Convenio FENIPE e FATEFINA Promoção dos 300.

000 Cursos Grátis Pelo Sistema de Ensino a Distancia – SED CNPJ º 21.221.528/0001-60 Registro Civil das Pessoas Jurídicas nº 333 do Livro A-l das Fls. 173/173 vº, Fundada em 01 de Janeiro de 1980, Registrada em 27 de Outubro de 1984 Presidente Nacional Reverendo Pr. Gilson Aristeu de Oliveira Coordenador Geral Pr. Antony Steff Gilson de Oliveira APOSTILA Nº. 18/300.000 MIL CURSOS GRATIS EM 270 PAGINAS. Apostila 18 Estudando sobre a Igreja CONSAGRADO PARA CUIDAR Parte I O capítulo 8 de Levítico é o cumprimento da ordem dada em Êxodo 29 em relação à consagração dos sacerdotes (cohanim), Arão e seus filhos, dada por Moisés, o libertador e líder do povo de Israel. É um ato de extrema seriedade que descreve, de modo gráfico a responsabilidade dos consagrandos, que eram os guardiães espirituais do povo de Deus. Deste ato distante de nós cerca de 3.300 anos, desejamos extrair lições para o ministro do século 21, tarefa esta do intérprete da Bíblia Sagrada. O Ato de Consagração O ritual é um sacrifício de comunhão com a função especial de consagrar. A cerimônia pode ser dividida em quatro partes: vv. 1-13 Purificação, Vestidura, Unção dos Consagrandos vv. 14-17 Oferta pelo pecado dos Sacerdotes vv. 18-21 Oferta queimada vv. 22-36 Oferta de paz Uma análise da liturgia nos mostra em primeiro lugar o oferecimento de uma oferta pelo pecado, que seria totalmente consumida de acordo com as instruções do capítulo 4 do mesmo livro; e o oferecimento de dois carneiros.

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O primeiro seria oferecido em holocausto, de acordo com o capítulo 1. O segundo, porém tem uma parte especialíssima na cerimônia, razão porque é chamado de "o carneiro da consagração", conforme o verso 22 deste capítulo 8. Lê-se no verso 23 que houve aplicação do seu sangue a algumas partes do corpo dos consagrandos. Este sangue foi usado para trazer Arão e seus filhos a um estado sem igual de santidade. O restante do sangue será jogado ao redor do altar, estabelecendo com este ato um relacionamento especial entre o altar, símbolo do ministério, e os ordenandos, agentes desse ministério. As partes do corpo tocadas pelo sangue são orelha, mão e pé. Esse toque pelo sangue lava-os e dedica-os simbolicamente ao Senhor. Quer também dizer que o ministro de Deus ouvirá e obedecerá, e suas mãos e pés servirão ao Senhor. As lições são extraordinárias: O OUVIR (v. 23) O ministro de Deus há de ouvir corretamente. Referimo-nos à conversação pastoral, chamada por alguns de Clínica Pastoral no gabinete, na visitação ou informalmente. Não a confunda, porém, com aquilo que jocosamente chamam de "papoterapia". Como ministro de Deus e da Igreja de Jesus Cristo, você deve conhecer exatamente o papel que lhe corresponde. Não será um profissional da psicologia, da psicanálise ou das variadas terapias oferecidas à clientela. E, no entanto, seu ministério de ouvir é comparável ao do psicoterapeuta, do conselheiro matrimonial, ou do psicólogo. Muito de seu trabalho tem a ver com ouvir-e-aconselhar. Entretanto, você não receberá honorários pelo aconselhamento, nem fará contrato de trabalho para isso. Você é um ministro de Deus e será procurado não por um paciente ou cliente, mas por uma ovelha sua, ou um semelhante seu que precisa de ajuda. Há quem apenas deseja falar, conversar; dê ouvidos, pois para isso sua orelha foi ungida. Há quem queira injeções de otimismo cristão, de esperança. Há quem tenha sérios sentimentos de culpa, de rejeição. Há quem precise ser confrontado. Uma coisa, porém, é certa: você tem autoridade dada por Deus e pela igreja que o chamou para dar esse conselho, essa exortação ou esse confronto. O ministro de Deus deve ouvir corretamente. Assim, você precisa ouvir o que está por trás das palavras. Palavras ditas, palavras não ditas, e palavras em suspenso. Talvez os lábios digam algo, mas a expressão facial, as mãos, 2

a expressão corporal digam outra. Você precisa "ouvir" corretamente os sentimentos de quem está à sua frente. Na Clínica Pastoral, ouça bastante antes de opinar. Leve a ovelha a falar; viva a situação do outro. Você é chamado a um ministério de simpatia, de carinho, de afeição e de amor. Sobretudo quando você é enérgico! Desde que você começa a ouvir, está fazendo Psicoterapia Pastoral. Isso é afirmado pelo Dr. Wayne Oates, autor ou co-autor de mais de quarenta livros e por muitos anos professor de Aconselhamento Pastoral (Pastoral Care), no The Southern Baptist Theological Seminary em Louisville. Você é visto dentro de um esquema todo especial: há um significado simbólico em você como ministro de Deus. O pastor, por exemplo, é um ponto de referência na igreja para o povo de Deus. Ele simboliza e representa a comunidade cristã, e é agente dessa comunidade de Cristo, de Deus. Há muita esperança quando alguém procura o pastor. Por essa razão, é terrível, medonho mesmo, quando as palavras do pastor são divinas, mas seus hábitos de vida contradizem essa dimensão... Você representa e simboliza muito mais do que você mesmo: você representa o Pai, você leva a palavra de Cristo e o faz sob a direção do Espírito Santo. Quem vai ao seu gabinete espera e deve sair abençoado. Você vai ouvir confissões, vai ouvir palavras de arrependimento. Mas não pressione: ajude no processo de crescimento. O TOCAR (v. 23) O ministro de Deus é ungido na mão para tocar vidas. Estamos nos referindo, então, à influência. Você vai tocar muitas vidas e deve fazê-lo com cuidado e leveza. Use suas mãos para abençoar a criança, o jovem, o adulto, o idoso. E faça-o com carinho. Leve-os à consciência do santo, lembrando ao crente em Jesus Cristo que a rigor, para o povo de Deus, não existem espaços separados, compartimentos estanques entre o secular e o religioso, o sagrado e o profano, pois a vida pública, social, civil do crente em Jesus Cristo há de ser normatizada pelo senso do santo. Leve-os ao senso da providência, à fé, à gratidão, ao arrependimento, à comunhão, à vocação. Você há de tocar vidas; há de xer com as emoções das pessoas: raiva, medo, alegria. Você vai lidar com almas enfermas. São doenças do comportamento, mazelas do espírito, enfermidades psicossomáticas. Você terá um ministério a desempenhar nas crises. Crise é qualquer acontecimento que ameace o bem-estar de uma pessoa, e interfira na sua rotina de vida. O nascimento de uma criança, a morte de um parente, o fim 3

de um casamento, o desemprego, a aposentadoria são crises . Você há de entrar em contato e reduzir a ansiedade, encorajando a pessoa a agir. Lembre-se de que cada situação de crise é única, sem igual. Ou como o povo diz, "Cada caso é um caso". Você há de tocar vidas em diferentes níveis de cuidado pastoral: o Nível da Amizade; o Nível do Conforto; o Nível da Confissão, o Nível do Ensino e o Nível do Aconselhamento e Psicoterapia. Devo estas classificações ao Dr. Oates. Há pessoas aflitas que necessitam de apoio; há aqueles enfrentando a morte que precisam do poder espiritual que o pastor representa; há pessoas com enfermidades crônicas; há deficientes físicos; há famílias com filhos com déficit mental; há os deprimidos e os desapontados com o amor ou outra causa. Todos estes estão no Nível de Conforto. Há o jovem solteiro, os jovens casados, o adulto de meia-idade, a viúva, a mãe solteira, o separado/desquitado/divorciado, o hospitalizado, todos em diferentes níveis do seu cuidado pastoral. O ANDAR (v. 23) O ministro de Deus é ungido no pé para andar santamente. Estamos falando de ética. Para isso, necessária é a ajuda do Espírito Santo. Se você não tem a ajuda do Espírito de Deus para crescer na graça e na maturidade, vai ser difícil entender a Bíblia, impossível aplicá-la às vidas, será um problema conviver com as ovelhas, e terrível dominar atitudes internas. Mais do que nunca, é preciso ser imitador de Cristo. Para sê-lo, porém, é preciso andar no Espírito, andar santamente. E andar santamente exige análise freqüente de nós mesmos, submissão do eu a Deus, e plenitude do Espírito Santo, que é o Seu controle em nossas vidas. Você há de visitar. Irá a muitos lugares e lares. Há dois tipos de visitas: as regulares e as de emergência. Não visite só nas crises: você precisa visitar o seu rebanho em tempos de paz. Seja ético, então, quanto ao que ouve, vê e aconselha. CONCLUSÃO O final da narração de Levítico 8 registra a obediência dos consagrandos, Arão e filhos. Isso nos ensina que consagração é entrega absoluta marcada pela obediência irrestrita às ordens de Deus. Nossa oração é que nosso ministério seja pontuado agora, hoje, sempre pela disciplina, obediência, entrega e consagração total àquele que é o Mestre de nossas vidas, Senhor do nosso futuro, Salvador de nosso ser. A Catedral

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Uma catedral para a honra e a glória de nosso Senhor Jesus Cristo se constrói momento a momento à medida que uma mão se estende e toca outra mão com amor humano, e à medida que um coração responde em amor a outro coração capacitado pelo Espírito Santo para anelar, escutar, elevar e amar-nos uns aos outros. Para que todos, em todo lugar possamos oferecer outros dons que Deus nos tem dado: Integridade nas relações, Alegria e paz na fidelidade, Fortaleza para fazer por meio da igreja, Mais do que pedimos ou imaginamos. Margaret Shannon Parte II LEVANDO A SÉRIO A CEIA DO SENHOR "Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, havendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo que é por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto do meu sangue; Fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha. De modo que qualquer que comer do pão, ou beber do cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim como do pão e beba do cálice. Porque quem come e bebe, come e bebe para sua própria condenação, se não discernir o corpo do Senhor" (1Co 11.23-29). A Ceia Memorial tem sido celebrada num ambiente espiritual, profundo, reverente e cheio de certeza, além do destaque que a Ceia do Senhor nos fala numa linguagem silenciosa porém plena de energia. Temos o pão e o vinho, elementos simples, porém altamente destacados nesta celebração. E nesta simplicidade, ela se torna um meio de comunicação de algumas importantes mensagens para o povo de Deus. Quando levamos a sério a celebração da Ceia do Senhor, usamos de determinadas linguagens: A LINGUAGEM DE COMEMORAÇÃO (v.25)

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tem outra origem. ou vontade de Deus que as palavras assemelhadas fossem usadas pelo escritor sagrado? Para que se manifeste a glória de Deus. Jesus Cristo estabeleceu duas ordenanças. Is 18. ele disse "E o Verbo se fez carne.Paulo diz isso: "Semelhantemente também. é a palavra grega que diz skinê. Sl 78. todas as vezes que o beberdes. mas pelo Senhor. "para que pensem novamente em mim. quando observamos a Ceia do Senhor. até mesmo a escolha de certas palavras tem o seu lugar na Escritura Sagrada. e quando tomamos o cálice. ou nas grandes batalhas. dizemos que o sangue de Jesus Cristo foi derramado por nós. precisamos de memoriais para que nos lembremos de quem somos. ou seja. não por nós ou pelos outros. cheio de graça e de verdade". mas já estava com Jesus Cristo no paraíso após a crueldade daquele momento. Quando João escreveu a narrativa que abre o Evangelho que leva o seu nome. Coincidência. a palavra que significa "manifestação de Deus. Pela inspiração do Espírito de Deus. depois de cear. As duas palavras têm praticamente o mesmo radical. "o Verbo habitou. Então. para acrescentar algum valor maior à salvação. apenas uma filigrana lingüística: na língua hebraica. tomou o cálice. é que o vocábulo utilizado por João para dizer. fosse no deserto. E não existe sentimento maior. a palavra grega utilizada não é do hebraico: é grega. porque estamos aqui. é que a Ceia do Senhor é celebrada por Sua Igreja.1. e somente duas: o Batismo e a Ceia Memorial. e habitou entre nós. sempre era celebrada a manifestação da shekinah divina (cf. marcou presença. e quem já passou por isso o 6 .19). São ordenanças sem qualquer benefício acessório para a salvação. manifestou-se entre nós"." A presença de Jesus Cristo é algo extraordinário na vida cristã. Aqui. fazei isto. A outra ordenança é a Ceia do Senhor. Estamos dizendo isso quando tomamos o pão nas mãos. e aonde estamos indo. no entanto. Estamos pregando a mensagem de livramento de redenção para todo o que crê! Como precisamos de memoriais! Sim. presença divina" é shekinah. Percebam o som do hebraico sh ki nah e do grego s ki nê. O impressionante. em memória de mim". Quando nosso país joga na Copa. dizendo: Este cálice é o novo pacto no meu sangue. Uma pessoa em sendo salva por Jesus Cristo. fazemos algo pelo Senhor. os memoriais brasileiros se apresentam por todos os lados: é a bandeira do Brasil sendo desfraldada. em Canaã. O malfeitor da cruz não precisou se batizar. Cada vez que a glória do Senhor se manifestava no meio do povo de Israel. que é o corpo de Jesus Cristo que sofreu no Calvário. do Batismo. a gloriosa presença de Deus no meio do Seu povo. porque estamos pregando o Seu sacrifício para a salvação de todo aquele que crê. 22. daquilo que somos. e para que pensemos nEle.60. na verdade não precisa.

A LINGUAGEM DA COMUNHÃO (vv. ainda me emociono quando participo da Ceia do Senhor! E cada vez que seguro o pão. porque me vem à mente que sou indigno pecador. Com certeza: precisamos de memoriais. são 39 anos celebrando a Ceia do Senhor praticamente mês a mês (e houve época quando o fiz duas vezes no mês). Não há comunhão física. há uma comunhão espiritual pela lembrança de Cristo na cruz. ao se participar da Ceia do Senhor. logo lembramos do Dois de Julho. temos o memorial da Ceia do Senhor. mas não é comunhãode-cafezinho! Por isso. o amor cívico. Quando se ouve o nome de Maria Quitéria. quando tomo a jarra de vinho. não de Cristo. mas para pior" (v. de que fico com as mãos trêmulas. reunia-se para a indignidade. se a levamos a sério. não! A Palavra nos ensina que a Ceia do Senhor é um memorial. não é comunicação com um morto como querem ensinar por aí. pela face. eu me emociono. com a igreja de Corinto. e pelo tronco da cruz. nós não temos tal costume. como querem pregar as religiões orientais. a data principal da Bahia! Falamos de amor conjugal. não para melhor. mas para o pior. e o parto na frente dos irmãos. e se emocionar com o verde-amarelo tremulando nos mastros com outras bandeiras. que vou dizer-vos não vos louvo. Não é doença. não: é patriotismo mesmo! Sim. patriótico. Não confundamos as coisas: quando falamos de comunhão. Nisto. entre o homem pecador e o Deus perfeito. porquanto vos 7 . Sim.sabe. não. infelizmente. não estamos dizendo que nos unimos a Jesus Cristo através do Nirvana. porquanto vos ajuntais. Temos que lembrar da nossa indignidade e da beleza do perdão. se alguém quiser ser contencioso. 17). Isso se chama filia.. pela Sua testa. que vou dizer-vos não vos louvo. e que pela graça de Deus fui feito Seu filho! Lembro-me. Assim. sem dúvida. e o Seu sangue escorrendo pelas mãos. não estamos tendo uma visão. porém. pela lembrança de Cristo na cruz. utilizamos a linguagem da comemoração. que se reuniu não para o melhor. porém. e diz "Mas. Aconteceu. não estamos falando de encontro sobrenatural.. Paulo está preocupado. Ao longo destes 39 anos de ministério da palavra e das ordenanças. Por essa razão. 17-20) Paulo disse: "Nisto. É isso o exatamente o que faz a Ceia do Senhor: ela nos relembra o dom da vida através da morte de Jesus Cristo. nem tampouco as igrejas de Deus. místico. lembramos a aliança. e derramo um pouco no cálice. mas a minha cruz! Há uma comunhão entre os crentes na Ceia Memorial. quando nos reunimos seriamente para celebrar este ato memorial. e pela nossa identificação com essa cruz: a minha cruz. mas ainda hoje tremo quando tenho na minha memória e coração a cena de Jesus Cristo no Calvário. que estar num outro país. mas uma comunhão espiritual. precisamos de memoriais.

Fiquei arrepiado! Que coisa impressionante a legislação.10. lei de guerra! O "estranho" não era o pagão. A conduta dos irmãos de Corinto destruía o propósito da igreja. a qualidade de vida espiritual. e depois que tudo era embalado. entre outros deveres. era o próprio povo de Israel. "será culpado 8 . A igreja estava seccionada por causa de trajes (capítulo 11)?! Havia divisões por causa de uma doutrina (cf. porque a tomamos agora. Só que há uma diferença muito grande: na Igreja Cristã o pastor não é o sacerdote. Havia divisões na igreja de Corinto quanto a questões de doutrina.ajuntais. os sacerdotes entravam. Os levitas funcionavam. não. capítulos 12 e 14). E. a unidade da igreja.). e os outros. "De modo que qualquer que comer do pão. A lei não era fácil: era marcial. nem os levitas que eram os seus auxiliares. e o propósito da Ceia! O que Paulo está enfatizando é a harmonia da Ceia. no entanto. e ninguém via a forma do objeto. sairemos com a mesma amargura e rancor com que entramos. Interessante que a Ceia do Senhor não torna ninguém melhor: ninguém vai sair melhor porque tomou a Ceia do Senhor. com várias camadas de tecidos (e de cores diferentes para mostrar o grau de santidade do objeto). Examine-se. mas para pior". os levitas pegavam o pacote e faziam o carregamento nos carros de boi para o transporte pelo deserto. etc. será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Veja bem a seriedade de seus objetivos. pois. Quando havia necessidade de desmontar o tabernáculo para se transferirem para outro lugar. o "povão"! Na Igreja de Cristo fomos todos elevados ao sacerdócio. Estive lendo sobre os levitas e sacerdotes (Números 3 e 4). ou beber do cálice do Senhor indignamente. E sempre é lembrado o seguinte: "e o estranho que se chegar será morto" (Nm 3. da Mesa do Senhor! Mas tem uma coisa: se o irmão vier à Mesa do Senhor com as mãos sujas. E depois todos queriam se reunir para "tomar cafezinho"?! A Ceia do Senhor não é para isso. como guardas de segurança do tabernáculo. e assim coma do pão e beba do cálice". é isso o que estamos proclamando! A LINGUAGEM DA CONSAGRAÇÃO (vv. 27-29) Quando celebramos a Ceia usamos esse tipo de linguagem. embalavam os móveis. como eram as normas no acampamento de Israel no deserto: somente podiam se aproximar dos móveis os sacerdotes. e se não temos essa impressão profunda. por essa razão é dever de cada um solene e seriamente examinarse sobre quais são os seus interesses e propósitos quando se aproxima da Mesa do Senhor. há um paradoxo: o irmão pode sair pior se tomou a Ceia do Senhor indignamente! É o que Paulo diz. não para melhor. o homem a si mesmo. e quando celebramos com seriedade a Ceia. por isso podemos nos aproximar dos objetos.

tomou o pão. Quanto seriedade é exigida dos participantes?! Então. ou borrado. que almejo na Causa de Jesus Cristo? Não é sério? Então. em memória de mim. fazei isto em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor. de esperança porque nós olhamos para o dia da volta de nosso Senhor Jesus Cristo! Parte III O DIÁLOGO DA CEIA DO SENHOR Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus. todas as vezes que o beberdes. sobretudo. pois. e.do corpo e do sangue do Senhor" (1Co 11. E lembrando. se não discernir o corpo do Senhor" (1Co 11. 9 . ou manchadas. depois de cear. estou vindo com fé na morte de Jesus Cristo? Vivo diariamente pelo poder da ressurreição de Jesus Cristo? São perguntas que tenho que fazer! É Jesus realmente o alimento da minha alma? Sou eu um dos Seus. Semelhantemente também.23-29). Meu coração está limpo. A Ceia Memorial tem sido celebrada num ambiente espiritual. havendo dado graças. além do destaque que a Ceia do Senhor nos fala numa linguagem silenciosa porém plena de energia. come e bebe para sua própria condenação. o homem a si mesmo. profundo.27b)! O irmão não sai melhor. Temos o pão e temos o vinho. e assim como do pão e beba do cálice. Porque quem come e bebe. Examine-se. o alvo de nossa vida sempre. o objetivo. e. e sou eu um com os Seus? Estou em harmonia. mas pode sair pior do santuário. que venhamos à mesa do Senhor em espírito de comemoração porque essa é a linguagem que falamos agora. assim. que a Ceia do Senhor não é um funeral (para que cara triste?): a Ceia do Senhor é uma celebração de fé. minha vida é digna da comunhão com os outros crentes? Permanece a minha aliança com o Deus vivo? Se não conheço a Jesus Cristo. ou beber do cálice do Senhor indignamente. como posso me lembrar dEle? Phillip Henry diz que o crente quando for participar da Ceia deve fazer três perguntas: · Que é que eu sou? Filho de Deus. e consagração pessoal porque esse é o propósito. dizendo: Este cálice é o novo pacto do meu sangue. em comunhão espiritual porque essa é a realidade que vivemos agora. reverente e cheio de certeza. devemos dar graças a Deus pelo privilégio de termos um diálogo com a Ceia do Senhor. na noite em que foi traído. de alegria. até que ele venha. sujo? · Que é que eu desejo? Quais os meus sonhos e visões. De modo que qualquer que comer do pão. tomou o cálice. salvo pelo sangue de Jesus? Lavado pelo Seu sangue? · Que é que eu tenho feito? Minhas mãos estão limpas. o partiu e disse: Isto é o meu corpo que é por vós. será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Fazei isto.

As duas palavras têm praticamente o mesmo radical. Aqui. ou vontade de Deus que as palavras assemelhadas fossem usadas pelo escritor sagrado? Para que se manifeste a glória de Deus. apenas uma filigrana lingüística: na língua hebraica. ou nas grandes batalhas. fosse no deserto. manifestou-se entre nós". mas já estava com Jesus Cristo no paraíso após aquele momento cruel. cheio de graça e de verdade". que é o corpo de Jesus Cristo que sofreu no Calvário. quando observamos a Ceia do Senhor.19). fazei isto. e habitou entre nós. o que fazemos como testemunho público do que Jesus Cristo fez na nossa vida. ou seja. Uma pessoa em sendo salva por Jesus Cristo. A LINGUAGEM DE COMEMORAÇÃO (v. ele disse "E o Verbo se fez carne. é que a Ceia do Senhor é celebrada por Sua Igreja. porque estamos pregando a Sua morte para a salvação de todo aquele que crê. e somente duas: o Batismo e a Ceia Memorial. 22. presença divina" é shekinah. O malfeitor da cruz não precisou se batizar. Estamos dizendo isso quando tomamos o pão nas mãos. A outra ordenança é a Ceia do Senhor.1. sempre era celebrada a manifestação da shekinah divina (cf. Pela inspiração do Espírito de Deus. tomou o cálice. São ordenanças sem qualquer benefício acessório para a salvação. e mandou que a Igreja praticasse o batismo. Sl 78. a palavra que João utilizou para dizer "o Verbo habitou.60. a palavra grega utilizada nada tem a ver com o hebraico: é outra língua. Percebam o som do hebraico sh ki nah e do grego s ki nê. em memória de mim". dizendo: Este cálice é o novo pacto no meu sangue. em Canaã. e para que pensemos nEle. E nesta simplicidade. Então. mas o batismo é um ato de obediência: Jesus até foi batizado por João. é a palavra grega que diz skinê. dizemos que o sangue de Jesus Cristo foi derramado por mim e por 10 . mas pelo Senhor. Não é preciso. ela se torna um meio de comunicação de algumas importantes mensagens para o povo de Deus. não por nós ou pelos outros. Jesus Cristo estabeleceu duas ordenanças. Cada vez que a glória do Senhor se manifestava no meio do povo de Israel. inclusive lingüística. outra origem.25) Paulo diz isso: "Semelhantemente também. depois de cear. Quando João escreveu a narrativa que abre o Evangelho que leva o seu nome. Pois bem. a gloriosa presença de Deus no meio do Seu povo. e quando tomamos o cálice. É extraordinária a presença de Jesus Cristo na vida cristã. não tem a mesma categoria. marcou presença. até mesmo a escolha de certas palavras tem o seu lugar na Escritura Sagrada. Is 18. "para que pensem novamente em mim". Coincidência. na verdade não precisa do Batismo para acrescentar algum valor maior à salvação. a palavra que significa "manifestação de Deus. fazemos algo pelo Senhor. todas as vezes que o beberdes.elementos simples e destacados nesta celebração.

Que coisa triste. Quando nosso país joga na Copa. Sem dúvida. Por essa razão. Estamos pregando a mensagem de livramento de redenção para todo o que crê! Como precisamos de memoriais! Sim. o amor cívico. Não há comunhão física. Como a transubstanciação. mas para pior" (v. porém. não! É por esses erros todos que doutrinas estranhas surgiram ao longo da história da Igreja Cristã. mas uma comunhão espiritual. não estamos tendo uma visão. não. e se emocionar com o verde-amarelo tremulando nos mastros com outras bandeiras. com a igreja de Corinto. não é comunicação com um morto como querem ensinar por aí. precisamos de memoriais. sem dúvida. Assim. precisamos de memoriais para que nos lembremos de quem somos. infelizmente. temos o memorial da Ceia do Senhor. quando nos reunimos para a Ceia. porquanto vos ajuntais. O Novo Testamento nos ensina que a Ceia do Senhor é um memorial. Sim. daquilo que somos. A LINGUAGEM DA COMUNHÃO (vv. logo lembramos do Dois de Julho. E não existe sentimento maior que estar em outro país. e aonde estamos indo. por nós. reunirem-se os nossos irmãos para atos indignos! Não confundamos as coisas: quando falamos de comunhão. porque estamos aqui. que vou dizer-vos não vos louvo. 17). não para melhor. a data principal da Bahia! Falamos de amor conjugal. Temos que lembrar da nossa indignidade e da beleza do perdão. ao se participar da Ceia do Senhor. 11 . ensinando que no momento em que são pronunciadas as palavras de instituição ("isso é o meu corpo" e "isso é o meu sangue") que tanto o pão quanto o vinho mudam a sua substância. respectivamente. não estamos dizendo que nos unimos a Jesus Cristo através do Nirvana. ela utiliza a linguagem da comemoração. que se reunia para a indignidade. entre o homem pecador e o Deus perfeito. 17-20) Paulo disse: "Nisto. lembramos a aliança. Isso se chama filia. e as suas substâncias tornam-se. os memoriais brasileiros se apresentam por todos os lados: é a bandeira do Brasil sendo desfraldada. místico.você. pela lembrança de Cristo na cruz. a da carne e do sangue de Jesus Cristo! O Senhor tenha piedade! Isso não se encontra na Escritura?! A comunhão com Cristo não necessita que a substância desses elementos materiais seja mudada. como querem pregar orientais. precisamos de memoriais. patriótico. Isso aconteceu. É isso o exatamente o que faz a Ceia do Senhor: ela nos relembra o dom da vida através da morte de Jesus Cristo. não estamos falando de encontro sobrenatural. Quando se ouve o nome de Maria Quitéria.

Interessante que a Ceia do Senhor não torna ninguém melhor. e diz "Mas. e quando celebramos a Ceia. eu me emociono. capítulos 12 e 14). Nisto. porque a Ceia do Senhor não é isso! Por isso. que vou dizer-vos não vos louvo. nós não temos tal costume. mas a minha cruz! Há uma comunhão entre os crentes. o homem a si mesmo. Sim. são 39 anos celebrando a Ceia do Senhor praticamente mês a mês (e houve época quando o fiz duas vezes no mês). como eram as 12 . Você participou da Ceia só porque os outros iam ver. mas não é comunhão-de-cafezinho. e se não temos essa impressão profunda. e assim coma do pão e beba do cálice". Paulo está preocupado.. pela face. e que pela graça de Deus fui feito Seu filho! Lembro-me. será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Terrível! Havia divisões na igreja de Corinto quanto a questões de doutrina. porque me vem à mente que sou indigno pecador.Ao longo destes quase quarenta anos de ministério da palavra e das ordenanças. pois. e o parto na frente dos participantes. há uma comunhão espiritual pela lembrança de Cristo na cruz. mas ainda hoje tremo quando tenho na minha mente e coração a cena de Jesus Cristo no Calvário. ninguém vai sair melhor porque tomou a Ceia do Senhor. "De modo que qualquer que comer do pão. nem tampouco as igrejas de Deus. pela Sua testa. Examine-se. não! Porque tomamos agora. Na verdade. e você ia ficar com vergonha se ficasse sentado e não participasse? Quais são seus propósitos quando se aproxima da Mesa do Senhor? Estive lendo sobre a congregação dos levitas e sacerdotes (Números 3 e 4). E agora o paradoxo: o irmão pode sair pior se tomou a Ceia do Senhor indignamente! É o que Paulo diz. A igreja estava dividida por causa de uma doutrina (cf. se alguém quiser ser contencioso. ou beber do cálice do Senhor indignamente. a qualidade de vida espiritual. por essa razão é dever de cada um solene e seriamente examinar-se sobre quais são os seus interesses em Jesus Cristo.. e derramo um pouco no cálice. sairemos de novo com a mesma raiva e amargura do nosso irmão em Jesus Cristo! A conduta dos irmãos de Corinto destruía o propósito da igreja. havia divisões por causa de trajes (capítulo 11)?! E depois todos queriam se reunir para "tomar cafezinho"?! A Ceia do Senhor não é para isso. é isso o que estamos dizendo! A LINGUAGEM DA CONSAGRAÇÃO (vv. e pelo tronco da cruz. 27-29) Quando celebramos a Ceia usamos essa linguagem. e o propósito da Ceia! O que Paulo está enfatizando aqui é a harmonia da Ceia. não de Cristo. quando tomo esta jarra de vinho. e pela nossa identificação com essa cruz: a minha cruz. é a unidade da igreja. não para melhor. porém. Fiquei arrepiado! Que coisa impressionante a legislação. mas para pior". tenho me emocionado sempre que participo da Ceia Memorial! E cada vez que seguro a côdea de pão. fico com as mãos trêmulas ainda. porquanto vos ajuntais. e o Seu sangue escorrendo pelas mãos.

entre outros deveres. Só que há uma diferença muito grande: na Igreja Cristã o pastor não é o sacerdote. de esperança porque nós olhamos para aquele dia! Que o Senhor nos ajude e abençoe! Patte IV VESTIMENTA NA IGREJA 13 . nem os levitas quer eram os seus auxiliares. que a Ceia do Senhor não é um funeral (para que cara triste?): a Ceia do Senhor é uma celebração de fé. etc. e os outros.10. e ninguém via a forma do objeto. devemos dar graças a Deus pelo privilégio de termos um diálogo com a Ceia do Senhor. que venhamos à mesa do Senhor em espírito de comemoração porque essa é a linguagem que falamos agora. como posso me lembrar dEle? Por isso que Phillip Henry diz que o crente quando for participar da Ceia deve fazer três perguntas: · Que é que eu sou? Filho de Deus. "será culpado do corpo e do sangue do Senhor" (1Co 11.27b)! O irmão não sai melhor. E lembrando. como guardas de segurança do tabernáculo. E sempre é lembrado o seguinte: "e o estranho que se chegar será morto" (Nm 3. o objetivo. assim. os sacerdotes entravam. A lei não era fácil: era marcial. ou borrado. em comunhão espiritual porque essa é a realidade que vivemos agora. o "povão"! Na Igreja de Cristo fomos todos elevados ao sacerdócio. minha vida é digna da comunhão com os outros crentes? Permanece a minha aliança com o Deus vivo? Se não conheço a Jesus Cristo. era o próprio povo de Israel. Meu coração está limpo. por isso podemos nos aproximar dos objetos. e consagração pessoal porque esse é o propósito. Os levitas funcionavam. com várias camadas de tecidos (e de cores diferentes para mostrar o grau de santidade do objeto). o alvo de nossa vida sempre. que almejo na Causa de Jesus Cristo? Então. sobretudo. de alegria. embalavam os móveis. sujo? · Que é que eu desejo? Quais os meus sonhos e visões. da Mesa do Senhor! Mas tem uma coisa: se o irmão vier à Mesa do Senhor com as mãos sujas. e sou eu um com os Seus? Estou em harmonia. e. ou manchadas. estou vindo com fé na morte de Jesus Cristo? Vivo diariamente pelo poder da ressurreição de Jesus Cristo? São perguntas que tenho que fazer! É Jesus realmente o alimento da minha alma? Sou eu um dos Seus. lei de guerra! O "estranho" não era o pagão. salvo pelo sangue de Jesus? Lavado pelo Seu sangue? · Que é que eu tenho feito? Minhas mãos estão limpas.). Então. não.normas no acampamento de Israel no deserto: somente podiam se aproximar dos móveis os sacerdotes. os levitas pegavam o pacote e faziam o carregamento nos carros de boi para o transporte pelo deserto. mas pode sair pior do santuário. Quando havia necessidade de desmontar o tabernáculo para ir para outro lugar. e depois que tudo era embalado.

Tais vestimentas são precursoras de muitas outras medidas adotadas por Deus. bem como no combate de toda a sorte de malignidade que tenta corromper os parâmetros de Deus para a santidade do cristão. mas sim com o recato e o decoro que devem ser peculiares aos santos. Chegou para ficar e se estabelecer como referencial de comportamento cristão. da liberação feminina.21: Vemos que o primeiro a apresentar a preocupação com a vestimenta do ser humano foi o próprio Deus. Seja em nome da moda. Apenas desejamos apresentar aos irmãos textos bíblicos que devem nortear a nossa experiência de fé e de vida cristã. 14 . para asseverar a minha convicção espiritual em relação a vestimenta do cristão verdadeiro. Há uma monumental investida contra a moralidade do ser humano. pretendemos persistir no combate desta maldição.. Porém. dos regionalismos ou da libertinagem e do hedonismo peculiar a pós-modernidade. O trágico é reconhecer que esta nudez desenfreada chegou à igreja. pois creio que na igreja de Jesus Cristo não deve existir a preocupação exagerada com a moda. relacionadas a moral e aos bons costumes. cercadas de pessoas nuas por todos os lados. mas parece que não temos sido bem-sucedido nestes alertas. da quebra dos paradigmas. Medidas que se tornaram necessárias por causa da corrupção imposta pelo pecado à natureza humana. Vejamos no Texto Sagrado alguns ensinamentos bem objetivos sobre a vestimenta do povo de Deus. transformações essas que nos atribuam redobrada autoridade espiritual e testemunhal diante desta geração corrompida e perversa em que vivemos. de antiquado ou de autoritário. ou seja. vejamos algo sobre.Introdução: "Nesta casa não tem moda. que se reflete na vestimenta. Não importa a razão. razão pela qual decidimos tratar francamente deste assunto com toda a igreja. mesmo sob a pecha de radical. social e espiritual da humanidade. 1. em nome de Jesus. Faço minhas as palavras da personagem de Tarcísio Meira na série Um só Coração. visando o bem-estar físico. Aquelas que insistem em se vestir bem e com decoro. de retrógrado.. Não pretendemos desenvolver um tratado teológico sobre o tema e nem desejamos agir com rigorismo em termos de usos e costumes. A primeira roupa . causando transformações radicais em nossas mentes. tem recato". do tropicalismo.Gênesis 3. as pessoas estão cada vez mais nuas. o que é absurdo. Inicialmente. da Rede Globo. parece que estão ilhadas. permanecendo fiel a Cristo e a convicção ministerial que temos de que a igreja brasileira necessita urgentemente experimentar um avivamento de santidade. Há algum tempo temos alertado a igreja sobre esta questão.

. puras e santificadas. destacando a preocupação de Deus até com os calções. provocando pensamentos impuros e constrangimentos ao desnudo. Devemos observar que mesmo sob maldição. Em segundo lugar. 2. roupas de gala.Êxodo 28. Pior ainda é a seminudez. verso 21. Deus não expulsou o homem do Éden nu. O princípio que se encerra neste contexto bíblico é o de que as vestimentas que usamos no ato de culto devem ser limpas. Se a sua mente tenta justificar a não aplicação deste texto em sua vida. em pecado. Deus exige roupas especiais para o ato de culto verdadeiro. Mas depois do pecado. verso 42.1-4: Neste texto Deus exige roupas especiais. Podemos verificar também os versos 31-35 e 39-43 de Êxodo 28. que instiga e explora a sensualidade. para o sacerdote na ministração do culto e da adoração. É pecado. uma vez quebrada a imagem e semelhança moral de Deus no homem. As roupas para a adoração . A glória de Deus manifesta é símbolo real e indiscutível da presença de Deus no culto ministrado diante dele e para ele. a nudez passou a ser motivo de medo. O homem foi criado em santidade e a nudez não lhe causava constrangimento diante do Criador. todos fomos feitos sacerdotes para Deus. roupa que cobre tudo o que deve ser preservado e que indica parâmetros de moralidade e de respeito entre serem humanos. vejamos algo sobre. com a roupa íntima do sacerdote. devo ressaltar que a Palavra de Deus assevera que. 15 . O conceito básico que estabelece os parâmetros da vestimenta sacerdotal é o de que as roupas são como referencial de apresentação diante da glória de Deus e para a glória do Deus que é adorado. visto que nos aproximaremos de Deus. a partir do sacrifício de Jesus. para a desonra.. A nudez neste contexto representa a consciência da corrupção. Apocalipse 1. Adoração é ato de culto. ou seja. que é santíssimo.9. Por esta razão. Desta referência concluímos que estar na presença de Deus consciente da nudez imoral é afronta contra o Senhor. É reconhecimento do caráter divino e da santidade do Deus objeto da adoração. com o rasgar do véu no templo.6 e 1 Pedro 2. da quebra de um padrão estabelecido por Deus.Nos versos 10 e 11 de Gênesis 3 o homem alega medo de Deus devido a sua nudez. Ou seja. Deus fez túnicas de peles. que fazem referência aos paramentos e assessórios sacerdotais.

Este texto mostra que Naamã ao se dirigir ao servo de Deus. prata e cravejadas de pedras preciosas. quando nos apresentamos diante do Senhor para prestar-lhe culto. roupas de festa.indicando que o cuidado de Deus vai além da roupa aparente. devemos observar ainda os ensinos de Salmos 29. a luz do contexto geral da Bíblia. Somos os sacerdotes consagrados por ele e para ele.9. nem modismo. desejando causar boa impressão e agrada-lo.. Porém. que devemos estar bem vestidos. Roupas como sinal de reverência . por isso. humilhado. Hebreus 12. 3. com aplicações em ouro. é que Deus requer decência de cada um de nós. bem como pelo fato de o profeta não aceitar os seus presentes. A realidade. eram roupas especiais. curado e salvo. uma experiência íntima com ele. embora traduzidas como "esplendor do seu santuário" ou "esplendor da sua santidade". Não podemos estar na Casa de Deus com vestimentas que não sejam expressão da nossa busca de santidade. Vejamos em seguida algo sobre. Afinal. o seu coração ainda era obstinado e Deus conduziu o profeta para que. em sua idéia mais remota. Naamã fosse quebrantado. Vale ressaltar que o Texto Sagrado alerta até mesmo aqueles que não são servos de Deus e que não têm. que o representa na ministração para as nossas vidas.2 Reis 5. nem trapo velho encardido.2 e 96. indicam. As afirmações destes versos. Devemos ter a consciência de que estamos diante do próprio Deus e que. levou roupas finas e luxuosas. Ficou frustrado e aborrecido ao se sentir desprezado pelo profeta.14. ou seja. nem roupas indecorosas ou falta de roupa que se deve levar para a presença do Senhor ou do servo de Deus. Este gesto de Naamã aponta para o reconhecimento da superioridade do profeta em relação a ele e para o reconhecimento da soberania de Deus em relação a sua vida e circunstância.1-6: Reverência tem a ver com a postura resultante da conscientização a que chegamos em relação ao valor do outro. trajados com decência. amados. a tomarem cuidado com os seus trajes quando estiverem em uma situação que saibam que estarão diante de Deus. Naamã. por 16 . Pensando ainda em roupas para a adoração. que é o que nos habilita a estarmos diante do Senhor em adoração. Desta maravilhosa narrativa bíblica fica para nós a seguinte lição: não é molambo. bem como durante os cultos. como "beleza da sua santidade". o grande general.. Deus requer moralidade na adoração e na ministração dos cultos. não entendia bem tudo o que estava acontecendo. ou ainda. com aquela atitude.

tendo regatado a nossa posição espiritual como filhos de Deus.. Mais uma vez a sua mente. em especial o verso 8.. pode estar tentando se justificar dizendo que o ensinamento paulino não se aplica a você.14-22. "a melhor roupa". a nos curar e ministrar salvação. 5. principalmente a dos homens. miserável e nu é para aqueles que serão vomitados pelo Senhor devido a mornidão espiritual. O que comprova isso é o contexto geral do capítulo.1 Timóteo 2. levando o melhor possível. como que deserdadas por causa do pecado. 17 . em seu retorno. indica a transformação de vida que o jovem experimentara.. servindo também como prova da nossa aceitação na casa do Pai. mesmo que com roupas humildes e simples. Vamos nos ater as roupas.isso. sapatos e um anel.. em especial osversos 16-18. Quando nos convertemos Deus nos honra e nos dá novas vestes. Estas roupas novas simbolizam o perdão que nos foi outorgado. Apocalipse 3. Os farrapos de uma vida dissoluta e distanciada de Deus e dos parâmetros da moralidade devem ser jogados fora e trocados por vestimentas novas. mostrando que reconhecemos a superioridade e a soberania de Deus. A exigência de decoro e de moralidade na vestimenta é para mulheres e homens ao mesmo tempo.9-10: Estes versos falam em trajes decorosos e sem luxúria como a vestimenta ideal para o servo de Deus. vestes espirituais. 4. roupas novas. bem como da restituição do nosso direito espiritual como herdeiros de Deus em Cristo. e não para os filhos que vivem em perfeita comunhão com o Pai. O parâmetro de Deus para a vestimenta do cristão . mas com decência e decoro. que exige dos homens um alto padrão de santidade para a oração. Vejamos ainda algo sobre. limpas e decentes. Em Jesus não somos mais pessoas separadas de Deus. desnudados ou vestidos de maneira indecorosa. A entrega de roupas novas para o filho. devemos estar bem trajados. Por fim. que simbolizam a nossa restauração e a retomada da nossa condição de filhos. vejamos algo sobre.Lucas 15. Em Cristo nos tornamos pessoas especiais. Roupas como sinal de restauração . o Deus que está pronto a nos quebrantar.21-22: Neste texto identificamos duas questões importantes: O filho reconhecendo o seu estado e admitindo a perda da condição de filho e o pai amoroso dando ao filho pródigo. Isso não é verdade. A condição de coitado. não podemos mais permanecer maltrapilhos.

Deus exige dos seus filhos uma vestimenta decorosa e isenta de qualquer sintoma de luxúria. O termo traduzido por "traje decoroso". no original. no que diz respeito a nossa vestimenta. que é agora santificado pela ação do Espírito Santo que em nós habita. Se nos vestimos com luxúria as pessoas poderão imaginar que somos licenciosos. de valor e de discreta beleza usadas por Jesus. que fala da roupa dos mártires na glória. que é pecado.23-24. Ou seja. A luxúria se contrapõe acirradamente ao decoro. É licenciosidade moral que denota a lascívia. imorais. Conclusão: Outros textos poderíamos estudar sobre o tema. bem como o nosso senso de preservação da nossa integridade moral. Isso é verdade desde que não haja falsidade em nossos corações A escolha não é muito difícil. do indivíduo. Lembre-se. e Apocalipse 16. que falam das roupas de boa qualidade. pois não haverá tempo para trocar de roupa antes de entramos no céu. que refletem lascívia e libertinagem imoral. e a concupiscência. que descreve o fato de termos as roupas sempre à mão como sinal de preparo espiritual para o encontro com Jesus. ultrapassa a idéia de vestuário simplesmente.Decoro é recato no comportamento e decência no vestir. A maneira como nos vestimos ressaltam o valor moral que atribuímos ao nosso corpo diante de Deus.9-17. Paulo usa o termo para fazer referência também a moralidade sexual que nos é exigida por Deus e que deve se refletir em nossas roupas. 18 . que eram as mesmas vestes que usavam aqui na terra. Deus exige de nós um comportamento recatado através do qual as pessoas percebam que estamos libertos do desejo de pecar e que fomos restaurados em nossa moralidade. Roupas sobrecarregadas de luxúria e de sensualidade. Está relacionado com a postura que adotamos para a vida. Em contrapartida. utilizado por Paulo. ou roupa decorosa. falarão mais alto do que as suas palavras em meio ao burburinho esganiçado da promiscuidade na qual chafurda a nossa sociedade. O que vestimos mostra o que esperamos que as pessoas pensem de nós em relação a maneira como tratamos a nossa sexualidade. por certo as pessoas perceberão que nós nos honramos e que lutamos para nos preservar em santidade diante de Deus. mas creio que já vimos o bastante para estabelecermos parâmetros éticos para a nossa igreja. Se nos vestimos com decoro. por certo. em nosso caráter.15. Apocalipse 7. tais como João 19. que é o desejo de pecar. ou seja. Luxúria é comportamento desregrado em relação a sexualidade. O jeito como nos vestimos reflete a nossa consciência moral em termos de sexualidade. Nossas roupas indicam se temos maus ou bons costumes morais. que reflete a sua compostura moral e espiritual. suas roupas. A nossa roupa pode refletir o nosso caráter.

o culto ou qualquer outra participação. sem ajustes humanos. no cóxi ou no "rego". Mas devemos tratar destas questões na igreja sim. para qualquer coisa. visto que imoralidade. Este estudo apresenta o evangelho que é a luta por se fazer a vontade de Deus. como pastores. É Bíblia. a prostituição desenfreada. devem ser estabelecidas algumas regras bíblicas em relação a vestimenta que se usará para a participação e para ministração nos cultos. Não nos preocupa nem mesmo o fato de você pensar que este assunto não deveria ser tratado na igreja. em fim. é também evangelístico. A igreja de Cristo não é o seu lugar. sem relativizações éticas e sem a tentativa de se fazer a vontade humana. ao estar na frente para ministrar o culto.Talvez você esteja se perguntando: Onde se pretende chegar com este estudo? Ou quem sabe você esta ruminando com os seus botões. O resultado dessas estratégias diabólicas tem sido a violência sexual contra as crianças. O resultado da imoralidade no vestir é uma sociedade corrompida. pois o pastor não deve se dar ao trabalho de vigiar ninguém. bateu no estudo errado. como decorrência. de hoje em diante. decote umbilical. bem como para se subir na plataforma para ministrar o louvor. tomara que caia (que para os mais afoitos devia chamar "pena que não caiu"). para declamar. e nem decotes meia-taça que 19 . Se você procura outro evangelho que não o de Jesus Cristo. na igreja. Por fim. Não só na igreja. visto que. Seria uma bênção se estas normas fossem aplicadas pelos irmãos e irmãs de modo geral. não se deve permitido blusas de alças (aquelas blusas que só tem as alcinhas e mais nada). não podemos fazer o papel do Espírito Santo no convencimento das pessoas. Porém. promiscuidade. em todo o lugar onde estivermos e no nosso cotidiano. lascívia. vamos ao objetivo deste estudo que não é nada que a igreja já não saiba. que nos quer santos para ele e santificadores pelo testemunho cristão autêntico. Pois apresenta o evangelho verdadeiro. toque em nossas mentes e corações a fim de que mudemos radicalmente a maneira de nos vestirmos. a gravidez na adolescência. Deus há de restaurar e transformar a consciência de cada um.. Lógico que cabe ao pastor a ministração da Palavra e a supervisão quanto a obediência aos ensinamentos do Senhor.. famílias destroçadas. Não importa. Será mesmo que não temos razões que justificam estudar este tema? Vale ressaltar ainda que este estudo. na escola. Por isso. nossa oração é para Deus. embora de cunho ético. pelo Espírito Santo. como já dissemos neste estudo. "Já até sei qual vai ser o resultado disso". Não é o pastor que manda. mas em casa. exploração da sensualidade na vestimenta e o cinicamente chamado nu artístico são ações maléficas do diabo contra a natureza humana e a sociedade. a banalização do adultério. pois em diversas ocasiões manifestamos nossa posição bíblica sobre a questão da vestimenta do cristão. para cantar. É Palavra de Deus. no trabalho. a aceitação parcimoniosa do divórcio e. desigual e agonizante como percebemos a nossa. Uma vez realizado o estudo. no que diz respeito a utilização do púlpito.

muito obrigado.projetam os seios para os olhos incautos dos homens ávidos por aconchego ou mesmo dos desavisados. não se deve permitir mais uma vestimenta indecorosa. expressa na Bíblia Sagrada. na genitália ou no traseiro. Vamos assumir a nossa responsabilidade e corrigir a nossa conduta moral. Entre a perversão do modismo e as Escrituras. modismos exagerados e imorais. e nem com uma calça comprida atarracada no corpo. fazendo a sua vontade. Haja unção para olhar e não pecar. para ministrar na presença de Deus. Diante da igreja. Não importa. ou mesmo roupas esculachadas. micro-saia. Não se deve ir para a igreja com calça de cós baixo (daqueles que ficam no púbis) sem uma blusa ou camiseta que cubra os quadris. Não mais se deve permitir o uso de mini-saia. cantar. Entre a relativização ética e o Texto Sagrado. Com roupas deste tipo não se deve participar da ministração. que não condizem com o padrão de Deus para a vestimenta do salvo e nem com o testemunho cristão. Diante de Deus e da congregação devemos estar bem trajados.. cantar em conjunto ou pregar. entre a frouxidão moral e Palavra de Deus. Mesmo que isso nos imponha a impopularidade. Não precisaríamos ouvir críticas ou cobranças por causa de vestimenta. Quanto às críticas ao autor e ao estudo. no que diz respeito a vestimenta. para ministrar o culto ou o louvor. demonstrando que não temos mais os temores do pecado quanto a nossa nudez. fazer anúncios. mesmo que para isso tenhamos que fazer uma "fogueira santa" com as roupas que usávamos até sermos exortados na Palavra de Deus.. Esperamos no Senhor que este estudo seja suficiente para uma tomada de posição nossa como igreja de Cristo no Brasil. o estigma de radical ou a renúncia do pastorado. por que estas não são roupas adequadas para se estar na frente da congregação. e que estamos devidamente vestidos para a adoração e em profunda e sincera reverência a Deus. tocar. 20 . ficamos com a Palavra de Deus. vestidos curtos (daqueles que vão só até a cabeça do fêmur) ou transparentes e translúcidos. ficamos com a Bíblia. aos críticos. Seja para dirigir programa. diante de Deus. ficamos com a Bíblia. em nome de Jesus. admitimos que eles comprem ou que usem. Porém. Se não compramos. Somos nós e os nossos filhos que nos vestimos indevidamente. Seria maravilhoso se num domingo fizéssemos esta fogueira para queimar as roupas das quais o Senhor nos libertou depois de termos estudado a Palavra. Seja para apresentar visitantes. Isto por quê? Porque fomos restaurados por Deus da nossa natureza pecaminosa e porque estamos dispostos a obedecer ao Senhor. Somos nós que compramos as roupas dos nossos filhos.

