Convenio FENIPE e FATEFINA Promoção dos 300.

000 Cursos Grátis Pelo Sistema de Ensino a Distancia – SED CNPJ º 21.221.528/0001-60 Registro Civil das Pessoas Jurídicas nº 333 do Livro A-l das Fls. 173/173 vº, Fundada em 01 de Janeiro de 1980, Registrada em 27 de Outubro de 1984 Presidente Nacional Reverendo Pr. Gilson Aristeu de Oliveira Coordenador Geral Pr. Antony Steff Gilson de Oliveira APOSTILA Nº. 18/300.000 MIL CURSOS GRATIS EM 270 PAGINAS. Apostila 18 Estudando sobre a Igreja CONSAGRADO PARA CUIDAR Parte I O capítulo 8 de Levítico é o cumprimento da ordem dada em Êxodo 29 em relação à consagração dos sacerdotes (cohanim), Arão e seus filhos, dada por Moisés, o libertador e líder do povo de Israel. É um ato de extrema seriedade que descreve, de modo gráfico a responsabilidade dos consagrandos, que eram os guardiães espirituais do povo de Deus. Deste ato distante de nós cerca de 3.300 anos, desejamos extrair lições para o ministro do século 21, tarefa esta do intérprete da Bíblia Sagrada. O Ato de Consagração O ritual é um sacrifício de comunhão com a função especial de consagrar. A cerimônia pode ser dividida em quatro partes: vv. 1-13 Purificação, Vestidura, Unção dos Consagrandos vv. 14-17 Oferta pelo pecado dos Sacerdotes vv. 18-21 Oferta queimada vv. 22-36 Oferta de paz Uma análise da liturgia nos mostra em primeiro lugar o oferecimento de uma oferta pelo pecado, que seria totalmente consumida de acordo com as instruções do capítulo 4 do mesmo livro; e o oferecimento de dois carneiros.

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O primeiro seria oferecido em holocausto, de acordo com o capítulo 1. O segundo, porém tem uma parte especialíssima na cerimônia, razão porque é chamado de "o carneiro da consagração", conforme o verso 22 deste capítulo 8. Lê-se no verso 23 que houve aplicação do seu sangue a algumas partes do corpo dos consagrandos. Este sangue foi usado para trazer Arão e seus filhos a um estado sem igual de santidade. O restante do sangue será jogado ao redor do altar, estabelecendo com este ato um relacionamento especial entre o altar, símbolo do ministério, e os ordenandos, agentes desse ministério. As partes do corpo tocadas pelo sangue são orelha, mão e pé. Esse toque pelo sangue lava-os e dedica-os simbolicamente ao Senhor. Quer também dizer que o ministro de Deus ouvirá e obedecerá, e suas mãos e pés servirão ao Senhor. As lições são extraordinárias: O OUVIR (v. 23) O ministro de Deus há de ouvir corretamente. Referimo-nos à conversação pastoral, chamada por alguns de Clínica Pastoral no gabinete, na visitação ou informalmente. Não a confunda, porém, com aquilo que jocosamente chamam de "papoterapia". Como ministro de Deus e da Igreja de Jesus Cristo, você deve conhecer exatamente o papel que lhe corresponde. Não será um profissional da psicologia, da psicanálise ou das variadas terapias oferecidas à clientela. E, no entanto, seu ministério de ouvir é comparável ao do psicoterapeuta, do conselheiro matrimonial, ou do psicólogo. Muito de seu trabalho tem a ver com ouvir-e-aconselhar. Entretanto, você não receberá honorários pelo aconselhamento, nem fará contrato de trabalho para isso. Você é um ministro de Deus e será procurado não por um paciente ou cliente, mas por uma ovelha sua, ou um semelhante seu que precisa de ajuda. Há quem apenas deseja falar, conversar; dê ouvidos, pois para isso sua orelha foi ungida. Há quem queira injeções de otimismo cristão, de esperança. Há quem tenha sérios sentimentos de culpa, de rejeição. Há quem precise ser confrontado. Uma coisa, porém, é certa: você tem autoridade dada por Deus e pela igreja que o chamou para dar esse conselho, essa exortação ou esse confronto. O ministro de Deus deve ouvir corretamente. Assim, você precisa ouvir o que está por trás das palavras. Palavras ditas, palavras não ditas, e palavras em suspenso. Talvez os lábios digam algo, mas a expressão facial, as mãos, 2

a expressão corporal digam outra. Você precisa "ouvir" corretamente os sentimentos de quem está à sua frente. Na Clínica Pastoral, ouça bastante antes de opinar. Leve a ovelha a falar; viva a situação do outro. Você é chamado a um ministério de simpatia, de carinho, de afeição e de amor. Sobretudo quando você é enérgico! Desde que você começa a ouvir, está fazendo Psicoterapia Pastoral. Isso é afirmado pelo Dr. Wayne Oates, autor ou co-autor de mais de quarenta livros e por muitos anos professor de Aconselhamento Pastoral (Pastoral Care), no The Southern Baptist Theological Seminary em Louisville. Você é visto dentro de um esquema todo especial: há um significado simbólico em você como ministro de Deus. O pastor, por exemplo, é um ponto de referência na igreja para o povo de Deus. Ele simboliza e representa a comunidade cristã, e é agente dessa comunidade de Cristo, de Deus. Há muita esperança quando alguém procura o pastor. Por essa razão, é terrível, medonho mesmo, quando as palavras do pastor são divinas, mas seus hábitos de vida contradizem essa dimensão... Você representa e simboliza muito mais do que você mesmo: você representa o Pai, você leva a palavra de Cristo e o faz sob a direção do Espírito Santo. Quem vai ao seu gabinete espera e deve sair abençoado. Você vai ouvir confissões, vai ouvir palavras de arrependimento. Mas não pressione: ajude no processo de crescimento. O TOCAR (v. 23) O ministro de Deus é ungido na mão para tocar vidas. Estamos nos referindo, então, à influência. Você vai tocar muitas vidas e deve fazê-lo com cuidado e leveza. Use suas mãos para abençoar a criança, o jovem, o adulto, o idoso. E faça-o com carinho. Leve-os à consciência do santo, lembrando ao crente em Jesus Cristo que a rigor, para o povo de Deus, não existem espaços separados, compartimentos estanques entre o secular e o religioso, o sagrado e o profano, pois a vida pública, social, civil do crente em Jesus Cristo há de ser normatizada pelo senso do santo. Leve-os ao senso da providência, à fé, à gratidão, ao arrependimento, à comunhão, à vocação. Você há de tocar vidas; há de xer com as emoções das pessoas: raiva, medo, alegria. Você vai lidar com almas enfermas. São doenças do comportamento, mazelas do espírito, enfermidades psicossomáticas. Você terá um ministério a desempenhar nas crises. Crise é qualquer acontecimento que ameace o bem-estar de uma pessoa, e interfira na sua rotina de vida. O nascimento de uma criança, a morte de um parente, o fim 3

de um casamento, o desemprego, a aposentadoria são crises . Você há de entrar em contato e reduzir a ansiedade, encorajando a pessoa a agir. Lembre-se de que cada situação de crise é única, sem igual. Ou como o povo diz, "Cada caso é um caso". Você há de tocar vidas em diferentes níveis de cuidado pastoral: o Nível da Amizade; o Nível do Conforto; o Nível da Confissão, o Nível do Ensino e o Nível do Aconselhamento e Psicoterapia. Devo estas classificações ao Dr. Oates. Há pessoas aflitas que necessitam de apoio; há aqueles enfrentando a morte que precisam do poder espiritual que o pastor representa; há pessoas com enfermidades crônicas; há deficientes físicos; há famílias com filhos com déficit mental; há os deprimidos e os desapontados com o amor ou outra causa. Todos estes estão no Nível de Conforto. Há o jovem solteiro, os jovens casados, o adulto de meia-idade, a viúva, a mãe solteira, o separado/desquitado/divorciado, o hospitalizado, todos em diferentes níveis do seu cuidado pastoral. O ANDAR (v. 23) O ministro de Deus é ungido no pé para andar santamente. Estamos falando de ética. Para isso, necessária é a ajuda do Espírito Santo. Se você não tem a ajuda do Espírito de Deus para crescer na graça e na maturidade, vai ser difícil entender a Bíblia, impossível aplicá-la às vidas, será um problema conviver com as ovelhas, e terrível dominar atitudes internas. Mais do que nunca, é preciso ser imitador de Cristo. Para sê-lo, porém, é preciso andar no Espírito, andar santamente. E andar santamente exige análise freqüente de nós mesmos, submissão do eu a Deus, e plenitude do Espírito Santo, que é o Seu controle em nossas vidas. Você há de visitar. Irá a muitos lugares e lares. Há dois tipos de visitas: as regulares e as de emergência. Não visite só nas crises: você precisa visitar o seu rebanho em tempos de paz. Seja ético, então, quanto ao que ouve, vê e aconselha. CONCLUSÃO O final da narração de Levítico 8 registra a obediência dos consagrandos, Arão e filhos. Isso nos ensina que consagração é entrega absoluta marcada pela obediência irrestrita às ordens de Deus. Nossa oração é que nosso ministério seja pontuado agora, hoje, sempre pela disciplina, obediência, entrega e consagração total àquele que é o Mestre de nossas vidas, Senhor do nosso futuro, Salvador de nosso ser. A Catedral

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Uma catedral para a honra e a glória de nosso Senhor Jesus Cristo se constrói momento a momento à medida que uma mão se estende e toca outra mão com amor humano, e à medida que um coração responde em amor a outro coração capacitado pelo Espírito Santo para anelar, escutar, elevar e amar-nos uns aos outros. Para que todos, em todo lugar possamos oferecer outros dons que Deus nos tem dado: Integridade nas relações, Alegria e paz na fidelidade, Fortaleza para fazer por meio da igreja, Mais do que pedimos ou imaginamos. Margaret Shannon Parte II LEVANDO A SÉRIO A CEIA DO SENHOR "Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, havendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo que é por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto do meu sangue; Fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha. De modo que qualquer que comer do pão, ou beber do cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim como do pão e beba do cálice. Porque quem come e bebe, come e bebe para sua própria condenação, se não discernir o corpo do Senhor" (1Co 11.23-29). A Ceia Memorial tem sido celebrada num ambiente espiritual, profundo, reverente e cheio de certeza, além do destaque que a Ceia do Senhor nos fala numa linguagem silenciosa porém plena de energia. Temos o pão e o vinho, elementos simples, porém altamente destacados nesta celebração. E nesta simplicidade, ela se torna um meio de comunicação de algumas importantes mensagens para o povo de Deus. Quando levamos a sério a celebração da Ceia do Senhor, usamos de determinadas linguagens: A LINGUAGEM DE COMEMORAÇÃO (v.25)

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fazei isto.Paulo diz isso: "Semelhantemente também. daquilo que somos. ele disse "E o Verbo se fez carne. mas pelo Senhor. cheio de graça e de verdade". Sl 78. ou seja. fazemos algo pelo Senhor. e para que pensemos nEle. que é o corpo de Jesus Cristo que sofreu no Calvário. Is 18. fosse no deserto. ou nas grandes batalhas. Estamos pregando a mensagem de livramento de redenção para todo o que crê! Como precisamos de memoriais! Sim. a gloriosa presença de Deus no meio do Seu povo.19). Jesus Cristo estabeleceu duas ordenanças. todas as vezes que o beberdes. marcou presença. dizendo: Este cálice é o novo pacto no meu sangue. e habitou entre nós. até mesmo a escolha de certas palavras tem o seu lugar na Escritura Sagrada. é a palavra grega que diz skinê. em memória de mim". 22. Quando nosso país joga na Copa. "o Verbo habitou. presença divina" é shekinah. Cada vez que a glória do Senhor se manifestava no meio do povo de Israel. a palavra que significa "manifestação de Deus. e quem já passou por isso o 6 . porque estamos aqui. dizemos que o sangue de Jesus Cristo foi derramado por nós. em Canaã. "para que pensem novamente em mim. Percebam o som do hebraico sh ki nah e do grego s ki nê. e somente duas: o Batismo e a Ceia Memorial. mas já estava com Jesus Cristo no paraíso após a crueldade daquele momento. Quando João escreveu a narrativa que abre o Evangelho que leva o seu nome. porque estamos pregando o Seu sacrifício para a salvação de todo aquele que crê. Então. a palavra grega utilizada não é do hebraico: é grega. apenas uma filigrana lingüística: na língua hebraica. O impressionante. Estamos dizendo isso quando tomamos o pão nas mãos. manifestou-se entre nós". na verdade não precisa. é que a Ceia do Senhor é celebrada por Sua Igreja. São ordenanças sem qualquer benefício acessório para a salvação. ou vontade de Deus que as palavras assemelhadas fossem usadas pelo escritor sagrado? Para que se manifeste a glória de Deus. e quando tomamos o cálice. O malfeitor da cruz não precisou se batizar. precisamos de memoriais para que nos lembremos de quem somos. A outra ordenança é a Ceia do Senhor. quando observamos a Ceia do Senhor. no entanto. do Batismo. Uma pessoa em sendo salva por Jesus Cristo. é que o vocábulo utilizado por João para dizer. tomou o cálice. tem outra origem. Aqui.60.1. sempre era celebrada a manifestação da shekinah divina (cf. Pela inspiração do Espírito de Deus. os memoriais brasileiros se apresentam por todos os lados: é a bandeira do Brasil sendo desfraldada. e aonde estamos indo. As duas palavras têm praticamente o mesmo radical. Coincidência. E não existe sentimento maior. depois de cear." A presença de Jesus Cristo é algo extraordinário na vida cristã. não por nós ou pelos outros. para acrescentar algum valor maior à salvação.

e se emocionar com o verde-amarelo tremulando nos mastros com outras bandeiras. ao se participar da Ceia do Senhor.. o amor cívico. não é comunicação com um morto como querem ensinar por aí. Sim.. Não confundamos as coisas: quando falamos de comunhão. Isso se chama filia. com a igreja de Corinto. e o parto na frente dos irmãos. e o Seu sangue escorrendo pelas mãos. que se reuniu não para o melhor. Nisto. Temos que lembrar da nossa indignidade e da beleza do perdão. não. não estamos dizendo que nos unimos a Jesus Cristo através do Nirvana. são 39 anos celebrando a Ceia do Senhor praticamente mês a mês (e houve época quando o fiz duas vezes no mês). que vou dizer-vos não vos louvo. e pelo tronco da cruz. e diz "Mas. e que pela graça de Deus fui feito Seu filho! Lembro-me. quando nos reunimos seriamente para celebrar este ato memorial. Quando se ouve o nome de Maria Quitéria. patriótico. não para melhor. Por essa razão. Assim. 17-20) Paulo disse: "Nisto. mas para pior" (v. não estamos tendo uma visão. Não há comunhão física.sabe. temos o memorial da Ceia do Senhor. mas para o pior. entre o homem pecador e o Deus perfeito. lembramos a aliança. eu me emociono. não: é patriotismo mesmo! Sim. não! A Palavra nos ensina que a Ceia do Senhor é um memorial. a data principal da Bahia! Falamos de amor conjugal. A LINGUAGEM DA COMUNHÃO (vv. não de Cristo. de que fico com as mãos trêmulas. Ao longo destes 39 anos de ministério da palavra e das ordenanças. sem dúvida. Não é doença. se alguém quiser ser contencioso. logo lembramos do Dois de Julho. É isso o exatamente o que faz a Ceia do Senhor: ela nos relembra o dom da vida através da morte de Jesus Cristo. e derramo um pouco no cálice. Aconteceu. infelizmente. reunia-se para a indignidade. quando tomo a jarra de vinho. que estar num outro país. Paulo está preocupado. mas ainda hoje tremo quando tenho na minha memória e coração a cena de Jesus Cristo no Calvário. precisamos de memoriais. místico. porquanto vos ajuntais. mas uma comunhão espiritual. e pela nossa identificação com essa cruz: a minha cruz. porém. utilizamos a linguagem da comemoração. que vou dizer-vos não vos louvo. se a levamos a sério. ainda me emociono quando participo da Ceia do Senhor! E cada vez que seguro o pão. pela Sua testa. mas não é comunhãode-cafezinho! Por isso. não estamos falando de encontro sobrenatural. pela lembrança de Cristo na cruz. como querem pregar as religiões orientais. porque me vem à mente que sou indigno pecador. pela face. porquanto vos 7 . nós não temos tal costume. nem tampouco as igrejas de Deus. mas a minha cruz! Há uma comunhão entre os crentes na Ceia Memorial. Com certeza: precisamos de memoriais. 17). há uma comunhão espiritual pela lembrança de Cristo na cruz. porém.

lei de guerra! O "estranho" não era o pagão. ou beber do cálice do Senhor indignamente.10. e se não temos essa impressão profunda. como eram as normas no acampamento de Israel no deserto: somente podiam se aproximar dos móveis os sacerdotes. e assim coma do pão e beba do cálice". era o próprio povo de Israel. no entanto. A lei não era fácil: era marcial. com várias camadas de tecidos (e de cores diferentes para mostrar o grau de santidade do objeto). e ninguém via a forma do objeto. há um paradoxo: o irmão pode sair pior se tomou a Ceia do Senhor indignamente! É o que Paulo diz.ajuntais. e quando celebramos com seriedade a Ceia. como guardas de segurança do tabernáculo. e depois que tudo era embalado. os sacerdotes entravam. 27-29) Quando celebramos a Ceia usamos esse tipo de linguagem.). será culpado do corpo e do sangue do Senhor. entre outros deveres. o homem a si mesmo. a unidade da igreja. por isso podemos nos aproximar dos objetos. pois. E depois todos queriam se reunir para "tomar cafezinho"?! A Ceia do Senhor não é para isso. A igreja estava seccionada por causa de trajes (capítulo 11)?! Havia divisões por causa de uma doutrina (cf. Examine-se. Havia divisões na igreja de Corinto quanto a questões de doutrina. é isso o que estamos proclamando! A LINGUAGEM DA CONSAGRAÇÃO (vv. os levitas pegavam o pacote e faziam o carregamento nos carros de boi para o transporte pelo deserto. a qualidade de vida espiritual. etc. capítulos 12 e 14). Quando havia necessidade de desmontar o tabernáculo para se transferirem para outro lugar. mas para pior". o "povão"! Na Igreja de Cristo fomos todos elevados ao sacerdócio. sairemos com a mesma amargura e rancor com que entramos. Interessante que a Ceia do Senhor não torna ninguém melhor: ninguém vai sair melhor porque tomou a Ceia do Senhor. porque a tomamos agora. não. Veja bem a seriedade de seus objetivos. "será culpado 8 . e o propósito da Ceia! O que Paulo está enfatizando é a harmonia da Ceia. Só que há uma diferença muito grande: na Igreja Cristã o pastor não é o sacerdote. E sempre é lembrado o seguinte: "e o estranho que se chegar será morto" (Nm 3. e os outros. não para melhor. Estive lendo sobre os levitas e sacerdotes (Números 3 e 4). A conduta dos irmãos de Corinto destruía o propósito da igreja. embalavam os móveis. da Mesa do Senhor! Mas tem uma coisa: se o irmão vier à Mesa do Senhor com as mãos sujas. nem os levitas que eram os seus auxiliares. Os levitas funcionavam. Fiquei arrepiado! Que coisa impressionante a legislação. E. por essa razão é dever de cada um solene e seriamente examinarse sobre quais são os seus interesses e propósitos quando se aproxima da Mesa do Senhor. "De modo que qualquer que comer do pão.

de alegria. Porque quem come e bebe. Meu coração está limpo. e. ou beber do cálice do Senhor indignamente. dizendo: Este cálice é o novo pacto do meu sangue. depois de cear. na noite em que foi traído. será culpado do corpo e do sangue do Senhor. come e bebe para sua própria condenação. sujo? · Que é que eu desejo? Quais os meus sonhos e visões. além do destaque que a Ceia do Senhor nos fala numa linguagem silenciosa porém plena de energia. fazei isto em memória de mim. Quanto seriedade é exigida dos participantes?! Então. Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor. em comunhão espiritual porque essa é a realidade que vivemos agora. e. o partiu e disse: Isto é o meu corpo que é por vós. Fazei isto. e assim como do pão e beba do cálice. sobretudo. devemos dar graças a Deus pelo privilégio de termos um diálogo com a Ceia do Senhor. profundo. Temos o pão e temos o vinho. se não discernir o corpo do Senhor" (1Co 11.27b)! O irmão não sai melhor.do corpo e do sangue do Senhor" (1Co 11. como posso me lembrar dEle? Phillip Henry diz que o crente quando for participar da Ceia deve fazer três perguntas: · Que é que eu sou? Filho de Deus. tomou o pão. Semelhantemente também. até que ele venha. A Ceia Memorial tem sido celebrada num ambiente espiritual. que venhamos à mesa do Senhor em espírito de comemoração porque essa é a linguagem que falamos agora. de esperança porque nós olhamos para o dia da volta de nosso Senhor Jesus Cristo! Parte III O DIÁLOGO DA CEIA DO SENHOR Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus.23-29). e consagração pessoal porque esse é o propósito. todas as vezes que o beberdes. em memória de mim. que a Ceia do Senhor não é um funeral (para que cara triste?): a Ceia do Senhor é uma celebração de fé. o objetivo. reverente e cheio de certeza. ou borrado. pois. havendo dado graças. o homem a si mesmo. assim. minha vida é digna da comunhão com os outros crentes? Permanece a minha aliança com o Deus vivo? Se não conheço a Jesus Cristo. E lembrando. o alvo de nossa vida sempre. mas pode sair pior do santuário. e sou eu um com os Seus? Estou em harmonia. tomou o cálice. Examine-se. ou manchadas. que almejo na Causa de Jesus Cristo? Não é sério? Então. 9 . salvo pelo sangue de Jesus? Lavado pelo Seu sangue? · Que é que eu tenho feito? Minhas mãos estão limpas. estou vindo com fé na morte de Jesus Cristo? Vivo diariamente pelo poder da ressurreição de Jesus Cristo? São perguntas que tenho que fazer! É Jesus realmente o alimento da minha alma? Sou eu um dos Seus. De modo que qualquer que comer do pão.

A LINGUAGEM DE COMEMORAÇÃO (v. dizemos que o sangue de Jesus Cristo foi derramado por mim e por 10 . Cada vez que a glória do Senhor se manifestava no meio do povo de Israel. o que fazemos como testemunho público do que Jesus Cristo fez na nossa vida. mas o batismo é um ato de obediência: Jesus até foi batizado por João. Pela inspiração do Espírito de Deus. ou vontade de Deus que as palavras assemelhadas fossem usadas pelo escritor sagrado? Para que se manifeste a glória de Deus. na verdade não precisa do Batismo para acrescentar algum valor maior à salvação. É extraordinária a presença de Jesus Cristo na vida cristã. Jesus Cristo estabeleceu duas ordenanças. Is 18. mas já estava com Jesus Cristo no paraíso após aquele momento cruel. a palavra que significa "manifestação de Deus. Pois bem. fazei isto. Quando João escreveu a narrativa que abre o Evangelho que leva o seu nome. depois de cear. é que a Ceia do Senhor é celebrada por Sua Igreja. Não é preciso. todas as vezes que o beberdes. marcou presença. O malfeitor da cruz não precisou se batizar. é a palavra grega que diz skinê. E nesta simplicidade.elementos simples e destacados nesta celebração. Aqui. Percebam o som do hebraico sh ki nah e do grego s ki nê. As duas palavras têm praticamente o mesmo radical. até mesmo a escolha de certas palavras tem o seu lugar na Escritura Sagrada. e quando tomamos o cálice. Coincidência. fazemos algo pelo Senhor. presença divina" é shekinah. A outra ordenança é a Ceia do Senhor. mas pelo Senhor. "para que pensem novamente em mim". cheio de graça e de verdade". ou seja. fosse no deserto. manifestou-se entre nós". em memória de mim". ele disse "E o Verbo se fez carne. porque estamos pregando a Sua morte para a salvação de todo aquele que crê. outra origem. que é o corpo de Jesus Cristo que sofreu no Calvário. a palavra que João utilizou para dizer "o Verbo habitou.19). sempre era celebrada a manifestação da shekinah divina (cf. quando observamos a Ceia do Senhor. a palavra grega utilizada nada tem a ver com o hebraico: é outra língua. apenas uma filigrana lingüística: na língua hebraica. ela se torna um meio de comunicação de algumas importantes mensagens para o povo de Deus.1. em Canaã. e habitou entre nós. São ordenanças sem qualquer benefício acessório para a salvação. não tem a mesma categoria. Uma pessoa em sendo salva por Jesus Cristo. Estamos dizendo isso quando tomamos o pão nas mãos. 22. inclusive lingüística. dizendo: Este cálice é o novo pacto no meu sangue. a gloriosa presença de Deus no meio do Seu povo.25) Paulo diz isso: "Semelhantemente também. ou nas grandes batalhas.60. Então. Sl 78. e mandou que a Igreja praticasse o batismo. e para que pensemos nEle. tomou o cálice. e somente duas: o Batismo e a Ceia Memorial. não por nós ou pelos outros.

por nós. Isso aconteceu. e se emocionar com o verde-amarelo tremulando nos mastros com outras bandeiras. não para melhor. É isso o exatamente o que faz a Ceia do Senhor: ela nos relembra o dom da vida através da morte de Jesus Cristo. mas para pior" (v. o amor cívico. Assim. respectivamente. precisamos de memoriais para que nos lembremos de quem somos. Sem dúvida. porque estamos aqui. Por essa razão.você. Que coisa triste. como querem pregar orientais. que vou dizer-vos não vos louvo. Temos que lembrar da nossa indignidade e da beleza do perdão. a da carne e do sangue de Jesus Cristo! O Senhor tenha piedade! Isso não se encontra na Escritura?! A comunhão com Cristo não necessita que a substância desses elementos materiais seja mudada. logo lembramos do Dois de Julho. 17). ao se participar da Ceia do Senhor. não estamos tendo uma visão. lembramos a aliança. Sim. não estamos falando de encontro sobrenatural. místico. precisamos de memoriais. pela lembrança de Cristo na cruz. 17-20) Paulo disse: "Nisto. infelizmente. O Novo Testamento nos ensina que a Ceia do Senhor é um memorial. e aonde estamos indo. não é comunicação com um morto como querem ensinar por aí. reunirem-se os nossos irmãos para atos indignos! Não confundamos as coisas: quando falamos de comunhão. porquanto vos ajuntais. sem dúvida. daquilo que somos. não. Não há comunhão física. quando nos reunimos para a Ceia. Estamos pregando a mensagem de livramento de redenção para todo o que crê! Como precisamos de memoriais! Sim. ensinando que no momento em que são pronunciadas as palavras de instituição ("isso é o meu corpo" e "isso é o meu sangue") que tanto o pão quanto o vinho mudam a sua substância. os memoriais brasileiros se apresentam por todos os lados: é a bandeira do Brasil sendo desfraldada. mas uma comunhão espiritual. que se reunia para a indignidade. e as suas substâncias tornam-se. E não existe sentimento maior que estar em outro país. ela utiliza a linguagem da comemoração. com a igreja de Corinto. 11 . patriótico. Quando se ouve o nome de Maria Quitéria. temos o memorial da Ceia do Senhor. não! É por esses erros todos que doutrinas estranhas surgiram ao longo da história da Igreja Cristã. Quando nosso país joga na Copa. Isso se chama filia. porém. precisamos de memoriais. a data principal da Bahia! Falamos de amor conjugal. não estamos dizendo que nos unimos a Jesus Cristo através do Nirvana. A LINGUAGEM DA COMUNHÃO (vv. Como a transubstanciação. entre o homem pecador e o Deus perfeito.

Terrível! Havia divisões na igreja de Corinto quanto a questões de doutrina. mas para pior". nós não temos tal costume. a qualidade de vida espiritual. Examine-se. há uma comunhão espiritual pela lembrança de Cristo na cruz. e diz "Mas. pela Sua testa. ninguém vai sair melhor porque tomou a Ceia do Senhor. não para melhor. e pela nossa identificação com essa cruz: a minha cruz. que vou dizer-vos não vos louvo. e o parto na frente dos participantes. e quando celebramos a Ceia. nem tampouco as igrejas de Deus. e o Seu sangue escorrendo pelas mãos. mas não é comunhão-de-cafezinho. se alguém quiser ser contencioso. porquanto vos ajuntais. tenho me emocionado sempre que participo da Ceia Memorial! E cada vez que seguro a côdea de pão. A igreja estava dividida por causa de uma doutrina (cf. pela face.Ao longo destes quase quarenta anos de ministério da palavra e das ordenanças. Nisto. capítulos 12 e 14).. porém. é isso o que estamos dizendo! A LINGUAGEM DA CONSAGRAÇÃO (vv. havia divisões por causa de trajes (capítulo 11)?! E depois todos queriam se reunir para "tomar cafezinho"?! A Ceia do Senhor não é para isso. e o propósito da Ceia! O que Paulo está enfatizando aqui é a harmonia da Ceia. 27-29) Quando celebramos a Ceia usamos essa linguagem. e derramo um pouco no cálice. não! Porque tomamos agora. ou beber do cálice do Senhor indignamente. e se não temos essa impressão profunda. Você participou da Ceia só porque os outros iam ver. Fiquei arrepiado! Que coisa impressionante a legislação. o homem a si mesmo. mas ainda hoje tremo quando tenho na minha mente e coração a cena de Jesus Cristo no Calvário. sairemos de novo com a mesma raiva e amargura do nosso irmão em Jesus Cristo! A conduta dos irmãos de Corinto destruía o propósito da igreja. é a unidade da igreja. e que pela graça de Deus fui feito Seu filho! Lembro-me. como eram as 12 . são 39 anos celebrando a Ceia do Senhor praticamente mês a mês (e houve época quando o fiz duas vezes no mês). porque me vem à mente que sou indigno pecador. por essa razão é dever de cada um solene e seriamente examinar-se sobre quais são os seus interesses em Jesus Cristo. Interessante que a Ceia do Senhor não torna ninguém melhor. E agora o paradoxo: o irmão pode sair pior se tomou a Ceia do Senhor indignamente! É o que Paulo diz. e pelo tronco da cruz. fico com as mãos trêmulas ainda. eu me emociono. Sim. porque a Ceia do Senhor não é isso! Por isso. e você ia ficar com vergonha se ficasse sentado e não participasse? Quais são seus propósitos quando se aproxima da Mesa do Senhor? Estive lendo sobre a congregação dos levitas e sacerdotes (Números 3 e 4).. Paulo está preocupado. Na verdade. mas a minha cruz! Há uma comunhão entre os crentes. e assim coma do pão e beba do cálice". será culpado do corpo e do sangue do Senhor. "De modo que qualquer que comer do pão. pois. não de Cristo. quando tomo esta jarra de vinho.

em comunhão espiritual porque essa é a realidade que vivemos agora. sujo? · Que é que eu desejo? Quais os meus sonhos e visões. e os outros. E lembrando. sobretudo. de esperança porque nós olhamos para aquele dia! Que o Senhor nos ajude e abençoe! Patte IV VESTIMENTA NA IGREJA 13 . salvo pelo sangue de Jesus? Lavado pelo Seu sangue? · Que é que eu tenho feito? Minhas mãos estão limpas. estou vindo com fé na morte de Jesus Cristo? Vivo diariamente pelo poder da ressurreição de Jesus Cristo? São perguntas que tenho que fazer! É Jesus realmente o alimento da minha alma? Sou eu um dos Seus. Quando havia necessidade de desmontar o tabernáculo para ir para outro lugar. A lei não era fácil: era marcial. e.). "será culpado do corpo e do sangue do Senhor" (1Co 11. o "povão"! Na Igreja de Cristo fomos todos elevados ao sacerdócio. Meu coração está limpo. assim. o objetivo. não. que almejo na Causa de Jesus Cristo? Então. e ninguém via a forma do objeto. ou manchadas. e depois que tudo era embalado. da Mesa do Senhor! Mas tem uma coisa: se o irmão vier à Mesa do Senhor com as mãos sujas. Os levitas funcionavam.10. os levitas pegavam o pacote e faziam o carregamento nos carros de boi para o transporte pelo deserto. de alegria. lei de guerra! O "estranho" não era o pagão. ou borrado. por isso podemos nos aproximar dos objetos. entre outros deveres. embalavam os móveis. e sou eu um com os Seus? Estou em harmonia. e consagração pessoal porque esse é o propósito.normas no acampamento de Israel no deserto: somente podiam se aproximar dos móveis os sacerdotes. nem os levitas quer eram os seus auxiliares. que a Ceia do Senhor não é um funeral (para que cara triste?): a Ceia do Senhor é uma celebração de fé. que venhamos à mesa do Senhor em espírito de comemoração porque essa é a linguagem que falamos agora. Então. minha vida é digna da comunhão com os outros crentes? Permanece a minha aliança com o Deus vivo? Se não conheço a Jesus Cristo. era o próprio povo de Israel. devemos dar graças a Deus pelo privilégio de termos um diálogo com a Ceia do Senhor. etc. mas pode sair pior do santuário. o alvo de nossa vida sempre.27b)! O irmão não sai melhor. com várias camadas de tecidos (e de cores diferentes para mostrar o grau de santidade do objeto). os sacerdotes entravam. Só que há uma diferença muito grande: na Igreja Cristã o pastor não é o sacerdote. como guardas de segurança do tabernáculo. como posso me lembrar dEle? Por isso que Phillip Henry diz que o crente quando for participar da Ceia deve fazer três perguntas: · Que é que eu sou? Filho de Deus. E sempre é lembrado o seguinte: "e o estranho que se chegar será morto" (Nm 3.

Tais vestimentas são precursoras de muitas outras medidas adotadas por Deus. do tropicalismo. razão pela qual decidimos tratar francamente deste assunto com toda a igreja. causando transformações radicais em nossas mentes. Vejamos no Texto Sagrado alguns ensinamentos bem objetivos sobre a vestimenta do povo de Deus. cercadas de pessoas nuas por todos os lados. Há uma monumental investida contra a moralidade do ser humano. mas sim com o recato e o decoro que devem ser peculiares aos santos. de antiquado ou de autoritário. transformações essas que nos atribuam redobrada autoridade espiritual e testemunhal diante desta geração corrompida e perversa em que vivemos. social e espiritual da humanidade. Porém. ou seja.. da liberação feminina. vejamos algo sobre. da quebra dos paradigmas. Chegou para ficar e se estabelecer como referencial de comportamento cristão. que se reflete na vestimenta. visando o bem-estar físico.Introdução: "Nesta casa não tem moda. Apenas desejamos apresentar aos irmãos textos bíblicos que devem nortear a nossa experiência de fé e de vida cristã. dos regionalismos ou da libertinagem e do hedonismo peculiar a pós-modernidade. tem recato". pois creio que na igreja de Jesus Cristo não deve existir a preocupação exagerada com a moda. as pessoas estão cada vez mais nuas.Gênesis 3. relacionadas a moral e aos bons costumes. da Rede Globo. Há algum tempo temos alertado a igreja sobre esta questão. 14 . bem como no combate de toda a sorte de malignidade que tenta corromper os parâmetros de Deus para a santidade do cristão. Medidas que se tornaram necessárias por causa da corrupção imposta pelo pecado à natureza humana. em nome de Jesus. O trágico é reconhecer que esta nudez desenfreada chegou à igreja. Não importa a razão. para asseverar a minha convicção espiritual em relação a vestimenta do cristão verdadeiro. 1. Inicialmente. parece que estão ilhadas. Aquelas que insistem em se vestir bem e com decoro. mesmo sob a pecha de radical.. pretendemos persistir no combate desta maldição. de retrógrado. mas parece que não temos sido bem-sucedido nestes alertas. A primeira roupa .21: Vemos que o primeiro a apresentar a preocupação com a vestimenta do ser humano foi o próprio Deus. Não pretendemos desenvolver um tratado teológico sobre o tema e nem desejamos agir com rigorismo em termos de usos e costumes. o que é absurdo. Faço minhas as palavras da personagem de Tarcísio Meira na série Um só Coração. Seja em nome da moda. permanecendo fiel a Cristo e a convicção ministerial que temos de que a igreja brasileira necessita urgentemente experimentar um avivamento de santidade.

É pecado. Pior ainda é a seminudez. Em segundo lugar. todos fomos feitos sacerdotes para Deus. vejamos algo sobre. Desta referência concluímos que estar na presença de Deus consciente da nudez imoral é afronta contra o Senhor.Êxodo 28. O homem foi criado em santidade e a nudez não lhe causava constrangimento diante do Criador. com a roupa íntima do sacerdote. a partir do sacrifício de Jesus.6 e 1 Pedro 2. Adoração é ato de culto.. Apocalipse 1. que instiga e explora a sensualidade. visto que nos aproximaremos de Deus. provocando pensamentos impuros e constrangimentos ao desnudo. Devemos observar que mesmo sob maldição. verso 21. Deus fez túnicas de peles. roupas de gala. As roupas para a adoração . que fazem referência aos paramentos e assessórios sacerdotais. 15 . da quebra de um padrão estabelecido por Deus.9. É reconhecimento do caráter divino e da santidade do Deus objeto da adoração.1-4: Neste texto Deus exige roupas especiais. destacando a preocupação de Deus até com os calções. Mas depois do pecado. roupa que cobre tudo o que deve ser preservado e que indica parâmetros de moralidade e de respeito entre serem humanos. 2.Nos versos 10 e 11 de Gênesis 3 o homem alega medo de Deus devido a sua nudez. Ou seja. Podemos verificar também os versos 31-35 e 39-43 de Êxodo 28. O princípio que se encerra neste contexto bíblico é o de que as vestimentas que usamos no ato de culto devem ser limpas. uma vez quebrada a imagem e semelhança moral de Deus no homem. puras e santificadas. para a desonra. em pecado. verso 42. com o rasgar do véu no templo. Por esta razão. para o sacerdote na ministração do culto e da adoração. Se a sua mente tenta justificar a não aplicação deste texto em sua vida.. que é santíssimo. O conceito básico que estabelece os parâmetros da vestimenta sacerdotal é o de que as roupas são como referencial de apresentação diante da glória de Deus e para a glória do Deus que é adorado. A nudez neste contexto representa a consciência da corrupção. Deus não expulsou o homem do Éden nu. Deus exige roupas especiais para o ato de culto verdadeiro. devo ressaltar que a Palavra de Deus assevera que. ou seja. a nudez passou a ser motivo de medo. A glória de Deus manifesta é símbolo real e indiscutível da presença de Deus no culto ministrado diante dele e para ele.

humilhado. Ficou frustrado e aborrecido ao se sentir desprezado pelo profeta. Este texto mostra que Naamã ao se dirigir ao servo de Deus. Vale ressaltar que o Texto Sagrado alerta até mesmo aqueles que não são servos de Deus e que não têm. amados. bem como durante os cultos.. por isso. As afirmações destes versos. com aplicações em ouro.. que o representa na ministração para as nossas vidas. Afinal. levou roupas finas e luxuosas. Este gesto de Naamã aponta para o reconhecimento da superioridade do profeta em relação a ele e para o reconhecimento da soberania de Deus em relação a sua vida e circunstância. indicam. é que Deus requer decência de cada um de nós. Devemos ter a consciência de que estamos diante do próprio Deus e que. Naamã. Somos os sacerdotes consagrados por ele e para ele. por 16 . Vejamos em seguida algo sobre. com aquela atitude. Porém.9. desejando causar boa impressão e agrada-lo. 3. embora traduzidas como "esplendor do seu santuário" ou "esplendor da sua santidade".indicando que o cuidado de Deus vai além da roupa aparente. a luz do contexto geral da Bíblia. A realidade. o seu coração ainda era obstinado e Deus conduziu o profeta para que. roupas de festa.14. uma experiência íntima com ele. ou seja. trajados com decência. Não podemos estar na Casa de Deus com vestimentas que não sejam expressão da nossa busca de santidade. Hebreus 12. Desta maravilhosa narrativa bíblica fica para nós a seguinte lição: não é molambo. a tomarem cuidado com os seus trajes quando estiverem em uma situação que saibam que estarão diante de Deus. como "beleza da sua santidade". quando nos apresentamos diante do Senhor para prestar-lhe culto. o grande general. nem trapo velho encardido.2 Reis 5. Deus requer moralidade na adoração e na ministração dos cultos. que é o que nos habilita a estarmos diante do Senhor em adoração. em sua idéia mais remota. nem roupas indecorosas ou falta de roupa que se deve levar para a presença do Senhor ou do servo de Deus. Pensando ainda em roupas para a adoração. não entendia bem tudo o que estava acontecendo. nem modismo. prata e cravejadas de pedras preciosas. eram roupas especiais.1-6: Reverência tem a ver com a postura resultante da conscientização a que chegamos em relação ao valor do outro. que devemos estar bem vestidos. ou ainda. bem como pelo fato de o profeta não aceitar os seus presentes. Naamã fosse quebrantado. Roupas como sinal de reverência . devemos observar ainda os ensinos de Salmos 29. curado e salvo.2 e 96.

Vejamos ainda algo sobre. principalmente a dos homens. bem como da restituição do nosso direito espiritual como herdeiros de Deus em Cristo. vestes espirituais. Isso não é verdade. o Deus que está pronto a nos quebrantar. Estas roupas novas simbolizam o perdão que nos foi outorgado. que exige dos homens um alto padrão de santidade para a oração. em especial o verso 8. Por fim. não podemos mais permanecer maltrapilhos. em seu retorno.. A condição de coitado. Quando nos convertemos Deus nos honra e nos dá novas vestes. "a melhor roupa". como que deserdadas por causa do pecado.21-22: Neste texto identificamos duas questões importantes: O filho reconhecendo o seu estado e admitindo a perda da condição de filho e o pai amoroso dando ao filho pródigo.. mostrando que reconhecemos a superioridade e a soberania de Deus. Roupas como sinal de restauração .9-10: Estes versos falam em trajes decorosos e sem luxúria como a vestimenta ideal para o servo de Deus. pode estar tentando se justificar dizendo que o ensinamento paulino não se aplica a você. miserável e nu é para aqueles que serão vomitados pelo Senhor devido a mornidão espiritual. roupas novas. devemos estar bem trajados.isso. Os farrapos de uma vida dissoluta e distanciada de Deus e dos parâmetros da moralidade devem ser jogados fora e trocados por vestimentas novas. servindo também como prova da nossa aceitação na casa do Pai.1 Timóteo 2. Em Cristo nos tornamos pessoas especiais... Vamos nos ater as roupas. limpas e decentes. vejamos algo sobre. Em Jesus não somos mais pessoas separadas de Deus. indica a transformação de vida que o jovem experimentara. levando o melhor possível.14-22.Lucas 15. 4. O parâmetro de Deus para a vestimenta do cristão . tendo regatado a nossa posição espiritual como filhos de Deus. A exigência de decoro e de moralidade na vestimenta é para mulheres e homens ao mesmo tempo. desnudados ou vestidos de maneira indecorosa. A entrega de roupas novas para o filho. a nos curar e ministrar salvação. sapatos e um anel. mesmo que com roupas humildes e simples. 17 . mas com decência e decoro. que simbolizam a nossa restauração e a retomada da nossa condição de filhos. 5. Mais uma vez a sua mente. O que comprova isso é o contexto geral do capítulo. em especial osversos 16-18. e não para os filhos que vivem em perfeita comunhão com o Pai. Apocalipse 3.

em nosso caráter. utilizado por Paulo. falarão mais alto do que as suas palavras em meio ao burburinho esganiçado da promiscuidade na qual chafurda a nossa sociedade. Lembre-se. Paulo usa o termo para fazer referência também a moralidade sexual que nos é exigida por Deus e que deve se refletir em nossas roupas. que falam das roupas de boa qualidade. suas roupas. no original. Roupas sobrecarregadas de luxúria e de sensualidade.15.9-17. pois não haverá tempo para trocar de roupa antes de entramos no céu. que é agora santificado pela ação do Espírito Santo que em nós habita. que é o desejo de pecar. ou roupa decorosa. que eram as mesmas vestes que usavam aqui na terra. mas creio que já vimos o bastante para estabelecermos parâmetros éticos para a nossa igreja. Nossas roupas indicam se temos maus ou bons costumes morais. por certo. do indivíduo. Em contrapartida. no que diz respeito a nossa vestimenta. A maneira como nos vestimos ressaltam o valor moral que atribuímos ao nosso corpo diante de Deus. por certo as pessoas perceberão que nós nos honramos e que lutamos para nos preservar em santidade diante de Deus. Isso é verdade desde que não haja falsidade em nossos corações A escolha não é muito difícil. Conclusão: Outros textos poderíamos estudar sobre o tema. imorais. de valor e de discreta beleza usadas por Jesus. tais como João 19. O termo traduzido por "traje decoroso". Se nos vestimos com luxúria as pessoas poderão imaginar que somos licenciosos. bem como o nosso senso de preservação da nossa integridade moral. Se nos vestimos com decoro. A luxúria se contrapõe acirradamente ao decoro. Ou seja. O jeito como nos vestimos reflete a nossa consciência moral em termos de sexualidade.23-24. que fala da roupa dos mártires na glória. O que vestimos mostra o que esperamos que as pessoas pensem de nós em relação a maneira como tratamos a nossa sexualidade. Apocalipse 7. Deus exige dos seus filhos uma vestimenta decorosa e isenta de qualquer sintoma de luxúria. que refletem lascívia e libertinagem imoral. Está relacionado com a postura que adotamos para a vida. A nossa roupa pode refletir o nosso caráter. ou seja. que reflete a sua compostura moral e espiritual. É licenciosidade moral que denota a lascívia. Deus exige de nós um comportamento recatado através do qual as pessoas percebam que estamos libertos do desejo de pecar e que fomos restaurados em nossa moralidade.Decoro é recato no comportamento e decência no vestir. que descreve o fato de termos as roupas sempre à mão como sinal de preparo espiritual para o encontro com Jesus. Luxúria é comportamento desregrado em relação a sexualidade. e a concupiscência. 18 . e Apocalipse 16. que é pecado. ultrapassa a idéia de vestuário simplesmente.

Será mesmo que não temos razões que justificam estudar este tema? Vale ressaltar ainda que este estudo. em todo o lugar onde estivermos e no nosso cotidiano. Por fim. Porém. É Palavra de Deus. Por isso. nossa oração é para Deus. Deus há de restaurar e transformar a consciência de cada um. desigual e agonizante como percebemos a nossa. não podemos fazer o papel do Espírito Santo no convencimento das pessoas. na escola. como decorrência. tomara que caia (que para os mais afoitos devia chamar "pena que não caiu"). não se deve permitido blusas de alças (aquelas blusas que só tem as alcinhas e mais nada). bem como para se subir na plataforma para ministrar o louvor. mas em casa.. a aceitação parcimoniosa do divórcio e. sem ajustes humanos. vamos ao objetivo deste estudo que não é nada que a igreja já não saiba. promiscuidade. na igreja. visto que. lascívia. Não nos preocupa nem mesmo o fato de você pensar que este assunto não deveria ser tratado na igreja. o culto ou qualquer outra participação. "Já até sei qual vai ser o resultado disso". visto que imoralidade. toque em nossas mentes e corações a fim de que mudemos radicalmente a maneira de nos vestirmos. a prostituição desenfreada. no cóxi ou no "rego".. embora de cunho ético. em fim. pois o pastor não deve se dar ao trabalho de vigiar ninguém. de hoje em diante. é também evangelístico. Se você procura outro evangelho que não o de Jesus Cristo. A igreja de Cristo não é o seu lugar. ao estar na frente para ministrar o culto. pelo Espírito Santo.Talvez você esteja se perguntando: Onde se pretende chegar com este estudo? Ou quem sabe você esta ruminando com os seus botões. pois em diversas ocasiões manifestamos nossa posição bíblica sobre a questão da vestimenta do cristão. devem ser estabelecidas algumas regras bíblicas em relação a vestimenta que se usará para a participação e para ministração nos cultos. para qualquer coisa. Não só na igreja. Não é o pastor que manda. como já dissemos neste estudo. no que diz respeito a utilização do púlpito. É Bíblia. decote umbilical. Seria uma bênção se estas normas fossem aplicadas pelos irmãos e irmãs de modo geral. Não importa. Pois apresenta o evangelho verdadeiro. e nem decotes meia-taça que 19 . que nos quer santos para ele e santificadores pelo testemunho cristão autêntico. sem relativizações éticas e sem a tentativa de se fazer a vontade humana. para declamar. Uma vez realizado o estudo. a gravidez na adolescência. Lógico que cabe ao pastor a ministração da Palavra e a supervisão quanto a obediência aos ensinamentos do Senhor. bateu no estudo errado. O resultado da imoralidade no vestir é uma sociedade corrompida. O resultado dessas estratégias diabólicas tem sido a violência sexual contra as crianças. a banalização do adultério. Este estudo apresenta o evangelho que é a luta por se fazer a vontade de Deus. para cantar. exploração da sensualidade na vestimenta e o cinicamente chamado nu artístico são ações maléficas do diabo contra a natureza humana e a sociedade. famílias destroçadas. Mas devemos tratar destas questões na igreja sim. no trabalho. como pastores.

micro-saia. 20 . Entre a perversão do modismo e as Escrituras. e que estamos devidamente vestidos para a adoração e em profunda e sincera reverência a Deus. Com roupas deste tipo não se deve participar da ministração. para ministrar na presença de Deus. mesmo que para isso tenhamos que fazer uma "fogueira santa" com as roupas que usávamos até sermos exortados na Palavra de Deus. Esperamos no Senhor que este estudo seja suficiente para uma tomada de posição nossa como igreja de Cristo no Brasil. entre a frouxidão moral e Palavra de Deus. Diante de Deus e da congregação devemos estar bem trajados. Porém. Não importa. cantar em conjunto ou pregar. Não mais se deve permitir o uso de mini-saia. Haja unção para olhar e não pecar. fazer anúncios. Somos nós e os nossos filhos que nos vestimos indevidamente. demonstrando que não temos mais os temores do pecado quanto a nossa nudez. ficamos com a Bíblia. Diante da igreja.. ou mesmo roupas esculachadas. e nem com uma calça comprida atarracada no corpo.. Não precisaríamos ouvir críticas ou cobranças por causa de vestimenta. que não condizem com o padrão de Deus para a vestimenta do salvo e nem com o testemunho cristão. Seria maravilhoso se num domingo fizéssemos esta fogueira para queimar as roupas das quais o Senhor nos libertou depois de termos estudado a Palavra. Quanto às críticas ao autor e ao estudo. por que estas não são roupas adequadas para se estar na frente da congregação. fazendo a sua vontade. muito obrigado. Seja para apresentar visitantes. ficamos com a Bíblia. para ministrar o culto ou o louvor. o estigma de radical ou a renúncia do pastorado. tocar. diante de Deus. Se não compramos. na genitália ou no traseiro. Isto por quê? Porque fomos restaurados por Deus da nossa natureza pecaminosa e porque estamos dispostos a obedecer ao Senhor. Não se deve ir para a igreja com calça de cós baixo (daqueles que ficam no púbis) sem uma blusa ou camiseta que cubra os quadris. ficamos com a Palavra de Deus. Mesmo que isso nos imponha a impopularidade. aos críticos. em nome de Jesus. cantar. Somos nós que compramos as roupas dos nossos filhos. vestidos curtos (daqueles que vão só até a cabeça do fêmur) ou transparentes e translúcidos. no que diz respeito a vestimenta. Seja para dirigir programa. expressa na Bíblia Sagrada.projetam os seios para os olhos incautos dos homens ávidos por aconchego ou mesmo dos desavisados. não se deve permitir mais uma vestimenta indecorosa. Entre a relativização ética e o Texto Sagrado. Vamos assumir a nossa responsabilidade e corrigir a nossa conduta moral. admitimos que eles comprem ou que usem. modismos exagerados e imorais.

23).. saibas como se deve proceder na casa de Deus. pela entrega. No culto comunitário. Há. o louvor é a nossa resposta ao amor de Deus. raças e 21 . Tozer: “Deus salva os homens para fazê-los adoradores. Na verdade. Cantar. com que objetivo? A Casa de Deus É lugar de adoração. Podemos. submissão e pedido de socorro. no entanto. O crente troca a independência. pois o Espírito Santo age através do coração. Parte V “ALEFREI-ME QUANDO ME DISSERAM. fato esquecido hoje em dia por liberais. a qual é a igreja do Deus vivo. cultuar é confessar que se mantém um relacionamento com o Criador. coluna e esteio da verdade” (1Tm 3. louvamos a Deus em conjunto. É o que diz a nota de explicação do Salmo 122 com a expressão “cântico de degraus” (“gradual” ou “de romagem”. dos pés. a auto-suficiência. há pessoas de diferentes origens. É nesse pensamento que o poeta exclama com tanto entusiasmo. edificante experiência de ver o povo de Deus chegando cada manhã ao templo é uma alegria dominicalmente renovada. meditar. Adorar. apóstolo: “Escrevo-te estas coisas. orar. no caso de eu tardar.. níveis sociais. após a salvação. é se deixar inflamar pelo Deus Pai.1) A tocante. “de romaria” ou “de procissão” em outras traduções). recebemos a Palavra em conjunto. como testemunho para Israel. No dizer de Paulo.4) Jesus Cristo ensina que o Senhor busca adoradores (Jô 4. inspiradora. pelo Deus Filho e por Deus Espírito Santo. das mãos. Se não somos adoradores. porém. a fim de darem graças ao nome do Senhor” (Sl 122. mesmo. visto que. imaginar as multidões indo à Beth haMikdash (Templo) em Jerusalém.aonde sobem as tribos. ou como bem o expressou A. dos lábios que se renderam ao Criador. O povo ia ao Templo de Jerusalém. que ser assim.14. o passo mais importante que o novo crente. tudo leva à adoração. para que. a rebeldia pela rendição a Deus.Amém.15). e cantando à medida que iam se aproximando dos portões da Cidade Santa. o crente deve dar é unir-se ao povo de Deus na instituição que Ele estabeleceu para o propósito de lhe trazer crescimento: a igreja local. crentes com espírito de louvor. v. seitas e (até) cristãos bíblicos”. “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor!” (cf. Porém. embora esperando ir ver-te em breve. e vem hoje ao templo." Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor” (Sl 122.. W. confessamos nossos pecados em conjunto. e saímos para servir com um só propósito embora em situações e contextos distintos. Está na Palavra Santa: “. Assim. No culto.. não poderemos trabalhar aceitável e adequadamente pelo reino de Deus. 4). é mais que qualquer um desses atos. as tribos do Senhor.

5: “Pelo que todos quanto somos perfeitos tenhamos este sentimento. Irreverência na casa do Senhor é pecado grave. surgindo a necessidade de reavivar-se a chama dentro de nós.20).1a)? É até possível ampliar a explicação exortando a guardar os ouvidos. e se desviar dos seus maus caminhos. Isso nos recorda o ensino bíblico de que é pecado trazer no culto divino e ao serviço do Senhor qualquer coisa que não proceda de uma vida renascida. pela compreensão do grande. o Espírito Santo está presente: “E. e sararei a sua terra” (2Cr 7. aquilo que é tão bem expresso na Bênção Apostólica: “A graça do Senhor Jesus Cristo. Não expressa a Escritura.2). a tua obra no meio dos anos. É o senso de conjunto. se sentis alguma coisa de modo diverso. Dominados haveremos de ser por um anseio de uma maior consagração. vidas são áridas num mundo árido. na oração. a esperança fortalecidas. e a igreja como um todo tocar pelo Espírito de Deus. É o fogo estranho de que fala Levítico 10. a coragem. O crente há de compreender que. é ambiente de conseqüente avivamento. quando estou com o povo de Deus. no entanto. ó Senhor.6. “Aviva.. tendo eles orado. no canto coral. se evaporam no canto congregacional. eu sinto a maior alegria. e enriquecida pela comunhão dos irmãos. aí estou eu no meio deles” (Mt 18. “Orai pela paz de Jerusalém” pede o salmista no Salmo 122. então eu ouvirei do céu. e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós” (2Co 13.4. algo vai acontecer: sua vida será agraciada pela presença de Deus..13). são as energias espirituais renovadas. a mãos. A dinâmica do culto consiste em deixar-se o crente individualmente. Por vezes.14). Deus está presente: “O Senhor está no seu santo templo. que se chama pelo meu nome.. muito grave.culturas. e. os olhos. eterno amor.” (Hc 2. E. de adoração conjunta em perfeito acordo com o que Paulo acentuou em Filipenses 3.1 e Números 3. e orar.3. na leitura bíblica. ao vir ao culto. Deus também vo-lo revelará”.31). “Alegrei-me de verdade. O 22 . queremos e pelo qual clamamos. Assim. alegrei-me com tudo o que eu sou. faze que ela seja conhecida no meio dos anos. e perdoarei os seus pecados. E o Senhor nos responde: “e se o meu povo.” É a fé estimulada. quando o culto termina. Jesus Cristo está presente: “onde se acham dois ou três reunidos em meu nome.20). e todos foram cheios do Espírito Santo. por que no culto. Habacuque expressou este clamor ao dizer. Há um popular hineto que diz: “Quando estou com o povo de Deus. Todas essas distinções. o despertamento que buscamos. e anunciavam com intrepidez a palavra de Deus” (At 4. O cristão evangélico não “assiste ao culto”: dele participa. eu sinto real harmonia. “Guarda o teu pé quando fores à casa de Deus” (Ec 5. É o reaquecimento. e o amor de Deus. diz o adorador-em-espíritoe-em-verdade. na mesma expectativa quanto à pregação. prezamos. na ira lembra-te da misericórdia” (3. na entrega dos bens e vidas. a robustez. e traz sério prejuízo espiritual para toda a igreja. alegrei-me quando me disseram: vamos à casa do Senhor!” A casa de Deus é um lugar de oração.. se humilhar. e buscar a minha face. a mente e o coração. tremeu o lugar em que estavam reunidos.

como é costume de alguns. o dever de casa.culto não é um drama encenado para uma platéia de espectadores. os temores afastados. ler e meditar em casa. Cuidado com a música de qualquer jeito. sem espírito de cooperação. porque nada vai compensar o culto que você perdeu. os passeios. 23 .” É ausentar-se podendo estar presente. Não pode haver culto se não há adoração com seriedade. por exemplo. e a fé revigorada na adoração coletiva. A música deve afunilar juntamente com as leituras bíblicas.. todo culto. sem quebrantamento e sem consagração. não basta a um cristão dizer que pode orar. . Algo Prático O cantar. as falsas idéias e doutrinas corrigidas. escritos em mau português. nunca o destaque pessoal. É ato corporativo.” (Hb 10. pela harmonia ou pelo ritmo. O objetivo é unicamente a glória de Deus. a oração e as ofertas para o tema a ser explanado e desenvolvido no sermão. A palavra de Deus é claríssima sobre esse tema: “consideremo-nos uns aos outros. sem humildade. Há quem se interesse pelo som. o calor. Há quem esteja mais interessado no que alguém imaginosamente chamou de LITORGIA. a praia. crescer na igreja. não abandonando a nossa congregação. onde em poucas palavras há um erro crasso de linguagem? O hino deve ser reverente. se o louvor é sem reverência. o frio. a alegria do culto divino é um sentimento antecipado... e o culto todo é uma tremenda apoteose de louvor. hinetos e doxologias por corinhos de paladar duvidoso. Portanto. há quem se interesse pelo barulho em vez do serviço a Deus. A tradução do Pe. Sim. “Não deixando as nossas reuniões. É não deixar que a chuva. trazer o amor de Deus e enfatizar a adoração.”. a TV. ou o turismo eclesiástico nos impeça de vir à própria congregação. O bom hino comunica o amor do Pai. em vez da liturgia (palavrinha boa que significa “o trabalho do leigo”). sem ensaio. É errado chamar a primeira parte do culto de Louvor. o futebol. O irmão Lawrence afirmou. Negromonte esclarece ainda mais. na realidade. ou ligar a TV e ter a igreja eletrônica com um pregador de estúdio “olhando” para você (?!) da tela fria do televisor.. Consiste na obediência. o velho e persistente comodismo. a corrida de automóveis.25). visto que. sem confiança. mas não pelo Senhor que é exaltado nos seus versos. a alegria da presença de Deus. porque a alegria não é encontrada em cantar certo tipo de música ou viver com certo grupo.. improvisada. “Não consigo imaginar como pessoas religiosas podem viver satisfeitas sem a prática da presença de Deus”. A música são as flores do jardim da adoração. e acentuada essa alegria quando compartilhamos a adoração com outros crentes. “Jesus é a aliança entre você e eu. e nada vai comprar as bênçãos divinas. Aliás.24. ou realizado tão somente pelo oficiante sem a presença de um auditório.. como. porque nosso Deus não merece nem tolera isso! Por que substituir os teológica e musicalmente bem escritos hinos... a “axé music” evangélica em vez da calma onde se manifestou o Espírito de Deus a Elias (1Rs 19. cantar. bíblico.12b). As ausências. com uma teologia que não é bíblica. popularescos. pois é preciso crescer com a igreja. sem espírito de dependência. o “trio elétrico” evangélico”.

Hb1:1. adoração (cf. Se a adoração. Teologia é o estudo de Deus. o louvor. visto que adorar. Como podemos conhecer a Deus sem estudar a revelação que Ele faz de Si mesmo? Como saber quem Ele é e o que Ele tem feito e faz. mas não um ato de culto. Se a adoração não nos levar a maior obediência. sim. Nosso 24 .23. o espírito de unidade.Sl19:1. Serão verdadeiras essas afirmações? Admitimos que há muita coisa por aí levando o nome de "teologia" que não passa de especulação humana. Perguntamos. quem somos nós em relação a Ele. Não é disto que falamos aqui. É porque Deus Se revelou que podemos conhece-Lo.2.etc.10b). Quando deixamos a congregação. de que Ele pode ser conhecido. Neemias nos inspira: “porque este dia é consagrado ao nosso Senhor. o culto não nos transformar. quando entramos é fé e esperança.crescer para a Igreja de Cristo em sua expressão local. por conseguinte. quando saímos é amor. se não investigarmos o que Ele deixou revelado para nosso conhecimento? Pois esse é o trabalho da Teologia. o que Ele requer de nós.2. E o que é verdadeira Teologia? Como o próprio nome indica.21). se a Igreja pode prescindir do conhecimento de Deus e da Sua obra e ainda ser Igreja de Deus. Quando entramos no templo é a expectativa. É quase certo que aqueles que negam a necessidade da Teologia na vida da Igreja não diriam. quando nos ausentamos da igreja. perdemos o fervor. por isso. “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor!” Parte VI A IGREJA PRECISA DE TEOLOGIA? Introdução e Conceitos É comum ouvirmos que "a teologia mata a religião" ou que "a Igreja não precisa de teologia e. não levamos os filhos a crescer e a igreja perde a cooperação.. E até a "boa teologia". quando se torna um fim em si mesma. por não se basear em pressupostos de uma hermenêutica bíblica. nas Santas Escrituras (Revelação Especial .B. como. quando saímos é obediência. 1 Pd 1:20. conscientemente. principalmente. louvor. embora não de modo exaustivo e completo. O que lhes falta é um bom conhecimento do que é Teologia e de suas implicações. de que Ele tem Se revelado tanto por meio de Suas obras (criação e providência . "é a ciência que trata de Deus em Si mesmo e em relação com a Sua obra" (B. é só agitação. a comunidade de fé de você faz parte. Mt 5. o segundo. At 14:17).Revelação Geral . louvar. Esse trabalho parte de três pressupostos: O primeiro é o de que Deus existe. Perguntamos se a verdadeira Teologia é necessária à Igreja. cultuar é transformarse. que alguém pode ser cristão sem conhecer a Deus. Portanto não vos entristeçais. pode não ter qualquer uso prático e reduzir-se a mero academicismo. não pode ser chamado culto. e o terceiro. Warfield). pois a alegria do Senhor é a vossa força” (8.24). ou. de vida". definindo mais formalmente. não recebemos as bênçãos do culto.

Assim entendidas. 2Tim 4:3-4. mas pela própria pessoa de Cristo. Sua ascensão e assentamento à direita do Pai. nem natural. Sua morte substitutiva. há dois mil anos atrás. devidamente aplicada pelo Espírito no coração do crente. devidamente entendida. de modo mais completo agora. é "doutrina" ( "didache" ou "didaskalia". portanto. no N. fica evidente que não há diferença entre Teologia e Doutrina. Sua vida de perfeita obediência à Lei. qualquer estudo de Deus que não tiver a Sua revelação como base. etc. Tito 1:2.T. nesse sentido. Elas se baseiam em duas falsas antíteses: 1. É possível alguém ser "bom teólogo". mas conhecer e compreender a revelação que Ele próprio deu de Si. Sua segunda vinda. A essa forma ordenada de doutrinas. que vem de uma raiz que significa "ensinar" e pode se referir tanto ao ato de ensinar. Mas voltemos ao nosso tema. Como viemos a saber que aquele menino que nasceu em Belém é o Filho de Deus? Por que descansamos na eficácia da Sua morte para a expiação dos nossos pecados? Por que sabemos que a Sua ressurreição. Podemos dizer.1Tm 6:3-4. o nome de "Teologia Sistemática". que Teologia é o conjunto de verdades extraídas dos ensinos bíblicos a respeito de Deus e de Sua obra. no grego). é que assegura essa graça. a que damos o nome de "doutrina". A palavra "teologia" não ocorre na Bíblia e o termo que lhe é equivalente.).9. não altera o conceito de "teologia". nem através de um exato entendimento da doutrina da Expiação.conhecimento de Deus não é intuitivo. Sua ressurreição. O adjetivo aqui. mas pelo próprio ato expiatório. garante a nossa justificação? É porque esses fatos são todos explicados e interpretados pela doutrina. como ao conteúdo do que é ensinado (Rm 6:17. dá-se inclusive. mas sobre os atos poderosos e eficazes do nosso soberano Deus. "Fazer teologia". 25 . Duas são as razões geralmente apresentadas para se dizer que a Igreja não precisa de Teologia. Mas como sabemos que esses são os fatos? Que sentido teriam esses acontecimentos se não tivessem sido interpretados? É a doutrina que lhes dá sentido.. meio e princípio regulador não é "teologia". não é inventar teorias a respeito de Deus e de Suas obras. A primeira é a suposição de que o Cristianismo se baseia em fatos e não em doutrinas Concordamos que nossa salvação não repousa sobre um conjunto de teorias ou idéias. mas comunicado por Ele mesmo através dos meios que soberanamente escolheu. e ainda não experimentar as graças ensinadas nas doutrinas que expõe. Seu nascimento sobrenatural. mesmo que extraídas corretamente da Bíblia. na forma de um corpo de doutrinas. A doutrina realmente não salva. Não somos salvos através de uma correta teoria a respeito da pessoa de Cristo. Por isso. e que são apresentadas de modo sistemático. nem mesmo "descobrir" a Deus. A obra de Cristo. são os grandes fatos que tornam garantida a salvação dos eleitos. propriamente.

nossa fé é vã e permanecemos ainda em nossos pecados"( Selected Shorter Writings. Segundo esse ponto de vista. consiste em "fatos que são doutrinas e doutrinas que são fatos". O Cristianismo. fluente. mas esta àquela. a doutrina é estática. 2. O ensino da doutrina é uma das ênfases da Bíblia (1Tm 3:2. vol 2. Quando João diz: "E o Verbo se fez carne.B. A doutrina não salva. as emoções. Concluímos. não está apenas apresentando um fato. mas também 26 . portanto. adaptada sempre à dinâmica da vida e conformada às "necessidades" da época e do lugar onde a vida do Cristianismo se manifesta. A prática (práxis) é colocada acima da doutrina não só em importância. ou quando a chamam de "mãe natureza"?. Ef 4:11). e que procura eliminar da religião todo apelo ao intelecto. 234). mas se isso não for um fato histórico também. Isto é o que se vê em toda a Escritura. pois sem ela não existe verdadeiro Cristianismo. e. e não somente que Ele aja. Podemos hoje entender que "os céus manifestam a glória de Deus" (Sl 19:1) porque o Criador nos tem revelado isso na Sua Palavra. dizem. e habitou entre nós. Aqueles que assim pensam até admitem um certo tipo de doutrina. portanto. Sem a revelação do Criador. que os fatos só têm sentido quando acompanhados da doutrina. Não é o acontece quando as pessoas dizem que "a natureza é sábia". a criatura toma o seu lugar. gerando a idolatria (devido ao pecado).e ressuscitou por causa da nossa justificação" (Rm 4:25). Ele diz: "A Encarnação é uma doutrina: nenhum olho viu o Filho de Deus descer dos céus e entrar no ventre da virgem. mas o espírito vivifica". portanto. Sem essa explicação. Seria o mesmo que indagar qual das duas pernas é mais importante para o nosso caminhar. não em doutrina Por trás dessa afirmação podem estar raízes do conceito filosófico que exalta o misticismo. como lemos em Rm 1:18-32. Doutrina sem fato é mito. mas fato sem doutrina é mera história. Até mesmo os fatos manifestos na natureza (Revelação Geral) não seriam devidamente compreendidos se não fossem explicados pela Bíblia (Revelação Especial). não pode ser compatível com o caráter do Cristianismo". mas pode tornar o homem sábio para a salvação (2Tm 3:15). à razão. Tito 1:9. Daí dizer-se que para se conhecer a Deus é preciso que Ele fale. A segunda é a suposição de que o Cristianismo consiste em vida. 2Tm 2:2. "A letra mata. está explicando-o também. argumentam. especialmente nas epístolas. Warfield. Até chamam a isso de "teologia contemporanizada" ou "contextualizada". Quando Paulo afirma que Jesus "foi entregue por causa das nossas transgressões. "Religião é vida e a vida é dinâmica. cheio de graça e de verdade" (Jo 1:14). p. fria. na expressão de B. Nem é pertinente perguntar qual dos dois é mais importante. não é a doutrina que deve dirigir a vida. Fato e doutrina se complementam no Cristianismo. sua mensagem (a dos céus) passaria despercebida e eles poderiam até ocupar o lugar do Criador. de igual modo está dando uma interpretação aos fatos da morte e ressurreição de Cristo. desde que mutável.Esta não só informa o fato como também dá o seu significado. o sentimento religioso do homem.

É através dela que ficamos sabendo que a vontade de Deus é a nossa santificação e que. o meio que o Espírito soberanamente usa para nos fazer conhecer a vontade de Deus e nos levar a praticá-la. primeiramente vida. falta a alma da verdadeira religião. Concordamos também que Cristianismo é vida. nos moldes escriturísticos. que a trouxe de volta às origens e lhe recuperou a vida. e que sejam facilmente levados "por todo vento de doutrina". não alterá-la. não estamos afirmando que apenas a doutrina. Hb 12:14). para que seja aplicável em todas as épocas. sucessivamente. das emoções. independente da obra santificadora do Espírito. com base na palavra de Deus. Mas devemos ou podemos prescindir da doutrina para que essa vida se manifeste? Antes de tudo. nem princípio fixo. até os nossos dias. então não haverá verdade absoluta. A doutrina é. assim. Sem dúvida. É ela que nos aponta os meios de graça deixados pelo próprio Senhor. E não há outra forma de se fazer isto a não ser pela doutrina. É a correta aplicação da doutrina que produz a verdadeira vida cristã. é a verdade de Deus relativa? Depende o seu valor do lugar e da época em que se encontram os homens? Sabemos que esta é a posição atual dos que se denominam pluralistas e esse é o pressuposto básico desta posição. É para que continue sempre sacudindo de si toda tradição e acréscimo humano que não estejam de acordo com os valores fixos e absolutos da palavra de Deus. Será que aquilo que foi deixado por Paulo e pelos outros apóstolos como doutrina para os seus dias deveria ser mudado nos dias de Agostinho. isto sim. ninguém verá o Senhor ( 1 Ts 4:3. nem revelação objetiva. Há até quem interprete assim a célebre divisa: "Igreja reformada sempre se reformando". Mas será essa a visão bíblica do Cristianismo? Podemos dizer. tão bem exposta pelos reformadores e tão negligenciada pela Igreja.no tempo: a doutrina passa a ser um produto da vida cristã. Foi a falta da verdadeira doutrina que enfraqueceu a Igreja e a lançou num tradicionalismo vazio e pagão. da "piedade". depois doutrina? Existe tal antítese? Se essa posição for verdadeira. depois nos dias de Lutero e Calvino. e graças a Deus por isso! Onde a vida não se manifesta. Tudo cairá no campo dos valores relativos e passará a depender do subjetivismo. Não admira que haja tanta "fluidez" e instabilidade entre os que assim pensam. a doutrina é o que menos interessa. Reformar é voltar às origens. Para estes. Não basta apenas um sentimento religioso para fazer de um homem um cristão. produz vida. que é quem nos 27 . Foi a doutrina bíblica. para dar lugar às manifestações de vida? Não creio que a Bíblia justifique essa posição nem que esses teólogos a tenham entendido assim. sem esta. que o Cristianismo é vida e não doutrina. É preciso que sua vida seja moldada na doutrina de Cristo.É a doutrina que dá característica à vida. ou. ao que foi intencionado no princípio por Deus. O princípio de que "a Igreja reformada deve estar sempre se reformando" visa manter sempre a mesma posição em relação à verdade. no século XVI. depois nos dias de Warfield e dos Hodge e. não a sua norma.

A primeira referência bíblia sobre a igreja aparece em Mateus 16:18 1. 01."chamados para fora" .Corpo de Cristo . tanto através do púlpito como pelos estudos semanais.Noiva do Cordeiro . pela Escola Dominical e por qualquer outro meio disponível. 11:2. 1:22-23 .1 . porque precisa da doutrina nela contida para dar sentido e expressão aos fatos do Cristianismo e para prover os meios de manifestação da verdadeira vida cristã.Templo do Espírito Santo . Conclusão Concluímos. Ef 5:26). Qual o verdadeiro significado deste termo! Quais as responsabilidades daqueles que dela participam. A ORIGEM DA IGREJA 1. Nas epístolas paulinas. Rm 1-11: doutrina.Ef. Parte VII A IGREJA."povo de Deus" "Ekklesia" . Atos 2:1-4 02.No Novo Testamento . CORPO DE CRISTO TEXTO: EFÉSIOS 1:22-23 PROPOSTA: A nossa proposta é a de conhecer o que a Bíblia fala sobre a igreja. Por isso. onde o fazer a vontade de Deus está ligado ao conhecer a doutrina: "Se alguém quiser fazer a vontade dele. 12-16: prática). portanto.Ef. a tua palavra é a verdade" (Jo 15 :17) e em João 7:17.santifica (Lv 20:7-8. a íntima relação entre doutrina e prática é evidenciada pelo seu método de apresentar primeiro a argumentação teológica (doutrinária) para depois tirar as implicações práticas dela decorrentes (Ex. A NATUREZA E AS FUNÇÕES DA IGREJA COMO CORPO 2. em que Ele associa a prática da santificação com a doutrina da Palavra: "Santifica-os na verdade.1 . mas é pela pregação da Palavra que vem a fé que transforma (Rm 10:7) A espada do Espírito é a Palavra (Ef 6:17). 1:23 . conhecerá a respeito da doutrina. da razão. Nossa demonstração de vida pode impressionar as pessoas e despertar nelas certa admiração.Outros títulos: . Ap.Ef. 2:21-22 .2 Cor. se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo".Plenitude de Cristo . o ensino da doutrina é indispensável na Igreja.2 . Isso se torna ainda mais claro na oração sacerdotal de Cristo. O conhecimento de Deus começa pela porta do intelecto. 19:7 28 .O nascimento da Igreja ocorreu n dia de Pentecoste. para depois pervadir todas as áreas do ser e se transformar em manifestações de vida que O agradem e glorifiquem. que a Igreja precisa da Teologia.

Fil. 12:12 .manter a unidade da fé .Ela é formada pela união de seus membros .Col.transmitir ordens .Lavoura de Deus . 12:17 . 2:9.Edifício de Deus . 2:19 .1 Cor. CARACTERÍSTICAS DO CORPO . 1 Ped. 12:21 .Ef.1 Cor.participar do louvor.1 Cor.Harmonia . 3:9 . "para serem".1 Cor. da comunhão. 12:14 .Diversificação de ministérios .Exclusividade .1 Cor.João 10:16 . a sua 29 . 4:9 05. A FORMAÇÃO A IGREJA . 3:16 .A Igreja como corpo deve: .. "para sermos".Rebanho . Observe as expressões: "escolheu". 8:29. "conheceu". Ela se tornou a agência mediante a qual o Senhor manifesta o seu poder.1 Cor.1 Cor.sustentar os membros . "eleita". 12:25 . SÍMBOLOS BÍBLICOS QUE DESCREVEM A IGREJA .instruir seus filhos na Palavra 03.Ef.1 Cor. 3:15 Parte VIII A IGREJA. 04. 1:4.1 Tim.nutrir os demais membros .reconhecer ministérios .Ela tem responsabilidades . 4:16 . 3:9 .1 Cor.criar unidade no corpo . 12:28-29 06. dos desafios . foi também delegada a igreja.Individualidade .Coluna e Baluarte da verdade .1 Cor.ministrar . 12:25 . "a fim de". CORPO DE CRISTO II TEXTO: MATEUS 28:18 PROPOSTA: Este estudo visa mostrar que a mesma autoridade que Jesus recebeu do Pai. AS FUNÇÕES DOS MEMBROS . Rom.Santuário de Deus .Colaboração .

porque ele desejou ser igual a Deus. AUTORIDADE E PODER DELEGADOS À IGREJA . Mas. 02. 20-21-22 .Autoridade para ligar e desligar .Luc.Autoridade sobre a natureza .4 . Mat. toda a autoridade e poder para se tornar uma igreja viva e vitoriosa.A igreja como corpo. 1Cor.Porta . 16:19."Portas do Hades" .2 . provocado pela queda do homem. 5:9. só através do sangue de Cristo.Para exercer esta autoridade a igreja precisa estar em perfeita sintonia com o Espírito Santo. 30 .A luta profetizada pôr Jesus: . Isaías 14:13-14 Obs. enquanto o poder expressa os seus atos! Isaías 40:25-26 Deus pode perdoar aqueles que duvidam de seus feitos. 18:18. 5:3-5 . Luc. o poder do reino do mundo inferior! .Autoridade sobre os pecados .A autoridade da igreja é maior do que o poder do Diabo . 8:30 . 2.graça e autoridade. 2. força o diabo a nos obedecer.Mat. Jó 20:23.Igreja x Portas do inferno . Mat. Ela é eterna. Tg. 2. A autoridade a nós foi delegada.1 . recebeu do Senhor Jesus. mas retêm o perdão àqueles que menosprezam a sua autoridade. 6:14.Jesus comandou o espírito que atormentava o jovem e o expulsou.Mat. o pecado. Satanás não tem medo de uma pessoa que prega a Palavra.Mat.esse poder é manifestado através da oração. Esta autoridade não é um exercício individual. 5:14-15 Diferença entre: "pecado" e "pecados" . coletivo. e não simplesmente realizar os mesmos feitos de Deus.A igreja pode perdoar os pecados (ofensas) cometidos contra ela.representava a corte. 2.Hades representa o deus que tinha autoridade sobre os mortos! . 2. Mat.Resumo: a igreja não pode morrer. Ele tem medo das pessoas que se submetem a autoridade de Cristo.Autoridade sobre os espíritos . 10:8 . e. sim. A queda de Satanás ocorreu. 17:20. 10:19.Mar. Ela se torna em realidade devido a autoridade que Cristo concedeu à igreja.5 . AUTORIDADE E PODER A autoridade representa a própria essência de Deus.3 . 01.

Rebelião de Coré .Ezequiel 28:13-17 3.Queda de Adão e Eva .2 Crônicas 26:16 4. Zac. ou negar-se a si mesmo.2 Samuel 15 3.6 . Koinonia . Kerygma .2 .5 .10 . Watchamann Nee: "A maior das exigências que Deus faz ao homem não é a de carregar a cruz. dar ofertas. 1 Tes.Castigo de Arão e Miriã . Heb.1 Reis 11 3.comunhão c.A insubmissão de Absalão . sim.A igreja só crescerá quando todos os membros estiverem debaixo do autoridade de Deus delegada aos seus ministros.0 .A idolatria de Salomão .1 . e da igreja em se transformarem. Ilust.Obs.Gênesis 2 e 3 3.Kerygna .1 Samuel 15 3.A transgressão de Uzias .Rebelião de Cão . 13:17. das pessoas. como também da igreja. Para que ela produza 31 . 15:22-23 .3 . Leon Tolstói: "Todos pensam em mudar a humanidade e ninguém pensa em mudar-se a si mesmo".4 . 1 Cor. das pessoas.3.mensagem b. Não se obedece a homens.A nossa obediência deve ser praticada não em função da pessoa mas da autoridade nela investida. e.0 . A maior das exigências é que ele obedeça" .2 .AUTORIDADE E A LIDERENÇA DA IGREJA . 5:12-13. à autoridade de Deus que está nesse homem. Diakonia . 13:7 Parte IX A IGREJA. é a necessidade de adaptação ao curso da História.CONTESTANDO A AUTORIDADE DELEGADA .A comunicação se processa através de três elementos básicos: a . Esta adaptação só se viabiliza mediante a disposição do mundo. Os maiores castigos mencionados na Bíblia ocorreram em razão da desobediência à autoridade delegada pôr Deus.1 Sam.1 . CORPO DE CRISTO III TEXTO: ROMANOS 12:1-2 PROPÓSITO: A maior necessidade do mundo.A desobediência de Saul .Encurtando as distâncias .7 . .9 .8 .serviço 1. 3.Gênesis 9:20-27 3. 16:15-16. servir.Queda do querubim da guarda .Números 16 3.João 13:12-17 A mensagem .Rebelião de Nadabe e Abiú .Levítico 10:1-2 3. Transformação é o segredo de um organismo vivo. 1.Números 12 3.Obs.não funciona isoladamente.

2 . .o egoísmo passa a predominar nas relações . 5:15-16 .desperdício de forças 2.1 .0 .um anemiamento espiritual 2. 12:21-22 . 9: 24 . 5:13 .Princípio da Unidade .1 Tim.A quebra desse princípio provoca: .TRANSFORMANDO A NOSSA RELAÇÃO COM OS OUTROS MEMBROS Este processo de transformação ocorre através da prática de quatro princípios bíblicos. é necessário que o membro exercite a Koinonia e a Diakonia. Um membro não pode inibir a ação do outro.desequilíbrio em todo o sistema .quando este princípio é quebrado.Disciplina na prática do tempo . quando isso ocorre todo o corpo é prejudicado.A igreja precisa ser a autora e não a espectadora no processo de mudanças. 3:17 . a igreja perde a sua função.Marcos 11:25 .3 .Disciplina na prática de ouvir/falar . 2.Disciplina na prática dos hábitos .Disciplina na prática da fé . Sem unidade.A falta de oportunidade produz: .Col.contestação da vontade de Deus .1Cor. 12:25-26.2 Cor.desvalorização do membro .cada membro tem sua função. 12:15-16 .resultados positivos.Princípio de Dependência .Princípio da integração .2 . 13:5 .Princípio da oportunidade .Disciplina na prática da santidade . .este princípio visa das a todos os membros a mesma chance de trabalho.a arrogância quebra a linha de comunicação 2.1 Cor.TODA TRANSFORMAÇÃO EXIGE UMA FONTE DE DISCIPLINA PESSOAL . 12:17-18 . 5:22 Parte X 32 .um espírito de concorrência .a unidade é a fonte geradora de toda a energia. 34:17 .1 Cor. Um membro não deve aspirar o lugar do outro. Ez.Disciplina na prática do perdão .um enfraquecimento de todos os membros .João 8:47 . .1Cor.1Cor.4 .Afastamento dos outros membros . ocorre: . João 17:23 3. Ela foi criada para ser o instrumento de Deus na transformação da sociedade. 0.Gal.Ef.Disciplina na prática da liberdade . de troca a mobilidade e harmonia do corpo.

4:22 2. a carne é o elemento do corpo." O resultado final de um corpo equilibrado e harmônico é a presença do Espírito Santo agindo em todos os membros.2 . Sentiu os odores daquele ambiente fétido.. integração .3 . A distrofia . 3:1-2.. ."nervos" .. É o alimento sólido. 1 Ezequiel não só foi levado ao vale de ossos secos. a carne fala do conhecimento da Palavra.3 ."Farei crescer carne sobre vós. dá sustentação.A IGREJA. mantém a flexibilidade e resistência do corpo. HARMONIZANDO O CORPO O texto de Ezequiel 37:6 nos ensina quatro verdades básicas sobre a harmonia do corpo de Cristo.Rom. 2:11-15 . Ela funciona também como um filtro.. 2:3." . . Col." .. .A experiência de Neemias . 33 .1 ."tendões" . Heb. fazem parte da Igreja do Senhor Jesus. Conviveu com a morte.. a carne representa unidade. 01. Mas a realidade daquele vale ainda é a mesma em nossos dias."E sobre vós estenderei pele. 15:2.4 .2 .V. 1 Cor.Ne."Porei tendões (nervos) sobre vós.17. UMA CONVIVÊNCIA DESAGRADÁVEL ." .. 5:11-14 2. O alvo deste estudo é recriar uma nova esperança no coração daqueles que como membros. Fil. Ef.Há três aspectos importantes sobre este elemento: a . VANDERLEI FRARI PROPÓSITO: Cerca de 2960 anos nos separam da experiência de Ezequiel junto ao vale de ossos secos..para comprometer o profeta com o desafio de restauração 1.Esta convivência foi necessária: 1. participação. 3:12 2.1 .estimulam.enferma o corpo! . Rom. Gál.Gên. mantém a sensibilidade. CORPO DE CRISTO IV TEXTO: EZEQUIEL 37:1-14 Autor(a): PR. 5:26. Uma pele ressecada prejudica a respiração do corpo.para identificar a situação do povo 1.hipersensibilidade . Ele andou pôr entre aqueles ossos. 8:13-15 c."E porei em vós o fôlego da vida e vivereis. 12:15. 2 Cor. 2:23 b.a pele é o elemento de proteção. 2.cria a união.perturbação da nutrição -prejudica o metabolismo do corpo.para mostrar qual o propósito de Deus 02.

Não é contrária 34 .sabedoria no diálogo . 19:18. sabedoria como atributo e qualidade de Deus .sabedoria nos negócios .12-13 e. 9:4-5 2.sabedoria nas amizades .7 c. AGENTE ESPIRITUALIZANTE A sabedoria não é uma virtude isolada. A IMPORTÂNCIA DA SABEDORIA Pôr vivermos em grupos sociais. a sabedoria torna-se em elemento indispensável em nossos relacionamentos inter .v.Is. sabedoria como doutrina .Ef. se não surgirem homens mais sábios.2 . Jer.1 .Prov.3. 8:12. que Deus derramará o seu Espírito Santo . 10:12 02. Moisés nos dá um bom exemplo de falta de sabedoria. Dan. CORPO DE CRISTO V TEXTO: PROVÉRBIOS 4:7 Pôr falta de sabedoria. que Deus abrirá as sepulturas e libertará todos os que vivem presos . um que precisa de oração". 7:16 2. que Deus pode vivificar o que está morto em nossas vidas . um grande exército .O que profetizar? a . e à pessoa certa.. 41:38. 26:4. O processo de restauração ocorre através da ação profética. sabedoria como virtude de homem . 22:6 b.5 .(Concílio Vaticano II) 01. tem fomentado divisões. Êxodo 18:13-18 a . no momento certo. a igreja tem lutado mais contra si mesma do que contra os verdadeiros adversários.6 . um pobre. O homem sábio é aquele que é capaz de reconhecer um necessitado. 5:15.Gên. que Deus harmonizará o corpo beneficiando assim cada membro em particular v.1 .0 .Prov.14 Parte XI A IGREJA. que Deus fará de membros soltos e sem vida.4 . DEFININDO A SABEDORIA .sabedoria nas decisões . e muito menos eletrizante. 41:39 2. 3.Sabedoria é saber fazer a coisa certa.COMO SE PROCESSA ESTA RESTAURAÇÃO? Ezequiel foi o instrumento usado pôr Deus para restaurar os ossos secos. Cabe a cada membro do corpo a mesma responsabilidade.pessoais. 1 Pd.Jer. 28:29.3 . tem perdido enfim o poder de atuação. 2. tem usado ignorantemente a armadura de Saul.sabedoria no comportamento .5 b.. 03.Prov. Ecl.v. SABEDORIA.sabedoria em tudo. "Realmente estará em perigo a sorte do mundo. 1:17 c.10 d.v. 1 Reis 3:25-28 2.v. 3:1-2 2.Gên.

Não podemos nos contentar em causar impacto na história com os nossos escândalos ou com a nossa inércia contemplativa enquanto o céu não vem. Mas amados. Ela é antes de tudo o fiel da balança espiritual. apenas a submissão.10.Exigência dos apóstolos . devemos admitir nossa humanidade em sua plenitude mas sempre 35 . 17).1 Cor. 1. quando.A verdadeira busca . A igreja é manifestação de Deus na história. cristocêntrica. Falar dos objetivos da igreja em contraposição as megatendências da pósmodernidade e o modismo quanto a quebra de paradigmas que resultam na perda da identidade doutrinária. do mundanismo que gera a mundanalidade incrustada na igreja pela relativização da ética cristã.1. soberana. vontade ativa. Como Jesus.Atos 6:8-10 3.4 . é imperioso resgatarmos a relevância da igreja no contexto sociocultural em que trilhamos a jornada da santificação. "Onde queres" – Théleis.. cristológica e cristossímel.3 . a igreja só será relevante para o mundo e para o Reino.Atos 6:3 3.A força de Estevão . Devemos evitar a visão antropocêntrica e buscarmos uma visão horizonal. fazendo verdadeira diferença neste mundo com Agência reformadora de Deus. Romanos 12.Tiago 3:13-18 Resumo: Igreja sábia produz santos verdadeiros! Parte XII A IGREJA QUE FAZ A DIFERENÇA Mateus 26. escrevendo a história da salvação na vida das pessoas e para isto. Os anseios e vontades humanas desembocam sempre no hedonismo ou nas guerras cruentas e desumanas. agradável e perfeita".17-30 Introdução A igreja será apenas uma instituição humana se não tiver a visão de Jesus Cristo para o contexto e a realidade histórica na qual está inserida. Estivermos preocupados com a vontade do Mestre e não com a nossa própria vontade – (Vs. 12:8 3. arrefecendo a autoridade da igreja em sua ação reformadora no mundo. não andar a reboque da historieta escrita nos alfarrábios desta geração corrompida e perversa. Só a vontade de Deus para a igreja é "boa. 3. É imperativo fazermos diferença no mundo.1 . A vontade decisiva e decisória de Deus onde não cabe relativizações ou negociatas..a verdadeira espiritualidade.2 . Efésios 3. Somos o povo do Deus que é Senhor da história e que se manifesta através da história. A igreja deve interagir na história.A oferta do Espírito Santo .

da graça salvadora. e de celebração. como se fossemos senhores do tempo. 18). honra e dignidade. a Páscoa. Da mesma forma. é hoje. sendo Deus. Não induz ao radicalismo ou ao êxtase emocional espiritualista esotericamente espiritualizado. Se perseguimos palco.14-17. e não kronos. Lucas 22. Na dispensação da igreja. de alegria e satisfação prezeirosa em nossos cultos. aqui não é nosso lugar. Estivermos conscientes da brevidade do tempo da salvação – (Vs. Mateus 25. O texto não prevê sectarismo ou uniformidade. no sangue da remissão. 3. apresentações e números especiais. Nossos cultos se tornarem verdadeira celebração ao Cristo vivo. 2. à Denominação ou à Eclesiologia – (Vs.13. 18b e 19).14-16. nossos cultos devem ser verdadeira celebração pela e para salvação em Cristo. didáskalos. era um memorial da libertação do Egito. Páscoa. não à liturgia. Romanos 12. o texto aponta para um denominacionalismo desvairado e promotor de uma nefasta negligência ao que é bíblico em defesa de um hediondo tradicionalismo históricodenominacional. Devemos buscar a consciência de que o Senhor está em seu trono de glória para receber de nós um culto "vivo. A festa. de festa. e a pregação deve ser levada a efeito "a tempo e fora de tempo". 1 Coríntios 2. Uma festa alegre e vívida em gratidão pela libertação do pecado que nos é outorgada por Cristo. o tempo é sempre presente. alguém que ensina revestido de capacidade. ou se queremos vislumbrar os nossos olhos com feitos pitorescos ou com manifestações pneumotécnicas. A Igreja não pode postergar a pregação. devido a presença do próprio Deus entre nós.orando: "não se faça a minha vontade. da morte às mão do opressor.1. eterno. santo e agradável". Estar preparados para adentrarmos com ele em sua glória implica em testemunho e pregação incessantes.42. é Senhor do tempo e fala com autoridade quanto a brevidade do tempo para a pregação do evangelho. É imperioso buscarmos a consciência de libertação. 2 Timóteo 4. mas a tua".2. "Meu tempo está próximo". O tempo da Deus é kairós. Mestre. infinito. resultado de mentes renovadas em Cristo no entendimento dos mistérios da salvação. Vale ressaltar a expressão "o Mestre diz". limitado. Não sabemos quando o Mestre voltará. Jesus. 36 . mensurado e controlado pelo homem. Êxodo 12. diz o Mestre. Se quer.

