um conjunto de teorias ou idéias. A obra de Cristo.

"Religião é vida e a vida é dinâmica. p. de igual modo está dando uma interpretação aos fatos da morte e ressurreição de Cristo.e ressuscitou por causa da nossa justificação" (Rm 4:25). Sem essa explicação. O Cristianismo. 234). Ef 4:11). "A letra mata. Ele diz: "A Encarnação é uma doutrina: nenhum olho viu o Filho de Deus descer dos céus e entrar no ventre da virgem. Seria o mesmo que indagar qual das duas pernas é mais importante para o nosso caminhar. Podemos hoje entender que "os céus manifestam a glória de Deus" (Sl 19:1) porque o Criador nos tem revelado isso na Sua Palavra. na expressão de B. A segunda é a suposição de que o Cristianismo consiste em vida. Fato e doutrina se complementam no Cristianismo. a criatura toma o seu lugar. Daí dizer-se que para se conhecer a Deus é preciso que Ele fale. mas o espírito vivifica". vol 2. A prática (práxis) é colocada acima da doutrina não só em importância. o sentimento religioso do homem. Até chamam a isso de "teologia contemporanizada" ou "contextualizada".B. e que procura eliminar da religião todo apelo ao intelecto. pois sem ela não existe verdadeiro Cristianismo. gerando a idolatria (devido ao pecado). 2. Sem a revelação do Criador. e não somente que Ele aja. mas fato sem doutrina é mera história. Doutrina sem fato é mito. A doutrina não salva. O ensino da doutrina é uma das ênfases da Bíblia (1Tm 3:2. a doutrina é estática. Nem é pertinente perguntar qual dos dois é mais importante. Warfield. Não é o acontece quando as pessoas dizem que "a natureza é sábia". mas se isso não for um fato histórico também. não em doutrina Por trás dessa afirmação podem estar raízes do conceito filosófico que exalta o misticismo. as emoções. não pode ser compatível com o caráter do Cristianismo". Quando João diz: "E o Verbo se fez carne. à razão. sua mensagem (a dos céus) passaria despercebida e eles poderiam até ocupar o lugar do Criador. e. como lemos em Rm 1:18-32. que os fatos só têm sentido quando acompanhados da doutrina. especialmente nas epístolas. fria. portanto. mas esta àquela. mas também 26 . adaptada sempre à dinâmica da vida e conformada às "necessidades" da época e do lugar onde a vida do Cristianismo se manifesta. ou quando a chamam de "mãe natureza"?.Esta não só informa o fato como também dá o seu significado. nossa fé é vã e permanecemos ainda em nossos pecados"( Selected Shorter Writings. 2Tm 2:2. Aqueles que assim pensam até admitem um certo tipo de doutrina. mas pode tornar o homem sábio para a salvação (2Tm 3:15). está explicando-o também. desde que mutável. Concluímos. portanto. portanto. Isto é o que se vê em toda a Escritura. Tito 1:9. Quando Paulo afirma que Jesus "foi entregue por causa das nossas transgressões. não é a doutrina que deve dirigir a vida. e habitou entre nós. Segundo esse ponto de vista. consiste em "fatos que são doutrinas e doutrinas que são fatos". Até mesmo os fatos manifestos na natureza (Revelação Geral) não seriam devidamente compreendidos se não fossem explicados pela Bíblia (Revelação Especial). argumentam. fluente. não está apenas apresentando um fato. cheio de graça e de verdade" (Jo 1:14). dizem.

A doutrina é. produz vida. e que sejam facilmente levados "por todo vento de doutrina". Tudo cairá no campo dos valores relativos e passará a depender do subjetivismo. que a trouxe de volta às origens e lhe recuperou a vida. Concordamos também que Cristianismo é vida. que o Cristianismo é vida e não doutrina. da "piedade". É ela que nos aponta os meios de graça deixados pelo próprio Senhor. depois nos dias de Warfield e dos Hodge e. e graças a Deus por isso! Onde a vida não se manifesta. É a correta aplicação da doutrina que produz a verdadeira vida cristã. depois nos dias de Lutero e Calvino. não alterá-la. até os nossos dias. com base na palavra de Deus. É para que continue sempre sacudindo de si toda tradição e acréscimo humano que não estejam de acordo com os valores fixos e absolutos da palavra de Deus. ninguém verá o Senhor ( 1 Ts 4:3. no século XVI.É a doutrina que dá característica à vida. o meio que o Espírito soberanamente usa para nos fazer conhecer a vontade de Deus e nos levar a praticá-la. Mas será essa a visão bíblica do Cristianismo? Podemos dizer. Foi a doutrina bíblica. Foi a falta da verdadeira doutrina que enfraqueceu a Igreja e a lançou num tradicionalismo vazio e pagão. E não há outra forma de se fazer isto a não ser pela doutrina. que é quem nos 27 . nem revelação objetiva. depois doutrina? Existe tal antítese? Se essa posição for verdadeira. primeiramente vida. ou. para dar lugar às manifestações de vida? Não creio que a Bíblia justifique essa posição nem que esses teólogos a tenham entendido assim. sem esta. Hb 12:14). Será que aquilo que foi deixado por Paulo e pelos outros apóstolos como doutrina para os seus dias deveria ser mudado nos dias de Agostinho. Não basta apenas um sentimento religioso para fazer de um homem um cristão. para que seja aplicável em todas as épocas. Há até quem interprete assim a célebre divisa: "Igreja reformada sempre se reformando". tão bem exposta pelos reformadores e tão negligenciada pela Igreja. É através dela que ficamos sabendo que a vontade de Deus é a nossa santificação e que. não estamos afirmando que apenas a doutrina. Não admira que haja tanta "fluidez" e instabilidade entre os que assim pensam.no tempo: a doutrina passa a ser um produto da vida cristã. Mas devemos ou podemos prescindir da doutrina para que essa vida se manifeste? Antes de tudo. assim. não a sua norma. das emoções. então não haverá verdade absoluta. nem princípio fixo. a doutrina é o que menos interessa. É preciso que sua vida seja moldada na doutrina de Cristo. nos moldes escriturísticos. independente da obra santificadora do Espírito. sucessivamente. isto sim. O princípio de que "a Igreja reformada deve estar sempre se reformando" visa manter sempre a mesma posição em relação à verdade. ao que foi intencionado no princípio por Deus. Sem dúvida. é a verdade de Deus relativa? Depende o seu valor do lugar e da época em que se encontram os homens? Sabemos que esta é a posição atual dos que se denominam pluralistas e esse é o pressuposto básico desta posição. falta a alma da verdadeira religião. Para estes. Reformar é voltar às origens.

porque precisa da doutrina nela contida para dar sentido e expressão aos fatos do Cristianismo e para prover os meios de manifestação da verdadeira vida cristã. o ensino da doutrina é indispensável na Igreja. 01.Templo do Espírito Santo .O nascimento da Igreja ocorreu n dia de Pentecoste. Rm 1-11: doutrina.2 .Ef. Isso se torna ainda mais claro na oração sacerdotal de Cristo. Parte VII A IGREJA. portanto.Plenitude de Cristo .1 . Ef 5:26).Ef.santifica (Lv 20:7-8. Conclusão Concluímos. tanto através do púlpito como pelos estudos semanais."povo de Deus" "Ekklesia" . CORPO DE CRISTO TEXTO: EFÉSIOS 1:22-23 PROPOSTA: A nossa proposta é a de conhecer o que a Bíblia fala sobre a igreja. para depois pervadir todas as áreas do ser e se transformar em manifestações de vida que O agradem e glorifiquem. O conhecimento de Deus começa pela porta do intelecto. 1:22-23 . Atos 2:1-4 02.Noiva do Cordeiro . Qual o verdadeiro significado deste termo! Quais as responsabilidades daqueles que dela participam. mas é pela pregação da Palavra que vem a fé que transforma (Rm 10:7) A espada do Espírito é a Palavra (Ef 6:17). a tua palavra é a verdade" (Jo 15 :17) e em João 7:17. 11:2.Ef. 19:7 28 . onde o fazer a vontade de Deus está ligado ao conhecer a doutrina: "Se alguém quiser fazer a vontade dele. a íntima relação entre doutrina e prática é evidenciada pelo seu método de apresentar primeiro a argumentação teológica (doutrinária) para depois tirar as implicações práticas dela decorrentes (Ex. 12-16: prática). Nas epístolas paulinas. pela Escola Dominical e por qualquer outro meio disponível. em que Ele associa a prática da santificação com a doutrina da Palavra: "Santifica-os na verdade.A primeira referência bíblia sobre a igreja aparece em Mateus 16:18 1. 2:21-22 . A ORIGEM DA IGREJA 1.Outros títulos: . da razão. que a Igreja precisa da Teologia. Nossa demonstração de vida pode impressionar as pessoas e despertar nelas certa admiração.Corpo de Cristo . Ap. 1:23 .2 Cor."chamados para fora" . A NATUREZA E AS FUNÇÕES DA IGREJA COMO CORPO 2.No Novo Testamento . Por isso. conhecerá a respeito da doutrina. se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo".1 .

participar do louvor.Individualidade . 3:16 . A FORMAÇÃO A IGREJA .1 Cor. CORPO DE CRISTO II TEXTO: MATEUS 28:18 PROPOSTA: Este estudo visa mostrar que a mesma autoridade que Jesus recebeu do Pai.1 Cor.1 Cor.1 Cor. 12:12 .Edifício de Deus .A Igreja como corpo deve: . 1 Ped. "eleita". Observe as expressões: "escolheu".Ef. da comunhão. Ela se tornou a agência mediante a qual o Senhor manifesta o seu poder. "para serem".instruir seus filhos na Palavra 03.Colaboração . foi também delegada a igreja. SÍMBOLOS BÍBLICOS QUE DESCREVEM A IGREJA . 3:15 Parte VIII A IGREJA. AS FUNÇÕES DOS MEMBROS .1 Cor.Fil. "para sermos". "conheceu".Col. 12:25 . 12:25 .João 10:16 .Rebanho .transmitir ordens .Ef.1 Cor.Ela é formada pela união de seus membros . 3:9 .1 Tim.criar unidade no corpo .Harmonia .Exclusividade .Lavoura de Deus . 8:29. 4:16 . 4:9 05. 12:17 .Diversificação de ministérios . 2:9.manter a unidade da fé .1 Cor. CARACTERÍSTICAS DO CORPO .1 Cor..reconhecer ministérios .nutrir os demais membros . "a fim de".Santuário de Deus . 04. 2:19 .ministrar .Ela tem responsabilidades . dos desafios .1 Cor.sustentar os membros .1 Cor. 1:4. Rom. 12:28-29 06. 12:14 . a sua 29 . 3:9 .Coluna e Baluarte da verdade . 12:21 .

Mat. 2.Jesus comandou o espírito que atormentava o jovem e o expulsou.2 . Luc. e.Porta . 16:19. 2. 5:3-5 . 20-21-22 . enquanto o poder expressa os seus atos! Isaías 40:25-26 Deus pode perdoar aqueles que duvidam de seus feitos. 6:14. mas retêm o perdão àqueles que menosprezam a sua autoridade.Igreja x Portas do inferno . Tg. Mat. 10:19. Mat.4 .Autoridade sobre os espíritos . 30 . 2. Ela é eterna. AUTORIDADE E PODER DELEGADOS À IGREJA . A queda de Satanás ocorreu.Para exercer esta autoridade a igreja precisa estar em perfeita sintonia com o Espírito Santo. 02. 5:14-15 Diferença entre: "pecado" e "pecados" .A igreja como corpo.representava a corte. Satanás não tem medo de uma pessoa que prega a Palavra. 2.Mat. Esta autoridade não é um exercício individual.Luc. 1Cor. 18:18. Ela se torna em realidade devido a autoridade que Cristo concedeu à igreja. porque ele desejou ser igual a Deus. AUTORIDADE E PODER A autoridade representa a própria essência de Deus. A autoridade a nós foi delegada.Autoridade para ligar e desligar . Isaías 14:13-14 Obs. Mas. Ele tem medo das pessoas que se submetem a autoridade de Cristo. 2.Mat. e não simplesmente realizar os mesmos feitos de Deus. 10:8 . força o diabo a nos obedecer. recebeu do Senhor Jesus.A luta profetizada pôr Jesus: . o pecado.esse poder é manifestado através da oração.Hades representa o deus que tinha autoridade sobre os mortos! .A igreja pode perdoar os pecados (ofensas) cometidos contra ela.Resumo: a igreja não pode morrer. provocado pela queda do homem.1 . 8:30 . toda a autoridade e poder para se tornar uma igreja viva e vitoriosa. 17:20.graça e autoridade. Jó 20:23.Mat. o poder do reino do mundo inferior! .Mar. sim.3 .A autoridade da igreja é maior do que o poder do Diabo . 01. coletivo. 5:9.Autoridade sobre os pecados ."Portas do Hades" .Autoridade sobre a natureza . só através do sangue de Cristo.5 .

Números 12 3. 1. sim. Esta adaptação só se viabiliza mediante a disposição do mundo. Koinonia .1 .2 Crônicas 26:16 4.0 .1 . e.Encurtando as distâncias . é a necessidade de adaptação ao curso da História.2 Samuel 15 3.A comunicação se processa através de três elementos básicos: a . CORPO DE CRISTO III TEXTO: ROMANOS 12:1-2 PROPÓSITO: A maior necessidade do mundo.1 Reis 11 3.9 . e da igreja em se transformarem.serviço 1. Heb. das pessoas.A igreja só crescerá quando todos os membros estiverem debaixo do autoridade de Deus delegada aos seus ministros.8 .Rebelião de Coré . das pessoas. à autoridade de Deus que está nesse homem.comunhão c.0 . 13:17. Transformação é o segredo de um organismo vivo.Ezequiel 28:13-17 3. . Diakonia .AUTORIDADE E A LIDERENÇA DA IGREJA .Castigo de Arão e Miriã . Não se obedece a homens. Leon Tolstói: "Todos pensam em mudar a humanidade e ninguém pensa em mudar-se a si mesmo".Rebelião de Nadabe e Abiú . Os maiores castigos mencionados na Bíblia ocorreram em razão da desobediência à autoridade delegada pôr Deus.6 . 1 Tes. como também da igreja.5 . Ilust.Rebelião de Cão .Kerygna .mensagem b.A idolatria de Salomão .A insubmissão de Absalão .CONTESTANDO A AUTORIDADE DELEGADA . Zac.Números 16 3. 15:22-23 . dar ofertas.A transgressão de Uzias . Kerygma . 13:7 Parte IX A IGREJA. 3. 5:12-13.Levítico 10:1-2 3.Obs.João 13:12-17 A mensagem .A nossa obediência deve ser praticada não em função da pessoa mas da autoridade nela investida.3 .Queda de Adão e Eva .2 .Obs. 16:15-16.10 .2 . Watchamann Nee: "A maior das exigências que Deus faz ao homem não é a de carregar a cruz. Para que ela produza 31 .1 Samuel 15 3.7 .Queda do querubim da guarda . servir. ou negar-se a si mesmo.não funciona isoladamente.4 .A desobediência de Saul .Gênesis 2 e 3 3.3.Gênesis 9:20-27 3.1 Sam. A maior das exigências é que ele obedeça" . 1 Cor.

Disciplina na prática do tempo . .Afastamento dos outros membros .Princípio da oportunidade . 5:13 . Um membro não deve aspirar o lugar do outro. .contestação da vontade de Deus . 12:25-26.1 Cor.desequilíbrio em todo o sistema . .1 . João 17:23 3.2 .A igreja precisa ser a autora e não a espectadora no processo de mudanças.a arrogância quebra a linha de comunicação 2. a igreja perde a sua função. 34:17 .um anemiamento espiritual 2.4 . 0.A quebra desse princípio provoca: .Princípio da Unidade .desvalorização do membro .Gal.Princípio da integração .A falta de oportunidade produz: .Disciplina na prática do perdão . é necessário que o membro exercite a Koinonia e a Diakonia. 12:17-18 .0 .2 .1 Cor.um enfraquecimento de todos os membros .o egoísmo passa a predominar nas relações .este princípio visa das a todos os membros a mesma chance de trabalho. 3:17 .TODA TRANSFORMAÇÃO EXIGE UMA FONTE DE DISCIPLINA PESSOAL . de troca a mobilidade e harmonia do corpo. Ez. 2.Ef.cada membro tem sua função. Um membro não pode inibir a ação do outro. 5:15-16 .3 .1Cor. ocorre: .1Cor. Sem unidade.Col.1Cor.Disciplina na prática da fé . quando isso ocorre todo o corpo é prejudicado.Disciplina na prática dos hábitos . 12:21-22 .um espírito de concorrência .quando este princípio é quebrado.Marcos 11:25 .João 8:47 .Princípio de Dependência . 5:22 Parte X 32 .1 Tim. Ela foi criada para ser o instrumento de Deus na transformação da sociedade. 12:15-16 .TRANSFORMANDO A NOSSA RELAÇÃO COM OS OUTROS MEMBROS Este processo de transformação ocorre através da prática de quatro princípios bíblicos.a unidade é a fonte geradora de toda a energia.Disciplina na prática da liberdade .resultados positivos.2 Cor.Disciplina na prática da santidade . 9: 24 .desperdício de forças 2. 13:5 .Disciplina na prática de ouvir/falar .

"E porei em vós o fôlego da vida e vivereis. O alvo deste estudo é recriar uma nova esperança no coração daqueles que como membros. Gál.2 . Ela funciona também como um filtro. 3:12 2.Ne. 12:15. 2. Mas a realidade daquele vale ainda é a mesma em nossos dias.cria a união..V. 1 Ezequiel não só foi levado ao vale de ossos secos." . a carne é o elemento do corpo. Col."E sobre vós estenderei pele.enferma o corpo! ."Farei crescer carne sobre vós.4 .hipersensibilidade .Esta convivência foi necessária: 1. a carne fala do conhecimento da Palavra. . 01. Heb. dá sustentação.para comprometer o profeta com o desafio de restauração 1.1 ."tendões" . 2:3. 2:11-15 . 5:26.." .Rom."Porei tendões (nervos) sobre vós.. integração . Rom. VANDERLEI FRARI PROPÓSITO: Cerca de 2960 anos nos separam da experiência de Ezequiel junto ao vale de ossos secos. . 5:11-14 2. 3:1-2.. Ele andou pôr entre aqueles ossos.para mostrar qual o propósito de Deus 02. mantém a flexibilidade e resistência do corpo. 15:2.2 ."nervos" . HARMONIZANDO O CORPO O texto de Ezequiel 37:6 nos ensina quatro verdades básicas sobre a harmonia do corpo de Cristo.3 .para identificar a situação do povo 1.Há três aspectos importantes sobre este elemento: a . participação. a carne representa unidade.. 2:23 b. Uma pele ressecada prejudica a respiração do corpo..A IGREJA. A distrofia . 2 Cor." . É o alimento sólido.3 .. 4:22 2. ." O resultado final de um corpo equilibrado e harmônico é a presença do Espírito Santo agindo em todos os membros.. 8:13-15 c.1 . CORPO DE CRISTO IV TEXTO: EZEQUIEL 37:1-14 Autor(a): PR.17. Conviveu com a morte.A experiência de Neemias . Sentiu os odores daquele ambiente fétido. UMA CONVIVÊNCIA DESAGRADÁVEL . 1 Cor.estimulam. 33 .perturbação da nutrição -prejudica o metabolismo do corpo. Fil. fazem parte da Igreja do Senhor Jesus.Gên. mantém a sensibilidade. Ef.a pele é o elemento de proteção.

Gên. tem fomentado divisões.sabedoria nas decisões .Ef. 5:15. AGENTE ESPIRITUALIZANTE A sabedoria não é uma virtude isolada.Prov. 3:1-2 2. sabedoria como atributo e qualidade de Deus . O processo de restauração ocorre através da ação profética. 26:4.5 b.sabedoria nas amizades . O homem sábio é aquele que é capaz de reconhecer um necessitado.Jer. 2.(Concílio Vaticano II) 01.Sabedoria é saber fazer a coisa certa. se não surgirem homens mais sábios. a sabedoria torna-se em elemento indispensável em nossos relacionamentos inter .v.. DEFININDO A SABEDORIA . e muito menos eletrizante.0 . 41:38. 1 Pd.Gên. 19:18. a igreja tem lutado mais contra si mesma do que contra os verdadeiros adversários. no momento certo.v. um grande exército . e à pessoa certa. que Deus abrirá as sepulturas e libertará todos os que vivem presos .10 d.sabedoria nos negócios .O que profetizar? a . 10:12 02.COMO SE PROCESSA ESTA RESTAURAÇÃO? Ezequiel foi o instrumento usado pôr Deus para restaurar os ossos secos.v. que Deus derramará o seu Espírito Santo . 7:16 2. Não é contrária 34 .Prov. que Deus fará de membros soltos e sem vida. 41:39 2.v. sabedoria como virtude de homem . CORPO DE CRISTO V TEXTO: PROVÉRBIOS 4:7 Pôr falta de sabedoria. 22:6 b. Dan.1 . 28:29. tem usado ignorantemente a armadura de Saul.sabedoria em tudo. 3.sabedoria no diálogo . que Deus pode vivificar o que está morto em nossas vidas . um pobre. 1:17 c.sabedoria no comportamento .12-13 e. que Deus harmonizará o corpo beneficiando assim cada membro em particular v.Prov. um que precisa de oração".3.Is. A IMPORTÂNCIA DA SABEDORIA Pôr vivermos em grupos sociais. Êxodo 18:13-18 a . 03.5 .2 . Jer.3 . SABEDORIA. sabedoria como doutrina .7 c. Ecl.pessoais..6 .14 Parte XI A IGREJA. 9:4-5 2.1 . Moisés nos dá um bom exemplo de falta de sabedoria. 1 Reis 3:25-28 2. 8:12. tem perdido enfim o poder de atuação. "Realmente estará em perigo a sorte do mundo. Cabe a cada membro do corpo a mesma responsabilidade.4 .

A igreja deve interagir na história. Falar dos objetivos da igreja em contraposição as megatendências da pósmodernidade e o modismo quanto a quebra de paradigmas que resultam na perda da identidade doutrinária. Ela é antes de tudo o fiel da balança espiritual. soberana. 17). é imperioso resgatarmos a relevância da igreja no contexto sociocultural em que trilhamos a jornada da santificação. Devemos evitar a visão antropocêntrica e buscarmos uma visão horizonal.2 .a verdadeira espiritualidade. É imperativo fazermos diferença no mundo. Não podemos nos contentar em causar impacto na história com os nossos escândalos ou com a nossa inércia contemplativa enquanto o céu não vem.17-30 Introdução A igreja será apenas uma instituição humana se não tiver a visão de Jesus Cristo para o contexto e a realidade histórica na qual está inserida. 1. "Onde queres" – Théleis. 12:8 3. Somos o povo do Deus que é Senhor da história e que se manifesta através da história. devemos admitir nossa humanidade em sua plenitude mas sempre 35 . 3. cristocêntrica. Como Jesus.A verdadeira busca .Atos 6:8-10 3. Só a vontade de Deus para a igreja é "boa. Efésios 3. não andar a reboque da historieta escrita nos alfarrábios desta geração corrompida e perversa.1.4 .Atos 6:3 3. a igreja só será relevante para o mundo e para o Reino.Tiago 3:13-18 Resumo: Igreja sábia produz santos verdadeiros! Parte XII A IGREJA QUE FAZ A DIFERENÇA Mateus 26. quando. vontade ativa.Exigência dos apóstolos .A força de Estevão . do mundanismo que gera a mundanalidade incrustada na igreja pela relativização da ética cristã. A igreja é manifestação de Deus na história. Estivermos preocupados com a vontade do Mestre e não com a nossa própria vontade – (Vs. arrefecendo a autoridade da igreja em sua ação reformadora no mundo.A oferta do Espírito Santo . cristológica e cristossímel. Os anseios e vontades humanas desembocam sempre no hedonismo ou nas guerras cruentas e desumanas..1 .1 Cor.3 . A vontade decisiva e decisória de Deus onde não cabe relativizações ou negociatas. apenas a submissão. escrevendo a história da salvação na vida das pessoas e para isto. fazendo verdadeira diferença neste mundo com Agência reformadora de Deus. Romanos 12.10.. Mas amados. agradável e perfeita".

mas a tua". Se quer.14-16. ou se queremos vislumbrar os nossos olhos com feitos pitorescos ou com manifestações pneumotécnicas. Se perseguimos palco. o tempo é sempre presente. e de celebração. 2 Timóteo 4. Êxodo 12. da graça salvadora. nossos cultos devem ser verdadeira celebração pela e para salvação em Cristo. O tempo da Deus é kairós. É imperioso buscarmos a consciência de libertação.42. mensurado e controlado pelo homem. Não sabemos quando o Mestre voltará. O texto não prevê sectarismo ou uniformidade. Nossos cultos se tornarem verdadeira celebração ao Cristo vivo. como se fossemos senhores do tempo. honra e dignidade. 36 . à Denominação ou à Eclesiologia – (Vs. apresentações e números especiais. A festa. 3.1.13. sendo Deus. alguém que ensina revestido de capacidade.14-17. 1 Coríntios 2. no sangue da remissão. o texto aponta para um denominacionalismo desvairado e promotor de uma nefasta negligência ao que é bíblico em defesa de um hediondo tradicionalismo históricodenominacional. Da mesma forma. Devemos buscar a consciência de que o Senhor está em seu trono de glória para receber de nós um culto "vivo.orando: "não se faça a minha vontade. aqui não é nosso lugar. Lucas 22. 18b e 19). 2. Páscoa. Estar preparados para adentrarmos com ele em sua glória implica em testemunho e pregação incessantes. Mateus 25. "Meu tempo está próximo". era um memorial da libertação do Egito. da morte às mão do opressor. Não induz ao radicalismo ou ao êxtase emocional espiritualista esotericamente espiritualizado. Romanos 12. Mestre. Na dispensação da igreja. Estivermos conscientes da brevidade do tempo da salvação – (Vs.2. didáskalos. não à liturgia. infinito. Uma festa alegre e vívida em gratidão pela libertação do pecado que nos é outorgada por Cristo. Jesus. eterno. de alegria e satisfação prezeirosa em nossos cultos. santo e agradável". devido a presença do próprio Deus entre nós. Vale ressaltar a expressão "o Mestre diz". é Senhor do tempo e fala com autoridade quanto a brevidade do tempo para a pregação do evangelho. diz o Mestre. limitado. de festa. a Páscoa. resultado de mentes renovadas em Cristo no entendimento dos mistérios da salvação. e a pregação deve ser levada a efeito "a tempo e fora de tempo". é hoje. A Igreja não pode postergar a pregação. 18). e não kronos.

20. sempre somos levados à contrição e ao arrependimento. fazendo-nos um só povo.. Isaías 6. "me entregará". é constituir-se em traidor. para cobrir e apagar o escrito de culpa que recaia sobre nós. O sangue que "nos purifica de todo o pecado". Jeremias. a partir do arrependimento e da confissão sincera diante de nosso Advogado e único mediador. insistindo nos passos de Caim e na decisão diabólica tomada por Judas Iscariotes. a fim de que dediquemos nossas vidas em perfeito louvor. admitindo-o apenas como rabi. Efésios 4.14.18 e 19. mestre da lei. Paulo e muitos outros indicados no Texto Sagrado. 5. 21 e 22). No culto verdadeiro Deus sempre manifesta sua glória.1-8. o que não é uma característica da personalidade de Jesus. devemos vivenciar íntima comunhão. Somos assolapados pela consciência de pecado que desemboca no arrependimento ou permanecemos insensíveis e nada nos impulsiona à santidade? A expressão do verso 21. Efésios 2.4 e conjugando-nos em só coração. Isaías. Como igreja. O sangue do pacto promover aliança de compromisso em nós – (Vs.32. para nos reconciliar com Deus. Em quinto e último lugar. Pedro. Retirar-se do culto sem experimentar restauração santificadora. Qual a nossa reação diante da expressão "um de vós me trairá". e se nos dispomos à perfeita adoração. Muitos. não podemos permanecer aguilhoados ao pelourinho do pecado e dissociados pelo preconceito que ressalta as idiossincrasias. Não divisionismo ou sectarismo autofágico e se quer. permanecendo na inércia petrificada do comodismo. Kírios. Colossenses 2. Jesus Cristo. se buscamos relevância para a sociedade. Somos contristados pela possibilidade de sermos o traidor – (Vs. Se somos igreja. persistindo na traição. O sangue do pacto foi derramado "para a remissão de pecados". no original.14-18 e 1 João 4. profetizando um futuro melhor. denota que Jesus bem sabia das intenções daqueles que o perseguiam. se pretendemos fazer a diferença já em nosso tempo. irmanados em Jesus Cristo. evidenciado na proclamação do evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Jacó. para um preconceito satanicamente beatificado pelo denominacionalismo coercitivo.4. afirmo que a igreja fará diferença no mundo e resgatará sua relevância e autoridade na pregação quando. Atos 4. não conseguem olhar para Jesus e identificá-lo com Senhor absoluto de todas as coisa. É assombroso que muitos crentes não sintam o sabor amargo de pecado como sentiram Moisés.. l 37 . 28). mesmo estando diante de Jesus e sendo desafiados ao arrependimento. 2 Coríntios 5.

João 1.8, 2.2 e 1 Timóteo 2.5, nos impõe a comunhão que afaga o coração e acarinha o aflito e o existencialmente desesperançado. Pelo que, a igreja deve retirar-se do templo, após o culto prestado, restaurada, perdoada, transbordando em amor e alegria e amalgamada no sangue de Jesus Cristo. Todo o nosso pecado e preconceito devem ser abandonados aos pés da cruz de Cristo, o Cristo que "é tudo em todos", Colossenses 3.11. Conclusão Amados, é urgente e premente uma reflexão quanto relevância e a atuação da igreja no mundo da globalização e, em especial, aqui em São Paulo. Se não identificamos estas cinco assertivas em nossa expressão cúltica e identidade doutrinária e denominacional, corremos o risco de sermos vitimados por descomunal aridez teológica, eclesiológica e doutrinária. Nos tornaremos insipientes, insignificantes e dispensáveis ao homem que carece de salvação e não de liturgias, eventos sociais ou verdadeiros shows pseudo-espirituais aromatizados com essência de enxofre, não com o hálito do Espírito Santo. Sejamos igreja. Corpo vivo de Cristo. Submissos a ordem do Mestre e conscientes da brevidade do tempo para a salvação. Sejamos igreja que festeja a vitória de Cristo na Cruz e que é contristada pela consciência de pecado. Sejamos igreja santa e poderosa na evangelização para que desfrutemos as benesses do perdão, do amor e da comunhão íntima, expressão inconteste da nossa reconciliação com Deus em Cristo Jesus. Parte XIII A LIDERANÇA CRISTÃ E O DISCIPULADO Creio na liderança cristã e creio no discipulado. Compreendo que a liderança cristã tem o trabalho de despertar e conduzir o ser humano para Deus e para tudo o que de Deus recebeu. Creio numa liderança comprometida com o reino de Deus (cf. Mt 6.33), o que, aliás, é uma qualidade-chave do líder cristão. Uma liderança comprometida é fiel (1Co 4.2), disponível (Lc 9.57-62), receptiva à capacitação, ou seja, ao treinamento (um teste é convidar 12 a 20 pessoas para reuniões de treinamento, e observar quem retorna a partir da segunda reunião. O treinamento, por sinal, já é uma seleção). Descobrir pessoas que possuam potencial é tarefa do líder, e isso com o objetivo de treiná-las de modo a que em dado momento a organização possa funcionar sem ele, líder. É um facilitador no ensino dos novos discípulos e na participação deles no global do processo; é exemplo e ajuda em vez de apenas verbalizar, valoriza a participação dos outros, é paciente e confia no Espírito Santo como conselheiro e auxílio nas dificuldades. Creio na liderança capacitada pelo Espírito de Deus, "carismatizada" para o benefício da Igreja de Cristo, para que todo o edifício bem ajustado cresça para templo santo cuja glória seja unicamente a de Deus, ou como colocou a Bíblia em Português Corrente (edição da Sociedade Bíblica de Portugal, 1993): "É em Cristo 38

que todo o edifício está seguro e cresce até se transformar num templo que honre ao Senhor" (Ef 2.21). Creio também no discipulado cristão, pois é somente observar a ênfase dada por Jesus ao cuidado, carinho, busca e instrução dos que O seguiam. "Discípulo", por sinal, parece ser a palavra favorita de Jesus para aqueles cuja vida estava ligada a dEle. Aparece 269 vezes nos Evangelhos e no livro dos Atos dos Apóstolos. O líder cristão do século 21 não pode esquecer que as condições do discípulo são um daqueles princípios imutáveis, apesar das transformações litúrgicas, administrativas, pelas quais a Igreja de Cristo vem passando através dos séculos. Quem as declara são os Evangelhos: · Transportar a cruz (Lc 14.27). A cruz não é brinquedo, mas instrumento de morte, na qual o eu deve morrer. Ir-para-o-Calvário é um caminho escolhido deliberadamente, visto que a cruz é o símbolo da perseguição, vergonha e abuso que o mundo jogou sobre o Filho de Deus e jogará sobre os que escolhem navegar contra a corrente, o discípulo. · Renúncia (Lc 14.33), que é entrega irrevogável a Jesus Cristo, autonegação, nos termos de Lucas 14.26 e Mateus 16.24. Nosso amor a Jesus e à Sua causa há de ser tão evidente que, em comparação, todos os demais serão diminuídos. Billy Graham afirmou que "a salvação é de graça, mas o discipulado custa tudo o que temos". · Constância (Jo 8.31). É passar a viver em companhia de Jesus, comunhão de destinos com Ele, segui-Lo, permanecer nEle. O verdadeiro discípulo se caracteriza pela estabilidade. · Produção de frutos (Jo 15.8). União frutífera como Senhor (Jo 15.4,5). O líder cristão há de observar os dois aspectos básicos do discipulado em sua própria experiência de vida: a união com Cristo e a dedicação sem reservas, que Jesus Cristo descreveu em termos de videira e ramos (cf. Jo 15.5ss). Em relação ao primeiro aspecto, Paulo usa inúmeras vezes a expressão "em Cristo" para com isso significar que nós estamos nEle e Ele está em nós (Cl 1.27). Por sua vez, Romanos 6.1-12 indica o significado do regime de dedicação exclusiva a Jesus. O alvo do discipulado deve permanecer bem definido na mente do líder cristão: é a semelhança de Cristo em caráter e em serviço. O Espírito Santo dá-nos o caráter de filhos de Deus, e nessa linha de raciocínio, o fruto do Espírito é o retrato desse caráter: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e autodomínio. OIKOS, UM CONCEITO PARA O SÉCULO 21 As grandes cidades, sejam capitais legais, formais ou informais são um centro dominante A característica maior é a concentração de população várias vezes superior à cidade seguinte em importância. Tem primazia política, econômica, acadêmica e cultural (a área metropolitana de Tóquio é maior que a metade da população do Canadá). É também nessa situação que o líder cristão há de exercer o discipulado. 39

São características dos habitantes da urbis: · Um ser solitário. Quem mora na roça vive praticamente num sistema de clã (estilo semita bíblico). Na cidade grande está perdido. · Um ser pobre. Mora em invasão. · Um ser que sonha. Não perdeu essa capacidade. · Um ser que escuta. E a ele muitos "discipuladores" querem falar. OIKOS, UM NOVO VELHO CONCEITO Oikos é o "lar familiar", a esfera de influência. É o sistema social primário composto por aqueles que que são relacionados por laços comuns de família, trabalho e vizinhança. Três são as constantes culturais: o parentesco, a comunidade e a associação: · parentesco são laços de sangue ou de afinidade. · A associação é voluntária com normas, autoridade, mobilização de recursos, e movidas por amizade, sexo, poder, ideais, interesses, prestígio (sindicatos, igrejas, clubes). · A comunidade é determinada pela geografia. Se isso existe hoje, e é uma constante antropológica, existiu nos dias neotestamentários. É o oikos (cf. Michael Green. Evangelização na Igreja Primitiva). Alguns casos são: · a família de Betânia (Jo 12.1-3); · a casa de Cornélio, oficial romano (At 10); · a casa de Lídia (At 16.13-15); · a família do carcereiro de Filipos (At 16.25-34); · a casa de Prisca e Áqüila (Rm 16.3-5); · a casa de Aristóbulo (Rm 16.10); · a casa de Narciso (Rm 16110. Os descrentes têm dois problemas: o de informação (não conhecem a um cristão de verdade), e o de reputação (conhecem um "cristão" que não tem a mente de Cristo).

IMPEDIMENTOS Liderança que não encarna ideais e falta de mobilização do povo de Deus. Falar de liderança é falar de pastores, presbíteros, diáconos, ministros na várias áreas, professores, conselheiros, relatores, etc. Através da história, Deus tem chamado homens e mulheres para abençoar Seu povo. No século 21 muita coisa tem mudado: igrejas querem dinheiro, não poder do 40

Espírito; santuários cheios de pessoas, mas não de poder; animação, mas não renovação. A liderança há de ter visão. A LIDERANÇA E A PALAVRA DE DEUS

A liderança cristã não pode prescindir de utilizar a Bíblia Sagrada como fonte de reflexão, de meditação, de discipulado e caminho de vida. O desenvolvimento do Salmo 119 bem o demonstra. Afinal, a Bíblia se evidencia Palavra de Deus nas profecias e cumprimentos, em mostrar o ser humano em sua realidade e pelos seus efeitos na vida do homem que é transformado em discípulo de Jesus Cristo. Por essa razão, há o líder de nela meditar (Sl 1.1,2), de nela viver (v.3) e conhecêla para crescer em graça (v.3). OMO A PALAVRA DE DEUS TEM SIDO DESAFIADA A proposta de um evangelho para o Terceiro Milênio. Exemplo típico deste desafio à Escritura Sagrada e o seu ensinamento é o feito por Huáscar Terra do Valle em seu Tratado de Teologia Profana. No capítulo em que trata de "Além do Bem e do Mal", Valle explica que a moral do judaísmo se resume na expressão "Olho por olho, dente por dente", buscando provar com tal exposição que o Deus dos hebreus, é mau e vingativo. Javé é colocado no mesmo nível de Marduque dos babilônios, de Baal dos fenícios e outros deuses semitas. Civilizado é, no seu entender, o Zoroastrismo que prega a eterna luta entre o bem e o mal (Ormuz e Arimã) e a presença de Mitra, encarregado de ajudar o ser humano a lutar pelo bem. Chega esse pensador à conclusão que a figura de Deus vem do fundo do inconsciente, referindo-se ao comando instintivo dos genes. Há uma tremenda carga emocional que inspira profundo respeito e é codificada para o entendimento do consciente como Deus onipotente, criador, etc. Expressão dessa carga emocional é o misticismo. Religião, diz ele, é uma adoração da própria raça, que são os genes, ou na figura de Deus ou na imagem dos ancestrais. Pecado é a desobediência aos mandamentos dos genes, sendo, a rigor, um conceito tribal. A proposta de uma nova moral. Tratando-se de uma nova moral para o Terceiro Milênio, não se pode negar a sobrevivência do mais apto, ou seja, daquele que soubesse compatibilizar os interesses do indivíduo com os da sociedade. As religiões nada fizeram para melhorar os padrões de moralidade da sociedade como um todo, visto que vivem confinadas em suas próprias doutrinas, e consideram os elementos de outras 41

religiões como gentios ou pagãos. A nova moral, como a nova religião, tem que ser universal excluindo apenas um grupo, os fanáticos. A idéia de Deus não é indispensável para um comportamento moral. A proposta é a de um código de ética baseado na ciência, pois a Astronomia mostra a insignificância do ser humano no universo; a Biologia, a Genética, a Teoria da Evolução e a Sociobiologia de mostram que o ser humano não foi criado à semelhança de Deus, e sim do macaco e de outros animais. Valle declara não acreditar em outra vida, por isso o céu deve ser procurado nesta, evitando, também que a vida se transforme em um inferno. O destino do ser humano é entregar aos descendentes os genes que recebeu dos antepassados, o que o transforma em uma máquina de sobrevivência apenas. Igreja É a prostituição da religião. A verdadeira religião consiste em agir desinteressadamente, visando ao bem da coletividade, e não, entre outras coisas, citar a Bíblia, fazer sermões de duvidosa sinceridade, ou pagar o imposto do céu (o dízimo). Por isso, prescinde de Deus. O sentimento religioso pode ser transmitido de várias maneiras, sobressaindo-se a música, que é emoção pura. O arrebatamento religioso poderá vir por meio dela. É PRECISO... Resgatar o senso da soberania e majestade de Deus. Ou seja, um conceito adequado de Deus e da sua doutrina. Porque homens e mulheres levaram Deus a sério, foram escolhidos para altas missões (Gn 6.9; 7.1; 12.1-3; Is 6.1ss); tiveram visões (2Rs 6.17; Ez 1); foram mães de grandes homens (1Sm 1.1ss; Jz 13.2,3; Lc 1.1ss). Deus não é algo, uma força ou uma influência. Mas, ensina a Escritura e a nossa própria experiência, uma Pessoa com quem podemos manter comunhão. O Nome e o toque de Deus. O Deus à minha imagem e semelhança: o Deus Papai Noel, o Deus da Arte, o Deus-que-me-obedece, o Deus utilitário. Quem é Deus? É o Deus único (Is 45.22; Dt 6.4); é o Deus que está presente (Ez 48.35); é o Deus Vivo, Santo e Verdadeiro. Resgatar o senso da messianidade e da obra de Jesus Cristo. A doutrina de Cristo, no Cristianismo, dá significado a todas as outras (Revelação, o Ser Humano, Igreja, Escatologia, etc.) Uma pergunta tão antiga quanto o evangelho é "Quem dizem os homens que eu sou?" (Lc 9.18,19). * "O Homem Perfeito" * "O Homem Ideal", modelo dos outros * "A mais bela alma que jamais existiu" (Auguste Sabatier, filósofo francês) * "Curvo-me diante de Jesus Cristo como diante da revelação divina do princípio supremo da moralidade" (Goethe) 42

Augsburg. Pedro faz a confissão de fé evangélica ao dizer "o Cristo. 1966.12). VALLE.3). pela primeira vez.31) e os crentes cresçam (1Pe 2. a mais destacada e a mais virtuosa. Verbo ou Palavra. BROWN. A Palavra de Deus é viva e eficaz (Hb 4. é a mais alta regra da vida. John.M. Kent S. Convention Press. o Filho do Deus Vivo" (Mt 16. Um modo de reconhecer os atributos de Jesus Cristo é examinar os seus títulos no Novo Testamento: Jesus ("Salvação do Senhor"). Glasgow. Edinburgh. NEILL. O propósito da Bíblia Sagrada e dos seus registros: para que homens e mulheres venham a crer (Jo 20. Trad.* "Um grande mestre" * "(Jesus com) seu perfeito idealismo. 128 p. Rita. Alfa Ômega. Minneapolis. Tratado de Teologia Profana. 349 p. Ele criou o mundo das almas puras. Truths that Make a Difference. J. El Estandarte de la Verdad. Aceptado por Dios. Collins. e penetrante e apta. Quem é Jesus Cristo? Rio. Nashville. etc. Parte XIV A MISSÃO DA IGREJA Na confrontação com a opressão espiritual Uma das questões mais cruciais da missiologia é a definição do próprio conceito de missão. Word. L. Eu Sou Quem Sou. Loyola. Maria J.. His Only Son Our Lord.. SP. A Caruso SNOWDEN." (Ernest Renan) * "(foi Jesus quem) pôs à luz.16). Senhor. Sola Scriptura. CHRISTIAN. KNUTSON. 1973. C. Cristo ("Ungido").R. O que se deve entender por missões cristãs? Quais são a natureza e os objetivos da missão da igreja? Evidentemente essas perguntas podem receber uma grande variedade de respostas a partir de diferentes pressupostos e compromissos teológicos. Sola Fide. Waco. Shaping your Faith. 1961. Livros sugeridos BLANCHARD. 57 p. Christianity Close to life. SP. 1980. LAMEGO. 1974.2. Trad. Huáscar Terra do. Stephen. e RAHM. Lavonn D. Haroldo. o valor de cada alma humana e ninguém pode desfazer o que ele fez" (Harnack). 1998. Uma antiga abordagem foi o debate em torno de 43 . Blauch.W. Confederação Evangélica do Brasil. 1978. Resgatar o valor da Escritura Sagrada como norma de vida Os estandartes da Reforma: Sola Gratia.82 p. 1976.

3 Isso excluiu a América Latina do âmbito daquele encontro. realizada em Edimburgo em 1910. ANTECEDENTES A reflexão sistemática e abrangente sobre o trabalho missionário protestante na América Latina foi desencadeada pela célebre Conferência Missionária Mundial. A escolha de Escobar justifica-se por várias razões. políticas. Ao longo dos anos. diálogo interreligioso. Durante a conferência. sendo admitidas apenas as missões que trabalhavam entre as tribos pagãs desse continente. justiça e paz. Ele tem um profundo conhecimento da situação religiosa.evangelização e “civilização. Criticando os modelos missionários reducionistas ou dicotômicos. fazer um apanhado dos principais movimentos de que tem participado e apresentar alguns dos principais temas e ênfases da sua reflexão missiológica. A seguir. Certamente este é um assunto controvertido. presença cristã. escritor e orador extremamente articulado e criativo. o secretário executivo da Junta de Missões Estrangeiras da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos. um dos mais destacados missiólogos evangélicos contemporâneos da América Latina. contextual e sensível às complexas realidades espirituais. 44 . sociais e econômicas da América Latina. Nossa análise começa com um retrospecto histórico da discussão missiológica protestante na América Latina. Diferentes autores do século XX têm procurado expressar a missão da igreja em termos de desenvolvimento. Speer (1867-1947). social e política da América Latina. I. evangélico. por vários anos ele tem sido professor em instituições teológicas norte-americanas. iremos fornecer algumas informações biográficas sobre Samuel Escobar. Concluiremos o estudo acrescentando algumas de nossas próprias convicções a respeito do tema em questão. tendo trabalhado em vários países como pastor e missionário. finalmente. uma vez que somente foram convidadas para a conferência as sociedades missionárias que atuavam entre povos não-cristãos. o que o coloca numa posição privilegiada para falar a uma audiência mais ampla e levar ao primeiro mundo uma valiosa perspectiva do terceiro mundo acerca de missões. Escobar tem defendido um conceito de missão que é ao mesmo tempo bíblico. a missão da igreja na sociedade.”1 Hoje é mais comum falar-se em evangelismo e responsabilidade social. tem sido um líder respeitado em círculos missiológicos e teológicos. tem estado em diálogo constante com representantes de grupos e movimentos importantes do cristianismo latinoamericano e mundial. ele propõe um programa que implica em levar o evangelho integral ao ser humano integral.2 Todavia. Robert E. é um teólogo. diaconia e outros conceitos. esse estímulo ocorreu às avessas. na amplitude de suas necessidades e relacionamentos. mas também sumamente importante para a igreja e para os cristãos individuais. ou seja. Como pode a igreja ser o que deve ser e fazer o que deve fazer se não tiver uma clara compreensão acerca do seu propósito na sociedade e no mundo? O objetivo deste estudo é abordar o tema a partir da perspectiva de Samuel Escobar.

presidido pelo metodista mexicano Gonzalo Baez-Camargo.convidou vários delegados interessados na América Latina a se reunirem informalmente para discutir como essa lacuna poderia ser suprida. reunido no Panamá em fevereiro de 1916. em março de 1913. Uruguai. que rapidamente tornavam-se minoritárias no contexto geral do protestantismo da América Latina. sob os auspícios da Conferência de Missões Estrangeiras da América do Norte.6 Mesmo assim. o Congresso do Panamá revelou duas ênfases que se tornariam problemáticas para os evangélicos latino-americanos: uma atitude simpática para com a Igreja Católica e uma forte influência do “evangelho social. nos anos seguintes realizaram-se dois congressos missionários regionais. CELA II (Lima. 1961) e CELA III (Buenos Aires. a unificação da educação teológica através de seminários unidos. antes que um encontro de líderes protestantes latino-americanos. Aqui. o maior encontro das forças protestantes desse continente realizado até aquela data. em 1929 reuniu-se em Havana o Congresso Evangélico Hispano-Americano. Finalmente. Dos 230 delegados oficiais. realizou-se em Nova York. a CCLA patrocinou o Congresso de Ação Cristã na América Latina. O Congresso mostrou a necessidade de maior cooperação em áreas como educação religiosa. 1949). o congresso foi inteiramente organizado e conduzido por latinoamericanos e as ênfases recaíram sobre a nacionalização e o auto-sustento das igrejas evangélicas. uma conferência sobre missões na América Latina. o evento produziu a primeira discussão séria do protestantismo latino-americano e estimulou a criação de órgãos cooperativos regionais em vários países. apenas 21 eram latino-americanos natos. literatura e formação teológica. o Congresso do Panamá foi uma reunião de representantes de juntas missionárias estrangeiras. suas metas principais foram a evangelização das classes cultas. o desejo de dar uma dimensão social ao trabalho missionário na América Latina e o esforço em promover a unidade protestante. Uma segunda série de encontros do protestantismo latino-americano foi representada por três Conferências Evangélicas continentais: CELA I (Buenos Aires. buscava aproximar-se do catolicismo 45 . missões. O primeiro. em 1925. Mais especificamente.5 Na realidade.4 Essa conferência criou a Comissão de Cooperação na América Latina (CCLA).7 Essas conferências estavam ligadas às denominações históricas. O protestantismo ecumênico das CELAs recebia a influência do protestantismo histórico declinante do hemisfério norte. reuniu-se em Montevidéu. Como resultado desses entendimentos.” Como resultado do encontro do Panamá. Por outro lado. Por sua vez. os norte-americanos ficaram a cargo da organização e presidiram todas as comissões. embora a participação de latino-americanos tenha sido maior (o pastor presbiteriano brasileiro Erasmo Braga foi eleito presidente do congresso). denominado Congresso de Ação Cristã na América do Sul. tendo como presidente o próprio Robert Speer e como secretário executivo Samuel Guy Inman. 1969). Desta feita.

reunida em Medellín. no ano anterior. E. Em 1972. na América Latina. 1992). Comissão Evangélica Latino-Americana de Educação Cristã (CELADEC). CLADE II (Lima. O CLADE I permitiu que líderes preocupados em relacionar a fé evangélica com a realidade latino-americana compartilhassem as suas inquietações. Ao lado das Conferências Evangélicas continentais (CELAs) e do ISAL. sob o impulso do Congresso Mundial de Evangelização (Berlim.9 Uma característica desse protestantismo ecumênico era o crescente declínio do seu ímpeto evangelizador. sendo evangélicos. tendo como órgão o periódico Cristianismo e Sociedade. Coordenadoria de Projetos Ecumênicos (COPEC) e Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI). esse congresso teve duas marcas distintivas: Manifestou com clareza que. somos e queremos ser evangélicos. 1979) e CLADE III (Quito. O CLADE IV deverá realizar-se em setembro do ano 2000 no Equador. em 1962.10 O primeiro CLADE foi organizado pela Associação Evangelística Billy Graham. 1966). Para Valdir Steuernagel. Alguns organismos importantes são ou foram os seguintes: Movimento Estudantil Cristão (MEC). Do seio desse protestantismo majoritário surgiu o impulso para os Congressos LatinoAmericanos de Evangelização. convocado pela revista evangélica Christianity Today. as duas correntes teológicas puseram-se em contato no I Congresso Latino-Americano de Cristãos pelo Socialismo. os protestantes haviam criado a organização Igreja e Sociedade na América Latina (ISAL). que mantinham o seu vigor evangelístico apesar das debilidades da sua teologia. o protestantismo ecumênico latino-americano criou várias estruturas paraeclesiásticas com o fim de promover os seus objetivos.11 Foi no CLADE I que se articulou a criação da Fraternidade Teológica Latino46 . Ela tornou-se o centro de convergência dos teólogos protestantes da libertação. Peru. buscássemos uma teologia da encarnação que estabelecesse as pautas para um diálogo com a situação de sofrimento e opressão que se vivia em toda a América Latina. realizado em Santiago do Chile.posterior ao Concílio Vaticano II (1962-1965) e procurava responder à difícil situação social do continente com uma teologia radical. que constituem a terceira das séries mencionadas acima: CLADE I (Bogotá. Naquela ocasião e naquele contexto. Colômbia. Ecumênicas (ULAJE). União Latino-Americana de Juventudes Evangélicas – depois. Agência de Serviços Ecumênicos Latino-Americanos (ASEL). após uma consulta realizada em Huampaní. em 1968. somos e queremos ser latino-americanos. como evangélicos. tornava-se urgente que.8 Anos antes. em contraste com a vitalidade das igrejas vinculadas a missões independentes ou ao movimento pentecostal. 1969).” A teologia da libertação adquiriu notoriedade no âmbito católico romano com a segunda assembléia da Conferência Episcopal Latino-Americana (CELAM). que eventualmente identificou-se com a célebre “teologia da libertação.

Ela é também mais representativa do protestantismo popular da América Latina que a sua congênere ecumênica. organizada no ano seguinte em Cochabamba. Em 1959 Escobar tornou-se o secretário itinerante da Fraternidade Internacional de Estudantes Evangélicos (International Fellowship of Evangelical Students) — representada no Brasil pela Aliança Bíblica Universitária —. após o que dedicou-se ao ensino nos níveis primário. Bolívia. visitando praticamente todos os países da América Latina. Entre os seus participantes mais destacados e influentes está o líder que é o enfoque principal deste artigo — Samuel Escobar.14 II. com sede em Toronto. ele recebeu o seu grau de mestre em artes e educação na Universidade de São Marcos. secundário e superior. há muitos anos ele é membro da Comissão Teológica da Fraternidade Evangélica Mundial (World Evangelical Fellowship). Alguns anos depois. Samuel Escobar é presidente das Sociedades Bíblicas Unidas e professor titular de missiologia no Seminário Teológico Batista do Leste. ele fez o curso de doutorado em filosofia (Ph.12 Por sua vez. tendo participado de muitas de suas consultas ao redor do mundo.18 Ele também leciona sobre missões em seu país natal. DADOS BIOGRÁFICOS E ESCRITOS Samuel Escobar nasceu no Peru e freqüentou uma escola missionária inglesa em Arequipa. 47 . mas ao mesmo tempo preocupou-se em abordar a questão de uma perspectiva que entendia ser mais bíblica e equilibrada.16 Escobar foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Fraternidade Teológica Latino-Americana (1970-1984) e de 1979 a 1985 ocupou o cargo de secretário geral da Fraternidade Internacional de Estudantes Evangélicos. em Filadélfia. o Peru. inclusive o que irá realizar-se no ano 2000. Ele trabalhou como missionário entre estudantes universitários na Argentina e no Brasil15 e foi diretor da Comunidade Evangélica Kairós. em Buenos Aires. Escobar assim expressou os objetivos da Fraternidade: Desde o primeiro momento. Nas décadas de 1960 e 1970. Estados Unidos.D.13 A Fraternidade procurou estar tão consciente da problemática social latino-americana quanto o grupo ISAL.Americana.) na Universidade Complutense de Madri e eventualmente trabalhou como secretário da Fraternidade Cristã Universitária (Inter-Varsity Christian Fellowship) do Canadá. a Fraternidade Teológica Latino-Americana convocou os CLADEs posteriores. ele e outros teólogos latino-americanos tornaram-se bem conhecidos em círculos evangélicos e ecumênicos internacionais através de sua participação em importantes conferências. a FTL procurou ser uma plataforma de encontro e diálogo teológico da qual participassem pastores. Além disso. missionários e pensadores evangélicos. em Lima.17 Atualmente. Em 1956. dentro do marco evangélico de uma lealdade comum à autoridade bíblica e à fé evangélica como base da reflexão e de um compromisso ativo com o cumprimento da missão cristã. tendo Pedro Savage como seu primeiro secretário e Samuel Escobar como seu primeiro presidente.

Missiology e International Review of Mission. com C.”19 em The Role of NGOs: Charity and Empowerment (1997). 1992). 1992). “Has McGavran´s Missiology Been Devoured by a Lion?” (Missiology. “Missions and Renewal in Latin American Catholicism” (Missiology.” em The Good News of the Kingdom (1993). 1986). 1987). 1991). Alguns títulos representativos podem dar-nos uma idéia de seus temas prediletos: “Social Concern and World Evangelism. 1989). 1982).Samuel Escobar é autor de vários livros sobre teologia e missiologia: Diálogo entre Cristo y Marx (1967). “Transformation in Ayacucho: From Violence to Peace and Hope” (Transformation. “La Presencia Protestante en America Latina: Conflicto de Interpretaciones. Finalmente. 1987). 1991). International Bulletin of Missionary Research.” em Historia y Misión: Revisión de Perspectivas (1994).” em Is Revolution Change? (1972). “Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological Christology” (Missiology. “The Search for a Missiological Christology in Latin America. La Fe Evangelica y las Teologías de la Liberación (1987). Evangelical Review of Theology.” em New Face of the Church in Latin America: Between Tradition and Change (1994). entre outros. “From Lausanne 1974 to Manilla 1989: The Pilgrimage of Urban Mission” (Urban Mission. Paulo Freire: Una Pedagogia Latinoamericana (1993).” em Bible Translation and the Spread of the Church (1990). “The Church in Latin America after Five Hundred Years” e “Conflict of Interpretations of Popular Protestantism. “Mission in Latin America: An Evangelical Pespective” (Missiology.” em Missiological Education for the Twenty-First Century (1996). René Padilla). publicado em 1998 pela Editora Ultimato. “The Social Impact of the Gospel. “Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America” (IBMR. Uma vez mais.” em Emerging Voices in Global Christian Theology (1994). Transformation. “Evangelism and Man´s Search for Freedom. “Religion and Social Change at the Grass Roots in Latin America. Evangelio y Realidad Social (1988). Liberation Themes in Reformational Perspective (1989). “Recruitment of Students for Mission” (Missiology. os próprios títulos de alguns artigos representativos dão uma clara idéia dos principais temas com os quais Escobar tem trabalhado ao longo dos anos: “The Social Responsibility of the Church in Latin America” (EMQ. Escobar também escreveu diversos ensaios que foram publicados como capítulos de livros. Estratégia e Teologia de Missões. 1990). Justice and Fulfillment. “500 Years after Columbus: Requiem 48 . “Latin America.” em Toward the Twenty-First Century in Christian Mission (1993). “The Elements of Style in Crafting New International Mission Leaders” (EMQ. com John Driver). 1970). Christian Mission and Social Justice (1978. “A Pauline Paradigm of Mission: A Latin American Reading. Um dos seus livros mais recentes é Desafios da Igreja na América Latina: História.” em Let the Earth Hear His Voice (1974). seus numerosos artigos têm aparecido em renomados periódicos como Evangelical Missions Quarterly. Irrupción Juvenil (1978).” em Christ the Liberator (1971). Decadencia da la Religión (1972). “The Training of Missiologists for a Latin American Context. “The Role of Translation in Developing Indigenous Theologies: A Latin American View. Quien es Cristo Hoy? (1970. entre outros. “A Movement Divided: Three Approaches to World Evangelization Stand in Tension with One Another” (Transformation.

pastores. Ele observa que. em particular depois de 1966. “The Legacy of John Alexander Mackay” (IBMR. “Beyond Liberation Theology: A Review Article” (Themelios. Como pastor. marcado por injustiça e opressão generalizada. 1994). Em seu livro Mission Theology.or Te Deum?” (EMQ. o ano em que eles patrocinaram duas grandes conferências mundiais sobre missões e 49 . Tendo vivido em um período de grande turbulência na história latino-americana. ajudam a entender as preocupações reveladas pelos títulos dos seus escritos. “Missions´ New World Order: The Twenty-First Century Calls for us to Give up our Nineteenth-Century Models for Worldwide Ministry” (Christianity Today. Escobar considera sua tarefa articular essa missiologia holística e inspirar outras pessoas — estudantes. Sua identidade latino-americana também é essencial para a reflexão e os envolvimentos teológicos de Escobar. tanto católica quanto protestante. os evangélicos começaram a constituir uma comunidade verdadeiramente global com uma visão abrangente de missões. REFLEXÃO TEOLÓGICA E ENVOLVIMENTOS Samuel Escobar identifica-se como um evangélico. sendo bastante crítico da sua teologia/ideologia. Escobar e alguns colegas sentiram que não era suficiente pregar um evangelho puramente espiritual. professor e teólogo. ele está longe de partilhar das idéias e compromissos do fundamentalismo. A igreja deve proclamar Jesus Cristo como Salvador e Senhor porque os seres humanos carecem tanto de reconciliação com Deus quanto de dignidade e integridade em sua vida neste mundo. 1992). por um lado. Conseqüentemente. leigos e líderes cristãos — a compartilhar essa visão. “The Whole Gospel for the Whole World from Latin America” (Transformation. Para ele. 1992). Para ele. como indivíduos e como membros da sociedade. O evangelho tem implicações sociais e políticas revolucionárias que não podem ser omitidas. violência política. 1998). o evangelho tem relevância para a totalidade da vida. especialmente em um contexto de pobreza e sofrimento. e a igreja deve partilhar desse interesse de Deus. especialmente através dos movimentos de que participou a partir da década de 1960. golpes militares. Rodger C. especialmente entre 1948 e 1975. a mensagem bíblica em geral. 1993). líder de movimentos estudantis.20 As influências recebidas por Escobar. em meados da década de 60. ele sempre interessou-se pela missão da igreja. “A Missiological Approach to Latin American Protestantism” (IRM. que ele não tem nenhuma conexão particular com as correntes da teologia da libertação que foram e ainda são uma expressão importante da teologia latinoamericana. mostram o interesse de Deus por todas as necessidades humanas. Escobar tem um profundo interesse em missões. 1994). III. Bassham descreve o desenvolvimento das teologias de missão ecumênica. regimes ditatoriais e caos sócioeconômico. Por outro lado.21 Isto significa. e os ensinos e o ministério de Jesus em particular. evangélica conservadora e católica.

a fim de permitir o surgimento de igrejas nativas alicerçadas na fé. O impacto de líderes como Samuel Escobar e C. Estes por sua vez contribuíram para o Congresso Internacional de Evangelização Mundial (Lausanne. que evocou manifestações de opinião de toda a comunidade evangélica. Escobar falaria apaixonadamente sobre a necessidade de se estabelecer uma relação entre as preocupações sociais e a evangelização mundial. 50 . Samuel Escobar estando entre eles. 1974).24 Na convenção de 1970. à medida que evangélicos de todo o mundo começaram a empreender juntos uma análise da situação enfrentada por aqueles que estavam envolvidos com missões e evangelismo em todos os continentes. Estados Unidos.”26 Uma das grandes influências nas deliberações do congresso veio através das contribuições de oradores do terceiro mundo. 1966) – a primeira grande reunião mundial de evangélicos no século XX – também estimulou congressos regionais de evangelização em vários continentes. Nesse contexto. Ele exortou os missionários a superar a mentalidade paternalista. o Pacto de Lausanne demonstra que “os evangélicos desenvolveram uma teologia de missão amadurecida. Escobar estava entre os muitos líderes do terceiro mundo que falaram enfaticamente em prol das igrejas nativas. Escobar foi ouvido pela primeira vez por grandes audiências internacionais nas convenções da Fraternidade Cristã Universitária realizadas em Urbana. Bassham identifica vários desdobramentos importantes: os primórdios de uma teologia evangélica de missão altamente representativa (a Declaração de Wheaton). e capazes de atuar eficazmente em seu contexto local. O Congresso Mundial de Evangelização (Berlim. Ele e outros oradores da América Latina desafiaram os evangélicos norte-americanos a reconhecer a necessidade de promover justiça social e reformas políticas como parte dos seus deveres como cristãos. imperialista e colonialista. à medida que os participantes se debatiam com as questões da teologia de missão no mundo contemporâneo.evangelização.22 Os congressos de Wheaton e Berlim marcaram um novo estágio na emergência de uma identidade evangélica. nos anos 60. Para Bassham. 1966). dotadas de uma liderança nacional bem-treinada. a luta em torno da relação entre evangelização e ação social.25 No entanto. e o crescente número de vozes evangélicas provenientes de fora da América do Norte. positiva e consistente. No Congresso Mundial de Evangelização (Berlim. diversidade de perspectivas e profundidade de análise jamais alcançado anteriormente em uma assembléia evangélica. Bassham observa que “as apresentações e discussões de Lausanne mostraram um espírito de abertura. o forte impacto do conceito de “crescimento da igreja” sobre a teologia evangélica de missões.”23 Em todos esses acontecimentos importantes houve uma decidida participação de teólogos latino-americanos. 1974). o principal forum internacional em que se ouviu a voz de Escobar foi o Congresso Internacional de Evangelização Mundial (Lausanne.

toda pessoa. devemos rejeitar a falsa noção de que a preocupação com as implicações sociais do evangelho e as dimensões sociais do testemunho cristão resultam de uma falsa doutrina ou de uma ausência de convicção evangélica. econômicos e políticos —. Também aqui manifestamos o nosso arrependimento. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus. Em seu capítulo sobre a “Responsabilidade Social Cristã. cultura. é o interesse pela integridade do Evangelho que nos motiva a acentuarmos a sua dimensão social. Enquanto que a orientação teológica de Lausanne permaneceu firmemente evangélica. classe. Samuel Escobar teve uma importante participação no 51 . De uma vez por todas. devemos partilhar da sua preocupação com a justiça e a reconciliação em toda a sociedade humana e com a libertação dos homens de todo tipo de opressão. Embora a reconciliação com o ser humano não seja o mesmo que a reconciliação com Deus. cor. ela também produziu algumas mudanças bemdefinidas na teologia evangélica de missões. acentuando a autoridade da Bíblia. tanto pela nossa negligência quanto por às vezes termos considerado a evangelização e a preocupação social como mutuamente exclusivas. do discipulado cristão e da renovação da igreja. sexo ou idade. tem uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida.28 No âmbito continental. e não explorada. O Pacto de Lausanne foi muito além das declarações evangélicas tradicionais. Orlando Costas e Samuel Escobar proferiram as declarações mais fortes no sentido de que a preocupação com as necessidades sociais da humanidade e o envolvimento com as mesmas é uma parte necessária do testemunho e da responsabilidade dos cristãos em favor do mundo.” o Pacto de Lausanne declara: Afirmamos que Deus é tanto o Criador como o Juiz de todos os homens.. até mesmo ao ponto de se esforçarem pela mudança das estruturas sociais. Bassham cita as seguintes afirmações de Escobar: Uma espiritualidade sem discipulado nos aspectos diários da vida — sociais. foi de especial importância. Lausanne abordou o tema abrangente da evangelização mundial. Oradores latino-americanos como René Padilla. referindo-se com isso ao ministério e à missão total da igreja. nem a libertação política seja salvação. através do grupo de Discipulado Radical.René Padilla. não importa qual seja a sua raça. nem a ação social seja evangelismo.. religião. todavia afirmamos que tanto a evangelização como o envolvimento socio-político são parte do nosso dever cristão. é religiosidade e não cristianismo. demonstrando que o evangelismo bíblico é inseparável da responsabilidade social. Portanto. Ao contrário.27 Muitas vezes durante o congresso os participantes afirmaram ter um interesse profundo e permanente pela ação social em favor dos pobres e necessitados. a singularidade de Cristo e a necessidade da evangelização.

31 Essa ênfase achou lugar na Declaração Evangélica de Bogotá. violência e desespero. pelo contrário. que envia o evangelista.”34 Ele argumenta que os evangélicos latino-americanos escolheram o Pacto de Lausanne como uma expressão do seu consenso doutrinário básico e do seu claro compromisso com um modelo de missão integral e bíblico.”32 se os cristãos quisessem testemunhar fielmente em seu contexto sócio-cultural.33 O próprio Escobar acha que o seu modelo pode ser melhor descrito como “holístico. Apesar das diferenças existentes entre os dois movimentos. essa terceira busca tem assumido várias formas. planejado em resposta a pedidos de delegados latino-americanos presentes no Congresso de Berlim. do homem e do mundo. Samuel Escobar e C. Bogotá. de uma expressão mais autêntica de unidade cristã no empreendimento missionário e de uma reflexão missiológica mais séria e profunda. Orlando Costas comenta que 1969 foi para os protestantes o que 1968 havia sido para os católicos (II Conferência Episcopal Latino-Americana. Em sua opinião. 1969). em Medellín. a sua apresentação sobre a responsabilidade social da igreja recebeu a atenção mais entusiástica. Naquele ano.29 Dentre os 28 discursos principais. Costa vê nos documentos de ambos os eventos a emergência de novas tendências missiológicas caracterizadas por um tríplice interesse: a busca de um entendimento histórico de missões. os protestantes latino-americanos realizaram ainda outra grande conferência – a Conferência Evangélica LatinoAmericana (CELA III). Ele argumentou eloqüentemente que tanto a evangelização quanto a ação social são necessárias para o testemunho cristão. evangélicos. três anos antes. fome. René Padilla.. uma das quais é o modelo ético-missiológico — missão da perspectiva de questões éticas — articulado por. que trai o ensino bíblico e não segue o modelo proposto por Cristo.35 Em um capítulo sobre a América Latina que escreveu para o livro Toward the Twenty-First Century in Christian Mission (1993). entre outros. Colômbia). que formam a base desse Evangelho.. de Jesus Cristo. além do CLADE I. Escobar menciona duas outras 52 . injustiça. é levar às suas últimas conseqüências os ensinos a respeito de Deus. que afirmou: “É chegada a hora de nós. em Buenos Aires.” Os participantes afirmaram que “o exemplo de Cristo devia ser encarnado na crítica situação latino-americana de subdesenvolvimento. levarmos a sério a nossa responsabilidade social. Sustentamos que uma evangelização que não toma conhecimento dos problemas sociais e que não anuncia a salvação e a soberania de Cristo dentro do contexto no qual vivem os que ouvem.Primeiro Congresso Latino-Americano de Evangelização (CLADE I. é uma evangelização defeituosa.30 Escobar afirmou a certa altura: Existe base suficiente na história da Igreja e nos ensinamentos da Palavra de Deus para afirmar categoricamente que a preocupação pelo aspecto social do testemunho evangélico no mundo não é um abandono das verdades fundamentais do Evangelho.

” que McGavran faz. Segundo. pois operavam com uma noção bíblica holística do ser humano.conferências missionárias latino-americanas. ambas realizadas no Brasil. somente em seu nome há salvação para a humanidade. ou irá adotar as técnicas e padrões da sociologia funcionalista. Escobar acredita que o êxito do avanço protestante na América Latina deve ser interpretado fazendo-se perguntas sérias sobre o seu dinamismo transformador e a sua contribuição para a justiça nas relações sociais. Assim sendo.37 Por essa razão. cujo pacto manteve a ênfase de Lausanne sobre a preocupação social como parte da missão da igreja: “Assim como no passado o chamado de Jesus Cristo e da sua missão foi um chamado para cruzar fronteiras geográficas. e essa singularidade de Jesus Cristo é essencial para a mensagem da igreja. Escobar afirma que.”36 Todavia. como evangélico.40 O que Escobar questiona é se uma pessoa pode realmente evangelizar anunciando a Cristo como Salvador e então deixar a questão do senhorio de Cristo sobre toda a criação para uma segunda etapa. inclusive a clamorosa realidade de pobreza que circundava o próprio local em que se reuniram os delegados. hoje o Senhor está nos chamando para cruzarmos as fronteiras da desigualdade. a igreja nunca deve perder o seu senso de missão e do seu chamado para proclamar a Jesus Cristo como Salvador e Senhor. que poderá nunca chegar. Reagindo contra o triunfalismo fácil das estatísticas e a tirania do controle de dados. Ele preocupa-se com a “missiologia gerencial” que dá ênfase à proclamação verbal e ao crescimento numérico de adesões à igreja como o principal componente das missões cristãs. injustiça e idolatria ideológica. São Paulo. ele lamenta o fato de que o Congresso Missionário Ibero-Americano (COMIBAM. Escobar é um crítico rigoroso do movimento do Crescimento da Igreja. Ele observa que os grandes missionários dos primeiros 1800 anos da igreja dificilmente fariam a distinção entre “espiritual” (evangelização) e “o resto. 1976). 1987) deixou de abordar conceitos básicos do entendimento de missões. Escobar argumenta que o grande dilema para o qual a missiologia deve estar alerta é diferente: A obra missionária será realizada segundo o modelo de Jesus e a prática apostólica. mas também o esforço consciente de executar essa tarefa segundo moldes bíblicos. do marketing e das relações públicas?41 53 . ele concorda integralmente com dois pontos do apelo de McGavran: primeiro. Uma delas foi o Primeiro Congresso Missionário Latino-Americano (Curitiba.38 Ele acha que a base desse questionamento tem sido o compromisso claro com a tarefa de missões e evangelização. iniciado por Donald McGavran em 1960. testemunha-se o surgimento de uma nova teologia contextual que conclama à “integridade” da missão e procura associar o zelo evangelístico com a paixão holística.39 Em resposta a um artigo de McGavran. Eles não procurariam estabelecer prioridades nesses termos. O que o movimento do Crescimento da Igreja necessita é o corretivo de uma sólida teologia bíblica. porque Jesus Cristo é Senhor.

e apela a uma genuína cristologia missiológica que. essas igrejas estão oferecendo não somente um abrigo ou refúgio no sentido mais limitado."43 Ele observa que alguns pentecostais latino-americanos também escolheram o Pacto de Lausanne como expressão do seu compromisso com um modelo de missão holístico e bíblico. à medida que a Igreja Católica Romana latino-americana buscou nova relevância social e política.45 A Teologia da Libertação confronta a missiologia evangélica com dois desafios. enfatize “o discipulado cristão como algo que implica em colocar a totalidade da vida debaixo do senhorio de Jesus Cristo. a Teologia da Libertação foi uma das conseqüências desse processo. ele aborda esse movimento na qualidade de “um observador-participante. alcançar dignidade humana e sobreviver ao impacto das forças anômicas que atuam nas grandes cidades.”42 Ele destaca várias lições missiológicas que podem ser extraídas do impressionante crescimento do pentecostalismo latinoamericano: é um movimento religioso (e não social ou político). Se. embora Escobar considere inadequadas a análise marxista e a “escatologia” da Teologia da Libertação.”47 Contra o Cristo “docético” do catolicismo latino-americano tradicional. nas palavras de René Padilla. é um movimento popular. ele admite que a missiologia evangélica está aprendendo a encarar a história missionária com uma atitude menos ingênua e mais madura. o evangelho era a verdadeira força libertadora nas vidas dos latino-americanos. e a religião oficial uma força opressora. Escobar vê com apreciação o dinamismo e o crescimento do protestantismo popular (pentecostalismo) na América Latina.”46 Na área da hermenêutica. Escobar reafirma a ênfase evangélica na centralidade da Escritura e questiona a abordagem fortemente ideológica da interpretação bíblica demonstrada pelos teólogos da libertação. por outro lado ele não sente entusiasmo pela Teologia da Libertação. alguém que tem procurado ser um crítico e intérprete amoroso – um crítico severo em alguns pontos – do lado de dentro. Como evangélico. Com relação ao primeiro. mobiliza as pessoas para a missão e cria um senso de comunidade. Ele admite: “Nós não mais podemos aceitar uma missiologia que recusa-se a levar a sério as realidades políticas e sociais. Escobar declara que "para as massas em transição. Escobar entende que a Teologia da Libertação é uma voz eloqüente que procura reinterpretar a história cristã e a mensagem cristã. Escobar e os seus colegas da Fraternidade Teológica Latino-Americana têm refletido sobre o Jesus dos 54 . no início das missões protestantes na América Latina. mas a única maneira disponível de encontrar aceitação social. Ele admite que a hermenêutica evangélica necessitar ser constantemente purificada de pressuposições ideológicas.44 Em décadas recentes. por um lado. A missiologia evangélica deve avaliá-la. um na área da consciência histórica e o outro na da hermenêutica. Ele observa como.Compreensivelmente. Escobar diverge da escola do Crescimento da Igreja.

e vamos unirnos aos nossos irmãos e irmãs a fim de completarmos a tarefa inacabada. Nesse sentido. experiência de vida. terceiro mundo) pudessem convergir em um movimento mais articulado e cooperativo para enfrentar a tarefa missionária do terceiro milênio.”49 Ele argumenta que seria grandemente desejável para a globalização das missões e da teologia evangélica se as diferentes correntes missiológicas do evangelicalismo (européias. tanto individual quanto social. as igrejas dos pobres. com o entendimento de que ser seu discípulo é ser chamado por ele tanto para conhecê-lo quanto para participar da sua missão. Ele observa que tal missiologia “é caracterizada por uma forte ênfase hermenêutica que insiste na importância de ler o mundo e ler a Palavra. consciência histórica e preocupação pastoral.”48 Essa missiologia cristológica busca um novo modelo para inspirar e moldar a ação missionária. ele destaca a importância do treinamento de missionários e missiólogos para o contexto latino-americano. Nessas igrejas do hemisfério sul. suas formas contextualizadas de culto e ação missionária e o destaque 55 . mencionada no início deste trabalho. sobre como a sua obra e ensino são relevantes para todas as áreas da vida. especialmente nas fronteiras de missão. e como ele o está fazendo. Além disso. ele argumenta que “nosso programa de treinamento na América Latina precisa ser elaborado com base em convicções bíblicas. Há uma séria reflexão acerca daquilo que os evangelhos dizem sobre a pessoa e a obra de Jesus de Nazaré. como uma missiologia crítica da periferia. Escobar identifica essa reflexão missiológica que está vindo não só da América Latina. há uma busca do significado e da “integridade” do evangelho — Jesus Cristo é tanto o conteúdo quanto o modelo e o alvo da proclamação do evangelho. Escobar cita novamente seu amigo René Padilla: “(O evangelicalismo) afirma o poder transformador de Cristo em relação ao indivíduo. Inicialmente. O material bíblico é abordado a partir de várias perspectivas possuidoras de significado missiológico. Deus está despertando uma nova força missionária. mas também da África e da Ásia. Escobar aborda em cinco ensaios algumas de suas preocupações mais fundamentais. Há também uma preocupação quanto às marcas da missão de Jesus.”51 Mais uma vez ele expressa o seu entusiasmo pelo protestantismo popular (pentecostalismo) devido a sua ênfase na mobilização dos leigos. mesmo que essa leitura signifique um exame incômodo e sério da herança evangélica. mas é totalmente incapaz de relacionar o Evangelho com a ética social e a vida social.evangelhos. crescimento da igreja. Em um artigo sobre a preparação de líderes de missões.”50 Em sua obra publicada recentemente em português. Escobar observa que a internacionalização das missões cristãs implica em reconhecer que Deus tem levantado igrejas grandes e florescentes no terceiro mundo. Escobar gostaria de ouvir as igrejas norte-americanas dizerem: “Vamos descobrir o que Deus está fazendo em outras partes do mundo. Essa reflexão inclui uma crítica do cristianismo evangélico na América Latina.