Amém. pois o Espírito Santo age através do coração. saibas como se deve proceder na casa de Deus. das mãos.. seitas e (até) cristãos bíblicos”. Tozer: “Deus salva os homens para fazê-los adoradores. Há. é se deixar inflamar pelo Deus Pai. para que.15).23). O povo ia ao Templo de Jerusalém. fato esquecido hoje em dia por liberais. com que objetivo? A Casa de Deus É lugar de adoração. raças e 21 . dos lábios que se renderam ao Criador.. cultuar é confessar que se mantém um relacionamento com o Criador. submissão e pedido de socorro. pelo Deus Filho e por Deus Espírito Santo. crentes com espírito de louvor. orar. embora esperando ir ver-te em breve. Assim. meditar. porém. 4). imaginar as multidões indo à Beth haMikdash (Templo) em Jerusalém. o passo mais importante que o novo crente. coluna e esteio da verdade” (1Tm 3. edificante experiência de ver o povo de Deus chegando cada manhã ao templo é uma alegria dominicalmente renovada. Na verdade. mesmo.4) Jesus Cristo ensina que o Senhor busca adoradores (Jô 4. É nesse pensamento que o poeta exclama com tanto entusiasmo. após a salvação. a fim de darem graças ao nome do Senhor” (Sl 122. Adorar. no entanto. o crente deve dar é unir-se ao povo de Deus na instituição que Ele estabeleceu para o propósito de lhe trazer crescimento: a igreja local. Parte V “ALEFREI-ME QUANDO ME DISSERAM. Se não somos adoradores. Cantar.aonde sobem as tribos. a qual é a igreja do Deus vivo. louvamos a Deus em conjunto. apóstolo: “Escrevo-te estas coisas. visto que. e cantando à medida que iam se aproximando dos portões da Cidade Santa. no caso de eu tardar. Podemos." Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor” (Sl 122. No culto. dos pés. O crente troca a independência. recebemos a Palavra em conjunto. níveis sociais. ou como bem o expressou A. v.. Porém. confessamos nossos pecados em conjunto. tudo leva à adoração.1) A tocante. há pessoas de diferentes origens. não poderemos trabalhar aceitável e adequadamente pelo reino de Deus. inspiradora. e saímos para servir com um só propósito embora em situações e contextos distintos. “de romaria” ou “de procissão” em outras traduções).14. “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor!” (cf. a auto-suficiência. que ser assim. como testemunho para Israel. e vem hoje ao templo. pela entrega. as tribos do Senhor. No culto comunitário.. No dizer de Paulo. a rebeldia pela rendição a Deus. Está na Palavra Santa: “. É o que diz a nota de explicação do Salmo 122 com a expressão “cântico de degraus” (“gradual” ou “de romagem”. o louvor é a nossa resposta ao amor de Deus. é mais que qualquer um desses atos. W.

3.1a)? É até possível ampliar a explicação exortando a guardar os ouvidos. tremeu o lugar em que estavam reunidos. O crente há de compreender que.. É o fogo estranho de que fala Levítico 10.14). tendo eles orado. a tua obra no meio dos anos. Deus também vo-lo revelará”. na mesma expectativa quanto à pregação. que se chama pelo meu nome. “Guarda o teu pé quando fores à casa de Deus” (Ec 5. E. Irreverência na casa do Senhor é pecado grave. vidas são áridas num mundo árido. e enriquecida pela comunhão dos irmãos..6. Há um popular hineto que diz: “Quando estou com o povo de Deus. o Espírito Santo está presente: “E. aí estou eu no meio deles” (Mt 18. alegrei-me quando me disseram: vamos à casa do Senhor!” A casa de Deus é um lugar de oração. se sentis alguma coisa de modo diverso. na entrega dos bens e vidas. o despertamento que buscamos. ao vir ao culto. diz o adorador-em-espíritoe-em-verdade. “Alegrei-me de verdade. e perdoarei os seus pecados. “Aviva. surgindo a necessidade de reavivar-se a chama dentro de nós. muito grave. Habacuque expressou este clamor ao dizer. prezamos.culturas. Todas essas distinções. a mãos.20). É o reaquecimento. são as energias espirituais renovadas. e buscar a minha face. então eu ouvirei do céu. é ambiente de conseqüente avivamento. de adoração conjunta em perfeito acordo com o que Paulo acentuou em Filipenses 3. e a igreja como um todo tocar pelo Espírito de Deus. A dinâmica do culto consiste em deixar-se o crente individualmente. e anunciavam com intrepidez a palavra de Deus” (At 4. algo vai acontecer: sua vida será agraciada pela presença de Deus. Jesus Cristo está presente: “onde se acham dois ou três reunidos em meu nome.5: “Pelo que todos quanto somos perfeitos tenhamos este sentimento. eterno amor. Deus está presente: “O Senhor está no seu santo templo.” (Hc 2. Isso nos recorda o ensino bíblico de que é pecado trazer no culto divino e ao serviço do Senhor qualquer coisa que não proceda de uma vida renascida. se humilhar. e o amor de Deus. “Orai pela paz de Jerusalém” pede o salmista no Salmo 122. na leitura bíblica. se evaporam no canto congregacional. queremos e pelo qual clamamos. na oração.4. a mente e o coração. e todos foram cheios do Espírito Santo. os olhos. a esperança fortalecidas. pela compreensão do grande. É o senso de conjunto.20). e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós” (2Co 13. ó Senhor.. E o Senhor nos responde: “e se o meu povo. eu sinto real harmonia.13). a robustez. e traz sério prejuízo espiritual para toda a igreja. quando o culto termina. por que no culto. e se desviar dos seus maus caminhos. eu sinto a maior alegria. Não expressa a Escritura. Dominados haveremos de ser por um anseio de uma maior consagração. e.2). aquilo que é tão bem expresso na Bênção Apostólica: “A graça do Senhor Jesus Cristo. no canto coral.31). O 22 . O cristão evangélico não “assiste ao culto”: dele participa. e sararei a sua terra” (2Cr 7. alegrei-me com tudo o que eu sou. quando estou com o povo de Deus. Assim. no entanto. faze que ela seja conhecida no meio dos anos. Por vezes. a coragem.1 e Números 3. e orar. na ira lembra-te da misericórdia” (3.” É a fé estimulada..

Sim..” É ausentar-se podendo estar presente. por exemplo. e a fé revigorada na adoração coletiva. o futebol. ler e meditar em casa. porque a alegria não é encontrada em cantar certo tipo de música ou viver com certo grupo. “Não deixando as nossas reuniões. Portanto. ou realizado tão somente pelo oficiante sem a presença de um auditório. há quem se interesse pelo barulho em vez do serviço a Deus. crescer na igreja. a praia. ou ligar a TV e ter a igreja eletrônica com um pregador de estúdio “olhando” para você (?!) da tela fria do televisor.”. se o louvor é sem reverência. trazer o amor de Deus e enfatizar a adoração.” (Hb 10. a alegria do culto divino é um sentimento antecipado. o velho e persistente comodismo. Algo Prático O cantar.. e nada vai comprar as bênçãos divinas. sem espírito de dependência.. Aliás.. A música são as flores do jardim da adoração. improvisada. não abandonando a nossa congregação. “Não consigo imaginar como pessoas religiosas podem viver satisfeitas sem a prática da presença de Deus”. O bom hino comunica o amor do Pai. sem quebrantamento e sem consagração.. porque nosso Deus não merece nem tolera isso! Por que substituir os teológica e musicalmente bem escritos hinos. como é costume de alguns. visto que. cantar. popularescos. a alegria da presença de Deus. a TV. os temores afastados. não basta a um cristão dizer que pode orar. mas não pelo Senhor que é exaltado nos seus versos. onde em poucas palavras há um erro crasso de linguagem? O hino deve ser reverente. com uma teologia que não é bíblica. ou o turismo eclesiástico nos impeça de vir à própria congregação. É não deixar que a chuva. “Jesus é a aliança entre você e eu.25). Cuidado com a música de qualquer jeito.12b). o calor. A palavra de Deus é claríssima sobre esse tema: “consideremo-nos uns aos outros.24. na realidade. em vez da liturgia (palavrinha boa que significa “o trabalho do leigo”). os passeios. O objetivo é unicamente a glória de Deus. a “axé music” evangélica em vez da calma onde se manifestou o Espírito de Deus a Elias (1Rs 19. bíblico. Negromonte esclarece ainda mais. hinetos e doxologias por corinhos de paladar duvidoso. nunca o destaque pessoal. Há quem se interesse pelo som. A música deve afunilar juntamente com as leituras bíblicas. 23 . o “trio elétrico” evangélico”. a corrida de automóveis.. A tradução do Pe. porque nada vai compensar o culto que você perdeu. Não pode haver culto se não há adoração com seriedade. o dever de casa.. As ausências.culto não é um drama encenado para uma platéia de espectadores. É errado chamar a primeira parte do culto de Louvor. Consiste na obediência. a oração e as ofertas para o tema a ser explanado e desenvolvido no sermão. O irmão Lawrence afirmou. sem confiança. todo culto. pela harmonia ou pelo ritmo. É ato corporativo. e o culto todo é uma tremenda apoteose de louvor. sem humildade. como. e acentuada essa alegria quando compartilhamos a adoração com outros crentes. sem ensaio. Há quem esteja mais interessado no que alguém imaginosamente chamou de LITORGIA. as falsas idéias e doutrinas corrigidas. o frio. escritos em mau português. . pois é preciso crescer com a igreja. sem espírito de cooperação..

24). sim. Como podemos conhecer a Deus sem estudar a revelação que Ele faz de Si mesmo? Como saber quem Ele é e o que Ele tem feito e faz. adoração (cf. o culto não nos transformar. pode não ter qualquer uso prático e reduzir-se a mero academicismo. por isso. Mt 5.crescer para a Igreja de Cristo em sua expressão local. de vida".Revelação Geral . se não investigarmos o que Ele deixou revelado para nosso conhecimento? Pois esse é o trabalho da Teologia. Portanto não vos entristeçais. Serão verdadeiras essas afirmações? Admitimos que há muita coisa por aí levando o nome de "teologia" que não passa de especulação humana. conscientemente. Neemias nos inspira: “porque este dia é consagrado ao nosso Senhor. mas não um ato de culto. é só agitação. principalmente. visto que adorar. perdemos o fervor. nas Santas Escrituras (Revelação Especial .B. Nosso 24 .10b). o espírito de unidade. 1 Pd 1:20. Teologia é o estudo de Deus. cultuar é transformarse. embora não de modo exaustivo e completo. por conseguinte. quando entramos é fé e esperança. “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor!” Parte VI A IGREJA PRECISA DE TEOLOGIA? Introdução e Conceitos É comum ouvirmos que "a teologia mata a religião" ou que "a Igreja não precisa de teologia e.21). o que Ele requer de nós. o segundo. quando nos ausentamos da igreja. não pode ser chamado culto. o louvor. como. E até a "boa teologia". Quando entramos no templo é a expectativa. louvor. louvar.etc. pois a alegria do Senhor é a vossa força” (8. Não é disto que falamos aqui.. a comunidade de fé de você faz parte. se a Igreja pode prescindir do conhecimento de Deus e da Sua obra e ainda ser Igreja de Deus. quando se torna um fim em si mesma.23. Esse trabalho parte de três pressupostos: O primeiro é o de que Deus existe. que alguém pode ser cristão sem conhecer a Deus. É quase certo que aqueles que negam a necessidade da Teologia na vida da Igreja não diriam. quem somos nós em relação a Ele. "é a ciência que trata de Deus em Si mesmo e em relação com a Sua obra" (B. de que Ele tem Se revelado tanto por meio de Suas obras (criação e providência .Sl19:1. Se a adoração não nos levar a maior obediência.2. O que lhes falta é um bom conhecimento do que é Teologia e de suas implicações. ou. de que Ele pode ser conhecido. não levamos os filhos a crescer e a igreja perde a cooperação. Perguntamos se a verdadeira Teologia é necessária à Igreja. At 14:17). Se a adoração.Hb1:1. quando saímos é obediência.2. definindo mais formalmente. quando saímos é amor. Perguntamos. por não se basear em pressupostos de uma hermenêutica bíblica. não recebemos as bênçãos do culto. E o que é verdadeira Teologia? Como o próprio nome indica. Quando deixamos a congregação. e o terceiro. Warfield). É porque Deus Se revelou que podemos conhece-Lo.

A palavra "teologia" não ocorre na Bíblia e o termo que lhe é equivalente. A obra de Cristo. Sua ressurreição. meio e princípio regulador não é "teologia". não é inventar teorias a respeito de Deus e de Suas obras. são os grandes fatos que tornam garantida a salvação dos eleitos. nem mesmo "descobrir" a Deus. Tito 1:2. que vem de uma raiz que significa "ensinar" e pode se referir tanto ao ato de ensinar. portanto. mesmo que extraídas corretamente da Bíblia. 25 . Podemos dizer. no grego).. etc. Assim entendidas. nesse sentido.). Não somos salvos através de uma correta teoria a respeito da pessoa de Cristo. Sua vida de perfeita obediência à Lei. nem através de um exato entendimento da doutrina da Expiação. fica evidente que não há diferença entre Teologia e Doutrina. Elas se baseiam em duas falsas antíteses: 1. Mas voltemos ao nosso tema. o nome de "Teologia Sistemática". Por isso. O adjetivo aqui. é "doutrina" ( "didache" ou "didaskalia". A primeira é a suposição de que o Cristianismo se baseia em fatos e não em doutrinas Concordamos que nossa salvação não repousa sobre um conjunto de teorias ou idéias. propriamente. Mas como sabemos que esses são os fatos? Que sentido teriam esses acontecimentos se não tivessem sido interpretados? É a doutrina que lhes dá sentido. Sua segunda vinda. mas pelo próprio ato expiatório. Como viemos a saber que aquele menino que nasceu em Belém é o Filho de Deus? Por que descansamos na eficácia da Sua morte para a expiação dos nossos pecados? Por que sabemos que a Sua ressurreição. Sua morte substitutiva. como ao conteúdo do que é ensinado (Rm 6:17. dá-se inclusive. e ainda não experimentar as graças ensinadas nas doutrinas que expõe. garante a nossa justificação? É porque esses fatos são todos explicados e interpretados pela doutrina. Sua ascensão e assentamento à direita do Pai. mas comunicado por Ele mesmo através dos meios que soberanamente escolheu. a que damos o nome de "doutrina". qualquer estudo de Deus que não tiver a Sua revelação como base. mas conhecer e compreender a revelação que Ele próprio deu de Si. de modo mais completo agora. há dois mil anos atrás.T. É possível alguém ser "bom teólogo".conhecimento de Deus não é intuitivo. mas pela própria pessoa de Cristo.1Tm 6:3-4. na forma de um corpo de doutrinas. devidamente aplicada pelo Espírito no coração do crente. 2Tim 4:3-4. no N. que Teologia é o conjunto de verdades extraídas dos ensinos bíblicos a respeito de Deus e de Sua obra. "Fazer teologia". devidamente entendida. e que são apresentadas de modo sistemático.9. A doutrina realmente não salva. nem natural. Seu nascimento sobrenatural. Duas são as razões geralmente apresentadas para se dizer que a Igreja não precisa de Teologia. A essa forma ordenada de doutrinas. mas sobre os atos poderosos e eficazes do nosso soberano Deus. é que assegura essa graça. não altera o conceito de "teologia".

ou quando a chamam de "mãe natureza"?. O ensino da doutrina é uma das ênfases da Bíblia (1Tm 3:2. dizem. mas fato sem doutrina é mera história. Concluímos. Segundo esse ponto de vista. não pode ser compatível com o caráter do Cristianismo". fria. nossa fé é vã e permanecemos ainda em nossos pecados"( Selected Shorter Writings. não em doutrina Por trás dessa afirmação podem estar raízes do conceito filosófico que exalta o misticismo. portanto.B. e. Até chamam a isso de "teologia contemporanizada" ou "contextualizada". mas esta àquela. fluente. Sem essa explicação. Até mesmo os fatos manifestos na natureza (Revelação Geral) não seriam devidamente compreendidos se não fossem explicados pela Bíblia (Revelação Especial). p. Tito 1:9. A doutrina não salva. Ele diz: "A Encarnação é uma doutrina: nenhum olho viu o Filho de Deus descer dos céus e entrar no ventre da virgem. 2. Ef 4:11). mas pode tornar o homem sábio para a salvação (2Tm 3:15). Isto é o que se vê em toda a Escritura. as emoções. mas se isso não for um fato histórico também. Nem é pertinente perguntar qual dos dois é mais importante. "Religião é vida e a vida é dinâmica. mas também 26 . portanto. Seria o mesmo que indagar qual das duas pernas é mais importante para o nosso caminhar. Sem a revelação do Criador. Aqueles que assim pensam até admitem um certo tipo de doutrina. de igual modo está dando uma interpretação aos fatos da morte e ressurreição de Cristo. está explicando-o também. não está apenas apresentando um fato. argumentam. mas o espírito vivifica". cheio de graça e de verdade" (Jo 1:14). desde que mutável.e ressuscitou por causa da nossa justificação" (Rm 4:25). consiste em "fatos que são doutrinas e doutrinas que são fatos". Fato e doutrina se complementam no Cristianismo. 2Tm 2:2. como lemos em Rm 1:18-32. Quando Paulo afirma que Jesus "foi entregue por causa das nossas transgressões. Doutrina sem fato é mito. Daí dizer-se que para se conhecer a Deus é preciso que Ele fale. gerando a idolatria (devido ao pecado). na expressão de B. A segunda é a suposição de que o Cristianismo consiste em vida. O Cristianismo. sua mensagem (a dos céus) passaria despercebida e eles poderiam até ocupar o lugar do Criador. e que procura eliminar da religião todo apelo ao intelecto. o sentimento religioso do homem. especialmente nas epístolas. adaptada sempre à dinâmica da vida e conformada às "necessidades" da época e do lugar onde a vida do Cristianismo se manifesta. 234). que os fatos só têm sentido quando acompanhados da doutrina. Não é o acontece quando as pessoas dizem que "a natureza é sábia". pois sem ela não existe verdadeiro Cristianismo. "A letra mata. vol 2. A prática (práxis) é colocada acima da doutrina não só em importância. e habitou entre nós. portanto. não é a doutrina que deve dirigir a vida.Esta não só informa o fato como também dá o seu significado. à razão. a doutrina é estática. Quando João diz: "E o Verbo se fez carne. Podemos hoje entender que "os céus manifestam a glória de Deus" (Sl 19:1) porque o Criador nos tem revelado isso na Sua Palavra. Warfield. a criatura toma o seu lugar. e não somente que Ele aja.

nem revelação objetiva. É ela que nos aponta os meios de graça deixados pelo próprio Senhor. depois nos dias de Warfield e dos Hodge e. Mas devemos ou podemos prescindir da doutrina para que essa vida se manifeste? Antes de tudo. da "piedade". ao que foi intencionado no princípio por Deus. A doutrina é. não estamos afirmando que apenas a doutrina. o meio que o Espírito soberanamente usa para nos fazer conhecer a vontade de Deus e nos levar a praticá-la. primeiramente vida. ninguém verá o Senhor ( 1 Ts 4:3. Mas será essa a visão bíblica do Cristianismo? Podemos dizer. O princípio de que "a Igreja reformada deve estar sempre se reformando" visa manter sempre a mesma posição em relação à verdade. É para que continue sempre sacudindo de si toda tradição e acréscimo humano que não estejam de acordo com os valores fixos e absolutos da palavra de Deus. Há até quem interprete assim a célebre divisa: "Igreja reformada sempre se reformando". Tudo cairá no campo dos valores relativos e passará a depender do subjetivismo. Sem dúvida. sucessivamente.É a doutrina que dá característica à vida. É através dela que ficamos sabendo que a vontade de Deus é a nossa santificação e que. depois doutrina? Existe tal antítese? Se essa posição for verdadeira. a doutrina é o que menos interessa. no século XVI. isto sim. que a trouxe de volta às origens e lhe recuperou a vida. não a sua norma. Não basta apenas um sentimento religioso para fazer de um homem um cristão. e que sejam facilmente levados "por todo vento de doutrina". falta a alma da verdadeira religião. não alterá-la. É a correta aplicação da doutrina que produz a verdadeira vida cristã. E não há outra forma de se fazer isto a não ser pela doutrina. tão bem exposta pelos reformadores e tão negligenciada pela Igreja. das emoções. com base na palavra de Deus. até os nossos dias. É preciso que sua vida seja moldada na doutrina de Cristo. nem princípio fixo. sem esta. para que seja aplicável em todas as épocas. que é quem nos 27 . nos moldes escriturísticos. Não admira que haja tanta "fluidez" e instabilidade entre os que assim pensam. Concordamos também que Cristianismo é vida. depois nos dias de Lutero e Calvino. Para estes. Hb 12:14). Será que aquilo que foi deixado por Paulo e pelos outros apóstolos como doutrina para os seus dias deveria ser mudado nos dias de Agostinho. ou. que o Cristianismo é vida e não doutrina. para dar lugar às manifestações de vida? Não creio que a Bíblia justifique essa posição nem que esses teólogos a tenham entendido assim. produz vida. independente da obra santificadora do Espírito. Reformar é voltar às origens. assim. é a verdade de Deus relativa? Depende o seu valor do lugar e da época em que se encontram os homens? Sabemos que esta é a posição atual dos que se denominam pluralistas e esse é o pressuposto básico desta posição. Foi a doutrina bíblica. Foi a falta da verdadeira doutrina que enfraqueceu a Igreja e a lançou num tradicionalismo vazio e pagão.no tempo: a doutrina passa a ser um produto da vida cristã. então não haverá verdade absoluta. e graças a Deus por isso! Onde a vida não se manifesta.

para depois pervadir todas as áreas do ser e se transformar em manifestações de vida que O agradem e glorifiquem. portanto.Ef.2 . O conhecimento de Deus começa pela porta do intelecto. Parte VII A IGREJA. Nas epístolas paulinas.Plenitude de Cristo . CORPO DE CRISTO TEXTO: EFÉSIOS 1:22-23 PROPOSTA: A nossa proposta é a de conhecer o que a Bíblia fala sobre a igreja.Ef. a íntima relação entre doutrina e prática é evidenciada pelo seu método de apresentar primeiro a argumentação teológica (doutrinária) para depois tirar as implicações práticas dela decorrentes (Ex. mas é pela pregação da Palavra que vem a fé que transforma (Rm 10:7) A espada do Espírito é a Palavra (Ef 6:17). 1:23 . da razão. Ef 5:26). Qual o verdadeiro significado deste termo! Quais as responsabilidades daqueles que dela participam. Atos 2:1-4 02.Ef.Templo do Espírito Santo . 19:7 28 . A ORIGEM DA IGREJA 1.1 ."chamados para fora" . conhecerá a respeito da doutrina. 01. 12-16: prática). Rm 1-11: doutrina."povo de Deus" "Ekklesia" . 11:2. 1:22-23 . Isso se torna ainda mais claro na oração sacerdotal de Cristo. 2:21-22 .A primeira referência bíblia sobre a igreja aparece em Mateus 16:18 1. que a Igreja precisa da Teologia.1 . Conclusão Concluímos. em que Ele associa a prática da santificação com a doutrina da Palavra: "Santifica-os na verdade. pela Escola Dominical e por qualquer outro meio disponível.santifica (Lv 20:7-8.Corpo de Cristo . tanto através do púlpito como pelos estudos semanais.No Novo Testamento .Outros títulos: . porque precisa da doutrina nela contida para dar sentido e expressão aos fatos do Cristianismo e para prover os meios de manifestação da verdadeira vida cristã. Por isso.2 Cor. Nossa demonstração de vida pode impressionar as pessoas e despertar nelas certa admiração. A NATUREZA E AS FUNÇÕES DA IGREJA COMO CORPO 2. se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo".O nascimento da Igreja ocorreu n dia de Pentecoste. Ap. onde o fazer a vontade de Deus está ligado ao conhecer a doutrina: "Se alguém quiser fazer a vontade dele. o ensino da doutrina é indispensável na Igreja. a tua palavra é a verdade" (Jo 15 :17) e em João 7:17.Noiva do Cordeiro .

1 Ped. 12:21 . 2:19 . 2:9. 12:25 . 4:16 . "eleita". 3:9 .Col. Observe as expressões: "escolheu".A Igreja como corpo deve: . 3:15 Parte VIII A IGREJA. 4:9 05.Fil. Ela se tornou a agência mediante a qual o Senhor manifesta o seu poder.Individualidade . 3:9 . A FORMAÇÃO A IGREJA . CARACTERÍSTICAS DO CORPO .nutrir os demais membros . "a fim de".1 Cor.1 Cor. 3:16 .1 Cor. "para serem".Exclusividade .sustentar os membros .manter a unidade da fé . CORPO DE CRISTO II TEXTO: MATEUS 28:18 PROPOSTA: Este estudo visa mostrar que a mesma autoridade que Jesus recebeu do Pai.João 10:16 .Ef.Diversificação de ministérios .transmitir ordens .Ef. dos desafios .Ela é formada pela união de seus membros .Ela tem responsabilidades .Harmonia .1 Cor.1 Cor. 12:14 . 04. 12:25 .reconhecer ministérios . a sua 29 ..Rebanho .1 Cor. da comunhão.1 Cor. 12:12 . 1:4. SÍMBOLOS BÍBLICOS QUE DESCREVEM A IGREJA .Santuário de Deus . Rom. AS FUNÇÕES DOS MEMBROS .1 Cor.1 Tim.Coluna e Baluarte da verdade .Lavoura de Deus .ministrar . "para sermos". 12:17 .participar do louvor.criar unidade no corpo . 12:28-29 06.1 Cor.Colaboração . "conheceu".Edifício de Deus . foi também delegada a igreja. 8:29.instruir seus filhos na Palavra 03.1 Cor.

Resumo: a igreja não pode morrer. Esta autoridade não é um exercício individual. 02. o pecado.Autoridade sobre a natureza . 30 .Mat.esse poder é manifestado através da oração. 2.5 . Ele tem medo das pessoas que se submetem a autoridade de Cristo.4 . Ela se torna em realidade devido a autoridade que Cristo concedeu à igreja. 2. Jó 20:23. sim. AUTORIDADE E PODER A autoridade representa a própria essência de Deus.A autoridade da igreja é maior do que o poder do Diabo .Mar.A igreja como corpo. recebeu do Senhor Jesus. o poder do reino do mundo inferior! . coletivo. 5:14-15 Diferença entre: "pecado" e "pecados" . 5:3-5 . 17:20.Hades representa o deus que tinha autoridade sobre os mortos! . 2.1 . 20-21-22 .Autoridade sobre os espíritos .Porta . provocado pela queda do homem.A luta profetizada pôr Jesus: . A queda de Satanás ocorreu. 2. mas retêm o perdão àqueles que menosprezam a sua autoridade.A igreja pode perdoar os pecados (ofensas) cometidos contra ela.2 . só através do sangue de Cristo. Mat.Para exercer esta autoridade a igreja precisa estar em perfeita sintonia com o Espírito Santo.Mat. 18:18. Isaías 14:13-14 Obs. 6:14. e não simplesmente realizar os mesmos feitos de Deus.graça e autoridade. Mas. e. 1Cor. AUTORIDADE E PODER DELEGADOS À IGREJA . Ela é eterna. 10:8 . porque ele desejou ser igual a Deus.representava a corte. força o diabo a nos obedecer. 01. Satanás não tem medo de uma pessoa que prega a Palavra."Portas do Hades" . 10:19.Jesus comandou o espírito que atormentava o jovem e o expulsou. 2. 5:9.3 . 16:19.Igreja x Portas do inferno .Mat. A autoridade a nós foi delegada. enquanto o poder expressa os seus atos! Isaías 40:25-26 Deus pode perdoar aqueles que duvidam de seus feitos. Luc. toda a autoridade e poder para se tornar uma igreja viva e vitoriosa.Luc.Autoridade para ligar e desligar . 8:30 .Autoridade sobre os pecados . Mat. Mat. Tg.

Koinonia .1 Sam.serviço 1. servir.Rebelião de Coré .3 . sim.Levítico 10:1-2 3. e.CONTESTANDO A AUTORIDADE DELEGADA .Kerygna .comunhão c.Números 12 3.A insubmissão de Absalão . 15:22-23 .Queda de Adão e Eva . das pessoas.Queda do querubim da guarda . Watchamann Nee: "A maior das exigências que Deus faz ao homem não é a de carregar a cruz. Transformação é o segredo de um organismo vivo. como também da igreja. 13:7 Parte IX A IGREJA. Esta adaptação só se viabiliza mediante a disposição do mundo. dar ofertas. é a necessidade de adaptação ao curso da História.AUTORIDADE E A LIDERENÇA DA IGREJA .não funciona isoladamente.A comunicação se processa através de três elementos básicos: a . e da igreja em se transformarem. Não se obedece a homens.1 .0 . ou negar-se a si mesmo.Gênesis 9:20-27 3.10 .2 Samuel 15 3. 1.1 .Castigo de Arão e Miriã .2 .8 .mensagem b.Gênesis 2 e 3 3.A transgressão de Uzias .9 . 1 Cor. Para que ela produza 31 .Rebelião de Cão .A igreja só crescerá quando todos os membros estiverem debaixo do autoridade de Deus delegada aos seus ministros.Ezequiel 28:13-17 3.Números 16 3.2 Crônicas 26:16 4. das pessoas.Encurtando as distâncias . 16:15-16. Leon Tolstói: "Todos pensam em mudar a humanidade e ninguém pensa em mudar-se a si mesmo". A maior das exigências é que ele obedeça" .6 .Rebelião de Nadabe e Abiú . à autoridade de Deus que está nesse homem.0 .2 . Ilust. Diakonia . Kerygma .A nossa obediência deve ser praticada não em função da pessoa mas da autoridade nela investida.A idolatria de Salomão .Obs. 1 Tes. 13:17.1 Reis 11 3.A desobediência de Saul . Heb. 5:12-13. 3.3.4 .1 Samuel 15 3.Obs. Os maiores castigos mencionados na Bíblia ocorreram em razão da desobediência à autoridade delegada pôr Deus. .João 13:12-17 A mensagem . CORPO DE CRISTO III TEXTO: ROMANOS 12:1-2 PROPÓSITO: A maior necessidade do mundo.7 . Zac.5 .

12:15-16 .Disciplina na prática de ouvir/falar .um espírito de concorrência . 9: 24 .desvalorização do membro . Um membro não deve aspirar o lugar do outro.Disciplina na prática dos hábitos .Disciplina na prática do perdão .quando este princípio é quebrado. quando isso ocorre todo o corpo é prejudicado. Um membro não pode inibir a ação do outro.um anemiamento espiritual 2.Princípio da Unidade .desperdício de forças 2.Princípio da oportunidade . . 3:17 .contestação da vontade de Deus . Ez. 5:15-16 . ocorre: .1Cor. João 17:23 3.TODA TRANSFORMAÇÃO EXIGE UMA FONTE DE DISCIPLINA PESSOAL .1 .Gal. .4 .Ef. 5:22 Parte X 32 . 0.1 Tim.cada membro tem sua função.o egoísmo passa a predominar nas relações .Disciplina na prática da liberdade .Disciplina na prática do tempo .Princípio da integração . 12:17-18 . 12:21-22 .a unidade é a fonte geradora de toda a energia.Col.A igreja precisa ser a autora e não a espectadora no processo de mudanças.resultados positivos. é necessário que o membro exercite a Koinonia e a Diakonia.Afastamento dos outros membros .Disciplina na prática da santidade .A falta de oportunidade produz: .2 Cor.Princípio de Dependência . 5:13 .1 Cor.João 8:47 .3 .desequilíbrio em todo o sistema .2 . a igreja perde a sua função.2 . 13:5 .0 . de troca a mobilidade e harmonia do corpo.a arrogância quebra a linha de comunicação 2. Ela foi criada para ser o instrumento de Deus na transformação da sociedade.1Cor.1 Cor.Marcos 11:25 .A quebra desse princípio provoca: . Sem unidade. 12:25-26. 34:17 .um enfraquecimento de todos os membros .1Cor.TRANSFORMANDO A NOSSA RELAÇÃO COM OS OUTROS MEMBROS Este processo de transformação ocorre através da prática de quatro princípios bíblicos. .Disciplina na prática da fé .este princípio visa das a todos os membros a mesma chance de trabalho. 2.

Ele andou pôr entre aqueles ossos. dá sustentação. 5:26.para identificar a situação do povo 1. 2:23 b. HARMONIZANDO O CORPO O texto de Ezequiel 37:6 nos ensina quatro verdades básicas sobre a harmonia do corpo de Cristo. Fil.4 ." . 8:13-15 c. O alvo deste estudo é recriar uma nova esperança no coração daqueles que como membros." ..1 . 2 Cor. VANDERLEI FRARI PROPÓSITO: Cerca de 2960 anos nos separam da experiência de Ezequiel junto ao vale de ossos secos. Uma pele ressecada prejudica a respiração do corpo. 3:1-2. UMA CONVIVÊNCIA DESAGRADÁVEL . Mas a realidade daquele vale ainda é a mesma em nossos dias. 4:22 2. mantém a sensibilidade.enferma o corpo! . Sentiu os odores daquele ambiente fétido.A IGREJA. 2:11-15 .Gên."Porei tendões (nervos) sobre vós. . Ef. 2:3....Ne.perturbação da nutrição -prejudica o metabolismo do corpo.3 . Col.a pele é o elemento de proteção.2 . 1 Cor."E sobre vós estenderei pele.Esta convivência foi necessária: 1.para mostrar qual o propósito de Deus 02.1 .17.Rom.hipersensibilidade .2 . É o alimento sólido..cria a união. fazem parte da Igreja do Senhor Jesus.A experiência de Neemias . . Conviveu com a morte. CORPO DE CRISTO IV TEXTO: EZEQUIEL 37:1-14 Autor(a): PR. a carne fala do conhecimento da Palavra. 33 ."tendões" .V. 2. participação. a carne é o elemento do corpo..Há três aspectos importantes sobre este elemento: a . Gál. 1 Ezequiel não só foi levado ao vale de ossos secos.3 . a carne representa unidade. 3:12 2. .para comprometer o profeta com o desafio de restauração 1. Heb.. integração ."E porei em vós o fôlego da vida e vivereis." . 15:2. 12:15. Ela funciona também como um filtro.estimulam. mantém a flexibilidade e resistência do corpo.. 01."nervos" . Rom. A distrofia ." O resultado final de um corpo equilibrado e harmônico é a presença do Espírito Santo agindo em todos os membros. 5:11-14 2."Farei crescer carne sobre vós.

Prov. O processo de restauração ocorre através da ação profética.10 d. um grande exército .Sabedoria é saber fazer a coisa certa..4 .O que profetizar? a .3.2 . que Deus harmonizará o corpo beneficiando assim cada membro em particular v.1 .. Cabe a cada membro do corpo a mesma responsabilidade.sabedoria em tudo.Is. 5:15. 7:16 2. e muito menos eletrizante. um pobre. DEFININDO A SABEDORIA . Moisés nos dá um bom exemplo de falta de sabedoria.Prov. que Deus fará de membros soltos e sem vida.v. no momento certo. 3:1-2 2. 22:6 b.0 . sabedoria como doutrina . tem fomentado divisões. O homem sábio é aquele que é capaz de reconhecer um necessitado. tem perdido enfim o poder de atuação. 03. Êxodo 18:13-18 a . se não surgirem homens mais sábios.3 .sabedoria no comportamento . 2.v. "Realmente estará em perigo a sorte do mundo. Não é contrária 34 . Jer.sabedoria nas amizades . um que precisa de oração". 19:18. 1 Pd.5 b. AGENTE ESPIRITUALIZANTE A sabedoria não é uma virtude isolada. 41:39 2.5 .14 Parte XI A IGREJA. Dan. 28:29. que Deus abrirá as sepulturas e libertará todos os que vivem presos . sabedoria como virtude de homem . Ecl.v.7 c. e à pessoa certa. CORPO DE CRISTO V TEXTO: PROVÉRBIOS 4:7 Pôr falta de sabedoria. 26:4.COMO SE PROCESSA ESTA RESTAURAÇÃO? Ezequiel foi o instrumento usado pôr Deus para restaurar os ossos secos.pessoais.(Concílio Vaticano II) 01.sabedoria no diálogo .sabedoria nas decisões .Gên. sabedoria como atributo e qualidade de Deus . 1 Reis 3:25-28 2.Prov.Gên. a igreja tem lutado mais contra si mesma do que contra os verdadeiros adversários. 8:12. 9:4-5 2.Jer. que Deus pode vivificar o que está morto em nossas vidas . A IMPORTÂNCIA DA SABEDORIA Pôr vivermos em grupos sociais.6 . 3.sabedoria nos negócios . 1:17 c. que Deus derramará o seu Espírito Santo . 41:38. a sabedoria torna-se em elemento indispensável em nossos relacionamentos inter . 10:12 02.v.Ef. tem usado ignorantemente a armadura de Saul.1 .12-13 e. SABEDORIA.

Os anseios e vontades humanas desembocam sempre no hedonismo ou nas guerras cruentas e desumanas. "Onde queres" – Théleis.A força de Estevão . Efésios 3. 12:8 3. não andar a reboque da historieta escrita nos alfarrábios desta geração corrompida e perversa. cristológica e cristossímel. devemos admitir nossa humanidade em sua plenitude mas sempre 35 . Como Jesus. Estivermos preocupados com a vontade do Mestre e não com a nossa própria vontade – (Vs. Ela é antes de tudo o fiel da balança espiritual. agradável e perfeita".Atos 6:3 3.. cristocêntrica.17-30 Introdução A igreja será apenas uma instituição humana se não tiver a visão de Jesus Cristo para o contexto e a realidade histórica na qual está inserida.Atos 6:8-10 3.Exigência dos apóstolos . É imperativo fazermos diferença no mundo. A igreja deve interagir na história. escrevendo a história da salvação na vida das pessoas e para isto. fazendo verdadeira diferença neste mundo com Agência reformadora de Deus. Romanos 12. a igreja só será relevante para o mundo e para o Reino.1 . Devemos evitar a visão antropocêntrica e buscarmos uma visão horizonal. quando. vontade ativa.a verdadeira espiritualidade.1 Cor. do mundanismo que gera a mundanalidade incrustada na igreja pela relativização da ética cristã.10. é imperioso resgatarmos a relevância da igreja no contexto sociocultural em que trilhamos a jornada da santificação.3 .A verdadeira busca .2 . A vontade decisiva e decisória de Deus onde não cabe relativizações ou negociatas. Só a vontade de Deus para a igreja é "boa. Falar dos objetivos da igreja em contraposição as megatendências da pósmodernidade e o modismo quanto a quebra de paradigmas que resultam na perda da identidade doutrinária.Tiago 3:13-18 Resumo: Igreja sábia produz santos verdadeiros! Parte XII A IGREJA QUE FAZ A DIFERENÇA Mateus 26. soberana. 17). Mas amados.A oferta do Espírito Santo . 3..4 . 1. apenas a submissão. A igreja é manifestação de Deus na história. arrefecendo a autoridade da igreja em sua ação reformadora no mundo.1. Somos o povo do Deus que é Senhor da história e que se manifesta através da história. Não podemos nos contentar em causar impacto na história com os nossos escândalos ou com a nossa inércia contemplativa enquanto o céu não vem.

Páscoa. Estivermos conscientes da brevidade do tempo da salvação – (Vs. é Senhor do tempo e fala com autoridade quanto a brevidade do tempo para a pregação do evangelho. Da mesma forma. santo e agradável". diz o Mestre. à Denominação ou à Eclesiologia – (Vs.13. Vale ressaltar a expressão "o Mestre diz".orando: "não se faça a minha vontade. Não induz ao radicalismo ou ao êxtase emocional espiritualista esotericamente espiritualizado. mas a tua". Se quer. o texto aponta para um denominacionalismo desvairado e promotor de uma nefasta negligência ao que é bíblico em defesa de um hediondo tradicionalismo históricodenominacional. e a pregação deve ser levada a efeito "a tempo e fora de tempo". Devemos buscar a consciência de que o Senhor está em seu trono de glória para receber de nós um culto "vivo. 2. Mateus 25. a Páscoa. nossos cultos devem ser verdadeira celebração pela e para salvação em Cristo.14-16. 18). Uma festa alegre e vívida em gratidão pela libertação do pecado que nos é outorgada por Cristo. O tempo da Deus é kairós. sendo Deus. Mestre. de alegria e satisfação prezeirosa em nossos cultos. e de celebração. e não kronos.2. Lucas 22. A festa. honra e dignidade. o tempo é sempre presente. ou se queremos vislumbrar os nossos olhos com feitos pitorescos ou com manifestações pneumotécnicas. 36 . como se fossemos senhores do tempo. infinito. "Meu tempo está próximo". Se perseguimos palco. alguém que ensina revestido de capacidade. A Igreja não pode postergar a pregação. não à liturgia. Não sabemos quando o Mestre voltará. era um memorial da libertação do Egito. resultado de mentes renovadas em Cristo no entendimento dos mistérios da salvação. aqui não é nosso lugar. Jesus. Êxodo 12.1. Nossos cultos se tornarem verdadeira celebração ao Cristo vivo. O texto não prevê sectarismo ou uniformidade. apresentações e números especiais. eterno. mensurado e controlado pelo homem. no sangue da remissão. 1 Coríntios 2. limitado. Romanos 12.14-17. É imperioso buscarmos a consciência de libertação. didáskalos. 2 Timóteo 4. 3. é hoje. Estar preparados para adentrarmos com ele em sua glória implica em testemunho e pregação incessantes. 18b e 19). da graça salvadora. Na dispensação da igreja. devido a presença do próprio Deus entre nós. da morte às mão do opressor. de festa.42.

Paulo e muitos outros indicados no Texto Sagrado. O sangue do pacto promover aliança de compromisso em nós – (Vs. para um preconceito satanicamente beatificado pelo denominacionalismo coercitivo. a partir do arrependimento e da confissão sincera diante de nosso Advogado e único mediador. 2 Coríntios 5. Somos assolapados pela consciência de pecado que desemboca no arrependimento ou permanecemos insensíveis e nada nos impulsiona à santidade? A expressão do verso 21. admitindo-o apenas como rabi. Jesus Cristo. insistindo nos passos de Caim e na decisão diabólica tomada por Judas Iscariotes.14-18 e 1 João 4. Pedro. a fim de que dediquemos nossas vidas em perfeito louvor. o que não é uma característica da personalidade de Jesus. Efésios 4. sempre somos levados à contrição e ao arrependimento. é constituir-se em traidor. no original. O sangue que "nos purifica de todo o pecado". e se nos dispomos à perfeita adoração. 21 e 22). evidenciado na proclamação do evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.4 e conjugando-nos em só coração. fazendo-nos um só povo. "me entregará". se pretendemos fazer a diferença já em nosso tempo. profetizando um futuro melhor. persistindo na traição.20.4. para cobrir e apagar o escrito de culpa que recaia sobre nós. Em quinto e último lugar. devemos vivenciar íntima comunhão. mesmo estando diante de Jesus e sendo desafiados ao arrependimento. não podemos permanecer aguilhoados ao pelourinho do pecado e dissociados pelo preconceito que ressalta as idiossincrasias. irmanados em Jesus Cristo. l 37 . Isaías. É assombroso que muitos crentes não sintam o sabor amargo de pecado como sentiram Moisés. Somos contristados pela possibilidade de sermos o traidor – (Vs.18 e 19. Jeremias. Se somos igreja. Jacó. No culto verdadeiro Deus sempre manifesta sua glória. Não divisionismo ou sectarismo autofágico e se quer. Efésios 2. Isaías 6. se buscamos relevância para a sociedade. Qual a nossa reação diante da expressão "um de vós me trairá". O sangue do pacto foi derramado "para a remissão de pecados". não conseguem olhar para Jesus e identificá-lo com Senhor absoluto de todas as coisa. Colossenses 2. Muitos.1-8.32. permanecendo na inércia petrificada do comodismo. mestre da lei. denota que Jesus bem sabia das intenções daqueles que o perseguiam.14... 5. 28). Kírios. para nos reconciliar com Deus. Como igreja. Atos 4. Retirar-se do culto sem experimentar restauração santificadora. afirmo que a igreja fará diferença no mundo e resgatará sua relevância e autoridade na pregação quando.

João 1.8, 2.2 e 1 Timóteo 2.5, nos impõe a comunhão que afaga o coração e acarinha o aflito e o existencialmente desesperançado. Pelo que, a igreja deve retirar-se do templo, após o culto prestado, restaurada, perdoada, transbordando em amor e alegria e amalgamada no sangue de Jesus Cristo. Todo o nosso pecado e preconceito devem ser abandonados aos pés da cruz de Cristo, o Cristo que "é tudo em todos", Colossenses 3.11. Conclusão Amados, é urgente e premente uma reflexão quanto relevância e a atuação da igreja no mundo da globalização e, em especial, aqui em São Paulo. Se não identificamos estas cinco assertivas em nossa expressão cúltica e identidade doutrinária e denominacional, corremos o risco de sermos vitimados por descomunal aridez teológica, eclesiológica e doutrinária. Nos tornaremos insipientes, insignificantes e dispensáveis ao homem que carece de salvação e não de liturgias, eventos sociais ou verdadeiros shows pseudo-espirituais aromatizados com essência de enxofre, não com o hálito do Espírito Santo. Sejamos igreja. Corpo vivo de Cristo. Submissos a ordem do Mestre e conscientes da brevidade do tempo para a salvação. Sejamos igreja que festeja a vitória de Cristo na Cruz e que é contristada pela consciência de pecado. Sejamos igreja santa e poderosa na evangelização para que desfrutemos as benesses do perdão, do amor e da comunhão íntima, expressão inconteste da nossa reconciliação com Deus em Cristo Jesus. Parte XIII A LIDERANÇA CRISTÃ E O DISCIPULADO Creio na liderança cristã e creio no discipulado. Compreendo que a liderança cristã tem o trabalho de despertar e conduzir o ser humano para Deus e para tudo o que de Deus recebeu. Creio numa liderança comprometida com o reino de Deus (cf. Mt 6.33), o que, aliás, é uma qualidade-chave do líder cristão. Uma liderança comprometida é fiel (1Co 4.2), disponível (Lc 9.57-62), receptiva à capacitação, ou seja, ao treinamento (um teste é convidar 12 a 20 pessoas para reuniões de treinamento, e observar quem retorna a partir da segunda reunião. O treinamento, por sinal, já é uma seleção). Descobrir pessoas que possuam potencial é tarefa do líder, e isso com o objetivo de treiná-las de modo a que em dado momento a organização possa funcionar sem ele, líder. É um facilitador no ensino dos novos discípulos e na participação deles no global do processo; é exemplo e ajuda em vez de apenas verbalizar, valoriza a participação dos outros, é paciente e confia no Espírito Santo como conselheiro e auxílio nas dificuldades. Creio na liderança capacitada pelo Espírito de Deus, "carismatizada" para o benefício da Igreja de Cristo, para que todo o edifício bem ajustado cresça para templo santo cuja glória seja unicamente a de Deus, ou como colocou a Bíblia em Português Corrente (edição da Sociedade Bíblica de Portugal, 1993): "É em Cristo 38

que todo o edifício está seguro e cresce até se transformar num templo que honre ao Senhor" (Ef 2.21). Creio também no discipulado cristão, pois é somente observar a ênfase dada por Jesus ao cuidado, carinho, busca e instrução dos que O seguiam. "Discípulo", por sinal, parece ser a palavra favorita de Jesus para aqueles cuja vida estava ligada a dEle. Aparece 269 vezes nos Evangelhos e no livro dos Atos dos Apóstolos. O líder cristão do século 21 não pode esquecer que as condições do discípulo são um daqueles princípios imutáveis, apesar das transformações litúrgicas, administrativas, pelas quais a Igreja de Cristo vem passando através dos séculos. Quem as declara são os Evangelhos: · Transportar a cruz (Lc 14.27). A cruz não é brinquedo, mas instrumento de morte, na qual o eu deve morrer. Ir-para-o-Calvário é um caminho escolhido deliberadamente, visto que a cruz é o símbolo da perseguição, vergonha e abuso que o mundo jogou sobre o Filho de Deus e jogará sobre os que escolhem navegar contra a corrente, o discípulo. · Renúncia (Lc 14.33), que é entrega irrevogável a Jesus Cristo, autonegação, nos termos de Lucas 14.26 e Mateus 16.24. Nosso amor a Jesus e à Sua causa há de ser tão evidente que, em comparação, todos os demais serão diminuídos. Billy Graham afirmou que "a salvação é de graça, mas o discipulado custa tudo o que temos". · Constância (Jo 8.31). É passar a viver em companhia de Jesus, comunhão de destinos com Ele, segui-Lo, permanecer nEle. O verdadeiro discípulo se caracteriza pela estabilidade. · Produção de frutos (Jo 15.8). União frutífera como Senhor (Jo 15.4,5). O líder cristão há de observar os dois aspectos básicos do discipulado em sua própria experiência de vida: a união com Cristo e a dedicação sem reservas, que Jesus Cristo descreveu em termos de videira e ramos (cf. Jo 15.5ss). Em relação ao primeiro aspecto, Paulo usa inúmeras vezes a expressão "em Cristo" para com isso significar que nós estamos nEle e Ele está em nós (Cl 1.27). Por sua vez, Romanos 6.1-12 indica o significado do regime de dedicação exclusiva a Jesus. O alvo do discipulado deve permanecer bem definido na mente do líder cristão: é a semelhança de Cristo em caráter e em serviço. O Espírito Santo dá-nos o caráter de filhos de Deus, e nessa linha de raciocínio, o fruto do Espírito é o retrato desse caráter: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e autodomínio. OIKOS, UM CONCEITO PARA O SÉCULO 21 As grandes cidades, sejam capitais legais, formais ou informais são um centro dominante A característica maior é a concentração de população várias vezes superior à cidade seguinte em importância. Tem primazia política, econômica, acadêmica e cultural (a área metropolitana de Tóquio é maior que a metade da população do Canadá). É também nessa situação que o líder cristão há de exercer o discipulado. 39

São características dos habitantes da urbis: · Um ser solitário. Quem mora na roça vive praticamente num sistema de clã (estilo semita bíblico). Na cidade grande está perdido. · Um ser pobre. Mora em invasão. · Um ser que sonha. Não perdeu essa capacidade. · Um ser que escuta. E a ele muitos "discipuladores" querem falar. OIKOS, UM NOVO VELHO CONCEITO Oikos é o "lar familiar", a esfera de influência. É o sistema social primário composto por aqueles que que são relacionados por laços comuns de família, trabalho e vizinhança. Três são as constantes culturais: o parentesco, a comunidade e a associação: · parentesco são laços de sangue ou de afinidade. · A associação é voluntária com normas, autoridade, mobilização de recursos, e movidas por amizade, sexo, poder, ideais, interesses, prestígio (sindicatos, igrejas, clubes). · A comunidade é determinada pela geografia. Se isso existe hoje, e é uma constante antropológica, existiu nos dias neotestamentários. É o oikos (cf. Michael Green. Evangelização na Igreja Primitiva). Alguns casos são: · a família de Betânia (Jo 12.1-3); · a casa de Cornélio, oficial romano (At 10); · a casa de Lídia (At 16.13-15); · a família do carcereiro de Filipos (At 16.25-34); · a casa de Prisca e Áqüila (Rm 16.3-5); · a casa de Aristóbulo (Rm 16.10); · a casa de Narciso (Rm 16110. Os descrentes têm dois problemas: o de informação (não conhecem a um cristão de verdade), e o de reputação (conhecem um "cristão" que não tem a mente de Cristo).