. Se somos igreja. Efésios 2. é constituir-se em traidor. afirmo que a igreja fará diferença no mundo e resgatará sua relevância e autoridade na pregação quando. l 37 . mestre da lei. irmanados em Jesus Cristo. Pedro. para nos reconciliar com Deus. No culto verdadeiro Deus sempre manifesta sua glória. O sangue do pacto foi derramado "para a remissão de pecados". O sangue que "nos purifica de todo o pecado". Efésios 4. Isaías 6. para um preconceito satanicamente beatificado pelo denominacionalismo coercitivo. mesmo estando diante de Jesus e sendo desafiados ao arrependimento. Muitos. fazendo-nos um só povo. devemos vivenciar íntima comunhão.4. Retirar-se do culto sem experimentar restauração santificadora. 5. Jacó.32. para cobrir e apagar o escrito de culpa que recaia sobre nós. Isaías. permanecendo na inércia petrificada do comodismo.. Em quinto e último lugar. 28). não podemos permanecer aguilhoados ao pelourinho do pecado e dissociados pelo preconceito que ressalta as idiossincrasias. Colossenses 2. a fim de que dediquemos nossas vidas em perfeito louvor.18 e 19. O sangue do pacto promover aliança de compromisso em nós – (Vs. "me entregará". não conseguem olhar para Jesus e identificá-lo com Senhor absoluto de todas as coisa. Atos 4. 21 e 22).20. Qual a nossa reação diante da expressão "um de vós me trairá". sempre somos levados à contrição e ao arrependimento. e se nos dispomos à perfeita adoração.14-18 e 1 João 4. no original.4 e conjugando-nos em só coração. Paulo e muitos outros indicados no Texto Sagrado. É assombroso que muitos crentes não sintam o sabor amargo de pecado como sentiram Moisés. Jesus Cristo. o que não é uma característica da personalidade de Jesus. se buscamos relevância para a sociedade. Somos contristados pela possibilidade de sermos o traidor – (Vs. persistindo na traição. Jeremias.14. Somos assolapados pela consciência de pecado que desemboca no arrependimento ou permanecemos insensíveis e nada nos impulsiona à santidade? A expressão do verso 21. Kírios.1-8. a partir do arrependimento e da confissão sincera diante de nosso Advogado e único mediador. 2 Coríntios 5. profetizando um futuro melhor. Como igreja. insistindo nos passos de Caim e na decisão diabólica tomada por Judas Iscariotes. admitindo-o apenas como rabi. evidenciado na proclamação do evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Não divisionismo ou sectarismo autofágico e se quer. se pretendemos fazer a diferença já em nosso tempo. denota que Jesus bem sabia das intenções daqueles que o perseguiam.

João 1.8, 2.2 e 1 Timóteo 2.5, nos impõe a comunhão que afaga o coração e acarinha o aflito e o existencialmente desesperançado. Pelo que, a igreja deve retirar-se do templo, após o culto prestado, restaurada, perdoada, transbordando em amor e alegria e amalgamada no sangue de Jesus Cristo. Todo o nosso pecado e preconceito devem ser abandonados aos pés da cruz de Cristo, o Cristo que "é tudo em todos", Colossenses 3.11. Conclusão Amados, é urgente e premente uma reflexão quanto relevância e a atuação da igreja no mundo da globalização e, em especial, aqui em São Paulo. Se não identificamos estas cinco assertivas em nossa expressão cúltica e identidade doutrinária e denominacional, corremos o risco de sermos vitimados por descomunal aridez teológica, eclesiológica e doutrinária. Nos tornaremos insipientes, insignificantes e dispensáveis ao homem que carece de salvação e não de liturgias, eventos sociais ou verdadeiros shows pseudo-espirituais aromatizados com essência de enxofre, não com o hálito do Espírito Santo. Sejamos igreja. Corpo vivo de Cristo. Submissos a ordem do Mestre e conscientes da brevidade do tempo para a salvação. Sejamos igreja que festeja a vitória de Cristo na Cruz e que é contristada pela consciência de pecado. Sejamos igreja santa e poderosa na evangelização para que desfrutemos as benesses do perdão, do amor e da comunhão íntima, expressão inconteste da nossa reconciliação com Deus em Cristo Jesus. Parte XIII A LIDERANÇA CRISTÃ E O DISCIPULADO Creio na liderança cristã e creio no discipulado. Compreendo que a liderança cristã tem o trabalho de despertar e conduzir o ser humano para Deus e para tudo o que de Deus recebeu. Creio numa liderança comprometida com o reino de Deus (cf. Mt 6.33), o que, aliás, é uma qualidade-chave do líder cristão. Uma liderança comprometida é fiel (1Co 4.2), disponível (Lc 9.57-62), receptiva à capacitação, ou seja, ao treinamento (um teste é convidar 12 a 20 pessoas para reuniões de treinamento, e observar quem retorna a partir da segunda reunião. O treinamento, por sinal, já é uma seleção). Descobrir pessoas que possuam potencial é tarefa do líder, e isso com o objetivo de treiná-las de modo a que em dado momento a organização possa funcionar sem ele, líder. É um facilitador no ensino dos novos discípulos e na participação deles no global do processo; é exemplo e ajuda em vez de apenas verbalizar, valoriza a participação dos outros, é paciente e confia no Espírito Santo como conselheiro e auxílio nas dificuldades. Creio na liderança capacitada pelo Espírito de Deus, "carismatizada" para o benefício da Igreja de Cristo, para que todo o edifício bem ajustado cresça para templo santo cuja glória seja unicamente a de Deus, ou como colocou a Bíblia em Português Corrente (edição da Sociedade Bíblica de Portugal, 1993): "É em Cristo 38

que todo o edifício está seguro e cresce até se transformar num templo que honre ao Senhor" (Ef 2.21). Creio também no discipulado cristão, pois é somente observar a ênfase dada por Jesus ao cuidado, carinho, busca e instrução dos que O seguiam. "Discípulo", por sinal, parece ser a palavra favorita de Jesus para aqueles cuja vida estava ligada a dEle. Aparece 269 vezes nos Evangelhos e no livro dos Atos dos Apóstolos. O líder cristão do século 21 não pode esquecer que as condições do discípulo são um daqueles princípios imutáveis, apesar das transformações litúrgicas, administrativas, pelas quais a Igreja de Cristo vem passando através dos séculos. Quem as declara são os Evangelhos: · Transportar a cruz (Lc 14.27). A cruz não é brinquedo, mas instrumento de morte, na qual o eu deve morrer. Ir-para-o-Calvário é um caminho escolhido deliberadamente, visto que a cruz é o símbolo da perseguição, vergonha e abuso que o mundo jogou sobre o Filho de Deus e jogará sobre os que escolhem navegar contra a corrente, o discípulo. · Renúncia (Lc 14.33), que é entrega irrevogável a Jesus Cristo, autonegação, nos termos de Lucas 14.26 e Mateus 16.24. Nosso amor a Jesus e à Sua causa há de ser tão evidente que, em comparação, todos os demais serão diminuídos. Billy Graham afirmou que "a salvação é de graça, mas o discipulado custa tudo o que temos". · Constância (Jo 8.31). É passar a viver em companhia de Jesus, comunhão de destinos com Ele, segui-Lo, permanecer nEle. O verdadeiro discípulo se caracteriza pela estabilidade. · Produção de frutos (Jo 15.8). União frutífera como Senhor (Jo 15.4,5). O líder cristão há de observar os dois aspectos básicos do discipulado em sua própria experiência de vida: a união com Cristo e a dedicação sem reservas, que Jesus Cristo descreveu em termos de videira e ramos (cf. Jo 15.5ss). Em relação ao primeiro aspecto, Paulo usa inúmeras vezes a expressão "em Cristo" para com isso significar que nós estamos nEle e Ele está em nós (Cl 1.27). Por sua vez, Romanos 6.1-12 indica o significado do regime de dedicação exclusiva a Jesus. O alvo do discipulado deve permanecer bem definido na mente do líder cristão: é a semelhança de Cristo em caráter e em serviço. O Espírito Santo dá-nos o caráter de filhos de Deus, e nessa linha de raciocínio, o fruto do Espírito é o retrato desse caráter: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e autodomínio. OIKOS, UM CONCEITO PARA O SÉCULO 21 As grandes cidades, sejam capitais legais, formais ou informais são um centro dominante A característica maior é a concentração de população várias vezes superior à cidade seguinte em importância. Tem primazia política, econômica, acadêmica e cultural (a área metropolitana de Tóquio é maior que a metade da população do Canadá). É também nessa situação que o líder cristão há de exercer o discipulado. 39

São características dos habitantes da urbis: · Um ser solitário. Quem mora na roça vive praticamente num sistema de clã (estilo semita bíblico). Na cidade grande está perdido. · Um ser pobre. Mora em invasão. · Um ser que sonha. Não perdeu essa capacidade. · Um ser que escuta. E a ele muitos "discipuladores" querem falar. OIKOS, UM NOVO VELHO CONCEITO Oikos é o "lar familiar", a esfera de influência. É o sistema social primário composto por aqueles que que são relacionados por laços comuns de família, trabalho e vizinhança. Três são as constantes culturais: o parentesco, a comunidade e a associação: · parentesco são laços de sangue ou de afinidade. · A associação é voluntária com normas, autoridade, mobilização de recursos, e movidas por amizade, sexo, poder, ideais, interesses, prestígio (sindicatos, igrejas, clubes). · A comunidade é determinada pela geografia. Se isso existe hoje, e é uma constante antropológica, existiu nos dias neotestamentários. É o oikos (cf. Michael Green. Evangelização na Igreja Primitiva). Alguns casos são: · a família de Betânia (Jo 12.1-3); · a casa de Cornélio, oficial romano (At 10); · a casa de Lídia (At 16.13-15); · a família do carcereiro de Filipos (At 16.25-34); · a casa de Prisca e Áqüila (Rm 16.3-5); · a casa de Aristóbulo (Rm 16.10); · a casa de Narciso (Rm 16110. Os descrentes têm dois problemas: o de informação (não conhecem a um cristão de verdade), e o de reputação (conhecem um "cristão" que não tem a mente de Cristo).

IMPEDIMENTOS Liderança que não encarna ideais e falta de mobilização do povo de Deus. Falar de liderança é falar de pastores, presbíteros, diáconos, ministros na várias áreas, professores, conselheiros, relatores, etc. Através da história, Deus tem chamado homens e mulheres para abençoar Seu povo. No século 21 muita coisa tem mudado: igrejas querem dinheiro, não poder do 40

Espírito; santuários cheios de pessoas, mas não de poder; animação, mas não renovação. A liderança há de ter visão. A LIDERANÇA E A PALAVRA DE DEUS

A liderança cristã não pode prescindir de utilizar a Bíblia Sagrada como fonte de reflexão, de meditação, de discipulado e caminho de vida. O desenvolvimento do Salmo 119 bem o demonstra. Afinal, a Bíblia se evidencia Palavra de Deus nas profecias e cumprimentos, em mostrar o ser humano em sua realidade e pelos seus efeitos na vida do homem que é transformado em discípulo de Jesus Cristo. Por essa razão, há o líder de nela meditar (Sl 1.1,2), de nela viver (v.3) e conhecêla para crescer em graça (v.3). OMO A PALAVRA DE DEUS TEM SIDO DESAFIADA A proposta de um evangelho para o Terceiro Milênio. Exemplo típico deste desafio à Escritura Sagrada e o seu ensinamento é o feito por Huáscar Terra do Valle em seu Tratado de Teologia Profana. No capítulo em que trata de "Além do Bem e do Mal", Valle explica que a moral do judaísmo se resume na expressão "Olho por olho, dente por dente", buscando provar com tal exposição que o Deus dos hebreus, é mau e vingativo. Javé é colocado no mesmo nível de Marduque dos babilônios, de Baal dos fenícios e outros deuses semitas. Civilizado é, no seu entender, o Zoroastrismo que prega a eterna luta entre o bem e o mal (Ormuz e Arimã) e a presença de Mitra, encarregado de ajudar o ser humano a lutar pelo bem. Chega esse pensador à conclusão que a figura de Deus vem do fundo do inconsciente, referindo-se ao comando instintivo dos genes. Há uma tremenda carga emocional que inspira profundo respeito e é codificada para o entendimento do consciente como Deus onipotente, criador, etc. Expressão dessa carga emocional é o misticismo. Religião, diz ele, é uma adoração da própria raça, que são os genes, ou na figura de Deus ou na imagem dos ancestrais. Pecado é a desobediência aos mandamentos dos genes, sendo, a rigor, um conceito tribal. A proposta de uma nova moral. Tratando-se de uma nova moral para o Terceiro Milênio, não se pode negar a sobrevivência do mais apto, ou seja, daquele que soubesse compatibilizar os interesses do indivíduo com os da sociedade. As religiões nada fizeram para melhorar os padrões de moralidade da sociedade como um todo, visto que vivem confinadas em suas próprias doutrinas, e consideram os elementos de outras 41

religiões como gentios ou pagãos. A nova moral, como a nova religião, tem que ser universal excluindo apenas um grupo, os fanáticos. A idéia de Deus não é indispensável para um comportamento moral. A proposta é a de um código de ética baseado na ciência, pois a Astronomia mostra a insignificância do ser humano no universo; a Biologia, a Genética, a Teoria da Evolução e a Sociobiologia de mostram que o ser humano não foi criado à semelhança de Deus, e sim do macaco e de outros animais. Valle declara não acreditar em outra vida, por isso o céu deve ser procurado nesta, evitando, também que a vida se transforme em um inferno. O destino do ser humano é entregar aos descendentes os genes que recebeu dos antepassados, o que o transforma em uma máquina de sobrevivência apenas. Igreja É a prostituição da religião. A verdadeira religião consiste em agir desinteressadamente, visando ao bem da coletividade, e não, entre outras coisas, citar a Bíblia, fazer sermões de duvidosa sinceridade, ou pagar o imposto do céu (o dízimo). Por isso, prescinde de Deus. O sentimento religioso pode ser transmitido de várias maneiras, sobressaindo-se a música, que é emoção pura. O arrebatamento religioso poderá vir por meio dela. É PRECISO... Resgatar o senso da soberania e majestade de Deus. Ou seja, um conceito adequado de Deus e da sua doutrina. Porque homens e mulheres levaram Deus a sério, foram escolhidos para altas missões (Gn 6.9; 7.1; 12.1-3; Is 6.1ss); tiveram visões (2Rs 6.17; Ez 1); foram mães de grandes homens (1Sm 1.1ss; Jz 13.2,3; Lc 1.1ss). Deus não é algo, uma força ou uma influência. Mas, ensina a Escritura e a nossa própria experiência, uma Pessoa com quem podemos manter comunhão. O Nome e o toque de Deus. O Deus à minha imagem e semelhança: o Deus Papai Noel, o Deus da Arte, o Deus-que-me-obedece, o Deus utilitário. Quem é Deus? É o Deus único (Is 45.22; Dt 6.4); é o Deus que está presente (Ez 48.35); é o Deus Vivo, Santo e Verdadeiro. Resgatar o senso da messianidade e da obra de Jesus Cristo. A doutrina de Cristo, no Cristianismo, dá significado a todas as outras (Revelação, o Ser Humano, Igreja, Escatologia, etc.) Uma pergunta tão antiga quanto o evangelho é "Quem dizem os homens que eu sou?" (Lc 9.18,19). * "O Homem Perfeito" * "O Homem Ideal", modelo dos outros * "A mais bela alma que jamais existiu" (Auguste Sabatier, filósofo francês) * "Curvo-me diante de Jesus Cristo como diante da revelação divina do princípio supremo da moralidade" (Goethe) 42

Tratado de Teologia Profana.2. Resgatar o valor da Escritura Sagrada como norma de vida Os estandartes da Reforma: Sola Gratia.31) e os crentes cresçam (1Pe 2. 1998. a mais destacada e a mais virtuosa. pela primeira vez. El Estandarte de la Verdad. L. Alfa Ômega. 1980. Edinburgh. Stephen. 1978. e RAHM. Maria J.. Christianity Close to life. Uma antiga abordagem foi o debate em torno de 43 . 1976.W. Um modo de reconhecer os atributos de Jesus Cristo é examinar os seus títulos no Novo Testamento: Jesus ("Salvação do Senhor"). A Caruso SNOWDEN. Truths that Make a Difference. Loyola. KNUTSON. Lavonn D.. Minneapolis. Confederação Evangélica do Brasil.M. Kent S. Eu Sou Quem Sou. 1966. O propósito da Bíblia Sagrada e dos seus registros: para que homens e mulheres venham a crer (Jo 20. Livros sugeridos BLANCHARD. etc. Sola Fide." (Ernest Renan) * "(foi Jesus quem) pôs à luz. Trad. Cristo ("Ungido"). John. LAMEGO. 1973. Waco. CHRISTIAN. o valor de cada alma humana e ninguém pode desfazer o que ele fez" (Harnack). J.R. Verbo ou Palavra. Augsburg. é a mais alta regra da vida. 57 p. 1961. Aceptado por Dios. BROWN. Parte XIV A MISSÃO DA IGREJA Na confrontação com a opressão espiritual Uma das questões mais cruciais da missiologia é a definição do próprio conceito de missão. Collins. Huáscar Terra do. Convention Press. Shaping your Faith. SP. Haroldo.3). Rita. NEILL. VALLE. Senhor.82 p. SP. 349 p. 128 p. Nashville. O que se deve entender por missões cristãs? Quais são a natureza e os objetivos da missão da igreja? Evidentemente essas perguntas podem receber uma grande variedade de respostas a partir de diferentes pressupostos e compromissos teológicos.12).16). Quem é Jesus Cristo? Rio.* "Um grande mestre" * "(Jesus com) seu perfeito idealismo. His Only Son Our Lord. Pedro faz a confissão de fé evangélica ao dizer "o Cristo. o Filho do Deus Vivo" (Mt 16. Sola Scriptura. Blauch. Trad. C. 1974. Word. Ele criou o mundo das almas puras. A Palavra de Deus é viva e eficaz (Hb 4. e penetrante e apta. Glasgow.

”1 Hoje é mais comum falar-se em evangelismo e responsabilidade social. social e política da América Latina. Concluiremos o estudo acrescentando algumas de nossas próprias convicções a respeito do tema em questão. uma vez que somente foram convidadas para a conferência as sociedades missionárias que atuavam entre povos não-cristãos. é um teólogo. um dos mais destacados missiólogos evangélicos contemporâneos da América Latina. diálogo interreligioso. Como pode a igreja ser o que deve ser e fazer o que deve fazer se não tiver uma clara compreensão acerca do seu propósito na sociedade e no mundo? O objetivo deste estudo é abordar o tema a partir da perspectiva de Samuel Escobar. finalmente. Certamente este é um assunto controvertido. na amplitude de suas necessidades e relacionamentos. sociais e econômicas da América Latina. esse estímulo ocorreu às avessas. justiça e paz. 44 . Robert E. Diferentes autores do século XX têm procurado expressar a missão da igreja em termos de desenvolvimento. A escolha de Escobar justifica-se por várias razões. tendo trabalhado em vários países como pastor e missionário. presença cristã. I. evangélico. fazer um apanhado dos principais movimentos de que tem participado e apresentar alguns dos principais temas e ênfases da sua reflexão missiológica. diaconia e outros conceitos. tem sido um líder respeitado em círculos missiológicos e teológicos. Speer (1867-1947). políticas.2 Todavia. tem estado em diálogo constante com representantes de grupos e movimentos importantes do cristianismo latinoamericano e mundial. o secretário executivo da Junta de Missões Estrangeiras da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos. Criticando os modelos missionários reducionistas ou dicotômicos. mas também sumamente importante para a igreja e para os cristãos individuais. Escobar tem defendido um conceito de missão que é ao mesmo tempo bíblico. o que o coloca numa posição privilegiada para falar a uma audiência mais ampla e levar ao primeiro mundo uma valiosa perspectiva do terceiro mundo acerca de missões. A seguir. a missão da igreja na sociedade.3 Isso excluiu a América Latina do âmbito daquele encontro. Durante a conferência. escritor e orador extremamente articulado e criativo. realizada em Edimburgo em 1910. Ao longo dos anos. sendo admitidas apenas as missões que trabalhavam entre as tribos pagãs desse continente.evangelização e “civilização. ANTECEDENTES A reflexão sistemática e abrangente sobre o trabalho missionário protestante na América Latina foi desencadeada pela célebre Conferência Missionária Mundial. ou seja. contextual e sensível às complexas realidades espirituais. Ele tem um profundo conhecimento da situação religiosa. Nossa análise começa com um retrospecto histórico da discussão missiológica protestante na América Latina. por vários anos ele tem sido professor em instituições teológicas norte-americanas. iremos fornecer algumas informações biográficas sobre Samuel Escobar. ele propõe um programa que implica em levar o evangelho integral ao ser humano integral.

Por outro lado.7 Essas conferências estavam ligadas às denominações históricas. o maior encontro das forças protestantes desse continente realizado até aquela data. literatura e formação teológica. Aqui. nos anos seguintes realizaram-se dois congressos missionários regionais. a CCLA patrocinou o Congresso de Ação Cristã na América Latina. 1969). uma conferência sobre missões na América Latina. Uma segunda série de encontros do protestantismo latino-americano foi representada por três Conferências Evangélicas continentais: CELA I (Buenos Aires. Finalmente. o evento produziu a primeira discussão séria do protestantismo latino-americano e estimulou a criação de órgãos cooperativos regionais em vários países. Uruguai. tendo como presidente o próprio Robert Speer e como secretário executivo Samuel Guy Inman. presidido pelo metodista mexicano Gonzalo Baez-Camargo. Dos 230 delegados oficiais. Desta feita. em 1925. buscava aproximar-se do catolicismo 45 . a unificação da educação teológica através de seminários unidos. os norte-americanos ficaram a cargo da organização e presidiram todas as comissões. Como resultado desses entendimentos. sob os auspícios da Conferência de Missões Estrangeiras da América do Norte. O protestantismo ecumênico das CELAs recebia a influência do protestantismo histórico declinante do hemisfério norte. O primeiro.4 Essa conferência criou a Comissão de Cooperação na América Latina (CCLA). realizou-se em Nova York. que rapidamente tornavam-se minoritárias no contexto geral do protestantismo da América Latina. suas metas principais foram a evangelização das classes cultas.5 Na realidade. antes que um encontro de líderes protestantes latino-americanos. em março de 1913. o Congresso do Panamá foi uma reunião de representantes de juntas missionárias estrangeiras. Mais especificamente. apenas 21 eram latino-americanos natos. Por sua vez. em 1929 reuniu-se em Havana o Congresso Evangélico Hispano-Americano. reunido no Panamá em fevereiro de 1916. o Congresso do Panamá revelou duas ênfases que se tornariam problemáticas para os evangélicos latino-americanos: uma atitude simpática para com a Igreja Católica e uma forte influência do “evangelho social. 1949).6 Mesmo assim.convidou vários delegados interessados na América Latina a se reunirem informalmente para discutir como essa lacuna poderia ser suprida. reuniu-se em Montevidéu. o desejo de dar uma dimensão social ao trabalho missionário na América Latina e o esforço em promover a unidade protestante. embora a participação de latino-americanos tenha sido maior (o pastor presbiteriano brasileiro Erasmo Braga foi eleito presidente do congresso). denominado Congresso de Ação Cristã na América do Sul.” Como resultado do encontro do Panamá. o congresso foi inteiramente organizado e conduzido por latinoamericanos e as ênfases recaíram sobre a nacionalização e o auto-sustento das igrejas evangélicas. O Congresso mostrou a necessidade de maior cooperação em áreas como educação religiosa. missões. CELA II (Lima. 1961) e CELA III (Buenos Aires.

9 Uma característica desse protestantismo ecumênico era o crescente declínio do seu ímpeto evangelizador. como evangélicos. Ao lado das Conferências Evangélicas continentais (CELAs) e do ISAL.posterior ao Concílio Vaticano II (1962-1965) e procurava responder à difícil situação social do continente com uma teologia radical. Ecumênicas (ULAJE). tornava-se urgente que. 1992). O CLADE IV deverá realizar-se em setembro do ano 2000 no Equador.” A teologia da libertação adquiriu notoriedade no âmbito católico romano com a segunda assembléia da Conferência Episcopal Latino-Americana (CELAM). Agência de Serviços Ecumênicos Latino-Americanos (ASEL). Peru. 1969). O CLADE I permitiu que líderes preocupados em relacionar a fé evangélica com a realidade latino-americana compartilhassem as suas inquietações. E. somos e queremos ser latino-americanos. em contraste com a vitalidade das igrejas vinculadas a missões independentes ou ao movimento pentecostal.10 O primeiro CLADE foi organizado pela Associação Evangelística Billy Graham. Do seio desse protestantismo majoritário surgiu o impulso para os Congressos LatinoAmericanos de Evangelização. sendo evangélicos.8 Anos antes. Colômbia. no ano anterior. 1966). as duas correntes teológicas puseram-se em contato no I Congresso Latino-Americano de Cristãos pelo Socialismo. Ela tornou-se o centro de convergência dos teólogos protestantes da libertação. Naquela ocasião e naquele contexto. na América Latina. buscássemos uma teologia da encarnação que estabelecesse as pautas para um diálogo com a situação de sofrimento e opressão que se vivia em toda a América Latina. União Latino-Americana de Juventudes Evangélicas – depois. após uma consulta realizada em Huampaní. Para Valdir Steuernagel. reunida em Medellín. Coordenadoria de Projetos Ecumênicos (COPEC) e Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI).11 Foi no CLADE I que se articulou a criação da Fraternidade Teológica Latino46 . CLADE II (Lima. Alguns organismos importantes são ou foram os seguintes: Movimento Estudantil Cristão (MEC). tendo como órgão o periódico Cristianismo e Sociedade. o protestantismo ecumênico latino-americano criou várias estruturas paraeclesiásticas com o fim de promover os seus objetivos. sob o impulso do Congresso Mundial de Evangelização (Berlim. que mantinham o seu vigor evangelístico apesar das debilidades da sua teologia. em 1962. os protestantes haviam criado a organização Igreja e Sociedade na América Latina (ISAL). 1979) e CLADE III (Quito. em 1968. convocado pela revista evangélica Christianity Today. somos e queremos ser evangélicos. que eventualmente identificou-se com a célebre “teologia da libertação. que constituem a terceira das séries mencionadas acima: CLADE I (Bogotá. Em 1972. esse congresso teve duas marcas distintivas: Manifestou com clareza que. realizado em Santiago do Chile. Comissão Evangélica Latino-Americana de Educação Cristã (CELADEC).

a FTL procurou ser uma plataforma de encontro e diálogo teológico da qual participassem pastores. em Lima. o Peru. há muitos anos ele é membro da Comissão Teológica da Fraternidade Evangélica Mundial (World Evangelical Fellowship). secundário e superior.) na Universidade Complutense de Madri e eventualmente trabalhou como secretário da Fraternidade Cristã Universitária (Inter-Varsity Christian Fellowship) do Canadá. Escobar assim expressou os objetivos da Fraternidade: Desde o primeiro momento. missionários e pensadores evangélicos. com sede em Toronto. tendo participado de muitas de suas consultas ao redor do mundo.Americana. dentro do marco evangélico de uma lealdade comum à autoridade bíblica e à fé evangélica como base da reflexão e de um compromisso ativo com o cumprimento da missão cristã. tendo Pedro Savage como seu primeiro secretário e Samuel Escobar como seu primeiro presidente.12 Por sua vez. inclusive o que irá realizar-se no ano 2000. ele e outros teólogos latino-americanos tornaram-se bem conhecidos em círculos evangélicos e ecumênicos internacionais através de sua participação em importantes conferências. 47 . após o que dedicou-se ao ensino nos níveis primário. Entre os seus participantes mais destacados e influentes está o líder que é o enfoque principal deste artigo — Samuel Escobar. Ele trabalhou como missionário entre estudantes universitários na Argentina e no Brasil15 e foi diretor da Comunidade Evangélica Kairós.16 Escobar foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Fraternidade Teológica Latino-Americana (1970-1984) e de 1979 a 1985 ocupou o cargo de secretário geral da Fraternidade Internacional de Estudantes Evangélicos. Em 1959 Escobar tornou-se o secretário itinerante da Fraternidade Internacional de Estudantes Evangélicos (International Fellowship of Evangelical Students) — representada no Brasil pela Aliança Bíblica Universitária —. em Filadélfia.D. Além disso.17 Atualmente. organizada no ano seguinte em Cochabamba. Ela é também mais representativa do protestantismo popular da América Latina que a sua congênere ecumênica. em Buenos Aires. visitando praticamente todos os países da América Latina. Samuel Escobar é presidente das Sociedades Bíblicas Unidas e professor titular de missiologia no Seminário Teológico Batista do Leste. ele recebeu o seu grau de mestre em artes e educação na Universidade de São Marcos. Alguns anos depois. Estados Unidos. Em 1956.18 Ele também leciona sobre missões em seu país natal.14 II. Bolívia. mas ao mesmo tempo preocupou-se em abordar a questão de uma perspectiva que entendia ser mais bíblica e equilibrada. DADOS BIOGRÁFICOS E ESCRITOS Samuel Escobar nasceu no Peru e freqüentou uma escola missionária inglesa em Arequipa. ele fez o curso de doutorado em filosofia (Ph. Nas décadas de 1960 e 1970. a Fraternidade Teológica Latino-Americana convocou os CLADEs posteriores.13 A Fraternidade procurou estar tão consciente da problemática social latino-americana quanto o grupo ISAL.

” em Let the Earth Hear His Voice (1974). Estratégia e Teologia de Missões.” em Is Revolution Change? (1972). Evangelio y Realidad Social (1988).” em Toward the Twenty-First Century in Christian Mission (1993). La Fe Evangelica y las Teologías de la Liberación (1987). Justice and Fulfillment. Quien es Cristo Hoy? (1970. entre outros. 1990).” em Historia y Misión: Revisión de Perspectivas (1994). 1982). “From Lausanne 1974 to Manilla 1989: The Pilgrimage of Urban Mission” (Urban Mission. 1991). “A Pauline Paradigm of Mission: A Latin American Reading. Christian Mission and Social Justice (1978. Irrupción Juvenil (1978). 1992). 1987). 1970). Uma vez mais. com C. entre outros. seus numerosos artigos têm aparecido em renomados periódicos como Evangelical Missions Quarterly.” em The Good News of the Kingdom (1993). “The Training of Missiologists for a Latin American Context. “500 Years after Columbus: Requiem 48 . “Latin America. Escobar também escreveu diversos ensaios que foram publicados como capítulos de livros. publicado em 1998 pela Editora Ultimato. “The Role of Translation in Developing Indigenous Theologies: A Latin American View.” em New Face of the Church in Latin America: Between Tradition and Change (1994). Paulo Freire: Una Pedagogia Latinoamericana (1993). “Mission in Latin America: An Evangelical Pespective” (Missiology.” em Missiological Education for the Twenty-First Century (1996). 1986). “Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological Christology” (Missiology. 1992). 1989). International Bulletin of Missionary Research. os próprios títulos de alguns artigos representativos dão uma clara idéia dos principais temas com os quais Escobar tem trabalhado ao longo dos anos: “The Social Responsibility of the Church in Latin America” (EMQ. Liberation Themes in Reformational Perspective (1989). Finalmente. Missiology e International Review of Mission. “Has McGavran´s Missiology Been Devoured by a Lion?” (Missiology.” em Emerging Voices in Global Christian Theology (1994). Transformation.”19 em The Role of NGOs: Charity and Empowerment (1997). “The Elements of Style in Crafting New International Mission Leaders” (EMQ. “Evangelism and Man´s Search for Freedom. Decadencia da la Religión (1972). “Transformation in Ayacucho: From Violence to Peace and Hope” (Transformation. “Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America” (IBMR. 1987). com John Driver).” em Bible Translation and the Spread of the Church (1990). Alguns títulos representativos podem dar-nos uma idéia de seus temas prediletos: “Social Concern and World Evangelism. Um dos seus livros mais recentes é Desafios da Igreja na América Latina: História. “The Search for a Missiological Christology in Latin America. “The Social Impact of the Gospel. 1991). “Recruitment of Students for Mission” (Missiology.Samuel Escobar é autor de vários livros sobre teologia e missiologia: Diálogo entre Cristo y Marx (1967).” em Christ the Liberator (1971). “Missions and Renewal in Latin American Catholicism” (Missiology. René Padilla). “The Church in Latin America after Five Hundred Years” e “Conflict of Interpretations of Popular Protestantism. Evangelical Review of Theology. “Religion and Social Change at the Grass Roots in Latin America. “La Presencia Protestante en America Latina: Conflicto de Interpretaciones. “A Movement Divided: Three Approaches to World Evangelization Stand in Tension with One Another” (Transformation.

evangélica conservadora e católica. Escobar tem um profundo interesse em missões. em particular depois de 1966. Rodger C. Em seu livro Mission Theology.20 As influências recebidas por Escobar. sendo bastante crítico da sua teologia/ideologia. violência política. REFLEXÃO TEOLÓGICA E ENVOLVIMENTOS Samuel Escobar identifica-se como um evangélico. leigos e líderes cristãos — a compartilhar essa visão. Escobar considera sua tarefa articular essa missiologia holística e inspirar outras pessoas — estudantes. Para ele. 1992). Por outro lado. 1998).21 Isto significa. O evangelho tem implicações sociais e políticas revolucionárias que não podem ser omitidas. líder de movimentos estudantis. Para ele. Bassham descreve o desenvolvimento das teologias de missão ecumênica. ajudam a entender as preocupações reveladas pelos títulos dos seus escritos. especialmente através dos movimentos de que participou a partir da década de 1960. “Beyond Liberation Theology: A Review Article” (Themelios. Conseqüentemente. especialmente entre 1948 e 1975. a mensagem bíblica em geral. professor e teólogo. os evangélicos começaram a constituir uma comunidade verdadeiramente global com uma visão abrangente de missões. Sua identidade latino-americana também é essencial para a reflexão e os envolvimentos teológicos de Escobar. “The Legacy of John Alexander Mackay” (IBMR. ele sempre interessou-se pela missão da igreja. e a igreja deve partilhar desse interesse de Deus. “Missions´ New World Order: The Twenty-First Century Calls for us to Give up our Nineteenth-Century Models for Worldwide Ministry” (Christianity Today. que ele não tem nenhuma conexão particular com as correntes da teologia da libertação que foram e ainda são uma expressão importante da teologia latinoamericana. “A Missiological Approach to Latin American Protestantism” (IRM. pastores. especialmente em um contexto de pobreza e sofrimento. “The Whole Gospel for the Whole World from Latin America” (Transformation. Escobar e alguns colegas sentiram que não era suficiente pregar um evangelho puramente espiritual. A igreja deve proclamar Jesus Cristo como Salvador e Senhor porque os seres humanos carecem tanto de reconciliação com Deus quanto de dignidade e integridade em sua vida neste mundo. ele está longe de partilhar das idéias e compromissos do fundamentalismo. marcado por injustiça e opressão generalizada.or Te Deum?” (EMQ. 1994). golpes militares. como indivíduos e como membros da sociedade. III. 1993). mostram o interesse de Deus por todas as necessidades humanas. tanto católica quanto protestante. Tendo vivido em um período de grande turbulência na história latino-americana. 1994). 1992). Ele observa que. o ano em que eles patrocinaram duas grandes conferências mundiais sobre missões e 49 . por um lado. o evangelho tem relevância para a totalidade da vida. regimes ditatoriais e caos sócioeconômico. e os ensinos e o ministério de Jesus em particular. em meados da década de 60. Como pastor.

Escobar estava entre os muitos líderes do terceiro mundo que falaram enfaticamente em prol das igrejas nativas. e capazes de atuar eficazmente em seu contexto local. No Congresso Mundial de Evangelização (Berlim. Samuel Escobar estando entre eles. O Congresso Mundial de Evangelização (Berlim. positiva e consistente. Escobar falaria apaixonadamente sobre a necessidade de se estabelecer uma relação entre as preocupações sociais e a evangelização mundial. Ele exortou os missionários a superar a mentalidade paternalista.22 Os congressos de Wheaton e Berlim marcaram um novo estágio na emergência de uma identidade evangélica. 50 . que evocou manifestações de opinião de toda a comunidade evangélica. 1966) – a primeira grande reunião mundial de evangélicos no século XX – também estimulou congressos regionais de evangelização em vários continentes. imperialista e colonialista. à medida que os participantes se debatiam com as questões da teologia de missão no mundo contemporâneo.24 Na convenção de 1970. o Pacto de Lausanne demonstra que “os evangélicos desenvolveram uma teologia de missão amadurecida. o forte impacto do conceito de “crescimento da igreja” sobre a teologia evangélica de missões. Escobar foi ouvido pela primeira vez por grandes audiências internacionais nas convenções da Fraternidade Cristã Universitária realizadas em Urbana.evangelização. o principal forum internacional em que se ouviu a voz de Escobar foi o Congresso Internacional de Evangelização Mundial (Lausanne. Nesse contexto.”23 Em todos esses acontecimentos importantes houve uma decidida participação de teólogos latino-americanos. dotadas de uma liderança nacional bem-treinada. 1974). diversidade de perspectivas e profundidade de análise jamais alcançado anteriormente em uma assembléia evangélica.25 No entanto. Para Bassham. à medida que evangélicos de todo o mundo começaram a empreender juntos uma análise da situação enfrentada por aqueles que estavam envolvidos com missões e evangelismo em todos os continentes. 1974). a luta em torno da relação entre evangelização e ação social. Bassham observa que “as apresentações e discussões de Lausanne mostraram um espírito de abertura. O impacto de líderes como Samuel Escobar e C. nos anos 60. Ele e outros oradores da América Latina desafiaram os evangélicos norte-americanos a reconhecer a necessidade de promover justiça social e reformas políticas como parte dos seus deveres como cristãos. Bassham identifica vários desdobramentos importantes: os primórdios de uma teologia evangélica de missão altamente representativa (a Declaração de Wheaton). 1966). Estados Unidos. a fim de permitir o surgimento de igrejas nativas alicerçadas na fé. e o crescente número de vozes evangélicas provenientes de fora da América do Norte. Estes por sua vez contribuíram para o Congresso Internacional de Evangelização Mundial (Lausanne.”26 Uma das grandes influências nas deliberações do congresso veio através das contribuições de oradores do terceiro mundo.

tem uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida. referindo-se com isso ao ministério e à missão total da igreja. Ao contrário.27 Muitas vezes durante o congresso os participantes afirmaram ter um interesse profundo e permanente pela ação social em favor dos pobres e necessitados. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus.. e não explorada. através do grupo de Discipulado Radical. Também aqui manifestamos o nosso arrependimento. Portanto. De uma vez por todas. nem a ação social seja evangelismo. Orlando Costas e Samuel Escobar proferiram as declarações mais fortes no sentido de que a preocupação com as necessidades sociais da humanidade e o envolvimento com as mesmas é uma parte necessária do testemunho e da responsabilidade dos cristãos em favor do mundo. a singularidade de Cristo e a necessidade da evangelização. cultura. Lausanne abordou o tema abrangente da evangelização mundial.” o Pacto de Lausanne declara: Afirmamos que Deus é tanto o Criador como o Juiz de todos os homens. ela também produziu algumas mudanças bemdefinidas na teologia evangélica de missões. cor. não importa qual seja a sua raça.René Padilla. é o interesse pela integridade do Evangelho que nos motiva a acentuarmos a sua dimensão social. Bassham cita as seguintes afirmações de Escobar: Uma espiritualidade sem discipulado nos aspectos diários da vida — sociais. tanto pela nossa negligência quanto por às vezes termos considerado a evangelização e a preocupação social como mutuamente exclusivas. econômicos e políticos —. sexo ou idade. classe. até mesmo ao ponto de se esforçarem pela mudança das estruturas sociais.28 No âmbito continental. devemos partilhar da sua preocupação com a justiça e a reconciliação em toda a sociedade humana e com a libertação dos homens de todo tipo de opressão. nem a libertação política seja salvação. Enquanto que a orientação teológica de Lausanne permaneceu firmemente evangélica. Samuel Escobar teve uma importante participação no 51 . devemos rejeitar a falsa noção de que a preocupação com as implicações sociais do evangelho e as dimensões sociais do testemunho cristão resultam de uma falsa doutrina ou de uma ausência de convicção evangélica. do discipulado cristão e da renovação da igreja. Embora a reconciliação com o ser humano não seja o mesmo que a reconciliação com Deus. toda pessoa. foi de especial importância. religião. O Pacto de Lausanne foi muito além das declarações evangélicas tradicionais. todavia afirmamos que tanto a evangelização como o envolvimento socio-político são parte do nosso dever cristão. Em seu capítulo sobre a “Responsabilidade Social Cristã. é religiosidade e não cristianismo. acentuando a autoridade da Bíblia.. demonstrando que o evangelismo bíblico é inseparável da responsabilidade social. Oradores latino-americanos como René Padilla.

evangélicos. Samuel Escobar e C. a sua apresentação sobre a responsabilidade social da igreja recebeu a atenção mais entusiástica. é levar às suas últimas conseqüências os ensinos a respeito de Deus. que formam a base desse Evangelho. Sustentamos que uma evangelização que não toma conhecimento dos problemas sociais e que não anuncia a salvação e a soberania de Cristo dentro do contexto no qual vivem os que ouvem. entre outros. em Buenos Aires.” Os participantes afirmaram que “o exemplo de Cristo devia ser encarnado na crítica situação latino-americana de subdesenvolvimento. levarmos a sério a nossa responsabilidade social.”32 se os cristãos quisessem testemunhar fielmente em seu contexto sócio-cultural.”34 Ele argumenta que os evangélicos latino-americanos escolheram o Pacto de Lausanne como uma expressão do seu consenso doutrinário básico e do seu claro compromisso com um modelo de missão integral e bíblico.. os protestantes latino-americanos realizaram ainda outra grande conferência – a Conferência Evangélica LatinoAmericana (CELA III). pelo contrário. Bogotá. uma das quais é o modelo ético-missiológico — missão da perspectiva de questões éticas — articulado por. essa terceira busca tem assumido várias formas. que trai o ensino bíblico e não segue o modelo proposto por Cristo. Naquele ano. Orlando Costas comenta que 1969 foi para os protestantes o que 1968 havia sido para os católicos (II Conferência Episcopal Latino-Americana. violência e desespero. em Medellín.33 O próprio Escobar acha que o seu modelo pode ser melhor descrito como “holístico. 1969). de uma expressão mais autêntica de unidade cristã no empreendimento missionário e de uma reflexão missiológica mais séria e profunda.31 Essa ênfase achou lugar na Declaração Evangélica de Bogotá. fome. do homem e do mundo. três anos antes. injustiça.35 Em um capítulo sobre a América Latina que escreveu para o livro Toward the Twenty-First Century in Christian Mission (1993). Ele argumentou eloqüentemente que tanto a evangelização quanto a ação social são necessárias para o testemunho cristão. Costa vê nos documentos de ambos os eventos a emergência de novas tendências missiológicas caracterizadas por um tríplice interesse: a busca de um entendimento histórico de missões. Escobar menciona duas outras 52 . René Padilla.Primeiro Congresso Latino-Americano de Evangelização (CLADE I. além do CLADE I. de Jesus Cristo. Apesar das diferenças existentes entre os dois movimentos. planejado em resposta a pedidos de delegados latino-americanos presentes no Congresso de Berlim.30 Escobar afirmou a certa altura: Existe base suficiente na história da Igreja e nos ensinamentos da Palavra de Deus para afirmar categoricamente que a preocupação pelo aspecto social do testemunho evangélico no mundo não é um abandono das verdades fundamentais do Evangelho. Em sua opinião.29 Dentre os 28 discursos principais. que envia o evangelista. Colômbia). que afirmou: “É chegada a hora de nós. é uma evangelização defeituosa..

Assim sendo. O que o movimento do Crescimento da Igreja necessita é o corretivo de uma sólida teologia bíblica. pois operavam com uma noção bíblica holística do ser humano. Escobar é um crítico rigoroso do movimento do Crescimento da Igreja. mas também o esforço consciente de executar essa tarefa segundo moldes bíblicos. Segundo. iniciado por Donald McGavran em 1960. 1987) deixou de abordar conceitos básicos do entendimento de missões.37 Por essa razão. a igreja nunca deve perder o seu senso de missão e do seu chamado para proclamar a Jesus Cristo como Salvador e Senhor. do marketing e das relações públicas?41 53 . porque Jesus Cristo é Senhor. Escobar afirma que. Ele observa que os grandes missionários dos primeiros 1800 anos da igreja dificilmente fariam a distinção entre “espiritual” (evangelização) e “o resto.38 Ele acha que a base desse questionamento tem sido o compromisso claro com a tarefa de missões e evangelização. 1976). Escobar argumenta que o grande dilema para o qual a missiologia deve estar alerta é diferente: A obra missionária será realizada segundo o modelo de Jesus e a prática apostólica.conferências missionárias latino-americanas. ele lamenta o fato de que o Congresso Missionário Ibero-Americano (COMIBAM. Uma delas foi o Primeiro Congresso Missionário Latino-Americano (Curitiba. injustiça e idolatria ideológica. Eles não procurariam estabelecer prioridades nesses termos. somente em seu nome há salvação para a humanidade.39 Em resposta a um artigo de McGavran. Reagindo contra o triunfalismo fácil das estatísticas e a tirania do controle de dados.40 O que Escobar questiona é se uma pessoa pode realmente evangelizar anunciando a Cristo como Salvador e então deixar a questão do senhorio de Cristo sobre toda a criação para uma segunda etapa. como evangélico. Escobar acredita que o êxito do avanço protestante na América Latina deve ser interpretado fazendo-se perguntas sérias sobre o seu dinamismo transformador e a sua contribuição para a justiça nas relações sociais. Ele preocupa-se com a “missiologia gerencial” que dá ênfase à proclamação verbal e ao crescimento numérico de adesões à igreja como o principal componente das missões cristãs. ou irá adotar as técnicas e padrões da sociologia funcionalista. ambas realizadas no Brasil. testemunha-se o surgimento de uma nova teologia contextual que conclama à “integridade” da missão e procura associar o zelo evangelístico com a paixão holística. ele concorda integralmente com dois pontos do apelo de McGavran: primeiro. inclusive a clamorosa realidade de pobreza que circundava o próprio local em que se reuniram os delegados. hoje o Senhor está nos chamando para cruzarmos as fronteiras da desigualdade. cujo pacto manteve a ênfase de Lausanne sobre a preocupação social como parte da missão da igreja: “Assim como no passado o chamado de Jesus Cristo e da sua missão foi um chamado para cruzar fronteiras geográficas. que poderá nunca chegar.” que McGavran faz.”36 Todavia. São Paulo. e essa singularidade de Jesus Cristo é essencial para a mensagem da igreja.

45 A Teologia da Libertação confronta a missiologia evangélica com dois desafios. um na área da consciência histórica e o outro na da hermenêutica. à medida que a Igreja Católica Romana latino-americana buscou nova relevância social e política. por um lado. Escobar entende que a Teologia da Libertação é uma voz eloqüente que procura reinterpretar a história cristã e a mensagem cristã. Escobar declara que "para as massas em transição. no início das missões protestantes na América Latina. embora Escobar considere inadequadas a análise marxista e a “escatologia” da Teologia da Libertação. o evangelho era a verdadeira força libertadora nas vidas dos latino-americanos. Ele admite: “Nós não mais podemos aceitar uma missiologia que recusa-se a levar a sério as realidades políticas e sociais. mas a única maneira disponível de encontrar aceitação social. Se.”47 Contra o Cristo “docético” do catolicismo latino-americano tradicional. por outro lado ele não sente entusiasmo pela Teologia da Libertação. Com relação ao primeiro. alcançar dignidade humana e sobreviver ao impacto das forças anômicas que atuam nas grandes cidades. essas igrejas estão oferecendo não somente um abrigo ou refúgio no sentido mais limitado. Escobar reafirma a ênfase evangélica na centralidade da Escritura e questiona a abordagem fortemente ideológica da interpretação bíblica demonstrada pelos teólogos da libertação. A missiologia evangélica deve avaliá-la. ele aborda esse movimento na qualidade de “um observador-participante.”42 Ele destaca várias lições missiológicas que podem ser extraídas do impressionante crescimento do pentecostalismo latinoamericano: é um movimento religioso (e não social ou político).Compreensivelmente. nas palavras de René Padilla. e apela a uma genuína cristologia missiológica que. Ele admite que a hermenêutica evangélica necessitar ser constantemente purificada de pressuposições ideológicas. a Teologia da Libertação foi uma das conseqüências desse processo. e a religião oficial uma força opressora. enfatize “o discipulado cristão como algo que implica em colocar a totalidade da vida debaixo do senhorio de Jesus Cristo. mobiliza as pessoas para a missão e cria um senso de comunidade.44 Em décadas recentes."43 Ele observa que alguns pentecostais latino-americanos também escolheram o Pacto de Lausanne como expressão do seu compromisso com um modelo de missão holístico e bíblico. ele admite que a missiologia evangélica está aprendendo a encarar a história missionária com uma atitude menos ingênua e mais madura. Como evangélico. Escobar diverge da escola do Crescimento da Igreja. Escobar e os seus colegas da Fraternidade Teológica Latino-Americana têm refletido sobre o Jesus dos 54 . Escobar vê com apreciação o dinamismo e o crescimento do protestantismo popular (pentecostalismo) na América Latina.”46 Na área da hermenêutica. alguém que tem procurado ser um crítico e intérprete amoroso – um crítico severo em alguns pontos – do lado de dentro. Ele observa como. é um movimento popular.

”48 Essa missiologia cristológica busca um novo modelo para inspirar e moldar a ação missionária. Há também uma preocupação quanto às marcas da missão de Jesus. Ele observa que tal missiologia “é caracterizada por uma forte ênfase hermenêutica que insiste na importância de ler o mundo e ler a Palavra. Além disso. com o entendimento de que ser seu discípulo é ser chamado por ele tanto para conhecê-lo quanto para participar da sua missão. Inicialmente. terceiro mundo) pudessem convergir em um movimento mais articulado e cooperativo para enfrentar a tarefa missionária do terceiro milênio. experiência de vida. tanto individual quanto social. ele argumenta que “nosso programa de treinamento na América Latina precisa ser elaborado com base em convicções bíblicas. Nessas igrejas do hemisfério sul. e vamos unirnos aos nossos irmãos e irmãs a fim de completarmos a tarefa inacabada. Escobar identifica essa reflexão missiológica que está vindo não só da América Latina. e como ele o está fazendo. há uma busca do significado e da “integridade” do evangelho — Jesus Cristo é tanto o conteúdo quanto o modelo e o alvo da proclamação do evangelho. mencionada no início deste trabalho. Deus está despertando uma nova força missionária. como uma missiologia crítica da periferia. Nesse sentido. crescimento da igreja. especialmente nas fronteiras de missão. mas é totalmente incapaz de relacionar o Evangelho com a ética social e a vida social. Há uma séria reflexão acerca daquilo que os evangelhos dizem sobre a pessoa e a obra de Jesus de Nazaré. O material bíblico é abordado a partir de várias perspectivas possuidoras de significado missiológico. sobre como a sua obra e ensino são relevantes para todas as áreas da vida. Escobar observa que a internacionalização das missões cristãs implica em reconhecer que Deus tem levantado igrejas grandes e florescentes no terceiro mundo. mesmo que essa leitura signifique um exame incômodo e sério da herança evangélica. consciência histórica e preocupação pastoral. Essa reflexão inclui uma crítica do cristianismo evangélico na América Latina. suas formas contextualizadas de culto e ação missionária e o destaque 55 . Escobar aborda em cinco ensaios algumas de suas preocupações mais fundamentais. Em um artigo sobre a preparação de líderes de missões. ele destaca a importância do treinamento de missionários e missiólogos para o contexto latino-americano.”49 Ele argumenta que seria grandemente desejável para a globalização das missões e da teologia evangélica se as diferentes correntes missiológicas do evangelicalismo (européias.evangelhos. Escobar cita novamente seu amigo René Padilla: “(O evangelicalismo) afirma o poder transformador de Cristo em relação ao indivíduo. Escobar gostaria de ouvir as igrejas norte-americanas dizerem: “Vamos descobrir o que Deus está fazendo em outras partes do mundo. as igrejas dos pobres.”51 Mais uma vez ele expressa o seu entusiasmo pelo protestantismo popular (pentecostalismo) devido a sua ênfase na mobilização dos leigos.”50 Em sua obra publicada recentemente em português. mas também da África e da Ásia.

fato que tem sido amplamente documentado por diversos pesquisadores. elas enfrentam os riscos do excesso de individualismo. Ao lado disso. Escobar alerta os cristãos evangélicos para a necessidade de um constante processo de encarnação e contextualização que rejeita toda e qualquer forma de paternalismo e discriminação. sermões ou nas Institutas. com sua notável interação entre reflexão e ação missionária. os reformados têm acentuado um conceito abrangente acerca da missão da igreja. Escobar tende a superestimar os valores positivos das igrejas 56 . com sua ênfase na conversão de indivíduos ao evangelho. falta de uma eclesiologia clara e atitudes sectárias. REFLEXÕES FINAIS Samuel Escobar não se identifica como um reformado ou calvinista. o nosso continente testemunha o crescimento cada mais acentuado de uma classe média significativa que também deve ser alvo do interesse da igreja. cartas. vemos uma preocupação constante com as implicações sociais e comunitárias do Evangelho.53 Finalmente. muito embora as suas práticas nem sempre tenham correspondido às suas convicções. e conclui com uma análise do modelo missionário de Paulo. seja em seus comentários.54 Historicamente. uma vez que está filiado à Igreja Menonita. Não precisamos concordar com tudo o que Samuel Escobar tem escrito. que vai além da experiência religiosa pessoal para incluir a comunidade e o mundo. Ele encarece a necessidade de uma espiritualidade profunda aliada a uma preocupação igualmente intensa com as exigências éticas do evangelho. Na realidade.”52 Ao mesmo tempo que expressa sua admiração pelas igrejas populares. como a sua ênfase quase que exclusiva sobre as massas empobrecidas da América Latina como objeto da ação missionária da igreja. algumas de suas suas ênfases certamente contariam com o aval de João Calvino e de muitos dos seus seguidores. Ainda que isso não deixe de ser importante. Isso tem levado Escobar. Ásia e América Latina). Ele entende que “os evangélicos latino-americanos necessitam de um impulso renovado do Espírito Santo e de uma leitura nova e contextual da Palavra de Deus. morávios e avivalistas dos séculos XVIII e XIX do que com os reformadores do século XVI. Para superar esses problemas ele novamente propõe o modelo de missão integral. Após salientar o “fator novo” na história do cristianismo que é a transferência do dinamismo missionário para o hemisfério sul (África. ele aponta que os evangélicos latino-americanos têm maior afinidade com os pietistas.dado ao ministério do Espírito Santo e ao elemento de conflito espiritual relacionado com a missão da igreja. espírito de competição. em anos recentes. Nos escritos do grande reformador. Sua biografia e envolvimentos revelam uma conexão preponderante com a tradição anabatista. alguns pontos da sua missiologia merecem reparos. ao lado da sua anterior ênfase cristocêntrica. a partir da sua própria comunidade local. Não obstante. Escobar reconhece que. a dar uma grande ênfase ao papel do Espírito Santo nas missões cristãs.

optaram decididamente por atividades de cunho social. tendo como alvo a conversão individual. ao passo que os liberais. da abolição da escravatura. do combate ao alcoolismo e de tantas outras causas nobres. as disputas teológicas tão bem exemplificadas pela controvérsia modernistafundamentalista nos Estados Unidos. Jesus Cristo. notadamente nas áreas doutrinária e ética. ideológicas e sociais. A Bíblia fala de um Deus que toma a iniciativa. Os conservadores em grande parte aferraram-se à idéia de que a missão exclusiva da igreja é a evangelização. da luta contra o trabalho infantil. quando nosso continente foi sacudido por profundas convulsões políticas. especialmente como reveladas no seu Filho. poucos afeitos à pregação do evangelho. da reforma das prisões. manifestou o interesse de Deus por todos os tipos de pessoas e pela pessoa integral. Escobar e seus colegas têm algo importante a dizer às igrejas evangélicas históricas da América Latina e do Brasil. Isso foi ilustrado de maneira extraordinária por Jesus. que quer dar vida e dignidade à sua criação. quando.populares. que falam com convicção. Num período conturbado da história recente da América Latina. na Europa e nos Estados Unidos. Como Escobar destaca. 57 . no início deste século. dando pouca atenção a alguns sérios problemas apresentados pelas mesmas. as igrejas e cristãos individuais estavam na vanguarda de movimentos em prol da extinção do tráfico negreiro. como é caso de alguns recentes movimentos neopentecostais. pois que a igreja cristã em geral e as igrejas evangélicas de modo particular têm uma longa e honrosa tradição de “missão integral” ao mundo. Samuel Escobar e seus companheiros da Fraternidade Teológica LatinoAmericana fizeram um esforço sério no sentido de apresentar uma alternativa a essa teologia que fosse bíblica. devemos levar a sério os desafios desses líderes. Não obstante. muitos cristãos aderiram à agenda revolucionária da Teologia da Libertação. evangélica e igualmente radical em suas implicações. produziram a concepção dicotômica da missão da igreja que hoje observamos. coerência e clareza sobre a necessidade de um entendimento abrangente da tarefa da igreja no mundo. Infelizmente. que busca a humanidade com amor e compaixão. a atitude e as ações de Deus em relação ao mundo. são o nosso grande paradigma de missão. como agente e instrumento de Deus. que realmente correm o risco de tornar-se irrelevantes na sociedade caso não despertem para algumas dolorosas realidades que existem ao seu redor. Ao mesmo tempo que enviavam pregadores do evangelho para todos os quadrantes do mundo. em seu ministério terreno. Como cristãos brasileiros preocupados tanto com a missão da igreja quanto com as difíceis realidades sócio-econômicas de nosso país. Eles demonstraram que as igrejas podem permanecer fiéis às suas convicções históricas e ao mesmo tempo adotar uma postura ousada e coerente em relação aos problemas sociais. Tal ocorrência seria um retrocesso histórico lastimável. Basta lembrarmos o intenso esforço de missões e de reforma social gerado pelos grandes despertamentos dos séculos XVIII e XIX.

físicas e emocionais. necessariamente fará com que a igreja enfrente as diferentes situações que afetam a vida humana neste mundo caído. Latourette. eds. eram provenientes do movimento cristão de estudantes.” em A History of the Ecumenical Movement: 1517-1948. Essa mensagem. A Conferência de Edimburgo é considerada o berço do moderno movimento ecumênico. com uma contribuição e uma mensagem singular. Todavia. 353-402 (Genebra: World 58 . Mott e Robert E. Errand to the World: American Protestant Thought and Foreign Missions (Chicago: The University of Chicago Press. 3ª ed. esses sublimes ideais nem sempre encontram plena expressão nas vidas diárias dos cristãos e das igrejas. Seus líderes.21s). Hutchison. se vivida até as suas últimas conseqüências. a esse respeito. Desde uma perspectiva evangélica. Jesus lutou e morreu na cruz. e a tenham em abundância. Obs. as famílias e as comunidades à reconciliação e nova vida em Jesus Cristo – certamente é básica e essencial. estatísticas e resultados rápidos não deve cegar a igreja para a integridade da missão. Ele instruiu os seus seguidores a continuarem a sua obra de proclamação do reino (Jo 20. “Ecumenical Bearings of the Missionary Movement and the International Missionary Council. Por causa do seu forte senso de missão. Evidentemente. o importante livro de William R.O Cristo do Novo Testamento interessa-se por todas as necessidades humanas — espirituais. Speer. vamos concentrar os nossos esforços no que é primordial – a evangelização – e as outras preocupações cuidarão de si mesmas. Ver. o propósito total de Deus para a humanidade e para a comunidade redimida. Ver Kenneth S.: O presente estudo é uma versão ampliada do artigo “Samuel Escobar e a Missão Integral da Igreja: Uma Perspectiva Latino-Americana. É para essas implicações mais amplas do evangelho e da missão da igreja que cristãos comprometidos e inquiridores como Samuel Escobar chamam a nossa atenção. a preocupação com prioridades. 1987). Ela é uma instituição singular. muitas vezes. a sua mensagem e ações desafiam todas as áreas da vida particular e coletiva. a evangelização – convidar os indivíduos. Ruth Rouse e Stephen C. Oldham. praticidade ou. John R. Neill.” A igreja não deve ser reduzida a uma organização social ou a um grupo de pressão política como tantos que existem na sociedade. como Joseph H. Tudo deve ser colocado debaixo do propósito e do senhorio de Deus. ela também precisa expressar o interesse de Deus por toda a vida e espelhar a atitude daquele que disse: “Eu vinham para que tenham vida.. À medida que a igreja evangeliza. Inevitavelmente é levantada a questão das prioridades: uma vez que não podemos fazer tudo que Deus espera que façamos. O reino de Deus e seus novos valores devem ser manifestos em todos os tipos de relacionamentos humanos.” publicado em Vox Scripturae 8/1 (Julho 1998): 95-111.

” Pastoralia 1/2. Um dos primeiros e mais importantes articuladores dessa teologia foi o sacerdote peruano Gustavo Gutiérrez. 131-32. duas realizaram-se na cosmopolita e culta Buenos Aires.” Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). Das três CELAs. Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). Hogg. entidade que promoveu o maior esforço cooperativo até hoje empreendido pelas igrejas evangélicas brasileiras e foi precursora da Confederação Evangélica do Brasil. Outros membros bem conhecidos da Fraternidade Teológica são C. onde. entre outros. 1952). no campo protestante destacaram-se José Miguez Bonino e Rubem Alves. nos primeiros anos da Aliança Bíblica Universitária. de Iquitos. 1986). “Panamá 1916 y su Impacto sobre el Protestantismo Latinoamericano. sexo. o próprio Escobar afirma em uma obra recente: “Desde a minha primeira visita ao Brasil. autor de Uma Teologia da Libertação (1971). em 1953. O historiador Sidney Rooy identifica uma seqüência de três séries ou ciclos de encontros do protestantismo latino-americano. Os próprios locais dessas conferências e congressos são reveladores.” Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). Nelson. na selva peruana. Erasmo eventualmente tornou-se o secretário da Comissão Brasileira de Cooperação. trabalhei como missionário na frente estudantil. enquanto que todos os CLADEs ocorreram nos países andinos.” 22. Jon Sobrino. José Porfirio Miranda.” Samuel Escobar. Os critérios de seleção procuram ser os mais abrangentes possíveis em termos de faixas etárias dos participantes. entre 1962 e 1964. 13. um velho Catalina da Panair. os presbiterianos Eduardo Carlos Pereira. Entre os evangélicos conservadores. metade das inscrições é reservada para participantes pentecostais. 59 . especial (Novembro 1978): 521. John Kessler e Wilton M. Henrique Dussel e Leonardo Boff. o órgão cooperativo correspondente ao CLAI é a Confraternidade de Evangélicos da América Latina (CONELA). “Los ‘CLADEs’ y la Misión de la Iglesia. Neste último aspecto. ed. Ecumenical Foundations: A History of the International Missionary Council and its Nineteenth-Century Background (Nova York: Harper and Brothers. Sobre a sua relação com o Brasil. Cheguei de avião. Escobar. Rolando Gutiérrez. René Padilla. Álvaro Reis e Erasmo Braga. Dali percorri o Norte e o Nordeste. Em 1959 e 1960 percorri como evangelista e discipulador um bom número de centros universitários. Citado por Tito Paredes em “Visión Histórica de los ‘CLADEs’. até Manaus. identidade étnica e filiação eclesiástica. Tito Paredes. Daí o subtítulo utilizado: “Para considerar os problemas missionários relativos ao mundo não-cristão. como jovem delegado peruano a um congresso mundial da juventude batista. Núnez e o brasileiro Valdir Steuernagel.Council of Churches. Emílio A. Ver Samuel Escobar. até chegar a São Paulo. Outros nomes importantes no campo católico são Juan Luis Segundo. 20. apaixonei-me por esse imenso país. Entre os latino-americanos presentes no congresso estavam apenas três brasileiros.” William R. “Los ‘CLADEs’ y la Misión de la Iglesia. com seus enormes problemas sociais e suas dinâmicas igrejas populares. Hugo Assmann. 35.

órgão oficial da referida Comissão Teológica. 11. “Missão na América Latina: uma perspectiva evangélica”. Por exemplo. “Elementos de estilo na formação de novos líderes missionários internacionais”. “Missões e renovação no catolicismo latino-americano”. “o missiologista Samuel Escobar disse que um conceito holístico de missão conclama os cristãos a compartilhar tanto a vida espiritual quanto recursos materiais e a utilizar instrumentos espirituais. “O legado de John A. Escobar também foi responsável por vários periódicos. Por força de suas ocupações. “Além da teologia da libertação: artigo-resenha” e “Uma abordagem missiológica do protestantismo latino-americano. Valdir Steuernagel e Rodrigo Zapata. Também publicado em Annals of the American Academy of Political & Social Science 554 (Nov 1997). “Transformação em Ayacucho: da violência à paz e esperança”.” Evangelical Review of Theology 7. um deles escrito por Escobar e três colegas latinoamericanos. Seu papel principal é ajudar os estudantes a considerar as missões cristãs no contexto da justiça econômica. David Bosch menciona pelo menos seis tipos básicos: (1) novos evangelicais (como Billy Graham). e diretor de Pensamiento Cristiano. Mackay”. 1997).” Escobar também leciona no curso de Administração do Eastern College. uma revista para estudantes universitários. em distinção dos progressistas ou liberais. Ver Samuel Escobar. que tentam unificar todos os evangelicais. “O recrutamento de estudantes para missões”. Estratégia e Teologia de Missões (Viçosa. um órgão de exposição do pensamento evangélico. “A Latin American Critique of Latin American Theology. “O evangelho inteiro para o mundo inteiro a partir da América Latina”. Pedro Arana. ele foi editor de Certeza.” Como no Brasil. “A missiologia de McGavran foi devorada por um leão?”. “De Lausanne 1974 até Manilla 1989: a peregrinação da missão urbana”. esta é a tradução dos títulos dos artigos de Escobar: “A responsabilidade social da igreja na América Latina”. realizada em Seul. “500 anos após Colombo: Requiem ou Te Deum?”. o termo “evangélico” tem sido virtualmente sinônimo de “protestante. na Coréia do Sul. Segundo o Mennonite Brethren Herald. (2) evangelicais separatistas 60 . Escobar participou de uma conferência sobre economia e missões promovida pelo Concílio de Ministérios Internacionais das igrejas menonitas norteamericanas. culturais e tecnológicos. “Um movimento dividido: três abordagens da evangelização mundial permanecem em tensão entre si”. MG: Editora Ultimato. em nível de pós-gradução. “A nova ordem mundial das missões: o século XXI nos conclama a abandonarmos nossos modelos de ministério mundial procedentes do século XIX”. Por exemplo. Mais recentemente. A revista Evangelical Review of Theology. como ocorre nos Estados Unidos. “Teologia evangélica na América Latina: o desenvolvimento de uma cristologia missiológica”.Desafios da Igreja na América Latina: História. em 1982 Escobar participou da Consulta de Teólogos do Terceiro Mundo.” os estudiosos estão utilizado o anglicismo “evangelical” para designar especificamente os evangélicos conservadores. nº 1 (abril 1983): 48-62. em março de 1998. historicamente. publicou os trabalhos apresentados nessa consulta. “Além da teologia da libertação: missiologia evangélica na América Latina”. Para os leitores não familiarizados com o inglês. publicado na Argentina.

O COMIBAM deu uma forte ênfase à segunda vinda de Cristo. Ver Samuel Escobar. James M.. Festo Kivengere e Arthur Glasser). 104. Mission Theology: 1948-1975 – Years of Worldwide Creative Tension – Ecumenical. Escobar atribui ao CLADE I. Ver Internet. 1975).. Samuel Escobar.” 134. 231. procura tratar tanto a mente como o corpo. Ibid. Mission Theology. Escobar. Bassham. Harvie M. Samuel Escobar. Tópicos do Momento 3 (São Paulo: Vida Nova. Quando Escobar concluiu sua palestra.. Conn e Samuel F. ed. 22. “Missiology in Contemporary Latin America: A Survey. 1970).” do grego hólos (“inteiro”. 131. em contraste com a análise.br/cem/postura. Escobar.homenet. Ibid. 133. Bassham.” em Toward the Twenty-First Century in Mission. Ibid. Bassham.” Missiology 20 (Abril 1992). Ibid. A palestra foi publicada na íntegra por Edições Vida Nova. 187. “completo”). “Mission in Latin America: An Evangelical Perspective. tratamento ou divisão em partes. Califórnia: William Carey Library. o surgimento de uma “teologia nacional” entre os evangélicos latino-americanos. os delegados colocaram-se de pé e demonstraram a sua aprovação aplaudindo-o entusiasticamente.” em Missions and Theological Education in World Perspective. “Anômicas” deriva de “anomia. Romen (Farmington.. 262. Rodger C. “Latin America. John Stott. 1993). Evangelical.” 241.. Samuel Escobar. e (6) evangelicais ecumênicos (como John Stott. “Mission in Latin America. 349-350.(como Carl McIntire e o seu Concílio Internacional de Igrejas Cristãs). ed. Mission Theology. 295. A medicina holística. 1979). 7-8. Ibid. Desafios da Igreja. (5) evangelicais radicais (como Samuel Escobar. The Lausanne Covenant: An Exposition and Commentary (Minneapolis: World Wide. denota o que diz respeito a totalidades ou sistemas completos. 25. A Responsabilidade Social da Igreja. “Has McGavran´s Missiology been Devoured by a Lion?” Missiology 17 (Julho 1989). René Padilla e Orlando Costas). por exemplo.com. 244. 1984). Um bom exemplo das idéias de Escobar acerca da evangelização pode ser encontrado no seu artigo “Vivir y Evangelizar. 291. Ibid. Ibid. 237. Michigan: Urbanus.. www. “Holístico. (4) evangelicais pentecostais e carismáticos. Esse congresso foi o berço da Fraternidade Teológica Latino-Americana.” em Pensamiento Cristiano 93 (Março 1978): 170-175. Ibid. and Roman Catholic (Pasadena. “Latin America.” a instabilidade 61 .html. 350. Phillips e Robert T. Orlando Costas. que recebeu 920 delegados de 25 países. (3) evangelicais por confissão (como Peter Beyerhaus).. 225. Coote (Grand Rapids: Eerdmans.

64.” International Bulletin of Missionary Research 6 (Julho 1982). organizado pelo Dr.. 328. 72-87 Parte XV A MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA Introdução: Que é missão integral? O que envolve a missão da Igreja a ponto de investigarmos o que é mito e o que é realidade? Na procura de respostas para estas e outras perguntas semelhantes é que este estudo veio a lume. 111. do autor do presente artigo. Samuel Escobar. “Mañana – Discerning the Spirit in Latin America. Nele nada menos que 27 articulistas tratam da missão integral da Igreja. 69-88. Há poucos anos.” Fides Reformata 3:1 (Jan-Jun 1998). é enorme. 19. O Pensamento Econômico e Social de Calvino. e “Jonathan Edwards: Teólogo do Coração e do Intelecto. Não é um trabalho original e nem exaustivo. realizada em Londres de 9 a 14 de abril de 1996. Waldyr Carvalho Luz (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana. 7.” Escobar foi o autor de um dos seis estudos apresentados ao plenário. Samuel Escobar. “The Elements of Style in Crafting New International Mission Leaders.. Não é original porque missão integral já faz parte da discussão teológica da Igreja há algum tempo.” em que revela o seu grande interesse pela dimensão pneumatológica da missão da igreja e conclama os evangélicos a estarem receptivos ao novo vento do Espírito que sopra na igreja. Não é exaustivo porque o número de teólogos.social resultante do colapso dos padrões e valores.” Evangelical Review of Theology 20/4 (Outubro 1996). Tal consulta.. Ibid. Ibid. Samuel Escobar. Um bom exemplo da diversidade da missão integral é o livro A Missão da Igreja..” Fides Reformata 2:2 (Jul-Dez 1997). Desafios da Igreja na América Latina. “Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological Christology. alienação e incerteza que decorre da ausência de propósito ou ideais. Ver também. 48. 321. “Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America. Samuel Escobar. missiólogos e pensadores que têm escrito e palestrado sobre a missão da Igreja. 110. obras como as de René Padilla e Timóteo Carriker são dignas de nota. Escobar. significa a inquietação. no sentido individual. conforme observamos no 62 . trad. gerando uma espiritualidade nova e radical. Escobar. Escobar participou de mais uma consulta da Comissão Teológica da Fraternidade Evangélica Mundial.” Missiology 19 (Julho 1991). Ibid. Ibid. teve como tema “Fé e Esperança para o Futuro: Por Uma Teologia Evangélica Vital e Coerente para o Século XXI.” Evangelical Missions Quarterly 28 (Janeiro 1992).. Ibid. 316. Mas existem muitos outros autores que não aparecem no livro de Steuernagel. “Amando a Deus e ao Próximo: João Calvino e o Diaconato em Genebra. 108. Valdir Steuernagel em 1994. e em seus vários aspectos. Além disso. Desafios da Igreja na América Latina. É o caso de André Biéler. sob o título “Discernindo o Espírito na América Latina. 1990).

também. Por outro lado. ainda não amadureceu tanto em sua concepção de missão integral.capítulo sobre o conceito de missão integral da Igreja na teologia contemporânea. mas em prioridade lógica. 14). Por causa dessa variedade de autores foi preciso adotar alguns critérios. Evangelização e responsabilidade social devem andar juntas como causa e efeito de uma mesma verdade evangélica. O MITO E A REALIDADE DA MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA 1. Nosso estudo divide-se em três capítulos principais. 1998. isto é. O primeiro trata da missão integral como mito e realidade propriamente dito. a consciência social da igreja brasileira hoje parece ser maior do que algumas décadas atrás. justamente porque ao se discutir prioridades (estamos falando apenas de evangelização e ação social) a igreja deixa de fazer bem uma e outra coisa. O mito da polarização teológica Que evangelização e responsabilidade social são verdades bíblicas para a Igreja de Jesus Cristo não há dúvida. também não estamos afirmando que sejam duas coisas diametralmente separadas. O relatório da Consulta Internacional realizada em Grand Rapids (EUA). p. Entretanto. I. Alguns fatores que possibilitaram o surgimento desses mitos é o que veremos. a saber.1. "Um ministério integral verdadeiro define a evangelização e a ação social como funcionalmente separadas. O mito da missão integral da Igreja O que poderíamos denominar de mito ou mitos na missão integral da Igreja? Após relativa pesquisa e análise cuidadosa deste assunto. mas relacionalmente inseparáveis e necessárias para um ministério integral da igreja" (YAMAMORI. a polarização entre evangelização e a responsabilidade social da Igreja. pois há situações em que o 63 . Nosso objetivo é mostrar que a Igreja evangélica brasileira só pode ser verdadeiramente missionária quando no desempenho de sua missão integral. Não estamos falando em prioridade temporal. chegamos à conclusão que dois pontos resumiriam bem o mito de missão integral da Igreja. Com isso não queremos dizer que evangelização e ação social devam ser entendidas como sendo a mesma coisa. a. Felizmente. concluiu que na questão da primazia entre evangelização e ação social "a evangelização tem uma certa prioridade. o ser humano considerado em partes separadas ao invés do todo. O segundo mito estaria diretamente ligado à dicotomia humana. por outro. vez ou outra mencionados no corpo deste trabalho. neste capítulo. presidida por John Stott em 1982. O primeiro deles estaria relacionado a um debate que perdura já algum tempo na igreja evangélica mundial e na brasileira em particular. se por um lado a Igreja vem melhorando em sua visão social. ou pelo menos não deveria haver (1). Os outros dois são uma explanação bíblico-teológica e pragmática do primeiro.

uma rápida apresentação de dois grandes movimentos que contribuíram negativamente para o distanciamento da Igreja de sua missão integral. portanto. a seguir. estas duas realidades (evangelização e ação social) são inseparáveis. (Idem. p. o chamado Pacto de Lausanne: "Os resultados da evangelização incluem a obediência a Cristo. como aconteceu no ministério público de Jesus. e não explorada. 23) A discussão pouco louvável no meio cristão sobre a missão prioritária da Igreja no mundo também levou o comitê de Lausanne a elaborar uma declaração sóbria e amadurecida. sexo ou idade possui uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida. foi um dos fatores que colaboraram para a polarização entre evangelização e a ação social no meio 64 . pelo menos nas sociedades livres. o ingresso em sua igreja e um serviço responsável no mundo" (O PACTO DE LAUSANNE. classe social. 1983. Aqui também nos arrependemos de nossa negligência e de termos algumas vezes considerado a evangelização e a atividade social mutuamente exclusivas. V). 23). 1983. religião. p. toda pessoa. V) (Grifos nossos) E mais: "A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais. E ainda: Afirmamos que Deus é o Criador e o Juiz de todos os homens. afirmamos que a evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. em seus artigos. cultura. O evangelho social e a teologia da libertação A influência perniciosa e nefasta do liberalismo teológico do século XX. cor. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus. numa espiral ascendente de preocupação crescente (STOTT. Em lugar de estarem em competição. Diz assim. em particular das teologias do evangelho social e da libertação. Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus. sem distinção de raça. elas se sustentam e fortalecem mutuamente. Evangelização e responsabilidade social são partes integrantes da missio Dei.ministério social precisa vir primeiro" (STOTT. nem a ação social evangelização. devemos partilhar o seu interesse pela justiça e pela reconciliação em toda a sociedade humana. 1983. Portanto. e raramente teremos de optar entre uma e outra. E na prática? Na prática. A fé sem obras é morta" (Idem. e pela libertação dos homens de todo tipo de opressão. nem a libertação política salvação. IV). inseparáveis e indispensáveis na missão integral da Igreja de Jesus Cristo no mundo e para o mundo (2). Façamos.

pecou na espiritualidade sem encarnação. dando uma reviravolta considerável nessa história toda. O esforço de se combater a teologia do evangelho social e depois a teologia da libertação (por causa da ênfase social à parte do evangelho bíblico e de uma filosofia marxista.é um todo e deveria sempre ser visto assim. não dictomizado. como ocorria em tempos atrás. na melhor das hipóteses. Resultado: No afã de se preservar o espiritual. Veremos a seguir que pelo menos três fatores contribuíram negativamente para o surgimento do mito da dicotomia humana. a Igreja acabou se equivocando e não enxergou a mensagem social autêntica que o mesmo evangelho oferecia. o platonismo. Geisler (1985. conforme veremos no decorrer deste estudo. a igreja evangélica brasileira. principalmente desta última). como também o próprio evangelho para o qual ela foi chamada a proclamar no mundo. tem levado a mesma a desvalorizar não somente o ser humano na sociedade. b. Se de um lado as teologias liberais mencionadas cometeram o pecado do social sem espiritualidade. por sua vez. p. tanto o evangelho social quanto a teologia da libertação provocaram uma reação positiva na Igreja. Contudo. Em síntese o platonismo argumenta que o ser humano é essencialmente um ser espiritual e que apenas tem conexão funcional com um corpo que. A influência missionária e da teologia sistemática Norman L. como salientou muito bem Manfred (1987. p. "só existe fidelidade na evangelização quando existe fidelidade na missão integral da igreja". O mito da dicotomia humana Ver o indivíduo completo. Partindo da perspectiva bíblica. "Esta ênfase foi dirigida pelos cristãos na Idade Média e tem sido transmitida para o presente". e sem qualquer preocupação de ser rotulada e perseguida por isso. 38). 1989. A Igreja foi levada a refletir seus valores. é um impedimento e. como o é pela Bíblia. isto é. Entretanto.homem ou mulher . O ser humano . 59). pela própria Igreja. p. boa parte das igrejas brasileiras está envolvida em trabalhos sociais. a influência missionária européia e norte-americana e a teologia sistemática. é uma necessidade urgente em nossos dias. um grande mal. por outro lado. 154) observa que parte do descuido do "homem total" tem sua origem na ênfase platônica não-cristã sobre a dualidade do ser humano. Hoje em dia. achando que Cristo veio salvar apenas a alma do homem ou da mulher. provocou um mal-estar na igreja brasileira. pois. o ser humano poderia ser definido como sendo 'uma comunidade integrada de corpo e alma' (STOTT. Um dos maiores males cometidos na igreja evangélica brasileira de hoje é limitar o conceito de salvação. 65 . há de se admitir que.evangélico. na pior. A correção deste erro está no ensino bíblico acerca da unidade essencial do ser humano. a ausência da compreensão do indivíduo como ser integral.

embora não justifique.1988. 1. de tempos em tempos. na análise da questão corpo. p. DEMAREST. pp. isto tem sido um dos fatores prejudiciais na compreensão da missão da Igreja. por causa daquela reação ao evangelho social e à teologia da libertação. em seu artigo Teologia Sistemática (In EHTIC1990. Embora a teologia sistemática seja uma tentativa interessante de organizar em um ou mais compêndios conceitos e pensamentos religiosos variados. Outra razão é que a maioria dos missionários estrangeiros que aqui chegaram tendia para a corrente do evangelho individual (KRIEGER. Isso explica. Bruce A. isto é. independente de sua linha confessional. Nossa herança missionária é deveras espiritualista. os missionários europeus e norte-americanos que aqui estiveram parece que não conseguiram passar adiante a idéia da missão integral. o que. (Grifo nosso) (3) Outro fator que infelizmente tem colaborado para a dicotomia humana é a teologia sistemática. Por isso. e segundo: porque novas questões e problemas continuam a surgir para desafiar a igreja. pelo contrário. p. isso não quer dizer que não houve qualquer tipo de envolvimento social.40). contribuiu para a difusão do evangelho social e principalmente da teologia da libertação em nosso país. Mas então. 55). Primeiro: porque à medida que a linguagem e as formas culturais mudam.2. faz uma advertência importante: Alguns consideram a teologia sistemática como um depósito eterno e inalterável de verdades divinas. que desempenharam um papel social muito grande em nosso país.Além da influência platônica. 39. novos entendimentos teológicos e reformulações são necessários a cada geração. Assim. até hoje sentida. No estudo da natureza do ser humano na teologia sistemática. O que é facilmente percebido nas mensagens bíblicas e hinos que os missionários nos legaram. de certa forma. In Teses. Porém. e durante tanto tempo vem caminhando lentamente na questão social? Pelo menos por três razões principais: Uma delas tratamos há pouco. perdeu-se de vista a perspectiva bíblica de que somos um todo. e em seus conceitos dicotômicos e tricotômicos. certamente. a omissão da Igreja. 515). Ashbell Green Simonton e outros. o texto bíblico precisa ser reinterpretado e reaplicado ao contexto moderno. A realidade da missão integral da Igreja 66 . Uma terceira razão foi observada pelo missiólogo norte-americano Timóteo Carriker. ora nobre e sacrificial. mas. Embora as Escrituras sejam invioláveis. é claro. ora dominador e paternalista. quando diz que boa parte dos missionários europeus e norte-americanos que aqui estiveram "realizaram o trabalho. 1993. com raríssimas exceções. o conjunto da verdade cristã deve ser vestido em roupagens contemporâneas a fim de permanecer inteligível. E. a história da igreja brasileira registra dignos exemplos de missionários como Robert e Sarah Kalley. alma e/ou espírito. deixaram a impressão de que missões é coisa que o Brasil recebe e não que faz (CARRIKER. por que a igreja evangélica brasileira de modo geral não herdou a totalidade da visão desses bons exemplos de missionários. não transmitiam a mesma visão missionária para as igrejas autóctones. nosso espiritualismo desencarnado no campo social. é preciso ter cautela com a mesma.

de amor a Deus e à humanidade". É mais que isso. A Igreja deve ser a voz do que clama no deserto a fim de fazer a diferença no mundo. por exemplo. a consciência ecológica da Igreja? (4) Além disso. principalmente no socorro aos menos favorecidos. como veremos mais adiante. temores e esperanças da sociedade e a medida em que seu serviço ajuda a aliviar a dor humana e a transformar as condições sociais que têm condenado milhões de 67 . p. conflitos. em se tratando de benefícios a serem recebidos. somente o pobre precisa ser atendido também em suas necessidades básicas prioritárias. Quando se coloca o pobre e o rico lado a lado. Os cristãos foram postos no mundo para ser a consciência da sociedade. Onde está. a. 102). de dignidade humana. 113). Não só no que se refere ao indivíduo. a Igreja como sal da terra e luz do mundo deve fazer a diferença nos vários setores da sociedade.Em contrapartida ao mito da teologia de missão integral da Igreja. Por isso mesmo. tem solapado nosso país e a Igreja muitas vezes tem se afastado como se nada tivesse com isso. destaquemos dois fatores que. tem o dever ético e moral de ser mais justa do que qualquer governo ou partido político pretenda ser. A injustiça social. Uma opção preferencial pelos pobres? E por que não? O evangelho é para todos. em nossa opinião. o seu grau de participação na vida. Precisa deixar o monte da transfiguração (entenda-se contemplação) e descer até ao sopé onde se encontram os excluídos. como resultado de uma política social opressora. 1994. Não é fácil inculcar na cabeça do nosso povo que o envolvimento da Igreja deve ser total. 229). mas cria uma consciência democrática. sabemos que a ortopraxia da missão integral não é tão óbvia como deveria ser. Conforme salientou Jorge GOULART (1941. E ainda: Esta dimensão envolve o impacto que o ministério reconciliador da igreja exerce sobre o mundo. o primeiro sempre sai perdendo. p. expressam bem a realidade dessa missão. verdadeira afronta contra a imagem e semelhança de Deus. porém. Orlando Costas via nesta dimensão diaconal ou encarnacional da Igreja "a intensidade de serviço que a igreja presta ao mundo. à luz dos conceitos de liberdade. A missão da Igreja é holística e diaconal Por mais óbvia que pareça esta afirmação. p. sobretudo. É verdade que a Igreja não é uma instituição político-partidária que deva defender qualquer bandeira política. por causa da má distribuição de renda de nosso país. Ela é uma instituição divina supra partidária. como diria Orlando COSTAS (1979. de respeito ao próximo e. É preciso sim que os pobres desse mundo recebam um tratamento preferencial porque foi assim que Deus os tratou na Bíblia. a Igreja "não prega uma forma de governo. como prova concreta do amor de Deus" (COSTAS. mas também à criação de Deus em geral.

apenas de um dos aspectos da missão integral. mulheres e crianças à pobreza. assim como é ampla a missão integral de Deus. p. A missão integral na Bíblia A missão integral tem raízes bíblicas profundas. A BASE BÍBLICA E TEOLÓGICA DA MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA 2. O compromisso da Igreja com Deus (vertical) resulta nela um compromisso com a criação em geral e com o ser humano em particular (horizontal). p. Sua Palavra é um todo. A Bíblia não existe para o deleite de nossa mente carnal. adoração. "Nada é mais claro na Bíblia do que ser Deus o campeão dos pobres. visto que a dimensão dessa missão é vertical e horizontal. (BRYANT. II. pp. à luz da Bíblia. aos pobres deste mundo. A missão integral da Igreja é ampla. edificação. É uma verdade bíblica que precisa ser resgatada e praticada em sua totalidade. Não é por acaso que GRELLERT (1987. (COSTAS. pois somente na medida em que conseguir dar visibilidade e concreticidade à sua vocação de amor e serviço ela pode esperar ser ouvida e respeitada. dos oprimidos e dos explorados". No capítulo anterior mencionamos que a missão integral da Igreja é ampla. b. significa que ela (a missão integral da Igreja) não é uma filosofia cega ou um modismo passageiro. 1988. A opção por apenas um desses seus aspectos (doutrina ou prática) causará profunda ojeriza em Deus. Isto quer dizer que se deve atender tanto às necessidades físicas como às espirituais. A Bíblia não incentiva nenhum blá-blá-blá teórico desinteressado. A missão da Igreja é bíblica Quando dizemos que a missão integral da Igreja é bíblica. 56). No capítulo 2 desse estudo falaremos um pouco mais sobre a base bíblica da missão integral da Igreja. 22) resumiu a missão intergral da Igreja em "comunhão. Segue abaixo uma abordagem resumida sobre o assunto. 113. Por isso mesmo nosso objetivo agora será tratar. aquele que está diretamente relacionado à pessoa do indivíduo ou. Isso é verdade. que estão inseparavelmente relacionadas. isto é.4).1. A integralidade da Igreja é bíblica e se baseia na missão integral de Deus. mais especificamente. 15) salienta: Tanto no Antigo como no Novo Testamentos a Bíblia ordena à igreja que ministre à pessoa como um todo. A Bíblia é doutrina e prática. Sem esta dimensão a igreja perde sua autenticidade e credibilidade. Tetsunao YAMAMORI (1998. A missão da Igreja não é filosofia e muito menos modismo. 1994. como um todo deve ser a missão integral de Sua Igreja. ainda que sejam separadas em termos funcionais.homens. evangelismo e serviço". 68 . p.

