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Apostila 18 - Igreja Consagrado Para Cuidar

Apostila 18 - Igreja Consagrado Para Cuidar

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  • Parte II LEVANDO A SÉRIO A CEIA DO SENHOR
  • Parte III O DIÁLOGO DA CEIA DO SENHOR
  • Parte V “ALEFREI-ME QUANDO ME DISSERAM..."
  • Parte VI A IGREJA PRECISA DE TEOLOGIA?
  • Parte VII A IGREJA, CORPO DE CRISTO
  • Parte VIII A IGREJA, CORPO DE CRISTO II
  • Parte IX A IGREJA, CORPO DE CRISTO III
  • Parte X
  • Parte XI A IGREJA, CORPO DE CRISTO V
  • Parte XII A IGREJA QUE FAZ A DIFERENÇA
  • Parte XIII A LIDERANÇA CRISTÃ E O DISCIPULADO
  • Parte XIV A MISSÃO DA IGREJA
  • Parte XV A MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA Introdução:
  • Parte XVI A MISSÃO DA IGREJA
  • Parte XVII APRENDENDO DA HISTÓRIA DOS AVIVAMENTOS
  • Parte XVIII AS QUATRO INDISPENSÁVEIS QUALIDADES
  • Parte XIX ATOS 1.8 E A MISSÃO DA IGREJA
  • Parte XX COMO MEMBROS DO CORPO DE CRISTO
  • Parte XXI COMO SE FAZ UMA GRANDE IGREJA
  • Parte XXII CREIO NA CONTRIBUIÇÃO CRISTÃ
  • Parte XXIII DESAFIOS DA LIDERANÇA CRISTÃ
  • Parte XXIV DISCIPLINA NA IGREJA
  • Parte XXVI EVANGELIZAÇÃO - A AÇÃO DO EVANGELHO
  • Parte XXVII IGREJA: RETOMADA DO PROJETO DE DEUS
  • Parte XXVIII MÁRTIRES CRISTÃOS
  • Parte XXIX MORDOMIA DO DÍZIMO
  • Parte XXX MOTIVAÇÕES PERIGOSAS PARA O MINISTÉRIO
  • Parte XXXI O ANÚNCIO DA IGREJA
  • Parte XXXII O PADRÃO BÍBLICO DE AVIVAMENTO
  • Parte XXXIII PERIGOS SUTIS AO MINISTÉRIO PASTORAL
  • Parte XXXIV REFLETINDO SOBRE LIDERANÇA CRISTÃ
  • Parte XXXV UM PROJETO DE REVITALIZAÇÃO PARA A IGREJA LOCAL
  • Parte XXXVI UMA IGREJA RENOVADA
  • Parte XXXVII UNIDADE NA VARIEDADE
  • Parte XXXVIII O QUE LEVOU A IGREJA
  • Parte XXXIX MINISTÉRIOS FIÉIS

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O primeiro seria oferecido em holocausto, de acordo com o capítulo 1. O segundo, porém tem uma parte especialíssima na cerimônia, razão porque é chamado de "o carneiro da consagração", conforme o verso 22 deste capítulo 8. Lê-se no verso 23 que houve aplicação do seu sangue a algumas partes do corpo dos consagrandos. Este sangue foi usado para trazer Arão e seus filhos a um estado sem igual de santidade. O restante do sangue será jogado ao redor do altar, estabelecendo com este ato um relacionamento especial entre o altar, símbolo do ministério, e os ordenandos, agentes desse ministério. As partes do corpo tocadas pelo sangue são orelha, mão e pé. Esse toque pelo sangue lava-os e dedica-os simbolicamente ao Senhor. Quer também dizer que o ministro de Deus ouvirá e obedecerá, e suas mãos e pés servirão ao Senhor. As lições são extraordinárias: O OUVIR (v. 23) O ministro de Deus há de ouvir corretamente. Referimo-nos à conversação pastoral, chamada por alguns de Clínica Pastoral no gabinete, na visitação ou informalmente. Não a confunda, porém, com aquilo que jocosamente chamam de "papoterapia". Como ministro de Deus e da Igreja de Jesus Cristo, você deve conhecer exatamente o papel que lhe corresponde. Não será um profissional da psicologia, da psicanálise ou das variadas terapias oferecidas à clientela. E, no entanto, seu ministério de ouvir é comparável ao do psicoterapeuta, do conselheiro matrimonial, ou do psicólogo. Muito de seu trabalho tem a ver com ouvir-e-aconselhar. Entretanto, você não receberá honorários pelo aconselhamento, nem fará contrato de trabalho para isso. Você é um ministro de Deus e será procurado não por um paciente ou cliente, mas por uma ovelha sua, ou um semelhante seu que precisa de ajuda. Há quem apenas deseja falar, conversar; dê ouvidos, pois para isso sua orelha foi ungida. Há quem queira injeções de otimismo cristão, de esperança. Há quem tenha sérios sentimentos de culpa, de rejeição. Há quem precise ser confrontado. Uma coisa, porém, é certa: você tem autoridade dada por Deus e pela igreja que o chamou para dar esse conselho, essa exortação ou esse confronto. O ministro de Deus deve ouvir corretamente. Assim, você precisa ouvir o que está por trás das palavras. Palavras ditas, palavras não ditas, e palavras em suspenso. Talvez os lábios digam algo, mas a expressão facial, as mãos, 2

a expressão corporal digam outra. Você precisa "ouvir" corretamente os sentimentos de quem está à sua frente. Na Clínica Pastoral, ouça bastante antes de opinar. Leve a ovelha a falar; viva a situação do outro. Você é chamado a um ministério de simpatia, de carinho, de afeição e de amor. Sobretudo quando você é enérgico! Desde que você começa a ouvir, está fazendo Psicoterapia Pastoral. Isso é afirmado pelo Dr. Wayne Oates, autor ou co-autor de mais de quarenta livros e por muitos anos professor de Aconselhamento Pastoral (Pastoral Care), no The Southern Baptist Theological Seminary em Louisville. Você é visto dentro de um esquema todo especial: há um significado simbólico em você como ministro de Deus. O pastor, por exemplo, é um ponto de referência na igreja para o povo de Deus. Ele simboliza e representa a comunidade cristã, e é agente dessa comunidade de Cristo, de Deus. Há muita esperança quando alguém procura o pastor. Por essa razão, é terrível, medonho mesmo, quando as palavras do pastor são divinas, mas seus hábitos de vida contradizem essa dimensão... Você representa e simboliza muito mais do que você mesmo: você representa o Pai, você leva a palavra de Cristo e o faz sob a direção do Espírito Santo. Quem vai ao seu gabinete espera e deve sair abençoado. Você vai ouvir confissões, vai ouvir palavras de arrependimento. Mas não pressione: ajude no processo de crescimento. O TOCAR (v. 23) O ministro de Deus é ungido na mão para tocar vidas. Estamos nos referindo, então, à influência. Você vai tocar muitas vidas e deve fazê-lo com cuidado e leveza. Use suas mãos para abençoar a criança, o jovem, o adulto, o idoso. E faça-o com carinho. Leve-os à consciência do santo, lembrando ao crente em Jesus Cristo que a rigor, para o povo de Deus, não existem espaços separados, compartimentos estanques entre o secular e o religioso, o sagrado e o profano, pois a vida pública, social, civil do crente em Jesus Cristo há de ser normatizada pelo senso do santo. Leve-os ao senso da providência, à fé, à gratidão, ao arrependimento, à comunhão, à vocação. Você há de tocar vidas; há de xer com as emoções das pessoas: raiva, medo, alegria. Você vai lidar com almas enfermas. São doenças do comportamento, mazelas do espírito, enfermidades psicossomáticas. Você terá um ministério a desempenhar nas crises. Crise é qualquer acontecimento que ameace o bem-estar de uma pessoa, e interfira na sua rotina de vida. O nascimento de uma criança, a morte de um parente, o fim 3

de um casamento, o desemprego, a aposentadoria são crises . Você há de entrar em contato e reduzir a ansiedade, encorajando a pessoa a agir. Lembre-se de que cada situação de crise é única, sem igual. Ou como o povo diz, "Cada caso é um caso". Você há de tocar vidas em diferentes níveis de cuidado pastoral: o Nível da Amizade; o Nível do Conforto; o Nível da Confissão, o Nível do Ensino e o Nível do Aconselhamento e Psicoterapia. Devo estas classificações ao Dr. Oates. Há pessoas aflitas que necessitam de apoio; há aqueles enfrentando a morte que precisam do poder espiritual que o pastor representa; há pessoas com enfermidades crônicas; há deficientes físicos; há famílias com filhos com déficit mental; há os deprimidos e os desapontados com o amor ou outra causa. Todos estes estão no Nível de Conforto. Há o jovem solteiro, os jovens casados, o adulto de meia-idade, a viúva, a mãe solteira, o separado/desquitado/divorciado, o hospitalizado, todos em diferentes níveis do seu cuidado pastoral. O ANDAR (v. 23) O ministro de Deus é ungido no pé para andar santamente. Estamos falando de ética. Para isso, necessária é a ajuda do Espírito Santo. Se você não tem a ajuda do Espírito de Deus para crescer na graça e na maturidade, vai ser difícil entender a Bíblia, impossível aplicá-la às vidas, será um problema conviver com as ovelhas, e terrível dominar atitudes internas. Mais do que nunca, é preciso ser imitador de Cristo. Para sê-lo, porém, é preciso andar no Espírito, andar santamente. E andar santamente exige análise freqüente de nós mesmos, submissão do eu a Deus, e plenitude do Espírito Santo, que é o Seu controle em nossas vidas. Você há de visitar. Irá a muitos lugares e lares. Há dois tipos de visitas: as regulares e as de emergência. Não visite só nas crises: você precisa visitar o seu rebanho em tempos de paz. Seja ético, então, quanto ao que ouve, vê e aconselha. CONCLUSÃO O final da narração de Levítico 8 registra a obediência dos consagrandos, Arão e filhos. Isso nos ensina que consagração é entrega absoluta marcada pela obediência irrestrita às ordens de Deus. Nossa oração é que nosso ministério seja pontuado agora, hoje, sempre pela disciplina, obediência, entrega e consagração total àquele que é o Mestre de nossas vidas, Senhor do nosso futuro, Salvador de nosso ser. A Catedral

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Uma catedral para a honra e a glória de nosso Senhor Jesus Cristo se constrói momento a momento à medida que uma mão se estende e toca outra mão com amor humano, e à medida que um coração responde em amor a outro coração capacitado pelo Espírito Santo para anelar, escutar, elevar e amar-nos uns aos outros. Para que todos, em todo lugar possamos oferecer outros dons que Deus nos tem dado: Integridade nas relações, Alegria e paz na fidelidade, Fortaleza para fazer por meio da igreja, Mais do que pedimos ou imaginamos. Margaret Shannon Parte II LEVANDO A SÉRIO A CEIA DO SENHOR "Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, havendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo que é por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto do meu sangue; Fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha. De modo que qualquer que comer do pão, ou beber do cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim como do pão e beba do cálice. Porque quem come e bebe, come e bebe para sua própria condenação, se não discernir o corpo do Senhor" (1Co 11.23-29). A Ceia Memorial tem sido celebrada num ambiente espiritual, profundo, reverente e cheio de certeza, além do destaque que a Ceia do Senhor nos fala numa linguagem silenciosa porém plena de energia. Temos o pão e o vinho, elementos simples, porém altamente destacados nesta celebração. E nesta simplicidade, ela se torna um meio de comunicação de algumas importantes mensagens para o povo de Deus. Quando levamos a sério a celebração da Ceia do Senhor, usamos de determinadas linguagens: A LINGUAGEM DE COMEMORAÇÃO (v.25)

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quando observamos a Ceia do Senhor. Quando João escreveu a narrativa que abre o Evangelho que leva o seu nome. e para que pensemos nEle. até mesmo a escolha de certas palavras tem o seu lugar na Escritura Sagrada. Jesus Cristo estabeleceu duas ordenanças. Sl 78. dizemos que o sangue de Jesus Cristo foi derramado por nós. Então. mas pelo Senhor. porque estamos aqui. "para que pensem novamente em mim. ou vontade de Deus que as palavras assemelhadas fossem usadas pelo escritor sagrado? Para que se manifeste a glória de Deus. Is 18. para acrescentar algum valor maior à salvação. marcou presença. dizendo: Este cálice é o novo pacto no meu sangue. Aqui. é a palavra grega que diz skinê. fosse no deserto. 22. apenas uma filigrana lingüística: na língua hebraica. Coincidência.60. manifestou-se entre nós". daquilo que somos. depois de cear. O malfeitor da cruz não precisou se batizar. não por nós ou pelos outros. fazemos algo pelo Senhor. a palavra que significa "manifestação de Deus. em Canaã. Pela inspiração do Espírito de Deus. e aonde estamos indo. São ordenanças sem qualquer benefício acessório para a salvação. é que a Ceia do Senhor é celebrada por Sua Igreja. fazei isto. em memória de mim". As duas palavras têm praticamente o mesmo radical. tomou o cálice. na verdade não precisa. "o Verbo habitou. a palavra grega utilizada não é do hebraico: é grega. Uma pessoa em sendo salva por Jesus Cristo. E não existe sentimento maior. e quando tomamos o cálice. todas as vezes que o beberdes. precisamos de memoriais para que nos lembremos de quem somos. a gloriosa presença de Deus no meio do Seu povo. no entanto. ou nas grandes batalhas. é que o vocábulo utilizado por João para dizer." A presença de Jesus Cristo é algo extraordinário na vida cristã. e somente duas: o Batismo e a Ceia Memorial. os memoriais brasileiros se apresentam por todos os lados: é a bandeira do Brasil sendo desfraldada. Estamos dizendo isso quando tomamos o pão nas mãos. O impressionante. que é o corpo de Jesus Cristo que sofreu no Calvário. presença divina" é shekinah. do Batismo. tem outra origem. Percebam o som do hebraico sh ki nah e do grego s ki nê.1. e habitou entre nós. cheio de graça e de verdade". e quem já passou por isso o 6 . sempre era celebrada a manifestação da shekinah divina (cf. A outra ordenança é a Ceia do Senhor.19).Paulo diz isso: "Semelhantemente também. Cada vez que a glória do Senhor se manifestava no meio do povo de Israel. porque estamos pregando o Seu sacrifício para a salvação de todo aquele que crê. mas já estava com Jesus Cristo no paraíso após a crueldade daquele momento. ele disse "E o Verbo se fez carne. Quando nosso país joga na Copa. ou seja. Estamos pregando a mensagem de livramento de redenção para todo o que crê! Como precisamos de memoriais! Sim.

infelizmente. É isso o exatamente o que faz a Ceia do Senhor: ela nos relembra o dom da vida através da morte de Jesus Cristo. sem dúvida. mas para o pior. e o parto na frente dos irmãos. pela face. ao se participar da Ceia do Senhor. eu me emociono. com a igreja de Corinto.. que vou dizer-vos não vos louvo. temos o memorial da Ceia do Senhor. não de Cristo. não: é patriotismo mesmo! Sim. Paulo está preocupado. logo lembramos do Dois de Julho. porém. Por essa razão. entre o homem pecador e o Deus perfeito. Ao longo destes 39 anos de ministério da palavra e das ordenanças. de que fico com as mãos trêmulas. A LINGUAGEM DA COMUNHÃO (vv. se a levamos a sério. e pela nossa identificação com essa cruz: a minha cruz. mas a minha cruz! Há uma comunhão entre os crentes na Ceia Memorial. patriótico. porém. mas para pior" (v. Temos que lembrar da nossa indignidade e da beleza do perdão. que estar num outro país. não. mas não é comunhãode-cafezinho! Por isso. a data principal da Bahia! Falamos de amor conjugal. 17-20) Paulo disse: "Nisto. e diz "Mas. místico. quando nos reunimos seriamente para celebrar este ato memorial. não é comunicação com um morto como querem ensinar por aí. o amor cívico. não estamos falando de encontro sobrenatural. Assim. Aconteceu.. não estamos dizendo que nos unimos a Jesus Cristo através do Nirvana. porquanto vos ajuntais. nós não temos tal costume. ainda me emociono quando participo da Ceia do Senhor! E cada vez que seguro o pão.sabe. há uma comunhão espiritual pela lembrança de Cristo na cruz. Quando se ouve o nome de Maria Quitéria. não estamos tendo uma visão. e derramo um pouco no cálice. lembramos a aliança. Nisto. como querem pregar as religiões orientais. porque me vem à mente que sou indigno pecador. não! A Palavra nos ensina que a Ceia do Senhor é um memorial. Não há comunhão física. quando tomo a jarra de vinho. e que pela graça de Deus fui feito Seu filho! Lembro-me. Isso se chama filia. não para melhor. e o Seu sangue escorrendo pelas mãos. 17). precisamos de memoriais. reunia-se para a indignidade. e pelo tronco da cruz. Com certeza: precisamos de memoriais. são 39 anos celebrando a Ceia do Senhor praticamente mês a mês (e houve época quando o fiz duas vezes no mês). nem tampouco as igrejas de Deus. pela Sua testa. que vou dizer-vos não vos louvo. Sim. utilizamos a linguagem da comemoração. Não é doença. pela lembrança de Cristo na cruz. e se emocionar com o verde-amarelo tremulando nos mastros com outras bandeiras. Não confundamos as coisas: quando falamos de comunhão. mas ainda hoje tremo quando tenho na minha memória e coração a cena de Jesus Cristo no Calvário. porquanto vos 7 . que se reuniu não para o melhor. mas uma comunhão espiritual. se alguém quiser ser contencioso.

"será culpado 8 . como guardas de segurança do tabernáculo. a unidade da igreja. e depois que tudo era embalado. por essa razão é dever de cada um solene e seriamente examinarse sobre quais são os seus interesses e propósitos quando se aproxima da Mesa do Senhor. etc. os levitas pegavam o pacote e faziam o carregamento nos carros de boi para o transporte pelo deserto. por isso podemos nos aproximar dos objetos. e o propósito da Ceia! O que Paulo está enfatizando é a harmonia da Ceia. é isso o que estamos proclamando! A LINGUAGEM DA CONSAGRAÇÃO (vv. com várias camadas de tecidos (e de cores diferentes para mostrar o grau de santidade do objeto). os sacerdotes entravam. Os levitas funcionavam. A igreja estava seccionada por causa de trajes (capítulo 11)?! Havia divisões por causa de uma doutrina (cf. mas para pior". Quando havia necessidade de desmontar o tabernáculo para se transferirem para outro lugar. o homem a si mesmo. o "povão"! Na Igreja de Cristo fomos todos elevados ao sacerdócio. "De modo que qualquer que comer do pão. 27-29) Quando celebramos a Ceia usamos esse tipo de linguagem. porque a tomamos agora. sairemos com a mesma amargura e rancor com que entramos. pois. Fiquei arrepiado! Que coisa impressionante a legislação. Havia divisões na igreja de Corinto quanto a questões de doutrina.10. a qualidade de vida espiritual. ou beber do cálice do Senhor indignamente. era o próprio povo de Israel.). não para melhor. E depois todos queriam se reunir para "tomar cafezinho"?! A Ceia do Senhor não é para isso. Examine-se. E. Veja bem a seriedade de seus objetivos. há um paradoxo: o irmão pode sair pior se tomou a Ceia do Senhor indignamente! É o que Paulo diz. E sempre é lembrado o seguinte: "e o estranho que se chegar será morto" (Nm 3. e os outros. A lei não era fácil: era marcial. capítulos 12 e 14). Só que há uma diferença muito grande: na Igreja Cristã o pastor não é o sacerdote. lei de guerra! O "estranho" não era o pagão.ajuntais. e se não temos essa impressão profunda. e assim coma do pão e beba do cálice". no entanto. nem os levitas que eram os seus auxiliares. da Mesa do Senhor! Mas tem uma coisa: se o irmão vier à Mesa do Senhor com as mãos sujas. Estive lendo sobre os levitas e sacerdotes (Números 3 e 4). A conduta dos irmãos de Corinto destruía o propósito da igreja. não. e quando celebramos com seriedade a Ceia. como eram as normas no acampamento de Israel no deserto: somente podiam se aproximar dos móveis os sacerdotes. embalavam os móveis. e ninguém via a forma do objeto. Interessante que a Ceia do Senhor não torna ninguém melhor: ninguém vai sair melhor porque tomou a Ceia do Senhor. será culpado do corpo e do sangue do Senhor. entre outros deveres.

pois. ou borrado.23-29). E lembrando. e assim como do pão e beba do cálice. A Ceia Memorial tem sido celebrada num ambiente espiritual. como posso me lembrar dEle? Phillip Henry diz que o crente quando for participar da Ceia deve fazer três perguntas: · Que é que eu sou? Filho de Deus. ou beber do cálice do Senhor indignamente. que venhamos à mesa do Senhor em espírito de comemoração porque essa é a linguagem que falamos agora. Porque quem come e bebe. salvo pelo sangue de Jesus? Lavado pelo Seu sangue? · Que é que eu tenho feito? Minhas mãos estão limpas. tomou o pão. o homem a si mesmo. ou manchadas. 9 .27b)! O irmão não sai melhor. reverente e cheio de certeza. sobretudo. de esperança porque nós olhamos para o dia da volta de nosso Senhor Jesus Cristo! Parte III O DIÁLOGO DA CEIA DO SENHOR Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus. profundo. sujo? · Que é que eu desejo? Quais os meus sonhos e visões. o objetivo. até que ele venha. Fazei isto. tomou o cálice. Temos o pão e temos o vinho. e. assim. que almejo na Causa de Jesus Cristo? Não é sério? Então. em comunhão espiritual porque essa é a realidade que vivemos agora. o partiu e disse: Isto é o meu corpo que é por vós. e. e consagração pessoal porque esse é o propósito. Semelhantemente também.do corpo e do sangue do Senhor" (1Co 11. Quanto seriedade é exigida dos participantes?! Então. estou vindo com fé na morte de Jesus Cristo? Vivo diariamente pelo poder da ressurreição de Jesus Cristo? São perguntas que tenho que fazer! É Jesus realmente o alimento da minha alma? Sou eu um dos Seus. fazei isto em memória de mim. e sou eu um com os Seus? Estou em harmonia. de alegria. Meu coração está limpo. em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor. mas pode sair pior do santuário. Examine-se. o alvo de nossa vida sempre. minha vida é digna da comunhão com os outros crentes? Permanece a minha aliança com o Deus vivo? Se não conheço a Jesus Cristo. que a Ceia do Senhor não é um funeral (para que cara triste?): a Ceia do Senhor é uma celebração de fé. havendo dado graças. se não discernir o corpo do Senhor" (1Co 11. devemos dar graças a Deus pelo privilégio de termos um diálogo com a Ceia do Senhor. depois de cear. será culpado do corpo e do sangue do Senhor. De modo que qualquer que comer do pão. além do destaque que a Ceia do Senhor nos fala numa linguagem silenciosa porém plena de energia. todas as vezes que o beberdes. dizendo: Este cálice é o novo pacto do meu sangue. come e bebe para sua própria condenação. na noite em que foi traído.

presença divina" é shekinah.1. a gloriosa presença de Deus no meio do Seu povo. Percebam o som do hebraico sh ki nah e do grego s ki nê. fosse no deserto. fazei isto. a palavra que significa "manifestação de Deus. cheio de graça e de verdade". marcou presença. e somente duas: o Batismo e a Ceia Memorial. ou nas grandes batalhas. Pois bem. E nesta simplicidade. Aqui.60. a palavra que João utilizou para dizer "o Verbo habitou. 22. Pela inspiração do Espírito de Deus. ou vontade de Deus que as palavras assemelhadas fossem usadas pelo escritor sagrado? Para que se manifeste a glória de Deus. mas pelo Senhor. ela se torna um meio de comunicação de algumas importantes mensagens para o povo de Deus. em Canaã. ele disse "E o Verbo se fez carne. e mandou que a Igreja praticasse o batismo. depois de cear. o que fazemos como testemunho público do que Jesus Cristo fez na nossa vida. inclusive lingüística. Sl 78. sempre era celebrada a manifestação da shekinah divina (cf. é que a Ceia do Senhor é celebrada por Sua Igreja.25) Paulo diz isso: "Semelhantemente também. Is 18. Coincidência. que é o corpo de Jesus Cristo que sofreu no Calvário. mas o batismo é um ato de obediência: Jesus até foi batizado por João. ou seja. até mesmo a escolha de certas palavras tem o seu lugar na Escritura Sagrada. e quando tomamos o cálice. manifestou-se entre nós". dizendo: Este cálice é o novo pacto no meu sangue. São ordenanças sem qualquer benefício acessório para a salvação. É extraordinária a presença de Jesus Cristo na vida cristã. Cada vez que a glória do Senhor se manifestava no meio do povo de Israel. mas já estava com Jesus Cristo no paraíso após aquele momento cruel. apenas uma filigrana lingüística: na língua hebraica. Então. Uma pessoa em sendo salva por Jesus Cristo.19). todas as vezes que o beberdes. dizemos que o sangue de Jesus Cristo foi derramado por mim e por 10 . outra origem. Jesus Cristo estabeleceu duas ordenanças. não tem a mesma categoria. é a palavra grega que diz skinê. As duas palavras têm praticamente o mesmo radical. fazemos algo pelo Senhor. "para que pensem novamente em mim". Estamos dizendo isso quando tomamos o pão nas mãos. não por nós ou pelos outros. A outra ordenança é a Ceia do Senhor. porque estamos pregando a Sua morte para a salvação de todo aquele que crê. tomou o cálice. O malfeitor da cruz não precisou se batizar. e para que pensemos nEle. Quando João escreveu a narrativa que abre o Evangelho que leva o seu nome. a palavra grega utilizada nada tem a ver com o hebraico: é outra língua.elementos simples e destacados nesta celebração. e habitou entre nós. na verdade não precisa do Batismo para acrescentar algum valor maior à salvação. quando observamos a Ceia do Senhor. Não é preciso. A LINGUAGEM DE COMEMORAÇÃO (v. em memória de mim".

porque estamos aqui. o amor cívico. E não existe sentimento maior que estar em outro país. não para melhor. a data principal da Bahia! Falamos de amor conjugal.você. 17). não estamos tendo uma visão. Sim. porém. não estamos falando de encontro sobrenatural. ela utiliza a linguagem da comemoração. logo lembramos do Dois de Julho. mas para pior" (v. mas uma comunhão espiritual. e se emocionar com o verde-amarelo tremulando nos mastros com outras bandeiras. Não há comunhão física. porquanto vos ajuntais. Assim. Temos que lembrar da nossa indignidade e da beleza do perdão. A LINGUAGEM DA COMUNHÃO (vv. que se reunia para a indignidade. não estamos dizendo que nos unimos a Jesus Cristo através do Nirvana. ao se participar da Ceia do Senhor. Quando se ouve o nome de Maria Quitéria. É isso o exatamente o que faz a Ceia do Senhor: ela nos relembra o dom da vida através da morte de Jesus Cristo. precisamos de memoriais. não é comunicação com um morto como querem ensinar por aí. que vou dizer-vos não vos louvo. sem dúvida. 11 . Quando nosso país joga na Copa. não. os memoriais brasileiros se apresentam por todos os lados: é a bandeira do Brasil sendo desfraldada. com a igreja de Corinto. precisamos de memoriais para que nos lembremos de quem somos. Isso aconteceu. O Novo Testamento nos ensina que a Ceia do Senhor é um memorial. Isso se chama filia. Estamos pregando a mensagem de livramento de redenção para todo o que crê! Como precisamos de memoriais! Sim. respectivamente. temos o memorial da Ceia do Senhor. Sem dúvida. precisamos de memoriais. lembramos a aliança. 17-20) Paulo disse: "Nisto. e aonde estamos indo. não! É por esses erros todos que doutrinas estranhas surgiram ao longo da história da Igreja Cristã. entre o homem pecador e o Deus perfeito. daquilo que somos. pela lembrança de Cristo na cruz. infelizmente. como querem pregar orientais. a da carne e do sangue de Jesus Cristo! O Senhor tenha piedade! Isso não se encontra na Escritura?! A comunhão com Cristo não necessita que a substância desses elementos materiais seja mudada. ensinando que no momento em que são pronunciadas as palavras de instituição ("isso é o meu corpo" e "isso é o meu sangue") que tanto o pão quanto o vinho mudam a sua substância. patriótico. quando nos reunimos para a Ceia. reunirem-se os nossos irmãos para atos indignos! Não confundamos as coisas: quando falamos de comunhão. Que coisa triste. Como a transubstanciação. místico. Por essa razão. por nós. e as suas substâncias tornam-se.

e assim coma do pão e beba do cálice". pela Sua testa. mas para pior". Nisto. por essa razão é dever de cada um solene e seriamente examinar-se sobre quais são os seus interesses em Jesus Cristo. o homem a si mesmo. e derramo um pouco no cálice. porque me vem à mente que sou indigno pecador. tenho me emocionado sempre que participo da Ceia Memorial! E cada vez que seguro a côdea de pão. pela face. A igreja estava dividida por causa de uma doutrina (cf. fico com as mãos trêmulas ainda. mas ainda hoje tremo quando tenho na minha mente e coração a cena de Jesus Cristo no Calvário. como eram as 12 . há uma comunhão espiritual pela lembrança de Cristo na cruz. nem tampouco as igrejas de Deus. são 39 anos celebrando a Ceia do Senhor praticamente mês a mês (e houve época quando o fiz duas vezes no mês). Sim. e o propósito da Ceia! O que Paulo está enfatizando aqui é a harmonia da Ceia.. capítulos 12 e 14). e pelo tronco da cruz. 27-29) Quando celebramos a Ceia usamos essa linguagem. E agora o paradoxo: o irmão pode sair pior se tomou a Ceia do Senhor indignamente! É o que Paulo diz. se alguém quiser ser contencioso. e o parto na frente dos participantes. é isso o que estamos dizendo! A LINGUAGEM DA CONSAGRAÇÃO (vv. quando tomo esta jarra de vinho.Ao longo destes quase quarenta anos de ministério da palavra e das ordenanças.. mas a minha cruz! Há uma comunhão entre os crentes. havia divisões por causa de trajes (capítulo 11)?! E depois todos queriam se reunir para "tomar cafezinho"?! A Ceia do Senhor não é para isso. porque a Ceia do Senhor não é isso! Por isso. "De modo que qualquer que comer do pão. e o Seu sangue escorrendo pelas mãos. Interessante que a Ceia do Senhor não torna ninguém melhor. porém. a qualidade de vida espiritual. será culpado do corpo e do sangue do Senhor. porquanto vos ajuntais. nós não temos tal costume. que vou dizer-vos não vos louvo. e se não temos essa impressão profunda. Na verdade. e pela nossa identificação com essa cruz: a minha cruz. Examine-se. não! Porque tomamos agora. sairemos de novo com a mesma raiva e amargura do nosso irmão em Jesus Cristo! A conduta dos irmãos de Corinto destruía o propósito da igreja. mas não é comunhão-de-cafezinho. não de Cristo. eu me emociono. Fiquei arrepiado! Que coisa impressionante a legislação. Terrível! Havia divisões na igreja de Corinto quanto a questões de doutrina. e diz "Mas. ou beber do cálice do Senhor indignamente. Paulo está preocupado. não para melhor. pois. e que pela graça de Deus fui feito Seu filho! Lembro-me. e quando celebramos a Ceia. ninguém vai sair melhor porque tomou a Ceia do Senhor. é a unidade da igreja. e você ia ficar com vergonha se ficasse sentado e não participasse? Quais são seus propósitos quando se aproxima da Mesa do Senhor? Estive lendo sobre a congregação dos levitas e sacerdotes (Números 3 e 4). Você participou da Ceia só porque os outros iam ver.

salvo pelo sangue de Jesus? Lavado pelo Seu sangue? · Que é que eu tenho feito? Minhas mãos estão limpas.normas no acampamento de Israel no deserto: somente podiam se aproximar dos móveis os sacerdotes. que a Ceia do Senhor não é um funeral (para que cara triste?): a Ceia do Senhor é uma celebração de fé. A lei não era fácil: era marcial. da Mesa do Senhor! Mas tem uma coisa: se o irmão vier à Mesa do Senhor com as mãos sujas. estou vindo com fé na morte de Jesus Cristo? Vivo diariamente pelo poder da ressurreição de Jesus Cristo? São perguntas que tenho que fazer! É Jesus realmente o alimento da minha alma? Sou eu um dos Seus. os levitas pegavam o pacote e faziam o carregamento nos carros de boi para o transporte pelo deserto. não. "será culpado do corpo e do sangue do Senhor" (1Co 11. com várias camadas de tecidos (e de cores diferentes para mostrar o grau de santidade do objeto). o "povão"! Na Igreja de Cristo fomos todos elevados ao sacerdócio. como posso me lembrar dEle? Por isso que Phillip Henry diz que o crente quando for participar da Ceia deve fazer três perguntas: · Que é que eu sou? Filho de Deus. e os outros. Os levitas funcionavam. E sempre é lembrado o seguinte: "e o estranho que se chegar será morto" (Nm 3. ou manchadas. de esperança porque nós olhamos para aquele dia! Que o Senhor nos ajude e abençoe! Patte IV VESTIMENTA NA IGREJA 13 . lei de guerra! O "estranho" não era o pagão. e ninguém via a forma do objeto. Meu coração está limpo. como guardas de segurança do tabernáculo. o objetivo. Só que há uma diferença muito grande: na Igreja Cristã o pastor não é o sacerdote. sujo? · Que é que eu desejo? Quais os meus sonhos e visões. que venhamos à mesa do Senhor em espírito de comemoração porque essa é a linguagem que falamos agora. minha vida é digna da comunhão com os outros crentes? Permanece a minha aliança com o Deus vivo? Se não conheço a Jesus Cristo. assim. devemos dar graças a Deus pelo privilégio de termos um diálogo com a Ceia do Senhor. embalavam os móveis. mas pode sair pior do santuário. por isso podemos nos aproximar dos objetos. Então. e sou eu um com os Seus? Estou em harmonia. e consagração pessoal porque esse é o propósito. o alvo de nossa vida sempre. era o próprio povo de Israel. e depois que tudo era embalado. de alegria.27b)! O irmão não sai melhor.). nem os levitas quer eram os seus auxiliares. E lembrando. entre outros deveres. etc. Quando havia necessidade de desmontar o tabernáculo para ir para outro lugar.10. sobretudo. e. os sacerdotes entravam. ou borrado. em comunhão espiritual porque essa é a realidade que vivemos agora. que almejo na Causa de Jesus Cristo? Então.

da liberação feminina. pretendemos persistir no combate desta maldição. Não importa a razão. mas parece que não temos sido bem-sucedido nestes alertas. Porém. vejamos algo sobre. pois creio que na igreja de Jesus Cristo não deve existir a preocupação exagerada com a moda. Medidas que se tornaram necessárias por causa da corrupção imposta pelo pecado à natureza humana.. mas sim com o recato e o decoro que devem ser peculiares aos santos. as pessoas estão cada vez mais nuas. Apenas desejamos apresentar aos irmãos textos bíblicos que devem nortear a nossa experiência de fé e de vida cristã. cercadas de pessoas nuas por todos os lados. permanecendo fiel a Cristo e a convicção ministerial que temos de que a igreja brasileira necessita urgentemente experimentar um avivamento de santidade. parece que estão ilhadas. 1. Inicialmente.Gênesis 3. do tropicalismo. o que é absurdo. bem como no combate de toda a sorte de malignidade que tenta corromper os parâmetros de Deus para a santidade do cristão. de retrógrado. O trágico é reconhecer que esta nudez desenfreada chegou à igreja. para asseverar a minha convicção espiritual em relação a vestimenta do cristão verdadeiro. da Rede Globo. tem recato".21: Vemos que o primeiro a apresentar a preocupação com a vestimenta do ser humano foi o próprio Deus. relacionadas a moral e aos bons costumes. da quebra dos paradigmas. Seja em nome da moda.Introdução: "Nesta casa não tem moda. razão pela qual decidimos tratar francamente deste assunto com toda a igreja. Aquelas que insistem em se vestir bem e com decoro. A primeira roupa . Não pretendemos desenvolver um tratado teológico sobre o tema e nem desejamos agir com rigorismo em termos de usos e costumes. Tais vestimentas são precursoras de muitas outras medidas adotadas por Deus. Faço minhas as palavras da personagem de Tarcísio Meira na série Um só Coração. Há algum tempo temos alertado a igreja sobre esta questão. mesmo sob a pecha de radical. ou seja. Chegou para ficar e se estabelecer como referencial de comportamento cristão.. Vejamos no Texto Sagrado alguns ensinamentos bem objetivos sobre a vestimenta do povo de Deus. transformações essas que nos atribuam redobrada autoridade espiritual e testemunhal diante desta geração corrompida e perversa em que vivemos. que se reflete na vestimenta. em nome de Jesus. social e espiritual da humanidade. de antiquado ou de autoritário. Há uma monumental investida contra a moralidade do ser humano. causando transformações radicais em nossas mentes. dos regionalismos ou da libertinagem e do hedonismo peculiar a pós-modernidade. 14 . visando o bem-estar físico.

ou seja. com a roupa íntima do sacerdote. que é santíssimo.Nos versos 10 e 11 de Gênesis 3 o homem alega medo de Deus devido a sua nudez. a nudez passou a ser motivo de medo. 15 . A nudez neste contexto representa a consciência da corrupção. verso 21. destacando a preocupação de Deus até com os calções.Êxodo 28. As roupas para a adoração . Deus fez túnicas de peles. Deus exige roupas especiais para o ato de culto verdadeiro. 2. verso 42. que instiga e explora a sensualidade. da quebra de um padrão estabelecido por Deus. roupas de gala. O princípio que se encerra neste contexto bíblico é o de que as vestimentas que usamos no ato de culto devem ser limpas. Mas depois do pecado. Apocalipse 1. É reconhecimento do caráter divino e da santidade do Deus objeto da adoração. vejamos algo sobre. Ou seja. Por esta razão. roupa que cobre tudo o que deve ser preservado e que indica parâmetros de moralidade e de respeito entre serem humanos.1-4: Neste texto Deus exige roupas especiais. Adoração é ato de culto. O homem foi criado em santidade e a nudez não lhe causava constrangimento diante do Criador. visto que nos aproximaremos de Deus. devo ressaltar que a Palavra de Deus assevera que.. todos fomos feitos sacerdotes para Deus. puras e santificadas. Podemos verificar também os versos 31-35 e 39-43 de Êxodo 28. Se a sua mente tenta justificar a não aplicação deste texto em sua vida. em pecado. A glória de Deus manifesta é símbolo real e indiscutível da presença de Deus no culto ministrado diante dele e para ele.6 e 1 Pedro 2. Em segundo lugar. provocando pensamentos impuros e constrangimentos ao desnudo. para a desonra. O conceito básico que estabelece os parâmetros da vestimenta sacerdotal é o de que as roupas são como referencial de apresentação diante da glória de Deus e para a glória do Deus que é adorado. É pecado. com o rasgar do véu no templo. Desta referência concluímos que estar na presença de Deus consciente da nudez imoral é afronta contra o Senhor. a partir do sacrifício de Jesus. Pior ainda é a seminudez. Deus não expulsou o homem do Éden nu.9. que fazem referência aos paramentos e assessórios sacerdotais. uma vez quebrada a imagem e semelhança moral de Deus no homem. Devemos observar que mesmo sob maldição. para o sacerdote na ministração do culto e da adoração..

a tomarem cuidado com os seus trajes quando estiverem em uma situação que saibam que estarão diante de Deus.2 Reis 5. ou seja. Deus requer moralidade na adoração e na ministração dos cultos. que devemos estar bem vestidos. Devemos ter a consciência de que estamos diante do próprio Deus e que. Hebreus 12. Não podemos estar na Casa de Deus com vestimentas que não sejam expressão da nossa busca de santidade.. indicam. eram roupas especiais. Vale ressaltar que o Texto Sagrado alerta até mesmo aqueles que não são servos de Deus e que não têm. Porém. bem como pelo fato de o profeta não aceitar os seus presentes. que é o que nos habilita a estarmos diante do Senhor em adoração. amados. Pensando ainda em roupas para a adoração.1-6: Reverência tem a ver com a postura resultante da conscientização a que chegamos em relação ao valor do outro. nem modismo. não entendia bem tudo o que estava acontecendo. Somos os sacerdotes consagrados por ele e para ele. Vejamos em seguida algo sobre. com aquela atitude. Desta maravilhosa narrativa bíblica fica para nós a seguinte lição: não é molambo.14. prata e cravejadas de pedras preciosas. a luz do contexto geral da Bíblia. em sua idéia mais remota. Naamã. Afinal. humilhado. curado e salvo. As afirmações destes versos. Naamã fosse quebrantado. 3. levou roupas finas e luxuosas. que o representa na ministração para as nossas vidas. ou ainda.9. roupas de festa. é que Deus requer decência de cada um de nós.2 e 96. embora traduzidas como "esplendor do seu santuário" ou "esplendor da sua santidade". Roupas como sinal de reverência . Ficou frustrado e aborrecido ao se sentir desprezado pelo profeta. nem roupas indecorosas ou falta de roupa que se deve levar para a presença do Senhor ou do servo de Deus. A realidade. desejando causar boa impressão e agrada-lo. nem trapo velho encardido.indicando que o cuidado de Deus vai além da roupa aparente. por 16 .. devemos observar ainda os ensinos de Salmos 29. o seu coração ainda era obstinado e Deus conduziu o profeta para que. por isso. com aplicações em ouro. Este gesto de Naamã aponta para o reconhecimento da superioridade do profeta em relação a ele e para o reconhecimento da soberania de Deus em relação a sua vida e circunstância. quando nos apresentamos diante do Senhor para prestar-lhe culto. Este texto mostra que Naamã ao se dirigir ao servo de Deus. trajados com decência. como "beleza da sua santidade". uma experiência íntima com ele. bem como durante os cultos. o grande general.

1 Timóteo 2.21-22: Neste texto identificamos duas questões importantes: O filho reconhecendo o seu estado e admitindo a perda da condição de filho e o pai amoroso dando ao filho pródigo. pode estar tentando se justificar dizendo que o ensinamento paulino não se aplica a você.. O que comprova isso é o contexto geral do capítulo. A condição de coitado. Em Jesus não somos mais pessoas separadas de Deus. vestes espirituais. 17 . levando o melhor possível. a nos curar e ministrar salvação. roupas novas.isso. em especial osversos 16-18. Mais uma vez a sua mente.. A entrega de roupas novas para o filho. Quando nos convertemos Deus nos honra e nos dá novas vestes.. como que deserdadas por causa do pecado. mostrando que reconhecemos a superioridade e a soberania de Deus. Roupas como sinal de restauração . O parâmetro de Deus para a vestimenta do cristão . Isso não é verdade. "a melhor roupa". vejamos algo sobre. em especial o verso 8. sapatos e um anel. bem como da restituição do nosso direito espiritual como herdeiros de Deus em Cristo. devemos estar bem trajados. Apocalipse 3. servindo também como prova da nossa aceitação na casa do Pai. em seu retorno. desnudados ou vestidos de maneira indecorosa. principalmente a dos homens. A exigência de decoro e de moralidade na vestimenta é para mulheres e homens ao mesmo tempo.14-22. mesmo que com roupas humildes e simples. não podemos mais permanecer maltrapilhos. o Deus que está pronto a nos quebrantar.9-10: Estes versos falam em trajes decorosos e sem luxúria como a vestimenta ideal para o servo de Deus. miserável e nu é para aqueles que serão vomitados pelo Senhor devido a mornidão espiritual. limpas e decentes. que simbolizam a nossa restauração e a retomada da nossa condição de filhos. tendo regatado a nossa posição espiritual como filhos de Deus. que exige dos homens um alto padrão de santidade para a oração.. mas com decência e decoro. Vejamos ainda algo sobre. Em Cristo nos tornamos pessoas especiais. Vamos nos ater as roupas.Lucas 15. Por fim. 4. 5. Os farrapos de uma vida dissoluta e distanciada de Deus e dos parâmetros da moralidade devem ser jogados fora e trocados por vestimentas novas. Estas roupas novas simbolizam o perdão que nos foi outorgado. e não para os filhos que vivem em perfeita comunhão com o Pai. indica a transformação de vida que o jovem experimentara.

que reflete a sua compostura moral e espiritual. e a concupiscência. Luxúria é comportamento desregrado em relação a sexualidade.23-24. Nossas roupas indicam se temos maus ou bons costumes morais. no que diz respeito a nossa vestimenta. Se nos vestimos com decoro. que fala da roupa dos mártires na glória. que é pecado. Ou seja. mas creio que já vimos o bastante para estabelecermos parâmetros éticos para a nossa igreja. O que vestimos mostra o que esperamos que as pessoas pensem de nós em relação a maneira como tratamos a nossa sexualidade. por certo as pessoas perceberão que nós nos honramos e que lutamos para nos preservar em santidade diante de Deus. ultrapassa a idéia de vestuário simplesmente. que falam das roupas de boa qualidade. O termo traduzido por "traje decoroso". pois não haverá tempo para trocar de roupa antes de entramos no céu. tais como João 19. e Apocalipse 16.9-17. de valor e de discreta beleza usadas por Jesus. que é agora santificado pela ação do Espírito Santo que em nós habita. Conclusão: Outros textos poderíamos estudar sobre o tema. 18 . imorais. Paulo usa o termo para fazer referência também a moralidade sexual que nos é exigida por Deus e que deve se refletir em nossas roupas. que refletem lascívia e libertinagem imoral. Está relacionado com a postura que adotamos para a vida. por certo. que é o desejo de pecar.15. Em contrapartida. Roupas sobrecarregadas de luxúria e de sensualidade. que eram as mesmas vestes que usavam aqui na terra. Isso é verdade desde que não haja falsidade em nossos corações A escolha não é muito difícil. A maneira como nos vestimos ressaltam o valor moral que atribuímos ao nosso corpo diante de Deus. falarão mais alto do que as suas palavras em meio ao burburinho esganiçado da promiscuidade na qual chafurda a nossa sociedade. no original. bem como o nosso senso de preservação da nossa integridade moral. Apocalipse 7. A nossa roupa pode refletir o nosso caráter. Lembre-se. ou roupa decorosa. que descreve o fato de termos as roupas sempre à mão como sinal de preparo espiritual para o encontro com Jesus. O jeito como nos vestimos reflete a nossa consciência moral em termos de sexualidade. do indivíduo. Deus exige de nós um comportamento recatado através do qual as pessoas percebam que estamos libertos do desejo de pecar e que fomos restaurados em nossa moralidade. ou seja. em nosso caráter. A luxúria se contrapõe acirradamente ao decoro. suas roupas.Decoro é recato no comportamento e decência no vestir. É licenciosidade moral que denota a lascívia. utilizado por Paulo. Se nos vestimos com luxúria as pessoas poderão imaginar que somos licenciosos. Deus exige dos seus filhos uma vestimenta decorosa e isenta de qualquer sintoma de luxúria.

como decorrência. A igreja de Cristo não é o seu lugar. vamos ao objetivo deste estudo que não é nada que a igreja já não saiba. no trabalho. Não nos preocupa nem mesmo o fato de você pensar que este assunto não deveria ser tratado na igreja. sem ajustes humanos. O resultado dessas estratégias diabólicas tem sido a violência sexual contra as crianças. Seria uma bênção se estas normas fossem aplicadas pelos irmãos e irmãs de modo geral. Será mesmo que não temos razões que justificam estudar este tema? Vale ressaltar ainda que este estudo. e nem decotes meia-taça que 19 . devem ser estabelecidas algumas regras bíblicas em relação a vestimenta que se usará para a participação e para ministração nos cultos. Por isso. visto que imoralidade. É Bíblia. para declamar. bem como para se subir na plataforma para ministrar o louvor. Uma vez realizado o estudo. famílias destroçadas. sem relativizações éticas e sem a tentativa de se fazer a vontade humana. não podemos fazer o papel do Espírito Santo no convencimento das pessoas. É Palavra de Deus. de hoje em diante. Lógico que cabe ao pastor a ministração da Palavra e a supervisão quanto a obediência aos ensinamentos do Senhor. Não é o pastor que manda. desigual e agonizante como percebemos a nossa. na igreja. pois o pastor não deve se dar ao trabalho de vigiar ninguém. como pastores. Deus há de restaurar e transformar a consciência de cada um. Se você procura outro evangelho que não o de Jesus Cristo.Talvez você esteja se perguntando: Onde se pretende chegar com este estudo? Ou quem sabe você esta ruminando com os seus botões. ao estar na frente para ministrar o culto. Mas devemos tratar destas questões na igreja sim. pois em diversas ocasiões manifestamos nossa posição bíblica sobre a questão da vestimenta do cristão. como já dissemos neste estudo. em todo o lugar onde estivermos e no nosso cotidiano.. promiscuidade. tomara que caia (que para os mais afoitos devia chamar "pena que não caiu"). bateu no estudo errado. lascívia. a prostituição desenfreada. nossa oração é para Deus. mas em casa. embora de cunho ético. visto que. Porém. Este estudo apresenta o evangelho que é a luta por se fazer a vontade de Deus. Pois apresenta o evangelho verdadeiro. na escola. não se deve permitido blusas de alças (aquelas blusas que só tem as alcinhas e mais nada). no que diz respeito a utilização do púlpito. Não só na igreja. no cóxi ou no "rego". o culto ou qualquer outra participação. a aceitação parcimoniosa do divórcio e. pelo Espírito Santo. para qualquer coisa. Por fim.. a banalização do adultério. "Já até sei qual vai ser o resultado disso". que nos quer santos para ele e santificadores pelo testemunho cristão autêntico. toque em nossas mentes e corações a fim de que mudemos radicalmente a maneira de nos vestirmos. decote umbilical. O resultado da imoralidade no vestir é uma sociedade corrompida. Não importa. para cantar. a gravidez na adolescência. é também evangelístico. exploração da sensualidade na vestimenta e o cinicamente chamado nu artístico são ações maléficas do diabo contra a natureza humana e a sociedade. em fim.

fazer anúncios. Se não compramos. Isto por quê? Porque fomos restaurados por Deus da nossa natureza pecaminosa e porque estamos dispostos a obedecer ao Senhor. admitimos que eles comprem ou que usem. vestidos curtos (daqueles que vão só até a cabeça do fêmur) ou transparentes e translúcidos. Mesmo que isso nos imponha a impopularidade. para ministrar na presença de Deus. expressa na Bíblia Sagrada. no que diz respeito a vestimenta..projetam os seios para os olhos incautos dos homens ávidos por aconchego ou mesmo dos desavisados. Seria maravilhoso se num domingo fizéssemos esta fogueira para queimar as roupas das quais o Senhor nos libertou depois de termos estudado a Palavra. Seja para dirigir programa. na genitália ou no traseiro. ficamos com a Bíblia. muito obrigado. fazendo a sua vontade. o estigma de radical ou a renúncia do pastorado. Entre a relativização ética e o Texto Sagrado. Haja unção para olhar e não pecar. e que estamos devidamente vestidos para a adoração e em profunda e sincera reverência a Deus. demonstrando que não temos mais os temores do pecado quanto a nossa nudez. Vamos assumir a nossa responsabilidade e corrigir a nossa conduta moral. 20 . entre a frouxidão moral e Palavra de Deus. que não condizem com o padrão de Deus para a vestimenta do salvo e nem com o testemunho cristão.. mesmo que para isso tenhamos que fazer uma "fogueira santa" com as roupas que usávamos até sermos exortados na Palavra de Deus. e nem com uma calça comprida atarracada no corpo. Com roupas deste tipo não se deve participar da ministração. cantar em conjunto ou pregar. Diante da igreja. Não se deve ir para a igreja com calça de cós baixo (daqueles que ficam no púbis) sem uma blusa ou camiseta que cubra os quadris. Quanto às críticas ao autor e ao estudo. Somos nós que compramos as roupas dos nossos filhos. cantar. Não mais se deve permitir o uso de mini-saia. micro-saia. Porém. modismos exagerados e imorais. Esperamos no Senhor que este estudo seja suficiente para uma tomada de posição nossa como igreja de Cristo no Brasil. Diante de Deus e da congregação devemos estar bem trajados. Entre a perversão do modismo e as Escrituras. em nome de Jesus. Somos nós e os nossos filhos que nos vestimos indevidamente. por que estas não são roupas adequadas para se estar na frente da congregação. tocar. ficamos com a Bíblia. aos críticos. Não importa. diante de Deus. Seja para apresentar visitantes. ficamos com a Palavra de Deus. ou mesmo roupas esculachadas. para ministrar o culto ou o louvor. não se deve permitir mais uma vestimenta indecorosa. Não precisaríamos ouvir críticas ou cobranças por causa de vestimenta.

4) Jesus Cristo ensina que o Senhor busca adoradores (Jô 4. Há. No culto.. É o que diz a nota de explicação do Salmo 122 com a expressão “cântico de degraus” (“gradual” ou “de romagem”. não poderemos trabalhar aceitável e adequadamente pelo reino de Deus. a qual é a igreja do Deus vivo. a auto-suficiência. a fim de darem graças ao nome do Senhor” (Sl 122. o passo mais importante que o novo crente. ou como bem o expressou A. porém. seitas e (até) cristãos bíblicos”. recebemos a Palavra em conjunto. pela entrega. edificante experiência de ver o povo de Deus chegando cada manhã ao templo é uma alegria dominicalmente renovada. meditar. O crente troca a independência.aonde sobem as tribos. orar. Podemos.. No culto comunitário. saibas como se deve proceder na casa de Deus. submissão e pedido de socorro. 4). é se deixar inflamar pelo Deus Pai. e cantando à medida que iam se aproximando dos portões da Cidade Santa. O povo ia ao Templo de Jerusalém. É nesse pensamento que o poeta exclama com tanto entusiasmo.1) A tocante. mesmo. a rebeldia pela rendição a Deus. tudo leva à adoração. v. pois o Espírito Santo age através do coração. para que. inspiradora. “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor!” (cf. dos pés. Na verdade. e saímos para servir com um só propósito embora em situações e contextos distintos. Assim. no entanto. Está na Palavra Santa: “. níveis sociais.Amém. dos lábios que se renderam ao Criador. coluna e esteio da verdade” (1Tm 3.23). Porém. “de romaria” ou “de procissão” em outras traduções). que ser assim. confessamos nossos pecados em conjunto. pelo Deus Filho e por Deus Espírito Santo. imaginar as multidões indo à Beth haMikdash (Templo) em Jerusalém. No dizer de Paulo. as tribos do Senhor. crentes com espírito de louvor. raças e 21 . após a salvação. cultuar é confessar que se mantém um relacionamento com o Criador.14. visto que. apóstolo: “Escrevo-te estas coisas. Parte V “ALEFREI-ME QUANDO ME DISSERAM. o louvor é a nossa resposta ao amor de Deus. o crente deve dar é unir-se ao povo de Deus na instituição que Ele estabeleceu para o propósito de lhe trazer crescimento: a igreja local. Adorar.. como testemunho para Israel. fato esquecido hoje em dia por liberais. Tozer: “Deus salva os homens para fazê-los adoradores. das mãos. Cantar. é mais que qualquer um desses atos. e vem hoje ao templo. no caso de eu tardar. Se não somos adoradores. W. com que objetivo? A Casa de Deus É lugar de adoração. embora esperando ir ver-te em breve. há pessoas de diferentes origens." Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor” (Sl 122.15).. louvamos a Deus em conjunto.

E o Senhor nos responde: “e se o meu povo. É o fogo estranho de que fala Levítico 10. aí estou eu no meio deles” (Mt 18. eu sinto a maior alegria.20). na leitura bíblica. Assim.31). a coragem. o Espírito Santo está presente: “E.5: “Pelo que todos quanto somos perfeitos tenhamos este sentimento.. Jesus Cristo está presente: “onde se acham dois ou três reunidos em meu nome. Há um popular hineto que diz: “Quando estou com o povo de Deus. eterno amor.6. “Guarda o teu pé quando fores à casa de Deus” (Ec 5. se humilhar.3. e orar. se sentis alguma coisa de modo diverso. “Alegrei-me de verdade. Isso nos recorda o ensino bíblico de que é pecado trazer no culto divino e ao serviço do Senhor qualquer coisa que não proceda de uma vida renascida. prezamos. Dominados haveremos de ser por um anseio de uma maior consagração. e sararei a sua terra” (2Cr 7.1a)? É até possível ampliar a explicação exortando a guardar os ouvidos. e todos foram cheios do Espírito Santo.. e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós” (2Co 13.. muito grave. são as energias espirituais renovadas. e se desviar dos seus maus caminhos. e o amor de Deus. É o reaquecimento. é ambiente de conseqüente avivamento.. eu sinto real harmonia. quando o culto termina. O cristão evangélico não “assiste ao culto”: dele participa. Deus está presente: “O Senhor está no seu santo templo. na mesma expectativa quanto à pregação.4.13).20). vidas são áridas num mundo árido. tendo eles orado. os olhos. e perdoarei os seus pecados. O crente há de compreender que. a mente e o coração. a robustez. tremeu o lugar em que estavam reunidos. no canto coral. se evaporam no canto congregacional. quando estou com o povo de Deus. ó Senhor. a mãos. e enriquecida pela comunhão dos irmãos. o despertamento que buscamos. O 22 . e a igreja como um todo tocar pelo Espírito de Deus. surgindo a necessidade de reavivar-se a chama dentro de nós.14). alegrei-me com tudo o que eu sou. A dinâmica do culto consiste em deixar-se o crente individualmente. Por vezes. “Aviva.2). alegrei-me quando me disseram: vamos à casa do Senhor!” A casa de Deus é um lugar de oração. no entanto.culturas. Deus também vo-lo revelará”.1 e Números 3. diz o adorador-em-espíritoe-em-verdade. na ira lembra-te da misericórdia” (3. Não expressa a Escritura. por que no culto. Todas essas distinções. de adoração conjunta em perfeito acordo com o que Paulo acentuou em Filipenses 3. faze que ela seja conhecida no meio dos anos. e buscar a minha face. e traz sério prejuízo espiritual para toda a igreja. ao vir ao culto. a tua obra no meio dos anos. na oração. e. na entrega dos bens e vidas.” É a fé estimulada. então eu ouvirei do céu. É o senso de conjunto. a esperança fortalecidas. que se chama pelo meu nome. pela compreensão do grande. Irreverência na casa do Senhor é pecado grave. Habacuque expressou este clamor ao dizer. algo vai acontecer: sua vida será agraciada pela presença de Deus. queremos e pelo qual clamamos. e anunciavam com intrepidez a palavra de Deus” (At 4.” (Hc 2. E. “Orai pela paz de Jerusalém” pede o salmista no Salmo 122. aquilo que é tão bem expresso na Bênção Apostólica: “A graça do Senhor Jesus Cristo.

o futebol. porque a alegria não é encontrada em cantar certo tipo de música ou viver com certo grupo. em vez da liturgia (palavrinha boa que significa “o trabalho do leigo”).. Aliás. o calor... 23 . a oração e as ofertas para o tema a ser explanado e desenvolvido no sermão. Negromonte esclarece ainda mais. as falsas idéias e doutrinas corrigidas. Cuidado com a música de qualquer jeito. ler e meditar em casa. Consiste na obediência. A palavra de Deus é claríssima sobre esse tema: “consideremo-nos uns aos outros. o velho e persistente comodismo. Sim. sem espírito de cooperação. A música deve afunilar juntamente com as leituras bíblicas. pela harmonia ou pelo ritmo. na realidade. e nada vai comprar as bênçãos divinas..12b). a alegria do culto divino é um sentimento antecipado. pois é preciso crescer com a igreja. O bom hino comunica o amor do Pai. Algo Prático O cantar. o “trio elétrico” evangélico”. não basta a um cristão dizer que pode orar. Não pode haver culto se não há adoração com seriedade. sem humildade. Há quem esteja mais interessado no que alguém imaginosamente chamou de LITORGIA. O objetivo é unicamente a glória de Deus. trazer o amor de Deus e enfatizar a adoração. . A música são as flores do jardim da adoração. “Não deixando as nossas reuniões. ou ligar a TV e ter a igreja eletrônica com um pregador de estúdio “olhando” para você (?!) da tela fria do televisor. a corrida de automóveis. “Não consigo imaginar como pessoas religiosas podem viver satisfeitas sem a prática da presença de Deus”. improvisada. Portanto.. e o culto todo é uma tremenda apoteose de louvor. sem quebrantamento e sem consagração. É ato corporativo.culto não é um drama encenado para uma platéia de espectadores. os temores afastados. não abandonando a nossa congregação. ou o turismo eclesiástico nos impeça de vir à própria congregação. O irmão Lawrence afirmou. com uma teologia que não é bíblica. escritos em mau português..24. ou realizado tão somente pelo oficiante sem a presença de um auditório. mas não pelo Senhor que é exaltado nos seus versos. a alegria da presença de Deus. a TV. porque nada vai compensar o culto que você perdeu.” (Hb 10. o frio. nunca o destaque pessoal. A tradução do Pe. hinetos e doxologias por corinhos de paladar duvidoso. como é costume de alguns. É errado chamar a primeira parte do culto de Louvor. a “axé music” evangélica em vez da calma onde se manifestou o Espírito de Deus a Elias (1Rs 19. popularescos. visto que. o dever de casa.25). a praia.” É ausentar-se podendo estar presente. todo culto.. crescer na igreja. os passeios. É não deixar que a chuva. sem espírito de dependência. e a fé revigorada na adoração coletiva. sem confiança. sem ensaio. bíblico..”. cantar. As ausências. há quem se interesse pelo barulho em vez do serviço a Deus. e acentuada essa alegria quando compartilhamos a adoração com outros crentes. por exemplo. Há quem se interesse pelo som. se o louvor é sem reverência. porque nosso Deus não merece nem tolera isso! Por que substituir os teológica e musicalmente bem escritos hinos. onde em poucas palavras há um erro crasso de linguagem? O hino deve ser reverente. como. “Jesus é a aliança entre você e eu.

. Portanto não vos entristeçais. o espírito de unidade. o louvor. de que Ele pode ser conhecido. que alguém pode ser cristão sem conhecer a Deus.10b). o que Ele requer de nós. quando entramos é fé e esperança. “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor!” Parte VI A IGREJA PRECISA DE TEOLOGIA? Introdução e Conceitos É comum ouvirmos que "a teologia mata a religião" ou que "a Igreja não precisa de teologia e. perdemos o fervor. é só agitação. E o que é verdadeira Teologia? Como o próprio nome indica. Quando deixamos a congregação. visto que adorar. embora não de modo exaustivo e completo. definindo mais formalmente.Revelação Geral . quando nos ausentamos da igreja.24). Mt 5. pode não ter qualquer uso prático e reduzir-se a mero academicismo. quando se torna um fim em si mesma.crescer para a Igreja de Cristo em sua expressão local.Sl19:1. 1 Pd 1:20. "é a ciência que trata de Deus em Si mesmo e em relação com a Sua obra" (B. E até a "boa teologia". É quase certo que aqueles que negam a necessidade da Teologia na vida da Igreja não diriam. a comunidade de fé de você faz parte. não levamos os filhos a crescer e a igreja perde a cooperação.B. nas Santas Escrituras (Revelação Especial . cultuar é transformarse.2. Esse trabalho parte de três pressupostos: O primeiro é o de que Deus existe. principalmente. adoração (cf. se não investigarmos o que Ele deixou revelado para nosso conhecimento? Pois esse é o trabalho da Teologia. pois a alegria do Senhor é a vossa força” (8. Perguntamos se a verdadeira Teologia é necessária à Igreja. de que Ele tem Se revelado tanto por meio de Suas obras (criação e providência . como. Nosso 24 . quem somos nós em relação a Ele.23.Hb1:1. Neemias nos inspira: “porque este dia é consagrado ao nosso Senhor. se a Igreja pode prescindir do conhecimento de Deus e da Sua obra e ainda ser Igreja de Deus. Se a adoração. louvar.etc. sim. quando saímos é obediência. At 14:17). o culto não nos transformar. Warfield). mas não um ato de culto. por isso. conscientemente. por conseguinte. quando saímos é amor. Quando entramos no templo é a expectativa.2. Não é disto que falamos aqui. não recebemos as bênçãos do culto. Como podemos conhecer a Deus sem estudar a revelação que Ele faz de Si mesmo? Como saber quem Ele é e o que Ele tem feito e faz. por não se basear em pressupostos de uma hermenêutica bíblica. Teologia é o estudo de Deus. o segundo. ou. não pode ser chamado culto. louvor. Perguntamos. Se a adoração não nos levar a maior obediência. É porque Deus Se revelou que podemos conhece-Lo. de vida".21). O que lhes falta é um bom conhecimento do que é Teologia e de suas implicações. e o terceiro. Serão verdadeiras essas afirmações? Admitimos que há muita coisa por aí levando o nome de "teologia" que não passa de especulação humana.

Seu nascimento sobrenatural. nem natural. mas conhecer e compreender a revelação que Ele próprio deu de Si. mesmo que extraídas corretamente da Bíblia. mas pelo próprio ato expiatório. que Teologia é o conjunto de verdades extraídas dos ensinos bíblicos a respeito de Deus e de Sua obra. de modo mais completo agora. como ao conteúdo do que é ensinado (Rm 6:17. mas sobre os atos poderosos e eficazes do nosso soberano Deus. A essa forma ordenada de doutrinas. no grego).1Tm 6:3-4. Mas como sabemos que esses são os fatos? Que sentido teriam esses acontecimentos se não tivessem sido interpretados? É a doutrina que lhes dá sentido. são os grandes fatos que tornam garantida a salvação dos eleitos. Sua vida de perfeita obediência à Lei. Sua segunda vinda. não é inventar teorias a respeito de Deus e de Suas obras. no N. Sua ressurreição. meio e princípio regulador não é "teologia". Tito 1:2. o nome de "Teologia Sistemática". é que assegura essa graça. há dois mil anos atrás. etc. 25 . Sua ascensão e assentamento à direita do Pai. Duas são as razões geralmente apresentadas para se dizer que a Igreja não precisa de Teologia. Não somos salvos através de uma correta teoria a respeito da pessoa de Cristo. dá-se inclusive. garante a nossa justificação? É porque esses fatos são todos explicados e interpretados pela doutrina. A palavra "teologia" não ocorre na Bíblia e o termo que lhe é equivalente. Sua morte substitutiva.. não altera o conceito de "teologia". Por isso. O adjetivo aqui. "Fazer teologia". devidamente entendida. A primeira é a suposição de que o Cristianismo se baseia em fatos e não em doutrinas Concordamos que nossa salvação não repousa sobre um conjunto de teorias ou idéias. nem mesmo "descobrir" a Deus. a que damos o nome de "doutrina". mas comunicado por Ele mesmo através dos meios que soberanamente escolheu. qualquer estudo de Deus que não tiver a Sua revelação como base. Mas voltemos ao nosso tema. Podemos dizer. Assim entendidas. e que são apresentadas de modo sistemático. 2Tim 4:3-4. A doutrina realmente não salva. é "doutrina" ( "didache" ou "didaskalia".conhecimento de Deus não é intuitivo. na forma de um corpo de doutrinas. Como viemos a saber que aquele menino que nasceu em Belém é o Filho de Deus? Por que descansamos na eficácia da Sua morte para a expiação dos nossos pecados? Por que sabemos que a Sua ressurreição. fica evidente que não há diferença entre Teologia e Doutrina.). portanto. que vem de uma raiz que significa "ensinar" e pode se referir tanto ao ato de ensinar.9. nesse sentido. propriamente. mas pela própria pessoa de Cristo. nem através de um exato entendimento da doutrina da Expiação. devidamente aplicada pelo Espírito no coração do crente. É possível alguém ser "bom teólogo". e ainda não experimentar as graças ensinadas nas doutrinas que expõe. Elas se baseiam em duas falsas antíteses: 1. A obra de Cristo.T.

Doutrina sem fato é mito.B. pois sem ela não existe verdadeiro Cristianismo. Tito 1:9. mas o espírito vivifica". nossa fé é vã e permanecemos ainda em nossos pecados"( Selected Shorter Writings. e. Seria o mesmo que indagar qual das duas pernas é mais importante para o nosso caminhar. e não somente que Ele aja. Até chamam a isso de "teologia contemporanizada" ou "contextualizada". a criatura toma o seu lugar. p. Isto é o que se vê em toda a Escritura. Warfield. Aqueles que assim pensam até admitem um certo tipo de doutrina. está explicando-o também. o sentimento religioso do homem. mas fato sem doutrina é mera história. de igual modo está dando uma interpretação aos fatos da morte e ressurreição de Cristo. portanto. Não é o acontece quando as pessoas dizem que "a natureza é sábia". mas se isso não for um fato histórico também. mas pode tornar o homem sábio para a salvação (2Tm 3:15). Quando Paulo afirma que Jesus "foi entregue por causa das nossas transgressões. à razão. e que procura eliminar da religião todo apelo ao intelecto. mas também 26 . A prática (práxis) é colocada acima da doutrina não só em importância. O Cristianismo. Fato e doutrina se complementam no Cristianismo. portanto. 234). A doutrina não salva. e habitou entre nós. fria. sua mensagem (a dos céus) passaria despercebida e eles poderiam até ocupar o lugar do Criador. vol 2. Segundo esse ponto de vista. Ele diz: "A Encarnação é uma doutrina: nenhum olho viu o Filho de Deus descer dos céus e entrar no ventre da virgem. A segunda é a suposição de que o Cristianismo consiste em vida. Ef 4:11). Podemos hoje entender que "os céus manifestam a glória de Deus" (Sl 19:1) porque o Criador nos tem revelado isso na Sua Palavra. Quando João diz: "E o Verbo se fez carne. dizem. cheio de graça e de verdade" (Jo 1:14). "Religião é vida e a vida é dinâmica.Esta não só informa o fato como também dá o seu significado. Nem é pertinente perguntar qual dos dois é mais importante. Daí dizer-se que para se conhecer a Deus é preciso que Ele fale. adaptada sempre à dinâmica da vida e conformada às "necessidades" da época e do lugar onde a vida do Cristianismo se manifesta. na expressão de B. especialmente nas epístolas. mas esta àquela. Até mesmo os fatos manifestos na natureza (Revelação Geral) não seriam devidamente compreendidos se não fossem explicados pela Bíblia (Revelação Especial). desde que mutável. não está apenas apresentando um fato. 2. fluente. não em doutrina Por trás dessa afirmação podem estar raízes do conceito filosófico que exalta o misticismo. a doutrina é estática. Concluímos. O ensino da doutrina é uma das ênfases da Bíblia (1Tm 3:2. que os fatos só têm sentido quando acompanhados da doutrina. "A letra mata. Sem essa explicação. gerando a idolatria (devido ao pecado). como lemos em Rm 1:18-32. não é a doutrina que deve dirigir a vida.e ressuscitou por causa da nossa justificação" (Rm 4:25). ou quando a chamam de "mãe natureza"?. 2Tm 2:2. consiste em "fatos que são doutrinas e doutrinas que são fatos". portanto. argumentam. Sem a revelação do Criador. as emoções. não pode ser compatível com o caráter do Cristianismo".

nos moldes escriturísticos. ao que foi intencionado no princípio por Deus. então não haverá verdade absoluta. depois nos dias de Warfield e dos Hodge e. Não admira que haja tanta "fluidez" e instabilidade entre os que assim pensam. assim. É a correta aplicação da doutrina que produz a verdadeira vida cristã. para dar lugar às manifestações de vida? Não creio que a Bíblia justifique essa posição nem que esses teólogos a tenham entendido assim. Foi a doutrina bíblica. para que seja aplicável em todas as épocas. primeiramente vida. que é quem nos 27 . sucessivamente. Mas devemos ou podemos prescindir da doutrina para que essa vida se manifeste? Antes de tudo. É através dela que ficamos sabendo que a vontade de Deus é a nossa santificação e que. com base na palavra de Deus. e graças a Deus por isso! Onde a vida não se manifesta. nem princípio fixo. não a sua norma. depois nos dias de Lutero e Calvino. Concordamos também que Cristianismo é vida. Hb 12:14). É ela que nos aponta os meios de graça deixados pelo próprio Senhor. que a trouxe de volta às origens e lhe recuperou a vida. Foi a falta da verdadeira doutrina que enfraqueceu a Igreja e a lançou num tradicionalismo vazio e pagão. E não há outra forma de se fazer isto a não ser pela doutrina. nem revelação objetiva. das emoções. O princípio de que "a Igreja reformada deve estar sempre se reformando" visa manter sempre a mesma posição em relação à verdade.no tempo: a doutrina passa a ser um produto da vida cristã. a doutrina é o que menos interessa. depois doutrina? Existe tal antítese? Se essa posição for verdadeira. falta a alma da verdadeira religião. o meio que o Espírito soberanamente usa para nos fazer conhecer a vontade de Deus e nos levar a praticá-la. e que sejam facilmente levados "por todo vento de doutrina". Sem dúvida. sem esta. Tudo cairá no campo dos valores relativos e passará a depender do subjetivismo. Não basta apenas um sentimento religioso para fazer de um homem um cristão. isto sim. Mas será essa a visão bíblica do Cristianismo? Podemos dizer. A doutrina é. produz vida. Para estes. ou. que o Cristianismo é vida e não doutrina. Será que aquilo que foi deixado por Paulo e pelos outros apóstolos como doutrina para os seus dias deveria ser mudado nos dias de Agostinho. é a verdade de Deus relativa? Depende o seu valor do lugar e da época em que se encontram os homens? Sabemos que esta é a posição atual dos que se denominam pluralistas e esse é o pressuposto básico desta posição. Reformar é voltar às origens. até os nossos dias. É preciso que sua vida seja moldada na doutrina de Cristo. É para que continue sempre sacudindo de si toda tradição e acréscimo humano que não estejam de acordo com os valores fixos e absolutos da palavra de Deus. ninguém verá o Senhor ( 1 Ts 4:3. não alterá-la.É a doutrina que dá característica à vida. tão bem exposta pelos reformadores e tão negligenciada pela Igreja. no século XVI. não estamos afirmando que apenas a doutrina. independente da obra santificadora do Espírito. Há até quem interprete assim a célebre divisa: "Igreja reformada sempre se reformando". da "piedade".

A ORIGEM DA IGREJA 1. 12-16: prática)."chamados para fora" .Ef. Qual o verdadeiro significado deste termo! Quais as responsabilidades daqueles que dela participam. Nas epístolas paulinas. A NATUREZA E AS FUNÇÕES DA IGREJA COMO CORPO 2."povo de Deus" "Ekklesia" . CORPO DE CRISTO TEXTO: EFÉSIOS 1:22-23 PROPOSTA: A nossa proposta é a de conhecer o que a Bíblia fala sobre a igreja. em que Ele associa a prática da santificação com a doutrina da Palavra: "Santifica-os na verdade. se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo".2 Cor.O nascimento da Igreja ocorreu n dia de Pentecoste. pela Escola Dominical e por qualquer outro meio disponível. a tua palavra é a verdade" (Jo 15 :17) e em João 7:17. Ap. Rm 1-11: doutrina.1 .Noiva do Cordeiro . da razão. Atos 2:1-4 02. porque precisa da doutrina nela contida para dar sentido e expressão aos fatos do Cristianismo e para prover os meios de manifestação da verdadeira vida cristã. 19:7 28 . Parte VII A IGREJA.Outros títulos: .Ef.Plenitude de Cristo . 01.santifica (Lv 20:7-8. onde o fazer a vontade de Deus está ligado ao conhecer a doutrina: "Se alguém quiser fazer a vontade dele.No Novo Testamento .1 . Nossa demonstração de vida pode impressionar as pessoas e despertar nelas certa admiração. Por isso. conhecerá a respeito da doutrina.2 . mas é pela pregação da Palavra que vem a fé que transforma (Rm 10:7) A espada do Espírito é a Palavra (Ef 6:17).Templo do Espírito Santo . Conclusão Concluímos. a íntima relação entre doutrina e prática é evidenciada pelo seu método de apresentar primeiro a argumentação teológica (doutrinária) para depois tirar as implicações práticas dela decorrentes (Ex. o ensino da doutrina é indispensável na Igreja. 11:2. 1:22-23 .Corpo de Cristo . Ef 5:26). para depois pervadir todas as áreas do ser e se transformar em manifestações de vida que O agradem e glorifiquem. que a Igreja precisa da Teologia. portanto. 1:23 .A primeira referência bíblia sobre a igreja aparece em Mateus 16:18 1. O conhecimento de Deus começa pela porta do intelecto. tanto através do púlpito como pelos estudos semanais.Ef. Isso se torna ainda mais claro na oração sacerdotal de Cristo. 2:21-22 .

1 Cor. 12:25 .1 Cor.1 Tim. "eleita". 12:28-29 06.Edifício de Deus .Ela tem responsabilidades .sustentar os membros ..participar do louvor. 12:12 .Ef.1 Cor.Individualidade .1 Cor. 2:9.Col.Coluna e Baluarte da verdade .Fil. 4:16 . CARACTERÍSTICAS DO CORPO . AS FUNÇÕES DOS MEMBROS . 4:9 05. 2:19 .João 10:16 .Rebanho . Rom.reconhecer ministérios .Harmonia . dos desafios . "para serem". foi também delegada a igreja.criar unidade no corpo . "conheceu". 3:15 Parte VIII A IGREJA. 12:25 .1 Cor.manter a unidade da fé . A FORMAÇÃO A IGREJA .nutrir os demais membros . CORPO DE CRISTO II TEXTO: MATEUS 28:18 PROPOSTA: Este estudo visa mostrar que a mesma autoridade que Jesus recebeu do Pai. 1 Ped.Colaboração .1 Cor. 12:21 .Diversificação de ministérios .Exclusividade .Ela é formada pela união de seus membros .1 Cor. "a fim de". 12:17 .ministrar . 04.A Igreja como corpo deve: . "para sermos".Santuário de Deus . 3:9 . 1:4. Observe as expressões: "escolheu". a sua 29 .1 Cor. 8:29. 3:9 .Lavoura de Deus .1 Cor.instruir seus filhos na Palavra 03.Ef. Ela se tornou a agência mediante a qual o Senhor manifesta o seu poder.1 Cor. 3:16 . SÍMBOLOS BÍBLICOS QUE DESCREVEM A IGREJA .transmitir ordens . da comunhão. 12:14 .

A autoridade a nós foi delegada. o poder do reino do mundo inferior! .Autoridade sobre os espíritos .Mat. Mat. 01. porque ele desejou ser igual a Deus. 2.1 . 2. mas retêm o perdão àqueles que menosprezam a sua autoridade. sim. 02.Para exercer esta autoridade a igreja precisa estar em perfeita sintonia com o Espírito Santo. 8:30 . Ela se torna em realidade devido a autoridade que Cristo concedeu à igreja. 1Cor. 5:9.2 . só através do sangue de Cristo.representava a corte.A autoridade da igreja é maior do que o poder do Diabo . Mat.A igreja pode perdoar os pecados (ofensas) cometidos contra ela. o pecado.4 . 17:20.esse poder é manifestado através da oração.3 .Hades representa o deus que tinha autoridade sobre os mortos! .A igreja como corpo. força o diabo a nos obedecer.Autoridade sobre a natureza . Esta autoridade não é um exercício individual.Porta . 18:18.Igreja x Portas do inferno . 5:14-15 Diferença entre: "pecado" e "pecados" . 2. e. Isaías 14:13-14 Obs. Ele tem medo das pessoas que se submetem a autoridade de Cristo. provocado pela queda do homem. AUTORIDADE E PODER A autoridade representa a própria essência de Deus. 10:8 . 5:3-5 .Mar.5 . Ela é eterna. A queda de Satanás ocorreu.graça e autoridade."Portas do Hades" .Mat.Resumo: a igreja não pode morrer.Autoridade para ligar e desligar . Mas. 30 . 16:19. 20-21-22 .A luta profetizada pôr Jesus: . AUTORIDADE E PODER DELEGADOS À IGREJA . coletivo. e não simplesmente realizar os mesmos feitos de Deus. 6:14. 10:19. Jó 20:23.Autoridade sobre os pecados . Tg.Mat. 2. Mat. Satanás não tem medo de uma pessoa que prega a Palavra. recebeu do Senhor Jesus.Luc.Jesus comandou o espírito que atormentava o jovem e o expulsou. Luc. 2. toda a autoridade e poder para se tornar uma igreja viva e vitoriosa. enquanto o poder expressa os seus atos! Isaías 40:25-26 Deus pode perdoar aqueles que duvidam de seus feitos.

João 13:12-17 A mensagem .Obs.mensagem b.Queda do querubim da guarda .Castigo de Arão e Miriã .3 .Números 16 3.Encurtando as distâncias .Rebelião de Coré .CONTESTANDO A AUTORIDADE DELEGADA . 13:17.1 .1 Sam. Transformação é o segredo de um organismo vivo.1 .Kerygna . 3.A idolatria de Salomão . 15:22-23 .4 .Números 12 3.A insubmissão de Absalão . Kerygma . Leon Tolstói: "Todos pensam em mudar a humanidade e ninguém pensa em mudar-se a si mesmo".Gênesis 2 e 3 3.10 .Rebelião de Cão . Diakonia .0 .2 Crônicas 26:16 4. Heb. e da igreja em se transformarem.9 . 13:7 Parte IX A IGREJA. é a necessidade de adaptação ao curso da História. das pessoas. 5:12-13. Os maiores castigos mencionados na Bíblia ocorreram em razão da desobediência à autoridade delegada pôr Deus.serviço 1.Levítico 10:1-2 3.2 . sim.Ezequiel 28:13-17 3.Obs. CORPO DE CRISTO III TEXTO: ROMANOS 12:1-2 PROPÓSITO: A maior necessidade do mundo.0 .7 . como também da igreja.A transgressão de Uzias .Rebelião de Nadabe e Abiú . à autoridade de Deus que está nesse homem.A nossa obediência deve ser praticada não em função da pessoa mas da autoridade nela investida. 1 Cor. 1. Esta adaptação só se viabiliza mediante a disposição do mundo. das pessoas.8 .6 . A maior das exigências é que ele obedeça" .A desobediência de Saul . e. Zac. ou negar-se a si mesmo.Queda de Adão e Eva . 1 Tes.1 Samuel 15 3.2 Samuel 15 3.comunhão c. Watchamann Nee: "A maior das exigências que Deus faz ao homem não é a de carregar a cruz.AUTORIDADE E A LIDERENÇA DA IGREJA .não funciona isoladamente. Koinonia . Para que ela produza 31 .5 .A comunicação se processa através de três elementos básicos: a . Ilust.3.2 . dar ofertas. 16:15-16.A igreja só crescerá quando todos os membros estiverem debaixo do autoridade de Deus delegada aos seus ministros. servir. Não se obedece a homens.1 Reis 11 3.Gênesis 9:20-27 3. .

desequilíbrio em todo o sistema .1 . Ez. . 5:22 Parte X 32 . a igreja perde a sua função.1 Cor. 2. Um membro não deve aspirar o lugar do outro. é necessário que o membro exercite a Koinonia e a Diakonia.A falta de oportunidade produz: .um anemiamento espiritual 2.2 .1Cor. 13:5 .resultados positivos.este princípio visa das a todos os membros a mesma chance de trabalho.Disciplina na prática do perdão .2 .João 8:47 .um enfraquecimento de todos os membros . Um membro não pode inibir a ação do outro.Col.Ef.Princípio da integração . 0. 12:25-26.um espírito de concorrência . . 3:17 . .a unidade é a fonte geradora de toda a energia.Princípio da oportunidade .1Cor. quando isso ocorre todo o corpo é prejudicado.Disciplina na prática da fé .a arrogância quebra a linha de comunicação 2. 9: 24 .o egoísmo passa a predominar nas relações .1 Cor.A igreja precisa ser a autora e não a espectadora no processo de mudanças. ocorre: .desvalorização do membro .Afastamento dos outros membros .cada membro tem sua função. 5:15-16 . Sem unidade. 12:17-18 .2 Cor.contestação da vontade de Deus .Disciplina na prática do tempo .Princípio de Dependência . 5:13 . 34:17 .Disciplina na prática da liberdade .A quebra desse princípio provoca: .Disciplina na prática dos hábitos .4 .Disciplina na prática da santidade . João 17:23 3.TRANSFORMANDO A NOSSA RELAÇÃO COM OS OUTROS MEMBROS Este processo de transformação ocorre através da prática de quatro princípios bíblicos.desperdício de forças 2.Marcos 11:25 .Disciplina na prática de ouvir/falar .3 .TODA TRANSFORMAÇÃO EXIGE UMA FONTE DE DISCIPLINA PESSOAL . 12:21-22 .0 . de troca a mobilidade e harmonia do corpo.1 Tim.1Cor.Gal. 12:15-16 . Ela foi criada para ser o instrumento de Deus na transformação da sociedade.Princípio da Unidade .quando este princípio é quebrado.

para comprometer o profeta com o desafio de restauração 1. ."E porei em vós o fôlego da vida e vivereis. 4:22 2."nervos" . Rom."Farei crescer carne sobre vós.. A distrofia . Ef. Fil. 2 Cor. a carne fala do conhecimento da Palavra."E sobre vós estenderei pele..perturbação da nutrição -prejudica o metabolismo do corpo.enferma o corpo! . 01. UMA CONVIVÊNCIA DESAGRADÁVEL . 2:3." . integração .."Porei tendões (nervos) sobre vós.estimulam.A IGREJA..2 . HARMONIZANDO O CORPO O texto de Ezequiel 37:6 nos ensina quatro verdades básicas sobre a harmonia do corpo de Cristo. mantém a sensibilidade.A experiência de Neemias . participação. fazem parte da Igreja do Senhor Jesus.1 . 33 .3 . 2:11-15 ."tendões" . Col. ..1 .4 . O alvo deste estudo é recriar uma nova esperança no coração daqueles que como membros. mantém a flexibilidade e resistência do corpo.. Ele andou pôr entre aqueles ossos.a pele é o elemento de proteção. 1 Cor. Heb..cria a união. 5:11-14 2. Ela funciona também como um filtro.Rom.V. Mas a realidade daquele vale ainda é a mesma em nossos dias.17. a carne representa unidade.Ne.hipersensibilidade ..para identificar a situação do povo 1. Uma pele ressecada prejudica a respiração do corpo. CORPO DE CRISTO IV TEXTO: EZEQUIEL 37:1-14 Autor(a): PR.2 . 2." . Gál. 5:26.Esta convivência foi necessária: 1. 12:15." O resultado final de um corpo equilibrado e harmônico é a presença do Espírito Santo agindo em todos os membros.Há três aspectos importantes sobre este elemento: a . 8:13-15 c.Gên. 1 Ezequiel não só foi levado ao vale de ossos secos. 2:23 b. 3:12 2. . dá sustentação. Sentiu os odores daquele ambiente fétido.3 . É o alimento sólido. 15:2. 3:1-2." . Conviveu com a morte. a carne é o elemento do corpo.para mostrar qual o propósito de Deus 02. VANDERLEI FRARI PROPÓSITO: Cerca de 2960 anos nos separam da experiência de Ezequiel junto ao vale de ossos secos.

sabedoria no diálogo .v.6 . 41:38. 3:1-2 2. Jer.pessoais.Prov.1 . 1:17 c. A IMPORTÂNCIA DA SABEDORIA Pôr vivermos em grupos sociais. tem usado ignorantemente a armadura de Saul. que Deus abrirá as sepulturas e libertará todos os que vivem presos . que Deus fará de membros soltos e sem vida.Ef. se não surgirem homens mais sábios. Dan. DEFININDO A SABEDORIA . um pobre. que Deus harmonizará o corpo beneficiando assim cada membro em particular v. 2.v.4 . Cabe a cada membro do corpo a mesma responsabilidade. AGENTE ESPIRITUALIZANTE A sabedoria não é uma virtude isolada. 3.Prov. 22:6 b.Is. 26:4. CORPO DE CRISTO V TEXTO: PROVÉRBIOS 4:7 Pôr falta de sabedoria.10 d.Sabedoria é saber fazer a coisa certa.sabedoria nas amizades .. "Realmente estará em perigo a sorte do mundo. SABEDORIA. 03.0 .Jer.COMO SE PROCESSA ESTA RESTAURAÇÃO? Ezequiel foi o instrumento usado pôr Deus para restaurar os ossos secos. que Deus pode vivificar o que está morto em nossas vidas .Prov.5 . 1 Reis 3:25-28 2.sabedoria no comportamento .7 c. um grande exército .O que profetizar? a . 5:15.v.(Concílio Vaticano II) 01. no momento certo.3. sabedoria como virtude de homem .v.12-13 e. Não é contrária 34 . Êxodo 18:13-18 a .Gên. 10:12 02.14 Parte XI A IGREJA. 19:18. sabedoria como doutrina . a sabedoria torna-se em elemento indispensável em nossos relacionamentos inter .5 b.3 . Moisés nos dá um bom exemplo de falta de sabedoria. 41:39 2.sabedoria nas decisões . 8:12.sabedoria em tudo. e à pessoa certa. Ecl. O processo de restauração ocorre através da ação profética. um que precisa de oração". 1 Pd.sabedoria nos negócios . tem fomentado divisões.1 .Gên. tem perdido enfim o poder de atuação. 28:29. e muito menos eletrizante.2 . 9:4-5 2.. a igreja tem lutado mais contra si mesma do que contra os verdadeiros adversários. 7:16 2. O homem sábio é aquele que é capaz de reconhecer um necessitado. que Deus derramará o seu Espírito Santo . sabedoria como atributo e qualidade de Deus .

A igreja é manifestação de Deus na história..Exigência dos apóstolos . Ela é antes de tudo o fiel da balança espiritual. Romanos 12. Não podemos nos contentar em causar impacto na história com os nossos escândalos ou com a nossa inércia contemplativa enquanto o céu não vem. Efésios 3.. Falar dos objetivos da igreja em contraposição as megatendências da pósmodernidade e o modismo quanto a quebra de paradigmas que resultam na perda da identidade doutrinária.Atos 6:3 3.A força de Estevão .17-30 Introdução A igreja será apenas uma instituição humana se não tiver a visão de Jesus Cristo para o contexto e a realidade histórica na qual está inserida.Tiago 3:13-18 Resumo: Igreja sábia produz santos verdadeiros! Parte XII A IGREJA QUE FAZ A DIFERENÇA Mateus 26. vontade ativa.1 .Atos 6:8-10 3. apenas a submissão. É imperativo fazermos diferença no mundo.1 Cor. "Onde queres" – Théleis.2 . Os anseios e vontades humanas desembocam sempre no hedonismo ou nas guerras cruentas e desumanas. A vontade decisiva e decisória de Deus onde não cabe relativizações ou negociatas. quando. cristológica e cristossímel. 3.A oferta do Espírito Santo . Como Jesus. Estivermos preocupados com a vontade do Mestre e não com a nossa própria vontade – (Vs. arrefecendo a autoridade da igreja em sua ação reformadora no mundo. A igreja deve interagir na história.A verdadeira busca . Somos o povo do Deus que é Senhor da história e que se manifesta através da história.1. Devemos evitar a visão antropocêntrica e buscarmos uma visão horizonal. cristocêntrica. devemos admitir nossa humanidade em sua plenitude mas sempre 35 . agradável e perfeita". a igreja só será relevante para o mundo e para o Reino.3 . 12:8 3.10. Mas amados. do mundanismo que gera a mundanalidade incrustada na igreja pela relativização da ética cristã. não andar a reboque da historieta escrita nos alfarrábios desta geração corrompida e perversa.a verdadeira espiritualidade. 1. fazendo verdadeira diferença neste mundo com Agência reformadora de Deus. soberana.4 . escrevendo a história da salvação na vida das pessoas e para isto. é imperioso resgatarmos a relevância da igreja no contexto sociocultural em que trilhamos a jornada da santificação. Só a vontade de Deus para a igreja é "boa. 17).