IMPEDIMENTOS Liderança que não encarna ideais e falta de mobilização do povo de Deus. Falar de liderança é falar de pastores, presbíteros, diáconos, ministros na várias áreas, professores, conselheiros, relatores, etc. Através da história, Deus tem chamado homens e mulheres para abençoar Seu povo. No século 21 muita coisa tem mudado: igrejas querem dinheiro, não poder do 40

Espírito; santuários cheios de pessoas, mas não de poder; animação, mas não renovação. A liderança há de ter visão. A LIDERANÇA E A PALAVRA DE DEUS

A liderança cristã não pode prescindir de utilizar a Bíblia Sagrada como fonte de reflexão, de meditação, de discipulado e caminho de vida. O desenvolvimento do Salmo 119 bem o demonstra. Afinal, a Bíblia se evidencia Palavra de Deus nas profecias e cumprimentos, em mostrar o ser humano em sua realidade e pelos seus efeitos na vida do homem que é transformado em discípulo de Jesus Cristo. Por essa razão, há o líder de nela meditar (Sl 1.1,2), de nela viver (v.3) e conhecêla para crescer em graça (v.3). OMO A PALAVRA DE DEUS TEM SIDO DESAFIADA A proposta de um evangelho para o Terceiro Milênio. Exemplo típico deste desafio à Escritura Sagrada e o seu ensinamento é o feito por Huáscar Terra do Valle em seu Tratado de Teologia Profana. No capítulo em que trata de "Além do Bem e do Mal", Valle explica que a moral do judaísmo se resume na expressão "Olho por olho, dente por dente", buscando provar com tal exposição que o Deus dos hebreus, é mau e vingativo. Javé é colocado no mesmo nível de Marduque dos babilônios, de Baal dos fenícios e outros deuses semitas. Civilizado é, no seu entender, o Zoroastrismo que prega a eterna luta entre o bem e o mal (Ormuz e Arimã) e a presença de Mitra, encarregado de ajudar o ser humano a lutar pelo bem. Chega esse pensador à conclusão que a figura de Deus vem do fundo do inconsciente, referindo-se ao comando instintivo dos genes. Há uma tremenda carga emocional que inspira profundo respeito e é codificada para o entendimento do consciente como Deus onipotente, criador, etc. Expressão dessa carga emocional é o misticismo. Religião, diz ele, é uma adoração da própria raça, que são os genes, ou na figura de Deus ou na imagem dos ancestrais. Pecado é a desobediência aos mandamentos dos genes, sendo, a rigor, um conceito tribal. A proposta de uma nova moral. Tratando-se de uma nova moral para o Terceiro Milênio, não se pode negar a sobrevivência do mais apto, ou seja, daquele que soubesse compatibilizar os interesses do indivíduo com os da sociedade. As religiões nada fizeram para melhorar os padrões de moralidade da sociedade como um todo, visto que vivem confinadas em suas próprias doutrinas, e consideram os elementos de outras 41

religiões como gentios ou pagãos. A nova moral, como a nova religião, tem que ser universal excluindo apenas um grupo, os fanáticos. A idéia de Deus não é indispensável para um comportamento moral. A proposta é a de um código de ética baseado na ciência, pois a Astronomia mostra a insignificância do ser humano no universo; a Biologia, a Genética, a Teoria da Evolução e a Sociobiologia de mostram que o ser humano não foi criado à semelhança de Deus, e sim do macaco e de outros animais. Valle declara não acreditar em outra vida, por isso o céu deve ser procurado nesta, evitando, também que a vida se transforme em um inferno. O destino do ser humano é entregar aos descendentes os genes que recebeu dos antepassados, o que o transforma em uma máquina de sobrevivência apenas. Igreja É a prostituição da religião. A verdadeira religião consiste em agir desinteressadamente, visando ao bem da coletividade, e não, entre outras coisas, citar a Bíblia, fazer sermões de duvidosa sinceridade, ou pagar o imposto do céu (o dízimo). Por isso, prescinde de Deus. O sentimento religioso pode ser transmitido de várias maneiras, sobressaindo-se a música, que é emoção pura. O arrebatamento religioso poderá vir por meio dela. É PRECISO... Resgatar o senso da soberania e majestade de Deus. Ou seja, um conceito adequado de Deus e da sua doutrina. Porque homens e mulheres levaram Deus a sério, foram escolhidos para altas missões (Gn 6.9; 7.1; 12.1-3; Is 6.1ss); tiveram visões (2Rs 6.17; Ez 1); foram mães de grandes homens (1Sm 1.1ss; Jz 13.2,3; Lc 1.1ss). Deus não é algo, uma força ou uma influência. Mas, ensina a Escritura e a nossa própria experiência, uma Pessoa com quem podemos manter comunhão. O Nome e o toque de Deus. O Deus à minha imagem e semelhança: o Deus Papai Noel, o Deus da Arte, o Deus-que-me-obedece, o Deus utilitário. Quem é Deus? É o Deus único (Is 45.22; Dt 6.4); é o Deus que está presente (Ez 48.35); é o Deus Vivo, Santo e Verdadeiro. Resgatar o senso da messianidade e da obra de Jesus Cristo. A doutrina de Cristo, no Cristianismo, dá significado a todas as outras (Revelação, o Ser Humano, Igreja, Escatologia, etc.) Uma pergunta tão antiga quanto o evangelho é "Quem dizem os homens que eu sou?" (Lc 9.18,19). * "O Homem Perfeito" * "O Homem Ideal", modelo dos outros * "A mais bela alma que jamais existiu" (Auguste Sabatier, filósofo francês) * "Curvo-me diante de Jesus Cristo como diante da revelação divina do princípio supremo da moralidade" (Goethe) 42

O propósito da Bíblia Sagrada e dos seus registros: para que homens e mulheres venham a crer (Jo 20. Kent S. Ele criou o mundo das almas puras.82 p. O que se deve entender por missões cristãs? Quais são a natureza e os objetivos da missão da igreja? Evidentemente essas perguntas podem receber uma grande variedade de respostas a partir de diferentes pressupostos e compromissos teológicos. Cristo ("Ungido"). SP. John. o Filho do Deus Vivo" (Mt 16. Parte XIV A MISSÃO DA IGREJA Na confrontação com a opressão espiritual Uma das questões mais cruciais da missiologia é a definição do próprio conceito de missão. 1973. Uma antiga abordagem foi o debate em torno de 43 . LAMEGO. o valor de cada alma humana e ninguém pode desfazer o que ele fez" (Harnack). e RAHM.3). CHRISTIAN. Edinburgh. Glasgow. Shaping your Faith." (Ernest Renan) * "(foi Jesus quem) pôs à luz. etc.M. Verbo ou Palavra. Stephen. 1976. 349 p. Christianity Close to life. 1998. Sola Fide. Pedro faz a confissão de fé evangélica ao dizer "o Cristo. Haroldo. Um modo de reconhecer os atributos de Jesus Cristo é examinar os seus títulos no Novo Testamento: Jesus ("Salvação do Senhor"). A Palavra de Deus é viva e eficaz (Hb 4. Convention Press.16). Maria J. Trad. Lavonn D. NEILL. Tratado de Teologia Profana. 1974. 57 p. El Estandarte de la Verdad. Augsburg. Waco. Collins.. KNUTSON. 1966.W. Resgatar o valor da Escritura Sagrada como norma de vida Os estandartes da Reforma: Sola Gratia. Sola Scriptura. Alfa Ômega. BROWN. Aceptado por Dios.2. 1980. Loyola. Truths that Make a Difference.12). Minneapolis. e penetrante e apta. 1978. A Caruso SNOWDEN.. Eu Sou Quem Sou. SP. a mais destacada e a mais virtuosa. Huáscar Terra do.31) e os crentes cresçam (1Pe 2. 128 p. Confederação Evangélica do Brasil. Quem é Jesus Cristo? Rio. C.* "Um grande mestre" * "(Jesus com) seu perfeito idealismo. Livros sugeridos BLANCHARD. Blauch. Trad. pela primeira vez. 1961. His Only Son Our Lord. é a mais alta regra da vida. L.R. Nashville. VALLE. Word. Rita. Senhor. J.

tem estado em diálogo constante com representantes de grupos e movimentos importantes do cristianismo latinoamericano e mundial. Ao longo dos anos. um dos mais destacados missiólogos evangélicos contemporâneos da América Latina.”1 Hoje é mais comum falar-se em evangelismo e responsabilidade social. Durante a conferência. justiça e paz. Speer (1867-1947). Diferentes autores do século XX têm procurado expressar a missão da igreja em termos de desenvolvimento. finalmente. uma vez que somente foram convidadas para a conferência as sociedades missionárias que atuavam entre povos não-cristãos. Escobar tem defendido um conceito de missão que é ao mesmo tempo bíblico. o secretário executivo da Junta de Missões Estrangeiras da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos. presença cristã. A seguir. sendo admitidas apenas as missões que trabalhavam entre as tribos pagãs desse continente. social e política da América Latina. políticas. realizada em Edimburgo em 1910. 44 . Como pode a igreja ser o que deve ser e fazer o que deve fazer se não tiver uma clara compreensão acerca do seu propósito na sociedade e no mundo? O objetivo deste estudo é abordar o tema a partir da perspectiva de Samuel Escobar.2 Todavia. iremos fornecer algumas informações biográficas sobre Samuel Escobar. escritor e orador extremamente articulado e criativo. por vários anos ele tem sido professor em instituições teológicas norte-americanas.evangelização e “civilização. fazer um apanhado dos principais movimentos de que tem participado e apresentar alguns dos principais temas e ênfases da sua reflexão missiológica. o que o coloca numa posição privilegiada para falar a uma audiência mais ampla e levar ao primeiro mundo uma valiosa perspectiva do terceiro mundo acerca de missões. Nossa análise começa com um retrospecto histórico da discussão missiológica protestante na América Latina. diálogo interreligioso. Criticando os modelos missionários reducionistas ou dicotômicos. I. a missão da igreja na sociedade. evangélico. Robert E. contextual e sensível às complexas realidades espirituais. Concluiremos o estudo acrescentando algumas de nossas próprias convicções a respeito do tema em questão.3 Isso excluiu a América Latina do âmbito daquele encontro. ele propõe um programa que implica em levar o evangelho integral ao ser humano integral. na amplitude de suas necessidades e relacionamentos. esse estímulo ocorreu às avessas. Certamente este é um assunto controvertido. mas também sumamente importante para a igreja e para os cristãos individuais. Ele tem um profundo conhecimento da situação religiosa. sociais e econômicas da América Latina. é um teólogo. diaconia e outros conceitos. tem sido um líder respeitado em círculos missiológicos e teológicos. ou seja. tendo trabalhado em vários países como pastor e missionário. A escolha de Escobar justifica-se por várias razões. ANTECEDENTES A reflexão sistemática e abrangente sobre o trabalho missionário protestante na América Latina foi desencadeada pela célebre Conferência Missionária Mundial.

a CCLA patrocinou o Congresso de Ação Cristã na América Latina. O primeiro. em 1929 reuniu-se em Havana o Congresso Evangélico Hispano-Americano. Uma segunda série de encontros do protestantismo latino-americano foi representada por três Conferências Evangélicas continentais: CELA I (Buenos Aires. literatura e formação teológica. uma conferência sobre missões na América Latina. em 1925.6 Mesmo assim. Por sua vez. a unificação da educação teológica através de seminários unidos.convidou vários delegados interessados na América Latina a se reunirem informalmente para discutir como essa lacuna poderia ser suprida. missões. Por outro lado. Uruguai. Desta feita. embora a participação de latino-americanos tenha sido maior (o pastor presbiteriano brasileiro Erasmo Braga foi eleito presidente do congresso). reunido no Panamá em fevereiro de 1916. os norte-americanos ficaram a cargo da organização e presidiram todas as comissões. o congresso foi inteiramente organizado e conduzido por latinoamericanos e as ênfases recaíram sobre a nacionalização e o auto-sustento das igrejas evangélicas. sob os auspícios da Conferência de Missões Estrangeiras da América do Norte.5 Na realidade. Mais especificamente. antes que um encontro de líderes protestantes latino-americanos. nos anos seguintes realizaram-se dois congressos missionários regionais. suas metas principais foram a evangelização das classes cultas. denominado Congresso de Ação Cristã na América do Sul. Aqui.7 Essas conferências estavam ligadas às denominações históricas. 1969). Finalmente. apenas 21 eram latino-americanos natos. o Congresso do Panamá revelou duas ênfases que se tornariam problemáticas para os evangélicos latino-americanos: uma atitude simpática para com a Igreja Católica e uma forte influência do “evangelho social.” Como resultado do encontro do Panamá. O protestantismo ecumênico das CELAs recebia a influência do protestantismo histórico declinante do hemisfério norte. 1949).4 Essa conferência criou a Comissão de Cooperação na América Latina (CCLA). o desejo de dar uma dimensão social ao trabalho missionário na América Latina e o esforço em promover a unidade protestante. o maior encontro das forças protestantes desse continente realizado até aquela data. O Congresso mostrou a necessidade de maior cooperação em áreas como educação religiosa. presidido pelo metodista mexicano Gonzalo Baez-Camargo. o Congresso do Panamá foi uma reunião de representantes de juntas missionárias estrangeiras. reuniu-se em Montevidéu. 1961) e CELA III (Buenos Aires. Dos 230 delegados oficiais. CELA II (Lima. realizou-se em Nova York. Como resultado desses entendimentos. tendo como presidente o próprio Robert Speer e como secretário executivo Samuel Guy Inman. que rapidamente tornavam-se minoritárias no contexto geral do protestantismo da América Latina. em março de 1913. buscava aproximar-se do catolicismo 45 . o evento produziu a primeira discussão séria do protestantismo latino-americano e estimulou a criação de órgãos cooperativos regionais em vários países.

Alguns organismos importantes são ou foram os seguintes: Movimento Estudantil Cristão (MEC). 1979) e CLADE III (Quito. tornava-se urgente que.11 Foi no CLADE I que se articulou a criação da Fraternidade Teológica Latino46 . somos e queremos ser evangélicos. Agência de Serviços Ecumênicos Latino-Americanos (ASEL). Colômbia. Coordenadoria de Projetos Ecumênicos (COPEC) e Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI). buscássemos uma teologia da encarnação que estabelecesse as pautas para um diálogo com a situação de sofrimento e opressão que se vivia em toda a América Latina. reunida em Medellín. tendo como órgão o periódico Cristianismo e Sociedade. Ecumênicas (ULAJE).8 Anos antes. Para Valdir Steuernagel. como evangélicos. E. Peru. sendo evangélicos. 1992). em 1968. em 1962. realizado em Santiago do Chile. o protestantismo ecumênico latino-americano criou várias estruturas paraeclesiásticas com o fim de promover os seus objetivos. CLADE II (Lima. no ano anterior. esse congresso teve duas marcas distintivas: Manifestou com clareza que. 1969).posterior ao Concílio Vaticano II (1962-1965) e procurava responder à difícil situação social do continente com uma teologia radical. que eventualmente identificou-se com a célebre “teologia da libertação. em contraste com a vitalidade das igrejas vinculadas a missões independentes ou ao movimento pentecostal. Comissão Evangélica Latino-Americana de Educação Cristã (CELADEC). somos e queremos ser latino-americanos. O CLADE I permitiu que líderes preocupados em relacionar a fé evangélica com a realidade latino-americana compartilhassem as suas inquietações. Ela tornou-se o centro de convergência dos teólogos protestantes da libertação. 1966). que constituem a terceira das séries mencionadas acima: CLADE I (Bogotá.” A teologia da libertação adquiriu notoriedade no âmbito católico romano com a segunda assembléia da Conferência Episcopal Latino-Americana (CELAM).9 Uma característica desse protestantismo ecumênico era o crescente declínio do seu ímpeto evangelizador. após uma consulta realizada em Huampaní. na América Latina. os protestantes haviam criado a organização Igreja e Sociedade na América Latina (ISAL). União Latino-Americana de Juventudes Evangélicas – depois. O CLADE IV deverá realizar-se em setembro do ano 2000 no Equador. Do seio desse protestantismo majoritário surgiu o impulso para os Congressos LatinoAmericanos de Evangelização. convocado pela revista evangélica Christianity Today. as duas correntes teológicas puseram-se em contato no I Congresso Latino-Americano de Cristãos pelo Socialismo.10 O primeiro CLADE foi organizado pela Associação Evangelística Billy Graham. que mantinham o seu vigor evangelístico apesar das debilidades da sua teologia. Ao lado das Conferências Evangélicas continentais (CELAs) e do ISAL. Em 1972. sob o impulso do Congresso Mundial de Evangelização (Berlim. Naquela ocasião e naquele contexto.

a FTL procurou ser uma plataforma de encontro e diálogo teológico da qual participassem pastores.Americana.D.) na Universidade Complutense de Madri e eventualmente trabalhou como secretário da Fraternidade Cristã Universitária (Inter-Varsity Christian Fellowship) do Canadá.14 II. mas ao mesmo tempo preocupou-se em abordar a questão de uma perspectiva que entendia ser mais bíblica e equilibrada. o Peru. em Filadélfia. missionários e pensadores evangélicos. em Lima. após o que dedicou-se ao ensino nos níveis primário. Ele trabalhou como missionário entre estudantes universitários na Argentina e no Brasil15 e foi diretor da Comunidade Evangélica Kairós. Nas décadas de 1960 e 1970.12 Por sua vez. dentro do marco evangélico de uma lealdade comum à autoridade bíblica e à fé evangélica como base da reflexão e de um compromisso ativo com o cumprimento da missão cristã. Alguns anos depois. em Buenos Aires. 47 . há muitos anos ele é membro da Comissão Teológica da Fraternidade Evangélica Mundial (World Evangelical Fellowship). Bolívia. inclusive o que irá realizar-se no ano 2000. Em 1959 Escobar tornou-se o secretário itinerante da Fraternidade Internacional de Estudantes Evangélicos (International Fellowship of Evangelical Students) — representada no Brasil pela Aliança Bíblica Universitária —. secundário e superior. ele recebeu o seu grau de mestre em artes e educação na Universidade de São Marcos. Escobar assim expressou os objetivos da Fraternidade: Desde o primeiro momento. Além disso. Em 1956. Samuel Escobar é presidente das Sociedades Bíblicas Unidas e professor titular de missiologia no Seminário Teológico Batista do Leste.16 Escobar foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Fraternidade Teológica Latino-Americana (1970-1984) e de 1979 a 1985 ocupou o cargo de secretário geral da Fraternidade Internacional de Estudantes Evangélicos. visitando praticamente todos os países da América Latina.13 A Fraternidade procurou estar tão consciente da problemática social latino-americana quanto o grupo ISAL. tendo participado de muitas de suas consultas ao redor do mundo. ele fez o curso de doutorado em filosofia (Ph. ele e outros teólogos latino-americanos tornaram-se bem conhecidos em círculos evangélicos e ecumênicos internacionais através de sua participação em importantes conferências.17 Atualmente. com sede em Toronto. DADOS BIOGRÁFICOS E ESCRITOS Samuel Escobar nasceu no Peru e freqüentou uma escola missionária inglesa em Arequipa. Entre os seus participantes mais destacados e influentes está o líder que é o enfoque principal deste artigo — Samuel Escobar. tendo Pedro Savage como seu primeiro secretário e Samuel Escobar como seu primeiro presidente. Ela é também mais representativa do protestantismo popular da América Latina que a sua congênere ecumênica.18 Ele também leciona sobre missões em seu país natal. organizada no ano seguinte em Cochabamba. a Fraternidade Teológica Latino-Americana convocou os CLADEs posteriores. Estados Unidos.

entre outros. Estratégia e Teologia de Missões. Evangelio y Realidad Social (1988). Christian Mission and Social Justice (1978.” em The Good News of the Kingdom (1993). “The Role of Translation in Developing Indigenous Theologies: A Latin American View. com C. 1992). Justice and Fulfillment. Escobar também escreveu diversos ensaios que foram publicados como capítulos de livros.” em Bible Translation and the Spread of the Church (1990). “The Social Impact of the Gospel. 1990). Quien es Cristo Hoy? (1970. publicado em 1998 pela Editora Ultimato. “Recruitment of Students for Mission” (Missiology.”19 em The Role of NGOs: Charity and Empowerment (1997). entre outros. “Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological Christology” (Missiology. Uma vez mais. 1970). “La Presencia Protestante en America Latina: Conflicto de Interpretaciones. 1991). “Missions and Renewal in Latin American Catholicism” (Missiology. Missiology e International Review of Mission. “The Search for a Missiological Christology in Latin America. “500 Years after Columbus: Requiem 48 . 1982). 1992). “The Church in Latin America after Five Hundred Years” e “Conflict of Interpretations of Popular Protestantism. “Transformation in Ayacucho: From Violence to Peace and Hope” (Transformation. La Fe Evangelica y las Teologías de la Liberación (1987). os próprios títulos de alguns artigos representativos dão uma clara idéia dos principais temas com os quais Escobar tem trabalhado ao longo dos anos: “The Social Responsibility of the Church in Latin America” (EMQ.” em Is Revolution Change? (1972). 1986).Samuel Escobar é autor de vários livros sobre teologia e missiologia: Diálogo entre Cristo y Marx (1967). “Latin America. “From Lausanne 1974 to Manilla 1989: The Pilgrimage of Urban Mission” (Urban Mission. Irrupción Juvenil (1978). Finalmente. com John Driver). 1987). Evangelical Review of Theology. “A Pauline Paradigm of Mission: A Latin American Reading.” em Christ the Liberator (1971).” em Let the Earth Hear His Voice (1974).” em Missiological Education for the Twenty-First Century (1996). “Evangelism and Man´s Search for Freedom. “Has McGavran´s Missiology Been Devoured by a Lion?” (Missiology. “Religion and Social Change at the Grass Roots in Latin America. Um dos seus livros mais recentes é Desafios da Igreja na América Latina: História.” em Emerging Voices in Global Christian Theology (1994). René Padilla).” em Toward the Twenty-First Century in Christian Mission (1993). “Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America” (IBMR. 1987). 1989). Paulo Freire: Una Pedagogia Latinoamericana (1993). Liberation Themes in Reformational Perspective (1989). “A Movement Divided: Three Approaches to World Evangelization Stand in Tension with One Another” (Transformation.” em Historia y Misión: Revisión de Perspectivas (1994). Alguns títulos representativos podem dar-nos uma idéia de seus temas prediletos: “Social Concern and World Evangelism. International Bulletin of Missionary Research. Transformation. 1991). “The Elements of Style in Crafting New International Mission Leaders” (EMQ. seus numerosos artigos têm aparecido em renomados periódicos como Evangelical Missions Quarterly.” em New Face of the Church in Latin America: Between Tradition and Change (1994). Decadencia da la Religión (1972). “The Training of Missiologists for a Latin American Context. “Mission in Latin America: An Evangelical Pespective” (Missiology.

Bassham descreve o desenvolvimento das teologias de missão ecumênica. leigos e líderes cristãos — a compartilhar essa visão. 1994). Ele observa que. “The Legacy of John Alexander Mackay” (IBMR. 1992). Escobar e alguns colegas sentiram que não era suficiente pregar um evangelho puramente espiritual. em particular depois de 1966. evangélica conservadora e católica. 1998). golpes militares. e os ensinos e o ministério de Jesus em particular. Em seu livro Mission Theology. Para ele. Tendo vivido em um período de grande turbulência na história latino-americana. REFLEXÃO TEOLÓGICA E ENVOLVIMENTOS Samuel Escobar identifica-se como um evangélico. Para ele. ajudam a entender as preocupações reveladas pelos títulos dos seus escritos. por um lado. a mensagem bíblica em geral. tanto católica quanto protestante.21 Isto significa. que ele não tem nenhuma conexão particular com as correntes da teologia da libertação que foram e ainda são uma expressão importante da teologia latinoamericana. 1993). mostram o interesse de Deus por todas as necessidades humanas. III. sendo bastante crítico da sua teologia/ideologia. ele sempre interessou-se pela missão da igreja. Escobar tem um profundo interesse em missões. o ano em que eles patrocinaram duas grandes conferências mundiais sobre missões e 49 . 1994). líder de movimentos estudantis. como indivíduos e como membros da sociedade. pastores. Sua identidade latino-americana também é essencial para a reflexão e os envolvimentos teológicos de Escobar. “The Whole Gospel for the Whole World from Latin America” (Transformation. Escobar considera sua tarefa articular essa missiologia holística e inspirar outras pessoas — estudantes. O evangelho tem implicações sociais e políticas revolucionárias que não podem ser omitidas. Como pastor. “A Missiological Approach to Latin American Protestantism” (IRM. em meados da década de 60. “Beyond Liberation Theology: A Review Article” (Themelios. o evangelho tem relevância para a totalidade da vida. Por outro lado.20 As influências recebidas por Escobar. 1992). especialmente em um contexto de pobreza e sofrimento. os evangélicos começaram a constituir uma comunidade verdadeiramente global com uma visão abrangente de missões. especialmente através dos movimentos de que participou a partir da década de 1960. Rodger C. e a igreja deve partilhar desse interesse de Deus. Conseqüentemente. violência política. especialmente entre 1948 e 1975. ele está longe de partilhar das idéias e compromissos do fundamentalismo.or Te Deum?” (EMQ. marcado por injustiça e opressão generalizada. professor e teólogo. regimes ditatoriais e caos sócioeconômico. A igreja deve proclamar Jesus Cristo como Salvador e Senhor porque os seres humanos carecem tanto de reconciliação com Deus quanto de dignidade e integridade em sua vida neste mundo. “Missions´ New World Order: The Twenty-First Century Calls for us to Give up our Nineteenth-Century Models for Worldwide Ministry” (Christianity Today.

nos anos 60. Escobar estava entre os muitos líderes do terceiro mundo que falaram enfaticamente em prol das igrejas nativas. 1974). a luta em torno da relação entre evangelização e ação social. Samuel Escobar estando entre eles. Bassham identifica vários desdobramentos importantes: os primórdios de uma teologia evangélica de missão altamente representativa (a Declaração de Wheaton).”26 Uma das grandes influências nas deliberações do congresso veio através das contribuições de oradores do terceiro mundo. 1966) – a primeira grande reunião mundial de evangélicos no século XX – também estimulou congressos regionais de evangelização em vários continentes. o forte impacto do conceito de “crescimento da igreja” sobre a teologia evangélica de missões. Estados Unidos. diversidade de perspectivas e profundidade de análise jamais alcançado anteriormente em uma assembléia evangélica.25 No entanto. No Congresso Mundial de Evangelização (Berlim. a fim de permitir o surgimento de igrejas nativas alicerçadas na fé. à medida que os participantes se debatiam com as questões da teologia de missão no mundo contemporâneo. e o crescente número de vozes evangélicas provenientes de fora da América do Norte. positiva e consistente. Estes por sua vez contribuíram para o Congresso Internacional de Evangelização Mundial (Lausanne.22 Os congressos de Wheaton e Berlim marcaram um novo estágio na emergência de uma identidade evangélica. 1974). 50 . à medida que evangélicos de todo o mundo começaram a empreender juntos uma análise da situação enfrentada por aqueles que estavam envolvidos com missões e evangelismo em todos os continentes. O impacto de líderes como Samuel Escobar e C. Ele exortou os missionários a superar a mentalidade paternalista. Ele e outros oradores da América Latina desafiaram os evangélicos norte-americanos a reconhecer a necessidade de promover justiça social e reformas políticas como parte dos seus deveres como cristãos. e capazes de atuar eficazmente em seu contexto local. dotadas de uma liderança nacional bem-treinada. Bassham observa que “as apresentações e discussões de Lausanne mostraram um espírito de abertura.”23 Em todos esses acontecimentos importantes houve uma decidida participação de teólogos latino-americanos. 1966). Escobar falaria apaixonadamente sobre a necessidade de se estabelecer uma relação entre as preocupações sociais e a evangelização mundial.24 Na convenção de 1970. Escobar foi ouvido pela primeira vez por grandes audiências internacionais nas convenções da Fraternidade Cristã Universitária realizadas em Urbana. Para Bassham.evangelização. o principal forum internacional em que se ouviu a voz de Escobar foi o Congresso Internacional de Evangelização Mundial (Lausanne. que evocou manifestações de opinião de toda a comunidade evangélica. Nesse contexto. o Pacto de Lausanne demonstra que “os evangélicos desenvolveram uma teologia de missão amadurecida. O Congresso Mundial de Evangelização (Berlim. imperialista e colonialista.

do discipulado cristão e da renovação da igreja. demonstrando que o evangelismo bíblico é inseparável da responsabilidade social. cor. Orlando Costas e Samuel Escobar proferiram as declarações mais fortes no sentido de que a preocupação com as necessidades sociais da humanidade e o envolvimento com as mesmas é uma parte necessária do testemunho e da responsabilidade dos cristãos em favor do mundo. a singularidade de Cristo e a necessidade da evangelização. econômicos e políticos —. religião. Oradores latino-americanos como René Padilla.” o Pacto de Lausanne declara: Afirmamos que Deus é tanto o Criador como o Juiz de todos os homens. até mesmo ao ponto de se esforçarem pela mudança das estruturas sociais. toda pessoa. cultura. acentuando a autoridade da Bíblia. devemos rejeitar a falsa noção de que a preocupação com as implicações sociais do evangelho e as dimensões sociais do testemunho cristão resultam de uma falsa doutrina ou de uma ausência de convicção evangélica. foi de especial importância. tanto pela nossa negligência quanto por às vezes termos considerado a evangelização e a preocupação social como mutuamente exclusivas. não importa qual seja a sua raça. classe. nem a ação social seja evangelismo.28 No âmbito continental. Também aqui manifestamos o nosso arrependimento. De uma vez por todas. ela também produziu algumas mudanças bemdefinidas na teologia evangélica de missões. Portanto. devemos partilhar da sua preocupação com a justiça e a reconciliação em toda a sociedade humana e com a libertação dos homens de todo tipo de opressão. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus. Embora a reconciliação com o ser humano não seja o mesmo que a reconciliação com Deus.27 Muitas vezes durante o congresso os participantes afirmaram ter um interesse profundo e permanente pela ação social em favor dos pobres e necessitados. sexo ou idade. Lausanne abordou o tema abrangente da evangelização mundial. referindo-se com isso ao ministério e à missão total da igreja.. Enquanto que a orientação teológica de Lausanne permaneceu firmemente evangélica. todavia afirmamos que tanto a evangelização como o envolvimento socio-político são parte do nosso dever cristão. nem a libertação política seja salvação. Samuel Escobar teve uma importante participação no 51 . Bassham cita as seguintes afirmações de Escobar: Uma espiritualidade sem discipulado nos aspectos diários da vida — sociais. é o interesse pela integridade do Evangelho que nos motiva a acentuarmos a sua dimensão social. tem uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida.. e não explorada. através do grupo de Discipulado Radical.René Padilla. é religiosidade e não cristianismo. O Pacto de Lausanne foi muito além das declarações evangélicas tradicionais. Em seu capítulo sobre a “Responsabilidade Social Cristã. Ao contrário.

em Medellín.31 Essa ênfase achou lugar na Declaração Evangélica de Bogotá. Apesar das diferenças existentes entre os dois movimentos. essa terceira busca tem assumido várias formas. Costa vê nos documentos de ambos os eventos a emergência de novas tendências missiológicas caracterizadas por um tríplice interesse: a busca de um entendimento histórico de missões.” Os participantes afirmaram que “o exemplo de Cristo devia ser encarnado na crítica situação latino-americana de subdesenvolvimento. evangélicos.Primeiro Congresso Latino-Americano de Evangelização (CLADE I. em Buenos Aires. Escobar menciona duas outras 52 .. Em sua opinião. de uma expressão mais autêntica de unidade cristã no empreendimento missionário e de uma reflexão missiológica mais séria e profunda. Orlando Costas comenta que 1969 foi para os protestantes o que 1968 havia sido para os católicos (II Conferência Episcopal Latino-Americana. Naquele ano.”34 Ele argumenta que os evangélicos latino-americanos escolheram o Pacto de Lausanne como uma expressão do seu consenso doutrinário básico e do seu claro compromisso com um modelo de missão integral e bíblico. é levar às suas últimas conseqüências os ensinos a respeito de Deus.35 Em um capítulo sobre a América Latina que escreveu para o livro Toward the Twenty-First Century in Christian Mission (1993). pelo contrário. que formam a base desse Evangelho. 1969). injustiça.30 Escobar afirmou a certa altura: Existe base suficiente na história da Igreja e nos ensinamentos da Palavra de Deus para afirmar categoricamente que a preocupação pelo aspecto social do testemunho evangélico no mundo não é um abandono das verdades fundamentais do Evangelho. os protestantes latino-americanos realizaram ainda outra grande conferência – a Conferência Evangélica LatinoAmericana (CELA III). Sustentamos que uma evangelização que não toma conhecimento dos problemas sociais e que não anuncia a salvação e a soberania de Cristo dentro do contexto no qual vivem os que ouvem. violência e desespero. além do CLADE I. levarmos a sério a nossa responsabilidade social.”32 se os cristãos quisessem testemunhar fielmente em seu contexto sócio-cultural. uma das quais é o modelo ético-missiológico — missão da perspectiva de questões éticas — articulado por. é uma evangelização defeituosa..29 Dentre os 28 discursos principais. a sua apresentação sobre a responsabilidade social da igreja recebeu a atenção mais entusiástica. Bogotá. René Padilla. do homem e do mundo. que envia o evangelista. Samuel Escobar e C. fome. planejado em resposta a pedidos de delegados latino-americanos presentes no Congresso de Berlim. que trai o ensino bíblico e não segue o modelo proposto por Cristo. Ele argumentou eloqüentemente que tanto a evangelização quanto a ação social são necessárias para o testemunho cristão. que afirmou: “É chegada a hora de nós. três anos antes. entre outros.33 O próprio Escobar acha que o seu modelo pode ser melhor descrito como “holístico. Colômbia). de Jesus Cristo.

37 Por essa razão. e essa singularidade de Jesus Cristo é essencial para a mensagem da igreja. ele lamenta o fato de que o Congresso Missionário Ibero-Americano (COMIBAM. hoje o Senhor está nos chamando para cruzarmos as fronteiras da desigualdade. O que o movimento do Crescimento da Igreja necessita é o corretivo de uma sólida teologia bíblica. ambas realizadas no Brasil. Escobar acredita que o êxito do avanço protestante na América Latina deve ser interpretado fazendo-se perguntas sérias sobre o seu dinamismo transformador e a sua contribuição para a justiça nas relações sociais. a igreja nunca deve perder o seu senso de missão e do seu chamado para proclamar a Jesus Cristo como Salvador e Senhor. Uma delas foi o Primeiro Congresso Missionário Latino-Americano (Curitiba. Escobar argumenta que o grande dilema para o qual a missiologia deve estar alerta é diferente: A obra missionária será realizada segundo o modelo de Jesus e a prática apostólica. 1987) deixou de abordar conceitos básicos do entendimento de missões. Ele preocupa-se com a “missiologia gerencial” que dá ênfase à proclamação verbal e ao crescimento numérico de adesões à igreja como o principal componente das missões cristãs. pois operavam com uma noção bíblica holística do ser humano. que poderá nunca chegar. ou irá adotar as técnicas e padrões da sociologia funcionalista. Escobar afirma que. ele concorda integralmente com dois pontos do apelo de McGavran: primeiro.conferências missionárias latino-americanas. cujo pacto manteve a ênfase de Lausanne sobre a preocupação social como parte da missão da igreja: “Assim como no passado o chamado de Jesus Cristo e da sua missão foi um chamado para cruzar fronteiras geográficas. Segundo. somente em seu nome há salvação para a humanidade.39 Em resposta a um artigo de McGavran.38 Ele acha que a base desse questionamento tem sido o compromisso claro com a tarefa de missões e evangelização. Eles não procurariam estabelecer prioridades nesses termos. como evangélico. São Paulo. injustiça e idolatria ideológica. iniciado por Donald McGavran em 1960. Assim sendo. mas também o esforço consciente de executar essa tarefa segundo moldes bíblicos. testemunha-se o surgimento de uma nova teologia contextual que conclama à “integridade” da missão e procura associar o zelo evangelístico com a paixão holística. do marketing e das relações públicas?41 53 . porque Jesus Cristo é Senhor. inclusive a clamorosa realidade de pobreza que circundava o próprio local em que se reuniram os delegados. Reagindo contra o triunfalismo fácil das estatísticas e a tirania do controle de dados.”36 Todavia. Escobar é um crítico rigoroso do movimento do Crescimento da Igreja.40 O que Escobar questiona é se uma pessoa pode realmente evangelizar anunciando a Cristo como Salvador e então deixar a questão do senhorio de Cristo sobre toda a criação para uma segunda etapa.” que McGavran faz. 1976). Ele observa que os grandes missionários dos primeiros 1800 anos da igreja dificilmente fariam a distinção entre “espiritual” (evangelização) e “o resto.

à medida que a Igreja Católica Romana latino-americana buscou nova relevância social e política. mas a única maneira disponível de encontrar aceitação social. A missiologia evangélica deve avaliá-la. Com relação ao primeiro. no início das missões protestantes na América Latina.”47 Contra o Cristo “docético” do catolicismo latino-americano tradicional. ele aborda esse movimento na qualidade de “um observador-participante. alguém que tem procurado ser um crítico e intérprete amoroso – um crítico severo em alguns pontos – do lado de dentro. nas palavras de René Padilla. a Teologia da Libertação foi uma das conseqüências desse processo. Ele admite: “Nós não mais podemos aceitar uma missiologia que recusa-se a levar a sério as realidades políticas e sociais. essas igrejas estão oferecendo não somente um abrigo ou refúgio no sentido mais limitado. Se. o evangelho era a verdadeira força libertadora nas vidas dos latino-americanos. Ele observa como. Ele admite que a hermenêutica evangélica necessitar ser constantemente purificada de pressuposições ideológicas. um na área da consciência histórica e o outro na da hermenêutica. Escobar vê com apreciação o dinamismo e o crescimento do protestantismo popular (pentecostalismo) na América Latina. Como evangélico. Escobar diverge da escola do Crescimento da Igreja. e a religião oficial uma força opressora.45 A Teologia da Libertação confronta a missiologia evangélica com dois desafios."43 Ele observa que alguns pentecostais latino-americanos também escolheram o Pacto de Lausanne como expressão do seu compromisso com um modelo de missão holístico e bíblico. é um movimento popular. por outro lado ele não sente entusiasmo pela Teologia da Libertação. alcançar dignidade humana e sobreviver ao impacto das forças anômicas que atuam nas grandes cidades. ele admite que a missiologia evangélica está aprendendo a encarar a história missionária com uma atitude menos ingênua e mais madura. enfatize “o discipulado cristão como algo que implica em colocar a totalidade da vida debaixo do senhorio de Jesus Cristo.”42 Ele destaca várias lições missiológicas que podem ser extraídas do impressionante crescimento do pentecostalismo latinoamericano: é um movimento religioso (e não social ou político). mobiliza as pessoas para a missão e cria um senso de comunidade.44 Em décadas recentes. e apela a uma genuína cristologia missiológica que. por um lado.”46 Na área da hermenêutica. Escobar reafirma a ênfase evangélica na centralidade da Escritura e questiona a abordagem fortemente ideológica da interpretação bíblica demonstrada pelos teólogos da libertação.Compreensivelmente. Escobar declara que "para as massas em transição. embora Escobar considere inadequadas a análise marxista e a “escatologia” da Teologia da Libertação. Escobar e os seus colegas da Fraternidade Teológica Latino-Americana têm refletido sobre o Jesus dos 54 . Escobar entende que a Teologia da Libertação é uma voz eloqüente que procura reinterpretar a história cristã e a mensagem cristã.

”49 Ele argumenta que seria grandemente desejável para a globalização das missões e da teologia evangélica se as diferentes correntes missiológicas do evangelicalismo (européias.evangelhos. Escobar identifica essa reflexão missiológica que está vindo não só da América Latina. como uma missiologia crítica da periferia. tanto individual quanto social. suas formas contextualizadas de culto e ação missionária e o destaque 55 . Há uma séria reflexão acerca daquilo que os evangelhos dizem sobre a pessoa e a obra de Jesus de Nazaré. Escobar gostaria de ouvir as igrejas norte-americanas dizerem: “Vamos descobrir o que Deus está fazendo em outras partes do mundo.”48 Essa missiologia cristológica busca um novo modelo para inspirar e moldar a ação missionária. Nesse sentido. Escobar observa que a internacionalização das missões cristãs implica em reconhecer que Deus tem levantado igrejas grandes e florescentes no terceiro mundo. e vamos unirnos aos nossos irmãos e irmãs a fim de completarmos a tarefa inacabada. especialmente nas fronteiras de missão. Escobar aborda em cinco ensaios algumas de suas preocupações mais fundamentais. Nessas igrejas do hemisfério sul. Inicialmente. Há também uma preocupação quanto às marcas da missão de Jesus. Escobar cita novamente seu amigo René Padilla: “(O evangelicalismo) afirma o poder transformador de Cristo em relação ao indivíduo. Deus está despertando uma nova força missionária. experiência de vida.”51 Mais uma vez ele expressa o seu entusiasmo pelo protestantismo popular (pentecostalismo) devido a sua ênfase na mobilização dos leigos. O material bíblico é abordado a partir de várias perspectivas possuidoras de significado missiológico. Ele observa que tal missiologia “é caracterizada por uma forte ênfase hermenêutica que insiste na importância de ler o mundo e ler a Palavra. e como ele o está fazendo. mesmo que essa leitura signifique um exame incômodo e sério da herança evangélica. sobre como a sua obra e ensino são relevantes para todas as áreas da vida. terceiro mundo) pudessem convergir em um movimento mais articulado e cooperativo para enfrentar a tarefa missionária do terceiro milênio. Em um artigo sobre a preparação de líderes de missões. ele destaca a importância do treinamento de missionários e missiólogos para o contexto latino-americano. Além disso. ele argumenta que “nosso programa de treinamento na América Latina precisa ser elaborado com base em convicções bíblicas. com o entendimento de que ser seu discípulo é ser chamado por ele tanto para conhecê-lo quanto para participar da sua missão. mencionada no início deste trabalho. crescimento da igreja.”50 Em sua obra publicada recentemente em português. há uma busca do significado e da “integridade” do evangelho — Jesus Cristo é tanto o conteúdo quanto o modelo e o alvo da proclamação do evangelho. consciência histórica e preocupação pastoral. mas também da África e da Ásia. mas é totalmente incapaz de relacionar o Evangelho com a ética social e a vida social. as igrejas dos pobres. Essa reflexão inclui uma crítica do cristianismo evangélico na América Latina.

alguns pontos da sua missiologia merecem reparos. algumas de suas suas ênfases certamente contariam com o aval de João Calvino e de muitos dos seus seguidores. Não precisamos concordar com tudo o que Samuel Escobar tem escrito. muito embora as suas práticas nem sempre tenham correspondido às suas convicções. com sua ênfase na conversão de indivíduos ao evangelho. Ele encarece a necessidade de uma espiritualidade profunda aliada a uma preocupação igualmente intensa com as exigências éticas do evangelho. os reformados têm acentuado um conceito abrangente acerca da missão da igreja. o nosso continente testemunha o crescimento cada mais acentuado de uma classe média significativa que também deve ser alvo do interesse da igreja. que vai além da experiência religiosa pessoal para incluir a comunidade e o mundo. ao lado da sua anterior ênfase cristocêntrica. em anos recentes. seja em seus comentários.”52 Ao mesmo tempo que expressa sua admiração pelas igrejas populares.dado ao ministério do Espírito Santo e ao elemento de conflito espiritual relacionado com a missão da igreja. Para superar esses problemas ele novamente propõe o modelo de missão integral. elas enfrentam os riscos do excesso de individualismo. uma vez que está filiado à Igreja Menonita. e conclui com uma análise do modelo missionário de Paulo.53 Finalmente.54 Historicamente. vemos uma preocupação constante com as implicações sociais e comunitárias do Evangelho. fato que tem sido amplamente documentado por diversos pesquisadores. ele aponta que os evangélicos latino-americanos têm maior afinidade com os pietistas. Escobar tende a superestimar os valores positivos das igrejas 56 . a dar uma grande ênfase ao papel do Espírito Santo nas missões cristãs. espírito de competição. Ásia e América Latina). a partir da sua própria comunidade local. Escobar reconhece que. Na realidade. Sua biografia e envolvimentos revelam uma conexão preponderante com a tradição anabatista. Nos escritos do grande reformador. Ele entende que “os evangélicos latino-americanos necessitam de um impulso renovado do Espírito Santo e de uma leitura nova e contextual da Palavra de Deus. REFLEXÕES FINAIS Samuel Escobar não se identifica como um reformado ou calvinista. Após salientar o “fator novo” na história do cristianismo que é a transferência do dinamismo missionário para o hemisfério sul (África. como a sua ênfase quase que exclusiva sobre as massas empobrecidas da América Latina como objeto da ação missionária da igreja. Isso tem levado Escobar. sermões ou nas Institutas. Não obstante. Ainda que isso não deixe de ser importante. morávios e avivalistas dos séculos XVIII e XIX do que com os reformadores do século XVI. Escobar alerta os cristãos evangélicos para a necessidade de um constante processo de encarnação e contextualização que rejeita toda e qualquer forma de paternalismo e discriminação. Ao lado disso. falta de uma eclesiologia clara e atitudes sectárias. cartas. com sua notável interação entre reflexão e ação missionária.

poucos afeitos à pregação do evangelho. no início deste século. especialmente como reveladas no seu Filho. pois que a igreja cristã em geral e as igrejas evangélicas de modo particular têm uma longa e honrosa tradição de “missão integral” ao mundo. Infelizmente. da abolição da escravatura. dando pouca atenção a alguns sérios problemas apresentados pelas mesmas. como é caso de alguns recentes movimentos neopentecostais. Num período conturbado da história recente da América Latina. Basta lembrarmos o intenso esforço de missões e de reforma social gerado pelos grandes despertamentos dos séculos XVIII e XIX. Ao mesmo tempo que enviavam pregadores do evangelho para todos os quadrantes do mundo. ideológicas e sociais. Jesus Cristo. produziram a concepção dicotômica da missão da igreja que hoje observamos. tendo como alvo a conversão individual. Não obstante. optaram decididamente por atividades de cunho social. devemos levar a sério os desafios desses líderes. Os conservadores em grande parte aferraram-se à idéia de que a missão exclusiva da igreja é a evangelização. que falam com convicção. são o nosso grande paradigma de missão. evangélica e igualmente radical em suas implicações. 57 . quando. Tal ocorrência seria um retrocesso histórico lastimável. Como cristãos brasileiros preocupados tanto com a missão da igreja quanto com as difíceis realidades sócio-econômicas de nosso país. notadamente nas áreas doutrinária e ética. que busca a humanidade com amor e compaixão. que realmente correm o risco de tornar-se irrelevantes na sociedade caso não despertem para algumas dolorosas realidades que existem ao seu redor. do combate ao alcoolismo e de tantas outras causas nobres. muitos cristãos aderiram à agenda revolucionária da Teologia da Libertação. da reforma das prisões. Isso foi ilustrado de maneira extraordinária por Jesus. Eles demonstraram que as igrejas podem permanecer fiéis às suas convicções históricas e ao mesmo tempo adotar uma postura ousada e coerente em relação aos problemas sociais. a atitude e as ações de Deus em relação ao mundo. A Bíblia fala de um Deus que toma a iniciativa. Como Escobar destaca. as disputas teológicas tão bem exemplificadas pela controvérsia modernistafundamentalista nos Estados Unidos. manifestou o interesse de Deus por todos os tipos de pessoas e pela pessoa integral. Escobar e seus colegas têm algo importante a dizer às igrejas evangélicas históricas da América Latina e do Brasil. da luta contra o trabalho infantil. quando nosso continente foi sacudido por profundas convulsões políticas. em seu ministério terreno. ao passo que os liberais. Samuel Escobar e seus companheiros da Fraternidade Teológica LatinoAmericana fizeram um esforço sério no sentido de apresentar uma alternativa a essa teologia que fosse bíblica. coerência e clareza sobre a necessidade de um entendimento abrangente da tarefa da igreja no mundo. na Europa e nos Estados Unidos. as igrejas e cristãos individuais estavam na vanguarda de movimentos em prol da extinção do tráfico negreiro. como agente e instrumento de Deus. que quer dar vida e dignidade à sua criação.populares.