REFLEXÕES FINAIS Samuel Escobar não se identifica como um reformado ou calvinista.54 Historicamente. ao lado da sua anterior ênfase cristocêntrica. espírito de competição. fato que tem sido amplamente documentado por diversos pesquisadores. Na realidade. uma vez que está filiado à Igreja Menonita. Nos escritos do grande reformador. Isso tem levado Escobar.”52 Ao mesmo tempo que expressa sua admiração pelas igrejas populares. falta de uma eclesiologia clara e atitudes sectárias. como a sua ênfase quase que exclusiva sobre as massas empobrecidas da América Latina como objeto da ação missionária da igreja. elas enfrentam os riscos do excesso de individualismo. ele aponta que os evangélicos latino-americanos têm maior afinidade com os pietistas. em anos recentes. Ele entende que “os evangélicos latino-americanos necessitam de um impulso renovado do Espírito Santo e de uma leitura nova e contextual da Palavra de Deus. o nosso continente testemunha o crescimento cada mais acentuado de uma classe média significativa que também deve ser alvo do interesse da igreja. e conclui com uma análise do modelo missionário de Paulo. Escobar reconhece que. algumas de suas suas ênfases certamente contariam com o aval de João Calvino e de muitos dos seus seguidores. cartas. a partir da sua própria comunidade local. com sua ênfase na conversão de indivíduos ao evangelho. Ele encarece a necessidade de uma espiritualidade profunda aliada a uma preocupação igualmente intensa com as exigências éticas do evangelho. alguns pontos da sua missiologia merecem reparos. a dar uma grande ênfase ao papel do Espírito Santo nas missões cristãs. sermões ou nas Institutas. vemos uma preocupação constante com as implicações sociais e comunitárias do Evangelho. Escobar alerta os cristãos evangélicos para a necessidade de um constante processo de encarnação e contextualização que rejeita toda e qualquer forma de paternalismo e discriminação. Ainda que isso não deixe de ser importante. Não obstante. os reformados têm acentuado um conceito abrangente acerca da missão da igreja.dado ao ministério do Espírito Santo e ao elemento de conflito espiritual relacionado com a missão da igreja.53 Finalmente. Ásia e América Latina). Sua biografia e envolvimentos revelam uma conexão preponderante com a tradição anabatista. Não precisamos concordar com tudo o que Samuel Escobar tem escrito. Para superar esses problemas ele novamente propõe o modelo de missão integral. seja em seus comentários. com sua notável interação entre reflexão e ação missionária. que vai além da experiência religiosa pessoal para incluir a comunidade e o mundo. muito embora as suas práticas nem sempre tenham correspondido às suas convicções. Após salientar o “fator novo” na história do cristianismo que é a transferência do dinamismo missionário para o hemisfério sul (África. morávios e avivalistas dos séculos XVIII e XIX do que com os reformadores do século XVI. Ao lado disso. Escobar tende a superestimar os valores positivos das igrejas 56 .

tendo como alvo a conversão individual. na Europa e nos Estados Unidos. as disputas teológicas tão bem exemplificadas pela controvérsia modernistafundamentalista nos Estados Unidos. da reforma das prisões. A Bíblia fala de um Deus que toma a iniciativa. como é caso de alguns recentes movimentos neopentecostais. são o nosso grande paradigma de missão. produziram a concepção dicotômica da missão da igreja que hoje observamos. Ao mesmo tempo que enviavam pregadores do evangelho para todos os quadrantes do mundo. evangélica e igualmente radical em suas implicações. da luta contra o trabalho infantil. quando. que realmente correm o risco de tornar-se irrelevantes na sociedade caso não despertem para algumas dolorosas realidades que existem ao seu redor. que busca a humanidade com amor e compaixão. optaram decididamente por atividades de cunho social. Tal ocorrência seria um retrocesso histórico lastimável. Escobar e seus colegas têm algo importante a dizer às igrejas evangélicas históricas da América Latina e do Brasil. Infelizmente. devemos levar a sério os desafios desses líderes. que falam com convicção. que quer dar vida e dignidade à sua criação. 57 . no início deste século. ao passo que os liberais. pois que a igreja cristã em geral e as igrejas evangélicas de modo particular têm uma longa e honrosa tradição de “missão integral” ao mundo. muitos cristãos aderiram à agenda revolucionária da Teologia da Libertação. Não obstante. quando nosso continente foi sacudido por profundas convulsões políticas. dando pouca atenção a alguns sérios problemas apresentados pelas mesmas. Samuel Escobar e seus companheiros da Fraternidade Teológica LatinoAmericana fizeram um esforço sério no sentido de apresentar uma alternativa a essa teologia que fosse bíblica. da abolição da escravatura. Os conservadores em grande parte aferraram-se à idéia de que a missão exclusiva da igreja é a evangelização. do combate ao alcoolismo e de tantas outras causas nobres. Isso foi ilustrado de maneira extraordinária por Jesus. ideológicas e sociais.populares. as igrejas e cristãos individuais estavam na vanguarda de movimentos em prol da extinção do tráfico negreiro. notadamente nas áreas doutrinária e ética. como agente e instrumento de Deus. Como Escobar destaca. coerência e clareza sobre a necessidade de um entendimento abrangente da tarefa da igreja no mundo. Como cristãos brasileiros preocupados tanto com a missão da igreja quanto com as difíceis realidades sócio-econômicas de nosso país. poucos afeitos à pregação do evangelho. Eles demonstraram que as igrejas podem permanecer fiéis às suas convicções históricas e ao mesmo tempo adotar uma postura ousada e coerente em relação aos problemas sociais. em seu ministério terreno. Basta lembrarmos o intenso esforço de missões e de reforma social gerado pelos grandes despertamentos dos séculos XVIII e XIX. especialmente como reveladas no seu Filho. Num período conturbado da história recente da América Latina. manifestou o interesse de Deus por todos os tipos de pessoas e pela pessoa integral. Jesus Cristo. a atitude e as ações de Deus em relação ao mundo.

a preocupação com prioridades. 1987). como Joseph H. Ver. Ele instruiu os seus seguidores a continuarem a sua obra de proclamação do reino (Jo 20. estatísticas e resultados rápidos não deve cegar a igreja para a integridade da missão. Jesus lutou e morreu na cruz.: O presente estudo é uma versão ampliada do artigo “Samuel Escobar e a Missão Integral da Igreja: Uma Perspectiva Latino-Americana. “Ecumenical Bearings of the Missionary Movement and the International Missionary Council. Inevitavelmente é levantada a questão das prioridades: uma vez que não podemos fazer tudo que Deus espera que façamos. ela também precisa expressar o interesse de Deus por toda a vida e espelhar a atitude daquele que disse: “Eu vinham para que tenham vida. esses sublimes ideais nem sempre encontram plena expressão nas vidas diárias dos cristãos e das igrejas. com uma contribuição e uma mensagem singular. Essa mensagem. Por causa do seu forte senso de missão. 353-402 (Genebra: World 58 . se vivida até as suas últimas conseqüências. Seus líderes. Ela é uma instituição singular.O Cristo do Novo Testamento interessa-se por todas as necessidades humanas — espirituais. É para essas implicações mais amplas do evangelho e da missão da igreja que cristãos comprometidos e inquiridores como Samuel Escobar chamam a nossa atenção. A Conferência de Edimburgo é considerada o berço do moderno movimento ecumênico. eds. vamos concentrar os nossos esforços no que é primordial – a evangelização – e as outras preocupações cuidarão de si mesmas. Todavia. Mott e Robert E.” A igreja não deve ser reduzida a uma organização social ou a um grupo de pressão política como tantos que existem na sociedade.” publicado em Vox Scripturae 8/1 (Julho 1998): 95-111. Tudo deve ser colocado debaixo do propósito e do senhorio de Deus. praticidade ou. 3ª ed. O reino de Deus e seus novos valores devem ser manifestos em todos os tipos de relacionamentos humanos.” em A History of the Ecumenical Movement: 1517-1948. necessariamente fará com que a igreja enfrente as diferentes situações que afetam a vida humana neste mundo caído.21s). Hutchison. John R. Latourette. Oldham. a esse respeito.. muitas vezes. físicas e emocionais. Speer. o importante livro de William R. a sua mensagem e ações desafiam todas as áreas da vida particular e coletiva. Evidentemente. Neill. as famílias e as comunidades à reconciliação e nova vida em Jesus Cristo – certamente é básica e essencial. Ruth Rouse e Stephen C. a evangelização – convidar os indivíduos. Obs. À medida que a igreja evangeliza. eram provenientes do movimento cristão de estudantes. Errand to the World: American Protestant Thought and Foreign Missions (Chicago: The University of Chicago Press. Ver Kenneth S. Desde uma perspectiva evangélica. e a tenham em abundância. o propósito total de Deus para a humanidade e para a comunidade redimida.

onde. entidade que promoveu o maior esforço cooperativo até hoje empreendido pelas igrejas evangélicas brasileiras e foi precursora da Confederação Evangélica do Brasil. duas realizaram-se na cosmopolita e culta Buenos Aires. 13. Dali percorri o Norte e o Nordeste. Outros nomes importantes no campo católico são Juan Luis Segundo. Neste último aspecto. o próprio Escobar afirma em uma obra recente: “Desde a minha primeira visita ao Brasil. até Manaus. John Kessler e Wilton M.” Pastoralia 1/2. Das três CELAs. “Panamá 1916 y su Impacto sobre el Protestantismo Latinoamericano. os presbiterianos Eduardo Carlos Pereira. Hugo Assmann. Entre os latino-americanos presentes no congresso estavam apenas três brasileiros. Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). Núnez e o brasileiro Valdir Steuernagel. enquanto que todos os CLADEs ocorreram nos países andinos. Escobar. Ecumenical Foundations: A History of the International Missionary Council and its Nineteenth-Century Background (Nova York: Harper and Brothers. Sobre a sua relação com o Brasil. 20. Os critérios de seleção procuram ser os mais abrangentes possíveis em termos de faixas etárias dos participantes. trabalhei como missionário na frente estudantil. Daí o subtítulo utilizado: “Para considerar os problemas missionários relativos ao mundo não-cristão. Jon Sobrino. 1952). 35. um velho Catalina da Panair. Henrique Dussel e Leonardo Boff. O historiador Sidney Rooy identifica uma seqüência de três séries ou ciclos de encontros do protestantismo latino-americano.” 22. Cheguei de avião. 131-32. entre 1962 e 1964. o órgão cooperativo correspondente ao CLAI é a Confraternidade de Evangélicos da América Latina (CONELA). como jovem delegado peruano a um congresso mundial da juventude batista. Entre os evangélicos conservadores. sexo. entre outros. até chegar a São Paulo. em 1953.” William R. Em 1959 e 1960 percorri como evangelista e discipulador um bom número de centros universitários. René Padilla. Emílio A. “Los ‘CLADEs’ y la Misión de la Iglesia. autor de Uma Teologia da Libertação (1971). metade das inscrições é reservada para participantes pentecostais. “Los ‘CLADEs’ y la Misión de la Iglesia. ed. especial (Novembro 1978): 521. Erasmo eventualmente tornou-se o secretário da Comissão Brasileira de Cooperação. Um dos primeiros e mais importantes articuladores dessa teologia foi o sacerdote peruano Gustavo Gutiérrez.Council of Churches. com seus enormes problemas sociais e suas dinâmicas igrejas populares. Os próprios locais dessas conferências e congressos são reveladores. Rolando Gutiérrez.” Samuel Escobar. 59 . 1986). Tito Paredes. no campo protestante destacaram-se José Miguez Bonino e Rubem Alves. nos primeiros anos da Aliança Bíblica Universitária.” Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). Outros membros bem conhecidos da Fraternidade Teológica são C. Álvaro Reis e Erasmo Braga. José Porfirio Miranda. identidade étnica e filiação eclesiástica. Hogg. Citado por Tito Paredes em “Visión Histórica de los ‘CLADEs’. na selva peruana. Nelson. Ver Samuel Escobar.” Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). apaixonei-me por esse imenso país. de Iquitos.

esta é a tradução dos títulos dos artigos de Escobar: “A responsabilidade social da igreja na América Latina”. Ver Samuel Escobar. Também publicado em Annals of the American Academy of Political & Social Science 554 (Nov 1997). publicou os trabalhos apresentados nessa consulta. “A nova ordem mundial das missões: o século XXI nos conclama a abandonarmos nossos modelos de ministério mundial procedentes do século XIX”. Mackay”. ele foi editor de Certeza.Desafios da Igreja na América Latina: História. em março de 1998. o termo “evangélico” tem sido virtualmente sinônimo de “protestante. Segundo o Mennonite Brethren Herald. um órgão de exposição do pensamento evangélico. “Elementos de estilo na formação de novos líderes missionários internacionais”. Para os leitores não familiarizados com o inglês. Pedro Arana. A revista Evangelical Review of Theology. Valdir Steuernagel e Rodrigo Zapata. “O evangelho inteiro para o mundo inteiro a partir da América Latina”.” Evangelical Review of Theology 7. publicado na Argentina. “Transformação em Ayacucho: da violência à paz e esperança”. “Além da teologia da libertação: artigo-resenha” e “Uma abordagem missiológica do protestantismo latino-americano. “Missão na América Latina: uma perspectiva evangélica”.” Escobar também leciona no curso de Administração do Eastern College. que tentam unificar todos os evangelicais. (2) evangelicais separatistas 60 . historicamente. “Um movimento dividido: três abordagens da evangelização mundial permanecem em tensão entre si”. “O recrutamento de estudantes para missões”. na Coréia do Sul. “A Latin American Critique of Latin American Theology. nº 1 (abril 1983): 48-62. “Além da teologia da libertação: missiologia evangélica na América Latina”. “A missiologia de McGavran foi devorada por um leão?”. e diretor de Pensamiento Cristiano. realizada em Seul.” Como no Brasil. 1997). uma revista para estudantes universitários. Estratégia e Teologia de Missões (Viçosa. “De Lausanne 1974 até Manilla 1989: a peregrinação da missão urbana”. Mais recentemente. David Bosch menciona pelo menos seis tipos básicos: (1) novos evangelicais (como Billy Graham). um deles escrito por Escobar e três colegas latinoamericanos. em nível de pós-gradução. Por exemplo. em 1982 Escobar participou da Consulta de Teólogos do Terceiro Mundo. “500 anos após Colombo: Requiem ou Te Deum?”. culturais e tecnológicos. MG: Editora Ultimato. Por força de suas ocupações.” os estudiosos estão utilizado o anglicismo “evangelical” para designar especificamente os evangélicos conservadores. “o missiologista Samuel Escobar disse que um conceito holístico de missão conclama os cristãos a compartilhar tanto a vida espiritual quanto recursos materiais e a utilizar instrumentos espirituais. 11. “O legado de John A. “Teologia evangélica na América Latina: o desenvolvimento de uma cristologia missiológica”. órgão oficial da referida Comissão Teológica. em distinção dos progressistas ou liberais. Escobar também foi responsável por vários periódicos. como ocorre nos Estados Unidos. “Missões e renovação no catolicismo latino-americano”. Por exemplo. Seu papel principal é ajudar os estudantes a considerar as missões cristãs no contexto da justiça econômica. Escobar participou de uma conferência sobre economia e missões promovida pelo Concílio de Ministérios Internacionais das igrejas menonitas norteamericanas.

Ibid.” do grego hólos (“inteiro”.” em Pensamiento Cristiano 93 (Março 1978): 170-175. 237. “completo”). “Holístico. 25. Ver Samuel Escobar. Desafios da Igreja. The Lausanne Covenant: An Exposition and Commentary (Minneapolis: World Wide. Mission Theology: 1948-1975 – Years of Worldwide Creative Tension – Ecumenical. “Anômicas” deriva de “anomia.html. procura tratar tanto a mente como o corpo. Mission Theology. James M.. Escobar. A medicina holística. Ibid.. e (6) evangelicais ecumênicos (como John Stott. “Latin America. ed.homenet. (4) evangelicais pentecostais e carismáticos.” 134. o surgimento de uma “teologia nacional” entre os evangélicos latino-americanos. Ver Internet. 187. Conn e Samuel F. Quando Escobar concluiu sua palestra.” em Missions and Theological Education in World Perspective. 350. Samuel Escobar. “Mission in Latin America: An Evangelical Perspective.. 131. René Padilla e Orlando Costas). Romen (Farmington. 291. Ibid. Ibid. A Responsabilidade Social da Igreja. Orlando Costas. and Roman Catholic (Pasadena. 225. Escobar.” a instabilidade 61 .. Samuel Escobar. (5) evangelicais radicais (como Samuel Escobar. Festo Kivengere e Arthur Glasser). 1993). Michigan: Urbanus. 104. John Stott.br/cem/postura. Phillips e Robert T. Rodger C. 231. www. Ibid. Ibid. 1984). “Missiology in Contemporary Latin America: A Survey. Bassham. 295. 349-350. 7-8. Escobar atribui ao CLADE I..” 241. 1970). Mission Theology. Ibid. “Has McGavran´s Missiology been Devoured by a Lion?” Missiology 17 (Julho 1989). Evangelical. (3) evangelicais por confissão (como Peter Beyerhaus). ed. denota o que diz respeito a totalidades ou sistemas completos. Tópicos do Momento 3 (São Paulo: Vida Nova. Coote (Grand Rapids: Eerdmans. Bassham. O COMIBAM deu uma forte ênfase à segunda vinda de Cristo.. que recebeu 920 delegados de 25 países. 133. 1975). os delegados colocaram-se de pé e demonstraram a sua aprovação aplaudindo-o entusiasticamente. Harvie M. Califórnia: William Carey Library. Esse congresso foi o berço da Fraternidade Teológica Latino-Americana. Bassham. Samuel Escobar. em contraste com a análise. Um bom exemplo das idéias de Escobar acerca da evangelização pode ser encontrado no seu artigo “Vivir y Evangelizar.(como Carl McIntire e o seu Concílio Internacional de Igrejas Cristãs). tratamento ou divisão em partes. 1979). por exemplo. 22. “Mission in Latin America.” em Toward the Twenty-First Century in Mission.com. 262.” Missiology 20 (Abril 1992). A palestra foi publicada na íntegra por Edições Vida Nova. 244. “Latin America.. Ibid.

19. 328. Samuel Escobar. Samuel Escobar. 69-88. “The Elements of Style in Crafting New International Mission Leaders. Ibid.. “Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America. significa a inquietação. teve como tema “Fé e Esperança para o Futuro: Por Uma Teologia Evangélica Vital e Coerente para o Século XXI... Ver também. Samuel Escobar. alienação e incerteza que decorre da ausência de propósito ou ideais. realizada em Londres de 9 a 14 de abril de 1996. “Amando a Deus e ao Próximo: João Calvino e o Diaconato em Genebra.. 110. Não é exaustivo porque o número de teólogos. Ibid. 111. Além disso. Valdir Steuernagel em 1994. Desafios da Igreja na América Latina.” International Bulletin of Missionary Research 6 (Julho 1982). Escobar. no sentido individual. Não é original porque missão integral já faz parte da discussão teológica da Igreja há algum tempo. 108. 1990). Não é um trabalho original e nem exaustivo. Escobar.social resultante do colapso dos padrões e valores.” Missiology 19 (Julho 1991). Mas existem muitos outros autores que não aparecem no livro de Steuernagel.” Evangelical Review of Theology 20/4 (Outubro 1996). organizado pelo Dr.” Fides Reformata 3:1 (Jan-Jun 1998). Tal consulta. obras como as de René Padilla e Timóteo Carriker são dignas de nota. trad. É o caso de André Biéler. 7. é enorme. Há poucos anos.” Evangelical Missions Quarterly 28 (Janeiro 1992). Um bom exemplo da diversidade da missão integral é o livro A Missão da Igreja. sob o título “Discernindo o Espírito na América Latina. conforme observamos no 62 . “Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological Christology. Ibid. 48. Ibid. O Pensamento Econômico e Social de Calvino. gerando uma espiritualidade nova e radical. do autor do presente artigo. 316. Samuel Escobar. Nele nada menos que 27 articulistas tratam da missão integral da Igreja.” Escobar foi o autor de um dos seis estudos apresentados ao plenário. Waldyr Carvalho Luz (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana.. missiólogos e pensadores que têm escrito e palestrado sobre a missão da Igreja. Escobar participou de mais uma consulta da Comissão Teológica da Fraternidade Evangélica Mundial. e “Jonathan Edwards: Teólogo do Coração e do Intelecto. 72-87 Parte XV A MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA Introdução: Que é missão integral? O que envolve a missão da Igreja a ponto de investigarmos o que é mito e o que é realidade? Na procura de respostas para estas e outras perguntas semelhantes é que este estudo veio a lume. 321. e em seus vários aspectos.” em que revela o seu grande interesse pela dimensão pneumatológica da missão da igreja e conclama os evangélicos a estarem receptivos ao novo vento do Espírito que sopra na igreja. 64.” Fides Reformata 2:2 (Jul-Dez 1997). Ibid. “Mañana – Discerning the Spirit in Latin America. Desafios da Igreja na América Latina.

O MITO E A REALIDADE DA MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA 1. pois há situações em que o 63 . chegamos à conclusão que dois pontos resumiriam bem o mito de missão integral da Igreja. Por causa dessa variedade de autores foi preciso adotar alguns critérios. O primeiro deles estaria relacionado a um debate que perdura já algum tempo na igreja evangélica mundial e na brasileira em particular. a consciência social da igreja brasileira hoje parece ser maior do que algumas décadas atrás. 14). mas relacionalmente inseparáveis e necessárias para um ministério integral da igreja" (YAMAMORI. 1998.capítulo sobre o conceito de missão integral da Igreja na teologia contemporânea. ainda não amadureceu tanto em sua concepção de missão integral. por outro. também. Nosso estudo divide-se em três capítulos principais. O mito da missão integral da Igreja O que poderíamos denominar de mito ou mitos na missão integral da Igreja? Após relativa pesquisa e análise cuidadosa deste assunto.1. justamente porque ao se discutir prioridades (estamos falando apenas de evangelização e ação social) a igreja deixa de fazer bem uma e outra coisa. concluiu que na questão da primazia entre evangelização e ação social "a evangelização tem uma certa prioridade. p. Por outro lado. Felizmente. Entretanto. a polarização entre evangelização e a responsabilidade social da Igreja. Os outros dois são uma explanação bíblico-teológica e pragmática do primeiro. a. "Um ministério integral verdadeiro define a evangelização e a ação social como funcionalmente separadas. Alguns fatores que possibilitaram o surgimento desses mitos é o que veremos. neste capítulo. mas em prioridade lógica. vez ou outra mencionados no corpo deste trabalho. Nosso objetivo é mostrar que a Igreja evangélica brasileira só pode ser verdadeiramente missionária quando no desempenho de sua missão integral. a saber. O relatório da Consulta Internacional realizada em Grand Rapids (EUA). se por um lado a Igreja vem melhorando em sua visão social. o ser humano considerado em partes separadas ao invés do todo. ou pelo menos não deveria haver (1). Não estamos falando em prioridade temporal. O segundo mito estaria diretamente ligado à dicotomia humana. Evangelização e responsabilidade social devem andar juntas como causa e efeito de uma mesma verdade evangélica. presidida por John Stott em 1982. I. Com isso não queremos dizer que evangelização e ação social devam ser entendidas como sendo a mesma coisa. isto é. O primeiro trata da missão integral como mito e realidade propriamente dito. também não estamos afirmando que sejam duas coisas diametralmente separadas. O mito da polarização teológica Que evangelização e responsabilidade social são verdades bíblicas para a Igreja de Jesus Cristo não há dúvida.

sem distinção de raça. estas duas realidades (evangelização e ação social) são inseparáveis. em seus artigos. afirmamos que a evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. nem a libertação política salvação. 23). e pela libertação dos homens de todo tipo de opressão. Em lugar de estarem em competição. Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus. p. sexo ou idade possui uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida. pelo menos nas sociedades livres. numa espiral ascendente de preocupação crescente (STOTT. 1983. classe social. a seguir. o chamado Pacto de Lausanne: "Os resultados da evangelização incluem a obediência a Cristo. foi um dos fatores que colaboraram para a polarização entre evangelização e a ação social no meio 64 . Diz assim. Façamos. V) (Grifos nossos) E mais: "A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais. V). nem a ação social evangelização. p. cor. E ainda: Afirmamos que Deus é o Criador e o Juiz de todos os homens. o ingresso em sua igreja e um serviço responsável no mundo" (O PACTO DE LAUSANNE. em particular das teologias do evangelho social e da libertação. 23) A discussão pouco louvável no meio cristão sobre a missão prioritária da Igreja no mundo também levou o comitê de Lausanne a elaborar uma declaração sóbria e amadurecida. inseparáveis e indispensáveis na missão integral da Igreja de Jesus Cristo no mundo e para o mundo (2). Aqui também nos arrependemos de nossa negligência e de termos algumas vezes considerado a evangelização e a atividade social mutuamente exclusivas. portanto. toda pessoa. 1983. cultura. elas se sustentam e fortalecem mutuamente. Evangelização e responsabilidade social são partes integrantes da missio Dei.ministério social precisa vir primeiro" (STOTT. devemos partilhar o seu interesse pela justiça e pela reconciliação em toda a sociedade humana. Portanto. e não explorada. uma rápida apresentação de dois grandes movimentos que contribuíram negativamente para o distanciamento da Igreja de sua missão integral. e raramente teremos de optar entre uma e outra. 1983. religião. IV). Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus. A fé sem obras é morta" (Idem. O evangelho social e a teologia da libertação A influência perniciosa e nefasta do liberalismo teológico do século XX. E na prática? Na prática. (Idem. como aconteceu no ministério público de Jesus.

b. como salientou muito bem Manfred (1987. p. Em síntese o platonismo argumenta que o ser humano é essencialmente um ser espiritual e que apenas tem conexão funcional com um corpo que. por sua vez. 154) observa que parte do descuido do "homem total" tem sua origem na ênfase platônica não-cristã sobre a dualidade do ser humano. pois. na melhor das hipóteses. a influência missionária européia e norte-americana e a teologia sistemática. é um impedimento e. "só existe fidelidade na evangelização quando existe fidelidade na missão integral da igreja". o ser humano poderia ser definido como sendo 'uma comunidade integrada de corpo e alma' (STOTT. na pior. um grande mal. boa parte das igrejas brasileiras está envolvida em trabalhos sociais. conforme veremos no decorrer deste estudo. como o é pela Bíblia. como também o próprio evangelho para o qual ela foi chamada a proclamar no mundo.é um todo e deveria sempre ser visto assim. 1989. por outro lado. O mito da dicotomia humana Ver o indivíduo completo. 59). A correção deste erro está no ensino bíblico acerca da unidade essencial do ser humano. Contudo. O esforço de se combater a teologia do evangelho social e depois a teologia da libertação (por causa da ênfase social à parte do evangelho bíblico e de uma filosofia marxista. tem levado a mesma a desvalorizar não somente o ser humano na sociedade. principalmente desta última). tanto o evangelho social quanto a teologia da libertação provocaram uma reação positiva na Igreja. 38). há de se admitir que. a Igreja acabou se equivocando e não enxergou a mensagem social autêntica que o mesmo evangelho oferecia. dando uma reviravolta considerável nessa história toda. p. é uma necessidade urgente em nossos dias.evangélico. Resultado: No afã de se preservar o espiritual. pecou na espiritualidade sem encarnação. o platonismo. e sem qualquer preocupação de ser rotulada e perseguida por isso. Entretanto.homem ou mulher . "Esta ênfase foi dirigida pelos cristãos na Idade Média e tem sido transmitida para o presente". isto é. A Igreja foi levada a refletir seus valores. pela própria Igreja. como ocorria em tempos atrás. Um dos maiores males cometidos na igreja evangélica brasileira de hoje é limitar o conceito de salvação. Partindo da perspectiva bíblica. Veremos a seguir que pelo menos três fatores contribuíram negativamente para o surgimento do mito da dicotomia humana. Geisler (1985. Se de um lado as teologias liberais mencionadas cometeram o pecado do social sem espiritualidade. p. a igreja evangélica brasileira. a ausência da compreensão do indivíduo como ser integral. não dictomizado. 65 . provocou um mal-estar na igreja brasileira. Hoje em dia. A influência missionária e da teologia sistemática Norman L. O ser humano . achando que Cristo veio salvar apenas a alma do homem ou da mulher.

contribuiu para a difusão do evangelho social e principalmente da teologia da libertação em nosso país. Uma terceira razão foi observada pelo missiólogo norte-americano Timóteo Carriker. Bruce A. por que a igreja evangélica brasileira de modo geral não herdou a totalidade da visão desses bons exemplos de missionários. o texto bíblico precisa ser reinterpretado e reaplicado ao contexto moderno. DEMAREST. por causa daquela reação ao evangelho social e à teologia da libertação. isto é. quando diz que boa parte dos missionários europeus e norte-americanos que aqui estiveram "realizaram o trabalho. In Teses. novos entendimentos teológicos e reformulações são necessários a cada geração.2. isso não quer dizer que não houve qualquer tipo de envolvimento social. deixaram a impressão de que missões é coisa que o Brasil recebe e não que faz (CARRIKER. pp. p. ora dominador e paternalista. No estudo da natureza do ser humano na teologia sistemática. independente de sua linha confessional. 39. e durante tanto tempo vem caminhando lentamente na questão social? Pelo menos por três razões principais: Uma delas tratamos há pouco. o conjunto da verdade cristã deve ser vestido em roupagens contemporâneas a fim de permanecer inteligível. 55). 1. O que é facilmente percebido nas mensagens bíblicas e hinos que os missionários nos legaram. não transmitiam a mesma visão missionária para as igrejas autóctones. perdeu-se de vista a perspectiva bíblica de que somos um todo. A realidade da missão integral da Igreja 66 . Mas então. Primeiro: porque à medida que a linguagem e as formas culturais mudam. Embora a teologia sistemática seja uma tentativa interessante de organizar em um ou mais compêndios conceitos e pensamentos religiosos variados. mas. 515). embora não justifique. os missionários europeus e norte-americanos que aqui estiveram parece que não conseguiram passar adiante a idéia da missão integral. Ashbell Green Simonton e outros. alma e/ou espírito. de tempos em tempos. E. em seu artigo Teologia Sistemática (In EHTIC1990. Isso explica. a omissão da Igreja. Embora as Escrituras sejam invioláveis. o que.1988.40). de certa forma. certamente. nosso espiritualismo desencarnado no campo social. a história da igreja brasileira registra dignos exemplos de missionários como Robert e Sarah Kalley. Assim. Porém. Nossa herança missionária é deveras espiritualista. pelo contrário. Outra razão é que a maioria dos missionários estrangeiros que aqui chegaram tendia para a corrente do evangelho individual (KRIEGER. ora nobre e sacrificial. isto tem sido um dos fatores prejudiciais na compreensão da missão da Igreja. (Grifo nosso) (3) Outro fator que infelizmente tem colaborado para a dicotomia humana é a teologia sistemática. até hoje sentida. faz uma advertência importante: Alguns consideram a teologia sistemática como um depósito eterno e inalterável de verdades divinas. é preciso ter cautela com a mesma. p.Além da influência platônica. 1993. na análise da questão corpo. e em seus conceitos dicotômicos e tricotômicos. com raríssimas exceções. e segundo: porque novas questões e problemas continuam a surgir para desafiar a igreja. Por isso. é claro. que desempenharam um papel social muito grande em nosso país.

o seu grau de participação na vida. Uma opção preferencial pelos pobres? E por que não? O evangelho é para todos. expressam bem a realidade dessa missão. É mais que isso. tem o dever ético e moral de ser mais justa do que qualquer governo ou partido político pretenda ser. à luz dos conceitos de liberdade. verdadeira afronta contra a imagem e semelhança de Deus. o primeiro sempre sai perdendo. em nossa opinião. de respeito ao próximo e. E ainda: Esta dimensão envolve o impacto que o ministério reconciliador da igreja exerce sobre o mundo. como resultado de uma política social opressora. Quando se coloca o pobre e o rico lado a lado. sabemos que a ortopraxia da missão integral não é tão óbvia como deveria ser. somente o pobre precisa ser atendido também em suas necessidades básicas prioritárias.Em contrapartida ao mito da teologia de missão integral da Igreja. como veremos mais adiante. A Igreja deve ser a voz do que clama no deserto a fim de fazer a diferença no mundo. conflitos. Ela é uma instituição divina supra partidária. principalmente no socorro aos menos favorecidos. 102). por causa da má distribuição de renda de nosso país. temores e esperanças da sociedade e a medida em que seu serviço ajuda a aliviar a dor humana e a transformar as condições sociais que têm condenado milhões de 67 . Conforme salientou Jorge GOULART (1941. É verdade que a Igreja não é uma instituição político-partidária que deva defender qualquer bandeira política. p. destaquemos dois fatores que. como diria Orlando COSTAS (1979. 113). a. Por isso mesmo. A missão da Igreja é holística e diaconal Por mais óbvia que pareça esta afirmação. 1994. Os cristãos foram postos no mundo para ser a consciência da sociedade. Onde está. como prova concreta do amor de Deus" (COSTAS. a Igreja "não prega uma forma de governo. p. por exemplo. porém. É preciso sim que os pobres desse mundo recebam um tratamento preferencial porque foi assim que Deus os tratou na Bíblia. tem solapado nosso país e a Igreja muitas vezes tem se afastado como se nada tivesse com isso. Orlando Costas via nesta dimensão diaconal ou encarnacional da Igreja "a intensidade de serviço que a igreja presta ao mundo. de dignidade humana. p. Não é fácil inculcar na cabeça do nosso povo que o envolvimento da Igreja deve ser total. Não só no que se refere ao indivíduo. a consciência ecológica da Igreja? (4) Além disso. em se tratando de benefícios a serem recebidos. mas cria uma consciência democrática. a Igreja como sal da terra e luz do mundo deve fazer a diferença nos vários setores da sociedade. de amor a Deus e à humanidade". mas também à criação de Deus em geral. A injustiça social. Precisa deixar o monte da transfiguração (entenda-se contemplação) e descer até ao sopé onde se encontram os excluídos. sobretudo. 229).

à luz da Bíblia. Tetsunao YAMAMORI (1998.1. pois somente na medida em que conseguir dar visibilidade e concreticidade à sua vocação de amor e serviço ela pode esperar ser ouvida e respeitada. que estão inseparavelmente relacionadas. p.4). adoração. Sua Palavra é um todo. 1994. II. Por isso mesmo nosso objetivo agora será tratar. A integralidade da Igreja é bíblica e se baseia na missão integral de Deus. 22) resumiu a missão intergral da Igreja em "comunhão. É uma verdade bíblica que precisa ser resgatada e praticada em sua totalidade. como um todo deve ser a missão integral de Sua Igreja. A Bíblia não existe para o deleite de nossa mente carnal. No capítulo anterior mencionamos que a missão integral da Igreja é ampla. "Nada é mais claro na Bíblia do que ser Deus o campeão dos pobres. visto que a dimensão dessa missão é vertical e horizontal. pp. 56). Sem esta dimensão a igreja perde sua autenticidade e credibilidade. O compromisso da Igreja com Deus (vertical) resulta nela um compromisso com a criação em geral e com o ser humano em particular (horizontal). assim como é ampla a missão integral de Deus. A opção por apenas um desses seus aspectos (doutrina ou prática) causará profunda ojeriza em Deus. (COSTAS. b. dos oprimidos e dos explorados". A BASE BÍBLICA E TEOLÓGICA DA MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA 2.homens. A Bíblia é doutrina e prática. 113. mulheres e crianças à pobreza. edificação. significa que ela (a missão integral da Igreja) não é uma filosofia cega ou um modismo passageiro. evangelismo e serviço". 68 . A missão da Igreja não é filosofia e muito menos modismo. Isso é verdade. ainda que sejam separadas em termos funcionais. A missão da Igreja é bíblica Quando dizemos que a missão integral da Igreja é bíblica. Segue abaixo uma abordagem resumida sobre o assunto. aquele que está diretamente relacionado à pessoa do indivíduo ou. (BRYANT. 1988. 15) salienta: Tanto no Antigo como no Novo Testamentos a Bíblia ordena à igreja que ministre à pessoa como um todo. Isto quer dizer que se deve atender tanto às necessidades físicas como às espirituais. No capítulo 2 desse estudo falaremos um pouco mais sobre a base bíblica da missão integral da Igreja. isto é. aos pobres deste mundo. A Bíblia não incentiva nenhum blá-blá-blá teórico desinteressado. p. p. A missão integral na Bíblia A missão integral tem raízes bíblicas profundas. A missão integral da Igreja é ampla. Não é por acaso que GRELLERT (1987. mais especificamente. apenas de um dos aspectos da missão integral.

ou sistema político de sua própria época". Isto não significa que Deus faça acepção de pessoas ou de classe social. da vaidade e da imoralidade era que aquela cidade. p.3-8. é que vocês cortem as ligaduras da impiedade. o pobre. que não têm voz. b. No Novo Testamento Jesus Cristo é a revelação máxima da missão integral de Deus no mundo. O cuidado de Jesus com os pobres e marginalizados é enorme. No Antigo Testamento Se folhearmos as páginas do Antigo Testamento veremos que existe uma clara opção preferencial de Deus pelos pobres e oprimidos. No início de seu ministério terreno o Senhor Jesus deixou bem clara a sua missão quando declarou: "O Espírito do Senhor está sobre mim. e seus próprios operários. Veja também Isaías 1.49 afirma que o pecado de Sodoma. a nossa atitude para com os desfavorecidos deste mundo será um critério importante de julgamento no Juízo Final. do que clama por justiça.2.1. Em Isaías 58.17. 1988. o órfão. mas enfrentando exatamente aqueles que oprimiam o povo.18. Em Mateus 4. pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo". sendo rica e abastada. E ainda em Mateus (cap. 25) notamos que além da questão do se "fazer igualmente a Cristo". além do orgulho. quer pelo sistema religioso.a. De modo algum! Mas com certeza Ele olha de maneira especial para aqueles que não têm vez. Veja por exemplo Atos 5 e 6. (MACEDO FILHO. "Nós nunca encontramos Jesus Cristo de dedo apontado contra os pobres e marginalizados. e apregoar o ano aceitável do Senhor" (Lc 4. do destituído. do humilhado. 35). do fraco. Ezequiel 16.23 lemos também: "Percorria Jesus toda a Galiléia. Só no AT nós temos 300 referências sobre causas. enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos. o estrangeiro. é que ajam com justiça em relação aos desamparados". quer pelo sistema econômico. do desamparado. a viúva. 10.19). para por em liberdade os oprimidos. e o jejum que eu quero. Deus diz: "É porque vocês jejuam e oram para a iniqüidade. nunca atendeu o pobre e o necessitado. Os apóstolos deram continuidade ao tema da missão integral de Jesus em seus ministérios. veremos que o objetivo de toda a legislação era que não houvesse miseráveis e injustiçados no meio do povo de Israel. vocês estão oprimindo os pobres. do desesperado. realidade e conseqüências da pobreza. Vinte e cinco palavras hebraicas para falar do oprimido. do carente. pelo que me ungiu para evangelizar os pobres. Se olharmos na legislação do povo de Deus no Velho Testamento. ensinando nas sinagogas. 69 . quando o povo de Deus pergunta: "Por que é que nós oramos e jejuamos e tu não nos respondes?".

O conceito de Timóteo Carriker O livro de Timóteo Carriker é uma teologia bíblica de missões. É este Deus salvador que alcança além das leis judaicas. p.Em Jerusalém as três colunas do colégio apostólico (Pedro. A missão integral na teologia contemporânea O número de teólogos que escreveram e escrevem sobre a missão integral da Igreja não é pequeno. A confiança no cumprimento do seu plano dá a igreja motivação para perseverar até o fim. contudo. "o que também me esforcei por fazer". a missio Dei exige os missiones eclesiae. Várias igrejas foram orientadas por cartas a agirem com a mesma visão de integralidade bíblica dos apóstolos. Em segundo lugar. Um Deus soberano e misericordioso é o ator último das parábolas de Jesus. 11). então. não fica passiva em relação à soberania de Deus. Os marginalizados. na palavra de Deus. a saber.2-10) e das doze tribos da dispersão (Tg 2. São praticamente dois 70 . Seu objetivo é ressaltar as diversas dimensões. Reconhecer que a missão é essencialmente de Deus. O seu reino tem um escopo universal até cósmico. as igrejas de Corinto (II Co 8 e 9). e gentios recebem a misericórdia de Deus. 2. nossos dois teólogos são duas das maiores autoridades mundiais sobre a missão integral da Igreja. da Galácia (Gl 6.10. missio Dei. Estou tomando. Deus tem um plano salvífico que alcança tanto judeu quanto gentio. vale a pena conferir a ênfase e a abordagem distintas que ambos conferem em seus respectivos livros acerca da missão integral da Igreja. dentre outras. mulheres. Falar do trabalho de cada um desses autores. a. seria simplesmente impossível para as dimensões do nosso trabalho. da identidade e tarefa missionárias do povo de Deus (1992. Muito pelo contrário. A igreja. 5. Destacamos. A seguir exporemos alguns dos principais conceitos da missão integral de Carriker. Esta imagem de Deus está no coração do Novo Testamento também. samaritanos. Timóteo Carriker e René Padilla. Em primeiro lugar. Tiago e João) recomendaram a Paulo e a Barnabé que não se esquecessem dos pobres. diz o apóstolo em Gálatas 2. não significa que a participação da igreja na evangelização mundial tem pouca significância. sem considerar outro tanto que Steuernagel não menciona. e explico porquê. cada um deles escreveu um livro com o mesmo título (Missão Integral) com cerca de 300 páginas cada. Sua aproximação do homem exige a atitude de conversão.2. a liberdade de selecionar apenas dois deles.14-26. 1-7. Um bom exemplo disso é a obra do Dr. Valdir Steuernagel em que ele reúne nada menos que 27 autores. No Antigo Testamento Javé é o Deus soberano sobre toda a sua criação.1-6). e Ele vai cumpri-lo. Em terceiro lugar.

acima de tudo. Porque há um mundo. O desafio da missão integral. Ele atua através da vida humana do seu filho Jesus. A "explosão urbana" é um fenômeno mundial. porém. através da história. Padilla desenvolve seu tratado em termos de desafios. Por "mais teológica" queremos dizer que os argumentos de Padilla estão mais na área das idéias. esquecendo-se das cidades. sem dúvida. subdivide-se em outros três. A missão urbana. Diz ele que o maior desafio que a igreja enfrenta atualmente é o desafio da missão integral (1992. do dilúvio e do cativeiro no Velho Testamento. Chegou o momento de encontrar maneiras de reduzir a distância entre as igrejas no Ocidente e no 71 . Num mundo que está se urbanizando rapidamente. Apesar de não termos o objetivo de comparar os dois autores.lados da mesma moeda. julgamento e salvação. Não é principalmente apresentado como um conceito ou idéia. o desafio da colaboração e da unidade e o desafio do desenvolvimento e da justiça. vê-se com clareza a necessidade de um evangelho com poder para transformar a totalidade da vida. o que não diminui. uma igreja e um evangelho. O Deus da Bíblia é o Deus que age na história. a sua conclusão. 139). na cidade. a missão cristã não pode ser outra coisa que missão realizada em colaboração mútua. p. É na nossa história humana que Deus se revela e o faz com movimento para frente. Seus argumentos principais são os seguintes: Um conceito um tanto romântico da obra missionária impulsionou as missões a concentrarem seu esforço em pequenas tribos nas selvas. a cidade é. vale ressaltar que as aplicações de Padilla são mais contextualizadas que as de Carriker. b. o símbolo do desafio que a evangelização e o discipulado colocam para a igreja. por sua vez. Ele é. pessoal e age nos eventos e experiências concretas das nossas vidas. Deus não se restringe a uma dimensão mística da nossa vida. com todo seu poder desumanizante. Assim. Atua através do êxodo. O conceito de René Padilla A abordagem de René Padilla é mais teológica e menos bíblica. através da sua morte e ressurreição. eventos bem visíveis que fazem parte da nossa história. a perspectiva cristã da história é essencialmente escatológica. uma doutrina que podemos elaborar. todos eventos históricos até "seculares". Percebemos. a saber: O desafio da evangelização e do discipulado. o valor da obra dele. Lá. A humanidade está indo na direção do cumprimento. seus princípios são eminentemente bíblicos. e este movimento entrou na sua fase final com a ressurreição de Cristo. de modo algum. portanto. é uma prioridade em todas as partes. Por "menos bíblica" queremos afirmar que o livro de Padilla não é uma teologia bíblica nos moldes do livro de Timóteo Carriker. Hoje é o dia da salvação.

como Igreja de Cristo. Dividimo-nos em duas partes distintas. O desafio tanto para os cristãos no Ocidente como para os cristãos nos países subdesenvolvidos é criar modelos de missão centrados num estilo de vida profético. Que a igreja evangélica brasileira não deve se esquivar de sua missão integral. Porém. Robert C. sociais e culturais. Já há experiências úteis que estão sendo levadas a cabo com este propósito. nem a ação social evangelização. OS DESAFIOS E IMPLICAÇÕES DA MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA 3. de início é preciso que encaremos com seriedade e maturidade o dilema de até onde podemos e devemos nos envolver nestes desafios. a. É preciso sim que a Igreja seja a consciência da sociedade e a voz profética que denuncia os desmandos desta mesma sociedade. portanto. na América Latina. No final das contas. O desafio que a igreja encara no campo de desenvolvimento hoje é fundamentalmente o desafio de um desenvolvimento humano. III. A igreja evangélica brasileira tem desafios enormes nesta área. e para estimular a colaboração mútua entre as igrejas. Linthicum 72 . partir para a ignorância e violência. Os desafios que agora mencionaremos tratam da igreja brasileira em solo brasileiro. são contraproducentes para a missão. afirmamos que evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. Os desafios sociais da Igreja Não são poucos e nem pequenos os problemas sociais brasileiros. Fazem falta modelos de missão plenamente adaptados a uma situação marcada por uma distância abismal entre ricos e pobres. Confrontação não é violência. isto é. Os modelos de missão baseados na riqueza do Ocidente solidarizam-se com esta situação de injustiça e condenam as igrejas do mundo pobre a uma permanente dependência. modelos que apontem para Jesus Cristo como Senhor da totalidade da vida. é o nosso comum acordo com a declaração de Lausanne: Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus. à universalidade da igreja e à interdependência dos seres humanos no mundo. Não devemos. mas podemos e devemos fazer confrontações sociais sérias.1. Desafios da missão integral da Igreja Observamos no capítulo anterior que René Padilla apresenta a missão integral da Igreja em termos de desafios. nem a libertação política salvação. no sentido de envolver a missão da Igreja num âmbito mundial ou. no mínimo. no contexto da justiça. mas é necessário fazer muito mais para desenvolver modelos de solidariedade acima das barreiras políticas.Terceiro Mundo. Entretanto. econômicas. os desafios sociais e os desafios eclesiais. sua abordagem é ampla.

Internamente ela estava pegando fogo. a violência é física. 171. estão desafiando uns aos outros. Uma lição é preciso aprender com a igreja de Jerusalém. Por outro lado. mas não podemos ficar indiferentes ao que ocorre em nossa volta. Portanto. pois. Tentarei explicar esta minha tese. trabalho e salário digno. ou porque os liderados não se envolvem na obra.(1996.isto é. O governo tem (e como tem!) suas culpas e responsabilidades. pp. pois. Ou porque a liderança não se empenha. E até onde podemos e devemos ir nesta questão toda? Até onde os direitos sejam verdadeiramente assegurados. educação. um ato de violência é a indicação de que a confrontação falhou. e sim antônimas. É um encontro face a face. Continuaremos marcando passo. segurança. simplesmente criticando por criticar o governo. as testas colocadas fisicamente uma contra-aoutra. os seus e os nossos direitos: Saúde. sobretudo. A palavra significa literalmente "testa-a-testa" . direto. violência é o exercício da força física.2) explica: Há muita confusão sobre a natureza da confrontação e da violência. Reivindiquemos. A confrontação boa e eficaz nunca deve levar à violência. Os desafios sociais da igreja brasileira não são combatidos e vencidos como deveriam porque falta vontade eclesiástica por parte da mesma. Pesa (e como pesa!) sobre o povo de Deus também a responsabilidade pelo bem-estar social do nosso país. A igreja de Jerusalém estava consciente de sua missão no mundo. É nesse espírito de verdadeira confrontação que a Igreja deve encarar seus desafios sociais. salgando a nós mesmos e iluminando nossos umbigos. procurando o fim da resolução. Os desafios eclesiais da Igreja Certamente um dos maiores desafios da igreja brasileira na atualidade é vencer seus próprios desafios. o amor ao próximo evidenciado. o nome de Jesus seja glorificado. empenhemos-nos pela dignidade do povo brasileiro. se não juntarmos forças. Era uma igreja unida em seus propósitos e se amava de verdade. o evangelho e o bom testemunho não sejam prejudicados e. a moral dignificada. O certo é: Se não chegarmos a um consenso. Confrontação é simplesmente a atividade entre seres humanos na qual eles discordam. essas palavras não são sinônimas. Porém. a fim de ganhar uma disputa. 73 . em sua própria natureza. mas à resolução do problema. Enquanto a confrontação é verbal. em obediência ao mandado de Cristo. e devido a esta discordância. b. jamais sairemos do lugar comum. De uma forma mais profunda. desejosa de pregar o evangelho. com propostas terapêuticas para uma sociedade enferma.

Então a Igreja orou: "agora. mas não é tão simples assim. sem atropelos. A reafirmação do compromisso missionário 74 . A quebra de paradigmas é uma das coisas fundamentais para que a estrutura de uma igreja se torne funcional. aberto e amigável é a chave do sucesso. À primeira vista parece fácil mudar aquilo que se tornou obsoleto. daqueles que confundem inovação com inovacionismo. Hoje.29. Estruturas enrijecidas pelo tradicionalismo matam ou impedem a visão de uma igreja. que se limita a suas atividades internas. Atendeu porque a Igreja deixou de lado seus próprios interesses para servir ao mundo. porém. Externamente desfruta-se de uma liberdade religiosa como nunca se viu. 3. a. quando na verdade eram elas que deveriam estar curando! A seguir daremos duas sugestões práticas para que esse quadro sombrio possa se reverter. Antes é preciso mudar a mentalidade dos acomodados e principalmente dos saudosistas. é a própria igreja criando obstáculos para não fazer a obra do Senhor. por uma questão de prudência e respeito àqueles que não pensam como nós. Contudo. Às vezes é preciso muita coragem para mudar certos parâmetros que já não funcionam mais.2. E Deus atendeu ao clamor de sua Igreja (At 4. A revisão de estruturas não-funcionais O que muito tem contribuído para um mau desempenho da Igreja em sua missão integral é a falta de estruturas que funcionem. mas internamente muito de nossas igrejas estão enfermas. As idéias devem ser amadurecidas no meio da comunidade. Implicações da missão integral da Igreja As implicações que aqui abordaremos não deixam de ser verdadeiros desafios para a igreja brasileira.externamente os desafios eram humanamente insuperáveis. Uma coisa aprendi em meus poucos anos de ministério pastoral: Se a igreja não comprar a nossa idéia.30). O que está "matando" muito crente novo (e velho também) é a igreja não-funcional. Herodes e muita gente se levantaram contra a Igreja de Deus. Senhor. é preciso que os paradigmas sejam quebrados aos poucos. Pilatos.31). b. olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra. mas progressivamente. não será por meio de decreto conciliar que conseguiremos qualquer êxito. o que muito se vê. tradição com tradicionalismo. sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus" (At 4. fechada em quatro paredes. entendemos que estes desafios são implicações naturais para uma igreja que queira verdadeiramente cumprir sua missão integral. Um diálogo franco. enquanto estendes as mãos para fazer curas. à nível de igreja local.

portanto. atender o indivíduo na totalidade de suas necessidades. do indivíduo e da sociedade. filmes específicos como As Primícias. Sermões e estudos bíblicos missionários. com certeza produzirão novo alento. o que fez antes. mas nunca uma opção permanente. é sinal que ela tem potencial para fazer. Cada igreja deve refletir sobre sua motivação em praticar evangelismo e ação social. A verdadeira espiritualidade do povo de Deus se expressa em sua integralidade. Se a igreja chegou a se empolgar com missão algum dia. Em segundo lugar é preciso conscientizá-la de que ela está no mundo para servir o mundo integralmente. A Igreja que troca a evangelização por qualquer outra responsabilidade social está fora de propósito e. O ponto de partida é o parâmetro bíblico e o contexto da igreja local. com a graça de Deus. Por outro lado. para a honra e glória de Deus Pai. deveria partir sempre para uma ação social transformadora. Os mitos não fazem sentido quando são resultados baratos de um reducionismo evangélico. E como revitalizar uma igreja que começou com tanto entusiasmo por missões e de repente esfriou? Em primeiro lugar é preciso reconscientizar a igreja de sua missão no mundo. C. a Igreja nunca deveria deixar se levar pela prática do paternalismo e assistencialismo paliativos. e quando se deixa de contemplar o indivíduo em sua totalidade. se não forem constantemente lembradas daquele compromisso.Aquelas igrejas que um dia receberam orientação missionária. rapidamente minguarão. além do auxílio de uma boa agência ou junta missionária. Concordamos que uma igreja possa fazer uma opção temporária entre evangelizar e assistir ao necessitado. que nenhuma igreja pense ser mais espiritual porque optou pela evangelização. Evangelizar não é simplesmente distribuir folhetos como alguns pensam. Geralmente a frieza por missões acontece por causa da rotina. p. sem data. Uma vez que o mal foi detectado é necessário que seja combatido com atividades variadas. Evangelizar é a sua qualidade primordial. Missão integral é uma realidade bíblica. mas sim. descaracterizada como igreja de Jesus Cristo. porém. 5). e todas as atividades nestas direções devem estar debaixo do serviço a Deus em primeiro lugar (A. O mais importante é que a igreja seja cientificada de que sua missão no mundo é integral. Os mitos (pelo menos os que aqui estudamos) deturpam a missão 75 . A mesma igreja que proclama as boas novas do reino deve ser a mesma que estende a mão ao necessitado. Dizemos "basicamente" porque a missão integral da Igreja é na verdade universal. Abrange vários aspectos. BARRO. Conclusão: A missão integral da Igreja é basicamente evangelização e ação social. polarização entre evangelização e ação social. Por isso mesmo. Etal e Atrás do Sol.

_______________ . Igreja e sociedade. então devemos almejar por uma igreja brasileira autêntica. E. Os compromissos da missão: A caminhada da Igreja no contexto brasileiro. Quebrando paradigmas. O cristão e a fome mundial. Um projeto de espiritualidade integral. A ação social da igreja. Bibliografia ALLEN. 1989. mas a realidade bíblica de uma missão integral em nossa sociedade. Anthony. ed. 1998. Saúde integral a partir da igreja local. Londrina/Curitiba: Descoberta. 2. Ed René. Manfred. Thurmon. 76 . Rio de Janeiro: Juerp.1. 2. BRYANT.2. ELWELL. 1987. Se queremos atentar para o ensino bíblico. São Paulo/Belo Horizonte: ABU/Visão Mundial. GOULART. ESCOBAR. Teses. Ética cristã: Alternativas e questões contemporâneas. Norman L. São Paulo: Abba press. 1993. Jorge. COSTAS. 1985. São Paulo/Belo Horizonte: ABU/Visão Mundial. que não seja ela mesma um mito. C. Samuel et al. FÁBIO. GEISLER. Niterói: Vinde. Timóteo. Série Lausanne. CARRIKER. GRELLERT. ed. Artigo não publicado. EVANGELIZAÇÀO e responsabilidade social: Relatório da consulta internacional realizda em Grand Rapids sob a presidência de John Stott. Compromiso y misión. San José: Editorial Caribe. Rio de Janeiro/Belo Horizonte: Juerp/Mundo Cristão. ed. Missão integral: Uma teologia bíblica. São Paulo: Editora Mundo Cristão. 2. V. 1979. São Paulo: Vida Nova. Enciclopédia histórico-teológica da igreja cristã. Série Lausanne. Tive fome: Um desafio a servir a Deus no mundo. 1990. Caio. 1941.integral da Igreja. Walter A. Artigo não publicado. São Paulo: Vida Nova. (editor). Antonio Carlos. BARRO. A missão do povo de Deus. 1995. Missões e a igreja brasileira: A vocação missionária. ________________ org.3. KIVITZ. V. 1. 1988. V. São Paulo: Editora Sepal. 1994. v. 1992. Orlando E. 1985.

São Paulo: Temática Publicações. p. São Paulo/Belo Horizonte: ABU/Visão Mundial. Ricardo. Curar também é tarefa da igreja. ed. (3) Veja também MACEDO FILHO (In TESES.LINTHICUM. 41-43). 1988.”1 Hoje é mais comum falar-se em evangelismo e responsabilidade social. org. Rio de Janeiro: Co-edição. A igreja e o mundo. PADILLA. Missão integral. 1998. STOTT. 1994. STEUERNAGEL. Valdir R. São Paulo: Nascente. MISSÃO da igreja e responsabilidade social: Teses do congresso batista de ação social. O cristão em uma sociedade não cristã. T. O que se deve entender por missões cristãs? Quais são a natureza e os objetivos da missão da igreja? Evidentemente essas perguntas podem receber uma grande variedade de respostas a partir de diferentes pressupostos e compromissos teológicos. 1983. Rio de Janeiro: Juerp. pp. 41).B. O PACTO de Lausanne. 1996. Revitalizando a igreja. Série Lausanne. 1992. René. diálogo inter77 . (1) Veja Manfred Grellert (1987. V. Diferentes autores do século XX têm procurado expressar a missão da igreja em termos de desenvolvimento. Servindo com os pobres na América Latina: Modelos de ministério integral.W. presença cristã. Belo Horizonte: Missão Editora. A missão da igreja. 3. Tetsunao et al. (4) Para uma compreensão importante sobre a responsabilidade da Igreja com a natureza. São Paulo: Bompastor. p. Curitiba/Londrina: Descoberta. Niterói: Vinde. (2) Para um argumento interessante contra este reducionismo evangélico (a polarização teológica ente evangelização e ação social) veja Manfred Grellert (1987. ZANDRINO. Uma antiga abordagem foi o debate em torno de evangelização e “civilização. 1986. 1988.. MASTON. 1989. YAMAMORI. Dr. Schaeffer (Poluição e morte do homem) e Norman L. Robert C. veja Francis A. John R. 33).4. Geisler (O cristão e a ecologia). Parte XVI A MISSÃO DA IGREJA Uma perspectiva latino-americana Uma das questões mais cruciais da missiologia é a definição do próprio conceito de missão. 1987.

religioso, justiça e paz, diaconia e outros conceitos. Certamente este é um assunto controvertido, mas também sumamente importante para a igreja e para os cristãos individuais. Como pode a igreja ser o que deve ser e fazer o que deve fazer se não tiver uma clara compreensão acerca do seu propósito na sociedade e no mundo? O objetivo deste estudo é abordar o tema a partir da perspectiva de Samuel Escobar, um dos mais destacados missiólogos evangélicos contemporâneos da América Latina. A escolha de Escobar justifica-se por várias razões. Ele tem um profundo conhecimento da situação religiosa, social e política da América Latina, tendo trabalhado em vários países como pastor e missionário; é um teólogo, escritor e orador extremamente articulado e criativo; tem sido um líder respeitado em círculos missiológicos e teológicos; tem estado em diálogo constante com representantes de grupos e movimentos importantes do cristianismo latinoamericano e mundial; finalmente, por vários anos ele tem sido professor em instituições teológicas norte-americanas, o que o coloca numa posição privilegiada para falar a uma audiência mais ampla e levar ao primeiro mundo uma valiosa perspectiva do terceiro mundo acerca de missões. Nossa análise começa com um retrospecto histórico da discussão missiológica protestante na América Latina. A seguir, iremos fornecer algumas informações biográficas sobre Samuel Escobar, fazer um apanhado dos principais movimentos de que tem participado e apresentar alguns dos principais temas e ênfases da sua reflexão missiológica. Ao longo dos anos, Escobar tem defendido um conceito de missão que é ao mesmo tempo bíblico, evangélico, contextual e sensível às complexas realidades espirituais, políticas, sociais e econômicas da América Latina. Criticando os modelos missionários reducionistas ou dicotômicos, ele propõe um programa que implica em levar o evangelho integral ao ser humano integral, na amplitude de suas necessidades e relacionamentos. Concluiremos o estudo acrescentando algumas de nossas próprias convicções a respeito do tema em questão, ou seja, a missão da igreja na sociedade. I. ANTECEDENTES A reflexão sistemática e abrangente sobre o trabalho missionário protestante na América Latina foi desencadeada pela célebre Conferência Missionária Mundial, realizada em Edimburgo em 1910.2 Todavia, esse estímulo ocorreu às avessas, uma vez que somente foram convidadas para a conferência as sociedades missionárias que atuavam entre povos não-cristãos.3 Isso excluiu a América Latina do âmbito daquele encontro, sendo admitidas apenas as missões que trabalhavam entre as tribos pagãs desse continente. Durante a conferência, Robert E. Speer (1867-1947), o secretário executivo da Junta de Missões Estrangeiras da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, convidou vários delegados interessados na América Latina a se reunirem informalmente para discutir como essa lacuna poderia ser suprida. Como 78

resultado desses entendimentos, realizou-se em Nova York, em março de 1913, uma conferência sobre missões na América Latina, sob os auspícios da Conferência de Missões Estrangeiras da América do Norte.4 Essa conferência criou a Comissão de Cooperação na América Latina (CCLA), tendo como presidente o próprio Robert Speer e como secretário executivo Samuel Guy Inman. Por sua vez, a CCLA patrocinou o Congresso de Ação Cristã na América Latina, reunido no Panamá em fevereiro de 1916, o maior encontro das forças protestantes desse continente realizado até aquela data. O Congresso mostrou a necessidade de maior cooperação em áreas como educação religiosa, missões, literatura e formação teológica. Mais especificamente, suas metas principais foram a evangelização das classes cultas, a unificação da educação teológica através de seminários unidos, o desejo de dar uma dimensão social ao trabalho missionário na América Latina e o esforço em promover a unidade protestante.5 Na realidade, o Congresso do Panamá foi uma reunião de representantes de juntas missionárias estrangeiras, antes que um encontro de líderes protestantes latino-americanos. Dos 230 delegados oficiais, apenas 21 eram latino-americanos natos.6 Mesmo assim, o evento produziu a primeira discussão séria do protestantismo latino-americano e estimulou a criação de órgãos cooperativos regionais em vários países. Por outro lado, o Congresso do Panamá revelou duas ênfases que se tornariam problemáticas para os evangélicos latino-americanos: uma atitude simpática para com a Igreja Católica e uma forte influência do “evangelho social.” Como resultado do encontro do Panamá, nos anos seguintes realizaram-se dois congressos missionários regionais. O primeiro, denominado Congresso de Ação Cristã na América do Sul, reuniu-se em Montevidéu, Uruguai, em 1925. Aqui, embora a participação de latino-americanos tenha sido maior (o pastor presbiteriano brasileiro Erasmo Braga foi eleito presidente do congresso), os norte-americanos ficaram a cargo da organização e presidiram todas as comissões. Finalmente, em 1929 reuniu-se em Havana o Congresso Evangélico Hispano-Americano, presidido pelo metodista mexicano Gonzalo Baez-Camargo. Desta feita, o congresso foi inteiramente organizado e conduzido por latinoamericanos e as ênfases recaíram sobre a nacionalização e o auto-sustento das igrejas evangélicas. Uma segunda série de encontros do protestantismo latino-americano foi representada por três Conferências Evangélicas continentais: CELA I (Buenos Aires, 1949), CELA II (Lima, 1961) e CELA III (Buenos Aires, 1969).7 Essas conferências estavam ligadas às denominações históricas, que rapidamente tornavam-se minoritárias no contexto geral do protestantismo da América Latina. O protestantismo ecumênico das CELAs recebia a influência do protestantismo histórico declinante do hemisfério norte, buscava aproximar-se do catolicismo posterior ao Concílio Vaticano II (1962-1965) e procurava responder à difícil situação social do continente com uma teologia radical, que eventualmente 79

identificou-se com a célebre “teologia da libertação.” A teologia da libertação adquiriu notoriedade no âmbito católico romano com a segunda assembléia da Conferência Episcopal Latino-Americana (CELAM), reunida em Medellín, Colômbia, em 1968.8 Anos antes, em 1962, os protestantes haviam criado a organização Igreja e Sociedade na América Latina (ISAL), após uma consulta realizada em Huampaní, Peru, no ano anterior. Ela tornou-se o centro de convergência dos teólogos protestantes da libertação, tendo como órgão o periódico Cristianismo e Sociedade. Em 1972, as duas correntes teológicas puseram-se em contato no I Congresso Latino-Americano de Cristãos pelo Socialismo, realizado em Santiago do Chile. Ao lado das Conferências Evangélicas continentais (CELAs) e do ISAL, o protestantismo ecumênico latino-americano criou várias estruturas paraeclesiásticas com o fim de promover os seus objetivos. Alguns organismos importantes são ou foram os seguintes: Movimento Estudantil Cristão (MEC), União Latino-Americana de Juventudes Evangélicas – depois, Ecumênicas (ULAJE), Agência de Serviços Ecumênicos Latino-Americanos (ASEL), Comissão Evangélica Latino-Americana de Educação Cristã (CELADEC), Coordenadoria de Projetos Ecumênicos (COPEC) e Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI).9 Uma característica desse protestantismo ecumênico era o crescente declínio do seu ímpeto evangelizador, em contraste com a vitalidade das igrejas vinculadas a missões independentes ou ao movimento pentecostal, que mantinham o seu vigor evangelístico apesar das debilidades da sua teologia. Do seio desse protestantismo majoritário surgiu o impulso para os Congressos LatinoAmericanos de Evangelização, que constituem a terceira das séries mencionadas acima: CLADE I (Bogotá, 1969), CLADE II (Lima, 1979) e CLADE III (Quito, 1992). O CLADE IV deverá realizar-se em setembro do ano 2000 no Equador.10 O primeiro CLADE foi organizado pela Associação Evangelística Billy Graham, sob o impulso do Congresso Mundial de Evangelização (Berlim, 1966), convocado pela revista evangélica Christianity Today. O CLADE I permitiu que líderes preocupados em relacionar a fé evangélica com a realidade latino-americana compartilhassem as suas inquietações. Para Valdir Steuernagel, esse congresso teve duas marcas distintivas: Manifestou com clareza que, na América Latina, somos e queremos ser evangélicos. E, como evangélicos, somos e queremos ser latino-americanos. Naquela ocasião e naquele contexto, tornava-se urgente que, sendo evangélicos, buscássemos uma teologia da encarnação que estabelecesse as pautas para um diálogo com a situação de sofrimento e opressão que se vivia em toda a América Latina.11 Foi no CLADE I que se articulou a criação da Fraternidade Teológica LatinoAmericana, organizada no ano seguinte em Cochabamba, Bolívia, tendo Pedro Savage como seu primeiro secretário e Samuel Escobar como seu primeiro 80

presidente. Escobar assim expressou os objetivos da Fraternidade: Desde o primeiro momento, a FTL procurou ser uma plataforma de encontro e diálogo teológico da qual participassem pastores, missionários e pensadores evangélicos, dentro do marco evangélico de uma lealdade comum à autoridade bíblica e à fé evangélica como base da reflexão e de um compromisso ativo com o cumprimento da missão cristã.12 Por sua vez, a Fraternidade Teológica Latino-Americana convocou os CLADEs posteriores, inclusive o que irá realizar-se no ano 2000.13 A Fraternidade procurou estar tão consciente da problemática social latino-americana quanto o grupo ISAL, mas ao mesmo tempo preocupou-se em abordar a questão de uma perspectiva que entendia ser mais bíblica e equilibrada. Ela é também mais representativa do protestantismo popular da América Latina que a sua congênere ecumênica. Entre os seus participantes mais destacados e influentes está o líder que é o enfoque principal deste artigo — Samuel Escobar.14 II. DADOS BIOGRÁFICOS E ESCRITOS Samuel Escobar nasceu no Peru e freqüentou uma escola missionária inglesa em Arequipa. Em 1956, ele recebeu o seu grau de mestre em artes e educação na Universidade de São Marcos, em Lima, após o que dedicou-se ao ensino nos níveis primário, secundário e superior. Em 1959 Escobar tornou-se o secretário itinerante da Fraternidade Internacional de Estudantes Evangélicos (International Fellowship of Evangelical Students) — representada no Brasil pela Aliança Bíblica Universitária —, visitando praticamente todos os países da América Latina. Ele trabalhou como missionário entre estudantes universitários na Argentina e no Brasil15 e foi diretor da Comunidade Evangélica Kairós, em Buenos Aires. Alguns anos depois, ele fez o curso de doutorado em filosofia (Ph.D.) na Universidade Complutense de Madri e eventualmente trabalhou como secretário da Fraternidade Cristã Universitária (Inter-Varsity Christian Fellowship) do Canadá, com sede em Toronto.16 Escobar foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Fraternidade Teológica Latino-Americana (1970-1984) e de 1979 a 1985 ocupou o cargo de secretário geral da Fraternidade Internacional de Estudantes Evangélicos. Nas décadas de 1960 e 1970, ele e outros teólogos latino-americanos tornaram-se bem conhecidos em círculos evangélicos e ecumênicos internacionais através de sua participação em importantes conferências. Além disso, há muitos anos ele é membro da Comissão Teológica da Fraternidade Evangélica Mundial (World Evangelical Fellowship), tendo participado de muitas de suas consultas ao redor do mundo.17 Atualmente, Samuel Escobar é presidente das Sociedades Bíblicas Unidas e professor titular de missiologia no Seminário Teológico Batista do Leste, em Filadélfia, Estados Unidos.18 Ele também leciona sobre missões em seu país natal, o Peru.

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Samuel Escobar é autor de vários livros sobre teologia e missiologia: Diálogo entre Cristo y Marx (1967), Quien es Cristo Hoy? (1970, com C. René Padilla), Decadencia da la Religión (1972), Christian Mission and Social Justice (1978, com John Driver), Irrupción Juvenil (1978), La Fe Evangelica y las Teologías de la Liberación (1987), Evangelio y Realidad Social (1988), Liberation Themes in Reformational Perspective (1989), Paulo Freire: Una Pedagogia Latinoamericana (1993), entre outros. Um dos seus livros mais recentes é Desafios da Igreja na América Latina: História, Estratégia e Teologia de Missões, publicado em 1998 pela Editora Ultimato. Escobar também escreveu diversos ensaios que foram publicados como capítulos de livros. Alguns títulos representativos podem dar-nos uma idéia de seus temas prediletos: “Social Concern and World Evangelism,” em Christ the Liberator (1971); “The Social Impact of the Gospel,” em Is Revolution Change? (1972); “Evangelism and Man´s Search for Freedom, Justice and Fulfillment,” em Let the Earth Hear His Voice (1974); “The Role of Translation in Developing Indigenous Theologies: A Latin American View,” em Bible Translation and the Spread of the Church (1990); “Latin America,” em Toward the Twenty-First Century in Christian Mission (1993); “A Pauline Paradigm of Mission: A Latin American Reading,” em The Good News of the Kingdom (1993); “La Presencia Protestante en America Latina: Conflicto de Interpretaciones,” em Historia y Misión: Revisión de Perspectivas (1994); “The Church in Latin America after Five Hundred Years” e “Conflict of Interpretations of Popular Protestantism,” em New Face of the Church in Latin America: Between Tradition and Change (1994); “The Search for a Missiological Christology in Latin America,” em Emerging Voices in Global Christian Theology (1994); “The Training of Missiologists for a Latin American Context,” em Missiological Education for the Twenty-First Century (1996); “Religion and Social Change at the Grass Roots in Latin America,”19 em The Role of NGOs: Charity and Empowerment (1997). Finalmente, seus numerosos artigos têm aparecido em renomados periódicos como Evangelical Missions Quarterly, Evangelical Review of Theology, International Bulletin of Missionary Research, Transformation, Missiology e International Review of Mission, entre outros. Uma vez mais, os próprios títulos de alguns artigos representativos dão uma clara idéia dos principais temas com os quais Escobar tem trabalhado ao longo dos anos: “The Social Responsibility of the Church in Latin America” (EMQ, 1970), “Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America” (IBMR, 1982), “Transformation in Ayacucho: From Violence to Peace and Hope” (Transformation, 1986), “Missions and Renewal in Latin American Catholicism” (Missiology, 1987), “Recruitment of Students for Mission” (Missiology, 1987), “Has McGavran´s Missiology Been Devoured by a Lion?” (Missiology, 1989), “From Lausanne 1974 to Manilla 1989: The Pilgrimage of Urban Mission” (Urban Mission, 1990), “A Movement Divided: Three Approaches to World Evangelization Stand in Tension with One Another” (Transformation, 1991), “Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological Christology” (Missiology, 1991), “Mission in Latin America: An Evangelical Pespective” (Missiology, 1992), “The Elements of Style in Crafting New International Mission Leaders” (EMQ, 1992), “500 Years after Columbus: Requiem 82

1993). 1992).20 As influências recebidas por Escobar. que ele não tem nenhuma conexão particular com as correntes da teologia da libertação que foram e ainda são uma expressão importante da teologia latinoamericana. Conseqüentemente. em particular depois de 1966. Para ele. O evangelho tem implicações sociais e políticas revolucionárias que não podem ser omitidas. Tendo vivido em um período de grande turbulência na história latino-americana. o evangelho tem relevância para a totalidade da vida. Bassham descreve o desenvolvimento das teologias de missão ecumênica. em meados da década de 60. golpes militares. “Beyond Liberation Theology: A Review Article” (Themelios. e os ensinos e o ministério de Jesus em particular. Em seu livro Mission Theology. especialmente entre 1948 e 1975. Rodger C. “Missions´ New World Order: The Twenty-First Century Calls for us to Give up our Nineteenth-Century Models for Worldwide Ministry” (Christianity Today. “A Missiological Approach to Latin American Protestantism” (IRM. os evangélicos começaram a constituir uma comunidade verdadeiramente global com uma visão abrangente de missões. tanto católica quanto protestante. Ele observa que. por um lado. regimes ditatoriais e caos sócioeconômico. III. Escobar tem um profundo interesse em missões. 1992). especialmente através dos movimentos de que participou a partir da década de 1960. REFLEXÃO TEOLÓGICA E ENVOLVIMENTOS Samuel Escobar identifica-se como um evangélico. o ano em 83 . sendo bastante crítico da sua teologia/ideologia. Para ele. mostram o interesse de Deus por todas as necessidades humanas. evangélica conservadora e católica. 1994). marcado por injustiça e opressão generalizada. pastores. Sua identidade latino-americana também é essencial para a reflexão e os envolvimentos teológicos de Escobar. A igreja deve proclamar Jesus Cristo como Salvador e Senhor porque os seres humanos carecem tanto de reconciliação com Deus quanto de dignidade e integridade em sua vida neste mundo. Como pastor. ajudam a entender as preocupações reveladas pelos títulos dos seus escritos.21 Isto significa. “The Whole Gospel for the Whole World from Latin America” (Transformation. como indivíduos e como membros da sociedade. ele está longe de partilhar das idéias e compromissos do fundamentalismo. Escobar considera sua tarefa articular essa missiologia holística e inspirar outras pessoas — estudantes. ele sempre interessou-se pela missão da igreja.or Te Deum?” (EMQ. líder de movimentos estudantis. a mensagem bíblica em geral. Escobar e alguns colegas sentiram que não era suficiente pregar um evangelho puramente espiritual. “The Legacy of John Alexander Mackay” (IBMR. especialmente em um contexto de pobreza e sofrimento. leigos e líderes cristãos — a compartilhar essa visão. professor e teólogo. violência política. e a igreja deve partilhar desse interesse de Deus. Por outro lado. 1998). 1994).

Samuel Escobar estando entre eles.22 Os congressos de Wheaton e Berlim marcaram um novo estágio na emergência de uma identidade evangélica. nos anos 60. dotadas de uma liderança nacional bem-treinada.que eles patrocinaram duas grandes conferências mundiais sobre missões e evangelização. 1966) – a primeira grande reunião mundial de evangélicos no século XX – também estimulou congressos regionais de evangelização em vários continentes. o forte impacto do conceito de “crescimento da igreja” sobre a teologia evangélica de missões. Estados Unidos. Estes por sua vez contribuíram para o Congresso Internacional de Evangelização Mundial (Lausanne. 1966). Ele e outros oradores da América Latina desafiaram os evangélicos norte-americanos a reconhecer a necessidade de promover justiça social e reformas políticas como parte dos seus deveres como cristãos. imperialista e colonialista. Bassham identifica vários desdobramentos importantes: os primórdios de uma teologia evangélica de missão altamente representativa (a Declaração de Wheaton). Escobar estava entre os muitos líderes do terceiro mundo que falaram enfaticamente em prol das igrejas nativas. Bassham observa que “as apresentações e discussões de Lausanne mostraram um espírito de abertura. o Pacto de Lausanne demonstra que “os evangélicos desenvolveram uma teologia de missão amadurecida. Ele exortou os missionários a superar a mentalidade paternalista. Escobar foi ouvido pela primeira vez por grandes audiências internacionais nas convenções da Fraternidade Cristã Universitária realizadas em Urbana. 1974). Para Bassham. O Congresso Mundial de Evangelização (Berlim. positiva e consistente. Escobar falaria apaixonadamente sobre a necessidade de se estabelecer uma relação entre as preocupações sociais e a evangelização mundial.”23 Em todos esses acontecimentos importantes houve uma decidida participação de teólogos latino-americanos. o principal forum internacional em que se ouviu a voz de Escobar foi o Congresso Internacional de Evangelização Mundial (Lausanne. diversidade de perspectivas e profundidade de análise jamais alcançado anteriormente em uma assembléia evangélica. e o crescente número de vozes evangélicas provenientes de fora da América do Norte. e capazes de atuar eficazmente em seu contexto local. Nesse contexto. a fim de permitir o surgimento de igrejas nativas alicerçadas na fé. 1974). a luta em torno da relação entre evangelização e ação social.24 Na convenção de 1970. No Congresso Mundial de Evangelização (Berlim. à medida que evangélicos de todo o mundo começaram a empreender juntos uma análise da situação enfrentada por aqueles que estavam envolvidos com missões e evangelismo em todos os continentes. à medida que os participantes se debatiam com as questões da teologia de missão no mundo contemporâneo.”26 Uma das grandes influências nas deliberações do congresso veio através das contribuições de 84 .25 No entanto. que evocou manifestações de opinião de toda a comunidade evangélica.

28 85 . O Pacto de Lausanne foi muito além das declarações evangélicas tradicionais. através do grupo de Discipulado Radical. do discipulado cristão e da renovação da igreja. Em seu capítulo sobre a “Responsabilidade Social Cristã. tem uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida. nem a ação social seja evangelismo. Bassham cita as seguintes afirmações de Escobar: Uma espiritualidade sem discipulado nos aspectos diários da vida — sociais. até mesmo ao ponto de se esforçarem pela mudança das estruturas sociais.. De uma vez por todas. Portanto. a singularidade de Cristo e a necessidade da evangelização. Enquanto que a orientação teológica de Lausanne permaneceu firmemente evangélica. demonstrando que o evangelismo bíblico é inseparável da responsabilidade social. cultura.27 Muitas vezes durante o congresso os participantes afirmaram ter um interesse profundo e permanente pela ação social em favor dos pobres e necessitados. foi de especial importância.oradores do terceiro mundo. econômicos e políticos —. é religiosidade e não cristianismo. devemos partilhar da sua preocupação com a justiça e a reconciliação em toda a sociedade humana e com a libertação dos homens de todo tipo de opressão. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus.. ela também produziu algumas mudanças bemdefinidas na teologia evangélica de missões. Oradores latino-americanos como René Padilla. todavia afirmamos que tanto a evangelização como o envolvimento socio-político são parte do nosso dever cristão.” o Pacto de Lausanne declara: Afirmamos que Deus é tanto o Criador como o Juiz de todos os homens. René Padilla. nem a libertação política seja salvação. religião. classe. referindo-se com isso ao ministério e à missão total da igreja. Ao contrário. Embora a reconciliação com o ser humano não seja o mesmo que a reconciliação com Deus. é o interesse pela integridade do Evangelho que nos motiva a acentuarmos a sua dimensão social. tanto pela nossa negligência quanto por às vezes termos considerado a evangelização e a preocupação social como mutuamente exclusivas. devemos rejeitar a falsa noção de que a preocupação com as implicações sociais do evangelho e as dimensões sociais do testemunho cristão resultam de uma falsa doutrina ou de uma ausência de convicção evangélica. Também aqui manifestamos o nosso arrependimento. sexo ou idade. Orlando Costas e Samuel Escobar proferiram as declarações mais fortes no sentido de que a preocupação com as necessidades sociais da humanidade e o envolvimento com as mesmas é uma parte necessária do testemunho e da responsabilidade dos cristãos em favor do mundo. acentuando a autoridade da Bíblia. toda pessoa. não importa qual seja a sua raça. e não explorada. cor. O impacto de líderes como Samuel Escobar e C. Lausanne abordou o tema abrangente da evangelização mundial.

29 Dentre os 28 discursos principais.33 O próprio Escobar acha que o seu modelo pode ser melhor descrito como “holístico. do homem e do mundo.30 Escobar afirmou a certa altura: Existe base suficiente na história da Igreja e nos ensinamentos da Palavra de Deus para afirmar categoricamente que a preocupação pelo aspecto social do testemunho evangélico no mundo não é um abandono das verdades fundamentais do Evangelho. Apesar das diferenças existentes entre os dois movimentos.35 Em um capítulo sobre a América Latina que escreveu para o livro Toward the 86 . Em sua opinião. os protestantes latino-americanos realizaram ainda outra grande conferência – a Conferência Evangélica LatinoAmericana (CELA III). Samuel Escobar teve uma importante participação no Primeiro Congresso Latino-Americano de Evangelização (CLADE I. fome. Orlando Costas comenta que 1969 foi para os protestantes o que 1968 havia sido para os católicos (II Conferência Episcopal Latino-Americana. injustiça. evangélicos. Sustentamos que uma evangelização que não toma conhecimento dos problemas sociais e que não anuncia a salvação e a soberania de Cristo dentro do contexto no qual vivem os que ouvem. violência e desespero. que afirmou: “É chegada a hora de nós. de Jesus Cristo. além do CLADE I.”32 se os cristãos quisessem testemunhar fielmente em seu contexto sócio-cultural.. que formam a base desse Evangelho. a sua apresentação sobre a responsabilidade social da igreja recebeu a atenção mais entusiástica.” Os participantes afirmaram que “o exemplo de Cristo devia ser encarnado na crítica situação latino-americana de subdesenvolvimento. em Medellín. de uma expressão mais autêntica de unidade cristã no empreendimento missionário e de uma reflexão missiológica mais séria e profunda. pelo contrário. Naquele ano. Bogotá. que envia o evangelista.. é uma evangelização defeituosa.31 Essa ênfase achou lugar na Declaração Evangélica de Bogotá. que trai o ensino bíblico e não segue o modelo proposto por Cristo. René Padilla. Samuel Escobar e C. Colômbia).”34 Ele argumenta que os evangélicos latino-americanos escolheram o Pacto de Lausanne como uma expressão do seu consenso doutrinário básico e do seu claro compromisso com um modelo de missão integral e bíblico. 1969). levarmos a sério a nossa responsabilidade social. Ele argumentou eloqüentemente que tanto a evangelização quanto a ação social são necessárias para o testemunho cristão. três anos antes. planejado em resposta a pedidos de delegados latino-americanos presentes no Congresso de Berlim. em Buenos Aires. essa terceira busca tem assumido várias formas. uma das quais é o modelo ético-missiológico — missão da perspectiva de questões éticas — articulado por.No âmbito continental. é levar às suas últimas conseqüências os ensinos a respeito de Deus. Costa vê nos documentos de ambos os eventos a emergência de novas tendências missiológicas caracterizadas por um tríplice interesse: a busca de um entendimento histórico de missões. entre outros.

porque Jesus Cristo é Senhor. mas também o esforço consciente de executar essa tarefa segundo moldes bíblicos. Uma delas foi o Primeiro Congresso Missionário Latino-Americano (Curitiba.39 Em resposta a um artigo de McGavran. injustiça e idolatria ideológica. hoje o Senhor está nos chamando para cruzarmos as fronteiras da desigualdade. 1976). Escobar menciona duas outras conferências missionárias latino-americanas. Assim sendo. Escobar argumenta que o grande dilema para o qual a missiologia deve estar alerta é diferente: A obra missionária será realizada segundo o modelo de Jesus e a prática apostólica.40 O que Escobar questiona é se uma pessoa pode realmente evangelizar anunciando a Cristo como Salvador e então deixar a questão do senhorio de Cristo sobre toda a criação para uma segunda etapa. ele lamenta o fato de que o Congresso Missionário Ibero-Americano (COMIBAM. Ele preocupa-se com a “missiologia gerencial” que dá ênfase à proclamação verbal e ao crescimento numérico de adesões à igreja como o principal componente das missões cristãs. Escobar acredita que o êxito do avanço protestante na América Latina deve ser interpretado fazendo-se perguntas sérias sobre o seu dinamismo transformador e a sua contribuição para a justiça nas relações sociais. Eles não procurariam estabelecer prioridades nesses termos. e essa singularidade de Jesus Cristo é essencial para a mensagem da igreja. São Paulo. Segundo. a igreja nunca deve perder o seu senso de missão e do seu chamado para proclamar a Jesus Cristo como Salvador e Senhor. Escobar é um crítico rigoroso do movimento do Crescimento da Igreja.38 Ele acha que a base desse questionamento tem sido o compromisso claro com a tarefa de missões e evangelização.Twenty-First Century in Christian Mission (1993). ou irá adotar as técnicas e padrões da sociologia 87 . inclusive a clamorosa realidade de pobreza que circundava o próprio local em que se reuniram os delegados.” que McGavran faz.37 Por essa razão. 1987) deixou de abordar conceitos básicos do entendimento de missões. Ele observa que os grandes missionários dos primeiros 1800 anos da igreja dificilmente fariam a distinção entre “espiritual” (evangelização) e “o resto.”36 Todavia. Reagindo contra o triunfalismo fácil das estatísticas e a tirania do controle de dados. ambas realizadas no Brasil. cujo pacto manteve a ênfase de Lausanne sobre a preocupação social como parte da missão da igreja: “Assim como no passado o chamado de Jesus Cristo e da sua missão foi um chamado para cruzar fronteiras geográficas. Escobar afirma que. testemunha-se o surgimento de uma nova teologia contextual que conclama à “integridade” da missão e procura associar o zelo evangelístico com a paixão holística. pois operavam com uma noção bíblica holística do ser humano. iniciado por Donald McGavran em 1960. somente em seu nome há salvação para a humanidade. ele concorda integralmente com dois pontos do apelo de McGavran: primeiro. como evangélico. O que o movimento do Crescimento da Igreja necessita é o corretivo de uma sólida teologia bíblica. que poderá nunca chegar.

Ele observa como. essas igrejas estão oferecendo não somente um abrigo ou refúgio no sentido mais limitado. Escobar e os seus colegas 88 . do marketing e das relações públicas?41 Compreensivelmente. a Teologia da Libertação foi uma das conseqüências desse processo.”42 Ele destaca várias lições missiológicas que podem ser extraídas do impressionante crescimento do pentecostalismo latinoamericano: é um movimento religioso (e não social ou político).”47 Contra o Cristo “docético” do catolicismo latino-americano tradicional. no início das missões protestantes na América Latina. Ele admite que a hermenêutica evangélica necessitar ser constantemente purificada de pressuposições ideológicas.44 Em décadas recentes. por outro lado ele não sente entusiasmo pela Teologia da Libertação. Escobar entende que a Teologia da Libertação é uma voz eloqüente que procura reinterpretar a história cristã e a mensagem cristã. à medida que a Igreja Católica Romana latino-americana buscou nova relevância social e política. Ele admite: “Nós não mais podemos aceitar uma missiologia que recusa-se a levar a sério as realidades políticas e sociais. e apela a uma genuína cristologia missiológica que. embora Escobar considere inadequadas a análise marxista e a “escatologia” da Teologia da Libertação. é um movimento popular. alcançar dignidade humana e sobreviver ao impacto das forças anômicas que atuam nas grandes cidades. enfatize “o discipulado cristão como algo que implica em colocar a totalidade da vida debaixo do senhorio de Jesus Cristo. e a religião oficial uma força opressora. A missiologia evangélica deve avaliá-la."43 Ele observa que alguns pentecostais latino-americanos também escolheram o Pacto de Lausanne como expressão do seu compromisso com um modelo de missão holístico e bíblico. Como evangélico. Com relação ao primeiro. nas palavras de René Padilla. Escobar vê com apreciação o dinamismo e o crescimento do protestantismo popular (pentecostalismo) na América Latina. um na área da consciência histórica e o outro na da hermenêutica.funcionalista.45 A Teologia da Libertação confronta a missiologia evangélica com dois desafios. alguém que tem procurado ser um crítico e intérprete amoroso – um crítico severo em alguns pontos – do lado de dentro. o evangelho era a verdadeira força libertadora nas vidas dos latino-americanos. por um lado.”46 Na área da hermenêutica. Se. Escobar reafirma a ênfase evangélica na centralidade da Escritura e questiona a abordagem fortemente ideológica da interpretação bíblica demonstrada pelos teólogos da libertação. mas a única maneira disponível de encontrar aceitação social. Escobar diverge da escola do Crescimento da Igreja. mobiliza as pessoas para a missão e cria um senso de comunidade. ele aborda esse movimento na qualidade de “um observador-participante. Escobar declara que "para as massas em transição. ele admite que a missiologia evangélica está aprendendo a encarar a história missionária com uma atitude menos ingênua e mais madura.