1. Mateus 25.14-16. como se fossemos senhores do tempo. nossos cultos devem ser verdadeira celebração pela e para salvação em Cristo. de alegria e satisfação prezeirosa em nossos cultos. ou se queremos vislumbrar os nossos olhos com feitos pitorescos ou com manifestações pneumotécnicas. de festa. É imperioso buscarmos a consciência de libertação. Êxodo 12. a Páscoa. 1 Coríntios 2. mensurado e controlado pelo homem. 18b e 19). Estivermos conscientes da brevidade do tempo da salvação – (Vs.13. aqui não é nosso lugar. Romanos 12. da graça salvadora. Se perseguimos palco. Na dispensação da igreja. Da mesma forma. honra e dignidade. alguém que ensina revestido de capacidade. é Senhor do tempo e fala com autoridade quanto a brevidade do tempo para a pregação do evangelho.42. e a pregação deve ser levada a efeito "a tempo e fora de tempo". não à liturgia. e não kronos. Mestre. é hoje. 36 . mas a tua". infinito. apresentações e números especiais. A festa. resultado de mentes renovadas em Cristo no entendimento dos mistérios da salvação. Páscoa. Se quer. à Denominação ou à Eclesiologia – (Vs. no sangue da remissão. 2 Timóteo 4. didáskalos. devido a presença do próprio Deus entre nós.2. Não induz ao radicalismo ou ao êxtase emocional espiritualista esotericamente espiritualizado. Não sabemos quando o Mestre voltará. O tempo da Deus é kairós. o texto aponta para um denominacionalismo desvairado e promotor de uma nefasta negligência ao que é bíblico em defesa de um hediondo tradicionalismo históricodenominacional. Nossos cultos se tornarem verdadeira celebração ao Cristo vivo. "Meu tempo está próximo". o tempo é sempre presente. Lucas 22. santo e agradável". Devemos buscar a consciência de que o Senhor está em seu trono de glória para receber de nós um culto "vivo. 3. era um memorial da libertação do Egito. diz o Mestre. O texto não prevê sectarismo ou uniformidade. 18). A Igreja não pode postergar a pregação.14-17. Vale ressaltar a expressão "o Mestre diz". Estar preparados para adentrarmos com ele em sua glória implica em testemunho e pregação incessantes. eterno. limitado. e de celebração. da morte às mão do opressor. Uma festa alegre e vívida em gratidão pela libertação do pecado que nos é outorgada por Cristo. Jesus.orando: "não se faça a minha vontade. sendo Deus. 2.

28).32. O sangue do pacto foi derramado "para a remissão de pecados". l 37 .20. 21 e 22)..4 e conjugando-nos em só coração. Qual a nossa reação diante da expressão "um de vós me trairá". para nos reconciliar com Deus. Isaías. mestre da lei. profetizando um futuro melhor. permanecendo na inércia petrificada do comodismo. o que não é uma característica da personalidade de Jesus. Não divisionismo ou sectarismo autofágico e se quer. a fim de que dediquemos nossas vidas em perfeito louvor. Pedro. sempre somos levados à contrição e ao arrependimento. admitindo-o apenas como rabi. a partir do arrependimento e da confissão sincera diante de nosso Advogado e único mediador. para um preconceito satanicamente beatificado pelo denominacionalismo coercitivo. Jacó.18 e 19. para cobrir e apagar o escrito de culpa que recaia sobre nós. não podemos permanecer aguilhoados ao pelourinho do pecado e dissociados pelo preconceito que ressalta as idiossincrasias. insistindo nos passos de Caim e na decisão diabólica tomada por Judas Iscariotes.14. O sangue do pacto promover aliança de compromisso em nós – (Vs. Retirar-se do culto sem experimentar restauração santificadora. Muitos. e se nos dispomos à perfeita adoração.4. devemos vivenciar íntima comunhão. no original. É assombroso que muitos crentes não sintam o sabor amargo de pecado como sentiram Moisés. "me entregará". irmanados em Jesus Cristo. persistindo na traição. Se somos igreja. mesmo estando diante de Jesus e sendo desafiados ao arrependimento.14-18 e 1 João 4. Jeremias. se pretendemos fazer a diferença já em nosso tempo. Atos 4. Efésios 2. Colossenses 2. não conseguem olhar para Jesus e identificá-lo com Senhor absoluto de todas as coisa. Em quinto e último lugar. afirmo que a igreja fará diferença no mundo e resgatará sua relevância e autoridade na pregação quando. evidenciado na proclamação do evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Isaías 6. Somos contristados pela possibilidade de sermos o traidor – (Vs. denota que Jesus bem sabia das intenções daqueles que o perseguiam. O sangue que "nos purifica de todo o pecado". 5. Como igreja. Kírios. se buscamos relevância para a sociedade. 2 Coríntios 5. No culto verdadeiro Deus sempre manifesta sua glória.1-8. fazendo-nos um só povo. Somos assolapados pela consciência de pecado que desemboca no arrependimento ou permanecemos insensíveis e nada nos impulsiona à santidade? A expressão do verso 21.. é constituir-se em traidor. Efésios 4. Paulo e muitos outros indicados no Texto Sagrado. Jesus Cristo.

João 1.8, 2.2 e 1 Timóteo 2.5, nos impõe a comunhão que afaga o coração e acarinha o aflito e o existencialmente desesperançado. Pelo que, a igreja deve retirar-se do templo, após o culto prestado, restaurada, perdoada, transbordando em amor e alegria e amalgamada no sangue de Jesus Cristo. Todo o nosso pecado e preconceito devem ser abandonados aos pés da cruz de Cristo, o Cristo que "é tudo em todos", Colossenses 3.11. Conclusão Amados, é urgente e premente uma reflexão quanto relevância e a atuação da igreja no mundo da globalização e, em especial, aqui em São Paulo. Se não identificamos estas cinco assertivas em nossa expressão cúltica e identidade doutrinária e denominacional, corremos o risco de sermos vitimados por descomunal aridez teológica, eclesiológica e doutrinária. Nos tornaremos insipientes, insignificantes e dispensáveis ao homem que carece de salvação e não de liturgias, eventos sociais ou verdadeiros shows pseudo-espirituais aromatizados com essência de enxofre, não com o hálito do Espírito Santo. Sejamos igreja. Corpo vivo de Cristo. Submissos a ordem do Mestre e conscientes da brevidade do tempo para a salvação. Sejamos igreja que festeja a vitória de Cristo na Cruz e que é contristada pela consciência de pecado. Sejamos igreja santa e poderosa na evangelização para que desfrutemos as benesses do perdão, do amor e da comunhão íntima, expressão inconteste da nossa reconciliação com Deus em Cristo Jesus. Parte XIII A LIDERANÇA CRISTÃ E O DISCIPULADO Creio na liderança cristã e creio no discipulado. Compreendo que a liderança cristã tem o trabalho de despertar e conduzir o ser humano para Deus e para tudo o que de Deus recebeu. Creio numa liderança comprometida com o reino de Deus (cf. Mt 6.33), o que, aliás, é uma qualidade-chave do líder cristão. Uma liderança comprometida é fiel (1Co 4.2), disponível (Lc 9.57-62), receptiva à capacitação, ou seja, ao treinamento (um teste é convidar 12 a 20 pessoas para reuniões de treinamento, e observar quem retorna a partir da segunda reunião. O treinamento, por sinal, já é uma seleção). Descobrir pessoas que possuam potencial é tarefa do líder, e isso com o objetivo de treiná-las de modo a que em dado momento a organização possa funcionar sem ele, líder. É um facilitador no ensino dos novos discípulos e na participação deles no global do processo; é exemplo e ajuda em vez de apenas verbalizar, valoriza a participação dos outros, é paciente e confia no Espírito Santo como conselheiro e auxílio nas dificuldades. Creio na liderança capacitada pelo Espírito de Deus, "carismatizada" para o benefício da Igreja de Cristo, para que todo o edifício bem ajustado cresça para templo santo cuja glória seja unicamente a de Deus, ou como colocou a Bíblia em Português Corrente (edição da Sociedade Bíblica de Portugal, 1993): "É em Cristo 38

que todo o edifício está seguro e cresce até se transformar num templo que honre ao Senhor" (Ef 2.21). Creio também no discipulado cristão, pois é somente observar a ênfase dada por Jesus ao cuidado, carinho, busca e instrução dos que O seguiam. "Discípulo", por sinal, parece ser a palavra favorita de Jesus para aqueles cuja vida estava ligada a dEle. Aparece 269 vezes nos Evangelhos e no livro dos Atos dos Apóstolos. O líder cristão do século 21 não pode esquecer que as condições do discípulo são um daqueles princípios imutáveis, apesar das transformações litúrgicas, administrativas, pelas quais a Igreja de Cristo vem passando através dos séculos. Quem as declara são os Evangelhos: · Transportar a cruz (Lc 14.27). A cruz não é brinquedo, mas instrumento de morte, na qual o eu deve morrer. Ir-para-o-Calvário é um caminho escolhido deliberadamente, visto que a cruz é o símbolo da perseguição, vergonha e abuso que o mundo jogou sobre o Filho de Deus e jogará sobre os que escolhem navegar contra a corrente, o discípulo. · Renúncia (Lc 14.33), que é entrega irrevogável a Jesus Cristo, autonegação, nos termos de Lucas 14.26 e Mateus 16.24. Nosso amor a Jesus e à Sua causa há de ser tão evidente que, em comparação, todos os demais serão diminuídos. Billy Graham afirmou que "a salvação é de graça, mas o discipulado custa tudo o que temos". · Constância (Jo 8.31). É passar a viver em companhia de Jesus, comunhão de destinos com Ele, segui-Lo, permanecer nEle. O verdadeiro discípulo se caracteriza pela estabilidade. · Produção de frutos (Jo 15.8). União frutífera como Senhor (Jo 15.4,5). O líder cristão há de observar os dois aspectos básicos do discipulado em sua própria experiência de vida: a união com Cristo e a dedicação sem reservas, que Jesus Cristo descreveu em termos de videira e ramos (cf. Jo 15.5ss). Em relação ao primeiro aspecto, Paulo usa inúmeras vezes a expressão "em Cristo" para com isso significar que nós estamos nEle e Ele está em nós (Cl 1.27). Por sua vez, Romanos 6.1-12 indica o significado do regime de dedicação exclusiva a Jesus. O alvo do discipulado deve permanecer bem definido na mente do líder cristão: é a semelhança de Cristo em caráter e em serviço. O Espírito Santo dá-nos o caráter de filhos de Deus, e nessa linha de raciocínio, o fruto do Espírito é o retrato desse caráter: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e autodomínio. OIKOS, UM CONCEITO PARA O SÉCULO 21 As grandes cidades, sejam capitais legais, formais ou informais são um centro dominante A característica maior é a concentração de população várias vezes superior à cidade seguinte em importância. Tem primazia política, econômica, acadêmica e cultural (a área metropolitana de Tóquio é maior que a metade da população do Canadá). É também nessa situação que o líder cristão há de exercer o discipulado. 39

São características dos habitantes da urbis: · Um ser solitário. Quem mora na roça vive praticamente num sistema de clã (estilo semita bíblico). Na cidade grande está perdido. · Um ser pobre. Mora em invasão. · Um ser que sonha. Não perdeu essa capacidade. · Um ser que escuta. E a ele muitos "discipuladores" querem falar. OIKOS, UM NOVO VELHO CONCEITO Oikos é o "lar familiar", a esfera de influência. É o sistema social primário composto por aqueles que que são relacionados por laços comuns de família, trabalho e vizinhança. Três são as constantes culturais: o parentesco, a comunidade e a associação: · parentesco são laços de sangue ou de afinidade. · A associação é voluntária com normas, autoridade, mobilização de recursos, e movidas por amizade, sexo, poder, ideais, interesses, prestígio (sindicatos, igrejas, clubes). · A comunidade é determinada pela geografia. Se isso existe hoje, e é uma constante antropológica, existiu nos dias neotestamentários. É o oikos (cf. Michael Green. Evangelização na Igreja Primitiva). Alguns casos são: · a família de Betânia (Jo 12.1-3); · a casa de Cornélio, oficial romano (At 10); · a casa de Lídia (At 16.13-15); · a família do carcereiro de Filipos (At 16.25-34); · a casa de Prisca e Áqüila (Rm 16.3-5); · a casa de Aristóbulo (Rm 16.10); · a casa de Narciso (Rm 16110. Os descrentes têm dois problemas: o de informação (não conhecem a um cristão de verdade), e o de reputação (conhecem um "cristão" que não tem a mente de Cristo).

IMPEDIMENTOS Liderança que não encarna ideais e falta de mobilização do povo de Deus. Falar de liderança é falar de pastores, presbíteros, diáconos, ministros na várias áreas, professores, conselheiros, relatores, etc. Através da história, Deus tem chamado homens e mulheres para abençoar Seu povo. No século 21 muita coisa tem mudado: igrejas querem dinheiro, não poder do 40

Espírito; santuários cheios de pessoas, mas não de poder; animação, mas não renovação. A liderança há de ter visão. A LIDERANÇA E A PALAVRA DE DEUS

A liderança cristã não pode prescindir de utilizar a Bíblia Sagrada como fonte de reflexão, de meditação, de discipulado e caminho de vida. O desenvolvimento do Salmo 119 bem o demonstra. Afinal, a Bíblia se evidencia Palavra de Deus nas profecias e cumprimentos, em mostrar o ser humano em sua realidade e pelos seus efeitos na vida do homem que é transformado em discípulo de Jesus Cristo. Por essa razão, há o líder de nela meditar (Sl 1.1,2), de nela viver (v.3) e conhecêla para crescer em graça (v.3). OMO A PALAVRA DE DEUS TEM SIDO DESAFIADA A proposta de um evangelho para o Terceiro Milênio. Exemplo típico deste desafio à Escritura Sagrada e o seu ensinamento é o feito por Huáscar Terra do Valle em seu Tratado de Teologia Profana. No capítulo em que trata de "Além do Bem e do Mal", Valle explica que a moral do judaísmo se resume na expressão "Olho por olho, dente por dente", buscando provar com tal exposição que o Deus dos hebreus, é mau e vingativo. Javé é colocado no mesmo nível de Marduque dos babilônios, de Baal dos fenícios e outros deuses semitas. Civilizado é, no seu entender, o Zoroastrismo que prega a eterna luta entre o bem e o mal (Ormuz e Arimã) e a presença de Mitra, encarregado de ajudar o ser humano a lutar pelo bem. Chega esse pensador à conclusão que a figura de Deus vem do fundo do inconsciente, referindo-se ao comando instintivo dos genes. Há uma tremenda carga emocional que inspira profundo respeito e é codificada para o entendimento do consciente como Deus onipotente, criador, etc. Expressão dessa carga emocional é o misticismo. Religião, diz ele, é uma adoração da própria raça, que são os genes, ou na figura de Deus ou na imagem dos ancestrais. Pecado é a desobediência aos mandamentos dos genes, sendo, a rigor, um conceito tribal. A proposta de uma nova moral. Tratando-se de uma nova moral para o Terceiro Milênio, não se pode negar a sobrevivência do mais apto, ou seja, daquele que soubesse compatibilizar os interesses do indivíduo com os da sociedade. As religiões nada fizeram para melhorar os padrões de moralidade da sociedade como um todo, visto que vivem confinadas em suas próprias doutrinas, e consideram os elementos de outras 41

religiões como gentios ou pagãos. A nova moral, como a nova religião, tem que ser universal excluindo apenas um grupo, os fanáticos. A idéia de Deus não é indispensável para um comportamento moral. A proposta é a de um código de ética baseado na ciência, pois a Astronomia mostra a insignificância do ser humano no universo; a Biologia, a Genética, a Teoria da Evolução e a Sociobiologia de mostram que o ser humano não foi criado à semelhança de Deus, e sim do macaco e de outros animais. Valle declara não acreditar em outra vida, por isso o céu deve ser procurado nesta, evitando, também que a vida se transforme em um inferno. O destino do ser humano é entregar aos descendentes os genes que recebeu dos antepassados, o que o transforma em uma máquina de sobrevivência apenas. Igreja É a prostituição da religião. A verdadeira religião consiste em agir desinteressadamente, visando ao bem da coletividade, e não, entre outras coisas, citar a Bíblia, fazer sermões de duvidosa sinceridade, ou pagar o imposto do céu (o dízimo). Por isso, prescinde de Deus. O sentimento religioso pode ser transmitido de várias maneiras, sobressaindo-se a música, que é emoção pura. O arrebatamento religioso poderá vir por meio dela. É PRECISO... Resgatar o senso da soberania e majestade de Deus. Ou seja, um conceito adequado de Deus e da sua doutrina. Porque homens e mulheres levaram Deus a sério, foram escolhidos para altas missões (Gn 6.9; 7.1; 12.1-3; Is 6.1ss); tiveram visões (2Rs 6.17; Ez 1); foram mães de grandes homens (1Sm 1.1ss; Jz 13.2,3; Lc 1.1ss). Deus não é algo, uma força ou uma influência. Mas, ensina a Escritura e a nossa própria experiência, uma Pessoa com quem podemos manter comunhão. O Nome e o toque de Deus. O Deus à minha imagem e semelhança: o Deus Papai Noel, o Deus da Arte, o Deus-que-me-obedece, o Deus utilitário. Quem é Deus? É o Deus único (Is 45.22; Dt 6.4); é o Deus que está presente (Ez 48.35); é o Deus Vivo, Santo e Verdadeiro. Resgatar o senso da messianidade e da obra de Jesus Cristo. A doutrina de Cristo, no Cristianismo, dá significado a todas as outras (Revelação, o Ser Humano, Igreja, Escatologia, etc.) Uma pergunta tão antiga quanto o evangelho é "Quem dizem os homens que eu sou?" (Lc 9.18,19). * "O Homem Perfeito" * "O Homem Ideal", modelo dos outros * "A mais bela alma que jamais existiu" (Auguste Sabatier, filósofo francês) * "Curvo-me diante de Jesus Cristo como diante da revelação divina do princípio supremo da moralidade" (Goethe) 42

57 p. LAMEGO. Haroldo. His Only Son Our Lord. Aceptado por Dios.82 p. Rita. SP. Nashville. Convention Press. Huáscar Terra do. Cristo ("Ungido"). Parte XIV A MISSÃO DA IGREJA Na confrontação com a opressão espiritual Uma das questões mais cruciais da missiologia é a definição do próprio conceito de missão." (Ernest Renan) * "(foi Jesus quem) pôs à luz. Um modo de reconhecer os atributos de Jesus Cristo é examinar os seus títulos no Novo Testamento: Jesus ("Salvação do Senhor").12).. O que se deve entender por missões cristãs? Quais são a natureza e os objetivos da missão da igreja? Evidentemente essas perguntas podem receber uma grande variedade de respostas a partir de diferentes pressupostos e compromissos teológicos. Pedro faz a confissão de fé evangélica ao dizer "o Cristo. 1978. KNUTSON. 128 p. Glasgow. NEILL. 1961. Collins. Maria J. Augsburg. Lavonn D. é a mais alta regra da vida. 1998. Tratado de Teologia Profana. A Palavra de Deus é viva e eficaz (Hb 4. Sola Fide. Shaping your Faith.. Edinburgh. o valor de cada alma humana e ninguém pode desfazer o que ele fez" (Harnack). O propósito da Bíblia Sagrada e dos seus registros: para que homens e mulheres venham a crer (Jo 20. 1973. Trad. Word. pela primeira vez. Loyola.M. 1980.16). 349 p. Truths that Make a Difference.* "Um grande mestre" * "(Jesus com) seu perfeito idealismo. o Filho do Deus Vivo" (Mt 16. Ele criou o mundo das almas puras. J. John.R. BROWN. Sola Scriptura. SP. 1974. Senhor.W.3). Waco. A Caruso SNOWDEN. Trad. El Estandarte de la Verdad. Alfa Ômega. Eu Sou Quem Sou. Confederação Evangélica do Brasil. Christianity Close to life. CHRISTIAN. Verbo ou Palavra. e penetrante e apta. Quem é Jesus Cristo? Rio. e RAHM. Kent S. 1976. a mais destacada e a mais virtuosa. Minneapolis. L. Stephen. Uma antiga abordagem foi o debate em torno de 43 . VALLE. Resgatar o valor da Escritura Sagrada como norma de vida Os estandartes da Reforma: Sola Gratia. Blauch. etc.2. Livros sugeridos BLANCHARD.31) e os crentes cresçam (1Pe 2. C. 1966.

na amplitude de suas necessidades e relacionamentos. social e política da América Latina. tem estado em diálogo constante com representantes de grupos e movimentos importantes do cristianismo latinoamericano e mundial. Certamente este é um assunto controvertido. é um teólogo. Speer (1867-1947). Diferentes autores do século XX têm procurado expressar a missão da igreja em termos de desenvolvimento. Concluiremos o estudo acrescentando algumas de nossas próprias convicções a respeito do tema em questão. o secretário executivo da Junta de Missões Estrangeiras da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos.2 Todavia. Ele tem um profundo conhecimento da situação religiosa. esse estímulo ocorreu às avessas. o que o coloca numa posição privilegiada para falar a uma audiência mais ampla e levar ao primeiro mundo uma valiosa perspectiva do terceiro mundo acerca de missões. sociais e econômicas da América Latina. evangélico. diálogo interreligioso. ANTECEDENTES A reflexão sistemática e abrangente sobre o trabalho missionário protestante na América Latina foi desencadeada pela célebre Conferência Missionária Mundial. presença cristã. finalmente. fazer um apanhado dos principais movimentos de que tem participado e apresentar alguns dos principais temas e ênfases da sua reflexão missiológica. justiça e paz. Robert E. Ao longo dos anos. contextual e sensível às complexas realidades espirituais. políticas. escritor e orador extremamente articulado e criativo. sendo admitidas apenas as missões que trabalhavam entre as tribos pagãs desse continente.3 Isso excluiu a América Latina do âmbito daquele encontro. Criticando os modelos missionários reducionistas ou dicotômicos.”1 Hoje é mais comum falar-se em evangelismo e responsabilidade social. Durante a conferência. A seguir.evangelização e “civilização. realizada em Edimburgo em 1910. ou seja. diaconia e outros conceitos. A escolha de Escobar justifica-se por várias razões. Nossa análise começa com um retrospecto histórico da discussão missiológica protestante na América Latina. a missão da igreja na sociedade. tendo trabalhado em vários países como pastor e missionário. Escobar tem defendido um conceito de missão que é ao mesmo tempo bíblico. ele propõe um programa que implica em levar o evangelho integral ao ser humano integral. uma vez que somente foram convidadas para a conferência as sociedades missionárias que atuavam entre povos não-cristãos. mas também sumamente importante para a igreja e para os cristãos individuais. Como pode a igreja ser o que deve ser e fazer o que deve fazer se não tiver uma clara compreensão acerca do seu propósito na sociedade e no mundo? O objetivo deste estudo é abordar o tema a partir da perspectiva de Samuel Escobar. I. tem sido um líder respeitado em círculos missiológicos e teológicos. iremos fornecer algumas informações biográficas sobre Samuel Escobar. um dos mais destacados missiólogos evangélicos contemporâneos da América Latina. por vários anos ele tem sido professor em instituições teológicas norte-americanas. 44 .

nos anos seguintes realizaram-se dois congressos missionários regionais. a unificação da educação teológica através de seminários unidos. a CCLA patrocinou o Congresso de Ação Cristã na América Latina. Por outro lado. Mais especificamente. Dos 230 delegados oficiais. O Congresso mostrou a necessidade de maior cooperação em áreas como educação religiosa. o Congresso do Panamá revelou duas ênfases que se tornariam problemáticas para os evangélicos latino-americanos: uma atitude simpática para com a Igreja Católica e uma forte influência do “evangelho social. uma conferência sobre missões na América Latina.6 Mesmo assim. Finalmente. embora a participação de latino-americanos tenha sido maior (o pastor presbiteriano brasileiro Erasmo Braga foi eleito presidente do congresso). o evento produziu a primeira discussão séria do protestantismo latino-americano e estimulou a criação de órgãos cooperativos regionais em vários países. que rapidamente tornavam-se minoritárias no contexto geral do protestantismo da América Latina. apenas 21 eram latino-americanos natos. 1949). o desejo de dar uma dimensão social ao trabalho missionário na América Latina e o esforço em promover a unidade protestante. O protestantismo ecumênico das CELAs recebia a influência do protestantismo histórico declinante do hemisfério norte. Por sua vez. antes que um encontro de líderes protestantes latino-americanos. Aqui. o congresso foi inteiramente organizado e conduzido por latinoamericanos e as ênfases recaíram sobre a nacionalização e o auto-sustento das igrejas evangélicas.5 Na realidade. o Congresso do Panamá foi uma reunião de representantes de juntas missionárias estrangeiras. reuniu-se em Montevidéu. buscava aproximar-se do catolicismo 45 . literatura e formação teológica.7 Essas conferências estavam ligadas às denominações históricas. suas metas principais foram a evangelização das classes cultas. CELA II (Lima.4 Essa conferência criou a Comissão de Cooperação na América Latina (CCLA). em março de 1913. sob os auspícios da Conferência de Missões Estrangeiras da América do Norte. em 1925. realizou-se em Nova York. O primeiro. Desta feita. o maior encontro das forças protestantes desse continente realizado até aquela data. tendo como presidente o próprio Robert Speer e como secretário executivo Samuel Guy Inman.” Como resultado do encontro do Panamá. 1961) e CELA III (Buenos Aires. missões. reunido no Panamá em fevereiro de 1916. Uma segunda série de encontros do protestantismo latino-americano foi representada por três Conferências Evangélicas continentais: CELA I (Buenos Aires. em 1929 reuniu-se em Havana o Congresso Evangélico Hispano-Americano. Como resultado desses entendimentos. 1969). os norte-americanos ficaram a cargo da organização e presidiram todas as comissões. Uruguai. presidido pelo metodista mexicano Gonzalo Baez-Camargo.convidou vários delegados interessados na América Latina a se reunirem informalmente para discutir como essa lacuna poderia ser suprida. denominado Congresso de Ação Cristã na América do Sul.

1979) e CLADE III (Quito. o protestantismo ecumênico latino-americano criou várias estruturas paraeclesiásticas com o fim de promover os seus objetivos.10 O primeiro CLADE foi organizado pela Associação Evangelística Billy Graham. O CLADE I permitiu que líderes preocupados em relacionar a fé evangélica com a realidade latino-americana compartilhassem as suas inquietações.” A teologia da libertação adquiriu notoriedade no âmbito católico romano com a segunda assembléia da Conferência Episcopal Latino-Americana (CELAM). Coordenadoria de Projetos Ecumênicos (COPEC) e Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI). Naquela ocasião e naquele contexto. Ao lado das Conferências Evangélicas continentais (CELAs) e do ISAL. no ano anterior. Em 1972. União Latino-Americana de Juventudes Evangélicas – depois. Peru. somos e queremos ser latino-americanos. em 1962. 1969). realizado em Santiago do Chile. 1992). sendo evangélicos. E. Alguns organismos importantes são ou foram os seguintes: Movimento Estudantil Cristão (MEC). convocado pela revista evangélica Christianity Today. sob o impulso do Congresso Mundial de Evangelização (Berlim. Para Valdir Steuernagel.9 Uma característica desse protestantismo ecumênico era o crescente declínio do seu ímpeto evangelizador. as duas correntes teológicas puseram-se em contato no I Congresso Latino-Americano de Cristãos pelo Socialismo. Colômbia. reunida em Medellín. esse congresso teve duas marcas distintivas: Manifestou com clareza que. Ela tornou-se o centro de convergência dos teólogos protestantes da libertação. CLADE II (Lima. em 1968.8 Anos antes. Ecumênicas (ULAJE). que mantinham o seu vigor evangelístico apesar das debilidades da sua teologia.11 Foi no CLADE I que se articulou a criação da Fraternidade Teológica Latino46 . Do seio desse protestantismo majoritário surgiu o impulso para os Congressos LatinoAmericanos de Evangelização. Comissão Evangélica Latino-Americana de Educação Cristã (CELADEC). tornava-se urgente que. como evangélicos. que constituem a terceira das séries mencionadas acima: CLADE I (Bogotá. 1966).posterior ao Concílio Vaticano II (1962-1965) e procurava responder à difícil situação social do continente com uma teologia radical. que eventualmente identificou-se com a célebre “teologia da libertação. O CLADE IV deverá realizar-se em setembro do ano 2000 no Equador. os protestantes haviam criado a organização Igreja e Sociedade na América Latina (ISAL). somos e queremos ser evangélicos. em contraste com a vitalidade das igrejas vinculadas a missões independentes ou ao movimento pentecostal. tendo como órgão o periódico Cristianismo e Sociedade. buscássemos uma teologia da encarnação que estabelecesse as pautas para um diálogo com a situação de sofrimento e opressão que se vivia em toda a América Latina. na América Latina. Agência de Serviços Ecumênicos Latino-Americanos (ASEL). após uma consulta realizada em Huampaní.

em Lima. em Filadélfia. 47 . inclusive o que irá realizar-se no ano 2000. Samuel Escobar é presidente das Sociedades Bíblicas Unidas e professor titular de missiologia no Seminário Teológico Batista do Leste. Entre os seus participantes mais destacados e influentes está o líder que é o enfoque principal deste artigo — Samuel Escobar. após o que dedicou-se ao ensino nos níveis primário. tendo Pedro Savage como seu primeiro secretário e Samuel Escobar como seu primeiro presidente. Ele trabalhou como missionário entre estudantes universitários na Argentina e no Brasil15 e foi diretor da Comunidade Evangélica Kairós.Americana. com sede em Toronto.12 Por sua vez. Bolívia. ele fez o curso de doutorado em filosofia (Ph. a Fraternidade Teológica Latino-Americana convocou os CLADEs posteriores. Nas décadas de 1960 e 1970. Ela é também mais representativa do protestantismo popular da América Latina que a sua congênere ecumênica.) na Universidade Complutense de Madri e eventualmente trabalhou como secretário da Fraternidade Cristã Universitária (Inter-Varsity Christian Fellowship) do Canadá. mas ao mesmo tempo preocupou-se em abordar a questão de uma perspectiva que entendia ser mais bíblica e equilibrada. tendo participado de muitas de suas consultas ao redor do mundo.17 Atualmente. a FTL procurou ser uma plataforma de encontro e diálogo teológico da qual participassem pastores. o Peru. há muitos anos ele é membro da Comissão Teológica da Fraternidade Evangélica Mundial (World Evangelical Fellowship). DADOS BIOGRÁFICOS E ESCRITOS Samuel Escobar nasceu no Peru e freqüentou uma escola missionária inglesa em Arequipa. em Buenos Aires. Escobar assim expressou os objetivos da Fraternidade: Desde o primeiro momento. ele e outros teólogos latino-americanos tornaram-se bem conhecidos em círculos evangélicos e ecumênicos internacionais através de sua participação em importantes conferências. missionários e pensadores evangélicos.16 Escobar foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Fraternidade Teológica Latino-Americana (1970-1984) e de 1979 a 1985 ocupou o cargo de secretário geral da Fraternidade Internacional de Estudantes Evangélicos.D. Em 1959 Escobar tornou-se o secretário itinerante da Fraternidade Internacional de Estudantes Evangélicos (International Fellowship of Evangelical Students) — representada no Brasil pela Aliança Bíblica Universitária —. secundário e superior. Estados Unidos. Em 1956. Além disso. ele recebeu o seu grau de mestre em artes e educação na Universidade de São Marcos. dentro do marco evangélico de uma lealdade comum à autoridade bíblica e à fé evangélica como base da reflexão e de um compromisso ativo com o cumprimento da missão cristã. organizada no ano seguinte em Cochabamba.18 Ele também leciona sobre missões em seu país natal.13 A Fraternidade procurou estar tão consciente da problemática social latino-americana quanto o grupo ISAL. Alguns anos depois. visitando praticamente todos os países da América Latina.14 II.

Um dos seus livros mais recentes é Desafios da Igreja na América Latina: História.” em Emerging Voices in Global Christian Theology (1994). Evangelio y Realidad Social (1988). “The Training of Missiologists for a Latin American Context. International Bulletin of Missionary Research. Escobar também escreveu diversos ensaios que foram publicados como capítulos de livros. Decadencia da la Religión (1972). entre outros. os próprios títulos de alguns artigos representativos dão uma clara idéia dos principais temas com os quais Escobar tem trabalhado ao longo dos anos: “The Social Responsibility of the Church in Latin America” (EMQ. publicado em 1998 pela Editora Ultimato. Missiology e International Review of Mission. Transformation.Samuel Escobar é autor de vários livros sobre teologia e missiologia: Diálogo entre Cristo y Marx (1967). 1970).”19 em The Role of NGOs: Charity and Empowerment (1997). “Latin America. seus numerosos artigos têm aparecido em renomados periódicos como Evangelical Missions Quarterly. “Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological Christology” (Missiology. “A Pauline Paradigm of Mission: A Latin American Reading. “Missions and Renewal in Latin American Catholicism” (Missiology. “A Movement Divided: Three Approaches to World Evangelization Stand in Tension with One Another” (Transformation. Estratégia e Teologia de Missões. Paulo Freire: Una Pedagogia Latinoamericana (1993). 1990). 1992). “Mission in Latin America: An Evangelical Pespective” (Missiology.” em Bible Translation and the Spread of the Church (1990).” em Is Revolution Change? (1972). Uma vez mais. “The Social Impact of the Gospel. “500 Years after Columbus: Requiem 48 . “The Church in Latin America after Five Hundred Years” e “Conflict of Interpretations of Popular Protestantism. 1986). “Recruitment of Students for Mission” (Missiology. “The Elements of Style in Crafting New International Mission Leaders” (EMQ. 1989). “La Presencia Protestante en America Latina: Conflicto de Interpretaciones. “Has McGavran´s Missiology Been Devoured by a Lion?” (Missiology.” em Historia y Misión: Revisión de Perspectivas (1994). “Evangelism and Man´s Search for Freedom. “Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America” (IBMR. Irrupción Juvenil (1978). 1991). Alguns títulos representativos podem dar-nos uma idéia de seus temas prediletos: “Social Concern and World Evangelism.” em Let the Earth Hear His Voice (1974).” em Toward the Twenty-First Century in Christian Mission (1993). “Religion and Social Change at the Grass Roots in Latin America. com John Driver).” em Christ the Liberator (1971). “The Role of Translation in Developing Indigenous Theologies: A Latin American View. Quien es Cristo Hoy? (1970. entre outros. “The Search for a Missiological Christology in Latin America. 1991).” em New Face of the Church in Latin America: Between Tradition and Change (1994).” em Missiological Education for the Twenty-First Century (1996). 1987). 1992). Liberation Themes in Reformational Perspective (1989). Justice and Fulfillment. 1982). Christian Mission and Social Justice (1978. René Padilla). La Fe Evangelica y las Teologías de la Liberación (1987). “From Lausanne 1974 to Manilla 1989: The Pilgrimage of Urban Mission” (Urban Mission. com C. Evangelical Review of Theology.” em The Good News of the Kingdom (1993). Finalmente. 1987). “Transformation in Ayacucho: From Violence to Peace and Hope” (Transformation.

Ele observa que. Bassham descreve o desenvolvimento das teologias de missão ecumênica. “A Missiological Approach to Latin American Protestantism” (IRM. o evangelho tem relevância para a totalidade da vida. como indivíduos e como membros da sociedade. ele sempre interessou-se pela missão da igreja. líder de movimentos estudantis. Por outro lado. os evangélicos começaram a constituir uma comunidade verdadeiramente global com uma visão abrangente de missões.20 As influências recebidas por Escobar. Em seu livro Mission Theology. o ano em que eles patrocinaram duas grandes conferências mundiais sobre missões e 49 . sendo bastante crítico da sua teologia/ideologia. e a igreja deve partilhar desse interesse de Deus. 1994). especialmente através dos movimentos de que participou a partir da década de 1960. especialmente entre 1948 e 1975. tanto católica quanto protestante. mostram o interesse de Deus por todas as necessidades humanas. 1992). 1998). em particular depois de 1966. regimes ditatoriais e caos sócioeconômico. Rodger C. Tendo vivido em um período de grande turbulência na história latino-americana. ele está longe de partilhar das idéias e compromissos do fundamentalismo. Escobar tem um profundo interesse em missões. “The Legacy of John Alexander Mackay” (IBMR. ajudam a entender as preocupações reveladas pelos títulos dos seus escritos. especialmente em um contexto de pobreza e sofrimento. golpes militares. Para ele.or Te Deum?” (EMQ. Sua identidade latino-americana também é essencial para a reflexão e os envolvimentos teológicos de Escobar. REFLEXÃO TEOLÓGICA E ENVOLVIMENTOS Samuel Escobar identifica-se como um evangélico. leigos e líderes cristãos — a compartilhar essa visão. O evangelho tem implicações sociais e políticas revolucionárias que não podem ser omitidas. Como pastor. violência política. Escobar e alguns colegas sentiram que não era suficiente pregar um evangelho puramente espiritual. em meados da década de 60. por um lado. Conseqüentemente. “Missions´ New World Order: The Twenty-First Century Calls for us to Give up our Nineteenth-Century Models for Worldwide Ministry” (Christianity Today. 1992). 1993). que ele não tem nenhuma conexão particular com as correntes da teologia da libertação que foram e ainda são uma expressão importante da teologia latinoamericana. a mensagem bíblica em geral. “Beyond Liberation Theology: A Review Article” (Themelios. Escobar considera sua tarefa articular essa missiologia holística e inspirar outras pessoas — estudantes.21 Isto significa. professor e teólogo. e os ensinos e o ministério de Jesus em particular. III. evangélica conservadora e católica. A igreja deve proclamar Jesus Cristo como Salvador e Senhor porque os seres humanos carecem tanto de reconciliação com Deus quanto de dignidade e integridade em sua vida neste mundo. pastores. “The Whole Gospel for the Whole World from Latin America” (Transformation. Para ele. 1994). marcado por injustiça e opressão generalizada.

à medida que os participantes se debatiam com as questões da teologia de missão no mundo contemporâneo.25 No entanto. Para Bassham. a fim de permitir o surgimento de igrejas nativas alicerçadas na fé. Escobar estava entre os muitos líderes do terceiro mundo que falaram enfaticamente em prol das igrejas nativas. e capazes de atuar eficazmente em seu contexto local. Bassham identifica vários desdobramentos importantes: os primórdios de uma teologia evangélica de missão altamente representativa (a Declaração de Wheaton). 1974). 1974).evangelização. que evocou manifestações de opinião de toda a comunidade evangélica. a luta em torno da relação entre evangelização e ação social. 50 . e o crescente número de vozes evangélicas provenientes de fora da América do Norte. Samuel Escobar estando entre eles. à medida que evangélicos de todo o mundo começaram a empreender juntos uma análise da situação enfrentada por aqueles que estavam envolvidos com missões e evangelismo em todos os continentes. Bassham observa que “as apresentações e discussões de Lausanne mostraram um espírito de abertura. dotadas de uma liderança nacional bem-treinada. O impacto de líderes como Samuel Escobar e C. Escobar falaria apaixonadamente sobre a necessidade de se estabelecer uma relação entre as preocupações sociais e a evangelização mundial. o Pacto de Lausanne demonstra que “os evangélicos desenvolveram uma teologia de missão amadurecida. Escobar foi ouvido pela primeira vez por grandes audiências internacionais nas convenções da Fraternidade Cristã Universitária realizadas em Urbana. No Congresso Mundial de Evangelização (Berlim. positiva e consistente. 1966) – a primeira grande reunião mundial de evangélicos no século XX – também estimulou congressos regionais de evangelização em vários continentes. 1966).”23 Em todos esses acontecimentos importantes houve uma decidida participação de teólogos latino-americanos. diversidade de perspectivas e profundidade de análise jamais alcançado anteriormente em uma assembléia evangélica. o forte impacto do conceito de “crescimento da igreja” sobre a teologia evangélica de missões. imperialista e colonialista. O Congresso Mundial de Evangelização (Berlim. Ele e outros oradores da América Latina desafiaram os evangélicos norte-americanos a reconhecer a necessidade de promover justiça social e reformas políticas como parte dos seus deveres como cristãos.”26 Uma das grandes influências nas deliberações do congresso veio através das contribuições de oradores do terceiro mundo. Estes por sua vez contribuíram para o Congresso Internacional de Evangelização Mundial (Lausanne. Nesse contexto. o principal forum internacional em que se ouviu a voz de Escobar foi o Congresso Internacional de Evangelização Mundial (Lausanne.24 Na convenção de 1970.22 Os congressos de Wheaton e Berlim marcaram um novo estágio na emergência de uma identidade evangélica. Estados Unidos. Ele exortou os missionários a superar a mentalidade paternalista. nos anos 60.

cor. ela também produziu algumas mudanças bemdefinidas na teologia evangélica de missões. Embora a reconciliação com o ser humano não seja o mesmo que a reconciliação com Deus. classe. Samuel Escobar teve uma importante participação no 51 . econômicos e políticos —. a singularidade de Cristo e a necessidade da evangelização. nem a ação social seja evangelismo. cultura. devemos partilhar da sua preocupação com a justiça e a reconciliação em toda a sociedade humana e com a libertação dos homens de todo tipo de opressão. acentuando a autoridade da Bíblia. Bassham cita as seguintes afirmações de Escobar: Uma espiritualidade sem discipulado nos aspectos diários da vida — sociais.” o Pacto de Lausanne declara: Afirmamos que Deus é tanto o Criador como o Juiz de todos os homens. é religiosidade e não cristianismo.28 No âmbito continental. Ao contrário. Em seu capítulo sobre a “Responsabilidade Social Cristã. referindo-se com isso ao ministério e à missão total da igreja. Também aqui manifestamos o nosso arrependimento. religião. até mesmo ao ponto de se esforçarem pela mudança das estruturas sociais. tem uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida. tanto pela nossa negligência quanto por às vezes termos considerado a evangelização e a preocupação social como mutuamente exclusivas. do discipulado cristão e da renovação da igreja. Portanto. O Pacto de Lausanne foi muito além das declarações evangélicas tradicionais.René Padilla. é o interesse pela integridade do Evangelho que nos motiva a acentuarmos a sua dimensão social. através do grupo de Discipulado Radical. não importa qual seja a sua raça. todavia afirmamos que tanto a evangelização como o envolvimento socio-político são parte do nosso dever cristão.. demonstrando que o evangelismo bíblico é inseparável da responsabilidade social. De uma vez por todas. devemos rejeitar a falsa noção de que a preocupação com as implicações sociais do evangelho e as dimensões sociais do testemunho cristão resultam de uma falsa doutrina ou de uma ausência de convicção evangélica. e não explorada.. foi de especial importância. toda pessoa. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus. Orlando Costas e Samuel Escobar proferiram as declarações mais fortes no sentido de que a preocupação com as necessidades sociais da humanidade e o envolvimento com as mesmas é uma parte necessária do testemunho e da responsabilidade dos cristãos em favor do mundo. Enquanto que a orientação teológica de Lausanne permaneceu firmemente evangélica. Lausanne abordou o tema abrangente da evangelização mundial. Oradores latino-americanos como René Padilla. sexo ou idade.27 Muitas vezes durante o congresso os participantes afirmaram ter um interesse profundo e permanente pela ação social em favor dos pobres e necessitados. nem a libertação política seja salvação.

31 Essa ênfase achou lugar na Declaração Evangélica de Bogotá.Primeiro Congresso Latino-Americano de Evangelização (CLADE I. Apesar das diferenças existentes entre os dois movimentos. em Buenos Aires.. é uma evangelização defeituosa. Orlando Costas comenta que 1969 foi para os protestantes o que 1968 havia sido para os católicos (II Conferência Episcopal Latino-Americana. Costa vê nos documentos de ambos os eventos a emergência de novas tendências missiológicas caracterizadas por um tríplice interesse: a busca de um entendimento histórico de missões. Samuel Escobar e C. a sua apresentação sobre a responsabilidade social da igreja recebeu a atenção mais entusiástica.35 Em um capítulo sobre a América Latina que escreveu para o livro Toward the Twenty-First Century in Christian Mission (1993).30 Escobar afirmou a certa altura: Existe base suficiente na história da Igreja e nos ensinamentos da Palavra de Deus para afirmar categoricamente que a preocupação pelo aspecto social do testemunho evangélico no mundo não é um abandono das verdades fundamentais do Evangelho.” Os participantes afirmaram que “o exemplo de Cristo devia ser encarnado na crítica situação latino-americana de subdesenvolvimento. essa terceira busca tem assumido várias formas.”32 se os cristãos quisessem testemunhar fielmente em seu contexto sócio-cultural. Escobar menciona duas outras 52 .29 Dentre os 28 discursos principais. Ele argumentou eloqüentemente que tanto a evangelização quanto a ação social são necessárias para o testemunho cristão. que envia o evangelista. de uma expressão mais autêntica de unidade cristã no empreendimento missionário e de uma reflexão missiológica mais séria e profunda. que formam a base desse Evangelho. levarmos a sério a nossa responsabilidade social. Em sua opinião. que trai o ensino bíblico e não segue o modelo proposto por Cristo. Bogotá. injustiça. pelo contrário. de Jesus Cristo.. além do CLADE I. Sustentamos que uma evangelização que não toma conhecimento dos problemas sociais e que não anuncia a salvação e a soberania de Cristo dentro do contexto no qual vivem os que ouvem. é levar às suas últimas conseqüências os ensinos a respeito de Deus. entre outros. Colômbia). violência e desespero. que afirmou: “É chegada a hora de nós. uma das quais é o modelo ético-missiológico — missão da perspectiva de questões éticas — articulado por. do homem e do mundo.33 O próprio Escobar acha que o seu modelo pode ser melhor descrito como “holístico. evangélicos. três anos antes. 1969). René Padilla.”34 Ele argumenta que os evangélicos latino-americanos escolheram o Pacto de Lausanne como uma expressão do seu consenso doutrinário básico e do seu claro compromisso com um modelo de missão integral e bíblico. Naquele ano. os protestantes latino-americanos realizaram ainda outra grande conferência – a Conferência Evangélica LatinoAmericana (CELA III). fome. planejado em resposta a pedidos de delegados latino-americanos presentes no Congresso de Berlim. em Medellín.

ou irá adotar as técnicas e padrões da sociologia funcionalista. somente em seu nome há salvação para a humanidade. cujo pacto manteve a ênfase de Lausanne sobre a preocupação social como parte da missão da igreja: “Assim como no passado o chamado de Jesus Cristo e da sua missão foi um chamado para cruzar fronteiras geográficas. pois operavam com uma noção bíblica holística do ser humano. Escobar argumenta que o grande dilema para o qual a missiologia deve estar alerta é diferente: A obra missionária será realizada segundo o modelo de Jesus e a prática apostólica. 1987) deixou de abordar conceitos básicos do entendimento de missões. e essa singularidade de Jesus Cristo é essencial para a mensagem da igreja.39 Em resposta a um artigo de McGavran. porque Jesus Cristo é Senhor. Escobar afirma que. injustiça e idolatria ideológica. Assim sendo. inclusive a clamorosa realidade de pobreza que circundava o próprio local em que se reuniram os delegados.37 Por essa razão. ele concorda integralmente com dois pontos do apelo de McGavran: primeiro.”36 Todavia. hoje o Senhor está nos chamando para cruzarmos as fronteiras da desigualdade. Eles não procurariam estabelecer prioridades nesses termos. ambas realizadas no Brasil. Escobar acredita que o êxito do avanço protestante na América Latina deve ser interpretado fazendo-se perguntas sérias sobre o seu dinamismo transformador e a sua contribuição para a justiça nas relações sociais. São Paulo. 1976). Ele observa que os grandes missionários dos primeiros 1800 anos da igreja dificilmente fariam a distinção entre “espiritual” (evangelização) e “o resto. O que o movimento do Crescimento da Igreja necessita é o corretivo de uma sólida teologia bíblica. que poderá nunca chegar.” que McGavran faz.conferências missionárias latino-americanas. Uma delas foi o Primeiro Congresso Missionário Latino-Americano (Curitiba. como evangélico.40 O que Escobar questiona é se uma pessoa pode realmente evangelizar anunciando a Cristo como Salvador e então deixar a questão do senhorio de Cristo sobre toda a criação para uma segunda etapa. testemunha-se o surgimento de uma nova teologia contextual que conclama à “integridade” da missão e procura associar o zelo evangelístico com a paixão holística. Reagindo contra o triunfalismo fácil das estatísticas e a tirania do controle de dados. ele lamenta o fato de que o Congresso Missionário Ibero-Americano (COMIBAM. mas também o esforço consciente de executar essa tarefa segundo moldes bíblicos. Ele preocupa-se com a “missiologia gerencial” que dá ênfase à proclamação verbal e ao crescimento numérico de adesões à igreja como o principal componente das missões cristãs. iniciado por Donald McGavran em 1960. a igreja nunca deve perder o seu senso de missão e do seu chamado para proclamar a Jesus Cristo como Salvador e Senhor.38 Ele acha que a base desse questionamento tem sido o compromisso claro com a tarefa de missões e evangelização. do marketing e das relações públicas?41 53 . Segundo. Escobar é um crítico rigoroso do movimento do Crescimento da Igreja.

mobiliza as pessoas para a missão e cria um senso de comunidade.44 Em décadas recentes. Se. Com relação ao primeiro. Ele admite que a hermenêutica evangélica necessitar ser constantemente purificada de pressuposições ideológicas. à medida que a Igreja Católica Romana latino-americana buscou nova relevância social e política. Escobar vê com apreciação o dinamismo e o crescimento do protestantismo popular (pentecostalismo) na América Latina. Como evangélico.”46 Na área da hermenêutica.”42 Ele destaca várias lições missiológicas que podem ser extraídas do impressionante crescimento do pentecostalismo latinoamericano: é um movimento religioso (e não social ou político). por outro lado ele não sente entusiasmo pela Teologia da Libertação. embora Escobar considere inadequadas a análise marxista e a “escatologia” da Teologia da Libertação. enfatize “o discipulado cristão como algo que implica em colocar a totalidade da vida debaixo do senhorio de Jesus Cristo. a Teologia da Libertação foi uma das conseqüências desse processo. Escobar declara que "para as massas em transição. é um movimento popular. Ele admite: “Nós não mais podemos aceitar uma missiologia que recusa-se a levar a sério as realidades políticas e sociais. nas palavras de René Padilla. Escobar e os seus colegas da Fraternidade Teológica Latino-Americana têm refletido sobre o Jesus dos 54 . A missiologia evangélica deve avaliá-la. e a religião oficial uma força opressora. por um lado.45 A Teologia da Libertação confronta a missiologia evangélica com dois desafios. o evangelho era a verdadeira força libertadora nas vidas dos latino-americanos. Ele observa como.”47 Contra o Cristo “docético” do catolicismo latino-americano tradicional.Compreensivelmente."43 Ele observa que alguns pentecostais latino-americanos também escolheram o Pacto de Lausanne como expressão do seu compromisso com um modelo de missão holístico e bíblico. Escobar diverge da escola do Crescimento da Igreja. Escobar entende que a Teologia da Libertação é uma voz eloqüente que procura reinterpretar a história cristã e a mensagem cristã. no início das missões protestantes na América Latina. ele admite que a missiologia evangélica está aprendendo a encarar a história missionária com uma atitude menos ingênua e mais madura. essas igrejas estão oferecendo não somente um abrigo ou refúgio no sentido mais limitado. um na área da consciência histórica e o outro na da hermenêutica. ele aborda esse movimento na qualidade de “um observador-participante. alguém que tem procurado ser um crítico e intérprete amoroso – um crítico severo em alguns pontos – do lado de dentro. alcançar dignidade humana e sobreviver ao impacto das forças anômicas que atuam nas grandes cidades. e apela a uma genuína cristologia missiológica que. mas a única maneira disponível de encontrar aceitação social. Escobar reafirma a ênfase evangélica na centralidade da Escritura e questiona a abordagem fortemente ideológica da interpretação bíblica demonstrada pelos teólogos da libertação.

Em um artigo sobre a preparação de líderes de missões.”49 Ele argumenta que seria grandemente desejável para a globalização das missões e da teologia evangélica se as diferentes correntes missiológicas do evangelicalismo (européias. Escobar cita novamente seu amigo René Padilla: “(O evangelicalismo) afirma o poder transformador de Cristo em relação ao indivíduo. terceiro mundo) pudessem convergir em um movimento mais articulado e cooperativo para enfrentar a tarefa missionária do terceiro milênio. há uma busca do significado e da “integridade” do evangelho — Jesus Cristo é tanto o conteúdo quanto o modelo e o alvo da proclamação do evangelho.”48 Essa missiologia cristológica busca um novo modelo para inspirar e moldar a ação missionária. consciência histórica e preocupação pastoral. mas também da África e da Ásia. Há uma séria reflexão acerca daquilo que os evangelhos dizem sobre a pessoa e a obra de Jesus de Nazaré. O material bíblico é abordado a partir de várias perspectivas possuidoras de significado missiológico. ele destaca a importância do treinamento de missionários e missiólogos para o contexto latino-americano. Inicialmente. suas formas contextualizadas de culto e ação missionária e o destaque 55 . Escobar gostaria de ouvir as igrejas norte-americanas dizerem: “Vamos descobrir o que Deus está fazendo em outras partes do mundo.”51 Mais uma vez ele expressa o seu entusiasmo pelo protestantismo popular (pentecostalismo) devido a sua ênfase na mobilização dos leigos. mesmo que essa leitura signifique um exame incômodo e sério da herança evangélica.evangelhos. sobre como a sua obra e ensino são relevantes para todas as áreas da vida. e como ele o está fazendo. Ele observa que tal missiologia “é caracterizada por uma forte ênfase hermenêutica que insiste na importância de ler o mundo e ler a Palavra. crescimento da igreja. Nesse sentido. Escobar aborda em cinco ensaios algumas de suas preocupações mais fundamentais. e vamos unirnos aos nossos irmãos e irmãs a fim de completarmos a tarefa inacabada. Essa reflexão inclui uma crítica do cristianismo evangélico na América Latina. mas é totalmente incapaz de relacionar o Evangelho com a ética social e a vida social. tanto individual quanto social. como uma missiologia crítica da periferia.”50 Em sua obra publicada recentemente em português. com o entendimento de que ser seu discípulo é ser chamado por ele tanto para conhecê-lo quanto para participar da sua missão. ele argumenta que “nosso programa de treinamento na América Latina precisa ser elaborado com base em convicções bíblicas. Nessas igrejas do hemisfério sul. Deus está despertando uma nova força missionária. Há também uma preocupação quanto às marcas da missão de Jesus. experiência de vida. Além disso. Escobar observa que a internacionalização das missões cristãs implica em reconhecer que Deus tem levantado igrejas grandes e florescentes no terceiro mundo. Escobar identifica essa reflexão missiológica que está vindo não só da América Latina. especialmente nas fronteiras de missão. mencionada no início deste trabalho. as igrejas dos pobres.

uma vez que está filiado à Igreja Menonita. muito embora as suas práticas nem sempre tenham correspondido às suas convicções. REFLEXÕES FINAIS Samuel Escobar não se identifica como um reformado ou calvinista. Ao lado disso. Sua biografia e envolvimentos revelam uma conexão preponderante com a tradição anabatista. Ainda que isso não deixe de ser importante. alguns pontos da sua missiologia merecem reparos. ao lado da sua anterior ênfase cristocêntrica. Ásia e América Latina). Após salientar o “fator novo” na história do cristianismo que é a transferência do dinamismo missionário para o hemisfério sul (África. Escobar alerta os cristãos evangélicos para a necessidade de um constante processo de encarnação e contextualização que rejeita toda e qualquer forma de paternalismo e discriminação. a dar uma grande ênfase ao papel do Espírito Santo nas missões cristãs. seja em seus comentários.54 Historicamente. em anos recentes. fato que tem sido amplamente documentado por diversos pesquisadores. Não obstante. espírito de competição. e conclui com uma análise do modelo missionário de Paulo. Para superar esses problemas ele novamente propõe o modelo de missão integral. algumas de suas suas ênfases certamente contariam com o aval de João Calvino e de muitos dos seus seguidores. Na realidade.”52 Ao mesmo tempo que expressa sua admiração pelas igrejas populares.dado ao ministério do Espírito Santo e ao elemento de conflito espiritual relacionado com a missão da igreja. a partir da sua própria comunidade local. com sua ênfase na conversão de indivíduos ao evangelho. Ele encarece a necessidade de uma espiritualidade profunda aliada a uma preocupação igualmente intensa com as exigências éticas do evangelho. os reformados têm acentuado um conceito abrangente acerca da missão da igreja. elas enfrentam os riscos do excesso de individualismo.53 Finalmente. como a sua ênfase quase que exclusiva sobre as massas empobrecidas da América Latina como objeto da ação missionária da igreja. o nosso continente testemunha o crescimento cada mais acentuado de uma classe média significativa que também deve ser alvo do interesse da igreja. Escobar tende a superestimar os valores positivos das igrejas 56 . morávios e avivalistas dos séculos XVIII e XIX do que com os reformadores do século XVI. com sua notável interação entre reflexão e ação missionária. Ele entende que “os evangélicos latino-americanos necessitam de um impulso renovado do Espírito Santo e de uma leitura nova e contextual da Palavra de Deus. falta de uma eclesiologia clara e atitudes sectárias. sermões ou nas Institutas. ele aponta que os evangélicos latino-americanos têm maior afinidade com os pietistas. Nos escritos do grande reformador. vemos uma preocupação constante com as implicações sociais e comunitárias do Evangelho. cartas. Isso tem levado Escobar. Escobar reconhece que. Não precisamos concordar com tudo o que Samuel Escobar tem escrito. que vai além da experiência religiosa pessoal para incluir a comunidade e o mundo.

que busca a humanidade com amor e compaixão. Tal ocorrência seria um retrocesso histórico lastimável. do combate ao alcoolismo e de tantas outras causas nobres. Como Escobar destaca. na Europa e nos Estados Unidos. optaram decididamente por atividades de cunho social. pois que a igreja cristã em geral e as igrejas evangélicas de modo particular têm uma longa e honrosa tradição de “missão integral” ao mundo. que falam com convicção. em seu ministério terreno. Isso foi ilustrado de maneira extraordinária por Jesus. ideológicas e sociais. Num período conturbado da história recente da América Latina. devemos levar a sério os desafios desses líderes. Não obstante. Escobar e seus colegas têm algo importante a dizer às igrejas evangélicas históricas da América Latina e do Brasil. Basta lembrarmos o intenso esforço de missões e de reforma social gerado pelos grandes despertamentos dos séculos XVIII e XIX. Ao mesmo tempo que enviavam pregadores do evangelho para todos os quadrantes do mundo. Jesus Cristo. ao passo que os liberais. Como cristãos brasileiros preocupados tanto com a missão da igreja quanto com as difíceis realidades sócio-econômicas de nosso país. como agente e instrumento de Deus. especialmente como reveladas no seu Filho. a atitude e as ações de Deus em relação ao mundo.populares. no início deste século. dando pouca atenção a alguns sérios problemas apresentados pelas mesmas. que realmente correm o risco de tornar-se irrelevantes na sociedade caso não despertem para algumas dolorosas realidades que existem ao seu redor. da abolição da escravatura. coerência e clareza sobre a necessidade de um entendimento abrangente da tarefa da igreja no mundo. as igrejas e cristãos individuais estavam na vanguarda de movimentos em prol da extinção do tráfico negreiro. A Bíblia fala de um Deus que toma a iniciativa. Infelizmente. como é caso de alguns recentes movimentos neopentecostais. são o nosso grande paradigma de missão. produziram a concepção dicotômica da missão da igreja que hoje observamos. da luta contra o trabalho infantil. quando nosso continente foi sacudido por profundas convulsões políticas. Samuel Escobar e seus companheiros da Fraternidade Teológica LatinoAmericana fizeram um esforço sério no sentido de apresentar uma alternativa a essa teologia que fosse bíblica. 57 . evangélica e igualmente radical em suas implicações. da reforma das prisões. tendo como alvo a conversão individual. que quer dar vida e dignidade à sua criação. quando. notadamente nas áreas doutrinária e ética. Os conservadores em grande parte aferraram-se à idéia de que a missão exclusiva da igreja é a evangelização. muitos cristãos aderiram à agenda revolucionária da Teologia da Libertação. as disputas teológicas tão bem exemplificadas pela controvérsia modernistafundamentalista nos Estados Unidos. poucos afeitos à pregação do evangelho. manifestou o interesse de Deus por todos os tipos de pessoas e pela pessoa integral. Eles demonstraram que as igrejas podem permanecer fiéis às suas convicções históricas e ao mesmo tempo adotar uma postura ousada e coerente em relação aos problemas sociais.

Tudo deve ser colocado debaixo do propósito e do senhorio de Deus. Essa mensagem. 1987). John R.” A igreja não deve ser reduzida a uma organização social ou a um grupo de pressão política como tantos que existem na sociedade. 3ª ed. a esse respeito. Por causa do seu forte senso de missão. O reino de Deus e seus novos valores devem ser manifestos em todos os tipos de relacionamentos humanos. e a tenham em abundância. estatísticas e resultados rápidos não deve cegar a igreja para a integridade da missão. praticidade ou. Desde uma perspectiva evangélica. Jesus lutou e morreu na cruz. À medida que a igreja evangeliza.” publicado em Vox Scripturae 8/1 (Julho 1998): 95-111. É para essas implicações mais amplas do evangelho e da missão da igreja que cristãos comprometidos e inquiridores como Samuel Escobar chamam a nossa atenção. Inevitavelmente é levantada a questão das prioridades: uma vez que não podemos fazer tudo que Deus espera que façamos.O Cristo do Novo Testamento interessa-se por todas as necessidades humanas — espirituais. Hutchison. necessariamente fará com que a igreja enfrente as diferentes situações que afetam a vida humana neste mundo caído. Seus líderes. eram provenientes do movimento cristão de estudantes. com uma contribuição e uma mensagem singular. Mott e Robert E. as famílias e as comunidades à reconciliação e nova vida em Jesus Cristo – certamente é básica e essencial. Todavia. Obs. ela também precisa expressar o interesse de Deus por toda a vida e espelhar a atitude daquele que disse: “Eu vinham para que tenham vida. a evangelização – convidar os indivíduos. físicas e emocionais. se vivida até as suas últimas conseqüências.: O presente estudo é uma versão ampliada do artigo “Samuel Escobar e a Missão Integral da Igreja: Uma Perspectiva Latino-Americana. a preocupação com prioridades. “Ecumenical Bearings of the Missionary Movement and the International Missionary Council. 353-402 (Genebra: World 58 . como Joseph H.. Ela é uma instituição singular. A Conferência de Edimburgo é considerada o berço do moderno movimento ecumênico.21s). eds. Neill. Latourette. a sua mensagem e ações desafiam todas as áreas da vida particular e coletiva. Speer. o propósito total de Deus para a humanidade e para a comunidade redimida. Ver. o importante livro de William R. vamos concentrar os nossos esforços no que é primordial – a evangelização – e as outras preocupações cuidarão de si mesmas. Oldham.” em A History of the Ecumenical Movement: 1517-1948. Ver Kenneth S. Ruth Rouse e Stephen C. Errand to the World: American Protestant Thought and Foreign Missions (Chicago: The University of Chicago Press. Evidentemente. muitas vezes. Ele instruiu os seus seguidores a continuarem a sua obra de proclamação do reino (Jo 20. esses sublimes ideais nem sempre encontram plena expressão nas vidas diárias dos cristãos e das igrejas.

Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). identidade étnica e filiação eclesiástica. enquanto que todos os CLADEs ocorreram nos países andinos. Nelson. “Panamá 1916 y su Impacto sobre el Protestantismo Latinoamericano. autor de Uma Teologia da Libertação (1971). Hugo Assmann.” William R. Hogg. Em 1959 e 1960 percorri como evangelista e discipulador um bom número de centros universitários. Entre os evangélicos conservadores. Erasmo eventualmente tornou-se o secretário da Comissão Brasileira de Cooperação. “Los ‘CLADEs’ y la Misión de la Iglesia. Os próprios locais dessas conferências e congressos são reveladores. especial (Novembro 1978): 521. metade das inscrições é reservada para participantes pentecostais. os presbiterianos Eduardo Carlos Pereira. Ecumenical Foundations: A History of the International Missionary Council and its Nineteenth-Century Background (Nova York: Harper and Brothers. 1952). Dali percorri o Norte e o Nordeste. nos primeiros anos da Aliança Bíblica Universitária. Neste último aspecto.” 22. Álvaro Reis e Erasmo Braga. na selva peruana.” Samuel Escobar. Citado por Tito Paredes em “Visión Histórica de los ‘CLADEs’. José Porfirio Miranda. ed. 131-32. O historiador Sidney Rooy identifica uma seqüência de três séries ou ciclos de encontros do protestantismo latino-americano.” Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). Cheguei de avião. um velho Catalina da Panair. Os critérios de seleção procuram ser os mais abrangentes possíveis em termos de faixas etárias dos participantes. o próprio Escobar afirma em uma obra recente: “Desde a minha primeira visita ao Brasil. de Iquitos. Ver Samuel Escobar. Núnez e o brasileiro Valdir Steuernagel. em 1953.” Pastoralia 1/2. 13. Um dos primeiros e mais importantes articuladores dessa teologia foi o sacerdote peruano Gustavo Gutiérrez. Outros nomes importantes no campo católico são Juan Luis Segundo. John Kessler e Wilton M. como jovem delegado peruano a um congresso mundial da juventude batista. 35. Outros membros bem conhecidos da Fraternidade Teológica são C. até chegar a São Paulo. até Manaus. 20. Emílio A.” Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). Tito Paredes. entre 1962 e 1964. Entre os latino-americanos presentes no congresso estavam apenas três brasileiros.Council of Churches. sexo. duas realizaram-se na cosmopolita e culta Buenos Aires. “Los ‘CLADEs’ y la Misión de la Iglesia. 1986). Rolando Gutiérrez. Henrique Dussel e Leonardo Boff. onde. 59 . no campo protestante destacaram-se José Miguez Bonino e Rubem Alves. Sobre a sua relação com o Brasil. com seus enormes problemas sociais e suas dinâmicas igrejas populares. Escobar. o órgão cooperativo correspondente ao CLAI é a Confraternidade de Evangélicos da América Latina (CONELA). apaixonei-me por esse imenso país. Das três CELAs. entre outros. Daí o subtítulo utilizado: “Para considerar os problemas missionários relativos ao mundo não-cristão. entidade que promoveu o maior esforço cooperativo até hoje empreendido pelas igrejas evangélicas brasileiras e foi precursora da Confederação Evangélica do Brasil. Jon Sobrino. René Padilla. trabalhei como missionário na frente estudantil.

” Como no Brasil. “De Lausanne 1974 até Manilla 1989: a peregrinação da missão urbana”.Desafios da Igreja na América Latina: História. Escobar participou de uma conferência sobre economia e missões promovida pelo Concílio de Ministérios Internacionais das igrejas menonitas norteamericanas.” Evangelical Review of Theology 7. A revista Evangelical Review of Theology. na Coréia do Sul. o termo “evangélico” tem sido virtualmente sinônimo de “protestante. órgão oficial da referida Comissão Teológica. 11.” os estudiosos estão utilizado o anglicismo “evangelical” para designar especificamente os evangélicos conservadores. e diretor de Pensamiento Cristiano. “O evangelho inteiro para o mundo inteiro a partir da América Latina”. Valdir Steuernagel e Rodrigo Zapata. Segundo o Mennonite Brethren Herald. como ocorre nos Estados Unidos. nº 1 (abril 1983): 48-62. “Missões e renovação no catolicismo latino-americano”. um órgão de exposição do pensamento evangélico. em março de 1998. Também publicado em Annals of the American Academy of Political & Social Science 554 (Nov 1997). 1997). publicou os trabalhos apresentados nessa consulta. MG: Editora Ultimato. uma revista para estudantes universitários. “A Latin American Critique of Latin American Theology. “Além da teologia da libertação: artigo-resenha” e “Uma abordagem missiológica do protestantismo latino-americano. Pedro Arana. (2) evangelicais separatistas 60 . em 1982 Escobar participou da Consulta de Teólogos do Terceiro Mundo. publicado na Argentina. “o missiologista Samuel Escobar disse que um conceito holístico de missão conclama os cristãos a compartilhar tanto a vida espiritual quanto recursos materiais e a utilizar instrumentos espirituais. Mackay”. “Além da teologia da libertação: missiologia evangélica na América Latina”.” Escobar também leciona no curso de Administração do Eastern College. Por exemplo. “O legado de John A. realizada em Seul. Estratégia e Teologia de Missões (Viçosa. Por exemplo. “O recrutamento de estudantes para missões”. em distinção dos progressistas ou liberais. Ver Samuel Escobar. Seu papel principal é ajudar os estudantes a considerar as missões cristãs no contexto da justiça econômica. “A nova ordem mundial das missões: o século XXI nos conclama a abandonarmos nossos modelos de ministério mundial procedentes do século XIX”. Escobar também foi responsável por vários periódicos. “500 anos após Colombo: Requiem ou Te Deum?”. culturais e tecnológicos. Para os leitores não familiarizados com o inglês. esta é a tradução dos títulos dos artigos de Escobar: “A responsabilidade social da igreja na América Latina”. David Bosch menciona pelo menos seis tipos básicos: (1) novos evangelicais (como Billy Graham). “Teologia evangélica na América Latina: o desenvolvimento de uma cristologia missiológica”. um deles escrito por Escobar e três colegas latinoamericanos. “Elementos de estilo na formação de novos líderes missionários internacionais”. historicamente. “A missiologia de McGavran foi devorada por um leão?”. que tentam unificar todos os evangelicais. “Um movimento dividido: três abordagens da evangelização mundial permanecem em tensão entre si”. “Missão na América Latina: uma perspectiva evangélica”. Mais recentemente. “Transformação em Ayacucho: da violência à paz e esperança”. ele foi editor de Certeza. em nível de pós-gradução. Por força de suas ocupações.

Ver Samuel Escobar. “Holístico. 1970). “Missiology in Contemporary Latin America: A Survey. Ibid.html. 131. 187. e (6) evangelicais ecumênicos (como John Stott.br/cem/postura. 1984). www. Mission Theology. A Responsabilidade Social da Igreja.. Califórnia: William Carey Library. “Mission in Latin America: An Evangelical Perspective. A palestra foi publicada na íntegra por Edições Vida Nova.” do grego hólos (“inteiro”. and Roman Catholic (Pasadena. “completo”). (3) evangelicais por confissão (como Peter Beyerhaus). Conn e Samuel F. Mission Theology: 1948-1975 – Years of Worldwide Creative Tension – Ecumenical. 244. Um bom exemplo das idéias de Escobar acerca da evangelização pode ser encontrado no seu artigo “Vivir y Evangelizar. 104. The Lausanne Covenant: An Exposition and Commentary (Minneapolis: World Wide. O COMIBAM deu uma forte ênfase à segunda vinda de Cristo. 7-8.. 231. denota o que diz respeito a totalidades ou sistemas completos. Festo Kivengere e Arthur Glasser). 1993). Ver Internet.. que recebeu 920 delegados de 25 países. 1975). Escobar.(como Carl McIntire e o seu Concílio Internacional de Igrejas Cristãs). ed.. Bassham. Phillips e Robert T. Ibid. Samuel Escobar. James M. Bassham. tratamento ou divisão em partes. (5) evangelicais radicais (como Samuel Escobar.. Ibid. Ibid. Samuel Escobar. Tópicos do Momento 3 (São Paulo: Vida Nova. Orlando Costas. os delegados colocaram-se de pé e demonstraram a sua aprovação aplaudindo-o entusiasticamente. Harvie M. Ibid. René Padilla e Orlando Costas). 295. Escobar atribui ao CLADE I. 349-350.” em Pensamiento Cristiano 93 (Março 1978): 170-175. em contraste com a análise. Evangelical.” 241.” em Toward the Twenty-First Century in Mission. “Has McGavran´s Missiology been Devoured by a Lion?” Missiology 17 (Julho 1989). 291.” Missiology 20 (Abril 1992). “Mission in Latin America. Ibid. ed. “Latin America. Desafios da Igreja. 237. (4) evangelicais pentecostais e carismáticos. Rodger C. Samuel Escobar. Escobar.com. 1979). Coote (Grand Rapids: Eerdmans.” em Missions and Theological Education in World Perspective. Ibid. Bassham. 350.homenet. Romen (Farmington. Quando Escobar concluiu sua palestra. Esse congresso foi o berço da Fraternidade Teológica Latino-Americana.” a instabilidade 61 . Ibid. 25. 262.” 134. 22. John Stott. A medicina holística. Mission Theology. procura tratar tanto a mente como o corpo. 225. 133. “Anômicas” deriva de “anomia. “Latin America.. o surgimento de uma “teologia nacional” entre os evangélicos latino-americanos.. Michigan: Urbanus. por exemplo.

19. Não é exaustivo porque o número de teólogos. significa a inquietação. realizada em Londres de 9 a 14 de abril de 1996. É o caso de André Biéler. Samuel Escobar.” Evangelical Review of Theology 20/4 (Outubro 1996). Ver também. Escobar participou de mais uma consulta da Comissão Teológica da Fraternidade Evangélica Mundial. missiólogos e pensadores que têm escrito e palestrado sobre a missão da Igreja.. obras como as de René Padilla e Timóteo Carriker são dignas de nota. Waldyr Carvalho Luz (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana. Não é original porque missão integral já faz parte da discussão teológica da Igreja há algum tempo.” Escobar foi o autor de um dos seis estudos apresentados ao plenário. sob o título “Discernindo o Espírito na América Latina. no sentido individual. 1990).. Samuel Escobar. 64. Samuel Escobar.” Missiology 19 (Julho 1991).” Fides Reformata 3:1 (Jan-Jun 1998). Não é um trabalho original e nem exaustivo. trad. Além disso. Escobar. Ibid. Ibid. 111.” Evangelical Missions Quarterly 28 (Janeiro 1992). Mas existem muitos outros autores que não aparecem no livro de Steuernagel.” International Bulletin of Missionary Research 6 (Julho 1982). alienação e incerteza que decorre da ausência de propósito ou ideais.” Fides Reformata 2:2 (Jul-Dez 1997). O Pensamento Econômico e Social de Calvino. organizado pelo Dr. e em seus vários aspectos. Escobar. 69-88. 110. Há poucos anos. teve como tema “Fé e Esperança para o Futuro: Por Uma Teologia Evangélica Vital e Coerente para o Século XXI. Nele nada menos que 27 articulistas tratam da missão integral da Igreja. Samuel Escobar. e “Jonathan Edwards: Teólogo do Coração e do Intelecto. “Amando a Deus e ao Próximo: João Calvino e o Diaconato em Genebra.social resultante do colapso dos padrões e valores. 7. Ibid. conforme observamos no 62 . Desafios da Igreja na América Latina. gerando uma espiritualidade nova e radical. Um bom exemplo da diversidade da missão integral é o livro A Missão da Igreja. “Mañana – Discerning the Spirit in Latin America. Valdir Steuernagel em 1994.. 316.. “Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological Christology. Desafios da Igreja na América Latina. Ibid. 48. 108. Ibid. do autor do presente artigo.. “Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America. “The Elements of Style in Crafting New International Mission Leaders. Tal consulta. é enorme.” em que revela o seu grande interesse pela dimensão pneumatológica da missão da igreja e conclama os evangélicos a estarem receptivos ao novo vento do Espírito que sopra na igreja. 328. 72-87 Parte XV A MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA Introdução: Que é missão integral? O que envolve a missão da Igreja a ponto de investigarmos o que é mito e o que é realidade? Na procura de respostas para estas e outras perguntas semelhantes é que este estudo veio a lume. 321.

O mito da polarização teológica Que evangelização e responsabilidade social são verdades bíblicas para a Igreja de Jesus Cristo não há dúvida. O MITO E A REALIDADE DA MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA 1. a saber. 1998. ou pelo menos não deveria haver (1). presidida por John Stott em 1982. Nosso objetivo é mostrar que a Igreja evangélica brasileira só pode ser verdadeiramente missionária quando no desempenho de sua missão integral.capítulo sobre o conceito de missão integral da Igreja na teologia contemporânea. também não estamos afirmando que sejam duas coisas diametralmente separadas. O primeiro trata da missão integral como mito e realidade propriamente dito. ainda não amadureceu tanto em sua concepção de missão integral. isto é. mas relacionalmente inseparáveis e necessárias para um ministério integral da igreja" (YAMAMORI. p. "Um ministério integral verdadeiro define a evangelização e a ação social como funcionalmente separadas. Entretanto. vez ou outra mencionados no corpo deste trabalho. O primeiro deles estaria relacionado a um debate que perdura já algum tempo na igreja evangélica mundial e na brasileira em particular. Alguns fatores que possibilitaram o surgimento desses mitos é o que veremos. O segundo mito estaria diretamente ligado à dicotomia humana. por outro. o ser humano considerado em partes separadas ao invés do todo. Nosso estudo divide-se em três capítulos principais. O relatório da Consulta Internacional realizada em Grand Rapids (EUA). Felizmente. a polarização entre evangelização e a responsabilidade social da Igreja. se por um lado a Igreja vem melhorando em sua visão social. Por causa dessa variedade de autores foi preciso adotar alguns critérios. pois há situações em que o 63 . a consciência social da igreja brasileira hoje parece ser maior do que algumas décadas atrás. 14). Por outro lado. mas em prioridade lógica. neste capítulo. Não estamos falando em prioridade temporal. I. Com isso não queremos dizer que evangelização e ação social devam ser entendidas como sendo a mesma coisa. também. a. O mito da missão integral da Igreja O que poderíamos denominar de mito ou mitos na missão integral da Igreja? Após relativa pesquisa e análise cuidadosa deste assunto. chegamos à conclusão que dois pontos resumiriam bem o mito de missão integral da Igreja. Evangelização e responsabilidade social devem andar juntas como causa e efeito de uma mesma verdade evangélica. justamente porque ao se discutir prioridades (estamos falando apenas de evangelização e ação social) a igreja deixa de fazer bem uma e outra coisa.1. Os outros dois são uma explanação bíblico-teológica e pragmática do primeiro. concluiu que na questão da primazia entre evangelização e ação social "a evangelização tem uma certa prioridade.

pelo menos nas sociedades livres. o ingresso em sua igreja e um serviço responsável no mundo" (O PACTO DE LAUSANNE. Portanto. Em lugar de estarem em competição. como aconteceu no ministério público de Jesus. V) (Grifos nossos) E mais: "A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais. p. A fé sem obras é morta" (Idem. Evangelização e responsabilidade social são partes integrantes da missio Dei. uma rápida apresentação de dois grandes movimentos que contribuíram negativamente para o distanciamento da Igreja de sua missão integral. IV). e raramente teremos de optar entre uma e outra. 23) A discussão pouco louvável no meio cristão sobre a missão prioritária da Igreja no mundo também levou o comitê de Lausanne a elaborar uma declaração sóbria e amadurecida. o chamado Pacto de Lausanne: "Os resultados da evangelização incluem a obediência a Cristo. (Idem. portanto. foi um dos fatores que colaboraram para a polarização entre evangelização e a ação social no meio 64 . Façamos. Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus. estas duas realidades (evangelização e ação social) são inseparáveis. religião. a seguir. classe social. e não explorada. nem a libertação política salvação. E na prática? Na prática. e pela libertação dos homens de todo tipo de opressão. inseparáveis e indispensáveis na missão integral da Igreja de Jesus Cristo no mundo e para o mundo (2). 23).ministério social precisa vir primeiro" (STOTT. numa espiral ascendente de preocupação crescente (STOTT. sem distinção de raça. cultura. devemos partilhar o seu interesse pela justiça e pela reconciliação em toda a sociedade humana. O evangelho social e a teologia da libertação A influência perniciosa e nefasta do liberalismo teológico do século XX. sexo ou idade possui uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida. 1983. Aqui também nos arrependemos de nossa negligência e de termos algumas vezes considerado a evangelização e a atividade social mutuamente exclusivas. E ainda: Afirmamos que Deus é o Criador e o Juiz de todos os homens. p. toda pessoa. afirmamos que a evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. V). elas se sustentam e fortalecem mutuamente. Diz assim. nem a ação social evangelização. 1983. cor. 1983. em seus artigos. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus. em particular das teologias do evangelho social e da libertação.

evangélico. o ser humano poderia ser definido como sendo 'uma comunidade integrada de corpo e alma' (STOTT. como o é pela Bíblia. dando uma reviravolta considerável nessa história toda. 154) observa que parte do descuido do "homem total" tem sua origem na ênfase platônica não-cristã sobre a dualidade do ser humano. na melhor das hipóteses. como salientou muito bem Manfred (1987. Um dos maiores males cometidos na igreja evangélica brasileira de hoje é limitar o conceito de salvação. Entretanto. isto é. principalmente desta última). como também o próprio evangelho para o qual ela foi chamada a proclamar no mundo. Hoje em dia. um grande mal. tanto o evangelho social quanto a teologia da libertação provocaram uma reação positiva na Igreja.homem ou mulher . por outro lado. achando que Cristo veio salvar apenas a alma do homem ou da mulher. O ser humano . A influência missionária e da teologia sistemática Norman L. 38). provocou um mal-estar na igreja brasileira. é uma necessidade urgente em nossos dias. p. Contudo. conforme veremos no decorrer deste estudo. "Esta ênfase foi dirigida pelos cristãos na Idade Média e tem sido transmitida para o presente". como ocorria em tempos atrás. a Igreja acabou se equivocando e não enxergou a mensagem social autêntica que o mesmo evangelho oferecia. 59). o platonismo. não dictomizado. pela própria Igreja. "só existe fidelidade na evangelização quando existe fidelidade na missão integral da igreja". boa parte das igrejas brasileiras está envolvida em trabalhos sociais. na pior. pois. O esforço de se combater a teologia do evangelho social e depois a teologia da libertação (por causa da ênfase social à parte do evangelho bíblico e de uma filosofia marxista. Em síntese o platonismo argumenta que o ser humano é essencialmente um ser espiritual e que apenas tem conexão funcional com um corpo que. p. tem levado a mesma a desvalorizar não somente o ser humano na sociedade. e sem qualquer preocupação de ser rotulada e perseguida por isso. p. Se de um lado as teologias liberais mencionadas cometeram o pecado do social sem espiritualidade. por sua vez. 1989. A correção deste erro está no ensino bíblico acerca da unidade essencial do ser humano. a influência missionária européia e norte-americana e a teologia sistemática. Geisler (1985. a igreja evangélica brasileira. A Igreja foi levada a refletir seus valores. Resultado: No afã de se preservar o espiritual. 65 . Partindo da perspectiva bíblica. Veremos a seguir que pelo menos três fatores contribuíram negativamente para o surgimento do mito da dicotomia humana. é um impedimento e. b. pecou na espiritualidade sem encarnação. O mito da dicotomia humana Ver o indivíduo completo.é um todo e deveria sempre ser visto assim. a ausência da compreensão do indivíduo como ser integral. há de se admitir que.

Mas então. é claro. na análise da questão corpo. Isso explica. em seu artigo Teologia Sistemática (In EHTIC1990. novos entendimentos teológicos e reformulações são necessários a cada geração. perdeu-se de vista a perspectiva bíblica de que somos um todo. independente de sua linha confessional. pelo contrário. p. o conjunto da verdade cristã deve ser vestido em roupagens contemporâneas a fim de permanecer inteligível. Uma terceira razão foi observada pelo missiólogo norte-americano Timóteo Carriker. mas. é preciso ter cautela com a mesma. (Grifo nosso) (3) Outro fator que infelizmente tem colaborado para a dicotomia humana é a teologia sistemática. o texto bíblico precisa ser reinterpretado e reaplicado ao contexto moderno. até hoje sentida. E. alma e/ou espírito. embora não justifique. isto tem sido um dos fatores prejudiciais na compreensão da missão da Igreja. isto é. por causa daquela reação ao evangelho social e à teologia da libertação. que desempenharam um papel social muito grande em nosso país. os missionários europeus e norte-americanos que aqui estiveram parece que não conseguiram passar adiante a idéia da missão integral. nosso espiritualismo desencarnado no campo social. de certa forma. 515). certamente. pp. Nossa herança missionária é deveras espiritualista. 55). ora dominador e paternalista. não transmitiam a mesma visão missionária para as igrejas autóctones. No estudo da natureza do ser humano na teologia sistemática.Além da influência platônica. quando diz que boa parte dos missionários europeus e norte-americanos que aqui estiveram "realizaram o trabalho. a história da igreja brasileira registra dignos exemplos de missionários como Robert e Sarah Kalley. de tempos em tempos. 1993.40). contribuiu para a difusão do evangelho social e principalmente da teologia da libertação em nosso país. faz uma advertência importante: Alguns consideram a teologia sistemática como um depósito eterno e inalterável de verdades divinas. e durante tanto tempo vem caminhando lentamente na questão social? Pelo menos por três razões principais: Uma delas tratamos há pouco. isso não quer dizer que não houve qualquer tipo de envolvimento social. Porém. ora nobre e sacrificial. Primeiro: porque à medida que a linguagem e as formas culturais mudam. p. In Teses. 39. a omissão da Igreja. DEMAREST. por que a igreja evangélica brasileira de modo geral não herdou a totalidade da visão desses bons exemplos de missionários. e segundo: porque novas questões e problemas continuam a surgir para desafiar a igreja. com raríssimas exceções. Outra razão é que a maioria dos missionários estrangeiros que aqui chegaram tendia para a corrente do evangelho individual (KRIEGER. Assim. Por isso.2. Ashbell Green Simonton e outros. o que. Bruce A. 1. Embora a teologia sistemática seja uma tentativa interessante de organizar em um ou mais compêndios conceitos e pensamentos religiosos variados. deixaram a impressão de que missões é coisa que o Brasil recebe e não que faz (CARRIKER. e em seus conceitos dicotômicos e tricotômicos. Embora as Escrituras sejam invioláveis. O que é facilmente percebido nas mensagens bíblicas e hinos que os missionários nos legaram.1988. A realidade da missão integral da Igreja 66 .

mas também à criação de Deus em geral. Uma opção preferencial pelos pobres? E por que não? O evangelho é para todos. 229). de dignidade humana. a Igreja "não prega uma forma de governo. de respeito ao próximo e. p. Quando se coloca o pobre e o rico lado a lado. Orlando Costas via nesta dimensão diaconal ou encarnacional da Igreja "a intensidade de serviço que a igreja presta ao mundo. conflitos. Ela é uma instituição divina supra partidária. somente o pobre precisa ser atendido também em suas necessidades básicas prioritárias. o seu grau de participação na vida. E ainda: Esta dimensão envolve o impacto que o ministério reconciliador da igreja exerce sobre o mundo. por exemplo. tem o dever ético e moral de ser mais justa do que qualquer governo ou partido político pretenda ser. como veremos mais adiante. a Igreja como sal da terra e luz do mundo deve fazer a diferença nos vários setores da sociedade. de amor a Deus e à humanidade". sabemos que a ortopraxia da missão integral não é tão óbvia como deveria ser. Onde está. a consciência ecológica da Igreja? (4) Além disso. tem solapado nosso país e a Igreja muitas vezes tem se afastado como se nada tivesse com isso.Em contrapartida ao mito da teologia de missão integral da Igreja. A injustiça social. Por isso mesmo. Conforme salientou Jorge GOULART (1941. como resultado de uma política social opressora. É mais que isso. em se tratando de benefícios a serem recebidos. A Igreja deve ser a voz do que clama no deserto a fim de fazer a diferença no mundo. Não só no que se refere ao indivíduo. 113). p. expressam bem a realidade dessa missão. verdadeira afronta contra a imagem e semelhança de Deus. sobretudo. como diria Orlando COSTAS (1979. p. A missão da Igreja é holística e diaconal Por mais óbvia que pareça esta afirmação. destaquemos dois fatores que. a. Precisa deixar o monte da transfiguração (entenda-se contemplação) e descer até ao sopé onde se encontram os excluídos. como prova concreta do amor de Deus" (COSTAS. à luz dos conceitos de liberdade. 1994. mas cria uma consciência democrática. Os cristãos foram postos no mundo para ser a consciência da sociedade. temores e esperanças da sociedade e a medida em que seu serviço ajuda a aliviar a dor humana e a transformar as condições sociais que têm condenado milhões de 67 . Não é fácil inculcar na cabeça do nosso povo que o envolvimento da Igreja deve ser total. principalmente no socorro aos menos favorecidos. por causa da má distribuição de renda de nosso país. É verdade que a Igreja não é uma instituição político-partidária que deva defender qualquer bandeira política. o primeiro sempre sai perdendo. porém. 102). É preciso sim que os pobres desse mundo recebam um tratamento preferencial porque foi assim que Deus os tratou na Bíblia. em nossa opinião.

ainda que sejam separadas em termos funcionais. Segue abaixo uma abordagem resumida sobre o assunto. Sem esta dimensão a igreja perde sua autenticidade e credibilidade. A opção por apenas um desses seus aspectos (doutrina ou prática) causará profunda ojeriza em Deus. aquele que está diretamente relacionado à pessoa do indivíduo ou. b. dos oprimidos e dos explorados". 1994. adoração. p. (BRYANT. É uma verdade bíblica que precisa ser resgatada e praticada em sua totalidade. pois somente na medida em que conseguir dar visibilidade e concreticidade à sua vocação de amor e serviço ela pode esperar ser ouvida e respeitada. 15) salienta: Tanto no Antigo como no Novo Testamentos a Bíblia ordena à igreja que ministre à pessoa como um todo.4).homens. A Bíblia é doutrina e prática. (COSTAS. A BASE BÍBLICA E TEOLÓGICA DA MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA 2. Por isso mesmo nosso objetivo agora será tratar. 68 . significa que ela (a missão integral da Igreja) não é uma filosofia cega ou um modismo passageiro. evangelismo e serviço". como um todo deve ser a missão integral de Sua Igreja. mais especificamente. apenas de um dos aspectos da missão integral. aos pobres deste mundo. Não é por acaso que GRELLERT (1987. No capítulo 2 desse estudo falaremos um pouco mais sobre a base bíblica da missão integral da Igreja. p. p. isto é. visto que a dimensão dessa missão é vertical e horizontal. O compromisso da Igreja com Deus (vertical) resulta nela um compromisso com a criação em geral e com o ser humano em particular (horizontal). No capítulo anterior mencionamos que a missão integral da Igreja é ampla. A missão da Igreja não é filosofia e muito menos modismo. 1988. Isto quer dizer que se deve atender tanto às necessidades físicas como às espirituais. à luz da Bíblia. A Bíblia não existe para o deleite de nossa mente carnal. II. Tetsunao YAMAMORI (1998. A Bíblia não incentiva nenhum blá-blá-blá teórico desinteressado. 113.1. A missão integral da Igreja é ampla. Sua Palavra é um todo. assim como é ampla a missão integral de Deus. 22) resumiu a missão intergral da Igreja em "comunhão. Isso é verdade. "Nada é mais claro na Bíblia do que ser Deus o campeão dos pobres. edificação. A integralidade da Igreja é bíblica e se baseia na missão integral de Deus. pp. que estão inseparavelmente relacionadas. 56). A missão da Igreja é bíblica Quando dizemos que a missão integral da Igreja é bíblica. mulheres e crianças à pobreza. A missão integral na Bíblia A missão integral tem raízes bíblicas profundas.

Os apóstolos deram continuidade ao tema da missão integral de Jesus em seus ministérios. ou sistema político de sua própria época". Em Isaías 58. vocês estão oprimindo os pobres. pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo". E ainda em Mateus (cap.2. Só no AT nós temos 300 referências sobre causas. pelo que me ungiu para evangelizar os pobres. 10.49 afirma que o pecado de Sodoma. do fraco. e seus próprios operários. do desamparado.19). nunca atendeu o pobre e o necessitado. da vaidade e da imoralidade era que aquela cidade. o órfão. do desesperado. é que vocês cortem as ligaduras da impiedade. Veja também Isaías 1. (MACEDO FILHO.1. a viúva. 25) notamos que além da questão do se "fazer igualmente a Cristo". mas enfrentando exatamente aqueles que oprimiam o povo. 1988. b. o pobre. do destituído. Ezequiel 16. o estrangeiro. e o jejum que eu quero. No Novo Testamento Jesus Cristo é a revelação máxima da missão integral de Deus no mundo. para por em liberdade os oprimidos. a nossa atitude para com os desfavorecidos deste mundo será um critério importante de julgamento no Juízo Final. além do orgulho. 69 . No início de seu ministério terreno o Senhor Jesus deixou bem clara a sua missão quando declarou: "O Espírito do Senhor está sobre mim. do carente. Deus diz: "É porque vocês jejuam e oram para a iniqüidade. ensinando nas sinagogas. "Nós nunca encontramos Jesus Cristo de dedo apontado contra os pobres e marginalizados. quer pelo sistema econômico. De modo algum! Mas com certeza Ele olha de maneira especial para aqueles que não têm vez. quando o povo de Deus pergunta: "Por que é que nós oramos e jejuamos e tu não nos respondes?". é que ajam com justiça em relação aos desamparados". e apregoar o ano aceitável do Senhor" (Lc 4. Se olharmos na legislação do povo de Deus no Velho Testamento. do humilhado. realidade e conseqüências da pobreza. quer pelo sistema religioso.23 lemos também: "Percorria Jesus toda a Galiléia. veremos que o objetivo de toda a legislação era que não houvesse miseráveis e injustiçados no meio do povo de Israel. Vinte e cinco palavras hebraicas para falar do oprimido. p.18.a.3-8. que não têm voz.17. Em Mateus 4. enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos. No Antigo Testamento Se folhearmos as páginas do Antigo Testamento veremos que existe uma clara opção preferencial de Deus pelos pobres e oprimidos. Veja por exemplo Atos 5 e 6. O cuidado de Jesus com os pobres e marginalizados é enorme. sendo rica e abastada. Isto não significa que Deus faça acepção de pessoas ou de classe social. 35). do que clama por justiça.

