Convenio FENIPE e FATEFINA Promoção dos 300.

000 Cursos Grátis Pelo Sistema de Ensino a Distancia – SED CNPJ º 21.221.528/0001-60 Registro Civil das Pessoas Jurídicas nº 333 do Livro A-l das Fls. 173/173 vº, Fundada em 01 de Janeiro de 1980, Registrada em 27 de Outubro de 1984 Presidente Nacional Reverendo Pr. Gilson Aristeu de Oliveira Coordenador Geral Pr. Antony Steff Gilson de Oliveira APOSTILA Nº. 18/300.000 MIL CURSOS GRATIS EM 270 PAGINAS. Apostila 18 Estudando sobre a Igreja CONSAGRADO PARA CUIDAR Parte I O capítulo 8 de Levítico é o cumprimento da ordem dada em Êxodo 29 em relação à consagração dos sacerdotes (cohanim), Arão e seus filhos, dada por Moisés, o libertador e líder do povo de Israel. É um ato de extrema seriedade que descreve, de modo gráfico a responsabilidade dos consagrandos, que eram os guardiães espirituais do povo de Deus. Deste ato distante de nós cerca de 3.300 anos, desejamos extrair lições para o ministro do século 21, tarefa esta do intérprete da Bíblia Sagrada. O Ato de Consagração O ritual é um sacrifício de comunhão com a função especial de consagrar. A cerimônia pode ser dividida em quatro partes: vv. 1-13 Purificação, Vestidura, Unção dos Consagrandos vv. 14-17 Oferta pelo pecado dos Sacerdotes vv. 18-21 Oferta queimada vv. 22-36 Oferta de paz Uma análise da liturgia nos mostra em primeiro lugar o oferecimento de uma oferta pelo pecado, que seria totalmente consumida de acordo com as instruções do capítulo 4 do mesmo livro; e o oferecimento de dois carneiros.

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O primeiro seria oferecido em holocausto, de acordo com o capítulo 1. O segundo, porém tem uma parte especialíssima na cerimônia, razão porque é chamado de "o carneiro da consagração", conforme o verso 22 deste capítulo 8. Lê-se no verso 23 que houve aplicação do seu sangue a algumas partes do corpo dos consagrandos. Este sangue foi usado para trazer Arão e seus filhos a um estado sem igual de santidade. O restante do sangue será jogado ao redor do altar, estabelecendo com este ato um relacionamento especial entre o altar, símbolo do ministério, e os ordenandos, agentes desse ministério. As partes do corpo tocadas pelo sangue são orelha, mão e pé. Esse toque pelo sangue lava-os e dedica-os simbolicamente ao Senhor. Quer também dizer que o ministro de Deus ouvirá e obedecerá, e suas mãos e pés servirão ao Senhor. As lições são extraordinárias: O OUVIR (v. 23) O ministro de Deus há de ouvir corretamente. Referimo-nos à conversação pastoral, chamada por alguns de Clínica Pastoral no gabinete, na visitação ou informalmente. Não a confunda, porém, com aquilo que jocosamente chamam de "papoterapia". Como ministro de Deus e da Igreja de Jesus Cristo, você deve conhecer exatamente o papel que lhe corresponde. Não será um profissional da psicologia, da psicanálise ou das variadas terapias oferecidas à clientela. E, no entanto, seu ministério de ouvir é comparável ao do psicoterapeuta, do conselheiro matrimonial, ou do psicólogo. Muito de seu trabalho tem a ver com ouvir-e-aconselhar. Entretanto, você não receberá honorários pelo aconselhamento, nem fará contrato de trabalho para isso. Você é um ministro de Deus e será procurado não por um paciente ou cliente, mas por uma ovelha sua, ou um semelhante seu que precisa de ajuda. Há quem apenas deseja falar, conversar; dê ouvidos, pois para isso sua orelha foi ungida. Há quem queira injeções de otimismo cristão, de esperança. Há quem tenha sérios sentimentos de culpa, de rejeição. Há quem precise ser confrontado. Uma coisa, porém, é certa: você tem autoridade dada por Deus e pela igreja que o chamou para dar esse conselho, essa exortação ou esse confronto. O ministro de Deus deve ouvir corretamente. Assim, você precisa ouvir o que está por trás das palavras. Palavras ditas, palavras não ditas, e palavras em suspenso. Talvez os lábios digam algo, mas a expressão facial, as mãos, 2

a expressão corporal digam outra. Você precisa "ouvir" corretamente os sentimentos de quem está à sua frente. Na Clínica Pastoral, ouça bastante antes de opinar. Leve a ovelha a falar; viva a situação do outro. Você é chamado a um ministério de simpatia, de carinho, de afeição e de amor. Sobretudo quando você é enérgico! Desde que você começa a ouvir, está fazendo Psicoterapia Pastoral. Isso é afirmado pelo Dr. Wayne Oates, autor ou co-autor de mais de quarenta livros e por muitos anos professor de Aconselhamento Pastoral (Pastoral Care), no The Southern Baptist Theological Seminary em Louisville. Você é visto dentro de um esquema todo especial: há um significado simbólico em você como ministro de Deus. O pastor, por exemplo, é um ponto de referência na igreja para o povo de Deus. Ele simboliza e representa a comunidade cristã, e é agente dessa comunidade de Cristo, de Deus. Há muita esperança quando alguém procura o pastor. Por essa razão, é terrível, medonho mesmo, quando as palavras do pastor são divinas, mas seus hábitos de vida contradizem essa dimensão... Você representa e simboliza muito mais do que você mesmo: você representa o Pai, você leva a palavra de Cristo e o faz sob a direção do Espírito Santo. Quem vai ao seu gabinete espera e deve sair abençoado. Você vai ouvir confissões, vai ouvir palavras de arrependimento. Mas não pressione: ajude no processo de crescimento. O TOCAR (v. 23) O ministro de Deus é ungido na mão para tocar vidas. Estamos nos referindo, então, à influência. Você vai tocar muitas vidas e deve fazê-lo com cuidado e leveza. Use suas mãos para abençoar a criança, o jovem, o adulto, o idoso. E faça-o com carinho. Leve-os à consciência do santo, lembrando ao crente em Jesus Cristo que a rigor, para o povo de Deus, não existem espaços separados, compartimentos estanques entre o secular e o religioso, o sagrado e o profano, pois a vida pública, social, civil do crente em Jesus Cristo há de ser normatizada pelo senso do santo. Leve-os ao senso da providência, à fé, à gratidão, ao arrependimento, à comunhão, à vocação. Você há de tocar vidas; há de xer com as emoções das pessoas: raiva, medo, alegria. Você vai lidar com almas enfermas. São doenças do comportamento, mazelas do espírito, enfermidades psicossomáticas. Você terá um ministério a desempenhar nas crises. Crise é qualquer acontecimento que ameace o bem-estar de uma pessoa, e interfira na sua rotina de vida. O nascimento de uma criança, a morte de um parente, o fim 3

de um casamento, o desemprego, a aposentadoria são crises . Você há de entrar em contato e reduzir a ansiedade, encorajando a pessoa a agir. Lembre-se de que cada situação de crise é única, sem igual. Ou como o povo diz, "Cada caso é um caso". Você há de tocar vidas em diferentes níveis de cuidado pastoral: o Nível da Amizade; o Nível do Conforto; o Nível da Confissão, o Nível do Ensino e o Nível do Aconselhamento e Psicoterapia. Devo estas classificações ao Dr. Oates. Há pessoas aflitas que necessitam de apoio; há aqueles enfrentando a morte que precisam do poder espiritual que o pastor representa; há pessoas com enfermidades crônicas; há deficientes físicos; há famílias com filhos com déficit mental; há os deprimidos e os desapontados com o amor ou outra causa. Todos estes estão no Nível de Conforto. Há o jovem solteiro, os jovens casados, o adulto de meia-idade, a viúva, a mãe solteira, o separado/desquitado/divorciado, o hospitalizado, todos em diferentes níveis do seu cuidado pastoral. O ANDAR (v. 23) O ministro de Deus é ungido no pé para andar santamente. Estamos falando de ética. Para isso, necessária é a ajuda do Espírito Santo. Se você não tem a ajuda do Espírito de Deus para crescer na graça e na maturidade, vai ser difícil entender a Bíblia, impossível aplicá-la às vidas, será um problema conviver com as ovelhas, e terrível dominar atitudes internas. Mais do que nunca, é preciso ser imitador de Cristo. Para sê-lo, porém, é preciso andar no Espírito, andar santamente. E andar santamente exige análise freqüente de nós mesmos, submissão do eu a Deus, e plenitude do Espírito Santo, que é o Seu controle em nossas vidas. Você há de visitar. Irá a muitos lugares e lares. Há dois tipos de visitas: as regulares e as de emergência. Não visite só nas crises: você precisa visitar o seu rebanho em tempos de paz. Seja ético, então, quanto ao que ouve, vê e aconselha. CONCLUSÃO O final da narração de Levítico 8 registra a obediência dos consagrandos, Arão e filhos. Isso nos ensina que consagração é entrega absoluta marcada pela obediência irrestrita às ordens de Deus. Nossa oração é que nosso ministério seja pontuado agora, hoje, sempre pela disciplina, obediência, entrega e consagração total àquele que é o Mestre de nossas vidas, Senhor do nosso futuro, Salvador de nosso ser. A Catedral

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Uma catedral para a honra e a glória de nosso Senhor Jesus Cristo se constrói momento a momento à medida que uma mão se estende e toca outra mão com amor humano, e à medida que um coração responde em amor a outro coração capacitado pelo Espírito Santo para anelar, escutar, elevar e amar-nos uns aos outros. Para que todos, em todo lugar possamos oferecer outros dons que Deus nos tem dado: Integridade nas relações, Alegria e paz na fidelidade, Fortaleza para fazer por meio da igreja, Mais do que pedimos ou imaginamos. Margaret Shannon Parte II LEVANDO A SÉRIO A CEIA DO SENHOR "Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, havendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo que é por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto do meu sangue; Fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha. De modo que qualquer que comer do pão, ou beber do cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim como do pão e beba do cálice. Porque quem come e bebe, come e bebe para sua própria condenação, se não discernir o corpo do Senhor" (1Co 11.23-29). A Ceia Memorial tem sido celebrada num ambiente espiritual, profundo, reverente e cheio de certeza, além do destaque que a Ceia do Senhor nos fala numa linguagem silenciosa porém plena de energia. Temos o pão e o vinho, elementos simples, porém altamente destacados nesta celebração. E nesta simplicidade, ela se torna um meio de comunicação de algumas importantes mensagens para o povo de Deus. Quando levamos a sério a celebração da Ceia do Senhor, usamos de determinadas linguagens: A LINGUAGEM DE COMEMORAÇÃO (v.25)

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na verdade não precisa. porque estamos pregando o Seu sacrifício para a salvação de todo aquele que crê. Estamos pregando a mensagem de livramento de redenção para todo o que crê! Como precisamos de memoriais! Sim.Paulo diz isso: "Semelhantemente também. Pela inspiração do Espírito de Deus. A outra ordenança é a Ceia do Senhor. é a palavra grega que diz skinê. é que a Ceia do Senhor é celebrada por Sua Igreja. do Batismo. em Canaã. até mesmo a escolha de certas palavras tem o seu lugar na Escritura Sagrada. fazemos algo pelo Senhor. a palavra que significa "manifestação de Deus. que é o corpo de Jesus Cristo que sofreu no Calvário. marcou presença. Uma pessoa em sendo salva por Jesus Cristo.19). cheio de graça e de verdade". fosse no deserto. não por nós ou pelos outros. ou vontade de Deus que as palavras assemelhadas fossem usadas pelo escritor sagrado? Para que se manifeste a glória de Deus. mas já estava com Jesus Cristo no paraíso após a crueldade daquele momento. Percebam o som do hebraico sh ki nah e do grego s ki nê. O malfeitor da cruz não precisou se batizar. quando observamos a Ceia do Senhor. todas as vezes que o beberdes. e para que pensemos nEle. "o Verbo habitou. daquilo que somos. ou nas grandes batalhas. Coincidência. apenas uma filigrana lingüística: na língua hebraica. mas pelo Senhor. a gloriosa presença de Deus no meio do Seu povo.1. 22. e somente duas: o Batismo e a Ceia Memorial. no entanto. ou seja. para acrescentar algum valor maior à salvação. fazei isto. os memoriais brasileiros se apresentam por todos os lados: é a bandeira do Brasil sendo desfraldada. sempre era celebrada a manifestação da shekinah divina (cf. O impressionante. Então. e quem já passou por isso o 6 . e habitou entre nós. tem outra origem. presença divina" é shekinah. é que o vocábulo utilizado por João para dizer. Aqui. dizendo: Este cálice é o novo pacto no meu sangue. Cada vez que a glória do Senhor se manifestava no meio do povo de Israel. manifestou-se entre nós".60. precisamos de memoriais para que nos lembremos de quem somos. porque estamos aqui. e aonde estamos indo. em memória de mim". Jesus Cristo estabeleceu duas ordenanças. e quando tomamos o cálice. "para que pensem novamente em mim. E não existe sentimento maior. tomou o cálice. ele disse "E o Verbo se fez carne. Quando João escreveu a narrativa que abre o Evangelho que leva o seu nome. São ordenanças sem qualquer benefício acessório para a salvação." A presença de Jesus Cristo é algo extraordinário na vida cristã. Is 18. a palavra grega utilizada não é do hebraico: é grega. depois de cear. Estamos dizendo isso quando tomamos o pão nas mãos. Quando nosso país joga na Copa. Sl 78. dizemos que o sangue de Jesus Cristo foi derramado por nós. As duas palavras têm praticamente o mesmo radical.

lembramos a aliança. Quando se ouve o nome de Maria Quitéria.. místico. porquanto vos ajuntais. ao se participar da Ceia do Senhor. porém. não para melhor. e o Seu sangue escorrendo pelas mãos. eu me emociono. não estamos tendo uma visão. Isso se chama filia. ainda me emociono quando participo da Ceia do Senhor! E cada vez que seguro o pão. não! A Palavra nos ensina que a Ceia do Senhor é um memorial. há uma comunhão espiritual pela lembrança de Cristo na cruz. a data principal da Bahia! Falamos de amor conjugal. nós não temos tal costume. Por essa razão. não de Cristo. e que pela graça de Deus fui feito Seu filho! Lembro-me. mas a minha cruz! Há uma comunhão entre os crentes na Ceia Memorial. Temos que lembrar da nossa indignidade e da beleza do perdão. que se reuniu não para o melhor. se a levamos a sério. utilizamos a linguagem da comemoração. o amor cívico. são 39 anos celebrando a Ceia do Senhor praticamente mês a mês (e houve época quando o fiz duas vezes no mês). que estar num outro país. quando tomo a jarra de vinho. precisamos de memoriais. mas uma comunhão espiritual. mas não é comunhãode-cafezinho! Por isso. patriótico. 17-20) Paulo disse: "Nisto. de que fico com as mãos trêmulas.. reunia-se para a indignidade. porém. Não confundamos as coisas: quando falamos de comunhão. Não é doença. mas ainda hoje tremo quando tenho na minha memória e coração a cena de Jesus Cristo no Calvário. que vou dizer-vos não vos louvo. e pelo tronco da cruz. e se emocionar com o verde-amarelo tremulando nos mastros com outras bandeiras. que vou dizer-vos não vos louvo. pela face. como querem pregar as religiões orientais. quando nos reunimos seriamente para celebrar este ato memorial. entre o homem pecador e o Deus perfeito.sabe. porquanto vos 7 . É isso o exatamente o que faz a Ceia do Senhor: ela nos relembra o dom da vida através da morte de Jesus Cristo. e diz "Mas. nem tampouco as igrejas de Deus. e pela nossa identificação com essa cruz: a minha cruz. Paulo está preocupado. A LINGUAGEM DA COMUNHÃO (vv. Com certeza: precisamos de memoriais. pela Sua testa. sem dúvida. não: é patriotismo mesmo! Sim. com a igreja de Corinto. 17). mas para o pior. porque me vem à mente que sou indigno pecador. se alguém quiser ser contencioso. e derramo um pouco no cálice. não. pela lembrança de Cristo na cruz. Nisto. Ao longo destes 39 anos de ministério da palavra e das ordenanças. e o parto na frente dos irmãos. Não há comunhão física. não estamos falando de encontro sobrenatural. Assim. temos o memorial da Ceia do Senhor. infelizmente. Aconteceu. não é comunicação com um morto como querem ensinar por aí. mas para pior" (v. logo lembramos do Dois de Julho. Sim. não estamos dizendo que nos unimos a Jesus Cristo através do Nirvana.

E. e depois que tudo era embalado. Veja bem a seriedade de seus objetivos.). lei de guerra! O "estranho" não era o pagão. como eram as normas no acampamento de Israel no deserto: somente podiam se aproximar dos móveis os sacerdotes. A lei não era fácil: era marcial.10. Examine-se. embalavam os móveis. no entanto. porque a tomamos agora. a qualidade de vida espiritual. "De modo que qualquer que comer do pão. Quando havia necessidade de desmontar o tabernáculo para se transferirem para outro lugar. Fiquei arrepiado! Que coisa impressionante a legislação. Só que há uma diferença muito grande: na Igreja Cristã o pastor não é o sacerdote. a unidade da igreja. Estive lendo sobre os levitas e sacerdotes (Números 3 e 4). e os outros. Interessante que a Ceia do Senhor não torna ninguém melhor: ninguém vai sair melhor porque tomou a Ceia do Senhor. e o propósito da Ceia! O que Paulo está enfatizando é a harmonia da Ceia. A igreja estava seccionada por causa de trajes (capítulo 11)?! Havia divisões por causa de uma doutrina (cf. entre outros deveres. e quando celebramos com seriedade a Ceia. Havia divisões na igreja de Corinto quanto a questões de doutrina. não para melhor. os levitas pegavam o pacote e faziam o carregamento nos carros de boi para o transporte pelo deserto. sairemos com a mesma amargura e rancor com que entramos. por essa razão é dever de cada um solene e seriamente examinarse sobre quais são os seus interesses e propósitos quando se aproxima da Mesa do Senhor. e ninguém via a forma do objeto. é isso o que estamos proclamando! A LINGUAGEM DA CONSAGRAÇÃO (vv. há um paradoxo: o irmão pode sair pior se tomou a Ceia do Senhor indignamente! É o que Paulo diz. Os levitas funcionavam. era o próprio povo de Israel. 27-29) Quando celebramos a Ceia usamos esse tipo de linguagem. "será culpado 8 . será culpado do corpo e do sangue do Senhor. com várias camadas de tecidos (e de cores diferentes para mostrar o grau de santidade do objeto). o homem a si mesmo. etc. da Mesa do Senhor! Mas tem uma coisa: se o irmão vier à Mesa do Senhor com as mãos sujas. e se não temos essa impressão profunda. E sempre é lembrado o seguinte: "e o estranho que se chegar será morto" (Nm 3.ajuntais. e assim coma do pão e beba do cálice". pois. os sacerdotes entravam. o "povão"! Na Igreja de Cristo fomos todos elevados ao sacerdócio. ou beber do cálice do Senhor indignamente. não. como guardas de segurança do tabernáculo. E depois todos queriam se reunir para "tomar cafezinho"?! A Ceia do Senhor não é para isso. por isso podemos nos aproximar dos objetos. A conduta dos irmãos de Corinto destruía o propósito da igreja. nem os levitas que eram os seus auxiliares. mas para pior". capítulos 12 e 14).

ou borrado. que venhamos à mesa do Senhor em espírito de comemoração porque essa é a linguagem que falamos agora. minha vida é digna da comunhão com os outros crentes? Permanece a minha aliança com o Deus vivo? Se não conheço a Jesus Cristo. que almejo na Causa de Jesus Cristo? Não é sério? Então. estou vindo com fé na morte de Jesus Cristo? Vivo diariamente pelo poder da ressurreição de Jesus Cristo? São perguntas que tenho que fazer! É Jesus realmente o alimento da minha alma? Sou eu um dos Seus. mas pode sair pior do santuário. na noite em que foi traído. depois de cear. e. De modo que qualquer que comer do pão. fazei isto em memória de mim. e. em comunhão espiritual porque essa é a realidade que vivemos agora.do corpo e do sangue do Senhor" (1Co 11.23-29). reverente e cheio de certeza. come e bebe para sua própria condenação. A Ceia Memorial tem sido celebrada num ambiente espiritual. sobretudo. além do destaque que a Ceia do Senhor nos fala numa linguagem silenciosa porém plena de energia. de esperança porque nós olhamos para o dia da volta de nosso Senhor Jesus Cristo! Parte III O DIÁLOGO DA CEIA DO SENHOR Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus. tomou o pão. E lembrando. assim. Examine-se. Fazei isto. todas as vezes que o beberdes. até que ele venha. 9 . e consagração pessoal porque esse é o propósito. devemos dar graças a Deus pelo privilégio de termos um diálogo com a Ceia do Senhor. se não discernir o corpo do Senhor" (1Co 11. o objetivo. em memória de mim. profundo. dizendo: Este cálice é o novo pacto do meu sangue. Quanto seriedade é exigida dos participantes?! Então. pois. Temos o pão e temos o vinho. ou beber do cálice do Senhor indignamente. que a Ceia do Senhor não é um funeral (para que cara triste?): a Ceia do Senhor é uma celebração de fé. salvo pelo sangue de Jesus? Lavado pelo Seu sangue? · Que é que eu tenho feito? Minhas mãos estão limpas. o partiu e disse: Isto é o meu corpo que é por vós. como posso me lembrar dEle? Phillip Henry diz que o crente quando for participar da Ceia deve fazer três perguntas: · Que é que eu sou? Filho de Deus. Semelhantemente também.27b)! O irmão não sai melhor. o homem a si mesmo. e assim como do pão e beba do cálice. ou manchadas. sujo? · Que é que eu desejo? Quais os meus sonhos e visões. e sou eu um com os Seus? Estou em harmonia. Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor. tomou o cálice. de alegria. será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Meu coração está limpo. Porque quem come e bebe. o alvo de nossa vida sempre. havendo dado graças.

presença divina" é shekinah. fazei isto. ou vontade de Deus que as palavras assemelhadas fossem usadas pelo escritor sagrado? Para que se manifeste a glória de Deus. tomou o cálice. ou seja. O malfeitor da cruz não precisou se batizar.25) Paulo diz isso: "Semelhantemente também. Não é preciso. o que fazemos como testemunho público do que Jesus Cristo fez na nossa vida. ou nas grandes batalhas. dizemos que o sangue de Jesus Cristo foi derramado por mim e por 10 . É extraordinária a presença de Jesus Cristo na vida cristã.60. é que a Ceia do Senhor é celebrada por Sua Igreja. fosse no deserto. Is 18. sempre era celebrada a manifestação da shekinah divina (cf. não tem a mesma categoria. quando observamos a Ceia do Senhor. E nesta simplicidade. 22. a palavra que significa "manifestação de Deus. marcou presença. "para que pensem novamente em mim". é a palavra grega que diz skinê. dizendo: Este cálice é o novo pacto no meu sangue. Quando João escreveu a narrativa que abre o Evangelho que leva o seu nome. a palavra grega utilizada nada tem a ver com o hebraico: é outra língua. até mesmo a escolha de certas palavras tem o seu lugar na Escritura Sagrada. Aqui.elementos simples e destacados nesta celebração. apenas uma filigrana lingüística: na língua hebraica. Coincidência. e somente duas: o Batismo e a Ceia Memorial. Pois bem. e habitou entre nós. Jesus Cristo estabeleceu duas ordenanças. mas pelo Senhor. Cada vez que a glória do Senhor se manifestava no meio do povo de Israel. cheio de graça e de verdade".1. na verdade não precisa do Batismo para acrescentar algum valor maior à salvação. a palavra que João utilizou para dizer "o Verbo habitou. a gloriosa presença de Deus no meio do Seu povo. em Canaã. São ordenanças sem qualquer benefício acessório para a salvação. As duas palavras têm praticamente o mesmo radical. Pela inspiração do Espírito de Deus. Uma pessoa em sendo salva por Jesus Cristo. ela se torna um meio de comunicação de algumas importantes mensagens para o povo de Deus. inclusive lingüística. Percebam o som do hebraico sh ki nah e do grego s ki nê. mas já estava com Jesus Cristo no paraíso após aquele momento cruel. manifestou-se entre nós". A outra ordenança é a Ceia do Senhor. A LINGUAGEM DE COMEMORAÇÃO (v.19). outra origem. Sl 78. em memória de mim". depois de cear. Estamos dizendo isso quando tomamos o pão nas mãos. e quando tomamos o cálice. e para que pensemos nEle. e mandou que a Igreja praticasse o batismo. todas as vezes que o beberdes. Então. porque estamos pregando a Sua morte para a salvação de todo aquele que crê. ele disse "E o Verbo se fez carne. que é o corpo de Jesus Cristo que sofreu no Calvário. fazemos algo pelo Senhor. não por nós ou pelos outros. mas o batismo é um ato de obediência: Jesus até foi batizado por João.

ela utiliza a linguagem da comemoração. temos o memorial da Ceia do Senhor. e se emocionar com o verde-amarelo tremulando nos mastros com outras bandeiras. É isso o exatamente o que faz a Ceia do Senhor: ela nos relembra o dom da vida através da morte de Jesus Cristo. precisamos de memoriais. 17-20) Paulo disse: "Nisto. O Novo Testamento nos ensina que a Ceia do Senhor é um memorial. o amor cívico. Como a transubstanciação. porquanto vos ajuntais. Não há comunhão física. precisamos de memoriais. Assim. não estamos falando de encontro sobrenatural. Por essa razão. não estamos dizendo que nos unimos a Jesus Cristo através do Nirvana. Que coisa triste. pela lembrança de Cristo na cruz. infelizmente. patriótico. a data principal da Bahia! Falamos de amor conjugal. que se reunia para a indignidade. não estamos tendo uma visão. precisamos de memoriais para que nos lembremos de quem somos. e as suas substâncias tornam-se. E não existe sentimento maior que estar em outro país. Quando se ouve o nome de Maria Quitéria. porém. a da carne e do sangue de Jesus Cristo! O Senhor tenha piedade! Isso não se encontra na Escritura?! A comunhão com Cristo não necessita que a substância desses elementos materiais seja mudada.você. respectivamente. Isso se chama filia. Sem dúvida. mas para pior" (v. que vou dizer-vos não vos louvo. A LINGUAGEM DA COMUNHÃO (vv. os memoriais brasileiros se apresentam por todos os lados: é a bandeira do Brasil sendo desfraldada. logo lembramos do Dois de Julho. não. sem dúvida. como querem pregar orientais. 17). ensinando que no momento em que são pronunciadas as palavras de instituição ("isso é o meu corpo" e "isso é o meu sangue") que tanto o pão quanto o vinho mudam a sua substância. lembramos a aliança. não para melhor. não! É por esses erros todos que doutrinas estranhas surgiram ao longo da história da Igreja Cristã. mas uma comunhão espiritual. entre o homem pecador e o Deus perfeito. Quando nosso país joga na Copa. quando nos reunimos para a Ceia. daquilo que somos. reunirem-se os nossos irmãos para atos indignos! Não confundamos as coisas: quando falamos de comunhão. ao se participar da Ceia do Senhor. Estamos pregando a mensagem de livramento de redenção para todo o que crê! Como precisamos de memoriais! Sim. porque estamos aqui. Sim. por nós. não é comunicação com um morto como querem ensinar por aí. místico. e aonde estamos indo. Temos que lembrar da nossa indignidade e da beleza do perdão. 11 . Isso aconteceu. com a igreja de Corinto.

.Ao longo destes quase quarenta anos de ministério da palavra e das ordenanças. há uma comunhão espiritual pela lembrança de Cristo na cruz. porém. porque me vem à mente que sou indigno pecador. Fiquei arrepiado! Que coisa impressionante a legislação. 27-29) Quando celebramos a Ceia usamos essa linguagem. E agora o paradoxo: o irmão pode sair pior se tomou a Ceia do Senhor indignamente! É o que Paulo diz. mas a minha cruz! Há uma comunhão entre os crentes. será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Sim. são 39 anos celebrando a Ceia do Senhor praticamente mês a mês (e houve época quando o fiz duas vezes no mês). e se não temos essa impressão profunda. não! Porque tomamos agora. Na verdade. que vou dizer-vos não vos louvo. Terrível! Havia divisões na igreja de Corinto quanto a questões de doutrina. é isso o que estamos dizendo! A LINGUAGEM DA CONSAGRAÇÃO (vv. ou beber do cálice do Senhor indignamente. nós não temos tal costume. como eram as 12 . o homem a si mesmo. mas ainda hoje tremo quando tenho na minha mente e coração a cena de Jesus Cristo no Calvário. e pela nossa identificação com essa cruz: a minha cruz. é a unidade da igreja. e quando celebramos a Ceia. Paulo está preocupado. e você ia ficar com vergonha se ficasse sentado e não participasse? Quais são seus propósitos quando se aproxima da Mesa do Senhor? Estive lendo sobre a congregação dos levitas e sacerdotes (Números 3 e 4). mas não é comunhão-de-cafezinho. ninguém vai sair melhor porque tomou a Ceia do Senhor. nem tampouco as igrejas de Deus. e derramo um pouco no cálice. por essa razão é dever de cada um solene e seriamente examinar-se sobre quais são os seus interesses em Jesus Cristo. e o parto na frente dos participantes. Interessante que a Ceia do Senhor não torna ninguém melhor. não de Cristo. porque a Ceia do Senhor não é isso! Por isso. a qualidade de vida espiritual. se alguém quiser ser contencioso. tenho me emocionado sempre que participo da Ceia Memorial! E cada vez que seguro a côdea de pão. sairemos de novo com a mesma raiva e amargura do nosso irmão em Jesus Cristo! A conduta dos irmãos de Corinto destruía o propósito da igreja. fico com as mãos trêmulas ainda. Examine-se. não para melhor. pela face. e o propósito da Ceia! O que Paulo está enfatizando aqui é a harmonia da Ceia. e que pela graça de Deus fui feito Seu filho! Lembro-me. e pelo tronco da cruz. capítulos 12 e 14). e diz "Mas. mas para pior". Você participou da Ceia só porque os outros iam ver. pela Sua testa. "De modo que qualquer que comer do pão. A igreja estava dividida por causa de uma doutrina (cf. Nisto. e o Seu sangue escorrendo pelas mãos.. eu me emociono. e assim coma do pão e beba do cálice". porquanto vos ajuntais. havia divisões por causa de trajes (capítulo 11)?! E depois todos queriam se reunir para "tomar cafezinho"?! A Ceia do Senhor não é para isso. quando tomo esta jarra de vinho. pois.

em comunhão espiritual porque essa é a realidade que vivemos agora. ou manchadas. sobretudo. e os outros. etc.27b)! O irmão não sai melhor. E sempre é lembrado o seguinte: "e o estranho que se chegar será morto" (Nm 3. da Mesa do Senhor! Mas tem uma coisa: se o irmão vier à Mesa do Senhor com as mãos sujas. sujo? · Que é que eu desejo? Quais os meus sonhos e visões.10. de esperança porque nós olhamos para aquele dia! Que o Senhor nos ajude e abençoe! Patte IV VESTIMENTA NA IGREJA 13 . minha vida é digna da comunhão com os outros crentes? Permanece a minha aliança com o Deus vivo? Se não conheço a Jesus Cristo. com várias camadas de tecidos (e de cores diferentes para mostrar o grau de santidade do objeto). Quando havia necessidade de desmontar o tabernáculo para ir para outro lugar. lei de guerra! O "estranho" não era o pagão. de alegria. que a Ceia do Senhor não é um funeral (para que cara triste?): a Ceia do Senhor é uma celebração de fé. ou borrado. assim. devemos dar graças a Deus pelo privilégio de termos um diálogo com a Ceia do Senhor.normas no acampamento de Israel no deserto: somente podiam se aproximar dos móveis os sacerdotes. e consagração pessoal porque esse é o propósito. era o próprio povo de Israel. não. salvo pelo sangue de Jesus? Lavado pelo Seu sangue? · Que é que eu tenho feito? Minhas mãos estão limpas. os levitas pegavam o pacote e faziam o carregamento nos carros de boi para o transporte pelo deserto. nem os levitas quer eram os seus auxiliares. por isso podemos nos aproximar dos objetos. Só que há uma diferença muito grande: na Igreja Cristã o pastor não é o sacerdote. Então. embalavam os móveis. o alvo de nossa vida sempre. e ninguém via a forma do objeto. entre outros deveres. mas pode sair pior do santuário. estou vindo com fé na morte de Jesus Cristo? Vivo diariamente pelo poder da ressurreição de Jesus Cristo? São perguntas que tenho que fazer! É Jesus realmente o alimento da minha alma? Sou eu um dos Seus. "será culpado do corpo e do sangue do Senhor" (1Co 11. e sou eu um com os Seus? Estou em harmonia. e. como guardas de segurança do tabernáculo. que venhamos à mesa do Senhor em espírito de comemoração porque essa é a linguagem que falamos agora. o objetivo.). e depois que tudo era embalado. o "povão"! Na Igreja de Cristo fomos todos elevados ao sacerdócio. Meu coração está limpo. A lei não era fácil: era marcial. como posso me lembrar dEle? Por isso que Phillip Henry diz que o crente quando for participar da Ceia deve fazer três perguntas: · Que é que eu sou? Filho de Deus. Os levitas funcionavam. que almejo na Causa de Jesus Cristo? Então. os sacerdotes entravam. E lembrando.

relacionadas a moral e aos bons costumes. dos regionalismos ou da libertinagem e do hedonismo peculiar a pós-modernidade. Não importa a razão. que se reflete na vestimenta. de retrógrado. Não pretendemos desenvolver um tratado teológico sobre o tema e nem desejamos agir com rigorismo em termos de usos e costumes. em nome de Jesus. ou seja. social e espiritual da humanidade. do tropicalismo. Vejamos no Texto Sagrado alguns ensinamentos bem objetivos sobre a vestimenta do povo de Deus. transformações essas que nos atribuam redobrada autoridade espiritual e testemunhal diante desta geração corrompida e perversa em que vivemos. da liberação feminina. razão pela qual decidimos tratar francamente deste assunto com toda a igreja. causando transformações radicais em nossas mentes.21: Vemos que o primeiro a apresentar a preocupação com a vestimenta do ser humano foi o próprio Deus. para asseverar a minha convicção espiritual em relação a vestimenta do cristão verdadeiro. O trágico é reconhecer que esta nudez desenfreada chegou à igreja. Porém. parece que estão ilhadas. bem como no combate de toda a sorte de malignidade que tenta corromper os parâmetros de Deus para a santidade do cristão. Há uma monumental investida contra a moralidade do ser humano. Apenas desejamos apresentar aos irmãos textos bíblicos que devem nortear a nossa experiência de fé e de vida cristã. 1. vejamos algo sobre. permanecendo fiel a Cristo e a convicção ministerial que temos de que a igreja brasileira necessita urgentemente experimentar um avivamento de santidade.Introdução: "Nesta casa não tem moda. Seja em nome da moda. pois creio que na igreja de Jesus Cristo não deve existir a preocupação exagerada com a moda. mas parece que não temos sido bem-sucedido nestes alertas. Há algum tempo temos alertado a igreja sobre esta questão. tem recato". da Rede Globo. Aquelas que insistem em se vestir bem e com decoro. as pessoas estão cada vez mais nuas.. Faço minhas as palavras da personagem de Tarcísio Meira na série Um só Coração. da quebra dos paradigmas. de antiquado ou de autoritário. Tais vestimentas são precursoras de muitas outras medidas adotadas por Deus. visando o bem-estar físico.. A primeira roupa . o que é absurdo. 14 . cercadas de pessoas nuas por todos os lados. pretendemos persistir no combate desta maldição. mas sim com o recato e o decoro que devem ser peculiares aos santos. mesmo sob a pecha de radical. Medidas que se tornaram necessárias por causa da corrupção imposta pelo pecado à natureza humana. Inicialmente.Gênesis 3. Chegou para ficar e se estabelecer como referencial de comportamento cristão.

puras e santificadas. verso 21.Nos versos 10 e 11 de Gênesis 3 o homem alega medo de Deus devido a sua nudez. que instiga e explora a sensualidade.9.6 e 1 Pedro 2. da quebra de um padrão estabelecido por Deus.1-4: Neste texto Deus exige roupas especiais. A nudez neste contexto representa a consciência da corrupção.. com o rasgar do véu no templo. a partir do sacrifício de Jesus. para o sacerdote na ministração do culto e da adoração.Êxodo 28. Por esta razão. verso 42. Deus fez túnicas de peles. Apocalipse 1. A glória de Deus manifesta é símbolo real e indiscutível da presença de Deus no culto ministrado diante dele e para ele. Deus exige roupas especiais para o ato de culto verdadeiro. destacando a preocupação de Deus até com os calções. que fazem referência aos paramentos e assessórios sacerdotais. roupa que cobre tudo o que deve ser preservado e que indica parâmetros de moralidade e de respeito entre serem humanos.. É pecado. todos fomos feitos sacerdotes para Deus. devo ressaltar que a Palavra de Deus assevera que. Mas depois do pecado. Devemos observar que mesmo sob maldição. Deus não expulsou o homem do Éden nu. 15 . O homem foi criado em santidade e a nudez não lhe causava constrangimento diante do Criador. As roupas para a adoração . que é santíssimo. para a desonra. provocando pensamentos impuros e constrangimentos ao desnudo. Adoração é ato de culto. É reconhecimento do caráter divino e da santidade do Deus objeto da adoração. a nudez passou a ser motivo de medo. visto que nos aproximaremos de Deus. Se a sua mente tenta justificar a não aplicação deste texto em sua vida. Pior ainda é a seminudez. em pecado. vejamos algo sobre. com a roupa íntima do sacerdote. Desta referência concluímos que estar na presença de Deus consciente da nudez imoral é afronta contra o Senhor. Em segundo lugar. 2. uma vez quebrada a imagem e semelhança moral de Deus no homem. ou seja. Ou seja. roupas de gala. Podemos verificar também os versos 31-35 e 39-43 de Êxodo 28. O conceito básico que estabelece os parâmetros da vestimenta sacerdotal é o de que as roupas são como referencial de apresentação diante da glória de Deus e para a glória do Deus que é adorado. O princípio que se encerra neste contexto bíblico é o de que as vestimentas que usamos no ato de culto devem ser limpas.

uma experiência íntima com ele.2 Reis 5. não entendia bem tudo o que estava acontecendo. o seu coração ainda era obstinado e Deus conduziu o profeta para que. Devemos ter a consciência de que estamos diante do próprio Deus e que. quando nos apresentamos diante do Senhor para prestar-lhe culto.9. a tomarem cuidado com os seus trajes quando estiverem em uma situação que saibam que estarão diante de Deus. Hebreus 12. por 16 . que o representa na ministração para as nossas vidas. Desta maravilhosa narrativa bíblica fica para nós a seguinte lição: não é molambo. Vejamos em seguida algo sobre. o grande general. nem trapo velho encardido. As afirmações destes versos. A realidade. prata e cravejadas de pedras preciosas. com aquela atitude. indicam. ou ainda. a luz do contexto geral da Bíblia. devemos observar ainda os ensinos de Salmos 29. Naamã. com aplicações em ouro. nem modismo.2 e 96. nem roupas indecorosas ou falta de roupa que se deve levar para a presença do Senhor ou do servo de Deus. Naamã fosse quebrantado. Este gesto de Naamã aponta para o reconhecimento da superioridade do profeta em relação a ele e para o reconhecimento da soberania de Deus em relação a sua vida e circunstância.. trajados com decência. bem como durante os cultos..1-6: Reverência tem a ver com a postura resultante da conscientização a que chegamos em relação ao valor do outro. Não podemos estar na Casa de Deus com vestimentas que não sejam expressão da nossa busca de santidade. Este texto mostra que Naamã ao se dirigir ao servo de Deus.14. Afinal. levou roupas finas e luxuosas. é que Deus requer decência de cada um de nós. por isso. que é o que nos habilita a estarmos diante do Senhor em adoração. curado e salvo. amados.indicando que o cuidado de Deus vai além da roupa aparente. humilhado. ou seja. desejando causar boa impressão e agrada-lo. Porém. Ficou frustrado e aborrecido ao se sentir desprezado pelo profeta. que devemos estar bem vestidos. bem como pelo fato de o profeta não aceitar os seus presentes. Pensando ainda em roupas para a adoração. como "beleza da sua santidade". Somos os sacerdotes consagrados por ele e para ele. 3. eram roupas especiais. Vale ressaltar que o Texto Sagrado alerta até mesmo aqueles que não são servos de Deus e que não têm. Deus requer moralidade na adoração e na ministração dos cultos. em sua idéia mais remota. Roupas como sinal de reverência . roupas de festa. embora traduzidas como "esplendor do seu santuário" ou "esplendor da sua santidade".

Quando nos convertemos Deus nos honra e nos dá novas vestes. O que comprova isso é o contexto geral do capítulo.. roupas novas. 17 .. principalmente a dos homens. tendo regatado a nossa posição espiritual como filhos de Deus.14-22. Roupas como sinal de restauração . que simbolizam a nossa restauração e a retomada da nossa condição de filhos. miserável e nu é para aqueles que serão vomitados pelo Senhor devido a mornidão espiritual. Vamos nos ater as roupas. A entrega de roupas novas para o filho. e não para os filhos que vivem em perfeita comunhão com o Pai. Por fim. mesmo que com roupas humildes e simples. limpas e decentes. 4. vejamos algo sobre. devemos estar bem trajados. em seu retorno. em especial osversos 16-18. bem como da restituição do nosso direito espiritual como herdeiros de Deus em Cristo. Em Cristo nos tornamos pessoas especiais. Mais uma vez a sua mente. a nos curar e ministrar salvação. mostrando que reconhecemos a superioridade e a soberania de Deus.. que exige dos homens um alto padrão de santidade para a oração. indica a transformação de vida que o jovem experimentara.9-10: Estes versos falam em trajes decorosos e sem luxúria como a vestimenta ideal para o servo de Deus.Lucas 15. levando o melhor possível.isso. o Deus que está pronto a nos quebrantar.1 Timóteo 2. "a melhor roupa". 5. Apocalipse 3. como que deserdadas por causa do pecado. servindo também como prova da nossa aceitação na casa do Pai. vestes espirituais.21-22: Neste texto identificamos duas questões importantes: O filho reconhecendo o seu estado e admitindo a perda da condição de filho e o pai amoroso dando ao filho pródigo. A condição de coitado. Em Jesus não somos mais pessoas separadas de Deus. O parâmetro de Deus para a vestimenta do cristão . mas com decência e decoro. em especial o verso 8. Os farrapos de uma vida dissoluta e distanciada de Deus e dos parâmetros da moralidade devem ser jogados fora e trocados por vestimentas novas. Vejamos ainda algo sobre. Isso não é verdade. sapatos e um anel. A exigência de decoro e de moralidade na vestimenta é para mulheres e homens ao mesmo tempo. Estas roupas novas simbolizam o perdão que nos foi outorgado.. não podemos mais permanecer maltrapilhos. desnudados ou vestidos de maneira indecorosa. pode estar tentando se justificar dizendo que o ensinamento paulino não se aplica a você.

imorais. que falam das roupas de boa qualidade. de valor e de discreta beleza usadas por Jesus. Paulo usa o termo para fazer referência também a moralidade sexual que nos é exigida por Deus e que deve se refletir em nossas roupas. que fala da roupa dos mártires na glória. Lembre-se. A maneira como nos vestimos ressaltam o valor moral que atribuímos ao nosso corpo diante de Deus. que refletem lascívia e libertinagem imoral. Conclusão: Outros textos poderíamos estudar sobre o tema. Se nos vestimos com decoro.23-24. Se nos vestimos com luxúria as pessoas poderão imaginar que somos licenciosos. Isso é verdade desde que não haja falsidade em nossos corações A escolha não é muito difícil. que é o desejo de pecar. que é agora santificado pela ação do Espírito Santo que em nós habita. que descreve o fato de termos as roupas sempre à mão como sinal de preparo espiritual para o encontro com Jesus. utilizado por Paulo. bem como o nosso senso de preservação da nossa integridade moral. A nossa roupa pode refletir o nosso caráter. e Apocalipse 16.Decoro é recato no comportamento e decência no vestir. Em contrapartida.9-17. O termo traduzido por "traje decoroso". no que diz respeito a nossa vestimenta. ultrapassa a idéia de vestuário simplesmente. e a concupiscência. 18 . Deus exige de nós um comportamento recatado através do qual as pessoas percebam que estamos libertos do desejo de pecar e que fomos restaurados em nossa moralidade. que eram as mesmas vestes que usavam aqui na terra. falarão mais alto do que as suas palavras em meio ao burburinho esganiçado da promiscuidade na qual chafurda a nossa sociedade. ou seja. O jeito como nos vestimos reflete a nossa consciência moral em termos de sexualidade. pois não haverá tempo para trocar de roupa antes de entramos no céu. Deus exige dos seus filhos uma vestimenta decorosa e isenta de qualquer sintoma de luxúria. Luxúria é comportamento desregrado em relação a sexualidade. que reflete a sua compostura moral e espiritual. Apocalipse 7. no original. Nossas roupas indicam se temos maus ou bons costumes morais. por certo as pessoas perceberão que nós nos honramos e que lutamos para nos preservar em santidade diante de Deus. É licenciosidade moral que denota a lascívia.15. do indivíduo. Roupas sobrecarregadas de luxúria e de sensualidade. que é pecado. Está relacionado com a postura que adotamos para a vida. mas creio que já vimos o bastante para estabelecermos parâmetros éticos para a nossa igreja. A luxúria se contrapõe acirradamente ao decoro. em nosso caráter. Ou seja. ou roupa decorosa. O que vestimos mostra o que esperamos que as pessoas pensem de nós em relação a maneira como tratamos a nossa sexualidade. suas roupas. por certo. tais como João 19.

famílias destroçadas. Pois apresenta o evangelho verdadeiro. Este estudo apresenta o evangelho que é a luta por se fazer a vontade de Deus. no trabalho. na igreja. pois em diversas ocasiões manifestamos nossa posição bíblica sobre a questão da vestimenta do cristão. A igreja de Cristo não é o seu lugar. O resultado dessas estratégias diabólicas tem sido a violência sexual contra as crianças. Não só na igreja. mas em casa. Uma vez realizado o estudo. bem como para se subir na plataforma para ministrar o louvor. em todo o lugar onde estivermos e no nosso cotidiano. devem ser estabelecidas algumas regras bíblicas em relação a vestimenta que se usará para a participação e para ministração nos cultos.Talvez você esteja se perguntando: Onde se pretende chegar com este estudo? Ou quem sabe você esta ruminando com os seus botões. Mas devemos tratar destas questões na igreja sim. Por fim. Por isso. pelo Espírito Santo. como já dissemos neste estudo. Não é o pastor que manda. Porém. no cóxi ou no "rego". a gravidez na adolescência. como decorrência. a banalização do adultério. Deus há de restaurar e transformar a consciência de cada um. a aceitação parcimoniosa do divórcio e. Será mesmo que não temos razões que justificam estudar este tema? Vale ressaltar ainda que este estudo. visto que imoralidade. Lógico que cabe ao pastor a ministração da Palavra e a supervisão quanto a obediência aos ensinamentos do Senhor. É Bíblia. o culto ou qualquer outra participação. exploração da sensualidade na vestimenta e o cinicamente chamado nu artístico são ações maléficas do diabo contra a natureza humana e a sociedade. no que diz respeito a utilização do púlpito. decote umbilical. É Palavra de Deus. para declamar. visto que. ao estar na frente para ministrar o culto. embora de cunho ético. de hoje em diante. vamos ao objetivo deste estudo que não é nada que a igreja já não saiba. não podemos fazer o papel do Espírito Santo no convencimento das pessoas. O resultado da imoralidade no vestir é uma sociedade corrompida. que nos quer santos para ele e santificadores pelo testemunho cristão autêntico. sem relativizações éticas e sem a tentativa de se fazer a vontade humana. Se você procura outro evangelho que não o de Jesus Cristo. em fim. nossa oração é para Deus. desigual e agonizante como percebemos a nossa. tomara que caia (que para os mais afoitos devia chamar "pena que não caiu"). promiscuidade. sem ajustes humanos. "Já até sei qual vai ser o resultado disso". lascívia. para qualquer coisa. bateu no estudo errado. na escola. Não importa.. e nem decotes meia-taça que 19 . não se deve permitido blusas de alças (aquelas blusas que só tem as alcinhas e mais nada). é também evangelístico. para cantar. a prostituição desenfreada. pois o pastor não deve se dar ao trabalho de vigiar ninguém. toque em nossas mentes e corações a fim de que mudemos radicalmente a maneira de nos vestirmos. Seria uma bênção se estas normas fossem aplicadas pelos irmãos e irmãs de modo geral. Não nos preocupa nem mesmo o fato de você pensar que este assunto não deveria ser tratado na igreja. como pastores..

Porém. Não importa. muito obrigado. aos críticos.projetam os seios para os olhos incautos dos homens ávidos por aconchego ou mesmo dos desavisados. Diante da igreja. Entre a perversão do modismo e as Escrituras. na genitália ou no traseiro. Seria maravilhoso se num domingo fizéssemos esta fogueira para queimar as roupas das quais o Senhor nos libertou depois de termos estudado a Palavra. Não precisaríamos ouvir críticas ou cobranças por causa de vestimenta. Somos nós que compramos as roupas dos nossos filhos. fazendo a sua vontade. para ministrar o culto ou o louvor. Esperamos no Senhor que este estudo seja suficiente para uma tomada de posição nossa como igreja de Cristo no Brasil. Seja para dirigir programa. Se não compramos. fazer anúncios. tocar. ficamos com a Bíblia. Seja para apresentar visitantes. Diante de Deus e da congregação devemos estar bem trajados. por que estas não são roupas adequadas para se estar na frente da congregação. Somos nós e os nossos filhos que nos vestimos indevidamente. 20 . Não mais se deve permitir o uso de mini-saia. mesmo que para isso tenhamos que fazer uma "fogueira santa" com as roupas que usávamos até sermos exortados na Palavra de Deus. vestidos curtos (daqueles que vão só até a cabeça do fêmur) ou transparentes e translúcidos. expressa na Bíblia Sagrada. ou mesmo roupas esculachadas. Haja unção para olhar e não pecar. que não condizem com o padrão de Deus para a vestimenta do salvo e nem com o testemunho cristão. ficamos com a Bíblia. e que estamos devidamente vestidos para a adoração e em profunda e sincera reverência a Deus. Entre a relativização ética e o Texto Sagrado. modismos exagerados e imorais. micro-saia. Vamos assumir a nossa responsabilidade e corrigir a nossa conduta moral. não se deve permitir mais uma vestimenta indecorosa. e nem com uma calça comprida atarracada no corpo. admitimos que eles comprem ou que usem. demonstrando que não temos mais os temores do pecado quanto a nossa nudez. o estigma de radical ou a renúncia do pastorado. no que diz respeito a vestimenta. Quanto às críticas ao autor e ao estudo. ficamos com a Palavra de Deus. Mesmo que isso nos imponha a impopularidade. em nome de Jesus. para ministrar na presença de Deus. cantar em conjunto ou pregar. cantar... Com roupas deste tipo não se deve participar da ministração. Isto por quê? Porque fomos restaurados por Deus da nossa natureza pecaminosa e porque estamos dispostos a obedecer ao Senhor. diante de Deus. entre a frouxidão moral e Palavra de Deus. Não se deve ir para a igreja com calça de cós baixo (daqueles que ficam no púbis) sem uma blusa ou camiseta que cubra os quadris.

meditar.. há pessoas de diferentes origens. louvamos a Deus em conjunto. Se não somos adoradores. dos pés. W. para que. as tribos do Senhor. o louvor é a nossa resposta ao amor de Deus. a auto-suficiência. com que objetivo? A Casa de Deus É lugar de adoração.Amém. após a salvação. apóstolo: “Escrevo-te estas coisas. 4). coluna e esteio da verdade” (1Tm 3. Porém. Podemos. Parte V “ALEFREI-ME QUANDO ME DISSERAM. porém.. No dizer de Paulo. é mais que qualquer um desses atos.14. fato esquecido hoje em dia por liberais. imaginar as multidões indo à Beth haMikdash (Templo) em Jerusalém. o passo mais importante que o novo crente. tudo leva à adoração. Cantar. e vem hoje ao templo.4) Jesus Cristo ensina que o Senhor busca adoradores (Jô 4. dos lábios que se renderam ao Criador. o crente deve dar é unir-se ao povo de Deus na instituição que Ele estabeleceu para o propósito de lhe trazer crescimento: a igreja local. submissão e pedido de socorro. orar. mesmo. não poderemos trabalhar aceitável e adequadamente pelo reino de Deus. Tozer: “Deus salva os homens para fazê-los adoradores. visto que. Na verdade. a qual é a igreja do Deus vivo. recebemos a Palavra em conjunto. e saímos para servir com um só propósito embora em situações e contextos distintos. no caso de eu tardar. É nesse pensamento que o poeta exclama com tanto entusiasmo. O povo ia ao Templo de Jerusalém. “de romaria” ou “de procissão” em outras traduções). No culto. embora esperando ir ver-te em breve. No culto comunitário..23).1) A tocante. pois o Espírito Santo age através do coração.. crentes com espírito de louvor." Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor” (Sl 122. Está na Palavra Santa: “.aonde sobem as tribos. pela entrega. confessamos nossos pecados em conjunto. edificante experiência de ver o povo de Deus chegando cada manhã ao templo é uma alegria dominicalmente renovada. “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor!” (cf. Há. v. inspiradora. a fim de darem graças ao nome do Senhor” (Sl 122. e cantando à medida que iam se aproximando dos portões da Cidade Santa. raças e 21 . níveis sociais. ou como bem o expressou A. das mãos. no entanto. como testemunho para Israel. Adorar. saibas como se deve proceder na casa de Deus. cultuar é confessar que se mantém um relacionamento com o Criador. seitas e (até) cristãos bíblicos”. a rebeldia pela rendição a Deus.15). É o que diz a nota de explicação do Salmo 122 com a expressão “cântico de degraus” (“gradual” ou “de romagem”. O crente troca a independência. que ser assim. é se deixar inflamar pelo Deus Pai. Assim. pelo Deus Filho e por Deus Espírito Santo.

Há um popular hineto que diz: “Quando estou com o povo de Deus. quando estou com o povo de Deus. tremeu o lugar em que estavam reunidos. “Orai pela paz de Jerusalém” pede o salmista no Salmo 122. a mãos. e a igreja como um todo tocar pelo Espírito de Deus. Deus está presente: “O Senhor está no seu santo templo. e orar. ó Senhor. e todos foram cheios do Espírito Santo. E o Senhor nos responde: “e se o meu povo. Isso nos recorda o ensino bíblico de que é pecado trazer no culto divino e ao serviço do Senhor qualquer coisa que não proceda de uma vida renascida. aí estou eu no meio deles” (Mt 18. ao vir ao culto. alegrei-me quando me disseram: vamos à casa do Senhor!” A casa de Deus é um lugar de oração. e se desviar dos seus maus caminhos. quando o culto termina. de adoração conjunta em perfeito acordo com o que Paulo acentuou em Filipenses 3. são as energias espirituais renovadas.31).. os olhos.3.” É a fé estimulada.1 e Números 3. Todas essas distinções.. faze que ela seja conhecida no meio dos anos. diz o adorador-em-espíritoe-em-verdade. e buscar a minha face. se evaporam no canto congregacional. eu sinto a maior alegria. eterno amor. queremos e pelo qual clamamos. na ira lembra-te da misericórdia” (3. na entrega dos bens e vidas. aquilo que é tão bem expresso na Bênção Apostólica: “A graça do Senhor Jesus Cristo. por que no culto. no entanto. se humilhar. a esperança fortalecidas.6. e o amor de Deus. É o fogo estranho de que fala Levítico 10. muito grave. Não expressa a Escritura. tendo eles orado. se sentis alguma coisa de modo diverso. prezamos. na oração. e anunciavam com intrepidez a palavra de Deus” (At 4.. o despertamento que buscamos. alegrei-me com tudo o que eu sou.20). “Alegrei-me de verdade. no canto coral.20).2). É o senso de conjunto. e traz sério prejuízo espiritual para toda a igreja. “Aviva.” (Hc 2.13). na mesma expectativa quanto à pregação. a mente e o coração. e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós” (2Co 13. a coragem. E.culturas. É o reaquecimento. Irreverência na casa do Senhor é pecado grave. Jesus Cristo está presente: “onde se acham dois ou três reunidos em meu nome. o Espírito Santo está presente: “E. a robustez. que se chama pelo meu nome. Assim. e enriquecida pela comunhão dos irmãos. eu sinto real harmonia. e. Deus também vo-lo revelará”. A dinâmica do culto consiste em deixar-se o crente individualmente. Dominados haveremos de ser por um anseio de uma maior consagração.14).4. vidas são áridas num mundo árido. algo vai acontecer: sua vida será agraciada pela presença de Deus. Por vezes. na leitura bíblica.5: “Pelo que todos quanto somos perfeitos tenhamos este sentimento.. e sararei a sua terra” (2Cr 7. O crente há de compreender que. é ambiente de conseqüente avivamento. pela compreensão do grande. O 22 . então eu ouvirei do céu. O cristão evangélico não “assiste ao culto”: dele participa. “Guarda o teu pé quando fores à casa de Deus” (Ec 5. e perdoarei os seus pecados.1a)? É até possível ampliar a explicação exortando a guardar os ouvidos. surgindo a necessidade de reavivar-se a chama dentro de nós. Habacuque expressou este clamor ao dizer. a tua obra no meio dos anos.

. porque nada vai compensar o culto que você perdeu.. ou ligar a TV e ter a igreja eletrônica com um pregador de estúdio “olhando” para você (?!) da tela fria do televisor. escritos em mau português. cantar. crescer na igreja. a TV. Consiste na obediência. em vez da liturgia (palavrinha boa que significa “o trabalho do leigo”). improvisada. todo culto. Sim.. “Não consigo imaginar como pessoas religiosas podem viver satisfeitas sem a prática da presença de Deus”. como é costume de alguns. É errado chamar a primeira parte do culto de Louvor. É não deixar que a chuva.25). por exemplo.. Algo Prático O cantar. O objetivo é unicamente a glória de Deus. os temores afastados. popularescos. ou realizado tão somente pelo oficiante sem a presença de um auditório. a “axé music” evangélica em vez da calma onde se manifestou o Espírito de Deus a Elias (1Rs 19. pela harmonia ou pelo ritmo. a corrida de automóveis. não abandonando a nossa congregação. Há quem esteja mais interessado no que alguém imaginosamente chamou de LITORGIA. ler e meditar em casa. sem espírito de dependência. com uma teologia que não é bíblica.” (Hb 10. É ato corporativo. a alegria da presença de Deus. Aliás.. “Não deixando as nossas reuniões. A música são as flores do jardim da adoração. na realidade. . as falsas idéias e doutrinas corrigidas. o “trio elétrico” evangélico”. Portanto.12b). o calor. o frio. Negromonte esclarece ainda mais. sem quebrantamento e sem consagração. hinetos e doxologias por corinhos de paladar duvidoso. bíblico.. Não pode haver culto se não há adoração com seriedade. se o louvor é sem reverência. O irmão Lawrence afirmou. como. há quem se interesse pelo barulho em vez do serviço a Deus. o dever de casa. A tradução do Pe. mas não pelo Senhor que é exaltado nos seus versos. A música deve afunilar juntamente com as leituras bíblicas. onde em poucas palavras há um erro crasso de linguagem? O hino deve ser reverente.” É ausentar-se podendo estar presente. os passeios.culto não é um drama encenado para uma platéia de espectadores. a oração e as ofertas para o tema a ser explanado e desenvolvido no sermão. As ausências. não basta a um cristão dizer que pode orar.. o futebol. 23 . o velho e persistente comodismo. a praia..”. trazer o amor de Deus e enfatizar a adoração. sem confiança. sem espírito de cooperação. A palavra de Deus é claríssima sobre esse tema: “consideremo-nos uns aos outros. sem humildade. porque nosso Deus não merece nem tolera isso! Por que substituir os teológica e musicalmente bem escritos hinos. visto que.24. Cuidado com a música de qualquer jeito. “Jesus é a aliança entre você e eu. sem ensaio. O bom hino comunica o amor do Pai. e nada vai comprar as bênçãos divinas. Há quem se interesse pelo som. e a fé revigorada na adoração coletiva. a alegria do culto divino é um sentimento antecipado. ou o turismo eclesiástico nos impeça de vir à própria congregação. e acentuada essa alegria quando compartilhamos a adoração com outros crentes. porque a alegria não é encontrada em cantar certo tipo de música ou viver com certo grupo. e o culto todo é uma tremenda apoteose de louvor. pois é preciso crescer com a igreja. nunca o destaque pessoal.

o louvor.Revelação Geral . quando nos ausentamos da igreja. O que lhes falta é um bom conhecimento do que é Teologia e de suas implicações. louvor. quando se torna um fim em si mesma.etc. É quase certo que aqueles que negam a necessidade da Teologia na vida da Igreja não diriam. quando entramos é fé e esperança. principalmente. Teologia é o estudo de Deus. sim. "é a ciência que trata de Deus em Si mesmo e em relação com a Sua obra" (B. e o terceiro. mas não um ato de culto. Mt 5. se a Igreja pode prescindir do conhecimento de Deus e da Sua obra e ainda ser Igreja de Deus.2. que alguém pode ser cristão sem conhecer a Deus. por isso. Perguntamos se a verdadeira Teologia é necessária à Igreja. Nosso 24 .21).Sl19:1. visto que adorar. o espírito de unidade. Se a adoração não nos levar a maior obediência. pode não ter qualquer uso prático e reduzir-se a mero academicismo. 1 Pd 1:20. é só agitação. ou. Perguntamos.24). por conseguinte. “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor!” Parte VI A IGREJA PRECISA DE TEOLOGIA? Introdução e Conceitos É comum ouvirmos que "a teologia mata a religião" ou que "a Igreja não precisa de teologia e. Não é disto que falamos aqui.B. quando saímos é obediência. Portanto não vos entristeçais.2. a comunidade de fé de você faz parte. de que Ele tem Se revelado tanto por meio de Suas obras (criação e providência . embora não de modo exaustivo e completo. E até a "boa teologia". Se a adoração. At 14:17). Warfield). não recebemos as bênçãos do culto.crescer para a Igreja de Cristo em sua expressão local.23. É porque Deus Se revelou que podemos conhece-Lo. como.Hb1:1. o segundo. quando saímos é amor. Como podemos conhecer a Deus sem estudar a revelação que Ele faz de Si mesmo? Como saber quem Ele é e o que Ele tem feito e faz. se não investigarmos o que Ele deixou revelado para nosso conhecimento? Pois esse é o trabalho da Teologia. Neemias nos inspira: “porque este dia é consagrado ao nosso Senhor. Quando entramos no templo é a expectativa. de vida". adoração (cf. não pode ser chamado culto. não levamos os filhos a crescer e a igreja perde a cooperação.10b). o culto não nos transformar. cultuar é transformarse. pois a alegria do Senhor é a vossa força” (8. Quando deixamos a congregação. perdemos o fervor. nas Santas Escrituras (Revelação Especial . definindo mais formalmente.. E o que é verdadeira Teologia? Como o próprio nome indica. por não se basear em pressupostos de uma hermenêutica bíblica. conscientemente. louvar. Esse trabalho parte de três pressupostos: O primeiro é o de que Deus existe. Serão verdadeiras essas afirmações? Admitimos que há muita coisa por aí levando o nome de "teologia" que não passa de especulação humana. quem somos nós em relação a Ele. o que Ele requer de nós. de que Ele pode ser conhecido.

devidamente aplicada pelo Espírito no coração do crente. Sua ressurreição. e ainda não experimentar as graças ensinadas nas doutrinas que expõe. portanto.. é que assegura essa graça. que vem de uma raiz que significa "ensinar" e pode se referir tanto ao ato de ensinar. que Teologia é o conjunto de verdades extraídas dos ensinos bíblicos a respeito de Deus e de Sua obra. Sua segunda vinda. Sua morte substitutiva. Como viemos a saber que aquele menino que nasceu em Belém é o Filho de Deus? Por que descansamos na eficácia da Sua morte para a expiação dos nossos pecados? Por que sabemos que a Sua ressurreição. propriamente. é "doutrina" ( "didache" ou "didaskalia". Tito 1:2. meio e princípio regulador não é "teologia". A doutrina realmente não salva. a que damos o nome de "doutrina". nem através de um exato entendimento da doutrina da Expiação. e que são apresentadas de modo sistemático. são os grandes fatos que tornam garantida a salvação dos eleitos. mesmo que extraídas corretamente da Bíblia. Mas como sabemos que esses são os fatos? Que sentido teriam esses acontecimentos se não tivessem sido interpretados? É a doutrina que lhes dá sentido. Mas voltemos ao nosso tema. qualquer estudo de Deus que não tiver a Sua revelação como base.T. devidamente entendida.9. Por isso. 2Tim 4:3-4.conhecimento de Deus não é intuitivo. nem natural. Elas se baseiam em duas falsas antíteses: 1. 25 . de modo mais completo agora. A obra de Cristo. Duas são as razões geralmente apresentadas para se dizer que a Igreja não precisa de Teologia. mas comunicado por Ele mesmo através dos meios que soberanamente escolheu. no grego). há dois mil anos atrás. no N. na forma de um corpo de doutrinas. Sua vida de perfeita obediência à Lei. É possível alguém ser "bom teólogo". "Fazer teologia". garante a nossa justificação? É porque esses fatos são todos explicados e interpretados pela doutrina. Seu nascimento sobrenatural. O adjetivo aqui. mas pelo próprio ato expiatório. mas pela própria pessoa de Cristo. como ao conteúdo do que é ensinado (Rm 6:17. não é inventar teorias a respeito de Deus e de Suas obras. nesse sentido. A essa forma ordenada de doutrinas. A primeira é a suposição de que o Cristianismo se baseia em fatos e não em doutrinas Concordamos que nossa salvação não repousa sobre um conjunto de teorias ou idéias. Podemos dizer. Assim entendidas. Não somos salvos através de uma correta teoria a respeito da pessoa de Cristo. dá-se inclusive. mas conhecer e compreender a revelação que Ele próprio deu de Si. Sua ascensão e assentamento à direita do Pai. A palavra "teologia" não ocorre na Bíblia e o termo que lhe é equivalente. etc.1Tm 6:3-4. não altera o conceito de "teologia". nem mesmo "descobrir" a Deus. fica evidente que não há diferença entre Teologia e Doutrina. o nome de "Teologia Sistemática". mas sobre os atos poderosos e eficazes do nosso soberano Deus.).

a criatura toma o seu lugar. Tito 1:9. as emoções. Até chamam a isso de "teologia contemporanizada" ou "contextualizada". gerando a idolatria (devido ao pecado). e habitou entre nós. como lemos em Rm 1:18-32. "Religião é vida e a vida é dinâmica. Ele diz: "A Encarnação é uma doutrina: nenhum olho viu o Filho de Deus descer dos céus e entrar no ventre da virgem. fria. portanto. e não somente que Ele aja. nossa fé é vã e permanecemos ainda em nossos pecados"( Selected Shorter Writings. Não é o acontece quando as pessoas dizem que "a natureza é sábia". mas também 26 . o sentimento religioso do homem. dizem. "A letra mata. 2.Esta não só informa o fato como também dá o seu significado. não em doutrina Por trás dessa afirmação podem estar raízes do conceito filosófico que exalta o misticismo. 2Tm 2:2. Daí dizer-se que para se conhecer a Deus é preciso que Ele fale. desde que mutável. Seria o mesmo que indagar qual das duas pernas é mais importante para o nosso caminhar. portanto. cheio de graça e de verdade" (Jo 1:14). Warfield. e. especialmente nas epístolas. Sem a revelação do Criador. que os fatos só têm sentido quando acompanhados da doutrina. mas pode tornar o homem sábio para a salvação (2Tm 3:15). de igual modo está dando uma interpretação aos fatos da morte e ressurreição de Cristo. argumentam. Isto é o que se vê em toda a Escritura. mas fato sem doutrina é mera história. Quando Paulo afirma que Jesus "foi entregue por causa das nossas transgressões. portanto. não é a doutrina que deve dirigir a vida. A segunda é a suposição de que o Cristianismo consiste em vida. Segundo esse ponto de vista. ou quando a chamam de "mãe natureza"?. está explicando-o também. Ef 4:11). p. sua mensagem (a dos céus) passaria despercebida e eles poderiam até ocupar o lugar do Criador. vol 2. fluente. Sem essa explicação.e ressuscitou por causa da nossa justificação" (Rm 4:25). Nem é pertinente perguntar qual dos dois é mais importante. Quando João diz: "E o Verbo se fez carne. Doutrina sem fato é mito. O Cristianismo. O ensino da doutrina é uma das ênfases da Bíblia (1Tm 3:2. não está apenas apresentando um fato. A doutrina não salva. Aqueles que assim pensam até admitem um certo tipo de doutrina. Concluímos. a doutrina é estática. e que procura eliminar da religião todo apelo ao intelecto. adaptada sempre à dinâmica da vida e conformada às "necessidades" da época e do lugar onde a vida do Cristianismo se manifesta. Podemos hoje entender que "os céus manifestam a glória de Deus" (Sl 19:1) porque o Criador nos tem revelado isso na Sua Palavra. na expressão de B. à razão. A prática (práxis) é colocada acima da doutrina não só em importância. Fato e doutrina se complementam no Cristianismo. não pode ser compatível com o caráter do Cristianismo". consiste em "fatos que são doutrinas e doutrinas que são fatos". mas se isso não for um fato histórico também. pois sem ela não existe verdadeiro Cristianismo. mas esta àquela. 234).B. mas o espírito vivifica". Até mesmo os fatos manifestos na natureza (Revelação Geral) não seriam devidamente compreendidos se não fossem explicados pela Bíblia (Revelação Especial).

ou. O princípio de que "a Igreja reformada deve estar sempre se reformando" visa manter sempre a mesma posição em relação à verdade. Foi a falta da verdadeira doutrina que enfraqueceu a Igreja e a lançou num tradicionalismo vazio e pagão. não alterá-la. depois nos dias de Warfield e dos Hodge e. Concordamos também que Cristianismo é vida. É para que continue sempre sacudindo de si toda tradição e acréscimo humano que não estejam de acordo com os valores fixos e absolutos da palavra de Deus. nos moldes escriturísticos. com base na palavra de Deus. e que sejam facilmente levados "por todo vento de doutrina". nem revelação objetiva. assim. então não haverá verdade absoluta.no tempo: a doutrina passa a ser um produto da vida cristã. não a sua norma. a doutrina é o que menos interessa. falta a alma da verdadeira religião. o meio que o Espírito soberanamente usa para nos fazer conhecer a vontade de Deus e nos levar a praticá-la. que é quem nos 27 .É a doutrina que dá característica à vida. Mas será essa a visão bíblica do Cristianismo? Podemos dizer. Reformar é voltar às origens. que o Cristianismo é vida e não doutrina. É através dela que ficamos sabendo que a vontade de Deus é a nossa santificação e que. no século XVI. não estamos afirmando que apenas a doutrina. para que seja aplicável em todas as épocas. isto sim. Será que aquilo que foi deixado por Paulo e pelos outros apóstolos como doutrina para os seus dias deveria ser mudado nos dias de Agostinho. primeiramente vida. Há até quem interprete assim a célebre divisa: "Igreja reformada sempre se reformando". depois nos dias de Lutero e Calvino. Foi a doutrina bíblica. para dar lugar às manifestações de vida? Não creio que a Bíblia justifique essa posição nem que esses teólogos a tenham entendido assim. Para estes. ao que foi intencionado no princípio por Deus. A doutrina é. produz vida. É ela que nos aponta os meios de graça deixados pelo próprio Senhor. independente da obra santificadora do Espírito. É a correta aplicação da doutrina que produz a verdadeira vida cristã. Não admira que haja tanta "fluidez" e instabilidade entre os que assim pensam. Hb 12:14). depois doutrina? Existe tal antítese? Se essa posição for verdadeira. da "piedade". tão bem exposta pelos reformadores e tão negligenciada pela Igreja. Tudo cairá no campo dos valores relativos e passará a depender do subjetivismo. nem princípio fixo. sem esta. É preciso que sua vida seja moldada na doutrina de Cristo. até os nossos dias. que a trouxe de volta às origens e lhe recuperou a vida. ninguém verá o Senhor ( 1 Ts 4:3. e graças a Deus por isso! Onde a vida não se manifesta. E não há outra forma de se fazer isto a não ser pela doutrina. Mas devemos ou podemos prescindir da doutrina para que essa vida se manifeste? Antes de tudo. Não basta apenas um sentimento religioso para fazer de um homem um cristão. é a verdade de Deus relativa? Depende o seu valor do lugar e da época em que se encontram os homens? Sabemos que esta é a posição atual dos que se denominam pluralistas e esse é o pressuposto básico desta posição. das emoções. Sem dúvida. sucessivamente.

Corpo de Cristo .A primeira referência bíblia sobre a igreja aparece em Mateus 16:18 1. 19:7 28 . porque precisa da doutrina nela contida para dar sentido e expressão aos fatos do Cristianismo e para prover os meios de manifestação da verdadeira vida cristã. Atos 2:1-4 02. 1:22-23 .2 Cor. 1:23 .Ef. onde o fazer a vontade de Deus está ligado ao conhecer a doutrina: "Se alguém quiser fazer a vontade dele.2 . Isso se torna ainda mais claro na oração sacerdotal de Cristo. para depois pervadir todas as áreas do ser e se transformar em manifestações de vida que O agradem e glorifiquem.Ef.Ef. Conclusão Concluímos. Nas epístolas paulinas.1 . CORPO DE CRISTO TEXTO: EFÉSIOS 1:22-23 PROPOSTA: A nossa proposta é a de conhecer o que a Bíblia fala sobre a igreja. 01.Templo do Espírito Santo .O nascimento da Igreja ocorreu n dia de Pentecoste. 2:21-22 . Qual o verdadeiro significado deste termo! Quais as responsabilidades daqueles que dela participam. da razão. em que Ele associa a prática da santificação com a doutrina da Palavra: "Santifica-os na verdade. mas é pela pregação da Palavra que vem a fé que transforma (Rm 10:7) A espada do Espírito é a Palavra (Ef 6:17)."chamados para fora" . a tua palavra é a verdade" (Jo 15 :17) e em João 7:17.santifica (Lv 20:7-8. A NATUREZA E AS FUNÇÕES DA IGREJA COMO CORPO 2. a íntima relação entre doutrina e prática é evidenciada pelo seu método de apresentar primeiro a argumentação teológica (doutrinária) para depois tirar as implicações práticas dela decorrentes (Ex. 11:2.Noiva do Cordeiro . tanto através do púlpito como pelos estudos semanais.1 . Rm 1-11: doutrina. Nossa demonstração de vida pode impressionar as pessoas e despertar nelas certa admiração. 12-16: prática). Ap.No Novo Testamento . que a Igreja precisa da Teologia. Parte VII A IGREJA. o ensino da doutrina é indispensável na Igreja.Outros títulos: .Plenitude de Cristo . A ORIGEM DA IGREJA 1. se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo"."povo de Deus" "Ekklesia" . portanto. O conhecimento de Deus começa pela porta do intelecto. Por isso. conhecerá a respeito da doutrina. Ef 5:26). pela Escola Dominical e por qualquer outro meio disponível.

12:25 .Coluna e Baluarte da verdade .nutrir os demais membros . 4:9 05.1 Cor.Rebanho . 12:28-29 06. 4:16 . Ela se tornou a agência mediante a qual o Senhor manifesta o seu poder. 12:17 .João 10:16 . dos desafios ..instruir seus filhos na Palavra 03.1 Cor.Edifício de Deus .1 Cor. 12:14 . 12:21 .manter a unidade da fé . A FORMAÇÃO A IGREJA . Observe as expressões: "escolheu".Ela é formada pela união de seus membros . da comunhão. "para serem".sustentar os membros .1 Cor.Fil. a sua 29 .1 Cor. 12:25 . 3:15 Parte VIII A IGREJA.reconhecer ministérios .1 Tim.criar unidade no corpo .Exclusividade . "eleita". "conheceu". CORPO DE CRISTO II TEXTO: MATEUS 28:18 PROPOSTA: Este estudo visa mostrar que a mesma autoridade que Jesus recebeu do Pai. SÍMBOLOS BÍBLICOS QUE DESCREVEM A IGREJA .Ef.1 Cor. 12:12 .1 Cor. "para sermos".Diversificação de ministérios . 1 Ped. 1:4. "a fim de".Ef.1 Cor.A Igreja como corpo deve: .Lavoura de Deus .participar do louvor. CARACTERÍSTICAS DO CORPO .Ela tem responsabilidades .1 Cor.1 Cor. 3:9 . AS FUNÇÕES DOS MEMBROS . 04. 2:19 .Individualidade .Harmonia . Rom. foi também delegada a igreja.Santuário de Deus .Colaboração .transmitir ordens .Col.ministrar . 8:29. 3:16 . 2:9. 3:9 .

Mat.Mat. 16:19.5 . A queda de Satanás ocorreu. Mat. só através do sangue de Cristo. 30 . Ela se torna em realidade devido a autoridade que Cristo concedeu à igreja. o pecado. AUTORIDADE E PODER DELEGADOS À IGREJA .Resumo: a igreja não pode morrer.Porta . força o diabo a nos obedecer. enquanto o poder expressa os seus atos! Isaías 40:25-26 Deus pode perdoar aqueles que duvidam de seus feitos. 2.3 .representava a corte. 5:14-15 Diferença entre: "pecado" e "pecados" .Para exercer esta autoridade a igreja precisa estar em perfeita sintonia com o Espírito Santo.Luc. Luc.Autoridade sobre os pecados . AUTORIDADE E PODER A autoridade representa a própria essência de Deus.1 . Satanás não tem medo de uma pessoa que prega a Palavra.Mar. 5:9.esse poder é manifestado através da oração. 2. Ela é eterna. Ele tem medo das pessoas que se submetem a autoridade de Cristo. e. 17:20.graça e autoridade. 20-21-22 .A luta profetizada pôr Jesus: .Igreja x Portas do inferno . o poder do reino do mundo inferior! . Mas. 8:30 . 02. 6:14.4 .Autoridade sobre a natureza .Hades representa o deus que tinha autoridade sobre os mortos! . coletivo. Isaías 14:13-14 Obs. 2. 01. 5:3-5 . e não simplesmente realizar os mesmos feitos de Deus.A igreja como corpo. provocado pela queda do homem.A autoridade da igreja é maior do que o poder do Diabo ."Portas do Hades" . Mat. 1Cor. 2. Esta autoridade não é um exercício individual. toda a autoridade e poder para se tornar uma igreja viva e vitoriosa. recebeu do Senhor Jesus. 10:8 . porque ele desejou ser igual a Deus.Mat.Jesus comandou o espírito que atormentava o jovem e o expulsou. Tg. Mat.Autoridade sobre os espíritos . 2.A igreja pode perdoar os pecados (ofensas) cometidos contra ela.Autoridade para ligar e desligar . A autoridade a nós foi delegada.2 . 10:19. mas retêm o perdão àqueles que menosprezam a sua autoridade. sim. 18:18. Jó 20:23.

Os maiores castigos mencionados na Bíblia ocorreram em razão da desobediência à autoridade delegada pôr Deus.A desobediência de Saul .4 . 1.1 Reis 11 3.2 Samuel 15 3. CORPO DE CRISTO III TEXTO: ROMANOS 12:1-2 PROPÓSITO: A maior necessidade do mundo.Queda de Adão e Eva .A insubmissão de Absalão .Ezequiel 28:13-17 3. 5:12-13. Ilust.2 . 16:15-16. como também da igreja.1 Sam.3. Transformação é o segredo de um organismo vivo.A idolatria de Salomão . servir.6 .A igreja só crescerá quando todos os membros estiverem debaixo do autoridade de Deus delegada aos seus ministros.Gênesis 2 e 3 3. é a necessidade de adaptação ao curso da História.0 . Heb. 1 Cor.1 .AUTORIDADE E A LIDERENÇA DA IGREJA .1 .Rebelião de Nadabe e Abiú .3 . Zac. dar ofertas. 13:17.serviço 1.Obs. 3.Números 16 3. sim. A maior das exigências é que ele obedeça" .não funciona isoladamente.7 .10 . Koinonia . 1 Tes.Queda do querubim da guarda . Diakonia .Gênesis 9:20-27 3. Leon Tolstói: "Todos pensam em mudar a humanidade e ninguém pensa em mudar-se a si mesmo". ou negar-se a si mesmo.CONTESTANDO A AUTORIDADE DELEGADA . e da igreja em se transformarem.A nossa obediência deve ser praticada não em função da pessoa mas da autoridade nela investida. Kerygma . 13:7 Parte IX A IGREJA.Levítico 10:1-2 3.Castigo de Arão e Miriã .A transgressão de Uzias . Não se obedece a homens.Encurtando as distâncias .8 . 15:22-23 .Kerygna .2 Crônicas 26:16 4. Watchamann Nee: "A maior das exigências que Deus faz ao homem não é a de carregar a cruz.Obs.Rebelião de Coré . das pessoas. e. .João 13:12-17 A mensagem .1 Samuel 15 3.5 . à autoridade de Deus que está nesse homem.comunhão c.2 .0 .9 . Esta adaptação só se viabiliza mediante a disposição do mundo.mensagem b. Para que ela produza 31 . das pessoas.A comunicação se processa através de três elementos básicos: a .Rebelião de Cão .Números 12 3.

34:17 .Gal.Disciplina na prática da liberdade .TODA TRANSFORMAÇÃO EXIGE UMA FONTE DE DISCIPLINA PESSOAL .contestação da vontade de Deus .a unidade é a fonte geradora de toda a energia. é necessário que o membro exercite a Koinonia e a Diakonia.quando este princípio é quebrado. .Disciplina na prática do tempo .2 .um espírito de concorrência . .o egoísmo passa a predominar nas relações .Afastamento dos outros membros . 12:15-16 . Um membro não pode inibir a ação do outro.Princípio de Dependência .Disciplina na prática da santidade . a igreja perde a sua função. 9: 24 . Ez. 2.João 8:47 .desvalorização do membro .este princípio visa das a todos os membros a mesma chance de trabalho. quando isso ocorre todo o corpo é prejudicado.1 Cor.1Cor. Ela foi criada para ser o instrumento de Deus na transformação da sociedade. Sem unidade.3 .1 .A igreja precisa ser a autora e não a espectadora no processo de mudanças.2 . de troca a mobilidade e harmonia do corpo. .Disciplina na prática dos hábitos .1 Tim.cada membro tem sua função. João 17:23 3. 0.Princípio da integração .a arrogância quebra a linha de comunicação 2.A falta de oportunidade produz: . Um membro não deve aspirar o lugar do outro.Disciplina na prática de ouvir/falar .Ef.um enfraquecimento de todos os membros . 12:21-22 .Princípio da oportunidade . 5:15-16 .desperdício de forças 2.1Cor.resultados positivos.Disciplina na prática do perdão .Princípio da Unidade .Disciplina na prática da fé .0 .1 Cor.4 . 13:5 .2 Cor. ocorre: .A quebra desse princípio provoca: .Marcos 11:25 . 5:22 Parte X 32 .desequilíbrio em todo o sistema .TRANSFORMANDO A NOSSA RELAÇÃO COM OS OUTROS MEMBROS Este processo de transformação ocorre através da prática de quatro princípios bíblicos. 12:17-18 .um anemiamento espiritual 2. 12:25-26. 3:17 .Col. 5:13 .1Cor.

. Gál. 2:3.cria a união." . 3:12 2. Uma pele ressecada prejudica a respiração do corpo. 1 Ezequiel não só foi levado ao vale de ossos secos. 2:23 b. participação.4 ..A experiência de Neemias .3 ."E sobre vós estenderei pele. É o alimento sólido. 5:11-14 2.Rom. mantém a flexibilidade e resistência do corpo." ." O resultado final de um corpo equilibrado e harmônico é a presença do Espírito Santo agindo em todos os membros. a carne é o elemento do corpo. 01.para comprometer o profeta com o desafio de restauração 1.estimulam. 2. CORPO DE CRISTO IV TEXTO: EZEQUIEL 37:1-14 Autor(a): PR. Heb."E porei em vós o fôlego da vida e vivereis."Farei crescer carne sobre vós. HARMONIZANDO O CORPO O texto de Ezequiel 37:6 nos ensina quatro verdades básicas sobre a harmonia do corpo de Cristo. A distrofia . 2 Cor.17."nervos" .1 . 12:15. 15:2. .1 . Mas a realidade daquele vale ainda é a mesma em nossos dias.para identificar a situação do povo 1. Sentiu os odores daquele ambiente fétido. Fil." .3 . . Col. Ef.A IGREJA. 33 .para mostrar qual o propósito de Deus 02.. 4:22 2.2 . a carne representa unidade. 2:11-15 . O alvo deste estudo é recriar uma nova esperança no coração daqueles que como membros. 1 Cor.2 .Esta convivência foi necessária: 1. mantém a sensibilidade. VANDERLEI FRARI PROPÓSITO: Cerca de 2960 anos nos separam da experiência de Ezequiel junto ao vale de ossos secos. dá sustentação.Ne."tendões" . 8:13-15 c..enferma o corpo! . a carne fala do conhecimento da Palavra.Gên.V.Há três aspectos importantes sobre este elemento: a . fazem parte da Igreja do Senhor Jesus.perturbação da nutrição -prejudica o metabolismo do corpo. Ela funciona também como um filtro. Conviveu com a morte. Rom.a pele é o elemento de proteção.."Porei tendões (nervos) sobre vós. 5:26.hipersensibilidade ... integração . UMA CONVIVÊNCIA DESAGRADÁVEL . Ele andou pôr entre aqueles ossos.. 3:1-2. .

um que precisa de oração". 7:16 2.Prov. Cabe a cada membro do corpo a mesma responsabilidade. 22:6 b. sabedoria como virtude de homem . Dan. 19:18. 9:4-5 2.Ef. se não surgirem homens mais sábios.sabedoria no diálogo . 03.Gên.v. 3. um pobre. Êxodo 18:13-18 a . 26:4. CORPO DE CRISTO V TEXTO: PROVÉRBIOS 4:7 Pôr falta de sabedoria. tem fomentado divisões.5 b.10 d. que Deus fará de membros soltos e sem vida. Ecl. A IMPORTÂNCIA DA SABEDORIA Pôr vivermos em grupos sociais. 3:1-2 2.Is.sabedoria nos negócios .v. 28:29.1 .7 c. a sabedoria torna-se em elemento indispensável em nossos relacionamentos inter .Prov. tem perdido enfim o poder de atuação.COMO SE PROCESSA ESTA RESTAURAÇÃO? Ezequiel foi o instrumento usado pôr Deus para restaurar os ossos secos. e muito menos eletrizante.5 . Jer.4 .v. DEFININDO A SABEDORIA . a igreja tem lutado mais contra si mesma do que contra os verdadeiros adversários.O que profetizar? a . 5:15.(Concílio Vaticano II) 01. que Deus harmonizará o corpo beneficiando assim cada membro em particular v.6 .3 .Sabedoria é saber fazer a coisa certa. 2.Gên. 1:17 c. "Realmente estará em perigo a sorte do mundo.sabedoria nas decisões . O processo de restauração ocorre através da ação profética.sabedoria nas amizades .sabedoria no comportamento .sabedoria em tudo. 1 Pd. 8:12. 41:38..2 .0 . sabedoria como doutrina . O homem sábio é aquele que é capaz de reconhecer um necessitado. 10:12 02. sabedoria como atributo e qualidade de Deus . um grande exército . Moisés nos dá um bom exemplo de falta de sabedoria.Jer. tem usado ignorantemente a armadura de Saul. Não é contrária 34 .14 Parte XI A IGREJA.12-13 e. que Deus derramará o seu Espírito Santo . SABEDORIA. no momento certo.. que Deus pode vivificar o que está morto em nossas vidas .pessoais.v.1 . 41:39 2. e à pessoa certa.Prov. 1 Reis 3:25-28 2. que Deus abrirá as sepulturas e libertará todos os que vivem presos . AGENTE ESPIRITUALIZANTE A sabedoria não é uma virtude isolada.3.

a igreja só será relevante para o mundo e para o Reino. fazendo verdadeira diferença neste mundo com Agência reformadora de Deus.A força de Estevão . Devemos evitar a visão antropocêntrica e buscarmos uma visão horizonal. escrevendo a história da salvação na vida das pessoas e para isto.2 . Efésios 3. é imperioso resgatarmos a relevância da igreja no contexto sociocultural em que trilhamos a jornada da santificação.10. devemos admitir nossa humanidade em sua plenitude mas sempre 35 .Tiago 3:13-18 Resumo: Igreja sábia produz santos verdadeiros! Parte XII A IGREJA QUE FAZ A DIFERENÇA Mateus 26.a verdadeira espiritualidade. A igreja é manifestação de Deus na história. Os anseios e vontades humanas desembocam sempre no hedonismo ou nas guerras cruentas e desumanas. Falar dos objetivos da igreja em contraposição as megatendências da pósmodernidade e o modismo quanto a quebra de paradigmas que resultam na perda da identidade doutrinária. Estivermos preocupados com a vontade do Mestre e não com a nossa própria vontade – (Vs. arrefecendo a autoridade da igreja em sua ação reformadora no mundo.Atos 6:3 3. Romanos 12. A igreja deve interagir na história.4 . vontade ativa. quando. A vontade decisiva e decisória de Deus onde não cabe relativizações ou negociatas. 17).17-30 Introdução A igreja será apenas uma instituição humana se não tiver a visão de Jesus Cristo para o contexto e a realidade histórica na qual está inserida. não andar a reboque da historieta escrita nos alfarrábios desta geração corrompida e perversa.1 . soberana. apenas a submissão. Somos o povo do Deus que é Senhor da história e que se manifesta através da história. Mas amados. 1.3 .1. "Onde queres" – Théleis.A verdadeira busca .. cristocêntrica. É imperativo fazermos diferença no mundo.1 Cor. Não podemos nos contentar em causar impacto na história com os nossos escândalos ou com a nossa inércia contemplativa enquanto o céu não vem. Como Jesus. 12:8 3.Atos 6:8-10 3. Ela é antes de tudo o fiel da balança espiritual.A oferta do Espírito Santo . agradável e perfeita". Só a vontade de Deus para a igreja é "boa. cristológica e cristossímel. 3. do mundanismo que gera a mundanalidade incrustada na igreja pela relativização da ética cristã.Exigência dos apóstolos ..