Escobar identifica essa reflexão missiológica que está vindo não só da América Latina. ele argumenta que “nosso programa de treinamento na América Latina precisa ser elaborado com base em convicções bíblicas. mesmo que essa leitura signifique um exame incômodo e sério da herança evangélica. como uma missiologia crítica da periferia. e vamos unirnos aos nossos irmãos e irmãs a fim de completarmos a tarefa inacabada. ele destaca a importância do treinamento de missionários e missiólogos para o contexto latino-americano. e como ele o está fazendo. especialmente nas fronteiras de missão.”49 Ele argumenta que seria grandemente desejável para a globalização das missões e da teologia evangélica se as diferentes correntes missiológicas do evangelicalismo (européias. Nessas igrejas do hemisfério sul. experiência de vida.”50 Em sua obra publicada recentemente em português.da Fraternidade Teológica Latino-Americana têm refletido sobre o Jesus dos evangelhos. mas também da África e da Ásia. Ele observa que tal missiologia “é caracterizada por uma forte ênfase hermenêutica que insiste na importância de ler o mundo e ler a Palavra. Nesse sentido. Há uma séria reflexão acerca daquilo que os evangelhos dizem sobre a pessoa e a obra de Jesus de Nazaré. Escobar gostaria de ouvir as igrejas norte-americanas dizerem: “Vamos descobrir o que Deus está fazendo em outras partes do mundo. crescimento da igreja.”51 Mais uma vez ele expressa o seu entusiasmo pelo protestantismo popular (pentecostalismo) devido a sua ênfase na mobilização 89 . tanto individual quanto social. Essa reflexão inclui uma crítica do cristianismo evangélico na América Latina. Além disso. Escobar observa que a internacionalização das missões cristãs implica em reconhecer que Deus tem levantado igrejas grandes e florescentes no terceiro mundo. há uma busca do significado e da “integridade” do evangelho — Jesus Cristo é tanto o conteúdo quanto o modelo e o alvo da proclamação do evangelho. mas é totalmente incapaz de relacionar o Evangelho com a ética social e a vida social. Inicialmente. as igrejas dos pobres. sobre como a sua obra e ensino são relevantes para todas as áreas da vida. Em um artigo sobre a preparação de líderes de missões. Deus está despertando uma nova força missionária. Há também uma preocupação quanto às marcas da missão de Jesus. Escobar cita novamente seu amigo René Padilla: “(O evangelicalismo) afirma o poder transformador de Cristo em relação ao indivíduo. Escobar aborda em cinco ensaios algumas de suas preocupações mais fundamentais.”48 Essa missiologia cristológica busca um novo modelo para inspirar e moldar a ação missionária. mencionada no início deste trabalho. consciência histórica e preocupação pastoral. terceiro mundo) pudessem convergir em um movimento mais articulado e cooperativo para enfrentar a tarefa missionária do terceiro milênio. O material bíblico é abordado a partir de várias perspectivas possuidoras de significado missiológico. com o entendimento de que ser seu discípulo é ser chamado por ele tanto para conhecê-lo quanto para participar da sua missão.

Após salientar o “fator novo” na história do cristianismo que é a transferência do dinamismo missionário para o hemisfério sul (África. sermões ou nas Institutas. vemos uma preocupação constante com as implicações sociais e comunitárias do Evangelho.53 Finalmente.54 Historicamente. REFLEXÕES FINAIS Samuel Escobar não se identifica como um reformado ou calvinista. Não obstante. a partir da sua própria comunidade local. como a sua ênfase quase que exclusiva sobre as massas empobrecidas da América Latina como objeto da ação missionária da igreja. Nos escritos do grande reformador. ao lado da sua anterior ênfase cristocêntrica. que vai além da experiência religiosa pessoal para incluir a comunidade e o mundo. Escobar alerta os cristãos evangélicos para a necessidade de um constante processo de encarnação e contextualização que rejeita toda e qualquer forma de paternalismo e discriminação. com sua ênfase na conversão de indivíduos ao evangelho.dos leigos. ele aponta que os evangélicos latino-americanos têm maior afinidade com os pietistas. em anos recentes. suas formas contextualizadas de culto e ação missionária e o destaque dado ao ministério do Espírito Santo e ao elemento de conflito espiritual relacionado com a missão da igreja. uma vez que está filiado à Igreja Menonita. muito embora as suas práticas nem sempre tenham correspondido às suas convicções. Para superar esses problemas ele novamente propõe o modelo de missão integral. Não precisamos concordar com tudo o que Samuel Escobar tem escrito. Ele encarece a necessidade de uma espiritualidade profunda aliada a uma preocupação igualmente intensa com as exigências éticas do evangelho. algumas de suas suas ênfases certamente contariam com o aval de João Calvino e de muitos dos seus seguidores. e conclui com uma análise do modelo missionário de Paulo. Sua biografia e envolvimentos revelam uma conexão preponderante com a tradição anabatista. alguns pontos da sua missiologia merecem reparos. espírito de competição. o nosso continente testemunha o crescimento cada mais acentuado de uma 90 . Na realidade. elas enfrentam os riscos do excesso de individualismo. falta de uma eclesiologia clara e atitudes sectárias. fato que tem sido amplamente documentado por diversos pesquisadores. a dar uma grande ênfase ao papel do Espírito Santo nas missões cristãs. Ásia e América Latina). os reformados têm acentuado um conceito abrangente acerca da missão da igreja. Ele entende que “os evangélicos latino-americanos necessitam de um impulso renovado do Espírito Santo e de uma leitura nova e contextual da Palavra de Deus. Isso tem levado Escobar.”52 Ao mesmo tempo que expressa sua admiração pelas igrejas populares. Escobar reconhece que. seja em seus comentários. morávios e avivalistas dos séculos XVIII e XIX do que com os reformadores do século XVI. cartas. Ainda que isso não deixe de ser importante. com sua notável interação entre reflexão e ação missionária.

devemos levar a sério os desafios desses líderes. Não obstante. Eles demonstraram que as igrejas podem permanecer fiéis às suas convicções históricas e ao mesmo tempo adotar uma postura ousada e coerente em relação aos problemas sociais. muitos cristãos aderiram à agenda revolucionária da Teologia da Libertação. poucos afeitos à pregação do evangelho. que quer dar vida e dignidade à sua criação. ao passo que os liberais. notadamente nas áreas doutrinária e ética. que falam com convicção. pois que a igreja cristã em geral e as igrejas evangélicas de modo particular têm uma longa e honrosa tradição de “missão integral” ao mundo. produziram a concepção dicotômica da missão da igreja que hoje observamos. ideológicas e sociais. Ao lado disso. do combate ao alcoolismo e de tantas outras causas nobres. como agente e instrumento de Deus. as disputas teológicas tão bem exemplificadas pela controvérsia modernistafundamentalista nos Estados Unidos. Num período conturbado da história recente da América Latina. as igrejas e cristãos individuais estavam na vanguarda de movimentos em prol da extinção do tráfico negreiro. dando pouca atenção a alguns sérios problemas apresentados pelas mesmas. evangélica e igualmente radical em suas implicações. Como Escobar destaca. que realmente correm o risco de tornar-se irrelevantes na sociedade caso não despertem para algumas dolorosas realidades que existem ao seu redor. Os conservadores em grande parte aferraram-se à idéia de que a missão exclusiva da igreja é a evangelização. são o nosso grande paradigma de missão. da luta contra o trabalho infantil.classe média significativa que também deve ser alvo do interesse da igreja. Tal ocorrência seria um retrocesso histórico lastimável. especialmente como reveladas no seu Filho. no início deste século. Escobar tende a superestimar os valores positivos das igrejas populares. coerência e clareza sobre a necessidade de um entendimento abrangente da tarefa da igreja no mundo. a atitude e as ações de Deus em relação ao mundo. Infelizmente. Jesus Cristo. Isso foi ilustrado de maneira extraordinária por 91 . Ao mesmo tempo que enviavam pregadores do evangelho para todos os quadrantes do mundo. tendo como alvo a conversão individual. A Bíblia fala de um Deus que toma a iniciativa. da abolição da escravatura. Samuel Escobar e seus companheiros da Fraternidade Teológica LatinoAmericana fizeram um esforço sério no sentido de apresentar uma alternativa a essa teologia que fosse bíblica. como é caso de alguns recentes movimentos neopentecostais. optaram decididamente por atividades de cunho social. que busca a humanidade com amor e compaixão. da reforma das prisões. na Europa e nos Estados Unidos. Como cristãos brasileiros preocupados tanto com a missão da igreja quanto com as difíceis realidades sócio-econômicas de nosso país. Escobar e seus colegas têm algo importante a dizer às igrejas evangélicas históricas da América Latina e do Brasil. quando nosso continente foi sacudido por profundas convulsões políticas. Basta lembrarmos o intenso esforço de missões e de reforma social gerado pelos grandes despertamentos dos séculos XVIII e XIX.

eram provenientes do movimento cristão de estudantes.” A igreja não deve ser reduzida a uma organização social ou a um grupo de pressão política como tantos que existem na sociedade. quando. a esse respeito. Errand to the World: American Protestant Thought and Foreign Missions (Chicago: The University of Chicago Press. Por causa do seu forte senso de missão. muitas vezes. Evidentemente. como Joseph H. 1987). À medida que a igreja evangeliza. Ver Kenneth S. estatísticas e resultados rápidos não deve cegar a igreja para a integridade da missão. o propósito total de Deus para a humanidade e para a comunidade redimida. Obs.: O presente estudo é uma versão ampliada do artigo “Samuel Escobar e a Missão Integral da Igreja: Uma Perspectiva Latino-Americana. praticidade ou. Oldham. Seus líderes. Mott e Robert E. O reino de Deus e seus novos valores devem ser manifestos em todos os tipos de relacionamentos humanos.21s). John R. Tudo deve ser colocado debaixo do propósito e do senhorio de Deus. O Cristo do Novo Testamento interessa-se por todas as necessidades humanas — espirituais. se vivida até as suas últimas conseqüências. “Ecumenical Bearings of the Missionary Movement and the 92 . Speer. Inevitavelmente é levantada a questão das prioridades: uma vez que não podemos fazer tudo que Deus espera que façamos. a evangelização – convidar os indivíduos. A Conferência de Edimburgo é considerada o berço do moderno movimento ecumênico. as famílias e as comunidades à reconciliação e nova vida em Jesus Cristo – certamente é básica e essencial. com uma contribuição e uma mensagem singular. o importante livro de William R. Jesus lutou e morreu na cruz. Latourette. a preocupação com prioridades. e a tenham em abundância. Ele instruiu os seus seguidores a continuarem a sua obra de proclamação do reino (Jo 20. Hutchison. manifestou o interesse de Deus por todos os tipos de pessoas e pela pessoa integral.Jesus. Ver. Essa mensagem. É para essas implicações mais amplas do evangelho e da missão da igreja que cristãos comprometidos e inquiridores como Samuel Escobar chamam a nossa atenção. Desde uma perspectiva evangélica. Ela é uma instituição singular. necessariamente fará com que a igreja enfrente as diferentes situações que afetam a vida humana neste mundo caído. vamos concentrar os nossos esforços no que é primordial – a evangelização – e as outras preocupações cuidarão de si mesmas. a sua mensagem e ações desafiam todas as áreas da vida particular e coletiva. esses sublimes ideais nem sempre encontram plena expressão nas vidas diárias dos cristãos e das igrejas. físicas e emocionais. ela também precisa expressar o interesse de Deus por toda a vida e espelhar a atitude daquele que disse: “Eu vinham para que tenham vida. Todavia.” publicado em Vox Scripturae 8/1 (Julho 1998): 95-111. em seu ministério terreno.

em 1953. 1952). apaixonei-me por esse imenso país. ed.. Hogg. os presbiterianos Eduardo Carlos Pereira.International Missionary Council. até chegar a 93 . Entre os latino-americanos presentes no congresso estavam apenas três brasileiros. John Kessler e Wilton M. como jovem delegado peruano a um congresso mundial da juventude batista. eds.” Pastoralia 1/2. Os próprios locais dessas conferências e congressos são reveladores. Outros nomes importantes no campo católico são Juan Luis Segundo. Outros membros bem conhecidos da Fraternidade Teológica são C.” William R. Escobar. Ver Samuel Escobar. Tito Paredes. Álvaro Reis e Erasmo Braga. enquanto que todos os CLADEs ocorreram nos países andinos. Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). Ruth Rouse e Stephen C. até Manaus. no campo protestante destacaram-se José Miguez Bonino e Rubem Alves. 35. Cheguei de avião. Hugo Assmann. Rolando Gutiérrez. Das três CELAs. “Los ‘CLADEs’ y la Misión de la Iglesia. José Porfirio Miranda. Núnez e o brasileiro Valdir Steuernagel. O historiador Sidney Rooy identifica uma seqüência de três séries ou ciclos de encontros do protestantismo latino-americano. 3ª ed. identidade étnica e filiação eclesiástica. entre outros. 13. duas realizaram-se na cosmopolita e culta Buenos Aires.” 22. Sobre a sua relação com o Brasil. especial (Novembro 1978): 521. com seus enormes problemas sociais e suas dinâmicas igrejas populares.” Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). sexo. de Iquitos. Emílio A. na selva peruana. Citado por Tito Paredes em “Visión Histórica de los ‘CLADEs’. Nelson. autor de Uma Teologia da Libertação (1971). 1986). Entre os evangélicos conservadores. Henrique Dussel e Leonardo Boff. um velho Catalina da Panair. o próprio Escobar afirma em uma obra recente: “Desde a minha primeira visita ao Brasil. 353-402 (Genebra: World Council of Churches. Ecumenical Foundations: A History of the International Missionary Council and its Nineteenth-Century Background (Nova York: Harper and Brothers.” Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). o órgão cooperativo correspondente ao CLAI é a Confraternidade de Evangélicos da América Latina (CONELA). Daí o subtítulo utilizado: “Para considerar os problemas missionários relativos ao mundo não-cristão. René Padilla. metade das inscrições é reservada para participantes pentecostais. “Los ‘CLADEs’ y la Misión de la Iglesia. Em 1959 e 1960 percorri como evangelista e discipulador um bom número de centros universitários. Jon Sobrino. Neste último aspecto. Erasmo eventualmente tornou-se o secretário da Comissão Brasileira de Cooperação. 131-32. 20. Os critérios de seleção procuram ser os mais abrangentes possíveis em termos de faixas etárias dos participantes. Neill. “Panamá 1916 y su Impacto sobre el Protestantismo Latinoamericano. entidade que promoveu o maior esforço cooperativo até hoje empreendido pelas igrejas evangélicas brasileiras e foi precursora da Confederação Evangélica do Brasil. Dali percorri o Norte e o Nordeste.” em A History of the Ecumenical Movement: 1517-1948. Um dos primeiros e mais importantes articuladores dessa teologia foi o sacerdote peruano Gustavo Gutiérrez.

” Evangelical Review of Theology 7. “Transformação em Ayacucho: da violência à paz e esperança”. “Elementos de estilo na formação de novos líderes missionários internacionais”. Por exemplo. Estratégia e Teologia de Missões (Viçosa. Valdir Steuernagel e Rodrigo Zapata. David Bosch 94 . esta é a tradução dos títulos dos artigos de Escobar: “A responsabilidade social da igreja na América Latina”. 1997). “A nova ordem mundial das missões: o século XXI nos conclama a abandonarmos nossos modelos de ministério mundial procedentes do século XIX”. “O legado de John A. Seu papel principal é ajudar os estudantes a considerar as missões cristãs no contexto da justiça econômica. Ver Samuel Escobar. Escobar participou de uma conferência sobre economia e missões promovida pelo Concílio de Ministérios Internacionais das igrejas menonitas norteamericanas. Por força de suas ocupações. historicamente. “Um movimento dividido: três abordagens da evangelização mundial permanecem em tensão entre si”. 11. Desafios da Igreja na América Latina: História. trabalhei como missionário na frente estudantil. Mackay”. A revista Evangelical Review of Theology. “Missão na América Latina: uma perspectiva evangélica”. “A Latin American Critique of Latin American Theology.” Como no Brasil. um órgão de exposição do pensamento evangélico. “500 anos após Colombo: Requiem ou Te Deum?”. “O evangelho inteiro para o mundo inteiro a partir da América Latina”. ele foi editor de Certeza. MG: Editora Ultimato. Segundo o Mennonite Brethren Herald. “Além da teologia da libertação: missiologia evangélica na América Latina”. “Além da teologia da libertação: artigo-resenha” e “Uma abordagem missiológica do protestantismo latino-americano. Por exemplo. na Coréia do Sul. Escobar também foi responsável por vários periódicos. “De Lausanne 1974 até Manilla 1989: a peregrinação da missão urbana”. realizada em Seul.São Paulo. publicou os trabalhos apresentados nessa consulta. Mais recentemente. “Teologia evangélica na América Latina: o desenvolvimento de uma cristologia missiológica”. “A missiologia de McGavran foi devorada por um leão?”. um deles escrito por Escobar e três colegas latinoamericanos. “Missões e renovação no catolicismo latino-americano”. Também publicado em Annals of the American Academy of Political & Social Science 554 (Nov 1997).” Samuel Escobar. “O recrutamento de estudantes para missões”. órgão oficial da referida Comissão Teológica. em distinção dos progressistas ou liberais. “o missiologista Samuel Escobar disse que um conceito holístico de missão conclama os cristãos a compartilhar tanto a vida espiritual quanto recursos materiais e a utilizar instrumentos espirituais. publicado na Argentina. onde.” os estudiosos estão utilizado o anglicismo “evangelical” para designar especificamente os evangélicos conservadores. o termo “evangélico” tem sido virtualmente sinônimo de “protestante. em março de 1998. Pedro Arana. em nível de pós-gradução. nos primeiros anos da Aliança Bíblica Universitária.” Escobar também leciona no curso de Administração do Eastern College. uma revista para estudantes universitários. entre 1962 e 1964. como ocorre nos Estados Unidos. nº 1 (abril 1983): 48-62. em 1982 Escobar participou da Consulta de Teólogos do Terceiro Mundo. culturais e tecnológicos. Para os leitores não familiarizados com o inglês. e diretor de Pensamiento Cristiano.

(2) evangelicais separatistas (como Carl McIntire e o seu Concílio Internacional de Igrejas Cristãs). 1993). 225. 237.menciona pelo menos seis tipos básicos: (1) novos evangelicais (como Billy Graham). Samuel Escobar. Ver Internet. Michigan: Urbanus. “Missiology in Contemporary Latin America: A Survey. 1984). Romen (Farmington. 295.com. “Mission in Latin America: An Evangelical Perspective. Mission Theology. por exemplo. Festo Kivengere e Arthur Glasser). Tópicos do Momento 3 (São Paulo: Vida Nova. Quando Escobar concluiu sua palestra. 25. Samuel Escobar.” em Pensamiento Cristiano 93 (Março 1978): 170-175. Ibid. Rodger C. Ibid.” do grego hólos (“inteiro”. Escobar atribui ao CLADE I. Califórnia: William Carey Library. 1970).. Um bom exemplo das idéias de Escobar acerca da evangelização pode ser encontrado no seu artigo “Vivir y Evangelizar. que tentam unificar todos os evangelicais. Bassham. Ibid. Ibid. Ibid. and Roman Catholic (Pasadena.html. e (6) evangelicais ecumênicos (como John Stott. 7-8. Conn e Samuel F.. Samuel Escobar. 244. John Stott. (3) evangelicais por confissão (como Peter Beyerhaus). Bassham. ed. René Padilla e Orlando Costas). (5) evangelicais radicais (como Samuel Escobar. que recebeu 920 delegados de 25 países. em contraste com a análise. 95 .” em Toward the Twenty-First Century in Mission. Bassham. Desafios da Igreja. Coote (Grand Rapids: Eerdmans. “Latin America. Harvie M. “completo”). 104. Ibid. Phillips e Robert T. Ver Samuel Escobar. (4) evangelicais pentecostais e carismáticos. James M.br/cem/postura. A palestra foi publicada na íntegra por Edições Vida Nova.. A Responsabilidade Social da Igreja. A medicina holística. Mission Theology: 1948-1975 – Years of Worldwide Creative Tension – Ecumenical. “Holístico.. 231.. tratamento ou divisão em partes. O COMIBAM deu uma forte ênfase à segunda vinda de Cristo.” Missiology 20 (Abril 1992). ed. 187. Ibid. 1975). “Has McGavran´s Missiology been Devoured by a Lion?” Missiology 17 (Julho 1989). 1979). 131. 349-350. denota o que diz respeito a totalidades ou sistemas completos. Orlando Costas. 350. 22.” em Missions and Theological Education in World Perspective. Esse congresso foi o berço da Fraternidade Teológica Latino-Americana. Ibid.. procura tratar tanto a mente como o corpo. os delegados colocaram-se de pé e demonstraram a sua aprovação aplaudindo-o entusiasticamente. The Lausanne Covenant: An Exposition and Commentary (Minneapolis: World Wide.homenet. o surgimento de uma “teologia nacional” entre os evangélicos latino-americanos. www. 291. 262.. Mission Theology. Evangelical. 133.

Escobar. Mas avivamento? Já passamos por tanta confusão.Escobar.. Escobar participou de mais uma consulta da Comissão Teológica da Fraternidade Evangélica Mundial. 1990).” 241. tribulação e separação amarga. Samuel Escobar.” Escobar foi o autor de um dos seis estudos apresentados ao plenário. É o caso de André Biéler. 111.” International Bulletin of Missionary Research 6 (Julho 1982). 72-87 Parte XVII APRENDENDO DA HISTÓRIA DOS AVIVAMENTOS Estamos vivendo numa época em que muitos membros das nossas igrejas oram: "Aviva a tua obra. 110. O Pensamento Econômico e Social de Calvino. 108. e “Jonathan Edwards: Teólogo do Coração e do Intelecto. “Anômicas” deriva de “anomia. Há poucos anos. “Mission in Latin America.. Outros se arrepiam imediatamente quando ouvem falar do assunto. gerando uma espiritualidade nova e radical.. ao contrário. Samuel Escobar. Escobar. Samuel Escobar. mas de fato almejam um avivamento autêntico. Não é possível repetir a história. 64.” Evangelical Missions Quarterly 28 (Janeiro 1992). Ibid. no decorrer dos anos. 316.” 134. “Amando a Deus e ao Próximo: João Calvino e o Diaconato em Genebra. ó Senhor. Waldyr Carvalho Luz (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana. 19. “Latin America.. do autor do presente artigo. Tal consulta. mas podemos aprender com ela. Desafios da Igreja na América Latina. alienação e incerteza que decorre da ausência de propósito ou ideais. “Mañana – Discerning the Spirit in Latin America. significa a inquietação. Não é que não queiram que as igrejas sejam vivas e dispostas para a obra do Senhor. 328."(1) Talvez não se expressem exatamente com estas palavras.” Fides Reformata 3:1 (Jan-Jun 1998). “Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological Christology. “Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America. trad. 321. Não seria melhor evitar o assunto? Neste artigo estudaremos um pouco da história para ver se podemos descobrir algumas lições para os dias de hoje.. Ibid. Ver também. Ibid. 69-88. 7. realizada em Londres de 9 a 14 de abril de 1996. teve como tema “Fé e Esperança para o Futuro: Por Uma Teologia Evangélica Vital e Coerente para o Século XXI.” Fides Reformata 2:2 (Jul-Dez 1997). Desafios da Igreja na América Latina. no sentido individual.” Evangelical Review of Theology 20/4 (Outubro 1996). 48. sob o título “Discernindo o Espírito na América Latina. Escobar. Ibid.” a instabilidade social resultante do colapso dos padrões e valores.” em que revela o seu grande interesse pela dimensão pneumatológica da missão da igreja e conclama os evangélicos a estarem receptivos ao novo vento do Espírito que sopra na igreja. Samuel Escobar.” Missiology 19 (Julho 1991). “The Elements of Style in Crafting New International Mission Leaders. 96 . Ibid.

(4) Apesar do crescimento numérico das igrejas em geral. sendo Virgínia a primeira (1607). Nesse caso. visão ampla. a não ser que pudessem ser industrializados. mas por outro lado existiam muitos obstáculos à santificação. então. Foi absolvido. É que os colonos eram pobres. da Palavra de Deus. que ficou famoso na jurisprudência sobre a liberdade religiosa. Os "Pais Peregrinos" foram para o nordeste do continente (1620) e estabeleceram fortes colônias congregacionais. e os preços dos produtos da lavoura muito baixos. I. No ano seguinte. iniciou o seu trabalho itinerante de Nova York até as Carolinas. mamãe.(2) Os holandeses fundaram Nova Amsterdã (1614) com sua Igreja Reformada (mas os ingleses capturariam a colônia cinqüenta anos depois.(3) Ele é considerado o "pai do presbiterianismo americano. a situação religiosa nas colônias não era boa." tendo organizado igrejas e até consagrado ministros. o pastor podia ser pago em espécie e. Muitas igrejas foram organizadas e já cinco anos depois o presbitério reuniu-se pela primeira vez em Filadélfia. A Inglaterra implantou colônias na América do Norte. rebatizando-a como Nova York). para a época que entrou na história como o "Grande Despertamento" (Great Awakening. Os escoceses sabiam fazer isto. E havia outros problemas. até entre pastores. o crescimento continuou e em 1717 organizou-se o primeiro sínodo. Por volta de 1700 havia muitas famílias presbiterianas espalhadas por todas as colônias.. era tentado a tomar uns tragos. chegando em casa depois de uma longa cavalgada numa tempestade de neve. Makemie foi preso por ter pregado em Nova York. Ele defendeu o seu próprio caso. Vamos perguntar à nossa mãe espiritual: "Conte..As nossas igrejas no Brasil foram plantadas por missionários da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos. não é de estranhar que 97 . Francis Makemie. mas adoeceu gravemente devido à permanência no calabouço e foi promovido à glória. Foi na época em que Portugal e Espanha começaram a navegar pelos oceanos e fundar o seu império ibérico. como é que foi?" Voltemos. mormente a embriaguez. só que não conseguiam vender o whisky a tempo. Foi adotada a ordem eclesiástica da Escócia. Porém. Muitos colonos viviam longe das igrejas e. O Presbiterianismo na América do Norte O Brasil foi descoberto em 1500. O Senhor abençoou o seu trabalho. especialmente escocesas-irlandesas. Portanto. Era um homem preparado para o trabalho de Deus: conversão clara. 17391745). Nos lares crentes de fato havia leitura bíblica e o catecismo era decorado. Nesse país também houve várias épocas de avivamento com bênçãos e problemas incontáveis. com a Igreja Anglicana como a igreja oficial. e também o seu selo e lema: Nec Tamen Consumebatur. santificação constante e disposição incansável. pior ainda. Somente um século mais tarde nações protestantes começaram a zarpar pelos oceanos. chamada consciente. e em 1701 um jovem pastor do nordeste da Irlanda. depois que foi quebrada a espinha dorsal marítima da Espanha com a derrota da sua Armada (1588).

o Rev.(13) Apesar desses resultados positivos. Theodore era herdeiro de uma ênfase do puritanismo holandês. Então. O Grande Despertamento. 1739-1745 Essa ênfase na pregação tinha sido (re)iniciada naquela região por "Dominie"(8) Theodore J. E essa purificação devia começar com o corpo ministerial. que por sua vez tinha recebido muita influência do puritanismo inglês(10) não somente uma doutrina e fé bíblicas. mas infelizmente nem sempre zelavam pela ortodoxia e pela ortopraxia. em dois anos mais de trinta mil pessoas foram ganhas. mas também uma ética e comportamento bíblicos. o pastor de uma das Igrejas Reformadas holandesas. comparou-os a Zacarias e Isabel. 10% da população americana da época.(12) Na Inglaterra."(7) A conversão era absolutamente necessária (inclusive para os presbiterianos) e essa conversão devia ser visível. Além disso. mas o impacto do sermão de Gilbert foi mais amplo pelo fato de ter sido impresso.(6) O casal Tennent era um exemplo de piedade e o próprio George Whitefield. que até os seus correligionários o consideraram mentalmente fraco. Um desses foi o velho Rev. Frelinghuysen. que preparou uns poucos jovens para o ministério sagrado. tais como: a Lei não se aplicaria aos crentes. O próprio Gilbert Tennent abusou da palavra.algumas pessoas reconhecessem que a igreja precisava ser purificada para tornar-se realmente uma igreja puritana. depois de visitá-los.(14) Também puderam ser observados vários desvios teológicos. Em 1740 ele pregou uma mensagem com um título apropriado sobre os perigos de um ministério não convertido. Jonathan Edwards pregou o seu célebre sermão "Pecadores nas mãos de um Deus irado" (1741). referindo-se aos colegas como "cães mortos" e outros termos negativos. William Tennent. isso não foi algo estranho ao puritanismo presbiteriano americano.(5) Havia algumas escolas para preparação de pastores no nordeste americano. Não era incomum o uso de linguagem violenta. que eram muitas por causa da antiga colonização holandesa e que continuaram a crescer mesmo depois da conquista de Nova Amsterdã pelos ingleses.(11) Ao mesmo tempo. entre eles seus próprios filhos. e quando Whitefield fez uma campanha evangelística nas colônias (1739-1741). houve problemas humanos. ou seja. se alguém não sabia quando estivera 98 . mas com um vocabulário por vezes muito veemente. o Senhor estava operando nas Igrejas Congregacionais do nordeste americano (1734) e algum tempo depois o Rev. II. Vários pastores não souberam controlar a sua língua. Quando. A sua oração diária era pela "purificação dos filhos de Levi. como sempre ocorre quando o Senhor dá a sua bênção. A gritaria de um certo James Davenport passou tanto dos limites. pois. em que candidatos ao ministério eram treinados na casa de um ou outro pastor com o dom de mestre.(9) Nesse sentido. recorreu-se ao sistema conhecido na Irlanda do Norte. no seu humilde "colégio de toras" (Log College). as distâncias eram grandes e as despesas altas. tais como Harvard e Yale. a pregação de George Whitefield e de John Wesley levou muitas pessoas ao Senhor. o jovem ministro Gilbert Tennent começou a pregar como o seu colega reformado (1733).

não poderia ser considerado convertido. Dizendo-se leais a Cristo. Jonathan Edwards. que ocorreram divisões no corpo de Cristo. zombaria e forte oposição dos tradicionalistas e de um certo radicalismo e farisaismo dos avivados. e toca meus lábios com fogo celestial. David Brainerd. O Cisma Presbiteriano. que pregava como o embaixador de um rei poderoso."(19) Um problema muito interessante era a tensão entre educação e missão.(18) Brainerd havia sido expulso do curso teológico de Yale por afirmar que um certo professor não tinha mais da graça de Deus do que uma cadeira." que simplesmente declarava que os avivados não tinham lugar "neste concílio de Cristo. que era presidente do colégio teológico de Princeton. que nos deixou o seu conhecido diário. pisaram o direito eclesiástico. mas também aos escravos africanos. que havia se tornado uma foco de oposição. mas também faleceu depois de dois curtos anos. e quatro deles deviam ser afastados do ministério por causa de problemas graves. seria um crente carnal. Samuel Davies.(16) Alegando apoio na Constituição Presbiteriana. Menos conhecido. No início do sínodo daquele ano um grupo de doze ministros apresentou um documento chamado "Protestação. já tensas por causa da frieza. Jonathan Edwards. Colocaram no túmulo desse servo. afetando ambos os grupos como um vírus maligno. até sucumbir à tuberculose na casa do seu futuro sogro. ó graça real. 1741-1758 Infelizmente as tensões aumentaram tanto durante a época do Grande Despertamento." implantou o trabalho presbiteriano na região de Richmond. que gostavam de cantar salmos em sua cozinha. que resultou no primeiro presbitério do sul. se alguém não sentia o sopro do Espírito Santo como um vento verdadeiro. Poucos meses depois. uma frase de um dos seus 600 hinos: "Inspira a minha alma.(15) O cisma na Igreja Presbiteriana começou em 1741. No seu diário ele anotou que de vez em quando acordava com uma torrente de melodias celestiais. David trabalhou incansavelmente durante quatro anos entre os indígenas. o Rev. na Virgínia (1747-1759). O fato era 99 . pelo esforço missionário transcultural de homens como o Rev. praticaram uma lealdade dúplice por causa do seu corporativismo. Algumas irregularidades contra a ordem presbiteriana também azedaram as relações eclesiásticas. e os avivados como a "Ala Nova" do Sínodo de Nova York. Depois da sua ordenação. III.(17) A Ala Nova é mais conhecida por causa do seu trabalho evangelístico. mas não menos importante. a sua noiva Jerusha também faleceu vitimada pela mesma enfermidade (1748). Em primeiro lugar. veio a falecer por causa da varíola." Sete dos "protestadores" pertenciam ao Presbitério de Donegal. Não somente pregou aos colonos europeus.sem Cristo. Nessa época. Davies foi chamado para substituí-lo. O grupo de tradicionalistas ficou conhecido como a "Ala Velha" do Sínodo de Filadélfia. também formado num "colégio (teológico) de toras. foi o trabalho de "missões nacionais" da Ala Nova. Davies teve o privilégio de batizar uns 150 deles. o de Hanover (1755).

etc. A Reunião. porque uma vez envolvidos no ensino diário.(21) IV. mas cresceram muito durante os anos da separação.(24) Um pouco de estatística pastoral demonstra isto claramente: em 1741 a Ala Velha tinha 27 pastores e a Ala Nova 22. mas admitiram que houve falta de discernimento espiritual. Mas os que conseguiam fazer o curso teológico saíam como homens bem preparados. O restabelecimento da união também foi possível porque ambos os lados haviam permanecido presbiterianos na doutrina e os renovados não tinham rejeitado o batismo dos filhos da aliança. o mais importante é que o clima havia se tornado mais ameno. Uma das alavancas foi o sofrimento comum causado pela guerra contra os franceses. sendo o próprio Gilbert Tennent o maior defensor dessa reunião. a paz entre os dois grupos deve ter sido um pouco difícil. por causa da maioria numérica da Ala Nova. 1758 Depois de dezessete anos.). especialmente para os da Ala Velha. por outro lado.(22) Os avivados. estavam seriamente iludidos. desmaios. porque eram as pessoas mais educadas da comunidade. No começo do cisma os avivados eram uma minoria. E a Lei do Senhor era sem dúvida uma norma de gratidão para a vida do crente convertido. mas havia falta de obreiros por causa das rigorosas exigências na educação teológica. 100 . e não somente uma fé formal. Os tradicionalistas ainda tinham certas restrições.(23) Porém. Porém. mas reconheceram que de fato houve muitas conversões sinceras e permanentes. As duas correntes uniram-se novamente. as duas alas conseguiram restabelecer a paz. mal sobrava tempo para visitarem as congregações espalhadas. eram bem-vindos como pastores e também como professores. freqüentemente na então fronteira colonial. em 1758 a Ala Velha tinha 23 pastores e a Ala Nova 73.(20) Mas o bom era o inimigo do melhor. tivessem uma experiência religiosa. Insistiram que o avivamento era uma obra santa do Senhor. não respeitando assim as normas constitucionais. basicamente por existir mais humildade nos dois lados. Quando chegavam aos seus campos de trabalho. o que diminuia o número dos que podiam estudar. mas havia falta de pastores para atender aqueles vastos campos. mas reconheceram que erraram algumas vezes ao invadirem campos pastorais de colegas tradicionalistas sem serem convidados. Também admitiram ser necessário que os pastores (e conseqüentemente os candidatos ao ministério sagrado). Também reconheceram que as suas línguas não haviam sido batizadas pelo Espírito Santo quando usavam certas expressões pejorativas ao referirem-se aos seus colegas.que as igrejas. congregações e pontos de pregação se multiplicavam. mas sem os frutos do Espírito Santo. sentiam ainda um profundo desejo de pregar em todo e qualquer lugar. que às vezes perdiam o contato com a igreja presbiteriana e filiavam-se a outras denominações. gritos. pois os convertidos que apresentavam reações físicas (como arrepios. Não é que os presbiterianos não tivessem visão. Os colonos pediam que o pastor ensinasse seus filhos.

Talvez tenhamos de lembrar a distinção entre causas diurnas. ao todo dois terços do mesmo grupo! Em virtude do "corporativismo. E o Senhor nos convoca a renovarmos a aliança que ele estabeleceu conosco. infelizmente a "causa noturna" mais provável por que o braço tradicionalista da Igreja Presbiteriana americana murchou até mesmo durante o "Grande Despertamento" foi a falta de santificação.(27) Não devíamos perder o conteúdo por causa de uma palavra. no fim desse período.(26) Embora a Ala Velha também tenha feito algo pelas missões nacionais. Dos doze "protestadores" que iniciaram o cisma expulsando os avivados. E cada um de nós deve aplicá-las à vida. Sim. focalizando suas críticas em aspectos mais circunstanciais. não promovendo um avivamento pelo esforço próprio. significando reviver. Sem dúvida. no início a Ala Velha não reconheceu essa necessidade premente de santificação. Se não quisermos usar a palavra "avivamento. santificação esta que é o alvo do Espírito Santo em cada efusão especial do poder do alto. Aquela súplica — "Aviva a tua obra. A Ala Velha insistiu que os avivados tinham sido beneficiados pela imigração e fundos do Velho Mundo. nem rejeitando as bênçãos incontáveis da obra do Senhor. foi como o historiador Trinterud afirmou: "Two sides. Não deveríamos perdê-la por causa de abusos." os seus presbitérios faltaram com a disciplina fraternal. produzindo mais frutos do Espírito Santo. humilhar-se e começar a ter uma vida purificada. mais quatro.(25) Mas qual teria sido a causa dessa diferença tão patente? Muito se tem discutido. ocultas à maioria. para que a igreja seja testemunha no tempo e no lugar onde Deus a colocou na história. Faltando essa característica essencial. quatro tinham problemas morais e. ó Senhor. ou seja. V. duas marés). à luz das Escrituras? Calvino certa vez disse o seguinte sobre aqueles que querem tirar uma série de aplicações de um texto bíblico: "A Escritura é frutífera em si mesma. a "causa diurna" do crescimento maior da Ala Nova deve ter sido o trabalho evangelístico mais intenso e mais descentralizado dos irmãos avivados.De fato. Dia da Renovação da Aliança Devemos ainda acrescentar um parágrafo sobre as lições espirituais que emanam desse período. "Avivamento" é uma palavra muito bíblica. O conceito de avivamento também é muito bíblico: retornar ao Senhor. Oremos para que aprendamos a andar em humildade. renová-la em todos os seus aspectos. dependendo da nossa posição no processo histórico atual." para nós da tradição reformada uma expressão como "Renovação da Aliança" ajudaria muito a entender o que o Senhor quer de nós. Um dia especial para enfatizar 101 . começando pelo individual. o avivamento não passa de emoção litúrgica." Parece que as lições históricas neste caso são óbvias. e causas noturnas. two tides" (duas alas. O fato é que o avivamento real procura maior santificação em todos os setores da vida. E existiria ainda alguma "causa noturna"? Cremos que sim. no decorrer dos anos" — é uma oração ensinada pelo próprio Espírito Santo. a fim de não perdermos o verdadeiro avivamento. as missões sendo sempre um índice preciso do avivamento autêntico. mas assim também o foram os tradicionalistas. patentes a todos.

ver Gerald F. Notas 1 Habacuque 3. Light in Darkness: The Story of William Tennent. "senhor. Spener. não para o nosso próprio triunfalismo oco. Sweet." 9 Sobre a posição oficial. o crescimento e os problemas dessas igrejas reformadas (inclusive depois da conquista de Nova Amsterdã pelos ingleses em 1664). 1942). seria um dia de oração e jejum para que o Senhor não nos lance fora. publicado em 1675. W. The Dutch Reformed Church in the American Colonies (Grand Rapids: Eerdmans.3. como é o desejo profundo de todo verdadeiro presbiteriano. ver M. realizou-se a primeira Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos. qualquer dia que seja. and the Log College (Greensboro. 102 . 1971). absolutamente necessário. 10 Wilhelm Goeters.2 (Almeida Revista e Atualizada). Bolland. De Jong.2)! 8 Como eram chamados os ministros da Igreja Reformada Holandesa: dominie.essa renovação da aliança pode ser para nós presbiterianos o dia do aniversário da nossa igreja. 1938). Sr. A. em seu famoso livro Pia Desideria ("desejos piedosos"). e em 1789. 7 Ml 3. 6 Sobre Tennent e sua escola. Die Vorbereitung des Pietismus in der Reformierten Kirche der Niederlande bis zur Labadistischen Krisis. Os Estados Unidos tornaram-se independentes em 1776. e para a santificação e edificação da igreja. senão Deus amaldiçoará até as nossas bênçãos (Ml 2. o grande líder do pietismo na Igreja Luterana da Alemanha. NC: Greensboro Printing Co. nos use. Francis Makemie (Grand Rapids: Eerdmans. Mas. incorporando muitos dos antigos huguenotes. Page. 2 Para um resumo sobre religião na América do Norte. Tennent. ao contrário. Para o período colonial. S. 3 Sobre Makemie. Hudson. 1978). para a salvação de muitos perdidos. ver W. e sim para a sua glória. 12 de agosto. 5 Assim também Philipp J. M. o dia do aniversário da igreja universal. o ano em que a França sangrava por causa da revolução. ver I. 4 Adotado pela Igreja Presbiteriana da Escócia em 1635. a fim de que ela seja sal da terra e luz neste mundo tenebroso. The Life Story of Rev. 1670 (Amsterdam: T. Religion in Colonial America (New York: Scribner’s. Ou talvez o dia de Pentecoste. 1993). Religion in America (New York: Scribner’s.. ver W. do latim dominus.

SP: Editora Fiel. 21 Valeria a pena um estudo aprofundado sobre as congregações da IPB que foram perdidas. The Forming of an American Tradition (Philadelphia: Westminster Press. 8: "The Withered Branch. c. Banner of Truth Trust." 20 Dessas escolas paroquiais nasceram instituições educacionais conhecidas. Começou em Londres em 1717 e trinta anos depois já era influente na colônia americana. no seu Art. cap. como a Universidade de Pittsburgh. Alexander. 15 Os congregacionais dividiram-se em "Old Lights" e "New Lights. 22 Exigência incluída também na Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil. 19 "Almighty grace. 3a. 1993). 18 Ver Jonathan Edwards. "Irenicum Ecclesiasticum" (1749). comp. o seu sermão publicado. Edwards baseou-se em grande parte no diário de Brainerd.1993). a maçonaria era uma espécie de reação mística contra o árido deísmo. [1970]). A. 25 Trinterud. George Whitefield. Trinterud. [1855]). 1949). my soul inspire.. ed. na Pensilvânia." 16 Se houve também uma dupla lealdade por causa de ligações maçônicas. 32. 13 Sobre Whitefield. (São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas. 2 vols. A Vida de David Brainerd (São José dos Campos. 24 O mesmo fenômeno de crescimento numérico ocorreu entre os congregacionais: na região de Boston havia nessa altura quase três vezes mais pastores avivados do que tradicionalistas.1974). Sermons and Essays by the Tennents and their Contemporaries (Philadelphia: Presbyterian Board of Publication. ([London]: Ed. Forming of an American Tradition. Pecadores nas Mãos de um Deus Irado. Nesse século XVIII de racionalismo. and touch my lips with heavenly fire. 17 "The Old and New Side" do século XVIII não devem ser confundidos com "The Old and New School" do século XIX. 12 Jonathan Edwards." 103 . não ficou claro até agora. 11 L. Para essa biografia do seu genro. 23 Cf. Dallimore. ver A. J. 14 A." os batistas em "Regulars" e "Separatists.

Já a igreja de Antioquia era. 23.2 com o mesmo significado de latréw. A igreja que outrora foi campo. servindo eles ao Senhor e jejuando. isto é. 2 Cr 29-30.26 Ruy dos Santos Pereira. nem sempre é essa a realidade em termos de igreja brasileira. e impondo sobre eles as mãos. todo campo missionário deveria se tornar. sem sombra de dúvida. foram cuidadosamente observados e registrados por Lucas em Atos 13. e que. Mas por uma série de fatores que lamentamos. disse o Espírito Santo: Separai-me.. que o Espírito Santo preparou para receber a boa semente do evangelho. jejuando. numa base missionária. Piso e a Medicina Indígena (Recife: Instituto Arqueológico.." a partir daquele momento a igreja de Antioquia não seria mais a mesma em termos de visão e ação missionárias. "prestar culto a Deus".2. Uma igreja só pode ser verdadeiramente missionária se for verdadeiramente adoradora e vice-versa. Existem muitos exemplos históricos. "servir em adoração". passando a ser oficialmente o portal da missão entre os gentios. 24. do verbo leitourgéw. workshiping [NIV]). e orando. como Js 5.14. etc Fonte: Revista Fides Reformata Parte XVIII AS QUATRO INDISPENSÁVEIS QUALIDADES Uma Igreja Missionária "E. O particípio presente indica ação contínua. servindo eles ao Senhor. Orlando Costas estava certo quando disse que "o culto está intrinsecamente relacionado com a ação de Deus na história e a conversão das nações ao Deus trino e uno". os despediram" (At 13..3). com certeza. Como deve ser caracterizada a igreja evangélica brasileira em seu propósito de ser uma igreja verdadeiramente missionária no Brasil e no mundo? Biblicamente falando. obrigatoriamente. deveriam inspirar todas as igrejas. Ne 8. 1980). agora. um exemplo de igreja missionária. Então. Igreja missionária é igreja adoradora Atos 13. cresceu e frutificou. Os princípios que nortearam a vida da igreja de Antioquia. pois quando o Espírito Santo disse em Atos 13. é empregado por Lucas em Atos 13.2 inicia assim: "E.. Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado.27 2 Cr 7. Histórico e Geográfico Pernambucano e Universidade Federal de Pernambuco. O particípio presente leitourgountwn (servindo [ARA]. "Separai-me agora .2. E ainda: 104 .".

Não é só uma atividade necessária ao sucesso da obra . então.é a obra em si. só o fato do culto ser dirigido a Deus e as missões aos homens já definiria. As opiniões são as mais variadas e extremistas até. a missão sem culto é como um rio sem mar. É evidente que 105 . por sua vez. "A liturgia sem missão é como um rio sem manancial. É a prática mais missionária possível. porquanto celebra o que Deus tem feito por homens e mulheres em Jesus Cristo e os chama a receber e compartilhar o dom da graça de Deus. estamos falando da dicotomia existente entre culto e missões. O culto é a reunião do povo enviado ao mundo para celebrar o que Deus fez em Cristo e está fazendo mediante a participação deles na ação testemunhal do Espírito. por si só. Talvez um dos piores males que têm assolado.O culto. Ambos são necessários. tem quem afirme ser "um absurdo dizer que muitas são as responsabilidades da igreja. mas sim. em sua dimensão humana.44-49). At 2. E não estamos nos referindo à questão da evangelização e responsabilidade social. quando vivida de maneira bíblica". Igreja missionária é igreja de oração José Martins disse corretamente: "A oração é a essência da obra missionária. que o culto deve levar a igreja a fazer missões (cf. surge da missão. e uma evangelização que não leva os pecadores a adorarem a Deus está fora dos propósitos do próprio Deus. Do outro lado. o que deve ser considerado em primeiro lugar. De um lado temos os que insistem que "missões são a segunda mais importante atividade no mundo". a missão deve ser vista como um acontecimento cultual. No culto e na missão a comunidade redimida dá evidência concreta do fato de que é. É o resultado espontâneo da experiência da redenção. E a discussão não é se a igreja deve adorar ou evangelizar (embora às vezes é o que de fato acontece). devem levar os perdidos a prestarem culto a Deus (cf. Vemos. Do mesmo modo. dividido e enfraquecido a igreja brasileira em nossos dias seja os constantes debates em torno da tarefa prioritária da igreja. "É preciso ter paixão pelos perdidos e obedecer ao ide de Jesus". Igreja é missões". e missões. At 13. outro assunto desnecessariamente polarizado. Ao contrário. ou que "missões existem porque o culto não existe".42-47). como temos visto na prática? Será que podemos afirmar que culto é mais importante que missões ou vice-versa? Mais uma vez contamos com o argumento equilibrado de Orlando Costas: Não existe dicotomia alguma entre culto e missão. Sem um o outro perde sua vitalidade e significado". por sua vez. Pois uma adoração que não leva a igreja a evangelizar não passa de mera contemplação. um povo de oração e testemunho". ao mesmo tempo. Para os defensores da primeira posição. que é preciso mais que adoração. Os defensores da segunda posição argumentam. a questão da prioridade da igreja. Será que precisamos mesmo priorizar uma tarefa em detrimento da outra. A missão é a culminação e antecipação do culto.

2 ele diz que a igreja jejuava. Em Atos 13. naquilo que se refere às práticas religiosas do judaísmo. Esta verdade está implícita e explícita em Atos 13. Seria incoerente pensar que uma igreja que estava adorando a Deus e jejuando não estivesse em oração. a igreja de Antioquia foi uma das igrejas mais anti-judaicas do passado. por isso mesmo. em segundo lugar. a igreja estava em oração. primeiramente para mostrar que jejum e oração não são incompatíveis na vida de uma igreja e. como tem feito a maioria dos autores que consultamos. jejuando e orando. Além disso. e sim. A ordem das palavras é significativa e não pode ser menosprezada. Basta saber que a igreja de Antioquia era uma igreja de oração e que fazia da oração a base de sua missão. mais do que simplesmente orar. Mas se é o mesmo ou deixa de ser. Não sabemos ao certo se o jejum do verso 3 é o mesmo do verso 2. a igreja de Antioquia era uma igreja que exercia a prática do jejum. Agora. e não menciona a oração. conforme dissemos acima. Pela urgência do chamado do Espírito. Direta ou indiretamente o Concílio de Jerusalém de Atos 15 aconteceu em razão desse anti-judaísmocerimonialista.. tudo indica que sim. e jejuando. É impressionante a ênfase que Lucas dá ao jejum na igreja de Antioquia. que essas duas atividades devem vir interligadas uma na outra. Implicitamente porque o versículo dois diz o seguinte: "E. A ênfase de Lucas é importante por duas razões pelo menos: 1) Não devemos pensar que a igreja de Antioquia jejuava porque trazia resquícios do judaísmo. servindo eles ao Senhor. Quando o Espírito Santo ordenou que a igreja de Antioquia separasse Paulo e Barnabé para a obra que os tinha chamado.Martins não quer dizer que oração e missões são a mesma coisa. temos uma evidência explícita de que a igreja de Antioquia realmente orava naquela ocasião: "Então. qual o interesse dele em dar tanta ênfase a uma prática estritamente judaica? Segundo. não é tão importante sabermos.". 106 . Nunca é demais enfatizar a importância da prática da oração na obra missionária. embora sabemos que ela também orava. respectivamente. Nem toda oração é feita em jejum. mostrar como esta prática era (e deve ser) valorizada no meio de uma igreja verdadeiramente missionária. O fato da igreja estar jejuando subentende-se que ela estava também orando. No verso 3. É provável que o exemplo da igreja de Antioquia tenha marcado positivamente o ministério de Paulo.." (v3). mas todo jejum bíblico é feito com oração. 2) Acreditamos que Lucas fez questão em enfatizar a prática do jejum pela igreja de Antioquia.2 e 3. Lucas coloca a palavra "jejuando" na frente de "orando". Paulo foi um homem de oração e recomendava às igrejas que orassem por ele e pela expansão do evangelho de Jesus Cristo. No texto grego é a mesma coisa: nestéusantes kai proseuxamenoi.. primeiro porque Lucas era gentio (provavelmente da cidade de Antioquia da Síria) e.. do mesmo capítulo 13. Esta não seria uma forma inteligente de pensar.

é recomendável a observância de dia de jejum ou. terremotos. "a palavra do Senhor crescia e se multiplicava" (At 12.24). intercedendo dia após dia pela obra missionária do Brasil 107 . conforme prescrevem os princípios de liturgia da IPB. cessadas tais calamidades. A igreja de Antioquia buscava a presença de Deus pelo simples prazer de estar servindo a Deus. 12) indica que a Igreja Primitiva. o que dizer então da prática do jejum em nossas igrejas? Acredito que as igrejas históricas têm falhado até agora em subestimar a importância do jejum na vida do povo de Deus. Pelo contrário. estava vivendo um dos seus melhores dias.. ao invés de estimular o crente a praticá-lo. como guerras. foi morto mediante a intervenção de um anjo do Senhor. nunca existirá um dia de jejum neste país! Que o jejum deve ser praticado em dias de calamidades públicas não questionamos. porém. Pedro havia sido libertado milagrosamente da prisão e um dos maiores inimigos da igreja. etc. terremotos. diga-se de passagem. Creio que o capítulo sobre jejum deveria ser revisto pela IPB. primeiro porque ele não expressa corretamente a realidade brasileira e também por não apresentar uma definição mais completa do verdadeiro conceito bíblico de jejum. Quantos são os membros destas igrejas que jejuam? Quantos de seus pastores jejuam? Muitos de nós mal oramos. como guerras. aprendi: "Sem o propósito de santificar de maneira particular qualquer outro dia que não seja o dia do Senhor. Enquanto isso. XI). pois a Bíblia nos dá vários exemplos disso. nada indica que naquela ocasião especial de Atos 13 a igreja de Antioquia estivesse jejuando e orando porque passava por momentos difíceis. epidemias. em interceder pelos missionários e orar pela obra missionária de um modo geral. Que Deus conceda à igreja brasileira a graça de ser uma igreja que se alegre em estar em Sua presença. de modo geral. e falhado mais ainda em rogar ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a Sua seara. Mas será que devemos jejuar somente em casos muito excepcionais de calamidades públicas? Da forma como foi redigido o princípio para a prática de jejum na IPB. etc. o contexto próximo (cap. Se o povo de Deus tiver que jejuar "em casos muito excepcionais de calamidades públicas.Se muitas de nossas igrejas têm falhado na prática da oração.". ele faz exatamente o contrário. epidemias. Não que o princípio fora escrito com o objetivo de desestimular quem quer que seja. Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). E continuou assim quando enviou seus missionários e os sustentou com fervorosas orações. o rei Herodes Agripa I. Na minha própria denominação. na prática é o que tem acontecido. em casos muito excepcionais de calamidades públicas. Apesar da Igreja Primitiva ter vivido momentos de muitas provações. de ações de graças" (Princípios de Liturgia.

precisam. subir no nosso poleiro e vomitar a nossa mensagem. é provável que o Espírito Santo falou pelos profetas que ali estavam. Se ouvir o Espírito Santo significa obedecê-lo. portanto. A igreja de Antioquia era uma igreja sensível à voz do Espírito. principalmente. embora tenham ouvido falar nele. em sua alienação e perdição. Seja como for. De fato. o som das palavras. este "ouvir" nem sempre tem sido traduzido em termos de "obediência". o que costumamos fazer é sair correndo com o evangelho nas mãos. É nisso que Deus espera ser ouvido e obedecido. O Espírito Santo continua falando e ouvimos a Sua voz. A melhor coisa é ouvir antes de falar. abraçar e obedecer o que se ouve. Stott nos lembra. Mas muitas vezes nós nos fazemos de surdos diante dessas vozes de angústia". sem a mínima consideração para com a situação cultural ou as verdadeiras necessidades dessas pessoas. tentar descobrir quais são as suas possíveis 108 . desajeitada e até irrelevante. "responder antes de ouvir é estultícia e vergonha". procurar penetrar no mundo das idéias e pensamentos da outra pessoa. O resultado é que. entender as palavras. ser ouvidos pela igreja. O Espírito Santo falou à igreja de Antioquia e ela imediatamente colocou Paulo e Barnabé no mundo. E o que significa ouvir o mundo? John Stott responde: "O mundo de hoje está repleto de clamores que refletem ira. Pode significar: captar. E é exatamente nesse sentido de fazer o que Deus ordena que a igreja brasileira hoje deve ouvir. Alguém pode escutar e ouvir. Neste caso. O verbo "ouvir" é empregado em mais de um sentido nas Escrituras. através da Escritura. ou que. Eis aí a voz do Espírito que muitas vezes tem sido ignorada pelos crentes: A igreja no mundo e para o mundo. pois a forma como apresentamos a Cristo é insensível. frustração e sofrimento. antes. Não sabemos ao certo como o Espírito Santo falou aos profetas da igreja de Antioquia. uma das grandes expressões dessa obediência é estar no mundo para ouvir o mundo. que existem dois grupos de pessoas no mundo que. obedecendo. além de precisarem ouvir o que a igreja tem a lhes dizer. nós afastamos as pessoas e até mesmo aumentamos sua alienação. ainda não o aceitaram e. estão sofrendo terrivelmente. e mais do que aguçar os ouvidos para ouvir a Sua voz. Ele falou e a igreja ouviu. Igreja missionária é igreja que ouve a voz do Espírito Santo Enquanto a igreja orava. temos o sofrimento daqueles que nunca ouviram o nome de Jesus. Diz ele: Primeiro. entender. ainda. o que "o Espírito diz às igrejas". mas ser totalmente surdo quanto à prática dessas palavras. com muito mais freqüência do que gostaríamos de admitir. no sentido literal.e do mundo. ela ouviu. mas lamentavelmente. tornando Sua vontade conhecida.

e com razão. Esta atividade desafiadora. "a intensidade de serviço que a igreja presta ao mundo. mulheres e crianças à pobreza. temores e esperanças da sociedade e a medida em que seu serviço ajuda a aliviar a dor humana e a transformar as condições sociais que têm condenado milhões de homens. quem sabe deveríamos destacar. em se tratando deste assunto. carecem de consciência social. Muitos de nós só agora é que estão despertando para a obrigação que a Escritura sempre colocou sobre o povo de Deus. Ela estava compromissada com Deus (servindo a Deus. de "contextualização". temos o sofrimento dos pobres e dos famintos. dos despossuídos e dos oprimidos. de certo modo.2. conflitos.. Ele contém uma solene palavra de Deus para aqueles que.. mesmo quando atua na retaguarda. se uma igreja é ou não missionária é o seu envolvimento e compromisso com os missionários.objeções ao evangelho e então compartilhar com ela as boas novas de Jesus Cristo de uma maneira que fale às suas necessidades. principalmente.3) e com os missionários (impondo sobre eles [Barnabé e Saulo] as mãos. até onde ela tem sido obediente à voz do Espírito de Deus. lembramos ainda de Orlando Costas. dentre o seu povo. Quero compartilhar aqui um versículo bíblico que nós temos negligenciado e que. de preocupar-se com a justiça social. Atos 13. jejuando e orando. como prova concreta do amor de Deus". os despediram. . E mais: Esta dimensão envolve o impacto que o ministério reconciliador da igreja exerce sobre o mundo. Se a igreja brasileira der ouvidos à voz do Espírito. 109 . humilde e perspicaz é chamada. Este compromisso mostrará até onde a igreja está engajada em missões e. Em segundo lugar. Encontra-se em Provérbios 21.3). Complementando Jonh Stott. Igreja missionária é igreja compromissada com os missionários O que determina.13: "O que tapa o ouvido ao clamor do pobre também clamará e não será ouvido. o seu grau de participação na vida. Mas é essencial acrescentar que contextualizar o evangelho não é de maneira alguma manipulá-lo. com certeza ouvirá a voz dos que precisam ser ouvidos. que também costumava chamar o compromisso da igreja para com a sociedade e o mundo de dimensão diaconal ou encarnacional. pois somente na medida em que conseguir dar visibilidade e concreticidade à sua vocação de amor e serviço ela pode esperar ser ouvida e respeitada. Atos 13. Sem esta dimensão a igreja perde sua autenticidade e credibilidade. A igreja de Antioquia era uma igreja de compromissos. isto é. Nós deveríamos ouvir com mais atenção os clamores e os suspiros daqueles que estão sofrendo.

nenhuma igreja se associou comigo no tocante a dar e receber. E ainda: "O certo é que Paulo e Barnabé foram enviados para uma obra específica numa atmosfera de adoração. É que. no início do evangelho. eles relataram à igreja o que Deus tinha feito (14.13). e Paulo considerava que a sua autoridade vinha diretamente de Deus. a igreja e a família estão indo juntas ao campo. E ainda.1. nem por isso deixaria de ser o trabalho da igreja toda. uma ação que.14. e não dos homens. quando parti da Macedônia. pelo cuidado a ele dispensado e. Kistemaker diz com razão que "toda a igreja de Antioquia estava envolvida em comissionar Barnabé e Saulo. além do que Liefeld diz. E mesmo se a imposição de mãos sobre Paulo e Barnabé tivesse sido realizada por apenas três deles.27)". associando-vos na minha tribulação. os 'recomendou à graça de Deus'". a primeira viagem 110 . Por duas vezes o apóstolo usa o verbo "associar" nesta passagem.14.1)". A interpretação de Liefeld quanto à imposição de mãos em Atos 13. Lucas registra que a igreja de Antioquia "acompanhou" as viagens missionárias de Paulo e este.26. A imposição de mãos sobre Paulo e Barnabé não deve ser entendida. por exemplo. houve naquela ocasião um "pacto" entre a igreja de Antioquia e os missionários. senão unicamente vós outros" (Fp 4. ó filipenses. Gl 1. Comentando este texto de Filipenses 4. Uma palavra grega que expressa muito bem o vínculo do relacionamento e do compromisso cristãos entre missionário e igreja é koinwnéw (associar). fizestes bem. Comentando o envio dos missionários pela igreja de Antioquia. que o envolvimento missionário da igreja de Antioquia não estava limitado àqueles cinco nomes de Atos 13. Em Atos 14. "o Espírito Santo movimenta a igreja e não meramente cinco pessoas para se engajarem na obra missionária". Certa vez o apóstolo Paulo expressou sua gratidão para com os filipenses. grifos nossos).15. em um projeto missionário um dos sócios é o missionário e sua família.15.É importante destacar. nem sequer por intermédio dos homens. por sua vez. conforme observa Liefeld. como "uma ordenação para ensinar (Paulo e Barnabé já tinham estado no ministério cristão. oração e jejuns (At 13. usada quando duas pessoas decidem formar uma sociedade. segundo Atos 14. depois de observar que "tudo posso naquele que me fortalece" (Fp 4. pois quando os missionários retornaram. e o outro é a igreja local.26-28. antes de tudo. E sabeis também vós. Assim como eles se tornam sócios.1-3).3 é boa mas poderia ser melhorada. que. acrescentou: "Todavia. no qual a igreja ficaria definitivamente vinculada aos missionários e os missionários à igreja. Edison Queiroz destaca: A palavra que Paulo está usando aqui para "associar-se" é uma palavra comercial. relatava a ela as coisas que Deus fazia por seu intermédio.

Ali chegados. o que muitas vezes temos visto? Além disso. o que temos visto com freqüência são as agências ou juntas de missões ocupando o lugar da igreja local. infelizmente.. compreender e assumir a visão de seu lugar na obra missionária. deveriam acontecer em nossas igrejas. Contudo. Em Atos 13. Havia nela o que Queiroz chama de "personalização". compreendendo sua importância para missões. é claro que têm.3 não aconteceu o que vemos hoje em dia. 111 . 2. não pode transferir esta responsabilidade. são elas: 1. relataram quantas cousas fizera Deus com eles e como abrira aos gentios a porta da fé.missionária termina com o retorno de Paulo e Barnabé à igreja enviadora para repartir os "lucros" com os "sócios". reunida a igreja. em si. cultural e financeira desta tarefa. Não queremos generalizar. Ademais. Em resumo. segundo ele. para compartilhar os frutos do trabalho com ela: ". De maneira nenhuma! A igreja de Antioquia tinha responsabilidade missionária. onde tinham sido recomendados à graça de Deus para a obra que haviam já cumprido. A missão do Espírito seria a missão da igreja. Falando ainda acerca da importância da igreja local em missões. indo além de suas atribuições. Del Pino destaca quatro coisas que. navegaram para Antioquia. E permaneceram não pouco tempo com os discípulos". Del Pino complementa o conceito da responsabilidade missionária da igreja dizendo: Um grande número de igrejas espalhadas por este nosso Brasil precisa ver-se como vocacionadas por Deus para exercerem a tarefa missionária como um fator de peso em seu ministério. A igreja de Antioquia tomou para si a responsabilidade da obra missionária. precisa ver-se como a força missionária de Deus nesse mundo e em nosso país. Atualmente. E por que? Porque ela se propôs a ser co-participante do Espírito no envio e sustento dos missionários. A igreja não se esqueceu daqueles que enviou e os missionários. mas não é. A igreja local como um todo precisa receber. A igreja local. é porque as igrejas estão aquém de sua vocação. Paulo e Barnabé não foram lançados num campo e deixados "ao deus dará". as agências de missões. por outro lado.. se hoje elas estão ocupando o lugar das igrejas. não tiram a responsabilidade missionária das igrejas. a igreja de Antioquia não entregou Paulo e Barnabé aos cuidados da igreja de Jerusalém e muito menos os deixou por conta de uma agência missionária. espiritual. não se lembraram da igreja somente quando o dinheiro da missão encurtou. Não que as agências não tenham seu devido valor. além de compreender as dimensões bíblica.

San José-Costa Rica: Editorial Caribe.3. Cf. Atos 15. 20. Evangelização e responsabilidade social. 7 José MARTINS. 2001. precisa assumir por completo a sua responsabilidade missionária.21. op. 150. Durvalina B. 17-25. J..151. p. p. op. 2ª ed. p. agir tendo isso em mente. Se somos campo. 229-244. KISTEMAKER. cit. KISTEMAKER. COSTAS. 455.. Cf. 123. COSTAS.. São Paulo-Belo Horizonte: ABU Editora/Mundo Cristão. A oração dominical e missões. ouça o mundo. p. conforme Atos 11. Por fim. 4. KISTEMAKER. 151). 150. John STOTT. V. p. V. t. Orar tendo isso em mente. Mas quando chega o momento de assumir o compromisso financeiro regular e decente. a igreja local precisa conscientizar-se e ver-se como a principal agência missionária da face da Terra. "a prova de uma vigorosa experiência cultual será a participação dinâmica na missão: a prova de um fiel compromisso missionário será uma profunda experiência de culto" (Orlando E. Cf. pregar tendo isso em mente.. Idem. ou somos base missionária. p. 67. 1979. mas se somos base. Ouça o Espírito. Para Deus só existem duas coisas: Ou somos campo. Cf. 1990. 1998. isto é. 1985. Idem. p. O que mais comumente vemos é que a igreja muito se alegra com o despertar de uma vocação em seu meio. Por falar em evangelização e responsabilidade social da igreja.40. p. trabalhar tendo isso em mente. 2a ed. A missão de interceder: oração na obra missionária. 455. 113. op.27-30. cit. In: Missões e a igreja brasileira: perspectivas teológicas. 150. p. p. Compromiso y misión. BEZERRA. p. New Testament Commentary: Exposition of the Acts of the Apostles. 123-125. p. então está na hora de trabalhar. ainda. H. como se isso não fosse problema dela. COSTAS. p. precisamos ser evangelizados. BAVINCK. ora por aquele irmão e diz para ele ir. cit. o indivíduo assistido em sua totalidade. 113. p. 455. 58-60. p. KISTEMAKER. A igreja local. An introduction to the science of missions. Phillipsburg: The Presbyterian and Reformed Publishing Company. Grand Rapids: Baker Book House. 112 . Londrina: Descoberta. 1960. ela se silencia.. t. vale a pena ressaltar que o verdadeiro conceito de missão para a igreja de Antioquia era (como os missiólogos contemporâneos costumam denominar) o de missão integral. p. Notas Segundo Orlando Costas. São Paulo: ABU Editora. A omissão não pode ser a missão de uma igreja vocacionada pelo Espírito Santo de Deus. Ibidem. Simon J. STOTT. Idem.114.

E. Edison Queiroz destaca muito bem alguns pontos que evidenciam a importância de uma agência missionária. V. 323. cit. T. Idem.Walter L. A igreja e a integridade pessoal e familiar do obreiro do Senhor.).179-200. uma vez que o verbo apolyw. Vol. Belo Horizonte: Missão Editora. Imposição de mãos. 1-7. A importância da igreja local em missões. QUEIROZ. Não concordo com A. Valdir (ed. cit.). 113 . (ed. 60. 50. LIEFELD. Fp 4. 1994. Grand Rapids: Baker Book House. Idem. São Paulo: Vida Nova. II. In: ELWELL. p. Hugo PIRIZ. Edison QUEIROZ. Paulo passou por muitas dificuldades em seu ministério.15. t. In: STEUERNAGEL. São Paulo: Sepal. op. fazer com que o maior número possível de membros da igreja tenha contato com os missionários". Às vezes faltava oportunidade para uma melhor participação da igreja (cf.1). In: Misión y ministerio en America Latina. QUEIROZ. 1999. mas isto não aconteceu por falta de compromisso da igreja de Antioquia. 87. Diz ele: "Há inúmeras dificuldades para o envio de um missionário. p.117-126 e O. 2000. V. 153-160. 2001. Londrina: Descoberta. não sugere "despedida definitiva".12). 1991. e sim. 3a ed. Robertson (em Word Pictures in the New Testament: The Acts of the Apostles. A missão da igreja.10).3 reforça a idéia de que a igreja de Antioquia estava enviando Paulo e Barnabé. t. E. O melhor para missões. a importância das juntas e organizações missionárias" (E. Oswaldo PRADO. p. deve ser promover a máxima personalização. Curitiba: Encontrão Editora. emissão de vistos de entrada e permanência. Neal Pirolo. De fato. A missão de enviar: como sustentar o seu missionário. PIERSON. In: Missões e a igreja brasileira. inclusive financeiras (cf. Todas estas tarefas são difíceis para a igreja. câmbio e envio de dinheiro. Londrina-Curitiba: Descoberta. p. 60. Igreja local e missões. Cf. ao fazer missões. op. 1930. São Paulo: Vida Nova. 56). p. Precisa haver contatos com outras agências missionárias. Enciclopédia histórico-teológica da igreja cristã. 43-58. governo e outras agências e avaliação in loco do andamento do trabalho. E. Londrina: Descoberta. orientação quanto aos relacionamentos no campo com igrejas. QUEIROZ. Walter A.61. COSTAS. por causa das circunstâncias político-religiosas da época. t. Paul E. p. Atos que contam. t. este "sustento" significava mais do que orar por eles.9) quando afirma que "Paulo e Barnabé tiveram que financiar a própria viagem". E o Verbo se fez carne: desde a América Latina. 117. Carlos Del PINO. In: STEUERNAGEL. p. V. 1990. 60. p. 2a ed. La misión.88. p. p. Daí. Do chamado ao campo. 1995. A missão da igreja e o despertar missionário na América Latina. Diz ele: "O objetivo da igreja. p. artigo não publicado. E. 178. p. com autoridades governamentais. (ed. el ministerio y el Espírito Santo: el caso de la iglesia de Antioquia. e continuaria vinculada a eles..). com base em Filipenses 4. A expressão "os despediram" de Atos 13. 324. p. p. p. diferentemente de apospaw (At 21. 2000. V. 13-31. Valdir R.. certamente. Fp 4.

fazia prodígios e grandes sinais. Energia é poder no seu exercício. força em ação. ischys. Bia está associada ao emprego da força coerciva. a priori.21).8 E A MISSÃO DA IGREJA O contexto de Atos 1.. prometeu: "Mas recebereis poder.8 o Senhor Jesus repete as promessas da Grande Comissão (Mt 28.. Contudo. O poder do Espírito é o segredo do sucesso da missão da igreja.49. formam as duas palavras do NT cujo significado fica mais perto de exousia e dynamis. O poder do Espírito Há uma série de termos para "poder" no Novo Testamento. Kratos tem um sentido semelhante ao de ischys..44-49. Temos também a declaração de Pedro na casa de Cornélio a respeito de Jesus. Em Atos 1. e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém. Os que estavam reunidos no monte das Oliveiras perguntaram ao Mestre quando seria o tempo da restauração do reino de Israel. indica força e.1-3). ou ele a escolheu aleatoriamente? Vejamos: exousia é uma palavra usada com muita freqüência no Novo Testamento. a sede do governo. Contudo. juntamente com kratos.33).Parte XIX ATOS 1.8). At 1. 1. permanecei.8 é a ascensão de Cristo. ".com o Espírito Santo e poder...8." (At 10... e até aos confins da terra". Lc 24. A rigor é traduzida como "autoridade".14-18.. ao descer sobre vós o Espírito Santo. mas depois passou a significar a pessoa que detinha semelhante posição de autoridade ou força. Porém. Ischys significa força física.: chifre). geralmente era empregada num contexto político (cf. Nestes exemplos Lucas revela que desde o princípio o evangelho foi disseminado pelo poder do Espírito Santo.. que "Deus ungiu. pois na cidade". bia.18-20. mas se refere mais ao exercício da autoridade. como em toda a Judéia e Samaria. disse Jesus aos discípulos.. Lembremos que 114 . É a palavra do poder sem fronteiras." (At 4. E keras (lit. Ela é a palavra por excelência para se referir ao poder do Espírito Santo. Lucas sabia muito bem que ao escolher dynamis estava utilizando o termo que melhor representava a ação poderosa do revestimento do Espírito na vida do crente e da igreja. Será que existiu algum motivo especial para que Lucas usasse a palavra dynamis ao invés de qualquer outra.38). J.. Lucas empregou dynamis em At 1.o 20. kratos e keras. "até que do alto sejais revestidos de poder. O Senhor respondeu que não competia a eles conhecer tempos e épocas que o Pai reservou para a Sua exclusiva autoridade. E ainda: "Estêvão.8). thronos. por sua vez. dynamis tem um sentido todo exclusivo." (At 6. por assim dizer.. Mc 16." (Lc 24. "com grande poder os apóstolos davam o testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. Rm 13. Portanto. Thronos indicava. Quando o Espírito Santo foi derramado por ocasião do Pentecostes. cheio de graça e poder. energia. a quem Ele havia comissionado para evangelizar o mundo. mas tem também exousia.

Viram Seus sofrimentos.. Poder e testemunho No dia de Pentecostes a promessa de Atos 1. (5). Entretanto. declaração de um fato como testemunha ocular de um ocorrido.". (2). ressurreição e ascensão. Conheceram-nO intimamente. foram ensinados por Ele. morte. martírio. um fim em si mesmo.(3) O substantivo grego martys (4) (martyres) do verbo martyreo já possuía. Neste tópico procuraremos observar. Se alguma vez existiram homens que estivessem em melhor posição e condição de falar ao mundo acerca da ressurreição de Jesus e de todos os fatos a respeito dEle.os discípulos de Jesus foram homens que andaram cerca de três anos com o Mestre. 2. E para uma reflexão imediata.8: ". nos tempos bíblicos..".8 se cumpriu (1).8). cinco significados principais. para os confins da terra (eôs eschatou tês gês). Em Atos não existe esta concepção moderna equivocada de que o poder do Espírito é para edificar o crente e ficar tudo por isso mesmo.. etc. Não! O poder do Espírito tinha como finalidade primordial capacitar os crentes para dar testemunho de Cristo. curas. quanto à expansão geográfica e cultural da Igreja. começando em Jerusalém e espalhando-se geográfica e culturalmente para fora.. seria imprescindível o poder do alto para 115 . profecias. o que significava nos tempos bíblicos e o que deveria significar para a igreja evangélica brasileira hoje ser testemunha de Jesus Cristo.. Muito dessa comissão. sendo que o último deles era a expressão mais elevada daquilo que significava ser testemunha de Jesus. a saber: testemunha judicial de fatos. como nunca teve.) foram dados com o único objetivo de que a igreja testemunhasse de Jesus ao redor do mundo. No Novo Testamento os dons ou manifestações do Espírito (línguas. o poder do Espírito para a igreja não tem. disse Jesus (At 1. ao descer sobre vós o Espírito Santo. de modo prático... o testemunho evangelístico da natureza e da importância de Cristo.. vale conferir um alerta do Dr. se cumpriu. Entretanto.sereis minhas testemunhas. estes homens eram Seus discípulos. Jesus disse a seus discípulos. Mas provavelmente não captamos as palavras de Cristo em todo o seu peso: ". A igreja foi batizada e revestida do poder do Espírito Santo. sereis minhas testemunhas [kai esesthe mou martyres].. o que o Senhor Jesus diz é que eles seriam totalmente incapazes de fazê-lo se do alto não fossem revestidos do poder do Espírito. Pela própria natureza da evangelização e pelas perseguições e adversidades futuras que desafiariam a Igreja Primitiva. "Recebereis poder. Charles van Engen: "Logo antes de sua ascensão. testemunha de fatos numa confissão de fé.".. como está registrado em Atos 1. e sereis minhas testemunhas. ouviram Seus sermões e viram Seus milagres. Nada do que a igreja recebe do Espírito tem nela um fim em si mesmo.

7-12). dado por Deus.16-34). "palavra do evangelho". (6). vale a pena conferir o teólogo alemão Otto Betz: "Cristo era "poderoso em obras e palavras" (Lc 24. 4. E quando Lucas quer indicar o sucesso de uma missão. At 1. Os cristãos primitivos levavam a Palavra para qualquer lugar que fossem (8.4). A Igreja em Atos testemunhava: 1) No poder do Espírito com sinais e maravilhas Quanto a esta questão. Luke the Historian. 2) No poder do Espírito na pregação da Palavra Em Atos o Espírito Santo. 8. Os milagres. (8). Mc 6. e a luta contra o diabo é levada a efeito no nível da existência humana (Mt 12. por assim dizer.13. Lc 19. dois aspectos do testemunho pelos quais os cristãos muitas vezes tiveram que pagar com a vida. que estes podem operar atos poderosos (At 4.58).17.39 par. Seus milagres são chamados dynameis (cf.10).38).7.19). 6. Aquele que foi ungido pelo Espírito (At 2.17).testemunhar de Jesus. "A pregação autoritativa dos apóstolos (At 4. At 19. pois. "O principal meio através do qual o Espírito estende a soberania de Cristo é a Palavra de Deus" (7). Mc 6. porque neles. em grau ainda maior. pelo menos. "palavra da salvação". 10. pelo poder do Espírito que Jesus derramou sobre os Seus servos. Mc 1. o reino de Deus na terra começa a ter efeito poderoso. a pregação e o ensino da Palavra estão estritamente relacionados. "atos poderosos"). que incluía expressões como "palavra do Senhor".14. 16.5).8 com 3. Cf. A glorificação do Messias faz dEle. Heb.22-30.Barret. At 20. durante os dois anos em que trabalhou ali (19. Os milagres de Jesus são operados por um poder dentro dEle (Mc 5. como Representante de Deus. Não é por menos que o evangelho causou tanto 116 . At 10. 19. e "a palavra" tout simple.8-10) é vista como prova de um poder sobrenatural" (10). outras vezes estavam intercalados numa pregação (cf. Jesus é o "mais forte" que. para uma pregação cheia do Espírito (cf.11)".37. O que manteve Paulo dezoito meses ou mais em Corinto foi a Palavra (18.8.8-12). é importante ressaltar.14).35. 6. Contudo.K. Às vezes os sinais e prodígios preparavam o palco. Ef 6. Mediador do poder salvífico de Deus. At 3.8.2. É.38. Lc 5. Que a igreja muitas vezes testemunhou ao preço de sangue é algo que dispensa comentários. portanto. Michel Green diz que um dos grandes méritos do livro de C.22-30). o diabo (cf. subjuga o "homem forte". com o Espírito Santo em Lc 1. ele diz que a Palavra do Senhor "crescia e prevalecia poderosamente" (9). é a maneira como ele destaca esta verdade da ligação do Espírito Santo com a Palavra.33. gebûrôt. A Palavra é a espada do Espírito (cf.22. 10. mas na maioria das vezes sucediam a mensagem do evangelho (cf. Isto salienta o fato de que o Espírito de Deus costuma agir através da Palavra de Deus. Lucas liga este poder. são encarados como evidência da parte de Deus quanto a Jesus ser o Messias. Em Éfeso a mesma coisa.é. i.

Também não é de admirar que eles comprometessem seus convertidos com ela (20. Senhor. A igreja de hoje.30). em obediência ao mandado de Cristo.29. enquanto estendes as mãos para fazer curas. Será que o poder do Espírito dos tempos bíblicos continua sendo o mesmo para a igreja evangélica brasileira hoje? Com certeza. não é a realidade de todas elas. à nível de igreja local.1. quando na verdade eram elas que deveriam estar curando!". com pouca ou nenhuma perspectiva da missão para a qual ela foi chamada. o procônsul de Chipre (13. também possui seus desafios. sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus" (At 4.4).44). Mas graças ao bom Deus. o que muito se vê.44).23-31). Atendeu porque a igreja deixou de lado seus próprios interesses para servir ao mundo.1). principalmente no mundo ocidental. olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra. mas não se curvava diante deles. sob o poder do Espírito de Deus". Hoje. "Não é exagero dizer que a Palavra é o principal instrumento na missão evangelizadora da igreja. Quando alguém recebia o Espírito isto acontecia por ouvir a Palavra (10. é a própria igreja criando obstáculos para não fazer a obra do Senhor. "Uma lição é preciso aprender com a igreja de Jerusalém: A igreja de Jerusalém estava consciente de sua missão no mundo.28) e que os missionários anônimos de Atos 8. muitas vezes.4). Era uma igreja de oração que buscava constantemente a plenitude e enchimento do Espírito Santo. disse algo a respeito da igreja de Jerusalém que poderia ser repetido aqui. Atualmente já não são tantos os Pilatos. desejosa de pregar o evangelho. Externamente desfruta-se de uma liberdade religiosa como nunca se viu. Era uma igreja unida em seus propósitos e se amava de verdade. (11).7) e os cidadãos de Antioquia (13. Felizmente (ou seria infelizmente?) seus desafios são mais de ordem interna que externa. a igreja é perseguida pelo fantasma de sua própria morbidez por persistir. E Deus atendeu ao clamor de sua igreja (At 4. Hoje. Esta é a triste realidade de muitas igrejas históricas e pentecostais brasileiras em nossos dias.31). Não é de admirar que o ministério da Palavra fosse prioridade para os doze (6. cf.4 a tinham como sua grande arma. Quando alguém se tornava cristão é porque o Espírito iluminava o coração dos ouvintes com a mensagem apostólica (16. Em outro estudo de minha autoria (A Missão Integral da Igreja). Pilatos. alienada do mundo. A Igreja Primitiva tinha desafios imensuráveis.14).impacto sobre Teófilo (At 1. os judeus e gentios que estão perseguindo a igreja. externamente os desafios eram humanamente insuperáveis. Internamente ela estava pegando fogo. os Herodes. o centurião Cornélio (10. Lc 1.44). pois precisamos testemunhar. Clamava a Deus para ser revestida com mais e mais poder para proclamar com ousadia e intrepidez as verdades do Senhor a quem ela tanto amava (At 4. Então a igreja orou: "agora. numa vida contemplativa. E não é possível um testemunho autêntico de Jesus sem o poder do Espírito. Herodes e muita gente se levantaram contra a igreja de Deus. O vento 117 . mas internamente muito de nossas igrejas estão enfermas. Porém. Quando alguém cria é porque a Palavra trouxe fé (4.