Os marginalizados. então. contudo. as igrejas de Corinto (II Co 8 e 9).1-6). e Ele vai cumpri-lo. Timóteo Carriker e René Padilla. Muito pelo contrário. vale a pena conferir a ênfase e a abordagem distintas que ambos conferem em seus respectivos livros acerca da missão integral da Igreja. Um bom exemplo disso é a obra do Dr. Destacamos. Falar do trabalho de cada um desses autores. e explico porquê. na palavra de Deus. Em segundo lugar.Em Jerusalém as três colunas do colégio apostólico (Pedro. a missio Dei exige os missiones eclesiae. 11). A missão integral na teologia contemporânea O número de teólogos que escreveram e escrevem sobre a missão integral da Igreja não é pequeno. A confiança no cumprimento do seu plano dá a igreja motivação para perseverar até o fim. Estou tomando. 5. São praticamente dois 70 . Deus tem um plano salvífico que alcança tanto judeu quanto gentio. samaritanos. O conceito de Timóteo Carriker O livro de Timóteo Carriker é uma teologia bíblica de missões. Reconhecer que a missão é essencialmente de Deus. a. 2. O seu reino tem um escopo universal até cósmico. da identidade e tarefa missionárias do povo de Deus (1992.2-10) e das doze tribos da dispersão (Tg 2. cada um deles escreveu um livro com o mesmo título (Missão Integral) com cerca de 300 páginas cada. "o que também me esforcei por fazer". É este Deus salvador que alcança além das leis judaicas. A seguir exporemos alguns dos principais conceitos da missão integral de Carriker. mulheres. p. Em primeiro lugar. Tiago e João) recomendaram a Paulo e a Barnabé que não se esquecessem dos pobres. a liberdade de selecionar apenas dois deles. não significa que a participação da igreja na evangelização mundial tem pouca significância. diz o apóstolo em Gálatas 2. Sua aproximação do homem exige a atitude de conversão. não fica passiva em relação à soberania de Deus. Em terceiro lugar. Seu objetivo é ressaltar as diversas dimensões. 1-7.2. a saber. missio Dei. No Antigo Testamento Javé é o Deus soberano sobre toda a sua criação. dentre outras. da Galácia (Gl 6.10. seria simplesmente impossível para as dimensões do nosso trabalho. Valdir Steuernagel em que ele reúne nada menos que 27 autores. Várias igrejas foram orientadas por cartas a agirem com a mesma visão de integralidade bíblica dos apóstolos. Um Deus soberano e misericordioso é o ator último das parábolas de Jesus. A igreja.14-26. nossos dois teólogos são duas das maiores autoridades mundiais sobre a missão integral da Igreja. Esta imagem de Deus está no coração do Novo Testamento também. sem considerar outro tanto que Steuernagel não menciona. e gentios recebem a misericórdia de Deus.

esquecendo-se das cidades. sem dúvida. a cidade é. Percebemos. Padilla desenvolve seu tratado em termos de desafios. Diz ele que o maior desafio que a igreja enfrenta atualmente é o desafio da missão integral (1992. portanto. a saber: O desafio da evangelização e do discipulado. vale ressaltar que as aplicações de Padilla são mais contextualizadas que as de Carriker. uma doutrina que podemos elaborar. p. O Deus da Bíblia é o Deus que age na história. Porque há um mundo. o que não diminui. é uma prioridade em todas as partes. julgamento e salvação. O conceito de René Padilla A abordagem de René Padilla é mais teológica e menos bíblica. através da sua morte e ressurreição. vê-se com clareza a necessidade de um evangelho com poder para transformar a totalidade da vida. o símbolo do desafio que a evangelização e o discipulado colocam para a igreja. Apesar de não termos o objetivo de comparar os dois autores. Deus não se restringe a uma dimensão mística da nossa vida. seus princípios são eminentemente bíblicos. 139). subdivide-se em outros três. o desafio da colaboração e da unidade e o desafio do desenvolvimento e da justiça. de modo algum. a sua conclusão. na cidade. b. Lá. a perspectiva cristã da história é essencialmente escatológica. do dilúvio e do cativeiro no Velho Testamento. pessoal e age nos eventos e experiências concretas das nossas vidas. A humanidade está indo na direção do cumprimento. A missão urbana. o valor da obra dele. eventos bem visíveis que fazem parte da nossa história. A "explosão urbana" é um fenômeno mundial. Ele atua através da vida humana do seu filho Jesus. Chegou o momento de encontrar maneiras de reduzir a distância entre as igrejas no Ocidente e no 71 . todos eventos históricos até "seculares". Por "mais teológica" queremos dizer que os argumentos de Padilla estão mais na área das idéias. Não é principalmente apresentado como um conceito ou idéia. É na nossa história humana que Deus se revela e o faz com movimento para frente. Assim. O desafio da missão integral. e este movimento entrou na sua fase final com a ressurreição de Cristo. uma igreja e um evangelho. Hoje é o dia da salvação.lados da mesma moeda. com todo seu poder desumanizante. a missão cristã não pode ser outra coisa que missão realizada em colaboração mútua. Ele é. através da história. Atua através do êxodo. acima de tudo. Por "menos bíblica" queremos afirmar que o livro de Padilla não é uma teologia bíblica nos moldes do livro de Timóteo Carriker. Seus argumentos principais são os seguintes: Um conceito um tanto romântico da obra missionária impulsionou as missões a concentrarem seu esforço em pequenas tribos nas selvas. por sua vez. Num mundo que está se urbanizando rapidamente. porém.

e para estimular a colaboração mútua entre as igrejas. Desafios da missão integral da Igreja Observamos no capítulo anterior que René Padilla apresenta a missão integral da Igreja em termos de desafios. sua abordagem é ampla. no contexto da justiça. os desafios sociais e os desafios eclesiais. Os desafios sociais da Igreja Não são poucos e nem pequenos os problemas sociais brasileiros. nem a ação social evangelização. é o nosso comum acordo com a declaração de Lausanne: Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus. Os desafios que agora mencionaremos tratam da igreja brasileira em solo brasileiro. partir para a ignorância e violência. a. Fazem falta modelos de missão plenamente adaptados a uma situação marcada por uma distância abismal entre ricos e pobres. afirmamos que evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. É preciso sim que a Igreja seja a consciência da sociedade e a voz profética que denuncia os desmandos desta mesma sociedade. econômicas. à universalidade da igreja e à interdependência dos seres humanos no mundo. Porém. no sentido de envolver a missão da Igreja num âmbito mundial ou. O desafio que a igreja encara no campo de desenvolvimento hoje é fundamentalmente o desafio de um desenvolvimento humano. O desafio tanto para os cristãos no Ocidente como para os cristãos nos países subdesenvolvidos é criar modelos de missão centrados num estilo de vida profético. Não devemos. no mínimo. de início é preciso que encaremos com seriedade e maturidade o dilema de até onde podemos e devemos nos envolver nestes desafios. modelos que apontem para Jesus Cristo como Senhor da totalidade da vida. isto é. Confrontação não é violência. No final das contas. mas podemos e devemos fazer confrontações sociais sérias. III. são contraproducentes para a missão.Terceiro Mundo. Dividimo-nos em duas partes distintas. Os modelos de missão baseados na riqueza do Ocidente solidarizam-se com esta situação de injustiça e condenam as igrejas do mundo pobre a uma permanente dependência.1. Linthicum 72 . portanto. na América Latina. Que a igreja evangélica brasileira não deve se esquivar de sua missão integral. nem a libertação política salvação. mas é necessário fazer muito mais para desenvolver modelos de solidariedade acima das barreiras políticas. como Igreja de Cristo. OS DESAFIOS E IMPLICAÇÕES DA MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA 3. Já há experiências úteis que estão sendo levadas a cabo com este propósito. sociais e culturais. Robert C. A igreja evangélica brasileira tem desafios enormes nesta área. Entretanto.

a violência é física. O governo tem (e como tem!) suas culpas e responsabilidades. procurando o fim da resolução. o amor ao próximo evidenciado.2) explica: Há muita confusão sobre a natureza da confrontação e da violência.(1996. mas à resolução do problema. É nesse espírito de verdadeira confrontação que a Igreja deve encarar seus desafios sociais. Ou porque a liderança não se empenha. os seus e os nossos direitos: Saúde. com propostas terapêuticas para uma sociedade enferma. De uma forma mais profunda. violência é o exercício da força física. Confrontação é simplesmente a atividade entre seres humanos na qual eles discordam. o nome de Jesus seja glorificado. Era uma igreja unida em seus propósitos e se amava de verdade. b. direto. pois. simplesmente criticando por criticar o governo. a moral dignificada. em obediência ao mandado de Cristo. É um encontro face a face. Enquanto a confrontação é verbal. e sim antônimas. estão desafiando uns aos outros. salgando a nós mesmos e iluminando nossos umbigos. desejosa de pregar o evangelho. educação. o evangelho e o bom testemunho não sejam prejudicados e. 73 . a fim de ganhar uma disputa. pp. Os desafios sociais da igreja brasileira não são combatidos e vencidos como deveriam porque falta vontade eclesiástica por parte da mesma. A palavra significa literalmente "testa-a-testa" . pois. as testas colocadas fisicamente uma contra-aoutra. Portanto. Uma lição é preciso aprender com a igreja de Jerusalém. mas não podemos ficar indiferentes ao que ocorre em nossa volta. Porém. sobretudo. Os desafios eclesiais da Igreja Certamente um dos maiores desafios da igreja brasileira na atualidade é vencer seus próprios desafios. A igreja de Jerusalém estava consciente de sua missão no mundo. Por outro lado. E até onde podemos e devemos ir nesta questão toda? Até onde os direitos sejam verdadeiramente assegurados. Reivindiquemos. Internamente ela estava pegando fogo. ou porque os liderados não se envolvem na obra. um ato de violência é a indicação de que a confrontação falhou. Continuaremos marcando passo. em sua própria natureza. essas palavras não são sinônimas. Pesa (e como pesa!) sobre o povo de Deus também a responsabilidade pelo bem-estar social do nosso país. A confrontação boa e eficaz nunca deve levar à violência. se não juntarmos forças. segurança. 171. O certo é: Se não chegarmos a um consenso. Tentarei explicar esta minha tese. jamais sairemos do lugar comum. empenhemos-nos pela dignidade do povo brasileiro.isto é. trabalho e salário digno. e devido a esta discordância.

aberto e amigável é a chave do sucesso. é a própria igreja criando obstáculos para não fazer a obra do Senhor. olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra. A quebra de paradigmas é uma das coisas fundamentais para que a estrutura de uma igreja se torne funcional. As idéias devem ser amadurecidas no meio da comunidade. mas progressivamente. mas internamente muito de nossas igrejas estão enfermas. E Deus atendeu ao clamor de sua Igreja (At 4. fechada em quatro paredes. enquanto estendes as mãos para fazer curas. Então a Igreja orou: "agora. a. tradição com tradicionalismo. Implicações da missão integral da Igreja As implicações que aqui abordaremos não deixam de ser verdadeiros desafios para a igreja brasileira.29. Uma coisa aprendi em meus poucos anos de ministério pastoral: Se a igreja não comprar a nossa idéia. à nível de igreja local. Pilatos. Às vezes é preciso muita coragem para mudar certos parâmetros que já não funcionam mais. Atendeu porque a Igreja deixou de lado seus próprios interesses para servir ao mundo. Um diálogo franco. Externamente desfruta-se de uma liberdade religiosa como nunca se viu. Hoje.31). À primeira vista parece fácil mudar aquilo que se tornou obsoleto. A revisão de estruturas não-funcionais O que muito tem contribuído para um mau desempenho da Igreja em sua missão integral é a falta de estruturas que funcionem. que se limita a suas atividades internas. Herodes e muita gente se levantaram contra a Igreja de Deus. Contudo.2. Estruturas enrijecidas pelo tradicionalismo matam ou impedem a visão de uma igreja. o que muito se vê. mas não é tão simples assim. é preciso que os paradigmas sejam quebrados aos poucos. 3. entendemos que estes desafios são implicações naturais para uma igreja que queira verdadeiramente cumprir sua missão integral.30). Senhor. por uma questão de prudência e respeito àqueles que não pensam como nós. O que está "matando" muito crente novo (e velho também) é a igreja não-funcional. porém. Antes é preciso mudar a mentalidade dos acomodados e principalmente dos saudosistas. sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus" (At 4. daqueles que confundem inovação com inovacionismo. b. não será por meio de decreto conciliar que conseguiremos qualquer êxito. sem atropelos.externamente os desafios eram humanamente insuperáveis. quando na verdade eram elas que deveriam estar curando! A seguir daremos duas sugestões práticas para que esse quadro sombrio possa se reverter. A reafirmação do compromisso missionário 74 .

é sinal que ela tem potencial para fazer. rapidamente minguarão. Os mitos (pelo menos os que aqui estudamos) deturpam a missão 75 . Missão integral é uma realidade bíblica. o que fez antes. A verdadeira espiritualidade do povo de Deus se expressa em sua integralidade. Concordamos que uma igreja possa fazer uma opção temporária entre evangelizar e assistir ao necessitado. a Igreja nunca deveria deixar se levar pela prática do paternalismo e assistencialismo paliativos. que nenhuma igreja pense ser mais espiritual porque optou pela evangelização. deveria partir sempre para uma ação social transformadora. Etal e Atrás do Sol. do indivíduo e da sociedade. Os mitos não fazem sentido quando são resultados baratos de um reducionismo evangélico. C. se não forem constantemente lembradas daquele compromisso. p. e todas as atividades nestas direções devem estar debaixo do serviço a Deus em primeiro lugar (A. mas sim. com a graça de Deus. filmes específicos como As Primícias. e quando se deixa de contemplar o indivíduo em sua totalidade. Dizemos "basicamente" porque a missão integral da Igreja é na verdade universal. Evangelizar não é simplesmente distribuir folhetos como alguns pensam. Geralmente a frieza por missões acontece por causa da rotina. atender o indivíduo na totalidade de suas necessidades.Aquelas igrejas que um dia receberam orientação missionária. 5). para a honra e glória de Deus Pai. sem data. E como revitalizar uma igreja que começou com tanto entusiasmo por missões e de repente esfriou? Em primeiro lugar é preciso reconscientizar a igreja de sua missão no mundo. Uma vez que o mal foi detectado é necessário que seja combatido com atividades variadas. O mais importante é que a igreja seja cientificada de que sua missão no mundo é integral. Abrange vários aspectos. Em segundo lugar é preciso conscientizá-la de que ela está no mundo para servir o mundo integralmente. porém. além do auxílio de uma boa agência ou junta missionária. Por outro lado. descaracterizada como igreja de Jesus Cristo. Cada igreja deve refletir sobre sua motivação em praticar evangelismo e ação social. portanto. polarização entre evangelização e ação social. O ponto de partida é o parâmetro bíblico e o contexto da igreja local. BARRO. Se a igreja chegou a se empolgar com missão algum dia. mas nunca uma opção permanente. Evangelizar é a sua qualidade primordial. Sermões e estudos bíblicos missionários. com certeza produzirão novo alento. A Igreja que troca a evangelização por qualquer outra responsabilidade social está fora de propósito e. Conclusão: A missão integral da Igreja é basicamente evangelização e ação social. A mesma igreja que proclama as boas novas do reino deve ser a mesma que estende a mão ao necessitado. Por isso mesmo.

GRELLERT. Timóteo. 1988. 1994. Tive fome: Um desafio a servir a Deus no mundo. _______________ . 1989. ESCOBAR. 1. E. 1993. São Paulo: Abba press. Londrina/Curitiba: Descoberta. 1979. (editor). Artigo não publicado. 1985. 1941. BARRO.1. 2. Quebrando paradigmas. EVANGELIZAÇÀO e responsabilidade social: Relatório da consulta internacional realizda em Grand Rapids sob a presidência de John Stott. São Paulo: Vida Nova. ELWELL. então devemos almejar por uma igreja brasileira autêntica. C. KIVITZ.integral da Igreja. COSTAS. Antonio Carlos. ed. Artigo não publicado. Ed René. 2. Caio. v. Samuel et al. Teses. São Paulo: Editora Sepal. Bibliografia ALLEN. 1992. 1985. 1987. Série Lausanne. Os compromissos da missão: A caminhada da Igreja no contexto brasileiro. São Paulo: Vida Nova. Rio de Janeiro/Belo Horizonte: Juerp/Mundo Cristão. Thurmon. 1995. São Paulo/Belo Horizonte: ABU/Visão Mundial. V. Ética cristã: Alternativas e questões contemporâneas. São Paulo: Editora Mundo Cristão. Manfred. CARRIKER. Norman L. Série Lausanne. 76 . 2. Jorge. O cristão e a fome mundial. A missão do povo de Deus.3. ed.2. V. GEISLER. 1998. Walter A. Rio de Janeiro: Juerp. Um projeto de espiritualidade integral. Saúde integral a partir da igreja local. Compromiso y misión. A ação social da igreja. Niterói: Vinde. BRYANT. mas a realidade bíblica de uma missão integral em nossa sociedade. Se queremos atentar para o ensino bíblico. Missão integral: Uma teologia bíblica. Igreja e sociedade. Enciclopédia histórico-teológica da igreja cristã. Anthony. que não seja ela mesma um mito. Missões e a igreja brasileira: A vocação missionária. FÁBIO. São Paulo/Belo Horizonte: ABU/Visão Mundial. San José: Editorial Caribe. GOULART. V. 1990. ________________ org. ed. Orlando E.

(4) Para uma compreensão importante sobre a responsabilidade da Igreja com a natureza. John R. STOTT. O cristão em uma sociedade não cristã. (3) Veja também MACEDO FILHO (In TESES. 1994. STEUERNAGEL. 33). O que se deve entender por missões cristãs? Quais são a natureza e os objetivos da missão da igreja? Evidentemente essas perguntas podem receber uma grande variedade de respostas a partir de diferentes pressupostos e compromissos teológicos. O PACTO de Lausanne. 1998. 1986. 1988. Série Lausanne. Tetsunao et al.W. 1987. Curitiba/Londrina: Descoberta. São Paulo: Temática Publicações. MASTON. ed. Servindo com os pobres na América Latina: Modelos de ministério integral. A missão da igreja. 1996. diálogo inter77 . T. presença cristã. (1) Veja Manfred Grellert (1987. 1983. 1988. p. A igreja e o mundo. Belo Horizonte: Missão Editora.”1 Hoje é mais comum falar-se em evangelismo e responsabilidade social. Schaeffer (Poluição e morte do homem) e Norman L. Revitalizando a igreja. pp. org. YAMAMORI. Ricardo. MISSÃO da igreja e responsabilidade social: Teses do congresso batista de ação social. Diferentes autores do século XX têm procurado expressar a missão da igreja em termos de desenvolvimento. Rio de Janeiro: Co-edição. São Paulo: Nascente.LINTHICUM. veja Francis A. Curar também é tarefa da igreja. Uma antiga abordagem foi o debate em torno de evangelização e “civilização. Rio de Janeiro: Juerp. Missão integral. 41). São Paulo: Bompastor. 1992. PADILLA. ZANDRINO. Niterói: Vinde. 3. 1989. V. Dr.4. Robert C.B. (2) Para um argumento interessante contra este reducionismo evangélico (a polarização teológica ente evangelização e ação social) veja Manfred Grellert (1987. Valdir R. p. 41-43). Geisler (O cristão e a ecologia).. René. Parte XVI A MISSÃO DA IGREJA Uma perspectiva latino-americana Uma das questões mais cruciais da missiologia é a definição do próprio conceito de missão. São Paulo/Belo Horizonte: ABU/Visão Mundial.

religioso, justiça e paz, diaconia e outros conceitos. Certamente este é um assunto controvertido, mas também sumamente importante para a igreja e para os cristãos individuais. Como pode a igreja ser o que deve ser e fazer o que deve fazer se não tiver uma clara compreensão acerca do seu propósito na sociedade e no mundo? O objetivo deste estudo é abordar o tema a partir da perspectiva de Samuel Escobar, um dos mais destacados missiólogos evangélicos contemporâneos da América Latina. A escolha de Escobar justifica-se por várias razões. Ele tem um profundo conhecimento da situação religiosa, social e política da América Latina, tendo trabalhado em vários países como pastor e missionário; é um teólogo, escritor e orador extremamente articulado e criativo; tem sido um líder respeitado em círculos missiológicos e teológicos; tem estado em diálogo constante com representantes de grupos e movimentos importantes do cristianismo latinoamericano e mundial; finalmente, por vários anos ele tem sido professor em instituições teológicas norte-americanas, o que o coloca numa posição privilegiada para falar a uma audiência mais ampla e levar ao primeiro mundo uma valiosa perspectiva do terceiro mundo acerca de missões. Nossa análise começa com um retrospecto histórico da discussão missiológica protestante na América Latina. A seguir, iremos fornecer algumas informações biográficas sobre Samuel Escobar, fazer um apanhado dos principais movimentos de que tem participado e apresentar alguns dos principais temas e ênfases da sua reflexão missiológica. Ao longo dos anos, Escobar tem defendido um conceito de missão que é ao mesmo tempo bíblico, evangélico, contextual e sensível às complexas realidades espirituais, políticas, sociais e econômicas da América Latina. Criticando os modelos missionários reducionistas ou dicotômicos, ele propõe um programa que implica em levar o evangelho integral ao ser humano integral, na amplitude de suas necessidades e relacionamentos. Concluiremos o estudo acrescentando algumas de nossas próprias convicções a respeito do tema em questão, ou seja, a missão da igreja na sociedade. I. ANTECEDENTES A reflexão sistemática e abrangente sobre o trabalho missionário protestante na América Latina foi desencadeada pela célebre Conferência Missionária Mundial, realizada em Edimburgo em 1910.2 Todavia, esse estímulo ocorreu às avessas, uma vez que somente foram convidadas para a conferência as sociedades missionárias que atuavam entre povos não-cristãos.3 Isso excluiu a América Latina do âmbito daquele encontro, sendo admitidas apenas as missões que trabalhavam entre as tribos pagãs desse continente. Durante a conferência, Robert E. Speer (1867-1947), o secretário executivo da Junta de Missões Estrangeiras da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, convidou vários delegados interessados na América Latina a se reunirem informalmente para discutir como essa lacuna poderia ser suprida. Como 78

resultado desses entendimentos, realizou-se em Nova York, em março de 1913, uma conferência sobre missões na América Latina, sob os auspícios da Conferência de Missões Estrangeiras da América do Norte.4 Essa conferência criou a Comissão de Cooperação na América Latina (CCLA), tendo como presidente o próprio Robert Speer e como secretário executivo Samuel Guy Inman. Por sua vez, a CCLA patrocinou o Congresso de Ação Cristã na América Latina, reunido no Panamá em fevereiro de 1916, o maior encontro das forças protestantes desse continente realizado até aquela data. O Congresso mostrou a necessidade de maior cooperação em áreas como educação religiosa, missões, literatura e formação teológica. Mais especificamente, suas metas principais foram a evangelização das classes cultas, a unificação da educação teológica através de seminários unidos, o desejo de dar uma dimensão social ao trabalho missionário na América Latina e o esforço em promover a unidade protestante.5 Na realidade, o Congresso do Panamá foi uma reunião de representantes de juntas missionárias estrangeiras, antes que um encontro de líderes protestantes latino-americanos. Dos 230 delegados oficiais, apenas 21 eram latino-americanos natos.6 Mesmo assim, o evento produziu a primeira discussão séria do protestantismo latino-americano e estimulou a criação de órgãos cooperativos regionais em vários países. Por outro lado, o Congresso do Panamá revelou duas ênfases que se tornariam problemáticas para os evangélicos latino-americanos: uma atitude simpática para com a Igreja Católica e uma forte influência do “evangelho social.” Como resultado do encontro do Panamá, nos anos seguintes realizaram-se dois congressos missionários regionais. O primeiro, denominado Congresso de Ação Cristã na América do Sul, reuniu-se em Montevidéu, Uruguai, em 1925. Aqui, embora a participação de latino-americanos tenha sido maior (o pastor presbiteriano brasileiro Erasmo Braga foi eleito presidente do congresso), os norte-americanos ficaram a cargo da organização e presidiram todas as comissões. Finalmente, em 1929 reuniu-se em Havana o Congresso Evangélico Hispano-Americano, presidido pelo metodista mexicano Gonzalo Baez-Camargo. Desta feita, o congresso foi inteiramente organizado e conduzido por latinoamericanos e as ênfases recaíram sobre a nacionalização e o auto-sustento das igrejas evangélicas. Uma segunda série de encontros do protestantismo latino-americano foi representada por três Conferências Evangélicas continentais: CELA I (Buenos Aires, 1949), CELA II (Lima, 1961) e CELA III (Buenos Aires, 1969).7 Essas conferências estavam ligadas às denominações históricas, que rapidamente tornavam-se minoritárias no contexto geral do protestantismo da América Latina. O protestantismo ecumênico das CELAs recebia a influência do protestantismo histórico declinante do hemisfério norte, buscava aproximar-se do catolicismo posterior ao Concílio Vaticano II (1962-1965) e procurava responder à difícil situação social do continente com uma teologia radical, que eventualmente 79

identificou-se com a célebre “teologia da libertação.” A teologia da libertação adquiriu notoriedade no âmbito católico romano com a segunda assembléia da Conferência Episcopal Latino-Americana (CELAM), reunida em Medellín, Colômbia, em 1968.8 Anos antes, em 1962, os protestantes haviam criado a organização Igreja e Sociedade na América Latina (ISAL), após uma consulta realizada em Huampaní, Peru, no ano anterior. Ela tornou-se o centro de convergência dos teólogos protestantes da libertação, tendo como órgão o periódico Cristianismo e Sociedade. Em 1972, as duas correntes teológicas puseram-se em contato no I Congresso Latino-Americano de Cristãos pelo Socialismo, realizado em Santiago do Chile. Ao lado das Conferências Evangélicas continentais (CELAs) e do ISAL, o protestantismo ecumênico latino-americano criou várias estruturas paraeclesiásticas com o fim de promover os seus objetivos. Alguns organismos importantes são ou foram os seguintes: Movimento Estudantil Cristão (MEC), União Latino-Americana de Juventudes Evangélicas – depois, Ecumênicas (ULAJE), Agência de Serviços Ecumênicos Latino-Americanos (ASEL), Comissão Evangélica Latino-Americana de Educação Cristã (CELADEC), Coordenadoria de Projetos Ecumênicos (COPEC) e Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI).9 Uma característica desse protestantismo ecumênico era o crescente declínio do seu ímpeto evangelizador, em contraste com a vitalidade das igrejas vinculadas a missões independentes ou ao movimento pentecostal, que mantinham o seu vigor evangelístico apesar das debilidades da sua teologia. Do seio desse protestantismo majoritário surgiu o impulso para os Congressos LatinoAmericanos de Evangelização, que constituem a terceira das séries mencionadas acima: CLADE I (Bogotá, 1969), CLADE II (Lima, 1979) e CLADE III (Quito, 1992). O CLADE IV deverá realizar-se em setembro do ano 2000 no Equador.10 O primeiro CLADE foi organizado pela Associação Evangelística Billy Graham, sob o impulso do Congresso Mundial de Evangelização (Berlim, 1966), convocado pela revista evangélica Christianity Today. O CLADE I permitiu que líderes preocupados em relacionar a fé evangélica com a realidade latino-americana compartilhassem as suas inquietações. Para Valdir Steuernagel, esse congresso teve duas marcas distintivas: Manifestou com clareza que, na América Latina, somos e queremos ser evangélicos. E, como evangélicos, somos e queremos ser latino-americanos. Naquela ocasião e naquele contexto, tornava-se urgente que, sendo evangélicos, buscássemos uma teologia da encarnação que estabelecesse as pautas para um diálogo com a situação de sofrimento e opressão que se vivia em toda a América Latina.11 Foi no CLADE I que se articulou a criação da Fraternidade Teológica LatinoAmericana, organizada no ano seguinte em Cochabamba, Bolívia, tendo Pedro Savage como seu primeiro secretário e Samuel Escobar como seu primeiro 80

presidente. Escobar assim expressou os objetivos da Fraternidade: Desde o primeiro momento, a FTL procurou ser uma plataforma de encontro e diálogo teológico da qual participassem pastores, missionários e pensadores evangélicos, dentro do marco evangélico de uma lealdade comum à autoridade bíblica e à fé evangélica como base da reflexão e de um compromisso ativo com o cumprimento da missão cristã.12 Por sua vez, a Fraternidade Teológica Latino-Americana convocou os CLADEs posteriores, inclusive o que irá realizar-se no ano 2000.13 A Fraternidade procurou estar tão consciente da problemática social latino-americana quanto o grupo ISAL, mas ao mesmo tempo preocupou-se em abordar a questão de uma perspectiva que entendia ser mais bíblica e equilibrada. Ela é também mais representativa do protestantismo popular da América Latina que a sua congênere ecumênica. Entre os seus participantes mais destacados e influentes está o líder que é o enfoque principal deste artigo — Samuel Escobar.14 II. DADOS BIOGRÁFICOS E ESCRITOS Samuel Escobar nasceu no Peru e freqüentou uma escola missionária inglesa em Arequipa. Em 1956, ele recebeu o seu grau de mestre em artes e educação na Universidade de São Marcos, em Lima, após o que dedicou-se ao ensino nos níveis primário, secundário e superior. Em 1959 Escobar tornou-se o secretário itinerante da Fraternidade Internacional de Estudantes Evangélicos (International Fellowship of Evangelical Students) — representada no Brasil pela Aliança Bíblica Universitária —, visitando praticamente todos os países da América Latina. Ele trabalhou como missionário entre estudantes universitários na Argentina e no Brasil15 e foi diretor da Comunidade Evangélica Kairós, em Buenos Aires. Alguns anos depois, ele fez o curso de doutorado em filosofia (Ph.D.) na Universidade Complutense de Madri e eventualmente trabalhou como secretário da Fraternidade Cristã Universitária (Inter-Varsity Christian Fellowship) do Canadá, com sede em Toronto.16 Escobar foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Fraternidade Teológica Latino-Americana (1970-1984) e de 1979 a 1985 ocupou o cargo de secretário geral da Fraternidade Internacional de Estudantes Evangélicos. Nas décadas de 1960 e 1970, ele e outros teólogos latino-americanos tornaram-se bem conhecidos em círculos evangélicos e ecumênicos internacionais através de sua participação em importantes conferências. Além disso, há muitos anos ele é membro da Comissão Teológica da Fraternidade Evangélica Mundial (World Evangelical Fellowship), tendo participado de muitas de suas consultas ao redor do mundo.17 Atualmente, Samuel Escobar é presidente das Sociedades Bíblicas Unidas e professor titular de missiologia no Seminário Teológico Batista do Leste, em Filadélfia, Estados Unidos.18 Ele também leciona sobre missões em seu país natal, o Peru.

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Samuel Escobar é autor de vários livros sobre teologia e missiologia: Diálogo entre Cristo y Marx (1967), Quien es Cristo Hoy? (1970, com C. René Padilla), Decadencia da la Religión (1972), Christian Mission and Social Justice (1978, com John Driver), Irrupción Juvenil (1978), La Fe Evangelica y las Teologías de la Liberación (1987), Evangelio y Realidad Social (1988), Liberation Themes in Reformational Perspective (1989), Paulo Freire: Una Pedagogia Latinoamericana (1993), entre outros. Um dos seus livros mais recentes é Desafios da Igreja na América Latina: História, Estratégia e Teologia de Missões, publicado em 1998 pela Editora Ultimato. Escobar também escreveu diversos ensaios que foram publicados como capítulos de livros. Alguns títulos representativos podem dar-nos uma idéia de seus temas prediletos: “Social Concern and World Evangelism,” em Christ the Liberator (1971); “The Social Impact of the Gospel,” em Is Revolution Change? (1972); “Evangelism and Man´s Search for Freedom, Justice and Fulfillment,” em Let the Earth Hear His Voice (1974); “The Role of Translation in Developing Indigenous Theologies: A Latin American View,” em Bible Translation and the Spread of the Church (1990); “Latin America,” em Toward the Twenty-First Century in Christian Mission (1993); “A Pauline Paradigm of Mission: A Latin American Reading,” em The Good News of the Kingdom (1993); “La Presencia Protestante en America Latina: Conflicto de Interpretaciones,” em Historia y Misión: Revisión de Perspectivas (1994); “The Church in Latin America after Five Hundred Years” e “Conflict of Interpretations of Popular Protestantism,” em New Face of the Church in Latin America: Between Tradition and Change (1994); “The Search for a Missiological Christology in Latin America,” em Emerging Voices in Global Christian Theology (1994); “The Training of Missiologists for a Latin American Context,” em Missiological Education for the Twenty-First Century (1996); “Religion and Social Change at the Grass Roots in Latin America,”19 em The Role of NGOs: Charity and Empowerment (1997). Finalmente, seus numerosos artigos têm aparecido em renomados periódicos como Evangelical Missions Quarterly, Evangelical Review of Theology, International Bulletin of Missionary Research, Transformation, Missiology e International Review of Mission, entre outros. Uma vez mais, os próprios títulos de alguns artigos representativos dão uma clara idéia dos principais temas com os quais Escobar tem trabalhado ao longo dos anos: “The Social Responsibility of the Church in Latin America” (EMQ, 1970), “Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America” (IBMR, 1982), “Transformation in Ayacucho: From Violence to Peace and Hope” (Transformation, 1986), “Missions and Renewal in Latin American Catholicism” (Missiology, 1987), “Recruitment of Students for Mission” (Missiology, 1987), “Has McGavran´s Missiology Been Devoured by a Lion?” (Missiology, 1989), “From Lausanne 1974 to Manilla 1989: The Pilgrimage of Urban Mission” (Urban Mission, 1990), “A Movement Divided: Three Approaches to World Evangelization Stand in Tension with One Another” (Transformation, 1991), “Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological Christology” (Missiology, 1991), “Mission in Latin America: An Evangelical Pespective” (Missiology, 1992), “The Elements of Style in Crafting New International Mission Leaders” (EMQ, 1992), “500 Years after Columbus: Requiem 82

III. especialmente através dos movimentos de que participou a partir da década de 1960. regimes ditatoriais e caos sócioeconômico. Bassham descreve o desenvolvimento das teologias de missão ecumênica. 1992). o evangelho tem relevância para a totalidade da vida. REFLEXÃO TEOLÓGICA E ENVOLVIMENTOS Samuel Escobar identifica-se como um evangélico. A igreja deve proclamar Jesus Cristo como Salvador e Senhor porque os seres humanos carecem tanto de reconciliação com Deus quanto de dignidade e integridade em sua vida neste mundo. ele sempre interessou-se pela missão da igreja. 1993). Conseqüentemente. Ele observa que. “Beyond Liberation Theology: A Review Article” (Themelios. professor e teólogo. pastores. Sua identidade latino-americana também é essencial para a reflexão e os envolvimentos teológicos de Escobar.or Te Deum?” (EMQ. os evangélicos começaram a constituir uma comunidade verdadeiramente global com uma visão abrangente de missões. Por outro lado. 1994). “The Legacy of John Alexander Mackay” (IBMR. que ele não tem nenhuma conexão particular com as correntes da teologia da libertação que foram e ainda são uma expressão importante da teologia latinoamericana. “Missions´ New World Order: The Twenty-First Century Calls for us to Give up our Nineteenth-Century Models for Worldwide Ministry” (Christianity Today. Escobar considera sua tarefa articular essa missiologia holística e inspirar outras pessoas — estudantes. violência política. por um lado.21 Isto significa. Em seu livro Mission Theology. e a igreja deve partilhar desse interesse de Deus. sendo bastante crítico da sua teologia/ideologia. mostram o interesse de Deus por todas as necessidades humanas. 1992). “The Whole Gospel for the Whole World from Latin America” (Transformation. 1994). especialmente em um contexto de pobreza e sofrimento.20 As influências recebidas por Escobar. evangélica conservadora e católica. como indivíduos e como membros da sociedade. Escobar tem um profundo interesse em missões. golpes militares. líder de movimentos estudantis. ele está longe de partilhar das idéias e compromissos do fundamentalismo. tanto católica quanto protestante. especialmente entre 1948 e 1975. “A Missiological Approach to Latin American Protestantism” (IRM. Como pastor. Tendo vivido em um período de grande turbulência na história latino-americana. e os ensinos e o ministério de Jesus em particular. leigos e líderes cristãos — a compartilhar essa visão. 1998). em particular depois de 1966. Rodger C. ajudam a entender as preocupações reveladas pelos títulos dos seus escritos. Para ele. em meados da década de 60. marcado por injustiça e opressão generalizada. O evangelho tem implicações sociais e políticas revolucionárias que não podem ser omitidas. Escobar e alguns colegas sentiram que não era suficiente pregar um evangelho puramente espiritual. a mensagem bíblica em geral. Para ele. o ano em 83 .

Escobar foi ouvido pela primeira vez por grandes audiências internacionais nas convenções da Fraternidade Cristã Universitária realizadas em Urbana. 1974). Ele e outros oradores da América Latina desafiaram os evangélicos norte-americanos a reconhecer a necessidade de promover justiça social e reformas políticas como parte dos seus deveres como cristãos. Escobar falaria apaixonadamente sobre a necessidade de se estabelecer uma relação entre as preocupações sociais e a evangelização mundial. e o crescente número de vozes evangélicas provenientes de fora da América do Norte. que evocou manifestações de opinião de toda a comunidade evangélica.”23 Em todos esses acontecimentos importantes houve uma decidida participação de teólogos latino-americanos. o Pacto de Lausanne demonstra que “os evangélicos desenvolveram uma teologia de missão amadurecida. nos anos 60. à medida que os participantes se debatiam com as questões da teologia de missão no mundo contemporâneo. 1974). Ele exortou os missionários a superar a mentalidade paternalista. à medida que evangélicos de todo o mundo começaram a empreender juntos uma análise da situação enfrentada por aqueles que estavam envolvidos com missões e evangelismo em todos os continentes.que eles patrocinaram duas grandes conferências mundiais sobre missões e evangelização. imperialista e colonialista. 1966).24 Na convenção de 1970. Estados Unidos. a luta em torno da relação entre evangelização e ação social.”26 Uma das grandes influências nas deliberações do congresso veio através das contribuições de 84 . No Congresso Mundial de Evangelização (Berlim. 1966) – a primeira grande reunião mundial de evangélicos no século XX – também estimulou congressos regionais de evangelização em vários continentes. positiva e consistente. Samuel Escobar estando entre eles. diversidade de perspectivas e profundidade de análise jamais alcançado anteriormente em uma assembléia evangélica. e capazes de atuar eficazmente em seu contexto local. Escobar estava entre os muitos líderes do terceiro mundo que falaram enfaticamente em prol das igrejas nativas.25 No entanto. Nesse contexto. dotadas de uma liderança nacional bem-treinada. Estes por sua vez contribuíram para o Congresso Internacional de Evangelização Mundial (Lausanne. Bassham observa que “as apresentações e discussões de Lausanne mostraram um espírito de abertura. Para Bassham. o forte impacto do conceito de “crescimento da igreja” sobre a teologia evangélica de missões. o principal forum internacional em que se ouviu a voz de Escobar foi o Congresso Internacional de Evangelização Mundial (Lausanne.22 Os congressos de Wheaton e Berlim marcaram um novo estágio na emergência de uma identidade evangélica. a fim de permitir o surgimento de igrejas nativas alicerçadas na fé. Bassham identifica vários desdobramentos importantes: os primórdios de uma teologia evangélica de missão altamente representativa (a Declaração de Wheaton). O Congresso Mundial de Evangelização (Berlim.

foi de especial importância.” o Pacto de Lausanne declara: Afirmamos que Deus é tanto o Criador como o Juiz de todos os homens. não importa qual seja a sua raça. referindo-se com isso ao ministério e à missão total da igreja.. cultura. Enquanto que a orientação teológica de Lausanne permaneceu firmemente evangélica. devemos rejeitar a falsa noção de que a preocupação com as implicações sociais do evangelho e as dimensões sociais do testemunho cristão resultam de uma falsa doutrina ou de uma ausência de convicção evangélica. Oradores latino-americanos como René Padilla. nem a libertação política seja salvação. religião. do discipulado cristão e da renovação da igreja. Orlando Costas e Samuel Escobar proferiram as declarações mais fortes no sentido de que a preocupação com as necessidades sociais da humanidade e o envolvimento com as mesmas é uma parte necessária do testemunho e da responsabilidade dos cristãos em favor do mundo. ela também produziu algumas mudanças bemdefinidas na teologia evangélica de missões. é religiosidade e não cristianismo.27 Muitas vezes durante o congresso os participantes afirmaram ter um interesse profundo e permanente pela ação social em favor dos pobres e necessitados. a singularidade de Cristo e a necessidade da evangelização. e não explorada. tanto pela nossa negligência quanto por às vezes termos considerado a evangelização e a preocupação social como mutuamente exclusivas. Portanto. até mesmo ao ponto de se esforçarem pela mudança das estruturas sociais. sexo ou idade. Também aqui manifestamos o nosso arrependimento. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus. através do grupo de Discipulado Radical. nem a ação social seja evangelismo. O Pacto de Lausanne foi muito além das declarações evangélicas tradicionais. cor. acentuando a autoridade da Bíblia. Lausanne abordou o tema abrangente da evangelização mundial.28 85 . De uma vez por todas. todavia afirmamos que tanto a evangelização como o envolvimento socio-político são parte do nosso dever cristão. O impacto de líderes como Samuel Escobar e C.oradores do terceiro mundo. Embora a reconciliação com o ser humano não seja o mesmo que a reconciliação com Deus. demonstrando que o evangelismo bíblico é inseparável da responsabilidade social. tem uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida. é o interesse pela integridade do Evangelho que nos motiva a acentuarmos a sua dimensão social. Em seu capítulo sobre a “Responsabilidade Social Cristã. classe. Ao contrário. devemos partilhar da sua preocupação com a justiça e a reconciliação em toda a sociedade humana e com a libertação dos homens de todo tipo de opressão. econômicos e políticos —.. René Padilla. toda pessoa. Bassham cita as seguintes afirmações de Escobar: Uma espiritualidade sem discipulado nos aspectos diários da vida — sociais.

30 Escobar afirmou a certa altura: Existe base suficiente na história da Igreja e nos ensinamentos da Palavra de Deus para afirmar categoricamente que a preocupação pelo aspecto social do testemunho evangélico no mundo não é um abandono das verdades fundamentais do Evangelho. é uma evangelização defeituosa. Samuel Escobar teve uma importante participação no Primeiro Congresso Latino-Americano de Evangelização (CLADE I. Em sua opinião.29 Dentre os 28 discursos principais. fome. evangélicos. Apesar das diferenças existentes entre os dois movimentos. essa terceira busca tem assumido várias formas. Sustentamos que uma evangelização que não toma conhecimento dos problemas sociais e que não anuncia a salvação e a soberania de Cristo dentro do contexto no qual vivem os que ouvem.”32 se os cristãos quisessem testemunhar fielmente em seu contexto sócio-cultural. 1969). que afirmou: “É chegada a hora de nós. além do CLADE I. em Medellín. René Padilla. é levar às suas últimas conseqüências os ensinos a respeito de Deus. a sua apresentação sobre a responsabilidade social da igreja recebeu a atenção mais entusiástica.33 O próprio Escobar acha que o seu modelo pode ser melhor descrito como “holístico. Colômbia). Ele argumentou eloqüentemente que tanto a evangelização quanto a ação social são necessárias para o testemunho cristão. que formam a base desse Evangelho. Bogotá. entre outros. de Jesus Cristo. planejado em resposta a pedidos de delegados latino-americanos presentes no Congresso de Berlim. os protestantes latino-americanos realizaram ainda outra grande conferência – a Conferência Evangélica LatinoAmericana (CELA III). Samuel Escobar e C. de uma expressão mais autêntica de unidade cristã no empreendimento missionário e de uma reflexão missiológica mais séria e profunda.35 Em um capítulo sobre a América Latina que escreveu para o livro Toward the 86 ..”34 Ele argumenta que os evangélicos latino-americanos escolheram o Pacto de Lausanne como uma expressão do seu consenso doutrinário básico e do seu claro compromisso com um modelo de missão integral e bíblico. que envia o evangelista. em Buenos Aires. pelo contrário. Costa vê nos documentos de ambos os eventos a emergência de novas tendências missiológicas caracterizadas por um tríplice interesse: a busca de um entendimento histórico de missões.. que trai o ensino bíblico e não segue o modelo proposto por Cristo.” Os participantes afirmaram que “o exemplo de Cristo devia ser encarnado na crítica situação latino-americana de subdesenvolvimento. três anos antes. Orlando Costas comenta que 1969 foi para os protestantes o que 1968 havia sido para os católicos (II Conferência Episcopal Latino-Americana.31 Essa ênfase achou lugar na Declaração Evangélica de Bogotá. Naquele ano. levarmos a sério a nossa responsabilidade social. do homem e do mundo. uma das quais é o modelo ético-missiológico — missão da perspectiva de questões éticas — articulado por. violência e desespero. injustiça.No âmbito continental.

Eles não procurariam estabelecer prioridades nesses termos.40 O que Escobar questiona é se uma pessoa pode realmente evangelizar anunciando a Cristo como Salvador e então deixar a questão do senhorio de Cristo sobre toda a criação para uma segunda etapa. Escobar afirma que.37 Por essa razão.Twenty-First Century in Christian Mission (1993). ele lamenta o fato de que o Congresso Missionário Ibero-Americano (COMIBAM. Assim sendo. O que o movimento do Crescimento da Igreja necessita é o corretivo de uma sólida teologia bíblica. Ele observa que os grandes missionários dos primeiros 1800 anos da igreja dificilmente fariam a distinção entre “espiritual” (evangelização) e “o resto. porque Jesus Cristo é Senhor. ele concorda integralmente com dois pontos do apelo de McGavran: primeiro. Escobar menciona duas outras conferências missionárias latino-americanas. mas também o esforço consciente de executar essa tarefa segundo moldes bíblicos. Escobar argumenta que o grande dilema para o qual a missiologia deve estar alerta é diferente: A obra missionária será realizada segundo o modelo de Jesus e a prática apostólica. Escobar acredita que o êxito do avanço protestante na América Latina deve ser interpretado fazendo-se perguntas sérias sobre o seu dinamismo transformador e a sua contribuição para a justiça nas relações sociais. a igreja nunca deve perder o seu senso de missão e do seu chamado para proclamar a Jesus Cristo como Salvador e Senhor. São Paulo. iniciado por Donald McGavran em 1960. pois operavam com uma noção bíblica holística do ser humano. hoje o Senhor está nos chamando para cruzarmos as fronteiras da desigualdade. Segundo. como evangélico. Reagindo contra o triunfalismo fácil das estatísticas e a tirania do controle de dados. Ele preocupa-se com a “missiologia gerencial” que dá ênfase à proclamação verbal e ao crescimento numérico de adesões à igreja como o principal componente das missões cristãs.38 Ele acha que a base desse questionamento tem sido o compromisso claro com a tarefa de missões e evangelização. e essa singularidade de Jesus Cristo é essencial para a mensagem da igreja. injustiça e idolatria ideológica. 1987) deixou de abordar conceitos básicos do entendimento de missões. testemunha-se o surgimento de uma nova teologia contextual que conclama à “integridade” da missão e procura associar o zelo evangelístico com a paixão holística.39 Em resposta a um artigo de McGavran. Escobar é um crítico rigoroso do movimento do Crescimento da Igreja. ou irá adotar as técnicas e padrões da sociologia 87 . que poderá nunca chegar. 1976). ambas realizadas no Brasil. somente em seu nome há salvação para a humanidade. inclusive a clamorosa realidade de pobreza que circundava o próprio local em que se reuniram os delegados.”36 Todavia. Uma delas foi o Primeiro Congresso Missionário Latino-Americano (Curitiba.” que McGavran faz. cujo pacto manteve a ênfase de Lausanne sobre a preocupação social como parte da missão da igreja: “Assim como no passado o chamado de Jesus Cristo e da sua missão foi um chamado para cruzar fronteiras geográficas.

funcionalista. Escobar e os seus colegas 88 . o evangelho era a verdadeira força libertadora nas vidas dos latino-americanos. alguém que tem procurado ser um crítico e intérprete amoroso – um crítico severo em alguns pontos – do lado de dentro. Se. alcançar dignidade humana e sobreviver ao impacto das forças anômicas que atuam nas grandes cidades. é um movimento popular. a Teologia da Libertação foi uma das conseqüências desse processo. ele admite que a missiologia evangélica está aprendendo a encarar a história missionária com uma atitude menos ingênua e mais madura."43 Ele observa que alguns pentecostais latino-americanos também escolheram o Pacto de Lausanne como expressão do seu compromisso com um modelo de missão holístico e bíblico. à medida que a Igreja Católica Romana latino-americana buscou nova relevância social e política.”47 Contra o Cristo “docético” do catolicismo latino-americano tradicional. por outro lado ele não sente entusiasmo pela Teologia da Libertação. ele aborda esse movimento na qualidade de “um observador-participante.”46 Na área da hermenêutica. Escobar entende que a Teologia da Libertação é uma voz eloqüente que procura reinterpretar a história cristã e a mensagem cristã. no início das missões protestantes na América Latina. um na área da consciência histórica e o outro na da hermenêutica. por um lado. mas a única maneira disponível de encontrar aceitação social. Ele admite: “Nós não mais podemos aceitar uma missiologia que recusa-se a levar a sério as realidades políticas e sociais. e a religião oficial uma força opressora.45 A Teologia da Libertação confronta a missiologia evangélica com dois desafios. nas palavras de René Padilla. enfatize “o discipulado cristão como algo que implica em colocar a totalidade da vida debaixo do senhorio de Jesus Cristo. embora Escobar considere inadequadas a análise marxista e a “escatologia” da Teologia da Libertação. do marketing e das relações públicas?41 Compreensivelmente. e apela a uma genuína cristologia missiológica que.”42 Ele destaca várias lições missiológicas que podem ser extraídas do impressionante crescimento do pentecostalismo latinoamericano: é um movimento religioso (e não social ou político). Como evangélico. Escobar vê com apreciação o dinamismo e o crescimento do protestantismo popular (pentecostalismo) na América Latina. Escobar diverge da escola do Crescimento da Igreja. Escobar reafirma a ênfase evangélica na centralidade da Escritura e questiona a abordagem fortemente ideológica da interpretação bíblica demonstrada pelos teólogos da libertação. Escobar declara que "para as massas em transição. mobiliza as pessoas para a missão e cria um senso de comunidade. Ele admite que a hermenêutica evangélica necessitar ser constantemente purificada de pressuposições ideológicas. A missiologia evangélica deve avaliá-la. essas igrejas estão oferecendo não somente um abrigo ou refúgio no sentido mais limitado. Com relação ao primeiro.44 Em décadas recentes. Ele observa como.

com o entendimento de que ser seu discípulo é ser chamado por ele tanto para conhecê-lo quanto para participar da sua missão. como uma missiologia crítica da periferia. consciência histórica e preocupação pastoral. O material bíblico é abordado a partir de várias perspectivas possuidoras de significado missiológico. experiência de vida. tanto individual quanto social. Ele observa que tal missiologia “é caracterizada por uma forte ênfase hermenêutica que insiste na importância de ler o mundo e ler a Palavra. há uma busca do significado e da “integridade” do evangelho — Jesus Cristo é tanto o conteúdo quanto o modelo e o alvo da proclamação do evangelho. Inicialmente. mencionada no início deste trabalho.”48 Essa missiologia cristológica busca um novo modelo para inspirar e moldar a ação missionária. crescimento da igreja. Há também uma preocupação quanto às marcas da missão de Jesus.da Fraternidade Teológica Latino-Americana têm refletido sobre o Jesus dos evangelhos. mas também da África e da Ásia. ele destaca a importância do treinamento de missionários e missiólogos para o contexto latino-americano. Essa reflexão inclui uma crítica do cristianismo evangélico na América Latina. as igrejas dos pobres. Escobar aborda em cinco ensaios algumas de suas preocupações mais fundamentais. Escobar cita novamente seu amigo René Padilla: “(O evangelicalismo) afirma o poder transformador de Cristo em relação ao indivíduo. Além disso. mas é totalmente incapaz de relacionar o Evangelho com a ética social e a vida social. terceiro mundo) pudessem convergir em um movimento mais articulado e cooperativo para enfrentar a tarefa missionária do terceiro milênio.”51 Mais uma vez ele expressa o seu entusiasmo pelo protestantismo popular (pentecostalismo) devido a sua ênfase na mobilização 89 . mesmo que essa leitura signifique um exame incômodo e sério da herança evangélica. sobre como a sua obra e ensino são relevantes para todas as áreas da vida.”49 Ele argumenta que seria grandemente desejável para a globalização das missões e da teologia evangélica se as diferentes correntes missiológicas do evangelicalismo (européias. Escobar observa que a internacionalização das missões cristãs implica em reconhecer que Deus tem levantado igrejas grandes e florescentes no terceiro mundo. Escobar identifica essa reflexão missiológica que está vindo não só da América Latina. e como ele o está fazendo. especialmente nas fronteiras de missão. Escobar gostaria de ouvir as igrejas norte-americanas dizerem: “Vamos descobrir o que Deus está fazendo em outras partes do mundo. e vamos unirnos aos nossos irmãos e irmãs a fim de completarmos a tarefa inacabada.”50 Em sua obra publicada recentemente em português. Há uma séria reflexão acerca daquilo que os evangelhos dizem sobre a pessoa e a obra de Jesus de Nazaré. Em um artigo sobre a preparação de líderes de missões. ele argumenta que “nosso programa de treinamento na América Latina precisa ser elaborado com base em convicções bíblicas. Nessas igrejas do hemisfério sul. Nesse sentido. Deus está despertando uma nova força missionária.

”52 Ao mesmo tempo que expressa sua admiração pelas igrejas populares. Não precisamos concordar com tudo o que Samuel Escobar tem escrito. com sua ênfase na conversão de indivíduos ao evangelho. algumas de suas suas ênfases certamente contariam com o aval de João Calvino e de muitos dos seus seguidores. em anos recentes. REFLEXÕES FINAIS Samuel Escobar não se identifica como um reformado ou calvinista. ao lado da sua anterior ênfase cristocêntrica. Nos escritos do grande reformador. Após salientar o “fator novo” na história do cristianismo que é a transferência do dinamismo missionário para o hemisfério sul (África. vemos uma preocupação constante com as implicações sociais e comunitárias do Evangelho. a partir da sua própria comunidade local. Escobar alerta os cristãos evangélicos para a necessidade de um constante processo de encarnação e contextualização que rejeita toda e qualquer forma de paternalismo e discriminação. suas formas contextualizadas de culto e ação missionária e o destaque dado ao ministério do Espírito Santo e ao elemento de conflito espiritual relacionado com a missão da igreja. espírito de competição. cartas. Ainda que isso não deixe de ser importante. Sua biografia e envolvimentos revelam uma conexão preponderante com a tradição anabatista. Na realidade.dos leigos. Escobar reconhece que. falta de uma eclesiologia clara e atitudes sectárias. Ele encarece a necessidade de uma espiritualidade profunda aliada a uma preocupação igualmente intensa com as exigências éticas do evangelho. com sua notável interação entre reflexão e ação missionária. sermões ou nas Institutas. que vai além da experiência religiosa pessoal para incluir a comunidade e o mundo. a dar uma grande ênfase ao papel do Espírito Santo nas missões cristãs. Ásia e América Latina). fato que tem sido amplamente documentado por diversos pesquisadores. seja em seus comentários.54 Historicamente. e conclui com uma análise do modelo missionário de Paulo. Para superar esses problemas ele novamente propõe o modelo de missão integral. morávios e avivalistas dos séculos XVIII e XIX do que com os reformadores do século XVI. Ele entende que “os evangélicos latino-americanos necessitam de um impulso renovado do Espírito Santo e de uma leitura nova e contextual da Palavra de Deus. o nosso continente testemunha o crescimento cada mais acentuado de uma 90 . elas enfrentam os riscos do excesso de individualismo. muito embora as suas práticas nem sempre tenham correspondido às suas convicções. Não obstante. como a sua ênfase quase que exclusiva sobre as massas empobrecidas da América Latina como objeto da ação missionária da igreja. Isso tem levado Escobar. ele aponta que os evangélicos latino-americanos têm maior afinidade com os pietistas. os reformados têm acentuado um conceito abrangente acerca da missão da igreja. uma vez que está filiado à Igreja Menonita. alguns pontos da sua missiologia merecem reparos.53 Finalmente.

pois que a igreja cristã em geral e as igrejas evangélicas de modo particular têm uma longa e honrosa tradição de “missão integral” ao mundo. que busca a humanidade com amor e compaixão. tendo como alvo a conversão individual. Ao mesmo tempo que enviavam pregadores do evangelho para todos os quadrantes do mundo. Os conservadores em grande parte aferraram-se à idéia de que a missão exclusiva da igreja é a evangelização. ideológicas e sociais.classe média significativa que também deve ser alvo do interesse da igreja. evangélica e igualmente radical em suas implicações. Eles demonstraram que as igrejas podem permanecer fiéis às suas convicções históricas e ao mesmo tempo adotar uma postura ousada e coerente em relação aos problemas sociais. que realmente correm o risco de tornar-se irrelevantes na sociedade caso não despertem para algumas dolorosas realidades que existem ao seu redor. Jesus Cristo. coerência e clareza sobre a necessidade de um entendimento abrangente da tarefa da igreja no mundo. Não obstante. dando pouca atenção a alguns sérios problemas apresentados pelas mesmas. como agente e instrumento de Deus. no início deste século. Basta lembrarmos o intenso esforço de missões e de reforma social gerado pelos grandes despertamentos dos séculos XVIII e XIX. que quer dar vida e dignidade à sua criação. Escobar e seus colegas têm algo importante a dizer às igrejas evangélicas históricas da América Latina e do Brasil. que falam com convicção. Ao lado disso. Como cristãos brasileiros preocupados tanto com a missão da igreja quanto com as difíceis realidades sócio-econômicas de nosso país. como é caso de alguns recentes movimentos neopentecostais. Isso foi ilustrado de maneira extraordinária por 91 . Tal ocorrência seria um retrocesso histórico lastimável. Infelizmente. Como Escobar destaca. Samuel Escobar e seus companheiros da Fraternidade Teológica LatinoAmericana fizeram um esforço sério no sentido de apresentar uma alternativa a essa teologia que fosse bíblica. as igrejas e cristãos individuais estavam na vanguarda de movimentos em prol da extinção do tráfico negreiro. as disputas teológicas tão bem exemplificadas pela controvérsia modernistafundamentalista nos Estados Unidos. A Bíblia fala de um Deus que toma a iniciativa. são o nosso grande paradigma de missão. quando nosso continente foi sacudido por profundas convulsões políticas. a atitude e as ações de Deus em relação ao mundo. devemos levar a sério os desafios desses líderes. da luta contra o trabalho infantil. especialmente como reveladas no seu Filho. na Europa e nos Estados Unidos. produziram a concepção dicotômica da missão da igreja que hoje observamos. poucos afeitos à pregação do evangelho. optaram decididamente por atividades de cunho social. da reforma das prisões. Escobar tende a superestimar os valores positivos das igrejas populares. do combate ao alcoolismo e de tantas outras causas nobres. muitos cristãos aderiram à agenda revolucionária da Teologia da Libertação. Num período conturbado da história recente da América Latina. da abolição da escravatura. notadamente nas áreas doutrinária e ética. ao passo que os liberais.

esses sublimes ideais nem sempre encontram plena expressão nas vidas diárias dos cristãos e das igrejas. A Conferência de Edimburgo é considerada o berço do moderno movimento ecumênico. manifestou o interesse de Deus por todos os tipos de pessoas e pela pessoa integral. estatísticas e resultados rápidos não deve cegar a igreja para a integridade da missão. as famílias e as comunidades à reconciliação e nova vida em Jesus Cristo – certamente é básica e essencial. Speer. o propósito total de Deus para a humanidade e para a comunidade redimida. físicas e emocionais. eram provenientes do movimento cristão de estudantes. quando. Latourette. Ela é uma instituição singular. Tudo deve ser colocado debaixo do propósito e do senhorio de Deus. Obs. Ele instruiu os seus seguidores a continuarem a sua obra de proclamação do reino (Jo 20. com uma contribuição e uma mensagem singular. ela também precisa expressar o interesse de Deus por toda a vida e espelhar a atitude daquele que disse: “Eu vinham para que tenham vida. Oldham. Hutchison. Desde uma perspectiva evangélica. Ver. se vivida até as suas últimas conseqüências. À medida que a igreja evangeliza. muitas vezes. Todavia. John R. vamos concentrar os nossos esforços no que é primordial – a evangelização – e as outras preocupações cuidarão de si mesmas. Ver Kenneth S. como Joseph H. É para essas implicações mais amplas do evangelho e da missão da igreja que cristãos comprometidos e inquiridores como Samuel Escobar chamam a nossa atenção. Essa mensagem. Seus líderes. 1987). a esse respeito.” A igreja não deve ser reduzida a uma organização social ou a um grupo de pressão política como tantos que existem na sociedade. e a tenham em abundância. praticidade ou. Errand to the World: American Protestant Thought and Foreign Missions (Chicago: The University of Chicago Press. a evangelização – convidar os indivíduos.” publicado em Vox Scripturae 8/1 (Julho 1998): 95-111. em seu ministério terreno. o importante livro de William R. Evidentemente. “Ecumenical Bearings of the Missionary Movement and the 92 . Jesus lutou e morreu na cruz. necessariamente fará com que a igreja enfrente as diferentes situações que afetam a vida humana neste mundo caído. Inevitavelmente é levantada a questão das prioridades: uma vez que não podemos fazer tudo que Deus espera que façamos. Por causa do seu forte senso de missão.Jesus. Mott e Robert E. O Cristo do Novo Testamento interessa-se por todas as necessidades humanas — espirituais.21s).: O presente estudo é uma versão ampliada do artigo “Samuel Escobar e a Missão Integral da Igreja: Uma Perspectiva Latino-Americana. a preocupação com prioridades. a sua mensagem e ações desafiam todas as áreas da vida particular e coletiva. O reino de Deus e seus novos valores devem ser manifestos em todos os tipos de relacionamentos humanos.

os presbiterianos Eduardo Carlos Pereira. Álvaro Reis e Erasmo Braga. Escobar. Neill. sexo. Henrique Dussel e Leonardo Boff. Hugo Assmann. 13. entidade que promoveu o maior esforço cooperativo até hoje empreendido pelas igrejas evangélicas brasileiras e foi precursora da Confederação Evangélica do Brasil. Os próprios locais dessas conferências e congressos são reveladores. especial (Novembro 1978): 521. O historiador Sidney Rooy identifica uma seqüência de três séries ou ciclos de encontros do protestantismo latino-americano. Erasmo eventualmente tornou-se o secretário da Comissão Brasileira de Cooperação. um velho Catalina da Panair. René Padilla. Entre os latino-americanos presentes no congresso estavam apenas três brasileiros. Outros nomes importantes no campo católico são Juan Luis Segundo. na selva peruana. Dali percorri o Norte e o Nordeste. Em 1959 e 1960 percorri como evangelista e discipulador um bom número de centros universitários. Núnez e o brasileiro Valdir Steuernagel. autor de Uma Teologia da Libertação (1971). Jon Sobrino. até chegar a 93 . como jovem delegado peruano a um congresso mundial da juventude batista. enquanto que todos os CLADEs ocorreram nos países andinos.” 22. Ver Samuel Escobar. “Panamá 1916 y su Impacto sobre el Protestantismo Latinoamericano. até Manaus. Citado por Tito Paredes em “Visión Histórica de los ‘CLADEs’. Entre os evangélicos conservadores. ed. eds. duas realizaram-se na cosmopolita e culta Buenos Aires.” em A History of the Ecumenical Movement: 1517-1948. 3ª ed. Hogg. “Los ‘CLADEs’ y la Misión de la Iglesia. Neste último aspecto. Emílio A. Outros membros bem conhecidos da Fraternidade Teológica são C. entre outros. identidade étnica e filiação eclesiástica. o órgão cooperativo correspondente ao CLAI é a Confraternidade de Evangélicos da América Latina (CONELA). Sobre a sua relação com o Brasil. o próprio Escobar afirma em uma obra recente: “Desde a minha primeira visita ao Brasil. Cheguei de avião.” Pastoralia 1/2. no campo protestante destacaram-se José Miguez Bonino e Rubem Alves.International Missionary Council. de Iquitos.” Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). 131-32. Um dos primeiros e mais importantes articuladores dessa teologia foi o sacerdote peruano Gustavo Gutiérrez. metade das inscrições é reservada para participantes pentecostais.” William R. Ruth Rouse e Stephen C. José Porfirio Miranda. 1986). apaixonei-me por esse imenso país. 353-402 (Genebra: World Council of Churches. 20. Ecumenical Foundations: A History of the International Missionary Council and its Nineteenth-Century Background (Nova York: Harper and Brothers. Tito Paredes.. Daí o subtítulo utilizado: “Para considerar os problemas missionários relativos ao mundo não-cristão. Das três CELAs. Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). em 1953. com seus enormes problemas sociais e suas dinâmicas igrejas populares. Nelson. Os critérios de seleção procuram ser os mais abrangentes possíveis em termos de faixas etárias dos participantes. 35. Rolando Gutiérrez. “Los ‘CLADEs’ y la Misión de la Iglesia. 1952). John Kessler e Wilton M.” Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999).

“Um movimento dividido: três abordagens da evangelização mundial permanecem em tensão entre si”. 11. “Missão na América Latina: uma perspectiva evangélica”. A revista Evangelical Review of Theology. “Além da teologia da libertação: artigo-resenha” e “Uma abordagem missiológica do protestantismo latino-americano. como ocorre nos Estados Unidos. nº 1 (abril 1983): 48-62. Pedro Arana. em nível de pós-gradução. Para os leitores não familiarizados com o inglês. “o missiologista Samuel Escobar disse que um conceito holístico de missão conclama os cristãos a compartilhar tanto a vida espiritual quanto recursos materiais e a utilizar instrumentos espirituais. em distinção dos progressistas ou liberais. MG: Editora Ultimato. Por força de suas ocupações. realizada em Seul. Mackay”. publicou os trabalhos apresentados nessa consulta. Também publicado em Annals of the American Academy of Political & Social Science 554 (Nov 1997). 1997). “500 anos após Colombo: Requiem ou Te Deum?”. uma revista para estudantes universitários. Mais recentemente. David Bosch 94 . culturais e tecnológicos. “A nova ordem mundial das missões: o século XXI nos conclama a abandonarmos nossos modelos de ministério mundial procedentes do século XIX”. publicado na Argentina. “Teologia evangélica na América Latina: o desenvolvimento de uma cristologia missiológica”. trabalhei como missionário na frente estudantil. “O recrutamento de estudantes para missões”. Escobar também foi responsável por vários periódicos. o termo “evangélico” tem sido virtualmente sinônimo de “protestante. “O evangelho inteiro para o mundo inteiro a partir da América Latina”. entre 1962 e 1964.” Samuel Escobar. esta é a tradução dos títulos dos artigos de Escobar: “A responsabilidade social da igreja na América Latina”.” Escobar também leciona no curso de Administração do Eastern College. Estratégia e Teologia de Missões (Viçosa.São Paulo. “Além da teologia da libertação: missiologia evangélica na América Latina”. Ver Samuel Escobar. “O legado de John A. “A Latin American Critique of Latin American Theology. Por exemplo. um deles escrito por Escobar e três colegas latinoamericanos. “Transformação em Ayacucho: da violência à paz e esperança”. em 1982 Escobar participou da Consulta de Teólogos do Terceiro Mundo. Valdir Steuernagel e Rodrigo Zapata. Seu papel principal é ajudar os estudantes a considerar as missões cristãs no contexto da justiça econômica. “Elementos de estilo na formação de novos líderes missionários internacionais”.” Como no Brasil. e diretor de Pensamiento Cristiano. “Missões e renovação no catolicismo latino-americano”. em março de 1998. nos primeiros anos da Aliança Bíblica Universitária. órgão oficial da referida Comissão Teológica. Desafios da Igreja na América Latina: História. historicamente.” Evangelical Review of Theology 7. um órgão de exposição do pensamento evangélico. na Coréia do Sul.” os estudiosos estão utilizado o anglicismo “evangelical” para designar especificamente os evangélicos conservadores. “A missiologia de McGavran foi devorada por um leão?”. Segundo o Mennonite Brethren Herald. Escobar participou de uma conferência sobre economia e missões promovida pelo Concílio de Ministérios Internacionais das igrejas menonitas norteamericanas. onde. “De Lausanne 1974 até Manilla 1989: a peregrinação da missão urbana”. Por exemplo. ele foi editor de Certeza.

. Ibid. Conn e Samuel F. Harvie M. Mission Theology. 231. Michigan: Urbanus. 350. Samuel Escobar.. que recebeu 920 delegados de 25 países.. (3) evangelicais por confissão (como Peter Beyerhaus). Ibid. “Holístico. (2) evangelicais separatistas (como Carl McIntire e o seu Concílio Internacional de Igrejas Cristãs). tratamento ou divisão em partes. 237. 1984). “Missiology in Contemporary Latin America: A Survey. Bassham. Mission Theology: 1948-1975 – Years of Worldwide Creative Tension – Ecumenical. Phillips e Robert T. Ver Internet. Bassham. 133. por exemplo.. “Mission in Latin America: An Evangelical Perspective. Ver Samuel Escobar. 25. James M. Ibid. 131. 1979). 262. Ibid. 95 .html. www. que tentam unificar todos os evangelicais. Quando Escobar concluiu sua palestra. 22. Tópicos do Momento 3 (São Paulo: Vida Nova. “Latin America. procura tratar tanto a mente como o corpo. ed. A medicina holística.” do grego hólos (“inteiro”. Samuel Escobar. John Stott. Rodger C. “Has McGavran´s Missiology been Devoured by a Lion?” Missiology 17 (Julho 1989).menciona pelo menos seis tipos básicos: (1) novos evangelicais (como Billy Graham).. Esse congresso foi o berço da Fraternidade Teológica Latino-Americana.. 225. 1975).com.br/cem/postura. denota o que diz respeito a totalidades ou sistemas completos. Coote (Grand Rapids: Eerdmans. (4) evangelicais pentecostais e carismáticos. 349-350. 295. O COMIBAM deu uma forte ênfase à segunda vinda de Cristo. A Responsabilidade Social da Igreja. Desafios da Igreja. o surgimento de uma “teologia nacional” entre os evangélicos latino-americanos.” em Pensamiento Cristiano 93 (Março 1978): 170-175. Um bom exemplo das idéias de Escobar acerca da evangelização pode ser encontrado no seu artigo “Vivir y Evangelizar. Ibid.” em Toward the Twenty-First Century in Mission.homenet. 7-8.” em Missions and Theological Education in World Perspective. Mission Theology. and Roman Catholic (Pasadena. Califórnia: William Carey Library.” Missiology 20 (Abril 1992). Bassham. Romen (Farmington. 187. e (6) evangelicais ecumênicos (como John Stott. os delegados colocaram-se de pé e demonstraram a sua aprovação aplaudindo-o entusiasticamente. The Lausanne Covenant: An Exposition and Commentary (Minneapolis: World Wide. em contraste com a análise. Orlando Costas. A palestra foi publicada na íntegra por Edições Vida Nova. Escobar atribui ao CLADE I. ed. Festo Kivengere e Arthur Glasser). Samuel Escobar. 244. 291. Ibid. Evangelical. “completo”). 1993). René Padilla e Orlando Costas). 104. 1970). Ibid. (5) evangelicais radicais (como Samuel Escobar.. Ibid.

sob o título “Discernindo o Espírito na América Latina. “Mission in Latin America. Escobar participou de mais uma consulta da Comissão Teológica da Fraternidade Evangélica Mundial. Escobar. 110. 96 .” Fides Reformata 2:2 (Jul-Dez 1997). Desafios da Igreja na América Latina. ao contrário. Ibid. Samuel Escobar. “Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America. 69-88. tribulação e separação amarga. e “Jonathan Edwards: Teólogo do Coração e do Intelecto. Ibid.” a instabilidade social resultante do colapso dos padrões e valores. Não é possível repetir a história. 64. 108.. alienação e incerteza que decorre da ausência de propósito ou ideais. 48. Não seria melhor evitar o assunto? Neste artigo estudaremos um pouco da história para ver se podemos descobrir algumas lições para os dias de hoje.. Escobar. 72-87 Parte XVII APRENDENDO DA HISTÓRIA DOS AVIVAMENTOS Estamos vivendo numa época em que muitos membros das nossas igrejas oram: "Aviva a tua obra. gerando uma espiritualidade nova e radical. Outros se arrepiam imediatamente quando ouvem falar do assunto. no decorrer dos anos. 1990). 316. do autor do presente artigo. “Mañana – Discerning the Spirit in Latin America. Não é que não queiram que as igrejas sejam vivas e dispostas para a obra do Senhor.” International Bulletin of Missionary Research 6 (Julho 1982). Escobar. Samuel Escobar. trad. É o caso de André Biéler.” Fides Reformata 3:1 (Jan-Jun 1998). 7.. Ibid.” em que revela o seu grande interesse pela dimensão pneumatológica da missão da igreja e conclama os evangélicos a estarem receptivos ao novo vento do Espírito que sopra na igreja."(1) Talvez não se expressem exatamente com estas palavras. “Amando a Deus e ao Próximo: João Calvino e o Diaconato em Genebra. Ibid. O Pensamento Econômico e Social de Calvino. mas podemos aprender com ela. 328. Tal consulta. “Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological Christology.” 134. Há poucos anos.. 19.” Evangelical Review of Theology 20/4 (Outubro 1996). realizada em Londres de 9 a 14 de abril de 1996. no sentido individual. 111. “Anômicas” deriva de “anomia. 321. Mas avivamento? Já passamos por tanta confusão.” Escobar foi o autor de um dos seis estudos apresentados ao plenário. Waldyr Carvalho Luz (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana. teve como tema “Fé e Esperança para o Futuro: Por Uma Teologia Evangélica Vital e Coerente para o Século XXI. mas de fato almejam um avivamento autêntico. “The Elements of Style in Crafting New International Mission Leaders.. Desafios da Igreja na América Latina. “Latin America.” 241. Ver também. Samuel Escobar.Escobar. ó Senhor. Ibid.” Missiology 19 (Julho 1991). Samuel Escobar. significa a inquietação.” Evangelical Missions Quarterly 28 (Janeiro 1992).

mas por outro lado existiam muitos obstáculos à santificação. que ficou famoso na jurisprudência sobre a liberdade religiosa. Nesse país também houve várias épocas de avivamento com bênçãos e problemas incontáveis. o crescimento continuou e em 1717 organizou-se o primeiro sínodo." tendo organizado igrejas e até consagrado ministros. Portanto. santificação constante e disposição incansável. Por volta de 1700 havia muitas famílias presbiterianas espalhadas por todas as colônias. Somente um século mais tarde nações protestantes começaram a zarpar pelos oceanos. A Inglaterra implantou colônias na América do Norte. Francis Makemie. chamada consciente. iniciou o seu trabalho itinerante de Nova York até as Carolinas. chegando em casa depois de uma longa cavalgada numa tempestade de neve. para a época que entrou na história como o "Grande Despertamento" (Great Awakening. mormente a embriaguez. Os escoceses sabiam fazer isto.(3) Ele é considerado o "pai do presbiterianismo americano. I. Porém. pior ainda. Makemie foi preso por ter pregado em Nova York. Muitos colonos viviam longe das igrejas e. Ele defendeu o seu próprio caso. Foi adotada a ordem eclesiástica da Escócia.As nossas igrejas no Brasil foram plantadas por missionários da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos. 17391745). e os preços dos produtos da lavoura muito baixos. até entre pastores. então. rebatizando-a como Nova York). e também o seu selo e lema: Nec Tamen Consumebatur. não é de estranhar que 97 . Os "Pais Peregrinos" foram para o nordeste do continente (1620) e estabeleceram fortes colônias congregacionais. E havia outros problemas. era tentado a tomar uns tragos. especialmente escocesas-irlandesas. da Palavra de Deus..(4) Apesar do crescimento numérico das igrejas em geral. e em 1701 um jovem pastor do nordeste da Irlanda. a situação religiosa nas colônias não era boa. com a Igreja Anglicana como a igreja oficial. sendo Virgínia a primeira (1607). Nesse caso. mamãe.. Muitas igrejas foram organizadas e já cinco anos depois o presbitério reuniu-se pela primeira vez em Filadélfia. No ano seguinte. o pastor podia ser pago em espécie e. como é que foi?" Voltemos. visão ampla. a não ser que pudessem ser industrializados. Foi na época em que Portugal e Espanha começaram a navegar pelos oceanos e fundar o seu império ibérico. Era um homem preparado para o trabalho de Deus: conversão clara. É que os colonos eram pobres. Foi absolvido. só que não conseguiam vender o whisky a tempo.(2) Os holandeses fundaram Nova Amsterdã (1614) com sua Igreja Reformada (mas os ingleses capturariam a colônia cinqüenta anos depois. depois que foi quebrada a espinha dorsal marítima da Espanha com a derrota da sua Armada (1588). Vamos perguntar à nossa mãe espiritual: "Conte. O Presbiterianismo na América do Norte O Brasil foi descoberto em 1500. Nos lares crentes de fato havia leitura bíblica e o catecismo era decorado. O Senhor abençoou o seu trabalho. mas adoeceu gravemente devido à permanência no calabouço e foi promovido à glória.

as distâncias eram grandes e as despesas altas. Jonathan Edwards pregou o seu célebre sermão "Pecadores nas mãos de um Deus irado" (1741).(13) Apesar desses resultados positivos. pois.(12) Na Inglaterra. Frelinghuysen. o pastor de uma das Igrejas Reformadas holandesas.(5) Havia algumas escolas para preparação de pastores no nordeste americano. mas infelizmente nem sempre zelavam pela ortodoxia e pela ortopraxia. ou seja. A gritaria de um certo James Davenport passou tanto dos limites. e quando Whitefield fez uma campanha evangelística nas colônias (1739-1741). Em 1740 ele pregou uma mensagem com um título apropriado sobre os perigos de um ministério não convertido. Então. tais como: a Lei não se aplicaria aos crentes. II. que por sua vez tinha recebido muita influência do puritanismo inglês(10) não somente uma doutrina e fé bíblicas.(9) Nesse sentido. isso não foi algo estranho ao puritanismo presbiteriano americano. em que candidatos ao ministério eram treinados na casa de um ou outro pastor com o dom de mestre. que eram muitas por causa da antiga colonização holandesa e que continuaram a crescer mesmo depois da conquista de Nova Amsterdã pelos ingleses. comparou-os a Zacarias e Isabel. o Senhor estava operando nas Igrejas Congregacionais do nordeste americano (1734) e algum tempo depois o Rev. que até os seus correligionários o consideraram mentalmente fraco. o jovem ministro Gilbert Tennent começou a pregar como o seu colega reformado (1733).(6) O casal Tennent era um exemplo de piedade e o próprio George Whitefield. em dois anos mais de trinta mil pessoas foram ganhas. Quando. como sempre ocorre quando o Senhor dá a sua bênção. que preparou uns poucos jovens para o ministério sagrado. A sua oração diária era pela "purificação dos filhos de Levi. recorreu-se ao sistema conhecido na Irlanda do Norte.algumas pessoas reconhecessem que a igreja precisava ser purificada para tornar-se realmente uma igreja puritana. se alguém não sabia quando estivera 98 . tais como Harvard e Yale. a pregação de George Whitefield e de John Wesley levou muitas pessoas ao Senhor.(14) Também puderam ser observados vários desvios teológicos. entre eles seus próprios filhos. E essa purificação devia começar com o corpo ministerial. mas com um vocabulário por vezes muito veemente. mas o impacto do sermão de Gilbert foi mais amplo pelo fato de ter sido impresso. Além disso. depois de visitá-los. Vários pastores não souberam controlar a sua língua. O Grande Despertamento. Um desses foi o velho Rev. 1739-1745 Essa ênfase na pregação tinha sido (re)iniciada naquela região por "Dominie"(8) Theodore J. O próprio Gilbert Tennent abusou da palavra.(11) Ao mesmo tempo."(7) A conversão era absolutamente necessária (inclusive para os presbiterianos) e essa conversão devia ser visível. Theodore era herdeiro de uma ênfase do puritanismo holandês. William Tennent. houve problemas humanos. o Rev. referindo-se aos colegas como "cães mortos" e outros termos negativos. 10% da população americana da época. Não era incomum o uso de linguagem violenta. mas também uma ética e comportamento bíblicos. no seu humilde "colégio de toras" (Log College).

se alguém não sentia o sopro do Espírito Santo como um vento verdadeiro. mas não menos importante. mas também faleceu depois de dois curtos anos. e toca meus lábios com fogo celestial.(17) A Ala Nova é mais conhecida por causa do seu trabalho evangelístico. que ocorreram divisões no corpo de Cristo.(15) O cisma na Igreja Presbiteriana começou em 1741. No início do sínodo daquele ano um grupo de doze ministros apresentou um documento chamado "Protestação. Em primeiro lugar. Davies foi chamado para substituí-lo."(19) Um problema muito interessante era a tensão entre educação e missão. Nessa época. Poucos meses depois.sem Cristo. que gostavam de cantar salmos em sua cozinha. Colocaram no túmulo desse servo. mas também aos escravos africanos.(16) Alegando apoio na Constituição Presbiteriana. o de Hanover (1755). ó graça real. que era presidente do colégio teológico de Princeton. Samuel Davies. David trabalhou incansavelmente durante quatro anos entre os indígenas. seria um crente carnal." implantou o trabalho presbiteriano na região de Richmond. Davies teve o privilégio de batizar uns 150 deles. até sucumbir à tuberculose na casa do seu futuro sogro. O Cisma Presbiteriano. que resultou no primeiro presbitério do sul. Jonathan Edwards. afetando ambos os grupos como um vírus maligno. Jonathan Edwards. que havia se tornado uma foco de oposição. também formado num "colégio (teológico) de toras. Menos conhecido. 1741-1758 Infelizmente as tensões aumentaram tanto durante a época do Grande Despertamento. zombaria e forte oposição dos tradicionalistas e de um certo radicalismo e farisaismo dos avivados. veio a falecer por causa da varíola. Não somente pregou aos colonos europeus. e quatro deles deviam ser afastados do ministério por causa de problemas graves. a sua noiva Jerusha também faleceu vitimada pela mesma enfermidade (1748). pisaram o direito eclesiástico.(18) Brainerd havia sido expulso do curso teológico de Yale por afirmar que um certo professor não tinha mais da graça de Deus do que uma cadeira. O fato era 99 . que pregava como o embaixador de um rei poderoso. foi o trabalho de "missões nacionais" da Ala Nova. Algumas irregularidades contra a ordem presbiteriana também azedaram as relações eclesiásticas. e os avivados como a "Ala Nova" do Sínodo de Nova York. pelo esforço missionário transcultural de homens como o Rev. III. que nos deixou o seu conhecido diário. O grupo de tradicionalistas ficou conhecido como a "Ala Velha" do Sínodo de Filadélfia." Sete dos "protestadores" pertenciam ao Presbitério de Donegal. uma frase de um dos seus 600 hinos: "Inspira a minha alma. o Rev. praticaram uma lealdade dúplice por causa do seu corporativismo. já tensas por causa da frieza. Dizendo-se leais a Cristo. No seu diário ele anotou que de vez em quando acordava com uma torrente de melodias celestiais. Depois da sua ordenação. David Brainerd. não poderia ser considerado convertido. na Virgínia (1747-1759)." que simplesmente declarava que os avivados não tinham lugar "neste concílio de Cristo.

porque uma vez envolvidos no ensino diário.(23) Porém. mas reconheceram que erraram algumas vezes ao invadirem campos pastorais de colegas tradicionalistas sem serem convidados. Também reconheceram que as suas línguas não haviam sido batizadas pelo Espírito Santo quando usavam certas expressões pejorativas ao referirem-se aos seus colegas.(21) IV. e não somente uma fé formal.que as igrejas. No começo do cisma os avivados eram uma minoria. mas sem os frutos do Espírito Santo. Não é que os presbiterianos não tivessem visão. 100 . as duas alas conseguiram restabelecer a paz. Quando chegavam aos seus campos de trabalho. E a Lei do Senhor era sem dúvida uma norma de gratidão para a vida do crente convertido. sendo o próprio Gilbert Tennent o maior defensor dessa reunião. estavam seriamente iludidos. sentiam ainda um profundo desejo de pregar em todo e qualquer lugar. 1758 Depois de dezessete anos. por causa da maioria numérica da Ala Nova. em 1758 a Ala Velha tinha 23 pastores e a Ala Nova 73. Porém. gritos. etc. Também admitiram ser necessário que os pastores (e conseqüentemente os candidatos ao ministério sagrado). mas havia falta de pastores para atender aqueles vastos campos. o que diminuia o número dos que podiam estudar. mas admitiram que houve falta de discernimento espiritual. porque eram as pessoas mais educadas da comunidade. basicamente por existir mais humildade nos dois lados. freqüentemente na então fronteira colonial.(20) Mas o bom era o inimigo do melhor.(24) Um pouco de estatística pastoral demonstra isto claramente: em 1741 a Ala Velha tinha 27 pastores e a Ala Nova 22. mal sobrava tempo para visitarem as congregações espalhadas. por outro lado. mas havia falta de obreiros por causa das rigorosas exigências na educação teológica. especialmente para os da Ala Velha. não respeitando assim as normas constitucionais. a paz entre os dois grupos deve ter sido um pouco difícil. Uma das alavancas foi o sofrimento comum causado pela guerra contra os franceses. Mas os que conseguiam fazer o curso teológico saíam como homens bem preparados. desmaios.(22) Os avivados. mas reconheceram que de fato houve muitas conversões sinceras e permanentes.). Os tradicionalistas ainda tinham certas restrições. pois os convertidos que apresentavam reações físicas (como arrepios. que às vezes perdiam o contato com a igreja presbiteriana e filiavam-se a outras denominações. A Reunião. congregações e pontos de pregação se multiplicavam. o mais importante é que o clima havia se tornado mais ameno. Insistiram que o avivamento era uma obra santa do Senhor. eram bem-vindos como pastores e também como professores. As duas correntes uniram-se novamente. mas cresceram muito durante os anos da separação. tivessem uma experiência religiosa. O restabelecimento da união também foi possível porque ambos os lados haviam permanecido presbiterianos na doutrina e os renovados não tinham rejeitado o batismo dos filhos da aliança. Os colonos pediam que o pastor ensinasse seus filhos.

Dia da Renovação da Aliança Devemos ainda acrescentar um parágrafo sobre as lições espirituais que emanam desse período." os seus presbitérios faltaram com a disciplina fraternal. nem rejeitando as bênçãos incontáveis da obra do Senhor. Sem dúvida. dependendo da nossa posição no processo histórico atual. Aquela súplica — "Aviva a tua obra. Talvez tenhamos de lembrar a distinção entre causas diurnas. à luz das Escrituras? Calvino certa vez disse o seguinte sobre aqueles que querem tirar uma série de aplicações de um texto bíblico: "A Escritura é frutífera em si mesma. a fim de não perdermos o verdadeiro avivamento. a "causa diurna" do crescimento maior da Ala Nova deve ter sido o trabalho evangelístico mais intenso e mais descentralizado dos irmãos avivados. as missões sendo sempre um índice preciso do avivamento autêntico. quatro tinham problemas morais e.De fato. patentes a todos. O conceito de avivamento também é muito bíblico: retornar ao Senhor. ó Senhor. Não deveríamos perdê-la por causa de abusos. Dos doze "protestadores" que iniciaram o cisma expulsando os avivados. e causas noturnas. santificação esta que é o alvo do Espírito Santo em cada efusão especial do poder do alto. focalizando suas críticas em aspectos mais circunstanciais. significando reviver. para que a igreja seja testemunha no tempo e no lugar onde Deus a colocou na história." para nós da tradição reformada uma expressão como "Renovação da Aliança" ajudaria muito a entender o que o Senhor quer de nós. mas assim também o foram os tradicionalistas. o avivamento não passa de emoção litúrgica. ocultas à maioria. E cada um de nós deve aplicá-las à vida. V. não promovendo um avivamento pelo esforço próprio. E existiria ainda alguma "causa noturna"? Cremos que sim. Um dia especial para enfatizar 101 . produzindo mais frutos do Espírito Santo. E o Senhor nos convoca a renovarmos a aliança que ele estabeleceu conosco. renová-la em todos os seus aspectos. ao todo dois terços do mesmo grupo! Em virtude do "corporativismo. Faltando essa característica essencial. mais quatro. começando pelo individual." Parece que as lições históricas neste caso são óbvias. foi como o historiador Trinterud afirmou: "Two sides. no início a Ala Velha não reconheceu essa necessidade premente de santificação. humilhar-se e começar a ter uma vida purificada. ou seja. Oremos para que aprendamos a andar em humildade. A Ala Velha insistiu que os avivados tinham sido beneficiados pela imigração e fundos do Velho Mundo.(25) Mas qual teria sido a causa dessa diferença tão patente? Muito se tem discutido. infelizmente a "causa noturna" mais provável por que o braço tradicionalista da Igreja Presbiteriana americana murchou até mesmo durante o "Grande Despertamento" foi a falta de santificação. Sim.(27) Não devíamos perder o conteúdo por causa de uma palavra. "Avivamento" é uma palavra muito bíblica. duas marés). no fim desse período. no decorrer dos anos" — é uma oração ensinada pelo próprio Espírito Santo.(26) Embora a Ala Velha também tenha feito algo pelas missões nacionais. O fato é que o avivamento real procura maior santificação em todos os setores da vida. two tides" (duas alas. Se não quisermos usar a palavra "avivamento.

and the Log College (Greensboro. 6 Sobre Tennent e sua escola. 1938). e em 1789. ver W. 1942). o crescimento e os problemas dessas igrejas reformadas (inclusive depois da conquista de Nova Amsterdã pelos ingleses em 1664).2 (Almeida Revista e Atualizada). do latim dominus. 2 Para um resumo sobre religião na América do Norte. Die Vorbereitung des Pietismus in der Reformierten Kirche der Niederlande bis zur Labadistischen Krisis. seria um dia de oração e jejum para que o Senhor não nos lance fora. o dia do aniversário da igreja universal. e sim para a sua glória. Light in Darkness: The Story of William Tennent. Page. ver I. De Jong. como é o desejo profundo de todo verdadeiro presbiteriano. Ou talvez o dia de Pentecoste. ver W. "senhor. Bolland. incorporando muitos dos antigos huguenotes. Mas. 4 Adotado pela Igreja Presbiteriana da Escócia em 1635. o ano em que a França sangrava por causa da revolução. Francis Makemie (Grand Rapids: Eerdmans. 10 Wilhelm Goeters. em seu famoso livro Pia Desideria ("desejos piedosos").3. 1670 (Amsterdam: T. Spener. Sr. não para o nosso próprio triunfalismo oco. M. qualquer dia que seja. a fim de que ela seja sal da terra e luz neste mundo tenebroso. Religion in America (New York: Scribner’s. Tennent. ver M. senão Deus amaldiçoará até as nossas bênçãos (Ml 2. realizou-se a primeira Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos. 1978). 12 de agosto. Religion in Colonial America (New York: Scribner’s. 3 Sobre Makemie. 102 . 5 Assim também Philipp J. publicado em 1675.. A.2)! 8 Como eram chamados os ministros da Igreja Reformada Holandesa: dominie. nos use. Os Estados Unidos tornaram-se independentes em 1776. o grande líder do pietismo na Igreja Luterana da Alemanha. 1971). The Dutch Reformed Church in the American Colonies (Grand Rapids: Eerdmans. ao contrário.essa renovação da aliança pode ser para nós presbiterianos o dia do aniversário da nossa igreja. absolutamente necessário. Sweet. Para o período colonial. The Life Story of Rev." 9 Sobre a posição oficial. Hudson. 1993). 7 Ml 3. S. ver Gerald F. NC: Greensboro Printing Co. Notas 1 Habacuque 3. para a salvação de muitos perdidos. W. e para a santificação e edificação da igreja.