Da mesma forma. da morte às mão do opressor. Na dispensação da igreja. nossos cultos devem ser verdadeira celebração pela e para salvação em Cristo. Mestre. 3. no sangue da remissão.14-16. Páscoa. Não sabemos quando o Mestre voltará. didáskalos. não à liturgia. e a pregação deve ser levada a efeito "a tempo e fora de tempo". devido a presença do próprio Deus entre nós.2. 2. a Páscoa.orando: "não se faça a minha vontade. A festa. 1 Coríntios 2. é Senhor do tempo e fala com autoridade quanto a brevidade do tempo para a pregação do evangelho. mas a tua". Se quer. diz o Mestre. de festa.1. da graça salvadora. Êxodo 12. Vale ressaltar a expressão "o Mestre diz". era um memorial da libertação do Egito. Se perseguimos palco. como se fossemos senhores do tempo. limitado.14-17. 2 Timóteo 4. Não induz ao radicalismo ou ao êxtase emocional espiritualista esotericamente espiritualizado. alguém que ensina revestido de capacidade. ou se queremos vislumbrar os nossos olhos com feitos pitorescos ou com manifestações pneumotécnicas. Devemos buscar a consciência de que o Senhor está em seu trono de glória para receber de nós um culto "vivo. É imperioso buscarmos a consciência de libertação. eterno. Nossos cultos se tornarem verdadeira celebração ao Cristo vivo. e de celebração. Uma festa alegre e vívida em gratidão pela libertação do pecado que nos é outorgada por Cristo. Jesus. A Igreja não pode postergar a pregação. santo e agradável". 36 . Romanos 12. o tempo é sempre presente. apresentações e números especiais. Estar preparados para adentrarmos com ele em sua glória implica em testemunho e pregação incessantes.42. "Meu tempo está próximo". aqui não é nosso lugar. O texto não prevê sectarismo ou uniformidade. de alegria e satisfação prezeirosa em nossos cultos. O tempo da Deus é kairós. 18). à Denominação ou à Eclesiologia – (Vs. o texto aponta para um denominacionalismo desvairado e promotor de uma nefasta negligência ao que é bíblico em defesa de um hediondo tradicionalismo históricodenominacional. sendo Deus. infinito. Estivermos conscientes da brevidade do tempo da salvação – (Vs. honra e dignidade. 18b e 19). resultado de mentes renovadas em Cristo no entendimento dos mistérios da salvação. é hoje.13. Lucas 22. e não kronos. Mateus 25. mensurado e controlado pelo homem.

e se nos dispomos à perfeita adoração. Retirar-se do culto sem experimentar restauração santificadora. l 37 . 5. admitindo-o apenas como rabi.4. Efésios 2. afirmo que a igreja fará diferença no mundo e resgatará sua relevância e autoridade na pregação quando. Em quinto e último lugar. a fim de que dediquemos nossas vidas em perfeito louvor.. Jeremias.4 e conjugando-nos em só coração. Kírios. Isaías 6. para cobrir e apagar o escrito de culpa que recaia sobre nós. a partir do arrependimento e da confissão sincera diante de nosso Advogado e único mediador. insistindo nos passos de Caim e na decisão diabólica tomada por Judas Iscariotes. para nos reconciliar com Deus. Jesus Cristo. evidenciado na proclamação do evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Paulo e muitos outros indicados no Texto Sagrado. devemos vivenciar íntima comunhão. fazendo-nos um só povo. 28). Se somos igreja. mestre da lei.. No culto verdadeiro Deus sempre manifesta sua glória.14-18 e 1 João 4. 2 Coríntios 5. Somos assolapados pela consciência de pecado que desemboca no arrependimento ou permanecemos insensíveis e nada nos impulsiona à santidade? A expressão do verso 21. denota que Jesus bem sabia das intenções daqueles que o perseguiam.1-8. Somos contristados pela possibilidade de sermos o traidor – (Vs.18 e 19. Colossenses 2.14. não conseguem olhar para Jesus e identificá-lo com Senhor absoluto de todas as coisa. Isaías. O sangue do pacto foi derramado "para a remissão de pecados". Jacó. Muitos. se buscamos relevância para a sociedade. sempre somos levados à contrição e ao arrependimento. para um preconceito satanicamente beatificado pelo denominacionalismo coercitivo. no original. Não divisionismo ou sectarismo autofágico e se quer. Pedro. não podemos permanecer aguilhoados ao pelourinho do pecado e dissociados pelo preconceito que ressalta as idiossincrasias. é constituir-se em traidor. O sangue do pacto promover aliança de compromisso em nós – (Vs. É assombroso que muitos crentes não sintam o sabor amargo de pecado como sentiram Moisés.20. 21 e 22). permanecendo na inércia petrificada do comodismo. Efésios 4. mesmo estando diante de Jesus e sendo desafiados ao arrependimento. Qual a nossa reação diante da expressão "um de vós me trairá". "me entregará". o que não é uma característica da personalidade de Jesus. Como igreja. persistindo na traição. se pretendemos fazer a diferença já em nosso tempo. O sangue que "nos purifica de todo o pecado".32. profetizando um futuro melhor. Atos 4. irmanados em Jesus Cristo.

João 1.8, 2.2 e 1 Timóteo 2.5, nos impõe a comunhão que afaga o coração e acarinha o aflito e o existencialmente desesperançado. Pelo que, a igreja deve retirar-se do templo, após o culto prestado, restaurada, perdoada, transbordando em amor e alegria e amalgamada no sangue de Jesus Cristo. Todo o nosso pecado e preconceito devem ser abandonados aos pés da cruz de Cristo, o Cristo que "é tudo em todos", Colossenses 3.11. Conclusão Amados, é urgente e premente uma reflexão quanto relevância e a atuação da igreja no mundo da globalização e, em especial, aqui em São Paulo. Se não identificamos estas cinco assertivas em nossa expressão cúltica e identidade doutrinária e denominacional, corremos o risco de sermos vitimados por descomunal aridez teológica, eclesiológica e doutrinária. Nos tornaremos insipientes, insignificantes e dispensáveis ao homem que carece de salvação e não de liturgias, eventos sociais ou verdadeiros shows pseudo-espirituais aromatizados com essência de enxofre, não com o hálito do Espírito Santo. Sejamos igreja. Corpo vivo de Cristo. Submissos a ordem do Mestre e conscientes da brevidade do tempo para a salvação. Sejamos igreja que festeja a vitória de Cristo na Cruz e que é contristada pela consciência de pecado. Sejamos igreja santa e poderosa na evangelização para que desfrutemos as benesses do perdão, do amor e da comunhão íntima, expressão inconteste da nossa reconciliação com Deus em Cristo Jesus. Parte XIII A LIDERANÇA CRISTÃ E O DISCIPULADO Creio na liderança cristã e creio no discipulado. Compreendo que a liderança cristã tem o trabalho de despertar e conduzir o ser humano para Deus e para tudo o que de Deus recebeu. Creio numa liderança comprometida com o reino de Deus (cf. Mt 6.33), o que, aliás, é uma qualidade-chave do líder cristão. Uma liderança comprometida é fiel (1Co 4.2), disponível (Lc 9.57-62), receptiva à capacitação, ou seja, ao treinamento (um teste é convidar 12 a 20 pessoas para reuniões de treinamento, e observar quem retorna a partir da segunda reunião. O treinamento, por sinal, já é uma seleção). Descobrir pessoas que possuam potencial é tarefa do líder, e isso com o objetivo de treiná-las de modo a que em dado momento a organização possa funcionar sem ele, líder. É um facilitador no ensino dos novos discípulos e na participação deles no global do processo; é exemplo e ajuda em vez de apenas verbalizar, valoriza a participação dos outros, é paciente e confia no Espírito Santo como conselheiro e auxílio nas dificuldades. Creio na liderança capacitada pelo Espírito de Deus, "carismatizada" para o benefício da Igreja de Cristo, para que todo o edifício bem ajustado cresça para templo santo cuja glória seja unicamente a de Deus, ou como colocou a Bíblia em Português Corrente (edição da Sociedade Bíblica de Portugal, 1993): "É em Cristo 38

que todo o edifício está seguro e cresce até se transformar num templo que honre ao Senhor" (Ef 2.21). Creio também no discipulado cristão, pois é somente observar a ênfase dada por Jesus ao cuidado, carinho, busca e instrução dos que O seguiam. "Discípulo", por sinal, parece ser a palavra favorita de Jesus para aqueles cuja vida estava ligada a dEle. Aparece 269 vezes nos Evangelhos e no livro dos Atos dos Apóstolos. O líder cristão do século 21 não pode esquecer que as condições do discípulo são um daqueles princípios imutáveis, apesar das transformações litúrgicas, administrativas, pelas quais a Igreja de Cristo vem passando através dos séculos. Quem as declara são os Evangelhos: · Transportar a cruz (Lc 14.27). A cruz não é brinquedo, mas instrumento de morte, na qual o eu deve morrer. Ir-para-o-Calvário é um caminho escolhido deliberadamente, visto que a cruz é o símbolo da perseguição, vergonha e abuso que o mundo jogou sobre o Filho de Deus e jogará sobre os que escolhem navegar contra a corrente, o discípulo. · Renúncia (Lc 14.33), que é entrega irrevogável a Jesus Cristo, autonegação, nos termos de Lucas 14.26 e Mateus 16.24. Nosso amor a Jesus e à Sua causa há de ser tão evidente que, em comparação, todos os demais serão diminuídos. Billy Graham afirmou que "a salvação é de graça, mas o discipulado custa tudo o que temos". · Constância (Jo 8.31). É passar a viver em companhia de Jesus, comunhão de destinos com Ele, segui-Lo, permanecer nEle. O verdadeiro discípulo se caracteriza pela estabilidade. · Produção de frutos (Jo 15.8). União frutífera como Senhor (Jo 15.4,5). O líder cristão há de observar os dois aspectos básicos do discipulado em sua própria experiência de vida: a união com Cristo e a dedicação sem reservas, que Jesus Cristo descreveu em termos de videira e ramos (cf. Jo 15.5ss). Em relação ao primeiro aspecto, Paulo usa inúmeras vezes a expressão "em Cristo" para com isso significar que nós estamos nEle e Ele está em nós (Cl 1.27). Por sua vez, Romanos 6.1-12 indica o significado do regime de dedicação exclusiva a Jesus. O alvo do discipulado deve permanecer bem definido na mente do líder cristão: é a semelhança de Cristo em caráter e em serviço. O Espírito Santo dá-nos o caráter de filhos de Deus, e nessa linha de raciocínio, o fruto do Espírito é o retrato desse caráter: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e autodomínio. OIKOS, UM CONCEITO PARA O SÉCULO 21 As grandes cidades, sejam capitais legais, formais ou informais são um centro dominante A característica maior é a concentração de população várias vezes superior à cidade seguinte em importância. Tem primazia política, econômica, acadêmica e cultural (a área metropolitana de Tóquio é maior que a metade da população do Canadá). É também nessa situação que o líder cristão há de exercer o discipulado. 39

São características dos habitantes da urbis: · Um ser solitário. Quem mora na roça vive praticamente num sistema de clã (estilo semita bíblico). Na cidade grande está perdido. · Um ser pobre. Mora em invasão. · Um ser que sonha. Não perdeu essa capacidade. · Um ser que escuta. E a ele muitos "discipuladores" querem falar. OIKOS, UM NOVO VELHO CONCEITO Oikos é o "lar familiar", a esfera de influência. É o sistema social primário composto por aqueles que que são relacionados por laços comuns de família, trabalho e vizinhança. Três são as constantes culturais: o parentesco, a comunidade e a associação: · parentesco são laços de sangue ou de afinidade. · A associação é voluntária com normas, autoridade, mobilização de recursos, e movidas por amizade, sexo, poder, ideais, interesses, prestígio (sindicatos, igrejas, clubes). · A comunidade é determinada pela geografia. Se isso existe hoje, e é uma constante antropológica, existiu nos dias neotestamentários. É o oikos (cf. Michael Green. Evangelização na Igreja Primitiva). Alguns casos são: · a família de Betânia (Jo 12.1-3); · a casa de Cornélio, oficial romano (At 10); · a casa de Lídia (At 16.13-15); · a família do carcereiro de Filipos (At 16.25-34); · a casa de Prisca e Áqüila (Rm 16.3-5); · a casa de Aristóbulo (Rm 16.10); · a casa de Narciso (Rm 16110. Os descrentes têm dois problemas: o de informação (não conhecem a um cristão de verdade), e o de reputação (conhecem um "cristão" que não tem a mente de Cristo).

IMPEDIMENTOS Liderança que não encarna ideais e falta de mobilização do povo de Deus. Falar de liderança é falar de pastores, presbíteros, diáconos, ministros na várias áreas, professores, conselheiros, relatores, etc. Através da história, Deus tem chamado homens e mulheres para abençoar Seu povo. No século 21 muita coisa tem mudado: igrejas querem dinheiro, não poder do 40

Espírito; santuários cheios de pessoas, mas não de poder; animação, mas não renovação. A liderança há de ter visão. A LIDERANÇA E A PALAVRA DE DEUS

A liderança cristã não pode prescindir de utilizar a Bíblia Sagrada como fonte de reflexão, de meditação, de discipulado e caminho de vida. O desenvolvimento do Salmo 119 bem o demonstra. Afinal, a Bíblia se evidencia Palavra de Deus nas profecias e cumprimentos, em mostrar o ser humano em sua realidade e pelos seus efeitos na vida do homem que é transformado em discípulo de Jesus Cristo. Por essa razão, há o líder de nela meditar (Sl 1.1,2), de nela viver (v.3) e conhecêla para crescer em graça (v.3). OMO A PALAVRA DE DEUS TEM SIDO DESAFIADA A proposta de um evangelho para o Terceiro Milênio. Exemplo típico deste desafio à Escritura Sagrada e o seu ensinamento é o feito por Huáscar Terra do Valle em seu Tratado de Teologia Profana. No capítulo em que trata de "Além do Bem e do Mal", Valle explica que a moral do judaísmo se resume na expressão "Olho por olho, dente por dente", buscando provar com tal exposição que o Deus dos hebreus, é mau e vingativo. Javé é colocado no mesmo nível de Marduque dos babilônios, de Baal dos fenícios e outros deuses semitas. Civilizado é, no seu entender, o Zoroastrismo que prega a eterna luta entre o bem e o mal (Ormuz e Arimã) e a presença de Mitra, encarregado de ajudar o ser humano a lutar pelo bem. Chega esse pensador à conclusão que a figura de Deus vem do fundo do inconsciente, referindo-se ao comando instintivo dos genes. Há uma tremenda carga emocional que inspira profundo respeito e é codificada para o entendimento do consciente como Deus onipotente, criador, etc. Expressão dessa carga emocional é o misticismo. Religião, diz ele, é uma adoração da própria raça, que são os genes, ou na figura de Deus ou na imagem dos ancestrais. Pecado é a desobediência aos mandamentos dos genes, sendo, a rigor, um conceito tribal. A proposta de uma nova moral. Tratando-se de uma nova moral para o Terceiro Milênio, não se pode negar a sobrevivência do mais apto, ou seja, daquele que soubesse compatibilizar os interesses do indivíduo com os da sociedade. As religiões nada fizeram para melhorar os padrões de moralidade da sociedade como um todo, visto que vivem confinadas em suas próprias doutrinas, e consideram os elementos de outras 41

religiões como gentios ou pagãos. A nova moral, como a nova religião, tem que ser universal excluindo apenas um grupo, os fanáticos. A idéia de Deus não é indispensável para um comportamento moral. A proposta é a de um código de ética baseado na ciência, pois a Astronomia mostra a insignificância do ser humano no universo; a Biologia, a Genética, a Teoria da Evolução e a Sociobiologia de mostram que o ser humano não foi criado à semelhança de Deus, e sim do macaco e de outros animais. Valle declara não acreditar em outra vida, por isso o céu deve ser procurado nesta, evitando, também que a vida se transforme em um inferno. O destino do ser humano é entregar aos descendentes os genes que recebeu dos antepassados, o que o transforma em uma máquina de sobrevivência apenas. Igreja É a prostituição da religião. A verdadeira religião consiste em agir desinteressadamente, visando ao bem da coletividade, e não, entre outras coisas, citar a Bíblia, fazer sermões de duvidosa sinceridade, ou pagar o imposto do céu (o dízimo). Por isso, prescinde de Deus. O sentimento religioso pode ser transmitido de várias maneiras, sobressaindo-se a música, que é emoção pura. O arrebatamento religioso poderá vir por meio dela. É PRECISO... Resgatar o senso da soberania e majestade de Deus. Ou seja, um conceito adequado de Deus e da sua doutrina. Porque homens e mulheres levaram Deus a sério, foram escolhidos para altas missões (Gn 6.9; 7.1; 12.1-3; Is 6.1ss); tiveram visões (2Rs 6.17; Ez 1); foram mães de grandes homens (1Sm 1.1ss; Jz 13.2,3; Lc 1.1ss). Deus não é algo, uma força ou uma influência. Mas, ensina a Escritura e a nossa própria experiência, uma Pessoa com quem podemos manter comunhão. O Nome e o toque de Deus. O Deus à minha imagem e semelhança: o Deus Papai Noel, o Deus da Arte, o Deus-que-me-obedece, o Deus utilitário. Quem é Deus? É o Deus único (Is 45.22; Dt 6.4); é o Deus que está presente (Ez 48.35); é o Deus Vivo, Santo e Verdadeiro. Resgatar o senso da messianidade e da obra de Jesus Cristo. A doutrina de Cristo, no Cristianismo, dá significado a todas as outras (Revelação, o Ser Humano, Igreja, Escatologia, etc.) Uma pergunta tão antiga quanto o evangelho é "Quem dizem os homens que eu sou?" (Lc 9.18,19). * "O Homem Perfeito" * "O Homem Ideal", modelo dos outros * "A mais bela alma que jamais existiu" (Auguste Sabatier, filósofo francês) * "Curvo-me diante de Jesus Cristo como diante da revelação divina do princípio supremo da moralidade" (Goethe) 42

KNUTSON. 1966. Senhor. Verbo ou Palavra. Confederação Evangélica do Brasil. O que se deve entender por missões cristãs? Quais são a natureza e os objetivos da missão da igreja? Evidentemente essas perguntas podem receber uma grande variedade de respostas a partir de diferentes pressupostos e compromissos teológicos.M. e penetrante e apta. BROWN. CHRISTIAN. é a mais alta regra da vida. 349 p.82 p. Stephen. John. a mais destacada e a mais virtuosa. O propósito da Bíblia Sagrada e dos seus registros: para que homens e mulheres venham a crer (Jo 20. Nashville. Christianity Close to life. SP. Sola Fide. 1998.12). e RAHM. 1973. Convention Press. Huáscar Terra do. Rita. Ele criou o mundo das almas puras. Trad. SP. A Caruso SNOWDEN. Livros sugeridos BLANCHARD.* "Um grande mestre" * "(Jesus com) seu perfeito idealismo. Tratado de Teologia Profana. C. Edinburgh. Lavonn D. 1976. Um modo de reconhecer os atributos de Jesus Cristo é examinar os seus títulos no Novo Testamento: Jesus ("Salvação do Senhor"). Waco. etc. 128 p. Haroldo. 1980. Loyola. 1978. Quem é Jesus Cristo? Rio. LAMEGO. Collins." (Ernest Renan) * "(foi Jesus quem) pôs à luz. El Estandarte de la Verdad. pela primeira vez. Blauch. NEILL. Resgatar o valor da Escritura Sagrada como norma de vida Os estandartes da Reforma: Sola Gratia. Aceptado por Dios. Pedro faz a confissão de fé evangélica ao dizer "o Cristo.. L. J. VALLE. 57 p. Glasgow.. A Palavra de Deus é viva e eficaz (Hb 4. o valor de cada alma humana e ninguém pode desfazer o que ele fez" (Harnack). Uma antiga abordagem foi o debate em torno de 43 .R. Alfa Ômega. Eu Sou Quem Sou. o Filho do Deus Vivo" (Mt 16. 1974. Parte XIV A MISSÃO DA IGREJA Na confrontação com a opressão espiritual Uma das questões mais cruciais da missiologia é a definição do próprio conceito de missão.2. His Only Son Our Lord.W. Maria J. 1961.31) e os crentes cresçam (1Pe 2. Shaping your Faith. Trad.16). Augsburg. Cristo ("Ungido"). Word. Sola Scriptura. Minneapolis.3). Truths that Make a Difference. Kent S.

é um teólogo. Robert E. Ele tem um profundo conhecimento da situação religiosa. realizada em Edimburgo em 1910. diaconia e outros conceitos. Concluiremos o estudo acrescentando algumas de nossas próprias convicções a respeito do tema em questão. tem estado em diálogo constante com representantes de grupos e movimentos importantes do cristianismo latinoamericano e mundial. Speer (1867-1947). Diferentes autores do século XX têm procurado expressar a missão da igreja em termos de desenvolvimento. mas também sumamente importante para a igreja e para os cristãos individuais. políticas. iremos fornecer algumas informações biográficas sobre Samuel Escobar. esse estímulo ocorreu às avessas. sociais e econômicas da América Latina. na amplitude de suas necessidades e relacionamentos. uma vez que somente foram convidadas para a conferência as sociedades missionárias que atuavam entre povos não-cristãos. finalmente. a missão da igreja na sociedade. ou seja. A seguir.evangelização e “civilização. presença cristã.”1 Hoje é mais comum falar-se em evangelismo e responsabilidade social. diálogo interreligioso. evangélico. Durante a conferência. tendo trabalhado em vários países como pastor e missionário.2 Todavia. contextual e sensível às complexas realidades espirituais. Criticando os modelos missionários reducionistas ou dicotômicos. tem sido um líder respeitado em círculos missiológicos e teológicos. escritor e orador extremamente articulado e criativo. Como pode a igreja ser o que deve ser e fazer o que deve fazer se não tiver uma clara compreensão acerca do seu propósito na sociedade e no mundo? O objetivo deste estudo é abordar o tema a partir da perspectiva de Samuel Escobar. justiça e paz. ANTECEDENTES A reflexão sistemática e abrangente sobre o trabalho missionário protestante na América Latina foi desencadeada pela célebre Conferência Missionária Mundial. I. Escobar tem defendido um conceito de missão que é ao mesmo tempo bíblico. sendo admitidas apenas as missões que trabalhavam entre as tribos pagãs desse continente. um dos mais destacados missiólogos evangélicos contemporâneos da América Latina. social e política da América Latina. fazer um apanhado dos principais movimentos de que tem participado e apresentar alguns dos principais temas e ênfases da sua reflexão missiológica. o que o coloca numa posição privilegiada para falar a uma audiência mais ampla e levar ao primeiro mundo uma valiosa perspectiva do terceiro mundo acerca de missões. 44 . Nossa análise começa com um retrospecto histórico da discussão missiológica protestante na América Latina. o secretário executivo da Junta de Missões Estrangeiras da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos. por vários anos ele tem sido professor em instituições teológicas norte-americanas. Certamente este é um assunto controvertido. ele propõe um programa que implica em levar o evangelho integral ao ser humano integral.3 Isso excluiu a América Latina do âmbito daquele encontro. Ao longo dos anos. A escolha de Escobar justifica-se por várias razões.

Uruguai. reunido no Panamá em fevereiro de 1916.5 Na realidade. Aqui. em 1929 reuniu-se em Havana o Congresso Evangélico Hispano-Americano. Uma segunda série de encontros do protestantismo latino-americano foi representada por três Conferências Evangélicas continentais: CELA I (Buenos Aires. antes que um encontro de líderes protestantes latino-americanos. Dos 230 delegados oficiais. denominado Congresso de Ação Cristã na América do Sul. a CCLA patrocinou o Congresso de Ação Cristã na América Latina. 1961) e CELA III (Buenos Aires. em março de 1913. O primeiro. embora a participação de latino-americanos tenha sido maior (o pastor presbiteriano brasileiro Erasmo Braga foi eleito presidente do congresso).4 Essa conferência criou a Comissão de Cooperação na América Latina (CCLA). apenas 21 eram latino-americanos natos. O protestantismo ecumênico das CELAs recebia a influência do protestantismo histórico declinante do hemisfério norte. suas metas principais foram a evangelização das classes cultas. 1969). Como resultado desses entendimentos. o congresso foi inteiramente organizado e conduzido por latinoamericanos e as ênfases recaíram sobre a nacionalização e o auto-sustento das igrejas evangélicas. Mais especificamente. o maior encontro das forças protestantes desse continente realizado até aquela data. Por outro lado. o Congresso do Panamá revelou duas ênfases que se tornariam problemáticas para os evangélicos latino-americanos: uma atitude simpática para com a Igreja Católica e uma forte influência do “evangelho social. missões.” Como resultado do encontro do Panamá. reuniu-se em Montevidéu. Por sua vez. tendo como presidente o próprio Robert Speer e como secretário executivo Samuel Guy Inman. CELA II (Lima. em 1925. O Congresso mostrou a necessidade de maior cooperação em áreas como educação religiosa. que rapidamente tornavam-se minoritárias no contexto geral do protestantismo da América Latina. Desta feita. Finalmente. realizou-se em Nova York. o desejo de dar uma dimensão social ao trabalho missionário na América Latina e o esforço em promover a unidade protestante. os norte-americanos ficaram a cargo da organização e presidiram todas as comissões.7 Essas conferências estavam ligadas às denominações históricas. a unificação da educação teológica através de seminários unidos. presidido pelo metodista mexicano Gonzalo Baez-Camargo. sob os auspícios da Conferência de Missões Estrangeiras da América do Norte. nos anos seguintes realizaram-se dois congressos missionários regionais.6 Mesmo assim. o evento produziu a primeira discussão séria do protestantismo latino-americano e estimulou a criação de órgãos cooperativos regionais em vários países. literatura e formação teológica. 1949). buscava aproximar-se do catolicismo 45 .convidou vários delegados interessados na América Latina a se reunirem informalmente para discutir como essa lacuna poderia ser suprida. o Congresso do Panamá foi uma reunião de representantes de juntas missionárias estrangeiras. uma conferência sobre missões na América Latina.

9 Uma característica desse protestantismo ecumênico era o crescente declínio do seu ímpeto evangelizador. União Latino-Americana de Juventudes Evangélicas – depois. na América Latina. O CLADE IV deverá realizar-se em setembro do ano 2000 no Equador. Agência de Serviços Ecumênicos Latino-Americanos (ASEL). Colômbia. 1969). buscássemos uma teologia da encarnação que estabelecesse as pautas para um diálogo com a situação de sofrimento e opressão que se vivia em toda a América Latina.10 O primeiro CLADE foi organizado pela Associação Evangelística Billy Graham. sendo evangélicos. tendo como órgão o periódico Cristianismo e Sociedade. Em 1972. esse congresso teve duas marcas distintivas: Manifestou com clareza que. os protestantes haviam criado a organização Igreja e Sociedade na América Latina (ISAL). Ecumênicas (ULAJE). O CLADE I permitiu que líderes preocupados em relacionar a fé evangélica com a realidade latino-americana compartilhassem as suas inquietações. Do seio desse protestantismo majoritário surgiu o impulso para os Congressos LatinoAmericanos de Evangelização. Naquela ocasião e naquele contexto. somos e queremos ser latino-americanos.8 Anos antes. em contraste com a vitalidade das igrejas vinculadas a missões independentes ou ao movimento pentecostal. Para Valdir Steuernagel. 1979) e CLADE III (Quito. Alguns organismos importantes são ou foram os seguintes: Movimento Estudantil Cristão (MEC). no ano anterior. convocado pela revista evangélica Christianity Today. E. que constituem a terceira das séries mencionadas acima: CLADE I (Bogotá. em 1962. reunida em Medellín.11 Foi no CLADE I que se articulou a criação da Fraternidade Teológica Latino46 . 1966). Peru. como evangélicos. que mantinham o seu vigor evangelístico apesar das debilidades da sua teologia. que eventualmente identificou-se com a célebre “teologia da libertação. CLADE II (Lima. realizado em Santiago do Chile. após uma consulta realizada em Huampaní. o protestantismo ecumênico latino-americano criou várias estruturas paraeclesiásticas com o fim de promover os seus objetivos. sob o impulso do Congresso Mundial de Evangelização (Berlim. em 1968. as duas correntes teológicas puseram-se em contato no I Congresso Latino-Americano de Cristãos pelo Socialismo. somos e queremos ser evangélicos. Coordenadoria de Projetos Ecumênicos (COPEC) e Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI). 1992).posterior ao Concílio Vaticano II (1962-1965) e procurava responder à difícil situação social do continente com uma teologia radical.” A teologia da libertação adquiriu notoriedade no âmbito católico romano com a segunda assembléia da Conferência Episcopal Latino-Americana (CELAM). Ao lado das Conferências Evangélicas continentais (CELAs) e do ISAL. tornava-se urgente que. Ela tornou-se o centro de convergência dos teólogos protestantes da libertação. Comissão Evangélica Latino-Americana de Educação Cristã (CELADEC).

o Peru.D.18 Ele também leciona sobre missões em seu país natal.) na Universidade Complutense de Madri e eventualmente trabalhou como secretário da Fraternidade Cristã Universitária (Inter-Varsity Christian Fellowship) do Canadá. missionários e pensadores evangélicos. Samuel Escobar é presidente das Sociedades Bíblicas Unidas e professor titular de missiologia no Seminário Teológico Batista do Leste. Ela é também mais representativa do protestantismo popular da América Latina que a sua congênere ecumênica. Em 1956.16 Escobar foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Fraternidade Teológica Latino-Americana (1970-1984) e de 1979 a 1985 ocupou o cargo de secretário geral da Fraternidade Internacional de Estudantes Evangélicos. organizada no ano seguinte em Cochabamba. em Filadélfia. mas ao mesmo tempo preocupou-se em abordar a questão de uma perspectiva que entendia ser mais bíblica e equilibrada. Escobar assim expressou os objetivos da Fraternidade: Desde o primeiro momento. visitando praticamente todos os países da América Latina. 47 .14 II. em Lima. DADOS BIOGRÁFICOS E ESCRITOS Samuel Escobar nasceu no Peru e freqüentou uma escola missionária inglesa em Arequipa. Nas décadas de 1960 e 1970. com sede em Toronto. Ele trabalhou como missionário entre estudantes universitários na Argentina e no Brasil15 e foi diretor da Comunidade Evangélica Kairós.13 A Fraternidade procurou estar tão consciente da problemática social latino-americana quanto o grupo ISAL. ele e outros teólogos latino-americanos tornaram-se bem conhecidos em círculos evangélicos e ecumênicos internacionais através de sua participação em importantes conferências. secundário e superior. Em 1959 Escobar tornou-se o secretário itinerante da Fraternidade Internacional de Estudantes Evangélicos (International Fellowship of Evangelical Students) — representada no Brasil pela Aliança Bíblica Universitária —. ele fez o curso de doutorado em filosofia (Ph. dentro do marco evangélico de uma lealdade comum à autoridade bíblica e à fé evangélica como base da reflexão e de um compromisso ativo com o cumprimento da missão cristã. Entre os seus participantes mais destacados e influentes está o líder que é o enfoque principal deste artigo — Samuel Escobar. após o que dedicou-se ao ensino nos níveis primário. Bolívia. a FTL procurou ser uma plataforma de encontro e diálogo teológico da qual participassem pastores.12 Por sua vez. inclusive o que irá realizar-se no ano 2000. tendo Pedro Savage como seu primeiro secretário e Samuel Escobar como seu primeiro presidente. em Buenos Aires.Americana. Alguns anos depois. tendo participado de muitas de suas consultas ao redor do mundo.17 Atualmente. há muitos anos ele é membro da Comissão Teológica da Fraternidade Evangélica Mundial (World Evangelical Fellowship). Além disso. Estados Unidos. ele recebeu o seu grau de mestre em artes e educação na Universidade de São Marcos. a Fraternidade Teológica Latino-Americana convocou os CLADEs posteriores.

“La Presencia Protestante en America Latina: Conflicto de Interpretaciones. “The Search for a Missiological Christology in Latin America. Finalmente. 1991). seus numerosos artigos têm aparecido em renomados periódicos como Evangelical Missions Quarterly. 1990). “The Role of Translation in Developing Indigenous Theologies: A Latin American View. “Recruitment of Students for Mission” (Missiology. “Missions and Renewal in Latin American Catholicism” (Missiology. Estratégia e Teologia de Missões.” em New Face of the Church in Latin America: Between Tradition and Change (1994). com C.” em Bible Translation and the Spread of the Church (1990).” em The Good News of the Kingdom (1993). International Bulletin of Missionary Research.” em Historia y Misión: Revisión de Perspectivas (1994). “The Church in Latin America after Five Hundred Years” e “Conflict of Interpretations of Popular Protestantism.” em Emerging Voices in Global Christian Theology (1994). com John Driver). 1992). “Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological Christology” (Missiology. Quien es Cristo Hoy? (1970. 1989).” em Let the Earth Hear His Voice (1974). Transformation. “A Pauline Paradigm of Mission: A Latin American Reading. “The Elements of Style in Crafting New International Mission Leaders” (EMQ.” em Missiological Education for the Twenty-First Century (1996). “Mission in Latin America: An Evangelical Pespective” (Missiology. Uma vez mais. entre outros. 1982). Paulo Freire: Una Pedagogia Latinoamericana (1993). Christian Mission and Social Justice (1978.” em Toward the Twenty-First Century in Christian Mission (1993). Liberation Themes in Reformational Perspective (1989). 1970). 1986). “From Lausanne 1974 to Manilla 1989: The Pilgrimage of Urban Mission” (Urban Mission. René Padilla). La Fe Evangelica y las Teologías de la Liberación (1987). Evangelical Review of Theology. “Latin America. Alguns títulos representativos podem dar-nos uma idéia de seus temas prediletos: “Social Concern and World Evangelism. “A Movement Divided: Three Approaches to World Evangelization Stand in Tension with One Another” (Transformation. os próprios títulos de alguns artigos representativos dão uma clara idéia dos principais temas com os quais Escobar tem trabalhado ao longo dos anos: “The Social Responsibility of the Church in Latin America” (EMQ. “Transformation in Ayacucho: From Violence to Peace and Hope” (Transformation. 1987). entre outros. “Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America” (IBMR.” em Is Revolution Change? (1972). Evangelio y Realidad Social (1988). Decadencia da la Religión (1972). “The Social Impact of the Gospel. Um dos seus livros mais recentes é Desafios da Igreja na América Latina: História. “Has McGavran´s Missiology Been Devoured by a Lion?” (Missiology. 1991).” em Christ the Liberator (1971).”19 em The Role of NGOs: Charity and Empowerment (1997). Irrupción Juvenil (1978). “500 Years after Columbus: Requiem 48 . Justice and Fulfillment. Missiology e International Review of Mission. “Evangelism and Man´s Search for Freedom. publicado em 1998 pela Editora Ultimato. 1992). “The Training of Missiologists for a Latin American Context. Escobar também escreveu diversos ensaios que foram publicados como capítulos de livros.Samuel Escobar é autor de vários livros sobre teologia e missiologia: Diálogo entre Cristo y Marx (1967). “Religion and Social Change at the Grass Roots in Latin America. 1987).

tanto católica quanto protestante. mostram o interesse de Deus por todas as necessidades humanas. pastores. “The Legacy of John Alexander Mackay” (IBMR. especialmente através dos movimentos de que participou a partir da década de 1960. REFLEXÃO TEOLÓGICA E ENVOLVIMENTOS Samuel Escobar identifica-se como um evangélico. ajudam a entender as preocupações reveladas pelos títulos dos seus escritos. 1994). violência política. Escobar considera sua tarefa articular essa missiologia holística e inspirar outras pessoas — estudantes. os evangélicos começaram a constituir uma comunidade verdadeiramente global com uma visão abrangente de missões. 1993). 1994). e a igreja deve partilhar desse interesse de Deus. especialmente em um contexto de pobreza e sofrimento. O evangelho tem implicações sociais e políticas revolucionárias que não podem ser omitidas. Para ele. golpes militares. sendo bastante crítico da sua teologia/ideologia. líder de movimentos estudantis. Como pastor. especialmente entre 1948 e 1975. Escobar e alguns colegas sentiram que não era suficiente pregar um evangelho puramente espiritual. professor e teólogo. III. 1992). Escobar tem um profundo interesse em missões. Por outro lado.21 Isto significa. 1998). em meados da década de 60. Rodger C. evangélica conservadora e católica. Bassham descreve o desenvolvimento das teologias de missão ecumênica. ele está longe de partilhar das idéias e compromissos do fundamentalismo. 1992). em particular depois de 1966. “A Missiological Approach to Latin American Protestantism” (IRM.20 As influências recebidas por Escobar. “Missions´ New World Order: The Twenty-First Century Calls for us to Give up our Nineteenth-Century Models for Worldwide Ministry” (Christianity Today. Sua identidade latino-americana também é essencial para a reflexão e os envolvimentos teológicos de Escobar. Conseqüentemente. A igreja deve proclamar Jesus Cristo como Salvador e Senhor porque os seres humanos carecem tanto de reconciliação com Deus quanto de dignidade e integridade em sua vida neste mundo. Tendo vivido em um período de grande turbulência na história latino-americana.or Te Deum?” (EMQ. a mensagem bíblica em geral. marcado por injustiça e opressão generalizada. leigos e líderes cristãos — a compartilhar essa visão. “Beyond Liberation Theology: A Review Article” (Themelios. como indivíduos e como membros da sociedade. Para ele. “The Whole Gospel for the Whole World from Latin America” (Transformation. e os ensinos e o ministério de Jesus em particular. ele sempre interessou-se pela missão da igreja. Em seu livro Mission Theology. regimes ditatoriais e caos sócioeconômico. o ano em que eles patrocinaram duas grandes conferências mundiais sobre missões e 49 . por um lado. o evangelho tem relevância para a totalidade da vida. Ele observa que. que ele não tem nenhuma conexão particular com as correntes da teologia da libertação que foram e ainda são uma expressão importante da teologia latinoamericana.

1974). diversidade de perspectivas e profundidade de análise jamais alcançado anteriormente em uma assembléia evangélica. Estados Unidos.”26 Uma das grandes influências nas deliberações do congresso veio através das contribuições de oradores do terceiro mundo. 1966) – a primeira grande reunião mundial de evangélicos no século XX – também estimulou congressos regionais de evangelização em vários continentes.24 Na convenção de 1970. Bassham observa que “as apresentações e discussões de Lausanne mostraram um espírito de abertura. e capazes de atuar eficazmente em seu contexto local. Ele exortou os missionários a superar a mentalidade paternalista.25 No entanto. o principal forum internacional em que se ouviu a voz de Escobar foi o Congresso Internacional de Evangelização Mundial (Lausanne. positiva e consistente. Para Bassham. a luta em torno da relação entre evangelização e ação social. Escobar foi ouvido pela primeira vez por grandes audiências internacionais nas convenções da Fraternidade Cristã Universitária realizadas em Urbana.”23 Em todos esses acontecimentos importantes houve uma decidida participação de teólogos latino-americanos. dotadas de uma liderança nacional bem-treinada. imperialista e colonialista. Bassham identifica vários desdobramentos importantes: os primórdios de uma teologia evangélica de missão altamente representativa (a Declaração de Wheaton). Escobar estava entre os muitos líderes do terceiro mundo que falaram enfaticamente em prol das igrejas nativas. nos anos 60. O Congresso Mundial de Evangelização (Berlim. Samuel Escobar estando entre eles. à medida que evangélicos de todo o mundo começaram a empreender juntos uma análise da situação enfrentada por aqueles que estavam envolvidos com missões e evangelismo em todos os continentes. No Congresso Mundial de Evangelização (Berlim. Nesse contexto.evangelização. que evocou manifestações de opinião de toda a comunidade evangélica. a fim de permitir o surgimento de igrejas nativas alicerçadas na fé. Escobar falaria apaixonadamente sobre a necessidade de se estabelecer uma relação entre as preocupações sociais e a evangelização mundial. o forte impacto do conceito de “crescimento da igreja” sobre a teologia evangélica de missões. 50 . 1974). e o crescente número de vozes evangélicas provenientes de fora da América do Norte. Estes por sua vez contribuíram para o Congresso Internacional de Evangelização Mundial (Lausanne.22 Os congressos de Wheaton e Berlim marcaram um novo estágio na emergência de uma identidade evangélica. O impacto de líderes como Samuel Escobar e C. Ele e outros oradores da América Latina desafiaram os evangélicos norte-americanos a reconhecer a necessidade de promover justiça social e reformas políticas como parte dos seus deveres como cristãos. à medida que os participantes se debatiam com as questões da teologia de missão no mundo contemporâneo. 1966). o Pacto de Lausanne demonstra que “os evangélicos desenvolveram uma teologia de missão amadurecida.

Ao contrário. classe. referindo-se com isso ao ministério e à missão total da igreja. Também aqui manifestamos o nosso arrependimento. devemos rejeitar a falsa noção de que a preocupação com as implicações sociais do evangelho e as dimensões sociais do testemunho cristão resultam de uma falsa doutrina ou de uma ausência de convicção evangélica. cultura. Embora a reconciliação com o ser humano não seja o mesmo que a reconciliação com Deus. nem a ação social seja evangelismo. foi de especial importância. do discipulado cristão e da renovação da igreja. econômicos e políticos —. nem a libertação política seja salvação. demonstrando que o evangelismo bíblico é inseparável da responsabilidade social. Oradores latino-americanos como René Padilla. De uma vez por todas..27 Muitas vezes durante o congresso os participantes afirmaram ter um interesse profundo e permanente pela ação social em favor dos pobres e necessitados. Enquanto que a orientação teológica de Lausanne permaneceu firmemente evangélica.” o Pacto de Lausanne declara: Afirmamos que Deus é tanto o Criador como o Juiz de todos os homens. Orlando Costas e Samuel Escobar proferiram as declarações mais fortes no sentido de que a preocupação com as necessidades sociais da humanidade e o envolvimento com as mesmas é uma parte necessária do testemunho e da responsabilidade dos cristãos em favor do mundo. através do grupo de Discipulado Radical. todavia afirmamos que tanto a evangelização como o envolvimento socio-político são parte do nosso dever cristão. Em seu capítulo sobre a “Responsabilidade Social Cristã.René Padilla. Portanto. Bassham cita as seguintes afirmações de Escobar: Uma espiritualidade sem discipulado nos aspectos diários da vida — sociais. acentuando a autoridade da Bíblia. e não explorada. é religiosidade e não cristianismo. tanto pela nossa negligência quanto por às vezes termos considerado a evangelização e a preocupação social como mutuamente exclusivas. cor.28 No âmbito continental. sexo ou idade. Samuel Escobar teve uma importante participação no 51 . toda pessoa. até mesmo ao ponto de se esforçarem pela mudança das estruturas sociais. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus. tem uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida. ela também produziu algumas mudanças bemdefinidas na teologia evangélica de missões. Lausanne abordou o tema abrangente da evangelização mundial. devemos partilhar da sua preocupação com a justiça e a reconciliação em toda a sociedade humana e com a libertação dos homens de todo tipo de opressão. religião. O Pacto de Lausanne foi muito além das declarações evangélicas tradicionais. a singularidade de Cristo e a necessidade da evangelização.. não importa qual seja a sua raça. é o interesse pela integridade do Evangelho que nos motiva a acentuarmos a sua dimensão social.

” Os participantes afirmaram que “o exemplo de Cristo devia ser encarnado na crítica situação latino-americana de subdesenvolvimento. é levar às suas últimas conseqüências os ensinos a respeito de Deus. evangélicos. do homem e do mundo. Apesar das diferenças existentes entre os dois movimentos. é uma evangelização defeituosa. Sustentamos que uma evangelização que não toma conhecimento dos problemas sociais e que não anuncia a salvação e a soberania de Cristo dentro do contexto no qual vivem os que ouvem. Naquele ano. essa terceira busca tem assumido várias formas. que formam a base desse Evangelho. pelo contrário. planejado em resposta a pedidos de delegados latino-americanos presentes no Congresso de Berlim.29 Dentre os 28 discursos principais. injustiça.30 Escobar afirmou a certa altura: Existe base suficiente na história da Igreja e nos ensinamentos da Palavra de Deus para afirmar categoricamente que a preocupação pelo aspecto social do testemunho evangélico no mundo não é um abandono das verdades fundamentais do Evangelho. de uma expressão mais autêntica de unidade cristã no empreendimento missionário e de uma reflexão missiológica mais séria e profunda. 1969). Orlando Costas comenta que 1969 foi para os protestantes o que 1968 havia sido para os católicos (II Conferência Episcopal Latino-Americana. em Buenos Aires. violência e desespero. a sua apresentação sobre a responsabilidade social da igreja recebeu a atenção mais entusiástica.”34 Ele argumenta que os evangélicos latino-americanos escolheram o Pacto de Lausanne como uma expressão do seu consenso doutrinário básico e do seu claro compromisso com um modelo de missão integral e bíblico. René Padilla. Escobar menciona duas outras 52 . os protestantes latino-americanos realizaram ainda outra grande conferência – a Conferência Evangélica LatinoAmericana (CELA III).35 Em um capítulo sobre a América Latina que escreveu para o livro Toward the Twenty-First Century in Christian Mission (1993)..33 O próprio Escobar acha que o seu modelo pode ser melhor descrito como “holístico. Colômbia). que afirmou: “É chegada a hora de nós. levarmos a sério a nossa responsabilidade social. que envia o evangelista. além do CLADE I. que trai o ensino bíblico e não segue o modelo proposto por Cristo.”32 se os cristãos quisessem testemunhar fielmente em seu contexto sócio-cultural. Em sua opinião.. fome. de Jesus Cristo. entre outros. uma das quais é o modelo ético-missiológico — missão da perspectiva de questões éticas — articulado por.31 Essa ênfase achou lugar na Declaração Evangélica de Bogotá.Primeiro Congresso Latino-Americano de Evangelização (CLADE I. Ele argumentou eloqüentemente que tanto a evangelização quanto a ação social são necessárias para o testemunho cristão. em Medellín. Costa vê nos documentos de ambos os eventos a emergência de novas tendências missiológicas caracterizadas por um tríplice interesse: a busca de um entendimento histórico de missões. Bogotá. Samuel Escobar e C. três anos antes.

do marketing e das relações públicas?41 53 . porque Jesus Cristo é Senhor. Uma delas foi o Primeiro Congresso Missionário Latino-Americano (Curitiba.”36 Todavia.” que McGavran faz. Eles não procurariam estabelecer prioridades nesses termos. que poderá nunca chegar.40 O que Escobar questiona é se uma pessoa pode realmente evangelizar anunciando a Cristo como Salvador e então deixar a questão do senhorio de Cristo sobre toda a criação para uma segunda etapa. e essa singularidade de Jesus Cristo é essencial para a mensagem da igreja. injustiça e idolatria ideológica. inclusive a clamorosa realidade de pobreza que circundava o próprio local em que se reuniram os delegados.39 Em resposta a um artigo de McGavran.38 Ele acha que a base desse questionamento tem sido o compromisso claro com a tarefa de missões e evangelização. pois operavam com uma noção bíblica holística do ser humano. a igreja nunca deve perder o seu senso de missão e do seu chamado para proclamar a Jesus Cristo como Salvador e Senhor. iniciado por Donald McGavran em 1960. Escobar argumenta que o grande dilema para o qual a missiologia deve estar alerta é diferente: A obra missionária será realizada segundo o modelo de Jesus e a prática apostólica. ou irá adotar as técnicas e padrões da sociologia funcionalista. como evangélico. Reagindo contra o triunfalismo fácil das estatísticas e a tirania do controle de dados. O que o movimento do Crescimento da Igreja necessita é o corretivo de uma sólida teologia bíblica. Ele preocupa-se com a “missiologia gerencial” que dá ênfase à proclamação verbal e ao crescimento numérico de adesões à igreja como o principal componente das missões cristãs. Escobar é um crítico rigoroso do movimento do Crescimento da Igreja. testemunha-se o surgimento de uma nova teologia contextual que conclama à “integridade” da missão e procura associar o zelo evangelístico com a paixão holística. Segundo. Escobar afirma que. mas também o esforço consciente de executar essa tarefa segundo moldes bíblicos. ambas realizadas no Brasil. cujo pacto manteve a ênfase de Lausanne sobre a preocupação social como parte da missão da igreja: “Assim como no passado o chamado de Jesus Cristo e da sua missão foi um chamado para cruzar fronteiras geográficas. São Paulo. hoje o Senhor está nos chamando para cruzarmos as fronteiras da desigualdade. Assim sendo.conferências missionárias latino-americanas. 1987) deixou de abordar conceitos básicos do entendimento de missões. 1976). ele concorda integralmente com dois pontos do apelo de McGavran: primeiro. somente em seu nome há salvação para a humanidade. Ele observa que os grandes missionários dos primeiros 1800 anos da igreja dificilmente fariam a distinção entre “espiritual” (evangelização) e “o resto. Escobar acredita que o êxito do avanço protestante na América Latina deve ser interpretado fazendo-se perguntas sérias sobre o seu dinamismo transformador e a sua contribuição para a justiça nas relações sociais.37 Por essa razão. ele lamenta o fato de que o Congresso Missionário Ibero-Americano (COMIBAM.

e a religião oficial uma força opressora. mobiliza as pessoas para a missão e cria um senso de comunidade. no início das missões protestantes na América Latina. alcançar dignidade humana e sobreviver ao impacto das forças anômicas que atuam nas grandes cidades. é um movimento popular. Com relação ao primeiro. Ele observa como. Escobar e os seus colegas da Fraternidade Teológica Latino-Americana têm refletido sobre o Jesus dos 54 . essas igrejas estão oferecendo não somente um abrigo ou refúgio no sentido mais limitado.45 A Teologia da Libertação confronta a missiologia evangélica com dois desafios. Escobar reafirma a ênfase evangélica na centralidade da Escritura e questiona a abordagem fortemente ideológica da interpretação bíblica demonstrada pelos teólogos da libertação.”46 Na área da hermenêutica. um na área da consciência histórica e o outro na da hermenêutica. alguém que tem procurado ser um crítico e intérprete amoroso – um crítico severo em alguns pontos – do lado de dentro. A missiologia evangélica deve avaliá-la. Ele admite que a hermenêutica evangélica necessitar ser constantemente purificada de pressuposições ideológicas. mas a única maneira disponível de encontrar aceitação social.44 Em décadas recentes."43 Ele observa que alguns pentecostais latino-americanos também escolheram o Pacto de Lausanne como expressão do seu compromisso com um modelo de missão holístico e bíblico. ele admite que a missiologia evangélica está aprendendo a encarar a história missionária com uma atitude menos ingênua e mais madura. por outro lado ele não sente entusiasmo pela Teologia da Libertação. a Teologia da Libertação foi uma das conseqüências desse processo. ele aborda esse movimento na qualidade de “um observador-participante. Ele admite: “Nós não mais podemos aceitar uma missiologia que recusa-se a levar a sério as realidades políticas e sociais. por um lado. enfatize “o discipulado cristão como algo que implica em colocar a totalidade da vida debaixo do senhorio de Jesus Cristo. Escobar diverge da escola do Crescimento da Igreja. à medida que a Igreja Católica Romana latino-americana buscou nova relevância social e política. o evangelho era a verdadeira força libertadora nas vidas dos latino-americanos.”47 Contra o Cristo “docético” do catolicismo latino-americano tradicional. Se. Escobar vê com apreciação o dinamismo e o crescimento do protestantismo popular (pentecostalismo) na América Latina. e apela a uma genuína cristologia missiológica que.”42 Ele destaca várias lições missiológicas que podem ser extraídas do impressionante crescimento do pentecostalismo latinoamericano: é um movimento religioso (e não social ou político).Compreensivelmente. Escobar entende que a Teologia da Libertação é uma voz eloqüente que procura reinterpretar a história cristã e a mensagem cristã. nas palavras de René Padilla. Escobar declara que "para as massas em transição. embora Escobar considere inadequadas a análise marxista e a “escatologia” da Teologia da Libertação. Como evangélico.

Escobar identifica essa reflexão missiológica que está vindo não só da América Latina. suas formas contextualizadas de culto e ação missionária e o destaque 55 . Nesse sentido. como uma missiologia crítica da periferia. mencionada no início deste trabalho. as igrejas dos pobres. O material bíblico é abordado a partir de várias perspectivas possuidoras de significado missiológico. ele argumenta que “nosso programa de treinamento na América Latina precisa ser elaborado com base em convicções bíblicas. Em um artigo sobre a preparação de líderes de missões. Escobar gostaria de ouvir as igrejas norte-americanas dizerem: “Vamos descobrir o que Deus está fazendo em outras partes do mundo. Essa reflexão inclui uma crítica do cristianismo evangélico na América Latina. há uma busca do significado e da “integridade” do evangelho — Jesus Cristo é tanto o conteúdo quanto o modelo e o alvo da proclamação do evangelho. Escobar observa que a internacionalização das missões cristãs implica em reconhecer que Deus tem levantado igrejas grandes e florescentes no terceiro mundo. Deus está despertando uma nova força missionária. com o entendimento de que ser seu discípulo é ser chamado por ele tanto para conhecê-lo quanto para participar da sua missão. Escobar cita novamente seu amigo René Padilla: “(O evangelicalismo) afirma o poder transformador de Cristo em relação ao indivíduo. Inicialmente. e como ele o está fazendo. tanto individual quanto social. terceiro mundo) pudessem convergir em um movimento mais articulado e cooperativo para enfrentar a tarefa missionária do terceiro milênio. sobre como a sua obra e ensino são relevantes para todas as áreas da vida. mas é totalmente incapaz de relacionar o Evangelho com a ética social e a vida social. crescimento da igreja. ele destaca a importância do treinamento de missionários e missiólogos para o contexto latino-americano. Ele observa que tal missiologia “é caracterizada por uma forte ênfase hermenêutica que insiste na importância de ler o mundo e ler a Palavra. mas também da África e da Ásia.”48 Essa missiologia cristológica busca um novo modelo para inspirar e moldar a ação missionária. consciência histórica e preocupação pastoral. Nessas igrejas do hemisfério sul.”49 Ele argumenta que seria grandemente desejável para a globalização das missões e da teologia evangélica se as diferentes correntes missiológicas do evangelicalismo (européias.”51 Mais uma vez ele expressa o seu entusiasmo pelo protestantismo popular (pentecostalismo) devido a sua ênfase na mobilização dos leigos. especialmente nas fronteiras de missão. Há também uma preocupação quanto às marcas da missão de Jesus.evangelhos.”50 Em sua obra publicada recentemente em português. e vamos unirnos aos nossos irmãos e irmãs a fim de completarmos a tarefa inacabada. experiência de vida. Há uma séria reflexão acerca daquilo que os evangelhos dizem sobre a pessoa e a obra de Jesus de Nazaré. Além disso. Escobar aborda em cinco ensaios algumas de suas preocupações mais fundamentais. mesmo que essa leitura signifique um exame incômodo e sério da herança evangélica.

Nos escritos do grande reformador. Escobar tende a superestimar os valores positivos das igrejas 56 .53 Finalmente. e conclui com uma análise do modelo missionário de Paulo. Ele entende que “os evangélicos latino-americanos necessitam de um impulso renovado do Espírito Santo e de uma leitura nova e contextual da Palavra de Deus. ao lado da sua anterior ênfase cristocêntrica. Ásia e América Latina). falta de uma eclesiologia clara e atitudes sectárias. a partir da sua própria comunidade local. Na realidade. seja em seus comentários. que vai além da experiência religiosa pessoal para incluir a comunidade e o mundo. Sua biografia e envolvimentos revelam uma conexão preponderante com a tradição anabatista. Ainda que isso não deixe de ser importante. sermões ou nas Institutas. Escobar alerta os cristãos evangélicos para a necessidade de um constante processo de encarnação e contextualização que rejeita toda e qualquer forma de paternalismo e discriminação. cartas. a dar uma grande ênfase ao papel do Espírito Santo nas missões cristãs. Não obstante. Não precisamos concordar com tudo o que Samuel Escobar tem escrito. alguns pontos da sua missiologia merecem reparos.54 Historicamente. uma vez que está filiado à Igreja Menonita. Escobar reconhece que. Após salientar o “fator novo” na história do cristianismo que é a transferência do dinamismo missionário para o hemisfério sul (África. vemos uma preocupação constante com as implicações sociais e comunitárias do Evangelho. os reformados têm acentuado um conceito abrangente acerca da missão da igreja. REFLEXÕES FINAIS Samuel Escobar não se identifica como um reformado ou calvinista. com sua ênfase na conversão de indivíduos ao evangelho. ele aponta que os evangélicos latino-americanos têm maior afinidade com os pietistas. elas enfrentam os riscos do excesso de individualismo. como a sua ênfase quase que exclusiva sobre as massas empobrecidas da América Latina como objeto da ação missionária da igreja. morávios e avivalistas dos séculos XVIII e XIX do que com os reformadores do século XVI. fato que tem sido amplamente documentado por diversos pesquisadores. o nosso continente testemunha o crescimento cada mais acentuado de uma classe média significativa que também deve ser alvo do interesse da igreja. Para superar esses problemas ele novamente propõe o modelo de missão integral. espírito de competição. Ele encarece a necessidade de uma espiritualidade profunda aliada a uma preocupação igualmente intensa com as exigências éticas do evangelho.dado ao ministério do Espírito Santo e ao elemento de conflito espiritual relacionado com a missão da igreja. Isso tem levado Escobar. muito embora as suas práticas nem sempre tenham correspondido às suas convicções. em anos recentes. Ao lado disso.”52 Ao mesmo tempo que expressa sua admiração pelas igrejas populares. algumas de suas suas ênfases certamente contariam com o aval de João Calvino e de muitos dos seus seguidores. com sua notável interação entre reflexão e ação missionária.

tendo como alvo a conversão individual. manifestou o interesse de Deus por todos os tipos de pessoas e pela pessoa integral. a atitude e as ações de Deus em relação ao mundo. as disputas teológicas tão bem exemplificadas pela controvérsia modernistafundamentalista nos Estados Unidos. ideológicas e sociais. quando. Jesus Cristo. Infelizmente. em seu ministério terreno. do combate ao alcoolismo e de tantas outras causas nobres. optaram decididamente por atividades de cunho social. evangélica e igualmente radical em suas implicações. dando pouca atenção a alguns sérios problemas apresentados pelas mesmas. coerência e clareza sobre a necessidade de um entendimento abrangente da tarefa da igreja no mundo. Não obstante. 57 . Num período conturbado da história recente da América Latina. devemos levar a sério os desafios desses líderes. as igrejas e cristãos individuais estavam na vanguarda de movimentos em prol da extinção do tráfico negreiro. Ao mesmo tempo que enviavam pregadores do evangelho para todos os quadrantes do mundo. Escobar e seus colegas têm algo importante a dizer às igrejas evangélicas históricas da América Latina e do Brasil. na Europa e nos Estados Unidos. muitos cristãos aderiram à agenda revolucionária da Teologia da Libertação. quando nosso continente foi sacudido por profundas convulsões políticas. Tal ocorrência seria um retrocesso histórico lastimável. Como Escobar destaca. Basta lembrarmos o intenso esforço de missões e de reforma social gerado pelos grandes despertamentos dos séculos XVIII e XIX. que falam com convicção. da abolição da escravatura. como é caso de alguns recentes movimentos neopentecostais. notadamente nas áreas doutrinária e ética. que realmente correm o risco de tornar-se irrelevantes na sociedade caso não despertem para algumas dolorosas realidades que existem ao seu redor. da reforma das prisões. no início deste século. produziram a concepção dicotômica da missão da igreja que hoje observamos. Eles demonstraram que as igrejas podem permanecer fiéis às suas convicções históricas e ao mesmo tempo adotar uma postura ousada e coerente em relação aos problemas sociais. ao passo que os liberais. Os conservadores em grande parte aferraram-se à idéia de que a missão exclusiva da igreja é a evangelização. como agente e instrumento de Deus. Como cristãos brasileiros preocupados tanto com a missão da igreja quanto com as difíceis realidades sócio-econômicas de nosso país. pois que a igreja cristã em geral e as igrejas evangélicas de modo particular têm uma longa e honrosa tradição de “missão integral” ao mundo. da luta contra o trabalho infantil. poucos afeitos à pregação do evangelho. especialmente como reveladas no seu Filho. Isso foi ilustrado de maneira extraordinária por Jesus. A Bíblia fala de um Deus que toma a iniciativa. que quer dar vida e dignidade à sua criação. Samuel Escobar e seus companheiros da Fraternidade Teológica LatinoAmericana fizeram um esforço sério no sentido de apresentar uma alternativa a essa teologia que fosse bíblica.populares. são o nosso grande paradigma de missão. que busca a humanidade com amor e compaixão.

esses sublimes ideais nem sempre encontram plena expressão nas vidas diárias dos cristãos e das igrejas.O Cristo do Novo Testamento interessa-se por todas as necessidades humanas — espirituais. ela também precisa expressar o interesse de Deus por toda a vida e espelhar a atitude daquele que disse: “Eu vinham para que tenham vida. Essa mensagem. Oldham. À medida que a igreja evangeliza. vamos concentrar os nossos esforços no que é primordial – a evangelização – e as outras preocupações cuidarão de si mesmas. se vivida até as suas últimas conseqüências. É para essas implicações mais amplas do evangelho e da missão da igreja que cristãos comprometidos e inquiridores como Samuel Escobar chamam a nossa atenção. eds. John R. estatísticas e resultados rápidos não deve cegar a igreja para a integridade da missão. as famílias e as comunidades à reconciliação e nova vida em Jesus Cristo – certamente é básica e essencial. Evidentemente. Hutchison. com uma contribuição e uma mensagem singular.” A igreja não deve ser reduzida a uma organização social ou a um grupo de pressão política como tantos que existem na sociedade. a evangelização – convidar os indivíduos.21s). necessariamente fará com que a igreja enfrente as diferentes situações que afetam a vida humana neste mundo caído.. o propósito total de Deus para a humanidade e para a comunidade redimida.: O presente estudo é uma versão ampliada do artigo “Samuel Escobar e a Missão Integral da Igreja: Uma Perspectiva Latino-Americana.” em A History of the Ecumenical Movement: 1517-1948. Todavia. Obs. Jesus lutou e morreu na cruz. muitas vezes. Neill. eram provenientes do movimento cristão de estudantes. a esse respeito. Ruth Rouse e Stephen C. 1987). praticidade ou. Por causa do seu forte senso de missão. a preocupação com prioridades. o importante livro de William R. e a tenham em abundância. Speer. físicas e emocionais. 3ª ed. a sua mensagem e ações desafiam todas as áreas da vida particular e coletiva. Inevitavelmente é levantada a questão das prioridades: uma vez que não podemos fazer tudo que Deus espera que façamos. O reino de Deus e seus novos valores devem ser manifestos em todos os tipos de relacionamentos humanos. A Conferência de Edimburgo é considerada o berço do moderno movimento ecumênico. Ela é uma instituição singular. Latourette. Desde uma perspectiva evangélica. Seus líderes. Ele instruiu os seus seguidores a continuarem a sua obra de proclamação do reino (Jo 20. Tudo deve ser colocado debaixo do propósito e do senhorio de Deus. Mott e Robert E. “Ecumenical Bearings of the Missionary Movement and the International Missionary Council.” publicado em Vox Scripturae 8/1 (Julho 1998): 95-111. 353-402 (Genebra: World 58 . como Joseph H. Ver Kenneth S. Ver. Errand to the World: American Protestant Thought and Foreign Missions (Chicago: The University of Chicago Press.

até Manaus. entre outros. John Kessler e Wilton M. Em 1959 e 1960 percorri como evangelista e discipulador um bom número de centros universitários. o próprio Escobar afirma em uma obra recente: “Desde a minha primeira visita ao Brasil. trabalhei como missionário na frente estudantil. “Los ‘CLADEs’ y la Misión de la Iglesia.” Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). 59 . enquanto que todos os CLADEs ocorreram nos países andinos. Ver Samuel Escobar. Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). Núnez e o brasileiro Valdir Steuernagel. Hogg. Entre os latino-americanos presentes no congresso estavam apenas três brasileiros. 1986). 35. Henrique Dussel e Leonardo Boff. os presbiterianos Eduardo Carlos Pereira. Daí o subtítulo utilizado: “Para considerar os problemas missionários relativos ao mundo não-cristão. Citado por Tito Paredes em “Visión Histórica de los ‘CLADEs’. o órgão cooperativo correspondente ao CLAI é a Confraternidade de Evangélicos da América Latina (CONELA). 13. Dali percorri o Norte e o Nordeste. René Padilla. até chegar a São Paulo. Os próprios locais dessas conferências e congressos são reveladores. entre 1962 e 1964. Emílio A. Ecumenical Foundations: A History of the International Missionary Council and its Nineteenth-Century Background (Nova York: Harper and Brothers. como jovem delegado peruano a um congresso mundial da juventude batista. Tito Paredes. Escobar. José Porfirio Miranda. autor de Uma Teologia da Libertação (1971).” Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). apaixonei-me por esse imenso país. nos primeiros anos da Aliança Bíblica Universitária. especial (Novembro 1978): 521. sexo. Outros nomes importantes no campo católico são Juan Luis Segundo. um velho Catalina da Panair. Hugo Assmann. Entre os evangélicos conservadores. metade das inscrições é reservada para participantes pentecostais. na selva peruana. onde. de Iquitos. “Los ‘CLADEs’ y la Misión de la Iglesia. Rolando Gutiérrez. Das três CELAs.Council of Churches. Outros membros bem conhecidos da Fraternidade Teológica são C.” Pastoralia 1/2. Álvaro Reis e Erasmo Braga. “Panamá 1916 y su Impacto sobre el Protestantismo Latinoamericano. em 1953. duas realizaram-se na cosmopolita e culta Buenos Aires. Sobre a sua relação com o Brasil.” 22. 1952). Erasmo eventualmente tornou-se o secretário da Comissão Brasileira de Cooperação. entidade que promoveu o maior esforço cooperativo até hoje empreendido pelas igrejas evangélicas brasileiras e foi precursora da Confederação Evangélica do Brasil. no campo protestante destacaram-se José Miguez Bonino e Rubem Alves. Cheguei de avião. 131-32.” Samuel Escobar. Neste último aspecto. com seus enormes problemas sociais e suas dinâmicas igrejas populares. 20. Jon Sobrino. Nelson. O historiador Sidney Rooy identifica uma seqüência de três séries ou ciclos de encontros do protestantismo latino-americano. Um dos primeiros e mais importantes articuladores dessa teologia foi o sacerdote peruano Gustavo Gutiérrez. identidade étnica e filiação eclesiástica. ed.” William R. Os critérios de seleção procuram ser os mais abrangentes possíveis em termos de faixas etárias dos participantes.

Mais recentemente. 11. que tentam unificar todos os evangelicais. como ocorre nos Estados Unidos. o termo “evangélico” tem sido virtualmente sinônimo de “protestante. Por exemplo.” Evangelical Review of Theology 7. esta é a tradução dos títulos dos artigos de Escobar: “A responsabilidade social da igreja na América Latina”. realizada em Seul. Por força de suas ocupações. “Transformação em Ayacucho: da violência à paz e esperança”. “Um movimento dividido: três abordagens da evangelização mundial permanecem em tensão entre si”. “A Latin American Critique of Latin American Theology. nº 1 (abril 1983): 48-62. David Bosch menciona pelo menos seis tipos básicos: (1) novos evangelicais (como Billy Graham).” Como no Brasil. Também publicado em Annals of the American Academy of Political & Social Science 554 (Nov 1997). publicou os trabalhos apresentados nessa consulta. Por exemplo. ele foi editor de Certeza. uma revista para estudantes universitários. Ver Samuel Escobar. A revista Evangelical Review of Theology. 1997). “Missões e renovação no catolicismo latino-americano”. publicado na Argentina.” Escobar também leciona no curso de Administração do Eastern College. na Coréia do Sul.Desafios da Igreja na América Latina: História. “Além da teologia da libertação: artigo-resenha” e “Uma abordagem missiológica do protestantismo latino-americano. “A missiologia de McGavran foi devorada por um leão?”. “500 anos após Colombo: Requiem ou Te Deum?”. Seu papel principal é ajudar os estudantes a considerar as missões cristãs no contexto da justiça econômica. Para os leitores não familiarizados com o inglês. Valdir Steuernagel e Rodrigo Zapata. “O evangelho inteiro para o mundo inteiro a partir da América Latina”. culturais e tecnológicos. MG: Editora Ultimato. Pedro Arana. “Além da teologia da libertação: missiologia evangélica na América Latina”. Escobar participou de uma conferência sobre economia e missões promovida pelo Concílio de Ministérios Internacionais das igrejas menonitas norteamericanas. Estratégia e Teologia de Missões (Viçosa. “Elementos de estilo na formação de novos líderes missionários internacionais”. em 1982 Escobar participou da Consulta de Teólogos do Terceiro Mundo. “A nova ordem mundial das missões: o século XXI nos conclama a abandonarmos nossos modelos de ministério mundial procedentes do século XIX”. Segundo o Mennonite Brethren Herald. um deles escrito por Escobar e três colegas latinoamericanos. (2) evangelicais separatistas 60 . “o missiologista Samuel Escobar disse que um conceito holístico de missão conclama os cristãos a compartilhar tanto a vida espiritual quanto recursos materiais e a utilizar instrumentos espirituais. “Missão na América Latina: uma perspectiva evangélica”. historicamente. “O legado de John A. Escobar também foi responsável por vários periódicos.” os estudiosos estão utilizado o anglicismo “evangelical” para designar especificamente os evangélicos conservadores. “O recrutamento de estudantes para missões”. “Teologia evangélica na América Latina: o desenvolvimento de uma cristologia missiológica”. “De Lausanne 1974 até Manilla 1989: a peregrinação da missão urbana”. em distinção dos progressistas ou liberais. um órgão de exposição do pensamento evangélico. Mackay”. órgão oficial da referida Comissão Teológica. e diretor de Pensamiento Cristiano. em nível de pós-gradução. em março de 1998.

. Samuel Escobar. Mission Theology: 1948-1975 – Years of Worldwide Creative Tension – Ecumenical. Evangelical. 295. O COMIBAM deu uma forte ênfase à segunda vinda de Cristo. Michigan: Urbanus. James M. Ver Samuel Escobar. Tópicos do Momento 3 (São Paulo: Vida Nova. os delegados colocaram-se de pé e demonstraram a sua aprovação aplaudindo-o entusiasticamente. The Lausanne Covenant: An Exposition and Commentary (Minneapolis: World Wide. “completo”). Ver Internet. que recebeu 920 delegados de 25 países. Ibid. Rodger C. René Padilla e Orlando Costas). Conn e Samuel F... 1975). 1993). Samuel Escobar. Escobar. 244. “Has McGavran´s Missiology been Devoured by a Lion?” Missiology 17 (Julho 1989). 22.” em Toward the Twenty-First Century in Mission.com. 187. 291. (3) evangelicais por confissão (como Peter Beyerhaus). A palestra foi publicada na íntegra por Edições Vida Nova. Ibid.” em Pensamiento Cristiano 93 (Março 1978): 170-175. 262.” em Missions and Theological Education in World Perspective. 133. tratamento ou divisão em partes. Samuel Escobar. “Latin America. 237. A medicina holística. Festo Kivengere e Arthur Glasser). “Missiology in Contemporary Latin America: A Survey. ed. Desafios da Igreja. Ibid. Ibid. “Mission in Latin America. Um bom exemplo das idéias de Escobar acerca da evangelização pode ser encontrado no seu artigo “Vivir y Evangelizar. John Stott.. 25. procura tratar tanto a mente como o corpo. “Holístico. 350. “Mission in Latin America: An Evangelical Perspective. Bassham.html.” a instabilidade 61 . Esse congresso foi o berço da Fraternidade Teológica Latino-Americana. 104. denota o que diz respeito a totalidades ou sistemas completos. (4) evangelicais pentecostais e carismáticos.. Ibid.(como Carl McIntire e o seu Concílio Internacional de Igrejas Cristãs). Escobar.. em contraste com a análise. (5) evangelicais radicais (como Samuel Escobar. Quando Escobar concluiu sua palestra.homenet. 1984). por exemplo. 131. ed. “Anômicas” deriva de “anomia. 1979). Phillips e Robert T. Califórnia: William Carey Library. Mission Theology. Ibid. 7-8.” 134. Ibid. 1970). Mission Theology.. and Roman Catholic (Pasadena. Ibid. Coote (Grand Rapids: Eerdmans. www. A Responsabilidade Social da Igreja.br/cem/postura.” 241. “Latin America. 349-350. e (6) evangelicais ecumênicos (como John Stott. Orlando Costas. Bassham. Bassham. 225. o surgimento de uma “teologia nacional” entre os evangélicos latino-americanos. 231.” Missiology 20 (Abril 1992). Romen (Farmington.” do grego hólos (“inteiro”. Escobar atribui ao CLADE I. Harvie M.

organizado pelo Dr. conforme observamos no 62 .” em que revela o seu grande interesse pela dimensão pneumatológica da missão da igreja e conclama os evangélicos a estarem receptivos ao novo vento do Espírito que sopra na igreja. Ibid. Há poucos anos. Samuel Escobar. “Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological Christology. 19. O Pensamento Econômico e Social de Calvino. “Amando a Deus e ao Próximo: João Calvino e o Diaconato em Genebra. e em seus vários aspectos.. Desafios da Igreja na América Latina.. Waldyr Carvalho Luz (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana. Mas existem muitos outros autores que não aparecem no livro de Steuernagel. Ver também. e “Jonathan Edwards: Teólogo do Coração e do Intelecto. 7. “The Elements of Style in Crafting New International Mission Leaders. Ibid. “Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America.social resultante do colapso dos padrões e valores.” Missiology 19 (Julho 1991).” Evangelical Missions Quarterly 28 (Janeiro 1992). Escobar. 321. É o caso de André Biéler. Samuel Escobar. missiólogos e pensadores que têm escrito e palestrado sobre a missão da Igreja. sob o título “Discernindo o Espírito na América Latina. Escobar participou de mais uma consulta da Comissão Teológica da Fraternidade Evangélica Mundial. trad. Samuel Escobar. 64. Samuel Escobar. 108.” Escobar foi o autor de um dos seis estudos apresentados ao plenário. 111.” Fides Reformata 2:2 (Jul-Dez 1997).. Não é exaustivo porque o número de teólogos. significa a inquietação. Ibid. 110.. 69-88. Escobar. Ibid. Além disso. 72-87 Parte XV A MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA Introdução: Que é missão integral? O que envolve a missão da Igreja a ponto de investigarmos o que é mito e o que é realidade? Na procura de respostas para estas e outras perguntas semelhantes é que este estudo veio a lume. 316. Tal consulta. Desafios da Igreja na América Latina. alienação e incerteza que decorre da ausência de propósito ou ideais.” International Bulletin of Missionary Research 6 (Julho 1982). 328. Valdir Steuernagel em 1994. “Mañana – Discerning the Spirit in Latin America. Não é original porque missão integral já faz parte da discussão teológica da Igreja há algum tempo. obras como as de René Padilla e Timóteo Carriker são dignas de nota. gerando uma espiritualidade nova e radical. teve como tema “Fé e Esperança para o Futuro: Por Uma Teologia Evangélica Vital e Coerente para o Século XXI. Nele nada menos que 27 articulistas tratam da missão integral da Igreja..” Fides Reformata 3:1 (Jan-Jun 1998). 1990). Ibid. 48. Não é um trabalho original e nem exaustivo. no sentido individual. é enorme.” Evangelical Review of Theology 20/4 (Outubro 1996). do autor do presente artigo. Um bom exemplo da diversidade da missão integral é o livro A Missão da Igreja. realizada em Londres de 9 a 14 de abril de 1996.

Evangelização e responsabilidade social devem andar juntas como causa e efeito de uma mesma verdade evangélica. O relatório da Consulta Internacional realizada em Grand Rapids (EUA). neste capítulo. Entretanto. pois há situações em que o 63 . concluiu que na questão da primazia entre evangelização e ação social "a evangelização tem uma certa prioridade. I. por outro.capítulo sobre o conceito de missão integral da Igreja na teologia contemporânea. também não estamos afirmando que sejam duas coisas diametralmente separadas. a polarização entre evangelização e a responsabilidade social da Igreja. também. isto é. se por um lado a Igreja vem melhorando em sua visão social. a saber. O primeiro deles estaria relacionado a um debate que perdura já algum tempo na igreja evangélica mundial e na brasileira em particular. O mito da missão integral da Igreja O que poderíamos denominar de mito ou mitos na missão integral da Igreja? Após relativa pesquisa e análise cuidadosa deste assunto. a. vez ou outra mencionados no corpo deste trabalho. mas em prioridade lógica. 14). "Um ministério integral verdadeiro define a evangelização e a ação social como funcionalmente separadas. Alguns fatores que possibilitaram o surgimento desses mitos é o que veremos. chegamos à conclusão que dois pontos resumiriam bem o mito de missão integral da Igreja. ou pelo menos não deveria haver (1). p. o ser humano considerado em partes separadas ao invés do todo. O MITO E A REALIDADE DA MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA 1. Por causa dessa variedade de autores foi preciso adotar alguns critérios. Nosso estudo divide-se em três capítulos principais. O mito da polarização teológica Que evangelização e responsabilidade social são verdades bíblicas para a Igreja de Jesus Cristo não há dúvida. O primeiro trata da missão integral como mito e realidade propriamente dito. Não estamos falando em prioridade temporal. 1998. justamente porque ao se discutir prioridades (estamos falando apenas de evangelização e ação social) a igreja deixa de fazer bem uma e outra coisa. O segundo mito estaria diretamente ligado à dicotomia humana. mas relacionalmente inseparáveis e necessárias para um ministério integral da igreja" (YAMAMORI. Por outro lado. Felizmente. Com isso não queremos dizer que evangelização e ação social devam ser entendidas como sendo a mesma coisa. a consciência social da igreja brasileira hoje parece ser maior do que algumas décadas atrás. Nosso objetivo é mostrar que a Igreja evangélica brasileira só pode ser verdadeiramente missionária quando no desempenho de sua missão integral. presidida por John Stott em 1982. ainda não amadureceu tanto em sua concepção de missão integral. Os outros dois são uma explanação bíblico-teológica e pragmática do primeiro.1.

e pela libertação dos homens de todo tipo de opressão. Em lugar de estarem em competição. foi um dos fatores que colaboraram para a polarização entre evangelização e a ação social no meio 64 . IV). pelo menos nas sociedades livres. 1983. V). toda pessoa. Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus. o chamado Pacto de Lausanne: "Os resultados da evangelização incluem a obediência a Cristo. religião. uma rápida apresentação de dois grandes movimentos que contribuíram negativamente para o distanciamento da Igreja de sua missão integral. cor. A fé sem obras é morta" (Idem. como aconteceu no ministério público de Jesus. em seus artigos. p. a seguir. 1983. classe social. portanto. em particular das teologias do evangelho social e da libertação. Diz assim. Aqui também nos arrependemos de nossa negligência e de termos algumas vezes considerado a evangelização e a atividade social mutuamente exclusivas. afirmamos que a evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. E ainda: Afirmamos que Deus é o Criador e o Juiz de todos os homens. cultura. sexo ou idade possui uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida. e raramente teremos de optar entre uma e outra. nem a libertação política salvação. sem distinção de raça. Evangelização e responsabilidade social são partes integrantes da missio Dei.ministério social precisa vir primeiro" (STOTT. V) (Grifos nossos) E mais: "A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais. 23) A discussão pouco louvável no meio cristão sobre a missão prioritária da Igreja no mundo também levou o comitê de Lausanne a elaborar uma declaração sóbria e amadurecida. 1983. 23). elas se sustentam e fortalecem mutuamente. Portanto. o ingresso em sua igreja e um serviço responsável no mundo" (O PACTO DE LAUSANNE. Façamos. devemos partilhar o seu interesse pela justiça e pela reconciliação em toda a sociedade humana. estas duas realidades (evangelização e ação social) são inseparáveis. p. (Idem. nem a ação social evangelização. inseparáveis e indispensáveis na missão integral da Igreja de Jesus Cristo no mundo e para o mundo (2). O evangelho social e a teologia da libertação A influência perniciosa e nefasta do liberalismo teológico do século XX. E na prática? Na prática. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus. e não explorada. numa espiral ascendente de preocupação crescente (STOTT.

b. Partindo da perspectiva bíblica. conforme veremos no decorrer deste estudo. o ser humano poderia ser definido como sendo 'uma comunidade integrada de corpo e alma' (STOTT. a ausência da compreensão do indivíduo como ser integral. "Esta ênfase foi dirigida pelos cristãos na Idade Média e tem sido transmitida para o presente". 154) observa que parte do descuido do "homem total" tem sua origem na ênfase platônica não-cristã sobre a dualidade do ser humano. p. A correção deste erro está no ensino bíblico acerca da unidade essencial do ser humano. A Igreja foi levada a refletir seus valores. é uma necessidade urgente em nossos dias.é um todo e deveria sempre ser visto assim. não dictomizado. O mito da dicotomia humana Ver o indivíduo completo. como ocorria em tempos atrás. é um impedimento e. O ser humano . "só existe fidelidade na evangelização quando existe fidelidade na missão integral da igreja". Hoje em dia. Contudo. por sua vez. há de se admitir que. a igreja evangélica brasileira. 59). Um dos maiores males cometidos na igreja evangélica brasileira de hoje é limitar o conceito de salvação. Resultado: No afã de se preservar o espiritual. isto é. por outro lado. a Igreja acabou se equivocando e não enxergou a mensagem social autêntica que o mesmo evangelho oferecia. o platonismo. na pior. p. 65 . um grande mal.evangélico. 1989. pois. boa parte das igrejas brasileiras está envolvida em trabalhos sociais. Em síntese o platonismo argumenta que o ser humano é essencialmente um ser espiritual e que apenas tem conexão funcional com um corpo que. na melhor das hipóteses. A influência missionária e da teologia sistemática Norman L. provocou um mal-estar na igreja brasileira. 38). Veremos a seguir que pelo menos três fatores contribuíram negativamente para o surgimento do mito da dicotomia humana. a influência missionária européia e norte-americana e a teologia sistemática. pecou na espiritualidade sem encarnação. pela própria Igreja. e sem qualquer preocupação de ser rotulada e perseguida por isso. tem levado a mesma a desvalorizar não somente o ser humano na sociedade. tanto o evangelho social quanto a teologia da libertação provocaram uma reação positiva na Igreja. Entretanto.homem ou mulher . dando uma reviravolta considerável nessa história toda. como também o próprio evangelho para o qual ela foi chamada a proclamar no mundo. como salientou muito bem Manfred (1987. achando que Cristo veio salvar apenas a alma do homem ou da mulher. principalmente desta última). p. Se de um lado as teologias liberais mencionadas cometeram o pecado do social sem espiritualidade. Geisler (1985. O esforço de se combater a teologia do evangelho social e depois a teologia da libertação (por causa da ênfase social à parte do evangelho bíblico e de uma filosofia marxista. como o é pela Bíblia.

Embora as Escrituras sejam invioláveis. Outra razão é que a maioria dos missionários estrangeiros que aqui chegaram tendia para a corrente do evangelho individual (KRIEGER. Primeiro: porque à medida que a linguagem e as formas culturais mudam. Embora a teologia sistemática seja uma tentativa interessante de organizar em um ou mais compêndios conceitos e pensamentos religiosos variados. o que. isto é. isto tem sido um dos fatores prejudiciais na compreensão da missão da Igreja. Isso explica. 1993. quando diz que boa parte dos missionários europeus e norte-americanos que aqui estiveram "realizaram o trabalho. 55). Ashbell Green Simonton e outros. na análise da questão corpo. que desempenharam um papel social muito grande em nosso país. a omissão da Igreja. por que a igreja evangélica brasileira de modo geral não herdou a totalidade da visão desses bons exemplos de missionários. Nossa herança missionária é deveras espiritualista. 39. Bruce A.2. independente de sua linha confessional. o conjunto da verdade cristã deve ser vestido em roupagens contemporâneas a fim de permanecer inteligível. contribuiu para a difusão do evangelho social e principalmente da teologia da libertação em nosso país. perdeu-se de vista a perspectiva bíblica de que somos um todo. certamente. com raríssimas exceções. novos entendimentos teológicos e reformulações são necessários a cada geração. Uma terceira razão foi observada pelo missiólogo norte-americano Timóteo Carriker. O que é facilmente percebido nas mensagens bíblicas e hinos que os missionários nos legaram. Por isso. pelo contrário.Além da influência platônica. 515). faz uma advertência importante: Alguns consideram a teologia sistemática como um depósito eterno e inalterável de verdades divinas. In Teses. por causa daquela reação ao evangelho social e à teologia da libertação. nosso espiritualismo desencarnado no campo social. e segundo: porque novas questões e problemas continuam a surgir para desafiar a igreja. No estudo da natureza do ser humano na teologia sistemática. é preciso ter cautela com a mesma. A realidade da missão integral da Igreja 66 . embora não justifique. alma e/ou espírito. (Grifo nosso) (3) Outro fator que infelizmente tem colaborado para a dicotomia humana é a teologia sistemática. em seu artigo Teologia Sistemática (In EHTIC1990. até hoje sentida. a história da igreja brasileira registra dignos exemplos de missionários como Robert e Sarah Kalley. é claro. não transmitiam a mesma visão missionária para as igrejas autóctones. os missionários europeus e norte-americanos que aqui estiveram parece que não conseguiram passar adiante a idéia da missão integral. ora dominador e paternalista.40). Porém. E. pp. Mas então. 1. de tempos em tempos. isso não quer dizer que não houve qualquer tipo de envolvimento social. ora nobre e sacrificial. DEMAREST. e em seus conceitos dicotômicos e tricotômicos.1988. deixaram a impressão de que missões é coisa que o Brasil recebe e não que faz (CARRIKER. p. mas. Assim. o texto bíblico precisa ser reinterpretado e reaplicado ao contexto moderno. p. e durante tanto tempo vem caminhando lentamente na questão social? Pelo menos por três razões principais: Uma delas tratamos há pouco. de certa forma.

temores e esperanças da sociedade e a medida em que seu serviço ajuda a aliviar a dor humana e a transformar as condições sociais que têm condenado milhões de 67 . à luz dos conceitos de liberdade. de respeito ao próximo e. Por isso mesmo. o seu grau de participação na vida. em nossa opinião. Não só no que se refere ao indivíduo. principalmente no socorro aos menos favorecidos. p. em se tratando de benefícios a serem recebidos. sabemos que a ortopraxia da missão integral não é tão óbvia como deveria ser. expressam bem a realidade dessa missão. mas também à criação de Deus em geral. 113). Uma opção preferencial pelos pobres? E por que não? O evangelho é para todos. A missão da Igreja é holística e diaconal Por mais óbvia que pareça esta afirmação. É verdade que a Igreja não é uma instituição político-partidária que deva defender qualquer bandeira política. a Igreja "não prega uma forma de governo. A Igreja deve ser a voz do que clama no deserto a fim de fazer a diferença no mundo. Precisa deixar o monte da transfiguração (entenda-se contemplação) e descer até ao sopé onde se encontram os excluídos. como veremos mais adiante. Onde está. É preciso sim que os pobres desse mundo recebam um tratamento preferencial porque foi assim que Deus os tratou na Bíblia. E ainda: Esta dimensão envolve o impacto que o ministério reconciliador da igreja exerce sobre o mundo.Em contrapartida ao mito da teologia de missão integral da Igreja. Os cristãos foram postos no mundo para ser a consciência da sociedade. porém. p. 1994. como prova concreta do amor de Deus" (COSTAS. tem solapado nosso país e a Igreja muitas vezes tem se afastado como se nada tivesse com isso. conflitos. por exemplo. 229). Quando se coloca o pobre e o rico lado a lado. de amor a Deus e à humanidade". É mais que isso. o primeiro sempre sai perdendo. 102). tem o dever ético e moral de ser mais justa do que qualquer governo ou partido político pretenda ser. por causa da má distribuição de renda de nosso país. Orlando Costas via nesta dimensão diaconal ou encarnacional da Igreja "a intensidade de serviço que a igreja presta ao mundo. p. a Igreja como sal da terra e luz do mundo deve fazer a diferença nos vários setores da sociedade. de dignidade humana. a. somente o pobre precisa ser atendido também em suas necessidades básicas prioritárias. destaquemos dois fatores que. sobretudo. Conforme salientou Jorge GOULART (1941. Não é fácil inculcar na cabeça do nosso povo que o envolvimento da Igreja deve ser total. verdadeira afronta contra a imagem e semelhança de Deus. como resultado de uma política social opressora. A injustiça social. Ela é uma instituição divina supra partidária. mas cria uma consciência democrática. como diria Orlando COSTAS (1979. a consciência ecológica da Igreja? (4) Além disso.

pois somente na medida em que conseguir dar visibilidade e concreticidade à sua vocação de amor e serviço ela pode esperar ser ouvida e respeitada. Isso é verdade. A missão da Igreja não é filosofia e muito menos modismo. ainda que sejam separadas em termos funcionais. aos pobres deste mundo. significa que ela (a missão integral da Igreja) não é uma filosofia cega ou um modismo passageiro.4). É uma verdade bíblica que precisa ser resgatada e praticada em sua totalidade. edificação. A missão integral na Bíblia A missão integral tem raízes bíblicas profundas. A opção por apenas um desses seus aspectos (doutrina ou prática) causará profunda ojeriza em Deus. A BASE BÍBLICA E TEOLÓGICA DA MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA 2. Sem esta dimensão a igreja perde sua autenticidade e credibilidade. assim como é ampla a missão integral de Deus. evangelismo e serviço". Segue abaixo uma abordagem resumida sobre o assunto. A Bíblia é doutrina e prática. à luz da Bíblia. 1994. como um todo deve ser a missão integral de Sua Igreja. "Nada é mais claro na Bíblia do que ser Deus o campeão dos pobres. apenas de um dos aspectos da missão integral. A integralidade da Igreja é bíblica e se baseia na missão integral de Deus.homens. 1988. isto é. 113. Isto quer dizer que se deve atender tanto às necessidades físicas como às espirituais. p.1. que estão inseparavelmente relacionadas. p. A Bíblia não existe para o deleite de nossa mente carnal. dos oprimidos e dos explorados". No capítulo anterior mencionamos que a missão integral da Igreja é ampla. (BRYANT. visto que a dimensão dessa missão é vertical e horizontal. A Bíblia não incentiva nenhum blá-blá-blá teórico desinteressado. A missão integral da Igreja é ampla. O compromisso da Igreja com Deus (vertical) resulta nela um compromisso com a criação em geral e com o ser humano em particular (horizontal). Sua Palavra é um todo. Tetsunao YAMAMORI (1998. p. 22) resumiu a missão intergral da Igreja em "comunhão. II. Por isso mesmo nosso objetivo agora será tratar. (COSTAS. 68 . 15) salienta: Tanto no Antigo como no Novo Testamentos a Bíblia ordena à igreja que ministre à pessoa como um todo. aquele que está diretamente relacionado à pessoa do indivíduo ou. adoração. No capítulo 2 desse estudo falaremos um pouco mais sobre a base bíblica da missão integral da Igreja. mais especificamente. pp. A missão da Igreja é bíblica Quando dizemos que a missão integral da Igreja é bíblica. mulheres e crianças à pobreza. b. 56). Não é por acaso que GRELLERT (1987.

e seus próprios operários. mas enfrentando exatamente aqueles que oprimiam o povo. da vaidade e da imoralidade era que aquela cidade. quer pelo sistema econômico. do fraco. do humilhado. b.17. ensinando nas sinagogas. Vinte e cinco palavras hebraicas para falar do oprimido. p. 10. enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos. Em Mateus 4. 35). No Novo Testamento Jesus Cristo é a revelação máxima da missão integral de Deus no mundo. "Nós nunca encontramos Jesus Cristo de dedo apontado contra os pobres e marginalizados. é que vocês cortem as ligaduras da impiedade. do desesperado.1. vocês estão oprimindo os pobres. De modo algum! Mas com certeza Ele olha de maneira especial para aqueles que não têm vez. O cuidado de Jesus com os pobres e marginalizados é enorme. realidade e conseqüências da pobreza.3-8. pelo que me ungiu para evangelizar os pobres. o estrangeiro. 25) notamos que além da questão do se "fazer igualmente a Cristo". o pobre.49 afirma que o pecado de Sodoma. veremos que o objetivo de toda a legislação era que não houvesse miseráveis e injustiçados no meio do povo de Israel. No início de seu ministério terreno o Senhor Jesus deixou bem clara a sua missão quando declarou: "O Espírito do Senhor está sobre mim. Os apóstolos deram continuidade ao tema da missão integral de Jesus em seus ministérios.23 lemos também: "Percorria Jesus toda a Galiléia. Só no AT nós temos 300 referências sobre causas.2. quando o povo de Deus pergunta: "Por que é que nós oramos e jejuamos e tu não nos respondes?". a nossa atitude para com os desfavorecidos deste mundo será um critério importante de julgamento no Juízo Final. 69 . quer pelo sistema religioso. além do orgulho. Em Isaías 58. Ezequiel 16. E ainda em Mateus (cap. é que ajam com justiça em relação aos desamparados".18. ou sistema político de sua própria época".19). do carente. e o jejum que eu quero. (MACEDO FILHO. sendo rica e abastada. Veja por exemplo Atos 5 e 6. do destituído. Isto não significa que Deus faça acepção de pessoas ou de classe social. pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo". No Antigo Testamento Se folhearmos as páginas do Antigo Testamento veremos que existe uma clara opção preferencial de Deus pelos pobres e oprimidos. e apregoar o ano aceitável do Senhor" (Lc 4. 1988. a viúva. do que clama por justiça. do desamparado. nunca atendeu o pobre e o necessitado. para por em liberdade os oprimidos. que não têm voz. Se olharmos na legislação do povo de Deus no Velho Testamento. o órfão. Deus diz: "É porque vocês jejuam e oram para a iniqüidade.a. Veja também Isaías 1.

diz o apóstolo em Gálatas 2. vale a pena conferir a ênfase e a abordagem distintas que ambos conferem em seus respectivos livros acerca da missão integral da Igreja. É este Deus salvador que alcança além das leis judaicas. "o que também me esforcei por fazer". Estou tomando. No Antigo Testamento Javé é o Deus soberano sobre toda a sua criação. contudo. sem considerar outro tanto que Steuernagel não menciona. não fica passiva em relação à soberania de Deus. a liberdade de selecionar apenas dois deles. e explico porquê. a saber. Falar do trabalho de cada um desses autores. Esta imagem de Deus está no coração do Novo Testamento também. dentre outras. a.2-10) e das doze tribos da dispersão (Tg 2. cada um deles escreveu um livro com o mesmo título (Missão Integral) com cerca de 300 páginas cada. na palavra de Deus. A seguir exporemos alguns dos principais conceitos da missão integral de Carriker. samaritanos. Os marginalizados. 5.2. Sua aproximação do homem exige a atitude de conversão. São praticamente dois 70 . não significa que a participação da igreja na evangelização mundial tem pouca significância. da Galácia (Gl 6. Deus tem um plano salvífico que alcança tanto judeu quanto gentio. então. e Ele vai cumpri-lo. Em primeiro lugar. 11). Valdir Steuernagel em que ele reúne nada menos que 27 autores. seria simplesmente impossível para as dimensões do nosso trabalho. A missão integral na teologia contemporânea O número de teólogos que escreveram e escrevem sobre a missão integral da Igreja não é pequeno. Destacamos. Seu objetivo é ressaltar as diversas dimensões. e gentios recebem a misericórdia de Deus. O seu reino tem um escopo universal até cósmico. as igrejas de Corinto (II Co 8 e 9).Em Jerusalém as três colunas do colégio apostólico (Pedro. Timóteo Carriker e René Padilla. Várias igrejas foram orientadas por cartas a agirem com a mesma visão de integralidade bíblica dos apóstolos. Em terceiro lugar.10. a missio Dei exige os missiones eclesiae.14-26. da identidade e tarefa missionárias do povo de Deus (1992. mulheres. Em segundo lugar. 2. A confiança no cumprimento do seu plano dá a igreja motivação para perseverar até o fim. Tiago e João) recomendaram a Paulo e a Barnabé que não se esquecessem dos pobres. Um Deus soberano e misericordioso é o ator último das parábolas de Jesus. O conceito de Timóteo Carriker O livro de Timóteo Carriker é uma teologia bíblica de missões. missio Dei. Reconhecer que a missão é essencialmente de Deus. Um bom exemplo disso é a obra do Dr.1-6). p. A igreja. 1-7. nossos dois teólogos são duas das maiores autoridades mundiais sobre a missão integral da Igreja. Muito pelo contrário.