” publicado em Vox Scripturae 8/1 (Julho 1998): 95-111. Todavia. A Conferência de Edimburgo é considerada o berço do moderno movimento ecumênico. necessariamente fará com que a igreja enfrente as diferentes situações que afetam a vida humana neste mundo caído. Evidentemente. 1987). Jesus lutou e morreu na cruz. Seus líderes. 3ª ed. Hutchison. Ruth Rouse e Stephen C. Errand to the World: American Protestant Thought and Foreign Missions (Chicago: The University of Chicago Press. as famílias e as comunidades à reconciliação e nova vida em Jesus Cristo – certamente é básica e essencial. Tudo deve ser colocado debaixo do propósito e do senhorio de Deus. Latourette. Neill. o propósito total de Deus para a humanidade e para a comunidade redimida.O Cristo do Novo Testamento interessa-se por todas as necessidades humanas — espirituais. esses sublimes ideais nem sempre encontram plena expressão nas vidas diárias dos cristãos e das igrejas. a sua mensagem e ações desafiam todas as áreas da vida particular e coletiva. Por causa do seu forte senso de missão. ela também precisa expressar o interesse de Deus por toda a vida e espelhar a atitude daquele que disse: “Eu vinham para que tenham vida. Mott e Robert E.21s). eds. como Joseph H.. o importante livro de William R. vamos concentrar os nossos esforços no que é primordial – a evangelização – e as outras preocupações cuidarão de si mesmas. Desde uma perspectiva evangélica. Ela é uma instituição singular. a preocupação com prioridades. Ver Kenneth S.: O presente estudo é uma versão ampliada do artigo “Samuel Escobar e a Missão Integral da Igreja: Uma Perspectiva Latino-Americana. físicas e emocionais. “Ecumenical Bearings of the Missionary Movement and the International Missionary Council.” em A History of the Ecumenical Movement: 1517-1948. É para essas implicações mais amplas do evangelho e da missão da igreja que cristãos comprometidos e inquiridores como Samuel Escobar chamam a nossa atenção. eram provenientes do movimento cristão de estudantes. a esse respeito. a evangelização – convidar os indivíduos. e a tenham em abundância. Essa mensagem. com uma contribuição e uma mensagem singular. estatísticas e resultados rápidos não deve cegar a igreja para a integridade da missão.” A igreja não deve ser reduzida a uma organização social ou a um grupo de pressão política como tantos que existem na sociedade. Obs. praticidade ou. À medida que a igreja evangeliza. se vivida até as suas últimas conseqüências. muitas vezes. Inevitavelmente é levantada a questão das prioridades: uma vez que não podemos fazer tudo que Deus espera que façamos. 353-402 (Genebra: World 58 . John R. Ele instruiu os seus seguidores a continuarem a sua obra de proclamação do reino (Jo 20. Ver. Speer. O reino de Deus e seus novos valores devem ser manifestos em todos os tipos de relacionamentos humanos. Oldham.

59 . Ecumenical Foundations: A History of the International Missionary Council and its Nineteenth-Century Background (Nova York: Harper and Brothers. duas realizaram-se na cosmopolita e culta Buenos Aires. “Panamá 1916 y su Impacto sobre el Protestantismo Latinoamericano. entidade que promoveu o maior esforço cooperativo até hoje empreendido pelas igrejas evangélicas brasileiras e foi precursora da Confederação Evangélica do Brasil. até Manaus.” William R. Neste último aspecto. Sobre a sua relação com o Brasil. até chegar a São Paulo. 13. na selva peruana. Jon Sobrino. enquanto que todos os CLADEs ocorreram nos países andinos. o próprio Escobar afirma em uma obra recente: “Desde a minha primeira visita ao Brasil. Nelson.Council of Churches.” Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). metade das inscrições é reservada para participantes pentecostais. Outros membros bem conhecidos da Fraternidade Teológica são C. Outros nomes importantes no campo católico são Juan Luis Segundo. 20.” 22. onde. um velho Catalina da Panair. “Los ‘CLADEs’ y la Misión de la Iglesia. Erasmo eventualmente tornou-se o secretário da Comissão Brasileira de Cooperação. Núnez e o brasileiro Valdir Steuernagel. O historiador Sidney Rooy identifica uma seqüência de três séries ou ciclos de encontros do protestantismo latino-americano. 1986). Dali percorri o Norte e o Nordeste.” Samuel Escobar. os presbiterianos Eduardo Carlos Pereira. Os critérios de seleção procuram ser os mais abrangentes possíveis em termos de faixas etárias dos participantes. Um dos primeiros e mais importantes articuladores dessa teologia foi o sacerdote peruano Gustavo Gutiérrez.” Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). 35. ed. John Kessler e Wilton M. Hugo Assmann.” Pastoralia 1/2. sexo. Citado por Tito Paredes em “Visión Histórica de los ‘CLADEs’. Entre os evangélicos conservadores. Os próprios locais dessas conferências e congressos são reveladores. com seus enormes problemas sociais e suas dinâmicas igrejas populares. Álvaro Reis e Erasmo Braga. Tito Paredes. o órgão cooperativo correspondente ao CLAI é a Confraternidade de Evangélicos da América Latina (CONELA). José Porfirio Miranda. Cheguei de avião. apaixonei-me por esse imenso país. em 1953. como jovem delegado peruano a um congresso mundial da juventude batista. nos primeiros anos da Aliança Bíblica Universitária. de Iquitos. Emílio A. “Los ‘CLADEs’ y la Misión de la Iglesia. especial (Novembro 1978): 521. Ver Samuel Escobar. Em 1959 e 1960 percorri como evangelista e discipulador um bom número de centros universitários. no campo protestante destacaram-se José Miguez Bonino e Rubem Alves. autor de Uma Teologia da Libertação (1971). Entre os latino-americanos presentes no congresso estavam apenas três brasileiros. Das três CELAs. Henrique Dussel e Leonardo Boff. Daí o subtítulo utilizado: “Para considerar os problemas missionários relativos ao mundo não-cristão. René Padilla. identidade étnica e filiação eclesiástica. entre outros. trabalhei como missionário na frente estudantil. 1952). 131-32. Rolando Gutiérrez. Escobar. Hogg. entre 1962 e 1964. Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999).

historicamente. Por exemplo. “Um movimento dividido: três abordagens da evangelização mundial permanecem em tensão entre si”. o termo “evangélico” tem sido virtualmente sinônimo de “protestante. A revista Evangelical Review of Theology. nº 1 (abril 1983): 48-62. “500 anos após Colombo: Requiem ou Te Deum?”. “O evangelho inteiro para o mundo inteiro a partir da América Latina”. ele foi editor de Certeza. 1997). culturais e tecnológicos. David Bosch menciona pelo menos seis tipos básicos: (1) novos evangelicais (como Billy Graham). “Transformação em Ayacucho: da violência à paz e esperança”. “De Lausanne 1974 até Manilla 1989: a peregrinação da missão urbana”. Mackay”. uma revista para estudantes universitários. Por exemplo. “A Latin American Critique of Latin American Theology. Escobar participou de uma conferência sobre economia e missões promovida pelo Concílio de Ministérios Internacionais das igrejas menonitas norteamericanas. “A missiologia de McGavran foi devorada por um leão?”. “O legado de John A. publicado na Argentina. Segundo o Mennonite Brethren Herald. MG: Editora Ultimato.Desafios da Igreja na América Latina: História.” Como no Brasil. como ocorre nos Estados Unidos. um deles escrito por Escobar e três colegas latinoamericanos. Valdir Steuernagel e Rodrigo Zapata.” os estudiosos estão utilizado o anglicismo “evangelical” para designar especificamente os evangélicos conservadores. “Elementos de estilo na formação de novos líderes missionários internacionais”. em março de 1998. Seu papel principal é ajudar os estudantes a considerar as missões cristãs no contexto da justiça econômica. Para os leitores não familiarizados com o inglês. (2) evangelicais separatistas 60 . realizada em Seul. órgão oficial da referida Comissão Teológica. esta é a tradução dos títulos dos artigos de Escobar: “A responsabilidade social da igreja na América Latina”. e diretor de Pensamiento Cristiano. “O recrutamento de estudantes para missões”. “Missão na América Latina: uma perspectiva evangélica”. em distinção dos progressistas ou liberais. “Missões e renovação no catolicismo latino-americano”. na Coréia do Sul. Mais recentemente. “A nova ordem mundial das missões: o século XXI nos conclama a abandonarmos nossos modelos de ministério mundial procedentes do século XIX”. em 1982 Escobar participou da Consulta de Teólogos do Terceiro Mundo.” Escobar também leciona no curso de Administração do Eastern College. Ver Samuel Escobar. “Além da teologia da libertação: artigo-resenha” e “Uma abordagem missiológica do protestantismo latino-americano. publicou os trabalhos apresentados nessa consulta. 11. “Teologia evangélica na América Latina: o desenvolvimento de uma cristologia missiológica”. Escobar também foi responsável por vários periódicos.” Evangelical Review of Theology 7. que tentam unificar todos os evangelicais. um órgão de exposição do pensamento evangélico. “o missiologista Samuel Escobar disse que um conceito holístico de missão conclama os cristãos a compartilhar tanto a vida espiritual quanto recursos materiais e a utilizar instrumentos espirituais. Estratégia e Teologia de Missões (Viçosa. “Além da teologia da libertação: missiologia evangélica na América Latina”. Também publicado em Annals of the American Academy of Political & Social Science 554 (Nov 1997). Por força de suas ocupações. Pedro Arana. em nível de pós-gradução.

Um bom exemplo das idéias de Escobar acerca da evangelização pode ser encontrado no seu artigo “Vivir y Evangelizar. o surgimento de uma “teologia nacional” entre os evangélicos latino-americanos. Orlando Costas. os delegados colocaram-se de pé e demonstraram a sua aprovação aplaudindo-o entusiasticamente. “Missiology in Contemporary Latin America: A Survey. Quando Escobar concluiu sua palestra. Bassham. Samuel Escobar. Ibid. 244.. and Roman Catholic (Pasadena. Tópicos do Momento 3 (São Paulo: Vida Nova. denota o que diz respeito a totalidades ou sistemas completos. Ibid.homenet.com. “Has McGavran´s Missiology been Devoured by a Lion?” Missiology 17 (Julho 1989).html. “Latin America. 133. Evangelical. Califórnia: William Carey Library. 1975). ed. www. 350. O COMIBAM deu uma forte ênfase à segunda vinda de Cristo.. Mission Theology: 1948-1975 – Years of Worldwide Creative Tension – Ecumenical. Ibid. em contraste com a análise. 237. Bassham. Bassham. 131. Ibid. Mission Theology. René Padilla e Orlando Costas). Romen (Farmington. 291. “Holístico. (5) evangelicais radicais (como Samuel Escobar. que recebeu 920 delegados de 25 países. James M. Phillips e Robert T. Ibid. 1970). Rodger C. 187. A palestra foi publicada na íntegra por Edições Vida Nova. 231. (4) evangelicais pentecostais e carismáticos. Samuel Escobar. Ver Samuel Escobar. Mission Theology. “Mission in Latin America. Ibid. Escobar. 225. Samuel Escobar. Escobar atribui ao CLADE I.” 241. 7-8.. “Anômicas” deriva de “anomia. The Lausanne Covenant: An Exposition and Commentary (Minneapolis: World Wide. John Stott. Conn e Samuel F. procura tratar tanto a mente como o corpo. 349-350. ed. Festo Kivengere e Arthur Glasser). 262. “completo”).. Desafios da Igreja. 104.” Missiology 20 (Abril 1992).” em Missions and Theological Education in World Perspective. 1979). Ver Internet. 295. por exemplo. “Mission in Latin America: An Evangelical Perspective. Ibid. Ibid.” a instabilidade 61 .. A Responsabilidade Social da Igreja. Michigan: Urbanus. A medicina holística.” 134.” em Toward the Twenty-First Century in Mission. 1993). 25. (3) evangelicais por confissão (como Peter Beyerhaus). Harvie M.br/cem/postura. 1984). “Latin America.(como Carl McIntire e o seu Concílio Internacional de Igrejas Cristãs). e (6) evangelicais ecumênicos (como John Stott. Esse congresso foi o berço da Fraternidade Teológica Latino-Americana.” do grego hólos (“inteiro”.” em Pensamiento Cristiano 93 (Março 1978): 170-175. Escobar. tratamento ou divisão em partes. 22... Coote (Grand Rapids: Eerdmans.

Há poucos anos. “Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological Christology. teve como tema “Fé e Esperança para o Futuro: Por Uma Teologia Evangélica Vital e Coerente para o Século XXI. e “Jonathan Edwards: Teólogo do Coração e do Intelecto.. Um bom exemplo da diversidade da missão integral é o livro A Missão da Igreja. 7.. conforme observamos no 62 . 1990). Ibid. Valdir Steuernagel em 1994.” Fides Reformata 3:1 (Jan-Jun 1998). Desafios da Igreja na América Latina. gerando uma espiritualidade nova e radical. Waldyr Carvalho Luz (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana. “Mañana – Discerning the Spirit in Latin America.” Escobar foi o autor de um dos seis estudos apresentados ao plenário. Mas existem muitos outros autores que não aparecem no livro de Steuernagel. 111. Ibid. Ibid. Samuel Escobar. e em seus vários aspectos. organizado pelo Dr. significa a inquietação. é enorme. “The Elements of Style in Crafting New International Mission Leaders.” Evangelical Review of Theology 20/4 (Outubro 1996). 108. Não é exaustivo porque o número de teólogos. Ver também.” Missiology 19 (Julho 1991). Desafios da Igreja na América Latina. missiólogos e pensadores que têm escrito e palestrado sobre a missão da Igreja.. 72-87 Parte XV A MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA Introdução: Que é missão integral? O que envolve a missão da Igreja a ponto de investigarmos o que é mito e o que é realidade? Na procura de respostas para estas e outras perguntas semelhantes é que este estudo veio a lume. Tal consulta. 19. alienação e incerteza que decorre da ausência de propósito ou ideais.. “Amando a Deus e ao Próximo: João Calvino e o Diaconato em Genebra. “Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America. É o caso de André Biéler. 328.” em que revela o seu grande interesse pela dimensão pneumatológica da missão da igreja e conclama os evangélicos a estarem receptivos ao novo vento do Espírito que sopra na igreja.” Fides Reformata 2:2 (Jul-Dez 1997). trad. Ibid. 69-88. 110. Escobar. obras como as de René Padilla e Timóteo Carriker são dignas de nota. sob o título “Discernindo o Espírito na América Latina. Não é um trabalho original e nem exaustivo. no sentido individual.social resultante do colapso dos padrões e valores. Escobar participou de mais uma consulta da Comissão Teológica da Fraternidade Evangélica Mundial. Nele nada menos que 27 articulistas tratam da missão integral da Igreja. 321. Samuel Escobar.. O Pensamento Econômico e Social de Calvino.” International Bulletin of Missionary Research 6 (Julho 1982). do autor do presente artigo. Não é original porque missão integral já faz parte da discussão teológica da Igreja há algum tempo.” Evangelical Missions Quarterly 28 (Janeiro 1992). Escobar. realizada em Londres de 9 a 14 de abril de 1996. Samuel Escobar. Além disso. Samuel Escobar. Ibid. 316. 48. 64.

Evangelização e responsabilidade social devem andar juntas como causa e efeito de uma mesma verdade evangélica. também não estamos afirmando que sejam duas coisas diametralmente separadas. 14). a consciência social da igreja brasileira hoje parece ser maior do que algumas décadas atrás. presidida por John Stott em 1982. p. a. O primeiro trata da missão integral como mito e realidade propriamente dito. vez ou outra mencionados no corpo deste trabalho. mas em prioridade lógica. concluiu que na questão da primazia entre evangelização e ação social "a evangelização tem uma certa prioridade. neste capítulo. por outro. também. Por outro lado. O primeiro deles estaria relacionado a um debate que perdura já algum tempo na igreja evangélica mundial e na brasileira em particular. O mito da missão integral da Igreja O que poderíamos denominar de mito ou mitos na missão integral da Igreja? Após relativa pesquisa e análise cuidadosa deste assunto. Nosso objetivo é mostrar que a Igreja evangélica brasileira só pode ser verdadeiramente missionária quando no desempenho de sua missão integral. justamente porque ao se discutir prioridades (estamos falando apenas de evangelização e ação social) a igreja deixa de fazer bem uma e outra coisa. mas relacionalmente inseparáveis e necessárias para um ministério integral da igreja" (YAMAMORI. 1998. o ser humano considerado em partes separadas ao invés do todo. I. Felizmente. "Um ministério integral verdadeiro define a evangelização e a ação social como funcionalmente separadas. O relatório da Consulta Internacional realizada em Grand Rapids (EUA).capítulo sobre o conceito de missão integral da Igreja na teologia contemporânea. se por um lado a Igreja vem melhorando em sua visão social. Entretanto. a saber. chegamos à conclusão que dois pontos resumiriam bem o mito de missão integral da Igreja. ou pelo menos não deveria haver (1). isto é. Alguns fatores que possibilitaram o surgimento desses mitos é o que veremos. O mito da polarização teológica Que evangelização e responsabilidade social são verdades bíblicas para a Igreja de Jesus Cristo não há dúvida. pois há situações em que o 63 . Nosso estudo divide-se em três capítulos principais. a polarização entre evangelização e a responsabilidade social da Igreja. Não estamos falando em prioridade temporal. Por causa dessa variedade de autores foi preciso adotar alguns critérios. O MITO E A REALIDADE DA MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA 1. ainda não amadureceu tanto em sua concepção de missão integral. O segundo mito estaria diretamente ligado à dicotomia humana. Os outros dois são uma explanação bíblico-teológica e pragmática do primeiro. Com isso não queremos dizer que evangelização e ação social devam ser entendidas como sendo a mesma coisa.1.

toda pessoa. como aconteceu no ministério público de Jesus. classe social. nem a libertação política salvação. p. V) (Grifos nossos) E mais: "A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais.ministério social precisa vir primeiro" (STOTT. elas se sustentam e fortalecem mutuamente. p. (Idem. 23) A discussão pouco louvável no meio cristão sobre a missão prioritária da Igreja no mundo também levou o comitê de Lausanne a elaborar uma declaração sóbria e amadurecida. V). cultura. estas duas realidades (evangelização e ação social) são inseparáveis. Aqui também nos arrependemos de nossa negligência e de termos algumas vezes considerado a evangelização e a atividade social mutuamente exclusivas. e raramente teremos de optar entre uma e outra. 1983. o chamado Pacto de Lausanne: "Os resultados da evangelização incluem a obediência a Cristo. numa espiral ascendente de preocupação crescente (STOTT. nem a ação social evangelização. 23). cor. sexo ou idade possui uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida. portanto. Façamos. sem distinção de raça. uma rápida apresentação de dois grandes movimentos que contribuíram negativamente para o distanciamento da Igreja de sua missão integral. religião. e não explorada. A fé sem obras é morta" (Idem. Evangelização e responsabilidade social são partes integrantes da missio Dei. inseparáveis e indispensáveis na missão integral da Igreja de Jesus Cristo no mundo e para o mundo (2). Em lugar de estarem em competição. IV). Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus. a seguir. Portanto. E ainda: Afirmamos que Deus é o Criador e o Juiz de todos os homens. o ingresso em sua igreja e um serviço responsável no mundo" (O PACTO DE LAUSANNE. E na prática? Na prática. 1983. em seus artigos. O evangelho social e a teologia da libertação A influência perniciosa e nefasta do liberalismo teológico do século XX. 1983. afirmamos que a evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. Diz assim. foi um dos fatores que colaboraram para a polarização entre evangelização e a ação social no meio 64 . e pela libertação dos homens de todo tipo de opressão. Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus. em particular das teologias do evangelho social e da libertação. pelo menos nas sociedades livres. devemos partilhar o seu interesse pela justiça e pela reconciliação em toda a sociedade humana.

por sua vez. conforme veremos no decorrer deste estudo. p. a influência missionária européia e norte-americana e a teologia sistemática. a igreja evangélica brasileira. Em síntese o platonismo argumenta que o ser humano é essencialmente um ser espiritual e que apenas tem conexão funcional com um corpo que. Hoje em dia. é uma necessidade urgente em nossos dias. Um dos maiores males cometidos na igreja evangélica brasileira de hoje é limitar o conceito de salvação. Se de um lado as teologias liberais mencionadas cometeram o pecado do social sem espiritualidade. p. 65 . boa parte das igrejas brasileiras está envolvida em trabalhos sociais. tanto o evangelho social quanto a teologia da libertação provocaram uma reação positiva na Igreja. pela própria Igreja. é um impedimento e. 59). "só existe fidelidade na evangelização quando existe fidelidade na missão integral da igreja". como também o próprio evangelho para o qual ela foi chamada a proclamar no mundo. um grande mal. o platonismo. o ser humano poderia ser definido como sendo 'uma comunidade integrada de corpo e alma' (STOTT. a Igreja acabou se equivocando e não enxergou a mensagem social autêntica que o mesmo evangelho oferecia. principalmente desta última). Entretanto. tem levado a mesma a desvalorizar não somente o ser humano na sociedade. como o é pela Bíblia. na pior. há de se admitir que. 38). O ser humano . provocou um mal-estar na igreja brasileira. O mito da dicotomia humana Ver o indivíduo completo. O esforço de se combater a teologia do evangelho social e depois a teologia da libertação (por causa da ênfase social à parte do evangelho bíblico e de uma filosofia marxista. por outro lado. A Igreja foi levada a refletir seus valores. pecou na espiritualidade sem encarnação. Contudo. "Esta ênfase foi dirigida pelos cristãos na Idade Média e tem sido transmitida para o presente". A correção deste erro está no ensino bíblico acerca da unidade essencial do ser humano. p. Partindo da perspectiva bíblica.homem ou mulher . dando uma reviravolta considerável nessa história toda. na melhor das hipóteses. não dictomizado.é um todo e deveria sempre ser visto assim. 154) observa que parte do descuido do "homem total" tem sua origem na ênfase platônica não-cristã sobre a dualidade do ser humano. b. isto é. como ocorria em tempos atrás. como salientou muito bem Manfred (1987. a ausência da compreensão do indivíduo como ser integral. e sem qualquer preocupação de ser rotulada e perseguida por isso. 1989. pois. Veremos a seguir que pelo menos três fatores contribuíram negativamente para o surgimento do mito da dicotomia humana. A influência missionária e da teologia sistemática Norman L. Resultado: No afã de se preservar o espiritual.evangélico. achando que Cristo veio salvar apenas a alma do homem ou da mulher. Geisler (1985.

contribuiu para a difusão do evangelho social e principalmente da teologia da libertação em nosso país. deixaram a impressão de que missões é coisa que o Brasil recebe e não que faz (CARRIKER. ora dominador e paternalista. Uma terceira razão foi observada pelo missiólogo norte-americano Timóteo Carriker.Além da influência platônica. por causa daquela reação ao evangelho social e à teologia da libertação.40). DEMAREST. e em seus conceitos dicotômicos e tricotômicos. pp. Embora as Escrituras sejam invioláveis. isso não quer dizer que não houve qualquer tipo de envolvimento social. e durante tanto tempo vem caminhando lentamente na questão social? Pelo menos por três razões principais: Uma delas tratamos há pouco. faz uma advertência importante: Alguns consideram a teologia sistemática como um depósito eterno e inalterável de verdades divinas. de certa forma. 1. 515). pelo contrário. a omissão da Igreja. O que é facilmente percebido nas mensagens bíblicas e hinos que os missionários nos legaram. isto é. Primeiro: porque à medida que a linguagem e as formas culturais mudam. In Teses. Ashbell Green Simonton e outros. não transmitiam a mesma visão missionária para as igrejas autóctones. (Grifo nosso) (3) Outro fator que infelizmente tem colaborado para a dicotomia humana é a teologia sistemática. Bruce A. Outra razão é que a maioria dos missionários estrangeiros que aqui chegaram tendia para a corrente do evangelho individual (KRIEGER. A realidade da missão integral da Igreja 66 . novos entendimentos teológicos e reformulações são necessários a cada geração. até hoje sentida. E. e segundo: porque novas questões e problemas continuam a surgir para desafiar a igreja.2. Embora a teologia sistemática seja uma tentativa interessante de organizar em um ou mais compêndios conceitos e pensamentos religiosos variados. o conjunto da verdade cristã deve ser vestido em roupagens contemporâneas a fim de permanecer inteligível. o que. Mas então. 55). 1993. No estudo da natureza do ser humano na teologia sistemática. p. embora não justifique. Nossa herança missionária é deveras espiritualista. os missionários europeus e norte-americanos que aqui estiveram parece que não conseguiram passar adiante a idéia da missão integral. mas. alma e/ou espírito. quando diz que boa parte dos missionários europeus e norte-americanos que aqui estiveram "realizaram o trabalho. é preciso ter cautela com a mesma. com raríssimas exceções. de tempos em tempos. p. Assim. certamente. perdeu-se de vista a perspectiva bíblica de que somos um todo.1988. Porém. na análise da questão corpo. 39. em seu artigo Teologia Sistemática (In EHTIC1990. que desempenharam um papel social muito grande em nosso país. Por isso. isto tem sido um dos fatores prejudiciais na compreensão da missão da Igreja. Isso explica. ora nobre e sacrificial. independente de sua linha confessional. o texto bíblico precisa ser reinterpretado e reaplicado ao contexto moderno. a história da igreja brasileira registra dignos exemplos de missionários como Robert e Sarah Kalley. por que a igreja evangélica brasileira de modo geral não herdou a totalidade da visão desses bons exemplos de missionários. é claro. nosso espiritualismo desencarnado no campo social.

como prova concreta do amor de Deus" (COSTAS. 102). verdadeira afronta contra a imagem e semelhança de Deus. A Igreja deve ser a voz do que clama no deserto a fim de fazer a diferença no mundo. a Igreja como sal da terra e luz do mundo deve fazer a diferença nos vários setores da sociedade. a consciência ecológica da Igreja? (4) Além disso. somente o pobre precisa ser atendido também em suas necessidades básicas prioritárias. conflitos. Ela é uma instituição divina supra partidária. Quando se coloca o pobre e o rico lado a lado. p. sabemos que a ortopraxia da missão integral não é tão óbvia como deveria ser. Precisa deixar o monte da transfiguração (entenda-se contemplação) e descer até ao sopé onde se encontram os excluídos. como diria Orlando COSTAS (1979. Orlando Costas via nesta dimensão diaconal ou encarnacional da Igreja "a intensidade de serviço que a igreja presta ao mundo. Onde está. de amor a Deus e à humanidade". 113). expressam bem a realidade dessa missão. o seu grau de participação na vida. Por isso mesmo. principalmente no socorro aos menos favorecidos. Conforme salientou Jorge GOULART (1941. tem o dever ético e moral de ser mais justa do que qualquer governo ou partido político pretenda ser. tem solapado nosso país e a Igreja muitas vezes tem se afastado como se nada tivesse com isso. Uma opção preferencial pelos pobres? E por que não? O evangelho é para todos. p.Em contrapartida ao mito da teologia de missão integral da Igreja. É verdade que a Igreja não é uma instituição político-partidária que deva defender qualquer bandeira política. E ainda: Esta dimensão envolve o impacto que o ministério reconciliador da igreja exerce sobre o mundo. mas também à criação de Deus em geral. sobretudo. destaquemos dois fatores que. A injustiça social. Não é fácil inculcar na cabeça do nosso povo que o envolvimento da Igreja deve ser total. como veremos mais adiante. A missão da Igreja é holística e diaconal Por mais óbvia que pareça esta afirmação. de dignidade humana. a Igreja "não prega uma forma de governo. por exemplo. a. o primeiro sempre sai perdendo. 1994. É preciso sim que os pobres desse mundo recebam um tratamento preferencial porque foi assim que Deus os tratou na Bíblia. Os cristãos foram postos no mundo para ser a consciência da sociedade. Não só no que se refere ao indivíduo. mas cria uma consciência democrática. como resultado de uma política social opressora. 229). à luz dos conceitos de liberdade. É mais que isso. por causa da má distribuição de renda de nosso país. p. temores e esperanças da sociedade e a medida em que seu serviço ajuda a aliviar a dor humana e a transformar as condições sociais que têm condenado milhões de 67 . em se tratando de benefícios a serem recebidos. em nossa opinião. porém. de respeito ao próximo e.

II. Por isso mesmo nosso objetivo agora será tratar. pois somente na medida em que conseguir dar visibilidade e concreticidade à sua vocação de amor e serviço ela pode esperar ser ouvida e respeitada. 1994.1. Tetsunao YAMAMORI (1998. A missão da Igreja não é filosofia e muito menos modismo. ainda que sejam separadas em termos funcionais. A integralidade da Igreja é bíblica e se baseia na missão integral de Deus. "Nada é mais claro na Bíblia do que ser Deus o campeão dos pobres. à luz da Bíblia.homens. (BRYANT. Sem esta dimensão a igreja perde sua autenticidade e credibilidade. A Bíblia é doutrina e prática. evangelismo e serviço". que estão inseparavelmente relacionadas. aquele que está diretamente relacionado à pessoa do indivíduo ou. Sua Palavra é um todo. significa que ela (a missão integral da Igreja) não é uma filosofia cega ou um modismo passageiro. visto que a dimensão dessa missão é vertical e horizontal. como um todo deve ser a missão integral de Sua Igreja. 56). 113. 68 . mais especificamente. 1988. aos pobres deste mundo. (COSTAS. Isto quer dizer que se deve atender tanto às necessidades físicas como às espirituais. p. adoração. A missão integral na Bíblia A missão integral tem raízes bíblicas profundas. 22) resumiu a missão intergral da Igreja em "comunhão. assim como é ampla a missão integral de Deus. A Bíblia não incentiva nenhum blá-blá-blá teórico desinteressado. É uma verdade bíblica que precisa ser resgatada e praticada em sua totalidade. isto é. A missão integral da Igreja é ampla. No capítulo anterior mencionamos que a missão integral da Igreja é ampla. pp. A opção por apenas um desses seus aspectos (doutrina ou prática) causará profunda ojeriza em Deus. p. A missão da Igreja é bíblica Quando dizemos que a missão integral da Igreja é bíblica. b.4). dos oprimidos e dos explorados". apenas de um dos aspectos da missão integral. Isso é verdade. O compromisso da Igreja com Deus (vertical) resulta nela um compromisso com a criação em geral e com o ser humano em particular (horizontal). 15) salienta: Tanto no Antigo como no Novo Testamentos a Bíblia ordena à igreja que ministre à pessoa como um todo. Não é por acaso que GRELLERT (1987. A BASE BÍBLICA E TEOLÓGICA DA MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA 2. mulheres e crianças à pobreza. p. edificação. No capítulo 2 desse estudo falaremos um pouco mais sobre a base bíblica da missão integral da Igreja. Segue abaixo uma abordagem resumida sobre o assunto. A Bíblia não existe para o deleite de nossa mente carnal.

Ezequiel 16. Veja por exemplo Atos 5 e 6. Em Isaías 58. 25) notamos que além da questão do se "fazer igualmente a Cristo". e o jejum que eu quero. do destituído. o estrangeiro.19). do fraco. o órfão. Em Mateus 4. a viúva. quer pelo sistema econômico. para por em liberdade os oprimidos. é que ajam com justiça em relação aos desamparados". 10. Vinte e cinco palavras hebraicas para falar do oprimido. p. 1988.2.18. No início de seu ministério terreno o Senhor Jesus deixou bem clara a sua missão quando declarou: "O Espírito do Senhor está sobre mim. Isto não significa que Deus faça acepção de pessoas ou de classe social. De modo algum! Mas com certeza Ele olha de maneira especial para aqueles que não têm vez. ou sistema político de sua própria época". do que clama por justiça. 69 . o pobre. Só no AT nós temos 300 referências sobre causas. quer pelo sistema religioso. (MACEDO FILHO. Se olharmos na legislação do povo de Deus no Velho Testamento. No Antigo Testamento Se folhearmos as páginas do Antigo Testamento veremos que existe uma clara opção preferencial de Deus pelos pobres e oprimidos. quando o povo de Deus pergunta: "Por que é que nós oramos e jejuamos e tu não nos respondes?". nunca atendeu o pobre e o necessitado. 35). mas enfrentando exatamente aqueles que oprimiam o povo.49 afirma que o pecado de Sodoma. b. Os apóstolos deram continuidade ao tema da missão integral de Jesus em seus ministérios. do humilhado. do desesperado. E ainda em Mateus (cap. sendo rica e abastada. do carente.3-8. que não têm voz. vocês estão oprimindo os pobres. pelo que me ungiu para evangelizar os pobres. e seus próprios operários. O cuidado de Jesus com os pobres e marginalizados é enorme. a nossa atitude para com os desfavorecidos deste mundo será um critério importante de julgamento no Juízo Final. enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos. além do orgulho. veremos que o objetivo de toda a legislação era que não houvesse miseráveis e injustiçados no meio do povo de Israel.23 lemos também: "Percorria Jesus toda a Galiléia. "Nós nunca encontramos Jesus Cristo de dedo apontado contra os pobres e marginalizados.1.17. é que vocês cortem as ligaduras da impiedade.a. Deus diz: "É porque vocês jejuam e oram para a iniqüidade. pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo". ensinando nas sinagogas. e apregoar o ano aceitável do Senhor" (Lc 4. Veja também Isaías 1. realidade e conseqüências da pobreza. da vaidade e da imoralidade era que aquela cidade. No Novo Testamento Jesus Cristo é a revelação máxima da missão integral de Deus no mundo. do desamparado.

O seu reino tem um escopo universal até cósmico. dentre outras. Um bom exemplo disso é a obra do Dr. Falar do trabalho de cada um desses autores.1-6). a. cada um deles escreveu um livro com o mesmo título (Missão Integral) com cerca de 300 páginas cada. Muito pelo contrário.2-10) e das doze tribos da dispersão (Tg 2. A confiança no cumprimento do seu plano dá a igreja motivação para perseverar até o fim.2. samaritanos. vale a pena conferir a ênfase e a abordagem distintas que ambos conferem em seus respectivos livros acerca da missão integral da Igreja. não fica passiva em relação à soberania de Deus. Deus tem um plano salvífico que alcança tanto judeu quanto gentio. as igrejas de Corinto (II Co 8 e 9). seria simplesmente impossível para as dimensões do nosso trabalho. p. Reconhecer que a missão é essencialmente de Deus. Os marginalizados. É este Deus salvador que alcança além das leis judaicas. Sua aproximação do homem exige a atitude de conversão. Em terceiro lugar. Valdir Steuernagel em que ele reúne nada menos que 27 autores. Timóteo Carriker e René Padilla. missio Dei. "o que também me esforcei por fazer". Estou tomando. a liberdade de selecionar apenas dois deles. e Ele vai cumpri-lo. nossos dois teólogos são duas das maiores autoridades mundiais sobre a missão integral da Igreja. 11). Esta imagem de Deus está no coração do Novo Testamento também. Destacamos. da Galácia (Gl 6. A igreja.14-26. a missio Dei exige os missiones eclesiae. Um Deus soberano e misericordioso é o ator último das parábolas de Jesus. A missão integral na teologia contemporânea O número de teólogos que escreveram e escrevem sobre a missão integral da Igreja não é pequeno. No Antigo Testamento Javé é o Deus soberano sobre toda a sua criação. 2.Em Jerusalém as três colunas do colégio apostólico (Pedro. contudo. 5.10. Em primeiro lugar. Seu objetivo é ressaltar as diversas dimensões. na palavra de Deus. diz o apóstolo em Gálatas 2. Várias igrejas foram orientadas por cartas a agirem com a mesma visão de integralidade bíblica dos apóstolos. sem considerar outro tanto que Steuernagel não menciona. e explico porquê. Em segundo lugar. da identidade e tarefa missionárias do povo de Deus (1992. São praticamente dois 70 . Tiago e João) recomendaram a Paulo e a Barnabé que não se esquecessem dos pobres. 1-7. mulheres. A seguir exporemos alguns dos principais conceitos da missão integral de Carriker. e gentios recebem a misericórdia de Deus. não significa que a participação da igreja na evangelização mundial tem pouca significância. O conceito de Timóteo Carriker O livro de Timóteo Carriker é uma teologia bíblica de missões. então. a saber.

e este movimento entrou na sua fase final com a ressurreição de Cristo. É na nossa história humana que Deus se revela e o faz com movimento para frente. uma igreja e um evangelho. através da história. por sua vez. eventos bem visíveis que fazem parte da nossa história. esquecendo-se das cidades. na cidade. é uma prioridade em todas as partes. de modo algum. Lá. Chegou o momento de encontrar maneiras de reduzir a distância entre as igrejas no Ocidente e no 71 . Num mundo que está se urbanizando rapidamente. A humanidade está indo na direção do cumprimento. Porque há um mundo. Deus não se restringe a uma dimensão mística da nossa vida. Hoje é o dia da salvação. O conceito de René Padilla A abordagem de René Padilla é mais teológica e menos bíblica. Assim. o que não diminui. todos eventos históricos até "seculares". sem dúvida. julgamento e salvação. uma doutrina que podemos elaborar. Ele é. o valor da obra dele.lados da mesma moeda. Percebemos. Por "menos bíblica" queremos afirmar que o livro de Padilla não é uma teologia bíblica nos moldes do livro de Timóteo Carriker. Padilla desenvolve seu tratado em termos de desafios. a sua conclusão. portanto. pessoal e age nos eventos e experiências concretas das nossas vidas. 139). com todo seu poder desumanizante. porém. a perspectiva cristã da história é essencialmente escatológica. A missão urbana. subdivide-se em outros três. a missão cristã não pode ser outra coisa que missão realizada em colaboração mútua. através da sua morte e ressurreição. seus princípios são eminentemente bíblicos. b. A "explosão urbana" é um fenômeno mundial. Atua através do êxodo. Seus argumentos principais são os seguintes: Um conceito um tanto romântico da obra missionária impulsionou as missões a concentrarem seu esforço em pequenas tribos nas selvas. Diz ele que o maior desafio que a igreja enfrenta atualmente é o desafio da missão integral (1992. a cidade é. acima de tudo. o símbolo do desafio que a evangelização e o discipulado colocam para a igreja. vale ressaltar que as aplicações de Padilla são mais contextualizadas que as de Carriker. Apesar de não termos o objetivo de comparar os dois autores. do dilúvio e do cativeiro no Velho Testamento. Por "mais teológica" queremos dizer que os argumentos de Padilla estão mais na área das idéias. O desafio da missão integral. Não é principalmente apresentado como um conceito ou idéia. O Deus da Bíblia é o Deus que age na história. p. a saber: O desafio da evangelização e do discipulado. vê-se com clareza a necessidade de um evangelho com poder para transformar a totalidade da vida. Ele atua através da vida humana do seu filho Jesus. o desafio da colaboração e da unidade e o desafio do desenvolvimento e da justiça.

nem a libertação política salvação.1. a. Fazem falta modelos de missão plenamente adaptados a uma situação marcada por uma distância abismal entre ricos e pobres. Porém. no contexto da justiça. É preciso sim que a Igreja seja a consciência da sociedade e a voz profética que denuncia os desmandos desta mesma sociedade. e para estimular a colaboração mútua entre as igrejas. No final das contas. O desafio tanto para os cristãos no Ocidente como para os cristãos nos países subdesenvolvidos é criar modelos de missão centrados num estilo de vida profético. mas podemos e devemos fazer confrontações sociais sérias. Desafios da missão integral da Igreja Observamos no capítulo anterior que René Padilla apresenta a missão integral da Igreja em termos de desafios. Os modelos de missão baseados na riqueza do Ocidente solidarizam-se com esta situação de injustiça e condenam as igrejas do mundo pobre a uma permanente dependência. nem a ação social evangelização. Robert C. O desafio que a igreja encara no campo de desenvolvimento hoje é fundamentalmente o desafio de um desenvolvimento humano. OS DESAFIOS E IMPLICAÇÕES DA MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA 3. Linthicum 72 . portanto. Não devemos. Já há experiências úteis que estão sendo levadas a cabo com este propósito. é o nosso comum acordo com a declaração de Lausanne: Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus. A igreja evangélica brasileira tem desafios enormes nesta área. sua abordagem é ampla. de início é preciso que encaremos com seriedade e maturidade o dilema de até onde podemos e devemos nos envolver nestes desafios. afirmamos que evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. modelos que apontem para Jesus Cristo como Senhor da totalidade da vida. econômicas. os desafios sociais e os desafios eclesiais. isto é. como Igreja de Cristo. na América Latina.Terceiro Mundo. são contraproducentes para a missão. no mínimo. Os desafios sociais da Igreja Não são poucos e nem pequenos os problemas sociais brasileiros. mas é necessário fazer muito mais para desenvolver modelos de solidariedade acima das barreiras políticas. Confrontação não é violência. Dividimo-nos em duas partes distintas. sociais e culturais. III. Os desafios que agora mencionaremos tratam da igreja brasileira em solo brasileiro. Que a igreja evangélica brasileira não deve se esquivar de sua missão integral. no sentido de envolver a missão da Igreja num âmbito mundial ou. Entretanto. partir para a ignorância e violência. à universalidade da igreja e à interdependência dos seres humanos no mundo.

se não juntarmos forças. 171. o evangelho e o bom testemunho não sejam prejudicados e. A confrontação boa e eficaz nunca deve levar à violência. pois. com propostas terapêuticas para uma sociedade enferma. Enquanto a confrontação é verbal. Porém. Uma lição é preciso aprender com a igreja de Jerusalém. e sim antônimas. e devido a esta discordância. Confrontação é simplesmente a atividade entre seres humanos na qual eles discordam. a violência é física. b. jamais sairemos do lugar comum. Os desafios eclesiais da Igreja Certamente um dos maiores desafios da igreja brasileira na atualidade é vencer seus próprios desafios. a moral dignificada. Continuaremos marcando passo. ou porque os liderados não se envolvem na obra. direto. os seus e os nossos direitos: Saúde. o nome de Jesus seja glorificado. mas não podemos ficar indiferentes ao que ocorre em nossa volta. O governo tem (e como tem!) suas culpas e responsabilidades. Ou porque a liderança não se empenha. De uma forma mais profunda. Os desafios sociais da igreja brasileira não são combatidos e vencidos como deveriam porque falta vontade eclesiástica por parte da mesma. Tentarei explicar esta minha tese. Por outro lado.2) explica: Há muita confusão sobre a natureza da confrontação e da violência.isto é. a fim de ganhar uma disputa. salgando a nós mesmos e iluminando nossos umbigos. A igreja de Jerusalém estava consciente de sua missão no mundo. em sua própria natureza. segurança. Pesa (e como pesa!) sobre o povo de Deus também a responsabilidade pelo bem-estar social do nosso país. pois. pp. trabalho e salário digno. violência é o exercício da força física. um ato de violência é a indicação de que a confrontação falhou. É nesse espírito de verdadeira confrontação que a Igreja deve encarar seus desafios sociais. em obediência ao mandado de Cristo. estão desafiando uns aos outros. A palavra significa literalmente "testa-a-testa" . É um encontro face a face. Portanto. Internamente ela estava pegando fogo. Era uma igreja unida em seus propósitos e se amava de verdade.(1996. desejosa de pregar o evangelho. procurando o fim da resolução. sobretudo. essas palavras não são sinônimas. as testas colocadas fisicamente uma contra-aoutra. o amor ao próximo evidenciado. O certo é: Se não chegarmos a um consenso. 73 . mas à resolução do problema. empenhemos-nos pela dignidade do povo brasileiro. Reivindiquemos. simplesmente criticando por criticar o governo. E até onde podemos e devemos ir nesta questão toda? Até onde os direitos sejam verdadeiramente assegurados. educação.

Senhor. fechada em quatro paredes. daqueles que confundem inovação com inovacionismo. Às vezes é preciso muita coragem para mudar certos parâmetros que já não funcionam mais. Pilatos. E Deus atendeu ao clamor de sua Igreja (At 4. por uma questão de prudência e respeito àqueles que não pensam como nós. sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus" (At 4. Uma coisa aprendi em meus poucos anos de ministério pastoral: Se a igreja não comprar a nossa idéia. Externamente desfruta-se de uma liberdade religiosa como nunca se viu.31). sem atropelos. olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra. As idéias devem ser amadurecidas no meio da comunidade.29. não será por meio de decreto conciliar que conseguiremos qualquer êxito. Herodes e muita gente se levantaram contra a Igreja de Deus. A reafirmação do compromisso missionário 74 .2. aberto e amigável é a chave do sucesso. Então a Igreja orou: "agora. que se limita a suas atividades internas. A revisão de estruturas não-funcionais O que muito tem contribuído para um mau desempenho da Igreja em sua missão integral é a falta de estruturas que funcionem. mas progressivamente. Antes é preciso mudar a mentalidade dos acomodados e principalmente dos saudosistas. A quebra de paradigmas é uma das coisas fundamentais para que a estrutura de uma igreja se torne funcional. Um diálogo franco. à nível de igreja local. entendemos que estes desafios são implicações naturais para uma igreja que queira verdadeiramente cumprir sua missão integral. Implicações da missão integral da Igreja As implicações que aqui abordaremos não deixam de ser verdadeiros desafios para a igreja brasileira. mas não é tão simples assim. enquanto estendes as mãos para fazer curas. tradição com tradicionalismo. Estruturas enrijecidas pelo tradicionalismo matam ou impedem a visão de uma igreja. Contudo. mas internamente muito de nossas igrejas estão enfermas.externamente os desafios eram humanamente insuperáveis. Hoje. b. O que está "matando" muito crente novo (e velho também) é a igreja não-funcional. é a própria igreja criando obstáculos para não fazer a obra do Senhor. 3.30). Atendeu porque a Igreja deixou de lado seus próprios interesses para servir ao mundo. o que muito se vê. a. quando na verdade eram elas que deveriam estar curando! A seguir daremos duas sugestões práticas para que esse quadro sombrio possa se reverter. porém. À primeira vista parece fácil mudar aquilo que se tornou obsoleto. é preciso que os paradigmas sejam quebrados aos poucos.

com a graça de Deus. Cada igreja deve refletir sobre sua motivação em praticar evangelismo e ação social. BARRO. para a honra e glória de Deus Pai. que nenhuma igreja pense ser mais espiritual porque optou pela evangelização. deveria partir sempre para uma ação social transformadora. Geralmente a frieza por missões acontece por causa da rotina. portanto. Etal e Atrás do Sol. e quando se deixa de contemplar o indivíduo em sua totalidade. p. além do auxílio de uma boa agência ou junta missionária. se não forem constantemente lembradas daquele compromisso. Evangelizar é a sua qualidade primordial. Em segundo lugar é preciso conscientizá-la de que ela está no mundo para servir o mundo integralmente. C. Evangelizar não é simplesmente distribuir folhetos como alguns pensam. Uma vez que o mal foi detectado é necessário que seja combatido com atividades variadas. do indivíduo e da sociedade. Abrange vários aspectos. sem data. porém. Sermões e estudos bíblicos missionários. 5). Os mitos (pelo menos os que aqui estudamos) deturpam a missão 75 . e todas as atividades nestas direções devem estar debaixo do serviço a Deus em primeiro lugar (A. A verdadeira espiritualidade do povo de Deus se expressa em sua integralidade. filmes específicos como As Primícias. polarização entre evangelização e ação social. descaracterizada como igreja de Jesus Cristo. a Igreja nunca deveria deixar se levar pela prática do paternalismo e assistencialismo paliativos.Aquelas igrejas que um dia receberam orientação missionária. Se a igreja chegou a se empolgar com missão algum dia. Missão integral é uma realidade bíblica. A mesma igreja que proclama as boas novas do reino deve ser a mesma que estende a mão ao necessitado. com certeza produzirão novo alento. Os mitos não fazem sentido quando são resultados baratos de um reducionismo evangélico. é sinal que ela tem potencial para fazer. atender o indivíduo na totalidade de suas necessidades. rapidamente minguarão. Dizemos "basicamente" porque a missão integral da Igreja é na verdade universal. o que fez antes. Por isso mesmo. Conclusão: A missão integral da Igreja é basicamente evangelização e ação social. O ponto de partida é o parâmetro bíblico e o contexto da igreja local. mas nunca uma opção permanente. E como revitalizar uma igreja que começou com tanto entusiasmo por missões e de repente esfriou? Em primeiro lugar é preciso reconscientizar a igreja de sua missão no mundo. O mais importante é que a igreja seja cientificada de que sua missão no mundo é integral. A Igreja que troca a evangelização por qualquer outra responsabilidade social está fora de propósito e. mas sim. Concordamos que uma igreja possa fazer uma opção temporária entre evangelizar e assistir ao necessitado. Por outro lado.

Ética cristã: Alternativas e questões contemporâneas. Norman L. FÁBIO. O cristão e a fome mundial. 1989. Um projeto de espiritualidade integral. 1. Saúde integral a partir da igreja local.1. 1992. 1987. Artigo não publicado. Anthony. Rio de Janeiro/Belo Horizonte: Juerp/Mundo Cristão. E. V. ed. EVANGELIZAÇÀO e responsabilidade social: Relatório da consulta internacional realizda em Grand Rapids sob a presidência de John Stott. 76 . Compromiso y misión. Antonio Carlos. CARRIKER. A ação social da igreja. mas a realidade bíblica de uma missão integral em nossa sociedade.2. 1985. COSTAS. 2. GRELLERT. Série Lausanne. Bibliografia ALLEN. A missão do povo de Deus. KIVITZ. Ed René. São Paulo/Belo Horizonte: ABU/Visão Mundial. Tive fome: Um desafio a servir a Deus no mundo. Niterói: Vinde. Missões e a igreja brasileira: A vocação missionária. GOULART. Rio de Janeiro: Juerp. BARRO. ed. Teses. Série Lausanne. ed. Igreja e sociedade. GEISLER. 1995. Caio. C.3. V. São Paulo: Vida Nova. São Paulo: Vida Nova. 1941. 1993. BRYANT. 1979. Timóteo. 1985.integral da Igreja. Manfred. Enciclopédia histórico-teológica da igreja cristã. São Paulo: Abba press. Jorge. Samuel et al. 1990. São Paulo: Editora Mundo Cristão. (editor). v. 2. São Paulo/Belo Horizonte: ABU/Visão Mundial. São Paulo: Editora Sepal. San José: Editorial Caribe. Artigo não publicado. ELWELL. Walter A. ESCOBAR. 1998. Missão integral: Uma teologia bíblica. Quebrando paradigmas. Se queremos atentar para o ensino bíblico. 2. Orlando E. que não seja ela mesma um mito. Londrina/Curitiba: Descoberta. 1994. Os compromissos da missão: A caminhada da Igreja no contexto brasileiro. V. _______________ . Thurmon. ________________ org. 1988. então devemos almejar por uma igreja brasileira autêntica.