Convicção de pecado. Como sabemos. precisamos orar mais. A igreja que não é missionária se contradiz a si mesma e debela o Espírito. novo nascimento e crescimento cristão. na sabedoria. Quantas vezes já não ouvimos indagações mais ou menos assim: "Por que mandar ou sustentar missionários no estrangeiro se temos tanto o que fazer no Brasil?". Deus seja louvado! Entretanto. a maioria dos que pensam assim não está preocupada com a obra missionária nem mesmo no seu próprio país. Jesus não estava dizendo simplesmente que a Sua igreja precisava escolher uma dessas áreas geográficas para trabalhar ou que deveria começar por uma de cada vez.. é tudo obra dele. mas sem. Jerusalém 118 . deturpar o texto bíblico. Mc 16.. em Atos 1. A ordem e a promessa de Atos 1. instamos com todos os cristãos para que orem pedindo pela visita do soberano Espírito de Deus. na santidade. a idéia bíblica do termo aqui é: atuar ao mesmo tempo em todos os lugares da terra. (12). Infelizmente. temos que evangelizar lá sem esquecer de cá e vice-versa.8 é formada. fé em Cristo... isto é. como em toda a Judéia e Samaria.. Pelo contrário.tanto em Jerusalém. precisamos ser avivados (no verdadeiro conceito bíblico desse avivamento).15). o Espírito Santo é um Espírito missionário.8 Jesus especifica a missão global da igreja dizendo que ela deveria testemunhar ". pela partícula enclítica te mais a conjunção kai. no grego. Sem o testemunho dele o nosso seria em vão.. de maneira que a evangelização deve surgir espontaneamente numa igreja cheia do Espírito. na fé.como" equivale ao nosso adjetivo comparativo e sugere. hoje em dia não são poucos os crentes equivocados quanto à compreensão da ordem do Mestre.sopra onde quer e está soprando em muitas de nossas igrejas. De mais a mais.kai. evidentemente.8 é para a gente também! Gostaria de concluir este tópico com uma declaração urgente e atual do Comitê de Lausanne sobre a importância do poder do Espírito Santo na missão da igreja: "Cremos no poder do Espírito Santo. para que toda a terra ouça a Sua voz".como" de Atos 1. A evangelização mundial só se tornará realidade quando o Espírito renovar a igreja na verdade. Em grego "tanto. Portanto. O Pai enviou o seu Espírito para dar testemunho do seu Filho. A esfera de atuação da igreja A missão da igreja consiste em percorrer o mundo todo para pregar o evangelho a toda criatura (cf. . A expressão "tanto. a fim de sermos o verdadeiro sal da terra e a verdadeira luz do mundo.8.. a fim de que o seu fruto todo apareça em todo o seu povo. isto é.. simultaneidade de trabalho. Em Atos 1. e até aos confins da terra". Uma aplicação contextualizada das regiões citadas por Jesus fica por conta da nossa imaginação. (13). no amor e no poder. e que todos os seus dons enriqueçam o corpo de Cristo. precisamos do poder e enchimento do Espírito para transpor nossos próprios portões. Só então a igreja inteira se tornará um instrumento adequado em suas mãos. Jesus ordena que o trabalho missionário da igreja seja te.

"Poder" em Dicionário de Teologia do Novo Testamento. A missão da igreja contemporânea é mais do que missão estrangeira. É geografia sim mas também é etnia. a ponto de não ter ligação alguma com ela. Supomos que a nossa Judéia seja o estado onde estamos vivendo. mas não de igual modo a Pentecostes. Barret. 1996). a igreja cristã foi inaugurada e habilitada para cumprir a Grande Comissão. segundo Green.Green. (7) Barret apud M. Seu cuidadoso estudo do material bíblico seguia a convicção de que escreveu-se muito sobre a obra do Espírito Santo na salvação dos seres humanos. Nela Jesus morreu. podemos identificar Jerusalém com a cidade em que moramos. (6) O.8 é mais que "universalidade concebida de forma geográfica".185. O Mistério do Espírito Santo (São Paulo: Cultura Cristã. pp. O assunto não foi totalmente ignorado. p.foi o berço dos acontecimentos básicos do cristianismo.3 (Grifo nosso). Para efeito de comparação e aplicação da ordem de Jesus. Povo de Deus (São Paulo: Vida Nova. p. & Friedrich. 123. 122. van Engen. p. naturalmente. Ele propõe uma revisão não só da teologia de missões. Desde que não se entenda que o Pentecostes deve ser desvinculado da Grande Comissão. Op. à luz desse fato. era a província que tinha Jerusalém como capital. Poderíamos comparar Samaria ao nosso paísl? Os confins da terra (14) significam. que devemos ser testemunhas de Jesus para todos os povos. e que o ponto de partida de missões no Novo Testamento é o que aconteceu em Pentecostes. 1989). Boa parte do ministério de Jesus ocorreu em Jerusalém. (3) (3) C. "é que no estudo de missões prestou-se muita atenção à Grande Comissão. 1997). Cit. em The Theological Dictionary of the New Testament apud C. R.. ed. p. São Paulo: Vida Nova. 1997). Kittel. G. C. os índios do Brasil. (2) Cf. e tem sido relegado à periferia". estou de pleno acordo com Boer e Escobar. III (3. G. A Judéia. por sua vez. escreveu Pentecost and Missions (1961). Nela Jesus prometeu o Espírito Santo e nela. 13 estão em Atos. São Paulo: Vida Nova.Betz. ed. mas da teologia em geral. ressuscitou e ordenou a evangelização do mundo. 1985). 576. no dia de Pentecostes. é missão transcultural que envolve. por exemplo. mas deveria ser central na reflexão sobre missões. Sproul. segundo Samuel Escobar (Desafios da Igreja na América Latina (São Paulo: Ultimato. afirma que "a pregação ou 119 . van Engen. (5) Cf. situada ao norte da Judéia. "martys".. Evangelização na Igreja Primitiva (2. NOTAS (1) Harry Boer. 144. Samaria era uma região mais afastada. Vol. mas muito pouco sobre seu significado crucial para o testemunho missionário da igreja. 43). Atualmente sabe-se que "os confins da terra" de Atos 1. Povo Missionário. "A tese desse trabalho". p. (4) Das 34 ocorrências de "martys" no Novo Testamento. missionário reformado na Nigéria na década de 50.

4-7. Pais da Igreja. Green. 1983.30)" (Zabatiero.28).24. Para ele "a expressão grega te kai.recebimento desta Palavra é mencionado nada menos que trinta e duas vezes em Atos" (p. 576. (13) Júlio Paulo Tavares Zabatiero discorda da idéia de simultaneidade de Atos 1. onde te kai poderia possivelmente ser traduzido como "e".12. Paulo. Orígines (século IV) foi batizado quando criança.8. 83). p. embora alguns pais permitam que seus filhos sejam batizados apenas porque faz parte da tradição religiosa na qual 120 . "Poder e Testemunho . Samaria (8.7). 185. Além disso. Pela fraseologia de Zabatiero e as referências citadas.. (10) O.T. Cit. V. (9) Foi assim na Judéia (6. mostrou-se desejoso de ir à Espanha (Rm 15. Para Gingrich e Danker te kai "freqüentemente significa simplesmente e" (p. como Irineu (século II).14). 202). (12) O Pacto de Lausanne. significa simplesmente "e" (Lc 23. Op.8. em Lucas. naturalmente porque entendia que ela fosse os confins do extremo ocidental da terra. 5. se referem ao batismo infantil. (11) M. Jonh Stott Comenta o Pacto de Lausanne (São Paulo: ABU Editora). Entretanto. E esta omissão não aparece somente na tradução de Zabatiero. 21. At 1. (8) Idem. 204). porém. deixaram de incluir na lista deles uma das principais passagens de Atos? Acredito que não.27. III (São Paulo: Mundo Cristão. "freqüentemente" não é o mesmo que "sempre".8 é citado para provar tal argumento. BATISMO DE CRIANÇAS Algumas Considerações A prática de batizar os filhos dos cristãos vem desde os primórdios do cristianismo. Betz. 1993).Missões em Atos 1 e 2" em Missões e a Igreja Brasileira. sem mais nem menos. Op. Wilbur Gingrich e Frederick W. (14) Convém lembrar que o conceito de confins da terra da maioria das pessoas nos tempos bíblicos não era o mesmo conceito de Jesus e do Espírito Santo. tudo indica que ele está seguindo o Léxico do N. A concepção geográfica dos cristãos primitivos era limitada. Gingrich e Danker não mencionam Atos 1.24.t. nem mesmo nesta volumosa obra (900 páginas!) Atos 1. p. Vol.1. por exemplo. p. milhares de cristãos evangélicos no mundo continuam a prática. Cit.. na primeira viagem missionária (13.20). Hoje. 4. Grego/Português de F. XIV. que até justificaria por ser um resumo de A Greek-English Lexicon of the New Testament and other Early Christian Literature. p. 185. Danker do qual ele foi o tradutor. na relação das referências de Atos. Será que os autores simplesmente.49) e na Ásia (19.

a Páscoa. Deus sempre tratou com famílias (Dt 29. Minha crença sé baseia no fato de que. O Sábado tomou-se em Domingo. Mais tarde. ao chamar os ouvintes ao arrependimento.7. Os crentes são chamados de "filhos de Abraão" (Gl 3. mas. o batismo é um ato pelo qual consagram seus filhos ao Senhor.16). sem batizá-los.1-4). pois acreditam que o batismo é somente para adultos que crêem. Assim.38-39). de incluir os filhos dos fiéis na aliança de Deus com o seu povo. no dia de Pentecostes. portanto. incluindo obviamente as mães e seus filhos de colo (Hb 9.11). 21. Abraão creu e o sinal da sua fé foi aplicado à Isaque. e. incluiu seus filhos na aliança. Batizei meus filhos crendo que. Isaque. disse-lhes que a promessa do Espírito Santo era para eles e para seus filhos (At 2.29) e a Igreja de "o Israel de Deus" (Gl 6. Muitos preferem apresentar seus filhos ao Senhor. em Ceia. de vê-los crescer nos caminhos do Evangelho. o mesmo povo. Não é de se admirar. publicamente professar sua fé pessoal em Cristo Jesus. eles passaram a fazer parte da Igreja visível de Cristo aqui na terra. na nuvem e no mar inclusive as crianças. 7. tanto os que batizam seus filhos.1-14). mais tarde. assim. e determinou que fossem todos circuncidados (Gn. quanto os que os apresentam. Deus determinou-lhe que circuncidasse Ismael e. à fé em Cristo e ao batismo.4). 17. Foi uma grande alegria ter meus filhos batizados e vê-los. era o selo da fé que Abraão tinha (ver Rm 43. Para outros. aspergiu também todo o povo presente no monte Sinai. em batismo. e que não foi abolida no Novo.1).11 com Gn 15. chamou Abraão e sua família (Gn 12. têm um desejo só. quando cada um ainda não tinha mais que dois meses. Paulo. ao refletir sobre a história de Israel e ao mencionar a passagem dos israelitas pelo Mar Morto. antes de completar duas semanas (Gn. quando Deus fez um pacto com Abraão. na verdade. Estou persuadido de que a Igreja cristã é a continuação da Igreja do Antigo Testamento.1-3) e castigou Acã. E não é de admirar que os apóstolos batizavam casas inteiras em suas viagens 121 .nasceram. Porém. que remonta ao tempo do Antigo Testamento. Evidentemente nem todos os evangélicos concordam que o batismo infantil seja a única maneira de se fazer isso. através desse rito iniciatório. quando Moisés aspergiu com o sangue da aliança as tábuas da Lei dada por Deus. e a circuncisão. diz que todo o povo foi batizado com Moisés. receber o selo da fé que minha esposa e eu temos no Senhor Jesus. que Pedro. Coré e suas famílias juntamente. a idade da razão. Minha resposta é que acredito estar seguindo a tradição bíblica. A circuncisão. pois havia milhares delas (1 Co 10. com votos solenes de educá-los nos caminhos de Deus até. embora nunca em detrimento da responsabilidade individual. mas é a mesma Igreja. Símbolos e rituais mudaram.6). quando chegarem à idade própria. Alguns me perguntam por que apresentei meus quatro filhos para serem batizados. Não é de se admirar que Paulo chame o batismo de "a circuncisão de Cristo" (C12. Deus mandou que Noé e sua família entrassem na arca (Gn.9-12). mesmo quando este ainda não podia crer como seu pai. é claro. mesmo assim.19-20).

Ef 6. Meus filhos terão de exercer fé pessoal em Cristo Jesus. Por outro lado.At. Pv 22. At 2. a casa de Estéfanas (1 Co 1. Mas é igualmente verdade que não há nenhum exemplo de um filho de crente sendo batizado em idade adulta. elas teriam sido excluídas. É verdade. Compreendo também que alguns têm dificuldades com o batismo infantil por causa da prática da Igreja Católica e de algumas denominações evangélicas.4). Mas não há nenhuma proibição apostólica quanto a isso. devem orar com eles e por eles. assim como os que foram batizados em idade adulta. levá-los à Igreja.3233).missionárias: Paulo batizou Lídia e toda sua casa (. Se. 16. O batismo foi apenas o ritual de iniciação pelo qual foram admitidos na comunhão. uma criança que foi batizada resolver desviar-se dos caminhos em que foi criada. ao contrário dos filhos dos incrédulos. tanto os que batizaram seus filhos quanto os que os apresentaram. que. os filhos desejem servir ao mesmo Deus de seus pais. Simboliza a fé dos seus país nas promessas de Deus quanto aos seus filhos (cf. se houvesse crianças. que adotam a idéia da regeneração batismal. pois não há exemplos claros de crianças sendo batizadas no Novo Testamento. Pois. Pessoalmente não creio que seja este o ensino bíblico.14). O batismo infantil não salva a criança. para que sejam salvos.15). mas toda uma primeira geração de adultos que se converteram pela pregação do Evangelho. instruí-los nas Escrituras e viver de tal modo que. É verdade que não se mencionam crianças nessas passagens. ao crescer. Eles terão de se converter de seus pecados e crer no Senhor Jesus.. a criança tenha seus pecados lavados e seja salva. o carcereiro e todos os seus (At 16.16). Certamente que o Novo Testamento fala do batismo como sendo uma expressão de fé e de arrependimento por parte daqueles que se convertem a Cristo . pelo batismo. os filhos dos crentes eram "santos" (1 Co 7. Fonte: Revista Fides Reformata 122 .7. que não impedissem as crianças de virem a Ele (Mc 10. Compreendo a dificuldade que alguns terão quanto ao batismo infantil. Neste caso. Não serão salvos pela minha fé ou da minha esposa. já que estavam acostumados a incluir seus filhos em todos os aspectos da religião judaica. ao fim. é da sua inteira responsabilidade.6.13-16). talvez seja mais seguro ficar com o ensino do Antigo Testamento. Se os judeus que se converteram a Cristo não podiam batizar seus filhos. Talvez ele estivesse seguindo o que o Senhor Jesus havia dito. mas o entendimento mais natural de "casa" e "todos os seus" é que se refira à família do que creu e fica difícil imaginar que. e que se desviam depois. lembremos que passagens assim não tinham em vista os filhos dos fiéis. Mas. isto é.6.38. At 16. para Paulo. era de se esperar que houvesse alguma proibição neste sentido por parte dos apóstolos. serem exemplos de vida cristã. da Igreja visível. ao crescer.31) e expressa os termos da aliança que nós e nossos filhos temos com o Senhor (Dt ' 6.coisas que uma criança em tenra idade não pode fazer.

3.10).7). irmã e mãe" (Mc 3.12. e. e onde nos estimulamos e encorajamos a crescer em amor. Somos "irmãos". se um membro é honrado. quer gregos.29. falamos na Igreja Batista Sião. É a mais freqüente designação do Novo Testamento para os crentes em Jesus Cristo. quer judeus.13. com responsabilidade mútua. e Lhe obedecem seguindo-O como discípulos e tendo-O como Senhor. e tem muitos membros. Jesus disse que "irmão" era quem fazia a vontade de Deus: "Pois aquele que fizer a vontade de Deus. estudada. "Ora há diversidade de dons. 1Jo 1.16).4.15. mas que os membros tenham igual cuidado uns dos outros padecem com ele. o sangue de Cristo (1Co 10. Tg 2. e quer dizer que fraternidade tem a ver com amor. na Igreja Presbiteriana da Bahia. se comunidade temos algo em comum: a fé comum em Cristo Jesus (Tt 1. Não há superioridade. Ora. Aparece cerca de 250 vezes nos Atos e cartas. É uma fraternidade de pessoas que crêem em Jesus Cristo como Salvador pessoal. plena participação na família de Deus.35). e é descrita através de imagens riquíssimas como "Povo de Deus". A verdadeira comunidade cristã é criada e sustentada por uma fé e uma vida comuns em Cristo. embora muitos formam um só corpo. Expressa-se também como um corpo local. esse é meu irmão.9).42. 1Co 1. formamos uma comunidade (At 2. Para que não haja divisão no corpo. 2Co 13. Sim. todos os membros se regozijam com ele. Diferença que exista é de dom e função na Causa de Cristo. e todos os membros do corpo. 1Jo 2. Pois em um só Espirito fomos nós batizados em um só corpo. "Corpo de Cristo" e "Comunhão no Espírito".6. Assim. não há diferença quando chamamos o outro de "meu irmão" (Mt 23. e individualmente seus membros" (1Co 12. e. E há diversidade de 123 . onde o nome de Jesus Cristo é exaltado. assim também é Cristo. na Igreja Evangélica Fluminense como uma dessas comunidades locais. Sua palavra.Parte XX COMO MEMBROS DO CORPO DE CRISTO "Porque. o Espírito Santo (Fp 2.13). A IGREJA A Igreja é isso: uma congregação de crentes cuja única cabeça é Jesus Cristo. vos sois corpo de Cristo. É uma saudação natural (cf. assim como o corpo é um. e um compartilhar pleno na realização da vida da igreja.8).24-27) A Igreja de Jesus Cristo tem uma natureza militante. um compromisso de obediência comum a Cristo como Senhor. quer escravos quer livres. Rm 8. "A Igreja é uma companhia de crentes regenerados e batizados que se associam num conceito de fé e fraternidade do evangelho".1. mas o Espirito é o mesmo. e a todos nós foi dado beber de um só Espirito. uma participação comum no Espirito.

16. porque filhos do mesmo Pai (Jo 1.47. da qual somos membros pelas razões já expostas. mas todos eles saíram para que se manifestasse que não são dos nossos" (1Jo 2. é . segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor. se fossem dos nosso. porque regenerados pelo poder do Santo Espírito (Tt 3.12. sua iniciativa devem ser através desta abençoada comunhão local. paz. porém.15). Após a regeneração. Por isso. e essa expressão "batismo no Espírito Santo"significa o ministério do Espírito em favor do que crê. porque. bênçãos! Muitas bênçãos! E PARA SER MEMBRO DA IGREJA? Há condições.5.19. sua atividade. Somos membros uns dos outros. aos principados e potestades nas regiões celestes.13). e se é salvo. o que significa que seu esforço. 10. e a todos nós foi dado beber de um só Espírito" (1Co 12.13. Por outro lado. para remissão de vossos pecados. 4.10. o passo da obediência: o batismo. por meio da Igreja.33.11).36-38. de conhecimento. por procuração. quer gregos. investimento de alto retorno em termos de crescimento.ministérios. quer judeus. é normal que busque a comunhão do povo de Deus. e assim unido à Igreja de Deus: "Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo .23. Todos devem ser salvos antes de se tornarem membros de uma Igreja. de graça. É uma questão de investimento espiritual. Gl 3. "Para que agora a multiforme sabedoria de Deus seja manifestada ." (Ef 3. "Arrependei-vos. A Igreja de Jesus Cristo. quer escravos quer livres. e 124 . e o batismo há de ser realizado em nome do Pai. aí esta a primeira exigência para ser membro da Igreja de Cristo: regeneração através do arrependimento. há quem participe da comunhão terrena. mas o Senhor é o mesmo. mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Ef 1.13). de amor alegria. A cada um. Rm 8.38). ou sem exercício da fé como no caso de recém-nascidos. O ingresso tem seguimento pelo batismo: Jesus deu ordem definida sobre isso (cf. e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo. mas não do nascimento celestial. cf. Não se pode ser membro por ordem de outros. Então. pois pode uma pessoa ser cristã e não ser membro de uma Igreja local. sim. At 8. um centro de trabalho e de lealdade. E há diversidade de operações. a participação nesse plano deve ser o ponto focal da lealdade do irmão e do seu trabalho. mas não eram dos nosso. E visto que o propósito redentor de Deus é para ser realizado por meio da Igreja. então. Lc 11. teriam permanecido conosco. porque confessamos a um só Senhor: Jesus Cristo (Mt 10. "Saíram dentre nós.27).4-7). Mt 28. 1Jo 2.14-17).32. Importa que isso aconteça porque o salvo é batizado no Espírito Santo. E é realizado através da Igreja local. é dada a manifestação do Espirito para o proveito comum" (1Co 12. e recebereis o Dom do Espirito Santo" (At 2.19).

25. que maneja bem a palavra da verdade".1).20). quando vedes que se vai aproximando aquele dia" (cf. em comunhão com Deus. e que levam a igreja a crescer. e do Espírito Santo (Mt 28. Jesus os chamou "joio"no meio do trigal. 1Pe 3.5). cf. "bodes" no meio das ovelhas (Mt 13. A Palavra de Deus que alegra o coração. Há os salvos. ensinar. vidas inspiradoras. Tomá-la para "ler. QUALIDADES DO MEMBRO DA IGREJA DE CRISTO 1.24ss. Consciência dos dons que recebeu e usá-los: pregar. úteis. Não crescem. 2. como obreiro que não tem de que se envergonhar.20. 17.11. Mt 18.2.5. na ressurreição (v. batizados no Espirito. 3.21). o que quer que seja. e tanto mais. vivificados com Ele (Ef 2. E também a comunhão com os outros. regenerados.6. e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós" (2Tm 2.25: "Não abandonando a nossa congregação. exemplares. 125 . Há membros e há membros. exortar. hb 8.15). viver e crescer". criam problemas. para imitar o exemplo dos primeiros cristãos (At 2. portanto. cf. lembrando a exortação: "Procura apresentar-te diante de Deus aprovado. Levam freqüentemente a igreja à tristeza.46). Deste modo. Pois oração implica em atitude de dependência de Deus. 4. Jo 13.14-18. para serdes curados. Assiduidade os cultos.1). consolar. fortalece o espirito e alimenta a alma (Mc 12.16).3.32ss). At. não fazem crescer escandalizam até. administrar.42) E isso para ir ao encontro do Senhor e dos irmãos (Sl 84. como é costume de alguns. Cl 3. antes admoestando-nos uns aos outros. Crucificados com Ele (Gl 2. os vossos pecados uns aos outros. 2. e nunca desfalecer" (Lc 18. 23.1-13). Atividade.4. tão essencial que João a põe como prova de conversão (1Jo 3.24. Amor ao estudo da Palavra de Deus. para receber do Senhor bênçãos e mais abundância de vida (Sl 133. na morte (v. A súplica de um justo pode muito na sua atuação" (Tg 5. Socorrer.2. a exclamação "Sola Scriptura!" ("apenas e unicamente a Escritura Sagrada!"). e Tiago deixou claro: "Confessai portanto. Ef 2. 133. na vida eterna (v.17).16.4.8).1.10).19).1.6). agregados ao Corpo de Cristo.3. Jesus ensinou: "Contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre.35. membro ativo na comunhão de irmãos que se chama Igreja de Jesus Cristo. Está em Hebreus 10. e com Ele nos céus (Ef 2. Mas é preciso recordar e viver a comunhão com Cristo no batismo (Rm 6. Com o objetivo de "antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor. Na Reforma Protestante do século 16. o novo convertido é batizado para se tornar célula viva.do Filho.4). 2Ts 2. Fervor na Oração. em absoluta confiança em Deus. mas como um corpo estranho. 2Tm 3. Jo 10. Ap 3.21. 1Co 13.4). lavados no sangue de Cristo.15. Há os postiços. e orai uns pelos outros. cantar. Mt 8.17). Paulo exortou "orai sem cessar" (1Ts 5.

Era imperativo que vigiassem sua conduta. Ef 4. Senhor! E que não entrarão no reino dos céus?" 126 .17). ensinou haver três tipos de membros de igreja que podem ser comparados a barcos: os que tem motor próprio. Há uma alegria especial em ser membro da igreja. 8. apreciado. 23.1ss.55. Vão à igreja como quem vai ao teatro: esperam boa música. Tt 2. e Jesus Cristo o irmão mais velho (R. e que todos sejam sociáveis. Como é você como membro da Igreja de Cristo? Como eram os primeiros cristãos? É somente ler Atos ou as Cartas. mesmo. Mt 10. A do vaqueiro crente: "eu trabalho para "seu" Vicente. 27. bom sermão. O falecido mestre do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil (no Recife). há quem venha se tiver cargo. 1Co 5. todos os crentes têm direito a privilégios iguais.6. homens e mulheres. ele me mandaria embora!" Jesus não falou naqueles que dizem "Senhor.13. Lc 8.9. Jd 4.14. os que possuem vela (precisam de vento. Aliás. 2Tm 3. porém em outras igrejas. Só Cristo! Então. Mc 6. e cantasse muito para ele (já que ele gosta de música sertaneja). falsa doutrina.3-5. aqueles que são como balsas (são puxados). Mt 20. nunca na sua (?!). Pr. há privilégios iguais na igreja. seja por falta grave. dizendo que é o melhor patrão. escândalo.18-20.15. mas mesmo que eu passasse todo o tempo falando de "seu" Vicente . Estes são peso morto na igreja. mas só aparecem no Natal ou Noite de Ano Novo. Jesus andava e mantinha comunhão com seus discípulos. 2Ts 3. estavam vigilantes quanto à Sua Segunda vinda.6.10-13. de fato. Schaly conta uma história.10.1ss.1-3. e tivessem a consciência de que a verdade divina lhes fora confiada. unidos todos em amor comum e lealdade (cf.5. eram ativos no testemunho de Jesus Cristo.10).9. 1Tm 5. de movimento. Se alguém está fora dessa comunhão. alguns fazem pouco ou nada fazem. de agitação. 28.13.7ss. sendo membro de uma igreja. Isso não se refere a diferenças de habilidades ou capacidades espirituais das pessoas. têm nome no rol de membros. e isolada dos outros crentes. 9.2b. de novidades para vir à igreja). 9-11.5. não trabalham e dão trabalho. abandono.17. 16-19. a igreja era um investimento de vida. Na igreja. A igreja não é uma relação de sócios ou de membros ou de filiados. e não fizesse meu serviço com o gado.M. é muito operoso. 12. já que há direitos iguais de acesso a Deus.A IGREJA LOCAL O princípio da Igreja diz que pertencer-lhe é um santo privilégio e um sagrado dever. que preservassem a harmonia entre eles. 1Pe 1. de campanhas. o Novo Testamento não fala de experiência cristã praticada independentemente. espere convite especial para vir.50. Há quem. É uma comunhão. uma família da qual Deus é o Pai. encontravam alegria na comunhão.17). O mesmo Pr.21. 1Tm 1. sendo membro da igreja. deve ser excluído da igreja porque. Mt 6. Lc 8. Essa é a razão porque somos uma fraternidade. há quem. já se auto-excluiu (Rm 16. 2Jo 9-11.29. Dizer isso significa que ninguém tem privilégio especial sobre outro. Harald Schaly. Tt 3.

que confiem no poder da intervenção. É desejo comum que esta nossa igreja seja grande em todos os sentidos. aprofundando-se na doutrina do Senhor. nem as melhores salas para a educação religiosa do seu povo. ou o maior balancete mensal. pela vida espiritual intensa pela consagração à causa. atingindo os não conhecem a salvação em Cristo Jesus. portanto. nem coisa semelhante. E o modelo é o de Atos 2. cuidado e prática diária. o mais eficiente meio de deter nossa tendência de fazer renascer a velha criatura. Precisamos de crentes que entendam ser a igreja local o lugar previsto por Deus para a comunhão.47: "Louvando a Deus. a buscar a paz com todos. para que a santificasse. para baixo. e onde os recursos para o crescimento cristão ao dispor (venha. porém santa e sem defeito" (Ef 5. para os lados. para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa. de dentro para fora. "Antes exortai-vos uns aos outros todos os dias. Que Deus nos ajude! Parte XXI COMO SE FAZ UMA GRANDE IGREJA "Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela. buscando o altar de Deus. Cresce a igreja. Como árvore que nasce da semente. agregando pecadores regenerados. E cada dia acrescentava-lhes o senhor os que iam sendo salvos". Uma grande igreja não é a que tem o maior templo da cidade. a igreja é chamada a crescer. aliás. É um crescimento lento porem continuado.16b).15b-27). que amem a Deus de todo o coração. oramos no sentido que cresça em número e espiritualidade. que nos lembremos uns dos outros em nossas orações. durante o tempo que se chama Hoje. e caindo na graça de todo p povo. ou a 127 . que amem ao próximo como amam a si mesmos. que sejam luz do mundo. ou o fermento na massa do pão (Mt 13.Pois é. Por isso. que amem a Palavra de Deus. Crescer em todas as direções: para o alto. Crescimento. à EBD!).13). É esse. que sejam santos porque o Senhor é santo. cresce o reino de Deus. para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado" (Hb 3. que exerçam o sacerdócio dos crentes. de toda a alma e de todo o entendimento. tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra. Por isso. e de fora para dentro. nem ruga.12-15). não inchação! É isso: precisamos de crentes que busquem o reino de Deus em primeiro lugar. sem mácula. a cultivar relações francas e a delicadeza no trato e a estar pronto a perdoar as ofensas (Mt 6. que nos ajudemos mutuamente em nossas enfermidades (Tg 5. que façam do crescimento pessoal assunto de perseverança. Que nos comprometamos a ter cuidado uns dos outros.31-3). o melhor coro.

. "magistrado". No entanto. que ele tenha o singular condão nunca esperado de outras pessoas.11. pois alguém pode ter um grande talento em certa área. de preferência ao mesmo tempo. Esse é um fato altamente prático. afinal de contas. A Bíblia diz que nós temos um serviço. No entanto. Os chamados testes dos dons dão uma pista. "magistério". Essa palavra "ministro" é usada. Há uma diferença abismal entre as palavras "ministro" e "mestre". de onde procedem. é utilizada no primeiro escalão do governo. evangélico em todos os sentidos porque Jesus declarou "O Filho do Homem (Cristo) não veio para ser servido. ensina a Palavra Santa que a principal tarefa do pastor é preparar. uma grande igreja é a quem tem certas características bíblicas que passaremos a enumerar. e não ter sido capacitada por Deus para exercê-lo no ambiente de formação espiritual da igreja. estar em todas as reuniões. Somos todos chamados para ser ministros de Jesus Cristo. treinando-a para o exercício eficaz do ministério de cada pessoa. Mc 10. o servo. se possível.12.. o meu dom". e quer dizer que cada um de nós tem um ministério. Ministro das Finanças. Isso é algo básico. Palavra. e. não sei qual é o meu ministério.. é um conceito bíblico. Talvez uma pergunta esteja na mente dos leitores: "se todos vão ser ministros.". "Pastor. Dom não é o talento natural. capacitar os cristãos para o exercício eficiente de seus ministérios. portanto. ainda. de estar presente em todas essas reuniões. Você vai dizer. No entanto. Lembremos que o pastor trabalha COM a igreja capacitando-a. incidentalmente. algumas marcadas ao mesmo tempo. quem vai ser o pastor?" É precisamente neste tipo de pergunta que há malentendidos. "Ministro" vem de minister. sobretudo.e é igualmente prático (cf.que levanta as maiores ofertas missionárias e para outros fins. alguém que tem "algo de menos". e. Você reconhece o seu dom espiritual pela compulsão que 128 . e assim por diante. Falamos em Ministro da Educação. "Mestre" vem de uma palavra da língua latina. UMA GRANDE IGREJA É A QUE TEM UM MINISTÉRIO PARA TODOS Cada crente é chamado por Deus para ser um ministro. para dizer "servo" e o conseqüente serviço prestado. Ef 4. No entanto. Era que tinha com que contribuir. pois. Não é aquela cujo pastor é o melhor orador da cidade. Isso é interessante porque podemos pensar que a palavra "ministro" é tão elevada. e os membros os mais destacados da sociedade. usada para pessoas de altíssimo gabarito. pelo fato de algumas pessoas ainda presumirem que o pastor tem que fazer tudo na igreja.45). designando alguém que era procurado por ter "algo a mais (magis)". procedente de minus. mas para servir. do alto escalão do governo. magister. uma grande igreja pode ter tudo o que foi mencionado. o escravo. é palavra tão simples.

outros recebem três. Fulano de Tal. Porém. venha. Essa é uma grande igreja. mas há tantos banquetes que fazem mal. muita gente fica esquecida quando a Comissão de Indicações vai estudar os nomes e cargos. Traga sua alegria. Li uma frase (mas não vou dar 100% de crédito porque conheço a luta de alguns irmãos): "No domingo de manhã."Mas o Espírito Santo diz "Não deixando a vossa congregação como é costume de alguns". firme. se ação social. e outra tantas razões. É meio complicado para um igreja de centrão da cidade ter uma altíssima freqüência à noite: há quem more muito distante. seu louvor. Não é a contribuição em dinheiro para resolver a débil situação econômica de alguém. mas o feijão-com-arroz é em casa. Achei-a um tanto pesada. encaminha. "Quero trabalhar nessa função". Cada um faz alegria.parte do seu íntimo. da ajuda. fortalece. se evangelismo. diga onde está que vou buscar". há quem tenha filhos ainda pequenos. há banquete.. porque infelizmente. quarta-feira vai para a do primo. Fora. Soube de uma igreja no estado da Flórida (EUA) onde não indicação para os cargos. O mesmo com a doutrina: edifica. A Carta aos Hebreus quase que diz "Não deixando a vossa congregação como é costume de. sua contribuição de presença à Celebração do Nome de Jesus. bem temperado edifica. se você não tem nenhum desses impedimentos. irmã querida. O hábito da freqüência sistemática aos cultos é uma bênção na vida do cristão por ser fundamental para a firmeza de suas convicções. engorda e faz ficar bonito. se ensino. trabalha quem quer trabalhar. E esses "alguns" sabem quem são e quais são os costumes: de faltar sem necessidade. e os cargos vão sendo preenchidos de acordo com a vontade de trabalhar da pessoa. à noite. com prazer. que não seja levada por todo vento de heresia ou de corrupção? Temos algumas pistas na Palavra de Deus. Uma muito simples é compartilhando as experiências nos cultos. qual a sua mesa espiritual? Já imaginou se seu filho resolvesse que amanhã vai almoçar na casa do vizinho. Assim fazendo. vêm todos. ele diz "Vou resolver". e não é preciso pedir "Por favor" porque o Espírito Santo já capacitou para tal trabalho. quatro. e assim cada dia da semana. de passear pelas outras igrejas (o chamado "turismo eclesiástico"). Irmão amado. essa é uma grande igreja! UMA GRANDE IGREJA É AQUELA QUE TEM FIRMEZA DE FÉ E DE DOUTRINAS Como é possível obter uma fé estável. 129 . Cada um sabe qual o seu ministério. há quem seja idoso. só os fiéis".. cinco cargos. Com um ministério para cada um. Você sente o desejo de realizar algo. É que no momento em que você diz "Preciso de tal coisa". Feijão-com-arroz bem preparado.. Sem alarde. Há um irmão em nossa igreja que tem o evidente carisma do socorro. Seria uma tremenda economia para o irmã. ele responde "Pronto. As posições são disponíveis e os membros dizem à Comissão. Uns são esquecidos. e terça-feira na casa da tia. faz crescer. a que tem um ministério para cada pessoa..

"aqueles que estão debaixo de uma disciplina". trazendo ainda os males da carne: rivalidades. Foi medicada. carência de "água viva". se os teus olhos forem bons. Administraram-lhe muitos "acampamentos". o xarope de reuniões sociais" sufocou-a. mas. Foi proprietária de grandes avivamentos bíblicos e de grande poder e influência no passado. Como Jesus expressou: "São os teus olhos a lâmpada do teu corpo. se forem maus. número 666. de quebrantamento. a Igreja dos negligentes. tanto quanto participar das atividades da Denominação fortalece os laços de amor entre as igrejas locais. Em sua memória. e comprimidos de "clube de campo". só pela manhã. estará fechada nos cultos do meio da semana. uma pergunta: SERÁ QUE O LEITOR NÃO AJUDOU A MATAR A DONA "REUNIÃO DE ORAÇÃO"? Quantos pastores se ressentem da ausência de irmãos (até da liderança. nem pensar. como "pão da vida". A presença nos Cultos é fundamental para a solidez da fé.não dobravam mais . mudando-lhe o regime. isto é. Na Palavra de deus. pois lhe deram grande dose de "administração de empresa". que já estava enferma desde os primeiros séculos da era cristã. Constataram ainda: "dureza de joelhos" . deram-lhe "injeções de competições esportivas". e ausência de vida espiritual. mas erroneamente. dona "Reunião de Oração". de entrega. assim mesmo quando não houver dias feriados. UMA GRANDE IGREJA É A QUE TEM UMA VIDA DE DISCIPLINA Os primeiros seguidores de Jesus foram chamados de "discípulos". devido à falta de circulação do "sangue da fé".E o Culto de Oração nas quartas ou quintas-feiras que tem virado uma lástima em algumas igrejas? Alguém me repassou uma Nota de Falecimento que diz o seguinte: Nota de falecimento Faleceu. todo o teu corpo será luminoso. o teu corpo ficará em 130 . de reconhecimento do senhorio de Jesus Cristo sobre nós com o objetivo nosso de aprender. haverá Culto ou Escola Bíblica. principalmente entre os jovens. a disciplina de Jesus Cristo é uma atitude e uma atividade.. na Igreja dos negligentes e frios na fé. o que provocou má circulação nas amizades. É uma atitude de submissão. E é uma atividade que se demonstra em tudo o que fazemos. emendando o lazer de sexta a segunda e vigília."fraqueza de ânimo" e muita falta de boa vontade. Os médicos constataram que sua doença foi motivada pela "frieza de coração". Aos domingos.. situada na Rua do Mundanismo. Agora. ciúmes. Até cápsulas de "gincana" lhe deram pra tomar! RESULTADO: Morreu Dona "Reunião de Oração"! A autópsia revelou: falta de alimentação.) que deveriam e até poderiam estar presentes no Culto de Oração.

modelo porque não é recitada simplesmente. e aquele que deseja fazer de sua vida um real ministério. Mas temos que nela colocar alma para que não vire reza (palavra que vem de "recitar"). orava na sinagoga. Todos somos chamados. ou ficava até de madrugada em oração. mas "Ensina-nos a orar". Tudo isso é testemunho! O apóstolo Paulo tem uma 131 . quanto a mim. o apóstolo. "Vós sois a luz do mundo". e outra horinha de noite para meditar na Palavra. Orava durante o dia. uma bemaventurança para aquele que "tem prazer na lei do Senhor. a nossa vida mais constante. e na sua lei medita dia e noite". não julgo havê-lo alcançado. prossigo para o alvo. Há até uma bem-aventurança: no Salmo 1. Há.. no Templo. Prefiro esta última expressão "dia e noite" a uma outra tradução que ensina "de dia e de noite". cada atitude que expressamos está marcada por essa disciplina que vem da Escritura Sagrada.trevas"(Lc 11. para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus". onde fala do "varão que tem o seu prazer na lei do Senhor. mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão. e Paulo.14. Através do estudo da Palavra. O exercício da oração é prova disso. Essa disciplina se manifesta na devoção e na vida de serviço. Isso quando a Bíblia fala tanto de alegria e felicidade.. UMA GRANDE IGREJA É AQUELA QUE TEM UMA VIDA DE TESTEMUNHO Mateus 5. "Irmãos. Nossa igreja tem realizado seminários e simpósios de capacitação. e na sua lei medita dia e noite". palavra de Cristo" (cf. Ela só é meditação constante quando aplicada à vida e cada coisa que fizermos. Lemos a Bíblia com o objetivo de estudá-la e de nela meditar. pela qual pautamos a nossa oração.34). enquanto a segunda pode dar idéia de tirar uma horinha de dia. Rm 10.16 e Atos 1. e o nosso trabalho mais abundante no Senhor.. Jesus manteve uma vida de oração. Não posso entender o crente que não se alegra com a leitura da Palavra de Deus.". como ensina Paulo: "a fé vem pela. embora até a recitemos. chegou a ensinar uma oração-modelo. Observem que os discípulos não pediram a Jesus "Ensina-nos a pregar". em Filipenses 3. cada palavra que pronunciarmos. o próprio Senhor Jesus Cristo. A oração torna a nossa marcha mais firme. Sua vida de oração era intensa: ou Ele Se levantava de madrugada para orar. É uma atividade que olha para o alvo que é a cruz de Jesus Cristo.8b são textos basilares sobre o testemunho do cristão: "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens. deve nele disciplinar-se. Eles vêm para melhorar a nossa vida pessoal e da igreja como um todo. aliás. O propósito da leitura e estudo da palavra de Deus é confirmar e estimular nossa fé. "Vós sois o sal da terra". Através de vida disciplinada no serviço. As horas consumidas no preparo disciplinado não constituem tempo perdido. porque a primeira fala de constância.13.17). permanência na Palavra..

e não conta mais aquela piada indecente que você costumava ouvir. e você passa a ser respeitado. mas pelo espírito do Deus vivente. e entrando com eles nas cidades. "Não há um justo. de Paulo (20. e o evangelho veio e me resgatou para Jesus!!!) É a minha história e a sua também. mas a minha vida mudou". Não foi ele que pediu a Deus que 132 . estando já manifestos como carta de Cristo. Que livro extraordinário! É uma leitura empolgante. de Pedro e João (3. Ele estava sendo apedrejado. e naqueles momentos finais. o melhor testemunho é dizer "eu era ssim. e .56)." O que é impressionante é que muita gente nunca vai abrir a Bíblia Sagrada. Nesse livro. e a Bíblia diz. mas sempre devemos começar com a nossa própria experiência nos termos de 1João 1. é o que eu conto sobre o que Deus fez por mim.23). Se disse que não o tem. mas vai ler a minha e a sua vida.3. "O que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros. Fico impressionado com o testemunho de Estêvão.15). Somente temos que ler o livro dos Atos dos Apóstolos para confirmar o que foi dito.10). ser testemunha de Jesus Cristo? É compartilhar algo da própria experiência..4-6). igualmente. FIQUEI ASSIM (corado. eu conto. no passado bem passado. Pode até acontecer que em nosso testemunho ao mundo perdido sejamos um tanto vacilantes.14. conhecida e lida por todos os homens. na lama. Portanto. já está pecando. escrita não com tinta. ""pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Rm 3. O que eu vi. o testemunho é pessoal. e participando das pregações. Nós éramos assim (que palavra terrível!).24. ainda. havia uma propaganda que dizia "EU ERA ASSIM (e mostrava um indivíduo bem apessoado) CHEGUEI A FICAR QUASE ASSIM (a figura era de um esqueleto) TOMEI [E DIZIA O NOME DO FORTIFICANTE]. 22. para que vós.. forte). Que é. Perceberam que isso é o que Jesus faz? É o evangelho! EU ERA ASSIM (o pecado em deixou desta maneira..56). Ninguém fique iludido pensando não ter pecado. nem um sequer"" (Rm 3. O melhor testemunho é contar a vida. mantenhais comunhão conosco". e começa na própria experiência de Pedro (At 2. no entanto.expressão em 2Coríntios 3.32). uma grande igrejaé aquela que tem uma vida de testemunho. ele exclamou: "Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem. bonito. de Estêvão (7.2< "Vós sois. Nos bondes. quase me arrastando. O conteúdo do testemunho aponta para Jesus Cristo e Sua obra na vida humana. eu fazia isso. em pé à direita de Deus" (7. a única Bíblia que estas pessoas irão ler.. produzida pelo ministério. Parece que estamos andando com os discípulos. E sabe quando você começa a ser respeitado? Quando aquela rodinha no trabalho ou na escola se cala quando você chega. Outra realidade impressionante é que o melhor testemunho não é aquele que eu pesquiso e repasso às pessoas: é o da minha vida.

nada acontecerá sem o poder do Espírito Santo. nem vida de testemunho. Há uma história sobre um grupo de missionários acampados na selva perto das vilas e aldeias. É uma mascarada. perguntou ao Pr. Cada tardinha. Absoluta nada. se perguntava o que poderia fazer para ajudar. Mas o Espírito Santo trabalhou. mas também perto de uma colônia de chimpanzés selvagens. É.6. um descrente. "Nada. Tomás. Era apenas uma imitação. diz o Senhor dos Exércitos". testemunho pessoal que parte da experiência pessoal. deu-se um milagre: chegou sóbrio à fábrica e assim permaneceu por toda a semana e sempre. Assim é com a igreja: sem o fogo do Espírito.peroasse os seus algozes? (7. a igreja não tem sentido. Tomás. e todo início de semana chegava embriagado ao trabalho. Uma tarde. em todos os casos. Numa certa segunda-feira. Tomás Munguba contou-me sobre um operário de uma fábrica em sua cidade (João Pessoa). estão fazendo para condicionar a atitude comportamental de Fulano?" Responde o pastor. O Pr. "Não por força nem por poder. o mundo quer ver esta realidade vital genuína que só Cristo pode oferecer. mas pelo meu Espírito. viram os macacos que os estavam imitando: puseram lenha para fazer uma fogueira. amigo do Pr. não haverá estabilidade de fé. Lembremos que o fogo que aquece a igreja é o Espírito Santo. nem vida de disciplina. nada. voltavam das aldeias. Quando o chefe soube que ele estava freqüentando uma igreja evangélica. Deste modo. quando os missionários regressaram. EXPRESSÕES PARA DESCREVER O MINISTÉRIO DO ESPÍRITO O Novo Testamento tem dois termos para descrever o ministério do Espírito Santo na vida e experiência dos crentes: a habitação do Espírito Santo e a plenitude do 133 .60). usando a linguagem da psicologia: "Que vocês. e estavam sentados ao redor da fogueira apagada se "esquentando" como os missionários faziam nas noites frias: esfregavam as mãos." UMA GRANDE IGREJA É AQUELA QUE TEM O PODER DO ESPÍRITO SANTO Não obstante. Não haverá um ministério para cada um.. O homem tem dez filhos. É um clube religioso. porém.. faziam ruídos. é uma reunião de amigos. A única prova disponível para que o mundo veja a obra de Cristo em nós é nossa própria vida. mas não é uma igreja onde Jesus Cristo é Senhor. uma fantasia. Um testemunho eficaz inclui dois elementos básicos: um modo de viver: um modo de vida e uma comunicação oral. protestantes. de gente idealista. Seu chefe. na inspiração de Zacarias 4. Olha o nome: Atos dos Apóstolos: o Testemunho dos Apóstolos! Um livro inteiro só de testemunhos do que Deus fez através dele. Não fizemos qualquer lavagem cerebral. acendiam uma fogueira e ficavam ao redor contando as experiências e as bênçãos. Faltava. algo importante naquela fogueira: o fogo.

O segundo significa ser controlado pelo Espírito Santo (Ef 5. nossa Rocha Eterna.18). O primeiro se refere à conversão (1Co 3. de tal modo que quando você fala. mas o balde em que é transportada tem que ser comprado. a água da vida é levada. um custo financeiro. anda ou toca as pessoas. Ele o faz em Efésios 5. forte e espiritual! Parte XXII CREIO NA CONTRIBUIÇÃO CRISTÃ "Fazei todas as vossas obras com amor" (1Co 16. A hora de cada crente renovar sua aliança com Deus. reconhece que o dinheiro não é o lado profano. É o controle e o domínio do Espírito Santo sobre. A plenitude do Espírito Santo não é instantânea como a embriaguez também não o é. se o que queremos é uma grande igreja.Espírito Santo ou ser cheio do Espírito. mas que cada parte de seu corpo está afetada pela bebida: seu modo de caminhar. a embriaguez. e o controle do Espírito de Deus.16. Esta deve ser uma nova hora para cada pessoa que lê esta reflexão." Quer isso significar que quando se anuncia o reino de Deus isso é feito de modo absolutamente gratuito. A contabilidade de uma igreja local é tão sagrada quanto a mensagem que sai do púlpito. a água da vida é grátis. de algo sagrado chamado Igreja. Para o cristão. sua conversa. e cada vez mais controlada. mas enchei-vos do Espírito". no entanto. cada pensamento e palavra está sob Sua influência. seus pensamentos. A hora de buscar a plenitude do Espírito. da televisão. E o crente que se consagra. tudo tem 134 . secular. Paulo faz uma analogia entre a intoxicação alcoólica. Este é o momento sério de renovar o pacto com suas convicções. o que ninguém desconhece. "Na verdade. havendo. Quando uma pessoa está "cheia de vinho" não significa que está cheia da cabeça aos pés como uma garrafa.14) A causa de Jesus Cristo tem seu lado financeiro. tão sagrada quanto uma cesta básica que é dada para uma família menos valida. ou através da imprensa escrita. Quando os irmãos se reúnem para o crescimento. Por incrível que possa parecer. Sua comunhão com o Espírito vai fazendo com que sua vida seja controlada. Isso faz lembrar a palavra de um evangelista que afirmou com muita propriedade. porque na Igreja de Jesus Cristo não reconhecemos coisas profanas e coisas sagradas.5). A hora de se firmar mais e cada vez mais em Jesus Cristo. Ser "cheio do Espírito" significa que cada ação nossa. todos compreendem que você está sob o domínio do Espírito de Deus. tão sagrada quanto a lição da Escola Bíblica que é repassada para os alunos em uma classe. seu olhar. Tg 4.18: "Não vos embriagueis com vinho. no qual há dissolução. se o que desejamos é uma vida abundante e vitoriosa. quando a igreja se reúne para a edificação ou quando espalha a mensagem através de ondas do rádio.

Ou a de odiar a um e amar o outro. "Ninguém pode servir.24. A Constituição do povo de Israel era a própria Lei de Moisés. No livro de Jó no capítulo 31. Temos nesta história todo um sistema de valores. Então. pois eu teria sido infiel a Deus que está lá em cima. e Suzana. você vai querer saber porque um custa duzentos e pouco e o outro quinhentos e alguma coisa. existe um aspecto sagrado no dinheiro que entregamos à igreja. e por ter a minha mão alcançado muito.00. E havia pessoas fiéis que sustentavam o Seu ministério. Dinheiro. o amor ao dinheiro. Sim." Na palavra de Jesus.00. E alguém disse. ninguém pode se devotar e ninguém pode cultuar. não é apenas um meio de adquirir bens. Porque começa dizendo assim. amar e dedicar-se a Deus e dedicar-se aos bens. espirituais e morais. odiar e desprezar a Deus. nós colocamos no dinheiro um sistema de valores porque damos preço a um objeto pela quantidade de dinheiro investido nele. procurador de Herodes. da qual saíram sete demônios. quem pense que a Bíblia ensina que o dinheiro é a raiz de todos os males. Assim o era no Antigo Testamento. é que "o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males". e a loja diz que custa R$ 450. Se assim fosse. chamada Madalena. Algumas traduções têm "Não podeis servir a Deus e a Mamon". tão sagrado que Jesus tinha um tesoureiro no colégio apostólico. a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui". ou disse ao ouro fino: Tu és a minha segurança. Se me alegrei por ser grande a minha riqueza. há um sugestivo ensinamento sobre uma gradação no relacionamento entre o homem e o seu dinheiro. Nele está que "Ninguém pode servir a dois senhores. e muitas outras as quais o serviam com seus bens. e há um outro bem semelhante nas características e funções e custa R$ 580. Isso não existe na palavra de Deus. neste último versículo. que apresentam o seguinte: "E também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria. às posses. O aspecto civil da lei de Moisés confundia-se com o lado cultual. Também isto seria pecado para ser punido pelos juizes. Aliás. até.15: "Acautelai-vos e guardai-vos da avareza. mulher de Cusa. Tão sério. diz o verso 24: "Se no ouro pus a minha esperança. Não servir. das riquezas. O que a Bíblia diz." A idéia é essa mesmo: servir. à conta bancária. em Lucas 12. Não podeis servir a Deus e as riquezas". a ganância. Há.3. Dinheiro é um sistema de valores. faz parte do "Sermão do Monte. Vamos a Lucas 8. ou se devotará a um e desprezará o outro. É um sistema de valores econômicos. Não pode ser dessa maneira. E Joana.sacralidade. é assunto sério. E normalmente se dá mais valor ao que custa mais caro. O que a Escritura ensina é que a avareza. "Está na Bíblia". Se alguém vai comprar um refrigerador. Mateus 6.2. Mamon é a personalização do dinheiro. ritual e litúrgico. 135 . não seria ordenado "trazei todos os dízimos à casa do tesouro". Dinheiro." Sustentavam a obra de Jesus Cristo. Por isso que o valor de um objeto é medido pela quantidade de dinheiro que nós gastamos nele. portanto. é a raiz de todos os problemas e sofrimentos.

dependendo do modo como você o usa. no livro dos Atos dos Apóstolos (chamado. a qual. a sua personalidade. Dar é sinal da graça de Deus. há pessoas que são ajudadas com as cestas básicas há pouco mencionadas. outros serviços públicos que a igreja utiliza?). o carisma é tão forte na sua vida que se a igreja pedir o segundo dízimo dá. No caso particular dos Batistas. "Que Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu filho unigênito". Então o que é e o que não é o dízimo? Vamos esclarecer algumas coisas. o carisma de ser liberal. A Convenção estadual reúne das igrejas do seu campo e remete uma porcentagem para a Convenção Batista Brasileira. A lista de versículos relacionados com dar. a manutenção do culto (ou alguém não paga essas luzes que são acesas durante o culto? Ou outros bens que nós usamos. forçosamente nós temos que entrar no sistema de Deus para o financiamento do Seu projeto. e se a igreja pedir uma contribuição para ajudar a uma determinada causa. doar e oferecer é imensa. Quando contribuímos. O projeto de Deus é o programa de expansão do Seu reino neste mundo. divide toda a contribuição recolhida pelos diversos apostolados e ministérios que realiza. e uma das graças do Espírito na nossa vida chama-se o dom da liberalidade. Realmente. quando o fiel entrega o dízimo. um sistema de valores morais porque representa o seu tempo. Por isso.O dinheiro é. O dízimo faz parte desse sistema de valores. também. Contribuir está intimamente ligado ao estado de vida espiritual e onde há contribuição generosa e liberal a Deus. enviando uma parte à Aliança Batista Mundial. nós entramos na questão do dízimo. a Escritura mostra que dar é sinal da graça de Deus na sua vida e a disposição de fazê-lo é dom da operação do Espírito Santo no coração. e a sustentamos em um determinado país. podemos reconhecer a ação do Espírito Santo de Deus. por sua vez. A própria expansão do evangelho quando mandamos um missionário ou uma família missionária. Romanos 12 fala sobre isso. também dá. de "o Evangelho do Espírito"): "Mais bem aventurada coisa é dar do que receber". o seu trabalho. É o governo soberano de Deus nos corações. e. É aquela pessoa que dá o dízimo. como o emprega na causa de Jesus Cristo. Tive a curiosidade de olhar na Concordância Bíblica a palavra dar. Também há uma palavra de Jesus registrada fora dos Evangelhos. no entanto. É um sistema de valores espirituais. uma parte dele é enviada para a Convenção Batista do seu Estado. que também pode ser doar e oferecer. E então. significa assistência aos pobres. O crente faz isso através do seu dízimo. Contribuir significa companheirismo no serviço cristão. Vamos começar com o que o dízimo não é: O dízimo não é um meio de pressionar a igreja a levantar dinheiro a fim de suprir 136 . E parte desse projeto é 10% da renda pessoal. Nesse ponto. indo de Gênesis 4:12 a Apocalipse 22:12. a Bíblia diz tantas vezes. aliás. até.

cada ministério é realizado pela igreja. As bênçãos de Malaquias 3." Não é assim não. que lhe devo! Deus só me cobre de graça sobre graça. Diante de Deus é a mesma coisa. eu. O Novo Testamento acabou com o dízimo.000. os 15 reais e 10 centavos que os 1. "Se eu não vos derramar sobre vós uma benção em abundância. um tem mais posição que o outro. As bênçãos são a graça. "Se ele é o Diretor de Evangelismo. "Eu tenho crédito com Deus.10. ofertas com massas para pagar pecados. O dízimo não é cumprimento de exigência da lei de Moisés. "Não dou dízimo porque é da lei de Moisés. às vezes. Há quem pense. Não é uma maneira de mostrar posição pessoal. Vou dar o dízimo para ficar rico. não! Dízimo não é para isso. do endro. o crescimento espiritual. O Diretor de Evangelismo dirige a evangelização. do coentro. 137 . Hebreus 10. Já vi isso também. da hortelã. Porque o povo dava o dízimo não só de dinheiro. mais miserável é. glória sobre glória! Agora. R$1. para a obra de Cristo. Agora vou dar o dízimo para não acontecer mais.500.00. não. que dirigem. mas irmão Fulano ganha R$ 15 mil. por isso. Talvez seja até mais sacrificial. Deus não se deleitava com essas coisas." Há outras bênçãos além de dinheiro. se tinha vinte sacas de trigo. benção sobre benção. A palavra de Jesus diz que nós devemos. a misericórdia. E ele até mencionou temperos usados no trivial da cozinha: dízimo do cominho." Não dê o dízimo com intenção de pagar pecados. e essa pessoa repassou que ele dissera. duas pertenciam ao Senhor entregava ao Templo.00. nem neles te deleitaste os quais se oferecem segundo a lei. não dê o dízimo para pagar promessa. dar o dízimo também. Mas. oblações com vinho." Como pode?! Deus não está me devendo nada. Então. que levam para o campo. ela é visitadora. e agora posso exigir dele.8 coloca o assunto da seguinte maneira: "Depois de dizer como acima: Sacrifício e oferta. Por isso. Ouvi contar de certo pastor que falou para alguém. sim.10"." Faziam sacrifícios de animais.00 de dízimo. Não dê o dízimo com medo.necessidades do seu orçamento. além de realizar obras caracteristicamente cristãs. o salário mínimo. "Isso me aconteceu porque eu não dei o dízimo.00 é a mesmíssima proporção de R$ 15.10 para quem recebe R$ 151." Não acabou nada. com pessoas que treinam. dou R$ 15. Por exemplo: trigo. não. não é um meio de pagar para que outros façam. Já vi gente dizer isso. dava o dízimo também de espécie. Não é um meio de pagar para que outros façam a obra no meu lugar. Nem para criar um saldo de graças com Deus. ele é o Coordenador. por isso.00 para R$ 15. um era do Senhor. Eu só ganho R$ 151. Não é que Deus me deva alguma coisa e com isso eu tenho credito com Ele. Por isso. ele que evangelize. ela é aconselhadora. e holocausto e oblações pelo pecado não quiseste. ele é o Diretor. O Coordenador de um Ministério. mais dinheiro uma pessoa tem.500.500 reais que o outro entregou. coordena. então. ele dá R$ 1. Não é um meio de subornar a justiça de Deus. um era do Templo. Quantas vezes o dinheiro tem sido maldição. Porque alguém pode pensar assim: "Bom. mas. mas. quem realiza é a Igreja de Jesus Cristo. não são apenas bênçãos materiais. mostrando como é natural. eu preciso cumprir a minha parte. Eu não tenho que criar um saldo de graças com Ele. Ela é evangelista. Se tinha naquele ano uma produção de dez bezerros. A promessa é de bênção. enfim.

vá lá no santuário e coloque no gazofilácio. O dízimo é reconhecimento de que eu aceito o fato de que Deus é soberano sobre o mundo e sobre a minha vida também. Como quem paga carnê do Baú da Felicidade." Está errado. é solução para a expansão 138 . E assim. telefone. No banco. mas. eu ganho muito. por usar um expediente errado e por pressionar o pastor daquela maneira. não. É porque é um ato de louvor e deve. que deveriam pagá-lo no banco. que ensina que é até uma coisa mesquinha pensar apenas em 10% porque Jesus Cristo realmente pede 100% de nós. é ponderado. O pastor pode estar errado. é 10% da renda. além de nos ajudar também a estabelecer corretamente quais são as prioridades da nossa vida. Aprendo que o dízimo é uma solução. De vez em quando. É errado por vários motivos: por não trazer o dízimo. não! Dízimo é expressão de adoração. e está em 1Coríntios 16. por isso. É assim que está na Escritura Sagrada. minha irmã. É crime e dá cadeia. É um referencial simbólico de tudo aquilo que o crente entrega a Deus. Acho que é uma boa prática não entregar dízimo na tesouraria. Alguém de uma igreja irmã me disse certa vez que para pressionar a saída do pastor estava com outros irmãos depositando o dízimo em uma caderneta de poupança. É uma boa prática não entregar na mão de ninguém. Onde devo dar o dízimo? Na "casa do tesouro". "Faça o seguinte irmão. alguém pergunta. pagam-se duplicatas e prestações. "Pastor. paga-se luz. nos ajuda a desenvolver a disciplina de um padrão. Ou você pensa que 10% é de Deus e 90% é seu? Não é. nem na tesouraria."Então o que é o dízimo. eu ganho pouco e o outro vai dizer. que é para ver se com isso o pastor sai. para sair tem que haver muita oração. Eu vou dar quanto? A resposta é a mesma. Mas. pastor?" Dízimo. do resto eu faço o que quiser". na igreja em culto. água. 10%. qual é o motivo real para que eu dê o dízimo? Creio que só há um motivo irmãos. Esse irmão de outra igreja falou isso: "Há um grupinho da igreja que está depositando o dízimo em uma poupança. Se para entrar. mas não é dessa maneira que se faz. o padrão de contribuir. não! "Dez por cento é de Deus. Não é. Isso significa que o dízimo é proporcional. O tesoureiro depois vai recolher os dízimos e ofertas". dá para entregar o dízimo na tesouraria?" Respondo. meu irmão querido. Entregaram um boleto bancário para os membros. É um guia para o padrão de crescimento do crente na contribuição. A Bíblia me mostra que o dízimo é uma solução para o crente pessoalmente falando. nós não podemos fazer o que umas igrejas andaram fazendo. Porque um vai dizer. o que Jesus Cristo quer é você. Há designações para isso: conspiração e formação de quadrilha. Então.14: "Fazei todas as vossas obras com amor". Dez por cento é apenas o começo dessa expressão de entrega. Mas. por isso. ou fatura de clube. O que Ele quer é você. É solução para não só para o crente individual. Isso diz que o dízimo é adequado. houve muita oração. o dízimo é do Senhor e eu o trago à casa do Senhor. não é por outra razão. ser trazido ao culto e entregue em adoração. é forma de cultuar a Deus.

que na verdade é o dinheiro do Senhor. da Sergipana. quanto estiver estipulado em assembléia da respectiva Convenção. etc. porque as causas missionárias. Aliás. da Paraense. Se você deve dar R$ 100. e dá R$ 80. Se o seu dízimo é de R$ 100.00. com amplitude. na Bahia. A Convenção Batista Brasileira recebe então. remete 20% para o Rio de Janeiro. 200. Quando você então se une a outros crentes na sua igreja e você dá o dízimo.da igreja. a nossa igreja mensalmente envia 10% para a Convenção Batista Baiana. E a Convenção Batista Brasileira recebe da Convenção Baiana. Ele coopera com outros crentes e dessa maneira todos trazem seu dízimo. Isso é o que se chama de Plano Cooperativo na igreja local. na África. leilões. shows e coisas assemelhadas. Seminários. da Amazonense. onde fica a sede da Convenção Batista Brasileira. você começou a cooperar. Junta de Missões Nacionais. os planos evangelísticos. que não é outro senão o programa da igreja local. da Capixaba. A nossa igreja contribui com 10%. vilas. poderia contribuir com 5%. da Mineira. recebem porque o irmão deu o dízimo na igreja. espalhados pelo mundo. através do Plano Cooperativo. 250. e assim por diante.00. E esse programa começa com o crente. E dessa maneira distribui pelos diversos ministérios que ela executa: Junta de Missões Mundiais. chás sociais.. enfim. Está estipulado pela assembléia da igreja que nós daremos 10% da entrada. O Plano Cooperativo é um programa de integração das igrejas. o dinheiro das Convenções que na verdade é o dinheiro que veio das igrejas. Está fora do padrão. Coloca missionários em cidades. Que mais? A Convenção Batista Baiana por sua vez. oferta é R$ 120. com visão por causa do dízimo. na Romênia. ou 20%. vilarejos do interior. Então. que na verdade é o seu dinheiro.00. Junta de Rádio e Televisão. Dízimo é solução para a vida de qualquer denominação evangélica como agente da causa de Jesus Cristo nesse mundo através de um plano de cooperação. Oferta alçada é mais do que dízimo..00. no Canadá. Os missionários que estão no Japão. da Paraibana e assim por diante. 10%). o desenvolvimento na educação dos novos e dos antigos crentes.. 30%. As outras igrejas locais do Campo Baiano fazem o mesmo: cada igreja do interior e da capital manda este sua parte e. Qual é a próxima etapa do Plano Cooperativo? A igreja local. sabiam? Há quem pense que oferta é menor do que o Dízimo. a Convenção Batista Baiana estabelece seu programa de ação. rifas. está dando uma contribuição. sorteios. Aliança Batista Mundial. sua oferta ao Senhor.00. Contribuição é menos. 50%. O nome está dizendo Plano de Cooperação das Igrejas. Um problema financeiro que a igreja tem será resolvido com facilidade. tudo se executará com largueza. A igreja local e a obra de Cristo não se sustenta através de bazares. JUERP. não haverá problema financeiro.00. Talvez os crentes mais novos tenham ouvido muito superficialmente na Classe de Preparação para o Batismo. O plano cooperativo começa com você. Todas as Convenções mandam uma parte (20%. no Brasil e 139 .

no mundo. Esse Programa de Cooperação só vai trazer uma coisa: bênçãos! Vamos para Malaquias 3.10, "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimentos na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós benção tal, que dela vos advenha a maior abastança". Abundância é questão de valores, não é questão de dinheiro. Não faça negociação com Deus. Há uma história que é passada às vezes de um modo muito lindo, no entanto, na minha interpretação, essa história, não guarda nada de nobreza.. É a história de quando Jacó estava em Betel, e teve a revelação de que naquele lugar o Senhor estava; que ali era Beth-El, a casa de Deus. Ele fez um voto dizendo: "Se Deus for comigo e me guardar nessa viagem que ora faço; e me der pão para comer e vestes para vestir, e eu em paz voltar a casa de meu pai, o Senhor será o meu Deus". Por que ele disse, "Se Deus for comigo", o problema é esse "se...", "Se Deus for comigo; se Deus me guardar; se ele me der comida; se ele me der roupa; se me fizer voltar em paz, então, eu darei o dízimo". Parece bonito, mas, o problema é que Deus lhe foi fiel e ele continuou o mesmo enganador de todo o sempre, porque dízimo é uma questão de valores espirituais e não de recompensas materiais como ele estava colocando diante do Senhor. O pastor Roberto McAlister, já falecido, faz uma pergunta, "Que é melhor: saúde ou um bom tratamento médico?". O que é que você prefere irmão, saúde ou o melhor médico da cidade tratando do seu terrível caso ? "Que é melhor, um filho simples e obediente ou um filho brilhante sem caráter? Que é melhor, um casamento humilde com muito amor ou um casamento infeliz com muito dinheiro?" O que é melhor? Porque tudo depende do senso de valores e Jesus Cristo fala de valores quando diz que devemos buscar o Reino de Deus e a sua justiça, porque o restante vem acrescentado. Quer dizer, se eu colocar o dízimo como o meu ponto de partida, a minha falta de fé vai se transformar em confiança e em sinceridade. Não vai haver falta de recursos para fazer a obra do Senhor, na casa do Senhor. A conquista de almas vai aumentar porque eu só tenho que fazer uma coisa, uma aliança com Deus; uma aliança com o Senhor na base da fé, na base da dependência Dele, pois certas coisas só podem ser realizadas com o Espírito Santo. Por isso, não é dever, é privilégio do crente, o de participar da obra do Senhor, da causa do Senhor; do projeto de Deus. Parte XXIII DESAFIOS DA LIDERANÇA CRISTÃ A verdade é que entramos no século 21 com tremendos desafios para a liderança na igreja. Um deles é, no dizer de Warren Wiersbe uma crise de integridade. E ela atinge o cerne da autoridade e da liderança da Igreja de Jesus Cristo. Wiersbe lembra que Paulo exclamou com as veras da sua alma: "não me envergonho do evangelho!" E sugere que talvez o evangelho afirme: "(mas) eu me envergonho dos cristãos". Quanta coisa tem sido praticada em nome do evangelho, com aparência de evangelho, com linguagem de evangelho, e tem dado como 140

resultado superficialidade de convicções, confusão mental e espiritual, e enfraquecimento da fé porque os líderes, pastores ou não, têm aberto campo para a falta de ética, para a manipulação dos sentimentos, para a falta de integridade. Excelente palavra a que traduz o conceito de integridade na língua hebraica: shalom, a qual é vertida para o português com alguns ricos significados, tais como "inteireza, integridade, plenitude, sucesso, salvação, saúde, prosperidade e, também paz". Não podemos fazer por menos: o instrumento que Deus tem para unir as pessoas, fatos e acontecimentos é a Igreja de Cristo. O líder há de ser íntegro, "limpo de mãos" (cf. Cl 1.9,10; 2.10; Sl 24.3,4), e "puro de coração" (cf. Sl 24.3,4). O líder cristão deve possuir uma mente como a de Cristo (cf. 1Co 2.16); sua vontade é honesta (Ed 9.6). O fato é que na época de Jeremias a religião parecia com esta do século 21: o povo dizia crer, mas havia influência secularista, pois o que cria não fazia diferença quanto ao modo de viver. O ideal evangélico está expresso em 2Coríntios 5.17. Além disso, na época de Jeremias, a religião havia se tornado um "grande negócio". É só conferir com as exclamações do profeta Jeremias que não tolerava os abusos como em 5.30,31 e Lamentações 4.13. Tudo isso é o que A. W. Tozer chamou de "tratamento comercial" do evangelho. Esse mesmo "tratamento comercial" é responsável pelo pragmatismo religioso: "visto que a igreja está cheia, Deus está abençoando", afirmam. Outro desafio às portas do século 21 são os novos estilos de culto. O que em outros países é denominado histórico ou contemporâneo, em nosso país é objeto da pergunta "tradicional ou renovado?" Outras comunidades têm utilizado a terminologia Culto Jovem contrapondo-se ao estilo recebido de liturgia e rito. É evidente que o culto é mensurado pela transformação causada nos que cultuam a Deus, e há de ser sempre "em espírito e em verdade" (Jo 4.23,24), ou não há de ser culto. É gratidão, reconhecimento, louvor, e (embora não seja o propósito primário) terapêutico. Ao tempo que o cultuante reconhece o cuidado, carinho e amor de Deus, louva-O e sai aliviado das tensões, dos cuidados e preocupações, terapia grupal no louvor comunitário. O culto, por ser dinâmico, envolve mudanças, mas envolve igualmente o que nunca deve ser mudado. Deus não muda; as verdades eternas não mudam; a Palavra de Deus não muda. Questiona-se a ressurreição de Jesus Cristo, a realidade do pecado, a necessidade de salvação, e a singularidade da obra redentora de Cristo. Mas o método pode mudar porque não são estáticos, mas se adequam aos tempos e circunstâncias. A liderança da igreja às vésperas do século 21 há de estar aberta para o novo sem perder a visão do permanente na igreja. Afinal, somos líderes e capacitadores numa comunidade local sem perder a visão do todo da Igreja de Jesus Cristo; e 141

capacitadores e líderes da Igreja de Deus sem perder a visão da comunidade como expressão local dessa Igreja. Numa análise do que chama "a Igreja do Futuro", Ralph W. Neighbour destaca que a "Igreja do Presente" se caracteriza por ser tridimensional: tem largura, comprimento e profundidade, mas não possui poder espiritual para dar à luz outra geração de cristãos. A "Igreja do Futuro", além dessas dimensões, tem mais uma: altura, ou seja, vive num mundo físico, de três dimensões como a outra, mas vive em acréscimo num ambiente espiritual onde "principados, potestades, príncipes do mundo destas trevas, hostes espirituais da iniqüidade" são diariamente enfrentados. É o caso, então, de examinar o que Neighbour destaca quanto ao que caracteriza essa Igreja dinâmica, ativa, viva, quadridimensional: · O Espírito Santo é Quem a dirige. É só permitir que Ele a controle nos termos de Efésios 3.16. A Igreja e sua liderança não são significativas pelo que possuem, mas porque são usadas por Deus. · Essa Igreja vive na quarta dimensão, sem qualquer alusão à ideologia esposada pelo pastor coreano David (antes Paul) Yongi Cho. Humanos, somos seres tridimensionais; mas como povo de Deus, e ainda mais, liderança desse povo, temos por conceito o sublime e urgente dever de ser quadridimensionais. Afinal, é nessa dimensão que o poder de Deus se revela e Satanás é vencido (cf. Jo 3.3; Ef 2.18,19). Onde se enfatizam as três dimensões, a liderança trabalha para o povo; nas quadridimensionais, a liderança trabalha com o povo. Não é de estranhar, portanto, que na Igreja onde se enfatizam as quatro dimensões a liderança seja composta por aqueles em quem os milagres de Deus acontecem de modo pessoal, e não de segunda mão. Ver a Deus, por exemplo, é experiência de primeira mão: Noé teve uma experiência sensorial com Deus e tornou-se o arauto divino para o arrependimento do seu povo (Gn 6.13); Abraão viu a Deus, e isso resultou num rompimento com a velha e surrada vida no politeísmo de sua terra natal (Gn 12.1ss); Jacó viu a Deus, e desde esse momento tornou-se "o princípe de Deus" ((israel, cf. Gn 32.22-32); Moisés viu a Deus e isso fez diferença na sua vida (Ex 3. 1-12; 34.29-35); Gideão que teve um encontro transformador com o Todo-Poderoso (Jz 6.11-24); Elias recuperou-se de um processo de depressão para a vitória porque viu a Deus (1Rs 19.8ss); Isaías nunca mais foi o mesmo depois da visão de Deus (Is 6.1ss); foi o caso de Paulo (At 9.1.ss). E "ver a Deus" dá novas energias. Quando se experimenta pessoalmente o poder de Deus, não se necessita ser aguilhoado para crer que todas as coisas são possíveis por meio de Cristo Jesus. Um líder que tenha tido uma visão definida de Deus será capaz de amar, terá todas as condições de repassar esperança, assim como capacidade de comunicar a fé. Na verdade, só podemos influenciar e liderar outros até o ponto a que nós mesmos chegamos. Nesse ponto, vai se revelar o líder espiritual em contraposição ao líder natural. Segundo Sanders, o paralelo entre estas duas qualidades de líderes é o seguinte: O Líder Natural 142

· É autoconfiante · Conhece os homens · Toma as próprias decisões · Usa os próprios métodos · Gosta de comandar os outros (e ser obedecido) · É motivado por questões pessoais · É independente. Bem diferente, portanto, do Líder Espiritual, o qual: · Confia em Deus · Conhece os homens e conhece a Deus · Faz a vontade de Deus · É humilde · Usa o método de Deus · Busca obedecer a Deus · É motivado pelo amor a Deus e aos homens · Dependência de Deus Parte XXIV DISCIPLINA NA IGREJA Introdução Disciplina eclesiástica é um termo em risco de extinção no atual vocabulário cristão. Desde que os princípios do pós-modernismo encontraram lugar no seio da igreja,(1) qualquer conceito que ameace o individualismo e a liberdade de escolha quanto ao estilo de vida, comportamento, etc., é logo taxado de arcaico, passé. A dicotomia prática de muitos cristãos gera a ilusão de que a igreja não tem nada a ver com o procedimento "secular" de seus membros. Nessa "nova era" antropocêntrica, a igreja é vista como uma organização altamente dependente do indivíduo, e que precisa conservá-lo ao custo de várias exceções. O medo da impopularidade leva muitos líderes à cumplicidade e pecados são justificados em nome de uma atitude mais "humana."(2) Por outro lado, o que dizer daqueles que, em nome do zelo pela disciplina, cometeram injustiças e causaram mais males que bens?(3) Em todo esse contexto, a disciplina tem uma vida curta e a tolerância consagra-se como a virtude da moda.(4 )Porém, o que acontece com uma igreja sem disciplina? O termo "disciplina," em geral, é empregado em vários sentidos. Podemos usá-lo para referir-nos a uma área de ensino, ao exercício da ordem, ao exercício da piedade(5) ou a medidas corretivas no seio da igreja. O objetivo deste artigo é delinear alguns fatores da importância da disciplina eclesiástica entre os membros do corpo de Cristo. O autor está plenamente consciente de que um artigo como este não coloca um ponto final no diálogo sobre o assunto. Porém, o que motiva esta reflexão é a esperança de que a mesma seja útil para elucidar a muitos quanto ao aspecto bíblico-teológico 143

da disciplina. I. Errando o alvo A igreja cristã tem sido acusada de ser o único exército que atira nos seus feridos.(6) O grau de verdade dessa acusação é, muitas vezes, devido a malentendidos com relação à disciplina eclesiástica. Tais mal-entendidos estão presentes em pelo menos dois grupos: 1) os que aplicam a disciplina, e 2) os que sofrem a aplicação da mesma. Como cada caso deve ser analisado individualmente, só nos cabe aqui listar os mal-entendidos mais comuns em relação à disciplina eclesiástica. A. Disciplina e Despotismo Com a subida ao poder do Partido Nacional na África do Sul, em 1948, a segregação foi legalizada em nome da disciplina. Como resultado, foi sancionado o aprisionamento de negros sem nenhum julgamento formal.(7) Isso não foi disciplina, mas despotismo. A história da Igreja Medieval apresenta uma vasta galeria de ilustrações da confusão entre o uso da disciplina e o exercício do despotismo.(8) Seria isto apenas um fenômeno do passado? Infelizmente basta familiarizar-se com os círculos eclesiásticos para se descobrir que o espírito medieval ainda está vivo e ativo na mente e atitude de alguns líderes modernos. Há aqueles que, como resultado da ganância pelo poder, seguem o caminho de Balaão e amam a injustiça (2 Pe 2.13,15). Estes estarão sempre prontos a "disciplinar" por motivos interesseiros (Jd 16). Não se deve esquecer, porém, que a culpa de Edom consistiu no fato de que "perseguiu o seu irmão à espada, e baniu toda a misericórdia; e a sua ira não cessou de despedaçar, e reteve a sua indignação para sempre" (Amós 1.11). B. Disciplina e Discriminação A confusa identificação entre disciplina e discriminação pode ser vista sob dois aspectos: 1) no abandono do disciplinado por parte da igreja, e 2) na recusa do disciplinado em receber a disciplina. Para se evitar o primeiro erro é imprescindível que a família cristã não desista de um dos seus membros que caiu. Paulo exorta a igreja para que manifeste perdão, conforto e reafirmação de amor para com o arrependido, para que "o mesmo não seja consumido por excessiva tristeza" (2 Co 2.7-8). Outra razão para esta exortação é para que "Satanás não alcance vantagem" sobre a igreja, criando amargura, discórdia e dissensão (v. 11). Há sempre a possibilidade de que o disciplinado não se submeta à disciplina, e acuse a igreja de discriminação. Tal atitude apenas manifesta ignorância e estupidez (Pv 12.1 - tradução literal). Segundo as Escrituras, é o pecado e a determinação em segui-lo que gera discriminação, e não a 144

somente a ignorância.20). equívocos. O Ensino Bíblico A. e na Primeira Carta a Timóteo 1.16-17 o evangelista fala daqueles que se recusam a abandonar o pecado mesmo diante de uma amorosa exortação pessoal. ao escrever a Segunda Carta aos Tessalonicenses 3.12). e muitos deles haviam continuado por um período de tempo.1-13. mas as Escrituras mostram que a disciplina 145 .15). na Segunda Carta a Timóteo 2. é preciso lembrar que toda atitude pecaminosa precisa ser corrigida. Esse padrão consiste primeiramente em amor paternal (Hb 12. a pergunta a ser feita dever ser: "Com que direito um membro da Igreja do Cordeiro profana o sangue da aliança e ultraja o Espírito da graça?" (Hb 10. o Cabeça e Senhor da Igreja (Ef 1.17-18 e na Segunda Carta de João 9–11 são mencionados os que dissimulam ensinos contrários ao Evangelho. "não somos todos pecadores?" Primeiramente. mas sim a responsabilidade de amar o pecador e vigiar para que também não caiamos (1 Co 10. É certo que o mundo vê a disciplina como expressão de ira e hostilidade.29). Concluindo."(9) Com relação à autoridade. II.20. é como se aqueles que aplicam a disciplina não tivessem nenhum direito de fazer tal coisa debaixo do sol. em Mateus 18. Essa pergunta revela um mal-entendido comum entre disciplina e arbitrariedade. "Aliás. Disciplina e Arbitrariedade "Com que direito fizeram isso?" Tal é a pergunta que constantemente se ouve em casos de disciplina. "Que direito temos nós de tomar o corpo de Cristo e fazê-lo um com a prostituição?" (1 Co 6. Na sua Primeira Carta aos Coríntios 5. é importante lembrar que a autoridade na disciplina nunca vem daquele que a aplica.disciplina (1 Co 5.4-13).6-10 ele prescreve disciplina eclesiástica para aqueles que se deleitam na preguiça. mas há algumas que requerem correção pública. Nenhum direito nos é dado.17 o apóstolo recomenda disciplina aos que causam divisões na igreja e. Por outro lado. Também. Por exemplo. mas daquele que a ordenou. na Carta aos Romanos 16. C." alguns argumentariam. ou seja.22-23). Paulo descreve as pessoas cujas práticas trazem escândalo à igreja.5 e 1 Tm 1. Além do mais. Ou seja. Há um princípio claro: "Os pecados que foram explicitamente disciplinados no Novo Testamento eram conhecidos publicamente e externamente evidentes. ou dureza de coração poderiam levar alguém a deturpar os princípios bíblicos sobre a disciplina eclesiástica e justificar sua ausência entre os membros do corpo de Cristo. A Necessidade da Disciplina Aquele que ordena a disciplina na igreja é o mesmo que estabelece o padrão a ser seguido no exercício da mesma.

instruir. a disciplina na igreja está fundamentada não apenas no exercício do bom senso.19). o grego paidei/a possui sentido semelhante e é freqüentemente usado na analogia entre a disciplina dos filhos por seus pais e a correção que vem do Senhor (ver Hb 12. confrontar. Deus não disciplina bastardos. disciplina envolve relacionamento familiar (Hb. 1 Co 5.O v. ou seja.5-6).1-2 e 15.17. 146 .3.. disciplina e sabedoria estão intimamente ligadas nas Escrituras (Sl 50. 12.7-9). Os Passos da Disciplina Biblicamente. Nesse sentido. A correção é fonte de esperança para os que a aplicam e vida para aqueles que a recebem corretamente (Pv 19. a disciplina na igreja tem um triplo objetivo: 1) restabelecer o pecador (Mt 18.1-13).18 e 4.19). B. o termo grego e)/legcon ("arguir. Esses passos são especialmente mencionados em Mateus 18.5 e Gl 6. O v. É este triplo propósito que aponta para os passos a serem seguidos em uma aplicação correta da disciplina eclesiástica. A correta disciplina deve ser sempre aplicada com amor e não com ira (Pv 13. Mas é sempre arriscado confrontar alguém. a mesma produz paz e retidão (v.6-8) e 3) dissuadir outros (1 Tm 5. No Novo Testamento. "corrigir" (Pv 22.20-24)." Ainda que seja inicialmente doloroso receber disciplina.25-27) e sem poder (Js 7. pois nunca se pode prever a reação do mesmo. O termo hebraico rasUm é usado no Antigo Testamento como sinônimo de "instruir" (Pv 1.32). A igreja sem disciplina é uma igreja sem pureza (Ef 5. Jesus. Além do mais.15 e 23. 10). O mandato bíblico referente à disciplina é encontrado especialmente no ensino de Jesus (Mt 18. 8). mas antes de restaurá-lo à saúde espiritual.24).. 13 ensina que o propósito de Deus em disciplinar não é o de incapacitar permanentemente o pecador. Pv 1.de Deus é um exercício do seu amor por seus filhos." v.11-12a).15. A igreja de Tiatira foi repreendida devido à sua flexibilidade moral (Ap 2. Além do mais.5). O padrão de disciplina divina revela também maravilhosos benefícios.1-10 e Ap 3. Amor e disciplina possuem conexão vital (Ap 3. A disciplina que vem do Senhor "é para o nosso bem (v. o Pai celestial está apenas tratando-os como seus filhos. todavia. 2) manter a pureza da igreja (1 Co 5. e quando os cristãos recebem disciplina divina. Abordagem individual.) ensina que a confrontação é um tarefa cristã. 15) também pode ser traduzido como "trazer à luz. filhos ilegítimos (v.15-17) e nos escritos de Paulo (1 Co 5. Segundo as Escrituras. há clara referência bíblica de que a igreja que negligencia o exercício desse mandato compromete não apenas sua eficiência espiritual mas sua própria existência.13).13) ou "castigar" (Is 53. 11).20). mas principalmente nos imperativos do Senhor. 8). 1.15-17. Uma das melhores coisas a se fazer por um irmão em pecado é confrontá-lo em amor (Pv 27. Também. 15 (Se teu irmão pecar vai argui-lo entre ti e ele só.1). dirige nossa atenção para a alegre possibilidade de que tal irmão nos ouça.