139). É na nossa história humana que Deus se revela e o faz com movimento para frente. sem dúvida. a cidade é. Percebemos. seus princípios são eminentemente bíblicos. O conceito de René Padilla A abordagem de René Padilla é mais teológica e menos bíblica. Porque há um mundo. esquecendo-se das cidades. b. do dilúvio e do cativeiro no Velho Testamento. Hoje é o dia da salvação. eventos bem visíveis que fazem parte da nossa história. O Deus da Bíblia é o Deus que age na história. Ele atua através da vida humana do seu filho Jesus. A missão urbana. p. com todo seu poder desumanizante. uma doutrina que podemos elaborar. Lá. o símbolo do desafio que a evangelização e o discipulado colocam para a igreja. A humanidade está indo na direção do cumprimento. a perspectiva cristã da história é essencialmente escatológica. é uma prioridade em todas as partes. através da sua morte e ressurreição. Chegou o momento de encontrar maneiras de reduzir a distância entre as igrejas no Ocidente e no 71 . de modo algum. Por "menos bíblica" queremos afirmar que o livro de Padilla não é uma teologia bíblica nos moldes do livro de Timóteo Carriker. pessoal e age nos eventos e experiências concretas das nossas vidas. o desafio da colaboração e da unidade e o desafio do desenvolvimento e da justiça. a missão cristã não pode ser outra coisa que missão realizada em colaboração mútua. Apesar de não termos o objetivo de comparar os dois autores. portanto.lados da mesma moeda. uma igreja e um evangelho. acima de tudo. o valor da obra dele. Não é principalmente apresentado como um conceito ou idéia. todos eventos históricos até "seculares". a saber: O desafio da evangelização e do discipulado. O desafio da missão integral. Padilla desenvolve seu tratado em termos de desafios. a sua conclusão. Diz ele que o maior desafio que a igreja enfrenta atualmente é o desafio da missão integral (1992. julgamento e salvação. Seus argumentos principais são os seguintes: Um conceito um tanto romântico da obra missionária impulsionou as missões a concentrarem seu esforço em pequenas tribos nas selvas. vale ressaltar que as aplicações de Padilla são mais contextualizadas que as de Carriker. o que não diminui. porém. Atua através do êxodo. através da história. Assim. Num mundo que está se urbanizando rapidamente. Deus não se restringe a uma dimensão mística da nossa vida. vê-se com clareza a necessidade de um evangelho com poder para transformar a totalidade da vida. na cidade. e este movimento entrou na sua fase final com a ressurreição de Cristo. Por "mais teológica" queremos dizer que os argumentos de Padilla estão mais na área das idéias. por sua vez. Ele é. A "explosão urbana" é um fenômeno mundial. subdivide-se em outros três.

no sentido de envolver a missão da Igreja num âmbito mundial ou. Confrontação não é violência. os desafios sociais e os desafios eclesiais. O desafio tanto para os cristãos no Ocidente como para os cristãos nos países subdesenvolvidos é criar modelos de missão centrados num estilo de vida profético. Que a igreja evangélica brasileira não deve se esquivar de sua missão integral. econômicas. de início é preciso que encaremos com seriedade e maturidade o dilema de até onde podemos e devemos nos envolver nestes desafios. O desafio que a igreja encara no campo de desenvolvimento hoje é fundamentalmente o desafio de um desenvolvimento humano. OS DESAFIOS E IMPLICAÇÕES DA MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA 3.Terceiro Mundo. Entretanto. Linthicum 72 . modelos que apontem para Jesus Cristo como Senhor da totalidade da vida. no contexto da justiça. à universalidade da igreja e à interdependência dos seres humanos no mundo. nem a libertação política salvação. Fazem falta modelos de missão plenamente adaptados a uma situação marcada por uma distância abismal entre ricos e pobres. no mínimo. nem a ação social evangelização. mas é necessário fazer muito mais para desenvolver modelos de solidariedade acima das barreiras políticas. É preciso sim que a Igreja seja a consciência da sociedade e a voz profética que denuncia os desmandos desta mesma sociedade. Não devemos. Robert C. e para estimular a colaboração mútua entre as igrejas.1. III. é o nosso comum acordo com a declaração de Lausanne: Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus. Os desafios que agora mencionaremos tratam da igreja brasileira em solo brasileiro. Porém. afirmamos que evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. No final das contas. A igreja evangélica brasileira tem desafios enormes nesta área. Já há experiências úteis que estão sendo levadas a cabo com este propósito. Os desafios sociais da Igreja Não são poucos e nem pequenos os problemas sociais brasileiros. Os modelos de missão baseados na riqueza do Ocidente solidarizam-se com esta situação de injustiça e condenam as igrejas do mundo pobre a uma permanente dependência. sua abordagem é ampla. mas podemos e devemos fazer confrontações sociais sérias. são contraproducentes para a missão. Dividimo-nos em duas partes distintas. a. na América Latina. sociais e culturais. como Igreja de Cristo. partir para a ignorância e violência. Desafios da missão integral da Igreja Observamos no capítulo anterior que René Padilla apresenta a missão integral da Igreja em termos de desafios. isto é. portanto.

com propostas terapêuticas para uma sociedade enferma. Internamente ela estava pegando fogo. Pesa (e como pesa!) sobre o povo de Deus também a responsabilidade pelo bem-estar social do nosso país. o nome de Jesus seja glorificado. essas palavras não são sinônimas. Por outro lado. pp. De uma forma mais profunda. Portanto.isto é.2) explica: Há muita confusão sobre a natureza da confrontação e da violência. em obediência ao mandado de Cristo. A palavra significa literalmente "testa-a-testa" . o amor ao próximo evidenciado. procurando o fim da resolução. direto. 73 . a violência é física. ou porque os liderados não se envolvem na obra. mas à resolução do problema. 171. pois. Os desafios eclesiais da Igreja Certamente um dos maiores desafios da igreja brasileira na atualidade é vencer seus próprios desafios. É nesse espírito de verdadeira confrontação que a Igreja deve encarar seus desafios sociais. Era uma igreja unida em seus propósitos e se amava de verdade. sobretudo. trabalho e salário digno. simplesmente criticando por criticar o governo. os seus e os nossos direitos: Saúde.(1996. segurança. salgando a nós mesmos e iluminando nossos umbigos. Confrontação é simplesmente a atividade entre seres humanos na qual eles discordam. e sim antônimas. Porém. e devido a esta discordância. jamais sairemos do lugar comum. Uma lição é preciso aprender com a igreja de Jerusalém. Continuaremos marcando passo. em sua própria natureza. E até onde podemos e devemos ir nesta questão toda? Até onde os direitos sejam verdadeiramente assegurados. Tentarei explicar esta minha tese. b. violência é o exercício da força física. O governo tem (e como tem!) suas culpas e responsabilidades. A confrontação boa e eficaz nunca deve levar à violência. Os desafios sociais da igreja brasileira não são combatidos e vencidos como deveriam porque falta vontade eclesiástica por parte da mesma. um ato de violência é a indicação de que a confrontação falhou. empenhemos-nos pela dignidade do povo brasileiro. desejosa de pregar o evangelho. a fim de ganhar uma disputa. pois. o evangelho e o bom testemunho não sejam prejudicados e. Reivindiquemos. É um encontro face a face. mas não podemos ficar indiferentes ao que ocorre em nossa volta. Ou porque a liderança não se empenha. educação. A igreja de Jerusalém estava consciente de sua missão no mundo. as testas colocadas fisicamente uma contra-aoutra. O certo é: Se não chegarmos a um consenso. estão desafiando uns aos outros. a moral dignificada. Enquanto a confrontação é verbal. se não juntarmos forças.

mas não é tão simples assim.31). não será por meio de decreto conciliar que conseguiremos qualquer êxito. porém. Um diálogo franco.2.30). mas internamente muito de nossas igrejas estão enfermas. à nível de igreja local. daqueles que confundem inovação com inovacionismo. Contudo. Antes é preciso mudar a mentalidade dos acomodados e principalmente dos saudosistas. mas progressivamente. sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus" (At 4. A revisão de estruturas não-funcionais O que muito tem contribuído para um mau desempenho da Igreja em sua missão integral é a falta de estruturas que funcionem. olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra. Então a Igreja orou: "agora.29. aberto e amigável é a chave do sucesso. Implicações da missão integral da Igreja As implicações que aqui abordaremos não deixam de ser verdadeiros desafios para a igreja brasileira. o que muito se vê. é preciso que os paradigmas sejam quebrados aos poucos. b. quando na verdade eram elas que deveriam estar curando! A seguir daremos duas sugestões práticas para que esse quadro sombrio possa se reverter. Hoje. tradição com tradicionalismo. a. E Deus atendeu ao clamor de sua Igreja (At 4. Externamente desfruta-se de uma liberdade religiosa como nunca se viu. entendemos que estes desafios são implicações naturais para uma igreja que queira verdadeiramente cumprir sua missão integral. que se limita a suas atividades internas. por uma questão de prudência e respeito àqueles que não pensam como nós. enquanto estendes as mãos para fazer curas. é a própria igreja criando obstáculos para não fazer a obra do Senhor. Senhor. As idéias devem ser amadurecidas no meio da comunidade. Às vezes é preciso muita coragem para mudar certos parâmetros que já não funcionam mais.externamente os desafios eram humanamente insuperáveis. Pilatos. Estruturas enrijecidas pelo tradicionalismo matam ou impedem a visão de uma igreja. A quebra de paradigmas é uma das coisas fundamentais para que a estrutura de uma igreja se torne funcional. Herodes e muita gente se levantaram contra a Igreja de Deus. Atendeu porque a Igreja deixou de lado seus próprios interesses para servir ao mundo. sem atropelos. Uma coisa aprendi em meus poucos anos de ministério pastoral: Se a igreja não comprar a nossa idéia. À primeira vista parece fácil mudar aquilo que se tornou obsoleto. fechada em quatro paredes. A reafirmação do compromisso missionário 74 . O que está "matando" muito crente novo (e velho também) é a igreja não-funcional. 3.

se não forem constantemente lembradas daquele compromisso. Os mitos não fazem sentido quando são resultados baratos de um reducionismo evangélico. A mesma igreja que proclama as boas novas do reino deve ser a mesma que estende a mão ao necessitado. com certeza produzirão novo alento. Por outro lado. atender o indivíduo na totalidade de suas necessidades. Missão integral é uma realidade bíblica. O mais importante é que a igreja seja cientificada de que sua missão no mundo é integral. além do auxílio de uma boa agência ou junta missionária. portanto. com a graça de Deus. Dizemos "basicamente" porque a missão integral da Igreja é na verdade universal. que nenhuma igreja pense ser mais espiritual porque optou pela evangelização. A verdadeira espiritualidade do povo de Deus se expressa em sua integralidade. Evangelizar é a sua qualidade primordial. o que fez antes. deveria partir sempre para uma ação social transformadora. 5). Sermões e estudos bíblicos missionários. para a honra e glória de Deus Pai. rapidamente minguarão. e todas as atividades nestas direções devem estar debaixo do serviço a Deus em primeiro lugar (A. mas nunca uma opção permanente. mas sim.Aquelas igrejas que um dia receberam orientação missionária. C. Os mitos (pelo menos os que aqui estudamos) deturpam a missão 75 . filmes específicos como As Primícias. porém. Geralmente a frieza por missões acontece por causa da rotina. Por isso mesmo. p. polarização entre evangelização e ação social. descaracterizada como igreja de Jesus Cristo. Uma vez que o mal foi detectado é necessário que seja combatido com atividades variadas. O ponto de partida é o parâmetro bíblico e o contexto da igreja local. é sinal que ela tem potencial para fazer. E como revitalizar uma igreja que começou com tanto entusiasmo por missões e de repente esfriou? Em primeiro lugar é preciso reconscientizar a igreja de sua missão no mundo. BARRO. Abrange vários aspectos. Cada igreja deve refletir sobre sua motivação em praticar evangelismo e ação social. Evangelizar não é simplesmente distribuir folhetos como alguns pensam. sem data. Conclusão: A missão integral da Igreja é basicamente evangelização e ação social. A Igreja que troca a evangelização por qualquer outra responsabilidade social está fora de propósito e. Se a igreja chegou a se empolgar com missão algum dia. e quando se deixa de contemplar o indivíduo em sua totalidade. a Igreja nunca deveria deixar se levar pela prática do paternalismo e assistencialismo paliativos. do indivíduo e da sociedade. Etal e Atrás do Sol. Em segundo lugar é preciso conscientizá-la de que ela está no mundo para servir o mundo integralmente. Concordamos que uma igreja possa fazer uma opção temporária entre evangelizar e assistir ao necessitado.

(editor). 1992. São Paulo: Vida Nova. Tive fome: Um desafio a servir a Deus no mundo. ed. Os compromissos da missão: A caminhada da Igreja no contexto brasileiro. Quebrando paradigmas. ed. mas a realidade bíblica de uma missão integral em nossa sociedade. C. V. Ed René. Anthony. Niterói: Vinde. Norman L. São Paulo: Editora Mundo Cristão. Saúde integral a partir da igreja local. GOULART. Orlando E. Enciclopédia histórico-teológica da igreja cristã. Antonio Carlos. EVANGELIZAÇÀO e responsabilidade social: Relatório da consulta internacional realizda em Grand Rapids sob a presidência de John Stott. São Paulo/Belo Horizonte: ABU/Visão Mundial. Timóteo. 1987. Igreja e sociedade. V. então devemos almejar por uma igreja brasileira autêntica. 1998. ELWELL.1. Londrina/Curitiba: Descoberta. 2. Artigo não publicado. GRELLERT.3. Rio de Janeiro/Belo Horizonte: Juerp/Mundo Cristão. 1941. v. 1. Caio. Um projeto de espiritualidade integral. KIVITZ. E. 1985. Se queremos atentar para o ensino bíblico. 1993. FÁBIO. Ética cristã: Alternativas e questões contemporâneas. O cristão e a fome mundial. Bibliografia ALLEN. A missão do povo de Deus. Samuel et al. Walter A. Artigo não publicado. _______________ . 1988. 1990.2. Série Lausanne. São Paulo/Belo Horizonte: ABU/Visão Mundial. Jorge. Missões e a igreja brasileira: A vocação missionária. Missão integral: Uma teologia bíblica. BRYANT. Compromiso y misión. 1979. 76 . CARRIKER. A ação social da igreja. San José: Editorial Caribe. São Paulo: Abba press. Teses. ________________ org. 1985.integral da Igreja. V. 1994. 1995. Rio de Janeiro: Juerp. ESCOBAR. ed. 2. Thurmon. Manfred. 2. que não seja ela mesma um mito. BARRO. 1989. GEISLER. São Paulo: Editora Sepal. COSTAS. Série Lausanne. São Paulo: Vida Nova.

Valdir R. veja Francis A. São Paulo/Belo Horizonte: ABU/Visão Mundial. presença cristã. STOTT. STEUERNAGEL. Schaeffer (Poluição e morte do homem) e Norman L. Curitiba/Londrina: Descoberta. 1986. 1983.4. YAMAMORI. Dr. São Paulo: Temática Publicações. p. pp. 1996. (3) Veja também MACEDO FILHO (In TESES.W. Diferentes autores do século XX têm procurado expressar a missão da igreja em termos de desenvolvimento. p. São Paulo: Nascente. 41). Missão integral. Rio de Janeiro: Co-edição. Parte XVI A MISSÃO DA IGREJA Uma perspectiva latino-americana Uma das questões mais cruciais da missiologia é a definição do próprio conceito de missão. (4) Para uma compreensão importante sobre a responsabilidade da Igreja com a natureza.. V. ed.B. 1998. Geisler (O cristão e a ecologia). MASTON. Tetsunao et al. PADILLA. Robert C. São Paulo: Bompastor. Revitalizando a igreja.LINTHICUM.”1 Hoje é mais comum falar-se em evangelismo e responsabilidade social. Niterói: Vinde. Rio de Janeiro: Juerp. John R. A missão da igreja. Ricardo. A igreja e o mundo. 33). Servindo com os pobres na América Latina: Modelos de ministério integral. Curar também é tarefa da igreja. (2) Para um argumento interessante contra este reducionismo evangélico (a polarização teológica ente evangelização e ação social) veja Manfred Grellert (1987. O cristão em uma sociedade não cristã. 1989. Série Lausanne. diálogo inter77 . ZANDRINO. O PACTO de Lausanne. René. 1988. Belo Horizonte: Missão Editora. Uma antiga abordagem foi o debate em torno de evangelização e “civilização. 1992. 1994. 41-43). 3. (1) Veja Manfred Grellert (1987. T. MISSÃO da igreja e responsabilidade social: Teses do congresso batista de ação social. O que se deve entender por missões cristãs? Quais são a natureza e os objetivos da missão da igreja? Evidentemente essas perguntas podem receber uma grande variedade de respostas a partir de diferentes pressupostos e compromissos teológicos. 1987. 1988. org.

religioso, justiça e paz, diaconia e outros conceitos. Certamente este é um assunto controvertido, mas também sumamente importante para a igreja e para os cristãos individuais. Como pode a igreja ser o que deve ser e fazer o que deve fazer se não tiver uma clara compreensão acerca do seu propósito na sociedade e no mundo? O objetivo deste estudo é abordar o tema a partir da perspectiva de Samuel Escobar, um dos mais destacados missiólogos evangélicos contemporâneos da América Latina. A escolha de Escobar justifica-se por várias razões. Ele tem um profundo conhecimento da situação religiosa, social e política da América Latina, tendo trabalhado em vários países como pastor e missionário; é um teólogo, escritor e orador extremamente articulado e criativo; tem sido um líder respeitado em círculos missiológicos e teológicos; tem estado em diálogo constante com representantes de grupos e movimentos importantes do cristianismo latinoamericano e mundial; finalmente, por vários anos ele tem sido professor em instituições teológicas norte-americanas, o que o coloca numa posição privilegiada para falar a uma audiência mais ampla e levar ao primeiro mundo uma valiosa perspectiva do terceiro mundo acerca de missões. Nossa análise começa com um retrospecto histórico da discussão missiológica protestante na América Latina. A seguir, iremos fornecer algumas informações biográficas sobre Samuel Escobar, fazer um apanhado dos principais movimentos de que tem participado e apresentar alguns dos principais temas e ênfases da sua reflexão missiológica. Ao longo dos anos, Escobar tem defendido um conceito de missão que é ao mesmo tempo bíblico, evangélico, contextual e sensível às complexas realidades espirituais, políticas, sociais e econômicas da América Latina. Criticando os modelos missionários reducionistas ou dicotômicos, ele propõe um programa que implica em levar o evangelho integral ao ser humano integral, na amplitude de suas necessidades e relacionamentos. Concluiremos o estudo acrescentando algumas de nossas próprias convicções a respeito do tema em questão, ou seja, a missão da igreja na sociedade. I. ANTECEDENTES A reflexão sistemática e abrangente sobre o trabalho missionário protestante na América Latina foi desencadeada pela célebre Conferência Missionária Mundial, realizada em Edimburgo em 1910.2 Todavia, esse estímulo ocorreu às avessas, uma vez que somente foram convidadas para a conferência as sociedades missionárias que atuavam entre povos não-cristãos.3 Isso excluiu a América Latina do âmbito daquele encontro, sendo admitidas apenas as missões que trabalhavam entre as tribos pagãs desse continente. Durante a conferência, Robert E. Speer (1867-1947), o secretário executivo da Junta de Missões Estrangeiras da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, convidou vários delegados interessados na América Latina a se reunirem informalmente para discutir como essa lacuna poderia ser suprida. Como 78

resultado desses entendimentos, realizou-se em Nova York, em março de 1913, uma conferência sobre missões na América Latina, sob os auspícios da Conferência de Missões Estrangeiras da América do Norte.4 Essa conferência criou a Comissão de Cooperação na América Latina (CCLA), tendo como presidente o próprio Robert Speer e como secretário executivo Samuel Guy Inman. Por sua vez, a CCLA patrocinou o Congresso de Ação Cristã na América Latina, reunido no Panamá em fevereiro de 1916, o maior encontro das forças protestantes desse continente realizado até aquela data. O Congresso mostrou a necessidade de maior cooperação em áreas como educação religiosa, missões, literatura e formação teológica. Mais especificamente, suas metas principais foram a evangelização das classes cultas, a unificação da educação teológica através de seminários unidos, o desejo de dar uma dimensão social ao trabalho missionário na América Latina e o esforço em promover a unidade protestante.5 Na realidade, o Congresso do Panamá foi uma reunião de representantes de juntas missionárias estrangeiras, antes que um encontro de líderes protestantes latino-americanos. Dos 230 delegados oficiais, apenas 21 eram latino-americanos natos.6 Mesmo assim, o evento produziu a primeira discussão séria do protestantismo latino-americano e estimulou a criação de órgãos cooperativos regionais em vários países. Por outro lado, o Congresso do Panamá revelou duas ênfases que se tornariam problemáticas para os evangélicos latino-americanos: uma atitude simpática para com a Igreja Católica e uma forte influência do “evangelho social.” Como resultado do encontro do Panamá, nos anos seguintes realizaram-se dois congressos missionários regionais. O primeiro, denominado Congresso de Ação Cristã na América do Sul, reuniu-se em Montevidéu, Uruguai, em 1925. Aqui, embora a participação de latino-americanos tenha sido maior (o pastor presbiteriano brasileiro Erasmo Braga foi eleito presidente do congresso), os norte-americanos ficaram a cargo da organização e presidiram todas as comissões. Finalmente, em 1929 reuniu-se em Havana o Congresso Evangélico Hispano-Americano, presidido pelo metodista mexicano Gonzalo Baez-Camargo. Desta feita, o congresso foi inteiramente organizado e conduzido por latinoamericanos e as ênfases recaíram sobre a nacionalização e o auto-sustento das igrejas evangélicas. Uma segunda série de encontros do protestantismo latino-americano foi representada por três Conferências Evangélicas continentais: CELA I (Buenos Aires, 1949), CELA II (Lima, 1961) e CELA III (Buenos Aires, 1969).7 Essas conferências estavam ligadas às denominações históricas, que rapidamente tornavam-se minoritárias no contexto geral do protestantismo da América Latina. O protestantismo ecumênico das CELAs recebia a influência do protestantismo histórico declinante do hemisfério norte, buscava aproximar-se do catolicismo posterior ao Concílio Vaticano II (1962-1965) e procurava responder à difícil situação social do continente com uma teologia radical, que eventualmente 79

identificou-se com a célebre “teologia da libertação.” A teologia da libertação adquiriu notoriedade no âmbito católico romano com a segunda assembléia da Conferência Episcopal Latino-Americana (CELAM), reunida em Medellín, Colômbia, em 1968.8 Anos antes, em 1962, os protestantes haviam criado a organização Igreja e Sociedade na América Latina (ISAL), após uma consulta realizada em Huampaní, Peru, no ano anterior. Ela tornou-se o centro de convergência dos teólogos protestantes da libertação, tendo como órgão o periódico Cristianismo e Sociedade. Em 1972, as duas correntes teológicas puseram-se em contato no I Congresso Latino-Americano de Cristãos pelo Socialismo, realizado em Santiago do Chile. Ao lado das Conferências Evangélicas continentais (CELAs) e do ISAL, o protestantismo ecumênico latino-americano criou várias estruturas paraeclesiásticas com o fim de promover os seus objetivos. Alguns organismos importantes são ou foram os seguintes: Movimento Estudantil Cristão (MEC), União Latino-Americana de Juventudes Evangélicas – depois, Ecumênicas (ULAJE), Agência de Serviços Ecumênicos Latino-Americanos (ASEL), Comissão Evangélica Latino-Americana de Educação Cristã (CELADEC), Coordenadoria de Projetos Ecumênicos (COPEC) e Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI).9 Uma característica desse protestantismo ecumênico era o crescente declínio do seu ímpeto evangelizador, em contraste com a vitalidade das igrejas vinculadas a missões independentes ou ao movimento pentecostal, que mantinham o seu vigor evangelístico apesar das debilidades da sua teologia. Do seio desse protestantismo majoritário surgiu o impulso para os Congressos LatinoAmericanos de Evangelização, que constituem a terceira das séries mencionadas acima: CLADE I (Bogotá, 1969), CLADE II (Lima, 1979) e CLADE III (Quito, 1992). O CLADE IV deverá realizar-se em setembro do ano 2000 no Equador.10 O primeiro CLADE foi organizado pela Associação Evangelística Billy Graham, sob o impulso do Congresso Mundial de Evangelização (Berlim, 1966), convocado pela revista evangélica Christianity Today. O CLADE I permitiu que líderes preocupados em relacionar a fé evangélica com a realidade latino-americana compartilhassem as suas inquietações. Para Valdir Steuernagel, esse congresso teve duas marcas distintivas: Manifestou com clareza que, na América Latina, somos e queremos ser evangélicos. E, como evangélicos, somos e queremos ser latino-americanos. Naquela ocasião e naquele contexto, tornava-se urgente que, sendo evangélicos, buscássemos uma teologia da encarnação que estabelecesse as pautas para um diálogo com a situação de sofrimento e opressão que se vivia em toda a América Latina.11 Foi no CLADE I que se articulou a criação da Fraternidade Teológica LatinoAmericana, organizada no ano seguinte em Cochabamba, Bolívia, tendo Pedro Savage como seu primeiro secretário e Samuel Escobar como seu primeiro 80

presidente. Escobar assim expressou os objetivos da Fraternidade: Desde o primeiro momento, a FTL procurou ser uma plataforma de encontro e diálogo teológico da qual participassem pastores, missionários e pensadores evangélicos, dentro do marco evangélico de uma lealdade comum à autoridade bíblica e à fé evangélica como base da reflexão e de um compromisso ativo com o cumprimento da missão cristã.12 Por sua vez, a Fraternidade Teológica Latino-Americana convocou os CLADEs posteriores, inclusive o que irá realizar-se no ano 2000.13 A Fraternidade procurou estar tão consciente da problemática social latino-americana quanto o grupo ISAL, mas ao mesmo tempo preocupou-se em abordar a questão de uma perspectiva que entendia ser mais bíblica e equilibrada. Ela é também mais representativa do protestantismo popular da América Latina que a sua congênere ecumênica. Entre os seus participantes mais destacados e influentes está o líder que é o enfoque principal deste artigo — Samuel Escobar.14 II. DADOS BIOGRÁFICOS E ESCRITOS Samuel Escobar nasceu no Peru e freqüentou uma escola missionária inglesa em Arequipa. Em 1956, ele recebeu o seu grau de mestre em artes e educação na Universidade de São Marcos, em Lima, após o que dedicou-se ao ensino nos níveis primário, secundário e superior. Em 1959 Escobar tornou-se o secretário itinerante da Fraternidade Internacional de Estudantes Evangélicos (International Fellowship of Evangelical Students) — representada no Brasil pela Aliança Bíblica Universitária —, visitando praticamente todos os países da América Latina. Ele trabalhou como missionário entre estudantes universitários na Argentina e no Brasil15 e foi diretor da Comunidade Evangélica Kairós, em Buenos Aires. Alguns anos depois, ele fez o curso de doutorado em filosofia (Ph.D.) na Universidade Complutense de Madri e eventualmente trabalhou como secretário da Fraternidade Cristã Universitária (Inter-Varsity Christian Fellowship) do Canadá, com sede em Toronto.16 Escobar foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Fraternidade Teológica Latino-Americana (1970-1984) e de 1979 a 1985 ocupou o cargo de secretário geral da Fraternidade Internacional de Estudantes Evangélicos. Nas décadas de 1960 e 1970, ele e outros teólogos latino-americanos tornaram-se bem conhecidos em círculos evangélicos e ecumênicos internacionais através de sua participação em importantes conferências. Além disso, há muitos anos ele é membro da Comissão Teológica da Fraternidade Evangélica Mundial (World Evangelical Fellowship), tendo participado de muitas de suas consultas ao redor do mundo.17 Atualmente, Samuel Escobar é presidente das Sociedades Bíblicas Unidas e professor titular de missiologia no Seminário Teológico Batista do Leste, em Filadélfia, Estados Unidos.18 Ele também leciona sobre missões em seu país natal, o Peru.

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Samuel Escobar é autor de vários livros sobre teologia e missiologia: Diálogo entre Cristo y Marx (1967), Quien es Cristo Hoy? (1970, com C. René Padilla), Decadencia da la Religión (1972), Christian Mission and Social Justice (1978, com John Driver), Irrupción Juvenil (1978), La Fe Evangelica y las Teologías de la Liberación (1987), Evangelio y Realidad Social (1988), Liberation Themes in Reformational Perspective (1989), Paulo Freire: Una Pedagogia Latinoamericana (1993), entre outros. Um dos seus livros mais recentes é Desafios da Igreja na América Latina: História, Estratégia e Teologia de Missões, publicado em 1998 pela Editora Ultimato. Escobar também escreveu diversos ensaios que foram publicados como capítulos de livros. Alguns títulos representativos podem dar-nos uma idéia de seus temas prediletos: “Social Concern and World Evangelism,” em Christ the Liberator (1971); “The Social Impact of the Gospel,” em Is Revolution Change? (1972); “Evangelism and Man´s Search for Freedom, Justice and Fulfillment,” em Let the Earth Hear His Voice (1974); “The Role of Translation in Developing Indigenous Theologies: A Latin American View,” em Bible Translation and the Spread of the Church (1990); “Latin America,” em Toward the Twenty-First Century in Christian Mission (1993); “A Pauline Paradigm of Mission: A Latin American Reading,” em The Good News of the Kingdom (1993); “La Presencia Protestante en America Latina: Conflicto de Interpretaciones,” em Historia y Misión: Revisión de Perspectivas (1994); “The Church in Latin America after Five Hundred Years” e “Conflict of Interpretations of Popular Protestantism,” em New Face of the Church in Latin America: Between Tradition and Change (1994); “The Search for a Missiological Christology in Latin America,” em Emerging Voices in Global Christian Theology (1994); “The Training of Missiologists for a Latin American Context,” em Missiological Education for the Twenty-First Century (1996); “Religion and Social Change at the Grass Roots in Latin America,”19 em The Role of NGOs: Charity and Empowerment (1997). Finalmente, seus numerosos artigos têm aparecido em renomados periódicos como Evangelical Missions Quarterly, Evangelical Review of Theology, International Bulletin of Missionary Research, Transformation, Missiology e International Review of Mission, entre outros. Uma vez mais, os próprios títulos de alguns artigos representativos dão uma clara idéia dos principais temas com os quais Escobar tem trabalhado ao longo dos anos: “The Social Responsibility of the Church in Latin America” (EMQ, 1970), “Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America” (IBMR, 1982), “Transformation in Ayacucho: From Violence to Peace and Hope” (Transformation, 1986), “Missions and Renewal in Latin American Catholicism” (Missiology, 1987), “Recruitment of Students for Mission” (Missiology, 1987), “Has McGavran´s Missiology Been Devoured by a Lion?” (Missiology, 1989), “From Lausanne 1974 to Manilla 1989: The Pilgrimage of Urban Mission” (Urban Mission, 1990), “A Movement Divided: Three Approaches to World Evangelization Stand in Tension with One Another” (Transformation, 1991), “Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological Christology” (Missiology, 1991), “Mission in Latin America: An Evangelical Pespective” (Missiology, 1992), “The Elements of Style in Crafting New International Mission Leaders” (EMQ, 1992), “500 Years after Columbus: Requiem 82

golpes militares. a mensagem bíblica em geral. por um lado. pastores. sendo bastante crítico da sua teologia/ideologia. “The Legacy of John Alexander Mackay” (IBMR.or Te Deum?” (EMQ. em particular depois de 1966. A igreja deve proclamar Jesus Cristo como Salvador e Senhor porque os seres humanos carecem tanto de reconciliação com Deus quanto de dignidade e integridade em sua vida neste mundo. especialmente através dos movimentos de que participou a partir da década de 1960. e os ensinos e o ministério de Jesus em particular. que ele não tem nenhuma conexão particular com as correntes da teologia da libertação que foram e ainda são uma expressão importante da teologia latinoamericana. violência política. os evangélicos começaram a constituir uma comunidade verdadeiramente global com uma visão abrangente de missões. Tendo vivido em um período de grande turbulência na história latino-americana. professor e teólogo.21 Isto significa. tanto católica quanto protestante. Sua identidade latino-americana também é essencial para a reflexão e os envolvimentos teológicos de Escobar. Ele observa que. o evangelho tem relevância para a totalidade da vida. Por outro lado. e a igreja deve partilhar desse interesse de Deus. Escobar e alguns colegas sentiram que não era suficiente pregar um evangelho puramente espiritual. mostram o interesse de Deus por todas as necessidades humanas. Para ele. ele está longe de partilhar das idéias e compromissos do fundamentalismo. evangélica conservadora e católica. marcado por injustiça e opressão generalizada. “The Whole Gospel for the Whole World from Latin America” (Transformation. Escobar tem um profundo interesse em missões. Em seu livro Mission Theology. leigos e líderes cristãos — a compartilhar essa visão. III.20 As influências recebidas por Escobar. Conseqüentemente. “Missions´ New World Order: The Twenty-First Century Calls for us to Give up our Nineteenth-Century Models for Worldwide Ministry” (Christianity Today. ajudam a entender as preocupações reveladas pelos títulos dos seus escritos. especialmente em um contexto de pobreza e sofrimento. REFLEXÃO TEOLÓGICA E ENVOLVIMENTOS Samuel Escobar identifica-se como um evangélico. Rodger C. 1993). o ano em 83 . “A Missiological Approach to Latin American Protestantism” (IRM. O evangelho tem implicações sociais e políticas revolucionárias que não podem ser omitidas. 1994). em meados da década de 60. “Beyond Liberation Theology: A Review Article” (Themelios. Como pastor. Escobar considera sua tarefa articular essa missiologia holística e inspirar outras pessoas — estudantes. Para ele. 1992). líder de movimentos estudantis. 1998). 1994). ele sempre interessou-se pela missão da igreja. especialmente entre 1948 e 1975. regimes ditatoriais e caos sócioeconômico. como indivíduos e como membros da sociedade. 1992). Bassham descreve o desenvolvimento das teologias de missão ecumênica.

25 No entanto. dotadas de uma liderança nacional bem-treinada.24 Na convenção de 1970. Ele e outros oradores da América Latina desafiaram os evangélicos norte-americanos a reconhecer a necessidade de promover justiça social e reformas políticas como parte dos seus deveres como cristãos. Para Bassham. No Congresso Mundial de Evangelização (Berlim. Escobar falaria apaixonadamente sobre a necessidade de se estabelecer uma relação entre as preocupações sociais e a evangelização mundial.que eles patrocinaram duas grandes conferências mundiais sobre missões e evangelização. Bassham observa que “as apresentações e discussões de Lausanne mostraram um espírito de abertura. Estes por sua vez contribuíram para o Congresso Internacional de Evangelização Mundial (Lausanne. a luta em torno da relação entre evangelização e ação social. que evocou manifestações de opinião de toda a comunidade evangélica. Ele exortou os missionários a superar a mentalidade paternalista. Escobar foi ouvido pela primeira vez por grandes audiências internacionais nas convenções da Fraternidade Cristã Universitária realizadas em Urbana. Bassham identifica vários desdobramentos importantes: os primórdios de uma teologia evangélica de missão altamente representativa (a Declaração de Wheaton). nos anos 60. imperialista e colonialista. e o crescente número de vozes evangélicas provenientes de fora da América do Norte.”26 Uma das grandes influências nas deliberações do congresso veio através das contribuições de 84 . 1974). 1974). O Congresso Mundial de Evangelização (Berlim. à medida que os participantes se debatiam com as questões da teologia de missão no mundo contemporâneo. o Pacto de Lausanne demonstra que “os evangélicos desenvolveram uma teologia de missão amadurecida. Nesse contexto. positiva e consistente. à medida que evangélicos de todo o mundo começaram a empreender juntos uma análise da situação enfrentada por aqueles que estavam envolvidos com missões e evangelismo em todos os continentes. o principal forum internacional em que se ouviu a voz de Escobar foi o Congresso Internacional de Evangelização Mundial (Lausanne. Samuel Escobar estando entre eles. e capazes de atuar eficazmente em seu contexto local. o forte impacto do conceito de “crescimento da igreja” sobre a teologia evangélica de missões. diversidade de perspectivas e profundidade de análise jamais alcançado anteriormente em uma assembléia evangélica. 1966) – a primeira grande reunião mundial de evangélicos no século XX – também estimulou congressos regionais de evangelização em vários continentes. a fim de permitir o surgimento de igrejas nativas alicerçadas na fé. Estados Unidos.”23 Em todos esses acontecimentos importantes houve uma decidida participação de teólogos latino-americanos. 1966).22 Os congressos de Wheaton e Berlim marcaram um novo estágio na emergência de uma identidade evangélica. Escobar estava entre os muitos líderes do terceiro mundo que falaram enfaticamente em prol das igrejas nativas.

classe. ela também produziu algumas mudanças bemdefinidas na teologia evangélica de missões. sexo ou idade. cultura. Lausanne abordou o tema abrangente da evangelização mundial. e não explorada. através do grupo de Discipulado Radical.” o Pacto de Lausanne declara: Afirmamos que Deus é tanto o Criador como o Juiz de todos os homens. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus.oradores do terceiro mundo. todavia afirmamos que tanto a evangelização como o envolvimento socio-político são parte do nosso dever cristão. O impacto de líderes como Samuel Escobar e C. O Pacto de Lausanne foi muito além das declarações evangélicas tradicionais. Embora a reconciliação com o ser humano não seja o mesmo que a reconciliação com Deus. Bassham cita as seguintes afirmações de Escobar: Uma espiritualidade sem discipulado nos aspectos diários da vida — sociais. devemos partilhar da sua preocupação com a justiça e a reconciliação em toda a sociedade humana e com a libertação dos homens de todo tipo de opressão. Também aqui manifestamos o nosso arrependimento. Ao contrário.. econômicos e políticos —. Orlando Costas e Samuel Escobar proferiram as declarações mais fortes no sentido de que a preocupação com as necessidades sociais da humanidade e o envolvimento com as mesmas é uma parte necessária do testemunho e da responsabilidade dos cristãos em favor do mundo. toda pessoa.. religião. nem a libertação política seja salvação. tanto pela nossa negligência quanto por às vezes termos considerado a evangelização e a preocupação social como mutuamente exclusivas. é o interesse pela integridade do Evangelho que nos motiva a acentuarmos a sua dimensão social. até mesmo ao ponto de se esforçarem pela mudança das estruturas sociais. Oradores latino-americanos como René Padilla. René Padilla. De uma vez por todas. Enquanto que a orientação teológica de Lausanne permaneceu firmemente evangélica.27 Muitas vezes durante o congresso os participantes afirmaram ter um interesse profundo e permanente pela ação social em favor dos pobres e necessitados. acentuando a autoridade da Bíblia. Em seu capítulo sobre a “Responsabilidade Social Cristã. foi de especial importância. Portanto.28 85 . cor. a singularidade de Cristo e a necessidade da evangelização. devemos rejeitar a falsa noção de que a preocupação com as implicações sociais do evangelho e as dimensões sociais do testemunho cristão resultam de uma falsa doutrina ou de uma ausência de convicção evangélica. do discipulado cristão e da renovação da igreja. é religiosidade e não cristianismo. não importa qual seja a sua raça. tem uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida. nem a ação social seja evangelismo. demonstrando que o evangelismo bíblico é inseparável da responsabilidade social. referindo-se com isso ao ministério e à missão total da igreja.

Samuel Escobar teve uma importante participação no Primeiro Congresso Latino-Americano de Evangelização (CLADE I. que envia o evangelista. planejado em resposta a pedidos de delegados latino-americanos presentes no Congresso de Berlim. Sustentamos que uma evangelização que não toma conhecimento dos problemas sociais e que não anuncia a salvação e a soberania de Cristo dentro do contexto no qual vivem os que ouvem. Naquele ano.29 Dentre os 28 discursos principais.”34 Ele argumenta que os evangélicos latino-americanos escolheram o Pacto de Lausanne como uma expressão do seu consenso doutrinário básico e do seu claro compromisso com um modelo de missão integral e bíblico. injustiça.35 Em um capítulo sobre a América Latina que escreveu para o livro Toward the 86 . além do CLADE I.. Samuel Escobar e C. em Buenos Aires. a sua apresentação sobre a responsabilidade social da igreja recebeu a atenção mais entusiástica. do homem e do mundo. Bogotá. é levar às suas últimas conseqüências os ensinos a respeito de Deus. Apesar das diferenças existentes entre os dois movimentos. fome.”32 se os cristãos quisessem testemunhar fielmente em seu contexto sócio-cultural. levarmos a sério a nossa responsabilidade social.. uma das quais é o modelo ético-missiológico — missão da perspectiva de questões éticas — articulado por. Orlando Costas comenta que 1969 foi para os protestantes o que 1968 havia sido para os católicos (II Conferência Episcopal Latino-Americana.31 Essa ênfase achou lugar na Declaração Evangélica de Bogotá. que formam a base desse Evangelho.30 Escobar afirmou a certa altura: Existe base suficiente na história da Igreja e nos ensinamentos da Palavra de Deus para afirmar categoricamente que a preocupação pelo aspecto social do testemunho evangélico no mundo não é um abandono das verdades fundamentais do Evangelho. Ele argumentou eloqüentemente que tanto a evangelização quanto a ação social são necessárias para o testemunho cristão. os protestantes latino-americanos realizaram ainda outra grande conferência – a Conferência Evangélica LatinoAmericana (CELA III). 1969). é uma evangelização defeituosa.” Os participantes afirmaram que “o exemplo de Cristo devia ser encarnado na crítica situação latino-americana de subdesenvolvimento. entre outros. três anos antes. que afirmou: “É chegada a hora de nós. evangélicos. violência e desespero.No âmbito continental. que trai o ensino bíblico e não segue o modelo proposto por Cristo. de Jesus Cristo. essa terceira busca tem assumido várias formas. René Padilla. pelo contrário. de uma expressão mais autêntica de unidade cristã no empreendimento missionário e de uma reflexão missiológica mais séria e profunda. Em sua opinião. Costa vê nos documentos de ambos os eventos a emergência de novas tendências missiológicas caracterizadas por um tríplice interesse: a busca de um entendimento histórico de missões. em Medellín.33 O próprio Escobar acha que o seu modelo pode ser melhor descrito como “holístico. Colômbia).

Escobar menciona duas outras conferências missionárias latino-americanas. Assim sendo. iniciado por Donald McGavran em 1960. 1987) deixou de abordar conceitos básicos do entendimento de missões. 1976). testemunha-se o surgimento de uma nova teologia contextual que conclama à “integridade” da missão e procura associar o zelo evangelístico com a paixão holística. São Paulo.38 Ele acha que a base desse questionamento tem sido o compromisso claro com a tarefa de missões e evangelização. O que o movimento do Crescimento da Igreja necessita é o corretivo de uma sólida teologia bíblica. Eles não procurariam estabelecer prioridades nesses termos. que poderá nunca chegar.40 O que Escobar questiona é se uma pessoa pode realmente evangelizar anunciando a Cristo como Salvador e então deixar a questão do senhorio de Cristo sobre toda a criação para uma segunda etapa.39 Em resposta a um artigo de McGavran. Ele observa que os grandes missionários dos primeiros 1800 anos da igreja dificilmente fariam a distinção entre “espiritual” (evangelização) e “o resto. inclusive a clamorosa realidade de pobreza que circundava o próprio local em que se reuniram os delegados. ele concorda integralmente com dois pontos do apelo de McGavran: primeiro.37 Por essa razão. ambas realizadas no Brasil. somente em seu nome há salvação para a humanidade. Segundo. Escobar argumenta que o grande dilema para o qual a missiologia deve estar alerta é diferente: A obra missionária será realizada segundo o modelo de Jesus e a prática apostólica.” que McGavran faz. porque Jesus Cristo é Senhor. cujo pacto manteve a ênfase de Lausanne sobre a preocupação social como parte da missão da igreja: “Assim como no passado o chamado de Jesus Cristo e da sua missão foi um chamado para cruzar fronteiras geográficas. mas também o esforço consciente de executar essa tarefa segundo moldes bíblicos. ele lamenta o fato de que o Congresso Missionário Ibero-Americano (COMIBAM.Twenty-First Century in Christian Mission (1993).”36 Todavia. ou irá adotar as técnicas e padrões da sociologia 87 . Ele preocupa-se com a “missiologia gerencial” que dá ênfase à proclamação verbal e ao crescimento numérico de adesões à igreja como o principal componente das missões cristãs. Reagindo contra o triunfalismo fácil das estatísticas e a tirania do controle de dados. como evangélico. Uma delas foi o Primeiro Congresso Missionário Latino-Americano (Curitiba. Escobar é um crítico rigoroso do movimento do Crescimento da Igreja. Escobar afirma que. hoje o Senhor está nos chamando para cruzarmos as fronteiras da desigualdade. Escobar acredita que o êxito do avanço protestante na América Latina deve ser interpretado fazendo-se perguntas sérias sobre o seu dinamismo transformador e a sua contribuição para a justiça nas relações sociais. a igreja nunca deve perder o seu senso de missão e do seu chamado para proclamar a Jesus Cristo como Salvador e Senhor. pois operavam com uma noção bíblica holística do ser humano. injustiça e idolatria ideológica. e essa singularidade de Jesus Cristo é essencial para a mensagem da igreja.

enfatize “o discipulado cristão como algo que implica em colocar a totalidade da vida debaixo do senhorio de Jesus Cristo. mas a única maneira disponível de encontrar aceitação social. Escobar e os seus colegas 88 . por um lado. Ele admite que a hermenêutica evangélica necessitar ser constantemente purificada de pressuposições ideológicas. o evangelho era a verdadeira força libertadora nas vidas dos latino-americanos. é um movimento popular.funcionalista. alcançar dignidade humana e sobreviver ao impacto das forças anômicas que atuam nas grandes cidades. Escobar reafirma a ênfase evangélica na centralidade da Escritura e questiona a abordagem fortemente ideológica da interpretação bíblica demonstrada pelos teólogos da libertação. Com relação ao primeiro. Escobar declara que "para as massas em transição. ele admite que a missiologia evangélica está aprendendo a encarar a história missionária com uma atitude menos ingênua e mais madura. a Teologia da Libertação foi uma das conseqüências desse processo. Se. à medida que a Igreja Católica Romana latino-americana buscou nova relevância social e política. no início das missões protestantes na América Latina. ele aborda esse movimento na qualidade de “um observador-participante.45 A Teologia da Libertação confronta a missiologia evangélica com dois desafios. embora Escobar considere inadequadas a análise marxista e a “escatologia” da Teologia da Libertação."43 Ele observa que alguns pentecostais latino-americanos também escolheram o Pacto de Lausanne como expressão do seu compromisso com um modelo de missão holístico e bíblico. alguém que tem procurado ser um crítico e intérprete amoroso – um crítico severo em alguns pontos – do lado de dentro.”46 Na área da hermenêutica. Ele admite: “Nós não mais podemos aceitar uma missiologia que recusa-se a levar a sério as realidades políticas e sociais.”47 Contra o Cristo “docético” do catolicismo latino-americano tradicional. Escobar entende que a Teologia da Libertação é uma voz eloqüente que procura reinterpretar a história cristã e a mensagem cristã. Escobar vê com apreciação o dinamismo e o crescimento do protestantismo popular (pentecostalismo) na América Latina.”42 Ele destaca várias lições missiológicas que podem ser extraídas do impressionante crescimento do pentecostalismo latinoamericano: é um movimento religioso (e não social ou político). nas palavras de René Padilla. e apela a uma genuína cristologia missiológica que. do marketing e das relações públicas?41 Compreensivelmente.44 Em décadas recentes. A missiologia evangélica deve avaliá-la. Como evangélico. mobiliza as pessoas para a missão e cria um senso de comunidade. Ele observa como. um na área da consciência histórica e o outro na da hermenêutica. e a religião oficial uma força opressora. Escobar diverge da escola do Crescimento da Igreja. por outro lado ele não sente entusiasmo pela Teologia da Libertação. essas igrejas estão oferecendo não somente um abrigo ou refúgio no sentido mais limitado.

e como ele o está fazendo. Ele observa que tal missiologia “é caracterizada por uma forte ênfase hermenêutica que insiste na importância de ler o mundo e ler a Palavra. especialmente nas fronteiras de missão. crescimento da igreja. Escobar identifica essa reflexão missiológica que está vindo não só da América Latina. Escobar gostaria de ouvir as igrejas norte-americanas dizerem: “Vamos descobrir o que Deus está fazendo em outras partes do mundo.”48 Essa missiologia cristológica busca um novo modelo para inspirar e moldar a ação missionária. consciência histórica e preocupação pastoral. terceiro mundo) pudessem convergir em um movimento mais articulado e cooperativo para enfrentar a tarefa missionária do terceiro milênio. sobre como a sua obra e ensino são relevantes para todas as áreas da vida. tanto individual quanto social. experiência de vida. Há também uma preocupação quanto às marcas da missão de Jesus.”50 Em sua obra publicada recentemente em português. mas também da África e da Ásia.”51 Mais uma vez ele expressa o seu entusiasmo pelo protestantismo popular (pentecostalismo) devido a sua ênfase na mobilização 89 . mesmo que essa leitura signifique um exame incômodo e sério da herança evangélica. Essa reflexão inclui uma crítica do cristianismo evangélico na América Latina. ele argumenta que “nosso programa de treinamento na América Latina precisa ser elaborado com base em convicções bíblicas. Nesse sentido.”49 Ele argumenta que seria grandemente desejável para a globalização das missões e da teologia evangélica se as diferentes correntes missiológicas do evangelicalismo (européias. Nessas igrejas do hemisfério sul. Escobar cita novamente seu amigo René Padilla: “(O evangelicalismo) afirma o poder transformador de Cristo em relação ao indivíduo. como uma missiologia crítica da periferia. Escobar observa que a internacionalização das missões cristãs implica em reconhecer que Deus tem levantado igrejas grandes e florescentes no terceiro mundo. Em um artigo sobre a preparação de líderes de missões. mas é totalmente incapaz de relacionar o Evangelho com a ética social e a vida social. as igrejas dos pobres. Escobar aborda em cinco ensaios algumas de suas preocupações mais fundamentais. Há uma séria reflexão acerca daquilo que os evangelhos dizem sobre a pessoa e a obra de Jesus de Nazaré. Inicialmente. mencionada no início deste trabalho. O material bíblico é abordado a partir de várias perspectivas possuidoras de significado missiológico. com o entendimento de que ser seu discípulo é ser chamado por ele tanto para conhecê-lo quanto para participar da sua missão. Deus está despertando uma nova força missionária. ele destaca a importância do treinamento de missionários e missiólogos para o contexto latino-americano. e vamos unirnos aos nossos irmãos e irmãs a fim de completarmos a tarefa inacabada. Além disso. há uma busca do significado e da “integridade” do evangelho — Jesus Cristo é tanto o conteúdo quanto o modelo e o alvo da proclamação do evangelho.da Fraternidade Teológica Latino-Americana têm refletido sobre o Jesus dos evangelhos.

uma vez que está filiado à Igreja Menonita. algumas de suas suas ênfases certamente contariam com o aval de João Calvino e de muitos dos seus seguidores.dos leigos. vemos uma preocupação constante com as implicações sociais e comunitárias do Evangelho. os reformados têm acentuado um conceito abrangente acerca da missão da igreja. a dar uma grande ênfase ao papel do Espírito Santo nas missões cristãs. espírito de competição. Ele entende que “os evangélicos latino-americanos necessitam de um impulso renovado do Espírito Santo e de uma leitura nova e contextual da Palavra de Deus. em anos recentes. Após salientar o “fator novo” na história do cristianismo que é a transferência do dinamismo missionário para o hemisfério sul (África. Ainda que isso não deixe de ser importante. Escobar reconhece que. falta de uma eclesiologia clara e atitudes sectárias. seja em seus comentários.53 Finalmente. Isso tem levado Escobar. Ele encarece a necessidade de uma espiritualidade profunda aliada a uma preocupação igualmente intensa com as exigências éticas do evangelho.54 Historicamente. Escobar alerta os cristãos evangélicos para a necessidade de um constante processo de encarnação e contextualização que rejeita toda e qualquer forma de paternalismo e discriminação. fato que tem sido amplamente documentado por diversos pesquisadores. ele aponta que os evangélicos latino-americanos têm maior afinidade com os pietistas. Não precisamos concordar com tudo o que Samuel Escobar tem escrito. cartas. ao lado da sua anterior ênfase cristocêntrica. com sua ênfase na conversão de indivíduos ao evangelho. como a sua ênfase quase que exclusiva sobre as massas empobrecidas da América Latina como objeto da ação missionária da igreja. morávios e avivalistas dos séculos XVIII e XIX do que com os reformadores do século XVI. o nosso continente testemunha o crescimento cada mais acentuado de uma 90 . com sua notável interação entre reflexão e ação missionária. elas enfrentam os riscos do excesso de individualismo. Nos escritos do grande reformador. sermões ou nas Institutas. REFLEXÕES FINAIS Samuel Escobar não se identifica como um reformado ou calvinista. Ásia e América Latina). Sua biografia e envolvimentos revelam uma conexão preponderante com a tradição anabatista. e conclui com uma análise do modelo missionário de Paulo. Não obstante. que vai além da experiência religiosa pessoal para incluir a comunidade e o mundo. Na realidade. alguns pontos da sua missiologia merecem reparos.”52 Ao mesmo tempo que expressa sua admiração pelas igrejas populares. suas formas contextualizadas de culto e ação missionária e o destaque dado ao ministério do Espírito Santo e ao elemento de conflito espiritual relacionado com a missão da igreja. a partir da sua própria comunidade local. muito embora as suas práticas nem sempre tenham correspondido às suas convicções. Para superar esses problemas ele novamente propõe o modelo de missão integral.

Isso foi ilustrado de maneira extraordinária por 91 . Jesus Cristo. Ao lado disso. optaram decididamente por atividades de cunho social. Samuel Escobar e seus companheiros da Fraternidade Teológica LatinoAmericana fizeram um esforço sério no sentido de apresentar uma alternativa a essa teologia que fosse bíblica. as igrejas e cristãos individuais estavam na vanguarda de movimentos em prol da extinção do tráfico negreiro. como é caso de alguns recentes movimentos neopentecostais. A Bíblia fala de um Deus que toma a iniciativa. são o nosso grande paradigma de missão. da abolição da escravatura. Ao mesmo tempo que enviavam pregadores do evangelho para todos os quadrantes do mundo. que realmente correm o risco de tornar-se irrelevantes na sociedade caso não despertem para algumas dolorosas realidades que existem ao seu redor. devemos levar a sério os desafios desses líderes. Não obstante. como agente e instrumento de Deus. produziram a concepção dicotômica da missão da igreja que hoje observamos. tendo como alvo a conversão individual. muitos cristãos aderiram à agenda revolucionária da Teologia da Libertação. da reforma das prisões. coerência e clareza sobre a necessidade de um entendimento abrangente da tarefa da igreja no mundo. especialmente como reveladas no seu Filho.classe média significativa que também deve ser alvo do interesse da igreja. Escobar e seus colegas têm algo importante a dizer às igrejas evangélicas históricas da América Latina e do Brasil. poucos afeitos à pregação do evangelho. Eles demonstraram que as igrejas podem permanecer fiéis às suas convicções históricas e ao mesmo tempo adotar uma postura ousada e coerente em relação aos problemas sociais. Infelizmente. que busca a humanidade com amor e compaixão. ao passo que os liberais. na Europa e nos Estados Unidos. Como Escobar destaca. quando nosso continente foi sacudido por profundas convulsões políticas. evangélica e igualmente radical em suas implicações. que falam com convicção. as disputas teológicas tão bem exemplificadas pela controvérsia modernistafundamentalista nos Estados Unidos. Basta lembrarmos o intenso esforço de missões e de reforma social gerado pelos grandes despertamentos dos séculos XVIII e XIX. no início deste século. que quer dar vida e dignidade à sua criação. dando pouca atenção a alguns sérios problemas apresentados pelas mesmas. a atitude e as ações de Deus em relação ao mundo. do combate ao alcoolismo e de tantas outras causas nobres. Escobar tende a superestimar os valores positivos das igrejas populares. Num período conturbado da história recente da América Latina. da luta contra o trabalho infantil. ideológicas e sociais. pois que a igreja cristã em geral e as igrejas evangélicas de modo particular têm uma longa e honrosa tradição de “missão integral” ao mundo. notadamente nas áreas doutrinária e ética. Como cristãos brasileiros preocupados tanto com a missão da igreja quanto com as difíceis realidades sócio-econômicas de nosso país. Tal ocorrência seria um retrocesso histórico lastimável. Os conservadores em grande parte aferraram-se à idéia de que a missão exclusiva da igreja é a evangelização.

O reino de Deus e seus novos valores devem ser manifestos em todos os tipos de relacionamentos humanos. as famílias e as comunidades à reconciliação e nova vida em Jesus Cristo – certamente é básica e essencial. manifestou o interesse de Deus por todos os tipos de pessoas e pela pessoa integral. Jesus lutou e morreu na cruz.: O presente estudo é uma versão ampliada do artigo “Samuel Escobar e a Missão Integral da Igreja: Uma Perspectiva Latino-Americana. necessariamente fará com que a igreja enfrente as diferentes situações que afetam a vida humana neste mundo caído. Ele instruiu os seus seguidores a continuarem a sua obra de proclamação do reino (Jo 20. Ela é uma instituição singular. Latourette. ela também precisa expressar o interesse de Deus por toda a vida e espelhar a atitude daquele que disse: “Eu vinham para que tenham vida. Por causa do seu forte senso de missão. “Ecumenical Bearings of the Missionary Movement and the 92 . John R. Oldham. Speer. o propósito total de Deus para a humanidade e para a comunidade redimida. físicas e emocionais. a evangelização – convidar os indivíduos. Obs. praticidade ou. em seu ministério terreno. Essa mensagem.Jesus.” publicado em Vox Scripturae 8/1 (Julho 1998): 95-111. esses sublimes ideais nem sempre encontram plena expressão nas vidas diárias dos cristãos e das igrejas. Ver Kenneth S. Desde uma perspectiva evangélica. muitas vezes. Tudo deve ser colocado debaixo do propósito e do senhorio de Deus. quando. estatísticas e resultados rápidos não deve cegar a igreja para a integridade da missão. Evidentemente. com uma contribuição e uma mensagem singular. 1987). Inevitavelmente é levantada a questão das prioridades: uma vez que não podemos fazer tudo que Deus espera que façamos. Todavia. como Joseph H. se vivida até as suas últimas conseqüências. À medida que a igreja evangeliza. A Conferência de Edimburgo é considerada o berço do moderno movimento ecumênico. o importante livro de William R. O Cristo do Novo Testamento interessa-se por todas as necessidades humanas — espirituais. a sua mensagem e ações desafiam todas as áreas da vida particular e coletiva. Ver.” A igreja não deve ser reduzida a uma organização social ou a um grupo de pressão política como tantos que existem na sociedade. e a tenham em abundância. Hutchison. a esse respeito. Seus líderes.21s). É para essas implicações mais amplas do evangelho e da missão da igreja que cristãos comprometidos e inquiridores como Samuel Escobar chamam a nossa atenção. Errand to the World: American Protestant Thought and Foreign Missions (Chicago: The University of Chicago Press. Mott e Robert E. a preocupação com prioridades. vamos concentrar os nossos esforços no que é primordial – a evangelização – e as outras preocupações cuidarão de si mesmas. eram provenientes do movimento cristão de estudantes.

Entre os evangélicos conservadores. Sobre a sua relação com o Brasil. sexo. até Manaus. Rolando Gutiérrez. os presbiterianos Eduardo Carlos Pereira. duas realizaram-se na cosmopolita e culta Buenos Aires. Cheguei de avião. apaixonei-me por esse imenso país. Escobar. Daí o subtítulo utilizado: “Para considerar os problemas missionários relativos ao mundo não-cristão. Em 1959 e 1960 percorri como evangelista e discipulador um bom número de centros universitários. metade das inscrições é reservada para participantes pentecostais. Erasmo eventualmente tornou-se o secretário da Comissão Brasileira de Cooperação. Ruth Rouse e Stephen C. Nelson. entidade que promoveu o maior esforço cooperativo até hoje empreendido pelas igrejas evangélicas brasileiras e foi precursora da Confederação Evangélica do Brasil. com seus enormes problemas sociais e suas dinâmicas igrejas populares. entre outros. Ver Samuel Escobar. 13. no campo protestante destacaram-se José Miguez Bonino e Rubem Alves. Hugo Assmann. 35. Hogg. Outros nomes importantes no campo católico são Juan Luis Segundo. 3ª ed. Entre os latino-americanos presentes no congresso estavam apenas três brasileiros. Jon Sobrino. de Iquitos.” Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). Neste último aspecto. especial (Novembro 1978): 521. Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). “Los ‘CLADEs’ y la Misión de la Iglesia. René Padilla. um velho Catalina da Panair.” 22. autor de Uma Teologia da Libertação (1971). Henrique Dussel e Leonardo Boff. 20. ed. como jovem delegado peruano a um congresso mundial da juventude batista. na selva peruana. John Kessler e Wilton M. Os critérios de seleção procuram ser os mais abrangentes possíveis em termos de faixas etárias dos participantes.International Missionary Council. José Porfirio Miranda.. Dali percorri o Norte e o Nordeste. em 1953. Emílio A. Tito Paredes. eds. Os próprios locais dessas conferências e congressos são reveladores. Neill. o próprio Escobar afirma em uma obra recente: “Desde a minha primeira visita ao Brasil. “Los ‘CLADEs’ y la Misión de la Iglesia. Núnez e o brasileiro Valdir Steuernagel.” Pastoralia 1/2. Citado por Tito Paredes em “Visión Histórica de los ‘CLADEs’.” em A History of the Ecumenical Movement: 1517-1948. 1986). Das três CELAs. enquanto que todos os CLADEs ocorreram nos países andinos. o órgão cooperativo correspondente ao CLAI é a Confraternidade de Evangélicos da América Latina (CONELA). Álvaro Reis e Erasmo Braga. 131-32. O historiador Sidney Rooy identifica uma seqüência de três séries ou ciclos de encontros do protestantismo latino-americano. identidade étnica e filiação eclesiástica.” Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). até chegar a 93 . 353-402 (Genebra: World Council of Churches. Um dos primeiros e mais importantes articuladores dessa teologia foi o sacerdote peruano Gustavo Gutiérrez. “Panamá 1916 y su Impacto sobre el Protestantismo Latinoamericano.” William R. Outros membros bem conhecidos da Fraternidade Teológica são C. 1952). Ecumenical Foundations: A History of the International Missionary Council and its Nineteenth-Century Background (Nova York: Harper and Brothers.

ele foi editor de Certeza. nº 1 (abril 1983): 48-62. Por força de suas ocupações. Mais recentemente. “De Lausanne 1974 até Manilla 1989: a peregrinação da missão urbana”. nos primeiros anos da Aliança Bíblica Universitária. “o missiologista Samuel Escobar disse que um conceito holístico de missão conclama os cristãos a compartilhar tanto a vida espiritual quanto recursos materiais e a utilizar instrumentos espirituais. Pedro Arana.” Evangelical Review of Theology 7. MG: Editora Ultimato. 1997). “Transformação em Ayacucho: da violência à paz e esperança”.” os estudiosos estão utilizado o anglicismo “evangelical” para designar especificamente os evangélicos conservadores. um deles escrito por Escobar e três colegas latinoamericanos. Seu papel principal é ajudar os estudantes a considerar as missões cristãs no contexto da justiça econômica. como ocorre nos Estados Unidos. Segundo o Mennonite Brethren Herald. Valdir Steuernagel e Rodrigo Zapata. “500 anos após Colombo: Requiem ou Te Deum?”. 11. uma revista para estudantes universitários. historicamente. “Missão na América Latina: uma perspectiva evangélica”.” Samuel Escobar. entre 1962 e 1964. Por exemplo. “Além da teologia da libertação: artigo-resenha” e “Uma abordagem missiológica do protestantismo latino-americano. Desafios da Igreja na América Latina: História. “A nova ordem mundial das missões: o século XXI nos conclama a abandonarmos nossos modelos de ministério mundial procedentes do século XIX”. em março de 1998. órgão oficial da referida Comissão Teológica. o termo “evangélico” tem sido virtualmente sinônimo de “protestante. culturais e tecnológicos.” Como no Brasil.São Paulo. David Bosch 94 . “A Latin American Critique of Latin American Theology. “Teologia evangélica na América Latina: o desenvolvimento de uma cristologia missiológica”. “Elementos de estilo na formação de novos líderes missionários internacionais”. Por exemplo. “Um movimento dividido: três abordagens da evangelização mundial permanecem em tensão entre si”. publicou os trabalhos apresentados nessa consulta. “Além da teologia da libertação: missiologia evangélica na América Latina”. e diretor de Pensamiento Cristiano. Mackay”. “A missiologia de McGavran foi devorada por um leão?”. onde. A revista Evangelical Review of Theology. trabalhei como missionário na frente estudantil. Também publicado em Annals of the American Academy of Political & Social Science 554 (Nov 1997). “O evangelho inteiro para o mundo inteiro a partir da América Latina”. esta é a tradução dos títulos dos artigos de Escobar: “A responsabilidade social da igreja na América Latina”. na Coréia do Sul. “Missões e renovação no catolicismo latino-americano”. em distinção dos progressistas ou liberais. Escobar também foi responsável por vários periódicos. em nível de pós-gradução. “O legado de John A. “O recrutamento de estudantes para missões”. Escobar participou de uma conferência sobre economia e missões promovida pelo Concílio de Ministérios Internacionais das igrejas menonitas norteamericanas. Ver Samuel Escobar. em 1982 Escobar participou da Consulta de Teólogos do Terceiro Mundo.” Escobar também leciona no curso de Administração do Eastern College. Para os leitores não familiarizados com o inglês. publicado na Argentina. realizada em Seul. Estratégia e Teologia de Missões (Viçosa. um órgão de exposição do pensamento evangélico.

www.html.” em Missions and Theological Education in World Perspective. ed.” em Toward the Twenty-First Century in Mission. 262. 1975).. “Has McGavran´s Missiology been Devoured by a Lion?” Missiology 17 (Julho 1989). Evangelical.. 131. os delegados colocaram-se de pé e demonstraram a sua aprovação aplaudindo-o entusiasticamente. Ibid. Conn e Samuel F. Samuel Escobar. (3) evangelicais por confissão (como Peter Beyerhaus). The Lausanne Covenant: An Exposition and Commentary (Minneapolis: World Wide.” Missiology 20 (Abril 1992). 237. 1970). que recebeu 920 delegados de 25 países. Bassham. 350. que tentam unificar todos os evangelicais. Bassham. o surgimento de uma “teologia nacional” entre os evangélicos latino-americanos. Michigan: Urbanus. John Stott. (4) evangelicais pentecostais e carismáticos.menciona pelo menos seis tipos básicos: (1) novos evangelicais (como Billy Graham). “Latin America. “Holístico. Ibid. O COMIBAM deu uma forte ênfase à segunda vinda de Cristo. tratamento ou divisão em partes. procura tratar tanto a mente como o corpo. Ver Internet.” em Pensamiento Cristiano 93 (Março 1978): 170-175. James M. 104. Samuel Escobar. Coote (Grand Rapids: Eerdmans. 225. (2) evangelicais separatistas (como Carl McIntire e o seu Concílio Internacional de Igrejas Cristãs). 291.. Ibid. Quando Escobar concluiu sua palestra. Tópicos do Momento 3 (São Paulo: Vida Nova. Ibid.com. Escobar atribui ao CLADE I.homenet. Mission Theology. Mission Theology.. A palestra foi publicada na íntegra por Edições Vida Nova. 95 .br/cem/postura.” do grego hólos (“inteiro”. 295. 7-8. em contraste com a análise. A Responsabilidade Social da Igreja. 349-350. Ibid. 1984). Romen (Farmington. Rodger C... Esse congresso foi o berço da Fraternidade Teológica Latino-Americana. Orlando Costas. 1979). Festo Kivengere e Arthur Glasser). Ibid. “completo”). Phillips e Robert T. denota o que diz respeito a totalidades ou sistemas completos. “Mission in Latin America: An Evangelical Perspective. ed. Mission Theology: 1948-1975 – Years of Worldwide Creative Tension – Ecumenical. Ver Samuel Escobar. Ibid. 25. Samuel Escobar. “Missiology in Contemporary Latin America: A Survey. 133.. 187. por exemplo. 1993). Um bom exemplo das idéias de Escobar acerca da evangelização pode ser encontrado no seu artigo “Vivir y Evangelizar. Bassham. Ibid. Califórnia: William Carey Library. Harvie M. 231. and Roman Catholic (Pasadena. A medicina holística. René Padilla e Orlando Costas). 22. 244. (5) evangelicais radicais (como Samuel Escobar. e (6) evangelicais ecumênicos (como John Stott. Desafios da Igreja.

328.” em que revela o seu grande interesse pela dimensão pneumatológica da missão da igreja e conclama os evangélicos a estarem receptivos ao novo vento do Espírito que sopra na igreja. Mas avivamento? Já passamos por tanta confusão.” 241. “The Elements of Style in Crafting New International Mission Leaders. Outros se arrepiam imediatamente quando ouvem falar do assunto.. Samuel Escobar. 111. Desafios da Igreja na América Latina. “Amando a Deus e ao Próximo: João Calvino e o Diaconato em Genebra.. “Mañana – Discerning the Spirit in Latin America. É o caso de André Biéler. Samuel Escobar. Ibid. ó Senhor. Escobar. Escobar participou de mais uma consulta da Comissão Teológica da Fraternidade Evangélica Mundial. Escobar. Há poucos anos. gerando uma espiritualidade nova e radical. significa a inquietação. no sentido individual. Não é que não queiram que as igrejas sejam vivas e dispostas para a obra do Senhor. Ibid. 110. 316. e “Jonathan Edwards: Teólogo do Coração e do Intelecto. “Latin America. Waldyr Carvalho Luz (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana.” Escobar foi o autor de um dos seis estudos apresentados ao plenário. Não seria melhor evitar o assunto? Neste artigo estudaremos um pouco da história para ver se podemos descobrir algumas lições para os dias de hoje. “Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America. Samuel Escobar. mas de fato almejam um avivamento autêntico. Ver também. do autor do presente artigo. “Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological Christology.” Fides Reformata 2:2 (Jul-Dez 1997). “Anômicas” deriva de “anomia. 1990). Desafios da Igreja na América Latina.. 48."(1) Talvez não se expressem exatamente com estas palavras. tribulação e separação amarga. 72-87 Parte XVII APRENDENDO DA HISTÓRIA DOS AVIVAMENTOS Estamos vivendo numa época em que muitos membros das nossas igrejas oram: "Aviva a tua obra. 7. 69-88. teve como tema “Fé e Esperança para o Futuro: Por Uma Teologia Evangélica Vital e Coerente para o Século XXI. ao contrário. Escobar.” a instabilidade social resultante do colapso dos padrões e valores. sob o título “Discernindo o Espírito na América Latina. Não é possível repetir a história.” Fides Reformata 3:1 (Jan-Jun 1998).Escobar.” Evangelical Missions Quarterly 28 (Janeiro 1992). “Mission in Latin America. no decorrer dos anos. 19. mas podemos aprender com ela. 96 . Tal consulta. 108. Ibid. trad. alienação e incerteza que decorre da ausência de propósito ou ideais.. Ibid. 321. realizada em Londres de 9 a 14 de abril de 1996..” Evangelical Review of Theology 20/4 (Outubro 1996). O Pensamento Econômico e Social de Calvino. Ibid.” 134.” International Bulletin of Missionary Research 6 (Julho 1982). Samuel Escobar.” Missiology 19 (Julho 1991). 64.

As nossas igrejas no Brasil foram plantadas por missionários da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos. visão ampla. Era um homem preparado para o trabalho de Deus: conversão clara. mas por outro lado existiam muitos obstáculos à santificação. santificação constante e disposição incansável. Nesse caso.(3) Ele é considerado o "pai do presbiterianismo americano. mormente a embriaguez.. Muitas igrejas foram organizadas e já cinco anos depois o presbitério reuniu-se pela primeira vez em Filadélfia. Os "Pais Peregrinos" foram para o nordeste do continente (1620) e estabeleceram fortes colônias congregacionais. Foi adotada a ordem eclesiástica da Escócia.(4) Apesar do crescimento numérico das igrejas em geral. chamada consciente. Ele defendeu o seu próprio caso. Portanto. mas adoeceu gravemente devido à permanência no calabouço e foi promovido à glória. Nos lares crentes de fato havia leitura bíblica e o catecismo era decorado. Por volta de 1700 havia muitas famílias presbiterianas espalhadas por todas as colônias. só que não conseguiam vender o whisky a tempo. depois que foi quebrada a espinha dorsal marítima da Espanha com a derrota da sua Armada (1588). rebatizando-a como Nova York). A Inglaterra implantou colônias na América do Norte. Makemie foi preso por ter pregado em Nova York. Nesse país também houve várias épocas de avivamento com bênçãos e problemas incontáveis. como é que foi?" Voltemos. O Presbiterianismo na América do Norte O Brasil foi descoberto em 1500. até entre pastores. Os escoceses sabiam fazer isto. não é de estranhar que 97 . e os preços dos produtos da lavoura muito baixos. que ficou famoso na jurisprudência sobre a liberdade religiosa. o pastor podia ser pago em espécie e. E havia outros problemas. e também o seu selo e lema: Nec Tamen Consumebatur. mamãe. para a época que entrou na história como o "Grande Despertamento" (Great Awakening. especialmente escocesas-irlandesas. pior ainda. a não ser que pudessem ser industrializados. então. É que os colonos eram pobres." tendo organizado igrejas e até consagrado ministros. Muitos colonos viviam longe das igrejas e. Foi absolvido. era tentado a tomar uns tragos. iniciou o seu trabalho itinerante de Nova York até as Carolinas.. com a Igreja Anglicana como a igreja oficial. No ano seguinte. Foi na época em que Portugal e Espanha começaram a navegar pelos oceanos e fundar o seu império ibérico. Francis Makemie. Somente um século mais tarde nações protestantes começaram a zarpar pelos oceanos. sendo Virgínia a primeira (1607). a situação religiosa nas colônias não era boa. da Palavra de Deus. chegando em casa depois de uma longa cavalgada numa tempestade de neve. Vamos perguntar à nossa mãe espiritual: "Conte. Porém.(2) Os holandeses fundaram Nova Amsterdã (1614) com sua Igreja Reformada (mas os ingleses capturariam a colônia cinqüenta anos depois. O Senhor abençoou o seu trabalho. e em 1701 um jovem pastor do nordeste da Irlanda. o crescimento continuou e em 1717 organizou-se o primeiro sínodo. 17391745). I.

o jovem ministro Gilbert Tennent começou a pregar como o seu colega reformado (1733). o Rev. A gritaria de um certo James Davenport passou tanto dos limites. E essa purificação devia começar com o corpo ministerial. as distâncias eram grandes e as despesas altas. 10% da população americana da época."(7) A conversão era absolutamente necessária (inclusive para os presbiterianos) e essa conversão devia ser visível. referindo-se aos colegas como "cães mortos" e outros termos negativos. em dois anos mais de trinta mil pessoas foram ganhas. William Tennent. Então. que preparou uns poucos jovens para o ministério sagrado. o Senhor estava operando nas Igrejas Congregacionais do nordeste americano (1734) e algum tempo depois o Rev.(13) Apesar desses resultados positivos. Vários pastores não souberam controlar a sua língua. O Grande Despertamento. comparou-os a Zacarias e Isabel. tais como: a Lei não se aplicaria aos crentes. ou seja. a pregação de George Whitefield e de John Wesley levou muitas pessoas ao Senhor. como sempre ocorre quando o Senhor dá a sua bênção. houve problemas humanos.algumas pessoas reconhecessem que a igreja precisava ser purificada para tornar-se realmente uma igreja puritana. mas com um vocabulário por vezes muito veemente. Theodore era herdeiro de uma ênfase do puritanismo holandês.(14) Também puderam ser observados vários desvios teológicos. A sua oração diária era pela "purificação dos filhos de Levi. entre eles seus próprios filhos. mas infelizmente nem sempre zelavam pela ortodoxia e pela ortopraxia.(6) O casal Tennent era um exemplo de piedade e o próprio George Whitefield. e quando Whitefield fez uma campanha evangelística nas colônias (1739-1741). pois.(5) Havia algumas escolas para preparação de pastores no nordeste americano. recorreu-se ao sistema conhecido na Irlanda do Norte. o pastor de uma das Igrejas Reformadas holandesas.(9) Nesse sentido. Em 1740 ele pregou uma mensagem com um título apropriado sobre os perigos de um ministério não convertido. Jonathan Edwards pregou o seu célebre sermão "Pecadores nas mãos de um Deus irado" (1741). no seu humilde "colégio de toras" (Log College). mas o impacto do sermão de Gilbert foi mais amplo pelo fato de ter sido impresso. Um desses foi o velho Rev. Além disso. O próprio Gilbert Tennent abusou da palavra. que por sua vez tinha recebido muita influência do puritanismo inglês(10) não somente uma doutrina e fé bíblicas. Frelinghuysen. 1739-1745 Essa ênfase na pregação tinha sido (re)iniciada naquela região por "Dominie"(8) Theodore J.(12) Na Inglaterra. que até os seus correligionários o consideraram mentalmente fraco.(11) Ao mesmo tempo. isso não foi algo estranho ao puritanismo presbiteriano americano. Não era incomum o uso de linguagem violenta. Quando. que eram muitas por causa da antiga colonização holandesa e que continuaram a crescer mesmo depois da conquista de Nova Amsterdã pelos ingleses. se alguém não sabia quando estivera 98 . depois de visitá-los. tais como Harvard e Yale. mas também uma ética e comportamento bíblicos. II. em que candidatos ao ministério eram treinados na casa de um ou outro pastor com o dom de mestre.

uma frase de um dos seus 600 hinos: "Inspira a minha alma." implantou o trabalho presbiteriano na região de Richmond. O Cisma Presbiteriano. Colocaram no túmulo desse servo. zombaria e forte oposição dos tradicionalistas e de um certo radicalismo e farisaismo dos avivados.sem Cristo. ó graça real. que gostavam de cantar salmos em sua cozinha. o de Hanover (1755).(17) A Ala Nova é mais conhecida por causa do seu trabalho evangelístico. se alguém não sentia o sopro do Espírito Santo como um vento verdadeiro. afetando ambos os grupos como um vírus maligno. Nessa época. David Brainerd. Algumas irregularidades contra a ordem presbiteriana também azedaram as relações eclesiásticas. Davies teve o privilégio de batizar uns 150 deles. que resultou no primeiro presbitério do sul. mas não menos importante. Jonathan Edwards. Em primeiro lugar.(15) O cisma na Igreja Presbiteriana começou em 1741. Poucos meses depois. No seu diário ele anotou que de vez em quando acordava com uma torrente de melodias celestiais. que nos deixou o seu conhecido diário. na Virgínia (1747-1759)." Sete dos "protestadores" pertenciam ao Presbitério de Donegal. Menos conhecido. David trabalhou incansavelmente durante quatro anos entre os indígenas."(19) Um problema muito interessante era a tensão entre educação e missão. foi o trabalho de "missões nacionais" da Ala Nova. pisaram o direito eclesiástico. pelo esforço missionário transcultural de homens como o Rev. O grupo de tradicionalistas ficou conhecido como a "Ala Velha" do Sínodo de Filadélfia. veio a falecer por causa da varíola. Samuel Davies. e os avivados como a "Ala Nova" do Sínodo de Nova York. No início do sínodo daquele ano um grupo de doze ministros apresentou um documento chamado "Protestação. seria um crente carnal. praticaram uma lealdade dúplice por causa do seu corporativismo. III. que era presidente do colégio teológico de Princeton. e quatro deles deviam ser afastados do ministério por causa de problemas graves. já tensas por causa da frieza. Depois da sua ordenação. e toca meus lábios com fogo celestial. mas também aos escravos africanos.(18) Brainerd havia sido expulso do curso teológico de Yale por afirmar que um certo professor não tinha mais da graça de Deus do que uma cadeira. a sua noiva Jerusha também faleceu vitimada pela mesma enfermidade (1748). o Rev." que simplesmente declarava que os avivados não tinham lugar "neste concílio de Cristo. mas também faleceu depois de dois curtos anos. até sucumbir à tuberculose na casa do seu futuro sogro. Jonathan Edwards. Davies foi chamado para substituí-lo. também formado num "colégio (teológico) de toras. Não somente pregou aos colonos europeus. Dizendo-se leais a Cristo. que havia se tornado uma foco de oposição. não poderia ser considerado convertido.(16) Alegando apoio na Constituição Presbiteriana. 1741-1758 Infelizmente as tensões aumentaram tanto durante a época do Grande Despertamento. que pregava como o embaixador de um rei poderoso. O fato era 99 . que ocorreram divisões no corpo de Cristo.

sendo o próprio Gilbert Tennent o maior defensor dessa reunião. especialmente para os da Ala Velha. mas admitiram que houve falta de discernimento espiritual. Uma das alavancas foi o sofrimento comum causado pela guerra contra os franceses. basicamente por existir mais humildade nos dois lados. Também admitiram ser necessário que os pastores (e conseqüentemente os candidatos ao ministério sagrado). as duas alas conseguiram restabelecer a paz. porque uma vez envolvidos no ensino diário. pois os convertidos que apresentavam reações físicas (como arrepios. As duas correntes uniram-se novamente. No começo do cisma os avivados eram uma minoria. a paz entre os dois grupos deve ter sido um pouco difícil. que às vezes perdiam o contato com a igreja presbiteriana e filiavam-se a outras denominações.(23) Porém. Mas os que conseguiam fazer o curso teológico saíam como homens bem preparados. Não é que os presbiterianos não tivessem visão. gritos. eram bem-vindos como pastores e também como professores. tivessem uma experiência religiosa. por causa da maioria numérica da Ala Nova. o mais importante é que o clima havia se tornado mais ameno. congregações e pontos de pregação se multiplicavam. mal sobrava tempo para visitarem as congregações espalhadas.). Os tradicionalistas ainda tinham certas restrições. mas sem os frutos do Espírito Santo. O restabelecimento da união também foi possível porque ambos os lados haviam permanecido presbiterianos na doutrina e os renovados não tinham rejeitado o batismo dos filhos da aliança. Os colonos pediam que o pastor ensinasse seus filhos. Porém. Também reconheceram que as suas línguas não haviam sido batizadas pelo Espírito Santo quando usavam certas expressões pejorativas ao referirem-se aos seus colegas.(21) IV. mas reconheceram que erraram algumas vezes ao invadirem campos pastorais de colegas tradicionalistas sem serem convidados.(20) Mas o bom era o inimigo do melhor. 100 . Quando chegavam aos seus campos de trabalho. E a Lei do Senhor era sem dúvida uma norma de gratidão para a vida do crente convertido. em 1758 a Ala Velha tinha 23 pastores e a Ala Nova 73. mas havia falta de obreiros por causa das rigorosas exigências na educação teológica. e não somente uma fé formal. por outro lado. não respeitando assim as normas constitucionais. etc. mas reconheceram que de fato houve muitas conversões sinceras e permanentes. mas havia falta de pastores para atender aqueles vastos campos.que as igrejas. freqüentemente na então fronteira colonial. 1758 Depois de dezessete anos. sentiam ainda um profundo desejo de pregar em todo e qualquer lugar. desmaios. A Reunião. mas cresceram muito durante os anos da separação. Insistiram que o avivamento era uma obra santa do Senhor. estavam seriamente iludidos.(22) Os avivados. o que diminuia o número dos que podiam estudar. porque eram as pessoas mais educadas da comunidade.(24) Um pouco de estatística pastoral demonstra isto claramente: em 1741 a Ala Velha tinha 27 pastores e a Ala Nova 22.

Se não quisermos usar a palavra "avivamento. a "causa diurna" do crescimento maior da Ala Nova deve ter sido o trabalho evangelístico mais intenso e mais descentralizado dos irmãos avivados. Dos doze "protestadores" que iniciaram o cisma expulsando os avivados. O conceito de avivamento também é muito bíblico: retornar ao Senhor. ocultas à maioria. Aquela súplica — "Aviva a tua obra.(26) Embora a Ala Velha também tenha feito algo pelas missões nacionais. Sem dúvida. V. nem rejeitando as bênçãos incontáveis da obra do Senhor. A Ala Velha insistiu que os avivados tinham sido beneficiados pela imigração e fundos do Velho Mundo. foi como o historiador Trinterud afirmou: "Two sides. as missões sendo sempre um índice preciso do avivamento autêntico. não promovendo um avivamento pelo esforço próprio. Sim. Dia da Renovação da Aliança Devemos ainda acrescentar um parágrafo sobre as lições espirituais que emanam desse período. Talvez tenhamos de lembrar a distinção entre causas diurnas. E existiria ainda alguma "causa noturna"? Cremos que sim. no decorrer dos anos" — é uma oração ensinada pelo próprio Espírito Santo. santificação esta que é o alvo do Espírito Santo em cada efusão especial do poder do alto.De fato. no fim desse período. mas assim também o foram os tradicionalistas. E cada um de nós deve aplicá-las à vida. patentes a todos. two tides" (duas alas. humilhar-se e começar a ter uma vida purificada. Oremos para que aprendamos a andar em humildade. Um dia especial para enfatizar 101 ." os seus presbitérios faltaram com a disciplina fraternal.(27) Não devíamos perder o conteúdo por causa de uma palavra. ó Senhor. renová-la em todos os seus aspectos. a fim de não perdermos o verdadeiro avivamento. focalizando suas críticas em aspectos mais circunstanciais. E o Senhor nos convoca a renovarmos a aliança que ele estabeleceu conosco. quatro tinham problemas morais e. o avivamento não passa de emoção litúrgica. para que a igreja seja testemunha no tempo e no lugar onde Deus a colocou na história." para nós da tradição reformada uma expressão como "Renovação da Aliança" ajudaria muito a entender o que o Senhor quer de nós. e causas noturnas. infelizmente a "causa noturna" mais provável por que o braço tradicionalista da Igreja Presbiteriana americana murchou até mesmo durante o "Grande Despertamento" foi a falta de santificação. dependendo da nossa posição no processo histórico atual. à luz das Escrituras? Calvino certa vez disse o seguinte sobre aqueles que querem tirar uma série de aplicações de um texto bíblico: "A Escritura é frutífera em si mesma. produzindo mais frutos do Espírito Santo. significando reviver. mais quatro. no início a Ala Velha não reconheceu essa necessidade premente de santificação. Não deveríamos perdê-la por causa de abusos." Parece que as lições históricas neste caso são óbvias. O fato é que o avivamento real procura maior santificação em todos os setores da vida. "Avivamento" é uma palavra muito bíblica. começando pelo individual. duas marés). ou seja.(25) Mas qual teria sido a causa dessa diferença tão patente? Muito se tem discutido. ao todo dois terços do mesmo grupo! Em virtude do "corporativismo. Faltando essa característica essencial.

and the Log College (Greensboro. o crescimento e os problemas dessas igrejas reformadas (inclusive depois da conquista de Nova Amsterdã pelos ingleses em 1664). 1978). Ou talvez o dia de Pentecoste. Die Vorbereitung des Pietismus in der Reformierten Kirche der Niederlande bis zur Labadistischen Krisis. A. 102 . o dia do aniversário da igreja universal. realizou-se a primeira Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos. ver M. ver Gerald F. 5 Assim também Philipp J. 10 Wilhelm Goeters. ver W.2)! 8 Como eram chamados os ministros da Igreja Reformada Holandesa: dominie. 1971).3. 6 Sobre Tennent e sua escola. 1993). S. e sim para a sua glória. De Jong.essa renovação da aliança pode ser para nós presbiterianos o dia do aniversário da nossa igreja. W. The Dutch Reformed Church in the American Colonies (Grand Rapids: Eerdmans. e em 1789. Para o período colonial. 12 de agosto. 4 Adotado pela Igreja Presbiteriana da Escócia em 1635. Os Estados Unidos tornaram-se independentes em 1776. 1938). Hudson. absolutamente necessário. M. Notas 1 Habacuque 3. ver I. nos use. qualquer dia que seja. 1942). senão Deus amaldiçoará até as nossas bênçãos (Ml 2. 2 Para um resumo sobre religião na América do Norte. Religion in Colonial America (New York: Scribner’s. The Life Story of Rev. 7 Ml 3.. Francis Makemie (Grand Rapids: Eerdmans. incorporando muitos dos antigos huguenotes. Spener. não para o nosso próprio triunfalismo oco." 9 Sobre a posição oficial. NC: Greensboro Printing Co. Mas. Light in Darkness: The Story of William Tennent. do latim dominus. Bolland. publicado em 1675.2 (Almeida Revista e Atualizada). em seu famoso livro Pia Desideria ("desejos piedosos"). o grande líder do pietismo na Igreja Luterana da Alemanha. Religion in America (New York: Scribner’s. como é o desejo profundo de todo verdadeiro presbiteriano. Page. para a salvação de muitos perdidos. o ano em que a França sangrava por causa da revolução. ver W. Tennent. Sr. Sweet. 1670 (Amsterdam: T. seria um dia de oração e jejum para que o Senhor não nos lance fora. e para a santificação e edificação da igreja. ao contrário. a fim de que ela seja sal da terra e luz neste mundo tenebroso. 3 Sobre Makemie. "senhor.