1974). ([London]: Ed. comp. 3a. 19 "Almighty grace. 1949). George Whitefield. J. (São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas. como a Universidade de Pittsburgh. o seu sermão publicado. "Irenicum Ecclesiasticum" (1749). cap. Edwards baseou-se em grande parte no diário de Brainerd. 12 Jonathan Edwards. no seu Art. 22 Exigência incluída também na Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil. 1993). 21 Valeria a pena um estudo aprofundado sobre as congregações da IPB que foram perdidas. my soul inspire. 15 Os congregacionais dividiram-se em "Old Lights" e "New Lights. Sermons and Essays by the Tennents and their Contemporaries (Philadelphia: Presbyterian Board of Publication. 11 L. 17 "The Old and New Side" do século XVIII não devem ser confundidos com "The Old and New School" do século XIX. Nesse século XVIII de racionalismo. 8: "The Withered Branch. 2 vols. 13 Sobre Whitefield.1993). c. Trinterud. Pecadores nas Mãos de um Deus Irado. Alexander. ed." 20 Dessas escolas paroquiais nasceram instituições educacionais conhecidas. Começou em Londres em 1717 e trinta anos depois já era influente na colônia americana. ver A." 16 Se houve também uma dupla lealdade por causa de ligações maçônicas. A Vida de David Brainerd (São José dos Campos. Banner of Truth Trust. 32. 25 Trinterud. [1855]). [1970]).." 103 . 23 Cf. Para essa biografia do seu genro. Dallimore. a maçonaria era uma espécie de reação mística contra o árido deísmo. 24 O mesmo fenômeno de crescimento numérico ocorreu entre os congregacionais: na região de Boston havia nessa altura quase três vezes mais pastores avivados do que tradicionalistas. 14 A. SP: Editora Fiel. não ficou claro até agora. The Forming of an American Tradition (Philadelphia: Westminster Press. and touch my lips with heavenly fire." os batistas em "Regulars" e "Separatists. na Pensilvânia. Forming of an American Tradition. A. 18 Ver Jonathan Edwards.

Então. isto é. e impondo sobre eles as mãos. "Separai-me agora .".2. agora. um exemplo de igreja missionária. deveriam inspirar todas as igrejas. Ne 8. os despediram" (At 13. O particípio presente indica ação contínua. etc Fonte: Revista Fides Reformata Parte XVIII AS QUATRO INDISPENSÁVEIS QUALIDADES Uma Igreja Missionária "E. Igreja missionária é igreja adoradora Atos 13.. servindo eles ao Senhor.. Piso e a Medicina Indígena (Recife: Instituto Arqueológico. pois quando o Espírito Santo disse em Atos 13. 1980). todo campo missionário deveria se tornar. jejuando.. Como deve ser caracterizada a igreja evangélica brasileira em seu propósito de ser uma igreja verdadeiramente missionária no Brasil e no mundo? Biblicamente falando. numa base missionária.14. Já a igreja de Antioquia era.2 com o mesmo significado de latréw. como Js 5. servindo eles ao Senhor e jejuando. 2 Cr 29-30. do verbo leitourgéw. Orlando Costas estava certo quando disse que "o culto está intrinsecamente relacionado com a ação de Deus na história e a conversão das nações ao Deus trino e uno". e que. Mas por uma série de fatores que lamentamos. O particípio presente leitourgountwn (servindo [ARA]. nem sempre é essa a realidade em termos de igreja brasileira. Histórico e Geográfico Pernambucano e Universidade Federal de Pernambuco. "prestar culto a Deus".. passando a ser oficialmente o portal da missão entre os gentios. cresceu e frutificou. 24.26 Ruy dos Santos Pereira.2 inicia assim: "E. Uma igreja só pode ser verdadeiramente missionária se for verdadeiramente adoradora e vice-versa. "servir em adoração". sem sombra de dúvida. disse o Espírito Santo: Separai-me. com certeza. E ainda: 104 ." a partir daquele momento a igreja de Antioquia não seria mais a mesma em termos de visão e ação missionárias. Os princípios que nortearam a vida da igreja de Antioquia. 23.3). workshiping [NIV]). A igreja que outrora foi campo.27 2 Cr 7. é empregado por Lucas em Atos 13. foram cuidadosamente observados e registrados por Lucas em Atos 13. que o Espírito Santo preparou para receber a boa semente do evangelho. Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado. Existem muitos exemplos históricos.2. e orando. obrigatoriamente.

estamos falando da dicotomia existente entre culto e missões. É evidente que 105 . Sem um o outro perde sua vitalidade e significado". a questão da prioridade da igreja. por sua vez. então. só o fato do culto ser dirigido a Deus e as missões aos homens já definiria. ou que "missões existem porque o culto não existe". por sua vez. Do mesmo modo. como temos visto na prática? Será que podemos afirmar que culto é mais importante que missões ou vice-versa? Mais uma vez contamos com o argumento equilibrado de Orlando Costas: Não existe dicotomia alguma entre culto e missão. a missão deve ser vista como um acontecimento cultual. que o culto deve levar a igreja a fazer missões (cf. mas sim.44-49). Não é só uma atividade necessária ao sucesso da obra . At 2. quando vivida de maneira bíblica". Será que precisamos mesmo priorizar uma tarefa em detrimento da outra. Talvez um dos piores males que têm assolado. O culto é a reunião do povo enviado ao mundo para celebrar o que Deus fez em Cristo e está fazendo mediante a participação deles na ação testemunhal do Espírito. Para os defensores da primeira posição. "A liturgia sem missão é como um rio sem manancial. A missão é a culminação e antecipação do culto. De um lado temos os que insistem que "missões são a segunda mais importante atividade no mundo".42-47). um povo de oração e testemunho". Os defensores da segunda posição argumentam. surge da missão. Igreja é missões". porquanto celebra o que Deus tem feito por homens e mulheres em Jesus Cristo e os chama a receber e compartilhar o dom da graça de Deus. ao mesmo tempo.é a obra em si. At 13. No culto e na missão a comunidade redimida dá evidência concreta do fato de que é. Pois uma adoração que não leva a igreja a evangelizar não passa de mera contemplação. E não estamos nos referindo à questão da evangelização e responsabilidade social. É a prática mais missionária possível. "É preciso ter paixão pelos perdidos e obedecer ao ide de Jesus". É o resultado espontâneo da experiência da redenção. e uma evangelização que não leva os pecadores a adorarem a Deus está fora dos propósitos do próprio Deus. e missões. tem quem afirme ser "um absurdo dizer que muitas são as responsabilidades da igreja. outro assunto desnecessariamente polarizado. Ao contrário. Vemos. devem levar os perdidos a prestarem culto a Deus (cf. a missão sem culto é como um rio sem mar. em sua dimensão humana. E a discussão não é se a igreja deve adorar ou evangelizar (embora às vezes é o que de fato acontece). por si só. Do outro lado.O culto. Igreja missionária é igreja de oração José Martins disse corretamente: "A oração é a essência da obra missionária. As opiniões são as mais variadas e extremistas até. que é preciso mais que adoração. dividido e enfraquecido a igreja brasileira em nossos dias seja os constantes debates em torno da tarefa prioritária da igreja. o que deve ser considerado em primeiro lugar. Ambos são necessários.

Seria incoerente pensar que uma igreja que estava adorando a Deus e jejuando não estivesse em oração. A ordem das palavras é significativa e não pode ser menosprezada. por isso mesmo. e sim. a igreja de Antioquia foi uma das igrejas mais anti-judaicas do passado. respectivamente. Implicitamente porque o versículo dois diz o seguinte: "E. naquilo que se refere às práticas religiosas do judaísmo. primeiramente para mostrar que jejum e oração não são incompatíveis na vida de uma igreja e. em segundo lugar. Mas se é o mesmo ou deixa de ser. servindo eles ao Senhor. Paulo foi um homem de oração e recomendava às igrejas que orassem por ele e pela expansão do evangelho de Jesus Cristo. O fato da igreja estar jejuando subentende-se que ela estava também orando. e jejuando. mostrar como esta prática era (e deve ser) valorizada no meio de uma igreja verdadeiramente missionária.. tudo indica que sim. Nem toda oração é feita em jejum. Em Atos 13. Basta saber que a igreja de Antioquia era uma igreja de oração e que fazia da oração a base de sua missão. Pela urgência do chamado do Espírito.. conforme dissemos acima. Nunca é demais enfatizar a importância da prática da oração na obra missionária. do mesmo capítulo 13. como tem feito a maioria dos autores que consultamos. a igreja estava em oração. embora sabemos que ela também orava. Esta verdade está implícita e explícita em Atos 13. que essas duas atividades devem vir interligadas uma na outra. não é tão importante sabermos. 2) Acreditamos que Lucas fez questão em enfatizar a prática do jejum pela igreja de Antioquia. mais do que simplesmente orar. É provável que o exemplo da igreja de Antioquia tenha marcado positivamente o ministério de Paulo. 106 . Direta ou indiretamente o Concílio de Jerusalém de Atos 15 aconteceu em razão desse anti-judaísmocerimonialista. qual o interesse dele em dar tanta ênfase a uma prática estritamente judaica? Segundo... Além disso. Agora. Não sabemos ao certo se o jejum do verso 3 é o mesmo do verso 2.2 ele diz que a igreja jejuava. e não menciona a oração. mas todo jejum bíblico é feito com oração. jejuando e orando. Lucas coloca a palavra "jejuando" na frente de "orando". primeiro porque Lucas era gentio (provavelmente da cidade de Antioquia da Síria) e. É impressionante a ênfase que Lucas dá ao jejum na igreja de Antioquia. temos uma evidência explícita de que a igreja de Antioquia realmente orava naquela ocasião: "Então.". A ênfase de Lucas é importante por duas razões pelo menos: 1) Não devemos pensar que a igreja de Antioquia jejuava porque trazia resquícios do judaísmo.Martins não quer dizer que oração e missões são a mesma coisa. No texto grego é a mesma coisa: nestéusantes kai proseuxamenoi. Esta não seria uma forma inteligente de pensar.2 e 3. No verso 3. a igreja de Antioquia era uma igreja que exercia a prática do jejum. Quando o Espírito Santo ordenou que a igreja de Antioquia separasse Paulo e Barnabé para a obra que os tinha chamado." (v3).

em casos muito excepcionais de calamidades públicas. na prática é o que tem acontecido. E continuou assim quando enviou seus missionários e os sustentou com fervorosas orações. e falhado mais ainda em rogar ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a Sua seara. terremotos.. nunca existirá um dia de jejum neste país! Que o jejum deve ser praticado em dias de calamidades públicas não questionamos. Enquanto isso.". diga-se de passagem. estava vivendo um dos seus melhores dias. Pedro havia sido libertado milagrosamente da prisão e um dos maiores inimigos da igreja. como guerras. etc. de modo geral. o rei Herodes Agripa I. aprendi: "Sem o propósito de santificar de maneira particular qualquer outro dia que não seja o dia do Senhor. ao invés de estimular o crente a praticá-lo. ele faz exatamente o contrário. em interceder pelos missionários e orar pela obra missionária de um modo geral. intercedendo dia após dia pela obra missionária do Brasil 107 . Apesar da Igreja Primitiva ter vivido momentos de muitas provações. pois a Bíblia nos dá vários exemplos disso. como guerras. XI). o que dizer então da prática do jejum em nossas igrejas? Acredito que as igrejas históricas têm falhado até agora em subestimar a importância do jejum na vida do povo de Deus. nada indica que naquela ocasião especial de Atos 13 a igreja de Antioquia estivesse jejuando e orando porque passava por momentos difíceis. conforme prescrevem os princípios de liturgia da IPB. A igreja de Antioquia buscava a presença de Deus pelo simples prazer de estar servindo a Deus. primeiro porque ele não expressa corretamente a realidade brasileira e também por não apresentar uma definição mais completa do verdadeiro conceito bíblico de jejum. "a palavra do Senhor crescia e se multiplicava" (At 12. é recomendável a observância de dia de jejum ou. Na minha própria denominação. epidemias. cessadas tais calamidades. Se o povo de Deus tiver que jejuar "em casos muito excepcionais de calamidades públicas. terremotos.24). 12) indica que a Igreja Primitiva. Quantos são os membros destas igrejas que jejuam? Quantos de seus pastores jejuam? Muitos de nós mal oramos.Se muitas de nossas igrejas têm falhado na prática da oração. Que Deus conceda à igreja brasileira a graça de ser uma igreja que se alegre em estar em Sua presença. porém. etc. Não que o princípio fora escrito com o objetivo de desestimular quem quer que seja. epidemias. Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). de ações de graças" (Princípios de Liturgia. Pelo contrário. Mas será que devemos jejuar somente em casos muito excepcionais de calamidades públicas? Da forma como foi redigido o princípio para a prática de jejum na IPB. Creio que o capítulo sobre jejum deveria ser revisto pela IPB. o contexto próximo (cap. foi morto mediante a intervenção de um anjo do Senhor.

mas lamentavelmente. Stott nos lembra. antes. Pode significar: captar. o som das palavras. procurar penetrar no mundo das idéias e pensamentos da outra pessoa. Igreja missionária é igreja que ouve a voz do Espírito Santo Enquanto a igreja orava. ela ouviu. tentar descobrir quais são as suas possíveis 108 . Neste caso. o que "o Espírito diz às igrejas". ou que. "responder antes de ouvir é estultícia e vergonha". mas ser totalmente surdo quanto à prática dessas palavras. entender. O Espírito Santo falou à igreja de Antioquia e ela imediatamente colocou Paulo e Barnabé no mundo. É nisso que Deus espera ser ouvido e obedecido. é provável que o Espírito Santo falou pelos profetas que ali estavam. O verbo "ouvir" é empregado em mais de um sentido nas Escrituras. no sentido literal. A igreja de Antioquia era uma igreja sensível à voz do Espírito. em sua alienação e perdição. com muito mais freqüência do que gostaríamos de admitir. Seja como for. frustração e sofrimento. ser ouvidos pela igreja. ainda não o aceitaram e. desajeitada e até irrelevante. tornando Sua vontade conhecida. nós afastamos as pessoas e até mesmo aumentamos sua alienação. abraçar e obedecer o que se ouve. entender as palavras. que existem dois grupos de pessoas no mundo que. O Espírito Santo continua falando e ouvimos a Sua voz. Eis aí a voz do Espírito que muitas vezes tem sido ignorada pelos crentes: A igreja no mundo e para o mundo. Diz ele: Primeiro. principalmente. uma das grandes expressões dessa obediência é estar no mundo para ouvir o mundo. através da Escritura. sem a mínima consideração para com a situação cultural ou as verdadeiras necessidades dessas pessoas. subir no nosso poleiro e vomitar a nossa mensagem. o que costumamos fazer é sair correndo com o evangelho nas mãos. este "ouvir" nem sempre tem sido traduzido em termos de "obediência". E o que significa ouvir o mundo? John Stott responde: "O mundo de hoje está repleto de clamores que refletem ira. embora tenham ouvido falar nele. precisam. e mais do que aguçar os ouvidos para ouvir a Sua voz. pois a forma como apresentamos a Cristo é insensível. A melhor coisa é ouvir antes de falar. Alguém pode escutar e ouvir. temos o sofrimento daqueles que nunca ouviram o nome de Jesus. Se ouvir o Espírito Santo significa obedecê-lo. De fato. Mas muitas vezes nós nos fazemos de surdos diante dessas vozes de angústia". O resultado é que. obedecendo. estão sofrendo terrivelmente. E é exatamente nesse sentido de fazer o que Deus ordena que a igreja brasileira hoje deve ouvir. além de precisarem ouvir o que a igreja tem a lhes dizer. portanto. Ele falou e a igreja ouviu. ainda.e do mundo. Não sabemos ao certo como o Espírito Santo falou aos profetas da igreja de Antioquia.

Em segundo lugar. Este compromisso mostrará até onde a igreja está engajada em missões e. Igreja missionária é igreja compromissada com os missionários O que determina. o seu grau de participação na vida. de "contextualização". os despediram.objeções ao evangelho e então compartilhar com ela as boas novas de Jesus Cristo de uma maneira que fale às suas necessidades. Mas é essencial acrescentar que contextualizar o evangelho não é de maneira alguma manipulá-lo. "a intensidade de serviço que a igreja presta ao mundo. carecem de consciência social. Quero compartilhar aqui um versículo bíblico que nós temos negligenciado e que. se uma igreja é ou não missionária é o seu envolvimento e compromisso com os missionários. A igreja de Antioquia era uma igreja de compromissos.. de certo modo. mesmo quando atua na retaguarda. lembramos ainda de Orlando Costas. . até onde ela tem sido obediente à voz do Espírito de Deus. principalmente.. isto é. de preocupar-se com a justiça social. quem sabe deveríamos destacar. e com razão. 109 . Atos 13. Complementando Jonh Stott. Muitos de nós só agora é que estão despertando para a obrigação que a Escritura sempre colocou sobre o povo de Deus. que também costumava chamar o compromisso da igreja para com a sociedade e o mundo de dimensão diaconal ou encarnacional. dentre o seu povo. conflitos. E mais: Esta dimensão envolve o impacto que o ministério reconciliador da igreja exerce sobre o mundo. dos despossuídos e dos oprimidos. Sem esta dimensão a igreja perde sua autenticidade e credibilidade.3) e com os missionários (impondo sobre eles [Barnabé e Saulo] as mãos. com certeza ouvirá a voz dos que precisam ser ouvidos. Ele contém uma solene palavra de Deus para aqueles que. temos o sofrimento dos pobres e dos famintos. Esta atividade desafiadora. humilde e perspicaz é chamada. jejuando e orando.2. pois somente na medida em que conseguir dar visibilidade e concreticidade à sua vocação de amor e serviço ela pode esperar ser ouvida e respeitada. Nós deveríamos ouvir com mais atenção os clamores e os suspiros daqueles que estão sofrendo. Atos 13. Se a igreja brasileira der ouvidos à voz do Espírito.3). como prova concreta do amor de Deus". mulheres e crianças à pobreza. em se tratando deste assunto. Ela estava compromissada com Deus (servindo a Deus. Encontra-se em Provérbios 21.13: "O que tapa o ouvido ao clamor do pobre também clamará e não será ouvido. temores e esperanças da sociedade e a medida em que seu serviço ajuda a aliviar a dor humana e a transformar as condições sociais que têm condenado milhões de homens.

nem sequer por intermédio dos homens.É importante destacar. além do que Liefeld diz. E ainda. e não dos homens. Kistemaker diz com razão que "toda a igreja de Antioquia estava envolvida em comissionar Barnabé e Saulo. uma ação que. como "uma ordenação para ensinar (Paulo e Barnabé já tinham estado no ministério cristão. Assim como eles se tornam sócios. Em Atos 14. a primeira viagem 110 . fizestes bem.14.14. Por duas vezes o apóstolo usa o verbo "associar" nesta passagem. e Paulo considerava que a sua autoridade vinha diretamente de Deus. pelo cuidado a ele dispensado e.1-3). eles relataram à igreja o que Deus tinha feito (14. Comentando este texto de Filipenses 4. segundo Atos 14. quando parti da Macedônia.26-28.15. no início do evangelho. acrescentou: "Todavia. grifos nossos). por sua vez. Gl 1. É que. os 'recomendou à graça de Deus'".15. a igreja e a família estão indo juntas ao campo.3 é boa mas poderia ser melhorada. pois quando os missionários retornaram. oração e jejuns (At 13. E ainda: "O certo é que Paulo e Barnabé foram enviados para uma obra específica numa atmosfera de adoração. Certa vez o apóstolo Paulo expressou sua gratidão para com os filipenses. relatava a ela as coisas que Deus fazia por seu intermédio. Uma palavra grega que expressa muito bem o vínculo do relacionamento e do compromisso cristãos entre missionário e igreja é koinwnéw (associar). que o envolvimento missionário da igreja de Antioquia não estava limitado àqueles cinco nomes de Atos 13. depois de observar que "tudo posso naquele que me fortalece" (Fp 4. Comentando o envio dos missionários pela igreja de Antioquia.27)". A imposição de mãos sobre Paulo e Barnabé não deve ser entendida. no qual a igreja ficaria definitivamente vinculada aos missionários e os missionários à igreja. nenhuma igreja se associou comigo no tocante a dar e receber. e o outro é a igreja local. em um projeto missionário um dos sócios é o missionário e sua família. associando-vos na minha tribulação. "o Espírito Santo movimenta a igreja e não meramente cinco pessoas para se engajarem na obra missionária".26. Edison Queiroz destaca: A palavra que Paulo está usando aqui para "associar-se" é uma palavra comercial. nem por isso deixaria de ser o trabalho da igreja toda. senão unicamente vós outros" (Fp 4.1)". A interpretação de Liefeld quanto à imposição de mãos em Atos 13. conforme observa Liefeld. ó filipenses. que.13). antes de tudo.1. Lucas registra que a igreja de Antioquia "acompanhou" as viagens missionárias de Paulo e este. usada quando duas pessoas decidem formar uma sociedade. por exemplo. E mesmo se a imposição de mãos sobre Paulo e Barnabé tivesse sido realizada por apenas três deles. E sabeis também vós. houve naquela ocasião um "pacto" entre a igreja de Antioquia e os missionários.

Contudo. Não queremos generalizar. Paulo e Barnabé não foram lançados num campo e deixados "ao deus dará". Ali chegados. A missão do Espírito seria a missão da igreja. A igreja local. deveriam acontecer em nossas igrejas. mas não é. indo além de suas atribuições. compreender e assumir a visão de seu lugar na obra missionária. relataram quantas cousas fizera Deus com eles e como abrira aos gentios a porta da fé. o que muitas vezes temos visto? Além disso. por outro lado. A igreja local como um todo precisa receber. é porque as igrejas estão aquém de sua vocação. Del Pino destaca quatro coisas que. além de compreender as dimensões bíblica. compreendendo sua importância para missões. A igreja de Antioquia tomou para si a responsabilidade da obra missionária. não se lembraram da igreja somente quando o dinheiro da missão encurtou. o que temos visto com freqüência são as agências ou juntas de missões ocupando o lugar da igreja local. Havia nela o que Queiroz chama de "personalização". espiritual. 2. Em Atos 13. Em resumo. precisa ver-se como a força missionária de Deus nesse mundo e em nosso país. 111 . cultural e financeira desta tarefa.missionária termina com o retorno de Paulo e Barnabé à igreja enviadora para repartir os "lucros" com os "sócios". infelizmente. E permaneceram não pouco tempo com os discípulos". Não que as agências não tenham seu devido valor. onde tinham sido recomendados à graça de Deus para a obra que haviam já cumprido. Falando ainda acerca da importância da igreja local em missões. E por que? Porque ela se propôs a ser co-participante do Espírito no envio e sustento dos missionários. se hoje elas estão ocupando o lugar das igrejas. De maneira nenhuma! A igreja de Antioquia tinha responsabilidade missionária.. em si. Atualmente. é claro que têm. Ademais. não pode transferir esta responsabilidade. as agências de missões. reunida a igreja. A igreja não se esqueceu daqueles que enviou e os missionários..3 não aconteceu o que vemos hoje em dia. Del Pino complementa o conceito da responsabilidade missionária da igreja dizendo: Um grande número de igrejas espalhadas por este nosso Brasil precisa ver-se como vocacionadas por Deus para exercerem a tarefa missionária como um fator de peso em seu ministério. para compartilhar os frutos do trabalho com ela: ". segundo ele. navegaram para Antioquia. a igreja de Antioquia não entregou Paulo e Barnabé aos cuidados da igreja de Jerusalém e muito menos os deixou por conta de uma agência missionária. não tiram a responsabilidade missionária das igrejas. são elas: 1.

Phillipsburg: The Presbyterian and Reformed Publishing Company. op. 1960. Ouça o Espírito. Idem. ouça o mundo. 150. COSTAS. p. Evangelização e responsabilidade social. STOTT. cit. New Testament Commentary: Exposition of the Acts of the Apostles. 58-60. ou somos base missionária. 151). KISTEMAKER. BAVINCK. John STOTT. J. Se somos campo. São Paulo: ABU Editora.. A igreja local.. Orar tendo isso em mente. isto é. pregar tendo isso em mente. KISTEMAKER. agir tendo isso em mente. p.. A omissão não pode ser a missão de uma igreja vocacionada pelo Espírito Santo de Deus. 4. Durvalina B. 1998. Notas Segundo Orlando Costas. 123-125.40. p. cit. p. 2a ed. San José-Costa Rica: Editorial Caribe. p. Atos 15. 2001.27-30. Mas quando chega o momento de assumir o compromisso financeiro regular e decente.. 455. Cf. t. p. 1990. ainda. 20. p.21. KISTEMAKER.151. 229-244. a igreja local precisa conscientizar-se e ver-se como a principal agência missionária da face da Terra. op. An introduction to the science of missions. Grand Rapids: Baker Book House. p.114. trabalhar tendo isso em mente. 112 . conforme Atos 11. t. Por falar em evangelização e responsabilidade social da igreja. V. mas se somos base. 2ª ed. Ibidem. A missão de interceder: oração na obra missionária. p. 1985. 67. BEZERRA. 150. KISTEMAKER. precisa assumir por completo a sua responsabilidade missionária. p. precisamos ser evangelizados. H. COSTAS. Compromiso y misión. 113. 455. Por fim. 455. "a prova de uma vigorosa experiência cultual será a participação dinâmica na missão: a prova de um fiel compromisso missionário será uma profunda experiência de culto" (Orlando E. A oração dominical e missões. 150. ora por aquele irmão e diz para ele ir. cit. 17-25. Simon J. p. Cf. Londrina: Descoberta. Idem. então está na hora de trabalhar. 113. p. COSTAS. p. Idem. p. 1979. Para Deus só existem duas coisas: Ou somos campo. V. 7 José MARTINS. p. Cf. São Paulo-Belo Horizonte: ABU Editora/Mundo Cristão. op. vale a pena ressaltar que o verdadeiro conceito de missão para a igreja de Antioquia era (como os missiólogos contemporâneos costumam denominar) o de missão integral. O que mais comumente vemos é que a igreja muito se alegra com o despertar de uma vocação em seu meio. In: Missões e a igreja brasileira: perspectivas teológicas. 123. ela se silencia. o indivíduo assistido em sua totalidade. Cf. p.3. como se isso não fosse problema dela..

governo e outras agências e avaliação in loco do andamento do trabalho. emissão de vistos de entrada e permanência. In: ELWELL. V. cit. In: STEUERNAGEL. Carlos Del PINO. A missão da igreja. p.3 reforça a idéia de que a igreja de Antioquia estava enviando Paulo e Barnabé. COSTAS. p. Do chamado ao campo. p. com autoridades governamentais. In: Missões e a igreja brasileira. op. Vol. 153-160. com base em Filipenses 4. 2000. e sim. A missão de enviar: como sustentar o seu missionário. Oswaldo PRADO. p. mas isto não aconteceu por falta de compromisso da igreja de Antioquia. Grand Rapids: Baker Book House. 50.61. (ed. Fp 4.179-200. E o Verbo se fez carne: desde a América Latina. 178. ao fazer missões. 2a ed. 1990. 324. 1999.12). 1991.117-126 e O. 1930. e continuaria vinculada a eles. De fato. In: Misión y ministerio en America Latina. T. São Paulo: Vida Nova.9) quando afirma que "Paulo e Barnabé tiveram que financiar a própria viagem". Paulo passou por muitas dificuldades em seu ministério. Imposição de mãos. Paul E. Às vezes faltava oportunidade para uma melhor participação da igreja (cf. Edison QUEIROZ. por causa das circunstâncias político-religiosas da época. Neal Pirolo. (ed. Fp 4. p. 43-58. Precisa haver contatos com outras agências missionárias. a importância das juntas e organizações missionárias" (E. Belo Horizonte: Missão Editora. p. In: STEUERNAGEL. p. V. Londrina: Descoberta. 87.). t. A igreja e a integridade pessoal e familiar do obreiro do Senhor.15. Londrina: Descoberta. O melhor para missões. Edison Queiroz destaca muito bem alguns pontos que evidenciam a importância de uma agência missionária. Idem. 3a ed. 13-31.Walter L. 323. fazer com que o maior número possível de membros da igreja tenha contato com os missionários". Igreja local e missões. V. p. diferentemente de apospaw (At 21. II. t. V. 113 . p. A importância da igreja local em missões. São Paulo: Vida Nova. não sugere "despedida definitiva". La misión. el ministerio y el Espírito Santo: el caso de la iglesia de Antioquia. Robertson (em Word Pictures in the New Testament: The Acts of the Apostles. Idem. Daí. E. Todas estas tarefas são difíceis para a igreja. Walter A.88. p. t. São Paulo: Sepal. orientação quanto aos relacionamentos no campo com igrejas. p.1). p. p. Londrina-Curitiba: Descoberta. Curitiba: Encontrão Editora. deve ser promover a máxima personalização. Atos que contam.. Valdir R. 1995. 117.). certamente. Não concordo com A. cit. A missão da igreja e o despertar missionário na América Latina. 1994. 2001.. 56). Diz ele: "O objetivo da igreja. 60. p. t. E. LIEFELD. PIERSON. Hugo PIRIZ. Cf. uma vez que o verbo apolyw. artigo não publicado. QUEIROZ. este "sustento" significava mais do que orar por eles.).10). op. E. 1-7. câmbio e envio de dinheiro. QUEIROZ. Valdir (ed. 60. p. A expressão "os despediram" de Atos 13. 60. E. Diz ele: "Há inúmeras dificuldades para o envio de um missionário. Enciclopédia histórico-teológica da igreja cristã. QUEIROZ. 2000. inclusive financeiras (cf.

disse Jesus aos discípulos. E ainda: "Estêvão. geralmente era empregada num contexto político (cf.. ischys. Quando o Espírito Santo foi derramado por ocasião do Pentecostes. At 1. juntamente com kratos. Lembremos que 114 .8 E A MISSÃO DA IGREJA O contexto de Atos 1." (At 10. e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém.: chifre). bia. Lucas empregou dynamis em At 1. Ischys significa força física. Rm 13. a priori.1-3). cheio de graça e poder. thronos. Em Atos 1. dynamis tem um sentido todo exclusivo.com o Espírito Santo e poder.. O Senhor respondeu que não competia a eles conhecer tempos e épocas que o Pai reservou para a Sua exclusiva autoridade. Kratos tem um sentido semelhante ao de ischys. Energia é poder no seu exercício..33). mas depois passou a significar a pessoa que detinha semelhante posição de autoridade ou força. e até aos confins da terra". como em toda a Judéia e Samaria. por assim dizer.. Lucas sabia muito bem que ao escolher dynamis estava utilizando o termo que melhor representava a ação poderosa do revestimento do Espírito na vida do crente e da igreja." (At 6. por sua vez.8 o Senhor Jesus repete as promessas da Grande Comissão (Mt 28. kratos e keras. Será que existiu algum motivo especial para que Lucas usasse a palavra dynamis ao invés de qualquer outra.8).18-20. indica força e. O poder do Espírito Há uma série de termos para "poder" no Novo Testamento. Contudo.. Temos também a declaração de Pedro na casa de Cornélio a respeito de Jesus. força em ação. Lc 24.49. Contudo. fazia prodígios e grandes sinais. J. Thronos indicava. Os que estavam reunidos no monte das Oliveiras perguntaram ao Mestre quando seria o tempo da restauração do reino de Israel..38).. Bia está associada ao emprego da força coerciva. ". mas tem também exousia.o 20..21).8 é a ascensão de Cristo. Mc 16. Nestes exemplos Lucas revela que desde o princípio o evangelho foi disseminado pelo poder do Espírito Santo.. É a palavra do poder sem fronteiras.14-18... formam as duas palavras do NT cujo significado fica mais perto de exousia e dynamis. a quem Ele havia comissionado para evangelizar o mundo. 1. pois na cidade".Parte XIX ATOS 1. mas se refere mais ao exercício da autoridade. a sede do governo. que "Deus ungiu. ou ele a escolheu aleatoriamente? Vejamos: exousia é uma palavra usada com muita freqüência no Novo Testamento.. prometeu: "Mas recebereis poder. permanecei. Portanto. O poder do Espírito é o segredo do sucesso da missão da igreja. "com grande poder os apóstolos davam o testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. Ela é a palavra por excelência para se referir ao poder do Espírito Santo.8." (At 4. energia. A rigor é traduzida como "autoridade"." (Lc 24. ao descer sobre vós o Espírito Santo. E keras (lit. "até que do alto sejais revestidos de poder. Porém.44-49.8).

testemunha de fatos numa confissão de fé. A igreja foi batizada e revestida do poder do Espírito Santo. vale conferir um alerta do Dr. (5). foram ensinados por Ele.8 se cumpriu (1). "Recebereis poder.. cinco significados principais.. Mas provavelmente não captamos as palavras de Cristo em todo o seu peso: ".sereis minhas testemunhas. como nunca teve. Entretanto. como está registrado em Atos 1. 2.(3) O substantivo grego martys (4) (martyres) do verbo martyreo já possuía. para os confins da terra (eôs eschatou tês gês). Charles van Engen: "Logo antes de sua ascensão.". sendo que o último deles era a expressão mais elevada daquilo que significava ser testemunha de Jesus.."... sereis minhas testemunhas [kai esesthe mou martyres]. Entretanto. Muito dessa comissão. profecias. Se alguma vez existiram homens que estivessem em melhor posição e condição de falar ao mundo acerca da ressurreição de Jesus e de todos os fatos a respeito dEle. (2). Conheceram-nO intimamente. o testemunho evangelístico da natureza e da importância de Cristo. Não! O poder do Espírito tinha como finalidade primordial capacitar os crentes para dar testemunho de Cristo. etc. Jesus disse a seus discípulos. morte. o poder do Espírito para a igreja não tem.8: ". ouviram Seus sermões e viram Seus milagres. Em Atos não existe esta concepção moderna equivocada de que o poder do Espírito é para edificar o crente e ficar tudo por isso mesmo..8). o que o Senhor Jesus diz é que eles seriam totalmente incapazes de fazê-lo se do alto não fossem revestidos do poder do Espírito. começando em Jerusalém e espalhando-se geográfica e culturalmente para fora.". curas. a saber: testemunha judicial de fatos. se cumpriu. Neste tópico procuraremos observar. ressurreição e ascensão. de modo prático.) foram dados com o único objetivo de que a igreja testemunhasse de Jesus ao redor do mundo. quanto à expansão geográfica e cultural da Igreja. Pela própria natureza da evangelização e pelas perseguições e adversidades futuras que desafiariam a Igreja Primitiva. Nada do que a igreja recebe do Espírito tem nela um fim em si mesmo.. e sereis minhas testemunhas. No Novo Testamento os dons ou manifestações do Espírito (línguas.os discípulos de Jesus foram homens que andaram cerca de três anos com o Mestre. nos tempos bíblicos.. seria imprescindível o poder do alto para 115 .. um fim em si mesmo. Viram Seus sofrimentos. disse Jesus (At 1. Poder e testemunho No dia de Pentecostes a promessa de Atos 1. o que significava nos tempos bíblicos e o que deveria significar para a igreja evangélica brasileira hoje ser testemunha de Jesus Cristo. declaração de um fato como testemunha ocular de um ocorrido. martírio. E para uma reflexão imediata. ao descer sobre vós o Espírito Santo. estes homens eram Seus discípulos..

Contudo. 10. o diabo (cf. durante os dois anos em que trabalhou ali (19. a pregação e o ensino da Palavra estão estritamente relacionados. é a maneira como ele destaca esta verdade da ligação do Espírito Santo com a Palavra. que estes podem operar atos poderosos (At 4. 6. pois.8. 10. Heb. pelo menos. ele diz que a Palavra do Senhor "crescia e prevalecia poderosamente" (9).16-34). Às vezes os sinais e prodígios preparavam o palco. A Palavra é a espada do Espírito (cf. O que manteve Paulo dezoito meses ou mais em Corinto foi a Palavra (18.39 par.5). Lucas liga este poder. "atos poderosos"). Os milagres. Luke the Historian. que incluía expressões como "palavra do Senhor". "palavra do evangelho". mas na maioria das vezes sucediam a mensagem do evangelho (cf. Em Éfeso a mesma coisa.testemunhar de Jesus. i. At 10. (6). em grau ainda maior. A Igreja em Atos testemunhava: 1) No poder do Espírito com sinais e maravilhas Quanto a esta questão. 6.37.11)". Não é por menos que o evangelho causou tanto 116 .K.7-12). Que a igreja muitas vezes testemunhou ao preço de sangue é algo que dispensa comentários. Cf.8-12). com o Espírito Santo em Lc 1. como Representante de Deus. 16.é. dado por Deus. 4. Ef 6. Lc 5.4).22. "palavra da salvação".19). Mc 6.Barret. e "a palavra" tout simple. é importante ressaltar. Mediador do poder salvífico de Deus. Os milagres de Jesus são operados por um poder dentro dEle (Mc 5. Lc 19.17). E quando Lucas quer indicar o sucesso de uma missão.33.8.14). por assim dizer.7.10). Mc 6.2.8 com 3. "A pregação autoritativa dos apóstolos (At 4. A glorificação do Messias faz dEle. Isto salienta o fato de que o Espírito de Deus costuma agir através da Palavra de Deus. outras vezes estavam intercalados numa pregação (cf. para uma pregação cheia do Espírito (cf. É. Seus milagres são chamados dynameis (cf. e a luta contra o diabo é levada a efeito no nível da existência humana (Mt 12. Os cristãos primitivos levavam a Palavra para qualquer lugar que fossem (8. Aquele que foi ungido pelo Espírito (At 2. At 1.35. o reino de Deus na terra começa a ter efeito poderoso.8-10) é vista como prova de um poder sobrenatural" (10). At 3. gebûrôt.17. "O principal meio através do qual o Espírito estende a soberania de Cristo é a Palavra de Deus" (7). dois aspectos do testemunho pelos quais os cristãos muitas vezes tiveram que pagar com a vida.58). vale a pena conferir o teólogo alemão Otto Betz: "Cristo era "poderoso em obras e palavras" (Lc 24.14.22-30.38). portanto. Michel Green diz que um dos grandes méritos do livro de C. são encarados como evidência da parte de Deus quanto a Jesus ser o Messias. 2) No poder do Espírito na pregação da Palavra Em Atos o Espírito Santo. 19.13.22-30). porque neles. subjuga o "homem forte". pelo poder do Espírito que Jesus derramou sobre os Seus servos. (8). Mc 1. 8. At 20. Jesus é o "mais forte" que. At 19.38.

enquanto estendes as mãos para fazer curas. não é a realidade de todas elas. Era uma igreja de oração que buscava constantemente a plenitude e enchimento do Espírito Santo. o centurião Cornélio (10. Em outro estudo de minha autoria (A Missão Integral da Igreja). em obediência ao mandado de Cristo. Clamava a Deus para ser revestida com mais e mais poder para proclamar com ousadia e intrepidez as verdades do Senhor a quem ela tanto amava (At 4. A Igreja Primitiva tinha desafios imensuráveis. olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra. Herodes e muita gente se levantaram contra a igreja de Deus. Então a igreja orou: "agora. muitas vezes. o que muito se vê.1). Era uma igreja unida em seus propósitos e se amava de verdade. Senhor. Atendeu porque a igreja deixou de lado seus próprios interesses para servir ao mundo. Quando alguém recebia o Espírito isto acontecia por ouvir a Palavra (10. os Herodes. A igreja de hoje.4 a tinham como sua grande arma.impacto sobre Teófilo (At 1. Externamente desfruta-se de uma liberdade religiosa como nunca se viu. externamente os desafios eram humanamente insuperáveis. o procônsul de Chipre (13. Felizmente (ou seria infelizmente?) seus desafios são mais de ordem interna que externa. Esta é a triste realidade de muitas igrejas históricas e pentecostais brasileiras em nossos dias. Internamente ela estava pegando fogo. Lc 1. numa vida contemplativa. Hoje. cf.29. Porém. mas internamente muito de nossas igrejas estão enfermas.23-31).1.7) e os cidadãos de Antioquia (13. E não é possível um testemunho autêntico de Jesus sem o poder do Espírito. "Uma lição é preciso aprender com a igreja de Jerusalém: A igreja de Jerusalém estava consciente de sua missão no mundo.28) e que os missionários anônimos de Atos 8. Mas graças ao bom Deus. principalmente no mundo ocidental. E Deus atendeu ao clamor de sua igreja (At 4. alienada do mundo. mas não se curvava diante deles. Quando alguém se tornava cristão é porque o Espírito iluminava o coração dos ouvintes com a mensagem apostólica (16. Hoje. (11).44). Será que o poder do Espírito dos tempos bíblicos continua sendo o mesmo para a igreja evangélica brasileira hoje? Com certeza.30). Não é de admirar que o ministério da Palavra fosse prioridade para os doze (6. com pouca ou nenhuma perspectiva da missão para a qual ela foi chamada. "Não é exagero dizer que a Palavra é o principal instrumento na missão evangelizadora da igreja. disse algo a respeito da igreja de Jerusalém que poderia ser repetido aqui.4). Pilatos. sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus" (At 4. quando na verdade eram elas que deveriam estar curando!". Atualmente já não são tantos os Pilatos.44).31). a igreja é perseguida pelo fantasma de sua própria morbidez por persistir. pois precisamos testemunhar. à nível de igreja local. é a própria igreja criando obstáculos para não fazer a obra do Senhor. desejosa de pregar o evangelho.44). também possui seus desafios. Também não é de admirar que eles comprometessem seus convertidos com ela (20.14).4). Quando alguém cria é porque a Palavra trouxe fé (4. os judeus e gentios que estão perseguindo a igreja. sob o poder do Espírito de Deus". O vento 117 .

como" de Atos 1. A evangelização mundial só se tornará realidade quando o Espírito renovar a igreja na verdade.15). a idéia bíblica do termo aqui é: atuar ao mesmo tempo em todos os lugares da terra. . Jesus não estava dizendo simplesmente que a Sua igreja precisava escolher uma dessas áreas geográficas para trabalhar ou que deveria começar por uma de cada vez. Mc 16. Jesus ordena que o trabalho missionário da igreja seja te. pela partícula enclítica te mais a conjunção kai. Quantas vezes já não ouvimos indagações mais ou menos assim: "Por que mandar ou sustentar missionários no estrangeiro se temos tanto o que fazer no Brasil?". temos que evangelizar lá sem esquecer de cá e vice-versa. de maneira que a evangelização deve surgir espontaneamente numa igreja cheia do Espírito.. Portanto.. e até aos confins da terra".sopra onde quer e está soprando em muitas de nossas igrejas. fé em Cristo. Só então a igreja inteira se tornará um instrumento adequado em suas mãos.8 Jesus especifica a missão global da igreja dizendo que ela deveria testemunhar ". novo nascimento e crescimento cristão. A igreja que não é missionária se contradiz a si mesma e debela o Espírito. isto é.8 é para a gente também! Gostaria de concluir este tópico com uma declaração urgente e atual do Comitê de Lausanne sobre a importância do poder do Espírito Santo na missão da igreja: "Cremos no poder do Espírito Santo.8. a fim de que o seu fruto todo apareça em todo o seu povo. na fé. no grego. precisamos do poder e enchimento do Espírito para transpor nossos próprios portões. precisamos orar mais... Deus seja louvado! Entretanto. precisamos ser avivados (no verdadeiro conceito bíblico desse avivamento). simultaneidade de trabalho. (12).. Pelo contrário. Como sabemos. instamos com todos os cristãos para que orem pedindo pela visita do soberano Espírito de Deus.. em Atos 1. no amor e no poder. a fim de sermos o verdadeiro sal da terra e a verdadeira luz do mundo. A expressão "tanto. Sem o testemunho dele o nosso seria em vão. evidentemente. mas sem. O Pai enviou o seu Espírito para dar testemunho do seu Filho.. Jerusalém 118 . (13).tanto em Jerusalém. Infelizmente. deturpar o texto bíblico.como" equivale ao nosso adjetivo comparativo e sugere.8 é formada. é tudo obra dele. Em Atos 1. como em toda a Judéia e Samaria. A esfera de atuação da igreja A missão da igreja consiste em percorrer o mundo todo para pregar o evangelho a toda criatura (cf.kai. De mais a mais. isto é. a maioria dos que pensam assim não está preocupada com a obra missionária nem mesmo no seu próprio país. na sabedoria. A ordem e a promessa de Atos 1. Uma aplicação contextualizada das regiões citadas por Jesus fica por conta da nossa imaginação. e que todos os seus dons enriqueçam o corpo de Cristo. Convicção de pecado. na santidade. Em grego "tanto. o Espírito Santo é um Espírito missionário. hoje em dia não são poucos os crentes equivocados quanto à compreensão da ordem do Mestre.. para que toda a terra ouça a Sua voz".

(3) (3) C. podemos identificar Jerusalém com a cidade em que moramos.185. a igreja cristã foi inaugurada e habilitada para cumprir a Grande Comissão. estou de pleno acordo com Boer e Escobar. NOTAS (1) Harry Boer. é missão transcultural que envolve. mas não de igual modo a Pentecostes. Ele propõe uma revisão não só da teologia de missões. p. C. 1997). & Friedrich. missionário reformado na Nigéria na década de 50. 1997). pp. Sproul.8 é mais que "universalidade concebida de forma geográfica". A missão da igreja contemporânea é mais do que missão estrangeira.foi o berço dos acontecimentos básicos do cristianismo. e tem sido relegado à periferia". e que o ponto de partida de missões no Novo Testamento é o que aconteceu em Pentecostes. p. naturalmente. Nela Jesus prometeu o Espírito Santo e nela. Nela Jesus morreu. Atualmente sabe-se que "os confins da terra" de Atos 1. à luz desse fato. 43). mas da teologia em geral. G. Barret. R. 122. 1996). Cit. Povo de Deus (São Paulo: Vida Nova. São Paulo: Vida Nova. afirma que "a pregação ou 119 . 123.. É geografia sim mas também é etnia. escreveu Pentecost and Missions (1961). p. ressuscitou e ordenou a evangelização do mundo. Vol. mas muito pouco sobre seu significado crucial para o testemunho missionário da igreja. (2) Cf. ed. por exemplo.3 (Grifo nosso). a ponto de não ter ligação alguma com ela. (5) Cf. Op. Evangelização na Igreja Primitiva (2. Kittel. van Engen. por sua vez. os índios do Brasil. 13 estão em Atos. III (3. mas deveria ser central na reflexão sobre missões. O assunto não foi totalmente ignorado. 1985). em The Theological Dictionary of the New Testament apud C. segundo Green. van Engen. ed. G. Para efeito de comparação e aplicação da ordem de Jesus. situada ao norte da Judéia. Seu cuidadoso estudo do material bíblico seguia a convicção de que escreveu-se muito sobre a obra do Espírito Santo na salvação dos seres humanos. 1989). O Mistério do Espírito Santo (São Paulo: Cultura Cristã.Green. Samaria era uma região mais afastada. A Judéia. Supomos que a nossa Judéia seja o estado onde estamos vivendo. Desde que não se entenda que o Pentecostes deve ser desvinculado da Grande Comissão. (6) O. "A tese desse trabalho".. no dia de Pentecostes. "é que no estudo de missões prestou-se muita atenção à Grande Comissão. segundo Samuel Escobar (Desafios da Igreja na América Latina (São Paulo: Ultimato. "martys". que devemos ser testemunhas de Jesus para todos os povos. (7) Barret apud M. Povo Missionário. 144. "Poder" em Dicionário de Teologia do Novo Testamento. p. (4) Das 34 ocorrências de "martys" no Novo Testamento. p. São Paulo: Vida Nova. Poderíamos comparar Samaria ao nosso paísl? Os confins da terra (14) significam. era a província que tinha Jerusalém como capital. Boa parte do ministério de Jesus ocorreu em Jerusalém.Betz. 576.

milhares de cristãos evangélicos no mundo continuam a prática. 83). 185. 204).. Op. p. 1983.recebimento desta Palavra é mencionado nada menos que trinta e duas vezes em Atos" (p. na relação das referências de Atos.27. Hoje. naturalmente porque entendia que ela fosse os confins do extremo ocidental da terra. (10) O. Para ele "a expressão grega te kai.24.8 é citado para provar tal argumento.8. (13) Júlio Paulo Tavares Zabatiero discorda da idéia de simultaneidade de Atos 1. sem mais nem menos. se referem ao batismo infantil. por exemplo. 21. Grego/Português de F. 576. 1993).24. (11) M. mostrou-se desejoso de ir à Espanha (Rm 15. Para Gingrich e Danker te kai "freqüentemente significa simplesmente e" (p.49) e na Ásia (19. Green. Pela fraseologia de Zabatiero e as referências citadas. p. Pais da Igreja. V.8. em Lucas.. 185. (14) Convém lembrar que o conceito de confins da terra da maioria das pessoas nos tempos bíblicos não era o mesmo conceito de Jesus e do Espírito Santo. que até justificaria por ser um resumo de A Greek-English Lexicon of the New Testament and other Early Christian Literature. nem mesmo nesta volumosa obra (900 páginas!) Atos 1.t.7). Entretanto. Além disso. (9) Foi assim na Judéia (6. Gingrich e Danker não mencionam Atos 1. (12) O Pacto de Lausanne. Betz. Cit. Cit. como Irineu (século II). Será que os autores simplesmente. BATISMO DE CRIANÇAS Algumas Considerações A prática de batizar os filhos dos cristãos vem desde os primórdios do cristianismo. "freqüentemente" não é o mesmo que "sempre". At 1. Paulo.28). Samaria (8. p. Danker do qual ele foi o tradutor. (8) Idem. Op.T.30)" (Zabatiero. significa simplesmente "e" (Lc 23. Wilbur Gingrich e Frederick W. embora alguns pais permitam que seus filhos sejam batizados apenas porque faz parte da tradição religiosa na qual 120 .20). 4. Jonh Stott Comenta o Pacto de Lausanne (São Paulo: ABU Editora). p. E esta omissão não aparece somente na tradução de Zabatiero. 202). III (São Paulo: Mundo Cristão.Missões em Atos 1 e 2" em Missões e a Igreja Brasileira. Vol. 5. Orígines (século IV) foi batizado quando criança. tudo indica que ele está seguindo o Léxico do N. XIV. onde te kai poderia possivelmente ser traduzido como "e".4-7.12.14). porém. deixaram de incluir na lista deles uma das principais passagens de Atos? Acredito que não. na primeira viagem missionária (13.1. "Poder e Testemunho . A concepção geográfica dos cristãos primitivos era limitada.

Minha resposta é que acredito estar seguindo a tradição bíblica. Evidentemente nem todos os evangélicos concordam que o batismo infantil seja a única maneira de se fazer isso. e determinou que fossem todos circuncidados (Gn. através desse rito iniciatório. Deus determinou-lhe que circuncidasse Ismael e. quando Moisés aspergiu com o sangue da aliança as tábuas da Lei dada por Deus. Deus sempre tratou com famílias (Dt 29. 21.1). na nuvem e no mar inclusive as crianças. 17. Símbolos e rituais mudaram.16). disse-lhes que a promessa do Espírito Santo era para eles e para seus filhos (At 2. publicamente professar sua fé pessoal em Cristo Jesus.4). Batizei meus filhos crendo que.11). Os crentes são chamados de "filhos de Abraão" (Gl 3. mesmo assim. quanto os que os apresentam. Coré e suas famílias juntamente. Paulo. Para outros. e a circuncisão. mais tarde. Não é de se admirar que Paulo chame o batismo de "a circuncisão de Cristo" (C12. mesmo quando este ainda não podia crer como seu pai. portanto. no dia de Pentecostes. assim.19-20). receber o selo da fé que minha esposa e eu temos no Senhor Jesus.9-12). Não é de se admirar.38-39). eles passaram a fazer parte da Igreja visível de Cristo aqui na terra. que Pedro. Deus mandou que Noé e sua família entrassem na arca (Gn. sem batizá-los. Isaque. com votos solenes de educá-los nos caminhos de Deus até. Foi uma grande alegria ter meus filhos batizados e vê-los. ao refletir sobre a história de Israel e ao mencionar a passagem dos israelitas pelo Mar Morto.1-14). pois havia milhares delas (1 Co 10. quando chegarem à idade própria. quando Deus fez um pacto com Abraão. Estou persuadido de que a Igreja cristã é a continuação da Igreja do Antigo Testamento. mas. 7. e que não foi abolida no Novo. Alguns me perguntam por que apresentei meus quatro filhos para serem batizados. e.1-3) e castigou Acã. a idade da razão.6). o mesmo povo. incluiu seus filhos na aliança. na verdade.7. A circuncisão. têm um desejo só.nasceram. aspergiu também todo o povo presente no monte Sinai. que remonta ao tempo do Antigo Testamento.11 com Gn 15. Minha crença sé baseia no fato de que.1-4). antes de completar duas semanas (Gn. diz que todo o povo foi batizado com Moisés. Porém. embora nunca em detrimento da responsabilidade individual. o batismo é um ato pelo qual consagram seus filhos ao Senhor. incluindo obviamente as mães e seus filhos de colo (Hb 9. de incluir os filhos dos fiéis na aliança de Deus com o seu povo.29) e a Igreja de "o Israel de Deus" (Gl 6. O Sábado tomou-se em Domingo. tanto os que batizam seus filhos. Assim. mas é a mesma Igreja. quando cada um ainda não tinha mais que dois meses. era o selo da fé que Abraão tinha (ver Rm 43. Mais tarde. Abraão creu e o sinal da sua fé foi aplicado à Isaque. Muitos preferem apresentar seus filhos ao Senhor. pois acreditam que o batismo é somente para adultos que crêem. de vê-los crescer nos caminhos do Evangelho. ao chamar os ouvintes ao arrependimento. em batismo. à fé em Cristo e ao batismo. em Ceia. E não é de admirar que os apóstolos batizavam casas inteiras em suas viagens 121 . a Páscoa. chamou Abraão e sua família (Gn 12. é claro.

os filhos dos crentes eram "santos" (1 Co 7. Mas é igualmente verdade que não há nenhum exemplo de um filho de crente sendo batizado em idade adulta. Se. É verdade que não se mencionam crianças nessas passagens. At 16. tanto os que batizaram seus filhos quanto os que os apresentaram. para Paulo.3233). É verdade. é da sua inteira responsabilidade. Pessoalmente não creio que seja este o ensino bíblico. era de se esperar que houvesse alguma proibição neste sentido por parte dos apóstolos. Ef 6.16). devem orar com eles e por eles. levá-los à Igreja. ao crescer. uma criança que foi batizada resolver desviar-se dos caminhos em que foi criada. Talvez ele estivesse seguindo o que o Senhor Jesus havia dito. elas teriam sido excluídas.At. Simboliza a fé dos seus país nas promessas de Deus quanto aos seus filhos (cf. Por outro lado. ao fim.7. Mas não há nenhuma proibição apostólica quanto a isso. e que se desviam depois. instruí-los nas Escrituras e viver de tal modo que. assim como os que foram batizados em idade adulta. se houvesse crianças. 16.15).13-16). Fonte: Revista Fides Reformata 122 . já que estavam acostumados a incluir seus filhos em todos os aspectos da religião judaica. para que sejam salvos. Compreendo a dificuldade que alguns terão quanto ao batismo infantil. isto é. que não impedissem as crianças de virem a Ele (Mc 10. ao contrário dos filhos dos incrédulos.4). O batismo foi apenas o ritual de iniciação pelo qual foram admitidos na comunhão. Eles terão de se converter de seus pecados e crer no Senhor Jesus. Se os judeus que se converteram a Cristo não podiam batizar seus filhos. que adotam a idéia da regeneração batismal. Não serão salvos pela minha fé ou da minha esposa. serem exemplos de vida cristã. a casa de Estéfanas (1 Co 1. Compreendo também que alguns têm dificuldades com o batismo infantil por causa da prática da Igreja Católica e de algumas denominações evangélicas. ao crescer.missionárias: Paulo batizou Lídia e toda sua casa (. o carcereiro e todos os seus (At 16.6. Neste caso. que. Pv 22. os filhos desejem servir ao mesmo Deus de seus pais.31) e expressa os termos da aliança que nós e nossos filhos temos com o Senhor (Dt ' 6..coisas que uma criança em tenra idade não pode fazer. Meus filhos terão de exercer fé pessoal em Cristo Jesus. lembremos que passagens assim não tinham em vista os filhos dos fiéis. O batismo infantil não salva a criança. pois não há exemplos claros de crianças sendo batizadas no Novo Testamento. pelo batismo. mas toda uma primeira geração de adultos que se converteram pela pregação do Evangelho. a criança tenha seus pecados lavados e seja salva. Certamente que o Novo Testamento fala do batismo como sendo uma expressão de fé e de arrependimento por parte daqueles que se convertem a Cristo . mas o entendimento mais natural de "casa" e "todos os seus" é que se refira à família do que creu e fica difícil imaginar que. At 2. da Igreja visível. talvez seja mais seguro ficar com o ensino do Antigo Testamento.6.38. Mas.14). Pois.

3. Aparece cerca de 250 vezes nos Atos e cartas. e todos os membros do corpo. Sim. vos sois corpo de Cristo. e a todos nós foi dado beber de um só Espirito.7). um compromisso de obediência comum a Cristo como Senhor. Diferença que exista é de dom e função na Causa de Cristo. "A Igreja é uma companhia de crentes regenerados e batizados que se associam num conceito de fé e fraternidade do evangelho". e quer dizer que fraternidade tem a ver com amor. se comunidade temos algo em comum: a fé comum em Cristo Jesus (Tt 1.16). É uma saudação natural (cf. irmã e mãe" (Mc 3. mas que os membros tenham igual cuidado uns dos outros padecem com ele. e um compartilhar pleno na realização da vida da igreja.4. e tem muitos membros.24-27) A Igreja de Jesus Cristo tem uma natureza militante. não há diferença quando chamamos o outro de "meu irmão" (Mt 23.Parte XX COMO MEMBROS DO CORPO DE CRISTO "Porque. quer judeus. E há diversidade de 123 . Para que não haja divisão no corpo.8). Rm 8. com responsabilidade mútua. e individualmente seus membros" (1Co 12. formamos uma comunidade (At 2. falamos na Igreja Batista Sião.9). "Corpo de Cristo" e "Comunhão no Espírito". quer escravos quer livres. Jesus disse que "irmão" era quem fazia a vontade de Deus: "Pois aquele que fizer a vontade de Deus. 1Co 1. uma participação comum no Espirito. e é descrita através de imagens riquíssimas como "Povo de Deus". Ora.1. quer gregos. "Ora há diversidade de dons. mas o Espirito é o mesmo. se um membro é honrado. todos os membros se regozijam com ele. assim também é Cristo. Assim.42. e. esse é meu irmão. Tg 2.13. Somos "irmãos". o Espírito Santo (Fp 2. estudada. Pois em um só Espirito fomos nós batizados em um só corpo. assim como o corpo é um. 1Jo 1. A IGREJA A Igreja é isso: uma congregação de crentes cuja única cabeça é Jesus Cristo.15. Sua palavra. na Igreja Evangélica Fluminense como uma dessas comunidades locais. É a mais freqüente designação do Novo Testamento para os crentes em Jesus Cristo. e Lhe obedecem seguindo-O como discípulos e tendo-O como Senhor. embora muitos formam um só corpo. e onde nos estimulamos e encorajamos a crescer em amor.12. e. plena participação na família de Deus. 1Jo 2. o sangue de Cristo (1Co 10.13).29.6.10). Expressa-se também como um corpo local. Não há superioridade. onde o nome de Jesus Cristo é exaltado. na Igreja Presbiteriana da Bahia. 2Co 13.35). A verdadeira comunidade cristã é criada e sustentada por uma fé e uma vida comuns em Cristo. É uma fraternidade de pessoas que crêem em Jesus Cristo como Salvador pessoal.

Não se pode ser membro por ordem de outros. Então. bênçãos! Muitas bênçãos! E PARA SER MEMBRO DA IGREJA? Há condições. cf.19). porque.32. porque confessamos a um só Senhor: Jesus Cristo (Mt 10. quer judeus. e o batismo há de ser realizado em nome do Pai. porque filhos do mesmo Pai (Jo 1. quer gregos. Gl 3. e se é salvo. é . paz. Mt 28.19.10. da qual somos membros pelas razões já expostas.12. há quem participe da comunhão terrena. mas o Senhor é o mesmo. o passo da obediência: o batismo. mas todos eles saíram para que se manifestasse que não são dos nossos" (1Jo 2. Ef 1.13). 16. se fossem dos nosso. "Para que agora a multiforme sabedoria de Deus seja manifestada . porém. e essa expressão "batismo no Espírito Santo"significa o ministério do Espírito em favor do que crê. Por outro lado.23. investimento de alto retorno em termos de crescimento. sua iniciativa devem ser através desta abençoada comunhão local.14-17). o que significa que seu esforço. para remissão de vossos pecados. 10. sim.36-38. E é realizado através da Igreja local. Rm 8. é normal que busque a comunhão do povo de Deus. um centro de trabalho e de lealdade.4-7). E há diversidade de operações. A Igreja de Jesus Cristo. 1Jo 2. então. Por isso. A cada um. E visto que o propósito redentor de Deus é para ser realizado por meio da Igreja." (Ef 3. segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor. "Saíram dentre nós.38). quer escravos quer livres. Após a regeneração. por meio da Igreja. O ingresso tem seguimento pelo batismo: Jesus deu ordem definida sobre isso (cf. mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.33. 4. e a todos nós foi dado beber de um só Espírito" (1Co 12. por procuração. e assim unido à Igreja de Deus: "Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo .5. ou sem exercício da fé como no caso de recém-nascidos.ministérios. pois pode uma pessoa ser cristã e não ser membro de uma Igreja local. teriam permanecido conosco. At 8. Todos devem ser salvos antes de se tornarem membros de uma Igreja. aos principados e potestades nas regiões celestes.13). e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo. de graça. é dada a manifestação do Espirito para o proveito comum" (1Co 12. e 124 .15). Lc 11. de conhecimento.47. aí esta a primeira exigência para ser membro da Igreja de Cristo: regeneração através do arrependimento. "Arrependei-vos. e recebereis o Dom do Espirito Santo" (At 2. sua atividade. mas não do nascimento celestial. porque regenerados pelo poder do Santo Espírito (Tt 3.11). É uma questão de investimento espiritual. mas não eram dos nosso. Somos membros uns dos outros. de amor alegria.27).13. a participação nesse plano deve ser o ponto focal da lealdade do irmão e do seu trabalho. Importa que isso aconteça porque o salvo é batizado no Espírito Santo.

Jesus ensinou: "Contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre. quando vedes que se vai aproximando aquele dia" (cf.32ss). Há membros e há membros. 1Pe 3. que maneja bem a palavra da verdade". Paulo exortou "orai sem cessar" (1Ts 5. mas como um corpo estranho. fortalece o espirito e alimenta a alma (Mc 12. e com Ele nos céus (Ef 2. 25. Amor ao estudo da Palavra de Deus. agregados ao Corpo de Cristo. cf.do Filho. em absoluta confiança em Deus. Pois oração implica em atitude de dependência de Deus.4). vivificados com Ele (Ef 2. At. Não crescem.35. 23. Deste modo. A súplica de um justo pode muito na sua atuação" (Tg 5. na morte (v. Mas é preciso recordar e viver a comunhão com Cristo no batismo (Rm 6.24. Está em Hebreus 10.10). para receber do Senhor bênçãos e mais abundância de vida (Sl 133. para serdes curados. 2Tm 3. e Tiago deixou claro: "Confessai portanto. Socorrer. a exclamação "Sola Scriptura!" ("apenas e unicamente a Escritura Sagrada!"). Mt 8.42) E isso para ir ao encontro do Senhor e dos irmãos (Sl 84.21). Assiduidade os cultos. lembrando a exortação: "Procura apresentar-te diante de Deus aprovado.6. ensinar.14-18.4.1. lavados no sangue de Cristo.4). 1Co 13. para imitar o exemplo dos primeiros cristãos (At 2. A Palavra de Deus que alegra o coração. como obreiro que não tem de que se envergonhar. vidas inspiradoras.25: "Não abandonando a nossa congregação. e nunca desfalecer" (Lc 18.16. e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós" (2Tm 2. Jo 10.2. antes admoestando-nos uns aos outros.3. cantar.2. tão essencial que João a põe como prova de conversão (1Jo 3. 2Ts 2.20. 2. como é costume de alguns. regenerados. o novo convertido é batizado para se tornar célula viva.4. na ressurreição (v. Ef 2. Há os salvos. consolar. Tomá-la para "ler.21. Mt 18. Na Reforma Protestante do século 16. Fervor na Oração. hb 8. os vossos pecados uns aos outros.17). Cl 3. 4. Levam freqüentemente a igreja à tristeza. batizados no Espirito. não fazem crescer escandalizam até. o que quer que seja.1).17). 2. Há os postiços. Crucificados com Ele (Gl 2.46). QUALIDADES DO MEMBRO DA IGREJA DE CRISTO 1. portanto. Jesus os chamou "joio"no meio do trigal.11. 133. Jo 13.5. exemplares.15.1-13). e do Espírito Santo (Mt 28. E também a comunhão com os outros.3.16).1). Ap 3. na vida eterna (v.20). 125 . criam problemas.19). em comunhão com Deus.6). 17. viver e crescer". membro ativo na comunhão de irmãos que se chama Igreja de Jesus Cristo. 3.24ss. Com o objetivo de "antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor.1. e tanto mais. cf.5). Atividade. exortar. Consciência dos dons que recebeu e usá-los: pregar.8). e orai uns pelos outros. úteis. administrar. e que levam a igreja a crescer. "bodes" no meio das ovelhas (Mt 13.15).

Jd 4. sendo membro da igreja.21. A do vaqueiro crente: "eu trabalho para "seu" Vicente. Dizer isso significa que ninguém tem privilégio especial sobre outro. deve ser excluído da igreja porque. uma família da qual Deus é o Pai. Lc 8. dizendo que é o melhor patrão. ele me mandaria embora!" Jesus não falou naqueles que dizem "Senhor. 16-19. unidos todos em amor comum e lealdade (cf. Tt 3. e Jesus Cristo o irmão mais velho (R. estavam vigilantes quanto à Sua Segunda vinda.10-13.18-20. homens e mulheres. porém em outras igrejas. têm nome no rol de membros.6. abandono.13. mesmo. Senhor! E que não entrarão no reino dos céus?" 126 . e isolada dos outros crentes. Se alguém está fora dessa comunhão. 9. encontravam alegria na comunhão. É uma comunhão.1ss. sendo membro de uma igreja. não trabalham e dão trabalho. O mesmo Pr. o Novo Testamento não fala de experiência cristã praticada independentemente. 2Tm 3. 1Tm 1.17). há quem venha se tiver cargo. mas mesmo que eu passasse todo o tempo falando de "seu" Vicente . e não fizesse meu serviço com o gado. todos os crentes têm direito a privilégios iguais. 12. e tivessem a consciência de que a verdade divina lhes fora confiada.29. Essa é a razão porque somos uma fraternidade.14. que preservassem a harmonia entre eles. e cantasse muito para ele (já que ele gosta de música sertaneja). Pr. Aliás. Lc 8. alguns fazem pouco ou nada fazem. aqueles que são como balsas (são puxados). Tt 2. espere convite especial para vir. Jesus andava e mantinha comunhão com seus discípulos. 2Jo 9-11. Há uma alegria especial em ser membro da igreja. eram ativos no testemunho de Jesus Cristo. Na igreja. Vão à igreja como quem vai ao teatro: esperam boa música. de campanhas. 1Tm 5.9.5.17. 1Co 5.50. já se auto-excluiu (Rm 16. 1Pe 1. A igreja não é uma relação de sócios ou de membros ou de filiados.A IGREJA LOCAL O princípio da Igreja diz que pertencer-lhe é um santo privilégio e um sagrado dever.5. Harald Schaly. 8. Ef 4.M. Como é você como membro da Igreja de Cristo? Como eram os primeiros cristãos? É somente ler Atos ou as Cartas. ensinou haver três tipos de membros de igreja que podem ser comparados a barcos: os que tem motor próprio.15. nunca na sua (?!). Mc 6. já que há direitos iguais de acesso a Deus. há quem. Mt 20. Só Cristo! Então. de fato. 23. falsa doutrina. Mt 10.13.17).9. Estes são peso morto na igreja. escândalo. há privilégios iguais na igreja. Há quem. mas só aparecem no Natal ou Noite de Ano Novo. 2Ts 3. 28. Isso não se refere a diferenças de habilidades ou capacidades espirituais das pessoas. seja por falta grave. Mt 6. bom sermão. Era imperativo que vigiassem sua conduta.55.10). é muito operoso. de novidades para vir à igreja).6. a igreja era um investimento de vida. 9-11.2b. Schaly conta uma história.3-5. e que todos sejam sociáveis. apreciado. 27.1-3.1ss. O falecido mestre do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil (no Recife). de agitação.10.7ss. os que possuem vela (precisam de vento. de movimento.

que nos lembremos uns dos outros em nossas orações. nem coisa semelhante. e caindo na graça de todo p povo. de toda a alma e de todo o entendimento. E o modelo é o de Atos 2. ou o fermento na massa do pão (Mt 13. buscando o altar de Deus. que sejam santos porque o Senhor é santo. Que nos comprometamos a ter cuidado uns dos outros. sem mácula. cuidado e prática diária.16b). nem ruga. agregando pecadores regenerados. cresce o reino de Deus. Crescimento. a cultivar relações francas e a delicadeza no trato e a estar pronto a perdoar as ofensas (Mt 6. à EBD!). oramos no sentido que cresça em número e espiritualidade.47: "Louvando a Deus.13). tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra.Pois é. não inchação! É isso: precisamos de crentes que busquem o reino de Deus em primeiro lugar. atingindo os não conhecem a salvação em Cristo Jesus. que exerçam o sacerdócio dos crentes. que amem a Palavra de Deus. aprofundando-se na doutrina do Senhor. aliás. que amem ao próximo como amam a si mesmos. É esse.12-15). Precisamos de crentes que entendam ser a igreja local o lugar previsto por Deus para a comunhão. que amem a Deus de todo o coração. portanto. e onde os recursos para o crescimento cristão ao dispor (venha. Por isso. para os lados. Cresce a igreja. E cada dia acrescentava-lhes o senhor os que iam sendo salvos". É desejo comum que esta nossa igreja seja grande em todos os sentidos. a buscar a paz com todos. o melhor coro. Crescer em todas as direções: para o alto. que confiem no poder da intervenção. "Antes exortai-vos uns aos outros todos os dias. para baixo. pela vida espiritual intensa pela consagração à causa. que façam do crescimento pessoal assunto de perseverança. que nos ajudemos mutuamente em nossas enfermidades (Tg 5. para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado" (Hb 3. Uma grande igreja não é a que tem o maior templo da cidade. de dentro para fora. o mais eficiente meio de deter nossa tendência de fazer renascer a velha criatura. ou o maior balancete mensal. nem as melhores salas para a educação religiosa do seu povo. para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa. que sejam luz do mundo. para que a santificasse. e de fora para dentro. a igreja é chamada a crescer.31-3).15b-27). durante o tempo que se chama Hoje. Por isso. Que Deus nos ajude! Parte XXI COMO SE FAZ UMA GRANDE IGREJA "Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela. É um crescimento lento porem continuado. Como árvore que nasce da semente. ou a 127 . porém santa e sem defeito" (Ef 5.

e os membros os mais destacados da sociedade. é um conceito bíblico. afinal de contas. e quer dizer que cada um de nós tem um ministério. e não ter sido capacitada por Deus para exercê-lo no ambiente de formação espiritual da igreja. ensina a Palavra Santa que a principal tarefa do pastor é preparar. "magistrado".. Palavra..que levanta as maiores ofertas missionárias e para outros fins. e. o meu dom". de preferência ao mesmo tempo. Você reconhece o seu dom espiritual pela compulsão que 128 . do alto escalão do governo. que ele tenha o singular condão nunca esperado de outras pessoas. "magistério". Esse é um fato altamente prático. e assim por diante. No entanto. usada para pessoas de altíssimo gabarito. e. sobretudo. pois. o servo.. estar em todas as reuniões. No entanto. No entanto. designando alguém que era procurado por ter "algo a mais (magis)". procedente de minus. algumas marcadas ao mesmo tempo. magister. No entanto. evangélico em todos os sentidos porque Jesus declarou "O Filho do Homem (Cristo) não veio para ser servido. A Bíblia diz que nós temos um serviço. Lembremos que o pastor trabalha COM a igreja capacitando-a. é utilizada no primeiro escalão do governo.11. "Pastor. Isso é algo básico. é palavra tão simples. alguém que tem "algo de menos". Os chamados testes dos dons dão uma pista. treinando-a para o exercício eficaz do ministério de cada pessoa. portanto. para dizer "servo" e o conseqüente serviço prestado. não sei qual é o meu ministério. "Ministro" vem de minister. Mc 10. de estar presente em todas essas reuniões. Ministro das Finanças. quem vai ser o pastor?" É precisamente neste tipo de pergunta que há malentendidos. incidentalmente. Isso é interessante porque podemos pensar que a palavra "ministro" é tão elevada. Falamos em Ministro da Educação. uma grande igreja é a quem tem certas características bíblicas que passaremos a enumerar.e é igualmente prático (cf. Não é aquela cujo pastor é o melhor orador da cidade. uma grande igreja pode ter tudo o que foi mencionado. Dom não é o talento natural. Ef 4. Essa palavra "ministro" é usada. o escravo.45).". Talvez uma pergunta esteja na mente dos leitores: "se todos vão ser ministros. pois alguém pode ter um grande talento em certa área. UMA GRANDE IGREJA É A QUE TEM UM MINISTÉRIO PARA TODOS Cada crente é chamado por Deus para ser um ministro. pelo fato de algumas pessoas ainda presumirem que o pastor tem que fazer tudo na igreja. se possível. Somos todos chamados para ser ministros de Jesus Cristo. Você vai dizer. de onde procedem. capacitar os cristãos para o exercício eficiente de seus ministérios. Há uma diferença abismal entre as palavras "ministro" e "mestre".12. ainda. Era que tinha com que contribuir. mas para servir. "Mestre" vem de uma palavra da língua latina.

diga onde está que vou buscar".. encaminha. Sem alarde. ele responde "Pronto. Traga sua alegria. Essa é uma grande igreja. engorda e faz ficar bonito. e assim cada dia da semana. seu louvor. se evangelismo. Você sente o desejo de realizar algo. Li uma frase (mas não vou dar 100% de crédito porque conheço a luta de alguns irmãos): "No domingo de manhã. muita gente fica esquecida quando a Comissão de Indicações vai estudar os nomes e cargos. há banquete. A Carta aos Hebreus quase que diz "Não deixando a vossa congregação como é costume de. As posições são disponíveis e os membros dizem à Comissão. a que tem um ministério para cada pessoa. Uns são esquecidos. e não é preciso pedir "Por favor" porque o Espírito Santo já capacitou para tal trabalho. mas há tantos banquetes que fazem mal. se ensino. "Quero trabalhar nessa função". 129 . Feijão-com-arroz bem preparado. Cada um sabe qual o seu ministério."Mas o Espírito Santo diz "Não deixando a vossa congregação como é costume de alguns". fortalece. Com um ministério para cada um. Assim fazendo. Soube de uma igreja no estado da Flórida (EUA) onde não indicação para os cargos. Cada um faz alegria. e terça-feira na casa da tia. à noite. Seria uma tremenda economia para o irmã. trabalha quem quer trabalhar.parte do seu íntimo. O hábito da freqüência sistemática aos cultos é uma bênção na vida do cristão por ser fundamental para a firmeza de suas convicções. com prazer. Fulano de Tal. mas o feijão-com-arroz é em casa. de passear pelas outras igrejas (o chamado "turismo eclesiástico"). bem temperado edifica. se ação social. venha. firme. sua contribuição de presença à Celebração do Nome de Jesus. Não é a contribuição em dinheiro para resolver a débil situação econômica de alguém. Irmão amado. Há um irmão em nossa igreja que tem o evidente carisma do socorro.. É que no momento em que você diz "Preciso de tal coisa". Porém. qual a sua mesa espiritual? Já imaginou se seu filho resolvesse que amanhã vai almoçar na casa do vizinho. E esses "alguns" sabem quem são e quais são os costumes: de faltar sem necessidade. há quem seja idoso. quatro. há quem tenha filhos ainda pequenos. cinco cargos. ele diz "Vou resolver". O mesmo com a doutrina: edifica. porque infelizmente.. É meio complicado para um igreja de centrão da cidade ter uma altíssima freqüência à noite: há quem more muito distante. Uma muito simples é compartilhando as experiências nos cultos. se você não tem nenhum desses impedimentos. só os fiéis". vêm todos. e os cargos vão sendo preenchidos de acordo com a vontade de trabalhar da pessoa. Achei-a um tanto pesada. quarta-feira vai para a do primo. que não seja levada por todo vento de heresia ou de corrupção? Temos algumas pistas na Palavra de Deus. essa é uma grande igreja! UMA GRANDE IGREJA É AQUELA QUE TEM FIRMEZA DE FÉ E DE DOUTRINAS Como é possível obter uma fé estável.. faz crescer. outros recebem três. irmã querida. da ajuda. Fora. e outra tantas razões.

Foi medicada. assim mesmo quando não houver dias feriados. E é uma atividade que se demonstra em tudo o que fazemos. É uma atitude de submissão. UMA GRANDE IGREJA É A QUE TEM UMA VIDA DE DISCIPLINA Os primeiros seguidores de Jesus foram chamados de "discípulos". a disciplina de Jesus Cristo é uma atitude e uma atividade. se forem maus. Administraram-lhe muitos "acampamentos". haverá Culto ou Escola Bíblica. uma pergunta: SERÁ QUE O LEITOR NÃO AJUDOU A MATAR A DONA "REUNIÃO DE ORAÇÃO"? Quantos pastores se ressentem da ausência de irmãos (até da liderança. como "pão da vida". de reconhecimento do senhorio de Jesus Cristo sobre nós com o objetivo nosso de aprender. de entrega. todo o teu corpo será luminoso. tanto quanto participar das atividades da Denominação fortalece os laços de amor entre as igrejas locais.E o Culto de Oração nas quartas ou quintas-feiras que tem virado uma lástima em algumas igrejas? Alguém me repassou uma Nota de Falecimento que diz o seguinte: Nota de falecimento Faleceu. e ausência de vida espiritual. Até cápsulas de "gincana" lhe deram pra tomar! RESULTADO: Morreu Dona "Reunião de Oração"! A autópsia revelou: falta de alimentação. Na Palavra de deus. dona "Reunião de Oração". Como Jesus expressou: "São os teus olhos a lâmpada do teu corpo. se os teus olhos forem bons. o teu corpo ficará em 130 . isto é. a Igreja dos negligentes. nem pensar. Constataram ainda: "dureza de joelhos" . na Igreja dos negligentes e frios na fé. Os médicos constataram que sua doença foi motivada pela "frieza de coração". emendando o lazer de sexta a segunda e vigília. número 666. devido à falta de circulação do "sangue da fé". situada na Rua do Mundanismo. principalmente entre os jovens. Em sua memória. carência de "água viva".. só pela manhã. de quebrantamento. pois lhe deram grande dose de "administração de empresa". e comprimidos de "clube de campo". mas erroneamente."fraqueza de ânimo" e muita falta de boa vontade. Aos domingos. Agora. trazendo ainda os males da carne: rivalidades. deram-lhe "injeções de competições esportivas". Foi proprietária de grandes avivamentos bíblicos e de grande poder e influência no passado.) que deveriam e até poderiam estar presentes no Culto de Oração. estará fechada nos cultos do meio da semana. o que provocou má circulação nas amizades. A presença nos Cultos é fundamental para a solidez da fé. mudando-lhe o regime. o xarope de reuniões sociais" sufocou-a.não dobravam mais . mas. ciúmes. "aqueles que estão debaixo de uma disciplina".. que já estava enferma desde os primeiros séculos da era cristã.

Há. a nossa vida mais constante. Todos somos chamados. e na sua lei medita dia e noite".. o apóstolo.14. Tudo isso é testemunho! O apóstolo Paulo tem uma 131 . Lemos a Bíblia com o objetivo de estudá-la e de nela meditar. "Vós sois o sal da terra". permanência na Palavra. mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão. ou ficava até de madrugada em oração. uma bemaventurança para aquele que "tem prazer na lei do Senhor. Através do estudo da Palavra.13. o próprio Senhor Jesus Cristo.17).". e Paulo. Nossa igreja tem realizado seminários e simpósios de capacitação. enquanto a segunda pode dar idéia de tirar uma horinha de dia. orava na sinagoga. embora até a recitemos. cada atitude que expressamos está marcada por essa disciplina que vem da Escritura Sagrada. não julgo havê-lo alcançado. Jesus manteve uma vida de oração. e outra horinha de noite para meditar na Palavra. pela qual pautamos a nossa oração. É uma atividade que olha para o alvo que é a cruz de Jesus Cristo. prossigo para o alvo.16 e Atos 1. O propósito da leitura e estudo da palavra de Deus é confirmar e estimular nossa fé.. quanto a mim. onde fala do "varão que tem o seu prazer na lei do Senhor. e na sua lei medita dia e noite". "Irmãos. Orava durante o dia. como ensina Paulo: "a fé vem pela. para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus". Essa disciplina se manifesta na devoção e na vida de serviço. Isso quando a Bíblia fala tanto de alegria e felicidade. porque a primeira fala de constância. Através de vida disciplinada no serviço. Sua vida de oração era intensa: ou Ele Se levantava de madrugada para orar. Rm 10. A oração torna a nossa marcha mais firme. aliás. cada palavra que pronunciarmos..34). mas "Ensina-nos a orar". palavra de Cristo" (cf. e o nosso trabalho mais abundante no Senhor. modelo porque não é recitada simplesmente. em Filipenses 3. Eles vêm para melhorar a nossa vida pessoal e da igreja como um todo.8b são textos basilares sobre o testemunho do cristão: "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens.trevas"(Lc 11. O exercício da oração é prova disso. Prefiro esta última expressão "dia e noite" a uma outra tradução que ensina "de dia e de noite". Observem que os discípulos não pediram a Jesus "Ensina-nos a pregar". deve nele disciplinar-se.. e aquele que deseja fazer de sua vida um real ministério. UMA GRANDE IGREJA É AQUELA QUE TEM UMA VIDA DE TESTEMUNHO Mateus 5. Mas temos que nela colocar alma para que não vire reza (palavra que vem de "recitar"). chegou a ensinar uma oração-modelo. As horas consumidas no preparo disciplinado não constituem tempo perdido. "Vós sois a luz do mundo". Há até uma bem-aventurança: no Salmo 1. Ela só é meditação constante quando aplicada à vida e cada coisa que fizermos. no Templo. Não posso entender o crente que não se alegra com a leitura da Palavra de Deus.

mas vai ler a minha e a sua vida. eu conto. O que eu vi. o melhor testemunho é dizer "eu era ssim. e a Bíblia diz. Nesse livro. no passado bem passado. Pode até acontecer que em nosso testemunho ao mundo perdido sejamos um tanto vacilantes. Perceberam que isso é o que Jesus faz? É o evangelho! EU ERA ASSIM (o pecado em deixou desta maneira. mas sempre devemos começar com a nossa própria experiência nos termos de 1João 1. de Pedro e João (3. "Não há um justo. conhecida e lida por todos os homens. escrita não com tinta. e entrando com eles nas cidades.24. "O que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros. Fico impressionado com o testemunho de Estêvão. Nós éramos assim (que palavra terrível!).10). já está pecando. de Estêvão (7." O que é impressionante é que muita gente nunca vai abrir a Bíblia Sagrada. é o que eu conto sobre o que Deus fez por mim. Ninguém fique iludido pensando não ter pecado. forte).. uma grande igrejaé aquela que tem uma vida de testemunho. E sabe quando você começa a ser respeitado? Quando aquela rodinha no trabalho ou na escola se cala quando você chega. ele exclamou: "Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem. Que livro extraordinário! É uma leitura empolgante. O conteúdo do testemunho aponta para Jesus Cristo e Sua obra na vida humana. O melhor testemunho é contar a vida. na lama. para que vós. em pé à direita de Deus" (7. Ele estava sendo apedrejado.23).15).56). nem um sequer"" (Rm 3. a única Bíblia que estas pessoas irão ler. ""pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Rm 3. e .2< "Vós sois. mas a minha vida mudou". quase me arrastando. Não foi ele que pediu a Deus que 132 . Que é. e naqueles momentos finais. e participando das pregações. e começa na própria experiência de Pedro (At 2. eu fazia isso. Parece que estamos andando com os discípulos.32). de Paulo (20.4-6). Se disse que não o tem.56). Somente temos que ler o livro dos Atos dos Apóstolos para confirmar o que foi dito. FIQUEI ASSIM (corado.. Nos bondes. o testemunho é pessoal. havia uma propaganda que dizia "EU ERA ASSIM (e mostrava um indivíduo bem apessoado) CHEGUEI A FICAR QUASE ASSIM (a figura era de um esqueleto) TOMEI [E DIZIA O NOME DO FORTIFICANTE]. no entanto. e o evangelho veio e me resgatou para Jesus!!!) É a minha história e a sua também.. mas pelo espírito do Deus vivente.expressão em 2Coríntios 3. mantenhais comunhão conosco". 22. ser testemunha de Jesus Cristo? É compartilhar algo da própria experiência. estando já manifestos como carta de Cristo. igualmente. produzida pelo ministério. ainda.3. e você passa a ser respeitado. Portanto.. Outra realidade impressionante é que o melhor testemunho não é aquele que eu pesquiso e repasso às pessoas: é o da minha vida. bonito. e não conta mais aquela piada indecente que você costumava ouvir.14.

É. estão fazendo para condicionar a atitude comportamental de Fulano?" Responde o pastor. Olha o nome: Atos dos Apóstolos: o Testemunho dos Apóstolos! Um livro inteiro só de testemunhos do que Deus fez através dele. quando os missionários regressaram. diz o Senhor dos Exércitos". O homem tem dez filhos. É um clube religioso. amigo do Pr. uma fantasia. É uma mascarada. de gente idealista. Não fizemos qualquer lavagem cerebral. Deste modo. Era apenas uma imitação.peroasse os seus algozes? (7. algo importante naquela fogueira: o fogo. nada. a igreja não tem sentido. o mundo quer ver esta realidade vital genuína que só Cristo pode oferecer. um descrente. viram os macacos que os estavam imitando: puseram lenha para fazer uma fogueira. em todos os casos. protestantes. não haverá estabilidade de fé. O Pr. mas pelo meu Espírito. Tomás. se perguntava o que poderia fazer para ajudar. Lembremos que o fogo que aquece a igreja é o Espírito Santo." UMA GRANDE IGREJA É AQUELA QUE TEM O PODER DO ESPÍRITO SANTO Não obstante. Numa certa segunda-feira. Absoluta nada. faziam ruídos. Um testemunho eficaz inclui dois elementos básicos: um modo de viver: um modo de vida e uma comunicação oral. EXPRESSÕES PARA DESCREVER O MINISTÉRIO DO ESPÍRITO O Novo Testamento tem dois termos para descrever o ministério do Espírito Santo na vida e experiência dos crentes: a habitação do Espírito Santo e a plenitude do 133 . nem vida de disciplina. "Não por força nem por poder. nada acontecerá sem o poder do Espírito Santo. usando a linguagem da psicologia: "Que vocês. deu-se um milagre: chegou sóbrio à fábrica e assim permaneceu por toda a semana e sempre.. Tomás. Uma tarde. nem vida de testemunho. é uma reunião de amigos. porém. Cada tardinha. Faltava.. Assim é com a igreja: sem o fogo do Espírito. Não haverá um ministério para cada um. e todo início de semana chegava embriagado ao trabalho. voltavam das aldeias. perguntou ao Pr. acendiam uma fogueira e ficavam ao redor contando as experiências e as bênçãos. Mas o Espírito Santo trabalhou. A única prova disponível para que o mundo veja a obra de Cristo em nós é nossa própria vida. "Nada. Seu chefe. testemunho pessoal que parte da experiência pessoal. Quando o chefe soube que ele estava freqüentando uma igreja evangélica. na inspiração de Zacarias 4. Tomás Munguba contou-me sobre um operário de uma fábrica em sua cidade (João Pessoa). mas também perto de uma colônia de chimpanzés selvagens.60). mas não é uma igreja onde Jesus Cristo é Senhor. Há uma história sobre um grupo de missionários acampados na selva perto das vilas e aldeias.6. e estavam sentados ao redor da fogueira apagada se "esquentando" como os missionários faziam nas noites frias: esfregavam as mãos.

E o crente que se consagra. A hora de buscar a plenitude do Espírito. Este é o momento sério de renovar o pacto com suas convicções. anda ou toca as pessoas. Por incrível que possa parecer. tão sagrada quanto a lição da Escola Bíblica que é repassada para os alunos em uma classe. seus pensamentos. a embriaguez. nossa Rocha Eterna. se o que queremos é uma grande igreja. A plenitude do Espírito Santo não é instantânea como a embriaguez também não o é. de tal modo que quando você fala. Tg 4.14) A causa de Jesus Cristo tem seu lado financeiro. mas enchei-vos do Espírito". forte e espiritual! Parte XXII CREIO NA CONTRIBUIÇÃO CRISTÃ "Fazei todas as vossas obras com amor" (1Co 16. se o que desejamos é uma vida abundante e vitoriosa. a água da vida é grátis.16. Ser "cheio do Espírito" significa que cada ação nossa. um custo financeiro. O primeiro se refere à conversão (1Co 3. Paulo faz uma analogia entre a intoxicação alcoólica. Isso faz lembrar a palavra de um evangelista que afirmou com muita propriedade. Esta deve ser uma nova hora para cada pessoa que lê esta reflexão. sua conversa. o que ninguém desconhece.5). da televisão." Quer isso significar que quando se anuncia o reino de Deus isso é feito de modo absolutamente gratuito. O segundo significa ser controlado pelo Espírito Santo (Ef 5. tão sagrada quanto uma cesta básica que é dada para uma família menos valida. tudo tem 134 . e o controle do Espírito de Deus.18). A hora de cada crente renovar sua aliança com Deus. quando a igreja se reúne para a edificação ou quando espalha a mensagem através de ondas do rádio. de algo sagrado chamado Igreja. cada pensamento e palavra está sob Sua influência. no entanto. secular. mas o balde em que é transportada tem que ser comprado. havendo. Sua comunhão com o Espírito vai fazendo com que sua vida seja controlada. porque na Igreja de Jesus Cristo não reconhecemos coisas profanas e coisas sagradas. no qual há dissolução. É o controle e o domínio do Espírito Santo sobre. e cada vez mais controlada. reconhece que o dinheiro não é o lado profano. Para o cristão. A contabilidade de uma igreja local é tão sagrada quanto a mensagem que sai do púlpito. Ele o faz em Efésios 5. Quando uma pessoa está "cheia de vinho" não significa que está cheia da cabeça aos pés como uma garrafa. mas que cada parte de seu corpo está afetada pela bebida: seu modo de caminhar. seu olhar.Espírito Santo ou ser cheio do Espírito. "Na verdade.18: "Não vos embriagueis com vinho. ou através da imprensa escrita. A hora de se firmar mais e cada vez mais em Jesus Cristo. a água da vida é levada. Quando os irmãos se reúnem para o crescimento. todos compreendem que você está sob o domínio do Espírito de Deus.