1994. Dr. veja Francis A. pp. diálogo inter77 . Curitiba/Londrina: Descoberta. Robert C. 41-43). org. STEUERNAGEL. Parte XVI A MISSÃO DA IGREJA Uma perspectiva latino-americana Uma das questões mais cruciais da missiologia é a definição do próprio conceito de missão. (3) Veja também MACEDO FILHO (In TESES. Niterói: Vinde. ZANDRINO. Schaeffer (Poluição e morte do homem) e Norman L. São Paulo: Temática Publicações. A igreja e o mundo. 1989. O que se deve entender por missões cristãs? Quais são a natureza e os objetivos da missão da igreja? Evidentemente essas perguntas podem receber uma grande variedade de respostas a partir de diferentes pressupostos e compromissos teológicos. p. Série Lausanne. 41). STOTT. 3. ed. PADILLA. p. Tetsunao et al. O PACTO de Lausanne. 1992. MASTON.. O cristão em uma sociedade não cristã. Diferentes autores do século XX têm procurado expressar a missão da igreja em termos de desenvolvimento.W. 1986. 1987. Uma antiga abordagem foi o debate em torno de evangelização e “civilização. Belo Horizonte: Missão Editora. (1) Veja Manfred Grellert (1987. São Paulo/Belo Horizonte: ABU/Visão Mundial. John R. presença cristã.LINTHICUM.”1 Hoje é mais comum falar-se em evangelismo e responsabilidade social.B. Rio de Janeiro: Co-edição. 1996. Curar também é tarefa da igreja. (2) Para um argumento interessante contra este reducionismo evangélico (a polarização teológica ente evangelização e ação social) veja Manfred Grellert (1987. Rio de Janeiro: Juerp. Ricardo. Geisler (O cristão e a ecologia).4. São Paulo: Bompastor. René. Missão integral. A missão da igreja. 1988. Valdir R. 1983. 1998. V. (4) Para uma compreensão importante sobre a responsabilidade da Igreja com a natureza. São Paulo: Nascente. Servindo com os pobres na América Latina: Modelos de ministério integral. T. 33). Revitalizando a igreja. MISSÃO da igreja e responsabilidade social: Teses do congresso batista de ação social. 1988. YAMAMORI.

religioso, justiça e paz, diaconia e outros conceitos. Certamente este é um assunto controvertido, mas também sumamente importante para a igreja e para os cristãos individuais. Como pode a igreja ser o que deve ser e fazer o que deve fazer se não tiver uma clara compreensão acerca do seu propósito na sociedade e no mundo? O objetivo deste estudo é abordar o tema a partir da perspectiva de Samuel Escobar, um dos mais destacados missiólogos evangélicos contemporâneos da América Latina. A escolha de Escobar justifica-se por várias razões. Ele tem um profundo conhecimento da situação religiosa, social e política da América Latina, tendo trabalhado em vários países como pastor e missionário; é um teólogo, escritor e orador extremamente articulado e criativo; tem sido um líder respeitado em círculos missiológicos e teológicos; tem estado em diálogo constante com representantes de grupos e movimentos importantes do cristianismo latinoamericano e mundial; finalmente, por vários anos ele tem sido professor em instituições teológicas norte-americanas, o que o coloca numa posição privilegiada para falar a uma audiência mais ampla e levar ao primeiro mundo uma valiosa perspectiva do terceiro mundo acerca de missões. Nossa análise começa com um retrospecto histórico da discussão missiológica protestante na América Latina. A seguir, iremos fornecer algumas informações biográficas sobre Samuel Escobar, fazer um apanhado dos principais movimentos de que tem participado e apresentar alguns dos principais temas e ênfases da sua reflexão missiológica. Ao longo dos anos, Escobar tem defendido um conceito de missão que é ao mesmo tempo bíblico, evangélico, contextual e sensível às complexas realidades espirituais, políticas, sociais e econômicas da América Latina. Criticando os modelos missionários reducionistas ou dicotômicos, ele propõe um programa que implica em levar o evangelho integral ao ser humano integral, na amplitude de suas necessidades e relacionamentos. Concluiremos o estudo acrescentando algumas de nossas próprias convicções a respeito do tema em questão, ou seja, a missão da igreja na sociedade. I. ANTECEDENTES A reflexão sistemática e abrangente sobre o trabalho missionário protestante na América Latina foi desencadeada pela célebre Conferência Missionária Mundial, realizada em Edimburgo em 1910.2 Todavia, esse estímulo ocorreu às avessas, uma vez que somente foram convidadas para a conferência as sociedades missionárias que atuavam entre povos não-cristãos.3 Isso excluiu a América Latina do âmbito daquele encontro, sendo admitidas apenas as missões que trabalhavam entre as tribos pagãs desse continente. Durante a conferência, Robert E. Speer (1867-1947), o secretário executivo da Junta de Missões Estrangeiras da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, convidou vários delegados interessados na América Latina a se reunirem informalmente para discutir como essa lacuna poderia ser suprida. Como 78

resultado desses entendimentos, realizou-se em Nova York, em março de 1913, uma conferência sobre missões na América Latina, sob os auspícios da Conferência de Missões Estrangeiras da América do Norte.4 Essa conferência criou a Comissão de Cooperação na América Latina (CCLA), tendo como presidente o próprio Robert Speer e como secretário executivo Samuel Guy Inman. Por sua vez, a CCLA patrocinou o Congresso de Ação Cristã na América Latina, reunido no Panamá em fevereiro de 1916, o maior encontro das forças protestantes desse continente realizado até aquela data. O Congresso mostrou a necessidade de maior cooperação em áreas como educação religiosa, missões, literatura e formação teológica. Mais especificamente, suas metas principais foram a evangelização das classes cultas, a unificação da educação teológica através de seminários unidos, o desejo de dar uma dimensão social ao trabalho missionário na América Latina e o esforço em promover a unidade protestante.5 Na realidade, o Congresso do Panamá foi uma reunião de representantes de juntas missionárias estrangeiras, antes que um encontro de líderes protestantes latino-americanos. Dos 230 delegados oficiais, apenas 21 eram latino-americanos natos.6 Mesmo assim, o evento produziu a primeira discussão séria do protestantismo latino-americano e estimulou a criação de órgãos cooperativos regionais em vários países. Por outro lado, o Congresso do Panamá revelou duas ênfases que se tornariam problemáticas para os evangélicos latino-americanos: uma atitude simpática para com a Igreja Católica e uma forte influência do “evangelho social.” Como resultado do encontro do Panamá, nos anos seguintes realizaram-se dois congressos missionários regionais. O primeiro, denominado Congresso de Ação Cristã na América do Sul, reuniu-se em Montevidéu, Uruguai, em 1925. Aqui, embora a participação de latino-americanos tenha sido maior (o pastor presbiteriano brasileiro Erasmo Braga foi eleito presidente do congresso), os norte-americanos ficaram a cargo da organização e presidiram todas as comissões. Finalmente, em 1929 reuniu-se em Havana o Congresso Evangélico Hispano-Americano, presidido pelo metodista mexicano Gonzalo Baez-Camargo. Desta feita, o congresso foi inteiramente organizado e conduzido por latinoamericanos e as ênfases recaíram sobre a nacionalização e o auto-sustento das igrejas evangélicas. Uma segunda série de encontros do protestantismo latino-americano foi representada por três Conferências Evangélicas continentais: CELA I (Buenos Aires, 1949), CELA II (Lima, 1961) e CELA III (Buenos Aires, 1969).7 Essas conferências estavam ligadas às denominações históricas, que rapidamente tornavam-se minoritárias no contexto geral do protestantismo da América Latina. O protestantismo ecumênico das CELAs recebia a influência do protestantismo histórico declinante do hemisfério norte, buscava aproximar-se do catolicismo posterior ao Concílio Vaticano II (1962-1965) e procurava responder à difícil situação social do continente com uma teologia radical, que eventualmente 79

identificou-se com a célebre “teologia da libertação.” A teologia da libertação adquiriu notoriedade no âmbito católico romano com a segunda assembléia da Conferência Episcopal Latino-Americana (CELAM), reunida em Medellín, Colômbia, em 1968.8 Anos antes, em 1962, os protestantes haviam criado a organização Igreja e Sociedade na América Latina (ISAL), após uma consulta realizada em Huampaní, Peru, no ano anterior. Ela tornou-se o centro de convergência dos teólogos protestantes da libertação, tendo como órgão o periódico Cristianismo e Sociedade. Em 1972, as duas correntes teológicas puseram-se em contato no I Congresso Latino-Americano de Cristãos pelo Socialismo, realizado em Santiago do Chile. Ao lado das Conferências Evangélicas continentais (CELAs) e do ISAL, o protestantismo ecumênico latino-americano criou várias estruturas paraeclesiásticas com o fim de promover os seus objetivos. Alguns organismos importantes são ou foram os seguintes: Movimento Estudantil Cristão (MEC), União Latino-Americana de Juventudes Evangélicas – depois, Ecumênicas (ULAJE), Agência de Serviços Ecumênicos Latino-Americanos (ASEL), Comissão Evangélica Latino-Americana de Educação Cristã (CELADEC), Coordenadoria de Projetos Ecumênicos (COPEC) e Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI).9 Uma característica desse protestantismo ecumênico era o crescente declínio do seu ímpeto evangelizador, em contraste com a vitalidade das igrejas vinculadas a missões independentes ou ao movimento pentecostal, que mantinham o seu vigor evangelístico apesar das debilidades da sua teologia. Do seio desse protestantismo majoritário surgiu o impulso para os Congressos LatinoAmericanos de Evangelização, que constituem a terceira das séries mencionadas acima: CLADE I (Bogotá, 1969), CLADE II (Lima, 1979) e CLADE III (Quito, 1992). O CLADE IV deverá realizar-se em setembro do ano 2000 no Equador.10 O primeiro CLADE foi organizado pela Associação Evangelística Billy Graham, sob o impulso do Congresso Mundial de Evangelização (Berlim, 1966), convocado pela revista evangélica Christianity Today. O CLADE I permitiu que líderes preocupados em relacionar a fé evangélica com a realidade latino-americana compartilhassem as suas inquietações. Para Valdir Steuernagel, esse congresso teve duas marcas distintivas: Manifestou com clareza que, na América Latina, somos e queremos ser evangélicos. E, como evangélicos, somos e queremos ser latino-americanos. Naquela ocasião e naquele contexto, tornava-se urgente que, sendo evangélicos, buscássemos uma teologia da encarnação que estabelecesse as pautas para um diálogo com a situação de sofrimento e opressão que se vivia em toda a América Latina.11 Foi no CLADE I que se articulou a criação da Fraternidade Teológica LatinoAmericana, organizada no ano seguinte em Cochabamba, Bolívia, tendo Pedro Savage como seu primeiro secretário e Samuel Escobar como seu primeiro 80

presidente. Escobar assim expressou os objetivos da Fraternidade: Desde o primeiro momento, a FTL procurou ser uma plataforma de encontro e diálogo teológico da qual participassem pastores, missionários e pensadores evangélicos, dentro do marco evangélico de uma lealdade comum à autoridade bíblica e à fé evangélica como base da reflexão e de um compromisso ativo com o cumprimento da missão cristã.12 Por sua vez, a Fraternidade Teológica Latino-Americana convocou os CLADEs posteriores, inclusive o que irá realizar-se no ano 2000.13 A Fraternidade procurou estar tão consciente da problemática social latino-americana quanto o grupo ISAL, mas ao mesmo tempo preocupou-se em abordar a questão de uma perspectiva que entendia ser mais bíblica e equilibrada. Ela é também mais representativa do protestantismo popular da América Latina que a sua congênere ecumênica. Entre os seus participantes mais destacados e influentes está o líder que é o enfoque principal deste artigo — Samuel Escobar.14 II. DADOS BIOGRÁFICOS E ESCRITOS Samuel Escobar nasceu no Peru e freqüentou uma escola missionária inglesa em Arequipa. Em 1956, ele recebeu o seu grau de mestre em artes e educação na Universidade de São Marcos, em Lima, após o que dedicou-se ao ensino nos níveis primário, secundário e superior. Em 1959 Escobar tornou-se o secretário itinerante da Fraternidade Internacional de Estudantes Evangélicos (International Fellowship of Evangelical Students) — representada no Brasil pela Aliança Bíblica Universitária —, visitando praticamente todos os países da América Latina. Ele trabalhou como missionário entre estudantes universitários na Argentina e no Brasil15 e foi diretor da Comunidade Evangélica Kairós, em Buenos Aires. Alguns anos depois, ele fez o curso de doutorado em filosofia (Ph.D.) na Universidade Complutense de Madri e eventualmente trabalhou como secretário da Fraternidade Cristã Universitária (Inter-Varsity Christian Fellowship) do Canadá, com sede em Toronto.16 Escobar foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Fraternidade Teológica Latino-Americana (1970-1984) e de 1979 a 1985 ocupou o cargo de secretário geral da Fraternidade Internacional de Estudantes Evangélicos. Nas décadas de 1960 e 1970, ele e outros teólogos latino-americanos tornaram-se bem conhecidos em círculos evangélicos e ecumênicos internacionais através de sua participação em importantes conferências. Além disso, há muitos anos ele é membro da Comissão Teológica da Fraternidade Evangélica Mundial (World Evangelical Fellowship), tendo participado de muitas de suas consultas ao redor do mundo.17 Atualmente, Samuel Escobar é presidente das Sociedades Bíblicas Unidas e professor titular de missiologia no Seminário Teológico Batista do Leste, em Filadélfia, Estados Unidos.18 Ele também leciona sobre missões em seu país natal, o Peru.

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Samuel Escobar é autor de vários livros sobre teologia e missiologia: Diálogo entre Cristo y Marx (1967), Quien es Cristo Hoy? (1970, com C. René Padilla), Decadencia da la Religión (1972), Christian Mission and Social Justice (1978, com John Driver), Irrupción Juvenil (1978), La Fe Evangelica y las Teologías de la Liberación (1987), Evangelio y Realidad Social (1988), Liberation Themes in Reformational Perspective (1989), Paulo Freire: Una Pedagogia Latinoamericana (1993), entre outros. Um dos seus livros mais recentes é Desafios da Igreja na América Latina: História, Estratégia e Teologia de Missões, publicado em 1998 pela Editora Ultimato. Escobar também escreveu diversos ensaios que foram publicados como capítulos de livros. Alguns títulos representativos podem dar-nos uma idéia de seus temas prediletos: “Social Concern and World Evangelism,” em Christ the Liberator (1971); “The Social Impact of the Gospel,” em Is Revolution Change? (1972); “Evangelism and Man´s Search for Freedom, Justice and Fulfillment,” em Let the Earth Hear His Voice (1974); “The Role of Translation in Developing Indigenous Theologies: A Latin American View,” em Bible Translation and the Spread of the Church (1990); “Latin America,” em Toward the Twenty-First Century in Christian Mission (1993); “A Pauline Paradigm of Mission: A Latin American Reading,” em The Good News of the Kingdom (1993); “La Presencia Protestante en America Latina: Conflicto de Interpretaciones,” em Historia y Misión: Revisión de Perspectivas (1994); “The Church in Latin America after Five Hundred Years” e “Conflict of Interpretations of Popular Protestantism,” em New Face of the Church in Latin America: Between Tradition and Change (1994); “The Search for a Missiological Christology in Latin America,” em Emerging Voices in Global Christian Theology (1994); “The Training of Missiologists for a Latin American Context,” em Missiological Education for the Twenty-First Century (1996); “Religion and Social Change at the Grass Roots in Latin America,”19 em The Role of NGOs: Charity and Empowerment (1997). Finalmente, seus numerosos artigos têm aparecido em renomados periódicos como Evangelical Missions Quarterly, Evangelical Review of Theology, International Bulletin of Missionary Research, Transformation, Missiology e International Review of Mission, entre outros. Uma vez mais, os próprios títulos de alguns artigos representativos dão uma clara idéia dos principais temas com os quais Escobar tem trabalhado ao longo dos anos: “The Social Responsibility of the Church in Latin America” (EMQ, 1970), “Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America” (IBMR, 1982), “Transformation in Ayacucho: From Violence to Peace and Hope” (Transformation, 1986), “Missions and Renewal in Latin American Catholicism” (Missiology, 1987), “Recruitment of Students for Mission” (Missiology, 1987), “Has McGavran´s Missiology Been Devoured by a Lion?” (Missiology, 1989), “From Lausanne 1974 to Manilla 1989: The Pilgrimage of Urban Mission” (Urban Mission, 1990), “A Movement Divided: Three Approaches to World Evangelization Stand in Tension with One Another” (Transformation, 1991), “Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological Christology” (Missiology, 1991), “Mission in Latin America: An Evangelical Pespective” (Missiology, 1992), “The Elements of Style in Crafting New International Mission Leaders” (EMQ, 1992), “500 Years after Columbus: Requiem 82

que ele não tem nenhuma conexão particular com as correntes da teologia da libertação que foram e ainda são uma expressão importante da teologia latinoamericana. os evangélicos começaram a constituir uma comunidade verdadeiramente global com uma visão abrangente de missões. e os ensinos e o ministério de Jesus em particular. 1998). Para ele. a mensagem bíblica em geral.or Te Deum?” (EMQ. 1992). regimes ditatoriais e caos sócioeconômico. Bassham descreve o desenvolvimento das teologias de missão ecumênica. tanto católica quanto protestante. especialmente através dos movimentos de que participou a partir da década de 1960. leigos e líderes cristãos — a compartilhar essa visão. marcado por injustiça e opressão generalizada. Em seu livro Mission Theology. como indivíduos e como membros da sociedade. “The Whole Gospel for the Whole World from Latin America” (Transformation. o evangelho tem relevância para a totalidade da vida. III. professor e teólogo. pastores. O evangelho tem implicações sociais e políticas revolucionárias que não podem ser omitidas. evangélica conservadora e católica. “Missions´ New World Order: The Twenty-First Century Calls for us to Give up our Nineteenth-Century Models for Worldwide Ministry” (Christianity Today. 1994). especialmente entre 1948 e 1975. Escobar e alguns colegas sentiram que não era suficiente pregar um evangelho puramente espiritual. “The Legacy of John Alexander Mackay” (IBMR. Ele observa que. Sua identidade latino-americana também é essencial para a reflexão e os envolvimentos teológicos de Escobar. o ano em 83 . REFLEXÃO TEOLÓGICA E ENVOLVIMENTOS Samuel Escobar identifica-se como um evangélico. A igreja deve proclamar Jesus Cristo como Salvador e Senhor porque os seres humanos carecem tanto de reconciliação com Deus quanto de dignidade e integridade em sua vida neste mundo. “Beyond Liberation Theology: A Review Article” (Themelios. Como pastor. “A Missiological Approach to Latin American Protestantism” (IRM. ele está longe de partilhar das idéias e compromissos do fundamentalismo. em particular depois de 1966. Para ele.20 As influências recebidas por Escobar. 1994). Tendo vivido em um período de grande turbulência na história latino-americana. violência política. sendo bastante crítico da sua teologia/ideologia. por um lado. ajudam a entender as preocupações reveladas pelos títulos dos seus escritos. líder de movimentos estudantis. e a igreja deve partilhar desse interesse de Deus. golpes militares. Escobar considera sua tarefa articular essa missiologia holística e inspirar outras pessoas — estudantes. Conseqüentemente. Rodger C. especialmente em um contexto de pobreza e sofrimento. Escobar tem um profundo interesse em missões. em meados da década de 60. 1993). ele sempre interessou-se pela missão da igreja. 1992). mostram o interesse de Deus por todas as necessidades humanas. Por outro lado.21 Isto significa.

Escobar estava entre os muitos líderes do terceiro mundo que falaram enfaticamente em prol das igrejas nativas. à medida que evangélicos de todo o mundo começaram a empreender juntos uma análise da situação enfrentada por aqueles que estavam envolvidos com missões e evangelismo em todos os continentes. Nesse contexto. O Congresso Mundial de Evangelização (Berlim. Para Bassham. o forte impacto do conceito de “crescimento da igreja” sobre a teologia evangélica de missões. 1966). No Congresso Mundial de Evangelização (Berlim. a fim de permitir o surgimento de igrejas nativas alicerçadas na fé.22 Os congressos de Wheaton e Berlim marcaram um novo estágio na emergência de uma identidade evangélica. que evocou manifestações de opinião de toda a comunidade evangélica. positiva e consistente. dotadas de uma liderança nacional bem-treinada.25 No entanto. imperialista e colonialista.que eles patrocinaram duas grandes conferências mundiais sobre missões e evangelização. 1974). 1966) – a primeira grande reunião mundial de evangélicos no século XX – também estimulou congressos regionais de evangelização em vários continentes. Bassham observa que “as apresentações e discussões de Lausanne mostraram um espírito de abertura. Ele exortou os missionários a superar a mentalidade paternalista. a luta em torno da relação entre evangelização e ação social. Estados Unidos. e o crescente número de vozes evangélicas provenientes de fora da América do Norte. Samuel Escobar estando entre eles. e capazes de atuar eficazmente em seu contexto local. 1974). o principal forum internacional em que se ouviu a voz de Escobar foi o Congresso Internacional de Evangelização Mundial (Lausanne. diversidade de perspectivas e profundidade de análise jamais alcançado anteriormente em uma assembléia evangélica. Estes por sua vez contribuíram para o Congresso Internacional de Evangelização Mundial (Lausanne. Escobar foi ouvido pela primeira vez por grandes audiências internacionais nas convenções da Fraternidade Cristã Universitária realizadas em Urbana. Ele e outros oradores da América Latina desafiaram os evangélicos norte-americanos a reconhecer a necessidade de promover justiça social e reformas políticas como parte dos seus deveres como cristãos. Escobar falaria apaixonadamente sobre a necessidade de se estabelecer uma relação entre as preocupações sociais e a evangelização mundial.”26 Uma das grandes influências nas deliberações do congresso veio através das contribuições de 84 .”23 Em todos esses acontecimentos importantes houve uma decidida participação de teólogos latino-americanos.24 Na convenção de 1970. o Pacto de Lausanne demonstra que “os evangélicos desenvolveram uma teologia de missão amadurecida. à medida que os participantes se debatiam com as questões da teologia de missão no mundo contemporâneo. nos anos 60. Bassham identifica vários desdobramentos importantes: os primórdios de uma teologia evangélica de missão altamente representativa (a Declaração de Wheaton).

Orlando Costas e Samuel Escobar proferiram as declarações mais fortes no sentido de que a preocupação com as necessidades sociais da humanidade e o envolvimento com as mesmas é uma parte necessária do testemunho e da responsabilidade dos cristãos em favor do mundo. é religiosidade e não cristianismo. e não explorada. Bassham cita as seguintes afirmações de Escobar: Uma espiritualidade sem discipulado nos aspectos diários da vida — sociais. Lausanne abordou o tema abrangente da evangelização mundial. nem a ação social seja evangelismo. a singularidade de Cristo e a necessidade da evangelização. Oradores latino-americanos como René Padilla. através do grupo de Discipulado Radical.28 85 . até mesmo ao ponto de se esforçarem pela mudança das estruturas sociais. do discipulado cristão e da renovação da igreja. Portanto. tem uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida. religião. tanto pela nossa negligência quanto por às vezes termos considerado a evangelização e a preocupação social como mutuamente exclusivas. René Padilla. foi de especial importância. cultura. é o interesse pela integridade do Evangelho que nos motiva a acentuarmos a sua dimensão social. cor.. devemos partilhar da sua preocupação com a justiça e a reconciliação em toda a sociedade humana e com a libertação dos homens de todo tipo de opressão.oradores do terceiro mundo. sexo ou idade. toda pessoa. Também aqui manifestamos o nosso arrependimento. Enquanto que a orientação teológica de Lausanne permaneceu firmemente evangélica. De uma vez por todas. demonstrando que o evangelismo bíblico é inseparável da responsabilidade social. nem a libertação política seja salvação. O impacto de líderes como Samuel Escobar e C. econômicos e políticos —. ela também produziu algumas mudanças bemdefinidas na teologia evangélica de missões. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus. não importa qual seja a sua raça. acentuando a autoridade da Bíblia.” o Pacto de Lausanne declara: Afirmamos que Deus é tanto o Criador como o Juiz de todos os homens. O Pacto de Lausanne foi muito além das declarações evangélicas tradicionais. devemos rejeitar a falsa noção de que a preocupação com as implicações sociais do evangelho e as dimensões sociais do testemunho cristão resultam de uma falsa doutrina ou de uma ausência de convicção evangélica.27 Muitas vezes durante o congresso os participantes afirmaram ter um interesse profundo e permanente pela ação social em favor dos pobres e necessitados. Ao contrário. todavia afirmamos que tanto a evangelização como o envolvimento socio-político são parte do nosso dever cristão. classe. referindo-se com isso ao ministério e à missão total da igreja. Embora a reconciliação com o ser humano não seja o mesmo que a reconciliação com Deus. Em seu capítulo sobre a “Responsabilidade Social Cristã..

que trai o ensino bíblico e não segue o modelo proposto por Cristo. de Jesus Cristo. Sustentamos que uma evangelização que não toma conhecimento dos problemas sociais e que não anuncia a salvação e a soberania de Cristo dentro do contexto no qual vivem os que ouvem. Em sua opinião.”34 Ele argumenta que os evangélicos latino-americanos escolheram o Pacto de Lausanne como uma expressão do seu consenso doutrinário básico e do seu claro compromisso com um modelo de missão integral e bíblico. injustiça. de uma expressão mais autêntica de unidade cristã no empreendimento missionário e de uma reflexão missiológica mais séria e profunda.”32 se os cristãos quisessem testemunhar fielmente em seu contexto sócio-cultural. que envia o evangelista. Orlando Costas comenta que 1969 foi para os protestantes o que 1968 havia sido para os católicos (II Conferência Episcopal Latino-Americana. em Buenos Aires. Bogotá.35 Em um capítulo sobre a América Latina que escreveu para o livro Toward the 86 . fome.33 O próprio Escobar acha que o seu modelo pode ser melhor descrito como “holístico. em Medellín. Samuel Escobar e C. Costa vê nos documentos de ambos os eventos a emergência de novas tendências missiológicas caracterizadas por um tríplice interesse: a busca de um entendimento histórico de missões. Naquele ano..30 Escobar afirmou a certa altura: Existe base suficiente na história da Igreja e nos ensinamentos da Palavra de Deus para afirmar categoricamente que a preocupação pelo aspecto social do testemunho evangélico no mundo não é um abandono das verdades fundamentais do Evangelho. uma das quais é o modelo ético-missiológico — missão da perspectiva de questões éticas — articulado por. Ele argumentou eloqüentemente que tanto a evangelização quanto a ação social são necessárias para o testemunho cristão. René Padilla. Colômbia). evangélicos.. do homem e do mundo. além do CLADE I. é levar às suas últimas conseqüências os ensinos a respeito de Deus.31 Essa ênfase achou lugar na Declaração Evangélica de Bogotá. que formam a base desse Evangelho. Apesar das diferenças existentes entre os dois movimentos.No âmbito continental. levarmos a sério a nossa responsabilidade social. violência e desespero. a sua apresentação sobre a responsabilidade social da igreja recebeu a atenção mais entusiástica. entre outros. pelo contrário. três anos antes. os protestantes latino-americanos realizaram ainda outra grande conferência – a Conferência Evangélica LatinoAmericana (CELA III).” Os participantes afirmaram que “o exemplo de Cristo devia ser encarnado na crítica situação latino-americana de subdesenvolvimento. 1969). planejado em resposta a pedidos de delegados latino-americanos presentes no Congresso de Berlim. é uma evangelização defeituosa. Samuel Escobar teve uma importante participação no Primeiro Congresso Latino-Americano de Evangelização (CLADE I.29 Dentre os 28 discursos principais. essa terceira busca tem assumido várias formas. que afirmou: “É chegada a hora de nós.

Eles não procurariam estabelecer prioridades nesses termos. injustiça e idolatria ideológica. testemunha-se o surgimento de uma nova teologia contextual que conclama à “integridade” da missão e procura associar o zelo evangelístico com a paixão holística. Ele preocupa-se com a “missiologia gerencial” que dá ênfase à proclamação verbal e ao crescimento numérico de adesões à igreja como o principal componente das missões cristãs.38 Ele acha que a base desse questionamento tem sido o compromisso claro com a tarefa de missões e evangelização. cujo pacto manteve a ênfase de Lausanne sobre a preocupação social como parte da missão da igreja: “Assim como no passado o chamado de Jesus Cristo e da sua missão foi um chamado para cruzar fronteiras geográficas. e essa singularidade de Jesus Cristo é essencial para a mensagem da igreja. Escobar é um crítico rigoroso do movimento do Crescimento da Igreja. inclusive a clamorosa realidade de pobreza que circundava o próprio local em que se reuniram os delegados.40 O que Escobar questiona é se uma pessoa pode realmente evangelizar anunciando a Cristo como Salvador e então deixar a questão do senhorio de Cristo sobre toda a criação para uma segunda etapa. hoje o Senhor está nos chamando para cruzarmos as fronteiras da desigualdade. Uma delas foi o Primeiro Congresso Missionário Latino-Americano (Curitiba. pois operavam com uma noção bíblica holística do ser humano. Segundo. ele concorda integralmente com dois pontos do apelo de McGavran: primeiro. como evangélico. iniciado por Donald McGavran em 1960. São Paulo. Ele observa que os grandes missionários dos primeiros 1800 anos da igreja dificilmente fariam a distinção entre “espiritual” (evangelização) e “o resto. porque Jesus Cristo é Senhor. Escobar menciona duas outras conferências missionárias latino-americanas. ambas realizadas no Brasil. a igreja nunca deve perder o seu senso de missão e do seu chamado para proclamar a Jesus Cristo como Salvador e Senhor. Reagindo contra o triunfalismo fácil das estatísticas e a tirania do controle de dados.39 Em resposta a um artigo de McGavran.”36 Todavia. 1987) deixou de abordar conceitos básicos do entendimento de missões. 1976).” que McGavran faz. Escobar afirma que. ele lamenta o fato de que o Congresso Missionário Ibero-Americano (COMIBAM. ou irá adotar as técnicas e padrões da sociologia 87 .37 Por essa razão. que poderá nunca chegar. O que o movimento do Crescimento da Igreja necessita é o corretivo de uma sólida teologia bíblica.Twenty-First Century in Christian Mission (1993). Escobar acredita que o êxito do avanço protestante na América Latina deve ser interpretado fazendo-se perguntas sérias sobre o seu dinamismo transformador e a sua contribuição para a justiça nas relações sociais. Assim sendo. mas também o esforço consciente de executar essa tarefa segundo moldes bíblicos. somente em seu nome há salvação para a humanidade. Escobar argumenta que o grande dilema para o qual a missiologia deve estar alerta é diferente: A obra missionária será realizada segundo o modelo de Jesus e a prática apostólica.

Como evangélico.”47 Contra o Cristo “docético” do catolicismo latino-americano tradicional. alguém que tem procurado ser um crítico e intérprete amoroso – um crítico severo em alguns pontos – do lado de dentro. Se. Escobar entende que a Teologia da Libertação é uma voz eloqüente que procura reinterpretar a história cristã e a mensagem cristã. à medida que a Igreja Católica Romana latino-americana buscou nova relevância social e política. ele aborda esse movimento na qualidade de “um observador-participante. embora Escobar considere inadequadas a análise marxista e a “escatologia” da Teologia da Libertação. Escobar e os seus colegas 88 . enfatize “o discipulado cristão como algo que implica em colocar a totalidade da vida debaixo do senhorio de Jesus Cristo. por outro lado ele não sente entusiasmo pela Teologia da Libertação. é um movimento popular. Escobar declara que "para as massas em transição.”42 Ele destaca várias lições missiológicas que podem ser extraídas do impressionante crescimento do pentecostalismo latinoamericano: é um movimento religioso (e não social ou político). no início das missões protestantes na América Latina. Escobar reafirma a ênfase evangélica na centralidade da Escritura e questiona a abordagem fortemente ideológica da interpretação bíblica demonstrada pelos teólogos da libertação. a Teologia da Libertação foi uma das conseqüências desse processo.funcionalista. Ele admite: “Nós não mais podemos aceitar uma missiologia que recusa-se a levar a sério as realidades políticas e sociais. do marketing e das relações públicas?41 Compreensivelmente. mobiliza as pessoas para a missão e cria um senso de comunidade. o evangelho era a verdadeira força libertadora nas vidas dos latino-americanos. ele admite que a missiologia evangélica está aprendendo a encarar a história missionária com uma atitude menos ingênua e mais madura. e a religião oficial uma força opressora. e apela a uma genuína cristologia missiológica que. alcançar dignidade humana e sobreviver ao impacto das forças anômicas que atuam nas grandes cidades.45 A Teologia da Libertação confronta a missiologia evangélica com dois desafios. A missiologia evangélica deve avaliá-la. Escobar diverge da escola do Crescimento da Igreja. Ele observa como. essas igrejas estão oferecendo não somente um abrigo ou refúgio no sentido mais limitado. Escobar vê com apreciação o dinamismo e o crescimento do protestantismo popular (pentecostalismo) na América Latina.”46 Na área da hermenêutica. nas palavras de René Padilla. mas a única maneira disponível de encontrar aceitação social. Ele admite que a hermenêutica evangélica necessitar ser constantemente purificada de pressuposições ideológicas. por um lado.44 Em décadas recentes. um na área da consciência histórica e o outro na da hermenêutica. Com relação ao primeiro."43 Ele observa que alguns pentecostais latino-americanos também escolheram o Pacto de Lausanne como expressão do seu compromisso com um modelo de missão holístico e bíblico.

Escobar gostaria de ouvir as igrejas norte-americanas dizerem: “Vamos descobrir o que Deus está fazendo em outras partes do mundo. Há também uma preocupação quanto às marcas da missão de Jesus. crescimento da igreja. e vamos unirnos aos nossos irmãos e irmãs a fim de completarmos a tarefa inacabada. mas também da África e da Ásia. Além disso. há uma busca do significado e da “integridade” do evangelho — Jesus Cristo é tanto o conteúdo quanto o modelo e o alvo da proclamação do evangelho.”51 Mais uma vez ele expressa o seu entusiasmo pelo protestantismo popular (pentecostalismo) devido a sua ênfase na mobilização 89 . O material bíblico é abordado a partir de várias perspectivas possuidoras de significado missiológico. sobre como a sua obra e ensino são relevantes para todas as áreas da vida. Nessas igrejas do hemisfério sul.da Fraternidade Teológica Latino-Americana têm refletido sobre o Jesus dos evangelhos. terceiro mundo) pudessem convergir em um movimento mais articulado e cooperativo para enfrentar a tarefa missionária do terceiro milênio. Escobar cita novamente seu amigo René Padilla: “(O evangelicalismo) afirma o poder transformador de Cristo em relação ao indivíduo. e como ele o está fazendo. as igrejas dos pobres. Escobar identifica essa reflexão missiológica que está vindo não só da América Latina. com o entendimento de que ser seu discípulo é ser chamado por ele tanto para conhecê-lo quanto para participar da sua missão. mas é totalmente incapaz de relacionar o Evangelho com a ética social e a vida social.”48 Essa missiologia cristológica busca um novo modelo para inspirar e moldar a ação missionária. ele destaca a importância do treinamento de missionários e missiólogos para o contexto latino-americano.”50 Em sua obra publicada recentemente em português. Nesse sentido. Essa reflexão inclui uma crítica do cristianismo evangélico na América Latina. tanto individual quanto social. Escobar observa que a internacionalização das missões cristãs implica em reconhecer que Deus tem levantado igrejas grandes e florescentes no terceiro mundo.”49 Ele argumenta que seria grandemente desejável para a globalização das missões e da teologia evangélica se as diferentes correntes missiológicas do evangelicalismo (européias. ele argumenta que “nosso programa de treinamento na América Latina precisa ser elaborado com base em convicções bíblicas. Deus está despertando uma nova força missionária. Escobar aborda em cinco ensaios algumas de suas preocupações mais fundamentais. Há uma séria reflexão acerca daquilo que os evangelhos dizem sobre a pessoa e a obra de Jesus de Nazaré. mencionada no início deste trabalho. Inicialmente. mesmo que essa leitura signifique um exame incômodo e sério da herança evangélica. especialmente nas fronteiras de missão. experiência de vida. Ele observa que tal missiologia “é caracterizada por uma forte ênfase hermenêutica que insiste na importância de ler o mundo e ler a Palavra. Em um artigo sobre a preparação de líderes de missões. consciência histórica e preocupação pastoral. como uma missiologia crítica da periferia.

vemos uma preocupação constante com as implicações sociais e comunitárias do Evangelho.”52 Ao mesmo tempo que expressa sua admiração pelas igrejas populares. Não precisamos concordar com tudo o que Samuel Escobar tem escrito. e conclui com uma análise do modelo missionário de Paulo. REFLEXÕES FINAIS Samuel Escobar não se identifica como um reformado ou calvinista. Ainda que isso não deixe de ser importante. o nosso continente testemunha o crescimento cada mais acentuado de uma 90 . Ásia e América Latina). a partir da sua própria comunidade local. com sua notável interação entre reflexão e ação missionária. a dar uma grande ênfase ao papel do Espírito Santo nas missões cristãs. Ele entende que “os evangélicos latino-americanos necessitam de um impulso renovado do Espírito Santo e de uma leitura nova e contextual da Palavra de Deus. em anos recentes. alguns pontos da sua missiologia merecem reparos. falta de uma eclesiologia clara e atitudes sectárias.53 Finalmente. que vai além da experiência religiosa pessoal para incluir a comunidade e o mundo. suas formas contextualizadas de culto e ação missionária e o destaque dado ao ministério do Espírito Santo e ao elemento de conflito espiritual relacionado com a missão da igreja. muito embora as suas práticas nem sempre tenham correspondido às suas convicções. uma vez que está filiado à Igreja Menonita. algumas de suas suas ênfases certamente contariam com o aval de João Calvino e de muitos dos seus seguidores. os reformados têm acentuado um conceito abrangente acerca da missão da igreja.54 Historicamente. ao lado da sua anterior ênfase cristocêntrica. espírito de competição. sermões ou nas Institutas. Nos escritos do grande reformador. Não obstante. Isso tem levado Escobar.dos leigos. Para superar esses problemas ele novamente propõe o modelo de missão integral. Na realidade. Escobar reconhece que. elas enfrentam os riscos do excesso de individualismo. como a sua ênfase quase que exclusiva sobre as massas empobrecidas da América Latina como objeto da ação missionária da igreja. Sua biografia e envolvimentos revelam uma conexão preponderante com a tradição anabatista. Após salientar o “fator novo” na história do cristianismo que é a transferência do dinamismo missionário para o hemisfério sul (África. fato que tem sido amplamente documentado por diversos pesquisadores. Escobar alerta os cristãos evangélicos para a necessidade de um constante processo de encarnação e contextualização que rejeita toda e qualquer forma de paternalismo e discriminação. seja em seus comentários. cartas. Ele encarece a necessidade de uma espiritualidade profunda aliada a uma preocupação igualmente intensa com as exigências éticas do evangelho. com sua ênfase na conversão de indivíduos ao evangelho. morávios e avivalistas dos séculos XVIII e XIX do que com os reformadores do século XVI. ele aponta que os evangélicos latino-americanos têm maior afinidade com os pietistas.

Isso foi ilustrado de maneira extraordinária por 91 . da luta contra o trabalho infantil. muitos cristãos aderiram à agenda revolucionária da Teologia da Libertação. na Europa e nos Estados Unidos. Num período conturbado da história recente da América Latina. quando nosso continente foi sacudido por profundas convulsões políticas. notadamente nas áreas doutrinária e ética. no início deste século. ao passo que os liberais. coerência e clareza sobre a necessidade de um entendimento abrangente da tarefa da igreja no mundo. as igrejas e cristãos individuais estavam na vanguarda de movimentos em prol da extinção do tráfico negreiro. pois que a igreja cristã em geral e as igrejas evangélicas de modo particular têm uma longa e honrosa tradição de “missão integral” ao mundo. Tal ocorrência seria um retrocesso histórico lastimável. Escobar e seus colegas têm algo importante a dizer às igrejas evangélicas históricas da América Latina e do Brasil. ideológicas e sociais. Infelizmente. que falam com convicção. especialmente como reveladas no seu Filho.classe média significativa que também deve ser alvo do interesse da igreja. Samuel Escobar e seus companheiros da Fraternidade Teológica LatinoAmericana fizeram um esforço sério no sentido de apresentar uma alternativa a essa teologia que fosse bíblica. Eles demonstraram que as igrejas podem permanecer fiéis às suas convicções históricas e ao mesmo tempo adotar uma postura ousada e coerente em relação aos problemas sociais. como agente e instrumento de Deus. que realmente correm o risco de tornar-se irrelevantes na sociedade caso não despertem para algumas dolorosas realidades que existem ao seu redor. Os conservadores em grande parte aferraram-se à idéia de que a missão exclusiva da igreja é a evangelização. a atitude e as ações de Deus em relação ao mundo. como é caso de alguns recentes movimentos neopentecostais. tendo como alvo a conversão individual. Escobar tende a superestimar os valores positivos das igrejas populares. devemos levar a sério os desafios desses líderes. Ao mesmo tempo que enviavam pregadores do evangelho para todos os quadrantes do mundo. poucos afeitos à pregação do evangelho. evangélica e igualmente radical em suas implicações. são o nosso grande paradigma de missão. que busca a humanidade com amor e compaixão. Ao lado disso. Jesus Cristo. do combate ao alcoolismo e de tantas outras causas nobres. dando pouca atenção a alguns sérios problemas apresentados pelas mesmas. optaram decididamente por atividades de cunho social. Como Escobar destaca. produziram a concepção dicotômica da missão da igreja que hoje observamos. da reforma das prisões. que quer dar vida e dignidade à sua criação. Como cristãos brasileiros preocupados tanto com a missão da igreja quanto com as difíceis realidades sócio-econômicas de nosso país. Basta lembrarmos o intenso esforço de missões e de reforma social gerado pelos grandes despertamentos dos séculos XVIII e XIX. A Bíblia fala de um Deus que toma a iniciativa. as disputas teológicas tão bem exemplificadas pela controvérsia modernistafundamentalista nos Estados Unidos. da abolição da escravatura. Não obstante.

praticidade ou. Ele instruiu os seus seguidores a continuarem a sua obra de proclamação do reino (Jo 20. como Joseph H. estatísticas e resultados rápidos não deve cegar a igreja para a integridade da missão. 1987). o importante livro de William R. Latourette. Ela é uma instituição singular. necessariamente fará com que a igreja enfrente as diferentes situações que afetam a vida humana neste mundo caído. Por causa do seu forte senso de missão.: O presente estudo é uma versão ampliada do artigo “Samuel Escobar e a Missão Integral da Igreja: Uma Perspectiva Latino-Americana.” publicado em Vox Scripturae 8/1 (Julho 1998): 95-111.21s). o propósito total de Deus para a humanidade e para a comunidade redimida. Seus líderes. Inevitavelmente é levantada a questão das prioridades: uma vez que não podemos fazer tudo que Deus espera que façamos. a sua mensagem e ações desafiam todas as áreas da vida particular e coletiva. e a tenham em abundância. em seu ministério terreno. se vivida até as suas últimas conseqüências. a evangelização – convidar os indivíduos. O Cristo do Novo Testamento interessa-se por todas as necessidades humanas — espirituais. a preocupação com prioridades. Speer. físicas e emocionais. Mott e Robert E. com uma contribuição e uma mensagem singular. Ver Kenneth S. eram provenientes do movimento cristão de estudantes.Jesus. Essa mensagem. esses sublimes ideais nem sempre encontram plena expressão nas vidas diárias dos cristãos e das igrejas. Oldham. Tudo deve ser colocado debaixo do propósito e do senhorio de Deus. John R. Ver. Errand to the World: American Protestant Thought and Foreign Missions (Chicago: The University of Chicago Press. À medida que a igreja evangeliza. a esse respeito. Todavia. quando. Hutchison. ela também precisa expressar o interesse de Deus por toda a vida e espelhar a atitude daquele que disse: “Eu vinham para que tenham vida. vamos concentrar os nossos esforços no que é primordial – a evangelização – e as outras preocupações cuidarão de si mesmas. Jesus lutou e morreu na cruz. Obs. É para essas implicações mais amplas do evangelho e da missão da igreja que cristãos comprometidos e inquiridores como Samuel Escobar chamam a nossa atenção. Evidentemente. O reino de Deus e seus novos valores devem ser manifestos em todos os tipos de relacionamentos humanos. as famílias e as comunidades à reconciliação e nova vida em Jesus Cristo – certamente é básica e essencial. “Ecumenical Bearings of the Missionary Movement and the 92 .” A igreja não deve ser reduzida a uma organização social ou a um grupo de pressão política como tantos que existem na sociedade. muitas vezes. Desde uma perspectiva evangélica. manifestou o interesse de Deus por todos os tipos de pessoas e pela pessoa integral. A Conferência de Edimburgo é considerada o berço do moderno movimento ecumênico.

Núnez e o brasileiro Valdir Steuernagel. autor de Uma Teologia da Libertação (1971).” Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). identidade étnica e filiação eclesiástica. Ruth Rouse e Stephen C. um velho Catalina da Panair. enquanto que todos os CLADEs ocorreram nos países andinos. Outros membros bem conhecidos da Fraternidade Teológica são C. Neill. José Porfirio Miranda. Henrique Dussel e Leonardo Boff. Nelson. sexo. Emílio A. Entre os latino-americanos presentes no congresso estavam apenas três brasileiros. Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). Jon Sobrino. Entre os evangélicos conservadores. eds. como jovem delegado peruano a um congresso mundial da juventude batista. Das três CELAs. Os critérios de seleção procuram ser os mais abrangentes possíveis em termos de faixas etárias dos participantes. os presbiterianos Eduardo Carlos Pereira. Em 1959 e 1960 percorri como evangelista e discipulador um bom número de centros universitários. Rolando Gutiérrez. Cheguei de avião. Ver Samuel Escobar. 35. Citado por Tito Paredes em “Visión Histórica de los ‘CLADEs’. na selva peruana. Os próprios locais dessas conferências e congressos são reveladores. Tito Paredes. Daí o subtítulo utilizado: “Para considerar os problemas missionários relativos ao mundo não-cristão. entidade que promoveu o maior esforço cooperativo até hoje empreendido pelas igrejas evangélicas brasileiras e foi precursora da Confederação Evangélica do Brasil. com seus enormes problemas sociais e suas dinâmicas igrejas populares. Neste último aspecto.” Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). até chegar a 93 . “Panamá 1916 y su Impacto sobre el Protestantismo Latinoamericano. no campo protestante destacaram-se José Miguez Bonino e Rubem Alves.International Missionary Council. O historiador Sidney Rooy identifica uma seqüência de três séries ou ciclos de encontros do protestantismo latino-americano. apaixonei-me por esse imenso país. 20. o próprio Escobar afirma em uma obra recente: “Desde a minha primeira visita ao Brasil. de Iquitos. Ecumenical Foundations: A History of the International Missionary Council and its Nineteenth-Century Background (Nova York: Harper and Brothers. Sobre a sua relação com o Brasil. John Kessler e Wilton M. duas realizaram-se na cosmopolita e culta Buenos Aires. especial (Novembro 1978): 521. Erasmo eventualmente tornou-se o secretário da Comissão Brasileira de Cooperação.” 22. 3ª ed. “Los ‘CLADEs’ y la Misión de la Iglesia. Álvaro Reis e Erasmo Braga. 1986). Hogg. Um dos primeiros e mais importantes articuladores dessa teologia foi o sacerdote peruano Gustavo Gutiérrez.” Pastoralia 1/2. 131-32. Hugo Assmann. Dali percorri o Norte e o Nordeste. metade das inscrições é reservada para participantes pentecostais. em 1953. René Padilla. o órgão cooperativo correspondente ao CLAI é a Confraternidade de Evangélicos da América Latina (CONELA). entre outros. até Manaus. 13. 1952).” em A History of the Ecumenical Movement: 1517-1948.. “Los ‘CLADEs’ y la Misión de la Iglesia. Outros nomes importantes no campo católico são Juan Luis Segundo. 353-402 (Genebra: World Council of Churches. ed.” William R. Escobar.

trabalhei como missionário na frente estudantil. Ver Samuel Escobar. Por exemplo. Mackay”. “Transformação em Ayacucho: da violência à paz e esperança”. ele foi editor de Certeza. em distinção dos progressistas ou liberais.” os estudiosos estão utilizado o anglicismo “evangelical” para designar especificamente os evangélicos conservadores. “A nova ordem mundial das missões: o século XXI nos conclama a abandonarmos nossos modelos de ministério mundial procedentes do século XIX”. Desafios da Igreja na América Latina: História. “A missiologia de McGavran foi devorada por um leão?”. culturais e tecnológicos. “Teologia evangélica na América Latina: o desenvolvimento de uma cristologia missiológica”. e diretor de Pensamiento Cristiano. Seu papel principal é ajudar os estudantes a considerar as missões cristãs no contexto da justiça econômica. entre 1962 e 1964. A revista Evangelical Review of Theology. “500 anos após Colombo: Requiem ou Te Deum?”. Segundo o Mennonite Brethren Herald. o termo “evangélico” tem sido virtualmente sinônimo de “protestante. “O legado de John A.” Evangelical Review of Theology 7. Mais recentemente. como ocorre nos Estados Unidos. “O recrutamento de estudantes para missões”. David Bosch 94 .” Samuel Escobar. Também publicado em Annals of the American Academy of Political & Social Science 554 (Nov 1997). Escobar participou de uma conferência sobre economia e missões promovida pelo Concílio de Ministérios Internacionais das igrejas menonitas norteamericanas. esta é a tradução dos títulos dos artigos de Escobar: “A responsabilidade social da igreja na América Latina”. um órgão de exposição do pensamento evangélico. historicamente. “A Latin American Critique of Latin American Theology. Escobar também foi responsável por vários periódicos. nos primeiros anos da Aliança Bíblica Universitária. “Além da teologia da libertação: missiologia evangélica na América Latina”. MG: Editora Ultimato. Valdir Steuernagel e Rodrigo Zapata. publicou os trabalhos apresentados nessa consulta. “Missão na América Latina: uma perspectiva evangélica”. Para os leitores não familiarizados com o inglês. onde. “Elementos de estilo na formação de novos líderes missionários internacionais”. um deles escrito por Escobar e três colegas latinoamericanos. “O evangelho inteiro para o mundo inteiro a partir da América Latina”. uma revista para estudantes universitários.” Como no Brasil. “De Lausanne 1974 até Manilla 1989: a peregrinação da missão urbana”. 11. “Missões e renovação no catolicismo latino-americano”.” Escobar também leciona no curso de Administração do Eastern College. “o missiologista Samuel Escobar disse que um conceito holístico de missão conclama os cristãos a compartilhar tanto a vida espiritual quanto recursos materiais e a utilizar instrumentos espirituais. nº 1 (abril 1983): 48-62. “Além da teologia da libertação: artigo-resenha” e “Uma abordagem missiológica do protestantismo latino-americano. “Um movimento dividido: três abordagens da evangelização mundial permanecem em tensão entre si”. na Coréia do Sul. 1997). publicado na Argentina. em nível de pós-gradução. realizada em Seul. órgão oficial da referida Comissão Teológica. Estratégia e Teologia de Missões (Viçosa. Pedro Arana. Por exemplo. Por força de suas ocupações. em 1982 Escobar participou da Consulta de Teólogos do Terceiro Mundo. em março de 1998.São Paulo.