17) . Nenhum deles é agradável e eles só prosseguem diante de dureza de coração do ofensor. Além do mais. o ofensor é tido como gentio (a quem não era permitido entrar nos átrios sagrados do templo do Senhor) e publicano (que eram considerados traidores e apóstatas: Lc 19. nosso pecado traz conseqüências pessoais e coletivas.19-20). e do juízo. a objetividade do caso é preservada. porém. Exclusão pública . 3.O último recurso da disciplina é o da excomunhão (do latim ex. Nesse caso. o desvio doutrinário das verdades fundamentais ensinadas nas Escrituras. 2. É claro que cada um desses passos envolve dor.8 para descrever o ministério do Espírito em relação àqueles que estão no mundo.27). Jesus afirma que as outras pessoas envolvidas nesse processo serão testemunhas. da justiça."(12) III. Com estes não há mais comunhão cristã. ou seja. Implicações teológicas 147 . eles não devem nem mesmo ser recebidos em casa (2 Jo 10-11). evitar comentários desnecessários (2 Ts 3. a disciplina eclesiástica "não é uma atividade a ser realizada facilmente. Admoestação privada . Pronunciamento público (v.15). Tal oficialização pública da disciplina traz implicações temporárias em relação aos sacramentos (1 Co 11.210). podemos sempre clamar por socorro Àquele cujo ministério de confrontação é sempre eficaz. a recusa ao arrependimento. 16).No caso de o ofensor não atender à confrontação individual.Tal proceder nunca é violação de segredos.11)." e communicare. na qual o ofensor é privado de todos os benefícios da comunhão. em convencê-los (confrontá-los) "do pecado. um número maior de pessoas é envolvido. pois deliberadamente recusam os princípios da vida cristã (1 Co 5. tempo."(10) É significativo o fato de que esse é o mesmo termo usado em João 16. "fora.expor. "comunicar").30. pode parecer que o objetivo desse passo é intimidar o ofensor. o que diminui as chances de injustiça. e o ofensor é beneficiado. ou seja. A princípio. Dt 17. Uma atenção maior. Há porém o conforto de saber que a presença e o poder de Jesus são reais mesmo no contexto desse processo (Mt 18. Com isto.12).6 e 19.1415) e vigiar a si próprio (1 Co 10. levanos a entender que o propósito do mesmo pode ser o de conscientizar o ofensor quanto aos prejuízos de sua atitude para com a comunidade do corpo de Cristo. Se o seu pecado é heresia. mas algo a ser conduzido na presença do Senhor. Isto é uma referência à prática vetero-testamentária de não se condenar alguém com base apenas em uma opinião pessoal (ver Nm 35. amor e transparência." Assim. Diante de tal pronunciamento cada membro do corpo de Cristo deve orar pelo pecador. Assim.(11) 4. Nesse caso. Jesus ordena que haja admoestação privada (v. pois o ofensor deliberadamente recusou os caminhos prévios do arrependimento. antes de confrontar um irmão. Em outras palavras.

nem coisa semelhante. ou como a disciplina em família.24).18-29). Há uma relação entre disciplina eclesiástica e evangelismo. pela graça de Deus.3). B. a igreja não é corretamente motivada a buscar a redenção do pecador.10 e Ap 19. A disciplina eclesiástica ressalta a seriedade do pecado. A negligência do povo de Deus quanto aos mandamentos do Senhor motiva os incrédulos a blasfemar o nome de Deus (Rm 2.27)."(15) Nesse sentido. porém santa e sem defeito" (Ef 5. nem ruga. mesmo diante da possibilidade da sua contaminação pelo mundo. tais marcas consistem da proclamação da Palavra. "a disciplina eclesiástica é tão necessária quanto os ligamentos do corpo humano. Segundo ele. Disciplina e as Marcas da Igreja A Reforma Protestante do século XVI considerou importantíssima para a teologia cristã a seguinte questão: Como distinguir entre a igreja verdadeira e a falsa? Em outras palavras.7 e Mt 6. quais são as marcas da verdadeira igreja cristã? Para o reformador João Calvino."(16) Sendo que Cristo deseja sua igreja "sem mácula. a disciplina eclesiástica é altamente relevante. Uma igreja adoradora e ao mesmo tempo tolerante para com o pecado no seu seio é uma contradição de termos e recebe a repreensão do Senhor (Ap 2. Disciplina e Evangelismo A disciplina evidencia o amor cristão pelo pecador. pois é um meio instituído por Deus para manter pura a sua igreja. a menos que pensemos que podemos omitir um recurso que o Senhor considerou necessário para nós. é capaz. Assim. 148 ."(13) A exclusiva adoração a Deus é um mandato divino (Mt 4. ainda que esse pecador seja um dos membros da igreja. "aqueles que pensam que a igreja pode sobreviver por longo tempo sem disciplina estão enganados. oferecemos três tópicos teológicos que estão vitalmente ligados ao processo da disciplina eclesiástica. mas tão somente de elucidar.9). O servo de Deus sempre deve almejar a pureza da noiva do Cordeiro (2 Co 11. é uma marca da fé salvadora (Fp 3. Disciplina e a Adoração Cristã A verdadeira adoração "é a mais nobre atividade de que o homem.1-3). C. A. e deve seguir os princípios revelados por Deus em sua Palavra. da administração dos sacramentos e do exercício da disciplina eclesiástica.(14) Um princípio essencial da adoração cristã é o zelo pela santidade do nome do Senhor (Ex 20.10). Sem a visão dessa seriedade. Esse amor pelo pecador cristão também reflete o amor da mesma pelo pecador incrédulo. o zelo pela santidade do nome de Deus implica diretamente no exercício da disciplina eclesiástica.Sem a intenção de limitar.

4 Josh N. Celebração da Disciplina: O Caminho do Crescimento Espiritual. Illinois: Josh McDowell Ministry). Luiz Aparecido Caruso (São Paulo: Vida. "O Pastor da Esquerda Evangélica. que a disciplina requer profundo amor por parte da igreja que a aplica e semelhante humildade e quebrantamento por parte daquele que é disciplinado (2 Co 2. porém. Primeiro. 6." mas sim se a prática atual da mesma "é bíblica. 2 Ver Guilherme de Barros.57). ou rejeitada. "há pouca vantagem em uma greja que tenta vencer o mundo se ela já tem se rendido ao mundo. que a disciplina na igreja não é uma opção. Uma séria reflexão bíblica sobre a disciplina eclesiástica evidencia dois princípios básicos. Dining With the Devil: The Megachurch Movement Flirts With Modernity (Grand Rapids: Baker.12-13. Foster. 1983). 1 Ver Os Guinness. trad. Assim. 5 Richard J." 3 Essa é uma constante referência à obra clássica de Nathaniel Howthorne. se recusa a aplicar um medicamento que pode curar o seu paciente apenas porque o mesmo é forte. O presente autor discorda do bispo e crê que a questão retórica a ser levantada não é se condenar a poligamia "seria humano. McDowell. nenhum doente faz opção pela morte ou pela continuidade da doença se a vida e a cura podem estar tão próximas.5-11). Como diz Barnes.D. 1993)."(18) Nenhum profissional médico.1-23). O evangelismo é dirigido aos que estão fora dos portões da igreja e que estão escravizados pelo pecado. pelos seus próprios membros. Uma igreja sem disciplina proclama uma liberdade desconhecida."(17) Conclusão Laney adverte para o fato de que "a disciplina é como um medicamento muito forte: pode trazer a cura ou causar maior dano. 149 . o bispo Robson Cavalcanti teoriza sobre casos em que a poligamia poderia ser considerada uma atitude mais humana. Tolerating the Intolerable: A Mandate of Love (Wheaton. ambos (evangelismo e disciplina) almejam a liberdade do pecador e a concretização do triunfo histórico da graça sobre o pecado na vida do mesmo (Rm. mas sim uma ordenança e. conseqüentemente." Vinde (Julho 1997):7-12. uma bênção divina (Hb 12. Essa relação vital entre evangelismo e disciplina é clara à luz de 1 Co 5. Segundo. Também. A disciplina é dirigida àqueles que estão dentro dos portões da igreja e que estão se sujeitando ao domínio do pecado. The Scarlet Letter. Nessa entrevista.Uma igreja sem disciplina torna-se um impecilho para o avanço do evangelho.

S.2). Minha tradução. e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Caswell. Amados. 1994). seremos semelhantes a ele. 898. "Discipline. 277-359. "The Biblical Practice of Church Discipline." 200. Ferguson. B. Minha tradução. John T. Laney. Minha tradução. Institutes of the Christian Religion. 7 Compton’s Interactive Encyclopedia.6 Carl J. porque não conheceu a ele. quando ele se manifestar. 4." The Banner of Truth 414 (Março 1998): 20. 1981). A única exceção a esse princípio foi "o pecado secreto de Ananias e Safira (At 5. Por isso o mundo não nos conhece. Mas sabemos que.1-11). e nós o somos. 9 Wayne Grudem. McNeill (Filadélfia: Westminster. The Story of Christianity (Nova York: HarperSanFrancisco. 11 R. eds. 1960). "Biblical Church Discipline. 1997 (The Learning Company. Revell. González. Christ the Controversialist: A Study in Some Essentials of Evangelical Religion (Londres: Tyndale Press. 13 John R. Parte XXV É MARAVILHOSO. 12 Grudem.. 15 John Calvin. Minha tradução. CD). 16 Caswell. 1970). I. “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. ed. 150 . Inc." 363. 896." Biblioteca Sacra (Outubro-Dezembro 1986): 353-64. Bruce. ed." em New Dictionary of Theology. Wright. o veremos” (1Jo 3. N. 283-4. 1984). 17 Peter Barnes.7. "Discipline." 10 F. agora somos filhos de Deus. F. Stott. 200. W.i. 8 Justo L.4. 14 Confissão de Fé de Westminster. 160. Vine’s Expository Dictionary of Old and New Testament Words (Nova Jersey: Fleming H. 18 Laney. "The Biblical Practice of Church Discipline. e J. F. Systematic Theology. Nesse sentido a atuação extraordinária do Espírito Santo resultou em grande temor entre os membros da igreja. Minha tradução. 1988)..1. Minha tradução. Packer (Downers Grove: InterVarsity. porque assim como é. XXI.. D. Systematic Theology (Grand Rapids: Zondervan.

e fala do futuro. 1). “somos feitura sua. Fizemos o destaque dos versículos iniciais do capítulo 3. Gálatas 3. mas a idéia geral e popular é essa. criados em Cristo Jesus para boas obras. que ensina que somos criaturas de Deus. ou como o apóstolo Paulo deixou registrado. que passaremos a comentar. e já vencestes o Maligno” (2. se todos somos criaturas. ainda hoje acontece). tão extraordinária que fala de quando nosso passado foi obliterado. não deixa por menos: “Pois todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. como. não queremos julgar. da gloriosa epifania. ao passarem Jesus e os discípulos por Samaria. A palavra “feitura” é muito sugestiva na língua em que Paulo escreveu esta carta. por sinal. quem é filho de Deus? Há inúmeras referências na Bíblia Sagrada sobre isso.14). que “temos um advogado para com o Pai” (2. mas tão somente criaturas. “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.51-54). Algo especial vai acontecer.. Ela tem qualidades extraordinárias... daquilo que nos aguarda.Sou fascinado pela Primeira Carta de João. mas não é da Bíblia. jogado para trás.. e isso é maravilhoso! É MARAVILHOSO. É maravilhoso sermos “chamados filhos de Deus”. ao perceber a má vontade dos samaritanos em receber o grupo porque era composto de judeus (pois havia inimizade entre samaritanos e judeus. jovens. da presença de Jesus Cristo. como atestam suas palavras do início até o verso final. “Eu escrevi. É nessa carta que ele diz que “Deus é amor” (4. Este é o mesmo João que um dia. de onde vem nossa palavra “poema”. e a palavra de Deus permanece em vós. amadurecido.1). porque sois fortes.” Talvez fosse.. é poeimia. Lc 9. Estes dois versículos nos dão uma grande descoberta: o evangelho de Jesus Cristo tem uma mensagem de alcance mundial. Somos uma obra de arte de Deus. Ouvi nesta semana um pedaço de conversa no supermercado em que um cidadão dizia para o outro: “. fala de uma experiência presente na nossa caminhada em e com Cristo. de Sua manifestação na Segunda Vinda. e. Quem são os filhos de Deus? A pergunta tem pertinência porque existe uma teologia popular que afirma que todos são filhos de Deus. experimentado. verso 26. indaga de Jesus se não seria conveniente pedir um raio que acabasse com os samaritanos tão sem hospitalidade (cf. ainda. Escreve esta carta debaixo de uma ternura tão grande.. tem agora um tratamento absolutamente diferente. mas eu também sou filho de Deus.8). e nós o somos” (v. Este tão intolerante e raivoso João é o mesmo que quase sessenta depois. pois quem não tem fé em Jesus Cristo não é filho de Deus! 151 .10).” Já fez uma tremenda limitação. Então. É popular.

entre a qual resplandeceis como luminares no mundo” (Fp 2. por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5. ainda. E diz a Bíblia que quem anda na honestidade de seu coração voltado para a fé em Jesus Cristo.. justificar é colocar tudo reto.. e os seus não o receberam. essa pessoa é filha de Deus. e denotava tristeza. a todos quantos o receberam. Para passar alegria. a expressão facial têm enorme importância no teatro moderno. justiça! Ser justo é ser reto no que se faz. mostra quem é. ser puro de mãos e limpo de coração. pois.1).15). Uma melhor tradução para esta afirmação de Jesus Cristo é “Bem-aventurados os promotores da paz. compromisso]. “Justificados. Mas. Glória a Deus porque pela fé somos considerados retos diante de Deus: tudo o que é passado vai para a lixeira da eternidade. a máscara triste de cera era colocada no rosto. É o mesmo escritor da carta que estamos apreciando. e agora temos uma vida toda nova porque fomos considerados justos pelo Senhor. sem a cera no rosto. pelo direito ou pelo meio. e os filhos do Diabo: quem não pratica a justiça não é de Deus”. porque eles serão chamados filhos de Deus” (Mt 5. então. que são filhos de Deus os que promovem a paz.12). Nas artes gráficas. que teologia é essa que ensina que todos somos filhos de Deus? Se alguém não acompanha a Jesus.Se assim é.10: “Nisto são manifestos os filhos de Deus. aos que crêem no seu nome [aos que têm fé-adesão. “Bem-aventurados os pacificadores. palavras Suas. Essa citação encontra outra versão em 1João 3. A Palavra de Deus é tão clara quando diz. nem o que foge de conflitos: é o que promove a paz. Quando o ator não estava de máscara. o tom da voz. Ser sincero é ter uma face autêntica. “Como são feliz os artesãos da paz porque Deus os tem como herdeiros de Sua natureza”.9).para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros. ao Evangelho de João. Vamos. A modo exclamativo. Uma pessoa “sincera” (sem cera) ´não está mascarada. E o propósito do evangelho é patente: “. se tristeza. ainda. visto que a postura corporal. colocava-se no rosto a máscara feita de cera denotando felicidade. usavam-se máscaras: uma tinha a boca voltada para cima como se estivesse sorrindo. não o considera com responsabilidade na vida. o mesmo em informática: pode-se justificar pelo lado esquerdo. pela fé. e dava idéia de alegria. e a outra tinha a boca voltada para baixo como se chorasse. Diz ele: “Veio [Cristo] para o que era seu. Uma oração atribuída a Francisco de Assis pede 152 . não tem um comprometimento sério com Ele pode efetivamente ser chamado “filho de Deus”? Pela Escritura Sagrada. que são filhos de Deus os que andam em sinceridade. deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus” (Jo 1. Palavrinha boa. Diz a Palavra de Deus.. não..Quem é filho de Deus? Os que têm fé e crêem em Cristo Jesus.11. No teatro romano. filhos de Deus imaculados no meio de uma geração corrupta e perversa. ou. A Bíblia diz. porque eles serão chamados filhos de Deus”. O modo de fazer teatro era diferente do nosso. Diz a Palavra Santa que é filho de Deus quem é praticante da justiça. A palavra sincero vem do teatro greco-romano. estava com a verdadeira face aparecendo. Pacificador não é o não-violento. temos paz com Deus. portanto.

Diz que fomos adotados por Deus: é a adoção.5 esclarece: “vindo a plenitude dos tempos. Paulo diz que fomos adotados. Neste verso.2). Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho. faze de mim um instrumento de Tua paz”. palavras que anunciam o glorioso fato de que pertencemos à família divina. e isso é mais íntimo.6). porque não conheceu a ele. Por isso o mundo não nos conhece. descobrimos que é mais extraordinária uma declaração que vem a seguir: É MAIS MARAVILHOSO. cf. Está dentro do espírito do evangelho. Amados. mas João diz que fomos gerados.15). Pai” (Gl 4. nos elegeu nele antes da fundação do mundo. esses são filhos de Deus .. Uma pessoa quis falar de uma criança que havia adotado. seremos semelhantes a ele. O Espírito mesmo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8. “E. Ao ser indagada pelo interlocutor. 1Jo 3. João nos apresenta o aspecto natural: fala de geração. “Não. Um amor que tem como fim. para si mesmo. acrescenta que “neste momento.14. agora somos filhos de Deus. agora somos filhos de Deus”! E isto é mais extraordinária porque ninguém precisa ficar esperando que uma determinada situação aconteça para tentar obter a filiação divina... agora somos filhos de Deus. adoção era considerada como equivalente à verdadeira filiação. Paulo nos dá o aspecto legal. Os apóstolos usam ambas as figuras. o veremos”. sob a qual Paulo viveu.2a). porque assim como é. como objetivo que os seres humanos sejam chamados Seus filhos. e ainda não é manifesto o que havemos de ser. A Bíblia diz que Deus nos gera no coração agora! Precisamos entender. é meu filho do coração. Gálatas 4.3-5.. segundo o beneplácito de sua vontade” (Efésios 1.” Que lindo jogo de palavras. pois “Amados. Deus enviou seu Filho. e nós o somos. porque sois filhos. E isso é simplesmente maravilhoso porque não 153 . duas das suas idéias centrais se encontram: o amor e a filiação da parte de Deus. é seu filho de criação?”.. Mas sabemos que. e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo.. para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor. que clama: Aba. a fim de recebermos a adoção de filhos” e “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Rm 8. O fato de que agora somos filhos de Deus. nascido de mulher.1. no entanto.. E como a nossa lei é herdeira direta da linha-mestra do Direito Romano. É como claramente diz João: “somos filhos de Deus”.“Senhor. Filhos de Deus são os guiados pelo Espírito Santo de Deus... quando ele se manifestar. “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus. Voltando ao texto básico (“Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. Paulo e João nos dizem que a relação fundamental dos salvos com Deus é filial. respondeu com muita ternura. “então. também no nosso Direito o filho adotado é reputado como filho que nasceu do ventre daquela mãe. para resgatar os que estavam debaixo de lei.” (1Jo 3.. 16). Além de referendar a primeira e já comentada declaração. na lei romana. o qual .. portanto. nascido debaixo de lei. Há o filho que nasce do ventre e há o que nasce do coração. neste instante.

E ele enviará os seus anjos com grande clangor de trombeta. à voz do arcanjo. É AINDA MAIS MARAVILHOSO. e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro.46-50.acontecerá no futuro.2b). Filhos da ira que éramos. No nascimento carnal. filhos da desobediência. Pois qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus. ansiamos por Sua vinda. ao som da trombeta de Deus. e todas as tribos da terra se lamentarão...7). Depois nós. nas nuvens. se é certo que com ele padecemos. 154 . quando ele se manifestar. e procuram falar contigo. Ele. mas também para congregar num só corpo os filhos de Deus que estão dispersos” (Jo 11. Isso quer significar uma série de privilégios: ? Somos congregados num só corpo: “o sumo sacerdote naquele ano. Este texto é referendado por “o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado.3) e “É para disciplina que sofreis. e assim estaremos para sempre com o Senhor” (1 Ts 4. ? Recebemos o amor e a disciplina da parte do Pai: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus” (1Jo 1. Seus interesses se tornam nossos interesses. ao encontro do Senhor nos ares. Ele virá e nos tomará para Si como nos prometeu em Mateus 24. também herdeiros. ? Somos filhos da ressurreição: “porque já não podem mais morrer. e não somente pela nação. porém. E porque filhos de Deus. a ser explicado em seguida. pois qual é o filho a quem o pai não corrija?” (Hb 12. herdeiros da Sua glória. pois são iguais aos anjos. seremos semelhantes a ele” (Jo 3. e são filhos de Deus. Deus vos trata como a filhos. com poder e grande glória..30. respondeu ao que lhe falava: Quem é minha mãe? e quem são meus irmãos? E. 31: “aparecerá no céu o sinal do Filho do homem. por adoção. sendo filhos da ressurreição” (Lc 20. e verão vir o Filho do homem sobre as nuvens do céu. letrada ou não. E esse estado é desfrutado agora.16. no segundo nascimento. Aqui temos três informações importantíssimas: O Senhor Jesus ainda se manifestará. seja a pessoa abençoada rica ou pobre.36). os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles. 17).2. como destaca 1João 3. irmã e mãe” (Mt 12. Observe o relato a seguir: “Disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos. itálico do autor). tornamo-nos.52). filhos de Deus.. esse é meu irmão. “. estendendo a mão para os seus discípulos disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo. para que também com ele sejamos glorificados” (Rm 8. ? Somos herdeiros de Deus: “e. Estamos no aguardo do retorno de Cristo.17). E vivemos na expectativa de um futuro glorioso e radiante. os quais lhe ajuntarão os escolhidos desde os quatro ventos. sabemos que. profetizou que Jesus havia de morrer pela nação. no espiritual. se filhos. de uma à outra extremidade dos céus”. mas já acontece agora.

A AÇÃO DO EVANGELHO O mundo atual no qual vivemos se encontra em um estado terrível pecaminosidade. Não como homem de dores. e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz” (Mt 17. com poder e grande glória” (Mt 24. este povo são os remidos do Senhor Jesus Cristo. que é a nossa vida. de luz. para ser entregue aos homens. o seu rosto resplandeceu como o sol. a reconfiguração dos que estiverem vivos naquela ocasião. Mas o querido leitor não precisa esperar pela Segunda Vinda de Jesus Cristo para receber a filiação divina: pela fé. repetimos. 155 .4). e verão vir o Filho do homem sobre as nuvens do céu. vai de tal maneira que não somente teremos a mente de Cristo. e os conduziu à parte a um alto monte. creio no que Tu pregas. Por isso. Não fomos tomados emprestados da mão do diabo. se manifestar. comprado pelo sangue. segundo o ensino da Bíblia. E essa felicidade de que estamos gozando tem algo tremendamente emblemático: a própria palavra começa com a sílaba – FÉ -. 2). Implícito em todo o que foi dito por João e Paulo está a Segunda Vinda. fomos conquistados por Cristo.1. precisamos imitar a Jesus Cristo agora (“sede pois imitadores de Deus. Este povo não pode parar diante das densas trevas que se levantam. Porém há um povo sobre a terra que recebeu uma mensagem de vida. E não é verdade? Tudo começa com fé. não na Sua Paixão. sem esperança alguma de salvação. não soube como dizer como seria este corpo igual ao corpo glorioso de Cristo. 1Co 2. E tudo isso começa com uma coisa: a fé. mas também o corpo semelhante ao corpo glorioso de Cristo. creio e quero receber as bênçãos do Calvário!” O pecado é incompatível com o fato de ser filho de Deus. a transformação dos corpos operada na ressurreição. Esta visão extraordinariamente gloriosa pode ser uma pista para entendermos o “corpo espiritual” de que fala Paulo. colocou uma expressão. você pode se tornar filho de Deus! Parte XXVI EVANGELIZAÇÃO . Agora o veremos na Sua glória como Rei dos reis e Senhor dos senhores! Há uma terceira etapa: isso vai completar nossa semelhança com Ele.7a). “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem. comprados por um alto preço de sangue. e todas as tribos da terra se lamentarão. pois serve a um Deus inigualável. A Bíblia é um tanto econômica sobre esse assunto.Nós o veremos como é. faz uma oração distinta e tem um poder único. por exemplo. e todo olho o verá” (Ap 1. então também vós vos manifestareis com ele em glória” (Cl 3. “corpo espiritual”. Isso é extraordinário porque “Quando Cristo. eu creio no que Tu falas. e foi transfigurado diante deles. Mas quando Jesus retornar.1). irmão deste. Paulo. Ef 5. possui uma mensagem diferente. é incompatível com o propósito da manifestação de Cristo. Diga a Jesus: “Senhor. e. Este povo é diferente. creio na salvação trazida por Ti! Eu creio na Tua cruz. como filhos amados”. Como seria este “corpo espiritual”? É só lembrar o episódio da transfiguração: “tomou Jesus consigo a Pedro. precisamos ter a mente de Cristo como Paulo enfatiza (“nós temos a mente de Cristo. isso já ficou para trás! Vamos vê-Lo gloriosamente retornando como a Bíblia descreve: “Eis que vem com as nuvens. agora. Agora. onde muitas pessoas a cada dia seguem rumo à morte.30).16). a Tiago e a João.

e estão nas mãos da Igreja. Levantando bem alto a bandeira do Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. porém que entendem que a evangelização é uma ação que consiste em levar perdidos a Jesus para serem salvos por Ele.Este povo não pode calar. a outra é a descoberta da salvação e a outra é a ação. enquanto uma se torna uma tarefa. EVANGELIZAÇÃO A palavra evangelização provém do grego evaggelizo. cujo significado é: "Anuncio boas novas".11) foi empregado o verbo correlato evanguelizo. que significa. evangelização é levar o evangelho às pessoas. Definindo Três Palavras: Evangelho. ambas dependem uma da outra. EVANGELHO O termo evangelho vem do grego evanguélion. Muito campo ainda falta para ser conquistado. é a apresentação de Jesus Cristo no poder do Espírito Santo. com as coisas deste mundo. pois. Deus nos chamou para destruir as obras do diabo. Temos que avançar. que se realizou com a vinda de seu filho ao mundo. de tal maneira que os homens possam confiar nele como Salvador e servi-lo como Senhor de suas vidas. naquele exato momento começa-se a cumprir as promessas de Deus com relação ao Salvador da humanidade. O Evangelismo é uma arma poderosa se usada de forma correta. Evangelho é então o anuncio do cumprimento da providência de Deus para salvação dos pecadores. muita terra para ser alcançada. Desta forma podemos definir que evangelização é quando levamos as pessoas ao pleno conhecimento da verdade de Deus em relação ao seu filho Jesus Cristo. Uma delas é voltada para o mundo em pecado a outra é voltada para a Igreja. Evangelização & Evangelismo Estas três palavras possuem definições fortes e contundentes em nossas vidas.10. Aqueles. para isso vamos analisar o que a Bíblia nos ensina com respeito a este tema. 156 . Não podemos nos deter. e anunciarmos ao mundo que o Rei está voltando. Basicamente. colocando o reino das trevas em retirada. nada pode nos impedir. porque se isto fizer-se até mesmo as pedras clamariam. EVANGELISMO Evangelismo é a ação cujo objetivo é levar os homens a conhecerem sua condição de pecadores perdidos e a conhecerem o plano de Deus para sua salvação. literalmente. boas novas. hão de empenhar-se apaixonadamente na propagação do evangelho. Quando os anjos anunciaram aos pastores o nascimento de Jesus (Lc 2. que tem o significado de levo ou trago boas novas. induzi-los à aceitação de Jesus Cristo como Filho de Deus.

que entregou seu filho para salva-lo. que evangelizar é uma tarefa muito importante e difícil. capacitar e ter métodos avançados e modernos de evangelização.Integração: Consiste no discipulado.Informação: Evangelismo é uma ação que tem por fim informar. 2 .4).A Ordem de Jesus . vamos encontrar alguns motivos fortes que nos levam a querer fazer evangelismo. Depois de examinarmos estas definições. treinar. MOTIVOS QUE NOS LEVAM AO EVANGELISMO Quando lemos a Bíblia Sagrada. 157 . Nesta área de informação deve-se utilizar todos os meios de comunicação possível.Convencer: Evangelizar também é convencer o homem de seu estado pecaminoso.16). Se faz necessário que o ser humano seja informado de sua condição de pecador e de sua vida distanciada da presença de Deus. a qual não pode estar nas mãos de pessoas individualistas que não possuem compromisso com a obra de Deus. cresce em poder e fé e se desenvolve. durante o qual o novo crente aprende as doutrinas bíblicas.15. 3 .Nesta ordem de Jesus podemos ver que se faz necessário a existência de um discipulado obediente. distinguem-se os seguintes elementos: a) O Campo de Atividade para a Evangelização . espiritual e dinâmico. além de anunciar ao homem o seu estado é necessário que o evangelista dê lugar ao Espírito Santo para que este possa usá-lo para convencer o pecador que ele precisa de salvação.Salvador e Senhor. pois sendo Deus meu Senhor devo fazer de tudo para que a sua vontade seja cumprida. 2 . Na ordem de Jesus registrada em Marcos 16.Quando lemos a Bíblia Sagrada e nela encontramos que a principal vontade de Deus é que todos cheguem ao pleno conhecimento da Salvação (I Tm 2. da necessidade de arrependerse de seus pecados e ser informado que Deus o ama (Jo 3. aplicando-se cada vez mais ao serviço de Deus. vejamos alguns destes pontos fortes: 1 . nos colocamos em posição de ordem.O mundo inteiro. Desta forma a evangelização de uma pessoa não termina quando ele aceita a Jesus mas está apenas começando.O Conhecimento da Vontade de Deus . chegamos a conclusão. na organização eficiente da evangelização local e missionária. Essa vontade revela o amor de Deus para com todos os pecadores e ao mesmo tempo a grandiosidade da obra que é a evangelização. implica também. desde o rádio até a Internet. são eles: 1 . e integrá-los na vida cristã. Nesta definição vamos encontrar três pontos básicos de apoio que devem ser verificados. é preciso investir.

O homem. ela pode até ajudar na vida material mas.A Visão da Extensão da Obra .Compreensão de que Somente o Evangelho pode Salvar .13-17). Vamos ver algumas características que este grande evangelista possuía. 23. (Ez 3. E como podemos escapar desta responsabilidade? Não podemos. haja vista que a cada dia que se passa milhões de pessoas nascem.A pregação do evangelho. nem a ciência tem poder para isto. se não tivermos esta visão das almas nunca teremos coragem de evangelizar. e os crentes tem este poder.É tolice tentar encontrar salvação fora do Evangelho (Rm 10. 4 .37). Ele o colocou como atalaia sobre a casa de Israel.A Revelação das Sagradas Escrituras .17) será que é diferente? Deus tem nos constituído como um atalaia não apenas em Israel mas principalmente para o mundo. e estão esperando por nós. como ovelhas sem pastor. Ele é com toda a certeza o maior de todos os evangelistas que o mundo já teve. mas o evangelho têm.23). será que vamos cruzar os braços diante desta grande tarefa ? 6 .15). Deus ordenou e temos que cumprir nossa missão. não servirá de nada no lado espiritual. muitas em países comunistas. c) A Tarefa específica a ser cumprida . Para podermos evangelizar as almas precisamos olhar como Jesus olha para elas. A grande solução da humanidade não está na política bem feita. vamos encontrar um personagem central.36. 3 .Quando lemos na Bíblia Sagrada. JESUS O PRIMEIRO EVANGELISTA 1 .Quando Deus chamou a Ezequiel.Jesus disse que o nosso campo seria o mundo (Mc 16. voltado inteiramente para a obra de evangelização das almas.Visão da Responsabilidade Pessoal . e este evangelho que está em nós devemos repartir com aqueles que ainda não conhecem a Salvação que está em Cristo Jesus. desgarradas e sofrendo. O EVANGELISMO VISTO NOS QUATRO EVANGELHOS Dentro dos quatro evangelhos. 6. como se encontram as almas sem Cristo ( Rm 3.Características Pessoais 158 . e começamos a pensar no sofrimento que há no inferno e que este sofrimento é eterno para aqueles que não aceitaram a Jesus Cristo e que eles poderão estar lá porque eu não fiz a minha parte. 5 .10-12.b) O Alvo a ser Atingindo . e como ele organizou uma campanha de evangelismo bem preparada e equipada. o desenvolvimento econômico também não têm capacidade de oferecer salvação. E nesta mesma revelação vamos encontrar a Bíblia afirmando que uma só alma vale mais que o mundo inteiro ( Mc 8. que ainda impõem as cortinas de ferro.

na evangelização. mas ele viu a oportunidade de ensinar mais a respeito dEle e da sua missão. b) Paciência e Determinação . podemos ver isso claramente na mulher adúltera (João 8. f) Espírito Compreensivo e Perdoador . que precisa de cuidados e não de açoites. d) Espírito de Sacrifício . gravação em discos. Os métodos de evangelismo são imutáveis. modificadas para se adaptar-se as necessidades. rádio. CDs. salvar o pecador. a Bíblia relata que dois dos discípulos de João Batista o seguiam.21-24). As técnicas. estas sim. Internet e etc. precisamos aprender com Ele. ele podia apenas ter mostrado onde morava e pronto. O evangelista precisa aprender com o Mestre a combater o pecado. Jo 4. e) Preciso . dois métodos: Ensino Pessoal (Zaqueu.1-30). desejosos de saber onde o mestre morava. MÉTODOS DE EVANGELIZAÇÃO UTILIZADOS POR JESUS CRISTO Jesus empregou. tomasse outro rumo a não ser o reino de Deus (Jo 3. e ao invés de ser um juiz implacável. c) Compaixão . infelizmente quando muitos vão evangelizar se deixam levar com conversas que os desviam totalmente do objetivo. passava noites inteiras orando. A Mulher Samaritana. pois ele mesmo declarou (Mt 20.Jesus era dinâmico não parava um momento a não ser o necessário para descansar e repor as energias perdidas das caminhadas. serem substituídas. que ajudam a divulgação do evangelho. ( Lc 5. Jesus os convidou a acompanhá-lo e permaneceu com eles quase todo aquele dia.Jesus compreendia as fraquezas humanas. eles queriam apenas conhecer aonde o Mestre morava porém Jesus aproveitou a oportunidade para convence-los de que Ele era o Messias esperado por Israel. e nós quantas vezes passamos perto de pessoas que precisam de uma palavra e nada fazemos.1-11). procurando.Jesus não gastava tempo com filosofias humanas e especulações Ele ia direto ao ponto sem perda de tempo. este exemplo é que nós devemos seguir.1-21. Nicodemos) e Proclamação às Massas. Atualmente contamos com grande variedade de recursos técnicos.28). televisão.Jesus era esforçado na obra que realizava. ensinado-lhes a palavra de Deus. passava horas e mais horas curando os enfermos. Contudo seja qual 159 . projeção luminosa. g) Dinamismo . vamos encontrar quando a Bíblia afirma que Jesus por compaixão as almas que ali estavam as curou de suas enfermidades.Jesus durante toda a sua vida. Foi justamente isso que ele fez durante seu ministério terreno. a considerar o pecador como um enfermo.Neste mesmo episódio revela duas outras características de Jesus a Paciência e Determinação.Em Mateus 14. podem evoluir. viveu uma vida de sacrifícios. contudo.a) Esforçado . Jesus não permitia que qualquer debate que Ele tivesse.14. Ele perdoava aos que se arrependiam. percorria vilas e cidades pregando a palavra de Deus e jamais despediu uma pessoa sem lhe ajudar. Ele não tinha pressa em evangelizar. ampliação sonora.

O Evangelismo Primitivo era Dinâmico . ensinando e proclamando incessantemente o evangelho. Definição da Tarefa . O Evangelismo Primitivo era Intenso .Os discípulos não esperavam que os pecadores lhe viessem ao encontro. e buscarmos colocá-los em prática hoje. pelo contrário.Além de instruir. por isso organizou o movimento de evangelização. 4.for o recurso empregado como auxiliar na evangelização. saíam a procura deles.42). porém não descartou a evangelização em massa. Ele deu ênfase à evangelização pessoal.Tendo escolhido os apóstolos. A Obra de evangelização necessita de grandes e poderosos pregadores para as massas e de inumerável quantidade de pessoas treinadas para o ensino individual.1-29). Se estivermos todos empenhados em falar de Cristo todos os dias. resultante das emoções. Jesus passou a instruí-los para o desempenho da missão que lhe daria. os resultados de nosso trabalho serão multiplicados.Podemos notar que me ambas as tarefas Jesus especificou o local exato para que pudessem desenvolver o trabalho. 2. 3. é necessário que hoje haja um despertamento entre os crentes para ganhara almas para o reino de Jesus Cristo. 5. A evangelização deve ser um movimento racionalmente organizado. 2.47. se quisermos ser testemunhas eficientes. para tal Jesus a organizou da seguinte maneira: 1. Chamada .Os discípulos testemunhavam todos os dias. 160 .O primeiro passo na organização do evangelismo foi chamar discípulos (Mc 1.ou ensinar individualmente ou Proclamar às Massas. 1. percorrendo ruas.16-20. Lc 10. organizando campanhas de evangelização (Mc 6. cumpre-nos imitá-lo. Cristo ofereceu-nos o perfeito exemplo de evangelista.6-13. forçosamente teremos de usar um dos dois métodos de Jesus . Eles sem os meios necessários para evangelizar conseguiram levar a mensagem da salvação em todo o mundo habitado de sua época. CARACTERÍSTICAS DO EVANGELISMO REGISTRADO NO LIVRO DE ATOS Se quisermos melhorar nossas atividades evangelizadora teremos que analisar os métodos utilizados pela Igreja Primitiva. 2. Instrução .46. vilas e cidades. não cessando de anunciar a Jesus Cristo (At 2. se estivermos determinados a abrir novas frentes e organizarmos novas igrejas.13-17). Treinamento . Jesus proporcionou um treinamento eficaz. A ORGANIZAÇÃO DA CAMPANHA DE EVANGELIZAÇÃO POR JESUS CRISTO Jesus não podia deixar a evangelização do mundo confiada à iniciativa pessoal e espontânea.

3. O Evangelismo Primitivo dava Ênfase ao Ensino - A Evangelização atual com a tendência de supervalorização das concentrações, em detrimento da evangelização pessoal, restando ao ensino quase exclusivamente o campo da educação religiosa para os já crentes. O ensino tendo por objetivo a evangelização pode facilmente ser usado pelas igrejas, organizando classes especiais para interessados e visitantes. 4. O Evangelismo Primitivo era Ousado - Homens iletrados enfrentam sábios; pobres e humildes desafiaram ricos e poderosos, testemunhando de Cristo, mesmo quando a sombra das mais terríveis ameaças. 5. O Evangelismo Primitivo era culto - Assim como Deus usou a Pedro e outros incultos para darem testemunho da Palavra de Deus, também se utilizou de homens como Lucas, Mateus, Paulo e tantos outros, homens formados, que diante da alta sociedade dava grande testemunho e defesa a causa do Mestre. 6. O Evangelismo Primitivo era Impulsionado e Dirigido pelo Espírito Santo Os primitivos discípulos viviam cheios do Espírito Santo, de alegria e gozo espiritual. Isso explica todas as demais características da evangelização daqueles dias. (At 4.8,31; 5.17-41; 7.55). Se colocarmos em prática estes métodos utilizado pela Igreja Primitiva, iremos logra êxito, na evangelização do mundo no qual vivemos. A PESSOA DO EVANGELISTA A responsabilidade de evangelizar não é somente dos ministros. É de todos os discípulos, há todavia, crentes que se limitam a cooperar com a obra de evangelização freqüentando os cultos contribuindo, pensando que desta forma estão fazendo o suficiente, porém se esquecem que a ordem de ganhar as almas foi para todos e é infinita até a volta de Jesus Cristo, até os confins da terra. Como Deve ser a Pessoa do Evangelista ? 1. O Evangelista Deve ser um Verdadeiro Crente, Salvo por Jesus - Esse requisito é óbvio, mas é necessário lembrá-lo. Infelizmente existe a possibilidade de pessoas tentarem evangelizar sem que, elas próprias tenham experiência de regeneração; 2. O Evangelista Deve ser Afável e cheio de simpatia - O evangelista deve lembrar-se de que está tratando com enfermos, quando evangeliza, o pecado é enfermidade. Existem evangelistas que ao invés de tratar os pecadores com amor e carinhos os tratam com pedradas e desrespeito, desta forma ao invés de ganharem perdem. O Que o Evangelista Deve Saber ? 1. O evangelista Deve Conhecer a Bíblia - É necessário que o evangelista possa ajudar o pecador a examinar a Palavra de Deus de modo a compreender o plano da Salvação, é preciso portanto, que os crentes que 161

desejam, ganhar almas para Cristo estudem sistemática, metódica e perseverantemente a Bíblia. 2. O Evangelista Deve Conhecer a Vida dos Homens e suas Desculpas - via de regra, as pessoas que o crente procura evangelizar tenta escapar à responsabilidade de enfrentar o problema do pecado com desculpas, o evangelista não deve ser apanhado de surpresas por essas desculpadas, é preciso saber rebater cada uma delas com a Palavra de Deus. 3. O evangelista Deve Conhecer as Diversas Religiões - O evangelista precisa estar preparado não só para enfrentar as desculpas, mas também os contra-ataques dos que têm convicções em falsas religiões. O Que o Evangelista Deve Cultivar ? 1. O Evangelista Deve Cultivar a Oração Fervorosa - A Evangelização é um combate espiritual contra as hostes das trevas, cuja vitória depende do poder do Espírito Santo. E a oração, é o meio pelo qual Deus outorga esse poder, não há evangelista bem sucedido que não seja dedicado à oração. 2. O evangelista Deve Cultivar a Leitura - O Evangelista deve estar sempre procurando aumentar seus conhecimentos pela leitura. 3. O Evangelista Deve Cultivar o Desejo de ver as Almas Salvas - O objetivo da evangelização é ganhar almas para Cristo, enquanto o evangelista não estiver dominado pelo desejo de conquistar almas, não poderá ser bem sucedido. 4. O Evangelista Deve Cultivar o Hábito de ir à Casa de Deus - Quem não ama a sua Igreja, não dá valor aos cultos e não tem prazer em tomar parte em suas reuniões jamais estará em condições de ganhar almas, estes são apenas alguns deveres dos evangelistas. O Que o Evangelista não Deve Fazer ? 1. O Evangelista Nunca Deve dar ênfase a Igreja e sim à Jesus - Entre o diálogo travado entre Jesus e a mulher Samaritana, vemos um exemplo claro de que a ênfase do ganhador de almas deve ser dada ao Senhor Jesus e nunca a Igreja, ou a uma religião, ou a um lugar (Jo 4.20-29; At 4.12). 2. Nunca Discutir - E ao servo do Senhor não convém contender (II Tm 2.24,25). Existem muitas outras atitudes que não são corretas à um evangelistas porém se ele tem êxito nestes dois pontos estará realizando um bom trabalho. TRAÇANDO UMA ESTRAGÉGIA DE EVANGELISMO 162

Todo trabalho para se obter êxito se faz necessário que se tenha uma estratégia de ação. Este tipo de assunto é bastante utilizado pelas grandes empresas que desenvolvem seus planos de trabalho anual ou mensal. Para que Ter uma estratégia ? Será que isto é bom ? Traçar ou ter uma estratégia nada mais é que realizar o que Jesus realizou , Ele tinha um alvo a alcançar e para chegar a este alvo Ele usou de estratégias de trabalho., Ele próprio nos ensinou a traçar nossos objetivos para se analisar se os recursos são suficientes. (Lc 14.28-33). A estratégia não anula a direção que recebemos do Espírito Santo, a estratégia apenas põe em prática a ordem que dEle recebemos. O Apostolo Paulo utilizou de estratégia para ganhar almas para o reino de Cristo, ele mesmo escrevendo disse que quando estava evangelizando os judeus guardava a lei judaica, mas relaxava quando este evangelizava os gentios que não estavam debaixo da lei (I Co 9.22; I Co 9.19). Ter uma estratégia de trabalho não é coisa da invenção do homem, Ter uma estratégia é até mesmo recomendada pela Bíblia, vejamos o que diz: Pv 16.9 "Devemos fazer nossos planos, confiando na direção que Deus nos dá" Pv 18.15 "O homem inteligente sempre está pronto para considerar novas idéias." Desta forma notamos que a estratégia tem respaldo Bíblico, basta apenas que nós venhamos a aceitar e pratica-la. VANTAGENS EM SE TER UMA ESTRATÉGIA Se aceitarmos o padrão Bíblico iremos descobrir que existe uma série de vantagens em se traçar uma estratégia de trabalho: 1. Aumenta a nosso eficiência - em qualquer coisa que fazemos é necessário gastar tempo, energia e dinheiro. A estratégia não apenas no ajuda a decidir o que fazer, mas também nos ajuda a decidir o que não fazer, e isto é igualmente importante. Um grande número de recursos dados por Deus são desperdiçados porque líderes cristãos estão concentrando-se nas coisas menos importantes. 2. Ajuda a medir a eficácia - Uma tarefa é eficaz quando ela atinge seus objetivos. O planejamento estratégico requer que os alvos sejam expressos de forma clara, isto nos capacita a medir o progresso e saber quando o que foi projetado a fazer não esta ocorrendo bem. 3. Permite Correção no meio do Caminho - Se uma estratégia bem planejada 163

irá prever diversos pontos de averiguação onde nós verificamos a metodologia que estamos usando, se o que estamos fazendo não está funcionando bem, quando mais cedo nós descobrimos melhor. 4. Une a Equipe - Muito freqüentemente as estratégia para evangelismo e missão envolve a participação de mais de uma pessoa, se faz necessário a criação de uma equipe, quando a estratégia é adequadamente planejada, cada membro desta equipe entenderá a contribuição que se espera dele, cada membro do grupo saberá sua tarefa e desta forma poderão cumprir com os objetivos de todo o grupo. 5. Permiti uma responsabilidade natural - Muito do que é feito para a obra de Deus é voluntário, quando as pessoas não estão sendo pagas pelo que estão fazendo corrigi-las não é fácil, uma estratégia claramente preparada evita estas dificuldades porque a estratégia é como um contrato que une as pessoas que estarão realizando tal trabalho. 6. Ajuda Outros - Embora as estratégias sempre precisem ser adaptadas a cada situação, quando uma certa estratégia é bem sucedida, ela se torna um modelo, outros que desejem realizar tarefas iguais, podem aprender muito de uma boa estratégia e orientar-se por ela. Desta forma notamos a importância em se Ter uma estratégia de trabalho bem elaborada e definida, esperamos em Deus, que os queridos irmãos possam usar este método para melhorar o seu desempenho em ganhar almas para o reino de Deus. CRUZADA EVANGELÍSTICA A importância da Oração. Para êxito real numa campanha evangelística, a oração intercessória deve começar meses antes. Grupos de oração, vigílias, jejuns e muita oração, e sem dúvida os resultados aparecerão. Planejamento e Finanças Planejar local, pregador, cantor, hospedagem para pregador e equipe, som, iluminação, devem ser providenciados com muita antecedência. Além do mais, há necessidade de uma comissão de finanças para cuidar dos custos e dos gastos da Cruzada. Publicidade Os planos de publicidade de uma Cruzada devem ser feitos com muitos meses de antecedência. Música A Música tem papel muito importante numa Cruzada. Meses de ensaio para 164

bandas, conjuntos, orquestras e corais, para que se apresentem muito bem. Literatura e Treinamento de Pessoal A comissão de literatura é de grande utilidade. O diretor desta comissão, em consulta com o Pastor, deve cuidar da literatura a ser distribuída antes, durante, e depois da Cruzada. O treinamento de cooperadores para trabalhar na Cruzada é de máxima importância. Conselheiros e acomodadores, para ajudar na manutenção de ordem e cuidar dos novos-convertidos, precisam de treinamento especial para que cumpram bem suas responsabilidades. Começada a Cruzada a Campanha de Oração não pode parar as reuniões de oração devem prosseguir pela manhã, nos templos. A Publicidade chega ao seu auge durante a Cruzada Entrevistas ao vivo pela rádio e televisão despertam a atenção da população para a Cruzada. Um testemunho notável de cura ou conversão pode ser publicado no jornal local. Visita de casa em casa deixando um convite impresso para cada família, um telefonema convidando a redondeza, etc. A Pregação A pregação deve consistir da mensagem direta e simples da salvação de modo que o pecador possa entendê-la. O Apelo Durante o apelo, os obreiros da plataforma devem estar em seus postos. Muitos pecadores vão à frente sem um crente se oferecer para acompanhálos até ao altar. Por outro lado, esses obreiros da plataforma não devem ser demasiadamente insistentes e indelicados. O Trabalho após a Cruzada não pára É aí que precisa entrar em ação uma campanha intensa de visitação e os cuidados necessários para com os novos decididos. Se não houver este acompanhamento todo o trabalho será em vão mesmo que tenha havido uma boa pescaria. CONCLUSÃO Todo o evangelho a todo o mundo nesta geração! Isto demanda a mobilização e treinamento de toda a Igreja; exige oração e submissão ao Espírito Santo. Depois ele fará, por nosso intermédio, o que jamais poderíamos fazer sozinhos. Evangelizar o mundo em nossa geração: cada geração de cristão tem esta 165

Podemos consegui-lo se permitirmos que Deus opere por nosso intermédio em um ciclo perpétuo de evangelização. porque por pai de numerosas nações te constituí.dívida para com seu próprio tempo.Maceió/AL Parte XXVII IGREJA: RETOMADA DO PROJETO DE DEUS Neste texto. 166 . serás pai de numerosas nações. Editora Sepal. Delcyr de Souza . ELISANGELA. aliança perpétua. e sim Abraão. Rio de Janeiro. e Deus lhe falou: [4] Quanto a mim. e serei o seu Deus. anda na minha presença e sê perfeito.Estratégias Para o Crescimento da Igreja. [8] Dar-te-ei e à tua descendência a terra das tuas peregrinações. e reis procederão de ti. O apóstolo começa a conversa lembrando aos efésios o seu passado espiritual: eram incircuncisos. chamados incircuncisão por aqueles que se intitulam circuncisos. BÍCEGO. isto é. lembrai-vos de que. por mãos humanas. 1999. 2." Referências Bibliográficas 1. outrora. de ti farei nações. Paulo falava do pacto celebrado entre Deus e Abraão: (GÊNESIS Cap: 17) [1] Quando atingiu Abrão a idade de noventa e nove anos. para ser o teu Deus e da tua descendência. vós. não tinham pacto com Deus. toda a terra de Canaã. IDACI . fala do projeto que Jesus retoma para a Trindade. LIMA. Peter . em possessão perpétua. [6] Far-te-ei fecundo extraordinariamente.Dinamismo no Evangelismo Atual . [5] Abrão já não será o teu nome.São Paulo/SP 4.Doutrina e Prática da Evangelização. (EFÉSIOS Cap: 2) [11] Portanto. gentios na carne.Semadeal Fevereiro/2001 . [9] Disse mais Deus a Abraão: Guardarás a minha aliança. WAGNER. [3] Prostrou-se Abrão. penso que Paulo. além de descrever o processo da formação da Igreja. na carne.Manual de Evangelismo. Valdir Nunes . "Tua Incumbência Única Sobre a Terra é Ganhar Almas. rosto em terra. 3. [2] Farei uma aliança entre mim e ti e te multiplicarei extraordinariamente. [7] Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência no decurso das suas gerações. Julho/1995 . Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus. será contigo a minha aliança. apareceu-lhe o SENHOR e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso. tu e a tua descendência no decurso das suas gerações.

por causa do pacto que havia celebrado com Deus. fostes aproximados pelo sangue de Cristo. a minha aliança estará na vossa carne e será aliança perpétua. Literalmente perdido. não pertencia ao povo para quem valia a pena cumprir a lei. que não for circuncidado na carne do prepúcio. vós. [12] O que tem oito dias será circuncidado entre vós. separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa. em Cristo Jesus. A impressão é a de que o apóstolo chama atenção para um elo fraco da corrente: é feito por homens. E mais: em relação a Deus não há mais privilegiados. tanto o escravo nascido em casa como o comprado a qualquer estrangeiro. de Deus e de suas promessas. ele não passara pela circuncisão (que era uma ordenança). que não faço parte desse pacto?" Esta é a resposta de Paulo: estar fora do pacto é estar sem saída existencial. Paulo. [12] naquele tempo. [11] Circuncidareis a carne do vosso prepúcio. é feita por mãos humanas. aproximou os efésios e todos os não judeus que crerem em Jesus. [14] Porque ele é a nossa paz. a ponto de estigmatizar os que não o são. que entre eles há um pacto. será circuncidado o nascido em tua casa e o comprado por teu dinheiro. que antes estáveis longe. Algum efésio poderia perguntar: "e daí que eu não sou circuncidado. adverte que essa circuncisão. o que. essa vida será eliminada do seu povo. que guardareis entre mim e vós e a tua descendência: todo macho entre vós será circuncidado. [13] Mas. O sangue de Jesus quebrou a lógica angustiante da circuncisão. quebrou a minha aliança. A circuncisão é anterior à lei. somos um povo só. tendo derribado a parede da separação que estava no meio.[10] Esta é a minha aliança. é um dos escolhidos de Deus. uma vez que fomos aproximados ao mesmo Deus e às mesmas possibilidades. Não bastava converter-se ao Deus dos judeus. incluia sua descendência. Deus é dele e ele é de Deus (v 7). todo macho nas vossas gerações. é aliança. A 167 . de que tanto os circuncisos se orgulham. será isso por sinal de aliança entre mim e vós. Contudo. e. Não adiantava o efésio tentar seguir a lei moral. [13] Com efeito. estáveis sem Cristo. no caso. o qual de ambos fez um. era necessário tornar-se judeu. Isto quer dizer que já não estamos mais separados da comunidade de Israel. a inimizade. [14] O incircunciso. agora. que não for da tua estirpe. não tendo esperança e sem Deus no mundo. é a marca que denota que o homem em questão. Entretanto. logo é externa e imperfeita.

Nele. ou dia de festa. antecedendo-a. série cultura cristã . 27. Por isso o sangue de Jesus nos aproximou: ao morrer sem pecado. vos julgue por causa de comida e bebida. muitas das ordenanças tipificavam o próprio Cristo: CL 2:16. foi projetada a partir do corpo de Cristo. Esse texto marca uma mudança de ritmo e de forma na criação: até então Deus falava e tudo vinha à existência. 168 . citado por Foulkes. ou lua nova. Segundo Francis Foulkes (Efésios: introdução e comentário. Jesus. pois. pagou pelo nosso crime. o representante da raça humana. conforme a nossa semelhança. É um conceito de unidade absoluta. porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir. tornando-se. ou sábados. constituída pelos privilégios de um frente ao infortúnio do outro. que é a circuncisão de Cristo Além do mais. que o torna.muito mais profunda que a idéia de um único povo. Mundo Cristão e Vida Nova) a idéia presente aqui é a de. não por intermédio de mãos.Eds.) Criou Deus. como deixou claro a colocação de Francis Foulkes. Parece claro que não se trata de fazer de todos os cristãos uma única pessoa. Estamos nas mesmas condições. à imagem de Deus o criou. em si mesmo. portanto. de fato. Não seria. mas no despojamento do corpo da carne. pois. [15] aboliu. de costas para a entrada. com a chegada de Jesus fomos libertos da caverna (Platão dizia que estávamos todos presos numa caverna.. há paz. não se reduz ao fato de cada seguidor de Cristo ser uma nova criatura. criar uma coisa única . também fostes circuncidados.. uma retomada da criação? Voltemos ao início. o homem à sua imagem. Jesus fez isto com um objetivo: criar um novo homem. dos dois. Também. Penso que isso nos remete à questão do significado desse novo homem. satisfez a justiça divina. um novo homem. na criação do homem temos. foi derrubada. a lei dos mandamentos na forma de ordenanças. o mundo das idéias). porém o corpo é de Cristo. A sombra que esses vestíbulos (as ordenanças) para o pacto eram. diz que é um novo tipo de criação.Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem. para que dos dois criasse. isto é. William Barclay. entretanto.inimizade. nem Deus é uma pessoa só. única porta de entrada para o pacto com Deus. pois. uma declaração de intenção e uma descrição. só víamos as sombras do mundo real.17 Ninguém. GN 1:26. na sua carne. membro do povo de Deus: CL 2:11 . (. fazendo a paz. Quem entra por essa porta recebe a verdadeira circuncisão.

Eis a descrição do projeto: o homem seria à imagem e semelhança de Deus. de modo que os termos se reforçam (a palavra. foi o amor.. (2 Pe 2:4) Como qualquer ser pode ser julgado. de um poema épico numa escultura. então. são racionais.reservando-os para juízo. a Trindade. Ele. na queda. corpórea e própria de uma criatura . como declara G. com Ló (Gn 19:10-22). se não for moralmente responsável? Além do que. é como se fosse o resultado de uma conferência entre as três Pessoas. estão incluídos. Se ser imagem-semelhança é ser transcrição do eterno em termos de existência temporais. para alguns teólogos "imagem é a indelével constituição do homem como ser racional e como ser moralmente responsável. Bromiley1 Gosto de pensar nesse texto como uma declaração de intenção. penso que precisa ser considerado: se ser moralmente responsável e racional é ser imagem de Deus. perdemos dessa imagem-semelhança. A teologia cristã entende que essa afirmação nos apresenta a Trindade.. os anjos. também. são criaturas e estão no 169 .como se poderia tentar a transcrição. como fizeram. A imagem seria "expressão ou transcrição do Criador eterno e incorpóreo em termos de uma existência temporal. seria imagem-semelhança). W. e a semelhança é aquela harmonia com a vontade de Deus. que recuperaremos quando for retomada nossa plena comunhão com o Senhor. então os anjos também não o seriam? Ora. ou de uma sinfonia num soneto. digamos.. perdida com a queda". Filho e Espírito Santo. pois. O que significaria isto? Segundo Derek Kidner2. segundo Kidner . conforme a nossa semelhança.Façamos o homem. no original. uma vez que pecar (pelo menos no ato primeiro) exige capacidade de escolha? . também." O que. por exemplo. senão estariam impossibilitados de comunicar-se e de arrazoar conosco. a partícula aditiva "e". Façamos o homem à nossa imagem. entretanto. parece não haver dúvidas de que os anjos. se Deus não poupou anjos quando pecaram (2 Pe 2:4) Como os anjos poderiam pecar se não fossem moralmente livres.. Algo. doutrina que afirma haver um só Deus em três Pessoas: Pai. porém. diz que não há.

um substantivo coletivo. E a costela que o SENHOR Deus tomara ao homem. e o homem passou a ser alma vivente. e ele te governará (Gn 3:16). E.. (Gn 2:21. além do já citado. algo que só é comum a Deus e a nós: a unidade. a relação entre ambos não era de autoridade. Entretanto." Stanley Rosenthal3 E criou Deus o homem à sua imagem. homem e mulher os criou.23 os espias pararam em Escol. duas criações? Então. ao mesmo tempo que se trata de uma unidade que contém várias entidades. realmente. tiveram começo. era. a mulher só ganhou o nome de Eva depois da queda: E deu o homem o nome de Eva a sua mulher. um só nome.2) Duas pessoas. à semelhança de Deus o fez. no hebraico. em 'um cacho'. Se Deus condenou a mulher a essa condição subserviente ao homem como consequência da queda.4.5) é echad. "A última palavra hebraica da Shema (Dt 6. O segundo ser não é uma segunda criação. Seriam. novamente é echad. Este é o livro da genealogia de Adão. e lhes chamou pelo nome de Adão. No dia em que Deus criou o homem. A palavra que aqui aparece com 'um'. Poderíamos citar um bom número de exemplos. macho e fêmea os criou. E por que? Penso que só após a queda o macho teve autoridade para tal: e à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez. em outras palavras. no dia em que foram criados. somente do homem é dito que foi criado à imagem e semelhança de Deus. talvez. como é evidente. transformou-a numa mulher e lha trouxe. isto é.(. o SENHOR Deus fez cair pesado sono sobre o homem. o barro e o sopro (que dá vida ao ser humano) só aparecem uma vez. (Gn 2:7) Então.27 (RC). Sendo que.22) Macho e fêmea parecem ser uma criação só. Deus fez desabrochar características que não fizera desabrochar no primeiro.tempo. Gn 1. Mas. por ser a mãe de todos os seres humanos (Gn 3:20). é uma duplicação. à imagem de Deus os criou. onde 'cortaram um ramo de vide com um cacho de uvas'. é de se supor que antes não era assim.. tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. o teu desejo será para o teu marido. um substantivo que demonstra unidade. e este adormeceu. em meio de dores darás à luz filhos. Gosto de pensar que esta imagem-semelhança inclui. os anjos fiéis não perderam nada de sua criação original. (Gn 5:1. no segundo ser. em ambos os casos. esse único cacho de uvas consistia em muitas uvas. e os abençoou. pois. formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida. pois. De fato. não lhes faça diferença.) Em Nm 13. ainda que o tempo. 170 .

) instruiu marido e mulher a tornarem-se 'os dois uma só carne'. a unidade. de modo extremamente rarefeito. que une perfeitamente. "Em Gn 2. novamente a palavra hebraica é echad. seríamos bilhões. o que perdemos é inapreensível para nós. Em tal caso. Se não tivéssemos caído. Esse. revista e corrigida) Segundo vejo. penso eu.. (ed. o homem-comunhão que. Criou-os para viverem em unidade." Stanley Rosenthal4 Se Deus é uma família. tratar-se da retomada do projeto do Gênesis. uma só família. Criou-os como unidade. A queda foi marcada pela quebra de unidade entre o homem e Deus. sugiro. também. indicando que aquelas duas pessoas unir-se iam. este novo homem. 171 . à semelhança da trindade. entretanto. O homem à imagem e semelhança de Deus é unitário-coletivo. formando perfeita e harmônica unidade. criou-os para. logo. Ainda que a graça comum tenha nos mantido em condições de experimentarmos.Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido. Por esse novo homem Jesus se sacrificou. em si mesmo. a exemplo da trindade. como disse Jesus: LC 19:10 . entre o macho e a fêmea. que criatura poderia expressar sua imagem-semelhança senão se constituísse. numa família? Se Deus é uma unidade-comunhão como uma criatura que não se constituísse noutra unidade-comunhão poderia ser chamado de sua imagem-semelhança? Me parece que o projeto divino passava estritamente pela unidade: criou um casal apenas. nos amaríamos tanto que. para admitir isso teríamos de considerar que a primeira continha uma falha. pois. para que dos dois criasse. Creio. isto é. Se esse é o destino da Igreja. um novo homem. é o projeto de Jesus.24. fazendo a paz. este deve ser o moto de seu dia a dia. a retomada do homem à imagem e semelhança de Deus. de fato. Deus (.quero crer. apesar de muitos. seríamos um só homem: o homem à imagem e semelhança de Deus. a Igreja é. amarem-se com esse amor que unifica. O homem à imagem e semelhança de Deus. expressa o que a Trindade é. criou-os tendo a si como modelo: o que caracteriza a trindade é o amor. logo. vínculo da perfeição. Quando Deus chamava: Adão! Macho e fêmea se voltavam para falar com Ele.. guardadas as devidas proporções. é um ser coletivo. por definição. de unidade. Não seria uma nova criação. talvez.

[20] edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas. Interessante pensar que evangelizar é chamar à paz. estamos no mesmo lugar. e/ou com a natureza. A gente está na presença do Pai. 172 . de definir pecado é estado de guerra consigo mesmo. ambos temos acesso ao Pai em um Espírito. evangelizou paz a vós outros que estáveis longe e paz também aos que estavam perto. Todos estamos dentro desse ônibus (fomos batizados. e sois da família de Deus. por intermédio da cruz.[16] e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus. Esse novo homem é mais que comunhão. por ele. é fornecer a possibilidade da expressão (como o corpo humano é em relação a alma) e exprimir por meio da ação (corpo inerte não exprime). [17] E. mas concidadãos dos santos. entre outras coisas. portanto. Certamente é por isso que cada um de nós chega à presença do Pai e tem de dizer: "Pai nosso". isto é. Uma outra forma. é um organismo vivo (tem funcionalidade). mergulhados nele . Não seria essa a melhor forma de diagnosticar o que está acontecendo na sociedade? Não estariam todos os relacionamentos marcados por alguma forma de violência? Paz . Jesus Cristo é a estrada e o Espírito Santo é o ônibus que nos leva. é uma aceitação geral: aceitamos as demandas de Deus.penso. Somos irmãos.13). [18] porque. paz consigo mesmo. O papel da Igreja. já não sois estrangeiros e peregrinos. A paz é o princípio da unidade: paz com Deus. um lugar de todos nós. Todo mundo pode ir ao Pai. todos os irmãos foram junto. sendo ele mesmo. o novo homem não pode ser vivido. É o novo homem que vai à presença do Pai. Gosto da idéia de que aceitar é admitir e compartilhar espaços. não está sozinho. enquanto corpo. Tem de ser saudável. mas. Sem paz. sem que nos aceitemos mutuamente. paz com o próximo. vindo. Somos da mesma nação. [19] Assim.1Co 12. de estar em forma. aceitamos o que somos e as mudanças que precisamos sofrer. destruindo por ela a inimizade. e/ou com Deus. e/ou com o próximo. aceitamos o próximo. aceitamos a natureza. temos o mesmo nome e o mesmo pai.

19 . assentados sobre o mesmo alicerce. bem ajustado. Penso que esse é o desafio dado a cada igreja local: alcançar essa unidade. dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Cremos na mesma coisa (senão. que excede todo entendimento. Em Jesus estamos sendo tornados um. Isso implica em que o primeiro projeto para a igreja local deveria ser um projeto de comunhão e. não estaríamos na Igreja) apesar de insistirmos nas diferenças. e a profundidade e conhecer o amor de Cristo. sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo. qual é a largura. Jesus Cristo retoma o projeto do gênesis: cria o novo homem. O novo homem retoma o seu destino: (AP 21:3 . como pedras que vivem. tem de crescer em Cristo. Propósito 1: serrnos o lugar onde Deus é adorado perfeitamente (1PE 2:5 também vós mesmos. enquanto pedras vivas (1 Pe 2. apesar da boa vontade de Davi e de Salomão. Perdemos isso.Então.a fim de poderdes compreender.a Trindade. Deus habitará com eles. consequentemente.) A Igreja. Estamos. e Deus mesmo estará com eles. [22] no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito. Deus nos criou como unidade para que o expressássemos. ainda que a graça comum o tenha mantido em parte. um Deus vivo tem de morar numa casa viva.5).Cristo Jesus. e a altura.) É na realidade do novo homem que Deus é adorado como quer e deve ser. a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo. cresce para santuário dedicado ao Senhor. Jesus é o alicerce e o construtor que ajusta cada pedra e material: (EF 3:18. ouvi grande voz vinda do trono. Edificar é tornar um (vários materiais. para crescer em Cristo tem ter unidade (bem ajustado . para ser santuário. uma só casa). para que Deus possa ter sua morada.) ser a morada de Deus . para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus. de pastoreio. 173 .formando uma parede só). [21] no qual todo o edifício. Eles serão povos de Deus. com todos os santos. a pedra angular. e o comprimento.

introdução e comentário .3 W. e João.Mateus Os Pouco Conhecidos Tiago (o pequeno) ..Fiel 4 A Tri-unidade de Deus no Velho Testamento . começou a entristecer-se e a angustiar-se. (Setor Personagens Bíblicos). tomou Jesus consigo a Pedro. os que isso fizeram eram os apóstolos." (Mt. mas fizemos uma coletânia dos mais famosos e armazenamos a maior quantidade de informações possíveis neste estudo." (Mt. 17:1) "E levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu. irmão de Tiago.editor .eds Mundo Cristão/Vida Nova 3 A Tri-unidade de Deus Velho Testamento . Nem todos os mártires do cristianismo viveram junto com Cristo. Tiago.Judas Tadeu .João Faziam parte do círculo íntimo de Cristo.ed. Mártir é: "Pessoa que sofreu tormentos.Tiago (o grande) . pois tinham privilégios especiais: "Seis dias depois. torturas ou a morte por sustentar a fé Cristã". no passado da Igreja.Felipe . in Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã .v. Vida Nova 2 Gênesis . Os Mártires Apóstolos Pedro .A. senão Pedro. muitos foram aqueles que morreram em favor do evangelho. a Tiago e a João. também fizemos um breve esquema para que se tenha uma idéia de quem eram os Apóstolos de Cristo. Elwell . logo em seu primeiro século.Tomé .1 in artigo Trindade.Stanley Rosentahl .5:37) Os Trabalhadores Silenciosos André . irmão deste. e os conduziu à parte a um alto monte.série cultura bíblica .Simão 174 . o mesmo evangelho que hoje em dia nós temos a liberdade de defender. Clique nos nome dos mártires que estão sublinhados para ver uma breve biografia sobre os mesmos." (Mc. 26:37) "E não permitiu que ninguém o acompanhasse.Stanley Rosenthal .Derek Kidner .Bartolomeu . Muitos foram os Mártires Cristãos.Fiel Parte XXVIII MÁRTIRES CRISTÃOS De acordo com o Dicionário Aurélio.

que foi o guia daqueles que prenderam a Jesus. convinha que se cumprisse a escritura que o Espírito Santo predisse pela boca de Davi.Irmãos.começando desde o batismo de João até o dia em que dentre nós foi levado para cima.Orígenes . 24 .para tomar o lugar neste ministério e apostolado. e por voto comum foi ele contado com os onze apóstolos.E orando.Cosme e Damião . 21 . e todas as suas entranhas se derramaram. e: Tome outro o seu ministério. que tinha por sobrenome o Justo. e Matias. e precipitandose. e não haja quem nela habite. pois. um deles se torne testemunha conosco da sua ressurreição. isto é. que conheces os corações de todos. de maneira que na própria língua deles esse campo se chama Acéldama. Senhor. ele adquiriu um campo com o salário da sua iniquidade.Paulo Outros Mártires Cristãos Marcos .O Traidor Judas Iscariotes Foi substituído por Matias após ter traído o Senhor e ter se matatado: 16 .pois ele era contado entre nós e teve parte neste ministério. 19 . disseram: Tu.Estevão Mártires que viveram ainda com os últimos apóstolos Policarpo .Porquanto no livro dos Salmos está escrito: Fique deserta a sua habitação.(Ora. 17 .E tornou-se isto conhecido de todos os habitantes de Jerusalém. do qual Judas se desviou para ir ao seu próprio lugar. 26 . Atos 1:16-26 Convertidos a Apóstolos depois da ascensão de Jesus Matias . chamado Barsabás.Barnabé . acerca de Judas. 18 . mostra qual destes dois tens escolhido 25 . 22 .Então deitaram sortes a respeito deles e caiu a sorte sobre Matias.É necessário. 23 . que dos varões que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus andou entre nós.Papias Mártires Após a Época dos Apóstolos Jorge .Sebastião 175 .Lucas .E apresentaram dois: José. Campo de Sangue.Inácio .) 20 . caiu prostrado e arrebentou pelo meio.

.22. p. Um cordeiro santificado no altar santifica todo o rebanho.Encyclopédia Universal Ilustrada Europeu-Americana. Nós somos salvos pela fé. 10486. pela fé.Bíblia Thompson .20 e 28. Cada real que você santifica para Deus significa que os outros nove reais também são santos ao Senhor.Centro de Pesquisas Religiosas . Conceito e origem da mordomia do dízimo (2) A mordomia do dízimo é o perfeito uso do dinheiro que pertence a Deus por direito de criador e sustentador de todas as coisas que compõem o universo. 1. mas a totalidade dos bens e do ser pertencem ao Senhor. não apenas o dízimo. O imposto é compulsório. 1997 .Carlos Magno . a fé que diz ter no coração. Crer ou não crer na Palavra de Deus é crer ou não crer no próprio Deus.Verônica . 1262 . A mordomia do dízimo envolve. Dízimo é compromisso que pauta a partir do voluntariado consciente. Gênesis 14. Dízimo não é tributo. portanto.Encyclopédia e Dicionário Internacional.1265. Além de ser uma prova de fé. onde Deus colocou o homem para cultivá-lo com inteligência. e não apenas com palavras. mas a fé que não se transforma em atos de obediência não é a fé válida para a salvação. 1974 .Iranilde Campos Parte XXIX MORDOMIA DO DÍZIMO Introdução (1) O dízimo é o método de Deus para abençoar seus filhos na vida material.Manual Bíblico Halley .The Grolier Multimedia Encyclopedia. pp. Colaboradores: . Quem não paga é autuado. É o reconhecimento de que. como os têm abençoado.Dicionário Aurélio . Amor que nos identifica com o caráter e os propósitos do Senhor e que nos leva a adora-lo com atos objetivos. O dízimo é também uma prova de santificação da vida ao Senhor.Fontes de Pesquisa: . não pelas obras. É como o cordeiro do holocausto no altar da consagração. o dízimo é também uma demonstração de amor a Deus. A pessoa que diz crer em Deus e não entrega seus dízimos está negando. tanto á fidelidade na entrega do que pertence a Deus como na habilidade na aplicação ou gasto deste dinheiro 176 . habilidade e fidelidade. na vida espiritual. na prática.Barsa Enciclopédia.

O poder sustentador de Deus tem-se manifestado por meio da confiança daqueles que fielmente dizimam em amor de suas rendas para o Senhor.21 e 24. porque cremos que nos propósitos de Deus não há variantes que não foram previstas com milhares de anos de antecedência. Levítico 27. A participação dos crentes no sustento diário da causa de Deus envolve todos os fiéis de todos os tempos e lugares. Números 18. 2 Crônicas 31.1-10.4-12. 3. Sua aplicação aparece em toda a Bíblia na medida em que o homem é chamado a assumir seu dever de entregar ao Senhor os dez por cento de sua renda para que Deus possa realizar também seus planos espirituais para o mundo. Não é difícil entender que o dízimo só deve ser usado em coisas consagradas e para a glorificação do de Deus. O desafio é aprendermos a dependência da graça sustentadora do Senhor e não essencialmente dos recursos financeiros. Salmo 24. Deus não resolve nada em seus planos de última hora. A mordomia do dízimo pode e pretende conscientizar os crentes do valor e importância prática fiel e constante do dízimo para o reino de Deus. 2. 10% de uma determinada quantia de dinheiro ou do peso de um corpo qualquer será sempre 10%. Os dizimistas fiéis sabem o quanto é bom confiar em Deus e praticar esta doutrina bíblica tão negligenciada por muitos servos. para que haja mantimento na 177 . Como devemos dizimar (4) É dever de todo cristão dizimar à luz de Malaquias 3:10 onde Deus nos ordena dizendo: "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro. O dízimo faz parte do planejamento de sustento da sua grandiosa obra de redenção do mundo.10-12. Natureza e finalidade da mordomia do dízimo (3) Enquanto cálculo matemático de 10% de uma quantia é isto e nada mais.consagrado. visto que o Senhor de todas as coisas promete bênçãos especiais aos fiéis dizimistas conforme o Texto Sagrado. Não pode ser menos como alguns gostariam e não pode ser mais porque é inalterável no tempo e no espaço. Malaquia 3. O dízimo tem sua origem na economia divina ao preparar o projeto de criação do mundo. Enquanto dinheiro separado para Deus. preservando-se o que se denomina de fidelidade de propósito. Aumentar a confiança dos crentes no poder e na providência de Deus conforme a Bíblia tem nos ensinado é a finalidade da mordomia do dízimo. O dízimo não é uma invenção do homem para sustentar a religião. mas uma exigência de Deus para sustentar espiritualmente o homem.30-32. o dízimo sofre uma certa força carismática.

que o crente só pode ser ofertante depois de ser dizimista. Todo o cristão sincero deveria ter verdadeira alegria ao contribuir para o sustento do Reino de Deus. e não derramar sobre vós uma bênção tal. A quem entregar os dízimos? (5) 178 . o crente deve começar a dizimar ainda que sem muito entusiasmo porque é tão bom contribuir que começando por obrigação terminará por alegria e consagração. É uma questão lógica. 2 Coríntios 9. só posso obedecê-la trazendo o dízimo inteiro.minha casa. Supostamente baseados nos ensinamentos de Paulo. Entregar ao Senhor o dízimo do valor líquido não é fidelidade integral. Se é uma ordem. São aqueles que dão de quando em vez e não podem ser conhecidos como dizimistas porque têm renda todo mês. Deus já determinou 10% e isso é inegociável. Esta atitude é a normal e correta. quando se trata de dízimo. o que é de Deus é o dízimo e não podemos ofertar ao Senhor usando o que pertence a ele. embora contribuam eventualmente. diz o Senhor dos exércitos.8. Estão errados quanto à interpretação do Texto Bíblico que neste caso. vale a pena cumpri-la para o nosso próprio bem.21. Vale ressaltar que o dízimo deve ser entregue do valor bruto dos nossos rendimentos.7. Verificamos ainda. Deve-se ter a preocupação de se contribuir com regularidade efetiva. O crente pode usar a medida do coração. que dele vos advenha a maior abastança". são para nosso benefício e são também um compromisso espiritual. O problema é que não existe fidelidade parcial. O povo de Israel roubava a Deus nos dízimos e nas ofertas alçadas. Deus não deve pagar nosso impostos ou taxas previdenciárias. em Malaquias 3. Foi o caso de Ananias e Safira que não queriam ser completamente desobedientes. porém. Muitos contribuem com tanta irregularidade que o dinheiro chega a perder o valor. Meia obediência é igual à desobediência total. trata de ofertas alçadas para obras sociais. Mateus 22. mas em se tratando de uma ordem. não a metade ou apenas uma parte. mesmo que não seja com muita alegria. mas terminaram sendo os exemplos de deslealdade em matéria de contribuição. Atos 5. e depois fazei prova de mim. 4. Os descontos previdenciários e os impostos que nos são deduzidos em folha de pagamento ou em carnês. Como alguém afirmou. não do dízimo. Quem poderá ser bom mordomo deixando de fazer o que Deus ordenou? Certamente o servo fiel é mais agradável ao seu Senhor. se eu não vos abrir as janelas do céu. alguns dizem que devem contribuir segundo propôs no coração e assim o fazem. Por muitos séculos Deus tem comprovado sua fidelidade para com os homens que lhe obedeceram com amor e dedicação. 1-11.

o cristão arrogar-se o direito de aplicação e administração do seu próprio dízimo. Caso isso fosse verdade. Este não é o método bíblico que manda trazer todo dízimo a Casa do Tesouro e consequentemente o dízimo todo para a administração da igreja. nos são lícitas mas não devemos praticá-las. então posso entregar o dízimo a Deus. A situação dos irmãos que insistem na infidelidade é crítica. O arrependimento. Pela fé.23. asseverando que os roubadores não herdarão o Reino de Deus. 1 Coríntios 6. do que todo um 179 .11. a sua Palavra Santa e Infalível. 7 vezes. Fala-se em cristãos que dão o seu dízimo parte em casas filantrópicas e parte na igreja. Como agência do Reino de Deus a igreja está credenciada para gerenciar os seus negócios do Rei quer sejam especificamente espirituais ou materiais. 1 Coríntios 6. Vemos. que no Novo Testamento muito mais se pregou sobre dinheiro que sobre qualquer outra coisa. Conclusão (6) Nós. mas de acordo com a consciência de Deus refletida nos ensinos da Bíblia.12 e 10. 47 vezes. 21 vezes. 11 vezes. O crente não deve fazer as coisas conforme sua conveniência somente. pois. nos orgulhamos em afirmar que a Bíblia é o nosso único livro de fé. O dízimo deve ser entregue na Casa do Tesouro. 4 vezes. na igreja de Jesus Cristo em ato de adoração e culto solene. isto é. O hades. o membro tem direito de questionar e até de orientar a correção. elegeu um tesoureiro. A Bíblia chama de ladrão a quem não entrega o dízimo. Muito mais valem 9/10 do nosso salário com as bênçãos de Deus.13. O batismo é mencionado 17 vezes. Ou não entenderam de forma apropriada o compromisso da fé salvadora ou não experimentaram a salvação que se opera pela fé que desemboca na fidelidade incondicional. Inferno. A igreja aparece em 21 versículos. prática e conduta.O texto de Malaquias é muito claro. quando reuniu os apóstolos. é claro. Ora. Jesus. mas nunca de tomar atitudes pessoais para as quais não foi credenciado por Deus. É pecado. se eu posso todas as coisas. Dízimos e ofertas alçadas. se assim é. 27 vezes. 90 (noventa) passagens falam sobre dinheiro. o crente pode todas as coisas que não contrariam a natureza de Deus. conforme o preceito bíblico. os cristãos evangélicos. Muito bem. Pecado e pecadores. Eleição. A vida eterna. Causa perplexidade ouvir certos membros de igreja afirmando que não dão o dízimo porque não podem. que constitui pecado. teríamos de eliminar da Bíblia Filipenses 4. Espírito Santo. 72 vezes. e as que contrariam o caráter do senhor. então por que não pomos em prática a doutrina do dízimo como a Bíblia ensina? No Novo Testamento. Para que um tesoureiro? Para receber ofertas. Se houver falha na mordomia da administração do dízimo por parte da igreja.

antes de ingressar nos seminários. Como explicar os vislumbres de certezas espirituais ? Pode a vocação de Deus ser descrita ? Talvez devesse deixar tal desafio para os mais experientes nas lidas pastorais. A Doutrina Bíblica da Mordomia. desviando-se para a direita e para a esquerda. Entendo que grande culpa dos problemas destas igrejas deve-se a nós mesmos. (7) Ação de soberania em conceder livre arbítrio ao seus vassalos para o exercício de aparente ou relativa autonomia Parte XXX MOTIVAÇÕES PERIGOSAS PARA O MINISTÉRIO Uma breve Reflexão sobre alguns motivos errados para o Ministério Falar de vocação não é uma tarefa fácil. Ibid. Embora uma vaga vocação para o ministério possa levar ao pastorado. Reflexões sobre Mordomia Cristã. (pp.Aquilo que fazem e alegam ser ministério pastoral não tem a menor relação com as atitudes dos pastores que fizeram a história nos últimos vinte séculos" . Ibid. 161). (2) CÂNDIDO. 231 p. 162-163. Daniel Oliveira. As congregações ainda pagam seus salários. 31-32). com freqüência alarmante. pp. (4) Id. 1982. 1997. 124 p. Rio de janeiro: JUERP. 62 p. não sustentará o pastor através das ásperas realidades da vida na igreja. Alguns pastores estão abandonando seus postos. o nome deles ainda consta no boletim dominical e continuam a subir não púlpito domingo após domingo. (5) MOTTA. É preciso avaliar as verdadeiras motivações. (pp. E não só sem as bênçãos.salário sem as suas bênçãos. Estou Convosco. não obstante. 162. Uma reflexão dura. mas com as maldições previstas no juízo divino que se impõe pela suserania (7) do Senhor. Duque de Caxias: AFE. Ibid. fiz a seguinte pergunta: O que tem levado nossos jovens ao ministério ? Minha pergunta levanta a questão sobre as reais motivações de nossos vocacionados para o Ministério Pastoral. Ed. Notem as palavras de Eugene Peterson: "Os pastores estão abandonando seus postos. Nestes doze anos de ministério tenho visto alguns pastores perderem o rumo original e ministérios infrutíferos com igrejas fracas e em declínio. o chamado. seus pastores. (pp. 3. 163-164. 74-75). 180 .3-6. Ageu 1. Amém. Prostituíram após outros deuses. O que estão abandonando é o posto. 1986. (5) Id. pp. Após ler estas considerações de Peterson. (3) Id. Isto não quer dizer que estejam deixando a igreja e sendo contratados por alguma empresa. mas realista. Talvez nem todos têm consciência de que errar na vocação trás conseqüências desagradáveis para si mesmos e também para suas futuras igrejas. Notas (1) FALCÃO SOBRINHO. pp. Rio de Janeiro: CPCCBB. Waldomiro. quero pisar neste terreno mui solenemente. João.