Em Isaías 58.49 afirma que o pecado de Sodoma. Só no AT nós temos 300 referências sobre causas. do carente. pelo que me ungiu para evangelizar os pobres. ensinando nas sinagogas. da vaidade e da imoralidade era que aquela cidade. b. e o jejum que eu quero. e seus próprios operários. do humilhado. nunca atendeu o pobre e o necessitado.18. (MACEDO FILHO. do destituído. realidade e conseqüências da pobreza. "Nós nunca encontramos Jesus Cristo de dedo apontado contra os pobres e marginalizados. sendo rica e abastada. No Antigo Testamento Se folhearmos as páginas do Antigo Testamento veremos que existe uma clara opção preferencial de Deus pelos pobres e oprimidos. do desamparado. Os apóstolos deram continuidade ao tema da missão integral de Jesus em seus ministérios. a viúva. o estrangeiro. vocês estão oprimindo os pobres. Isto não significa que Deus faça acepção de pessoas ou de classe social. 10. Vinte e cinco palavras hebraicas para falar do oprimido. do que clama por justiça. 69 . 1988.a. p.17. O cuidado de Jesus com os pobres e marginalizados é enorme. o pobre.2. do fraco. é que vocês cortem as ligaduras da impiedade. quer pelo sistema religioso. pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo". veremos que o objetivo de toda a legislação era que não houvesse miseráveis e injustiçados no meio do povo de Israel. Veja por exemplo Atos 5 e 6. o órfão.19). a nossa atitude para com os desfavorecidos deste mundo será um critério importante de julgamento no Juízo Final. De modo algum! Mas com certeza Ele olha de maneira especial para aqueles que não têm vez. é que ajam com justiça em relação aos desamparados".1. além do orgulho. 25) notamos que além da questão do se "fazer igualmente a Cristo". 35). enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos. Veja também Isaías 1. No Novo Testamento Jesus Cristo é a revelação máxima da missão integral de Deus no mundo. do desesperado. e apregoar o ano aceitável do Senhor" (Lc 4. para por em liberdade os oprimidos. que não têm voz. No início de seu ministério terreno o Senhor Jesus deixou bem clara a sua missão quando declarou: "O Espírito do Senhor está sobre mim. quando o povo de Deus pergunta: "Por que é que nós oramos e jejuamos e tu não nos respondes?".23 lemos também: "Percorria Jesus toda a Galiléia. Em Mateus 4. Ezequiel 16. Deus diz: "É porque vocês jejuam e oram para a iniqüidade. mas enfrentando exatamente aqueles que oprimiam o povo.3-8. Se olharmos na legislação do povo de Deus no Velho Testamento. ou sistema político de sua própria época". quer pelo sistema econômico. E ainda em Mateus (cap.

não significa que a participação da igreja na evangelização mundial tem pouca significância.14-26.1-6). A seguir exporemos alguns dos principais conceitos da missão integral de Carriker. da Galácia (Gl 6. 2. Um bom exemplo disso é a obra do Dr. Muito pelo contrário. as igrejas de Corinto (II Co 8 e 9). a liberdade de selecionar apenas dois deles. Várias igrejas foram orientadas por cartas a agirem com a mesma visão de integralidade bíblica dos apóstolos. missio Dei. e Ele vai cumpri-lo. Um Deus soberano e misericordioso é o ator último das parábolas de Jesus. a. Deus tem um plano salvífico que alcança tanto judeu quanto gentio.Em Jerusalém as três colunas do colégio apostólico (Pedro. na palavra de Deus. da identidade e tarefa missionárias do povo de Deus (1992. e explico porquê. É este Deus salvador que alcança além das leis judaicas. então. dentre outras. A confiança no cumprimento do seu plano dá a igreja motivação para perseverar até o fim. Falar do trabalho de cada um desses autores. 5. e gentios recebem a misericórdia de Deus. sem considerar outro tanto que Steuernagel não menciona.2. a missio Dei exige os missiones eclesiae. diz o apóstolo em Gálatas 2. Esta imagem de Deus está no coração do Novo Testamento também. cada um deles escreveu um livro com o mesmo título (Missão Integral) com cerca de 300 páginas cada. 11). A missão integral na teologia contemporânea O número de teólogos que escreveram e escrevem sobre a missão integral da Igreja não é pequeno. não fica passiva em relação à soberania de Deus. Em segundo lugar. a saber. Seu objetivo é ressaltar as diversas dimensões. Destacamos. Estou tomando. Em terceiro lugar. O conceito de Timóteo Carriker O livro de Timóteo Carriker é uma teologia bíblica de missões. Tiago e João) recomendaram a Paulo e a Barnabé que não se esquecessem dos pobres. São praticamente dois 70 . A igreja. No Antigo Testamento Javé é o Deus soberano sobre toda a sua criação. nossos dois teólogos são duas das maiores autoridades mundiais sobre a missão integral da Igreja. "o que também me esforcei por fazer". Os marginalizados. vale a pena conferir a ênfase e a abordagem distintas que ambos conferem em seus respectivos livros acerca da missão integral da Igreja. seria simplesmente impossível para as dimensões do nosso trabalho. contudo. Em primeiro lugar. Reconhecer que a missão é essencialmente de Deus.2-10) e das doze tribos da dispersão (Tg 2. Valdir Steuernagel em que ele reúne nada menos que 27 autores. mulheres. O seu reino tem um escopo universal até cósmico.10. p. Sua aproximação do homem exige a atitude de conversão. samaritanos. 1-7. Timóteo Carriker e René Padilla.

do dilúvio e do cativeiro no Velho Testamento. O Deus da Bíblia é o Deus que age na história. porém. o que não diminui. Por "mais teológica" queremos dizer que os argumentos de Padilla estão mais na área das idéias. uma doutrina que podemos elaborar. Deus não se restringe a uma dimensão mística da nossa vida. Ele é. Padilla desenvolve seu tratado em termos de desafios. de modo algum. Por "menos bíblica" queremos afirmar que o livro de Padilla não é uma teologia bíblica nos moldes do livro de Timóteo Carriker. acima de tudo. seus princípios são eminentemente bíblicos. A "explosão urbana" é um fenômeno mundial. Assim. A missão urbana. a cidade é. portanto. Apesar de não termos o objetivo de comparar os dois autores. sem dúvida. e este movimento entrou na sua fase final com a ressurreição de Cristo. Diz ele que o maior desafio que a igreja enfrenta atualmente é o desafio da missão integral (1992. Seus argumentos principais são os seguintes: Um conceito um tanto romântico da obra missionária impulsionou as missões a concentrarem seu esforço em pequenas tribos nas selvas. pessoal e age nos eventos e experiências concretas das nossas vidas. todos eventos históricos até "seculares". por sua vez. b. a perspectiva cristã da história é essencialmente escatológica. É na nossa história humana que Deus se revela e o faz com movimento para frente. com todo seu poder desumanizante. Não é principalmente apresentado como um conceito ou idéia. Chegou o momento de encontrar maneiras de reduzir a distância entre as igrejas no Ocidente e no 71 . O desafio da missão integral. Hoje é o dia da salvação. o desafio da colaboração e da unidade e o desafio do desenvolvimento e da justiça. a sua conclusão. subdivide-se em outros três. o valor da obra dele. através da história. vê-se com clareza a necessidade de um evangelho com poder para transformar a totalidade da vida. p. A humanidade está indo na direção do cumprimento. 139). Atua através do êxodo. através da sua morte e ressurreição. Num mundo que está se urbanizando rapidamente. a missão cristã não pode ser outra coisa que missão realizada em colaboração mútua. julgamento e salvação. eventos bem visíveis que fazem parte da nossa história. uma igreja e um evangelho. é uma prioridade em todas as partes. vale ressaltar que as aplicações de Padilla são mais contextualizadas que as de Carriker. o símbolo do desafio que a evangelização e o discipulado colocam para a igreja. Ele atua através da vida humana do seu filho Jesus.lados da mesma moeda. Porque há um mundo. na cidade. Lá. esquecendo-se das cidades. Percebemos. O conceito de René Padilla A abordagem de René Padilla é mais teológica e menos bíblica. a saber: O desafio da evangelização e do discipulado.

1. afirmamos que evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. à universalidade da igreja e à interdependência dos seres humanos no mundo. modelos que apontem para Jesus Cristo como Senhor da totalidade da vida. Não devemos. no sentido de envolver a missão da Igreja num âmbito mundial ou. partir para a ignorância e violência. nem a ação social evangelização. sua abordagem é ampla. de início é preciso que encaremos com seriedade e maturidade o dilema de até onde podemos e devemos nos envolver nestes desafios. é o nosso comum acordo com a declaração de Lausanne: Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus. OS DESAFIOS E IMPLICAÇÕES DA MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA 3. no contexto da justiça. Entretanto. Desafios da missão integral da Igreja Observamos no capítulo anterior que René Padilla apresenta a missão integral da Igreja em termos de desafios. sociais e culturais. os desafios sociais e os desafios eclesiais. e para estimular a colaboração mútua entre as igrejas. Porém. Fazem falta modelos de missão plenamente adaptados a uma situação marcada por uma distância abismal entre ricos e pobres. isto é. Já há experiências úteis que estão sendo levadas a cabo com este propósito. A igreja evangélica brasileira tem desafios enormes nesta área. O desafio tanto para os cristãos no Ocidente como para os cristãos nos países subdesenvolvidos é criar modelos de missão centrados num estilo de vida profético. Os modelos de missão baseados na riqueza do Ocidente solidarizam-se com esta situação de injustiça e condenam as igrejas do mundo pobre a uma permanente dependência. na América Latina. nem a libertação política salvação. Os desafios que agora mencionaremos tratam da igreja brasileira em solo brasileiro. a. mas podemos e devemos fazer confrontações sociais sérias. são contraproducentes para a missão. mas é necessário fazer muito mais para desenvolver modelos de solidariedade acima das barreiras políticas. É preciso sim que a Igreja seja a consciência da sociedade e a voz profética que denuncia os desmandos desta mesma sociedade. portanto. Linthicum 72 . Os desafios sociais da Igreja Não são poucos e nem pequenos os problemas sociais brasileiros. econômicas. Que a igreja evangélica brasileira não deve se esquivar de sua missão integral. Robert C. Confrontação não é violência. No final das contas. Dividimo-nos em duas partes distintas.Terceiro Mundo. como Igreja de Cristo. O desafio que a igreja encara no campo de desenvolvimento hoje é fundamentalmente o desafio de um desenvolvimento humano. III. no mínimo.

A confrontação boa e eficaz nunca deve levar à violência. 73 . o evangelho e o bom testemunho não sejam prejudicados e. as testas colocadas fisicamente uma contra-aoutra. a fim de ganhar uma disputa. violência é o exercício da força física. e devido a esta discordância. o nome de Jesus seja glorificado. Uma lição é preciso aprender com a igreja de Jerusalém. Confrontação é simplesmente a atividade entre seres humanos na qual eles discordam. com propostas terapêuticas para uma sociedade enferma. A palavra significa literalmente "testa-a-testa" . 171. De uma forma mais profunda. Tentarei explicar esta minha tese. o amor ao próximo evidenciado. ou porque os liderados não se envolvem na obra. Era uma igreja unida em seus propósitos e se amava de verdade. desejosa de pregar o evangelho. estão desafiando uns aos outros. O governo tem (e como tem!) suas culpas e responsabilidades.2) explica: Há muita confusão sobre a natureza da confrontação e da violência. Pesa (e como pesa!) sobre o povo de Deus também a responsabilidade pelo bem-estar social do nosso país. Internamente ela estava pegando fogo. em sua própria natureza.isto é. um ato de violência é a indicação de que a confrontação falhou. trabalho e salário digno. segurança. Porém. direto. mas à resolução do problema. Os desafios sociais da igreja brasileira não são combatidos e vencidos como deveriam porque falta vontade eclesiástica por parte da mesma. a moral dignificada. jamais sairemos do lugar comum. simplesmente criticando por criticar o governo. educação. Enquanto a confrontação é verbal. E até onde podemos e devemos ir nesta questão toda? Até onde os direitos sejam verdadeiramente assegurados. Os desafios eclesiais da Igreja Certamente um dos maiores desafios da igreja brasileira na atualidade é vencer seus próprios desafios. Ou porque a liderança não se empenha.(1996. Portanto. se não juntarmos forças. a violência é física. A igreja de Jerusalém estava consciente de sua missão no mundo. empenhemos-nos pela dignidade do povo brasileiro. essas palavras não são sinônimas. Por outro lado. pois. É um encontro face a face. pp. pois. os seus e os nossos direitos: Saúde. e sim antônimas. em obediência ao mandado de Cristo. salgando a nós mesmos e iluminando nossos umbigos. O certo é: Se não chegarmos a um consenso. Reivindiquemos. b. mas não podemos ficar indiferentes ao que ocorre em nossa volta. É nesse espírito de verdadeira confrontação que a Igreja deve encarar seus desafios sociais. procurando o fim da resolução. Continuaremos marcando passo. sobretudo.

que se limita a suas atividades internas. O que está "matando" muito crente novo (e velho também) é a igreja não-funcional. tradição com tradicionalismo. sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus" (At 4. b. Senhor. por uma questão de prudência e respeito àqueles que não pensam como nós. à nível de igreja local.30). a. Externamente desfruta-se de uma liberdade religiosa como nunca se viu. Atendeu porque a Igreja deixou de lado seus próprios interesses para servir ao mundo. Então a Igreja orou: "agora. aberto e amigável é a chave do sucesso. mas progressivamente.29. Implicações da missão integral da Igreja As implicações que aqui abordaremos não deixam de ser verdadeiros desafios para a igreja brasileira. Pilatos. entendemos que estes desafios são implicações naturais para uma igreja que queira verdadeiramente cumprir sua missão integral. Às vezes é preciso muita coragem para mudar certos parâmetros que já não funcionam mais. fechada em quatro paredes. Uma coisa aprendi em meus poucos anos de ministério pastoral: Se a igreja não comprar a nossa idéia. A revisão de estruturas não-funcionais O que muito tem contribuído para um mau desempenho da Igreja em sua missão integral é a falta de estruturas que funcionem. 3. quando na verdade eram elas que deveriam estar curando! A seguir daremos duas sugestões práticas para que esse quadro sombrio possa se reverter. é preciso que os paradigmas sejam quebrados aos poucos. o que muito se vê. não será por meio de decreto conciliar que conseguiremos qualquer êxito. A reafirmação do compromisso missionário 74 . As idéias devem ser amadurecidas no meio da comunidade. porém. enquanto estendes as mãos para fazer curas.31). mas internamente muito de nossas igrejas estão enfermas. olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra.2. daqueles que confundem inovação com inovacionismo. Hoje. Herodes e muita gente se levantaram contra a Igreja de Deus. sem atropelos.externamente os desafios eram humanamente insuperáveis. Antes é preciso mudar a mentalidade dos acomodados e principalmente dos saudosistas. Contudo. mas não é tão simples assim. A quebra de paradigmas é uma das coisas fundamentais para que a estrutura de uma igreja se torne funcional. Um diálogo franco. E Deus atendeu ao clamor de sua Igreja (At 4. Estruturas enrijecidas pelo tradicionalismo matam ou impedem a visão de uma igreja. À primeira vista parece fácil mudar aquilo que se tornou obsoleto. é a própria igreja criando obstáculos para não fazer a obra do Senhor.

Concordamos que uma igreja possa fazer uma opção temporária entre evangelizar e assistir ao necessitado. descaracterizada como igreja de Jesus Cristo. p. porém. Uma vez que o mal foi detectado é necessário que seja combatido com atividades variadas. Os mitos não fazem sentido quando são resultados baratos de um reducionismo evangélico. C. BARRO. Evangelizar não é simplesmente distribuir folhetos como alguns pensam. se não forem constantemente lembradas daquele compromisso. 5). Abrange vários aspectos. mas sim. Dizemos "basicamente" porque a missão integral da Igreja é na verdade universal. Os mitos (pelo menos os que aqui estudamos) deturpam a missão 75 . rapidamente minguarão. Missão integral é uma realidade bíblica. Geralmente a frieza por missões acontece por causa da rotina. Por isso mesmo. polarização entre evangelização e ação social. Por outro lado. atender o indivíduo na totalidade de suas necessidades. O ponto de partida é o parâmetro bíblico e o contexto da igreja local. a Igreja nunca deveria deixar se levar pela prática do paternalismo e assistencialismo paliativos. Em segundo lugar é preciso conscientizá-la de que ela está no mundo para servir o mundo integralmente. e quando se deixa de contemplar o indivíduo em sua totalidade. que nenhuma igreja pense ser mais espiritual porque optou pela evangelização. E como revitalizar uma igreja que começou com tanto entusiasmo por missões e de repente esfriou? Em primeiro lugar é preciso reconscientizar a igreja de sua missão no mundo. Evangelizar é a sua qualidade primordial. e todas as atividades nestas direções devem estar debaixo do serviço a Deus em primeiro lugar (A. A verdadeira espiritualidade do povo de Deus se expressa em sua integralidade. Sermões e estudos bíblicos missionários. Se a igreja chegou a se empolgar com missão algum dia. além do auxílio de uma boa agência ou junta missionária.Aquelas igrejas que um dia receberam orientação missionária. com a graça de Deus. portanto. deveria partir sempre para uma ação social transformadora. do indivíduo e da sociedade. filmes específicos como As Primícias. o que fez antes. Etal e Atrás do Sol. Cada igreja deve refletir sobre sua motivação em praticar evangelismo e ação social. A mesma igreja que proclama as boas novas do reino deve ser a mesma que estende a mão ao necessitado. para a honra e glória de Deus Pai. mas nunca uma opção permanente. com certeza produzirão novo alento. Conclusão: A missão integral da Igreja é basicamente evangelização e ação social. sem data. é sinal que ela tem potencial para fazer. O mais importante é que a igreja seja cientificada de que sua missão no mundo é integral. A Igreja que troca a evangelização por qualquer outra responsabilidade social está fora de propósito e.

São Paulo: Vida Nova. Teses. São Paulo: Abba press. mas a realidade bíblica de uma missão integral em nossa sociedade. Orlando E. Saúde integral a partir da igreja local. Norman L. 1. Se queremos atentar para o ensino bíblico. Londrina/Curitiba: Descoberta. Compromiso y misión. Missões e a igreja brasileira: A vocação missionária. GRELLERT. A missão do povo de Deus. Enciclopédia histórico-teológica da igreja cristã. A ação social da igreja. então devemos almejar por uma igreja brasileira autêntica. ed. Igreja e sociedade. 1985. Série Lausanne. Timóteo. 1990. São Paulo: Editora Mundo Cristão. 2.3. San José: Editorial Caribe. C. 1995. _______________ . KIVITZ. 1979. CARRIKER. BRYANT. 1941. Tive fome: Um desafio a servir a Deus no mundo. (editor). Ética cristã: Alternativas e questões contemporâneas. 76 . V. Manfred. 1988. COSTAS. Samuel et al. 1992. v. Quebrando paradigmas. Missão integral: Uma teologia bíblica. FÁBIO. Ed René. ESCOBAR. São Paulo/Belo Horizonte: ABU/Visão Mundial. 1994. Os compromissos da missão: A caminhada da Igreja no contexto brasileiro. 2. BARRO. ed. São Paulo/Belo Horizonte: ABU/Visão Mundial. Rio de Janeiro/Belo Horizonte: Juerp/Mundo Cristão. Artigo não publicado. ELWELL. GOULART. Thurmon. São Paulo: Vida Nova. Niterói: Vinde. Série Lausanne. Um projeto de espiritualidade integral. que não seja ela mesma um mito.2.integral da Igreja. Walter A. Artigo não publicado. 1989. Antonio Carlos. 1998. Rio de Janeiro: Juerp. GEISLER. Caio. São Paulo: Editora Sepal. 1993. E. O cristão e a fome mundial. Jorge. Anthony. ________________ org. V. 1987. ed. Bibliografia ALLEN. 2. EVANGELIZAÇÀO e responsabilidade social: Relatório da consulta internacional realizda em Grand Rapids sob a presidência de John Stott. 1985. V.1.

São Paulo: Nascente.4. Robert C. Ricardo. diálogo inter77 . Geisler (O cristão e a ecologia). Missão integral.W. STOTT. Schaeffer (Poluição e morte do homem) e Norman L. p. org. STEUERNAGEL. São Paulo/Belo Horizonte: ABU/Visão Mundial. veja Francis A. presença cristã. 1988. (2) Para um argumento interessante contra este reducionismo evangélico (a polarização teológica ente evangelização e ação social) veja Manfred Grellert (1987. Dr. YAMAMORI. Parte XVI A MISSÃO DA IGREJA Uma perspectiva latino-americana Uma das questões mais cruciais da missiologia é a definição do próprio conceito de missão. René. ed. V. Tetsunao et al. John R. Rio de Janeiro: Co-edição. 1988. A igreja e o mundo. O que se deve entender por missões cristãs? Quais são a natureza e os objetivos da missão da igreja? Evidentemente essas perguntas podem receber uma grande variedade de respostas a partir de diferentes pressupostos e compromissos teológicos. Revitalizando a igreja. O PACTO de Lausanne. 41-43). (1) Veja Manfred Grellert (1987. pp. 33). (4) Para uma compreensão importante sobre a responsabilidade da Igreja com a natureza. T. 1989.. 1994. MISSÃO da igreja e responsabilidade social: Teses do congresso batista de ação social. O cristão em uma sociedade não cristã. Diferentes autores do século XX têm procurado expressar a missão da igreja em termos de desenvolvimento. Curar também é tarefa da igreja. 1998. Valdir R.LINTHICUM. 1983. p. 3. Uma antiga abordagem foi o debate em torno de evangelização e “civilização. A missão da igreja. 1996. Belo Horizonte: Missão Editora. São Paulo: Bompastor. MASTON. Rio de Janeiro: Juerp. PADILLA. 41). Série Lausanne.B. (3) Veja também MACEDO FILHO (In TESES. 1992. 1986. São Paulo: Temática Publicações. Curitiba/Londrina: Descoberta. Niterói: Vinde.”1 Hoje é mais comum falar-se em evangelismo e responsabilidade social. ZANDRINO. 1987. Servindo com os pobres na América Latina: Modelos de ministério integral.

religioso, justiça e paz, diaconia e outros conceitos. Certamente este é um assunto controvertido, mas também sumamente importante para a igreja e para os cristãos individuais. Como pode a igreja ser o que deve ser e fazer o que deve fazer se não tiver uma clara compreensão acerca do seu propósito na sociedade e no mundo? O objetivo deste estudo é abordar o tema a partir da perspectiva de Samuel Escobar, um dos mais destacados missiólogos evangélicos contemporâneos da América Latina. A escolha de Escobar justifica-se por várias razões. Ele tem um profundo conhecimento da situação religiosa, social e política da América Latina, tendo trabalhado em vários países como pastor e missionário; é um teólogo, escritor e orador extremamente articulado e criativo; tem sido um líder respeitado em círculos missiológicos e teológicos; tem estado em diálogo constante com representantes de grupos e movimentos importantes do cristianismo latinoamericano e mundial; finalmente, por vários anos ele tem sido professor em instituições teológicas norte-americanas, o que o coloca numa posição privilegiada para falar a uma audiência mais ampla e levar ao primeiro mundo uma valiosa perspectiva do terceiro mundo acerca de missões. Nossa análise começa com um retrospecto histórico da discussão missiológica protestante na América Latina. A seguir, iremos fornecer algumas informações biográficas sobre Samuel Escobar, fazer um apanhado dos principais movimentos de que tem participado e apresentar alguns dos principais temas e ênfases da sua reflexão missiológica. Ao longo dos anos, Escobar tem defendido um conceito de missão que é ao mesmo tempo bíblico, evangélico, contextual e sensível às complexas realidades espirituais, políticas, sociais e econômicas da América Latina. Criticando os modelos missionários reducionistas ou dicotômicos, ele propõe um programa que implica em levar o evangelho integral ao ser humano integral, na amplitude de suas necessidades e relacionamentos. Concluiremos o estudo acrescentando algumas de nossas próprias convicções a respeito do tema em questão, ou seja, a missão da igreja na sociedade. I. ANTECEDENTES A reflexão sistemática e abrangente sobre o trabalho missionário protestante na América Latina foi desencadeada pela célebre Conferência Missionária Mundial, realizada em Edimburgo em 1910.2 Todavia, esse estímulo ocorreu às avessas, uma vez que somente foram convidadas para a conferência as sociedades missionárias que atuavam entre povos não-cristãos.3 Isso excluiu a América Latina do âmbito daquele encontro, sendo admitidas apenas as missões que trabalhavam entre as tribos pagãs desse continente. Durante a conferência, Robert E. Speer (1867-1947), o secretário executivo da Junta de Missões Estrangeiras da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, convidou vários delegados interessados na América Latina a se reunirem informalmente para discutir como essa lacuna poderia ser suprida. Como 78

resultado desses entendimentos, realizou-se em Nova York, em março de 1913, uma conferência sobre missões na América Latina, sob os auspícios da Conferência de Missões Estrangeiras da América do Norte.4 Essa conferência criou a Comissão de Cooperação na América Latina (CCLA), tendo como presidente o próprio Robert Speer e como secretário executivo Samuel Guy Inman. Por sua vez, a CCLA patrocinou o Congresso de Ação Cristã na América Latina, reunido no Panamá em fevereiro de 1916, o maior encontro das forças protestantes desse continente realizado até aquela data. O Congresso mostrou a necessidade de maior cooperação em áreas como educação religiosa, missões, literatura e formação teológica. Mais especificamente, suas metas principais foram a evangelização das classes cultas, a unificação da educação teológica através de seminários unidos, o desejo de dar uma dimensão social ao trabalho missionário na América Latina e o esforço em promover a unidade protestante.5 Na realidade, o Congresso do Panamá foi uma reunião de representantes de juntas missionárias estrangeiras, antes que um encontro de líderes protestantes latino-americanos. Dos 230 delegados oficiais, apenas 21 eram latino-americanos natos.6 Mesmo assim, o evento produziu a primeira discussão séria do protestantismo latino-americano e estimulou a criação de órgãos cooperativos regionais em vários países. Por outro lado, o Congresso do Panamá revelou duas ênfases que se tornariam problemáticas para os evangélicos latino-americanos: uma atitude simpática para com a Igreja Católica e uma forte influência do “evangelho social.” Como resultado do encontro do Panamá, nos anos seguintes realizaram-se dois congressos missionários regionais. O primeiro, denominado Congresso de Ação Cristã na América do Sul, reuniu-se em Montevidéu, Uruguai, em 1925. Aqui, embora a participação de latino-americanos tenha sido maior (o pastor presbiteriano brasileiro Erasmo Braga foi eleito presidente do congresso), os norte-americanos ficaram a cargo da organização e presidiram todas as comissões. Finalmente, em 1929 reuniu-se em Havana o Congresso Evangélico Hispano-Americano, presidido pelo metodista mexicano Gonzalo Baez-Camargo. Desta feita, o congresso foi inteiramente organizado e conduzido por latinoamericanos e as ênfases recaíram sobre a nacionalização e o auto-sustento das igrejas evangélicas. Uma segunda série de encontros do protestantismo latino-americano foi representada por três Conferências Evangélicas continentais: CELA I (Buenos Aires, 1949), CELA II (Lima, 1961) e CELA III (Buenos Aires, 1969).7 Essas conferências estavam ligadas às denominações históricas, que rapidamente tornavam-se minoritárias no contexto geral do protestantismo da América Latina. O protestantismo ecumênico das CELAs recebia a influência do protestantismo histórico declinante do hemisfério norte, buscava aproximar-se do catolicismo posterior ao Concílio Vaticano II (1962-1965) e procurava responder à difícil situação social do continente com uma teologia radical, que eventualmente 79

identificou-se com a célebre “teologia da libertação.” A teologia da libertação adquiriu notoriedade no âmbito católico romano com a segunda assembléia da Conferência Episcopal Latino-Americana (CELAM), reunida em Medellín, Colômbia, em 1968.8 Anos antes, em 1962, os protestantes haviam criado a organização Igreja e Sociedade na América Latina (ISAL), após uma consulta realizada em Huampaní, Peru, no ano anterior. Ela tornou-se o centro de convergência dos teólogos protestantes da libertação, tendo como órgão o periódico Cristianismo e Sociedade. Em 1972, as duas correntes teológicas puseram-se em contato no I Congresso Latino-Americano de Cristãos pelo Socialismo, realizado em Santiago do Chile. Ao lado das Conferências Evangélicas continentais (CELAs) e do ISAL, o protestantismo ecumênico latino-americano criou várias estruturas paraeclesiásticas com o fim de promover os seus objetivos. Alguns organismos importantes são ou foram os seguintes: Movimento Estudantil Cristão (MEC), União Latino-Americana de Juventudes Evangélicas – depois, Ecumênicas (ULAJE), Agência de Serviços Ecumênicos Latino-Americanos (ASEL), Comissão Evangélica Latino-Americana de Educação Cristã (CELADEC), Coordenadoria de Projetos Ecumênicos (COPEC) e Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI).9 Uma característica desse protestantismo ecumênico era o crescente declínio do seu ímpeto evangelizador, em contraste com a vitalidade das igrejas vinculadas a missões independentes ou ao movimento pentecostal, que mantinham o seu vigor evangelístico apesar das debilidades da sua teologia. Do seio desse protestantismo majoritário surgiu o impulso para os Congressos LatinoAmericanos de Evangelização, que constituem a terceira das séries mencionadas acima: CLADE I (Bogotá, 1969), CLADE II (Lima, 1979) e CLADE III (Quito, 1992). O CLADE IV deverá realizar-se em setembro do ano 2000 no Equador.10 O primeiro CLADE foi organizado pela Associação Evangelística Billy Graham, sob o impulso do Congresso Mundial de Evangelização (Berlim, 1966), convocado pela revista evangélica Christianity Today. O CLADE I permitiu que líderes preocupados em relacionar a fé evangélica com a realidade latino-americana compartilhassem as suas inquietações. Para Valdir Steuernagel, esse congresso teve duas marcas distintivas: Manifestou com clareza que, na América Latina, somos e queremos ser evangélicos. E, como evangélicos, somos e queremos ser latino-americanos. Naquela ocasião e naquele contexto, tornava-se urgente que, sendo evangélicos, buscássemos uma teologia da encarnação que estabelecesse as pautas para um diálogo com a situação de sofrimento e opressão que se vivia em toda a América Latina.11 Foi no CLADE I que se articulou a criação da Fraternidade Teológica LatinoAmericana, organizada no ano seguinte em Cochabamba, Bolívia, tendo Pedro Savage como seu primeiro secretário e Samuel Escobar como seu primeiro 80

presidente. Escobar assim expressou os objetivos da Fraternidade: Desde o primeiro momento, a FTL procurou ser uma plataforma de encontro e diálogo teológico da qual participassem pastores, missionários e pensadores evangélicos, dentro do marco evangélico de uma lealdade comum à autoridade bíblica e à fé evangélica como base da reflexão e de um compromisso ativo com o cumprimento da missão cristã.12 Por sua vez, a Fraternidade Teológica Latino-Americana convocou os CLADEs posteriores, inclusive o que irá realizar-se no ano 2000.13 A Fraternidade procurou estar tão consciente da problemática social latino-americana quanto o grupo ISAL, mas ao mesmo tempo preocupou-se em abordar a questão de uma perspectiva que entendia ser mais bíblica e equilibrada. Ela é também mais representativa do protestantismo popular da América Latina que a sua congênere ecumênica. Entre os seus participantes mais destacados e influentes está o líder que é o enfoque principal deste artigo — Samuel Escobar.14 II. DADOS BIOGRÁFICOS E ESCRITOS Samuel Escobar nasceu no Peru e freqüentou uma escola missionária inglesa em Arequipa. Em 1956, ele recebeu o seu grau de mestre em artes e educação na Universidade de São Marcos, em Lima, após o que dedicou-se ao ensino nos níveis primário, secundário e superior. Em 1959 Escobar tornou-se o secretário itinerante da Fraternidade Internacional de Estudantes Evangélicos (International Fellowship of Evangelical Students) — representada no Brasil pela Aliança Bíblica Universitária —, visitando praticamente todos os países da América Latina. Ele trabalhou como missionário entre estudantes universitários na Argentina e no Brasil15 e foi diretor da Comunidade Evangélica Kairós, em Buenos Aires. Alguns anos depois, ele fez o curso de doutorado em filosofia (Ph.D.) na Universidade Complutense de Madri e eventualmente trabalhou como secretário da Fraternidade Cristã Universitária (Inter-Varsity Christian Fellowship) do Canadá, com sede em Toronto.16 Escobar foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Fraternidade Teológica Latino-Americana (1970-1984) e de 1979 a 1985 ocupou o cargo de secretário geral da Fraternidade Internacional de Estudantes Evangélicos. Nas décadas de 1960 e 1970, ele e outros teólogos latino-americanos tornaram-se bem conhecidos em círculos evangélicos e ecumênicos internacionais através de sua participação em importantes conferências. Além disso, há muitos anos ele é membro da Comissão Teológica da Fraternidade Evangélica Mundial (World Evangelical Fellowship), tendo participado de muitas de suas consultas ao redor do mundo.17 Atualmente, Samuel Escobar é presidente das Sociedades Bíblicas Unidas e professor titular de missiologia no Seminário Teológico Batista do Leste, em Filadélfia, Estados Unidos.18 Ele também leciona sobre missões em seu país natal, o Peru.

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Samuel Escobar é autor de vários livros sobre teologia e missiologia: Diálogo entre Cristo y Marx (1967), Quien es Cristo Hoy? (1970, com C. René Padilla), Decadencia da la Religión (1972), Christian Mission and Social Justice (1978, com John Driver), Irrupción Juvenil (1978), La Fe Evangelica y las Teologías de la Liberación (1987), Evangelio y Realidad Social (1988), Liberation Themes in Reformational Perspective (1989), Paulo Freire: Una Pedagogia Latinoamericana (1993), entre outros. Um dos seus livros mais recentes é Desafios da Igreja na América Latina: História, Estratégia e Teologia de Missões, publicado em 1998 pela Editora Ultimato. Escobar também escreveu diversos ensaios que foram publicados como capítulos de livros. Alguns títulos representativos podem dar-nos uma idéia de seus temas prediletos: “Social Concern and World Evangelism,” em Christ the Liberator (1971); “The Social Impact of the Gospel,” em Is Revolution Change? (1972); “Evangelism and Man´s Search for Freedom, Justice and Fulfillment,” em Let the Earth Hear His Voice (1974); “The Role of Translation in Developing Indigenous Theologies: A Latin American View,” em Bible Translation and the Spread of the Church (1990); “Latin America,” em Toward the Twenty-First Century in Christian Mission (1993); “A Pauline Paradigm of Mission: A Latin American Reading,” em The Good News of the Kingdom (1993); “La Presencia Protestante en America Latina: Conflicto de Interpretaciones,” em Historia y Misión: Revisión de Perspectivas (1994); “The Church in Latin America after Five Hundred Years” e “Conflict of Interpretations of Popular Protestantism,” em New Face of the Church in Latin America: Between Tradition and Change (1994); “The Search for a Missiological Christology in Latin America,” em Emerging Voices in Global Christian Theology (1994); “The Training of Missiologists for a Latin American Context,” em Missiological Education for the Twenty-First Century (1996); “Religion and Social Change at the Grass Roots in Latin America,”19 em The Role of NGOs: Charity and Empowerment (1997). Finalmente, seus numerosos artigos têm aparecido em renomados periódicos como Evangelical Missions Quarterly, Evangelical Review of Theology, International Bulletin of Missionary Research, Transformation, Missiology e International Review of Mission, entre outros. Uma vez mais, os próprios títulos de alguns artigos representativos dão uma clara idéia dos principais temas com os quais Escobar tem trabalhado ao longo dos anos: “The Social Responsibility of the Church in Latin America” (EMQ, 1970), “Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America” (IBMR, 1982), “Transformation in Ayacucho: From Violence to Peace and Hope” (Transformation, 1986), “Missions and Renewal in Latin American Catholicism” (Missiology, 1987), “Recruitment of Students for Mission” (Missiology, 1987), “Has McGavran´s Missiology Been Devoured by a Lion?” (Missiology, 1989), “From Lausanne 1974 to Manilla 1989: The Pilgrimage of Urban Mission” (Urban Mission, 1990), “A Movement Divided: Three Approaches to World Evangelization Stand in Tension with One Another” (Transformation, 1991), “Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological Christology” (Missiology, 1991), “Mission in Latin America: An Evangelical Pespective” (Missiology, 1992), “The Elements of Style in Crafting New International Mission Leaders” (EMQ, 1992), “500 Years after Columbus: Requiem 82

“Missions´ New World Order: The Twenty-First Century Calls for us to Give up our Nineteenth-Century Models for Worldwide Ministry” (Christianity Today. ele sempre interessou-se pela missão da igreja. evangélica conservadora e católica. tanto católica quanto protestante. e a igreja deve partilhar desse interesse de Deus. 1994). Ele observa que. ajudam a entender as preocupações reveladas pelos títulos dos seus escritos. em particular depois de 1966. os evangélicos começaram a constituir uma comunidade verdadeiramente global com uma visão abrangente de missões. o evangelho tem relevância para a totalidade da vida. por um lado. Por outro lado. 1998). Em seu livro Mission Theology. violência política. A igreja deve proclamar Jesus Cristo como Salvador e Senhor porque os seres humanos carecem tanto de reconciliação com Deus quanto de dignidade e integridade em sua vida neste mundo. golpes militares. regimes ditatoriais e caos sócioeconômico. 1994). em meados da década de 60. “The Legacy of John Alexander Mackay” (IBMR. como indivíduos e como membros da sociedade. “The Whole Gospel for the Whole World from Latin America” (Transformation. pastores. Como pastor. “Beyond Liberation Theology: A Review Article” (Themelios. Escobar e alguns colegas sentiram que não era suficiente pregar um evangelho puramente espiritual. O evangelho tem implicações sociais e políticas revolucionárias que não podem ser omitidas. Bassham descreve o desenvolvimento das teologias de missão ecumênica. 1992). Para ele. leigos e líderes cristãos — a compartilhar essa visão. o ano em 83 . Escobar considera sua tarefa articular essa missiologia holística e inspirar outras pessoas — estudantes. líder de movimentos estudantis.or Te Deum?” (EMQ. Sua identidade latino-americana também é essencial para a reflexão e os envolvimentos teológicos de Escobar. professor e teólogo. III. REFLEXÃO TEOLÓGICA E ENVOLVIMENTOS Samuel Escobar identifica-se como um evangélico. marcado por injustiça e opressão generalizada. Tendo vivido em um período de grande turbulência na história latino-americana. Conseqüentemente. especialmente através dos movimentos de que participou a partir da década de 1960. 1992). Rodger C. ele está longe de partilhar das idéias e compromissos do fundamentalismo. e os ensinos e o ministério de Jesus em particular. especialmente em um contexto de pobreza e sofrimento.21 Isto significa. a mensagem bíblica em geral. Escobar tem um profundo interesse em missões. “A Missiological Approach to Latin American Protestantism” (IRM. sendo bastante crítico da sua teologia/ideologia. que ele não tem nenhuma conexão particular com as correntes da teologia da libertação que foram e ainda são uma expressão importante da teologia latinoamericana. especialmente entre 1948 e 1975. 1993).20 As influências recebidas por Escobar. Para ele. mostram o interesse de Deus por todas as necessidades humanas.

e capazes de atuar eficazmente em seu contexto local.que eles patrocinaram duas grandes conferências mundiais sobre missões e evangelização. à medida que evangélicos de todo o mundo começaram a empreender juntos uma análise da situação enfrentada por aqueles que estavam envolvidos com missões e evangelismo em todos os continentes. à medida que os participantes se debatiam com as questões da teologia de missão no mundo contemporâneo. 1974). Escobar estava entre os muitos líderes do terceiro mundo que falaram enfaticamente em prol das igrejas nativas. O Congresso Mundial de Evangelização (Berlim. 1966). positiva e consistente. a luta em torno da relação entre evangelização e ação social. o Pacto de Lausanne demonstra que “os evangélicos desenvolveram uma teologia de missão amadurecida. Estes por sua vez contribuíram para o Congresso Internacional de Evangelização Mundial (Lausanne.22 Os congressos de Wheaton e Berlim marcaram um novo estágio na emergência de uma identidade evangélica. o principal forum internacional em que se ouviu a voz de Escobar foi o Congresso Internacional de Evangelização Mundial (Lausanne. Samuel Escobar estando entre eles. diversidade de perspectivas e profundidade de análise jamais alcançado anteriormente em uma assembléia evangélica. que evocou manifestações de opinião de toda a comunidade evangélica.”26 Uma das grandes influências nas deliberações do congresso veio através das contribuições de 84 . 1974). Estados Unidos. nos anos 60. Nesse contexto. imperialista e colonialista. o forte impacto do conceito de “crescimento da igreja” sobre a teologia evangélica de missões. Bassham identifica vários desdobramentos importantes: os primórdios de uma teologia evangélica de missão altamente representativa (a Declaração de Wheaton). Escobar falaria apaixonadamente sobre a necessidade de se estabelecer uma relação entre as preocupações sociais e a evangelização mundial. Ele e outros oradores da América Latina desafiaram os evangélicos norte-americanos a reconhecer a necessidade de promover justiça social e reformas políticas como parte dos seus deveres como cristãos. e o crescente número de vozes evangélicas provenientes de fora da América do Norte. Para Bassham. dotadas de uma liderança nacional bem-treinada.25 No entanto. Ele exortou os missionários a superar a mentalidade paternalista. 1966) – a primeira grande reunião mundial de evangélicos no século XX – também estimulou congressos regionais de evangelização em vários continentes. Bassham observa que “as apresentações e discussões de Lausanne mostraram um espírito de abertura.24 Na convenção de 1970. a fim de permitir o surgimento de igrejas nativas alicerçadas na fé. No Congresso Mundial de Evangelização (Berlim.”23 Em todos esses acontecimentos importantes houve uma decidida participação de teólogos latino-americanos. Escobar foi ouvido pela primeira vez por grandes audiências internacionais nas convenções da Fraternidade Cristã Universitária realizadas em Urbana.

Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus. toda pessoa. nem a libertação política seja salvação. tanto pela nossa negligência quanto por às vezes termos considerado a evangelização e a preocupação social como mutuamente exclusivas. devemos partilhar da sua preocupação com a justiça e a reconciliação em toda a sociedade humana e com a libertação dos homens de todo tipo de opressão. cor.oradores do terceiro mundo.. classe. René Padilla. não importa qual seja a sua raça. Oradores latino-americanos como René Padilla. nem a ação social seja evangelismo. através do grupo de Discipulado Radical. devemos rejeitar a falsa noção de que a preocupação com as implicações sociais do evangelho e as dimensões sociais do testemunho cristão resultam de uma falsa doutrina ou de uma ausência de convicção evangélica. Portanto. tem uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida. foi de especial importância. Em seu capítulo sobre a “Responsabilidade Social Cristã. De uma vez por todas. todavia afirmamos que tanto a evangelização como o envolvimento socio-político são parte do nosso dever cristão. até mesmo ao ponto de se esforçarem pela mudança das estruturas sociais. econômicos e políticos —. acentuando a autoridade da Bíblia. Embora a reconciliação com o ser humano não seja o mesmo que a reconciliação com Deus. Ao contrário. é religiosidade e não cristianismo. Também aqui manifestamos o nosso arrependimento.27 Muitas vezes durante o congresso os participantes afirmaram ter um interesse profundo e permanente pela ação social em favor dos pobres e necessitados.” o Pacto de Lausanne declara: Afirmamos que Deus é tanto o Criador como o Juiz de todos os homens. religião. referindo-se com isso ao ministério e à missão total da igreja. O Pacto de Lausanne foi muito além das declarações evangélicas tradicionais. do discipulado cristão e da renovação da igreja. Bassham cita as seguintes afirmações de Escobar: Uma espiritualidade sem discipulado nos aspectos diários da vida — sociais. sexo ou idade.28 85 . cultura. a singularidade de Cristo e a necessidade da evangelização. Lausanne abordou o tema abrangente da evangelização mundial. é o interesse pela integridade do Evangelho que nos motiva a acentuarmos a sua dimensão social. ela também produziu algumas mudanças bemdefinidas na teologia evangélica de missões. demonstrando que o evangelismo bíblico é inseparável da responsabilidade social. e não explorada. O impacto de líderes como Samuel Escobar e C. Orlando Costas e Samuel Escobar proferiram as declarações mais fortes no sentido de que a preocupação com as necessidades sociais da humanidade e o envolvimento com as mesmas é uma parte necessária do testemunho e da responsabilidade dos cristãos em favor do mundo.. Enquanto que a orientação teológica de Lausanne permaneceu firmemente evangélica.

Orlando Costas comenta que 1969 foi para os protestantes o que 1968 havia sido para os católicos (II Conferência Episcopal Latino-Americana. além do CLADE I. que afirmou: “É chegada a hora de nós. fome. essa terceira busca tem assumido várias formas.”32 se os cristãos quisessem testemunhar fielmente em seu contexto sócio-cultural. que formam a base desse Evangelho.35 Em um capítulo sobre a América Latina que escreveu para o livro Toward the 86 . de uma expressão mais autêntica de unidade cristã no empreendimento missionário e de uma reflexão missiológica mais séria e profunda. entre outros. pelo contrário. do homem e do mundo.31 Essa ênfase achou lugar na Declaração Evangélica de Bogotá. que trai o ensino bíblico e não segue o modelo proposto por Cristo. os protestantes latino-americanos realizaram ainda outra grande conferência – a Conferência Evangélica LatinoAmericana (CELA III). uma das quais é o modelo ético-missiológico — missão da perspectiva de questões éticas — articulado por. evangélicos.33 O próprio Escobar acha que o seu modelo pode ser melhor descrito como “holístico. em Medellín. Bogotá. que envia o evangelista.. a sua apresentação sobre a responsabilidade social da igreja recebeu a atenção mais entusiástica. Samuel Escobar teve uma importante participação no Primeiro Congresso Latino-Americano de Evangelização (CLADE I. Samuel Escobar e C. Ele argumentou eloqüentemente que tanto a evangelização quanto a ação social são necessárias para o testemunho cristão. planejado em resposta a pedidos de delegados latino-americanos presentes no Congresso de Berlim. Naquele ano. Em sua opinião. levarmos a sério a nossa responsabilidade social. Apesar das diferenças existentes entre os dois movimentos. de Jesus Cristo.29 Dentre os 28 discursos principais. injustiça.”34 Ele argumenta que os evangélicos latino-americanos escolheram o Pacto de Lausanne como uma expressão do seu consenso doutrinário básico e do seu claro compromisso com um modelo de missão integral e bíblico.. Sustentamos que uma evangelização que não toma conhecimento dos problemas sociais e que não anuncia a salvação e a soberania de Cristo dentro do contexto no qual vivem os que ouvem. 1969). René Padilla. violência e desespero.” Os participantes afirmaram que “o exemplo de Cristo devia ser encarnado na crítica situação latino-americana de subdesenvolvimento. em Buenos Aires. Costa vê nos documentos de ambos os eventos a emergência de novas tendências missiológicas caracterizadas por um tríplice interesse: a busca de um entendimento histórico de missões. três anos antes. Colômbia).No âmbito continental. é levar às suas últimas conseqüências os ensinos a respeito de Deus. é uma evangelização defeituosa.30 Escobar afirmou a certa altura: Existe base suficiente na história da Igreja e nos ensinamentos da Palavra de Deus para afirmar categoricamente que a preocupação pelo aspecto social do testemunho evangélico no mundo não é um abandono das verdades fundamentais do Evangelho.

1976). Reagindo contra o triunfalismo fácil das estatísticas e a tirania do controle de dados. a igreja nunca deve perder o seu senso de missão e do seu chamado para proclamar a Jesus Cristo como Salvador e Senhor.”36 Todavia. ou irá adotar as técnicas e padrões da sociologia 87 .38 Ele acha que a base desse questionamento tem sido o compromisso claro com a tarefa de missões e evangelização. Ele observa que os grandes missionários dos primeiros 1800 anos da igreja dificilmente fariam a distinção entre “espiritual” (evangelização) e “o resto. hoje o Senhor está nos chamando para cruzarmos as fronteiras da desigualdade. O que o movimento do Crescimento da Igreja necessita é o corretivo de uma sólida teologia bíblica. inclusive a clamorosa realidade de pobreza que circundava o próprio local em que se reuniram os delegados. injustiça e idolatria ideológica. Eles não procurariam estabelecer prioridades nesses termos. Escobar menciona duas outras conferências missionárias latino-americanas. cujo pacto manteve a ênfase de Lausanne sobre a preocupação social como parte da missão da igreja: “Assim como no passado o chamado de Jesus Cristo e da sua missão foi um chamado para cruzar fronteiras geográficas. pois operavam com uma noção bíblica holística do ser humano. ele lamenta o fato de que o Congresso Missionário Ibero-Americano (COMIBAM.40 O que Escobar questiona é se uma pessoa pode realmente evangelizar anunciando a Cristo como Salvador e então deixar a questão do senhorio de Cristo sobre toda a criação para uma segunda etapa. Escobar afirma que. Escobar argumenta que o grande dilema para o qual a missiologia deve estar alerta é diferente: A obra missionária será realizada segundo o modelo de Jesus e a prática apostólica. São Paulo. Uma delas foi o Primeiro Congresso Missionário Latino-Americano (Curitiba. mas também o esforço consciente de executar essa tarefa segundo moldes bíblicos. 1987) deixou de abordar conceitos básicos do entendimento de missões. Escobar acredita que o êxito do avanço protestante na América Latina deve ser interpretado fazendo-se perguntas sérias sobre o seu dinamismo transformador e a sua contribuição para a justiça nas relações sociais. Escobar é um crítico rigoroso do movimento do Crescimento da Igreja. Segundo. que poderá nunca chegar.37 Por essa razão.” que McGavran faz. ele concorda integralmente com dois pontos do apelo de McGavran: primeiro.Twenty-First Century in Christian Mission (1993). e essa singularidade de Jesus Cristo é essencial para a mensagem da igreja.39 Em resposta a um artigo de McGavran. testemunha-se o surgimento de uma nova teologia contextual que conclama à “integridade” da missão e procura associar o zelo evangelístico com a paixão holística. Ele preocupa-se com a “missiologia gerencial” que dá ênfase à proclamação verbal e ao crescimento numérico de adesões à igreja como o principal componente das missões cristãs. como evangélico. iniciado por Donald McGavran em 1960. porque Jesus Cristo é Senhor. Assim sendo. somente em seu nome há salvação para a humanidade. ambas realizadas no Brasil.

no início das missões protestantes na América Latina.”46 Na área da hermenêutica. nas palavras de René Padilla. à medida que a Igreja Católica Romana latino-americana buscou nova relevância social e política. e apela a uma genuína cristologia missiológica que. e a religião oficial uma força opressora. por um lado. Escobar diverge da escola do Crescimento da Igreja. Ele admite que a hermenêutica evangélica necessitar ser constantemente purificada de pressuposições ideológicas. enfatize “o discipulado cristão como algo que implica em colocar a totalidade da vida debaixo do senhorio de Jesus Cristo. Escobar vê com apreciação o dinamismo e o crescimento do protestantismo popular (pentecostalismo) na América Latina. essas igrejas estão oferecendo não somente um abrigo ou refúgio no sentido mais limitado. Ele observa como. Escobar declara que "para as massas em transição. Ele admite: “Nós não mais podemos aceitar uma missiologia que recusa-se a levar a sério as realidades políticas e sociais. do marketing e das relações públicas?41 Compreensivelmente. um na área da consciência histórica e o outro na da hermenêutica.”42 Ele destaca várias lições missiológicas que podem ser extraídas do impressionante crescimento do pentecostalismo latinoamericano: é um movimento religioso (e não social ou político). Como evangélico.44 Em décadas recentes. alguém que tem procurado ser um crítico e intérprete amoroso – um crítico severo em alguns pontos – do lado de dentro."43 Ele observa que alguns pentecostais latino-americanos também escolheram o Pacto de Lausanne como expressão do seu compromisso com um modelo de missão holístico e bíblico. A missiologia evangélica deve avaliá-la. embora Escobar considere inadequadas a análise marxista e a “escatologia” da Teologia da Libertação. ele admite que a missiologia evangélica está aprendendo a encarar a história missionária com uma atitude menos ingênua e mais madura.funcionalista.45 A Teologia da Libertação confronta a missiologia evangélica com dois desafios. a Teologia da Libertação foi uma das conseqüências desse processo. mas a única maneira disponível de encontrar aceitação social. Se. Com relação ao primeiro. alcançar dignidade humana e sobreviver ao impacto das forças anômicas que atuam nas grandes cidades. o evangelho era a verdadeira força libertadora nas vidas dos latino-americanos. por outro lado ele não sente entusiasmo pela Teologia da Libertação.”47 Contra o Cristo “docético” do catolicismo latino-americano tradicional. é um movimento popular. mobiliza as pessoas para a missão e cria um senso de comunidade. Escobar entende que a Teologia da Libertação é uma voz eloqüente que procura reinterpretar a história cristã e a mensagem cristã. ele aborda esse movimento na qualidade de “um observador-participante. Escobar e os seus colegas 88 . Escobar reafirma a ênfase evangélica na centralidade da Escritura e questiona a abordagem fortemente ideológica da interpretação bíblica demonstrada pelos teólogos da libertação.

e como ele o está fazendo. Deus está despertando uma nova força missionária. e vamos unirnos aos nossos irmãos e irmãs a fim de completarmos a tarefa inacabada. Além disso. tanto individual quanto social. Escobar observa que a internacionalização das missões cristãs implica em reconhecer que Deus tem levantado igrejas grandes e florescentes no terceiro mundo. especialmente nas fronteiras de missão. Escobar cita novamente seu amigo René Padilla: “(O evangelicalismo) afirma o poder transformador de Cristo em relação ao indivíduo. Nesse sentido. há uma busca do significado e da “integridade” do evangelho — Jesus Cristo é tanto o conteúdo quanto o modelo e o alvo da proclamação do evangelho. Nessas igrejas do hemisfério sul. sobre como a sua obra e ensino são relevantes para todas as áreas da vida. as igrejas dos pobres. experiência de vida. Escobar aborda em cinco ensaios algumas de suas preocupações mais fundamentais. Escobar identifica essa reflexão missiológica que está vindo não só da América Latina.”50 Em sua obra publicada recentemente em português. Ele observa que tal missiologia “é caracterizada por uma forte ênfase hermenêutica que insiste na importância de ler o mundo e ler a Palavra.”48 Essa missiologia cristológica busca um novo modelo para inspirar e moldar a ação missionária. mesmo que essa leitura signifique um exame incômodo e sério da herança evangélica.da Fraternidade Teológica Latino-Americana têm refletido sobre o Jesus dos evangelhos. crescimento da igreja. como uma missiologia crítica da periferia. mencionada no início deste trabalho. mas também da África e da Ásia. Inicialmente. Essa reflexão inclui uma crítica do cristianismo evangélico na América Latina. terceiro mundo) pudessem convergir em um movimento mais articulado e cooperativo para enfrentar a tarefa missionária do terceiro milênio. O material bíblico é abordado a partir de várias perspectivas possuidoras de significado missiológico.”51 Mais uma vez ele expressa o seu entusiasmo pelo protestantismo popular (pentecostalismo) devido a sua ênfase na mobilização 89 . Há uma séria reflexão acerca daquilo que os evangelhos dizem sobre a pessoa e a obra de Jesus de Nazaré. com o entendimento de que ser seu discípulo é ser chamado por ele tanto para conhecê-lo quanto para participar da sua missão. ele argumenta que “nosso programa de treinamento na América Latina precisa ser elaborado com base em convicções bíblicas.”49 Ele argumenta que seria grandemente desejável para a globalização das missões e da teologia evangélica se as diferentes correntes missiológicas do evangelicalismo (européias. Escobar gostaria de ouvir as igrejas norte-americanas dizerem: “Vamos descobrir o que Deus está fazendo em outras partes do mundo. Há também uma preocupação quanto às marcas da missão de Jesus. Em um artigo sobre a preparação de líderes de missões. consciência histórica e preocupação pastoral. ele destaca a importância do treinamento de missionários e missiólogos para o contexto latino-americano. mas é totalmente incapaz de relacionar o Evangelho com a ética social e a vida social.

Ele entende que “os evangélicos latino-americanos necessitam de um impulso renovado do Espírito Santo e de uma leitura nova e contextual da Palavra de Deus. vemos uma preocupação constante com as implicações sociais e comunitárias do Evangelho. ele aponta que os evangélicos latino-americanos têm maior afinidade com os pietistas. morávios e avivalistas dos séculos XVIII e XIX do que com os reformadores do século XVI. cartas. que vai além da experiência religiosa pessoal para incluir a comunidade e o mundo. sermões ou nas Institutas. em anos recentes. muito embora as suas práticas nem sempre tenham correspondido às suas convicções. Escobar alerta os cristãos evangélicos para a necessidade de um constante processo de encarnação e contextualização que rejeita toda e qualquer forma de paternalismo e discriminação. REFLEXÕES FINAIS Samuel Escobar não se identifica como um reformado ou calvinista.54 Historicamente. falta de uma eclesiologia clara e atitudes sectárias. alguns pontos da sua missiologia merecem reparos. Isso tem levado Escobar. a dar uma grande ênfase ao papel do Espírito Santo nas missões cristãs. Sua biografia e envolvimentos revelam uma conexão preponderante com a tradição anabatista. o nosso continente testemunha o crescimento cada mais acentuado de uma 90 . a partir da sua própria comunidade local. algumas de suas suas ênfases certamente contariam com o aval de João Calvino e de muitos dos seus seguidores. Ainda que isso não deixe de ser importante.”52 Ao mesmo tempo que expressa sua admiração pelas igrejas populares. os reformados têm acentuado um conceito abrangente acerca da missão da igreja. Ele encarece a necessidade de uma espiritualidade profunda aliada a uma preocupação igualmente intensa com as exigências éticas do evangelho. Para superar esses problemas ele novamente propõe o modelo de missão integral. ao lado da sua anterior ênfase cristocêntrica. fato que tem sido amplamente documentado por diversos pesquisadores.dos leigos. como a sua ênfase quase que exclusiva sobre as massas empobrecidas da América Latina como objeto da ação missionária da igreja. e conclui com uma análise do modelo missionário de Paulo. suas formas contextualizadas de culto e ação missionária e o destaque dado ao ministério do Espírito Santo e ao elemento de conflito espiritual relacionado com a missão da igreja. seja em seus comentários. com sua notável interação entre reflexão e ação missionária. elas enfrentam os riscos do excesso de individualismo.53 Finalmente. Não precisamos concordar com tudo o que Samuel Escobar tem escrito. uma vez que está filiado à Igreja Menonita. Após salientar o “fator novo” na história do cristianismo que é a transferência do dinamismo missionário para o hemisfério sul (África. Ásia e América Latina). Nos escritos do grande reformador. Não obstante. Na realidade. Escobar reconhece que. espírito de competição. com sua ênfase na conversão de indivíduos ao evangelho.

as disputas teológicas tão bem exemplificadas pela controvérsia modernistafundamentalista nos Estados Unidos. coerência e clareza sobre a necessidade de um entendimento abrangente da tarefa da igreja no mundo. ideológicas e sociais. quando nosso continente foi sacudido por profundas convulsões políticas. devemos levar a sério os desafios desses líderes. na Europa e nos Estados Unidos. Ao lado disso. pois que a igreja cristã em geral e as igrejas evangélicas de modo particular têm uma longa e honrosa tradição de “missão integral” ao mundo. Escobar tende a superestimar os valores positivos das igrejas populares. que quer dar vida e dignidade à sua criação. no início deste século. produziram a concepção dicotômica da missão da igreja que hoje observamos. da abolição da escravatura.classe média significativa que também deve ser alvo do interesse da igreja. tendo como alvo a conversão individual. como é caso de alguns recentes movimentos neopentecostais. Ao mesmo tempo que enviavam pregadores do evangelho para todos os quadrantes do mundo. como agente e instrumento de Deus. Samuel Escobar e seus companheiros da Fraternidade Teológica LatinoAmericana fizeram um esforço sério no sentido de apresentar uma alternativa a essa teologia que fosse bíblica. Isso foi ilustrado de maneira extraordinária por 91 . Como Escobar destaca. da reforma das prisões. Escobar e seus colegas têm algo importante a dizer às igrejas evangélicas históricas da América Latina e do Brasil. Basta lembrarmos o intenso esforço de missões e de reforma social gerado pelos grandes despertamentos dos séculos XVIII e XIX. dando pouca atenção a alguns sérios problemas apresentados pelas mesmas. Os conservadores em grande parte aferraram-se à idéia de que a missão exclusiva da igreja é a evangelização. Eles demonstraram que as igrejas podem permanecer fiéis às suas convicções históricas e ao mesmo tempo adotar uma postura ousada e coerente em relação aos problemas sociais. que realmente correm o risco de tornar-se irrelevantes na sociedade caso não despertem para algumas dolorosas realidades que existem ao seu redor. poucos afeitos à pregação do evangelho. especialmente como reveladas no seu Filho. as igrejas e cristãos individuais estavam na vanguarda de movimentos em prol da extinção do tráfico negreiro. muitos cristãos aderiram à agenda revolucionária da Teologia da Libertação. Jesus Cristo. Não obstante. são o nosso grande paradigma de missão. da luta contra o trabalho infantil. optaram decididamente por atividades de cunho social. Infelizmente. Como cristãos brasileiros preocupados tanto com a missão da igreja quanto com as difíceis realidades sócio-econômicas de nosso país. ao passo que os liberais. a atitude e as ações de Deus em relação ao mundo. A Bíblia fala de um Deus que toma a iniciativa. do combate ao alcoolismo e de tantas outras causas nobres. Tal ocorrência seria um retrocesso histórico lastimável. Num período conturbado da história recente da América Latina. que falam com convicção. evangélica e igualmente radical em suas implicações. notadamente nas áreas doutrinária e ética. que busca a humanidade com amor e compaixão.

como Joseph H. Mott e Robert E. Seus líderes. Oldham. É para essas implicações mais amplas do evangelho e da missão da igreja que cristãos comprometidos e inquiridores como Samuel Escobar chamam a nossa atenção. Speer. o propósito total de Deus para a humanidade e para a comunidade redimida. vamos concentrar os nossos esforços no que é primordial – a evangelização – e as outras preocupações cuidarão de si mesmas. Jesus lutou e morreu na cruz. John R.” A igreja não deve ser reduzida a uma organização social ou a um grupo de pressão política como tantos que existem na sociedade.Jesus. Essa mensagem. A Conferência de Edimburgo é considerada o berço do moderno movimento ecumênico. 1987). Obs. necessariamente fará com que a igreja enfrente as diferentes situações que afetam a vida humana neste mundo caído.21s). Por causa do seu forte senso de missão. a esse respeito. estatísticas e resultados rápidos não deve cegar a igreja para a integridade da missão. a preocupação com prioridades. Evidentemente. muitas vezes. Hutchison. O reino de Deus e seus novos valores devem ser manifestos em todos os tipos de relacionamentos humanos. as famílias e as comunidades à reconciliação e nova vida em Jesus Cristo – certamente é básica e essencial. Errand to the World: American Protestant Thought and Foreign Missions (Chicago: The University of Chicago Press. À medida que a igreja evangeliza. Ela é uma instituição singular. a sua mensagem e ações desafiam todas as áreas da vida particular e coletiva. com uma contribuição e uma mensagem singular. e a tenham em abundância. Todavia. físicas e emocionais. Ver Kenneth S. “Ecumenical Bearings of the Missionary Movement and the 92 . quando. em seu ministério terreno. esses sublimes ideais nem sempre encontram plena expressão nas vidas diárias dos cristãos e das igrejas. Desde uma perspectiva evangélica. o importante livro de William R. Latourette. O Cristo do Novo Testamento interessa-se por todas as necessidades humanas — espirituais. se vivida até as suas últimas conseqüências. eram provenientes do movimento cristão de estudantes. a evangelização – convidar os indivíduos.: O presente estudo é uma versão ampliada do artigo “Samuel Escobar e a Missão Integral da Igreja: Uma Perspectiva Latino-Americana. praticidade ou.” publicado em Vox Scripturae 8/1 (Julho 1998): 95-111. Ver. Ele instruiu os seus seguidores a continuarem a sua obra de proclamação do reino (Jo 20. ela também precisa expressar o interesse de Deus por toda a vida e espelhar a atitude daquele que disse: “Eu vinham para que tenham vida. Tudo deve ser colocado debaixo do propósito e do senhorio de Deus. Inevitavelmente é levantada a questão das prioridades: uma vez que não podemos fazer tudo que Deus espera que façamos. manifestou o interesse de Deus por todos os tipos de pessoas e pela pessoa integral.

” Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). Sobre a sua relação com o Brasil. Rolando Gutiérrez. Citado por Tito Paredes em “Visión Histórica de los ‘CLADEs’. Os critérios de seleção procuram ser os mais abrangentes possíveis em termos de faixas etárias dos participantes. Ruth Rouse e Stephen C. Em 1959 e 1960 percorri como evangelista e discipulador um bom número de centros universitários. Ecumenical Foundations: A History of the International Missionary Council and its Nineteenth-Century Background (Nova York: Harper and Brothers. especial (Novembro 1978): 521. sexo. Outros nomes importantes no campo católico são Juan Luis Segundo. com seus enormes problemas sociais e suas dinâmicas igrejas populares. o órgão cooperativo correspondente ao CLAI é a Confraternidade de Evangélicos da América Latina (CONELA). Um dos primeiros e mais importantes articuladores dessa teologia foi o sacerdote peruano Gustavo Gutiérrez.” 22. Entre os latino-americanos presentes no congresso estavam apenas três brasileiros. Ver Samuel Escobar. em 1953. Entre os evangélicos conservadores. o próprio Escobar afirma em uma obra recente: “Desde a minha primeira visita ao Brasil. duas realizaram-se na cosmopolita e culta Buenos Aires. 13. Das três CELAs.. entidade que promoveu o maior esforço cooperativo até hoje empreendido pelas igrejas evangélicas brasileiras e foi precursora da Confederação Evangélica do Brasil. 35. Hugo Assmann. Neste último aspecto. Núnez e o brasileiro Valdir Steuernagel. Nelson. identidade étnica e filiação eclesiástica. Daí o subtítulo utilizado: “Para considerar os problemas missionários relativos ao mundo não-cristão. 1952). Erasmo eventualmente tornou-se o secretário da Comissão Brasileira de Cooperação. O historiador Sidney Rooy identifica uma seqüência de três séries ou ciclos de encontros do protestantismo latino-americano. Os próprios locais dessas conferências e congressos são reveladores. Tito Paredes. 131-32. “Los ‘CLADEs’ y la Misión de la Iglesia. “Panamá 1916 y su Impacto sobre el Protestantismo Latinoamericano. autor de Uma Teologia da Libertação (1971). enquanto que todos os CLADEs ocorreram nos países andinos. os presbiterianos Eduardo Carlos Pereira. René Padilla. 20.” William R. Dali percorri o Norte e o Nordeste. Henrique Dussel e Leonardo Boff. como jovem delegado peruano a um congresso mundial da juventude batista. 3ª ed. de Iquitos. na selva peruana. John Kessler e Wilton M. Hogg. Neill. entre outros. Álvaro Reis e Erasmo Braga.International Missionary Council.” Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999).” em A History of the Ecumenical Movement: 1517-1948. 1986). Jon Sobrino. Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). Outros membros bem conhecidos da Fraternidade Teológica são C. apaixonei-me por esse imenso país. ed. Cheguei de avião. “Los ‘CLADEs’ y la Misión de la Iglesia. José Porfirio Miranda. até chegar a 93 .” Pastoralia 1/2. no campo protestante destacaram-se José Miguez Bonino e Rubem Alves. eds. Emílio A. metade das inscrições é reservada para participantes pentecostais. Escobar. um velho Catalina da Panair. até Manaus. 353-402 (Genebra: World Council of Churches.

em 1982 Escobar participou da Consulta de Teólogos do Terceiro Mundo. Pedro Arana. Seu papel principal é ajudar os estudantes a considerar as missões cristãs no contexto da justiça econômica.” os estudiosos estão utilizado o anglicismo “evangelical” para designar especificamente os evangélicos conservadores. “Um movimento dividido: três abordagens da evangelização mundial permanecem em tensão entre si”. “Além da teologia da libertação: missiologia evangélica na América Latina”. “A missiologia de McGavran foi devorada por um leão?”. Também publicado em Annals of the American Academy of Political & Social Science 554 (Nov 1997). um órgão de exposição do pensamento evangélico. onde. “O legado de John A. “O recrutamento de estudantes para missões”. Mackay”. órgão oficial da referida Comissão Teológica. David Bosch 94 . Mais recentemente. publicado na Argentina. historicamente.” Como no Brasil.” Evangelical Review of Theology 7. em nível de pós-gradução. um deles escrito por Escobar e três colegas latinoamericanos. “o missiologista Samuel Escobar disse que um conceito holístico de missão conclama os cristãos a compartilhar tanto a vida espiritual quanto recursos materiais e a utilizar instrumentos espirituais. Ver Samuel Escobar. “O evangelho inteiro para o mundo inteiro a partir da América Latina”. “Transformação em Ayacucho: da violência à paz e esperança”.” Samuel Escobar. Escobar também foi responsável por vários periódicos. “Além da teologia da libertação: artigo-resenha” e “Uma abordagem missiológica do protestantismo latino-americano. “A nova ordem mundial das missões: o século XXI nos conclama a abandonarmos nossos modelos de ministério mundial procedentes do século XIX”. “500 anos após Colombo: Requiem ou Te Deum?”. 1997). em março de 1998. nos primeiros anos da Aliança Bíblica Universitária. “Elementos de estilo na formação de novos líderes missionários internacionais”. “Missões e renovação no catolicismo latino-americano”. MG: Editora Ultimato. “A Latin American Critique of Latin American Theology. “De Lausanne 1974 até Manilla 1989: a peregrinação da missão urbana”.São Paulo. Para os leitores não familiarizados com o inglês. esta é a tradução dos títulos dos artigos de Escobar: “A responsabilidade social da igreja na América Latina”. em distinção dos progressistas ou liberais. realizada em Seul. nº 1 (abril 1983): 48-62. Desafios da Igreja na América Latina: História. entre 1962 e 1964. culturais e tecnológicos. Estratégia e Teologia de Missões (Viçosa. uma revista para estudantes universitários. o termo “evangélico” tem sido virtualmente sinônimo de “protestante. e diretor de Pensamiento Cristiano. ele foi editor de Certeza. “Teologia evangélica na América Latina: o desenvolvimento de uma cristologia missiológica”. Por força de suas ocupações. Segundo o Mennonite Brethren Herald. Valdir Steuernagel e Rodrigo Zapata. “Missão na América Latina: uma perspectiva evangélica”. como ocorre nos Estados Unidos. Escobar participou de uma conferência sobre economia e missões promovida pelo Concílio de Ministérios Internacionais das igrejas menonitas norteamericanas. Por exemplo. 11. Por exemplo. A revista Evangelical Review of Theology. na Coréia do Sul. trabalhei como missionário na frente estudantil. publicou os trabalhos apresentados nessa consulta.” Escobar também leciona no curso de Administração do Eastern College.

Evangelical. 7-8. Um bom exemplo das idéias de Escobar acerca da evangelização pode ser encontrado no seu artigo “Vivir y Evangelizar.” em Pensamiento Cristiano 93 (Março 1978): 170-175. 25. Ibid. James M. 1970). que tentam unificar todos os evangelicais. “Has McGavran´s Missiology been Devoured by a Lion?” Missiology 17 (Julho 1989).” Missiology 20 (Abril 1992). ed.. 104. Mission Theology. Samuel Escobar. 1975). 231. em contraste com a análise. Esse congresso foi o berço da Fraternidade Teológica Latino-Americana. www.” do grego hólos (“inteiro”. 95 . Ibid. Romen (Farmington. Ver Samuel Escobar. 131. Mission Theology. “Mission in Latin America: An Evangelical Perspective.” em Missions and Theological Education in World Perspective. Califórnia: William Carey Library.com. Bassham. 22. Bassham. Samuel Escobar. Bassham. 295.” em Toward the Twenty-First Century in Mission. Coote (Grand Rapids: Eerdmans.. 244. (4) evangelicais pentecostais e carismáticos. Escobar atribui ao CLADE I. Quando Escobar concluiu sua palestra. Ibid. John Stott. Festo Kivengere e Arthur Glasser). Ibid. os delegados colocaram-se de pé e demonstraram a sua aprovação aplaudindo-o entusiasticamente. 262. Ibid. que recebeu 920 delegados de 25 países. procura tratar tanto a mente como o corpo. The Lausanne Covenant: An Exposition and Commentary (Minneapolis: World Wide. Rodger C. Michigan: Urbanus. A medicina holística. denota o que diz respeito a totalidades ou sistemas completos. “Latin America. “completo”). A Responsabilidade Social da Igreja..br/cem/postura. Conn e Samuel F. “Missiology in Contemporary Latin America: A Survey. “Holístico. o surgimento de uma “teologia nacional” entre os evangélicos latino-americanos. Mission Theology: 1948-1975 – Years of Worldwide Creative Tension – Ecumenical. 133. 225.homenet. por exemplo. 187. (2) evangelicais separatistas (como Carl McIntire e o seu Concílio Internacional de Igrejas Cristãs). tratamento ou divisão em partes. 1984). Ibid..html.. René Padilla e Orlando Costas). O COMIBAM deu uma forte ênfase à segunda vinda de Cristo. Ibid. 291. 350. 1979). 1993). A palestra foi publicada na íntegra por Edições Vida Nova. (3) evangelicais por confissão (como Peter Beyerhaus).. Desafios da Igreja. Orlando Costas. Tópicos do Momento 3 (São Paulo: Vida Nova.menciona pelo menos seis tipos básicos: (1) novos evangelicais (como Billy Graham). Ver Internet. Ibid. ed.. 349-350. and Roman Catholic (Pasadena. 237. Phillips e Robert T. Samuel Escobar. e (6) evangelicais ecumênicos (como John Stott. Harvie M. (5) evangelicais radicais (como Samuel Escobar.

Samuel Escobar..” 134. Escobar.” Missiology 19 (Julho 1991). 19.” em que revela o seu grande interesse pela dimensão pneumatológica da missão da igreja e conclama os evangélicos a estarem receptivos ao novo vento do Espírito que sopra na igreja. Escobar. alienação e incerteza que decorre da ausência de propósito ou ideais. 7. 96 . sob o título “Discernindo o Espírito na América Latina. 69-88. 110. no sentido individual. “Mañana – Discerning the Spirit in Latin America. mas de fato almejam um avivamento autêntico. Não seria melhor evitar o assunto? Neste artigo estudaremos um pouco da história para ver se podemos descobrir algumas lições para os dias de hoje. Samuel Escobar. do autor do presente artigo... e “Jonathan Edwards: Teólogo do Coração e do Intelecto. 108. Não é que não queiram que as igrejas sejam vivas e dispostas para a obra do Senhor. 111.” International Bulletin of Missionary Research 6 (Julho 1982). “Latin America.” Fides Reformata 3:1 (Jan-Jun 1998). 64. Ibid. Desafios da Igreja na América Latina.” Evangelical Missions Quarterly 28 (Janeiro 1992). Ibid. “Amando a Deus e ao Próximo: João Calvino e o Diaconato em Genebra. “Mission in Latin America. É o caso de André Biéler. 321. ao contrário. ó Senhor. tribulação e separação amarga. Ibid. Mas avivamento? Já passamos por tanta confusão.” 241. Samuel Escobar. “Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America.Escobar. trad.. teve como tema “Fé e Esperança para o Futuro: Por Uma Teologia Evangélica Vital e Coerente para o Século XXI. Não é possível repetir a história. 316."(1) Talvez não se expressem exatamente com estas palavras. 1990). mas podemos aprender com ela.” a instabilidade social resultante do colapso dos padrões e valores. gerando uma espiritualidade nova e radical. Escobar. Ver também.” Escobar foi o autor de um dos seis estudos apresentados ao plenário.” Fides Reformata 2:2 (Jul-Dez 1997). Samuel Escobar. “The Elements of Style in Crafting New International Mission Leaders. realizada em Londres de 9 a 14 de abril de 1996. 72-87 Parte XVII APRENDENDO DA HISTÓRIA DOS AVIVAMENTOS Estamos vivendo numa época em que muitos membros das nossas igrejas oram: "Aviva a tua obra. 328. Ibid. Tal consulta. significa a inquietação. 48. no decorrer dos anos. Há poucos anos. O Pensamento Econômico e Social de Calvino.” Evangelical Review of Theology 20/4 (Outubro 1996). Desafios da Igreja na América Latina. “Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological Christology. Ibid. Escobar participou de mais uma consulta da Comissão Teológica da Fraternidade Evangélica Mundial. “Anômicas” deriva de “anomia. Waldyr Carvalho Luz (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana.. Outros se arrepiam imediatamente quando ouvem falar do assunto.

e em 1701 um jovem pastor do nordeste da Irlanda. Porém. Foi absolvido.. Francis Makemie. chegando em casa depois de uma longa cavalgada numa tempestade de neve. Muitas igrejas foram organizadas e já cinco anos depois o presbitério reuniu-se pela primeira vez em Filadélfia. Foi adotada a ordem eclesiástica da Escócia. Os "Pais Peregrinos" foram para o nordeste do continente (1620) e estabeleceram fortes colônias congregacionais. especialmente escocesas-irlandesas. não é de estranhar que 97 . então. a não ser que pudessem ser industrializados.(4) Apesar do crescimento numérico das igrejas em geral. para a época que entrou na história como o "Grande Despertamento" (Great Awakening.(2) Os holandeses fundaram Nova Amsterdã (1614) com sua Igreja Reformada (mas os ingleses capturariam a colônia cinqüenta anos depois. santificação constante e disposição incansável. a situação religiosa nas colônias não era boa. Foi na época em que Portugal e Espanha começaram a navegar pelos oceanos e fundar o seu império ibérico. Por volta de 1700 havia muitas famílias presbiterianas espalhadas por todas as colônias. chamada consciente. Os escoceses sabiam fazer isto." tendo organizado igrejas e até consagrado ministros. era tentado a tomar uns tragos.(3) Ele é considerado o "pai do presbiterianismo americano. Muitos colonos viviam longe das igrejas e. que ficou famoso na jurisprudência sobre a liberdade religiosa. Nos lares crentes de fato havia leitura bíblica e o catecismo era decorado.. o pastor podia ser pago em espécie e. depois que foi quebrada a espinha dorsal marítima da Espanha com a derrota da sua Armada (1588). mas por outro lado existiam muitos obstáculos à santificação. Nesse país também houve várias épocas de avivamento com bênçãos e problemas incontáveis. visão ampla. I. mormente a embriaguez. da Palavra de Deus. Vamos perguntar à nossa mãe espiritual: "Conte. iniciou o seu trabalho itinerante de Nova York até as Carolinas. Makemie foi preso por ter pregado em Nova York. rebatizando-a como Nova York). Nesse caso. Portanto. E havia outros problemas. e os preços dos produtos da lavoura muito baixos. O Senhor abençoou o seu trabalho. 17391745). O Presbiterianismo na América do Norte O Brasil foi descoberto em 1500. até entre pastores. Somente um século mais tarde nações protestantes começaram a zarpar pelos oceanos. mamãe. Era um homem preparado para o trabalho de Deus: conversão clara. Ele defendeu o seu próprio caso. como é que foi?" Voltemos. pior ainda. com a Igreja Anglicana como a igreja oficial. No ano seguinte. sendo Virgínia a primeira (1607).As nossas igrejas no Brasil foram plantadas por missionários da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos. e também o seu selo e lema: Nec Tamen Consumebatur. É que os colonos eram pobres. o crescimento continuou e em 1717 organizou-se o primeiro sínodo. só que não conseguiam vender o whisky a tempo. mas adoeceu gravemente devido à permanência no calabouço e foi promovido à glória. A Inglaterra implantou colônias na América do Norte.

no seu humilde "colégio de toras" (Log College). Em 1740 ele pregou uma mensagem com um título apropriado sobre os perigos de um ministério não convertido. E essa purificação devia começar com o corpo ministerial. A gritaria de um certo James Davenport passou tanto dos limites. 1739-1745 Essa ênfase na pregação tinha sido (re)iniciada naquela região por "Dominie"(8) Theodore J. Um desses foi o velho Rev. houve problemas humanos. II. que até os seus correligionários o consideraram mentalmente fraco. depois de visitá-los.(6) O casal Tennent era um exemplo de piedade e o próprio George Whitefield. que preparou uns poucos jovens para o ministério sagrado. pois. Então. que eram muitas por causa da antiga colonização holandesa e que continuaram a crescer mesmo depois da conquista de Nova Amsterdã pelos ingleses.(13) Apesar desses resultados positivos. Theodore era herdeiro de uma ênfase do puritanismo holandês. e quando Whitefield fez uma campanha evangelística nas colônias (1739-1741). mas o impacto do sermão de Gilbert foi mais amplo pelo fato de ter sido impresso.algumas pessoas reconhecessem que a igreja precisava ser purificada para tornar-se realmente uma igreja puritana. entre eles seus próprios filhos. em dois anos mais de trinta mil pessoas foram ganhas. se alguém não sabia quando estivera 98 .(9) Nesse sentido. ou seja. a pregação de George Whitefield e de John Wesley levou muitas pessoas ao Senhor. Não era incomum o uso de linguagem violenta. Jonathan Edwards pregou o seu célebre sermão "Pecadores nas mãos de um Deus irado" (1741). 10% da população americana da época. comparou-os a Zacarias e Isabel. as distâncias eram grandes e as despesas altas. referindo-se aos colegas como "cães mortos" e outros termos negativos. o pastor de uma das Igrejas Reformadas holandesas.(11) Ao mesmo tempo. mas também uma ética e comportamento bíblicos. Quando. em que candidatos ao ministério eram treinados na casa de um ou outro pastor com o dom de mestre.(12) Na Inglaterra. tais como Harvard e Yale. O próprio Gilbert Tennent abusou da palavra."(7) A conversão era absolutamente necessária (inclusive para os presbiterianos) e essa conversão devia ser visível. William Tennent. Vários pastores não souberam controlar a sua língua. A sua oração diária era pela "purificação dos filhos de Levi. como sempre ocorre quando o Senhor dá a sua bênção.(5) Havia algumas escolas para preparação de pastores no nordeste americano. tais como: a Lei não se aplicaria aos crentes. isso não foi algo estranho ao puritanismo presbiteriano americano. Frelinghuysen. mas com um vocabulário por vezes muito veemente. o Senhor estava operando nas Igrejas Congregacionais do nordeste americano (1734) e algum tempo depois o Rev. o jovem ministro Gilbert Tennent começou a pregar como o seu colega reformado (1733). mas infelizmente nem sempre zelavam pela ortodoxia e pela ortopraxia. recorreu-se ao sistema conhecido na Irlanda do Norte.(14) Também puderam ser observados vários desvios teológicos. Além disso. que por sua vez tinha recebido muita influência do puritanismo inglês(10) não somente uma doutrina e fé bíblicas. o Rev. O Grande Despertamento.

Colocaram no túmulo desse servo.(16) Alegando apoio na Constituição Presbiteriana. o Rev. pisaram o direito eclesiástico."(19) Um problema muito interessante era a tensão entre educação e missão. e toca meus lábios com fogo celestial." implantou o trabalho presbiteriano na região de Richmond. No seu diário ele anotou que de vez em quando acordava com uma torrente de melodias celestiais. mas não menos importante. David trabalhou incansavelmente durante quatro anos entre os indígenas. que ocorreram divisões no corpo de Cristo. O grupo de tradicionalistas ficou conhecido como a "Ala Velha" do Sínodo de Filadélfia. Jonathan Edwards. Dizendo-se leais a Cristo. a sua noiva Jerusha também faleceu vitimada pela mesma enfermidade (1748)." Sete dos "protestadores" pertenciam ao Presbitério de Donegal. pelo esforço missionário transcultural de homens como o Rev. III. mas também faleceu depois de dois curtos anos. também formado num "colégio (teológico) de toras. não poderia ser considerado convertido.(15) O cisma na Igreja Presbiteriana começou em 1741. que gostavam de cantar salmos em sua cozinha. Davies foi chamado para substituí-lo. praticaram uma lealdade dúplice por causa do seu corporativismo. que pregava como o embaixador de um rei poderoso. Algumas irregularidades contra a ordem presbiteriana também azedaram as relações eclesiásticas. No início do sínodo daquele ano um grupo de doze ministros apresentou um documento chamado "Protestação. e quatro deles deviam ser afastados do ministério por causa de problemas graves." que simplesmente declarava que os avivados não tinham lugar "neste concílio de Cristo. e os avivados como a "Ala Nova" do Sínodo de Nova York. afetando ambos os grupos como um vírus maligno. O fato era 99 . seria um crente carnal.(17) A Ala Nova é mais conhecida por causa do seu trabalho evangelístico. que havia se tornado uma foco de oposição. se alguém não sentia o sopro do Espírito Santo como um vento verdadeiro.sem Cristo. Não somente pregou aos colonos europeus. Poucos meses depois. Menos conhecido. foi o trabalho de "missões nacionais" da Ala Nova. Nessa época. que nos deixou o seu conhecido diário. Samuel Davies. ó graça real. zombaria e forte oposição dos tradicionalistas e de um certo radicalismo e farisaismo dos avivados. Davies teve o privilégio de batizar uns 150 deles. mas também aos escravos africanos. 1741-1758 Infelizmente as tensões aumentaram tanto durante a época do Grande Despertamento. Jonathan Edwards.(18) Brainerd havia sido expulso do curso teológico de Yale por afirmar que um certo professor não tinha mais da graça de Deus do que uma cadeira. o de Hanover (1755). Em primeiro lugar. que era presidente do colégio teológico de Princeton. O Cisma Presbiteriano. David Brainerd. uma frase de um dos seus 600 hinos: "Inspira a minha alma. já tensas por causa da frieza. até sucumbir à tuberculose na casa do seu futuro sogro. Depois da sua ordenação. veio a falecer por causa da varíola. na Virgínia (1747-1759). que resultou no primeiro presbitério do sul.

o mais importante é que o clima havia se tornado mais ameno.(22) Os avivados. que às vezes perdiam o contato com a igreja presbiteriana e filiavam-se a outras denominações. Os tradicionalistas ainda tinham certas restrições. e não somente uma fé formal. A Reunião. mas sem os frutos do Espírito Santo. em 1758 a Ala Velha tinha 23 pastores e a Ala Nova 73. Também admitiram ser necessário que os pastores (e conseqüentemente os candidatos ao ministério sagrado). O restabelecimento da união também foi possível porque ambos os lados haviam permanecido presbiterianos na doutrina e os renovados não tinham rejeitado o batismo dos filhos da aliança. mas havia falta de pastores para atender aqueles vastos campos.). não respeitando assim as normas constitucionais.(24) Um pouco de estatística pastoral demonstra isto claramente: em 1741 a Ala Velha tinha 27 pastores e a Ala Nova 22.que as igrejas. porque uma vez envolvidos no ensino diário. mas havia falta de obreiros por causa das rigorosas exigências na educação teológica. etc. a paz entre os dois grupos deve ter sido um pouco difícil. por causa da maioria numérica da Ala Nova. Quando chegavam aos seus campos de trabalho. Mas os que conseguiam fazer o curso teológico saíam como homens bem preparados. As duas correntes uniram-se novamente. pois os convertidos que apresentavam reações físicas (como arrepios. por outro lado. E a Lei do Senhor era sem dúvida uma norma de gratidão para a vida do crente convertido. 100 . eram bem-vindos como pastores e também como professores. mal sobrava tempo para visitarem as congregações espalhadas. mas admitiram que houve falta de discernimento espiritual. Também reconheceram que as suas línguas não haviam sido batizadas pelo Espírito Santo quando usavam certas expressões pejorativas ao referirem-se aos seus colegas.(21) IV. mas reconheceram que erraram algumas vezes ao invadirem campos pastorais de colegas tradicionalistas sem serem convidados. Porém. tivessem uma experiência religiosa. gritos.(23) Porém.(20) Mas o bom era o inimigo do melhor. congregações e pontos de pregação se multiplicavam. as duas alas conseguiram restabelecer a paz. basicamente por existir mais humildade nos dois lados. Uma das alavancas foi o sofrimento comum causado pela guerra contra os franceses. mas reconheceram que de fato houve muitas conversões sinceras e permanentes. Insistiram que o avivamento era uma obra santa do Senhor. freqüentemente na então fronteira colonial. o que diminuia o número dos que podiam estudar. sentiam ainda um profundo desejo de pregar em todo e qualquer lugar. No começo do cisma os avivados eram uma minoria. 1758 Depois de dezessete anos. desmaios. Não é que os presbiterianos não tivessem visão. especialmente para os da Ala Velha. sendo o próprio Gilbert Tennent o maior defensor dessa reunião. mas cresceram muito durante os anos da separação. porque eram as pessoas mais educadas da comunidade. Os colonos pediam que o pastor ensinasse seus filhos. estavam seriamente iludidos.

mais quatro. humilhar-se e começar a ter uma vida purificada. E cada um de nós deve aplicá-las à vida. no fim desse período.(26) Embora a Ala Velha também tenha feito algo pelas missões nacionais. a fim de não perdermos o verdadeiro avivamento. no início a Ala Velha não reconheceu essa necessidade premente de santificação. infelizmente a "causa noturna" mais provável por que o braço tradicionalista da Igreja Presbiteriana americana murchou até mesmo durante o "Grande Despertamento" foi a falta de santificação. Aquela súplica — "Aviva a tua obra." os seus presbitérios faltaram com a disciplina fraternal. para que a igreja seja testemunha no tempo e no lugar onde Deus a colocou na história. produzindo mais frutos do Espírito Santo. A Ala Velha insistiu que os avivados tinham sido beneficiados pela imigração e fundos do Velho Mundo. "Avivamento" é uma palavra muito bíblica. as missões sendo sempre um índice preciso do avivamento autêntico. focalizando suas críticas em aspectos mais circunstanciais. à luz das Escrituras? Calvino certa vez disse o seguinte sobre aqueles que querem tirar uma série de aplicações de um texto bíblico: "A Escritura é frutífera em si mesma. Sem dúvida. a "causa diurna" do crescimento maior da Ala Nova deve ter sido o trabalho evangelístico mais intenso e mais descentralizado dos irmãos avivados. patentes a todos. Se não quisermos usar a palavra "avivamento. E existiria ainda alguma "causa noturna"? Cremos que sim.(25) Mas qual teria sido a causa dessa diferença tão patente? Muito se tem discutido. Faltando essa característica essencial. foi como o historiador Trinterud afirmou: "Two sides. mas assim também o foram os tradicionalistas. ao todo dois terços do mesmo grupo! Em virtude do "corporativismo. duas marés). ou seja. no decorrer dos anos" — é uma oração ensinada pelo próprio Espírito Santo. quatro tinham problemas morais e. ó Senhor. E o Senhor nos convoca a renovarmos a aliança que ele estabeleceu conosco. não promovendo um avivamento pelo esforço próprio. santificação esta que é o alvo do Espírito Santo em cada efusão especial do poder do alto. Um dia especial para enfatizar 101 . nem rejeitando as bênçãos incontáveis da obra do Senhor. Dos doze "protestadores" que iniciaram o cisma expulsando os avivados. renová-la em todos os seus aspectos. V. o avivamento não passa de emoção litúrgica. dependendo da nossa posição no processo histórico atual. Oremos para que aprendamos a andar em humildade. two tides" (duas alas. ocultas à maioria.De fato.(27) Não devíamos perder o conteúdo por causa de uma palavra." Parece que as lições históricas neste caso são óbvias. Sim. Não deveríamos perdê-la por causa de abusos. e causas noturnas. significando reviver. Dia da Renovação da Aliança Devemos ainda acrescentar um parágrafo sobre as lições espirituais que emanam desse período." para nós da tradição reformada uma expressão como "Renovação da Aliança" ajudaria muito a entender o que o Senhor quer de nós. Talvez tenhamos de lembrar a distinção entre causas diurnas. começando pelo individual. O fato é que o avivamento real procura maior santificação em todos os setores da vida. O conceito de avivamento também é muito bíblico: retornar ao Senhor.

ver W. Para o período colonial. S." 9 Sobre a posição oficial. em seu famoso livro Pia Desideria ("desejos piedosos"). ao contrário. Notas 1 Habacuque 3. Die Vorbereitung des Pietismus in der Reformierten Kirche der Niederlande bis zur Labadistischen Krisis. 10 Wilhelm Goeters. NC: Greensboro Printing Co. como é o desejo profundo de todo verdadeiro presbiteriano. 4 Adotado pela Igreja Presbiteriana da Escócia em 1635. Page. "senhor. 6 Sobre Tennent e sua escola. 1993). nos use. a fim de que ela seja sal da terra e luz neste mundo tenebroso.2)! 8 Como eram chamados os ministros da Igreja Reformada Holandesa: dominie. Os Estados Unidos tornaram-se independentes em 1776. Sr. and the Log College (Greensboro. seria um dia de oração e jejum para que o Senhor não nos lance fora. 3 Sobre Makemie. 2 Para um resumo sobre religião na América do Norte. 1971). e para a santificação e edificação da igreja. absolutamente necessário. Hudson. do latim dominus. M. Sweet. 12 de agosto. o grande líder do pietismo na Igreja Luterana da Alemanha. o ano em que a França sangrava por causa da revolução.essa renovação da aliança pode ser para nós presbiterianos o dia do aniversário da nossa igreja. ver I. The Dutch Reformed Church in the American Colonies (Grand Rapids: Eerdmans. De Jong. 1938). Bolland. The Life Story of Rev. o dia do aniversário da igreja universal. 5 Assim também Philipp J. qualquer dia que seja. senão Deus amaldiçoará até as nossas bênçãos (Ml 2. A. Religion in America (New York: Scribner’s. Religion in Colonial America (New York: Scribner’s. publicado em 1675. Ou talvez o dia de Pentecoste. o crescimento e os problemas dessas igrejas reformadas (inclusive depois da conquista de Nova Amsterdã pelos ingleses em 1664). não para o nosso próprio triunfalismo oco. 1978). incorporando muitos dos antigos huguenotes. Mas. 102 . para a salvação de muitos perdidos. Tennent.. e sim para a sua glória. 1942). 7 Ml 3. realizou-se a primeira Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos.3. Light in Darkness: The Story of William Tennent. ver Gerald F. W. 1670 (Amsterdam: T.2 (Almeida Revista e Atualizada). e em 1789. ver M. Francis Makemie (Grand Rapids: Eerdmans. Spener. ver W.