" Sustentavam a obra de Jesus Cristo. e há um outro bem semelhante nas características e funções e custa R$ 580. Sim. não seria ordenado "trazei todos os dízimos à casa do tesouro". pois eu teria sido infiel a Deus que está lá em cima. Ou a de odiar a um e amar o outro. Também isto seria pecado para ser punido pelos juizes. ou disse ao ouro fino: Tu és a minha segurança. No livro de Jó no capítulo 31. ninguém pode se devotar e ninguém pode cultuar. amar e dedicar-se a Deus e dedicar-se aos bens. Nele está que "Ninguém pode servir a dois senhores. ritual e litúrgico. E Joana." Na palavra de Jesus. Isso não existe na palavra de Deus. mulher de Cusa. "Ninguém pode servir. nós colocamos no dinheiro um sistema de valores porque damos preço a um objeto pela quantidade de dinheiro investido nele. Algumas traduções têm "Não podeis servir a Deus e a Mamon". existe um aspecto sagrado no dinheiro que entregamos à igreja. da qual saíram sete demônios. Há. 135 . tão sagrado que Jesus tinha um tesoureiro no colégio apostólico. Mamon é a personalização do dinheiro. "Está na Bíblia"." A idéia é essa mesmo: servir.24. Dinheiro é um sistema de valores. Dinheiro. é assunto sério. há um sugestivo ensinamento sobre uma gradação no relacionamento entre o homem e o seu dinheiro. não é apenas um meio de adquirir bens. odiar e desprezar a Deus. Dinheiro. e muitas outras as quais o serviam com seus bens. chamada Madalena. Mateus 6. neste último versículo. diz o verso 24: "Se no ouro pus a minha esperança. e a loja diz que custa R$ 450. é que "o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males". em Lucas 12. Se me alegrei por ser grande a minha riqueza. que apresentam o seguinte: "E também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria. Então. a ganância. espirituais e morais. A Constituição do povo de Israel era a própria Lei de Moisés. a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui".sacralidade.00. às posses. Tão sério. você vai querer saber porque um custa duzentos e pouco e o outro quinhentos e alguma coisa.00. Não servir. Por isso que o valor de um objeto é medido pela quantidade de dinheiro que nós gastamos nele. procurador de Herodes. Se assim fosse. até. E havia pessoas fiéis que sustentavam o Seu ministério. faz parte do "Sermão do Monte. Assim o era no Antigo Testamento. das riquezas. Aliás. ou se devotará a um e desprezará o outro. Porque começa dizendo assim. É um sistema de valores econômicos. O aspecto civil da lei de Moisés confundia-se com o lado cultual.3.2. e Suzana. é a raiz de todos os problemas e sofrimentos. quem pense que a Bíblia ensina que o dinheiro é a raiz de todos os males. Se alguém vai comprar um refrigerador. e por ter a minha mão alcançado muito. Temos nesta história todo um sistema de valores.15: "Acautelai-vos e guardai-vos da avareza. Não pode ser dessa maneira. O que a Escritura ensina é que a avareza. E alguém disse. Não podeis servir a Deus e as riquezas". O que a Bíblia diz. Vamos a Lucas 8. portanto. E normalmente se dá mais valor ao que custa mais caro. à conta bancária. o amor ao dinheiro.

Por isso. É um sistema de valores espirituais. há pessoas que são ajudadas com as cestas básicas há pouco mencionadas. Então o que é e o que não é o dízimo? Vamos esclarecer algumas coisas. no livro dos Atos dos Apóstolos (chamado. Contribuir está intimamente ligado ao estado de vida espiritual e onde há contribuição generosa e liberal a Deus. como o emprega na causa de Jesus Cristo. o carisma é tão forte na sua vida que se a igreja pedir o segundo dízimo dá. enviando uma parte à Aliança Batista Mundial.O dinheiro é. divide toda a contribuição recolhida pelos diversos apostolados e ministérios que realiza. aliás. A própria expansão do evangelho quando mandamos um missionário ou uma família missionária. A Convenção estadual reúne das igrejas do seu campo e remete uma porcentagem para a Convenção Batista Brasileira. E então. Realmente. a sua personalidade. "Que Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu filho unigênito". outros serviços públicos que a igreja utiliza?). de "o Evangelho do Espírito"): "Mais bem aventurada coisa é dar do que receber". dependendo do modo como você o usa. indo de Gênesis 4:12 a Apocalipse 22:12. Também há uma palavra de Jesus registrada fora dos Evangelhos. doar e oferecer é imensa. também. Quando contribuímos. É o governo soberano de Deus nos corações. até. um sistema de valores morais porque representa o seu tempo. nós entramos na questão do dízimo. É aquela pessoa que dá o dízimo. uma parte dele é enviada para a Convenção Batista do seu Estado. Contribuir significa companheirismo no serviço cristão. no entanto. a Escritura mostra que dar é sinal da graça de Deus na sua vida e a disposição de fazê-lo é dom da operação do Espírito Santo no coração. o seu trabalho. e uma das graças do Espírito na nossa vida chama-se o dom da liberalidade. forçosamente nós temos que entrar no sistema de Deus para o financiamento do Seu projeto. o carisma de ser liberal. também dá. O dízimo faz parte desse sistema de valores. A lista de versículos relacionados com dar. e. significa assistência aos pobres. O crente faz isso através do seu dízimo. E parte desse projeto é 10% da renda pessoal. e se a igreja pedir uma contribuição para ajudar a uma determinada causa. podemos reconhecer a ação do Espírito Santo de Deus. Vamos começar com o que o dízimo não é: O dízimo não é um meio de pressionar a igreja a levantar dinheiro a fim de suprir 136 . Dar é sinal da graça de Deus. No caso particular dos Batistas. e a sustentamos em um determinado país. por sua vez. Romanos 12 fala sobre isso. a Bíblia diz tantas vezes. quando o fiel entrega o dízimo. que também pode ser doar e oferecer. a qual. a manutenção do culto (ou alguém não paga essas luzes que são acesas durante o culto? Ou outros bens que nós usamos. O projeto de Deus é o programa de expansão do Seu reino neste mundo. Nesse ponto. Tive a curiosidade de olhar na Concordância Bíblica a palavra dar.

coordena. Não dê o dízimo com medo. "Se ele é o Diretor de Evangelismo. "Isso me aconteceu porque eu não dei o dízimo. "Eu tenho crédito com Deus. eu preciso cumprir a minha parte. Por exemplo: trigo. da hortelã. que lhe devo! Deus só me cobre de graça sobre graça. o salário mínimo. Por isso. Mas." Não é assim não. ela é visitadora. O dízimo não é cumprimento de exigência da lei de Moisés. não. duas pertenciam ao Senhor entregava ao Templo. mais dinheiro uma pessoa tem. por isso. além de realizar obras caracteristicamente cristãs. Hebreus 10. Não é uma maneira de mostrar posição pessoal. ele dá R$ 1. Porque o povo dava o dízimo não só de dinheiro. Não é um meio de pagar para que outros façam a obra no meu lugar. dava o dízimo também de espécie. ele que evangelize. Eu não tenho que criar um saldo de graças com Ele. Se tinha naquele ano uma produção de dez bezerros. eu. não! Dízimo não é para isso. quem realiza é a Igreja de Jesus Cristo. Não é que Deus me deva alguma coisa e com isso eu tenho credito com Ele. O Coordenador de um Ministério. Porque alguém pode pensar assim: "Bom. a misericórdia. o crescimento espiritual. Ela é evangelista." Faziam sacrifícios de animais. nem neles te deleitaste os quais se oferecem segundo a lei. então. O Novo Testamento acabou com o dízimo. Talvez seja até mais sacrificial. dou R$ 15. Não é um meio de subornar a justiça de Deus. mas irmão Fulano ganha R$ 15 mil. não são apenas bênçãos materiais. mostrando como é natural. R$1. Eu só ganho R$ 151. Deus não se deleitava com essas coisas. Ouvi contar de certo pastor que falou para alguém. ele é o Diretor. um tem mais posição que o outro. Nem para criar um saldo de graças com Deus. que dirigem. não dê o dízimo para pagar promessa.10". O Diretor de Evangelismo dirige a evangelização. dar o dízimo também.500 reais que o outro entregou. Há quem pense.10 para quem recebe R$ 151. glória sobre glória! Agora. com pessoas que treinam. oblações com vinho. Então. que levam para o campo. "Se eu não vos derramar sobre vós uma benção em abundância. enfim. 137 . os 15 reais e 10 centavos que os 1.10." Há outras bênçãos além de dinheiro." Não acabou nada.500.00 é a mesmíssima proporção de R$ 15. ele é o Coordenador. e agora posso exigir dele.500. não é um meio de pagar para que outros façam. um era do Templo. e holocausto e oblações pelo pecado não quiseste. mas. A promessa é de bênção. do coentro. mas. do endro.000. As bênçãos de Malaquias 3. Diante de Deus é a mesma coisa. As bênçãos são a graça. Quantas vezes o dinheiro tem sido maldição.00 para R$ 15. ela é aconselhadora. Vou dar o dízimo para ficar rico. "Não dou dízimo porque é da lei de Moisés.00 de dízimo. para a obra de Cristo. por isso. sim. E ele até mencionou temperos usados no trivial da cozinha: dízimo do cominho.00.8 coloca o assunto da seguinte maneira: "Depois de dizer como acima: Sacrifício e oferta. não. benção sobre benção. às vezes. um era do Senhor. Já vi isso também.00.necessidades do seu orçamento. Por isso. e essa pessoa repassou que ele dissera." Como pode?! Deus não está me devendo nada. Agora vou dar o dízimo para não acontecer mais. ofertas com massas para pagar pecados. Já vi gente dizer isso. se tinha vinte sacas de trigo. mais miserável é. cada ministério é realizado pela igreja." Não dê o dízimo com intenção de pagar pecados. A palavra de Jesus diz que nós devemos.

É um guia para o padrão de crescimento do crente na contribuição. pagam-se duplicatas e prestações. Onde devo dar o dízimo? Na "casa do tesouro". é ponderado. O tesoureiro depois vai recolher os dízimos e ofertas". É assim que está na Escritura Sagrada. É porque é um ato de louvor e deve. qual é o motivo real para que eu dê o dízimo? Creio que só há um motivo irmãos. 10%. Isso significa que o dízimo é proporcional. não! Dízimo é expressão de adoração. É um referencial simbólico de tudo aquilo que o crente entrega a Deus. mas. é forma de cultuar a Deus. telefone. meu irmão querido. O pastor pode estar errado. dá para entregar o dízimo na tesouraria?" Respondo. eu ganho pouco e o outro vai dizer. É solução para não só para o crente individual. "Faça o seguinte irmão. por isso. eu ganho muito. houve muita oração. não. água. É crime e dá cadeia."Então o que é o dízimo. nem na tesouraria. Porque um vai dizer. E assim. do resto eu faço o que quiser". o que Jesus Cristo quer é você. e está em 1Coríntios 16. mas não é dessa maneira que se faz. Alguém de uma igreja irmã me disse certa vez que para pressionar a saída do pastor estava com outros irmãos depositando o dízimo em uma caderneta de poupança. De vez em quando. ser trazido ao culto e entregue em adoração. que é para ver se com isso o pastor sai. Isso diz que o dízimo é adequado. Se para entrar. ou fatura de clube. o dízimo é do Senhor e eu o trago à casa do Senhor. na igreja em culto.14: "Fazei todas as vossas obras com amor". por usar um expediente errado e por pressionar o pastor daquela maneira. O que Ele quer é você. Esse irmão de outra igreja falou isso: "Há um grupinho da igreja que está depositando o dízimo em uma poupança. alguém pergunta. que deveriam pagá-lo no banco. Dez por cento é apenas o começo dessa expressão de entrega. É uma boa prática não entregar na mão de ninguém. para sair tem que haver muita oração. Acho que é uma boa prática não entregar dízimo na tesouraria. é 10% da renda. Não é. paga-se luz. nós não podemos fazer o que umas igrejas andaram fazendo. não é por outra razão. por isso. não! "Dez por cento é de Deus. Ou você pensa que 10% é de Deus e 90% é seu? Não é. Há designações para isso: conspiração e formação de quadrilha. Mas. A Bíblia me mostra que o dízimo é uma solução para o crente pessoalmente falando. que ensina que é até uma coisa mesquinha pensar apenas em 10% porque Jesus Cristo realmente pede 100% de nós. vá lá no santuário e coloque no gazofilácio. Eu vou dar quanto? A resposta é a mesma. o padrão de contribuir. é solução para a expansão 138 . "Pastor. pastor?" Dízimo. Então. No banco. O dízimo é reconhecimento de que eu aceito o fato de que Deus é soberano sobre o mundo e sobre a minha vida também. É errado por vários motivos: por não trazer o dízimo. Entregaram um boleto bancário para os membros." Está errado. além de nos ajudar também a estabelecer corretamente quais são as prioridades da nossa vida. Como quem paga carnê do Baú da Felicidade. nos ajuda a desenvolver a disciplina de um padrão. Aprendo que o dízimo é uma solução. Mas. minha irmã.

O nome está dizendo Plano de Cooperação das Igrejas. A igreja local e a obra de Cristo não se sustenta através de bazares. JUERP. a Convenção Batista Baiana estabelece seu programa de ação. Quando você então se une a outros crentes na sua igreja e você dá o dízimo. leilões. sabiam? Há quem pense que oferta é menor do que o Dízimo. Está estipulado pela assembléia da igreja que nós daremos 10% da entrada. oferta é R$ 120. 250. recebem porque o irmão deu o dízimo na igreja. com visão por causa do dízimo. 200. Junta de Rádio e Televisão. da Sergipana. enfim. com amplitude. Talvez os crentes mais novos tenham ouvido muito superficialmente na Classe de Preparação para o Batismo. Qual é a próxima etapa do Plano Cooperativo? A igreja local. e dá R$ 80.00. tudo se executará com largueza. na Romênia. que na verdade é o seu dinheiro. na Bahia. porque as causas missionárias. que não é outro senão o programa da igreja local. no Canadá. Ele coopera com outros crentes e dessa maneira todos trazem seu dízimo. E a Convenção Batista Brasileira recebe da Convenção Baiana. e assim por diante. Seminários. 10%). da Amazonense. quanto estiver estipulado em assembléia da respectiva Convenção. você começou a cooperar.. que na verdade é o dinheiro do Senhor. da Capixaba. Todas as Convenções mandam uma parte (20%. o desenvolvimento na educação dos novos e dos antigos crentes. 50%. Dízimo é solução para a vida de qualquer denominação evangélica como agente da causa de Jesus Cristo nesse mundo através de um plano de cooperação. no Brasil e 139 . da Paraibana e assim por diante. poderia contribuir com 5%. Aliás. ou 20%. onde fica a sede da Convenção Batista Brasileira.da igreja. Isso é o que se chama de Plano Cooperativo na igreja local.00. vilas.00. os planos evangelísticos. 30%. sorteios. Aliança Batista Mundial.00. Oferta alçada é mais do que dízimo. na África. Se o seu dízimo é de R$ 100. da Paraense. não haverá problema financeiro.00..00. Um problema financeiro que a igreja tem será resolvido com facilidade. O Plano Cooperativo é um programa de integração das igrejas. espalhados pelo mundo. Coloca missionários em cidades. E esse programa começa com o crente. Que mais? A Convenção Batista Baiana por sua vez. o dinheiro das Convenções que na verdade é o dinheiro que veio das igrejas. A nossa igreja contribui com 10%. Junta de Missões Nacionais. etc. a nossa igreja mensalmente envia 10% para a Convenção Batista Baiana. O plano cooperativo começa com você. Os missionários que estão no Japão. Contribuição é menos. As outras igrejas locais do Campo Baiano fazem o mesmo: cada igreja do interior e da capital manda este sua parte e. Então. chás sociais. rifas. da Mineira. através do Plano Cooperativo. remete 20% para o Rio de Janeiro. vilarejos do interior. E dessa maneira distribui pelos diversos ministérios que ela executa: Junta de Missões Mundiais. A Convenção Batista Brasileira recebe então. sua oferta ao Senhor. Se você deve dar R$ 100. Está fora do padrão. shows e coisas assemelhadas.. está dando uma contribuição.

no mundo. Esse Programa de Cooperação só vai trazer uma coisa: bênçãos! Vamos para Malaquias 3.10, "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimentos na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós benção tal, que dela vos advenha a maior abastança". Abundância é questão de valores, não é questão de dinheiro. Não faça negociação com Deus. Há uma história que é passada às vezes de um modo muito lindo, no entanto, na minha interpretação, essa história, não guarda nada de nobreza.. É a história de quando Jacó estava em Betel, e teve a revelação de que naquele lugar o Senhor estava; que ali era Beth-El, a casa de Deus. Ele fez um voto dizendo: "Se Deus for comigo e me guardar nessa viagem que ora faço; e me der pão para comer e vestes para vestir, e eu em paz voltar a casa de meu pai, o Senhor será o meu Deus". Por que ele disse, "Se Deus for comigo", o problema é esse "se...", "Se Deus for comigo; se Deus me guardar; se ele me der comida; se ele me der roupa; se me fizer voltar em paz, então, eu darei o dízimo". Parece bonito, mas, o problema é que Deus lhe foi fiel e ele continuou o mesmo enganador de todo o sempre, porque dízimo é uma questão de valores espirituais e não de recompensas materiais como ele estava colocando diante do Senhor. O pastor Roberto McAlister, já falecido, faz uma pergunta, "Que é melhor: saúde ou um bom tratamento médico?". O que é que você prefere irmão, saúde ou o melhor médico da cidade tratando do seu terrível caso ? "Que é melhor, um filho simples e obediente ou um filho brilhante sem caráter? Que é melhor, um casamento humilde com muito amor ou um casamento infeliz com muito dinheiro?" O que é melhor? Porque tudo depende do senso de valores e Jesus Cristo fala de valores quando diz que devemos buscar o Reino de Deus e a sua justiça, porque o restante vem acrescentado. Quer dizer, se eu colocar o dízimo como o meu ponto de partida, a minha falta de fé vai se transformar em confiança e em sinceridade. Não vai haver falta de recursos para fazer a obra do Senhor, na casa do Senhor. A conquista de almas vai aumentar porque eu só tenho que fazer uma coisa, uma aliança com Deus; uma aliança com o Senhor na base da fé, na base da dependência Dele, pois certas coisas só podem ser realizadas com o Espírito Santo. Por isso, não é dever, é privilégio do crente, o de participar da obra do Senhor, da causa do Senhor; do projeto de Deus. Parte XXIII DESAFIOS DA LIDERANÇA CRISTÃ A verdade é que entramos no século 21 com tremendos desafios para a liderança na igreja. Um deles é, no dizer de Warren Wiersbe uma crise de integridade. E ela atinge o cerne da autoridade e da liderança da Igreja de Jesus Cristo. Wiersbe lembra que Paulo exclamou com as veras da sua alma: "não me envergonho do evangelho!" E sugere que talvez o evangelho afirme: "(mas) eu me envergonho dos cristãos". Quanta coisa tem sido praticada em nome do evangelho, com aparência de evangelho, com linguagem de evangelho, e tem dado como 140

resultado superficialidade de convicções, confusão mental e espiritual, e enfraquecimento da fé porque os líderes, pastores ou não, têm aberto campo para a falta de ética, para a manipulação dos sentimentos, para a falta de integridade. Excelente palavra a que traduz o conceito de integridade na língua hebraica: shalom, a qual é vertida para o português com alguns ricos significados, tais como "inteireza, integridade, plenitude, sucesso, salvação, saúde, prosperidade e, também paz". Não podemos fazer por menos: o instrumento que Deus tem para unir as pessoas, fatos e acontecimentos é a Igreja de Cristo. O líder há de ser íntegro, "limpo de mãos" (cf. Cl 1.9,10; 2.10; Sl 24.3,4), e "puro de coração" (cf. Sl 24.3,4). O líder cristão deve possuir uma mente como a de Cristo (cf. 1Co 2.16); sua vontade é honesta (Ed 9.6). O fato é que na época de Jeremias a religião parecia com esta do século 21: o povo dizia crer, mas havia influência secularista, pois o que cria não fazia diferença quanto ao modo de viver. O ideal evangélico está expresso em 2Coríntios 5.17. Além disso, na época de Jeremias, a religião havia se tornado um "grande negócio". É só conferir com as exclamações do profeta Jeremias que não tolerava os abusos como em 5.30,31 e Lamentações 4.13. Tudo isso é o que A. W. Tozer chamou de "tratamento comercial" do evangelho. Esse mesmo "tratamento comercial" é responsável pelo pragmatismo religioso: "visto que a igreja está cheia, Deus está abençoando", afirmam. Outro desafio às portas do século 21 são os novos estilos de culto. O que em outros países é denominado histórico ou contemporâneo, em nosso país é objeto da pergunta "tradicional ou renovado?" Outras comunidades têm utilizado a terminologia Culto Jovem contrapondo-se ao estilo recebido de liturgia e rito. É evidente que o culto é mensurado pela transformação causada nos que cultuam a Deus, e há de ser sempre "em espírito e em verdade" (Jo 4.23,24), ou não há de ser culto. É gratidão, reconhecimento, louvor, e (embora não seja o propósito primário) terapêutico. Ao tempo que o cultuante reconhece o cuidado, carinho e amor de Deus, louva-O e sai aliviado das tensões, dos cuidados e preocupações, terapia grupal no louvor comunitário. O culto, por ser dinâmico, envolve mudanças, mas envolve igualmente o que nunca deve ser mudado. Deus não muda; as verdades eternas não mudam; a Palavra de Deus não muda. Questiona-se a ressurreição de Jesus Cristo, a realidade do pecado, a necessidade de salvação, e a singularidade da obra redentora de Cristo. Mas o método pode mudar porque não são estáticos, mas se adequam aos tempos e circunstâncias. A liderança da igreja às vésperas do século 21 há de estar aberta para o novo sem perder a visão do permanente na igreja. Afinal, somos líderes e capacitadores numa comunidade local sem perder a visão do todo da Igreja de Jesus Cristo; e 141

capacitadores e líderes da Igreja de Deus sem perder a visão da comunidade como expressão local dessa Igreja. Numa análise do que chama "a Igreja do Futuro", Ralph W. Neighbour destaca que a "Igreja do Presente" se caracteriza por ser tridimensional: tem largura, comprimento e profundidade, mas não possui poder espiritual para dar à luz outra geração de cristãos. A "Igreja do Futuro", além dessas dimensões, tem mais uma: altura, ou seja, vive num mundo físico, de três dimensões como a outra, mas vive em acréscimo num ambiente espiritual onde "principados, potestades, príncipes do mundo destas trevas, hostes espirituais da iniqüidade" são diariamente enfrentados. É o caso, então, de examinar o que Neighbour destaca quanto ao que caracteriza essa Igreja dinâmica, ativa, viva, quadridimensional: · O Espírito Santo é Quem a dirige. É só permitir que Ele a controle nos termos de Efésios 3.16. A Igreja e sua liderança não são significativas pelo que possuem, mas porque são usadas por Deus. · Essa Igreja vive na quarta dimensão, sem qualquer alusão à ideologia esposada pelo pastor coreano David (antes Paul) Yongi Cho. Humanos, somos seres tridimensionais; mas como povo de Deus, e ainda mais, liderança desse povo, temos por conceito o sublime e urgente dever de ser quadridimensionais. Afinal, é nessa dimensão que o poder de Deus se revela e Satanás é vencido (cf. Jo 3.3; Ef 2.18,19). Onde se enfatizam as três dimensões, a liderança trabalha para o povo; nas quadridimensionais, a liderança trabalha com o povo. Não é de estranhar, portanto, que na Igreja onde se enfatizam as quatro dimensões a liderança seja composta por aqueles em quem os milagres de Deus acontecem de modo pessoal, e não de segunda mão. Ver a Deus, por exemplo, é experiência de primeira mão: Noé teve uma experiência sensorial com Deus e tornou-se o arauto divino para o arrependimento do seu povo (Gn 6.13); Abraão viu a Deus, e isso resultou num rompimento com a velha e surrada vida no politeísmo de sua terra natal (Gn 12.1ss); Jacó viu a Deus, e desde esse momento tornou-se "o princípe de Deus" ((israel, cf. Gn 32.22-32); Moisés viu a Deus e isso fez diferença na sua vida (Ex 3. 1-12; 34.29-35); Gideão que teve um encontro transformador com o Todo-Poderoso (Jz 6.11-24); Elias recuperou-se de um processo de depressão para a vitória porque viu a Deus (1Rs 19.8ss); Isaías nunca mais foi o mesmo depois da visão de Deus (Is 6.1ss); foi o caso de Paulo (At 9.1.ss). E "ver a Deus" dá novas energias. Quando se experimenta pessoalmente o poder de Deus, não se necessita ser aguilhoado para crer que todas as coisas são possíveis por meio de Cristo Jesus. Um líder que tenha tido uma visão definida de Deus será capaz de amar, terá todas as condições de repassar esperança, assim como capacidade de comunicar a fé. Na verdade, só podemos influenciar e liderar outros até o ponto a que nós mesmos chegamos. Nesse ponto, vai se revelar o líder espiritual em contraposição ao líder natural. Segundo Sanders, o paralelo entre estas duas qualidades de líderes é o seguinte: O Líder Natural 142

· É autoconfiante · Conhece os homens · Toma as próprias decisões · Usa os próprios métodos · Gosta de comandar os outros (e ser obedecido) · É motivado por questões pessoais · É independente. Bem diferente, portanto, do Líder Espiritual, o qual: · Confia em Deus · Conhece os homens e conhece a Deus · Faz a vontade de Deus · É humilde · Usa o método de Deus · Busca obedecer a Deus · É motivado pelo amor a Deus e aos homens · Dependência de Deus Parte XXIV DISCIPLINA NA IGREJA Introdução Disciplina eclesiástica é um termo em risco de extinção no atual vocabulário cristão. Desde que os princípios do pós-modernismo encontraram lugar no seio da igreja,(1) qualquer conceito que ameace o individualismo e a liberdade de escolha quanto ao estilo de vida, comportamento, etc., é logo taxado de arcaico, passé. A dicotomia prática de muitos cristãos gera a ilusão de que a igreja não tem nada a ver com o procedimento "secular" de seus membros. Nessa "nova era" antropocêntrica, a igreja é vista como uma organização altamente dependente do indivíduo, e que precisa conservá-lo ao custo de várias exceções. O medo da impopularidade leva muitos líderes à cumplicidade e pecados são justificados em nome de uma atitude mais "humana."(2) Por outro lado, o que dizer daqueles que, em nome do zelo pela disciplina, cometeram injustiças e causaram mais males que bens?(3) Em todo esse contexto, a disciplina tem uma vida curta e a tolerância consagra-se como a virtude da moda.(4 )Porém, o que acontece com uma igreja sem disciplina? O termo "disciplina," em geral, é empregado em vários sentidos. Podemos usá-lo para referir-nos a uma área de ensino, ao exercício da ordem, ao exercício da piedade(5) ou a medidas corretivas no seio da igreja. O objetivo deste artigo é delinear alguns fatores da importância da disciplina eclesiástica entre os membros do corpo de Cristo. O autor está plenamente consciente de que um artigo como este não coloca um ponto final no diálogo sobre o assunto. Porém, o que motiva esta reflexão é a esperança de que a mesma seja útil para elucidar a muitos quanto ao aspecto bíblico-teológico 143

da disciplina. I. Errando o alvo A igreja cristã tem sido acusada de ser o único exército que atira nos seus feridos.(6) O grau de verdade dessa acusação é, muitas vezes, devido a malentendidos com relação à disciplina eclesiástica. Tais mal-entendidos estão presentes em pelo menos dois grupos: 1) os que aplicam a disciplina, e 2) os que sofrem a aplicação da mesma. Como cada caso deve ser analisado individualmente, só nos cabe aqui listar os mal-entendidos mais comuns em relação à disciplina eclesiástica. A. Disciplina e Despotismo Com a subida ao poder do Partido Nacional na África do Sul, em 1948, a segregação foi legalizada em nome da disciplina. Como resultado, foi sancionado o aprisionamento de negros sem nenhum julgamento formal.(7) Isso não foi disciplina, mas despotismo. A história da Igreja Medieval apresenta uma vasta galeria de ilustrações da confusão entre o uso da disciplina e o exercício do despotismo.(8) Seria isto apenas um fenômeno do passado? Infelizmente basta familiarizar-se com os círculos eclesiásticos para se descobrir que o espírito medieval ainda está vivo e ativo na mente e atitude de alguns líderes modernos. Há aqueles que, como resultado da ganância pelo poder, seguem o caminho de Balaão e amam a injustiça (2 Pe 2.13,15). Estes estarão sempre prontos a "disciplinar" por motivos interesseiros (Jd 16). Não se deve esquecer, porém, que a culpa de Edom consistiu no fato de que "perseguiu o seu irmão à espada, e baniu toda a misericórdia; e a sua ira não cessou de despedaçar, e reteve a sua indignação para sempre" (Amós 1.11). B. Disciplina e Discriminação A confusa identificação entre disciplina e discriminação pode ser vista sob dois aspectos: 1) no abandono do disciplinado por parte da igreja, e 2) na recusa do disciplinado em receber a disciplina. Para se evitar o primeiro erro é imprescindível que a família cristã não desista de um dos seus membros que caiu. Paulo exorta a igreja para que manifeste perdão, conforto e reafirmação de amor para com o arrependido, para que "o mesmo não seja consumido por excessiva tristeza" (2 Co 2.7-8). Outra razão para esta exortação é para que "Satanás não alcance vantagem" sobre a igreja, criando amargura, discórdia e dissensão (v. 11). Há sempre a possibilidade de que o disciplinado não se submeta à disciplina, e acuse a igreja de discriminação. Tal atitude apenas manifesta ignorância e estupidez (Pv 12.1 - tradução literal). Segundo as Escrituras, é o pecado e a determinação em segui-lo que gera discriminação, e não a 144

"(9) Com relação à autoridade. na Carta aos Romanos 16.1-13.22-23). mas sim a responsabilidade de amar o pecador e vigiar para que também não caiamos (1 Co 10. É certo que o mundo vê a disciplina como expressão de ira e hostilidade. somente a ignorância. é preciso lembrar que toda atitude pecaminosa precisa ser corrigida. Concluindo.20). ou seja. é como se aqueles que aplicam a disciplina não tivessem nenhum direito de fazer tal coisa debaixo do sol. ao escrever a Segunda Carta aos Tessalonicenses 3. Essa pergunta revela um mal-entendido comum entre disciplina e arbitrariedade. mas daquele que a ordenou. Na sua Primeira Carta aos Coríntios 5. Há um princípio claro: "Os pecados que foram explicitamente disciplinados no Novo Testamento eram conhecidos publicamente e externamente evidentes. Nenhum direito nos é dado. Esse padrão consiste primeiramente em amor paternal (Hb 12.12). Ou seja.16-17 o evangelista fala daqueles que se recusam a abandonar o pecado mesmo diante de uma amorosa exortação pessoal. "não somos todos pecadores?" Primeiramente.4-13).15).29). na Segunda Carta a Timóteo 2.17-18 e na Segunda Carta de João 9–11 são mencionados os que dissimulam ensinos contrários ao Evangelho.6-10 ele prescreve disciplina eclesiástica para aqueles que se deleitam na preguiça. Disciplina e Arbitrariedade "Com que direito fizeram isso?" Tal é a pergunta que constantemente se ouve em casos de disciplina.20. ou dureza de coração poderiam levar alguém a deturpar os princípios bíblicos sobre a disciplina eclesiástica e justificar sua ausência entre os membros do corpo de Cristo." alguns argumentariam.5 e 1 Tm 1. o Cabeça e Senhor da Igreja (Ef 1. Por outro lado. e muitos deles haviam continuado por um período de tempo. "Aliás. Paulo descreve as pessoas cujas práticas trazem escândalo à igreja. mas há algumas que requerem correção pública. "Que direito temos nós de tomar o corpo de Cristo e fazê-lo um com a prostituição?" (1 Co 6. A Necessidade da Disciplina Aquele que ordena a disciplina na igreja é o mesmo que estabelece o padrão a ser seguido no exercício da mesma. equívocos. II.17 o apóstolo recomenda disciplina aos que causam divisões na igreja e. C. mas as Escrituras mostram que a disciplina 145 .disciplina (1 Co 5. em Mateus 18. é importante lembrar que a autoridade na disciplina nunca vem daquele que a aplica. Também. O Ensino Bíblico A. e na Primeira Carta a Timóteo 1. Por exemplo. Além do mais. a pergunta a ser feita dever ser: "Com que direito um membro da Igreja do Cordeiro profana o sangue da aliança e ultraja o Espírito da graça?" (Hb 10.

3. Também. a mesma produz paz e retidão (v. O mandato bíblico referente à disciplina é encontrado especialmente no ensino de Jesus (Mt 18. disciplina e sabedoria estão intimamente ligadas nas Escrituras (Sl 50.13) ou "castigar" (Is 53. O padrão de disciplina divina revela também maravilhosos benefícios. O v. Além do mais. disciplina envolve relacionamento familiar (Hb.5 e Gl 6. ou seja.15-17. o grego paidei/a possui sentido semelhante e é freqüentemente usado na analogia entre a disciplina dos filhos por seus pais e a correção que vem do Senhor (ver Hb 12. todavia. A igreja de Tiatira foi repreendida devido à sua flexibilidade moral (Ap 2.1-10 e Ap 3. Mas é sempre arriscado confrontar alguém. a disciplina na igreja tem um triplo objetivo: 1) restabelecer o pecador (Mt 18. Nesse sentido. A correção é fonte de esperança para os que a aplicam e vida para aqueles que a recebem corretamente (Pv 19. Além do mais. Pv 1. 8). Os Passos da Disciplina Biblicamente. mas antes de restaurá-lo à saúde espiritual. 1 Co 5.15 e 23. 10). o Pai celestial está apenas tratando-os como seus filhos. O termo hebraico rasUm é usado no Antigo Testamento como sinônimo de "instruir" (Pv 1. Deus não disciplina bastardos. A igreja sem disciplina é uma igreja sem pureza (Ef 5." v.de Deus é um exercício do seu amor por seus filhos. Amor e disciplina possuem conexão vital (Ap 3. Abordagem individual." Ainda que seja inicialmente doloroso receber disciplina.24).15. há clara referência bíblica de que a igreja que negligencia o exercício desse mandato compromete não apenas sua eficiência espiritual mas sua própria existência.17. dirige nossa atenção para a alegre possibilidade de que tal irmão nos ouça. Segundo as Escrituras. 15 (Se teu irmão pecar vai argui-lo entre ti e ele só.. 15) também pode ser traduzido como "trazer à luz. a disciplina na igreja está fundamentada não apenas no exercício do bom senso. filhos ilegítimos (v.25-27) e sem poder (Js 7.O v.5).18 e 4. "corrigir" (Pv 22. Jesus.) ensina que a confrontação é um tarefa cristã. Esses passos são especialmente mencionados em Mateus 18.7-9).20-24). e quando os cristãos recebem disciplina divina.19).13).1-2 e 15. o termo grego e)/legcon ("arguir. 11). A correta disciplina deve ser sempre aplicada com amor e não com ira (Pv 13. mas principalmente nos imperativos do Senhor.32).1-13). instruir.5-6).. 8). B. 146 .6-8) e 3) dissuadir outros (1 Tm 5. É este triplo propósito que aponta para os passos a serem seguidos em uma aplicação correta da disciplina eclesiástica. A disciplina que vem do Senhor "é para o nosso bem (v.11-12a). 13 ensina que o propósito de Deus em disciplinar não é o de incapacitar permanentemente o pecador. confrontar. 12.20).19). 1.15-17) e nos escritos de Paulo (1 Co 5. pois nunca se pode prever a reação do mesmo.1). Uma das melhores coisas a se fazer por um irmão em pecado é confrontá-lo em amor (Pv 27. No Novo Testamento. 2) manter a pureza da igreja (1 Co 5.

Com estes não há mais comunhão cristã. Além do mais. nosso pecado traz conseqüências pessoais e coletivas.expor. Admoestação privada . a objetividade do caso é preservada.30.1415) e vigiar a si próprio (1 Co 10.8 para descrever o ministério do Espírito em relação àqueles que estão no mundo. o ofensor é tido como gentio (a quem não era permitido entrar nos átrios sagrados do templo do Senhor) e publicano (que eram considerados traidores e apóstatas: Lc 19. "fora." e communicare.6 e 19.11). É claro que cada um desses passos envolve dor."(10) É significativo o fato de que esse é o mesmo termo usado em João 16. Pronunciamento público (v. antes de confrontar um irmão. um número maior de pessoas é envolvido. o desvio doutrinário das verdades fundamentais ensinadas nas Escrituras.O último recurso da disciplina é o da excomunhão (do latim ex.27). na qual o ofensor é privado de todos os benefícios da comunhão. amor e transparência. Isto é uma referência à prática vetero-testamentária de não se condenar alguém com base apenas em uma opinião pessoal (ver Nm 35. 2. Jesus ordena que haja admoestação privada (v. Exclusão pública . Dt 17. Nesse caso. pois deliberadamente recusam os princípios da vida cristã (1 Co 5. 17) . "comunicar"). A princípio.Tal proceder nunca é violação de segredos. Implicações teológicas 147 ." Assim. ou seja. Jesus afirma que as outras pessoas envolvidas nesse processo serão testemunhas. podemos sempre clamar por socorro Àquele cujo ministério de confrontação é sempre eficaz.19-20).210). Diante de tal pronunciamento cada membro do corpo de Cristo deve orar pelo pecador.15).(11) 4. Há porém o conforto de saber que a presença e o poder de Jesus são reais mesmo no contexto desse processo (Mt 18. ou seja. Nesse caso. da justiça. tempo. Uma atenção maior. em convencê-los (confrontá-los) "do pecado. 3. Assim. e do juízo. a recusa ao arrependimento. Tal oficialização pública da disciplina traz implicações temporárias em relação aos sacramentos (1 Co 11. pode parecer que o objetivo desse passo é intimidar o ofensor. a disciplina eclesiástica "não é uma atividade a ser realizada facilmente. mas algo a ser conduzido na presença do Senhor. Com isto. Nenhum deles é agradável e eles só prosseguem diante de dureza de coração do ofensor. eles não devem nem mesmo ser recebidos em casa (2 Jo 10-11). evitar comentários desnecessários (2 Ts 3."(12) III.12). 16). porém. Em outras palavras. o que diminui as chances de injustiça. e o ofensor é beneficiado. levanos a entender que o propósito do mesmo pode ser o de conscientizar o ofensor quanto aos prejuízos de sua atitude para com a comunidade do corpo de Cristo. pois o ofensor deliberadamente recusou os caminhos prévios do arrependimento. Se o seu pecado é heresia.No caso de o ofensor não atender à confrontação individual.

O servo de Deus sempre deve almejar a pureza da noiva do Cordeiro (2 Co 11. Uma igreja adoradora e ao mesmo tempo tolerante para com o pecado no seu seio é uma contradição de termos e recebe a repreensão do Senhor (Ap 2. o zelo pela santidade do nome de Deus implica diretamente no exercício da disciplina eclesiástica. A disciplina eclesiástica ressalta a seriedade do pecado. porém santa e sem defeito" (Ef 5. ainda que esse pecador seja um dos membros da igreja. pois é um meio instituído por Deus para manter pura a sua igreja. é uma marca da fé salvadora (Fp 3. Há uma relação entre disciplina eclesiástica e evangelismo. 148 . a disciplina eclesiástica é altamente relevante.(14) Um princípio essencial da adoração cristã é o zelo pela santidade do nome do Senhor (Ex 20."(13) A exclusiva adoração a Deus é um mandato divino (Mt 4."(16) Sendo que Cristo deseja sua igreja "sem mácula. Esse amor pelo pecador cristão também reflete o amor da mesma pelo pecador incrédulo. a menos que pensemos que podemos omitir um recurso que o Senhor considerou necessário para nós.10).9)."(15) Nesse sentido. tais marcas consistem da proclamação da Palavra. "aqueles que pensam que a igreja pode sobreviver por longo tempo sem disciplina estão enganados. nem coisa semelhante. Sem a visão dessa seriedade. pela graça de Deus. nem ruga.1-3). Disciplina e as Marcas da Igreja A Reforma Protestante do século XVI considerou importantíssima para a teologia cristã a seguinte questão: Como distinguir entre a igreja verdadeira e a falsa? Em outras palavras. quais são as marcas da verdadeira igreja cristã? Para o reformador João Calvino. C. A. da administração dos sacramentos e do exercício da disciplina eclesiástica.18-29). e deve seguir os princípios revelados por Deus em sua Palavra. ou como a disciplina em família. mas tão somente de elucidar. Segundo ele.27).7 e Mt 6. "a disciplina eclesiástica é tão necessária quanto os ligamentos do corpo humano. Disciplina e a Adoração Cristã A verdadeira adoração "é a mais nobre atividade de que o homem. a igreja não é corretamente motivada a buscar a redenção do pecador.10 e Ap 19. oferecemos três tópicos teológicos que estão vitalmente ligados ao processo da disciplina eclesiástica. é capaz. Assim.3). mesmo diante da possibilidade da sua contaminação pelo mundo. Disciplina e Evangelismo A disciplina evidencia o amor cristão pelo pecador.Sem a intenção de limitar. A negligência do povo de Deus quanto aos mandamentos do Senhor motiva os incrédulos a blasfemar o nome de Deus (Rm 2.24). B.

O presente autor discorda do bispo e crê que a questão retórica a ser levantada não é se condenar a poligamia "seria humano. que a disciplina na igreja não é uma opção. trad. mas sim uma ordenança e.D. Celebração da Disciplina: O Caminho do Crescimento Espiritual.1-23)." Vinde (Julho 1997):7-12. "há pouca vantagem em uma greja que tenta vencer o mundo se ela já tem se rendido ao mundo. Luiz Aparecido Caruso (São Paulo: Vida. 1 Ver Os Guinness. uma bênção divina (Hb 12. que a disciplina requer profundo amor por parte da igreja que a aplica e semelhante humildade e quebrantamento por parte daquele que é disciplinado (2 Co 2. 4 Josh N. 1983)." mas sim se a prática atual da mesma "é bíblica. pelos seus próprios membros. Dining With the Devil: The Megachurch Movement Flirts With Modernity (Grand Rapids: Baker."(17) Conclusão Laney adverte para o fato de que "a disciplina é como um medicamento muito forte: pode trazer a cura ou causar maior dano. Primeiro. ambos (evangelismo e disciplina) almejam a liberdade do pecador e a concretização do triunfo histórico da graça sobre o pecado na vida do mesmo (Rm. ou rejeitada. 6. Tolerating the Intolerable: A Mandate of Love (Wheaton. McDowell. O evangelismo é dirigido aos que estão fora dos portões da igreja e que estão escravizados pelo pecado. 2 Ver Guilherme de Barros." 3 Essa é uma constante referência à obra clássica de Nathaniel Howthorne. Uma igreja sem disciplina proclama uma liberdade desconhecida. 5 Richard J. porém.5-11). A disciplina é dirigida àqueles que estão dentro dos portões da igreja e que estão se sujeitando ao domínio do pecado. Essa relação vital entre evangelismo e disciplina é clara à luz de 1 Co 5. Nessa entrevista.Uma igreja sem disciplina torna-se um impecilho para o avanço do evangelho. Assim.12-13. 149 . o bispo Robson Cavalcanti teoriza sobre casos em que a poligamia poderia ser considerada uma atitude mais humana. se recusa a aplicar um medicamento que pode curar o seu paciente apenas porque o mesmo é forte. The Scarlet Letter. conseqüentemente. 1993). "O Pastor da Esquerda Evangélica."(18) Nenhum profissional médico. Foster. nenhum doente faz opção pela morte ou pela continuidade da doença se a vida e a cura podem estar tão próximas. Illinois: Josh McDowell Ministry). Uma séria reflexão bíblica sobre a disciplina eclesiástica evidencia dois princípios básicos. Como diz Barnes. Segundo.57). Também.

16 Caswell. 13 John R. Ferguson. Institutes of the Christian Religion.6 Carl J. porque assim como é. 18 Laney. e nós o somos. e ainda não é manifesto o que havemos de ser. I. Minha tradução. Christ the Controversialist: A Study in Some Essentials of Evangelical Religion (Londres: Tyndale Press. seremos semelhantes a ele. S. "The Biblical Practice of Church Discipline. 1970). McNeill (Filadélfia: Westminster. 9 Wayne Grudem. The Story of Christianity (Nova York: HarperSanFrancisco. John T. 12 Grudem. Minha tradução.1. 15 John Calvin.. agora somos filhos de Deus." 200. Mas sabemos que. Caswell. "Discipline." Biblioteca Sacra (Outubro-Dezembro 1986): 353-64. Por isso o mundo não nos conhece. 1984). 11 R. 1960). 7 Compton’s Interactive Encyclopedia. ed. 1997 (The Learning Company. F. Parte XXV É MARAVILHOSO. F. Stott. Minha tradução. Minha tradução. Systematic Theology. 1994). Amados. Inc. 8 Justo L." The Banner of Truth 414 (Março 1998): 20. 150 . W. 200.7." 363. Vine’s Expository Dictionary of Old and New Testament Words (Nova Jersey: Fleming H. Revell. e J. A única exceção a esse princípio foi "o pecado secreto de Ananias e Safira (At 5. Bruce. 1988).. 160." em New Dictionary of Theology.1-11). "The Biblical Practice of Church Discipline. Laney. González. ed.i. Minha tradução. "Discipline. Packer (Downers Grove: InterVarsity. 277-359. o veremos” (1Jo 3.2). 4. Minha tradução. eds. D. 14 Confissão de Fé de Westminster. CD). 17 Peter Barnes. 896.. quando ele se manifestar. 898. 283-4." 10 F. B. Systematic Theology (Grand Rapids: Zondervan. N. "Biblical Church Discipline. 1981). “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. XXI. Nesse sentido a atuação extraordinária do Espírito Santo resultou em grande temor entre os membros da igreja. Wright. porque não conheceu a ele.4.

tão extraordinária que fala de quando nosso passado foi obliterado. É popular. Escreve esta carta debaixo de uma ternura tão grande. “somos feitura sua. e a palavra de Deus permanece em vós. Gálatas 3. ao perceber a má vontade dos samaritanos em receber o grupo porque era composto de judeus (pois havia inimizade entre samaritanos e judeus. Quem são os filhos de Deus? A pergunta tem pertinência porque existe uma teologia popular que afirma que todos são filhos de Deus.. quem é filho de Deus? Há inúmeras referências na Bíblia Sagrada sobre isso. ou como o apóstolo Paulo deixou registrado. É nessa carta que ele diz que “Deus é amor” (4. criados em Cristo Jesus para boas obras.8). mas tão somente criaturas. Este tão intolerante e raivoso João é o mesmo que quase sessenta depois. ainda hoje acontece). e nós o somos” (v.. de Sua manifestação na Segunda Vinda.” Talvez fosse. Estes dois versículos nos dão uma grande descoberta: o evangelho de Jesus Cristo tem uma mensagem de alcance mundial. da gloriosa epifania. Este é o mesmo João que um dia. como atestam suas palavras do início até o verso final. amadurecido. Ela tem qualidades extraordinárias. É maravilhoso sermos “chamados filhos de Deus”. ainda. ao passarem Jesus e os discípulos por Samaria. indaga de Jesus se não seria conveniente pedir um raio que acabasse com os samaritanos tão sem hospitalidade (cf. que passaremos a comentar. não queremos julgar.Sou fascinado pela Primeira Carta de João. que ensina que somos criaturas de Deus. Ouvi nesta semana um pedaço de conversa no supermercado em que um cidadão dizia para o outro: “. “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. fala de uma experiência presente na nossa caminhada em e com Cristo. porque sois fortes. que “temos um advogado para com o Pai” (2. não deixa por menos: “Pois todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus.. 1).10). e fala do futuro. jogado para trás. como. jovens. e já vencestes o Maligno” (2.. se todos somos criaturas. Somos uma obra de arte de Deus. Algo especial vai acontecer. verso 26. mas eu também sou filho de Deus. e. e isso é maravilhoso! É MARAVILHOSO. experimentado. daquilo que nos aguarda. é poeimia..14). da presença de Jesus Cristo.1). por sinal. Lc 9. mas a idéia geral e popular é essa. pois quem não tem fé em Jesus Cristo não é filho de Deus! 151 .51-54). as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.” Já fez uma tremenda limitação. Fizemos o destaque dos versículos iniciais do capítulo 3. Então. de onde vem nossa palavra “poema”. mas não é da Bíblia.. A palavra “feitura” é muito sugestiva na língua em que Paulo escreveu esta carta. “Eu escrevi. tem agora um tratamento absolutamente diferente.

a todos quantos o receberam. ainda. e dava idéia de alegria. então. “Como são feliz os artesãos da paz porque Deus os tem como herdeiros de Sua natureza”. porque eles serão chamados filhos de Deus”. porque eles serão chamados filhos de Deus” (Mt 5.9). sem a cera no rosto. que são filhos de Deus os que promovem a paz. e denotava tristeza. pelo direito ou pelo meio.Se assim é. Pacificador não é o não-violento. ainda. se tristeza. A Palavra de Deus é tão clara quando diz. por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5. justificar é colocar tudo reto. pois. filhos de Deus imaculados no meio de uma geração corrupta e perversa. ao Evangelho de João. aos que crêem no seu nome [aos que têm fé-adesão.1). E o propósito do evangelho é patente: “. Nas artes gráficas. nem o que foge de conflitos: é o que promove a paz.12). justiça! Ser justo é ser reto no que se faz. E diz a Bíblia que quem anda na honestidade de seu coração voltado para a fé em Jesus Cristo. No teatro romano. Mas. Uma pessoa “sincera” (sem cera) ´não está mascarada. palavras Suas. Uma oração atribuída a Francisco de Assis pede 152 . a expressão facial têm enorme importância no teatro moderno. Diz a Palavra de Deus. e a outra tinha a boca voltada para baixo como se chorasse. o mesmo em informática: pode-se justificar pelo lado esquerdo. Diz a Palavra Santa que é filho de Deus quem é praticante da justiça.10: “Nisto são manifestos os filhos de Deus. essa pessoa é filha de Deus. a máscara triste de cera era colocada no rosto. o tom da voz. não tem um comprometimento sério com Ele pode efetivamente ser chamado “filho de Deus”? Pela Escritura Sagrada.Quem é filho de Deus? Os que têm fé e crêem em Cristo Jesus.11. temos paz com Deus. pela fé. deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus” (Jo 1. A palavra sincero vem do teatro greco-romano. e os filhos do Diabo: quem não pratica a justiça não é de Deus”. e agora temos uma vida toda nova porque fomos considerados justos pelo Senhor. portanto.para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros. Glória a Deus porque pela fé somos considerados retos diante de Deus: tudo o que é passado vai para a lixeira da eternidade. compromisso]. que teologia é essa que ensina que todos somos filhos de Deus? Se alguém não acompanha a Jesus. Para passar alegria. A modo exclamativo. É o mesmo escritor da carta que estamos apreciando. “Justificados. não. ser puro de mãos e limpo de coração.. Palavrinha boa. entre a qual resplandeceis como luminares no mundo” (Fp 2. estava com a verdadeira face aparecendo. colocava-se no rosto a máscara feita de cera denotando felicidade. Ser sincero é ter uma face autêntica. mostra quem é. O modo de fazer teatro era diferente do nosso. Uma melhor tradução para esta afirmação de Jesus Cristo é “Bem-aventurados os promotores da paz.. e os seus não o receberam. “Bem-aventurados os pacificadores. Vamos.. Quando o ator não estava de máscara. ou. que são filhos de Deus os que andam em sinceridade. A Bíblia diz. Essa citação encontra outra versão em 1João 3. Diz ele: “Veio [Cristo] para o que era seu.15). visto que a postura corporal. não o considera com responsabilidade na vida. usavam-se máscaras: uma tinha a boca voltada para cima como se estivesse sorrindo..

Está dentro do espírito do evangelho. Voltando ao texto básico (“Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. palavras que anunciam o glorioso fato de que pertencemos à família divina. cf.2a). Amados.” Que lindo jogo de palavras. 1Jo 3. pois “Amados. Gálatas 4. agora somos filhos de Deus..2). nascido de mulher. também no nosso Direito o filho adotado é reputado como filho que nasceu do ventre daquela mãe. 16). acrescenta que “neste momento. “então.6). para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor. “Não. adoção era considerada como equivalente à verdadeira filiação. neste instante. Rm 8. Diz que fomos adotados por Deus: é a adoção. e ainda não é manifesto o que havemos de ser. nos elegeu nele antes da fundação do mundo.. e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo. porque não conheceu a ele. É como claramente diz João: “somos filhos de Deus”.3-5. O Espírito mesmo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8. Paulo diz que fomos adotados.. João nos apresenta o aspecto natural: fala de geração.. seremos semelhantes a ele. Paulo nos dá o aspecto legal.. e nós o somos. agora somos filhos de Deus”! E isto é mais extraordinária porque ninguém precisa ficar esperando que uma determinada situação aconteça para tentar obter a filiação divina. mas João diz que fomos gerados. nascido debaixo de lei. esses são filhos de Deus . porque assim como é. O fato de que agora somos filhos de Deus. na lei romana.14.1. descobrimos que é mais extraordinária uma declaração que vem a seguir: É MAIS MARAVILHOSO. segundo o beneplácito de sua vontade” (Efésios 1. Há o filho que nasce do ventre e há o que nasce do coração.” (1Jo 3. para resgatar os que estavam debaixo de lei. Um amor que tem como fim. Neste verso. Uma pessoa quis falar de uma criança que havia adotado. e isso é mais íntimo. Além de referendar a primeira e já comentada declaração. faze de mim um instrumento de Tua paz”. sob a qual Paulo viveu. portanto. duas das suas idéias centrais se encontram: o amor e a filiação da parte de Deus. respondeu com muita ternura. Ao ser indagada pelo interlocutor. o veremos”. agora somos filhos de Deus. A Bíblia diz que Deus nos gera no coração agora! Precisamos entender. Paulo e João nos dizem que a relação fundamental dos salvos com Deus é filial. quando ele se manifestar.“Senhor. E como a nossa lei é herdeira direta da linha-mestra do Direito Romano. no entanto.15).. “E.. Por isso o mundo não nos conhece.. Filhos de Deus são os guiados pelo Espírito Santo de Deus.5 esclarece: “vindo a plenitude dos tempos. Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho. E isso é simplesmente maravilhoso porque não 153 . porque sois filhos. é seu filho de criação?”. que clama: Aba. o qual . para si mesmo.. como objetivo que os seres humanos sejam chamados Seus filhos. é meu filho do coração.. Deus enviou seu Filho. Os apóstolos usam ambas as figuras. Mas sabemos que. a fim de recebermos a adoção de filhos” e “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Pai” (Gl 4.. “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus.

2. no segundo nascimento. os quais lhe ajuntarão os escolhidos desde os quatro ventos. e não somente pela nação. ao encontro do Senhor nos ares.. ao som da trombeta de Deus. pois são iguais aos anjos. seremos semelhantes a ele” (Jo 3. respondeu ao que lhe falava: Quem é minha mãe? e quem são meus irmãos? E. por adoção.36). nas nuvens. filhos de Deus. 154 . Deus vos trata como a filhos.acontecerá no futuro. E vivemos na expectativa de um futuro glorioso e radiante. sabemos que. E ele enviará os seus anjos com grande clangor de trombeta.. Aqui temos três informações importantíssimas: O Senhor Jesus ainda se manifestará. herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo. Este texto é referendado por “o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado. se filhos. irmã e mãe” (Mt 12. como destaca 1João 3. Ele. ? Recebemos o amor e a disciplina da parte do Pai: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus” (1Jo 1. com poder e grande glória. ? Somos herdeiros de Deus: “e. se é certo que com ele padecemos. letrada ou não. e verão vir o Filho do homem sobre as nuvens do céu. Seus interesses se tornam nossos interesses. Ele virá e nos tomará para Si como nos prometeu em Mateus 24. no espiritual. Observe o relato a seguir: “Disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos.7). filhos da desobediência. Pois qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus. e todas as tribos da terra se lamentarão.. porém. à voz do arcanjo. para que também com ele sejamos glorificados” (Rm 8. e assim estaremos para sempre com o Senhor” (1 Ts 4.46-50. 17).17).16.2b). de uma à outra extremidade dos céus”. profetizou que Jesus havia de morrer pela nação. e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro.3) e “É para disciplina que sofreis. herdeiros da Sua glória. Depois nós. a ser explicado em seguida. E porque filhos de Deus. “. No nascimento carnal. 31: “aparecerá no céu o sinal do Filho do homem. os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles. É AINDA MAIS MARAVILHOSO. itálico do autor). Isso quer significar uma série de privilégios: ? Somos congregados num só corpo: “o sumo sacerdote naquele ano. seja a pessoa abençoada rica ou pobre. também herdeiros. estendendo a mão para os seus discípulos disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. mas também para congregar num só corpo os filhos de Deus que estão dispersos” (Jo 11.30.. esse é meu irmão. quando ele se manifestar. pois qual é o filho a quem o pai não corrija?” (Hb 12. e são filhos de Deus. Filhos da ira que éramos. Estamos no aguardo do retorno de Cristo. e procuram falar contigo. tornamo-nos.52). mas já acontece agora. E esse estado é desfrutado agora. ? Somos filhos da ressurreição: “porque já não podem mais morrer. ansiamos por Sua vinda. sendo filhos da ressurreição” (Lc 20.

comprados por um alto preço de sangue. Esta visão extraordinariamente gloriosa pode ser uma pista para entendermos o “corpo espiritual” de que fala Paulo. onde muitas pessoas a cada dia seguem rumo à morte. E não é verdade? Tudo começa com fé. é incompatível com o propósito da manifestação de Cristo. precisamos imitar a Jesus Cristo agora (“sede pois imitadores de Deus. para ser entregue aos homens. e verão vir o Filho do homem sobre as nuvens do céu. a Tiago e a João. então também vós vos manifestareis com ele em glória” (Cl 3. “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem. e foi transfigurado diante deles. Implícito em todo o que foi dito por João e Paulo está a Segunda Vinda. creio no que Tu pregas. Este povo não pode parar diante das densas trevas que se levantam. vai de tal maneira que não somente teremos a mente de Cristo.Nós o veremos como é. por exemplo. sem esperança alguma de salvação. agora. fomos conquistados por Cristo. E essa felicidade de que estamos gozando tem algo tremendamente emblemático: a própria palavra começa com a sílaba – FÉ -. “corpo espiritual”. segundo o ensino da Bíblia. Porém há um povo sobre a terra que recebeu uma mensagem de vida. este povo são os remidos do Senhor Jesus Cristo. de luz. Ef 5. Mas o querido leitor não precisa esperar pela Segunda Vinda de Jesus Cristo para receber a filiação divina: pela fé. Mas quando Jesus retornar. E tudo isso começa com uma coisa: a fé.16). 1Co 2. não na Sua Paixão. o seu rosto resplandeceu como o sol. Paulo. Agora. Diga a Jesus: “Senhor. como filhos amados”.A AÇÃO DO EVANGELHO O mundo atual no qual vivemos se encontra em um estado terrível pecaminosidade. creio na salvação trazida por Ti! Eu creio na Tua cruz. faz uma oração distinta e tem um poder único. A Bíblia é um tanto econômica sobre esse assunto. Como seria este “corpo espiritual”? É só lembrar o episódio da transfiguração: “tomou Jesus consigo a Pedro.1). Agora o veremos na Sua glória como Rei dos reis e Senhor dos senhores! Há uma terceira etapa: isso vai completar nossa semelhança com Ele. colocou uma expressão. isso já ficou para trás! Vamos vê-Lo gloriosamente retornando como a Bíblia descreve: “Eis que vem com as nuvens. Não fomos tomados emprestados da mão do diabo.1.30). mas também o corpo semelhante ao corpo glorioso de Cristo.7a). precisamos ter a mente de Cristo como Paulo enfatiza (“nós temos a mente de Cristo. pois serve a um Deus inigualável. 2). e. a transformação dos corpos operada na ressurreição. e todas as tribos da terra se lamentarão. a reconfiguração dos que estiverem vivos naquela ocasião. com poder e grande glória” (Mt 24. possui uma mensagem diferente. eu creio no que Tu falas. irmão deste. repetimos. 155 . você pode se tornar filho de Deus! Parte XXVI EVANGELIZAÇÃO . Isso é extraordinário porque “Quando Cristo. e todo olho o verá” (Ap 1. e os conduziu à parte a um alto monte. não soube como dizer como seria este corpo igual ao corpo glorioso de Cristo. que é a nossa vida. comprado pelo sangue.4). Este povo é diferente. creio e quero receber as bênçãos do Calvário!” O pecado é incompatível com o fato de ser filho de Deus. Não como homem de dores. se manifestar. Por isso. e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz” (Mt 17.

EVANGELISMO Evangelismo é a ação cujo objetivo é levar os homens a conhecerem sua condição de pecadores perdidos e a conhecerem o plano de Deus para sua salvação. Temos que avançar. Uma delas é voltada para o mundo em pecado a outra é voltada para a Igreja. Deus nos chamou para destruir as obras do diabo. nada pode nos impedir. que significa. evangelização é levar o evangelho às pessoas. Desta forma podemos definir que evangelização é quando levamos as pessoas ao pleno conhecimento da verdade de Deus em relação ao seu filho Jesus Cristo. cujo significado é: "Anuncio boas novas". ambas dependem uma da outra. que tem o significado de levo ou trago boas novas. com as coisas deste mundo. e estão nas mãos da Igreja. O Evangelismo é uma arma poderosa se usada de forma correta. a outra é a descoberta da salvação e a outra é a ação.Este povo não pode calar. porém que entendem que a evangelização é uma ação que consiste em levar perdidos a Jesus para serem salvos por Ele. colocando o reino das trevas em retirada. de tal maneira que os homens possam confiar nele como Salvador e servi-lo como Senhor de suas vidas. Muito campo ainda falta para ser conquistado. Evangelho é então o anuncio do cumprimento da providência de Deus para salvação dos pecadores. Levantando bem alto a bandeira do Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.10. muita terra para ser alcançada. pois. 156 . Não podemos nos deter. boas novas. Evangelização & Evangelismo Estas três palavras possuem definições fortes e contundentes em nossas vidas. EVANGELHO O termo evangelho vem do grego evanguélion.11) foi empregado o verbo correlato evanguelizo. que se realizou com a vinda de seu filho ao mundo. enquanto uma se torna uma tarefa. Basicamente. induzi-los à aceitação de Jesus Cristo como Filho de Deus. Quando os anjos anunciaram aos pastores o nascimento de Jesus (Lc 2. e anunciarmos ao mundo que o Rei está voltando. porque se isto fizer-se até mesmo as pedras clamariam. é a apresentação de Jesus Cristo no poder do Espírito Santo. Definindo Três Palavras: Evangelho. para isso vamos analisar o que a Bíblia nos ensina com respeito a este tema. EVANGELIZAÇÃO A palavra evangelização provém do grego evaggelizo. Aqueles. hão de empenhar-se apaixonadamente na propagação do evangelho. literalmente. naquele exato momento começa-se a cumprir as promessas de Deus com relação ao Salvador da humanidade.

desde o rádio até a Internet. da necessidade de arrependerse de seus pecados e ser informado que Deus o ama (Jo 3. que entregou seu filho para salva-lo. Desta forma a evangelização de uma pessoa não termina quando ele aceita a Jesus mas está apenas começando.Integração: Consiste no discipulado. pois sendo Deus meu Senhor devo fazer de tudo para que a sua vontade seja cumprida. 2 .15. 157 . MOTIVOS QUE NOS LEVAM AO EVANGELISMO Quando lemos a Bíblia Sagrada. a qual não pode estar nas mãos de pessoas individualistas que não possuem compromisso com a obra de Deus.16). Se faz necessário que o ser humano seja informado de sua condição de pecador e de sua vida distanciada da presença de Deus. e integrá-los na vida cristã. espiritual e dinâmico. treinar. Nesta definição vamos encontrar três pontos básicos de apoio que devem ser verificados. aplicando-se cada vez mais ao serviço de Deus. são eles: 1 .A Ordem de Jesus .O Conhecimento da Vontade de Deus . Na ordem de Jesus registrada em Marcos 16. Essa vontade revela o amor de Deus para com todos os pecadores e ao mesmo tempo a grandiosidade da obra que é a evangelização.O mundo inteiro. durante o qual o novo crente aprende as doutrinas bíblicas. capacitar e ter métodos avançados e modernos de evangelização. cresce em poder e fé e se desenvolve.4). chegamos a conclusão. além de anunciar ao homem o seu estado é necessário que o evangelista dê lugar ao Espírito Santo para que este possa usá-lo para convencer o pecador que ele precisa de salvação. vejamos alguns destes pontos fortes: 1 . implica também.Nesta ordem de Jesus podemos ver que se faz necessário a existência de um discipulado obediente. Nesta área de informação deve-se utilizar todos os meios de comunicação possível. é preciso investir. 2 . nos colocamos em posição de ordem.Quando lemos a Bíblia Sagrada e nela encontramos que a principal vontade de Deus é que todos cheguem ao pleno conhecimento da Salvação (I Tm 2. vamos encontrar alguns motivos fortes que nos levam a querer fazer evangelismo. que evangelizar é uma tarefa muito importante e difícil.Informação: Evangelismo é uma ação que tem por fim informar. Depois de examinarmos estas definições. na organização eficiente da evangelização local e missionária.Salvador e Senhor. distinguem-se os seguintes elementos: a) O Campo de Atividade para a Evangelização . 3 .Convencer: Evangelizar também é convencer o homem de seu estado pecaminoso.

(Ez 3.b) O Alvo a ser Atingindo .17) será que é diferente? Deus tem nos constituído como um atalaia não apenas em Israel mas principalmente para o mundo.10-12. 4 . como ovelhas sem pastor. não servirá de nada no lado espiritual. c) A Tarefa específica a ser cumprida .37).A pregação do evangelho. mas o evangelho têm. vamos encontrar um personagem central. voltado inteiramente para a obra de evangelização das almas.Características Pessoais 158 .15).23). o desenvolvimento econômico também não têm capacidade de oferecer salvação.36. Ele o colocou como atalaia sobre a casa de Israel. ela pode até ajudar na vida material mas.A Visão da Extensão da Obra . A grande solução da humanidade não está na política bem feita.Visão da Responsabilidade Pessoal . e estão esperando por nós. desgarradas e sofrendo.Quando Deus chamou a Ezequiel. que ainda impõem as cortinas de ferro. nem a ciência tem poder para isto. JESUS O PRIMEIRO EVANGELISTA 1 . E como podemos escapar desta responsabilidade? Não podemos.A Revelação das Sagradas Escrituras . se não tivermos esta visão das almas nunca teremos coragem de evangelizar.O homem. 5 . haja vista que a cada dia que se passa milhões de pessoas nascem. Deus ordenou e temos que cumprir nossa missão.Quando lemos na Bíblia Sagrada. Vamos ver algumas características que este grande evangelista possuía. e este evangelho que está em nós devemos repartir com aqueles que ainda não conhecem a Salvação que está em Cristo Jesus. e começamos a pensar no sofrimento que há no inferno e que este sofrimento é eterno para aqueles que não aceitaram a Jesus Cristo e que eles poderão estar lá porque eu não fiz a minha parte. Ele é com toda a certeza o maior de todos os evangelistas que o mundo já teve.Compreensão de que Somente o Evangelho pode Salvar . e como ele organizou uma campanha de evangelismo bem preparada e equipada. E nesta mesma revelação vamos encontrar a Bíblia afirmando que uma só alma vale mais que o mundo inteiro ( Mc 8. 23.É tolice tentar encontrar salvação fora do Evangelho (Rm 10. Para podermos evangelizar as almas precisamos olhar como Jesus olha para elas.Jesus disse que o nosso campo seria o mundo (Mc 16. será que vamos cruzar os braços diante desta grande tarefa ? 6 . e os crentes tem este poder. muitas em países comunistas. 3 . como se encontram as almas sem Cristo ( Rm 3.13-17). O EVANGELISMO VISTO NOS QUATRO EVANGELHOS Dentro dos quatro evangelhos. 6.

Jesus compreendia as fraquezas humanas.1-30). eles queriam apenas conhecer aonde o Mestre morava porém Jesus aproveitou a oportunidade para convence-los de que Ele era o Messias esperado por Israel. Jesus os convidou a acompanhá-lo e permaneceu com eles quase todo aquele dia. d) Espírito de Sacrifício .Jesus era esforçado na obra que realizava.Jesus era dinâmico não parava um momento a não ser o necessário para descansar e repor as energias perdidas das caminhadas. dois métodos: Ensino Pessoal (Zaqueu. rádio. ensinado-lhes a palavra de Deus. este exemplo é que nós devemos seguir. viveu uma vida de sacrifícios. contudo. ampliação sonora. percorria vilas e cidades pregando a palavra de Deus e jamais despediu uma pessoa sem lhe ajudar. Internet e etc.Em Mateus 14. precisamos aprender com Ele. tomasse outro rumo a não ser o reino de Deus (Jo 3. Foi justamente isso que ele fez durante seu ministério terreno. modificadas para se adaptar-se as necessidades.28). podem evoluir. procurando. podemos ver isso claramente na mulher adúltera (João 8. desejosos de saber onde o mestre morava. Ele não tinha pressa em evangelizar. e ao invés de ser um juiz implacável. projeção luminosa. que precisa de cuidados e não de açoites. passava horas e mais horas curando os enfermos. que ajudam a divulgação do evangelho. televisão. O evangelista precisa aprender com o Mestre a combater o pecado.a) Esforçado . ele podia apenas ter mostrado onde morava e pronto. g) Dinamismo . Atualmente contamos com grande variedade de recursos técnicos. Ele perdoava aos que se arrependiam. passava noites inteiras orando.Neste mesmo episódio revela duas outras características de Jesus a Paciência e Determinação.21-24).14. gravação em discos. b) Paciência e Determinação . A Mulher Samaritana. a considerar o pecador como um enfermo. MÉTODOS DE EVANGELIZAÇÃO UTILIZADOS POR JESUS CRISTO Jesus empregou. Jesus não permitia que qualquer debate que Ele tivesse. serem substituídas. vamos encontrar quando a Bíblia afirma que Jesus por compaixão as almas que ali estavam as curou de suas enfermidades. salvar o pecador. CDs. mas ele viu a oportunidade de ensinar mais a respeito dEle e da sua missão. na evangelização.1-21. Jo 4. e nós quantas vezes passamos perto de pessoas que precisam de uma palavra e nada fazemos. As técnicas. a Bíblia relata que dois dos discípulos de João Batista o seguiam.1-11). estas sim. infelizmente quando muitos vão evangelizar se deixam levar com conversas que os desviam totalmente do objetivo. Contudo seja qual 159 . Os métodos de evangelismo são imutáveis. ( Lc 5. Nicodemos) e Proclamação às Massas. e) Preciso . pois ele mesmo declarou (Mt 20.Jesus não gastava tempo com filosofias humanas e especulações Ele ia direto ao ponto sem perda de tempo.Jesus durante toda a sua vida. c) Compaixão . f) Espírito Compreensivo e Perdoador .

16-20. Treinamento . 2. vilas e cidades. não cessando de anunciar a Jesus Cristo (At 2. pelo contrário. cumpre-nos imitá-lo.47. Ele deu ênfase à evangelização pessoal. Cristo ofereceu-nos o perfeito exemplo de evangelista. se estivermos determinados a abrir novas frentes e organizarmos novas igrejas. O Evangelismo Primitivo era Intenso .42). se quisermos ser testemunhas eficientes. os resultados de nosso trabalho serão multiplicados.for o recurso empregado como auxiliar na evangelização. percorrendo ruas. saíam a procura deles.13-17). 4. 1. Jesus proporcionou um treinamento eficaz.Tendo escolhido os apóstolos. A evangelização deve ser um movimento racionalmente organizado. A ORGANIZAÇÃO DA CAMPANHA DE EVANGELIZAÇÃO POR JESUS CRISTO Jesus não podia deixar a evangelização do mundo confiada à iniciativa pessoal e espontânea. A Obra de evangelização necessita de grandes e poderosos pregadores para as massas e de inumerável quantidade de pessoas treinadas para o ensino individual. Jesus passou a instruí-los para o desempenho da missão que lhe daria. 160 . Eles sem os meios necessários para evangelizar conseguiram levar a mensagem da salvação em todo o mundo habitado de sua época.Os discípulos não esperavam que os pecadores lhe viessem ao encontro.6-13. CARACTERÍSTICAS DO EVANGELISMO REGISTRADO NO LIVRO DE ATOS Se quisermos melhorar nossas atividades evangelizadora teremos que analisar os métodos utilizados pela Igreja Primitiva.Podemos notar que me ambas as tarefas Jesus especificou o local exato para que pudessem desenvolver o trabalho.ou ensinar individualmente ou Proclamar às Massas.Os discípulos testemunhavam todos os dias. 3. é necessário que hoje haja um despertamento entre os crentes para ganhara almas para o reino de Jesus Cristo.46. forçosamente teremos de usar um dos dois métodos de Jesus .1-29). 5. por isso organizou o movimento de evangelização. porém não descartou a evangelização em massa. Lc 10. e buscarmos colocá-los em prática hoje. 2. Chamada .O primeiro passo na organização do evangelismo foi chamar discípulos (Mc 1. Definição da Tarefa . organizando campanhas de evangelização (Mc 6. ensinando e proclamando incessantemente o evangelho. 2. O Evangelismo Primitivo era Dinâmico .Além de instruir. Instrução . resultante das emoções. Se estivermos todos empenhados em falar de Cristo todos os dias. para tal Jesus a organizou da seguinte maneira: 1.

3. O Evangelismo Primitivo dava Ênfase ao Ensino - A Evangelização atual com a tendência de supervalorização das concentrações, em detrimento da evangelização pessoal, restando ao ensino quase exclusivamente o campo da educação religiosa para os já crentes. O ensino tendo por objetivo a evangelização pode facilmente ser usado pelas igrejas, organizando classes especiais para interessados e visitantes. 4. O Evangelismo Primitivo era Ousado - Homens iletrados enfrentam sábios; pobres e humildes desafiaram ricos e poderosos, testemunhando de Cristo, mesmo quando a sombra das mais terríveis ameaças. 5. O Evangelismo Primitivo era culto - Assim como Deus usou a Pedro e outros incultos para darem testemunho da Palavra de Deus, também se utilizou de homens como Lucas, Mateus, Paulo e tantos outros, homens formados, que diante da alta sociedade dava grande testemunho e defesa a causa do Mestre. 6. O Evangelismo Primitivo era Impulsionado e Dirigido pelo Espírito Santo Os primitivos discípulos viviam cheios do Espírito Santo, de alegria e gozo espiritual. Isso explica todas as demais características da evangelização daqueles dias. (At 4.8,31; 5.17-41; 7.55). Se colocarmos em prática estes métodos utilizado pela Igreja Primitiva, iremos logra êxito, na evangelização do mundo no qual vivemos. A PESSOA DO EVANGELISTA A responsabilidade de evangelizar não é somente dos ministros. É de todos os discípulos, há todavia, crentes que se limitam a cooperar com a obra de evangelização freqüentando os cultos contribuindo, pensando que desta forma estão fazendo o suficiente, porém se esquecem que a ordem de ganhar as almas foi para todos e é infinita até a volta de Jesus Cristo, até os confins da terra. Como Deve ser a Pessoa do Evangelista ? 1. O Evangelista Deve ser um Verdadeiro Crente, Salvo por Jesus - Esse requisito é óbvio, mas é necessário lembrá-lo. Infelizmente existe a possibilidade de pessoas tentarem evangelizar sem que, elas próprias tenham experiência de regeneração; 2. O Evangelista Deve ser Afável e cheio de simpatia - O evangelista deve lembrar-se de que está tratando com enfermos, quando evangeliza, o pecado é enfermidade. Existem evangelistas que ao invés de tratar os pecadores com amor e carinhos os tratam com pedradas e desrespeito, desta forma ao invés de ganharem perdem. O Que o Evangelista Deve Saber ? 1. O evangelista Deve Conhecer a Bíblia - É necessário que o evangelista possa ajudar o pecador a examinar a Palavra de Deus de modo a compreender o plano da Salvação, é preciso portanto, que os crentes que 161

desejam, ganhar almas para Cristo estudem sistemática, metódica e perseverantemente a Bíblia. 2. O Evangelista Deve Conhecer a Vida dos Homens e suas Desculpas - via de regra, as pessoas que o crente procura evangelizar tenta escapar à responsabilidade de enfrentar o problema do pecado com desculpas, o evangelista não deve ser apanhado de surpresas por essas desculpadas, é preciso saber rebater cada uma delas com a Palavra de Deus. 3. O evangelista Deve Conhecer as Diversas Religiões - O evangelista precisa estar preparado não só para enfrentar as desculpas, mas também os contra-ataques dos que têm convicções em falsas religiões. O Que o Evangelista Deve Cultivar ? 1. O Evangelista Deve Cultivar a Oração Fervorosa - A Evangelização é um combate espiritual contra as hostes das trevas, cuja vitória depende do poder do Espírito Santo. E a oração, é o meio pelo qual Deus outorga esse poder, não há evangelista bem sucedido que não seja dedicado à oração. 2. O evangelista Deve Cultivar a Leitura - O Evangelista deve estar sempre procurando aumentar seus conhecimentos pela leitura. 3. O Evangelista Deve Cultivar o Desejo de ver as Almas Salvas - O objetivo da evangelização é ganhar almas para Cristo, enquanto o evangelista não estiver dominado pelo desejo de conquistar almas, não poderá ser bem sucedido. 4. O Evangelista Deve Cultivar o Hábito de ir à Casa de Deus - Quem não ama a sua Igreja, não dá valor aos cultos e não tem prazer em tomar parte em suas reuniões jamais estará em condições de ganhar almas, estes são apenas alguns deveres dos evangelistas. O Que o Evangelista não Deve Fazer ? 1. O Evangelista Nunca Deve dar ênfase a Igreja e sim à Jesus - Entre o diálogo travado entre Jesus e a mulher Samaritana, vemos um exemplo claro de que a ênfase do ganhador de almas deve ser dada ao Senhor Jesus e nunca a Igreja, ou a uma religião, ou a um lugar (Jo 4.20-29; At 4.12). 2. Nunca Discutir - E ao servo do Senhor não convém contender (II Tm 2.24,25). Existem muitas outras atitudes que não são corretas à um evangelistas porém se ele tem êxito nestes dois pontos estará realizando um bom trabalho. TRAÇANDO UMA ESTRAGÉGIA DE EVANGELISMO 162

Todo trabalho para se obter êxito se faz necessário que se tenha uma estratégia de ação. Este tipo de assunto é bastante utilizado pelas grandes empresas que desenvolvem seus planos de trabalho anual ou mensal. Para que Ter uma estratégia ? Será que isto é bom ? Traçar ou ter uma estratégia nada mais é que realizar o que Jesus realizou , Ele tinha um alvo a alcançar e para chegar a este alvo Ele usou de estratégias de trabalho., Ele próprio nos ensinou a traçar nossos objetivos para se analisar se os recursos são suficientes. (Lc 14.28-33). A estratégia não anula a direção que recebemos do Espírito Santo, a estratégia apenas põe em prática a ordem que dEle recebemos. O Apostolo Paulo utilizou de estratégia para ganhar almas para o reino de Cristo, ele mesmo escrevendo disse que quando estava evangelizando os judeus guardava a lei judaica, mas relaxava quando este evangelizava os gentios que não estavam debaixo da lei (I Co 9.22; I Co 9.19). Ter uma estratégia de trabalho não é coisa da invenção do homem, Ter uma estratégia é até mesmo recomendada pela Bíblia, vejamos o que diz: Pv 16.9 "Devemos fazer nossos planos, confiando na direção que Deus nos dá" Pv 18.15 "O homem inteligente sempre está pronto para considerar novas idéias." Desta forma notamos que a estratégia tem respaldo Bíblico, basta apenas que nós venhamos a aceitar e pratica-la. VANTAGENS EM SE TER UMA ESTRATÉGIA Se aceitarmos o padrão Bíblico iremos descobrir que existe uma série de vantagens em se traçar uma estratégia de trabalho: 1. Aumenta a nosso eficiência - em qualquer coisa que fazemos é necessário gastar tempo, energia e dinheiro. A estratégia não apenas no ajuda a decidir o que fazer, mas também nos ajuda a decidir o que não fazer, e isto é igualmente importante. Um grande número de recursos dados por Deus são desperdiçados porque líderes cristãos estão concentrando-se nas coisas menos importantes. 2. Ajuda a medir a eficácia - Uma tarefa é eficaz quando ela atinge seus objetivos. O planejamento estratégico requer que os alvos sejam expressos de forma clara, isto nos capacita a medir o progresso e saber quando o que foi projetado a fazer não esta ocorrendo bem. 3. Permite Correção no meio do Caminho - Se uma estratégia bem planejada 163

irá prever diversos pontos de averiguação onde nós verificamos a metodologia que estamos usando, se o que estamos fazendo não está funcionando bem, quando mais cedo nós descobrimos melhor. 4. Une a Equipe - Muito freqüentemente as estratégia para evangelismo e missão envolve a participação de mais de uma pessoa, se faz necessário a criação de uma equipe, quando a estratégia é adequadamente planejada, cada membro desta equipe entenderá a contribuição que se espera dele, cada membro do grupo saberá sua tarefa e desta forma poderão cumprir com os objetivos de todo o grupo. 5. Permiti uma responsabilidade natural - Muito do que é feito para a obra de Deus é voluntário, quando as pessoas não estão sendo pagas pelo que estão fazendo corrigi-las não é fácil, uma estratégia claramente preparada evita estas dificuldades porque a estratégia é como um contrato que une as pessoas que estarão realizando tal trabalho. 6. Ajuda Outros - Embora as estratégias sempre precisem ser adaptadas a cada situação, quando uma certa estratégia é bem sucedida, ela se torna um modelo, outros que desejem realizar tarefas iguais, podem aprender muito de uma boa estratégia e orientar-se por ela. Desta forma notamos a importância em se Ter uma estratégia de trabalho bem elaborada e definida, esperamos em Deus, que os queridos irmãos possam usar este método para melhorar o seu desempenho em ganhar almas para o reino de Deus. CRUZADA EVANGELÍSTICA A importância da Oração. Para êxito real numa campanha evangelística, a oração intercessória deve começar meses antes. Grupos de oração, vigílias, jejuns e muita oração, e sem dúvida os resultados aparecerão. Planejamento e Finanças Planejar local, pregador, cantor, hospedagem para pregador e equipe, som, iluminação, devem ser providenciados com muita antecedência. Além do mais, há necessidade de uma comissão de finanças para cuidar dos custos e dos gastos da Cruzada. Publicidade Os planos de publicidade de uma Cruzada devem ser feitos com muitos meses de antecedência. Música A Música tem papel muito importante numa Cruzada. Meses de ensaio para 164

bandas, conjuntos, orquestras e corais, para que se apresentem muito bem. Literatura e Treinamento de Pessoal A comissão de literatura é de grande utilidade. O diretor desta comissão, em consulta com o Pastor, deve cuidar da literatura a ser distribuída antes, durante, e depois da Cruzada. O treinamento de cooperadores para trabalhar na Cruzada é de máxima importância. Conselheiros e acomodadores, para ajudar na manutenção de ordem e cuidar dos novos-convertidos, precisam de treinamento especial para que cumpram bem suas responsabilidades. Começada a Cruzada a Campanha de Oração não pode parar as reuniões de oração devem prosseguir pela manhã, nos templos. A Publicidade chega ao seu auge durante a Cruzada Entrevistas ao vivo pela rádio e televisão despertam a atenção da população para a Cruzada. Um testemunho notável de cura ou conversão pode ser publicado no jornal local. Visita de casa em casa deixando um convite impresso para cada família, um telefonema convidando a redondeza, etc. A Pregação A pregação deve consistir da mensagem direta e simples da salvação de modo que o pecador possa entendê-la. O Apelo Durante o apelo, os obreiros da plataforma devem estar em seus postos. Muitos pecadores vão à frente sem um crente se oferecer para acompanhálos até ao altar. Por outro lado, esses obreiros da plataforma não devem ser demasiadamente insistentes e indelicados. O Trabalho após a Cruzada não pára É aí que precisa entrar em ação uma campanha intensa de visitação e os cuidados necessários para com os novos decididos. Se não houver este acompanhamento todo o trabalho será em vão mesmo que tenha havido uma boa pescaria. CONCLUSÃO Todo o evangelho a todo o mundo nesta geração! Isto demanda a mobilização e treinamento de toda a Igreja; exige oração e submissão ao Espírito Santo. Depois ele fará, por nosso intermédio, o que jamais poderíamos fazer sozinhos. Evangelizar o mundo em nossa geração: cada geração de cristão tem esta 165

fala do projeto que Jesus retoma para a Trindade. Paulo falava do pacto celebrado entre Deus e Abraão: (GÊNESIS Cap: 17) [1] Quando atingiu Abrão a idade de noventa e nove anos. isto é. serás pai de numerosas nações. porque por pai de numerosas nações te constituí. penso que Paulo. IDACI . gentios na carne. Peter . chamados incircuncisão por aqueles que se intitulam circuncisos. aliança perpétua. não tinham pacto com Deus. [6] Far-te-ei fecundo extraordinariamente. Podemos consegui-lo se permitirmos que Deus opere por nosso intermédio em um ciclo perpétuo de evangelização.São Paulo/SP 4. tu e a tua descendência no decurso das suas gerações. Rio de Janeiro. por mãos humanas. BÍCEGO. e sim Abraão. lembrai-vos de que. Editora Sepal.dívida para com seu próprio tempo.Manual de Evangelismo. e Deus lhe falou: [4] Quanto a mim. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus. 166 . (EFÉSIOS Cap: 2) [11] Portanto. outrora. para ser o teu Deus e da tua descendência. 1999. [9] Disse mais Deus a Abraão: Guardarás a minha aliança. [8] Dar-te-ei e à tua descendência a terra das tuas peregrinações. [7] Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência no decurso das suas gerações. WAGNER.Semadeal Fevereiro/2001 . apareceu-lhe o SENHOR e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso. toda a terra de Canaã. ELISANGELA. [5] Abrão já não será o teu nome. e reis procederão de ti. será contigo a minha aliança. LIMA. na carne. e serei o seu Deus. O apóstolo começa a conversa lembrando aos efésios o seu passado espiritual: eram incircuncisos. 3. [3] Prostrou-se Abrão. Valdir Nunes . Julho/1995 . vós. Delcyr de Souza . de ti farei nações. além de descrever o processo da formação da Igreja. 2. em possessão perpétua.Doutrina e Prática da Evangelização.Estratégias Para o Crescimento da Igreja. rosto em terra. "Tua Incumbência Única Sobre a Terra é Ganhar Almas. anda na minha presença e sê perfeito.Maceió/AL Parte XXVII IGREJA: RETOMADA DO PROJETO DE DEUS Neste texto." Referências Bibliográficas 1.Dinamismo no Evangelismo Atual . [2] Farei uma aliança entre mim e ti e te multiplicarei extraordinariamente.

essa vida será eliminada do seu povo. não tendo esperança e sem Deus no mundo. incluia sua descendência. que guardareis entre mim e vós e a tua descendência: todo macho entre vós será circuncidado. [12] O que tem oito dias será circuncidado entre vós. estáveis sem Cristo. Não adiantava o efésio tentar seguir a lei moral. é feita por mãos humanas. no caso. o que.[10] Esta é a minha aliança. logo é externa e imperfeita. [12] naquele tempo. O sangue de Jesus quebrou a lógica angustiante da circuncisão. agora. Contudo. que não for da tua estirpe. que antes estáveis longe. Algum efésio poderia perguntar: "e daí que eu não sou circuncidado. por causa do pacto que havia celebrado com Deus. Isto quer dizer que já não estamos mais separados da comunidade de Israel. a ponto de estigmatizar os que não o são. vós. a inimizade. Deus é dele e ele é de Deus (v 7). será isso por sinal de aliança entre mim e vós. não pertencia ao povo para quem valia a pena cumprir a lei. todo macho nas vossas gerações. ele não passara pela circuncisão (que era uma ordenança). era necessário tornar-se judeu. de que tanto os circuncisos se orgulham. [13] Com efeito. Entretanto. Paulo. é um dos escolhidos de Deus. que entre eles há um pacto. A 167 . fostes aproximados pelo sangue de Cristo. tendo derribado a parede da separação que estava no meio. A circuncisão é anterior à lei. [14] O incircunciso. de Deus e de suas promessas. [13] Mas. uma vez que fomos aproximados ao mesmo Deus e às mesmas possibilidades. adverte que essa circuncisão. somos um povo só. tanto o escravo nascido em casa como o comprado a qualquer estrangeiro. e. o qual de ambos fez um. a minha aliança estará na vossa carne e será aliança perpétua. [11] Circuncidareis a carne do vosso prepúcio. que não for circuncidado na carne do prepúcio. é a marca que denota que o homem em questão. separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa. aproximou os efésios e todos os não judeus que crerem em Jesus. A impressão é a de que o apóstolo chama atenção para um elo fraco da corrente: é feito por homens. Não bastava converter-se ao Deus dos judeus. será circuncidado o nascido em tua casa e o comprado por teu dinheiro. Literalmente perdido. quebrou a minha aliança. é aliança. em Cristo Jesus. E mais: em relação a Deus não há mais privilegiados. [14] Porque ele é a nossa paz. que não faço parte desse pacto?" Esta é a resposta de Paulo: estar fora do pacto é estar sem saída existencial.

um novo homem. Não seria. Por isso o sangue de Jesus nos aproximou: ao morrer sem pecado. só víamos as sombras do mundo real. na criação do homem temos..) Criou Deus. citado por Foulkes. entretanto. foi derrubada. constituída pelos privilégios de um frente ao infortúnio do outro. isto é. uma declaração de intenção e uma descrição. pois.. Jesus. (. 168 . Jesus fez isto com um objetivo: criar um novo homem. pagou pelo nosso crime. que o torna. o mundo das idéias). com a chegada de Jesus fomos libertos da caverna (Platão dizia que estávamos todos presos numa caverna. porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir. também fostes circuncidados. única porta de entrada para o pacto com Deus. satisfez a justiça divina. dos dois. conforme a nossa semelhança. GN 1:26. de fato. muitas das ordenanças tipificavam o próprio Cristo: CL 2:16. foi projetada a partir do corpo de Cristo. ou dia de festa. criar uma coisa única . pois. Segundo Francis Foulkes (Efésios: introdução e comentário. que é a circuncisão de Cristo Além do mais. o homem à sua imagem. o representante da raça humana. uma retomada da criação? Voltemos ao início. diz que é um novo tipo de criação. A sombra que esses vestíbulos (as ordenanças) para o pacto eram. [15] aboliu.Eds. não por intermédio de mãos. de costas para a entrada. Mundo Cristão e Vida Nova) a idéia presente aqui é a de. como deixou claro a colocação de Francis Foulkes. ou sábados. à imagem de Deus o criou. Esse texto marca uma mudança de ritmo e de forma na criação: até então Deus falava e tudo vinha à existência. 27. a lei dos mandamentos na forma de ordenanças. há paz. Penso que isso nos remete à questão do significado desse novo homem. nem Deus é uma pessoa só. portanto. pois. antecedendo-a. para que dos dois criasse. Estamos nas mesmas condições. Parece claro que não se trata de fazer de todos os cristãos uma única pessoa. ou lua nova. membro do povo de Deus: CL 2:11 . tornando-se. William Barclay. porém o corpo é de Cristo. na sua carne. É um conceito de unidade absoluta.Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem.Nele.17 Ninguém. série cultura cristã . em si mesmo.muito mais profunda que a idéia de um único povo. Quem entra por essa porta recebe a verdadeira circuncisão. vos julgue por causa de comida e bebida.inimizade. fazendo a paz. mas no despojamento do corpo da carne. não se reduz ao fato de cada seguidor de Cristo ser uma nova criatura. Também.

reservando-os para juízo. também. por exemplo. senão estariam impossibilitados de comunicar-se e de arrazoar conosco. são racionais. foi o amor. a partícula aditiva "e". seria imagem-semelhança). a Trindade. O que significaria isto? Segundo Derek Kidner2. Se ser imagem-semelhança é ser transcrição do eterno em termos de existência temporais. na queda. é como se fosse o resultado de uma conferência entre as três Pessoas. perdida com a queda". com Ló (Gn 19:10-22). são criaturas e estão no 169 . Façamos o homem à nossa imagem. também. segundo Kidner . doutrina que afirma haver um só Deus em três Pessoas: Pai.. então. e a semelhança é aquela harmonia com a vontade de Deus. Bromiley1 Gosto de pensar nesse texto como uma declaração de intenção. uma vez que pecar (pelo menos no ato primeiro) exige capacidade de escolha? . Filho e Espírito Santo. que recuperaremos quando for retomada nossa plena comunhão com o Senhor." O que. pois. ou de uma sinfonia num soneto. Algo. diz que não há. os anjos. como declara G.como se poderia tentar a transcrição. entretanto. se não for moralmente responsável? Além do que.Façamos o homem. como fizeram. então os anjos também não o seriam? Ora. parece não haver dúvidas de que os anjos. se Deus não poupou anjos quando pecaram (2 Pe 2:4) Como os anjos poderiam pecar se não fossem moralmente livres. perdemos dessa imagem-semelhança. A imagem seria "expressão ou transcrição do Criador eterno e incorpóreo em termos de uma existência temporal. W. para alguns teólogos "imagem é a indelével constituição do homem como ser racional e como ser moralmente responsável.. Eis a descrição do projeto: o homem seria à imagem e semelhança de Deus. (2 Pe 2:4) Como qualquer ser pode ser julgado. corpórea e própria de uma criatura . digamos.. A teologia cristã entende que essa afirmação nos apresenta a Trindade. porém.. conforme a nossa semelhança. estão incluídos. de modo que os termos se reforçam (a palavra. penso que precisa ser considerado: se ser moralmente responsável e racional é ser imagem de Deus. de um poema épico numa escultura. Ele. no original.

um substantivo coletivo. Mas. transformou-a numa mulher e lha trouxe.23 os espias pararam em Escol.2) Duas pessoas. (Gn 2:7) Então. por ser a mãe de todos os seres humanos (Gn 3:20). De fato. isto é. é uma duplicação. é de se supor que antes não era assim. talvez. no segundo ser. tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. Sendo que.) Em Nm 13. Gosto de pensar que esta imagem-semelhança inclui. era. em 'um cacho'. E.. (Gn 5:1. 170 . formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida. ao mesmo tempo que se trata de uma unidade que contém várias entidades. novamente é echad.22) Macho e fêmea parecem ser uma criação só. os anjos fiéis não perderam nada de sua criação original. Poderíamos citar um bom número de exemplos. o barro e o sopro (que dá vida ao ser humano) só aparecem uma vez. a mulher só ganhou o nome de Eva depois da queda: E deu o homem o nome de Eva a sua mulher. e ele te governará (Gn 3:16). a relação entre ambos não era de autoridade.5) é echad. à semelhança de Deus o fez. em ambos os casos. Este é o livro da genealogia de Adão. realmente. Entretanto. não lhes faça diferença. E a costela que o SENHOR Deus tomara ao homem. um só nome. pois.tempo. Gn 1. (Gn 2:21. e o homem passou a ser alma vivente. onde 'cortaram um ramo de vide com um cacho de uvas'. esse único cacho de uvas consistia em muitas uvas. "A última palavra hebraica da Shema (Dt 6. o teu desejo será para o teu marido. em outras palavras. Se Deus condenou a mulher a essa condição subserviente ao homem como consequência da queda. no dia em que foram criados. tiveram começo. além do já citado. Seriam.(. à imagem de Deus os criou. somente do homem é dito que foi criado à imagem e semelhança de Deus. algo que só é comum a Deus e a nós: a unidade." Stanley Rosenthal3 E criou Deus o homem à sua imagem. E por que? Penso que só após a queda o macho teve autoridade para tal: e à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez. Deus fez desabrochar características que não fizera desabrochar no primeiro. como é evidente. o SENHOR Deus fez cair pesado sono sobre o homem. macho e fêmea os criou. O segundo ser não é uma segunda criação. A palavra que aqui aparece com 'um'. em meio de dores darás à luz filhos. e os abençoou.. e este adormeceu.27 (RC). e lhes chamou pelo nome de Adão. um substantivo que demonstra unidade. homem e mulher os criou. duas criações? Então. ainda que o tempo. No dia em que Deus criou o homem. pois. no hebraico.4.

a Igreja é. entretanto. "Em Gn 2. Não seria uma nova criação. para que dos dois criasse. 171 . apesar de muitos. o homem-comunhão que.. Criou-os como unidade. a unidade. Se esse é o destino da Igreja. indicando que aquelas duas pessoas unir-se iam. é o projeto de Jesus. o que perdemos é inapreensível para nós. Criou-os para viverem em unidade. logo. expressa o que a Trindade é. de modo extremamente rarefeito. para admitir isso teríamos de considerar que a primeira continha uma falha. O homem à imagem e semelhança de Deus é unitário-coletivo. também. pois.Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido. de fato." Stanley Rosenthal4 Se Deus é uma família. criou-os para. sugiro. seríamos bilhões. este novo homem. à semelhança da trindade. a retomada do homem à imagem e semelhança de Deus. guardadas as devidas proporções. Ainda que a graça comum tenha nos mantido em condições de experimentarmos. Por esse novo homem Jesus se sacrificou. criou-os tendo a si como modelo: o que caracteriza a trindade é o amor. de unidade. A queda foi marcada pela quebra de unidade entre o homem e Deus. penso eu. Deus (. que une perfeitamente. novamente a palavra hebraica é echad. este deve ser o moto de seu dia a dia. Se não tivéssemos caído. seríamos um só homem: o homem à imagem e semelhança de Deus. um novo homem. revista e corrigida) Segundo vejo. é um ser coletivo. O homem à imagem e semelhança de Deus. amarem-se com esse amor que unifica. entre o macho e a fêmea. Quando Deus chamava: Adão! Macho e fêmea se voltavam para falar com Ele. isto é. Creio. fazendo a paz. logo. talvez. Esse. que criatura poderia expressar sua imagem-semelhança senão se constituísse. numa família? Se Deus é uma unidade-comunhão como uma criatura que não se constituísse noutra unidade-comunhão poderia ser chamado de sua imagem-semelhança? Me parece que o projeto divino passava estritamente pela unidade: criou um casal apenas. tratar-se da retomada do projeto do Gênesis.) instruiu marido e mulher a tornarem-se 'os dois uma só carne'. formando perfeita e harmônica unidade. uma só família.24. a exemplo da trindade.. (ed.quero crer. Em tal caso. como disse Jesus: LC 19:10 . vínculo da perfeição. por definição. nos amaríamos tanto que. em si mesmo.

paz com o próximo. Certamente é por isso que cada um de nós chega à presença do Pai e tem de dizer: "Pai nosso". 172 . Sem paz. um lugar de todos nós. aceitamos o que somos e as mudanças que precisamos sofrer. mas. A gente está na presença do Pai. [19] Assim. Uma outra forma. É o novo homem que vai à presença do Pai. mas concidadãos dos santos. mergulhados nele .[16] e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus. sem que nos aceitemos mutuamente. de definir pecado é estado de guerra consigo mesmo. aceitamos o próximo. e/ou com a natureza. de estar em forma. destruindo por ela a inimizade. Todo mundo pode ir ao Pai. entre outras coisas. não está sozinho. é uma aceitação geral: aceitamos as demandas de Deus. já não sois estrangeiros e peregrinos. [17] E. Tem de ser saudável. Somos irmãos. é um organismo vivo (tem funcionalidade). Jesus Cristo é a estrada e o Espírito Santo é o ônibus que nos leva.13). vindo. Interessante pensar que evangelizar é chamar à paz. ambos temos acesso ao Pai em um Espírito. e/ou com o próximo. Gosto da idéia de que aceitar é admitir e compartilhar espaços. Esse novo homem é mais que comunhão. por intermédio da cruz. por ele. [20] edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas. sendo ele mesmo. paz consigo mesmo. enquanto corpo. portanto. evangelizou paz a vós outros que estáveis longe e paz também aos que estavam perto. é fornecer a possibilidade da expressão (como o corpo humano é em relação a alma) e exprimir por meio da ação (corpo inerte não exprime). temos o mesmo nome e o mesmo pai. O papel da Igreja. [18] porque. Todos estamos dentro desse ônibus (fomos batizados. estamos no mesmo lugar. aceitamos a natureza. e/ou com Deus. A paz é o princípio da unidade: paz com Deus.1Co 12. Não seria essa a melhor forma de diagnosticar o que está acontecendo na sociedade? Não estariam todos os relacionamentos marcados por alguma forma de violência? Paz .penso. todos os irmãos foram junto. o novo homem não pode ser vivido. Somos da mesma nação. e sois da família de Deus. isto é.

sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo. que excede todo entendimento. com todos os santos. 173 . Estamos. ouvi grande voz vinda do trono. Jesus é o alicerce e o construtor que ajusta cada pedra e material: (EF 3:18. para que Deus possa ter sua morada. dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus. Propósito 1: serrnos o lugar onde Deus é adorado perfeitamente (1PE 2:5 também vós mesmos. e a altura. ainda que a graça comum o tenha mantido em parte. [22] no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito. [21] no qual todo o edifício. para ser santuário. O novo homem retoma o seu destino: (AP 21:3 . a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo. para crescer em Cristo tem ter unidade (bem ajustado . enquanto pedras vivas (1 Pe 2. uma só casa).19 . Em Jesus estamos sendo tornados um.5). Cremos na mesma coisa (senão. consequentemente. e a profundidade e conhecer o amor de Cristo. Perdemos isso.) ser a morada de Deus . tem de crescer em Cristo.a fim de poderdes compreender. e o comprimento.) É na realidade do novo homem que Deus é adorado como quer e deve ser. Deus habitará com eles.Cristo Jesus.formando uma parede só). assentados sobre o mesmo alicerce. Penso que esse é o desafio dado a cada igreja local: alcançar essa unidade. e Deus mesmo estará com eles. Jesus Cristo retoma o projeto do gênesis: cria o novo homem. apesar da boa vontade de Davi e de Salomão.) A Igreja.Então. Eles serão povos de Deus. um Deus vivo tem de morar numa casa viva. Isso implica em que o primeiro projeto para a igreja local deveria ser um projeto de comunhão e. a pedra angular. Deus nos criou como unidade para que o expressássemos.a Trindade. bem ajustado. de pastoreio. qual é a largura. como pedras que vivem. Edificar é tornar um (vários materiais. cresce para santuário dedicado ao Senhor. não estaríamos na Igreja) apesar de insistirmos nas diferenças.