Começou em Londres em 1717 e trinta anos depois já era influente na colônia americana. na Pensilvânia.1974). [1855]). 18 Ver Jonathan Edwards. ([London]: Ed. 25 Trinterud. como a Universidade de Pittsburgh. não ficou claro até agora. Para essa biografia do seu genro." 103 . Edwards baseou-se em grande parte no diário de Brainerd. SP: Editora Fiel. [1970]). 15 Os congregacionais dividiram-se em "Old Lights" e "New Lights. ver A. Dallimore. The Forming of an American Tradition (Philadelphia: Westminster Press. Banner of Truth Trust. 17 "The Old and New Side" do século XVIII não devem ser confundidos com "The Old and New School" do século XIX. no seu Art. "Irenicum Ecclesiasticum" (1749). Forming of an American Tradition." 16 Se houve também uma dupla lealdade por causa de ligações maçônicas. cap. Alexander. Sermons and Essays by the Tennents and their Contemporaries (Philadelphia: Presbyterian Board of Publication. 1993). Pecadores nas Mãos de um Deus Irado. 13 Sobre Whitefield. 8: "The Withered Branch. 24 O mesmo fenômeno de crescimento numérico ocorreu entre os congregacionais: na região de Boston havia nessa altura quase três vezes mais pastores avivados do que tradicionalistas. 1949). A. c. and touch my lips with heavenly fire. comp. George Whitefield. 11 L.. 14 A. J. 21 Valeria a pena um estudo aprofundado sobre as congregações da IPB que foram perdidas. 2 vols." 20 Dessas escolas paroquiais nasceram instituições educacionais conhecidas. A Vida de David Brainerd (São José dos Campos. o seu sermão publicado. 19 "Almighty grace." os batistas em "Regulars" e "Separatists. 3a. Nesse século XVIII de racionalismo.1993). Trinterud. 32. 22 Exigência incluída também na Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil. 23 Cf. ed. (São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas. my soul inspire. 12 Jonathan Edwards. a maçonaria era uma espécie de reação mística contra o árido deísmo.

. sem sombra de dúvida. etc Fonte: Revista Fides Reformata Parte XVIII AS QUATRO INDISPENSÁVEIS QUALIDADES Uma Igreja Missionária "E. O particípio presente leitourgountwn (servindo [ARA]. workshiping [NIV]). E ainda: 104 . do verbo leitourgéw. "servir em adoração"..3). jejuando. numa base missionária. com certeza. cresceu e frutificou. Existem muitos exemplos históricos. Histórico e Geográfico Pernambucano e Universidade Federal de Pernambuco. 2 Cr 29-30. Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado. deveriam inspirar todas as igrejas. disse o Espírito Santo: Separai-me. servindo eles ao Senhor e jejuando. Igreja missionária é igreja adoradora Atos 13. Piso e a Medicina Indígena (Recife: Instituto Arqueológico. nem sempre é essa a realidade em termos de igreja brasileira. Já a igreja de Antioquia era.27 2 Cr 7. "prestar culto a Deus".2 com o mesmo significado de latréw. Uma igreja só pode ser verdadeiramente missionária se for verdadeiramente adoradora e vice-versa. todo campo missionário deveria se tornar. O particípio presente indica ação contínua. e que. Mas por uma série de fatores que lamentamos. agora. um exemplo de igreja missionária. Ne 8. passando a ser oficialmente o portal da missão entre os gentios. 24. é empregado por Lucas em Atos 13.2 inicia assim: "E. e impondo sobre eles as mãos. 1980).".26 Ruy dos Santos Pereira.2. 23. Orlando Costas estava certo quando disse que "o culto está intrinsecamente relacionado com a ação de Deus na história e a conversão das nações ao Deus trino e uno". foram cuidadosamente observados e registrados por Lucas em Atos 13. e orando. Então. servindo eles ao Senhor.2. os despediram" (At 13.." a partir daquele momento a igreja de Antioquia não seria mais a mesma em termos de visão e ação missionárias. pois quando o Espírito Santo disse em Atos 13.14. "Separai-me agora . que o Espírito Santo preparou para receber a boa semente do evangelho.. obrigatoriamente. Como deve ser caracterizada a igreja evangélica brasileira em seu propósito de ser uma igreja verdadeiramente missionária no Brasil e no mundo? Biblicamente falando. como Js 5. isto é. Os princípios que nortearam a vida da igreja de Antioquia. A igreja que outrora foi campo.

O culto é a reunião do povo enviado ao mundo para celebrar o que Deus fez em Cristo e está fazendo mediante a participação deles na ação testemunhal do Espírito. Do outro lado. e uma evangelização que não leva os pecadores a adorarem a Deus está fora dos propósitos do próprio Deus. mas sim. Não é só uma atividade necessária ao sucesso da obra . Vemos. At 13. estamos falando da dicotomia existente entre culto e missões. só o fato do culto ser dirigido a Deus e as missões aos homens já definiria.é a obra em si. A missão é a culminação e antecipação do culto. Igreja é missões". por sua vez. Sem um o outro perde sua vitalidade e significado". Os defensores da segunda posição argumentam. De um lado temos os que insistem que "missões são a segunda mais importante atividade no mundo". Ambos são necessários. a questão da prioridade da igreja.O culto. E não estamos nos referindo à questão da evangelização e responsabilidade social. dividido e enfraquecido a igreja brasileira em nossos dias seja os constantes debates em torno da tarefa prioritária da igreja.42-47). ao mesmo tempo. porquanto celebra o que Deus tem feito por homens e mulheres em Jesus Cristo e os chama a receber e compartilhar o dom da graça de Deus. por sua vez. que é preciso mais que adoração. Pois uma adoração que não leva a igreja a evangelizar não passa de mera contemplação. É evidente que 105 . um povo de oração e testemunho". outro assunto desnecessariamente polarizado. Do mesmo modo. devem levar os perdidos a prestarem culto a Deus (cf. por si só. ou que "missões existem porque o culto não existe". então. É o resultado espontâneo da experiência da redenção. e missões. Será que precisamos mesmo priorizar uma tarefa em detrimento da outra. em sua dimensão humana. Ao contrário. o que deve ser considerado em primeiro lugar. At 2. que o culto deve levar a igreja a fazer missões (cf.44-49). Igreja missionária é igreja de oração José Martins disse corretamente: "A oração é a essência da obra missionária. a missão deve ser vista como um acontecimento cultual. "A liturgia sem missão é como um rio sem manancial. Para os defensores da primeira posição. tem quem afirme ser "um absurdo dizer que muitas são as responsabilidades da igreja. como temos visto na prática? Será que podemos afirmar que culto é mais importante que missões ou vice-versa? Mais uma vez contamos com o argumento equilibrado de Orlando Costas: Não existe dicotomia alguma entre culto e missão. "É preciso ter paixão pelos perdidos e obedecer ao ide de Jesus". surge da missão. quando vivida de maneira bíblica". É a prática mais missionária possível. a missão sem culto é como um rio sem mar. As opiniões são as mais variadas e extremistas até. No culto e na missão a comunidade redimida dá evidência concreta do fato de que é. Talvez um dos piores males que têm assolado. E a discussão não é se a igreja deve adorar ou evangelizar (embora às vezes é o que de fato acontece).

No verso 3. Além disso. que essas duas atividades devem vir interligadas uma na outra. jejuando e orando. conforme dissemos acima. e jejuando. e sim. a igreja estava em oração. No texto grego é a mesma coisa: nestéusantes kai proseuxamenoi. Mas se é o mesmo ou deixa de ser. primeiramente para mostrar que jejum e oração não são incompatíveis na vida de uma igreja e. do mesmo capítulo 13.". primeiro porque Lucas era gentio (provavelmente da cidade de Antioquia da Síria) e. Nem toda oração é feita em jejum. naquilo que se refere às práticas religiosas do judaísmo.. Paulo foi um homem de oração e recomendava às igrejas que orassem por ele e pela expansão do evangelho de Jesus Cristo." (v3). mais do que simplesmente orar. Agora.. Seria incoerente pensar que uma igreja que estava adorando a Deus e jejuando não estivesse em oração. a igreja de Antioquia foi uma das igrejas mais anti-judaicas do passado. respectivamente. Basta saber que a igreja de Antioquia era uma igreja de oração e que fazia da oração a base de sua missão.Martins não quer dizer que oração e missões são a mesma coisa. Implicitamente porque o versículo dois diz o seguinte: "E. qual o interesse dele em dar tanta ênfase a uma prática estritamente judaica? Segundo. Esta não seria uma forma inteligente de pensar. temos uma evidência explícita de que a igreja de Antioquia realmente orava naquela ocasião: "Então. 106 .2 e 3.. Quando o Espírito Santo ordenou que a igreja de Antioquia separasse Paulo e Barnabé para a obra que os tinha chamado. 2) Acreditamos que Lucas fez questão em enfatizar a prática do jejum pela igreja de Antioquia. Direta ou indiretamente o Concílio de Jerusalém de Atos 15 aconteceu em razão desse anti-judaísmocerimonialista. Nunca é demais enfatizar a importância da prática da oração na obra missionária. e não menciona a oração. servindo eles ao Senhor. Não sabemos ao certo se o jejum do verso 3 é o mesmo do verso 2. Em Atos 13. mas todo jejum bíblico é feito com oração. por isso mesmo. Esta verdade está implícita e explícita em Atos 13. A ordem das palavras é significativa e não pode ser menosprezada. a igreja de Antioquia era uma igreja que exercia a prática do jejum.. em segundo lugar. mostrar como esta prática era (e deve ser) valorizada no meio de uma igreja verdadeiramente missionária. Pela urgência do chamado do Espírito. É provável que o exemplo da igreja de Antioquia tenha marcado positivamente o ministério de Paulo. como tem feito a maioria dos autores que consultamos. Lucas coloca a palavra "jejuando" na frente de "orando". embora sabemos que ela também orava. não é tão importante sabermos.2 ele diz que a igreja jejuava. A ênfase de Lucas é importante por duas razões pelo menos: 1) Não devemos pensar que a igreja de Antioquia jejuava porque trazia resquícios do judaísmo. tudo indica que sim. O fato da igreja estar jejuando subentende-se que ela estava também orando. É impressionante a ênfase que Lucas dá ao jejum na igreja de Antioquia.

nunca existirá um dia de jejum neste país! Que o jejum deve ser praticado em dias de calamidades públicas não questionamos. intercedendo dia após dia pela obra missionária do Brasil 107 . Se o povo de Deus tiver que jejuar "em casos muito excepcionais de calamidades públicas. como guerras. ele faz exatamente o contrário. terremotos. etc. na prática é o que tem acontecido. Apesar da Igreja Primitiva ter vivido momentos de muitas provações. e falhado mais ainda em rogar ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a Sua seara. o contexto próximo (cap. foi morto mediante a intervenção de um anjo do Senhor. A igreja de Antioquia buscava a presença de Deus pelo simples prazer de estar servindo a Deus. 12) indica que a Igreja Primitiva. é recomendável a observância de dia de jejum ou. primeiro porque ele não expressa corretamente a realidade brasileira e também por não apresentar uma definição mais completa do verdadeiro conceito bíblico de jejum. XI). diga-se de passagem.24). porém. "a palavra do Senhor crescia e se multiplicava" (At 12. em casos muito excepcionais de calamidades públicas. aprendi: "Sem o propósito de santificar de maneira particular qualquer outro dia que não seja o dia do Senhor. Na minha própria denominação. Creio que o capítulo sobre jejum deveria ser revisto pela IPB. o que dizer então da prática do jejum em nossas igrejas? Acredito que as igrejas históricas têm falhado até agora em subestimar a importância do jejum na vida do povo de Deus. Não que o princípio fora escrito com o objetivo de desestimular quem quer que seja. terremotos. Mas será que devemos jejuar somente em casos muito excepcionais de calamidades públicas? Da forma como foi redigido o princípio para a prática de jejum na IPB. Enquanto isso.Se muitas de nossas igrejas têm falhado na prática da oração. Quantos são os membros destas igrejas que jejuam? Quantos de seus pastores jejuam? Muitos de nós mal oramos. Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). Pelo contrário. como guerras. Pedro havia sido libertado milagrosamente da prisão e um dos maiores inimigos da igreja.. estava vivendo um dos seus melhores dias.". de modo geral. conforme prescrevem os princípios de liturgia da IPB. pois a Bíblia nos dá vários exemplos disso. epidemias. o rei Herodes Agripa I. Que Deus conceda à igreja brasileira a graça de ser uma igreja que se alegre em estar em Sua presença. epidemias. de ações de graças" (Princípios de Liturgia. em interceder pelos missionários e orar pela obra missionária de um modo geral. cessadas tais calamidades. nada indica que naquela ocasião especial de Atos 13 a igreja de Antioquia estivesse jejuando e orando porque passava por momentos difíceis. ao invés de estimular o crente a praticá-lo. etc. E continuou assim quando enviou seus missionários e os sustentou com fervorosas orações.

Pode significar: captar. antes. Eis aí a voz do Espírito que muitas vezes tem sido ignorada pelos crentes: A igreja no mundo e para o mundo. O resultado é que. embora tenham ouvido falar nele. Neste caso. no sentido literal.e do mundo. O Espírito Santo falou à igreja de Antioquia e ela imediatamente colocou Paulo e Barnabé no mundo. Igreja missionária é igreja que ouve a voz do Espírito Santo Enquanto a igreja orava. desajeitada e até irrelevante. ela ouviu. mas lamentavelmente. Diz ele: Primeiro. ou que. tornando Sua vontade conhecida. Alguém pode escutar e ouvir. o som das palavras. obedecendo. Mas muitas vezes nós nos fazemos de surdos diante dessas vozes de angústia". subir no nosso poleiro e vomitar a nossa mensagem. Stott nos lembra. É nisso que Deus espera ser ouvido e obedecido. portanto. temos o sofrimento daqueles que nunca ouviram o nome de Jesus. através da Escritura. "responder antes de ouvir é estultícia e vergonha". E o que significa ouvir o mundo? John Stott responde: "O mundo de hoje está repleto de clamores que refletem ira. o que costumamos fazer é sair correndo com o evangelho nas mãos. frustração e sofrimento. De fato. este "ouvir" nem sempre tem sido traduzido em termos de "obediência". precisam. A igreja de Antioquia era uma igreja sensível à voz do Espírito. tentar descobrir quais são as suas possíveis 108 . O Espírito Santo continua falando e ouvimos a Sua voz. ser ouvidos pela igreja. Não sabemos ao certo como o Espírito Santo falou aos profetas da igreja de Antioquia. nós afastamos as pessoas e até mesmo aumentamos sua alienação. procurar penetrar no mundo das idéias e pensamentos da outra pessoa. entender. ainda não o aceitaram e. com muito mais freqüência do que gostaríamos de admitir. abraçar e obedecer o que se ouve. Se ouvir o Espírito Santo significa obedecê-lo. principalmente. Ele falou e a igreja ouviu. ainda. e mais do que aguçar os ouvidos para ouvir a Sua voz. Seja como for. que existem dois grupos de pessoas no mundo que. em sua alienação e perdição. estão sofrendo terrivelmente. o que "o Espírito diz às igrejas". é provável que o Espírito Santo falou pelos profetas que ali estavam. entender as palavras. pois a forma como apresentamos a Cristo é insensível. uma das grandes expressões dessa obediência é estar no mundo para ouvir o mundo. além de precisarem ouvir o que a igreja tem a lhes dizer. A melhor coisa é ouvir antes de falar. O verbo "ouvir" é empregado em mais de um sentido nas Escrituras. sem a mínima consideração para com a situação cultural ou as verdadeiras necessidades dessas pessoas. mas ser totalmente surdo quanto à prática dessas palavras. E é exatamente nesse sentido de fazer o que Deus ordena que a igreja brasileira hoje deve ouvir.

Ele contém uma solene palavra de Deus para aqueles que. de certo modo. como prova concreta do amor de Deus". E mais: Esta dimensão envolve o impacto que o ministério reconciliador da igreja exerce sobre o mundo. dos despossuídos e dos oprimidos.3). 109 . com certeza ouvirá a voz dos que precisam ser ouvidos. que também costumava chamar o compromisso da igreja para com a sociedade e o mundo de dimensão diaconal ou encarnacional.objeções ao evangelho e então compartilhar com ela as boas novas de Jesus Cristo de uma maneira que fale às suas necessidades. quem sabe deveríamos destacar.. jejuando e orando. humilde e perspicaz é chamada. de "contextualização". Mas é essencial acrescentar que contextualizar o evangelho não é de maneira alguma manipulá-lo. temores e esperanças da sociedade e a medida em que seu serviço ajuda a aliviar a dor humana e a transformar as condições sociais que têm condenado milhões de homens.13: "O que tapa o ouvido ao clamor do pobre também clamará e não será ouvido. carecem de consciência social. Ela estava compromissada com Deus (servindo a Deus.. Atos 13. Nós deveríamos ouvir com mais atenção os clamores e os suspiros daqueles que estão sofrendo. Igreja missionária é igreja compromissada com os missionários O que determina. . Se a igreja brasileira der ouvidos à voz do Espírito. temos o sofrimento dos pobres e dos famintos. dentre o seu povo. isto é. e com razão. conflitos. Complementando Jonh Stott.3) e com os missionários (impondo sobre eles [Barnabé e Saulo] as mãos. Quero compartilhar aqui um versículo bíblico que nós temos negligenciado e que. Encontra-se em Provérbios 21. até onde ela tem sido obediente à voz do Espírito de Deus. os despediram. A igreja de Antioquia era uma igreja de compromissos.2. mulheres e crianças à pobreza. lembramos ainda de Orlando Costas. Este compromisso mostrará até onde a igreja está engajada em missões e. pois somente na medida em que conseguir dar visibilidade e concreticidade à sua vocação de amor e serviço ela pode esperar ser ouvida e respeitada. Atos 13. Muitos de nós só agora é que estão despertando para a obrigação que a Escritura sempre colocou sobre o povo de Deus. em se tratando deste assunto. principalmente. o seu grau de participação na vida. mesmo quando atua na retaguarda. Em segundo lugar. "a intensidade de serviço que a igreja presta ao mundo. Sem esta dimensão a igreja perde sua autenticidade e credibilidade. Esta atividade desafiadora. de preocupar-se com a justiça social. se uma igreja é ou não missionária é o seu envolvimento e compromisso com os missionários.

fizestes bem.É importante destacar. Edison Queiroz destaca: A palavra que Paulo está usando aqui para "associar-se" é uma palavra comercial.15. os 'recomendou à graça de Deus'". houve naquela ocasião um "pacto" entre a igreja de Antioquia e os missionários. Comentando este texto de Filipenses 4. E ainda.1. quando parti da Macedônia. oração e jejuns (At 13. nem por isso deixaria de ser o trabalho da igreja toda. a igreja e a família estão indo juntas ao campo.1-3). ó filipenses. associando-vos na minha tribulação. como "uma ordenação para ensinar (Paulo e Barnabé já tinham estado no ministério cristão. no início do evangelho. Por duas vezes o apóstolo usa o verbo "associar" nesta passagem.26.13). antes de tudo.27)". e não dos homens. por exemplo. a primeira viagem 110 . "o Espírito Santo movimenta a igreja e não meramente cinco pessoas para se engajarem na obra missionária". Kistemaker diz com razão que "toda a igreja de Antioquia estava envolvida em comissionar Barnabé e Saulo.14. relatava a ela as coisas que Deus fazia por seu intermédio. pelo cuidado a ele dispensado e.1)". depois de observar que "tudo posso naquele que me fortalece" (Fp 4. além do que Liefeld diz. Comentando o envio dos missionários pela igreja de Antioquia. no qual a igreja ficaria definitivamente vinculada aos missionários e os missionários à igreja. Em Atos 14. e Paulo considerava que a sua autoridade vinha diretamente de Deus. uma ação que. É que. Uma palavra grega que expressa muito bem o vínculo do relacionamento e do compromisso cristãos entre missionário e igreja é koinwnéw (associar). segundo Atos 14. Lucas registra que a igreja de Antioquia "acompanhou" as viagens missionárias de Paulo e este. Certa vez o apóstolo Paulo expressou sua gratidão para com os filipenses.26-28. E mesmo se a imposição de mãos sobre Paulo e Barnabé tivesse sido realizada por apenas três deles. Gl 1. grifos nossos). que. usada quando duas pessoas decidem formar uma sociedade. por sua vez. pois quando os missionários retornaram. Assim como eles se tornam sócios. E sabeis também vós. A interpretação de Liefeld quanto à imposição de mãos em Atos 13.15. que o envolvimento missionário da igreja de Antioquia não estava limitado àqueles cinco nomes de Atos 13. A imposição de mãos sobre Paulo e Barnabé não deve ser entendida. conforme observa Liefeld. acrescentou: "Todavia. eles relataram à igreja o que Deus tinha feito (14. nem sequer por intermédio dos homens.14. senão unicamente vós outros" (Fp 4.3 é boa mas poderia ser melhorada. e o outro é a igreja local. nenhuma igreja se associou comigo no tocante a dar e receber. E ainda: "O certo é que Paulo e Barnabé foram enviados para uma obra específica numa atmosfera de adoração. em um projeto missionário um dos sócios é o missionário e sua família.

cultural e financeira desta tarefa. segundo ele. E por que? Porque ela se propôs a ser co-participante do Espírito no envio e sustento dos missionários. mas não é. navegaram para Antioquia. o que temos visto com freqüência são as agências ou juntas de missões ocupando o lugar da igreja local. as agências de missões. não pode transferir esta responsabilidade. em si. Não queremos generalizar. Em resumo. Ademais. A missão do Espírito seria a missão da igreja. onde tinham sido recomendados à graça de Deus para a obra que haviam já cumprido. o que muitas vezes temos visto? Além disso. precisa ver-se como a força missionária de Deus nesse mundo e em nosso país. para compartilhar os frutos do trabalho com ela: ". reunida a igreja. relataram quantas cousas fizera Deus com eles e como abrira aos gentios a porta da fé. Ali chegados. Paulo e Barnabé não foram lançados num campo e deixados "ao deus dará".3 não aconteceu o que vemos hoje em dia. compreendendo sua importância para missões. são elas: 1. Atualmente. é porque as igrejas estão aquém de sua vocação. é claro que têm. a igreja de Antioquia não entregou Paulo e Barnabé aos cuidados da igreja de Jerusalém e muito menos os deixou por conta de uma agência missionária. A igreja local. se hoje elas estão ocupando o lugar das igrejas. espiritual. além de compreender as dimensões bíblica. Del Pino destaca quatro coisas que. 2. Em Atos 13. compreender e assumir a visão de seu lugar na obra missionária. 111 . Não que as agências não tenham seu devido valor. A igreja não se esqueceu daqueles que enviou e os missionários.. não tiram a responsabilidade missionária das igrejas. De maneira nenhuma! A igreja de Antioquia tinha responsabilidade missionária. por outro lado.. Del Pino complementa o conceito da responsabilidade missionária da igreja dizendo: Um grande número de igrejas espalhadas por este nosso Brasil precisa ver-se como vocacionadas por Deus para exercerem a tarefa missionária como um fator de peso em seu ministério. infelizmente. deveriam acontecer em nossas igrejas. Havia nela o que Queiroz chama de "personalização". A igreja local como um todo precisa receber.missionária termina com o retorno de Paulo e Barnabé à igreja enviadora para repartir os "lucros" com os "sócios". não se lembraram da igreja somente quando o dinheiro da missão encurtou. A igreja de Antioquia tomou para si a responsabilidade da obra missionária. E permaneceram não pouco tempo com os discípulos". indo além de suas atribuições. Falando ainda acerca da importância da igreja local em missões. Contudo.

mas se somos base. 58-60. Grand Rapids: Baker Book House. Evangelização e responsabilidade social. a igreja local precisa conscientizar-se e ver-se como a principal agência missionária da face da Terra. p. p. p. p. 4. COSTAS.. Para Deus só existem duas coisas: Ou somos campo. p. 150. Atos 15.114. p. 1960. "a prova de uma vigorosa experiência cultual será a participação dinâmica na missão: a prova de um fiel compromisso missionário será uma profunda experiência de culto" (Orlando E. 1979.27-30. t. 455. ela se silencia. 20. conforme Atos 11. 151). V. vale a pena ressaltar que o verdadeiro conceito de missão para a igreja de Antioquia era (como os missiólogos contemporâneos costumam denominar) o de missão integral. In: Missões e a igreja brasileira: perspectivas teológicas. 17-25. 123. COSTAS. como se isso não fosse problema dela. Orar tendo isso em mente. O que mais comumente vemos é que a igreja muito se alegra com o despertar de uma vocação em seu meio. 1985. KISTEMAKER. ou somos base missionária. p. p. Cf. p. op. ainda. ouça o mundo. Cf. Ouça o Espírito.. H. V. Idem. p. A omissão não pode ser a missão de uma igreja vocacionada pelo Espírito Santo de Deus. ora por aquele irmão e diz para ele ir. A missão de interceder: oração na obra missionária. p..21. 150. A igreja local. 2001. New Testament Commentary: Exposition of the Acts of the Apostles. Idem. 67. cit. op. 2ª ed. 455. isto é. 1998. precisa assumir por completo a sua responsabilidade missionária. pregar tendo isso em mente. p. 112 . 229-244. Simon J. Londrina: Descoberta. Mas quando chega o momento de assumir o compromisso financeiro regular e decente. J. cit. precisamos ser evangelizados. 113. Se somos campo.. 123-125. agir tendo isso em mente. Durvalina B. 2a ed. A oração dominical e missões. Por fim. Notas Segundo Orlando Costas. KISTEMAKER. trabalhar tendo isso em mente. 7 José MARTINS. op. p. BAVINCK. p. An introduction to the science of missions.40. 1990. 113.151.. Ibidem. o indivíduo assistido em sua totalidade. cit. Cf. BEZERRA. John STOTT. Compromiso y misión.3. Por falar em evangelização e responsabilidade social da igreja. São Paulo: ABU Editora. KISTEMAKER. Cf. t. COSTAS. San José-Costa Rica: Editorial Caribe. 150. 455. KISTEMAKER. então está na hora de trabalhar. STOTT. São Paulo-Belo Horizonte: ABU Editora/Mundo Cristão. p. Idem. p. Phillipsburg: The Presbyterian and Reformed Publishing Company.

153-160. Neal Pirolo. 1995. De fato. E. p. A missão da igreja e o despertar missionário na América Latina. Robertson (em Word Pictures in the New Testament: The Acts of the Apostles. el ministerio y el Espírito Santo: el caso de la iglesia de Antioquia. certamente. Londrina-Curitiba: Descoberta. p. T. Valdir (ed.). In: STEUERNAGEL. p.117-126 e O. p. 2001. p. Cf. inclusive financeiras (cf. 50. Todas estas tarefas são difíceis para a igreja. QUEIROZ. A expressão "os despediram" de Atos 13. t.1). 87. In: Misión y ministerio en America Latina. Atos que contam. Enciclopédia histórico-teológica da igreja cristã. t. cit. Não concordo com A. A igreja e a integridade pessoal e familiar do obreiro do Senhor.). p. Daí. por causa das circunstâncias político-religiosas da época.3 reforça a idéia de que a igreja de Antioquia estava enviando Paulo e Barnabé. Walter A. não sugere "despedida definitiva". com autoridades governamentais. artigo não publicado. Às vezes faltava oportunidade para uma melhor participação da igreja (cf. V.10).. Belo Horizonte: Missão Editora. 1-7. 113 . op. este "sustento" significava mais do que orar por eles. E.61. A missão da igreja. p. V. p. (ed. E. Edison QUEIROZ. Grand Rapids: Baker Book House. Hugo PIRIZ. Paul E.12). fazer com que o maior número possível de membros da igreja tenha contato com os missionários". 1990. La misión. deve ser promover a máxima personalização. cit. p. p.88. 13-31. (ed. câmbio e envio de dinheiro. Londrina: Descoberta. op. In: ELWELL. mas isto não aconteceu por falta de compromisso da igreja de Antioquia.). Curitiba: Encontrão Editora. Diz ele: "O objetivo da igreja. In: STEUERNAGEL. Fp 4. p. V. Londrina: Descoberta. São Paulo: Sepal. p. A importância da igreja local em missões. com base em Filipenses 4. orientação quanto aos relacionamentos no campo com igrejas. a importância das juntas e organizações missionárias" (E.179-200. 2a ed. 43-58. Do chamado ao campo. São Paulo: Vida Nova. 56). Igreja local e missões. Oswaldo PRADO. e sim. Diz ele: "Há inúmeras dificuldades para o envio de um missionário. 117. emissão de vistos de entrada e permanência. Fp 4. 1991.9) quando afirma que "Paulo e Barnabé tiveram que financiar a própria viagem". t. 323. 3a ed. Vol. A missão de enviar: como sustentar o seu missionário. 1930. 1999. 324. t. Idem. O melhor para missões. e continuaria vinculada a eles. Idem. uma vez que o verbo apolyw. COSTAS. II. QUEIROZ. 60. 178. 60. In: Missões e a igreja brasileira. 60. Edison Queiroz destaca muito bem alguns pontos que evidenciam a importância de uma agência missionária. governo e outras agências e avaliação in loco do andamento do trabalho. São Paulo: Vida Nova. 1994. diferentemente de apospaw (At 21. p. Imposição de mãos. Paulo passou por muitas dificuldades em seu ministério. Precisa haver contatos com outras agências missionárias.15. p. Carlos Del PINO.Walter L. p.. LIEFELD. 2000. 2000. QUEIROZ. Valdir R. E o Verbo se fez carne: desde a América Latina. E. PIERSON. ao fazer missões. V.

prometeu: "Mas recebereis poder.18-20.: chifre). O poder do Espírito é o segredo do sucesso da missão da igreja. Porém.14-18.com o Espírito Santo e poder. Mc 16. Os que estavam reunidos no monte das Oliveiras perguntaram ao Mestre quando seria o tempo da restauração do reino de Israel. indica força e. Portanto. fazia prodígios e grandes sinais.8 é a ascensão de Cristo. a quem Ele havia comissionado para evangelizar o mundo. kratos e keras. "até que do alto sejais revestidos de poder. cheio de graça e poder.8).. e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém." (At 6.33).8 E A MISSÃO DA IGREJA O contexto de Atos 1.. a sede do governo.. Lembremos que 114 . que "Deus ungiu... Thronos indicava. formam as duas palavras do NT cujo significado fica mais perto de exousia e dynamis. geralmente era empregada num contexto político (cf.o 20. Lucas sabia muito bem que ao escolher dynamis estava utilizando o termo que melhor representava a ação poderosa do revestimento do Espírito na vida do crente e da igreja. Bia está associada ao emprego da força coerciva. pois na cidade". a priori. Energia é poder no seu exercício..8). Em Atos 1. Rm 13. Quando o Espírito Santo foi derramado por ocasião do Pentecostes." (At 10. ou ele a escolheu aleatoriamente? Vejamos: exousia é uma palavra usada com muita freqüência no Novo Testamento..38). O Senhor respondeu que não competia a eles conhecer tempos e épocas que o Pai reservou para a Sua exclusiva autoridade. Temos também a declaração de Pedro na casa de Cornélio a respeito de Jesus.. E keras (lit. É a palavra do poder sem fronteiras. Contudo.Parte XIX ATOS 1. O poder do Espírito Há uma série de termos para "poder" no Novo Testamento. Ischys significa força física.. juntamente com kratos. Lucas empregou dynamis em At 1." (Lc 24. mas tem também exousia. Será que existiu algum motivo especial para que Lucas usasse a palavra dynamis ao invés de qualquer outra. por sua vez. Contudo. Nestes exemplos Lucas revela que desde o princípio o evangelho foi disseminado pelo poder do Espírito Santo..44-49. "com grande poder os apóstolos davam o testemunho da ressurreição do Senhor Jesus..8. J. bia. ischys. mas se refere mais ao exercício da autoridade.49. Kratos tem um sentido semelhante ao de ischys. disse Jesus aos discípulos. ao descer sobre vós o Espírito Santo. por assim dizer. e até aos confins da terra". dynamis tem um sentido todo exclusivo. Ela é a palavra por excelência para se referir ao poder do Espírito Santo. permanecei. A rigor é traduzida como "autoridade". Lc 24. ".8 o Senhor Jesus repete as promessas da Grande Comissão (Mt 28. 1. como em toda a Judéia e Samaria.. força em ação.21). thronos." (At 4. E ainda: "Estêvão.1-3). mas depois passou a significar a pessoa que detinha semelhante posição de autoridade ou força. energia. At 1.

martírio. Viram Seus sofrimentos. o testemunho evangelístico da natureza e da importância de Cristo. Poder e testemunho No dia de Pentecostes a promessa de Atos 1.". como nunca teve. Nada do que a igreja recebe do Espírito tem nela um fim em si mesmo. ao descer sobre vós o Espírito Santo. ressurreição e ascensão. Entretanto. Conheceram-nO intimamente. começando em Jerusalém e espalhando-se geográfica e culturalmente para fora. como está registrado em Atos 1.) foram dados com o único objetivo de que a igreja testemunhasse de Jesus ao redor do mundo.. de modo prático.8: ". testemunha de fatos numa confissão de fé. ouviram Seus sermões e viram Seus milagres.". (5).. Muito dessa comissão. Mas provavelmente não captamos as palavras de Cristo em todo o seu peso: ". cinco significados principais.. declaração de um fato como testemunha ocular de um ocorrido. Se alguma vez existiram homens que estivessem em melhor posição e condição de falar ao mundo acerca da ressurreição de Jesus e de todos os fatos a respeito dEle. foram ensinados por Ele. (2). Neste tópico procuraremos observar. E para uma reflexão imediata. o poder do Espírito para a igreja não tem. etc. a saber: testemunha judicial de fatos. sereis minhas testemunhas [kai esesthe mou martyres]. A igreja foi batizada e revestida do poder do Espírito Santo.os discípulos de Jesus foram homens que andaram cerca de três anos com o Mestre. Não! O poder do Espírito tinha como finalidade primordial capacitar os crentes para dar testemunho de Cristo. um fim em si mesmo. No Novo Testamento os dons ou manifestações do Espírito (línguas. sendo que o último deles era a expressão mais elevada daquilo que significava ser testemunha de Jesus. "Recebereis poder. morte. o que significava nos tempos bíblicos e o que deveria significar para a igreja evangélica brasileira hoje ser testemunha de Jesus Cristo. curas...".sereis minhas testemunhas. o que o Senhor Jesus diz é que eles seriam totalmente incapazes de fazê-lo se do alto não fossem revestidos do poder do Espírito. e sereis minhas testemunhas. nos tempos bíblicos. Charles van Engen: "Logo antes de sua ascensão. quanto à expansão geográfica e cultural da Igreja. 2. Pela própria natureza da evangelização e pelas perseguições e adversidades futuras que desafiariam a Igreja Primitiva. disse Jesus (At 1. profecias. se cumpriu.. estes homens eram Seus discípulos.(3) O substantivo grego martys (4) (martyres) do verbo martyreo já possuía. vale conferir um alerta do Dr. Em Atos não existe esta concepção moderna equivocada de que o poder do Espírito é para edificar o crente e ficar tudo por isso mesmo. Jesus disse a seus discípulos.8 se cumpriu (1). seria imprescindível o poder do alto para 115 .... para os confins da terra (eôs eschatou tês gês). Entretanto..8).

"O principal meio através do qual o Espírito estende a soberania de Cristo é a Palavra de Deus" (7).testemunhar de Jesus. At 19. Michel Green diz que um dos grandes méritos do livro de C. At 1. Mc 6.Barret. Luke the Historian.17. pelo poder do Espírito que Jesus derramou sobre os Seus servos. porque neles. O que manteve Paulo dezoito meses ou mais em Corinto foi a Palavra (18. i. portanto. Seus milagres são chamados dynameis (cf.13. o reino de Deus na terra começa a ter efeito poderoso. que incluía expressões como "palavra do Senhor".38). com o Espírito Santo em Lc 1. que estes podem operar atos poderosos (At 4. "A pregação autoritativa dos apóstolos (At 4. Lucas liga este poder. mas na maioria das vezes sucediam a mensagem do evangelho (cf. Mediador do poder salvífico de Deus. dado por Deus.7-12). 19. por assim dizer. 2) No poder do Espírito na pregação da Palavra Em Atos o Espírito Santo. em grau ainda maior. e "a palavra" tout simple.38. (8). Mc 6.10). são encarados como evidência da parte de Deus quanto a Jesus ser o Messias.8 com 3. A Igreja em Atos testemunhava: 1) No poder do Espírito com sinais e maravilhas Quanto a esta questão.é. Em Éfeso a mesma coisa.14. Jesus é o "mais forte" que. Ef 6.37.14).8-10) é vista como prova de um poder sobrenatural" (10). Que a igreja muitas vezes testemunhou ao preço de sangue é algo que dispensa comentários. a pregação e o ensino da Palavra estão estritamente relacionados.22-30. é a maneira como ele destaca esta verdade da ligação do Espírito Santo com a Palavra. Mc 1. é importante ressaltar. pelo menos.11)". A glorificação do Messias faz dEle.39 par. Lc 5. para uma pregação cheia do Espírito (cf. dois aspectos do testemunho pelos quais os cristãos muitas vezes tiveram que pagar com a vida.35. gebûrôt. Os milagres. Os cristãos primitivos levavam a Palavra para qualquer lugar que fossem (8.4).2. Heb. durante os dois anos em que trabalhou ali (19.8-12). subjuga o "homem forte". 6.22.8. Não é por menos que o evangelho causou tanto 116 .5). e a luta contra o diabo é levada a efeito no nível da existência humana (Mt 12.16-34). É. Cf.58). Às vezes os sinais e prodígios preparavam o palco. "atos poderosos"). At 10. E quando Lucas quer indicar o sucesso de uma missão.K.19). "palavra da salvação". Os milagres de Jesus são operados por um poder dentro dEle (Mc 5. ele diz que a Palavra do Senhor "crescia e prevalecia poderosamente" (9).8. At 3. 10. (6).7. o diabo (cf. "palavra do evangelho". outras vezes estavam intercalados numa pregação (cf. pois. 8. At 20. 10. Lc 19. 6. vale a pena conferir o teólogo alemão Otto Betz: "Cristo era "poderoso em obras e palavras" (Lc 24. Isto salienta o fato de que o Espírito de Deus costuma agir através da Palavra de Deus.33. 16. Contudo. como Representante de Deus. 4.17).22-30). A Palavra é a espada do Espírito (cf. Aquele que foi ungido pelo Espírito (At 2.

Será que o poder do Espírito dos tempos bíblicos continua sendo o mesmo para a igreja evangélica brasileira hoje? Com certeza. Clamava a Deus para ser revestida com mais e mais poder para proclamar com ousadia e intrepidez as verdades do Senhor a quem ela tanto amava (At 4. mas internamente muito de nossas igrejas estão enfermas. E não é possível um testemunho autêntico de Jesus sem o poder do Espírito. numa vida contemplativa. Pilatos. o procônsul de Chipre (13. Senhor.1). com pouca ou nenhuma perspectiva da missão para a qual ela foi chamada. disse algo a respeito da igreja de Jerusalém que poderia ser repetido aqui. Era uma igreja de oração que buscava constantemente a plenitude e enchimento do Espírito Santo. é a própria igreja criando obstáculos para não fazer a obra do Senhor. Hoje. A igreja de hoje.4). Felizmente (ou seria infelizmente?) seus desafios são mais de ordem interna que externa. em obediência ao mandado de Cristo. sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus" (At 4.31). alienada do mundo. Atendeu porque a igreja deixou de lado seus próprios interesses para servir ao mundo.44). Não é de admirar que o ministério da Palavra fosse prioridade para os doze (6.1. olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra. Atualmente já não são tantos os Pilatos. Herodes e muita gente se levantaram contra a igreja de Deus.4 a tinham como sua grande arma. Era uma igreja unida em seus propósitos e se amava de verdade. Externamente desfruta-se de uma liberdade religiosa como nunca se viu. o que muito se vê.29. enquanto estendes as mãos para fazer curas. Também não é de admirar que eles comprometessem seus convertidos com ela (20. (11).44).30). pois precisamos testemunhar. A Igreja Primitiva tinha desafios imensuráveis. Quando alguém se tornava cristão é porque o Espírito iluminava o coração dos ouvintes com a mensagem apostólica (16. "Uma lição é preciso aprender com a igreja de Jerusalém: A igreja de Jerusalém estava consciente de sua missão no mundo. muitas vezes.14).impacto sobre Teófilo (At 1. O vento 117 . os Herodes. Quando alguém recebia o Espírito isto acontecia por ouvir a Palavra (10.28) e que os missionários anônimos de Atos 8. não é a realidade de todas elas. Quando alguém cria é porque a Palavra trouxe fé (4. o centurião Cornélio (10. Em outro estudo de minha autoria (A Missão Integral da Igreja). Mas graças ao bom Deus. os judeus e gentios que estão perseguindo a igreja. a igreja é perseguida pelo fantasma de sua própria morbidez por persistir. sob o poder do Espírito de Deus". também possui seus desafios. Então a igreja orou: "agora. Porém.7) e os cidadãos de Antioquia (13.23-31). Esta é a triste realidade de muitas igrejas históricas e pentecostais brasileiras em nossos dias. cf. externamente os desafios eram humanamente insuperáveis. à nível de igreja local. Hoje. "Não é exagero dizer que a Palavra é o principal instrumento na missão evangelizadora da igreja.44). Lc 1. desejosa de pregar o evangelho. E Deus atendeu ao clamor de sua igreja (At 4. Internamente ela estava pegando fogo. principalmente no mundo ocidental. quando na verdade eram elas que deveriam estar curando!". mas não se curvava diante deles.4).

O Pai enviou o seu Espírito para dar testemunho do seu Filho. Uma aplicação contextualizada das regiões citadas por Jesus fica por conta da nossa imaginação. de maneira que a evangelização deve surgir espontaneamente numa igreja cheia do Espírito. Sem o testemunho dele o nosso seria em vão. pela partícula enclítica te mais a conjunção kai. . na santidade. Em grego "tanto. Portanto. Em Atos 1. em Atos 1. deturpar o texto bíblico.15). isto é. A evangelização mundial só se tornará realidade quando o Espírito renovar a igreja na verdade..8.8 é formada. como em toda a Judéia e Samaria. A esfera de atuação da igreja A missão da igreja consiste em percorrer o mundo todo para pregar o evangelho a toda criatura (cf.como" equivale ao nosso adjetivo comparativo e sugere. Jerusalém 118 . Mc 16. temos que evangelizar lá sem esquecer de cá e vice-versa. Jesus ordena que o trabalho missionário da igreja seja te. Convicção de pecado... a maioria dos que pensam assim não está preocupada com a obra missionária nem mesmo no seu próprio país. na sabedoria. é tudo obra dele.kai.tanto em Jerusalém. precisamos orar mais. mas sem. (13).como" de Atos 1. Infelizmente. Pelo contrário. A igreja que não é missionária se contradiz a si mesma e debela o Espírito.sopra onde quer e está soprando em muitas de nossas igrejas. precisamos ser avivados (no verdadeiro conceito bíblico desse avivamento). Quantas vezes já não ouvimos indagações mais ou menos assim: "Por que mandar ou sustentar missionários no estrangeiro se temos tanto o que fazer no Brasil?". hoje em dia não são poucos os crentes equivocados quanto à compreensão da ordem do Mestre. isto é. De mais a mais. Como sabemos.. precisamos do poder e enchimento do Espírito para transpor nossos próprios portões.. a idéia bíblica do termo aqui é: atuar ao mesmo tempo em todos os lugares da terra. A expressão "tanto. A ordem e a promessa de Atos 1. e até aos confins da terra". fé em Cristo.8 é para a gente também! Gostaria de concluir este tópico com uma declaração urgente e atual do Comitê de Lausanne sobre a importância do poder do Espírito Santo na missão da igreja: "Cremos no poder do Espírito Santo. na fé. (12). simultaneidade de trabalho. para que toda a terra ouça a Sua voz". evidentemente. o Espírito Santo é um Espírito missionário. a fim de que o seu fruto todo apareça em todo o seu povo.. instamos com todos os cristãos para que orem pedindo pela visita do soberano Espírito de Deus.. novo nascimento e crescimento cristão. no grego. Jesus não estava dizendo simplesmente que a Sua igreja precisava escolher uma dessas áreas geográficas para trabalhar ou que deveria começar por uma de cada vez.. no amor e no poder.8 Jesus especifica a missão global da igreja dizendo que ela deveria testemunhar ". Deus seja louvado! Entretanto. Só então a igreja inteira se tornará um instrumento adequado em suas mãos. a fim de sermos o verdadeiro sal da terra e a verdadeira luz do mundo. e que todos os seus dons enriqueçam o corpo de Cristo.

ed. p. "Poder" em Dicionário de Teologia do Novo Testamento. é missão transcultural que envolve. Supomos que a nossa Judéia seja o estado onde estamos vivendo. p. mas muito pouco sobre seu significado crucial para o testemunho missionário da igreja. São Paulo: Vida Nova. (4) Das 34 ocorrências de "martys" no Novo Testamento. (2) Cf. 1996). segundo Green.185. Op. 43). C. Ele propõe uma revisão não só da teologia de missões. 122. "martys". São Paulo: Vida Nova.Green. O Mistério do Espírito Santo (São Paulo: Cultura Cristã. Povo de Deus (São Paulo: Vida Nova. a igreja cristã foi inaugurada e habilitada para cumprir a Grande Comissão.. Povo Missionário. Evangelização na Igreja Primitiva (2.. p. estou de pleno acordo com Boer e Escobar. 1997). à luz desse fato. ressuscitou e ordenou a evangelização do mundo. Barret. G. Desde que não se entenda que o Pentecostes deve ser desvinculado da Grande Comissão. Sproul. segundo Samuel Escobar (Desafios da Igreja na América Latina (São Paulo: Ultimato.3 (Grifo nosso). 1985). 1997). III (3. O assunto não foi totalmente ignorado. Seu cuidadoso estudo do material bíblico seguia a convicção de que escreveu-se muito sobre a obra do Espírito Santo na salvação dos seres humanos.8 é mais que "universalidade concebida de forma geográfica". Boa parte do ministério de Jesus ocorreu em Jerusalém. Vol. Nela Jesus morreu. por sua vez. 144. e tem sido relegado à periferia". R. situada ao norte da Judéia. que devemos ser testemunhas de Jesus para todos os povos. Kittel. & Friedrich. 576. naturalmente. p. (7) Barret apud M. mas não de igual modo a Pentecostes.foi o berço dos acontecimentos básicos do cristianismo. mas deveria ser central na reflexão sobre missões. afirma que "a pregação ou 119 . a ponto de não ter ligação alguma com ela. A Judéia. 1989). por exemplo. no dia de Pentecostes. Samaria era uma região mais afastada. mas da teologia em geral. ed. Cit. (5) Cf. Poderíamos comparar Samaria ao nosso paísl? Os confins da terra (14) significam. em The Theological Dictionary of the New Testament apud C. Para efeito de comparação e aplicação da ordem de Jesus. "é que no estudo de missões prestou-se muita atenção à Grande Comissão. G. 123. e que o ponto de partida de missões no Novo Testamento é o que aconteceu em Pentecostes. 13 estão em Atos. missionário reformado na Nigéria na década de 50. "A tese desse trabalho". Nela Jesus prometeu o Espírito Santo e nela. (3) (3) C. p. podemos identificar Jerusalém com a cidade em que moramos. pp. (6) O. NOTAS (1) Harry Boer. van Engen. Atualmente sabe-se que "os confins da terra" de Atos 1. escreveu Pentecost and Missions (1961).Betz. É geografia sim mas também é etnia. os índios do Brasil. A missão da igreja contemporânea é mais do que missão estrangeira. van Engen. era a província que tinha Jerusalém como capital.

significa simplesmente "e" (Lc 23. porém. "freqüentemente" não é o mesmo que "sempre". Samaria (8. 576. Danker do qual ele foi o tradutor. Grego/Português de F. Pais da Igreja. Para Gingrich e Danker te kai "freqüentemente significa simplesmente e" (p. 202). (13) Júlio Paulo Tavares Zabatiero discorda da idéia de simultaneidade de Atos 1.recebimento desta Palavra é mencionado nada menos que trinta e duas vezes em Atos" (p. Jonh Stott Comenta o Pacto de Lausanne (São Paulo: ABU Editora). 185.T.27.1. E esta omissão não aparece somente na tradução de Zabatiero. milhares de cristãos evangélicos no mundo continuam a prática. Op. Op. 1993).8. Cit. Hoje.. Pela fraseologia de Zabatiero e as referências citadas. (11) M. que até justificaria por ser um resumo de A Greek-English Lexicon of the New Testament and other Early Christian Literature. Vol.24.14). V. na relação das referências de Atos.28). 204). Wilbur Gingrich e Frederick W. Será que os autores simplesmente.Missões em Atos 1 e 2" em Missões e a Igreja Brasileira. embora alguns pais permitam que seus filhos sejam batizados apenas porque faz parte da tradição religiosa na qual 120 . p. na primeira viagem missionária (13. sem mais nem menos. BATISMO DE CRIANÇAS Algumas Considerações A prática de batizar os filhos dos cristãos vem desde os primórdios do cristianismo.8. Gingrich e Danker não mencionam Atos 1. (10) O. Além disso. Green. mostrou-se desejoso de ir à Espanha (Rm 15. por exemplo. Betz.24. (12) O Pacto de Lausanne. Para ele "a expressão grega te kai. naturalmente porque entendia que ela fosse os confins do extremo ocidental da terra. At 1. Paulo. XIV. (9) Foi assim na Judéia (6. 5.8 é citado para provar tal argumento. III (São Paulo: Mundo Cristão. 185. como Irineu (século II). tudo indica que ele está seguindo o Léxico do N. "Poder e Testemunho . (14) Convém lembrar que o conceito de confins da terra da maioria das pessoas nos tempos bíblicos não era o mesmo conceito de Jesus e do Espírito Santo. 1983. p. p. deixaram de incluir na lista deles uma das principais passagens de Atos? Acredito que não.7). 83).49) e na Ásia (19.20). em Lucas. p. se referem ao batismo infantil..30)" (Zabatiero. nem mesmo nesta volumosa obra (900 páginas!) Atos 1. A concepção geográfica dos cristãos primitivos era limitada. (8) Idem. onde te kai poderia possivelmente ser traduzido como "e". Orígines (século IV) foi batizado quando criança. 21. 4.4-7.12.t. Entretanto. Cit.

de vê-los crescer nos caminhos do Evangelho. Não é de se admirar. eles passaram a fazer parte da Igreja visível de Cristo aqui na terra. mais tarde.38-39). com votos solenes de educá-los nos caminhos de Deus até.1-3) e castigou Acã. que remonta ao tempo do Antigo Testamento. através desse rito iniciatório.11). quanto os que os apresentam. quando Deus fez um pacto com Abraão. incluindo obviamente as mães e seus filhos de colo (Hb 9. é claro. no dia de Pentecostes. e que não foi abolida no Novo. Foi uma grande alegria ter meus filhos batizados e vê-los. Minha resposta é que acredito estar seguindo a tradição bíblica. embora nunca em detrimento da responsabilidade individual.1-4). o batismo é um ato pelo qual consagram seus filhos ao Senhor. Paulo. que Pedro. Minha crença sé baseia no fato de que. E não é de admirar que os apóstolos batizavam casas inteiras em suas viagens 121 .16). Assim. de incluir os filhos dos fiéis na aliança de Deus com o seu povo. mesmo assim.7. receber o selo da fé que minha esposa e eu temos no Senhor Jesus. Muitos preferem apresentar seus filhos ao Senhor. tanto os que batizam seus filhos. ao refletir sobre a história de Israel e ao mencionar a passagem dos israelitas pelo Mar Morto. têm um desejo só. 7. quando chegarem à idade própria.19-20). Coré e suas famílias juntamente. 17. na nuvem e no mar inclusive as crianças. antes de completar duas semanas (Gn. incluiu seus filhos na aliança. Batizei meus filhos crendo que. quando cada um ainda não tinha mais que dois meses.nasceram. Mais tarde. 21. diz que todo o povo foi batizado com Moisés. na verdade. Abraão creu e o sinal da sua fé foi aplicado à Isaque. a Páscoa. sem batizá-los. a idade da razão.9-12). quando Moisés aspergiu com o sangue da aliança as tábuas da Lei dada por Deus. chamou Abraão e sua família (Gn 12.1-14).1). e determinou que fossem todos circuncidados (Gn. à fé em Cristo e ao batismo. Os crentes são chamados de "filhos de Abraão" (Gl 3. Estou persuadido de que a Igreja cristã é a continuação da Igreja do Antigo Testamento.6). Alguns me perguntam por que apresentei meus quatro filhos para serem batizados. pois havia milhares delas (1 Co 10. Isaque. O Sábado tomou-se em Domingo. A circuncisão. ao chamar os ouvintes ao arrependimento. Não é de se admirar que Paulo chame o batismo de "a circuncisão de Cristo" (C12. assim. Evidentemente nem todos os evangélicos concordam que o batismo infantil seja a única maneira de se fazer isso. em batismo. pois acreditam que o batismo é somente para adultos que crêem. mesmo quando este ainda não podia crer como seu pai. o mesmo povo. Para outros. e. Símbolos e rituais mudaram. publicamente professar sua fé pessoal em Cristo Jesus.4). em Ceia. Deus mandou que Noé e sua família entrassem na arca (Gn. portanto. mas. Porém.29) e a Igreja de "o Israel de Deus" (Gl 6. disse-lhes que a promessa do Espírito Santo era para eles e para seus filhos (At 2. aspergiu também todo o povo presente no monte Sinai. mas é a mesma Igreja. era o selo da fé que Abraão tinha (ver Rm 43. Deus determinou-lhe que circuncidasse Ismael e. e a circuncisão. Deus sempre tratou com famílias (Dt 29.11 com Gn 15.

16). É verdade que não se mencionam crianças nessas passagens. O batismo foi apenas o ritual de iniciação pelo qual foram admitidos na comunhão. Se os judeus que se converteram a Cristo não podiam batizar seus filhos. se houvesse crianças. para que sejam salvos. assim como os que foram batizados em idade adulta. da Igreja visível. Simboliza a fé dos seus país nas promessas de Deus quanto aos seus filhos (cf.15). os filhos desejem servir ao mesmo Deus de seus pais. era de se esperar que houvesse alguma proibição neste sentido por parte dos apóstolos.13-16). Pessoalmente não creio que seja este o ensino bíblico. levá-los à Igreja. O batismo infantil não salva a criança. tanto os que batizaram seus filhos quanto os que os apresentaram. Neste caso. os filhos dos crentes eram "santos" (1 Co 7. Certamente que o Novo Testamento fala do batismo como sendo uma expressão de fé e de arrependimento por parte daqueles que se convertem a Cristo .14). é da sua inteira responsabilidade. Meus filhos terão de exercer fé pessoal em Cristo Jesus. lembremos que passagens assim não tinham em vista os filhos dos fiéis. mas o entendimento mais natural de "casa" e "todos os seus" é que se refira à família do que creu e fica difícil imaginar que. Eles terão de se converter de seus pecados e crer no Senhor Jesus. a criança tenha seus pecados lavados e seja salva. a casa de Estéfanas (1 Co 1. pelo batismo.38.At.7. Por outro lado. e que se desviam depois. ao fim.3233). Compreendo também que alguns têm dificuldades com o batismo infantil por causa da prática da Igreja Católica e de algumas denominações evangélicas. Fonte: Revista Fides Reformata 122 .6. Se. elas teriam sido excluídas. que adotam a idéia da regeneração batismal. Não serão salvos pela minha fé ou da minha esposa. ao contrário dos filhos dos incrédulos. ao crescer. que. que não impedissem as crianças de virem a Ele (Mc 10. já que estavam acostumados a incluir seus filhos em todos os aspectos da religião judaica.coisas que uma criança em tenra idade não pode fazer. talvez seja mais seguro ficar com o ensino do Antigo Testamento. É verdade. 16. mas toda uma primeira geração de adultos que se converteram pela pregação do Evangelho.. serem exemplos de vida cristã. ao crescer.31) e expressa os termos da aliança que nós e nossos filhos temos com o Senhor (Dt ' 6. Pv 22. At 16. At 2. Mas. Compreendo a dificuldade que alguns terão quanto ao batismo infantil.4). devem orar com eles e por eles. o carcereiro e todos os seus (At 16. pois não há exemplos claros de crianças sendo batizadas no Novo Testamento. Talvez ele estivesse seguindo o que o Senhor Jesus havia dito.missionárias: Paulo batizou Lídia e toda sua casa (. instruí-los nas Escrituras e viver de tal modo que. Ef 6. Pois. uma criança que foi batizada resolver desviar-se dos caminhos em que foi criada. Mas é igualmente verdade que não há nenhum exemplo de um filho de crente sendo batizado em idade adulta. para Paulo. isto é.6. Mas não há nenhuma proibição apostólica quanto a isso.

A verdadeira comunidade cristã é criada e sustentada por uma fé e uma vida comuns em Cristo. e a todos nós foi dado beber de um só Espirito. Para que não haja divisão no corpo. quer judeus. não há diferença quando chamamos o outro de "meu irmão" (Mt 23. Assim. e onde nos estimulamos e encorajamos a crescer em amor. Tg 2. assim também é Cristo.7). 1Co 1. o sangue de Cristo (1Co 10. falamos na Igreja Batista Sião.13.8). Expressa-se também como um corpo local. na Igreja Presbiteriana da Bahia. 1Jo 1. "Corpo de Cristo" e "Comunhão no Espírito". plena participação na família de Deus. e é descrita através de imagens riquíssimas como "Povo de Deus". Diferença que exista é de dom e função na Causa de Cristo. e.15. onde o nome de Jesus Cristo é exaltado.3. com responsabilidade mútua. e Lhe obedecem seguindo-O como discípulos e tendo-O como Senhor. e. uma participação comum no Espirito. Somos "irmãos". um compromisso de obediência comum a Cristo como Senhor. e um compartilhar pleno na realização da vida da igreja.4.24-27) A Igreja de Jesus Cristo tem uma natureza militante. "A Igreja é uma companhia de crentes regenerados e batizados que se associam num conceito de fé e fraternidade do evangelho". e tem muitos membros.6. mas o Espirito é o mesmo.35). Rm 8.12. quer escravos quer livres. na Igreja Evangélica Fluminense como uma dessas comunidades locais.9). A IGREJA A Igreja é isso: uma congregação de crentes cuja única cabeça é Jesus Cristo. Pois em um só Espirito fomos nós batizados em um só corpo.1. É a mais freqüente designação do Novo Testamento para os crentes em Jesus Cristo.Parte XX COMO MEMBROS DO CORPO DE CRISTO "Porque. esse é meu irmão. assim como o corpo é um. "Ora há diversidade de dons. É uma fraternidade de pessoas que crêem em Jesus Cristo como Salvador pessoal.42. e quer dizer que fraternidade tem a ver com amor. É uma saudação natural (cf. formamos uma comunidade (At 2. todos os membros se regozijam com ele. Ora. 1Jo 2. Sim. embora muitos formam um só corpo. Não há superioridade. quer gregos.10). Aparece cerca de 250 vezes nos Atos e cartas. o Espírito Santo (Fp 2. e individualmente seus membros" (1Co 12. E há diversidade de 123 . vos sois corpo de Cristo. Sua palavra. e todos os membros do corpo.29. estudada. mas que os membros tenham igual cuidado uns dos outros padecem com ele.13). irmã e mãe" (Mc 3. Jesus disse que "irmão" era quem fazia a vontade de Deus: "Pois aquele que fizer a vontade de Deus. 2Co 13. se um membro é honrado. se comunidade temos algo em comum: a fé comum em Cristo Jesus (Tt 1.16).

ministérios.32. É uma questão de investimento espiritual. se fossem dos nosso. o passo da obediência: o batismo. E visto que o propósito redentor de Deus é para ser realizado por meio da Igreja. porque. Todos devem ser salvos antes de se tornarem membros de uma Igreja.13). é . mas todos eles saíram para que se manifestasse que não são dos nossos" (1Jo 2.12.23.13). "Saíram dentre nós.36-38.19). mas não eram dos nosso.11).19. há quem participe da comunhão terrena. At 8. "Para que agora a multiforme sabedoria de Deus seja manifestada . da qual somos membros pelas razões já expostas. mas o Senhor é o mesmo. Lc 11. de amor alegria. Então. E há diversidade de operações. por meio da Igreja. para remissão de vossos pecados. E é realizado através da Igreja local. sua atividade. quer escravos quer livres. quer judeus. 10. mas não do nascimento celestial. Ef 1. Por outro lado. porque filhos do mesmo Pai (Jo 1. teriam permanecido conosco. Gl 3. ou sem exercício da fé como no caso de recém-nascidos. porque regenerados pelo poder do Santo Espírito (Tt 3. 16. Não se pode ser membro por ordem de outros. é dada a manifestação do Espirito para o proveito comum" (1Co 12. sim.10. porém. O ingresso tem seguimento pelo batismo: Jesus deu ordem definida sobre isso (cf. Por isso. paz.13. e essa expressão "batismo no Espírito Santo"significa o ministério do Espírito em favor do que crê. porque confessamos a um só Senhor: Jesus Cristo (Mt 10. aos principados e potestades nas regiões celestes. Após a regeneração. investimento de alto retorno em termos de crescimento. "Arrependei-vos. Mt 28. de conhecimento. quer gregos. o que significa que seu esforço. e assim unido à Igreja de Deus: "Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo . a participação nesse plano deve ser o ponto focal da lealdade do irmão e do seu trabalho. aí esta a primeira exigência para ser membro da Igreja de Cristo: regeneração através do arrependimento. 4. A cada um. A Igreja de Jesus Cristo.5. e se é salvo. cf. Rm 8. mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Somos membros uns dos outros. e o batismo há de ser realizado em nome do Pai.14-17).4-7). é normal que busque a comunhão do povo de Deus. segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor.15). e a todos nós foi dado beber de um só Espírito" (1Co 12. 1Jo 2. então. um centro de trabalho e de lealdade.47. e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo. e recebereis o Dom do Espirito Santo" (At 2. bênçãos! Muitas bênçãos! E PARA SER MEMBRO DA IGREJA? Há condições. por procuração. sua iniciativa devem ser através desta abençoada comunhão local. Importa que isso aconteça porque o salvo é batizado no Espírito Santo." (Ef 3.27).33. e 124 .38). pois pode uma pessoa ser cristã e não ser membro de uma Igreja local. de graça.

lembrando a exortação: "Procura apresentar-te diante de Deus aprovado. criam problemas. Na Reforma Protestante do século 16. At. lavados no sangue de Cristo.2. Ap 3. antes admoestando-nos uns aos outros. cf.25: "Não abandonando a nossa congregação. 17. Há membros e há membros. na ressurreição (v.21. Jo 10. Há os postiços. 3. 4. agregados ao Corpo de Cristo. Socorrer. e nunca desfalecer" (Lc 18. e orai uns pelos outros. exemplares.16). E também a comunhão com os outros. para imitar o exemplo dos primeiros cristãos (At 2. 2. Levam freqüentemente a igreja à tristeza. Consciência dos dons que recebeu e usá-los: pregar. úteis. Atividade.35.5). Pois oração implica em atitude de dependência de Deus. Há os salvos. Jesus os chamou "joio"no meio do trigal.32ss).19). e que levam a igreja a crescer. quando vedes que se vai aproximando aquele dia" (cf. os vossos pecados uns aos outros. Fervor na Oração.5.11. o que quer que seja. membro ativo na comunhão de irmãos que se chama Igreja de Jesus Cristo. em comunhão com Deus.46).1). exortar.42) E isso para ir ao encontro do Senhor e dos irmãos (Sl 84. hb 8. 125 . Assiduidade os cultos. 25.3.4). Cl 3. como é costume de alguns.3. ensinar. Crucificados com Ele (Gl 2. Paulo exortou "orai sem cessar" (1Ts 5.6.do Filho. A súplica de um justo pode muito na sua atuação" (Tg 5. "bodes" no meio das ovelhas (Mt 13.16. consolar. cf. não fazem crescer escandalizam até.1). 23. e tanto mais. 2Tm 3. em absoluta confiança em Deus. Jo 13.21). A Palavra de Deus que alegra o coração. 2Ts 2. Tomá-la para "ler.14-18.1. e Tiago deixou claro: "Confessai portanto. administrar. portanto.24. Está em Hebreus 10. que maneja bem a palavra da verdade". Mt 18.15. viver e crescer". vivificados com Ele (Ef 2. regenerados. e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós" (2Tm 2. Ef 2. e com Ele nos céus (Ef 2. mas como um corpo estranho.4.4. Com o objetivo de "antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor.10). 1Co 13. Mt 8. batizados no Espirito. na morte (v.24ss.1. Amor ao estudo da Palavra de Deus. para serdes curados.2. Mas é preciso recordar e viver a comunhão com Cristo no batismo (Rm 6.17). Deste modo. 1Pe 3.8).20). a exclamação "Sola Scriptura!" ("apenas e unicamente a Escritura Sagrada!"). 2. como obreiro que não tem de que se envergonhar. tão essencial que João a põe como prova de conversão (1Jo 3. 133. Não crescem.4).20. vidas inspiradoras.6). QUALIDADES DO MEMBRO DA IGREJA DE CRISTO 1.15).1-13). e do Espírito Santo (Mt 28. fortalece o espirito e alimenta a alma (Mc 12. Jesus ensinou: "Contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre. cantar. o novo convertido é batizado para se tornar célula viva. na vida eterna (v. para receber do Senhor bênçãos e mais abundância de vida (Sl 133.17).

O falecido mestre do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil (no Recife). Lc 8. 2Ts 3.5. de fato.1ss. mas só aparecem no Natal ou Noite de Ano Novo. espere convite especial para vir. 23. falsa doutrina.5. todos os crentes têm direito a privilégios iguais.13. unidos todos em amor comum e lealdade (cf. alguns fazem pouco ou nada fazem. 1Tm 5.6. Jesus andava e mantinha comunhão com seus discípulos. Pr. e isolada dos outros crentes.1ss. abandono.1-3.10. os que possuem vela (precisam de vento. é muito operoso.14. Só Cristo! Então.17). Como é você como membro da Igreja de Cristo? Como eram os primeiros cristãos? É somente ler Atos ou as Cartas.9. há quem. 12. Isso não se refere a diferenças de habilidades ou capacidades espirituais das pessoas. 2Jo 9-11. Mt 6. Essa é a razão porque somos uma fraternidade. 2Tm 3. de movimento. nunca na sua (?!). não trabalham e dão trabalho.10-13. o Novo Testamento não fala de experiência cristã praticada independentemente. seja por falta grave. mas mesmo que eu passasse todo o tempo falando de "seu" Vicente . A do vaqueiro crente: "eu trabalho para "seu" Vicente. Senhor! E que não entrarão no reino dos céus?" 126 . Dizer isso significa que ninguém tem privilégio especial sobre outro. aqueles que são como balsas (são puxados). e tivessem a consciência de que a verdade divina lhes fora confiada. Mt 20. de agitação. Estes são peso morto na igreja.21. deve ser excluído da igreja porque.6. Era imperativo que vigiassem sua conduta.9. Há uma alegria especial em ser membro da igreja. dizendo que é o melhor patrão. Jd 4. a igreja era um investimento de vida.10). porém em outras igrejas. 9-11. que preservassem a harmonia entre eles.A IGREJA LOCAL O princípio da Igreja diz que pertencer-lhe é um santo privilégio e um sagrado dever. de novidades para vir à igreja). encontravam alegria na comunhão. 28.3-5. 8. Tt 2. já se auto-excluiu (Rm 16. bom sermão.17). mesmo. 1Pe 1.50. Tt 3. Aliás. e não fizesse meu serviço com o gado. e que todos sejam sociáveis. 9. escândalo.7ss. 16-19. apreciado. eram ativos no testemunho de Jesus Cristo. 1Tm 1.M. e cantasse muito para ele (já que ele gosta de música sertaneja). homens e mulheres.17. Schaly conta uma história. Mt 10. ensinou haver três tipos de membros de igreja que podem ser comparados a barcos: os que tem motor próprio. ele me mandaria embora!" Jesus não falou naqueles que dizem "Senhor. há quem venha se tiver cargo. Na igreja.2b. Vão à igreja como quem vai ao teatro: esperam boa música. Harald Schaly. têm nome no rol de membros. 1Co 5. O mesmo Pr.29.15. estavam vigilantes quanto à Sua Segunda vinda. e Jesus Cristo o irmão mais velho (R. A igreja não é uma relação de sócios ou de membros ou de filiados.13. de campanhas. sendo membro da igreja. já que há direitos iguais de acesso a Deus. uma família da qual Deus é o Pai. Mc 6. sendo membro de uma igreja. Ef 4. Lc 8. Há quem.55. Se alguém está fora dessa comunhão. há privilégios iguais na igreja. É uma comunhão.18-20. 27.

que nos lembremos uns dos outros em nossas orações. que façam do crescimento pessoal assunto de perseverança. para que a santificasse.15b-27). de dentro para fora. É um crescimento lento porem continuado. Por isso. Precisamos de crentes que entendam ser a igreja local o lugar previsto por Deus para a comunhão. o mais eficiente meio de deter nossa tendência de fazer renascer a velha criatura. agregando pecadores regenerados. de toda a alma e de todo o entendimento. que nos ajudemos mutuamente em nossas enfermidades (Tg 5. Como árvore que nasce da semente. ou a 127 . que confiem no poder da intervenção. e onde os recursos para o crescimento cristão ao dispor (venha. "Antes exortai-vos uns aos outros todos os dias. É esse. para os lados. Que Deus nos ajude! Parte XXI COMO SE FAZ UMA GRANDE IGREJA "Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela. buscando o altar de Deus. durante o tempo que se chama Hoje. não inchação! É isso: precisamos de crentes que busquem o reino de Deus em primeiro lugar. para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa. nem ruga. portanto. Que nos comprometamos a ter cuidado uns dos outros. É desejo comum que esta nossa igreja seja grande em todos os sentidos. para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado" (Hb 3. sem mácula. tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra. e de fora para dentro. cresce o reino de Deus. porém santa e sem defeito" (Ef 5. E cada dia acrescentava-lhes o senhor os que iam sendo salvos". oramos no sentido que cresça em número e espiritualidade. que sejam santos porque o Senhor é santo. Crescimento. nem coisa semelhante. atingindo os não conhecem a salvação em Cristo Jesus.31-3). Uma grande igreja não é a que tem o maior templo da cidade. que amem ao próximo como amam a si mesmos. o melhor coro.12-15). Cresce a igreja. que sejam luz do mundo.16b). ou o maior balancete mensal. Por isso. à EBD!). e caindo na graça de todo p povo. ou o fermento na massa do pão (Mt 13. nem as melhores salas para a educação religiosa do seu povo.47: "Louvando a Deus. E o modelo é o de Atos 2. pela vida espiritual intensa pela consagração à causa. a cultivar relações francas e a delicadeza no trato e a estar pronto a perdoar as ofensas (Mt 6. a igreja é chamada a crescer. aliás. cuidado e prática diária. que exerçam o sacerdócio dos crentes. para baixo. que amem a Deus de todo o coração. a buscar a paz com todos.Pois é. aprofundando-se na doutrina do Senhor. que amem a Palavra de Deus. Crescer em todas as direções: para o alto.13).

se possível. Não é aquela cujo pastor é o melhor orador da cidade. Ministro das Finanças. pois. treinando-a para o exercício eficaz do ministério de cada pessoa. o escravo. e assim por diante. Os chamados testes dos dons dão uma pista.. e. Falamos em Ministro da Educação. e. estar em todas as reuniões. algumas marcadas ao mesmo tempo. o meu dom". Mc 10. uma grande igreja pode ter tudo o que foi mencionado. Você reconhece o seu dom espiritual pela compulsão que 128 . "Mestre" vem de uma palavra da língua latina. Você vai dizer. Dom não é o talento natural. do alto escalão do governo.. Somos todos chamados para ser ministros de Jesus Cristo.que levanta as maiores ofertas missionárias e para outros fins. mas para servir.45). quem vai ser o pastor?" É precisamente neste tipo de pergunta que há malentendidos. afinal de contas. "magistério". Era que tinha com que contribuir. que ele tenha o singular condão nunca esperado de outras pessoas. ainda. é um conceito bíblico. uma grande igreja é a quem tem certas características bíblicas que passaremos a enumerar. Lembremos que o pastor trabalha COM a igreja capacitando-a. evangélico em todos os sentidos porque Jesus declarou "O Filho do Homem (Cristo) não veio para ser servido. de preferência ao mesmo tempo. procedente de minus. No entanto. é utilizada no primeiro escalão do governo. UMA GRANDE IGREJA É A QUE TEM UM MINISTÉRIO PARA TODOS Cada crente é chamado por Deus para ser um ministro. capacitar os cristãos para o exercício eficiente de seus ministérios. No entanto. Isso é interessante porque podemos pensar que a palavra "ministro" é tão elevada. designando alguém que era procurado por ter "algo a mais (magis)". Talvez uma pergunta esteja na mente dos leitores: "se todos vão ser ministros. pelo fato de algumas pessoas ainda presumirem que o pastor tem que fazer tudo na igreja. alguém que tem "algo de menos". No entanto.12. "Ministro" vem de minister.e é igualmente prático (cf. para dizer "servo" e o conseqüente serviço prestado. é palavra tão simples. Esse é um fato altamente prático. No entanto. de onde procedem.". o servo. e os membros os mais destacados da sociedade. usada para pessoas de altíssimo gabarito. magister. Isso é algo básico. de estar presente em todas essas reuniões. "magistrado". ensina a Palavra Santa que a principal tarefa do pastor é preparar. A Bíblia diz que nós temos um serviço. e quer dizer que cada um de nós tem um ministério. sobretudo. "Pastor. e não ter sido capacitada por Deus para exercê-lo no ambiente de formação espiritual da igreja. Ef 4. portanto. não sei qual é o meu ministério. Palavra. Essa palavra "ministro" é usada. incidentalmente. pois alguém pode ter um grande talento em certa área..11. Há uma diferença abismal entre as palavras "ministro" e "mestre".

Cada um faz alegria. quatro. Você sente o desejo de realizar algo.. seu louvor. e os cargos vão sendo preenchidos de acordo com a vontade de trabalhar da pessoa. Uns são esquecidos. só os fiéis". As posições são disponíveis e os membros dizem à Comissão. encaminha. se você não tem nenhum desses impedimentos. Não é a contribuição em dinheiro para resolver a débil situação econômica de alguém. venha. Essa é uma grande igreja. outros recebem três. há quem tenha filhos ainda pequenos. Uma muito simples é compartilhando as experiências nos cultos.. Fora. Fulano de Tal. ele responde "Pronto. se ação social. se evangelismo. da ajuda. e assim cada dia da semana. Seria uma tremenda economia para o irmã. Porém."Mas o Espírito Santo diz "Não deixando a vossa congregação como é costume de alguns". e não é preciso pedir "Por favor" porque o Espírito Santo já capacitou para tal trabalho. 129 . sua contribuição de presença à Celebração do Nome de Jesus. Sem alarde. qual a sua mesa espiritual? Já imaginou se seu filho resolvesse que amanhã vai almoçar na casa do vizinho. bem temperado edifica. com prazer. Achei-a um tanto pesada. O hábito da freqüência sistemática aos cultos é uma bênção na vida do cristão por ser fundamental para a firmeza de suas convicções. trabalha quem quer trabalhar. porque infelizmente.parte do seu íntimo. cinco cargos. muita gente fica esquecida quando a Comissão de Indicações vai estudar os nomes e cargos. diga onde está que vou buscar". mas o feijão-com-arroz é em casa. É meio complicado para um igreja de centrão da cidade ter uma altíssima freqüência à noite: há quem more muito distante. há banquete. irmã querida. Cada um sabe qual o seu ministério. Com um ministério para cada um. É que no momento em que você diz "Preciso de tal coisa". quarta-feira vai para a do primo. firme. à noite. a que tem um ministério para cada pessoa. e outra tantas razões.. vêm todos. que não seja levada por todo vento de heresia ou de corrupção? Temos algumas pistas na Palavra de Deus. se ensino. Irmão amado. O mesmo com a doutrina: edifica. Traga sua alegria. E esses "alguns" sabem quem são e quais são os costumes: de faltar sem necessidade. Assim fazendo. e terça-feira na casa da tia. essa é uma grande igreja! UMA GRANDE IGREJA É AQUELA QUE TEM FIRMEZA DE FÉ E DE DOUTRINAS Como é possível obter uma fé estável. engorda e faz ficar bonito. ele diz "Vou resolver". Feijão-com-arroz bem preparado. de passear pelas outras igrejas (o chamado "turismo eclesiástico"). mas há tantos banquetes que fazem mal. fortalece. "Quero trabalhar nessa função". Li uma frase (mas não vou dar 100% de crédito porque conheço a luta de alguns irmãos): "No domingo de manhã. há quem seja idoso. Soube de uma igreja no estado da Flórida (EUA) onde não indicação para os cargos. A Carta aos Hebreus quase que diz "Não deixando a vossa congregação como é costume de. faz crescer.. Há um irmão em nossa igreja que tem o evidente carisma do socorro.

Na Palavra de deus. deram-lhe "injeções de competições esportivas". número 666. mas erroneamente. o teu corpo ficará em 130 . tanto quanto participar das atividades da Denominação fortalece os laços de amor entre as igrejas locais. haverá Culto ou Escola Bíblica. só pela manhã. pois lhe deram grande dose de "administração de empresa".. como "pão da vida". de quebrantamento. E é uma atividade que se demonstra em tudo o que fazemos. de reconhecimento do senhorio de Jesus Cristo sobre nós com o objetivo nosso de aprender. na Igreja dos negligentes e frios na fé.não dobravam mais . o que provocou má circulação nas amizades. isto é. situada na Rua do Mundanismo. emendando o lazer de sexta a segunda e vigília. principalmente entre os jovens. e ausência de vida espiritual. assim mesmo quando não houver dias feriados. se forem maus. se os teus olhos forem bons. Foi medicada. que já estava enferma desde os primeiros séculos da era cristã. Constataram ainda: "dureza de joelhos" . a Igreja dos negligentes. de entrega. É uma atitude de submissão."fraqueza de ânimo" e muita falta de boa vontade. Foi proprietária de grandes avivamentos bíblicos e de grande poder e influência no passado.. carência de "água viva". A presença nos Cultos é fundamental para a solidez da fé. estará fechada nos cultos do meio da semana. o xarope de reuniões sociais" sufocou-a. mudando-lhe o regime. mas. Como Jesus expressou: "São os teus olhos a lâmpada do teu corpo. Os médicos constataram que sua doença foi motivada pela "frieza de coração".) que deveriam e até poderiam estar presentes no Culto de Oração. "aqueles que estão debaixo de uma disciplina".E o Culto de Oração nas quartas ou quintas-feiras que tem virado uma lástima em algumas igrejas? Alguém me repassou uma Nota de Falecimento que diz o seguinte: Nota de falecimento Faleceu. Aos domingos. trazendo ainda os males da carne: rivalidades. Em sua memória. nem pensar. Agora. dona "Reunião de Oração". devido à falta de circulação do "sangue da fé". uma pergunta: SERÁ QUE O LEITOR NÃO AJUDOU A MATAR A DONA "REUNIÃO DE ORAÇÃO"? Quantos pastores se ressentem da ausência de irmãos (até da liderança. a disciplina de Jesus Cristo é uma atitude e uma atividade. ciúmes. todo o teu corpo será luminoso. Administraram-lhe muitos "acampamentos". Até cápsulas de "gincana" lhe deram pra tomar! RESULTADO: Morreu Dona "Reunião de Oração"! A autópsia revelou: falta de alimentação. UMA GRANDE IGREJA É A QUE TEM UMA VIDA DE DISCIPLINA Os primeiros seguidores de Jesus foram chamados de "discípulos". e comprimidos de "clube de campo".

Nossa igreja tem realizado seminários e simpósios de capacitação.14. e na sua lei medita dia e noite".16 e Atos 1. palavra de Cristo" (cf. Prefiro esta última expressão "dia e noite" a uma outra tradução que ensina "de dia e de noite". como ensina Paulo: "a fé vem pela. em Filipenses 3... Não posso entender o crente que não se alegra com a leitura da Palavra de Deus.trevas"(Lc 11. As horas consumidas no preparo disciplinado não constituem tempo perdido. não julgo havê-lo alcançado.17). o próprio Senhor Jesus Cristo. Através do estudo da Palavra. enquanto a segunda pode dar idéia de tirar uma horinha de dia.8b são textos basilares sobre o testemunho do cristão: "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens. Tudo isso é testemunho! O apóstolo Paulo tem uma 131 . Todos somos chamados. a nossa vida mais constante. Jesus manteve uma vida de oração. Orava durante o dia. Através de vida disciplinada no serviço. Observem que os discípulos não pediram a Jesus "Ensina-nos a pregar". UMA GRANDE IGREJA É AQUELA QUE TEM UMA VIDA DE TESTEMUNHO Mateus 5. aliás. Ela só é meditação constante quando aplicada à vida e cada coisa que fizermos. onde fala do "varão que tem o seu prazer na lei do Senhor. Rm 10. quanto a mim. Essa disciplina se manifesta na devoção e na vida de serviço. o apóstolo. ou ficava até de madrugada em oração. Lemos a Bíblia com o objetivo de estudá-la e de nela meditar. pela qual pautamos a nossa oração. no Templo. mas "Ensina-nos a orar". e aquele que deseja fazer de sua vida um real ministério. permanência na Palavra. e outra horinha de noite para meditar na Palavra. e na sua lei medita dia e noite". deve nele disciplinar-se. para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus". porque a primeira fala de constância. modelo porque não é recitada simplesmente. É uma atividade que olha para o alvo que é a cruz de Jesus Cristo. A oração torna a nossa marcha mais firme.13. Há. Sua vida de oração era intensa: ou Ele Se levantava de madrugada para orar. Eles vêm para melhorar a nossa vida pessoal e da igreja como um todo. chegou a ensinar uma oração-modelo. mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão... Mas temos que nela colocar alma para que não vire reza (palavra que vem de "recitar").34). prossigo para o alvo. "Vós sois a luz do mundo". Isso quando a Bíblia fala tanto de alegria e felicidade. cada palavra que pronunciarmos. Há até uma bem-aventurança: no Salmo 1.". e o nosso trabalho mais abundante no Senhor. "Irmãos. uma bemaventurança para aquele que "tem prazer na lei do Senhor. orava na sinagoga. O propósito da leitura e estudo da palavra de Deus é confirmar e estimular nossa fé. cada atitude que expressamos está marcada por essa disciplina que vem da Escritura Sagrada. O exercício da oração é prova disso. "Vós sois o sal da terra". e Paulo. embora até a recitemos.

. eu fazia isso. O que eu vi.10). "Não há um justo. escrita não com tinta. e . Nos bondes. estando já manifestos como carta de Cristo. FIQUEI ASSIM (corado.24. mas pelo espírito do Deus vivente. e entrando com eles nas cidades. ""pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Rm 3. mas sempre devemos começar com a nossa própria experiência nos termos de 1João 1.expressão em 2Coríntios 3. Outra realidade impressionante é que o melhor testemunho não é aquele que eu pesquiso e repasso às pessoas: é o da minha vida. Não foi ele que pediu a Deus que 132 . conhecida e lida por todos os homens. Fico impressionado com o testemunho de Estêvão. E sabe quando você começa a ser respeitado? Quando aquela rodinha no trabalho ou na escola se cala quando você chega. havia uma propaganda que dizia "EU ERA ASSIM (e mostrava um indivíduo bem apessoado) CHEGUEI A FICAR QUASE ASSIM (a figura era de um esqueleto) TOMEI [E DIZIA O NOME DO FORTIFICANTE].. ele exclamou: "Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem. de Pedro e João (3.3. na lama. mantenhais comunhão conosco". O melhor testemunho é contar a vida. uma grande igrejaé aquela que tem uma vida de testemunho.15). e não conta mais aquela piada indecente que você costumava ouvir. Que livro extraordinário! É uma leitura empolgante.2< "Vós sois. Parece que estamos andando com os discípulos. Somente temos que ler o livro dos Atos dos Apóstolos para confirmar o que foi dito." O que é impressionante é que muita gente nunca vai abrir a Bíblia Sagrada.23). para que vós. e começa na própria experiência de Pedro (At 2. ser testemunha de Jesus Cristo? É compartilhar algo da própria experiência. Portanto. e naqueles momentos finais. de Estêvão (7. mas vai ler a minha e a sua vida.14. e a Bíblia diz. forte). igualmente.. Que é. "O que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros. Nesse livro.56). Ninguém fique iludido pensando não ter pecado. em pé à direita de Deus" (7. no passado bem passado. Perceberam que isso é o que Jesus faz? É o evangelho! EU ERA ASSIM (o pecado em deixou desta maneira. Pode até acontecer que em nosso testemunho ao mundo perdido sejamos um tanto vacilantes. bonito. 22. de Paulo (20. Nós éramos assim (que palavra terrível!). e o evangelho veio e me resgatou para Jesus!!!) É a minha história e a sua também.4-6). já está pecando.56). Ele estava sendo apedrejado. quase me arrastando. mas a minha vida mudou". no entanto. o melhor testemunho é dizer "eu era ssim. Se disse que não o tem. o testemunho é pessoal. e participando das pregações. eu conto. a única Bíblia que estas pessoas irão ler. produzida pelo ministério. nem um sequer"" (Rm 3. é o que eu conto sobre o que Deus fez por mim.. O conteúdo do testemunho aponta para Jesus Cristo e Sua obra na vida humana. e você passa a ser respeitado. ainda.32).

diz o Senhor dos Exércitos". EXPRESSÕES PARA DESCREVER O MINISTÉRIO DO ESPÍRITO O Novo Testamento tem dois termos para descrever o ministério do Espírito Santo na vida e experiência dos crentes: a habitação do Espírito Santo e a plenitude do 133 . em todos os casos. Numa certa segunda-feira. perguntou ao Pr. É. não haverá estabilidade de fé. testemunho pessoal que parte da experiência pessoal. Tomás. Um testemunho eficaz inclui dois elementos básicos: um modo de viver: um modo de vida e uma comunicação oral.peroasse os seus algozes? (7. Tomás. um descrente. Assim é com a igreja: sem o fogo do Espírito. Mas o Espírito Santo trabalhou. Lembremos que o fogo que aquece a igreja é o Espírito Santo. é uma reunião de amigos. nada acontecerá sem o poder do Espírito Santo. quando os missionários regressaram. Há uma história sobre um grupo de missionários acampados na selva perto das vilas e aldeias. amigo do Pr. se perguntava o que poderia fazer para ajudar. O Pr. É uma mascarada.6. Deste modo. algo importante naquela fogueira: o fogo. nem vida de testemunho. mas não é uma igreja onde Jesus Cristo é Senhor. Uma tarde. Olha o nome: Atos dos Apóstolos: o Testemunho dos Apóstolos! Um livro inteiro só de testemunhos do que Deus fez através dele. nada." UMA GRANDE IGREJA É AQUELA QUE TEM O PODER DO ESPÍRITO SANTO Não obstante. acendiam uma fogueira e ficavam ao redor contando as experiências e as bênçãos. "Nada. mas pelo meu Espírito. O homem tem dez filhos.60). protestantes. Cada tardinha. Seu chefe. "Não por força nem por poder. na inspiração de Zacarias 4. É um clube religioso. e estavam sentados ao redor da fogueira apagada se "esquentando" como os missionários faziam nas noites frias: esfregavam as mãos. mas também perto de uma colônia de chimpanzés selvagens. A única prova disponível para que o mundo veja a obra de Cristo em nós é nossa própria vida. a igreja não tem sentido. de gente idealista. Era apenas uma imitação. Quando o chefe soube que ele estava freqüentando uma igreja evangélica. nem vida de disciplina. o mundo quer ver esta realidade vital genuína que só Cristo pode oferecer. e todo início de semana chegava embriagado ao trabalho. Não fizemos qualquer lavagem cerebral.. deu-se um milagre: chegou sóbrio à fábrica e assim permaneceu por toda a semana e sempre. Não haverá um ministério para cada um. voltavam das aldeias. usando a linguagem da psicologia: "Que vocês. uma fantasia. faziam ruídos. Faltava. Absoluta nada.. porém. viram os macacos que os estavam imitando: puseram lenha para fazer uma fogueira. Tomás Munguba contou-me sobre um operário de uma fábrica em sua cidade (João Pessoa). estão fazendo para condicionar a atitude comportamental de Fulano?" Responde o pastor.