(São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas. na Pensilvânia. Banner of Truth Trust. A Vida de David Brainerd (São José dos Campos. "Irenicum Ecclesiasticum" (1749). [1970]). 15 Os congregacionais dividiram-se em "Old Lights" e "New Lights. 19 "Almighty grace. 18 Ver Jonathan Edwards. Nesse século XVIII de racionalismo. Trinterud. SP: Editora Fiel. Alexander. no seu Art. ed." 16 Se houve também uma dupla lealdade por causa de ligações maçônicas. 2 vols. c. a maçonaria era uma espécie de reação mística contra o árido deísmo. my soul inspire. 13 Sobre Whitefield. cap. A. 25 Trinterud. não ficou claro até agora. 21 Valeria a pena um estudo aprofundado sobre as congregações da IPB que foram perdidas. [1855]). 17 "The Old and New Side" do século XVIII não devem ser confundidos com "The Old and New School" do século XIX. Forming of an American Tradition. and touch my lips with heavenly fire. 23 Cf. The Forming of an American Tradition (Philadelphia: Westminster Press.1993). ver A. 14 A. 1949). ([London]: Ed.1974). Dallimore. 12 Jonathan Edwards. 24 O mesmo fenômeno de crescimento numérico ocorreu entre os congregacionais: na região de Boston havia nessa altura quase três vezes mais pastores avivados do que tradicionalistas. Pecadores nas Mãos de um Deus Irado. J. 8: "The Withered Branch." 103 . 1993). Sermons and Essays by the Tennents and their Contemporaries (Philadelphia: Presbyterian Board of Publication. como a Universidade de Pittsburgh. 3a. comp. 22 Exigência incluída também na Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil. Para essa biografia do seu genro. o seu sermão publicado. George Whitefield. Edwards baseou-se em grande parte no diário de Brainerd. 32. Começou em Londres em 1717 e trinta anos depois já era influente na colônia americana." os batistas em "Regulars" e "Separatists. 11 L." 20 Dessas escolas paroquiais nasceram instituições educacionais conhecidas..

. "Separai-me agora .26 Ruy dos Santos Pereira. sem sombra de dúvida. Então. passando a ser oficialmente o portal da missão entre os gentios. Piso e a Medicina Indígena (Recife: Instituto Arqueológico. nem sempre é essa a realidade em termos de igreja brasileira. pois quando o Espírito Santo disse em Atos 13. Já a igreja de Antioquia era. 24. foram cuidadosamente observados e registrados por Lucas em Atos 13. Ne 8. jejuando. E ainda: 104 . workshiping [NIV]). os despediram" (At 13. que o Espírito Santo preparou para receber a boa semente do evangelho.." a partir daquele momento a igreja de Antioquia não seria mais a mesma em termos de visão e ação missionárias. O particípio presente leitourgountwn (servindo [ARA].14. um exemplo de igreja missionária. deveriam inspirar todas as igrejas. Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado.2. Mas por uma série de fatores que lamentamos. e impondo sobre eles as mãos.27 2 Cr 7. 1980). com certeza. é empregado por Lucas em Atos 13. servindo eles ao Senhor. O particípio presente indica ação contínua. todo campo missionário deveria se tornar. servindo eles ao Senhor e jejuando. Existem muitos exemplos históricos.".. "prestar culto a Deus".2. Igreja missionária é igreja adoradora Atos 13. isto é. numa base missionária. do verbo leitourgéw. Os princípios que nortearam a vida da igreja de Antioquia. e que. obrigatoriamente. Uma igreja só pode ser verdadeiramente missionária se for verdadeiramente adoradora e vice-versa. Orlando Costas estava certo quando disse que "o culto está intrinsecamente relacionado com a ação de Deus na história e a conversão das nações ao Deus trino e uno". "servir em adoração". disse o Espírito Santo: Separai-me. cresceu e frutificou.2 com o mesmo significado de latréw. etc Fonte: Revista Fides Reformata Parte XVIII AS QUATRO INDISPENSÁVEIS QUALIDADES Uma Igreja Missionária "E.. e orando. 23. Como deve ser caracterizada a igreja evangélica brasileira em seu propósito de ser uma igreja verdadeiramente missionária no Brasil e no mundo? Biblicamente falando. Histórico e Geográfico Pernambucano e Universidade Federal de Pernambuco.3). 2 Cr 29-30. como Js 5.2 inicia assim: "E. A igreja que outrora foi campo. agora.

É o resultado espontâneo da experiência da redenção. a questão da prioridade da igreja. A missão é a culminação e antecipação do culto. surge da missão. É evidente que 105 . At 2. É a prática mais missionária possível. Ambos são necessários. em sua dimensão humana. ou que "missões existem porque o culto não existe". estamos falando da dicotomia existente entre culto e missões. devem levar os perdidos a prestarem culto a Deus (cf. Talvez um dos piores males que têm assolado. o que deve ser considerado em primeiro lugar.44-49). Igreja é missões". "A liturgia sem missão é como um rio sem manancial. e missões. um povo de oração e testemunho". Sem um o outro perde sua vitalidade e significado". O culto é a reunião do povo enviado ao mundo para celebrar o que Deus fez em Cristo e está fazendo mediante a participação deles na ação testemunhal do Espírito. como temos visto na prática? Será que podemos afirmar que culto é mais importante que missões ou vice-versa? Mais uma vez contamos com o argumento equilibrado de Orlando Costas: Não existe dicotomia alguma entre culto e missão. só o fato do culto ser dirigido a Deus e as missões aos homens já definiria. dividido e enfraquecido a igreja brasileira em nossos dias seja os constantes debates em torno da tarefa prioritária da igreja. E a discussão não é se a igreja deve adorar ou evangelizar (embora às vezes é o que de fato acontece). "É preciso ter paixão pelos perdidos e obedecer ao ide de Jesus". que é preciso mais que adoração. porquanto celebra o que Deus tem feito por homens e mulheres em Jesus Cristo e os chama a receber e compartilhar o dom da graça de Deus. E não estamos nos referindo à questão da evangelização e responsabilidade social. ao mesmo tempo. a missão deve ser vista como um acontecimento cultual. então. a missão sem culto é como um rio sem mar. por si só. Pois uma adoração que não leva a igreja a evangelizar não passa de mera contemplação.O culto. At 13. Vemos.é a obra em si. tem quem afirme ser "um absurdo dizer que muitas são as responsabilidades da igreja.42-47). Para os defensores da primeira posição. Igreja missionária é igreja de oração José Martins disse corretamente: "A oração é a essência da obra missionária. por sua vez. As opiniões são as mais variadas e extremistas até. Do mesmo modo. Ao contrário. que o culto deve levar a igreja a fazer missões (cf. De um lado temos os que insistem que "missões são a segunda mais importante atividade no mundo". quando vivida de maneira bíblica". por sua vez. Os defensores da segunda posição argumentam. Será que precisamos mesmo priorizar uma tarefa em detrimento da outra. mas sim. Não é só uma atividade necessária ao sucesso da obra . Do outro lado. e uma evangelização que não leva os pecadores a adorarem a Deus está fora dos propósitos do próprio Deus. outro assunto desnecessariamente polarizado. No culto e na missão a comunidade redimida dá evidência concreta do fato de que é.

e não menciona a oração. do mesmo capítulo 13. Paulo foi um homem de oração e recomendava às igrejas que orassem por ele e pela expansão do evangelho de Jesus Cristo. e jejuando. Nunca é demais enfatizar a importância da prática da oração na obra missionária. naquilo que se refere às práticas religiosas do judaísmo. Nem toda oração é feita em jejum. e sim. Esta verdade está implícita e explícita em Atos 13.2 e 3. Em Atos 13.. Direta ou indiretamente o Concílio de Jerusalém de Atos 15 aconteceu em razão desse anti-judaísmocerimonialista. 106 . por isso mesmo. Agora. qual o interesse dele em dar tanta ênfase a uma prática estritamente judaica? Segundo. em segundo lugar. O fato da igreja estar jejuando subentende-se que ela estava também orando.2 ele diz que a igreja jejuava. que essas duas atividades devem vir interligadas uma na outra. respectivamente..". Implicitamente porque o versículo dois diz o seguinte: "E. A ênfase de Lucas é importante por duas razões pelo menos: 1) Não devemos pensar que a igreja de Antioquia jejuava porque trazia resquícios do judaísmo.. a igreja estava em oração. Lucas coloca a palavra "jejuando" na frente de "orando". É impressionante a ênfase que Lucas dá ao jejum na igreja de Antioquia. Mas se é o mesmo ou deixa de ser. mostrar como esta prática era (e deve ser) valorizada no meio de uma igreja verdadeiramente missionária. a igreja de Antioquia era uma igreja que exercia a prática do jejum.. Não sabemos ao certo se o jejum do verso 3 é o mesmo do verso 2. Seria incoerente pensar que uma igreja que estava adorando a Deus e jejuando não estivesse em oração. Quando o Espírito Santo ordenou que a igreja de Antioquia separasse Paulo e Barnabé para a obra que os tinha chamado. Além disso. Esta não seria uma forma inteligente de pensar. No texto grego é a mesma coisa: nestéusantes kai proseuxamenoi. não é tão importante sabermos. Basta saber que a igreja de Antioquia era uma igreja de oração e que fazia da oração a base de sua missão. mais do que simplesmente orar.Martins não quer dizer que oração e missões são a mesma coisa. como tem feito a maioria dos autores que consultamos. Pela urgência do chamado do Espírito. primeiramente para mostrar que jejum e oração não são incompatíveis na vida de uma igreja e." (v3). primeiro porque Lucas era gentio (provavelmente da cidade de Antioquia da Síria) e. tudo indica que sim. servindo eles ao Senhor. conforme dissemos acima. 2) Acreditamos que Lucas fez questão em enfatizar a prática do jejum pela igreja de Antioquia. É provável que o exemplo da igreja de Antioquia tenha marcado positivamente o ministério de Paulo. a igreja de Antioquia foi uma das igrejas mais anti-judaicas do passado. jejuando e orando. No verso 3. embora sabemos que ela também orava. temos uma evidência explícita de que a igreja de Antioquia realmente orava naquela ocasião: "Então. A ordem das palavras é significativa e não pode ser menosprezada. mas todo jejum bíblico é feito com oração.

A igreja de Antioquia buscava a presença de Deus pelo simples prazer de estar servindo a Deus. em casos muito excepcionais de calamidades públicas. foi morto mediante a intervenção de um anjo do Senhor. conforme prescrevem os princípios de liturgia da IPB. terremotos. etc. Creio que o capítulo sobre jejum deveria ser revisto pela IPB. estava vivendo um dos seus melhores dias. Na minha própria denominação. aprendi: "Sem o propósito de santificar de maneira particular qualquer outro dia que não seja o dia do Senhor. terremotos. Enquanto isso. Quantos são os membros destas igrejas que jejuam? Quantos de seus pastores jejuam? Muitos de nós mal oramos. etc. porém. ao invés de estimular o crente a praticá-lo. nunca existirá um dia de jejum neste país! Que o jejum deve ser praticado em dias de calamidades públicas não questionamos. Mas será que devemos jejuar somente em casos muito excepcionais de calamidades públicas? Da forma como foi redigido o princípio para a prática de jejum na IPB. primeiro porque ele não expressa corretamente a realidade brasileira e também por não apresentar uma definição mais completa do verdadeiro conceito bíblico de jejum. E continuou assim quando enviou seus missionários e os sustentou com fervorosas orações.24). Que Deus conceda à igreja brasileira a graça de ser uma igreja que se alegre em estar em Sua presença. diga-se de passagem. epidemias. Pedro havia sido libertado milagrosamente da prisão e um dos maiores inimigos da igreja. pois a Bíblia nos dá vários exemplos disso.". "a palavra do Senhor crescia e se multiplicava" (At 12. como guerras. Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). na prática é o que tem acontecido. de modo geral. XI). como guerras. o rei Herodes Agripa I. ele faz exatamente o contrário. o que dizer então da prática do jejum em nossas igrejas? Acredito que as igrejas históricas têm falhado até agora em subestimar a importância do jejum na vida do povo de Deus. de ações de graças" (Princípios de Liturgia. Pelo contrário.Se muitas de nossas igrejas têm falhado na prática da oração. cessadas tais calamidades. epidemias. Não que o princípio fora escrito com o objetivo de desestimular quem quer que seja. Se o povo de Deus tiver que jejuar "em casos muito excepcionais de calamidades públicas. Apesar da Igreja Primitiva ter vivido momentos de muitas provações. 12) indica que a Igreja Primitiva. em interceder pelos missionários e orar pela obra missionária de um modo geral. é recomendável a observância de dia de jejum ou. intercedendo dia após dia pela obra missionária do Brasil 107 . e falhado mais ainda em rogar ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a Sua seara. o contexto próximo (cap.. nada indica que naquela ocasião especial de Atos 13 a igreja de Antioquia estivesse jejuando e orando porque passava por momentos difíceis.

procurar penetrar no mundo das idéias e pensamentos da outra pessoa. subir no nosso poleiro e vomitar a nossa mensagem. precisam. ainda não o aceitaram e. Não sabemos ao certo como o Espírito Santo falou aos profetas da igreja de Antioquia.e do mundo. A igreja de Antioquia era uma igreja sensível à voz do Espírito. além de precisarem ouvir o que a igreja tem a lhes dizer. De fato. através da Escritura. abraçar e obedecer o que se ouve. Neste caso. nós afastamos as pessoas e até mesmo aumentamos sua alienação. ela ouviu. tentar descobrir quais são as suas possíveis 108 . E é exatamente nesse sentido de fazer o que Deus ordena que a igreja brasileira hoje deve ouvir. entender. estão sofrendo terrivelmente. Se ouvir o Espírito Santo significa obedecê-lo. em sua alienação e perdição. Eis aí a voz do Espírito que muitas vezes tem sido ignorada pelos crentes: A igreja no mundo e para o mundo. mas lamentavelmente. O Espírito Santo falou à igreja de Antioquia e ela imediatamente colocou Paulo e Barnabé no mundo. tornando Sua vontade conhecida. este "ouvir" nem sempre tem sido traduzido em termos de "obediência". uma das grandes expressões dessa obediência é estar no mundo para ouvir o mundo. E o que significa ouvir o mundo? John Stott responde: "O mundo de hoje está repleto de clamores que refletem ira. temos o sofrimento daqueles que nunca ouviram o nome de Jesus. e mais do que aguçar os ouvidos para ouvir a Sua voz. É nisso que Deus espera ser ouvido e obedecido. obedecendo. com muito mais freqüência do que gostaríamos de admitir. que existem dois grupos de pessoas no mundo que. embora tenham ouvido falar nele. desajeitada e até irrelevante. Diz ele: Primeiro. O Espírito Santo continua falando e ouvimos a Sua voz. Pode significar: captar. portanto. entender as palavras. no sentido literal. Alguém pode escutar e ouvir. O resultado é que. o que "o Espírito diz às igrejas". "responder antes de ouvir é estultícia e vergonha". pois a forma como apresentamos a Cristo é insensível. Seja como for. Mas muitas vezes nós nos fazemos de surdos diante dessas vozes de angústia". Ele falou e a igreja ouviu. O verbo "ouvir" é empregado em mais de um sentido nas Escrituras. principalmente. ser ouvidos pela igreja. é provável que o Espírito Santo falou pelos profetas que ali estavam. ainda. antes. mas ser totalmente surdo quanto à prática dessas palavras. sem a mínima consideração para com a situação cultural ou as verdadeiras necessidades dessas pessoas. o que costumamos fazer é sair correndo com o evangelho nas mãos. o som das palavras. Stott nos lembra. frustração e sofrimento. Igreja missionária é igreja que ouve a voz do Espírito Santo Enquanto a igreja orava. ou que. A melhor coisa é ouvir antes de falar.

isto é. "a intensidade de serviço que a igreja presta ao mundo. Sem esta dimensão a igreja perde sua autenticidade e credibilidade. como prova concreta do amor de Deus". Quero compartilhar aqui um versículo bíblico que nós temos negligenciado e que. Atos 13. Atos 13. Em segundo lugar. E mais: Esta dimensão envolve o impacto que o ministério reconciliador da igreja exerce sobre o mundo. Encontra-se em Provérbios 21. humilde e perspicaz é chamada. e com razão.3). temores e esperanças da sociedade e a medida em que seu serviço ajuda a aliviar a dor humana e a transformar as condições sociais que têm condenado milhões de homens. com certeza ouvirá a voz dos que precisam ser ouvidos. principalmente. Complementando Jonh Stott. que também costumava chamar o compromisso da igreja para com a sociedade e o mundo de dimensão diaconal ou encarnacional. jejuando e orando. Ele contém uma solene palavra de Deus para aqueles que. o seu grau de participação na vida. Nós deveríamos ouvir com mais atenção os clamores e os suspiros daqueles que estão sofrendo. carecem de consciência social. de certo modo..13: "O que tapa o ouvido ao clamor do pobre também clamará e não será ouvido. conflitos. Igreja missionária é igreja compromissada com os missionários O que determina. em se tratando deste assunto. Mas é essencial acrescentar que contextualizar o evangelho não é de maneira alguma manipulá-lo.. quem sabe deveríamos destacar. Ela estava compromissada com Deus (servindo a Deus. Este compromisso mostrará até onde a igreja está engajada em missões e. Esta atividade desafiadora. mesmo quando atua na retaguarda. dos despossuídos e dos oprimidos. temos o sofrimento dos pobres e dos famintos. . A igreja de Antioquia era uma igreja de compromissos. até onde ela tem sido obediente à voz do Espírito de Deus. dentre o seu povo. 109 .objeções ao evangelho e então compartilhar com ela as boas novas de Jesus Cristo de uma maneira que fale às suas necessidades. de preocupar-se com a justiça social. se uma igreja é ou não missionária é o seu envolvimento e compromisso com os missionários.3) e com os missionários (impondo sobre eles [Barnabé e Saulo] as mãos. de "contextualização". os despediram. lembramos ainda de Orlando Costas. Muitos de nós só agora é que estão despertando para a obrigação que a Escritura sempre colocou sobre o povo de Deus. pois somente na medida em que conseguir dar visibilidade e concreticidade à sua vocação de amor e serviço ela pode esperar ser ouvida e respeitada. mulheres e crianças à pobreza.2. Se a igreja brasileira der ouvidos à voz do Espírito.

13). Edison Queiroz destaca: A palavra que Paulo está usando aqui para "associar-se" é uma palavra comercial. no qual a igreja ficaria definitivamente vinculada aos missionários e os missionários à igreja. nem sequer por intermédio dos homens. depois de observar que "tudo posso naquele que me fortalece" (Fp 4. E ainda: "O certo é que Paulo e Barnabé foram enviados para uma obra específica numa atmosfera de adoração. E mesmo se a imposição de mãos sobre Paulo e Barnabé tivesse sido realizada por apenas três deles.14. pois quando os missionários retornaram. É que.15. Gl 1.26-28. uma ação que. e Paulo considerava que a sua autoridade vinha diretamente de Deus.É importante destacar. oração e jejuns (At 13.1. associando-vos na minha tribulação. além do que Liefeld diz.26. "o Espírito Santo movimenta a igreja e não meramente cinco pessoas para se engajarem na obra missionária". segundo Atos 14. conforme observa Liefeld. houve naquela ocasião um "pacto" entre a igreja de Antioquia e os missionários. Kistemaker diz com razão que "toda a igreja de Antioquia estava envolvida em comissionar Barnabé e Saulo. eles relataram à igreja o que Deus tinha feito (14. ó filipenses.14. por exemplo. no início do evangelho. por sua vez. fizestes bem. relatava a ela as coisas que Deus fazia por seu intermédio. a primeira viagem 110 . como "uma ordenação para ensinar (Paulo e Barnabé já tinham estado no ministério cristão. usada quando duas pessoas decidem formar uma sociedade. em um projeto missionário um dos sócios é o missionário e sua família. nenhuma igreja se associou comigo no tocante a dar e receber. pelo cuidado a ele dispensado e. quando parti da Macedônia. E sabeis também vós. grifos nossos). nem por isso deixaria de ser o trabalho da igreja toda. acrescentou: "Todavia. Uma palavra grega que expressa muito bem o vínculo do relacionamento e do compromisso cristãos entre missionário e igreja é koinwnéw (associar). E ainda.27)". Em Atos 14.1-3). Assim como eles se tornam sócios. A interpretação de Liefeld quanto à imposição de mãos em Atos 13. Comentando o envio dos missionários pela igreja de Antioquia. Comentando este texto de Filipenses 4.1)". a igreja e a família estão indo juntas ao campo. que o envolvimento missionário da igreja de Antioquia não estava limitado àqueles cinco nomes de Atos 13. e não dos homens. Certa vez o apóstolo Paulo expressou sua gratidão para com os filipenses. e o outro é a igreja local. Lucas registra que a igreja de Antioquia "acompanhou" as viagens missionárias de Paulo e este. Por duas vezes o apóstolo usa o verbo "associar" nesta passagem. senão unicamente vós outros" (Fp 4.3 é boa mas poderia ser melhorada. A imposição de mãos sobre Paulo e Barnabé não deve ser entendida.15. os 'recomendou à graça de Deus'". antes de tudo. que.

Não queremos generalizar. Havia nela o que Queiroz chama de "personalização". segundo ele. relataram quantas cousas fizera Deus com eles e como abrira aos gentios a porta da fé. mas não é.missionária termina com o retorno de Paulo e Barnabé à igreja enviadora para repartir os "lucros" com os "sócios". deveriam acontecer em nossas igrejas. De maneira nenhuma! A igreja de Antioquia tinha responsabilidade missionária. Em Atos 13. A igreja de Antioquia tomou para si a responsabilidade da obra missionária. o que temos visto com freqüência são as agências ou juntas de missões ocupando o lugar da igreja local. não tiram a responsabilidade missionária das igrejas. E por que? Porque ela se propôs a ser co-participante do Espírito no envio e sustento dos missionários. o que muitas vezes temos visto? Além disso. reunida a igreja. A missão do Espírito seria a missão da igreja. as agências de missões. infelizmente. Del Pino destaca quatro coisas que. 2. se hoje elas estão ocupando o lugar das igrejas.. não pode transferir esta responsabilidade. em si..3 não aconteceu o que vemos hoje em dia. precisa ver-se como a força missionária de Deus nesse mundo e em nosso país. compreendendo sua importância para missões. Em resumo. é claro que têm. é porque as igrejas estão aquém de sua vocação. além de compreender as dimensões bíblica. Paulo e Barnabé não foram lançados num campo e deixados "ao deus dará". indo além de suas atribuições. por outro lado. navegaram para Antioquia. A igreja local como um todo precisa receber. Não que as agências não tenham seu devido valor. cultural e financeira desta tarefa. Ali chegados. 111 . espiritual. onde tinham sido recomendados à graça de Deus para a obra que haviam já cumprido. E permaneceram não pouco tempo com os discípulos". Ademais. Del Pino complementa o conceito da responsabilidade missionária da igreja dizendo: Um grande número de igrejas espalhadas por este nosso Brasil precisa ver-se como vocacionadas por Deus para exercerem a tarefa missionária como um fator de peso em seu ministério. A igreja local. não se lembraram da igreja somente quando o dinheiro da missão encurtou. Falando ainda acerca da importância da igreja local em missões. A igreja não se esqueceu daqueles que enviou e os missionários. Contudo. compreender e assumir a visão de seu lugar na obra missionária. a igreja de Antioquia não entregou Paulo e Barnabé aos cuidados da igreja de Jerusalém e muito menos os deixou por conta de uma agência missionária. para compartilhar os frutos do trabalho com ela: ". Atualmente. são elas: 1.

p. p. p.. p.. 1985. Para Deus só existem duas coisas: Ou somos campo. V. como se isso não fosse problema dela. KISTEMAKER. 17-25.. 113. Idem. BAVINCK.. Cf. Orar tendo isso em mente. Idem.40. A igreja local.114. 113. 112 . "a prova de uma vigorosa experiência cultual será a participação dinâmica na missão: a prova de um fiel compromisso missionário será uma profunda experiência de culto" (Orlando E. p. 150. ela se silencia. ouça o mundo. op. 455. isto é. V. t.21. cit. conforme Atos 11. 67. p. Phillipsburg: The Presbyterian and Reformed Publishing Company. Cf. Cf. COSTAS. COSTAS. A omissão não pode ser a missão de uma igreja vocacionada pelo Espírito Santo de Deus. 2a ed. 58-60. KISTEMAKER. STOTT. então está na hora de trabalhar. Atos 15. O que mais comumente vemos é que a igreja muito se alegra com o despertar de uma vocação em seu meio. Ibidem. Cf. KISTEMAKER. p. ainda. São Paulo-Belo Horizonte: ABU Editora/Mundo Cristão. 150. a igreja local precisa conscientizar-se e ver-se como a principal agência missionária da face da Terra. vale a pena ressaltar que o verdadeiro conceito de missão para a igreja de Antioquia era (como os missiólogos contemporâneos costumam denominar) o de missão integral. J. Londrina: Descoberta. A oração dominical e missões. p. Mas quando chega o momento de assumir o compromisso financeiro regular e decente. mas se somos base. t. agir tendo isso em mente. A missão de interceder: oração na obra missionária. Simon J. p. 123-125.. trabalhar tendo isso em mente. 123. New Testament Commentary: Exposition of the Acts of the Apostles. 2001. p. cit.27-30. In: Missões e a igreja brasileira: perspectivas teológicas. Notas Segundo Orlando Costas. Evangelização e responsabilidade social. Por falar em evangelização e responsabilidade social da igreja. o indivíduo assistido em sua totalidade. 455. p. COSTAS. 151). H.151. p. 150. BEZERRA. 229-244. 1960.3. 2ª ed. Durvalina B. Ouça o Espírito. pregar tendo isso em mente. Idem. An introduction to the science of missions. 455. Grand Rapids: Baker Book House. op. p. 1979. op. ou somos base missionária. KISTEMAKER. precisamos ser evangelizados. 20. San José-Costa Rica: Editorial Caribe. 1998. 4. precisa assumir por completo a sua responsabilidade missionária. p. ora por aquele irmão e diz para ele ir. John STOTT. Por fim. São Paulo: ABU Editora. p. 1990. cit. Se somos campo. Compromiso y misión. p. 7 José MARTINS.

São Paulo: Sepal. Precisa haver contatos com outras agências missionárias. p. COSTAS. Hugo PIRIZ. por causa das circunstâncias político-religiosas da época. Igreja local e missões. Robertson (em Word Pictures in the New Testament: The Acts of the Apostles. Londrina: Descoberta. a importância das juntas e organizações missionárias" (E. artigo não publicado. Idem. In: ELWELL. Carlos Del PINO. p. 56). 50. t. Grand Rapids: Baker Book House. 323.12).61. Diz ele: "O objetivo da igreja. p.. 153-160. V. Cf. uma vez que o verbo apolyw. 1994. p. 60.). Não concordo com A. Londrina: Descoberta. 1991. São Paulo: Vida Nova. Valdir R. II.). p. 1995. Edison Queiroz destaca muito bem alguns pontos que evidenciam a importância de uma agência missionária. p. p. 43-58. Atos que contam. V. A missão da igreja. não sugere "despedida definitiva". Paulo passou por muitas dificuldades em seu ministério. E. De fato. deve ser promover a máxima personalização. governo e outras agências e avaliação in loco do andamento do trabalho. 117. el ministerio y el Espírito Santo: el caso de la iglesia de Antioquia. p. Valdir (ed.15. p. Todas estas tarefas são difíceis para a igreja. A missão de enviar: como sustentar o seu missionário. 3a ed.1). p. Neal Pirolo.10). 60. E. Enciclopédia histórico-teológica da igreja cristã. 87. In: STEUERNAGEL.). 2001. mas isto não aconteceu por falta de compromisso da igreja de Antioquia. orientação quanto aos relacionamentos no campo com igrejas. 2a ed.Walter L. op. Do chamado ao campo. Daí. p. QUEIROZ. certamente. 113 . Fp 4. ao fazer missões. Às vezes faltava oportunidade para uma melhor participação da igreja (cf.. São Paulo: Vida Nova.88. Imposição de mãos. 1-7. inclusive financeiras (cf. (ed. p. Walter A. Belo Horizonte: Missão Editora. E. A missão da igreja e o despertar missionário na América Latina. cit. cit. câmbio e envio de dinheiro. E. O melhor para missões. T. La misión. p. com autoridades governamentais. Idem. Edison QUEIROZ. t. Oswaldo PRADO. e continuaria vinculada a eles. QUEIROZ. t. op.3 reforça a idéia de que a igreja de Antioquia estava enviando Paulo e Barnabé. Curitiba: Encontrão Editora. fazer com que o maior número possível de membros da igreja tenha contato com os missionários". p. p. 13-31. LIEFELD.179-200. V. A importância da igreja local em missões. Fp 4. 2000. 1999. diferentemente de apospaw (At 21. Londrina-Curitiba: Descoberta. (ed. A expressão "os despediram" de Atos 13. este "sustento" significava mais do que orar por eles. 60. 324. V. In: Misión y ministerio en America Latina. e sim. Paul E. 178. 2000. Diz ele: "Há inúmeras dificuldades para o envio de um missionário. Vol. PIERSON. E o Verbo se fez carne: desde a América Latina. emissão de vistos de entrada e permanência. 1990. In: Missões e a igreja brasileira. QUEIROZ. t.9) quando afirma que "Paulo e Barnabé tiveram que financiar a própria viagem". In: STEUERNAGEL. com base em Filipenses 4. A igreja e a integridade pessoal e familiar do obreiro do Senhor. 1930.117-126 e O.

8). e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém. ". que "Deus ungiu. mas tem também exousia." (At 4.49.8 é a ascensão de Cristo. Mc 16. O poder do Espírito Há uma série de termos para "poder" no Novo Testamento.8 o Senhor Jesus repete as promessas da Grande Comissão (Mt 28..33).38). Thronos indicava. Bia está associada ao emprego da força coerciva. energia. At 1.18-20.. formam as duas palavras do NT cujo significado fica mais perto de exousia e dynamis. É a palavra do poder sem fronteiras." (At 10.. ao descer sobre vós o Espírito Santo. E ainda: "Estêvão. Quando o Espírito Santo foi derramado por ocasião do Pentecostes.Parte XIX ATOS 1. Kratos tem um sentido semelhante ao de ischys. Lembremos que 114 . Lucas sabia muito bem que ao escolher dynamis estava utilizando o termo que melhor representava a ação poderosa do revestimento do Espírito na vida do crente e da igreja. O Senhor respondeu que não competia a eles conhecer tempos e épocas que o Pai reservou para a Sua exclusiva autoridade. mas se refere mais ao exercício da autoridade. thronos. O poder do Espírito é o segredo do sucesso da missão da igreja. por assim dizer. juntamente com kratos. Contudo. cheio de graça e poder. Será que existiu algum motivo especial para que Lucas usasse a palavra dynamis ao invés de qualquer outra. Nestes exemplos Lucas revela que desde o princípio o evangelho foi disseminado pelo poder do Espírito Santo." (At 6.44-49.com o Espírito Santo e poder. força em ação. Portanto. Ischys significa força física. Temos também a declaração de Pedro na casa de Cornélio a respeito de Jesus. fazia prodígios e grandes sinais..8. bia. Contudo. J. a quem Ele havia comissionado para evangelizar o mundo. geralmente era empregada num contexto político (cf..8 E A MISSÃO DA IGREJA O contexto de Atos 1. ou ele a escolheu aleatoriamente? Vejamos: exousia é uma palavra usada com muita freqüência no Novo Testamento. a priori.. 1. "até que do alto sejais revestidos de poder.8).14-18.1-3)... Ela é a palavra por excelência para se referir ao poder do Espírito Santo. ischys. Porém. "com grande poder os apóstolos davam o testemunho da ressurreição do Senhor Jesus.. pois na cidade". Lucas empregou dynamis em At 1. e até aos confins da terra". indica força e. Os que estavam reunidos no monte das Oliveiras perguntaram ao Mestre quando seria o tempo da restauração do reino de Israel. kratos e keras.o 20. Rm 13. prometeu: "Mas recebereis poder. a sede do governo. Lc 24. mas depois passou a significar a pessoa que detinha semelhante posição de autoridade ou força.. disse Jesus aos discípulos." (Lc 24. dynamis tem um sentido todo exclusivo. permanecei.. por sua vez. Em Atos 1..: chifre). Energia é poder no seu exercício. E keras (lit. A rigor é traduzida como "autoridade".21). como em toda a Judéia e Samaria.

profecias. Não! O poder do Espírito tinha como finalidade primordial capacitar os crentes para dar testemunho de Cristo.".) foram dados com o único objetivo de que a igreja testemunhasse de Jesus ao redor do mundo. de modo prático. sereis minhas testemunhas [kai esesthe mou martyres].. Mas provavelmente não captamos as palavras de Cristo em todo o seu peso: ".". Entretanto. ao descer sobre vós o Espírito Santo. Jesus disse a seus discípulos. E para uma reflexão imediata. Poder e testemunho No dia de Pentecostes a promessa de Atos 1. quanto à expansão geográfica e cultural da Igreja. Em Atos não existe esta concepção moderna equivocada de que o poder do Espírito é para edificar o crente e ficar tudo por isso mesmo. disse Jesus (At 1.(3) O substantivo grego martys (4) (martyres) do verbo martyreo já possuía. Conheceram-nO intimamente. "Recebereis poder. Neste tópico procuraremos observar. ressurreição e ascensão.. cinco significados principais. Viram Seus sofrimentos. e sereis minhas testemunhas.. (5). para os confins da terra (eôs eschatou tês gês). A igreja foi batizada e revestida do poder do Espírito Santo. a saber: testemunha judicial de fatos. estes homens eram Seus discípulos. morte. curas..". martírio. Entretanto. o testemunho evangelístico da natureza e da importância de Cristo. vale conferir um alerta do Dr. Muito dessa comissão.. se cumpriu. como está registrado em Atos 1. o poder do Espírito para a igreja não tem..8 se cumpriu (1).. ouviram Seus sermões e viram Seus milagres.. etc. (2). declaração de um fato como testemunha ocular de um ocorrido. seria imprescindível o poder do alto para 115 .. foram ensinados por Ele. 2. testemunha de fatos numa confissão de fé.os discípulos de Jesus foram homens que andaram cerca de três anos com o Mestre. sendo que o último deles era a expressão mais elevada daquilo que significava ser testemunha de Jesus. um fim em si mesmo. começando em Jerusalém e espalhando-se geográfica e culturalmente para fora. o que significava nos tempos bíblicos e o que deveria significar para a igreja evangélica brasileira hoje ser testemunha de Jesus Cristo. Nada do que a igreja recebe do Espírito tem nela um fim em si mesmo.8).sereis minhas testemunhas. o que o Senhor Jesus diz é que eles seriam totalmente incapazes de fazê-lo se do alto não fossem revestidos do poder do Espírito. No Novo Testamento os dons ou manifestações do Espírito (línguas. nos tempos bíblicos. Pela própria natureza da evangelização e pelas perseguições e adversidades futuras que desafiariam a Igreja Primitiva. como nunca teve.. Se alguma vez existiram homens que estivessem em melhor posição e condição de falar ao mundo acerca da ressurreição de Jesus e de todos os fatos a respeito dEle.8: ". Charles van Engen: "Logo antes de sua ascensão.

58).14. Às vezes os sinais e prodígios preparavam o palco. é importante ressaltar. dois aspectos do testemunho pelos quais os cristãos muitas vezes tiveram que pagar com a vida.K. É. Heb. o reino de Deus na terra começa a ter efeito poderoso. (8). A Palavra é a espada do Espírito (cf.5). que incluía expressões como "palavra do Senhor". 6. e "a palavra" tout simple. pelo poder do Espírito que Jesus derramou sobre os Seus servos. Lc 19. 4. "palavra da salvação". 10.testemunhar de Jesus.38). a pregação e o ensino da Palavra estão estritamente relacionados.Barret. dado por Deus. At 1. o diabo (cf. "A pregação autoritativa dos apóstolos (At 4. 16. Luke the Historian.10). Isto salienta o fato de que o Espírito de Deus costuma agir através da Palavra de Deus.8. A Igreja em Atos testemunhava: 1) No poder do Espírito com sinais e maravilhas Quanto a esta questão. 8. Os cristãos primitivos levavam a Palavra para qualquer lugar que fossem (8. 2) No poder do Espírito na pregação da Palavra Em Atos o Espírito Santo. Em Éfeso a mesma coisa. subjuga o "homem forte". pois. ele diz que a Palavra do Senhor "crescia e prevalecia poderosamente" (9). Contudo. Que a igreja muitas vezes testemunhou ao preço de sangue é algo que dispensa comentários. E quando Lucas quer indicar o sucesso de uma missão.8-10) é vista como prova de um poder sobrenatural" (10). portanto.8. Mc 1. Os milagres de Jesus são operados por um poder dentro dEle (Mc 5. At 10. em grau ainda maior. por assim dizer. porque neles. Aquele que foi ungido pelo Espírito (At 2. e a luta contra o diabo é levada a efeito no nível da existência humana (Mt 12. At 19. At 3. 6. pelo menos. Mc 6. gebûrôt. Ef 6. Mc 6.2.22-30).19).38. (6). Michel Green diz que um dos grandes méritos do livro de C. Não é por menos que o evangelho causou tanto 116 . Os milagres.35. i. "O principal meio através do qual o Espírito estende a soberania de Cristo é a Palavra de Deus" (7).16-34).17). como Representante de Deus.8-12). Mediador do poder salvífico de Deus. Seus milagres são chamados dynameis (cf. com o Espírito Santo em Lc 1. Lucas liga este poder. mas na maioria das vezes sucediam a mensagem do evangelho (cf. Jesus é o "mais forte" que.37.7. são encarados como evidência da parte de Deus quanto a Jesus ser o Messias. "atos poderosos").7-12). Lc 5. é a maneira como ele destaca esta verdade da ligação do Espírito Santo com a Palavra.22.13. outras vezes estavam intercalados numa pregação (cf. para uma pregação cheia do Espírito (cf.8 com 3. durante os dois anos em que trabalhou ali (19. "palavra do evangelho". Cf. O que manteve Paulo dezoito meses ou mais em Corinto foi a Palavra (18.17. At 20.33. A glorificação do Messias faz dEle.39 par. 10.22-30.4). vale a pena conferir o teólogo alemão Otto Betz: "Cristo era "poderoso em obras e palavras" (Lc 24.é.14). 19. que estes podem operar atos poderosos (At 4.11)".

Atualmente já não são tantos os Pilatos. em obediência ao mandado de Cristo. Hoje. desejosa de pregar o evangelho. os judeus e gentios que estão perseguindo a igreja. alienada do mundo. Pilatos.23-31).44). Quando alguém recebia o Espírito isto acontecia por ouvir a Palavra (10. Hoje.1. O vento 117 .1). E Deus atendeu ao clamor de sua igreja (At 4. Não é de admirar que o ministério da Palavra fosse prioridade para os doze (6. com pouca ou nenhuma perspectiva da missão para a qual ela foi chamada. Atendeu porque a igreja deixou de lado seus próprios interesses para servir ao mundo. Esta é a triste realidade de muitas igrejas históricas e pentecostais brasileiras em nossos dias. Externamente desfruta-se de uma liberdade religiosa como nunca se viu.29. Internamente ela estava pegando fogo. também possui seus desafios. Será que o poder do Espírito dos tempos bíblicos continua sendo o mesmo para a igreja evangélica brasileira hoje? Com certeza.31). (11). sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus" (At 4.4). sob o poder do Espírito de Deus". não é a realidade de todas elas. Senhor. Mas graças ao bom Deus. E não é possível um testemunho autêntico de Jesus sem o poder do Espírito. quando na verdade eram elas que deveriam estar curando!".4 a tinham como sua grande arma. o procônsul de Chipre (13. disse algo a respeito da igreja de Jerusalém que poderia ser repetido aqui. olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra. mas internamente muito de nossas igrejas estão enfermas. "Uma lição é preciso aprender com a igreja de Jerusalém: A igreja de Jerusalém estava consciente de sua missão no mundo. Herodes e muita gente se levantaram contra a igreja de Deus. A Igreja Primitiva tinha desafios imensuráveis.44).14). é a própria igreja criando obstáculos para não fazer a obra do Senhor.4). Era uma igreja unida em seus propósitos e se amava de verdade.7) e os cidadãos de Antioquia (13. Quando alguém se tornava cristão é porque o Espírito iluminava o coração dos ouvintes com a mensagem apostólica (16. Então a igreja orou: "agora. "Não é exagero dizer que a Palavra é o principal instrumento na missão evangelizadora da igreja.28) e que os missionários anônimos de Atos 8. os Herodes. A igreja de hoje. o que muito se vê. cf. a igreja é perseguida pelo fantasma de sua própria morbidez por persistir. principalmente no mundo ocidental. Felizmente (ou seria infelizmente?) seus desafios são mais de ordem interna que externa. muitas vezes.impacto sobre Teófilo (At 1. Quando alguém cria é porque a Palavra trouxe fé (4. Porém. pois precisamos testemunhar. Em outro estudo de minha autoria (A Missão Integral da Igreja). Lc 1. mas não se curvava diante deles. externamente os desafios eram humanamente insuperáveis.30). à nível de igreja local. enquanto estendes as mãos para fazer curas. Clamava a Deus para ser revestida com mais e mais poder para proclamar com ousadia e intrepidez as verdades do Senhor a quem ela tanto amava (At 4. Também não é de admirar que eles comprometessem seus convertidos com ela (20.44). Era uma igreja de oração que buscava constantemente a plenitude e enchimento do Espírito Santo. numa vida contemplativa. o centurião Cornélio (10.

precisamos do poder e enchimento do Espírito para transpor nossos próprios portões.. novo nascimento e crescimento cristão. Jerusalém 118 . e que todos os seus dons enriqueçam o corpo de Cristo. Jesus ordena que o trabalho missionário da igreja seja te. Jesus não estava dizendo simplesmente que a Sua igreja precisava escolher uma dessas áreas geográficas para trabalhar ou que deveria começar por uma de cada vez. Quantas vezes já não ouvimos indagações mais ou menos assim: "Por que mandar ou sustentar missionários no estrangeiro se temos tanto o que fazer no Brasil?". simultaneidade de trabalho. deturpar o texto bíblico. instamos com todos os cristãos para que orem pedindo pela visita do soberano Espírito de Deus.8 Jesus especifica a missão global da igreja dizendo que ela deveria testemunhar ". Portanto. A ordem e a promessa de Atos 1. em Atos 1. mas sem. A expressão "tanto. A esfera de atuação da igreja A missão da igreja consiste em percorrer o mundo todo para pregar o evangelho a toda criatura (cf. Como sabemos. é tudo obra dele. A evangelização mundial só se tornará realidade quando o Espírito renovar a igreja na verdade. na fé.. A igreja que não é missionária se contradiz a si mesma e debela o Espírito. precisamos ser avivados (no verdadeiro conceito bíblico desse avivamento). a fim de que o seu fruto todo apareça em todo o seu povo. e até aos confins da terra". a fim de sermos o verdadeiro sal da terra e a verdadeira luz do mundo. evidentemente. hoje em dia não são poucos os crentes equivocados quanto à compreensão da ordem do Mestre. isto é..8 é para a gente também! Gostaria de concluir este tópico com uma declaração urgente e atual do Comitê de Lausanne sobre a importância do poder do Espírito Santo na missão da igreja: "Cremos no poder do Espírito Santo.sopra onde quer e está soprando em muitas de nossas igrejas.. no amor e no poder. fé em Cristo.como" equivale ao nosso adjetivo comparativo e sugere. o Espírito Santo é um Espírito missionário. pela partícula enclítica te mais a conjunção kai. Mc 16. como em toda a Judéia e Samaria. Em Atos 1. .8.como" de Atos 1. na sabedoria. Pelo contrário.. Convicção de pecado.. Sem o testemunho dele o nosso seria em vão. Só então a igreja inteira se tornará um instrumento adequado em suas mãos. na santidade.8 é formada. (12). a idéia bíblica do termo aqui é: atuar ao mesmo tempo em todos os lugares da terra. precisamos orar mais. temos que evangelizar lá sem esquecer de cá e vice-versa. Infelizmente. Uma aplicação contextualizada das regiões citadas por Jesus fica por conta da nossa imaginação.kai. O Pai enviou o seu Espírito para dar testemunho do seu Filho. no grego. para que toda a terra ouça a Sua voz"... Deus seja louvado! Entretanto. isto é. de maneira que a evangelização deve surgir espontaneamente numa igreja cheia do Espírito. De mais a mais.tanto em Jerusalém. Em grego "tanto. (13).15). a maioria dos que pensam assim não está preocupada com a obra missionária nem mesmo no seu próprio país.

escreveu Pentecost and Missions (1961). O Mistério do Espírito Santo (São Paulo: Cultura Cristã. & Friedrich. ed.185. C. Boa parte do ministério de Jesus ocorreu em Jerusalém. 1997).Green.. 13 estão em Atos. O assunto não foi totalmente ignorado.Betz. e tem sido relegado à periferia". 144. Atualmente sabe-se que "os confins da terra" de Atos 1. Samaria era uma região mais afastada. Ele propõe uma revisão não só da teologia de missões. Sproul. Povo Missionário. "Poder" em Dicionário de Teologia do Novo Testamento. 1989). ressuscitou e ordenou a evangelização do mundo. van Engen. p. naturalmente. mas não de igual modo a Pentecostes. situada ao norte da Judéia. Seu cuidadoso estudo do material bíblico seguia a convicção de que escreveu-se muito sobre a obra do Espírito Santo na salvação dos seres humanos. 123. Op. pp. A Judéia. p. a igreja cristã foi inaugurada e habilitada para cumprir a Grande Comissão. 1997). missionário reformado na Nigéria na década de 50. 43). 122. Cit. p. Barret. era a província que tinha Jerusalém como capital. p. segundo Samuel Escobar (Desafios da Igreja na América Latina (São Paulo: Ultimato. Poderíamos comparar Samaria ao nosso paísl? Os confins da terra (14) significam. estou de pleno acordo com Boer e Escobar. a ponto de não ter ligação alguma com ela. mas deveria ser central na reflexão sobre missões. III (3. 1996). Supomos que a nossa Judéia seja o estado onde estamos vivendo. e que o ponto de partida de missões no Novo Testamento é o que aconteceu em Pentecostes. "é que no estudo de missões prestou-se muita atenção à Grande Comissão. (6) O. Povo de Deus (São Paulo: Vida Nova. mas da teologia em geral. que devemos ser testemunhas de Jesus para todos os povos. em The Theological Dictionary of the New Testament apud C. (5) Cf.foi o berço dos acontecimentos básicos do cristianismo. G. G.8 é mais que "universalidade concebida de forma geográfica". ed. podemos identificar Jerusalém com a cidade em que moramos. "martys". Para efeito de comparação e aplicação da ordem de Jesus. p. segundo Green. São Paulo: Vida Nova. por sua vez. Nela Jesus prometeu o Espírito Santo e nela. "A tese desse trabalho".3 (Grifo nosso). os índios do Brasil. mas muito pouco sobre seu significado crucial para o testemunho missionário da igreja. São Paulo: Vida Nova. no dia de Pentecostes. A missão da igreja contemporânea é mais do que missão estrangeira. 1985). (2) Cf. van Engen. Nela Jesus morreu. É geografia sim mas também é etnia. (3) (3) C. Desde que não se entenda que o Pentecostes deve ser desvinculado da Grande Comissão. Evangelização na Igreja Primitiva (2. NOTAS (1) Harry Boer. 576. Vol. é missão transcultural que envolve. por exemplo. afirma que "a pregação ou 119 . (4) Das 34 ocorrências de "martys" no Novo Testamento. Kittel. à luz desse fato. (7) Barret apud M.. R.

Pais da Igreja.28).recebimento desta Palavra é mencionado nada menos que trinta e duas vezes em Atos" (p. Orígines (século IV) foi batizado quando criança. como Irineu (século II). 1983. Danker do qual ele foi o tradutor. V. Para ele "a expressão grega te kai.14).4-7. embora alguns pais permitam que seus filhos sejam batizados apenas porque faz parte da tradição religiosa na qual 120 . A concepção geográfica dos cristãos primitivos era limitada. (12) O Pacto de Lausanne. At 1.T. 21. 4. em Lucas. nem mesmo nesta volumosa obra (900 páginas!) Atos 1.24. que até justificaria por ser um resumo de A Greek-English Lexicon of the New Testament and other Early Christian Literature. Grego/Português de F. Entretanto.7). onde te kai poderia possivelmente ser traduzido como "e". p. Além disso. p. Será que os autores simplesmente. porém.1.8.. p.Missões em Atos 1 e 2" em Missões e a Igreja Brasileira. naturalmente porque entendia que ela fosse os confins do extremo ocidental da terra. 185. (11) M. Pela fraseologia de Zabatiero e as referências citadas. (13) Júlio Paulo Tavares Zabatiero discorda da idéia de simultaneidade de Atos 1. por exemplo. Op. Vol. Cit. significa simplesmente "e" (Lc 23. sem mais nem menos. 1993). na primeira viagem missionária (13. 83). (8) Idem.t. Op. Jonh Stott Comenta o Pacto de Lausanne (São Paulo: ABU Editora). milhares de cristãos evangélicos no mundo continuam a prática. E esta omissão não aparece somente na tradução de Zabatiero. 202). Para Gingrich e Danker te kai "freqüentemente significa simplesmente e" (p. "freqüentemente" não é o mesmo que "sempre". Paulo.49) e na Ásia (19.20). Cit. Hoje. Green.. deixaram de incluir na lista deles uma das principais passagens de Atos? Acredito que não.8 é citado para provar tal argumento. 576. tudo indica que ele está seguindo o Léxico do N. III (São Paulo: Mundo Cristão.27. XIV.30)" (Zabatiero.8. na relação das referências de Atos. p. mostrou-se desejoso de ir à Espanha (Rm 15. (14) Convém lembrar que o conceito de confins da terra da maioria das pessoas nos tempos bíblicos não era o mesmo conceito de Jesus e do Espírito Santo. Wilbur Gingrich e Frederick W. (10) O. "Poder e Testemunho . se referem ao batismo infantil. Betz. Gingrich e Danker não mencionam Atos 1. Samaria (8.12. BATISMO DE CRIANÇAS Algumas Considerações A prática de batizar os filhos dos cristãos vem desde os primórdios do cristianismo.24. 204). 5. 185. (9) Foi assim na Judéia (6.

mas é a mesma Igreja.11 com Gn 15. assim. na nuvem e no mar inclusive as crianças. quando cada um ainda não tinha mais que dois meses. Paulo. Evidentemente nem todos os evangélicos concordam que o batismo infantil seja a única maneira de se fazer isso. o batismo é um ato pelo qual consagram seus filhos ao Senhor. de incluir os filhos dos fiéis na aliança de Deus com o seu povo. aspergiu também todo o povo presente no monte Sinai. Batizei meus filhos crendo que. Assim.4).1-14). diz que todo o povo foi batizado com Moisés. Os crentes são chamados de "filhos de Abraão" (Gl 3.nasceram. através desse rito iniciatório. Minha resposta é que acredito estar seguindo a tradição bíblica. Deus sempre tratou com famílias (Dt 29. sem batizá-los. Deus mandou que Noé e sua família entrassem na arca (Gn. quanto os que os apresentam. Estou persuadido de que a Igreja cristã é a continuação da Igreja do Antigo Testamento.6). O Sábado tomou-se em Domingo. mesmo quando este ainda não podia crer como seu pai. em Ceia.1-4). pois havia milhares delas (1 Co 10. e a circuncisão. Não é de se admirar que Paulo chame o batismo de "a circuncisão de Cristo" (C12. têm um desejo só. Deus determinou-lhe que circuncidasse Ismael e. publicamente professar sua fé pessoal em Cristo Jesus. que remonta ao tempo do Antigo Testamento. Não é de se admirar. eles passaram a fazer parte da Igreja visível de Cristo aqui na terra. Abraão creu e o sinal da sua fé foi aplicado à Isaque. no dia de Pentecostes. disse-lhes que a promessa do Espírito Santo era para eles e para seus filhos (At 2.11). quando Deus fez um pacto com Abraão. Porém. mais tarde. de vê-los crescer nos caminhos do Evangelho. ao chamar os ouvintes ao arrependimento. na verdade. Muitos preferem apresentar seus filhos ao Senhor. ao refletir sobre a história de Israel e ao mencionar a passagem dos israelitas pelo Mar Morto. incluindo obviamente as mães e seus filhos de colo (Hb 9. E não é de admirar que os apóstolos batizavam casas inteiras em suas viagens 121 . Isaque. Mais tarde. o mesmo povo. mesmo assim.1-3) e castigou Acã.16). embora nunca em detrimento da responsabilidade individual. incluiu seus filhos na aliança. tanto os que batizam seus filhos. e que não foi abolida no Novo.29) e a Igreja de "o Israel de Deus" (Gl 6. Minha crença sé baseia no fato de que. Símbolos e rituais mudaram. a Páscoa. quando chegarem à idade própria. chamou Abraão e sua família (Gn 12.1). e determinou que fossem todos circuncidados (Gn. mas. que Pedro. 7. antes de completar duas semanas (Gn. 17. a idade da razão. receber o selo da fé que minha esposa e eu temos no Senhor Jesus. e. era o selo da fé que Abraão tinha (ver Rm 43. 21.7.19-20). quando Moisés aspergiu com o sangue da aliança as tábuas da Lei dada por Deus. Coré e suas famílias juntamente. portanto. à fé em Cristo e ao batismo. Foi uma grande alegria ter meus filhos batizados e vê-los. Para outros. A circuncisão. em batismo. com votos solenes de educá-los nos caminhos de Deus até. é claro. Alguns me perguntam por que apresentei meus quatro filhos para serem batizados.38-39).9-12). pois acreditam que o batismo é somente para adultos que crêem.

Mas. se houvesse crianças. levá-los à Igreja.4).At. é da sua inteira responsabilidade. Compreendo também que alguns têm dificuldades com o batismo infantil por causa da prática da Igreja Católica e de algumas denominações evangélicas. Neste caso. Pois. instruí-los nas Escrituras e viver de tal modo que.6. Eles terão de se converter de seus pecados e crer no Senhor Jesus. mas toda uma primeira geração de adultos que se converteram pela pregação do Evangelho.16). já que estavam acostumados a incluir seus filhos em todos os aspectos da religião judaica. Certamente que o Novo Testamento fala do batismo como sendo uma expressão de fé e de arrependimento por parte daqueles que se convertem a Cristo . Compreendo a dificuldade que alguns terão quanto ao batismo infantil. At 2. mas o entendimento mais natural de "casa" e "todos os seus" é que se refira à família do que creu e fica difícil imaginar que. lembremos que passagens assim não tinham em vista os filhos dos fiéis. isto é.missionárias: Paulo batizou Lídia e toda sua casa (. O batismo foi apenas o ritual de iniciação pelo qual foram admitidos na comunhão.31) e expressa os termos da aliança que nós e nossos filhos temos com o Senhor (Dt ' 6. ao crescer. Fonte: Revista Fides Reformata 122 . Mas não há nenhuma proibição apostólica quanto a isso. Pessoalmente não creio que seja este o ensino bíblico. o carcereiro e todos os seus (At 16.14). O batismo infantil não salva a criança. os filhos dos crentes eram "santos" (1 Co 7. que não impedissem as crianças de virem a Ele (Mc 10. e que se desviam depois. os filhos desejem servir ao mesmo Deus de seus pais. que. Mas é igualmente verdade que não há nenhum exemplo de um filho de crente sendo batizado em idade adulta.7. uma criança que foi batizada resolver desviar-se dos caminhos em que foi criada. a casa de Estéfanas (1 Co 1.. para Paulo.13-16). tanto os que batizaram seus filhos quanto os que os apresentaram. pelo batismo. Por outro lado. Simboliza a fé dos seus país nas promessas de Deus quanto aos seus filhos (cf.6. pois não há exemplos claros de crianças sendo batizadas no Novo Testamento. assim como os que foram batizados em idade adulta. ao fim. 16. Não serão salvos pela minha fé ou da minha esposa. Se os judeus que se converteram a Cristo não podiam batizar seus filhos. Se.15). ao crescer. ao contrário dos filhos dos incrédulos. É verdade. elas teriam sido excluídas. da Igreja visível. que adotam a idéia da regeneração batismal. Meus filhos terão de exercer fé pessoal em Cristo Jesus. a criança tenha seus pecados lavados e seja salva. era de se esperar que houvesse alguma proibição neste sentido por parte dos apóstolos. É verdade que não se mencionam crianças nessas passagens. Ef 6. devem orar com eles e por eles. Pv 22.38. Talvez ele estivesse seguindo o que o Senhor Jesus havia dito. serem exemplos de vida cristã. At 16. talvez seja mais seguro ficar com o ensino do Antigo Testamento.coisas que uma criança em tenra idade não pode fazer. para que sejam salvos.3233).

um compromisso de obediência comum a Cristo como Senhor. assim também é Cristo. não há diferença quando chamamos o outro de "meu irmão" (Mt 23. Jesus disse que "irmão" era quem fazia a vontade de Deus: "Pois aquele que fizer a vontade de Deus. na Igreja Presbiteriana da Bahia. 1Jo 2. esse é meu irmão. Para que não haja divisão no corpo. Diferença que exista é de dom e função na Causa de Cristo. Não há superioridade. e todos os membros do corpo. e Lhe obedecem seguindo-O como discípulos e tendo-O como Senhor. quer gregos. com responsabilidade mútua.3. Pois em um só Espirito fomos nós batizados em um só corpo. 1Co 1. e tem muitos membros. 1Jo 1. onde o nome de Jesus Cristo é exaltado. mas o Espirito é o mesmo.35). o sangue de Cristo (1Co 10. Sim. É a mais freqüente designação do Novo Testamento para os crentes em Jesus Cristo. quer escravos quer livres.8). e. estudada.1. uma participação comum no Espirito. Somos "irmãos". Aparece cerca de 250 vezes nos Atos e cartas. e um compartilhar pleno na realização da vida da igreja. "Ora há diversidade de dons. 2Co 13.13). É uma saudação natural (cf.Parte XX COMO MEMBROS DO CORPO DE CRISTO "Porque.7). A IGREJA A Igreja é isso: uma congregação de crentes cuja única cabeça é Jesus Cristo.12. "Corpo de Cristo" e "Comunhão no Espírito".6. quer judeus. Expressa-se também como um corpo local. se um membro é honrado. falamos na Igreja Batista Sião.4. embora muitos formam um só corpo. e.16). mas que os membros tenham igual cuidado uns dos outros padecem com ele. na Igreja Evangélica Fluminense como uma dessas comunidades locais. Rm 8. e é descrita através de imagens riquíssimas como "Povo de Deus".10). se comunidade temos algo em comum: a fé comum em Cristo Jesus (Tt 1. vos sois corpo de Cristo. "A Igreja é uma companhia de crentes regenerados e batizados que se associam num conceito de fé e fraternidade do evangelho".9). e onde nos estimulamos e encorajamos a crescer em amor. plena participação na família de Deus. todos os membros se regozijam com ele. E há diversidade de 123 . Tg 2. A verdadeira comunidade cristã é criada e sustentada por uma fé e uma vida comuns em Cristo. Assim. formamos uma comunidade (At 2. e a todos nós foi dado beber de um só Espirito.29. o Espírito Santo (Fp 2. e quer dizer que fraternidade tem a ver com amor.42. irmã e mãe" (Mc 3.13.24-27) A Igreja de Jesus Cristo tem uma natureza militante. assim como o corpo é um. e individualmente seus membros" (1Co 12. É uma fraternidade de pessoas que crêem em Jesus Cristo como Salvador pessoal. Ora. Sua palavra.15.

É uma questão de investimento espiritual. e essa expressão "batismo no Espírito Santo"significa o ministério do Espírito em favor do que crê.13.5. porque confessamos a um só Senhor: Jesus Cristo (Mt 10. Somos membros uns dos outros.13).14-17). e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo. e o batismo há de ser realizado em nome do Pai. Por outro lado. mas não do nascimento celestial. há quem participe da comunhão terrena. aí esta a primeira exigência para ser membro da Igreja de Cristo: regeneração através do arrependimento. quer gregos. e se é salvo. Por isso. é . teriam permanecido conosco. "Para que agora a multiforme sabedoria de Deus seja manifestada .33. é normal que busque a comunhão do povo de Deus.13). 1Jo 2. A cada um. 4. E há diversidade de operações. Mt 28.4-7). E visto que o propósito redentor de Deus é para ser realizado por meio da Igreja. "Saíram dentre nós. Gl 3. ou sem exercício da fé como no caso de recém-nascidos. porque regenerados pelo poder do Santo Espírito (Tt 3. quer judeus. mas não eram dos nosso. E é realizado através da Igreja local.15). e a todos nós foi dado beber de um só Espírito" (1Co 12.19)." (Ef 3.ministérios. e assim unido à Igreja de Deus: "Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo . de graça. porque filhos do mesmo Pai (Jo 1. e recebereis o Dom do Espirito Santo" (At 2. se fossem dos nosso. Então. um centro de trabalho e de lealdade. mas o Senhor é o mesmo. Não se pode ser membro por ordem de outros. sua iniciativa devem ser através desta abençoada comunhão local. investimento de alto retorno em termos de crescimento. para remissão de vossos pecados. "Arrependei-vos. pois pode uma pessoa ser cristã e não ser membro de uma Igreja local.12. O ingresso tem seguimento pelo batismo: Jesus deu ordem definida sobre isso (cf. o que significa que seu esforço. sua atividade. porém. o passo da obediência: o batismo. porque. e 124 .10.38).27). de conhecimento. então.47. é dada a manifestação do Espirito para o proveito comum" (1Co 12.32. Importa que isso aconteça porque o salvo é batizado no Espírito Santo. quer escravos quer livres. sim. mas todos eles saíram para que se manifestasse que não são dos nossos" (1Jo 2. por meio da Igreja. de amor alegria. segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor. aos principados e potestades nas regiões celestes. bênçãos! Muitas bênçãos! E PARA SER MEMBRO DA IGREJA? Há condições. cf. Lc 11. por procuração.19. a participação nesse plano deve ser o ponto focal da lealdade do irmão e do seu trabalho. At 8. A Igreja de Jesus Cristo. Todos devem ser salvos antes de se tornarem membros de uma Igreja. 16. Após a regeneração. Rm 8. da qual somos membros pelas razões já expostas. 10.36-38.23. paz.11). mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Ef 1.

em absoluta confiança em Deus. lembrando a exortação: "Procura apresentar-te diante de Deus aprovado. 2Tm 3. Há membros e há membros.19). cf. que maneja bem a palavra da verdade".32ss). para serdes curados. 2. mas como um corpo estranho. Amor ao estudo da Palavra de Deus.do Filho. Jo 10. criam problemas. Socorrer.10). 2.21). e com Ele nos céus (Ef 2. portanto. Com o objetivo de "antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor. 4. hb 8.4. 125 .1-13). "bodes" no meio das ovelhas (Mt 13. e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós" (2Tm 2.20. úteis. Tomá-la para "ler.25: "Não abandonando a nossa congregação.4). quando vedes que se vai aproximando aquele dia" (cf. Cl 3. Ap 3. 23. antes admoestando-nos uns aos outros. Pois oração implica em atitude de dependência de Deus. exemplares. 2Ts 2. batizados no Espirito. e Tiago deixou claro: "Confessai portanto.24ss. 133.1).46).17). 17.6. Jesus os chamou "joio"no meio do trigal. Há os salvos.2. regenerados. administrar. Não crescem. Levam freqüentemente a igreja à tristeza. como obreiro que não tem de que se envergonhar.42) E isso para ir ao encontro do Senhor e dos irmãos (Sl 84. Crucificados com Ele (Gl 2. Assiduidade os cultos.21. 3.5).20). e orai uns pelos outros. A Palavra de Deus que alegra o coração.15. Ef 2. fortalece o espirito e alimenta a alma (Mc 12. na ressurreição (v. vivificados com Ele (Ef 2.15).35. na vida eterna (v.3.24.1). E também a comunhão com os outros.5. lavados no sangue de Cristo. a exclamação "Sola Scriptura!" ("apenas e unicamente a Escritura Sagrada!"). Consciência dos dons que recebeu e usá-los: pregar. exortar. para receber do Senhor bênçãos e mais abundância de vida (Sl 133. Mt 8. 25. 1Co 13. na morte (v.16). 1Pe 3. consolar. Paulo exortou "orai sem cessar" (1Ts 5. como é costume de alguns. Mt 18. o novo convertido é batizado para se tornar célula viva.2. QUALIDADES DO MEMBRO DA IGREJA DE CRISTO 1. membro ativo na comunhão de irmãos que se chama Igreja de Jesus Cristo. Jesus ensinou: "Contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre. e que levam a igreja a crescer. Na Reforma Protestante do século 16.4). e do Espírito Santo (Mt 28. viver e crescer". Deste modo. Atividade. Fervor na Oração.8). ensinar. agregados ao Corpo de Cristo.1.16.14-18. e tanto mais. Jo 13. Há os postiços. não fazem crescer escandalizam até.17). para imitar o exemplo dos primeiros cristãos (At 2. em comunhão com Deus.4.1. cf. Está em Hebreus 10. cantar.6). At. os vossos pecados uns aos outros. e nunca desfalecer" (Lc 18. vidas inspiradoras.3. A súplica de um justo pode muito na sua atuação" (Tg 5.11. tão essencial que João a põe como prova de conversão (1Jo 3. o que quer que seja. Mas é preciso recordar e viver a comunhão com Cristo no batismo (Rm 6.

Tt 2. todos os crentes têm direito a privilégios iguais. há quem. 2Tm 3. 1Co 5. de fato. falsa doutrina. há privilégios iguais na igreja. sendo membro da igreja. espere convite especial para vir. Senhor! E que não entrarão no reino dos céus?" 126 . unidos todos em amor comum e lealdade (cf. mas mesmo que eu passasse todo o tempo falando de "seu" Vicente . porém em outras igrejas. já que há direitos iguais de acesso a Deus. ensinou haver três tipos de membros de igreja que podem ser comparados a barcos: os que tem motor próprio. Schaly conta uma história. de movimento.6.21. Harald Schaly.M. alguns fazem pouco ou nada fazem. Vão à igreja como quem vai ao teatro: esperam boa música. Mt 10. 1Pe 1.13. sendo membro de uma igreja. Só Cristo! Então. abandono.10.15.2b. que preservassem a harmonia entre eles.17. O falecido mestre do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil (no Recife). Como é você como membro da Igreja de Cristo? Como eram os primeiros cristãos? É somente ler Atos ou as Cartas.9. eram ativos no testemunho de Jesus Cristo. aqueles que são como balsas (são puxados).17). 23. 1Tm 5. de agitação. dizendo que é o melhor patrão. e isolada dos outros crentes.7ss. Mt 20. homens e mulheres. encontravam alegria na comunhão.10-13. a igreja era um investimento de vida.18-20. não trabalham e dão trabalho. Dizer isso significa que ninguém tem privilégio especial sobre outro. de campanhas. 27. Pr. e tivessem a consciência de que a verdade divina lhes fora confiada. apreciado. Era imperativo que vigiassem sua conduta. mesmo.29. 16-19. Há quem. 28. 2Ts 3. têm nome no rol de membros. ele me mandaria embora!" Jesus não falou naqueles que dizem "Senhor.5. Essa é a razão porque somos uma fraternidade. Tt 3.55. os que possuem vela (precisam de vento. Na igreja. Se alguém está fora dessa comunhão.5. e não fizesse meu serviço com o gado. 8. e que todos sejam sociáveis.A IGREJA LOCAL O princípio da Igreja diz que pertencer-lhe é um santo privilégio e um sagrado dever. Ef 4.1ss.50. 12. escândalo. estavam vigilantes quanto à Sua Segunda vinda.6. É uma comunhão. Mc 6. Aliás. Isso não se refere a diferenças de habilidades ou capacidades espirituais das pessoas. Jesus andava e mantinha comunhão com seus discípulos. é muito operoso.17). bom sermão. O mesmo Pr. deve ser excluído da igreja porque. e cantasse muito para ele (já que ele gosta de música sertaneja). seja por falta grave. Lc 8. há quem venha se tiver cargo. o Novo Testamento não fala de experiência cristã praticada independentemente.14. 9.1ss. e Jesus Cristo o irmão mais velho (R. Jd 4. 9-11. Mt 6. uma família da qual Deus é o Pai. de novidades para vir à igreja). Estes são peso morto na igreja. 2Jo 9-11. mas só aparecem no Natal ou Noite de Ano Novo. Lc 8.3-5. nunca na sua (?!). já se auto-excluiu (Rm 16.1-3. Há uma alegria especial em ser membro da igreja. A do vaqueiro crente: "eu trabalho para "seu" Vicente.9.13. 1Tm 1.10). A igreja não é uma relação de sócios ou de membros ou de filiados.

pela vida espiritual intensa pela consagração à causa. Crescimento. e onde os recursos para o crescimento cristão ao dispor (venha. aliás. para os lados. oramos no sentido que cresça em número e espiritualidade. sem mácula. à EBD!). cresce o reino de Deus. Por isso. E cada dia acrescentava-lhes o senhor os que iam sendo salvos". e de fora para dentro. É um crescimento lento porem continuado. que confiem no poder da intervenção. nem coisa semelhante. Precisamos de crentes que entendam ser a igreja local o lugar previsto por Deus para a comunhão. agregando pecadores regenerados. que amem a Palavra de Deus. que amem a Deus de todo o coração. que nos ajudemos mutuamente em nossas enfermidades (Tg 5.13). para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado" (Hb 3. que sejam luz do mundo. E o modelo é o de Atos 2. para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa. nem as melhores salas para a educação religiosa do seu povo. Que Deus nos ajude! Parte XXI COMO SE FAZ UMA GRANDE IGREJA "Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela. nem ruga.47: "Louvando a Deus. durante o tempo que se chama Hoje. "Antes exortai-vos uns aos outros todos os dias. de dentro para fora. Que nos comprometamos a ter cuidado uns dos outros. Uma grande igreja não é a que tem o maior templo da cidade. Crescer em todas as direções: para o alto. que nos lembremos uns dos outros em nossas orações. É desejo comum que esta nossa igreja seja grande em todos os sentidos. que sejam santos porque o Senhor é santo. e caindo na graça de todo p povo. o melhor coro. a cultivar relações francas e a delicadeza no trato e a estar pronto a perdoar as ofensas (Mt 6.16b). porém santa e sem defeito" (Ef 5.31-3). atingindo os não conhecem a salvação em Cristo Jesus. Cresce a igreja. a buscar a paz com todos. buscando o altar de Deus. ou o fermento na massa do pão (Mt 13. que façam do crescimento pessoal assunto de perseverança.12-15).15b-27).Pois é. para que a santificasse. Como árvore que nasce da semente. de toda a alma e de todo o entendimento. ou o maior balancete mensal. ou a 127 . portanto. que amem ao próximo como amam a si mesmos. aprofundando-se na doutrina do Senhor. cuidado e prática diária. a igreja é chamada a crescer. não inchação! É isso: precisamos de crentes que busquem o reino de Deus em primeiro lugar. Por isso. que exerçam o sacerdócio dos crentes. É esse. o mais eficiente meio de deter nossa tendência de fazer renascer a velha criatura. tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra. para baixo.

o servo. o escravo.11. Há uma diferença abismal entre as palavras "ministro" e "mestre". e. Era que tinha com que contribuir. uma grande igreja pode ter tudo o que foi mencionado. é utilizada no primeiro escalão do governo. Somos todos chamados para ser ministros de Jesus Cristo. Não é aquela cujo pastor é o melhor orador da cidade.. "magistrado". No entanto. Mc 10. do alto escalão do governo. de preferência ao mesmo tempo. Essa palavra "ministro" é usada. magister. designando alguém que era procurado por ter "algo a mais (magis)". usada para pessoas de altíssimo gabarito. procedente de minus. "Ministro" vem de minister. Falamos em Ministro da Educação. Esse é um fato altamente prático. e os membros os mais destacados da sociedade. Isso é interessante porque podemos pensar que a palavra "ministro" é tão elevada. de onde procedem. é palavra tão simples. pelo fato de algumas pessoas ainda presumirem que o pastor tem que fazer tudo na igreja.que levanta as maiores ofertas missionárias e para outros fins. de estar presente em todas essas reuniões. Ministro das Finanças. que ele tenha o singular condão nunca esperado de outras pessoas. Isso é algo básico. o meu dom".. e. No entanto. Você reconhece o seu dom espiritual pela compulsão que 128 . portanto. para dizer "servo" e o conseqüente serviço prestado. sobretudo. No entanto. "Mestre" vem de uma palavra da língua latina. pois. ainda. estar em todas as reuniões. e não ter sido capacitada por Deus para exercê-lo no ambiente de formação espiritual da igreja. evangélico em todos os sentidos porque Jesus declarou "O Filho do Homem (Cristo) não veio para ser servido. quem vai ser o pastor?" É precisamente neste tipo de pergunta que há malentendidos. uma grande igreja é a quem tem certas características bíblicas que passaremos a enumerar. "Pastor.12. treinando-a para o exercício eficaz do ministério de cada pessoa. pois alguém pode ter um grande talento em certa área. Lembremos que o pastor trabalha COM a igreja capacitando-a. UMA GRANDE IGREJA É A QUE TEM UM MINISTÉRIO PARA TODOS Cada crente é chamado por Deus para ser um ministro.". Você vai dizer. e assim por diante. Dom não é o talento natural. alguém que tem "algo de menos". se possível. incidentalmente. afinal de contas. No entanto. capacitar os cristãos para o exercício eficiente de seus ministérios. Palavra. A Bíblia diz que nós temos um serviço. "magistério". ensina a Palavra Santa que a principal tarefa do pastor é preparar. Os chamados testes dos dons dão uma pista.. não sei qual é o meu ministério. é um conceito bíblico. Talvez uma pergunta esteja na mente dos leitores: "se todos vão ser ministros. mas para servir. e quer dizer que cada um de nós tem um ministério. Ef 4.e é igualmente prático (cf. algumas marcadas ao mesmo tempo.45).

Sem alarde. engorda e faz ficar bonito.. se você não tem nenhum desses impedimentos. Cada um faz alegria. Você sente o desejo de realizar algo. A Carta aos Hebreus quase que diz "Não deixando a vossa congregação como é costume de. essa é uma grande igreja! UMA GRANDE IGREJA É AQUELA QUE TEM FIRMEZA DE FÉ E DE DOUTRINAS Como é possível obter uma fé estável. irmã querida. bem temperado edifica. de passear pelas outras igrejas (o chamado "turismo eclesiástico"). só os fiéis". outros recebem três. e terça-feira na casa da tia. Essa é uma grande igreja. Cada um sabe qual o seu ministério. ele diz "Vou resolver". Há um irmão em nossa igreja que tem o evidente carisma do socorro. Fora. muita gente fica esquecida quando a Comissão de Indicações vai estudar os nomes e cargos. 129 . Traga sua alegria. vêm todos. há quem seja idoso. Assim fazendo. se evangelismo. sua contribuição de presença à Celebração do Nome de Jesus. e outra tantas razões."Mas o Espírito Santo diz "Não deixando a vossa congregação como é costume de alguns".. Uma muito simples é compartilhando as experiências nos cultos. e assim cada dia da semana. se ensino. quatro. Uns são esquecidos.parte do seu íntimo. firme. cinco cargos. Não é a contribuição em dinheiro para resolver a débil situação econômica de alguém. Com um ministério para cada um. quarta-feira vai para a do primo. É que no momento em que você diz "Preciso de tal coisa". E esses "alguns" sabem quem são e quais são os costumes: de faltar sem necessidade. da ajuda. à noite. fortalece. O hábito da freqüência sistemática aos cultos é uma bênção na vida do cristão por ser fundamental para a firmeza de suas convicções. Achei-a um tanto pesada. com prazer. há quem tenha filhos ainda pequenos. qual a sua mesa espiritual? Já imaginou se seu filho resolvesse que amanhã vai almoçar na casa do vizinho. seu louvor.. É meio complicado para um igreja de centrão da cidade ter uma altíssima freqüência à noite: há quem more muito distante. Seria uma tremenda economia para o irmã. encaminha. Soube de uma igreja no estado da Flórida (EUA) onde não indicação para os cargos. Irmão amado. trabalha quem quer trabalhar. "Quero trabalhar nessa função". faz crescer. que não seja levada por todo vento de heresia ou de corrupção? Temos algumas pistas na Palavra de Deus. diga onde está que vou buscar". Fulano de Tal. se ação social. Li uma frase (mas não vou dar 100% de crédito porque conheço a luta de alguns irmãos): "No domingo de manhã. mas o feijão-com-arroz é em casa. Feijão-com-arroz bem preparado. venha. ele responde "Pronto. As posições são disponíveis e os membros dizem à Comissão.. há banquete. O mesmo com a doutrina: edifica. e os cargos vão sendo preenchidos de acordo com a vontade de trabalhar da pessoa. porque infelizmente. mas há tantos banquetes que fazem mal. e não é preciso pedir "Por favor" porque o Espírito Santo já capacitou para tal trabalho. Porém. a que tem um ministério para cada pessoa.

que já estava enferma desde os primeiros séculos da era cristã.E o Culto de Oração nas quartas ou quintas-feiras que tem virado uma lástima em algumas igrejas? Alguém me repassou uma Nota de Falecimento que diz o seguinte: Nota de falecimento Faleceu. ciúmes. nem pensar. tanto quanto participar das atividades da Denominação fortalece os laços de amor entre as igrejas locais. dona "Reunião de Oração". se forem maus. mudando-lhe o regime. número 666. isto é. o xarope de reuniões sociais" sufocou-a. Foi proprietária de grandes avivamentos bíblicos e de grande poder e influência no passado. mas erroneamente. E é uma atividade que se demonstra em tudo o que fazemos. e comprimidos de "clube de campo". assim mesmo quando não houver dias feriados. de entrega. situada na Rua do Mundanismo. o que provocou má circulação nas amizades.. e ausência de vida espiritual. todo o teu corpo será luminoso. UMA GRANDE IGREJA É A QUE TEM UMA VIDA DE DISCIPLINA Os primeiros seguidores de Jesus foram chamados de "discípulos".) que deveriam e até poderiam estar presentes no Culto de Oração. carência de "água viva". estará fechada nos cultos do meio da semana. mas. de quebrantamento. a Igreja dos negligentes. Agora. Até cápsulas de "gincana" lhe deram pra tomar! RESULTADO: Morreu Dona "Reunião de Oração"! A autópsia revelou: falta de alimentação. emendando o lazer de sexta a segunda e vigília. haverá Culto ou Escola Bíblica. o teu corpo ficará em 130 . Administraram-lhe muitos "acampamentos". deram-lhe "injeções de competições esportivas". A presença nos Cultos é fundamental para a solidez da fé. Aos domingos. de reconhecimento do senhorio de Jesus Cristo sobre nós com o objetivo nosso de aprender. só pela manhã. Foi medicada. Na Palavra de deus. Constataram ainda: "dureza de joelhos" . pois lhe deram grande dose de "administração de empresa". devido à falta de circulação do "sangue da fé". como "pão da vida". uma pergunta: SERÁ QUE O LEITOR NÃO AJUDOU A MATAR A DONA "REUNIÃO DE ORAÇÃO"? Quantos pastores se ressentem da ausência de irmãos (até da liderança."fraqueza de ânimo" e muita falta de boa vontade. se os teus olhos forem bons. na Igreja dos negligentes e frios na fé.. trazendo ainda os males da carne: rivalidades. É uma atitude de submissão.não dobravam mais . Em sua memória. a disciplina de Jesus Cristo é uma atitude e uma atividade. Como Jesus expressou: "São os teus olhos a lâmpada do teu corpo. Os médicos constataram que sua doença foi motivada pela "frieza de coração". "aqueles que estão debaixo de uma disciplina". principalmente entre os jovens.

em Filipenses 3. Jesus manteve uma vida de oração. orava na sinagoga. pela qual pautamos a nossa oração. porque a primeira fala de constância. É uma atividade que olha para o alvo que é a cruz de Jesus Cristo. Tudo isso é testemunho! O apóstolo Paulo tem uma 131 . Sua vida de oração era intensa: ou Ele Se levantava de madrugada para orar. uma bemaventurança para aquele que "tem prazer na lei do Senhor. cada atitude que expressamos está marcada por essa disciplina que vem da Escritura Sagrada.". ou ficava até de madrugada em oração. Eles vêm para melhorar a nossa vida pessoal e da igreja como um todo.. UMA GRANDE IGREJA É AQUELA QUE TEM UMA VIDA DE TESTEMUNHO Mateus 5. A oração torna a nossa marcha mais firme. Orava durante o dia. e outra horinha de noite para meditar na Palavra. a nossa vida mais constante. e Paulo. deve nele disciplinar-se. permanência na Palavra.34). chegou a ensinar uma oração-modelo. para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus". Essa disciplina se manifesta na devoção e na vida de serviço. embora até a recitemos. o apóstolo. cada palavra que pronunciarmos. Mas temos que nela colocar alma para que não vire reza (palavra que vem de "recitar").17). O exercício da oração é prova disso. mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão. quanto a mim. Prefiro esta última expressão "dia e noite" a uma outra tradução que ensina "de dia e de noite". não julgo havê-lo alcançado.trevas"(Lc 11. modelo porque não é recitada simplesmente. As horas consumidas no preparo disciplinado não constituem tempo perdido. Há até uma bem-aventurança: no Salmo 1. Rm 10. no Templo. onde fala do "varão que tem o seu prazer na lei do Senhor..13.. Todos somos chamados. O propósito da leitura e estudo da palavra de Deus é confirmar e estimular nossa fé. Nossa igreja tem realizado seminários e simpósios de capacitação. prossigo para o alvo. e o nosso trabalho mais abundante no Senhor. palavra de Cristo" (cf. aliás. como ensina Paulo: "a fé vem pela. Através de vida disciplinada no serviço. e aquele que deseja fazer de sua vida um real ministério. "Vós sois o sal da terra". Ela só é meditação constante quando aplicada à vida e cada coisa que fizermos.14. enquanto a segunda pode dar idéia de tirar uma horinha de dia. Isso quando a Bíblia fala tanto de alegria e felicidade. Não posso entender o crente que não se alegra com a leitura da Palavra de Deus.8b são textos basilares sobre o testemunho do cristão: "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens. "Vós sois a luz do mundo".. e na sua lei medita dia e noite". e na sua lei medita dia e noite". Através do estudo da Palavra.16 e Atos 1. Observem que os discípulos não pediram a Jesus "Ensina-nos a pregar". mas "Ensina-nos a orar". Lemos a Bíblia com o objetivo de estudá-la e de nela meditar. "Irmãos. o próprio Senhor Jesus Cristo. Há.

e não conta mais aquela piada indecente que você costumava ouvir. de Paulo (20. mas a minha vida mudou". mas pelo espírito do Deus vivente. forte). O que eu vi. Nos bondes. ""pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Rm 3. escrita não com tinta.23). Fico impressionado com o testemunho de Estêvão. Se disse que não o tem. Outra realidade impressionante é que o melhor testemunho não é aquele que eu pesquiso e repasso às pessoas: é o da minha vida. "Não há um justo.expressão em 2Coríntios 3. "O que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros. ainda. Ninguém fique iludido pensando não ter pecado. mantenhais comunhão conosco". 22. quase me arrastando. bonito. e começa na própria experiência de Pedro (At 2.32). conhecida e lida por todos os homens. e você passa a ser respeitado. havia uma propaganda que dizia "EU ERA ASSIM (e mostrava um indivíduo bem apessoado) CHEGUEI A FICAR QUASE ASSIM (a figura era de um esqueleto) TOMEI [E DIZIA O NOME DO FORTIFICANTE]. Pode até acontecer que em nosso testemunho ao mundo perdido sejamos um tanto vacilantes.15). ele exclamou: "Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem. uma grande igrejaé aquela que tem uma vida de testemunho.4-6).. Portanto. e naqueles momentos finais. é o que eu conto sobre o que Deus fez por mim.. de Pedro e João (3. mas vai ler a minha e a sua vida. Nesse livro. Somente temos que ler o livro dos Atos dos Apóstolos para confirmar o que foi dito. em pé à direita de Deus" (7. e o evangelho veio e me resgatou para Jesus!!!) É a minha história e a sua também. o melhor testemunho é dizer "eu era ssim. o testemunho é pessoal. Que é.10)." O que é impressionante é que muita gente nunca vai abrir a Bíblia Sagrada. e participando das pregações. produzida pelo ministério. para que vós.56). ser testemunha de Jesus Cristo? É compartilhar algo da própria experiência. Não foi ele que pediu a Deus que 132 . Ele estava sendo apedrejado. nem um sequer"" (Rm 3. no entanto. O conteúdo do testemunho aponta para Jesus Cristo e Sua obra na vida humana. igualmente. Nós éramos assim (que palavra terrível!).3.56). na lama. já está pecando. estando já manifestos como carta de Cristo.2< "Vós sois.14. mas sempre devemos começar com a nossa própria experiência nos termos de 1João 1. Perceberam que isso é o que Jesus faz? É o evangelho! EU ERA ASSIM (o pecado em deixou desta maneira.. Parece que estamos andando com os discípulos. O melhor testemunho é contar a vida. no passado bem passado. e .24. e entrando com eles nas cidades. de Estêvão (7. e a Bíblia diz.. a única Bíblia que estas pessoas irão ler. eu conto. eu fazia isso. Que livro extraordinário! É uma leitura empolgante. E sabe quando você começa a ser respeitado? Quando aquela rodinha no trabalho ou na escola se cala quando você chega. FIQUEI ASSIM (corado.

usando a linguagem da psicologia: "Que vocês. Um testemunho eficaz inclui dois elementos básicos: um modo de viver: um modo de vida e uma comunicação oral.. Numa certa segunda-feira. Uma tarde. É uma mascarada. Assim é com a igreja: sem o fogo do Espírito. se perguntava o que poderia fazer para ajudar. EXPRESSÕES PARA DESCREVER O MINISTÉRIO DO ESPÍRITO O Novo Testamento tem dois termos para descrever o ministério do Espírito Santo na vida e experiência dos crentes: a habitação do Espírito Santo e a plenitude do 133 . quando os missionários regressaram. É. não haverá estabilidade de fé.60). Tomás. de gente idealista. Olha o nome: Atos dos Apóstolos: o Testemunho dos Apóstolos! Um livro inteiro só de testemunhos do que Deus fez através dele. É um clube religioso. uma fantasia. deu-se um milagre: chegou sóbrio à fábrica e assim permaneceu por toda a semana e sempre. protestantes. nem vida de disciplina. e estavam sentados ao redor da fogueira apagada se "esquentando" como os missionários faziam nas noites frias: esfregavam as mãos. algo importante naquela fogueira: o fogo. Tomás Munguba contou-me sobre um operário de uma fábrica em sua cidade (João Pessoa).. Lembremos que o fogo que aquece a igreja é o Espírito Santo. nada acontecerá sem o poder do Espírito Santo. acendiam uma fogueira e ficavam ao redor contando as experiências e as bênçãos.peroasse os seus algozes? (7. diz o Senhor dos Exércitos". "Não por força nem por poder. Há uma história sobre um grupo de missionários acampados na selva perto das vilas e aldeias. é uma reunião de amigos. porém. O homem tem dez filhos. O Pr. a igreja não tem sentido." UMA GRANDE IGREJA É AQUELA QUE TEM O PODER DO ESPÍRITO SANTO Não obstante. A única prova disponível para que o mundo veja a obra de Cristo em nós é nossa própria vida. testemunho pessoal que parte da experiência pessoal. Quando o chefe soube que ele estava freqüentando uma igreja evangélica. na inspiração de Zacarias 4. Não haverá um ministério para cada um. Deste modo. mas pelo meu Espírito. mas também perto de uma colônia de chimpanzés selvagens. o mundo quer ver esta realidade vital genuína que só Cristo pode oferecer. faziam ruídos. amigo do Pr. Absoluta nada. Mas o Espírito Santo trabalhou. perguntou ao Pr. viram os macacos que os estavam imitando: puseram lenha para fazer uma fogueira. Faltava. e todo início de semana chegava embriagado ao trabalho. um descrente. Tomás. nada. "Nada. Não fizemos qualquer lavagem cerebral. em todos os casos. Seu chefe. mas não é uma igreja onde Jesus Cristo é Senhor. estão fazendo para condicionar a atitude comportamental de Fulano?" Responde o pastor.6. Cada tardinha. nem vida de testemunho. Era apenas uma imitação. voltavam das aldeias.

mas que cada parte de seu corpo está afetada pela bebida: seu modo de caminhar. e o controle do Espírito de Deus. A plenitude do Espírito Santo não é instantânea como a embriaguez também não o é. Isso faz lembrar a palavra de um evangelista que afirmou com muita propriedade. anda ou toca as pessoas. Por incrível que possa parecer. se o que desejamos é uma vida abundante e vitoriosa. quando a igreja se reúne para a edificação ou quando espalha a mensagem através de ondas do rádio. de algo sagrado chamado Igreja.5). Ele o faz em Efésios 5. de tal modo que quando você fala. da televisão. tudo tem 134 .Espírito Santo ou ser cheio do Espírito. havendo. O primeiro se refere à conversão (1Co 3. porque na Igreja de Jesus Cristo não reconhecemos coisas profanas e coisas sagradas. seus pensamentos. tão sagrada quanto a lição da Escola Bíblica que é repassada para os alunos em uma classe. a água da vida é levada.16. Esta deve ser uma nova hora para cada pessoa que lê esta reflexão. um custo financeiro." Quer isso significar que quando se anuncia o reino de Deus isso é feito de modo absolutamente gratuito. se o que queremos é uma grande igreja. sua conversa. forte e espiritual! Parte XXII CREIO NA CONTRIBUIÇÃO CRISTÃ "Fazei todas as vossas obras com amor" (1Co 16. Para o cristão. tão sagrada quanto uma cesta básica que é dada para uma família menos valida. o que ninguém desconhece. A hora de buscar a plenitude do Espírito. no qual há dissolução. cada pensamento e palavra está sob Sua influência. mas enchei-vos do Espírito". A hora de cada crente renovar sua aliança com Deus. seu olhar. a embriaguez. Ser "cheio do Espírito" significa que cada ação nossa. E o crente que se consagra. todos compreendem que você está sob o domínio do Espírito de Deus. O segundo significa ser controlado pelo Espírito Santo (Ef 5. Quando uma pessoa está "cheia de vinho" não significa que está cheia da cabeça aos pés como uma garrafa. Este é o momento sério de renovar o pacto com suas convicções. e cada vez mais controlada. no entanto. Tg 4.14) A causa de Jesus Cristo tem seu lado financeiro. a água da vida é grátis. reconhece que o dinheiro não é o lado profano.18). ou através da imprensa escrita. Quando os irmãos se reúnem para o crescimento.18: "Não vos embriagueis com vinho. Sua comunhão com o Espírito vai fazendo com que sua vida seja controlada. mas o balde em que é transportada tem que ser comprado. A hora de se firmar mais e cada vez mais em Jesus Cristo. "Na verdade. É o controle e o domínio do Espírito Santo sobre. Paulo faz uma analogia entre a intoxicação alcoólica. secular. nossa Rocha Eterna. A contabilidade de uma igreja local é tão sagrada quanto a mensagem que sai do púlpito.