225.com.. Ver Internet. Um bom exemplo das idéias de Escobar acerca da evangelização pode ser encontrado no seu artigo “Vivir y Evangelizar. 1993). 1984). Mission Theology. 104. Bassham. “Missiology in Contemporary Latin America: A Survey. “Mission in Latin America: An Evangelical Perspective. 133. 95 . 22. Ibid. tratamento ou divisão em partes.html.” em Toward the Twenty-First Century in Mission. Romen (Farmington. Mission Theology: 1948-1975 – Years of Worldwide Creative Tension – Ecumenical. 244. Tópicos do Momento 3 (São Paulo: Vida Nova. que tentam unificar todos os evangelicais. (2) evangelicais separatistas (como Carl McIntire e o seu Concílio Internacional de Igrejas Cristãs).. Bassham.. O COMIBAM deu uma forte ênfase à segunda vinda de Cristo. John Stott. 295. 262.br/cem/postura. Michigan: Urbanus. 1975). (3) evangelicais por confissão (como Peter Beyerhaus). 231.homenet. Mission Theology. Samuel Escobar. o surgimento de uma “teologia nacional” entre os evangélicos latino-americanos. and Roman Catholic (Pasadena. denota o que diz respeito a totalidades ou sistemas completos. “Holístico. Ibid. 349-350. Esse congresso foi o berço da Fraternidade Teológica Latino-Americana. Califórnia: William Carey Library. 1970). René Padilla e Orlando Costas). “Latin America. Orlando Costas. Ibid.” Missiology 20 (Abril 1992). procura tratar tanto a mente como o corpo. www. Evangelical. A palestra foi publicada na íntegra por Edições Vida Nova. Festo Kivengere e Arthur Glasser). 187. ed.. Desafios da Igreja. 291. Ibid. Bassham..” em Missions and Theological Education in World Perspective. The Lausanne Covenant: An Exposition and Commentary (Minneapolis: World Wide. Phillips e Robert T.. em contraste com a análise. Ibid. por exemplo.” do grego hólos (“inteiro”. A Responsabilidade Social da Igreja. 1979). Ibid. 350.” em Pensamiento Cristiano 93 (Março 1978): 170-175. Escobar atribui ao CLADE I. A medicina holística. “completo”). Samuel Escobar. Ver Samuel Escobar. “Has McGavran´s Missiology been Devoured by a Lion?” Missiology 17 (Julho 1989). que recebeu 920 delegados de 25 países. 131. 237. (4) evangelicais pentecostais e carismáticos. e (6) evangelicais ecumênicos (como John Stott. Rodger C. Quando Escobar concluiu sua palestra. Ibid. Samuel Escobar. (5) evangelicais radicais (como Samuel Escobar. Coote (Grand Rapids: Eerdmans. 7-8. Harvie M. os delegados colocaram-se de pé e demonstraram a sua aprovação aplaudindo-o entusiasticamente.menciona pelo menos seis tipos básicos: (1) novos evangelicais (como Billy Graham).. Conn e Samuel F. Ibid. ed. 25. James M.

“Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America.” Evangelical Review of Theology 20/4 (Outubro 1996). 110. Samuel Escobar. 108. Ibid. “The Elements of Style in Crafting New International Mission Leaders. alienação e incerteza que decorre da ausência de propósito ou ideais.. Tal consulta. Ibid. Outros se arrepiam imediatamente quando ouvem falar do assunto. Não seria melhor evitar o assunto? Neste artigo estudaremos um pouco da história para ver se podemos descobrir algumas lições para os dias de hoje. Samuel Escobar.” 134. “Mission in Latin America.” a instabilidade social resultante do colapso dos padrões e valores. Há poucos anos. 69-88. 96 . 72-87 Parte XVII APRENDENDO DA HISTÓRIA DOS AVIVAMENTOS Estamos vivendo numa época em que muitos membros das nossas igrejas oram: "Aviva a tua obra.” Escobar foi o autor de um dos seis estudos apresentados ao plenário.” Fides Reformata 2:2 (Jul-Dez 1997). sob o título “Discernindo o Espírito na América Latina.” Missiology 19 (Julho 1991). trad.Escobar. 111. ó Senhor.. Não é possível repetir a história. Samuel Escobar.” 241. 1990). e “Jonathan Edwards: Teólogo do Coração e do Intelecto.. Mas avivamento? Já passamos por tanta confusão. “Latin America.” International Bulletin of Missionary Research 6 (Julho 1982). 316.” em que revela o seu grande interesse pela dimensão pneumatológica da missão da igreja e conclama os evangélicos a estarem receptivos ao novo vento do Espírito que sopra na igreja. teve como tema “Fé e Esperança para o Futuro: Por Uma Teologia Evangélica Vital e Coerente para o Século XXI. Waldyr Carvalho Luz (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana. ao contrário.” Fides Reformata 3:1 (Jan-Jun 1998).” Evangelical Missions Quarterly 28 (Janeiro 1992). 48. Ibid. 328. É o caso de André Biéler. O Pensamento Econômico e Social de Calvino. Ibid. no decorrer dos anos. Não é que não queiram que as igrejas sejam vivas e dispostas para a obra do Senhor. Escobar. 19. mas podemos aprender com ela. 64. Samuel Escobar. do autor do presente artigo. “Anômicas” deriva de “anomia. Escobar participou de mais uma consulta da Comissão Teológica da Fraternidade Evangélica Mundial. Escobar. Ibid. 321. realizada em Londres de 9 a 14 de abril de 1996. Escobar. Ver também. 7. no sentido individual. mas de fato almejam um avivamento autêntico."(1) Talvez não se expressem exatamente com estas palavras. Desafios da Igreja na América Latina. “Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological Christology. gerando uma espiritualidade nova e radical. tribulação e separação amarga.. Desafios da Igreja na América Latina. significa a inquietação. “Mañana – Discerning the Spirit in Latin America.. “Amando a Deus e ao Próximo: João Calvino e o Diaconato em Genebra.

(2) Os holandeses fundaram Nova Amsterdã (1614) com sua Igreja Reformada (mas os ingleses capturariam a colônia cinqüenta anos depois. mas por outro lado existiam muitos obstáculos à santificação. como é que foi?" Voltemos. Muitos colonos viviam longe das igrejas e. Os "Pais Peregrinos" foram para o nordeste do continente (1620) e estabeleceram fortes colônias congregacionais. Foi adotada a ordem eclesiástica da Escócia.. Era um homem preparado para o trabalho de Deus: conversão clara. o crescimento continuou e em 1717 organizou-se o primeiro sínodo. Os escoceses sabiam fazer isto.(4) Apesar do crescimento numérico das igrejas em geral. mas adoeceu gravemente devido à permanência no calabouço e foi promovido à glória. e em 1701 um jovem pastor do nordeste da Irlanda. I. até entre pastores. No ano seguinte. então. Foi na época em que Portugal e Espanha começaram a navegar pelos oceanos e fundar o seu império ibérico. Foi absolvido. que ficou famoso na jurisprudência sobre a liberdade religiosa. É que os colonos eram pobres. O Senhor abençoou o seu trabalho. não é de estranhar que 97 . o pastor podia ser pago em espécie e. com a Igreja Anglicana como a igreja oficial. especialmente escocesas-irlandesas. a situação religiosa nas colônias não era boa. E havia outros problemas.As nossas igrejas no Brasil foram plantadas por missionários da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos. pior ainda. Portanto. da Palavra de Deus. 17391745). chegando em casa depois de uma longa cavalgada numa tempestade de neve. mormente a embriaguez. Francis Makemie. O Presbiterianismo na América do Norte O Brasil foi descoberto em 1500.(3) Ele é considerado o "pai do presbiterianismo americano. Ele defendeu o seu próprio caso. Somente um século mais tarde nações protestantes começaram a zarpar pelos oceanos. Vamos perguntar à nossa mãe espiritual: "Conte. era tentado a tomar uns tragos. rebatizando-a como Nova York). sendo Virgínia a primeira (1607)." tendo organizado igrejas e até consagrado ministros. Nos lares crentes de fato havia leitura bíblica e o catecismo era decorado. Porém.. a não ser que pudessem ser industrializados. santificação constante e disposição incansável. para a época que entrou na história como o "Grande Despertamento" (Great Awakening. Makemie foi preso por ter pregado em Nova York. Nesse país também houve várias épocas de avivamento com bênçãos e problemas incontáveis. só que não conseguiam vender o whisky a tempo. visão ampla. A Inglaterra implantou colônias na América do Norte. chamada consciente. iniciou o seu trabalho itinerante de Nova York até as Carolinas. e os preços dos produtos da lavoura muito baixos. Por volta de 1700 havia muitas famílias presbiterianas espalhadas por todas as colônias. mamãe. depois que foi quebrada a espinha dorsal marítima da Espanha com a derrota da sua Armada (1588). Muitas igrejas foram organizadas e já cinco anos depois o presbitério reuniu-se pela primeira vez em Filadélfia. e também o seu selo e lema: Nec Tamen Consumebatur. Nesse caso.

em dois anos mais de trinta mil pessoas foram ganhas. 1739-1745 Essa ênfase na pregação tinha sido (re)iniciada naquela região por "Dominie"(8) Theodore J. referindo-se aos colegas como "cães mortos" e outros termos negativos.(13) Apesar desses resultados positivos. se alguém não sabia quando estivera 98 . tais como Harvard e Yale. recorreu-se ao sistema conhecido na Irlanda do Norte. 10% da população americana da época. Theodore era herdeiro de uma ênfase do puritanismo holandês. depois de visitá-los.(5) Havia algumas escolas para preparação de pastores no nordeste americano.(9) Nesse sentido.(6) O casal Tennent era um exemplo de piedade e o próprio George Whitefield. que até os seus correligionários o consideraram mentalmente fraco. mas também uma ética e comportamento bíblicos. A sua oração diária era pela "purificação dos filhos de Levi. E essa purificação devia começar com o corpo ministerial. ou seja. mas com um vocabulário por vezes muito veemente. Quando. A gritaria de um certo James Davenport passou tanto dos limites. Jonathan Edwards pregou o seu célebre sermão "Pecadores nas mãos de um Deus irado" (1741). II.algumas pessoas reconhecessem que a igreja precisava ser purificada para tornar-se realmente uma igreja puritana. o Senhor estava operando nas Igrejas Congregacionais do nordeste americano (1734) e algum tempo depois o Rev. Em 1740 ele pregou uma mensagem com um título apropriado sobre os perigos de um ministério não convertido.(14) Também puderam ser observados vários desvios teológicos. Um desses foi o velho Rev. entre eles seus próprios filhos. William Tennent. Vários pastores não souberam controlar a sua língua."(7) A conversão era absolutamente necessária (inclusive para os presbiterianos) e essa conversão devia ser visível. O próprio Gilbert Tennent abusou da palavra. e quando Whitefield fez uma campanha evangelística nas colônias (1739-1741). tais como: a Lei não se aplicaria aos crentes. mas o impacto do sermão de Gilbert foi mais amplo pelo fato de ter sido impresso. Além disso. O Grande Despertamento. que eram muitas por causa da antiga colonização holandesa e que continuaram a crescer mesmo depois da conquista de Nova Amsterdã pelos ingleses. que por sua vez tinha recebido muita influência do puritanismo inglês(10) não somente uma doutrina e fé bíblicas. Então. em que candidatos ao ministério eram treinados na casa de um ou outro pastor com o dom de mestre. Não era incomum o uso de linguagem violenta. como sempre ocorre quando o Senhor dá a sua bênção. pois. houve problemas humanos. o Rev. o jovem ministro Gilbert Tennent começou a pregar como o seu colega reformado (1733). mas infelizmente nem sempre zelavam pela ortodoxia e pela ortopraxia. que preparou uns poucos jovens para o ministério sagrado.(11) Ao mesmo tempo. comparou-os a Zacarias e Isabel. isso não foi algo estranho ao puritanismo presbiteriano americano. Frelinghuysen. as distâncias eram grandes e as despesas altas. o pastor de uma das Igrejas Reformadas holandesas.(12) Na Inglaterra. no seu humilde "colégio de toras" (Log College). a pregação de George Whitefield e de John Wesley levou muitas pessoas ao Senhor.

não poderia ser considerado convertido. e toca meus lábios com fogo celestial. até sucumbir à tuberculose na casa do seu futuro sogro. Colocaram no túmulo desse servo. que ocorreram divisões no corpo de Cristo. Em primeiro lugar."(19) Um problema muito interessante era a tensão entre educação e missão. mas também aos escravos africanos." Sete dos "protestadores" pertenciam ao Presbitério de Donegal. Depois da sua ordenação. e quatro deles deviam ser afastados do ministério por causa de problemas graves. que havia se tornado uma foco de oposição. veio a falecer por causa da varíola. 1741-1758 Infelizmente as tensões aumentaram tanto durante a época do Grande Despertamento. a sua noiva Jerusha também faleceu vitimada pela mesma enfermidade (1748). Não somente pregou aos colonos europeus. mas também faleceu depois de dois curtos anos. Algumas irregularidades contra a ordem presbiteriana também azedaram as relações eclesiásticas." implantou o trabalho presbiteriano na região de Richmond. O fato era 99 . zombaria e forte oposição dos tradicionalistas e de um certo radicalismo e farisaismo dos avivados.(15) O cisma na Igreja Presbiteriana começou em 1741. se alguém não sentia o sopro do Espírito Santo como um vento verdadeiro. também formado num "colégio (teológico) de toras. ó graça real. Jonathan Edwards.(16) Alegando apoio na Constituição Presbiteriana.(17) A Ala Nova é mais conhecida por causa do seu trabalho evangelístico. O grupo de tradicionalistas ficou conhecido como a "Ala Velha" do Sínodo de Filadélfia. praticaram uma lealdade dúplice por causa do seu corporativismo. que gostavam de cantar salmos em sua cozinha. afetando ambos os grupos como um vírus maligno." que simplesmente declarava que os avivados não tinham lugar "neste concílio de Cristo. Samuel Davies. O Cisma Presbiteriano. já tensas por causa da frieza. Davies teve o privilégio de batizar uns 150 deles.(18) Brainerd havia sido expulso do curso teológico de Yale por afirmar que um certo professor não tinha mais da graça de Deus do que uma cadeira. pelo esforço missionário transcultural de homens como o Rev. Nessa época. que nos deixou o seu conhecido diário. No início do sínodo daquele ano um grupo de doze ministros apresentou um documento chamado "Protestação. o de Hanover (1755). que resultou no primeiro presbitério do sul. e os avivados como a "Ala Nova" do Sínodo de Nova York. na Virgínia (1747-1759). pisaram o direito eclesiástico. No seu diário ele anotou que de vez em quando acordava com uma torrente de melodias celestiais. o Rev. que era presidente do colégio teológico de Princeton. uma frase de um dos seus 600 hinos: "Inspira a minha alma. David trabalhou incansavelmente durante quatro anos entre os indígenas. III. David Brainerd. Jonathan Edwards. que pregava como o embaixador de um rei poderoso. Dizendo-se leais a Cristo. seria um crente carnal. Davies foi chamado para substituí-lo. Poucos meses depois. Menos conhecido.sem Cristo. foi o trabalho de "missões nacionais" da Ala Nova. mas não menos importante.

eram bem-vindos como pastores e também como professores. por causa da maioria numérica da Ala Nova. etc.(20) Mas o bom era o inimigo do melhor.(22) Os avivados. em 1758 a Ala Velha tinha 23 pastores e a Ala Nova 73. por outro lado. basicamente por existir mais humildade nos dois lados. desmaios. mas havia falta de obreiros por causa das rigorosas exigências na educação teológica.(24) Um pouco de estatística pastoral demonstra isto claramente: em 1741 a Ala Velha tinha 27 pastores e a Ala Nova 22. 100 . estavam seriamente iludidos. a paz entre os dois grupos deve ter sido um pouco difícil. mas admitiram que houve falta de discernimento espiritual. Os tradicionalistas ainda tinham certas restrições. freqüentemente na então fronteira colonial. sendo o próprio Gilbert Tennent o maior defensor dessa reunião. porque uma vez envolvidos no ensino diário. mas havia falta de pastores para atender aqueles vastos campos. especialmente para os da Ala Velha. mas reconheceram que de fato houve muitas conversões sinceras e permanentes. Uma das alavancas foi o sofrimento comum causado pela guerra contra os franceses. Os colonos pediam que o pastor ensinasse seus filhos. Quando chegavam aos seus campos de trabalho. As duas correntes uniram-se novamente. que às vezes perdiam o contato com a igreja presbiteriana e filiavam-se a outras denominações. mal sobrava tempo para visitarem as congregações espalhadas. porque eram as pessoas mais educadas da comunidade.).que as igrejas. mas cresceram muito durante os anos da separação. gritos. congregações e pontos de pregação se multiplicavam. e não somente uma fé formal. mas sem os frutos do Espírito Santo. E a Lei do Senhor era sem dúvida uma norma de gratidão para a vida do crente convertido. não respeitando assim as normas constitucionais. A Reunião. No começo do cisma os avivados eram uma minoria. Porém. Também reconheceram que as suas línguas não haviam sido batizadas pelo Espírito Santo quando usavam certas expressões pejorativas ao referirem-se aos seus colegas. Mas os que conseguiam fazer o curso teológico saíam como homens bem preparados. Não é que os presbiterianos não tivessem visão. tivessem uma experiência religiosa. sentiam ainda um profundo desejo de pregar em todo e qualquer lugar. as duas alas conseguiram restabelecer a paz. mas reconheceram que erraram algumas vezes ao invadirem campos pastorais de colegas tradicionalistas sem serem convidados.(21) IV. pois os convertidos que apresentavam reações físicas (como arrepios. Insistiram que o avivamento era uma obra santa do Senhor. o mais importante é que o clima havia se tornado mais ameno. o que diminuia o número dos que podiam estudar.(23) Porém. 1758 Depois de dezessete anos. Também admitiram ser necessário que os pastores (e conseqüentemente os candidatos ao ministério sagrado). O restabelecimento da união também foi possível porque ambos os lados haviam permanecido presbiterianos na doutrina e os renovados não tinham rejeitado o batismo dos filhos da aliança.

(25) Mas qual teria sido a causa dessa diferença tão patente? Muito se tem discutido. à luz das Escrituras? Calvino certa vez disse o seguinte sobre aqueles que querem tirar uma série de aplicações de um texto bíblico: "A Escritura é frutífera em si mesma. foi como o historiador Trinterud afirmou: "Two sides. no início a Ala Velha não reconheceu essa necessidade premente de santificação. V. Sem dúvida. A Ala Velha insistiu que os avivados tinham sido beneficiados pela imigração e fundos do Velho Mundo. não promovendo um avivamento pelo esforço próprio. ao todo dois terços do mesmo grupo! Em virtude do "corporativismo. santificação esta que é o alvo do Espírito Santo em cada efusão especial do poder do alto. significando reviver. O conceito de avivamento também é muito bíblico: retornar ao Senhor. produzindo mais frutos do Espírito Santo. renová-la em todos os seus aspectos. as missões sendo sempre um índice preciso do avivamento autêntico. Dia da Renovação da Aliança Devemos ainda acrescentar um parágrafo sobre as lições espirituais que emanam desse período. o avivamento não passa de emoção litúrgica. Aquela súplica — "Aviva a tua obra. E cada um de nós deve aplicá-las à vida. ó Senhor.(27) Não devíamos perder o conteúdo por causa de uma palavra. E o Senhor nos convoca a renovarmos a aliança que ele estabeleceu conosco.(26) Embora a Ala Velha também tenha feito algo pelas missões nacionais. e causas noturnas. Um dia especial para enfatizar 101 . ocultas à maioria. infelizmente a "causa noturna" mais provável por que o braço tradicionalista da Igreja Presbiteriana americana murchou até mesmo durante o "Grande Despertamento" foi a falta de santificação. mais quatro. no fim desse período. no decorrer dos anos" — é uma oração ensinada pelo próprio Espírito Santo. a "causa diurna" do crescimento maior da Ala Nova deve ter sido o trabalho evangelístico mais intenso e mais descentralizado dos irmãos avivados. Oremos para que aprendamos a andar em humildade. Dos doze "protestadores" que iniciaram o cisma expulsando os avivados. "Avivamento" é uma palavra muito bíblica. E existiria ainda alguma "causa noturna"? Cremos que sim. Sim. para que a igreja seja testemunha no tempo e no lugar onde Deus a colocou na história. patentes a todos. O fato é que o avivamento real procura maior santificação em todos os setores da vida. começando pelo individual. humilhar-se e começar a ter uma vida purificada. Não deveríamos perdê-la por causa de abusos. dependendo da nossa posição no processo histórico atual." os seus presbitérios faltaram com a disciplina fraternal." para nós da tradição reformada uma expressão como "Renovação da Aliança" ajudaria muito a entender o que o Senhor quer de nós. two tides" (duas alas. Se não quisermos usar a palavra "avivamento.De fato. focalizando suas críticas em aspectos mais circunstanciais. Faltando essa característica essencial. duas marés)." Parece que as lições históricas neste caso são óbvias. nem rejeitando as bênçãos incontáveis da obra do Senhor. mas assim também o foram os tradicionalistas. Talvez tenhamos de lembrar a distinção entre causas diurnas. a fim de não perdermos o verdadeiro avivamento. ou seja. quatro tinham problemas morais e.

W. ver M.. qualquer dia que seja. nos use. ver Gerald F.essa renovação da aliança pode ser para nós presbiterianos o dia do aniversário da nossa igreja. Mas. Notas 1 Habacuque 3. 1938). S. Religion in America (New York: Scribner’s. ao contrário. Para o período colonial. o crescimento e os problemas dessas igrejas reformadas (inclusive depois da conquista de Nova Amsterdã pelos ingleses em 1664). Religion in Colonial America (New York: Scribner’s. ver W. The Dutch Reformed Church in the American Colonies (Grand Rapids: Eerdmans. e para a santificação e edificação da igreja. 1942). seria um dia de oração e jejum para que o Senhor não nos lance fora. Die Vorbereitung des Pietismus in der Reformierten Kirche der Niederlande bis zur Labadistischen Krisis.2 (Almeida Revista e Atualizada). Os Estados Unidos tornaram-se independentes em 1776. 4 Adotado pela Igreja Presbiteriana da Escócia em 1635. De Jong. 10 Wilhelm Goeters. Francis Makemie (Grand Rapids: Eerdmans. para a salvação de muitos perdidos. ver W. M. 2 Para um resumo sobre religião na América do Norte. Page. incorporando muitos dos antigos huguenotes. não para o nosso próprio triunfalismo oco. realizou-se a primeira Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos. o dia do aniversário da igreja universal. senão Deus amaldiçoará até as nossas bênçãos (Ml 2. 5 Assim também Philipp J. Sweet. NC: Greensboro Printing Co. A. 1993). e em 1789. em seu famoso livro Pia Desideria ("desejos piedosos"). and the Log College (Greensboro. 1670 (Amsterdam: T. 7 Ml 3.2)! 8 Como eram chamados os ministros da Igreja Reformada Holandesa: dominie. The Life Story of Rev.3. 1971). como é o desejo profundo de todo verdadeiro presbiteriano. ver I. o ano em que a França sangrava por causa da revolução. Hudson. "senhor. 1978). e sim para a sua glória. a fim de que ela seja sal da terra e luz neste mundo tenebroso. 102 . Bolland. Spener. Light in Darkness: The Story of William Tennent. 3 Sobre Makemie. publicado em 1675. Sr." 9 Sobre a posição oficial. o grande líder do pietismo na Igreja Luterana da Alemanha. absolutamente necessário. Ou talvez o dia de Pentecoste. 12 de agosto. 6 Sobre Tennent e sua escola. do latim dominus. Tennent.

13 Sobre Whitefield. J. comp. SP: Editora Fiel. ([London]: Ed. [1970]). The Forming of an American Tradition (Philadelphia: Westminster Press. Trinterud. "Irenicum Ecclesiasticum" (1749). 23 Cf. cap. como a Universidade de Pittsburgh. (São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas.. 14 A. não ficou claro até agora. 17 "The Old and New Side" do século XVIII não devem ser confundidos com "The Old and New School" do século XIX.1993).1974). na Pensilvânia. 11 L." os batistas em "Regulars" e "Separatists. 19 "Almighty grace. 25 Trinterud. Pecadores nas Mãos de um Deus Irado. ver A." 103 . 21 Valeria a pena um estudo aprofundado sobre as congregações da IPB que foram perdidas. no seu Art. 32. 1949). ed. Dallimore. Começou em Londres em 1717 e trinta anos depois já era influente na colônia americana. c. and touch my lips with heavenly fire. 12 Jonathan Edwards. 1993)." 16 Se houve também uma dupla lealdade por causa de ligações maçônicas. 15 Os congregacionais dividiram-se em "Old Lights" e "New Lights. a maçonaria era uma espécie de reação mística contra o árido deísmo. 3a. George Whitefield." 20 Dessas escolas paroquiais nasceram instituições educacionais conhecidas. Nesse século XVIII de racionalismo. Edwards baseou-se em grande parte no diário de Brainerd. A. Alexander. [1855]). 24 O mesmo fenômeno de crescimento numérico ocorreu entre os congregacionais: na região de Boston havia nessa altura quase três vezes mais pastores avivados do que tradicionalistas. 8: "The Withered Branch. Banner of Truth Trust. my soul inspire. Forming of an American Tradition. 22 Exigência incluída também na Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil. A Vida de David Brainerd (São José dos Campos. 2 vols. Sermons and Essays by the Tennents and their Contemporaries (Philadelphia: Presbyterian Board of Publication. o seu sermão publicado. 18 Ver Jonathan Edwards. Para essa biografia do seu genro.

"servir em adoração". 23. Piso e a Medicina Indígena (Recife: Instituto Arqueológico. Já a igreja de Antioquia era. A igreja que outrora foi campo. todo campo missionário deveria se tornar. Então.. e que. O particípio presente indica ação contínua. do verbo leitourgéw. servindo eles ao Senhor e jejuando. obrigatoriamente. Histórico e Geográfico Pernambucano e Universidade Federal de Pernambuco. passando a ser oficialmente o portal da missão entre os gentios. foram cuidadosamente observados e registrados por Lucas em Atos 13. com certeza. Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado. e impondo sobre eles as mãos. Como deve ser caracterizada a igreja evangélica brasileira em seu propósito de ser uma igreja verdadeiramente missionária no Brasil e no mundo? Biblicamente falando. como Js 5.. cresceu e frutificou. deveriam inspirar todas as igrejas.2. Os princípios que nortearam a vida da igreja de Antioquia. 1980).2 com o mesmo significado de latréw. Orlando Costas estava certo quando disse que "o culto está intrinsecamente relacionado com a ação de Deus na história e a conversão das nações ao Deus trino e uno". "prestar culto a Deus". pois quando o Espírito Santo disse em Atos 13.3)..26 Ruy dos Santos Pereira. E ainda: 104 . Igreja missionária é igreja adoradora Atos 13. Mas por uma série de fatores que lamentamos. os despediram" (At 13. servindo eles ao Senhor. é empregado por Lucas em Atos 13. um exemplo de igreja missionária. etc Fonte: Revista Fides Reformata Parte XVIII AS QUATRO INDISPENSÁVEIS QUALIDADES Uma Igreja Missionária "E. workshiping [NIV]). "Separai-me agora . nem sempre é essa a realidade em termos de igreja brasileira. 24.". jejuando. numa base missionária. sem sombra de dúvida. Uma igreja só pode ser verdadeiramente missionária se for verdadeiramente adoradora e vice-versa.2. e orando. O particípio presente leitourgountwn (servindo [ARA]. Ne 8. Existem muitos exemplos históricos. disse o Espírito Santo: Separai-me." a partir daquele momento a igreja de Antioquia não seria mais a mesma em termos de visão e ação missionárias. agora.14. isto é.27 2 Cr 7.2 inicia assim: "E. que o Espírito Santo preparou para receber a boa semente do evangelho.. 2 Cr 29-30.

At 13. a missão sem culto é como um rio sem mar. Será que precisamos mesmo priorizar uma tarefa em detrimento da outra. A missão é a culminação e antecipação do culto. Para os defensores da primeira posição. Os defensores da segunda posição argumentam. Sem um o outro perde sua vitalidade e significado". e uma evangelização que não leva os pecadores a adorarem a Deus está fora dos propósitos do próprio Deus. Ao contrário. É evidente que 105 .é a obra em si. que é preciso mais que adoração. por sua vez. dividido e enfraquecido a igreja brasileira em nossos dias seja os constantes debates em torno da tarefa prioritária da igreja. mas sim. E não estamos nos referindo à questão da evangelização e responsabilidade social. Do mesmo modo. ao mesmo tempo.O culto. Ambos são necessários. quando vivida de maneira bíblica". devem levar os perdidos a prestarem culto a Deus (cf. outro assunto desnecessariamente polarizado. porquanto celebra o que Deus tem feito por homens e mulheres em Jesus Cristo e os chama a receber e compartilhar o dom da graça de Deus. Igreja é missões". No culto e na missão a comunidade redimida dá evidência concreta do fato de que é. Não é só uma atividade necessária ao sucesso da obra . o que deve ser considerado em primeiro lugar. Igreja missionária é igreja de oração José Martins disse corretamente: "A oração é a essência da obra missionária. em sua dimensão humana. e missões. estamos falando da dicotomia existente entre culto e missões. tem quem afirme ser "um absurdo dizer que muitas são as responsabilidades da igreja. As opiniões são as mais variadas e extremistas até. só o fato do culto ser dirigido a Deus e as missões aos homens já definiria. Pois uma adoração que não leva a igreja a evangelizar não passa de mera contemplação. É a prática mais missionária possível. "É preciso ter paixão pelos perdidos e obedecer ao ide de Jesus". Talvez um dos piores males que têm assolado. Vemos. O culto é a reunião do povo enviado ao mundo para celebrar o que Deus fez em Cristo e está fazendo mediante a participação deles na ação testemunhal do Espírito. ou que "missões existem porque o culto não existe".42-47). que o culto deve levar a igreja a fazer missões (cf. um povo de oração e testemunho".44-49). Do outro lado. "A liturgia sem missão é como um rio sem manancial. a missão deve ser vista como um acontecimento cultual. E a discussão não é se a igreja deve adorar ou evangelizar (embora às vezes é o que de fato acontece). então. como temos visto na prática? Será que podemos afirmar que culto é mais importante que missões ou vice-versa? Mais uma vez contamos com o argumento equilibrado de Orlando Costas: Não existe dicotomia alguma entre culto e missão. a questão da prioridade da igreja. surge da missão. De um lado temos os que insistem que "missões são a segunda mais importante atividade no mundo". por si só. É o resultado espontâneo da experiência da redenção. At 2. por sua vez.

por isso mesmo.. a igreja estava em oração. do mesmo capítulo 13. a igreja de Antioquia era uma igreja que exercia a prática do jejum. a igreja de Antioquia foi uma das igrejas mais anti-judaicas do passado. em segundo lugar. Direta ou indiretamente o Concílio de Jerusalém de Atos 15 aconteceu em razão desse anti-judaísmocerimonialista. Mas se é o mesmo ou deixa de ser. Quando o Espírito Santo ordenou que a igreja de Antioquia separasse Paulo e Barnabé para a obra que os tinha chamado. Esta verdade está implícita e explícita em Atos 13. No verso 3. primeiramente para mostrar que jejum e oração não são incompatíveis na vida de uma igreja e. como tem feito a maioria dos autores que consultamos.. e sim. primeiro porque Lucas era gentio (provavelmente da cidade de Antioquia da Síria) e. A ordem das palavras é significativa e não pode ser menosprezada. tudo indica que sim. naquilo que se refere às práticas religiosas do judaísmo." (v3). e não menciona a oração. mais do que simplesmente orar. conforme dissemos acima. Lucas coloca a palavra "jejuando" na frente de "orando". O fato da igreja estar jejuando subentende-se que ela estava também orando.2 ele diz que a igreja jejuava. mostrar como esta prática era (e deve ser) valorizada no meio de uma igreja verdadeiramente missionária. Nem toda oração é feita em jejum. Em Atos 13. Paulo foi um homem de oração e recomendava às igrejas que orassem por ele e pela expansão do evangelho de Jesus Cristo. É impressionante a ênfase que Lucas dá ao jejum na igreja de Antioquia. embora sabemos que ela também orava. e jejuando.Martins não quer dizer que oração e missões são a mesma coisa. Nunca é demais enfatizar a importância da prática da oração na obra missionária. mas todo jejum bíblico é feito com oração. Não sabemos ao certo se o jejum do verso 3 é o mesmo do verso 2. respectivamente. 2) Acreditamos que Lucas fez questão em enfatizar a prática do jejum pela igreja de Antioquia. jejuando e orando. É provável que o exemplo da igreja de Antioquia tenha marcado positivamente o ministério de Paulo. Além disso.2 e 3. A ênfase de Lucas é importante por duas razões pelo menos: 1) Não devemos pensar que a igreja de Antioquia jejuava porque trazia resquícios do judaísmo. qual o interesse dele em dar tanta ênfase a uma prática estritamente judaica? Segundo. Implicitamente porque o versículo dois diz o seguinte: "E..". servindo eles ao Senhor. não é tão importante sabermos. que essas duas atividades devem vir interligadas uma na outra. Basta saber que a igreja de Antioquia era uma igreja de oração e que fazia da oração a base de sua missão. Pela urgência do chamado do Espírito.. Seria incoerente pensar que uma igreja que estava adorando a Deus e jejuando não estivesse em oração. 106 . temos uma evidência explícita de que a igreja de Antioquia realmente orava naquela ocasião: "Então. No texto grego é a mesma coisa: nestéusantes kai proseuxamenoi. Agora. Esta não seria uma forma inteligente de pensar.

Na minha própria denominação. Apesar da Igreja Primitiva ter vivido momentos de muitas provações. o contexto próximo (cap. epidemias.. etc. porém. estava vivendo um dos seus melhores dias. como guerras. Pelo contrário. nada indica que naquela ocasião especial de Atos 13 a igreja de Antioquia estivesse jejuando e orando porque passava por momentos difíceis. etc. "a palavra do Senhor crescia e se multiplicava" (At 12. Creio que o capítulo sobre jejum deveria ser revisto pela IPB. ao invés de estimular o crente a praticá-lo. Enquanto isso. ele faz exatamente o contrário. em casos muito excepcionais de calamidades públicas. na prática é o que tem acontecido. nunca existirá um dia de jejum neste país! Que o jejum deve ser praticado em dias de calamidades públicas não questionamos. Pedro havia sido libertado milagrosamente da prisão e um dos maiores inimigos da igreja. Não que o princípio fora escrito com o objetivo de desestimular quem quer que seja. cessadas tais calamidades. epidemias. intercedendo dia após dia pela obra missionária do Brasil 107 . o rei Herodes Agripa I. terremotos. Quantos são os membros destas igrejas que jejuam? Quantos de seus pastores jejuam? Muitos de nós mal oramos.24). em interceder pelos missionários e orar pela obra missionária de um modo geral. XI). 12) indica que a Igreja Primitiva. foi morto mediante a intervenção de um anjo do Senhor. aprendi: "Sem o propósito de santificar de maneira particular qualquer outro dia que não seja o dia do Senhor. E continuou assim quando enviou seus missionários e os sustentou com fervorosas orações. como guerras. A igreja de Antioquia buscava a presença de Deus pelo simples prazer de estar servindo a Deus. pois a Bíblia nos dá vários exemplos disso. é recomendável a observância de dia de jejum ou. primeiro porque ele não expressa corretamente a realidade brasileira e também por não apresentar uma definição mais completa do verdadeiro conceito bíblico de jejum. o que dizer então da prática do jejum em nossas igrejas? Acredito que as igrejas históricas têm falhado até agora em subestimar a importância do jejum na vida do povo de Deus. Mas será que devemos jejuar somente em casos muito excepcionais de calamidades públicas? Da forma como foi redigido o princípio para a prática de jejum na IPB. diga-se de passagem. de modo geral. terremotos.Se muitas de nossas igrejas têm falhado na prática da oração. de ações de graças" (Princípios de Liturgia.". Que Deus conceda à igreja brasileira a graça de ser uma igreja que se alegre em estar em Sua presença. conforme prescrevem os princípios de liturgia da IPB. e falhado mais ainda em rogar ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a Sua seara. Se o povo de Deus tiver que jejuar "em casos muito excepcionais de calamidades públicas. Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB).

e mais do que aguçar os ouvidos para ouvir a Sua voz. pois a forma como apresentamos a Cristo é insensível. através da Escritura. mas ser totalmente surdo quanto à prática dessas palavras. O resultado é que. ela ouviu. procurar penetrar no mundo das idéias e pensamentos da outra pessoa. tentar descobrir quais são as suas possíveis 108 . ser ouvidos pela igreja. antes. De fato. tornando Sua vontade conhecida. O verbo "ouvir" é empregado em mais de um sentido nas Escrituras. este "ouvir" nem sempre tem sido traduzido em termos de "obediência". é provável que o Espírito Santo falou pelos profetas que ali estavam. E o que significa ouvir o mundo? John Stott responde: "O mundo de hoje está repleto de clamores que refletem ira. em sua alienação e perdição. Alguém pode escutar e ouvir. Se ouvir o Espírito Santo significa obedecê-lo. entender. frustração e sofrimento. sem a mínima consideração para com a situação cultural ou as verdadeiras necessidades dessas pessoas. entender as palavras. Stott nos lembra. Mas muitas vezes nós nos fazemos de surdos diante dessas vozes de angústia". Neste caso. Não sabemos ao certo como o Espírito Santo falou aos profetas da igreja de Antioquia. embora tenham ouvido falar nele. Eis aí a voz do Espírito que muitas vezes tem sido ignorada pelos crentes: A igreja no mundo e para o mundo. ou que. Ele falou e a igreja ouviu. ainda não o aceitaram e. mas lamentavelmente. abraçar e obedecer o que se ouve. uma das grandes expressões dessa obediência é estar no mundo para ouvir o mundo. Diz ele: Primeiro.e do mundo. ainda. o que costumamos fazer é sair correndo com o evangelho nas mãos. É nisso que Deus espera ser ouvido e obedecido. o que "o Espírito diz às igrejas". estão sofrendo terrivelmente. o som das palavras. "responder antes de ouvir é estultícia e vergonha". portanto. Pode significar: captar. O Espírito Santo continua falando e ouvimos a Sua voz. A igreja de Antioquia era uma igreja sensível à voz do Espírito. nós afastamos as pessoas e até mesmo aumentamos sua alienação. temos o sofrimento daqueles que nunca ouviram o nome de Jesus. A melhor coisa é ouvir antes de falar. que existem dois grupos de pessoas no mundo que. desajeitada e até irrelevante. precisam. Igreja missionária é igreja que ouve a voz do Espírito Santo Enquanto a igreja orava. Seja como for. E é exatamente nesse sentido de fazer o que Deus ordena que a igreja brasileira hoje deve ouvir. subir no nosso poleiro e vomitar a nossa mensagem. no sentido literal. principalmente. além de precisarem ouvir o que a igreja tem a lhes dizer. O Espírito Santo falou à igreja de Antioquia e ela imediatamente colocou Paulo e Barnabé no mundo. obedecendo. com muito mais freqüência do que gostaríamos de admitir.

dos despossuídos e dos oprimidos. mesmo quando atua na retaguarda. humilde e perspicaz é chamada.3) e com os missionários (impondo sobre eles [Barnabé e Saulo] as mãos. conflitos. com certeza ouvirá a voz dos que precisam ser ouvidos.objeções ao evangelho e então compartilhar com ela as boas novas de Jesus Cristo de uma maneira que fale às suas necessidades. jejuando e orando. de "contextualização".. lembramos ainda de Orlando Costas. como prova concreta do amor de Deus". Atos 13. em se tratando deste assunto.13: "O que tapa o ouvido ao clamor do pobre também clamará e não será ouvido. até onde ela tem sido obediente à voz do Espírito de Deus. Encontra-se em Provérbios 21. carecem de consciência social.. Mas é essencial acrescentar que contextualizar o evangelho não é de maneira alguma manipulá-lo. Atos 13. temores e esperanças da sociedade e a medida em que seu serviço ajuda a aliviar a dor humana e a transformar as condições sociais que têm condenado milhões de homens. E mais: Esta dimensão envolve o impacto que o ministério reconciliador da igreja exerce sobre o mundo. quem sabe deveríamos destacar. "a intensidade de serviço que a igreja presta ao mundo.2. isto é. os despediram. Em segundo lugar. e com razão. Muitos de nós só agora é que estão despertando para a obrigação que a Escritura sempre colocou sobre o povo de Deus. Ela estava compromissada com Deus (servindo a Deus. temos o sofrimento dos pobres e dos famintos. mulheres e crianças à pobreza. 109 . dentre o seu povo. de preocupar-se com a justiça social. A igreja de Antioquia era uma igreja de compromissos. . principalmente.3). Se a igreja brasileira der ouvidos à voz do Espírito. Quero compartilhar aqui um versículo bíblico que nós temos negligenciado e que. que também costumava chamar o compromisso da igreja para com a sociedade e o mundo de dimensão diaconal ou encarnacional. Sem esta dimensão a igreja perde sua autenticidade e credibilidade. Nós deveríamos ouvir com mais atenção os clamores e os suspiros daqueles que estão sofrendo. Complementando Jonh Stott. o seu grau de participação na vida. Igreja missionária é igreja compromissada com os missionários O que determina. pois somente na medida em que conseguir dar visibilidade e concreticidade à sua vocação de amor e serviço ela pode esperar ser ouvida e respeitada. Ele contém uma solene palavra de Deus para aqueles que. se uma igreja é ou não missionária é o seu envolvimento e compromisso com os missionários. Este compromisso mostrará até onde a igreja está engajada em missões e. de certo modo. Esta atividade desafiadora.

Por duas vezes o apóstolo usa o verbo "associar" nesta passagem. por sua vez. segundo Atos 14.3 é boa mas poderia ser melhorada. como "uma ordenação para ensinar (Paulo e Barnabé já tinham estado no ministério cristão. além do que Liefeld diz. relatava a ela as coisas que Deus fazia por seu intermédio. Comentando o envio dos missionários pela igreja de Antioquia. E sabeis também vós. Em Atos 14. Certa vez o apóstolo Paulo expressou sua gratidão para com os filipenses. uma ação que. E ainda. E mesmo se a imposição de mãos sobre Paulo e Barnabé tivesse sido realizada por apenas três deles. que. Comentando este texto de Filipenses 4.1. Edison Queiroz destaca: A palavra que Paulo está usando aqui para "associar-se" é uma palavra comercial. A imposição de mãos sobre Paulo e Barnabé não deve ser entendida. fizestes bem. acrescentou: "Todavia.13). a igreja e a família estão indo juntas ao campo. pelo cuidado a ele dispensado e.15. senão unicamente vós outros" (Fp 4. Gl 1. nenhuma igreja se associou comigo no tocante a dar e receber. A interpretação de Liefeld quanto à imposição de mãos em Atos 13. nem sequer por intermédio dos homens. Assim como eles se tornam sócios. nem por isso deixaria de ser o trabalho da igreja toda.26-28. eles relataram à igreja o que Deus tinha feito (14. que o envolvimento missionário da igreja de Antioquia não estava limitado àqueles cinco nomes de Atos 13.14. associando-vos na minha tribulação. Kistemaker diz com razão que "toda a igreja de Antioquia estava envolvida em comissionar Barnabé e Saulo. Lucas registra que a igreja de Antioquia "acompanhou" as viagens missionárias de Paulo e este. e não dos homens. "o Espírito Santo movimenta a igreja e não meramente cinco pessoas para se engajarem na obra missionária".15. e o outro é a igreja local. depois de observar que "tudo posso naquele que me fortalece" (Fp 4. no qual a igreja ficaria definitivamente vinculada aos missionários e os missionários à igreja. usada quando duas pessoas decidem formar uma sociedade.14. houve naquela ocasião um "pacto" entre a igreja de Antioquia e os missionários. em um projeto missionário um dos sócios é o missionário e sua família. É que.27)".É importante destacar. E ainda: "O certo é que Paulo e Barnabé foram enviados para uma obra específica numa atmosfera de adoração. grifos nossos). conforme observa Liefeld. no início do evangelho. e Paulo considerava que a sua autoridade vinha diretamente de Deus. oração e jejuns (At 13.1-3). quando parti da Macedônia.1)". os 'recomendou à graça de Deus'". Uma palavra grega que expressa muito bem o vínculo do relacionamento e do compromisso cristãos entre missionário e igreja é koinwnéw (associar). a primeira viagem 110 . antes de tudo.26. pois quando os missionários retornaram. ó filipenses. por exemplo.

onde tinham sido recomendados à graça de Deus para a obra que haviam já cumprido. E permaneceram não pouco tempo com os discípulos". navegaram para Antioquia. Del Pino complementa o conceito da responsabilidade missionária da igreja dizendo: Um grande número de igrejas espalhadas por este nosso Brasil precisa ver-se como vocacionadas por Deus para exercerem a tarefa missionária como um fator de peso em seu ministério. as agências de missões. não tiram a responsabilidade missionária das igrejas. não pode transferir esta responsabilidade. Paulo e Barnabé não foram lançados num campo e deixados "ao deus dará". Não queremos generalizar. De maneira nenhuma! A igreja de Antioquia tinha responsabilidade missionária. reunida a igreja.. A igreja local como um todo precisa receber. o que temos visto com freqüência são as agências ou juntas de missões ocupando o lugar da igreja local. compreender e assumir a visão de seu lugar na obra missionária. infelizmente. Ademais. A igreja de Antioquia tomou para si a responsabilidade da obra missionária.3 não aconteceu o que vemos hoje em dia. A igreja local. é claro que têm. A igreja não se esqueceu daqueles que enviou e os missionários. além de compreender as dimensões bíblica. Não que as agências não tenham seu devido valor. compreendendo sua importância para missões. Em Atos 13. Ali chegados. a igreja de Antioquia não entregou Paulo e Barnabé aos cuidados da igreja de Jerusalém e muito menos os deixou por conta de uma agência missionária. 111 . indo além de suas atribuições. deveriam acontecer em nossas igrejas. em si. é porque as igrejas estão aquém de sua vocação. mas não é. E por que? Porque ela se propôs a ser co-participante do Espírito no envio e sustento dos missionários. relataram quantas cousas fizera Deus com eles e como abrira aos gentios a porta da fé. por outro lado. cultural e financeira desta tarefa. para compartilhar os frutos do trabalho com ela: ". não se lembraram da igreja somente quando o dinheiro da missão encurtou.. Em resumo. se hoje elas estão ocupando o lugar das igrejas. Falando ainda acerca da importância da igreja local em missões. Havia nela o que Queiroz chama de "personalização". Atualmente. 2. precisa ver-se como a força missionária de Deus nesse mundo e em nosso país.missionária termina com o retorno de Paulo e Barnabé à igreja enviadora para repartir os "lucros" com os "sócios". o que muitas vezes temos visto? Além disso. Contudo. Del Pino destaca quatro coisas que. A missão do Espírito seria a missão da igreja. espiritual. segundo ele. são elas: 1.

p. Idem. A oração dominical e missões. p. KISTEMAKER. 1990. cit. Compromiso y misión. ou somos base missionária. 58-60. p. KISTEMAKER. 2001. BEZERRA. p. 20. STOTT.. COSTAS. precisa assumir por completo a sua responsabilidade missionária. Cf. p. Se somos campo. São Paulo-Belo Horizonte: ABU Editora/Mundo Cristão. como se isso não fosse problema dela. agir tendo isso em mente. Idem. Ouça o Espírito. cit. J. 1979.114. 2a ed. KISTEMAKER. 112 . 113. 151). V.. A igreja local. isto é.21. pregar tendo isso em mente. ora por aquele irmão e diz para ele ir. ainda. precisamos ser evangelizados. a igreja local precisa conscientizar-se e ver-se como a principal agência missionária da face da Terra. p. então está na hora de trabalhar. mas se somos base. John STOTT. cit. p.151. New Testament Commentary: Exposition of the Acts of the Apostles. trabalhar tendo isso em mente. 150. V. p. 123. KISTEMAKER. Notas Segundo Orlando Costas.27-30. H. Londrina: Descoberta. ouça o mundo. 150. 17-25. Simon J. op. 229-244. Cf. p. Atos 15. t. 150. 455. p. O que mais comumente vemos é que a igreja muito se alegra com o despertar de uma vocação em seu meio. vale a pena ressaltar que o verdadeiro conceito de missão para a igreja de Antioquia era (como os missiólogos contemporâneos costumam denominar) o de missão integral. o indivíduo assistido em sua totalidade. 4. p. conforme Atos 11. ela se silencia. COSTAS.40. San José-Costa Rica: Editorial Caribe. 455. Orar tendo isso em mente. São Paulo: ABU Editora. 1998. Grand Rapids: Baker Book House. Para Deus só existem duas coisas: Ou somos campo. An introduction to the science of missions... Phillipsburg: The Presbyterian and Reformed Publishing Company. Mas quando chega o momento de assumir o compromisso financeiro regular e decente. 7 José MARTINS. Ibidem. Idem. p.. Evangelização e responsabilidade social.3. Por fim. 113. op. 2ª ed. "a prova de uma vigorosa experiência cultual será a participação dinâmica na missão: a prova de um fiel compromisso missionário será uma profunda experiência de culto" (Orlando E. 455. 1960. p. A omissão não pode ser a missão de uma igreja vocacionada pelo Espírito Santo de Deus. p. op. p. 123-125. Por falar em evangelização e responsabilidade social da igreja. Cf. p. Durvalina B. 67. t. Cf. A missão de interceder: oração na obra missionária. COSTAS. BAVINCK. In: Missões e a igreja brasileira: perspectivas teológicas. 1985.