Em I Tm 3:1. desejar". Precisa ser observado que o objeto do desejo é a obra. Sua única motivação para ser pastor é seu desejo ardente de realizar a obra de Deus e para a glória de Deus. mesmo que estas não sejam verbais. mesmo que em nossos dias não é lá muito bem visto. e não a posição ou status. que tem o significado de "colocar o coração. Vivemos uma época de recessão e de desemprego. melhor que se afaste dele de uma vez. São só na cidade de São Paulo. alisto cinco possíveis motivações erradas e egocêntricas que podem levar alguém ao Ministério: 1) Adquirir estabilidade financeira: Os motivos da nossa sociedade seculare são controlados pelo cifrão. O status social não pode sustentar o nosso ministério e fazer com que vivamos nossa vocação de modo responsável. pois o Senhor aborrece a entrada de compradores e vendedores em seu templo" 2) Status social: Não é de hoje que a sede de posição cega as pessoas . Nós pastores inevitavelmente armazenamos um certo nível de frustração em nosso trabalho. Paulo escreve: "se alguém deseja o pastorado. é possível que nem sempre esta seja a mola propulsora de um ou outro aspirante ao pastorado. excelente obra almeja" O termo "deseja"na língua grega é epithumeo. Às vezes pregar pode ser uma tortura. Penso que todo candidato ao ministério deveria responder a esta pergunta: O motivo que tenho para desejar ser pastor é porque serei pago para isto? Quanto a isto. Ser uma figura pública sob os olhares de todos e viver sob constantes cobranças. quase 2 milhões de desempregados. entendemos que todo genuíno vocacionado deve ter como ambição ser um instrumento de Deus . os títulos de Reverendo e Pastor transmitem uma certa dose de autoridade que dignifica o ser humano. Este foi um erro cometido por Tiago e João (Mc 10:35:45). Alguém motivado por posição elevada e pelo desejo de atenção trará com certeza prejuízo a si mesmo e à Igreja de Cristo. ambicionar. passe a compreender o ministério como uma profissão e um meio de ganhar a vida. O tempo médio hoje para alguém que perde o emprego é de 1 ano até conseguir outro. A título de alertarnos para este perigo. mas temo que alguns jovens em nossas Igrejas. Pastorear ovelhas relutantes é uma atividade esmagadora. O "ser pastor". até mesmo pelos escândalos envolvendo alguns líderes cristãos. Não obstante. Ficamos frustrados com os conflitos da igreja. o serviço. depois do mais severo exame de si mesmo. Contudo.Por motivação queremos dizer os motivos internos que levam uma pessoa à ação. Todos nós tomamos decisões na vida motivados por algo ou alguma coisa em dado momento de nossa existência e considerando as diversas situações da vida. Falando da motivação que leva um jovem a decidir pelo ministério. Spurgeon escreveu: "Se um homem perceber. É com temor e tremor que arrisco raciocinar desta maneira. 181 . com a futilidade de nossos planos e com o fracasso do nosso povo. sacodem o nosso coração. liderar não é fácil. qualquer outro motivo que a glória de Deus e o bem das almas em sua busca do pastorado. e lhe confere status social.

mas não é a motivação correta para o ministério. percebeu que poderia fazer um curso de nível superior pago pelo Presbitério e ainda recebendo ajuda de custo de sua Igreja. Nossos jovens precisam ver que o candidato ao ministério. Ao menor sinal de dificuldade. presbitério e ter feito o curso teológico no seminário. Todos nós que somos pastores sabemos como o ministério é desgastante. Na qualidade de pastores e tutores eclesiásticos. fazse necessária nossa orientação aos aspirantes e candidatos ao Ministério de que não há como alguém sobreviver no pastorado. oficiais e líderes. professores. ou por não ter condições financeiras de custear um curso em uma universidade . O Ministério deve ser obedecido por vocação e não por obrigação. mas porque foi imposta por Deus. Ele é pastor não por falta de alternativas. mas se veio o solene chamado. fique fora. sentese na obrigação de ter que ir até o fim de seu "chamado". pois depois de tentativas inglórias de ingressar em alguma outra faculdade. caso sinta que esta foi uma escolha sua e não de Deus. Conheci um pastor que guardava todo exemplar do jornal Brasil Presbiteriano em que saía uma matéria com sua foto e que falava a seu respeito. O peso de um sentimento de obrigação não pode levar ninguém ao pastorado. Alguém pontuou o seguinte: "os ministros sem a convicção do chamado carecem muitas vezes de coragem e carregam uma carta de demissão no bolso do paletó. não fuja" Precisamos instruir aos nossos seminaristas que mesmo que tenham feito o curso de teologia no Seminário. 5) Falta de opções: É possível que alguém decida ser um pastor.3) Necessidade de firmar-se como pessoa: É possível que alguém caia na armadilha de desejar o ministério por entender que a posição e o status conquistado forçam os outros a lhe dedicarem atenção. sendo seu chamado imposto por Deus. vão-se embora". 4) O Senso de obrigação: Há quem se torne ministro. ou por falta delas. O desejo que um ser humano tem de que os outros o respeitem é um sinal louvável de sua auto-estima. entendam que o tempo de estudos e de preparação não será perdido. caso sintam que não foram chamados ao pastorado. e ninguém pode cumprir o difícil papel de pastor se não tiver a consciência de que foi comissionado por Deus. 182 . Sente-se culpado se não fizer aquilo que todos esperam dele. mas porque esta é a única alternativa possível para ele. É desnecessário dizer que este líder não desenvolverá seu ministério com alegria e prazer. São líderes que buscam a fama e serem aplaudidos pelos homens. não é uma preferência entre outras alternativas. conselho. Não há nada de errado em desejar ser respeitado e admirado. Poderão ser uma excelente ajuda às igrejas como pregadores. É comum termos notícias de líderes que avaliam sua eficiência ministerial através de quantas pessoas da denominação o conhecem. Um velho pregador deu um sábio conselho a um jovem quando indagado sobre sua opinião quanto a seguir o ministério: "Se você pode ser feliz fora do ministério. pois depois de ter passado pela família. e insisto: Vocação pastoral não pode ser por falta de opções.

era de se supor que acertariam. portanto. já não seria um único Deus. A resposta deixou a desejar. este teria de ser um Deus também. Certo. catalogaram-no entre os maiores. um profeta. curou. seu caráter e missão: (MATEUS Cap: 16) [13] Indo Jesus para os lados de Cesaréia de Filipe.Parte XXXI O ANÚNCIO DA IGREJA Neste trecho. Ouvir. Tu és o Cristo. o Filho do Deus vivo". responde Pedro. Detendo mais informações. de então. não podia ter filho. Pedro teria ido apenas um pouco mais adiante que o povo. ser curado e alimentado por Jesus não é garantia de chegar a ter dele o conhecimento que dá vida eterna (Jo 17. então. esta mais importante: os discípulos conviveram com Jesus. o Filho do Deus vivo. não acertaram. entendo que o Senhor Jesus apresenta a Igreja como seu propósito. alimentou. Jesus tenha interagido com quase todos os partidos judaicos: os herodianos. pela força das armas. conforme indica o nome. desenvolveu o seu ministério. ortodoxos estudiosos das escrituras. os fariseus. quer por ensino exclusivo. Pedro disse-o: Jesus de 183 . Revolucionário! Os teólogos. outros: Elias. não sabiam que há três pessoas e um só Deus. conseguiram ver em Jesus um grande profeta. assim como esboça sua composição.3). Por que? Porque se Deus tivesse um filho. de fato. que queriam. o salvador vislumbrado pelos patriarcas e anunciado pelos profetas. se parasse por aí: todos criam que o messias seria o maior dos profetas (Dt 18. continuou ele. libertar Israel do domínio romano. perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem? Embora. disse: Tu és o Cristo. estavam mais preparados para responder. quer pelas perguntas que puderam fazer. eram partidários de Herodes. partido da classe sacerdotal. porém. porém. dois deuses. entretanto. obtiveram informações privilegiadas. [16] Respondendo Simão Pedro. incompleto. os zelotes. Ele vai mais longe: "o filho do Deus vivo". foi com o povo que Jesus. A pergunta era. e os saduceus. o messias. uma aferição: o que as bençãos recebidas pelo povo geraram neste em termos de compreensão de quem Jesus era? [14] E eles responderam: Uns dizem: João Batista.15). Eles não conheciam a doutrina da Trindade. em seu ministério público. quem dizeis que eu sou? Outra aferição. logo. Ao povo pregou. mas. que. "Tu és o Cristo. quer pela observação no dia a dia. diziam que Deus era único. Foi com o povo que andou e que se confundiu. e outros: Jeremias ou algum dos profetas. [15] Mas vós.

Nazaré é o Cristo. Jesus é mais que um profeta a ser ouvido. e eu o ressuscitarei no último dia. adoração. .30). cena que procurava retratar o texto que estamos trabalhando: Zefirelli descreve Pedro ajoelhando-se enquanto proferia a declaração em questão e. [17] Então. a revelação de que Jesus Cristo é Deus vindo para salvar-nos. A Igreja é a reunião daqueles que. esta. o Filho do Deus vivo". não o TROUXER. veio um dos sete anjos que têm as sete taças cheias dos últimos sete flagelos e falou comigo. e sobre esta pedra edificarei a minha igreja. como término de sua primeira parte. por se tratar de ajuntamento de pessoas que têm afinidades. O filme. a nova Jerusalém. é a cena que mais se coaduna com a profundidade do que foi dito. da parte de Deus. Jesus está falando de um grupo de pessoas especiais: as pessoas que receberam a mesma revelação que Pedro e os discípulos.Ninguém pode vir a mim se o Pai. é uma revelação do Pai . ato contínuo.15) . fez o filme Jesus. entenderam ser um grande profeta . assembléia. que chamou de seu afresco. que deve ser adorado. e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. que dá vida eterna. Neste sentido a missão da Igreja é agradar o seu Senhor.Moisés assim pareceu dizer (Dt 18. 184 . nação e afins. Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és. apresentado em duas partes. ao anunciar um salvador. receberam. tinha. a esposa do Cordeiro (AP 21:9). dizendo: Vem. porque não foi carne e sangue que to revelaram. Não foi a convivência com Jesus que os fez saber a verdade. acerca de Jesus. Que igreja? Igreja é uma palavra que pode ser traduzida por reunião. que descia do céu. Foi uma revelação! O conhecimento-experiência. (JO 6:44). Resposta completa. testemunhando sua concordância. é a Igreja como noiva: . [18] Também eu te digo que tu és Pedro. a revelação: "Tu és o Cristo.não entenderam que. a exemplo de Pedro. também se ajoelham. Simão Barjonas.Então. porém. os demais discípulos tomados pelo impacto da afirmação. Os teólogos entenderam que Deus haveria de mandar um salvador. ataviada como noiva adornada para o seu esposo (AP 21:2). que dá vida eterna (Jo 17. mas meu Pai. Deus anunciava a sua visita. mostrar-te-ei a noiva . Portanto. ou melhor. características e/ou objetivos comuns. Esse é o conhecimento. do Pai. Jesus de Nazaré é Deus. que começa com a entrega da vida.Vi também a cidade santa. cineasta italiano. é Deus a ser adorado. mais que um mestre a ser seguido. Não sei se foi assim mesmo que aconteceu. Não imaginavam que a salvação humana custaria tão grande preço. que está nos céus. indubitavelmente. acerca de Jesus. Franco Zefirelli. originariamente. Que pedra? A afirmação. que me enviou. A Igreja é a reunião dos adoradores de Jesus.

A Igreja lê as escrituras para ver Jesus. e sobre esta pedra edificarei a minha igreja A partir da confissão-adoração: "Tu és o Cristo." Adoração.Vós.introdução e comentário .19). contemplação. A glória de Deus é a sua bondade (Ex. Será que adorar passa. a reunião das pessoas que estão sendo transformadas pelo Espírito Santo à imagem e semelhança de Cristo. Torna-nos parecidos com Ele à medida que o adoramos.a bíblia: JO 5:39 . é a satisfação do desejo do Pai: . porque são estes que o Pai procura para seus adoradores (JO 4:23). 33. também. em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. Por exemplo: Adorai o SENHOR na BELEZA da sua santidade (SL 96:9). de características especiais. é o mesmo que contemplação amorosa. o Filho do Deus vivo" Jesus construirá a sua igreja.a criação: SL 19:1 . como por espelho. Nesta contemplação (adoração) somos edificados. A igreja perscruta a natureza para ver Jesus. Derek Kidner (Salmos . e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Por isso gosto muito do que o Pedro disse: 1PE 2:9 . de glória em glória. com o rosto desvendado. a glória do Senhor. Vida Nova e Mundo Cristão) diz sobre adorar na beleza da santidade: "a verdadeira adoração reflete isto no amor e admiração dados a Ele. e são elas mesmas que testificam de mim. Aliás. também. porque julgais ter nelas a vida eterna. Qual é o espelho? Penso e algumas coisas que devem ser usadas como espelho: i. como pelo Senhor. Jesus disse "e sobre esta pedra edificarei a minha igreja" num contexto muito peculiar: Haviam três nações. na sua ação de adorar. somos transformados. também. como por espelho. porém. o Espírito (2CO 3:18). nação santa. na sua própria imagem. que tinham 185 . contemplando.A noiva.ed. sois raça eleita. A natureza expressa a glória de Deus. contemplando. O Pai desvenda-nos o rosto (por meio da revelação). Assim Cristo edifica a sua Igreja. a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. pela contemplação? Adorar tem várias conotações: prestar homenagens.Os céus proclamam a glória de Deus. a encarnação da bondade de Deus. Ele é a vida eterna que está no texto sagrado. aqui. ii. não apenas para ter informações sobre ele. portanto. Igreja é. povo de propriedade exclusiva de Deus. a glória do Senhor. reverenciar. Será que a Igreja é edificada enquanto e na medida em que adora? Paulo parece dizer que sim: . A palavra reunião pode dar uma conotação equivocada: de que só há igreja quando essas pessoas.Examinais as Escrituras. entre outras. representadas por três cidades. sacerdócio real. mostra-nos o Filho e o Espírito Santo nos transforma.Mas vem a hora e já chegou. e encontram.E todos nós. prestar culto e.

Eis o projeto de Jesus: uma nação de adoradores . Jesus falava no contexto das cidades muradas.pretensões universais: romanos. Por que ataque? Porque fala das portas não prevalecerem. uma nação de soldados . acreditavam que a tal salvação estava em todos submeterem-se a seu modo de pensar.1. sua nação atacará o inferno e as portas deste não resistirão ao ataque daquela. representados por Roma. está contido nessa afirmação é o fato de a igreja ser o braço ministerial de Jesus Cristo. a última defesa. destruindo as obras do diabo. onde a porta é o último bastião. e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. como sacerdotes.o corpo. o que significava submeter-se a eles. os gregos. Os judeus acreditavam que a salvação dos homens estava na submissão destes a eles que. ou seja. uma nação de soldados da libertação. assumindo seu papel ministerial. se as portas não resistem ao ataque. Pois. como disse João: 1JO 3:8 -Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo. mais eficaz se torna contra o inferno. I . liberando os seus prisioneiros. 1. judeus. representados por Atenas. Quanto mais a igreja adora. A medida que a igreja vai sendo edificada vai. Esta é uma conseqüência natural em 186 . também. O verbo hebraico hyh (avivar) tem o significado primário de "preservar" ou "manter vivo". No Antigo Testamento:. "avivar" não significa somente preservar ou manter vivo.a noiva. representados por Jerusalém e os gregos. Os romanos acreditavam que a salvação do mundo estava em todos se submeterem à sua "pax". Outro elemento que. Jesus diz que vai fundar uma nação que libertará de fato os homens do inferno. mas também purificar. por sua vez.O significado bíblico do termo "Avivamento":. pois. os conduziriam no caminho de Deus. a cidade é invadida e tomada. Porém. penso. Parte XXXII O PADRÃO BÍBLICO DE AVIVAMENTO Qual o padrão bíblico de avivamento? Os avivamentos bíblicos oferecem alguma coordenada para a renovação da igreja evangélica no Brasil de hoje? Estas são algumas das perguntas que procuraremos responder no decorrer desse estudo. O corpo depende da noiva. corrigir e livrar do mal.

A igreja não é 187 . é usado mais de 250 vezes no Antigo Testamento. não tornarás a vivificar-nos (3). II . e da clássica oração do profeta Habacuque: "Tenho ouvido. como esta: "Porventura. um grau incomum de vida espiritual. faze-a conhecida. embora a idéia básica de avivamento seja sugerida com mais freqüência.O que não é avivamento bíblico:. No Novo Testamento:. O Rev. apenas sete vezes. 'anastáso. durante a qual a Igreja Cristã desfrutou.2). Hernandes Dias Lopes. em seu livro AVIVAMENTO URGENTE. o avivamento é sempre indicado como uma obra ativa e intensiva de Deus. mesmo que rápida. 1. 'anázoe e 'anakaínoo. em comparação ao Antigo Testamento. as tuas declarações. Uma possível explicação para o uso escasso dos termos. propriamente dito. No Novo Testamento grego as palavras supracitadas aparecem. Na história de cada avivamento. Avivamento não é um programa agendado pela igreja. do que não é o padrão bíblico de avivamento. Um verbo nas formas do Piel expressa uma ação ativa intensiva no hebraico. Avivamento não é ação da igreja. em suas várias formas (2).toda vez que Deus aviva. acreditamos ser de grande ajuda uma abordagem. aviva a tua obra. lemos que Deus purifica. 'anaphállo em Fp 4. na maior parte do tempo. das quais 55 vezes estão num grau chamado piel. Alguns exemplos de sua ocorrência são as clássicas orações de Davi. Transcrevo-as quase que na íntegra.10). 'anazopyréo em 2 Tm 1. no contexto de avivamento. apresenta sete interessantes razões sobre o que não deve ser entendido como avivamento de verdade. no decorrer dos anos.2.6) ou uma planta que lança novos brotos e "floresce novamente" (cf. é que o Novo cobre apenas uma geração. O verbo "avivar". e. no decurso dos anos. Neste sentido. ó Senhor. Avivamento é obra soberana e livre do Espírito Santo. tira a escória e as coisas que estavam impedindo o progresso da causa (1). Antes de falarmos sobre avivamento bíblico. e me sinto alarmado. mas de Deus. São elas: 'egeíro. A igreja não promove e nem faz avivamento. Encontramos no Novo Testamento grego um conjunto de palavras que expressam o conceito básico de avivamento.1. lembra-te da misericórdia" (Hc 3. 2. ó Senhor. na tua ira. dentro ou fora da Bíblia. para que em ti se regozije o teu povo?" (Sl 85. livra do mal e do pecado.6) (4). Sou devedor ao dileto colega por suas pertinentes observações. Outras palavras gregas comparam o avivamento ao reacender de uma chama que se apaga aos poucos (cf.

Muitos crentes confundem avivamento com forma de culto. quem determina o quando e o como do avivamento é Deus. Louvor em que a pessoa 188 . Avivamento não é mudança doutrinária. "Assim como o homem crê no seu coração. Sem busca não há encontro. num gesto de rendição e entrega (I Tm 2. A igreja não agenda e nem programa avivamento. Precisa estar dentro das balizas da Bíblia e não dentro dos muros de revelações subjetivistas. Sem oração da igreja. em oração fervente. Avivamento sem doutrina é fogo de palha. Desprezar a doutrina é querer levantar um edifício sem lançar o fundamento. Desprezar a doutrina é querer por um corpo de pé e em movimento sem a estrutura óssea. ela só pode içar suas velas em direção a esse vento. Avivamento não é mudança litúrgica. as chuvas torrenciais de Deus não descerão. com coreografia e instrumental aparatoso. A teologia é mãe da ética. Não é mimetismo. Louvor não é pululância. Louvor que apenas levanta as mãos para o alto. é movimento emocionalista. no entanto. Contudo. Cometem ledo engano aqueles que querem descartar a teologia e desprezar a doutrina na busca do avivamento. Não há vida piedosa sem doutrina. suava de molhar a camisa. é experiencialismo personalista e antropocentrista. como bater palmas. jamais haverá derramamento do Espírito. Não é emocionalismo. A doutrina é a base da ética. gingos e dança (6). não anula a responsabilidade humana. O avivamento jamais acontecerá se a igreja não se humilhar. Não é ritualismo. Desprezar a doutrina é dinamitar os alicerces da vida cristã. Deus tem compromisso com a verdade e a sua Palavra é a verdade e todo avivamento precisa estar fundamentado na Palavra. 2. o Espírito foi poderosamente derramado e os corações se dobraram a Cristo aos milhares. Aquele jovem. amém e levantar as mãos. Quando o seu coração parecia desalentado e já não havia prenúncios de chuva da parte de Deus.8). em favor daqueles pobres índios.3. O avivamento precisa estar norteado pelas Escrituras e não por sonhos e visões. muitas vezes feitas na carne. em agonia de alma. dizer aleluia. Sem obediência a Deus. assim ele é" (Pv 23. A igreja só pode buscar o avivamento e preparar o caminho da sua chegada.agente de avivamento. 2. A soberania de Deus. A igreja não produz o vento do Espírito.7). Vida sem doutrina gera misticismo e experiencialismo subjetivista. Não é apenas seguir formas pré-estabelecidas.2. Ele é soberano. David Brainerd orou vários anos pelo avivamento entre os índios peles vermelhas no século XVIII. mas não as estende para o necessitado não agrada a Deus. com liturgia animada. O avivamento jamais virá se a igreja não preparar o caminho do Senhor (5). ajoelhado na neve. Louvor não é encenação. A Bíblia ordena levantar mãos santas ao Senhor.

Este cântico vem de Deus e volta para Deus. senão é fogo estranho. O louvor bíblico leva as pessoas a temerem a Deus. Avivamento não é histeria carnal. do "rock evangélico". a confiarem em Deus. novo. é ofensa a Deus.. Não é um novo de edição. o seu louvor estará sempre nos meus lábios" (Sl 34. Primeiro. ungida.. é choro pelo pecado. fria e morta e põe em seu lugar uma liturgia viva. A música do mundo tem entrado nas igrejas. alegre. À luz destas coisas. Louvor que apenas verbaliza coisas bonitas para Deus. é barulho aos ouvidos de Deus. é preciso dizer que. "Bendirei ao Senhor em todo o tempo. Cada culto é um acontecimento singular. todo avivamento mexe com a liturgia. quebrantamento. Em épocas de avivamento. onde há liberdade do Espírito. Deus é o seu alfa e o seu ômega. versículo 3. Segundo. Terceiro. 189 . sem abandonar a ordem e a decência. É um cântico que expressa a marca da sua nova vida. liberta do tremendal de lama (v2). um hino de louvor ao nosso Deus. embora o avivamento não seja mudança de liturgia.1). Davi. vemos o objetivo deste cântico: ". O louvor que agrada a Deus precisa ser em espírito e em verdade. para vergonha nossa e para derrota nossa. sem regras rígidas préestabelecidas. Hoje estamos vivendo a época dos shows evangélicos. temerão e confiarão no Senhor". no Salmo 40. Ele procura adoradores. O louvor precisa ser bíblico. mas não vive em santidade. muitos verão estas coisa. Mais do que nunca é preciso tocar a trombeta em Sião e condenar a idéia de que precisamos imitar o mundo para atrair o mundo.23).apenas saltita e pula. dos show-men. vemos o resultado deste cântico: "Muitos verão estas coisas. é mudança de vida. mas não leva Deus a sério na vida é fogo estranho diante do Senhor. mas novo de natureza. Este louvor vem de Deus e não do homem. em espírito e em verdade. obediência e não leva as pessoas a confiarem em Deus. Quarto. O verdadeiro louvor leva as pessoas a se voltarem para Deus. Louvor é a totalidade da vida. é preciso dizer que avivamento não é mudança litúrgica. não é louvor. O louvor não é um espaço da liturgia. cerimonialista. onde há abertura para o que Deus deseja falar e fazer com o seu povo. Um hino de louvor ao nosso Deus". fala-nos sobre as balizas do louvor que agrada a Deus: "E me pôs nos lábios um novo cântico. Louvor que não produz mudança de vida. porque não ouvirei as melodias das tuas liras" (Am 5. a liturgia é desingessada e o povo com alegria e liberdade do Espírito adora a Deus. das músicas badaladas por um ritmo sensual. Deus não procura adoração. Este cântico não é para entreter ou agradar o gosto e preferência das pessoas. temerão e confiarão no Senhor". O avivamento desinstala a liturgia ritualista. dos animadores de programas religiosos. vemos a natureza deste cântico: "E me pôs nos lábios um novo cântico". vemos a origem deste cântico: "E me pôs nos lábios". Assim diz o Senhor: "Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos. Todavia. formalista.

todo avivamento muda a liturgia. Deus pode e faz maravilhas. Entretanto. a ressurreição dos crentes estava sendo negada. Havia falta de compreensão acerca do casamento e da liberdade cristã. Embora o avivamento não seja mudança litúrgica. esta não é a ênfase do avivamento. Há cultos solenes que estão mortos". contendas. Muitos crentes. os dons são buscados e exercidos para a glória de Deus e a edificação da igreja. os dons estavam sendo usados erradamente. Ele não obedece à agenda dos homens. ungida. Packer no seu livro "Na Dinâmica do Espírito": "Não há nada mais solene do que um cadáver. Ninguém pode instruir a Deus e dizer o que Ele pode e o que Ele não pode fazer. Toda vez que super-enfatizamos uma verdade em detrimento de outra. Devemos clamar como os puritanos: "Queremos liturgia pura". cismas. mas estão mortos. Muitas pessoas hoje estão limitando o avivamento a milagres. Naquela igreja a ceia do Senhor estava sendo incompreendida. "Ele faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade" (Ef 1. havia divisões. A igreja hoje busca mais uma vida antropocêntrica do que teocêntrica. Acham que avivamento é uma 190 . I. imoralidade e irmãos levando outros irmãos aos tribunais mundanos. brigas. todavia. quando quer. É verdade que. alegre. Ele faz tudo quanto Ele quer. Uma igreja pode ter todos os dons sem ser uma igreja avivada. onde quer. Avivamento não é modismo. sem observarem a abrangência global da doutrina pneumatológica.5. A igreja hoje anseia mais as bênçãos de Deus do que o Deus das bênçãos. em épocas de avivamento. Avivamento não é uma ênfase carismática unilateral. e a cooperação financeira com os pobres negligenciada. Avivamento não é conhecido pelos dons do Espírito. A igreja hoje empolga-se mais com milagres do que com vida cheia do Espírito. A igreja hoje está correndo mais atrás de sinais do que atrás de santidade.11). Ninguém pode obstaculá-lo nem ensinar-lhe qualquer coisa. era uma igreja imatura e bebê espiritualmente. como quer. mas pelo fruto do Espírito. aparatosos. curas e prodígios extraordinários quando Ele quer. 2. Ele não se deixa pressionar. Este é um sério perigo. com quem quer. dirigida pelo Espírito de Deus. Disse J. 2. pomposos. Ninguém pode ser o conselheiro de Deus.4. nós produzimos deformações e distorções nesta verdade. A igreja de Corinto possuía todos os dons. por desconhecimento. partidos. Avivamento não é efervescência carismática.Hoje existem muitos cultos solenes. curas e exorcismos. Naquela igreja profundamente carismática. mas a ênfase carismática não é sinônimo de avivamento. Ele é soberano. Ninguém pode deter a sua mão. Ele é livre. se posicionam contra o avivamento porque acham que ele é a mais nova onda da igreja. tornando-a bíblica.

7. Desde o Antigo Testamento que esta é uma verdade incontestável. econômicas. mas ao enfrentamento. Ele é nossa herança e nosso legado e deve continuar sendo nossa aspiração e nossa busca constante. É só ver o que Deus fez na Reforma do Século XVI. É só olhar para os grandes despertamentos na época de Ezequias. o trabalho. Querem sair do mundo em vez de serem guardados do mal. no avivamento. os pecadores correm para a igreja. a igreja vai aos pecadores. 191 . Esta não é a visão bíblica nem a visão do verdadeiro avivamento. no século XVIII e em outros grandes avivamentos da história. saem da realidade e enclausuram-se nos castelos inexpugnáveis de uma espiritualidade isolada e monástica. os estudos e a vida do dia-a-dia com o mesmo interesse. avivamento não é uma onda. Acham que Deus está interessado apenas nas coisas espirituais. em Antioquia da Síria e em Éfeso. os pregadores apelam aos pecadores. não é um modismo. João Calvino atacou com veemência os juros extorsivos em Genebra. Avivamento não é campanha de evangelização. O avivamento sempre traz profundas mudanças políticas. 2. no avivamento. Avivamento é para a igreja. Na evangelização. evangelização é para pecadores inconversos. Certamente. corpo e alma. isolam-se. Todo o nosso viver é litúrgico. O grande avivalista John Wesley lutou pelas causas sociais na Inglaterra ao mesmo tempo que pregou sobre avivamento. Muitas pessoas. Tudo em nossa vida é vazado pelo sagrado. em Samaria. Finney pregou ardorosamente contra a escravidão nos EUA no século passado ao mesmo tempo que foi o maior avivalista do seu país.6. quando começam a buscar avivamento. os pecadores apelam aos pregadores. evangelização é para o mundo. no avivamento. aqueles que assim pensam não estudam com critério a Bíblia nem a história da igreja. pessoas que já têm vida. matéria e espírito. fazendo da vida uma caverna de fuga. Na evangelização. Os pontos culminantes da igreja aconteceram em épocas de avivamento. sociais e morais. Deus trabalha para a igreja.coqueluche moderna e uma inovação sem nenhum respaldo bíblico e histórico. de Josias e de Neemias. Não podemos confundir avivamento com campanhas evangelísticas. Avivamento não é uma visão dicotomizada da vida. 2. Tornam-se tão "espirituais" que já não sabem mais conviver com a vida. Certamente. Acham que Deus só olha para a vida de trabalho na igreja. Toda a nossa vida é cúltica. É só ver o grande avivamento em Jerusalém. pessoas que estão mortas em delitos e pecados. Avivamento é para crentes nascidos de novo. na Inglaterra. a família. Dividem a vida entre sagrado e profano. Ele possui firmes lastros históricos. sem observar os negócios. Na evangelização. O avivamento não leva a igreja à fuga. a igreja trabalha para Deus.

quase moribundos (8). isto é. a missão integral de servir o mundo evangelística e socialmente. Estritamente falando. Martin Lloyd-Jones: É uma experiência na vida da Igreja quando o Espírito Santo realiza uma obra incomum.2. Acertadamente o Dr. mas a sociedade não-cristã também é beneficiada pelo avivamento. a igreja amortecida e tristemente doente é a primeira a ser beneficiada pelo avivamento. 3. avivamento é algo que acontece unicamente no meio do povo de Deus. diz o Dr. por definição. assim. além da atuação soberana do Espírito Santo no mundo. reaviva e desperta a igreja sonolenta. por sua vez. neste sentido não apenas a igreja. como disse Robert Coleman. é "o retorno de algo à sua verdadeira natureza e propósito" (7). Os efeitos do reavivamento são muito mais perceptíveis nas mudanças morais que acontecem na região ou num país onde ele acontece. desejo profundo de santidade de vida e aumento perceptível no desejo de pregação do evangelho. O sentido estrito de avivamento. entre os membros da Igreja: é um reviver dos crentes. dormentes.O Padrão Bíblico de Avivamento: Podemos definir o avivamento bíblico em dois sentidos distintos: 3. O Espírito Santo renova. os resultados imediatos do avivamento são sentidos no povo de Deus: senso inequívoco da presença de Deus. Como a própria expressão define. A sociedade não-cristã. um despertamento de membros de igreja que se acham letárgicos. Ele causa impacto em toda a comunidade onde a igreja de Deus está inserida" (9). O sentido amplo de avivamento. Ele a realiza. Isto acontece porque. na igreja passa a existir uma conscientização profunda de sua missão. Héber de Campos comenta que "o reavivamento começa na igreja e termina na comunidade maior onde ela vive. Ele não se limita simplesmente aos membros das igrejas atingidas pela obra de Deus. Quando há esse impacto da obra do Espírito de Deus na vida da igreja. volta-se para Deus em resposta ao evangelho. convicção de pecado na vida das pessoas. Em suma. as duas características principais do avivamento são 1) o extraordinário revigoramento da igreja de Cristo e 2) a conversão de multidões que até o 192 .III . primeiramente. É revitalização onde já existe vida.1. Ou. um revigoramento. No avivamento a igreja vive a missão para a qual foi chamada. Em outras palavras. o avivamento é primeiramente uma vivificação. Não se pode reviver algo que nunca teve vida. Comentando um pouco mais sobre o sentido estrito de avivamento. oração fervorosa e louvor sincero.

exceto às segundas-feiras". Héber de Campos. A Bíblia passa novamente a ser honrada como a única Palavra inspirada de Deus" 193 . Observando os avivamentos ocorridos na Bíblia e na história da igreja. é fundamental o equilíbrio que só a Bíblia oferece. A relação entre a Bíblia e o avivamento é tão intrínseca que é impossível um avivamento de verdade sem que a Bíblia faça parte dele. ou quando muito acham que avivamento é a mais nova onda do momento. É necessário. até àqueles que negam a sua existência. Sabemos que hoje existem desde aqueles que vêem toda e qualquer manifestação entusiástica como avivamento. Avivamento onde a Bíblia não está presente não passa de um mero pentecostalismo convencional. Permita-me ilustrar o que queremos dizer por "extremos". Avivamento e a Bíblia. é importante salientar que ela foi.momento estiveram fora dela na indiferença e no pecado. uma das maiores autoridades sobre avivamentos. Uma vez que a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática. Uma delas dizia: "Reavivamento aqui todas às segundas-feiras à noite". é e sempre será a espada do Espírito Santo em todo avivamento bíblico. Voltando ao lugar da Bíblia no avivamento. mais do que nunca. "que é produto da obra do Espírito Santo na igreja. como se o avivamento fosse produzido simplesmente pelo desempenho humano com data e hora marcadas. é ela e somente ela que nos pode dar a direção certa deste assunto. Edwin Orr (10). "Um reavivamento". disse que viu duas igrejas nos Estados Unidos convidando pessoas para suas reuniões de avivamentos. numa época de tantos extremos como este em que vivemos. 1) O padrão bíblico de avivamento é a Bíblia Por mais simplória e pleonástica que esta declaração pareça ser. Aqui também abordaremos dois aspectos essenciais do avivamento. certamente tem sua ênfase naquilo que tem sido esquecido por muito tempo: a Palavra de Deus. Estamos falando do único padrão inerrante e infalível de avivamento: a Bíblia.3. recorrermos à lei e ao testemunho. A autoridade da Palavra de Deus passa ser algo extremamente forte num momento genuíno de reavivamento. uma inovação humana sem respaldo bíblico. uma coqueluche moderna. Orr menciona este fato para relatar um desses extremos em que a palavra "avivamento" ou "reavivamento" é usada aleatoriamente. Além disso. 3. enquanto que a outra prometia: "Reavivamento aqui todas às noites. diz o Dr. Não existe verdadeira espiritualidade sem a Bíblia. ela é tão autêntica e singular como dois e dois são quatro. notamos que os objetos do Espírito eram sempre persuadidos com e para a Bíblia.

uma apatia espiritual se apoderou da nação.26) (12).1-17).1-5. no início do reinado de Salomão. E Josafá. O período de trezentos anos de liderança dos juízes mostra os israelitas. possui muitos ingredientes de um avivamento (2 Sm 6. Então.12-23). O nome Enos quer dizer fraco ou doente.9. "É provável que fosse um reflexo da consciência da depravação humana e da necessidade da graça divina" (13).1-8. À parte desta indicação não existe nenhum outro relato de avivamento no princípio da história da raça humana.10). e sabiam toda a obra que o Senhor tinha feito a Israel" (Js 24. entrando com a arca em Jerusalém. Segundo Coleman. de uma vez por todas. Tempos de renovação ocorreram periodicamente no período dos reis. A dedicação do templo. O juízo de Deus é inevitável. na outorga da lei do Senhor no Sinai (Ex 19.(11). No tempo de Josué um despertamento espiritual predominou em suas campanhas. O relato subseqüente do dilúvio ilustra de modo dramático o que acontece com um povo que não se arrepende de seus pecados. 10. de quando em quando. Depois temos os patriarcas que por vários séculos lideraram o povo de Deus. a quem servir (Js 24. o que se pode chamar de "o grande despertamento geral" ocorreu nos dias de Sete. e exigiu que cada um escolhesse.9-15) e o aparecimento cada vez mais forte de doenças na raça humana. Um dos maiores movimentos avivalistas aparece no final desse período. enviando-lhes um libertador que liberta o povo na vitória contra os inimigos.29) e no levantamento da serpente de bronze no monte Hor (Nm 21. 32. O que é deveras significativo. O avivamento também chega a Judá nos dias de Asa (I Rs 15.35).4-9).31). prosseguindo durante "todos os dias de Josué. o nome Enos era bastante adequado. Josué reuniu as tribos de Israel. 4.3.1-35.1-8. há períodos empolgantes de refrigério. O breve avivamento na casa de Jacó é um bom exemplo disso (Gn 35.1-25.21-28).1-15). o povo se arrepende e clama ao Senhor (Jz 3. especialmente nos acontecimentos ligados à primeira páscoa (Ex 12. traindo o Senhor e servindo a outros deuses. outro rei de Judá. como na travessia do rio Jordão (Js 3.7.15. sob a direção de Samuel (I Sm 7. é outro grande exemplo (I Rs 8).6. lidera uma reforma (I 194 . Sempre que a vitalidade espiritual do povo se desvanecia. e todos os dias dos anciãos que ainda viveram muito tempo depois de Josué. eles agiam como a força que promovia novo vigor.1-15). A marcha de Davi. Mas quando terminaram as guerras e o povo se assentou para desfrutar os despojos da vitória. pouco depois do nascimento de seu filho Enos: "Então se começou a invocar o nome do Senhor" (Gn 4.9-15). Sabendo que seu povo estava dividido. 6. Um verdadeiro avivamento segue-se a esse desafio. 24. Em cada ocasião Deus responde as orações. Considerando o assassinato de Abel (Gn 3. Mais tarde. após longos anos de opressão. sob a liderança de Moisés. em Siquém. 2) O padrão bíblico de avivamento está na Bíblia Os primórdios do avivamento bíblico aparecem em Gênesis.12) e na conquista de Ai (Js 7.

São Paulo: Editora Vida.44).1-21. "reavivamento".41-50).o dia em que a Igreja. D. em Samaria. "vivificação".23.1-6. entre os negros Zulus da África do Sul na década de 60 e na Coréia do Sul nestes últimos tempos. Veja também. AVIVAMENTO SOB UM PRISMA VÉTERO-TESTAMENTÁRIO no site www. como igreja e povo brasileiros. redimida por seu sangue. E de lá para cá. são muitos os relatos da obra vivificadora do Espírito Santo na história da igreja. sairia em seu nome a proclamar o Evangelho 'até os confins da terra' (At 1. Uma oração por avivamento e a promessa de sua ocorrência encontramos também em Joel 2.28-32.1-47). Avivamento em Jerusalém. 8. "reviver" e "tornar a viver" são usados no mesmo sentido. (2) Os termos "avivamento". sob a liderança de Zorobabel e Jesua. do Salmo 85. (3) O significado literal da expressão hebraica "vivificar-nos". deixando-os na expectativa de receberam a promessa do Espírito (Lc 24. 2 Cr 34. M.19 e Malaquias 4.8)" (14).1-26). 73.18). durante o reinado de Josias. O avivamento alcança o auge poucos anos depois. os profetas Ageu e Zacarias entraram em cena para instigar o povo a prosseguir (Ed 5. Que Deus derrame do seu Espírito sobre nós para que possamos.35). na Inglaterra no século XVIII. Por fim. Outro poderoso despertamento é vivenciado na terra sob a liderança do rei Ezequias (2 Rs 18.1-13. pp.16). O livro de Atos registra a dimensão desse avivamento.22. o início de uma nova era na história da redenção.31).24). ascende aos céus. novas reformas são iniciadas em Jerusalém. garantida por sua ressurreição.1-4. Ainda. outra vez começa a reacender um novo avivamento (Ed 1. O poderoso derramamento do Espírito Santo.br. discipulada por intermédio de seu exemplo. Por três anos Jesus trabalhara na preparação desse dia . dentre outros. Zc 1.23. no dia de Pentecostes. At 1. "Marca-se. NOTAS (1) Cf. onde se reconhece que a vitalidade espiritual depende 195 . a descoberta do livro da lei. No apogeu de um grande avivamento Jesus aparece e é batizado por João Batista. quando Neemias se apresenta para completar a construção dos muros de Jerusalém e estabelecer um governo teocrático (Ne 1.1-10.1-23). é "causa-nos viver".49-53.14-3. com a chegada de outra expedição liderada por Esdras. inaugura o avivamento que Jesus havia predito (At 2. dando-se mais atenção à lei (Ed 7. DO TEMOR À FÉ (2ª ed. de Gerard Van Groningen.ipcb. em Antioquia da Síria e em Éfeso.4-12. Escolhe e treina seus discípulos. Tendo as intimidações dos inimigos induzido os judeus a interromperem a reconstrução do templo. bem como o sacerdote Joiada (2 Rs 11.org. Setenta e cinco anos depois. "renovação". "despertamento". Lloyd-Jones.1-2. Habacuque 2.Rs 22. Ag 1. 1987). na Alemanha com a Reforma Protestante do século XVI. como por exemplo. experimentar mais uma vez daquele "fogo abrasador" que nos purifica e nos santifica para uma vida cristã de obediência à sua Palavra.4.6. dá início a um dos maiores avivamentos registrados na Bíblia (2 Rs 22. assim.

pp. porque se dá ênfase excessiva ao louvor. (8) D. p. p. 12): "Confunde-se avivamento com atitude pessoal e inclusive corporal (física).PR.compromisso. etc. Campos. o excelente livro AVIVAMENTO (São Paulo: PES. Lloyd-Jones. A HISTÓRIA DOS AVIVAMENTOS. (7) R. Se não soubermos administrar esses fatores. CRESCIMENTO DA IGREJA: COM REFORMA OU COM REAVIVAMENTO? In Fides Reformata. Coleman. VAMOS VER O MINISTÉRIO PELA PERSPECTIVA DE PAULO . 15. Vol I. 53. OS PURITANOS: SUAS ORIGENS E SEUS SUCESSORES (São Paulo: PES.6. 1994).. Coleman. Há uma superficialidade doutrinária muito grande.vocação pressupõe . a práticas pentecostais. (5) Para um ponto de vista diferente. do mesmo autor. (9) Héber C. pp. . (14) Idem. Edwards em REVIVAL! A PEOPLE SATURED WITH GOD (England: Evangelical Press. disposição e acima de tudo uma visão clara do trabalho que vai realizar.1 . com expressão emocional. 45. p. (12) R. 44. Edijéce Martins Ferreira. quando avivamento é tão somente uma consciência clara e profunda da vontade de Deus (que é doutrinária) e uma disposição plena de obediência (que é prática)". em entrevista ao Jornal Brasil Presbiteriano (Abril/94. cit. 18.Em primeiro lugar vamos examinar os fatores internos que influem no ministério cristão.qual a sua visão do seu ministério pessoal? 02. Campos. (11) H. op. 1992) 320 pp. acabaremos desistindo no meio do caminho. Todavia. 1993). a sermões eletrizantes.inteiramente de Deus. C. Paul E. material apostilado pela Faculdade Teológica Sul Americana de Londrina . Essas atitudes em si não são propriamente prejudiciais. 61 Parte XXXII O QUE É MINISTÉRIO? TEXTO 2 CORÍNTIOS 6:1-10 01. (10) Citado por Brian H.5. p. 1996). (6) Uma posição semelhante foi apresentada pelo Rev. cit. (13) Idem. p. O MINISTÉRIO NÃO É UMA PROFISSÃO E SIM UMA VOCAÇÃO ..2 Coríntios 6: 1-10 2. Veja também. p. op. veja a obra do Dr. 25. Pierson. A CHEGADA DO AVIVAMENTO MUNDIAL (São Paulo: CPAD. Nº 1 (São Paulo: 1996). (4) O Novo Comentário da Bíblia. pela confusão que se faz a doutrina sai perdendo. 196 . levantar de mãos. Edições Vida Nova. dá a este Salmo o sugestivo título: UMA ORAÇÃO PEDINDO REAVIVAMENTO. M.

Isto é. "restringir".Privação . "afligir".significa a habilidade em conservar o projeto do ministério mesmo quando as águas são agitadas. Esse conceito nasceu no Séc. As aflições não podem nos afastar deste propósito. é chamado de Ativistas.Ser paciente . Tem de ser um heroi 24 horas por dia! Nós sabemos que há momentos no ministério em que a vontade é de desaparecer. Todo mal vem de Satanás e deve ser enfrentado com ousadia! . . . de vesuviar. de largar tudo.tem o sentido de passar por "experiências adversas". de permanência. . .Nas privações .Ilust. . Portanto devemos nos aquietar. através do exercício da fé. Esta habilidade hoje está muito comprometida.. Para os ativistas. 197 . podemos acabar com todas as enfermidades. de firmeza! . .O outro lado que se opõe frontalmente ao quietismo.Crisóstomo afirmou: "a paciência é um porto que desconhece tempestades". eu ouvi uma certa ocasião um pastor afirmar que nós precisamos ter pelo ao menos três pessoas compartilhando do nosso ministério. A síntese desse movimento era que o mal foi planejado para o nosso bem. XVII na França e na Itália e foi chamado de Quietismo.Nas aflições . O medo de fracassar é um fantasma que ronda com muita freqüência o pastorado.Na muita paciência .O pastor segundo os ativistas não deve ficar deprimido. Não podemos nos esquecer de que o pastor é antes de tudo um sacerdote chamado para interceder junto a Deus pelo povo. Somos e procuramos exteriormente demonstrar uma força que muitas vezes não temos. Vale a pena reler Romanos 12:12 "Sede pacientes na tribulação.Há momentos em que a Bíblia parece um livro fechado. Poucos são os pastores que demonstram paciência no exercício do ministério.A . ." C .não é ser simplesmente ser gentil. O sentido da palavra aponta para um espírito de perseverança. Você não consegue tirar nem uma gota de inspiração. de estabilidade. Quem ainda não passou por esses vales profundos de pobreza ministerial.esta palavra tem o sentido de "espremer".um dos grandes problemas do ministério é que o pastor nunca se acha fraco..paciência .Pergunta: você tem exercido esta paciência em seu ministério? B .A primeira é a de aceitar as aflições como uma disciplina de Deus.Há duas situações neste contexto que precisam ser compreendidas: . com todas as dificuldades da vida. Tudo o que acontece nesse campo de dores vem de Deus.

.o sentido aqui é de "estreitamento". pg. fechado. .Em terceiro lugar você precisa de um Paulo .. . Procurou encobrir o seu erro camuflando-se diante de Deus. ser levado a um ambiente apertado. É o que os pais fazem com os filhos. não consegue progredir.alguém a quem você possa ensinar.usaram a aparência de santidade para impressionar o apóstolo Pedro.alguém que esteja acima de você e que possa orientá-lo nos seus momentos difíceis. 87). Hoje isto quase não acontece. Esse sofrimento não tem muito a ver com sofrimento físico. uma perda da capacidade de amar. A . .Em segundo você precisa de um Barnabé . 198 . Eu sei que é muito difícil você se abrir com um colega com o qual você não tem uma amizade verdadeira. O enfoque maior desta palavra se refere as "feridas". Alguém que dependa de você para vencer as dificuldades da vida. D . uma inibição de toda atividade e uma diminuição dos sentimentos de valor próprio até o ponto de auto-recriminações e auto-injúrias.São frequentes os momentos em que os espaços diminuem.Em primeiro lugar você precisa de um Timóteo .alguém que esteja no mesmo nível espiritual que você.Ananias e Safira . Nestas circunstâncias o pastor é levado a se esconder atrás de disfarces.Adão tentou se disfarçar com uma folha de figueira. . e não deve se abrir com muita gente." (As Máscaras da Melancolia. Este ponto é muito importante no ministério pastoral. Freud analizando os aspectos da melancolia chegou à conclusão que ela produz "uma anulação do interesse pelo mundo exterior. Angústia faz parte do ministério. em nossa mente.Nas angústias . Estas marcas ainda são necessárias ao ministério. Você não pode caminhar sozinho. Quando você tem alguém sob sua responsabilidade você se desdobra em busca de socorro. A idéia é que o ministro pode a qualquer momento ser confinado.. aos "golpes" que recebemos em nossas emoções. . contar suas frustrações e receber todo apoio. .Paulo tinha as marcas de Cristo em seu corpo.Em segundo lugar vamos examinar os fatores externos que acontecem com muita frequência no ministério. Alguém que possa servir de referencial para você nos momentos de provação.Pedro por sua vez demonstrou um espírito de arrogância quando foi confrontado pela criada . Você se esforça. Mas sempre há alguém mais próximo de nós.o sentido desta palavra aponta para um dos sofrimentos maiores do ministério.Em açoites . 2. . luta mas não consegue avançar.2 .Marcos 14:66-71 ..Aqui também corremos um outro perigo: o de produzir um estado de melancolia. Alguém com quem você possa se abrir.Aqui surge um outro problema.

E afirma: "Nas igrejas crescentes.o sentido aqui é de "vacilação". Eles fazem parte da nossa chamada. nos jejuns. de "instabilidade".nos trabalhos. Lewis fala da "paixão vingativa".Em terceiro lugar Paulo mostra o que o ministério exige de cada um de nós. de "desesperança".. É importante saber que não estamos livres de tumultos na igreja.nas prisões .4 . Há correntes contrárias que tentam desestabilizar o nosso ministério." (Igrejas amigáveis e acolhedoras). . A .Devemos portanto pensar em prisão no sentido de não termos outro espaço para viver a não ser o do ministério.Sobre o isolamento pastoral. Precisamos estar preparados para sofrermos esses golpes. não é distração". Hoje poucos sabem o que é uma prisão.O perigo é querer punir os autores desses conflitos.Em quarto lugar Paulo nos mostra como devemos ser. (Efésios 3:1). B . Ficamos na espreita aguardando uma oportunidade para crucificar aqueles que provocaram as divisões. fazendo o resto da equipe funcionar como uma unidade . de jejuar. George Barna diz algo muito interessante: Ele fala da ausência programada do pastor. 2. não podemos fugir desse compromisso. Eu não sei quanto tempo você dedica ao exercício de vigiar. de afastamento de tudo e de todos para ouvir a voz de Deus.O Bispo Roberto sempre dizia: "ministério é trabalho. Eles experimentam a alegria de saber que a igreja não é um espetáculo de um único homem. Há muita gente interessada em tumultuar o ambiente. nas vigílias. Ele aponta um trio de atividades que não podem ser menosprezadas.S.nos tumultos . Mesmo com todas as dificuldades já apontadas. E esse trabalho exige momentos de reflexão. . 199 . C. "Uma estratégia que funciona bem.Eu sei que cada pastor tem um sistema próprio de vida. é fazer o pastor afastar-se da igreja. 2. Ainda hoje sofremos este tipo de problema na igreja. a breve ausência do pastor realmente fortalece a sua igreja. Ele diz que é fácil alimentar um espírito de desforra. . .3 . Fomos aprisionados por Cristo. Uma série de virtudes são apresentadas neste bloco. no caso da maioria das igrejas crescentes. Neste ponto nós podemos nos identificar com o apóstolo Paulo.Lembre-se: ministério sem dor não é ministério. O que não pode ser esquecido é que sem trabalho o ministério não cresce. de isolamento. C . Poucos são os pastores que exercem esse ministério. para uma ausência planejada".eu creio que não estamos ferindo o texto bíblico ao aplicarmos estas experiências de Paulo em nosso contexto social. .

A . pelas armas da justiça. Ser paciente para com os demais. como enganadores e sendo verdadeiros. como castigados. na Filadélfia. eis que vivemos.Em quinto lugar Paulo mostra o que devemos fazer em nosso ministério. ORLANDO COSTA E A IGREJA BRASILEIRA Introdução Orlando E. . Costa Rica.amor não teatral.na palavra da verdade. quer defensivas. Graduou-se doutor em teologia e missiologia nos Estados Unidos. no amor não fingido.significa simplicidade. Não devemos apenas interpretar um papel que não vivemos na realidade. . no poder de Deus. Não ficar alheio ao que acontece no mundo. . mas enriquecendo a muitos. Temos dado pouca ênfase nas manifestações do Espírito. mas possuindo tudo.no poder do Espírito. . na longanimidade. . em San José. . Atuou como administrador da faculdade do Eastern Baptist Theological Seminary. porém não mortos. por honra e por desonra. sinceridade. pobres. . Esta falta enfraquece o ministério.no amor não fingido . 200 . Foi reitor e professor do Seminário Bíblico Latino-Americano de Costa Rica.eu disse a igreja que nós perdemos um pouco da nossa característica. mas sempre alegres . no saber. .Há uma série de paradoxos neste texto. Há muitas oportunidades a nossa frente.na pureza. gentileza. de resistência. aos 45 anos de idade. atuava como professor no Andover Newton Theological School.pureza .na bondade . Pouco falamos sobre os dons do Espírito.A .Nós fomos chamados para um ministério singular. Além disso. Era pastor e teólogo batista. ocupou o cargo de segundo vicepresidente do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI) e. onde também foi professor de missiologia e diretor de estudos hispânicos. Temos tudo e ao mesmo tempo não temos nada.saber . em 1973. quer ofensivas. 2. fundou o Centro Evangélico Latino-Americano de Estudos Pastorais (CELEP).no Espírito Santo . Assim é o ministério pastoral. como se estivéssemos morrendo e.fala de tolerância. Que ninguém desanime nesse caminhar. .Quem consegue entender esta composição bíblica consegue também exercer um trabalho rico e abençoado por Deus.5 . Costas (1942-1987) nasceu em Porto Rico e faleceu nos Estados Unidos. vitimado por um câncer. nada tendo. contudo. na bondade. por infâmia e por boa fama.estar afinado com o movimento da ciência. . entristecidos. como desconhecidos e. transparência. em Massachussetts. na ocasião de seu falecimento. e como vice-presidente da Fraternidade Teológica LatinoAmericana. no Espírito Santo.generosidade.longanimidade . entretanto bem conhecidos.

atrelada à ditadura militar do general Augusto Pinochet. Haja vista o clássico episódio em que Orlando Costas visitou uma igreja pentecostal no Chile. não se deixava impressionar simplesmente com números.Orlando Costas esteve no Brasil em junho de 1984. Contudo. por exemplo. ao mesmo tempo. Assim. rejeitando o que chamou de "império norte-americano". o que requer a mobilização da igreja em busca de uma prática libertadora integral. Não é um trabalho original no que se refere ao estudo dos tipos de crescimento propriamente dito. René Padilla. (1). Crescimento de igreja sem saúde é mera inchação. O CRESCIMENTO NUMÉRICO DA IGREJA BRASILEIRA O crescimento numérico da igreja evangélica brasileira deve fazer parte do desejo de todo cristão sincero. Embora reconhecesse o valor. Entretanto. Ele entendia que antes de tudo algumas questões importantes deveriam ser levadas em consideração. Além disso. Questionou a hegemonia política na América Latina. entendendo que a missão da igreja não é simples comunicação da fé. segundo Costas. enveredou-se pela "libertação social e cultural". a importância e a necessidade de uma igreja crescer. como por exemplo: O crescimento é motivado pelo Espírito Santo? O crescimento está relacionado com os frutos do Espírito? A fé do crente é vibrante. constatou que uma igreja como aquela não podia crescer saudavelmente estando. O renomado teólogo considerava-se um "teólogo na encruzilhada". Orlando Costas. Entre seus escritos são dignos de destaque o artigo Dimensões do Crescimento Integral da Igreja e o livro Compromiso y Misión. Entendendo que a fé não é "uma herança familiar". Admirou a liderança jovem da igreja brasileira e criticou seu fraco desempenho teológico. participando da V Semana de Atualização Teológica. Nosso trabalho visa a igreja brasileira em solo brasileiro. Costas rompeu com a cultura anglo-saxônica e a mentalidade colonialista que subjuga os povos latinoamericanos. o rol de membros de uma igreja. tal crescimento não deve ser almejado e nem considerado sadio quando a ética cristã está em jogo. sentiu-se atraído pela evangelização do povo latino-americano. Chegando lá. calorosa e esperançosa? Ele é amoroso? Sua fé é vista através da ação? A fidelidade. por exemplo. Seu enfoque é a América Latina como um todo. pois o crescimento deve ser o resultado natural de uma igreja saudável. porque uma igreja que não cresce está fora dos propósitos de Deus. saúde sem crescimento é contradição de termos. Padilla é amplo demais. 201 . também não pode servir como critério de avaliação de crescimento. Esta pesquisa é uma simples tentativa de se aplicar os conceitos de crescimento da igreja de Orlando Costas a nossa realidade brasileira. faz um comentário interessante sobre as dimensões do crescimento integral de Orlando Costas em seu artigo Avaliação Teológica do Ministério Integral em Servindo com os pobres na América Latina: Modelos de Ministério Integral. era cuidadoso em sua análise de crescimento numérico de uma igreja. mas o mundo em sua complexidade. 1.

"é parte fundamental do ser da igreja" (3). com pouca ou nenhuma perspectiva de sua missão e de seu crescimento. sabemos de tantas igrejas que estão marcando passo. Por outro lado. Entretanto. e com razão. mas que estão crescendo saudavelmente. É importante deixarmos claro que Orlando Costas não era (e jamais foi) contra o crescimento da igreja. Orlando Costas dizia que o crescimento numérico da igreja. Independente de ser pentecostal ou histórica. As indagações levantadas por Costas precisam ser ponderadas por todos nós. engessadas em suas tradições ou em seus usos e costumes. fica a pergunta: aquelas estão crescendo realmente com saúde. O CRESCIMENTO ORGÂNICO DA IGREJA BRASILEIRA Vimos no tópico anterior que o crescimento numérico não tem sido tão favorável para a igreja evangélica brasileira de modo geral. Isto é um princípio bíblico que Costas fazia questão em destacar. É preciso discernimento e critério de avaliação. todas devem crescer. seus líderes. propriamente dito. pois nenhuma igreja foi formada para ficar estagnada e parada no tempo. Os extremos são sempre perigosos. sua estrutura financeira. E o que dizer do crescimento orgânico da igreja? Primeiramente é preciso saber o que é crescimento orgânico na concepção de Costas. O que não significa dizer que não haja igrejas crescendo com autenticidade. Temos no Brasil igrejas abençoadas: algumas grandes. de acordo com os preceitos bíblicos. Contudo. outras nem tanto. e por uma razão óbvia: no Brasil existe uma forte tendência em se achar que todo e qualquer crescimento de igreja é obra do Espírito Santo. De acordo com ele. Pelo contrário. do mesmo modo como estas deveriam crescer? 2. ou mesmo a falta dele. Na questão de crescimento da igreja não podemos ser totalmente crédulos de um lado e nem céticos do outro. não pode ser aceito como crescimento verdadeiro. O que Costas questionava. esta dimensão inclui aspectos da vida interna da igreja como "sua forma de governo. esta não é a regra geral. O que. eram os meios muitas vezes utilizados para se chegar em tal crescimento. Contudo. As igrejas pentecostais do Brasil sempre serão um desafio saudável às igrejas históricas. por si só.espiritualidade e encarnação (2) estão presentes na vida da igreja? Estas questões são fundamentais para se avaliar o crescimento da igreja brasileira hoje. existem aquelas que experimentam um crescimento fenomenal e intrigante até. deve ser criteriosamente analisado. Embora nem todas as igrejas tenham vocação para ser mega-igreja. E por que não? Porque nem sempre a ética cristã de uma vida santificada tem andado de mãos dadas com o crescimento de nossas igrejas. Porém. Todo crescimento de igreja. Costas entendia que estas devem ser preocupações salutares e necessárias. o crescimento orgânico da 202 . o tipo de atividade na qual investe seu tempo e recursos e sua celebração cultural" (4). segundo Orlando Costas. esta não é a realidade geral em nosso país.

Boa parte de nossas igrejas que pensam serem missionárias na verdade apenas fazem missões. Fruto direto da obra missionária de Ashbel Green Simonton em 1859. então não é tão boa quanto se pensa'. Costas fazia questão de deixar isso bem claro (5) e René Padilla interpretou muito bem o pensamento do missiólogo quando disse: "Ele (o crescimento orgânico) abrange. essencialmente. ou reuniões de oração e grupos de discipulado. denominação da qual sou pastor. Devemos reentrar no mundo de que saímos. Segundo pesquisas.13. As palavras de Shelley deve nos levar a uma reflexão séria. ainda tem muita estrada para se rodar. Um bom (ou seria mau?) exemplo disso é o que a igreja geralmente faz com seus novos membros ou recém-convertidos. Há alguns anos escrevi uma lição para a escola dominical na qual dizia: "Reconhecemos que há muita coisa boa que uma igreja local pode fazer além de missões. na intenção de constituir-se em uma verdadeira comunidade com raízes autóctones" (6). A igreja não pode servir de tropeço para ela mesma. a conclusão que chegamos é que a igreja brasileira não é. Mt 5. Infelizmente a IPB é hoje o que jamais deveria ser. atualmente. entre outras coisas.14). tira o convertido do mundo e jamais o envia de volta a ele. Bruce Shelley expressou a mesma preocupação de Costas quando advertiu: "Infelizmente. quando fazem! Um exemplo a ser considerado é a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). Sua obediência a Cristo se faz apenas mediante canais institucionais ou pietistas: reuniões e programas. uma igreja missionária.igreja não deve ser introspectivo. A nossa evangelização. inclusive. até porque o maior potencial de uma igreja é o crente novo. O crescimento orgânico é um dos tipos mais naturais de crescimento experimentado pela igreja brasileira. A igreja evangélica brasileira de modo geral ainda não se conscientizou de sua missão fora dos portões como sal da terra e luz do mundo (cf. as igrejas tendem a 'eclesiastizar' seus membros. À luz do que vimos até aqui. cerca de 80% a 90% dos recursos financeiros. uso do tempo e do templo estão voltados para o deleite de nossas próprias igrejas. uma das denominações mais missionárias do país. todavia uma nova pessoa com novas convicções e padrões. Se o primeiro mandamento de Jesus foi 'Vinde' o segundo foi 'Ide'. Nosso alvo deve ser a missão da mesma pessoa no mundo. porém. pois é preciso resgatar por 203 . pena que às avessas. se a 'muita coisa boa' estiver desassociada de missões. o desafio da contextualização da igreja em uma situação histórica definida. por outro lado. só que agora como embaixadores de Cristo" (7). voltado para dentro de si mesmo. no geral. de uns tempos para cá. É verdade que sua visão e missão. formação de líderes. vem progredindo . mas. o responsável pelo envio dos primeiros missionários ao Brasil em 1555 (9). a IPB deveria ser. A igreja que se orgulha de sua teologia calvinista esquece que Calvino possuía uma consciência missionária profunda (8) sendo.

A igreja evangélica brasileira ainda não entendeu como deveria essas dimensões e suas implicações. Citemos um pequeno exemplo: Crescimento numérico sem qualidade pode ser comparado ao câncer que cresce mas não é bom. Isto está acontecendo porque a igreja. embora a passos não tão largos como gostaríamos. É importante lembrar que Orlando Costas entendia corretamente as dimensões do crescimento integral da igreja como um sistema interligado. O crescimento conceitual da igreja é o que poderíamos chamar de "dimensão central da igreja". conceitual ou diaconal) acarretaria numa deficiência danosa. começa a crescer conceitualmente também. mas sobretudo na totalidade daquela missão integral que ficou perdida em algum lugar do passado. cada dimensão da igreja só tem razão de ser se for vivenciada nas outras. tenha sido o Dr. sua interação com a história dessa fé e sua compreensão do mundo que rodeia. segundo Costas. mas caminha na esperança de um futuro promissor. O CRESCIMENTO CONCEITUAL DA IGREJA BRASILEIRA A igreja brasileira não é um caso perdido. São aquelas pessoas que confundem a boa tradição bíblica e evangélica pelo tradicionalismo 204 . Saindo do particular para o geral. um pastor britânico já falecido. Na verdade. não apenas em seu aspecto teológico. tornando-as mais funcionais e principalmente por uma estruturação doutrinária que se expresse na vida prática. o que vem comprometendo seriamente o evangelho e a aceitação do mesmo por parte da sociedade. seu conhecimento da fonte dessa fé (as Escrituras). 3. A ausência de qualquer uma daquelas dimensões (numérica. consciente ou inconscientemente. A qualidade da qual se derivam todas as outras dimensões. a igreja brasileira precisa passar por uma revitalização de suas estruturas. mas com a mesma ênfase). é uma igreja que está caminhando. Pelo contrário. Li vários livros do Dr. o que significa. estará errado em todos os aspectos da sua vida" (11). orgânica e ética" (10). orgânica. Talvez um dos teólogos que mais chamou a atenção da igreja para sua dimensão conceitual (embora não com esta terminologia. sua compreensão da fé cristã. O doutor costumava dizer. "expansão na inteligência da fé: o grau de consciência que a comunidade eclesial tem a respeito da sua existência e razão de ser. Esta dimensão dá à igreja firmeza intelectual para enfrentar a todo tipo de doutrina e capacidade crítica para evitar a fossilização e garantir a criatividade evangelizadora. Qualidade sem crescimento é inconcebível. por exemplo. Com a graça de Deus chegaremos lá! Aos poucos o velho conceito de fazer missões vai dando lugar ao ser missões. Jones e notei que muito da preocupação conceitual de Orlando Costas era a daquele também. que "se você estiver errado em sua doutrina. E de quem é a culpa? Certamente são daquelas lideranças que muitas vezes refletem em suas igrejas uma mentalidade tacanha e retrógrada. além de uma conscientização missionária. propriamente dita. Martin Lloyd-Jones. Infelizmente falta sã doutrina e santidade de vida no povo de Deus.completo a boa herança reformada.

A igreja brasileira não pode se calar diante dos males sociais. Felizmente. por outro. já que "somente na medida em que conseguir dar visibilidade e concreticidade à sua vocação de amor e serviço ela pode esperar ser ouvida e respeitada" (12). inseparáveis e indispensáveis na missão integral da igreja de Jesus Cristo no mundo e para o mundo.mórbido. Mas ele não está estagnado. O CRESCIMENTO DIACONAL DA IGREJA BRASILEIRA Esta é a dimensão encarnacional da igreja. Evangelização e responsabilidade social são partes integrantes da missio Dei. 4. ainda temos um longo caminho pela frente. justamente porque ao se discutir prioridades (como por exemplo as que envolvem evangelização e ação social) a igreja deixa de fazer bem uma e outra coisa. graças ao bom Deus. se por um lado a igreja vem melhorando em sua visão social. De certo modo. a consciência social da igreja brasileira hoje parece ser maior do que algumas décadas atrás. e não faz muito tempo. assim como as demais dimensões do crescimento integral. os cristãos foram colocados no mundo "para ser a consciência da sociedade" (13). ainda somos uma grande colcha de retalhos. Contudo. O crescimento diaconal da igreja brasileira. sem deixar de olhar para fora. a igreja que assumia sua responsabilidade social no mundo era taxada de comunista. 205 . mas poderia andar um pouco mais depressa. Uma consciência que estende a mão em ajuda aos fracos e oprimidos. porque. etc. Hoje. e muitas vezes tem sido ainda hoje. portanto. esta dimensão que nos faz olhar para dentro de nós mesmos. e sem qualquer preocupação de ser rotulada e perseguida por isso. boa parte das igrejas brasileiras está envolvida em trabalhos sociais. Estamos adentrando em um novo milênio e a igreja continua sonolenta em muitos dos aspectos de sua missão integral. influenciada pelos sistemas políticos e deixado de ser a voz profética de Deus na sociedade. É pena que a igreja foi. ainda não amadureceu tanto em sua concepção de missão integral. De uns tempos para cá a igreja melhorou consideravelmente. Que Deus nos ajude! Conclusão: Vivemos na esperança de dias melhores para a igreja brasileira. À luz do que vimos até aqui fica difícil dizer: "A igreja brasileira tem esta cara". A igreja brasileira não está parada. como ocorria em tempos atrás. caminha lentamente pelo que a gente tem visto. precisa ser devidamente analisada e exercitada pela igreja brasileira como um todo. inovação saudável e revitalizadora pelo inovacionismo e oba-oba. liberalista. Orlando Costas entendia que sem este crescimento a igreja perderia sua autenticidade e credibilidade no mundo. quanto à participação nos problemas da sociedade. Para Costas. De uma igreja que se consolide pela visão integral de sua missão no mundo. porém. Vale lembrar.

Cf. 38-49. mas com certeza esse dia vai chegar..fidelidade. 114. podemos notar um avanço em todos eles. L. 12. Idem. a igreja que gostaríamos de ser. 5.7. espiritualidade e encarnação . Sayão. MISSIONS . I (São Paulo: Vida Nova.EN CRISTO em Misión en el camino (Buenos Aires: FTL. 13. 10. D. 9. 1988). T. 1994) p.. "Para Costas.. nota 6. 4. 1998) p. 101.. 1984) pp. III. O COMBATE CRISTÃO (São Paulo: PES. 11. Costas. 1979) p.THE HEIDELBERG CATECISM AND CALVIN em Calvin theological journal (1972) pp. Idem.4. 29. p. 7. AVALIAÇÃO TEOLÓGICA DO MINISTÉRIO INTEGRAL em Servindo com os pobres na América Latina (Curitiba-Londrina: Editora Descoberta. op. 6. A CONSCIÊNCIA MISSIONÁRIA DE JOÃO CALVINO em Fides reformata.Comparando os quatro conceitos de crescimento de Orlando Costas à igreja brasileira. 113. Costas. Schipani. verbete ORLANDO E. Antonio Carlos Barro. Deus visitará seu povo e o avivará para honra e glória do Seu nome! NOTAS 1. René Padilla. cit. A. CREZCAMOS EN TODO. 1991) p. p. COMPROMISO Y MISION (San José: Editorial Caribe. 113. 8. 183. 126. 102. cit. Lloyd-Jones. klooster. Vol. 3. op. COSTAS em Enciclopédia históricoteológica da igreja cristã.são as variáveis de controle em seu modelo de crescimento integral. Bruce Shelley. DIMENSÕES DO CRESCIMENTO INTEGRAL DA IGREJA em A missão da igreja (Belo Horizonte: Missão Editora. Orlando E. M. 2. Trata-se dos fatores ou princípios críticos em função dos quais avalia-se qualitativamente as várias classes e dimensões do crescimento eclesial e se prova a validez teológica de dito crescimento" (Daniel S. A IGREJA: O POVO DE DEUS (São Paulo: Vida Nova. 362. estas três qualidades ou critérios teológicos . Cf. 206 . 1992) p. Fred H. p. Costas. Vol. Nossa igreja brasileira ainda não é a igreja dos sonhos. 117. nº 1 (São Paulo: 1998) pp. Costas.

e para tanto. Se estar atarefado é ser importante. e por fazermos parte de uma sociedade competitiva. Sutilmente somos enganados.em nossa vida agitada e cheia de atividades temos fracassado em separar tempo para a solidão afim de aprofundarmos nossa vida espiritual.Parte XXXIII PERIGOS SUTIS AO MINISTÉRIO PASTORAL "Quando fui convidado para escrever este artigo para a nossa Revista PROPOSTA. como evitar cair na armadilha do excesso de atividades ? A resposta é a mais simples possível: Precisamos praticar um tempo a sós com Deus. então preciso estar atarefado.. separar tempo para planejar.16 afirma “ele porém se retirava para lugares solitários e orava”. 1º Perigo: O perigo de envolver-se tanto em atividades que negligenciamos nossa vida devocional. a nossa utilidade. em nossas muitas atividades eclesiásticas somos cada vez mais dominados por superlativos.16. um grande coral. mas aqui falo também como pastor . descobrimos que ser é mais importante que ter e que valemos muito mais que o resultado de nossos esforços. um grande. Obviamente. reunir-se com a liderança. Conscientemente ou não. alguns perigos do ministério.. Tornamo-nos daí pastores compulsivos. Parece uma ousadia falar assim aos pastores. Jesus percebeu o 207 . onde nossa identidade pastoral passa a ser derivada de nossas atividades. são sutilezas que procuram desestabilizar e adulterar o nosso pastorado. que a ação interna (oração) tem precedência sobre a ação externa (proclamação). existe por trás deste excesso de atividades uma cultura – nosso mundo é voltado para o sucesso. Aprendemos com nosso Senhor Jesus em Lucas 5:15.15 nos informa que muitas pessoas procuravam a Jesus para serem curadas por ele e o v. ser espetacular e ser poderoso. Solidão é o remédio contra o ativismo pastoral. Como sempre. Penso que na essência. preparar estudos e sermões. sem tempo para mais nada.. escrever artigos. etc. Mas voltando. os quais tenho constatado em minha própria caminhada. Cito Henry Nouwen quando ele afirma que na solidão. fazer ligações telefônicas. onde o autor fala de três tentações mais comuns no ministério pastoral: ser relevante. constantemente temos que provar o nosso valor.. Trata-se de um desejo de compartilhar com meus irmãos e colegas pastores. Em razão disso. todo pastor deseja grandes mudanças em suas igrejas e daí a quantidade exorbitante de atividades a que nos entregamos todos os dias: aconselhamentos. logo pensei em algo sobre o ministério pastoral. corremos atrás de atender a um modelo ideal de pastor estigmatizado por esta cultura do sucesso que é aquele líder que está sempre ocupado. Abro aqui um parêntesis para recomendar a leitura do livro de Henry Nouwen “ No Nome de Jesus” . Orgulhamos por ter uma grande Igreja. procuramos nos manter sempre ocupado. O v. visitas.

dedicar tempo ás nossas ovelhas para visitá-las e orienta-las espiritualmente. homens e mulheres com quem vivemos e trabalhamos podem se tornar meros objetos. dos terrenos que a igreja adquiriu. ao mesmo tempo. Talvez devêssemos perguntar: Como posso saber se estou sendo bem sucedido no cumprimento de meu ministério? Creio que Efésios 4:11-15 delineia qual é a expectativa de Deus para nós pastores – Dentre algumas das medidas de sucesso em nosso ministério.. está o fato de que precisamos preparar pessoas para o ministério. Neste processo da secularização da igreja. Mas não podemos nos esquecer que somos ovelhas também. Precisamos ser lembrados que fomos chamados para pastorear e não para administrar. Para fazer isto preciso gastar tempo com as pessoas – ajuda-las. negligenciando sua vida devocional. movida á produção. e nos tornamos administradores e secretários de Igrejas. deixando de pastorear pessoas. Deixe a administração com o presbítero regente. Quando olhamos para o ministério de Jesus. Diferentemente de nós que somos movidos para a produção. Nós pastores insistimos com nossas ovelhas sobre a necessidade delas terem um tempo a sós com Deus.. Começamos a medir o sucesso no ministério pela popularidade de nossos projetos.perigo e não caiu na armadilha de se entregar ás atividades. verificamos que ele passou mais tempo cuidando de pessoas e conversando com elas do que em qualquer outra coisa. O pastor que imita as ações e a pregação de Jesus. Não me entendam mal. Nós pastores precisamos pastorear. etc. do formato novo do boletim informativo. o perigo é sutil. Jesus não era inclinado à programas. usamos estas pessoas como empregados para cumprirem uma missão que nem sempre é de Deus e sim do pastor.. 2º Perigo: O perigo de reduzir a funções e projetos a pessoas que Deus nos mandou pastorear. e que ter uma vida profunda de oração não perde o seu valor quando somos ordenados ao ministério. Sob a pressão de que estão trabalhando para Jesus.Pessoas são a razão de nosso ministério. a “ exigência” é que devemos nos retirar do 208 . sem. das reformas feitas na estrutura física da igreja durante nosso pastorado ali. Quando nos tornamos pastores. Corremos o perigo de abandonarmos nossa função como pastor.. A princípio não há nada de errado em tudo isto. são um prejuízo para a fé e um empecilho para o crescimento da igreja. imitar sua vida profunda de oração. mas à pessoas. aconselha-las. Para isto é que existem presbíteros regentes e docentes. Pouco a pouco todos se transformam em instrumentos de trabalho. ouvilas. etc. 3º Perigo: O perigo de se afastar tanto do mundo que perdemos a consciência de que o mundo é nossa paróquia.

sejam crentes ou não. Em Mateus 9:36 lemos que Ele andava pela cidade e vendo as pessoas compadecia-se delas porque eram como ovelhas sem pastor. o prefeito da cidade. podemos dizer que nossa ordenação foi adulterada”. Se faz necessário construir relacionamentos. um inimigo ou um competidor de nossa espiritualidade. talvez pela sobrecarga de trabalho. Eram pessoas exaustas. penso que temos que responder a três perguntas: 1) Quais são as atividades que você tem durante a semana em que você se coloca na presença de Deus na perspectiva de ovelha. O texto ainda fala que eram pessoas sem rumo na vida.. nossa linguagem vai se tornando “igrejeira” e quem é de fora entende muito pouco do que falamos. Nossa espiritualidade pastoral não pode ser desenvolvida apenas dentro da igreja.mundo e nos entregarmos ao trabalho de uma instituição religiosa que se dedica a seus próprios assuntos. precisamos buscar a “paz da cidade” ( Jr 29:7 ) e para tanto é mister nos envolvermos com ela. não ter tempo para o lazer ou por causa dos problemas do dia-a-dia. Pessoas com crises no casamento. por exemplo. hospitais. vemos o mundo como algo mal. emocional e existencial. É surpreendente ver que Jesus não agiu desta maneira. problemas com os filhos. de filho e não de um funcionário da igreja? 209 . Creio que já está na hora de desenvolve-lo “fora da igreja” também. sem acesso a uma boa escola e inseguras quanto ao dia seguinte. Imagine se Jesus fosse o pastor de sua igreja! Por onde você acha que ele andaria ? Quem ele visitaria ? Se formos bem honestos.Ele não resumiria seu ministério apenas aos salvos. simplesmente levanos a evita-lo. seguindo seu próprio cronograma e agenda. fazer parte da sociedade amigos de bairro.. A título de aplicação daquilo que foi dito aqui. Nosso ministério corre o perigo de ser exercido basicamente dentro da Igreja. visitando asilos. Eram pessoas aflitas. Nós pastores precisamos seguir o exemplo de Jesus e olhar para a nossa cidade.Assim. etc. afasta dele o foco de nossa atenção. medo da violência. De tanto se afastar do “mundo”. Aflitas por falta de trabalho. colocamo-nos em competição contra ele. prisões. teremos que duramente admitir que ele andaria pela nossa cidade. para o nosso bairro e ter uma proposta pastoral para estas pessoas aflitas. nos envolver em atividades promovidas pelas pessoas da vizinhança.. Creio que para evitar que nosso pastorado seja adulterado. etc.. Erroneamente. os vizinhos que moram próximos á igreja. estabelecer amizades e se identificar com as pessoas da comunidade. visitar a Câmara Municipal. exaustas e sem rumo na vida. nos enfiamos nos trabalhos da Igreja que consomem todo nosso tempo e energia e cada vez menos nos interessamos pelo mundo lá fora. lanchonetes. precisamos. Nas palavras de Eugene Peterson “quando o trabalho que executamos para Jesus como pastores esmaece nossa consciência do mundo. na vida profissional. ou.