Assim o era no Antigo Testamento. Por isso que o valor de um objeto é medido pela quantidade de dinheiro que nós gastamos nele. e a loja diz que custa R$ 450. pois eu teria sido infiel a Deus que está lá em cima. Então. "Está na Bíblia". não é apenas um meio de adquirir bens. nós colocamos no dinheiro um sistema de valores porque damos preço a um objeto pela quantidade de dinheiro investido nele.15: "Acautelai-vos e guardai-vos da avareza. das riquezas. Porque começa dizendo assim. Se me alegrei por ser grande a minha riqueza.24." A idéia é essa mesmo: servir.sacralidade. Dinheiro. E normalmente se dá mais valor ao que custa mais caro. Não pode ser dessa maneira." Na palavra de Jesus. O que a Escritura ensina é que a avareza. diz o verso 24: "Se no ouro pus a minha esperança. neste último versículo. e Suzana. Se alguém vai comprar um refrigerador. Mateus 6. odiar e desprezar a Deus. há um sugestivo ensinamento sobre uma gradação no relacionamento entre o homem e o seu dinheiro. Nele está que "Ninguém pode servir a dois senhores. faz parte do "Sermão do Monte. que apresentam o seguinte: "E também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria. e há um outro bem semelhante nas características e funções e custa R$ 580. E havia pessoas fiéis que sustentavam o Seu ministério. quem pense que a Bíblia ensina que o dinheiro é a raiz de todos os males. e muitas outras as quais o serviam com seus bens. Sim. procurador de Herodes. Dinheiro. Temos nesta história todo um sistema de valores. espirituais e morais. A Constituição do povo de Israel era a própria Lei de Moisés. a ganância. ritual e litúrgico. à conta bancária. é a raiz de todos os problemas e sofrimentos. "Ninguém pode servir. ou disse ao ouro fino: Tu és a minha segurança.3. No livro de Jó no capítulo 31. ninguém pode se devotar e ninguém pode cultuar. não seria ordenado "trazei todos os dízimos à casa do tesouro". até. Vamos a Lucas 8. E Joana. Não podeis servir a Deus e as riquezas". chamada Madalena. O que a Bíblia diz. Tão sério. E alguém disse. Isso não existe na palavra de Deus. Dinheiro é um sistema de valores. e por ter a minha mão alcançado muito. da qual saíram sete demônios. é que "o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males". O aspecto civil da lei de Moisés confundia-se com o lado cultual. Se assim fosse.2. Ou a de odiar a um e amar o outro. portanto. Algumas traduções têm "Não podeis servir a Deus e a Mamon". É um sistema de valores econômicos. Não servir. amar e dedicar-se a Deus e dedicar-se aos bens. Mamon é a personalização do dinheiro. existe um aspecto sagrado no dinheiro que entregamos à igreja. o amor ao dinheiro. você vai querer saber porque um custa duzentos e pouco e o outro quinhentos e alguma coisa.00." Sustentavam a obra de Jesus Cristo. a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui". às posses. é assunto sério.00. tão sagrado que Jesus tinha um tesoureiro no colégio apostólico. 135 . Há. ou se devotará a um e desprezará o outro. em Lucas 12. mulher de Cusa. Também isto seria pecado para ser punido pelos juizes. Aliás.

Nesse ponto. no livro dos Atos dos Apóstolos (chamado. A lista de versículos relacionados com dar.O dinheiro é. uma parte dele é enviada para a Convenção Batista do seu Estado. a sua personalidade. E parte desse projeto é 10% da renda pessoal. enviando uma parte à Aliança Batista Mundial. e. o carisma de ser liberal. também. O projeto de Deus é o programa de expansão do Seu reino neste mundo. indo de Gênesis 4:12 a Apocalipse 22:12. divide toda a contribuição recolhida pelos diversos apostolados e ministérios que realiza. E então. forçosamente nós temos que entrar no sistema de Deus para o financiamento do Seu projeto. também dá. o carisma é tão forte na sua vida que se a igreja pedir o segundo dízimo dá. Realmente. até. doar e oferecer é imensa. um sistema de valores morais porque representa o seu tempo. É aquela pessoa que dá o dízimo. aliás. Tive a curiosidade de olhar na Concordância Bíblica a palavra dar. Contribuir está intimamente ligado ao estado de vida espiritual e onde há contribuição generosa e liberal a Deus. podemos reconhecer a ação do Espírito Santo de Deus. quando o fiel entrega o dízimo. É o governo soberano de Deus nos corações. Por isso. outros serviços públicos que a igreja utiliza?). A própria expansão do evangelho quando mandamos um missionário ou uma família missionária. a Bíblia diz tantas vezes. no entanto. significa assistência aos pobres. a qual. "Que Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu filho unigênito". e uma das graças do Espírito na nossa vida chama-se o dom da liberalidade. dependendo do modo como você o usa. A Convenção estadual reúne das igrejas do seu campo e remete uma porcentagem para a Convenção Batista Brasileira. e a sustentamos em um determinado país. e se a igreja pedir uma contribuição para ajudar a uma determinada causa. que também pode ser doar e oferecer. Então o que é e o que não é o dízimo? Vamos esclarecer algumas coisas. No caso particular dos Batistas. o seu trabalho. a manutenção do culto (ou alguém não paga essas luzes que são acesas durante o culto? Ou outros bens que nós usamos. Também há uma palavra de Jesus registrada fora dos Evangelhos. de "o Evangelho do Espírito"): "Mais bem aventurada coisa é dar do que receber". O crente faz isso através do seu dízimo. O dízimo faz parte desse sistema de valores. Quando contribuímos. Dar é sinal da graça de Deus. a Escritura mostra que dar é sinal da graça de Deus na sua vida e a disposição de fazê-lo é dom da operação do Espírito Santo no coração. É um sistema de valores espirituais. Contribuir significa companheirismo no serviço cristão. nós entramos na questão do dízimo. como o emprega na causa de Jesus Cristo. há pessoas que são ajudadas com as cestas básicas há pouco mencionadas. Romanos 12 fala sobre isso. por sua vez. Vamos começar com o que o dízimo não é: O dízimo não é um meio de pressionar a igreja a levantar dinheiro a fim de suprir 136 .

" Não acabou nada. não. 137 . a misericórdia. Não é que Deus me deva alguma coisa e com isso eu tenho credito com Ele. o salário mínimo.00. O dízimo não é cumprimento de exigência da lei de Moisés." Há outras bênçãos além de dinheiro. não é um meio de pagar para que outros façam. ele é o Diretor." Não dê o dízimo com intenção de pagar pecados. os 15 reais e 10 centavos que os 1.000. ele é o Coordenador. Por isso. benção sobre benção. Hebreus 10. Eu não tenho que criar um saldo de graças com Ele. glória sobre glória! Agora. O Coordenador de um Ministério. "Eu tenho crédito com Deus. A palavra de Jesus diz que nós devemos. que dirigem. Deus não se deleitava com essas coisas. não! Dízimo não é para isso. eu. mais dinheiro uma pessoa tem. Já vi isso também. Não é um meio de subornar a justiça de Deus." Faziam sacrifícios de animais. sim. o crescimento espiritual. Eu só ganho R$ 151. quem realiza é a Igreja de Jesus Cristo. oblações com vinho. duas pertenciam ao Senhor entregava ao Templo. se tinha vinte sacas de trigo. Mas. cada ministério é realizado pela igreja. não dê o dízimo para pagar promessa. Não é um meio de pagar para que outros façam a obra no meu lugar. então. enfim.10 para quem recebe R$ 151.500 reais que o outro entregou. "Isso me aconteceu porque eu não dei o dízimo. Não dê o dízimo com medo.10". além de realizar obras caracteristicamente cristãs. que levam para o campo.10.00 é a mesmíssima proporção de R$ 15. "Se eu não vos derramar sobre vós uma benção em abundância. Por exemplo: trigo. mas. dar o dízimo também. Por isso. um era do Templo. do coentro. Vou dar o dízimo para ficar rico. às vezes. A promessa é de bênção. por isso. Então. coordena. Porque o povo dava o dízimo não só de dinheiro. com pessoas que treinam." Não é assim não. "Não dou dízimo porque é da lei de Moisés. ela é aconselhadora. da hortelã." Como pode?! Deus não está me devendo nada.00 de dízimo. R$1. ela é visitadora. As bênçãos de Malaquias 3. Há quem pense. e agora posso exigir dele. não são apenas bênçãos materiais. que lhe devo! Deus só me cobre de graça sobre graça. para a obra de Cristo. Nem para criar um saldo de graças com Deus. e holocausto e oblações pelo pecado não quiseste. um era do Senhor. um tem mais posição que o outro. não. E ele até mencionou temperos usados no trivial da cozinha: dízimo do cominho. Não é uma maneira de mostrar posição pessoal.500. Porque alguém pode pensar assim: "Bom.00 para R$ 15. Se tinha naquele ano uma produção de dez bezerros. mais miserável é. dou R$ 15. mas irmão Fulano ganha R$ 15 mil. Já vi gente dizer isso. eu preciso cumprir a minha parte. O Novo Testamento acabou com o dízimo. nem neles te deleitaste os quais se oferecem segundo a lei. e essa pessoa repassou que ele dissera. Ouvi contar de certo pastor que falou para alguém. "Se ele é o Diretor de Evangelismo. ele dá R$ 1. por isso. mas. Ela é evangelista. Talvez seja até mais sacrificial. mostrando como é natural.00. dava o dízimo também de espécie.500. do endro. ele que evangelize. Diante de Deus é a mesma coisa. ofertas com massas para pagar pecados. O Diretor de Evangelismo dirige a evangelização. Agora vou dar o dízimo para não acontecer mais.8 coloca o assunto da seguinte maneira: "Depois de dizer como acima: Sacrifício e oferta. As bênçãos são a graça.necessidades do seu orçamento. Quantas vezes o dinheiro tem sido maldição.

é 10% da renda. eu ganho muito. na igreja em culto. paga-se luz. nem na tesouraria. Há designações para isso: conspiração e formação de quadrilha. do resto eu faço o que quiser". Mas. não! "Dez por cento é de Deus. É solução para não só para o crente individual. por usar um expediente errado e por pressionar o pastor daquela maneira. No banco. Porque um vai dizer. por isso. mas não é dessa maneira que se faz." Está errado. E assim. De vez em quando. É porque é um ato de louvor e deve. O dízimo é reconhecimento de que eu aceito o fato de que Deus é soberano sobre o mundo e sobre a minha vida também. nós não podemos fazer o que umas igrejas andaram fazendo. Então. Isso diz que o dízimo é adequado. Alguém de uma igreja irmã me disse certa vez que para pressionar a saída do pastor estava com outros irmãos depositando o dízimo em uma caderneta de poupança. houve muita oração. Acho que é uma boa prática não entregar dízimo na tesouraria. Isso significa que o dízimo é proporcional. Dez por cento é apenas o começo dessa expressão de entrega. Eu vou dar quanto? A resposta é a mesma. por isso.14: "Fazei todas as vossas obras com amor". Mas. eu ganho pouco e o outro vai dizer. que ensina que é até uma coisa mesquinha pensar apenas em 10% porque Jesus Cristo realmente pede 100% de nós. telefone. Esse irmão de outra igreja falou isso: "Há um grupinho da igreja que está depositando o dízimo em uma poupança. é solução para a expansão 138 . pastor?" Dízimo. "Faça o seguinte irmão. que deveriam pagá-lo no banco. É uma boa prática não entregar na mão de ninguém. que é para ver se com isso o pastor sai. ser trazido ao culto e entregue em adoração. e está em 1Coríntios 16. O que Ele quer é você. Se para entrar. água. É um referencial simbólico de tudo aquilo que o crente entrega a Deus. o que Jesus Cristo quer é você. vá lá no santuário e coloque no gazofilácio. Não é. mas. minha irmã. Como quem paga carnê do Baú da Felicidade. É assim que está na Escritura Sagrada. A Bíblia me mostra que o dízimo é uma solução para o crente pessoalmente falando. meu irmão querido. além de nos ajudar também a estabelecer corretamente quais são as prioridades da nossa vida. Ou você pensa que 10% é de Deus e 90% é seu? Não é. Aprendo que o dízimo é uma solução. nos ajuda a desenvolver a disciplina de um padrão. não! Dízimo é expressão de adoração. qual é o motivo real para que eu dê o dízimo? Creio que só há um motivo irmãos. é ponderado. 10%. Entregaram um boleto bancário para os membros. é forma de cultuar a Deus. para sair tem que haver muita oração. alguém pergunta. o dízimo é do Senhor e eu o trago à casa do Senhor. não é por outra razão. É um guia para o padrão de crescimento do crente na contribuição. Onde devo dar o dízimo? Na "casa do tesouro". O pastor pode estar errado. dá para entregar o dízimo na tesouraria?" Respondo. O tesoureiro depois vai recolher os dízimos e ofertas". não. o padrão de contribuir. "Pastor. É errado por vários motivos: por não trazer o dízimo. pagam-se duplicatas e prestações."Então o que é o dízimo. ou fatura de clube. É crime e dá cadeia.

espalhados pelo mundo. na Bahia. Se o seu dízimo é de R$ 100. Se você deve dar R$ 100.. Coloca missionários em cidades. etc. com amplitude. rifas. O nome está dizendo Plano de Cooperação das Igrejas. Isso é o que se chama de Plano Cooperativo na igreja local. a nossa igreja mensalmente envia 10% para a Convenção Batista Baiana. O plano cooperativo começa com você. sua oferta ao Senhor. Aliança Batista Mundial. Qual é a próxima etapa do Plano Cooperativo? A igreja local. E esse programa começa com o crente. Todas as Convenções mandam uma parte (20%. vilas. O Plano Cooperativo é um programa de integração das igrejas. Seminários. quanto estiver estipulado em assembléia da respectiva Convenção. shows e coisas assemelhadas. Talvez os crentes mais novos tenham ouvido muito superficialmente na Classe de Preparação para o Batismo. da Mineira. chás sociais. com visão por causa do dízimo. Os missionários que estão no Japão. Está fora do padrão. Que mais? A Convenção Batista Baiana por sua vez. As outras igrejas locais do Campo Baiano fazem o mesmo: cada igreja do interior e da capital manda este sua parte e. no Brasil e 139 .00. e dá R$ 80. E a Convenção Batista Brasileira recebe da Convenção Baiana. sabiam? Há quem pense que oferta é menor do que o Dízimo. 10%). 30%. Ele coopera com outros crentes e dessa maneira todos trazem seu dízimo. A igreja local e a obra de Cristo não se sustenta através de bazares. sorteios. E dessa maneira distribui pelos diversos ministérios que ela executa: Junta de Missões Mundiais. vilarejos do interior. 50%. através do Plano Cooperativo. oferta é R$ 120. JUERP.da igreja.00. está dando uma contribuição. Junta de Missões Nacionais. que na verdade é o dinheiro do Senhor.00. Quando você então se une a outros crentes na sua igreja e você dá o dízimo. onde fica a sede da Convenção Batista Brasileira. da Capixaba. poderia contribuir com 5%. Dízimo é solução para a vida de qualquer denominação evangélica como agente da causa de Jesus Cristo nesse mundo através de um plano de cooperação.. leilões. Junta de Rádio e Televisão. tudo se executará com largueza. que na verdade é o seu dinheiro. A Convenção Batista Brasileira recebe então. você começou a cooperar. da Paraibana e assim por diante. na Romênia. 250. porque as causas missionárias.00. os planos evangelísticos. e assim por diante. o desenvolvimento na educação dos novos e dos antigos crentes.. Aliás. da Paraense. ou 20%. a Convenção Batista Baiana estabelece seu programa de ação. o dinheiro das Convenções que na verdade é o dinheiro que veio das igrejas. que não é outro senão o programa da igreja local. A nossa igreja contribui com 10%. na África. no Canadá. 200. da Amazonense. Contribuição é menos. remete 20% para o Rio de Janeiro. Oferta alçada é mais do que dízimo. Está estipulado pela assembléia da igreja que nós daremos 10% da entrada. enfim.00. da Sergipana. Um problema financeiro que a igreja tem será resolvido com facilidade. recebem porque o irmão deu o dízimo na igreja.00. não haverá problema financeiro. Então.

no mundo. Esse Programa de Cooperação só vai trazer uma coisa: bênçãos! Vamos para Malaquias 3.10, "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimentos na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós benção tal, que dela vos advenha a maior abastança". Abundância é questão de valores, não é questão de dinheiro. Não faça negociação com Deus. Há uma história que é passada às vezes de um modo muito lindo, no entanto, na minha interpretação, essa história, não guarda nada de nobreza.. É a história de quando Jacó estava em Betel, e teve a revelação de que naquele lugar o Senhor estava; que ali era Beth-El, a casa de Deus. Ele fez um voto dizendo: "Se Deus for comigo e me guardar nessa viagem que ora faço; e me der pão para comer e vestes para vestir, e eu em paz voltar a casa de meu pai, o Senhor será o meu Deus". Por que ele disse, "Se Deus for comigo", o problema é esse "se...", "Se Deus for comigo; se Deus me guardar; se ele me der comida; se ele me der roupa; se me fizer voltar em paz, então, eu darei o dízimo". Parece bonito, mas, o problema é que Deus lhe foi fiel e ele continuou o mesmo enganador de todo o sempre, porque dízimo é uma questão de valores espirituais e não de recompensas materiais como ele estava colocando diante do Senhor. O pastor Roberto McAlister, já falecido, faz uma pergunta, "Que é melhor: saúde ou um bom tratamento médico?". O que é que você prefere irmão, saúde ou o melhor médico da cidade tratando do seu terrível caso ? "Que é melhor, um filho simples e obediente ou um filho brilhante sem caráter? Que é melhor, um casamento humilde com muito amor ou um casamento infeliz com muito dinheiro?" O que é melhor? Porque tudo depende do senso de valores e Jesus Cristo fala de valores quando diz que devemos buscar o Reino de Deus e a sua justiça, porque o restante vem acrescentado. Quer dizer, se eu colocar o dízimo como o meu ponto de partida, a minha falta de fé vai se transformar em confiança e em sinceridade. Não vai haver falta de recursos para fazer a obra do Senhor, na casa do Senhor. A conquista de almas vai aumentar porque eu só tenho que fazer uma coisa, uma aliança com Deus; uma aliança com o Senhor na base da fé, na base da dependência Dele, pois certas coisas só podem ser realizadas com o Espírito Santo. Por isso, não é dever, é privilégio do crente, o de participar da obra do Senhor, da causa do Senhor; do projeto de Deus. Parte XXIII DESAFIOS DA LIDERANÇA CRISTÃ A verdade é que entramos no século 21 com tremendos desafios para a liderança na igreja. Um deles é, no dizer de Warren Wiersbe uma crise de integridade. E ela atinge o cerne da autoridade e da liderança da Igreja de Jesus Cristo. Wiersbe lembra que Paulo exclamou com as veras da sua alma: "não me envergonho do evangelho!" E sugere que talvez o evangelho afirme: "(mas) eu me envergonho dos cristãos". Quanta coisa tem sido praticada em nome do evangelho, com aparência de evangelho, com linguagem de evangelho, e tem dado como 140

resultado superficialidade de convicções, confusão mental e espiritual, e enfraquecimento da fé porque os líderes, pastores ou não, têm aberto campo para a falta de ética, para a manipulação dos sentimentos, para a falta de integridade. Excelente palavra a que traduz o conceito de integridade na língua hebraica: shalom, a qual é vertida para o português com alguns ricos significados, tais como "inteireza, integridade, plenitude, sucesso, salvação, saúde, prosperidade e, também paz". Não podemos fazer por menos: o instrumento que Deus tem para unir as pessoas, fatos e acontecimentos é a Igreja de Cristo. O líder há de ser íntegro, "limpo de mãos" (cf. Cl 1.9,10; 2.10; Sl 24.3,4), e "puro de coração" (cf. Sl 24.3,4). O líder cristão deve possuir uma mente como a de Cristo (cf. 1Co 2.16); sua vontade é honesta (Ed 9.6). O fato é que na época de Jeremias a religião parecia com esta do século 21: o povo dizia crer, mas havia influência secularista, pois o que cria não fazia diferença quanto ao modo de viver. O ideal evangélico está expresso em 2Coríntios 5.17. Além disso, na época de Jeremias, a religião havia se tornado um "grande negócio". É só conferir com as exclamações do profeta Jeremias que não tolerava os abusos como em 5.30,31 e Lamentações 4.13. Tudo isso é o que A. W. Tozer chamou de "tratamento comercial" do evangelho. Esse mesmo "tratamento comercial" é responsável pelo pragmatismo religioso: "visto que a igreja está cheia, Deus está abençoando", afirmam. Outro desafio às portas do século 21 são os novos estilos de culto. O que em outros países é denominado histórico ou contemporâneo, em nosso país é objeto da pergunta "tradicional ou renovado?" Outras comunidades têm utilizado a terminologia Culto Jovem contrapondo-se ao estilo recebido de liturgia e rito. É evidente que o culto é mensurado pela transformação causada nos que cultuam a Deus, e há de ser sempre "em espírito e em verdade" (Jo 4.23,24), ou não há de ser culto. É gratidão, reconhecimento, louvor, e (embora não seja o propósito primário) terapêutico. Ao tempo que o cultuante reconhece o cuidado, carinho e amor de Deus, louva-O e sai aliviado das tensões, dos cuidados e preocupações, terapia grupal no louvor comunitário. O culto, por ser dinâmico, envolve mudanças, mas envolve igualmente o que nunca deve ser mudado. Deus não muda; as verdades eternas não mudam; a Palavra de Deus não muda. Questiona-se a ressurreição de Jesus Cristo, a realidade do pecado, a necessidade de salvação, e a singularidade da obra redentora de Cristo. Mas o método pode mudar porque não são estáticos, mas se adequam aos tempos e circunstâncias. A liderança da igreja às vésperas do século 21 há de estar aberta para o novo sem perder a visão do permanente na igreja. Afinal, somos líderes e capacitadores numa comunidade local sem perder a visão do todo da Igreja de Jesus Cristo; e 141

capacitadores e líderes da Igreja de Deus sem perder a visão da comunidade como expressão local dessa Igreja. Numa análise do que chama "a Igreja do Futuro", Ralph W. Neighbour destaca que a "Igreja do Presente" se caracteriza por ser tridimensional: tem largura, comprimento e profundidade, mas não possui poder espiritual para dar à luz outra geração de cristãos. A "Igreja do Futuro", além dessas dimensões, tem mais uma: altura, ou seja, vive num mundo físico, de três dimensões como a outra, mas vive em acréscimo num ambiente espiritual onde "principados, potestades, príncipes do mundo destas trevas, hostes espirituais da iniqüidade" são diariamente enfrentados. É o caso, então, de examinar o que Neighbour destaca quanto ao que caracteriza essa Igreja dinâmica, ativa, viva, quadridimensional: · O Espírito Santo é Quem a dirige. É só permitir que Ele a controle nos termos de Efésios 3.16. A Igreja e sua liderança não são significativas pelo que possuem, mas porque são usadas por Deus. · Essa Igreja vive na quarta dimensão, sem qualquer alusão à ideologia esposada pelo pastor coreano David (antes Paul) Yongi Cho. Humanos, somos seres tridimensionais; mas como povo de Deus, e ainda mais, liderança desse povo, temos por conceito o sublime e urgente dever de ser quadridimensionais. Afinal, é nessa dimensão que o poder de Deus se revela e Satanás é vencido (cf. Jo 3.3; Ef 2.18,19). Onde se enfatizam as três dimensões, a liderança trabalha para o povo; nas quadridimensionais, a liderança trabalha com o povo. Não é de estranhar, portanto, que na Igreja onde se enfatizam as quatro dimensões a liderança seja composta por aqueles em quem os milagres de Deus acontecem de modo pessoal, e não de segunda mão. Ver a Deus, por exemplo, é experiência de primeira mão: Noé teve uma experiência sensorial com Deus e tornou-se o arauto divino para o arrependimento do seu povo (Gn 6.13); Abraão viu a Deus, e isso resultou num rompimento com a velha e surrada vida no politeísmo de sua terra natal (Gn 12.1ss); Jacó viu a Deus, e desde esse momento tornou-se "o princípe de Deus" ((israel, cf. Gn 32.22-32); Moisés viu a Deus e isso fez diferença na sua vida (Ex 3. 1-12; 34.29-35); Gideão que teve um encontro transformador com o Todo-Poderoso (Jz 6.11-24); Elias recuperou-se de um processo de depressão para a vitória porque viu a Deus (1Rs 19.8ss); Isaías nunca mais foi o mesmo depois da visão de Deus (Is 6.1ss); foi o caso de Paulo (At 9.1.ss). E "ver a Deus" dá novas energias. Quando se experimenta pessoalmente o poder de Deus, não se necessita ser aguilhoado para crer que todas as coisas são possíveis por meio de Cristo Jesus. Um líder que tenha tido uma visão definida de Deus será capaz de amar, terá todas as condições de repassar esperança, assim como capacidade de comunicar a fé. Na verdade, só podemos influenciar e liderar outros até o ponto a que nós mesmos chegamos. Nesse ponto, vai se revelar o líder espiritual em contraposição ao líder natural. Segundo Sanders, o paralelo entre estas duas qualidades de líderes é o seguinte: O Líder Natural 142

· É autoconfiante · Conhece os homens · Toma as próprias decisões · Usa os próprios métodos · Gosta de comandar os outros (e ser obedecido) · É motivado por questões pessoais · É independente. Bem diferente, portanto, do Líder Espiritual, o qual: · Confia em Deus · Conhece os homens e conhece a Deus · Faz a vontade de Deus · É humilde · Usa o método de Deus · Busca obedecer a Deus · É motivado pelo amor a Deus e aos homens · Dependência de Deus Parte XXIV DISCIPLINA NA IGREJA Introdução Disciplina eclesiástica é um termo em risco de extinção no atual vocabulário cristão. Desde que os princípios do pós-modernismo encontraram lugar no seio da igreja,(1) qualquer conceito que ameace o individualismo e a liberdade de escolha quanto ao estilo de vida, comportamento, etc., é logo taxado de arcaico, passé. A dicotomia prática de muitos cristãos gera a ilusão de que a igreja não tem nada a ver com o procedimento "secular" de seus membros. Nessa "nova era" antropocêntrica, a igreja é vista como uma organização altamente dependente do indivíduo, e que precisa conservá-lo ao custo de várias exceções. O medo da impopularidade leva muitos líderes à cumplicidade e pecados são justificados em nome de uma atitude mais "humana."(2) Por outro lado, o que dizer daqueles que, em nome do zelo pela disciplina, cometeram injustiças e causaram mais males que bens?(3) Em todo esse contexto, a disciplina tem uma vida curta e a tolerância consagra-se como a virtude da moda.(4 )Porém, o que acontece com uma igreja sem disciplina? O termo "disciplina," em geral, é empregado em vários sentidos. Podemos usá-lo para referir-nos a uma área de ensino, ao exercício da ordem, ao exercício da piedade(5) ou a medidas corretivas no seio da igreja. O objetivo deste artigo é delinear alguns fatores da importância da disciplina eclesiástica entre os membros do corpo de Cristo. O autor está plenamente consciente de que um artigo como este não coloca um ponto final no diálogo sobre o assunto. Porém, o que motiva esta reflexão é a esperança de que a mesma seja útil para elucidar a muitos quanto ao aspecto bíblico-teológico 143

da disciplina. I. Errando o alvo A igreja cristã tem sido acusada de ser o único exército que atira nos seus feridos.(6) O grau de verdade dessa acusação é, muitas vezes, devido a malentendidos com relação à disciplina eclesiástica. Tais mal-entendidos estão presentes em pelo menos dois grupos: 1) os que aplicam a disciplina, e 2) os que sofrem a aplicação da mesma. Como cada caso deve ser analisado individualmente, só nos cabe aqui listar os mal-entendidos mais comuns em relação à disciplina eclesiástica. A. Disciplina e Despotismo Com a subida ao poder do Partido Nacional na África do Sul, em 1948, a segregação foi legalizada em nome da disciplina. Como resultado, foi sancionado o aprisionamento de negros sem nenhum julgamento formal.(7) Isso não foi disciplina, mas despotismo. A história da Igreja Medieval apresenta uma vasta galeria de ilustrações da confusão entre o uso da disciplina e o exercício do despotismo.(8) Seria isto apenas um fenômeno do passado? Infelizmente basta familiarizar-se com os círculos eclesiásticos para se descobrir que o espírito medieval ainda está vivo e ativo na mente e atitude de alguns líderes modernos. Há aqueles que, como resultado da ganância pelo poder, seguem o caminho de Balaão e amam a injustiça (2 Pe 2.13,15). Estes estarão sempre prontos a "disciplinar" por motivos interesseiros (Jd 16). Não se deve esquecer, porém, que a culpa de Edom consistiu no fato de que "perseguiu o seu irmão à espada, e baniu toda a misericórdia; e a sua ira não cessou de despedaçar, e reteve a sua indignação para sempre" (Amós 1.11). B. Disciplina e Discriminação A confusa identificação entre disciplina e discriminação pode ser vista sob dois aspectos: 1) no abandono do disciplinado por parte da igreja, e 2) na recusa do disciplinado em receber a disciplina. Para se evitar o primeiro erro é imprescindível que a família cristã não desista de um dos seus membros que caiu. Paulo exorta a igreja para que manifeste perdão, conforto e reafirmação de amor para com o arrependido, para que "o mesmo não seja consumido por excessiva tristeza" (2 Co 2.7-8). Outra razão para esta exortação é para que "Satanás não alcance vantagem" sobre a igreja, criando amargura, discórdia e dissensão (v. 11). Há sempre a possibilidade de que o disciplinado não se submeta à disciplina, e acuse a igreja de discriminação. Tal atitude apenas manifesta ignorância e estupidez (Pv 12.1 - tradução literal). Segundo as Escrituras, é o pecado e a determinação em segui-lo que gera discriminação, e não a 144

O Ensino Bíblico A.disciplina (1 Co 5. é preciso lembrar que toda atitude pecaminosa precisa ser corrigida. Por outro lado. na Carta aos Romanos 16. ou seja. Nenhum direito nos é dado.6-10 ele prescreve disciplina eclesiástica para aqueles que se deleitam na preguiça." alguns argumentariam.29). Ou seja. mas daquele que a ordenou. é como se aqueles que aplicam a disciplina não tivessem nenhum direito de fazer tal coisa debaixo do sol. A Necessidade da Disciplina Aquele que ordena a disciplina na igreja é o mesmo que estabelece o padrão a ser seguido no exercício da mesma. mas sim a responsabilidade de amar o pecador e vigiar para que também não caiamos (1 Co 10. na Segunda Carta a Timóteo 2.15). a pergunta a ser feita dever ser: "Com que direito um membro da Igreja do Cordeiro profana o sangue da aliança e ultraja o Espírito da graça?" (Hb 10. Concluindo. Esse padrão consiste primeiramente em amor paternal (Hb 12. Há um princípio claro: "Os pecados que foram explicitamente disciplinados no Novo Testamento eram conhecidos publicamente e externamente evidentes. "Aliás.12). ao escrever a Segunda Carta aos Tessalonicenses 3."(9) Com relação à autoridade. ou dureza de coração poderiam levar alguém a deturpar os princípios bíblicos sobre a disciplina eclesiástica e justificar sua ausência entre os membros do corpo de Cristo. é importante lembrar que a autoridade na disciplina nunca vem daquele que a aplica. C.16-17 o evangelista fala daqueles que se recusam a abandonar o pecado mesmo diante de uma amorosa exortação pessoal.20). Essa pergunta revela um mal-entendido comum entre disciplina e arbitrariedade. somente a ignorância.1-13. em Mateus 18. mas há algumas que requerem correção pública.22-23). Também.20. o Cabeça e Senhor da Igreja (Ef 1. e na Primeira Carta a Timóteo 1.4-13). mas as Escrituras mostram que a disciplina 145 . equívocos. Na sua Primeira Carta aos Coríntios 5. Paulo descreve as pessoas cujas práticas trazem escândalo à igreja. É certo que o mundo vê a disciplina como expressão de ira e hostilidade.17-18 e na Segunda Carta de João 9–11 são mencionados os que dissimulam ensinos contrários ao Evangelho.17 o apóstolo recomenda disciplina aos que causam divisões na igreja e. "Que direito temos nós de tomar o corpo de Cristo e fazê-lo um com a prostituição?" (1 Co 6. II. "não somos todos pecadores?" Primeiramente. Além do mais. Por exemplo. Disciplina e Arbitrariedade "Com que direito fizeram isso?" Tal é a pergunta que constantemente se ouve em casos de disciplina.5 e 1 Tm 1. e muitos deles haviam continuado por um período de tempo.

) ensina que a confrontação é um tarefa cristã.18 e 4. Nesse sentido.5 e Gl 6.1).15 e 23. a mesma produz paz e retidão (v.24). Além do mais.13) ou "castigar" (Is 53.19). e quando os cristãos recebem disciplina divina. Uma das melhores coisas a se fazer por um irmão em pecado é confrontá-lo em amor (Pv 27. Jesus. há clara referência bíblica de que a igreja que negligencia o exercício desse mandato compromete não apenas sua eficiência espiritual mas sua própria existência. A igreja de Tiatira foi repreendida devido à sua flexibilidade moral (Ap 2. 8). pois nunca se pode prever a reação do mesmo.20). mas principalmente nos imperativos do Senhor. todavia.1-13). 15 (Se teu irmão pecar vai argui-lo entre ti e ele só. 1. O v. Abordagem individual. Segundo as Escrituras.32).5-6). É este triplo propósito que aponta para os passos a serem seguidos em uma aplicação correta da disciplina eclesiástica..6-8) e 3) dissuadir outros (1 Tm 5." Ainda que seja inicialmente doloroso receber disciplina. O padrão de disciplina divina revela também maravilhosos benefícios. instruir. Os Passos da Disciplina Biblicamente.15-17. Deus não disciplina bastardos.25-27) e sem poder (Js 7. 15) também pode ser traduzido como "trazer à luz. A correta disciplina deve ser sempre aplicada com amor e não com ira (Pv 13. dirige nossa atenção para a alegre possibilidade de que tal irmão nos ouça. 1 Co 5.5). 11). Amor e disciplina possuem conexão vital (Ap 3. A igreja sem disciplina é uma igreja sem pureza (Ef 5. o termo grego e)/legcon ("arguir. O termo hebraico rasUm é usado no Antigo Testamento como sinônimo de "instruir" (Pv 1.13). Além do mais. disciplina e sabedoria estão intimamente ligadas nas Escrituras (Sl 50. "corrigir" (Pv 22. No Novo Testamento.15-17) e nos escritos de Paulo (1 Co 5. 146 . a disciplina na igreja tem um triplo objetivo: 1) restabelecer o pecador (Mt 18.1-10 e Ap 3.3. 2) manter a pureza da igreja (1 Co 5.20-24). confrontar.1-2 e 15.. O mandato bíblico referente à disciplina é encontrado especialmente no ensino de Jesus (Mt 18.O v. A disciplina que vem do Senhor "é para o nosso bem (v. 10). a disciplina na igreja está fundamentada não apenas no exercício do bom senso.de Deus é um exercício do seu amor por seus filhos. B. A correção é fonte de esperança para os que a aplicam e vida para aqueles que a recebem corretamente (Pv 19.7-9)." v. 12.15. filhos ilegítimos (v. o grego paidei/a possui sentido semelhante e é freqüentemente usado na analogia entre a disciplina dos filhos por seus pais e a correção que vem do Senhor (ver Hb 12. ou seja. Esses passos são especialmente mencionados em Mateus 18. mas antes de restaurá-lo à saúde espiritual. 13 ensina que o propósito de Deus em disciplinar não é o de incapacitar permanentemente o pecador.11-12a). Mas é sempre arriscado confrontar alguém. Pv 1. Também. 8). o Pai celestial está apenas tratando-os como seus filhos. disciplina envolve relacionamento familiar (Hb.17.19).

"fora.19-20). Pronunciamento público (v. da justiça.210). 16)."(12) III. Com estes não há mais comunhão cristã. Isto é uma referência à prática vetero-testamentária de não se condenar alguém com base apenas em uma opinião pessoal (ver Nm 35. ou seja.30.11). levanos a entender que o propósito do mesmo pode ser o de conscientizar o ofensor quanto aos prejuízos de sua atitude para com a comunidade do corpo de Cristo. Em outras palavras. Nesse caso. a objetividade do caso é preservada.27). É claro que cada um desses passos envolve dor." e communicare. tempo. "comunicar").expor. Dt 17. ou seja. Jesus ordena que haja admoestação privada (v. Nenhum deles é agradável e eles só prosseguem diante de dureza de coração do ofensor. e o ofensor é beneficiado. nosso pecado traz conseqüências pessoais e coletivas.O último recurso da disciplina é o da excomunhão (do latim ex. Tal oficialização pública da disciplina traz implicações temporárias em relação aos sacramentos (1 Co 11. mas algo a ser conduzido na presença do Senhor." Assim. a recusa ao arrependimento. Nesse caso."(10) É significativo o fato de que esse é o mesmo termo usado em João 16. 17) . o ofensor é tido como gentio (a quem não era permitido entrar nos átrios sagrados do templo do Senhor) e publicano (que eram considerados traidores e apóstatas: Lc 19.Tal proceder nunca é violação de segredos. evitar comentários desnecessários (2 Ts 3. eles não devem nem mesmo ser recebidos em casa (2 Jo 10-11). Exclusão pública . A princípio.12).No caso de o ofensor não atender à confrontação individual. Se o seu pecado é heresia.1415) e vigiar a si próprio (1 Co 10. o que diminui as chances de injustiça. Admoestação privada . pois deliberadamente recusam os princípios da vida cristã (1 Co 5.15). 2. a disciplina eclesiástica "não é uma atividade a ser realizada facilmente. 3.(11) 4. Implicações teológicas 147 . Há porém o conforto de saber que a presença e o poder de Jesus são reais mesmo no contexto desse processo (Mt 18. Uma atenção maior.6 e 19. podemos sempre clamar por socorro Àquele cujo ministério de confrontação é sempre eficaz. pode parecer que o objetivo desse passo é intimidar o ofensor. na qual o ofensor é privado de todos os benefícios da comunhão. porém. Assim. em convencê-los (confrontá-los) "do pecado. Diante de tal pronunciamento cada membro do corpo de Cristo deve orar pelo pecador. um número maior de pessoas é envolvido. antes de confrontar um irmão. o desvio doutrinário das verdades fundamentais ensinadas nas Escrituras. Com isto.8 para descrever o ministério do Espírito em relação àqueles que estão no mundo. amor e transparência. Além do mais. e do juízo. pois o ofensor deliberadamente recusou os caminhos prévios do arrependimento. Jesus afirma que as outras pessoas envolvidas nesse processo serão testemunhas.

3). ainda que esse pecador seja um dos membros da igreja.Sem a intenção de limitar. Segundo ele. A negligência do povo de Deus quanto aos mandamentos do Senhor motiva os incrédulos a blasfemar o nome de Deus (Rm 2. quais são as marcas da verdadeira igreja cristã? Para o reformador João Calvino. Uma igreja adoradora e ao mesmo tempo tolerante para com o pecado no seu seio é uma contradição de termos e recebe a repreensão do Senhor (Ap 2. O servo de Deus sempre deve almejar a pureza da noiva do Cordeiro (2 Co 11. oferecemos três tópicos teológicos que estão vitalmente ligados ao processo da disciplina eclesiástica. é capaz. o zelo pela santidade do nome de Deus implica diretamente no exercício da disciplina eclesiástica. Sem a visão dessa seriedade. "aqueles que pensam que a igreja pode sobreviver por longo tempo sem disciplina estão enganados. 148 . Disciplina e a Adoração Cristã A verdadeira adoração "é a mais nobre atividade de que o homem.10).(14) Um princípio essencial da adoração cristã é o zelo pela santidade do nome do Senhor (Ex 20."(13) A exclusiva adoração a Deus é um mandato divino (Mt 4. e deve seguir os princípios revelados por Deus em sua Palavra. da administração dos sacramentos e do exercício da disciplina eclesiástica.24). pela graça de Deus. Assim. ou como a disciplina em família. B. A disciplina eclesiástica ressalta a seriedade do pecado. Disciplina e Evangelismo A disciplina evidencia o amor cristão pelo pecador. a menos que pensemos que podemos omitir um recurso que o Senhor considerou necessário para nós. C. pois é um meio instituído por Deus para manter pura a sua igreja."(16) Sendo que Cristo deseja sua igreja "sem mácula.9). tais marcas consistem da proclamação da Palavra. a igreja não é corretamente motivada a buscar a redenção do pecador.27).10 e Ap 19. A. é uma marca da fé salvadora (Fp 3.1-3).18-29). Esse amor pelo pecador cristão também reflete o amor da mesma pelo pecador incrédulo. "a disciplina eclesiástica é tão necessária quanto os ligamentos do corpo humano. a disciplina eclesiástica é altamente relevante."(15) Nesse sentido. mesmo diante da possibilidade da sua contaminação pelo mundo. nem ruga.7 e Mt 6. Disciplina e as Marcas da Igreja A Reforma Protestante do século XVI considerou importantíssima para a teologia cristã a seguinte questão: Como distinguir entre a igreja verdadeira e a falsa? Em outras palavras. nem coisa semelhante. Há uma relação entre disciplina eclesiástica e evangelismo. mas tão somente de elucidar. porém santa e sem defeito" (Ef 5.

5-11). Assim. conseqüentemente. ou rejeitada. ambos (evangelismo e disciplina) almejam a liberdade do pecador e a concretização do triunfo histórico da graça sobre o pecado na vida do mesmo (Rm. mas sim uma ordenança e." Vinde (Julho 1997):7-12. porém." 3 Essa é uma constante referência à obra clássica de Nathaniel Howthorne.57). que a disciplina requer profundo amor por parte da igreja que a aplica e semelhante humildade e quebrantamento por parte daquele que é disciplinado (2 Co 2. nenhum doente faz opção pela morte ou pela continuidade da doença se a vida e a cura podem estar tão próximas. Segundo. Uma séria reflexão bíblica sobre a disciplina eclesiástica evidencia dois princípios básicos. Celebração da Disciplina: O Caminho do Crescimento Espiritual. A disciplina é dirigida àqueles que estão dentro dos portões da igreja e que estão se sujeitando ao domínio do pecado. uma bênção divina (Hb 12. The Scarlet Letter. trad. Illinois: Josh McDowell Ministry). Foster. 149 . Nessa entrevista.D. Uma igreja sem disciplina proclama uma liberdade desconhecida.12-13. se recusa a aplicar um medicamento que pode curar o seu paciente apenas porque o mesmo é forte." mas sim se a prática atual da mesma "é bíblica. Primeiro. 1993). 5 Richard J. que a disciplina na igreja não é uma opção. O presente autor discorda do bispo e crê que a questão retórica a ser levantada não é se condenar a poligamia "seria humano. 4 Josh N. McDowell. Essa relação vital entre evangelismo e disciplina é clara à luz de 1 Co 5. "O Pastor da Esquerda Evangélica. Luiz Aparecido Caruso (São Paulo: Vida.1-23). 6."(18) Nenhum profissional médico. "há pouca vantagem em uma greja que tenta vencer o mundo se ela já tem se rendido ao mundo.Uma igreja sem disciplina torna-se um impecilho para o avanço do evangelho. Também. 2 Ver Guilherme de Barros. 1983). Dining With the Devil: The Megachurch Movement Flirts With Modernity (Grand Rapids: Baker."(17) Conclusão Laney adverte para o fato de que "a disciplina é como um medicamento muito forte: pode trazer a cura ou causar maior dano. 1 Ver Os Guinness. o bispo Robson Cavalcanti teoriza sobre casos em que a poligamia poderia ser considerada uma atitude mais humana. Tolerating the Intolerable: A Mandate of Love (Wheaton. Como diz Barnes. O evangelismo é dirigido aos que estão fora dos portões da igreja e que estão escravizados pelo pecado. pelos seus próprios membros.

200. Systematic Theology (Grand Rapids: Zondervan. 277-359.4. 1981). F. W. 896. o veremos” (1Jo 3. Bruce.. porque não conheceu a ele. 8 Justo L. Ferguson. 16 Caswell. porque assim como é. 1970). Amados.1. Packer (Downers Grove: InterVarsity." 363. 898. Minha tradução. Parte XXV É MARAVILHOSO. "Discipline. CD).7. 15 John Calvin. F.1-11). 283-4. Vine’s Expository Dictionary of Old and New Testament Words (Nova Jersey: Fleming H. Minha tradução. 1984). McNeill (Filadélfia: Westminster. Nesse sentido a atuação extraordinária do Espírito Santo resultou em grande temor entre os membros da igreja. D. 9 Wayne Grudem. e ainda não é manifesto o que havemos de ser. 11 R. Stott." The Banner of Truth 414 (Março 1998): 20. Minha tradução. XXI. ed. 18 Laney. The Story of Christianity (Nova York: HarperSanFrancisco. Laney." Biblioteca Sacra (Outubro-Dezembro 1986): 353-64.6 Carl J." 10 F. agora somos filhos de Deus. 1960)." em New Dictionary of Theology. Mas sabemos que. 13 John R. González. 12 Grudem. e J. "The Biblical Practice of Church Discipline. N. ed. 7 Compton’s Interactive Encyclopedia. Systematic Theology. S.i." 200. 1997 (The Learning Company. Caswell. quando ele se manifestar. Wright. Por isso o mundo não nos conhece.2). Christ the Controversialist: A Study in Some Essentials of Evangelical Religion (Londres: Tyndale Press.. Minha tradução. seremos semelhantes a ele. B. 17 Peter Barnes. "Discipline. Revell. Minha tradução. Minha tradução. 1988). I. “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. e nós o somos. 4. 1994). A única exceção a esse princípio foi "o pecado secreto de Ananias e Safira (At 5. 160. "The Biblical Practice of Church Discipline.. Institutes of the Christian Religion. eds. "Biblical Church Discipline. 150 . John T. Inc. 14 Confissão de Fé de Westminster.

as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.. tem agora um tratamento absolutamente diferente. e.. Escreve esta carta debaixo de uma ternura tão grande.8). “Eu escrevi.14). quem é filho de Deus? Há inúmeras referências na Bíblia Sagrada sobre isso. “somos feitura sua. de onde vem nossa palavra “poema”. Lc 9. e nós o somos” (v. A palavra “feitura” é muito sugestiva na língua em que Paulo escreveu esta carta. experimentado. da presença de Jesus Cristo. por sinal. fala de uma experiência presente na nossa caminhada em e com Cristo. verso 26. como atestam suas palavras do início até o verso final. É nessa carta que ele diz que “Deus é amor” (4. ao perceber a má vontade dos samaritanos em receber o grupo porque era composto de judeus (pois havia inimizade entre samaritanos e judeus.Sou fascinado pela Primeira Carta de João. e já vencestes o Maligno” (2. Estes dois versículos nos dão uma grande descoberta: o evangelho de Jesus Cristo tem uma mensagem de alcance mundial.. porque sois fortes. jogado para trás. como. mas tão somente criaturas. Algo especial vai acontecer. e a palavra de Deus permanece em vós. ainda hoje acontece). indaga de Jesus se não seria conveniente pedir um raio que acabasse com os samaritanos tão sem hospitalidade (cf. Então.10). Gálatas 3.. É popular..” Já fez uma tremenda limitação. daquilo que nos aguarda. ou como o apóstolo Paulo deixou registrado. Somos uma obra de arte de Deus. de Sua manifestação na Segunda Vinda.51-54). que ensina que somos criaturas de Deus. se todos somos criaturas. que “temos um advogado para com o Pai” (2.. Fizemos o destaque dos versículos iniciais do capítulo 3. é poeimia. 1). da gloriosa epifania. ainda. mas a idéia geral e popular é essa.1). tão extraordinária que fala de quando nosso passado foi obliterado.” Talvez fosse. É maravilhoso sermos “chamados filhos de Deus”. e fala do futuro. Ouvi nesta semana um pedaço de conversa no supermercado em que um cidadão dizia para o outro: “. e isso é maravilhoso! É MARAVILHOSO. Ela tem qualidades extraordinárias. mas não é da Bíblia. “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. Quem são os filhos de Deus? A pergunta tem pertinência porque existe uma teologia popular que afirma que todos são filhos de Deus. não deixa por menos: “Pois todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. jovens. Este tão intolerante e raivoso João é o mesmo que quase sessenta depois. que passaremos a comentar. pois quem não tem fé em Jesus Cristo não é filho de Deus! 151 . não queremos julgar. criados em Cristo Jesus para boas obras. amadurecido. mas eu também sou filho de Deus. ao passarem Jesus e os discípulos por Samaria. Este é o mesmo João que um dia.

9). pois. filhos de Deus imaculados no meio de uma geração corrupta e perversa. Diz a Palavra Santa que é filho de Deus quem é praticante da justiça. Mas. e denotava tristeza.15). por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5. visto que a postura corporal. No teatro romano.1). Glória a Deus porque pela fé somos considerados retos diante de Deus: tudo o que é passado vai para a lixeira da eternidade. Diz a Palavra de Deus. usavam-se máscaras: uma tinha a boca voltada para cima como se estivesse sorrindo. essa pessoa é filha de Deus. Uma melhor tradução para esta afirmação de Jesus Cristo é “Bem-aventurados os promotores da paz. pela fé. Uma oração atribuída a Francisco de Assis pede 152 . ou. e os seus não o receberam. aos que crêem no seu nome [aos que têm fé-adesão. não tem um comprometimento sério com Ele pode efetivamente ser chamado “filho de Deus”? Pela Escritura Sagrada. a todos quantos o receberam. o mesmo em informática: pode-se justificar pelo lado esquerdo. nem o que foge de conflitos: é o que promove a paz. ainda. Essa citação encontra outra versão em 1João 3. mostra quem é. “Bem-aventurados os pacificadores.10: “Nisto são manifestos os filhos de Deus. Uma pessoa “sincera” (sem cera) ´não está mascarada. justificar é colocar tudo reto. e os filhos do Diabo: quem não pratica a justiça não é de Deus”. Palavrinha boa. sem a cera no rosto. compromisso]. A modo exclamativo. ao Evangelho de João. e dava idéia de alegria. Diz ele: “Veio [Cristo] para o que era seu. que são filhos de Deus os que andam em sinceridade. Vamos. temos paz com Deus. E o propósito do evangelho é patente: “. Para passar alegria. que teologia é essa que ensina que todos somos filhos de Deus? Se alguém não acompanha a Jesus.12). Pacificador não é o não-violento. e a outra tinha a boca voltada para baixo como se chorasse. A Bíblia diz. a expressão facial têm enorme importância no teatro moderno. “Justificados. o tom da voz..para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros. pelo direito ou pelo meio. portanto.. não o considera com responsabilidade na vida. A Palavra de Deus é tão clara quando diz. não. Quando o ator não estava de máscara. colocava-se no rosto a máscara feita de cera denotando felicidade.. É o mesmo escritor da carta que estamos apreciando. se tristeza. “Como são feliz os artesãos da paz porque Deus os tem como herdeiros de Sua natureza”. então. justiça! Ser justo é ser reto no que se faz.. e agora temos uma vida toda nova porque fomos considerados justos pelo Senhor. ainda. que são filhos de Deus os que promovem a paz.Quem é filho de Deus? Os que têm fé e crêem em Cristo Jesus.Se assim é. porque eles serão chamados filhos de Deus” (Mt 5. O modo de fazer teatro era diferente do nosso. deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus” (Jo 1. ser puro de mãos e limpo de coração. E diz a Bíblia que quem anda na honestidade de seu coração voltado para a fé em Jesus Cristo.11. porque eles serão chamados filhos de Deus”. A palavra sincero vem do teatro greco-romano. a máscara triste de cera era colocada no rosto. estava com a verdadeira face aparecendo. entre a qual resplandeceis como luminares no mundo” (Fp 2. Nas artes gráficas. palavras Suas. Ser sincero é ter uma face autêntica.

como objetivo que os seres humanos sejam chamados Seus filhos. 1Jo 3. Filhos de Deus são os guiados pelo Espírito Santo de Deus. pois “Amados.“Senhor. respondeu com muita ternura. esses são filhos de Deus ..” Que lindo jogo de palavras.” (1Jo 3. Um amor que tem como fim. “então. Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho. Paulo nos dá o aspecto legal.. adoção era considerada como equivalente à verdadeira filiação. é meu filho do coração. nos elegeu nele antes da fundação do mundo. Neste verso. na lei romana. neste instante.. palavras que anunciam o glorioso fato de que pertencemos à família divina. porque sois filhos. agora somos filhos de Deus.. segundo o beneplácito de sua vontade” (Efésios 1. Paulo diz que fomos adotados. agora somos filhos de Deus. Voltando ao texto básico (“Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. nascido debaixo de lei.14. cf. porque não conheceu a ele. É como claramente diz João: “somos filhos de Deus”.1.2). e ainda não é manifesto o que havemos de ser... acrescenta que “neste momento. E isso é simplesmente maravilhoso porque não 153 . para resgatar os que estavam debaixo de lei. Está dentro do espírito do evangelho. Os apóstolos usam ambas as figuras. “Não. “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus.3-5. Mas sabemos que. e isso é mais íntimo.15). para si mesmo. “E. Pai” (Gl 4.. o qual .. e nós o somos. é seu filho de criação?”.. Ao ser indagada pelo interlocutor. Há o filho que nasce do ventre e há o que nasce do coração. o veremos”.6). Gálatas 4. porque assim como é. a fim de recebermos a adoção de filhos” e “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. descobrimos que é mais extraordinária uma declaração que vem a seguir: É MAIS MARAVILHOSO. Rm 8. seremos semelhantes a ele. nascido de mulher. O Espírito mesmo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.. faze de mim um instrumento de Tua paz”. Deus enviou seu Filho. Por isso o mundo não nos conhece. e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo. Amados. Além de referendar a primeira e já comentada declaração. que clama: Aba. portanto. no entanto. Paulo e João nos dizem que a relação fundamental dos salvos com Deus é filial.. A Bíblia diz que Deus nos gera no coração agora! Precisamos entender. para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor. também no nosso Direito o filho adotado é reputado como filho que nasceu do ventre daquela mãe.5 esclarece: “vindo a plenitude dos tempos. sob a qual Paulo viveu. Uma pessoa quis falar de uma criança que havia adotado. Diz que fomos adotados por Deus: é a adoção. agora somos filhos de Deus”! E isto é mais extraordinária porque ninguém precisa ficar esperando que uma determinada situação aconteça para tentar obter a filiação divina. O fato de que agora somos filhos de Deus.2a). duas das suas idéias centrais se encontram: o amor e a filiação da parte de Deus. quando ele se manifestar. mas João diz que fomos gerados. João nos apresenta o aspecto natural: fala de geração. 16). E como a nossa lei é herdeira direta da linha-mestra do Direito Romano.

letrada ou não. filhos da desobediência. respondeu ao que lhe falava: Quem é minha mãe? e quem são meus irmãos? E. E vivemos na expectativa de um futuro glorioso e radiante. Depois nós. se é certo que com ele padecemos. sabemos que. E esse estado é desfrutado agora. porém. para que também com ele sejamos glorificados” (Rm 8. e procuram falar contigo. ? Somos herdeiros de Deus: “e. seja a pessoa abençoada rica ou pobre.46-50.3) e “É para disciplina que sofreis. Ele.acontecerá no futuro. sendo filhos da ressurreição” (Lc 20. mas também para congregar num só corpo os filhos de Deus que estão dispersos” (Jo 11. E ele enviará os seus anjos com grande clangor de trombeta. itálico do autor). Observe o relato a seguir: “Disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos. “. Seus interesses se tornam nossos interesses. quando ele se manifestar. e assim estaremos para sempre com o Senhor” (1 Ts 4. filhos de Deus. os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles. Este texto é referendado por “o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado.2b). É AINDA MAIS MARAVILHOSO. profetizou que Jesus havia de morrer pela nação. no espiritual.36).30. se filhos. ao som da trombeta de Deus. e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. 31: “aparecerá no céu o sinal do Filho do homem. seremos semelhantes a ele” (Jo 3.16. também herdeiros. e não somente pela nação. de uma à outra extremidade dos céus”. herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo. e verão vir o Filho do homem sobre as nuvens do céu. ? Recebemos o amor e a disciplina da parte do Pai: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus” (1Jo 1. Isso quer significar uma série de privilégios: ? Somos congregados num só corpo: “o sumo sacerdote naquele ano. irmã e mãe” (Mt 12. por adoção... No nascimento carnal. ao encontro do Senhor nos ares. herdeiros da Sua glória. Aqui temos três informações importantíssimas: O Senhor Jesus ainda se manifestará. e todas as tribos da terra se lamentarão. a ser explicado em seguida. ansiamos por Sua vinda. os quais lhe ajuntarão os escolhidos desde os quatro ventos. Deus vos trata como a filhos. nas nuvens.7). 17). como destaca 1João 3. E porque filhos de Deus. Pois qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus. e são filhos de Deus.17). pois qual é o filho a quem o pai não corrija?” (Hb 12.. no segundo nascimento. tornamo-nos. Ele virá e nos tomará para Si como nos prometeu em Mateus 24. estendendo a mão para os seus discípulos disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. à voz do arcanjo. Filhos da ira que éramos. pois são iguais aos anjos..2. com poder e grande glória.52). Estamos no aguardo do retorno de Cristo. ? Somos filhos da ressurreição: “porque já não podem mais morrer. esse é meu irmão. mas já acontece agora. 154 .

Isso é extraordinário porque “Quando Cristo. e foi transfigurado diante deles. Mas quando Jesus retornar. repetimos. Não fomos tomados emprestados da mão do diabo. creio no que Tu pregas. e. Agora o veremos na Sua glória como Rei dos reis e Senhor dos senhores! Há uma terceira etapa: isso vai completar nossa semelhança com Ele. precisamos ter a mente de Cristo como Paulo enfatiza (“nós temos a mente de Cristo. a Tiago e a João. creio na salvação trazida por Ti! Eu creio na Tua cruz. Implícito em todo o que foi dito por João e Paulo está a Segunda Vinda. comprados por um alto preço de sangue. então também vós vos manifestareis com ele em glória” (Cl 3.4). Como seria este “corpo espiritual”? É só lembrar o episódio da transfiguração: “tomou Jesus consigo a Pedro. Este povo é diferente. com poder e grande glória” (Mt 24. Diga a Jesus: “Senhor. e os conduziu à parte a um alto monte. e verão vir o Filho do homem sobre as nuvens do céu. agora. e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz” (Mt 17. este povo são os remidos do Senhor Jesus Cristo. 2). faz uma oração distinta e tem um poder único. de luz. mas também o corpo semelhante ao corpo glorioso de Cristo. “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem. Paulo. Esta visão extraordinariamente gloriosa pode ser uma pista para entendermos o “corpo espiritual” de que fala Paulo. creio e quero receber as bênçãos do Calvário!” O pecado é incompatível com o fato de ser filho de Deus. fomos conquistados por Cristo. comprado pelo sangue. o seu rosto resplandeceu como o sol. Porém há um povo sobre a terra que recebeu uma mensagem de vida.30). por exemplo. precisamos imitar a Jesus Cristo agora (“sede pois imitadores de Deus. segundo o ensino da Bíblia. e todas as tribos da terra se lamentarão. que é a nossa vida. E tudo isso começa com uma coisa: a fé.7a). Mas o querido leitor não precisa esperar pela Segunda Vinda de Jesus Cristo para receber a filiação divina: pela fé.Nós o veremos como é. colocou uma expressão. é incompatível com o propósito da manifestação de Cristo.A AÇÃO DO EVANGELHO O mundo atual no qual vivemos se encontra em um estado terrível pecaminosidade. 1Co 2. se manifestar. irmão deste. como filhos amados”. E não é verdade? Tudo começa com fé. Não como homem de dores. pois serve a um Deus inigualável. 155 . vai de tal maneira que não somente teremos a mente de Cristo.1). A Bíblia é um tanto econômica sobre esse assunto. “corpo espiritual”. E essa felicidade de que estamos gozando tem algo tremendamente emblemático: a própria palavra começa com a sílaba – FÉ -. eu creio no que Tu falas.1. sem esperança alguma de salvação.16). e todo olho o verá” (Ap 1. Ef 5. a reconfiguração dos que estiverem vivos naquela ocasião. Este povo não pode parar diante das densas trevas que se levantam. você pode se tornar filho de Deus! Parte XXVI EVANGELIZAÇÃO . para ser entregue aos homens. Agora. Por isso. onde muitas pessoas a cada dia seguem rumo à morte. isso já ficou para trás! Vamos vê-Lo gloriosamente retornando como a Bíblia descreve: “Eis que vem com as nuvens. possui uma mensagem diferente. a transformação dos corpos operada na ressurreição. não soube como dizer como seria este corpo igual ao corpo glorioso de Cristo. não na Sua Paixão.

Temos que avançar. Definindo Três Palavras: Evangelho. e anunciarmos ao mundo que o Rei está voltando. Basicamente. boas novas. colocando o reino das trevas em retirada. de tal maneira que os homens possam confiar nele como Salvador e servi-lo como Senhor de suas vidas. Levantando bem alto a bandeira do Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. porque se isto fizer-se até mesmo as pedras clamariam. nada pode nos impedir. EVANGELHO O termo evangelho vem do grego evanguélion.11) foi empregado o verbo correlato evanguelizo. evangelização é levar o evangelho às pessoas. hão de empenhar-se apaixonadamente na propagação do evangelho. naquele exato momento começa-se a cumprir as promessas de Deus com relação ao Salvador da humanidade. EVANGELISMO Evangelismo é a ação cujo objetivo é levar os homens a conhecerem sua condição de pecadores perdidos e a conhecerem o plano de Deus para sua salvação. cujo significado é: "Anuncio boas novas". muita terra para ser alcançada. Quando os anjos anunciaram aos pastores o nascimento de Jesus (Lc 2. Deus nos chamou para destruir as obras do diabo.10. que se realizou com a vinda de seu filho ao mundo. com as coisas deste mundo. Não podemos nos deter. que significa. que tem o significado de levo ou trago boas novas. literalmente. ambas dependem uma da outra. O Evangelismo é uma arma poderosa se usada de forma correta. para isso vamos analisar o que a Bíblia nos ensina com respeito a este tema.Este povo não pode calar. é a apresentação de Jesus Cristo no poder do Espírito Santo. induzi-los à aceitação de Jesus Cristo como Filho de Deus. Evangelização & Evangelismo Estas três palavras possuem definições fortes e contundentes em nossas vidas. Muito campo ainda falta para ser conquistado. Desta forma podemos definir que evangelização é quando levamos as pessoas ao pleno conhecimento da verdade de Deus em relação ao seu filho Jesus Cristo. Aqueles. e estão nas mãos da Igreja. Evangelho é então o anuncio do cumprimento da providência de Deus para salvação dos pecadores. pois. enquanto uma se torna uma tarefa. a outra é a descoberta da salvação e a outra é a ação. porém que entendem que a evangelização é uma ação que consiste em levar perdidos a Jesus para serem salvos por Ele. EVANGELIZAÇÃO A palavra evangelização provém do grego evaggelizo. 156 . Uma delas é voltada para o mundo em pecado a outra é voltada para a Igreja.

implica também. desde o rádio até a Internet. vamos encontrar alguns motivos fortes que nos levam a querer fazer evangelismo. aplicando-se cada vez mais ao serviço de Deus. que entregou seu filho para salva-lo.15. espiritual e dinâmico. Desta forma a evangelização de uma pessoa não termina quando ele aceita a Jesus mas está apenas começando.A Ordem de Jesus . na organização eficiente da evangelização local e missionária.Quando lemos a Bíblia Sagrada e nela encontramos que a principal vontade de Deus é que todos cheguem ao pleno conhecimento da Salvação (I Tm 2. pois sendo Deus meu Senhor devo fazer de tudo para que a sua vontade seja cumprida. cresce em poder e fé e se desenvolve. que evangelizar é uma tarefa muito importante e difícil.Informação: Evangelismo é uma ação que tem por fim informar. distinguem-se os seguintes elementos: a) O Campo de Atividade para a Evangelização . da necessidade de arrependerse de seus pecados e ser informado que Deus o ama (Jo 3. chegamos a conclusão. é preciso investir. Se faz necessário que o ser humano seja informado de sua condição de pecador e de sua vida distanciada da presença de Deus. Nesta área de informação deve-se utilizar todos os meios de comunicação possível. são eles: 1 . além de anunciar ao homem o seu estado é necessário que o evangelista dê lugar ao Espírito Santo para que este possa usá-lo para convencer o pecador que ele precisa de salvação. capacitar e ter métodos avançados e modernos de evangelização. Depois de examinarmos estas definições.Nesta ordem de Jesus podemos ver que se faz necessário a existência de um discipulado obediente. durante o qual o novo crente aprende as doutrinas bíblicas.Integração: Consiste no discipulado.O Conhecimento da Vontade de Deus . Na ordem de Jesus registrada em Marcos 16. e integrá-los na vida cristã. nos colocamos em posição de ordem. a qual não pode estar nas mãos de pessoas individualistas que não possuem compromisso com a obra de Deus. Nesta definição vamos encontrar três pontos básicos de apoio que devem ser verificados.16). 2 . treinar.O mundo inteiro.Convencer: Evangelizar também é convencer o homem de seu estado pecaminoso.4). MOTIVOS QUE NOS LEVAM AO EVANGELISMO Quando lemos a Bíblia Sagrada. 157 . 3 .Salvador e Senhor. Essa vontade revela o amor de Deus para com todos os pecadores e ao mesmo tempo a grandiosidade da obra que é a evangelização. vejamos alguns destes pontos fortes: 1 . 2 .

que ainda impõem as cortinas de ferro. haja vista que a cada dia que se passa milhões de pessoas nascem. c) A Tarefa específica a ser cumprida . vamos encontrar um personagem central.b) O Alvo a ser Atingindo .10-12. nem a ciência tem poder para isto.23). Para podermos evangelizar as almas precisamos olhar como Jesus olha para elas. não servirá de nada no lado espiritual. e este evangelho que está em nós devemos repartir com aqueles que ainda não conhecem a Salvação que está em Cristo Jesus.A Revelação das Sagradas Escrituras . (Ez 3. 3 .A pregação do evangelho. ela pode até ajudar na vida material mas. A grande solução da humanidade não está na política bem feita. será que vamos cruzar os braços diante desta grande tarefa ? 6 .Jesus disse que o nosso campo seria o mundo (Mc 16. o desenvolvimento econômico também não têm capacidade de oferecer salvação.Quando lemos na Bíblia Sagrada.Visão da Responsabilidade Pessoal . O EVANGELISMO VISTO NOS QUATRO EVANGELHOS Dentro dos quatro evangelhos.17) será que é diferente? Deus tem nos constituído como um atalaia não apenas em Israel mas principalmente para o mundo.13-17). e os crentes tem este poder. 4 .Compreensão de que Somente o Evangelho pode Salvar . e começamos a pensar no sofrimento que há no inferno e que este sofrimento é eterno para aqueles que não aceitaram a Jesus Cristo e que eles poderão estar lá porque eu não fiz a minha parte. voltado inteiramente para a obra de evangelização das almas. Vamos ver algumas características que este grande evangelista possuía. E nesta mesma revelação vamos encontrar a Bíblia afirmando que uma só alma vale mais que o mundo inteiro ( Mc 8.É tolice tentar encontrar salvação fora do Evangelho (Rm 10.A Visão da Extensão da Obra . como ovelhas sem pastor. E como podemos escapar desta responsabilidade? Não podemos. desgarradas e sofrendo.15). e estão esperando por nós. como se encontram as almas sem Cristo ( Rm 3. muitas em países comunistas.36. se não tivermos esta visão das almas nunca teremos coragem de evangelizar.37).Quando Deus chamou a Ezequiel. 23. Ele é com toda a certeza o maior de todos os evangelistas que o mundo já teve. mas o evangelho têm. Deus ordenou e temos que cumprir nossa missão. e como ele organizou uma campanha de evangelismo bem preparada e equipada. 5 . Ele o colocou como atalaia sobre a casa de Israel.O homem. 6. JESUS O PRIMEIRO EVANGELISTA 1 .Características Pessoais 158 .

Jesus era esforçado na obra que realizava. serem substituídas.14.1-11). ensinado-lhes a palavra de Deus. Jo 4. Internet e etc. Ele perdoava aos que se arrependiam.a) Esforçado . modificadas para se adaptar-se as necessidades. vamos encontrar quando a Bíblia afirma que Jesus por compaixão as almas que ali estavam as curou de suas enfermidades. e nós quantas vezes passamos perto de pessoas que precisam de uma palavra e nada fazemos. este exemplo é que nós devemos seguir. contudo. podemos ver isso claramente na mulher adúltera (João 8.Neste mesmo episódio revela duas outras características de Jesus a Paciência e Determinação. passava horas e mais horas curando os enfermos. ( Lc 5. b) Paciência e Determinação . televisão. projeção luminosa. podem evoluir. A Mulher Samaritana.Jesus era dinâmico não parava um momento a não ser o necessário para descansar e repor as energias perdidas das caminhadas. dois métodos: Ensino Pessoal (Zaqueu.Jesus não gastava tempo com filosofias humanas e especulações Ele ia direto ao ponto sem perda de tempo. viveu uma vida de sacrifícios. Ele não tinha pressa em evangelizar.1-30). desejosos de saber onde o mestre morava. a considerar o pecador como um enfermo. Jesus não permitia que qualquer debate que Ele tivesse. infelizmente quando muitos vão evangelizar se deixam levar com conversas que os desviam totalmente do objetivo. Foi justamente isso que ele fez durante seu ministério terreno.1-21.Em Mateus 14. ele podia apenas ter mostrado onde morava e pronto.28). g) Dinamismo . mas ele viu a oportunidade de ensinar mais a respeito dEle e da sua missão.Jesus compreendia as fraquezas humanas. MÉTODOS DE EVANGELIZAÇÃO UTILIZADOS POR JESUS CRISTO Jesus empregou. pois ele mesmo declarou (Mt 20. f) Espírito Compreensivo e Perdoador . eles queriam apenas conhecer aonde o Mestre morava porém Jesus aproveitou a oportunidade para convence-los de que Ele era o Messias esperado por Israel. precisamos aprender com Ele.Jesus durante toda a sua vida. d) Espírito de Sacrifício . CDs. e ao invés de ser um juiz implacável. percorria vilas e cidades pregando a palavra de Deus e jamais despediu uma pessoa sem lhe ajudar. procurando. tomasse outro rumo a não ser o reino de Deus (Jo 3. na evangelização. O evangelista precisa aprender com o Mestre a combater o pecado. Nicodemos) e Proclamação às Massas. passava noites inteiras orando. que ajudam a divulgação do evangelho. c) Compaixão . Atualmente contamos com grande variedade de recursos técnicos. As técnicas. Os métodos de evangelismo são imutáveis.21-24). e) Preciso . a Bíblia relata que dois dos discípulos de João Batista o seguiam. que precisa de cuidados e não de açoites. gravação em discos. ampliação sonora. Jesus os convidou a acompanhá-lo e permaneceu com eles quase todo aquele dia. rádio. estas sim. Contudo seja qual 159 . salvar o pecador.

Treinamento .13-17). 3.47.Os discípulos não esperavam que os pecadores lhe viessem ao encontro. por isso organizou o movimento de evangelização. Ele deu ênfase à evangelização pessoal. Lc 10. Instrução . não cessando de anunciar a Jesus Cristo (At 2. O Evangelismo Primitivo era Intenso .Podemos notar que me ambas as tarefas Jesus especificou o local exato para que pudessem desenvolver o trabalho. porém não descartou a evangelização em massa. cumpre-nos imitá-lo. A evangelização deve ser um movimento racionalmente organizado. percorrendo ruas. os resultados de nosso trabalho serão multiplicados.46. A ORGANIZAÇÃO DA CAMPANHA DE EVANGELIZAÇÃO POR JESUS CRISTO Jesus não podia deixar a evangelização do mundo confiada à iniciativa pessoal e espontânea. organizando campanhas de evangelização (Mc 6. se quisermos ser testemunhas eficientes.1-29). forçosamente teremos de usar um dos dois métodos de Jesus . 2.for o recurso empregado como auxiliar na evangelização. e buscarmos colocá-los em prática hoje. Cristo ofereceu-nos o perfeito exemplo de evangelista. para tal Jesus a organizou da seguinte maneira: 1. Definição da Tarefa . 2. se estivermos determinados a abrir novas frentes e organizarmos novas igrejas. saíam a procura deles.Tendo escolhido os apóstolos. A Obra de evangelização necessita de grandes e poderosos pregadores para as massas e de inumerável quantidade de pessoas treinadas para o ensino individual. Jesus passou a instruí-los para o desempenho da missão que lhe daria. 160 . ensinando e proclamando incessantemente o evangelho. resultante das emoções. vilas e cidades. Eles sem os meios necessários para evangelizar conseguiram levar a mensagem da salvação em todo o mundo habitado de sua época. Se estivermos todos empenhados em falar de Cristo todos os dias.ou ensinar individualmente ou Proclamar às Massas.16-20. CARACTERÍSTICAS DO EVANGELISMO REGISTRADO NO LIVRO DE ATOS Se quisermos melhorar nossas atividades evangelizadora teremos que analisar os métodos utilizados pela Igreja Primitiva. é necessário que hoje haja um despertamento entre os crentes para ganhara almas para o reino de Jesus Cristo. O Evangelismo Primitivo era Dinâmico . 2. 5. 4. Jesus proporcionou um treinamento eficaz.Os discípulos testemunhavam todos os dias.42).Além de instruir.6-13. Chamada . 1.O primeiro passo na organização do evangelismo foi chamar discípulos (Mc 1. pelo contrário.

3. O Evangelismo Primitivo dava Ênfase ao Ensino - A Evangelização atual com a tendência de supervalorização das concentrações, em detrimento da evangelização pessoal, restando ao ensino quase exclusivamente o campo da educação religiosa para os já crentes. O ensino tendo por objetivo a evangelização pode facilmente ser usado pelas igrejas, organizando classes especiais para interessados e visitantes. 4. O Evangelismo Primitivo era Ousado - Homens iletrados enfrentam sábios; pobres e humildes desafiaram ricos e poderosos, testemunhando de Cristo, mesmo quando a sombra das mais terríveis ameaças. 5. O Evangelismo Primitivo era culto - Assim como Deus usou a Pedro e outros incultos para darem testemunho da Palavra de Deus, também se utilizou de homens como Lucas, Mateus, Paulo e tantos outros, homens formados, que diante da alta sociedade dava grande testemunho e defesa a causa do Mestre. 6. O Evangelismo Primitivo era Impulsionado e Dirigido pelo Espírito Santo Os primitivos discípulos viviam cheios do Espírito Santo, de alegria e gozo espiritual. Isso explica todas as demais características da evangelização daqueles dias. (At 4.8,31; 5.17-41; 7.55). Se colocarmos em prática estes métodos utilizado pela Igreja Primitiva, iremos logra êxito, na evangelização do mundo no qual vivemos. A PESSOA DO EVANGELISTA A responsabilidade de evangelizar não é somente dos ministros. É de todos os discípulos, há todavia, crentes que se limitam a cooperar com a obra de evangelização freqüentando os cultos contribuindo, pensando que desta forma estão fazendo o suficiente, porém se esquecem que a ordem de ganhar as almas foi para todos e é infinita até a volta de Jesus Cristo, até os confins da terra. Como Deve ser a Pessoa do Evangelista ? 1. O Evangelista Deve ser um Verdadeiro Crente, Salvo por Jesus - Esse requisito é óbvio, mas é necessário lembrá-lo. Infelizmente existe a possibilidade de pessoas tentarem evangelizar sem que, elas próprias tenham experiência de regeneração; 2. O Evangelista Deve ser Afável e cheio de simpatia - O evangelista deve lembrar-se de que está tratando com enfermos, quando evangeliza, o pecado é enfermidade. Existem evangelistas que ao invés de tratar os pecadores com amor e carinhos os tratam com pedradas e desrespeito, desta forma ao invés de ganharem perdem. O Que o Evangelista Deve Saber ? 1. O evangelista Deve Conhecer a Bíblia - É necessário que o evangelista possa ajudar o pecador a examinar a Palavra de Deus de modo a compreender o plano da Salvação, é preciso portanto, que os crentes que 161

desejam, ganhar almas para Cristo estudem sistemática, metódica e perseverantemente a Bíblia. 2. O Evangelista Deve Conhecer a Vida dos Homens e suas Desculpas - via de regra, as pessoas que o crente procura evangelizar tenta escapar à responsabilidade de enfrentar o problema do pecado com desculpas, o evangelista não deve ser apanhado de surpresas por essas desculpadas, é preciso saber rebater cada uma delas com a Palavra de Deus. 3. O evangelista Deve Conhecer as Diversas Religiões - O evangelista precisa estar preparado não só para enfrentar as desculpas, mas também os contra-ataques dos que têm convicções em falsas religiões. O Que o Evangelista Deve Cultivar ? 1. O Evangelista Deve Cultivar a Oração Fervorosa - A Evangelização é um combate espiritual contra as hostes das trevas, cuja vitória depende do poder do Espírito Santo. E a oração, é o meio pelo qual Deus outorga esse poder, não há evangelista bem sucedido que não seja dedicado à oração. 2. O evangelista Deve Cultivar a Leitura - O Evangelista deve estar sempre procurando aumentar seus conhecimentos pela leitura. 3. O Evangelista Deve Cultivar o Desejo de ver as Almas Salvas - O objetivo da evangelização é ganhar almas para Cristo, enquanto o evangelista não estiver dominado pelo desejo de conquistar almas, não poderá ser bem sucedido. 4. O Evangelista Deve Cultivar o Hábito de ir à Casa de Deus - Quem não ama a sua Igreja, não dá valor aos cultos e não tem prazer em tomar parte em suas reuniões jamais estará em condições de ganhar almas, estes são apenas alguns deveres dos evangelistas. O Que o Evangelista não Deve Fazer ? 1. O Evangelista Nunca Deve dar ênfase a Igreja e sim à Jesus - Entre o diálogo travado entre Jesus e a mulher Samaritana, vemos um exemplo claro de que a ênfase do ganhador de almas deve ser dada ao Senhor Jesus e nunca a Igreja, ou a uma religião, ou a um lugar (Jo 4.20-29; At 4.12). 2. Nunca Discutir - E ao servo do Senhor não convém contender (II Tm 2.24,25). Existem muitas outras atitudes que não são corretas à um evangelistas porém se ele tem êxito nestes dois pontos estará realizando um bom trabalho. TRAÇANDO UMA ESTRAGÉGIA DE EVANGELISMO 162

Todo trabalho para se obter êxito se faz necessário que se tenha uma estratégia de ação. Este tipo de assunto é bastante utilizado pelas grandes empresas que desenvolvem seus planos de trabalho anual ou mensal. Para que Ter uma estratégia ? Será que isto é bom ? Traçar ou ter uma estratégia nada mais é que realizar o que Jesus realizou , Ele tinha um alvo a alcançar e para chegar a este alvo Ele usou de estratégias de trabalho., Ele próprio nos ensinou a traçar nossos objetivos para se analisar se os recursos são suficientes. (Lc 14.28-33). A estratégia não anula a direção que recebemos do Espírito Santo, a estratégia apenas põe em prática a ordem que dEle recebemos. O Apostolo Paulo utilizou de estratégia para ganhar almas para o reino de Cristo, ele mesmo escrevendo disse que quando estava evangelizando os judeus guardava a lei judaica, mas relaxava quando este evangelizava os gentios que não estavam debaixo da lei (I Co 9.22; I Co 9.19). Ter uma estratégia de trabalho não é coisa da invenção do homem, Ter uma estratégia é até mesmo recomendada pela Bíblia, vejamos o que diz: Pv 16.9 "Devemos fazer nossos planos, confiando na direção que Deus nos dá" Pv 18.15 "O homem inteligente sempre está pronto para considerar novas idéias." Desta forma notamos que a estratégia tem respaldo Bíblico, basta apenas que nós venhamos a aceitar e pratica-la. VANTAGENS EM SE TER UMA ESTRATÉGIA Se aceitarmos o padrão Bíblico iremos descobrir que existe uma série de vantagens em se traçar uma estratégia de trabalho: 1. Aumenta a nosso eficiência - em qualquer coisa que fazemos é necessário gastar tempo, energia e dinheiro. A estratégia não apenas no ajuda a decidir o que fazer, mas também nos ajuda a decidir o que não fazer, e isto é igualmente importante. Um grande número de recursos dados por Deus são desperdiçados porque líderes cristãos estão concentrando-se nas coisas menos importantes. 2. Ajuda a medir a eficácia - Uma tarefa é eficaz quando ela atinge seus objetivos. O planejamento estratégico requer que os alvos sejam expressos de forma clara, isto nos capacita a medir o progresso e saber quando o que foi projetado a fazer não esta ocorrendo bem. 3. Permite Correção no meio do Caminho - Se uma estratégia bem planejada 163

irá prever diversos pontos de averiguação onde nós verificamos a metodologia que estamos usando, se o que estamos fazendo não está funcionando bem, quando mais cedo nós descobrimos melhor. 4. Une a Equipe - Muito freqüentemente as estratégia para evangelismo e missão envolve a participação de mais de uma pessoa, se faz necessário a criação de uma equipe, quando a estratégia é adequadamente planejada, cada membro desta equipe entenderá a contribuição que se espera dele, cada membro do grupo saberá sua tarefa e desta forma poderão cumprir com os objetivos de todo o grupo. 5. Permiti uma responsabilidade natural - Muito do que é feito para a obra de Deus é voluntário, quando as pessoas não estão sendo pagas pelo que estão fazendo corrigi-las não é fácil, uma estratégia claramente preparada evita estas dificuldades porque a estratégia é como um contrato que une as pessoas que estarão realizando tal trabalho. 6. Ajuda Outros - Embora as estratégias sempre precisem ser adaptadas a cada situação, quando uma certa estratégia é bem sucedida, ela se torna um modelo, outros que desejem realizar tarefas iguais, podem aprender muito de uma boa estratégia e orientar-se por ela. Desta forma notamos a importância em se Ter uma estratégia de trabalho bem elaborada e definida, esperamos em Deus, que os queridos irmãos possam usar este método para melhorar o seu desempenho em ganhar almas para o reino de Deus. CRUZADA EVANGELÍSTICA A importância da Oração. Para êxito real numa campanha evangelística, a oração intercessória deve começar meses antes. Grupos de oração, vigílias, jejuns e muita oração, e sem dúvida os resultados aparecerão. Planejamento e Finanças Planejar local, pregador, cantor, hospedagem para pregador e equipe, som, iluminação, devem ser providenciados com muita antecedência. Além do mais, há necessidade de uma comissão de finanças para cuidar dos custos e dos gastos da Cruzada. Publicidade Os planos de publicidade de uma Cruzada devem ser feitos com muitos meses de antecedência. Música A Música tem papel muito importante numa Cruzada. Meses de ensaio para 164

bandas, conjuntos, orquestras e corais, para que se apresentem muito bem. Literatura e Treinamento de Pessoal A comissão de literatura é de grande utilidade. O diretor desta comissão, em consulta com o Pastor, deve cuidar da literatura a ser distribuída antes, durante, e depois da Cruzada. O treinamento de cooperadores para trabalhar na Cruzada é de máxima importância. Conselheiros e acomodadores, para ajudar na manutenção de ordem e cuidar dos novos-convertidos, precisam de treinamento especial para que cumpram bem suas responsabilidades. Começada a Cruzada a Campanha de Oração não pode parar as reuniões de oração devem prosseguir pela manhã, nos templos. A Publicidade chega ao seu auge durante a Cruzada Entrevistas ao vivo pela rádio e televisão despertam a atenção da população para a Cruzada. Um testemunho notável de cura ou conversão pode ser publicado no jornal local. Visita de casa em casa deixando um convite impresso para cada família, um telefonema convidando a redondeza, etc. A Pregação A pregação deve consistir da mensagem direta e simples da salvação de modo que o pecador possa entendê-la. O Apelo Durante o apelo, os obreiros da plataforma devem estar em seus postos. Muitos pecadores vão à frente sem um crente se oferecer para acompanhálos até ao altar. Por outro lado, esses obreiros da plataforma não devem ser demasiadamente insistentes e indelicados. O Trabalho após a Cruzada não pára É aí que precisa entrar em ação uma campanha intensa de visitação e os cuidados necessários para com os novos decididos. Se não houver este acompanhamento todo o trabalho será em vão mesmo que tenha havido uma boa pescaria. CONCLUSÃO Todo o evangelho a todo o mundo nesta geração! Isto demanda a mobilização e treinamento de toda a Igreja; exige oração e submissão ao Espírito Santo. Depois ele fará, por nosso intermédio, o que jamais poderíamos fazer sozinhos. Evangelizar o mundo em nossa geração: cada geração de cristão tem esta 165

aliança perpétua. [8] Dar-te-ei e à tua descendência a terra das tuas peregrinações. [7] Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência no decurso das suas gerações. de ti farei nações. 166 . gentios na carne.Maceió/AL Parte XXVII IGREJA: RETOMADA DO PROJETO DE DEUS Neste texto. vós.dívida para com seu próprio tempo. 1999. para ser o teu Deus e da tua descendência. será contigo a minha aliança. (EFÉSIOS Cap: 2) [11] Portanto. "Tua Incumbência Única Sobre a Terra é Ganhar Almas.São Paulo/SP 4. O apóstolo começa a conversa lembrando aos efésios o seu passado espiritual: eram incircuncisos. em possessão perpétua. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus. Rio de Janeiro. lembrai-vos de que. [6] Far-te-ei fecundo extraordinariamente.Doutrina e Prática da Evangelização. isto é.Estratégias Para o Crescimento da Igreja. Paulo falava do pacto celebrado entre Deus e Abraão: (GÊNESIS Cap: 17) [1] Quando atingiu Abrão a idade de noventa e nove anos. rosto em terra. outrora. não tinham pacto com Deus." Referências Bibliográficas 1. anda na minha presença e sê perfeito.Dinamismo no Evangelismo Atual . Podemos consegui-lo se permitirmos que Deus opere por nosso intermédio em um ciclo perpétuo de evangelização. Peter . penso que Paulo. [2] Farei uma aliança entre mim e ti e te multiplicarei extraordinariamente. chamados incircuncisão por aqueles que se intitulam circuncisos. 2. LIMA. [9] Disse mais Deus a Abraão: Guardarás a minha aliança. apareceu-lhe o SENHOR e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso. na carne. tu e a tua descendência no decurso das suas gerações. Editora Sepal. ELISANGELA. além de descrever o processo da formação da Igreja. Valdir Nunes . IDACI . fala do projeto que Jesus retoma para a Trindade. Julho/1995 . porque por pai de numerosas nações te constituí.Manual de Evangelismo. e serei o seu Deus. toda a terra de Canaã. [5] Abrão já não será o teu nome. [3] Prostrou-se Abrão.Semadeal Fevereiro/2001 . e Deus lhe falou: [4] Quanto a mim. por mãos humanas. e reis procederão de ti. serás pai de numerosas nações. BÍCEGO. 3. WAGNER. e sim Abraão. Delcyr de Souza .

O sangue de Jesus quebrou a lógica angustiante da circuncisão. de que tanto os circuncisos se orgulham. estáveis sem Cristo. [13] Com efeito. A 167 . Não bastava converter-se ao Deus dos judeus. [14] Porque ele é a nossa paz. [14] O incircunciso. quebrou a minha aliança. somos um povo só. agora. Paulo. e. tanto o escravo nascido em casa como o comprado a qualquer estrangeiro. incluia sua descendência. fostes aproximados pelo sangue de Cristo. [13] Mas. que guardareis entre mim e vós e a tua descendência: todo macho entre vós será circuncidado. é feita por mãos humanas. ele não passara pela circuncisão (que era uma ordenança). Literalmente perdido. logo é externa e imperfeita. que não for da tua estirpe. será isso por sinal de aliança entre mim e vós. em Cristo Jesus. tendo derribado a parede da separação que estava no meio. será circuncidado o nascido em tua casa e o comprado por teu dinheiro. a ponto de estigmatizar os que não o são. é a marca que denota que o homem em questão. uma vez que fomos aproximados ao mesmo Deus e às mesmas possibilidades. Algum efésio poderia perguntar: "e daí que eu não sou circuncidado. E mais: em relação a Deus não há mais privilegiados. adverte que essa circuncisão. Deus é dele e ele é de Deus (v 7). é um dos escolhidos de Deus. essa vida será eliminada do seu povo. [12] naquele tempo. a inimizade. não tendo esperança e sem Deus no mundo. que não faço parte desse pacto?" Esta é a resposta de Paulo: estar fora do pacto é estar sem saída existencial. por causa do pacto que havia celebrado com Deus. de Deus e de suas promessas. A impressão é a de que o apóstolo chama atenção para um elo fraco da corrente: é feito por homens. [12] O que tem oito dias será circuncidado entre vós. o que. Isto quer dizer que já não estamos mais separados da comunidade de Israel. Entretanto. todo macho nas vossas gerações. é aliança. era necessário tornar-se judeu. Contudo. vós. não pertencia ao povo para quem valia a pena cumprir a lei. que não for circuncidado na carne do prepúcio. separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa. que entre eles há um pacto. o qual de ambos fez um. A circuncisão é anterior à lei. no caso. Não adiantava o efésio tentar seguir a lei moral.[10] Esta é a minha aliança. [11] Circuncidareis a carne do vosso prepúcio. que antes estáveis longe. a minha aliança estará na vossa carne e será aliança perpétua. aproximou os efésios e todos os não judeus que crerem em Jesus.

inimizade. pois. Também. mas no despojamento do corpo da carne. que o torna. de costas para a entrada.. como deixou claro a colocação de Francis Foulkes. uma retomada da criação? Voltemos ao início. porém o corpo é de Cristo.Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem. Esse texto marca uma mudança de ritmo e de forma na criação: até então Deus falava e tudo vinha à existência. foi derrubada. tornando-se. satisfez a justiça divina. não se reduz ao fato de cada seguidor de Cristo ser uma nova criatura. membro do povo de Deus: CL 2:11 . GN 1:26. (. [15] aboliu. ou sábados. pagou pelo nosso crime. Penso que isso nos remete à questão do significado desse novo homem. pois.) Criou Deus. não por intermédio de mãos. Por isso o sangue de Jesus nos aproximou: ao morrer sem pecado. porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir. foi projetada a partir do corpo de Cristo. única porta de entrada para o pacto com Deus. criar uma coisa única . ou dia de festa. Jesus fez isto com um objetivo: criar um novo homem.17 Ninguém. citado por Foulkes. muitas das ordenanças tipificavam o próprio Cristo: CL 2:16. 27. constituída pelos privilégios de um frente ao infortúnio do outro.. diz que é um novo tipo de criação. que é a circuncisão de Cristo Além do mais.Eds. na criação do homem temos. portanto. em si mesmo. isto é. dos dois. série cultura cristã . na sua carne. Segundo Francis Foulkes (Efésios: introdução e comentário. 168 . ou lua nova. Não seria. a lei dos mandamentos na forma de ordenanças. nem Deus é uma pessoa só.Nele. Mundo Cristão e Vida Nova) a idéia presente aqui é a de. William Barclay. um novo homem. o homem à sua imagem. Jesus. A sombra que esses vestíbulos (as ordenanças) para o pacto eram. há paz. Parece claro que não se trata de fazer de todos os cristãos uma única pessoa. conforme a nossa semelhança. de fato. com a chegada de Jesus fomos libertos da caverna (Platão dizia que estávamos todos presos numa caverna. o representante da raça humana.muito mais profunda que a idéia de um único povo. Estamos nas mesmas condições. também fostes circuncidados. Quem entra por essa porta recebe a verdadeira circuncisão. só víamos as sombras do mundo real. antecedendo-a. fazendo a paz. para que dos dois criasse. o mundo das idéias). uma declaração de intenção e uma descrição. à imagem de Deus o criou. pois. entretanto. vos julgue por causa de comida e bebida. É um conceito de unidade absoluta.