1-7.179-200.9) quando afirma que "Paulo e Barnabé tiveram que financiar a própria viagem". 324. 1994. COSTAS. por causa das circunstâncias político-religiosas da época. QUEIROZ. Paul E. V. Daí. E. mas isto não aconteceu por falta de compromisso da igreja de Antioquia. Vol. Precisa haver contatos com outras agências missionárias.88. p. p. 2a ed. Carlos Del PINO. p. não sugere "despedida definitiva". La misión.Walter L. diferentemente de apospaw (At 21. V. e continuaria vinculada a eles. Não concordo com A. governo e outras agências e avaliação in loco do andamento do trabalho. A missão da igreja e o despertar missionário na América Latina. In: ELWELL.. E.3 reforça a idéia de que a igreja de Antioquia estava enviando Paulo e Barnabé. com autoridades governamentais. In: STEUERNAGEL. Idem. t. (ed. 153-160.1). Londrina-Curitiba: Descoberta. LIEFELD. São Paulo: Sepal. Igreja local e missões. T. Às vezes faltava oportunidade para uma melhor participação da igreja (cf. V. In: STEUERNAGEL. p. 2001. t. artigo não publicado. fazer com que o maior número possível de membros da igreja tenha contato com os missionários". p. orientação quanto aos relacionamentos no campo com igrejas. 1995.117-126 e O. Do chamado ao campo.). São Paulo: Vida Nova. 60. 1991. A missão de enviar: como sustentar o seu missionário. op. Cf. São Paulo: Vida Nova. Belo Horizonte: Missão Editora. p. E. In: Missões e a igreja brasileira. II. p. 87. inclusive financeiras (cf. este "sustento" significava mais do que orar por eles. Atos que contam. Londrina: Descoberta. (ed. deve ser promover a máxima personalização. Walter A. Todas estas tarefas são difíceis para a igreja. el ministerio y el Espírito Santo: el caso de la iglesia de Antioquia. Neal Pirolo. Grand Rapids: Baker Book House. Fp 4.). p. A igreja e a integridade pessoal e familiar do obreiro do Senhor. p. 323. 2000. QUEIROZ. Valdir (ed. Hugo PIRIZ. E.61. Diz ele: "Há inúmeras dificuldades para o envio de um missionário. 1990. uma vez que o verbo apolyw. A expressão "os despediram" de Atos 13. 43-58. 2000. Enciclopédia histórico-teológica da igreja cristã. 178. t. certamente. Diz ele: "O objetivo da igreja. Robertson (em Word Pictures in the New Testament: The Acts of the Apostles.15. emissão de vistos de entrada e permanência. Idem. QUEIROZ. Imposição de mãos. 117. e sim. p. op. ao fazer missões. p. Oswaldo PRADO. 60. Edison Queiroz destaca muito bem alguns pontos que evidenciam a importância de uma agência missionária. A importância da igreja local em missões. 13-31. cit. p. cit. 113 . 56). V. In: Misión y ministerio en America Latina. com base em Filipenses 4. De fato. 1930. A missão da igreja. E o Verbo se fez carne: desde a América Latina. Fp 4.). 3a ed. p. 1999. Edison QUEIROZ. Curitiba: Encontrão Editora. Paulo passou por muitas dificuldades em seu ministério. O melhor para missões. p. 60. PIERSON. Londrina: Descoberta. 50. a importância das juntas e organizações missionárias" (E. Valdir R.12).. câmbio e envio de dinheiro. t.10). p.

14-18. mas depois passou a significar a pessoa que detinha semelhante posição de autoridade ou força. ischys. Temos também a declaração de Pedro na casa de Cornélio a respeito de Jesus." (At 6. Rm 13. Em Atos 1. Contudo. Porém. mas se refere mais ao exercício da autoridade. kratos e keras. thronos. Bia está associada ao emprego da força coerciva.44-49. A rigor é traduzida como "autoridade". mas tem também exousia. ou ele a escolheu aleatoriamente? Vejamos: exousia é uma palavra usada com muita freqüência no Novo Testamento..8 é a ascensão de Cristo. At 1. e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém. prometeu: "Mas recebereis poder.. ". disse Jesus aos discípulos. por sua vez.. O poder do Espírito Há uma série de termos para "poder" no Novo Testamento. Energia é poder no seu exercício.21).o 20. Quando o Espírito Santo foi derramado por ocasião do Pentecostes. Nestes exemplos Lucas revela que desde o princípio o evangelho foi disseminado pelo poder do Espírito Santo. Ischys significa força física.49. ao descer sobre vós o Espírito Santo. permanecei.1-3)..8. "até que do alto sejais revestidos de poder. fazia prodígios e grandes sinais. Contudo.8 o Senhor Jesus repete as promessas da Grande Comissão (Mt 28. Mc 16.. energia." (At 10. força em ação. a sede do governo.com o Espírito Santo e poder.. como em toda a Judéia e Samaria. que "Deus ungiu." (Lc 24. indica força e. formam as duas palavras do NT cujo significado fica mais perto de exousia e dynamis. pois na cidade". Kratos tem um sentido semelhante ao de ischys. cheio de graça e poder. E keras (lit.38). É a palavra do poder sem fronteiras. Lembremos que 114 . Lc 24. a quem Ele havia comissionado para evangelizar o mundo.: chifre). 1. Portanto. Thronos indicava. Lucas empregou dynamis em At 1. e até aos confins da terra". Ela é a palavra por excelência para se referir ao poder do Espírito Santo.33).Parte XIX ATOS 1. E ainda: "Estêvão.. a priori. por assim dizer. bia...8 E A MISSÃO DA IGREJA O contexto de Atos 1. dynamis tem um sentido todo exclusivo.." (At 4. O poder do Espírito é o segredo do sucesso da missão da igreja. "com grande poder os apóstolos davam o testemunho da ressurreição do Senhor Jesus.18-20..8). O Senhor respondeu que não competia a eles conhecer tempos e épocas que o Pai reservou para a Sua exclusiva autoridade. J. Lucas sabia muito bem que ao escolher dynamis estava utilizando o termo que melhor representava a ação poderosa do revestimento do Espírito na vida do crente e da igreja.8). juntamente com kratos. Será que existiu algum motivo especial para que Lucas usasse a palavra dynamis ao invés de qualquer outra.. Os que estavam reunidos no monte das Oliveiras perguntaram ao Mestre quando seria o tempo da restauração do reino de Israel. geralmente era empregada num contexto político (cf.

ressurreição e ascensão.. de modo prático. Charles van Engen: "Logo antes de sua ascensão. testemunha de fatos numa confissão de fé. Mas provavelmente não captamos as palavras de Cristo em todo o seu peso: ". quanto à expansão geográfica e cultural da Igreja.. cinco significados principais..8: ". como está registrado em Atos 1.". (2). martírio.(3) O substantivo grego martys (4) (martyres) do verbo martyreo já possuía. o poder do Espírito para a igreja não tem.os discípulos de Jesus foram homens que andaram cerca de três anos com o Mestre.". morte.sereis minhas testemunhas. Viram Seus sofrimentos. começando em Jerusalém e espalhando-se geográfica e culturalmente para fora. estes homens eram Seus discípulos..". vale conferir um alerta do Dr. Entretanto. se cumpriu. Neste tópico procuraremos observar. nos tempos bíblicos. A igreja foi batizada e revestida do poder do Espírito Santo. seria imprescindível o poder do alto para 115 .. 2. o testemunho evangelístico da natureza e da importância de Cristo. para os confins da terra (eôs eschatou tês gês).8). foram ensinados por Ele. Jesus disse a seus discípulos. profecias. Em Atos não existe esta concepção moderna equivocada de que o poder do Espírito é para edificar o crente e ficar tudo por isso mesmo. declaração de um fato como testemunha ocular de um ocorrido.) foram dados com o único objetivo de que a igreja testemunhasse de Jesus ao redor do mundo. No Novo Testamento os dons ou manifestações do Espírito (línguas. E para uma reflexão imediata. sereis minhas testemunhas [kai esesthe mou martyres].. (5). Nada do que a igreja recebe do Espírito tem nela um fim em si mesmo. ao descer sobre vós o Espírito Santo. curas. o que o Senhor Jesus diz é que eles seriam totalmente incapazes de fazê-lo se do alto não fossem revestidos do poder do Espírito. disse Jesus (At 1.... Entretanto. Conheceram-nO intimamente. um fim em si mesmo. etc. sendo que o último deles era a expressão mais elevada daquilo que significava ser testemunha de Jesus. Se alguma vez existiram homens que estivessem em melhor posição e condição de falar ao mundo acerca da ressurreição de Jesus e de todos os fatos a respeito dEle. ouviram Seus sermões e viram Seus milagres.. o que significava nos tempos bíblicos e o que deveria significar para a igreja evangélica brasileira hoje ser testemunha de Jesus Cristo. como nunca teve. a saber: testemunha judicial de fatos.8 se cumpriu (1). Muito dessa comissão. Poder e testemunho No dia de Pentecostes a promessa de Atos 1. Não! O poder do Espírito tinha como finalidade primordial capacitar os crentes para dar testemunho de Cristo. Pela própria natureza da evangelização e pelas perseguições e adversidades futuras que desafiariam a Igreja Primitiva. "Recebereis poder. e sereis minhas testemunhas.

Lc 5. gebûrôt. Seus milagres são chamados dynameis (cf.14. porque neles. que estes podem operar atos poderosos (At 4. "atos poderosos"). é a maneira como ele destaca esta verdade da ligação do Espírito Santo com a Palavra. É.33. E quando Lucas quer indicar o sucesso de uma missão.10). Às vezes os sinais e prodígios preparavam o palco. 10. "palavra do evangelho". Os cristãos primitivos levavam a Palavra para qualquer lugar que fossem (8.14). como Representante de Deus.13.5). Cf. A Igreja em Atos testemunhava: 1) No poder do Espírito com sinais e maravilhas Quanto a esta questão.16-34). Mc 6.38). que incluía expressões como "palavra do Senhor". 6.19). At 20. Ef 6. At 3. pelo poder do Espírito que Jesus derramou sobre os Seus servos.8-10) é vista como prova de um poder sobrenatural" (10). O que manteve Paulo dezoito meses ou mais em Corinto foi a Palavra (18.39 par. 4. Mc 6.7-12). Heb. é importante ressaltar.é. vale a pena conferir o teólogo alemão Otto Betz: "Cristo era "poderoso em obras e palavras" (Lc 24.37. (6). i. Que a igreja muitas vezes testemunhou ao preço de sangue é algo que dispensa comentários. Jesus é o "mais forte" que. 6. pelo menos. pois.58). e a luta contra o diabo é levada a efeito no nível da existência humana (Mt 12.K. Mc 1. At 19.11)". Michel Green diz que um dos grandes méritos do livro de C. o diabo (cf. At 1. Contudo.Barret. At 10.17.8. para uma pregação cheia do Espírito (cf. Mediador do poder salvífico de Deus. são encarados como evidência da parte de Deus quanto a Jesus ser o Messias. mas na maioria das vezes sucediam a mensagem do evangelho (cf. 16. com o Espírito Santo em Lc 1. 2) No poder do Espírito na pregação da Palavra Em Atos o Espírito Santo. outras vezes estavam intercalados numa pregação (cf. A Palavra é a espada do Espírito (cf. "O principal meio através do qual o Espírito estende a soberania de Cristo é a Palavra de Deus" (7). e "a palavra" tout simple. 19. Luke the Historian.22-30.testemunhar de Jesus. A glorificação do Messias faz dEle.38.8.2. Lc 19. por assim dizer. Aquele que foi ungido pelo Espírito (At 2. 10.35. "A pregação autoritativa dos apóstolos (At 4. "palavra da salvação". em grau ainda maior. dois aspectos do testemunho pelos quais os cristãos muitas vezes tiveram que pagar com a vida. (8).17). Os milagres de Jesus são operados por um poder dentro dEle (Mc 5. durante os dois anos em que trabalhou ali (19. ele diz que a Palavra do Senhor "crescia e prevalecia poderosamente" (9).8 com 3.7. Isto salienta o fato de que o Espírito de Deus costuma agir através da Palavra de Deus. 8. Em Éfeso a mesma coisa. subjuga o "homem forte".22. Os milagres. o reino de Deus na terra começa a ter efeito poderoso. dado por Deus.22-30). Não é por menos que o evangelho causou tanto 116 . Lucas liga este poder.8-12). portanto. a pregação e o ensino da Palavra estão estritamente relacionados.4).

com pouca ou nenhuma perspectiva da missão para a qual ela foi chamada. mas internamente muito de nossas igrejas estão enfermas. Mas graças ao bom Deus. pois precisamos testemunhar.14). Porém.23-31). enquanto estendes as mãos para fazer curas. mas não se curvava diante deles.7) e os cidadãos de Antioquia (13. os Herodes. Quando alguém cria é porque a Palavra trouxe fé (4. alienada do mundo. Atualmente já não são tantos os Pilatos. olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra. Lc 1. Era uma igreja unida em seus propósitos e se amava de verdade. "Não é exagero dizer que a Palavra é o principal instrumento na missão evangelizadora da igreja. sob o poder do Espírito de Deus". E Deus atendeu ao clamor de sua igreja (At 4.4 a tinham como sua grande arma. E não é possível um testemunho autêntico de Jesus sem o poder do Espírito. principalmente no mundo ocidental. sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus" (At 4. A igreja de hoje. quando na verdade eram elas que deveriam estar curando!". Era uma igreja de oração que buscava constantemente a plenitude e enchimento do Espírito Santo. Clamava a Deus para ser revestida com mais e mais poder para proclamar com ousadia e intrepidez as verdades do Senhor a quem ela tanto amava (At 4.1.44).30). Senhor. é a própria igreja criando obstáculos para não fazer a obra do Senhor. os judeus e gentios que estão perseguindo a igreja.31).28) e que os missionários anônimos de Atos 8.44). o procônsul de Chipre (13. Felizmente (ou seria infelizmente?) seus desafios são mais de ordem interna que externa. o centurião Cornélio (10. externamente os desafios eram humanamente insuperáveis. Herodes e muita gente se levantaram contra a igreja de Deus. "Uma lição é preciso aprender com a igreja de Jerusalém: A igreja de Jerusalém estava consciente de sua missão no mundo. também possui seus desafios. Hoje. cf. à nível de igreja local.4). Não é de admirar que o ministério da Palavra fosse prioridade para os doze (6. muitas vezes.1). Atendeu porque a igreja deixou de lado seus próprios interesses para servir ao mundo.4). Quando alguém se tornava cristão é porque o Espírito iluminava o coração dos ouvintes com a mensagem apostólica (16. o que muito se vê. em obediência ao mandado de Cristo. Quando alguém recebia o Espírito isto acontecia por ouvir a Palavra (10. (11). Externamente desfruta-se de uma liberdade religiosa como nunca se viu.impacto sobre Teófilo (At 1. Internamente ela estava pegando fogo. a igreja é perseguida pelo fantasma de sua própria morbidez por persistir. Também não é de admirar que eles comprometessem seus convertidos com ela (20. Será que o poder do Espírito dos tempos bíblicos continua sendo o mesmo para a igreja evangélica brasileira hoje? Com certeza. não é a realidade de todas elas.29. A Igreja Primitiva tinha desafios imensuráveis. disse algo a respeito da igreja de Jerusalém que poderia ser repetido aqui. desejosa de pregar o evangelho. Esta é a triste realidade de muitas igrejas históricas e pentecostais brasileiras em nossos dias. Em outro estudo de minha autoria (A Missão Integral da Igreja). Hoje.44). numa vida contemplativa. Pilatos. Então a igreja orou: "agora. O vento 117 .

Convicção de pecado.8 é para a gente também! Gostaria de concluir este tópico com uma declaração urgente e atual do Comitê de Lausanne sobre a importância do poder do Espírito Santo na missão da igreja: "Cremos no poder do Espírito Santo. precisamos ser avivados (no verdadeiro conceito bíblico desse avivamento). Em grego "tanto. deturpar o texto bíblico. precisamos orar mais. A esfera de atuação da igreja A missão da igreja consiste em percorrer o mundo todo para pregar o evangelho a toda criatura (cf. Infelizmente. mas sem. Como sabemos. hoje em dia não são poucos os crentes equivocados quanto à compreensão da ordem do Mestre. A igreja que não é missionária se contradiz a si mesma e debela o Espírito. e até aos confins da terra". temos que evangelizar lá sem esquecer de cá e vice-versa. e que todos os seus dons enriqueçam o corpo de Cristo. Mc 16. na sabedoria. a fim de sermos o verdadeiro sal da terra e a verdadeira luz do mundo. Portanto. no amor e no poder.8 é formada. em Atos 1. A ordem e a promessa de Atos 1. Deus seja louvado! Entretanto. Em Atos 1.15).. Quantas vezes já não ouvimos indagações mais ou menos assim: "Por que mandar ou sustentar missionários no estrangeiro se temos tanto o que fazer no Brasil?".. a maioria dos que pensam assim não está preocupada com a obra missionária nem mesmo no seu próprio país. na santidade.. é tudo obra dele. a fim de que o seu fruto todo apareça em todo o seu povo. pela partícula enclítica te mais a conjunção kai. Sem o testemunho dele o nosso seria em vão. na fé. Jesus ordena que o trabalho missionário da igreja seja te. isto é.como" de Atos 1.como" equivale ao nosso adjetivo comparativo e sugere. Jesus não estava dizendo simplesmente que a Sua igreja precisava escolher uma dessas áreas geográficas para trabalhar ou que deveria começar por uma de cada vez. novo nascimento e crescimento cristão.8. simultaneidade de trabalho. no grego. evidentemente. (13). Uma aplicação contextualizada das regiões citadas por Jesus fica por conta da nossa imaginação. Só então a igreja inteira se tornará um instrumento adequado em suas mãos.. precisamos do poder e enchimento do Espírito para transpor nossos próprios portões. Jerusalém 118 . O Pai enviou o seu Espírito para dar testemunho do seu Filho. De mais a mais. isto é.sopra onde quer e está soprando em muitas de nossas igrejas. A expressão "tanto. instamos com todos os cristãos para que orem pedindo pela visita do soberano Espírito de Deus. ..kai. para que toda a terra ouça a Sua voz".8 Jesus especifica a missão global da igreja dizendo que ela deveria testemunhar ". (12). Pelo contrário. de maneira que a evangelização deve surgir espontaneamente numa igreja cheia do Espírito. como em toda a Judéia e Samaria. fé em Cristo.tanto em Jerusalém... a idéia bíblica do termo aqui é: atuar ao mesmo tempo em todos os lugares da terra. o Espírito Santo é um Espírito missionário. A evangelização mundial só se tornará realidade quando o Espírito renovar a igreja na verdade..

& Friedrich. 122. missionário reformado na Nigéria na década de 50. 576. segundo Samuel Escobar (Desafios da Igreja na América Latina (São Paulo: Ultimato. e tem sido relegado à periferia". em The Theological Dictionary of the New Testament apud C. Povo de Deus (São Paulo: Vida Nova. que devemos ser testemunhas de Jesus para todos os povos. C. mas não de igual modo a Pentecostes. a ponto de não ter ligação alguma com ela. p. Samaria era uma região mais afastada.. "martys". 1985). Nela Jesus prometeu o Espírito Santo e nela. (4) Das 34 ocorrências de "martys" no Novo Testamento. 1997). pp. van Engen.Betz. Poderíamos comparar Samaria ao nosso paísl? Os confins da terra (14) significam. e que o ponto de partida de missões no Novo Testamento é o que aconteceu em Pentecostes.. ed. (6) O. ressuscitou e ordenou a evangelização do mundo. "Poder" em Dicionário de Teologia do Novo Testamento.8 é mais que "universalidade concebida de forma geográfica". "A tese desse trabalho". p. p. 144. (7) Barret apud M. É geografia sim mas também é etnia. Barret. no dia de Pentecostes. por exemplo. a igreja cristã foi inaugurada e habilitada para cumprir a Grande Comissão. p. Atualmente sabe-se que "os confins da terra" de Atos 1. 1997). Nela Jesus morreu. (5) Cf. mas da teologia em geral. mas muito pouco sobre seu significado crucial para o testemunho missionário da igreja. São Paulo: Vida Nova. III (3. por sua vez.foi o berço dos acontecimentos básicos do cristianismo. 1989).3 (Grifo nosso). Cit. 43). à luz desse fato. Supomos que a nossa Judéia seja o estado onde estamos vivendo. (3) (3) C. São Paulo: Vida Nova. mas deveria ser central na reflexão sobre missões. p. Op. G. R. Para efeito de comparação e aplicação da ordem de Jesus. 123. Vol. é missão transcultural que envolve. (2) Cf. Evangelização na Igreja Primitiva (2. O assunto não foi totalmente ignorado.185. 13 estão em Atos. Povo Missionário. G. segundo Green. podemos identificar Jerusalém com a cidade em que moramos. A Judéia. Desde que não se entenda que o Pentecostes deve ser desvinculado da Grande Comissão. estou de pleno acordo com Boer e Escobar. Sproul. os índios do Brasil. era a província que tinha Jerusalém como capital. Kittel. Seu cuidadoso estudo do material bíblico seguia a convicção de que escreveu-se muito sobre a obra do Espírito Santo na salvação dos seres humanos. A missão da igreja contemporânea é mais do que missão estrangeira. "é que no estudo de missões prestou-se muita atenção à Grande Comissão. naturalmente. van Engen. afirma que "a pregação ou 119 . NOTAS (1) Harry Boer. 1996). escreveu Pentecost and Missions (1961). O Mistério do Espírito Santo (São Paulo: Cultura Cristã. situada ao norte da Judéia. Ele propõe uma revisão não só da teologia de missões. ed. Boa parte do ministério de Jesus ocorreu em Jerusalém.Green.

embora alguns pais permitam que seus filhos sejam batizados apenas porque faz parte da tradição religiosa na qual 120 .t. p. Vol. Danker do qual ele foi o tradutor.14). Op. Para Gingrich e Danker te kai "freqüentemente significa simplesmente e" (p. (10) O. A concepção geográfica dos cristãos primitivos era limitada.T. XIV. 185. (14) Convém lembrar que o conceito de confins da terra da maioria das pessoas nos tempos bíblicos não era o mesmo conceito de Jesus e do Espírito Santo. se referem ao batismo infantil. 204). 5.Missões em Atos 1 e 2" em Missões e a Igreja Brasileira. (9) Foi assim na Judéia (6. como Irineu (século II). III (São Paulo: Mundo Cristão. significa simplesmente "e" (Lc 23. Wilbur Gingrich e Frederick W. p. mostrou-se desejoso de ir à Espanha (Rm 15. E esta omissão não aparece somente na tradução de Zabatiero. Cit.. porém. p. Entretanto.1. Paulo. onde te kai poderia possivelmente ser traduzido como "e". Pela fraseologia de Zabatiero e as referências citadas. Jonh Stott Comenta o Pacto de Lausanne (São Paulo: ABU Editora). por exemplo.8. Gingrich e Danker não mencionam Atos 1. Além disso. p. Pais da Igreja. 1983. que até justificaria por ser um resumo de A Greek-English Lexicon of the New Testament and other Early Christian Literature. Cit. sem mais nem menos.24.24. milhares de cristãos evangélicos no mundo continuam a prática. Orígines (século IV) foi batizado quando criança. naturalmente porque entendia que ela fosse os confins do extremo ocidental da terra. "freqüentemente" não é o mesmo que "sempre".4-7. Grego/Português de F.8. 1993).28).49) e na Ásia (19.12. BATISMO DE CRIANÇAS Algumas Considerações A prática de batizar os filhos dos cristãos vem desde os primórdios do cristianismo. 185. Betz. tudo indica que ele está seguindo o Léxico do N. 576. 83).recebimento desta Palavra é mencionado nada menos que trinta e duas vezes em Atos" (p. (11) M. Para ele "a expressão grega te kai. "Poder e Testemunho . na primeira viagem missionária (13. (12) O Pacto de Lausanne. Green.8 é citado para provar tal argumento. At 1. em Lucas. (13) Júlio Paulo Tavares Zabatiero discorda da idéia de simultaneidade de Atos 1.27.30)" (Zabatiero. Op. (8) Idem. na relação das referências de Atos. deixaram de incluir na lista deles uma das principais passagens de Atos? Acredito que não. nem mesmo nesta volumosa obra (900 páginas!) Atos 1. 4. Hoje. Samaria (8. 202). Será que os autores simplesmente..20). 21. V.7).

Muitos preferem apresentar seus filhos ao Senhor. sem batizá-los. a idade da razão. E não é de admirar que os apóstolos batizavam casas inteiras em suas viagens 121 . Isaque. era o selo da fé que Abraão tinha (ver Rm 43. Coré e suas famílias juntamente. mas. A circuncisão. e. têm um desejo só. mas é a mesma Igreja. Símbolos e rituais mudaram.6). é claro. Abraão creu e o sinal da sua fé foi aplicado à Isaque. Porém. que Pedro. no dia de Pentecostes. que remonta ao tempo do Antigo Testamento.16).29) e a Igreja de "o Israel de Deus" (Gl 6. à fé em Cristo e ao batismo. incluiu seus filhos na aliança. 21. publicamente professar sua fé pessoal em Cristo Jesus. mais tarde.4). quando Deus fez um pacto com Abraão. quando Moisés aspergiu com o sangue da aliança as tábuas da Lei dada por Deus. eles passaram a fazer parte da Igreja visível de Cristo aqui na terra. Foi uma grande alegria ter meus filhos batizados e vê-los. quando cada um ainda não tinha mais que dois meses. Evidentemente nem todos os evangélicos concordam que o batismo infantil seja a única maneira de se fazer isso. Assim.19-20). com votos solenes de educá-los nos caminhos de Deus até. mesmo quando este ainda não podia crer como seu pai. em Ceia. de incluir os filhos dos fiéis na aliança de Deus com o seu povo. diz que todo o povo foi batizado com Moisés. ao chamar os ouvintes ao arrependimento. quando chegarem à idade própria.9-12). 17. portanto.nasceram. Os crentes são chamados de "filhos de Abraão" (Gl 3. e que não foi abolida no Novo. disse-lhes que a promessa do Espírito Santo era para eles e para seus filhos (At 2.11).1-14). Minha crença sé baseia no fato de que. receber o selo da fé que minha esposa e eu temos no Senhor Jesus. antes de completar duas semanas (Gn. o batismo é um ato pelo qual consagram seus filhos ao Senhor. Deus mandou que Noé e sua família entrassem na arca (Gn. Não é de se admirar. Paulo. 7. de vê-los crescer nos caminhos do Evangelho. chamou Abraão e sua família (Gn 12. ao refletir sobre a história de Israel e ao mencionar a passagem dos israelitas pelo Mar Morto.11 com Gn 15. tanto os que batizam seus filhos.1). Deus sempre tratou com famílias (Dt 29. O Sábado tomou-se em Domingo. assim. Alguns me perguntam por que apresentei meus quatro filhos para serem batizados. quanto os que os apresentam. Minha resposta é que acredito estar seguindo a tradição bíblica. e determinou que fossem todos circuncidados (Gn. Para outros. Não é de se admirar que Paulo chame o batismo de "a circuncisão de Cristo" (C12.1-4). incluindo obviamente as mães e seus filhos de colo (Hb 9. pois acreditam que o batismo é somente para adultos que crêem. Mais tarde. aspergiu também todo o povo presente no monte Sinai. através desse rito iniciatório. Batizei meus filhos crendo que. na nuvem e no mar inclusive as crianças. Estou persuadido de que a Igreja cristã é a continuação da Igreja do Antigo Testamento. a Páscoa. e a circuncisão. pois havia milhares delas (1 Co 10.38-39). na verdade. embora nunca em detrimento da responsabilidade individual.7. o mesmo povo. Deus determinou-lhe que circuncidasse Ismael e.1-3) e castigou Acã. em batismo. mesmo assim.

Por outro lado. Mas. Simboliza a fé dos seus país nas promessas de Deus quanto aos seus filhos (cf. Se os judeus que se converteram a Cristo não podiam batizar seus filhos. É verdade. se houvesse crianças. 16. Compreendo a dificuldade que alguns terão quanto ao batismo infantil. levá-los à Igreja. ao crescer.At. Mas não há nenhuma proibição apostólica quanto a isso.13-16). lembremos que passagens assim não tinham em vista os filhos dos fiéis.7. tanto os que batizaram seus filhos quanto os que os apresentaram. que. É verdade que não se mencionam crianças nessas passagens. Ef 6. era de se esperar que houvesse alguma proibição neste sentido por parte dos apóstolos.6. Eles terão de se converter de seus pecados e crer no Senhor Jesus. ao crescer. Se.31) e expressa os termos da aliança que nós e nossos filhos temos com o Senhor (Dt ' 6. Fonte: Revista Fides Reformata 122 . assim como os que foram batizados em idade adulta. os filhos dos crentes eram "santos" (1 Co 7. é da sua inteira responsabilidade. O batismo foi apenas o ritual de iniciação pelo qual foram admitidos na comunhão.4). isto é. o carcereiro e todos os seus (At 16. pois não há exemplos claros de crianças sendo batizadas no Novo Testamento. já que estavam acostumados a incluir seus filhos em todos os aspectos da religião judaica. Compreendo também que alguns têm dificuldades com o batismo infantil por causa da prática da Igreja Católica e de algumas denominações evangélicas.16). serem exemplos de vida cristã. At 16. Mas é igualmente verdade que não há nenhum exemplo de um filho de crente sendo batizado em idade adulta. e que se desviam depois. O batismo infantil não salva a criança. para Paulo.6.15). Pois. Não serão salvos pela minha fé ou da minha esposa.missionárias: Paulo batizou Lídia e toda sua casa (. ao contrário dos filhos dos incrédulos.14). que adotam a idéia da regeneração batismal. mas toda uma primeira geração de adultos que se converteram pela pregação do Evangelho.3233). talvez seja mais seguro ficar com o ensino do Antigo Testamento. a criança tenha seus pecados lavados e seja salva. Meus filhos terão de exercer fé pessoal em Cristo Jesus. instruí-los nas Escrituras e viver de tal modo que. devem orar com eles e por eles. elas teriam sido excluídas. uma criança que foi batizada resolver desviar-se dos caminhos em que foi criada. pelo batismo. Pv 22.. At 2. a casa de Estéfanas (1 Co 1. Talvez ele estivesse seguindo o que o Senhor Jesus havia dito. Certamente que o Novo Testamento fala do batismo como sendo uma expressão de fé e de arrependimento por parte daqueles que se convertem a Cristo . para que sejam salvos. mas o entendimento mais natural de "casa" e "todos os seus" é que se refira à família do que creu e fica difícil imaginar que. que não impedissem as crianças de virem a Ele (Mc 10.38. Neste caso. os filhos desejem servir ao mesmo Deus de seus pais. ao fim.coisas que uma criança em tenra idade não pode fazer. da Igreja visível. Pessoalmente não creio que seja este o ensino bíblico.

formamos uma comunidade (At 2. 1Jo 2. É uma fraternidade de pessoas que crêem em Jesus Cristo como Salvador pessoal. plena participação na família de Deus. embora muitos formam um só corpo. Para que não haja divisão no corpo. com responsabilidade mútua. 2Co 13. onde o nome de Jesus Cristo é exaltado. assim também é Cristo.13). Sua palavra. Assim. "Ora há diversidade de dons. estudada. Jesus disse que "irmão" era quem fazia a vontade de Deus: "Pois aquele que fizer a vontade de Deus. se um membro é honrado. "Corpo de Cristo" e "Comunhão no Espírito". não há diferença quando chamamos o outro de "meu irmão" (Mt 23. "A Igreja é uma companhia de crentes regenerados e batizados que se associam num conceito de fé e fraternidade do evangelho". na Igreja Presbiteriana da Bahia. Pois em um só Espirito fomos nós batizados em um só corpo. e onde nos estimulamos e encorajamos a crescer em amor. E há diversidade de 123 . uma participação comum no Espirito. e.10). falamos na Igreja Batista Sião. e. Rm 8. esse é meu irmão. e Lhe obedecem seguindo-O como discípulos e tendo-O como Senhor. mas que os membros tenham igual cuidado uns dos outros padecem com ele. Não há superioridade. Aparece cerca de 250 vezes nos Atos e cartas. quer judeus. 1Co 1. Expressa-se também como um corpo local.6. Tg 2. assim como o corpo é um. e tem muitos membros.1.8). o Espírito Santo (Fp 2. A IGREJA A Igreja é isso: uma congregação de crentes cuja única cabeça é Jesus Cristo.24-27) A Igreja de Jesus Cristo tem uma natureza militante. Ora.7).Parte XX COMO MEMBROS DO CORPO DE CRISTO "Porque. se comunidade temos algo em comum: a fé comum em Cristo Jesus (Tt 1. o sangue de Cristo (1Co 10. vos sois corpo de Cristo. Diferença que exista é de dom e função na Causa de Cristo.42. todos os membros se regozijam com ele. um compromisso de obediência comum a Cristo como Senhor.12.16). irmã e mãe" (Mc 3.35).9).3. quer escravos quer livres. quer gregos. e um compartilhar pleno na realização da vida da igreja. 1Jo 1. É a mais freqüente designação do Novo Testamento para os crentes em Jesus Cristo. mas o Espirito é o mesmo. Sim. A verdadeira comunidade cristã é criada e sustentada por uma fé e uma vida comuns em Cristo. e é descrita através de imagens riquíssimas como "Povo de Deus".15. e a todos nós foi dado beber de um só Espirito. e todos os membros do corpo. e individualmente seus membros" (1Co 12.13. e quer dizer que fraternidade tem a ver com amor.4.29. na Igreja Evangélica Fluminense como uma dessas comunidades locais. Somos "irmãos". É uma saudação natural (cf.

16. e essa expressão "batismo no Espírito Santo"significa o ministério do Espírito em favor do que crê. é . segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor. investimento de alto retorno em termos de crescimento. paz. Por isso. mas o Senhor é o mesmo. sua iniciativa devem ser através desta abençoada comunhão local. de amor alegria. o que significa que seu esforço. aí esta a primeira exigência para ser membro da Igreja de Cristo: regeneração através do arrependimento.14-17). quer gregos. A cada um. 4. At 8. "Saíram dentre nós. Por outro lado.4-7). Após a regeneração. se fossem dos nosso. aos principados e potestades nas regiões celestes. para remissão de vossos pecados. mas não do nascimento celestial. porque regenerados pelo poder do Santo Espírito (Tt 3.13). mas não eram dos nosso.33. E é realizado através da Igreja local. bênçãos! Muitas bênçãos! E PARA SER MEMBRO DA IGREJA? Há condições.13). e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo. A Igreja de Jesus Cristo.ministérios.19). porque. porque confessamos a um só Senhor: Jesus Cristo (Mt 10. há quem participe da comunhão terrena.36-38.11). O ingresso tem seguimento pelo batismo: Jesus deu ordem definida sobre isso (cf. Lc 11. Rm 8. cf. da qual somos membros pelas razões já expostas. É uma questão de investimento espiritual. de conhecimento. "Para que agora a multiforme sabedoria de Deus seja manifestada . a participação nesse plano deve ser o ponto focal da lealdade do irmão e do seu trabalho. teriam permanecido conosco. por procuração. 10. é normal que busque a comunhão do povo de Deus. e o batismo há de ser realizado em nome do Pai.12. Então. o passo da obediência: o batismo.15). porque filhos do mesmo Pai (Jo 1. quer escravos quer livres.5. quer judeus. e 124 . mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.38). é dada a manifestação do Espirito para o proveito comum" (1Co 12. de graça.10. e se é salvo.32. Todos devem ser salvos antes de se tornarem membros de uma Igreja.19. Não se pode ser membro por ordem de outros. porém. 1Jo 2. e a todos nós foi dado beber de um só Espírito" (1Co 12. "Arrependei-vos. sim.27).13. ou sem exercício da fé como no caso de recém-nascidos. Ef 1. pois pode uma pessoa ser cristã e não ser membro de uma Igreja local. por meio da Igreja. um centro de trabalho e de lealdade. sua atividade. Gl 3. então.23. mas todos eles saíram para que se manifestasse que não são dos nossos" (1Jo 2. E visto que o propósito redentor de Deus é para ser realizado por meio da Igreja. Mt 28." (Ef 3.47. Importa que isso aconteça porque o salvo é batizado no Espírito Santo. e assim unido à Igreja de Deus: "Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo . Somos membros uns dos outros. e recebereis o Dom do Espirito Santo" (At 2. E há diversidade de operações.

Assiduidade os cultos. em comunhão com Deus. mas como um corpo estranho. 2.5. como é costume de alguns. Jo 10.15). Há os salvos. E também a comunhão com os outros. Atividade.32ss). os vossos pecados uns aos outros.4. A Palavra de Deus que alegra o coração.17). 17. Fervor na Oração. "bodes" no meio das ovelhas (Mt 13. na ressurreição (v. 1Co 13. 125 .1-13).16.14-18. para receber do Senhor bênçãos e mais abundância de vida (Sl 133. cf. 2Ts 2. Jo 13. 2. Com o objetivo de "antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor. Deste modo. lavados no sangue de Cristo. Mt 18. viver e crescer". agregados ao Corpo de Cristo. A súplica de um justo pode muito na sua atuação" (Tg 5. Na Reforma Protestante do século 16. 1Pe 3. antes admoestando-nos uns aos outros.1). 133.4).1). vidas inspiradoras.42) E isso para ir ao encontro do Senhor e dos irmãos (Sl 84. exemplares.1. Está em Hebreus 10. Mas é preciso recordar e viver a comunhão com Cristo no batismo (Rm 6. e nunca desfalecer" (Lc 18. para imitar o exemplo dos primeiros cristãos (At 2. na morte (v. Não crescem.19). o novo convertido é batizado para se tornar célula viva.do Filho. Socorrer.21). Jesus ensinou: "Contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre. hb 8. criam problemas. membro ativo na comunhão de irmãos que se chama Igreja de Jesus Cristo.5). consolar. e Tiago deixou claro: "Confessai portanto. administrar. 23. Amor ao estudo da Palavra de Deus. e que levam a igreja a crescer. e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós" (2Tm 2. 4. Tomá-la para "ler. lembrando a exortação: "Procura apresentar-te diante de Deus aprovado. Pois oração implica em atitude de dependência de Deus. como obreiro que não tem de que se envergonhar.1.2.20). tão essencial que João a põe como prova de conversão (1Jo 3. cf.25: "Não abandonando a nossa congregação. Ap 3. a exclamação "Sola Scriptura!" ("apenas e unicamente a Escritura Sagrada!"). 2Tm 3.10). Paulo exortou "orai sem cessar" (1Ts 5. o que quer que seja. fortalece o espirito e alimenta a alma (Mc 12. Levam freqüentemente a igreja à tristeza. na vida eterna (v.16).21.35. e do Espírito Santo (Mt 28.20. Jesus os chamou "joio"no meio do trigal.24. batizados no Espirito. exortar. regenerados. Cl 3.3.2.6). ensinar. QUALIDADES DO MEMBRO DA IGREJA DE CRISTO 1. para serdes curados. Consciência dos dons que recebeu e usá-los: pregar. portanto. em absoluta confiança em Deus. quando vedes que se vai aproximando aquele dia" (cf.15. cantar. 3. Crucificados com Ele (Gl 2. não fazem crescer escandalizam até. que maneja bem a palavra da verdade". vivificados com Ele (Ef 2. e tanto mais.4).17).6. At.46).4. 25. Há membros e há membros. e orai uns pelos outros.24ss. e com Ele nos céus (Ef 2. Há os postiços.11. úteis.3.8). Ef 2. Mt 8.

3-5. porém em outras igrejas. eram ativos no testemunho de Jesus Cristo. Na igreja. sendo membro de uma igreja. 1Pe 1. há quem venha se tiver cargo.29. a igreja era um investimento de vida.21. O falecido mestre do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil (no Recife).50. A igreja não é uma relação de sócios ou de membros ou de filiados. Ef 4. de fato. 9. Tt 2.5. e Jesus Cristo o irmão mais velho (R. deve ser excluído da igreja porque. 23. e cantasse muito para ele (já que ele gosta de música sertaneja). dizendo que é o melhor patrão. 2Tm 3. mas só aparecem no Natal ou Noite de Ano Novo. Pr. Dizer isso significa que ninguém tem privilégio especial sobre outro. 16-19. há privilégios iguais na igreja.14. Vão à igreja como quem vai ao teatro: esperam boa música. bom sermão. ensinou haver três tipos de membros de igreja que podem ser comparados a barcos: os que tem motor próprio. Essa é a razão porque somos uma fraternidade. Como é você como membro da Igreja de Cristo? Como eram os primeiros cristãos? É somente ler Atos ou as Cartas. abandono. que preservassem a harmonia entre eles.10. 8. espere convite especial para vir. e não fizesse meu serviço com o gado. Estes são peso morto na igreja. Jesus andava e mantinha comunhão com seus discípulos. uma família da qual Deus é o Pai. Era imperativo que vigiassem sua conduta. Jd 4. Só Cristo! Então. apreciado. Tt 3. já se auto-excluiu (Rm 16.9.7ss. mas mesmo que eu passasse todo o tempo falando de "seu" Vicente . Aliás. é muito operoso.1ss. 1Tm 1. e isolada dos outros crentes. de campanhas. não trabalham e dão trabalho. sendo membro da igreja. Lc 8. Senhor! E que não entrarão no reino dos céus?" 126 . homens e mulheres.15. mesmo. Mt 6.17. têm nome no rol de membros. e que todos sejam sociáveis.2b.10). 2Jo 9-11. unidos todos em amor comum e lealdade (cf. Há quem. de movimento. Mt 20. o Novo Testamento não fala de experiência cristã praticada independentemente.M. aqueles que são como balsas (são puxados). de agitação. seja por falta grave.6. Há uma alegria especial em ser membro da igreja.1-3. os que possuem vela (precisam de vento. encontravam alegria na comunhão.13. 1Tm 5. ele me mandaria embora!" Jesus não falou naqueles que dizem "Senhor.A IGREJA LOCAL O princípio da Igreja diz que pertencer-lhe é um santo privilégio e um sagrado dever. Se alguém está fora dessa comunhão. Mt 10. 9-11. falsa doutrina. Lc 8.18-20.17).55.10-13.17). 12. 1Co 5. O mesmo Pr. Schaly conta uma história. Isso não se refere a diferenças de habilidades ou capacidades espirituais das pessoas. e tivessem a consciência de que a verdade divina lhes fora confiada. A do vaqueiro crente: "eu trabalho para "seu" Vicente. Harald Schaly. 27. Mc 6. 2Ts 3. alguns fazem pouco ou nada fazem. 28. estavam vigilantes quanto à Sua Segunda vinda.1ss. de novidades para vir à igreja).9. escândalo.13.6. todos os crentes têm direito a privilégios iguais. É uma comunhão. há quem. já que há direitos iguais de acesso a Deus.5. nunca na sua (?!).

para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado" (Hb 3. e caindo na graça de todo p povo. cresce o reino de Deus. a cultivar relações francas e a delicadeza no trato e a estar pronto a perdoar as ofensas (Mt 6. E o modelo é o de Atos 2. durante o tempo que se chama Hoje. à EBD!).Pois é. Como árvore que nasce da semente. É um crescimento lento porem continuado. que exerçam o sacerdócio dos crentes. Que Deus nos ajude! Parte XXI COMO SE FAZ UMA GRANDE IGREJA "Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela. ou o maior balancete mensal. e de fora para dentro. Que nos comprometamos a ter cuidado uns dos outros. de toda a alma e de todo o entendimento. nem as melhores salas para a educação religiosa do seu povo. cuidado e prática diária. atingindo os não conhecem a salvação em Cristo Jesus. pela vida espiritual intensa pela consagração à causa. não inchação! É isso: precisamos de crentes que busquem o reino de Deus em primeiro lugar. nem coisa semelhante.15b-27). É esse. tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra. o melhor coro. a igreja é chamada a crescer. porém santa e sem defeito" (Ef 5. a buscar a paz com todos.12-15). Por isso. "Antes exortai-vos uns aos outros todos os dias. Crescer em todas as direções: para o alto. de dentro para fora. e onde os recursos para o crescimento cristão ao dispor (venha. sem mácula. que amem ao próximo como amam a si mesmos. nem ruga. o mais eficiente meio de deter nossa tendência de fazer renascer a velha criatura. Uma grande igreja não é a que tem o maior templo da cidade. que façam do crescimento pessoal assunto de perseverança. Por isso. ou a 127 . para baixo. Precisamos de crentes que entendam ser a igreja local o lugar previsto por Deus para a comunhão. É desejo comum que esta nossa igreja seja grande em todos os sentidos. aprofundando-se na doutrina do Senhor. Crescimento. que nos ajudemos mutuamente em nossas enfermidades (Tg 5.47: "Louvando a Deus. que amem a Deus de todo o coração. que sejam luz do mundo. que confiem no poder da intervenção. portanto. E cada dia acrescentava-lhes o senhor os que iam sendo salvos". Cresce a igreja. para que a santificasse.31-3).13). que nos lembremos uns dos outros em nossas orações. que sejam santos porque o Senhor é santo. ou o fermento na massa do pão (Mt 13. que amem a Palavra de Deus. oramos no sentido que cresça em número e espiritualidade. buscando o altar de Deus. para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa. agregando pecadores regenerados. para os lados.16b). aliás.

incidentalmente. Palavra.e é igualmente prático (cf. magister. designando alguém que era procurado por ter "algo a mais (magis)".. o escravo. de preferência ao mesmo tempo. Há uma diferença abismal entre as palavras "ministro" e "mestre". Isso é algo básico. alguém que tem "algo de menos". Ef 4. Os chamados testes dos dons dão uma pista. de estar presente em todas essas reuniões. "Mestre" vem de uma palavra da língua latina. capacitar os cristãos para o exercício eficiente de seus ministérios. e não ter sido capacitada por Deus para exercê-lo no ambiente de formação espiritual da igreja. Falamos em Ministro da Educação..11.". pelo fato de algumas pessoas ainda presumirem que o pastor tem que fazer tudo na igreja. Você vai dizer. Essa palavra "ministro" é usada. afinal de contas. e assim por diante. procedente de minus. Não é aquela cujo pastor é o melhor orador da cidade. Esse é um fato altamente prático. No entanto. é um conceito bíblico. pois. estar em todas as reuniões. quem vai ser o pastor?" É precisamente neste tipo de pergunta que há malentendidos. No entanto. é palavra tão simples.12. e os membros os mais destacados da sociedade. "Ministro" vem de minister. e. e quer dizer que cada um de nós tem um ministério. "magistrado". No entanto. se possível.45). "Pastor. e. do alto escalão do governo. evangélico em todos os sentidos porque Jesus declarou "O Filho do Homem (Cristo) não veio para ser servido. de onde procedem. mas para servir. Somos todos chamados para ser ministros de Jesus Cristo. sobretudo. não sei qual é o meu ministério. UMA GRANDE IGREJA É A QUE TEM UM MINISTÉRIO PARA TODOS Cada crente é chamado por Deus para ser um ministro. No entanto. o servo. Lembremos que o pastor trabalha COM a igreja capacitando-a.. Mc 10. uma grande igreja pode ter tudo o que foi mencionado. o meu dom". usada para pessoas de altíssimo gabarito. para dizer "servo" e o conseqüente serviço prestado. Talvez uma pergunta esteja na mente dos leitores: "se todos vão ser ministros. Dom não é o talento natural. algumas marcadas ao mesmo tempo. é utilizada no primeiro escalão do governo. Isso é interessante porque podemos pensar que a palavra "ministro" é tão elevada. Ministro das Finanças. ensina a Palavra Santa que a principal tarefa do pastor é preparar. pois alguém pode ter um grande talento em certa área. ainda. A Bíblia diz que nós temos um serviço. Você reconhece o seu dom espiritual pela compulsão que 128 . portanto. "magistério". uma grande igreja é a quem tem certas características bíblicas que passaremos a enumerar.que levanta as maiores ofertas missionárias e para outros fins. Era que tinha com que contribuir. que ele tenha o singular condão nunca esperado de outras pessoas. treinando-a para o exercício eficaz do ministério de cada pessoa.