6). FUNDAMENTO BÍBLICO DA LIDERANÇA CRISTÃ Deus utiliza seres humanos como seu método. 6. · as que observam o que está acontecendo e · as que fazem com que as coisas aconteçam.7). Na Igreja de Cristo é a liderança desse corpo. Nancy DUSILEK no seu Liderança Cristã: a arte de crescer com as pessoas. e em dar ordens claras (v.10). Uma música popular dos anos 70 de forte mensagem diz que "quem sabe faz a hora.2). mas a função do líder é liderar. com Josué e com os apóstolos. É um Josué.10). pessoas de palavra e não avarentos (Ex 18. Dr. nos EUA. Assim aconteceu com Moisés. tementes a Deus. mas de presidência a ser exercida zelosamente. mas no seu aprendizado teve que aprender a delegar (Ex 18. Não é função de mando.2) Quem são as pessoas que estão sendo afetadas pela sua vida? Pela convivência espiritual com você? 3) Quais os lugares.20. Nicholas Murray Butler que disse haver três tipos de pessoas no mundo: · as que não sabem o que está acontecendo. São essas últimas que detêm o dom de liderança. cita o ex-reitor da Universidade de Colúmbia. transmite-o a homens fiéis. Parece ser o óbvio. não espera acontecer".8).21). homem submisso ã vontade de Deus (Js 6. há de ser lembrada a palavra de Paulo em 2Timóteo 2. ambientes que você freqüenta e pessoas com quem se relaciona que facilitam sua ação como sal da terra e luz do mundo? Parte XXXIV REFLETINDO SOBRE LIDERANÇA CRISTÃ Há um lugar especialíssimo para a liderança na visão do Novo Testamento.27). Um líder tem limitações. e detêm funções de liderança aqueles soberanamente escolhidos para esse cometimento. foi humilde bastante a ponto de atender conselhos que lhe foram dados.2: "e o que de mim ouviste diante de muitas testemunhas. Desse modo. 11-16 apresenta a plataforma de liderança da Igreja Apostólica. Quanto à liderança espiritual e à preparação de outros líderes da igreja apostólica. Paulo usa a expressão "a graça que nos foi dada" (Rm 12. hábil na distribuição de tarefas (vv. TEOLOGIA DA LIDERANÇA 210 . Como parte do seu aprendizado. e Moisés reconhecia as suas próprias (Ex 4.1-13 oferece o padrão para os ministérios pastoral (ali denominado "episcopado") e diaconal. que sejam idôneos para também ensinarem os outros". Assim é que Efésios 4. treinou os líderes escolhidos dentre critérios bem determinados: que fossem capazes. segundo a Versão da IBB (Rm 12. e 1Timóteo 3.

judeus e gentios. Mas o líder cristão reconhece que não o faz por mérito próprio: Deus está com ele (Ex 3. Não é demais dizer que a Igreja é variada e multiforme. Se estamos falando de conduzir para Deus. Do líder cristão é esperada a dynamis como fundamento e veículo da sua autoridade espiritual e da sua atividade de condutor de vidas. o líder é servo. mesmo. Mais: o líder tem poder. a preeminência. livres. e desse modo leva os seus liderados aos cometimentos propostos. A primeira é ter ideal. libertos e escravos. pois sem essa virtude é impossível agradar a Deus (cf. reagindo e interagindo para o bem comum e para o bem da causa de Jesus Cristo. aliada a esta. ter visão: alma e olhar de condutor de vidas. conforme ensinou MINERVINO. o líder cristão exerce a perseverança. passam a buscar o controle. Porque o serviço é inerente à função. Pela fé. o líder é um condutor. tecnocracia. de detenção de poder decisório que só evidenciam que. autoridade de mando".1). Duas palavras gregas são elucidativas do conceito de poder: kratos e dynamis. assumindo. e pela fé. que é o "partir para a ação". dinamite e dinamismo. pela fé a unidade da igreja é mantida.41-48 apresenta uma palavra de Jesus Cristo a esse respeito.13. "poder da técnica" e "autoridade dos idosos". são igualmente basilares. Além disso. pois essa virtude determina o verdadeiro objetivo da liderança cristã que é o ser servo (cf. Romanos 16 o lembra com extrema clareza: havia naquela comunidade cristã: mulheres. comando. e dando-nos vocábulos como dínamo. e utiliza para tanto os dons dos seus liderados e associados. na falta de autêntica autoridade espiritual. QUALIDADES DO LÍDER · No mínimo as seguintes qualidades podem ser destacadas. 1Co 12. É observar o que diz 2Coríntios 11. de dinamismo ungido. homens. Vocábulos como democracia. Dynamis. por outro lado. Hb 11. e. Lamentavelmente.1).24-31. Pelo próprio conceito da palavra (leader>líder). Gl 5. permitindo que se chegue ao universo semântico de "força ou espiritual. atividade. autoridade".19. todos agindo.10-12.27. É um com o seu povo.4). potência". especialmente no sentido de "poder político. 1Co 9. falemos igualmente de fé. Lc 22. energia". Fp 1. O líder cristão deve agir com fé. Lucas 12. 211 .Recorde-se de que liderança cristã é "o trabalho de despertar e conduzir o ser humano para Deus e para tudo o que dEle recebeu". traduz "força. o líder é estimula a desenvolver seu potencial (1Co 11. gerontocracia veiculam a idéia de "poder do povo". Mt 20. · A competência e o espírito de iniciativa. jovens e idosos.28. Kratos é "poder. observa-se uma profusão de kratos em numerosos líderes com sede de manipulação. determinados títulos "religiosos" com o propósito de "autenticar" o poder de mando e comando.6).

2). Precisamos estudar mais as nossas doutrinas. tomando-se por base o alto índice de exclusões. Parte XXXIV REVITALIZANDO A IGREJA Introdução: Aonde chegaremos como igreja se continuarmos insistindo em ser apenas o que temos sido e em praticar somente aquilo que temos praticado nestes últimos anos? Essa pergunta estabelece a relevância do presente trabalho. a postura apologética diante das ameaças à doutrina. que se justifica quando confrontamos o projeto da maioria de nossas igrejas com o potencial das igrejas batistas. 1Tm 3.5). formam o perfil do líder cristão. v. Se analisarmos muitas de nossas igrejas sem ufanismo e sem o amor platônico que nos foi inculcado. escolha dos meios para a realização do planejamento.3 descreve o equilíbrio desejado: boa reputação (cf. temos que a admitir que a situação é caótica. · que. o compromisso dos membros no exercício de cargos e no sustento da igreja com a indiferença reinante. Tais confrontações se materializam na leitura do perfil traçado de muitas de nossas igrejas. vale ressaltar. ao lado da simpatia. plenitude de sabedoria e de fé (cf.· Segue-se a tenacidade aliada à serenidade. às posturas e aos valores da instituição. a necessidade de revitalização da igreja para a sobrevivência no mundo globalizado com o tradicionalismo embotador imposto por um seguimento de líderes denominacionais ideologicamente ultrapassados e quando confrontamos a gradativa contextualização denominacional em seu interminável repensar. · Em seguida. plenitude do Espírito Santo. com o arcaísmo saudosista e excludente praticado por aqueles que insistem em não pensar a batistandade. das circunstâncias do presente e das tendências do futuro. controle da situação e avaliação do realizado. autenticidade e comunicação. imaginação e rapidez de raciocínio. O líder há de ser equilibrado. a média do número de membros e a incontável massa de líderes neopentecostais oriundos de nossa denominação. Outra importante função da liderança é a defesa. sem sombra de dúvida. segurança e confiança. Planejamento que envolve algumas análises preliminares: estabelecimento de objetivos. Funções do Líder Previsão e visão que envolvem. deveríamos corre o risco de rever os nossos 212 . análise dos acontecimentos do passado. E dentro disso. expressa na média Brasil batista de integração que é de 40% apenas. e Atos 6. o número de dizimistas fiéis.

é a leitura hermenêutica do traçado histórico da igreja e a constatação da situação real em que nos encontramos. Revitalizar é reafirmar tudo aquilo que é bíblico. em Eclesiologia. as devidas respostas. cabem duas perguntas. que estabelece a nossa identidade. o que realmente permite que a igreja redirecione seu foco e retome os propósitos de Deus para o seu ministério e para o cumprimento de sua missão evangelizadora. que nos manterá atrelados a Palavra de Deus. Qualquer instituição. quando bem definida. precisamos desenvolver uma genuína consciência de missão que propicie uma visão objetiva do que somos e do mundo para o qual pregamos. bem como a nossa declaração de visão. Antes que a igreja se prostre em nostalgia e desemboque nos questionamentos que provocam a rotura que tem como fim último o desaparecimento da igreja. Este momento. é retomar os princípios bíblicoteológicos desprezados e é reordenar a estrutura. I . o modelo e as estratégias para que não sejamos vitimados por uma nulidade eclesial devastadora. Aqui. o que devemos fazer. Devemos revitalizar. * Missão é a definição objetiva e clara da nossa identidade como igreja local. mas creio que devemos urgentemente buscar a revitalização de nossas igrejas. os nossos objetivos e a nossa estrutura organizacional. A igreja que busca a revitalização tem o privilégio e o compromisso de prosseguir sempre vitoriosa. a luz dessa missão. Antes que a perda da identidade e da relevância no mundo como igreja ocorram. que direcionará os nossos olhos sempre para o ideal de Cristo para a igreja.Missão e Visão: ferramentas para a revitalização da igreja Se é nosso desejo revitalizar a igreja para augurarmos relevância ministerial na proclamação do evangelho. se não sabe ao certo o que deve fazer e se não tem noção clara das estratégias possíveis para fazer o que deve. buscando compreender o nosso corpo de doutrinas. carecemos de uma reformulação da proposta de educação teológica e prosseguir repensando a denominação. No nosso caso.posicionamentos doutrinários. devemos avaliar as nossas convicções doutrinárias. independente da Denominação. para a retomada dos ideais de Cristo para a igreja e a manifestação da glória de Deus em nossos arraiais. sucumbe a historicidade e torna-se dependente do tradicionalismo conservador de nulidades e acalentador da nostalgia petrificante. devemos elaborar a nossa declaração de missão. principalmente a igreja. fica mais fácil por que somos batistas e não devemos prescindir dessa 213 . A primeira resposta é sobre a missão. quem somos. Se esperamos ser igreja viva para cumprirmos o nosso papel no reino de Deus. o que é a nossa missão e qual seria. e que determina a qual denominação nos filiar. É essa consciência de missão. o que cremos. e a nossa missão prática no mundo. a partir de uma conceituação teológica. a nossa visão? Vejamos.

bem como a nossa declaração de visão.Declaração de Missão e de Visão cabíveis para a revitalização da igreja Acreditando serem positivas as respostas às questões colocadas. para onde direcionar os nossos olhos. Um número inexpressivo se comparado a densidade demográfica verificada no censo 2000 e divulgada pelo IBGE. não tradicionalista. a partir da compreensão de nossa realidade efetiva. Nossa visão do mundo e de nós mesmos como igreja é determinada e condicionada pela nossa consciência de missão. Não podemos acreditar que está tudo muito bom. mas para levarmos a cabo esta grandiosa tarefa carecemos de uma previsão dotada de discernimento e alicerçada na compreensão do que deveríamos ter feito como igreja de Cristo nestes mais de 120 anos de história. basta olharmos para o tempo de permanência da igreja batista no País e confrontarmos com o número de membros que somamos. buscamos nos arraiais batistas as respostas possíveis e as apresentamos no presente trabalho. Vale ressaltar a necessidade de adaptação à realidade da igreja local. Na verdade. nos deparamos com a premente necessidade de definirmos as nossas reais intenções ministeriais a fim de que adquiramos características eclesiológicas e expressão cúltica puramente bíblicas. Temos um verdadeiro desafio missionário no Brasil e no mundo. * Visão é. no caso de se considerar apropriada a presente propositora. Precisamos ou não de revitalização? Carecemos ou não de redescobrir a nossa missão? Necessitamos ou não de restaurarmos a nossa visão? A resposta para estas questões é um altissonante e retumbante sim! Não podemos negar a necessidade de restaurarmos a nossa visão para que obtenhamos vitória de Deus no cumprimento da nossa missão. mas carecemos de saber e de definir conceitualmente o que é ser batista no terceiro milênio. Se não sabemos quem somos. O que a CBB busca fazer com a aprovação do parecer do GT Repensando na última Assembléia convencional. que apresenta a nova análise 214 . no afã de definirmos nossa declaração de missão. o que cremos e o que devemos fazer. a imagem futura que fazemos do lugar onde pretendemos chegar como igreja e a concepção filosófica de como vivemos como igreja de Jesus no mundo. II . sequer. Nossa missão precípua é a evangelização. Tomando por base o livro de Darrell Robinson. Mais de 120 anos de igreja contra aproximadamente um milhão de batistas. Isso é ter visão. não temos o que olhar ou.identidade denominacional. Negar a necessidade de revitalização é como usar antolhos históricos e eclesiológicos. conforme as últimas estatísticas denominacionais. bem como uma identidade denominacional definitivamente Batista. Agora vejamos a resposta sobre visão.

definimos a nossa declaração de missão e de visão. coletiva e individualmente. após a conversão. que apresentam a Grande Comissão delegada por Jesus e ainda. afirmamos que: * Nossa visão é ser Corpo Vivo de Cristo. essa missão promoverá relevância histórica e ministerial para a igreja.21. A imagem visual se projeta e se define a partir da construção da imagem mental que se faz. Logo.1-5.18. Com relação a visão.bíblica dos dons espirituais no contexto Batista. III . e de 1 Pedro 2. a fim de que obtenhamos contundente autoridade testemunhal em Cristo. É isso que podemos deferir de textos como Mateus 16. Jesus.18. Colossenses 1. Essa visão está de acordo com os princípios do Novo Testamento e vem do Cabeça da igreja. incitando seus membros e sua liderança à constante renovação do entendimento de si mesma. que nos posiciona como casa espiritual e ministradores do sacerdócio universal praticado em genuína espiritualidade.15. O tamanho da igreja é diretamente proporcional a visão que seus membros têm de Deus e ela cumpre sua missão na mesma proporção em que crê no poder de Deus ainda atuante no mundo.Antíteses indispensáveis para a revitalização bem-sucedida É extremamente produtivo definir a declaração de missão e de visão. Não há mistério nem inovações. se entendemos que se faz necessário. visto que desejamos estar afinados com a batistandade. como santos de Deus. cumprindo a nossa missão evangelizadora com autoridade espiritual e relevância sociocultural. mas este labor impõe antíteses entre o tradicionalismo da batistandade e a tradição bíblica que deve ser abraçada 215 . com todas as suas implicações. vivendo. Sobre a missão. sob sua autoridade e seu senhorio.44-48 e João 20. de suas doutrinas e de suas estratégias ministeriais. capacitando-os. que determinam a formatação missiológica designada pelo próprio Cristo para a sua igreja. A nossa missão só pode ser baseada em textos como Mateus 28. Jesus. Temos o mesmo Senhor e Cabeça. para a maturidade espiritual e para o crescimento numérico da igreja. Esta declaração de missão proporciona uma vida eclesiástica equilibrada e contém tudo que é essencial para o fortalecimento doutrinário. para a exaltação de Cristo. se deseja cumprir sua missão. que apresenta a igreja como poderosa e vitoriosa no embate contra o inferno. É a cabeça que impõe a visão. ainda tomando por base Darrell Robinson. A igreja deve se permitir a uma permanente autocrítica e praticar uma continuada hermenêutica histórica. ou mesmo redefini-las. podemos asseverar que: * A missão da nossa igreja é evangelizar os pecadores.19 e 20 e Marcos 16. exercendo influência ético-cristã na sociedade. em textos como Lucas 24.

15 e em 1 Coríntios 11. a perda de seus membros para a igreja neopentecostal que se acampou nas redondezas. A doutrina dos apóstolos nada mais é do que os ensinamentos espirituais transmitidos por Jesus. não sabe a diferença efetiva entre uma coisa e outra.42. classificando como tradição o que se entende ser verdadeiro e não necessariamente a verdade. visando preservar as crenças.2 indicações para se preservar a tradição. Filosoficamente. vemos em 2 Tessalonicenses 2. que são verdadeiros e que estabelecem os parâmetros e a validade do cristianismo. Em Teologia. a Revolução Francesa. onde a palavra no original significa preceitos doutrinários e está condicionada a doutrina dos apóstolos citada em Atos 2. e até mesmo boa parcela dos nossos líderes. ao final. Muitas vezes. tradição é a herança cultural transmitida de uma geração para outra. A primeira Denominação Cristã surgida foi o Catolicismo Romano. Diversos líderes postergam ao máximo a decisão de iniciar a revitalização da igreja na tentativa de evitar os desgastes decorrentes destas antíteses. lidar com estas antíteses não é nada agradável e exige uma firmeza doutrinária hercúlea e uma identidade denominacional capaz de intercambiar relacionamento sem se permitir ser influenciado. Filosoficamente. Tradição é ato de transmitir ou de entregar. No contexto bíblico. muitas vezes lamentando. amor exagerado aos usos antigos. visto que tais movimentos foram uma tentativa idealista de se devolver à Igreja Católica Romana a absoluta autoridade sobre as questões religiosas. Em síntese. tradicionalismo é um mal devastador que afasta as pessoas 216 . até porque denominação não existia no período da Igreja Primitiva. no século XVII. tradicionalismo é a defesa explícita da tradição no âmbito do espírito romântico. visto que a maioria dos nossos membros. É o único reconhecimento e a única garantia da verdade. É a transmissão de valores espirituais através das gerações. a questão reside na compreensão da diferença entre o que é ser uma Igreja Tradicional ou uma Igreja Tradicionalista. tradição consiste em sabedoria e discernimento quanto a validade das instruções e as noções religiosas transmitidas de geração para geração. que monopolizou a igreja até o movimento de Reforma Protestante.pela igreja de Cristo denominada Batista. ou seja. Tradicionalismo é aferro ou apego. Em Teologia rejeita-se o tradicionalismo devido a sua origem no iluminismo e o seu ponto culminante. Na Bíblia. Não há na Bíblia qualquer referência a tradição denominacional. no século IV.

Terceiro. porém do jeito e da maneira mais apropriada para a realidade sociocultural na qual interage. acusando-os de subjugar o povo com um fardo extremamente pesado que nem mesmo eles suportariam carregar.8-15. nada. Segundo. A Eclesiologia trata dos postulados filosóficos sobre o ser igreja. na forma do praticar o culto. no que diz respeito a Eclesiologia. Jesus combateu a tradição dos anciões. na formação da liderança. Depois de se permitir a estas antíteses. Ed Kivitz em assembléias convencionais: "Tradicionalismo é a fé morta dos vivos. renunciando tradicionalismo histórico e promovendo mudanças radicais de vida nos membros da igreja. pode-se então 217 . Os ajustes doutrinários possíveis são os promovidos pela CBB. utilizar bateria e guitarras. na educação cristã. não são temas contemplados no estudo da Eclesiologia Batista. nos ministérios e na proclamação.do ideal de Deus para escravizá-las com rudimentos humanos ou para enganá-las com sutilezas diabólicas. escribas e fariseus. Tradição é a fé viva dos mortos". A igreja apenas se adequará a estes ajustes para permanecer fiel a Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira. como batistas. que será mais efetiva e sempre direcionada pelo serviço cristão.1-13 e Colossenses 2. na comunhão. e não pela iconografia muitas vezes perniciosa. por que a igreja terá uma identidade denominacional e doutrinária própria. Tendo definido. o que vai mudar realmente? A resposta não é simples e nem resumida na palavra tudo. a Declaração de Missão e de Visão. nada mudará também. deve-se estabelecer os objetivos gerais que a impulsionarão e que indicarão o seu modo peculiar de ser igreja viva na adoração. Mateus 23. Marcos 7. doutrinariamente. que impunham ao povo 365 proibições e 250 mandamentos.1-7. após a revitalização. A igreja se tornará mais contextualizada e menos ritualista. as mudanças reais acontecerão. As mudanças se efetivarão na expressão cúltica. que será ajustado ao Texto Sagrado. No contexto da igreja que busca a revitalização e que está disposta a se permitir as antíteses necessárias na avaliação de sua prática eclesiológica e cúltica. bem como cantar hinetos ou fazer coreografias nas músicas. o que não se pode prescindir como Batistas. não o perfil do pastor. a pergunta talvez seja. IV . a diferença fundamental entre tradição e tradicionalismo se identifica no quadro que se segue Este quadro reflete algo que já ouvi do próprio Pr. Em quarto lugar. primeiro. como no caso do Espírito Santo. mais informal e menos eclesiástica. visto que bater palmas.Objetivos gerais para uma igreja de visão no cumprimento de sua missão Para que a igreja tenha a motivação correta. fazendo o que todas as igrejas devem fazer. Na verdade.

Tito 2. Mateus 3. com amor extremado pelos pecadores e com entusiasmo contagiante. mas o Espírito Santo trabalhará neles e através deles. Atos 1.19-20. com dedicação. Podemos agora asseverar que os objetivos gerais de uma igreja revitalizada são os seguintes: 4.1-2 e 1 Pedro 3. João 5. 2 Timóteo 4.3 Evangelismo responsável e baseado no testemunho pessoal . no trabalho ou na rua. seja em casa. A vivência prática da fé. o que nos exige um padrão ético e moral elevados.14 e 15. 4. Vale ressaltar que a motivação da igreja deve ser a consciência objetiva quanto a missão e quanto a visão futura que se projeta do quanto se deseja alargar os horizontes do reino de Deus a partir do ministério prático da igreja. não trabalharão mais por suas próprias forças. Josué 1.Praticar o evangelismo responsável é. 2 Coríntios 5.Deve-se levar os membros da igreja ao entendimento de que todos somos sacerdotes para Deus. ensinando aos membros da igreja as verdades de Deus em sua Palavra.21-24. À medida que os cristãos trabalharem nas igrejas conscientes dos compromissos do sacerdócio e sabedores dos seus Dons espirituais para o ministério. é fator determinante na evangelização. capacitando-os a vivenciar o quotidiano conforme o propósito de Deus. a motivação da igreja revitalizada deve derivar dos objetivos gerais definidos a partir da consciência de missão e da visão alargada em seus horizontes. Lucas 24. a expressão cúltica.8. dificilmente experimentará crescimento real se não aprender a vivenciar e a transmitir a outros a sua fé de forma pessoal e contagiante.1 Instrução bíblica promotora de maturidade cristã e autoridade testemunhal Deve-se desenvolver um programa de educação cristã com embasamento bíblico sólido. por mais ortodoxa que seja e por melhor que seja a sua doutrina.45-48. despertado pela amizade e pela convivência com o cristão. mas motivar a cada cristão a uma ação pró-ativa na evangelização.20. e uma dedicação extremada ao serviço cristão na igreja.14-16.2 Consciência ético-cristã para o exercício do sacerdócio universal e do ministério eclesiástico . Em outras palavras.8-9 e 28.8. pois representamos o povo diante de Deus. 4. as estratégias ministeriais e a identidade denominacional levados a efeito pela igreja revitalizada. não depender de campanhas ou de programas especiais. Somente instrução bíblica com esta perspectiva pode oferecer à igreja referências claras de ensino bíblico profundo que se conciliem com uma unção incontestável na vida comunitária do cristão. mesmo que tenha um conhecimento bíblico apurado. certamente.39-47 e Tiago 1. 218 . para que quando o visitante chegar a igreja já tenha no seu coração o interesse pelo evangelho.11-14 e 1 Pedro 2. Uma igreja.estabelecer os objetivos gerais que nortearão a eclesiologia. Gálatas 2. 9-10.

Ageu 2. Adoração é um mistério.11-12.7 Crescimento integrado da igreja a partir do equilíbrio entre quantidade e qualidade . Adorar é abrir o coração ao amor de Deus e render a nossa vontade aos propósitos dele. Não se pode comprar o Dom de Deus. na intercessão confidente e na ministração da bênção àquele que foi vitimado pelas amputações existenciais ou pelas confrontações espirituais. É a prática da empatia e da mutualidade na consolação. A 219 . É a compreensão efetiva de que todos somos um.18-21.Isto é o entendimento pessoal de cada membro no fato de que é Deus quem nos sustenta e de que a contribuição financeira é apenas um reflexo da dedicação amorável de nossas vidas ao Senhor. Esta é a oferta que propicia bênçãos incontáveis para o cristão. glorificamos e magnificamos ao Senhor por sua santidade e por sua ação salvífica em nosso favor. É um exercício do espírito humano no encontro pessoal com Deus.6-14. a partir da convicção de que Deus se faz presente em nossas celebrações. Salmo 92. 4.1-7.20.8 e 15. como devoção amorosa ao Senhor e à sua obra. É saber que conversão e senhorio estão amalgamados e que a insistência em não dizimar e ofertar é confissão objetiva de incredulidade.1-4. sinceridade e alegria produtiva . bem como a pequenez do adorador. Hebreus 10. Atos 2. bem como ao seu povo. devemos compreender que a dedicação de vidas expressa na fidelidade nos dízimos e ofertas é um fértil meio de graça na igreja. Atos 2. Malaquias 3. Sofonias 3. 13.Isto é a decretação do fim do preconceito e da segregação na igreja.32-35. Isaías 38. no qual cantamos.4.10-17.12-17. A oferta deve ser feita com fé e pela fé.4 Adoração cristocêntrica que propicie verdadeiro louvor em culto vivo . pois por intermédio dela o Espírito Santo ministra graça e prosperidade à igreja. A verdadeira adoração nos conclama a declararmos a superioridade absoluta de Deus. 4.7-12.44-47 e 4.8-9.5 Comunhão dinâmica vivenciada em amor. com o patrimônio ou com a conta bancária.3-5. A prática do verdadeiro amor dá à igreja um brilho divino e uma alegria que se intensificam nos relacionamentos interpessoais de seus membros.9-18.6 Fidelidade voluntária e incondicional na consagração de vidas e no sustento financeiro da obra . 2 Coríntios 1. motivando-nos à participação efetiva e vívida na adoração. É a igreja se tornar sensível à ação do Espírito Santo que a guiará na exaltação a Cristo e na ministração de um culto vivo. visto que são satisfeitas as necessidades do ser integral.Isto é o que nos permite libertação da preocupação escravista com a liturgia ou com os estilos. Romanos 12.34-35 e 2 Coríntios 9. A igreja que vivencia este tipo de comunhão valoriza as pessoas e torna seu ministério muito mais efetivo.17.17-20. Em vez de encararmos a contribuição como uma obrigação desagradável e penosa. Não se pode permitir a crença em uma dispensação automática ou mecânica de bênçãos para os contribuintes. Colossenses 3.1. 4.19-25 e 1 João 4. santo e agradável a Deus.45 e 4. Atos 8. Apocalipse 5. 1 Crônicas 29. Romanos 12.Isto é o mesmo que dizer que não se deve estar preocupado com o número de membros no rol.

outorgando cognição no pensar a igreja. A Declaração Doutrinária dos Batistas preceitua que a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática. bem como a mortificação da consciência cristã no fazer igreja. 220 .1-5. porém. Deve-se querer ser batista. 4. Romanos 12. uma frota de veículos e uma equipe ministerial bem remunerada tivermos que prescindir da ética cristã e do embasamento bíblico continuaremos pequenos e pobres. 1 Pedro 2. é necessário substituí-los ou desmascará-los a luz da Palavra de Deus.3 e 1 Coríntios 11. uma catedral. Sempre que o tradicionalismo denominacional se sobrepõe a doutrina bíblica ou que o tradicionalismo histórico se torna ineficiente diante dos propósitos de Deus. Mateus 26. bem como saúde e maturidade espirituais na prática efetiva do fazer igreja. por isso. evita-se a petrificação das estruturas.8 Identidade doutrinária e denominacional definidas a partir do Texto Sagrado e não pelo conservadorismo histórico ou tradicionalismo . A constante autocrítica e a avaliação permanente exigirá uma continuada revitalização. mas deve-se desejar também que a Palavra de Deus seja a única regra de conduta. Se para ter dez mil membros.11-15. mesmo que para isso se tenha que renunciar a história. que se reconhecer erros doutrinários historicamente defendidos ou que se quebrar alguns paradigmas denominacionais. Atos 2.9e Apocalipse 2. Evita-se a tradicionalização suicida da igreja. Atos 2.41-42. a luz da Palavra de Deus. Quando se estabelece a autocrítica e a constante hermenêutica da própria realidade. Levítico 19.Neste objetivo reside a probabilidade de vitória. da expressão cúltica e da estrutura organizacional . um palacete pastoral. fiéis ao Senhor Deus. o arcaísmo dos estratagemas. o embotamento das idéias e o esvanecer dos ideais.20-23. não dando atenção às questões mais profundas que afetam a humanidade em decorrência do aviltante paradoxo entre o ser e o ter. Mateus 10.31. A maior contribuição que a igreja tem para oferecer ao mundo é o evangelho de Cristo e seu poder libertador. 4. Salmo 15. jamais haverá crescimento verdadeiro na igreja se nos aprisionarmos ao poderio concedido pelo número de membros no rol ou pelo saldo financeiro e patrimonial. Marcos 7. sem receios da crítica mordaz da batistandade.preocupação certa é com a qualidade da vida espiritual dos membros da igreja.Isto é o mesmo que dizer que a igreja deve querer ser batistas.15.46-47 e 9.28-32.19-21. mas que não aceita um doutrinismo antibíblico. Colossenses 2.5-9. mas principalmente deve querer a liberdade para praticar os ensinamentos da Palavra de Deus.8-10 e 2 Tessalonicenses 2. e entre o saber e o fazer.9 Constante autocrítica e permanente avaliação do contexto histórico. o que nos exige uma reflexão crítica sobre o denominacionalismo a luz da Bíblia Sagrada. do que se faz e de como se fazem as coisas. um edifício anexo moderno e funcional.7-10. Tito 2.

g) O método de evangelização que será usado. conforme Mateus 22. identificamos nestes nove objetivos gerais os cinco propósitos eternos de Deus para a igreja. d) O tipo de mensagem que se proclamará. que são: louvor. Atos 2. se pretendemos relevância testemunhal e autoridade espiritual no cumprimento da nossa missão. seguindo os preceitos de 221 . Conforme ressaltamos anteriormente. se há comprometimento com o Grande Mandamento e com a Grande Comissão. Atos 2. Não há pessoa. deixo como sugestão a realização de estudos amplos e de debates francos. o presente trabalho visa embasar a assertiva de é que possível promover a revitalização da igreja de maneira bíblica. e) O nível de compromisso exigido dos membros da igreja.40.19 e 20. Pode-se inovar no fazer igreja sem se alterar a essência do ser Igreja. é prova inconteste de sua vulnerabilidade à deterioração e à petrificação motivadas pela maldição da negligência preceituada em Jeremias 48.37-47. Sem tais definições. h) Qual a periodicidade da avaliação.A prática constante da autocrítica e da interpretação investigativa dos comportamentos da igreja revitalizada permite o desmascarar as vacas sagradas. programa. A insistência de uma igreja em não se submeter à autocrítica e à hermenêutica imparcial. evangelismo. independentemente da tradição denominacional. Na verdade. porém respeitosos. Conclusão Finalizando esta proposta de trabalho com vistas a revitalização da igreja. Estes propósitos sintetizam o Grande Mandamento e a Grande Comissão de Jesus para a igreja. que foram praticados de forma efetiva e vitoriosa pela Igreja Primitiva. discipulado.10. estrutura ou idéia que esteja fora do alcance de uma avaliação justa e alinhada com o propósito de Deus para a igreja. como denomina George Barna. ministério e comunhão. negando-se a um processo de avaliação justo e construtivo. para que se defina o seguinte: a) O tipo de igreja que se pretende ser. o que fará da igreja revitalizada uma grande igreja. é impossível levar adiante a revitalização da igreja que carece de resgatar sua identidade doutrinária e denominacional. b) A expressão cúltica que será praticada. c) O referencial de ética que a igreja perseguirá. penso. f) O padrão de relacionamento interpessoal e de comunhão que se desenvolverá. Tudo o que somos e fazemos como igreja deve estar aberto à análise e à crítica. São estes os mesmos propósitos que devem ser perseguidos e praticados pela igreja que busca revitalização. voltando a sentirse uma Igreja Viva que proclama a salvação e a libertação em Cristo em meio a esta geração corrompida e perversa.37-40 e Mateus 28.

juntamente com sua igreja. Por isso. de modo prático (assim esperamos). Não se pode ter fobia de evangelismo responsável. mas nos basearemos em princípios gerais e em nossa experiência pastoral. Sejamos Igreja. o fazer igreja. que somente a igreja pode desenvolver. Não existe Eclesiologia. bem como um método prático para se introduzir as mudanças necessárias para a contextualização da igreja. Amém. entre o ser e o fazer igreja. não é mera sociedade de pessoas humanas. dissociada da Cristologia. leve a sua igreja entender o que é e a desejar a revitalização. isto é. Se considerarmos apenas a tradição histórica e os pressupostos denominacionais para sermos e fazermos igreja. Parte XXXV UM PROJETO DE REVITALIZAÇÃO PARA A IGREJA LOCAL O presente trabalho é uma tentativa de se apresentar. Pois estas são as características distintivas da igreja de Jesus Cristo no Texto Sagrado. nenhuma igreja que afirme compromisso de missão conforme os postulados bíblicos e o mandamento de Jesus pode esquecer que o cumprimento da missão acontece em meio a difícil dialética entre o conservar a identidade doutrinária e o renunciar a tradição histórica. a nossa intenção não é lidar com modelos de igrejas propriamente dito. A diferença básica entre o ser e o fazer igreja e uma denominação reside na comunhão com Cristo. Não se pode ter medo de se praticar culto vivo. desejo ressaltar que a igreja. jamais compreenderemos o que realmente significa ser o povo de Deus que em Cristo é chamado para as boas obras. porque acreditamos que cada caso é um caso. de romper as fronteiras e de alargar seus horizontes. alguns princípios fundamentais de revitalização da igreja local. de discipulado biblicamente instrutivo. de quebrar paradigmas. em sua igreja e em nossa denominação. como Corpo Vivo de Cristo. seja despertado por Deus para os nove objetivos aqui propostos.Jesus e desenvolvendo uma perspectiva correta de renovação espiritual e eclesiológica. Como ficará evidente. Corpo Vivo de Cristo. Abrace este projeto. Permita-se a Deus e ao Espírito Santo para que estes objetivos sejam realidades efetivas em sua vida. Uma igreja verdadeiramente viva e motivada pela missão não tem receios de ultrapassar barreiras. Não critique ou refute sem estudar e orar. do ser igreja. O relato bíblico nos incentiva a perceber a dialética inevitável e continuada entre a identidade eclesial e o chamamento para a missão. se considera-lo procedente e biblicamente correto. de sacerdócio universal e de comunhão dinâmica em amor. Pense em tudo isso e ore pedindo a Deus discernimento espiritual e direcionamento para a decisão que você precisa tomar juntamente com a sua igreja para a revitalização. 222 . visando seu crescimento numérico. santo e agradável a Deus. Trabalhe para que você. As denominações são expressões sociológicas. Finalmente.

Aos poucos (ir devagar é fundamental quando se chega em uma nova igreja) fomos renovando a junta diaconal. Para isso. a liderança deve ser constantemente revitalizada. Líderes capacitadores formam colaboradores. pude perceber um pouco da força do que acabamos de dizer. e não meros "ajudantes" ou "marionetes" com o intuito de alcançar seus próprios interesses. Pegamos uma junta diaconal debilitada e sem muito compromisso. A REVITALIZAÇÃO DA LIDERANÇA Não são poucas as igrejas que conhecemos que nos obrigam a fazer uma inevitável pergunta: "Onde está a liderança?". a saber. Um pastor que pretende levar a carga sozinho não conseguirá ir muito longe. A pessoa do pastor é fundamental para a formação de uma liderança capaz e capacitadora. mas não sabem como fazer. Existe boa literatura sobre administração eclesiástica que ajudarão o pastor neste empreendimento. o que é deveras significativo. Investimos na nova liderança. Sendo assim. Assim. O pastor precisa delegar e distribuir tarefas. apóiam. Invista-se na liderança e na formação de novos líderes e a igreja como um todo reagirá positivamente. a fim de contribuir na formação de novos líderes. viajamos com eles para 223 . que por sua vez capacitem e formem outros líderes. O crescimento natural da igreja. Eles capacitam. "Líderes que se vêem como instrumentos para capacitar outros cristãos e levá-los à maturidade espiritual.1. 23). Pelo contrário. O que não falta nas igrejas são pessoas que querem trabalhar. esses líderes investem a maior parte do tempo na formação de novos líderes através do discipulado e do compartilhamento de tarefas. a pirâmide de autoridade é invertida: os líderes ajudam cada cristão de sua igreja a chegar à medida de plenitude intencionada por Deus para cada um. Investir na formação de uma boa liderança é garantir o sucesso da igreja local. Mas também é preciso que ele capacite e equipe novos líderes. a energia investida por eles pode multiplicar-se quase infinitamente. como revitalizar uma igreja cuja liderança está cansada e os liderados insatisfeitos? Em nossa pouca experiência temos aprendido que o segredo do sucesso está no investimento. Quando fui pastor em uma das igrejas da Grande São Paulo. A. ensine sua igreja a fazer. Uma das funções do pastor é equipar os santos. descobrem como esse aspecto leva ‘por si mesmo’ ao crescimento" (C. trocando os "irrecuperáveis" por novos. Os resultados serão simplesmente surpreendentes! Os líderes de igrejas que crescem concentram seus esforços em capacitar outras pessoas para ministérios específicos. Um pastor centralizador compromete seu ministério e o futuro de sua própria igreja. p. motivam e acompanham a todos individualmente para se tornarem aquilo que Deus tem em mente. a varonilidade do Corpo de Cristo. Um líder não é capaz somente pela sua boa reputação dentro e fora da igreja. Schwarz. Confie no potencial de seu rebanho. Pastor. receber novas orientações. Em vez de fazer a maior parte do trabalho.

no ambiente de fala alemã. Novos líderes devem ser formados a partir de seus dons. Os diáconos reconquistaram a credibilidade da igreja. disse acertadamente que "o maior fenômeno de revitalização na igreja é o crente novo".um encontro de diáconos no Rio de Janeiro. se todos os membros da igreja descobrissem e usassem seus dons ministeriais. a meu ver. Orlando Costas (Compromiso y misión. p. Dr. recebemos orientações específicas de líderes de juntas diaconais que estavam dando certo e em pouco tempo a junta diaconal de nossa igreja se tornou uma das mais atuantes da Grande São Paulo. Além de outros fatores indispensáveis para o crescimento da igreja. Geralmente não vale a pena tentar recuperá-la. Tem que ser trocada. como veremos adiante. Em português há pelo menos dois que recomendo: Quem é você no Corpo de Cristo?/ Lida E. verdadeiramente revitalizada. só é possível quando os membros de uma igreja estão no lugar certo. Existem bons livros que poderão ajudar na formação de ministérios orientados pelos dons. Mas como preparar uma liderança capaz e capacitadora. Knight. seriam resolvidos com mais facilidade. Mudança também é revitalização. Revitalização nem sempre significa tentar recuperar o que não tem jeito. O que seria daquela igreja se todos os setores fossem revitalizados? Infelizmente não foi possível continuar ali para ver os resultados. Curitiba: Editora Evangélica Esperança. Minha proposta é: 1) Quando uma liderança está "viciada" é preciso ser trocada. 1997. descobrimos que 80% deles não sabem os seus dons espirituais". Meu ex-professor. e pude constatar que o resultado da pesquisa não foi diferente. 1994 e O teste dos dons/Christian A. Ministrei sobre o tema na região sul do País durante quase um ano. mas precisa ser trocada. na Europa. é fundamental que os ministérios sejam orientados pelos dons. E esta "mobilização". Existe muita gente boa no ministério errado. Elias Dantas. ou até mesmo não existiriam. E ele sabia o que estava dizendo porque levava isso a sério nas igrejas que pastoreava. quer sejam de ordem administrativa. 224 . Schwarz faz uma declaração alarmante: "De uma pesquisa que fizemos com 1600 cristãos ativos em suas igrejas. 62) acertou quando disse que "o crescimento da igreja depende de uma eficaz mobilização de seus membros". e a mesma se colocou à disposição para ajudá-los no que fosse preciso. Schwarz. Será que o resultado da pesquisa seria diferente se fosse feita com 1600 cristãos ativos nas igrejas do Brasil? Acredito que não e digo por quê. É perda de tempo. Aos poucos. Campinas: Luz Para o Caminho. quer sejam de ordem espiritual. sem que haja frustrações no futuro? 1º) Os ministérios devem ser orientados pelos dons Acredito que muitos dos problemas de uma igreja. 2) Tem muita gente nova na igreja que daria um bom líder.

portanto. e até decréscimo na membresia de algumas igrejas. o que temos visto na prática. a fim de tornar eficiente a vida espiritual do povo de Deus. À primeira vista parece fácil mudar aquilo que se tornou obsoleto. São Paulo: Abba Press.2º) Formar discípulos para serem discipuladores O discipulado que gira em torno de si mesmo está fadado ao fracasso. Os discipuladores não devem perder isso de vista se realmente desejam formar líderes capazes. em termos de discipulado. entendo que os próprios pastores deveriam iniciar o processo de discipulado. Toda ovelha deve ser preparada para produzir outras ovelhas. <B< ECLESIAIS ESTRUTURAS DAS REVITALIZAÇÃO A> O que muito tem contribuído para o não crescimento. 1º) A quebra de paradigmas Paradigma é uma palavra de origem grega que significa "modelo" ou "padrão". são necessárias para que as estruturas de uma igreja se tornem funcionais. daqueles que confundem inovação com inovacionismo. é a preparação que visa o crescimento espiritual do discípulo e nada mais que isso. pois foi a tônica do ministério terreno de Jesus. Infelizmente. Para isso preparou seus discípulos. Para um estudo interessante deste tema sugiro a leitura do livro Quebrando Paradigmas/Ed René Kivitz. viver ou fazer as coisas. Por uma questão de prudência e respeito com aqueles que não pensam como nós. Mas nem sempre é tão simples assim. é 225 . A preparação de um discípulo que não tem como objetivo a formação de outros não é bíblica. pelo menos. Isto sim é bíblico. Um discípulo deve ser preparado para discipular e formar novos discípulos. já não têm nenhum valor prático. não funcionais. indicando um jeito de ser. Primeiro é preciso mudar a mentalidade dos acomodados e principalmente dos saudosistas. orientar e superintender as atividades da igreja. são aquelas estruturas enrijecidas pelo tradicionalismo e. por assim dizer. daria o ponta pé inicial do discipulado? Como pastor. A ênfase da Grande Comissão foi: "fazei discípulos". O segredo do sucesso está num trabalho de conscientização sério e paciente. E quem. que por sua vez discipularão e formarão outros e assim sucessivamente. 1995. por uma simples razão: Uma das principais atribuições do pastor é instruir. Às vezes é preciso coragem para quebrar paradigmas que não funcionam mais e que. a boa tradição com tradicionalismo. portanto. Os paradigmas podem ser definidos como "verdades" que se fixaram na mente. Duas coisas.

Por meio de um processo constante de avaliação e renovação.preciso que os paradigmas sejam quebrados aos poucos. pode ser muito bem aproveitado. servirem melhor o organismo. As idéias e conceitos devem ser amadurecidos no meio da comunidade. a fim de serem revitalizadas e. de Edison Queiroz. Mesmo assim foi gratificante. 3. desse modo. conceitos desmotivadores de administração das finanças. Algumas coisas podem ser citadas como exemplos do que não devem passar pelo teste de qualidade de uma igreja local: liderança inibidora. Entendíamos que separar um domingo por mês para missões era o mínimo que estávamos fazendo. O ideal seria todos os domingos. horário e duração do culto inadequados. mas progressivamente. Tudo que não contribui para esse objetivo deve ser mudado ou eliminado. Um diálogo franco. era dedicado às missões. Quando uma igreja se envolve com missões. todas as demais áreas são abençoadas por Deus. inclusive a financeira. Uma coisa aprendi em meu ministério pastoral: Se a igreja não "comprar" a nossa idéia. 2º) Testes de qualidade As estruturas da igreja devem ser constantemente testadas por sua liderança. Para se evitar isso é preciso lembrá-los constantemente da importância da igreja local para com a obra missionária no mundo. de muita conscientização e investimento que valeram a pena. não será por meio de decreto conciliar que conseguiremos qualquer êxito. o surgimento de estruturas enrijecidas é evitado em grande parte. Neste caso específico. a igreja orava por missões e contribuía financeiramente com a obra missionária. E não poderia ser diferente. O Domingo Missionário. Segundo testemunho de irmãos antigos (que a principio foram relutantes). aberto e amigável é a chave do sucesso. como era chamado. sem atropelos. Prove! 2º) Uma questão de obediência e prioridade A experiência nos ensinou que evangelizar não é uma opção de vida de uma 226 . Mas isso não aconteceu de um dia para o outro. o livro Igreja local e missões. Foi preciso um trabalho de base. aquele foi um dos períodos mais abençoados na vida daquela igreja. etc. 1º) Um exemplo que deu certo Aprendi com um colega de ministério a separar um domingo por mês para falar de forma mais específica sobre a importância da igreja local em missões. A REVITALIZAÇÃO DO COMPROMISSO MISSIONÁRIO Com o passar do tempo os membros de uma igreja local tendem a esquecer-se de seus compromissos missionários. Pregávamos sobre missões.

entendemos que a formação de uma liderança capacitadora. a espiritualidade contagiante da igreja local com relacionamentos marcados pelo amor fraternal. porém. Uma vez que o mal foi detectado é necessário que seja combatido com atividades variadas. como por exemplo. a igreja nunca deve deixar se levar pela prática do paternalismo e assistencialismo paliativos. mas a própria vida de uma igreja local. o que fez antes.igreja local. atender o indivíduo na totalidade de suas necessidades. mas sim. é preciso conscientizá-la de que ela está no mundo para servir o mundo integralmente. 3º) Revitalizando a missão integral da igreja local Como revitalizar uma igreja que começou com tanta empolgação para fazer missões e de repente esfriou? Em primeiro lugar. O ponto de partida será o parâmetro bíblico e o contexto da igreja local. as estruturas da igreja sendo funcionais e o compromisso missionário revitalizado. certamente produzirão novo alento. a formação de grupos familiares ou células. além do auxílio de associações evangélicas e agências missionárias. do indivíduo e da sociedade. Sermões e estudos bíblicos missionários. é sinal que ela tem potencial para fazer. Entretanto. A igreja deve ser redirecionada. Etal e Atrás do Sol. um culto inspirador. nação santa. filmes específicos como por exemplo As Primícias. etc. para a honra e glória de Deus Pai. povo de propriedade exclusiva de Deus. sois raça eleita. Além disso. fechada em quatro paredes. Parte XXXVI UMA IGREJA RENOVADA TEXTO: ROMANOS 12: 1-2 227 .9). Geralmente a frieza por missões acontece por causa da rotina. mas sempre partir para uma ação social transformadora. naturalmente resultarão em novas realizações. é importante que a igreja saiba que sua missão no mundo é integral. Vejamos alguns exemplos de como a igreja poderá revitalizar sua visão missionária. Conclusão: Mais coisas poderiam ser ditas como parte integrante de um projeto de revitalização para a igreja local. é preciso reconscientizar a igreja de sua missão no mundo. A igreja local precisa resgatar sua visão missionária. Se a igreja chegou a se empolgar com missão algum dia. como bem declarou o apóstolo Pedro: "Vós. com a graça de Deus. sacerdócio real. evangelizar não é simplesmente distribuir folhetos como alguns pensam. excelência maior de seu chamado. Por outro lado. que se limita a suas atividades internas. a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz" (I Pe 2. Isto é. Em segundo lugar. O que está "matando" muito crente novo (que desperdício!) é a igreja não-funcional.

1.afastamento dos outros membros d .PROPÓSITO: Uma das maiores necessidades do mundo.desequilíbrio em todo os sistema b .Encurtando as distâncias .um espírito de concorrência 228 .mensagem b .A falta de oportunidade produz: a . Para que ela produza resultados positivos é necessário que o membro exercite a Koinonia e a Diakonia.2 .Diakonia . TRANSFORMANDO A NOSSA RELAÇÃO Este processo ocorre através da prática de quatro princípios bíblicos: 2. . 02.desvalorização do membro b . das pessoas e também da igreja é a de se adaptar ao curso da história. Leon Tolstói: "Todos pensam em mudar a humanidade e ninguém pensa em mudar-se a si mesmo".Kerigma .A comunicação se processa através de três elementos básicos: a .1 Coríntios 12: 15-16 .1 Coríntios 12:17-18 .contestação da vontade de Deus c . Um membro não deve aspirar o lugar do outro.Koinonia . Um membro não pode inibir a ação do outro.1 .A quebra deste princípio provoca: a . Transformação é o segredo de um organismo vivo.cada membro tem a sua função. .serviço 1.2 . Esta adaptação só se viabiliza mediante a disposição do mundo.comunhão c . Quando isto ocorre todo o corpo é prejudicado. O grande fator de dispersão que a enfraquece é a falta de uma boa comunicação entre seus membros. das pessoas e da igreja em se transformarem. 01. .Princípio da integralização .Ilust.não funciona isoladamente.João 13: 12-17 A mensagem Kerigma .este princípio visa dar a todos a mesma chance de trabalho. TRANSFORMAÇÃO ATRAVÉS DA COMUNICAÇÃO A igreja não sobrevive sem uma comunicação interna.Princípio da oportunidade .1 .desperdício de forças 2.

mobilidade e harmonia do corpo. na maioria.o egoísmo passa a predominar nas relações c .Princípio da dependência .2 Coríntios 13:5 . grupos de pessoas ou "igrejas no lar". Paulo faz recomendações.Disciplina na prática da fé .uma anemia espiritual 2.Disciplina na prática do amor . Sem ela.João 8:47 .1 Timóteo 5:22 . Há uma mistura de judeus e gentios.a arrogância quebra a linha de comunicação 2.Quando este princípio é quebrado. libertos e escravos.Disciplina na prática das ações .22).0 . Ela foi criada para ser o instrumento de Deus na transformação da sociedade.c . escravos.João 13: 35 Parte XXXVII UNIDADE NA VARIEDADE Romanos 16.TODA TRANSFORMAÇÃO EXIGE DISCIPLINA PESSOAL 1 Coríntios 9:25 .Princípio da unidade .3-16 No último capítulo da Carta aos Romanos. saudações e votos. . A independência enfraquece o corpo. Para isto o exercício da disciplina é imprescindível. nobres. Fp 4.enfraquecimento de todos os demais membros b . ocorre: a .4 .1 Coríntios 12: 25-26 .3 .Marcos 11:25 . a igreja perde a sua função.Gálatas 5:13 . Mostra como aquela comunhão de fé na cidade de Roma era formada de gente de várias nacionalidades. João 17:23 3.Colossenses 3:17 .Disciplina na prática da santidade .A igreja precisa ser a autora e não a espectadora no processo de mudanças. É uma esclarecedora lista de como a fé evangélica se havia espalhado entre todas as classes sociais. pelo menos oito são mulheres. homens e mulheres. idosos e jovens.Disciplina na prática da liberdade . No entanto. São saudações individuais a vinte e seis pessoas e a cinco famílias.1 Coríntios 12: 21-22 .Disciplina na prática do tempo .a unidade é a fonte geradora de toda a energia.Disciplina na prática de ouvir e falar .todos os membros devem participar das atividades que os demais realizam.Disciplina na prática do perdão . 229 . são. . Das pessoas mencionadas. Treze dos nomes aparecem em inscrições ou documentos que tem a ver com a nobreza e com o palácio do imperador naquela cidade (cf.Efésios 5:15-16 .

e examinando-os com alguma análise. Andrônico e Júnias são "meus parentes".procedências e estratos sociais. A relação de nomes é de altíssimo significado. e.8) e Urbano (v. Registra.7).4): "meus cooperadores em Cristo" e "pela minha vida expuseram as suas cabeças" . 3. erudito · Flegonte = ardoroso · Hermes = intérprete (daí a palavra hermenêutica. Os judeus. Há ricos e há pobres. como o muro de separação entre judeus e não-judeus fora derrubado. cheias de gratidão e plenas de amor: Em relação a Prisca e Áquila (vv. de Apeles (v.28).10). pelo menos.11). um grego. Há judeus e há gentios. já o dissemos. ainda. Estáquis. "meus companheiros de prisão" e "bem conceituados entre os apóstolos". Flegonte.14. há nesta passagem uma visão da intensa vida da Igreja-dosPrimeiros-Dias. As saudações não são longas. exatamente nos termos de Efésios 2. No verso 7.6). 230 . de Andrônico e Júnias (v. Gl 3. A COLORIDA VARIEDADE Como já enfatizado. vemos que os tipos são tão diferentes que só um milagre chamado evangelho pode explicar a interação naquela comunidade de fé. e gente que vem do paganismo. mas são muito expressivas. Há homens e há mulheres. Maria (v. Para Epêneto (v. gente que vem de um profundo contexto espiritual. a arte da eloqüência) · Júlia = juvenil · Maria = bela (alguns traduzem como "teimosa. ou seja. de Herodião (v. graciosa · Urbano = criado na cidade. obstinada") · Nereu = molhado · Olimpas = descido dos céus · Pátrobas = vida do pai · Priscila = venerável · Trifena = delicada · Trifosa = mimosa.6) foi a que "muito trabalhou por vós".3). Epêneto.9). de Maria (v. Urbano. O significado dos nomes é igualmente muito interessante: · Áquila = águia · Asíncrito = incomparável · Epêneto = louvado · Estáquis = espiga · Filólogo = falador.16 (cf. Há romanos: Ampliato (v. Pérside e Hermas. Escravos: Ampliato.5b): "meu amado" e "primícias da Ásia para Cristo". Era o caso de Priscila e Áquila (v.

de acordo com o costume oriental de assim chamar uma senhora mais idosa. Era um casal devotadíssimo ao apóstolo Paulo. Há quem admita ser Rufo filho de Simão. Aliás. torna-se amarga e. MEMÓRIAS Há algumas histórias por trás das lembranças de Paulo. Pois é.21). o maltratto. Mas a verdade é que é muito difícil viver em comunidade. Rufo é o "eleito no Senhor". o cireneu que carregou a cruz de Jesus compartilhando com Ele a dor. em concórdia. Drusa. Eu escrevi Prisca? Prisca ou Priscila? Dá no mesmo. o relacionamento humano é uma teia delicadíssima. Um estudioso do Novo Testamento diz que não há no Novo Testamento um casal mais fascinante que este.2. abençoadora. 1Co 15. Eram avançadas na idade. essa experiência que deveria ser abençoada.No verso 8. como Lucia faz Lucila. Urbano é "nosso cooperador em Cristo"e Estáquis é chamado de "meu amado". Quando Paulo deixou Corinto indo para Éfeso. mas não como irmãos no Nome de Jesus Cristo. enriquecedora. as irmãs Trifena e Trifosa são as que "trabalham no Senhor". Apeles (v. aplicando-as à bênção de Deus que se chama Igreja. 10) é denominado "aprovado em Cristo". As duas idosas irmãs em Cristo têm histórias não contadas no texto. traumatizante.18). E se não há o alicerce de Jesus Cristo. Paulo chamou à senhora. gente que enche os bancos da igreja. que. At 18. de sua mãe. nosso Salvador. Pérside ("natural da Pérsia") e Maria são pessoas que não se entregam. morou com eles. que Priscila pertencesse a uma família da nobreza romana. A história de Prisca e Áquila. e a mãe "adotou" Paulo. Outra história interessante é a de Rufo. Drusila e Lívia. No verso 13. até. que gente extraordinária são os pais de Rufo: o pai carregou a cruz de Jesus Cristo. no 9. a humilhação daquela manhã em Jerusalém (cf. 18. por um tempo. e Áqüila fosse um judeuda Ásia menor setentrional. e incansáveis no trabalho. Diz ele que o estilo de vida que acontece na igreja é um privilégio. é amada" e "muito trabalhou no Senhor". tenuíssima e fragílima 231 . veterana senhora. em certos casos. At 19. mãe de Rufo. e Pérside. a ponto de sofrerem perigo de vida (cf.26). que significa "trabalhar até o cansaço" A UNIDADE Não é fácil viver em unidade. Paulo usa uma palavrinha que diz isso: kopian. Mc 15. Muitos problemas afloram porque nossos irmãos em Cristo (em quem corre o mesmo de Jesus nas veias) são tratados apenas como outras pessoas. o casal o acompanhou (At 18.23) Tinham a mesma profissão de Paulo. Ampliato é "meu amado no Senhor". o grande apóstolo aos gentios. Livila. no verso 12. E passando ao verso 13. Se assim ocorreu.32. É possível. Dietrich Bonhoffer usa as expressões "dom de uma vida comum" e "dom da adoração em comum aos domingos". porque Priscila é o diminutivo de Prisca (cf.

. mãe e filhos). no querer o bem.um sinal de amor. Paulo recomenda uma saudação muito comum no Oriente Próximo ainda hoje: o beijo (cf. então. no bem-querer e nas atitudes de boa vontade. 2Coríntios 13. "os da casa de Narciso". Aqui temos Priscila e Áqüila.1).15. 33. Nereu e sua irmã (provavelmente. É o caso de um núcleo que tinha seus encontros na casa de Áquila e Priscila (v. Temos membros de uma mesma família fazendo parte com outras famílias de uma mesma família de fé. de Rufo. em muitas ocasiões. PRECIOSAS LIÇÕES Sacrifício de uns pelos outros (vv. No Novo Testamento. Alguns foram companheiros de prisão do apóstolo (cf. Desde o princípio desta genuína e profunda amizade. Gn 29.2). Cl 4. 18. 16. porém. o costume já se havia difundido nas igrejas conforme atestam os seguintes exemplos textuais: 1Coríntios 16.é um sinal de amizade e saudação (Mt 26. Paulo. o casal amado. O Novo Testamento menciona que. mas que se fortalece quando está fundamentada no respeito. 5a). abertas as mãos. mas não entre os romanos. na tolerância. v. Nesta lista há solteiras. havia. At 10. a ponto de quase serem mortos. Priscila e Áquila foram pessoas que mantiveram aberto o coração. Havia casos em que pequenos grupos se reuniam em uma casa. no verso 13.19. casadas.48). nosso ex-professor. na confiança. famílias inteiras eram batizadas (cf. Paulo usa a palavra "santo".20. É digno de observação que as mulheres são significativamente proeminentes na vida da Igreja de Cristo. 3-5a). poderoso e incentiva o crescimento pessoal e da Igreja como um corpo.que pode se romper com coisas mínimas e minúsculas.11. fez uma significativa afirmação ao dizer que será um dia glorioso quando os cárceres forem transformados em púlpitos. recebendo do apóstolo o reconhecimento pelo modo através do qual compartilharam de suas lutas. e no verso 15. nem como uma ordenança ritual. Por outro lado. 1Tessalonicenses 5. 1Co 1. Era.26 e 1Pedro 5. Na verdade. Equivale. também. o relacionamento humano e cristão é dinâmico. 1Sm 10. Além de ser um sinal de afeição entre parentes. um ato de fraternidade entre os semitas.6). lembremos. um tom de homenagem (Gn 29. no verso 11. Ct 1. ele fala dos "da casa de Aristóbulo". 16. Fm 2). Dr. Paulo saúda a irmã na fé chamada Maria. mães e todas executando um admirável ministério na Causa do Senhor. de Filólogo. 16).14.44-48.12.16. Dale Moody.4. Júlia. na honestidade. não o entende só como sinal de amizade. 232 . "ósculo santo". sua mãe e sua irmã. para evitar toda e qualquer conotação maldosa.11.8. Paulo até o menciona. No verso 10. viúvas. Aceitação de uns pelos outros (v.15. pai. 33330-34. e aberta a porta para a expansão do nome e reino de Cristo Trabalho pelo bem comum (v.7).

Há uma recomendação do apóstolo que é apropriada para encerrar esta reflexão. Oração Senhor. Será preciso lembrar que o primeiro aspecto do fruto do Espírito é o Amor? Por ele. Assim é: "Todas as vossas obras sejam feitas com amor". faz desaparecer o orgulho. É preciso lembrar que avivamento e comunhão andam de mãos juntas.14b: "Fazei todas as vosss obras com amor". e depois de cada encontro. ao construir a própria vida. a um fraternal abraço e aperto de mãos.em nossa cultura. a solidariedade e a fraternidade de uns pelos outros. É ele quem põe um ponto final nas divisões. Que ninguém fique alheio aos momentos De cansaço. nenhum desejo de unidade ou de comunhão é coisa alguma sem o amor. Que nossas diferenças não excluam ninguém da comunidade. Pode não parecer. mas uma há uma comunhão o dedo e o fígado de alguém. desenvolve-se a compreensão e o ministério do ouvido amigo. Encontra-se em 1Coríntios 16. comunhão (koinonia) é uma das grandes palavras do Novo Testamento. Com os Teus olhos e nos amemos com o Teu coração. Que nossas discussões não nos dividam. Que cada um de nós. que regenera o interesse. pois é vital para a saúde espiritual da igreja e do crente como indivíduo. Mas nos unam na busca da verdade e do bem. Senhor. Amém! 233 . Além de todas as buscas. Assim seja. O amor é o começo do crescimento espiritual. nos aproximar de alguém. Que olhemos para cada um.4). Fala de uma abordagem sistêmica. um cordial "Bom dia!" É preciso recuperar o significado da comunhão. E que. Que cada um de nós sinta e viva as dificuldades dos outros. É recomendação perfeitamente pertinente porque nenhum dom espiritual. Não impeça o outro de viver a sua. aberta e sensível Aos problemas de cada um. a perna e o coração porque corre um sangue vital. Mas somente irmãos. no fim de todos os caminhos. manifesta-se a humildade (Rm 12. Que a nossa fraternidade não se feche em si mesma. Aliás. Mas seja disponível. nós Te pedimos: Que nos conheçamos sempre melhor Em nossas aspirações e nos compreendamos Mais e mais em nossas limitações. Devemos buscar a comunhão. dissabor e desânimo do próximo. Não haja vencidos nem vencedores.

Algumas perguntas precisam ser respondidas. O mesmo efeito tiveram as duas principais conversões relatadas por Lucas. as pessoas que estavam jejuando e orando? Parece-me improvável que devamos restringi-los ao pequeno grupo dos cinco líderes. Lucas não explica a diferença entre esses ministérios. O terceiro era Lúcio de Cirene e alguns conjecturam que Lucas se referia a si mesmo o que é muito improvável já que ele preserva seu anonimato em todo o livro. em grego chamado o "syntrophos" de Herodes o tetrarca. Ninguém tinha tido a visão de levar as boas novas às nações além mar. Foi quando eles estavam "servindo ao Senhor. A quem o Espírito Santo revelou a sua vontade? Quem eram "eles". e jejuando" que o Espírito Santo lhes disse: "separai-me agora a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado" (At. Também em Atos 234 . Evangelistas anônimos também pregaram o evangelho aos "helenistas" em Antioquia. Mas sempre a ação esteve limitada à Palestina e à Síria. Estevão através de seu ensino e martírio.13:2). Filipe através de sua evangelização ousada junto aos samaritanos e ao etíope. apesar de Chipre ter sido mencionada em Atos 11:19. Ele só nos dá os seus nomes. isto é. provavelmente um africano e supostamente ninguém menos que Simão Cireneu. de Herodes Antipas. através do apóstolo Pedro. Os dois diáconos evangelistas prepararam o caminho. O segundo era Simeão que tinha o sobrenome de Níger. que consistia em cinco profetas e mestres que moravam na cidade. A população cosmopolita de Antioquia se refletia nos membros de sua igreja e até mesmo em sua liderança. Havia também Manaém. pois isso implicaria em três deles serem instruídos acerca dos outros dois. vai ser dado esse passo significativo. que também fora comissionado a ser o apóstolo dos gentios. nem se todos os cinco exerciam ambos os ministérios ou se os primeiros três eram profetas e os últimos dois mestres. O quinto líder era Saulo. a de Saulo. O primeiro era Barnabé. filho de Herodes o Grande. natural de Chipre" (Atos 4:36). que foi descrito com "um levita. É mais provável que se referia aos membros da igreja como um todo já que eles e os líderes são mencionados juntos no versículo 1 de Atos 13. Agora.(Autor desconhecido) Parte XXXVIII O QUE LEVOU A IGREJA Em Antioquia a fazer Missões Em Atos 13 o horizonte de Lucas se alarga pois o nome de Jesus seria maciçamente testemunhado além da Judéia e Samaria. e a de Cornélio. A palavra pode significar que Manaém foi "criado" com ele de forma geral ou mais especificamente que era seu irmão de leite. finalmente. A partir de Antioquia chegaria aos confins da terra. Estes cinco homens simbolizavam a diversidade étnica e cultural de Antioquia e da própria igreja. que significa Negro. que carregou a cruz para Jesus.

Mas ele também o usa no sentido de dispensar. prestam conta a toda a igreja por terem sido comissionados por ela. ou nunca. muito semelhante ao chamado de Abrão: "vai para a terra que te mostrarei". o jejum é um fim em si mesmo. Qual o conteúdo da revelação do Espírito Santo à Igreja em Antioquia? Foi algo muito vago e possivelmente nos ensina que devemos nos contentar com as instruções de Deus para o dia de hoje. livrando-os de suas responsabilidades de ensino na igreja. Quem comissionou os missionários? De acordo com Atos 13:4 Barnabé e Saulo foram enviados pelo Espírito Santo que anteriormente havia instruído a igreja no sentido de separá-los para ele. darem um passo de fé. através do testemunho do Espírito em seus corações e mentes. Esse equilíbrio é sadio e evita ambos os extremos. A instrução do Espírito Santo foi "separai-me agora a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado". Notamos que o jejum não é mencionado isoladamente. para testar o chamado de Deus e em parte para interceder pelos dois que seriam enviados. pelo qual todas as decisões são tomadas pela igreja sem 235 . Mas seu chamado também poderia ter sido interno e não externo. O mais provável é que Deus tenha falado à igreja através de um de seus profetas. O primeiro é a tendência para o individualismo pelo qual uma pessoa alega direção pessoal e direta do Espírito sem nenhuma referência à igreja. É verdade que o último verbo pode ser entendido como "deixou-os ir". por ter recebido instruções do Espírito. Na verdade em ambos os casos o chamado era claro mas a terra e o país não. "impondo sobre eles as mãos os despediram". ou seja. ou seja. O jejum é uma ação negativa em relação a uma função positiva. Ele é ligado ao culto e à oração. Portanto creio que seria certo dizer que o Espírito os enviou instruindo a igreja a fazê-lo e que a igreja os enviou. após a imposição de mãos. em parte. Mas de acordo com o versículo seguinte foi a igreja que. Precisamos observar também que tanto Abrão como Saulo e Barnabé precisariam. mas sim uma despedida. Então jejuando e orando. quando Paulo e Barnabé retornam. comissionando-os para o serviço missionário. prontos para a obediência. a primeira reação deles foi a de orar e jejuar. Isto não era uma ordenação ao ministério muito menos uma nomeação para o apostolado já que Paulo insiste que seu apostolado não era da parte de homens. pois raras vezes. pois às vezes Lucas usa o verbo "adulou" no sentido de soltar. O segundo é a tendência para o institucionalismo.14:26-27. ao que parece. Possivelmente Paulo e Barnabé já possuíam anterior convicção do chamado de Deus e esta verdade foi aqui revelada para toda a igreja. para obedecerem a Deus. Independente de como o receberam. os despediu. Como foi revelado o chamado de Deus? Não sabemos.

na verdade. 236 . seu trabalho.. a fim de descobrir a quem ele está concedendo dons ou chamado. estou limpo do sangue de todos" (Atos 20. não o reservava para si..passei pregando o reino de Deus. no seu desenvolvimento. havia transmitido a vontade de Deus sem quaisquer reservas. É senso comum que qualquer outra atividade desenvolvida pelos cristãos tem sua pertinência na Causa de Cristo e não deve ser minimizada. O apóstolo Paulo mesmo demonstrou uma clara visão do seu ministério. 25 – 27). obedecê-lo e fazer da igreja local um ponto de partida para os confins da terra. e suas cartas o revelam (1). apóstolo. pelo contrário.nenhuma referência ao Espírito. detalhes que merecem análise. que sempre trabalhou com as próprias mãos para satisfazer as suas necessidades pessoais. Assim precisamos evitar o pecado da omissão ao deixarmos de enviar ao campo aqueles irmãos com clara convicção de que foram chamados por Deus. menciona. O equilíbrio é ouvir o Espírito. nada cobiçou de outras pessoas. Paulo está com sentimentos divididos: está triste e alegre. Eles foram enviados pelo Espírito através da igreja. não me esquivei de vos anunciar todo o conselho de Deus.. mas sem confirmação do Espírito à igreja. mas prazeroso por ter sido o instrumento de sua conversão. E há. Conclusão Não há indícios para crermos que Saulo e Barnabé eram voluntários para o trabalho missionário.. uma despedida carregada de emoção. No entanto. ser sensível ao Espírito Santo.. missionários e pastores. e em especial aos seus líderes. é uma obediência à visão do Senhor. É tristeza por deixar aqueles a quem ama. Portanto cabe a toda igreja local.. Paulo menciona que sua palavra sempre foi destemida. ainda. O contexto da porção bíblica escolhida é que Paulo. É. Parte XXXIX MINISTÉRIOS FIÉIS ". Chamado missionário não é um ato voluntário. está deixando um lugar onde tem exercido um ministério fiel e pleno de frutos. mas ajudava a suprir as necessidades de outros menos validos. bem como a precipitação de o fazermos com outros que possuem os dons para tal. evangelistas. a Escritura Sagrada dá grande importância a homens e mulheres que foram separados como profetas. Não existe chamada mais honrosa e elevada que a divina para o ministério integral.

contribuem. Esta convicção que queimava a sua consciência ela a reflete igualmente em Atos 21. porém. É verdadeiramente uma luta ingente.8. Até mencionou que "Cristo não me enviou para batizar"(3). Os participantes da obra divina correm o perigo da contaminação do mundo. consagração e abandono de seu espírito ao Espírito de Deus. Entretanto. obreiros do Reino de Deus. bem na medida do pensamento contemporâneo de que "o preço da liberdade é a eterna vigilância". 25). alimentar. A palavra pregar é usada por Paulo cinqüenta e nove vezes nas suas cartas. os ministros fiéis não se prendem a um assunto favorito. cuidar do rebanho do Senhor que lhes foi confiado.. 237 . escreveu.19-26 e 3. Paulo recorda aos seus colegas de ministério algumas realidades próprias do seu múnus ministerial e profético: o dever que não é outro senão vigiar. Antes de sua partida. Mesmo não sabendo o que virá no dia seguinte. traz à memória de seus amados três características de seu próprio ministério. de todos os fiéis ministros. pelo contrário. mas proclamam todas as Doutrinas da Graça. não são. feroz e constante mantida pelos profetas. ajudam. É o que podemos chamar de "evangelho light". proclamar essa mensagem abençoada e abençoadora de um evangelho eficaz para a salvação de todo aquele que crê. missionários. para ela é escolhido. "cheguei a Trôade para pregar o evangelho"(4). e a Timóteo exortou com a seguinte expressão: "Prega a palavra.(2)" Outros métodos são auxiliares.. antes. espera-o e o enfrenta com a plena consciência de toda a direção é do Espírito. não a sua vida(6). insta a tempo e fora de tempo"(5). prioritários. Para Paulo. evangelistas. e. tarefa que ninguém escolhe. Da mesma forma. entre outros tocantes exemplos de dedicação. do secularismo.Outra expressão de Paulo em sua despedida é o enfrentamento do futuro com confiança visto que depende unicamente do Espírito Santo. Spurgeon fez referência a pregadores que enfatizavam apenas certas doutrinas. Filipenses 1. CARACTERÍSTICA 2: APRESENTAÇÃO PLENA "Não me esquivei de vos anunciar todo o conselho de Deus" (v. CARACTERÍSTICA 1:FIDELIDADE À DIVINA COMISSÃO "Passei pregando o reino de Deus" (v. educadores. obreiros em geral para manter a pureza e a intocabilidade da Igreja de Jesus Cristo sob a sua liderança espiritual. prioritário é pregar. por extensão.13. Esses pregadores falam de doutrinas como o reavivamento. a cura divina. e outras igualmente populares. pastores. missionários. pois "aprouve a Deus salvar pela loucura da pregação. Para o apóstolo. O método de Deus para a salvação dos perdidos não é outro senão a pregação. profetas. o perigo a que estão sujeitos. da inveja ou do sucesso. 27). precioso é o evangelho.

26). como se depreende. e vier a espada. e o levar. Gloriosa certeza! Extraordinária convicção! Em outro 238 .. eu não sou responsável" Paulo era. o ministro fiel e destemido não busca a popularidade "amaciando" certas ênfases do evangelho que não apoiadas por alguns. ou como já foi resumido com muita pertinência. a responsabilidade de atender ao convite para a bênção já lhe foi passada. Diz a Bíblia na Linguagem de Hoje: "Esse alguém é responsável por sua própria morte".9. a redenção. deixando que o Espírito faça a obra de convencimento. "o ser humano.O apóstolo Paulo não se esquivava de fazê-lo.. frase do missionário vertida pela BLH como "se algum de vocês se perder. Não deixava de pregar porque certas verdades não satisfaziam os paladares de seus ouvintes porque um ministro fiel não se amedronta diante dos homens. Garante a Escritura que a Palavra de Deus "não voltará vazia"(10). o evangelista. Pregava todo o plano de Deus. ÚLTIMO PENSAMENTOS "E eis agora sei. e assim o pregador cumpriu o seu sagrado dever de ressaltar o pecado. 25a). Pode o missionário. CARACTERÍSTICA 3: OBRIGAÇÃO SEM CULPA "Estou limpo do sangue de todos" (v. na verdade. e apelando para que se escolha a vida. ao dever espiritual do missionário/evangelista pela apresentação fiel da mensagem de vida abundante: o pecador é advertido. Nosso problema. e não se der por avisado. "estou limpo do sangue de todos" (8). O Senhor da seara é fiel. "Lança o teu pão sobre as águas". Na verdade. o pastor ficar tão ansioso e não se lembrar da recomendação bíblica.1 . razão porque não precisamos nos preocupar com os resultados visíveis imediatos. e tudo o mais que está contido na Palavra de Deus. os Seus servos devem ser fiéis na entrega da mensagem e na obrigação por causa de sua divina comissão. A resposta dos ouvintes não era sua responsabilidade. a justificação. Paulo também o disse ecoando o profeta Ezequiel. Estas palavras são um eco de Ezequiel 33. "todo aquele que ouvir o som da trombeta. o seu sangue será sobre a sua cabeça"(7). Seu tema principal é a salvação. um pregador tremendamente linear. até porque nos garante a conclusão desta recomendação que "depois de muitos dias o acharás"(9). e cumpria sua tarefa. o pecado e a graça". a justiça e o juízo. a santificação e a glorificação a serem explicados com toda a clareza possível. A referência à culpa pela morte de alguém aplica-se. incluindo seus aspectos como a eleição." (v. desse modo. quantas vezes. tem sido o desejo de ver resultados visíveis em lugar de deixarmos os resultados com Deus.

10.espaço.! EU CONHEÇO O SENHOR DA SEARA!" Que não passemos adiante a sagrada missão evangelizadora que o Senhor poderia ter confiado aos Seus anjos. fragilidade e tremenda dependência de um Pai amoroso... e sempre pronto a dar sustento emocional. prescindindo aquelas que o Texto Sagrado preceitua como sendo a função pastoral. cuidadoso. Atos 20. tem conhecimento de sua pequenez. Sociedade Bíblica de Portugal.10ss. (5) 2Timóteo 4. Há lobos vorazes rondando o rebanho.11. o apóstolo introduziu os pensamentos acima analisados.26b. porém. o missionário/profeta/pastor/obreiro/obreira dirá "EU SEI. (2) 1Coríntios 1. 15. Com esta expressão de fé e esperança. (10) Isaías 55.1ss. v. (3) 1Coríntios 1..12 (O Novo Testamento. Tradução Interconfessional.10. e. 1Coríntios 16.4. A pregação da Palavra deve ser efetivada por cristãos especialmente 239 ..!" Sim. Atos 20. Quanta deturpação doutrinária. quanto poder nas palavras emanadas por vidas confiantes.24 (7) Cf. no entanto. Cabe-nos corresponder! NOTAS (1) Cf.24-2. por essência e definição Seus autênticos mensageiros e ministradores.14-6. Lisboa. foi a nós que Ele o fez. Sem qualquer sombra de dúvida. (6) Cf.4 que a tarefa pastoral precípua é a oração e o ministério da Palavra.12a. Vemos em Atos 6. o Dia do Juízo(11). (11) 2Timóteo 1.1. (8) Cf.. etc. 2Coríntios 2.14ss. (9) Eclesiastes 11.17.23.. espiritual e forças físicas para o desempenho da tarefa proposta.21b. corajosas. prontos a entrar no santo aprisco. ousadas que podem afirmar "EU SEI. (4) 1Coríntios 2.2a. quanta novidade penetrando como se fossem moderníssimos métodos de proclamação. Colossenses 1. 1978) O MINISTÉRIO DA PALAVRA Introdução(1) É interessante observarmos a exigência que muitos cristãos fazem a seus pastores para que dediquem tempo em atividades secundárias. também o fez com a afirmação de "sei em quem pus a minha confiança e estou certo de que ele tem poder para me guardar na minha missão até ao dia marcado".

28. profecias e conforto para o povo de Deus. Deus espera mais dos pastores e a tarefa pastoral deve esmerar-se em apresentar ao Senhor pessoas maduras e adultas na fé que sejam cumpridores da Palavra. eleito pelo próprio Deus da Palavra para arquitetar os ideais divinos para a sociedade. Quando buscamos no Texto Sagrado a finalidade específica para o Ministério Pastoral encontramos.4. é serviço prestado em submissão. cristãos "perfeitos em Cristo". Estão pastores mas não são Pastores na acepção bíblica da tarefa pastoral. uns poucos disseram ser o preparo do crente para a eternidade e para o mundo atual e. em todo o Novo Testamento. Palavra de Deus. O Ministério da Palavra. O pregador da Palavra é o mensageiro de Deus e o verdadeiro mestre da sociedade. Dentre os Ministérios alistados na Bíblia o Ministério da Palavra é o mais rico na sua significação. É o Ministério do Logos. zelo e extremado amor. citada em hebraico 394 vezes no Antigo Testamento. 240 . o que ressalta o fato de que não desenvolveram uma visão bíblica para o Ministério da Palavra. além das tarefas primordiais indicadas em Atos 6. muitos não souberam responder a questão proposta. Colossenses 1. outros a união dos crentes com o Senhor. absorto pelo Dom de proclamá-lo com persuasão. I – Finalidade específica do Ministério Pastoral (2) Em uma pesquisa realizada entre pastores perguntou-se qual seria o alvo final do trabalho pastoral e muitos responderam ser a evangelização. subserviência.vocacionados em distinção a todos os demais Ministérios Eclesiásticos. É espantoso notar que muitos pastores dirigem igrejas e pregam sem ter uma noção clara quanto a finalidade do Ministério. as responsabilidades alistadas a seguir. sempre divinamente inspirado e autorizado para esclarecer as manifestações de Deus decorrentes da mensagem proclamada. diligência e fidelidade. que no Novo testamento é o equivalente a Davar Elohim. 1. afim de que os ouvintes passem a orientar e dirigir suas vidas a partir da Palavra proclamada. que emprestam ao ministro dignidade e importância oficial devido a natureza e a qualidade do serviço prestado. Aperfeiçoamentos dos crentes O pastor não pode contentar-se em visualizar nos membros da igreja apenas certas atitudes éticas pautadas na Palavra de Deus ou algumas poucas posturas próprias dos costumes e princípios denominacionais. A idéia radical inerente ao Ministério. lamentavelmente. é o que encerra o compromisso de anunciar a Revelação de Cristo no sentido de uma comunicação divina em forma de mandamentos. portanto. O pregador da Palavra de Deus é um profeta que deve compreender claramente a beleza e a universalidade do evangelho.