Fiel Parte XXVIII MÁRTIRES CRISTÃOS De acordo com o Dicionário Aurélio.introdução e comentário . senão Pedro.Stanley Rosentahl .A.5:37) Os Trabalhadores Silenciosos André .Judas Tadeu .Tiago (o grande) . Elwell . Clique nos nome dos mártires que estão sublinhados para ver uma breve biografia sobre os mesmos.Simão 174 .1 in artigo Trindade. Nem todos os mártires do cristianismo viveram junto com Cristo.João Faziam parte do círculo íntimo de Cristo. também fizemos um breve esquema para que se tenha uma idéia de quem eram os Apóstolos de Cristo.série cultura bíblica . 26:37) "E não permitiu que ninguém o acompanhasse. no passado da Igreja.Felipe . e os conduziu à parte a um alto monte. pois tinham privilégios especiais: "Seis dias depois.v. e João. tomou Jesus consigo a Pedro.Derek Kidner .Tomé ." (Mt. o mesmo evangelho que hoje em dia nós temos a liberdade de defender. 17:1) "E levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu. (Setor Personagens Bíblicos).Stanley Rosenthal . Mártir é: "Pessoa que sofreu tormentos. torturas ou a morte por sustentar a fé Cristã". a Tiago e a João.3 W. in Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã . irmão de Tiago.Bartolomeu .eds Mundo Cristão/Vida Nova 3 A Tri-unidade de Deus Velho Testamento . Muitos foram os Mártires Cristãos.editor . os que isso fizeram eram os apóstolos. irmão deste." (Mt. Os Mártires Apóstolos Pedro . muitos foram aqueles que morreram em favor do evangelho. mas fizemos uma coletânia dos mais famosos e armazenamos a maior quantidade de informações possíveis neste estudo. Vida Nova 2 Gênesis . logo em seu primeiro século.. Tiago.Mateus Os Pouco Conhecidos Tiago (o pequeno) .ed. começou a entristecer-se e a angustiar-se." (Mc.Fiel 4 A Tri-unidade de Deus no Velho Testamento .

Inácio .É necessário.Orígenes . convinha que se cumprisse a escritura que o Espírito Santo predisse pela boca de Davi. isto é. ele adquiriu um campo com o salário da sua iniquidade.Lucas .E tornou-se isto conhecido de todos os habitantes de Jerusalém. Campo de Sangue.Então deitaram sortes a respeito deles e caiu a sorte sobre Matias. disseram: Tu.Porquanto no livro dos Salmos está escrito: Fique deserta a sua habitação.Cosme e Damião . e não haja quem nela habite.Estevão Mártires que viveram ainda com os últimos apóstolos Policarpo . do qual Judas se desviou para ir ao seu próprio lugar.Irmãos.Barnabé .(Ora. de maneira que na própria língua deles esse campo se chama Acéldama. 19 . 24 . pois.Paulo Outros Mártires Cristãos Marcos . Senhor. que conheces os corações de todos.Papias Mártires Após a Época dos Apóstolos Jorge . e: Tome outro o seu ministério. que foi o guia daqueles que prenderam a Jesus.começando desde o batismo de João até o dia em que dentre nós foi levado para cima. Atos 1:16-26 Convertidos a Apóstolos depois da ascensão de Jesus Matias . 21 . e precipitandose.) 20 . e todas as suas entranhas se derramaram. e Matias.O Traidor Judas Iscariotes Foi substituído por Matias após ter traído o Senhor e ter se matatado: 16 . um deles se torne testemunha conosco da sua ressurreição. que dos varões que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus andou entre nós. acerca de Judas.para tomar o lugar neste ministério e apostolado. 18 . 23 . 26 . chamado Barsabás.E orando. caiu prostrado e arrebentou pelo meio. que tinha por sobrenome o Justo. 17 .pois ele era contado entre nós e teve parte neste ministério.Sebastião 175 .E apresentaram dois: José. e por voto comum foi ele contado com os onze apóstolos. 22 . mostra qual destes dois tens escolhido 25 .

p.Bíblia Thompson . É o reconhecimento de que. . o dízimo é também uma demonstração de amor a Deus. Dízimo não é tributo.Barsa Enciclopédia. 1.Encyclopédia e Dicionário Internacional.22. habilidade e fidelidade. pela fé. onde Deus colocou o homem para cultivá-lo com inteligência.Fontes de Pesquisa: . Nós somos salvos pela fé. não pelas obras. A mordomia do dízimo envolve. 1974 . pp.Encyclopédia Universal Ilustrada Europeu-Americana.1265.20 e 28. Colaboradores: . Além de ser uma prova de fé.Iranilde Campos Parte XXIX MORDOMIA DO DÍZIMO Introdução (1) O dízimo é o método de Deus para abençoar seus filhos na vida material. 1997 . Quem não paga é autuado. a fé que diz ter no coração.Manual Bíblico Halley . e não apenas com palavras. Amor que nos identifica com o caráter e os propósitos do Senhor e que nos leva a adora-lo com atos objetivos. 1262 . portanto. O dízimo é também uma prova de santificação da vida ao Senhor. Conceito e origem da mordomia do dízimo (2) A mordomia do dízimo é o perfeito uso do dinheiro que pertence a Deus por direito de criador e sustentador de todas as coisas que compõem o universo.Dicionário Aurélio . não apenas o dízimo. Um cordeiro santificado no altar santifica todo o rebanho. mas a totalidade dos bens e do ser pertencem ao Senhor.Centro de Pesquisas Religiosas . mas a fé que não se transforma em atos de obediência não é a fé válida para a salvação. como os têm abençoado. Crer ou não crer na Palavra de Deus é crer ou não crer no próprio Deus. A pessoa que diz crer em Deus e não entrega seus dízimos está negando.Carlos Magno . tanto á fidelidade na entrega do que pertence a Deus como na habilidade na aplicação ou gasto deste dinheiro 176 . O imposto é compulsório. Dízimo é compromisso que pauta a partir do voluntariado consciente. Cada real que você santifica para Deus significa que os outros nove reais também são santos ao Senhor. Gênesis 14. 10486. É como o cordeiro do holocausto no altar da consagração.Verônica . na vida espiritual.The Grolier Multimedia Encyclopedia. na prática.

30-32. preservando-se o que se denomina de fidelidade de propósito. Não pode ser menos como alguns gostariam e não pode ser mais porque é inalterável no tempo e no espaço. para que haja mantimento na 177 . Malaquia 3. Levítico 27. 3. O dízimo faz parte do planejamento de sustento da sua grandiosa obra de redenção do mundo. Como devemos dizimar (4) É dever de todo cristão dizimar à luz de Malaquias 3:10 onde Deus nos ordena dizendo: "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro.21 e 24. A participação dos crentes no sustento diário da causa de Deus envolve todos os fiéis de todos os tempos e lugares. Não é difícil entender que o dízimo só deve ser usado em coisas consagradas e para a glorificação do de Deus. Natureza e finalidade da mordomia do dízimo (3) Enquanto cálculo matemático de 10% de uma quantia é isto e nada mais. 2.1-10. visto que o Senhor de todas as coisas promete bênçãos especiais aos fiéis dizimistas conforme o Texto Sagrado. Os dizimistas fiéis sabem o quanto é bom confiar em Deus e praticar esta doutrina bíblica tão negligenciada por muitos servos. O poder sustentador de Deus tem-se manifestado por meio da confiança daqueles que fielmente dizimam em amor de suas rendas para o Senhor. o dízimo sofre uma certa força carismática. mas uma exigência de Deus para sustentar espiritualmente o homem.10-12. O dízimo tem sua origem na economia divina ao preparar o projeto de criação do mundo. Sua aplicação aparece em toda a Bíblia na medida em que o homem é chamado a assumir seu dever de entregar ao Senhor os dez por cento de sua renda para que Deus possa realizar também seus planos espirituais para o mundo. 10% de uma determinada quantia de dinheiro ou do peso de um corpo qualquer será sempre 10%. A mordomia do dízimo pode e pretende conscientizar os crentes do valor e importância prática fiel e constante do dízimo para o reino de Deus. Enquanto dinheiro separado para Deus. Aumentar a confiança dos crentes no poder e na providência de Deus conforme a Bíblia tem nos ensinado é a finalidade da mordomia do dízimo.consagrado. porque cremos que nos propósitos de Deus não há variantes que não foram previstas com milhares de anos de antecedência.4-12. O desafio é aprendermos a dependência da graça sustentadora do Senhor e não essencialmente dos recursos financeiros. Salmo 24. O dízimo não é uma invenção do homem para sustentar a religião. 2 Crônicas 31. Números 18. Deus não resolve nada em seus planos de última hora.

embora contribuam eventualmente. mas terminaram sendo os exemplos de deslealdade em matéria de contribuição. mesmo que não seja com muita alegria. O povo de Israel roubava a Deus nos dízimos e nas ofertas alçadas. que dele vos advenha a maior abastança". Como alguém afirmou. não do dízimo.minha casa. Se é uma ordem. O problema é que não existe fidelidade parcial. e não derramar sobre vós uma bênção tal. mas em se tratando de uma ordem. É uma questão lógica. Verificamos ainda. Vale ressaltar que o dízimo deve ser entregue do valor bruto dos nossos rendimentos. Supostamente baseados nos ensinamentos de Paulo. Entregar ao Senhor o dízimo do valor líquido não é fidelidade integral.21. que o crente só pode ser ofertante depois de ser dizimista. Por muitos séculos Deus tem comprovado sua fidelidade para com os homens que lhe obedeceram com amor e dedicação.7. 1-11. o crente deve começar a dizimar ainda que sem muito entusiasmo porque é tão bom contribuir que começando por obrigação terminará por alegria e consagração. não a metade ou apenas uma parte.8. Muitos contribuem com tanta irregularidade que o dinheiro chega a perder o valor. O crente pode usar a medida do coração. quando se trata de dízimo. 2 Coríntios 9. Estão errados quanto à interpretação do Texto Bíblico que neste caso. trata de ofertas alçadas para obras sociais. Mateus 22. e depois fazei prova de mim. vale a pena cumpri-la para o nosso próprio bem. Deve-se ter a preocupação de se contribuir com regularidade efetiva. o que é de Deus é o dízimo e não podemos ofertar ao Senhor usando o que pertence a ele. em Malaquias 3. Meia obediência é igual à desobediência total. se eu não vos abrir as janelas do céu. só posso obedecê-la trazendo o dízimo inteiro. Todo o cristão sincero deveria ter verdadeira alegria ao contribuir para o sustento do Reino de Deus. porém. Atos 5. Os descontos previdenciários e os impostos que nos são deduzidos em folha de pagamento ou em carnês. São aqueles que dão de quando em vez e não podem ser conhecidos como dizimistas porque têm renda todo mês. Deus já determinou 10% e isso é inegociável. Quem poderá ser bom mordomo deixando de fazer o que Deus ordenou? Certamente o servo fiel é mais agradável ao seu Senhor. A quem entregar os dízimos? (5) 178 . diz o Senhor dos exércitos. 4. Deus não deve pagar nosso impostos ou taxas previdenciárias. alguns dizem que devem contribuir segundo propôs no coração e assim o fazem. Foi o caso de Ananias e Safira que não queriam ser completamente desobedientes. são para nosso benefício e são também um compromisso espiritual. Esta atitude é a normal e correta.

21 vezes. elegeu um tesoureiro. Pela fé. O arrependimento. quando reuniu os apóstolos. mas nunca de tomar atitudes pessoais para as quais não foi credenciado por Deus. se eu posso todas as coisas.13. é claro. Inferno. do que todo um 179 . e as que contrariam o caráter do senhor. Se houver falha na mordomia da administração do dízimo por parte da igreja.11. mas de acordo com a consciência de Deus refletida nos ensinos da Bíblia. que constitui pecado. 90 (noventa) passagens falam sobre dinheiro. o cristão arrogar-se o direito de aplicação e administração do seu próprio dízimo. Ou não entenderam de forma apropriada o compromisso da fé salvadora ou não experimentaram a salvação que se opera pela fé que desemboca na fidelidade incondicional. Pecado e pecadores. 72 vezes. Eleição. 47 vezes. nos são lícitas mas não devemos praticá-las. Este não é o método bíblico que manda trazer todo dízimo a Casa do Tesouro e consequentemente o dízimo todo para a administração da igreja. 7 vezes. isto é. na igreja de Jesus Cristo em ato de adoração e culto solene. 4 vezes. A Bíblia chama de ladrão a quem não entrega o dízimo. nos orgulhamos em afirmar que a Bíblia é o nosso único livro de fé.O texto de Malaquias é muito claro. prática e conduta. Causa perplexidade ouvir certos membros de igreja afirmando que não dão o dízimo porque não podem. conforme o preceito bíblico. teríamos de eliminar da Bíblia Filipenses 4. O batismo é mencionado 17 vezes. A igreja aparece em 21 versículos. A situação dos irmãos que insistem na infidelidade é crítica. Muito bem. Como agência do Reino de Deus a igreja está credenciada para gerenciar os seus negócios do Rei quer sejam especificamente espirituais ou materiais. 11 vezes. Ora.12 e 10. pois. Conclusão (6) Nós. Jesus. Fala-se em cristãos que dão o seu dízimo parte em casas filantrópicas e parte na igreja. se assim é. O hades. Muito mais valem 9/10 do nosso salário com as bênçãos de Deus. 1 Coríntios 6. O crente não deve fazer as coisas conforme sua conveniência somente. Para que um tesoureiro? Para receber ofertas. Dízimos e ofertas alçadas. então posso entregar o dízimo a Deus. O dízimo deve ser entregue na Casa do Tesouro. 27 vezes. que no Novo Testamento muito mais se pregou sobre dinheiro que sobre qualquer outra coisa. A vida eterna. Vemos. o crente pode todas as coisas que não contrariam a natureza de Deus. É pecado. então por que não pomos em prática a doutrina do dízimo como a Bíblia ensina? No Novo Testamento. o membro tem direito de questionar e até de orientar a correção. asseverando que os roubadores não herdarão o Reino de Deus. Espírito Santo. os cristãos evangélicos. 1 Coríntios 6. Caso isso fosse verdade.23. a sua Palavra Santa e Infalível.

(pp. 180 . Notem as palavras de Eugene Peterson: "Os pastores estão abandonando seus postos. 162-163. Amém. E não só sem as bênçãos. Ageu 1. seus pastores. Notas (1) FALCÃO SOBRINHO. (4) Id. 124 p. É preciso avaliar as verdadeiras motivações. Waldomiro. 231 p. (5) MOTTA. 3. 163-164. 162. Embora uma vaga vocação para o ministério possa levar ao pastorado. 1982. A Doutrina Bíblica da Mordomia. Estou Convosco. Reflexões sobre Mordomia Cristã. (pp. 1997. O que estão abandonando é o posto. quero pisar neste terreno mui solenemente. Ibid.salário sem as suas bênçãos. Isto não quer dizer que estejam deixando a igreja e sendo contratados por alguma empresa. Entendo que grande culpa dos problemas destas igrejas deve-se a nós mesmos. Nestes doze anos de ministério tenho visto alguns pastores perderem o rumo original e ministérios infrutíferos com igrejas fracas e em declínio. 74-75). 1986. João. (2) CÂNDIDO. (7) Ação de soberania em conceder livre arbítrio ao seus vassalos para o exercício de aparente ou relativa autonomia Parte XXX MOTIVAÇÕES PERIGOSAS PARA O MINISTÉRIO Uma breve Reflexão sobre alguns motivos errados para o Ministério Falar de vocação não é uma tarefa fácil. 161). pp. (3) Id. com freqüência alarmante. não sustentará o pastor através das ásperas realidades da vida na igreja. mas com as maldições previstas no juízo divino que se impõe pela suserania (7) do Senhor. o nome deles ainda consta no boletim dominical e continuam a subir não púlpito domingo após domingo. o chamado. Talvez nem todos têm consciência de que errar na vocação trás conseqüências desagradáveis para si mesmos e também para suas futuras igrejas. (pp. Rio de Janeiro: CPCCBB.3-6. Uma reflexão dura. pp. Daniel Oliveira. Ibid. 31-32). Após ler estas considerações de Peterson. Rio de janeiro: JUERP. Como explicar os vislumbres de certezas espirituais ? Pode a vocação de Deus ser descrita ? Talvez devesse deixar tal desafio para os mais experientes nas lidas pastorais. Prostituíram após outros deuses. desviando-se para a direita e para a esquerda. antes de ingressar nos seminários. pp. fiz a seguinte pergunta: O que tem levado nossos jovens ao ministério ? Minha pergunta levanta a questão sobre as reais motivações de nossos vocacionados para o Ministério Pastoral. 62 p. não obstante. Ibid.Aquilo que fazem e alegam ser ministério pastoral não tem a menor relação com as atitudes dos pastores que fizeram a história nos últimos vinte séculos" . mas realista. As congregações ainda pagam seus salários. (5) Id. Ed. Duque de Caxias: AFE. Alguns pastores estão abandonando seus postos.

melhor que se afaste dele de uma vez. ambicionar. depois do mais severo exame de si mesmo. mesmo que em nossos dias não é lá muito bem visto. entendemos que todo genuíno vocacionado deve ter como ambição ser um instrumento de Deus . quase 2 milhões de desempregados. alisto cinco possíveis motivações erradas e egocêntricas que podem levar alguém ao Ministério: 1) Adquirir estabilidade financeira: Os motivos da nossa sociedade seculare são controlados pelo cifrão. e não a posição ou status. Pastorear ovelhas relutantes é uma atividade esmagadora. Spurgeon escreveu: "Se um homem perceber. Penso que todo candidato ao ministério deveria responder a esta pergunta: O motivo que tenho para desejar ser pastor é porque serei pago para isto? Quanto a isto. Em I Tm 3:1. Às vezes pregar pode ser uma tortura. com a futilidade de nossos planos e com o fracasso do nosso povo. Paulo escreve: "se alguém deseja o pastorado. e lhe confere status social. passe a compreender o ministério como uma profissão e um meio de ganhar a vida. Não obstante. O tempo médio hoje para alguém que perde o emprego é de 1 ano até conseguir outro. mas temo que alguns jovens em nossas Igrejas. É com temor e tremor que arrisco raciocinar desta maneira. 181 . Este foi um erro cometido por Tiago e João (Mc 10:35:45). os títulos de Reverendo e Pastor transmitem uma certa dose de autoridade que dignifica o ser humano. Ser uma figura pública sob os olhares de todos e viver sob constantes cobranças. Ficamos frustrados com os conflitos da igreja. qualquer outro motivo que a glória de Deus e o bem das almas em sua busca do pastorado. Todos nós tomamos decisões na vida motivados por algo ou alguma coisa em dado momento de nossa existência e considerando as diversas situações da vida. A título de alertarnos para este perigo. até mesmo pelos escândalos envolvendo alguns líderes cristãos. desejar". sacodem o nosso coração.Por motivação queremos dizer os motivos internos que levam uma pessoa à ação. São só na cidade de São Paulo. pois o Senhor aborrece a entrada de compradores e vendedores em seu templo" 2) Status social: Não é de hoje que a sede de posição cega as pessoas . Falando da motivação que leva um jovem a decidir pelo ministério. O "ser pastor". Nós pastores inevitavelmente armazenamos um certo nível de frustração em nosso trabalho. Sua única motivação para ser pastor é seu desejo ardente de realizar a obra de Deus e para a glória de Deus. é possível que nem sempre esta seja a mola propulsora de um ou outro aspirante ao pastorado. que tem o significado de "colocar o coração. Contudo. excelente obra almeja" O termo "deseja"na língua grega é epithumeo. mesmo que estas não sejam verbais. Precisa ser observado que o objeto do desejo é a obra. o serviço. liderar não é fácil. O status social não pode sustentar o nosso ministério e fazer com que vivamos nossa vocação de modo responsável. Vivemos uma época de recessão e de desemprego. Alguém motivado por posição elevada e pelo desejo de atenção trará com certeza prejuízo a si mesmo e à Igreja de Cristo.

Ele é pastor não por falta de alternativas. e ninguém pode cumprir o difícil papel de pastor se não tiver a consciência de que foi comissionado por Deus. sendo seu chamado imposto por Deus. mas se veio o solene chamado. O desejo que um ser humano tem de que os outros o respeitem é um sinal louvável de sua auto-estima. 5) Falta de opções: É possível que alguém decida ser um pastor. conselho. percebeu que poderia fazer um curso de nível superior pago pelo Presbitério e ainda recebendo ajuda de custo de sua Igreja.3) Necessidade de firmar-se como pessoa: É possível que alguém caia na armadilha de desejar o ministério por entender que a posição e o status conquistado forçam os outros a lhe dedicarem atenção. Poderão ser uma excelente ajuda às igrejas como pregadores. mas porque esta é a única alternativa possível para ele. Ao menor sinal de dificuldade. Alguém pontuou o seguinte: "os ministros sem a convicção do chamado carecem muitas vezes de coragem e carregam uma carta de demissão no bolso do paletó. pois depois de ter passado pela família. não fuja" Precisamos instruir aos nossos seminaristas que mesmo que tenham feito o curso de teologia no Seminário. sentese na obrigação de ter que ir até o fim de seu "chamado". entendam que o tempo de estudos e de preparação não será perdido. pois depois de tentativas inglórias de ingressar em alguma outra faculdade. 182 . Não há nada de errado em desejar ser respeitado e admirado. professores. mas não é a motivação correta para o ministério. mas porque foi imposta por Deus. O peso de um sentimento de obrigação não pode levar ninguém ao pastorado. oficiais e líderes. 4) O Senso de obrigação: Há quem se torne ministro. Nossos jovens precisam ver que o candidato ao ministério. Sente-se culpado se não fizer aquilo que todos esperam dele. Um velho pregador deu um sábio conselho a um jovem quando indagado sobre sua opinião quanto a seguir o ministério: "Se você pode ser feliz fora do ministério. Conheci um pastor que guardava todo exemplar do jornal Brasil Presbiteriano em que saía uma matéria com sua foto e que falava a seu respeito. Todos nós que somos pastores sabemos como o ministério é desgastante. Na qualidade de pastores e tutores eclesiásticos. presbitério e ter feito o curso teológico no seminário. não é uma preferência entre outras alternativas. e insisto: Vocação pastoral não pode ser por falta de opções. São líderes que buscam a fama e serem aplaudidos pelos homens. caso sintam que não foram chamados ao pastorado. É desnecessário dizer que este líder não desenvolverá seu ministério com alegria e prazer. É comum termos notícias de líderes que avaliam sua eficiência ministerial através de quantas pessoas da denominação o conhecem. vão-se embora". ou por falta delas. fique fora. caso sinta que esta foi uma escolha sua e não de Deus. ou por não ter condições financeiras de custear um curso em uma universidade . fazse necessária nossa orientação aos aspirantes e candidatos ao Ministério de que não há como alguém sobreviver no pastorado. O Ministério deve ser obedecido por vocação e não por obrigação.

e outros: Jeremias ou algum dos profetas. que queriam. [15] Mas vós. partido da classe sacerdotal. Pedro disse-o: Jesus de 183 . Ouvir. quer pela observação no dia a dia.Parte XXXI O ANÚNCIO DA IGREJA Neste trecho. responde Pedro. então. A pergunta era. obtiveram informações privilegiadas. Eles não conheciam a doutrina da Trindade. que. conseguiram ver em Jesus um grande profeta. quer por ensino exclusivo. ortodoxos estudiosos das escrituras. Ao povo pregou. Ele vai mais longe: "o filho do Deus vivo". assim como esboça sua composição. de fato. um profeta. continuou ele. desenvolveu o seu ministério. Revolucionário! Os teólogos. e os saduceus. seu caráter e missão: (MATEUS Cap: 16) [13] Indo Jesus para os lados de Cesaréia de Filipe. incompleto. logo. curou. pela força das armas. os fariseus. não sabiam que há três pessoas e um só Deus. Pedro teria ido apenas um pouco mais adiante que o povo. perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem? Embora. o Filho do Deus vivo. A resposta deixou a desejar. em seu ministério público. este teria de ser um Deus também. uma aferição: o que as bençãos recebidas pelo povo geraram neste em termos de compreensão de quem Jesus era? [14] E eles responderam: Uns dizem: João Batista. Foi com o povo que andou e que se confundiu. portanto.3). não acertaram. ser curado e alimentado por Jesus não é garantia de chegar a ter dele o conhecimento que dá vida eterna (Jo 17. libertar Israel do domínio romano. estavam mais preparados para responder. conforme indica o nome. porém.15). foi com o povo que Jesus. alimentou. Tu és o Cristo. entendo que o Senhor Jesus apresenta a Igreja como seu propósito. quer pelas perguntas que puderam fazer. quem dizeis que eu sou? Outra aferição. não podia ter filho. era de se supor que acertariam. [16] Respondendo Simão Pedro. mas. já não seria um único Deus. Detendo mais informações. "Tu és o Cristo. se parasse por aí: todos criam que o messias seria o maior dos profetas (Dt 18. o messias. Jesus tenha interagido com quase todos os partidos judaicos: os herodianos. diziam que Deus era único. outros: Elias. Por que? Porque se Deus tivesse um filho. o Filho do Deus vivo". Certo. entretanto. disse: Tu és o Cristo. dois deuses. porém. catalogaram-no entre os maiores. esta mais importante: os discípulos conviveram com Jesus. de então. o salvador vislumbrado pelos patriarcas e anunciado pelos profetas. os zelotes. eram partidários de Herodes.

ou melhor. [17] Então. Franco Zefirelli. veio um dos sete anjos que têm as sete taças cheias dos últimos sete flagelos e falou comigo. a revelação: "Tu és o Cristo.Ninguém pode vir a mim se o Pai. Não sei se foi assim mesmo que aconteceu. testemunhando sua concordância. fez o filme Jesus. originariamente. receberam. porque não foi carne e sangue que to revelaram. (JO 6:44). que começa com a entrega da vida. e eu o ressuscitarei no último dia. a nova Jerusalém. mas meu Pai. que deve ser adorado. Os teólogos entenderam que Deus haveria de mandar um salvador. a esposa do Cordeiro (AP 21:9). da parte de Deus. A Igreja é a reunião dos adoradores de Jesus. do Pai. que dá vida eterna (Jo 17. O filme. acerca de Jesus.Moisés assim pareceu dizer (Dt 18. ao anunciar um salvador. Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és. cineasta italiano. A Igreja é a reunião daqueles que. acerca de Jesus.Nazaré é o Cristo. Foi uma revelação! O conhecimento-experiência. por se tratar de ajuntamento de pessoas que têm afinidades. Que pedra? A afirmação. é Deus a ser adorado. . indubitavelmente. é a Igreja como noiva: . [18] Também eu te digo que tu és Pedro. Resposta completa. 184 . Portanto. também se ajoelham. não o TROUXER. Jesus é mais que um profeta a ser ouvido. os demais discípulos tomados pelo impacto da afirmação. apresentado em duas partes. dizendo: Vem.não entenderam que. é a cena que mais se coaduna com a profundidade do que foi dito. entenderam ser um grande profeta .30). mais que um mestre a ser seguido. que está nos céus. ataviada como noiva adornada para o seu esposo (AP 21:2). Simão Barjonas. Neste sentido a missão da Igreja é agradar o seu Senhor.15) . assembléia. que dá vida eterna. a revelação de que Jesus Cristo é Deus vindo para salvar-nos. ato contínuo. características e/ou objetivos comuns. Deus anunciava a sua visita. e sobre esta pedra edificarei a minha igreja. mostrar-te-ei a noiva . e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. que descia do céu.Vi também a cidade santa. porém. nação e afins. esta. a exemplo de Pedro. adoração. tinha. Jesus está falando de um grupo de pessoas especiais: as pessoas que receberam a mesma revelação que Pedro e os discípulos. que me enviou. Jesus de Nazaré é Deus. Que igreja? Igreja é uma palavra que pode ser traduzida por reunião.Então. Não imaginavam que a salvação humana custaria tão grande preço. Esse é o conhecimento. Não foi a convivência com Jesus que os fez saber a verdade. que chamou de seu afresco. cena que procurava retratar o texto que estamos trabalhando: Zefirelli descreve Pedro ajoelhando-se enquanto proferia a declaração em questão e. é uma revelação do Pai . o Filho do Deus vivo". como término de sua primeira parte.

somos transformados. na sua ação de adorar. Nesta contemplação (adoração) somos edificados. é a satisfação do desejo do Pai: . Torna-nos parecidos com Ele à medida que o adoramos.introdução e comentário . Por exemplo: Adorai o SENHOR na BELEZA da sua santidade (SL 96:9). porque julgais ter nelas a vida eterna. sacerdócio real.Vós.a criação: SL 19:1 . não apenas para ter informações sobre ele. portanto. como pelo Senhor. A natureza expressa a glória de Deus.Examinais as Escrituras. entre outras. Por isso gosto muito do que o Pedro disse: 1PE 2:9 . como por espelho. e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.E todos nós. pela contemplação? Adorar tem várias conotações: prestar homenagens. Será que a Igreja é edificada enquanto e na medida em que adora? Paulo parece dizer que sim: . e são elas mesmas que testificam de mim. porque são estes que o Pai procura para seus adoradores (JO 4:23). porém. a glória do Senhor.Os céus proclamam a glória de Deus. contemplação. Igreja é.a bíblia: JO 5:39 . prestar culto e. com o rosto desvendado. aqui. contemplando. e encontram. de características especiais. e sobre esta pedra edificarei a minha igreja A partir da confissão-adoração: "Tu és o Cristo. na sua própria imagem. Será que adorar passa. ii. a encarnação da bondade de Deus. Ele é a vida eterna que está no texto sagrado.Mas vem a hora e já chegou. como por espelho. a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.A noiva. mostra-nos o Filho e o Espírito Santo nos transforma. povo de propriedade exclusiva de Deus. a reunião das pessoas que estão sendo transformadas pelo Espírito Santo à imagem e semelhança de Cristo. Derek Kidner (Salmos . A igreja perscruta a natureza para ver Jesus. também. sois raça eleita. também. A Igreja lê as escrituras para ver Jesus. A palavra reunião pode dar uma conotação equivocada: de que só há igreja quando essas pessoas. contemplando. Assim Cristo edifica a sua Igreja. Qual é o espelho? Penso e algumas coisas que devem ser usadas como espelho: i. Vida Nova e Mundo Cristão) diz sobre adorar na beleza da santidade: "a verdadeira adoração reflete isto no amor e admiração dados a Ele.ed. que tinham 185 . nação santa.19). 33. o Filho do Deus vivo" Jesus construirá a sua igreja. O Pai desvenda-nos o rosto (por meio da revelação). Jesus disse "e sobre esta pedra edificarei a minha igreja" num contexto muito peculiar: Haviam três nações. representadas por três cidades. é o mesmo que contemplação amorosa. de glória em glória. A glória de Deus é a sua bondade (Ex. também." Adoração. reverenciar. a glória do Senhor. em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. o Espírito (2CO 3:18). Aliás.

também. se as portas não resistem ao ataque. o que significava submeter-se a eles. 1. representados por Roma.pretensões universais: romanos. sua nação atacará o inferno e as portas deste não resistirão ao ataque daquela. assumindo seu papel ministerial.o corpo. ou seja. a última defesa. onde a porta é o último bastião. judeus. uma nação de soldados da libertação. O verbo hebraico hyh (avivar) tem o significado primário de "preservar" ou "manter vivo". representados por Jerusalém e os gregos. penso. como sacerdotes. O corpo depende da noiva. "avivar" não significa somente preservar ou manter vivo. A medida que a igreja vai sendo edificada vai. os gregos. Os judeus acreditavam que a salvação dos homens estava na submissão destes a eles que. pois.1. Parte XXXII O PADRÃO BÍBLICO DE AVIVAMENTO Qual o padrão bíblico de avivamento? Os avivamentos bíblicos oferecem alguma coordenada para a renovação da igreja evangélica no Brasil de hoje? Estas são algumas das perguntas que procuraremos responder no decorrer desse estudo. Outro elemento que.a noiva. Esta é uma conseqüência natural em 186 . representados por Atenas. mais eficaz se torna contra o inferno. liberando os seus prisioneiros. Porém. destruindo as obras do diabo. corrigir e livrar do mal. I . No Antigo Testamento:. por sua vez. Jesus diz que vai fundar uma nação que libertará de fato os homens do inferno.O significado bíblico do termo "Avivamento":. Eis o projeto de Jesus: uma nação de adoradores . uma nação de soldados . acreditavam que a tal salvação estava em todos submeterem-se a seu modo de pensar. Por que ataque? Porque fala das portas não prevalecerem. a cidade é invadida e tomada. Jesus falava no contexto das cidades muradas. e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Pois. como disse João: 1JO 3:8 -Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo. Os romanos acreditavam que a salvação do mundo estava em todos se submeterem à sua "pax". os conduziriam no caminho de Deus. Quanto mais a igreja adora. mas também purificar. está contido nessa afirmação é o fato de a igreja ser o braço ministerial de Jesus Cristo.

'anázoe e 'anakaínoo. Sou devedor ao dileto colega por suas pertinentes observações. 'anastáso. No Novo Testamento:.O que não é avivamento bíblico:. as tuas declarações.2). embora a idéia básica de avivamento seja sugerida com mais freqüência. Um verbo nas formas do Piel expressa uma ação ativa intensiva no hebraico. São elas: 'egeíro. acreditamos ser de grande ajuda uma abordagem. durante a qual a Igreja Cristã desfrutou.1.6) ou uma planta que lança novos brotos e "floresce novamente" (cf. aviva a tua obra. no decurso dos anos. o avivamento é sempre indicado como uma obra ativa e intensiva de Deus. ó Senhor. Outras palavras gregas comparam o avivamento ao reacender de uma chama que se apaga aos poucos (cf. 1. não tornarás a vivificar-nos (3). Antes de falarmos sobre avivamento bíblico.2. livra do mal e do pecado. lemos que Deus purifica. na maior parte do tempo. e da clássica oração do profeta Habacuque: "Tenho ouvido. mesmo que rápida. no decorrer dos anos. e me sinto alarmado. Avivamento não é ação da igreja. e. das quais 55 vezes estão num grau chamado piel. 'anaphállo em Fp 4. Transcrevo-as quase que na íntegra. lembra-te da misericórdia" (Hc 3. ó Senhor. 2. como esta: "Porventura. no contexto de avivamento. A igreja não promove e nem faz avivamento. Encontramos no Novo Testamento grego um conjunto de palavras que expressam o conceito básico de avivamento. A igreja não é 187 . Avivamento é obra soberana e livre do Espírito Santo. Uma possível explicação para o uso escasso dos termos. Avivamento não é um programa agendado pela igreja. II . Neste sentido. tira a escória e as coisas que estavam impedindo o progresso da causa (1). é que o Novo cobre apenas uma geração. Alguns exemplos de sua ocorrência são as clássicas orações de Davi. do que não é o padrão bíblico de avivamento. Hernandes Dias Lopes. propriamente dito. é usado mais de 250 vezes no Antigo Testamento. dentro ou fora da Bíblia. 'anazopyréo em 2 Tm 1. O Rev. mas de Deus. em comparação ao Antigo Testamento. apenas sete vezes. em seu livro AVIVAMENTO URGENTE. um grau incomum de vida espiritual. No Novo Testamento grego as palavras supracitadas aparecem.10). faze-a conhecida. apresenta sete interessantes razões sobre o que não deve ser entendido como avivamento de verdade. Na história de cada avivamento. na tua ira. O verbo "avivar". em suas várias formas (2).toda vez que Deus aviva. para que em ti se regozije o teu povo?" (Sl 85.6) (4).

3. Louvor em que a pessoa 188 . "Assim como o homem crê no seu coração. dizer aleluia. em favor daqueles pobres índios. 2. David Brainerd orou vários anos pelo avivamento entre os índios peles vermelhas no século XVIII. suava de molhar a camisa. Cometem ledo engano aqueles que querem descartar a teologia e desprezar a doutrina na busca do avivamento. ajoelhado na neve. O avivamento jamais virá se a igreja não preparar o caminho do Senhor (5). Desprezar a doutrina é querer levantar um edifício sem lançar o fundamento. Quando o seu coração parecia desalentado e já não havia prenúncios de chuva da parte de Deus. Sem oração da igreja. em agonia de alma. Avivamento sem doutrina é fogo de palha. Contudo. Avivamento não é mudança litúrgica. quem determina o quando e o como do avivamento é Deus. Louvor que apenas levanta as mãos para o alto. amém e levantar as mãos. 2. com liturgia animada. o Espírito foi poderosamente derramado e os corações se dobraram a Cristo aos milhares. Não é ritualismo. Não há vida piedosa sem doutrina. A igreja só pode buscar o avivamento e preparar o caminho da sua chegada. Sem obediência a Deus.8). mas não as estende para o necessitado não agrada a Deus. Deus tem compromisso com a verdade e a sua Palavra é a verdade e todo avivamento precisa estar fundamentado na Palavra. O avivamento jamais acontecerá se a igreja não se humilhar. com coreografia e instrumental aparatoso. Vida sem doutrina gera misticismo e experiencialismo subjetivista. como bater palmas. Desprezar a doutrina é dinamitar os alicerces da vida cristã. é movimento emocionalista. Sem busca não há encontro. Desprezar a doutrina é querer por um corpo de pé e em movimento sem a estrutura óssea. Louvor não é encenação.7). em oração fervente. ela só pode içar suas velas em direção a esse vento. Avivamento não é mudança doutrinária. Aquele jovem. Ele é soberano. O avivamento precisa estar norteado pelas Escrituras e não por sonhos e visões. gingos e dança (6). Não é apenas seguir formas pré-estabelecidas.2. A soberania de Deus. A teologia é mãe da ética. jamais haverá derramamento do Espírito. Não é mimetismo. muitas vezes feitas na carne. Muitos crentes confundem avivamento com forma de culto. A doutrina é a base da ética. não anula a responsabilidade humana. as chuvas torrenciais de Deus não descerão. A Bíblia ordena levantar mãos santas ao Senhor. Não é emocionalismo. Precisa estar dentro das balizas da Bíblia e não dentro dos muros de revelações subjetivistas. A igreja não produz o vento do Espírito. é experiencialismo personalista e antropocentrista. no entanto. num gesto de rendição e entrega (I Tm 2. A igreja não agenda e nem programa avivamento. assim ele é" (Pv 23. Louvor não é pululância.agente de avivamento.

Deus é o seu alfa e o seu ômega. cerimonialista. Avivamento não é histeria carnal. sem regras rígidas préestabelecidas. mas não vive em santidade. vemos a natureza deste cântico: "E me pôs nos lábios um novo cântico". não é louvor.. sem abandonar a ordem e a decência. todo avivamento mexe com a liturgia.. fria e morta e põe em seu lugar uma liturgia viva. Todavia. é choro pelo pecado. é mudança de vida. Este cântico não é para entreter ou agradar o gosto e preferência das pessoas. formalista. A música do mundo tem entrado nas igrejas. Louvor é a totalidade da vida. Davi. a liturgia é desingessada e o povo com alegria e liberdade do Espírito adora a Deus. é barulho aos ouvidos de Deus. Louvor que apenas verbaliza coisas bonitas para Deus. O louvor que agrada a Deus precisa ser em espírito e em verdade. Terceiro. do "rock evangélico". O louvor não é um espaço da liturgia. vemos o resultado deste cântico: "Muitos verão estas coisas. porque não ouvirei as melodias das tuas liras" (Am 5. é ofensa a Deus. "Bendirei ao Senhor em todo o tempo. temerão e confiarão no Senhor".apenas saltita e pula. Primeiro. mas novo de natureza. Não é um novo de edição. novo. vemos o objetivo deste cântico: ". Mais do que nunca é preciso tocar a trombeta em Sião e condenar a idéia de que precisamos imitar o mundo para atrair o mundo. É um cântico que expressa a marca da sua nova vida.23). Hoje estamos vivendo a época dos shows evangélicos. das músicas badaladas por um ritmo sensual. Quarto. Deus não procura adoração. em espírito e em verdade. para vergonha nossa e para derrota nossa. fala-nos sobre as balizas do louvor que agrada a Deus: "E me pôs nos lábios um novo cântico. liberta do tremendal de lama (v2). é preciso dizer que avivamento não é mudança litúrgica. versículo 3. dos animadores de programas religiosos. onde há liberdade do Espírito. Louvor que não produz mudança de vida. obediência e não leva as pessoas a confiarem em Deus. mas não leva Deus a sério na vida é fogo estranho diante do Senhor. o seu louvor estará sempre nos meus lábios" (Sl 34. vemos a origem deste cântico: "E me pôs nos lábios". no Salmo 40. O verdadeiro louvor leva as pessoas a se voltarem para Deus. Ele procura adoradores. a confiarem em Deus. Este cântico vem de Deus e volta para Deus. dos show-men. Assim diz o Senhor: "Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos. alegre. À luz destas coisas. senão é fogo estranho. onde há abertura para o que Deus deseja falar e fazer com o seu povo. O avivamento desinstala a liturgia ritualista. temerão e confiarão no Senhor". Em épocas de avivamento. um hino de louvor ao nosso Deus.1). 189 . O louvor precisa ser bíblico. O louvor bíblico leva as pessoas a temerem a Deus. muitos verão estas coisa. ungida. quebrantamento. Este louvor vem de Deus e não do homem. Um hino de louvor ao nosso Deus". Cada culto é um acontecimento singular. é preciso dizer que. Segundo. embora o avivamento não seja mudança de liturgia.

Avivamento não é conhecido pelos dons do Espírito. Ninguém pode obstaculá-lo nem ensinar-lhe qualquer coisa. partidos.5. sem observarem a abrangência global da doutrina pneumatológica. Toda vez que super-enfatizamos uma verdade em detrimento de outra. A igreja de Corinto possuía todos os dons. Avivamento não é uma ênfase carismática unilateral. quando quer. Devemos clamar como os puritanos: "Queremos liturgia pura". A igreja hoje empolga-se mais com milagres do que com vida cheia do Espírito. A igreja hoje busca mais uma vida antropocêntrica do que teocêntrica. Embora o avivamento não seja mudança litúrgica. esta não é a ênfase do avivamento. Muitas pessoas hoje estão limitando o avivamento a milagres. curas e prodígios extraordinários quando Ele quer. como quer. Ele não obedece à agenda dos homens. Ninguém pode ser o conselheiro de Deus. Deus pode e faz maravilhas. cismas. em épocas de avivamento. aparatosos. todo avivamento muda a liturgia. Naquela igreja a ceia do Senhor estava sendo incompreendida. A igreja hoje está correndo mais atrás de sinais do que atrás de santidade. e a cooperação financeira com os pobres negligenciada. Muitos crentes. Naquela igreja profundamente carismática. contendas. a ressurreição dos crentes estava sendo negada. Este é um sério perigo. Havia falta de compreensão acerca do casamento e da liberdade cristã. Ninguém pode instruir a Deus e dizer o que Ele pode e o que Ele não pode fazer. os dons são buscados e exercidos para a glória de Deus e a edificação da igreja. Disse J. dirigida pelo Espírito de Deus. ungida. 2. "Ele faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade" (Ef 1. se posicionam contra o avivamento porque acham que ele é a mais nova onda da igreja. os dons estavam sendo usados erradamente. É verdade que. alegre.11). Uma igreja pode ter todos os dons sem ser uma igreja avivada. por desconhecimento. curas e exorcismos. Há cultos solenes que estão mortos". mas estão mortos. Ele faz tudo quanto Ele quer. Acham que avivamento é uma 190 . nós produzimos deformações e distorções nesta verdade. com quem quer.Hoje existem muitos cultos solenes. brigas. Avivamento não é efervescência carismática.4. mas a ênfase carismática não é sinônimo de avivamento. A igreja hoje anseia mais as bênçãos de Deus do que o Deus das bênçãos. mas pelo fruto do Espírito. pomposos. Entretanto. Ele é livre. tornando-a bíblica. imoralidade e irmãos levando outros irmãos aos tribunais mundanos. havia divisões. era uma igreja imatura e bebê espiritualmente. Packer no seu livro "Na Dinâmica do Espírito": "Não há nada mais solene do que um cadáver. onde quer. I. Ele é soberano. todavia. Avivamento não é modismo. Ninguém pode deter a sua mão. 2. Ele não se deixa pressionar.

coqueluche moderna e uma inovação sem nenhum respaldo bíblico e histórico. avivamento não é uma onda. aqueles que assim pensam não estudam com critério a Bíblia nem a história da igreja. É só ver o grande avivamento em Jerusalém. pessoas que já têm vida. isolam-se. a família. não é um modismo. Acham que Deus só olha para a vida de trabalho na igreja. Certamente. 191 . Acham que Deus está interessado apenas nas coisas espirituais. Os pontos culminantes da igreja aconteceram em épocas de avivamento. no avivamento. evangelização é para pecadores inconversos. Dividem a vida entre sagrado e profano. no avivamento. em Antioquia da Síria e em Éfeso. Tudo em nossa vida é vazado pelo sagrado. os pecadores apelam aos pregadores. quando começam a buscar avivamento. no século XVIII e em outros grandes avivamentos da história. sem observar os negócios. É só ver o que Deus fez na Reforma do Século XVI. os estudos e a vida do dia-a-dia com o mesmo interesse. o trabalho. João Calvino atacou com veemência os juros extorsivos em Genebra. Muitas pessoas. Na evangelização. no avivamento. Certamente. evangelização é para o mundo. Avivamento é para crentes nascidos de novo. a igreja vai aos pecadores. O avivamento não leva a igreja à fuga. mas ao enfrentamento. Avivamento não é uma visão dicotomizada da vida. É só olhar para os grandes despertamentos na época de Ezequias. Finney pregou ardorosamente contra a escravidão nos EUA no século passado ao mesmo tempo que foi o maior avivalista do seu país. sociais e morais.7. Esta não é a visão bíblica nem a visão do verdadeiro avivamento. Não podemos confundir avivamento com campanhas evangelísticas. Ele é nossa herança e nosso legado e deve continuar sendo nossa aspiração e nossa busca constante. saem da realidade e enclausuram-se nos castelos inexpugnáveis de uma espiritualidade isolada e monástica. 2. Querem sair do mundo em vez de serem guardados do mal. fazendo da vida uma caverna de fuga. Na evangelização. Avivamento é para a igreja. econômicas. corpo e alma. a igreja trabalha para Deus. Avivamento não é campanha de evangelização.6. Na evangelização. pessoas que estão mortas em delitos e pecados. em Samaria. O avivamento sempre traz profundas mudanças políticas. Desde o Antigo Testamento que esta é uma verdade incontestável. Toda a nossa vida é cúltica. Ele possui firmes lastros históricos. Deus trabalha para a igreja. O grande avivalista John Wesley lutou pelas causas sociais na Inglaterra ao mesmo tempo que pregou sobre avivamento. Todo o nosso viver é litúrgico. na Inglaterra. os pregadores apelam aos pecadores. os pecadores correm para a igreja. de Josias e de Neemias. Tornam-se tão "espirituais" que já não sabem mais conviver com a vida. matéria e espírito. 2.

Em outras palavras. neste sentido não apenas a igreja. Como a própria expressão define.1. volta-se para Deus em resposta ao evangelho. Os efeitos do reavivamento são muito mais perceptíveis nas mudanças morais que acontecem na região ou num país onde ele acontece. diz o Dr. assim. Ele a realiza. convicção de pecado na vida das pessoas.2. Não se pode reviver algo que nunca teve vida. Isto acontece porque. Héber de Campos comenta que "o reavivamento começa na igreja e termina na comunidade maior onde ela vive. É revitalização onde já existe vida. por sua vez. os resultados imediatos do avivamento são sentidos no povo de Deus: senso inequívoco da presença de Deus.III . O Espírito Santo renova. Acertadamente o Dr. A sociedade não-cristã. como disse Robert Coleman. por definição. na igreja passa a existir uma conscientização profunda de sua missão. entre os membros da Igreja: é um reviver dos crentes. O sentido amplo de avivamento. primeiramente. a igreja amortecida e tristemente doente é a primeira a ser beneficiada pelo avivamento. um revigoramento. Ou. avivamento é algo que acontece unicamente no meio do povo de Deus. Quando há esse impacto da obra do Espírito de Deus na vida da igreja. Ele não se limita simplesmente aos membros das igrejas atingidas pela obra de Deus. 3. O sentido estrito de avivamento. Martin Lloyd-Jones: É uma experiência na vida da Igreja quando o Espírito Santo realiza uma obra incomum. mas a sociedade não-cristã também é beneficiada pelo avivamento. é "o retorno de algo à sua verdadeira natureza e propósito" (7). Comentando um pouco mais sobre o sentido estrito de avivamento. No avivamento a igreja vive a missão para a qual foi chamada. reaviva e desperta a igreja sonolenta. dormentes. as duas características principais do avivamento são 1) o extraordinário revigoramento da igreja de Cristo e 2) a conversão de multidões que até o 192 . Em suma. além da atuação soberana do Espírito Santo no mundo. o avivamento é primeiramente uma vivificação. oração fervorosa e louvor sincero. Ele causa impacto em toda a comunidade onde a igreja de Deus está inserida" (9). Estritamente falando. um despertamento de membros de igreja que se acham letárgicos. a missão integral de servir o mundo evangelística e socialmente. isto é.O Padrão Bíblico de Avivamento: Podemos definir o avivamento bíblico em dois sentidos distintos: 3. quase moribundos (8). desejo profundo de santidade de vida e aumento perceptível no desejo de pregação do evangelho.

A relação entre a Bíblia e o avivamento é tão intrínseca que é impossível um avivamento de verdade sem que a Bíblia faça parte dele. Sabemos que hoje existem desde aqueles que vêem toda e qualquer manifestação entusiástica como avivamento. até àqueles que negam a sua existência. "Um reavivamento". numa época de tantos extremos como este em que vivemos. É necessário. uma coqueluche moderna. Estamos falando do único padrão inerrante e infalível de avivamento: a Bíblia. notamos que os objetos do Espírito eram sempre persuadidos com e para a Bíblia. 1) O padrão bíblico de avivamento é a Bíblia Por mais simplória e pleonástica que esta declaração pareça ser. Uma vez que a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática. exceto às segundas-feiras". Observando os avivamentos ocorridos na Bíblia e na história da igreja. Avivamento onde a Bíblia não está presente não passa de um mero pentecostalismo convencional. como se o avivamento fosse produzido simplesmente pelo desempenho humano com data e hora marcadas. uma inovação humana sem respaldo bíblico. enquanto que a outra prometia: "Reavivamento aqui todas às noites. Uma delas dizia: "Reavivamento aqui todas às segundas-feiras à noite".momento estiveram fora dela na indiferença e no pecado. recorrermos à lei e ao testemunho. é ela e somente ela que nos pode dar a direção certa deste assunto. Héber de Campos. Além disso. "que é produto da obra do Espírito Santo na igreja. 3. Não existe verdadeira espiritualidade sem a Bíblia. Orr menciona este fato para relatar um desses extremos em que a palavra "avivamento" ou "reavivamento" é usada aleatoriamente. ela é tão autêntica e singular como dois e dois são quatro. Edwin Orr (10). uma das maiores autoridades sobre avivamentos. A Bíblia passa novamente a ser honrada como a única Palavra inspirada de Deus" 193 . é importante salientar que ela foi. é e sempre será a espada do Espírito Santo em todo avivamento bíblico. diz o Dr. mais do que nunca.3. Voltando ao lugar da Bíblia no avivamento. Aqui também abordaremos dois aspectos essenciais do avivamento. ou quando muito acham que avivamento é a mais nova onda do momento. certamente tem sua ênfase naquilo que tem sido esquecido por muito tempo: a Palavra de Deus. é fundamental o equilíbrio que só a Bíblia oferece. disse que viu duas igrejas nos Estados Unidos convidando pessoas para suas reuniões de avivamentos. Permita-me ilustrar o que queremos dizer por "extremos". Avivamento e a Bíblia. A autoridade da Palavra de Deus passa ser algo extremamente forte num momento genuíno de reavivamento.

26) (12). A dedicação do templo. e exigiu que cada um escolhesse. Em cada ocasião Deus responde as orações. é outro grande exemplo (I Rs 8). prosseguindo durante "todos os dias de Josué.9. Josué reuniu as tribos de Israel.1-17). 24. e sabiam toda a obra que o Senhor tinha feito a Israel" (Js 24. Sabendo que seu povo estava dividido. a quem servir (Js 24.9-15) e o aparecimento cada vez mais forte de doenças na raça humana. há períodos empolgantes de refrigério.1-25. possui muitos ingredientes de um avivamento (2 Sm 6. O avivamento também chega a Judá nos dias de Asa (I Rs 15. O breve avivamento na casa de Jacó é um bom exemplo disso (Gn 35. Um verdadeiro avivamento segue-se a esse desafio. Considerando o assassinato de Abel (Gn 3. 6. de uma vez por todas. E Josafá. especialmente nos acontecimentos ligados à primeira páscoa (Ex 12.12) e na conquista de Ai (Js 7. Segundo Coleman. entrando com a arca em Jerusalém. 32. À parte desta indicação não existe nenhum outro relato de avivamento no princípio da história da raça humana. A marcha de Davi.10). após longos anos de opressão. como na travessia do rio Jordão (Js 3.7. 4. O relato subseqüente do dilúvio ilustra de modo dramático o que acontece com um povo que não se arrepende de seus pecados. de quando em quando. o povo se arrepende e clama ao Senhor (Jz 3.3. O juízo de Deus é inevitável. pouco depois do nascimento de seu filho Enos: "Então se começou a invocar o nome do Senhor" (Gn 4. no início do reinado de Salomão. em Siquém. O nome Enos quer dizer fraco ou doente.12-23). Um dos maiores movimentos avivalistas aparece no final desse período. Tempos de renovação ocorreram periodicamente no período dos reis.31). uma apatia espiritual se apoderou da nação.15. outro rei de Judá. traindo o Senhor e servindo a outros deuses.4-9). No tempo de Josué um despertamento espiritual predominou em suas campanhas. Mais tarde. enviando-lhes um libertador que liberta o povo na vitória contra os inimigos.1-35. sob a liderança de Moisés. Mas quando terminaram as guerras e o povo se assentou para desfrutar os despojos da vitória. 2) O padrão bíblico de avivamento está na Bíblia Os primórdios do avivamento bíblico aparecem em Gênesis.6.(11).35). sob a direção de Samuel (I Sm 7. lidera uma reforma (I 194 . na outorga da lei do Senhor no Sinai (Ex 19. Sempre que a vitalidade espiritual do povo se desvanecia.1-8. O que é deveras significativo.1-8. o que se pode chamar de "o grande despertamento geral" ocorreu nos dias de Sete. "É provável que fosse um reflexo da consciência da depravação humana e da necessidade da graça divina" (13).1-15). Então. Depois temos os patriarcas que por vários séculos lideraram o povo de Deus. O período de trezentos anos de liderança dos juízes mostra os israelitas. o nome Enos era bastante adequado.21-28). e todos os dias dos anciãos que ainda viveram muito tempo depois de Josué. eles agiam como a força que promovia novo vigor.29) e no levantamento da serpente de bronze no monte Hor (Nm 21.1-5.9-15).1-15). 10.

49-53. 73. bem como o sacerdote Joiada (2 Rs 11. "renovação". onde se reconhece que a vitalidade espiritual depende 195 .1-2. (3) O significado literal da expressão hebraica "vivificar-nos". O livro de Atos registra a dimensão desse avivamento.1-13.1-47).ipcb. inaugura o avivamento que Jesus havia predito (At 2. Por três anos Jesus trabalhara na preparação desse dia .19 e Malaquias 4.o dia em que a Igreja.41-50).18). Por fim. Que Deus derrame do seu Espírito sobre nós para que possamos. em Antioquia da Síria e em Éfeso. Ag 1. "vivificação". sob a liderança de Zorobabel e Jesua. na Inglaterra no século XVIII. redimida por seu sangue.23. assim. 2 Cr 34. o início de uma nova era na história da redenção.1-23). Setenta e cinco anos depois. outra vez começa a reacender um novo avivamento (Ed 1.24).1-21. dá início a um dos maiores avivamentos registrados na Bíblia (2 Rs 22. 1987).8)" (14). garantida por sua ressurreição.28-32. São Paulo: Editora Vida. durante o reinado de Josias. na Alemanha com a Reforma Protestante do século XVI. Outro poderoso despertamento é vivenciado na terra sob a liderança do rei Ezequias (2 Rs 18. O avivamento alcança o auge poucos anos depois. E de lá para cá. "reavivamento".14-3. são muitos os relatos da obra vivificadora do Espírito Santo na história da igreja. "despertamento". NOTAS (1) Cf.4.16). dentre outros. entre os negros Zulus da África do Sul na década de 60 e na Coréia do Sul nestes últimos tempos. Uma oração por avivamento e a promessa de sua ocorrência encontramos também em Joel 2. dando-se mais atenção à lei (Ed 7. Veja também. de Gerard Van Groningen. O poderoso derramamento do Espírito Santo. No apogeu de um grande avivamento Jesus aparece e é batizado por João Batista. no dia de Pentecostes. "Marca-se. do Salmo 85. Habacuque 2.31). com a chegada de outra expedição liderada por Esdras. a descoberta do livro da lei. Tendo as intimidações dos inimigos induzido os judeus a interromperem a reconstrução do templo. é "causa-nos viver". 8. Lloyd-Jones. Ainda.4-12.1-4.org. AVIVAMENTO SOB UM PRISMA VÉTERO-TESTAMENTÁRIO no site www. quando Neemias se apresenta para completar a construção dos muros de Jerusalém e estabelecer um governo teocrático (Ne 1. DO TEMOR À FÉ (2ª ed. em Samaria.35).22. M. pp. deixando-os na expectativa de receberam a promessa do Espírito (Lc 24.Rs 22. ascende aos céus.1-10. experimentar mais uma vez daquele "fogo abrasador" que nos purifica e nos santifica para uma vida cristã de obediência à sua Palavra.1-6. At 1. (2) Os termos "avivamento". Avivamento em Jerusalém. D. Zc 1. os profetas Ageu e Zacarias entraram em cena para instigar o povo a prosseguir (Ed 5. como por exemplo.6.23. como igreja e povo brasileiros.1-26).44). discipulada por intermédio de seu exemplo. Escolhe e treina seus discípulos. novas reformas são iniciadas em Jerusalém. sairia em seu nome a proclamar o Evangelho 'até os confins da terra' (At 1.br. "reviver" e "tornar a viver" são usados no mesmo sentido.

C.vocação pressupõe . Essas atitudes em si não são propriamente prejudiciais. (7) R.Em primeiro lugar vamos examinar os fatores internos que influem no ministério cristão. op.6. do mesmo autor. a práticas pentecostais. (9) Héber C. 45.qual a sua visão do seu ministério pessoal? 02. 18. em entrevista ao Jornal Brasil Presbiteriano (Abril/94. p. 12): "Confunde-se avivamento com atitude pessoal e inclusive corporal (física).2 Coríntios 6: 1-10 2.1 . 196 . 61 Parte XXXII O QUE É MINISTÉRIO? TEXTO 2 CORÍNTIOS 6:1-10 01. (8) D. acabaremos desistindo no meio do caminho. Veja também. O MINISTÉRIO NÃO É UMA PROFISSÃO E SIM UMA VOCAÇÃO . Coleman. Campos. 1992) 320 pp.5. Coleman. p. (11) H.. (6) Uma posição semelhante foi apresentada pelo Rev. 53. CRESCIMENTO DA IGREJA: COM REFORMA OU COM REAVIVAMENTO? In Fides Reformata. 25. Edições Vida Nova. quando avivamento é tão somente uma consciência clara e profunda da vontade de Deus (que é doutrinária) e uma disposição plena de obediência (que é prática)". p. (5) Para um ponto de vista diferente. A CHEGADA DO AVIVAMENTO MUNDIAL (São Paulo: CPAD. (12) R. VAMOS VER O MINISTÉRIO PELA PERSPECTIVA DE PAULO . dá a este Salmo o sugestivo título: UMA ORAÇÃO PEDINDO REAVIVAMENTO. M. Vol I. p. cit. veja a obra do Dr. op. pp. Pierson. 15. Paul E. A HISTÓRIA DOS AVIVAMENTOS. Há uma superficialidade doutrinária muito grande. (14) Idem. a sermões eletrizantes. Se não soubermos administrar esses fatores. levantar de mãos. pp. Edwards em REVIVAL! A PEOPLE SATURED WITH GOD (England: Evangelical Press. 1993). (13) Idem.. com expressão emocional.inteiramente de Deus. disposição e acima de tudo uma visão clara do trabalho que vai realizar. 44. pela confusão que se faz a doutrina sai perdendo. etc. (10) Citado por Brian H. p. 1996). p. 1994). material apostilado pela Faculdade Teológica Sul Americana de Londrina . Todavia. . (4) O Novo Comentário da Bíblia. OS PURITANOS: SUAS ORIGENS E SEUS SUCESSORES (São Paulo: PES.compromisso. Campos. cit. o excelente livro AVIVAMENTO (São Paulo: PES. Nº 1 (São Paulo: 1996). Edijéce Martins Ferreira. porque se dá ênfase excessiva ao louvor.PR. Lloyd-Jones.

O outro lado que se opõe frontalmente ao quietismo. de largar tudo. 197 .Na muita paciência . de firmeza! ..Crisóstomo afirmou: "a paciência é um porto que desconhece tempestades". Tem de ser um heroi 24 horas por dia! Nós sabemos que há momentos no ministério em que a vontade é de desaparecer.A primeira é a de aceitar as aflições como uma disciplina de Deus. Para os ativistas. de estabilidade. Todo mal vem de Satanás e deve ser enfrentado com ousadia! .não é ser simplesmente ser gentil. XVII na França e na Itália e foi chamado de Quietismo." C . Poucos são os pastores que demonstram paciência no exercício do ministério. .significa a habilidade em conservar o projeto do ministério mesmo quando as águas são agitadas.esta palavra tem o sentido de "espremer". "afligir".Há momentos em que a Bíblia parece um livro fechado. Somos e procuramos exteriormente demonstrar uma força que muitas vezes não temos. Isto é.O pastor segundo os ativistas não deve ficar deprimido. O medo de fracassar é um fantasma que ronda com muita freqüência o pastorado. podemos acabar com todas as enfermidades.Há duas situações neste contexto que precisam ser compreendidas: . Esse conceito nasceu no Séc. .Nas privações . As aflições não podem nos afastar deste propósito. Você não consegue tirar nem uma gota de inspiração.Ilust. Não podemos nos esquecer de que o pastor é antes de tudo um sacerdote chamado para interceder junto a Deus pelo povo. O sentido da palavra aponta para um espírito de perseverança. de permanência.paciência . com todas as dificuldades da vida. . é chamado de Ativistas.Ser paciente .um dos grandes problemas do ministério é que o pastor nunca se acha fraco. Quem ainda não passou por esses vales profundos de pobreza ministerial.Nas aflições . . através do exercício da fé. . . eu ouvi uma certa ocasião um pastor afirmar que nós precisamos ter pelo ao menos três pessoas compartilhando do nosso ministério. Portanto devemos nos aquietar. . A síntese desse movimento era que o mal foi planejado para o nosso bem. "restringir".. de vesuviar.tem o sentido de passar por "experiências adversas".Privação . Tudo o que acontece nesse campo de dores vem de Deus.Pergunta: você tem exercido esta paciência em seu ministério? B . Vale a pena reler Romanos 12:12 "Sede pacientes na tribulação.A . Esta habilidade hoje está muito comprometida.

." (As Máscaras da Melancolia.o sentido aqui é de "estreitamento".usaram a aparência de santidade para impressionar o apóstolo Pedro.Ananias e Safira .alguém a quem você possa ensinar. 87). . Hoje isto quase não acontece.Em segundo lugar vamos examinar os fatores externos que acontecem com muita frequência no ministério..Pedro por sua vez demonstrou um espírito de arrogância quando foi confrontado pela criada . A . Você não pode caminhar sozinho. Esse sofrimento não tem muito a ver com sofrimento físico.Adão tentou se disfarçar com uma folha de figueira. .Em açoites .Marcos 14:66-71 . Eu sei que é muito difícil você se abrir com um colega com o qual você não tem uma amizade verdadeira. uma perda da capacidade de amar. . É o que os pais fazem com os filhos. em nossa mente. Estas marcas ainda são necessárias ao ministério..Em terceiro lugar você precisa de um Paulo .Em primeiro lugar você precisa de um Timóteo .São frequentes os momentos em que os espaços diminuem. fechado. Alguém que possa servir de referencial para você nos momentos de provação.Aqui surge um outro problema. . aos "golpes" que recebemos em nossas emoções.Aqui também corremos um outro perigo: o de produzir um estado de melancolia. não consegue progredir.alguém que esteja no mesmo nível espiritual que você.alguém que esteja acima de você e que possa orientá-lo nos seus momentos difíceis. . D . contar suas frustrações e receber todo apoio.o sentido desta palavra aponta para um dos sofrimentos maiores do ministério. Alguém com quem você possa se abrir. uma inibição de toda atividade e uma diminuição dos sentimentos de valor próprio até o ponto de auto-recriminações e auto-injúrias.Paulo tinha as marcas de Cristo em seu corpo..2 . Você se esforça. pg. Alguém que dependa de você para vencer as dificuldades da vida. luta mas não consegue avançar. . A idéia é que o ministro pode a qualquer momento ser confinado. Este ponto é muito importante no ministério pastoral. Freud analizando os aspectos da melancolia chegou à conclusão que ela produz "uma anulação do interesse pelo mundo exterior. Mas sempre há alguém mais próximo de nós. 2. ser levado a um ambiente apertado. e não deve se abrir com muita gente. Angústia faz parte do ministério. Quando você tem alguém sob sua responsabilidade você se desdobra em busca de socorro. Procurou encobrir o seu erro camuflando-se diante de Deus. O enfoque maior desta palavra se refere as "feridas". Nestas circunstâncias o pastor é levado a se esconder atrás de disfarces.Nas angústias .Em segundo você precisa de um Barnabé . . 198 .

E afirma: "Nas igrejas crescentes. E esse trabalho exige momentos de reflexão. A .nos tumultos . (Efésios 3:1). Ainda hoje sofremos este tipo de problema na igreja. 199 . Fomos aprisionados por Cristo.3 . Há correntes contrárias que tentam desestabilizar o nosso ministério. de isolamento. Uma série de virtudes são apresentadas neste bloco. C . George Barna diz algo muito interessante: Ele fala da ausência programada do pastor. . é fazer o pastor afastar-se da igreja.nas prisões . não podemos fugir desse compromisso. nos jejuns. a breve ausência do pastor realmente fortalece a sua igreja. Ficamos na espreita aguardando uma oportunidade para crucificar aqueles que provocaram as divisões. Há muita gente interessada em tumultuar o ambiente.Sobre o isolamento pastoral.Em terceiro lugar Paulo mostra o que o ministério exige de cada um de nós. fazendo o resto da equipe funcionar como uma unidade .O perigo é querer punir os autores desses conflitos. Ele diz que é fácil alimentar um espírito de desforra. É importante saber que não estamos livres de tumultos na igreja.Lembre-se: ministério sem dor não é ministério. Hoje poucos sabem o que é uma prisão. Lewis fala da "paixão vingativa".Em quarto lugar Paulo nos mostra como devemos ser. . 2. C. de jejuar. Mesmo com todas as dificuldades já apontadas.eu creio que não estamos ferindo o texto bíblico ao aplicarmos estas experiências de Paulo em nosso contexto social. O que não pode ser esquecido é que sem trabalho o ministério não cresce. 2. de "desesperança". no caso da maioria das igrejas crescentes.o sentido aqui é de "vacilação". não é distração".O Bispo Roberto sempre dizia: "ministério é trabalho. "Uma estratégia que funciona bem. Ele aponta um trio de atividades que não podem ser menosprezadas. . Eu não sei quanto tempo você dedica ao exercício de vigiar.nos trabalhos. . Poucos são os pastores que exercem esse ministério.Devemos portanto pensar em prisão no sentido de não termos outro espaço para viver a não ser o do ministério. Precisamos estar preparados para sofrermos esses golpes. Eles experimentam a alegria de saber que a igreja não é um espetáculo de um único homem. Eles fazem parte da nossa chamada.Eu sei que cada pastor tem um sistema próprio de vida. Neste ponto nós podemos nos identificar com o apóstolo Paulo. de afastamento de tudo e de todos para ouvir a voz de Deus. ." (Igrejas amigáveis e acolhedoras).S.. B . para uma ausência planejada". nas vigílias.4 . de "instabilidade".

significa simplicidade. por honra e por desonra.Quem consegue entender esta composição bíblica consegue também exercer um trabalho rico e abençoado por Deus. ORLANDO COSTA E A IGREJA BRASILEIRA Introdução Orlando E.amor não teatral. na ocasião de seu falecimento.estar afinado com o movimento da ciência.fala de tolerância.no poder do Espírito.generosidade. .longanimidade . . pelas armas da justiça. mas sempre alegres . em 1973. Temos tudo e ao mesmo tempo não temos nada.saber . no poder de Deus. atuava como professor no Andover Newton Theological School.A . . Era pastor e teólogo batista. mas possuindo tudo. . na longanimidade. contudo. .Nós fomos chamados para um ministério singular. pobres. entristecidos. no saber.5 . Graduou-se doutor em teologia e missiologia nos Estados Unidos. 200 . fundou o Centro Evangélico Latino-Americano de Estudos Pastorais (CELEP). e como vice-presidente da Fraternidade Teológica LatinoAmericana. na Filadélfia. em Massachussetts. 2. Atuou como administrador da faculdade do Eastern Baptist Theological Seminary. ocupou o cargo de segundo vicepresidente do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI) e. Há muitas oportunidades a nossa frente. no amor não fingido.na pureza. de resistência. eis que vivemos. como enganadores e sendo verdadeiros. gentileza. Esta falta enfraquece o ministério.no amor não fingido . . Que ninguém desanime nesse caminhar. . sinceridade. mas enriquecendo a muitos. como se estivéssemos morrendo e. A . nada tendo. . Não devemos apenas interpretar um papel que não vivemos na realidade.pureza .no Espírito Santo . aos 45 anos de idade. .na bondade . quer ofensivas.eu disse a igreja que nós perdemos um pouco da nossa característica. Costas (1942-1987) nasceu em Porto Rico e faleceu nos Estados Unidos. Foi reitor e professor do Seminário Bíblico Latino-Americano de Costa Rica. como castigados. Assim é o ministério pastoral. quer defensivas. Costa Rica. transparência. por infâmia e por boa fama. entretanto bem conhecidos. Ser paciente para com os demais. como desconhecidos e. Temos dado pouca ênfase nas manifestações do Espírito. Pouco falamos sobre os dons do Espírito. Não ficar alheio ao que acontece no mundo. em San José. porém não mortos. vitimado por um câncer.Em quinto lugar Paulo mostra o que devemos fazer em nosso ministério.Há uma série de paradoxos neste texto. Além disso. . onde também foi professor de missiologia e diretor de estudos hispânicos. no Espírito Santo.na palavra da verdade. na bondade.

Embora reconhecesse o valor. calorosa e esperançosa? Ele é amoroso? Sua fé é vista através da ação? A fidelidade. participando da V Semana de Atualização Teológica. René Padilla. por exemplo. Admirou a liderança jovem da igreja brasileira e criticou seu fraco desempenho teológico. Seu enfoque é a América Latina como um todo. Assim. Entre seus escritos são dignos de destaque o artigo Dimensões do Crescimento Integral da Igreja e o livro Compromiso y Misión. atrelada à ditadura militar do general Augusto Pinochet. O CRESCIMENTO NUMÉRICO DA IGREJA BRASILEIRA O crescimento numérico da igreja evangélica brasileira deve fazer parte do desejo de todo cristão sincero. (1). Crescimento de igreja sem saúde é mera inchação. 1. enveredou-se pela "libertação social e cultural". Nosso trabalho visa a igreja brasileira em solo brasileiro. Além disso. mas o mundo em sua complexidade. também não pode servir como critério de avaliação de crescimento. faz um comentário interessante sobre as dimensões do crescimento integral de Orlando Costas em seu artigo Avaliação Teológica do Ministério Integral em Servindo com os pobres na América Latina: Modelos de Ministério Integral. não se deixava impressionar simplesmente com números. Contudo. Entendendo que a fé não é "uma herança familiar". Orlando Costas. segundo Costas. o que requer a mobilização da igreja em busca de uma prática libertadora integral. Entretanto. Ele entendia que antes de tudo algumas questões importantes deveriam ser levadas em consideração. Padilla é amplo demais. entendendo que a missão da igreja não é simples comunicação da fé. por exemplo. 201 . saúde sem crescimento é contradição de termos.Orlando Costas esteve no Brasil em junho de 1984. o rol de membros de uma igreja. Haja vista o clássico episódio em que Orlando Costas visitou uma igreja pentecostal no Chile. Questionou a hegemonia política na América Latina. constatou que uma igreja como aquela não podia crescer saudavelmente estando. pois o crescimento deve ser o resultado natural de uma igreja saudável. Costas rompeu com a cultura anglo-saxônica e a mentalidade colonialista que subjuga os povos latinoamericanos. O renomado teólogo considerava-se um "teólogo na encruzilhada". Esta pesquisa é uma simples tentativa de se aplicar os conceitos de crescimento da igreja de Orlando Costas a nossa realidade brasileira. a importância e a necessidade de uma igreja crescer. Não é um trabalho original no que se refere ao estudo dos tipos de crescimento propriamente dito. Chegando lá. rejeitando o que chamou de "império norte-americano". era cuidadoso em sua análise de crescimento numérico de uma igreja. como por exemplo: O crescimento é motivado pelo Espírito Santo? O crescimento está relacionado com os frutos do Espírito? A fé do crente é vibrante. tal crescimento não deve ser almejado e nem considerado sadio quando a ética cristã está em jogo. sentiu-se atraído pela evangelização do povo latino-americano. porque uma igreja que não cresce está fora dos propósitos de Deus. ao mesmo tempo.

Orlando Costas dizia que o crescimento numérico da igreja. Por outro lado. com pouca ou nenhuma perspectiva de sua missão e de seu crescimento. É importante deixarmos claro que Orlando Costas não era (e jamais foi) contra o crescimento da igreja. esta não é a realidade geral em nosso país. Porém. É preciso discernimento e critério de avaliação.espiritualidade e encarnação (2) estão presentes na vida da igreja? Estas questões são fundamentais para se avaliar o crescimento da igreja brasileira hoje. Entretanto. e por uma razão óbvia: no Brasil existe uma forte tendência em se achar que todo e qualquer crescimento de igreja é obra do Espírito Santo. Os extremos são sempre perigosos. Contudo. de acordo com os preceitos bíblicos. existem aquelas que experimentam um crescimento fenomenal e intrigante até. segundo Orlando Costas. deve ser criteriosamente analisado. Na questão de crescimento da igreja não podemos ser totalmente crédulos de um lado e nem céticos do outro. engessadas em suas tradições ou em seus usos e costumes. De acordo com ele. e com razão. Pelo contrário. pois nenhuma igreja foi formada para ficar estagnada e parada no tempo. outras nem tanto. mas que estão crescendo saudavelmente. As igrejas pentecostais do Brasil sempre serão um desafio saudável às igrejas históricas. O que. por si só. Contudo. todas devem crescer. Embora nem todas as igrejas tenham vocação para ser mega-igreja. Costas entendia que estas devem ser preocupações salutares e necessárias. Isto é um princípio bíblico que Costas fazia questão em destacar. fica a pergunta: aquelas estão crescendo realmente com saúde. "é parte fundamental do ser da igreja" (3). ou mesmo a falta dele. esta dimensão inclui aspectos da vida interna da igreja como "sua forma de governo. sua estrutura financeira. seus líderes. o tipo de atividade na qual investe seu tempo e recursos e sua celebração cultural" (4). As indagações levantadas por Costas precisam ser ponderadas por todos nós. Todo crescimento de igreja. do mesmo modo como estas deveriam crescer? 2. sabemos de tantas igrejas que estão marcando passo. O CRESCIMENTO ORGÂNICO DA IGREJA BRASILEIRA Vimos no tópico anterior que o crescimento numérico não tem sido tão favorável para a igreja evangélica brasileira de modo geral. esta não é a regra geral. eram os meios muitas vezes utilizados para se chegar em tal crescimento. O que não significa dizer que não haja igrejas crescendo com autenticidade. E por que não? Porque nem sempre a ética cristã de uma vida santificada tem andado de mãos dadas com o crescimento de nossas igrejas. O que Costas questionava. Temos no Brasil igrejas abençoadas: algumas grandes. não pode ser aceito como crescimento verdadeiro. o crescimento orgânico da 202 . Independente de ser pentecostal ou histórica. E o que dizer do crescimento orgânico da igreja? Primeiramente é preciso saber o que é crescimento orgânico na concepção de Costas. propriamente dito.

o responsável pelo envio dos primeiros missionários ao Brasil em 1555 (9). mas. uma igreja missionária. cerca de 80% a 90% dos recursos financeiros. A nossa evangelização. denominação da qual sou pastor. só que agora como embaixadores de Cristo" (7). ou reuniões de oração e grupos de discipulado. todavia uma nova pessoa com novas convicções e padrões. ainda tem muita estrada para se rodar. Boa parte de nossas igrejas que pensam serem missionárias na verdade apenas fazem missões. pois é preciso resgatar por 203 . A igreja evangélica brasileira de modo geral ainda não se conscientizou de sua missão fora dos portões como sal da terra e luz do mundo (cf. na intenção de constituir-se em uma verdadeira comunidade com raízes autóctones" (6). se a 'muita coisa boa' estiver desassociada de missões. pena que às avessas. por outro lado. atualmente. o desafio da contextualização da igreja em uma situação histórica definida. até porque o maior potencial de uma igreja é o crente novo.igreja não deve ser introspectivo. Infelizmente a IPB é hoje o que jamais deveria ser. Sua obediência a Cristo se faz apenas mediante canais institucionais ou pietistas: reuniões e programas. Mt 5. uso do tempo e do templo estão voltados para o deleite de nossas próprias igrejas. voltado para dentro de si mesmo. A igreja que se orgulha de sua teologia calvinista esquece que Calvino possuía uma consciência missionária profunda (8) sendo. a IPB deveria ser. À luz do que vimos até aqui.13. Fruto direto da obra missionária de Ashbel Green Simonton em 1859. Costas fazia questão de deixar isso bem claro (5) e René Padilla interpretou muito bem o pensamento do missiólogo quando disse: "Ele (o crescimento orgânico) abrange. Há alguns anos escrevi uma lição para a escola dominical na qual dizia: "Reconhecemos que há muita coisa boa que uma igreja local pode fazer além de missões. essencialmente. a conclusão que chegamos é que a igreja brasileira não é. então não é tão boa quanto se pensa'. tira o convertido do mundo e jamais o envia de volta a ele. no geral. inclusive. porém. O crescimento orgânico é um dos tipos mais naturais de crescimento experimentado pela igreja brasileira. Segundo pesquisas. entre outras coisas. uma das denominações mais missionárias do país. formação de líderes. as igrejas tendem a 'eclesiastizar' seus membros.14). Se o primeiro mandamento de Jesus foi 'Vinde' o segundo foi 'Ide'. vem progredindo . Bruce Shelley expressou a mesma preocupação de Costas quando advertiu: "Infelizmente. É verdade que sua visão e missão. Nosso alvo deve ser a missão da mesma pessoa no mundo. Um bom (ou seria mau?) exemplo disso é o que a igreja geralmente faz com seus novos membros ou recém-convertidos. A igreja não pode servir de tropeço para ela mesma. de uns tempos para cá. As palavras de Shelley deve nos levar a uma reflexão séria. quando fazem! Um exemplo a ser considerado é a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). Devemos reentrar no mundo de que saímos.