A hora de cada crente renovar sua aliança com Deus. E o crente que se consagra. O primeiro se refere à conversão (1Co 3. se o que desejamos é uma vida abundante e vitoriosa. A contabilidade de uma igreja local é tão sagrada quanto a mensagem que sai do púlpito. havendo. Este é o momento sério de renovar o pacto com suas convicções. sua conversa. Ele o faz em Efésios 5. no qual há dissolução. O segundo significa ser controlado pelo Espírito Santo (Ef 5. "Na verdade.18: "Não vos embriagueis com vinho. ou através da imprensa escrita. tão sagrada quanto uma cesta básica que é dada para uma família menos valida. e cada vez mais controlada. anda ou toca as pessoas. Sua comunhão com o Espírito vai fazendo com que sua vida seja controlada. Quando uma pessoa está "cheia de vinho" não significa que está cheia da cabeça aos pés como uma garrafa. seus pensamentos. seu olhar. e o controle do Espírito de Deus. a água da vida é grátis. nossa Rocha Eterna.Espírito Santo ou ser cheio do Espírito. A plenitude do Espírito Santo não é instantânea como a embriaguez também não o é. de algo sagrado chamado Igreja. tudo tem 134 . A hora de buscar a plenitude do Espírito. Para o cristão. Tg 4. Ser "cheio do Espírito" significa que cada ação nossa. o que ninguém desconhece.14) A causa de Jesus Cristo tem seu lado financeiro. se o que queremos é uma grande igreja. É o controle e o domínio do Espírito Santo sobre. mas enchei-vos do Espírito". no entanto. mas o balde em que é transportada tem que ser comprado. Esta deve ser uma nova hora para cada pessoa que lê esta reflexão. a embriaguez. um custo financeiro.5). reconhece que o dinheiro não é o lado profano. porque na Igreja de Jesus Cristo não reconhecemos coisas profanas e coisas sagradas. mas que cada parte de seu corpo está afetada pela bebida: seu modo de caminhar. Isso faz lembrar a palavra de um evangelista que afirmou com muita propriedade. quando a igreja se reúne para a edificação ou quando espalha a mensagem através de ondas do rádio." Quer isso significar que quando se anuncia o reino de Deus isso é feito de modo absolutamente gratuito. de tal modo que quando você fala. da televisão. cada pensamento e palavra está sob Sua influência. a água da vida é levada. tão sagrada quanto a lição da Escola Bíblica que é repassada para os alunos em uma classe. todos compreendem que você está sob o domínio do Espírito de Deus. Paulo faz uma analogia entre a intoxicação alcoólica. forte e espiritual! Parte XXII CREIO NA CONTRIBUIÇÃO CRISTÃ "Fazei todas as vossas obras com amor" (1Co 16.18). Por incrível que possa parecer.16. secular. Quando os irmãos se reúnem para o crescimento. A hora de se firmar mais e cada vez mais em Jesus Cristo.

ou disse ao ouro fino: Tu és a minha segurança. e a loja diz que custa R$ 450. No livro de Jó no capítulo 31." Sustentavam a obra de Jesus Cristo." Na palavra de Jesus. ou se devotará a um e desprezará o outro. até. é a raiz de todos os problemas e sofrimentos. quem pense que a Bíblia ensina que o dinheiro é a raiz de todos os males. mulher de Cusa. Por isso que o valor de um objeto é medido pela quantidade de dinheiro que nós gastamos nele. tão sagrado que Jesus tinha um tesoureiro no colégio apostólico. 135 . Se me alegrei por ser grande a minha riqueza. Não servir. Porque começa dizendo assim.24. Isso não existe na palavra de Deus. Ou a de odiar a um e amar o outro. a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui".3. E alguém disse. e Suzana. espirituais e morais. não seria ordenado "trazei todos os dízimos à casa do tesouro". É um sistema de valores econômicos. não é apenas um meio de adquirir bens.sacralidade. Dinheiro é um sistema de valores. Dinheiro.00. amar e dedicar-se a Deus e dedicar-se aos bens. Mateus 6. chamada Madalena. Vamos a Lucas 8. das riquezas. Nele está que "Ninguém pode servir a dois senhores. em Lucas 12. odiar e desprezar a Deus. Dinheiro. O aspecto civil da lei de Moisés confundia-se com o lado cultual. E havia pessoas fiéis que sustentavam o Seu ministério. "Ninguém pode servir. nós colocamos no dinheiro um sistema de valores porque damos preço a um objeto pela quantidade de dinheiro investido nele. às posses. Algumas traduções têm "Não podeis servir a Deus e a Mamon". diz o verso 24: "Se no ouro pus a minha esperança. e muitas outras as quais o serviam com seus bens. é assunto sério.2. Assim o era no Antigo Testamento. Tão sério. portanto. Temos nesta história todo um sistema de valores. "Está na Bíblia". Mamon é a personalização do dinheiro. e por ter a minha mão alcançado muito. Sim. Se alguém vai comprar um refrigerador. Se assim fosse. A Constituição do povo de Israel era a própria Lei de Moisés. ritual e litúrgico.15: "Acautelai-vos e guardai-vos da avareza. há um sugestivo ensinamento sobre uma gradação no relacionamento entre o homem e o seu dinheiro. você vai querer saber porque um custa duzentos e pouco e o outro quinhentos e alguma coisa. faz parte do "Sermão do Monte. existe um aspecto sagrado no dinheiro que entregamos à igreja. o amor ao dinheiro. Há. da qual saíram sete demônios. que apresentam o seguinte: "E também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria. à conta bancária. Não pode ser dessa maneira. procurador de Herodes. Então. Aliás. neste último versículo. ninguém pode se devotar e ninguém pode cultuar. pois eu teria sido infiel a Deus que está lá em cima. O que a Escritura ensina é que a avareza. a ganância. Também isto seria pecado para ser punido pelos juizes. e há um outro bem semelhante nas características e funções e custa R$ 580. é que "o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males". E normalmente se dá mais valor ao que custa mais caro. E Joana. Não podeis servir a Deus e as riquezas". O que a Bíblia diz." A idéia é essa mesmo: servir.00.

a Bíblia diz tantas vezes. forçosamente nós temos que entrar no sistema de Deus para o financiamento do Seu projeto. Por isso. no entanto. É um sistema de valores espirituais. Realmente. a Escritura mostra que dar é sinal da graça de Deus na sua vida e a disposição de fazê-lo é dom da operação do Espírito Santo no coração. indo de Gênesis 4:12 a Apocalipse 22:12. Então o que é e o que não é o dízimo? Vamos esclarecer algumas coisas. A Convenção estadual reúne das igrejas do seu campo e remete uma porcentagem para a Convenção Batista Brasileira. dependendo do modo como você o usa. no livro dos Atos dos Apóstolos (chamado. O dízimo faz parte desse sistema de valores. Também há uma palavra de Jesus registrada fora dos Evangelhos. O projeto de Deus é o programa de expansão do Seu reino neste mundo. também dá. A própria expansão do evangelho quando mandamos um missionário ou uma família missionária. Quando contribuímos. até. É aquela pessoa que dá o dízimo. um sistema de valores morais porque representa o seu tempo. uma parte dele é enviada para a Convenção Batista do seu Estado. e uma das graças do Espírito na nossa vida chama-se o dom da liberalidade. também. aliás. O crente faz isso através do seu dízimo. o carisma de ser liberal. a qual. É o governo soberano de Deus nos corações. que também pode ser doar e oferecer. Dar é sinal da graça de Deus. outros serviços públicos que a igreja utiliza?). como o emprega na causa de Jesus Cristo. E parte desse projeto é 10% da renda pessoal. doar e oferecer é imensa. e a sustentamos em um determinado país. "Que Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu filho unigênito". Contribuir significa companheirismo no serviço cristão. enviando uma parte à Aliança Batista Mundial. significa assistência aos pobres. Romanos 12 fala sobre isso. A lista de versículos relacionados com dar. por sua vez. quando o fiel entrega o dízimo. podemos reconhecer a ação do Espírito Santo de Deus. Nesse ponto. a manutenção do culto (ou alguém não paga essas luzes que são acesas durante o culto? Ou outros bens que nós usamos. nós entramos na questão do dízimo. No caso particular dos Batistas. Contribuir está intimamente ligado ao estado de vida espiritual e onde há contribuição generosa e liberal a Deus. Tive a curiosidade de olhar na Concordância Bíblica a palavra dar. o carisma é tão forte na sua vida que se a igreja pedir o segundo dízimo dá. há pessoas que são ajudadas com as cestas básicas há pouco mencionadas. e. a sua personalidade.O dinheiro é. E então. o seu trabalho. divide toda a contribuição recolhida pelos diversos apostolados e ministérios que realiza. e se a igreja pedir uma contribuição para ajudar a uma determinada causa. de "o Evangelho do Espírito"): "Mais bem aventurada coisa é dar do que receber". Vamos começar com o que o dízimo não é: O dízimo não é um meio de pressionar a igreja a levantar dinheiro a fim de suprir 136 .

ele que evangelize. para a obra de Cristo. com pessoas que treinam. mostrando como é natural. Não é um meio de subornar a justiça de Deus.500 reais que o outro entregou.8 coloca o assunto da seguinte maneira: "Depois de dizer como acima: Sacrifício e oferta. Deus não se deleitava com essas coisas.10. cada ministério é realizado pela igreja. Por isso. da hortelã. não. se tinha vinte sacas de trigo. do coentro. Se tinha naquele ano uma produção de dez bezerros. por isso. glória sobre glória! Agora.10 para quem recebe R$ 151. além de realizar obras caracteristicamente cristãs. e essa pessoa repassou que ele dissera. Não dê o dízimo com medo.necessidades do seu orçamento.00 para R$ 15. não são apenas bênçãos materiais. o salário mínimo.00. "Eu tenho crédito com Deus. que levam para o campo. não dê o dízimo para pagar promessa. Eu só ganho R$ 151. mais miserável é.500. oblações com vinho. Não é que Deus me deva alguma coisa e com isso eu tenho credito com Ele. "Isso me aconteceu porque eu não dei o dízimo. ela é visitadora." Não acabou nada. sim. por isso. e agora posso exigir dele. não é um meio de pagar para que outros façam. ele é o Coordenador. Nem para criar um saldo de graças com Deus. O dízimo não é cumprimento de exigência da lei de Moisés.000. duas pertenciam ao Senhor entregava ao Templo. Diante de Deus é a mesma coisa. que lhe devo! Deus só me cobre de graça sobre graça. não. um era do Senhor. "Não dou dízimo porque é da lei de Moisés. e holocausto e oblações pelo pecado não quiseste.00 de dízimo. Eu não tenho que criar um saldo de graças com Ele. "Se ele é o Diretor de Evangelismo. nem neles te deleitaste os quais se oferecem segundo a lei. dar o dízimo também. dou R$ 15. Quantas vezes o dinheiro tem sido maldição. O Coordenador de um Ministério. Por isso." Há outras bênçãos além de dinheiro. Já vi gente dizer isso. E ele até mencionou temperos usados no trivial da cozinha: dízimo do cominho. Por exemplo: trigo. ele dá R$ 1. mas. Vou dar o dízimo para ficar rico. Não é um meio de pagar para que outros façam a obra no meu lugar. o crescimento espiritual.00. 137 ." Não é assim não. um tem mais posição que o outro. Porque o povo dava o dízimo não só de dinheiro. não! Dízimo não é para isso. Hebreus 10. às vezes. os 15 reais e 10 centavos que os 1. um era do Templo. A palavra de Jesus diz que nós devemos. Há quem pense. Agora vou dar o dízimo para não acontecer mais.00 é a mesmíssima proporção de R$ 15. enfim. que dirigem.10". Porque alguém pode pensar assim: "Bom. Já vi isso também. benção sobre benção. mas. As bênçãos de Malaquias 3." Como pode?! Deus não está me devendo nada. O Diretor de Evangelismo dirige a evangelização. Mas. R$1. ofertas com massas para pagar pecados. Ouvi contar de certo pastor que falou para alguém. ele é o Diretor. Então. mas irmão Fulano ganha R$ 15 mil. Talvez seja até mais sacrificial. A promessa é de bênção. então. eu preciso cumprir a minha parte. As bênçãos são a graça. do endro. a misericórdia." Faziam sacrifícios de animais." Não dê o dízimo com intenção de pagar pecados. Ela é evangelista. O Novo Testamento acabou com o dízimo. coordena. mais dinheiro uma pessoa tem. Não é uma maneira de mostrar posição pessoal. "Se eu não vos derramar sobre vós uma benção em abundância. eu. quem realiza é a Igreja de Jesus Cristo.500. ela é aconselhadora. dava o dízimo também de espécie.

o padrão de contribuir. O que Ele quer é você. É um guia para o padrão de crescimento do crente na contribuição. é forma de cultuar a Deus. Onde devo dar o dízimo? Na "casa do tesouro". Mas. Porque um vai dizer. Isso diz que o dízimo é adequado. Dez por cento é apenas o começo dessa expressão de entrega."Então o que é o dízimo. por isso. além de nos ajudar também a estabelecer corretamente quais são as prioridades da nossa vida. que deveriam pagá-lo no banco. ser trazido ao culto e entregue em adoração. telefone. mas. Isso significa que o dízimo é proporcional. E assim. A Bíblia me mostra que o dízimo é uma solução para o crente pessoalmente falando. eu ganho pouco e o outro vai dizer. É porque é um ato de louvor e deve. Alguém de uma igreja irmã me disse certa vez que para pressionar a saída do pastor estava com outros irmãos depositando o dízimo em uma caderneta de poupança. meu irmão querido. qual é o motivo real para que eu dê o dízimo? Creio que só há um motivo irmãos. Então. eu ganho muito. água. paga-se luz. Mas. De vez em quando.14: "Fazei todas as vossas obras com amor". não! "Dez por cento é de Deus. vá lá no santuário e coloque no gazofilácio. Não é. 10%. do resto eu faço o que quiser". Aprendo que o dízimo é uma solução. "Pastor. por isso. nem na tesouraria. É crime e dá cadeia. No banco. o dízimo é do Senhor e eu o trago à casa do Senhor. para sair tem que haver muita oração. ou fatura de clube. o que Jesus Cristo quer é você. alguém pergunta. Ou você pensa que 10% é de Deus e 90% é seu? Não é. É uma boa prática não entregar na mão de ninguém. É solução para não só para o crente individual. É errado por vários motivos: por não trazer o dízimo. minha irmã. Se para entrar. Esse irmão de outra igreja falou isso: "Há um grupinho da igreja que está depositando o dízimo em uma poupança. que ensina que é até uma coisa mesquinha pensar apenas em 10% porque Jesus Cristo realmente pede 100% de nós. houve muita oração. dá para entregar o dízimo na tesouraria?" Respondo. O tesoureiro depois vai recolher os dízimos e ofertas". não é por outra razão. nos ajuda a desenvolver a disciplina de um padrão. é ponderado. O pastor pode estar errado. na igreja em culto. e está em 1Coríntios 16. "Faça o seguinte irmão. É assim que está na Escritura Sagrada. mas não é dessa maneira que se faz. não. Como quem paga carnê do Baú da Felicidade. é solução para a expansão 138 . O dízimo é reconhecimento de que eu aceito o fato de que Deus é soberano sobre o mundo e sobre a minha vida também. pastor?" Dízimo. é 10% da renda. É um referencial simbólico de tudo aquilo que o crente entrega a Deus. Há designações para isso: conspiração e formação de quadrilha. Eu vou dar quanto? A resposta é a mesma. Entregaram um boleto bancário para os membros. que é para ver se com isso o pastor sai. nós não podemos fazer o que umas igrejas andaram fazendo. pagam-se duplicatas e prestações. por usar um expediente errado e por pressionar o pastor daquela maneira." Está errado. não! Dízimo é expressão de adoração. Acho que é uma boa prática não entregar dízimo na tesouraria.

30%. Se você deve dar R$ 100. e assim por diante.da igreja. chás sociais.00. e dá R$ 80. porque as causas missionárias. poderia contribuir com 5%. os planos evangelísticos. da Sergipana. Está fora do padrão. da Paraense. que na verdade é o dinheiro do Senhor. não haverá problema financeiro. você começou a cooperar..00. O Plano Cooperativo é um programa de integração das igrejas. shows e coisas assemelhadas. no Brasil e 139 . a Convenção Batista Baiana estabelece seu programa de ação. 250. Junta de Missões Nacionais. no Canadá. ou 20%. recebem porque o irmão deu o dízimo na igreja. Talvez os crentes mais novos tenham ouvido muito superficialmente na Classe de Preparação para o Batismo. sua oferta ao Senhor. 50%. etc. rifas. A Convenção Batista Brasileira recebe então. A nossa igreja contribui com 10%. sabiam? Há quem pense que oferta é menor do que o Dízimo. enfim. Um problema financeiro que a igreja tem será resolvido com facilidade. leilões. que na verdade é o seu dinheiro. Que mais? A Convenção Batista Baiana por sua vez..00. E a Convenção Batista Brasileira recebe da Convenção Baiana. 200. a nossa igreja mensalmente envia 10% para a Convenção Batista Baiana. Contribuição é menos. vilarejos do interior. JUERP. o dinheiro das Convenções que na verdade é o dinheiro que veio das igrejas. Qual é a próxima etapa do Plano Cooperativo? A igreja local. com amplitude.00. remete 20% para o Rio de Janeiro. O plano cooperativo começa com você. As outras igrejas locais do Campo Baiano fazem o mesmo: cada igreja do interior e da capital manda este sua parte e. da Mineira. oferta é R$ 120. o desenvolvimento na educação dos novos e dos antigos crentes. vilas. da Paraibana e assim por diante. Coloca missionários em cidades. que não é outro senão o programa da igreja local.00. 10%). Aliança Batista Mundial. da Capixaba. Os missionários que estão no Japão. sorteios. através do Plano Cooperativo.00. onde fica a sede da Convenção Batista Brasileira. Isso é o que se chama de Plano Cooperativo na igreja local. Ele coopera com outros crentes e dessa maneira todos trazem seu dízimo. A igreja local e a obra de Cristo não se sustenta através de bazares. espalhados pelo mundo. Junta de Rádio e Televisão. Está estipulado pela assembléia da igreja que nós daremos 10% da entrada. Se o seu dízimo é de R$ 100. na Romênia. na Bahia. Seminários. Então. Todas as Convenções mandam uma parte (20%. E dessa maneira distribui pelos diversos ministérios que ela executa: Junta de Missões Mundiais. Oferta alçada é mais do que dízimo. da Amazonense. está dando uma contribuição. na África. tudo se executará com largueza. quanto estiver estipulado em assembléia da respectiva Convenção. O nome está dizendo Plano de Cooperação das Igrejas. Aliás. E esse programa começa com o crente. Dízimo é solução para a vida de qualquer denominação evangélica como agente da causa de Jesus Cristo nesse mundo através de um plano de cooperação.. Quando você então se une a outros crentes na sua igreja e você dá o dízimo. com visão por causa do dízimo.

no mundo. Esse Programa de Cooperação só vai trazer uma coisa: bênçãos! Vamos para Malaquias 3.10, "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimentos na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós benção tal, que dela vos advenha a maior abastança". Abundância é questão de valores, não é questão de dinheiro. Não faça negociação com Deus. Há uma história que é passada às vezes de um modo muito lindo, no entanto, na minha interpretação, essa história, não guarda nada de nobreza.. É a história de quando Jacó estava em Betel, e teve a revelação de que naquele lugar o Senhor estava; que ali era Beth-El, a casa de Deus. Ele fez um voto dizendo: "Se Deus for comigo e me guardar nessa viagem que ora faço; e me der pão para comer e vestes para vestir, e eu em paz voltar a casa de meu pai, o Senhor será o meu Deus". Por que ele disse, "Se Deus for comigo", o problema é esse "se...", "Se Deus for comigo; se Deus me guardar; se ele me der comida; se ele me der roupa; se me fizer voltar em paz, então, eu darei o dízimo". Parece bonito, mas, o problema é que Deus lhe foi fiel e ele continuou o mesmo enganador de todo o sempre, porque dízimo é uma questão de valores espirituais e não de recompensas materiais como ele estava colocando diante do Senhor. O pastor Roberto McAlister, já falecido, faz uma pergunta, "Que é melhor: saúde ou um bom tratamento médico?". O que é que você prefere irmão, saúde ou o melhor médico da cidade tratando do seu terrível caso ? "Que é melhor, um filho simples e obediente ou um filho brilhante sem caráter? Que é melhor, um casamento humilde com muito amor ou um casamento infeliz com muito dinheiro?" O que é melhor? Porque tudo depende do senso de valores e Jesus Cristo fala de valores quando diz que devemos buscar o Reino de Deus e a sua justiça, porque o restante vem acrescentado. Quer dizer, se eu colocar o dízimo como o meu ponto de partida, a minha falta de fé vai se transformar em confiança e em sinceridade. Não vai haver falta de recursos para fazer a obra do Senhor, na casa do Senhor. A conquista de almas vai aumentar porque eu só tenho que fazer uma coisa, uma aliança com Deus; uma aliança com o Senhor na base da fé, na base da dependência Dele, pois certas coisas só podem ser realizadas com o Espírito Santo. Por isso, não é dever, é privilégio do crente, o de participar da obra do Senhor, da causa do Senhor; do projeto de Deus. Parte XXIII DESAFIOS DA LIDERANÇA CRISTÃ A verdade é que entramos no século 21 com tremendos desafios para a liderança na igreja. Um deles é, no dizer de Warren Wiersbe uma crise de integridade. E ela atinge o cerne da autoridade e da liderança da Igreja de Jesus Cristo. Wiersbe lembra que Paulo exclamou com as veras da sua alma: "não me envergonho do evangelho!" E sugere que talvez o evangelho afirme: "(mas) eu me envergonho dos cristãos". Quanta coisa tem sido praticada em nome do evangelho, com aparência de evangelho, com linguagem de evangelho, e tem dado como 140

resultado superficialidade de convicções, confusão mental e espiritual, e enfraquecimento da fé porque os líderes, pastores ou não, têm aberto campo para a falta de ética, para a manipulação dos sentimentos, para a falta de integridade. Excelente palavra a que traduz o conceito de integridade na língua hebraica: shalom, a qual é vertida para o português com alguns ricos significados, tais como "inteireza, integridade, plenitude, sucesso, salvação, saúde, prosperidade e, também paz". Não podemos fazer por menos: o instrumento que Deus tem para unir as pessoas, fatos e acontecimentos é a Igreja de Cristo. O líder há de ser íntegro, "limpo de mãos" (cf. Cl 1.9,10; 2.10; Sl 24.3,4), e "puro de coração" (cf. Sl 24.3,4). O líder cristão deve possuir uma mente como a de Cristo (cf. 1Co 2.16); sua vontade é honesta (Ed 9.6). O fato é que na época de Jeremias a religião parecia com esta do século 21: o povo dizia crer, mas havia influência secularista, pois o que cria não fazia diferença quanto ao modo de viver. O ideal evangélico está expresso em 2Coríntios 5.17. Além disso, na época de Jeremias, a religião havia se tornado um "grande negócio". É só conferir com as exclamações do profeta Jeremias que não tolerava os abusos como em 5.30,31 e Lamentações 4.13. Tudo isso é o que A. W. Tozer chamou de "tratamento comercial" do evangelho. Esse mesmo "tratamento comercial" é responsável pelo pragmatismo religioso: "visto que a igreja está cheia, Deus está abençoando", afirmam. Outro desafio às portas do século 21 são os novos estilos de culto. O que em outros países é denominado histórico ou contemporâneo, em nosso país é objeto da pergunta "tradicional ou renovado?" Outras comunidades têm utilizado a terminologia Culto Jovem contrapondo-se ao estilo recebido de liturgia e rito. É evidente que o culto é mensurado pela transformação causada nos que cultuam a Deus, e há de ser sempre "em espírito e em verdade" (Jo 4.23,24), ou não há de ser culto. É gratidão, reconhecimento, louvor, e (embora não seja o propósito primário) terapêutico. Ao tempo que o cultuante reconhece o cuidado, carinho e amor de Deus, louva-O e sai aliviado das tensões, dos cuidados e preocupações, terapia grupal no louvor comunitário. O culto, por ser dinâmico, envolve mudanças, mas envolve igualmente o que nunca deve ser mudado. Deus não muda; as verdades eternas não mudam; a Palavra de Deus não muda. Questiona-se a ressurreição de Jesus Cristo, a realidade do pecado, a necessidade de salvação, e a singularidade da obra redentora de Cristo. Mas o método pode mudar porque não são estáticos, mas se adequam aos tempos e circunstâncias. A liderança da igreja às vésperas do século 21 há de estar aberta para o novo sem perder a visão do permanente na igreja. Afinal, somos líderes e capacitadores numa comunidade local sem perder a visão do todo da Igreja de Jesus Cristo; e 141

capacitadores e líderes da Igreja de Deus sem perder a visão da comunidade como expressão local dessa Igreja. Numa análise do que chama "a Igreja do Futuro", Ralph W. Neighbour destaca que a "Igreja do Presente" se caracteriza por ser tridimensional: tem largura, comprimento e profundidade, mas não possui poder espiritual para dar à luz outra geração de cristãos. A "Igreja do Futuro", além dessas dimensões, tem mais uma: altura, ou seja, vive num mundo físico, de três dimensões como a outra, mas vive em acréscimo num ambiente espiritual onde "principados, potestades, príncipes do mundo destas trevas, hostes espirituais da iniqüidade" são diariamente enfrentados. É o caso, então, de examinar o que Neighbour destaca quanto ao que caracteriza essa Igreja dinâmica, ativa, viva, quadridimensional: · O Espírito Santo é Quem a dirige. É só permitir que Ele a controle nos termos de Efésios 3.16. A Igreja e sua liderança não são significativas pelo que possuem, mas porque são usadas por Deus. · Essa Igreja vive na quarta dimensão, sem qualquer alusão à ideologia esposada pelo pastor coreano David (antes Paul) Yongi Cho. Humanos, somos seres tridimensionais; mas como povo de Deus, e ainda mais, liderança desse povo, temos por conceito o sublime e urgente dever de ser quadridimensionais. Afinal, é nessa dimensão que o poder de Deus se revela e Satanás é vencido (cf. Jo 3.3; Ef 2.18,19). Onde se enfatizam as três dimensões, a liderança trabalha para o povo; nas quadridimensionais, a liderança trabalha com o povo. Não é de estranhar, portanto, que na Igreja onde se enfatizam as quatro dimensões a liderança seja composta por aqueles em quem os milagres de Deus acontecem de modo pessoal, e não de segunda mão. Ver a Deus, por exemplo, é experiência de primeira mão: Noé teve uma experiência sensorial com Deus e tornou-se o arauto divino para o arrependimento do seu povo (Gn 6.13); Abraão viu a Deus, e isso resultou num rompimento com a velha e surrada vida no politeísmo de sua terra natal (Gn 12.1ss); Jacó viu a Deus, e desde esse momento tornou-se "o princípe de Deus" ((israel, cf. Gn 32.22-32); Moisés viu a Deus e isso fez diferença na sua vida (Ex 3. 1-12; 34.29-35); Gideão que teve um encontro transformador com o Todo-Poderoso (Jz 6.11-24); Elias recuperou-se de um processo de depressão para a vitória porque viu a Deus (1Rs 19.8ss); Isaías nunca mais foi o mesmo depois da visão de Deus (Is 6.1ss); foi o caso de Paulo (At 9.1.ss). E "ver a Deus" dá novas energias. Quando se experimenta pessoalmente o poder de Deus, não se necessita ser aguilhoado para crer que todas as coisas são possíveis por meio de Cristo Jesus. Um líder que tenha tido uma visão definida de Deus será capaz de amar, terá todas as condições de repassar esperança, assim como capacidade de comunicar a fé. Na verdade, só podemos influenciar e liderar outros até o ponto a que nós mesmos chegamos. Nesse ponto, vai se revelar o líder espiritual em contraposição ao líder natural. Segundo Sanders, o paralelo entre estas duas qualidades de líderes é o seguinte: O Líder Natural 142

· É autoconfiante · Conhece os homens · Toma as próprias decisões · Usa os próprios métodos · Gosta de comandar os outros (e ser obedecido) · É motivado por questões pessoais · É independente. Bem diferente, portanto, do Líder Espiritual, o qual: · Confia em Deus · Conhece os homens e conhece a Deus · Faz a vontade de Deus · É humilde · Usa o método de Deus · Busca obedecer a Deus · É motivado pelo amor a Deus e aos homens · Dependência de Deus Parte XXIV DISCIPLINA NA IGREJA Introdução Disciplina eclesiástica é um termo em risco de extinção no atual vocabulário cristão. Desde que os princípios do pós-modernismo encontraram lugar no seio da igreja,(1) qualquer conceito que ameace o individualismo e a liberdade de escolha quanto ao estilo de vida, comportamento, etc., é logo taxado de arcaico, passé. A dicotomia prática de muitos cristãos gera a ilusão de que a igreja não tem nada a ver com o procedimento "secular" de seus membros. Nessa "nova era" antropocêntrica, a igreja é vista como uma organização altamente dependente do indivíduo, e que precisa conservá-lo ao custo de várias exceções. O medo da impopularidade leva muitos líderes à cumplicidade e pecados são justificados em nome de uma atitude mais "humana."(2) Por outro lado, o que dizer daqueles que, em nome do zelo pela disciplina, cometeram injustiças e causaram mais males que bens?(3) Em todo esse contexto, a disciplina tem uma vida curta e a tolerância consagra-se como a virtude da moda.(4 )Porém, o que acontece com uma igreja sem disciplina? O termo "disciplina," em geral, é empregado em vários sentidos. Podemos usá-lo para referir-nos a uma área de ensino, ao exercício da ordem, ao exercício da piedade(5) ou a medidas corretivas no seio da igreja. O objetivo deste artigo é delinear alguns fatores da importância da disciplina eclesiástica entre os membros do corpo de Cristo. O autor está plenamente consciente de que um artigo como este não coloca um ponto final no diálogo sobre o assunto. Porém, o que motiva esta reflexão é a esperança de que a mesma seja útil para elucidar a muitos quanto ao aspecto bíblico-teológico 143

da disciplina. I. Errando o alvo A igreja cristã tem sido acusada de ser o único exército que atira nos seus feridos.(6) O grau de verdade dessa acusação é, muitas vezes, devido a malentendidos com relação à disciplina eclesiástica. Tais mal-entendidos estão presentes em pelo menos dois grupos: 1) os que aplicam a disciplina, e 2) os que sofrem a aplicação da mesma. Como cada caso deve ser analisado individualmente, só nos cabe aqui listar os mal-entendidos mais comuns em relação à disciplina eclesiástica. A. Disciplina e Despotismo Com a subida ao poder do Partido Nacional na África do Sul, em 1948, a segregação foi legalizada em nome da disciplina. Como resultado, foi sancionado o aprisionamento de negros sem nenhum julgamento formal.(7) Isso não foi disciplina, mas despotismo. A história da Igreja Medieval apresenta uma vasta galeria de ilustrações da confusão entre o uso da disciplina e o exercício do despotismo.(8) Seria isto apenas um fenômeno do passado? Infelizmente basta familiarizar-se com os círculos eclesiásticos para se descobrir que o espírito medieval ainda está vivo e ativo na mente e atitude de alguns líderes modernos. Há aqueles que, como resultado da ganância pelo poder, seguem o caminho de Balaão e amam a injustiça (2 Pe 2.13,15). Estes estarão sempre prontos a "disciplinar" por motivos interesseiros (Jd 16). Não se deve esquecer, porém, que a culpa de Edom consistiu no fato de que "perseguiu o seu irmão à espada, e baniu toda a misericórdia; e a sua ira não cessou de despedaçar, e reteve a sua indignação para sempre" (Amós 1.11). B. Disciplina e Discriminação A confusa identificação entre disciplina e discriminação pode ser vista sob dois aspectos: 1) no abandono do disciplinado por parte da igreja, e 2) na recusa do disciplinado em receber a disciplina. Para se evitar o primeiro erro é imprescindível que a família cristã não desista de um dos seus membros que caiu. Paulo exorta a igreja para que manifeste perdão, conforto e reafirmação de amor para com o arrependido, para que "o mesmo não seja consumido por excessiva tristeza" (2 Co 2.7-8). Outra razão para esta exortação é para que "Satanás não alcance vantagem" sobre a igreja, criando amargura, discórdia e dissensão (v. 11). Há sempre a possibilidade de que o disciplinado não se submeta à disciplina, e acuse a igreja de discriminação. Tal atitude apenas manifesta ignorância e estupidez (Pv 12.1 - tradução literal). Segundo as Escrituras, é o pecado e a determinação em segui-lo que gera discriminação, e não a 144

Disciplina e Arbitrariedade "Com que direito fizeram isso?" Tal é a pergunta que constantemente se ouve em casos de disciplina. mas há algumas que requerem correção pública. é preciso lembrar que toda atitude pecaminosa precisa ser corrigida. "Aliás. Concluindo. Esse padrão consiste primeiramente em amor paternal (Hb 12. equívocos. na Segunda Carta a Timóteo 2. C. Por exemplo. mas as Escrituras mostram que a disciplina 145 . é como se aqueles que aplicam a disciplina não tivessem nenhum direito de fazer tal coisa debaixo do sol. Ou seja. Também. Além do mais. Paulo descreve as pessoas cujas práticas trazem escândalo à igreja.12).5 e 1 Tm 1. é importante lembrar que a autoridade na disciplina nunca vem daquele que a aplica. Essa pergunta revela um mal-entendido comum entre disciplina e arbitrariedade. e muitos deles haviam continuado por um período de tempo.17-18 e na Segunda Carta de João 9–11 são mencionados os que dissimulam ensinos contrários ao Evangelho.20. Na sua Primeira Carta aos Coríntios 5. em Mateus 18.4-13). ou seja. na Carta aos Romanos 16.1-13. somente a ignorância. Há um princípio claro: "Os pecados que foram explicitamente disciplinados no Novo Testamento eram conhecidos publicamente e externamente evidentes. mas daquele que a ordenou."(9) Com relação à autoridade.disciplina (1 Co 5.6-10 ele prescreve disciplina eclesiástica para aqueles que se deleitam na preguiça.29). Nenhum direito nos é dado.17 o apóstolo recomenda disciplina aos que causam divisões na igreja e.15). a pergunta a ser feita dever ser: "Com que direito um membro da Igreja do Cordeiro profana o sangue da aliança e ultraja o Espírito da graça?" (Hb 10. "Que direito temos nós de tomar o corpo de Cristo e fazê-lo um com a prostituição?" (1 Co 6.22-23).16-17 o evangelista fala daqueles que se recusam a abandonar o pecado mesmo diante de uma amorosa exortação pessoal. ao escrever a Segunda Carta aos Tessalonicenses 3.20). mas sim a responsabilidade de amar o pecador e vigiar para que também não caiamos (1 Co 10. Por outro lado. A Necessidade da Disciplina Aquele que ordena a disciplina na igreja é o mesmo que estabelece o padrão a ser seguido no exercício da mesma. o Cabeça e Senhor da Igreja (Ef 1. e na Primeira Carta a Timóteo 1. "não somos todos pecadores?" Primeiramente. O Ensino Bíblico A. ou dureza de coração poderiam levar alguém a deturpar os princípios bíblicos sobre a disciplina eclesiástica e justificar sua ausência entre os membros do corpo de Cristo." alguns argumentariam. É certo que o mundo vê a disciplina como expressão de ira e hostilidade. II.

"corrigir" (Pv 22. Além do mais. a disciplina na igreja está fundamentada não apenas no exercício do bom senso. A correta disciplina deve ser sempre aplicada com amor e não com ira (Pv 13.11-12a). 13 ensina que o propósito de Deus em disciplinar não é o de incapacitar permanentemente o pecador.6-8) e 3) dissuadir outros (1 Tm 5. 15) também pode ser traduzido como "trazer à luz. O mandato bíblico referente à disciplina é encontrado especialmente no ensino de Jesus (Mt 18. mas antes de restaurá-lo à saúde espiritual.7-9). a mesma produz paz e retidão (v.5). Além do mais. Segundo as Escrituras.1-10 e Ap 3." v. 8). confrontar.18 e 4.13) ou "castigar" (Is 53. A igreja sem disciplina é uma igreja sem pureza (Ef 5. instruir.1-13). ou seja.24).19). Deus não disciplina bastardos.3. Abordagem individual. A correção é fonte de esperança para os que a aplicam e vida para aqueles que a recebem corretamente (Pv 19." Ainda que seja inicialmente doloroso receber disciplina. o grego paidei/a possui sentido semelhante e é freqüentemente usado na analogia entre a disciplina dos filhos por seus pais e a correção que vem do Senhor (ver Hb 12. 1 Co 5.O v.20). Jesus. Também. 2) manter a pureza da igreja (1 Co 5. e quando os cristãos recebem disciplina divina.5-6).15-17) e nos escritos de Paulo (1 Co 5. O padrão de disciplina divina revela também maravilhosos benefícios.de Deus é um exercício do seu amor por seus filhos. 8). A disciplina que vem do Senhor "é para o nosso bem (v.15. Amor e disciplina possuem conexão vital (Ap 3.17. Esses passos são especialmente mencionados em Mateus 18.25-27) e sem poder (Js 7. 15 (Se teu irmão pecar vai argui-lo entre ti e ele só. o Pai celestial está apenas tratando-os como seus filhos.1-2 e 15.13). Mas é sempre arriscado confrontar alguém. É este triplo propósito que aponta para os passos a serem seguidos em uma aplicação correta da disciplina eclesiástica. Os Passos da Disciplina Biblicamente.5 e Gl 6. há clara referência bíblica de que a igreja que negligencia o exercício desse mandato compromete não apenas sua eficiência espiritual mas sua própria existência.1). filhos ilegítimos (v.15-17. o termo grego e)/legcon ("arguir. dirige nossa atenção para a alegre possibilidade de que tal irmão nos ouça.15 e 23. Uma das melhores coisas a se fazer por um irmão em pecado é confrontá-lo em amor (Pv 27. 11). 1. a disciplina na igreja tem um triplo objetivo: 1) restabelecer o pecador (Mt 18. O termo hebraico rasUm é usado no Antigo Testamento como sinônimo de "instruir" (Pv 1.19).) ensina que a confrontação é um tarefa cristã. 12. O v. 10). disciplina e sabedoria estão intimamente ligadas nas Escrituras (Sl 50.. A igreja de Tiatira foi repreendida devido à sua flexibilidade moral (Ap 2.20-24). mas principalmente nos imperativos do Senhor. disciplina envolve relacionamento familiar (Hb. B. Nesse sentido. 146 ..32). pois nunca se pode prever a reação do mesmo. No Novo Testamento. todavia. Pv 1.

A princípio. Nesse caso. Em outras palavras. a disciplina eclesiástica "não é uma atividade a ser realizada facilmente. Pronunciamento público (v.11). podemos sempre clamar por socorro Àquele cujo ministério de confrontação é sempre eficaz."(10) É significativo o fato de que esse é o mesmo termo usado em João 16. o desvio doutrinário das verdades fundamentais ensinadas nas Escrituras. ou seja.No caso de o ofensor não atender à confrontação individual. pode parecer que o objetivo desse passo é intimidar o ofensor. na qual o ofensor é privado de todos os benefícios da comunhão. Há porém o conforto de saber que a presença e o poder de Jesus são reais mesmo no contexto desse processo (Mt 18. a objetividade do caso é preservada.27). o que diminui as chances de injustiça. "comunicar").Tal proceder nunca é violação de segredos. o ofensor é tido como gentio (a quem não era permitido entrar nos átrios sagrados do templo do Senhor) e publicano (que eram considerados traidores e apóstatas: Lc 19. Com estes não há mais comunhão cristã. Tal oficialização pública da disciplina traz implicações temporárias em relação aos sacramentos (1 Co 11.(11) 4. 16). Jesus ordena que haja admoestação privada (v."(12) III.expor. evitar comentários desnecessários (2 Ts 3.15).O último recurso da disciplina é o da excomunhão (do latim ex. antes de confrontar um irmão.6 e 19. levanos a entender que o propósito do mesmo pode ser o de conscientizar o ofensor quanto aos prejuízos de sua atitude para com a comunidade do corpo de Cristo. 2.30. Jesus afirma que as outras pessoas envolvidas nesse processo serão testemunhas." e communicare. pois deliberadamente recusam os princípios da vida cristã (1 Co 5. Nenhum deles é agradável e eles só prosseguem diante de dureza de coração do ofensor. porém. Implicações teológicas 147 . um número maior de pessoas é envolvido. e o ofensor é beneficiado. Se o seu pecado é heresia. Isto é uma referência à prática vetero-testamentária de não se condenar alguém com base apenas em uma opinião pessoal (ver Nm 35. Diante de tal pronunciamento cada membro do corpo de Cristo deve orar pelo pecador. e do juízo. 17) . Uma atenção maior. Dt 17. Além do mais. mas algo a ser conduzido na presença do Senhor. Assim. amor e transparência. eles não devem nem mesmo ser recebidos em casa (2 Jo 10-11). "fora.12). Com isto. É claro que cada um desses passos envolve dor. pois o ofensor deliberadamente recusou os caminhos prévios do arrependimento.1415) e vigiar a si próprio (1 Co 10. ou seja. da justiça. tempo. Nesse caso. em convencê-los (confrontá-los) "do pecado. 3. nosso pecado traz conseqüências pessoais e coletivas. Admoestação privada .210).8 para descrever o ministério do Espírito em relação àqueles que estão no mundo. Exclusão pública .19-20). a recusa ao arrependimento." Assim.

mas tão somente de elucidar.10 e Ap 19.24). "a disciplina eclesiástica é tão necessária quanto os ligamentos do corpo humano. quais são as marcas da verdadeira igreja cristã? Para o reformador João Calvino. e deve seguir os princípios revelados por Deus em sua Palavra. ou como a disciplina em família. A negligência do povo de Deus quanto aos mandamentos do Senhor motiva os incrédulos a blasfemar o nome de Deus (Rm 2. nem coisa semelhante. mesmo diante da possibilidade da sua contaminação pelo mundo. Segundo ele. Disciplina e as Marcas da Igreja A Reforma Protestante do século XVI considerou importantíssima para a teologia cristã a seguinte questão: Como distinguir entre a igreja verdadeira e a falsa? Em outras palavras. Há uma relação entre disciplina eclesiástica e evangelismo. da administração dos sacramentos e do exercício da disciplina eclesiástica."(15) Nesse sentido. pois é um meio instituído por Deus para manter pura a sua igreja.10)."(16) Sendo que Cristo deseja sua igreja "sem mácula. A disciplina eclesiástica ressalta a seriedade do pecado. 148 . Disciplina e Evangelismo A disciplina evidencia o amor cristão pelo pecador.9)."(13) A exclusiva adoração a Deus é um mandato divino (Mt 4.3). o zelo pela santidade do nome de Deus implica diretamente no exercício da disciplina eclesiástica. a igreja não é corretamente motivada a buscar a redenção do pecador. "aqueles que pensam que a igreja pode sobreviver por longo tempo sem disciplina estão enganados.Sem a intenção de limitar.1-3). é uma marca da fé salvadora (Fp 3. porém santa e sem defeito" (Ef 5. Disciplina e a Adoração Cristã A verdadeira adoração "é a mais nobre atividade de que o homem. ainda que esse pecador seja um dos membros da igreja. a menos que pensemos que podemos omitir um recurso que o Senhor considerou necessário para nós. Esse amor pelo pecador cristão também reflete o amor da mesma pelo pecador incrédulo. tais marcas consistem da proclamação da Palavra. a disciplina eclesiástica é altamente relevante. nem ruga. Sem a visão dessa seriedade. A.7 e Mt 6. pela graça de Deus. oferecemos três tópicos teológicos que estão vitalmente ligados ao processo da disciplina eclesiástica.(14) Um princípio essencial da adoração cristã é o zelo pela santidade do nome do Senhor (Ex 20. é capaz. Uma igreja adoradora e ao mesmo tempo tolerante para com o pecado no seu seio é uma contradição de termos e recebe a repreensão do Senhor (Ap 2. C. B. Assim.27).18-29). O servo de Deus sempre deve almejar a pureza da noiva do Cordeiro (2 Co 11.

A disciplina é dirigida àqueles que estão dentro dos portões da igreja e que estão se sujeitando ao domínio do pecado. ou rejeitada. The Scarlet Letter. que a disciplina na igreja não é uma opção. Uma igreja sem disciplina proclama uma liberdade desconhecida. mas sim uma ordenança e. trad. nenhum doente faz opção pela morte ou pela continuidade da doença se a vida e a cura podem estar tão próximas. Uma séria reflexão bíblica sobre a disciplina eclesiástica evidencia dois princípios básicos. Essa relação vital entre evangelismo e disciplina é clara à luz de 1 Co 5. "O Pastor da Esquerda Evangélica. 5 Richard J. Nessa entrevista." 3 Essa é uma constante referência à obra clássica de Nathaniel Howthorne." mas sim se a prática atual da mesma "é bíblica.Uma igreja sem disciplina torna-se um impecilho para o avanço do evangelho. Primeiro. Luiz Aparecido Caruso (São Paulo: Vida.5-11). o bispo Robson Cavalcanti teoriza sobre casos em que a poligamia poderia ser considerada uma atitude mais humana. "há pouca vantagem em uma greja que tenta vencer o mundo se ela já tem se rendido ao mundo. Tolerating the Intolerable: A Mandate of Love (Wheaton. 149 . porém. 2 Ver Guilherme de Barros. Illinois: Josh McDowell Ministry). Dining With the Devil: The Megachurch Movement Flirts With Modernity (Grand Rapids: Baker.12-13. Também. Assim. se recusa a aplicar um medicamento que pode curar o seu paciente apenas porque o mesmo é forte. McDowell. 1983).D. O presente autor discorda do bispo e crê que a questão retórica a ser levantada não é se condenar a poligamia "seria humano. ambos (evangelismo e disciplina) almejam a liberdade do pecador e a concretização do triunfo histórico da graça sobre o pecado na vida do mesmo (Rm. O evangelismo é dirigido aos que estão fora dos portões da igreja e que estão escravizados pelo pecado. 6.1-23). que a disciplina requer profundo amor por parte da igreja que a aplica e semelhante humildade e quebrantamento por parte daquele que é disciplinado (2 Co 2."(18) Nenhum profissional médico.57). pelos seus próprios membros. 1 Ver Os Guinness. uma bênção divina (Hb 12. Foster. Celebração da Disciplina: O Caminho do Crescimento Espiritual." Vinde (Julho 1997):7-12. conseqüentemente."(17) Conclusão Laney adverte para o fato de que "a disciplina é como um medicamento muito forte: pode trazer a cura ou causar maior dano. Como diz Barnes. 4 Josh N. Segundo. 1993).

Wright. Systematic Theology. 1960). "Discipline.4. Amados. Institutes of the Christian Religion. Ferguson. CD). Minha tradução. D. ed. Inc. o veremos” (1Jo 3. “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. 898. 277-359. e J. Caswell. e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Vine’s Expository Dictionary of Old and New Testament Words (Nova Jersey: Fleming H. A única exceção a esse princípio foi "o pecado secreto de Ananias e Safira (At 5. 17 Peter Barnes. W. The Story of Christianity (Nova York: HarperSanFrancisco. 160. 15 John Calvin. eds. "The Biblical Practice of Church Discipline. Laney. Christ the Controversialist: A Study in Some Essentials of Evangelical Religion (Londres: Tyndale Press. porque assim como é. 1981).1.1-11). "Biblical Church Discipline." 200. I.. 150 . 200. 1994). 9 Wayne Grudem. 283-4. F." The Banner of Truth 414 (Março 1998): 20. González. Revell. agora somos filhos de Deus. 14 Confissão de Fé de Westminster. 12 Grudem. McNeill (Filadélfia: Westminster.6 Carl J. Mas sabemos que." em New Dictionary of Theology. Minha tradução. 7 Compton’s Interactive Encyclopedia. S. Systematic Theology (Grand Rapids: Zondervan. F.." Biblioteca Sacra (Outubro-Dezembro 1986): 353-64. 13 John R. Nesse sentido a atuação extraordinária do Espírito Santo resultou em grande temor entre os membros da igreja. Stott.2). Por isso o mundo não nos conhece. e nós o somos. B. Parte XXV É MARAVILHOSO. 1988). Minha tradução.7. 4. 16 Caswell. Minha tradução. 896. John T. Bruce. XXI. quando ele se manifestar. "Discipline. "The Biblical Practice of Church Discipline. ed. 1970). 18 Laney. seremos semelhantes a ele. Minha tradução." 363. Packer (Downers Grove: InterVarsity. 1984). N. 8 Justo L. 1997 (The Learning Company. 11 R. Minha tradução..i. porque não conheceu a ele." 10 F.

“somos feitura sua. mas tão somente criaturas. pois quem não tem fé em Jesus Cristo não é filho de Deus! 151 . Estes dois versículos nos dão uma grande descoberta: o evangelho de Jesus Cristo tem uma mensagem de alcance mundial. Escreve esta carta debaixo de uma ternura tão grande. e a palavra de Deus permanece em vós. mas a idéia geral e popular é essa. se todos somos criaturas.. ao passarem Jesus e os discípulos por Samaria. quem é filho de Deus? Há inúmeras referências na Bíblia Sagrada sobre isso.. Este tão intolerante e raivoso João é o mesmo que quase sessenta depois. “Eu escrevi. de onde vem nossa palavra “poema”. e já vencestes o Maligno” (2. ao perceber a má vontade dos samaritanos em receber o grupo porque era composto de judeus (pois havia inimizade entre samaritanos e judeus. ainda hoje acontece). “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus.Sou fascinado pela Primeira Carta de João. Ela tem qualidades extraordinárias. que passaremos a comentar.” Talvez fosse. é poeimia. e nós o somos” (v. Gálatas 3. como atestam suas palavras do início até o verso final. e. as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.. e isso é maravilhoso! É MARAVILHOSO.. A palavra “feitura” é muito sugestiva na língua em que Paulo escreveu esta carta. 1). Ouvi nesta semana um pedaço de conversa no supermercado em que um cidadão dizia para o outro: “. ou como o apóstolo Paulo deixou registrado. por sinal.10). ainda. É maravilhoso sermos “chamados filhos de Deus”. Algo especial vai acontecer. amadurecido.. porque sois fortes. Somos uma obra de arte de Deus. experimentado.51-54)..14). da gloriosa epifania.8). mas eu também sou filho de Deus. jogado para trás. jovens. tem agora um tratamento absolutamente diferente. que ensina que somos criaturas de Deus. e fala do futuro. que “temos um advogado para com o Pai” (2. fala de uma experiência presente na nossa caminhada em e com Cristo. verso 26. É nessa carta que ele diz que “Deus é amor” (4.” Já fez uma tremenda limitação. Este é o mesmo João que um dia. de Sua manifestação na Segunda Vinda. não deixa por menos: “Pois todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. Lc 9. Quem são os filhos de Deus? A pergunta tem pertinência porque existe uma teologia popular que afirma que todos são filhos de Deus. criados em Cristo Jesus para boas obras. daquilo que nos aguarda. Então. como. não queremos julgar. indaga de Jesus se não seria conveniente pedir um raio que acabasse com os samaritanos tão sem hospitalidade (cf. tão extraordinária que fala de quando nosso passado foi obliterado.1). da presença de Jesus Cristo. mas não é da Bíblia. É popular. Fizemos o destaque dos versículos iniciais do capítulo 3.

O modo de fazer teatro era diferente do nosso. Uma oração atribuída a Francisco de Assis pede 152 . Essa citação encontra outra versão em 1João 3. A palavra sincero vem do teatro greco-romano.para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros. justificar é colocar tudo reto.12).9). Uma pessoa “sincera” (sem cera) ´não está mascarada. não o considera com responsabilidade na vida. A Palavra de Deus é tão clara quando diz. o mesmo em informática: pode-se justificar pelo lado esquerdo. se tristeza. Pacificador não é o não-violento. deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus” (Jo 1. Glória a Deus porque pela fé somos considerados retos diante de Deus: tudo o que é passado vai para a lixeira da eternidade. ser puro de mãos e limpo de coração. e a outra tinha a boca voltada para baixo como se chorasse. sem a cera no rosto. entre a qual resplandeceis como luminares no mundo” (Fp 2. “Justificados. Uma melhor tradução para esta afirmação de Jesus Cristo é “Bem-aventurados os promotores da paz. a expressão facial têm enorme importância no teatro moderno.. ao Evangelho de João. Mas. o tom da voz. A modo exclamativo. e os seus não o receberam. visto que a postura corporal.1).11. aos que crêem no seu nome [aos que têm fé-adesão. “Como são feliz os artesãos da paz porque Deus os tem como herdeiros de Sua natureza”. mostra quem é.. E o propósito do evangelho é patente: “. Vamos. e denotava tristeza. ainda. Para passar alegria. a máscara triste de cera era colocada no rosto. por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5. que são filhos de Deus os que promovem a paz. porque eles serão chamados filhos de Deus” (Mt 5.Quem é filho de Deus? Os que têm fé e crêem em Cristo Jesus. Diz a Palavra Santa que é filho de Deus quem é praticante da justiça. filhos de Deus imaculados no meio de uma geração corrupta e perversa. usavam-se máscaras: uma tinha a boca voltada para cima como se estivesse sorrindo. não tem um comprometimento sério com Ele pode efetivamente ser chamado “filho de Deus”? Pela Escritura Sagrada. e os filhos do Diabo: quem não pratica a justiça não é de Deus”.10: “Nisto são manifestos os filhos de Deus. a todos quantos o receberam. “Bem-aventurados os pacificadores. É o mesmo escritor da carta que estamos apreciando.Se assim é.15). não. pelo direito ou pelo meio. justiça! Ser justo é ser reto no que se faz. colocava-se no rosto a máscara feita de cera denotando felicidade. E diz a Bíblia que quem anda na honestidade de seu coração voltado para a fé em Jesus Cristo. que teologia é essa que ensina que todos somos filhos de Deus? Se alguém não acompanha a Jesus. então. e dava idéia de alegria. Palavrinha boa. estava com a verdadeira face aparecendo.. Diz a Palavra de Deus. Quando o ator não estava de máscara.. palavras Suas. portanto. nem o que foge de conflitos: é o que promove a paz. pela fé. essa pessoa é filha de Deus. porque eles serão chamados filhos de Deus”. pois. temos paz com Deus. A Bíblia diz. ou. Nas artes gráficas. Ser sincero é ter uma face autêntica. e agora temos uma vida toda nova porque fomos considerados justos pelo Senhor. No teatro romano. que são filhos de Deus os que andam em sinceridade. ainda. Diz ele: “Veio [Cristo] para o que era seu. compromisso].

agora somos filhos de Deus. 1Jo 3. Voltando ao texto básico (“Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. O Espírito mesmo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8. Paulo diz que fomos adotados. Por isso o mundo não nos conhece. João nos apresenta o aspecto natural: fala de geração. o qual . Paulo e João nos dizem que a relação fundamental dos salvos com Deus é filial. a fim de recebermos a adoção de filhos” e “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Está dentro do espírito do evangelho. “então.1. E isso é simplesmente maravilhoso porque não 153 . Há o filho que nasce do ventre e há o que nasce do coração... Ao ser indagada pelo interlocutor. nos elegeu nele antes da fundação do mundo. agora somos filhos de Deus. faze de mim um instrumento de Tua paz”. cf. como objetivo que os seres humanos sejam chamados Seus filhos. Filhos de Deus são os guiados pelo Espírito Santo de Deus. Mas sabemos que.“Senhor. sob a qual Paulo viveu. porque assim como é. na lei romana. O fato de que agora somos filhos de Deus..” Que lindo jogo de palavras. portanto. porque não conheceu a ele.. descobrimos que é mais extraordinária uma declaração que vem a seguir: É MAIS MARAVILHOSO.. e isso é mais íntimo. 16).6). E como a nossa lei é herdeira direta da linha-mestra do Direito Romano. e ainda não é manifesto o que havemos de ser.. Um amor que tem como fim. o veremos”. É como claramente diz João: “somos filhos de Deus”. A Bíblia diz que Deus nos gera no coração agora! Precisamos entender. Além de referendar a primeira e já comentada declaração. adoção era considerada como equivalente à verdadeira filiação.5 esclarece: “vindo a plenitude dos tempos. “Não. Rm 8. que clama: Aba. pois “Amados. Neste verso. palavras que anunciam o glorioso fato de que pertencemos à família divina. “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus. agora somos filhos de Deus”! E isto é mais extraordinária porque ninguém precisa ficar esperando que uma determinada situação aconteça para tentar obter a filiação divina.14. também no nosso Direito o filho adotado é reputado como filho que nasceu do ventre daquela mãe. Diz que fomos adotados por Deus: é a adoção. segundo o beneplácito de sua vontade” (Efésios 1. respondeu com muita ternura. Os apóstolos usam ambas as figuras. e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo.. Pai” (Gl 4.2).. “E.. Paulo nos dá o aspecto legal. é seu filho de criação?”.15).” (1Jo 3. quando ele se manifestar. Uma pessoa quis falar de uma criança que havia adotado. esses são filhos de Deus . duas das suas idéias centrais se encontram: o amor e a filiação da parte de Deus.3-5... neste instante. mas João diz que fomos gerados. acrescenta que “neste momento. Gálatas 4. Deus enviou seu Filho. para resgatar os que estavam debaixo de lei. seremos semelhantes a ele. e nós o somos. Amados. Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho. porque sois filhos. é meu filho do coração. no entanto. nascido de mulher. nascido debaixo de lei.2a). para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor. para si mesmo.

E vivemos na expectativa de um futuro glorioso e radiante. e são filhos de Deus. estendendo a mão para os seus discípulos disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. Filhos da ira que éramos. ao encontro do Senhor nos ares. ? Somos herdeiros de Deus: “e. e procuram falar contigo... com poder e grande glória. “. também herdeiros.acontecerá no futuro. sabemos que. mas também para congregar num só corpo os filhos de Deus que estão dispersos” (Jo 11. ? Recebemos o amor e a disciplina da parte do Pai: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus” (1Jo 1. e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. filhos da desobediência. nas nuvens. Isso quer significar uma série de privilégios: ? Somos congregados num só corpo: “o sumo sacerdote naquele ano. se é certo que com ele padecemos. esse é meu irmão. É AINDA MAIS MARAVILHOSO.2b). e assim estaremos para sempre com o Senhor” (1 Ts 4. à voz do arcanjo.46-50. os quais lhe ajuntarão os escolhidos desde os quatro ventos. de uma à outra extremidade dos céus”. Estamos no aguardo do retorno de Cristo. Aqui temos três informações importantíssimas: O Senhor Jesus ainda se manifestará. E porque filhos de Deus. os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles. ansiamos por Sua vinda. quando ele se manifestar.36). tornamo-nos. itálico do autor). profetizou que Jesus havia de morrer pela nação. E esse estado é desfrutado agora. no segundo nascimento. 31: “aparecerá no céu o sinal do Filho do homem. mas já acontece agora.16. 154 . se filhos.7). e todas as tribos da terra se lamentarão.3) e “É para disciplina que sofreis. por adoção. filhos de Deus. E ele enviará os seus anjos com grande clangor de trombeta. ? Somos filhos da ressurreição: “porque já não podem mais morrer. Ele.30. no espiritual.. ao som da trombeta de Deus. herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo.. Ele virá e nos tomará para Si como nos prometeu em Mateus 24. letrada ou não.52).17). Seus interesses se tornam nossos interesses.2. sendo filhos da ressurreição” (Lc 20. e verão vir o Filho do homem sobre as nuvens do céu. No nascimento carnal. porém. Observe o relato a seguir: “Disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos. a ser explicado em seguida. herdeiros da Sua glória. como destaca 1João 3. Este texto é referendado por “o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado. seremos semelhantes a ele” (Jo 3. pois são iguais aos anjos. e não somente pela nação. seja a pessoa abençoada rica ou pobre. Pois qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus. respondeu ao que lhe falava: Quem é minha mãe? e quem são meus irmãos? E. para que também com ele sejamos glorificados” (Rm 8. Deus vos trata como a filhos. 17). pois qual é o filho a quem o pai não corrija?” (Hb 12. Depois nós. irmã e mãe” (Mt 12.

Não fomos tomados emprestados da mão do diabo. a transformação dos corpos operada na ressurreição. “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem. Mas quando Jesus retornar. 2). fomos conquistados por Cristo. de luz.30). Paulo. como filhos amados”.Nós o veremos como é. você pode se tornar filho de Deus! Parte XXVI EVANGELIZAÇÃO . que é a nossa vida. e verão vir o Filho do homem sobre as nuvens do céu. segundo o ensino da Bíblia. Esta visão extraordinariamente gloriosa pode ser uma pista para entendermos o “corpo espiritual” de que fala Paulo. por exemplo. Diga a Jesus: “Senhor. E não é verdade? Tudo começa com fé. Porém há um povo sobre a terra que recebeu uma mensagem de vida. Mas o querido leitor não precisa esperar pela Segunda Vinda de Jesus Cristo para receber a filiação divina: pela fé. precisamos ter a mente de Cristo como Paulo enfatiza (“nós temos a mente de Cristo. irmão deste. e foi transfigurado diante deles. e. vai de tal maneira que não somente teremos a mente de Cristo. Como seria este “corpo espiritual”? É só lembrar o episódio da transfiguração: “tomou Jesus consigo a Pedro. e todas as tribos da terra se lamentarão. creio e quero receber as bênçãos do Calvário!” O pecado é incompatível com o fato de ser filho de Deus. creio no que Tu pregas. “corpo espiritual”. a reconfiguração dos que estiverem vivos naquela ocasião. isso já ficou para trás! Vamos vê-Lo gloriosamente retornando como a Bíblia descreve: “Eis que vem com as nuvens. E tudo isso começa com uma coisa: a fé. Agora. e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz” (Mt 17. a Tiago e a João. E essa felicidade de que estamos gozando tem algo tremendamente emblemático: a própria palavra começa com a sílaba – FÉ -.16). é incompatível com o propósito da manifestação de Cristo. se manifestar. A Bíblia é um tanto econômica sobre esse assunto. pois serve a um Deus inigualável. precisamos imitar a Jesus Cristo agora (“sede pois imitadores de Deus. Ef 5. Não como homem de dores. Este povo é diferente. não na Sua Paixão. onde muitas pessoas a cada dia seguem rumo à morte.1. mas também o corpo semelhante ao corpo glorioso de Cristo. Este povo não pode parar diante das densas trevas que se levantam. colocou uma expressão. possui uma mensagem diferente. e os conduziu à parte a um alto monte.A AÇÃO DO EVANGELHO O mundo atual no qual vivemos se encontra em um estado terrível pecaminosidade. Por isso. então também vós vos manifestareis com ele em glória” (Cl 3. 155 . este povo são os remidos do Senhor Jesus Cristo.7a). para ser entregue aos homens. comprados por um alto preço de sangue. o seu rosto resplandeceu como o sol. eu creio no que Tu falas. repetimos. creio na salvação trazida por Ti! Eu creio na Tua cruz. comprado pelo sangue. Implícito em todo o que foi dito por João e Paulo está a Segunda Vinda. sem esperança alguma de salvação.4). com poder e grande glória” (Mt 24. agora. 1Co 2. e todo olho o verá” (Ap 1. Agora o veremos na Sua glória como Rei dos reis e Senhor dos senhores! Há uma terceira etapa: isso vai completar nossa semelhança com Ele. Isso é extraordinário porque “Quando Cristo. não soube como dizer como seria este corpo igual ao corpo glorioso de Cristo. faz uma oração distinta e tem um poder único.1).

a outra é a descoberta da salvação e a outra é a ação. porém que entendem que a evangelização é uma ação que consiste em levar perdidos a Jesus para serem salvos por Ele. Definindo Três Palavras: Evangelho. Aqueles. Muito campo ainda falta para ser conquistado. que significa. nada pode nos impedir. Levantando bem alto a bandeira do Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. e estão nas mãos da Igreja. de tal maneira que os homens possam confiar nele como Salvador e servi-lo como Senhor de suas vidas. Evangelização & Evangelismo Estas três palavras possuem definições fortes e contundentes em nossas vidas.Este povo não pode calar. EVANGELIZAÇÃO A palavra evangelização provém do grego evaggelizo. naquele exato momento começa-se a cumprir as promessas de Deus com relação ao Salvador da humanidade. pois. porque se isto fizer-se até mesmo as pedras clamariam. Quando os anjos anunciaram aos pastores o nascimento de Jesus (Lc 2. boas novas. EVANGELHO O termo evangelho vem do grego evanguélion. muita terra para ser alcançada. evangelização é levar o evangelho às pessoas. que se realizou com a vinda de seu filho ao mundo. cujo significado é: "Anuncio boas novas". Evangelho é então o anuncio do cumprimento da providência de Deus para salvação dos pecadores. Temos que avançar. O Evangelismo é uma arma poderosa se usada de forma correta. ambas dependem uma da outra. colocando o reino das trevas em retirada. enquanto uma se torna uma tarefa. hão de empenhar-se apaixonadamente na propagação do evangelho. induzi-los à aceitação de Jesus Cristo como Filho de Deus. 156 . e anunciarmos ao mundo que o Rei está voltando. Não podemos nos deter. Uma delas é voltada para o mundo em pecado a outra é voltada para a Igreja. é a apresentação de Jesus Cristo no poder do Espírito Santo. Basicamente. literalmente.11) foi empregado o verbo correlato evanguelizo. que tem o significado de levo ou trago boas novas. EVANGELISMO Evangelismo é a ação cujo objetivo é levar os homens a conhecerem sua condição de pecadores perdidos e a conhecerem o plano de Deus para sua salvação. Deus nos chamou para destruir as obras do diabo. para isso vamos analisar o que a Bíblia nos ensina com respeito a este tema.10. com as coisas deste mundo. Desta forma podemos definir que evangelização é quando levamos as pessoas ao pleno conhecimento da verdade de Deus em relação ao seu filho Jesus Cristo.

que evangelizar é uma tarefa muito importante e difícil. Desta forma a evangelização de uma pessoa não termina quando ele aceita a Jesus mas está apenas começando. e integrá-los na vida cristã. vejamos alguns destes pontos fortes: 1 . Se faz necessário que o ser humano seja informado de sua condição de pecador e de sua vida distanciada da presença de Deus. aplicando-se cada vez mais ao serviço de Deus. chegamos a conclusão. distinguem-se os seguintes elementos: a) O Campo de Atividade para a Evangelização . que entregou seu filho para salva-lo. 2 . são eles: 1 . treinar. da necessidade de arrependerse de seus pecados e ser informado que Deus o ama (Jo 3. capacitar e ter métodos avançados e modernos de evangelização. implica também. nos colocamos em posição de ordem.16). é preciso investir. Nesta área de informação deve-se utilizar todos os meios de comunicação possível. cresce em poder e fé e se desenvolve.Quando lemos a Bíblia Sagrada e nela encontramos que a principal vontade de Deus é que todos cheguem ao pleno conhecimento da Salvação (I Tm 2. 3 .4).O Conhecimento da Vontade de Deus . 157 . na organização eficiente da evangelização local e missionária. Essa vontade revela o amor de Deus para com todos os pecadores e ao mesmo tempo a grandiosidade da obra que é a evangelização. durante o qual o novo crente aprende as doutrinas bíblicas.15. Depois de examinarmos estas definições.Nesta ordem de Jesus podemos ver que se faz necessário a existência de um discipulado obediente.Convencer: Evangelizar também é convencer o homem de seu estado pecaminoso. Na ordem de Jesus registrada em Marcos 16.O mundo inteiro. a qual não pode estar nas mãos de pessoas individualistas que não possuem compromisso com a obra de Deus.Informação: Evangelismo é uma ação que tem por fim informar. 2 . desde o rádio até a Internet. MOTIVOS QUE NOS LEVAM AO EVANGELISMO Quando lemos a Bíblia Sagrada.Salvador e Senhor. Nesta definição vamos encontrar três pontos básicos de apoio que devem ser verificados. espiritual e dinâmico. pois sendo Deus meu Senhor devo fazer de tudo para que a sua vontade seja cumprida.A Ordem de Jesus . além de anunciar ao homem o seu estado é necessário que o evangelista dê lugar ao Espírito Santo para que este possa usá-lo para convencer o pecador que ele precisa de salvação.Integração: Consiste no discipulado. vamos encontrar alguns motivos fortes que nos levam a querer fazer evangelismo.

A Visão da Extensão da Obra .O homem.17) será que é diferente? Deus tem nos constituído como um atalaia não apenas em Israel mas principalmente para o mundo. O EVANGELISMO VISTO NOS QUATRO EVANGELHOS Dentro dos quatro evangelhos.A Revelação das Sagradas Escrituras . não servirá de nada no lado espiritual. o desenvolvimento econômico também não têm capacidade de oferecer salvação.Quando Deus chamou a Ezequiel. c) A Tarefa específica a ser cumprida .36. e os crentes tem este poder. E como podemos escapar desta responsabilidade? Não podemos.37). 5 . 3 . como se encontram as almas sem Cristo ( Rm 3. e como ele organizou uma campanha de evangelismo bem preparada e equipada. ela pode até ajudar na vida material mas. se não tivermos esta visão das almas nunca teremos coragem de evangelizar. (Ez 3. 23.b) O Alvo a ser Atingindo . 4 . desgarradas e sofrendo.15). Vamos ver algumas características que este grande evangelista possuía.Características Pessoais 158 . e começamos a pensar no sofrimento que há no inferno e que este sofrimento é eterno para aqueles que não aceitaram a Jesus Cristo e que eles poderão estar lá porque eu não fiz a minha parte. voltado inteiramente para a obra de evangelização das almas. como ovelhas sem pastor.Quando lemos na Bíblia Sagrada.Visão da Responsabilidade Pessoal .13-17).A pregação do evangelho. vamos encontrar um personagem central. e estão esperando por nós. Para podermos evangelizar as almas precisamos olhar como Jesus olha para elas. Ele é com toda a certeza o maior de todos os evangelistas que o mundo já teve. muitas em países comunistas.É tolice tentar encontrar salvação fora do Evangelho (Rm 10. haja vista que a cada dia que se passa milhões de pessoas nascem. 6. que ainda impõem as cortinas de ferro. e este evangelho que está em nós devemos repartir com aqueles que ainda não conhecem a Salvação que está em Cristo Jesus. Deus ordenou e temos que cumprir nossa missão. será que vamos cruzar os braços diante desta grande tarefa ? 6 .Compreensão de que Somente o Evangelho pode Salvar .10-12. nem a ciência tem poder para isto. Ele o colocou como atalaia sobre a casa de Israel. E nesta mesma revelação vamos encontrar a Bíblia afirmando que uma só alma vale mais que o mundo inteiro ( Mc 8.23). mas o evangelho têm.Jesus disse que o nosso campo seria o mundo (Mc 16. JESUS O PRIMEIRO EVANGELISTA 1 . A grande solução da humanidade não está na política bem feita.

este exemplo é que nós devemos seguir. A Mulher Samaritana. a Bíblia relata que dois dos discípulos de João Batista o seguiam. Atualmente contamos com grande variedade de recursos técnicos. CDs. podemos ver isso claramente na mulher adúltera (João 8.1-11). passava noites inteiras orando. procurando.Jesus compreendia as fraquezas humanas. c) Compaixão . que ajudam a divulgação do evangelho. e) Preciso . Jesus não permitia que qualquer debate que Ele tivesse. serem substituídas. gravação em discos. desejosos de saber onde o mestre morava.Jesus durante toda a sua vida. Os métodos de evangelismo são imutáveis. As técnicas. ensinado-lhes a palavra de Deus. eles queriam apenas conhecer aonde o Mestre morava porém Jesus aproveitou a oportunidade para convence-los de que Ele era o Messias esperado por Israel. f) Espírito Compreensivo e Perdoador . e nós quantas vezes passamos perto de pessoas que precisam de uma palavra e nada fazemos. na evangelização.Em Mateus 14. Internet e etc.Jesus era esforçado na obra que realizava. ele podia apenas ter mostrado onde morava e pronto. passava horas e mais horas curando os enfermos.28). g) Dinamismo . percorria vilas e cidades pregando a palavra de Deus e jamais despediu uma pessoa sem lhe ajudar. estas sim. O evangelista precisa aprender com o Mestre a combater o pecado. ( Lc 5. viveu uma vida de sacrifícios. contudo.Jesus era dinâmico não parava um momento a não ser o necessário para descansar e repor as energias perdidas das caminhadas. e ao invés de ser um juiz implacável.Neste mesmo episódio revela duas outras características de Jesus a Paciência e Determinação. pois ele mesmo declarou (Mt 20. rádio. Jo 4.Jesus não gastava tempo com filosofias humanas e especulações Ele ia direto ao ponto sem perda de tempo. infelizmente quando muitos vão evangelizar se deixam levar com conversas que os desviam totalmente do objetivo. televisão.a) Esforçado .21-24). Nicodemos) e Proclamação às Massas. Ele perdoava aos que se arrependiam. vamos encontrar quando a Bíblia afirma que Jesus por compaixão as almas que ali estavam as curou de suas enfermidades.14. Ele não tinha pressa em evangelizar. dois métodos: Ensino Pessoal (Zaqueu. ampliação sonora. Foi justamente isso que ele fez durante seu ministério terreno. tomasse outro rumo a não ser o reino de Deus (Jo 3. Jesus os convidou a acompanhá-lo e permaneceu com eles quase todo aquele dia.1-21. MÉTODOS DE EVANGELIZAÇÃO UTILIZADOS POR JESUS CRISTO Jesus empregou. d) Espírito de Sacrifício . Contudo seja qual 159 . a considerar o pecador como um enfermo. projeção luminosa. b) Paciência e Determinação . podem evoluir. salvar o pecador. mas ele viu a oportunidade de ensinar mais a respeito dEle e da sua missão.1-30). modificadas para se adaptar-se as necessidades. que precisa de cuidados e não de açoites. precisamos aprender com Ele.

Se estivermos todos empenhados em falar de Cristo todos os dias. Lc 10.Além de instruir.Os discípulos não esperavam que os pecadores lhe viessem ao encontro.Tendo escolhido os apóstolos.13-17).6-13. A evangelização deve ser um movimento racionalmente organizado. Cristo ofereceu-nos o perfeito exemplo de evangelista.47.Os discípulos testemunhavam todos os dias. 1.46. ensinando e proclamando incessantemente o evangelho. resultante das emoções. se estivermos determinados a abrir novas frentes e organizarmos novas igrejas. A ORGANIZAÇÃO DA CAMPANHA DE EVANGELIZAÇÃO POR JESUS CRISTO Jesus não podia deixar a evangelização do mundo confiada à iniciativa pessoal e espontânea. Instrução . por isso organizou o movimento de evangelização. é necessário que hoje haja um despertamento entre os crentes para ganhara almas para o reino de Jesus Cristo. percorrendo ruas.Podemos notar que me ambas as tarefas Jesus especificou o local exato para que pudessem desenvolver o trabalho. forçosamente teremos de usar um dos dois métodos de Jesus . não cessando de anunciar a Jesus Cristo (At 2.O primeiro passo na organização do evangelismo foi chamar discípulos (Mc 1. 160 . Jesus passou a instruí-los para o desempenho da missão que lhe daria. pelo contrário. 4. os resultados de nosso trabalho serão multiplicados. Treinamento .ou ensinar individualmente ou Proclamar às Massas. vilas e cidades. A Obra de evangelização necessita de grandes e poderosos pregadores para as massas e de inumerável quantidade de pessoas treinadas para o ensino individual. Chamada .1-29).for o recurso empregado como auxiliar na evangelização. Definição da Tarefa .42).16-20. porém não descartou a evangelização em massa. 2. para tal Jesus a organizou da seguinte maneira: 1. O Evangelismo Primitivo era Dinâmico . 2. Ele deu ênfase à evangelização pessoal. Eles sem os meios necessários para evangelizar conseguiram levar a mensagem da salvação em todo o mundo habitado de sua época. CARACTERÍSTICAS DO EVANGELISMO REGISTRADO NO LIVRO DE ATOS Se quisermos melhorar nossas atividades evangelizadora teremos que analisar os métodos utilizados pela Igreja Primitiva. saíam a procura deles. organizando campanhas de evangelização (Mc 6. e buscarmos colocá-los em prática hoje. 2. O Evangelismo Primitivo era Intenso . 3. 5. se quisermos ser testemunhas eficientes. Jesus proporcionou um treinamento eficaz. cumpre-nos imitá-lo.

3. O Evangelismo Primitivo dava Ênfase ao Ensino - A Evangelização atual com a tendência de supervalorização das concentrações, em detrimento da evangelização pessoal, restando ao ensino quase exclusivamente o campo da educação religiosa para os já crentes. O ensino tendo por objetivo a evangelização pode facilmente ser usado pelas igrejas, organizando classes especiais para interessados e visitantes. 4. O Evangelismo Primitivo era Ousado - Homens iletrados enfrentam sábios; pobres e humildes desafiaram ricos e poderosos, testemunhando de Cristo, mesmo quando a sombra das mais terríveis ameaças. 5. O Evangelismo Primitivo era culto - Assim como Deus usou a Pedro e outros incultos para darem testemunho da Palavra de Deus, também se utilizou de homens como Lucas, Mateus, Paulo e tantos outros, homens formados, que diante da alta sociedade dava grande testemunho e defesa a causa do Mestre. 6. O Evangelismo Primitivo era Impulsionado e Dirigido pelo Espírito Santo Os primitivos discípulos viviam cheios do Espírito Santo, de alegria e gozo espiritual. Isso explica todas as demais características da evangelização daqueles dias. (At 4.8,31; 5.17-41; 7.55). Se colocarmos em prática estes métodos utilizado pela Igreja Primitiva, iremos logra êxito, na evangelização do mundo no qual vivemos. A PESSOA DO EVANGELISTA A responsabilidade de evangelizar não é somente dos ministros. É de todos os discípulos, há todavia, crentes que se limitam a cooperar com a obra de evangelização freqüentando os cultos contribuindo, pensando que desta forma estão fazendo o suficiente, porém se esquecem que a ordem de ganhar as almas foi para todos e é infinita até a volta de Jesus Cristo, até os confins da terra. Como Deve ser a Pessoa do Evangelista ? 1. O Evangelista Deve ser um Verdadeiro Crente, Salvo por Jesus - Esse requisito é óbvio, mas é necessário lembrá-lo. Infelizmente existe a possibilidade de pessoas tentarem evangelizar sem que, elas próprias tenham experiência de regeneração; 2. O Evangelista Deve ser Afável e cheio de simpatia - O evangelista deve lembrar-se de que está tratando com enfermos, quando evangeliza, o pecado é enfermidade. Existem evangelistas que ao invés de tratar os pecadores com amor e carinhos os tratam com pedradas e desrespeito, desta forma ao invés de ganharem perdem. O Que o Evangelista Deve Saber ? 1. O evangelista Deve Conhecer a Bíblia - É necessário que o evangelista possa ajudar o pecador a examinar a Palavra de Deus de modo a compreender o plano da Salvação, é preciso portanto, que os crentes que 161

desejam, ganhar almas para Cristo estudem sistemática, metódica e perseverantemente a Bíblia. 2. O Evangelista Deve Conhecer a Vida dos Homens e suas Desculpas - via de regra, as pessoas que o crente procura evangelizar tenta escapar à responsabilidade de enfrentar o problema do pecado com desculpas, o evangelista não deve ser apanhado de surpresas por essas desculpadas, é preciso saber rebater cada uma delas com a Palavra de Deus. 3. O evangelista Deve Conhecer as Diversas Religiões - O evangelista precisa estar preparado não só para enfrentar as desculpas, mas também os contra-ataques dos que têm convicções em falsas religiões. O Que o Evangelista Deve Cultivar ? 1. O Evangelista Deve Cultivar a Oração Fervorosa - A Evangelização é um combate espiritual contra as hostes das trevas, cuja vitória depende do poder do Espírito Santo. E a oração, é o meio pelo qual Deus outorga esse poder, não há evangelista bem sucedido que não seja dedicado à oração. 2. O evangelista Deve Cultivar a Leitura - O Evangelista deve estar sempre procurando aumentar seus conhecimentos pela leitura. 3. O Evangelista Deve Cultivar o Desejo de ver as Almas Salvas - O objetivo da evangelização é ganhar almas para Cristo, enquanto o evangelista não estiver dominado pelo desejo de conquistar almas, não poderá ser bem sucedido. 4. O Evangelista Deve Cultivar o Hábito de ir à Casa de Deus - Quem não ama a sua Igreja, não dá valor aos cultos e não tem prazer em tomar parte em suas reuniões jamais estará em condições de ganhar almas, estes são apenas alguns deveres dos evangelistas. O Que o Evangelista não Deve Fazer ? 1. O Evangelista Nunca Deve dar ênfase a Igreja e sim à Jesus - Entre o diálogo travado entre Jesus e a mulher Samaritana, vemos um exemplo claro de que a ênfase do ganhador de almas deve ser dada ao Senhor Jesus e nunca a Igreja, ou a uma religião, ou a um lugar (Jo 4.20-29; At 4.12). 2. Nunca Discutir - E ao servo do Senhor não convém contender (II Tm 2.24,25). Existem muitas outras atitudes que não são corretas à um evangelistas porém se ele tem êxito nestes dois pontos estará realizando um bom trabalho. TRAÇANDO UMA ESTRAGÉGIA DE EVANGELISMO 162

Todo trabalho para se obter êxito se faz necessário que se tenha uma estratégia de ação. Este tipo de assunto é bastante utilizado pelas grandes empresas que desenvolvem seus planos de trabalho anual ou mensal. Para que Ter uma estratégia ? Será que isto é bom ? Traçar ou ter uma estratégia nada mais é que realizar o que Jesus realizou , Ele tinha um alvo a alcançar e para chegar a este alvo Ele usou de estratégias de trabalho., Ele próprio nos ensinou a traçar nossos objetivos para se analisar se os recursos são suficientes. (Lc 14.28-33). A estratégia não anula a direção que recebemos do Espírito Santo, a estratégia apenas põe em prática a ordem que dEle recebemos. O Apostolo Paulo utilizou de estratégia para ganhar almas para o reino de Cristo, ele mesmo escrevendo disse que quando estava evangelizando os judeus guardava a lei judaica, mas relaxava quando este evangelizava os gentios que não estavam debaixo da lei (I Co 9.22; I Co 9.19). Ter uma estratégia de trabalho não é coisa da invenção do homem, Ter uma estratégia é até mesmo recomendada pela Bíblia, vejamos o que diz: Pv 16.9 "Devemos fazer nossos planos, confiando na direção que Deus nos dá" Pv 18.15 "O homem inteligente sempre está pronto para considerar novas idéias." Desta forma notamos que a estratégia tem respaldo Bíblico, basta apenas que nós venhamos a aceitar e pratica-la. VANTAGENS EM SE TER UMA ESTRATÉGIA Se aceitarmos o padrão Bíblico iremos descobrir que existe uma série de vantagens em se traçar uma estratégia de trabalho: 1. Aumenta a nosso eficiência - em qualquer coisa que fazemos é necessário gastar tempo, energia e dinheiro. A estratégia não apenas no ajuda a decidir o que fazer, mas também nos ajuda a decidir o que não fazer, e isto é igualmente importante. Um grande número de recursos dados por Deus são desperdiçados porque líderes cristãos estão concentrando-se nas coisas menos importantes. 2. Ajuda a medir a eficácia - Uma tarefa é eficaz quando ela atinge seus objetivos. O planejamento estratégico requer que os alvos sejam expressos de forma clara, isto nos capacita a medir o progresso e saber quando o que foi projetado a fazer não esta ocorrendo bem. 3. Permite Correção no meio do Caminho - Se uma estratégia bem planejada 163

irá prever diversos pontos de averiguação onde nós verificamos a metodologia que estamos usando, se o que estamos fazendo não está funcionando bem, quando mais cedo nós descobrimos melhor. 4. Une a Equipe - Muito freqüentemente as estratégia para evangelismo e missão envolve a participação de mais de uma pessoa, se faz necessário a criação de uma equipe, quando a estratégia é adequadamente planejada, cada membro desta equipe entenderá a contribuição que se espera dele, cada membro do grupo saberá sua tarefa e desta forma poderão cumprir com os objetivos de todo o grupo. 5. Permiti uma responsabilidade natural - Muito do que é feito para a obra de Deus é voluntário, quando as pessoas não estão sendo pagas pelo que estão fazendo corrigi-las não é fácil, uma estratégia claramente preparada evita estas dificuldades porque a estratégia é como um contrato que une as pessoas que estarão realizando tal trabalho. 6. Ajuda Outros - Embora as estratégias sempre precisem ser adaptadas a cada situação, quando uma certa estratégia é bem sucedida, ela se torna um modelo, outros que desejem realizar tarefas iguais, podem aprender muito de uma boa estratégia e orientar-se por ela. Desta forma notamos a importância em se Ter uma estratégia de trabalho bem elaborada e definida, esperamos em Deus, que os queridos irmãos possam usar este método para melhorar o seu desempenho em ganhar almas para o reino de Deus. CRUZADA EVANGELÍSTICA A importância da Oração. Para êxito real numa campanha evangelística, a oração intercessória deve começar meses antes. Grupos de oração, vigílias, jejuns e muita oração, e sem dúvida os resultados aparecerão. Planejamento e Finanças Planejar local, pregador, cantor, hospedagem para pregador e equipe, som, iluminação, devem ser providenciados com muita antecedência. Além do mais, há necessidade de uma comissão de finanças para cuidar dos custos e dos gastos da Cruzada. Publicidade Os planos de publicidade de uma Cruzada devem ser feitos com muitos meses de antecedência. Música A Música tem papel muito importante numa Cruzada. Meses de ensaio para 164

bandas, conjuntos, orquestras e corais, para que se apresentem muito bem. Literatura e Treinamento de Pessoal A comissão de literatura é de grande utilidade. O diretor desta comissão, em consulta com o Pastor, deve cuidar da literatura a ser distribuída antes, durante, e depois da Cruzada. O treinamento de cooperadores para trabalhar na Cruzada é de máxima importância. Conselheiros e acomodadores, para ajudar na manutenção de ordem e cuidar dos novos-convertidos, precisam de treinamento especial para que cumpram bem suas responsabilidades. Começada a Cruzada a Campanha de Oração não pode parar as reuniões de oração devem prosseguir pela manhã, nos templos. A Publicidade chega ao seu auge durante a Cruzada Entrevistas ao vivo pela rádio e televisão despertam a atenção da população para a Cruzada. Um testemunho notável de cura ou conversão pode ser publicado no jornal local. Visita de casa em casa deixando um convite impresso para cada família, um telefonema convidando a redondeza, etc. A Pregação A pregação deve consistir da mensagem direta e simples da salvação de modo que o pecador possa entendê-la. O Apelo Durante o apelo, os obreiros da plataforma devem estar em seus postos. Muitos pecadores vão à frente sem um crente se oferecer para acompanhálos até ao altar. Por outro lado, esses obreiros da plataforma não devem ser demasiadamente insistentes e indelicados. O Trabalho após a Cruzada não pára É aí que precisa entrar em ação uma campanha intensa de visitação e os cuidados necessários para com os novos decididos. Se não houver este acompanhamento todo o trabalho será em vão mesmo que tenha havido uma boa pescaria. CONCLUSÃO Todo o evangelho a todo o mundo nesta geração! Isto demanda a mobilização e treinamento de toda a Igreja; exige oração e submissão ao Espírito Santo. Depois ele fará, por nosso intermédio, o que jamais poderíamos fazer sozinhos. Evangelizar o mundo em nossa geração: cada geração de cristão tem esta 165

166 . fala do projeto que Jesus retoma para a Trindade. vós. Podemos consegui-lo se permitirmos que Deus opere por nosso intermédio em um ciclo perpétuo de evangelização. serás pai de numerosas nações. anda na minha presença e sê perfeito. IDACI .Doutrina e Prática da Evangelização. 3. LIMA. [3] Prostrou-se Abrão. e sim Abraão. por mãos humanas. (EFÉSIOS Cap: 2) [11] Portanto. 1999.dívida para com seu próprio tempo. de ti farei nações. BÍCEGO. Paulo falava do pacto celebrado entre Deus e Abraão: (GÊNESIS Cap: 17) [1] Quando atingiu Abrão a idade de noventa e nove anos. Julho/1995 . rosto em terra. apareceu-lhe o SENHOR e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso. toda a terra de Canaã. Rio de Janeiro. [9] Disse mais Deus a Abraão: Guardarás a minha aliança. [2] Farei uma aliança entre mim e ti e te multiplicarei extraordinariamente. tu e a tua descendência no decurso das suas gerações. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus." Referências Bibliográficas 1. 2. outrora. "Tua Incumbência Única Sobre a Terra é Ganhar Almas.Manual de Evangelismo. WAGNER. não tinham pacto com Deus. porque por pai de numerosas nações te constituí. [8] Dar-te-ei e à tua descendência a terra das tuas peregrinações. penso que Paulo. chamados incircuncisão por aqueles que se intitulam circuncisos. e Deus lhe falou: [4] Quanto a mim. ELISANGELA.Dinamismo no Evangelismo Atual . além de descrever o processo da formação da Igreja. [6] Far-te-ei fecundo extraordinariamente.São Paulo/SP 4. [7] Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência no decurso das suas gerações. e reis procederão de ti. aliança perpétua. isto é. Peter . para ser o teu Deus e da tua descendência. O apóstolo começa a conversa lembrando aos efésios o seu passado espiritual: eram incircuncisos. na carne. [5] Abrão já não será o teu nome. será contigo a minha aliança. e serei o seu Deus. lembrai-vos de que. gentios na carne. Editora Sepal.Estratégias Para o Crescimento da Igreja. Delcyr de Souza .Semadeal Fevereiro/2001 .Maceió/AL Parte XXVII IGREJA: RETOMADA DO PROJETO DE DEUS Neste texto. em possessão perpétua. Valdir Nunes .

Literalmente perdido. que não for da tua estirpe. que não for circuncidado na carne do prepúcio. A 167 . [13] Mas. Isto quer dizer que já não estamos mais separados da comunidade de Israel. será isso por sinal de aliança entre mim e vós. e. [14] Porque ele é a nossa paz. era necessário tornar-se judeu. é a marca que denota que o homem em questão. A circuncisão é anterior à lei. Algum efésio poderia perguntar: "e daí que eu não sou circuncidado. que não faço parte desse pacto?" Esta é a resposta de Paulo: estar fora do pacto é estar sem saída existencial. O sangue de Jesus quebrou a lógica angustiante da circuncisão. Contudo. tanto o escravo nascido em casa como o comprado a qualquer estrangeiro. [13] Com efeito. que guardareis entre mim e vós e a tua descendência: todo macho entre vós será circuncidado. Não bastava converter-se ao Deus dos judeus. a inimizade. [12] O que tem oito dias será circuncidado entre vós. agora. não tendo esperança e sem Deus no mundo. Não adiantava o efésio tentar seguir a lei moral. quebrou a minha aliança. essa vida será eliminada do seu povo. é aliança. incluia sua descendência. uma vez que fomos aproximados ao mesmo Deus e às mesmas possibilidades. tendo derribado a parede da separação que estava no meio. somos um povo só. adverte que essa circuncisão.[10] Esta é a minha aliança. [11] Circuncidareis a carne do vosso prepúcio. não pertencia ao povo para quem valia a pena cumprir a lei. que entre eles há um pacto. de Deus e de suas promessas. Paulo. E mais: em relação a Deus não há mais privilegiados. Deus é dele e ele é de Deus (v 7). o que. estáveis sem Cristo. que antes estáveis longe. Entretanto. ele não passara pela circuncisão (que era uma ordenança). será circuncidado o nascido em tua casa e o comprado por teu dinheiro. em Cristo Jesus. fostes aproximados pelo sangue de Cristo. todo macho nas vossas gerações. por causa do pacto que havia celebrado com Deus. logo é externa e imperfeita. aproximou os efésios e todos os não judeus que crerem em Jesus. vós. no caso. o qual de ambos fez um. de que tanto os circuncisos se orgulham. A impressão é a de que o apóstolo chama atenção para um elo fraco da corrente: é feito por homens. é um dos escolhidos de Deus. é feita por mãos humanas. separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa. a minha aliança estará na vossa carne e será aliança perpétua. [14] O incircunciso. a ponto de estigmatizar os que não o são. [12] naquele tempo.