A igreja é uma escola de vida e de serviço. servindo na igreja local. isto é.9-15.3-4. A igreja não pode 241 . Capacitar os cristão para o serviço. 2.22-24. 3. Gálatas 5. Preservar a unidade da igreja A unidade da igreja é um desafio ao amor e ao respeito que os cristãos devem uns aos outros. Mateus 25. independentemente da condição social ou cultural. É um chamado à compreensão das diferentes manifestações de Deus no mundo através da igreja local sem prescindir da comunhão em Jesus e da sinergia cooperativa entre as diversas igrejas para que cada uma delas cumpra o seu Ministério. cristãos aperfeiçoados em Jesus. deve enxergar além do horizonte da igreja local ou de sua denominação. Devemos servir com esmero e amor no presente para que sejamos encontrados fiéis no tempo em que formos convocados ao serviço celestial.26.35-38.7-10. II – A Relevância da Tarefa Pastoral para a Sociedade (3) Nossa sociedade se admite pós-moderna e adota novos paradigmas socioculturais e eclesiológicos. O Senhor espera que nos preparemos e aprendamos sobre fidelidade e dons de ministérios. Hebreus 12.14-30.Deus espera que os pastores entreguem a Cristo a obra acabada. que é a figura da igreja universal gloriosa.11 e 20-23. Vivemos em uma sociedade cibernética e de realidades virtuais. Lucas 12.13-17.21-24. preparando-nos para o serviço futuro na glória celestial. 1 Pedro 4. João 17. Marcos 10. Invisível e Gloriosa. Mateus 6. Efésios 4.13. O pastor deve ter uma visão horizonal do Reino de Deus.4-7. o que nos exige a compreensão das rupturas que se refletem no nosso cotidiano a partir da substituição da mecanicidade pela informação e informatização. Há uma realidade muito maior e superior do que a própria igreja local que é a Igreja Universal. 13. sendo a igreja local condicionada pelos sinaléticos denominacionais apenas uma ínfima expressão da grande totalidade do que constitui-se a Igreja de Deus em Cristo. João 12.10-16.22-25 e Apocalipse 22. isto é. Efésios 4. Hebreus 10. A convivência na igreja deve nos ensinar a servir no presente. Cristãos que tenham uma identidade doutrinária definida e que interagem na obra do ministério da igreja de modo geral. cheios do pleno conhecimento e firmados doutrinariamente. Apocalipse 7. edificados na igreja.43-45. A igreja não é um estágio no qual apenas esperamos passar o tempo até que Jesus volte.

sem contudo. considerando a validade das emoções e da intuição na percepção ideológica da verdade e da fé. o que exige da igreja o redirecionamento dos comportamentos eclesiológicos e pluralidade na expressão cúltica. Nossa sociedade admite variegadas contemplações do mundo supondo que a realidade seja ordenada a partir da observação das leis naturais e do ciclo existencial. as realidades existenciais. refutando e ridicularizando as micro-narrativas que se auto-arrogam credibilidade insofismável. por meio da pregação contextualizada que considera as influências recebidas na formatação da personalidade. Não há como não enxergar a pluralidade dos conceitos éticos e morais estabelecidos pelo situacionismo degradante ancorado e aglutinado em torno de interesses egocêntricos. Uma cosmovisão pastoral para a pós-modernidade deve considerar o fato de que o mundo não é algo exterior e que dele extraímos nossos conhecimentos. ética e social orientando a igreja para que condicione sua mentalidade. Se na pós-modernidade a realidade é relativa. como preceitua a Palavra de Deus. O pastor não pode fechar os olhos às transmutações da sociedade que privilegia a privatização e a heterogeneização de interesses e valores. deve entender e visualizar a possibilidade de criarmos os mundos. o que só será possível a partir do reposicionamento da atuação pastoral. como faz discurso evangélico tradicionalista que reproduz uma eclesiologia arcaica em detrimento da edificação e da relevância da igreja para a sociedade. isto por quê uma mensagem bíblica e profeticamente contundente aborda sobre uma variedade de problemas existenciais e práticos. descambar para a relativização dos absolutos estabelecidos na Palavra de Deus. tornando a igreja e o labor pastoral relevantes e essenciais para o nosso contexto sociocultural. A pósmodernidade implica no abandono de qualquer mito legitimador dominante desacreditando das meta-narrativas predominantes. bem como uma igreja relevante. indeterminada e participável. sua eclesiologia e sua expressão cúltica em paralelo a recusa do verdadeiro conhecimento de Deus. dos conceitos éticos e da própria religião. que vive em constante suspeição da própria razão ressaltando a espontaneidade em contraposição à subordinação. os pastores devem atuar na formação da consciência cristã. Uma atuação pastoral instrutiva e construtiva. A Bíblia tem pressupostos para o ceticismo humano e os pastores devem ser dotados de graça e qualificados para a interpretação dos absolutos de Deus em qualquer época da história. O pastor tem a vantagem de estar presente em quase todas as ocasiões da vida das pessoas podendo interpretar as revelações proposicionais da Bíblia a partir da atuação de Deus na história. Há que se redefinir a homilia. 242 . Mediante a essa miopia sociológica é imperioso desenvolvermos uma cosmovisão pastoral que se contraponha à predisposição pós-moderna de rejeitar uma perspectiva unívoca e correta.ser acometida de refração causada pelas lentes do virtuosismo ufanista e sectário que se recusa à novas e diversificadas percepções da sociedade.

quando consciente de sua tarefa e de seu compromisso como profeta. o que se verifica pela esquizofrenia resultante do trauma causado pela confrontação da liderança. Os cristãos que resistem a autoridade pastoral ou que vivem buscando referenciais externos para abalizar a proclamação de seu pastor. pela exortação bíblica e ensino da Palavra. pois a fé cristã é o único misticismo que permite ao homem comunhão consigo mesmo. proporcionando ao ser uma experiência agregária. Podemos ainda considerar de extrema relevância a tarefa pastoral por ser o pastor. Conclusão (4) Não é difícil perceber que a igreja sofre as mais variadas influências e se vê pressionada pelas mais diversas tendências no atual contexto sociocultural. O ministério pastoral é a única tarefa que pode oferecer renovada razão de ser para a sociedade em decadência ética e espiritual por enunciar mensagem verdadeira e mística. inigualável. 243 . a comunhão com o Deus que pode restaurar e regenerar a sociedade. a amplitude. Nenhum outro Ministério Eclesiástico é chamado. além de se tornarem infelizes. agindo como salvaguarda da Verdade Apostólica. no sentido pleno do termo. Na melhor das hipóteses. O triunfo do individualismo criou uma igreja cheia de pessoas que se recusam a aceitar alguém que lhes diga em que devem crer ou o que devem ou não fazer. a totalidade e a integralidade do ser. a igreja pós-moderna tem desvalorizado a autoridade pastoral quando exige do Ministro permanecer alheio ao desenvolvimento tecnológico e atrelado as expectativas denominacionais tradicionalistas que jamais promoverão desenvolvimento e maturidade para a igreja e para o próprio pastor. com a sociedade e com o Deus verdadeiro de forma completa. Os resultados disto é profundamente perturbador e causador de uma verdadeira crise de identidade ministerial entre os pastores. O padrão sociológico é muito forte e o padrão bíblico é quase utópico no mundo estético e pictórico. para o ensino da Palavra de Deus e para o exercício da liderança na igreja de Jesus Cristo. sem deixar de lado o intelecto. (5) É urgente e premente a necessidade de resgatarmos a credibilidade do Ministério da Palavra pois somente aqueles que abrem seus corações e suas mentes para a mensagem bíblica e à instrução pastoral crescerão espiritualmente. vocacionado e lapidado para a proclamação da sã doutrina. a volição e as emoções. o único com argumentos capazes de superar as controvérsias ideológicas e restaurar a unidade. excluem-se da nutrição espiritual que emana do púlpito da igreja. levando-o.jamais apresentando-se como um discurso paliativo e superficialmente direcionado às necessidades imediatas. Alguns membros das igrejas tecnicamente treinados têm dificuldades em respeitar e ouvir os ministros formados e habilitados em retórica e idealismo denominacional devido a crescente confiabilidade dos modelos de gerenciamento e ao pragmatismo situacionista que corroem as bases bíblico-teológicas legadas aos pastores para a realização de seus ministérios. a igreja.

visto que nossa sociedade se pauta pela negação da autoridade e pelo fato de nenhum outro ministério eclesiástico exigir cometimento e subordinação a autoridade como no caso do Ministério da Palavra. (pp. Trad. mas os ceifeiros são poucos. 2. ainda. poderoso. 1981. Asa R.Mestrado em Teologia Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil] . os versos 11e 12. a consecução do múltiplo propósito que Jesus tem para Sua igreja que é o de derrubar as portas do inferno. David. 128 p. 1998. Fernando C. O tom da liderança pastoral deverá ser estabelecido na autoridade moral e espiritual que os pastores exibirão na pregação bíblica. Alberto. O trabalho do pastor atinge seu auge no púlpito. 38 está registrado: "Jesus diz aos discípulos: A seara é realmente grande. QUE É UM PASTOR? De acordo com Efésios no capítulo 4. O propósito é o treinamento dos crentes. (pp. 1991. Notas (1) CRABTREE. Rio de Janeiro. Pregar deverá ser a demonstração pública de que a Palavra de Deus opera no pastor. o de resgatar vidas das mãos de Satanás. (5) Pictórico é algo relativo ou próprio da pintura. havendo um objetivo definido para esse ministério. É. Cada sermão é uma proclamação específica de Deus para um momento específico na vida de seu povo.Não é exagero asseverar que no século 21 o exercício do ministério pastoral ficará ainda mais difícil. Rogai. Em Mateus 9. Kédma Rix. ao Senhor da seara 244 . é o crescimento do crente individual e da igreja como corpo forte. Ed. 334 p. [Dissertação . 148 p. Que Deus nos ajude. E esses dom foram dados por Deus em resposta às orações do Seu povo. A Doutrina Bíblica do Ministério. O Pastor do Século 21. Trabalho Pastoral. resultado de oração incessante e de inspiração autoconfrontante. (pp. sendo o instrumento que o Senhor utiliza para ministrar à igreja e ao mundo.37. 37-38 e 46) (2) BARRIENTOS. Pastor-teólogo na Pós-modernidade: Uma abordagem teológico-fiolosófica a respeito da atuação pastoral na sociedade pósmoderna. Yolanda Krievin. é o estimulo à obra do discipulado. 1999. 31-37). (3) FERNANDES.(pp. Campinas: Associação Evang. o Senhor cria um momento que é especialmente divino e que não pode ser repetido. Trad. Quando o pastor prega a Palavra de Deus. 304-307 e 318). São Paulo: Vida. O povo de Deus pedia. robusto. Pregar sem autoridade rouba a essência da Palavra de Deus. 99-107) (4) FISHER. de batizar essas pessoas e de discipulá-las. Menonita. O termo é usado aqui para indicar o vislumbre de nossa sociedade pelo colorido das imagens e da televisão na formação de conceitos os mais diversos. na unção e instrumentalidade do Espírito Santo. o ministério da Palavra é um dom especial de Jesus Cristo à Sua igreja. pois. Rio de Janeiro: JUERP. 278 p.

É assim que Deus age. o que se requer daquele que busca o ministério da Palavra é uma convicção da chamada especial da parte de Deus. Por essa razão." É assim que Deus faz. Quando Jesus Cristo chamou os seus apóstolos. A Escritura Sagrada enfatiza a vocação divina. eu acho que Deus está me chamando para o ministério porque já fiz o vestibular três vezes e fui reprovado. Não pode ser uma pessoa que não tenha chamada. E respondeu "Eu não era profeta. então entrou e veio se aconselhar." E se alguém abandona essa chamada há de ser infeliz. todos estavam trabalhando. E quero dizer aos irmãos. Respondeu-me: "Pastor. Que é um Pastor? O PASTOR É UM PROFETA E essa é uma palavra muito interessante.que envie ceifeiros para a sua seara". era de uma outra igreja e viu escrito na parte externa do templo ACONSELHAMENTO. que estava cultuando no templo. Por isso a pergunta base é: Que é um pastor? Estamos trabalhando em cima de um tema que já foi objeto de reflexão. "Mas boieiro e cultivador. o vocacionado estava numa atividade como Moisés que apascentava ovelhas. especialmente os crentes mais novos. Ou como dizia o saudoso pastor Valdívio Coelho. um sentimento tão forte naquele que é chamado que levou Isaías. Talvez temos agora alguma variante. pescando ou no escritório como fiscal de rendas. Perguntei-lhe. aqueles que estão ainda se preparando para o batismo. E isso tem base bíblica. "Mas o Senhor me tirou de após o gado e me disse: Vai. nem filho de profeta". Relatos da Bíblia mostram que quando Deus ou o Senhor Jesus Cristo chamou. "Qual é a evidência que você tem de que Deus está chamando você para ser pastor?" Ele não era ovelha minha. que envolve um preparo divino para uma obra divina". Então eu acho que é por isso que Deus está me chamando para ser pastor". Profecia não é adivinhação do futuro. "Uma chamada divina. vai ser tremendamente infeliz por uma razão. Amós estava apascentando o gado e quando ele estava pastoreando o gado. Lembro-me de um moço que me procurou uma ocasião e disse que achava que Deus o estava chamando para o ministério. ouviu a palavra do Senhor. Todos estavam na sua profissão. o pastorado. 2Coríntios. A mesma coisa aconteceu com Amós. se alguém entra no ministério sem chamada vai ser um infeliz. no final do verso 8 onde ele diz: "Envia-me a mim". e essa razão está na palavra de Jesus Cristo em João no capítulo 15 que diz "Não fostes vós que me escolhestes mas fui eu que vos escolhei e vos designei para que vades e deis fruto. mas. ninguém queira que eu adivinhe o futuro. Ele está falando aqui a Amazias. o episcopado não pode ser abraçado como se escolhe uma profissão. a exclamar como está registrado em Isaías no capítulo 6. Ou como Davi que também apascentava ovelhas e os outros que acabei de mencionar. consertando redes. Na 245 ." Era agricultor. que ele estava muito enganado. profetiza o meu povo Israel. se você também ouviu a chamada e não entrou no ministério. porque o ministério. no entanto. porque Deus não chama fracassados nem desocupados. Por isso. fala sobre esse assunto. capítulo 3. Profeta não é isso. Disse-lhe que não fosse para o seminário.

mensagem de conforto. por que proclama a palavra do Senhor. "Estes cães são gulosos. deve advertir sobre a justiça e deve advertir sobre o juízo de Deus. nunca se podem fartar. Mas a Bíblia mostra que não é assim. o ministro da palavra tem mensagem.. porque edifica. A palavra do profeta é: "Assim diz o Senhor". nem lhes falei. ou seja. Querem ver mais? Jeremias 14:14. fundamental do profeta é se colocar entre Deus e a pessoa humana e comunicar o propósito eterno. "Ou palavra do Senhor que veio a. a palavra tem conotação muito mais ampla. E aquele que é arrependido deve apontar a misericórdia e deve apontar o perdão de Deus e a bênção da vida com Deus. uma adivinhação. exorta. profeta é quem fala em nome de Deus. No entanto. Mensagem de luz. hoje e eternamente. Sentinela e pastor. comunicar a sua vontade. Cada profeta então é uma sentinela guardando a doutrina que veio dos lábios do Senhor e do ensino apostólico. muito mais profunda e mais consistente e séria porque pela Bíblia Sagrada. consola homens individualmente e a igreja como um todo.. de inspiração. a função primária. visão falsa. quando a proclamação não existe. E a Bíblia ensina que isso é um carisma. E mesmo assim.11). todos sem exceção" (Is 56.". Não. Cada sermão há de chamar a atenção para as conseqüências morais e espirituais da conduta do ouvinte. 246 . A Bíblia diz que sempre existiram aproveitadores. Sem dúvida alguma irmãos há uma tradição milenar atrás de cada sermão que é pregado de qualquer púlpito cristão. basilar. que sempre existiram cavadores de lucro. não. Portanto. de salvação que deve ser sempre fiel e reta e ortodoxa. "assim diz Walter Baptista". Há tantos desqualificados sendo chamados de "pastor" que é uma verdadeira calamidade. Como está na Bíblia Sagrada. são pastores que nada compreendem. não os enviei. Acontece que hoje está muito fácil se chamar "pastor". isso não é ser profeta. vaidade e o engano do seu coração é o que vos profetizam". "Disse-me o Senhor: Os profetas profetizam falsamente em meu nome. E porque profetiza. Talvez na linha daquele povo que diz assim: "Previsões para o ano 2000". é o porta-voz de Deus. Por isso. E a palavra de Deus vai dizer assim. que sempre existiram mal intencionados. Palavra de orientação para a vida porque Jesus Cristo é o mesmo ontem. É como está colocado. vai chegar a derrota e na Palavra Santa está com toda clareza e com toda as palavras a expressão de Provérbios 29 que fala "Não havendo profecia o povo se corrompe". É um quadro que vemos amiúde. a palavra do profeta nunca é: "Assim eu digo". cada um para sua ganância. mensagem de vida. Apesar de uma tradição milenar desde o tempo dos profetas. nem lhes dei ordem. cada sermão deve ser atual. Como profeta. 1Coríntios capítulo12 menciona entre os dons o de profecia. todos eles se tornam para o seu caminho. adivinhação. cada sermão deve advertir sobre o pecar.mente de muitas pessoas significa uma predição do futuro.

não leve o paletó: porque se levar o paletó. Porque a palavra "anjo" tem significado. Agora ninguém espere ver um par de asas nas costas do pastor Walter nem debaixo do paletó. E no Apocalipse também a palavra "anjo" é usada largamente quando as sete cartas são enviadas ao pastor. você andando para lá e para cá?!". incauta e até mesmo aquele que está desejosa de ser manipulada. Pregar não me cansa. então. Pregar não cansa. nem ampliação de som. talvez devêssemos dizer para tantos. recomendam-me: "Pastor. foi para o palco. da igreja de Filadélfia e às demais.14. vai ter que pregar em algum lugar". a palavra do Senhor é tão clara sobre este assunto porque diz em Jeremias 3:15 "Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração. ao anjo. E Paulo se refere a isso quando em Gálatas no capítulo 4. Quando saio de férias. o Albert Hall. O PASTOR É UM ANJO.Há outros textos da palavra. Ia lá e vinha cá. Então há quem queira ver essas asas nas costas do pastor. a menininha da família começou a andar por trás da cadeira do pastor. que vos apascentem com conhecimento e com inteligência". menina! Que história é essa. e. eu sempre levo o paletó. Paulo recomenda "Não desprezeis as profecias". A menina respondeu: "Eu estou procurando as asas: a senhora não disse que o pastor é um anjo. ele diz: "Embora minha enfermidade na carne vos fosse uma tentação. entrou em um auditório que recém-inaugurado em Londres.". reivindicarem. um mensageiro. explorando uma pessoa simples. Nunca foi tão fácil para alguns. fazia a volta e ia. E quando chegou. que estava completamente vazio. Entrou no auditório. Aí a mão disse: "Rosinha pára com isso. A pregação é algo extraordinário! Fico fascinado pela pregação. e aquele auditório havia sido construído dentro dos mais modernos recursos de acústica da época. o grande Charles Spurgeon. Sou fascinado pela pregação. no entanto. Pastor é. nem me desprezastes antes me recebestes como a um anjo de Deus". falarem em nome do Senhor.. o quê? Um profeta. mas. Spurgeon. Quando ali chegou. exclamou: "EIS O CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO MUNDO!!!" e repetiu. Nunca foi tão fácil como nos dias de hoje. olhava e mexia e tocava no pastor. Anjo é aquele que traz uma mensagem. Por isso. Naquele tempo não havia microfone. Tudo era à viva voz. e com a voz poderosa de pregador. Mas vamos entender irmãos. "EIS O CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO MUNDO!!!" 247 .. É porque tem uma história que diz que o pastor foi almoçar na casa de uma família. não me rejeitastes. E o evangelista havia ouvido falar sobre isso.

Está na palavra em 1Timóteo 4. finalmente. Outra coisa que o pastor deve ter é piedade cristã para resistir ao escrutínio das outras pessoas. Ele pode não saber tudo. É da família da jaca. Pois é. Aliás. Que não seja amante de novidades. é algo deliciossíssimo. falaram de uma fruta chamada durian. no espírito. "Só quero dizer que aceito a Jesus Cristo. na pureza".. mas o que ele sabe. A pregação dele foi só isso: "Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo". andar com Deus. Fomos. da pinha. Como o pastor tem sido vítima de cobranças fiscais. lendo. Essa foi a declaração que ouvi por lá. Por quê? Para orar com ele? Nem sempre. não posso falar do sabor da durian porque não o conheço.. da graviola. O homem ficou convencido dessa verdade e se converteu. e li. Timóteo trouxesse o livro. o seu gosto. ter comunhão com Ele. eu sei que é a mais fedorenta do mundo. E essa palavra me tocou". Ele precisa conhecer as ciências teológicas. é verdade.Experimentou e saiu convencido de que a acústica era excelente. Fede que nem esgoto. Ele precisa conhecer a Deus. Sua vida é vasculhada e os procuradores de agulha no palheiro usam lente de aumento sobre as falhas do ministro do evangelho. um homem o procurou e disse: "O senhor que é o pastor Spurgeon?" Ele disse: "Sou eu". no trato. nós preferimos o culto digno do nome do Senhor. na amor. Ele precisa ter uma fé sadia também e ter uma fé que seja ortodoxa. Se é mais saborosa. estava trabalhando na sala do lado quando ouvi o senhor falar lá dentro. deve saber bem e ele deve continuar aprendendo. se nunca se experimentou da mesma? Quando eu estava em Singapura. o pastor é um anjo. Não tive coragem porque o fedor era de esgoto em dia de chuva. afirmando esse fato. se não for ortodoxa nem é sadia nem é fé. da fruta-pão. não sei porque não tive coragem de experimentar. e dizem que é a fruta mais saborosa do mundo. por isso pediu que quando viesse. O apostolo Paulo ele diz o seguinte ao jovem pastor Timóteo. lendo muito para saber cada vez mais. apresentados à durian. Nós preferimos ficar com a Palavra sempre. No entanto. até. Continuou o homem. na fé. na palavra. "Ninguém despreze a tua mocidade: mas sê o exemplo dos fiéis. Meus amados. não é demais até lembrar que Paulo tinha muito amor pelos livros. foi transcrita uma palavra do Pr Nilson Fanini bem parecida com essa. Há muita novidade barateando o culto divino.12. Por isso. Como poderia ele falar de uma experiência que não conhece? O que se pode dizer de uma determinada fruta. No boletim de hoje. Dizem que quando se come um bago da fruta. Há muito culto que satisfaz mais ao ego dos chamados pastores que realmente às necessidades do povo. conhecimento bíblico adequado. Ele tem que ter capacidade mental e eu diria capacidade acadêmica. Hoje é um tempo em que se ama a novidade. Por isso ele precisa de ter todas essas características aí. 248 . mais espinhenta que a jaca. Essa fruta é um pouco maior que uma graviola. É necessário que haja da parte do pastor verdadeira conversão. Quando chegou à porta. Eu sou pedreiro.

Primeira coisa que nós dissemos é que o pastor é um profeta. uma dose de paciência e uma dose de tolerância. o pastor é um anjo. "Sabe. como anjo de Deus. qualquer pastor de qualquer igreja em qualquer lugar. fortalecer o debilitado e mostrar o caminho ao que está indeciso. Os homens serão amantes de si mesmos. apresentam-se as condições do mundo nos últimos dias. desobedientes a pais e mães. como mensageiro da palavra divina. Descobri que ser anjo não é difícil e que também não é difícil ser profeta. se possível for. da esperança. na mesma linha. Em 2Timóteo 3. na mesma tradição e na mesma palavra que eles anunciaram e pregaram ao seu povo. São dias difíceis. de lascívia. sinto ao meu lado quando prego. com 249 . e aí segue com um catálogo de coisas do nosso tempo. Sinto ao meu lado Elias e Moisés e Isaías e Jeremias e Ezequiel e Daniel e Oséias. e que não tenha tristezas e que tenha inclusive p condão de fazer a maravilha das maravilhas que é estar em dois lugares ao mesmo tempo. essa legião de testemunhas de que Hebreus fala. animar o cansado. como mensageiro de Deus. Essas condições que estão aqui em 1Timóteo 3:1-5 são as nossas condições hoje. conhecer a psicologia. conhecer as relações humanas. as testemunhas do Senhor. Talvez. em três lugares ao mesmo tempo. inclusive no seu dia de folga. O Pastor é um homem num mundo de homens. que não canse e que não desanime em certas horas. dois compromissos. três compromissos e a pessoa fica zangada porque a só se pode atender a um deles. Segunda coisa. o joelho tremente. como já tem acontecido comigo. Agir para aquilo que é forte na sua ovelha continue forte e progrida até e aquilo que é fraco seja colocado com resistências. blasfemos. Joel. Razão porque todo pastor pede uma dose de compreensão. Aliás. fortaleza e ele possa crescer igualmente. da fé. da salvação e da libertação e do perdão que vem de Deus. E a descrição do coração desses homens ímpios é a de um povo que se distancia de Deus. que nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis. de um povo que transgride as leis da decência. Não é que esteja tendo visões nem fantasmas juntos de mim. presunçosos. mas há uma terceira o pastor é um homem. mas. Como anjo de Deus é mensageiro do Espírito de Deus. conhecer a pedagogia. levantar o que está derrubado na vida. Isso é dito porque há quem espere que o pastor. Difícil é ser humano. Pastores são não somente humanos mas precisam ser plenamente humanos.Precisa conhecer o ser humano também. conhecer aquilo em que o ser humano é forte e aquilo que o ser humano é fraco. Amós e os apóstolos. soberbos. É um povo saturado de orgulho. É nesse mundo que nós exercemos o ministério. consolar aquele que está desconsolado. ingratos. e que seja somente sorrisos. Por isso. conhecer as ciências humanas. profanos". seja um bom pregador e que tenha dois bons sermões todo domingo e que tenha um bom estudo em todo Culto de Oração e que atenda no gabinete a qualquer hora do dia. do amor. 2Timóteo 3:1-5. gananciosos. Como mensageiro de Deus. deve fortalecer aquele que está triste.

perplexos. e é por esse motivo que ele busca ser fortalecido pelo poder do Alto. é um ser humano vulnerável. Ao povo que o Senhor lhe confiou. mas não desamparados. porém. Os irmãos sabem que a palavra mestre vem do latim magister. o Deus vivo e verdadeiro. Isso quer dizer que há de ser homem de oração e totalmente submisso e consagrado a Cristo e à Sua causa. Porque era uma pessoa que tinha de menos. Ele pertence a Deus que o escolheu e o comprou e o fez ministro de Sua palavra. Por isso. enquanto o mundo desce a ladeira do inferno. ele deve manter na consciência que ele pertence ao seu povo. Timóteo. Pensa-se que hoje a palavra "ministro" é pomposa e nós dizemos o primeiro escalão do governo. Ministro vem de minister onde está a raiz minus que quer dizer menos. este tesouro em vasos de barro. Levando sempre por toda a parte o morrer do Senhor Jesus no nosso corpo. abatidos. É homem que se apropria portanto da verdade divina e a repassa a suas ovelhas. de onde vem magistratura. não tem o que dizer a quem busca o seu conselho ou a quem vai ouvir os seus sermões. Mas como o pastor é um servo da palavra. os ministros. É um homem de Deus mas não é um super-homem. de onde vem magistério. Em tudo somos atribulados. Por isso. Ministro quer dizer escravo. mas é um homem de Deus. do escravo. Por que é que o mestre. mas não desanimados. pegar uma coisa ali adiante. não tem o que oferecer. E essa palavra magister. é exortado à fidelidade à palavra de Deus bem como todos os outros pastores. magis. Não o procuravam porque tinha de mais. Ministro quer dizer isso aí. ele é um servo. É vulnerável por isso. um símbolo da graça e é por esse motivo que lá na Segunda Carta aos Coríntios. era ele que tinha que carregar cargas. Dizem que uma igreja 250 . sim tinha de menos. mas não destruídos. para que a excelência do poder seja de Deus. fazer isso. pois sem Deus na vida. Aí eu quero explicar a palavra mestre e a palavra ministro. para que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos". o jovem pastor. negando. Ele é um símbolo diz o doutor Wayne Oates em um livro sobre este assunto. de onde vem magistrado. O pastor é um homem no mundo dos homens. porém. mas. Mas ele é um ministro. no capítulo 4 está dito da seguinte maneira: "Temos. O pastor é ao mesmo tempo um mestre e um ministro. de orgulho. o magister ou o magistrado eram procurados? Porque tinham algo a mais a oferecer. ela guarda uma raiz. mas não angustiados. Perseguidos. é um ministro. Porque de hora em hora o mundo piora. Que ele é um símbolo da fé cristã. Ele ao mesmo tempo passa e repassa aquilo que ele tem de mais. Ele é um mestre e é um ministro. que quer dizer "mais".novas formas de piedade. Trabalho pesado era do minister. e não de nós. fala de ingratidão. um símbolo do evangelho. E Paulo fala de blasfêmia. de atrevimento. de calúnia. Ele pertence à palavra que ele anuncia. infelizmente. transportar uma mesa. Ministro era o escravo. ao mesmo tempo ele também sendo mestre. comete o pecado de envelhecer. mas.

O que é necessário é amar a Cristo. quando foi escolher o novo pastor. Pedro. Jesus disse. Nilson Fanini não poderia ser pastor daquela igreja. é condição sine qua non para que um ministro do evangelho possa se sustentar no evangelho da Palavra. a resposta. Porque quando isso acontece. Uma igreja em nossa cidade. porque ele tinha sessenta e dois anos: não foi convidado." Aí. Parte XXXX Dos Sínodos e Concílios Comentário do Capítulo XXXI da Confissão de Fé de Westminster 251 . Tito 1. tu me amas de verdade?". não pode ter medo de críticas e não pode ter medo do aparente fracasso. são facilitadores na obra do Senhor e o ministro do evangelho é um servo voluntário como Jesus e há de caracterizar-se pela unção do Espírito debaixo de cujo poder vive. Tu sabe todas as coisas. são anjos e são homens. Ele não disse agapo te. Entre outras coisas dizia que o pastor deveria ter até determinada idade. quantos anos o senhor tem?" Responde o candidato. "Agapo te". mas. Pastores são profetas. Pedro dizer assim: "Senhor.. e aos irmãos. "Ó Senhor. razão porque ele busca o poder de Deus. tu me amas? Simão. O único perfil que conheço e reconheço é o que está no Novo Testamento. esse amor de Cristo se estende naturalmente àqueles a quem Jesus Cristo também ama. A pergunta foi Pedro agapos me? Tu me amas verdadeiramente? E Pedro deu uma resposta infeliz. tu me amas verdadeiramente?" A pergunta foi essa. na palavra de Deus: 1Timóteo 3. pastoreia minhas ovelhas. Nenhum desses grandes homens de Deus podia ser pastor. O pastor é humano. a Deus.estava procurando um pastor. "Tenho sessenta e dois. no ministério e sempre nesse amor a Cristo. A Comissão de Sucessão Pastoral entrevistou um determinado obreiro já maduro e ficou muito satisfeita com os resultados da entrevista. "Senhor. que pergunta de novo: "Pedro. "Senhor. Ele disse: "Filo te" é outra palavra. Tu sabes que eu te amo".1Pedro 5. Por isso. quando alguém se lembrou de fazer uma perguntinha que estragou tudo: "Pastor. ao ministro do evangelho é confiada a causa da reconciliação porque já chegou a boa nova de que em Jesus Cristo há salvação. Tu sabes que eu Te amo.." O amor a Jesus Cristo meus irmãos. Porque já haviam passado daquela idade. Tu sabes que eu Te amo". muito humano. filho de Jonas. Tu sabes que eu sou teu amigo. Billy Graham. Foi isso que Pedro respondeu para Jesus. vem de filos que quer dizer amigo. Tu sabes que eu sou teu amigo". "Senhor. simples homens. o Seu rebanho. E já que um enorme muro de separação existe e sempre tem existido entre os homens (Paulo fala disso em Efésios 2). Os irmãos viram que na Bíblia. Jesus perguntou a Pedro: "Pedro. pastores são cooperadores. Filo." E finalmente. "Apascenta os meus cordeirinhos. fez o "perfil do pastor"." Mas Jesus perguntou três vezes. a barreira foi quebrada e nós somos feitos um. a igreja sentiu que a Comissão murchou. e não pode ter medo de responsabilidades. Virou moda fazer o perfil do pastor. é vulnerável. agapos me? Ele devia responder.

mas outorga uma medida especial dele aos oficiais da igreja. O capítulo que passamos a compartilhar é parte integrante da Confissão de Fé. o sínodo também é um concílio [1]. Investe todos os membros da igreja com uma certa medida de poder. e de Constantinopla. No entanto. O primeiro concílio ecumênico na história da Igreja foi o de Jerusalém (c. “Sínodo” ou “Concílio” é uma conferência convocada pelos líderes eclesiásticos para dar orientação à igreja. assim como o presbitério e o supremo concílio. em 325. em 381. ou seja. deverá haver as assembléias chamadas sínodos e concílios. pelo fato de ter tido uma liderança apostólica [2].As várias denominações de hoje empregam a palavra “sínodo” de maneiras diferentes. o Concílio de Jerusalém deve ser distinguido dos concílios posteriores. Enquanto participam do poder geral dado a todos os membros. A Assembléia de Westminster (1643-1649) foi um dos maiores concílios na história da igreja cristã de origem reformada. representar a igreja inteira. um dos grandes tratados teológicos produzidos por aquela histórica e notável assembléia. ou pode ser local (particular). recebem diretamente de Cristo aquela medida adicional que é exigida para o seu trabalho como oficiais da igreja do Senhor. Para nós. A distinção entre os vocábulos “sínodo” e “concílio” é mais aparente que real. Por exemplo: Doze concílios regionais reuniram-se para debater a heresia ariana entre os concílios ecumênicos de Nicéia. Sua autoridade não lhes é delegada pelos membros da igreja. Os sínodos e concílios existem “para melhor governo e maior edificação da igreja”. tendo representação regional ou local. 50 A. portanto. I O propósito dos sínodos e concílios “Para melhor governo e maior edificação da Igreja. D. os presbiterianos. mas este é naturalmente restrito de várias maneiras tão logo ela se associe a outras igrejas locais. Cristo dotou a igreja do poder necessário para levar a efeito a obra que lhe confiou. o sínodo – composto de ministros e presbíteros dos presbitérios – é o grau acima do presbitério e abaixo do supremo concílio (ou assembléia geral) na sua ordem de governo eclesiástico. ou seja. “para o bem da igreja”. Os interesses da igreja em geral 252 . O poder governante da igreja reside primariamente nos conselhos locais e destes é passado aos sínodos e concílios. Um concílio pode ser ecumênico (geral) e. embora a igreja os escolha para o ofício. Os resultados daquele Concílio foram normativos para toda a igreja cristã primitiva. Em virtude do seu cargo e do poder que Cristo lhes deu para edificação e não para destruição.) e está registrado em Atos 15. Cada igreja local tem um certo grau de autonomia ou independência. pertence aos pastores e aos outros presbíteros das igrejas particulares criar tais assembléias e reunir-se nelas quantas vezes julgarem útil para o bem da Igreja”. O governo da igreja presbiteriana pertence aos pastores e presbíteros.

não é essa a dificuldade da questão. mas aos concílios em geral. mas a condição que se adiciona: que Cristo estará no meio do concílio sempre que o mesmo for reunido em seu nome. não cessam de inventar coisas novas. no qual proíbe que se acrescente ou diminua algo à sua Palavra. nem lhes daria autoridade alguma. não contentes com os oráculos da Escritura. Além disso. Cristo não promete nada a não ser para quem esteja reunido em seu nome. designada para isso em sua Palavra”. 253 . mas também pela autoridade através da qual são feitos. não representam uma espécie de poder superior do que se investe nos conselhos. Os seus decretos e decisões. controvérsias quanto à fé e casos de consciência. Segundo Calvino. as decisões dessas assembléias não são meramente só consultivas. ministerialmente. Do contrário correm o risco de ficarem a quem do que se exige deles. ali estou eu no meio deles” (Mt 18. determinar regras e disposições para a melhor direção do culto público de Deus e governo de sua Igreja.não podem ser sacrificados pelos de qualquer igreja local [3]. É a mesma espécie de poder. receber queixas em caso de má administração e com autoridade decidi-las. onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome. mas tenha posto um sinal particular para diferenciar os verdadeiros dos que não são. mas representado num grau maior. diz Calvino. não podemos fazer pouco caso dessa diferença. não há promessa maior do que a que se encontra nas palavras de Cristo: “Porque. Contudo. O que isso significa? Não estão reunidos em nome de Cristo os que. não só pela sintonia com a Palavra.20). São obrigatórias às igrejas. pois estes. visto que essa autoridade é uma ordenação de Deus. decretam o que lhes dá na telha. a menos que sejam demonstradas como contrárias à Palavra de Deus. Isso se aplica não somente a qualquer reunião particular. Resolvam essa dificuldade os adversários.7). As assembléias maiores. Ele também pediu o mesmo aos seus profetas e apóstolos. que são a regra da perfeita sabedoria. ou mesmo de irem além. Desde que diversas igrejas são representadas há. E visto que Jesus Cristo não promete estar presente em todos os concílios. naturalmente. sendo consoantes com a Palavra de Deus. II A autoridade dos sínodos e concílios “Aos sínodos e concílios compete decidir. beirando (ou até praticando) o despotismo e abuso de autoridade. O pacto que Deus fez antigamente com os sacerdotes levitas foi que ensinassem o que ouviam de sua boca (Ml 2. uma acumulação de poder. sem ter em conta o mandato de Deus. se desejam que se dê crédito às decisões dos homens tomadas à margem da Palavra de Deus [4]. exceto em casos em que sejam explicitamente declaradas somente consultivas. ou concílios. mas obrigatórias. E àqueles que quebrassem esse pacto Deus não os reconheceria como sacerdotes seus. se queremos saber qual é a autoridade dos concílios segundo a Escritura. A autoridade dos sínodos e concílios deve ser segundo a Palavra de Deus. devem ser recebidos com reverência e submissão.

eles podem e devem ser usados como auxílio em uma (fé) e outra coisa (prática). Isso. mas podem ser usados como auxílio em uma e outra coisa”. Todos os sínodos e concílios podem errar. vai refletir primeiramente na igreja representada por ele. Mas se as decisões são contrárias à Palavra de Deus. Por serem assembléias eclesiásticas. Embora os sínodos e concílios não devam constituir regra de fé e prática. seja ela boa ou má. Se as decisões deles forem pouco sábias. explica. Mas quando o Espírito Santo (assim como a Bíblia) não passa de inocente útil para satisfazer a carnalidade humana. sobremaneira se alegraram pelo conforto recebido” (At 15. A igreja é o termômetro das resoluções de um concílio. ou por conselhos. não devem imiscuir-se nos negócios civis do Estado. mas o seu representante. entregaram a epístola. eles. mas não se opõem diretamente à vontade de Deus. mas não justifica uma decisão conciliar equivocada. se o magistrado civil os convidar a fazê-lo”.III A falibilidade dos sínodos e concílios “Todos os sínodos e concílios. IV O caráter eclesiástico dos sínodos e concílios “Os sínodos e concílios não devem discutir nem determinar coisa alguma que não seja eclesiástica. Quando um concílio se submete verdadeiramente ao Espírito de Deus o resultado são decisões positivas e salutares para a vida da igreja. Uma decisão conciliar equivocada é aquela que resulta em algum prejuízo para a igreja. desde os tempos dos apóstolos. a não ser por humilde petição em casos extraordinários. em satisfação de consciência. O Novo Testamento é muito claro nisso. quer gerais quer particulares. O concílio não é a igreja. e muitos têm errado. “Quando a leram. porém. Uma igreja pode ser bem ou mal representada. E não podia ser diferente porque o que foi resolvido ali “pareceu bem ao Espírito Santo e a nós” (At 15. tendo reunido a comunidade. o resultado pode ser terrivelmente desastroso para a igreja. recomenda-se a submissão a elas por amor à paz. “O Espírito revelou o que os líderes da igreja deveriam dizer e fazer” [6]. Qualquer resolução do concílio. O caráter eclesiástico dos sínodos e concílios nunca deve ser perdido de vista.28). podem errar. e muitos têm errado no decorrer da história porque são formados por homens que podem e têm errado [5]. não devem constituir regra de fé e prática.31). então devemos rejeitá-las e sofrer as conseqüências [7]. Após a decisão do primeiro concílio da Igreja – que se reuniu com o propósito de opor-se aos esforços judaizantes – os que foram enviados à Jerusalém desceram logo para Antioquia e. Percebe-se que a igreja de Antioquia foi ricamente abençoada pela decisão daquele Concílio. portanto. não estão sob a jurisdição dos sínodos e 254 .

[5] Cf.ix. a ordem eclesiástica ou a liturgia da igreja. p. J. a não ser por humilde petição deste em casos extraordinários. Isso tudo é compreensível porque aos sínodos e concílios somente lhes correspondem assuntos como os de doutrina e moral. Parte XXXXI 255 . H. e quaisquer outros que tenham a ver com a preservação da unidade e da boa ordem na igreja de Jesus Cristo. A. 261. [2] Cf. mas que por uma ou outra razão.L. políticos. de governo da igreja e disciplina. Hall. Concílios Eclesiásticos.L. e do cumprimento desses deveres como obrigação religiosa (cf. ou por conselhos. IV. [8] Cf. Vol. p.ix. 1987. A. 2a ed. 1997. Não devem se envolver nos negócios civis do Estado. New Testament Commentary. Comentário de la Confesión de Fé de Westminster. IV. Exposition of the Acts of the Apostles.2. A. Barcelona: CLIE. ___________ Teologia Sistemática.1-7. do outro eles devem ensinar aos membros das igrejas seus deveres com respeito ao poder civil. Grand Rapids: T.11-17). A. comerciais ou equivalentes.10. KISTEMAKER. Vol. tais como assuntos relacionados com a confissão. S. em satisfação de consciência. A. 350. Contudo. In: EHTIC. 3a ed. H. toda vez que aparecer a palavra “concílio” neste artigo entenda-se concílios em geral.. Países Bajos: Felire. 350. J. L. BERKHOF. Hodge. Bibliografia A Confissão de Fé de Westminster. Campinas/Patrocínio: LPC/Ceibel. Calvino. III. I.51. ditas assembléias menores não podem resolver. Manual de Doutrina Cristã. In: EHTIC. [4] Institución. L. Institución de la Religión Cristiana. 562. HODGE. Sínodo. quando toca diretamente nos interesses da igreja [8]. Comentário. se o magistrado civil os convidar a fazê-lo. CALVINO. p. Grand Rapids: Baker Book House. Manual. Calvino está pensando principalmente nos concílios católicoromanos. Rm 13. [3] Cf. [6] Kistemaker. Concílios eclesiásticos. São Paulo: Vida Nova. Institución. 1987. H. visto que pertencem às igrejas em geral. Berkhof.concílios assuntos meramente científicos. correspondam à jurisdição de uma assembléia maior. 318. A. Acts. e (b) assuntos que devido a sua natureza. J. D. [7] Cf. J. Mais particularmente. WHEATON. p.11. p. 1988. São Paulo: Vida Nova. Comentário. 1986. Hodge. 1985. 1Pe 2. HALL. São Paulo: Cultura Cristã. II. têm que ver com (a) assuntos que devido a sua natureza correspondam à jurisdição de assembléias menores. 1990. 1990.E. Vol. Notas [1] Portanto. se por um lado os sínodos e concílios não devem tratar de assuntos que pertencem à jurisdição do magistrado civil.

b. “Quanto mais pesada a responsabilidade deles.1-3). 256 . Eles devem ser relembrados por sua conduta e fé.18). Observe. eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel. Quando eu disser ao perverso: Certamente. diz o autor de Hebreus (13. João Calvino escreve que. E no versículo 24 o escritor mais uma vez emprega essa expressão. por exemplo.17. Esses líderes devem prestar contas a Deus.11. Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles. como quem deve prestar contas.Obedeçam a Seus Líderes Comentário de Hebreus 13. Os líderes que haviam falado a Palavra de Deus anteriormente não estavam mais presentes. pois velam por vossa alma. Se um líder é um ministro dedicado da Palavra de Deus. ele prova. ele pede ao leitor que obedeça a eles. Cuidado prestado. Os líderes precisavam de ajuda e encorajamento. as pessoas não devem questionar sua autoridade (At 20. Líderes após líderes tomaram seus lugares. e tu não o avisares e nada disseres para o advertir do seu mau caminho. Nesse versículo em particular. “Pois velam por vossa alma. Obediência exigida. E se Cristo confiou a tarefa de liderança a alguém.Por Simon Kistemaker Este versículo não tem conexão com os versículos precedentes. porque isto não aproveita a vós outros. morrerás.9). Eles certamente são. o apelo para obedecer a eles e submeter-se à sua autoridade é oportuno. A falta de obediência prevalece entre alguns dos leitores. da minha boca ouvirás a palavra e os avisarás da minha parte. pregadores ou professores. desviam ataques malignos e administram disciplina quando necessário. Eles conhecem a Palavra de Deus falada ao profeta Ezequiel: “Filho do homem.” Eles literalmente perdem sono por causa do bem-estar espiritual dos crentes. que Cristo lhe deu autoridade. a admoestação do autor para não se deixarem “envolver por doutrinas várias e estranhas” (13.17 . e quanto maior for sua dificuldade e maiores os riscos que enfrentam por nós. o autor enfatiza três pontos. para que façam isto com alegria e não gemendo. esse perverso morrerá na sua iniqüidade. os leitores poderiam questionar se essa autoridade era auto-imposta pelos líderes ou delegada a eles por Cristo. a. Os líderes levavam a sério a tarefa que lhe havia sido dada por Deus. mas o seu sangue da tua mão o requererei” (3.28. assim. porque ele é o superior deles. maiores também nossas obrigações para com eles”. Os líderes ficam com a congregação. para lhe salvar a vida. O escritor não está interessado na posição desses líderes – ele não dá qualquer idéia se eram presbíteros. Ef 4. nutre-os espiritualmente. isso não quer dizer que os membros não são tidos como responsáveis. Antes. pois quanto mais alguém sofre por nossa causa. maior honra merecem. Nós precisamos voltar ao versículo 7 onde a mesma expressão – seus líderes – ocorre.7). bispos. 1Pe 5. 17. são vigilantes em cuidar dos membros. Assim. É claro.

então. o trabalho na igreja se torna um grande peso. o escritor de Hebreus observa que um relatório triste. Sl 135. também. Se eles todos respondem de modo favorável. aquele foi o melhor momento de Jesus vir ao Mundo. o Senhor vinga e julga seu povo (Hb 10. Para mencionar um exemplo. c. Parte XXXXII Evangelismo Ontem e Hoje INTRODUÇÃO Podemos aprender com a História da Igreja. durante o tempo que se chama Hoje. Os líderes podem testificar diante do Senhor que advertiram a pessoa desviada. Onde um Império destes beneficia o Evangelho? A resposta é simples! Os evangelistas utilizavam-se das mesmas estradas usadas pelos comerciantes para disseminar a Palavra de Deus. A igreja pertence a Jesus Cristo. é deve ser sim! Roma construía grandes estradas para cidades circunvizinhas. a quem os leitores são responsáveis.35. Foi a época da frase: “Todos os caminhos levam à Roma”. Dt 32.Eles. como um corpo eles devem responder a seus líderes. então.36. Eles recebem as bênçãos do Senhor ao obedecer os líderes que Deus lhes deu. Por que não observarmos o mover do passado tirando dele lições preciosas para o presente? A Igreja Primitiva tem muito a ver com o que pensamos sobre evangelismo na Igreja Contemporânea! I. eles serão os perdedores. Alegria experimentada. De maneira pastoral e prudente. Os membros devem entender que nem eles nem os líderes são donos da igreja. que escolheu não abandonar o pecado. Todo o comércio era obrigado a caminhar pelas estradas de Roma. ao invés de alegre. sobre a conduta espiritual dos leitores não será vantajoso para nenhum deles. Por toda sua epístola o autor enfatizou a responsabilidade corporativa dos crentes. De maneira semelhante. a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado” (3. para que a tarefa dos líderes seja uma alegria e não um peso. OS RUMOS DO EVANGELISMO NA IGREJA PRIMITIVA E NA IGREJA CONTEMPORÂNEA Apesar de muitos pensamentos ao contrário. Roma não era a potência mundial? César não era o “senhor” da época? Não havia pobreza e opressão por causa do Império ditador vigente? A resposta é sim.19). há alegria nos relacionamentos interpessoais da igreja. Quando os membros se recusam a obedecer e não respeitam seus líderes. Mas. o trabalho de seus líderes se torna muito mais alegre. No final das contas. Essa pessoa morrerá em seu pecado. A 257 .14).30. ou ela nos serve apenas para mostrarmos conhecimento livresco e ostentação de datas e nomes antigos? Foi desta pergunta que surgiu o interesse em escrever sobre este assunto! O evangelismo na Igreja Primitiva tem muito a nos ensinar hoje. pois. exortai-vos mutuamente cada dia. devem trabalhar juntos. onde o comércio se propagava com facilidade.13). mas os líderes estão livres da culpa (Ez 3. Ao dificultar o trabalho e a vida dos líderes. ele exorta os leitores a encorajarem-se mutuamente: “Pelo contrário. harmoniosamente.

com seu sacrifício perfeito – Jesus Cristo – conseguiu suprir todas as necessidades e incertezas humanas. devia deitar-se no chão. Os romanos. os judeus. era que. que a pessoa. As religiões serviam para saciar o desejo de segurança espiritual dos homens. com tantas exigências rituais enquanto participavam das tais. já os evangelistas iam por Cristo. principalmente a segurança após a morte. Porém. na época da Igreja Primitiva. No Primeiro Século a. o Evangelho veio como um refrigério. “estariam nossas atitudes agradando as exigências de tais leis?”. haviam religiões fundamentadas nos dois princípios – monoteísta e politeísta. ofereciam medo para adentrar-se nelas e ainda. 8 – 10). de uma vítima ou do próprio iniciado.diferença estava nos propósitos de cada um. onde as pessoas tinham que ser “iniciadas”. 7:5). que achavam ser um ato de selvageria. para se viajar. por exemplo. pois exigia-se do convertido. ao contrário do que alguns pensam. por Cristo Jesus. Principalmente porque os judeus tinham grandes privilégios para com os romanos. sem precisar de “burocracia” nenhuma. “como consegue-se alcançar exigências tão transcendentes sendo o homem tão falho?” O Evangelho. Assim. passaram até a admirar os costumes e religião dos judeus. e um animal era sacrificado sobre sua barriga. para que seus pecados fossem perdoados! Os romanos se assustavam com a religião judaica porque acabavam generalizando. passar por processos de “batismos” de aceitação e “pactos” de sangue. renúncia do “eu” (Mt.C. inclusive. não necessitando o ser humano fazer mais sacrifício ou penitência alguma! Isto era algo muito chamativo para as pessoas da época. muitas delas. quando a circuncisão foi substituída pelo batismo nas águas. isto é. para aqueles que crêem (Hb. muitos começaram a aceitar a religião cristã. E isto foi causa até mesmo de grandes proselitismos e ajudas vindas deles (Lc. por sua vez. até os tempos da Igreja Primitiva. Mas. O judaísmo foi. quando as pessoas adentravam as religiões da época da Igreja Primitiva. eram fiéis à preferência deste Imperador. o comerciante ia pelo dinheiro. de barriga para cima. os homens ainda ficavam na incerteza. para ser iniciada nela.. 258 . na Graça. ao contrário disto. Muitos romanos da época não aceitavam o judaísmo como religião por causa de seus rituais. que apenas conheciam deuses carrascos e extremamente exigentes! Sabe-se de uma religião daqueles tempos. uma faísca que ajudou na grande fogueira do cristianismo. Num período onde as religiões de “mistério”. seus pontos de interrogações e incertezas não diminuíam. conseguiram disseminála também. geravam mais dúvidas e indagações como: “estaríamos conforme as exigências rituais religiosas prescritas na lei por nós seguidas?”. isto é. Na verdade. Mas. achando que os sacrifícios deles também eram assim. onde haviam morte ou dor. principalmente o da circuncisão. não necessitava-se de passaporte! Sabe-se até de um certo homem que viajou para Roma 72 vezes. após serem iniciados. que são monoteístas. pois ficaram ao lado de César na guerra e. continuaram com sua crença e. os filósofos começaram a disseminar o politeísmo (embora crescem eles em algum tipo de monoteísmo). Um outro benefício disto. 16:24) através do sacrifício já feito na cruz do Calvário.

e havia se tornado parte da cultura religiosa do povo e que os únicos que tinham liberdade religiosa eram os judeus. pior foi o tempo onde não criam porque isto resultaria em discriminação e. a idolatria era predominante. houve uma disseminação maior dos cristãos pelo mundo.Percebe-se também a facilidade de se espalhar os ensinamentos de Cristo. que é uma língua muito conhecida por onde passamos (quase todo o mundo tem o inglês como língua comercial). o que estamos esperando? II. muitos dos principais e fariseus não criam no Evangelho. o fazem por liberdade. Porém. assim como Roma foi o berço de muitos filósofos ateus. Os judeus nunca foram proibidos de terem sua religião por nenhum imperador romano. E isto. mas isto. sem contar com os meios de comunicação de que dispomos na atualidade. então. levando consigo o Evangelho da Graça. Jeová era visto como o Deus solitário. tanta chance quanto a Igreja Primitiva teve de pregar o Evangelho a toda a criatura. É certo que houveram tempos onde os cristãos foram fortemente perseguidos por alguns líderes romanos. também em nossa época? É claro que sim! Porém. contribuiu muito mais do que atrapalhou. os cristãos acabavam se espalhando por outros lugares. achamos que só na atualidade existem as dificuldades! Achamos isto. Para expor tal fato. e ainda eram discriminados por isto! Nós. em contrapartida. assim. Desta forma. se o evangelismo “Ontem” e “Hoje” seguem rumos bem semelhante. Neste tipo de monoteísmo. pois com a perseguição assirrada. pois quando havia afronta em uma região. contribuiu de igual modo com a pregação do Evangelho. Isso não ocorre. às vezes. fosse de Sua mesma natureza. a culpa agora é 259 . haviam também as dificuldades para se pregar o Evangelho na época da Igreja Primitiva! Muitas vezes. muitos dos que seguiam a religião judaica. podia-se pregar o Evangelho em grego e ser entendido em quase todos os lugares civilizados daquele período. perseguição. talvez seria mais fácil as pessoas crerem em um mundo espiritual. como a Internet. mostrados no capítulo anterior. também como língua comercial). em algumas localidades. esquecemo-nos que nos tempos da Igreja Primitiva. nem que o Ser equiparado a Ele. pelo fato de a língua grega ser uma língua quase que Mundial naquela época. a maioria das pessoas entendiam o grego. na igreja contemporânea não temos de igual modo uma língua quase que mundial como nos tempos romanos? Sim! O inglês. diferentemente deles. sofrimento e até mesmo morte! Os judeus acreditavam em um tipo de monoteísmo absolutizado em uma só pessoa da Trindade. Vê-se isto até mesmo através da tolerância e conservação dos judeus neste Império. eram bem instruídos. os cristãos eram bem pouco estudados! Por este motivo. sem ninguém que se equiparasse a Ele. no fundo. Se temos. também. Por causa da helenização. porque pensamos que se antigamente não havia tanta tecnologia. O EVANGELISMO COM SUAS DIFICULDADES PRIMITIVAS E ATUAIS Apesar de tantos benefícios. atualmente. Enfim. temos liberdade religiosa apoiada pela nossa Constituição! As pessoas de hoje que não crêem em Cristo. Ou ainda o espanhol (está em 84 países. necessita-se de argumentos bíblicos bem apurados e.

aderirem a muitas outras crenças paralelas e excluírem as já existentes no Império Romano. não as esperava “vir” até elas. mas sim o Império da Morte. não pesquisamos. O cristianismo primitivo. só alcançando os indoutos! É claro que para a pregação do Evangelho. que esperava-se a pessoa vir por si mesma e tornar-se um prosélito. 2:14). que Ele teria grandes poderes políticos. e acabamos. Perceba-se que deixaram de ser chamados de “discípulos” (literalmente “alunos” ou “aprendizes”) e só foram chamados de “apóstolos” (que significa “enviados”) depois do período de aprendizado com Jesus Cristo! Chega de desculpas irmãos! Vamos nos preparar. não estudamos. segundo o livro de Deuteronômio 21:22. Hb. e a expulsá-los. não seria o “rei do pecado”. era pelo fato de que os judeus sabiam que “o Cristo” havia morrido numa cruz.35). era a dos judeus. pois os romanos achavam que se o cristianismo havia surgido do judaísmo. Com isto. Isto é para que percebamos como o Evangelho também encontrou dificuldades contra o paganismo greco-romano. os “campos brancos estão para a ceifa” (Jo 4. no mundo espiritual. Outra dificuldade de se pregar o Evangelho naquela época. era mais excludente que o judaísmo do período. para eles. além da religião romana. em muitos lugares. como os cristãos. A única religião que poderia existir. era o lugar onde morriam os malditos e. Eles achavam.18). não tão diferente como hoje! 260 . o Cristo nunca teria de passar por esta humilhação. isto é. e isto acabava prejudicando a esfera do material. pela causa. o que diferenciasse destas duas.23.nossa. pois O Messias. pois temos condições de estudar para atingirmos tanto a doutos quanto a indoutos em nossas pregações e. por motivos variados. não crescemos “na Graça e no conhecimento” junto (2ª Pe 3. o Reino dele não foi deste mundo porque Sua luta foi contra um reino que também não era daqui (Jo. os materiais também contam. o primordial são os valores espirituais. A perseguição ao cristianismo começou porque não eram os cristãos como os religiosos judeus antigos. não era o de César. Como o Império da Morte estava em outra dimensão. para os judeus. Não façamos da nossa “preguiça” ou “falta de vontade” um estorvo à pregação das Boas Novas do Reino de Deus! Nenhum dos discípulos de Cristo saíram a pregar o Evangelho sem antes serem preparados para tal. ia até as pessoas proclamando as Boas Novas e convidando-as a renunciarem todas as práticas antigas. no mundo espiritual. foram os judeus. os judeus viviam entre os pagãos romanos e até mesmo se adaptavam ao governo de César sem muito problema. que o Messias seria também o Servo Sofredor que levaria sobre Si a nossa “maldição” através de Sua expiação. o cristianismo não aceitava os dias de festas pagãs. 18:36. porém. o cristianismo por sua vez. tinha de ser examinada. ao que parece. Cristo aniquilou o mal pela raiz. pois. para os romanos. estes também não poderiam permanecer mais. o Cristo não passaria por humilhação nenhuma! Esqueceram-se de ver em Isaías 53. mas. ao contrário do judaísmo. Perceba-se que os pregadores primitivos “ia” às pessoas. O Império que realmente subjugava a humanidade. A cruz. ao contrário do que o próprio Jesus ensinou. começaram a perseguir os cristãos. e nada disto aconteceu. por isso não os comemorava e nem ia à praça pública comemorá-las e. e quem também sofreu com isto. na verdade. principalmente as práticas religiosas romanas. porque haveria o risco dos judeus. aliás.

uma crença no Deus que havia morrido e ressuscitado. o que estamos esperando? III. Lá. Era o famoso: “Nasci nesta religião e vou morrer nela!” Seguiam os ritos. que você conhece. Os cristãos sempre usavam como fato e como prova de que Jesus era o Messias. Porém. 261 . 6:33). porém. Não seriam estas as dificuldades básicas de hoje também? Não temos atualmente religiões bem semelhantes às judaicas e às romanas do período da Igreja Primitiva? Não pregaram eles o Evangelho. pois acham que aceitar a Jesus é trocar de “religião”? O pior cego não é aquele que não quer ver? Esta era a situação dos judeus. Os judeus materialistas esperavam – como ainda hoje – o Messias político.O culto greco-romano era realizado apenas por uma questão de cultura. haviam muitos judeus que ainda seguiam sua religião à risca. simplesmente cultuavam sem inquirirem nada à respeito do que criam. conseguiam enxergar a verdade sobre Jesus e a Sua Salvação proporcionada na cruz. administrativo. Fatos estes. não aceitavam de maneira nenhuma a Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas. seguem sua religião porque aderiram cegamente a ela? Quantas que não querem ser alertadas. Cultos esses aos quais não prostravam-se diante de imagens ou objetos considerados sagrados. A IGREJA PRIMITIVA E A DE HOJE NA EVANGELIZAÇÃO DOS JUDEUS Se pregar o Evangelho aos desconhecedores de Deus já é difícil. os que simplesmente seguiam a religião por motivo semelhante aos romanos. mas sim. os que realmente buscavam a Deus. a toda a criatura? Se o evangelismo “Ontem” e “Hoje” encontra as mesmas dificuldades. e mesmo assim eles conseguiram. e seguiam apenas para não perderem as tradições. apesar de tudo isto. Quantas pessoas hoje. apenas por tradição. apenas por uma questão de tradicionalismo. Ninguém queria saber se realmente haviam ou não os deuses aos quais adoravam e serviam. Os seus cultos eram apenas um ritual passado de geração-a-geração. Queriam eles resolver um problema terreno e material olvidando o espiritual (Mt. mas não porque era a verdade. poucos que realmente buscavam a Deus! Aconteceu que. como também hoje ainda o é. Esqueceram-se eles de seus próprios pecados e da necessidade primordial do perdão de Deus para que o “Reino dos Céus” fosse manifesto em sua vida espiritual. com seus cultos calorosos e avivados. pois eram fanáticos materialistas. legislativo e territorial do mundo todo e cederia tudo a Israel. que dominaria todo setor econômico. então. imagine só pregar o Evangelho àqueles que se julgam conhecedores plenos de Deus?! Isto ocorreu com os primeiros cristãos em Roma. Isto tudo era bem diferente do Evangelho. e que estava ainda no meio deles por intermédio do Espírito Santo. Um pensamento bem semelhante ao de Hitler quando na época do “Holocausto”! O exclusivismo absoluto foi e é o grande problema do judeu. as promessas feitas por Deus aos profetas no Antigo Testamento.

1:3) e apareceu a mais de quinhentos irmãos (I Co. porém. a Vida Eterna. 5:21). Não entendiam que Jesus não era maldito. e com isto. pelo fato de os judeus não aceitarem a idéia de que Jesus era o Messias tendo morrido numa cruz. são ambas as religiões a mesma coisa. 8:46). etc. vencendo as ânsias da morte (Rm. Ele realmente ressuscitara. mas como o Vitorioso. 6:23). Os judeus tentavam argumentar o fato de não ser Jesus o Messias. toda a vida de Jesus. É aí onde o Evangelho foi de encontro às necessidades deles! Imaginem só um Deus que já havia passado pela situação de servo. 28:18-20). mas. Diziam que haviam sido roubados. quando chegavam à ressurreição de Cristo. A Palavra de Deus não é de cunho exclusivo e particular. que tornou-se maldição por nós (II Co. A IGREJA PRIMITIVA E A ATUAL NA EVANGELIZAÇÃO DE TODOS OS POVOS EM TODAS AS CULTURAS E RAÇAS O Evangelho tem uma mensagem que alcança todo tipo de coração. Não somente isto levava os judeus da época a se calarem diante da Verdade. disseram que apesar desta briga judaica contra o cristianismo. Porém. O que estamos esperando? IV. E isto foi mostrado desde os tempos de Jesus até aos nossos dias. 15:3-8). por intermédio de muitas afirmações que diziam não ter respostas. tolices não permanecem por tanto tempo sem serem desmentidas. Os judeus reclamavam também o fato de os cristãos usarem os mesmos livros do judaísmo (a Lei e os Profetas). como já exposto anteriormente. “as murmurações no deserto”. conseguiram ganhar muitos à Salvação. na verdade. onde não houve sequer uma profecia que não foi cumprida Nele. de igual modo. podem. como também. pois estes eram comumente considerados como sem valor pelos judeus tradicionais da época.que nunca ninguém conseguiu refutar. Jesus ressuscitou ao terceiro dia. não havia como negar.17). ser superadas na igreja de “Hoje”. também perderam muitos. e Jesus permaneceu. Muitos. para todos os que crerem (Rm. porém. mas garantiu-nos o Dom gratuito de Deus. os cristãos diziam que os judeus não davam o valor correto à Palavra de Deus. e onde não houve pecado algum (Mt. Percebemos na História da Igreja Primitiva que o Evangelho foi bem recebido pelos gentios. 1:16. que é a morte. Os judeus-cristãos mostravam que todas as promessas cumpriram-se em Jesus. eram humilhados e sofriam para que outros se alegrassem. não como maldito. 26:56: Jo. pois não recebeu o salário do pecado. mas sim. Os gentios eram tratados como servos. Disseram até mesmo que Jesus foi uma tolice judaica seguida por pessoas sem escrúpulo e que não raciocinam. e provaram isto com passagens como “o bezerro de ouro”. Porém. sendo 262 . Se as dificuldades na evangelização dos judeus e das pessoas semelhantes a eles foram superadas pela igreja de “Ontem”. firmando ainda a Sua Igreja para continuar disseminando a Verdade através da pregação do Evangelho a todos os povos (Mt. no decorrer da história. andou entre seus discípulos por espaço de quarenta dias (At.

e não através de sacrifícios aos espíritos. concernente à salvação. Os mártires cristãos. Parece que a grande dificuldade encontrada por eles. a também aceitarem o Grande e Único Deus – Jesus Cristo – por Quem esses homens e mulheres corajosos morriam! Ninguém morreria por uma farsa. graças a Deus. lutavam principalmente contra a idolatria. mas. Os primeiros cristãos consideravam que se chamassem César de “Senhor” estariam tirando o senhorio absoluto de Jesus Cristo! Isto lhes seria abominável! É claro que historicamente falando. Isto gerou uma boa recepção do Evangelho entre os intelectuais e os escravos. muitos eruditos da época. como mostra-nos historiadores como Eusébio de Cesaréia. pois a Palavra de Deus nunca volta vazia. foi apenas a tradução do Evangelho para as línguas dos povos evangelizados. Existiam palavras escritas nos originais. por um deus que não fosse menos do que o Único e Verdadeiro! Isto não aconteceu com os japoneses Kamikazes e 263 . O que estamos esperando para sermos diferentes também em nossa época? O cristianismo sempre foi ousado! Sempre se arriscou! E isto fez com que o Reino dos Céus lucrasse.humilhado. Um outro motivo pelo qual o Evangelho era bem aceito. enfim. Mas. exigia até mesmo sacrifícios e cultos a ele mesmo. foi o medo dos demônios que os gentios tinham. pensavam. Com tudo isto. Um exemplo claro quanto a isso foi a perseguição de Nero aos cristãos que não declaravam que o Imperador era “Senhor” (Kyrios no grego). acabaram por incentivar muitos que iam nas arenas para ver sangue e sofrimento por diversão. como também a proclamação do Evangelho. passaram a traduzir as Escrituras de forma mais empática. que talvez até pensavam alguns que tornariam-se em escândalo para as pessoas da época. Para que outros deuses ou intermediários. se Jesus era Todo-Poderoso e AutoSuficiente contra os ataques dos maus espíritos? Os primeiros cristãos. encontraram segurança na mensagem cristã. Ali aconteceu a primeira faísca que acendeu a grande fogueira da evangelização mundial. pois traziam sentido estranho quando traduzidas literalmente. Os cristãos primitivos se arriscavam bastante. Percebendo que pelo nome de Jesus os demônios eram expulsos. exterminando até mesmo o desejo de servir a Cristo dos que assistiam seus martírios. César não exigia apenas a proclamação dele como “Senhor”. que sofreu para a alegria de muitos. que não eram muito convenientes entre os gentios. Não a tradução somente das palavras mas principalmente a tradução das idéias. Jesus foi anunciado até os confins da terra. mesmo que olhando para as lutas impostas pelo mundo. principalmente os que seguiam religiões animistas. que conhecia de perto o que eles passavam?! Este era o Deus que precisavam! Antioquia foi o início de tudo. Estes primeiros cristãos sabiam que toda e qualquer semelhança com o mal prejudicaria suas vidas. ao que percebe-se. facilitando a aceitação de Jesus Cristo como único e suficiente Salvador. Tudo o que tivesse apenas aparência de idolatria era de imediato abandonado por eles. foram na verdade usadas por Deus como meio para chamar a atenção de todos os povos ao Evangelho. As tribulações que pareciam servir de derrota para a mensagem cristã. como também os contemporâneos. ou em suas cópias.

fazendo com que dessem passos no escuro. pois os que morriam por Cristo sabiam que não eram eles mesmos quem impetravam sobre si a morte. não visavam ganhar o povo pela emoção. Tudo ficava mais difícil ainda de se compreender quando falava-se em batismo nas águas! Alguns pensavam que este ato de batismo era como as iniciações feitas nas religiões de mistério da época. também devemos trabalhar a compreensão das pessoas quanto ao valor do batismo nas águas. e não complica a vida do ouvinte. como vemos em Marcos 7: Então os fariseus e os mestres da lei perguntaram a Jesus: “Por que os seus 264 . por favor. mas um Farol aceso nas densas trevas do pecado. mas sim. “o Clube do Bolinha”. mas sim. pois sabiam que eles mesmos necessitaram da salvação outorgada por Cristo no Calvário. A CONVERSÃO NA IGREJA PRIMITIVA E NA ATUAL A conversão foi uma questão difícil de conscientização para os primeiros séculos da Era Cristã. existem igrejas onde a frase que mais se ouve do púlpito é: “Quem não quiser seguir a nossa cartilha. Jesus não é só uma Luz. e não uma porta de mistérios às muitas dúvidas! O Evangelho explica. referindo-se às religiões que pregavam uma fé cega. Foi um assunto que levou muitos pensadores a quebrarem a cabeça sobre a natureza dessa exigência. porque já eram salvos em Cristo Jesus! Não morriam para salvar. quem sabe “o Clube da Luluzinha”. Em nossa época. que é para os salvos é de fundamental importância às nossas igrejas. se quiserem participar de outro grupo. mas que eram levados ao matadouro para serem oferecidos como oferta com cheiro suave ao Deus que tudo aquilo permitia por causa de seu Plano Eterno da Salvação. Os primeiros evangelistas pregavam com a ajuda do Espírito Santo. mas Sua Santa Palavra – A Bíblia Sagrada. Os filósofos ensinavam que as pessoas não podiam dar “passos no escuro”. Não morriam para serem salvos.nem ocorre com os muçulmanos. A pregação dos nossos primeiros evangelistas não era extremista quanto a questões de costumes. façam o favor! Acreditem se quiser. infelizmente. V. Hoje. Muitas igrejas não são mais o veículo do Evangelho para a salvação das almas. sem a real compreensão e conscientização da Verdade. fazendo uso abusivo da palavra “mistério”. onde procuram somente evidências pessoais visíveis e materialistas da “presença” de Deus. onde as pessoas seguiam suas crendices sem ao menos terem explicações um pouco mais concretas do “por quê” as seguiam! Diferentemente de tais religiões cegas. A pregação do Evangelho era a luz num caminho de trevas. que fazia com que as pessoas aplicassem e compreendessem o Evangelho em suas próprias vidas. e quem não consegue tais evidências. alguns têm como visão primordial na pregação do Evangelho o emocionalismo. não muito diferente dos primeiros séculos do cristianismo. Haviam também os que achavam que o batismo tinha um certo poder mágico que capacitava as pessoas a alcançarem a salvação. a porta da rua é a serventia da casa!” O interessante é que Jesus não ordenou à Sua Igreja seguir cartilhas de homens. Saber explicar que tal ato não salva.

As Sagradas Escrituras mostra-nos que mulheres valorosas também tomaram parte nessa missão mundial ordenada por Cristo. as profecias.. como também não tinha uma visão materialista. o batismo é para quem já é salvo. mesmo que para tal fosse preciso perder a própria vida! A vida dos evangelistas era um grande exemplo de fé. pois. e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo. Leon. por meio da tradição que vocês mesmos transmitiram.17). a fim de obedecerem às suas tradições!. Não somente pregavam a Jesus Cristo – eram verdadeiros imitadores de Cristo. Ninguém naquela época passava necessidades enquanto outros tinham de sobra. O autor Jorge A. o Rock in Roll Gospel. em seu livro “La Comunicación Del Evangelio en el Mundo Actual”.. tomando o lugar da circuncisão outorgada por Deus a Abraão. do mesmo modo. E Fazem muitas coisas como essa”. o barulho pentecostal. mas pela fé. Sua devoção fazia com que outros se contagiassem e acabassem também se convencendo de que Cristo é real e verdadeiramente ressuscitou! Havia entre eles uma comunhão muito grande. mas o que leva as pessoas à Salvação. Em vão me adoram. para quem já foi justificado por Cristo Jesus. pois “. hipócritas. coragem e desprendimento material.5-9..” (Rm 10.. é a pregação genuína da Palavra de Deus. Os evangelistas do primeiro século pregavam o Evangelho com toda a ousadia. Quando tais pessoas se convertiam.discípulos não vivem de acordo com a tradição dos líderes religiosos. É nascer de novo. Vocês negligenciam os mandamentos de Deus e se apegam às tradições dos homens”. mas selo de autenticação da Salvação.. pois todas as coisas eram 265 . O que salva não são os rituais. E disse-lhes: “Vocês estão sempre encontrando uma boa maneira de pôr de lado os mandamentos de Deus. ao qual sabemos que não foi justificado por esse ato cerimonial e figurativo.. Eles não somente pregavam o Evangelho – eles eram o Evangelho.a fé vem por se ouvir a mensagem. O batismo não é objeto salvador. mas o seu coração está longe de mim. era porque compreenderam e assimilaram Jesus Cristo como o Único e Suficiente Salvador. O ENTUSIASMO DOS EVANGELISTAS DE ONTEM E DOS DE HOJE Os evangelistas da Igreja Primitiva usavam um meio muito eficaz na proclamação do Evangelho: seus próprios testemunhos de vida. devido exatamente às conversões erradas. etc. tanto para os que não conhecem a Cristo. afirma que: “1º A evangelização deve ser tensora – o ponto em que a pessoa se decide por Cristo. A pregação do Evangelho não estava limitada apenas aos homens. 2º Deve haver constante evangelização. Tais conversões não se baseavam no emocionalismo.. como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios. Eles não somente pregavam a mensagem da cruz – eles tomavam cada um a sua cruz. as iniciações.13) A conversão é uma mudança total de vida.?” Ele respondeu: “Bem profetizou Isaías acerca de vocês.” VI. seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens’. (Mc 7. como àqueles que já conhecem. Assim vocês anulam a palavra de Deus. Muitos pensadores da época da Igreja Primitiva se converteram a Jesus Cristo.

Diferente de alguns contemporâneos a nós. Não ouvia-se de suas bocas nenhum tipo de murmúrio ou reclamação por estarem sofrendo. onde tudo é imediato. a razão de sermos luz. tentando nos mostrar que cristianismo é somente riquezas e alegrias externas. Muitas vezes tentamos encaixar a Palavra de Deus em nossas maneiras mesquinhas e exclusivistas de viver. não suportava ver o sofrimento do que nada tinha! Como já ouviu-se em um hino cristão. muitos evangelistas atuais tentam nos convencer de que esta terra é um lugar definitivo e que nossa maior alegria está em tirarmos o maior proveito daqui. como se houvesse um tipo de ética cristã individualista. fazia com que muitos espectadores se convertessem ao Evangelho. Atualmente ouvimos pessoas dizendo: “Vejam com se separam!” O caráter dos cristãos daquela época era totalmente modificado. Enquanto os evangelistas da Igreja Primitiva mostravam que somos peregrinos na terra. Quando aquelas mulheres foram ao sepulcro de Jesus. Eles sentiam-se lisonjeados quando surrados por causa da fé cristã. através de nossas tradições dogmatizadas. da “geração procon”. onde Deus é a loja e nós os consumidores insatisfeitos. mesmo diante de tais circunstâncias. então nunca passará de uma matéria técnica onde guardamos apenas nomes e datas. viram que Ele não estava lá. muitos evangelistas de hoje não ensinam que o “barro” deve ser moldado pelo “Oleiro”. Não se deixavam vencer facilmente. Além de tudo. Preguemos com a convicção e com o entusiasmo que pregaram os evangelistas da Igreja Primitiva. éramos conhecidos pelo amor. somos conhecidos de forma diferente. não somos livres para fazer o que quisermos da maneira que queremos. Somos livres para servirmos a Deus através da “Ética Absoluta Univérsica” por meio de Sua Palavra. os primeiros cristãos eram felizes.comuns entre eles. mas também não significa que Ele seja um Ser “anacrônico”. mas infelizmente hoje. A alegria deles. e ainda chamamos a isso de liberdade cristã! Porém. sal e imitadores de Cristo. Não estamos aqui ensinando “primitivismo”. e o amor às almas a lenha que ajuda esse fogo a queimar! 266 . Nosso Deus não depende do tempo. mesmo numa arena cheia de leões famintos querendo devorá-los. Ele está vivo. Os evangelistas eram pessoas perseverantes. Quem tinha muito. Muitos até diziam: “Vejam como se amam!”. mas relembrando o que fez a Igreja Primitiva de positivo. Muitas teologias baratas nos são ensinadas por alguns televangelistas. Enquanto isso. O Evangelho deve ser uma chama ardendo em nossos corações. Se a História da Igreja não nos servir de apoio para a conscientização. participantes da “geração microondas”. Acham que Deus está somente nos prazeres da vida. não é Deus de mortos! O Evangelho deve ser para nós o que foi para os primeiros evangelistas: a razão da estada da Igreja aqui na terra. envoltos em faixas embebidas em azeite ou piche amarrados a um poste pegando fogo. isto é. ou em qualquer outro lugar de martírio. e que as demais coisas nos seriam acrescentadas conforme a necessidade real e a vontade de Deus. Não façamos da vida cristã uma monotonia.

como algumas igrejas contemporâneas que marcam seus cultos ao ar livre apenas para depois ficarem se gabando de que fazem isto enquanto outras não. O testemunho da Obra Salvadora de Cristo feita em suas vidas também era um meio de evangelização. boa situação financeira. mas. locais improvisados na hora. Método este bem improvisado. Entristece perceber que hoje alguns preocupam-se só com barulho. marido. e não almas perdidas para serem ganhas pela pregação do Evangelho. a pregação teve um valor imensurável na Igreja Primitiva. na carteira de uma escola. A evangelização pelo método do ensino não produz pessoas que sempre necessitarão de alguém para ser uma “muleta espiritual” para fazê-las caminhar. pela ligação de cada uma das partes. encorajamento e consolação dos homens” (1ª Co 14.VII. E para tal. só vai crente. Em muitas de suas pregações. tinham em mente que o Evangelho deveria ser compreendido e não seguido cegamente como se fosse uma religião de mistérios só para “iniciados”. Apenas lembramos que muitos evangelistas contemporâneos ocupam-se de tais coisas como se o foco principal dos grandes congressos fosse a satisfação pessoal do pregador e a dos crentes que lá estão. onde o intuito é juntar a maior quantidade de pessoas que puderem. Escolhiam lugares não evangelizados e levavam a Igreja ao povo. Um desses métodos era a evangelização ao ar livre. O evangelismo ao ar livre pode ser improvisado na polpa de um barco. em uma montanha. etc. e não para a mera satisfação material. Este tipo de evangelização era feito em locais onde não eram de uso exclusivo para pregadores. mas percebe-se que essas eram totalmente baseadas nas Escrituras Sagradas (Is 8. Era o método evangelístico que mostrava a prova de que 267 . MODOS DE PREGAÇÃO DA IGREJA PRIMITIVA E CONTEMPORÂNEA Os evangelistas da Igreja Primitiva não faziam grandes congressos evangelísticos com temas pré-determinados. Não que isto seja errado. Parece que alguns congressos evangelísticos contemporâneos são mais congressos “evangelásticos”. O ensino produz na vida do ser humano a fé e o sustento necessário para que nos tornemos discípulos e discipuladores. evangelizavam através de métodos dados por Deus. esquecendo-se da eficácia regeneradora do Evangelho. E isto. A profecia tinha em sua essência a vontade salvadora de Deus na vida do ser humano. na poltrona de um ônibus. Não faziam isto apenas como tarefa. davam lugar também à profecia. O ensino evangelístico mostra o que Deus quer de cada um e o que quer da sociedade evangélica: um corpo bem ajustado.20). dor de cabeça. não se via Deus prometendo carro. mas sim.3). por uma mente fértil e preocupada não com a aparência. mas já que seria mais difícil o povo ir à Igreja. Quando alguém era usado no dom de profecia. porque “quem profetiza o faz para edificação. etc. passageira e individualista de cada um! Na verdade. casa. na mesa de uma casa. o ensino foi um método muito utilizado por eles pois. Os primeiros evangelistas da História da Igreja. em uma carruagem. e o pior. mas com as almas.

ao que parece! Porque não conhecermos mais a Bíblia para podermos fazer como o apóstolo Paulo diante do povo bereano? Qual o valor dado ao estudo minucioso da Palavra de Deus em cursos e seminários pelos nossos atuais evangelistas? Esperamos que a resposta seja positiva! VIII. E isto de uma maneira bem mais hermenêutica. pois uma única alma tinha um valor extraordinário. e ainda ajuda. percebiam que a Graça de Deus era manifesta em suas vidas. Um tipo de evangelização diferente da oral. levavam o Evangelho a toda criatura. Contudo. dos cultos que não estavam como eles queriam. eles eram motivados pelo sentimento de gratidão. Os crentes de Beréia por exemplo foram evangelizados por tal método. E avivamento. Quais eram tais motivos? Em primeiro lugar. Eles sabiam que Deus havia provado Seu amor para com eles. nem que isto lhes custasse a vida! Eles tinham sentimento agradecido pela salvação até mesmo diante de uma perseguição ou agravos físicos sofridos nesta vida. incluindo eles! Assim. este poderia evangelizar o restante da casa. o que importa a alguns é o “movimento” e não o “avivamento”. e não o marido. os primeiros evangelistas da Igreja tiveram suas motivações para evangelizar o mundo de sua época. a resposta seria: “melhor do que mereço”! 268 . A escrita foi um método que muito ajudou. não reclamavam a vida financeira. pois temos o texto ali diante de nós para inquirirmos sobre ele. Esses evangelistas não se preocupavam somente com a quantidade. quando era a esposa quem aceitava a Cristo. apesar de muitos outros utilizados pela Igreja Primitiva. Quando se ganhava uma alma em um lar. etc. normalmente passava por grandes lutas quando este não simpatizava com o Evangelho. Era favor imerecido! Com isto. parece ser “geração de novas vidas na igreja” e não “barulhão” de velhos crentes da igreja. Felipe e o Eunuco de Candace foram um exemplo disto. pois o que está escrito não se muda. A MOTIVAÇÃO PARA SE PREGAR O EVANGELHO ENTRE OS PRIMEIROS EVANGELISTAS ERAM AS MESMAS DOS DE HOJE? Todas as pessoas têm motivações para fazerem algo! Então. porém. principalmente quando se tratava do cabeça da família. porque lembravam-se das palavras de Cristo dizendo-lhes a que amassem mais a Ele do que a família. em seu sentido real. a falta de um meio de transporte para levá-los aos locais de evangelismo. se lhes perguntássemos como estavam passando. enviou-lhes Seu Único Filho para morrer pela humanidade. no sentido que não mudava-se o teor da mensagem quando era passada de pessoa a pessoa. Não murmuravam. até os confins da terra. Enfim. O evangelismo pessoal teve destaque nos primórdios da Igreja. em forma de agradecimento. Mas isto não era um fator impedidor para essas mulheres valorosas. foi o da evangelização literária. Parece que mesmo diante de muitas dificuldades. Os amigos e os familiares eram os ouvintes. Hoje. o último método utilizado que descreveremos aqui.o que pregavam realmente era verdade. através de seu testemunho pessoal. a examinar-se com detalhes o quer-se dizer com a mensagem. Os lares eram pontos estratégicos do evangelismo. que sendo ainda pecadores.

etc. O que aconteceu de ruim no passado deve valer-nos como disciplina para não mais errarmos como antes. em risco por causa de uma alma. Mas. Eles sabiam que eram os “atalaias” de Deus. atualmente. preguemos a Palavra de Deus. de qual a maior religião do mundo. tocava a trombeta no ritmo de guerra para que o povo se preparasse para tal. A preocupação primária deles era com a eternidade do ser humano. nossa vida financeira. Assim. Eles choravam com os que choram. O que aconteceu de bom deve servir-nos como auxílio para a compreensão de nossa tarefa e para que possamos continuar a desenvolvermo-nos na “economia divina”. Não se conformavam em saber que seu Imperador. mas sim. Não é uma questão de quem tem mais seguidores. Conforme o toque de sua trombeta o povo se comportava de maneira diferente. nosso cargo eclesial. Vivemos a História promulgada por Deus: a História com começo. Não o futuro temporal. É uma preocupação que vem pelo fato de sabermos o que o futuro sem Cristo reserva para a humanidade descrente. seu vizinho. A nossa História não é uma História Sem Fim. muitas pessoas seriam dizimadas ao inferno. com o que se vestiriam ou o que comeriam. o toque da trombeta seria em ritmo amistoso. Evangelizemos a tempo e fora de tempo. Se fosse uma visita cordial de um reino amigo. e não um “conto de fadas”. devemos sempre nos perguntar: como posso melhorar na linha do tempo? Olhando a linha e aprendendo através dela parece ser um bom começo! O evangelismo de “Ontem” pode auxiliar bastante no desenvolvimento e no aprimoramento do evangelismo de “Hoje”. passageiros e exclusivistas. nosso nome. meio 269 . CONSIDERAÇÕES FINAIS A história deve servir-nos como alerta. seu irmão. Por exemplo. Os evangelistas dos primeiros séculos tinham semelhante responsabilidade concernente à pregação do Evangelho. na rua. Será que muitos de nós. se o atalaia percebia que um reino inimigo se aproximava. no serviço. A História é linear. Sabiam que se eles não dessem o “sonido da trombeta” ou se este fosse incerto. Toquemos a trombeta em Sião! A terceira motivação era o sentimento de preocupação. mas não era esta a causa do evangelismo deles – ganhar as pessoas – como se fosse um jogo de quem convence mais. isto é. A função do atalaia era ficar de guarda no ponto mais alto dos muros do reino. na escola. Será que não seremos culpados de muito sangue? Não estaria na hora de despertarmos do sono? Não está na hora de pregarmos o Evangelho a todo o mundo? O mundo. Eles preocupavam-se com o futuro das pessoas. Por causa disto alguns até acham que os evangelistas da Igreja Primitiva tentavam ganhar as pessoas através do medo quanto a vida após a morte. e assim por diante. que é semelhante ao de responsabilidade. às vezes. não está tão longe de nós! Pode estar em nossa volta. uma questão de amor e compaixão pela vida do próximo. não nos acomodamos a ponto de sermos passivos quanto a salvação do próximo? Moisés colocou sua vida em risco por causa de um povo pecador! Não colocamos nem mesmo nosso tempo. e não circular como pensa as religiões orientais. ou mesmo em nossa casa. e não conceitos humanos.A segunda motivação era o sentimento de responsabilidade. seu pai ou mãe iriam para o inferno! Sabiam que isto era um fato.

Esta apostila tem 270 pagina boa sorte. São Paulo: Vida Nova. que depois do Estagio se assim o achar apto para o Ministério poderá solicitar a sua ordenação por uma de nossas organizações filiadas no Brasil ou no exterior. PENHA. Deus nos conclama a participarmos dela com mais responsabilidade. Eusébio de. 1994. 2ª ed. O Novo Dicionário da Bíblia. D. 1995. DOUGLAS. Teologia do Novo Testamento. se assim quiser. GREEN.com. também poderá solicitar estagio missionário em uma de nossas igrejas no Brasil ou exterior traves da Federação Internacional das Igrejas e Pastores no Brasil ou Fenipe. São Paulo: Ática. São Paulo: Novo Século. Reverendo Antony Steff Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana Renovada de Nova Vida Presidente da Federação Internacional das Igrejas e Pastores no Brasil ou Fenipe 270 . Sem nadas mais graça e Paz da Parte de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo bons estudos. Períodos Filosóficos.5. 1ª ed. 3ª ed. Evangelização na Igreja Primitiva. São Paulo: Exodus. LADD. alcançando media acima de 7.e fim. pois devemos nos preocupar com o “Amanhã”! NOTA BIBLIOGRÁFICA CESARÉIA. Que o “Ontem” de desperte para “Hoje”. Não sejamos meros espectadores da História da Humanidade. George Eldon. São Paulo: Vida Nova. J. envie seu questionário com as respostas devidas para o endereço de e-mail: teologiagratis@hotmail. assim você poderá também receber a sua Credencial de Ministro Aspirante ao Ministério de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. 1997. História Eclesiástica. João da. Estude com fé depois de ter terminado os seus estudos. solicite o seu Lindo DIPLOMA de Formatura e a sua Credencial de Seminarista formado. 1989. Michael. logo após respondido e corrigido o questionário. Série Princípios. 1999. 2ª ed.

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