Qualidade sem crescimento é inconcebível. Talvez um dos teólogos que mais chamou a atenção da igreja para sua dimensão conceitual (embora não com esta terminologia. mas caminha na esperança de um futuro promissor. 3. Martin Lloyd-Jones. O doutor costumava dizer. seu conhecimento da fonte dessa fé (as Escrituras). o que significa. por exemplo. consciente ou inconscientemente. embora a passos não tão largos como gostaríamos. segundo Costas. não apenas em seu aspecto teológico. "expansão na inteligência da fé: o grau de consciência que a comunidade eclesial tem a respeito da sua existência e razão de ser. cada dimensão da igreja só tem razão de ser se for vivenciada nas outras. o que vem comprometendo seriamente o evangelho e a aceitação do mesmo por parte da sociedade. que "se você estiver errado em sua doutrina. orgânica. A igreja evangélica brasileira ainda não entendeu como deveria essas dimensões e suas implicações. a igreja brasileira precisa passar por uma revitalização de suas estruturas. E de quem é a culpa? Certamente são daquelas lideranças que muitas vezes refletem em suas igrejas uma mentalidade tacanha e retrógrada. estará errado em todos os aspectos da sua vida" (11). A ausência de qualquer uma daquelas dimensões (numérica. sua compreensão da fé cristã. O CRESCIMENTO CONCEITUAL DA IGREJA BRASILEIRA A igreja brasileira não é um caso perdido. mas sobretudo na totalidade daquela missão integral que ficou perdida em algum lugar do passado. Isto está acontecendo porque a igreja. Infelizmente falta sã doutrina e santidade de vida no povo de Deus. orgânica e ética" (10). Esta dimensão dá à igreja firmeza intelectual para enfrentar a todo tipo de doutrina e capacidade crítica para evitar a fossilização e garantir a criatividade evangelizadora. Com a graça de Deus chegaremos lá! Aos poucos o velho conceito de fazer missões vai dando lugar ao ser missões. A qualidade da qual se derivam todas as outras dimensões. tornando-as mais funcionais e principalmente por uma estruturação doutrinária que se expresse na vida prática. começa a crescer conceitualmente também. além de uma conscientização missionária. Citemos um pequeno exemplo: Crescimento numérico sem qualidade pode ser comparado ao câncer que cresce mas não é bom. conceitual ou diaconal) acarretaria numa deficiência danosa. Pelo contrário. É importante lembrar que Orlando Costas entendia corretamente as dimensões do crescimento integral da igreja como um sistema interligado. Jones e notei que muito da preocupação conceitual de Orlando Costas era a daquele também. sua interação com a história dessa fé e sua compreensão do mundo que rodeia. tenha sido o Dr. São aquelas pessoas que confundem a boa tradição bíblica e evangélica pelo tradicionalismo 204 . um pastor britânico já falecido. Na verdade. Li vários livros do Dr. Saindo do particular para o geral.completo a boa herança reformada. propriamente dita. O crescimento conceitual da igreja é o que poderíamos chamar de "dimensão central da igreja". mas com a mesma ênfase). é uma igreja que está caminhando.

porém. porque. graças ao bom Deus. Para Costas. Hoje.mórbido. e sem qualquer preocupação de ser rotulada e perseguida por isso. precisa ser devidamente analisada e exercitada pela igreja brasileira como um todo. O CRESCIMENTO DIACONAL DA IGREJA BRASILEIRA Esta é a dimensão encarnacional da igreja. sem deixar de olhar para fora. boa parte das igrejas brasileiras está envolvida em trabalhos sociais. Evangelização e responsabilidade social são partes integrantes da missio Dei. etc. a consciência social da igreja brasileira hoje parece ser maior do que algumas décadas atrás. caminha lentamente pelo que a gente tem visto. esta dimensão que nos faz olhar para dentro de nós mesmos. 4. Contudo. ainda temos um longo caminho pela frente. inseparáveis e indispensáveis na missão integral da igreja de Jesus Cristo no mundo e para o mundo. quanto à participação nos problemas da sociedade. os cristãos foram colocados no mundo "para ser a consciência da sociedade" (13). ainda não amadureceu tanto em sua concepção de missão integral. Felizmente. a igreja que assumia sua responsabilidade social no mundo era taxada de comunista. Orlando Costas entendia que sem este crescimento a igreja perderia sua autenticidade e credibilidade no mundo. por outro. portanto. De uma igreja que se consolide pela visão integral de sua missão no mundo. inovação saudável e revitalizadora pelo inovacionismo e oba-oba. justamente porque ao se discutir prioridades (como por exemplo as que envolvem evangelização e ação social) a igreja deixa de fazer bem uma e outra coisa. se por um lado a igreja vem melhorando em sua visão social. À luz do que vimos até aqui fica difícil dizer: "A igreja brasileira tem esta cara". O crescimento diaconal da igreja brasileira. Vale lembrar. 205 . Que Deus nos ajude! Conclusão: Vivemos na esperança de dias melhores para a igreja brasileira. mas poderia andar um pouco mais depressa. É pena que a igreja foi. Estamos adentrando em um novo milênio e a igreja continua sonolenta em muitos dos aspectos de sua missão integral. já que "somente na medida em que conseguir dar visibilidade e concreticidade à sua vocação de amor e serviço ela pode esperar ser ouvida e respeitada" (12). liberalista. Uma consciência que estende a mão em ajuda aos fracos e oprimidos. ainda somos uma grande colcha de retalhos. influenciada pelos sistemas políticos e deixado de ser a voz profética de Deus na sociedade. e não faz muito tempo. De uns tempos para cá a igreja melhorou consideravelmente. A igreja brasileira não está parada. e muitas vezes tem sido ainda hoje. De certo modo. Mas ele não está estagnado. como ocorria em tempos atrás. A igreja brasileira não pode se calar diante dos males sociais. assim como as demais dimensões do crescimento integral.

D.. MISSIONS . espiritualidade e encarnação . Lloyd-Jones. 3. "Para Costas. III. 6. verbete ORLANDO E. 10. A IGREJA: O POVO DE DEUS (São Paulo: Vida Nova. 1984) pp. 11. AVALIAÇÃO TEOLÓGICA DO MINISTÉRIO INTEGRAL em Servindo com os pobres na América Latina (Curitiba-Londrina: Editora Descoberta. 113. 1998) p.EN CRISTO em Misión en el camino (Buenos Aires: FTL. op. 9. 1994) p. 7. 102.4. Costas. Bruce Shelley. cit. 13. A CONSCIÊNCIA MISSIONÁRIA DE JOÃO CALVINO em Fides reformata. COSTAS em Enciclopédia históricoteológica da igreja cristã. Cf. Sayão. mas com certeza esse dia vai chegar. nota 6. 206 . 101. 2. p. 362. 114. 12. O COMBATE CRISTÃO (São Paulo: PES. nº 1 (São Paulo: 1998) pp. Costas. Deus visitará seu povo e o avivará para honra e glória do Seu nome! NOTAS 1. M. T. Fred H..fidelidade. estas três qualidades ou critérios teológicos . 1988).THE HEIDELBERG CATECISM AND CALVIN em Calvin theological journal (1972) pp.7. Cf. Vol. Schipani. CREZCAMOS EN TODO. COMPROMISO Y MISION (San José: Editorial Caribe. 183. 117. Idem. I (São Paulo: Vida Nova. Idem. Costas. 1991) p. A. op. 126. 8. cit. 1992) p. 113. p. 5. podemos notar um avanço em todos eles. L.Comparando os quatro conceitos de crescimento de Orlando Costas à igreja brasileira. 29. klooster. René Padilla. Vol. DIMENSÕES DO CRESCIMENTO INTEGRAL DA IGREJA em A missão da igreja (Belo Horizonte: Missão Editora. Trata-se dos fatores ou princípios críticos em função dos quais avalia-se qualitativamente as várias classes e dimensões do crescimento eclesial e se prova a validez teológica de dito crescimento" (Daniel S. Nossa igreja brasileira ainda não é a igreja dos sonhos. 4. 38-49. Orlando E. Costas. p. Antonio Carlos Barro. a igreja que gostaríamos de ser..são as variáveis de controle em seu modelo de crescimento integral.. 1979) p.

ser espetacular e ser poderoso. mas aqui falo também como pastor . Trata-se de um desejo de compartilhar com meus irmãos e colegas pastores. Aprendemos com nosso Senhor Jesus em Lucas 5:15. Jesus percebeu o 207 . sem tempo para mais nada. corremos atrás de atender a um modelo ideal de pastor estigmatizado por esta cultura do sucesso que é aquele líder que está sempre ocupado. constantemente temos que provar o nosso valor. procuramos nos manter sempre ocupado. então preciso estar atarefado. e para tanto. 1º Perigo: O perigo de envolver-se tanto em atividades que negligenciamos nossa vida devocional. a nossa utilidade. e por fazermos parte de uma sociedade competitiva. Em razão disso. visitas. onde nossa identidade pastoral passa a ser derivada de nossas atividades.. Obviamente. Como sempre. em nossas muitas atividades eclesiásticas somos cada vez mais dominados por superlativos. um grande coral.16. Tornamo-nos daí pastores compulsivos. Abro aqui um parêntesis para recomendar a leitura do livro de Henry Nouwen “ No Nome de Jesus” . Cito Henry Nouwen quando ele afirma que na solidão. os quais tenho constatado em minha própria caminhada. Orgulhamos por ter uma grande Igreja. alguns perigos do ministério. escrever artigos. Conscientemente ou não. separar tempo para planejar.. são sutilezas que procuram desestabilizar e adulterar o nosso pastorado. Penso que na essência.16 afirma “ele porém se retirava para lugares solitários e orava”.. preparar estudos e sermões. descobrimos que ser é mais importante que ter e que valemos muito mais que o resultado de nossos esforços. etc.. Solidão é o remédio contra o ativismo pastoral. Sutilmente somos enganados. Parece uma ousadia falar assim aos pastores. O v. logo pensei em algo sobre o ministério pastoral. Mas voltando. que a ação interna (oração) tem precedência sobre a ação externa (proclamação).em nossa vida agitada e cheia de atividades temos fracassado em separar tempo para a solidão afim de aprofundarmos nossa vida espiritual. todo pastor deseja grandes mudanças em suas igrejas e daí a quantidade exorbitante de atividades a que nos entregamos todos os dias: aconselhamentos.Parte XXXIII PERIGOS SUTIS AO MINISTÉRIO PASTORAL "Quando fui convidado para escrever este artigo para a nossa Revista PROPOSTA. existe por trás deste excesso de atividades uma cultura – nosso mundo é voltado para o sucesso.15 nos informa que muitas pessoas procuravam a Jesus para serem curadas por ele e o v. como evitar cair na armadilha do excesso de atividades ? A resposta é a mais simples possível: Precisamos praticar um tempo a sós com Deus. um grande. reunir-se com a liderança. Se estar atarefado é ser importante. fazer ligações telefônicas. onde o autor fala de três tentações mais comuns no ministério pastoral: ser relevante.

deixando de pastorear pessoas. Não me entendam mal. está o fato de que precisamos preparar pessoas para o ministério. do formato novo do boletim informativo. Nós pastores insistimos com nossas ovelhas sobre a necessidade delas terem um tempo a sós com Deus. Pouco a pouco todos se transformam em instrumentos de trabalho. sem. Começamos a medir o sucesso no ministério pela popularidade de nossos projetos. Nós pastores precisamos pastorear.perigo e não caiu na armadilha de se entregar ás atividades.. são um prejuízo para a fé e um empecilho para o crescimento da igreja. ao mesmo tempo. Jesus não era inclinado à programas. das reformas feitas na estrutura física da igreja durante nosso pastorado ali.. negligenciando sua vida devocional. e que ter uma vida profunda de oração não perde o seu valor quando somos ordenados ao ministério. homens e mulheres com quem vivemos e trabalhamos podem se tornar meros objetos. Para fazer isto preciso gastar tempo com as pessoas – ajuda-las. ouvilas. Diferentemente de nós que somos movidos para a produção. aconselha-las. Corremos o perigo de abandonarmos nossa função como pastor. Talvez devêssemos perguntar: Como posso saber se estou sendo bem sucedido no cumprimento de meu ministério? Creio que Efésios 4:11-15 delineia qual é a expectativa de Deus para nós pastores – Dentre algumas das medidas de sucesso em nosso ministério. etc. 2º Perigo: O perigo de reduzir a funções e projetos a pessoas que Deus nos mandou pastorear. Quando nos tornamos pastores.. Neste processo da secularização da igreja. a “ exigência” é que devemos nos retirar do 208 . Deixe a administração com o presbítero regente. dos terrenos que a igreja adquiriu. mas à pessoas. Para isto é que existem presbíteros regentes e docentes.. etc. Precisamos ser lembrados que fomos chamados para pastorear e não para administrar.Pessoas são a razão de nosso ministério. Quando olhamos para o ministério de Jesus. Mas não podemos nos esquecer que somos ovelhas também. e nos tornamos administradores e secretários de Igrejas. movida á produção. o perigo é sutil. verificamos que ele passou mais tempo cuidando de pessoas e conversando com elas do que em qualquer outra coisa. usamos estas pessoas como empregados para cumprirem uma missão que nem sempre é de Deus e sim do pastor. 3º Perigo: O perigo de se afastar tanto do mundo que perdemos a consciência de que o mundo é nossa paróquia. A princípio não há nada de errado em tudo isto. dedicar tempo ás nossas ovelhas para visitá-las e orienta-las espiritualmente. O pastor que imita as ações e a pregação de Jesus. imitar sua vida profunda de oração. Sob a pressão de que estão trabalhando para Jesus.

por exemplo. Pessoas com crises no casamento. Creio que já está na hora de desenvolve-lo “fora da igreja” também. medo da violência. fazer parte da sociedade amigos de bairro. Se faz necessário construir relacionamentos. Eram pessoas aflitas. seguindo seu próprio cronograma e agenda. É surpreendente ver que Jesus não agiu desta maneira. De tanto se afastar do “mundo”. vemos o mundo como algo mal. Creio que para evitar que nosso pastorado seja adulterado. etc. os vizinhos que moram próximos á igreja.Ele não resumiria seu ministério apenas aos salvos. precisamos buscar a “paz da cidade” ( Jr 29:7 ) e para tanto é mister nos envolvermos com ela. penso que temos que responder a três perguntas: 1) Quais são as atividades que você tem durante a semana em que você se coloca na presença de Deus na perspectiva de ovelha. talvez pela sobrecarga de trabalho.. um inimigo ou um competidor de nossa espiritualidade. Eram pessoas exaustas. emocional e existencial.mundo e nos entregarmos ao trabalho de uma instituição religiosa que se dedica a seus próprios assuntos. estabelecer amizades e se identificar com as pessoas da comunidade. etc. colocamo-nos em competição contra ele. exaustas e sem rumo na vida. Aflitas por falta de trabalho. simplesmente levanos a evita-lo. teremos que duramente admitir que ele andaria pela nossa cidade. visitando asilos.. não ter tempo para o lazer ou por causa dos problemas do dia-a-dia. precisamos. o prefeito da cidade. ou. lanchonetes. na vida profissional.. Nós pastores precisamos seguir o exemplo de Jesus e olhar para a nossa cidade. nossa linguagem vai se tornando “igrejeira” e quem é de fora entende muito pouco do que falamos.. sejam crentes ou não. Nas palavras de Eugene Peterson “quando o trabalho que executamos para Jesus como pastores esmaece nossa consciência do mundo. hospitais. A título de aplicação daquilo que foi dito aqui.Assim. visitar a Câmara Municipal. sem acesso a uma boa escola e inseguras quanto ao dia seguinte. Em Mateus 9:36 lemos que Ele andava pela cidade e vendo as pessoas compadecia-se delas porque eram como ovelhas sem pastor. prisões. podemos dizer que nossa ordenação foi adulterada”. Nossa espiritualidade pastoral não pode ser desenvolvida apenas dentro da igreja. problemas com os filhos. de filho e não de um funcionário da igreja? 209 . Imagine se Jesus fosse o pastor de sua igreja! Por onde você acha que ele andaria ? Quem ele visitaria ? Se formos bem honestos. nos enfiamos nos trabalhos da Igreja que consomem todo nosso tempo e energia e cada vez menos nos interessamos pelo mundo lá fora. para o nosso bairro e ter uma proposta pastoral para estas pessoas aflitas. Erroneamente. afasta dele o foco de nossa atenção. Nosso ministério corre o perigo de ser exercido basicamente dentro da Igreja. O texto ainda fala que eram pessoas sem rumo na vida. nos envolver em atividades promovidas pelas pessoas da vizinhança.

e detêm funções de liderança aqueles soberanamente escolhidos para esse cometimento. foi humilde bastante a ponto de atender conselhos que lhe foram dados. e Moisés reconhecia as suas próprias (Ex 4. hábil na distribuição de tarefas (vv. pessoas de palavra e não avarentos (Ex 18.7). homem submisso ã vontade de Deus (Js 6. Nicholas Murray Butler que disse haver três tipos de pessoas no mundo: · as que não sabem o que está acontecendo. FUNDAMENTO BÍBLICO DA LIDERANÇA CRISTÃ Deus utiliza seres humanos como seu método. Desse modo. e 1Timóteo 3. Na Igreja de Cristo é a liderança desse corpo. Dr. ambientes que você freqüenta e pessoas com quem se relaciona que facilitam sua ação como sal da terra e luz do mundo? Parte XXXIV REFLETINDO SOBRE LIDERANÇA CRISTÃ Há um lugar especialíssimo para a liderança na visão do Novo Testamento.2).21). Uma música popular dos anos 70 de forte mensagem diz que "quem sabe faz a hora.6).10). transmite-o a homens fiéis.1-13 oferece o padrão para os ministérios pastoral (ali denominado "episcopado") e diaconal. mas a função do líder é liderar. treinou os líderes escolhidos dentre critérios bem determinados: que fossem capazes. 6. 11-16 apresenta a plataforma de liderança da Igreja Apostólica. Como parte do seu aprendizado. nos EUA. TEOLOGIA DA LIDERANÇA 210 . segundo a Versão da IBB (Rm 12.8). há de ser lembrada a palavra de Paulo em 2Timóteo 2. · as que observam o que está acontecendo e · as que fazem com que as coisas aconteçam. Assim é que Efésios 4.27). mas no seu aprendizado teve que aprender a delegar (Ex 18. com Josué e com os apóstolos.20. É um Josué. que sejam idôneos para também ensinarem os outros".10). Paulo usa a expressão "a graça que nos foi dada" (Rm 12. Assim aconteceu com Moisés. Nancy DUSILEK no seu Liderança Cristã: a arte de crescer com as pessoas. e em dar ordens claras (v. cita o ex-reitor da Universidade de Colúmbia.2) Quem são as pessoas que estão sendo afetadas pela sua vida? Pela convivência espiritual com você? 3) Quais os lugares. Parece ser o óbvio. não espera acontecer". mas de presidência a ser exercida zelosamente. tementes a Deus.2: "e o que de mim ouviste diante de muitas testemunhas. São essas últimas que detêm o dom de liderança. Não é função de mando. Quanto à liderança espiritual e à preparação de outros líderes da igreja apostólica. Um líder tem limitações.

o líder é estimula a desenvolver seu potencial (1Co 11. por outro lado. aliada a esta. todos agindo. pois essa virtude determina o verdadeiro objetivo da liderança cristã que é o ser servo (cf. Fp 1. É um com o seu povo. autoridade de mando".10-12. Do líder cristão é esperada a dynamis como fundamento e veículo da sua autoridade espiritual e da sua atividade de condutor de vidas. e utiliza para tanto os dons dos seus liderados e associados. Lamentavelmente. e desse modo leva os seus liderados aos cometimentos propostos. 1Co 12. Se estamos falando de conduzir para Deus. "poder da técnica" e "autoridade dos idosos". QUALIDADES DO LÍDER · No mínimo as seguintes qualidades podem ser destacadas.41-48 apresenta uma palavra de Jesus Cristo a esse respeito. na falta de autêntica autoridade espiritual. o líder é servo.Recorde-se de que liderança cristã é "o trabalho de despertar e conduzir o ser humano para Deus e para tudo o que dEle recebeu". Gl 5. 1Co 9. Mt 20. autoridade". falemos igualmente de fé. observa-se uma profusão de kratos em numerosos líderes com sede de manipulação. judeus e gentios. são igualmente basilares. e pela fé.27. pela fé a unidade da igreja é mantida. Mas o líder cristão reconhece que não o faz por mérito próprio: Deus está com ele (Ex 3. Além disso.4). Vocábulos como democracia. Romanos 16 o lembra com extrema clareza: havia naquela comunidade cristã: mulheres.1). Pela fé. traduz "força. livres.28.13. Lc 22. que é o "partir para a ação". potência". mesmo. e dando-nos vocábulos como dínamo. determinados títulos "religiosos" com o propósito de "autenticar" o poder de mando e comando. de detenção de poder decisório que só evidenciam que. jovens e idosos. Hb 11. Lucas 12. a preeminência. assumindo. dinamite e dinamismo. · A competência e o espírito de iniciativa. reagindo e interagindo para o bem comum e para o bem da causa de Jesus Cristo. Pelo próprio conceito da palavra (leader>líder). tecnocracia. A primeira é ter ideal. Dynamis. Porque o serviço é inerente à função. libertos e escravos. Duas palavras gregas são elucidativas do conceito de poder: kratos e dynamis. É observar o que diz 2Coríntios 11. ter visão: alma e olhar de condutor de vidas.19. pois sem essa virtude é impossível agradar a Deus (cf. O líder cristão deve agir com fé.24-31. Não é demais dizer que a Igreja é variada e multiforme. permitindo que se chegue ao universo semântico de "força ou espiritual. o líder é um condutor. conforme ensinou MINERVINO. e. homens. Kratos é "poder. especialmente no sentido de "poder político. comando. energia". passam a buscar o controle. o líder cristão exerce a perseverança.1). gerontocracia veiculam a idéia de "poder do povo". atividade. 211 .6). de dinamismo ungido. Mais: o líder tem poder.

Planejamento que envolve algumas análises preliminares: estabelecimento de objetivos. tomando-se por base o alto índice de exclusões. Tais confrontações se materializam na leitura do perfil traçado de muitas de nossas igrejas. sem sombra de dúvida. controle da situação e avaliação do realizado. · Em seguida. das circunstâncias do presente e das tendências do futuro. Parte XXXIV REVITALIZANDO A IGREJA Introdução: Aonde chegaremos como igreja se continuarmos insistindo em ser apenas o que temos sido e em praticar somente aquilo que temos praticado nestes últimos anos? Essa pergunta estabelece a relevância do presente trabalho. Precisamos estudar mais as nossas doutrinas. O líder há de ser equilibrado. expressa na média Brasil batista de integração que é de 40% apenas. vale ressaltar. plenitude de sabedoria e de fé (cf. às posturas e aos valores da instituição. o número de dizimistas fiéis. a média do número de membros e a incontável massa de líderes neopentecostais oriundos de nossa denominação. Se analisarmos muitas de nossas igrejas sem ufanismo e sem o amor platônico que nos foi inculcado.3 descreve o equilíbrio desejado: boa reputação (cf. temos que a admitir que a situação é caótica. segurança e confiança. Funções do Líder Previsão e visão que envolvem.2). análise dos acontecimentos do passado. formam o perfil do líder cristão. Outra importante função da liderança é a defesa. o compromisso dos membros no exercício de cargos e no sustento da igreja com a indiferença reinante. autenticidade e comunicação. plenitude do Espírito Santo. E dentro disso. 1Tm 3. e Atos 6.· Segue-se a tenacidade aliada à serenidade. com o arcaísmo saudosista e excludente praticado por aqueles que insistem em não pensar a batistandade. escolha dos meios para a realização do planejamento. imaginação e rapidez de raciocínio. v. ao lado da simpatia.5). deveríamos corre o risco de rever os nossos 212 . que se justifica quando confrontamos o projeto da maioria de nossas igrejas com o potencial das igrejas batistas. · que. a necessidade de revitalização da igreja para a sobrevivência no mundo globalizado com o tradicionalismo embotador imposto por um seguimento de líderes denominacionais ideologicamente ultrapassados e quando confrontamos a gradativa contextualização denominacional em seu interminável repensar. a postura apologética diante das ameaças à doutrina.

o que cremos. que nos manterá atrelados a Palavra de Deus. em Eclesiologia. Este momento. o modelo e as estratégias para que não sejamos vitimados por uma nulidade eclesial devastadora. A igreja que busca a revitalização tem o privilégio e o compromisso de prosseguir sempre vitoriosa. o que devemos fazer. é retomar os princípios bíblicoteológicos desprezados e é reordenar a estrutura. as devidas respostas. a luz dessa missão. principalmente a igreja. devemos avaliar as nossas convicções doutrinárias. buscando compreender o nosso corpo de doutrinas. Antes que a perda da identidade e da relevância no mundo como igreja ocorram. mas creio que devemos urgentemente buscar a revitalização de nossas igrejas. Qualquer instituição. É essa consciência de missão. * Missão é a definição objetiva e clara da nossa identidade como igreja local. fica mais fácil por que somos batistas e não devemos prescindir dessa 213 . Aqui. se não sabe ao certo o que deve fazer e se não tem noção clara das estratégias possíveis para fazer o que deve. que direcionará os nossos olhos sempre para o ideal de Cristo para a igreja. Antes que a igreja se prostre em nostalgia e desemboque nos questionamentos que provocam a rotura que tem como fim último o desaparecimento da igreja. No nosso caso. A primeira resposta é sobre a missão. precisamos desenvolver uma genuína consciência de missão que propicie uma visão objetiva do que somos e do mundo para o qual pregamos. quem somos. carecemos de uma reformulação da proposta de educação teológica e prosseguir repensando a denominação. é a leitura hermenêutica do traçado histórico da igreja e a constatação da situação real em que nos encontramos. Devemos revitalizar. Revitalizar é reafirmar tudo aquilo que é bíblico. quando bem definida. o que realmente permite que a igreja redirecione seu foco e retome os propósitos de Deus para o seu ministério e para o cumprimento de sua missão evangelizadora. cabem duas perguntas.Missão e Visão: ferramentas para a revitalização da igreja Se é nosso desejo revitalizar a igreja para augurarmos relevância ministerial na proclamação do evangelho. e a nossa missão prática no mundo.posicionamentos doutrinários. a partir de uma conceituação teológica. sucumbe a historicidade e torna-se dependente do tradicionalismo conservador de nulidades e acalentador da nostalgia petrificante. o que é a nossa missão e qual seria. independente da Denominação. os nossos objetivos e a nossa estrutura organizacional. e que determina a qual denominação nos filiar. devemos elaborar a nossa declaração de missão. para a retomada dos ideais de Cristo para a igreja e a manifestação da glória de Deus em nossos arraiais. I . que estabelece a nossa identidade. a nossa visão? Vejamos. Se esperamos ser igreja viva para cumprirmos o nosso papel no reino de Deus. bem como a nossa declaração de visão.

mas para levarmos a cabo esta grandiosa tarefa carecemos de uma previsão dotada de discernimento e alicerçada na compreensão do que deveríamos ter feito como igreja de Cristo nestes mais de 120 anos de história. Precisamos ou não de revitalização? Carecemos ou não de redescobrir a nossa missão? Necessitamos ou não de restaurarmos a nossa visão? A resposta para estas questões é um altissonante e retumbante sim! Não podemos negar a necessidade de restaurarmos a nossa visão para que obtenhamos vitória de Deus no cumprimento da nossa missão. Vale ressaltar a necessidade de adaptação à realidade da igreja local. para onde direcionar os nossos olhos. bem como uma identidade denominacional definitivamente Batista. O que a CBB busca fazer com a aprovação do parecer do GT Repensando na última Assembléia convencional. sequer. * Visão é. Temos um verdadeiro desafio missionário no Brasil e no mundo. buscamos nos arraiais batistas as respostas possíveis e as apresentamos no presente trabalho.identidade denominacional. basta olharmos para o tempo de permanência da igreja batista no País e confrontarmos com o número de membros que somamos. não temos o que olhar ou. Tomando por base o livro de Darrell Robinson. mas carecemos de saber e de definir conceitualmente o que é ser batista no terceiro milênio. Na verdade. a partir da compreensão de nossa realidade efetiva. não tradicionalista. II . o que cremos e o que devemos fazer. Negar a necessidade de revitalização é como usar antolhos históricos e eclesiológicos. bem como a nossa declaração de visão. no caso de se considerar apropriada a presente propositora. Isso é ter visão. Agora vejamos a resposta sobre visão. no afã de definirmos nossa declaração de missão. Se não sabemos quem somos. Nossa missão precípua é a evangelização. Um número inexpressivo se comparado a densidade demográfica verificada no censo 2000 e divulgada pelo IBGE. nos deparamos com a premente necessidade de definirmos as nossas reais intenções ministeriais a fim de que adquiramos características eclesiológicas e expressão cúltica puramente bíblicas. Não podemos acreditar que está tudo muito bom. a imagem futura que fazemos do lugar onde pretendemos chegar como igreja e a concepção filosófica de como vivemos como igreja de Jesus no mundo. Nossa visão do mundo e de nós mesmos como igreja é determinada e condicionada pela nossa consciência de missão.Declaração de Missão e de Visão cabíveis para a revitalização da igreja Acreditando serem positivas as respostas às questões colocadas. conforme as últimas estatísticas denominacionais. que apresenta a nova análise 214 . Mais de 120 anos de igreja contra aproximadamente um milhão de batistas.

18. sob sua autoridade e seu senhorio. que apresentam a Grande Comissão delegada por Jesus e ainda. A imagem visual se projeta e se define a partir da construção da imagem mental que se faz. capacitando-os. A nossa missão só pode ser baseada em textos como Mateus 28. que determinam a formatação missiológica designada pelo próprio Cristo para a sua igreja. Temos o mesmo Senhor e Cabeça. Essa visão está de acordo com os princípios do Novo Testamento e vem do Cabeça da igreja. vivendo. e de 1 Pedro 2.15.21. afirmamos que: * Nossa visão é ser Corpo Vivo de Cristo. ainda tomando por base Darrell Robinson. Com relação a visão. que apresenta a igreja como poderosa e vitoriosa no embate contra o inferno. em textos como Lucas 24. visto que desejamos estar afinados com a batistandade. como santos de Deus. É isso que podemos deferir de textos como Mateus 16. Jesus. cumprindo a nossa missão evangelizadora com autoridade espiritual e relevância sociocultural.bíblica dos dons espirituais no contexto Batista. que nos posiciona como casa espiritual e ministradores do sacerdócio universal praticado em genuína espiritualidade. após a conversão. É a cabeça que impõe a visão. III . ou mesmo redefini-las. de suas doutrinas e de suas estratégias ministeriais. essa missão promoverá relevância histórica e ministerial para a igreja.Antíteses indispensáveis para a revitalização bem-sucedida É extremamente produtivo definir a declaração de missão e de visão.1-5.44-48 e João 20. Sobre a missão. para a exaltação de Cristo. coletiva e individualmente. se deseja cumprir sua missão. se entendemos que se faz necessário. com todas as suas implicações. incitando seus membros e sua liderança à constante renovação do entendimento de si mesma. Colossenses 1. O tamanho da igreja é diretamente proporcional a visão que seus membros têm de Deus e ela cumpre sua missão na mesma proporção em que crê no poder de Deus ainda atuante no mundo.18.19 e 20 e Marcos 16. Jesus. mas este labor impõe antíteses entre o tradicionalismo da batistandade e a tradição bíblica que deve ser abraçada 215 . podemos asseverar que: * A missão da nossa igreja é evangelizar os pecadores. Não há mistério nem inovações. exercendo influência ético-cristã na sociedade. Logo. a fim de que obtenhamos contundente autoridade testemunhal em Cristo. Esta declaração de missão proporciona uma vida eclesiástica equilibrada e contém tudo que é essencial para o fortalecimento doutrinário. para a maturidade espiritual e para o crescimento numérico da igreja. A igreja deve se permitir a uma permanente autocrítica e praticar uma continuada hermenêutica histórica. definimos a nossa declaração de missão e de visão.

a perda de seus membros para a igreja neopentecostal que se acampou nas redondezas. Filosoficamente. visto que a maioria dos nossos membros. tradição consiste em sabedoria e discernimento quanto a validade das instruções e as noções religiosas transmitidas de geração para geração. Em síntese. Em Teologia rejeita-se o tradicionalismo devido a sua origem no iluminismo e o seu ponto culminante. que são verdadeiros e que estabelecem os parâmetros e a validade do cristianismo. tradição é a herança cultural transmitida de uma geração para outra. Diversos líderes postergam ao máximo a decisão de iniciar a revitalização da igreja na tentativa de evitar os desgastes decorrentes destas antíteses. A doutrina dos apóstolos nada mais é do que os ensinamentos espirituais transmitidos por Jesus. onde a palavra no original significa preceitos doutrinários e está condicionada a doutrina dos apóstolos citada em Atos 2. e até mesmo boa parcela dos nossos líderes. É a transmissão de valores espirituais através das gerações. no século XVII. A primeira Denominação Cristã surgida foi o Catolicismo Romano. Em Teologia. Tradicionalismo é aferro ou apego. tradicionalismo é a defesa explícita da tradição no âmbito do espírito romântico. não sabe a diferença efetiva entre uma coisa e outra. visto que tais movimentos foram uma tentativa idealista de se devolver à Igreja Católica Romana a absoluta autoridade sobre as questões religiosas. que monopolizou a igreja até o movimento de Reforma Protestante. vemos em 2 Tessalonicenses 2.2 indicações para se preservar a tradição. ao final. tradicionalismo é um mal devastador que afasta as pessoas 216 . No contexto bíblico. classificando como tradição o que se entende ser verdadeiro e não necessariamente a verdade. visando preservar as crenças. lidar com estas antíteses não é nada agradável e exige uma firmeza doutrinária hercúlea e uma identidade denominacional capaz de intercambiar relacionamento sem se permitir ser influenciado. Tradição é ato de transmitir ou de entregar. Filosoficamente. no século IV. É o único reconhecimento e a única garantia da verdade. Não há na Bíblia qualquer referência a tradição denominacional. a Revolução Francesa. Na Bíblia. amor exagerado aos usos antigos.15 e em 1 Coríntios 11. até porque denominação não existia no período da Igreja Primitiva. muitas vezes lamentando.42.pela igreja de Cristo denominada Batista. a questão reside na compreensão da diferença entre o que é ser uma Igreja Tradicional ou uma Igreja Tradicionalista. Muitas vezes. ou seja.

Jesus combateu a tradição dos anciões. o que não se pode prescindir como Batistas. após a revitalização. Mateus 23. Tradição é a fé viva dos mortos". no que diz respeito a Eclesiologia. mais informal e menos eclesiástica. na comunhão. A Eclesiologia trata dos postulados filosóficos sobre o ser igreja. na educação cristã.8-15. na forma do praticar o culto. não são temas contemplados no estudo da Eclesiologia Batista. não o perfil do pastor. Na verdade. escribas e fariseus. utilizar bateria e guitarras. nada. Os ajustes doutrinários possíveis são os promovidos pela CBB. a Declaração de Missão e de Visão. deve-se estabelecer os objetivos gerais que a impulsionarão e que indicarão o seu modo peculiar de ser igreja viva na adoração. Depois de se permitir a estas antíteses. por que a igreja terá uma identidade denominacional e doutrinária própria. Terceiro. a diferença fundamental entre tradição e tradicionalismo se identifica no quadro que se segue Este quadro reflete algo que já ouvi do próprio Pr. Tendo definido. doutrinariamente.do ideal de Deus para escravizá-las com rudimentos humanos ou para enganá-las com sutilezas diabólicas. a pergunta talvez seja. primeiro. renunciando tradicionalismo histórico e promovendo mudanças radicais de vida nos membros da igreja. na formação da liderança. bem como cantar hinetos ou fazer coreografias nas músicas. visto que bater palmas.1-7. Segundo. nada mudará também. que será mais efetiva e sempre direcionada pelo serviço cristão.1-13 e Colossenses 2. As mudanças se efetivarão na expressão cúltica. nos ministérios e na proclamação. Ed Kivitz em assembléias convencionais: "Tradicionalismo é a fé morta dos vivos. acusando-os de subjugar o povo com um fardo extremamente pesado que nem mesmo eles suportariam carregar. A igreja apenas se adequará a estes ajustes para permanecer fiel a Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira. fazendo o que todas as igrejas devem fazer. como no caso do Espírito Santo. que impunham ao povo 365 proibições e 250 mandamentos. No contexto da igreja que busca a revitalização e que está disposta a se permitir as antíteses necessárias na avaliação de sua prática eclesiológica e cúltica. pode-se então 217 . que será ajustado ao Texto Sagrado.Objetivos gerais para uma igreja de visão no cumprimento de sua missão Para que a igreja tenha a motivação correta. Marcos 7. A igreja se tornará mais contextualizada e menos ritualista. o que vai mudar realmente? A resposta não é simples e nem resumida na palavra tudo. Em quarto lugar. IV . porém do jeito e da maneira mais apropriada para a realidade sociocultural na qual interage. as mudanças reais acontecerão. e não pela iconografia muitas vezes perniciosa. como batistas.

Tito 2. Somente instrução bíblica com esta perspectiva pode oferecer à igreja referências claras de ensino bíblico profundo que se conciliem com uma unção incontestável na vida comunitária do cristão. Podemos agora asseverar que os objetivos gerais de uma igreja revitalizada são os seguintes: 4. A vivência prática da fé. 2 Timóteo 4. com dedicação.39-47 e Tiago 1. despertado pela amizade e pela convivência com o cristão. À medida que os cristãos trabalharem nas igrejas conscientes dos compromissos do sacerdócio e sabedores dos seus Dons espirituais para o ministério.11-14 e 1 Pedro 2. 2 Coríntios 5. é fator determinante na evangelização.1-2 e 1 Pedro 3.Deve-se levar os membros da igreja ao entendimento de que todos somos sacerdotes para Deus. não trabalharão mais por suas próprias forças. pois representamos o povo diante de Deus.Praticar o evangelismo responsável é. por mais ortodoxa que seja e por melhor que seja a sua doutrina. Mateus 3.8-9 e 28. Em outras palavras. a motivação da igreja revitalizada deve derivar dos objetivos gerais definidos a partir da consciência de missão e da visão alargada em seus horizontes. certamente.21-24. dificilmente experimentará crescimento real se não aprender a vivenciar e a transmitir a outros a sua fé de forma pessoal e contagiante.8. Vale ressaltar que a motivação da igreja deve ser a consciência objetiva quanto a missão e quanto a visão futura que se projeta do quanto se deseja alargar os horizontes do reino de Deus a partir do ministério prático da igreja.20.14 e 15. Atos 1. ensinando aos membros da igreja as verdades de Deus em sua Palavra. mesmo que tenha um conhecimento bíblico apurado. mas o Espírito Santo trabalhará neles e através deles. capacitando-os a vivenciar o quotidiano conforme o propósito de Deus. 4. e uma dedicação extremada ao serviço cristão na igreja. 4. não depender de campanhas ou de programas especiais. Lucas 24.45-48.estabelecer os objetivos gerais que nortearão a eclesiologia. com amor extremado pelos pecadores e com entusiasmo contagiante. 218 . Josué 1. João 5.3 Evangelismo responsável e baseado no testemunho pessoal .8. as estratégias ministeriais e a identidade denominacional levados a efeito pela igreja revitalizada. Gálatas 2.19-20.1 Instrução bíblica promotora de maturidade cristã e autoridade testemunhal Deve-se desenvolver um programa de educação cristã com embasamento bíblico sólido. 9-10. seja em casa. a expressão cúltica. mas motivar a cada cristão a uma ação pró-ativa na evangelização.14-16. no trabalho ou na rua. o que nos exige um padrão ético e moral elevados. Uma igreja.2 Consciência ético-cristã para o exercício do sacerdócio universal e do ministério eclesiástico . para que quando o visitante chegar a igreja já tenha no seu coração o interesse pelo evangelho.

32-35. Atos 8. santo e agradável a Deus. 4. Em vez de encararmos a contribuição como uma obrigação desagradável e penosa. A 219 . bem como a pequenez do adorador. Ageu 2.8 e 15. Isaías 38.Isto é o mesmo que dizer que não se deve estar preocupado com o número de membros no rol. 1 Crônicas 29. sinceridade e alegria produtiva .18-21. Apocalipse 5. Adorar é abrir o coração ao amor de Deus e render a nossa vontade aos propósitos dele. Atos 2. 4.6-14. Hebreus 10. 13. Esta é a oferta que propicia bênçãos incontáveis para o cristão.1-7. A igreja que vivencia este tipo de comunhão valoriza as pessoas e torna seu ministério muito mais efetivo. É a igreja se tornar sensível à ação do Espírito Santo que a guiará na exaltação a Cristo e na ministração de um culto vivo. bem como ao seu povo. glorificamos e magnificamos ao Senhor por sua santidade e por sua ação salvífica em nosso favor.5 Comunhão dinâmica vivenciada em amor. É saber que conversão e senhorio estão amalgamados e que a insistência em não dizimar e ofertar é confissão objetiva de incredulidade. na intercessão confidente e na ministração da bênção àquele que foi vitimado pelas amputações existenciais ou pelas confrontações espirituais. 4. Romanos 12. Colossenses 3. com o patrimônio ou com a conta bancária.11-12. É a prática da empatia e da mutualidade na consolação.8-9.1-4.17-20. A prática do verdadeiro amor dá à igreja um brilho divino e uma alegria que se intensificam nos relacionamentos interpessoais de seus membros.1.6 Fidelidade voluntária e incondicional na consagração de vidas e no sustento financeiro da obra . visto que são satisfeitas as necessidades do ser integral. Salmo 92.20.34-35 e 2 Coríntios 9. motivando-nos à participação efetiva e vívida na adoração. Adoração é um mistério. Romanos 12.3-5.19-25 e 1 João 4.Isto é o entendimento pessoal de cada membro no fato de que é Deus quem nos sustenta e de que a contribuição financeira é apenas um reflexo da dedicação amorável de nossas vidas ao Senhor. pois por intermédio dela o Espírito Santo ministra graça e prosperidade à igreja.9-18.17.10-17. Sofonias 3. Malaquias 3.4.7-12.Isto é o que nos permite libertação da preocupação escravista com a liturgia ou com os estilos. como devoção amorosa ao Senhor e à sua obra. Não se pode permitir a crença em uma dispensação automática ou mecânica de bênçãos para os contribuintes. É a compreensão efetiva de que todos somos um. no qual cantamos.4 Adoração cristocêntrica que propicie verdadeiro louvor em culto vivo . Atos 2.7 Crescimento integrado da igreja a partir do equilíbrio entre quantidade e qualidade .44-47 e 4.45 e 4. É um exercício do espírito humano no encontro pessoal com Deus. a partir da convicção de que Deus se faz presente em nossas celebrações. A oferta deve ser feita com fé e pela fé.12-17.Isto é a decretação do fim do preconceito e da segregação na igreja. Não se pode comprar o Dom de Deus. devemos compreender que a dedicação de vidas expressa na fidelidade nos dízimos e ofertas é um fértil meio de graça na igreja. A verdadeira adoração nos conclama a declararmos a superioridade absoluta de Deus. 2 Coríntios 1.

o embotamento das idéias e o esvanecer dos ideais.20-23. Colossenses 2. bem como saúde e maturidade espirituais na prática efetiva do fazer igreja. Sempre que o tradicionalismo denominacional se sobrepõe a doutrina bíblica ou que o tradicionalismo histórico se torna ineficiente diante dos propósitos de Deus. 4.Neste objetivo reside a probabilidade de vitória. Mateus 10.5-9. Mateus 26. Marcos 7.8-10 e 2 Tessalonicenses 2. Salmo 15. sem receios da crítica mordaz da batistandade. e entre o saber e o fazer. não dando atenção às questões mais profundas que afetam a humanidade em decorrência do aviltante paradoxo entre o ser e o ter. outorgando cognição no pensar a igreja. mas principalmente deve querer a liberdade para praticar os ensinamentos da Palavra de Deus. uma frota de veículos e uma equipe ministerial bem remunerada tivermos que prescindir da ética cristã e do embasamento bíblico continuaremos pequenos e pobres. jamais haverá crescimento verdadeiro na igreja se nos aprisionarmos ao poderio concedido pelo número de membros no rol ou pelo saldo financeiro e patrimonial.41-42. Atos 2.28-32.9e Apocalipse 2. mas deve-se desejar também que a Palavra de Deus seja a única regra de conduta. fiéis ao Senhor Deus.1-5. um palacete pastoral. A constante autocrítica e a avaliação permanente exigirá uma continuada revitalização. Romanos 12.11-15. Levítico 19. é necessário substituí-los ou desmascará-los a luz da Palavra de Deus.15. o arcaísmo dos estratagemas.9 Constante autocrítica e permanente avaliação do contexto histórico. mas que não aceita um doutrinismo antibíblico. bem como a mortificação da consciência cristã no fazer igreja. Quando se estabelece a autocrítica e a constante hermenêutica da própria realidade. do que se faz e de como se fazem as coisas. Tito 2.46-47 e 9. 4. um edifício anexo moderno e funcional. A Declaração Doutrinária dos Batistas preceitua que a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática. A maior contribuição que a igreja tem para oferecer ao mundo é o evangelho de Cristo e seu poder libertador.19-21. Se para ter dez mil membros. o que nos exige uma reflexão crítica sobre o denominacionalismo a luz da Bíblia Sagrada. 1 Pedro 2.8 Identidade doutrinária e denominacional definidas a partir do Texto Sagrado e não pelo conservadorismo histórico ou tradicionalismo .3 e 1 Coríntios 11. uma catedral.Isto é o mesmo que dizer que a igreja deve querer ser batistas.7-10. mesmo que para isso se tenha que renunciar a história. porém. a luz da Palavra de Deus. por isso.31. evita-se a petrificação das estruturas. Atos 2.preocupação certa é com a qualidade da vida espiritual dos membros da igreja. Evita-se a tradicionalização suicida da igreja. Deve-se querer ser batista. que se reconhecer erros doutrinários historicamente defendidos ou que se quebrar alguns paradigmas denominacionais. 220 . da expressão cúltica e da estrutura organizacional .

o que fará da igreja revitalizada uma grande igreja. Atos 2. que são: louvor. porém respeitosos.37-40 e Mateus 28. Pode-se inovar no fazer igreja sem se alterar a essência do ser Igreja.19 e 20. b) A expressão cúltica que será praticada.A prática constante da autocrítica e da interpretação investigativa dos comportamentos da igreja revitalizada permite o desmascarar as vacas sagradas. para que se defina o seguinte: a) O tipo de igreja que se pretende ser. seguindo os preceitos de 221 . é prova inconteste de sua vulnerabilidade à deterioração e à petrificação motivadas pela maldição da negligência preceituada em Jeremias 48. negando-se a um processo de avaliação justo e construtivo.10. identificamos nestes nove objetivos gerais os cinco propósitos eternos de Deus para a igreja. o presente trabalho visa embasar a assertiva de é que possível promover a revitalização da igreja de maneira bíblica. Sem tais definições. é impossível levar adiante a revitalização da igreja que carece de resgatar sua identidade doutrinária e denominacional.40. que foram praticados de forma efetiva e vitoriosa pela Igreja Primitiva. deixo como sugestão a realização de estudos amplos e de debates francos. voltando a sentirse uma Igreja Viva que proclama a salvação e a libertação em Cristo em meio a esta geração corrompida e perversa. Conclusão Finalizando esta proposta de trabalho com vistas a revitalização da igreja. estrutura ou idéia que esteja fora do alcance de uma avaliação justa e alinhada com o propósito de Deus para a igreja. f) O padrão de relacionamento interpessoal e de comunhão que se desenvolverá. Atos 2. evangelismo. ministério e comunhão. h) Qual a periodicidade da avaliação. A insistência de uma igreja em não se submeter à autocrítica e à hermenêutica imparcial. Estes propósitos sintetizam o Grande Mandamento e a Grande Comissão de Jesus para a igreja. se pretendemos relevância testemunhal e autoridade espiritual no cumprimento da nossa missão. como denomina George Barna.37-47. conforme Mateus 22. programa. Conforme ressaltamos anteriormente. g) O método de evangelização que será usado. São estes os mesmos propósitos que devem ser perseguidos e praticados pela igreja que busca revitalização. Na verdade. independentemente da tradição denominacional. Tudo o que somos e fazemos como igreja deve estar aberto à análise e à crítica. penso. e) O nível de compromisso exigido dos membros da igreja. Não há pessoa. se há comprometimento com o Grande Mandamento e com a Grande Comissão. d) O tipo de mensagem que se proclamará. discipulado. c) O referencial de ética que a igreja perseguirá.

Parte XXXV UM PROJETO DE REVITALIZAÇÃO PARA A IGREJA LOCAL O presente trabalho é uma tentativa de se apresentar. que somente a igreja pode desenvolver. Corpo Vivo de Cristo. não é mera sociedade de pessoas humanas. 222 . em sua igreja e em nossa denominação. porque acreditamos que cada caso é um caso. como Corpo Vivo de Cristo. juntamente com sua igreja. de sacerdócio universal e de comunhão dinâmica em amor. jamais compreenderemos o que realmente significa ser o povo de Deus que em Cristo é chamado para as boas obras.Jesus e desenvolvendo uma perspectiva correta de renovação espiritual e eclesiológica. de modo prático (assim esperamos). Por isso. Pois estas são as características distintivas da igreja de Jesus Cristo no Texto Sagrado. Trabalhe para que você. a nossa intenção não é lidar com modelos de igrejas propriamente dito. Como ficará evidente. Abrace este projeto. Não se pode ter medo de se praticar culto vivo. A diferença básica entre o ser e o fazer igreja e uma denominação reside na comunhão com Cristo. mas nos basearemos em princípios gerais e em nossa experiência pastoral. desejo ressaltar que a igreja. seja despertado por Deus para os nove objetivos aqui propostos. Sejamos Igreja. Se considerarmos apenas a tradição histórica e os pressupostos denominacionais para sermos e fazermos igreja. O relato bíblico nos incentiva a perceber a dialética inevitável e continuada entre a identidade eclesial e o chamamento para a missão. Uma igreja verdadeiramente viva e motivada pela missão não tem receios de ultrapassar barreiras. As denominações são expressões sociológicas. Pense em tudo isso e ore pedindo a Deus discernimento espiritual e direcionamento para a decisão que você precisa tomar juntamente com a sua igreja para a revitalização. dissociada da Cristologia. de discipulado biblicamente instrutivo. Não se pode ter fobia de evangelismo responsável. Não critique ou refute sem estudar e orar. Não existe Eclesiologia. Amém. se considera-lo procedente e biblicamente correto. bem como um método prático para se introduzir as mudanças necessárias para a contextualização da igreja. Finalmente. santo e agradável a Deus. isto é. de quebrar paradigmas. de romper as fronteiras e de alargar seus horizontes. nenhuma igreja que afirme compromisso de missão conforme os postulados bíblicos e o mandamento de Jesus pode esquecer que o cumprimento da missão acontece em meio a difícil dialética entre o conservar a identidade doutrinária e o renunciar a tradição histórica. alguns princípios fundamentais de revitalização da igreja local. leve a sua igreja entender o que é e a desejar a revitalização. do ser igreja. entre o ser e o fazer igreja. Permita-se a Deus e ao Espírito Santo para que estes objetivos sejam realidades efetivas em sua vida. visando seu crescimento numérico. o fazer igreja.

Schwarz. Invista-se na liderança e na formação de novos líderes e a igreja como um todo reagirá positivamente. O que não falta nas igrejas são pessoas que querem trabalhar. ensine sua igreja a fazer.1. A. como revitalizar uma igreja cuja liderança está cansada e os liderados insatisfeitos? Em nossa pouca experiência temos aprendido que o segredo do sucesso está no investimento. Existe boa literatura sobre administração eclesiástica que ajudarão o pastor neste empreendimento. Um pastor que pretende levar a carga sozinho não conseguirá ir muito longe. Assim. pude perceber um pouco da força do que acabamos de dizer. descobrem como esse aspecto leva ‘por si mesmo’ ao crescimento" (C. Líderes capacitadores formam colaboradores. Mas também é preciso que ele capacite e equipe novos líderes. Eles capacitam. A pessoa do pastor é fundamental para a formação de uma liderança capaz e capacitadora. Um líder não é capaz somente pela sua boa reputação dentro e fora da igreja. A REVITALIZAÇÃO DA LIDERANÇA Não são poucas as igrejas que conhecemos que nos obrigam a fazer uma inevitável pergunta: "Onde está a liderança?". Um pastor centralizador compromete seu ministério e o futuro de sua própria igreja. esses líderes investem a maior parte do tempo na formação de novos líderes através do discipulado e do compartilhamento de tarefas. trocando os "irrecuperáveis" por novos. Os resultados serão simplesmente surpreendentes! Os líderes de igrejas que crescem concentram seus esforços em capacitar outras pessoas para ministérios específicos. a pirâmide de autoridade é invertida: os líderes ajudam cada cristão de sua igreja a chegar à medida de plenitude intencionada por Deus para cada um. viajamos com eles para 223 . "Líderes que se vêem como instrumentos para capacitar outros cristãos e levá-los à maturidade espiritual. mas não sabem como fazer. O crescimento natural da igreja. Em vez de fazer a maior parte do trabalho. motivam e acompanham a todos individualmente para se tornarem aquilo que Deus tem em mente. Sendo assim. e não meros "ajudantes" ou "marionetes" com o intuito de alcançar seus próprios interesses. Quando fui pastor em uma das igrejas da Grande São Paulo. 23). O pastor precisa delegar e distribuir tarefas. Investir na formação de uma boa liderança é garantir o sucesso da igreja local. a fim de contribuir na formação de novos líderes. Pelo contrário. Investimos na nova liderança. a liderança deve ser constantemente revitalizada. a saber. Aos poucos (ir devagar é fundamental quando se chega em uma nova igreja) fomos renovando a junta diaconal. a varonilidade do Corpo de Cristo. Confie no potencial de seu rebanho. p. a energia investida por eles pode multiplicar-se quase infinitamente. Pegamos uma junta diaconal debilitada e sem muito compromisso. Para isso. receber novas orientações. o que é deveras significativo. apóiam. Pastor. que por sua vez capacitem e formem outros líderes. Uma das funções do pastor é equipar os santos.

Ministrei sobre o tema na região sul do País durante quase um ano. Curitiba: Editora Evangélica Esperança. Mudança também é revitalização. Dr. 224 . disse acertadamente que "o maior fenômeno de revitalização na igreja é o crente novo". 2) Tem muita gente nova na igreja que daria um bom líder. e pude constatar que o resultado da pesquisa não foi diferente. verdadeiramente revitalizada. Campinas: Luz Para o Caminho. Minha proposta é: 1) Quando uma liderança está "viciada" é preciso ser trocada. Mas como preparar uma liderança capaz e capacitadora. Knight. 1994 e O teste dos dons/Christian A. E esta "mobilização". Em português há pelo menos dois que recomendo: Quem é você no Corpo de Cristo?/ Lida E. ou até mesmo não existiriam. Existe muita gente boa no ministério errado. a meu ver. Os diáconos reconquistaram a credibilidade da igreja. seriam resolvidos com mais facilidade. mas precisa ser trocada. p.um encontro de diáconos no Rio de Janeiro. Orlando Costas (Compromiso y misión. Meu ex-professor. Tem que ser trocada. É perda de tempo. Elias Dantas. Schwarz faz uma declaração alarmante: "De uma pesquisa que fizemos com 1600 cristãos ativos em suas igrejas. Novos líderes devem ser formados a partir de seus dons. na Europa. O que seria daquela igreja se todos os setores fossem revitalizados? Infelizmente não foi possível continuar ali para ver os resultados. só é possível quando os membros de uma igreja estão no lugar certo. e a mesma se colocou à disposição para ajudá-los no que fosse preciso. Além de outros fatores indispensáveis para o crescimento da igreja. descobrimos que 80% deles não sabem os seus dons espirituais". Existem bons livros que poderão ajudar na formação de ministérios orientados pelos dons. sem que haja frustrações no futuro? 1º) Os ministérios devem ser orientados pelos dons Acredito que muitos dos problemas de uma igreja. recebemos orientações específicas de líderes de juntas diaconais que estavam dando certo e em pouco tempo a junta diaconal de nossa igreja se tornou uma das mais atuantes da Grande São Paulo. Será que o resultado da pesquisa seria diferente se fosse feita com 1600 cristãos ativos nas igrejas do Brasil? Acredito que não e digo por quê. quer sejam de ordem administrativa. Schwarz. 62) acertou quando disse que "o crescimento da igreja depende de uma eficaz mobilização de seus membros". Geralmente não vale a pena tentar recuperá-la. E ele sabia o que estava dizendo porque levava isso a sério nas igrejas que pastoreava. é fundamental que os ministérios sejam orientados pelos dons. Revitalização nem sempre significa tentar recuperar o que não tem jeito. Aos poucos. 1997. como veremos adiante. no ambiente de fala alemã. quer sejam de ordem espiritual. se todos os membros da igreja descobrissem e usassem seus dons ministeriais.

já não têm nenhum valor prático. por uma simples razão: Uma das principais atribuições do pastor é instruir. são aquelas estruturas enrijecidas pelo tradicionalismo e. São Paulo: Abba Press. Um discípulo deve ser preparado para discipular e formar novos discípulos. em termos de discipulado.2º) Formar discípulos para serem discipuladores O discipulado que gira em torno de si mesmo está fadado ao fracasso. pelo menos. Às vezes é preciso coragem para quebrar paradigmas que não funcionam mais e que. que por sua vez discipularão e formarão outros e assim sucessivamente. daria o ponta pé inicial do discipulado? Como pastor. A ênfase da Grande Comissão foi: "fazei discípulos". são necessárias para que as estruturas de uma igreja se tornem funcionais. E quem. Mas nem sempre é tão simples assim. Por uma questão de prudência e respeito com aqueles que não pensam como nós. Primeiro é preciso mudar a mentalidade dos acomodados e principalmente dos saudosistas. viver ou fazer as coisas. A preparação de um discípulo que não tem como objetivo a formação de outros não é bíblica. portanto. o que temos visto na prática. À primeira vista parece fácil mudar aquilo que se tornou obsoleto. não funcionais. Infelizmente. pois foi a tônica do ministério terreno de Jesus. portanto. Toda ovelha deve ser preparada para produzir outras ovelhas. 1995. Isto sim é bíblico. é 225 . a fim de tornar eficiente a vida espiritual do povo de Deus. Para um estudo interessante deste tema sugiro a leitura do livro Quebrando Paradigmas/Ed René Kivitz. Duas coisas. entendo que os próprios pastores deveriam iniciar o processo de discipulado. 1º) A quebra de paradigmas Paradigma é uma palavra de origem grega que significa "modelo" ou "padrão". e até decréscimo na membresia de algumas igrejas. por assim dizer. daqueles que confundem inovação com inovacionismo. Os discipuladores não devem perder isso de vista se realmente desejam formar líderes capazes. a boa tradição com tradicionalismo. Os paradigmas podem ser definidos como "verdades" que se fixaram na mente. orientar e superintender as atividades da igreja. Para isso preparou seus discípulos. O segredo do sucesso está num trabalho de conscientização sério e paciente. <B< ECLESIAIS ESTRUTURAS DAS REVITALIZAÇÃO A> O que muito tem contribuído para o não crescimento. é a preparação que visa o crescimento espiritual do discípulo e nada mais que isso. indicando um jeito de ser.

Mas isso não aconteceu de um dia para o outro. inclusive a financeira. aquele foi um dos períodos mais abençoados na vida daquela igreja. Foi preciso um trabalho de base. Uma coisa aprendi em meu ministério pastoral: Se a igreja não "comprar" a nossa idéia. Por meio de um processo constante de avaliação e renovação. servirem melhor o organismo. Prove! 2º) Uma questão de obediência e prioridade A experiência nos ensinou que evangelizar não é uma opção de vida de uma 226 . etc. O Domingo Missionário. O ideal seria todos os domingos.preciso que os paradigmas sejam quebrados aos poucos. como era chamado. todas as demais áreas são abençoadas por Deus. A REVITALIZAÇÃO DO COMPROMISSO MISSIONÁRIO Com o passar do tempo os membros de uma igreja local tendem a esquecer-se de seus compromissos missionários. a fim de serem revitalizadas e. Algumas coisas podem ser citadas como exemplos do que não devem passar pelo teste de qualidade de uma igreja local: liderança inibidora. era dedicado às missões. Entendíamos que separar um domingo por mês para missões era o mínimo que estávamos fazendo. Neste caso específico. E não poderia ser diferente. o surgimento de estruturas enrijecidas é evitado em grande parte. horário e duração do culto inadequados. Um diálogo franco. Segundo testemunho de irmãos antigos (que a principio foram relutantes). pode ser muito bem aproveitado. o livro Igreja local e missões. Quando uma igreja se envolve com missões. 1º) Um exemplo que deu certo Aprendi com um colega de ministério a separar um domingo por mês para falar de forma mais específica sobre a importância da igreja local em missões. de Edison Queiroz. Pregávamos sobre missões. de muita conscientização e investimento que valeram a pena. sem atropelos. a igreja orava por missões e contribuía financeiramente com a obra missionária. 2º) Testes de qualidade As estruturas da igreja devem ser constantemente testadas por sua liderança. conceitos desmotivadores de administração das finanças. desse modo. Para se evitar isso é preciso lembrá-los constantemente da importância da igreja local para com a obra missionária no mundo. mas progressivamente. As idéias e conceitos devem ser amadurecidos no meio da comunidade. Mesmo assim foi gratificante. aberto e amigável é a chave do sucesso. 3. não será por meio de decreto conciliar que conseguiremos qualquer êxito. Tudo que não contribui para esse objetivo deve ser mudado ou eliminado.

filmes específicos como por exemplo As Primícias. as estruturas da igreja sendo funcionais e o compromisso missionário revitalizado. como bem declarou o apóstolo Pedro: "Vós. Além disso. mas sempre partir para uma ação social transformadora. A igreja local precisa resgatar sua visão missionária. a igreja nunca deve deixar se levar pela prática do paternalismo e assistencialismo paliativos. porém. naturalmente resultarão em novas realizações. Vejamos alguns exemplos de como a igreja poderá revitalizar sua visão missionária. O que está "matando" muito crente novo (que desperdício!) é a igreja não-funcional. como por exemplo. excelência maior de seu chamado. Se a igreja chegou a se empolgar com missão algum dia. evangelizar não é simplesmente distribuir folhetos como alguns pensam. Por outro lado. Geralmente a frieza por missões acontece por causa da rotina. com a graça de Deus. sois raça eleita. povo de propriedade exclusiva de Deus. nação santa. Parte XXXVI UMA IGREJA RENOVADA TEXTO: ROMANOS 12: 1-2 227 . Uma vez que o mal foi detectado é necessário que seja combatido com atividades variadas. Isto é. atender o indivíduo na totalidade de suas necessidades. Etal e Atrás do Sol. do indivíduo e da sociedade. fechada em quatro paredes. a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz" (I Pe 2. O ponto de partida será o parâmetro bíblico e o contexto da igreja local. A igreja deve ser redirecionada. mas sim. mas a própria vida de uma igreja local.igreja local. a formação de grupos familiares ou células. certamente produzirão novo alento. é importante que a igreja saiba que sua missão no mundo é integral. a espiritualidade contagiante da igreja local com relacionamentos marcados pelo amor fraternal. Conclusão: Mais coisas poderiam ser ditas como parte integrante de um projeto de revitalização para a igreja local. Sermões e estudos bíblicos missionários. Entretanto. é preciso reconscientizar a igreja de sua missão no mundo. Em segundo lugar. etc. é preciso conscientizá-la de que ela está no mundo para servir o mundo integralmente. entendemos que a formação de uma liderança capacitadora. para a honra e glória de Deus Pai. um culto inspirador. além do auxílio de associações evangélicas e agências missionárias. 3º) Revitalizando a missão integral da igreja local Como revitalizar uma igreja que começou com tanta empolgação para fazer missões e de repente esfriou? Em primeiro lugar.9). sacerdócio real. que se limita a suas atividades internas. é sinal que ela tem potencial para fazer. o que fez antes.

este princípio visa dar a todos a mesma chance de trabalho. . 02.A quebra deste princípio provoca: a .afastamento dos outros membros d .1 Coríntios 12:17-18 .comunhão c .João 13: 12-17 A mensagem Kerigma .Kerigma . .2 .não funciona isoladamente.1 .Princípio da oportunidade . Esta adaptação só se viabiliza mediante a disposição do mundo.contestação da vontade de Deus c .serviço 1.Ilust.desequilíbrio em todo os sistema b . das pessoas e da igreja em se transformarem. das pessoas e também da igreja é a de se adaptar ao curso da história.Encurtando as distâncias . Leon Tolstói: "Todos pensam em mudar a humanidade e ninguém pensa em mudar-se a si mesmo".2 . TRANSFORMANDO A NOSSA RELAÇÃO Este processo ocorre através da prática de quatro princípios bíblicos: 2.mensagem b .1 Coríntios 12: 15-16 .PROPÓSITO: Uma das maiores necessidades do mundo.Princípio da integralização .Diakonia .desvalorização do membro b . Quando isto ocorre todo o corpo é prejudicado. Para que ela produza resultados positivos é necessário que o membro exercite a Koinonia e a Diakonia. 1. Transformação é o segredo de um organismo vivo. TRANSFORMAÇÃO ATRAVÉS DA COMUNICAÇÃO A igreja não sobrevive sem uma comunicação interna. .1 . Um membro não pode inibir a ação do outro.A falta de oportunidade produz: a .Koinonia .um espírito de concorrência 228 .A comunicação se processa através de três elementos básicos: a . O grande fator de dispersão que a enfraquece é a falta de uma boa comunicação entre seus membros.desperdício de forças 2.cada membro tem a sua função. 01. Um membro não deve aspirar o lugar do outro.

1 Coríntios 12: 21-22 .A igreja precisa ser a autora e não a espectadora no processo de mudanças.0 .3 .Disciplina na prática do tempo . João 17:23 3.Disciplina na prática da fé . Das pessoas mencionadas. Para isto o exercício da disciplina é imprescindível.a unidade é a fonte geradora de toda a energia.o egoísmo passa a predominar nas relações c . grupos de pessoas ou "igrejas no lar". Fp 4. libertos e escravos. É uma esclarecedora lista de como a fé evangélica se havia espalhado entre todas as classes sociais. na maioria. Treze dos nomes aparecem em inscrições ou documentos que tem a ver com a nobreza e com o palácio do imperador naquela cidade (cf. escravos.22).Disciplina na prática de ouvir e falar . homens e mulheres.1 Timóteo 5:22 . A independência enfraquece o corpo. idosos e jovens. pelo menos oito são mulheres.Quando este princípio é quebrado.uma anemia espiritual 2.a arrogância quebra a linha de comunicação 2.Disciplina na prática do perdão .Efésios 5:15-16 . 229 . .1 Coríntios 12: 25-26 .João 8:47 . são.Gálatas 5:13 .Disciplina na prática do amor .todos os membros devem participar das atividades que os demais realizam.Disciplina na prática das ações .Princípio da unidade . Paulo faz recomendações.Colossenses 3:17 . a igreja perde a sua função. nobres.3-16 No último capítulo da Carta aos Romanos. Ela foi criada para ser o instrumento de Deus na transformação da sociedade.TODA TRANSFORMAÇÃO EXIGE DISCIPLINA PESSOAL 1 Coríntios 9:25 .Princípio da dependência .Marcos 11:25 . Há uma mistura de judeus e gentios. ocorre: a .c . Mostra como aquela comunhão de fé na cidade de Roma era formada de gente de várias nacionalidades. No entanto. saudações e votos. Sem ela. . São saudações individuais a vinte e seis pessoas e a cinco famílias.2 Coríntios 13:5 .Disciplina na prática da liberdade .João 13: 35 Parte XXXVII UNIDADE NA VARIEDADE Romanos 16.enfraquecimento de todos os demais membros b . mobilidade e harmonia do corpo.Disciplina na prática da santidade .4 .

e gente que vem do paganismo. Há judeus e há gentios. como o muro de separação entre judeus e não-judeus fora derrubado.4): "meus cooperadores em Cristo" e "pela minha vida expuseram as suas cabeças" . Os judeus.10).6). As saudações não são longas. ou seja. e examinando-os com alguma análise. Há ricos e há pobres. 230 . "meus companheiros de prisão" e "bem conceituados entre os apóstolos".9).procedências e estratos sociais. Urbano. 3. de Apeles (v.3). a arte da eloqüência) · Júlia = juvenil · Maria = bela (alguns traduzem como "teimosa. há nesta passagem uma visão da intensa vida da Igreja-dosPrimeiros-Dias.11). cheias de gratidão e plenas de amor: Em relação a Prisca e Áquila (vv.8) e Urbano (v. O significado dos nomes é igualmente muito interessante: · Áquila = águia · Asíncrito = incomparável · Epêneto = louvado · Estáquis = espiga · Filólogo = falador. Pérside e Hermas. mas são muito expressivas. Epêneto.6) foi a que "muito trabalhou por vós".7). A COLORIDA VARIEDADE Como já enfatizado.28). Para Epêneto (v. já o dissemos. exatamente nos termos de Efésios 2. Há homens e há mulheres.14. um grego. ainda. No verso 7. Andrônico e Júnias são "meus parentes". A relação de nomes é de altíssimo significado. gente que vem de um profundo contexto espiritual. de Herodião (v. Estáquis. graciosa · Urbano = criado na cidade. vemos que os tipos são tão diferentes que só um milagre chamado evangelho pode explicar a interação naquela comunidade de fé. de Andrônico e Júnias (v. Era o caso de Priscila e Áquila (v. pelo menos. erudito · Flegonte = ardoroso · Hermes = intérprete (daí a palavra hermenêutica. obstinada") · Nereu = molhado · Olimpas = descido dos céus · Pátrobas = vida do pai · Priscila = venerável · Trifena = delicada · Trifosa = mimosa.5b): "meu amado" e "primícias da Ásia para Cristo". Flegonte. Há romanos: Ampliato (v. Escravos: Ampliato.16 (cf. Gl 3. de Maria (v. Registra. e. Maria (v.

A história de Prisca e Áquila. No verso 13. que. Apeles (v. Rufo é o "eleito no Senhor". e incansáveis no trabalho. em certos casos.26). as irmãs Trifena e Trifosa são as que "trabalham no Senhor". Paulo usa uma palavrinha que diz isso: kopian. morou com eles.18). At 19. 10) é denominado "aprovado em Cristo". At 18. e a mãe "adotou" Paulo. mãe de Rufo. As duas idosas irmãs em Cristo têm histórias não contadas no texto. Outra história interessante é a de Rufo. Pois é. abençoadora. essa experiência que deveria ser abençoada. traumatizante. Quando Paulo deixou Corinto indo para Éfeso. Mas a verdade é que é muito difícil viver em comunidade. enriquecedora. Era um casal devotadíssimo ao apóstolo Paulo.2. Paulo chamou à senhora. E passando ao verso 13. o cireneu que carregou a cruz de Jesus compartilhando com Ele a dor. em concórdia. nosso Salvador. por um tempo. torna-se amarga e. Se assim ocorreu. tenuíssima e fragílima 231 . É possível. Dietrich Bonhoffer usa as expressões "dom de uma vida comum" e "dom da adoração em comum aos domingos". Há quem admita ser Rufo filho de Simão. 1Co 15. Ampliato é "meu amado no Senhor". o grande apóstolo aos gentios. é amada" e "muito trabalhou no Senhor". o maltratto. Drusila e Lívia. Diz ele que o estilo de vida que acontece na igreja é um privilégio. porque Priscila é o diminutivo de Prisca (cf. mas não como irmãos no Nome de Jesus Cristo. Drusa. Urbano é "nosso cooperador em Cristo"e Estáquis é chamado de "meu amado". que gente extraordinária são os pais de Rufo: o pai carregou a cruz de Jesus Cristo. Eu escrevi Prisca? Prisca ou Priscila? Dá no mesmo.32.23) Tinham a mesma profissão de Paulo. gente que enche os bancos da igreja. aplicando-as à bênção de Deus que se chama Igreja.No verso 8. no 9. Muitos problemas afloram porque nossos irmãos em Cristo (em quem corre o mesmo de Jesus nas veias) são tratados apenas como outras pessoas. como Lucia faz Lucila. que significa "trabalhar até o cansaço" A UNIDADE Não é fácil viver em unidade. o relacionamento humano é uma teia delicadíssima. e Pérside. a humilhação daquela manhã em Jerusalém (cf. e Áqüila fosse um judeuda Ásia menor setentrional. até. Mc 15. no verso 12. de sua mãe. de acordo com o costume oriental de assim chamar uma senhora mais idosa. MEMÓRIAS Há algumas histórias por trás das lembranças de Paulo. que Priscila pertencesse a uma família da nobreza romana. E se não há o alicerce de Jesus Cristo. o casal o acompanhou (At 18. 18. Um estudioso do Novo Testamento diz que não há no Novo Testamento um casal mais fascinante que este. Aliás. Pérside ("natural da Pérsia") e Maria são pessoas que não se entregam.21). Eram avançadas na idade. veterana senhora. Livila. a ponto de sofrerem perigo de vida (cf.

No verso 10.é um sinal de amizade e saudação (Mt 26. Equivale.19. É o caso de um núcleo que tinha seus encontros na casa de Áquila e Priscila (v. de Filólogo.1). PRECIOSAS LIÇÕES Sacrifício de uns pelos outros (vv. Paulo até o menciona. Nereu e sua irmã (provavelmente. Paulo recomenda uma saudação muito comum no Oriente Próximo ainda hoje: o beijo (cf. 16). Aceitação de uns pelos outros (v. Paulo saúda a irmã na fé chamada Maria.11. Ct 1. pai. 16. um ato de fraternidade entre os semitas. a ponto de quase serem mortos.15. também.14. 18. abertas as mãos. no querer o bem. no verso 11. Paulo usa a palavra "santo". para evitar toda e qualquer conotação maldosa. Temos membros de uma mesma família fazendo parte com outras famílias de uma mesma família de fé. 2Coríntios 13.48). No Novo Testamento. É digno de observação que as mulheres são significativamente proeminentes na vida da Igreja de Cristo. poderoso e incentiva o crescimento pessoal e da Igreja como um corpo. Dale Moody.26 e 1Pedro 5. Júlia. casadas. recebendo do apóstolo o reconhecimento pelo modo através do qual compartilharam de suas lutas. mas não entre os romanos. Fm 2).4. "os da casa de Narciso". Era. mas que se fortalece quando está fundamentada no respeito..2). mães e todas executando um admirável ministério na Causa do Senhor. Havia casos em que pequenos grupos se reuniam em uma casa.que pode se romper com coisas mínimas e minúsculas. nem como uma ordenança ritual. Desde o princípio desta genuína e profunda amizade. Paulo. na tolerância. 232 . mãe e filhos). 1Tessalonicenses 5.15. famílias inteiras eram batizadas (cf. Priscila e Áquila foram pessoas que mantiveram aberto o coração. não o entende só como sinal de amizade. e aberta a porta para a expansão do nome e reino de Cristo Trabalho pelo bem comum (v. Gn 29.44-48. Cl 4. o costume já se havia difundido nas igrejas conforme atestam os seguintes exemplos textuais: 1Coríntios 16. Na verdade. Nesta lista há solteiras. lembremos.8. na honestidade. o casal amado. Dr.7). Aqui temos Priscila e Áqüila. v. 3-5a).20. porém. 1Co 1. um tom de homenagem (Gn 29. fez uma significativa afirmação ao dizer que será um dia glorioso quando os cárceres forem transformados em púlpitos. 1Sm 10. sua mãe e sua irmã. o relacionamento humano e cristão é dinâmico. 16.11. no bem-querer e nas atitudes de boa vontade. nosso ex-professor.16. 5a). então. 33. Além de ser um sinal de afeição entre parentes.12. havia. em muitas ocasiões. na confiança.um sinal de amor. e no verso 15.6). Alguns foram companheiros de prisão do apóstolo (cf. At 10. O Novo Testamento menciona que. no verso 13. de Rufo. Por outro lado. "ósculo santo". ele fala dos "da casa de Aristóbulo". 33330-34. viúvas.

ao construir a própria vida. comunhão (koinonia) é uma das grandes palavras do Novo Testamento. no fim de todos os caminhos. Com os Teus olhos e nos amemos com o Teu coração. pois é vital para a saúde espiritual da igreja e do crente como indivíduo. e depois de cada encontro. Além de todas as buscas. Mas somente irmãos. desenvolve-se a compreensão e o ministério do ouvido amigo. a perna e o coração porque corre um sangue vital.em nossa cultura. É preciso lembrar que avivamento e comunhão andam de mãos juntas. que regenera o interesse. nós Te pedimos: Que nos conheçamos sempre melhor Em nossas aspirações e nos compreendamos Mais e mais em nossas limitações. Amém! 233 . É ele quem põe um ponto final nas divisões. dissabor e desânimo do próximo. Assim seja. Fala de uma abordagem sistêmica. um cordial "Bom dia!" É preciso recuperar o significado da comunhão. Que a nossa fraternidade não se feche em si mesma. Que olhemos para cada um. Devemos buscar a comunhão. É recomendação perfeitamente pertinente porque nenhum dom espiritual. Será preciso lembrar que o primeiro aspecto do fruto do Espírito é o Amor? Por ele. Que nossas diferenças não excluam ninguém da comunidade. Não haja vencidos nem vencedores. Que cada um de nós sinta e viva as dificuldades dos outros. E que. manifesta-se a humildade (Rm 12. mas uma há uma comunhão o dedo e o fígado de alguém. nos aproximar de alguém. Senhor. Pode não parecer. a um fraternal abraço e aperto de mãos. Que ninguém fique alheio aos momentos De cansaço. Não impeça o outro de viver a sua. Há uma recomendação do apóstolo que é apropriada para encerrar esta reflexão.14b: "Fazei todas as vosss obras com amor". Mas seja disponível. faz desaparecer o orgulho. nenhum desejo de unidade ou de comunhão é coisa alguma sem o amor.4). aberta e sensível Aos problemas de cada um. Assim é: "Todas as vossas obras sejam feitas com amor". Encontra-se em 1Coríntios 16. a solidariedade e a fraternidade de uns pelos outros. Oração Senhor. Que cada um de nós. O amor é o começo do crescimento espiritual. Aliás. Que nossas discussões não nos dividam. Mas nos unam na busca da verdade e do bem.

vai ser dado esse passo significativo. que significa Negro. A palavra pode significar que Manaém foi "criado" com ele de forma geral ou mais especificamente que era seu irmão de leite.(Autor desconhecido) Parte XXXVIII O QUE LEVOU A IGREJA Em Antioquia a fazer Missões Em Atos 13 o horizonte de Lucas se alarga pois o nome de Jesus seria maciçamente testemunhado além da Judéia e Samaria. A partir de Antioquia chegaria aos confins da terra. de Herodes Antipas. finalmente. Ele só nos dá os seus nomes. Ninguém tinha tido a visão de levar as boas novas às nações além mar. a de Saulo. natural de Chipre" (Atos 4:36). isto é. O mesmo efeito tiveram as duas principais conversões relatadas por Lucas. Havia também Manaém. O primeiro era Barnabé. Os dois diáconos evangelistas prepararam o caminho. O quinto líder era Saulo. as pessoas que estavam jejuando e orando? Parece-me improvável que devamos restringi-los ao pequeno grupo dos cinco líderes. Estevão através de seu ensino e martírio. que também fora comissionado a ser o apóstolo dos gentios. em grego chamado o "syntrophos" de Herodes o tetrarca. Mas sempre a ação esteve limitada à Palestina e à Síria. A quem o Espírito Santo revelou a sua vontade? Quem eram "eles". pois isso implicaria em três deles serem instruídos acerca dos outros dois. Lucas não explica a diferença entre esses ministérios. que carregou a cruz para Jesus. através do apóstolo Pedro. e a de Cornélio. e jejuando" que o Espírito Santo lhes disse: "separai-me agora a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado" (At. O segundo era Simeão que tinha o sobrenome de Níger. O terceiro era Lúcio de Cirene e alguns conjecturam que Lucas se referia a si mesmo o que é muito improvável já que ele preserva seu anonimato em todo o livro. apesar de Chipre ter sido mencionada em Atos 11:19. Foi quando eles estavam "servindo ao Senhor. Agora. A população cosmopolita de Antioquia se refletia nos membros de sua igreja e até mesmo em sua liderança. nem se todos os cinco exerciam ambos os ministérios ou se os primeiros três eram profetas e os últimos dois mestres. Também em Atos 234 . Estes cinco homens simbolizavam a diversidade étnica e cultural de Antioquia e da própria igreja. filho de Herodes o Grande. que consistia em cinco profetas e mestres que moravam na cidade. Algumas perguntas precisam ser respondidas. É mais provável que se referia aos membros da igreja como um todo já que eles e os líderes são mencionados juntos no versículo 1 de Atos 13. Evangelistas anônimos também pregaram o evangelho aos "helenistas" em Antioquia. Filipe através de sua evangelização ousada junto aos samaritanos e ao etíope. que foi descrito com "um levita. provavelmente um africano e supostamente ninguém menos que Simão Cireneu.13:2).

Ele é ligado ao culto e à oração. após a imposição de mãos. O segundo é a tendência para o institucionalismo. O primeiro é a tendência para o individualismo pelo qual uma pessoa alega direção pessoal e direta do Espírito sem nenhuma referência à igreja. ou seja. É verdade que o último verbo pode ser entendido como "deixou-os ir". os despediu. para obedecerem a Deus. quando Paulo e Barnabé retornam. Esse equilíbrio é sadio e evita ambos os extremos. muito semelhante ao chamado de Abrão: "vai para a terra que te mostrarei". Independente de como o receberam. O mais provável é que Deus tenha falado à igreja através de um de seus profetas. através do testemunho do Espírito em seus corações e mentes. Na verdade em ambos os casos o chamado era claro mas a terra e o país não. Como foi revelado o chamado de Deus? Não sabemos. Possivelmente Paulo e Barnabé já possuíam anterior convicção do chamado de Deus e esta verdade foi aqui revelada para toda a igreja. em parte. por ter recebido instruções do Espírito. Quem comissionou os missionários? De acordo com Atos 13:4 Barnabé e Saulo foram enviados pelo Espírito Santo que anteriormente havia instruído a igreja no sentido de separá-los para ele. Mas ele também o usa no sentido de dispensar. Qual o conteúdo da revelação do Espírito Santo à Igreja em Antioquia? Foi algo muito vago e possivelmente nos ensina que devemos nos contentar com as instruções de Deus para o dia de hoje. pois raras vezes. darem um passo de fé. prontos para a obediência. livrando-os de suas responsabilidades de ensino na igreja. comissionando-os para o serviço missionário. ou nunca. Precisamos observar também que tanto Abrão como Saulo e Barnabé precisariam. pois às vezes Lucas usa o verbo "adulou" no sentido de soltar. Mas de acordo com o versículo seguinte foi a igreja que. "impondo sobre eles as mãos os despediram". prestam conta a toda a igreja por terem sido comissionados por ela. mas sim uma despedida. o jejum é um fim em si mesmo. ao que parece. Portanto creio que seria certo dizer que o Espírito os enviou instruindo a igreja a fazê-lo e que a igreja os enviou. Notamos que o jejum não é mencionado isoladamente. ou seja. para testar o chamado de Deus e em parte para interceder pelos dois que seriam enviados. A instrução do Espírito Santo foi "separai-me agora a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado". O jejum é uma ação negativa em relação a uma função positiva. a primeira reação deles foi a de orar e jejuar. pelo qual todas as decisões são tomadas pela igreja sem 235 . Mas seu chamado também poderia ter sido interno e não externo. Então jejuando e orando.14:26-27. Isto não era uma ordenação ao ministério muito menos uma nomeação para o apostolado já que Paulo insiste que seu apostolado não era da parte de homens.

236 . estou limpo do sangue de todos" (Atos 20.. Eles foram enviados pelo Espírito através da igreja. a Escritura Sagrada dá grande importância a homens e mulheres que foram separados como profetas. Assim precisamos evitar o pecado da omissão ao deixarmos de enviar ao campo aqueles irmãos com clara convicção de que foram chamados por Deus. não me esquivei de vos anunciar todo o conselho de Deus. mas sem confirmação do Espírito à igreja. Chamado missionário não é um ato voluntário. uma despedida carregada de emoção.. na verdade. nada cobiçou de outras pessoas. seu trabalho. O equilíbrio é ouvir o Espírito. no seu desenvolvimento. O apóstolo Paulo mesmo demonstrou uma clara visão do seu ministério. detalhes que merecem análise. evangelistas. a fim de descobrir a quem ele está concedendo dons ou chamado. menciona. No entanto. e suas cartas o revelam (1). ser sensível ao Espírito Santo.passei pregando o reino de Deus. Paulo menciona que sua palavra sempre foi destemida.. Portanto cabe a toda igreja local. não o reservava para si. 25 – 27). Não existe chamada mais honrosa e elevada que a divina para o ministério integral. havia transmitido a vontade de Deus sem quaisquer reservas. Paulo está com sentimentos divididos: está triste e alegre.. e em especial aos seus líderes.. pelo contrário. ainda. É. O contexto da porção bíblica escolhida é que Paulo. É senso comum que qualquer outra atividade desenvolvida pelos cristãos tem sua pertinência na Causa de Cristo e não deve ser minimizada. missionários e pastores. é uma obediência à visão do Senhor. obedecê-lo e fazer da igreja local um ponto de partida para os confins da terra. Conclusão Não há indícios para crermos que Saulo e Barnabé eram voluntários para o trabalho missionário.nenhuma referência ao Espírito.. mas ajudava a suprir as necessidades de outros menos validos. Parte XXXIX MINISTÉRIOS FIÉIS ". E há. É tristeza por deixar aqueles a quem ama. bem como a precipitação de o fazermos com outros que possuem os dons para tal. apóstolo. que sempre trabalhou com as próprias mãos para satisfazer as suas necessidades pessoais. mas prazeroso por ter sido o instrumento de sua conversão. está deixando um lugar onde tem exercido um ministério fiel e pleno de frutos.

237 . A palavra pregar é usada por Paulo cinqüenta e nove vezes nas suas cartas. obreiros em geral para manter a pureza e a intocabilidade da Igreja de Jesus Cristo sob a sua liderança espiritual. É o que podemos chamar de "evangelho light".8. pelo contrário. o perigo a que estão sujeitos. traz à memória de seus amados três características de seu próprio ministério. prioritário é pregar. a cura divina. do secularismo. porém. Paulo recorda aos seus colegas de ministério algumas realidades próprias do seu múnus ministerial e profético: o dever que não é outro senão vigiar. não a sua vida(6). Para o apóstolo. obreiros do Reino de Deus. pois "aprouve a Deus salvar pela loucura da pregação. consagração e abandono de seu espírito ao Espírito de Deus. Spurgeon fez referência a pregadores que enfatizavam apenas certas doutrinas.. Entretanto. Esses pregadores falam de doutrinas como o reavivamento. escreveu. prioritários. proclamar essa mensagem abençoada e abençoadora de um evangelho eficaz para a salvação de todo aquele que crê. Os participantes da obra divina correm o perigo da contaminação do mundo. É verdadeiramente uma luta ingente. pastores. precioso é o evangelho. cuidar do rebanho do Senhor que lhes foi confiado. missionários. e. Antes de sua partida. da inveja ou do sucesso.Outra expressão de Paulo em sua despedida é o enfrentamento do futuro com confiança visto que depende unicamente do Espírito Santo.(2)" Outros métodos são auxiliares. O método de Deus para a salvação dos perdidos não é outro senão a pregação. "cheguei a Trôade para pregar o evangelho"(4). por extensão.13. não são. de todos os fiéis ministros. entre outros tocantes exemplos de dedicação. 25). alimentar. CARACTERÍSTICA 2: APRESENTAÇÃO PLENA "Não me esquivei de vos anunciar todo o conselho de Deus" (v. ajudam. para ela é escolhido. Da mesma forma. Para Paulo. Até mencionou que "Cristo não me enviou para batizar"(3). educadores.19-26 e 3. espera-o e o enfrenta com a plena consciência de toda a direção é do Espírito. profetas. mas proclamam todas as Doutrinas da Graça. antes. CARACTERÍSTICA 1:FIDELIDADE À DIVINA COMISSÃO "Passei pregando o reino de Deus" (v. 27). tarefa que ninguém escolhe. contribuem. e outras igualmente populares.. Esta convicção que queimava a sua consciência ela a reflete igualmente em Atos 21. os ministros fiéis não se prendem a um assunto favorito. missionários. evangelistas. insta a tempo e fora de tempo"(5). feroz e constante mantida pelos profetas. Mesmo não sabendo o que virá no dia seguinte. bem na medida do pensamento contemporâneo de que "o preço da liberdade é a eterna vigilância". Filipenses 1. e a Timóteo exortou com a seguinte expressão: "Prega a palavra.

como se depreende. "Lança o teu pão sobre as águas". a justiça e o juízo. ao dever espiritual do missionário/evangelista pela apresentação fiel da mensagem de vida abundante: o pecador é advertido. incluindo seus aspectos como a eleição. CARACTERÍSTICA 3: OBRIGAÇÃO SEM CULPA "Estou limpo do sangue de todos" (v. quantas vezes. um pregador tremendamente linear. até porque nos garante a conclusão desta recomendação que "depois de muitos dias o acharás"(9). Pregava todo o plano de Deus. A referência à culpa pela morte de alguém aplica-se. a redenção. Paulo também o disse ecoando o profeta Ezequiel. a responsabilidade de atender ao convite para a bênção já lhe foi passada. "o ser humano. Garante a Escritura que a Palavra de Deus "não voltará vazia"(10). Nosso problema. "estou limpo do sangue de todos" (8). 25a). na verdade. o pecado e a graça". 26). o seu sangue será sobre a sua cabeça"(7). Estas palavras são um eco de Ezequiel 33. Diz a Bíblia na Linguagem de Hoje: "Esse alguém é responsável por sua própria morte".9. razão porque não precisamos nos preocupar com os resultados visíveis imediatos. O Senhor da seara é fiel. a santificação e a glorificação a serem explicados com toda a clareza possível.. Seu tema principal é a salvação.O apóstolo Paulo não se esquivava de fazê-lo. desse modo. e tudo o mais que está contido na Palavra de Deus. Não deixava de pregar porque certas verdades não satisfaziam os paladares de seus ouvintes porque um ministro fiel não se amedronta diante dos homens. e vier a espada." (v. tem sido o desejo de ver resultados visíveis em lugar de deixarmos os resultados com Deus. Pode o missionário. e cumpria sua tarefa. eu não sou responsável" Paulo era.1 . o evangelista. e apelando para que se escolha a vida. o ministro fiel e destemido não busca a popularidade "amaciando" certas ênfases do evangelho que não apoiadas por alguns. Gloriosa certeza! Extraordinária convicção! Em outro 238 . e não se der por avisado. frase do missionário vertida pela BLH como "se algum de vocês se perder. e o levar. ou como já foi resumido com muita pertinência. os Seus servos devem ser fiéis na entrega da mensagem e na obrigação por causa de sua divina comissão. deixando que o Espírito faça a obra de convencimento. ÚLTIMO PENSAMENTOS "E eis agora sei. o pastor ficar tão ansioso e não se lembrar da recomendação bíblica. "todo aquele que ouvir o som da trombeta. A resposta dos ouvintes não era sua responsabilidade. a justificação.. Na verdade. e assim o pregador cumpriu o seu sagrado dever de ressaltar o pecado.

. o missionário/profeta/pastor/obreiro/obreira dirá "EU SEI. foi a nós que Ele o fez. (11) 2Timóteo 1. tem conhecimento de sua pequenez.23. (2) 1Coríntios 1. espiritual e forças físicas para o desempenho da tarefa proposta.1. Tradução Interconfessional. Há lobos vorazes rondando o rebanho.. (3) 1Coríntios 1. 10.14-6.4 que a tarefa pastoral precípua é a oração e o ministério da Palavra. Vemos em Atos 6.4.10ss. 1978) O MINISTÉRIO DA PALAVRA Introdução(1) É interessante observarmos a exigência que muitos cristãos fazem a seus pastores para que dediquem tempo em atividades secundárias.1ss. o apóstolo introduziu os pensamentos acima analisados..21b.. Cabe-nos corresponder! NOTAS (1) Cf. Colossenses 1.24 (7) Cf. cuidadoso. por essência e definição Seus autênticos mensageiros e ministradores. (9) Eclesiastes 11.12a. prontos a entrar no santo aprisco. etc. (5) 2Timóteo 4. 15. também o fez com a afirmação de "sei em quem pus a minha confiança e estou certo de que ele tem poder para me guardar na minha missão até ao dia marcado". corajosas. ousadas que podem afirmar "EU SEI. Atos 20. (4) 1Coríntios 2.. e sempre pronto a dar sustento emocional. prescindindo aquelas que o Texto Sagrado preceitua como sendo a função pastoral. e. porém.12 (O Novo Testamento. no entanto. 1Coríntios 16.14ss.espaço.26b. v. Sociedade Bíblica de Portugal.2a. Quanta deturpação doutrinária. (6) Cf. 2Coríntios 2.17.10. (8) Cf. Com esta expressão de fé e esperança.!" Sim. quanto poder nas palavras emanadas por vidas confiantes. quanta novidade penetrando como se fossem moderníssimos métodos de proclamação. A pregação da Palavra deve ser efetivada por cristãos especialmente 239 . (10) Isaías 55.! EU CONHEÇO O SENHOR DA SEARA!" Que não passemos adiante a sagrada missão evangelizadora que o Senhor poderia ter confiado aos Seus anjos. Lisboa.24-2. Atos 20. o Dia do Juízo(11). fragilidade e tremenda dependência de um Pai amoroso. Sem qualquer sombra de dúvida..11.