Algo. segundo Kidner . a Trindade. como fizeram. por exemplo. penso que precisa ser considerado: se ser moralmente responsável e racional é ser imagem de Deus. W. digamos. é como se fosse o resultado de uma conferência entre as três Pessoas. senão estariam impossibilitados de comunicar-se e de arrazoar conosco. se Deus não poupou anjos quando pecaram (2 Pe 2:4) Como os anjos poderiam pecar se não fossem moralmente livres... com Ló (Gn 19:10-22).. perdemos dessa imagem-semelhança. entretanto. foi o amor.reservando-os para juízo. ou de uma sinfonia num soneto. (2 Pe 2:4) Como qualquer ser pode ser julgado. são criaturas e estão no 169 . perdida com a queda".Façamos o homem.. na queda. também. também. Eis a descrição do projeto: o homem seria à imagem e semelhança de Deus. então. os anjos. Bromiley1 Gosto de pensar nesse texto como uma declaração de intenção.como se poderia tentar a transcrição. Ele. doutrina que afirma haver um só Deus em três Pessoas: Pai. de um poema épico numa escultura. Filho e Espírito Santo. Se ser imagem-semelhança é ser transcrição do eterno em termos de existência temporais. A imagem seria "expressão ou transcrição do Criador eterno e incorpóreo em termos de uma existência temporal. de modo que os termos se reforçam (a palavra. A teologia cristã entende que essa afirmação nos apresenta a Trindade. conforme a nossa semelhança. corpórea e própria de uma criatura . a partícula aditiva "e". pois. uma vez que pecar (pelo menos no ato primeiro) exige capacidade de escolha? . estão incluídos. se não for moralmente responsável? Além do que. são racionais. O que significaria isto? Segundo Derek Kidner2." O que. porém. parece não haver dúvidas de que os anjos. diz que não há. então os anjos também não o seriam? Ora. no original. e a semelhança é aquela harmonia com a vontade de Deus. seria imagem-semelhança). como declara G. Façamos o homem à nossa imagem. para alguns teólogos "imagem é a indelével constituição do homem como ser racional e como ser moralmente responsável. que recuperaremos quando for retomada nossa plena comunhão com o Senhor.

Deus fez desabrochar características que não fizera desabrochar no primeiro. um substantivo coletivo. à imagem de Deus os criou." Stanley Rosenthal3 E criou Deus o homem à sua imagem. Sendo que.4.2) Duas pessoas. tiveram começo. o teu desejo será para o teu marido. e lhes chamou pelo nome de Adão. E a costela que o SENHOR Deus tomara ao homem. em outras palavras. pois. esse único cacho de uvas consistia em muitas uvas. no hebraico. macho e fêmea os criou. realmente. homem e mulher os criou.) Em Nm 13. e ele te governará (Gn 3:16). novamente é echad. como é evidente. e os abençoou. é de se supor que antes não era assim. Poderíamos citar um bom número de exemplos. no segundo ser. o barro e o sopro (que dá vida ao ser humano) só aparecem uma vez.. e o homem passou a ser alma vivente. Mas.(. onde 'cortaram um ramo de vide com um cacho de uvas'. é uma duplicação.22) Macho e fêmea parecem ser uma criação só. somente do homem é dito que foi criado à imagem e semelhança de Deus. um substantivo que demonstra unidade. E. Seriam. por ser a mãe de todos os seres humanos (Gn 3:20). Gosto de pensar que esta imagem-semelhança inclui.23 os espias pararam em Escol. ainda que o tempo. O segundo ser não é uma segunda criação. (Gn 5:1. à semelhança de Deus o fez. Entretanto. talvez. em ambos os casos. no dia em que foram criados. Se Deus condenou a mulher a essa condição subserviente ao homem como consequência da queda. o SENHOR Deus fez cair pesado sono sobre o homem. E por que? Penso que só após a queda o macho teve autoridade para tal: e à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez.. A palavra que aqui aparece com 'um'. Gn 1. (Gn 2:21.27 (RC). e este adormeceu. Este é o livro da genealogia de Adão. formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida. além do já citado. tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. algo que só é comum a Deus e a nós: a unidade.5) é echad.tempo. em meio de dores darás à luz filhos. os anjos fiéis não perderam nada de sua criação original. um só nome. em 'um cacho'. pois. isto é. era. a mulher só ganhou o nome de Eva depois da queda: E deu o homem o nome de Eva a sua mulher. (Gn 2:7) Então. No dia em que Deus criou o homem. 170 . duas criações? Então. "A última palavra hebraica da Shema (Dt 6. De fato. não lhes faça diferença. ao mesmo tempo que se trata de uma unidade que contém várias entidades. transformou-a numa mulher e lha trouxe. a relação entre ambos não era de autoridade.

este deve ser o moto de seu dia a dia. (ed. "Em Gn 2. de unidade. uma só família. o homem-comunhão que. Se não tivéssemos caído. A queda foi marcada pela quebra de unidade entre o homem e Deus. seríamos um só homem: o homem à imagem e semelhança de Deus. o que perdemos é inapreensível para nós. de modo extremamente rarefeito. a unidade. logo. Deus (. revista e corrigida) Segundo vejo. Não seria uma nova criação. à semelhança da trindade. a Igreja é. Quando Deus chamava: Adão! Macho e fêmea se voltavam para falar com Ele. amarem-se com esse amor que unifica. talvez. expressa o que a Trindade é. Esse. é o projeto de Jesus. sugiro. indicando que aquelas duas pessoas unir-se iam. entre o macho e a fêmea. apesar de muitos. Por esse novo homem Jesus se sacrificou. vínculo da perfeição. criou-os tendo a si como modelo: o que caracteriza a trindade é o amor. formando perfeita e harmônica unidade. que une perfeitamente. entretanto.24.Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido. por definição. para que dos dois criasse. logo. um novo homem. de fato.quero crer. guardadas as devidas proporções." Stanley Rosenthal4 Se Deus é uma família. O homem à imagem e semelhança de Deus é unitário-coletivo. Se esse é o destino da Igreja. a retomada do homem à imagem e semelhança de Deus.. isto é. para admitir isso teríamos de considerar que a primeira continha uma falha. Em tal caso.) instruiu marido e mulher a tornarem-se 'os dois uma só carne'. como disse Jesus: LC 19:10 . Ainda que a graça comum tenha nos mantido em condições de experimentarmos. que criatura poderia expressar sua imagem-semelhança senão se constituísse. seríamos bilhões. penso eu. a exemplo da trindade. Criou-os para viverem em unidade. é um ser coletivo. criou-os para. este novo homem.. Criou-os como unidade. pois. 171 . Creio. nos amaríamos tanto que. também. fazendo a paz. em si mesmo. tratar-se da retomada do projeto do Gênesis. novamente a palavra hebraica é echad. O homem à imagem e semelhança de Deus. numa família? Se Deus é uma unidade-comunhão como uma criatura que não se constituísse noutra unidade-comunhão poderia ser chamado de sua imagem-semelhança? Me parece que o projeto divino passava estritamente pela unidade: criou um casal apenas.

de definir pecado é estado de guerra consigo mesmo. Não seria essa a melhor forma de diagnosticar o que está acontecendo na sociedade? Não estariam todos os relacionamentos marcados por alguma forma de violência? Paz . e sois da família de Deus. [18] porque. isto é. e/ou com o próximo. um lugar de todos nós. não está sozinho. O papel da Igreja. portanto.[16] e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus. mergulhados nele . vindo. Uma outra forma.1Co 12. paz consigo mesmo. estamos no mesmo lugar. entre outras coisas. ambos temos acesso ao Pai em um Espírito. sendo ele mesmo. aceitamos a natureza. A gente está na presença do Pai. temos o mesmo nome e o mesmo pai.penso. [19] Assim. sem que nos aceitemos mutuamente. e/ou com a natureza. o novo homem não pode ser vivido. [20] edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas. Somos da mesma nação. aceitamos o próximo. é uma aceitação geral: aceitamos as demandas de Deus. de estar em forma. enquanto corpo. Todos estamos dentro desse ônibus (fomos batizados. É o novo homem que vai à presença do Pai. já não sois estrangeiros e peregrinos. Sem paz. Somos irmãos. Jesus Cristo é a estrada e o Espírito Santo é o ônibus que nos leva. por ele. 172 . Esse novo homem é mais que comunhão. [17] E. é fornecer a possibilidade da expressão (como o corpo humano é em relação a alma) e exprimir por meio da ação (corpo inerte não exprime). destruindo por ela a inimizade. Gosto da idéia de que aceitar é admitir e compartilhar espaços. paz com o próximo. Tem de ser saudável. Interessante pensar que evangelizar é chamar à paz. e/ou com Deus. todos os irmãos foram junto. mas concidadãos dos santos. A paz é o princípio da unidade: paz com Deus.13). Todo mundo pode ir ao Pai. evangelizou paz a vós outros que estáveis longe e paz também aos que estavam perto. aceitamos o que somos e as mudanças que precisamos sofrer. mas. por intermédio da cruz. é um organismo vivo (tem funcionalidade). Certamente é por isso que cada um de nós chega à presença do Pai e tem de dizer: "Pai nosso".

Deus habitará com eles.) É na realidade do novo homem que Deus é adorado como quer e deve ser.) ser a morada de Deus . a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo. enquanto pedras vivas (1 Pe 2. assentados sobre o mesmo alicerce. tem de crescer em Cristo. 173 . não estaríamos na Igreja) apesar de insistirmos nas diferenças. e o comprimento. [22] no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito. Em Jesus estamos sendo tornados um. Edificar é tornar um (vários materiais. apesar da boa vontade de Davi e de Salomão. Isso implica em que o primeiro projeto para a igreja local deveria ser um projeto de comunhão e.formando uma parede só). ainda que a graça comum o tenha mantido em parte. uma só casa). [21] no qual todo o edifício. Estamos.Cristo Jesus.a fim de poderdes compreender. Eles serão povos de Deus. Propósito 1: serrnos o lugar onde Deus é adorado perfeitamente (1PE 2:5 também vós mesmos. a pedra angular. de pastoreio. como pedras que vivem. Deus nos criou como unidade para que o expressássemos. que excede todo entendimento. O novo homem retoma o seu destino: (AP 21:3 . para crescer em Cristo tem ter unidade (bem ajustado . para que Deus possa ter sua morada. Jesus Cristo retoma o projeto do gênesis: cria o novo homem. para ser santuário. Cremos na mesma coisa (senão.Então. e a profundidade e conhecer o amor de Cristo. consequentemente. dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. ouvi grande voz vinda do trono.) A Igreja. para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus. um Deus vivo tem de morar numa casa viva.5). Perdemos isso. e Deus mesmo estará com eles.19 . e a altura. com todos os santos. Penso que esse é o desafio dado a cada igreja local: alcançar essa unidade. cresce para santuário dedicado ao Senhor.a Trindade. sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo. bem ajustado. qual é a largura. Jesus é o alicerce e o construtor que ajusta cada pedra e material: (EF 3:18.

Tiago.Tomé .A. Muitos foram os Mártires Cristãos. muitos foram aqueles que morreram em favor do evangelho.Bartolomeu .série cultura bíblica .3 W.editor . Clique nos nome dos mártires que estão sublinhados para ver uma breve biografia sobre os mesmos. e os conduziu à parte a um alto monte. os que isso fizeram eram os apóstolos. Nem todos os mártires do cristianismo viveram junto com Cristo. Mártir é: "Pessoa que sofreu tormentos.Stanley Rosenthal .Simão 174 .João Faziam parte do círculo íntimo de Cristo.Felipe .Tiago (o grande) . pois tinham privilégios especiais: "Seis dias depois. também fizemos um breve esquema para que se tenha uma idéia de quem eram os Apóstolos de Cristo.introdução e comentário . in Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã . 17:1) "E levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu.ed." (Mt. 26:37) "E não permitiu que ninguém o acompanhasse. (Setor Personagens Bíblicos).Stanley Rosentahl . no passado da Igreja.v.Judas Tadeu .1 in artigo Trindade. irmão de Tiago..Fiel Parte XXVIII MÁRTIRES CRISTÃOS De acordo com o Dicionário Aurélio. Elwell . senão Pedro. tomou Jesus consigo a Pedro.Fiel 4 A Tri-unidade de Deus no Velho Testamento . começou a entristecer-se e a angustiar-se. Os Mártires Apóstolos Pedro . o mesmo evangelho que hoje em dia nós temos a liberdade de defender.5:37) Os Trabalhadores Silenciosos André . torturas ou a morte por sustentar a fé Cristã".Mateus Os Pouco Conhecidos Tiago (o pequeno) ." (Mt. irmão deste. e João. logo em seu primeiro século." (Mc. Vida Nova 2 Gênesis . a Tiago e a João.Derek Kidner . mas fizemos uma coletânia dos mais famosos e armazenamos a maior quantidade de informações possíveis neste estudo.eds Mundo Cristão/Vida Nova 3 A Tri-unidade de Deus Velho Testamento .

O Traidor Judas Iscariotes Foi substituído por Matias após ter traído o Senhor e ter se matatado: 16 .Barnabé . de maneira que na própria língua deles esse campo se chama Acéldama.para tomar o lugar neste ministério e apostolado.Inácio . 19 . e todas as suas entranhas se derramaram.E orando.E tornou-se isto conhecido de todos os habitantes de Jerusalém. mostra qual destes dois tens escolhido 25 . acerca de Judas. e não haja quem nela habite. 26 . que foi o guia daqueles que prenderam a Jesus. e por voto comum foi ele contado com os onze apóstolos.Porquanto no livro dos Salmos está escrito: Fique deserta a sua habitação.pois ele era contado entre nós e teve parte neste ministério.E apresentaram dois: José. disseram: Tu.Papias Mártires Após a Época dos Apóstolos Jorge . pois.Sebastião 175 .Paulo Outros Mártires Cristãos Marcos . chamado Barsabás. do qual Judas se desviou para ir ao seu próprio lugar. 24 . Atos 1:16-26 Convertidos a Apóstolos depois da ascensão de Jesus Matias . 17 .É necessário. 21 .Irmãos. ele adquiriu um campo com o salário da sua iniquidade. 22 . um deles se torne testemunha conosco da sua ressurreição.(Ora. e Matias.começando desde o batismo de João até o dia em que dentre nós foi levado para cima. isto é. 23 .Orígenes . Campo de Sangue.Estevão Mártires que viveram ainda com os últimos apóstolos Policarpo .Cosme e Damião . convinha que se cumprisse a escritura que o Espírito Santo predisse pela boca de Davi. caiu prostrado e arrebentou pelo meio. 18 . e precipitandose. Senhor.) 20 .Então deitaram sortes a respeito deles e caiu a sorte sobre Matias. que conheces os corações de todos. que dos varões que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus andou entre nós. que tinha por sobrenome o Justo. e: Tome outro o seu ministério.Lucas .

Quem não paga é autuado. 1997 .Barsa Enciclopédia.Encyclopédia e Dicionário Internacional. 10486. habilidade e fidelidade. portanto.Fontes de Pesquisa: . onde Deus colocou o homem para cultivá-lo com inteligência. Amor que nos identifica com o caráter e os propósitos do Senhor e que nos leva a adora-lo com atos objetivos. O imposto é compulsório.Carlos Magno .22. Um cordeiro santificado no altar santifica todo o rebanho. mas a fé que não se transforma em atos de obediência não é a fé válida para a salvação.20 e 28. pela fé. É o reconhecimento de que. Crer ou não crer na Palavra de Deus é crer ou não crer no próprio Deus. 1974 . não apenas o dízimo. 1262 . como os têm abençoado. É como o cordeiro do holocausto no altar da consagração. Colaboradores: . Dízimo não é tributo. Nós somos salvos pela fé.1265. Dízimo é compromisso que pauta a partir do voluntariado consciente. na vida espiritual. e não apenas com palavras. Conceito e origem da mordomia do dízimo (2) A mordomia do dízimo é o perfeito uso do dinheiro que pertence a Deus por direito de criador e sustentador de todas as coisas que compõem o universo.Manual Bíblico Halley .Bíblia Thompson . Cada real que você santifica para Deus significa que os outros nove reais também são santos ao Senhor. A mordomia do dízimo envolve.Iranilde Campos Parte XXIX MORDOMIA DO DÍZIMO Introdução (1) O dízimo é o método de Deus para abençoar seus filhos na vida material. p. não pelas obras.Centro de Pesquisas Religiosas . mas a totalidade dos bens e do ser pertencem ao Senhor. o dízimo é também uma demonstração de amor a Deus.Encyclopédia Universal Ilustrada Europeu-Americana. 1. O dízimo é também uma prova de santificação da vida ao Senhor. pp.The Grolier Multimedia Encyclopedia. A pessoa que diz crer em Deus e não entrega seus dízimos está negando. . tanto á fidelidade na entrega do que pertence a Deus como na habilidade na aplicação ou gasto deste dinheiro 176 . a fé que diz ter no coração. Gênesis 14.Verônica . Além de ser uma prova de fé. na prática.Dicionário Aurélio .

Como devemos dizimar (4) É dever de todo cristão dizimar à luz de Malaquias 3:10 onde Deus nos ordena dizendo: "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro. mas uma exigência de Deus para sustentar espiritualmente o homem. O dízimo tem sua origem na economia divina ao preparar o projeto de criação do mundo. o dízimo sofre uma certa força carismática.10-12. O poder sustentador de Deus tem-se manifestado por meio da confiança daqueles que fielmente dizimam em amor de suas rendas para o Senhor. O dízimo não é uma invenção do homem para sustentar a religião. Números 18. Enquanto dinheiro separado para Deus. visto que o Senhor de todas as coisas promete bênçãos especiais aos fiéis dizimistas conforme o Texto Sagrado. 3. 2. Malaquia 3. 2 Crônicas 31. Aumentar a confiança dos crentes no poder e na providência de Deus conforme a Bíblia tem nos ensinado é a finalidade da mordomia do dízimo.1-10. Sua aplicação aparece em toda a Bíblia na medida em que o homem é chamado a assumir seu dever de entregar ao Senhor os dez por cento de sua renda para que Deus possa realizar também seus planos espirituais para o mundo.4-12. O dízimo faz parte do planejamento de sustento da sua grandiosa obra de redenção do mundo. O desafio é aprendermos a dependência da graça sustentadora do Senhor e não essencialmente dos recursos financeiros.consagrado. porque cremos que nos propósitos de Deus não há variantes que não foram previstas com milhares de anos de antecedência.30-32.21 e 24. A mordomia do dízimo pode e pretende conscientizar os crentes do valor e importância prática fiel e constante do dízimo para o reino de Deus. Deus não resolve nada em seus planos de última hora. Natureza e finalidade da mordomia do dízimo (3) Enquanto cálculo matemático de 10% de uma quantia é isto e nada mais. Não é difícil entender que o dízimo só deve ser usado em coisas consagradas e para a glorificação do de Deus. Não pode ser menos como alguns gostariam e não pode ser mais porque é inalterável no tempo e no espaço. Os dizimistas fiéis sabem o quanto é bom confiar em Deus e praticar esta doutrina bíblica tão negligenciada por muitos servos. Salmo 24. Levítico 27. A participação dos crentes no sustento diário da causa de Deus envolve todos os fiéis de todos os tempos e lugares. para que haja mantimento na 177 . preservando-se o que se denomina de fidelidade de propósito. 10% de uma determinada quantia de dinheiro ou do peso de um corpo qualquer será sempre 10%.

Os descontos previdenciários e os impostos que nos são deduzidos em folha de pagamento ou em carnês. mesmo que não seja com muita alegria. A quem entregar os dízimos? (5) 178 . Muitos contribuem com tanta irregularidade que o dinheiro chega a perder o valor. o crente deve começar a dizimar ainda que sem muito entusiasmo porque é tão bom contribuir que começando por obrigação terminará por alegria e consagração. 4. mas terminaram sendo os exemplos de deslealdade em matéria de contribuição. Entregar ao Senhor o dízimo do valor líquido não é fidelidade integral. não a metade ou apenas uma parte. em Malaquias 3. O problema é que não existe fidelidade parcial. diz o Senhor dos exércitos. Meia obediência é igual à desobediência total. só posso obedecê-la trazendo o dízimo inteiro. Quem poderá ser bom mordomo deixando de fazer o que Deus ordenou? Certamente o servo fiel é mais agradável ao seu Senhor. Por muitos séculos Deus tem comprovado sua fidelidade para com os homens que lhe obedeceram com amor e dedicação. não do dízimo. são para nosso benefício e são também um compromisso espiritual. quando se trata de dízimo. Esta atitude é a normal e correta. vale a pena cumpri-la para o nosso próprio bem. É uma questão lógica.21. O povo de Israel roubava a Deus nos dízimos e nas ofertas alçadas. Se é uma ordem. Supostamente baseados nos ensinamentos de Paulo. 1-11. se eu não vos abrir as janelas do céu. alguns dizem que devem contribuir segundo propôs no coração e assim o fazem.minha casa. Mateus 22. 2 Coríntios 9. porém. Deus já determinou 10% e isso é inegociável. Vale ressaltar que o dízimo deve ser entregue do valor bruto dos nossos rendimentos. Verificamos ainda. que dele vos advenha a maior abastança". Como alguém afirmou. Deve-se ter a preocupação de se contribuir com regularidade efetiva. que o crente só pode ser ofertante depois de ser dizimista. Todo o cristão sincero deveria ter verdadeira alegria ao contribuir para o sustento do Reino de Deus. mas em se tratando de uma ordem. e não derramar sobre vós uma bênção tal. e depois fazei prova de mim. Deus não deve pagar nosso impostos ou taxas previdenciárias. Estão errados quanto à interpretação do Texto Bíblico que neste caso. São aqueles que dão de quando em vez e não podem ser conhecidos como dizimistas porque têm renda todo mês.7.8. trata de ofertas alçadas para obras sociais. Atos 5. O crente pode usar a medida do coração. Foi o caso de Ananias e Safira que não queriam ser completamente desobedientes. embora contribuam eventualmente. o que é de Deus é o dízimo e não podemos ofertar ao Senhor usando o que pertence a ele.

Se houver falha na mordomia da administração do dízimo por parte da igreja. então posso entregar o dízimo a Deus. Fala-se em cristãos que dão o seu dízimo parte em casas filantrópicas e parte na igreja. o cristão arrogar-se o direito de aplicação e administração do seu próprio dízimo. Muito mais valem 9/10 do nosso salário com as bênçãos de Deus. 1 Coríntios 6. A situação dos irmãos que insistem na infidelidade é crítica. o crente pode todas as coisas que não contrariam a natureza de Deus. 47 vezes. O crente não deve fazer as coisas conforme sua conveniência somente. Ora. Pecado e pecadores. 21 vezes. O arrependimento.23. Caso isso fosse verdade. mas de acordo com a consciência de Deus refletida nos ensinos da Bíblia. Vemos. prática e conduta. Dízimos e ofertas alçadas. do que todo um 179 . 27 vezes. os cristãos evangélicos. quando reuniu os apóstolos. A igreja aparece em 21 versículos.13. Este não é o método bíblico que manda trazer todo dízimo a Casa do Tesouro e consequentemente o dízimo todo para a administração da igreja. nos orgulhamos em afirmar que a Bíblia é o nosso único livro de fé. O batismo é mencionado 17 vezes. teríamos de eliminar da Bíblia Filipenses 4. Muito bem. a sua Palavra Santa e Infalível. A Bíblia chama de ladrão a quem não entrega o dízimo. se eu posso todas as coisas. o membro tem direito de questionar e até de orientar a correção. O hades. 72 vezes. isto é. É pecado. Ou não entenderam de forma apropriada o compromisso da fé salvadora ou não experimentaram a salvação que se opera pela fé que desemboca na fidelidade incondicional. Para que um tesoureiro? Para receber ofertas.O texto de Malaquias é muito claro. nos são lícitas mas não devemos praticá-las. 7 vezes. 1 Coríntios 6. Conclusão (6) Nós. O dízimo deve ser entregue na Casa do Tesouro.12 e 10. Eleição. elegeu um tesoureiro. 4 vezes. 90 (noventa) passagens falam sobre dinheiro. então por que não pomos em prática a doutrina do dízimo como a Bíblia ensina? No Novo Testamento. que constitui pecado. A vida eterna. Espírito Santo. 11 vezes. Pela fé. Jesus. e as que contrariam o caráter do senhor. mas nunca de tomar atitudes pessoais para as quais não foi credenciado por Deus. Como agência do Reino de Deus a igreja está credenciada para gerenciar os seus negócios do Rei quer sejam especificamente espirituais ou materiais. Causa perplexidade ouvir certos membros de igreja afirmando que não dão o dízimo porque não podem. Inferno. se assim é. conforme o preceito bíblico. asseverando que os roubadores não herdarão o Reino de Deus. é claro. na igreja de Jesus Cristo em ato de adoração e culto solene.11. que no Novo Testamento muito mais se pregou sobre dinheiro que sobre qualquer outra coisa. pois.

(pp.salário sem as suas bênçãos. Ed. o chamado. não sustentará o pastor através das ásperas realidades da vida na igreja. 1997. É preciso avaliar as verdadeiras motivações. pp. pp. (4) Id. Reflexões sobre Mordomia Cristã. As congregações ainda pagam seus salários. 180 . 74-75). Rio de Janeiro: CPCCBB. (pp. (2) CÂNDIDO. com freqüência alarmante. Nestes doze anos de ministério tenho visto alguns pastores perderem o rumo original e ministérios infrutíferos com igrejas fracas e em declínio. 1982. seus pastores. (3) Id. Embora uma vaga vocação para o ministério possa levar ao pastorado. (5) Id. E não só sem as bênçãos. Duque de Caxias: AFE. 1986. Isto não quer dizer que estejam deixando a igreja e sendo contratados por alguma empresa. pp. (5) MOTTA. Entendo que grande culpa dos problemas destas igrejas deve-se a nós mesmos.Aquilo que fazem e alegam ser ministério pastoral não tem a menor relação com as atitudes dos pastores que fizeram a história nos últimos vinte séculos" . 31-32). 162-163. Ibid. Como explicar os vislumbres de certezas espirituais ? Pode a vocação de Deus ser descrita ? Talvez devesse deixar tal desafio para os mais experientes nas lidas pastorais. 231 p. Rio de janeiro: JUERP. Ibid. Notem as palavras de Eugene Peterson: "Os pastores estão abandonando seus postos. O que estão abandonando é o posto.3-6. 162. Ageu 1. (pp. Daniel Oliveira. quero pisar neste terreno mui solenemente. 62 p. Após ler estas considerações de Peterson. 124 p. Prostituíram após outros deuses. antes de ingressar nos seminários. Estou Convosco. mas realista. Notas (1) FALCÃO SOBRINHO. desviando-se para a direita e para a esquerda. (7) Ação de soberania em conceder livre arbítrio ao seus vassalos para o exercício de aparente ou relativa autonomia Parte XXX MOTIVAÇÕES PERIGOSAS PARA O MINISTÉRIO Uma breve Reflexão sobre alguns motivos errados para o Ministério Falar de vocação não é uma tarefa fácil. o nome deles ainda consta no boletim dominical e continuam a subir não púlpito domingo após domingo. A Doutrina Bíblica da Mordomia. 3. Uma reflexão dura. 163-164. fiz a seguinte pergunta: O que tem levado nossos jovens ao ministério ? Minha pergunta levanta a questão sobre as reais motivações de nossos vocacionados para o Ministério Pastoral. não obstante. João. 161). Waldomiro. Talvez nem todos têm consciência de que errar na vocação trás conseqüências desagradáveis para si mesmos e também para suas futuras igrejas. Amém. Ibid. mas com as maldições previstas no juízo divino que se impõe pela suserania (7) do Senhor. Alguns pastores estão abandonando seus postos.

Spurgeon escreveu: "Se um homem perceber. pois o Senhor aborrece a entrada de compradores e vendedores em seu templo" 2) Status social: Não é de hoje que a sede de posição cega as pessoas . melhor que se afaste dele de uma vez. entendemos que todo genuíno vocacionado deve ter como ambição ser um instrumento de Deus . Não obstante. mas temo que alguns jovens em nossas Igrejas. O status social não pode sustentar o nosso ministério e fazer com que vivamos nossa vocação de modo responsável. que tem o significado de "colocar o coração. e lhe confere status social. Falando da motivação que leva um jovem a decidir pelo ministério. até mesmo pelos escândalos envolvendo alguns líderes cristãos. Ser uma figura pública sob os olhares de todos e viver sob constantes cobranças. sacodem o nosso coração. O "ser pastor". Todos nós tomamos decisões na vida motivados por algo ou alguma coisa em dado momento de nossa existência e considerando as diversas situações da vida. A título de alertarnos para este perigo. Às vezes pregar pode ser uma tortura. 181 . ambicionar. excelente obra almeja" O termo "deseja"na língua grega é epithumeo. quase 2 milhões de desempregados. o serviço. Ficamos frustrados com os conflitos da igreja. Este foi um erro cometido por Tiago e João (Mc 10:35:45). São só na cidade de São Paulo. Precisa ser observado que o objeto do desejo é a obra. depois do mais severo exame de si mesmo. Paulo escreve: "se alguém deseja o pastorado. passe a compreender o ministério como uma profissão e um meio de ganhar a vida. desejar". Em I Tm 3:1. Penso que todo candidato ao ministério deveria responder a esta pergunta: O motivo que tenho para desejar ser pastor é porque serei pago para isto? Quanto a isto. Vivemos uma época de recessão e de desemprego. O tempo médio hoje para alguém que perde o emprego é de 1 ano até conseguir outro. Pastorear ovelhas relutantes é uma atividade esmagadora. Contudo. Nós pastores inevitavelmente armazenamos um certo nível de frustração em nosso trabalho. qualquer outro motivo que a glória de Deus e o bem das almas em sua busca do pastorado. mesmo que em nossos dias não é lá muito bem visto. alisto cinco possíveis motivações erradas e egocêntricas que podem levar alguém ao Ministério: 1) Adquirir estabilidade financeira: Os motivos da nossa sociedade seculare são controlados pelo cifrão. liderar não é fácil. com a futilidade de nossos planos e com o fracasso do nosso povo. os títulos de Reverendo e Pastor transmitem uma certa dose de autoridade que dignifica o ser humano. É com temor e tremor que arrisco raciocinar desta maneira. mesmo que estas não sejam verbais. e não a posição ou status.Por motivação queremos dizer os motivos internos que levam uma pessoa à ação. Alguém motivado por posição elevada e pelo desejo de atenção trará com certeza prejuízo a si mesmo e à Igreja de Cristo. Sua única motivação para ser pastor é seu desejo ardente de realizar a obra de Deus e para a glória de Deus. é possível que nem sempre esta seja a mola propulsora de um ou outro aspirante ao pastorado.

Na qualidade de pastores e tutores eclesiásticos. pois depois de ter passado pela família. mas não é a motivação correta para o ministério. Nossos jovens precisam ver que o candidato ao ministério. e ninguém pode cumprir o difícil papel de pastor se não tiver a consciência de que foi comissionado por Deus. ou por não ter condições financeiras de custear um curso em uma universidade . O desejo que um ser humano tem de que os outros o respeitem é um sinal louvável de sua auto-estima. É comum termos notícias de líderes que avaliam sua eficiência ministerial através de quantas pessoas da denominação o conhecem. Conheci um pastor que guardava todo exemplar do jornal Brasil Presbiteriano em que saía uma matéria com sua foto e que falava a seu respeito. conselho. São líderes que buscam a fama e serem aplaudidos pelos homens. Sente-se culpado se não fizer aquilo que todos esperam dele. 182 . O peso de um sentimento de obrigação não pode levar ninguém ao pastorado. pois depois de tentativas inglórias de ingressar em alguma outra faculdade. professores. mas porque foi imposta por Deus. sendo seu chamado imposto por Deus. O Ministério deve ser obedecido por vocação e não por obrigação.3) Necessidade de firmar-se como pessoa: É possível que alguém caia na armadilha de desejar o ministério por entender que a posição e o status conquistado forçam os outros a lhe dedicarem atenção. fique fora. Todos nós que somos pastores sabemos como o ministério é desgastante. caso sinta que esta foi uma escolha sua e não de Deus. Ele é pastor não por falta de alternativas. mas porque esta é a única alternativa possível para ele. não fuja" Precisamos instruir aos nossos seminaristas que mesmo que tenham feito o curso de teologia no Seminário. não é uma preferência entre outras alternativas. entendam que o tempo de estudos e de preparação não será perdido. e insisto: Vocação pastoral não pode ser por falta de opções. Um velho pregador deu um sábio conselho a um jovem quando indagado sobre sua opinião quanto a seguir o ministério: "Se você pode ser feliz fora do ministério. É desnecessário dizer que este líder não desenvolverá seu ministério com alegria e prazer. Poderão ser uma excelente ajuda às igrejas como pregadores. vão-se embora". 4) O Senso de obrigação: Há quem se torne ministro. caso sintam que não foram chamados ao pastorado. 5) Falta de opções: É possível que alguém decida ser um pastor. ou por falta delas. sentese na obrigação de ter que ir até o fim de seu "chamado". Não há nada de errado em desejar ser respeitado e admirado. mas se veio o solene chamado. oficiais e líderes. Ao menor sinal de dificuldade. Alguém pontuou o seguinte: "os ministros sem a convicção do chamado carecem muitas vezes de coragem e carregam uma carta de demissão no bolso do paletó. fazse necessária nossa orientação aos aspirantes e candidatos ao Ministério de que não há como alguém sobreviver no pastorado. percebeu que poderia fazer um curso de nível superior pago pelo Presbitério e ainda recebendo ajuda de custo de sua Igreja. presbitério e ter feito o curso teológico no seminário.

15). desenvolveu o seu ministério. esta mais importante: os discípulos conviveram com Jesus. Detendo mais informações. de fato. conseguiram ver em Jesus um grande profeta. estavam mais preparados para responder. o messias. alimentou. "Tu és o Cristo. dois deuses. Revolucionário! Os teólogos. e outros: Jeremias ou algum dos profetas. logo. conforme indica o nome. partido da classe sacerdotal. que queriam. os fariseus. eram partidários de Herodes. quer pelas perguntas que puderam fazer. entendo que o Senhor Jesus apresenta a Igreja como seu propósito. não sabiam que há três pessoas e um só Deus. libertar Israel do domínio romano. quer pela observação no dia a dia. não podia ter filho. entretanto. outros: Elias. portanto. continuou ele. Pedro disse-o: Jesus de 183 . Por que? Porque se Deus tivesse um filho. uma aferição: o que as bençãos recebidas pelo povo geraram neste em termos de compreensão de quem Jesus era? [14] E eles responderam: Uns dizem: João Batista. quer por ensino exclusivo. seu caráter e missão: (MATEUS Cap: 16) [13] Indo Jesus para os lados de Cesaréia de Filipe. de então. os zelotes. diziam que Deus era único.3). curou. foi com o povo que Jesus. Jesus tenha interagido com quase todos os partidos judaicos: os herodianos. Foi com o povo que andou e que se confundiu. Tu és o Cristo. Pedro teria ido apenas um pouco mais adiante que o povo. [16] Respondendo Simão Pedro. A resposta deixou a desejar. então. A pergunta era. obtiveram informações privilegiadas. porém. era de se supor que acertariam. ortodoxos estudiosos das escrituras. incompleto. ser curado e alimentado por Jesus não é garantia de chegar a ter dele o conhecimento que dá vida eterna (Jo 17. [15] Mas vós. este teria de ser um Deus também. Ao povo pregou. em seu ministério público. assim como esboça sua composição. Eles não conheciam a doutrina da Trindade. não acertaram. e os saduceus. catalogaram-no entre os maiores. se parasse por aí: todos criam que o messias seria o maior dos profetas (Dt 18. Certo. Ele vai mais longe: "o filho do Deus vivo". o Filho do Deus vivo. o salvador vislumbrado pelos patriarcas e anunciado pelos profetas. porém. Ouvir.Parte XXXI O ANÚNCIO DA IGREJA Neste trecho. um profeta. responde Pedro. mas. pela força das armas. o Filho do Deus vivo". que. perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem? Embora. disse: Tu és o Cristo. quem dizeis que eu sou? Outra aferição. já não seria um único Deus.

mais que um mestre a ser seguido. Franco Zefirelli. Não imaginavam que a salvação humana custaria tão grande preço.Vi também a cidade santa. do Pai. por se tratar de ajuntamento de pessoas que têm afinidades. ou melhor. é a cena que mais se coaduna com a profundidade do que foi dito. da parte de Deus. (JO 6:44). e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. a exemplo de Pedro. adoração. que deve ser adorado. é Deus a ser adorado. Resposta completa. cineasta italiano. nação e afins.Nazaré é o Cristo. Que pedra? A afirmação. como término de sua primeira parte. indubitavelmente. mostrar-te-ei a noiva . testemunhando sua concordância. porém. a nova Jerusalém. acerca de Jesus. [18] Também eu te digo que tu és Pedro. Deus anunciava a sua visita. ato contínuo. Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és. é a Igreja como noiva: . que dá vida eterna. os demais discípulos tomados pelo impacto da afirmação. esta. que está nos céus. ataviada como noiva adornada para o seu esposo (AP 21:2). Não sei se foi assim mesmo que aconteceu. cena que procurava retratar o texto que estamos trabalhando: Zefirelli descreve Pedro ajoelhando-se enquanto proferia a declaração em questão e. veio um dos sete anjos que têm as sete taças cheias dos últimos sete flagelos e falou comigo. receberam. o Filho do Deus vivo". Jesus está falando de um grupo de pessoas especiais: as pessoas que receberam a mesma revelação que Pedro e os discípulos.Então. Os teólogos entenderam que Deus haveria de mandar um salvador. A Igreja é a reunião dos adoradores de Jesus. apresentado em duas partes. a esposa do Cordeiro (AP 21:9). fez o filme Jesus. características e/ou objetivos comuns. . que dá vida eterna (Jo 17. Jesus é mais que um profeta a ser ouvido.Moisés assim pareceu dizer (Dt 18. que descia do céu. originariamente.30). 184 . Neste sentido a missão da Igreja é agradar o seu Senhor. [17] Então. dizendo: Vem. que chamou de seu afresco. Não foi a convivência com Jesus que os fez saber a verdade. que começa com a entrega da vida.Ninguém pode vir a mim se o Pai.não entenderam que. não o TROUXER. e eu o ressuscitarei no último dia. ao anunciar um salvador. entenderam ser um grande profeta . Simão Barjonas. acerca de Jesus. também se ajoelham. tinha. assembléia. é uma revelação do Pai . e sobre esta pedra edificarei a minha igreja. a revelação: "Tu és o Cristo. que me enviou. A Igreja é a reunião daqueles que. mas meu Pai. Portanto. Foi uma revelação! O conhecimento-experiência.15) . Esse é o conhecimento. Jesus de Nazaré é Deus. O filme. Que igreja? Igreja é uma palavra que pode ser traduzida por reunião. porque não foi carne e sangue que to revelaram. a revelação de que Jesus Cristo é Deus vindo para salvar-nos.

como por espelho. A glória de Deus é a sua bondade (Ex. com o rosto desvendado.a criação: SL 19:1 . A palavra reunião pode dar uma conotação equivocada: de que só há igreja quando essas pessoas. é o mesmo que contemplação amorosa. Aliás. pela contemplação? Adorar tem várias conotações: prestar homenagens. Por isso gosto muito do que o Pedro disse: 1PE 2:9 . porque são estes que o Pai procura para seus adoradores (JO 4:23). mostra-nos o Filho e o Espírito Santo nos transforma. sois raça eleita. Por exemplo: Adorai o SENHOR na BELEZA da sua santidade (SL 96:9). a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Será que a Igreja é edificada enquanto e na medida em que adora? Paulo parece dizer que sim: . Torna-nos parecidos com Ele à medida que o adoramos. porque julgais ter nelas a vida eterna. como pelo Senhor. a reunião das pessoas que estão sendo transformadas pelo Espírito Santo à imagem e semelhança de Cristo.introdução e comentário . Nesta contemplação (adoração) somos edificados. porém. em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. de glória em glória. somos transformados. aqui. O Pai desvenda-nos o rosto (por meio da revelação).Mas vem a hora e já chegou. é a satisfação do desejo do Pai: . também.A noiva. a encarnação da bondade de Deus. contemplando. que tinham 185 . Vida Nova e Mundo Cristão) diz sobre adorar na beleza da santidade: "a verdadeira adoração reflete isto no amor e admiração dados a Ele. e são elas mesmas que testificam de mim. Será que adorar passa. contemplação. também. prestar culto e. nação santa. a glória do Senhor. povo de propriedade exclusiva de Deus. e sobre esta pedra edificarei a minha igreja A partir da confissão-adoração: "Tu és o Cristo. como por espelho.ed. na sua ação de adorar.E todos nós. o Espírito (2CO 3:18).19). na sua própria imagem. Jesus disse "e sobre esta pedra edificarei a minha igreja" num contexto muito peculiar: Haviam três nações.a bíblia: JO 5:39 . sacerdócio real. ii. e encontram. contemplando. Assim Cristo edifica a sua Igreja.Examinais as Escrituras. 33. portanto. também. não apenas para ter informações sobre ele. reverenciar. representadas por três cidades. A igreja perscruta a natureza para ver Jesus.Vós. e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.Os céus proclamam a glória de Deus. Qual é o espelho? Penso e algumas coisas que devem ser usadas como espelho: i. Ele é a vida eterna que está no texto sagrado. o Filho do Deus vivo" Jesus construirá a sua igreja. entre outras. de características especiais. a glória do Senhor. A natureza expressa a glória de Deus. Igreja é." Adoração. Derek Kidner (Salmos . A Igreja lê as escrituras para ver Jesus.

se as portas não resistem ao ataque. uma nação de soldados da libertação. Parte XXXII O PADRÃO BÍBLICO DE AVIVAMENTO Qual o padrão bíblico de avivamento? Os avivamentos bíblicos oferecem alguma coordenada para a renovação da igreja evangélica no Brasil de hoje? Estas são algumas das perguntas que procuraremos responder no decorrer desse estudo.O significado bíblico do termo "Avivamento":. 1. acreditavam que a tal salvação estava em todos submeterem-se a seu modo de pensar. representados por Jerusalém e os gregos. onde a porta é o último bastião. está contido nessa afirmação é o fato de a igreja ser o braço ministerial de Jesus Cristo. Outro elemento que. Pois. Jesus diz que vai fundar uma nação que libertará de fato os homens do inferno.o corpo. No Antigo Testamento:. representados por Atenas. liberando os seus prisioneiros. I . Porém. A medida que a igreja vai sendo edificada vai. mas também purificar. como sacerdotes. como disse João: 1JO 3:8 -Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo. e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Jesus falava no contexto das cidades muradas. O corpo depende da noiva. o que significava submeter-se a eles. assumindo seu papel ministerial. destruindo as obras do diabo. sua nação atacará o inferno e as portas deste não resistirão ao ataque daquela. Eis o projeto de Jesus: uma nação de adoradores . Quanto mais a igreja adora. Os romanos acreditavam que a salvação do mundo estava em todos se submeterem à sua "pax". judeus.a noiva. penso. por sua vez. também. Esta é uma conseqüência natural em 186 . corrigir e livrar do mal. mais eficaz se torna contra o inferno. O verbo hebraico hyh (avivar) tem o significado primário de "preservar" ou "manter vivo". a última defesa. a cidade é invadida e tomada. uma nação de soldados . os gregos.pretensões universais: romanos. pois. "avivar" não significa somente preservar ou manter vivo. ou seja. representados por Roma. Por que ataque? Porque fala das portas não prevalecerem.1. os conduziriam no caminho de Deus. Os judeus acreditavam que a salvação dos homens estava na submissão destes a eles que.

como esta: "Porventura. Outras palavras gregas comparam o avivamento ao reacender de uma chama que se apaga aos poucos (cf. para que em ti se regozije o teu povo?" (Sl 85. No Novo Testamento grego as palavras supracitadas aparecem. Sou devedor ao dileto colega por suas pertinentes observações. mesmo que rápida. Na história de cada avivamento. tira a escória e as coisas que estavam impedindo o progresso da causa (1). Transcrevo-as quase que na íntegra.6) ou uma planta que lança novos brotos e "floresce novamente" (cf. em seu livro AVIVAMENTO URGENTE. mas de Deus. Antes de falarmos sobre avivamento bíblico. apresenta sete interessantes razões sobre o que não deve ser entendido como avivamento de verdade. lemos que Deus purifica. Avivamento não é um programa agendado pela igreja. é usado mais de 250 vezes no Antigo Testamento. 'anastáso. propriamente dito. embora a idéia básica de avivamento seja sugerida com mais freqüência. o avivamento é sempre indicado como uma obra ativa e intensiva de Deus.O que não é avivamento bíblico:. no decurso dos anos. acreditamos ser de grande ajuda uma abordagem.6) (4). A igreja não promove e nem faz avivamento. São elas: 'egeíro.10). 'anaphállo em Fp 4.2. as tuas declarações. no contexto de avivamento. apenas sete vezes. Um verbo nas formas do Piel expressa uma ação ativa intensiva no hebraico. na maior parte do tempo. Alguns exemplos de sua ocorrência são as clássicas orações de Davi. e da clássica oração do profeta Habacuque: "Tenho ouvido. na tua ira. dentro ou fora da Bíblia. lembra-te da misericórdia" (Hc 3. livra do mal e do pecado. do que não é o padrão bíblico de avivamento. em suas várias formas (2). Uma possível explicação para o uso escasso dos termos. em comparação ao Antigo Testamento. Avivamento não é ação da igreja. 'anazopyréo em 2 Tm 1. Avivamento é obra soberana e livre do Espírito Santo. e me sinto alarmado. aviva a tua obra. Encontramos no Novo Testamento grego um conjunto de palavras que expressam o conceito básico de avivamento. A igreja não é 187 .1. faze-a conhecida.2). das quais 55 vezes estão num grau chamado piel. é que o Novo cobre apenas uma geração. 1. II . no decorrer dos anos. Neste sentido. 'anázoe e 'anakaínoo. O verbo "avivar". Hernandes Dias Lopes. No Novo Testamento:. e. ó Senhor. O Rev. 2.toda vez que Deus aviva. um grau incomum de vida espiritual. durante a qual a Igreja Cristã desfrutou. não tornarás a vivificar-nos (3). ó Senhor.

Cometem ledo engano aqueles que querem descartar a teologia e desprezar a doutrina na busca do avivamento. Louvor que apenas levanta as mãos para o alto. "Assim como o homem crê no seu coração. Desprezar a doutrina é querer por um corpo de pé e em movimento sem a estrutura óssea. Sem obediência a Deus. como bater palmas. Louvor não é encenação. num gesto de rendição e entrega (I Tm 2. suava de molhar a camisa. o Espírito foi poderosamente derramado e os corações se dobraram a Cristo aos milhares. Desprezar a doutrina é dinamitar os alicerces da vida cristã. Sem oração da igreja. Não é emocionalismo. com coreografia e instrumental aparatoso. Contudo. em oração fervente.7). mas não as estende para o necessitado não agrada a Deus. Louvor não é pululância. as chuvas torrenciais de Deus não descerão. ajoelhado na neve. Vida sem doutrina gera misticismo e experiencialismo subjetivista. A Bíblia ordena levantar mãos santas ao Senhor. gingos e dança (6). no entanto. muitas vezes feitas na carne. Não é ritualismo. O avivamento jamais acontecerá se a igreja não se humilhar. Desprezar a doutrina é querer levantar um edifício sem lançar o fundamento. em favor daqueles pobres índios. Sem busca não há encontro. Louvor em que a pessoa 188 . Ele é soberano. Deus tem compromisso com a verdade e a sua Palavra é a verdade e todo avivamento precisa estar fundamentado na Palavra. ela só pode içar suas velas em direção a esse vento. em agonia de alma. não anula a responsabilidade humana. Muitos crentes confundem avivamento com forma de culto. jamais haverá derramamento do Espírito. quem determina o quando e o como do avivamento é Deus. A igreja só pode buscar o avivamento e preparar o caminho da sua chegada. é movimento emocionalista. 2. Avivamento não é mudança litúrgica. dizer aleluia. Não há vida piedosa sem doutrina.agente de avivamento.3. 2. é experiencialismo personalista e antropocentrista. A igreja não agenda e nem programa avivamento. A doutrina é a base da ética. Não é apenas seguir formas pré-estabelecidas. O avivamento jamais virá se a igreja não preparar o caminho do Senhor (5). Avivamento sem doutrina é fogo de palha. Aquele jovem. Não é mimetismo.2. Quando o seu coração parecia desalentado e já não havia prenúncios de chuva da parte de Deus. com liturgia animada. A teologia é mãe da ética. amém e levantar as mãos. assim ele é" (Pv 23.8). O avivamento precisa estar norteado pelas Escrituras e não por sonhos e visões. David Brainerd orou vários anos pelo avivamento entre os índios peles vermelhas no século XVIII. Avivamento não é mudança doutrinária. Precisa estar dentro das balizas da Bíblia e não dentro dos muros de revelações subjetivistas. A soberania de Deus. A igreja não produz o vento do Espírito.

Louvor é a totalidade da vida. Este louvor vem de Deus e não do homem. O louvor não é um espaço da liturgia. um hino de louvor ao nosso Deus. onde há liberdade do Espírito. embora o avivamento não seja mudança de liturgia. À luz destas coisas. Deus não procura adoração. mas não vive em santidade. é preciso dizer que. é choro pelo pecado. é preciso dizer que avivamento não é mudança litúrgica. Todavia. Primeiro. a confiarem em Deus. o seu louvor estará sempre nos meus lábios" (Sl 34. no Salmo 40. O louvor bíblico leva as pessoas a temerem a Deus. quebrantamento.23). Avivamento não é histeria carnal.. Um hino de louvor ao nosso Deus". mas novo de natureza. cerimonialista.apenas saltita e pula. onde há abertura para o que Deus deseja falar e fazer com o seu povo.1). vemos a origem deste cântico: "E me pôs nos lábios".. liberta do tremendal de lama (v2). é mudança de vida. Davi. O verdadeiro louvor leva as pessoas a se voltarem para Deus. Este cântico não é para entreter ou agradar o gosto e preferência das pessoas. Terceiro. vemos o objetivo deste cântico: ". mas não leva Deus a sério na vida é fogo estranho diante do Senhor. Ele procura adoradores. é ofensa a Deus. Em épocas de avivamento. "Bendirei ao Senhor em todo o tempo. temerão e confiarão no Senhor". do "rock evangélico". vemos o resultado deste cântico: "Muitos verão estas coisas. Deus é o seu alfa e o seu ômega. Louvor que não produz mudança de vida. a liturgia é desingessada e o povo com alegria e liberdade do Espírito adora a Deus. A música do mundo tem entrado nas igrejas. obediência e não leva as pessoas a confiarem em Deus. alegre. das músicas badaladas por um ritmo sensual. O louvor que agrada a Deus precisa ser em espírito e em verdade. Hoje estamos vivendo a época dos shows evangélicos. Não é um novo de edição. Louvor que apenas verbaliza coisas bonitas para Deus. senão é fogo estranho. sem regras rígidas préestabelecidas. novo. vemos a natureza deste cântico: "E me pôs nos lábios um novo cântico". para vergonha nossa e para derrota nossa. Cada culto é um acontecimento singular. fala-nos sobre as balizas do louvor que agrada a Deus: "E me pôs nos lábios um novo cântico. é barulho aos ouvidos de Deus. fria e morta e põe em seu lugar uma liturgia viva. em espírito e em verdade. Assim diz o Senhor: "Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos. ungida. 189 . Mais do que nunca é preciso tocar a trombeta em Sião e condenar a idéia de que precisamos imitar o mundo para atrair o mundo. todo avivamento mexe com a liturgia. temerão e confiarão no Senhor". muitos verão estas coisa. sem abandonar a ordem e a decência. Este cântico vem de Deus e volta para Deus. dos show-men. formalista. Segundo. versículo 3. Quarto. porque não ouvirei as melodias das tuas liras" (Am 5. O louvor precisa ser bíblico. É um cântico que expressa a marca da sua nova vida. não é louvor. dos animadores de programas religiosos. O avivamento desinstala a liturgia ritualista.

com quem quer. Muitas pessoas hoje estão limitando o avivamento a milagres. Avivamento não é modismo.5. Ninguém pode ser o conselheiro de Deus. Este é um sério perigo. Havia falta de compreensão acerca do casamento e da liberdade cristã. É verdade que. e a cooperação financeira com os pobres negligenciada. esta não é a ênfase do avivamento. cismas.11). havia divisões. a ressurreição dos crentes estava sendo negada. todavia. os dons estavam sendo usados erradamente. brigas. Ele é soberano. pomposos. mas a ênfase carismática não é sinônimo de avivamento. sem observarem a abrangência global da doutrina pneumatológica. Ele faz tudo quanto Ele quer. A igreja hoje empolga-se mais com milagres do que com vida cheia do Espírito. Ele é livre. Entretanto. Ele não se deixa pressionar. Avivamento não é conhecido pelos dons do Espírito. tornando-a bíblica. Embora o avivamento não seja mudança litúrgica. contendas. "Ele faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade" (Ef 1. mas pelo fruto do Espírito. por desconhecimento. Toda vez que super-enfatizamos uma verdade em detrimento de outra. os dons são buscados e exercidos para a glória de Deus e a edificação da igreja. Avivamento não é uma ênfase carismática unilateral. quando quer. Naquela igreja profundamente carismática.Hoje existem muitos cultos solenes. em épocas de avivamento. Uma igreja pode ter todos os dons sem ser uma igreja avivada. Deus pode e faz maravilhas. curas e prodígios extraordinários quando Ele quer. Ninguém pode instruir a Deus e dizer o que Ele pode e o que Ele não pode fazer.4. Disse J. mas estão mortos. como quer. onde quer. I. se posicionam contra o avivamento porque acham que ele é a mais nova onda da igreja. alegre. dirigida pelo Espírito de Deus. Ninguém pode deter a sua mão. A igreja hoje anseia mais as bênçãos de Deus do que o Deus das bênçãos. A igreja hoje busca mais uma vida antropocêntrica do que teocêntrica. Packer no seu livro "Na Dinâmica do Espírito": "Não há nada mais solene do que um cadáver. imoralidade e irmãos levando outros irmãos aos tribunais mundanos. Naquela igreja a ceia do Senhor estava sendo incompreendida. Devemos clamar como os puritanos: "Queremos liturgia pura". Muitos crentes. aparatosos. Ninguém pode obstaculá-lo nem ensinar-lhe qualquer coisa. 2. Avivamento não é efervescência carismática. era uma igreja imatura e bebê espiritualmente. todo avivamento muda a liturgia. Acham que avivamento é uma 190 . ungida. A igreja hoje está correndo mais atrás de sinais do que atrás de santidade. Ele não obedece à agenda dos homens. Há cultos solenes que estão mortos". 2. nós produzimos deformações e distorções nesta verdade. A igreja de Corinto possuía todos os dons. curas e exorcismos. partidos.

econômicas. Esta não é a visão bíblica nem a visão do verdadeiro avivamento. O avivamento sempre traz profundas mudanças políticas. pessoas que estão mortas em delitos e pecados. O avivamento não leva a igreja à fuga. Certamente. Acham que Deus está interessado apenas nas coisas espirituais.6. Avivamento não é uma visão dicotomizada da vida. pessoas que já têm vida. Ele possui firmes lastros históricos. Na evangelização. no avivamento. É só ver o grande avivamento em Jerusalém. os pecadores correm para a igreja. evangelização é para o mundo. 191 . matéria e espírito. Não podemos confundir avivamento com campanhas evangelísticas. Certamente. É só ver o que Deus fez na Reforma do Século XVI. os estudos e a vida do dia-a-dia com o mesmo interesse. É só olhar para os grandes despertamentos na época de Ezequias. a igreja vai aos pecadores. Todo o nosso viver é litúrgico. o trabalho. não é um modismo. Finney pregou ardorosamente contra a escravidão nos EUA no século passado ao mesmo tempo que foi o maior avivalista do seu país. os pregadores apelam aos pecadores. O grande avivalista John Wesley lutou pelas causas sociais na Inglaterra ao mesmo tempo que pregou sobre avivamento. em Antioquia da Síria e em Éfeso. avivamento não é uma onda. Muitas pessoas. Acham que Deus só olha para a vida de trabalho na igreja. isolam-se. no avivamento. sem observar os negócios. quando começam a buscar avivamento. os pecadores apelam aos pregadores. fazendo da vida uma caverna de fuga. Os pontos culminantes da igreja aconteceram em épocas de avivamento. Tudo em nossa vida é vazado pelo sagrado. Tornam-se tão "espirituais" que já não sabem mais conviver com a vida. Na evangelização. em Samaria. corpo e alma. evangelização é para pecadores inconversos. 2. Avivamento é para crentes nascidos de novo. Na evangelização. na Inglaterra. Querem sair do mundo em vez de serem guardados do mal. a igreja trabalha para Deus. Deus trabalha para a igreja. João Calvino atacou com veemência os juros extorsivos em Genebra. de Josias e de Neemias.7. Toda a nossa vida é cúltica. aqueles que assim pensam não estudam com critério a Bíblia nem a história da igreja. sociais e morais. 2. Ele é nossa herança e nosso legado e deve continuar sendo nossa aspiração e nossa busca constante. Dividem a vida entre sagrado e profano. saem da realidade e enclausuram-se nos castelos inexpugnáveis de uma espiritualidade isolada e monástica. no avivamento. mas ao enfrentamento.coqueluche moderna e uma inovação sem nenhum respaldo bíblico e histórico. Desde o Antigo Testamento que esta é uma verdade incontestável. a família. Avivamento é para a igreja. Avivamento não é campanha de evangelização. no século XVIII e em outros grandes avivamentos da história.

Ele causa impacto em toda a comunidade onde a igreja de Deus está inserida" (9). por definição. Os efeitos do reavivamento são muito mais perceptíveis nas mudanças morais que acontecem na região ou num país onde ele acontece. Em suma.1. Martin Lloyd-Jones: É uma experiência na vida da Igreja quando o Espírito Santo realiza uma obra incomum. oração fervorosa e louvor sincero. Isto acontece porque. Como a própria expressão define.III . Não se pode reviver algo que nunca teve vida. Ele não se limita simplesmente aos membros das igrejas atingidas pela obra de Deus. mas a sociedade não-cristã também é beneficiada pelo avivamento. o avivamento é primeiramente uma vivificação. O sentido estrito de avivamento. por sua vez. assim. Comentando um pouco mais sobre o sentido estrito de avivamento. Acertadamente o Dr. primeiramente.2. as duas características principais do avivamento são 1) o extraordinário revigoramento da igreja de Cristo e 2) a conversão de multidões que até o 192 . 3. Héber de Campos comenta que "o reavivamento começa na igreja e termina na comunidade maior onde ela vive. Ou. a missão integral de servir o mundo evangelística e socialmente. diz o Dr. Em outras palavras. No avivamento a igreja vive a missão para a qual foi chamada. os resultados imediatos do avivamento são sentidos no povo de Deus: senso inequívoco da presença de Deus. na igreja passa a existir uma conscientização profunda de sua missão. além da atuação soberana do Espírito Santo no mundo. como disse Robert Coleman. entre os membros da Igreja: é um reviver dos crentes. convicção de pecado na vida das pessoas. um revigoramento. O Espírito Santo renova. Quando há esse impacto da obra do Espírito de Deus na vida da igreja. quase moribundos (8). volta-se para Deus em resposta ao evangelho. a igreja amortecida e tristemente doente é a primeira a ser beneficiada pelo avivamento. A sociedade não-cristã. neste sentido não apenas a igreja.O Padrão Bíblico de Avivamento: Podemos definir o avivamento bíblico em dois sentidos distintos: 3. O sentido amplo de avivamento. isto é. um despertamento de membros de igreja que se acham letárgicos. É revitalização onde já existe vida. dormentes. Ele a realiza. Estritamente falando. reaviva e desperta a igreja sonolenta. avivamento é algo que acontece unicamente no meio do povo de Deus. é "o retorno de algo à sua verdadeira natureza e propósito" (7). desejo profundo de santidade de vida e aumento perceptível no desejo de pregação do evangelho.

Estamos falando do único padrão inerrante e infalível de avivamento: a Bíblia. Voltando ao lugar da Bíblia no avivamento. Aqui também abordaremos dois aspectos essenciais do avivamento. É necessário. é fundamental o equilíbrio que só a Bíblia oferece. "que é produto da obra do Espírito Santo na igreja. mais do que nunca. Uma delas dizia: "Reavivamento aqui todas às segundas-feiras à noite". A relação entre a Bíblia e o avivamento é tão intrínseca que é impossível um avivamento de verdade sem que a Bíblia faça parte dele. Além disso. uma das maiores autoridades sobre avivamentos. Orr menciona este fato para relatar um desses extremos em que a palavra "avivamento" ou "reavivamento" é usada aleatoriamente. Edwin Orr (10). Sabemos que hoje existem desde aqueles que vêem toda e qualquer manifestação entusiástica como avivamento. até àqueles que negam a sua existência. A Bíblia passa novamente a ser honrada como a única Palavra inspirada de Deus" 193 . certamente tem sua ênfase naquilo que tem sido esquecido por muito tempo: a Palavra de Deus. diz o Dr. é e sempre será a espada do Espírito Santo em todo avivamento bíblico. enquanto que a outra prometia: "Reavivamento aqui todas às noites. Avivamento e a Bíblia. como se o avivamento fosse produzido simplesmente pelo desempenho humano com data e hora marcadas. exceto às segundas-feiras". ou quando muito acham que avivamento é a mais nova onda do momento. Héber de Campos. notamos que os objetos do Espírito eram sempre persuadidos com e para a Bíblia.momento estiveram fora dela na indiferença e no pecado. recorrermos à lei e ao testemunho. Avivamento onde a Bíblia não está presente não passa de um mero pentecostalismo convencional. Permita-me ilustrar o que queremos dizer por "extremos". ela é tão autêntica e singular como dois e dois são quatro. Observando os avivamentos ocorridos na Bíblia e na história da igreja. é importante salientar que ela foi. é ela e somente ela que nos pode dar a direção certa deste assunto. Uma vez que a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática. 1) O padrão bíblico de avivamento é a Bíblia Por mais simplória e pleonástica que esta declaração pareça ser. "Um reavivamento". A autoridade da Palavra de Deus passa ser algo extremamente forte num momento genuíno de reavivamento. disse que viu duas igrejas nos Estados Unidos convidando pessoas para suas reuniões de avivamentos.3. 3. numa época de tantos extremos como este em que vivemos. uma inovação humana sem respaldo bíblico. Não existe verdadeira espiritualidade sem a Bíblia. uma coqueluche moderna.

2) O padrão bíblico de avivamento está na Bíblia Os primórdios do avivamento bíblico aparecem em Gênesis. é outro grande exemplo (I Rs 8). Considerando o assassinato de Abel (Gn 3. e exigiu que cada um escolhesse.9-15). Então. A marcha de Davi. A dedicação do templo.1-8. entrando com a arca em Jerusalém. À parte desta indicação não existe nenhum outro relato de avivamento no princípio da história da raça humana. O período de trezentos anos de liderança dos juízes mostra os israelitas. No tempo de Josué um despertamento espiritual predominou em suas campanhas. e todos os dias dos anciãos que ainda viveram muito tempo depois de Josué. Depois temos os patriarcas que por vários séculos lideraram o povo de Deus.21-28). possui muitos ingredientes de um avivamento (2 Sm 6. Sempre que a vitalidade espiritual do povo se desvanecia. 6.12) e na conquista de Ai (Js 7.26) (12). "É provável que fosse um reflexo da consciência da depravação humana e da necessidade da graça divina" (13). O relato subseqüente do dilúvio ilustra de modo dramático o que acontece com um povo que não se arrepende de seus pecados. eles agiam como a força que promovia novo vigor. a quem servir (Js 24. de uma vez por todas.12-23). na outorga da lei do Senhor no Sinai (Ex 19.35). e sabiam toda a obra que o Senhor tinha feito a Israel" (Js 24. no início do reinado de Salomão.6. Tempos de renovação ocorreram periodicamente no período dos reis. como na travessia do rio Jordão (Js 3. O breve avivamento na casa de Jacó é um bom exemplo disso (Gn 35. pouco depois do nascimento de seu filho Enos: "Então se começou a invocar o nome do Senhor" (Gn 4. 24.1-15).15.7.29) e no levantamento da serpente de bronze no monte Hor (Nm 21.4-9). especialmente nos acontecimentos ligados à primeira páscoa (Ex 12. o que se pode chamar de "o grande despertamento geral" ocorreu nos dias de Sete. Um verdadeiro avivamento segue-se a esse desafio.9-15) e o aparecimento cada vez mais forte de doenças na raça humana.1-15).10). Um dos maiores movimentos avivalistas aparece no final desse período. Segundo Coleman. 32. 4.9.1-25. Mas quando terminaram as guerras e o povo se assentou para desfrutar os despojos da vitória. de quando em quando.3. O juízo de Deus é inevitável. o povo se arrepende e clama ao Senhor (Jz 3. O que é deveras significativo. O avivamento também chega a Judá nos dias de Asa (I Rs 15. sob a direção de Samuel (I Sm 7.(11). Josué reuniu as tribos de Israel. uma apatia espiritual se apoderou da nação. outro rei de Judá. 10. Mais tarde.31). Sabendo que seu povo estava dividido. há períodos empolgantes de refrigério. o nome Enos era bastante adequado. enviando-lhes um libertador que liberta o povo na vitória contra os inimigos. O nome Enos quer dizer fraco ou doente. Em cada ocasião Deus responde as orações. prosseguindo durante "todos os dias de Josué.1-5.1-8. traindo o Senhor e servindo a outros deuses. E Josafá. em Siquém.1-17). sob a liderança de Moisés. lidera uma reforma (I 194 . após longos anos de opressão.1-35.

na Alemanha com a Reforma Protestante do século XVI. O poderoso derramamento do Espírito Santo. "vivificação". do Salmo 85. na Inglaterra no século XVIII. Veja também. em Antioquia da Síria e em Éfeso. Escolhe e treina seus discípulos. quando Neemias se apresenta para completar a construção dos muros de Jerusalém e estabelecer um governo teocrático (Ne 1. No apogeu de um grande avivamento Jesus aparece e é batizado por João Batista.1-6.35).23. durante o reinado de Josias. dentre outros. AVIVAMENTO SOB UM PRISMA VÉTERO-TESTAMENTÁRIO no site www. de Gerard Van Groningen. M. pp. novas reformas são iniciadas em Jerusalém.8)" (14). ascende aos céus. deixando-os na expectativa de receberam a promessa do Espírito (Lc 24. São Paulo: Editora Vida. (2) Os termos "avivamento".ipcb.1-26). os profetas Ageu e Zacarias entraram em cena para instigar o povo a prosseguir (Ed 5. dá início a um dos maiores avivamentos registrados na Bíblia (2 Rs 22. Avivamento em Jerusalém. como igreja e povo brasileiros. "reviver" e "tornar a viver" são usados no mesmo sentido. Habacuque 2. "Marca-se.23. bem como o sacerdote Joiada (2 Rs 11. entre os negros Zulus da África do Sul na década de 60 e na Coréia do Sul nestes últimos tempos. sairia em seu nome a proclamar o Evangelho 'até os confins da terra' (At 1. "despertamento". como por exemplo. O livro de Atos registra a dimensão desse avivamento.18). o início de uma nova era na história da redenção. é "causa-nos viver". discipulada por intermédio de seu exemplo.1-4.22. Outro poderoso despertamento é vivenciado na terra sob a liderança do rei Ezequias (2 Rs 18. O avivamento alcança o auge poucos anos depois.Rs 22. 2 Cr 34. experimentar mais uma vez daquele "fogo abrasador" que nos purifica e nos santifica para uma vida cristã de obediência à sua Palavra. outra vez começa a reacender um novo avivamento (Ed 1. DO TEMOR À FÉ (2ª ed.14-3.1-2.1-13.41-50). Tendo as intimidações dos inimigos induzido os judeus a interromperem a reconstrução do templo. dando-se mais atenção à lei (Ed 7. inaugura o avivamento que Jesus havia predito (At 2.1-10. Que Deus derrame do seu Espírito sobre nós para que possamos.28-32. "renovação". com a chegada de outra expedição liderada por Esdras.org. no dia de Pentecostes.6. Ag 1. redimida por seu sangue. NOTAS (1) Cf. "reavivamento". Por fim.o dia em que a Igreja. Zc 1.4-12. em Samaria.49-53. Uma oração por avivamento e a promessa de sua ocorrência encontramos também em Joel 2.1-47). Lloyd-Jones. assim.19 e Malaquias 4. At 1. 8. (3) O significado literal da expressão hebraica "vivificar-nos".br. Por três anos Jesus trabalhara na preparação desse dia . garantida por sua ressurreição.1-21. E de lá para cá. D. Setenta e cinco anos depois.16). Ainda. 1987). a descoberta do livro da lei. onde se reconhece que a vitalidade espiritual depende 195 . 73.1-23). sob a liderança de Zorobabel e Jesua.44).24).4.31). são muitos os relatos da obra vivificadora do Espírito Santo na história da igreja.

p. 44. a práticas pentecostais.. (4) O Novo Comentário da Bíblia. dá a este Salmo o sugestivo título: UMA ORAÇÃO PEDINDO REAVIVAMENTO. veja a obra do Dr. cit.1 . C. Edijéce Martins Ferreira. acabaremos desistindo no meio do caminho. (9) Héber C. etc. Pierson. disposição e acima de tudo uma visão clara do trabalho que vai realizar. 15. Vol I. A HISTÓRIA DOS AVIVAMENTOS. 18.qual a sua visão do seu ministério pessoal? 02. (6) Uma posição semelhante foi apresentada pelo Rev. p. CRESCIMENTO DA IGREJA: COM REFORMA OU COM REAVIVAMENTO? In Fides Reformata. p. Edições Vida Nova.2 Coríntios 6: 1-10 2. M. (7) R. a sermões eletrizantes. 45. levantar de mãos. Essas atitudes em si não são propriamente prejudiciais. Veja também. (8) D. 53.Em primeiro lugar vamos examinar os fatores internos que influem no ministério cristão. op. quando avivamento é tão somente uma consciência clara e profunda da vontade de Deus (que é doutrinária) e uma disposição plena de obediência (que é prática)".vocação pressupõe . 1993). (5) Para um ponto de vista diferente. 12): "Confunde-se avivamento com atitude pessoal e inclusive corporal (física). VAMOS VER O MINISTÉRIO PELA PERSPECTIVA DE PAULO . Coleman. (10) Citado por Brian H. 25. 196 . (11) H. A CHEGADA DO AVIVAMENTO MUNDIAL (São Paulo: CPAD. p. pp. o excelente livro AVIVAMENTO (São Paulo: PES.. Lloyd-Jones.5. OS PURITANOS: SUAS ORIGENS E SEUS SUCESSORES (São Paulo: PES.6. do mesmo autor. Todavia. (12) R. p. (13) Idem. p. porque se dá ênfase excessiva ao louvor. Paul E. Coleman. 1992) 320 pp. material apostilado pela Faculdade Teológica Sul Americana de Londrina . (14) Idem.compromisso. Campos. cit. Nº 1 (São Paulo: 1996). . 1996).PR. O MINISTÉRIO NÃO É UMA PROFISSÃO E SIM UMA VOCAÇÃO .inteiramente de Deus. 1994). pela confusão que se faz a doutrina sai perdendo. Edwards em REVIVAL! A PEOPLE SATURED WITH GOD (England: Evangelical Press. op. 61 Parte XXXII O QUE É MINISTÉRIO? TEXTO 2 CORÍNTIOS 6:1-10 01. Há uma superficialidade doutrinária muito grande. Se não soubermos administrar esses fatores. com expressão emocional. pp. em entrevista ao Jornal Brasil Presbiteriano (Abril/94. Campos.

não é ser simplesmente ser gentil. de vesuviar. é chamado de Ativistas.significa a habilidade em conservar o projeto do ministério mesmo quando as águas são agitadas. . .esta palavra tem o sentido de "espremer". de estabilidade. de firmeza! . de largar tudo. . Todo mal vem de Satanás e deve ser enfrentado com ousadia! . .paciência .Nas privações . Vale a pena reler Romanos 12:12 "Sede pacientes na tribulação.Nas aflições ." C . . XVII na França e na Itália e foi chamado de Quietismo. Tem de ser um heroi 24 horas por dia! Nós sabemos que há momentos no ministério em que a vontade é de desaparecer. Quem ainda não passou por esses vales profundos de pobreza ministerial. Isto é.O pastor segundo os ativistas não deve ficar deprimido. A síntese desse movimento era que o mal foi planejado para o nosso bem. "afligir". eu ouvi uma certa ocasião um pastor afirmar que nós precisamos ter pelo ao menos três pessoas compartilhando do nosso ministério. Somos e procuramos exteriormente demonstrar uma força que muitas vezes não temos. podemos acabar com todas as enfermidades. O sentido da palavra aponta para um espírito de perseverança.Privação . Esse conceito nasceu no Séc. Não podemos nos esquecer de que o pastor é antes de tudo um sacerdote chamado para interceder junto a Deus pelo povo. Tudo o que acontece nesse campo de dores vem de Deus.A primeira é a de aceitar as aflições como uma disciplina de Deus. Você não consegue tirar nem uma gota de inspiração.A . com todas as dificuldades da vida.O outro lado que se opõe frontalmente ao quietismo.Há momentos em que a Bíblia parece um livro fechado. através do exercício da fé. Para os ativistas.um dos grandes problemas do ministério é que o pastor nunca se acha fraco.Ilust. Poucos são os pastores que demonstram paciência no exercício do ministério.Pergunta: você tem exercido esta paciência em seu ministério? B . "restringir".Há duas situações neste contexto que precisam ser compreendidas: .. Esta habilidade hoje está muito comprometida. de permanência. . Portanto devemos nos aquietar.tem o sentido de passar por "experiências adversas". 197 . As aflições não podem nos afastar deste propósito.Na muita paciência .Crisóstomo afirmou: "a paciência é um porto que desconhece tempestades". O medo de fracassar é um fantasma que ronda com muita freqüência o pastorado.Ser paciente . ..

Alguém que dependa de você para vencer as dificuldades da vida. Você se esforça. Mas sempre há alguém mais próximo de nós.Marcos 14:66-71 . . Nestas circunstâncias o pastor é levado a se esconder atrás de disfarces. A . O enfoque maior desta palavra se refere as "feridas".o sentido aqui é de "estreitamento". não consegue progredir.Em terceiro lugar você precisa de um Paulo .Aqui surge um outro problema.Adão tentou se disfarçar com uma folha de figueira. Você não pode caminhar sozinho. luta mas não consegue avançar. Estas marcas ainda são necessárias ao ministério. Esse sofrimento não tem muito a ver com sofrimento físico. Alguém que possa servir de referencial para você nos momentos de provação.o sentido desta palavra aponta para um dos sofrimentos maiores do ministério. uma perda da capacidade de amar. 198 . Alguém com quem você possa se abrir.Em segundo você precisa de um Barnabé . Procurou encobrir o seu erro camuflando-se diante de Deus. 87). Angústia faz parte do ministério. . Eu sei que é muito difícil você se abrir com um colega com o qual você não tem uma amizade verdadeira.Nas angústias . pg. fechado.Em açoites . Hoje isto quase não acontece. 2. e não deve se abrir com muita gente.alguém a quem você possa ensinar. . É o que os pais fazem com os filhos.alguém que esteja no mesmo nível espiritual que você.Ananias e Safira . contar suas frustrações e receber todo apoio. uma inibição de toda atividade e uma diminuição dos sentimentos de valor próprio até o ponto de auto-recriminações e auto-injúrias. Quando você tem alguém sob sua responsabilidade você se desdobra em busca de socorro.São frequentes os momentos em que os espaços diminuem. em nossa mente. D . . A idéia é que o ministro pode a qualquer momento ser confinado. . Freud analizando os aspectos da melancolia chegou à conclusão que ela produz "uma anulação do interesse pelo mundo exterior. .Em segundo lugar vamos examinar os fatores externos que acontecem com muita frequência no ministério. Este ponto é muito importante no ministério pastoral..Em primeiro lugar você precisa de um Timóteo . aos "golpes" que recebemos em nossas emoções..Aqui também corremos um outro perigo: o de produzir um estado de melancolia." (As Máscaras da Melancolia.2 .alguém que esteja acima de você e que possa orientá-lo nos seus momentos difíceis.Pedro por sua vez demonstrou um espírito de arrogância quando foi confrontado pela criada .usaram a aparência de santidade para impressionar o apóstolo Pedro. ser levado a um ambiente apertado..Paulo tinha as marcas de Cristo em seu corpo. . .

A .Lembre-se: ministério sem dor não é ministério. George Barna diz algo muito interessante: Ele fala da ausência programada do pastor. Ainda hoje sofremos este tipo de problema na igreja. Precisamos estar preparados para sofrermos esses golpes. É importante saber que não estamos livres de tumultos na igreja.eu creio que não estamos ferindo o texto bíblico ao aplicarmos estas experiências de Paulo em nosso contexto social. não podemos fugir desse compromisso.Em quarto lugar Paulo nos mostra como devemos ser. O que não pode ser esquecido é que sem trabalho o ministério não cresce. nos jejuns. 199 . Eles fazem parte da nossa chamada.4 . Fomos aprisionados por Cristo. "Uma estratégia que funciona bem. Eu não sei quanto tempo você dedica ao exercício de vigiar. Hoje poucos sabem o que é uma prisão. 2. Poucos são os pastores que exercem esse ministério." (Igrejas amigáveis e acolhedoras).Eu sei que cada pastor tem um sistema próprio de vida. de "instabilidade". Neste ponto nós podemos nos identificar com o apóstolo Paulo. . de isolamento.. Há muita gente interessada em tumultuar o ambiente.Sobre o isolamento pastoral. . Ele diz que é fácil alimentar um espírito de desforra. de jejuar. . Lewis fala da "paixão vingativa". a breve ausência do pastor realmente fortalece a sua igreja.o sentido aqui é de "vacilação". não é distração". Eles experimentam a alegria de saber que a igreja não é um espetáculo de um único homem.O Bispo Roberto sempre dizia: "ministério é trabalho. C . para uma ausência planejada". Mesmo com todas as dificuldades já apontadas.nos trabalhos. Há correntes contrárias que tentam desestabilizar o nosso ministério. E esse trabalho exige momentos de reflexão. Uma série de virtudes são apresentadas neste bloco. B . (Efésios 3:1). fazendo o resto da equipe funcionar como uma unidade . de afastamento de tudo e de todos para ouvir a voz de Deus. 2. . Ficamos na espreita aguardando uma oportunidade para crucificar aqueles que provocaram as divisões. Ele aponta um trio de atividades que não podem ser menosprezadas.3 .Em terceiro lugar Paulo mostra o que o ministério exige de cada um de nós. de "desesperança". nas vigílias.S.nas prisões . .O perigo é querer punir os autores desses conflitos.Devemos portanto pensar em prisão no sentido de não termos outro espaço para viver a não ser o do ministério. E afirma: "Nas igrejas crescentes. é fazer o pastor afastar-se da igreja. C.nos tumultos . no caso da maioria das igrejas crescentes.

. no amor não fingido. . Esta falta enfraquece o ministério. mas sempre alegres . ORLANDO COSTA E A IGREJA BRASILEIRA Introdução Orlando E. transparência. Além disso. Temos dado pouca ênfase nas manifestações do Espírito. em San José. gentileza.A . Era pastor e teólogo batista. 200 . na ocasião de seu falecimento. Temos tudo e ao mesmo tempo não temos nada.no amor não fingido . pobres.na bondade . na longanimidade. .pureza . aos 45 anos de idade. . na bondade. quer defensivas. Não ficar alheio ao que acontece no mundo. . nada tendo. 2. .no Espírito Santo .fala de tolerância. eis que vivemos.significa simplicidade. Não devemos apenas interpretar um papel que não vivemos na realidade. ocupou o cargo de segundo vicepresidente do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI) e. mas possuindo tudo. quer ofensivas. em Massachussetts. . Graduou-se doutor em teologia e missiologia nos Estados Unidos. fundou o Centro Evangélico Latino-Americano de Estudos Pastorais (CELEP). entretanto bem conhecidos. no Espírito Santo. vitimado por um câncer. Assim é o ministério pastoral. A . Costas (1942-1987) nasceu em Porto Rico e faleceu nos Estados Unidos. entristecidos.5 . de resistência.estar afinado com o movimento da ciência. Que ninguém desanime nesse caminhar.na pureza. Pouco falamos sobre os dons do Espírito. Há muitas oportunidades a nossa frente. como desconhecidos e. atuava como professor no Andover Newton Theological School. como se estivéssemos morrendo e. porém não mortos. mas enriquecendo a muitos.longanimidade . sinceridade.generosidade. na Filadélfia. como castigados. onde também foi professor de missiologia e diretor de estudos hispânicos. no saber.no poder do Espírito. por infâmia e por boa fama.Há uma série de paradoxos neste texto.na palavra da verdade. Atuou como administrador da faculdade do Eastern Baptist Theological Seminary.Em quinto lugar Paulo mostra o que devemos fazer em nosso ministério.Nós fomos chamados para um ministério singular. Ser paciente para com os demais.amor não teatral. em 1973.saber . pelas armas da justiça. e como vice-presidente da Fraternidade Teológica LatinoAmericana. por honra e por desonra. como enganadores e sendo verdadeiros. .eu disse a igreja que nós perdemos um pouco da nossa característica.Quem consegue entender esta composição bíblica consegue também exercer um trabalho rico e abençoado por Deus. Foi reitor e professor do Seminário Bíblico Latino-Americano de Costa Rica. no poder de Deus. contudo. Costa Rica. . .

rejeitando o que chamou de "império norte-americano". 1. como por exemplo: O crescimento é motivado pelo Espírito Santo? O crescimento está relacionado com os frutos do Espírito? A fé do crente é vibrante. Contudo. mas o mundo em sua complexidade. faz um comentário interessante sobre as dimensões do crescimento integral de Orlando Costas em seu artigo Avaliação Teológica do Ministério Integral em Servindo com os pobres na América Latina: Modelos de Ministério Integral. Questionou a hegemonia política na América Latina. não se deixava impressionar simplesmente com números. a importância e a necessidade de uma igreja crescer. também não pode servir como critério de avaliação de crescimento. Além disso. Nosso trabalho visa a igreja brasileira em solo brasileiro. Crescimento de igreja sem saúde é mera inchação.Orlando Costas esteve no Brasil em junho de 1984. Costas rompeu com a cultura anglo-saxônica e a mentalidade colonialista que subjuga os povos latinoamericanos. Esta pesquisa é uma simples tentativa de se aplicar os conceitos de crescimento da igreja de Orlando Costas a nossa realidade brasileira. Padilla é amplo demais. ao mesmo tempo. Entendendo que a fé não é "uma herança familiar". O renomado teólogo considerava-se um "teólogo na encruzilhada". era cuidadoso em sua análise de crescimento numérico de uma igreja. saúde sem crescimento é contradição de termos. Assim. o rol de membros de uma igreja. (1). tal crescimento não deve ser almejado e nem considerado sadio quando a ética cristã está em jogo. Ele entendia que antes de tudo algumas questões importantes deveriam ser levadas em consideração. Entretanto. sentiu-se atraído pela evangelização do povo latino-americano. Orlando Costas. Não é um trabalho original no que se refere ao estudo dos tipos de crescimento propriamente dito. Haja vista o clássico episódio em que Orlando Costas visitou uma igreja pentecostal no Chile. O CRESCIMENTO NUMÉRICO DA IGREJA BRASILEIRA O crescimento numérico da igreja evangélica brasileira deve fazer parte do desejo de todo cristão sincero. Chegando lá. segundo Costas. Seu enfoque é a América Latina como um todo. atrelada à ditadura militar do general Augusto Pinochet. calorosa e esperançosa? Ele é amoroso? Sua fé é vista através da ação? A fidelidade. por exemplo. enveredou-se pela "libertação social e cultural". 201 . porque uma igreja que não cresce está fora dos propósitos de Deus. participando da V Semana de Atualização Teológica. Admirou a liderança jovem da igreja brasileira e criticou seu fraco desempenho teológico. o que requer a mobilização da igreja em busca de uma prática libertadora integral. entendendo que a missão da igreja não é simples comunicação da fé. por exemplo. Entre seus escritos são dignos de destaque o artigo Dimensões do Crescimento Integral da Igreja e o livro Compromiso y Misión. René Padilla. Embora reconhecesse o valor. constatou que uma igreja como aquela não podia crescer saudavelmente estando. pois o crescimento deve ser o resultado natural de uma igreja saudável.

Costas entendia que estas devem ser preocupações salutares e necessárias. existem aquelas que experimentam um crescimento fenomenal e intrigante até. do mesmo modo como estas deveriam crescer? 2. sabemos de tantas igrejas que estão marcando passo. Por outro lado. propriamente dito. e por uma razão óbvia: no Brasil existe uma forte tendência em se achar que todo e qualquer crescimento de igreja é obra do Espírito Santo. o tipo de atividade na qual investe seu tempo e recursos e sua celebração cultural" (4). É importante deixarmos claro que Orlando Costas não era (e jamais foi) contra o crescimento da igreja. não pode ser aceito como crescimento verdadeiro. O que. Isto é um princípio bíblico que Costas fazia questão em destacar. E o que dizer do crescimento orgânico da igreja? Primeiramente é preciso saber o que é crescimento orgânico na concepção de Costas. Contudo. "é parte fundamental do ser da igreja" (3). É preciso discernimento e critério de avaliação. As indagações levantadas por Costas precisam ser ponderadas por todos nós. com pouca ou nenhuma perspectiva de sua missão e de seu crescimento. pois nenhuma igreja foi formada para ficar estagnada e parada no tempo. e com razão. Entretanto. de acordo com os preceitos bíblicos. E por que não? Porque nem sempre a ética cristã de uma vida santificada tem andado de mãos dadas com o crescimento de nossas igrejas. esta não é a realidade geral em nosso país. Na questão de crescimento da igreja não podemos ser totalmente crédulos de um lado e nem céticos do outro. O que Costas questionava. Contudo. Os extremos são sempre perigosos. ou mesmo a falta dele. De acordo com ele. Orlando Costas dizia que o crescimento numérico da igreja. eram os meios muitas vezes utilizados para se chegar em tal crescimento. Pelo contrário. Todo crescimento de igreja. mas que estão crescendo saudavelmente. deve ser criteriosamente analisado. Temos no Brasil igrejas abençoadas: algumas grandes. por si só. Porém. seus líderes. Independente de ser pentecostal ou histórica. engessadas em suas tradições ou em seus usos e costumes. fica a pergunta: aquelas estão crescendo realmente com saúde. As igrejas pentecostais do Brasil sempre serão um desafio saudável às igrejas históricas. esta não é a regra geral. todas devem crescer. O que não significa dizer que não haja igrejas crescendo com autenticidade. Embora nem todas as igrejas tenham vocação para ser mega-igreja. esta dimensão inclui aspectos da vida interna da igreja como "sua forma de governo.espiritualidade e encarnação (2) estão presentes na vida da igreja? Estas questões são fundamentais para se avaliar o crescimento da igreja brasileira hoje. outras nem tanto. o crescimento orgânico da 202 . segundo Orlando Costas. O CRESCIMENTO ORGÂNICO DA IGREJA BRASILEIRA Vimos no tópico anterior que o crescimento numérico não tem sido tão favorável para a igreja evangélica brasileira de modo geral. sua estrutura financeira.

uso do tempo e do templo estão voltados para o deleite de nossas próprias igrejas. Um bom (ou seria mau?) exemplo disso é o que a igreja geralmente faz com seus novos membros ou recém-convertidos. na intenção de constituir-se em uma verdadeira comunidade com raízes autóctones" (6). Infelizmente a IPB é hoje o que jamais deveria ser. tira o convertido do mundo e jamais o envia de volta a ele. Devemos reentrar no mundo de que saímos. atualmente. então não é tão boa quanto se pensa'. mas. até porque o maior potencial de uma igreja é o crente novo. O crescimento orgânico é um dos tipos mais naturais de crescimento experimentado pela igreja brasileira. de uns tempos para cá. uma igreja missionária. denominação da qual sou pastor.13. ainda tem muita estrada para se rodar. todavia uma nova pessoa com novas convicções e padrões. no geral. Se o primeiro mandamento de Jesus foi 'Vinde' o segundo foi 'Ide'. pena que às avessas. A igreja não pode servir de tropeço para ela mesma. A igreja que se orgulha de sua teologia calvinista esquece que Calvino possuía uma consciência missionária profunda (8) sendo. as igrejas tendem a 'eclesiastizar' seus membros. A nossa evangelização. cerca de 80% a 90% dos recursos financeiros. Sua obediência a Cristo se faz apenas mediante canais institucionais ou pietistas: reuniões e programas. voltado para dentro de si mesmo. Boa parte de nossas igrejas que pensam serem missionárias na verdade apenas fazem missões. À luz do que vimos até aqui. se a 'muita coisa boa' estiver desassociada de missões. formação de líderes. É verdade que sua visão e missão. Nosso alvo deve ser a missão da mesma pessoa no mundo. entre outras coisas. Segundo pesquisas.igreja não deve ser introspectivo. Costas fazia questão de deixar isso bem claro (5) e René Padilla interpretou muito bem o pensamento do missiólogo quando disse: "Ele (o crescimento orgânico) abrange. porém. As palavras de Shelley deve nos levar a uma reflexão séria. essencialmente. quando fazem! Um exemplo a ser considerado é a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). Bruce Shelley expressou a mesma preocupação de Costas quando advertiu: "Infelizmente.14). Fruto direto da obra missionária de Ashbel Green Simonton em 1859. por outro lado. pois é preciso resgatar por 203 . ou reuniões de oração e grupos de discipulado. a conclusão que chegamos é que a igreja brasileira não é. Há alguns anos escrevi uma lição para a escola dominical na qual dizia: "Reconhecemos que há muita coisa boa que uma igreja local pode fazer além de missões. só que agora como embaixadores de Cristo" (7). inclusive. a IPB deveria ser. vem progredindo . o desafio da contextualização da igreja em uma situação histórica definida. uma das denominações mais missionárias do país. Mt 5. A igreja evangélica brasileira de modo geral ainda não se conscientizou de sua missão fora dos portões como sal da terra e luz do mundo (cf. o responsável pelo envio dos primeiros missionários ao Brasil em 1555 (9).

Com a graça de Deus chegaremos lá! Aos poucos o velho conceito de fazer missões vai dando lugar ao ser missões. propriamente dita. um pastor britânico já falecido. orgânica. mas com a mesma ênfase). Isto está acontecendo porque a igreja. É importante lembrar que Orlando Costas entendia corretamente as dimensões do crescimento integral da igreja como um sistema interligado. além de uma conscientização missionária. tenha sido o Dr.completo a boa herança reformada. por exemplo. o que significa. sua interação com a história dessa fé e sua compreensão do mundo que rodeia. O CRESCIMENTO CONCEITUAL DA IGREJA BRASILEIRA A igreja brasileira não é um caso perdido. Martin Lloyd-Jones. Pelo contrário. Li vários livros do Dr. Talvez um dos teólogos que mais chamou a atenção da igreja para sua dimensão conceitual (embora não com esta terminologia. A ausência de qualquer uma daquelas dimensões (numérica. Saindo do particular para o geral. conceitual ou diaconal) acarretaria numa deficiência danosa. sua compreensão da fé cristã. 3. Na verdade. seu conhecimento da fonte dessa fé (as Escrituras). A qualidade da qual se derivam todas as outras dimensões. Citemos um pequeno exemplo: Crescimento numérico sem qualidade pode ser comparado ao câncer que cresce mas não é bom. cada dimensão da igreja só tem razão de ser se for vivenciada nas outras. "expansão na inteligência da fé: o grau de consciência que a comunidade eclesial tem a respeito da sua existência e razão de ser. A igreja evangélica brasileira ainda não entendeu como deveria essas dimensões e suas implicações. é uma igreja que está caminhando. embora a passos não tão largos como gostaríamos. São aquelas pessoas que confundem a boa tradição bíblica e evangélica pelo tradicionalismo 204 . mas caminha na esperança de um futuro promissor. Infelizmente falta sã doutrina e santidade de vida no povo de Deus. Jones e notei que muito da preocupação conceitual de Orlando Costas era a daquele também. a igreja brasileira precisa passar por uma revitalização de suas estruturas. Qualidade sem crescimento é inconcebível. tornando-as mais funcionais e principalmente por uma estruturação doutrinária que se expresse na vida prática. consciente ou inconscientemente. Esta dimensão dá à igreja firmeza intelectual para enfrentar a todo tipo de doutrina e capacidade crítica para evitar a fossilização e garantir a criatividade evangelizadora. não apenas em seu aspecto teológico. que "se você estiver errado em sua doutrina. O doutor costumava dizer. E de quem é a culpa? Certamente são daquelas lideranças que muitas vezes refletem em suas igrejas uma mentalidade tacanha e retrógrada. o que vem comprometendo seriamente o evangelho e a aceitação do mesmo por parte da sociedade. O crescimento conceitual da igreja é o que poderíamos chamar de "dimensão central da igreja". orgânica e ética" (10). estará errado em todos os aspectos da sua vida" (11). segundo Costas. começa a crescer conceitualmente também. mas sobretudo na totalidade daquela missão integral que ficou perdida em algum lugar do passado.