27. criar uma coisa única . membro do povo de Deus: CL 2:11 . de fato. a lei dos mandamentos na forma de ordenanças. Jesus fez isto com um objetivo: criar um novo homem. única porta de entrada para o pacto com Deus. mas no despojamento do corpo da carne. como deixou claro a colocação de Francis Foulkes. Esse texto marca uma mudança de ritmo e de forma na criação: até então Deus falava e tudo vinha à existência. série cultura cristã . constituída pelos privilégios de um frente ao infortúnio do outro. que o torna. entretanto. [15] aboliu. na criação do homem temos. o representante da raça humana. com a chegada de Jesus fomos libertos da caverna (Platão dizia que estávamos todos presos numa caverna. 168 .muito mais profunda que a idéia de um único povo.. pois. em si mesmo. foi derrubada.Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem. uma declaração de intenção e uma descrição. muitas das ordenanças tipificavam o próprio Cristo: CL 2:16.Nele. não por intermédio de mãos. portanto. foi projetada a partir do corpo de Cristo.. pois. porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir. Penso que isso nos remete à questão do significado desse novo homem. ou sábados. Jesus.Eds.inimizade. há paz. pagou pelo nosso crime. fazendo a paz. tornando-se.) Criou Deus. o homem à sua imagem. satisfez a justiça divina. ou lua nova. Mundo Cristão e Vida Nova) a idéia presente aqui é a de. A sombra que esses vestíbulos (as ordenanças) para o pacto eram.17 Ninguém. Estamos nas mesmas condições. isto é. Segundo Francis Foulkes (Efésios: introdução e comentário. uma retomada da criação? Voltemos ao início. dos dois. conforme a nossa semelhança. de costas para a entrada. É um conceito de unidade absoluta. pois. Quem entra por essa porta recebe a verdadeira circuncisão. antecedendo-a. na sua carne. só víamos as sombras do mundo real. ou dia de festa. citado por Foulkes. para que dos dois criasse. não se reduz ao fato de cada seguidor de Cristo ser uma nova criatura. que é a circuncisão de Cristo Além do mais. vos julgue por causa de comida e bebida. à imagem de Deus o criou. William Barclay. Por isso o sangue de Jesus nos aproximou: ao morrer sem pecado. GN 1:26. (. diz que é um novo tipo de criação. o mundo das idéias). Não seria. Também. também fostes circuncidados. porém o corpo é de Cristo. nem Deus é uma pessoa só. um novo homem. Parece claro que não se trata de fazer de todos os cristãos uma única pessoa.

no original. também.. Eis a descrição do projeto: o homem seria à imagem e semelhança de Deus. Ele. Algo. se Deus não poupou anjos quando pecaram (2 Pe 2:4) Como os anjos poderiam pecar se não fossem moralmente livres. é como se fosse o resultado de uma conferência entre as três Pessoas. são racionais. A imagem seria "expressão ou transcrição do Criador eterno e incorpóreo em termos de uma existência temporal. para alguns teólogos "imagem é a indelével constituição do homem como ser racional e como ser moralmente responsável. os anjos. entretanto. Bromiley1 Gosto de pensar nesse texto como uma declaração de intenção. a partícula aditiva "e". também. e a semelhança é aquela harmonia com a vontade de Deus.reservando-os para juízo.. na queda.Façamos o homem. que recuperaremos quando for retomada nossa plena comunhão com o Senhor. porém. ou de uma sinfonia num soneto. são criaturas e estão no 169 ." O que. de um poema épico numa escultura.como se poderia tentar a transcrição. Filho e Espírito Santo. (2 Pe 2:4) Como qualquer ser pode ser julgado. pois. como fizeram. então os anjos também não o seriam? Ora. digamos. parece não haver dúvidas de que os anjos. Se ser imagem-semelhança é ser transcrição do eterno em termos de existência temporais. perdida com a queda". doutrina que afirma haver um só Deus em três Pessoas: Pai. A teologia cristã entende que essa afirmação nos apresenta a Trindade. perdemos dessa imagem-semelhança. corpórea e própria de uma criatura . uma vez que pecar (pelo menos no ato primeiro) exige capacidade de escolha? . se não for moralmente responsável? Além do que. por exemplo. penso que precisa ser considerado: se ser moralmente responsável e racional é ser imagem de Deus. W. estão incluídos. diz que não há. Façamos o homem à nossa imagem. então.. de modo que os termos se reforçam (a palavra. com Ló (Gn 19:10-22).. segundo Kidner . a Trindade. conforme a nossa semelhança. como declara G. seria imagem-semelhança). foi o amor. O que significaria isto? Segundo Derek Kidner2. senão estariam impossibilitados de comunicar-se e de arrazoar conosco.

um substantivo coletivo. E a costela que o SENHOR Deus tomara ao homem. ainda que o tempo. e ele te governará (Gn 3:16). à semelhança de Deus o fez. isto é. O segundo ser não é uma segunda criação.(. era. a relação entre ambos não era de autoridade.27 (RC). somente do homem é dito que foi criado à imagem e semelhança de Deus. em meio de dores darás à luz filhos. realmente. Deus fez desabrochar características que não fizera desabrochar no primeiro." Stanley Rosenthal3 E criou Deus o homem à sua imagem. "A última palavra hebraica da Shema (Dt 6. Poderíamos citar um bom número de exemplos. em 'um cacho'. algo que só é comum a Deus e a nós: a unidade. o barro e o sopro (que dá vida ao ser humano) só aparecem uma vez. e lhes chamou pelo nome de Adão. no segundo ser.4. transformou-a numa mulher e lha trouxe. no hebraico. Gn 1. esse único cacho de uvas consistia em muitas uvas. pois. Mas. novamente é echad. E por que? Penso que só após a queda o macho teve autoridade para tal: e à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez. tiveram começo. e os abençoou. formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida. ao mesmo tempo que se trata de uma unidade que contém várias entidades. à imagem de Deus os criou. (Gn 5:1. talvez. um só nome. De fato. A palavra que aqui aparece com 'um'.) Em Nm 13. por ser a mãe de todos os seres humanos (Gn 3:20).22) Macho e fêmea parecem ser uma criação só. em outras palavras. (Gn 2:21. 170 . Seriam. como é evidente. Sendo que. no dia em que foram criados. onde 'cortaram um ramo de vide com um cacho de uvas'. tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne..5) é echad. duas criações? Então. homem e mulher os criou.tempo. é de se supor que antes não era assim. os anjos fiéis não perderam nada de sua criação original. a mulher só ganhou o nome de Eva depois da queda: E deu o homem o nome de Eva a sua mulher.. um substantivo que demonstra unidade. pois. além do já citado. Entretanto. e este adormeceu. No dia em que Deus criou o homem. e o homem passou a ser alma vivente. o teu desejo será para o teu marido. E. é uma duplicação. Este é o livro da genealogia de Adão. não lhes faça diferença. (Gn 2:7) Então. o SENHOR Deus fez cair pesado sono sobre o homem. em ambos os casos. macho e fêmea os criou.2) Duas pessoas. Se Deus condenou a mulher a essa condição subserviente ao homem como consequência da queda. Gosto de pensar que esta imagem-semelhança inclui.23 os espias pararam em Escol.

entre o macho e a fêmea. logo. tratar-se da retomada do projeto do Gênesis. A queda foi marcada pela quebra de unidade entre o homem e Deus. amarem-se com esse amor que unifica." Stanley Rosenthal4 Se Deus é uma família. de unidade. nos amaríamos tanto que. talvez. que criatura poderia expressar sua imagem-semelhança senão se constituísse. para admitir isso teríamos de considerar que a primeira continha uma falha. a unidade. a Igreja é. logo. vínculo da perfeição. um novo homem. por definição. este deve ser o moto de seu dia a dia. a retomada do homem à imagem e semelhança de Deus. Creio. "Em Gn 2.. sugiro. criou-os tendo a si como modelo: o que caracteriza a trindade é o amor. seríamos bilhões. formando perfeita e harmônica unidade. numa família? Se Deus é uma unidade-comunhão como uma criatura que não se constituísse noutra unidade-comunhão poderia ser chamado de sua imagem-semelhança? Me parece que o projeto divino passava estritamente pela unidade: criou um casal apenas. também. este novo homem. isto é.) instruiu marido e mulher a tornarem-se 'os dois uma só carne'. Deus (. entretanto. Em tal caso. revista e corrigida) Segundo vejo. o que perdemos é inapreensível para nós. de fato.24.quero crer. O homem à imagem e semelhança de Deus. pois. apesar de muitos. é um ser coletivo.. novamente a palavra hebraica é echad. Se não tivéssemos caído. que une perfeitamente. à semelhança da trindade. 171 . seríamos um só homem: o homem à imagem e semelhança de Deus.Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido. penso eu. guardadas as devidas proporções. Criou-os como unidade. em si mesmo. (ed. O homem à imagem e semelhança de Deus é unitário-coletivo. para que dos dois criasse. uma só família. criou-os para. fazendo a paz. a exemplo da trindade. de modo extremamente rarefeito. Não seria uma nova criação. é o projeto de Jesus. como disse Jesus: LC 19:10 . Ainda que a graça comum tenha nos mantido em condições de experimentarmos. Quando Deus chamava: Adão! Macho e fêmea se voltavam para falar com Ele. indicando que aquelas duas pessoas unir-se iam. o homem-comunhão que. Se esse é o destino da Igreja. expressa o que a Trindade é. Esse. Por esse novo homem Jesus se sacrificou. Criou-os para viverem em unidade.

1Co 12. O papel da Igreja. Todo mundo pode ir ao Pai. evangelizou paz a vós outros que estáveis longe e paz também aos que estavam perto. todos os irmãos foram junto. por intermédio da cruz. entre outras coisas. não está sozinho. Somos da mesma nação. e/ou com a natureza. é um organismo vivo (tem funcionalidade). e/ou com Deus. mergulhados nele . A paz é o princípio da unidade: paz com Deus. um lugar de todos nós.[16] e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus. Uma outra forma. portanto. Gosto da idéia de que aceitar é admitir e compartilhar espaços. temos o mesmo nome e o mesmo pai. Tem de ser saudável. mas. o novo homem não pode ser vivido. É o novo homem que vai à presença do Pai. 172 . sem que nos aceitemos mutuamente. aceitamos a natureza. Esse novo homem é mais que comunhão. de definir pecado é estado de guerra consigo mesmo. estamos no mesmo lugar. é uma aceitação geral: aceitamos as demandas de Deus. Interessante pensar que evangelizar é chamar à paz. paz com o próximo. Certamente é por isso que cada um de nós chega à presença do Pai e tem de dizer: "Pai nosso". [20] edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas. isto é. A gente está na presença do Pai. já não sois estrangeiros e peregrinos. é fornecer a possibilidade da expressão (como o corpo humano é em relação a alma) e exprimir por meio da ação (corpo inerte não exprime). [19] Assim. vindo. e/ou com o próximo. paz consigo mesmo. [17] E. enquanto corpo. sendo ele mesmo. Todos estamos dentro desse ônibus (fomos batizados. de estar em forma.penso.13). [18] porque. por ele. aceitamos o próximo. ambos temos acesso ao Pai em um Espírito. aceitamos o que somos e as mudanças que precisamos sofrer. Sem paz. Não seria essa a melhor forma de diagnosticar o que está acontecendo na sociedade? Não estariam todos os relacionamentos marcados por alguma forma de violência? Paz . Somos irmãos. mas concidadãos dos santos. destruindo por ela a inimizade. e sois da família de Deus. Jesus Cristo é a estrada e o Espírito Santo é o ônibus que nos leva.

tem de crescer em Cristo. ainda que a graça comum o tenha mantido em parte. a pedra angular.5).19 . [22] no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito. para que Deus possa ter sua morada.) A Igreja. Perdemos isso. sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo. para crescer em Cristo tem ter unidade (bem ajustado . consequentemente. e a altura. com todos os santos. e o comprimento. de pastoreio. como pedras que vivem. Propósito 1: serrnos o lugar onde Deus é adorado perfeitamente (1PE 2:5 também vós mesmos. para ser santuário. cresce para santuário dedicado ao Senhor. uma só casa).Cristo Jesus. Penso que esse é o desafio dado a cada igreja local: alcançar essa unidade. não estaríamos na Igreja) apesar de insistirmos nas diferenças. Isso implica em que o primeiro projeto para a igreja local deveria ser um projeto de comunhão e. Eles serão povos de Deus. bem ajustado. a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo. e a profundidade e conhecer o amor de Cristo. Jesus é o alicerce e o construtor que ajusta cada pedra e material: (EF 3:18.formando uma parede só).Então. assentados sobre o mesmo alicerce.a Trindade. apesar da boa vontade de Davi e de Salomão.) ser a morada de Deus .a fim de poderdes compreender. um Deus vivo tem de morar numa casa viva. Deus nos criou como unidade para que o expressássemos. e Deus mesmo estará com eles. ouvi grande voz vinda do trono. Deus habitará com eles.) É na realidade do novo homem que Deus é adorado como quer e deve ser. [21] no qual todo o edifício. Em Jesus estamos sendo tornados um. qual é a largura. Edificar é tornar um (vários materiais. O novo homem retoma o seu destino: (AP 21:3 . que excede todo entendimento. Cremos na mesma coisa (senão. 173 . enquanto pedras vivas (1 Pe 2. dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Jesus Cristo retoma o projeto do gênesis: cria o novo homem. para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus. Estamos.

Tiago.introdução e comentário .Stanley Rosenthal .Stanley Rosentahl . irmão deste.Felipe . Muitos foram os Mártires Cristãos. tomou Jesus consigo a Pedro. a Tiago e a João.Fiel 4 A Tri-unidade de Deus no Velho Testamento . torturas ou a morte por sustentar a fé Cristã". o mesmo evangelho que hoje em dia nós temos a liberdade de defender." (Mt.Judas Tadeu . (Setor Personagens Bíblicos). no passado da Igreja. Elwell .Bartolomeu .A.. também fizemos um breve esquema para que se tenha uma idéia de quem eram os Apóstolos de Cristo.Derek Kidner . Clique nos nome dos mártires que estão sublinhados para ver uma breve biografia sobre os mesmos. os que isso fizeram eram os apóstolos.v.3 W.Mateus Os Pouco Conhecidos Tiago (o pequeno) .editor . 26:37) "E não permitiu que ninguém o acompanhasse. 17:1) "E levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu. in Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã .eds Mundo Cristão/Vida Nova 3 A Tri-unidade de Deus Velho Testamento . logo em seu primeiro século. muitos foram aqueles que morreram em favor do evangelho. Vida Nova 2 Gênesis . e João. começou a entristecer-se e a angustiar-se.5:37) Os Trabalhadores Silenciosos André . Mártir é: "Pessoa que sofreu tormentos." (Mt.Tiago (o grande) . pois tinham privilégios especiais: "Seis dias depois.1 in artigo Trindade.ed." (Mc. senão Pedro. Os Mártires Apóstolos Pedro . e os conduziu à parte a um alto monte.Simão 174 .Tomé . irmão de Tiago.Fiel Parte XXVIII MÁRTIRES CRISTÃOS De acordo com o Dicionário Aurélio. Nem todos os mártires do cristianismo viveram junto com Cristo.João Faziam parte do círculo íntimo de Cristo. mas fizemos uma coletânia dos mais famosos e armazenamos a maior quantidade de informações possíveis neste estudo.série cultura bíblica .

e todas as suas entranhas se derramaram. 24 . Atos 1:16-26 Convertidos a Apóstolos depois da ascensão de Jesus Matias .Estevão Mártires que viveram ainda com os últimos apóstolos Policarpo . convinha que se cumprisse a escritura que o Espírito Santo predisse pela boca de Davi. acerca de Judas.Paulo Outros Mártires Cristãos Marcos .Porquanto no livro dos Salmos está escrito: Fique deserta a sua habitação. 18 . e não haja quem nela habite.para tomar o lugar neste ministério e apostolado. disseram: Tu.Papias Mártires Após a Época dos Apóstolos Jorge . e: Tome outro o seu ministério. e Matias. caiu prostrado e arrebentou pelo meio.pois ele era contado entre nós e teve parte neste ministério. Campo de Sangue. 19 . chamado Barsabás.(Ora. 23 .Cosme e Damião . que dos varões que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus andou entre nós.E orando.É necessário.Sebastião 175 . 21 . pois.E apresentaram dois: José.O Traidor Judas Iscariotes Foi substituído por Matias após ter traído o Senhor e ter se matatado: 16 . 17 . que foi o guia daqueles que prenderam a Jesus.Lucas . 26 .Irmãos.Inácio . 22 . de maneira que na própria língua deles esse campo se chama Acéldama. do qual Judas se desviou para ir ao seu próprio lugar.começando desde o batismo de João até o dia em que dentre nós foi levado para cima. que tinha por sobrenome o Justo. e por voto comum foi ele contado com os onze apóstolos.Orígenes . ele adquiriu um campo com o salário da sua iniquidade.Barnabé . que conheces os corações de todos. mostra qual destes dois tens escolhido 25 . e precipitandose. Senhor. isto é.) 20 . um deles se torne testemunha conosco da sua ressurreição.E tornou-se isto conhecido de todos os habitantes de Jerusalém.Então deitaram sortes a respeito deles e caiu a sorte sobre Matias.

22.Fontes de Pesquisa: . É o reconhecimento de que.20 e 28.Centro de Pesquisas Religiosas . 10486. 1262 .Bíblia Thompson . Além de ser uma prova de fé. Amor que nos identifica com o caráter e os propósitos do Senhor e que nos leva a adora-lo com atos objetivos. p. Nós somos salvos pela fé. não apenas o dízimo. Quem não paga é autuado. pp.Verônica . A pessoa que diz crer em Deus e não entrega seus dízimos está negando.Carlos Magno . pela fé. Dízimo não é tributo. 1997 . mas a totalidade dos bens e do ser pertencem ao Senhor. tanto á fidelidade na entrega do que pertence a Deus como na habilidade na aplicação ou gasto deste dinheiro 176 .1265.Manual Bíblico Halley . A mordomia do dízimo envolve. mas a fé que não se transforma em atos de obediência não é a fé válida para a salvação.Dicionário Aurélio . É como o cordeiro do holocausto no altar da consagração. Cada real que você santifica para Deus significa que os outros nove reais também são santos ao Senhor. Gênesis 14. 1974 . como os têm abençoado.Encyclopédia Universal Ilustrada Europeu-Americana. o dízimo é também uma demonstração de amor a Deus. Um cordeiro santificado no altar santifica todo o rebanho. Colaboradores: . portanto. .The Grolier Multimedia Encyclopedia. na prática. Conceito e origem da mordomia do dízimo (2) A mordomia do dízimo é o perfeito uso do dinheiro que pertence a Deus por direito de criador e sustentador de todas as coisas que compõem o universo. habilidade e fidelidade. e não apenas com palavras. O dízimo é também uma prova de santificação da vida ao Senhor.Encyclopédia e Dicionário Internacional. não pelas obras. O imposto é compulsório. 1.Barsa Enciclopédia. a fé que diz ter no coração. onde Deus colocou o homem para cultivá-lo com inteligência. na vida espiritual. Dízimo é compromisso que pauta a partir do voluntariado consciente.Iranilde Campos Parte XXIX MORDOMIA DO DÍZIMO Introdução (1) O dízimo é o método de Deus para abençoar seus filhos na vida material. Crer ou não crer na Palavra de Deus é crer ou não crer no próprio Deus.

O desafio é aprendermos a dependência da graça sustentadora do Senhor e não essencialmente dos recursos financeiros. Deus não resolve nada em seus planos de última hora.21 e 24. O poder sustentador de Deus tem-se manifestado por meio da confiança daqueles que fielmente dizimam em amor de suas rendas para o Senhor. 10% de uma determinada quantia de dinheiro ou do peso de um corpo qualquer será sempre 10%. Enquanto dinheiro separado para Deus. Não é difícil entender que o dízimo só deve ser usado em coisas consagradas e para a glorificação do de Deus. Natureza e finalidade da mordomia do dízimo (3) Enquanto cálculo matemático de 10% de uma quantia é isto e nada mais. Aumentar a confiança dos crentes no poder e na providência de Deus conforme a Bíblia tem nos ensinado é a finalidade da mordomia do dízimo. para que haja mantimento na 177 . Números 18. o dízimo sofre uma certa força carismática. Salmo 24.10-12. O dízimo não é uma invenção do homem para sustentar a religião. visto que o Senhor de todas as coisas promete bênçãos especiais aos fiéis dizimistas conforme o Texto Sagrado. Não pode ser menos como alguns gostariam e não pode ser mais porque é inalterável no tempo e no espaço. 2. A mordomia do dízimo pode e pretende conscientizar os crentes do valor e importância prática fiel e constante do dízimo para o reino de Deus.4-12. 2 Crônicas 31. preservando-se o que se denomina de fidelidade de propósito.consagrado. 3. A participação dos crentes no sustento diário da causa de Deus envolve todos os fiéis de todos os tempos e lugares. Malaquia 3. Os dizimistas fiéis sabem o quanto é bom confiar em Deus e praticar esta doutrina bíblica tão negligenciada por muitos servos.1-10. O dízimo faz parte do planejamento de sustento da sua grandiosa obra de redenção do mundo. O dízimo tem sua origem na economia divina ao preparar o projeto de criação do mundo. porque cremos que nos propósitos de Deus não há variantes que não foram previstas com milhares de anos de antecedência. mas uma exigência de Deus para sustentar espiritualmente o homem. Como devemos dizimar (4) É dever de todo cristão dizimar à luz de Malaquias 3:10 onde Deus nos ordena dizendo: "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro. Sua aplicação aparece em toda a Bíblia na medida em que o homem é chamado a assumir seu dever de entregar ao Senhor os dez por cento de sua renda para que Deus possa realizar também seus planos espirituais para o mundo. Levítico 27.30-32.

O crente pode usar a medida do coração. se eu não vos abrir as janelas do céu.7. o que é de Deus é o dízimo e não podemos ofertar ao Senhor usando o que pertence a ele. São aqueles que dão de quando em vez e não podem ser conhecidos como dizimistas porque têm renda todo mês. Os descontos previdenciários e os impostos que nos são deduzidos em folha de pagamento ou em carnês. Deus já determinou 10% e isso é inegociável. o crente deve começar a dizimar ainda que sem muito entusiasmo porque é tão bom contribuir que começando por obrigação terminará por alegria e consagração.21.8. vale a pena cumpri-la para o nosso próprio bem. e não derramar sobre vós uma bênção tal. diz o Senhor dos exércitos. O problema é que não existe fidelidade parcial. só posso obedecê-la trazendo o dízimo inteiro. 4. A quem entregar os dízimos? (5) 178 . que o crente só pode ser ofertante depois de ser dizimista. É uma questão lógica. Deus não deve pagar nosso impostos ou taxas previdenciárias. não a metade ou apenas uma parte. Quem poderá ser bom mordomo deixando de fazer o que Deus ordenou? Certamente o servo fiel é mais agradável ao seu Senhor. Muitos contribuem com tanta irregularidade que o dinheiro chega a perder o valor.minha casa. não do dízimo. em Malaquias 3. Como alguém afirmou. Deve-se ter a preocupação de se contribuir com regularidade efetiva. Mateus 22. trata de ofertas alçadas para obras sociais. Esta atitude é a normal e correta. e depois fazei prova de mim. mas terminaram sendo os exemplos de deslealdade em matéria de contribuição. são para nosso benefício e são também um compromisso espiritual. Atos 5. embora contribuam eventualmente. que dele vos advenha a maior abastança". Todo o cristão sincero deveria ter verdadeira alegria ao contribuir para o sustento do Reino de Deus. Estão errados quanto à interpretação do Texto Bíblico que neste caso. Por muitos séculos Deus tem comprovado sua fidelidade para com os homens que lhe obedeceram com amor e dedicação. O povo de Israel roubava a Deus nos dízimos e nas ofertas alçadas. Meia obediência é igual à desobediência total. Se é uma ordem. Supostamente baseados nos ensinamentos de Paulo. Verificamos ainda. 1-11. 2 Coríntios 9. mas em se tratando de uma ordem. Foi o caso de Ananias e Safira que não queriam ser completamente desobedientes. alguns dizem que devem contribuir segundo propôs no coração e assim o fazem. porém. Vale ressaltar que o dízimo deve ser entregue do valor bruto dos nossos rendimentos. quando se trata de dízimo. mesmo que não seja com muita alegria. Entregar ao Senhor o dízimo do valor líquido não é fidelidade integral.

os cristãos evangélicos. mas nunca de tomar atitudes pessoais para as quais não foi credenciado por Deus. Caso isso fosse verdade.O texto de Malaquias é muito claro. Inferno. Jesus. Causa perplexidade ouvir certos membros de igreja afirmando que não dão o dízimo porque não podem.13. o cristão arrogar-se o direito de aplicação e administração do seu próprio dízimo. Este não é o método bíblico que manda trazer todo dízimo a Casa do Tesouro e consequentemente o dízimo todo para a administração da igreja. Conclusão (6) Nós. Pela fé. A situação dos irmãos que insistem na infidelidade é crítica. Ora. 21 vezes. do que todo um 179 . Pecado e pecadores. conforme o preceito bíblico.11. 90 (noventa) passagens falam sobre dinheiro. nos são lícitas mas não devemos praticá-las. elegeu um tesoureiro. Vemos. A igreja aparece em 21 versículos. O arrependimento. Ou não entenderam de forma apropriada o compromisso da fé salvadora ou não experimentaram a salvação que se opera pela fé que desemboca na fidelidade incondicional. a sua Palavra Santa e Infalível. asseverando que os roubadores não herdarão o Reino de Deus. Para que um tesoureiro? Para receber ofertas. O hades. o crente pode todas as coisas que não contrariam a natureza de Deus. O batismo é mencionado 17 vezes. 1 Coríntios 6. prática e conduta. nos orgulhamos em afirmar que a Bíblia é o nosso único livro de fé.23. que no Novo Testamento muito mais se pregou sobre dinheiro que sobre qualquer outra coisa. 1 Coríntios 6. Espírito Santo. O dízimo deve ser entregue na Casa do Tesouro. que constitui pecado. O crente não deve fazer as coisas conforme sua conveniência somente. 72 vezes. na igreja de Jesus Cristo em ato de adoração e culto solene. 7 vezes. 11 vezes. e as que contrariam o caráter do senhor. Fala-se em cristãos que dão o seu dízimo parte em casas filantrópicas e parte na igreja. 27 vezes. é claro.12 e 10. então posso entregar o dízimo a Deus. se assim é. 47 vezes. Se houver falha na mordomia da administração do dízimo por parte da igreja. Eleição. Muito bem. se eu posso todas as coisas. mas de acordo com a consciência de Deus refletida nos ensinos da Bíblia. A Bíblia chama de ladrão a quem não entrega o dízimo. o membro tem direito de questionar e até de orientar a correção. A vida eterna. isto é. Dízimos e ofertas alçadas. então por que não pomos em prática a doutrina do dízimo como a Bíblia ensina? No Novo Testamento. teríamos de eliminar da Bíblia Filipenses 4. 4 vezes. Como agência do Reino de Deus a igreja está credenciada para gerenciar os seus negócios do Rei quer sejam especificamente espirituais ou materiais. quando reuniu os apóstolos. Muito mais valem 9/10 do nosso salário com as bênçãos de Deus. pois. É pecado.

163-164. desviando-se para a direita e para a esquerda. 31-32). fiz a seguinte pergunta: O que tem levado nossos jovens ao ministério ? Minha pergunta levanta a questão sobre as reais motivações de nossos vocacionados para o Ministério Pastoral. E não só sem as bênçãos. 62 p. (5) MOTTA. 162-163. 1982. Notas (1) FALCÃO SOBRINHO. Como explicar os vislumbres de certezas espirituais ? Pode a vocação de Deus ser descrita ? Talvez devesse deixar tal desafio para os mais experientes nas lidas pastorais. não sustentará o pastor através das ásperas realidades da vida na igreja. (pp. antes de ingressar nos seminários. Notem as palavras de Eugene Peterson: "Os pastores estão abandonando seus postos. (2) CÂNDIDO. o nome deles ainda consta no boletim dominical e continuam a subir não púlpito domingo após domingo. Rio de Janeiro: CPCCBB. seus pastores. 124 p. Ibid. Nestes doze anos de ministério tenho visto alguns pastores perderem o rumo original e ministérios infrutíferos com igrejas fracas e em declínio. Prostituíram após outros deuses. Rio de janeiro: JUERP. com freqüência alarmante.3-6. Uma reflexão dura. Embora uma vaga vocação para o ministério possa levar ao pastorado. Entendo que grande culpa dos problemas destas igrejas deve-se a nós mesmos. Alguns pastores estão abandonando seus postos. A Doutrina Bíblica da Mordomia. (4) Id.salário sem as suas bênçãos. 74-75). (7) Ação de soberania em conceder livre arbítrio ao seus vassalos para o exercício de aparente ou relativa autonomia Parte XXX MOTIVAÇÕES PERIGOSAS PARA O MINISTÉRIO Uma breve Reflexão sobre alguns motivos errados para o Ministério Falar de vocação não é uma tarefa fácil. Ageu 1. Ibid. Isto não quer dizer que estejam deixando a igreja e sendo contratados por alguma empresa. pp. Ibid. não obstante. É preciso avaliar as verdadeiras motivações. 161). Reflexões sobre Mordomia Cristã. (pp. 1986. quero pisar neste terreno mui solenemente. Após ler estas considerações de Peterson. Talvez nem todos têm consciência de que errar na vocação trás conseqüências desagradáveis para si mesmos e também para suas futuras igrejas. (3) Id. Daniel Oliveira. pp. (5) Id. Waldomiro. O que estão abandonando é o posto. João. mas realista. (pp. o chamado. pp. Ed. 162. Estou Convosco. Amém.Aquilo que fazem e alegam ser ministério pastoral não tem a menor relação com as atitudes dos pastores que fizeram a história nos últimos vinte séculos" . 180 . 231 p. 1997. Duque de Caxias: AFE. As congregações ainda pagam seus salários. 3. mas com as maldições previstas no juízo divino que se impõe pela suserania (7) do Senhor.

Contudo. mesmo que em nossos dias não é lá muito bem visto. Este foi um erro cometido por Tiago e João (Mc 10:35:45). Ficamos frustrados com os conflitos da igreja. O status social não pode sustentar o nosso ministério e fazer com que vivamos nossa vocação de modo responsável. e lhe confere status social. alisto cinco possíveis motivações erradas e egocêntricas que podem levar alguém ao Ministério: 1) Adquirir estabilidade financeira: Os motivos da nossa sociedade seculare são controlados pelo cifrão. sacodem o nosso coração. São só na cidade de São Paulo. os títulos de Reverendo e Pastor transmitem uma certa dose de autoridade que dignifica o ser humano. O "ser pastor". Pastorear ovelhas relutantes é uma atividade esmagadora. entendemos que todo genuíno vocacionado deve ter como ambição ser um instrumento de Deus . Ser uma figura pública sob os olhares de todos e viver sob constantes cobranças. é possível que nem sempre esta seja a mola propulsora de um ou outro aspirante ao pastorado. ambicionar. Sua única motivação para ser pastor é seu desejo ardente de realizar a obra de Deus e para a glória de Deus. o serviço. 181 . excelente obra almeja" O termo "deseja"na língua grega é epithumeo. depois do mais severo exame de si mesmo. Spurgeon escreveu: "Se um homem perceber. Em I Tm 3:1. Paulo escreve: "se alguém deseja o pastorado. desejar". mesmo que estas não sejam verbais. Não obstante. até mesmo pelos escândalos envolvendo alguns líderes cristãos. Todos nós tomamos decisões na vida motivados por algo ou alguma coisa em dado momento de nossa existência e considerando as diversas situações da vida. e não a posição ou status. pois o Senhor aborrece a entrada de compradores e vendedores em seu templo" 2) Status social: Não é de hoje que a sede de posição cega as pessoas . com a futilidade de nossos planos e com o fracasso do nosso povo. quase 2 milhões de desempregados. A título de alertarnos para este perigo. qualquer outro motivo que a glória de Deus e o bem das almas em sua busca do pastorado. Falando da motivação que leva um jovem a decidir pelo ministério. O tempo médio hoje para alguém que perde o emprego é de 1 ano até conseguir outro.Por motivação queremos dizer os motivos internos que levam uma pessoa à ação. Vivemos uma época de recessão e de desemprego. mas temo que alguns jovens em nossas Igrejas. liderar não é fácil. É com temor e tremor que arrisco raciocinar desta maneira. melhor que se afaste dele de uma vez. Penso que todo candidato ao ministério deveria responder a esta pergunta: O motivo que tenho para desejar ser pastor é porque serei pago para isto? Quanto a isto. Precisa ser observado que o objeto do desejo é a obra. Nós pastores inevitavelmente armazenamos um certo nível de frustração em nosso trabalho. passe a compreender o ministério como uma profissão e um meio de ganhar a vida. Alguém motivado por posição elevada e pelo desejo de atenção trará com certeza prejuízo a si mesmo e à Igreja de Cristo. que tem o significado de "colocar o coração. Às vezes pregar pode ser uma tortura.

Na qualidade de pastores e tutores eclesiásticos. entendam que o tempo de estudos e de preparação não será perdido. mas porque foi imposta por Deus. O Ministério deve ser obedecido por vocação e não por obrigação. É comum termos notícias de líderes que avaliam sua eficiência ministerial através de quantas pessoas da denominação o conhecem.3) Necessidade de firmar-se como pessoa: É possível que alguém caia na armadilha de desejar o ministério por entender que a posição e o status conquistado forçam os outros a lhe dedicarem atenção. fique fora. 4) O Senso de obrigação: Há quem se torne ministro. e insisto: Vocação pastoral não pode ser por falta de opções. não é uma preferência entre outras alternativas. oficiais e líderes. mas se veio o solene chamado. ou por não ter condições financeiras de custear um curso em uma universidade . pois depois de tentativas inglórias de ingressar em alguma outra faculdade. 5) Falta de opções: É possível que alguém decida ser um pastor. percebeu que poderia fazer um curso de nível superior pago pelo Presbitério e ainda recebendo ajuda de custo de sua Igreja. presbitério e ter feito o curso teológico no seminário. Não há nada de errado em desejar ser respeitado e admirado. Nossos jovens precisam ver que o candidato ao ministério. fazse necessária nossa orientação aos aspirantes e candidatos ao Ministério de que não há como alguém sobreviver no pastorado. Sente-se culpado se não fizer aquilo que todos esperam dele. pois depois de ter passado pela família. Todos nós que somos pastores sabemos como o ministério é desgastante. Ele é pastor não por falta de alternativas. O desejo que um ser humano tem de que os outros o respeitem é um sinal louvável de sua auto-estima. São líderes que buscam a fama e serem aplaudidos pelos homens. conselho. vão-se embora". caso sinta que esta foi uma escolha sua e não de Deus. sentese na obrigação de ter que ir até o fim de seu "chamado". Conheci um pastor que guardava todo exemplar do jornal Brasil Presbiteriano em que saía uma matéria com sua foto e que falava a seu respeito. mas não é a motivação correta para o ministério. Ao menor sinal de dificuldade. Alguém pontuou o seguinte: "os ministros sem a convicção do chamado carecem muitas vezes de coragem e carregam uma carta de demissão no bolso do paletó. caso sintam que não foram chamados ao pastorado. mas porque esta é a única alternativa possível para ele. professores. Poderão ser uma excelente ajuda às igrejas como pregadores. É desnecessário dizer que este líder não desenvolverá seu ministério com alegria e prazer. e ninguém pode cumprir o difícil papel de pastor se não tiver a consciência de que foi comissionado por Deus. Um velho pregador deu um sábio conselho a um jovem quando indagado sobre sua opinião quanto a seguir o ministério: "Se você pode ser feliz fora do ministério. 182 . sendo seu chamado imposto por Deus. O peso de um sentimento de obrigação não pode levar ninguém ao pastorado. ou por falta delas. não fuja" Precisamos instruir aos nossos seminaristas que mesmo que tenham feito o curso de teologia no Seminário.

seu caráter e missão: (MATEUS Cap: 16) [13] Indo Jesus para os lados de Cesaréia de Filipe. outros: Elias. não acertaram. Tu és o Cristo. continuou ele. A pergunta era. assim como esboça sua composição.Parte XXXI O ANÚNCIO DA IGREJA Neste trecho. pela força das armas. Foi com o povo que andou e que se confundiu. estavam mais preparados para responder. em seu ministério público. perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem? Embora. o Filho do Deus vivo. se parasse por aí: todos criam que o messias seria o maior dos profetas (Dt 18. alimentou. o Filho do Deus vivo". já não seria um único Deus. Por que? Porque se Deus tivesse um filho. portanto. [15] Mas vós. Ao povo pregou. Certo. diziam que Deus era único. os fariseus. os zelotes. Pedro disse-o: Jesus de 183 . partido da classe sacerdotal. uma aferição: o que as bençãos recebidas pelo povo geraram neste em termos de compreensão de quem Jesus era? [14] E eles responderam: Uns dizem: João Batista. de fato. que queriam. foi com o povo que Jesus. entretanto. não sabiam que há três pessoas e um só Deus. Revolucionário! Os teólogos. ortodoxos estudiosos das escrituras. eram partidários de Herodes. então. o salvador vislumbrado pelos patriarcas e anunciado pelos profetas. e os saduceus. quer por ensino exclusivo. obtiveram informações privilegiadas. disse: Tu és o Cristo. Ele vai mais longe: "o filho do Deus vivo". e outros: Jeremias ou algum dos profetas. entendo que o Senhor Jesus apresenta a Igreja como seu propósito.15). curou. "Tu és o Cristo. catalogaram-no entre os maiores. logo. que. incompleto. quer pela observação no dia a dia. Detendo mais informações. o messias. de então. Jesus tenha interagido com quase todos os partidos judaicos: os herodianos. conforme indica o nome. Ouvir. um profeta. quer pelas perguntas que puderam fazer. quem dizeis que eu sou? Outra aferição. não podia ter filho. Eles não conheciam a doutrina da Trindade. era de se supor que acertariam. [16] Respondendo Simão Pedro. dois deuses. esta mais importante: os discípulos conviveram com Jesus. conseguiram ver em Jesus um grande profeta. mas. porém. desenvolveu o seu ministério. Pedro teria ido apenas um pouco mais adiante que o povo. A resposta deixou a desejar. este teria de ser um Deus também. libertar Israel do domínio romano. ser curado e alimentado por Jesus não é garantia de chegar a ter dele o conhecimento que dá vida eterna (Jo 17. responde Pedro.3). porém.

o Filho do Deus vivo". como término de sua primeira parte. . que descia do céu. Não sei se foi assim mesmo que aconteceu. [17] Então. Não imaginavam que a salvação humana custaria tão grande preço. características e/ou objetivos comuns.Vi também a cidade santa. esta. ato contínuo. a nova Jerusalém.Moisés assim pareceu dizer (Dt 18. entenderam ser um grande profeta .30). os demais discípulos tomados pelo impacto da afirmação. que chamou de seu afresco. Que igreja? Igreja é uma palavra que pode ser traduzida por reunião. a revelação: "Tu és o Cristo. da parte de Deus. que começa com a entrega da vida. do Pai. a exemplo de Pedro. Portanto. Resposta completa. Foi uma revelação! O conhecimento-experiência. que está nos céus. que me enviou. testemunhando sua concordância. que dá vida eterna. mostrar-te-ei a noiva . a revelação de que Jesus Cristo é Deus vindo para salvar-nos. fez o filme Jesus. porque não foi carne e sangue que to revelaram. Simão Barjonas. (JO 6:44). mas meu Pai. Não foi a convivência com Jesus que os fez saber a verdade. cineasta italiano. que deve ser adorado. acerca de Jesus.Ninguém pode vir a mim se o Pai. dizendo: Vem. adoração. [18] Também eu te digo que tu és Pedro. porém.Nazaré é o Cristo. Jesus está falando de um grupo de pessoas especiais: as pessoas que receberam a mesma revelação que Pedro e os discípulos.não entenderam que. ou melhor. mais que um mestre a ser seguido. que dá vida eterna (Jo 17. Franco Zefirelli. receberam. tinha. 184 . assembléia. Jesus de Nazaré é Deus.Então. Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és. a esposa do Cordeiro (AP 21:9). Esse é o conhecimento. acerca de Jesus. também se ajoelham. A Igreja é a reunião daqueles que. ao anunciar um salvador. e eu o ressuscitarei no último dia. Jesus é mais que um profeta a ser ouvido. A Igreja é a reunião dos adoradores de Jesus. é Deus a ser adorado. é uma revelação do Pai . originariamente. não o TROUXER. nação e afins. apresentado em duas partes. ataviada como noiva adornada para o seu esposo (AP 21:2). e sobre esta pedra edificarei a minha igreja. é a cena que mais se coaduna com a profundidade do que foi dito. Neste sentido a missão da Igreja é agradar o seu Senhor.15) . cena que procurava retratar o texto que estamos trabalhando: Zefirelli descreve Pedro ajoelhando-se enquanto proferia a declaração em questão e. O filme. por se tratar de ajuntamento de pessoas que têm afinidades. Deus anunciava a sua visita. indubitavelmente. veio um dos sete anjos que têm as sete taças cheias dos últimos sete flagelos e falou comigo. é a Igreja como noiva: . e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Os teólogos entenderam que Deus haveria de mandar um salvador. Que pedra? A afirmação.

porque são estes que o Pai procura para seus adoradores (JO 4:23). A natureza expressa a glória de Deus.a bíblia: JO 5:39 . Igreja é. sacerdócio real. é a satisfação do desejo do Pai: . prestar culto e.19). de glória em glória. e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. e sobre esta pedra edificarei a minha igreja A partir da confissão-adoração: "Tu és o Cristo. também. e encontram. não apenas para ter informações sobre ele. o Espírito (2CO 3:18). 33. Será que a Igreja é edificada enquanto e na medida em que adora? Paulo parece dizer que sim: . portanto.Mas vem a hora e já chegou. O Pai desvenda-nos o rosto (por meio da revelação). que tinham 185 . Qual é o espelho? Penso e algumas coisas que devem ser usadas como espelho: i. a glória do Senhor. na sua ação de adorar. Derek Kidner (Salmos . reverenciar. porque julgais ter nelas a vida eterna. Por exemplo: Adorai o SENHOR na BELEZA da sua santidade (SL 96:9). é o mesmo que contemplação amorosa. Torna-nos parecidos com Ele à medida que o adoramos.Os céus proclamam a glória de Deus.Vós. a glória do Senhor. como por espelho. contemplando. A igreja perscruta a natureza para ver Jesus. nação santa. com o rosto desvendado. como pelo Senhor.E todos nós. entre outras. de características especiais. A palavra reunião pode dar uma conotação equivocada: de que só há igreja quando essas pessoas. na sua própria imagem. a reunião das pessoas que estão sendo transformadas pelo Espírito Santo à imagem e semelhança de Cristo.A noiva. mostra-nos o Filho e o Espírito Santo nos transforma. o Filho do Deus vivo" Jesus construirá a sua igreja. Ele é a vida eterna que está no texto sagrado. Aliás. somos transformados. contemplando. Assim Cristo edifica a sua Igreja. e são elas mesmas que testificam de mim. representadas por três cidades. também. a encarnação da bondade de Deus. contemplação. Nesta contemplação (adoração) somos edificados. também. a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Vida Nova e Mundo Cristão) diz sobre adorar na beleza da santidade: "a verdadeira adoração reflete isto no amor e admiração dados a Ele. Jesus disse "e sobre esta pedra edificarei a minha igreja" num contexto muito peculiar: Haviam três nações. Por isso gosto muito do que o Pedro disse: 1PE 2:9 . em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. pela contemplação? Adorar tem várias conotações: prestar homenagens." Adoração. Será que adorar passa. povo de propriedade exclusiva de Deus. A glória de Deus é a sua bondade (Ex. aqui. como por espelho.ed. ii.Examinais as Escrituras.introdução e comentário . porém. sois raça eleita. A Igreja lê as escrituras para ver Jesus.a criação: SL 19:1 .

No Antigo Testamento:. representados por Atenas. mas também purificar. Jesus falava no contexto das cidades muradas. judeus. os conduziriam no caminho de Deus. Eis o projeto de Jesus: uma nação de adoradores . acreditavam que a tal salvação estava em todos submeterem-se a seu modo de pensar. uma nação de soldados . Esta é uma conseqüência natural em 186 .O significado bíblico do termo "Avivamento":. destruindo as obras do diabo. liberando os seus prisioneiros. como sacerdotes. também. uma nação de soldados da libertação. ou seja. A medida que a igreja vai sendo edificada vai. Jesus diz que vai fundar uma nação que libertará de fato os homens do inferno. Pois. pois. sua nação atacará o inferno e as portas deste não resistirão ao ataque daquela. "avivar" não significa somente preservar ou manter vivo. se as portas não resistem ao ataque. corrigir e livrar do mal. os gregos. Quanto mais a igreja adora.1. representados por Jerusalém e os gregos.a noiva. Por que ataque? Porque fala das portas não prevalecerem. penso. como disse João: 1JO 3:8 -Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo. O verbo hebraico hyh (avivar) tem o significado primário de "preservar" ou "manter vivo". 1. Porém. e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. onde a porta é o último bastião. está contido nessa afirmação é o fato de a igreja ser o braço ministerial de Jesus Cristo. O corpo depende da noiva. representados por Roma. Os judeus acreditavam que a salvação dos homens estava na submissão destes a eles que. Os romanos acreditavam que a salvação do mundo estava em todos se submeterem à sua "pax". a última defesa. assumindo seu papel ministerial. I .pretensões universais: romanos. mais eficaz se torna contra o inferno.o corpo. Outro elemento que. o que significava submeter-se a eles. a cidade é invadida e tomada. por sua vez. Parte XXXII O PADRÃO BÍBLICO DE AVIVAMENTO Qual o padrão bíblico de avivamento? Os avivamentos bíblicos oferecem alguma coordenada para a renovação da igreja evangélica no Brasil de hoje? Estas são algumas das perguntas que procuraremos responder no decorrer desse estudo.

é que o Novo cobre apenas uma geração. 'anaphállo em Fp 4. Avivamento é obra soberana e livre do Espírito Santo.2). mesmo que rápida. 1. No Novo Testamento grego as palavras supracitadas aparecem. aviva a tua obra. na tua ira. e. é usado mais de 250 vezes no Antigo Testamento. para que em ti se regozije o teu povo?" (Sl 85. no decorrer dos anos. um grau incomum de vida espiritual. e me sinto alarmado. O verbo "avivar". como esta: "Porventura. faze-a conhecida. Sou devedor ao dileto colega por suas pertinentes observações. II .6) ou uma planta que lança novos brotos e "floresce novamente" (cf. Na história de cada avivamento. dentro ou fora da Bíblia. Avivamento não é um programa agendado pela igreja. em suas várias formas (2). do que não é o padrão bíblico de avivamento. apenas sete vezes. Outras palavras gregas comparam o avivamento ao reacender de uma chama que se apaga aos poucos (cf. e da clássica oração do profeta Habacuque: "Tenho ouvido. 'anastáso. no decurso dos anos.2. A igreja não promove e nem faz avivamento. 2. ó Senhor. não tornarás a vivificar-nos (3). Neste sentido. Antes de falarmos sobre avivamento bíblico. Hernandes Dias Lopes. lemos que Deus purifica. São elas: 'egeíro. das quais 55 vezes estão num grau chamado piel. no contexto de avivamento. No Novo Testamento:. em comparação ao Antigo Testamento.10). propriamente dito. em seu livro AVIVAMENTO URGENTE.1. Uma possível explicação para o uso escasso dos termos. Alguns exemplos de sua ocorrência são as clássicas orações de Davi. acreditamos ser de grande ajuda uma abordagem. A igreja não é 187 . 'anazopyréo em 2 Tm 1. Avivamento não é ação da igreja. apresenta sete interessantes razões sobre o que não deve ser entendido como avivamento de verdade. Um verbo nas formas do Piel expressa uma ação ativa intensiva no hebraico. ó Senhor. lembra-te da misericórdia" (Hc 3. Transcrevo-as quase que na íntegra. tira a escória e as coisas que estavam impedindo o progresso da causa (1). O Rev.6) (4). embora a idéia básica de avivamento seja sugerida com mais freqüência. durante a qual a Igreja Cristã desfrutou.toda vez que Deus aviva. 'anázoe e 'anakaínoo. o avivamento é sempre indicado como uma obra ativa e intensiva de Deus. livra do mal e do pecado. mas de Deus. na maior parte do tempo.O que não é avivamento bíblico:. Encontramos no Novo Testamento grego um conjunto de palavras que expressam o conceito básico de avivamento. as tuas declarações.

Deus tem compromisso com a verdade e a sua Palavra é a verdade e todo avivamento precisa estar fundamentado na Palavra. amém e levantar as mãos.3. as chuvas torrenciais de Deus não descerão. Sem obediência a Deus. Desprezar a doutrina é querer levantar um edifício sem lançar o fundamento. Sem busca não há encontro.2. é experiencialismo personalista e antropocentrista. com liturgia animada. em oração fervente. jamais haverá derramamento do Espírito. como bater palmas. Sem oração da igreja. ela só pode içar suas velas em direção a esse vento. Não é emocionalismo. Não há vida piedosa sem doutrina. Louvor que apenas levanta as mãos para o alto. Ele é soberano. Não é ritualismo. mas não as estende para o necessitado não agrada a Deus. O avivamento jamais acontecerá se a igreja não se humilhar. no entanto. muitas vezes feitas na carne. Desprezar a doutrina é querer por um corpo de pé e em movimento sem a estrutura óssea. A soberania de Deus. Avivamento não é mudança litúrgica. suava de molhar a camisa. o Espírito foi poderosamente derramado e os corações se dobraram a Cristo aos milhares. A igreja não agenda e nem programa avivamento. não anula a responsabilidade humana. A igreja não produz o vento do Espírito. Contudo. ajoelhado na neve. A doutrina é a base da ética. Desprezar a doutrina é dinamitar os alicerces da vida cristã. Louvor não é pululância. com coreografia e instrumental aparatoso.7). Louvor em que a pessoa 188 .agente de avivamento. em agonia de alma. Avivamento sem doutrina é fogo de palha. assim ele é" (Pv 23. Quando o seu coração parecia desalentado e já não havia prenúncios de chuva da parte de Deus. O avivamento precisa estar norteado pelas Escrituras e não por sonhos e visões. 2. quem determina o quando e o como do avivamento é Deus. David Brainerd orou vários anos pelo avivamento entre os índios peles vermelhas no século XVIII. A teologia é mãe da ética. Precisa estar dentro das balizas da Bíblia e não dentro dos muros de revelações subjetivistas. em favor daqueles pobres índios. dizer aleluia. A Bíblia ordena levantar mãos santas ao Senhor.8). Muitos crentes confundem avivamento com forma de culto. A igreja só pode buscar o avivamento e preparar o caminho da sua chegada. Não é apenas seguir formas pré-estabelecidas. "Assim como o homem crê no seu coração. Louvor não é encenação. gingos e dança (6). Avivamento não é mudança doutrinária. Não é mimetismo. Vida sem doutrina gera misticismo e experiencialismo subjetivista. Cometem ledo engano aqueles que querem descartar a teologia e desprezar a doutrina na busca do avivamento. Aquele jovem. é movimento emocionalista. O avivamento jamais virá se a igreja não preparar o caminho do Senhor (5). 2. num gesto de rendição e entrega (I Tm 2.

é preciso dizer que avivamento não é mudança litúrgica. O avivamento desinstala a liturgia ritualista. Este cântico não é para entreter ou agradar o gosto e preferência das pessoas. Louvor que não produz mudança de vida. quebrantamento. todo avivamento mexe com a liturgia. é barulho aos ouvidos de Deus. Mais do que nunca é preciso tocar a trombeta em Sião e condenar a idéia de que precisamos imitar o mundo para atrair o mundo. A música do mundo tem entrado nas igrejas. Um hino de louvor ao nosso Deus". O louvor precisa ser bíblico. sem abandonar a ordem e a decência. no Salmo 40. é choro pelo pecado. Segundo.23). embora o avivamento não seja mudança de liturgia. Este cântico vem de Deus e volta para Deus. temerão e confiarão no Senhor". a liturgia é desingessada e o povo com alegria e liberdade do Espírito adora a Deus. Não é um novo de edição. dos animadores de programas religiosos. não é louvor. do "rock evangélico".1). Davi. Cada culto é um acontecimento singular. temerão e confiarão no Senhor". Ele procura adoradores. cerimonialista. sem regras rígidas préestabelecidas. vemos a natureza deste cântico: "E me pôs nos lábios um novo cântico". é mudança de vida. ungida. alegre. Todavia.. Terceiro. O louvor não é um espaço da liturgia. vemos o objetivo deste cântico: ". dos show-men. para vergonha nossa e para derrota nossa. mas não vive em santidade. Em épocas de avivamento. é ofensa a Deus. versículo 3. é preciso dizer que. O louvor bíblico leva as pessoas a temerem a Deus. em espírito e em verdade. mas não leva Deus a sério na vida é fogo estranho diante do Senhor. Quarto. um hino de louvor ao nosso Deus. Assim diz o Senhor: "Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos. Hoje estamos vivendo a época dos shows evangélicos. novo. À luz destas coisas. o seu louvor estará sempre nos meus lábios" (Sl 34. Deus não procura adoração. Primeiro. formalista. Avivamento não é histeria carnal. 189 . porque não ouvirei as melodias das tuas liras" (Am 5. Louvor é a totalidade da vida. onde há liberdade do Espírito. Este louvor vem de Deus e não do homem. vemos o resultado deste cântico: "Muitos verão estas coisas. liberta do tremendal de lama (v2). a confiarem em Deus. "Bendirei ao Senhor em todo o tempo. vemos a origem deste cântico: "E me pôs nos lábios". senão é fogo estranho.. obediência e não leva as pessoas a confiarem em Deus. mas novo de natureza. É um cântico que expressa a marca da sua nova vida. onde há abertura para o que Deus deseja falar e fazer com o seu povo. fria e morta e põe em seu lugar uma liturgia viva. fala-nos sobre as balizas do louvor que agrada a Deus: "E me pôs nos lábios um novo cântico. O louvor que agrada a Deus precisa ser em espírito e em verdade. Deus é o seu alfa e o seu ômega. das músicas badaladas por um ritmo sensual.apenas saltita e pula. O verdadeiro louvor leva as pessoas a se voltarem para Deus. Louvor que apenas verbaliza coisas bonitas para Deus. muitos verão estas coisa.

com quem quer. os dons são buscados e exercidos para a glória de Deus e a edificação da igreja. Acham que avivamento é uma 190 . 2. esta não é a ênfase do avivamento. Ninguém pode ser o conselheiro de Deus. pomposos. Avivamento não é efervescência carismática. A igreja hoje está correndo mais atrás de sinais do que atrás de santidade. Packer no seu livro "Na Dinâmica do Espírito": "Não há nada mais solene do que um cadáver. Embora o avivamento não seja mudança litúrgica. mas a ênfase carismática não é sinônimo de avivamento. curas e exorcismos. era uma igreja imatura e bebê espiritualmente. onde quer. Disse J. É verdade que. Ele não obedece à agenda dos homens. partidos. A igreja de Corinto possuía todos os dons. ungida. dirigida pelo Espírito de Deus. Ele é livre. tornando-a bíblica. A igreja hoje busca mais uma vida antropocêntrica do que teocêntrica. Naquela igreja a ceia do Senhor estava sendo incompreendida. curas e prodígios extraordinários quando Ele quer.11). 2. Ele não se deixa pressionar. Este é um sério perigo. como quer. Ninguém pode instruir a Deus e dizer o que Ele pode e o que Ele não pode fazer. os dons estavam sendo usados erradamente.5.4. por desconhecimento.Hoje existem muitos cultos solenes. havia divisões. todavia. I. brigas. Ninguém pode deter a sua mão. Avivamento não é uma ênfase carismática unilateral. Uma igreja pode ter todos os dons sem ser uma igreja avivada. cismas. mas pelo fruto do Espírito. e a cooperação financeira com os pobres negligenciada. a ressurreição dos crentes estava sendo negada. Naquela igreja profundamente carismática. imoralidade e irmãos levando outros irmãos aos tribunais mundanos. se posicionam contra o avivamento porque acham que ele é a mais nova onda da igreja. Avivamento não é modismo. mas estão mortos. Devemos clamar como os puritanos: "Queremos liturgia pura". Havia falta de compreensão acerca do casamento e da liberdade cristã. Deus pode e faz maravilhas. Ninguém pode obstaculá-lo nem ensinar-lhe qualquer coisa. A igreja hoje anseia mais as bênçãos de Deus do que o Deus das bênçãos. Ele é soberano. A igreja hoje empolga-se mais com milagres do que com vida cheia do Espírito. Avivamento não é conhecido pelos dons do Espírito. Muitos crentes. aparatosos. "Ele faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade" (Ef 1. Muitas pessoas hoje estão limitando o avivamento a milagres. alegre. sem observarem a abrangência global da doutrina pneumatológica. quando quer. Toda vez que super-enfatizamos uma verdade em detrimento de outra. Ele faz tudo quanto Ele quer. nós produzimos deformações e distorções nesta verdade. todo avivamento muda a liturgia. Entretanto. contendas. em épocas de avivamento. Há cultos solenes que estão mortos".

Ele possui firmes lastros históricos. sem observar os negócios. em Antioquia da Síria e em Éfeso. O avivamento não leva a igreja à fuga. Os pontos culminantes da igreja aconteceram em épocas de avivamento. Dividem a vida entre sagrado e profano. É só ver o que Deus fez na Reforma do Século XVI. 2. Na evangelização. 191 . saem da realidade e enclausuram-se nos castelos inexpugnáveis de uma espiritualidade isolada e monástica. Esta não é a visão bíblica nem a visão do verdadeiro avivamento. a família. Acham que Deus está interessado apenas nas coisas espirituais. Avivamento não é uma visão dicotomizada da vida. sociais e morais.6. no avivamento. econômicas. em Samaria. os estudos e a vida do dia-a-dia com o mesmo interesse. a igreja trabalha para Deus. Não podemos confundir avivamento com campanhas evangelísticas. matéria e espírito. os pecadores apelam aos pregadores. os pregadores apelam aos pecadores.7. evangelização é para pecadores inconversos. Na evangelização. Avivamento não é campanha de evangelização. Deus trabalha para a igreja. no século XVIII e em outros grandes avivamentos da história. mas ao enfrentamento. pessoas que já têm vida. É só olhar para os grandes despertamentos na época de Ezequias. o trabalho. Na evangelização. a igreja vai aos pecadores. O grande avivalista John Wesley lutou pelas causas sociais na Inglaterra ao mesmo tempo que pregou sobre avivamento. Tudo em nossa vida é vazado pelo sagrado. Todo o nosso viver é litúrgico. os pecadores correm para a igreja. Ele é nossa herança e nosso legado e deve continuar sendo nossa aspiração e nossa busca constante. não é um modismo. Avivamento é para crentes nascidos de novo. Querem sair do mundo em vez de serem guardados do mal. isolam-se. Muitas pessoas. Toda a nossa vida é cúltica. corpo e alma. pessoas que estão mortas em delitos e pecados. na Inglaterra. quando começam a buscar avivamento. Finney pregou ardorosamente contra a escravidão nos EUA no século passado ao mesmo tempo que foi o maior avivalista do seu país. no avivamento. avivamento não é uma onda. Desde o Antigo Testamento que esta é uma verdade incontestável. Avivamento é para a igreja. Certamente. Certamente. evangelização é para o mundo. de Josias e de Neemias. É só ver o grande avivamento em Jerusalém. fazendo da vida uma caverna de fuga.coqueluche moderna e uma inovação sem nenhum respaldo bíblico e histórico. 2. no avivamento. João Calvino atacou com veemência os juros extorsivos em Genebra. aqueles que assim pensam não estudam com critério a Bíblia nem a história da igreja. Tornam-se tão "espirituais" que já não sabem mais conviver com a vida. O avivamento sempre traz profundas mudanças políticas. Acham que Deus só olha para a vida de trabalho na igreja.

Não se pode reviver algo que nunca teve vida. Estritamente falando. Quando há esse impacto da obra do Espírito de Deus na vida da igreja. dormentes. primeiramente. Ou. Em suma. Em outras palavras.2. O sentido amplo de avivamento. é "o retorno de algo à sua verdadeira natureza e propósito" (7). volta-se para Deus em resposta ao evangelho. Ele a realiza. isto é. assim. na igreja passa a existir uma conscientização profunda de sua missão. entre os membros da Igreja: é um reviver dos crentes. avivamento é algo que acontece unicamente no meio do povo de Deus. mas a sociedade não-cristã também é beneficiada pelo avivamento. desejo profundo de santidade de vida e aumento perceptível no desejo de pregação do evangelho. No avivamento a igreja vive a missão para a qual foi chamada.O Padrão Bíblico de Avivamento: Podemos definir o avivamento bíblico em dois sentidos distintos: 3. A sociedade não-cristã. Ele causa impacto em toda a comunidade onde a igreja de Deus está inserida" (9). as duas características principais do avivamento são 1) o extraordinário revigoramento da igreja de Cristo e 2) a conversão de multidões que até o 192 . por definição. neste sentido não apenas a igreja. O Espírito Santo renova. Héber de Campos comenta que "o reavivamento começa na igreja e termina na comunidade maior onde ela vive. oração fervorosa e louvor sincero. um despertamento de membros de igreja que se acham letárgicos. É revitalização onde já existe vida. Os efeitos do reavivamento são muito mais perceptíveis nas mudanças morais que acontecem na região ou num país onde ele acontece.1. o avivamento é primeiramente uma vivificação. Martin Lloyd-Jones: É uma experiência na vida da Igreja quando o Espírito Santo realiza uma obra incomum.III . O sentido estrito de avivamento. Como a própria expressão define. diz o Dr. Ele não se limita simplesmente aos membros das igrejas atingidas pela obra de Deus. como disse Robert Coleman. a missão integral de servir o mundo evangelística e socialmente. Acertadamente o Dr. além da atuação soberana do Espírito Santo no mundo. Comentando um pouco mais sobre o sentido estrito de avivamento. Isto acontece porque. reaviva e desperta a igreja sonolenta. por sua vez. 3. convicção de pecado na vida das pessoas. quase moribundos (8). os resultados imediatos do avivamento são sentidos no povo de Deus: senso inequívoco da presença de Deus. um revigoramento. a igreja amortecida e tristemente doente é a primeira a ser beneficiada pelo avivamento.

é fundamental o equilíbrio que só a Bíblia oferece.3. Além disso. "Um reavivamento". Avivamento onde a Bíblia não está presente não passa de um mero pentecostalismo convencional. Avivamento e a Bíblia. é ela e somente ela que nos pode dar a direção certa deste assunto. Voltando ao lugar da Bíblia no avivamento. uma das maiores autoridades sobre avivamentos. 1) O padrão bíblico de avivamento é a Bíblia Por mais simplória e pleonástica que esta declaração pareça ser. Sabemos que hoje existem desde aqueles que vêem toda e qualquer manifestação entusiástica como avivamento. "que é produto da obra do Espírito Santo na igreja. Edwin Orr (10). uma inovação humana sem respaldo bíblico. Observando os avivamentos ocorridos na Bíblia e na história da igreja. ela é tão autêntica e singular como dois e dois são quatro. Permita-me ilustrar o que queremos dizer por "extremos". É necessário. enquanto que a outra prometia: "Reavivamento aqui todas às noites. Orr menciona este fato para relatar um desses extremos em que a palavra "avivamento" ou "reavivamento" é usada aleatoriamente. é e sempre será a espada do Espírito Santo em todo avivamento bíblico. é importante salientar que ela foi. exceto às segundas-feiras". disse que viu duas igrejas nos Estados Unidos convidando pessoas para suas reuniões de avivamentos. numa época de tantos extremos como este em que vivemos. 3. A Bíblia passa novamente a ser honrada como a única Palavra inspirada de Deus" 193 . recorrermos à lei e ao testemunho.momento estiveram fora dela na indiferença e no pecado. Héber de Campos. A autoridade da Palavra de Deus passa ser algo extremamente forte num momento genuíno de reavivamento. Uma delas dizia: "Reavivamento aqui todas às segundas-feiras à noite". como se o avivamento fosse produzido simplesmente pelo desempenho humano com data e hora marcadas. diz o Dr. mais do que nunca. Uma vez que a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática. certamente tem sua ênfase naquilo que tem sido esquecido por muito tempo: a Palavra de Deus. ou quando muito acham que avivamento é a mais nova onda do momento. Aqui também abordaremos dois aspectos essenciais do avivamento. notamos que os objetos do Espírito eram sempre persuadidos com e para a Bíblia. até àqueles que negam a sua existência. Estamos falando do único padrão inerrante e infalível de avivamento: a Bíblia. Não existe verdadeira espiritualidade sem a Bíblia. A relação entre a Bíblia e o avivamento é tão intrínseca que é impossível um avivamento de verdade sem que a Bíblia faça parte dele. uma coqueluche moderna.

após longos anos de opressão. como na travessia do rio Jordão (Js 3.10). outro rei de Judá. O período de trezentos anos de liderança dos juízes mostra os israelitas. e sabiam toda a obra que o Senhor tinha feito a Israel" (Js 24. prosseguindo durante "todos os dias de Josué.21-28). é outro grande exemplo (I Rs 8).1-17). pouco depois do nascimento de seu filho Enos: "Então se começou a invocar o nome do Senhor" (Gn 4. o povo se arrepende e clama ao Senhor (Jz 3.7. especialmente nos acontecimentos ligados à primeira páscoa (Ex 12. há períodos empolgantes de refrigério.1-8.6. traindo o Senhor e servindo a outros deuses. O relato subseqüente do dilúvio ilustra de modo dramático o que acontece com um povo que não se arrepende de seus pecados. "É provável que fosse um reflexo da consciência da depravação humana e da necessidade da graça divina" (13).9-15) e o aparecimento cada vez mais forte de doenças na raça humana. e exigiu que cada um escolhesse. na outorga da lei do Senhor no Sinai (Ex 19. 4.1-15). no início do reinado de Salomão. 10.31). Segundo Coleman. enviando-lhes um libertador que liberta o povo na vitória contra os inimigos. A dedicação do templo. eles agiam como a força que promovia novo vigor. 6. possui muitos ingredientes de um avivamento (2 Sm 6. entrando com a arca em Jerusalém. 2) O padrão bíblico de avivamento está na Bíblia Os primórdios do avivamento bíblico aparecem em Gênesis.(11). Em cada ocasião Deus responde as orações.3.4-9). e todos os dias dos anciãos que ainda viveram muito tempo depois de Josué. 32.15. Um verdadeiro avivamento segue-se a esse desafio.1-8. À parte desta indicação não existe nenhum outro relato de avivamento no princípio da história da raça humana. Então. o que se pode chamar de "o grande despertamento geral" ocorreu nos dias de Sete. Um dos maiores movimentos avivalistas aparece no final desse período.1-35.26) (12). E Josafá. Josué reuniu as tribos de Israel. Depois temos os patriarcas que por vários séculos lideraram o povo de Deus.29) e no levantamento da serpente de bronze no monte Hor (Nm 21. O juízo de Deus é inevitável. O breve avivamento na casa de Jacó é um bom exemplo disso (Gn 35. O que é deveras significativo. sob a liderança de Moisés. A marcha de Davi.1-5. No tempo de Josué um despertamento espiritual predominou em suas campanhas.12-23). a quem servir (Js 24. O avivamento também chega a Judá nos dias de Asa (I Rs 15. em Siquém. O nome Enos quer dizer fraco ou doente. Mais tarde. uma apatia espiritual se apoderou da nação.35). o nome Enos era bastante adequado.9. 24.12) e na conquista de Ai (Js 7. Sempre que a vitalidade espiritual do povo se desvanecia.1-15). de quando em quando. Mas quando terminaram as guerras e o povo se assentou para desfrutar os despojos da vitória. Tempos de renovação ocorreram periodicamente no período dos reis.1-25. Sabendo que seu povo estava dividido. de uma vez por todas. lidera uma reforma (I 194 . Considerando o assassinato de Abel (Gn 3. sob a direção de Samuel (I Sm 7.9-15).

Escolhe e treina seus discípulos. onde se reconhece que a vitalidade espiritual depende 195 . sob a liderança de Zorobabel e Jesua. deixando-os na expectativa de receberam a promessa do Espírito (Lc 24. inaugura o avivamento que Jesus havia predito (At 2.1-4. AVIVAMENTO SOB UM PRISMA VÉTERO-TESTAMENTÁRIO no site www.49-53. Que Deus derrame do seu Espírito sobre nós para que possamos. bem como o sacerdote Joiada (2 Rs 11. DO TEMOR À FÉ (2ª ed. como por exemplo. "reavivamento". do Salmo 85. com a chegada de outra expedição liderada por Esdras. São Paulo: Editora Vida. dando-se mais atenção à lei (Ed 7. a descoberta do livro da lei. Veja também. assim.14-3. "reviver" e "tornar a viver" são usados no mesmo sentido. Ag 1. ascende aos céus.28-32.23. Por fim. Avivamento em Jerusalém. Zc 1. "renovação". como igreja e povo brasileiros. durante o reinado de Josias.1-10. Tendo as intimidações dos inimigos induzido os judeus a interromperem a reconstrução do templo. Outro poderoso despertamento é vivenciado na terra sob a liderança do rei Ezequias (2 Rs 18. redimida por seu sangue.23.1-6. No apogeu de um grande avivamento Jesus aparece e é batizado por João Batista. M.1-13. D. 73. At 1.1-21. sairia em seu nome a proclamar o Evangelho 'até os confins da terra' (At 1.41-50).1-2. Por três anos Jesus trabalhara na preparação desse dia . quando Neemias se apresenta para completar a construção dos muros de Jerusalém e estabelecer um governo teocrático (Ne 1. dentre outros.18). na Inglaterra no século XVIII. "despertamento". dá início a um dos maiores avivamentos registrados na Bíblia (2 Rs 22.19 e Malaquias 4. O avivamento alcança o auge poucos anos depois. 1987).8)" (14). Lloyd-Jones. na Alemanha com a Reforma Protestante do século XVI. Uma oração por avivamento e a promessa de sua ocorrência encontramos também em Joel 2.24).o dia em que a Igreja.1-26). experimentar mais uma vez daquele "fogo abrasador" que nos purifica e nos santifica para uma vida cristã de obediência à sua Palavra. discipulada por intermédio de seu exemplo.35). 2 Cr 34. é "causa-nos viver". NOTAS (1) Cf. Setenta e cinco anos depois. "vivificação". em Samaria. garantida por sua ressurreição.22.4-12.br.1-23). Habacuque 2. "Marca-se. em Antioquia da Síria e em Éfeso. pp. outra vez começa a reacender um novo avivamento (Ed 1.16). no dia de Pentecostes. novas reformas são iniciadas em Jerusalém.6. (3) O significado literal da expressão hebraica "vivificar-nos". O poderoso derramamento do Espírito Santo. (2) Os termos "avivamento". 8. o início de uma nova era na história da redenção.44). de Gerard Van Groningen. os profetas Ageu e Zacarias entraram em cena para instigar o povo a prosseguir (Ed 5. entre os negros Zulus da África do Sul na década de 60 e na Coréia do Sul nestes últimos tempos.Rs 22. E de lá para cá.ipcb. O livro de Atos registra a dimensão desse avivamento.31).1-47). são muitos os relatos da obra vivificadora do Espírito Santo na história da igreja. Ainda.org.4.

(9) Héber C. p. o excelente livro AVIVAMENTO (São Paulo: PES. Coleman. 45. Veja também. 12): "Confunde-se avivamento com atitude pessoal e inclusive corporal (física). porque se dá ênfase excessiva ao louvor. Campos. M. levantar de mãos. C. O MINISTÉRIO NÃO É UMA PROFISSÃO E SIM UMA VOCAÇÃO . 1993). (4) O Novo Comentário da Bíblia. p. (14) Idem. VAMOS VER O MINISTÉRIO PELA PERSPECTIVA DE PAULO .. A CHEGADA DO AVIVAMENTO MUNDIAL (São Paulo: CPAD. Lloyd-Jones. quando avivamento é tão somente uma consciência clara e profunda da vontade de Deus (que é doutrinária) e uma disposição plena de obediência (que é prática)". etc. a sermões eletrizantes. 15. Pierson. pp. Edijéce Martins Ferreira. Coleman. cit.1 .inteiramente de Deus.6. p. 61 Parte XXXII O QUE É MINISTÉRIO? TEXTO 2 CORÍNTIOS 6:1-10 01. p. veja a obra do Dr.vocação pressupõe . acabaremos desistindo no meio do caminho. Essas atitudes em si não são propriamente prejudiciais.PR. pela confusão que se faz a doutrina sai perdendo. 1996). (5) Para um ponto de vista diferente. 196 . (13) Idem.compromisso. Vol I. disposição e acima de tudo uma visão clara do trabalho que vai realizar. (7) R. (10) Citado por Brian H. (8) D. 18. cit. a práticas pentecostais. material apostilado pela Faculdade Teológica Sul Americana de Londrina . Todavia.2 Coríntios 6: 1-10 2. 1994). (12) R. (6) Uma posição semelhante foi apresentada pelo Rev. dá a este Salmo o sugestivo título: UMA ORAÇÃO PEDINDO REAVIVAMENTO. Nº 1 (São Paulo: 1996). . 25. Paul E.5. pp. Edições Vida Nova. Há uma superficialidade doutrinária muito grande. (11) H. op. op. do mesmo autor. A HISTÓRIA DOS AVIVAMENTOS. OS PURITANOS: SUAS ORIGENS E SEUS SUCESSORES (São Paulo: PES. 53. Edwards em REVIVAL! A PEOPLE SATURED WITH GOD (England: Evangelical Press.qual a sua visão do seu ministério pessoal? 02. 1992) 320 pp. Se não soubermos administrar esses fatores. p. com expressão emocional.Em primeiro lugar vamos examinar os fatores internos que influem no ministério cristão. CRESCIMENTO DA IGREJA: COM REFORMA OU COM REAVIVAMENTO? In Fides Reformata. em entrevista ao Jornal Brasil Presbiteriano (Abril/94. p. 44. Campos..

Portanto devemos nos aquietar.Ser paciente .Nas privações .O outro lado que se opõe frontalmente ao quietismo. "restringir". Esta habilidade hoje está muito comprometida. Não podemos nos esquecer de que o pastor é antes de tudo um sacerdote chamado para interceder junto a Deus pelo povo. através do exercício da fé.esta palavra tem o sentido de "espremer".Ilust. Quem ainda não passou por esses vales profundos de pobreza ministerial.Há duas situações neste contexto que precisam ser compreendidas: ." C . O sentido da palavra aponta para um espírito de perseverança. Esse conceito nasceu no Séc. Tem de ser um heroi 24 horas por dia! Nós sabemos que há momentos no ministério em que a vontade é de desaparecer. . de permanência. Você não consegue tirar nem uma gota de inspiração. O medo de fracassar é um fantasma que ronda com muita freqüência o pastorado. A síntese desse movimento era que o mal foi planejado para o nosso bem.tem o sentido de passar por "experiências adversas". "afligir". XVII na França e na Itália e foi chamado de Quietismo. Isto é.A . Poucos são os pastores que demonstram paciência no exercício do ministério.Pergunta: você tem exercido esta paciência em seu ministério? B .paciência .Nas aflições . é chamado de Ativistas. de largar tudo. eu ouvi uma certa ocasião um pastor afirmar que nós precisamos ter pelo ao menos três pessoas compartilhando do nosso ministério.não é ser simplesmente ser gentil. Todo mal vem de Satanás e deve ser enfrentado com ousadia! . 197 . podemos acabar com todas as enfermidades. com todas as dificuldades da vida. Vale a pena reler Romanos 12:12 "Sede pacientes na tribulação.Crisóstomo afirmou: "a paciência é um porto que desconhece tempestades". Somos e procuramos exteriormente demonstrar uma força que muitas vezes não temos. .um dos grandes problemas do ministério é que o pastor nunca se acha fraco.Privação . . de vesuviar..Há momentos em que a Bíblia parece um livro fechado.O pastor segundo os ativistas não deve ficar deprimido.Na muita paciência . Tudo o que acontece nesse campo de dores vem de Deus. . . As aflições não podem nos afastar deste propósito. Para os ativistas.significa a habilidade em conservar o projeto do ministério mesmo quando as águas são agitadas..A primeira é a de aceitar as aflições como uma disciplina de Deus. . de firmeza! . . de estabilidade.

Em primeiro lugar você precisa de um Timóteo . Procurou encobrir o seu erro camuflando-se diante de Deus.alguém a quem você possa ensinar.Ananias e Safira .usaram a aparência de santidade para impressionar o apóstolo Pedro.Em terceiro lugar você precisa de um Paulo . O enfoque maior desta palavra se refere as "feridas". Estas marcas ainda são necessárias ao ministério. Alguém que dependa de você para vencer as dificuldades da vida. É o que os pais fazem com os filhos.. Este ponto é muito importante no ministério pastoral.2 . aos "golpes" que recebemos em nossas emoções.. Angústia faz parte do ministério. A idéia é que o ministro pode a qualquer momento ser confinado.Em açoites . Alguém com quem você possa se abrir.Aqui também corremos um outro perigo: o de produzir um estado de melancolia.. Você não pode caminhar sozinho. A . D . Eu sei que é muito difícil você se abrir com um colega com o qual você não tem uma amizade verdadeira. . .alguém que esteja acima de você e que possa orientá-lo nos seus momentos difíceis. . e não deve se abrir com muita gente. .Em segundo lugar vamos examinar os fatores externos que acontecem com muita frequência no ministério. ser levado a um ambiente apertado. uma inibição de toda atividade e uma diminuição dos sentimentos de valor próprio até o ponto de auto-recriminações e auto-injúrias. não consegue progredir. Freud analizando os aspectos da melancolia chegou à conclusão que ela produz "uma anulação do interesse pelo mundo exterior. fechado.Paulo tinha as marcas de Cristo em seu corpo. . 198 . uma perda da capacidade de amar. Hoje isto quase não acontece. Quando você tem alguém sob sua responsabilidade você se desdobra em busca de socorro.Aqui surge um outro problema. 2.o sentido aqui é de "estreitamento". luta mas não consegue avançar.Em segundo você precisa de um Barnabé .Pedro por sua vez demonstrou um espírito de arrogância quando foi confrontado pela criada . . .Adão tentou se disfarçar com uma folha de figueira." (As Máscaras da Melancolia. Esse sofrimento não tem muito a ver com sofrimento físico.São frequentes os momentos em que os espaços diminuem. Você se esforça. .alguém que esteja no mesmo nível espiritual que você.Marcos 14:66-71 . contar suas frustrações e receber todo apoio.Nas angústias . 87). Mas sempre há alguém mais próximo de nós.o sentido desta palavra aponta para um dos sofrimentos maiores do ministério. Nestas circunstâncias o pastor é levado a se esconder atrás de disfarces. em nossa mente. Alguém que possa servir de referencial para você nos momentos de provação. pg.

não é distração".O perigo é querer punir os autores desses conflitos. George Barna diz algo muito interessante: Ele fala da ausência programada do pastor. Há muita gente interessada em tumultuar o ambiente.4 . a breve ausência do pastor realmente fortalece a sua igreja. Precisamos estar preparados para sofrermos esses golpes. 199 .Eu sei que cada pastor tem um sistema próprio de vida. "Uma estratégia que funciona bem. . O que não pode ser esquecido é que sem trabalho o ministério não cresce.Em terceiro lugar Paulo mostra o que o ministério exige de cada um de nós. Eu não sei quanto tempo você dedica ao exercício de vigiar." (Igrejas amigáveis e acolhedoras). nos jejuns. de "instabilidade".3 . Ele diz que é fácil alimentar um espírito de desforra. 2.Em quarto lugar Paulo nos mostra como devemos ser. Eles experimentam a alegria de saber que a igreja não é um espetáculo de um único homem. de isolamento.Devemos portanto pensar em prisão no sentido de não termos outro espaço para viver a não ser o do ministério.Lembre-se: ministério sem dor não é ministério. A . é fazer o pastor afastar-se da igreja. C. de "desesperança". . Lewis fala da "paixão vingativa". B . Neste ponto nós podemos nos identificar com o apóstolo Paulo. nas vigílias. Mesmo com todas as dificuldades já apontadas. Poucos são os pastores que exercem esse ministério. no caso da maioria das igrejas crescentes.nos trabalhos. (Efésios 3:1). Fomos aprisionados por Cristo.S.. para uma ausência planejada".nos tumultos . E afirma: "Nas igrejas crescentes. E esse trabalho exige momentos de reflexão. 2.eu creio que não estamos ferindo o texto bíblico ao aplicarmos estas experiências de Paulo em nosso contexto social.O Bispo Roberto sempre dizia: "ministério é trabalho. É importante saber que não estamos livres de tumultos na igreja.Sobre o isolamento pastoral. Ele aponta um trio de atividades que não podem ser menosprezadas. de afastamento de tudo e de todos para ouvir a voz de Deus. Há correntes contrárias que tentam desestabilizar o nosso ministério. Uma série de virtudes são apresentadas neste bloco. Eles fazem parte da nossa chamada. fazendo o resto da equipe funcionar como uma unidade . Hoje poucos sabem o que é uma prisão. C . . não podemos fugir desse compromisso.o sentido aqui é de "vacilação". Ainda hoje sofremos este tipo de problema na igreja.nas prisões . Ficamos na espreita aguardando uma oportunidade para crucificar aqueles que provocaram as divisões. . . de jejuar.

na Filadélfia. Que ninguém desanime nesse caminhar. como se estivéssemos morrendo e. pobres. . Graduou-se doutor em teologia e missiologia nos Estados Unidos. no amor não fingido. . . .Em quinto lugar Paulo mostra o que devemos fazer em nosso ministério. Costa Rica. Temos dado pouca ênfase nas manifestações do Espírito. no poder de Deus. quer defensivas. onde também foi professor de missiologia e diretor de estudos hispânicos. por infâmia e por boa fama. . fundou o Centro Evangélico Latino-Americano de Estudos Pastorais (CELEP). entretanto bem conhecidos. 2.no poder do Espírito.Nós fomos chamados para um ministério singular. . aos 45 anos de idade.no Espírito Santo . Assim é o ministério pastoral.A .Há uma série de paradoxos neste texto.amor não teatral. Não devemos apenas interpretar um papel que não vivemos na realidade. em 1973. . quer ofensivas. mas possuindo tudo. como castigados.estar afinado com o movimento da ciência. na longanimidade. como desconhecidos e. Foi reitor e professor do Seminário Bíblico Latino-Americano de Costa Rica. Não ficar alheio ao que acontece no mundo. Pouco falamos sobre os dons do Espírito.eu disse a igreja que nós perdemos um pouco da nossa característica.pureza . Há muitas oportunidades a nossa frente. Costas (1942-1987) nasceu em Porto Rico e faleceu nos Estados Unidos. entristecidos. .significa simplicidade.na bondade . como enganadores e sendo verdadeiros. por honra e por desonra. vitimado por um câncer. pelas armas da justiça. 200 . transparência. Ser paciente para com os demais. Era pastor e teólogo batista. contudo. no Espírito Santo. gentileza.na palavra da verdade.generosidade. Esta falta enfraquece o ministério. nada tendo. mas sempre alegres . . ocupou o cargo de segundo vicepresidente do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI) e. em Massachussetts. Além disso. eis que vivemos.fala de tolerância. em San José. porém não mortos.longanimidade . e como vice-presidente da Fraternidade Teológica LatinoAmericana. sinceridade. Temos tudo e ao mesmo tempo não temos nada. ORLANDO COSTA E A IGREJA BRASILEIRA Introdução Orlando E. atuava como professor no Andover Newton Theological School.Quem consegue entender esta composição bíblica consegue também exercer um trabalho rico e abençoado por Deus. na bondade.na pureza.saber . de resistência.5 . mas enriquecendo a muitos. . Atuou como administrador da faculdade do Eastern Baptist Theological Seminary. A .no amor não fingido . na ocasião de seu falecimento. no saber.

o rol de membros de uma igreja. Haja vista o clássico episódio em que Orlando Costas visitou uma igreja pentecostal no Chile. Entre seus escritos são dignos de destaque o artigo Dimensões do Crescimento Integral da Igreja e o livro Compromiso y Misión. o que requer a mobilização da igreja em busca de uma prática libertadora integral. não se deixava impressionar simplesmente com números. 201 . rejeitando o que chamou de "império norte-americano". Orlando Costas. Assim. O CRESCIMENTO NUMÉRICO DA IGREJA BRASILEIRA O crescimento numérico da igreja evangélica brasileira deve fazer parte do desejo de todo cristão sincero. como por exemplo: O crescimento é motivado pelo Espírito Santo? O crescimento está relacionado com os frutos do Espírito? A fé do crente é vibrante. porque uma igreja que não cresce está fora dos propósitos de Deus. era cuidadoso em sua análise de crescimento numérico de uma igreja. Esta pesquisa é uma simples tentativa de se aplicar os conceitos de crescimento da igreja de Orlando Costas a nossa realidade brasileira. René Padilla. por exemplo. atrelada à ditadura militar do general Augusto Pinochet. enveredou-se pela "libertação social e cultural". sentiu-se atraído pela evangelização do povo latino-americano. 1. Padilla é amplo demais. Costas rompeu com a cultura anglo-saxônica e a mentalidade colonialista que subjuga os povos latinoamericanos. Contudo. O renomado teólogo considerava-se um "teólogo na encruzilhada". Admirou a liderança jovem da igreja brasileira e criticou seu fraco desempenho teológico. Nosso trabalho visa a igreja brasileira em solo brasileiro. segundo Costas. Embora reconhecesse o valor. a importância e a necessidade de uma igreja crescer. Além disso. participando da V Semana de Atualização Teológica. Não é um trabalho original no que se refere ao estudo dos tipos de crescimento propriamente dito. Ele entendia que antes de tudo algumas questões importantes deveriam ser levadas em consideração. (1). Entretanto. ao mesmo tempo.Orlando Costas esteve no Brasil em junho de 1984. calorosa e esperançosa? Ele é amoroso? Sua fé é vista através da ação? A fidelidade. por exemplo. tal crescimento não deve ser almejado e nem considerado sadio quando a ética cristã está em jogo. Chegando lá. entendendo que a missão da igreja não é simples comunicação da fé. Seu enfoque é a América Latina como um todo. também não pode servir como critério de avaliação de crescimento. faz um comentário interessante sobre as dimensões do crescimento integral de Orlando Costas em seu artigo Avaliação Teológica do Ministério Integral em Servindo com os pobres na América Latina: Modelos de Ministério Integral. Entendendo que a fé não é "uma herança familiar". pois o crescimento deve ser o resultado natural de uma igreja saudável. mas o mundo em sua complexidade. Questionou a hegemonia política na América Latina. constatou que uma igreja como aquela não podia crescer saudavelmente estando. Crescimento de igreja sem saúde é mera inchação. saúde sem crescimento é contradição de termos.

As igrejas pentecostais do Brasil sempre serão um desafio saudável às igrejas históricas. "é parte fundamental do ser da igreja" (3). esta não é a regra geral. seus líderes. Por outro lado. sabemos de tantas igrejas que estão marcando passo. por si só. É preciso discernimento e critério de avaliação. As indagações levantadas por Costas precisam ser ponderadas por todos nós. Costas entendia que estas devem ser preocupações salutares e necessárias. e por uma razão óbvia: no Brasil existe uma forte tendência em se achar que todo e qualquer crescimento de igreja é obra do Espírito Santo. O CRESCIMENTO ORGÂNICO DA IGREJA BRASILEIRA Vimos no tópico anterior que o crescimento numérico não tem sido tão favorável para a igreja evangélica brasileira de modo geral. outras nem tanto. Embora nem todas as igrejas tenham vocação para ser mega-igreja. segundo Orlando Costas. O que não significa dizer que não haja igrejas crescendo com autenticidade. É importante deixarmos claro que Orlando Costas não era (e jamais foi) contra o crescimento da igreja. E por que não? Porque nem sempre a ética cristã de uma vida santificada tem andado de mãos dadas com o crescimento de nossas igrejas. não pode ser aceito como crescimento verdadeiro. esta dimensão inclui aspectos da vida interna da igreja como "sua forma de governo. Contudo. Pelo contrário. sua estrutura financeira. Porém. pois nenhuma igreja foi formada para ficar estagnada e parada no tempo. O que. esta não é a realidade geral em nosso país. ou mesmo a falta dele. deve ser criteriosamente analisado. propriamente dito.espiritualidade e encarnação (2) estão presentes na vida da igreja? Estas questões são fundamentais para se avaliar o crescimento da igreja brasileira hoje. Independente de ser pentecostal ou histórica. Contudo. todas devem crescer. do mesmo modo como estas deveriam crescer? 2. Orlando Costas dizia que o crescimento numérico da igreja. existem aquelas que experimentam um crescimento fenomenal e intrigante até. De acordo com ele. Na questão de crescimento da igreja não podemos ser totalmente crédulos de um lado e nem céticos do outro. fica a pergunta: aquelas estão crescendo realmente com saúde. com pouca ou nenhuma perspectiva de sua missão e de seu crescimento. engessadas em suas tradições ou em seus usos e costumes. o crescimento orgânico da 202 . mas que estão crescendo saudavelmente. o tipo de atividade na qual investe seu tempo e recursos e sua celebração cultural" (4). eram os meios muitas vezes utilizados para se chegar em tal crescimento. Entretanto. Temos no Brasil igrejas abençoadas: algumas grandes. Os extremos são sempre perigosos. e com razão. O que Costas questionava. de acordo com os preceitos bíblicos. Todo crescimento de igreja. Isto é um princípio bíblico que Costas fazia questão em destacar. E o que dizer do crescimento orgânico da igreja? Primeiramente é preciso saber o que é crescimento orgânico na concepção de Costas.

Um bom (ou seria mau?) exemplo disso é o que a igreja geralmente faz com seus novos membros ou recém-convertidos. atualmente. Mt 5. Se o primeiro mandamento de Jesus foi 'Vinde' o segundo foi 'Ide'. na intenção de constituir-se em uma verdadeira comunidade com raízes autóctones" (6). Segundo pesquisas.igreja não deve ser introspectivo. Boa parte de nossas igrejas que pensam serem missionárias na verdade apenas fazem missões. de uns tempos para cá. A igreja não pode servir de tropeço para ela mesma. vem progredindo . Bruce Shelley expressou a mesma preocupação de Costas quando advertiu: "Infelizmente. cerca de 80% a 90% dos recursos financeiros.14). tira o convertido do mundo e jamais o envia de volta a ele. voltado para dentro de si mesmo. a conclusão que chegamos é que a igreja brasileira não é. uma igreja missionária. porém. denominação da qual sou pastor. o desafio da contextualização da igreja em uma situação histórica definida. só que agora como embaixadores de Cristo" (7). essencialmente. as igrejas tendem a 'eclesiastizar' seus membros. ou reuniões de oração e grupos de discipulado. pena que às avessas. Sua obediência a Cristo se faz apenas mediante canais institucionais ou pietistas: reuniões e programas. até porque o maior potencial de uma igreja é o crente novo. uso do tempo e do templo estão voltados para o deleite de nossas próprias igrejas. mas. ainda tem muita estrada para se rodar. pois é preciso resgatar por 203 . O crescimento orgânico é um dos tipos mais naturais de crescimento experimentado pela igreja brasileira. inclusive. se a 'muita coisa boa' estiver desassociada de missões. A igreja evangélica brasileira de modo geral ainda não se conscientizou de sua missão fora dos portões como sal da terra e luz do mundo (cf. então não é tão boa quanto se pensa'. a IPB deveria ser. no geral. Há alguns anos escrevi uma lição para a escola dominical na qual dizia: "Reconhecemos que há muita coisa boa que uma igreja local pode fazer além de missões.13. À luz do que vimos até aqui. A igreja que se orgulha de sua teologia calvinista esquece que Calvino possuía uma consciência missionária profunda (8) sendo. Fruto direto da obra missionária de Ashbel Green Simonton em 1859. A nossa evangelização. As palavras de Shelley deve nos levar a uma reflexão séria. Devemos reentrar no mundo de que saímos. Nosso alvo deve ser a missão da mesma pessoa no mundo. formação de líderes. É verdade que sua visão e missão. Costas fazia questão de deixar isso bem claro (5) e René Padilla interpretou muito bem o pensamento do missiólogo quando disse: "Ele (o crescimento orgânico) abrange. uma das denominações mais missionárias do país. por outro lado. Infelizmente a IPB é hoje o que jamais deveria ser. todavia uma nova pessoa com novas convicções e padrões. o responsável pelo envio dos primeiros missionários ao Brasil em 1555 (9). quando fazem! Um exemplo a ser considerado é a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). entre outras coisas.

E de quem é a culpa? Certamente são daquelas lideranças que muitas vezes refletem em suas igrejas uma mentalidade tacanha e retrógrada. Martin Lloyd-Jones. Li vários livros do Dr. começa a crescer conceitualmente também. É importante lembrar que Orlando Costas entendia corretamente as dimensões do crescimento integral da igreja como um sistema interligado. sua compreensão da fé cristã. Isto está acontecendo porque a igreja. um pastor britânico já falecido. além de uma conscientização missionária. Jones e notei que muito da preocupação conceitual de Orlando Costas era a daquele também. é uma igreja que está caminhando. o que vem comprometendo seriamente o evangelho e a aceitação do mesmo por parte da sociedade. tenha sido o Dr. a igreja brasileira precisa passar por uma revitalização de suas estruturas. por exemplo. tornando-as mais funcionais e principalmente por uma estruturação doutrinária que se expresse na vida prática. cada dimensão da igreja só tem razão de ser se for vivenciada nas outras. embora a passos não tão largos como gostaríamos. A igreja evangélica brasileira ainda não entendeu como deveria essas dimensões e suas implicações. estará errado em todos os aspectos da sua vida" (11). 3. Pelo contrário. Na verdade. mas sobretudo na totalidade daquela missão integral que ficou perdida em algum lugar do passado. A ausência de qualquer uma daquelas dimensões (numérica. propriamente dita. conceitual ou diaconal) acarretaria numa deficiência danosa. Com a graça de Deus chegaremos lá! Aos poucos o velho conceito de fazer missões vai dando lugar ao ser missões. que "se você estiver errado em sua doutrina. mas caminha na esperança de um futuro promissor. segundo Costas. orgânica e ética" (10). Infelizmente falta sã doutrina e santidade de vida no povo de Deus. A qualidade da qual se derivam todas as outras dimensões. Saindo do particular para o geral. Talvez um dos teólogos que mais chamou a atenção da igreja para sua dimensão conceitual (embora não com esta terminologia. o que significa. "expansão na inteligência da fé: o grau de consciência que a comunidade eclesial tem a respeito da sua existência e razão de ser. consciente ou inconscientemente.completo a boa herança reformada. O doutor costumava dizer. orgânica. O CRESCIMENTO CONCEITUAL DA IGREJA BRASILEIRA A igreja brasileira não é um caso perdido. seu conhecimento da fonte dessa fé (as Escrituras). Citemos um pequeno exemplo: Crescimento numérico sem qualidade pode ser comparado ao câncer que cresce mas não é bom. sua interação com a história dessa fé e sua compreensão do mundo que rodeia. São aquelas pessoas que confundem a boa tradição bíblica e evangélica pelo tradicionalismo 204 . mas com a mesma ênfase). O crescimento conceitual da igreja é o que poderíamos chamar de "dimensão central da igreja". Esta dimensão dá à igreja firmeza intelectual para enfrentar a todo tipo de doutrina e capacidade crítica para evitar a fossilização e garantir a criatividade evangelizadora. não apenas em seu aspecto teológico. Qualidade sem crescimento é inconcebível.