É o Ministério do Logos. o que ressalta o fato de que não desenvolveram uma visão bíblica para o Ministério da Palavra. I – Finalidade específica do Ministério Pastoral (2) Em uma pesquisa realizada entre pastores perguntou-se qual seria o alvo final do trabalho pastoral e muitos responderam ser a evangelização.vocacionados em distinção a todos os demais Ministérios Eclesiásticos. eleito pelo próprio Deus da Palavra para arquitetar os ideais divinos para a sociedade. muitos não souberam responder a questão proposta. é o que encerra o compromisso de anunciar a Revelação de Cristo no sentido de uma comunicação divina em forma de mandamentos. é serviço prestado em submissão. 1. além das tarefas primordiais indicadas em Atos 6. Quando buscamos no Texto Sagrado a finalidade específica para o Ministério Pastoral encontramos. O pregador da Palavra é o mensageiro de Deus e o verdadeiro mestre da sociedade. absorto pelo Dom de proclamá-lo com persuasão. profecias e conforto para o povo de Deus. uns poucos disseram ser o preparo do crente para a eternidade e para o mundo atual e. Aperfeiçoamentos dos crentes O pastor não pode contentar-se em visualizar nos membros da igreja apenas certas atitudes éticas pautadas na Palavra de Deus ou algumas poucas posturas próprias dos costumes e princípios denominacionais. que emprestam ao ministro dignidade e importância oficial devido a natureza e a qualidade do serviço prestado. as responsabilidades alistadas a seguir. afim de que os ouvintes passem a orientar e dirigir suas vidas a partir da Palavra proclamada. Colossenses 1. O Ministério da Palavra. O pregador da Palavra de Deus é um profeta que deve compreender claramente a beleza e a universalidade do evangelho. Deus espera mais dos pastores e a tarefa pastoral deve esmerar-se em apresentar ao Senhor pessoas maduras e adultas na fé que sejam cumpridores da Palavra. Estão pastores mas não são Pastores na acepção bíblica da tarefa pastoral. zelo e extremado amor. sempre divinamente inspirado e autorizado para esclarecer as manifestações de Deus decorrentes da mensagem proclamada. cristãos "perfeitos em Cristo". portanto. A idéia radical inerente ao Ministério. lamentavelmente. 240 . É espantoso notar que muitos pastores dirigem igrejas e pregam sem ter uma noção clara quanto a finalidade do Ministério.4. em todo o Novo Testamento. outros a união dos crentes com o Senhor. citada em hebraico 394 vezes no Antigo Testamento.28. que no Novo testamento é o equivalente a Davar Elohim. diligência e fidelidade. subserviência. Palavra de Deus. Dentre os Ministérios alistados na Bíblia o Ministério da Palavra é o mais rico na sua significação.

cristãos aperfeiçoados em Jesus. Hebreus 10.10-16.43-45. Devemos servir com esmero e amor no presente para que sejamos encontrados fiéis no tempo em que formos convocados ao serviço celestial. preparando-nos para o serviço futuro na glória celestial. A convivência na igreja deve nos ensinar a servir no presente.3-4. cheios do pleno conhecimento e firmados doutrinariamente. servindo na igreja local.35-38. isto é.26. sendo a igreja local condicionada pelos sinaléticos denominacionais apenas uma ínfima expressão da grande totalidade do que constitui-se a Igreja de Deus em Cristo. Lucas 12. Hebreus 12. 1 Pedro 4. 13. João 12. Vivemos em uma sociedade cibernética e de realidades virtuais.21-24.13-17.22-24. Apocalipse 7. que é a figura da igreja universal gloriosa. Há uma realidade muito maior e superior do que a própria igreja local que é a Igreja Universal. o que nos exige a compreensão das rupturas que se refletem no nosso cotidiano a partir da substituição da mecanicidade pela informação e informatização.13.14-30.9-15.4-7. O Senhor espera que nos preparemos e aprendamos sobre fidelidade e dons de ministérios.11 e 20-23. isto é. 3. Efésios 4. Invisível e Gloriosa. É um chamado à compreensão das diferentes manifestações de Deus no mundo através da igreja local sem prescindir da comunhão em Jesus e da sinergia cooperativa entre as diversas igrejas para que cada uma delas cumpra o seu Ministério. Efésios 4. A igreja é uma escola de vida e de serviço.Deus espera que os pastores entreguem a Cristo a obra acabada.22-25 e Apocalipse 22. Mateus 25. Capacitar os cristão para o serviço. deve enxergar além do horizonte da igreja local ou de sua denominação.7-10. A igreja não pode 241 . Preservar a unidade da igreja A unidade da igreja é um desafio ao amor e ao respeito que os cristãos devem uns aos outros. Cristãos que tenham uma identidade doutrinária definida e que interagem na obra do ministério da igreja de modo geral. II – A Relevância da Tarefa Pastoral para a Sociedade (3) Nossa sociedade se admite pós-moderna e adota novos paradigmas socioculturais e eclesiológicos. independentemente da condição social ou cultural. 2. A igreja não é um estágio no qual apenas esperamos passar o tempo até que Jesus volte. edificados na igreja. O pastor deve ter uma visão horizonal do Reino de Deus. Marcos 10. Mateus 6. João 17. Gálatas 5.

por meio da pregação contextualizada que considera as influências recebidas na formatação da personalidade. que vive em constante suspeição da própria razão ressaltando a espontaneidade em contraposição à subordinação. 242 . sua eclesiologia e sua expressão cúltica em paralelo a recusa do verdadeiro conhecimento de Deus. Se na pós-modernidade a realidade é relativa. Não há como não enxergar a pluralidade dos conceitos éticos e morais estabelecidos pelo situacionismo degradante ancorado e aglutinado em torno de interesses egocêntricos. Nossa sociedade admite variegadas contemplações do mundo supondo que a realidade seja ordenada a partir da observação das leis naturais e do ciclo existencial. bem como uma igreja relevante. indeterminada e participável. dos conceitos éticos e da própria religião. O pastor tem a vantagem de estar presente em quase todas as ocasiões da vida das pessoas podendo interpretar as revelações proposicionais da Bíblia a partir da atuação de Deus na história. deve entender e visualizar a possibilidade de criarmos os mundos. os pastores devem atuar na formação da consciência cristã.ser acometida de refração causada pelas lentes do virtuosismo ufanista e sectário que se recusa à novas e diversificadas percepções da sociedade. Há que se redefinir a homilia. O pastor não pode fechar os olhos às transmutações da sociedade que privilegia a privatização e a heterogeneização de interesses e valores. Uma cosmovisão pastoral para a pós-modernidade deve considerar o fato de que o mundo não é algo exterior e que dele extraímos nossos conhecimentos. Mediante a essa miopia sociológica é imperioso desenvolvermos uma cosmovisão pastoral que se contraponha à predisposição pós-moderna de rejeitar uma perspectiva unívoca e correta. como faz discurso evangélico tradicionalista que reproduz uma eclesiologia arcaica em detrimento da edificação e da relevância da igreja para a sociedade. refutando e ridicularizando as micro-narrativas que se auto-arrogam credibilidade insofismável. A Bíblia tem pressupostos para o ceticismo humano e os pastores devem ser dotados de graça e qualificados para a interpretação dos absolutos de Deus em qualquer época da história. o que exige da igreja o redirecionamento dos comportamentos eclesiológicos e pluralidade na expressão cúltica. as realidades existenciais. ética e social orientando a igreja para que condicione sua mentalidade. Uma atuação pastoral instrutiva e construtiva. isto por quê uma mensagem bíblica e profeticamente contundente aborda sobre uma variedade de problemas existenciais e práticos. considerando a validade das emoções e da intuição na percepção ideológica da verdade e da fé. A pósmodernidade implica no abandono de qualquer mito legitimador dominante desacreditando das meta-narrativas predominantes. como preceitua a Palavra de Deus. descambar para a relativização dos absolutos estabelecidos na Palavra de Deus. tornando a igreja e o labor pastoral relevantes e essenciais para o nosso contexto sociocultural. o que só será possível a partir do reposicionamento da atuação pastoral. sem contudo.

Nenhum outro Ministério Eclesiástico é chamado. Alguns membros das igrejas tecnicamente treinados têm dificuldades em respeitar e ouvir os ministros formados e habilitados em retórica e idealismo denominacional devido a crescente confiabilidade dos modelos de gerenciamento e ao pragmatismo situacionista que corroem as bases bíblico-teológicas legadas aos pastores para a realização de seus ministérios. inigualável. o que se verifica pela esquizofrenia resultante do trauma causado pela confrontação da liderança. pela exortação bíblica e ensino da Palavra. quando consciente de sua tarefa e de seu compromisso como profeta. a igreja pós-moderna tem desvalorizado a autoridade pastoral quando exige do Ministro permanecer alheio ao desenvolvimento tecnológico e atrelado as expectativas denominacionais tradicionalistas que jamais promoverão desenvolvimento e maturidade para a igreja e para o próprio pastor. (5) É urgente e premente a necessidade de resgatarmos a credibilidade do Ministério da Palavra pois somente aqueles que abrem seus corações e suas mentes para a mensagem bíblica e à instrução pastoral crescerão espiritualmente. o único com argumentos capazes de superar as controvérsias ideológicas e restaurar a unidade. vocacionado e lapidado para a proclamação da sã doutrina. Os resultados disto é profundamente perturbador e causador de uma verdadeira crise de identidade ministerial entre os pastores. O ministério pastoral é a única tarefa que pode oferecer renovada razão de ser para a sociedade em decadência ética e espiritual por enunciar mensagem verdadeira e mística. pois a fé cristã é o único misticismo que permite ao homem comunhão consigo mesmo. Na melhor das hipóteses. O padrão sociológico é muito forte e o padrão bíblico é quase utópico no mundo estético e pictórico. levando-o. a amplitude. Podemos ainda considerar de extrema relevância a tarefa pastoral por ser o pastor. Conclusão (4) Não é difícil perceber que a igreja sofre as mais variadas influências e se vê pressionada pelas mais diversas tendências no atual contexto sociocultural. excluem-se da nutrição espiritual que emana do púlpito da igreja. agindo como salvaguarda da Verdade Apostólica. a comunhão com o Deus que pode restaurar e regenerar a sociedade. além de se tornarem infelizes. a volição e as emoções. para o ensino da Palavra de Deus e para o exercício da liderança na igreja de Jesus Cristo. com a sociedade e com o Deus verdadeiro de forma completa. O triunfo do individualismo criou uma igreja cheia de pessoas que se recusam a aceitar alguém que lhes diga em que devem crer ou o que devem ou não fazer. a totalidade e a integralidade do ser. sem deixar de lado o intelecto. 243 . Os cristãos que resistem a autoridade pastoral ou que vivem buscando referenciais externos para abalizar a proclamação de seu pastor. no sentido pleno do termo.jamais apresentando-se como um discurso paliativo e superficialmente direcionado às necessidades imediatas. proporcionando ao ser uma experiência agregária. a igreja.

David. poderoso. Rio de Janeiro. é o crescimento do crente individual e da igreja como corpo forte. 37-38 e 46) (2) BARRIENTOS. Ed. ao Senhor da seara 244 . O propósito é o treinamento dos crentes. Em Mateus 9. É. os versos 11e 12. Asa R. 99-107) (4) FISHER. 148 p. Campinas: Associação Evang. Alberto. de batizar essas pessoas e de discipulá-las. 128 p. resultado de oração incessante e de inspiração autoconfrontante. Kédma Rix. O trabalho do pastor atinge seu auge no púlpito. 1998. 334 p.37. pois. Menonita. 1991. Quando o pastor prega a Palavra de Deus. Cada sermão é uma proclamação específica de Deus para um momento específico na vida de seu povo. [Dissertação . (5) Pictórico é algo relativo ou próprio da pintura. visto que nossa sociedade se pauta pela negação da autoridade e pelo fato de nenhum outro ministério eclesiástico exigir cometimento e subordinação a autoridade como no caso do Ministério da Palavra. Trad. 304-307 e 318). o ministério da Palavra é um dom especial de Jesus Cristo à Sua igreja. a consecução do múltiplo propósito que Jesus tem para Sua igreja que é o de derrubar as portas do inferno. QUE É UM PASTOR? De acordo com Efésios no capítulo 4. sendo o instrumento que o Senhor utiliza para ministrar à igreja e ao mundo.Mestrado em Teologia Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil] . na unção e instrumentalidade do Espírito Santo. 38 está registrado: "Jesus diz aos discípulos: A seara é realmente grande. A Doutrina Bíblica do Ministério. Rio de Janeiro: JUERP. Que Deus nos ajude. ainda. Pregar deverá ser a demonstração pública de que a Palavra de Deus opera no pastor. robusto. Trad.(pp. 278 p. havendo um objetivo definido para esse ministério. O Pastor do Século 21. 2. O termo é usado aqui para indicar o vislumbre de nossa sociedade pelo colorido das imagens e da televisão na formação de conceitos os mais diversos. Yolanda Krievin. São Paulo: Vida. O tom da liderança pastoral deverá ser estabelecido na autoridade moral e espiritual que os pastores exibirão na pregação bíblica. 1981. O povo de Deus pedia.Não é exagero asseverar que no século 21 o exercício do ministério pastoral ficará ainda mais difícil. Rogai. 1999. E esses dom foram dados por Deus em resposta às orações do Seu povo. o Senhor cria um momento que é especialmente divino e que não pode ser repetido. Pastor-teólogo na Pós-modernidade: Uma abordagem teológico-fiolosófica a respeito da atuação pastoral na sociedade pósmoderna. Fernando C. Trabalho Pastoral. o de resgatar vidas das mãos de Satanás. (3) FERNANDES. é o estimulo à obra do discipulado. Notas (1) CRABTREE. Pregar sem autoridade rouba a essência da Palavra de Deus. (pp. (pp. 31-37). mas os ceifeiros são poucos. (pp.

Por isso. 2Coríntios. Disse-lhe que não fosse para o seminário. a exclamar como está registrado em Isaías no capítulo 6. Quando Jesus Cristo chamou os seus apóstolos. E isso tem base bíblica. pescando ou no escritório como fiscal de rendas. mas. especialmente os crentes mais novos. Então eu acho que é por isso que Deus está me chamando para ser pastor". "Uma chamada divina. Profecia não é adivinhação do futuro. Na 245 . o que se requer daquele que busca o ministério da Palavra é uma convicção da chamada especial da parte de Deus. "Mas boieiro e cultivador. Todos estavam na sua profissão. É assim que Deus age. fala sobre esse assunto. eu acho que Deus está me chamando para o ministério porque já fiz o vestibular três vezes e fui reprovado. Relatos da Bíblia mostram que quando Deus ou o Senhor Jesus Cristo chamou. E respondeu "Eu não era profeta." E se alguém abandona essa chamada há de ser infeliz." É assim que Deus faz. e essa razão está na palavra de Jesus Cristo em João no capítulo 15 que diz "Não fostes vós que me escolhestes mas fui eu que vos escolhei e vos designei para que vades e deis fruto. Ele está falando aqui a Amazias. o episcopado não pode ser abraçado como se escolhe uma profissão. Ou como Davi que também apascentava ovelhas e os outros que acabei de mencionar. se alguém entra no ministério sem chamada vai ser um infeliz. consertando redes. que envolve um preparo divino para uma obra divina". "Qual é a evidência que você tem de que Deus está chamando você para ser pastor?" Ele não era ovelha minha. Que é um Pastor? O PASTOR É UM PROFETA E essa é uma palavra muito interessante. ninguém queira que eu adivinhe o futuro. porque o ministério. um sentimento tão forte naquele que é chamado que levou Isaías. A Escritura Sagrada enfatiza a vocação divina. Não pode ser uma pessoa que não tenha chamada. profetiza o meu povo Israel. "Mas o Senhor me tirou de após o gado e me disse: Vai. A mesma coisa aconteceu com Amós. Respondeu-me: "Pastor. no entanto. todos estavam trabalhando. era de uma outra igreja e viu escrito na parte externa do templo ACONSELHAMENTO.que envie ceifeiros para a sua seara". Por isso a pergunta base é: Que é um pastor? Estamos trabalhando em cima de um tema que já foi objeto de reflexão. Ou como dizia o saudoso pastor Valdívio Coelho. Amós estava apascentando o gado e quando ele estava pastoreando o gado. Talvez temos agora alguma variante. que estava cultuando no templo." Era agricultor. aqueles que estão ainda se preparando para o batismo. então entrou e veio se aconselhar. Lembro-me de um moço que me procurou uma ocasião e disse que achava que Deus o estava chamando para o ministério. que ele estava muito enganado. no final do verso 8 onde ele diz: "Envia-me a mim". porque Deus não chama fracassados nem desocupados. Profeta não é isso. Perguntei-lhe. Por essa razão. se você também ouviu a chamada e não entrou no ministério. capítulo 3. nem filho de profeta". ouviu a palavra do Senhor. o vocacionado estava numa atividade como Moisés que apascentava ovelhas. E quero dizer aos irmãos. vai ser tremendamente infeliz por uma razão. o pastorado.

o ministro da palavra tem mensagem. basilar. No entanto. "Disse-me o Senhor: Os profetas profetizam falsamente em meu nome. Não. que sempre existiram mal intencionados. hoje e eternamente. Cada profeta então é uma sentinela guardando a doutrina que veio dos lábios do Senhor e do ensino apostólico. porque edifica. visão falsa. A Bíblia diz que sempre existiram aproveitadores. todos eles se tornam para o seu caminho. isso não é ser profeta. é o porta-voz de Deus.. Como profeta.mente de muitas pessoas significa uma predição do futuro. adivinhação. nem lhes falei. Mensagem de luz. de inspiração. É um quadro que vemos amiúde. E mesmo assim. muito mais profunda e mais consistente e séria porque pela Bíblia Sagrada. "Estes cães são gulosos. Querem ver mais? Jeremias 14:14. nunca se podem fartar. Sem dúvida alguma irmãos há uma tradição milenar atrás de cada sermão que é pregado de qualquer púlpito cristão. uma adivinhação. Talvez na linha daquele povo que diz assim: "Previsões para o ano 2000". ou seja. E a palavra de Deus vai dizer assim. por que proclama a palavra do Senhor. fundamental do profeta é se colocar entre Deus e a pessoa humana e comunicar o propósito eterno. consola homens individualmente e a igreja como um todo. Palavra de orientação para a vida porque Jesus Cristo é o mesmo ontem..". Cada sermão há de chamar a atenção para as conseqüências morais e espirituais da conduta do ouvinte. Há tantos desqualificados sendo chamados de "pastor" que é uma verdadeira calamidade. não os enviei. mensagem de conforto. "Ou palavra do Senhor que veio a. nem lhes dei ordem. quando a proclamação não existe. Apesar de uma tradição milenar desde o tempo dos profetas. cada um para sua ganância. Por isso. E aquele que é arrependido deve apontar a misericórdia e deve apontar o perdão de Deus e a bênção da vida com Deus. "assim diz Walter Baptista". Portanto. É como está colocado. não. 246 . exorta. Mas a Bíblia mostra que não é assim. a palavra tem conotação muito mais ampla. Como está na Bíblia Sagrada. 1Coríntios capítulo12 menciona entre os dons o de profecia. vai chegar a derrota e na Palavra Santa está com toda clareza e com toda as palavras a expressão de Provérbios 29 que fala "Não havendo profecia o povo se corrompe". Sentinela e pastor. todos sem exceção" (Is 56. profeta é quem fala em nome de Deus. cada sermão deve ser atual.11). a palavra do profeta nunca é: "Assim eu digo". são pastores que nada compreendem. vaidade e o engano do seu coração é o que vos profetizam". mensagem de vida. que sempre existiram cavadores de lucro. E a Bíblia ensina que isso é um carisma. deve advertir sobre a justiça e deve advertir sobre o juízo de Deus. a função primária. de salvação que deve ser sempre fiel e reta e ortodoxa. comunicar a sua vontade. Acontece que hoje está muito fácil se chamar "pastor". A palavra do profeta é: "Assim diz o Senhor". cada sermão deve advertir sobre o pecar. E porque profetiza.

Pregar não me cansa. e. a menininha da família começou a andar por trás da cadeira do pastor. um mensageiro. Naquele tempo não havia microfone. não me rejeitastes. o quê? Um profeta. A pregação é algo extraordinário! Fico fascinado pela pregação. Anjo é aquele que traz uma mensagem. O PASTOR É UM ANJO. fazia a volta e ia. no entanto. que estava completamente vazio.14. foi para o palco. eu sempre levo o paletó. reivindicarem.. Ia lá e vinha cá. entrou em um auditório que recém-inaugurado em Londres. e com a voz poderosa de pregador. recomendam-me: "Pastor. Agora ninguém espere ver um par de asas nas costas do pastor Walter nem debaixo do paletó. Aí a mão disse: "Rosinha pára com isso.. nem me desprezastes antes me recebestes como a um anjo de Deus". E o evangelista havia ouvido falar sobre isso. Nunca foi tão fácil para alguns. não leve o paletó: porque se levar o paletó. Pregar não cansa. Sou fascinado pela pregação. que vos apascentem com conhecimento e com inteligência". incauta e até mesmo aquele que está desejosa de ser manipulada. "EIS O CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO MUNDO!!!" 247 . da igreja de Filadélfia e às demais. ao anjo. Mas vamos entender irmãos.Há outros textos da palavra. Porque a palavra "anjo" tem significado. Quando saio de férias. menina! Que história é essa. a palavra do Senhor é tão clara sobre este assunto porque diz em Jeremias 3:15 "Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração. explorando uma pessoa simples. e aquele auditório havia sido construído dentro dos mais modernos recursos de acústica da época. A menina respondeu: "Eu estou procurando as asas: a senhora não disse que o pastor é um anjo. vai ter que pregar em algum lugar". o grande Charles Spurgeon. talvez devêssemos dizer para tantos. exclamou: "EIS O CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO MUNDO!!!" e repetiu. Paulo recomenda "Não desprezeis as profecias". Tudo era à viva voz. você andando para lá e para cá?!". Quando ali chegou.". olhava e mexia e tocava no pastor. nem ampliação de som. mas. Por isso. falarem em nome do Senhor. Spurgeon. E no Apocalipse também a palavra "anjo" é usada largamente quando as sete cartas são enviadas ao pastor. É porque tem uma história que diz que o pastor foi almoçar na casa de uma família. Então há quem queira ver essas asas nas costas do pastor. E Paulo se refere a isso quando em Gálatas no capítulo 4. Nunca foi tão fácil como nos dias de hoje. o Albert Hall. ele diz: "Embora minha enfermidade na carne vos fosse uma tentação. então. Pastor é. Entrou no auditório. E quando chegou.

Como poderia ele falar de uma experiência que não conhece? O que se pode dizer de uma determinada fruta. Essa foi a declaração que ouvi por lá. Não tive coragem porque o fedor era de esgoto em dia de chuva. Meus amados. É necessário que haja da parte do pastor verdadeira conversão. Há muita novidade barateando o culto divino. Fede que nem esgoto. Ele tem que ter capacidade mental e eu diria capacidade acadêmica. estava trabalhando na sala do lado quando ouvi o senhor falar lá dentro. se nunca se experimentou da mesma? Quando eu estava em Singapura. O apostolo Paulo ele diz o seguinte ao jovem pastor Timóteo. foi transcrita uma palavra do Pr Nilson Fanini bem parecida com essa.. E essa palavra me tocou". é verdade. o seu gosto. A pregação dele foi só isso: "Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo". da pinha. na palavra. conhecimento bíblico adequado. O homem ficou convencido dessa verdade e se converteu. no espírito. afirmando esse fato. Dizem que quando se come um bago da fruta. andar com Deus. não é demais até lembrar que Paulo tinha muito amor pelos livros. falaram de uma fruta chamada durian. Continuou o homem. o pastor é um anjo. "Ninguém despreze a tua mocidade: mas sê o exemplo dos fiéis. Ele precisa ter uma fé sadia também e ter uma fé que seja ortodoxa. lendo muito para saber cada vez mais. Quando chegou à porta. Outra coisa que o pastor deve ter é piedade cristã para resistir ao escrutínio das outras pessoas. Por isso. Que não seja amante de novidades. lendo. na pureza". É da família da jaca. No boletim de hoje. Ele precisa conhecer a Deus. Por quê? Para orar com ele? Nem sempre. na fé. Ele pode não saber tudo. da fruta-pão. Fomos. na amor. nós preferimos o culto digno do nome do Senhor. Está na palavra em 1Timóteo 4. não sei porque não tive coragem de experimentar. Por isso ele precisa de ter todas essas características aí. mas o que ele sabe. Essa fruta é um pouco maior que uma graviola. no trato. Se é mais saborosa. não posso falar do sabor da durian porque não o conheço. Eu sou pedreiro. Aliás. Nós preferimos ficar com a Palavra sempre. e li. eu sei que é a mais fedorenta do mundo. até. deve saber bem e ele deve continuar aprendendo. Timóteo trouxesse o livro.. No entanto. finalmente. Há muito culto que satisfaz mais ao ego dos chamados pastores que realmente às necessidades do povo. ter comunhão com Ele. é algo deliciossíssimo. se não for ortodoxa nem é sadia nem é fé.12. um homem o procurou e disse: "O senhor que é o pastor Spurgeon?" Ele disse: "Sou eu". "Só quero dizer que aceito a Jesus Cristo. mais espinhenta que a jaca. Sua vida é vasculhada e os procuradores de agulha no palheiro usam lente de aumento sobre as falhas do ministro do evangelho.Experimentou e saiu convencido de que a acústica era excelente. Pois é. Hoje é um tempo em que se ama a novidade. Ele precisa conhecer as ciências teológicas. por isso pediu que quando viesse. apresentados à durian. Como o pastor tem sido vítima de cobranças fiscais. 248 . e dizem que é a fruta mais saborosa do mundo. da graviola.

em três lugares ao mesmo tempo.Precisa conhecer o ser humano também. conhecer as relações humanas. de lascívia. mas. três compromissos e a pessoa fica zangada porque a só se pode atender a um deles. É um povo saturado de orgulho. da esperança. Descobri que ser anjo não é difícil e que também não é difícil ser profeta. conhecer a psicologia. inclusive no seu dia de folga. Pastores são não somente humanos mas precisam ser plenamente humanos. Aliás. Não é que esteja tendo visões nem fantasmas juntos de mim. que não canse e que não desanime em certas horas. Primeira coisa que nós dissemos é que o pastor é um profeta. na mesma tradição e na mesma palavra que eles anunciaram e pregaram ao seu povo. essa legião de testemunhas de que Hebreus fala. e que seja somente sorrisos. conhecer a pedagogia. como já tem acontecido comigo. como anjo de Deus. desobedientes a pais e mães. deve fortalecer aquele que está triste. animar o cansado. conhecer aquilo em que o ser humano é forte e aquilo que o ser humano é fraco. Difícil é ser humano. Sinto ao meu lado Elias e Moisés e Isaías e Jeremias e Ezequiel e Daniel e Oséias. com 249 . que nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis. e aí segue com um catálogo de coisas do nosso tempo. fortaleza e ele possa crescer igualmente. da salvação e da libertação e do perdão que vem de Deus. qualquer pastor de qualquer igreja em qualquer lugar. seja um bom pregador e que tenha dois bons sermões todo domingo e que tenha um bom estudo em todo Culto de Oração e que atenda no gabinete a qualquer hora do dia. São dias difíceis. sinto ao meu lado quando prego. as testemunhas do Senhor. o joelho tremente. Agir para aquilo que é forte na sua ovelha continue forte e progrida até e aquilo que é fraco seja colocado com resistências. se possível for. o pastor é um anjo. O Pastor é um homem num mundo de homens. como mensageiro da palavra divina. Isso é dito porque há quem espere que o pastor. É nesse mundo que nós exercemos o ministério. presunçosos. dois compromissos. da fé. "Sabe. Talvez. blasfemos. do amor. Os homens serão amantes de si mesmos. conhecer as ciências humanas. Em 2Timóteo 3. na mesma linha. Como mensageiro de Deus. uma dose de paciência e uma dose de tolerância. 2Timóteo 3:1-5. Essas condições que estão aqui em 1Timóteo 3:1-5 são as nossas condições hoje. Por isso. Razão porque todo pastor pede uma dose de compreensão. Como anjo de Deus é mensageiro do Espírito de Deus. fortalecer o debilitado e mostrar o caminho ao que está indeciso. e que não tenha tristezas e que tenha inclusive p condão de fazer a maravilha das maravilhas que é estar em dois lugares ao mesmo tempo. levantar o que está derrubado na vida. mas há uma terceira o pastor é um homem. profanos". gananciosos. consolar aquele que está desconsolado. Segunda coisa. como mensageiro de Deus. soberbos. apresentam-se as condições do mundo nos últimos dias. Joel. de um povo que transgride as leis da decência. Amós e os apóstolos. ingratos. E a descrição do coração desses homens ímpios é a de um povo que se distancia de Deus.

Mas ele é um ministro. de orgulho. Levando sempre por toda a parte o morrer do Senhor Jesus no nosso corpo. Por isso. de onde vem magistratura. comete o pecado de envelhecer. magis. mas não angustiados. ao mesmo tempo ele também sendo mestre. que quer dizer "mais". Mas como o pastor é um servo da palavra. mas é um homem de Deus. o jovem pastor. abatidos. era ele que tinha que carregar cargas. Porque era uma pessoa que tinha de menos. Ao povo que o Senhor lhe confiou. enquanto o mundo desce a ladeira do inferno. e não de nós. É vulnerável por isso. E Paulo fala de blasfêmia. É homem que se apropria portanto da verdade divina e a repassa a suas ovelhas. fala de ingratidão. Os irmãos sabem que a palavra mestre vem do latim magister. Ministro vem de minister onde está a raiz minus que quer dizer menos. Ele é um símbolo diz o doutor Wayne Oates em um livro sobre este assunto. Dizem que uma igreja 250 . negando. Em tudo somos atribulados. os ministros. Ministro quer dizer escravo. é um ser humano vulnerável. Aí eu quero explicar a palavra mestre e a palavra ministro. O pastor é um homem no mundo dos homens. é exortado à fidelidade à palavra de Deus bem como todos os outros pastores. transportar uma mesa. é um ministro. Ele pertence à palavra que ele anuncia. ela guarda uma raiz. no capítulo 4 está dito da seguinte maneira: "Temos. o Deus vivo e verdadeiro. um símbolo do evangelho. É um homem de Deus mas não é um super-homem. ele deve manter na consciência que ele pertence ao seu povo. porém. não tem o que oferecer. fazer isso. não tem o que dizer a quem busca o seu conselho ou a quem vai ouvir os seus sermões. Ministro quer dizer isso aí. Perseguidos. de onde vem magistrado. Que ele é um símbolo da fé cristã.novas formas de piedade. O pastor é ao mesmo tempo um mestre e um ministro. um símbolo da graça e é por esse motivo que lá na Segunda Carta aos Coríntios. Timóteo. mas não desamparados. mas. mas. Ele é um mestre e é um ministro. Ministro era o escravo. Por que é que o mestre. perplexos. Pensa-se que hoje a palavra "ministro" é pomposa e nós dizemos o primeiro escalão do governo. Isso quer dizer que há de ser homem de oração e totalmente submisso e consagrado a Cristo e à Sua causa. Ele ao mesmo tempo passa e repassa aquilo que ele tem de mais. porém. Por isso. Não o procuravam porque tinha de mais. o magister ou o magistrado eram procurados? Porque tinham algo a mais a oferecer. ele é um servo. de onde vem magistério. Ele pertence a Deus que o escolheu e o comprou e o fez ministro de Sua palavra. mas não destruídos. Porque de hora em hora o mundo piora. sim tinha de menos. do escravo. mas não desanimados. pegar uma coisa ali adiante. este tesouro em vasos de barro. Trabalho pesado era do minister. e é por esse motivo que ele busca ser fortalecido pelo poder do Alto. de calúnia. para que a excelência do poder seja de Deus. infelizmente. para que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos". E essa palavra magister. de atrevimento. pois sem Deus na vida.

tu me amas? Simão. Parte XXXX Dos Sínodos e Concílios Comentário do Capítulo XXXI da Confissão de Fé de Westminster 251 . porque ele tinha sessenta e dois anos: não foi convidado." Mas Jesus perguntou três vezes. Porque já haviam passado daquela idade. Tu sabes que eu Te amo. Os irmãos viram que na Bíblia. é vulnerável. e não pode ter medo de responsabilidades. Tito 1. Pedro dizer assim: "Senhor. "Senhor. tu me amas de verdade?". filho de Jonas. quando foi escolher o novo pastor. "Tenho sessenta e dois. A Comissão de Sucessão Pastoral entrevistou um determinado obreiro já maduro e ficou muito satisfeita com os resultados da entrevista. mas. quando alguém se lembrou de fazer uma perguntinha que estragou tudo: "Pastor. vem de filos que quer dizer amigo. Pedro. esse amor de Cristo se estende naturalmente àqueles a quem Jesus Cristo também ama. agapos me? Ele devia responder. Jesus perguntou a Pedro: "Pedro. Ele não disse agapo te. pastores são cooperadores. que pergunta de novo: "Pedro. Tu sabes que eu Te amo". na palavra de Deus: 1Timóteo 3. Nenhum desses grandes homens de Deus podia ser pastor. ao ministro do evangelho é confiada a causa da reconciliação porque já chegou a boa nova de que em Jesus Cristo há salvação. "Senhor. fez o "perfil do pastor". são facilitadores na obra do Senhor e o ministro do evangelho é um servo voluntário como Jesus e há de caracterizar-se pela unção do Espírito debaixo de cujo poder vive." O amor a Jesus Cristo meus irmãos. A pergunta foi Pedro agapos me? Tu me amas verdadeiramente? E Pedro deu uma resposta infeliz. pastoreia minhas ovelhas. Uma igreja em nossa cidade. Ele disse: "Filo te" é outra palavra. a resposta. no ministério e sempre nesse amor a Cristo.1Pedro 5. Filo. Por isso. Entre outras coisas dizia que o pastor deveria ter até determinada idade. E já que um enorme muro de separação existe e sempre tem existido entre os homens (Paulo fala disso em Efésios 2). Tu sabe todas as coisas. Pastores são profetas. "Apascenta os meus cordeirinhos." E finalmente. muito humano. a barreira foi quebrada e nós somos feitos um. quantos anos o senhor tem?" Responde o candidato.estava procurando um pastor." Aí. Porque quando isso acontece. Tu sabes que eu te amo". "Ó Senhor. Virou moda fazer o perfil do pastor. Foi isso que Pedro respondeu para Jesus.. Tu sabes que eu sou teu amigo". O que é necessário é amar a Cristo. Jesus disse. são anjos e são homens. o Seu rebanho. tu me amas verdadeiramente?" A pergunta foi essa. simples homens. "Senhor. a Deus. O pastor é humano.. O único perfil que conheço e reconheço é o que está no Novo Testamento. Billy Graham. não pode ter medo de críticas e não pode ter medo do aparente fracasso. e aos irmãos. "Agapo te". Tu sabes que eu sou teu amigo. razão porque ele busca o poder de Deus. Nilson Fanini não poderia ser pastor daquela igreja. a igreja sentiu que a Comissão murchou. é condição sine qua non para que um ministro do evangelho possa se sustentar no evangelho da Palavra.

Os resultados daquele Concílio foram normativos para toda a igreja cristã primitiva. Por exemplo: Doze concílios regionais reuniram-se para debater a heresia ariana entre os concílios ecumênicos de Nicéia. em 325. ou seja. e de Constantinopla. A distinção entre os vocábulos “sínodo” e “concílio” é mais aparente que real. pertence aos pastores e aos outros presbíteros das igrejas particulares criar tais assembléias e reunir-se nelas quantas vezes julgarem útil para o bem da Igreja”. Os sínodos e concílios existem “para melhor governo e maior edificação da igreja”. D. tendo representação regional ou local. ou pode ser local (particular). O poder governante da igreja reside primariamente nos conselhos locais e destes é passado aos sínodos e concílios. em 381. O primeiro concílio ecumênico na história da Igreja foi o de Jerusalém (c. portanto.As várias denominações de hoje empregam a palavra “sínodo” de maneiras diferentes. O capítulo que passamos a compartilhar é parte integrante da Confissão de Fé. Cristo dotou a igreja do poder necessário para levar a efeito a obra que lhe confiou. I O propósito dos sínodos e concílios “Para melhor governo e maior edificação da Igreja. embora a igreja os escolha para o ofício. os presbiterianos. “Sínodo” ou “Concílio” é uma conferência convocada pelos líderes eclesiásticos para dar orientação à igreja. o sínodo – composto de ministros e presbíteros dos presbitérios – é o grau acima do presbitério e abaixo do supremo concílio (ou assembléia geral) na sua ordem de governo eclesiástico. recebem diretamente de Cristo aquela medida adicional que é exigida para o seu trabalho como oficiais da igreja do Senhor. pelo fato de ter tido uma liderança apostólica [2]. representar a igreja inteira. Cada igreja local tem um certo grau de autonomia ou independência.) e está registrado em Atos 15. Investe todos os membros da igreja com uma certa medida de poder. Em virtude do seu cargo e do poder que Cristo lhes deu para edificação e não para destruição. um dos grandes tratados teológicos produzidos por aquela histórica e notável assembléia. “para o bem da igreja”. o sínodo também é um concílio [1]. Enquanto participam do poder geral dado a todos os membros. deverá haver as assembléias chamadas sínodos e concílios. o Concílio de Jerusalém deve ser distinguido dos concílios posteriores. Sua autoridade não lhes é delegada pelos membros da igreja. Os interesses da igreja em geral 252 . A Assembléia de Westminster (1643-1649) foi um dos maiores concílios na história da igreja cristã de origem reformada. mas outorga uma medida especial dele aos oficiais da igreja. ou seja. Um concílio pode ser ecumênico (geral) e. No entanto. Para nós. O governo da igreja presbiteriana pertence aos pastores e presbíteros. assim como o presbitério e o supremo concílio. mas este é naturalmente restrito de várias maneiras tão logo ela se associe a outras igrejas locais. 50 A.

não cessam de inventar coisas novas. não é essa a dificuldade da questão. Segundo Calvino. Os seus decretos e decisões. sendo consoantes com a Palavra de Deus.não podem ser sacrificados pelos de qualquer igreja local [3]. beirando (ou até praticando) o despotismo e abuso de autoridade. ou concílios. E àqueles que quebrassem esse pacto Deus não os reconheceria como sacerdotes seus. mas obrigatórias. Contudo.20). O pacto que Deus fez antigamente com os sacerdotes levitas foi que ensinassem o que ouviam de sua boca (Ml 2. Ele também pediu o mesmo aos seus profetas e apóstolos. exceto em casos em que sejam explicitamente declaradas somente consultivas. no qual proíbe que se acrescente ou diminua algo à sua Palavra. mas aos concílios em geral. não há promessa maior do que a que se encontra nas palavras de Cristo: “Porque. ali estou eu no meio deles” (Mt 18. sem ter em conta o mandato de Deus. A autoridade dos sínodos e concílios deve ser segundo a Palavra de Deus. O que isso significa? Não estão reunidos em nome de Cristo os que. mas representado num grau maior. 253 . a menos que sejam demonstradas como contrárias à Palavra de Deus. pois estes. não podemos fazer pouco caso dessa diferença. Além disso. se desejam que se dê crédito às decisões dos homens tomadas à margem da Palavra de Deus [4]. É a mesma espécie de poder. que são a regra da perfeita sabedoria. mas tenha posto um sinal particular para diferenciar os verdadeiros dos que não são. uma acumulação de poder. devem ser recebidos com reverência e submissão. determinar regras e disposições para a melhor direção do culto público de Deus e governo de sua Igreja.7). As assembléias maiores. Cristo não promete nada a não ser para quem esteja reunido em seu nome. receber queixas em caso de má administração e com autoridade decidi-las. II A autoridade dos sínodos e concílios “Aos sínodos e concílios compete decidir. Resolvam essa dificuldade os adversários. diz Calvino. controvérsias quanto à fé e casos de consciência. decretam o que lhes dá na telha. não contentes com os oráculos da Escritura. naturalmente. se queremos saber qual é a autoridade dos concílios segundo a Escritura. não só pela sintonia com a Palavra. Desde que diversas igrejas são representadas há. ministerialmente. nem lhes daria autoridade alguma. onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome. Isso se aplica não somente a qualquer reunião particular. ou mesmo de irem além. mas também pela autoridade através da qual são feitos. não representam uma espécie de poder superior do que se investe nos conselhos. mas a condição que se adiciona: que Cristo estará no meio do concílio sempre que o mesmo for reunido em seu nome. E visto que Jesus Cristo não promete estar presente em todos os concílios. designada para isso em sua Palavra”. Do contrário correm o risco de ficarem a quem do que se exige deles. visto que essa autoridade é uma ordenação de Deus. São obrigatórias às igrejas. as decisões dessas assembléias não são meramente só consultivas.

mas não justifica uma decisão conciliar equivocada. seja ela boa ou má. Mas quando o Espírito Santo (assim como a Bíblia) não passa de inocente útil para satisfazer a carnalidade humana. ou por conselhos. O Novo Testamento é muito claro nisso. eles podem e devem ser usados como auxílio em uma (fé) e outra coisa (prática). Embora os sínodos e concílios não devam constituir regra de fé e prática. vai refletir primeiramente na igreja representada por ele. mas podem ser usados como auxílio em uma e outra coisa”.III A falibilidade dos sínodos e concílios “Todos os sínodos e concílios. mas não se opõem diretamente à vontade de Deus. O concílio não é a igreja.28). “O Espírito revelou o que os líderes da igreja deveriam dizer e fazer” [6]. portanto. Uma igreja pode ser bem ou mal representada. o resultado pode ser terrivelmente desastroso para a igreja. Uma decisão conciliar equivocada é aquela que resulta em algum prejuízo para a igreja. Mas se as decisões são contrárias à Palavra de Deus. e muitos têm errado. então devemos rejeitá-las e sofrer as conseqüências [7]. se o magistrado civil os convidar a fazê-lo”. Por serem assembléias eclesiásticas. O caráter eclesiástico dos sínodos e concílios nunca deve ser perdido de vista. recomenda-se a submissão a elas por amor à paz. não estão sob a jurisdição dos sínodos e 254 . Percebe-se que a igreja de Antioquia foi ricamente abençoada pela decisão daquele Concílio. explica. porém. quer gerais quer particulares. mas o seu representante. “Quando a leram. Após a decisão do primeiro concílio da Igreja – que se reuniu com o propósito de opor-se aos esforços judaizantes – os que foram enviados à Jerusalém desceram logo para Antioquia e. eles. Quando um concílio se submete verdadeiramente ao Espírito de Deus o resultado são decisões positivas e salutares para a vida da igreja. Se as decisões deles forem pouco sábias. A igreja é o termômetro das resoluções de um concílio. tendo reunido a comunidade. em satisfação de consciência. entregaram a epístola. Isso. podem errar. desde os tempos dos apóstolos. a não ser por humilde petição em casos extraordinários.31). e muitos têm errado no decorrer da história porque são formados por homens que podem e têm errado [5]. IV O caráter eclesiástico dos sínodos e concílios “Os sínodos e concílios não devem discutir nem determinar coisa alguma que não seja eclesiástica. Qualquer resolução do concílio. Todos os sínodos e concílios podem errar. E não podia ser diferente porque o que foi resolvido ali “pareceu bem ao Espírito Santo e a nós” (At 15. não devem constituir regra de fé e prática. sobremaneira se alegraram pelo conforto recebido” (At 15. não devem imiscuir-se nos negócios civis do Estado.

350. Campinas/Patrocínio: LPC/Ceibel. A. Concílios eclesiásticos. Grand Rapids: T. [7] Cf. 2a ed. Hodge. KISTEMAKER. HODGE. WHEATON. 562. New Testament Commentary.ix. 1990. Parte XXXXI 255 . e quaisquer outros que tenham a ver com a preservação da unidade e da boa ordem na igreja de Jesus Cristo. Comentário. São Paulo: Cultura Cristã. políticos. Rm 13. 350. L. p.11-17).. Isso tudo é compreensível porque aos sínodos e concílios somente lhes correspondem assuntos como os de doutrina e moral. visto que pertencem às igrejas em geral. têm que ver com (a) assuntos que devido a sua natureza correspondam à jurisdição de assembléias menores. Vol. Sínodo. correspondam à jurisdição de uma assembléia maior. A. Exposition of the Acts of the Apostles.1-7. Grand Rapids: Baker Book House. 1Pe 2.ix. [5] Cf. BERKHOF.concílios assuntos meramente científicos. A. Acts. A. II. ___________ Teologia Sistemática. 1986. Manual. Hall. J. [8] Cf. a ordem eclesiástica ou a liturgia da igreja. Berkhof. 1990. Comentário de la Confesión de Fé de Westminster. CALVINO. IV. São Paulo: Vida Nova. p. 1985. III. 3a ed. mas que por uma ou outra razão. S. Manual de Doutrina Cristã. e (b) assuntos que devido a sua natureza. Hodge. D. 1987. 261. comerciais ou equivalentes.11. [6] Kistemaker. ditas assembléias menores não podem resolver. [2] Cf. p. Institución de la Religión Cristiana. São Paulo: Vida Nova. I. Calvino. quando toca diretamente nos interesses da igreja [8]. H.E. [4] Institución. A. A. Calvino está pensando principalmente nos concílios católicoromanos.10. L. Notas [1] Portanto. Países Bajos: Felire. 1987. IV. Não devem se envolver nos negócios civis do Estado. H. p. a não ser por humilde petição deste em casos extraordinários. e do cumprimento desses deveres como obrigação religiosa (cf. Institución. de governo da igreja e disciplina. J. tais como assuntos relacionados com a confissão.2. do outro eles devem ensinar aos membros das igrejas seus deveres com respeito ao poder civil. Barcelona: CLIE. Vol. Concílios Eclesiásticos. em satisfação de consciência. In: EHTIC.L. J. Vol. p. toda vez que aparecer a palavra “concílio” neste artigo entenda-se concílios em geral. se por um lado os sínodos e concílios não devem tratar de assuntos que pertencem à jurisdição do magistrado civil. In: EHTIC. [3] Cf. Bibliografia A Confissão de Fé de Westminster.L. HALL. 318. J.51. Mais particularmente. 1988. 1997. se o magistrado civil os convidar a fazê-lo. H. Contudo. Comentário. ou por conselhos.

“Pois velam por vossa alma.17. que Cristo lhe deu autoridade. bispos. Ef 4. da minha boca ouvirás a palavra e os avisarás da minha parte. eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel. Líderes após líderes tomaram seus lugares. “Quanto mais pesada a responsabilidade deles. morrerás. são vigilantes em cuidar dos membros.17 . pois velam por vossa alma. e tu não o avisares e nada disseres para o advertir do seu mau caminho.7). Nesse versículo em particular. Os líderes que haviam falado a Palavra de Deus anteriormente não estavam mais presentes. ele pede ao leitor que obedeça a eles. E se Cristo confiou a tarefa de liderança a alguém. 17. nutre-os espiritualmente. b. Eles devem ser relembrados por sua conduta e fé. ele prova. É claro. desviam ataques malignos e administram disciplina quando necessário. para que façam isto com alegria e não gemendo. 1Pe 5. assim. E no versículo 24 o escritor mais uma vez emprega essa expressão.18). isso não quer dizer que os membros não são tidos como responsáveis. Os líderes precisavam de ajuda e encorajamento. e quanto maior for sua dificuldade e maiores os riscos que enfrentam por nós. o apelo para obedecer a eles e submeter-se à sua autoridade é oportuno. O escritor não está interessado na posição desses líderes – ele não dá qualquer idéia se eram presbíteros. Observe. por exemplo. diz o autor de Hebreus (13. pois quanto mais alguém sofre por nossa causa. esse perverso morrerá na sua iniqüidade. A falta de obediência prevalece entre alguns dos leitores. Nós precisamos voltar ao versículo 7 onde a mesma expressão – seus líderes – ocorre. as pessoas não devem questionar sua autoridade (At 20. os leitores poderiam questionar se essa autoridade era auto-imposta pelos líderes ou delegada a eles por Cristo. maior honra merecem. mas o seu sangue da tua mão o requererei” (3. Se um líder é um ministro dedicado da Palavra de Deus. Quando eu disser ao perverso: Certamente. a.9). João Calvino escreve que. maiores também nossas obrigações para com eles”.” Eles literalmente perdem sono por causa do bem-estar espiritual dos crentes. Eles certamente são. Antes.Por Simon Kistemaker Este versículo não tem conexão com os versículos precedentes. 256 . Eles conhecem a Palavra de Deus falada ao profeta Ezequiel: “Filho do homem.1-3).28. Obediência exigida. Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles. porque ele é o superior deles. Assim. como quem deve prestar contas. Esses líderes devem prestar contas a Deus. pregadores ou professores. a admoestação do autor para não se deixarem “envolver por doutrinas várias e estranhas” (13. Os líderes ficam com a congregação. Os líderes levavam a sério a tarefa que lhe havia sido dada por Deus.Obedeçam a Seus Líderes Comentário de Hebreus 13.11. o autor enfatiza três pontos. para lhe salvar a vida. porque isto não aproveita a vós outros. Cuidado prestado.

então. Os líderes podem testificar diante do Senhor que advertiram a pessoa desviada. o trabalho na igreja se torna um grande peso. Parte XXXXII Evangelismo Ontem e Hoje INTRODUÇÃO Podemos aprender com a História da Igreja. A 257 . sobre a conduta espiritual dos leitores não será vantajoso para nenhum deles. No final das contas. OS RUMOS DO EVANGELISMO NA IGREJA PRIMITIVA E NA IGREJA CONTEMPORÂNEA Apesar de muitos pensamentos ao contrário. Ao dificultar o trabalho e a vida dos líderes. onde o comércio se propagava com facilidade. Todo o comércio era obrigado a caminhar pelas estradas de Roma. durante o tempo que se chama Hoje.35. Essa pessoa morrerá em seu pecado. para que a tarefa dos líderes seja uma alegria e não um peso. harmoniosamente. a quem os leitores são responsáveis. Para mencionar um exemplo. Quando os membros se recusam a obedecer e não respeitam seus líderes. exortai-vos mutuamente cada dia. mas os líderes estão livres da culpa (Ez 3. Por que não observarmos o mover do passado tirando dele lições preciosas para o presente? A Igreja Primitiva tem muito a ver com o que pensamos sobre evangelismo na Igreja Contemporânea! I. que escolheu não abandonar o pecado. Sl 135. Dt 32. De maneira semelhante.Eles. Mas. ele exorta os leitores a encorajarem-se mutuamente: “Pelo contrário. a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado” (3.30. o escritor de Hebreus observa que um relatório triste. então. Onde um Império destes beneficia o Evangelho? A resposta é simples! Os evangelistas utilizavam-se das mesmas estradas usadas pelos comerciantes para disseminar a Palavra de Deus. c. é deve ser sim! Roma construía grandes estradas para cidades circunvizinhas.36. eles serão os perdedores. pois.19). há alegria nos relacionamentos interpessoais da igreja. De maneira pastoral e prudente. o trabalho de seus líderes se torna muito mais alegre. Os membros devem entender que nem eles nem os líderes são donos da igreja. Eles recebem as bênçãos do Senhor ao obedecer os líderes que Deus lhes deu. aquele foi o melhor momento de Jesus vir ao Mundo. devem trabalhar juntos. A igreja pertence a Jesus Cristo. Por toda sua epístola o autor enfatizou a responsabilidade corporativa dos crentes. também. como um corpo eles devem responder a seus líderes.13). o Senhor vinga e julga seu povo (Hb 10. Roma não era a potência mundial? César não era o “senhor” da época? Não havia pobreza e opressão por causa do Império ditador vigente? A resposta é sim. Se eles todos respondem de modo favorável. ou ela nos serve apenas para mostrarmos conhecimento livresco e ostentação de datas e nomes antigos? Foi desta pergunta que surgiu o interesse em escrever sobre este assunto! O evangelismo na Igreja Primitiva tem muito a nos ensinar hoje. Foi a época da frase: “Todos os caminhos levam à Roma”. ao invés de alegre. Alegria experimentada.14).

onde haviam morte ou dor. principalmente a segurança após a morte. O judaísmo foi. Mas. seus pontos de interrogações e incertezas não diminuíam. os judeus. por sua vez.. o Evangelho veio como um refrigério. geravam mais dúvidas e indagações como: “estaríamos conforme as exigências rituais religiosas prescritas na lei por nós seguidas?”. quando as pessoas adentravam as religiões da época da Igreja Primitiva. por exemplo. era que. na época da Igreja Primitiva. conseguiram disseminála também. No Primeiro Século a. principalmente o da circuncisão. devia deitar-se no chão. ao contrário disto. As religiões serviam para saciar o desejo de segurança espiritual dos homens. haviam religiões fundamentadas nos dois princípios – monoteísta e politeísta. sem precisar de “burocracia” nenhuma. Na verdade. de barriga para cima. Num período onde as religiões de “mistério”. Porém. e um animal era sacrificado sobre sua barriga. isto é. Mas. para aqueles que crêem (Hb. onde as pessoas tinham que ser “iniciadas”. 258 . o comerciante ia pelo dinheiro. para que seus pecados fossem perdoados! Os romanos se assustavam com a religião judaica porque acabavam generalizando. Principalmente porque os judeus tinham grandes privilégios para com os romanos.diferença estava nos propósitos de cada um. “como consegue-se alcançar exigências tão transcendentes sendo o homem tão falho?” O Evangelho. não necessitando o ser humano fazer mais sacrifício ou penitência alguma! Isto era algo muito chamativo para as pessoas da época. até os tempos da Igreja Primitiva. que apenas conheciam deuses carrascos e extremamente exigentes! Sabe-se de uma religião daqueles tempos. que achavam ser um ato de selvageria. pois exigia-se do convertido. E isto foi causa até mesmo de grandes proselitismos e ajudas vindas deles (Lc. passar por processos de “batismos” de aceitação e “pactos” de sangue. Um outro benefício disto. para ser iniciada nela. “estariam nossas atitudes agradando as exigências de tais leis?”. Assim. que são monoteístas. Muitos romanos da época não aceitavam o judaísmo como religião por causa de seus rituais.C. passaram até a admirar os costumes e religião dos judeus. 8 – 10). 7:5). 16:24) através do sacrifício já feito na cruz do Calvário. na Graça. eram fiéis à preferência deste Imperador. uma faísca que ajudou na grande fogueira do cristianismo. muitos começaram a aceitar a religião cristã. continuaram com sua crença e. ao contrário do que alguns pensam. pois ficaram ao lado de César na guerra e. os filósofos começaram a disseminar o politeísmo (embora crescem eles em algum tipo de monoteísmo). para se viajar. já os evangelistas iam por Cristo. quando a circuncisão foi substituída pelo batismo nas águas. achando que os sacrifícios deles também eram assim. com tantas exigências rituais enquanto participavam das tais. isto é. inclusive. com seu sacrifício perfeito – Jesus Cristo – conseguiu suprir todas as necessidades e incertezas humanas. não necessitava-se de passaporte! Sabe-se até de um certo homem que viajou para Roma 72 vezes. os homens ainda ficavam na incerteza. renúncia do “eu” (Mt. muitas delas. que a pessoa. Os romanos. por Cristo Jesus. ofereciam medo para adentrar-se nelas e ainda. após serem iniciados. de uma vítima ou do próprio iniciado.

a culpa agora é 259 . sem contar com os meios de comunicação de que dispomos na atualidade. sofrimento e até mesmo morte! Os judeus acreditavam em um tipo de monoteísmo absolutizado em uma só pessoa da Trindade. e havia se tornado parte da cultura religiosa do povo e que os únicos que tinham liberdade religiosa eram os judeus. É certo que houveram tempos onde os cristãos foram fortemente perseguidos por alguns líderes romanos. atualmente. em contrapartida. se o evangelismo “Ontem” e “Hoje” seguem rumos bem semelhante. na igreja contemporânea não temos de igual modo uma língua quase que mundial como nos tempos romanos? Sim! O inglês. haviam também as dificuldades para se pregar o Evangelho na época da Igreja Primitiva! Muitas vezes. o que estamos esperando? II. levando consigo o Evangelho da Graça. porque pensamos que se antigamente não havia tanta tecnologia. Os judeus nunca foram proibidos de terem sua religião por nenhum imperador romano. Desta forma. podia-se pregar o Evangelho em grego e ser entendido em quase todos os lugares civilizados daquele período. tanta chance quanto a Igreja Primitiva teve de pregar o Evangelho a toda a criatura. achamos que só na atualidade existem as dificuldades! Achamos isto. nem que o Ser equiparado a Ele. assim. esquecemo-nos que nos tempos da Igreja Primitiva. e ainda eram discriminados por isto! Nós. sem ninguém que se equiparasse a Ele. mostrados no capítulo anterior. talvez seria mais fácil as pessoas crerem em um mundo espiritual. temos liberdade religiosa apoiada pela nossa Constituição! As pessoas de hoje que não crêem em Cristo. também como língua comercial). fosse de Sua mesma natureza. Enfim. E isto. Neste tipo de monoteísmo. necessita-se de argumentos bíblicos bem apurados e. pior foi o tempo onde não criam porque isto resultaria em discriminação e. no fundo. em algumas localidades. às vezes. eram bem instruídos. Por causa da helenização. pois com a perseguição assirrada. Se temos. também em nossa época? É claro que sim! Porém. muitos dos que seguiam a religião judaica. contribuiu de igual modo com a pregação do Evangelho. diferentemente deles. os cristãos eram bem pouco estudados! Por este motivo. perseguição. como a Internet. a idolatria era predominante. que é uma língua muito conhecida por onde passamos (quase todo o mundo tem o inglês como língua comercial). Vê-se isto até mesmo através da tolerância e conservação dos judeus neste Império. pelo fato de a língua grega ser uma língua quase que Mundial naquela época. muitos dos principais e fariseus não criam no Evangelho. mas isto. O EVANGELISMO COM SUAS DIFICULDADES PRIMITIVAS E ATUAIS Apesar de tantos benefícios. Para expor tal fato. os cristãos acabavam se espalhando por outros lugares.Percebe-se também a facilidade de se espalhar os ensinamentos de Cristo. houve uma disseminação maior dos cristãos pelo mundo. Ou ainda o espanhol (está em 84 países. assim como Roma foi o berço de muitos filósofos ateus. então. o fazem por liberdade. Isso não ocorre. também. contribuiu muito mais do que atrapalhou. Porém. Jeová era visto como o Deus solitário. a maioria das pessoas entendiam o grego. pois quando havia afronta em uma região.

não crescemos “na Graça e no conhecimento” junto (2ª Pe 3. não seria o “rei do pecado”. não pesquisamos. Perceba-se que os pregadores primitivos “ia” às pessoas. no mundo espiritual.23.35). A cruz. A perseguição ao cristianismo começou porque não eram os cristãos como os religiosos judeus antigos. na verdade. no mundo espiritual. e quem também sofreu com isto. os materiais também contam. tinha de ser examinada. 18:36. que esperava-se a pessoa vir por si mesma e tornar-se um prosélito.nossa. Com isto. isto é. ao contrário do que o próprio Jesus ensinou. era mais excludente que o judaísmo do período. e a expulsá-los. o que diferenciasse destas duas. Hb. estes também não poderiam permanecer mais. além da religião romana. O cristianismo primitivo. o primordial são os valores espirituais. pois os romanos achavam que se o cristianismo havia surgido do judaísmo. e acabamos. era a dos judeus. o Cristo nunca teria de passar por esta humilhação. pela causa. o Reino dele não foi deste mundo porque Sua luta foi contra um reino que também não era daqui (Jo. mas sim o Império da Morte. porque haveria o risco dos judeus. como os cristãos. pois. foram os judeus. era o lugar onde morriam os malditos e. mas. para eles. pois O Messias. o cristianismo não aceitava os dias de festas pagãs. que o Messias seria também o Servo Sofredor que levaria sobre Si a nossa “maldição” através de Sua expiação. ia até as pessoas proclamando as Boas Novas e convidando-as a renunciarem todas as práticas antigas. porém. ao contrário do judaísmo. por motivos variados. principalmente as práticas religiosas romanas. 2:14). ao que parece. o cristianismo por sua vez. em muitos lugares.18). Cristo aniquilou o mal pela raiz. O Império que realmente subjugava a humanidade. não tão diferente como hoje! 260 . Como o Império da Morte estava em outra dimensão. Não façamos da nossa “preguiça” ou “falta de vontade” um estorvo à pregação das Boas Novas do Reino de Deus! Nenhum dos discípulos de Cristo saíram a pregar o Evangelho sem antes serem preparados para tal. era pelo fato de que os judeus sabiam que “o Cristo” havia morrido numa cruz. segundo o livro de Deuteronômio 21:22. para os judeus. o Cristo não passaria por humilhação nenhuma! Esqueceram-se de ver em Isaías 53. não era o de César. Isto é para que percebamos como o Evangelho também encontrou dificuldades contra o paganismo greco-romano. começaram a perseguir os cristãos. Outra dificuldade de se pregar o Evangelho naquela época. e nada disto aconteceu. que Ele teria grandes poderes políticos. para os romanos. por isso não os comemorava e nem ia à praça pública comemorá-las e. e isto acabava prejudicando a esfera do material. só alcançando os indoutos! É claro que para a pregação do Evangelho. os “campos brancos estão para a ceifa” (Jo 4. aderirem a muitas outras crenças paralelas e excluírem as já existentes no Império Romano. A única religião que poderia existir. não as esperava “vir” até elas. Perceba-se que deixaram de ser chamados de “discípulos” (literalmente “alunos” ou “aprendizes”) e só foram chamados de “apóstolos” (que significa “enviados”) depois do período de aprendizado com Jesus Cristo! Chega de desculpas irmãos! Vamos nos preparar. os judeus viviam entre os pagãos romanos e até mesmo se adaptavam ao governo de César sem muito problema. pois temos condições de estudar para atingirmos tanto a doutos quanto a indoutos em nossas pregações e. aliás. Eles achavam. não estudamos.

e que estava ainda no meio deles por intermédio do Espírito Santo. imagine só pregar o Evangelho àqueles que se julgam conhecedores plenos de Deus?! Isto ocorreu com os primeiros cristãos em Roma. Os seus cultos eram apenas um ritual passado de geração-a-geração. não aceitavam de maneira nenhuma a Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas. Ninguém queria saber se realmente haviam ou não os deuses aos quais adoravam e serviam. Porém. A IGREJA PRIMITIVA E A DE HOJE NA EVANGELIZAÇÃO DOS JUDEUS Se pregar o Evangelho aos desconhecedores de Deus já é difícil. apenas por tradição. como também hoje ainda o é. 6:33). que você conhece. Os judeus materialistas esperavam – como ainda hoje – o Messias político. as promessas feitas por Deus aos profetas no Antigo Testamento. apenas por uma questão de tradicionalismo. administrativo. seguem sua religião porque aderiram cegamente a ela? Quantas que não querem ser alertadas. Cultos esses aos quais não prostravam-se diante de imagens ou objetos considerados sagrados. o que estamos esperando? III. haviam muitos judeus que ainda seguiam sua religião à risca. 261 . os que simplesmente seguiam a religião por motivo semelhante aos romanos. que dominaria todo setor econômico. simplesmente cultuavam sem inquirirem nada à respeito do que criam. conseguiam enxergar a verdade sobre Jesus e a Sua Salvação proporcionada na cruz. e seguiam apenas para não perderem as tradições. mas não porque era a verdade. Quantas pessoas hoje. Um pensamento bem semelhante ao de Hitler quando na época do “Holocausto”! O exclusivismo absoluto foi e é o grande problema do judeu. Queriam eles resolver um problema terreno e material olvidando o espiritual (Mt. mas sim. pois eram fanáticos materialistas. Lá. poucos que realmente buscavam a Deus! Aconteceu que. então. Isto tudo era bem diferente do Evangelho. apesar de tudo isto. a toda a criatura? Se o evangelismo “Ontem” e “Hoje” encontra as mesmas dificuldades. e mesmo assim eles conseguiram. Esqueceram-se eles de seus próprios pecados e da necessidade primordial do perdão de Deus para que o “Reino dos Céus” fosse manifesto em sua vida espiritual. pois acham que aceitar a Jesus é trocar de “religião”? O pior cego não é aquele que não quer ver? Esta era a situação dos judeus. Os cristãos sempre usavam como fato e como prova de que Jesus era o Messias. com seus cultos calorosos e avivados. uma crença no Deus que havia morrido e ressuscitado. Não seriam estas as dificuldades básicas de hoje também? Não temos atualmente religiões bem semelhantes às judaicas e às romanas do período da Igreja Primitiva? Não pregaram eles o Evangelho. porém. legislativo e territorial do mundo todo e cederia tudo a Israel. os que realmente buscavam a Deus. Era o famoso: “Nasci nesta religião e vou morrer nela!” Seguiam os ritos. Fatos estes.O culto greco-romano era realizado apenas por uma questão de cultura.

que nunca ninguém conseguiu refutar. Muitos. que tornou-se maldição por nós (II Co. ser superadas na igreja de “Hoje”. pois não recebeu o salário do pecado. Jesus ressuscitou ao terceiro dia. Diziam que haviam sido roubados. e com isto. não havia como negar. porém. etc. vencendo as ânsias da morte (Rm. são ambas as religiões a mesma coisa. os cristãos diziam que os judeus não davam o valor correto à Palavra de Deus. e provaram isto com passagens como “o bezerro de ouro”. A IGREJA PRIMITIVA E A ATUAL NA EVANGELIZAÇÃO DE TODOS OS POVOS EM TODAS AS CULTURAS E RAÇAS O Evangelho tem uma mensagem que alcança todo tipo de coração.17). a Vida Eterna. também perderam muitos. 5:21). 8:46). andou entre seus discípulos por espaço de quarenta dias (At. e onde não houve pecado algum (Mt. Porém. para todos os que crerem (Rm. Os gentios eram tratados como servos. Os judeus reclamavam também o fato de os cristãos usarem os mesmos livros do judaísmo (a Lei e os Profetas). pois estes eram comumente considerados como sem valor pelos judeus tradicionais da época. podem. É aí onde o Evangelho foi de encontro às necessidades deles! Imaginem só um Deus que já havia passado pela situação de servo. não como maldito. por intermédio de muitas afirmações que diziam não ter respostas. na verdade. 1:3) e apareceu a mais de quinhentos irmãos (I Co. mas como o Vitorioso. porém. eram humilhados e sofriam para que outros se alegrassem. mas garantiu-nos o Dom gratuito de Deus. Porém. Não somente isto levava os judeus da época a se calarem diante da Verdade. Os judeus-cristãos mostravam que todas as promessas cumpriram-se em Jesus. conseguiram ganhar muitos à Salvação. 6:23). E isto foi mostrado desde os tempos de Jesus até aos nossos dias. 26:56: Jo. Percebemos na História da Igreja Primitiva que o Evangelho foi bem recebido pelos gentios. mas sim. sendo 262 . mas. como já exposto anteriormente. que é a morte. 1:16. O que estamos esperando? IV. Ele realmente ressuscitara. Não entendiam que Jesus não era maldito. 28:18-20). disseram que apesar desta briga judaica contra o cristianismo. como também. toda a vida de Jesus. firmando ainda a Sua Igreja para continuar disseminando a Verdade através da pregação do Evangelho a todos os povos (Mt. no decorrer da história. tolices não permanecem por tanto tempo sem serem desmentidas. 15:3-8). pelo fato de os judeus não aceitarem a idéia de que Jesus era o Messias tendo morrido numa cruz. Se as dificuldades na evangelização dos judeus e das pessoas semelhantes a eles foram superadas pela igreja de “Ontem”. de igual modo. A Palavra de Deus não é de cunho exclusivo e particular. e Jesus permaneceu. Disseram até mesmo que Jesus foi uma tolice judaica seguida por pessoas sem escrúpulo e que não raciocinam. onde não houve sequer uma profecia que não foi cumprida Nele. “as murmurações no deserto”. quando chegavam à ressurreição de Cristo. Os judeus tentavam argumentar o fato de não ser Jesus o Messias.

Os mártires cristãos. Tudo o que tivesse apenas aparência de idolatria era de imediato abandonado por eles. que não eram muito convenientes entre os gentios. mesmo que olhando para as lutas impostas pelo mundo. Existiam palavras escritas nos originais. foi o medo dos demônios que os gentios tinham. Um outro motivo pelo qual o Evangelho era bem aceito. muitos eruditos da época. Para que outros deuses ou intermediários.humilhado. encontraram segurança na mensagem cristã. ou em suas cópias. Percebendo que pelo nome de Jesus os demônios eram expulsos. que conhecia de perto o que eles passavam?! Este era o Deus que precisavam! Antioquia foi o início de tudo. graças a Deus. Os primeiros cristãos consideravam que se chamassem César de “Senhor” estariam tirando o senhorio absoluto de Jesus Cristo! Isto lhes seria abominável! É claro que historicamente falando. a também aceitarem o Grande e Único Deus – Jesus Cristo – por Quem esses homens e mulheres corajosos morriam! Ninguém morreria por uma farsa. Estes primeiros cristãos sabiam que toda e qualquer semelhança com o mal prejudicaria suas vidas. Parece que a grande dificuldade encontrada por eles. Mas. enfim. Ali aconteceu a primeira faísca que acendeu a grande fogueira da evangelização mundial. pensavam. exterminando até mesmo o desejo de servir a Cristo dos que assistiam seus martírios. O que estamos esperando para sermos diferentes também em nossa época? O cristianismo sempre foi ousado! Sempre se arriscou! E isto fez com que o Reino dos Céus lucrasse. passaram a traduzir as Escrituras de forma mais empática. Isto gerou uma boa recepção do Evangelho entre os intelectuais e os escravos. exigia até mesmo sacrifícios e cultos a ele mesmo. As tribulações que pareciam servir de derrota para a mensagem cristã. lutavam principalmente contra a idolatria. como também os contemporâneos. que talvez até pensavam alguns que tornariam-se em escândalo para as pessoas da época. como também a proclamação do Evangelho. César não exigia apenas a proclamação dele como “Senhor”. principalmente os que seguiam religiões animistas. por um deus que não fosse menos do que o Único e Verdadeiro! Isto não aconteceu com os japoneses Kamikazes e 263 . pois a Palavra de Deus nunca volta vazia. facilitando a aceitação de Jesus Cristo como único e suficiente Salvador. se Jesus era Todo-Poderoso e AutoSuficiente contra os ataques dos maus espíritos? Os primeiros cristãos. que sofreu para a alegria de muitos. Com tudo isto. Os cristãos primitivos se arriscavam bastante. como mostra-nos historiadores como Eusébio de Cesaréia. foram na verdade usadas por Deus como meio para chamar a atenção de todos os povos ao Evangelho. Não a tradução somente das palavras mas principalmente a tradução das idéias. ao que percebe-se. e não através de sacrifícios aos espíritos. Um exemplo claro quanto a isso foi a perseguição de Nero aos cristãos que não declaravam que o Imperador era “Senhor” (Kyrios no grego). concernente à salvação. acabaram por incentivar muitos que iam nas arenas para ver sangue e sofrimento por diversão. Jesus foi anunciado até os confins da terra. pois traziam sentido estranho quando traduzidas literalmente. foi apenas a tradução do Evangelho para as línguas dos povos evangelizados. mas.

Em nossa época. pois sabiam que eles mesmos necessitaram da salvação outorgada por Cristo no Calvário. onde as pessoas seguiam suas crendices sem ao menos terem explicações um pouco mais concretas do “por quê” as seguiam! Diferentemente de tais religiões cegas. como vemos em Marcos 7: Então os fariseus e os mestres da lei perguntaram a Jesus: “Por que os seus 264 . não muito diferente dos primeiros séculos do cristianismo. existem igrejas onde a frase que mais se ouve do púlpito é: “Quem não quiser seguir a nossa cartilha. Tudo ficava mais difícil ainda de se compreender quando falava-se em batismo nas águas! Alguns pensavam que este ato de batismo era como as iniciações feitas nas religiões de mistério da época. a porta da rua é a serventia da casa!” O interessante é que Jesus não ordenou à Sua Igreja seguir cartilhas de homens. façam o favor! Acreditem se quiser. por favor. onde procuram somente evidências pessoais visíveis e materialistas da “presença” de Deus. quem sabe “o Clube da Luluzinha”. e quem não consegue tais evidências. infelizmente. alguns têm como visão primordial na pregação do Evangelho o emocionalismo. “o Clube do Bolinha”. referindo-se às religiões que pregavam uma fé cega. Saber explicar que tal ato não salva. Haviam também os que achavam que o batismo tinha um certo poder mágico que capacitava as pessoas a alcançarem a salvação. Hoje. Os primeiros evangelistas pregavam com a ajuda do Espírito Santo. V. fazendo com que dessem passos no escuro. e não uma porta de mistérios às muitas dúvidas! O Evangelho explica. Jesus não é só uma Luz. Os filósofos ensinavam que as pessoas não podiam dar “passos no escuro”. e não complica a vida do ouvinte. pois os que morriam por Cristo sabiam que não eram eles mesmos quem impetravam sobre si a morte. mas sim. A pregação dos nossos primeiros evangelistas não era extremista quanto a questões de costumes. fazendo uso abusivo da palavra “mistério”. Não morriam para serem salvos. Muitas igrejas não são mais o veículo do Evangelho para a salvação das almas. sem a real compreensão e conscientização da Verdade. não visavam ganhar o povo pela emoção. se quiserem participar de outro grupo. Foi um assunto que levou muitos pensadores a quebrarem a cabeça sobre a natureza dessa exigência. que é para os salvos é de fundamental importância às nossas igrejas. também devemos trabalhar a compreensão das pessoas quanto ao valor do batismo nas águas. mas um Farol aceso nas densas trevas do pecado. mas Sua Santa Palavra – A Bíblia Sagrada.nem ocorre com os muçulmanos. porque já eram salvos em Cristo Jesus! Não morriam para salvar. que fazia com que as pessoas aplicassem e compreendessem o Evangelho em suas próprias vidas. mas que eram levados ao matadouro para serem oferecidos como oferta com cheiro suave ao Deus que tudo aquilo permitia por causa de seu Plano Eterno da Salvação. A CONVERSÃO NA IGREJA PRIMITIVA E NA ATUAL A conversão foi uma questão difícil de conscientização para os primeiros séculos da Era Cristã. A pregação do Evangelho era a luz num caminho de trevas. mas sim.

Tais conversões não se baseavam no emocionalismo. pois “. tomando o lugar da circuncisão outorgada por Deus a Abraão. o batismo é para quem já é salvo. pois todas as coisas eram 265 . 2º Deve haver constante evangelização.. as profecias.?” Ele respondeu: “Bem profetizou Isaías acerca de vocês. A pregação do Evangelho não estava limitada apenas aos homens. para quem já foi justificado por Cristo Jesus. a fim de obedecerem às suas tradições!.a fé vem por se ouvir a mensagem. do mesmo modo.. como também não tinha uma visão materialista. mas pela fé. é a pregação genuína da Palavra de Deus. pois. mas o seu coração está longe de mim. seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens’. coragem e desprendimento material. O autor Jorge A. tanto para os que não conhecem a Cristo.5-9. ao qual sabemos que não foi justificado por esse ato cerimonial e figurativo.” VI. Os evangelistas do primeiro século pregavam o Evangelho com toda a ousadia.. hipócritas. como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios. E Fazem muitas coisas como essa”.13) A conversão é uma mudança total de vida. E disse-lhes: “Vocês estão sempre encontrando uma boa maneira de pôr de lado os mandamentos de Deus. O ENTUSIASMO DOS EVANGELISTAS DE ONTEM E DOS DE HOJE Os evangelistas da Igreja Primitiva usavam um meio muito eficaz na proclamação do Evangelho: seus próprios testemunhos de vida. Quando tais pessoas se convertiam.. etc.discípulos não vivem de acordo com a tradição dos líderes religiosos. Leon. Não somente pregavam a Jesus Cristo – eram verdadeiros imitadores de Cristo. Vocês negligenciam os mandamentos de Deus e se apegam às tradições dos homens”. Ninguém naquela época passava necessidades enquanto outros tinham de sobra.. Eles não somente pregavam o Evangelho – eles eram o Evangelho.17).” (Rm 10... Eles não somente pregavam a mensagem da cruz – eles tomavam cada um a sua cruz. o Rock in Roll Gospel. era porque compreenderam e assimilaram Jesus Cristo como o Único e Suficiente Salvador. as iniciações. Sua devoção fazia com que outros se contagiassem e acabassem também se convencendo de que Cristo é real e verdadeiramente ressuscitou! Havia entre eles uma comunhão muito grande. como àqueles que já conhecem. Muitos pensadores da época da Igreja Primitiva se converteram a Jesus Cristo. As Sagradas Escrituras mostra-nos que mulheres valorosas também tomaram parte nessa missão mundial ordenada por Cristo. mas o que leva as pessoas à Salvação. O batismo não é objeto salvador. mas selo de autenticação da Salvação. mesmo que para tal fosse preciso perder a própria vida! A vida dos evangelistas era um grande exemplo de fé. e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo. (Mc 7. o barulho pentecostal. devido exatamente às conversões erradas. afirma que: “1º A evangelização deve ser tensora – o ponto em que a pessoa se decide por Cristo. É nascer de novo. Assim vocês anulam a palavra de Deus. Em vão me adoram. por meio da tradição que vocês mesmos transmitiram. em seu livro “La Comunicación Del Evangelio en el Mundo Actual”. O que salva não são os rituais.

isto é. não suportava ver o sofrimento do que nada tinha! Como já ouviu-se em um hino cristão. tentando nos mostrar que cristianismo é somente riquezas e alegrias externas. como se houvesse um tipo de ética cristã individualista. somos conhecidos de forma diferente. Enquanto isso. Nosso Deus não depende do tempo. Muitas vezes tentamos encaixar a Palavra de Deus em nossas maneiras mesquinhas e exclusivistas de viver. Quando aquelas mulheres foram ao sepulcro de Jesus. Além de tudo. Enquanto os evangelistas da Igreja Primitiva mostravam que somos peregrinos na terra. Somos livres para servirmos a Deus através da “Ética Absoluta Univérsica” por meio de Sua Palavra. Ele está vivo. sal e imitadores de Cristo. da “geração procon”. através de nossas tradições dogmatizadas. envoltos em faixas embebidas em azeite ou piche amarrados a um poste pegando fogo. mas infelizmente hoje.comuns entre eles. e o amor às almas a lenha que ajuda esse fogo a queimar! 266 . Eles sentiam-se lisonjeados quando surrados por causa da fé cristã. Quem tinha muito. onde Deus é a loja e nós os consumidores insatisfeitos. Não façamos da vida cristã uma monotonia. não é Deus de mortos! O Evangelho deve ser para nós o que foi para os primeiros evangelistas: a razão da estada da Igreja aqui na terra. a razão de sermos luz. e ainda chamamos a isso de liberdade cristã! Porém. mas também não significa que Ele seja um Ser “anacrônico”. éramos conhecidos pelo amor. mesmo numa arena cheia de leões famintos querendo devorá-los. Acham que Deus está somente nos prazeres da vida. não somos livres para fazer o que quisermos da maneira que queremos. ou em qualquer outro lugar de martírio. e que as demais coisas nos seriam acrescentadas conforme a necessidade real e a vontade de Deus. viram que Ele não estava lá. Atualmente ouvimos pessoas dizendo: “Vejam com se separam!” O caráter dos cristãos daquela época era totalmente modificado. mas relembrando o que fez a Igreja Primitiva de positivo. Muitas teologias baratas nos são ensinadas por alguns televangelistas. A alegria deles. então nunca passará de uma matéria técnica onde guardamos apenas nomes e datas. mesmo diante de tais circunstâncias. muitos evangelistas de hoje não ensinam que o “barro” deve ser moldado pelo “Oleiro”. muitos evangelistas atuais tentam nos convencer de que esta terra é um lugar definitivo e que nossa maior alegria está em tirarmos o maior proveito daqui. Diferente de alguns contemporâneos a nós. Muitos até diziam: “Vejam como se amam!”. Preguemos com a convicção e com o entusiasmo que pregaram os evangelistas da Igreja Primitiva. os primeiros cristãos eram felizes. onde tudo é imediato. Não se deixavam vencer facilmente. Não ouvia-se de suas bocas nenhum tipo de murmúrio ou reclamação por estarem sofrendo. participantes da “geração microondas”. Não estamos aqui ensinando “primitivismo”. O Evangelho deve ser uma chama ardendo em nossos corações. Os evangelistas eram pessoas perseverantes. fazia com que muitos espectadores se convertessem ao Evangelho. Se a História da Igreja não nos servir de apoio para a conscientização.

onde o intuito é juntar a maior quantidade de pessoas que puderem. etc. Método este bem improvisado. Este tipo de evangelização era feito em locais onde não eram de uso exclusivo para pregadores. O testemunho da Obra Salvadora de Cristo feita em suas vidas também era um meio de evangelização. Parece que alguns congressos evangelísticos contemporâneos são mais congressos “evangelásticos”. A evangelização pelo método do ensino não produz pessoas que sempre necessitarão de alguém para ser uma “muleta espiritual” para fazê-las caminhar. etc. Escolhiam lugares não evangelizados e levavam a Igreja ao povo. mas sim. encorajamento e consolação dos homens” (1ª Co 14. evangelizavam através de métodos dados por Deus. Apenas lembramos que muitos evangelistas contemporâneos ocupam-se de tais coisas como se o foco principal dos grandes congressos fosse a satisfação pessoal do pregador e a dos crentes que lá estão. tinham em mente que o Evangelho deveria ser compreendido e não seguido cegamente como se fosse uma religião de mistérios só para “iniciados”. em uma carruagem. mas já que seria mais difícil o povo ir à Igreja. E para tal. na poltrona de um ônibus. e não almas perdidas para serem ganhas pela pregação do Evangelho. o ensino foi um método muito utilizado por eles pois.20). casa. pela ligação de cada uma das partes. O evangelismo ao ar livre pode ser improvisado na polpa de um barco.3). não se via Deus prometendo carro. na carteira de uma escola. Em muitas de suas pregações. O ensino produz na vida do ser humano a fé e o sustento necessário para que nos tornemos discípulos e discipuladores. e não para a mera satisfação material. boa situação financeira. marido. esquecendo-se da eficácia regeneradora do Evangelho. Quando alguém era usado no dom de profecia. mas com as almas. passageira e individualista de cada um! Na verdade. Entristece perceber que hoje alguns preocupam-se só com barulho. Os primeiros evangelistas da História da Igreja. e o pior. O ensino evangelístico mostra o que Deus quer de cada um e o que quer da sociedade evangélica: um corpo bem ajustado. a pregação teve um valor imensurável na Igreja Primitiva. Não que isto seja errado. porque “quem profetiza o faz para edificação. só vai crente. MODOS DE PREGAÇÃO DA IGREJA PRIMITIVA E CONTEMPORÂNEA Os evangelistas da Igreja Primitiva não faziam grandes congressos evangelísticos com temas pré-determinados. Era o método evangelístico que mostrava a prova de que 267 . como algumas igrejas contemporâneas que marcam seus cultos ao ar livre apenas para depois ficarem se gabando de que fazem isto enquanto outras não. mas percebe-se que essas eram totalmente baseadas nas Escrituras Sagradas (Is 8. davam lugar também à profecia.VII. por uma mente fértil e preocupada não com a aparência. Um desses métodos era a evangelização ao ar livre. Não faziam isto apenas como tarefa. A profecia tinha em sua essência a vontade salvadora de Deus na vida do ser humano. E isto. dor de cabeça. mas. na mesa de uma casa. locais improvisados na hora. em uma montanha.

eles eram motivados pelo sentimento de gratidão. Era favor imerecido! Com isto. Quais eram tais motivos? Em primeiro lugar. Enfim. pois o que está escrito não se muda. pois uma única alma tinha um valor extraordinário. incluindo eles! Assim. Os amigos e os familiares eram os ouvintes. foi o da evangelização literária. porém. E isto de uma maneira bem mais hermenêutica. e não o marido.o que pregavam realmente era verdade. Felipe e o Eunuco de Candace foram um exemplo disto. Os crentes de Beréia por exemplo foram evangelizados por tal método. Quando se ganhava uma alma em um lar. que sendo ainda pecadores. não reclamavam a vida financeira. o que importa a alguns é o “movimento” e não o “avivamento”. em forma de agradecimento. quando era a esposa quem aceitava a Cristo. percebiam que a Graça de Deus era manifesta em suas vidas. até os confins da terra. e ainda ajuda. A MOTIVAÇÃO PARA SE PREGAR O EVANGELHO ENTRE OS PRIMEIROS EVANGELISTAS ERAM AS MESMAS DOS DE HOJE? Todas as pessoas têm motivações para fazerem algo! Então. Hoje. etc. dos cultos que não estavam como eles queriam. os primeiros evangelistas da Igreja tiveram suas motivações para evangelizar o mundo de sua época. Não murmuravam. pois temos o texto ali diante de nós para inquirirmos sobre ele. Eles sabiam que Deus havia provado Seu amor para com eles. Contudo. normalmente passava por grandes lutas quando este não simpatizava com o Evangelho. E avivamento. enviou-lhes Seu Único Filho para morrer pela humanidade. a examinar-se com detalhes o quer-se dizer com a mensagem. Mas isto não era um fator impedidor para essas mulheres valorosas. a resposta seria: “melhor do que mereço”! 268 . porque lembravam-se das palavras de Cristo dizendo-lhes a que amassem mais a Ele do que a família. em seu sentido real. A escrita foi um método que muito ajudou. Os lares eram pontos estratégicos do evangelismo. a falta de um meio de transporte para levá-los aos locais de evangelismo. ao que parece! Porque não conhecermos mais a Bíblia para podermos fazer como o apóstolo Paulo diante do povo bereano? Qual o valor dado ao estudo minucioso da Palavra de Deus em cursos e seminários pelos nossos atuais evangelistas? Esperamos que a resposta seja positiva! VIII. este poderia evangelizar o restante da casa. parece ser “geração de novas vidas na igreja” e não “barulhão” de velhos crentes da igreja. o último método utilizado que descreveremos aqui. se lhes perguntássemos como estavam passando. O evangelismo pessoal teve destaque nos primórdios da Igreja. através de seu testemunho pessoal. levavam o Evangelho a toda criatura. nem que isto lhes custasse a vida! Eles tinham sentimento agradecido pela salvação até mesmo diante de uma perseguição ou agravos físicos sofridos nesta vida. apesar de muitos outros utilizados pela Igreja Primitiva. Esses evangelistas não se preocupavam somente com a quantidade. no sentido que não mudava-se o teor da mensagem quando era passada de pessoa a pessoa. Parece que mesmo diante de muitas dificuldades. Um tipo de evangelização diferente da oral. principalmente quando se tratava do cabeça da família.

Evangelizemos a tempo e fora de tempo. ou mesmo em nossa casa. A nossa História não é uma História Sem Fim. Por exemplo. passageiros e exclusivistas.A segunda motivação era o sentimento de responsabilidade. seu irmão. não está tão longe de nós! Pode estar em nossa volta. de qual a maior religião do mundo. nossa vida financeira. A função do atalaia era ficar de guarda no ponto mais alto dos muros do reino. e não circular como pensa as religiões orientais. Por causa disto alguns até acham que os evangelistas da Igreja Primitiva tentavam ganhar as pessoas através do medo quanto a vida após a morte. A preocupação primária deles era com a eternidade do ser humano. A História é linear. Será que não seremos culpados de muito sangue? Não estaria na hora de despertarmos do sono? Não está na hora de pregarmos o Evangelho a todo o mundo? O mundo. muitas pessoas seriam dizimadas ao inferno. preguemos a Palavra de Deus. na rua. uma questão de amor e compaixão pela vida do próximo. Será que muitos de nós. na escola. Eles choravam com os que choram. com o que se vestiriam ou o que comeriam. que é semelhante ao de responsabilidade. em risco por causa de uma alma. tocava a trombeta no ritmo de guerra para que o povo se preparasse para tal. nosso cargo eclesial. Conforme o toque de sua trombeta o povo se comportava de maneira diferente. se o atalaia percebia que um reino inimigo se aproximava. Eles sabiam que eram os “atalaias” de Deus. Não o futuro temporal. às vezes. e não um “conto de fadas”. no serviço. Se fosse uma visita cordial de um reino amigo. meio 269 . Os evangelistas dos primeiros séculos tinham semelhante responsabilidade concernente à pregação do Evangelho. Vivemos a História promulgada por Deus: a História com começo. seu pai ou mãe iriam para o inferno! Sabiam que isto era um fato. devemos sempre nos perguntar: como posso melhorar na linha do tempo? Olhando a linha e aprendendo através dela parece ser um bom começo! O evangelismo de “Ontem” pode auxiliar bastante no desenvolvimento e no aprimoramento do evangelismo de “Hoje”. O que aconteceu de ruim no passado deve valer-nos como disciplina para não mais errarmos como antes. É uma preocupação que vem pelo fato de sabermos o que o futuro sem Cristo reserva para a humanidade descrente. etc. atualmente. e assim por diante. Assim. Mas. não nos acomodamos a ponto de sermos passivos quanto a salvação do próximo? Moisés colocou sua vida em risco por causa de um povo pecador! Não colocamos nem mesmo nosso tempo. mas sim. seu vizinho. Não se conformavam em saber que seu Imperador. isto é. o toque da trombeta seria em ritmo amistoso. Sabiam que se eles não dessem o “sonido da trombeta” ou se este fosse incerto. CONSIDERAÇÕES FINAIS A história deve servir-nos como alerta. e não conceitos humanos. mas não era esta a causa do evangelismo deles – ganhar as pessoas – como se fosse um jogo de quem convence mais. nosso nome. Toquemos a trombeta em Sião! A terceira motivação era o sentimento de preocupação. Eles preocupavam-se com o futuro das pessoas. O que aconteceu de bom deve servir-nos como auxílio para a compreensão de nossa tarefa e para que possamos continuar a desenvolvermo-nos na “economia divina”. Não é uma questão de quem tem mais seguidores.

1ª ed. Esta apostila tem 270 pagina boa sorte. LADD. Eusébio de. São Paulo: Vida Nova. Estude com fé depois de ter terminado os seus estudos. História Eclesiástica.com. D. Que o “Ontem” de desperte para “Hoje”. George Eldon. Deus nos conclama a participarmos dela com mais responsabilidade. logo após respondido e corrigido o questionário. J. O Novo Dicionário da Bíblia. Sem nadas mais graça e Paz da Parte de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo bons estudos. Série Princípios. São Paulo: Exodus. Não sejamos meros espectadores da História da Humanidade. PENHA.e fim. assim você poderá também receber a sua Credencial de Ministro Aspirante ao Ministério de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. também poderá solicitar estagio missionário em uma de nossas igrejas no Brasil ou exterior traves da Federação Internacional das Igrejas e Pastores no Brasil ou Fenipe. São Paulo: Vida Nova. 3ª ed. Evangelização na Igreja Primitiva. Reverendo Antony Steff Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana Renovada de Nova Vida Presidente da Federação Internacional das Igrejas e Pastores no Brasil ou Fenipe 270 . 1995. Teologia do Novo Testamento. GREEN. solicite o seu Lindo DIPLOMA de Formatura e a sua Credencial de Seminarista formado. alcançando media acima de 7. se assim quiser. 2ª ed. pois devemos nos preocupar com o “Amanhã”! NOTA BIBLIOGRÁFICA CESARÉIA. João da. Michael. 1999. Períodos Filosóficos. 2ª ed. São Paulo: Ática.5. 1994. 1989. que depois do Estagio se assim o achar apto para o Ministério poderá solicitar a sua ordenação por uma de nossas organizações filiadas no Brasil ou no exterior. envie seu questionário com as respostas devidas para o endereço de e-mail: teologiagratis@hotmail. DOUGLAS. São Paulo: Novo Século. 1997.

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