Para Costas. Que Deus nos ajude! Conclusão: Vivemos na esperança de dias melhores para a igreja brasileira. À luz do que vimos até aqui fica difícil dizer: "A igreja brasileira tem esta cara". sem deixar de olhar para fora. Felizmente. por outro. Estamos adentrando em um novo milênio e a igreja continua sonolenta em muitos dos aspectos de sua missão integral. graças ao bom Deus. ainda não amadureceu tanto em sua concepção de missão integral. inseparáveis e indispensáveis na missão integral da igreja de Jesus Cristo no mundo e para o mundo. Contudo. Orlando Costas entendia que sem este crescimento a igreja perderia sua autenticidade e credibilidade no mundo. De uma igreja que se consolide pela visão integral de sua missão no mundo. precisa ser devidamente analisada e exercitada pela igreja brasileira como um todo. liberalista. e sem qualquer preocupação de ser rotulada e perseguida por isso. inovação saudável e revitalizadora pelo inovacionismo e oba-oba. os cristãos foram colocados no mundo "para ser a consciência da sociedade" (13). quanto à participação nos problemas da sociedade. O crescimento diaconal da igreja brasileira. assim como as demais dimensões do crescimento integral. caminha lentamente pelo que a gente tem visto. como ocorria em tempos atrás. boa parte das igrejas brasileiras está envolvida em trabalhos sociais. 4. influenciada pelos sistemas políticos e deixado de ser a voz profética de Deus na sociedade. esta dimensão que nos faz olhar para dentro de nós mesmos. 205 . ainda temos um longo caminho pela frente. A igreja brasileira não pode se calar diante dos males sociais. Uma consciência que estende a mão em ajuda aos fracos e oprimidos. portanto. mas poderia andar um pouco mais depressa. Evangelização e responsabilidade social são partes integrantes da missio Dei. a consciência social da igreja brasileira hoje parece ser maior do que algumas décadas atrás. É pena que a igreja foi. A igreja brasileira não está parada. porém. De uns tempos para cá a igreja melhorou consideravelmente. Mas ele não está estagnado. etc. e não faz muito tempo. Vale lembrar. justamente porque ao se discutir prioridades (como por exemplo as que envolvem evangelização e ação social) a igreja deixa de fazer bem uma e outra coisa. a igreja que assumia sua responsabilidade social no mundo era taxada de comunista. Hoje. O CRESCIMENTO DIACONAL DA IGREJA BRASILEIRA Esta é a dimensão encarnacional da igreja. De certo modo. porque. e muitas vezes tem sido ainda hoje. se por um lado a igreja vem melhorando em sua visão social.mórbido. já que "somente na medida em que conseguir dar visibilidade e concreticidade à sua vocação de amor e serviço ela pode esperar ser ouvida e respeitada" (12). ainda somos uma grande colcha de retalhos.

O COMBATE CRISTÃO (São Paulo: PES. nº 1 (São Paulo: 1998) pp. T. nota 6. L. DIMENSÕES DO CRESCIMENTO INTEGRAL DA IGREJA em A missão da igreja (Belo Horizonte: Missão Editora. 113. 1994) p. 6. 12. 8. Schipani.. 13. 38-49. 1979) p. Costas. Costas. 5. A CONSCIÊNCIA MISSIONÁRIA DE JOÃO CALVINO em Fides reformata. Idem. Cf.fidelidade. 1991) p. Sayão. p. Idem. Vol. MISSIONS . 1998) p. p. 3. 10. I (São Paulo: Vida Nova.THE HEIDELBERG CATECISM AND CALVIN em Calvin theological journal (1972) pp. espiritualidade e encarnação .. podemos notar um avanço em todos eles. 1988). 117. 1984) pp.. COSTAS em Enciclopédia históricoteológica da igreja cristã. AVALIAÇÃO TEOLÓGICA DO MINISTÉRIO INTEGRAL em Servindo com os pobres na América Latina (Curitiba-Londrina: Editora Descoberta. Deus visitará seu povo e o avivará para honra e glória do Seu nome! NOTAS 1. III. CREZCAMOS EN TODO.Comparando os quatro conceitos de crescimento de Orlando Costas à igreja brasileira. Fred H.EN CRISTO em Misión en el camino (Buenos Aires: FTL. A. Cf. verbete ORLANDO E. 4. 126.4. Costas. 9. Vol. op. cit. René Padilla.7. Lloyd-Jones. p. Antonio Carlos Barro. Costas. 2. estas três qualidades ou critérios teológicos . mas com certeza esse dia vai chegar. Orlando E.. 206 . COMPROMISO Y MISION (San José: Editorial Caribe. klooster. 183. cit. 7. 113. A IGREJA: O POVO DE DEUS (São Paulo: Vida Nova.são as variáveis de controle em seu modelo de crescimento integral. Nossa igreja brasileira ainda não é a igreja dos sonhos. 29. "Para Costas. 362. 11. 114. M. a igreja que gostaríamos de ser. 101. D. op. 1992) p. Trata-se dos fatores ou princípios críticos em função dos quais avalia-se qualitativamente as várias classes e dimensões do crescimento eclesial e se prova a validez teológica de dito crescimento" (Daniel S. 102. Bruce Shelley.

Orgulhamos por ter uma grande Igreja. Jesus percebeu o 207 . Parece uma ousadia falar assim aos pastores. Cito Henry Nouwen quando ele afirma que na solidão. Aprendemos com nosso Senhor Jesus em Lucas 5:15. Mas voltando. Trata-se de um desejo de compartilhar com meus irmãos e colegas pastores. Abro aqui um parêntesis para recomendar a leitura do livro de Henry Nouwen “ No Nome de Jesus” . sem tempo para mais nada. O v.Parte XXXIII PERIGOS SUTIS AO MINISTÉRIO PASTORAL "Quando fui convidado para escrever este artigo para a nossa Revista PROPOSTA.. onde nossa identidade pastoral passa a ser derivada de nossas atividades. existe por trás deste excesso de atividades uma cultura – nosso mundo é voltado para o sucesso.. Como sempre.. Sutilmente somos enganados. são sutilezas que procuram desestabilizar e adulterar o nosso pastorado. preparar estudos e sermões. onde o autor fala de três tentações mais comuns no ministério pastoral: ser relevante. a nossa utilidade. alguns perigos do ministério.. reunir-se com a liderança. Solidão é o remédio contra o ativismo pastoral. visitas. descobrimos que ser é mais importante que ter e que valemos muito mais que o resultado de nossos esforços. 1º Perigo: O perigo de envolver-se tanto em atividades que negligenciamos nossa vida devocional. que a ação interna (oração) tem precedência sobre a ação externa (proclamação). então preciso estar atarefado. logo pensei em algo sobre o ministério pastoral. um grande coral. procuramos nos manter sempre ocupado. Obviamente. e para tanto. escrever artigos. em nossas muitas atividades eclesiásticas somos cada vez mais dominados por superlativos. separar tempo para planejar.em nossa vida agitada e cheia de atividades temos fracassado em separar tempo para a solidão afim de aprofundarmos nossa vida espiritual. constantemente temos que provar o nosso valor.16. os quais tenho constatado em minha própria caminhada. Penso que na essência. e por fazermos parte de uma sociedade competitiva. um grande. Em razão disso. fazer ligações telefônicas. corremos atrás de atender a um modelo ideal de pastor estigmatizado por esta cultura do sucesso que é aquele líder que está sempre ocupado. etc. ser espetacular e ser poderoso. Tornamo-nos daí pastores compulsivos. mas aqui falo também como pastor . como evitar cair na armadilha do excesso de atividades ? A resposta é a mais simples possível: Precisamos praticar um tempo a sós com Deus.15 nos informa que muitas pessoas procuravam a Jesus para serem curadas por ele e o v. Se estar atarefado é ser importante. Conscientemente ou não. todo pastor deseja grandes mudanças em suas igrejas e daí a quantidade exorbitante de atividades a que nos entregamos todos os dias: aconselhamentos.16 afirma “ele porém se retirava para lugares solitários e orava”.

o perigo é sutil. Jesus não era inclinado à programas. Quando nos tornamos pastores. etc. 2º Perigo: O perigo de reduzir a funções e projetos a pessoas que Deus nos mandou pastorear. ao mesmo tempo. Começamos a medir o sucesso no ministério pela popularidade de nossos projetos. Mas não podemos nos esquecer que somos ovelhas também. está o fato de que precisamos preparar pessoas para o ministério. Não me entendam mal. Nós pastores precisamos pastorear.. Corremos o perigo de abandonarmos nossa função como pastor. Para isto é que existem presbíteros regentes e docentes. verificamos que ele passou mais tempo cuidando de pessoas e conversando com elas do que em qualquer outra coisa. Para fazer isto preciso gastar tempo com as pessoas – ajuda-las. ouvilas. imitar sua vida profunda de oração. mas à pessoas. das reformas feitas na estrutura física da igreja durante nosso pastorado ali.. e nos tornamos administradores e secretários de Igrejas. usamos estas pessoas como empregados para cumprirem uma missão que nem sempre é de Deus e sim do pastor. 3º Perigo: O perigo de se afastar tanto do mundo que perdemos a consciência de que o mundo é nossa paróquia. Nós pastores insistimos com nossas ovelhas sobre a necessidade delas terem um tempo a sós com Deus. dedicar tempo ás nossas ovelhas para visitá-las e orienta-las espiritualmente.. movida á produção. deixando de pastorear pessoas. sem. homens e mulheres com quem vivemos e trabalhamos podem se tornar meros objetos.. Talvez devêssemos perguntar: Como posso saber se estou sendo bem sucedido no cumprimento de meu ministério? Creio que Efésios 4:11-15 delineia qual é a expectativa de Deus para nós pastores – Dentre algumas das medidas de sucesso em nosso ministério. etc. Quando olhamos para o ministério de Jesus. do formato novo do boletim informativo. negligenciando sua vida devocional. Neste processo da secularização da igreja. aconselha-las.Pessoas são a razão de nosso ministério. Pouco a pouco todos se transformam em instrumentos de trabalho. Sob a pressão de que estão trabalhando para Jesus. Diferentemente de nós que somos movidos para a produção. são um prejuízo para a fé e um empecilho para o crescimento da igreja.perigo e não caiu na armadilha de se entregar ás atividades. Deixe a administração com o presbítero regente. A princípio não há nada de errado em tudo isto. O pastor que imita as ações e a pregação de Jesus. dos terrenos que a igreja adquiriu. Precisamos ser lembrados que fomos chamados para pastorear e não para administrar. a “ exigência” é que devemos nos retirar do 208 . e que ter uma vida profunda de oração não perde o seu valor quando somos ordenados ao ministério.

de filho e não de um funcionário da igreja? 209 . Eram pessoas aflitas. estabelecer amizades e se identificar com as pessoas da comunidade. sejam crentes ou não. Erroneamente. um inimigo ou um competidor de nossa espiritualidade. É surpreendente ver que Jesus não agiu desta maneira. Nas palavras de Eugene Peterson “quando o trabalho que executamos para Jesus como pastores esmaece nossa consciência do mundo. problemas com os filhos. O texto ainda fala que eram pessoas sem rumo na vida.. por exemplo.mundo e nos entregarmos ao trabalho de uma instituição religiosa que se dedica a seus próprios assuntos.Assim. hospitais. nos envolver em atividades promovidas pelas pessoas da vizinhança. etc. fazer parte da sociedade amigos de bairro.. prisões. Nosso ministério corre o perigo de ser exercido basicamente dentro da Igreja. afasta dele o foco de nossa atenção. Nós pastores precisamos seguir o exemplo de Jesus e olhar para a nossa cidade. precisamos. visitar a Câmara Municipal. visitando asilos. Imagine se Jesus fosse o pastor de sua igreja! Por onde você acha que ele andaria ? Quem ele visitaria ? Se formos bem honestos. sem acesso a uma boa escola e inseguras quanto ao dia seguinte. Pessoas com crises no casamento. medo da violência. penso que temos que responder a três perguntas: 1) Quais são as atividades que você tem durante a semana em que você se coloca na presença de Deus na perspectiva de ovelha. o prefeito da cidade. para o nosso bairro e ter uma proposta pastoral para estas pessoas aflitas. nossa linguagem vai se tornando “igrejeira” e quem é de fora entende muito pouco do que falamos.Ele não resumiria seu ministério apenas aos salvos. Nossa espiritualidade pastoral não pode ser desenvolvida apenas dentro da igreja. na vida profissional. não ter tempo para o lazer ou por causa dos problemas do dia-a-dia. podemos dizer que nossa ordenação foi adulterada”. Creio que para evitar que nosso pastorado seja adulterado. Em Mateus 9:36 lemos que Ele andava pela cidade e vendo as pessoas compadecia-se delas porque eram como ovelhas sem pastor. simplesmente levanos a evita-lo. Eram pessoas exaustas. emocional e existencial. os vizinhos que moram próximos á igreja. De tanto se afastar do “mundo”. teremos que duramente admitir que ele andaria pela nossa cidade. A título de aplicação daquilo que foi dito aqui. lanchonetes... talvez pela sobrecarga de trabalho. ou. Creio que já está na hora de desenvolve-lo “fora da igreja” também. colocamo-nos em competição contra ele. etc. nos enfiamos nos trabalhos da Igreja que consomem todo nosso tempo e energia e cada vez menos nos interessamos pelo mundo lá fora. Se faz necessário construir relacionamentos. vemos o mundo como algo mal. seguindo seu próprio cronograma e agenda. precisamos buscar a “paz da cidade” ( Jr 29:7 ) e para tanto é mister nos envolvermos com ela. exaustas e sem rumo na vida. Aflitas por falta de trabalho.

2: "e o que de mim ouviste diante de muitas testemunhas. mas no seu aprendizado teve que aprender a delegar (Ex 18. hábil na distribuição de tarefas (vv. Dr. mas de presidência a ser exercida zelosamente.2) Quem são as pessoas que estão sendo afetadas pela sua vida? Pela convivência espiritual com você? 3) Quais os lugares. Um líder tem limitações. Nancy DUSILEK no seu Liderança Cristã: a arte de crescer com as pessoas.8). mas a função do líder é liderar. Assim aconteceu com Moisés.10).7). ambientes que você freqüenta e pessoas com quem se relaciona que facilitam sua ação como sal da terra e luz do mundo? Parte XXXIV REFLETINDO SOBRE LIDERANÇA CRISTÃ Há um lugar especialíssimo para a liderança na visão do Novo Testamento. Desse modo. Quanto à liderança espiritual e à preparação de outros líderes da igreja apostólica.10). Uma música popular dos anos 70 de forte mensagem diz que "quem sabe faz a hora. segundo a Versão da IBB (Rm 12.21). nos EUA. Na Igreja de Cristo é a liderança desse corpo. · as que observam o que está acontecendo e · as que fazem com que as coisas aconteçam. que sejam idôneos para também ensinarem os outros". Parece ser o óbvio. com Josué e com os apóstolos. há de ser lembrada a palavra de Paulo em 2Timóteo 2.2). e Moisés reconhecia as suas próprias (Ex 4. não espera acontecer". Paulo usa a expressão "a graça que nos foi dada" (Rm 12. Como parte do seu aprendizado.6).20.1-13 oferece o padrão para os ministérios pastoral (ali denominado "episcopado") e diaconal. e detêm funções de liderança aqueles soberanamente escolhidos para esse cometimento. 11-16 apresenta a plataforma de liderança da Igreja Apostólica. Assim é que Efésios 4. pessoas de palavra e não avarentos (Ex 18. e em dar ordens claras (v. FUNDAMENTO BÍBLICO DA LIDERANÇA CRISTÃ Deus utiliza seres humanos como seu método. e 1Timóteo 3. tementes a Deus. treinou os líderes escolhidos dentre critérios bem determinados: que fossem capazes. transmite-o a homens fiéis. cita o ex-reitor da Universidade de Colúmbia. São essas últimas que detêm o dom de liderança.27). É um Josué. Nicholas Murray Butler que disse haver três tipos de pessoas no mundo: · as que não sabem o que está acontecendo. TEOLOGIA DA LIDERANÇA 210 . foi humilde bastante a ponto de atender conselhos que lhe foram dados. homem submisso ã vontade de Deus (Js 6. Não é função de mando. 6.

13. autoridade".24-31. energia". determinados títulos "religiosos" com o propósito de "autenticar" o poder de mando e comando. Kratos é "poder. falemos igualmente de fé. potência". Se estamos falando de conduzir para Deus. de detenção de poder decisório que só evidenciam que. são igualmente basilares. e dando-nos vocábulos como dínamo. Não é demais dizer que a Igreja é variada e multiforme.27. pois essa virtude determina o verdadeiro objetivo da liderança cristã que é o ser servo (cf. Lucas 12.19. Mais: o líder tem poder. dinamite e dinamismo. Lc 22. e utiliza para tanto os dons dos seus liderados e associados. por outro lado.6). Hb 11. QUALIDADES DO LÍDER · No mínimo as seguintes qualidades podem ser destacadas. especialmente no sentido de "poder político. O líder cristão deve agir com fé. Dynamis. libertos e escravos. 211 . o líder é estimula a desenvolver seu potencial (1Co 11.10-12. É um com o seu povo. passam a buscar o controle.28. É observar o que diz 2Coríntios 11. Gl 5. comando. Pela fé.4). Além disso. homens. 1Co 9. judeus e gentios. e desse modo leva os seus liderados aos cometimentos propostos. aliada a esta. o líder é servo. Porque o serviço é inerente à função. autoridade de mando". traduz "força. que é o "partir para a ação". Vocábulos como democracia. e. permitindo que se chegue ao universo semântico de "força ou espiritual. de dinamismo ungido. atividade. ter visão: alma e olhar de condutor de vidas.Recorde-se de que liderança cristã é "o trabalho de despertar e conduzir o ser humano para Deus e para tudo o que dEle recebeu". Fp 1. pois sem essa virtude é impossível agradar a Deus (cf. na falta de autêntica autoridade espiritual. Do líder cristão é esperada a dynamis como fundamento e veículo da sua autoridade espiritual e da sua atividade de condutor de vidas. mesmo. Mas o líder cristão reconhece que não o faz por mérito próprio: Deus está com ele (Ex 3. gerontocracia veiculam a idéia de "poder do povo".1). reagindo e interagindo para o bem comum e para o bem da causa de Jesus Cristo. Pelo próprio conceito da palavra (leader>líder).1). tecnocracia. e pela fé. assumindo. o líder cristão exerce a perseverança. todos agindo. o líder é um condutor. conforme ensinou MINERVINO. A primeira é ter ideal. pela fé a unidade da igreja é mantida. "poder da técnica" e "autoridade dos idosos". Duas palavras gregas são elucidativas do conceito de poder: kratos e dynamis. 1Co 12. Mt 20. Romanos 16 o lembra com extrema clareza: havia naquela comunidade cristã: mulheres. Lamentavelmente. livres. · A competência e o espírito de iniciativa.41-48 apresenta uma palavra de Jesus Cristo a esse respeito. observa-se uma profusão de kratos em numerosos líderes com sede de manipulação. jovens e idosos. a preeminência.

às posturas e aos valores da instituição. imaginação e rapidez de raciocínio. o compromisso dos membros no exercício de cargos e no sustento da igreja com a indiferença reinante. Outra importante função da liderança é a defesa. Parte XXXIV REVITALIZANDO A IGREJA Introdução: Aonde chegaremos como igreja se continuarmos insistindo em ser apenas o que temos sido e em praticar somente aquilo que temos praticado nestes últimos anos? Essa pergunta estabelece a relevância do presente trabalho. Precisamos estudar mais as nossas doutrinas. a necessidade de revitalização da igreja para a sobrevivência no mundo globalizado com o tradicionalismo embotador imposto por um seguimento de líderes denominacionais ideologicamente ultrapassados e quando confrontamos a gradativa contextualização denominacional em seu interminável repensar.5). autenticidade e comunicação. Tais confrontações se materializam na leitura do perfil traçado de muitas de nossas igrejas. vale ressaltar. com o arcaísmo saudosista e excludente praticado por aqueles que insistem em não pensar a batistandade. O líder há de ser equilibrado. · que. plenitude de sabedoria e de fé (cf. tomando-se por base o alto índice de exclusões. o número de dizimistas fiéis. sem sombra de dúvida. 1Tm 3. · Em seguida. Se analisarmos muitas de nossas igrejas sem ufanismo e sem o amor platônico que nos foi inculcado. a postura apologética diante das ameaças à doutrina. escolha dos meios para a realização do planejamento. que se justifica quando confrontamos o projeto da maioria de nossas igrejas com o potencial das igrejas batistas. análise dos acontecimentos do passado. controle da situação e avaliação do realizado.· Segue-se a tenacidade aliada à serenidade. plenitude do Espírito Santo. expressa na média Brasil batista de integração que é de 40% apenas. ao lado da simpatia. Planejamento que envolve algumas análises preliminares: estabelecimento de objetivos. das circunstâncias do presente e das tendências do futuro. E dentro disso. formam o perfil do líder cristão. deveríamos corre o risco de rever os nossos 212 . a média do número de membros e a incontável massa de líderes neopentecostais oriundos de nossa denominação. e Atos 6. Funções do Líder Previsão e visão que envolvem. v. temos que a admitir que a situação é caótica.2). segurança e confiança.3 descreve o equilíbrio desejado: boa reputação (cf.

Qualquer instituição. o que realmente permite que a igreja redirecione seu foco e retome os propósitos de Deus para o seu ministério e para o cumprimento de sua missão evangelizadora. No nosso caso. * Missão é a definição objetiva e clara da nossa identidade como igreja local. sucumbe a historicidade e torna-se dependente do tradicionalismo conservador de nulidades e acalentador da nostalgia petrificante. quando bem definida. o que devemos fazer. A igreja que busca a revitalização tem o privilégio e o compromisso de prosseguir sempre vitoriosa. independente da Denominação. e a nossa missão prática no mundo.Missão e Visão: ferramentas para a revitalização da igreja Se é nosso desejo revitalizar a igreja para augurarmos relevância ministerial na proclamação do evangelho. Aqui. a nossa visão? Vejamos. que direcionará os nossos olhos sempre para o ideal de Cristo para a igreja. as devidas respostas. que nos manterá atrelados a Palavra de Deus. devemos elaborar a nossa declaração de missão. a luz dessa missão. I . fica mais fácil por que somos batistas e não devemos prescindir dessa 213 . precisamos desenvolver uma genuína consciência de missão que propicie uma visão objetiva do que somos e do mundo para o qual pregamos. bem como a nossa declaração de visão. o modelo e as estratégias para que não sejamos vitimados por uma nulidade eclesial devastadora. Devemos revitalizar. A primeira resposta é sobre a missão. Antes que a perda da identidade e da relevância no mundo como igreja ocorram. em Eclesiologia. e que determina a qual denominação nos filiar. cabem duas perguntas. Se esperamos ser igreja viva para cumprirmos o nosso papel no reino de Deus. se não sabe ao certo o que deve fazer e se não tem noção clara das estratégias possíveis para fazer o que deve. o que cremos. quem somos. Antes que a igreja se prostre em nostalgia e desemboque nos questionamentos que provocam a rotura que tem como fim último o desaparecimento da igreja. para a retomada dos ideais de Cristo para a igreja e a manifestação da glória de Deus em nossos arraiais. é retomar os princípios bíblicoteológicos desprezados e é reordenar a estrutura. Revitalizar é reafirmar tudo aquilo que é bíblico. É essa consciência de missão. que estabelece a nossa identidade.posicionamentos doutrinários. Este momento. principalmente a igreja. os nossos objetivos e a nossa estrutura organizacional. a partir de uma conceituação teológica. é a leitura hermenêutica do traçado histórico da igreja e a constatação da situação real em que nos encontramos. mas creio que devemos urgentemente buscar a revitalização de nossas igrejas. devemos avaliar as nossas convicções doutrinárias. buscando compreender o nosso corpo de doutrinas. o que é a nossa missão e qual seria. carecemos de uma reformulação da proposta de educação teológica e prosseguir repensando a denominação.

Não podemos acreditar que está tudo muito bom. Agora vejamos a resposta sobre visão. Mais de 120 anos de igreja contra aproximadamente um milhão de batistas. conforme as últimas estatísticas denominacionais. Se não sabemos quem somos. não temos o que olhar ou. mas para levarmos a cabo esta grandiosa tarefa carecemos de uma previsão dotada de discernimento e alicerçada na compreensão do que deveríamos ter feito como igreja de Cristo nestes mais de 120 anos de história. o que cremos e o que devemos fazer. II . bem como a nossa declaração de visão. nos deparamos com a premente necessidade de definirmos as nossas reais intenções ministeriais a fim de que adquiramos características eclesiológicas e expressão cúltica puramente bíblicas. Um número inexpressivo se comparado a densidade demográfica verificada no censo 2000 e divulgada pelo IBGE. no afã de definirmos nossa declaração de missão. Nossa visão do mundo e de nós mesmos como igreja é determinada e condicionada pela nossa consciência de missão. que apresenta a nova análise 214 . Na verdade. O que a CBB busca fazer com a aprovação do parecer do GT Repensando na última Assembléia convencional. * Visão é.Declaração de Missão e de Visão cabíveis para a revitalização da igreja Acreditando serem positivas as respostas às questões colocadas. no caso de se considerar apropriada a presente propositora. sequer. para onde direcionar os nossos olhos. a imagem futura que fazemos do lugar onde pretendemos chegar como igreja e a concepção filosófica de como vivemos como igreja de Jesus no mundo. Temos um verdadeiro desafio missionário no Brasil e no mundo. não tradicionalista. buscamos nos arraiais batistas as respostas possíveis e as apresentamos no presente trabalho. mas carecemos de saber e de definir conceitualmente o que é ser batista no terceiro milênio. bem como uma identidade denominacional definitivamente Batista. Nossa missão precípua é a evangelização. Precisamos ou não de revitalização? Carecemos ou não de redescobrir a nossa missão? Necessitamos ou não de restaurarmos a nossa visão? A resposta para estas questões é um altissonante e retumbante sim! Não podemos negar a necessidade de restaurarmos a nossa visão para que obtenhamos vitória de Deus no cumprimento da nossa missão. Vale ressaltar a necessidade de adaptação à realidade da igreja local. Tomando por base o livro de Darrell Robinson.identidade denominacional. basta olharmos para o tempo de permanência da igreja batista no País e confrontarmos com o número de membros que somamos. Negar a necessidade de revitalização é como usar antolhos históricos e eclesiológicos. a partir da compreensão de nossa realidade efetiva. Isso é ter visão.

ou mesmo redefini-las.21.15. Colossenses 1. que apresenta a igreja como poderosa e vitoriosa no embate contra o inferno. vivendo. se deseja cumprir sua missão.Antíteses indispensáveis para a revitalização bem-sucedida É extremamente produtivo definir a declaração de missão e de visão. incitando seus membros e sua liderança à constante renovação do entendimento de si mesma. se entendemos que se faz necessário. O tamanho da igreja é diretamente proporcional a visão que seus membros têm de Deus e ela cumpre sua missão na mesma proporção em que crê no poder de Deus ainda atuante no mundo.18. de suas doutrinas e de suas estratégias ministeriais. essa missão promoverá relevância histórica e ministerial para a igreja. podemos asseverar que: * A missão da nossa igreja é evangelizar os pecadores. A nossa missão só pode ser baseada em textos como Mateus 28. como santos de Deus. Com relação a visão. A imagem visual se projeta e se define a partir da construção da imagem mental que se faz. Esta declaração de missão proporciona uma vida eclesiástica equilibrada e contém tudo que é essencial para o fortalecimento doutrinário. exercendo influência ético-cristã na sociedade. a fim de que obtenhamos contundente autoridade testemunhal em Cristo. visto que desejamos estar afinados com a batistandade. cumprindo a nossa missão evangelizadora com autoridade espiritual e relevância sociocultural. sob sua autoridade e seu senhorio. Sobre a missão. com todas as suas implicações. Jesus. para a exaltação de Cristo. É a cabeça que impõe a visão.18. que nos posiciona como casa espiritual e ministradores do sacerdócio universal praticado em genuína espiritualidade. mas este labor impõe antíteses entre o tradicionalismo da batistandade e a tradição bíblica que deve ser abraçada 215 . que determinam a formatação missiológica designada pelo próprio Cristo para a sua igreja. Jesus. após a conversão. coletiva e individualmente. ainda tomando por base Darrell Robinson. capacitando-os.bíblica dos dons espirituais no contexto Batista. definimos a nossa declaração de missão e de visão.19 e 20 e Marcos 16.44-48 e João 20. para a maturidade espiritual e para o crescimento numérico da igreja. É isso que podemos deferir de textos como Mateus 16. Não há mistério nem inovações. Essa visão está de acordo com os princípios do Novo Testamento e vem do Cabeça da igreja. que apresentam a Grande Comissão delegada por Jesus e ainda. Temos o mesmo Senhor e Cabeça.1-5. em textos como Lucas 24. Logo. e de 1 Pedro 2. III . A igreja deve se permitir a uma permanente autocrítica e praticar uma continuada hermenêutica histórica. afirmamos que: * Nossa visão é ser Corpo Vivo de Cristo.

A doutrina dos apóstolos nada mais é do que os ensinamentos espirituais transmitidos por Jesus. tradicionalismo é um mal devastador que afasta as pessoas 216 . É a transmissão de valores espirituais através das gerações.pela igreja de Cristo denominada Batista. Em Teologia. que são verdadeiros e que estabelecem os parâmetros e a validade do cristianismo. A primeira Denominação Cristã surgida foi o Catolicismo Romano. No contexto bíblico. tradição consiste em sabedoria e discernimento quanto a validade das instruções e as noções religiosas transmitidas de geração para geração. Diversos líderes postergam ao máximo a decisão de iniciar a revitalização da igreja na tentativa de evitar os desgastes decorrentes destas antíteses. visando preservar as crenças. Muitas vezes. É o único reconhecimento e a única garantia da verdade. Em síntese. a questão reside na compreensão da diferença entre o que é ser uma Igreja Tradicional ou uma Igreja Tradicionalista.15 e em 1 Coríntios 11. que monopolizou a igreja até o movimento de Reforma Protestante. amor exagerado aos usos antigos. Não há na Bíblia qualquer referência a tradição denominacional. e até mesmo boa parcela dos nossos líderes. tradição é a herança cultural transmitida de uma geração para outra.42. onde a palavra no original significa preceitos doutrinários e está condicionada a doutrina dos apóstolos citada em Atos 2. ao final. Filosoficamente. Tradicionalismo é aferro ou apego. a perda de seus membros para a igreja neopentecostal que se acampou nas redondezas. vemos em 2 Tessalonicenses 2. Tradição é ato de transmitir ou de entregar. visto que a maioria dos nossos membros. não sabe a diferença efetiva entre uma coisa e outra. ou seja. tradicionalismo é a defesa explícita da tradição no âmbito do espírito romântico. até porque denominação não existia no período da Igreja Primitiva. Na Bíblia. Filosoficamente. no século IV. lidar com estas antíteses não é nada agradável e exige uma firmeza doutrinária hercúlea e uma identidade denominacional capaz de intercambiar relacionamento sem se permitir ser influenciado. visto que tais movimentos foram uma tentativa idealista de se devolver à Igreja Católica Romana a absoluta autoridade sobre as questões religiosas. Em Teologia rejeita-se o tradicionalismo devido a sua origem no iluminismo e o seu ponto culminante. classificando como tradição o que se entende ser verdadeiro e não necessariamente a verdade. a Revolução Francesa. muitas vezes lamentando. no século XVII.2 indicações para se preservar a tradição.

bem como cantar hinetos ou fazer coreografias nas músicas. doutrinariamente. Marcos 7.Objetivos gerais para uma igreja de visão no cumprimento de sua missão Para que a igreja tenha a motivação correta. acusando-os de subjugar o povo com um fardo extremamente pesado que nem mesmo eles suportariam carregar. visto que bater palmas. deve-se estabelecer os objetivos gerais que a impulsionarão e que indicarão o seu modo peculiar de ser igreja viva na adoração. Segundo. renunciando tradicionalismo histórico e promovendo mudanças radicais de vida nos membros da igreja. IV . na educação cristã.1-13 e Colossenses 2. mais informal e menos eclesiástica. Terceiro. como batistas. primeiro. Os ajustes doutrinários possíveis são os promovidos pela CBB. no que diz respeito a Eclesiologia. as mudanças reais acontecerão. que será mais efetiva e sempre direcionada pelo serviço cristão.1-7. na comunhão. não o perfil do pastor. na forma do praticar o culto. por que a igreja terá uma identidade denominacional e doutrinária própria. pode-se então 217 .8-15.do ideal de Deus para escravizá-las com rudimentos humanos ou para enganá-las com sutilezas diabólicas. a Declaração de Missão e de Visão. após a revitalização. Depois de se permitir a estas antíteses. nada mudará também. As mudanças se efetivarão na expressão cúltica. Tradição é a fé viva dos mortos". No contexto da igreja que busca a revitalização e que está disposta a se permitir as antíteses necessárias na avaliação de sua prática eclesiológica e cúltica. na formação da liderança. e não pela iconografia muitas vezes perniciosa. o que não se pode prescindir como Batistas. A igreja se tornará mais contextualizada e menos ritualista. a pergunta talvez seja. que impunham ao povo 365 proibições e 250 mandamentos. fazendo o que todas as igrejas devem fazer. Na verdade. que será ajustado ao Texto Sagrado. nada. Tendo definido. Jesus combateu a tradição dos anciões. o que vai mudar realmente? A resposta não é simples e nem resumida na palavra tudo. não são temas contemplados no estudo da Eclesiologia Batista. porém do jeito e da maneira mais apropriada para a realidade sociocultural na qual interage. Em quarto lugar. Mateus 23. Ed Kivitz em assembléias convencionais: "Tradicionalismo é a fé morta dos vivos. a diferença fundamental entre tradição e tradicionalismo se identifica no quadro que se segue Este quadro reflete algo que já ouvi do próprio Pr. A igreja apenas se adequará a estes ajustes para permanecer fiel a Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira. como no caso do Espírito Santo. nos ministérios e na proclamação. A Eclesiologia trata dos postulados filosóficos sobre o ser igreja. escribas e fariseus. utilizar bateria e guitarras.

seja em casa. Em outras palavras. o que nos exige um padrão ético e moral elevados. mas motivar a cada cristão a uma ação pró-ativa na evangelização. Tito 2.Praticar o evangelismo responsável é. as estratégias ministeriais e a identidade denominacional levados a efeito pela igreja revitalizada. mas o Espírito Santo trabalhará neles e através deles. João 5.45-48. A vivência prática da fé. À medida que os cristãos trabalharem nas igrejas conscientes dos compromissos do sacerdócio e sabedores dos seus Dons espirituais para o ministério. despertado pela amizade e pela convivência com o cristão. Atos 1. certamente.19-20.39-47 e Tiago 1. com amor extremado pelos pecadores e com entusiasmo contagiante.Deve-se levar os membros da igreja ao entendimento de que todos somos sacerdotes para Deus. 2 Timóteo 4. 218 . mesmo que tenha um conhecimento bíblico apurado. Vale ressaltar que a motivação da igreja deve ser a consciência objetiva quanto a missão e quanto a visão futura que se projeta do quanto se deseja alargar os horizontes do reino de Deus a partir do ministério prático da igreja.3 Evangelismo responsável e baseado no testemunho pessoal . dificilmente experimentará crescimento real se não aprender a vivenciar e a transmitir a outros a sua fé de forma pessoal e contagiante. a motivação da igreja revitalizada deve derivar dos objetivos gerais definidos a partir da consciência de missão e da visão alargada em seus horizontes. Lucas 24. pois representamos o povo diante de Deus. 9-10. Uma igreja. ensinando aos membros da igreja as verdades de Deus em sua Palavra. 4.14-16. Podemos agora asseverar que os objetivos gerais de uma igreja revitalizada são os seguintes: 4. capacitando-os a vivenciar o quotidiano conforme o propósito de Deus.8. a expressão cúltica. por mais ortodoxa que seja e por melhor que seja a sua doutrina.1 Instrução bíblica promotora de maturidade cristã e autoridade testemunhal Deve-se desenvolver um programa de educação cristã com embasamento bíblico sólido.2 Consciência ético-cristã para o exercício do sacerdócio universal e do ministério eclesiástico .8-9 e 28.estabelecer os objetivos gerais que nortearão a eclesiologia.14 e 15. 2 Coríntios 5.1-2 e 1 Pedro 3.21-24. no trabalho ou na rua. é fator determinante na evangelização. não trabalharão mais por suas próprias forças. não depender de campanhas ou de programas especiais. Somente instrução bíblica com esta perspectiva pode oferecer à igreja referências claras de ensino bíblico profundo que se conciliem com uma unção incontestável na vida comunitária do cristão.20.11-14 e 1 Pedro 2. e uma dedicação extremada ao serviço cristão na igreja. Mateus 3. Gálatas 2. Josué 1. 4. para que quando o visitante chegar a igreja já tenha no seu coração o interesse pelo evangelho. com dedicação.8.

6-14.45 e 4. no qual cantamos. devemos compreender que a dedicação de vidas expressa na fidelidade nos dízimos e ofertas é um fértil meio de graça na igreja. Colossenses 3. 13. A prática do verdadeiro amor dá à igreja um brilho divino e uma alegria que se intensificam nos relacionamentos interpessoais de seus membros. A igreja que vivencia este tipo de comunhão valoriza as pessoas e torna seu ministério muito mais efetivo.9-18. Adorar é abrir o coração ao amor de Deus e render a nossa vontade aos propósitos dele.17. com o patrimônio ou com a conta bancária.19-25 e 1 João 4.17-20. a partir da convicção de que Deus se faz presente em nossas celebrações. santo e agradável a Deus. na intercessão confidente e na ministração da bênção àquele que foi vitimado pelas amputações existenciais ou pelas confrontações espirituais.Isto é a decretação do fim do preconceito e da segregação na igreja. Isaías 38.4 Adoração cristocêntrica que propicie verdadeiro louvor em culto vivo .11-12.8-9. É um exercício do espírito humano no encontro pessoal com Deus. 4. É a igreja se tornar sensível à ação do Espírito Santo que a guiará na exaltação a Cristo e na ministração de um culto vivo. A 219 . É a prática da empatia e da mutualidade na consolação.34-35 e 2 Coríntios 9.32-35.Isto é o que nos permite libertação da preocupação escravista com a liturgia ou com os estilos. visto que são satisfeitas as necessidades do ser integral. A oferta deve ser feita com fé e pela fé. Não se pode permitir a crença em uma dispensação automática ou mecânica de bênçãos para os contribuintes.Isto é o mesmo que dizer que não se deve estar preocupado com o número de membros no rol. É a compreensão efetiva de que todos somos um.18-21. Sofonias 3. Apocalipse 5.5 Comunhão dinâmica vivenciada em amor. Atos 8. Romanos 12. glorificamos e magnificamos ao Senhor por sua santidade e por sua ação salvífica em nosso favor.7 Crescimento integrado da igreja a partir do equilíbrio entre quantidade e qualidade . Adoração é um mistério. 4. Atos 2.3-5. 1 Crônicas 29. como devoção amorosa ao Senhor e à sua obra. Hebreus 10. Em vez de encararmos a contribuição como uma obrigação desagradável e penosa. É saber que conversão e senhorio estão amalgamados e que a insistência em não dizimar e ofertar é confissão objetiva de incredulidade.7-12.12-17. 2 Coríntios 1. sinceridade e alegria produtiva . Salmo 92. motivando-nos à participação efetiva e vívida na adoração.1-4.1-7. Malaquias 3.20.8 e 15. A verdadeira adoração nos conclama a declararmos a superioridade absoluta de Deus.44-47 e 4. Atos 2.1. 4. Ageu 2. bem como ao seu povo.6 Fidelidade voluntária e incondicional na consagração de vidas e no sustento financeiro da obra . Esta é a oferta que propicia bênçãos incontáveis para o cristão. bem como a pequenez do adorador.Isto é o entendimento pessoal de cada membro no fato de que é Deus quem nos sustenta e de que a contribuição financeira é apenas um reflexo da dedicação amorável de nossas vidas ao Senhor. pois por intermédio dela o Espírito Santo ministra graça e prosperidade à igreja. Não se pode comprar o Dom de Deus. Romanos 12.4.10-17.

bem como saúde e maturidade espirituais na prática efetiva do fazer igreja. Levítico 19. o embotamento das idéias e o esvanecer dos ideais. A constante autocrítica e a avaliação permanente exigirá uma continuada revitalização.9 Constante autocrítica e permanente avaliação do contexto histórico. da expressão cúltica e da estrutura organizacional .46-47 e 9. mas principalmente deve querer a liberdade para praticar os ensinamentos da Palavra de Deus. 220 .28-32. 4. é necessário substituí-los ou desmascará-los a luz da Palavra de Deus. sem receios da crítica mordaz da batistandade. do que se faz e de como se fazem as coisas.31. um edifício anexo moderno e funcional. Tito 2.20-23. 4. uma catedral. não dando atenção às questões mais profundas que afetam a humanidade em decorrência do aviltante paradoxo entre o ser e o ter. outorgando cognição no pensar a igreja. que se reconhecer erros doutrinários historicamente defendidos ou que se quebrar alguns paradigmas denominacionais. Mateus 10. um palacete pastoral. mas que não aceita um doutrinismo antibíblico.9e Apocalipse 2. bem como a mortificação da consciência cristã no fazer igreja.8 Identidade doutrinária e denominacional definidas a partir do Texto Sagrado e não pelo conservadorismo histórico ou tradicionalismo . Deve-se querer ser batista. o arcaísmo dos estratagemas.7-10.19-21. fiéis ao Senhor Deus.15. o que nos exige uma reflexão crítica sobre o denominacionalismo a luz da Bíblia Sagrada. Quando se estabelece a autocrítica e a constante hermenêutica da própria realidade. A maior contribuição que a igreja tem para oferecer ao mundo é o evangelho de Cristo e seu poder libertador. Mateus 26.preocupação certa é com a qualidade da vida espiritual dos membros da igreja. Romanos 12. e entre o saber e o fazer. por isso. jamais haverá crescimento verdadeiro na igreja se nos aprisionarmos ao poderio concedido pelo número de membros no rol ou pelo saldo financeiro e patrimonial. Se para ter dez mil membros. Salmo 15.1-5. mesmo que para isso se tenha que renunciar a história. Sempre que o tradicionalismo denominacional se sobrepõe a doutrina bíblica ou que o tradicionalismo histórico se torna ineficiente diante dos propósitos de Deus.3 e 1 Coríntios 11.8-10 e 2 Tessalonicenses 2.Isto é o mesmo que dizer que a igreja deve querer ser batistas. uma frota de veículos e uma equipe ministerial bem remunerada tivermos que prescindir da ética cristã e do embasamento bíblico continuaremos pequenos e pobres. Colossenses 2. Atos 2. A Declaração Doutrinária dos Batistas preceitua que a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática.5-9.Neste objetivo reside a probabilidade de vitória. Atos 2. Evita-se a tradicionalização suicida da igreja.41-42. 1 Pedro 2.11-15. evita-se a petrificação das estruturas. a luz da Palavra de Deus. mas deve-se desejar também que a Palavra de Deus seja a única regra de conduta. Marcos 7. porém.

identificamos nestes nove objetivos gerais os cinco propósitos eternos de Deus para a igreja. deixo como sugestão a realização de estudos amplos e de debates francos. Atos 2. Conclusão Finalizando esta proposta de trabalho com vistas a revitalização da igreja. para que se defina o seguinte: a) O tipo de igreja que se pretende ser. Tudo o que somos e fazemos como igreja deve estar aberto à análise e à crítica. que são: louvor. se pretendemos relevância testemunhal e autoridade espiritual no cumprimento da nossa missão. Estes propósitos sintetizam o Grande Mandamento e a Grande Comissão de Jesus para a igreja. se há comprometimento com o Grande Mandamento e com a Grande Comissão. evangelismo. São estes os mesmos propósitos que devem ser perseguidos e praticados pela igreja que busca revitalização. penso. Não há pessoa. ministério e comunhão. o que fará da igreja revitalizada uma grande igreja. Na verdade. independentemente da tradição denominacional. seguindo os preceitos de 221 . Pode-se inovar no fazer igreja sem se alterar a essência do ser Igreja.37-40 e Mateus 28. programa.19 e 20. que foram praticados de forma efetiva e vitoriosa pela Igreja Primitiva. como denomina George Barna. discipulado. Sem tais definições. g) O método de evangelização que será usado. porém respeitosos.40. h) Qual a periodicidade da avaliação. f) O padrão de relacionamento interpessoal e de comunhão que se desenvolverá. voltando a sentirse uma Igreja Viva que proclama a salvação e a libertação em Cristo em meio a esta geração corrompida e perversa.10. A insistência de uma igreja em não se submeter à autocrítica e à hermenêutica imparcial. negando-se a um processo de avaliação justo e construtivo. conforme Mateus 22. estrutura ou idéia que esteja fora do alcance de uma avaliação justa e alinhada com o propósito de Deus para a igreja. e) O nível de compromisso exigido dos membros da igreja. c) O referencial de ética que a igreja perseguirá. d) O tipo de mensagem que se proclamará. Conforme ressaltamos anteriormente. o presente trabalho visa embasar a assertiva de é que possível promover a revitalização da igreja de maneira bíblica. é prova inconteste de sua vulnerabilidade à deterioração e à petrificação motivadas pela maldição da negligência preceituada em Jeremias 48. Atos 2.A prática constante da autocrítica e da interpretação investigativa dos comportamentos da igreja revitalizada permite o desmascarar as vacas sagradas. b) A expressão cúltica que será praticada.37-47. é impossível levar adiante a revitalização da igreja que carece de resgatar sua identidade doutrinária e denominacional.

Uma igreja verdadeiramente viva e motivada pela missão não tem receios de ultrapassar barreiras. visando seu crescimento numérico. 222 . dissociada da Cristologia. Amém. Se considerarmos apenas a tradição histórica e os pressupostos denominacionais para sermos e fazermos igreja. O relato bíblico nos incentiva a perceber a dialética inevitável e continuada entre a identidade eclesial e o chamamento para a missão. isto é. se considera-lo procedente e biblicamente correto. Não se pode ter fobia de evangelismo responsável. Finalmente. Não se pode ter medo de se praticar culto vivo. de modo prático (assim esperamos). juntamente com sua igreja. do ser igreja. As denominações são expressões sociológicas. jamais compreenderemos o que realmente significa ser o povo de Deus que em Cristo é chamado para as boas obras. de discipulado biblicamente instrutivo. que somente a igreja pode desenvolver. mas nos basearemos em princípios gerais e em nossa experiência pastoral. A diferença básica entre o ser e o fazer igreja e uma denominação reside na comunhão com Cristo. de quebrar paradigmas. santo e agradável a Deus. porque acreditamos que cada caso é um caso. de sacerdócio universal e de comunhão dinâmica em amor. Como ficará evidente. de romper as fronteiras e de alargar seus horizontes. Não existe Eclesiologia. a nossa intenção não é lidar com modelos de igrejas propriamente dito. seja despertado por Deus para os nove objetivos aqui propostos. como Corpo Vivo de Cristo. Não critique ou refute sem estudar e orar. em sua igreja e em nossa denominação. Permita-se a Deus e ao Espírito Santo para que estes objetivos sejam realidades efetivas em sua vida. desejo ressaltar que a igreja. bem como um método prático para se introduzir as mudanças necessárias para a contextualização da igreja. leve a sua igreja entender o que é e a desejar a revitalização. Pense em tudo isso e ore pedindo a Deus discernimento espiritual e direcionamento para a decisão que você precisa tomar juntamente com a sua igreja para a revitalização. entre o ser e o fazer igreja. Trabalhe para que você. o fazer igreja. alguns princípios fundamentais de revitalização da igreja local. não é mera sociedade de pessoas humanas. Parte XXXV UM PROJETO DE REVITALIZAÇÃO PARA A IGREJA LOCAL O presente trabalho é uma tentativa de se apresentar. Sejamos Igreja. Por isso. Abrace este projeto. Pois estas são as características distintivas da igreja de Jesus Cristo no Texto Sagrado. nenhuma igreja que afirme compromisso de missão conforme os postulados bíblicos e o mandamento de Jesus pode esquecer que o cumprimento da missão acontece em meio a difícil dialética entre o conservar a identidade doutrinária e o renunciar a tradição histórica. Corpo Vivo de Cristo.Jesus e desenvolvendo uma perspectiva correta de renovação espiritual e eclesiológica.

Pelo contrário. Aos poucos (ir devagar é fundamental quando se chega em uma nova igreja) fomos renovando a junta diaconal. Mas também é preciso que ele capacite e equipe novos líderes. Para isso. Sendo assim. Investimos na nova liderança. a varonilidade do Corpo de Cristo. mas não sabem como fazer. O crescimento natural da igreja. a liderança deve ser constantemente revitalizada. O pastor precisa delegar e distribuir tarefas. Em vez de fazer a maior parte do trabalho. apóiam.1. Eles capacitam. Um líder não é capaz somente pela sua boa reputação dentro e fora da igreja. Um pastor centralizador compromete seu ministério e o futuro de sua própria igreja. a fim de contribuir na formação de novos líderes. pude perceber um pouco da força do que acabamos de dizer. como revitalizar uma igreja cuja liderança está cansada e os liderados insatisfeitos? Em nossa pouca experiência temos aprendido que o segredo do sucesso está no investimento. Invista-se na liderança e na formação de novos líderes e a igreja como um todo reagirá positivamente. Confie no potencial de seu rebanho. Pegamos uma junta diaconal debilitada e sem muito compromisso. e não meros "ajudantes" ou "marionetes" com o intuito de alcançar seus próprios interesses. o que é deveras significativo. receber novas orientações. Existe boa literatura sobre administração eclesiástica que ajudarão o pastor neste empreendimento. A. O que não falta nas igrejas são pessoas que querem trabalhar. descobrem como esse aspecto leva ‘por si mesmo’ ao crescimento" (C. Líderes capacitadores formam colaboradores. a saber. A pessoa do pastor é fundamental para a formação de uma liderança capaz e capacitadora. "Líderes que se vêem como instrumentos para capacitar outros cristãos e levá-los à maturidade espiritual. que por sua vez capacitem e formem outros líderes. Um pastor que pretende levar a carga sozinho não conseguirá ir muito longe. viajamos com eles para 223 . Investir na formação de uma boa liderança é garantir o sucesso da igreja local. a energia investida por eles pode multiplicar-se quase infinitamente. a pirâmide de autoridade é invertida: os líderes ajudam cada cristão de sua igreja a chegar à medida de plenitude intencionada por Deus para cada um. Pastor. motivam e acompanham a todos individualmente para se tornarem aquilo que Deus tem em mente. p. esses líderes investem a maior parte do tempo na formação de novos líderes através do discipulado e do compartilhamento de tarefas. trocando os "irrecuperáveis" por novos. Uma das funções do pastor é equipar os santos. A REVITALIZAÇÃO DA LIDERANÇA Não são poucas as igrejas que conhecemos que nos obrigam a fazer uma inevitável pergunta: "Onde está a liderança?". Quando fui pastor em uma das igrejas da Grande São Paulo. ensine sua igreja a fazer. 23). Schwarz. Assim. Os resultados serão simplesmente surpreendentes! Os líderes de igrejas que crescem concentram seus esforços em capacitar outras pessoas para ministérios específicos.

é fundamental que os ministérios sejam orientados pelos dons. 224 . no ambiente de fala alemã. só é possível quando os membros de uma igreja estão no lugar certo. disse acertadamente que "o maior fenômeno de revitalização na igreja é o crente novo". a meu ver. mas precisa ser trocada. p.um encontro de diáconos no Rio de Janeiro. Elias Dantas. Novos líderes devem ser formados a partir de seus dons. Geralmente não vale a pena tentar recuperá-la. E ele sabia o que estava dizendo porque levava isso a sério nas igrejas que pastoreava. Ministrei sobre o tema na região sul do País durante quase um ano. Além de outros fatores indispensáveis para o crescimento da igreja. Campinas: Luz Para o Caminho. recebemos orientações específicas de líderes de juntas diaconais que estavam dando certo e em pouco tempo a junta diaconal de nossa igreja se tornou uma das mais atuantes da Grande São Paulo. 2) Tem muita gente nova na igreja que daria um bom líder. e pude constatar que o resultado da pesquisa não foi diferente. ou até mesmo não existiriam. 1994 e O teste dos dons/Christian A. quer sejam de ordem espiritual. Schwarz faz uma declaração alarmante: "De uma pesquisa que fizemos com 1600 cristãos ativos em suas igrejas. Revitalização nem sempre significa tentar recuperar o que não tem jeito. Mas como preparar uma liderança capaz e capacitadora. e a mesma se colocou à disposição para ajudá-los no que fosse preciso. quer sejam de ordem administrativa. descobrimos que 80% deles não sabem os seus dons espirituais". Existe muita gente boa no ministério errado. Schwarz. Em português há pelo menos dois que recomendo: Quem é você no Corpo de Cristo?/ Lida E. Knight. Existem bons livros que poderão ajudar na formação de ministérios orientados pelos dons. na Europa. Meu ex-professor. se todos os membros da igreja descobrissem e usassem seus dons ministeriais. Mudança também é revitalização. 1997. Será que o resultado da pesquisa seria diferente se fosse feita com 1600 cristãos ativos nas igrejas do Brasil? Acredito que não e digo por quê. Dr. seriam resolvidos com mais facilidade. Os diáconos reconquistaram a credibilidade da igreja. E esta "mobilização". Tem que ser trocada. O que seria daquela igreja se todos os setores fossem revitalizados? Infelizmente não foi possível continuar ali para ver os resultados. como veremos adiante. verdadeiramente revitalizada. Curitiba: Editora Evangélica Esperança. É perda de tempo. Orlando Costas (Compromiso y misión. 62) acertou quando disse que "o crescimento da igreja depende de uma eficaz mobilização de seus membros". Minha proposta é: 1) Quando uma liderança está "viciada" é preciso ser trocada. sem que haja frustrações no futuro? 1º) Os ministérios devem ser orientados pelos dons Acredito que muitos dos problemas de uma igreja. Aos poucos.

não funcionais. indicando um jeito de ser. pelo menos. são necessárias para que as estruturas de uma igreja se tornem funcionais. entendo que os próprios pastores deveriam iniciar o processo de discipulado. São Paulo: Abba Press. Duas coisas. é a preparação que visa o crescimento espiritual do discípulo e nada mais que isso. viver ou fazer as coisas. e até decréscimo na membresia de algumas igrejas. já não têm nenhum valor prático. por uma simples razão: Uma das principais atribuições do pastor é instruir. em termos de discipulado. Infelizmente. 1995. Os discipuladores não devem perder isso de vista se realmente desejam formar líderes capazes. Toda ovelha deve ser preparada para produzir outras ovelhas. E quem. por assim dizer. Por uma questão de prudência e respeito com aqueles que não pensam como nós. pois foi a tônica do ministério terreno de Jesus. que por sua vez discipularão e formarão outros e assim sucessivamente. Primeiro é preciso mudar a mentalidade dos acomodados e principalmente dos saudosistas. a fim de tornar eficiente a vida espiritual do povo de Deus. A preparação de um discípulo que não tem como objetivo a formação de outros não é bíblica. 1º) A quebra de paradigmas Paradigma é uma palavra de origem grega que significa "modelo" ou "padrão". O segredo do sucesso está num trabalho de conscientização sério e paciente. é 225 . são aquelas estruturas enrijecidas pelo tradicionalismo e. a boa tradição com tradicionalismo. daria o ponta pé inicial do discipulado? Como pastor. <B< ECLESIAIS ESTRUTURAS DAS REVITALIZAÇÃO A> O que muito tem contribuído para o não crescimento. o que temos visto na prática. À primeira vista parece fácil mudar aquilo que se tornou obsoleto. Mas nem sempre é tão simples assim. Os paradigmas podem ser definidos como "verdades" que se fixaram na mente. daqueles que confundem inovação com inovacionismo. A ênfase da Grande Comissão foi: "fazei discípulos". orientar e superintender as atividades da igreja. Para isso preparou seus discípulos. Para um estudo interessante deste tema sugiro a leitura do livro Quebrando Paradigmas/Ed René Kivitz. Um discípulo deve ser preparado para discipular e formar novos discípulos. portanto. portanto. Às vezes é preciso coragem para quebrar paradigmas que não funcionam mais e que. Isto sim é bíblico.2º) Formar discípulos para serem discipuladores O discipulado que gira em torno de si mesmo está fadado ao fracasso.

A REVITALIZAÇÃO DO COMPROMISSO MISSIONÁRIO Com o passar do tempo os membros de uma igreja local tendem a esquecer-se de seus compromissos missionários. Entendíamos que separar um domingo por mês para missões era o mínimo que estávamos fazendo. etc. Por meio de um processo constante de avaliação e renovação. como era chamado. 1º) Um exemplo que deu certo Aprendi com um colega de ministério a separar um domingo por mês para falar de forma mais específica sobre a importância da igreja local em missões. horário e duração do culto inadequados. aberto e amigável é a chave do sucesso. 2º) Testes de qualidade As estruturas da igreja devem ser constantemente testadas por sua liderança. Para se evitar isso é preciso lembrá-los constantemente da importância da igreja local para com a obra missionária no mundo. o livro Igreja local e missões. Pregávamos sobre missões. Prove! 2º) Uma questão de obediência e prioridade A experiência nos ensinou que evangelizar não é uma opção de vida de uma 226 . O Domingo Missionário. Mas isso não aconteceu de um dia para o outro. O ideal seria todos os domingos. Tudo que não contribui para esse objetivo deve ser mudado ou eliminado. a igreja orava por missões e contribuía financeiramente com a obra missionária. Mesmo assim foi gratificante. Quando uma igreja se envolve com missões. Foi preciso um trabalho de base. Uma coisa aprendi em meu ministério pastoral: Se a igreja não "comprar" a nossa idéia. Um diálogo franco. aquele foi um dos períodos mais abençoados na vida daquela igreja. mas progressivamente. todas as demais áreas são abençoadas por Deus. de Edison Queiroz. 3. Segundo testemunho de irmãos antigos (que a principio foram relutantes). E não poderia ser diferente. servirem melhor o organismo. era dedicado às missões. As idéias e conceitos devem ser amadurecidos no meio da comunidade. de muita conscientização e investimento que valeram a pena. conceitos desmotivadores de administração das finanças. desse modo. Algumas coisas podem ser citadas como exemplos do que não devem passar pelo teste de qualidade de uma igreja local: liderança inibidora. sem atropelos. Neste caso específico. não será por meio de decreto conciliar que conseguiremos qualquer êxito. pode ser muito bem aproveitado. inclusive a financeira. a fim de serem revitalizadas e. o surgimento de estruturas enrijecidas é evitado em grande parte.preciso que os paradigmas sejam quebrados aos poucos.

3º) Revitalizando a missão integral da igreja local Como revitalizar uma igreja que começou com tanta empolgação para fazer missões e de repente esfriou? Em primeiro lugar. mas a própria vida de uma igreja local. é preciso conscientizá-la de que ela está no mundo para servir o mundo integralmente. é importante que a igreja saiba que sua missão no mundo é integral. entendemos que a formação de uma liderança capacitadora. Entretanto. Isto é. etc. o que fez antes. Etal e Atrás do Sol. a espiritualidade contagiante da igreja local com relacionamentos marcados pelo amor fraternal. as estruturas da igreja sendo funcionais e o compromisso missionário revitalizado. povo de propriedade exclusiva de Deus. fechada em quatro paredes. Se a igreja chegou a se empolgar com missão algum dia. O ponto de partida será o parâmetro bíblico e o contexto da igreja local. Geralmente a frieza por missões acontece por causa da rotina. Além disso. nação santa. porém. sois raça eleita. com a graça de Deus.9). atender o indivíduo na totalidade de suas necessidades. Em segundo lugar. do indivíduo e da sociedade. naturalmente resultarão em novas realizações. a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz" (I Pe 2. O que está "matando" muito crente novo (que desperdício!) é a igreja não-funcional. Vejamos alguns exemplos de como a igreja poderá revitalizar sua visão missionária. é sinal que ela tem potencial para fazer. para a honra e glória de Deus Pai. Conclusão: Mais coisas poderiam ser ditas como parte integrante de um projeto de revitalização para a igreja local.igreja local. sacerdócio real. que se limita a suas atividades internas. a formação de grupos familiares ou células. um culto inspirador. A igreja local precisa resgatar sua visão missionária. como bem declarou o apóstolo Pedro: "Vós. A igreja deve ser redirecionada. é preciso reconscientizar a igreja de sua missão no mundo. além do auxílio de associações evangélicas e agências missionárias. mas sempre partir para uma ação social transformadora. Sermões e estudos bíblicos missionários. filmes específicos como por exemplo As Primícias. evangelizar não é simplesmente distribuir folhetos como alguns pensam. como por exemplo. certamente produzirão novo alento. Uma vez que o mal foi detectado é necessário que seja combatido com atividades variadas. Parte XXXVI UMA IGREJA RENOVADA TEXTO: ROMANOS 12: 1-2 227 . a igreja nunca deve deixar se levar pela prática do paternalismo e assistencialismo paliativos. mas sim. excelência maior de seu chamado. Por outro lado.

01.Princípio da integralização .1 . das pessoas e também da igreja é a de se adaptar ao curso da história.cada membro tem a sua função.Princípio da oportunidade .desequilíbrio em todo os sistema b .1 Coríntios 12:17-18 . Transformação é o segredo de um organismo vivo.2 .Kerigma . TRANSFORMAÇÃO ATRAVÉS DA COMUNICAÇÃO A igreja não sobrevive sem uma comunicação interna.João 13: 12-17 A mensagem Kerigma .afastamento dos outros membros d . das pessoas e da igreja em se transformarem.Koinonia . TRANSFORMANDO A NOSSA RELAÇÃO Este processo ocorre através da prática de quatro princípios bíblicos: 2. Esta adaptação só se viabiliza mediante a disposição do mundo.serviço 1. .não funciona isoladamente. 1.Encurtando as distâncias . . Um membro não pode inibir a ação do outro. O grande fator de dispersão que a enfraquece é a falta de uma boa comunicação entre seus membros.um espírito de concorrência 228 .Diakonia .este princípio visa dar a todos a mesma chance de trabalho.desvalorização do membro b .A comunicação se processa através de três elementos básicos: a . Para que ela produza resultados positivos é necessário que o membro exercite a Koinonia e a Diakonia. Leon Tolstói: "Todos pensam em mudar a humanidade e ninguém pensa em mudar-se a si mesmo". 02.1 .comunhão c .mensagem b .contestação da vontade de Deus c . .Ilust.PROPÓSITO: Uma das maiores necessidades do mundo. Um membro não deve aspirar o lugar do outro.desperdício de forças 2.A quebra deste princípio provoca: a . Quando isto ocorre todo o corpo é prejudicado.1 Coríntios 12: 15-16 .A falta de oportunidade produz: a .2 .

Efésios 5:15-16 . a igreja perde a sua função. Fp 4. João 17:23 3. escravos. Há uma mistura de judeus e gentios. são.1 Coríntios 12: 21-22 . mobilidade e harmonia do corpo.Disciplina na prática da fé . na maioria.TODA TRANSFORMAÇÃO EXIGE DISCIPLINA PESSOAL 1 Coríntios 9:25 .a arrogância quebra a linha de comunicação 2.c . libertos e escravos. Mostra como aquela comunhão de fé na cidade de Roma era formada de gente de várias nacionalidades.João 13: 35 Parte XXXVII UNIDADE NA VARIEDADE Romanos 16.o egoísmo passa a predominar nas relações c .1 Timóteo 5:22 .Disciplina na prática do perdão . Ela foi criada para ser o instrumento de Deus na transformação da sociedade. nobres. .Princípio da dependência .1 Coríntios 12: 25-26 .Disciplina na prática do tempo . Treze dos nomes aparecem em inscrições ou documentos que tem a ver com a nobreza e com o palácio do imperador naquela cidade (cf.Quando este princípio é quebrado.0 . No entanto.Disciplina na prática do amor . idosos e jovens.A igreja precisa ser a autora e não a espectadora no processo de mudanças.enfraquecimento de todos os demais membros b .todos os membros devem participar das atividades que os demais realizam.Disciplina na prática das ações . É uma esclarecedora lista de como a fé evangélica se havia espalhado entre todas as classes sociais.Colossenses 3:17 .3-16 No último capítulo da Carta aos Romanos. Paulo faz recomendações.4 . homens e mulheres. São saudações individuais a vinte e seis pessoas e a cinco famílias.Disciplina na prática de ouvir e falar .João 8:47 .Marcos 11:25 .Gálatas 5:13 . Das pessoas mencionadas.Disciplina na prática da santidade .22).a unidade é a fonte geradora de toda a energia.Disciplina na prática da liberdade . saudações e votos. Para isto o exercício da disciplina é imprescindível.2 Coríntios 13:5 . pelo menos oito são mulheres.Princípio da unidade . A independência enfraquece o corpo. 229 . Sem ela.uma anemia espiritual 2. ocorre: a . . grupos de pessoas ou "igrejas no lar".3 .

10). Urbano. As saudações não são longas.9). Há judeus e há gentios.procedências e estratos sociais. já o dissemos. cheias de gratidão e plenas de amor: Em relação a Prisca e Áquila (vv. gente que vem de um profundo contexto espiritual. A relação de nomes é de altíssimo significado. "meus companheiros de prisão" e "bem conceituados entre os apóstolos". de Herodião (v.14. e examinando-os com alguma análise. obstinada") · Nereu = molhado · Olimpas = descido dos céus · Pátrobas = vida do pai · Priscila = venerável · Trifena = delicada · Trifosa = mimosa.11). Há romanos: Ampliato (v. Os judeus. um grego. de Apeles (v. vemos que os tipos são tão diferentes que só um milagre chamado evangelho pode explicar a interação naquela comunidade de fé. erudito · Flegonte = ardoroso · Hermes = intérprete (daí a palavra hermenêutica. 3. O significado dos nomes é igualmente muito interessante: · Áquila = águia · Asíncrito = incomparável · Epêneto = louvado · Estáquis = espiga · Filólogo = falador. ou seja.5b): "meu amado" e "primícias da Ásia para Cristo".8) e Urbano (v.6) foi a que "muito trabalhou por vós". No verso 7. Gl 3. Escravos: Ampliato.16 (cf. A COLORIDA VARIEDADE Como já enfatizado. Estáquis. Há ricos e há pobres. mas são muito expressivas. Para Epêneto (v. há nesta passagem uma visão da intensa vida da Igreja-dosPrimeiros-Dias. e gente que vem do paganismo.6). graciosa · Urbano = criado na cidade. Epêneto. de Andrônico e Júnias (v.3). a arte da eloqüência) · Júlia = juvenil · Maria = bela (alguns traduzem como "teimosa. Pérside e Hermas. Há homens e há mulheres. como o muro de separação entre judeus e não-judeus fora derrubado. de Maria (v. Registra.7). Flegonte. Era o caso de Priscila e Áquila (v. exatamente nos termos de Efésios 2. pelo menos.28). Maria (v. Andrônico e Júnias são "meus parentes". e. ainda. 230 .4): "meus cooperadores em Cristo" e "pela minha vida expuseram as suas cabeças" .

que gente extraordinária são os pais de Rufo: o pai carregou a cruz de Jesus Cristo. Paulo usa uma palavrinha que diz isso: kopian. 18.2. E se não há o alicerce de Jesus Cristo. É possível. o casal o acompanhou (At 18. morou com eles. Dietrich Bonhoffer usa as expressões "dom de uma vida comum" e "dom da adoração em comum aos domingos". por um tempo.18). Eu escrevi Prisca? Prisca ou Priscila? Dá no mesmo. que. As duas idosas irmãs em Cristo têm histórias não contadas no texto. abençoadora. e a mãe "adotou" Paulo. E passando ao verso 13. como Lucia faz Lucila. o maltratto. em concórdia. A história de Prisca e Áquila. até. mas não como irmãos no Nome de Jesus Cristo.32. aplicando-as à bênção de Deus que se chama Igreja. e incansáveis no trabalho. no verso 12. enriquecedora. 10) é denominado "aprovado em Cristo". porque Priscila é o diminutivo de Prisca (cf. Se assim ocorreu. é amada" e "muito trabalhou no Senhor".21). Um estudioso do Novo Testamento diz que não há no Novo Testamento um casal mais fascinante que este. Mas a verdade é que é muito difícil viver em comunidade. Aliás. torna-se amarga e. Drusa. e Áqüila fosse um judeuda Ásia menor setentrional. que significa "trabalhar até o cansaço" A UNIDADE Não é fácil viver em unidade. Paulo chamou à senhora. Eram avançadas na idade. No verso 13. Livila. no 9. a ponto de sofrerem perigo de vida (cf. em certos casos. gente que enche os bancos da igreja. o cireneu que carregou a cruz de Jesus compartilhando com Ele a dor. Há quem admita ser Rufo filho de Simão. At 18. At 19. Rufo é o "eleito no Senhor". Mc 15. o grande apóstolo aos gentios. tenuíssima e fragílima 231 . Pérside ("natural da Pérsia") e Maria são pessoas que não se entregam. Drusila e Lívia. 1Co 15. Quando Paulo deixou Corinto indo para Éfeso. Apeles (v. nosso Salvador. de sua mãe.23) Tinham a mesma profissão de Paulo. Pois é. que Priscila pertencesse a uma família da nobreza romana. a humilhação daquela manhã em Jerusalém (cf.26). traumatizante. o relacionamento humano é uma teia delicadíssima.No verso 8. Muitos problemas afloram porque nossos irmãos em Cristo (em quem corre o mesmo de Jesus nas veias) são tratados apenas como outras pessoas. MEMÓRIAS Há algumas histórias por trás das lembranças de Paulo. Era um casal devotadíssimo ao apóstolo Paulo. Ampliato é "meu amado no Senhor". mãe de Rufo. de acordo com o costume oriental de assim chamar uma senhora mais idosa. as irmãs Trifena e Trifosa são as que "trabalham no Senhor". Diz ele que o estilo de vida que acontece na igreja é um privilégio. e Pérside. Outra história interessante é a de Rufo. Urbano é "nosso cooperador em Cristo"e Estáquis é chamado de "meu amado". veterana senhora. essa experiência que deveria ser abençoada.

26 e 1Pedro 5. Cl 4. lembremos.48). também. sua mãe e sua irmã. para evitar toda e qualquer conotação maldosa. 1Co 1. Desde o princípio desta genuína e profunda amizade.11. mãe e filhos).8. Paulo usa a palavra "santo". Por outro lado. na confiança. Priscila e Áquila foram pessoas que mantiveram aberto o coração. nosso ex-professor.um sinal de amor.6). 18.7).que pode se romper com coisas mínimas e minúsculas. v. um tom de homenagem (Gn 29.15.12.2). Paulo até o menciona. viúvas. de Filólogo. 5a). no verso 13.20. em muitas ocasiões. abertas as mãos. Gn 29.19. famílias inteiras eram batizadas (cf. porém. 33. 16. fez uma significativa afirmação ao dizer que será um dia glorioso quando os cárceres forem transformados em púlpitos. Era. 33330-34. na tolerância. PRECIOSAS LIÇÕES Sacrifício de uns pelos outros (vv. nem como uma ordenança ritual. No verso 10. É digno de observação que as mulheres são significativamente proeminentes na vida da Igreja de Cristo. no querer o bem. então.44-48. mas não entre os romanos. 1Tessalonicenses 5. 16. Dale Moody. Nesta lista há solteiras. 1Sm 10. pai.16. ele fala dos "da casa de Aristóbulo". um ato de fraternidade entre os semitas. Aceitação de uns pelos outros (v. É o caso de um núcleo que tinha seus encontros na casa de Áquila e Priscila (v. O Novo Testamento menciona que. Equivale. mães e todas executando um admirável ministério na Causa do Senhor. e aberta a porta para a expansão do nome e reino de Cristo Trabalho pelo bem comum (v. o casal amado. no verso 11.4. a ponto de quase serem mortos. At 10. 232 .15. o relacionamento humano e cristão é dinâmico. Dr. recebendo do apóstolo o reconhecimento pelo modo através do qual compartilharam de suas lutas. Além de ser um sinal de afeição entre parentes. e no verso 15. não o entende só como sinal de amizade. Nereu e sua irmã (provavelmente. Paulo.1).é um sinal de amizade e saudação (Mt 26. poderoso e incentiva o crescimento pessoal e da Igreja como um corpo.. Havia casos em que pequenos grupos se reuniam em uma casa.11. 3-5a). casadas. Júlia. Aqui temos Priscila e Áqüila. 16). Na verdade. no bem-querer e nas atitudes de boa vontade. "ósculo santo". Fm 2). "os da casa de Narciso". de Rufo. Paulo saúda a irmã na fé chamada Maria. Paulo recomenda uma saudação muito comum no Oriente Próximo ainda hoje: o beijo (cf. na honestidade. 2Coríntios 13. havia.14. o costume já se havia difundido nas igrejas conforme atestam os seguintes exemplos textuais: 1Coríntios 16. mas que se fortalece quando está fundamentada no respeito. Alguns foram companheiros de prisão do apóstolo (cf. No Novo Testamento. Temos membros de uma mesma família fazendo parte com outras famílias de uma mesma família de fé. Ct 1.

comunhão (koinonia) é uma das grandes palavras do Novo Testamento. Fala de uma abordagem sistêmica. E que. Não impeça o outro de viver a sua. no fim de todos os caminhos. Assim seja. a solidariedade e a fraternidade de uns pelos outros. aberta e sensível Aos problemas de cada um. Há uma recomendação do apóstolo que é apropriada para encerrar esta reflexão. Devemos buscar a comunhão. manifesta-se a humildade (Rm 12. Aliás. Que a nossa fraternidade não se feche em si mesma. que regenera o interesse. mas uma há uma comunhão o dedo e o fígado de alguém. nenhum desejo de unidade ou de comunhão é coisa alguma sem o amor. O amor é o começo do crescimento espiritual. a um fraternal abraço e aperto de mãos. Pode não parecer. dissabor e desânimo do próximo. É recomendação perfeitamente pertinente porque nenhum dom espiritual. Além de todas as buscas.em nossa cultura. um cordial "Bom dia!" É preciso recuperar o significado da comunhão. Que cada um de nós sinta e viva as dificuldades dos outros. desenvolve-se a compreensão e o ministério do ouvido amigo. Amém! 233 . Que ninguém fique alheio aos momentos De cansaço. Mas seja disponível. Encontra-se em 1Coríntios 16. ao construir a própria vida. Com os Teus olhos e nos amemos com o Teu coração. Que nossas discussões não nos dividam. Que cada um de nós. Oração Senhor. Mas somente irmãos. Não haja vencidos nem vencedores. Que olhemos para cada um. Assim é: "Todas as vossas obras sejam feitas com amor". Que nossas diferenças não excluam ninguém da comunidade. Será preciso lembrar que o primeiro aspecto do fruto do Espírito é o Amor? Por ele. e depois de cada encontro. nós Te pedimos: Que nos conheçamos sempre melhor Em nossas aspirações e nos compreendamos Mais e mais em nossas limitações. É preciso lembrar que avivamento e comunhão andam de mãos juntas. faz desaparecer o orgulho.4). Mas nos unam na busca da verdade e do bem. nos aproximar de alguém. Senhor. pois é vital para a saúde espiritual da igreja e do crente como indivíduo. É ele quem põe um ponto final nas divisões.14b: "Fazei todas as vosss obras com amor". a perna e o coração porque corre um sangue vital.

Foi quando eles estavam "servindo ao Senhor. O segundo era Simeão que tinha o sobrenome de Níger. O mesmo efeito tiveram as duas principais conversões relatadas por Lucas.13:2). Lucas não explica a diferença entre esses ministérios. O terceiro era Lúcio de Cirene e alguns conjecturam que Lucas se referia a si mesmo o que é muito improvável já que ele preserva seu anonimato em todo o livro. Havia também Manaém. natural de Chipre" (Atos 4:36). nem se todos os cinco exerciam ambos os ministérios ou se os primeiros três eram profetas e os últimos dois mestres. A população cosmopolita de Antioquia se refletia nos membros de sua igreja e até mesmo em sua liderança. as pessoas que estavam jejuando e orando? Parece-me improvável que devamos restringi-los ao pequeno grupo dos cinco líderes. filho de Herodes o Grande. a de Saulo. O quinto líder era Saulo. que carregou a cruz para Jesus. e a de Cornélio. que também fora comissionado a ser o apóstolo dos gentios. Algumas perguntas precisam ser respondidas. pois isso implicaria em três deles serem instruídos acerca dos outros dois. através do apóstolo Pedro. Também em Atos 234 . apesar de Chipre ter sido mencionada em Atos 11:19. provavelmente um africano e supostamente ninguém menos que Simão Cireneu. vai ser dado esse passo significativo. A palavra pode significar que Manaém foi "criado" com ele de forma geral ou mais especificamente que era seu irmão de leite. A quem o Espírito Santo revelou a sua vontade? Quem eram "eles". O primeiro era Barnabé. e jejuando" que o Espírito Santo lhes disse: "separai-me agora a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado" (At. Filipe através de sua evangelização ousada junto aos samaritanos e ao etíope. em grego chamado o "syntrophos" de Herodes o tetrarca.(Autor desconhecido) Parte XXXVIII O QUE LEVOU A IGREJA Em Antioquia a fazer Missões Em Atos 13 o horizonte de Lucas se alarga pois o nome de Jesus seria maciçamente testemunhado além da Judéia e Samaria. Mas sempre a ação esteve limitada à Palestina e à Síria. Agora. Ninguém tinha tido a visão de levar as boas novas às nações além mar. A partir de Antioquia chegaria aos confins da terra. que consistia em cinco profetas e mestres que moravam na cidade. Ele só nos dá os seus nomes. Estevão através de seu ensino e martírio. Evangelistas anônimos também pregaram o evangelho aos "helenistas" em Antioquia. de Herodes Antipas. É mais provável que se referia aos membros da igreja como um todo já que eles e os líderes são mencionados juntos no versículo 1 de Atos 13. Estes cinco homens simbolizavam a diversidade étnica e cultural de Antioquia e da própria igreja. Os dois diáconos evangelistas prepararam o caminho. que significa Negro. finalmente. que foi descrito com "um levita. isto é.

para obedecerem a Deus. É verdade que o último verbo pode ser entendido como "deixou-os ir". Ele é ligado ao culto e à oração. Notamos que o jejum não é mencionado isoladamente. para testar o chamado de Deus e em parte para interceder pelos dois que seriam enviados. A instrução do Espírito Santo foi "separai-me agora a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado". pois raras vezes. ou nunca. O mais provável é que Deus tenha falado à igreja através de um de seus profetas. pelo qual todas as decisões são tomadas pela igreja sem 235 . muito semelhante ao chamado de Abrão: "vai para a terra que te mostrarei". prontos para a obediência. Qual o conteúdo da revelação do Espírito Santo à Igreja em Antioquia? Foi algo muito vago e possivelmente nos ensina que devemos nos contentar com as instruções de Deus para o dia de hoje. pois às vezes Lucas usa o verbo "adulou" no sentido de soltar. "impondo sobre eles as mãos os despediram". Precisamos observar também que tanto Abrão como Saulo e Barnabé precisariam. ou seja. Mas seu chamado também poderia ter sido interno e não externo. Quem comissionou os missionários? De acordo com Atos 13:4 Barnabé e Saulo foram enviados pelo Espírito Santo que anteriormente havia instruído a igreja no sentido de separá-los para ele. em parte. ao que parece. Mas de acordo com o versículo seguinte foi a igreja que. darem um passo de fé. ou seja. após a imposição de mãos. prestam conta a toda a igreja por terem sido comissionados por ela. Isto não era uma ordenação ao ministério muito menos uma nomeação para o apostolado já que Paulo insiste que seu apostolado não era da parte de homens. através do testemunho do Espírito em seus corações e mentes. mas sim uma despedida. por ter recebido instruções do Espírito. o jejum é um fim em si mesmo. O jejum é uma ação negativa em relação a uma função positiva. a primeira reação deles foi a de orar e jejuar. Na verdade em ambos os casos o chamado era claro mas a terra e o país não. Então jejuando e orando. O segundo é a tendência para o institucionalismo. os despediu. Independente de como o receberam. comissionando-os para o serviço missionário.14:26-27. Possivelmente Paulo e Barnabé já possuíam anterior convicção do chamado de Deus e esta verdade foi aqui revelada para toda a igreja. livrando-os de suas responsabilidades de ensino na igreja. Portanto creio que seria certo dizer que o Espírito os enviou instruindo a igreja a fazê-lo e que a igreja os enviou. O primeiro é a tendência para o individualismo pelo qual uma pessoa alega direção pessoal e direta do Espírito sem nenhuma referência à igreja. Como foi revelado o chamado de Deus? Não sabemos. quando Paulo e Barnabé retornam. Esse equilíbrio é sadio e evita ambos os extremos. Mas ele também o usa no sentido de dispensar.

25 – 27). e em especial aos seus líderes. é uma obediência à visão do Senhor. Portanto cabe a toda igreja local. uma despedida carregada de emoção. mas ajudava a suprir as necessidades de outros menos validos. ser sensível ao Espírito Santo.passei pregando o reino de Deus. O contexto da porção bíblica escolhida é que Paulo. mas sem confirmação do Espírito à igreja.. havia transmitido a vontade de Deus sem quaisquer reservas. Paulo está com sentimentos divididos: está triste e alegre. É senso comum que qualquer outra atividade desenvolvida pelos cristãos tem sua pertinência na Causa de Cristo e não deve ser minimizada. não o reservava para si. missionários e pastores. Chamado missionário não é um ato voluntário. No entanto. na verdade. menciona. Eles foram enviados pelo Espírito através da igreja. Parte XXXIX MINISTÉRIOS FIÉIS ". que sempre trabalhou com as próprias mãos para satisfazer as suas necessidades pessoais. Assim precisamos evitar o pecado da omissão ao deixarmos de enviar ao campo aqueles irmãos com clara convicção de que foram chamados por Deus. É. a fim de descobrir a quem ele está concedendo dons ou chamado. ainda.. bem como a precipitação de o fazermos com outros que possuem os dons para tal. obedecê-lo e fazer da igreja local um ponto de partida para os confins da terra. Paulo menciona que sua palavra sempre foi destemida.. nada cobiçou de outras pessoas. não me esquivei de vos anunciar todo o conselho de Deus.. evangelistas. está deixando um lugar onde tem exercido um ministério fiel e pleno de frutos. 236 . no seu desenvolvimento. Conclusão Não há indícios para crermos que Saulo e Barnabé eram voluntários para o trabalho missionário.nenhuma referência ao Espírito. apóstolo.. E há. mas prazeroso por ter sido o instrumento de sua conversão. É tristeza por deixar aqueles a quem ama. e suas cartas o revelam (1). estou limpo do sangue de todos" (Atos 20. seu trabalho. pelo contrário. detalhes que merecem análise. O apóstolo Paulo mesmo demonstrou uma clara visão do seu ministério. O equilíbrio é ouvir o Espírito. a Escritura Sagrada dá grande importância a homens e mulheres que foram separados como profetas. Não existe chamada mais honrosa e elevada que a divina para o ministério integral..

porém.. A palavra pregar é usada por Paulo cinqüenta e nove vezes nas suas cartas. consagração e abandono de seu espírito ao Espírito de Deus.13. 25). da inveja ou do sucesso.Outra expressão de Paulo em sua despedida é o enfrentamento do futuro com confiança visto que depende unicamente do Espírito Santo. obreiros em geral para manter a pureza e a intocabilidade da Igreja de Jesus Cristo sob a sua liderança espiritual. traz à memória de seus amados três características de seu próprio ministério. educadores. os ministros fiéis não se prendem a um assunto favorito. insta a tempo e fora de tempo"(5). e a Timóteo exortou com a seguinte expressão: "Prega a palavra. prioritário é pregar. espera-o e o enfrenta com a plena consciência de toda a direção é do Espírito. Spurgeon fez referência a pregadores que enfatizavam apenas certas doutrinas. não a sua vida(6). por extensão. Paulo recorda aos seus colegas de ministério algumas realidades próprias do seu múnus ministerial e profético: o dever que não é outro senão vigiar. proclamar essa mensagem abençoada e abençoadora de um evangelho eficaz para a salvação de todo aquele que crê. Os participantes da obra divina correm o perigo da contaminação do mundo. para ela é escolhido. bem na medida do pensamento contemporâneo de que "o preço da liberdade é a eterna vigilância". alimentar. pois "aprouve a Deus salvar pela loucura da pregação.8. O método de Deus para a salvação dos perdidos não é outro senão a pregação. escreveu. antes. pastores. Antes de sua partida. 237 . entre outros tocantes exemplos de dedicação.. mas proclamam todas as Doutrinas da Graça. Mesmo não sabendo o que virá no dia seguinte. de todos os fiéis ministros. missionários. CARACTERÍSTICA 1:FIDELIDADE À DIVINA COMISSÃO "Passei pregando o reino de Deus" (v. É o que podemos chamar de "evangelho light". contribuem. "cheguei a Trôade para pregar o evangelho"(4). profetas. obreiros do Reino de Deus. do secularismo. 27). cuidar do rebanho do Senhor que lhes foi confiado. prioritários. Até mencionou que "Cristo não me enviou para batizar"(3). Filipenses 1. precioso é o evangelho. Da mesma forma.19-26 e 3. Para o apóstolo. e. Esses pregadores falam de doutrinas como o reavivamento. e outras igualmente populares. a cura divina. evangelistas. tarefa que ninguém escolhe. pelo contrário. Para Paulo. ajudam. CARACTERÍSTICA 2: APRESENTAÇÃO PLENA "Não me esquivei de vos anunciar todo o conselho de Deus" (v.(2)" Outros métodos são auxiliares. feroz e constante mantida pelos profetas. não são. É verdadeiramente uma luta ingente. Esta convicção que queimava a sua consciência ela a reflete igualmente em Atos 21. o perigo a que estão sujeitos. missionários. Entretanto.

O Senhor da seara é fiel. e não se der por avisado.. A referência à culpa pela morte de alguém aplica-se. o ministro fiel e destemido não busca a popularidade "amaciando" certas ênfases do evangelho que não apoiadas por alguns. como se depreende. a justificação. Garante a Escritura que a Palavra de Deus "não voltará vazia"(10). Na verdade. Pregava todo o plano de Deus. ao dever espiritual do missionário/evangelista pela apresentação fiel da mensagem de vida abundante: o pecador é advertido. e apelando para que se escolha a vida.9. frase do missionário vertida pela BLH como "se algum de vocês se perder. "o ser humano. e assim o pregador cumpriu o seu sagrado dever de ressaltar o pecado. e o levar. CARACTERÍSTICA 3: OBRIGAÇÃO SEM CULPA "Estou limpo do sangue de todos" (v. o pastor ficar tão ansioso e não se lembrar da recomendação bíblica." (v. 26). "estou limpo do sangue de todos" (8). a responsabilidade de atender ao convite para a bênção já lhe foi passada. Paulo também o disse ecoando o profeta Ezequiel. Gloriosa certeza! Extraordinária convicção! Em outro 238 . Pode o missionário. até porque nos garante a conclusão desta recomendação que "depois de muitos dias o acharás"(9). incluindo seus aspectos como a eleição. "Lança o teu pão sobre as águas". e tudo o mais que está contido na Palavra de Deus. a santificação e a glorificação a serem explicados com toda a clareza possível. o evangelista. 25a). eu não sou responsável" Paulo era.1 . quantas vezes. ou como já foi resumido com muita pertinência. Estas palavras são um eco de Ezequiel 33. razão porque não precisamos nos preocupar com os resultados visíveis imediatos. tem sido o desejo de ver resultados visíveis em lugar de deixarmos os resultados com Deus. A resposta dos ouvintes não era sua responsabilidade. desse modo. os Seus servos devem ser fiéis na entrega da mensagem e na obrigação por causa de sua divina comissão. ÚLTIMO PENSAMENTOS "E eis agora sei. "todo aquele que ouvir o som da trombeta. um pregador tremendamente linear. o seu sangue será sobre a sua cabeça"(7). Não deixava de pregar porque certas verdades não satisfaziam os paladares de seus ouvintes porque um ministro fiel não se amedronta diante dos homens. o pecado e a graça". e cumpria sua tarefa.. na verdade. Seu tema principal é a salvação. a redenção. deixando que o Espírito faça a obra de convencimento. e vier a espada. a justiça e o juízo. Nosso problema. Diz a Bíblia na Linguagem de Hoje: "Esse alguém é responsável por sua própria morte".O apóstolo Paulo não se esquivava de fazê-lo.