A igreja brasileira não está parada. já que "somente na medida em que conseguir dar visibilidade e concreticidade à sua vocação de amor e serviço ela pode esperar ser ouvida e respeitada" (12). Orlando Costas entendia que sem este crescimento a igreja perderia sua autenticidade e credibilidade no mundo. caminha lentamente pelo que a gente tem visto. esta dimensão que nos faz olhar para dentro de nós mesmos. Contudo. portanto. ainda não amadureceu tanto em sua concepção de missão integral. porém. De uns tempos para cá a igreja melhorou consideravelmente. como ocorria em tempos atrás. sem deixar de olhar para fora. inseparáveis e indispensáveis na missão integral da igreja de Jesus Cristo no mundo e para o mundo. Uma consciência que estende a mão em ajuda aos fracos e oprimidos. Felizmente. liberalista. e muitas vezes tem sido ainda hoje. Que Deus nos ajude! Conclusão: Vivemos na esperança de dias melhores para a igreja brasileira. De certo modo. etc. Evangelização e responsabilidade social são partes integrantes da missio Dei. Mas ele não está estagnado. mas poderia andar um pouco mais depressa. influenciada pelos sistemas políticos e deixado de ser a voz profética de Deus na sociedade. À luz do que vimos até aqui fica difícil dizer: "A igreja brasileira tem esta cara". assim como as demais dimensões do crescimento integral. A igreja brasileira não pode se calar diante dos males sociais. a consciência social da igreja brasileira hoje parece ser maior do que algumas décadas atrás. e sem qualquer preocupação de ser rotulada e perseguida por isso. Vale lembrar. De uma igreja que se consolide pela visão integral de sua missão no mundo. inovação saudável e revitalizadora pelo inovacionismo e oba-oba. 4. Hoje. precisa ser devidamente analisada e exercitada pela igreja brasileira como um todo.mórbido. graças ao bom Deus. ainda somos uma grande colcha de retalhos. É pena que a igreja foi. ainda temos um longo caminho pela frente. O CRESCIMENTO DIACONAL DA IGREJA BRASILEIRA Esta é a dimensão encarnacional da igreja. Para Costas. os cristãos foram colocados no mundo "para ser a consciência da sociedade" (13). justamente porque ao se discutir prioridades (como por exemplo as que envolvem evangelização e ação social) a igreja deixa de fazer bem uma e outra coisa. boa parte das igrejas brasileiras está envolvida em trabalhos sociais. O crescimento diaconal da igreja brasileira. porque. por outro. Estamos adentrando em um novo milênio e a igreja continua sonolenta em muitos dos aspectos de sua missão integral. se por um lado a igreja vem melhorando em sua visão social. quanto à participação nos problemas da sociedade. 205 . a igreja que assumia sua responsabilidade social no mundo era taxada de comunista. e não faz muito tempo.

. III. Bruce Shelley. nº 1 (São Paulo: 1998) pp. COSTAS em Enciclopédia históricoteológica da igreja cristã. 29. Costas. L. cit. 114. 3. CREZCAMOS EN TODO. Cf. MISSIONS . 5. op. 9. COMPROMISO Y MISION (San José: Editorial Caribe. Costas. Lloyd-Jones. Orlando E. Nossa igreja brasileira ainda não é a igreja dos sonhos. A. 1991) p. p. "Para Costas.. 12. 38-49. 1998) p. klooster. 113. DIMENSÕES DO CRESCIMENTO INTEGRAL DA IGREJA em A missão da igreja (Belo Horizonte: Missão Editora. Cf. René Padilla. Costas. 1984) pp.são as variáveis de controle em seu modelo de crescimento integral. verbete ORLANDO E.7. A CONSCIÊNCIA MISSIONÁRIA DE JOÃO CALVINO em Fides reformata. 102. 362. 113. 1979) p. 4. op. Vol. D. p.EN CRISTO em Misión en el camino (Buenos Aires: FTL. I (São Paulo: Vida Nova. 13. 126. Costas. Fred H. a igreja que gostaríamos de ser. espiritualidade e encarnação . mas com certeza esse dia vai chegar. 1992) p. 6. estas três qualidades ou critérios teológicos . 1988). Schipani. p. Idem. 7. Idem. Deus visitará seu povo e o avivará para honra e glória do Seu nome! NOTAS 1. podemos notar um avanço em todos eles. T. Antonio Carlos Barro. Sayão. 206 . Vol.THE HEIDELBERG CATECISM AND CALVIN em Calvin theological journal (1972) pp. M.fidelidade. Trata-se dos fatores ou princípios críticos em função dos quais avalia-se qualitativamente as várias classes e dimensões do crescimento eclesial e se prova a validez teológica de dito crescimento" (Daniel S. cit. 8.4. 1994) p. nota 6.Comparando os quatro conceitos de crescimento de Orlando Costas à igreja brasileira. 11. 10. O COMBATE CRISTÃO (São Paulo: PES... A IGREJA: O POVO DE DEUS (São Paulo: Vida Nova. 101. 183. 117. AVALIAÇÃO TEOLÓGICA DO MINISTÉRIO INTEGRAL em Servindo com os pobres na América Latina (Curitiba-Londrina: Editora Descoberta. 2.

Conscientemente ou não. corremos atrás de atender a um modelo ideal de pastor estigmatizado por esta cultura do sucesso que é aquele líder que está sempre ocupado. Solidão é o remédio contra o ativismo pastoral. procuramos nos manter sempre ocupado. Abro aqui um parêntesis para recomendar a leitura do livro de Henry Nouwen “ No Nome de Jesus” . Parece uma ousadia falar assim aos pastores. Obviamente. a nossa utilidade. Orgulhamos por ter uma grande Igreja. os quais tenho constatado em minha própria caminhada. e para tanto. ser espetacular e ser poderoso.em nossa vida agitada e cheia de atividades temos fracassado em separar tempo para a solidão afim de aprofundarmos nossa vida espiritual. escrever artigos. Em razão disso. logo pensei em algo sobre o ministério pastoral.. que a ação interna (oração) tem precedência sobre a ação externa (proclamação).15 nos informa que muitas pessoas procuravam a Jesus para serem curadas por ele e o v. Mas voltando. em nossas muitas atividades eclesiásticas somos cada vez mais dominados por superlativos. Se estar atarefado é ser importante. Tornamo-nos daí pastores compulsivos. sem tempo para mais nada.. O v. Cito Henry Nouwen quando ele afirma que na solidão. e por fazermos parte de uma sociedade competitiva. visitas.16 afirma “ele porém se retirava para lugares solitários e orava”. Sutilmente somos enganados.16. descobrimos que ser é mais importante que ter e que valemos muito mais que o resultado de nossos esforços. um grande. reunir-se com a liderança. Como sempre. todo pastor deseja grandes mudanças em suas igrejas e daí a quantidade exorbitante de atividades a que nos entregamos todos os dias: aconselhamentos. constantemente temos que provar o nosso valor. então preciso estar atarefado.Parte XXXIII PERIGOS SUTIS AO MINISTÉRIO PASTORAL "Quando fui convidado para escrever este artigo para a nossa Revista PROPOSTA. preparar estudos e sermões. existe por trás deste excesso de atividades uma cultura – nosso mundo é voltado para o sucesso. Trata-se de um desejo de compartilhar com meus irmãos e colegas pastores. Aprendemos com nosso Senhor Jesus em Lucas 5:15.. são sutilezas que procuram desestabilizar e adulterar o nosso pastorado. fazer ligações telefônicas.. um grande coral. Penso que na essência. onde nossa identidade pastoral passa a ser derivada de nossas atividades. como evitar cair na armadilha do excesso de atividades ? A resposta é a mais simples possível: Precisamos praticar um tempo a sós com Deus. onde o autor fala de três tentações mais comuns no ministério pastoral: ser relevante. mas aqui falo também como pastor . 1º Perigo: O perigo de envolver-se tanto em atividades que negligenciamos nossa vida devocional. alguns perigos do ministério. etc. separar tempo para planejar. Jesus percebeu o 207 .

está o fato de que precisamos preparar pessoas para o ministério. dedicar tempo ás nossas ovelhas para visitá-las e orienta-las espiritualmente. Pouco a pouco todos se transformam em instrumentos de trabalho. aconselha-las. Diferentemente de nós que somos movidos para a produção. ao mesmo tempo.. Neste processo da secularização da igreja.Pessoas são a razão de nosso ministério. e nos tornamos administradores e secretários de Igrejas. o perigo é sutil. Talvez devêssemos perguntar: Como posso saber se estou sendo bem sucedido no cumprimento de meu ministério? Creio que Efésios 4:11-15 delineia qual é a expectativa de Deus para nós pastores – Dentre algumas das medidas de sucesso em nosso ministério. A princípio não há nada de errado em tudo isto. Nós pastores insistimos com nossas ovelhas sobre a necessidade delas terem um tempo a sós com Deus. Precisamos ser lembrados que fomos chamados para pastorear e não para administrar.. mas à pessoas.. Para fazer isto preciso gastar tempo com as pessoas – ajuda-las. do formato novo do boletim informativo. Corremos o perigo de abandonarmos nossa função como pastor. etc. Para isto é que existem presbíteros regentes e docentes.perigo e não caiu na armadilha de se entregar ás atividades. usamos estas pessoas como empregados para cumprirem uma missão que nem sempre é de Deus e sim do pastor. movida á produção. negligenciando sua vida devocional. deixando de pastorear pessoas. homens e mulheres com quem vivemos e trabalhamos podem se tornar meros objetos. Mas não podemos nos esquecer que somos ovelhas também. O pastor que imita as ações e a pregação de Jesus. Nós pastores precisamos pastorear. etc. a “ exigência” é que devemos nos retirar do 208 . Sob a pressão de que estão trabalhando para Jesus. 2º Perigo: O perigo de reduzir a funções e projetos a pessoas que Deus nos mandou pastorear.. 3º Perigo: O perigo de se afastar tanto do mundo que perdemos a consciência de que o mundo é nossa paróquia. sem. Quando olhamos para o ministério de Jesus. Deixe a administração com o presbítero regente. Começamos a medir o sucesso no ministério pela popularidade de nossos projetos. ouvilas. das reformas feitas na estrutura física da igreja durante nosso pastorado ali. Jesus não era inclinado à programas. Não me entendam mal. Quando nos tornamos pastores. e que ter uma vida profunda de oração não perde o seu valor quando somos ordenados ao ministério. imitar sua vida profunda de oração. são um prejuízo para a fé e um empecilho para o crescimento da igreja. verificamos que ele passou mais tempo cuidando de pessoas e conversando com elas do que em qualquer outra coisa. dos terrenos que a igreja adquiriu.

De tanto se afastar do “mundo”. penso que temos que responder a três perguntas: 1) Quais são as atividades que você tem durante a semana em que você se coloca na presença de Deus na perspectiva de ovelha. Eram pessoas aflitas. Nós pastores precisamos seguir o exemplo de Jesus e olhar para a nossa cidade. nos enfiamos nos trabalhos da Igreja que consomem todo nosso tempo e energia e cada vez menos nos interessamos pelo mundo lá fora. nossa linguagem vai se tornando “igrejeira” e quem é de fora entende muito pouco do que falamos. Creio que para evitar que nosso pastorado seja adulterado. Em Mateus 9:36 lemos que Ele andava pela cidade e vendo as pessoas compadecia-se delas porque eram como ovelhas sem pastor. fazer parte da sociedade amigos de bairro. por exemplo. precisamos. simplesmente levanos a evita-lo. O texto ainda fala que eram pessoas sem rumo na vida. Pessoas com crises no casamento.mundo e nos entregarmos ao trabalho de uma instituição religiosa que se dedica a seus próprios assuntos. etc. o prefeito da cidade. Creio que já está na hora de desenvolve-lo “fora da igreja” também. emocional e existencial. etc. vemos o mundo como algo mal. É surpreendente ver que Jesus não agiu desta maneira.. lanchonetes. estabelecer amizades e se identificar com as pessoas da comunidade. colocamo-nos em competição contra ele. Imagine se Jesus fosse o pastor de sua igreja! Por onde você acha que ele andaria ? Quem ele visitaria ? Se formos bem honestos. problemas com os filhos.. Eram pessoas exaustas. Nas palavras de Eugene Peterson “quando o trabalho que executamos para Jesus como pastores esmaece nossa consciência do mundo. seguindo seu próprio cronograma e agenda. prisões. de filho e não de um funcionário da igreja? 209 . precisamos buscar a “paz da cidade” ( Jr 29:7 ) e para tanto é mister nos envolvermos com ela.. sem acesso a uma boa escola e inseguras quanto ao dia seguinte. os vizinhos que moram próximos á igreja. medo da violência.Assim. visitar a Câmara Municipal. hospitais. para o nosso bairro e ter uma proposta pastoral para estas pessoas aflitas.. visitando asilos. talvez pela sobrecarga de trabalho. ou. Se faz necessário construir relacionamentos.Ele não resumiria seu ministério apenas aos salvos. exaustas e sem rumo na vida. um inimigo ou um competidor de nossa espiritualidade. Erroneamente. teremos que duramente admitir que ele andaria pela nossa cidade. A título de aplicação daquilo que foi dito aqui. nos envolver em atividades promovidas pelas pessoas da vizinhança. não ter tempo para o lazer ou por causa dos problemas do dia-a-dia. na vida profissional. afasta dele o foco de nossa atenção. Nossa espiritualidade pastoral não pode ser desenvolvida apenas dentro da igreja. Aflitas por falta de trabalho. Nosso ministério corre o perigo de ser exercido basicamente dentro da Igreja. sejam crentes ou não. podemos dizer que nossa ordenação foi adulterada”.

Nancy DUSILEK no seu Liderança Cristã: a arte de crescer com as pessoas. homem submisso ã vontade de Deus (Js 6. e 1Timóteo 3. mas a função do líder é liderar. mas no seu aprendizado teve que aprender a delegar (Ex 18.10). Paulo usa a expressão "a graça que nos foi dada" (Rm 12. e detêm funções de liderança aqueles soberanamente escolhidos para esse cometimento. FUNDAMENTO BÍBLICO DA LIDERANÇA CRISTÃ Deus utiliza seres humanos como seu método.6). mas de presidência a ser exercida zelosamente.2) Quem são as pessoas que estão sendo afetadas pela sua vida? Pela convivência espiritual com você? 3) Quais os lugares. ambientes que você freqüenta e pessoas com quem se relaciona que facilitam sua ação como sal da terra e luz do mundo? Parte XXXIV REFLETINDO SOBRE LIDERANÇA CRISTÃ Há um lugar especialíssimo para a liderança na visão do Novo Testamento. e em dar ordens claras (v. TEOLOGIA DA LIDERANÇA 210 . transmite-o a homens fiéis. Não é função de mando. que sejam idôneos para também ensinarem os outros". treinou os líderes escolhidos dentre critérios bem determinados: que fossem capazes. Assim aconteceu com Moisés. cita o ex-reitor da Universidade de Colúmbia. e Moisés reconhecia as suas próprias (Ex 4. Uma música popular dos anos 70 de forte mensagem diz que "quem sabe faz a hora.27). pessoas de palavra e não avarentos (Ex 18. foi humilde bastante a ponto de atender conselhos que lhe foram dados. É um Josué. Parece ser o óbvio. há de ser lembrada a palavra de Paulo em 2Timóteo 2.1-13 oferece o padrão para os ministérios pastoral (ali denominado "episcopado") e diaconal. com Josué e com os apóstolos. Assim é que Efésios 4. Na Igreja de Cristo é a liderança desse corpo. tementes a Deus. Dr. Como parte do seu aprendizado. segundo a Versão da IBB (Rm 12. 6. São essas últimas que detêm o dom de liderança. não espera acontecer". Desse modo.7).2).10). hábil na distribuição de tarefas (vv. Um líder tem limitações. Quanto à liderança espiritual e à preparação de outros líderes da igreja apostólica.8). nos EUA. Nicholas Murray Butler que disse haver três tipos de pessoas no mundo: · as que não sabem o que está acontecendo.2: "e o que de mim ouviste diante de muitas testemunhas. 11-16 apresenta a plataforma de liderança da Igreja Apostólica. · as que observam o que está acontecendo e · as que fazem com que as coisas aconteçam.21).20.

Hb 11. Lc 22. judeus e gentios. determinados títulos "religiosos" com o propósito de "autenticar" o poder de mando e comando. libertos e escravos. Além disso. assumindo.1).41-48 apresenta uma palavra de Jesus Cristo a esse respeito. o líder é estimula a desenvolver seu potencial (1Co 11. Se estamos falando de conduzir para Deus. a preeminência. QUALIDADES DO LÍDER · No mínimo as seguintes qualidades podem ser destacadas. Vocábulos como democracia. Mt 20. 1Co 9. pois essa virtude determina o verdadeiro objetivo da liderança cristã que é o ser servo (cf. jovens e idosos. tecnocracia. Duas palavras gregas são elucidativas do conceito de poder: kratos e dynamis. e pela fé. gerontocracia veiculam a idéia de "poder do povo". e. Fp 1. todos agindo. Romanos 16 o lembra com extrema clareza: havia naquela comunidade cristã: mulheres. especialmente no sentido de "poder político. são igualmente basilares.19. livres. energia". É observar o que diz 2Coríntios 11. atividade. conforme ensinou MINERVINO.Recorde-se de que liderança cristã é "o trabalho de despertar e conduzir o ser humano para Deus e para tudo o que dEle recebeu". e dando-nos vocábulos como dínamo. É um com o seu povo. Do líder cristão é esperada a dynamis como fundamento e veículo da sua autoridade espiritual e da sua atividade de condutor de vidas. Mas o líder cristão reconhece que não o faz por mérito próprio: Deus está com ele (Ex 3. A primeira é ter ideal. O líder cristão deve agir com fé. permitindo que se chegue ao universo semântico de "força ou espiritual. autoridade".28. comando. falemos igualmente de fé. Não é demais dizer que a Igreja é variada e multiforme. o líder é servo. de detenção de poder decisório que só evidenciam que. 1Co 12. aliada a esta. autoridade de mando". que é o "partir para a ação". Lucas 12. 211 . · A competência e o espírito de iniciativa. observa-se uma profusão de kratos em numerosos líderes com sede de manipulação.10-12.1). por outro lado. e desse modo leva os seus liderados aos cometimentos propostos. o líder é um condutor. reagindo e interagindo para o bem comum e para o bem da causa de Jesus Cristo. passam a buscar o controle. e utiliza para tanto os dons dos seus liderados e associados. de dinamismo ungido. dinamite e dinamismo.4). Porque o serviço é inerente à função. Pelo próprio conceito da palavra (leader>líder). pois sem essa virtude é impossível agradar a Deus (cf. mesmo. o líder cristão exerce a perseverança. na falta de autêntica autoridade espiritual. potência". Gl 5.27. pela fé a unidade da igreja é mantida.13.24-31. Lamentavelmente. ter visão: alma e olhar de condutor de vidas. Dynamis. Kratos é "poder. homens. "poder da técnica" e "autoridade dos idosos". Pela fé.6). traduz "força. Mais: o líder tem poder.

temos que a admitir que a situação é caótica. plenitude de sabedoria e de fé (cf. análise dos acontecimentos do passado. das circunstâncias do presente e das tendências do futuro. formam o perfil do líder cristão. Parte XXXIV REVITALIZANDO A IGREJA Introdução: Aonde chegaremos como igreja se continuarmos insistindo em ser apenas o que temos sido e em praticar somente aquilo que temos praticado nestes últimos anos? Essa pergunta estabelece a relevância do presente trabalho. O líder há de ser equilibrado. e Atos 6. que se justifica quando confrontamos o projeto da maioria de nossas igrejas com o potencial das igrejas batistas. plenitude do Espírito Santo. Funções do Líder Previsão e visão que envolvem. Tais confrontações se materializam na leitura do perfil traçado de muitas de nossas igrejas.3 descreve o equilíbrio desejado: boa reputação (cf. o compromisso dos membros no exercício de cargos e no sustento da igreja com a indiferença reinante. escolha dos meios para a realização do planejamento. v. segurança e confiança. 1Tm 3.· Segue-se a tenacidade aliada à serenidade. a média do número de membros e a incontável massa de líderes neopentecostais oriundos de nossa denominação. · Em seguida. · que. com o arcaísmo saudosista e excludente praticado por aqueles que insistem em não pensar a batistandade.2). E dentro disso. controle da situação e avaliação do realizado. expressa na média Brasil batista de integração que é de 40% apenas. Precisamos estudar mais as nossas doutrinas.5). deveríamos corre o risco de rever os nossos 212 . Se analisarmos muitas de nossas igrejas sem ufanismo e sem o amor platônico que nos foi inculcado. vale ressaltar. Planejamento que envolve algumas análises preliminares: estabelecimento de objetivos. tomando-se por base o alto índice de exclusões. Outra importante função da liderança é a defesa. a necessidade de revitalização da igreja para a sobrevivência no mundo globalizado com o tradicionalismo embotador imposto por um seguimento de líderes denominacionais ideologicamente ultrapassados e quando confrontamos a gradativa contextualização denominacional em seu interminável repensar. imaginação e rapidez de raciocínio. o número de dizimistas fiéis. autenticidade e comunicação. às posturas e aos valores da instituição. sem sombra de dúvida. a postura apologética diante das ameaças à doutrina. ao lado da simpatia.

Missão e Visão: ferramentas para a revitalização da igreja Se é nosso desejo revitalizar a igreja para augurarmos relevância ministerial na proclamação do evangelho. principalmente a igreja. a partir de uma conceituação teológica. as devidas respostas. o que devemos fazer. devemos avaliar as nossas convicções doutrinárias. Se esperamos ser igreja viva para cumprirmos o nosso papel no reino de Deus. sucumbe a historicidade e torna-se dependente do tradicionalismo conservador de nulidades e acalentador da nostalgia petrificante. que estabelece a nossa identidade. Aqui. I . o que realmente permite que a igreja redirecione seu foco e retome os propósitos de Deus para o seu ministério e para o cumprimento de sua missão evangelizadora. bem como a nossa declaração de visão. que nos manterá atrelados a Palavra de Deus. o que cremos. quando bem definida. Revitalizar é reafirmar tudo aquilo que é bíblico. e que determina a qual denominação nos filiar. * Missão é a definição objetiva e clara da nossa identidade como igreja local. Antes que a perda da identidade e da relevância no mundo como igreja ocorram. A primeira resposta é sobre a missão.posicionamentos doutrinários. Antes que a igreja se prostre em nostalgia e desemboque nos questionamentos que provocam a rotura que tem como fim último o desaparecimento da igreja. se não sabe ao certo o que deve fazer e se não tem noção clara das estratégias possíveis para fazer o que deve. o modelo e as estratégias para que não sejamos vitimados por uma nulidade eclesial devastadora. mas creio que devemos urgentemente buscar a revitalização de nossas igrejas. precisamos desenvolver uma genuína consciência de missão que propicie uma visão objetiva do que somos e do mundo para o qual pregamos. No nosso caso. fica mais fácil por que somos batistas e não devemos prescindir dessa 213 . os nossos objetivos e a nossa estrutura organizacional. devemos elaborar a nossa declaração de missão. cabem duas perguntas. buscando compreender o nosso corpo de doutrinas. a luz dessa missão. em Eclesiologia. e a nossa missão prática no mundo. o que é a nossa missão e qual seria. é retomar os princípios bíblicoteológicos desprezados e é reordenar a estrutura. Devemos revitalizar. independente da Denominação. quem somos. Qualquer instituição. que direcionará os nossos olhos sempre para o ideal de Cristo para a igreja. É essa consciência de missão. para a retomada dos ideais de Cristo para a igreja e a manifestação da glória de Deus em nossos arraiais. carecemos de uma reformulação da proposta de educação teológica e prosseguir repensando a denominação. é a leitura hermenêutica do traçado histórico da igreja e a constatação da situação real em que nos encontramos. a nossa visão? Vejamos. Este momento. A igreja que busca a revitalização tem o privilégio e o compromisso de prosseguir sempre vitoriosa.

a imagem futura que fazemos do lugar onde pretendemos chegar como igreja e a concepção filosófica de como vivemos como igreja de Jesus no mundo. Tomando por base o livro de Darrell Robinson. para onde direcionar os nossos olhos. Isso é ter visão. II . no afã de definirmos nossa declaração de missão. bem como uma identidade denominacional definitivamente Batista. bem como a nossa declaração de visão. Nossa visão do mundo e de nós mesmos como igreja é determinada e condicionada pela nossa consciência de missão. Precisamos ou não de revitalização? Carecemos ou não de redescobrir a nossa missão? Necessitamos ou não de restaurarmos a nossa visão? A resposta para estas questões é um altissonante e retumbante sim! Não podemos negar a necessidade de restaurarmos a nossa visão para que obtenhamos vitória de Deus no cumprimento da nossa missão. Temos um verdadeiro desafio missionário no Brasil e no mundo. Não podemos acreditar que está tudo muito bom. Negar a necessidade de revitalização é como usar antolhos históricos e eclesiológicos. Na verdade. basta olharmos para o tempo de permanência da igreja batista no País e confrontarmos com o número de membros que somamos. mas para levarmos a cabo esta grandiosa tarefa carecemos de uma previsão dotada de discernimento e alicerçada na compreensão do que deveríamos ter feito como igreja de Cristo nestes mais de 120 anos de história.identidade denominacional. buscamos nos arraiais batistas as respostas possíveis e as apresentamos no presente trabalho. mas carecemos de saber e de definir conceitualmente o que é ser batista no terceiro milênio. a partir da compreensão de nossa realidade efetiva. não tradicionalista. Um número inexpressivo se comparado a densidade demográfica verificada no censo 2000 e divulgada pelo IBGE. conforme as últimas estatísticas denominacionais. Se não sabemos quem somos. Mais de 120 anos de igreja contra aproximadamente um milhão de batistas. * Visão é. no caso de se considerar apropriada a presente propositora. Agora vejamos a resposta sobre visão. O que a CBB busca fazer com a aprovação do parecer do GT Repensando na última Assembléia convencional. não temos o que olhar ou. sequer. Nossa missão precípua é a evangelização. o que cremos e o que devemos fazer.Declaração de Missão e de Visão cabíveis para a revitalização da igreja Acreditando serem positivas as respostas às questões colocadas. Vale ressaltar a necessidade de adaptação à realidade da igreja local. que apresenta a nova análise 214 . nos deparamos com a premente necessidade de definirmos as nossas reais intenções ministeriais a fim de que adquiramos características eclesiológicas e expressão cúltica puramente bíblicas.

Temos o mesmo Senhor e Cabeça. III . para a exaltação de Cristo. cumprindo a nossa missão evangelizadora com autoridade espiritual e relevância sociocultural. após a conversão. em textos como Lucas 24. de suas doutrinas e de suas estratégias ministeriais. A nossa missão só pode ser baseada em textos como Mateus 28. que determinam a formatação missiológica designada pelo próprio Cristo para a sua igreja.44-48 e João 20.Antíteses indispensáveis para a revitalização bem-sucedida É extremamente produtivo definir a declaração de missão e de visão.bíblica dos dons espirituais no contexto Batista. Esta declaração de missão proporciona uma vida eclesiástica equilibrada e contém tudo que é essencial para o fortalecimento doutrinário. É isso que podemos deferir de textos como Mateus 16. exercendo influência ético-cristã na sociedade. ou mesmo redefini-las. essa missão promoverá relevância histórica e ministerial para a igreja. capacitando-os. incitando seus membros e sua liderança à constante renovação do entendimento de si mesma.21. Logo.18. Sobre a missão. para a maturidade espiritual e para o crescimento numérico da igreja. afirmamos que: * Nossa visão é ser Corpo Vivo de Cristo.19 e 20 e Marcos 16. como santos de Deus. se deseja cumprir sua missão. A igreja deve se permitir a uma permanente autocrítica e praticar uma continuada hermenêutica histórica. se entendemos que se faz necessário. vivendo. Com relação a visão. O tamanho da igreja é diretamente proporcional a visão que seus membros têm de Deus e ela cumpre sua missão na mesma proporção em que crê no poder de Deus ainda atuante no mundo. com todas as suas implicações. ainda tomando por base Darrell Robinson. Colossenses 1. que apresenta a igreja como poderosa e vitoriosa no embate contra o inferno. definimos a nossa declaração de missão e de visão.1-5. que apresentam a Grande Comissão delegada por Jesus e ainda. Essa visão está de acordo com os princípios do Novo Testamento e vem do Cabeça da igreja.18. coletiva e individualmente. É a cabeça que impõe a visão. a fim de que obtenhamos contundente autoridade testemunhal em Cristo. que nos posiciona como casa espiritual e ministradores do sacerdócio universal praticado em genuína espiritualidade. A imagem visual se projeta e se define a partir da construção da imagem mental que se faz. sob sua autoridade e seu senhorio. visto que desejamos estar afinados com a batistandade. e de 1 Pedro 2.15. mas este labor impõe antíteses entre o tradicionalismo da batistandade e a tradição bíblica que deve ser abraçada 215 . podemos asseverar que: * A missão da nossa igreja é evangelizar os pecadores. Jesus. Não há mistério nem inovações. Jesus.

amor exagerado aos usos antigos. no século XVII. A primeira Denominação Cristã surgida foi o Catolicismo Romano. não sabe a diferença efetiva entre uma coisa e outra. onde a palavra no original significa preceitos doutrinários e está condicionada a doutrina dos apóstolos citada em Atos 2. Na Bíblia. Muitas vezes. Tradição é ato de transmitir ou de entregar. Em síntese. É a transmissão de valores espirituais através das gerações. Em Teologia.42. a questão reside na compreensão da diferença entre o que é ser uma Igreja Tradicional ou uma Igreja Tradicionalista. Filosoficamente. lidar com estas antíteses não é nada agradável e exige uma firmeza doutrinária hercúlea e uma identidade denominacional capaz de intercambiar relacionamento sem se permitir ser influenciado. que monopolizou a igreja até o movimento de Reforma Protestante. a perda de seus membros para a igreja neopentecostal que se acampou nas redondezas. tradição consiste em sabedoria e discernimento quanto a validade das instruções e as noções religiosas transmitidas de geração para geração. Diversos líderes postergam ao máximo a decisão de iniciar a revitalização da igreja na tentativa de evitar os desgastes decorrentes destas antíteses. muitas vezes lamentando. a Revolução Francesa. até porque denominação não existia no período da Igreja Primitiva. visto que tais movimentos foram uma tentativa idealista de se devolver à Igreja Católica Romana a absoluta autoridade sobre as questões religiosas. No contexto bíblico. que são verdadeiros e que estabelecem os parâmetros e a validade do cristianismo. Filosoficamente. tradicionalismo é um mal devastador que afasta as pessoas 216 . visando preservar as crenças. vemos em 2 Tessalonicenses 2.pela igreja de Cristo denominada Batista. tradicionalismo é a defesa explícita da tradição no âmbito do espírito romântico. Em Teologia rejeita-se o tradicionalismo devido a sua origem no iluminismo e o seu ponto culminante. A doutrina dos apóstolos nada mais é do que os ensinamentos espirituais transmitidos por Jesus. no século IV.2 indicações para se preservar a tradição. Não há na Bíblia qualquer referência a tradição denominacional. ao final. É o único reconhecimento e a única garantia da verdade. visto que a maioria dos nossos membros. Tradicionalismo é aferro ou apego.15 e em 1 Coríntios 11. tradição é a herança cultural transmitida de uma geração para outra. e até mesmo boa parcela dos nossos líderes. classificando como tradição o que se entende ser verdadeiro e não necessariamente a verdade. ou seja.

Depois de se permitir a estas antíteses. A Eclesiologia trata dos postulados filosóficos sobre o ser igreja. bem como cantar hinetos ou fazer coreografias nas músicas.1-7. Terceiro. Ed Kivitz em assembléias convencionais: "Tradicionalismo é a fé morta dos vivos. utilizar bateria e guitarras. fazendo o que todas as igrejas devem fazer. As mudanças se efetivarão na expressão cúltica. nos ministérios e na proclamação. mais informal e menos eclesiástica. na educação cristã. pode-se então 217 . Tendo definido. a pergunta talvez seja. o que vai mudar realmente? A resposta não é simples e nem resumida na palavra tudo.1-13 e Colossenses 2. renunciando tradicionalismo histórico e promovendo mudanças radicais de vida nos membros da igreja. como batistas.Objetivos gerais para uma igreja de visão no cumprimento de sua missão Para que a igreja tenha a motivação correta. primeiro. visto que bater palmas. Tradição é a fé viva dos mortos". no que diz respeito a Eclesiologia. acusando-os de subjugar o povo com um fardo extremamente pesado que nem mesmo eles suportariam carregar. porém do jeito e da maneira mais apropriada para a realidade sociocultural na qual interage. Em quarto lugar. IV . nada. por que a igreja terá uma identidade denominacional e doutrinária própria. Mateus 23. como no caso do Espírito Santo. No contexto da igreja que busca a revitalização e que está disposta a se permitir as antíteses necessárias na avaliação de sua prática eclesiológica e cúltica. não são temas contemplados no estudo da Eclesiologia Batista. Os ajustes doutrinários possíveis são os promovidos pela CBB.8-15. Jesus combateu a tradição dos anciões.do ideal de Deus para escravizá-las com rudimentos humanos ou para enganá-las com sutilezas diabólicas. A igreja se tornará mais contextualizada e menos ritualista. na formação da liderança. após a revitalização. Segundo. A igreja apenas se adequará a estes ajustes para permanecer fiel a Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira. doutrinariamente. e não pela iconografia muitas vezes perniciosa. não o perfil do pastor. Marcos 7. na forma do praticar o culto. escribas e fariseus. a Declaração de Missão e de Visão. as mudanças reais acontecerão. deve-se estabelecer os objetivos gerais que a impulsionarão e que indicarão o seu modo peculiar de ser igreja viva na adoração. que será mais efetiva e sempre direcionada pelo serviço cristão. que será ajustado ao Texto Sagrado. Na verdade. que impunham ao povo 365 proibições e 250 mandamentos. nada mudará também. na comunhão. o que não se pode prescindir como Batistas. a diferença fundamental entre tradição e tradicionalismo se identifica no quadro que se segue Este quadro reflete algo que já ouvi do próprio Pr.

capacitando-os a vivenciar o quotidiano conforme o propósito de Deus. com amor extremado pelos pecadores e com entusiasmo contagiante.19-20. 4. por mais ortodoxa que seja e por melhor que seja a sua doutrina. Mateus 3.8. Tito 2. não trabalharão mais por suas próprias forças. o que nos exige um padrão ético e moral elevados. Podemos agora asseverar que os objetivos gerais de uma igreja revitalizada são os seguintes: 4.Deve-se levar os membros da igreja ao entendimento de que todos somos sacerdotes para Deus. é fator determinante na evangelização. Josué 1. Gálatas 2. não depender de campanhas ou de programas especiais.estabelecer os objetivos gerais que nortearão a eclesiologia.20. 218 . certamente. Em outras palavras.Praticar o evangelismo responsável é. Atos 1. pois representamos o povo diante de Deus. A vivência prática da fé.1-2 e 1 Pedro 3.8-9 e 28. seja em casa. despertado pela amizade e pela convivência com o cristão. mas motivar a cada cristão a uma ação pró-ativa na evangelização. À medida que os cristãos trabalharem nas igrejas conscientes dos compromissos do sacerdócio e sabedores dos seus Dons espirituais para o ministério. mesmo que tenha um conhecimento bíblico apurado.39-47 e Tiago 1. 2 Timóteo 4.45-48. mas o Espírito Santo trabalhará neles e através deles. ensinando aos membros da igreja as verdades de Deus em sua Palavra.8.14 e 15.3 Evangelismo responsável e baseado no testemunho pessoal .11-14 e 1 Pedro 2. Somente instrução bíblica com esta perspectiva pode oferecer à igreja referências claras de ensino bíblico profundo que se conciliem com uma unção incontestável na vida comunitária do cristão. com dedicação. Uma igreja.21-24.1 Instrução bíblica promotora de maturidade cristã e autoridade testemunhal Deve-se desenvolver um programa de educação cristã com embasamento bíblico sólido. Lucas 24. João 5.2 Consciência ético-cristã para o exercício do sacerdócio universal e do ministério eclesiástico . 4. a motivação da igreja revitalizada deve derivar dos objetivos gerais definidos a partir da consciência de missão e da visão alargada em seus horizontes. e uma dedicação extremada ao serviço cristão na igreja. dificilmente experimentará crescimento real se não aprender a vivenciar e a transmitir a outros a sua fé de forma pessoal e contagiante. para que quando o visitante chegar a igreja já tenha no seu coração o interesse pelo evangelho. 9-10. as estratégias ministeriais e a identidade denominacional levados a efeito pela igreja revitalizada. a expressão cúltica.14-16. no trabalho ou na rua. Vale ressaltar que a motivação da igreja deve ser a consciência objetiva quanto a missão e quanto a visão futura que se projeta do quanto se deseja alargar os horizontes do reino de Deus a partir do ministério prático da igreja. 2 Coríntios 5.

A prática do verdadeiro amor dá à igreja um brilho divino e uma alegria que se intensificam nos relacionamentos interpessoais de seus membros.Isto é a decretação do fim do preconceito e da segregação na igreja.20.18-21.17-20. Sofonias 3.45 e 4. Salmo 92.17.1. Não se pode permitir a crença em uma dispensação automática ou mecânica de bênçãos para os contribuintes. Adoração é um mistério. A igreja que vivencia este tipo de comunhão valoriza as pessoas e torna seu ministério muito mais efetivo. visto que são satisfeitas as necessidades do ser integral. Esta é a oferta que propicia bênçãos incontáveis para o cristão. bem como ao seu povo. 1 Crônicas 29. Malaquias 3. A oferta deve ser feita com fé e pela fé. É a compreensão efetiva de que todos somos um. bem como a pequenez do adorador.1-7.34-35 e 2 Coríntios 9.Isto é o entendimento pessoal de cada membro no fato de que é Deus quem nos sustenta e de que a contribuição financeira é apenas um reflexo da dedicação amorável de nossas vidas ao Senhor. É um exercício do espírito humano no encontro pessoal com Deus. Apocalipse 5.11-12. glorificamos e magnificamos ao Senhor por sua santidade e por sua ação salvífica em nosso favor.7-12.4 Adoração cristocêntrica que propicie verdadeiro louvor em culto vivo . É saber que conversão e senhorio estão amalgamados e que a insistência em não dizimar e ofertar é confissão objetiva de incredulidade. santo e agradável a Deus. motivando-nos à participação efetiva e vívida na adoração.1-4. Ageu 2. a partir da convicção de que Deus se faz presente em nossas celebrações. pois por intermédio dela o Espírito Santo ministra graça e prosperidade à igreja. É a prática da empatia e da mutualidade na consolação.5 Comunhão dinâmica vivenciada em amor.44-47 e 4. como devoção amorosa ao Senhor e à sua obra.32-35.Isto é o que nos permite libertação da preocupação escravista com a liturgia ou com os estilos. na intercessão confidente e na ministração da bênção àquele que foi vitimado pelas amputações existenciais ou pelas confrontações espirituais. 13.6-14. 4. Adorar é abrir o coração ao amor de Deus e render a nossa vontade aos propósitos dele.8 e 15.6 Fidelidade voluntária e incondicional na consagração de vidas e no sustento financeiro da obra . Atos 2. Romanos 12. Atos 8. 4. Atos 2. com o patrimônio ou com a conta bancária. Romanos 12. 2 Coríntios 1.12-17.19-25 e 1 João 4.7 Crescimento integrado da igreja a partir do equilíbrio entre quantidade e qualidade . Hebreus 10. no qual cantamos.Isto é o mesmo que dizer que não se deve estar preocupado com o número de membros no rol. É a igreja se tornar sensível à ação do Espírito Santo que a guiará na exaltação a Cristo e na ministração de um culto vivo. Colossenses 3. Não se pode comprar o Dom de Deus. Isaías 38. A 219 . sinceridade e alegria produtiva .3-5.9-18.4. A verdadeira adoração nos conclama a declararmos a superioridade absoluta de Deus.8-9.10-17. devemos compreender que a dedicação de vidas expressa na fidelidade nos dízimos e ofertas é um fértil meio de graça na igreja. 4. Em vez de encararmos a contribuição como uma obrigação desagradável e penosa.

9 Constante autocrítica e permanente avaliação do contexto histórico.Neste objetivo reside a probabilidade de vitória. sem receios da crítica mordaz da batistandade. 220 . Tito 2. bem como saúde e maturidade espirituais na prática efetiva do fazer igreja.20-23. um palacete pastoral. o arcaísmo dos estratagemas.9e Apocalipse 2. é necessário substituí-los ou desmascará-los a luz da Palavra de Deus.Isto é o mesmo que dizer que a igreja deve querer ser batistas. o embotamento das idéias e o esvanecer dos ideais. 1 Pedro 2. Sempre que o tradicionalismo denominacional se sobrepõe a doutrina bíblica ou que o tradicionalismo histórico se torna ineficiente diante dos propósitos de Deus. A maior contribuição que a igreja tem para oferecer ao mundo é o evangelho de Cristo e seu poder libertador. Mateus 26. Colossenses 2. Levítico 19.3 e 1 Coríntios 11. Se para ter dez mil membros. Atos 2. Deve-se querer ser batista. a luz da Palavra de Deus.28-32. Mateus 10.15. e entre o saber e o fazer. o que nos exige uma reflexão crítica sobre o denominacionalismo a luz da Bíblia Sagrada. não dando atenção às questões mais profundas que afetam a humanidade em decorrência do aviltante paradoxo entre o ser e o ter. 4.5-9. uma catedral.8-10 e 2 Tessalonicenses 2.11-15. do que se faz e de como se fazem as coisas. mas deve-se desejar também que a Palavra de Deus seja a única regra de conduta. mas principalmente deve querer a liberdade para praticar os ensinamentos da Palavra de Deus.8 Identidade doutrinária e denominacional definidas a partir do Texto Sagrado e não pelo conservadorismo histórico ou tradicionalismo . bem como a mortificação da consciência cristã no fazer igreja. por isso. porém.46-47 e 9. Salmo 15. A constante autocrítica e a avaliação permanente exigirá uma continuada revitalização. mesmo que para isso se tenha que renunciar a história. uma frota de veículos e uma equipe ministerial bem remunerada tivermos que prescindir da ética cristã e do embasamento bíblico continuaremos pequenos e pobres. Atos 2. um edifício anexo moderno e funcional. fiéis ao Senhor Deus. outorgando cognição no pensar a igreja.31. 4. da expressão cúltica e da estrutura organizacional .41-42. Marcos 7.1-5.19-21. Romanos 12. evita-se a petrificação das estruturas.preocupação certa é com a qualidade da vida espiritual dos membros da igreja. A Declaração Doutrinária dos Batistas preceitua que a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática. Evita-se a tradicionalização suicida da igreja. que se reconhecer erros doutrinários historicamente defendidos ou que se quebrar alguns paradigmas denominacionais. mas que não aceita um doutrinismo antibíblico.7-10. jamais haverá crescimento verdadeiro na igreja se nos aprisionarmos ao poderio concedido pelo número de membros no rol ou pelo saldo financeiro e patrimonial. Quando se estabelece a autocrítica e a constante hermenêutica da própria realidade.

evangelismo. h) Qual a periodicidade da avaliação. se pretendemos relevância testemunhal e autoridade espiritual no cumprimento da nossa missão.37-40 e Mateus 28.A prática constante da autocrítica e da interpretação investigativa dos comportamentos da igreja revitalizada permite o desmascarar as vacas sagradas. Pode-se inovar no fazer igreja sem se alterar a essência do ser Igreja. São estes os mesmos propósitos que devem ser perseguidos e praticados pela igreja que busca revitalização. b) A expressão cúltica que será praticada. como denomina George Barna. é impossível levar adiante a revitalização da igreja que carece de resgatar sua identidade doutrinária e denominacional.37-47. para que se defina o seguinte: a) O tipo de igreja que se pretende ser. estrutura ou idéia que esteja fora do alcance de uma avaliação justa e alinhada com o propósito de Deus para a igreja. deixo como sugestão a realização de estudos amplos e de debates francos. programa. o que fará da igreja revitalizada uma grande igreja. Atos 2. negando-se a um processo de avaliação justo e construtivo. c) O referencial de ética que a igreja perseguirá.10. o presente trabalho visa embasar a assertiva de é que possível promover a revitalização da igreja de maneira bíblica. é prova inconteste de sua vulnerabilidade à deterioração e à petrificação motivadas pela maldição da negligência preceituada em Jeremias 48. f) O padrão de relacionamento interpessoal e de comunhão que se desenvolverá. Não há pessoa. Atos 2. voltando a sentirse uma Igreja Viva que proclama a salvação e a libertação em Cristo em meio a esta geração corrompida e perversa.40. Sem tais definições. d) O tipo de mensagem que se proclamará. se há comprometimento com o Grande Mandamento e com a Grande Comissão. A insistência de uma igreja em não se submeter à autocrítica e à hermenêutica imparcial. identificamos nestes nove objetivos gerais os cinco propósitos eternos de Deus para a igreja. ministério e comunhão. porém respeitosos. Estes propósitos sintetizam o Grande Mandamento e a Grande Comissão de Jesus para a igreja. Conclusão Finalizando esta proposta de trabalho com vistas a revitalização da igreja. Tudo o que somos e fazemos como igreja deve estar aberto à análise e à crítica. seguindo os preceitos de 221 . discipulado. e) O nível de compromisso exigido dos membros da igreja. g) O método de evangelização que será usado. conforme Mateus 22. que foram praticados de forma efetiva e vitoriosa pela Igreja Primitiva. penso. Conforme ressaltamos anteriormente. Na verdade. que são: louvor.19 e 20. independentemente da tradição denominacional.

que somente a igreja pode desenvolver. visando seu crescimento numérico. O relato bíblico nos incentiva a perceber a dialética inevitável e continuada entre a identidade eclesial e o chamamento para a missão. de romper as fronteiras e de alargar seus horizontes. em sua igreja e em nossa denominação. 222 . de discipulado biblicamente instrutivo. bem como um método prático para se introduzir as mudanças necessárias para a contextualização da igreja. A diferença básica entre o ser e o fazer igreja e uma denominação reside na comunhão com Cristo. Finalmente. santo e agradável a Deus. se considera-lo procedente e biblicamente correto. seja despertado por Deus para os nove objetivos aqui propostos. Pense em tudo isso e ore pedindo a Deus discernimento espiritual e direcionamento para a decisão que você precisa tomar juntamente com a sua igreja para a revitalização. Não existe Eclesiologia. Por isso. juntamente com sua igreja. o fazer igreja. alguns princípios fundamentais de revitalização da igreja local. desejo ressaltar que a igreja. nenhuma igreja que afirme compromisso de missão conforme os postulados bíblicos e o mandamento de Jesus pode esquecer que o cumprimento da missão acontece em meio a difícil dialética entre o conservar a identidade doutrinária e o renunciar a tradição histórica. de sacerdócio universal e de comunhão dinâmica em amor. porque acreditamos que cada caso é um caso. entre o ser e o fazer igreja. Corpo Vivo de Cristo. do ser igreja. como Corpo Vivo de Cristo. Amém. não é mera sociedade de pessoas humanas. dissociada da Cristologia. Permita-se a Deus e ao Espírito Santo para que estes objetivos sejam realidades efetivas em sua vida. Pois estas são as características distintivas da igreja de Jesus Cristo no Texto Sagrado. Sejamos Igreja. Não critique ou refute sem estudar e orar. Trabalhe para que você.Jesus e desenvolvendo uma perspectiva correta de renovação espiritual e eclesiológica. jamais compreenderemos o que realmente significa ser o povo de Deus que em Cristo é chamado para as boas obras. isto é. de modo prático (assim esperamos). Abrace este projeto. leve a sua igreja entender o que é e a desejar a revitalização. Uma igreja verdadeiramente viva e motivada pela missão não tem receios de ultrapassar barreiras. Não se pode ter fobia de evangelismo responsável. de quebrar paradigmas. Parte XXXV UM PROJETO DE REVITALIZAÇÃO PARA A IGREJA LOCAL O presente trabalho é uma tentativa de se apresentar. As denominações são expressões sociológicas. Não se pode ter medo de se praticar culto vivo. a nossa intenção não é lidar com modelos de igrejas propriamente dito. Se considerarmos apenas a tradição histórica e os pressupostos denominacionais para sermos e fazermos igreja. mas nos basearemos em princípios gerais e em nossa experiência pastoral. Como ficará evidente.

1. mas não sabem como fazer. Os resultados serão simplesmente surpreendentes! Os líderes de igrejas que crescem concentram seus esforços em capacitar outras pessoas para ministérios específicos. Sendo assim. Um líder não é capaz somente pela sua boa reputação dentro e fora da igreja. Em vez de fazer a maior parte do trabalho. Schwarz. esses líderes investem a maior parte do tempo na formação de novos líderes através do discipulado e do compartilhamento de tarefas. Um pastor centralizador compromete seu ministério e o futuro de sua própria igreja. Eles capacitam. Confie no potencial de seu rebanho. motivam e acompanham a todos individualmente para se tornarem aquilo que Deus tem em mente. como revitalizar uma igreja cuja liderança está cansada e os liderados insatisfeitos? Em nossa pouca experiência temos aprendido que o segredo do sucesso está no investimento. Pelo contrário. trocando os "irrecuperáveis" por novos. O pastor precisa delegar e distribuir tarefas. Invista-se na liderança e na formação de novos líderes e a igreja como um todo reagirá positivamente. Mas também é preciso que ele capacite e equipe novos líderes. Quando fui pastor em uma das igrejas da Grande São Paulo. que por sua vez capacitem e formem outros líderes. pude perceber um pouco da força do que acabamos de dizer. Existe boa literatura sobre administração eclesiástica que ajudarão o pastor neste empreendimento. Aos poucos (ir devagar é fundamental quando se chega em uma nova igreja) fomos renovando a junta diaconal. Pegamos uma junta diaconal debilitada e sem muito compromisso. Líderes capacitadores formam colaboradores. a energia investida por eles pode multiplicar-se quase infinitamente. A. a pirâmide de autoridade é invertida: os líderes ajudam cada cristão de sua igreja a chegar à medida de plenitude intencionada por Deus para cada um. a saber. p. descobrem como esse aspecto leva ‘por si mesmo’ ao crescimento" (C. O crescimento natural da igreja. 23). Investimos na nova liderança. Um pastor que pretende levar a carga sozinho não conseguirá ir muito longe. apóiam. A REVITALIZAÇÃO DA LIDERANÇA Não são poucas as igrejas que conhecemos que nos obrigam a fazer uma inevitável pergunta: "Onde está a liderança?". Para isso. o que é deveras significativo. A pessoa do pastor é fundamental para a formação de uma liderança capaz e capacitadora. viajamos com eles para 223 . Uma das funções do pastor é equipar os santos. e não meros "ajudantes" ou "marionetes" com o intuito de alcançar seus próprios interesses. Assim. receber novas orientações. ensine sua igreja a fazer. a liderança deve ser constantemente revitalizada. Pastor. a fim de contribuir na formação de novos líderes. O que não falta nas igrejas são pessoas que querem trabalhar. Investir na formação de uma boa liderança é garantir o sucesso da igreja local. a varonilidade do Corpo de Cristo. "Líderes que se vêem como instrumentos para capacitar outros cristãos e levá-los à maturidade espiritual.

Tem que ser trocada. sem que haja frustrações no futuro? 1º) Os ministérios devem ser orientados pelos dons Acredito que muitos dos problemas de uma igreja. Aos poucos. 2) Tem muita gente nova na igreja que daria um bom líder.um encontro de diáconos no Rio de Janeiro. Existem bons livros que poderão ajudar na formação de ministérios orientados pelos dons. Os diáconos reconquistaram a credibilidade da igreja. Campinas: Luz Para o Caminho. como veremos adiante. 224 . 1997. Meu ex-professor. Será que o resultado da pesquisa seria diferente se fosse feita com 1600 cristãos ativos nas igrejas do Brasil? Acredito que não e digo por quê. verdadeiramente revitalizada. e pude constatar que o resultado da pesquisa não foi diferente. Minha proposta é: 1) Quando uma liderança está "viciada" é preciso ser trocada. Knight. se todos os membros da igreja descobrissem e usassem seus dons ministeriais. disse acertadamente que "o maior fenômeno de revitalização na igreja é o crente novo". é fundamental que os ministérios sejam orientados pelos dons. Mas como preparar uma liderança capaz e capacitadora. ou até mesmo não existiriam. descobrimos que 80% deles não sabem os seus dons espirituais". quer sejam de ordem espiritual. Orlando Costas (Compromiso y misión. p. na Europa. a meu ver. Revitalização nem sempre significa tentar recuperar o que não tem jeito. É perda de tempo. só é possível quando os membros de uma igreja estão no lugar certo. Mudança também é revitalização. Existe muita gente boa no ministério errado. Além de outros fatores indispensáveis para o crescimento da igreja. quer sejam de ordem administrativa. 62) acertou quando disse que "o crescimento da igreja depende de uma eficaz mobilização de seus membros". E ele sabia o que estava dizendo porque levava isso a sério nas igrejas que pastoreava. recebemos orientações específicas de líderes de juntas diaconais que estavam dando certo e em pouco tempo a junta diaconal de nossa igreja se tornou uma das mais atuantes da Grande São Paulo. Ministrei sobre o tema na região sul do País durante quase um ano. mas precisa ser trocada. no ambiente de fala alemã. Schwarz. Schwarz faz uma declaração alarmante: "De uma pesquisa que fizemos com 1600 cristãos ativos em suas igrejas. Curitiba: Editora Evangélica Esperança. O que seria daquela igreja se todos os setores fossem revitalizados? Infelizmente não foi possível continuar ali para ver os resultados. Novos líderes devem ser formados a partir de seus dons. seriam resolvidos com mais facilidade. e a mesma se colocou à disposição para ajudá-los no que fosse preciso. Dr. 1994 e O teste dos dons/Christian A. Geralmente não vale a pena tentar recuperá-la. Elias Dantas. E esta "mobilização". Em português há pelo menos dois que recomendo: Quem é você no Corpo de Cristo?/ Lida E.

daqueles que confundem inovação com inovacionismo. a fim de tornar eficiente a vida espiritual do povo de Deus. não funcionais. daria o ponta pé inicial do discipulado? Como pastor. Duas coisas. orientar e superintender as atividades da igreja. já não têm nenhum valor prático. por uma simples razão: Uma das principais atribuições do pastor é instruir. São Paulo: Abba Press. Mas nem sempre é tão simples assim. Infelizmente. Um discípulo deve ser preparado para discipular e formar novos discípulos. O segredo do sucesso está num trabalho de conscientização sério e paciente. entendo que os próprios pastores deveriam iniciar o processo de discipulado. 1995. E quem. À primeira vista parece fácil mudar aquilo que se tornou obsoleto. Para um estudo interessante deste tema sugiro a leitura do livro Quebrando Paradigmas/Ed René Kivitz. é a preparação que visa o crescimento espiritual do discípulo e nada mais que isso. Isto sim é bíblico. portanto. indicando um jeito de ser. Por uma questão de prudência e respeito com aqueles que não pensam como nós. são necessárias para que as estruturas de uma igreja se tornem funcionais. por assim dizer. Toda ovelha deve ser preparada para produzir outras ovelhas. são aquelas estruturas enrijecidas pelo tradicionalismo e. Às vezes é preciso coragem para quebrar paradigmas que não funcionam mais e que. e até decréscimo na membresia de algumas igrejas. pelo menos. 1º) A quebra de paradigmas Paradigma é uma palavra de origem grega que significa "modelo" ou "padrão". portanto. Os paradigmas podem ser definidos como "verdades" que se fixaram na mente. Para isso preparou seus discípulos. viver ou fazer as coisas. Os discipuladores não devem perder isso de vista se realmente desejam formar líderes capazes. pois foi a tônica do ministério terreno de Jesus. A ênfase da Grande Comissão foi: "fazei discípulos".2º) Formar discípulos para serem discipuladores O discipulado que gira em torno de si mesmo está fadado ao fracasso. em termos de discipulado. <B< ECLESIAIS ESTRUTURAS DAS REVITALIZAÇÃO A> O que muito tem contribuído para o não crescimento. é 225 . A preparação de um discípulo que não tem como objetivo a formação de outros não é bíblica. o que temos visto na prática. que por sua vez discipularão e formarão outros e assim sucessivamente. Primeiro é preciso mudar a mentalidade dos acomodados e principalmente dos saudosistas. a boa tradição com tradicionalismo.

Para se evitar isso é preciso lembrá-los constantemente da importância da igreja local para com a obra missionária no mundo. a fim de serem revitalizadas e. 1º) Um exemplo que deu certo Aprendi com um colega de ministério a separar um domingo por mês para falar de forma mais específica sobre a importância da igreja local em missões. Segundo testemunho de irmãos antigos (que a principio foram relutantes). etc. Prove! 2º) Uma questão de obediência e prioridade A experiência nos ensinou que evangelizar não é uma opção de vida de uma 226 . de Edison Queiroz. O Domingo Missionário. Entendíamos que separar um domingo por mês para missões era o mínimo que estávamos fazendo. Por meio de um processo constante de avaliação e renovação. desse modo. horário e duração do culto inadequados. como era chamado. o livro Igreja local e missões. pode ser muito bem aproveitado. aberto e amigável é a chave do sucesso. E não poderia ser diferente. conceitos desmotivadores de administração das finanças. não será por meio de decreto conciliar que conseguiremos qualquer êxito. mas progressivamente. o surgimento de estruturas enrijecidas é evitado em grande parte. A REVITALIZAÇÃO DO COMPROMISSO MISSIONÁRIO Com o passar do tempo os membros de uma igreja local tendem a esquecer-se de seus compromissos missionários. Mas isso não aconteceu de um dia para o outro. Um diálogo franco. Algumas coisas podem ser citadas como exemplos do que não devem passar pelo teste de qualidade de uma igreja local: liderança inibidora. Foi preciso um trabalho de base. As idéias e conceitos devem ser amadurecidos no meio da comunidade. todas as demais áreas são abençoadas por Deus. servirem melhor o organismo.preciso que os paradigmas sejam quebrados aos poucos. Quando uma igreja se envolve com missões. aquele foi um dos períodos mais abençoados na vida daquela igreja. inclusive a financeira. sem atropelos. a igreja orava por missões e contribuía financeiramente com a obra missionária. Neste caso específico. Uma coisa aprendi em meu ministério pastoral: Se a igreja não "comprar" a nossa idéia. Tudo que não contribui para esse objetivo deve ser mudado ou eliminado. O ideal seria todos os domingos. 2º) Testes de qualidade As estruturas da igreja devem ser constantemente testadas por sua liderança. 3. Mesmo assim foi gratificante. era dedicado às missões. Pregávamos sobre missões. de muita conscientização e investimento que valeram a pena.

um culto inspirador. Por outro lado. nação santa. O ponto de partida será o parâmetro bíblico e o contexto da igreja local. porém. com a graça de Deus. certamente produzirão novo alento. Sermões e estudos bíblicos missionários. Uma vez que o mal foi detectado é necessário que seja combatido com atividades variadas. Isto é. Vejamos alguns exemplos de como a igreja poderá revitalizar sua visão missionária. a igreja nunca deve deixar se levar pela prática do paternalismo e assistencialismo paliativos. Entretanto. fechada em quatro paredes. além do auxílio de associações evangélicas e agências missionárias. para a honra e glória de Deus Pai. é preciso reconscientizar a igreja de sua missão no mundo. O que está "matando" muito crente novo (que desperdício!) é a igreja não-funcional. Em segundo lugar.9). Conclusão: Mais coisas poderiam ser ditas como parte integrante de um projeto de revitalização para a igreja local. excelência maior de seu chamado.igreja local. as estruturas da igreja sendo funcionais e o compromisso missionário revitalizado. naturalmente resultarão em novas realizações. a espiritualidade contagiante da igreja local com relacionamentos marcados pelo amor fraternal. evangelizar não é simplesmente distribuir folhetos como alguns pensam. Geralmente a frieza por missões acontece por causa da rotina. do indivíduo e da sociedade. mas a própria vida de uma igreja local. entendemos que a formação de uma liderança capacitadora. A igreja local precisa resgatar sua visão missionária. mas sim. é sinal que ela tem potencial para fazer. Se a igreja chegou a se empolgar com missão algum dia. sois raça eleita. sacerdócio real. A igreja deve ser redirecionada. mas sempre partir para uma ação social transformadora. como por exemplo. Etal e Atrás do Sol. é preciso conscientizá-la de que ela está no mundo para servir o mundo integralmente. atender o indivíduo na totalidade de suas necessidades. filmes específicos como por exemplo As Primícias. é importante que a igreja saiba que sua missão no mundo é integral. povo de propriedade exclusiva de Deus. Parte XXXVI UMA IGREJA RENOVADA TEXTO: ROMANOS 12: 1-2 227 . Além disso. que se limita a suas atividades internas. 3º) Revitalizando a missão integral da igreja local Como revitalizar uma igreja que começou com tanta empolgação para fazer missões e de repente esfriou? Em primeiro lugar. a formação de grupos familiares ou células. a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz" (I Pe 2. o que fez antes. etc. como bem declarou o apóstolo Pedro: "Vós.

A comunicação se processa através de três elementos básicos: a .mensagem b . 01. 02. O grande fator de dispersão que a enfraquece é a falta de uma boa comunicação entre seus membros.serviço 1.um espírito de concorrência 228 . das pessoas e da igreja em se transformarem.2 . 1.1 .contestação da vontade de Deus c . .2 .Diakonia . TRANSFORMANDO A NOSSA RELAÇÃO Este processo ocorre através da prática de quatro princípios bíblicos: 2.este princípio visa dar a todos a mesma chance de trabalho. Leon Tolstói: "Todos pensam em mudar a humanidade e ninguém pensa em mudar-se a si mesmo". Um membro não pode inibir a ação do outro. TRANSFORMAÇÃO ATRAVÉS DA COMUNICAÇÃO A igreja não sobrevive sem uma comunicação interna.A quebra deste princípio provoca: a . .desvalorização do membro b .Kerigma . Quando isto ocorre todo o corpo é prejudicado. Transformação é o segredo de um organismo vivo.Koinonia . Para que ela produza resultados positivos é necessário que o membro exercite a Koinonia e a Diakonia.João 13: 12-17 A mensagem Kerigma .desequilíbrio em todo os sistema b .comunhão c .Encurtando as distâncias . .desperdício de forças 2.Princípio da oportunidade .1 .cada membro tem a sua função. das pessoas e também da igreja é a de se adaptar ao curso da história.1 Coríntios 12: 15-16 . Esta adaptação só se viabiliza mediante a disposição do mundo. Um membro não deve aspirar o lugar do outro.não funciona isoladamente.1 Coríntios 12:17-18 .PROPÓSITO: Uma das maiores necessidades do mundo.Princípio da integralização .A falta de oportunidade produz: a .Ilust.afastamento dos outros membros d .

na maioria. idosos e jovens.2 Coríntios 13:5 .todos os membros devem participar das atividades que os demais realizam. Paulo faz recomendações. saudações e votos. 229 .Disciplina na prática da liberdade .Disciplina na prática de ouvir e falar .Disciplina na prática da fé . ocorre: a . São saudações individuais a vinte e seis pessoas e a cinco famílias.Disciplina na prática do amor .Disciplina na prática do tempo .uma anemia espiritual 2.Marcos 11:25 .enfraquecimento de todos os demais membros b . É uma esclarecedora lista de como a fé evangélica se havia espalhado entre todas as classes sociais.A igreja precisa ser a autora e não a espectadora no processo de mudanças. Mostra como aquela comunhão de fé na cidade de Roma era formada de gente de várias nacionalidades. são.a unidade é a fonte geradora de toda a energia.Colossenses 3:17 .3-16 No último capítulo da Carta aos Romanos.1 Coríntios 12: 25-26 .3 .o egoísmo passa a predominar nas relações c . Das pessoas mencionadas. A independência enfraquece o corpo.Efésios 5:15-16 .0 . nobres.Quando este princípio é quebrado. escravos. a igreja perde a sua função.Disciplina na prática do perdão .Disciplina na prática das ações . mobilidade e harmonia do corpo.Princípio da dependência . Ela foi criada para ser o instrumento de Deus na transformação da sociedade. João 17:23 3. Fp 4. Há uma mistura de judeus e gentios. homens e mulheres. No entanto.TODA TRANSFORMAÇÃO EXIGE DISCIPLINA PESSOAL 1 Coríntios 9:25 . libertos e escravos.João 8:47 .1 Coríntios 12: 21-22 . grupos de pessoas ou "igrejas no lar". Treze dos nomes aparecem em inscrições ou documentos que tem a ver com a nobreza e com o palácio do imperador naquela cidade (cf.4 . pelo menos oito são mulheres.a arrogância quebra a linha de comunicação 2.Princípio da unidade . Sem ela.Gálatas 5:13 .João 13: 35 Parte XXXVII UNIDADE NA VARIEDADE Romanos 16.1 Timóteo 5:22 .c . .Disciplina na prática da santidade .22). Para isto o exercício da disciplina é imprescindível. .

6) foi a que "muito trabalhou por vós". e gente que vem do paganismo. de Herodião (v. graciosa · Urbano = criado na cidade. há nesta passagem uma visão da intensa vida da Igreja-dosPrimeiros-Dias.8) e Urbano (v. já o dissemos. exatamente nos termos de Efésios 2. As saudações não são longas. 3. gente que vem de um profundo contexto espiritual. Há judeus e há gentios. Para Epêneto (v. Os judeus.procedências e estratos sociais. vemos que os tipos são tão diferentes que só um milagre chamado evangelho pode explicar a interação naquela comunidade de fé. como o muro de separação entre judeus e não-judeus fora derrubado. Há homens e há mulheres. Estáquis.7). A relação de nomes é de altíssimo significado.4): "meus cooperadores em Cristo" e "pela minha vida expuseram as suas cabeças" .14. e examinando-os com alguma análise. Era o caso de Priscila e Áquila (v. Escravos: Ampliato. Flegonte. erudito · Flegonte = ardoroso · Hermes = intérprete (daí a palavra hermenêutica. e.11).16 (cf. Maria (v. Pérside e Hermas. obstinada") · Nereu = molhado · Olimpas = descido dos céus · Pátrobas = vida do pai · Priscila = venerável · Trifena = delicada · Trifosa = mimosa.3). Gl 3. "meus companheiros de prisão" e "bem conceituados entre os apóstolos".28). Registra. Há romanos: Ampliato (v.6). A COLORIDA VARIEDADE Como já enfatizado. ainda. pelo menos. Há ricos e há pobres. cheias de gratidão e plenas de amor: Em relação a Prisca e Áquila (vv.9). Andrônico e Júnias são "meus parentes". O significado dos nomes é igualmente muito interessante: · Áquila = águia · Asíncrito = incomparável · Epêneto = louvado · Estáquis = espiga · Filólogo = falador. de Maria (v. um grego.10). de Andrônico e Júnias (v. Epêneto.5b): "meu amado" e "primícias da Ásia para Cristo". 230 . Urbano. mas são muito expressivas. a arte da eloqüência) · Júlia = juvenil · Maria = bela (alguns traduzem como "teimosa. de Apeles (v. No verso 7. ou seja.

de acordo com o costume oriental de assim chamar uma senhora mais idosa. E se não há o alicerce de Jesus Cristo. a humilhação daquela manhã em Jerusalém (cf. Um estudioso do Novo Testamento diz que não há no Novo Testamento um casal mais fascinante que este. porque Priscila é o diminutivo de Prisca (cf. Aliás. Se assim ocorreu. 10) é denominado "aprovado em Cristo". Há quem admita ser Rufo filho de Simão. Mas a verdade é que é muito difícil viver em comunidade. que gente extraordinária são os pais de Rufo: o pai carregou a cruz de Jesus Cristo. enriquecedora. o casal o acompanhou (At 18.2. em concórdia. e Pérside. o grande apóstolo aos gentios. Diz ele que o estilo de vida que acontece na igreja é um privilégio. mas não como irmãos no Nome de Jesus Cristo. Rufo é o "eleito no Senhor". aplicando-as à bênção de Deus que se chama Igreja. No verso 13. Livila. de sua mãe. Apeles (v. no 9.No verso 8. tenuíssima e fragílima 231 . É possível. gente que enche os bancos da igreja. que. Era um casal devotadíssimo ao apóstolo Paulo.23) Tinham a mesma profissão de Paulo. veterana senhora.21). Dietrich Bonhoffer usa as expressões "dom de uma vida comum" e "dom da adoração em comum aos domingos". Pérside ("natural da Pérsia") e Maria são pessoas que não se entregam.26). o cireneu que carregou a cruz de Jesus compartilhando com Ele a dor.32. Eram avançadas na idade. Outra história interessante é a de Rufo. até. 1Co 15. que significa "trabalhar até o cansaço" A UNIDADE Não é fácil viver em unidade. MEMÓRIAS Há algumas histórias por trás das lembranças de Paulo. Drusila e Lívia. morou com eles. A história de Prisca e Áquila. Ampliato é "meu amado no Senhor". At 18. Paulo usa uma palavrinha que diz isso: kopian. Pois é. Muitos problemas afloram porque nossos irmãos em Cristo (em quem corre o mesmo de Jesus nas veias) são tratados apenas como outras pessoas. a ponto de sofrerem perigo de vida (cf. Drusa. torna-se amarga e. Eu escrevi Prisca? Prisca ou Priscila? Dá no mesmo. o maltratto. At 19. que Priscila pertencesse a uma família da nobreza romana. E passando ao verso 13. no verso 12. como Lucia faz Lucila. Mc 15. e Áqüila fosse um judeuda Ásia menor setentrional. abençoadora. mãe de Rufo. As duas idosas irmãs em Cristo têm histórias não contadas no texto. Paulo chamou à senhora. Quando Paulo deixou Corinto indo para Éfeso. essa experiência que deveria ser abençoada. em certos casos. por um tempo. o relacionamento humano é uma teia delicadíssima. traumatizante.18). 18. nosso Salvador. e a mãe "adotou" Paulo. as irmãs Trifena e Trifosa são as que "trabalham no Senhor". e incansáveis no trabalho. é amada" e "muito trabalhou no Senhor". Urbano é "nosso cooperador em Cristo"e Estáquis é chamado de "meu amado".

mãe e filhos). na confiança. para evitar toda e qualquer conotação maldosa. no verso 13. sua mãe e sua irmã. também. É digno de observação que as mulheres são significativamente proeminentes na vida da Igreja de Cristo. mas que se fortalece quando está fundamentada no respeito. Priscila e Áquila foram pessoas que mantiveram aberto o coração.2). Havia casos em que pequenos grupos se reuniam em uma casa. a ponto de quase serem mortos. Paulo.6).11. "ósculo santo". mas não entre os romanos. havia. 2Coríntios 13. no querer o bem. Paulo usa a palavra "santo". fez uma significativa afirmação ao dizer que será um dia glorioso quando os cárceres forem transformados em púlpitos. de Filólogo. Equivale. No Novo Testamento. então. o casal amado. na honestidade. 1Co 1. um tom de homenagem (Gn 29. Paulo recomenda uma saudação muito comum no Oriente Próximo ainda hoje: o beijo (cf. Gn 29.8. Fm 2). Cl 4. Temos membros de uma mesma família fazendo parte com outras famílias de uma mesma família de fé. 1Tessalonicenses 5. Aqui temos Priscila e Áqüila. na tolerância. famílias inteiras eram batizadas (cf. mães e todas executando um admirável ministério na Causa do Senhor. 33. 5a). Paulo saúda a irmã na fé chamada Maria.um sinal de amor.14.44-48. 16.16.19. Aceitação de uns pelos outros (v.7). nosso ex-professor. não o entende só como sinal de amizade.26 e 1Pedro 5. At 10. Desde o princípio desta genuína e profunda amizade. É o caso de um núcleo que tinha seus encontros na casa de Áquila e Priscila (v. Além de ser um sinal de afeição entre parentes. Júlia..1). 33330-34. Por outro lado.20. 1Sm 10. recebendo do apóstolo o reconhecimento pelo modo através do qual compartilharam de suas lutas. Era.48). abertas as mãos. o relacionamento humano e cristão é dinâmico. O Novo Testamento menciona que. PRECIOSAS LIÇÕES Sacrifício de uns pelos outros (vv. e aberta a porta para a expansão do nome e reino de Cristo Trabalho pelo bem comum (v. em muitas ocasiões. poderoso e incentiva o crescimento pessoal e da Igreja como um corpo.15. pai. casadas. ele fala dos "da casa de Aristóbulo". Na verdade. um ato de fraternidade entre os semitas. porém. no bem-querer e nas atitudes de boa vontade.12. Nereu e sua irmã (provavelmente. no verso 11.11. Dr. 16.que pode se romper com coisas mínimas e minúsculas. Nesta lista há solteiras. de Rufo. 18. 232 .4.é um sinal de amizade e saudação (Mt 26. Paulo até o menciona. o costume já se havia difundido nas igrejas conforme atestam os seguintes exemplos textuais: 1Coríntios 16. 16). v. nem como uma ordenança ritual. lembremos. e no verso 15. "os da casa de Narciso". Ct 1. Alguns foram companheiros de prisão do apóstolo (cf. viúvas.15. 3-5a). Dale Moody. No verso 10.

no fim de todos os caminhos. Não impeça o outro de viver a sua. Devemos buscar a comunhão. É ele quem põe um ponto final nas divisões. Fala de uma abordagem sistêmica. Que cada um de nós sinta e viva as dificuldades dos outros. Além de todas as buscas. Que olhemos para cada um.4). Com os Teus olhos e nos amemos com o Teu coração. nós Te pedimos: Que nos conheçamos sempre melhor Em nossas aspirações e nos compreendamos Mais e mais em nossas limitações. Será preciso lembrar que o primeiro aspecto do fruto do Espírito é o Amor? Por ele. E que. mas uma há uma comunhão o dedo e o fígado de alguém. O amor é o começo do crescimento espiritual. É recomendação perfeitamente pertinente porque nenhum dom espiritual. Não haja vencidos nem vencedores. Mas nos unam na busca da verdade e do bem. pois é vital para a saúde espiritual da igreja e do crente como indivíduo. dissabor e desânimo do próximo. aberta e sensível Aos problemas de cada um. desenvolve-se a compreensão e o ministério do ouvido amigo. Que cada um de nós. Assim é: "Todas as vossas obras sejam feitas com amor". É preciso lembrar que avivamento e comunhão andam de mãos juntas. um cordial "Bom dia!" É preciso recuperar o significado da comunhão. a um fraternal abraço e aperto de mãos. Que nossas diferenças não excluam ninguém da comunidade. Mas seja disponível. que regenera o interesse. Há uma recomendação do apóstolo que é apropriada para encerrar esta reflexão. Senhor. e depois de cada encontro. a perna e o coração porque corre um sangue vital. manifesta-se a humildade (Rm 12. Pode não parecer. nos aproximar de alguém. Mas somente irmãos. Que a nossa fraternidade não se feche em si mesma. a solidariedade e a fraternidade de uns pelos outros. nenhum desejo de unidade ou de comunhão é coisa alguma sem o amor. Encontra-se em 1Coríntios 16. Que nossas discussões não nos dividam. ao construir a própria vida.em nossa cultura. comunhão (koinonia) é uma das grandes palavras do Novo Testamento. Aliás. Amém! 233 . Que ninguém fique alheio aos momentos De cansaço. Assim seja.14b: "Fazei todas as vosss obras com amor". Oração Senhor. faz desaparecer o orgulho.

provavelmente um africano e supostamente ninguém menos que Simão Cireneu. filho de Herodes o Grande. A população cosmopolita de Antioquia se refletia nos membros de sua igreja e até mesmo em sua liderança. Filipe através de sua evangelização ousada junto aos samaritanos e ao etíope. Foi quando eles estavam "servindo ao Senhor. Algumas perguntas precisam ser respondidas. através do apóstolo Pedro. de Herodes Antipas. nem se todos os cinco exerciam ambos os ministérios ou se os primeiros três eram profetas e os últimos dois mestres. em grego chamado o "syntrophos" de Herodes o tetrarca. que carregou a cruz para Jesus. natural de Chipre" (Atos 4:36). Ele só nos dá os seus nomes. e a de Cornélio. finalmente. O primeiro era Barnabé. Lucas não explica a diferença entre esses ministérios. Mas sempre a ação esteve limitada à Palestina e à Síria. O terceiro era Lúcio de Cirene e alguns conjecturam que Lucas se referia a si mesmo o que é muito improvável já que ele preserva seu anonimato em todo o livro. e jejuando" que o Espírito Santo lhes disse: "separai-me agora a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado" (At. Estes cinco homens simbolizavam a diversidade étnica e cultural de Antioquia e da própria igreja. vai ser dado esse passo significativo. O segundo era Simeão que tinha o sobrenome de Níger. que significa Negro. Havia também Manaém. A quem o Espírito Santo revelou a sua vontade? Quem eram "eles". as pessoas que estavam jejuando e orando? Parece-me improvável que devamos restringi-los ao pequeno grupo dos cinco líderes. isto é. que também fora comissionado a ser o apóstolo dos gentios.(Autor desconhecido) Parte XXXVIII O QUE LEVOU A IGREJA Em Antioquia a fazer Missões Em Atos 13 o horizonte de Lucas se alarga pois o nome de Jesus seria maciçamente testemunhado além da Judéia e Samaria.13:2). Ninguém tinha tido a visão de levar as boas novas às nações além mar. É mais provável que se referia aos membros da igreja como um todo já que eles e os líderes são mencionados juntos no versículo 1 de Atos 13. pois isso implicaria em três deles serem instruídos acerca dos outros dois. Também em Atos 234 . Evangelistas anônimos também pregaram o evangelho aos "helenistas" em Antioquia. apesar de Chipre ter sido mencionada em Atos 11:19. que foi descrito com "um levita. Agora. O mesmo efeito tiveram as duas principais conversões relatadas por Lucas. que consistia em cinco profetas e mestres que moravam na cidade. A palavra pode significar que Manaém foi "criado" com ele de forma geral ou mais especificamente que era seu irmão de leite. Os dois diáconos evangelistas prepararam o caminho. O quinto líder era Saulo. Estevão através de seu ensino e martírio. a de Saulo. A partir de Antioquia chegaria aos confins da terra.

Mas de acordo com o versículo seguinte foi a igreja que. Independente de como o receberam. Notamos que o jejum não é mencionado isoladamente. a primeira reação deles foi a de orar e jejuar. para obedecerem a Deus. mas sim uma despedida. para testar o chamado de Deus e em parte para interceder pelos dois que seriam enviados. ao que parece. Mas seu chamado também poderia ter sido interno e não externo. Então jejuando e orando. comissionando-os para o serviço missionário. O mais provável é que Deus tenha falado à igreja através de um de seus profetas. Portanto creio que seria certo dizer que o Espírito os enviou instruindo a igreja a fazê-lo e que a igreja os enviou. livrando-os de suas responsabilidades de ensino na igreja. Esse equilíbrio é sadio e evita ambos os extremos. Quem comissionou os missionários? De acordo com Atos 13:4 Barnabé e Saulo foram enviados pelo Espírito Santo que anteriormente havia instruído a igreja no sentido de separá-los para ele. darem um passo de fé. após a imposição de mãos. pois às vezes Lucas usa o verbo "adulou" no sentido de soltar. prontos para a obediência. Possivelmente Paulo e Barnabé já possuíam anterior convicção do chamado de Deus e esta verdade foi aqui revelada para toda a igreja. ou nunca. em parte. Na verdade em ambos os casos o chamado era claro mas a terra e o país não.14:26-27. "impondo sobre eles as mãos os despediram". Precisamos observar também que tanto Abrão como Saulo e Barnabé precisariam. ou seja. É verdade que o último verbo pode ser entendido como "deixou-os ir". prestam conta a toda a igreja por terem sido comissionados por ela. Como foi revelado o chamado de Deus? Não sabemos. muito semelhante ao chamado de Abrão: "vai para a terra que te mostrarei". pois raras vezes. Isto não era uma ordenação ao ministério muito menos uma nomeação para o apostolado já que Paulo insiste que seu apostolado não era da parte de homens. O jejum é uma ação negativa em relação a uma função positiva. os despediu. Ele é ligado ao culto e à oração. pelo qual todas as decisões são tomadas pela igreja sem 235 . o jejum é um fim em si mesmo. Mas ele também o usa no sentido de dispensar. O primeiro é a tendência para o individualismo pelo qual uma pessoa alega direção pessoal e direta do Espírito sem nenhuma referência à igreja. através do testemunho do Espírito em seus corações e mentes. ou seja. O segundo é a tendência para o institucionalismo. A instrução do Espírito Santo foi "separai-me agora a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado". quando Paulo e Barnabé retornam. Qual o conteúdo da revelação do Espírito Santo à Igreja em Antioquia? Foi algo muito vago e possivelmente nos ensina que devemos nos contentar com as instruções de Deus para o dia de hoje. por ter recebido instruções do Espírito.

ainda. 236 . No entanto. seu trabalho. mas ajudava a suprir as necessidades de outros menos validos. Eles foram enviados pelo Espírito através da igreja. É tristeza por deixar aqueles a quem ama. Parte XXXIX MINISTÉRIOS FIÉIS ". a fim de descobrir a quem ele está concedendo dons ou chamado. apóstolo.. Paulo menciona que sua palavra sempre foi destemida. O equilíbrio é ouvir o Espírito.. Não existe chamada mais honrosa e elevada que a divina para o ministério integral. e em especial aos seus líderes. que sempre trabalhou com as próprias mãos para satisfazer as suas necessidades pessoais. evangelistas.. É senso comum que qualquer outra atividade desenvolvida pelos cristãos tem sua pertinência na Causa de Cristo e não deve ser minimizada. menciona.. O apóstolo Paulo mesmo demonstrou uma clara visão do seu ministério.. 25 – 27). É.passei pregando o reino de Deus. no seu desenvolvimento. obedecê-lo e fazer da igreja local um ponto de partida para os confins da terra. estou limpo do sangue de todos" (Atos 20. é uma obediência à visão do Senhor. e suas cartas o revelam (1). não me esquivei de vos anunciar todo o conselho de Deus. havia transmitido a vontade de Deus sem quaisquer reservas. não o reservava para si. ser sensível ao Espírito Santo.nenhuma referência ao Espírito. mas sem confirmação do Espírito à igreja. a Escritura Sagrada dá grande importância a homens e mulheres que foram separados como profetas. Paulo está com sentimentos divididos: está triste e alegre. mas prazeroso por ter sido o instrumento de sua conversão. uma despedida carregada de emoção. bem como a precipitação de o fazermos com outros que possuem os dons para tal. Portanto cabe a toda igreja local.. E há. nada cobiçou de outras pessoas. Assim precisamos evitar o pecado da omissão ao deixarmos de enviar ao campo aqueles irmãos com clara convicção de que foram chamados por Deus. missionários e pastores. Conclusão Não há indícios para crermos que Saulo e Barnabé eram voluntários para o trabalho missionário. O contexto da porção bíblica escolhida é que Paulo. pelo contrário. está deixando um lugar onde tem exercido um ministério fiel e pleno de frutos. na verdade. Chamado missionário não é um ato voluntário. detalhes que merecem análise.

proclamar essa mensagem abençoada e abençoadora de um evangelho eficaz para a salvação de todo aquele que crê.8. precioso é o evangelho. escreveu. Esses pregadores falam de doutrinas como o reavivamento.19-26 e 3. obreiros do Reino de Deus. espera-o e o enfrenta com a plena consciência de toda a direção é do Espírito. missionários.. Esta convicção que queimava a sua consciência ela a reflete igualmente em Atos 21. Antes de sua partida. alimentar. de todos os fiéis ministros. mas proclamam todas as Doutrinas da Graça. missionários. evangelistas. É o que podemos chamar de "evangelho light".13. É verdadeiramente uma luta ingente. profetas. feroz e constante mantida pelos profetas. 27). entre outros tocantes exemplos de dedicação. 25). pois "aprouve a Deus salvar pela loucura da pregação. ajudam. e outras igualmente populares. contribuem. antes. o perigo a que estão sujeitos. tarefa que ninguém escolhe. Spurgeon fez referência a pregadores que enfatizavam apenas certas doutrinas. Para o apóstolo. Para Paulo.(2)" Outros métodos são auxiliares. cuidar do rebanho do Senhor que lhes foi confiado. não a sua vida(6). prioritários. e a Timóteo exortou com a seguinte expressão: "Prega a palavra.Outra expressão de Paulo em sua despedida é o enfrentamento do futuro com confiança visto que depende unicamente do Espírito Santo. CARACTERÍSTICA 1:FIDELIDADE À DIVINA COMISSÃO "Passei pregando o reino de Deus" (v. traz à memória de seus amados três características de seu próprio ministério. A palavra pregar é usada por Paulo cinqüenta e nove vezes nas suas cartas. não são. CARACTERÍSTICA 2: APRESENTAÇÃO PLENA "Não me esquivei de vos anunciar todo o conselho de Deus" (v. prioritário é pregar. porém.. por extensão. insta a tempo e fora de tempo"(5). 237 . O método de Deus para a salvação dos perdidos não é outro senão a pregação. Paulo recorda aos seus colegas de ministério algumas realidades próprias do seu múnus ministerial e profético: o dever que não é outro senão vigiar. educadores. bem na medida do pensamento contemporâneo de que "o preço da liberdade é a eterna vigilância". Filipenses 1. da inveja ou do sucesso. Os participantes da obra divina correm o perigo da contaminação do mundo. Até mencionou que "Cristo não me enviou para batizar"(3). "cheguei a Trôade para pregar o evangelho"(4). do secularismo. obreiros em geral para manter a pureza e a intocabilidade da Igreja de Jesus Cristo sob a sua liderança espiritual. pastores. os ministros fiéis não se prendem a um assunto favorito. para ela é escolhido. Mesmo não sabendo o que virá no dia seguinte. consagração e abandono de seu espírito ao Espírito de Deus. Da mesma forma. a cura divina. pelo contrário. Entretanto. e.

Seu tema principal é a salvação. a santificação e a glorificação a serem explicados com toda a clareza possível. A resposta dos ouvintes não era sua responsabilidade. o evangelista. "Lança o teu pão sobre as águas". ÚLTIMO PENSAMENTOS "E eis agora sei. a justiça e o juízo. Pregava todo o plano de Deus. Estas palavras são um eco de Ezequiel 33. O Senhor da seara é fiel. o pastor ficar tão ansioso e não se lembrar da recomendação bíblica. a justificação. A referência à culpa pela morte de alguém aplica-se. o ministro fiel e destemido não busca a popularidade "amaciando" certas ênfases do evangelho que não apoiadas por alguns. os Seus servos devem ser fiéis na entrega da mensagem e na obrigação por causa de sua divina comissão. incluindo seus aspectos como a eleição. na verdade. Gloriosa certeza! Extraordinária convicção! Em outro 238 . e não se der por avisado. razão porque não precisamos nos preocupar com os resultados visíveis imediatos. e tudo o mais que está contido na Palavra de Deus.. ou como já foi resumido com muita pertinência." (v. eu não sou responsável" Paulo era. Nosso problema. a responsabilidade de atender ao convite para a bênção já lhe foi passada. Diz a Bíblia na Linguagem de Hoje: "Esse alguém é responsável por sua própria morte".1 . e vier a espada. até porque nos garante a conclusão desta recomendação que "depois de muitos dias o acharás"(9). "todo aquele que ouvir o som da trombeta. como se depreende. CARACTERÍSTICA 3: OBRIGAÇÃO SEM CULPA "Estou limpo do sangue de todos" (v. quantas vezes. Pode o missionário. a redenção. Na verdade. um pregador tremendamente linear. o pecado e a graça". "estou limpo do sangue de todos" (8). o seu sangue será sobre a sua cabeça"(7). e apelando para que se escolha a vida.O apóstolo Paulo não se esquivava de fazê-lo. tem sido o desejo de ver resultados visíveis em lugar de deixarmos os resultados com Deus. ao dever espiritual do missionário/evangelista pela apresentação fiel da mensagem de vida abundante: o pecador é advertido. Paulo também o disse ecoando o profeta Ezequiel. deixando que o Espírito faça a obra de convencimento. frase do missionário vertida pela BLH como "se algum de vocês se perder. desse modo. e assim o pregador cumpriu o seu sagrado dever de ressaltar o pecado. Não deixava de pregar porque certas verdades não satisfaziam os paladares de seus ouvintes porque um ministro fiel não se amedronta diante dos homens. 25a).9. e o levar. "o ser humano.. Garante a Escritura que a Palavra de Deus "não voltará vazia"(10). e cumpria sua tarefa. 26).