. o Dia do Juízo(11).1. quanta novidade penetrando como se fossem moderníssimos métodos de proclamação. (5) 2Timóteo 4. 2Coríntios 2.12a. (2) 1Coríntios 1. 15.. etc.espaço. 1978) O MINISTÉRIO DA PALAVRA Introdução(1) É interessante observarmos a exigência que muitos cristãos fazem a seus pastores para que dediquem tempo em atividades secundárias.24-2. e. (9) Eclesiastes 11. Sociedade Bíblica de Portugal. Lisboa. (4) 1Coríntios 2. Atos 20. (8) Cf.4 que a tarefa pastoral precípua é a oração e o ministério da Palavra. Cabe-nos corresponder! NOTAS (1) Cf. 10. espiritual e forças físicas para o desempenho da tarefa proposta. Atos 20.. (3) 1Coríntios 1.17. Há lobos vorazes rondando o rebanho.24 (7) Cf.2a. v. e sempre pronto a dar sustento emocional. Vemos em Atos 6. (6) Cf.12 (O Novo Testamento.26b.. foi a nós que Ele o fez. Colossenses 1. Com esta expressão de fé e esperança. prescindindo aquelas que o Texto Sagrado preceitua como sendo a função pastoral.14-6.14ss. (11) 2Timóteo 1. A pregação da Palavra deve ser efetivada por cristãos especialmente 239 ..10ss.10.! EU CONHEÇO O SENHOR DA SEARA!" Que não passemos adiante a sagrada missão evangelizadora que o Senhor poderia ter confiado aos Seus anjos.1ss.23. também o fez com a afirmação de "sei em quem pus a minha confiança e estou certo de que ele tem poder para me guardar na minha missão até ao dia marcado".!" Sim. quanto poder nas palavras emanadas por vidas confiantes. cuidadoso. Sem qualquer sombra de dúvida.. 1Coríntios 16. no entanto. corajosas.21b.11. porém. fragilidade e tremenda dependência de um Pai amoroso. tem conhecimento de sua pequenez. (10) Isaías 55. o apóstolo introduziu os pensamentos acima analisados. o missionário/profeta/pastor/obreiro/obreira dirá "EU SEI. Quanta deturpação doutrinária. prontos a entrar no santo aprisco. Tradução Interconfessional.4. por essência e definição Seus autênticos mensageiros e ministradores. ousadas que podem afirmar "EU SEI.

as responsabilidades alistadas a seguir. afim de que os ouvintes passem a orientar e dirigir suas vidas a partir da Palavra proclamada. O Ministério da Palavra. O pregador da Palavra de Deus é um profeta que deve compreender claramente a beleza e a universalidade do evangelho. lamentavelmente. que emprestam ao ministro dignidade e importância oficial devido a natureza e a qualidade do serviço prestado.vocacionados em distinção a todos os demais Ministérios Eclesiásticos. Deus espera mais dos pastores e a tarefa pastoral deve esmerar-se em apresentar ao Senhor pessoas maduras e adultas na fé que sejam cumpridores da Palavra. profecias e conforto para o povo de Deus. sempre divinamente inspirado e autorizado para esclarecer as manifestações de Deus decorrentes da mensagem proclamada. uns poucos disseram ser o preparo do crente para a eternidade e para o mundo atual e. subserviência.4. 240 . 1. É o Ministério do Logos. que no Novo testamento é o equivalente a Davar Elohim. cristãos "perfeitos em Cristo". em todo o Novo Testamento. Colossenses 1. citada em hebraico 394 vezes no Antigo Testamento. A idéia radical inerente ao Ministério. o que ressalta o fato de que não desenvolveram uma visão bíblica para o Ministério da Palavra. é serviço prestado em submissão. Dentre os Ministérios alistados na Bíblia o Ministério da Palavra é o mais rico na sua significação. Palavra de Deus. absorto pelo Dom de proclamá-lo com persuasão.28. muitos não souberam responder a questão proposta. Aperfeiçoamentos dos crentes O pastor não pode contentar-se em visualizar nos membros da igreja apenas certas atitudes éticas pautadas na Palavra de Deus ou algumas poucas posturas próprias dos costumes e princípios denominacionais. portanto. eleito pelo próprio Deus da Palavra para arquitetar os ideais divinos para a sociedade. Quando buscamos no Texto Sagrado a finalidade específica para o Ministério Pastoral encontramos. Estão pastores mas não são Pastores na acepção bíblica da tarefa pastoral. O pregador da Palavra é o mensageiro de Deus e o verdadeiro mestre da sociedade. é o que encerra o compromisso de anunciar a Revelação de Cristo no sentido de uma comunicação divina em forma de mandamentos. além das tarefas primordiais indicadas em Atos 6. outros a união dos crentes com o Senhor. I – Finalidade específica do Ministério Pastoral (2) Em uma pesquisa realizada entre pastores perguntou-se qual seria o alvo final do trabalho pastoral e muitos responderam ser a evangelização. zelo e extremado amor. É espantoso notar que muitos pastores dirigem igrejas e pregam sem ter uma noção clara quanto a finalidade do Ministério. diligência e fidelidade.

9-15. 13. Hebreus 12. O pastor deve ter uma visão horizonal do Reino de Deus.35-38. Mateus 6.13. Lucas 12. cheios do pleno conhecimento e firmados doutrinariamente. 2.4-7. Efésios 4. Marcos 10.14-30. preparando-nos para o serviço futuro na glória celestial. edificados na igreja.10-16. sendo a igreja local condicionada pelos sinaléticos denominacionais apenas uma ínfima expressão da grande totalidade do que constitui-se a Igreja de Deus em Cristo.13-17.21-24. Invisível e Gloriosa. João 17. cristãos aperfeiçoados em Jesus.22-25 e Apocalipse 22. Vivemos em uma sociedade cibernética e de realidades virtuais. isto é.Deus espera que os pastores entreguem a Cristo a obra acabada. Mateus 25. que é a figura da igreja universal gloriosa. II – A Relevância da Tarefa Pastoral para a Sociedade (3) Nossa sociedade se admite pós-moderna e adota novos paradigmas socioculturais e eclesiológicos. isto é. independentemente da condição social ou cultural. A igreja é uma escola de vida e de serviço. João 12. A igreja não é um estágio no qual apenas esperamos passar o tempo até que Jesus volte. Efésios 4. o que nos exige a compreensão das rupturas que se refletem no nosso cotidiano a partir da substituição da mecanicidade pela informação e informatização.3-4. O Senhor espera que nos preparemos e aprendamos sobre fidelidade e dons de ministérios. Há uma realidade muito maior e superior do que a própria igreja local que é a Igreja Universal. Capacitar os cristão para o serviço.26. A igreja não pode 241 . Gálatas 5. É um chamado à compreensão das diferentes manifestações de Deus no mundo através da igreja local sem prescindir da comunhão em Jesus e da sinergia cooperativa entre as diversas igrejas para que cada uma delas cumpra o seu Ministério. servindo na igreja local.43-45. 1 Pedro 4. A convivência na igreja deve nos ensinar a servir no presente. deve enxergar além do horizonte da igreja local ou de sua denominação. Devemos servir com esmero e amor no presente para que sejamos encontrados fiéis no tempo em que formos convocados ao serviço celestial. 3.11 e 20-23.7-10. Cristãos que tenham uma identidade doutrinária definida e que interagem na obra do ministério da igreja de modo geral. Apocalipse 7. Hebreus 10. Preservar a unidade da igreja A unidade da igreja é um desafio ao amor e ao respeito que os cristãos devem uns aos outros.22-24.

o que só será possível a partir do reposicionamento da atuação pastoral. Não há como não enxergar a pluralidade dos conceitos éticos e morais estabelecidos pelo situacionismo degradante ancorado e aglutinado em torno de interesses egocêntricos. Há que se redefinir a homilia. A pósmodernidade implica no abandono de qualquer mito legitimador dominante desacreditando das meta-narrativas predominantes. os pastores devem atuar na formação da consciência cristã. o que exige da igreja o redirecionamento dos comportamentos eclesiológicos e pluralidade na expressão cúltica. sem contudo. sua eclesiologia e sua expressão cúltica em paralelo a recusa do verdadeiro conhecimento de Deus. dos conceitos éticos e da própria religião. as realidades existenciais. indeterminada e participável. que vive em constante suspeição da própria razão ressaltando a espontaneidade em contraposição à subordinação. bem como uma igreja relevante. como faz discurso evangélico tradicionalista que reproduz uma eclesiologia arcaica em detrimento da edificação e da relevância da igreja para a sociedade. tornando a igreja e o labor pastoral relevantes e essenciais para o nosso contexto sociocultural. ética e social orientando a igreja para que condicione sua mentalidade. considerando a validade das emoções e da intuição na percepção ideológica da verdade e da fé. deve entender e visualizar a possibilidade de criarmos os mundos. refutando e ridicularizando as micro-narrativas que se auto-arrogam credibilidade insofismável. Nossa sociedade admite variegadas contemplações do mundo supondo que a realidade seja ordenada a partir da observação das leis naturais e do ciclo existencial.ser acometida de refração causada pelas lentes do virtuosismo ufanista e sectário que se recusa à novas e diversificadas percepções da sociedade. Se na pós-modernidade a realidade é relativa. como preceitua a Palavra de Deus. Mediante a essa miopia sociológica é imperioso desenvolvermos uma cosmovisão pastoral que se contraponha à predisposição pós-moderna de rejeitar uma perspectiva unívoca e correta. O pastor não pode fechar os olhos às transmutações da sociedade que privilegia a privatização e a heterogeneização de interesses e valores. O pastor tem a vantagem de estar presente em quase todas as ocasiões da vida das pessoas podendo interpretar as revelações proposicionais da Bíblia a partir da atuação de Deus na história. por meio da pregação contextualizada que considera as influências recebidas na formatação da personalidade. descambar para a relativização dos absolutos estabelecidos na Palavra de Deus. Uma cosmovisão pastoral para a pós-modernidade deve considerar o fato de que o mundo não é algo exterior e que dele extraímos nossos conhecimentos. Uma atuação pastoral instrutiva e construtiva. isto por quê uma mensagem bíblica e profeticamente contundente aborda sobre uma variedade de problemas existenciais e práticos. 242 . A Bíblia tem pressupostos para o ceticismo humano e os pastores devem ser dotados de graça e qualificados para a interpretação dos absolutos de Deus em qualquer época da história.

Os resultados disto é profundamente perturbador e causador de uma verdadeira crise de identidade ministerial entre os pastores. O triunfo do individualismo criou uma igreja cheia de pessoas que se recusam a aceitar alguém que lhes diga em que devem crer ou o que devem ou não fazer. O padrão sociológico é muito forte e o padrão bíblico é quase utópico no mundo estético e pictórico. a igreja pós-moderna tem desvalorizado a autoridade pastoral quando exige do Ministro permanecer alheio ao desenvolvimento tecnológico e atrelado as expectativas denominacionais tradicionalistas que jamais promoverão desenvolvimento e maturidade para a igreja e para o próprio pastor. Conclusão (4) Não é difícil perceber que a igreja sofre as mais variadas influências e se vê pressionada pelas mais diversas tendências no atual contexto sociocultural. Podemos ainda considerar de extrema relevância a tarefa pastoral por ser o pastor. vocacionado e lapidado para a proclamação da sã doutrina. a amplitude. para o ensino da Palavra de Deus e para o exercício da liderança na igreja de Jesus Cristo. a comunhão com o Deus que pode restaurar e regenerar a sociedade. pela exortação bíblica e ensino da Palavra. além de se tornarem infelizes. 243 . a volição e as emoções. excluem-se da nutrição espiritual que emana do púlpito da igreja. inigualável. levando-o. Os cristãos que resistem a autoridade pastoral ou que vivem buscando referenciais externos para abalizar a proclamação de seu pastor. agindo como salvaguarda da Verdade Apostólica.jamais apresentando-se como um discurso paliativo e superficialmente direcionado às necessidades imediatas. sem deixar de lado o intelecto. o único com argumentos capazes de superar as controvérsias ideológicas e restaurar a unidade. quando consciente de sua tarefa e de seu compromisso como profeta. pois a fé cristã é o único misticismo que permite ao homem comunhão consigo mesmo. Na melhor das hipóteses. O ministério pastoral é a única tarefa que pode oferecer renovada razão de ser para a sociedade em decadência ética e espiritual por enunciar mensagem verdadeira e mística. Nenhum outro Ministério Eclesiástico é chamado. a igreja. no sentido pleno do termo. proporcionando ao ser uma experiência agregária. com a sociedade e com o Deus verdadeiro de forma completa. Alguns membros das igrejas tecnicamente treinados têm dificuldades em respeitar e ouvir os ministros formados e habilitados em retórica e idealismo denominacional devido a crescente confiabilidade dos modelos de gerenciamento e ao pragmatismo situacionista que corroem as bases bíblico-teológicas legadas aos pastores para a realização de seus ministérios. a totalidade e a integralidade do ser. o que se verifica pela esquizofrenia resultante do trauma causado pela confrontação da liderança. (5) É urgente e premente a necessidade de resgatarmos a credibilidade do Ministério da Palavra pois somente aqueles que abrem seus corações e suas mentes para a mensagem bíblica e à instrução pastoral crescerão espiritualmente.

resultado de oração incessante e de inspiração autoconfrontante. 1998. robusto. É. os versos 11e 12. 304-307 e 318). 38 está registrado: "Jesus diz aos discípulos: A seara é realmente grande. 1981. (pp. 2. 334 p.37. Menonita. 99-107) (4) FISHER. visto que nossa sociedade se pauta pela negação da autoridade e pelo fato de nenhum outro ministério eclesiástico exigir cometimento e subordinação a autoridade como no caso do Ministério da Palavra. Campinas: Associação Evang. Trad. Fernando C. (pp. O povo de Deus pedia. O propósito é o treinamento dos crentes. (5) Pictórico é algo relativo ou próprio da pintura. havendo um objetivo definido para esse ministério. ainda. mas os ceifeiros são poucos. pois. Asa R. de batizar essas pessoas e de discipulá-las.Não é exagero asseverar que no século 21 o exercício do ministério pastoral ficará ainda mais difícil. 37-38 e 46) (2) BARRIENTOS. é o estimulo à obra do discipulado. 148 p. 31-37). David. Ed. ao Senhor da seara 244 . O Pastor do Século 21. na unção e instrumentalidade do Espírito Santo. O termo é usado aqui para indicar o vislumbre de nossa sociedade pelo colorido das imagens e da televisão na formação de conceitos os mais diversos. Pregar deverá ser a demonstração pública de que a Palavra de Deus opera no pastor. Notas (1) CRABTREE. Kédma Rix. Rogai. 278 p. São Paulo: Vida. o ministério da Palavra é um dom especial de Jesus Cristo à Sua igreja. o de resgatar vidas das mãos de Satanás. Yolanda Krievin. O tom da liderança pastoral deverá ser estabelecido na autoridade moral e espiritual que os pastores exibirão na pregação bíblica. QUE É UM PASTOR? De acordo com Efésios no capítulo 4.Mestrado em Teologia Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil] . Em Mateus 9.(pp. (3) FERNANDES. Quando o pastor prega a Palavra de Deus. sendo o instrumento que o Senhor utiliza para ministrar à igreja e ao mundo. E esses dom foram dados por Deus em resposta às orações do Seu povo. Alberto. Pregar sem autoridade rouba a essência da Palavra de Deus. Rio de Janeiro: JUERP. a consecução do múltiplo propósito que Jesus tem para Sua igreja que é o de derrubar as portas do inferno. 1999. O trabalho do pastor atinge seu auge no púlpito. 1991. poderoso. [Dissertação . o Senhor cria um momento que é especialmente divino e que não pode ser repetido. é o crescimento do crente individual e da igreja como corpo forte. Pastor-teólogo na Pós-modernidade: Uma abordagem teológico-fiolosófica a respeito da atuação pastoral na sociedade pósmoderna. Que Deus nos ajude. Cada sermão é uma proclamação específica de Deus para um momento específico na vida de seu povo. Rio de Janeiro. Trad. A Doutrina Bíblica do Ministério. 128 p. (pp. Trabalho Pastoral.

Não pode ser uma pessoa que não tenha chamada. Disse-lhe que não fosse para o seminário. era de uma outra igreja e viu escrito na parte externa do templo ACONSELHAMENTO. porque Deus não chama fracassados nem desocupados. Que é um Pastor? O PASTOR É UM PROFETA E essa é uma palavra muito interessante. no entanto. a exclamar como está registrado em Isaías no capítulo 6. Relatos da Bíblia mostram que quando Deus ou o Senhor Jesus Cristo chamou. Talvez temos agora alguma variante." E se alguém abandona essa chamada há de ser infeliz. Profeta não é isso. profetiza o meu povo Israel. todos estavam trabalhando. eu acho que Deus está me chamando para o ministério porque já fiz o vestibular três vezes e fui reprovado. A mesma coisa aconteceu com Amós. e essa razão está na palavra de Jesus Cristo em João no capítulo 15 que diz "Não fostes vós que me escolhestes mas fui eu que vos escolhei e vos designei para que vades e deis fruto. "Qual é a evidência que você tem de que Deus está chamando você para ser pastor?" Ele não era ovelha minha. capítulo 3. que ele estava muito enganado. mas. Ou como Davi que também apascentava ovelhas e os outros que acabei de mencionar. Por essa razão. E quero dizer aos irmãos. vai ser tremendamente infeliz por uma razão. porque o ministério. "Mas boieiro e cultivador. "Mas o Senhor me tirou de após o gado e me disse: Vai. E respondeu "Eu não era profeta. o vocacionado estava numa atividade como Moisés que apascentava ovelhas. "Uma chamada divina. nem filho de profeta". Perguntei-lhe. o pastorado. que estava cultuando no templo. ninguém queira que eu adivinhe o futuro.que envie ceifeiros para a sua seara". Lembro-me de um moço que me procurou uma ocasião e disse que achava que Deus o estava chamando para o ministério." É assim que Deus faz. É assim que Deus age. Por isso. Na 245 . aqueles que estão ainda se preparando para o batismo. especialmente os crentes mais novos. no final do verso 8 onde ele diz: "Envia-me a mim". Então eu acho que é por isso que Deus está me chamando para ser pastor". Profecia não é adivinhação do futuro. Ele está falando aqui a Amazias. pescando ou no escritório como fiscal de rendas. Respondeu-me: "Pastor. Todos estavam na sua profissão. consertando redes. Amós estava apascentando o gado e quando ele estava pastoreando o gado. um sentimento tão forte naquele que é chamado que levou Isaías. Por isso a pergunta base é: Que é um pastor? Estamos trabalhando em cima de um tema que já foi objeto de reflexão. se alguém entra no ministério sem chamada vai ser um infeliz. Ou como dizia o saudoso pastor Valdívio Coelho. Quando Jesus Cristo chamou os seus apóstolos. o episcopado não pode ser abraçado como se escolhe uma profissão. ouviu a palavra do Senhor. se você também ouviu a chamada e não entrou no ministério." Era agricultor. 2Coríntios. E isso tem base bíblica. fala sobre esse assunto. o que se requer daquele que busca o ministério da Palavra é uma convicção da chamada especial da parte de Deus. que envolve um preparo divino para uma obra divina". então entrou e veio se aconselhar. A Escritura Sagrada enfatiza a vocação divina.

Mensagem de luz. visão falsa. mensagem de conforto. uma adivinhação. "Disse-me o Senhor: Os profetas profetizam falsamente em meu nome. Como profeta.11). é o porta-voz de Deus. exorta. isso não é ser profeta. A palavra do profeta é: "Assim diz o Senhor". cada um para sua ganância. Acontece que hoje está muito fácil se chamar "pastor". cada sermão deve ser atual. Talvez na linha daquele povo que diz assim: "Previsões para o ano 2000". nem lhes dei ordem. E a Bíblia ensina que isso é um carisma. Cada sermão há de chamar a atenção para as conseqüências morais e espirituais da conduta do ouvinte. 246 . a palavra tem conotação muito mais ampla. mensagem de vida. adivinhação. que sempre existiram cavadores de lucro. vaidade e o engano do seu coração é o que vos profetizam". comunicar a sua vontade. É um quadro que vemos amiúde. Apesar de uma tradição milenar desde o tempo dos profetas. A Bíblia diz que sempre existiram aproveitadores. "assim diz Walter Baptista".mente de muitas pessoas significa uma predição do futuro. hoje e eternamente. todos sem exceção" (Is 56. são pastores que nada compreendem. deve advertir sobre a justiça e deve advertir sobre o juízo de Deus. ou seja. Cada profeta então é uma sentinela guardando a doutrina que veio dos lábios do Senhor e do ensino apostólico. E porque profetiza. É como está colocado. consola homens individualmente e a igreja como um todo.. Não. Como está na Bíblia Sagrada. nunca se podem fartar. "Estes cães são gulosos. de salvação que deve ser sempre fiel e reta e ortodoxa.". a palavra do profeta nunca é: "Assim eu digo". basilar. E mesmo assim. profeta é quem fala em nome de Deus. todos eles se tornam para o seu caminho. muito mais profunda e mais consistente e séria porque pela Bíblia Sagrada. porque edifica. não. E a palavra de Deus vai dizer assim.. Sentinela e pastor. Mas a Bíblia mostra que não é assim. Palavra de orientação para a vida porque Jesus Cristo é o mesmo ontem. quando a proclamação não existe. No entanto. Querem ver mais? Jeremias 14:14. de inspiração. vai chegar a derrota e na Palavra Santa está com toda clareza e com toda as palavras a expressão de Provérbios 29 que fala "Não havendo profecia o povo se corrompe". fundamental do profeta é se colocar entre Deus e a pessoa humana e comunicar o propósito eterno. que sempre existiram mal intencionados. E aquele que é arrependido deve apontar a misericórdia e deve apontar o perdão de Deus e a bênção da vida com Deus. "Ou palavra do Senhor que veio a. Há tantos desqualificados sendo chamados de "pastor" que é uma verdadeira calamidade. Portanto. a função primária. nem lhes falei. Sem dúvida alguma irmãos há uma tradição milenar atrás de cada sermão que é pregado de qualquer púlpito cristão. o ministro da palavra tem mensagem. cada sermão deve advertir sobre o pecar. por que proclama a palavra do Senhor. 1Coríntios capítulo12 menciona entre os dons o de profecia. não os enviei. Por isso.

Quando ali chegou. entrou em um auditório que recém-inaugurado em Londres. Spurgeon. Nunca foi tão fácil como nos dias de hoje. Pastor é. Por isso. mas. olhava e mexia e tocava no pastor. A menina respondeu: "Eu estou procurando as asas: a senhora não disse que o pastor é um anjo. Sou fascinado pela pregação. Aí a mão disse: "Rosinha pára com isso. Quando saio de férias. então. Agora ninguém espere ver um par de asas nas costas do pastor Walter nem debaixo do paletó. e aquele auditório havia sido construído dentro dos mais modernos recursos de acústica da época. da igreja de Filadélfia e às demais. vai ter que pregar em algum lugar". O PASTOR É UM ANJO. "EIS O CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO MUNDO!!!" 247 . foi para o palco. o grande Charles Spurgeon. e. Tudo era à viva voz. nem ampliação de som. falarem em nome do Senhor. não leve o paletó: porque se levar o paletó. Anjo é aquele que traz uma mensagem. A pregação é algo extraordinário! Fico fascinado pela pregação. um mensageiro. E o evangelista havia ouvido falar sobre isso. que vos apascentem com conhecimento e com inteligência". Então há quem queira ver essas asas nas costas do pastor.". menina! Que história é essa.. recomendam-me: "Pastor. Entrou no auditório. Pregar não me cansa.. nem me desprezastes antes me recebestes como a um anjo de Deus". a palavra do Senhor é tão clara sobre este assunto porque diz em Jeremias 3:15 "Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração. explorando uma pessoa simples. Naquele tempo não havia microfone. ao anjo. Mas vamos entender irmãos. E quando chegou. É porque tem uma história que diz que o pastor foi almoçar na casa de uma família. o Albert Hall. talvez devêssemos dizer para tantos. E no Apocalipse também a palavra "anjo" é usada largamente quando as sete cartas são enviadas ao pastor. reivindicarem. Nunca foi tão fácil para alguns. Pregar não cansa.14.Há outros textos da palavra. incauta e até mesmo aquele que está desejosa de ser manipulada. e com a voz poderosa de pregador. o quê? Um profeta. que estava completamente vazio. Paulo recomenda "Não desprezeis as profecias". Ia lá e vinha cá. você andando para lá e para cá?!". exclamou: "EIS O CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO MUNDO!!!" e repetiu. no entanto. a menininha da família começou a andar por trás da cadeira do pastor. Porque a palavra "anjo" tem significado. ele diz: "Embora minha enfermidade na carne vos fosse uma tentação. eu sempre levo o paletó. E Paulo se refere a isso quando em Gálatas no capítulo 4. não me rejeitastes. fazia a volta e ia.

Dizem que quando se come um bago da fruta. na fé. finalmente. no espírito. Se é mais saborosa. Pois é. Nós preferimos ficar com a Palavra sempre. até. Não tive coragem porque o fedor era de esgoto em dia de chuva. e li. no trato. é algo deliciossíssimo. da pinha. na palavra. 248 .12. estava trabalhando na sala do lado quando ouvi o senhor falar lá dentro. e dizem que é a fruta mais saborosa do mundo. "Ninguém despreze a tua mocidade: mas sê o exemplo dos fiéis. É da família da jaca. Fede que nem esgoto. Como o pastor tem sido vítima de cobranças fiscais. na amor. Essa fruta é um pouco maior que uma graviola. apresentados à durian. O apostolo Paulo ele diz o seguinte ao jovem pastor Timóteo. se não for ortodoxa nem é sadia nem é fé. Ele tem que ter capacidade mental e eu diria capacidade acadêmica. não sei porque não tive coragem de experimentar. No entanto. Aliás.. na pureza". da fruta-pão. lendo. E essa palavra me tocou". A pregação dele foi só isso: "Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo". Quando chegou à porta. falaram de uma fruta chamada durian. No boletim de hoje. Meus amados. afirmando esse fato. Está na palavra em 1Timóteo 4. andar com Deus. Fomos. não é demais até lembrar que Paulo tinha muito amor pelos livros. Ele precisa conhecer as ciências teológicas. eu sei que é a mais fedorenta do mundo. por isso pediu que quando viesse. "Só quero dizer que aceito a Jesus Cristo. Por quê? Para orar com ele? Nem sempre. se nunca se experimentou da mesma? Quando eu estava em Singapura. Ele precisa ter uma fé sadia também e ter uma fé que seja ortodoxa. O homem ficou convencido dessa verdade e se converteu. nós preferimos o culto digno do nome do Senhor. Há muita novidade barateando o culto divino. conhecimento bíblico adequado. Ele precisa conhecer a Deus. deve saber bem e ele deve continuar aprendendo. mas o que ele sabe. Sua vida é vasculhada e os procuradores de agulha no palheiro usam lente de aumento sobre as falhas do ministro do evangelho. Outra coisa que o pastor deve ter é piedade cristã para resistir ao escrutínio das outras pessoas. Há muito culto que satisfaz mais ao ego dos chamados pastores que realmente às necessidades do povo. é verdade. não posso falar do sabor da durian porque não o conheço. Que não seja amante de novidades. um homem o procurou e disse: "O senhor que é o pastor Spurgeon?" Ele disse: "Sou eu". foi transcrita uma palavra do Pr Nilson Fanini bem parecida com essa. Continuou o homem. Ele pode não saber tudo.. o seu gosto. Como poderia ele falar de uma experiência que não conhece? O que se pode dizer de uma determinada fruta. ter comunhão com Ele. lendo muito para saber cada vez mais. mais espinhenta que a jaca. Timóteo trouxesse o livro. Eu sou pedreiro. Por isso. da graviola. o pastor é um anjo. Hoje é um tempo em que se ama a novidade. Essa foi a declaração que ouvi por lá. Por isso ele precisa de ter todas essas características aí. É necessário que haja da parte do pastor verdadeira conversão.Experimentou e saiu convencido de que a acústica era excelente.

fortaleza e ele possa crescer igualmente. dois compromissos. Por isso. presunçosos. e aí segue com um catálogo de coisas do nosso tempo. as testemunhas do Senhor. na mesma tradição e na mesma palavra que eles anunciaram e pregaram ao seu povo. blasfemos. O Pastor é um homem num mundo de homens. na mesma linha. de lascívia. qualquer pastor de qualquer igreja em qualquer lugar. se possível for. da fé. Aliás. Joel. É um povo saturado de orgulho. conhecer as relações humanas. seja um bom pregador e que tenha dois bons sermões todo domingo e que tenha um bom estudo em todo Culto de Oração e que atenda no gabinete a qualquer hora do dia. desobedientes a pais e mães. Amós e os apóstolos. em três lugares ao mesmo tempo. mas. o pastor é um anjo. Segunda coisa. Não é que esteja tendo visões nem fantasmas juntos de mim. e que seja somente sorrisos. deve fortalecer aquele que está triste. uma dose de paciência e uma dose de tolerância. sinto ao meu lado quando prego. inclusive no seu dia de folga.Precisa conhecer o ser humano também. ingratos. de um povo que transgride as leis da decência. que nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis. Como anjo de Deus é mensageiro do Espírito de Deus. fortalecer o debilitado e mostrar o caminho ao que está indeciso. conhecer a pedagogia. como já tem acontecido comigo. conhecer a psicologia. com 249 . Primeira coisa que nós dissemos é que o pastor é um profeta. três compromissos e a pessoa fica zangada porque a só se pode atender a um deles. Essas condições que estão aqui em 1Timóteo 3:1-5 são as nossas condições hoje. essa legião de testemunhas de que Hebreus fala. "Sabe. mas há uma terceira o pastor é um homem. São dias difíceis. soberbos. Pastores são não somente humanos mas precisam ser plenamente humanos. apresentam-se as condições do mundo nos últimos dias. Como mensageiro de Deus. como anjo de Deus. da esperança. como mensageiro de Deus. conhecer as ciências humanas. Razão porque todo pastor pede uma dose de compreensão. Difícil é ser humano. o joelho tremente. Em 2Timóteo 3. conhecer aquilo em que o ser humano é forte e aquilo que o ser humano é fraco. Descobri que ser anjo não é difícil e que também não é difícil ser profeta. Sinto ao meu lado Elias e Moisés e Isaías e Jeremias e Ezequiel e Daniel e Oséias. É nesse mundo que nós exercemos o ministério. 2Timóteo 3:1-5. profanos". Isso é dito porque há quem espere que o pastor. consolar aquele que está desconsolado. gananciosos. Agir para aquilo que é forte na sua ovelha continue forte e progrida até e aquilo que é fraco seja colocado com resistências. E a descrição do coração desses homens ímpios é a de um povo que se distancia de Deus. e que não tenha tristezas e que tenha inclusive p condão de fazer a maravilha das maravilhas que é estar em dois lugares ao mesmo tempo. Talvez. levantar o que está derrubado na vida. como mensageiro da palavra divina. que não canse e que não desanime em certas horas. do amor. Os homens serão amantes de si mesmos. animar o cansado. da salvação e da libertação e do perdão que vem de Deus.

Timóteo. não tem o que oferecer. comete o pecado de envelhecer. para que a excelência do poder seja de Deus. era ele que tinha que carregar cargas. O pastor é ao mesmo tempo um mestre e um ministro. fazer isso. Trabalho pesado era do minister. Não o procuravam porque tinha de mais. é exortado à fidelidade à palavra de Deus bem como todos os outros pastores. o jovem pastor. E essa palavra magister. que quer dizer "mais". porém. é um ser humano vulnerável. mas não angustiados. Ministro era o escravo. um símbolo da graça e é por esse motivo que lá na Segunda Carta aos Coríntios. de onde vem magistrado. Ministro quer dizer escravo. Por que é que o mestre. É um homem de Deus mas não é um super-homem. ela guarda uma raiz. E Paulo fala de blasfêmia. o magister ou o magistrado eram procurados? Porque tinham algo a mais a oferecer. Ele ao mesmo tempo passa e repassa aquilo que ele tem de mais. este tesouro em vasos de barro. mas não desanimados. Mas ele é um ministro. ele deve manter na consciência que ele pertence ao seu povo. não tem o que dizer a quem busca o seu conselho ou a quem vai ouvir os seus sermões. Levando sempre por toda a parte o morrer do Senhor Jesus no nosso corpo. magis. Porque era uma pessoa que tinha de menos. para que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos". de onde vem magistério. pegar uma coisa ali adiante.novas formas de piedade. e não de nós. Porque de hora em hora o mundo piora. ele é um servo. Que ele é um símbolo da fé cristã. transportar uma mesa. no capítulo 4 está dito da seguinte maneira: "Temos. ao mesmo tempo ele também sendo mestre. Por isso. mas é um homem de Deus. de orgulho. Em tudo somos atribulados. fala de ingratidão. Ministro quer dizer isso aí. Isso quer dizer que há de ser homem de oração e totalmente submisso e consagrado a Cristo e à Sua causa. de calúnia. o Deus vivo e verdadeiro. os ministros. Os irmãos sabem que a palavra mestre vem do latim magister. mas. Mas como o pastor é um servo da palavra. de atrevimento. O pastor é um homem no mundo dos homens. Aí eu quero explicar a palavra mestre e a palavra ministro. Ele é um mestre e é um ministro. Dizem que uma igreja 250 . mas. Ministro vem de minister onde está a raiz minus que quer dizer menos. É vulnerável por isso. sim tinha de menos. porém. Ao povo que o Senhor lhe confiou. Perseguidos. Ele pertence à palavra que ele anuncia. Por isso. enquanto o mundo desce a ladeira do inferno. mas não destruídos. do escravo. Ele pertence a Deus que o escolheu e o comprou e o fez ministro de Sua palavra. É homem que se apropria portanto da verdade divina e a repassa a suas ovelhas. é um ministro. pois sem Deus na vida. negando. de onde vem magistratura. mas não desamparados. Pensa-se que hoje a palavra "ministro" é pomposa e nós dizemos o primeiro escalão do governo. abatidos. infelizmente. e é por esse motivo que ele busca ser fortalecido pelo poder do Alto. um símbolo do evangelho. Ele é um símbolo diz o doutor Wayne Oates em um livro sobre este assunto. perplexos.

tu me amas verdadeiramente?" A pergunta foi essa. vem de filos que quer dizer amigo. quando foi escolher o novo pastor. Pedro. no ministério e sempre nesse amor a Cristo. a igreja sentiu que a Comissão murchou. Jesus perguntou a Pedro: "Pedro. "Agapo te". O único perfil que conheço e reconheço é o que está no Novo Testamento. ao ministro do evangelho é confiada a causa da reconciliação porque já chegou a boa nova de que em Jesus Cristo há salvação." Mas Jesus perguntou três vezes. Uma igreja em nossa cidade. Tito 1. Porque já haviam passado daquela idade. pastoreia minhas ovelhas. "Senhor. na palavra de Deus: 1Timóteo 3. a Deus. Ele não disse agapo te. tu me amas de verdade?". Entre outras coisas dizia que o pastor deveria ter até determinada idade. Ele disse: "Filo te" é outra palavra. Nenhum desses grandes homens de Deus podia ser pastor. são anjos e são homens. Os irmãos viram que na Bíblia. "Senhor.. E já que um enorme muro de separação existe e sempre tem existido entre os homens (Paulo fala disso em Efésios 2). "Ó Senhor. quando alguém se lembrou de fazer uma perguntinha que estragou tudo: "Pastor. Filo. A pergunta foi Pedro agapos me? Tu me amas verdadeiramente? E Pedro deu uma resposta infeliz. pastores são cooperadores. tu me amas? Simão. a barreira foi quebrada e nós somos feitos um." Aí.1Pedro 5. é condição sine qua non para que um ministro do evangelho possa se sustentar no evangelho da Palavra. razão porque ele busca o poder de Deus. O que é necessário é amar a Cristo. Por isso. Virou moda fazer o perfil do pastor.. simples homens. muito humano. agapos me? Ele devia responder. Tu sabes que eu sou teu amigo. Foi isso que Pedro respondeu para Jesus. Porque quando isso acontece. porque ele tinha sessenta e dois anos: não foi convidado. filho de Jonas. "Apascenta os meus cordeirinhos. mas. Pastores são profetas. Tu sabes que eu Te amo". fez o "perfil do pastor". Jesus disse. esse amor de Cristo se estende naturalmente àqueles a quem Jesus Cristo também ama." E finalmente. A Comissão de Sucessão Pastoral entrevistou um determinado obreiro já maduro e ficou muito satisfeita com os resultados da entrevista. e aos irmãos. Nilson Fanini não poderia ser pastor daquela igreja. Parte XXXX Dos Sínodos e Concílios Comentário do Capítulo XXXI da Confissão de Fé de Westminster 251 . "Senhor. "Tenho sessenta e dois. Pedro dizer assim: "Senhor.estava procurando um pastor. não pode ter medo de críticas e não pode ter medo do aparente fracasso. a resposta. é vulnerável. quantos anos o senhor tem?" Responde o candidato. O pastor é humano. são facilitadores na obra do Senhor e o ministro do evangelho é um servo voluntário como Jesus e há de caracterizar-se pela unção do Espírito debaixo de cujo poder vive. e não pode ter medo de responsabilidades. Billy Graham." O amor a Jesus Cristo meus irmãos. o Seu rebanho. Tu sabes que eu sou teu amigo". Tu sabes que eu Te amo. Tu sabe todas as coisas. Tu sabes que eu te amo". que pergunta de novo: "Pedro.

pelo fato de ter tido uma liderança apostólica [2]. portanto. recebem diretamente de Cristo aquela medida adicional que é exigida para o seu trabalho como oficiais da igreja do Senhor.) e está registrado em Atos 15. deverá haver as assembléias chamadas sínodos e concílios. Cada igreja local tem um certo grau de autonomia ou independência. O primeiro concílio ecumênico na história da Igreja foi o de Jerusalém (c. o sínodo também é um concílio [1]. Os interesses da igreja em geral 252 .As várias denominações de hoje empregam a palavra “sínodo” de maneiras diferentes. ou seja. Cristo dotou a igreja do poder necessário para levar a efeito a obra que lhe confiou. tendo representação regional ou local. em 381. No entanto. assim como o presbitério e o supremo concílio. um dos grandes tratados teológicos produzidos por aquela histórica e notável assembléia. Um concílio pode ser ecumênico (geral) e. mas outorga uma medida especial dele aos oficiais da igreja. ou seja. Enquanto participam do poder geral dado a todos os membros. D. pertence aos pastores e aos outros presbíteros das igrejas particulares criar tais assembléias e reunir-se nelas quantas vezes julgarem útil para o bem da Igreja”. ou pode ser local (particular). embora a igreja os escolha para o ofício. os presbiterianos. representar a igreja inteira. o sínodo – composto de ministros e presbíteros dos presbitérios – é o grau acima do presbitério e abaixo do supremo concílio (ou assembléia geral) na sua ordem de governo eclesiástico. A distinção entre os vocábulos “sínodo” e “concílio” é mais aparente que real. Os resultados daquele Concílio foram normativos para toda a igreja cristã primitiva. “para o bem da igreja”. Investe todos os membros da igreja com uma certa medida de poder. mas este é naturalmente restrito de várias maneiras tão logo ela se associe a outras igrejas locais. o Concílio de Jerusalém deve ser distinguido dos concílios posteriores. “Sínodo” ou “Concílio” é uma conferência convocada pelos líderes eclesiásticos para dar orientação à igreja. em 325. Para nós. A Assembléia de Westminster (1643-1649) foi um dos maiores concílios na história da igreja cristã de origem reformada. I O propósito dos sínodos e concílios “Para melhor governo e maior edificação da Igreja. e de Constantinopla. Os sínodos e concílios existem “para melhor governo e maior edificação da igreja”. Por exemplo: Doze concílios regionais reuniram-se para debater a heresia ariana entre os concílios ecumênicos de Nicéia. O governo da igreja presbiteriana pertence aos pastores e presbíteros. 50 A. Em virtude do seu cargo e do poder que Cristo lhes deu para edificação e não para destruição. O capítulo que passamos a compartilhar é parte integrante da Confissão de Fé. Sua autoridade não lhes é delegada pelos membros da igreja. O poder governante da igreja reside primariamente nos conselhos locais e destes é passado aos sínodos e concílios.

devem ser recebidos com reverência e submissão. Ele também pediu o mesmo aos seus profetas e apóstolos. ali estou eu no meio deles” (Mt 18. Os seus decretos e decisões. mas obrigatórias. ou mesmo de irem além. São obrigatórias às igrejas. designada para isso em sua Palavra”. sendo consoantes com a Palavra de Deus. não podemos fazer pouco caso dessa diferença. mas a condição que se adiciona: que Cristo estará no meio do concílio sempre que o mesmo for reunido em seu nome. não contentes com os oráculos da Escritura. pois estes. receber queixas em caso de má administração e com autoridade decidi-las. Além disso. onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome. naturalmente. O pacto que Deus fez antigamente com os sacerdotes levitas foi que ensinassem o que ouviam de sua boca (Ml 2.não podem ser sacrificados pelos de qualquer igreja local [3]. mas aos concílios em geral. E àqueles que quebrassem esse pacto Deus não os reconheceria como sacerdotes seus. não cessam de inventar coisas novas. sem ter em conta o mandato de Deus. as decisões dessas assembléias não são meramente só consultivas. decretam o que lhes dá na telha. não só pela sintonia com a Palavra. mas também pela autoridade através da qual são feitos. As assembléias maiores. Do contrário correm o risco de ficarem a quem do que se exige deles. não há promessa maior do que a que se encontra nas palavras de Cristo: “Porque. nem lhes daria autoridade alguma. O que isso significa? Não estão reunidos em nome de Cristo os que. diz Calvino. Contudo. uma acumulação de poder. a menos que sejam demonstradas como contrárias à Palavra de Deus. É a mesma espécie de poder. ou concílios. se queremos saber qual é a autoridade dos concílios segundo a Escritura. E visto que Jesus Cristo não promete estar presente em todos os concílios. determinar regras e disposições para a melhor direção do culto público de Deus e governo de sua Igreja. Resolvam essa dificuldade os adversários. no qual proíbe que se acrescente ou diminua algo à sua Palavra. beirando (ou até praticando) o despotismo e abuso de autoridade. não é essa a dificuldade da questão. que são a regra da perfeita sabedoria. Isso se aplica não somente a qualquer reunião particular. Cristo não promete nada a não ser para quem esteja reunido em seu nome. mas representado num grau maior. se desejam que se dê crédito às decisões dos homens tomadas à margem da Palavra de Deus [4]. exceto em casos em que sejam explicitamente declaradas somente consultivas. Segundo Calvino.20). visto que essa autoridade é uma ordenação de Deus. não representam uma espécie de poder superior do que se investe nos conselhos. ministerialmente. II A autoridade dos sínodos e concílios “Aos sínodos e concílios compete decidir. Desde que diversas igrejas são representadas há. mas tenha posto um sinal particular para diferenciar os verdadeiros dos que não são. 253 . A autoridade dos sínodos e concílios deve ser segundo a Palavra de Deus. controvérsias quanto à fé e casos de consciência.7).

a não ser por humilde petição em casos extraordinários. Mas se as decisões são contrárias à Palavra de Deus. mas podem ser usados como auxílio em uma e outra coisa”. entregaram a epístola. portanto. O concílio não é a igreja. e muitos têm errado. em satisfação de consciência.31). mas o seu representante. quer gerais quer particulares. então devemos rejeitá-las e sofrer as conseqüências [7]. seja ela boa ou má. o resultado pode ser terrivelmente desastroso para a igreja. Se as decisões deles forem pouco sábias. Uma igreja pode ser bem ou mal representada. A igreja é o termômetro das resoluções de um concílio. IV O caráter eclesiástico dos sínodos e concílios “Os sínodos e concílios não devem discutir nem determinar coisa alguma que não seja eclesiástica. vai refletir primeiramente na igreja representada por ele. “O Espírito revelou o que os líderes da igreja deveriam dizer e fazer” [6]. Uma decisão conciliar equivocada é aquela que resulta em algum prejuízo para a igreja. Percebe-se que a igreja de Antioquia foi ricamente abençoada pela decisão daquele Concílio. eles podem e devem ser usados como auxílio em uma (fé) e outra coisa (prática). e muitos têm errado no decorrer da história porque são formados por homens que podem e têm errado [5]. ou por conselhos. Isso. tendo reunido a comunidade. Quando um concílio se submete verdadeiramente ao Espírito de Deus o resultado são decisões positivas e salutares para a vida da igreja. Todos os sínodos e concílios podem errar. explica. Embora os sínodos e concílios não devam constituir regra de fé e prática. desde os tempos dos apóstolos. eles. O caráter eclesiástico dos sínodos e concílios nunca deve ser perdido de vista. O Novo Testamento é muito claro nisso.III A falibilidade dos sínodos e concílios “Todos os sínodos e concílios. “Quando a leram. recomenda-se a submissão a elas por amor à paz. Por serem assembléias eclesiásticas. não devem constituir regra de fé e prática. podem errar. Qualquer resolução do concílio. mas não justifica uma decisão conciliar equivocada. não devem imiscuir-se nos negócios civis do Estado. se o magistrado civil os convidar a fazê-lo”. E não podia ser diferente porque o que foi resolvido ali “pareceu bem ao Espírito Santo e a nós” (At 15. não estão sob a jurisdição dos sínodos e 254 . porém.28). Após a decisão do primeiro concílio da Igreja – que se reuniu com o propósito de opor-se aos esforços judaizantes – os que foram enviados à Jerusalém desceram logo para Antioquia e. mas não se opõem diretamente à vontade de Deus. Mas quando o Espírito Santo (assim como a Bíblia) não passa de inocente útil para satisfazer a carnalidade humana. sobremaneira se alegraram pelo conforto recebido” (At 15.

261. e do cumprimento desses deveres como obrigação religiosa (cf. quando toca diretamente nos interesses da igreja [8]. CALVINO. Institución. Berkhof. III. H. Manual. J.L. Comentário. comerciais ou equivalentes. 562. L.L. BERKHOF.ix.10. Rm 13. 1990. [6] Kistemaker. 1986. [5] Cf. 1Pe 2. políticos. KISTEMAKER. Não devem se envolver nos negócios civis do Estado. a não ser por humilde petição deste em casos extraordinários. Grand Rapids: T. Barcelona: CLIE. WHEATON. e (b) assuntos que devido a sua natureza. de governo da igreja e disciplina. ou por conselhos. In: EHTIC. Bibliografia A Confissão de Fé de Westminster. Vol. Parte XXXXI 255 . 350. p. e quaisquer outros que tenham a ver com a preservação da unidade e da boa ordem na igreja de Jesus Cristo. Grand Rapids: Baker Book House. têm que ver com (a) assuntos que devido a sua natureza correspondam à jurisdição de assembléias menores. Isso tudo é compreensível porque aos sínodos e concílios somente lhes correspondem assuntos como os de doutrina e moral. [2] Cf. Campinas/Patrocínio: LPC/Ceibel. IV. IV. Comentário. p. [8] Cf. 1988. A. p. tais como assuntos relacionados com a confissão.11-17). A. correspondam à jurisdição de uma assembléia maior. Vol. D. 2a ed.51. A. p. Hodge. II. mas que por uma ou outra razão. 1997. 1987. Concílios eclesiásticos. S. A. Institución de la Religión Cristiana. Hall.2.ix. Comentário de la Confesión de Fé de Westminster. HALL. Notas [1] Portanto. Exposition of the Acts of the Apostles. [3] Cf.E. ditas assembléias menores não podem resolver. J. H. L. se por um lado os sínodos e concílios não devem tratar de assuntos que pertencem à jurisdição do magistrado civil. HODGE. 3a ed. Concílios Eclesiásticos. Sínodo. em satisfação de consciência. São Paulo: Vida Nova. A. J. In: EHTIC. ___________ Teologia Sistemática.11. Calvino está pensando principalmente nos concílios católicoromanos. Contudo. 1990. Hodge. A. [4] Institución. 318. p. São Paulo: Vida Nova. I.. Acts. H. visto que pertencem às igrejas em geral. 350. a ordem eclesiástica ou a liturgia da igreja. Países Bajos: Felire.concílios assuntos meramente científicos. Vol. 1985. São Paulo: Cultura Cristã.1-7. do outro eles devem ensinar aos membros das igrejas seus deveres com respeito ao poder civil. se o magistrado civil os convidar a fazê-lo. 1987. Mais particularmente. J. Manual de Doutrina Cristã. toda vez que aparecer a palavra “concílio” neste artigo entenda-se concílios em geral. New Testament Commentary. [7] Cf. Calvino.

da minha boca ouvirás a palavra e os avisarás da minha parte. que Cristo lhe deu autoridade. os leitores poderiam questionar se essa autoridade era auto-imposta pelos líderes ou delegada a eles por Cristo. são vigilantes em cuidar dos membros. pois quanto mais alguém sofre por nossa causa.17 . porque isto não aproveita a vós outros. Esses líderes devem prestar contas a Deus.11. Nós precisamos voltar ao versículo 7 onde a mesma expressão – seus líderes – ocorre. maior honra merecem. morrerás. por exemplo. Assim. A falta de obediência prevalece entre alguns dos leitores. pois velam por vossa alma. Ef 4. Líderes após líderes tomaram seus lugares. 1Pe 5. “Pois velam por vossa alma. O escritor não está interessado na posição desses líderes – ele não dá qualquer idéia se eram presbíteros. “Quanto mais pesada a responsabilidade deles. o autor enfatiza três pontos. Os líderes levavam a sério a tarefa que lhe havia sido dada por Deus. diz o autor de Hebreus (13. mas o seu sangue da tua mão o requererei” (3. Nesse versículo em particular. Os líderes precisavam de ajuda e encorajamento. e quanto maior for sua dificuldade e maiores os riscos que enfrentam por nós. Eles certamente são. E se Cristo confiou a tarefa de liderança a alguém. e tu não o avisares e nada disseres para o advertir do seu mau caminho. como quem deve prestar contas.28. nutre-os espiritualmente. 256 . bispos. maiores também nossas obrigações para com eles”.9).1-3). as pessoas não devem questionar sua autoridade (At 20. Cuidado prestado. a. pregadores ou professores. esse perverso morrerá na sua iniqüidade.18).Obedeçam a Seus Líderes Comentário de Hebreus 13. Se um líder é um ministro dedicado da Palavra de Deus. Os líderes ficam com a congregação. para que façam isto com alegria e não gemendo.7). Eles devem ser relembrados por sua conduta e fé. ele prova.Por Simon Kistemaker Este versículo não tem conexão com os versículos precedentes. porque ele é o superior deles. Observe. Eles conhecem a Palavra de Deus falada ao profeta Ezequiel: “Filho do homem. João Calvino escreve que. o apelo para obedecer a eles e submeter-se à sua autoridade é oportuno. Antes. Os líderes que haviam falado a Palavra de Deus anteriormente não estavam mais presentes. para lhe salvar a vida. isso não quer dizer que os membros não são tidos como responsáveis. desviam ataques malignos e administram disciplina quando necessário. eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel. Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles. a admoestação do autor para não se deixarem “envolver por doutrinas várias e estranhas” (13. assim.” Eles literalmente perdem sono por causa do bem-estar espiritual dos crentes. É claro. 17. Quando eu disser ao perverso: Certamente. ele pede ao leitor que obedeça a eles.17. E no versículo 24 o escritor mais uma vez emprega essa expressão. b. Obediência exigida.

exortai-vos mutuamente cada dia.30. também.14). c. Se eles todos respondem de modo favorável. De maneira semelhante. Sl 135. Por que não observarmos o mover do passado tirando dele lições preciosas para o presente? A Igreja Primitiva tem muito a ver com o que pensamos sobre evangelismo na Igreja Contemporânea! I. o trabalho na igreja se torna um grande peso. o trabalho de seus líderes se torna muito mais alegre. Todo o comércio era obrigado a caminhar pelas estradas de Roma.36.13). é deve ser sim! Roma construía grandes estradas para cidades circunvizinhas.Eles. ao invés de alegre. Roma não era a potência mundial? César não era o “senhor” da época? Não havia pobreza e opressão por causa do Império ditador vigente? A resposta é sim. Para mencionar um exemplo. Mas. Eles recebem as bênçãos do Senhor ao obedecer os líderes que Deus lhes deu. Foi a época da frase: “Todos os caminhos levam à Roma”. para que a tarefa dos líderes seja uma alegria e não um peso. Alegria experimentada. que escolheu não abandonar o pecado.19). Ao dificultar o trabalho e a vida dos líderes. Quando os membros se recusam a obedecer e não respeitam seus líderes. a quem os leitores são responsáveis. Essa pessoa morrerá em seu pecado. OS RUMOS DO EVANGELISMO NA IGREJA PRIMITIVA E NA IGREJA CONTEMPORÂNEA Apesar de muitos pensamentos ao contrário. mas os líderes estão livres da culpa (Ez 3. Os líderes podem testificar diante do Senhor que advertiram a pessoa desviada. aquele foi o melhor momento de Jesus vir ao Mundo. há alegria nos relacionamentos interpessoais da igreja. ou ela nos serve apenas para mostrarmos conhecimento livresco e ostentação de datas e nomes antigos? Foi desta pergunta que surgiu o interesse em escrever sobre este assunto! O evangelismo na Igreja Primitiva tem muito a nos ensinar hoje. Onde um Império destes beneficia o Evangelho? A resposta é simples! Os evangelistas utilizavam-se das mesmas estradas usadas pelos comerciantes para disseminar a Palavra de Deus. Parte XXXXII Evangelismo Ontem e Hoje INTRODUÇÃO Podemos aprender com a História da Igreja. como um corpo eles devem responder a seus líderes. durante o tempo que se chama Hoje. então. De maneira pastoral e prudente. Dt 32. o Senhor vinga e julga seu povo (Hb 10. A 257 . A igreja pertence a Jesus Cristo. harmoniosamente.35. No final das contas. a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado” (3. ele exorta os leitores a encorajarem-se mutuamente: “Pelo contrário. pois. Os membros devem entender que nem eles nem os líderes são donos da igreja. onde o comércio se propagava com facilidade. sobre a conduta espiritual dos leitores não será vantajoso para nenhum deles. eles serão os perdedores. devem trabalhar juntos. Por toda sua epístola o autor enfatizou a responsabilidade corporativa dos crentes. então. o escritor de Hebreus observa que um relatório triste.

conseguiram disseminála também. continuaram com sua crença e. Na verdade. O judaísmo foi. Os romanos. que a pessoa. ao contrário disto. que achavam ser um ato de selvageria. seus pontos de interrogações e incertezas não diminuíam. por sua vez. para aqueles que crêem (Hb. devia deitar-se no chão. após serem iniciados. Muitos romanos da época não aceitavam o judaísmo como religião por causa de seus rituais. quando a circuncisão foi substituída pelo batismo nas águas. principalmente a segurança após a morte. eram fiéis à preferência deste Imperador. achando que os sacrifícios deles também eram assim. renúncia do “eu” (Mt. “estariam nossas atitudes agradando as exigências de tais leis?”. quando as pessoas adentravam as religiões da época da Igreja Primitiva.diferença estava nos propósitos de cada um. 7:5). Um outro benefício disto. pois exigia-se do convertido. com seu sacrifício perfeito – Jesus Cristo – conseguiu suprir todas as necessidades e incertezas humanas. E isto foi causa até mesmo de grandes proselitismos e ajudas vindas deles (Lc. sem precisar de “burocracia” nenhuma. onde as pessoas tinham que ser “iniciadas”. geravam mais dúvidas e indagações como: “estaríamos conforme as exigências rituais religiosas prescritas na lei por nós seguidas?”. com tantas exigências rituais enquanto participavam das tais. 258 . que apenas conheciam deuses carrascos e extremamente exigentes! Sabe-se de uma religião daqueles tempos. passaram até a admirar os costumes e religião dos judeus. Principalmente porque os judeus tinham grandes privilégios para com os romanos. isto é. os judeus. Num período onde as religiões de “mistério”. os filósofos começaram a disseminar o politeísmo (embora crescem eles em algum tipo de monoteísmo). muitos começaram a aceitar a religião cristã. de uma vítima ou do próprio iniciado. na época da Igreja Primitiva. inclusive. ofereciam medo para adentrar-se nelas e ainda. principalmente o da circuncisão. ao contrário do que alguns pensam. pois ficaram ao lado de César na guerra e. Mas. o Evangelho veio como um refrigério. No Primeiro Século a. passar por processos de “batismos” de aceitação e “pactos” de sangue. 16:24) através do sacrifício já feito na cruz do Calvário. para ser iniciada nela.C. os homens ainda ficavam na incerteza. onde haviam morte ou dor. não necessitava-se de passaporte! Sabe-se até de um certo homem que viajou para Roma 72 vezes. isto é. 8 – 10). muitas delas. Assim. por exemplo. na Graça. uma faísca que ajudou na grande fogueira do cristianismo. para que seus pecados fossem perdoados! Os romanos se assustavam com a religião judaica porque acabavam generalizando. haviam religiões fundamentadas nos dois princípios – monoteísta e politeísta.. Porém. não necessitando o ser humano fazer mais sacrifício ou penitência alguma! Isto era algo muito chamativo para as pessoas da época. e um animal era sacrificado sobre sua barriga. já os evangelistas iam por Cristo. “como consegue-se alcançar exigências tão transcendentes sendo o homem tão falho?” O Evangelho. de barriga para cima. que são monoteístas. o comerciante ia pelo dinheiro. por Cristo Jesus. Mas. As religiões serviam para saciar o desejo de segurança espiritual dos homens. para se viajar. era que. até os tempos da Igreja Primitiva.

o que estamos esperando? II. e havia se tornado parte da cultura religiosa do povo e que os únicos que tinham liberdade religiosa eram os judeus. Se temos. no fundo. talvez seria mais fácil as pessoas crerem em um mundo espiritual. muitos dos principais e fariseus não criam no Evangelho. que é uma língua muito conhecida por onde passamos (quase todo o mundo tem o inglês como língua comercial). pelo fato de a língua grega ser uma língua quase que Mundial naquela época. necessita-se de argumentos bíblicos bem apurados e. diferentemente deles. tanta chance quanto a Igreja Primitiva teve de pregar o Evangelho a toda a criatura. na igreja contemporânea não temos de igual modo uma língua quase que mundial como nos tempos romanos? Sim! O inglês. Vê-se isto até mesmo através da tolerância e conservação dos judeus neste Império. a culpa agora é 259 . temos liberdade religiosa apoiada pela nossa Constituição! As pessoas de hoje que não crêem em Cristo. se o evangelismo “Ontem” e “Hoje” seguem rumos bem semelhante. levando consigo o Evangelho da Graça. eram bem instruídos. mas isto. contribuiu de igual modo com a pregação do Evangelho. como a Internet. Isso não ocorre. contribuiu muito mais do que atrapalhou. às vezes. sem ninguém que se equiparasse a Ele. os cristãos eram bem pouco estudados! Por este motivo. muitos dos que seguiam a religião judaica. assim como Roma foi o berço de muitos filósofos ateus. haviam também as dificuldades para se pregar o Evangelho na época da Igreja Primitiva! Muitas vezes. assim. sofrimento e até mesmo morte! Os judeus acreditavam em um tipo de monoteísmo absolutizado em uma só pessoa da Trindade. mostrados no capítulo anterior. Ou ainda o espanhol (está em 84 países. nem que o Ser equiparado a Ele. a idolatria era predominante. Enfim. pior foi o tempo onde não criam porque isto resultaria em discriminação e. esquecemo-nos que nos tempos da Igreja Primitiva. houve uma disseminação maior dos cristãos pelo mundo. Desta forma. sem contar com os meios de comunicação de que dispomos na atualidade. podia-se pregar o Evangelho em grego e ser entendido em quase todos os lugares civilizados daquele período. achamos que só na atualidade existem as dificuldades! Achamos isto. Para expor tal fato. também em nossa época? É claro que sim! Porém. pois com a perseguição assirrada. também. os cristãos acabavam se espalhando por outros lugares. Porém. Os judeus nunca foram proibidos de terem sua religião por nenhum imperador romano. Jeová era visto como o Deus solitário. perseguição. pois quando havia afronta em uma região. o fazem por liberdade. E isto. Neste tipo de monoteísmo. então. O EVANGELISMO COM SUAS DIFICULDADES PRIMITIVAS E ATUAIS Apesar de tantos benefícios. e ainda eram discriminados por isto! Nós. também como língua comercial). a maioria das pessoas entendiam o grego. Por causa da helenização. fosse de Sua mesma natureza. em contrapartida. atualmente. É certo que houveram tempos onde os cristãos foram fortemente perseguidos por alguns líderes romanos.Percebe-se também a facilidade de se espalhar os ensinamentos de Cristo. porque pensamos que se antigamente não havia tanta tecnologia. em algumas localidades.

o Reino dele não foi deste mundo porque Sua luta foi contra um reino que também não era daqui (Jo. e nada disto aconteceu. por isso não os comemorava e nem ia à praça pública comemorá-las e. só alcançando os indoutos! É claro que para a pregação do Evangelho. o que diferenciasse destas duas. começaram a perseguir os cristãos. Eles achavam. era mais excludente que o judaísmo do período. e acabamos. não tão diferente como hoje! 260 . pela causa. o Cristo nunca teria de passar por esta humilhação. o cristianismo não aceitava os dias de festas pagãs. Não façamos da nossa “preguiça” ou “falta de vontade” um estorvo à pregação das Boas Novas do Reino de Deus! Nenhum dos discípulos de Cristo saíram a pregar o Evangelho sem antes serem preparados para tal.nossa. para os romanos. era pelo fato de que os judeus sabiam que “o Cristo” havia morrido numa cruz. não as esperava “vir” até elas. O Império que realmente subjugava a humanidade. principalmente as práticas religiosas romanas. Cristo aniquilou o mal pela raiz. como os cristãos. o primordial são os valores espirituais. porque haveria o risco dos judeus. em muitos lugares. e isto acabava prejudicando a esfera do material. o cristianismo por sua vez. no mundo espiritual. para os judeus. isto é.35). A perseguição ao cristianismo começou porque não eram os cristãos como os religiosos judeus antigos. era o lugar onde morriam os malditos e. Hb. porém. pois O Messias. A cruz. não era o de César. 18:36. tinha de ser examinada. O cristianismo primitivo. Outra dificuldade de se pregar o Evangelho naquela época. pois. que esperava-se a pessoa vir por si mesma e tornar-se um prosélito. não crescemos “na Graça e no conhecimento” junto (2ª Pe 3. era a dos judeus. ao que parece. os materiais também contam. segundo o livro de Deuteronômio 21:22.18). e quem também sofreu com isto. aderirem a muitas outras crenças paralelas e excluírem as já existentes no Império Romano. Como o Império da Morte estava em outra dimensão. Perceba-se que os pregadores primitivos “ia” às pessoas. os “campos brancos estão para a ceifa” (Jo 4. na verdade. ia até as pessoas proclamando as Boas Novas e convidando-as a renunciarem todas as práticas antigas. Com isto. pois temos condições de estudar para atingirmos tanto a doutos quanto a indoutos em nossas pregações e. não seria o “rei do pecado”. para eles. o Cristo não passaria por humilhação nenhuma! Esqueceram-se de ver em Isaías 53. Isto é para que percebamos como o Evangelho também encontrou dificuldades contra o paganismo greco-romano. que o Messias seria também o Servo Sofredor que levaria sobre Si a nossa “maldição” através de Sua expiação. por motivos variados. A única religião que poderia existir. mas sim o Império da Morte. ao contrário do judaísmo. além da religião romana. estes também não poderiam permanecer mais. no mundo espiritual. não estudamos. ao contrário do que o próprio Jesus ensinou. 2:14). foram os judeus. não pesquisamos. que Ele teria grandes poderes políticos. os judeus viviam entre os pagãos romanos e até mesmo se adaptavam ao governo de César sem muito problema. pois os romanos achavam que se o cristianismo havia surgido do judaísmo. Perceba-se que deixaram de ser chamados de “discípulos” (literalmente “alunos” ou “aprendizes”) e só foram chamados de “apóstolos” (que significa “enviados”) depois do período de aprendizado com Jesus Cristo! Chega de desculpas irmãos! Vamos nos preparar. mas.23. e a expulsá-los. aliás.

o que estamos esperando? III. Esqueceram-se eles de seus próprios pecados e da necessidade primordial do perdão de Deus para que o “Reino dos Céus” fosse manifesto em sua vida espiritual. A IGREJA PRIMITIVA E A DE HOJE NA EVANGELIZAÇÃO DOS JUDEUS Se pregar o Evangelho aos desconhecedores de Deus já é difícil. a toda a criatura? Se o evangelismo “Ontem” e “Hoje” encontra as mesmas dificuldades. Não seriam estas as dificuldades básicas de hoje também? Não temos atualmente religiões bem semelhantes às judaicas e às romanas do período da Igreja Primitiva? Não pregaram eles o Evangelho. apenas por tradição. legislativo e territorial do mundo todo e cederia tudo a Israel. Os seus cultos eram apenas um ritual passado de geração-a-geração. uma crença no Deus que havia morrido e ressuscitado. Os judeus materialistas esperavam – como ainda hoje – o Messias político. que dominaria todo setor econômico. as promessas feitas por Deus aos profetas no Antigo Testamento. que você conhece. 6:33). como também hoje ainda o é. haviam muitos judeus que ainda seguiam sua religião à risca. os que simplesmente seguiam a religião por motivo semelhante aos romanos. 261 . imagine só pregar o Evangelho àqueles que se julgam conhecedores plenos de Deus?! Isto ocorreu com os primeiros cristãos em Roma. Fatos estes. mas sim. e seguiam apenas para não perderem as tradições. simplesmente cultuavam sem inquirirem nada à respeito do que criam. administrativo. e mesmo assim eles conseguiram. apesar de tudo isto. Era o famoso: “Nasci nesta religião e vou morrer nela!” Seguiam os ritos. pois eram fanáticos materialistas. Isto tudo era bem diferente do Evangelho. Lá. Quantas pessoas hoje. Os cristãos sempre usavam como fato e como prova de que Jesus era o Messias. poucos que realmente buscavam a Deus! Aconteceu que. Cultos esses aos quais não prostravam-se diante de imagens ou objetos considerados sagrados. conseguiam enxergar a verdade sobre Jesus e a Sua Salvação proporcionada na cruz. pois acham que aceitar a Jesus é trocar de “religião”? O pior cego não é aquele que não quer ver? Esta era a situação dos judeus. os que realmente buscavam a Deus. Ninguém queria saber se realmente haviam ou não os deuses aos quais adoravam e serviam. Queriam eles resolver um problema terreno e material olvidando o espiritual (Mt. mas não porque era a verdade. com seus cultos calorosos e avivados. seguem sua religião porque aderiram cegamente a ela? Quantas que não querem ser alertadas. então. apenas por uma questão de tradicionalismo. Um pensamento bem semelhante ao de Hitler quando na época do “Holocausto”! O exclusivismo absoluto foi e é o grande problema do judeu. e que estava ainda no meio deles por intermédio do Espírito Santo. Porém.O culto greco-romano era realizado apenas por uma questão de cultura. porém. não aceitavam de maneira nenhuma a Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas.

“as murmurações no deserto”. Diziam que haviam sido roubados. de igual modo. Porém. tolices não permanecem por tanto tempo sem serem desmentidas. os cristãos diziam que os judeus não davam o valor correto à Palavra de Deus. mas sim. e onde não houve pecado algum (Mt. mas como o Vitorioso. mas garantiu-nos o Dom gratuito de Deus. toda a vida de Jesus. O que estamos esperando? IV. Não somente isto levava os judeus da época a se calarem diante da Verdade. conseguiram ganhar muitos à Salvação. Os judeus-cristãos mostravam que todas as promessas cumpriram-se em Jesus. É aí onde o Evangelho foi de encontro às necessidades deles! Imaginem só um Deus que já havia passado pela situação de servo. pois não recebeu o salário do pecado. sendo 262 . podem. Os judeus tentavam argumentar o fato de não ser Jesus o Messias. pelo fato de os judeus não aceitarem a idéia de que Jesus era o Messias tendo morrido numa cruz. E isto foi mostrado desde os tempos de Jesus até aos nossos dias.17). no decorrer da história. A IGREJA PRIMITIVA E A ATUAL NA EVANGELIZAÇÃO DE TODOS OS POVOS EM TODAS AS CULTURAS E RAÇAS O Evangelho tem uma mensagem que alcança todo tipo de coração. etc. Disseram até mesmo que Jesus foi uma tolice judaica seguida por pessoas sem escrúpulo e que não raciocinam. 15:3-8). não como maldito. andou entre seus discípulos por espaço de quarenta dias (At. 5:21). 1:16. Se as dificuldades na evangelização dos judeus e das pessoas semelhantes a eles foram superadas pela igreja de “Ontem”. não havia como negar. 26:56: Jo. e com isto. porém. Muitos. para todos os que crerem (Rm. firmando ainda a Sua Igreja para continuar disseminando a Verdade através da pregação do Evangelho a todos os povos (Mt. Os gentios eram tratados como servos. 1:3) e apareceu a mais de quinhentos irmãos (I Co. porém. e provaram isto com passagens como “o bezerro de ouro”. Jesus ressuscitou ao terceiro dia. por intermédio de muitas afirmações que diziam não ter respostas. como também. disseram que apesar desta briga judaica contra o cristianismo. pois estes eram comumente considerados como sem valor pelos judeus tradicionais da época. 28:18-20). Porém. como já exposto anteriormente. 6:23). que tornou-se maldição por nós (II Co. vencendo as ânsias da morte (Rm. ser superadas na igreja de “Hoje”. a Vida Eterna. Os judeus reclamavam também o fato de os cristãos usarem os mesmos livros do judaísmo (a Lei e os Profetas). A Palavra de Deus não é de cunho exclusivo e particular. Ele realmente ressuscitara. Não entendiam que Jesus não era maldito. mas. eram humilhados e sofriam para que outros se alegrassem. onde não houve sequer uma profecia que não foi cumprida Nele. quando chegavam à ressurreição de Cristo. são ambas as religiões a mesma coisa.que nunca ninguém conseguiu refutar. 8:46). que é a morte. e Jesus permaneceu. Percebemos na História da Igreja Primitiva que o Evangelho foi bem recebido pelos gentios. também perderam muitos. na verdade.

exigia até mesmo sacrifícios e cultos a ele mesmo. encontraram segurança na mensagem cristã. se Jesus era Todo-Poderoso e AutoSuficiente contra os ataques dos maus espíritos? Os primeiros cristãos. que não eram muito convenientes entre os gentios. Jesus foi anunciado até os confins da terra. que talvez até pensavam alguns que tornariam-se em escândalo para as pessoas da época. Existiam palavras escritas nos originais. foi apenas a tradução do Evangelho para as línguas dos povos evangelizados. Os mártires cristãos. principalmente os que seguiam religiões animistas. por um deus que não fosse menos do que o Único e Verdadeiro! Isto não aconteceu com os japoneses Kamikazes e 263 . como mostra-nos historiadores como Eusébio de Cesaréia. Os primeiros cristãos consideravam que se chamassem César de “Senhor” estariam tirando o senhorio absoluto de Jesus Cristo! Isto lhes seria abominável! É claro que historicamente falando. Tudo o que tivesse apenas aparência de idolatria era de imediato abandonado por eles. que sofreu para a alegria de muitos. Com tudo isto. pensavam. Um exemplo claro quanto a isso foi a perseguição de Nero aos cristãos que não declaravam que o Imperador era “Senhor” (Kyrios no grego). Parece que a grande dificuldade encontrada por eles. passaram a traduzir as Escrituras de forma mais empática. exterminando até mesmo o desejo de servir a Cristo dos que assistiam seus martírios. lutavam principalmente contra a idolatria. Percebendo que pelo nome de Jesus os demônios eram expulsos. enfim.humilhado. pois traziam sentido estranho quando traduzidas literalmente. facilitando a aceitação de Jesus Cristo como único e suficiente Salvador. O que estamos esperando para sermos diferentes também em nossa época? O cristianismo sempre foi ousado! Sempre se arriscou! E isto fez com que o Reino dos Céus lucrasse. Estes primeiros cristãos sabiam que toda e qualquer semelhança com o mal prejudicaria suas vidas. mesmo que olhando para as lutas impostas pelo mundo. acabaram por incentivar muitos que iam nas arenas para ver sangue e sofrimento por diversão. pois a Palavra de Deus nunca volta vazia. Os cristãos primitivos se arriscavam bastante. Não a tradução somente das palavras mas principalmente a tradução das idéias. ou em suas cópias. a também aceitarem o Grande e Único Deus – Jesus Cristo – por Quem esses homens e mulheres corajosos morriam! Ninguém morreria por uma farsa. Isto gerou uma boa recepção do Evangelho entre os intelectuais e os escravos. concernente à salvação. graças a Deus. como também os contemporâneos. ao que percebe-se. Mas. As tribulações que pareciam servir de derrota para a mensagem cristã. que conhecia de perto o que eles passavam?! Este era o Deus que precisavam! Antioquia foi o início de tudo. Para que outros deuses ou intermediários. mas. foi o medo dos demônios que os gentios tinham. muitos eruditos da época. Um outro motivo pelo qual o Evangelho era bem aceito. e não através de sacrifícios aos espíritos. César não exigia apenas a proclamação dele como “Senhor”. foram na verdade usadas por Deus como meio para chamar a atenção de todos os povos ao Evangelho. Ali aconteceu a primeira faísca que acendeu a grande fogueira da evangelização mundial. como também a proclamação do Evangelho.

não muito diferente dos primeiros séculos do cristianismo. A CONVERSÃO NA IGREJA PRIMITIVA E NA ATUAL A conversão foi uma questão difícil de conscientização para os primeiros séculos da Era Cristã. onde procuram somente evidências pessoais visíveis e materialistas da “presença” de Deus. Foi um assunto que levou muitos pensadores a quebrarem a cabeça sobre a natureza dessa exigência. como vemos em Marcos 7: Então os fariseus e os mestres da lei perguntaram a Jesus: “Por que os seus 264 . mas sim. mas Sua Santa Palavra – A Bíblia Sagrada. que fazia com que as pessoas aplicassem e compreendessem o Evangelho em suas próprias vidas. Jesus não é só uma Luz. A pregação dos nossos primeiros evangelistas não era extremista quanto a questões de costumes. Em nossa época. mas que eram levados ao matadouro para serem oferecidos como oferta com cheiro suave ao Deus que tudo aquilo permitia por causa de seu Plano Eterno da Salvação. e não complica a vida do ouvinte. porque já eram salvos em Cristo Jesus! Não morriam para salvar. Saber explicar que tal ato não salva. fazendo com que dessem passos no escuro. mas sim. e não uma porta de mistérios às muitas dúvidas! O Evangelho explica. V. Muitas igrejas não são mais o veículo do Evangelho para a salvação das almas. infelizmente. Haviam também os que achavam que o batismo tinha um certo poder mágico que capacitava as pessoas a alcançarem a salvação. alguns têm como visão primordial na pregação do Evangelho o emocionalismo. pois sabiam que eles mesmos necessitaram da salvação outorgada por Cristo no Calvário. Tudo ficava mais difícil ainda de se compreender quando falava-se em batismo nas águas! Alguns pensavam que este ato de batismo era como as iniciações feitas nas religiões de mistério da época. Os filósofos ensinavam que as pessoas não podiam dar “passos no escuro”. se quiserem participar de outro grupo. mas um Farol aceso nas densas trevas do pecado. A pregação do Evangelho era a luz num caminho de trevas. existem igrejas onde a frase que mais se ouve do púlpito é: “Quem não quiser seguir a nossa cartilha. pois os que morriam por Cristo sabiam que não eram eles mesmos quem impetravam sobre si a morte. fazendo uso abusivo da palavra “mistério”. Hoje. onde as pessoas seguiam suas crendices sem ao menos terem explicações um pouco mais concretas do “por quê” as seguiam! Diferentemente de tais religiões cegas. façam o favor! Acreditem se quiser. referindo-se às religiões que pregavam uma fé cega.nem ocorre com os muçulmanos. quem sabe “o Clube da Luluzinha”. Os primeiros evangelistas pregavam com a ajuda do Espírito Santo. também devemos trabalhar a compreensão das pessoas quanto ao valor do batismo nas águas. sem a real compreensão e conscientização da Verdade. “o Clube do Bolinha”. Não morriam para serem salvos. que é para os salvos é de fundamental importância às nossas igrejas. a porta da rua é a serventia da casa!” O interessante é que Jesus não ordenou à Sua Igreja seguir cartilhas de homens. não visavam ganhar o povo pela emoção. e quem não consegue tais evidências. por favor.

tomando o lugar da circuncisão outorgada por Deus a Abraão. como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios. o batismo é para quem já é salvo. tanto para os que não conhecem a Cristo. em seu livro “La Comunicación Del Evangelio en el Mundo Actual”. Os evangelistas do primeiro século pregavam o Evangelho com toda a ousadia. 2º Deve haver constante evangelização. era porque compreenderam e assimilaram Jesus Cristo como o Único e Suficiente Salvador.. as iniciações.” (Rm 10. pois. O autor Jorge A. Muitos pensadores da época da Igreja Primitiva se converteram a Jesus Cristo.. E disse-lhes: “Vocês estão sempre encontrando uma boa maneira de pôr de lado os mandamentos de Deus.discípulos não vivem de acordo com a tradição dos líderes religiosos. mesmo que para tal fosse preciso perder a própria vida! A vida dos evangelistas era um grande exemplo de fé. pois “. seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens’. E Fazem muitas coisas como essa”. como também não tinha uma visão materialista. coragem e desprendimento material. mas o seu coração está longe de mim. mas selo de autenticação da Salvação. Ninguém naquela época passava necessidades enquanto outros tinham de sobra. pois todas as coisas eram 265 .. O que salva não são os rituais. hipócritas.?” Ele respondeu: “Bem profetizou Isaías acerca de vocês. afirma que: “1º A evangelização deve ser tensora – o ponto em que a pessoa se decide por Cristo. para quem já foi justificado por Cristo Jesus. devido exatamente às conversões erradas.. O batismo não é objeto salvador. Eles não somente pregavam o Evangelho – eles eram o Evangelho.13) A conversão é uma mudança total de vida. como àqueles que já conhecem.” VI. Eles não somente pregavam a mensagem da cruz – eles tomavam cada um a sua cruz. Vocês negligenciam os mandamentos de Deus e se apegam às tradições dos homens”. o Rock in Roll Gospel. É nascer de novo.17).. mas pela fé.. as profecias. As Sagradas Escrituras mostra-nos que mulheres valorosas também tomaram parte nessa missão mundial ordenada por Cristo. mas o que leva as pessoas à Salvação. Em vão me adoram.. Sua devoção fazia com que outros se contagiassem e acabassem também se convencendo de que Cristo é real e verdadeiramente ressuscitou! Havia entre eles uma comunhão muito grande. e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo. A pregação do Evangelho não estava limitada apenas aos homens. Tais conversões não se baseavam no emocionalismo.5-9. ao qual sabemos que não foi justificado por esse ato cerimonial e figurativo. O ENTUSIASMO DOS EVANGELISTAS DE ONTEM E DOS DE HOJE Os evangelistas da Igreja Primitiva usavam um meio muito eficaz na proclamação do Evangelho: seus próprios testemunhos de vida.a fé vem por se ouvir a mensagem. do mesmo modo. a fim de obedecerem às suas tradições!. (Mc 7. Assim vocês anulam a palavra de Deus. etc. o barulho pentecostal. Leon. por meio da tradição que vocês mesmos transmitiram. Não somente pregavam a Jesus Cristo – eram verdadeiros imitadores de Cristo. é a pregação genuína da Palavra de Deus. Quando tais pessoas se convertiam.

mas relembrando o que fez a Igreja Primitiva de positivo. envoltos em faixas embebidas em azeite ou piche amarrados a um poste pegando fogo. Somos livres para servirmos a Deus através da “Ética Absoluta Univérsica” por meio de Sua Palavra. mesmo numa arena cheia de leões famintos querendo devorá-los. da “geração procon”. Ele está vivo. não é Deus de mortos! O Evangelho deve ser para nós o que foi para os primeiros evangelistas: a razão da estada da Igreja aqui na terra. Atualmente ouvimos pessoas dizendo: “Vejam com se separam!” O caráter dos cristãos daquela época era totalmente modificado. isto é. Acham que Deus está somente nos prazeres da vida. mas também não significa que Ele seja um Ser “anacrônico”. Muitas vezes tentamos encaixar a Palavra de Deus em nossas maneiras mesquinhas e exclusivistas de viver. viram que Ele não estava lá. Não estamos aqui ensinando “primitivismo”. somos conhecidos de forma diferente. Diferente de alguns contemporâneos a nós. onde Deus é a loja e nós os consumidores insatisfeitos. muitos evangelistas atuais tentam nos convencer de que esta terra é um lugar definitivo e que nossa maior alegria está em tirarmos o maior proveito daqui. tentando nos mostrar que cristianismo é somente riquezas e alegrias externas. os primeiros cristãos eram felizes. ou em qualquer outro lugar de martírio. mas infelizmente hoje. não somos livres para fazer o que quisermos da maneira que queremos. Quem tinha muito. como se houvesse um tipo de ética cristã individualista. Nosso Deus não depende do tempo. Muitas teologias baratas nos são ensinadas por alguns televangelistas. a razão de sermos luz. O Evangelho deve ser uma chama ardendo em nossos corações. e que as demais coisas nos seriam acrescentadas conforme a necessidade real e a vontade de Deus. mesmo diante de tais circunstâncias. através de nossas tradições dogmatizadas. Não ouvia-se de suas bocas nenhum tipo de murmúrio ou reclamação por estarem sofrendo. Enquanto isso. onde tudo é imediato.comuns entre eles. e ainda chamamos a isso de liberdade cristã! Porém. então nunca passará de uma matéria técnica onde guardamos apenas nomes e datas. sal e imitadores de Cristo. Eles sentiam-se lisonjeados quando surrados por causa da fé cristã. Muitos até diziam: “Vejam como se amam!”. Se a História da Igreja não nos servir de apoio para a conscientização. Além de tudo. Não façamos da vida cristã uma monotonia. éramos conhecidos pelo amor. Não se deixavam vencer facilmente. muitos evangelistas de hoje não ensinam que o “barro” deve ser moldado pelo “Oleiro”. e o amor às almas a lenha que ajuda esse fogo a queimar! 266 . fazia com que muitos espectadores se convertessem ao Evangelho. Preguemos com a convicção e com o entusiasmo que pregaram os evangelistas da Igreja Primitiva. Quando aquelas mulheres foram ao sepulcro de Jesus. A alegria deles. Os evangelistas eram pessoas perseverantes. participantes da “geração microondas”. Enquanto os evangelistas da Igreja Primitiva mostravam que somos peregrinos na terra. não suportava ver o sofrimento do que nada tinha! Como já ouviu-se em um hino cristão.

boa situação financeira. passageira e individualista de cada um! Na verdade. Parece que alguns congressos evangelísticos contemporâneos são mais congressos “evangelásticos”. na carteira de uma escola. mas já que seria mais difícil o povo ir à Igreja. onde o intuito é juntar a maior quantidade de pessoas que puderem. marido. MODOS DE PREGAÇÃO DA IGREJA PRIMITIVA E CONTEMPORÂNEA Os evangelistas da Igreja Primitiva não faziam grandes congressos evangelísticos com temas pré-determinados. O evangelismo ao ar livre pode ser improvisado na polpa de um barco. Um desses métodos era a evangelização ao ar livre. Apenas lembramos que muitos evangelistas contemporâneos ocupam-se de tais coisas como se o foco principal dos grandes congressos fosse a satisfação pessoal do pregador e a dos crentes que lá estão. não se via Deus prometendo carro.VII. encorajamento e consolação dos homens” (1ª Co 14. Não faziam isto apenas como tarefa. tinham em mente que o Evangelho deveria ser compreendido e não seguido cegamente como se fosse uma religião de mistérios só para “iniciados”. pela ligação de cada uma das partes. a pregação teve um valor imensurável na Igreja Primitiva. A evangelização pelo método do ensino não produz pessoas que sempre necessitarão de alguém para ser uma “muleta espiritual” para fazê-las caminhar. em uma carruagem. Era o método evangelístico que mostrava a prova de que 267 . locais improvisados na hora. Quando alguém era usado no dom de profecia. por uma mente fértil e preocupada não com a aparência. e o pior. davam lugar também à profecia. O testemunho da Obra Salvadora de Cristo feita em suas vidas também era um meio de evangelização. em uma montanha. E para tal. mas percebe-se que essas eram totalmente baseadas nas Escrituras Sagradas (Is 8. etc. O ensino evangelístico mostra o que Deus quer de cada um e o que quer da sociedade evangélica: um corpo bem ajustado. casa. porque “quem profetiza o faz para edificação. O ensino produz na vida do ser humano a fé e o sustento necessário para que nos tornemos discípulos e discipuladores. mas com as almas. mas. só vai crente. o ensino foi um método muito utilizado por eles pois. dor de cabeça. Escolhiam lugares não evangelizados e levavam a Igreja ao povo. Entristece perceber que hoje alguns preocupam-se só com barulho. E isto. Não que isto seja errado. Em muitas de suas pregações. A profecia tinha em sua essência a vontade salvadora de Deus na vida do ser humano. na poltrona de um ônibus. e não para a mera satisfação material. Método este bem improvisado. como algumas igrejas contemporâneas que marcam seus cultos ao ar livre apenas para depois ficarem se gabando de que fazem isto enquanto outras não. Este tipo de evangelização era feito em locais onde não eram de uso exclusivo para pregadores. etc. esquecendo-se da eficácia regeneradora do Evangelho.20). e não almas perdidas para serem ganhas pela pregação do Evangelho. evangelizavam através de métodos dados por Deus. mas sim. na mesa de uma casa.3). Os primeiros evangelistas da História da Igreja.

ao que parece! Porque não conhecermos mais a Bíblia para podermos fazer como o apóstolo Paulo diante do povo bereano? Qual o valor dado ao estudo minucioso da Palavra de Deus em cursos e seminários pelos nossos atuais evangelistas? Esperamos que a resposta seja positiva! VIII. em forma de agradecimento. Eles sabiam que Deus havia provado Seu amor para com eles. Não murmuravam. e ainda ajuda. a examinar-se com detalhes o quer-se dizer com a mensagem. Enfim. Era favor imerecido! Com isto. Esses evangelistas não se preocupavam somente com a quantidade. dos cultos que não estavam como eles queriam. Hoje. Mas isto não era um fator impedidor para essas mulheres valorosas. o último método utilizado que descreveremos aqui. Os lares eram pontos estratégicos do evangelismo. pois uma única alma tinha um valor extraordinário. o que importa a alguns é o “movimento” e não o “avivamento”. principalmente quando se tratava do cabeça da família. levavam o Evangelho a toda criatura. Quando se ganhava uma alma em um lar.o que pregavam realmente era verdade. a resposta seria: “melhor do que mereço”! 268 . pois o que está escrito não se muda. Parece que mesmo diante de muitas dificuldades. através de seu testemunho pessoal. não reclamavam a vida financeira. Felipe e o Eunuco de Candace foram um exemplo disto. porém. que sendo ainda pecadores. etc. os primeiros evangelistas da Igreja tiveram suas motivações para evangelizar o mundo de sua época. no sentido que não mudava-se o teor da mensagem quando era passada de pessoa a pessoa. normalmente passava por grandes lutas quando este não simpatizava com o Evangelho. Um tipo de evangelização diferente da oral. nem que isto lhes custasse a vida! Eles tinham sentimento agradecido pela salvação até mesmo diante de uma perseguição ou agravos físicos sofridos nesta vida. porque lembravam-se das palavras de Cristo dizendo-lhes a que amassem mais a Ele do que a família. parece ser “geração de novas vidas na igreja” e não “barulhão” de velhos crentes da igreja. este poderia evangelizar o restante da casa. Contudo. incluindo eles! Assim. e não o marido. A escrita foi um método que muito ajudou. E isto de uma maneira bem mais hermenêutica. quando era a esposa quem aceitava a Cristo. eles eram motivados pelo sentimento de gratidão. E avivamento. em seu sentido real. enviou-lhes Seu Único Filho para morrer pela humanidade. apesar de muitos outros utilizados pela Igreja Primitiva. percebiam que a Graça de Deus era manifesta em suas vidas. Os crentes de Beréia por exemplo foram evangelizados por tal método. até os confins da terra. foi o da evangelização literária. Os amigos e os familiares eram os ouvintes. pois temos o texto ali diante de nós para inquirirmos sobre ele. O evangelismo pessoal teve destaque nos primórdios da Igreja. a falta de um meio de transporte para levá-los aos locais de evangelismo. A MOTIVAÇÃO PARA SE PREGAR O EVANGELHO ENTRE OS PRIMEIROS EVANGELISTAS ERAM AS MESMAS DOS DE HOJE? Todas as pessoas têm motivações para fazerem algo! Então. se lhes perguntássemos como estavam passando. Quais eram tais motivos? Em primeiro lugar.

Por causa disto alguns até acham que os evangelistas da Igreja Primitiva tentavam ganhar as pessoas através do medo quanto a vida após a morte. É uma preocupação que vem pelo fato de sabermos o que o futuro sem Cristo reserva para a humanidade descrente. Não o futuro temporal. O que aconteceu de bom deve servir-nos como auxílio para a compreensão de nossa tarefa e para que possamos continuar a desenvolvermo-nos na “economia divina”. muitas pessoas seriam dizimadas ao inferno. Eles preocupavam-se com o futuro das pessoas. que é semelhante ao de responsabilidade. seu vizinho. e assim por diante. isto é. de qual a maior religião do mundo. às vezes. ou mesmo em nossa casa. Mas. devemos sempre nos perguntar: como posso melhorar na linha do tempo? Olhando a linha e aprendendo através dela parece ser um bom começo! O evangelismo de “Ontem” pode auxiliar bastante no desenvolvimento e no aprimoramento do evangelismo de “Hoje”. preguemos a Palavra de Deus. e não circular como pensa as religiões orientais. A nossa História não é uma História Sem Fim. mas não era esta a causa do evangelismo deles – ganhar as pessoas – como se fosse um jogo de quem convence mais. O que aconteceu de ruim no passado deve valer-nos como disciplina para não mais errarmos como antes. Toquemos a trombeta em Sião! A terceira motivação era o sentimento de preocupação. seu irmão. e não conceitos humanos. meio 269 . tocava a trombeta no ritmo de guerra para que o povo se preparasse para tal. o toque da trombeta seria em ritmo amistoso. com o que se vestiriam ou o que comeriam. Vivemos a História promulgada por Deus: a História com começo. nosso nome. se o atalaia percebia que um reino inimigo se aproximava. e não um “conto de fadas”. mas sim. na rua.A segunda motivação era o sentimento de responsabilidade. Sabiam que se eles não dessem o “sonido da trombeta” ou se este fosse incerto. seu pai ou mãe iriam para o inferno! Sabiam que isto era um fato. Eles sabiam que eram os “atalaias” de Deus. Conforme o toque de sua trombeta o povo se comportava de maneira diferente. atualmente. Não se conformavam em saber que seu Imperador. em risco por causa de uma alma. Se fosse uma visita cordial de um reino amigo. nossa vida financeira. passageiros e exclusivistas. nosso cargo eclesial. Os evangelistas dos primeiros séculos tinham semelhante responsabilidade concernente à pregação do Evangelho. A História é linear. uma questão de amor e compaixão pela vida do próximo. Por exemplo. Será que muitos de nós. A preocupação primária deles era com a eternidade do ser humano. etc. no serviço. A função do atalaia era ficar de guarda no ponto mais alto dos muros do reino. não nos acomodamos a ponto de sermos passivos quanto a salvação do próximo? Moisés colocou sua vida em risco por causa de um povo pecador! Não colocamos nem mesmo nosso tempo. CONSIDERAÇÕES FINAIS A história deve servir-nos como alerta. Eles choravam com os que choram. Evangelizemos a tempo e fora de tempo. não está tão longe de nós! Pode estar em nossa volta. Não é uma questão de quem tem mais seguidores. Será que não seremos culpados de muito sangue? Não estaria na hora de despertarmos do sono? Não está na hora de pregarmos o Evangelho a todo o mundo? O mundo. na escola. Assim.

João da. O Novo Dicionário da Bíblia. pois devemos nos preocupar com o “Amanhã”! NOTA BIBLIOGRÁFICA CESARÉIA. solicite o seu Lindo DIPLOMA de Formatura e a sua Credencial de Seminarista formado. D. Reverendo Antony Steff Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana Renovada de Nova Vida Presidente da Federação Internacional das Igrejas e Pastores no Brasil ou Fenipe 270 . 1997. Deus nos conclama a participarmos dela com mais responsabilidade.5. 1999. envie seu questionário com as respostas devidas para o endereço de e-mail: teologiagratis@hotmail.com. 2ª ed. Estude com fé depois de ter terminado os seus estudos. GREEN. Eusébio de. História Eclesiástica. 1ª ed. 2ª ed. Evangelização na Igreja Primitiva. Esta apostila tem 270 pagina boa sorte. São Paulo: Vida Nova. se assim quiser. 3ª ed. São Paulo: Vida Nova. Teologia do Novo Testamento.e fim. Sem nadas mais graça e Paz da Parte de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo bons estudos. logo após respondido e corrigido o questionário. 1994. DOUGLAS. PENHA. São Paulo: Ática. Michael. assim você poderá também receber a sua Credencial de Ministro Aspirante ao Ministério de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. alcançando media acima de 7. 1995. São Paulo: Novo Século. Série Princípios. também poderá solicitar estagio missionário em uma de nossas igrejas no Brasil ou exterior traves da Federação Internacional das Igrejas e Pastores no Brasil ou Fenipe. que depois do Estagio se assim o achar apto para o Ministério poderá solicitar a sua ordenação por uma de nossas organizações filiadas no Brasil ou no exterior. São Paulo: Exodus. Períodos Filosóficos. George Eldon. Não sejamos meros espectadores da História da Humanidade. 1989. J. Que o “Ontem” de desperte para “Hoje”. LADD.