21b. 2Coríntios 2. Cabe-nos corresponder! NOTAS (1) Cf.. o Dia do Juízo(11). Quanta deturpação doutrinária. Sem qualquer sombra de dúvida.23.4 que a tarefa pastoral precípua é a oração e o ministério da Palavra.14-6. Lisboa.!" Sim. tem conhecimento de sua pequenez. também o fez com a afirmação de "sei em quem pus a minha confiança e estou certo de que ele tem poder para me guardar na minha missão até ao dia marcado". Sociedade Bíblica de Portugal. ousadas que podem afirmar "EU SEI.espaço.10ss.4.. Com esta expressão de fé e esperança. (6) Cf. prescindindo aquelas que o Texto Sagrado preceitua como sendo a função pastoral. (5) 2Timóteo 4. quanto poder nas palavras emanadas por vidas confiantes. (8) Cf. fragilidade e tremenda dependência de um Pai amoroso. Há lobos vorazes rondando o rebanho. corajosas. Tradução Interconfessional. o apóstolo introduziu os pensamentos acima analisados. prontos a entrar no santo aprisco.24-2.1.12a. Colossenses 1. (4) 1Coríntios 2. Vemos em Atos 6. (9) Eclesiastes 11.17.! EU CONHEÇO O SENHOR DA SEARA!" Que não passemos adiante a sagrada missão evangelizadora que o Senhor poderia ter confiado aos Seus anjos. foi a nós que Ele o fez. 10. v. porém. cuidadoso.12 (O Novo Testamento. 1978) O MINISTÉRIO DA PALAVRA Introdução(1) É interessante observarmos a exigência que muitos cristãos fazem a seus pastores para que dediquem tempo em atividades secundárias. A pregação da Palavra deve ser efetivada por cristãos especialmente 239 .26b.24 (7) Cf. no entanto.14ss. Atos 20. etc.10. 15. 1Coríntios 16.. quanta novidade penetrando como se fossem moderníssimos métodos de proclamação. (3) 1Coríntios 1. por essência e definição Seus autênticos mensageiros e ministradores. espiritual e forças físicas para o desempenho da tarefa proposta. e.2a. Atos 20..1ss. e sempre pronto a dar sustento emocional. (2) 1Coríntios 1. (10) Isaías 55. (11) 2Timóteo 1.11.. o missionário/profeta/pastor/obreiro/obreira dirá "EU SEI..

subserviência. profecias e conforto para o povo de Deus. Estão pastores mas não são Pastores na acepção bíblica da tarefa pastoral.28. I – Finalidade específica do Ministério Pastoral (2) Em uma pesquisa realizada entre pastores perguntou-se qual seria o alvo final do trabalho pastoral e muitos responderam ser a evangelização. Palavra de Deus. 1. Dentre os Ministérios alistados na Bíblia o Ministério da Palavra é o mais rico na sua significação. É espantoso notar que muitos pastores dirigem igrejas e pregam sem ter uma noção clara quanto a finalidade do Ministério. é o que encerra o compromisso de anunciar a Revelação de Cristo no sentido de uma comunicação divina em forma de mandamentos. Deus espera mais dos pastores e a tarefa pastoral deve esmerar-se em apresentar ao Senhor pessoas maduras e adultas na fé que sejam cumpridores da Palavra. A idéia radical inerente ao Ministério. zelo e extremado amor. portanto.vocacionados em distinção a todos os demais Ministérios Eclesiásticos. eleito pelo próprio Deus da Palavra para arquitetar os ideais divinos para a sociedade. Quando buscamos no Texto Sagrado a finalidade específica para o Ministério Pastoral encontramos. diligência e fidelidade. citada em hebraico 394 vezes no Antigo Testamento. 240 . É o Ministério do Logos. que emprestam ao ministro dignidade e importância oficial devido a natureza e a qualidade do serviço prestado. lamentavelmente. O pregador da Palavra de Deus é um profeta que deve compreender claramente a beleza e a universalidade do evangelho. Aperfeiçoamentos dos crentes O pastor não pode contentar-se em visualizar nos membros da igreja apenas certas atitudes éticas pautadas na Palavra de Deus ou algumas poucas posturas próprias dos costumes e princípios denominacionais. O Ministério da Palavra.4. sempre divinamente inspirado e autorizado para esclarecer as manifestações de Deus decorrentes da mensagem proclamada. as responsabilidades alistadas a seguir. o que ressalta o fato de que não desenvolveram uma visão bíblica para o Ministério da Palavra. afim de que os ouvintes passem a orientar e dirigir suas vidas a partir da Palavra proclamada. outros a união dos crentes com o Senhor. absorto pelo Dom de proclamá-lo com persuasão. muitos não souberam responder a questão proposta. Colossenses 1. em todo o Novo Testamento. O pregador da Palavra é o mensageiro de Deus e o verdadeiro mestre da sociedade. além das tarefas primordiais indicadas em Atos 6. cristãos "perfeitos em Cristo". é serviço prestado em submissão. uns poucos disseram ser o preparo do crente para a eternidade e para o mundo atual e. que no Novo testamento é o equivalente a Davar Elohim.

3. Marcos 10. Hebreus 10.10-16. Efésios 4. Mateus 6. Invisível e Gloriosa. A convivência na igreja deve nos ensinar a servir no presente.21-24. O pastor deve ter uma visão horizonal do Reino de Deus. Devemos servir com esmero e amor no presente para que sejamos encontrados fiéis no tempo em que formos convocados ao serviço celestial.35-38. João 12. servindo na igreja local. Gálatas 5.9-15. O Senhor espera que nos preparemos e aprendamos sobre fidelidade e dons de ministérios. Vivemos em uma sociedade cibernética e de realidades virtuais. isto é. 13.26. Cristãos que tenham uma identidade doutrinária definida e que interagem na obra do ministério da igreja de modo geral. o que nos exige a compreensão das rupturas que se refletem no nosso cotidiano a partir da substituição da mecanicidade pela informação e informatização. cheios do pleno conhecimento e firmados doutrinariamente. cristãos aperfeiçoados em Jesus. A igreja é uma escola de vida e de serviço. Apocalipse 7. sendo a igreja local condicionada pelos sinaléticos denominacionais apenas uma ínfima expressão da grande totalidade do que constitui-se a Igreja de Deus em Cristo. II – A Relevância da Tarefa Pastoral para a Sociedade (3) Nossa sociedade se admite pós-moderna e adota novos paradigmas socioculturais e eclesiológicos. Há uma realidade muito maior e superior do que a própria igreja local que é a Igreja Universal.13.Deus espera que os pastores entreguem a Cristo a obra acabada. Lucas 12. que é a figura da igreja universal gloriosa. Preservar a unidade da igreja A unidade da igreja é um desafio ao amor e ao respeito que os cristãos devem uns aos outros. É um chamado à compreensão das diferentes manifestações de Deus no mundo através da igreja local sem prescindir da comunhão em Jesus e da sinergia cooperativa entre as diversas igrejas para que cada uma delas cumpra o seu Ministério. 2.11 e 20-23. A igreja não é um estágio no qual apenas esperamos passar o tempo até que Jesus volte. A igreja não pode 241 . Efésios 4.13-17. edificados na igreja.22-24. Mateus 25. Capacitar os cristão para o serviço. preparando-nos para o serviço futuro na glória celestial.4-7. João 17.22-25 e Apocalipse 22. 1 Pedro 4.3-4.43-45.14-30. isto é. deve enxergar além do horizonte da igreja local ou de sua denominação.7-10. Hebreus 12. independentemente da condição social ou cultural.

Há que se redefinir a homilia.ser acometida de refração causada pelas lentes do virtuosismo ufanista e sectário que se recusa à novas e diversificadas percepções da sociedade. descambar para a relativização dos absolutos estabelecidos na Palavra de Deus. as realidades existenciais. por meio da pregação contextualizada que considera as influências recebidas na formatação da personalidade. isto por quê uma mensagem bíblica e profeticamente contundente aborda sobre uma variedade de problemas existenciais e práticos. como preceitua a Palavra de Deus. A pósmodernidade implica no abandono de qualquer mito legitimador dominante desacreditando das meta-narrativas predominantes. refutando e ridicularizando as micro-narrativas que se auto-arrogam credibilidade insofismável. 242 . como faz discurso evangélico tradicionalista que reproduz uma eclesiologia arcaica em detrimento da edificação e da relevância da igreja para a sociedade. O pastor tem a vantagem de estar presente em quase todas as ocasiões da vida das pessoas podendo interpretar as revelações proposicionais da Bíblia a partir da atuação de Deus na história. Uma atuação pastoral instrutiva e construtiva. o que só será possível a partir do reposicionamento da atuação pastoral. dos conceitos éticos e da própria religião. Uma cosmovisão pastoral para a pós-modernidade deve considerar o fato de que o mundo não é algo exterior e que dele extraímos nossos conhecimentos. indeterminada e participável. O pastor não pode fechar os olhos às transmutações da sociedade que privilegia a privatização e a heterogeneização de interesses e valores. considerando a validade das emoções e da intuição na percepção ideológica da verdade e da fé. Se na pós-modernidade a realidade é relativa. tornando a igreja e o labor pastoral relevantes e essenciais para o nosso contexto sociocultural. ética e social orientando a igreja para que condicione sua mentalidade. bem como uma igreja relevante. que vive em constante suspeição da própria razão ressaltando a espontaneidade em contraposição à subordinação. Não há como não enxergar a pluralidade dos conceitos éticos e morais estabelecidos pelo situacionismo degradante ancorado e aglutinado em torno de interesses egocêntricos. sem contudo. A Bíblia tem pressupostos para o ceticismo humano e os pastores devem ser dotados de graça e qualificados para a interpretação dos absolutos de Deus em qualquer época da história. Mediante a essa miopia sociológica é imperioso desenvolvermos uma cosmovisão pastoral que se contraponha à predisposição pós-moderna de rejeitar uma perspectiva unívoca e correta. deve entender e visualizar a possibilidade de criarmos os mundos. os pastores devem atuar na formação da consciência cristã. Nossa sociedade admite variegadas contemplações do mundo supondo que a realidade seja ordenada a partir da observação das leis naturais e do ciclo existencial. sua eclesiologia e sua expressão cúltica em paralelo a recusa do verdadeiro conhecimento de Deus. o que exige da igreja o redirecionamento dos comportamentos eclesiológicos e pluralidade na expressão cúltica.

O padrão sociológico é muito forte e o padrão bíblico é quase utópico no mundo estético e pictórico. além de se tornarem infelizes. Podemos ainda considerar de extrema relevância a tarefa pastoral por ser o pastor. Os resultados disto é profundamente perturbador e causador de uma verdadeira crise de identidade ministerial entre os pastores. a igreja pós-moderna tem desvalorizado a autoridade pastoral quando exige do Ministro permanecer alheio ao desenvolvimento tecnológico e atrelado as expectativas denominacionais tradicionalistas que jamais promoverão desenvolvimento e maturidade para a igreja e para o próprio pastor. a amplitude. inigualável. agindo como salvaguarda da Verdade Apostólica. Os cristãos que resistem a autoridade pastoral ou que vivem buscando referenciais externos para abalizar a proclamação de seu pastor. Alguns membros das igrejas tecnicamente treinados têm dificuldades em respeitar e ouvir os ministros formados e habilitados em retórica e idealismo denominacional devido a crescente confiabilidade dos modelos de gerenciamento e ao pragmatismo situacionista que corroem as bases bíblico-teológicas legadas aos pastores para a realização de seus ministérios. O triunfo do individualismo criou uma igreja cheia de pessoas que se recusam a aceitar alguém que lhes diga em que devem crer ou o que devem ou não fazer. pela exortação bíblica e ensino da Palavra. proporcionando ao ser uma experiência agregária. pois a fé cristã é o único misticismo que permite ao homem comunhão consigo mesmo. Conclusão (4) Não é difícil perceber que a igreja sofre as mais variadas influências e se vê pressionada pelas mais diversas tendências no atual contexto sociocultural. a igreja. levando-o. vocacionado e lapidado para a proclamação da sã doutrina. a totalidade e a integralidade do ser. Nenhum outro Ministério Eclesiástico é chamado. (5) É urgente e premente a necessidade de resgatarmos a credibilidade do Ministério da Palavra pois somente aqueles que abrem seus corações e suas mentes para a mensagem bíblica e à instrução pastoral crescerão espiritualmente. a comunhão com o Deus que pode restaurar e regenerar a sociedade. sem deixar de lado o intelecto. 243 . quando consciente de sua tarefa e de seu compromisso como profeta. o único com argumentos capazes de superar as controvérsias ideológicas e restaurar a unidade. com a sociedade e com o Deus verdadeiro de forma completa. a volição e as emoções. para o ensino da Palavra de Deus e para o exercício da liderança na igreja de Jesus Cristo. o que se verifica pela esquizofrenia resultante do trauma causado pela confrontação da liderança. O ministério pastoral é a única tarefa que pode oferecer renovada razão de ser para a sociedade em decadência ética e espiritual por enunciar mensagem verdadeira e mística.jamais apresentando-se como um discurso paliativo e superficialmente direcionado às necessidades imediatas. Na melhor das hipóteses. no sentido pleno do termo. excluem-se da nutrição espiritual que emana do púlpito da igreja.

Fernando C. mas os ceifeiros são poucos. Alberto. 278 p. Notas (1) CRABTREE. Quando o pastor prega a Palavra de Deus. resultado de oração incessante e de inspiração autoconfrontante. o de resgatar vidas das mãos de Satanás.Mestrado em Teologia Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil] . QUE É UM PASTOR? De acordo com Efésios no capítulo 4. 304-307 e 318). Campinas: Associação Evang. de batizar essas pessoas e de discipulá-las. Rogai. Ed. Pastor-teólogo na Pós-modernidade: Uma abordagem teológico-fiolosófica a respeito da atuação pastoral na sociedade pósmoderna. (pp. 1991. (pp. é o crescimento do crente individual e da igreja como corpo forte. sendo o instrumento que o Senhor utiliza para ministrar à igreja e ao mundo. o Senhor cria um momento que é especialmente divino e que não pode ser repetido. São Paulo: Vida. David. É. havendo um objetivo definido para esse ministério. Asa R. visto que nossa sociedade se pauta pela negação da autoridade e pelo fato de nenhum outro ministério eclesiástico exigir cometimento e subordinação a autoridade como no caso do Ministério da Palavra. O Pastor do Século 21. Yolanda Krievin. é o estimulo à obra do discipulado. 128 p. (pp. Cada sermão é uma proclamação específica de Deus para um momento específico na vida de seu povo. 2. 1981. Pregar deverá ser a demonstração pública de que a Palavra de Deus opera no pastor.(pp. 334 p. 1999. Trad. O povo de Deus pedia. Em Mateus 9. a consecução do múltiplo propósito que Jesus tem para Sua igreja que é o de derrubar as portas do inferno.Não é exagero asseverar que no século 21 o exercício do ministério pastoral ficará ainda mais difícil. Rio de Janeiro: JUERP. O termo é usado aqui para indicar o vislumbre de nossa sociedade pelo colorido das imagens e da televisão na formação de conceitos os mais diversos. O tom da liderança pastoral deverá ser estabelecido na autoridade moral e espiritual que os pastores exibirão na pregação bíblica. poderoso. o ministério da Palavra é um dom especial de Jesus Cristo à Sua igreja. os versos 11e 12. (5) Pictórico é algo relativo ou próprio da pintura. Trabalho Pastoral. Trad. O trabalho do pastor atinge seu auge no púlpito. A Doutrina Bíblica do Ministério. [Dissertação . ao Senhor da seara 244 . Menonita. O propósito é o treinamento dos crentes. 148 p. Pregar sem autoridade rouba a essência da Palavra de Deus. ainda. na unção e instrumentalidade do Espírito Santo. 31-37). robusto. Que Deus nos ajude. 1998. 37-38 e 46) (2) BARRIENTOS. E esses dom foram dados por Deus em resposta às orações do Seu povo. (3) FERNANDES. Rio de Janeiro. 99-107) (4) FISHER. pois.37. 38 está registrado: "Jesus diz aos discípulos: A seara é realmente grande. Kédma Rix.

todos estavam trabalhando. pescando ou no escritório como fiscal de rendas. Ele está falando aqui a Amazias. o que se requer daquele que busca o ministério da Palavra é uma convicção da chamada especial da parte de Deus. nem filho de profeta". "Mas o Senhor me tirou de após o gado e me disse: Vai. Quando Jesus Cristo chamou os seus apóstolos. "Uma chamada divina. Não pode ser uma pessoa que não tenha chamada." É assim que Deus faz. Por isso. consertando redes. o vocacionado estava numa atividade como Moisés que apascentava ovelhas. se alguém entra no ministério sem chamada vai ser um infeliz. Por essa razão. capítulo 3. vai ser tremendamente infeliz por uma razão. eu acho que Deus está me chamando para o ministério porque já fiz o vestibular três vezes e fui reprovado. aqueles que estão ainda se preparando para o batismo. que estava cultuando no templo. "Qual é a evidência que você tem de que Deus está chamando você para ser pastor?" Ele não era ovelha minha. Então eu acho que é por isso que Deus está me chamando para ser pastor". no entanto. Ou como Davi que também apascentava ovelhas e os outros que acabei de mencionar. Relatos da Bíblia mostram que quando Deus ou o Senhor Jesus Cristo chamou. E isso tem base bíblica. Lembro-me de um moço que me procurou uma ocasião e disse que achava que Deus o estava chamando para o ministério. Na 245 . Respondeu-me: "Pastor. A mesma coisa aconteceu com Amós. "Mas boieiro e cultivador. ninguém queira que eu adivinhe o futuro. no final do verso 8 onde ele diz: "Envia-me a mim". Profeta não é isso. Por isso a pergunta base é: Que é um pastor? Estamos trabalhando em cima de um tema que já foi objeto de reflexão. era de uma outra igreja e viu escrito na parte externa do templo ACONSELHAMENTO. fala sobre esse assunto. que ele estava muito enganado. um sentimento tão forte naquele que é chamado que levou Isaías. E quero dizer aos irmãos. mas. o episcopado não pode ser abraçado como se escolhe uma profissão. Disse-lhe que não fosse para o seminário. a exclamar como está registrado em Isaías no capítulo 6." Era agricultor. especialmente os crentes mais novos. profetiza o meu povo Israel. Amós estava apascentando o gado e quando ele estava pastoreando o gado. se você também ouviu a chamada e não entrou no ministério. Talvez temos agora alguma variante. 2Coríntios. Que é um Pastor? O PASTOR É UM PROFETA E essa é uma palavra muito interessante. Perguntei-lhe. Todos estavam na sua profissão. ouviu a palavra do Senhor. E respondeu "Eu não era profeta. porque Deus não chama fracassados nem desocupados." E se alguém abandona essa chamada há de ser infeliz. Profecia não é adivinhação do futuro. porque o ministério. o pastorado. e essa razão está na palavra de Jesus Cristo em João no capítulo 15 que diz "Não fostes vós que me escolhestes mas fui eu que vos escolhei e vos designei para que vades e deis fruto. que envolve um preparo divino para uma obra divina". então entrou e veio se aconselhar. É assim que Deus age. A Escritura Sagrada enfatiza a vocação divina.que envie ceifeiros para a sua seara". Ou como dizia o saudoso pastor Valdívio Coelho.

todos sem exceção" (Is 56. Mas a Bíblia mostra que não é assim. Não. adivinhação. No entanto. "assim diz Walter Baptista".11). o ministro da palavra tem mensagem. uma adivinhação. a palavra tem conotação muito mais ampla. "Estes cães são gulosos. deve advertir sobre a justiça e deve advertir sobre o juízo de Deus. Palavra de orientação para a vida porque Jesus Cristo é o mesmo ontem. vaidade e o engano do seu coração é o que vos profetizam". A Bíblia diz que sempre existiram aproveitadores. 1Coríntios capítulo12 menciona entre os dons o de profecia. Cada sermão há de chamar a atenção para as conseqüências morais e espirituais da conduta do ouvinte. 246 . visão falsa. são pastores que nada compreendem. "Disse-me o Senhor: Os profetas profetizam falsamente em meu nome. É um quadro que vemos amiúde. Sentinela e pastor. de inspiração. Há tantos desqualificados sendo chamados de "pastor" que é uma verdadeira calamidade. profeta é quem fala em nome de Deus. mensagem de vida. por que proclama a palavra do Senhor. Acontece que hoje está muito fácil se chamar "pastor". Mensagem de luz. Sem dúvida alguma irmãos há uma tradição milenar atrás de cada sermão que é pregado de qualquer púlpito cristão. a função primária.. E a Bíblia ensina que isso é um carisma. "Ou palavra do Senhor que veio a. que sempre existiram cavadores de lucro. É como está colocado. nem lhes dei ordem.". comunicar a sua vontade. E mesmo assim. não.mente de muitas pessoas significa uma predição do futuro. Querem ver mais? Jeremias 14:14. E aquele que é arrependido deve apontar a misericórdia e deve apontar o perdão de Deus e a bênção da vida com Deus.. todos eles se tornam para o seu caminho. vai chegar a derrota e na Palavra Santa está com toda clareza e com toda as palavras a expressão de Provérbios 29 que fala "Não havendo profecia o povo se corrompe". Como profeta. A palavra do profeta é: "Assim diz o Senhor". quando a proclamação não existe. ou seja. cada sermão deve ser atual. Portanto. não os enviei. exorta. a palavra do profeta nunca é: "Assim eu digo". basilar. mensagem de conforto. Como está na Bíblia Sagrada. nem lhes falei. Cada profeta então é uma sentinela guardando a doutrina que veio dos lábios do Senhor e do ensino apostólico. Por isso. E a palavra de Deus vai dizer assim. porque edifica. muito mais profunda e mais consistente e séria porque pela Bíblia Sagrada. cada um para sua ganância. cada sermão deve advertir sobre o pecar. isso não é ser profeta. que sempre existiram mal intencionados. E porque profetiza. é o porta-voz de Deus. Apesar de uma tradição milenar desde o tempo dos profetas. hoje e eternamente. nunca se podem fartar. fundamental do profeta é se colocar entre Deus e a pessoa humana e comunicar o propósito eterno. Talvez na linha daquele povo que diz assim: "Previsões para o ano 2000". consola homens individualmente e a igreja como um todo. de salvação que deve ser sempre fiel e reta e ortodoxa.

vai ter que pregar em algum lugar". a palavra do Senhor é tão clara sobre este assunto porque diz em Jeremias 3:15 "Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração. Sou fascinado pela pregação. Ia lá e vinha cá. E no Apocalipse também a palavra "anjo" é usada largamente quando as sete cartas são enviadas ao pastor. que vos apascentem com conhecimento e com inteligência". o Albert Hall. nem me desprezastes antes me recebestes como a um anjo de Deus". você andando para lá e para cá?!". falarem em nome do Senhor. foi para o palco. explorando uma pessoa simples. nem ampliação de som. Por isso. A pregação é algo extraordinário! Fico fascinado pela pregação.14. Paulo recomenda "Não desprezeis as profecias". entrou em um auditório que recém-inaugurado em Londres. um mensageiro. então. Nunca foi tão fácil como nos dias de hoje. da igreja de Filadélfia e às demais. Tudo era à viva voz. Spurgeon. Agora ninguém espere ver um par de asas nas costas do pastor Walter nem debaixo do paletó. A menina respondeu: "Eu estou procurando as asas: a senhora não disse que o pastor é um anjo. Anjo é aquele que traz uma mensagem. que estava completamente vazio. E quando chegou. menina! Que história é essa. Aí a mão disse: "Rosinha pára com isso. não me rejeitastes. mas. fazia a volta e ia. e com a voz poderosa de pregador. incauta e até mesmo aquele que está desejosa de ser manipulada. Entrou no auditório. ao anjo. Porque a palavra "anjo" tem significado. e..".Há outros textos da palavra. E Paulo se refere a isso quando em Gálatas no capítulo 4. Então há quem queira ver essas asas nas costas do pastor. não leve o paletó: porque se levar o paletó. ele diz: "Embora minha enfermidade na carne vos fosse uma tentação. Quando ali chegou. Pregar não cansa. olhava e mexia e tocava no pastor. eu sempre levo o paletó. exclamou: "EIS O CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO MUNDO!!!" e repetiu. Mas vamos entender irmãos. no entanto. reivindicarem. o grande Charles Spurgeon. talvez devêssemos dizer para tantos. E o evangelista havia ouvido falar sobre isso. "EIS O CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO MUNDO!!!" 247 . Pastor é. a menininha da família começou a andar por trás da cadeira do pastor. Naquele tempo não havia microfone. o quê? Um profeta. Nunca foi tão fácil para alguns.. Quando saio de férias. O PASTOR É UM ANJO. e aquele auditório havia sido construído dentro dos mais modernos recursos de acústica da época. Pregar não me cansa. É porque tem uma história que diz que o pastor foi almoçar na casa de uma família. recomendam-me: "Pastor.

da graviola. Essa fruta é um pouco maior que uma graviola. E essa palavra me tocou". mas o que ele sabe. na pureza". No boletim de hoje. na amor. Fomos. mais espinhenta que a jaca. estava trabalhando na sala do lado quando ouvi o senhor falar lá dentro. O homem ficou convencido dessa verdade e se converteu. Ele tem que ter capacidade mental e eu diria capacidade acadêmica. finalmente. No entanto. conhecimento bíblico adequado. "Ninguém despreze a tua mocidade: mas sê o exemplo dos fiéis. Ele precisa ter uma fé sadia também e ter uma fé que seja ortodoxa. eu sei que é a mais fedorenta do mundo. ter comunhão com Ele. não é demais até lembrar que Paulo tinha muito amor pelos livros. Se é mais saborosa. lendo. Quando chegou à porta. Está na palavra em 1Timóteo 4. Há muito culto que satisfaz mais ao ego dos chamados pastores que realmente às necessidades do povo. Sua vida é vasculhada e os procuradores de agulha no palheiro usam lente de aumento sobre as falhas do ministro do evangelho. Ele pode não saber tudo. um homem o procurou e disse: "O senhor que é o pastor Spurgeon?" Ele disse: "Sou eu". se nunca se experimentou da mesma? Quando eu estava em Singapura. Eu sou pedreiro. Ele precisa conhecer a Deus. Ele precisa conhecer as ciências teológicas. Outra coisa que o pastor deve ter é piedade cristã para resistir ao escrutínio das outras pessoas. Que não seja amante de novidades. 248 . É da família da jaca. foi transcrita uma palavra do Pr Nilson Fanini bem parecida com essa. na palavra. não sei porque não tive coragem de experimentar. lendo muito para saber cada vez mais. deve saber bem e ele deve continuar aprendendo. Nós preferimos ficar com a Palavra sempre. Hoje é um tempo em que se ama a novidade. O apostolo Paulo ele diz o seguinte ao jovem pastor Timóteo. É necessário que haja da parte do pastor verdadeira conversão. Meus amados. Aliás. A pregação dele foi só isso: "Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo". Por isso ele precisa de ter todas essas características aí. o seu gosto. é verdade. no trato. da pinha. Por isso. afirmando esse fato. Fede que nem esgoto.12. apresentados à durian. Dizem que quando se come um bago da fruta. até. por isso pediu que quando viesse. Continuou o homem. Por quê? Para orar com ele? Nem sempre. e dizem que é a fruta mais saborosa do mundo. Como poderia ele falar de uma experiência que não conhece? O que se pode dizer de uma determinada fruta. nós preferimos o culto digno do nome do Senhor.Experimentou e saiu convencido de que a acústica era excelente. falaram de uma fruta chamada durian. Essa foi a declaração que ouvi por lá. não posso falar do sabor da durian porque não o conheço. na fé.. Pois é. o pastor é um anjo. da fruta-pão. Não tive coragem porque o fedor era de esgoto em dia de chuva. andar com Deus.. "Só quero dizer que aceito a Jesus Cristo. e li. Há muita novidade barateando o culto divino. se não for ortodoxa nem é sadia nem é fé. Timóteo trouxesse o livro. é algo deliciossíssimo. no espírito. Como o pastor tem sido vítima de cobranças fiscais.

Razão porque todo pastor pede uma dose de compreensão. de lascívia. animar o cansado. Não é que esteja tendo visões nem fantasmas juntos de mim. Isso é dito porque há quem espere que o pastor. que nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis. Como anjo de Deus é mensageiro do Espírito de Deus. Sinto ao meu lado Elias e Moisés e Isaías e Jeremias e Ezequiel e Daniel e Oséias. Pastores são não somente humanos mas precisam ser plenamente humanos. Em 2Timóteo 3. e que não tenha tristezas e que tenha inclusive p condão de fazer a maravilha das maravilhas que é estar em dois lugares ao mesmo tempo. E a descrição do coração desses homens ímpios é a de um povo que se distancia de Deus. conhecer a pedagogia. inclusive no seu dia de folga. qualquer pastor de qualquer igreja em qualquer lugar. profanos". se possível for. Por isso. Joel. "Sabe. e que seja somente sorrisos. com 249 . blasfemos. desobedientes a pais e mães. Segunda coisa. como mensageiro da palavra divina. fortalecer o debilitado e mostrar o caminho ao que está indeciso. conhecer aquilo em que o ser humano é forte e aquilo que o ser humano é fraco. É um povo saturado de orgulho. seja um bom pregador e que tenha dois bons sermões todo domingo e que tenha um bom estudo em todo Culto de Oração e que atenda no gabinete a qualquer hora do dia. em três lugares ao mesmo tempo. gananciosos. Agir para aquilo que é forte na sua ovelha continue forte e progrida até e aquilo que é fraco seja colocado com resistências. 2Timóteo 3:1-5. três compromissos e a pessoa fica zangada porque a só se pode atender a um deles. Aliás. consolar aquele que está desconsolado. e aí segue com um catálogo de coisas do nosso tempo. Os homens serão amantes de si mesmos. do amor. conhecer as ciências humanas. mas há uma terceira o pastor é um homem. Essas condições que estão aqui em 1Timóteo 3:1-5 são as nossas condições hoje. soberbos. ingratos. conhecer a psicologia. na mesma tradição e na mesma palavra que eles anunciaram e pregaram ao seu povo. da salvação e da libertação e do perdão que vem de Deus. dois compromissos. Difícil é ser humano. O Pastor é um homem num mundo de homens. as testemunhas do Senhor. da fé. o joelho tremente.Precisa conhecer o ser humano também. conhecer as relações humanas. presunçosos. Amós e os apóstolos. como mensageiro de Deus. sinto ao meu lado quando prego. Primeira coisa que nós dissemos é que o pastor é um profeta. como anjo de Deus. de um povo que transgride as leis da decência. apresentam-se as condições do mundo nos últimos dias. fortaleza e ele possa crescer igualmente. levantar o que está derrubado na vida. da esperança. na mesma linha. que não canse e que não desanime em certas horas. deve fortalecer aquele que está triste. Como mensageiro de Deus. essa legião de testemunhas de que Hebreus fala. uma dose de paciência e uma dose de tolerância. Descobri que ser anjo não é difícil e que também não é difícil ser profeta. mas. São dias difíceis. como já tem acontecido comigo. o pastor é um anjo. É nesse mundo que nós exercemos o ministério. Talvez.

mas é um homem de Deus. Levando sempre por toda a parte o morrer do Senhor Jesus no nosso corpo. Mas ele é um ministro.novas formas de piedade. Isso quer dizer que há de ser homem de oração e totalmente submisso e consagrado a Cristo e à Sua causa. Porque de hora em hora o mundo piora. pegar uma coisa ali adiante. É um homem de Deus mas não é um super-homem. mas não desanimados. Por isso. de onde vem magistrado. não tem o que dizer a quem busca o seu conselho ou a quem vai ouvir os seus sermões. mas. para que a excelência do poder seja de Deus. Por isso. Ministro era o escravo. É vulnerável por isso. Timóteo. Em tudo somos atribulados. abatidos. Ministro vem de minister onde está a raiz minus que quer dizer menos. Dizem que uma igreja 250 . Ministro quer dizer isso aí. era ele que tinha que carregar cargas. Ao povo que o Senhor lhe confiou. O pastor é ao mesmo tempo um mestre e um ministro. Não o procuravam porque tinha de mais. do escravo. é um ministro. Ele pertence à palavra que ele anuncia. mas não destruídos. de onde vem magistério. transportar uma mesa. Ele é um símbolo diz o doutor Wayne Oates em um livro sobre este assunto. fala de ingratidão. ao mesmo tempo ele também sendo mestre. magis. ele é um servo. Por que é que o mestre. O pastor é um homem no mundo dos homens. Ele pertence a Deus que o escolheu e o comprou e o fez ministro de Sua palavra. Perseguidos. Ele ao mesmo tempo passa e repassa aquilo que ele tem de mais. é um ser humano vulnerável. de atrevimento. de orgulho. porém. no capítulo 4 está dito da seguinte maneira: "Temos. o Deus vivo e verdadeiro. pois sem Deus na vida. comete o pecado de envelhecer. Os irmãos sabem que a palavra mestre vem do latim magister. e não de nós. um símbolo do evangelho. Mas como o pastor é um servo da palavra. E Paulo fala de blasfêmia. negando. perplexos. e é por esse motivo que ele busca ser fortalecido pelo poder do Alto. ele deve manter na consciência que ele pertence ao seu povo. o jovem pastor. de onde vem magistratura. não tem o que oferecer. infelizmente. um símbolo da graça e é por esse motivo que lá na Segunda Carta aos Coríntios. Pensa-se que hoje a palavra "ministro" é pomposa e nós dizemos o primeiro escalão do governo. Ele é um mestre e é um ministro. mas. mas não angustiados. de calúnia. para que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos". que quer dizer "mais". é exortado à fidelidade à palavra de Deus bem como todos os outros pastores. mas não desamparados. fazer isso. Aí eu quero explicar a palavra mestre e a palavra ministro. o magister ou o magistrado eram procurados? Porque tinham algo a mais a oferecer. Porque era uma pessoa que tinha de menos. porém. Trabalho pesado era do minister. sim tinha de menos. E essa palavra magister. este tesouro em vasos de barro. É homem que se apropria portanto da verdade divina e a repassa a suas ovelhas. os ministros. Que ele é um símbolo da fé cristã. Ministro quer dizer escravo. ela guarda uma raiz. enquanto o mundo desce a ladeira do inferno.

Porque quando isso acontece. Ele não disse agapo te. O que é necessário é amar a Cristo. Jesus disse. Pastores são profetas. Filo. Tu sabes que eu sou teu amigo". Parte XXXX Dos Sínodos e Concílios Comentário do Capítulo XXXI da Confissão de Fé de Westminster 251 . Nenhum desses grandes homens de Deus podia ser pastor. A Comissão de Sucessão Pastoral entrevistou um determinado obreiro já maduro e ficou muito satisfeita com os resultados da entrevista. tu me amas? Simão. tu me amas de verdade?". Tu sabes que eu Te amo. A pergunta foi Pedro agapos me? Tu me amas verdadeiramente? E Pedro deu uma resposta infeliz. fez o "perfil do pastor". filho de Jonas. é vulnerável. Nilson Fanini não poderia ser pastor daquela igreja." Mas Jesus perguntou três vezes. agapos me? Ele devia responder. "Senhor. Tito 1. E já que um enorme muro de separação existe e sempre tem existido entre os homens (Paulo fala disso em Efésios 2). no ministério e sempre nesse amor a Cristo. simples homens. "Senhor. e aos irmãos. Pedro dizer assim: "Senhor. "Ó Senhor." E finalmente.estava procurando um pastor. mas.1Pedro 5. Jesus perguntou a Pedro: "Pedro. são anjos e são homens. a igreja sentiu que a Comissão murchou. Tu sabes que eu Te amo". Os irmãos viram que na Bíblia. a resposta. a Deus. Foi isso que Pedro respondeu para Jesus. Por isso. esse amor de Cristo se estende naturalmente àqueles a quem Jesus Cristo também ama.. "Apascenta os meus cordeirinhos. a barreira foi quebrada e nós somos feitos um. razão porque ele busca o poder de Deus. "Senhor. porque ele tinha sessenta e dois anos: não foi convidado. Pedro. muito humano. "Tenho sessenta e dois. são facilitadores na obra do Senhor e o ministro do evangelho é um servo voluntário como Jesus e há de caracterizar-se pela unção do Espírito debaixo de cujo poder vive. quantos anos o senhor tem?" Responde o candidato. Billy Graham. "Agapo te". quando alguém se lembrou de fazer uma perguntinha que estragou tudo: "Pastor. Porque já haviam passado daquela idade." Aí. e não pode ter medo de responsabilidades. pastoreia minhas ovelhas. O pastor é humano. tu me amas verdadeiramente?" A pergunta foi essa. Virou moda fazer o perfil do pastor." O amor a Jesus Cristo meus irmãos. Tu sabes que eu sou teu amigo.. quando foi escolher o novo pastor. Tu sabes que eu te amo". pastores são cooperadores. Uma igreja em nossa cidade. o Seu rebanho. na palavra de Deus: 1Timóteo 3. vem de filos que quer dizer amigo. O único perfil que conheço e reconheço é o que está no Novo Testamento. Tu sabe todas as coisas. não pode ter medo de críticas e não pode ter medo do aparente fracasso. Entre outras coisas dizia que o pastor deveria ter até determinada idade. ao ministro do evangelho é confiada a causa da reconciliação porque já chegou a boa nova de que em Jesus Cristo há salvação. Ele disse: "Filo te" é outra palavra. é condição sine qua non para que um ministro do evangelho possa se sustentar no evangelho da Palavra. que pergunta de novo: "Pedro.

Sua autoridade não lhes é delegada pelos membros da igreja. um dos grandes tratados teológicos produzidos por aquela histórica e notável assembléia. Os interesses da igreja em geral 252 . No entanto. ou seja. pertence aos pastores e aos outros presbíteros das igrejas particulares criar tais assembléias e reunir-se nelas quantas vezes julgarem útil para o bem da Igreja”. O capítulo que passamos a compartilhar é parte integrante da Confissão de Fé. recebem diretamente de Cristo aquela medida adicional que é exigida para o seu trabalho como oficiais da igreja do Senhor. A distinção entre os vocábulos “sínodo” e “concílio” é mais aparente que real. Um concílio pode ser ecumênico (geral) e. Os resultados daquele Concílio foram normativos para toda a igreja cristã primitiva. o Concílio de Jerusalém deve ser distinguido dos concílios posteriores. Cada igreja local tem um certo grau de autonomia ou independência. O poder governante da igreja reside primariamente nos conselhos locais e destes é passado aos sínodos e concílios. A Assembléia de Westminster (1643-1649) foi um dos maiores concílios na história da igreja cristã de origem reformada. “Sínodo” ou “Concílio” é uma conferência convocada pelos líderes eclesiásticos para dar orientação à igreja. assim como o presbitério e o supremo concílio. portanto. Para nós. pelo fato de ter tido uma liderança apostólica [2]. os presbiterianos. o sínodo também é um concílio [1]. mas este é naturalmente restrito de várias maneiras tão logo ela se associe a outras igrejas locais. ou seja. embora a igreja os escolha para o ofício. tendo representação regional ou local. deverá haver as assembléias chamadas sínodos e concílios. representar a igreja inteira. o sínodo – composto de ministros e presbíteros dos presbitérios – é o grau acima do presbitério e abaixo do supremo concílio (ou assembléia geral) na sua ordem de governo eclesiástico. em 381. em 325. O governo da igreja presbiteriana pertence aos pastores e presbíteros. Cristo dotou a igreja do poder necessário para levar a efeito a obra que lhe confiou. e de Constantinopla.) e está registrado em Atos 15. Investe todos os membros da igreja com uma certa medida de poder. mas outorga uma medida especial dele aos oficiais da igreja.As várias denominações de hoje empregam a palavra “sínodo” de maneiras diferentes. Em virtude do seu cargo e do poder que Cristo lhes deu para edificação e não para destruição. Enquanto participam do poder geral dado a todos os membros. “para o bem da igreja”. Por exemplo: Doze concílios regionais reuniram-se para debater a heresia ariana entre os concílios ecumênicos de Nicéia. D. Os sínodos e concílios existem “para melhor governo e maior edificação da igreja”. O primeiro concílio ecumênico na história da Igreja foi o de Jerusalém (c. I O propósito dos sínodos e concílios “Para melhor governo e maior edificação da Igreja. ou pode ser local (particular). 50 A.

ali estou eu no meio deles” (Mt 18. devem ser recebidos com reverência e submissão. receber queixas em caso de má administração e com autoridade decidi-las. decretam o que lhes dá na telha. II A autoridade dos sínodos e concílios “Aos sínodos e concílios compete decidir. mas também pela autoridade através da qual são feitos.7). não é essa a dificuldade da questão. uma acumulação de poder. mas tenha posto um sinal particular para diferenciar os verdadeiros dos que não são. a menos que sejam demonstradas como contrárias à Palavra de Deus. ministerialmente. Contudo. no qual proíbe que se acrescente ou diminua algo à sua Palavra. beirando (ou até praticando) o despotismo e abuso de autoridade. se queremos saber qual é a autoridade dos concílios segundo a Escritura. sendo consoantes com a Palavra de Deus. não representam uma espécie de poder superior do que se investe nos conselhos. não só pela sintonia com a Palavra. mas aos concílios em geral. visto que essa autoridade é uma ordenação de Deus. As assembléias maiores. O pacto que Deus fez antigamente com os sacerdotes levitas foi que ensinassem o que ouviam de sua boca (Ml 2. Do contrário correm o risco de ficarem a quem do que se exige deles. São obrigatórias às igrejas. diz Calvino. E àqueles que quebrassem esse pacto Deus não os reconheceria como sacerdotes seus. onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome. controvérsias quanto à fé e casos de consciência. Os seus decretos e decisões. pois estes. que são a regra da perfeita sabedoria. ou concílios. exceto em casos em que sejam explicitamente declaradas somente consultivas. Desde que diversas igrejas são representadas há. mas representado num grau maior. designada para isso em sua Palavra”. É a mesma espécie de poder. as decisões dessas assembléias não são meramente só consultivas. ou mesmo de irem além. naturalmente. Cristo não promete nada a não ser para quem esteja reunido em seu nome. Ele também pediu o mesmo aos seus profetas e apóstolos. mas a condição que se adiciona: que Cristo estará no meio do concílio sempre que o mesmo for reunido em seu nome.20). não cessam de inventar coisas novas. Isso se aplica não somente a qualquer reunião particular. não contentes com os oráculos da Escritura. não há promessa maior do que a que se encontra nas palavras de Cristo: “Porque. se desejam que se dê crédito às decisões dos homens tomadas à margem da Palavra de Deus [4]. E visto que Jesus Cristo não promete estar presente em todos os concílios.não podem ser sacrificados pelos de qualquer igreja local [3]. Além disso. sem ter em conta o mandato de Deus. não podemos fazer pouco caso dessa diferença. mas obrigatórias. Segundo Calvino. Resolvam essa dificuldade os adversários. A autoridade dos sínodos e concílios deve ser segundo a Palavra de Deus. determinar regras e disposições para a melhor direção do culto público de Deus e governo de sua Igreja. nem lhes daria autoridade alguma. O que isso significa? Não estão reunidos em nome de Cristo os que. 253 .

então devemos rejeitá-las e sofrer as conseqüências [7]. Isso. A igreja é o termômetro das resoluções de um concílio.28). seja ela boa ou má. Uma decisão conciliar equivocada é aquela que resulta em algum prejuízo para a igreja. ou por conselhos. explica. Quando um concílio se submete verdadeiramente ao Espírito de Deus o resultado são decisões positivas e salutares para a vida da igreja. Mas se as decisões são contrárias à Palavra de Deus. eles. Por serem assembléias eclesiásticas. entregaram a epístola. mas não se opõem diretamente à vontade de Deus. em satisfação de consciência. recomenda-se a submissão a elas por amor à paz. não estão sob a jurisdição dos sínodos e 254 . porém. desde os tempos dos apóstolos. quer gerais quer particulares. tendo reunido a comunidade. “Quando a leram. mas podem ser usados como auxílio em uma e outra coisa”. “O Espírito revelou o que os líderes da igreja deveriam dizer e fazer” [6]. O concílio não é a igreja. mas não justifica uma decisão conciliar equivocada. Percebe-se que a igreja de Antioquia foi ricamente abençoada pela decisão daquele Concílio. o resultado pode ser terrivelmente desastroso para a igreja.31). Uma igreja pode ser bem ou mal representada. se o magistrado civil os convidar a fazê-lo”. Mas quando o Espírito Santo (assim como a Bíblia) não passa de inocente útil para satisfazer a carnalidade humana. Após a decisão do primeiro concílio da Igreja – que se reuniu com o propósito de opor-se aos esforços judaizantes – os que foram enviados à Jerusalém desceram logo para Antioquia e. vai refletir primeiramente na igreja representada por ele. O caráter eclesiástico dos sínodos e concílios nunca deve ser perdido de vista. E não podia ser diferente porque o que foi resolvido ali “pareceu bem ao Espírito Santo e a nós” (At 15. Se as decisões deles forem pouco sábias. Embora os sínodos e concílios não devam constituir regra de fé e prática. O Novo Testamento é muito claro nisso. podem errar. não devem constituir regra de fé e prática.III A falibilidade dos sínodos e concílios “Todos os sínodos e concílios. não devem imiscuir-se nos negócios civis do Estado. sobremaneira se alegraram pelo conforto recebido” (At 15. IV O caráter eclesiástico dos sínodos e concílios “Os sínodos e concílios não devem discutir nem determinar coisa alguma que não seja eclesiástica. a não ser por humilde petição em casos extraordinários. mas o seu representante. Qualquer resolução do concílio. Todos os sínodos e concílios podem errar. eles podem e devem ser usados como auxílio em uma (fé) e outra coisa (prática). e muitos têm errado. e muitos têm errado no decorrer da história porque são formados por homens que podem e têm errado [5]. portanto.

L. 2a ed.. 350. Institución de la Religión Cristiana. em satisfação de consciência. I. têm que ver com (a) assuntos que devido a sua natureza correspondam à jurisdição de assembléias menores. Grand Rapids: Baker Book House. KISTEMAKER. Hall. L. Bibliografia A Confissão de Fé de Westminster. H. se o magistrado civil os convidar a fazê-lo.ix.ix. [8] Cf. [2] Cf.2.L. 1997. Exposition of the Acts of the Apostles.11.1-7. Manual. 318. WHEATON. a ordem eclesiástica ou a liturgia da igreja. Vol. de governo da igreja e disciplina. tais como assuntos relacionados com a confissão. do outro eles devem ensinar aos membros das igrejas seus deveres com respeito ao poder civil.concílios assuntos meramente científicos. Grand Rapids: T. p. 562. p. A. H. H. Manual de Doutrina Cristã. J. Hodge. Calvino está pensando principalmente nos concílios católicoromanos. In: EHTIC. New Testament Commentary. Acts. CALVINO. Campinas/Patrocínio: LPC/Ceibel. e do cumprimento desses deveres como obrigação religiosa (cf. [7] Cf. Comentário de la Confesión de Fé de Westminster. Vol. 3a ed. A. comerciais ou equivalentes.51. toda vez que aparecer a palavra “concílio” neste artigo entenda-se concílios em geral. a não ser por humilde petição deste em casos extraordinários. D. In: EHTIC. A. Concílios Eclesiásticos. 1987. Vol. Hodge.11-17). IV. se por um lado os sínodos e concílios não devem tratar de assuntos que pertencem à jurisdição do magistrado civil. S. e quaisquer outros que tenham a ver com a preservação da unidade e da boa ordem na igreja de Jesus Cristo. 261. A. São Paulo: Vida Nova. [5] Cf. Mais particularmente. Barcelona: CLIE. p. A. ou por conselhos. São Paulo: Cultura Cristã. Isso tudo é compreensível porque aos sínodos e concílios somente lhes correspondem assuntos como os de doutrina e moral. HALL. São Paulo: Vida Nova. 1988. Comentário. p. Notas [1] Portanto. 1985. IV. 1987. J. Concílios eclesiásticos. [6] Kistemaker.L. políticos. ditas assembléias menores não podem resolver. Rm 13. [3] Cf. Berkhof. Parte XXXXI 255 . quando toca diretamente nos interesses da igreja [8]. 1990.10. mas que por uma ou outra razão. 1990. Institución. BERKHOF. [4] Institución. correspondam à jurisdição de uma assembléia maior. Não devem se envolver nos negócios civis do Estado. p. Países Bajos: Felire. ___________ Teologia Sistemática. 1986. Calvino. 1Pe 2. Contudo. J. III. Comentário. Sínodo. 350. HODGE.E. J. A. visto que pertencem às igrejas em geral. e (b) assuntos que devido a sua natureza. II.

E no versículo 24 o escritor mais uma vez emprega essa expressão. e tu não o avisares e nada disseres para o advertir do seu mau caminho. para lhe salvar a vida. Antes.9). os leitores poderiam questionar se essa autoridade era auto-imposta pelos líderes ou delegada a eles por Cristo. e quanto maior for sua dificuldade e maiores os riscos que enfrentam por nós. 17. Nós precisamos voltar ao versículo 7 onde a mesma expressão – seus líderes – ocorre. porque isto não aproveita a vós outros. Se um líder é um ministro dedicado da Palavra de Deus. Os líderes ficam com a congregação. Observe. a. Os líderes levavam a sério a tarefa que lhe havia sido dada por Deus. Ef 4. da minha boca ouvirás a palavra e os avisarás da minha parte. por exemplo. “Quanto mais pesada a responsabilidade deles.28.17 . Eles certamente são. maiores também nossas obrigações para com eles”. 1Pe 5. nutre-os espiritualmente. João Calvino escreve que. É claro. O escritor não está interessado na posição desses líderes – ele não dá qualquer idéia se eram presbíteros. Obediência exigida. Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles. Assim. porque ele é o superior deles. o apelo para obedecer a eles e submeter-se à sua autoridade é oportuno. 256 . para que façam isto com alegria e não gemendo. esse perverso morrerá na sua iniqüidade.17. Esses líderes devem prestar contas a Deus. maior honra merecem. Os líderes precisavam de ajuda e encorajamento. Eles devem ser relembrados por sua conduta e fé.1-3).” Eles literalmente perdem sono por causa do bem-estar espiritual dos crentes. Nesse versículo em particular. Os líderes que haviam falado a Palavra de Deus anteriormente não estavam mais presentes. o autor enfatiza três pontos. diz o autor de Hebreus (13. pois velam por vossa alma.18). Líderes após líderes tomaram seus lugares. morrerás. a admoestação do autor para não se deixarem “envolver por doutrinas várias e estranhas” (13.Por Simon Kistemaker Este versículo não tem conexão com os versículos precedentes. como quem deve prestar contas. Eles conhecem a Palavra de Deus falada ao profeta Ezequiel: “Filho do homem. desviam ataques malignos e administram disciplina quando necessário. assim. Cuidado prestado. pregadores ou professores. mas o seu sangue da tua mão o requererei” (3. ele prova. Quando eu disser ao perverso: Certamente.Obedeçam a Seus Líderes Comentário de Hebreus 13.11. bispos. E se Cristo confiou a tarefa de liderança a alguém. ele pede ao leitor que obedeça a eles. as pessoas não devem questionar sua autoridade (At 20. são vigilantes em cuidar dos membros. isso não quer dizer que os membros não são tidos como responsáveis. “Pois velam por vossa alma.7). b. eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel. A falta de obediência prevalece entre alguns dos leitores. que Cristo lhe deu autoridade. pois quanto mais alguém sofre por nossa causa.

No final das contas. é deve ser sim! Roma construía grandes estradas para cidades circunvizinhas. Roma não era a potência mundial? César não era o “senhor” da época? Não havia pobreza e opressão por causa do Império ditador vigente? A resposta é sim. devem trabalhar juntos. OS RUMOS DO EVANGELISMO NA IGREJA PRIMITIVA E NA IGREJA CONTEMPORÂNEA Apesar de muitos pensamentos ao contrário. o escritor de Hebreus observa que um relatório triste. A 257 . ele exorta os leitores a encorajarem-se mutuamente: “Pelo contrário. Eles recebem as bênçãos do Senhor ao obedecer os líderes que Deus lhes deu. De maneira semelhante. há alegria nos relacionamentos interpessoais da igreja. De maneira pastoral e prudente. aquele foi o melhor momento de Jesus vir ao Mundo. o trabalho na igreja se torna um grande peso. c.35. exortai-vos mutuamente cada dia. ao invés de alegre. para que a tarefa dos líderes seja uma alegria e não um peso. Parte XXXXII Evangelismo Ontem e Hoje INTRODUÇÃO Podemos aprender com a História da Igreja. o Senhor vinga e julga seu povo (Hb 10. Todo o comércio era obrigado a caminhar pelas estradas de Roma.30.14). A igreja pertence a Jesus Cristo. então. a quem os leitores são responsáveis. a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado” (3. Para mencionar um exemplo. o trabalho de seus líderes se torna muito mais alegre. Dt 32.Eles. Os membros devem entender que nem eles nem os líderes são donos da igreja. sobre a conduta espiritual dos leitores não será vantajoso para nenhum deles. Onde um Império destes beneficia o Evangelho? A resposta é simples! Os evangelistas utilizavam-se das mesmas estradas usadas pelos comerciantes para disseminar a Palavra de Deus. Foi a época da frase: “Todos os caminhos levam à Roma”. Ao dificultar o trabalho e a vida dos líderes. Mas. mas os líderes estão livres da culpa (Ez 3. Por que não observarmos o mover do passado tirando dele lições preciosas para o presente? A Igreja Primitiva tem muito a ver com o que pensamos sobre evangelismo na Igreja Contemporânea! I. Alegria experimentada.13). pois. durante o tempo que se chama Hoje. também. eles serão os perdedores. ou ela nos serve apenas para mostrarmos conhecimento livresco e ostentação de datas e nomes antigos? Foi desta pergunta que surgiu o interesse em escrever sobre este assunto! O evangelismo na Igreja Primitiva tem muito a nos ensinar hoje. Por toda sua epístola o autor enfatizou a responsabilidade corporativa dos crentes. onde o comércio se propagava com facilidade. Sl 135. Se eles todos respondem de modo favorável.19). Quando os membros se recusam a obedecer e não respeitam seus líderes. como um corpo eles devem responder a seus líderes.36. então. Essa pessoa morrerá em seu pecado. que escolheu não abandonar o pecado. Os líderes podem testificar diante do Senhor que advertiram a pessoa desviada. harmoniosamente.

E isto foi causa até mesmo de grandes proselitismos e ajudas vindas deles (Lc. para aqueles que crêem (Hb. isto é. ao contrário disto. pois exigia-se do convertido. que são monoteístas.C. sem precisar de “burocracia” nenhuma. 8 – 10). para que seus pecados fossem perdoados! Os romanos se assustavam com a religião judaica porque acabavam generalizando. pois ficaram ao lado de César na guerra e. e um animal era sacrificado sobre sua barriga. renúncia do “eu” (Mt. que achavam ser um ato de selvageria. Na verdade. principalmente o da circuncisão. na Graça.diferença estava nos propósitos de cada um. por Cristo Jesus. o comerciante ia pelo dinheiro. “estariam nossas atitudes agradando as exigências de tais leis?”. com seu sacrifício perfeito – Jesus Cristo – conseguiu suprir todas as necessidades e incertezas humanas. uma faísca que ajudou na grande fogueira do cristianismo. onde as pessoas tinham que ser “iniciadas”. achando que os sacrifícios deles também eram assim. quando a circuncisão foi substituída pelo batismo nas águas. Porém. com tantas exigências rituais enquanto participavam das tais. ofereciam medo para adentrar-se nelas e ainda. Assim. Muitos romanos da época não aceitavam o judaísmo como religião por causa de seus rituais. continuaram com sua crença e. principalmente a segurança após a morte. quando as pessoas adentravam as religiões da época da Igreja Primitiva. Um outro benefício disto. para ser iniciada nela. inclusive. eram fiéis à preferência deste Imperador. onde haviam morte ou dor. os homens ainda ficavam na incerteza. passar por processos de “batismos” de aceitação e “pactos” de sangue. os filósofos começaram a disseminar o politeísmo (embora crescem eles em algum tipo de monoteísmo). O judaísmo foi. haviam religiões fundamentadas nos dois princípios – monoteísta e politeísta. 258 . Mas. na época da Igreja Primitiva. conseguiram disseminála também. devia deitar-se no chão. “como consegue-se alcançar exigências tão transcendentes sendo o homem tão falho?” O Evangelho. de barriga para cima. por exemplo. No Primeiro Século a. muitos começaram a aceitar a religião cristã. por sua vez. de uma vítima ou do próprio iniciado. não necessitando o ser humano fazer mais sacrifício ou penitência alguma! Isto era algo muito chamativo para as pessoas da época. os judeus. não necessitava-se de passaporte! Sabe-se até de um certo homem que viajou para Roma 72 vezes. já os evangelistas iam por Cristo. 7:5). muitas delas. passaram até a admirar os costumes e religião dos judeus. que a pessoa. isto é. que apenas conheciam deuses carrascos e extremamente exigentes! Sabe-se de uma religião daqueles tempos. Num período onde as religiões de “mistério”. até os tempos da Igreja Primitiva. 16:24) através do sacrifício já feito na cruz do Calvário. após serem iniciados.. para se viajar. As religiões serviam para saciar o desejo de segurança espiritual dos homens. Mas. era que. Os romanos. ao contrário do que alguns pensam. Principalmente porque os judeus tinham grandes privilégios para com os romanos. seus pontos de interrogações e incertezas não diminuíam. geravam mais dúvidas e indagações como: “estaríamos conforme as exigências rituais religiosas prescritas na lei por nós seguidas?”. o Evangelho veio como um refrigério.

em contrapartida. Enfim. perseguição. que é uma língua muito conhecida por onde passamos (quase todo o mundo tem o inglês como língua comercial). na igreja contemporânea não temos de igual modo uma língua quase que mundial como nos tempos romanos? Sim! O inglês. assim. Para expor tal fato. Ou ainda o espanhol (está em 84 países. sem contar com os meios de comunicação de que dispomos na atualidade. diferentemente deles. como a Internet. a culpa agora é 259 . talvez seria mais fácil as pessoas crerem em um mundo espiritual. os cristãos eram bem pouco estudados! Por este motivo. e ainda eram discriminados por isto! Nós. Os judeus nunca foram proibidos de terem sua religião por nenhum imperador romano. necessita-se de argumentos bíblicos bem apurados e. Vê-se isto até mesmo através da tolerância e conservação dos judeus neste Império. em algumas localidades.Percebe-se também a facilidade de se espalhar os ensinamentos de Cristo. nem que o Ser equiparado a Ele. muitos dos que seguiam a religião judaica. E isto. porque pensamos que se antigamente não havia tanta tecnologia. houve uma disseminação maior dos cristãos pelo mundo. sem ninguém que se equiparasse a Ele. pior foi o tempo onde não criam porque isto resultaria em discriminação e. e havia se tornado parte da cultura religiosa do povo e que os únicos que tinham liberdade religiosa eram os judeus. assim como Roma foi o berço de muitos filósofos ateus. mostrados no capítulo anterior. esquecemo-nos que nos tempos da Igreja Primitiva. pois quando havia afronta em uma região. Isso não ocorre. os cristãos acabavam se espalhando por outros lugares. É certo que houveram tempos onde os cristãos foram fortemente perseguidos por alguns líderes romanos. também. no fundo. achamos que só na atualidade existem as dificuldades! Achamos isto. Jeová era visto como o Deus solitário. o que estamos esperando? II. sofrimento e até mesmo morte! Os judeus acreditavam em um tipo de monoteísmo absolutizado em uma só pessoa da Trindade. pois com a perseguição assirrada. Se temos. levando consigo o Evangelho da Graça. Por causa da helenização. Neste tipo de monoteísmo. se o evangelismo “Ontem” e “Hoje” seguem rumos bem semelhante. Porém. contribuiu muito mais do que atrapalhou. Desta forma. muitos dos principais e fariseus não criam no Evangelho. haviam também as dificuldades para se pregar o Evangelho na época da Igreja Primitiva! Muitas vezes. o fazem por liberdade. contribuiu de igual modo com a pregação do Evangelho. a idolatria era predominante. também em nossa época? É claro que sim! Porém. O EVANGELISMO COM SUAS DIFICULDADES PRIMITIVAS E ATUAIS Apesar de tantos benefícios. também como língua comercial). mas isto. podia-se pregar o Evangelho em grego e ser entendido em quase todos os lugares civilizados daquele período. a maioria das pessoas entendiam o grego. atualmente. pelo fato de a língua grega ser uma língua quase que Mundial naquela época. eram bem instruídos. então. temos liberdade religiosa apoiada pela nossa Constituição! As pessoas de hoje que não crêem em Cristo. às vezes. fosse de Sua mesma natureza. tanta chance quanto a Igreja Primitiva teve de pregar o Evangelho a toda a criatura.

Eles achavam. o cristianismo não aceitava os dias de festas pagãs. por isso não os comemorava e nem ia à praça pública comemorá-las e. e a expulsá-los. mas sim o Império da Morte. era a dos judeus. no mundo espiritual. pois. tinha de ser examinada.18). não seria o “rei do pecado”. e acabamos. era o lugar onde morriam os malditos e. Hb. por motivos variados. não as esperava “vir” até elas. como os cristãos. A única religião que poderia existir. Isto é para que percebamos como o Evangelho também encontrou dificuldades contra o paganismo greco-romano. aliás. além da religião romana. e isto acabava prejudicando a esfera do material. Outra dificuldade de se pregar o Evangelho naquela época. que esperava-se a pessoa vir por si mesma e tornar-se um prosélito. para os romanos. pela causa.23. para eles. os “campos brancos estão para a ceifa” (Jo 4. o que diferenciasse destas duas. na verdade. o Cristo nunca teria de passar por esta humilhação. ao contrário do que o próprio Jesus ensinou. o Reino dele não foi deste mundo porque Sua luta foi contra um reino que também não era daqui (Jo.nossa. e nada disto aconteceu. ao contrário do judaísmo. não era o de César. estes também não poderiam permanecer mais. no mundo espiritual. porque haveria o risco dos judeus. e quem também sofreu com isto. não tão diferente como hoje! 260 . em muitos lugares. Perceba-se que deixaram de ser chamados de “discípulos” (literalmente “alunos” ou “aprendizes”) e só foram chamados de “apóstolos” (que significa “enviados”) depois do período de aprendizado com Jesus Cristo! Chega de desculpas irmãos! Vamos nos preparar. A perseguição ao cristianismo começou porque não eram os cristãos como os religiosos judeus antigos. Como o Império da Morte estava em outra dimensão. ao que parece. era pelo fato de que os judeus sabiam que “o Cristo” havia morrido numa cruz. só alcançando os indoutos! É claro que para a pregação do Evangelho. pois O Messias. o primordial são os valores espirituais. Cristo aniquilou o mal pela raiz. não pesquisamos. o Cristo não passaria por humilhação nenhuma! Esqueceram-se de ver em Isaías 53. os judeus viviam entre os pagãos romanos e até mesmo se adaptavam ao governo de César sem muito problema. começaram a perseguir os cristãos. aderirem a muitas outras crenças paralelas e excluírem as já existentes no Império Romano. porém. mas. era mais excludente que o judaísmo do período. principalmente as práticas religiosas romanas. segundo o livro de Deuteronômio 21:22. Com isto. O cristianismo primitivo. não estudamos. Não façamos da nossa “preguiça” ou “falta de vontade” um estorvo à pregação das Boas Novas do Reino de Deus! Nenhum dos discípulos de Cristo saíram a pregar o Evangelho sem antes serem preparados para tal. 2:14). 18:36. ia até as pessoas proclamando as Boas Novas e convidando-as a renunciarem todas as práticas antigas. foram os judeus. os materiais também contam. que o Messias seria também o Servo Sofredor que levaria sobre Si a nossa “maldição” através de Sua expiação. para os judeus. Perceba-se que os pregadores primitivos “ia” às pessoas. o cristianismo por sua vez.35). pois temos condições de estudar para atingirmos tanto a doutos quanto a indoutos em nossas pregações e. pois os romanos achavam que se o cristianismo havia surgido do judaísmo. isto é. A cruz. que Ele teria grandes poderes políticos. O Império que realmente subjugava a humanidade. não crescemos “na Graça e no conhecimento” junto (2ª Pe 3.

com seus cultos calorosos e avivados. seguem sua religião porque aderiram cegamente a ela? Quantas que não querem ser alertadas. porém. conseguiam enxergar a verdade sobre Jesus e a Sua Salvação proporcionada na cruz. mas sim. A IGREJA PRIMITIVA E A DE HOJE NA EVANGELIZAÇÃO DOS JUDEUS Se pregar o Evangelho aos desconhecedores de Deus já é difícil. os que simplesmente seguiam a religião por motivo semelhante aos romanos. poucos que realmente buscavam a Deus! Aconteceu que. uma crença no Deus que havia morrido e ressuscitado. e que estava ainda no meio deles por intermédio do Espírito Santo.O culto greco-romano era realizado apenas por uma questão de cultura. Um pensamento bem semelhante ao de Hitler quando na época do “Holocausto”! O exclusivismo absoluto foi e é o grande problema do judeu. mas não porque era a verdade. Os seus cultos eram apenas um ritual passado de geração-a-geração. 261 . não aceitavam de maneira nenhuma a Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas. legislativo e territorial do mundo todo e cederia tudo a Israel. Era o famoso: “Nasci nesta religião e vou morrer nela!” Seguiam os ritos. Esqueceram-se eles de seus próprios pecados e da necessidade primordial do perdão de Deus para que o “Reino dos Céus” fosse manifesto em sua vida espiritual. o que estamos esperando? III. imagine só pregar o Evangelho àqueles que se julgam conhecedores plenos de Deus?! Isto ocorreu com os primeiros cristãos em Roma. Lá. que dominaria todo setor econômico. e mesmo assim eles conseguiram. Isto tudo era bem diferente do Evangelho. Ninguém queria saber se realmente haviam ou não os deuses aos quais adoravam e serviam. a toda a criatura? Se o evangelismo “Ontem” e “Hoje” encontra as mesmas dificuldades. pois acham que aceitar a Jesus é trocar de “religião”? O pior cego não é aquele que não quer ver? Esta era a situação dos judeus. Os judeus materialistas esperavam – como ainda hoje – o Messias político. Porém. Cultos esses aos quais não prostravam-se diante de imagens ou objetos considerados sagrados. 6:33). os que realmente buscavam a Deus. Os cristãos sempre usavam como fato e como prova de que Jesus era o Messias. então. Não seriam estas as dificuldades básicas de hoje também? Não temos atualmente religiões bem semelhantes às judaicas e às romanas do período da Igreja Primitiva? Não pregaram eles o Evangelho. Fatos estes. apesar de tudo isto. apenas por tradição. como também hoje ainda o é. administrativo. apenas por uma questão de tradicionalismo. pois eram fanáticos materialistas. e seguiam apenas para não perderem as tradições. simplesmente cultuavam sem inquirirem nada à respeito do que criam. que você conhece. as promessas feitas por Deus aos profetas no Antigo Testamento. Quantas pessoas hoje. haviam muitos judeus que ainda seguiam sua religião à risca. Queriam eles resolver um problema terreno e material olvidando o espiritual (Mt.

5:21). Não somente isto levava os judeus da época a se calarem diante da Verdade.que nunca ninguém conseguiu refutar. pois estes eram comumente considerados como sem valor pelos judeus tradicionais da época. 26:56: Jo. vencendo as ânsias da morte (Rm. “as murmurações no deserto”. O que estamos esperando? IV. toda a vida de Jesus. onde não houve sequer uma profecia que não foi cumprida Nele. firmando ainda a Sua Igreja para continuar disseminando a Verdade através da pregação do Evangelho a todos os povos (Mt. A Palavra de Deus não é de cunho exclusivo e particular. 6:23). ser superadas na igreja de “Hoje”. tolices não permanecem por tanto tempo sem serem desmentidas. como também. porém. pelo fato de os judeus não aceitarem a idéia de que Jesus era o Messias tendo morrido numa cruz. na verdade. andou entre seus discípulos por espaço de quarenta dias (At. Os judeus-cristãos mostravam que todas as promessas cumpriram-se em Jesus. Muitos. e Jesus permaneceu. pois não recebeu o salário do pecado. Os judeus tentavam argumentar o fato de não ser Jesus o Messias. Os gentios eram tratados como servos. 8:46). A IGREJA PRIMITIVA E A ATUAL NA EVANGELIZAÇÃO DE TODOS OS POVOS EM TODAS AS CULTURAS E RAÇAS O Evangelho tem uma mensagem que alcança todo tipo de coração. Porém. não como maldito. mas sim. quando chegavam à ressurreição de Cristo. a Vida Eterna. os cristãos diziam que os judeus não davam o valor correto à Palavra de Deus. sendo 262 . É aí onde o Evangelho foi de encontro às necessidades deles! Imaginem só um Deus que já havia passado pela situação de servo. de igual modo. Diziam que haviam sido roubados. Porém. como já exposto anteriormente. conseguiram ganhar muitos à Salvação.17). 1:16. para todos os que crerem (Rm. Não entendiam que Jesus não era maldito. 15:3-8). também perderam muitos. porém. eram humilhados e sofriam para que outros se alegrassem. que tornou-se maldição por nós (II Co. são ambas as religiões a mesma coisa. mas como o Vitorioso. mas. E isto foi mostrado desde os tempos de Jesus até aos nossos dias. e com isto. e onde não houve pecado algum (Mt. 28:18-20). Os judeus reclamavam também o fato de os cristãos usarem os mesmos livros do judaísmo (a Lei e os Profetas). 1:3) e apareceu a mais de quinhentos irmãos (I Co. no decorrer da história. que é a morte. Disseram até mesmo que Jesus foi uma tolice judaica seguida por pessoas sem escrúpulo e que não raciocinam. podem. disseram que apesar desta briga judaica contra o cristianismo. Percebemos na História da Igreja Primitiva que o Evangelho foi bem recebido pelos gentios. não havia como negar. etc. mas garantiu-nos o Dom gratuito de Deus. Jesus ressuscitou ao terceiro dia. Ele realmente ressuscitara. Se as dificuldades na evangelização dos judeus e das pessoas semelhantes a eles foram superadas pela igreja de “Ontem”. e provaram isto com passagens como “o bezerro de ouro”. por intermédio de muitas afirmações que diziam não ter respostas.

Parece que a grande dificuldade encontrada por eles. O que estamos esperando para sermos diferentes também em nossa época? O cristianismo sempre foi ousado! Sempre se arriscou! E isto fez com que o Reino dos Céus lucrasse. mesmo que olhando para as lutas impostas pelo mundo. foi o medo dos demônios que os gentios tinham. e não através de sacrifícios aos espíritos. acabaram por incentivar muitos que iam nas arenas para ver sangue e sofrimento por diversão. Isto gerou uma boa recepção do Evangelho entre os intelectuais e os escravos. pois traziam sentido estranho quando traduzidas literalmente. Os cristãos primitivos se arriscavam bastante. lutavam principalmente contra a idolatria. Os primeiros cristãos consideravam que se chamassem César de “Senhor” estariam tirando o senhorio absoluto de Jesus Cristo! Isto lhes seria abominável! É claro que historicamente falando. Existiam palavras escritas nos originais. que sofreu para a alegria de muitos. Tudo o que tivesse apenas aparência de idolatria era de imediato abandonado por eles. Para que outros deuses ou intermediários. Com tudo isto. Ali aconteceu a primeira faísca que acendeu a grande fogueira da evangelização mundial. como também os contemporâneos. que não eram muito convenientes entre os gentios. Um exemplo claro quanto a isso foi a perseguição de Nero aos cristãos que não declaravam que o Imperador era “Senhor” (Kyrios no grego). se Jesus era Todo-Poderoso e AutoSuficiente contra os ataques dos maus espíritos? Os primeiros cristãos. enfim. Estes primeiros cristãos sabiam que toda e qualquer semelhança com o mal prejudicaria suas vidas. mas. principalmente os que seguiam religiões animistas. foi apenas a tradução do Evangelho para as línguas dos povos evangelizados. exigia até mesmo sacrifícios e cultos a ele mesmo. Um outro motivo pelo qual o Evangelho era bem aceito. muitos eruditos da época. Percebendo que pelo nome de Jesus os demônios eram expulsos. como também a proclamação do Evangelho. Jesus foi anunciado até os confins da terra. César não exigia apenas a proclamação dele como “Senhor”. que conhecia de perto o que eles passavam?! Este era o Deus que precisavam! Antioquia foi o início de tudo. pois a Palavra de Deus nunca volta vazia. que talvez até pensavam alguns que tornariam-se em escândalo para as pessoas da época. As tribulações que pareciam servir de derrota para a mensagem cristã. por um deus que não fosse menos do que o Único e Verdadeiro! Isto não aconteceu com os japoneses Kamikazes e 263 . foram na verdade usadas por Deus como meio para chamar a atenção de todos os povos ao Evangelho.humilhado. a também aceitarem o Grande e Único Deus – Jesus Cristo – por Quem esses homens e mulheres corajosos morriam! Ninguém morreria por uma farsa. Os mártires cristãos. passaram a traduzir as Escrituras de forma mais empática. ou em suas cópias. graças a Deus. Mas. facilitando a aceitação de Jesus Cristo como único e suficiente Salvador. ao que percebe-se. encontraram segurança na mensagem cristã. pensavam. como mostra-nos historiadores como Eusébio de Cesaréia. Não a tradução somente das palavras mas principalmente a tradução das idéias. exterminando até mesmo o desejo de servir a Cristo dos que assistiam seus martírios. concernente à salvação.

existem igrejas onde a frase que mais se ouve do púlpito é: “Quem não quiser seguir a nossa cartilha. não muito diferente dos primeiros séculos do cristianismo. como vemos em Marcos 7: Então os fariseus e os mestres da lei perguntaram a Jesus: “Por que os seus 264 . sem a real compreensão e conscientização da Verdade. Saber explicar que tal ato não salva. pois sabiam que eles mesmos necessitaram da salvação outorgada por Cristo no Calvário. e não uma porta de mistérios às muitas dúvidas! O Evangelho explica. Em nossa época. Hoje. V. A pregação dos nossos primeiros evangelistas não era extremista quanto a questões de costumes. alguns têm como visão primordial na pregação do Evangelho o emocionalismo. pois os que morriam por Cristo sabiam que não eram eles mesmos quem impetravam sobre si a morte. não visavam ganhar o povo pela emoção.nem ocorre com os muçulmanos. façam o favor! Acreditem se quiser. Foi um assunto que levou muitos pensadores a quebrarem a cabeça sobre a natureza dessa exigência. e não complica a vida do ouvinte. A CONVERSÃO NA IGREJA PRIMITIVA E NA ATUAL A conversão foi uma questão difícil de conscientização para os primeiros séculos da Era Cristã. também devemos trabalhar a compreensão das pessoas quanto ao valor do batismo nas águas. Muitas igrejas não são mais o veículo do Evangelho para a salvação das almas. se quiserem participar de outro grupo. onde as pessoas seguiam suas crendices sem ao menos terem explicações um pouco mais concretas do “por quê” as seguiam! Diferentemente de tais religiões cegas. mas sim. mas que eram levados ao matadouro para serem oferecidos como oferta com cheiro suave ao Deus que tudo aquilo permitia por causa de seu Plano Eterno da Salvação. fazendo com que dessem passos no escuro. mas sim. referindo-se às religiões que pregavam uma fé cega. a porta da rua é a serventia da casa!” O interessante é que Jesus não ordenou à Sua Igreja seguir cartilhas de homens. que fazia com que as pessoas aplicassem e compreendessem o Evangelho em suas próprias vidas. por favor. Tudo ficava mais difícil ainda de se compreender quando falava-se em batismo nas águas! Alguns pensavam que este ato de batismo era como as iniciações feitas nas religiões de mistério da época. Os primeiros evangelistas pregavam com a ajuda do Espírito Santo. e quem não consegue tais evidências. Haviam também os que achavam que o batismo tinha um certo poder mágico que capacitava as pessoas a alcançarem a salvação. fazendo uso abusivo da palavra “mistério”. onde procuram somente evidências pessoais visíveis e materialistas da “presença” de Deus. Não morriam para serem salvos. “o Clube do Bolinha”. Jesus não é só uma Luz. quem sabe “o Clube da Luluzinha”. A pregação do Evangelho era a luz num caminho de trevas. que é para os salvos é de fundamental importância às nossas igrejas. mas Sua Santa Palavra – A Bíblia Sagrada. Os filósofos ensinavam que as pessoas não podiam dar “passos no escuro”. infelizmente. porque já eram salvos em Cristo Jesus! Não morriam para salvar. mas um Farol aceso nas densas trevas do pecado.

etc. o batismo é para quem já é salvo. As Sagradas Escrituras mostra-nos que mulheres valorosas também tomaram parte nessa missão mundial ordenada por Cristo. como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios.. É nascer de novo. pois todas as coisas eram 265 . mas selo de autenticação da Salvação. do mesmo modo. Quando tais pessoas se convertiam. por meio da tradição que vocês mesmos transmitiram. as iniciações. ao qual sabemos que não foi justificado por esse ato cerimonial e figurativo.. 2º Deve haver constante evangelização. devido exatamente às conversões erradas. A pregação do Evangelho não estava limitada apenas aos homens. Vocês negligenciam os mandamentos de Deus e se apegam às tradições dos homens”. as profecias. mesmo que para tal fosse preciso perder a própria vida! A vida dos evangelistas era um grande exemplo de fé. Eles não somente pregavam a mensagem da cruz – eles tomavam cada um a sua cruz. O que salva não são os rituais.a fé vem por se ouvir a mensagem. Eles não somente pregavam o Evangelho – eles eram o Evangelho. a fim de obedecerem às suas tradições!. em seu livro “La Comunicación Del Evangelio en el Mundo Actual”. Não somente pregavam a Jesus Cristo – eram verdadeiros imitadores de Cristo. para quem já foi justificado por Cristo Jesus. Muitos pensadores da época da Igreja Primitiva se converteram a Jesus Cristo. tanto para os que não conhecem a Cristo.. Assim vocês anulam a palavra de Deus. Em vão me adoram. O autor Jorge A. O ENTUSIASMO DOS EVANGELISTAS DE ONTEM E DOS DE HOJE Os evangelistas da Igreja Primitiva usavam um meio muito eficaz na proclamação do Evangelho: seus próprios testemunhos de vida..5-9.” VI. (Mc 7. afirma que: “1º A evangelização deve ser tensora – o ponto em que a pessoa se decide por Cristo.17).. pois.discípulos não vivem de acordo com a tradição dos líderes religiosos.” (Rm 10. mas pela fé.. o Rock in Roll Gospel. mas o que leva as pessoas à Salvação. hipócritas. E disse-lhes: “Vocês estão sempre encontrando uma boa maneira de pôr de lado os mandamentos de Deus. coragem e desprendimento material. Ninguém naquela época passava necessidades enquanto outros tinham de sobra. o barulho pentecostal. Os evangelistas do primeiro século pregavam o Evangelho com toda a ousadia. é a pregação genuína da Palavra de Deus. Leon. Sua devoção fazia com que outros se contagiassem e acabassem também se convencendo de que Cristo é real e verdadeiramente ressuscitou! Havia entre eles uma comunhão muito grande. como àqueles que já conhecem.. E Fazem muitas coisas como essa”.13) A conversão é uma mudança total de vida. tomando o lugar da circuncisão outorgada por Deus a Abraão. O batismo não é objeto salvador. mas o seu coração está longe de mim. pois “. era porque compreenderam e assimilaram Jesus Cristo como o Único e Suficiente Salvador. e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo. Tais conversões não se baseavam no emocionalismo. seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens’. como também não tinha uma visão materialista.?” Ele respondeu: “Bem profetizou Isaías acerca de vocês.

éramos conhecidos pelo amor. muitos evangelistas de hoje não ensinam que o “barro” deve ser moldado pelo “Oleiro”. A alegria deles. Não façamos da vida cristã uma monotonia. mas infelizmente hoje. como se houvesse um tipo de ética cristã individualista. viram que Ele não estava lá. não somos livres para fazer o que quisermos da maneira que queremos. fazia com que muitos espectadores se convertessem ao Evangelho. Muitas vezes tentamos encaixar a Palavra de Deus em nossas maneiras mesquinhas e exclusivistas de viver. mesmo numa arena cheia de leões famintos querendo devorá-los. Diferente de alguns contemporâneos a nós. muitos evangelistas atuais tentam nos convencer de que esta terra é um lugar definitivo e que nossa maior alegria está em tirarmos o maior proveito daqui. onde Deus é a loja e nós os consumidores insatisfeitos. mas também não significa que Ele seja um Ser “anacrônico”. isto é. e ainda chamamos a isso de liberdade cristã! Porém. onde tudo é imediato. Eles sentiam-se lisonjeados quando surrados por causa da fé cristã. Quem tinha muito. participantes da “geração microondas”. Ele está vivo. Os evangelistas eram pessoas perseverantes. a razão de sermos luz. Enquanto os evangelistas da Igreja Primitiva mostravam que somos peregrinos na terra. sal e imitadores de Cristo. ou em qualquer outro lugar de martírio. Não se deixavam vencer facilmente. Nosso Deus não depende do tempo. somos conhecidos de forma diferente. Atualmente ouvimos pessoas dizendo: “Vejam com se separam!” O caráter dos cristãos daquela época era totalmente modificado. Não estamos aqui ensinando “primitivismo”. então nunca passará de uma matéria técnica onde guardamos apenas nomes e datas. Além de tudo. e o amor às almas a lenha que ajuda esse fogo a queimar! 266 . Somos livres para servirmos a Deus através da “Ética Absoluta Univérsica” por meio de Sua Palavra. Se a História da Igreja não nos servir de apoio para a conscientização. Muitos até diziam: “Vejam como se amam!”. envoltos em faixas embebidas em azeite ou piche amarrados a um poste pegando fogo. os primeiros cristãos eram felizes. através de nossas tradições dogmatizadas. e que as demais coisas nos seriam acrescentadas conforme a necessidade real e a vontade de Deus. mas relembrando o que fez a Igreja Primitiva de positivo. não é Deus de mortos! O Evangelho deve ser para nós o que foi para os primeiros evangelistas: a razão da estada da Igreja aqui na terra. Enquanto isso. Acham que Deus está somente nos prazeres da vida. mesmo diante de tais circunstâncias. Muitas teologias baratas nos são ensinadas por alguns televangelistas. tentando nos mostrar que cristianismo é somente riquezas e alegrias externas. Quando aquelas mulheres foram ao sepulcro de Jesus.comuns entre eles. da “geração procon”. Preguemos com a convicção e com o entusiasmo que pregaram os evangelistas da Igreja Primitiva. não suportava ver o sofrimento do que nada tinha! Como já ouviu-se em um hino cristão. Não ouvia-se de suas bocas nenhum tipo de murmúrio ou reclamação por estarem sofrendo. O Evangelho deve ser uma chama ardendo em nossos corações.

O ensino evangelístico mostra o que Deus quer de cada um e o que quer da sociedade evangélica: um corpo bem ajustado. e o pior. na mesa de uma casa. porque “quem profetiza o faz para edificação. como algumas igrejas contemporâneas que marcam seus cultos ao ar livre apenas para depois ficarem se gabando de que fazem isto enquanto outras não. Escolhiam lugares não evangelizados e levavam a Igreja ao povo. Quando alguém era usado no dom de profecia.20). na carteira de uma escola. casa. onde o intuito é juntar a maior quantidade de pessoas que puderem. esquecendo-se da eficácia regeneradora do Evangelho. O ensino produz na vida do ser humano a fé e o sustento necessário para que nos tornemos discípulos e discipuladores. boa situação financeira. E isto. Não que isto seja errado. pela ligação de cada uma das partes. tinham em mente que o Evangelho deveria ser compreendido e não seguido cegamente como se fosse uma religião de mistérios só para “iniciados”. não se via Deus prometendo carro. Um desses métodos era a evangelização ao ar livre. A profecia tinha em sua essência a vontade salvadora de Deus na vida do ser humano. mas percebe-se que essas eram totalmente baseadas nas Escrituras Sagradas (Is 8. Método este bem improvisado. Não faziam isto apenas como tarefa. em uma montanha.3). mas sim. MODOS DE PREGAÇÃO DA IGREJA PRIMITIVA E CONTEMPORÂNEA Os evangelistas da Igreja Primitiva não faziam grandes congressos evangelísticos com temas pré-determinados. Em muitas de suas pregações. encorajamento e consolação dos homens” (1ª Co 14. etc. E para tal. marido. O evangelismo ao ar livre pode ser improvisado na polpa de um barco. mas. Os primeiros evangelistas da História da Igreja. locais improvisados na hora. a pregação teve um valor imensurável na Igreja Primitiva.VII. o ensino foi um método muito utilizado por eles pois. Apenas lembramos que muitos evangelistas contemporâneos ocupam-se de tais coisas como se o foco principal dos grandes congressos fosse a satisfação pessoal do pregador e a dos crentes que lá estão. Este tipo de evangelização era feito em locais onde não eram de uso exclusivo para pregadores. passageira e individualista de cada um! Na verdade. só vai crente. em uma carruagem. mas já que seria mais difícil o povo ir à Igreja. O testemunho da Obra Salvadora de Cristo feita em suas vidas também era um meio de evangelização. Era o método evangelístico que mostrava a prova de que 267 . e não almas perdidas para serem ganhas pela pregação do Evangelho. mas com as almas. davam lugar também à profecia. dor de cabeça. Entristece perceber que hoje alguns preocupam-se só com barulho. e não para a mera satisfação material. por uma mente fértil e preocupada não com a aparência. etc. Parece que alguns congressos evangelísticos contemporâneos são mais congressos “evangelásticos”. evangelizavam através de métodos dados por Deus. A evangelização pelo método do ensino não produz pessoas que sempre necessitarão de alguém para ser uma “muleta espiritual” para fazê-las caminhar. na poltrona de um ônibus.

percebiam que a Graça de Deus era manifesta em suas vidas. principalmente quando se tratava do cabeça da família. pois o que está escrito não se muda. em seu sentido real. se lhes perguntássemos como estavam passando. Quando se ganhava uma alma em um lar. Mas isto não era um fator impedidor para essas mulheres valorosas. eles eram motivados pelo sentimento de gratidão. E avivamento. a resposta seria: “melhor do que mereço”! 268 . Os lares eram pontos estratégicos do evangelismo. este poderia evangelizar o restante da casa. no sentido que não mudava-se o teor da mensagem quando era passada de pessoa a pessoa. o último método utilizado que descreveremos aqui. normalmente passava por grandes lutas quando este não simpatizava com o Evangelho. e não o marido. enviou-lhes Seu Único Filho para morrer pela humanidade. através de seu testemunho pessoal. levavam o Evangelho a toda criatura. Felipe e o Eunuco de Candace foram um exemplo disto. quando era a esposa quem aceitava a Cristo. E isto de uma maneira bem mais hermenêutica. Parece que mesmo diante de muitas dificuldades. Eles sabiam que Deus havia provado Seu amor para com eles. pois uma única alma tinha um valor extraordinário. Quais eram tais motivos? Em primeiro lugar. incluindo eles! Assim. até os confins da terra. em forma de agradecimento. que sendo ainda pecadores. Os crentes de Beréia por exemplo foram evangelizados por tal método. Hoje. A escrita foi um método que muito ajudou. ao que parece! Porque não conhecermos mais a Bíblia para podermos fazer como o apóstolo Paulo diante do povo bereano? Qual o valor dado ao estudo minucioso da Palavra de Deus em cursos e seminários pelos nossos atuais evangelistas? Esperamos que a resposta seja positiva! VIII. pois temos o texto ali diante de nós para inquirirmos sobre ele. a falta de um meio de transporte para levá-los aos locais de evangelismo. porém. a examinar-se com detalhes o quer-se dizer com a mensagem.o que pregavam realmente era verdade. foi o da evangelização literária. nem que isto lhes custasse a vida! Eles tinham sentimento agradecido pela salvação até mesmo diante de uma perseguição ou agravos físicos sofridos nesta vida. Um tipo de evangelização diferente da oral. parece ser “geração de novas vidas na igreja” e não “barulhão” de velhos crentes da igreja. dos cultos que não estavam como eles queriam. o que importa a alguns é o “movimento” e não o “avivamento”. e ainda ajuda. A MOTIVAÇÃO PARA SE PREGAR O EVANGELHO ENTRE OS PRIMEIROS EVANGELISTAS ERAM AS MESMAS DOS DE HOJE? Todas as pessoas têm motivações para fazerem algo! Então. porque lembravam-se das palavras de Cristo dizendo-lhes a que amassem mais a Ele do que a família. os primeiros evangelistas da Igreja tiveram suas motivações para evangelizar o mundo de sua época. não reclamavam a vida financeira. Os amigos e os familiares eram os ouvintes. Era favor imerecido! Com isto. etc. apesar de muitos outros utilizados pela Igreja Primitiva. Esses evangelistas não se preocupavam somente com a quantidade. Enfim. O evangelismo pessoal teve destaque nos primórdios da Igreja. Contudo. Não murmuravam.

nosso cargo eclesial. no serviço. Se fosse uma visita cordial de um reino amigo. Por causa disto alguns até acham que os evangelistas da Igreja Primitiva tentavam ganhar as pessoas através do medo quanto a vida após a morte. ou mesmo em nossa casa. e assim por diante. Mas. às vezes. atualmente. CONSIDERAÇÕES FINAIS A história deve servir-nos como alerta. não nos acomodamos a ponto de sermos passivos quanto a salvação do próximo? Moisés colocou sua vida em risco por causa de um povo pecador! Não colocamos nem mesmo nosso tempo. seu irmão. meio 269 . O que aconteceu de bom deve servir-nos como auxílio para a compreensão de nossa tarefa e para que possamos continuar a desenvolvermo-nos na “economia divina”. Conforme o toque de sua trombeta o povo se comportava de maneira diferente. em risco por causa de uma alma. Eles preocupavam-se com o futuro das pessoas. se o atalaia percebia que um reino inimigo se aproximava. nosso nome. Sabiam que se eles não dessem o “sonido da trombeta” ou se este fosse incerto. e não circular como pensa as religiões orientais. muitas pessoas seriam dizimadas ao inferno. Assim. A função do atalaia era ficar de guarda no ponto mais alto dos muros do reino. e não um “conto de fadas”. Eles choravam com os que choram. de qual a maior religião do mundo. uma questão de amor e compaixão pela vida do próximo. Será que muitos de nós. Os evangelistas dos primeiros séculos tinham semelhante responsabilidade concernente à pregação do Evangelho. o toque da trombeta seria em ritmo amistoso. preguemos a Palavra de Deus. mas não era esta a causa do evangelismo deles – ganhar as pessoas – como se fosse um jogo de quem convence mais. seu pai ou mãe iriam para o inferno! Sabiam que isto era um fato. na rua. isto é. Não o futuro temporal. tocava a trombeta no ritmo de guerra para que o povo se preparasse para tal. não está tão longe de nós! Pode estar em nossa volta. com o que se vestiriam ou o que comeriam. O que aconteceu de ruim no passado deve valer-nos como disciplina para não mais errarmos como antes. nossa vida financeira. A História é linear. passageiros e exclusivistas. etc. mas sim. e não conceitos humanos. Não se conformavam em saber que seu Imperador. Será que não seremos culpados de muito sangue? Não estaria na hora de despertarmos do sono? Não está na hora de pregarmos o Evangelho a todo o mundo? O mundo. Toquemos a trombeta em Sião! A terceira motivação era o sentimento de preocupação. Por exemplo. que é semelhante ao de responsabilidade. Vivemos a História promulgada por Deus: a História com começo. Não é uma questão de quem tem mais seguidores. devemos sempre nos perguntar: como posso melhorar na linha do tempo? Olhando a linha e aprendendo através dela parece ser um bom começo! O evangelismo de “Ontem” pode auxiliar bastante no desenvolvimento e no aprimoramento do evangelismo de “Hoje”. Eles sabiam que eram os “atalaias” de Deus. A nossa História não é uma História Sem Fim. A preocupação primária deles era com a eternidade do ser humano. na escola. seu vizinho. Evangelizemos a tempo e fora de tempo.A segunda motivação era o sentimento de responsabilidade. É uma preocupação que vem pelo fato de sabermos o que o futuro sem Cristo reserva para a humanidade descrente.

Série Princípios. 1994. São Paulo: Vida Nova. J. 1989.e fim. Evangelização na Igreja Primitiva. que depois do Estagio se assim o achar apto para o Ministério poderá solicitar a sua ordenação por uma de nossas organizações filiadas no Brasil ou no exterior. O Novo Dicionário da Bíblia. se assim quiser. 2ª ed. logo após respondido e corrigido o questionário. Não sejamos meros espectadores da História da Humanidade. Esta apostila tem 270 pagina boa sorte. Estude com fé depois de ter terminado os seus estudos. envie seu questionário com as respostas devidas para o endereço de e-mail: teologiagratis@hotmail. 2ª ed. Que o “Ontem” de desperte para “Hoje”. GREEN.5. São Paulo: Novo Século. João da. DOUGLAS. Teologia do Novo Testamento. Reverendo Antony Steff Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana Renovada de Nova Vida Presidente da Federação Internacional das Igrejas e Pastores no Brasil ou Fenipe 270 . Períodos Filosóficos. assim você poderá também receber a sua Credencial de Ministro Aspirante ao Ministério de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Michael. D. pois devemos nos preocupar com o “Amanhã”! NOTA BIBLIOGRÁFICA CESARÉIA. PENHA. também poderá solicitar estagio missionário em uma de nossas igrejas no Brasil ou exterior traves da Federação Internacional das Igrejas e Pastores no Brasil ou Fenipe.com. LADD. solicite o seu Lindo DIPLOMA de Formatura e a sua Credencial de Seminarista formado. São Paulo: Ática. 3ª ed. São Paulo: Vida Nova. 1995. George Eldon. São Paulo: Exodus. alcançando media acima de 7. Eusébio de. 1999. 1ª ed. História Eclesiástica. 1997. Sem nadas mais graça e Paz da Parte de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo bons estudos. Deus nos conclama a participarmos dela com mais responsabilidade.

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