Assim fazendo. vêm todos. Não é a contribuição em dinheiro para resolver a débil situação econômica de alguém. e outra tantas razões. sua contribuição de presença à Celebração do Nome de Jesus. 129 . engorda e faz ficar bonito. Soube de uma igreja no estado da Flórida (EUA) onde não indicação para os cargos. Cada um faz alegria."Mas o Espírito Santo diz "Não deixando a vossa congregação como é costume de alguns". só os fiéis". quarta-feira vai para a do primo. trabalha quem quer trabalhar. Achei-a um tanto pesada. se ensino. É que no momento em que você diz "Preciso de tal coisa". Sem alarde. Porém. seu louvor. essa é uma grande igreja! UMA GRANDE IGREJA É AQUELA QUE TEM FIRMEZA DE FÉ E DE DOUTRINAS Como é possível obter uma fé estável. fortalece. qual a sua mesa espiritual? Já imaginou se seu filho resolvesse que amanhã vai almoçar na casa do vizinho. O mesmo com a doutrina: edifica. quatro. e os cargos vão sendo preenchidos de acordo com a vontade de trabalhar da pessoa. se ação social. Fora.parte do seu íntimo. Uns são esquecidos. ele diz "Vou resolver". Fulano de Tal. ele responde "Pronto. Essa é uma grande igreja. e assim cada dia da semana. a que tem um ministério para cada pessoa. As posições são disponíveis e os membros dizem à Comissão. e não é preciso pedir "Por favor" porque o Espírito Santo já capacitou para tal trabalho. que não seja levada por todo vento de heresia ou de corrupção? Temos algumas pistas na Palavra de Deus. encaminha. mas o feijão-com-arroz é em casa. Você sente o desejo de realizar algo. Feijão-com-arroz bem preparado. diga onde está que vou buscar". firme. outros recebem três. faz crescer. Com um ministério para cada um. à noite. porque infelizmente. da ajuda. há quem seja idoso. O hábito da freqüência sistemática aos cultos é uma bênção na vida do cristão por ser fundamental para a firmeza de suas convicções. venha. mas há tantos banquetes que fazem mal. bem temperado edifica. e terça-feira na casa da tia. se evangelismo. Traga sua alegria. E esses "alguns" sabem quem são e quais são os costumes: de faltar sem necessidade. Seria uma tremenda economia para o irmã.. se você não tem nenhum desses impedimentos. Uma muito simples é compartilhando as experiências nos cultos. "Quero trabalhar nessa função".. cinco cargos. Cada um sabe qual o seu ministério. com prazer. A Carta aos Hebreus quase que diz "Não deixando a vossa congregação como é costume de. É meio complicado para um igreja de centrão da cidade ter uma altíssima freqüência à noite: há quem more muito distante.. há quem tenha filhos ainda pequenos. muita gente fica esquecida quando a Comissão de Indicações vai estudar os nomes e cargos. de passear pelas outras igrejas (o chamado "turismo eclesiástico"). Irmão amado. Há um irmão em nossa igreja que tem o evidente carisma do socorro. Li uma frase (mas não vou dar 100% de crédito porque conheço a luta de alguns irmãos): "No domingo de manhã. há banquete.. irmã querida.

se forem maus. e ausência de vida espiritual. devido à falta de circulação do "sangue da fé". trazendo ainda os males da carne: rivalidades. se os teus olhos forem bons. Administraram-lhe muitos "acampamentos". o xarope de reuniões sociais" sufocou-a. emendando o lazer de sexta a segunda e vigília. a Igreja dos negligentes. carência de "água viva". deram-lhe "injeções de competições esportivas". Foi medicada. Na Palavra de deus. tanto quanto participar das atividades da Denominação fortalece os laços de amor entre as igrejas locais. de entrega. UMA GRANDE IGREJA É A QUE TEM UMA VIDA DE DISCIPLINA Os primeiros seguidores de Jesus foram chamados de "discípulos". Até cápsulas de "gincana" lhe deram pra tomar! RESULTADO: Morreu Dona "Reunião de Oração"! A autópsia revelou: falta de alimentação. o teu corpo ficará em 130 ."fraqueza de ânimo" e muita falta de boa vontade. na Igreja dos negligentes e frios na fé. e comprimidos de "clube de campo". estará fechada nos cultos do meio da semana. de quebrantamento. pois lhe deram grande dose de "administração de empresa".não dobravam mais . "aqueles que estão debaixo de uma disciplina". nem pensar.E o Culto de Oração nas quartas ou quintas-feiras que tem virado uma lástima em algumas igrejas? Alguém me repassou uma Nota de Falecimento que diz o seguinte: Nota de falecimento Faleceu.) que deveriam e até poderiam estar presentes no Culto de Oração. E é uma atividade que se demonstra em tudo o que fazemos. É uma atitude de submissão. Agora.. situada na Rua do Mundanismo. A presença nos Cultos é fundamental para a solidez da fé. número 666. Em sua memória. todo o teu corpo será luminoso. como "pão da vida". assim mesmo quando não houver dias feriados. Foi proprietária de grandes avivamentos bíblicos e de grande poder e influência no passado. só pela manhã. principalmente entre os jovens. de reconhecimento do senhorio de Jesus Cristo sobre nós com o objetivo nosso de aprender. mas. isto é. Os médicos constataram que sua doença foi motivada pela "frieza de coração". a disciplina de Jesus Cristo é uma atitude e uma atividade. haverá Culto ou Escola Bíblica. Como Jesus expressou: "São os teus olhos a lâmpada do teu corpo. uma pergunta: SERÁ QUE O LEITOR NÃO AJUDOU A MATAR A DONA "REUNIÃO DE ORAÇÃO"? Quantos pastores se ressentem da ausência de irmãos (até da liderança. mas erroneamente.. Constataram ainda: "dureza de joelhos" . que já estava enferma desde os primeiros séculos da era cristã. Aos domingos. mudando-lhe o regime. ciúmes. o que provocou má circulação nas amizades. dona "Reunião de Oração".

34). como ensina Paulo: "a fé vem pela. "Vós sois o sal da terra". e Paulo.17).". UMA GRANDE IGREJA É AQUELA QUE TEM UMA VIDA DE TESTEMUNHO Mateus 5. e outra horinha de noite para meditar na Palavra.. e na sua lei medita dia e noite". palavra de Cristo" (cf. e aquele que deseja fazer de sua vida um real ministério. aliás. ou ficava até de madrugada em oração. uma bemaventurança para aquele que "tem prazer na lei do Senhor. Orava durante o dia.. Através do estudo da Palavra. A oração torna a nossa marcha mais firme. prossigo para o alvo. cada atitude que expressamos está marcada por essa disciplina que vem da Escritura Sagrada.14. Sua vida de oração era intensa: ou Ele Se levantava de madrugada para orar. permanência na Palavra.. o próprio Senhor Jesus Cristo. Mas temos que nela colocar alma para que não vire reza (palavra que vem de "recitar"). embora até a recitemos. Isso quando a Bíblia fala tanto de alegria e felicidade. Ela só é meditação constante quando aplicada à vida e cada coisa que fizermos. onde fala do "varão que tem o seu prazer na lei do Senhor. cada palavra que pronunciarmos. Prefiro esta última expressão "dia e noite" a uma outra tradução que ensina "de dia e de noite". mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão. em Filipenses 3. Lemos a Bíblia com o objetivo de estudá-la e de nela meditar. e o nosso trabalho mais abundante no Senhor.13. Eles vêm para melhorar a nossa vida pessoal e da igreja como um todo. Não posso entender o crente que não se alegra com a leitura da Palavra de Deus. "Vós sois a luz do mundo". enquanto a segunda pode dar idéia de tirar uma horinha de dia. a nossa vida mais constante. Através de vida disciplinada no serviço. Observem que os discípulos não pediram a Jesus "Ensina-nos a pregar". e na sua lei medita dia e noite". porque a primeira fala de constância. quanto a mim.16 e Atos 1. Nossa igreja tem realizado seminários e simpósios de capacitação. para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus". o apóstolo. Essa disciplina se manifesta na devoção e na vida de serviço. Tudo isso é testemunho! O apóstolo Paulo tem uma 131 . pela qual pautamos a nossa oração. orava na sinagoga. O exercício da oração é prova disso. Rm 10. Jesus manteve uma vida de oração. Há até uma bem-aventurança: no Salmo 1.8b são textos basilares sobre o testemunho do cristão: "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens. Todos somos chamados. no Templo. não julgo havê-lo alcançado. É uma atividade que olha para o alvo que é a cruz de Jesus Cristo. chegou a ensinar uma oração-modelo. As horas consumidas no preparo disciplinado não constituem tempo perdido. mas "Ensina-nos a orar".. "Irmãos. O propósito da leitura e estudo da palavra de Deus é confirmar e estimular nossa fé. Há.trevas"(Lc 11. modelo porque não é recitada simplesmente. deve nele disciplinar-se.

Outra realidade impressionante é que o melhor testemunho não é aquele que eu pesquiso e repasso às pessoas: é o da minha vida. em pé à direita de Deus" (7.15). mas sempre devemos começar com a nossa própria experiência nos termos de 1João 1. de Pedro e João (3. ele exclamou: "Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem. conhecida e lida por todos os homens.3.56). ainda. Parece que estamos andando com os discípulos. e começa na própria experiência de Pedro (At 2. forte). mas vai ler a minha e a sua vida.. Que livro extraordinário! É uma leitura empolgante. e não conta mais aquela piada indecente que você costumava ouvir.4-6). e naqueles momentos finais. Nesse livro. Perceberam que isso é o que Jesus faz? É o evangelho! EU ERA ASSIM (o pecado em deixou desta maneira. Nós éramos assim (que palavra terrível!). Não foi ele que pediu a Deus que 132 . a única Bíblia que estas pessoas irão ler. para que vós.expressão em 2Coríntios 3. Portanto. Ele estava sendo apedrejado. igualmente. Ninguém fique iludido pensando não ter pecado. e a Bíblia diz. no entanto. no passado bem passado. mas pelo espírito do Deus vivente. nem um sequer"" (Rm 3. O que eu vi.56). já está pecando. na lama. de Estêvão (7. e você passa a ser respeitado. o testemunho é pessoal. produzida pelo ministério. e entrando com eles nas cidades. 22. Pode até acontecer que em nosso testemunho ao mundo perdido sejamos um tanto vacilantes. Que é. mantenhais comunhão conosco". eu fazia isso. Fico impressionado com o testemunho de Estêvão. O melhor testemunho é contar a vida. uma grande igrejaé aquela que tem uma vida de testemunho.2< "Vós sois.14. estando já manifestos como carta de Cristo.23). é o que eu conto sobre o que Deus fez por mim.10). E sabe quando você começa a ser respeitado? Quando aquela rodinha no trabalho ou na escola se cala quando você chega.32). escrita não com tinta. FIQUEI ASSIM (corado." O que é impressionante é que muita gente nunca vai abrir a Bíblia Sagrada. ""pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Rm 3. e participando das pregações.24. havia uma propaganda que dizia "EU ERA ASSIM (e mostrava um indivíduo bem apessoado) CHEGUEI A FICAR QUASE ASSIM (a figura era de um esqueleto) TOMEI [E DIZIA O NOME DO FORTIFICANTE]. Se disse que não o tem. de Paulo (20.. quase me arrastando. "Não há um justo. o melhor testemunho é dizer "eu era ssim. O conteúdo do testemunho aponta para Jesus Cristo e Sua obra na vida humana.. "O que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros. ser testemunha de Jesus Cristo? É compartilhar algo da própria experiência. e o evangelho veio e me resgatou para Jesus!!!) É a minha história e a sua também.. Nos bondes. eu conto. Somente temos que ler o livro dos Atos dos Apóstolos para confirmar o que foi dito. bonito. mas a minha vida mudou". e .

É um clube religioso. é uma reunião de amigos. Tomás Munguba contou-me sobre um operário de uma fábrica em sua cidade (João Pessoa). nada acontecerá sem o poder do Espírito Santo. viram os macacos que os estavam imitando: puseram lenha para fazer uma fogueira. nem vida de testemunho. Assim é com a igreja: sem o fogo do Espírito. estão fazendo para condicionar a atitude comportamental de Fulano?" Responde o pastor. usando a linguagem da psicologia: "Que vocês. EXPRESSÕES PARA DESCREVER O MINISTÉRIO DO ESPÍRITO O Novo Testamento tem dois termos para descrever o ministério do Espírito Santo na vida e experiência dos crentes: a habitação do Espírito Santo e a plenitude do 133 . "Não por força nem por poder. Tomás. porém. O Pr.peroasse os seus algozes? (7. Era apenas uma imitação. Tomás. Deste modo.. protestantes. na inspiração de Zacarias 4.. Não haverá um ministério para cada um. não haverá estabilidade de fé.60). Quando o chefe soube que ele estava freqüentando uma igreja evangélica. acendiam uma fogueira e ficavam ao redor contando as experiências e as bênçãos. mas não é uma igreja onde Jesus Cristo é Senhor. Mas o Espírito Santo trabalhou. "Nada. É. Não fizemos qualquer lavagem cerebral. Lembremos que o fogo que aquece a igreja é o Espírito Santo. Há uma história sobre um grupo de missionários acampados na selva perto das vilas e aldeias. testemunho pessoal que parte da experiência pessoal. se perguntava o que poderia fazer para ajudar. em todos os casos. diz o Senhor dos Exércitos". um descrente. Cada tardinha. uma fantasia. de gente idealista. deu-se um milagre: chegou sóbrio à fábrica e assim permaneceu por toda a semana e sempre. e estavam sentados ao redor da fogueira apagada se "esquentando" como os missionários faziam nas noites frias: esfregavam as mãos. A única prova disponível para que o mundo veja a obra de Cristo em nós é nossa própria vida. Seu chefe. e todo início de semana chegava embriagado ao trabalho." UMA GRANDE IGREJA É AQUELA QUE TEM O PODER DO ESPÍRITO SANTO Não obstante. Faltava. algo importante naquela fogueira: o fogo. nem vida de disciplina. O homem tem dez filhos. faziam ruídos. quando os missionários regressaram. Um testemunho eficaz inclui dois elementos básicos: um modo de viver: um modo de vida e uma comunicação oral.6. Olha o nome: Atos dos Apóstolos: o Testemunho dos Apóstolos! Um livro inteiro só de testemunhos do que Deus fez através dele. mas pelo meu Espírito. Uma tarde. Absoluta nada. mas também perto de uma colônia de chimpanzés selvagens. Numa certa segunda-feira. a igreja não tem sentido. É uma mascarada. perguntou ao Pr. nada. amigo do Pr. o mundo quer ver esta realidade vital genuína que só Cristo pode oferecer. voltavam das aldeias.

16. Paulo faz uma analogia entre a intoxicação alcoólica. tão sagrada quanto uma cesta básica que é dada para uma família menos valida. A contabilidade de uma igreja local é tão sagrada quanto a mensagem que sai do púlpito. a embriaguez. tão sagrada quanto a lição da Escola Bíblica que é repassada para os alunos em uma classe. e cada vez mais controlada. A hora de buscar a plenitude do Espírito. mas que cada parte de seu corpo está afetada pela bebida: seu modo de caminhar. mas enchei-vos do Espírito". Esta deve ser uma nova hora para cada pessoa que lê esta reflexão. Este é o momento sério de renovar o pacto com suas convicções. quando a igreja se reúne para a edificação ou quando espalha a mensagem através de ondas do rádio. sua conversa. de tal modo que quando você fala. a água da vida é grátis. Sua comunhão com o Espírito vai fazendo com que sua vida seja controlada. se o que queremos é uma grande igreja. O primeiro se refere à conversão (1Co 3. da televisão. A plenitude do Espírito Santo não é instantânea como a embriaguez também não o é. todos compreendem que você está sob o domínio do Espírito de Deus." Quer isso significar que quando se anuncia o reino de Deus isso é feito de modo absolutamente gratuito. havendo. anda ou toca as pessoas. se o que desejamos é uma vida abundante e vitoriosa. O segundo significa ser controlado pelo Espírito Santo (Ef 5. porque na Igreja de Jesus Cristo não reconhecemos coisas profanas e coisas sagradas. Ele o faz em Efésios 5. ou através da imprensa escrita. tudo tem 134 . Ser "cheio do Espírito" significa que cada ação nossa. a água da vida é levada. secular.18). "Na verdade. no qual há dissolução.5). forte e espiritual! Parte XXII CREIO NA CONTRIBUIÇÃO CRISTÃ "Fazei todas as vossas obras com amor" (1Co 16. no entanto. seus pensamentos. E o crente que se consagra. Para o cristão. A hora de cada crente renovar sua aliança com Deus. É o controle e o domínio do Espírito Santo sobre.14) A causa de Jesus Cristo tem seu lado financeiro. reconhece que o dinheiro não é o lado profano. nossa Rocha Eterna. A hora de se firmar mais e cada vez mais em Jesus Cristo. mas o balde em que é transportada tem que ser comprado.Espírito Santo ou ser cheio do Espírito. de algo sagrado chamado Igreja. Quando uma pessoa está "cheia de vinho" não significa que está cheia da cabeça aos pés como uma garrafa. Isso faz lembrar a palavra de um evangelista que afirmou com muita propriedade. Quando os irmãos se reúnem para o crescimento. Tg 4. o que ninguém desconhece. e o controle do Espírito de Deus.18: "Não vos embriagueis com vinho. seu olhar. um custo financeiro. Por incrível que possa parecer. cada pensamento e palavra está sob Sua influência.

É um sistema de valores econômicos. 135 . O que a Bíblia diz. Se assim fosse. E Joana. amar e dedicar-se a Deus e dedicar-se aos bens.00. Porque começa dizendo assim. "Está na Bíblia". é assunto sério.2. ninguém pode se devotar e ninguém pode cultuar. Então. E normalmente se dá mais valor ao que custa mais caro. existe um aspecto sagrado no dinheiro que entregamos à igreja. das riquezas. Não pode ser dessa maneira. Mamon é a personalização do dinheiro. e há um outro bem semelhante nas características e funções e custa R$ 580.sacralidade. espirituais e morais. ou se devotará a um e desprezará o outro. Não servir. diz o verso 24: "Se no ouro pus a minha esperança. em Lucas 12. Há. Dinheiro. neste último versículo. e muitas outras as quais o serviam com seus bens. até. Isso não existe na palavra de Deus. ou disse ao ouro fino: Tu és a minha segurança. quem pense que a Bíblia ensina que o dinheiro é a raiz de todos os males. Se me alegrei por ser grande a minha riqueza. O que a Escritura ensina é que a avareza. Assim o era no Antigo Testamento.24. Sim. O aspecto civil da lei de Moisés confundia-se com o lado cultual. portanto. da qual saíram sete demônios. às posses. No livro de Jó no capítulo 31. ritual e litúrgico. Não podeis servir a Deus e as riquezas". você vai querer saber porque um custa duzentos e pouco e o outro quinhentos e alguma coisa." Na palavra de Jesus. "Ninguém pode servir. tão sagrado que Jesus tinha um tesoureiro no colégio apostólico. Algumas traduções têm "Não podeis servir a Deus e a Mamon". a ganância. é que "o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males". E havia pessoas fiéis que sustentavam o Seu ministério. não seria ordenado "trazei todos os dízimos à casa do tesouro". Vamos a Lucas 8. Aliás. e por ter a minha mão alcançado muito.15: "Acautelai-vos e guardai-vos da avareza.3. procurador de Herodes. A Constituição do povo de Israel era a própria Lei de Moisés. Dinheiro é um sistema de valores. nós colocamos no dinheiro um sistema de valores porque damos preço a um objeto pela quantidade de dinheiro investido nele. o amor ao dinheiro. Tão sério. pois eu teria sido infiel a Deus que está lá em cima. Também isto seria pecado para ser punido pelos juizes. não é apenas um meio de adquirir bens. a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui". Nele está que "Ninguém pode servir a dois senhores. e a loja diz que custa R$ 450. mulher de Cusa. Por isso que o valor de um objeto é medido pela quantidade de dinheiro que nós gastamos nele. Mateus 6. faz parte do "Sermão do Monte. Ou a de odiar a um e amar o outro.00." A idéia é essa mesmo: servir. à conta bancária. e Suzana. Temos nesta história todo um sistema de valores. é a raiz de todos os problemas e sofrimentos. odiar e desprezar a Deus. há um sugestivo ensinamento sobre uma gradação no relacionamento entre o homem e o seu dinheiro. que apresentam o seguinte: "E também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria. E alguém disse. chamada Madalena. Se alguém vai comprar um refrigerador. Dinheiro." Sustentavam a obra de Jesus Cristo.

quando o fiel entrega o dízimo. nós entramos na questão do dízimo. dependendo do modo como você o usa. forçosamente nós temos que entrar no sistema de Deus para o financiamento do Seu projeto. a Bíblia diz tantas vezes. significa assistência aos pobres. no livro dos Atos dos Apóstolos (chamado. como o emprega na causa de Jesus Cristo. o carisma de ser liberal. A lista de versículos relacionados com dar. indo de Gênesis 4:12 a Apocalipse 22:12.O dinheiro é. O dízimo faz parte desse sistema de valores. A própria expansão do evangelho quando mandamos um missionário ou uma família missionária. Então o que é e o que não é o dízimo? Vamos esclarecer algumas coisas. doar e oferecer é imensa. a Escritura mostra que dar é sinal da graça de Deus na sua vida e a disposição de fazê-lo é dom da operação do Espírito Santo no coração. também. a qual. Dar é sinal da graça de Deus. divide toda a contribuição recolhida pelos diversos apostolados e ministérios que realiza. E então. "Que Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu filho unigênito". Romanos 12 fala sobre isso. No caso particular dos Batistas. podemos reconhecer a ação do Espírito Santo de Deus. Contribuir está intimamente ligado ao estado de vida espiritual e onde há contribuição generosa e liberal a Deus. Também há uma palavra de Jesus registrada fora dos Evangelhos. também dá. É o governo soberano de Deus nos corações. enviando uma parte à Aliança Batista Mundial. e a sustentamos em um determinado país. Nesse ponto. e uma das graças do Espírito na nossa vida chama-se o dom da liberalidade. Tive a curiosidade de olhar na Concordância Bíblica a palavra dar. no entanto. e. há pessoas que são ajudadas com as cestas básicas há pouco mencionadas. É aquela pessoa que dá o dízimo. Contribuir significa companheirismo no serviço cristão. O crente faz isso através do seu dízimo. o carisma é tão forte na sua vida que se a igreja pedir o segundo dízimo dá. Realmente. A Convenção estadual reúne das igrejas do seu campo e remete uma porcentagem para a Convenção Batista Brasileira. Por isso. o seu trabalho. de "o Evangelho do Espírito"): "Mais bem aventurada coisa é dar do que receber". O projeto de Deus é o programa de expansão do Seu reino neste mundo. por sua vez. um sistema de valores morais porque representa o seu tempo. aliás. a sua personalidade. Vamos começar com o que o dízimo não é: O dízimo não é um meio de pressionar a igreja a levantar dinheiro a fim de suprir 136 . até. uma parte dele é enviada para a Convenção Batista do seu Estado. que também pode ser doar e oferecer. É um sistema de valores espirituais. outros serviços públicos que a igreja utiliza?). a manutenção do culto (ou alguém não paga essas luzes que são acesas durante o culto? Ou outros bens que nós usamos. Quando contribuímos. e se a igreja pedir uma contribuição para ajudar a uma determinada causa. E parte desse projeto é 10% da renda pessoal.

Diante de Deus é a mesma coisa. com pessoas que treinam.500 reais que o outro entregou. Porque alguém pode pensar assim: "Bom. O Coordenador de um Ministério. a misericórdia. ofertas com massas para pagar pecados.00 de dízimo. Por isso. os 15 reais e 10 centavos que os 1. As bênçãos de Malaquias 3. não. ela é visitadora.000. então. "Eu tenho crédito com Deus. Se tinha naquele ano uma produção de dez bezerros. ele dá R$ 1. um tem mais posição que o outro. mostrando como é natural. Eu não tenho que criar um saldo de graças com Ele. Deus não se deleitava com essas coisas. glória sobre glória! Agora. nem neles te deleitaste os quais se oferecem segundo a lei. se tinha vinte sacas de trigo. que levam para o campo. "Isso me aconteceu porque eu não dei o dízimo. Ouvi contar de certo pastor que falou para alguém. "Se eu não vos derramar sobre vós uma benção em abundância. Ela é evangelista. para a obra de Cristo. dar o dízimo também. dava o dízimo também de espécie. do coentro. Não é um meio de pagar para que outros façam a obra no meu lugar. A promessa é de bênção. Não é que Deus me deva alguma coisa e com isso eu tenho credito com Ele. Porque o povo dava o dízimo não só de dinheiro. eu preciso cumprir a minha parte." Faziam sacrifícios de animais. ele é o Coordenador. Talvez seja até mais sacrificial. e essa pessoa repassou que ele dissera.500. Eu só ganho R$ 151. por isso. Não é um meio de subornar a justiça de Deus. quem realiza é a Igreja de Jesus Cristo. enfim." Não dê o dízimo com intenção de pagar pecados. sim. Já vi isso também. do endro. Não dê o dízimo com medo.8 coloca o assunto da seguinte maneira: "Depois de dizer como acima: Sacrifício e oferta. não dê o dízimo para pagar promessa. mais dinheiro uma pessoa tem. Vou dar o dízimo para ficar rico.necessidades do seu orçamento.00 para R$ 15. benção sobre benção. As bênçãos são a graça. não é um meio de pagar para que outros façam. Nem para criar um saldo de graças com Deus. da hortelã.10.00 é a mesmíssima proporção de R$ 15. um era do Senhor. Hebreus 10. eu. Mas. Por isso. ele é o Diretor. oblações com vinho. não! Dízimo não é para isso. e holocausto e oblações pelo pecado não quiseste. Agora vou dar o dízimo para não acontecer mais. Há quem pense. além de realizar obras caracteristicamente cristãs. duas pertenciam ao Senhor entregava ao Templo. A palavra de Jesus diz que nós devemos. o salário mínimo. não são apenas bênçãos materiais. um era do Templo. Não é uma maneira de mostrar posição pessoal. O Novo Testamento acabou com o dízimo. "Se ele é o Diretor de Evangelismo. mas. E ele até mencionou temperos usados no trivial da cozinha: dízimo do cominho. e agora posso exigir dele. dou R$ 15. mas irmão Fulano ganha R$ 15 mil. Quantas vezes o dinheiro tem sido maldição.00.10". mais miserável é. mas. que dirigem. O dízimo não é cumprimento de exigência da lei de Moisés. o crescimento espiritual. Já vi gente dizer isso.500.00. por isso. cada ministério é realizado pela igreja. "Não dou dízimo porque é da lei de Moisés. Então." Não é assim não. 137 . ele que evangelize." Há outras bênçãos além de dinheiro. coordena. não. R$1.10 para quem recebe R$ 151. ela é aconselhadora. O Diretor de Evangelismo dirige a evangelização." Como pode?! Deus não está me devendo nada. Por exemplo: trigo. às vezes." Não acabou nada. que lhe devo! Deus só me cobre de graça sobre graça.

Acho que é uma boa prática não entregar dízimo na tesouraria. é 10% da renda. pagam-se duplicatas e prestações. pastor?" Dízimo. Isso significa que o dízimo é proporcional. É assim que está na Escritura Sagrada. o padrão de contribuir. O tesoureiro depois vai recolher os dízimos e ofertas".14: "Fazei todas as vossas obras com amor". água. alguém pergunta. A Bíblia me mostra que o dízimo é uma solução para o crente pessoalmente falando. por isso. que deveriam pagá-lo no banco. Mas. Há designações para isso: conspiração e formação de quadrilha. Ou você pensa que 10% é de Deus e 90% é seu? Não é. do resto eu faço o que quiser". É solução para não só para o crente individual. Eu vou dar quanto? A resposta é a mesma. 10%. Não é. para sair tem que haver muita oração. além de nos ajudar também a estabelecer corretamente quais são as prioridades da nossa vida. Esse irmão de outra igreja falou isso: "Há um grupinho da igreja que está depositando o dízimo em uma poupança. Onde devo dar o dízimo? Na "casa do tesouro". por isso. É errado por vários motivos: por não trazer o dízimo. nos ajuda a desenvolver a disciplina de um padrão. Aprendo que o dízimo é uma solução. É crime e dá cadeia. O pastor pode estar errado. telefone. é forma de cultuar a Deus. No banco. Dez por cento é apenas o começo dessa expressão de entrega. ser trazido ao culto e entregue em adoração. na igreja em culto. por usar um expediente errado e por pressionar o pastor daquela maneira. Alguém de uma igreja irmã me disse certa vez que para pressionar a saída do pastor estava com outros irmãos depositando o dízimo em uma caderneta de poupança. houve muita oração. "Faça o seguinte irmão. mas não é dessa maneira que se faz. paga-se luz. nem na tesouraria. Porque um vai dizer. o dízimo é do Senhor e eu o trago à casa do Senhor. Entregaram um boleto bancário para os membros. é solução para a expansão 138 . que ensina que é até uma coisa mesquinha pensar apenas em 10% porque Jesus Cristo realmente pede 100% de nós. É um referencial simbólico de tudo aquilo que o crente entrega a Deus. vá lá no santuário e coloque no gazofilácio. Então. mas. É porque é um ato de louvor e deve. o que Jesus Cristo quer é você. ou fatura de clube. qual é o motivo real para que eu dê o dízimo? Creio que só há um motivo irmãos. meu irmão querido. eu ganho muito. O dízimo é reconhecimento de que eu aceito o fato de que Deus é soberano sobre o mundo e sobre a minha vida também. minha irmã. É uma boa prática não entregar na mão de ninguém."Então o que é o dízimo. Isso diz que o dízimo é adequado. Se para entrar. O que Ele quer é você. dá para entregar o dízimo na tesouraria?" Respondo. não. não! Dízimo é expressão de adoração. De vez em quando. E assim. e está em 1Coríntios 16." Está errado. que é para ver se com isso o pastor sai. não é por outra razão. é ponderado. não! "Dez por cento é de Deus. nós não podemos fazer o que umas igrejas andaram fazendo. É um guia para o padrão de crescimento do crente na contribuição. Mas. eu ganho pouco e o outro vai dizer. Como quem paga carnê do Baú da Felicidade. "Pastor.

sorteios. com amplitude. enfim. quanto estiver estipulado em assembléia da respectiva Convenção. Qual é a próxima etapa do Plano Cooperativo? A igreja local. o dinheiro das Convenções que na verdade é o dinheiro que veio das igrejas.00.00. da Capixaba. etc. 10%). Contribuição é menos. Seminários. A Convenção Batista Brasileira recebe então. Junta de Rádio e Televisão. Então. da Sergipana. Se o seu dízimo é de R$ 100. está dando uma contribuição. da Paraense. a Convenção Batista Baiana estabelece seu programa de ação. Está estipulado pela assembléia da igreja que nós daremos 10% da entrada. O nome está dizendo Plano de Cooperação das Igrejas.00. JUERP. leilões. recebem porque o irmão deu o dízimo na igreja. remete 20% para o Rio de Janeiro. Aliança Batista Mundial. 250. vilarejos do interior. Isso é o que se chama de Plano Cooperativo na igreja local. da Amazonense. você começou a cooperar. na Bahia. a nossa igreja mensalmente envia 10% para a Convenção Batista Baiana. Se você deve dar R$ 100. no Brasil e 139 . Talvez os crentes mais novos tenham ouvido muito superficialmente na Classe de Preparação para o Batismo.00. Coloca missionários em cidades. tudo se executará com largueza. e assim por diante. Aliás.00. Que mais? A Convenção Batista Baiana por sua vez. na Romênia. Dízimo é solução para a vida de qualquer denominação evangélica como agente da causa de Jesus Cristo nesse mundo através de um plano de cooperação. que não é outro senão o programa da igreja local. que na verdade é o seu dinheiro. vilas. porque as causas missionárias. chás sociais.00. E esse programa começa com o crente. 200. não haverá problema financeiro. oferta é R$ 120. e dá R$ 80. sua oferta ao Senhor. no Canadá. o desenvolvimento na educação dos novos e dos antigos crentes. que na verdade é o dinheiro do Senhor. da Mineira. Oferta alçada é mais do que dízimo. 30%. Um problema financeiro que a igreja tem será resolvido com facilidade. E a Convenção Batista Brasileira recebe da Convenção Baiana. 50%. onde fica a sede da Convenção Batista Brasileira. ou 20%. sabiam? Há quem pense que oferta é menor do que o Dízimo. espalhados pelo mundo. shows e coisas assemelhadas. poderia contribuir com 5%. Ele coopera com outros crentes e dessa maneira todos trazem seu dízimo. A igreja local e a obra de Cristo não se sustenta através de bazares.. E dessa maneira distribui pelos diversos ministérios que ela executa: Junta de Missões Mundiais. Todas as Convenções mandam uma parte (20%. Os missionários que estão no Japão.. A nossa igreja contribui com 10%. As outras igrejas locais do Campo Baiano fazem o mesmo: cada igreja do interior e da capital manda este sua parte e. com visão por causa do dízimo. através do Plano Cooperativo. Está fora do padrão.da igreja. Junta de Missões Nacionais. O Plano Cooperativo é um programa de integração das igrejas. rifas. da Paraibana e assim por diante. na África.. Quando você então se une a outros crentes na sua igreja e você dá o dízimo. os planos evangelísticos. O plano cooperativo começa com você.

no mundo. Esse Programa de Cooperação só vai trazer uma coisa: bênçãos! Vamos para Malaquias 3.10, "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimentos na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós benção tal, que dela vos advenha a maior abastança". Abundância é questão de valores, não é questão de dinheiro. Não faça negociação com Deus. Há uma história que é passada às vezes de um modo muito lindo, no entanto, na minha interpretação, essa história, não guarda nada de nobreza.. É a história de quando Jacó estava em Betel, e teve a revelação de que naquele lugar o Senhor estava; que ali era Beth-El, a casa de Deus. Ele fez um voto dizendo: "Se Deus for comigo e me guardar nessa viagem que ora faço; e me der pão para comer e vestes para vestir, e eu em paz voltar a casa de meu pai, o Senhor será o meu Deus". Por que ele disse, "Se Deus for comigo", o problema é esse "se...", "Se Deus for comigo; se Deus me guardar; se ele me der comida; se ele me der roupa; se me fizer voltar em paz, então, eu darei o dízimo". Parece bonito, mas, o problema é que Deus lhe foi fiel e ele continuou o mesmo enganador de todo o sempre, porque dízimo é uma questão de valores espirituais e não de recompensas materiais como ele estava colocando diante do Senhor. O pastor Roberto McAlister, já falecido, faz uma pergunta, "Que é melhor: saúde ou um bom tratamento médico?". O que é que você prefere irmão, saúde ou o melhor médico da cidade tratando do seu terrível caso ? "Que é melhor, um filho simples e obediente ou um filho brilhante sem caráter? Que é melhor, um casamento humilde com muito amor ou um casamento infeliz com muito dinheiro?" O que é melhor? Porque tudo depende do senso de valores e Jesus Cristo fala de valores quando diz que devemos buscar o Reino de Deus e a sua justiça, porque o restante vem acrescentado. Quer dizer, se eu colocar o dízimo como o meu ponto de partida, a minha falta de fé vai se transformar em confiança e em sinceridade. Não vai haver falta de recursos para fazer a obra do Senhor, na casa do Senhor. A conquista de almas vai aumentar porque eu só tenho que fazer uma coisa, uma aliança com Deus; uma aliança com o Senhor na base da fé, na base da dependência Dele, pois certas coisas só podem ser realizadas com o Espírito Santo. Por isso, não é dever, é privilégio do crente, o de participar da obra do Senhor, da causa do Senhor; do projeto de Deus. Parte XXIII DESAFIOS DA LIDERANÇA CRISTÃ A verdade é que entramos no século 21 com tremendos desafios para a liderança na igreja. Um deles é, no dizer de Warren Wiersbe uma crise de integridade. E ela atinge o cerne da autoridade e da liderança da Igreja de Jesus Cristo. Wiersbe lembra que Paulo exclamou com as veras da sua alma: "não me envergonho do evangelho!" E sugere que talvez o evangelho afirme: "(mas) eu me envergonho dos cristãos". Quanta coisa tem sido praticada em nome do evangelho, com aparência de evangelho, com linguagem de evangelho, e tem dado como 140

resultado superficialidade de convicções, confusão mental e espiritual, e enfraquecimento da fé porque os líderes, pastores ou não, têm aberto campo para a falta de ética, para a manipulação dos sentimentos, para a falta de integridade. Excelente palavra a que traduz o conceito de integridade na língua hebraica: shalom, a qual é vertida para o português com alguns ricos significados, tais como "inteireza, integridade, plenitude, sucesso, salvação, saúde, prosperidade e, também paz". Não podemos fazer por menos: o instrumento que Deus tem para unir as pessoas, fatos e acontecimentos é a Igreja de Cristo. O líder há de ser íntegro, "limpo de mãos" (cf. Cl 1.9,10; 2.10; Sl 24.3,4), e "puro de coração" (cf. Sl 24.3,4). O líder cristão deve possuir uma mente como a de Cristo (cf. 1Co 2.16); sua vontade é honesta (Ed 9.6). O fato é que na época de Jeremias a religião parecia com esta do século 21: o povo dizia crer, mas havia influência secularista, pois o que cria não fazia diferença quanto ao modo de viver. O ideal evangélico está expresso em 2Coríntios 5.17. Além disso, na época de Jeremias, a religião havia se tornado um "grande negócio". É só conferir com as exclamações do profeta Jeremias que não tolerava os abusos como em 5.30,31 e Lamentações 4.13. Tudo isso é o que A. W. Tozer chamou de "tratamento comercial" do evangelho. Esse mesmo "tratamento comercial" é responsável pelo pragmatismo religioso: "visto que a igreja está cheia, Deus está abençoando", afirmam. Outro desafio às portas do século 21 são os novos estilos de culto. O que em outros países é denominado histórico ou contemporâneo, em nosso país é objeto da pergunta "tradicional ou renovado?" Outras comunidades têm utilizado a terminologia Culto Jovem contrapondo-se ao estilo recebido de liturgia e rito. É evidente que o culto é mensurado pela transformação causada nos que cultuam a Deus, e há de ser sempre "em espírito e em verdade" (Jo 4.23,24), ou não há de ser culto. É gratidão, reconhecimento, louvor, e (embora não seja o propósito primário) terapêutico. Ao tempo que o cultuante reconhece o cuidado, carinho e amor de Deus, louva-O e sai aliviado das tensões, dos cuidados e preocupações, terapia grupal no louvor comunitário. O culto, por ser dinâmico, envolve mudanças, mas envolve igualmente o que nunca deve ser mudado. Deus não muda; as verdades eternas não mudam; a Palavra de Deus não muda. Questiona-se a ressurreição de Jesus Cristo, a realidade do pecado, a necessidade de salvação, e a singularidade da obra redentora de Cristo. Mas o método pode mudar porque não são estáticos, mas se adequam aos tempos e circunstâncias. A liderança da igreja às vésperas do século 21 há de estar aberta para o novo sem perder a visão do permanente na igreja. Afinal, somos líderes e capacitadores numa comunidade local sem perder a visão do todo da Igreja de Jesus Cristo; e 141

capacitadores e líderes da Igreja de Deus sem perder a visão da comunidade como expressão local dessa Igreja. Numa análise do que chama "a Igreja do Futuro", Ralph W. Neighbour destaca que a "Igreja do Presente" se caracteriza por ser tridimensional: tem largura, comprimento e profundidade, mas não possui poder espiritual para dar à luz outra geração de cristãos. A "Igreja do Futuro", além dessas dimensões, tem mais uma: altura, ou seja, vive num mundo físico, de três dimensões como a outra, mas vive em acréscimo num ambiente espiritual onde "principados, potestades, príncipes do mundo destas trevas, hostes espirituais da iniqüidade" são diariamente enfrentados. É o caso, então, de examinar o que Neighbour destaca quanto ao que caracteriza essa Igreja dinâmica, ativa, viva, quadridimensional: · O Espírito Santo é Quem a dirige. É só permitir que Ele a controle nos termos de Efésios 3.16. A Igreja e sua liderança não são significativas pelo que possuem, mas porque são usadas por Deus. · Essa Igreja vive na quarta dimensão, sem qualquer alusão à ideologia esposada pelo pastor coreano David (antes Paul) Yongi Cho. Humanos, somos seres tridimensionais; mas como povo de Deus, e ainda mais, liderança desse povo, temos por conceito o sublime e urgente dever de ser quadridimensionais. Afinal, é nessa dimensão que o poder de Deus se revela e Satanás é vencido (cf. Jo 3.3; Ef 2.18,19). Onde se enfatizam as três dimensões, a liderança trabalha para o povo; nas quadridimensionais, a liderança trabalha com o povo. Não é de estranhar, portanto, que na Igreja onde se enfatizam as quatro dimensões a liderança seja composta por aqueles em quem os milagres de Deus acontecem de modo pessoal, e não de segunda mão. Ver a Deus, por exemplo, é experiência de primeira mão: Noé teve uma experiência sensorial com Deus e tornou-se o arauto divino para o arrependimento do seu povo (Gn 6.13); Abraão viu a Deus, e isso resultou num rompimento com a velha e surrada vida no politeísmo de sua terra natal (Gn 12.1ss); Jacó viu a Deus, e desde esse momento tornou-se "o princípe de Deus" ((israel, cf. Gn 32.22-32); Moisés viu a Deus e isso fez diferença na sua vida (Ex 3. 1-12; 34.29-35); Gideão que teve um encontro transformador com o Todo-Poderoso (Jz 6.11-24); Elias recuperou-se de um processo de depressão para a vitória porque viu a Deus (1Rs 19.8ss); Isaías nunca mais foi o mesmo depois da visão de Deus (Is 6.1ss); foi o caso de Paulo (At 9.1.ss). E "ver a Deus" dá novas energias. Quando se experimenta pessoalmente o poder de Deus, não se necessita ser aguilhoado para crer que todas as coisas são possíveis por meio de Cristo Jesus. Um líder que tenha tido uma visão definida de Deus será capaz de amar, terá todas as condições de repassar esperança, assim como capacidade de comunicar a fé. Na verdade, só podemos influenciar e liderar outros até o ponto a que nós mesmos chegamos. Nesse ponto, vai se revelar o líder espiritual em contraposição ao líder natural. Segundo Sanders, o paralelo entre estas duas qualidades de líderes é o seguinte: O Líder Natural 142

· É autoconfiante · Conhece os homens · Toma as próprias decisões · Usa os próprios métodos · Gosta de comandar os outros (e ser obedecido) · É motivado por questões pessoais · É independente. Bem diferente, portanto, do Líder Espiritual, o qual: · Confia em Deus · Conhece os homens e conhece a Deus · Faz a vontade de Deus · É humilde · Usa o método de Deus · Busca obedecer a Deus · É motivado pelo amor a Deus e aos homens · Dependência de Deus Parte XXIV DISCIPLINA NA IGREJA Introdução Disciplina eclesiástica é um termo em risco de extinção no atual vocabulário cristão. Desde que os princípios do pós-modernismo encontraram lugar no seio da igreja,(1) qualquer conceito que ameace o individualismo e a liberdade de escolha quanto ao estilo de vida, comportamento, etc., é logo taxado de arcaico, passé. A dicotomia prática de muitos cristãos gera a ilusão de que a igreja não tem nada a ver com o procedimento "secular" de seus membros. Nessa "nova era" antropocêntrica, a igreja é vista como uma organização altamente dependente do indivíduo, e que precisa conservá-lo ao custo de várias exceções. O medo da impopularidade leva muitos líderes à cumplicidade e pecados são justificados em nome de uma atitude mais "humana."(2) Por outro lado, o que dizer daqueles que, em nome do zelo pela disciplina, cometeram injustiças e causaram mais males que bens?(3) Em todo esse contexto, a disciplina tem uma vida curta e a tolerância consagra-se como a virtude da moda.(4 )Porém, o que acontece com uma igreja sem disciplina? O termo "disciplina," em geral, é empregado em vários sentidos. Podemos usá-lo para referir-nos a uma área de ensino, ao exercício da ordem, ao exercício da piedade(5) ou a medidas corretivas no seio da igreja. O objetivo deste artigo é delinear alguns fatores da importância da disciplina eclesiástica entre os membros do corpo de Cristo. O autor está plenamente consciente de que um artigo como este não coloca um ponto final no diálogo sobre o assunto. Porém, o que motiva esta reflexão é a esperança de que a mesma seja útil para elucidar a muitos quanto ao aspecto bíblico-teológico 143

da disciplina. I. Errando o alvo A igreja cristã tem sido acusada de ser o único exército que atira nos seus feridos.(6) O grau de verdade dessa acusação é, muitas vezes, devido a malentendidos com relação à disciplina eclesiástica. Tais mal-entendidos estão presentes em pelo menos dois grupos: 1) os que aplicam a disciplina, e 2) os que sofrem a aplicação da mesma. Como cada caso deve ser analisado individualmente, só nos cabe aqui listar os mal-entendidos mais comuns em relação à disciplina eclesiástica. A. Disciplina e Despotismo Com a subida ao poder do Partido Nacional na África do Sul, em 1948, a segregação foi legalizada em nome da disciplina. Como resultado, foi sancionado o aprisionamento de negros sem nenhum julgamento formal.(7) Isso não foi disciplina, mas despotismo. A história da Igreja Medieval apresenta uma vasta galeria de ilustrações da confusão entre o uso da disciplina e o exercício do despotismo.(8) Seria isto apenas um fenômeno do passado? Infelizmente basta familiarizar-se com os círculos eclesiásticos para se descobrir que o espírito medieval ainda está vivo e ativo na mente e atitude de alguns líderes modernos. Há aqueles que, como resultado da ganância pelo poder, seguem o caminho de Balaão e amam a injustiça (2 Pe 2.13,15). Estes estarão sempre prontos a "disciplinar" por motivos interesseiros (Jd 16). Não se deve esquecer, porém, que a culpa de Edom consistiu no fato de que "perseguiu o seu irmão à espada, e baniu toda a misericórdia; e a sua ira não cessou de despedaçar, e reteve a sua indignação para sempre" (Amós 1.11). B. Disciplina e Discriminação A confusa identificação entre disciplina e discriminação pode ser vista sob dois aspectos: 1) no abandono do disciplinado por parte da igreja, e 2) na recusa do disciplinado em receber a disciplina. Para se evitar o primeiro erro é imprescindível que a família cristã não desista de um dos seus membros que caiu. Paulo exorta a igreja para que manifeste perdão, conforto e reafirmação de amor para com o arrependido, para que "o mesmo não seja consumido por excessiva tristeza" (2 Co 2.7-8). Outra razão para esta exortação é para que "Satanás não alcance vantagem" sobre a igreja, criando amargura, discórdia e dissensão (v. 11). Há sempre a possibilidade de que o disciplinado não se submeta à disciplina, e acuse a igreja de discriminação. Tal atitude apenas manifesta ignorância e estupidez (Pv 12.1 - tradução literal). Segundo as Escrituras, é o pecado e a determinação em segui-lo que gera discriminação, e não a 144

na Segunda Carta a Timóteo 2.5 e 1 Tm 1. mas as Escrituras mostram que a disciplina 145 .12). Também. "Que direito temos nós de tomar o corpo de Cristo e fazê-lo um com a prostituição?" (1 Co 6. Há um princípio claro: "Os pecados que foram explicitamente disciplinados no Novo Testamento eram conhecidos publicamente e externamente evidentes.29). mas há algumas que requerem correção pública.16-17 o evangelista fala daqueles que se recusam a abandonar o pecado mesmo diante de uma amorosa exortação pessoal. na Carta aos Romanos 16. mas daquele que a ordenou.4-13). e na Primeira Carta a Timóteo 1. C. A Necessidade da Disciplina Aquele que ordena a disciplina na igreja é o mesmo que estabelece o padrão a ser seguido no exercício da mesma.22-23).17 o apóstolo recomenda disciplina aos que causam divisões na igreja e. equívocos. Nenhum direito nos é dado. O Ensino Bíblico A.6-10 ele prescreve disciplina eclesiástica para aqueles que se deleitam na preguiça.disciplina (1 Co 5."(9) Com relação à autoridade. e muitos deles haviam continuado por um período de tempo. Essa pergunta revela um mal-entendido comum entre disciplina e arbitrariedade. somente a ignorância. mas sim a responsabilidade de amar o pecador e vigiar para que também não caiamos (1 Co 10. II. é preciso lembrar que toda atitude pecaminosa precisa ser corrigida. Por exemplo.20). ou dureza de coração poderiam levar alguém a deturpar os princípios bíblicos sobre a disciplina eclesiástica e justificar sua ausência entre os membros do corpo de Cristo. a pergunta a ser feita dever ser: "Com que direito um membro da Igreja do Cordeiro profana o sangue da aliança e ultraja o Espírito da graça?" (Hb 10. Por outro lado. ou seja. Além do mais.1-13. em Mateus 18. "Aliás. é importante lembrar que a autoridade na disciplina nunca vem daquele que a aplica. É certo que o mundo vê a disciplina como expressão de ira e hostilidade. Disciplina e Arbitrariedade "Com que direito fizeram isso?" Tal é a pergunta que constantemente se ouve em casos de disciplina. "não somos todos pecadores?" Primeiramente. Na sua Primeira Carta aos Coríntios 5.15). Esse padrão consiste primeiramente em amor paternal (Hb 12. Concluindo. Paulo descreve as pessoas cujas práticas trazem escândalo à igreja. Ou seja.20.17-18 e na Segunda Carta de João 9–11 são mencionados os que dissimulam ensinos contrários ao Evangelho. é como se aqueles que aplicam a disciplina não tivessem nenhum direito de fazer tal coisa debaixo do sol. ao escrever a Segunda Carta aos Tessalonicenses 3." alguns argumentariam. o Cabeça e Senhor da Igreja (Ef 1.

17. e quando os cristãos recebem disciplina divina. 8). Os Passos da Disciplina Biblicamente. o termo grego e)/legcon ("arguir.1-13).7-9).1-10 e Ap 3.. A disciplina que vem do Senhor "é para o nosso bem (v. 12. há clara referência bíblica de que a igreja que negligencia o exercício desse mandato compromete não apenas sua eficiência espiritual mas sua própria existência. dirige nossa atenção para a alegre possibilidade de que tal irmão nos ouça.. a mesma produz paz e retidão (v. A igreja sem disciplina é uma igreja sem pureza (Ef 5.19). 13 ensina que o propósito de Deus em disciplinar não é o de incapacitar permanentemente o pecador. Segundo as Escrituras. O v. Nesse sentido. O padrão de disciplina divina revela também maravilhosos benefícios. 15 (Se teu irmão pecar vai argui-lo entre ti e ele só. o grego paidei/a possui sentido semelhante e é freqüentemente usado na analogia entre a disciplina dos filhos por seus pais e a correção que vem do Senhor (ver Hb 12.20-24).32). O termo hebraico rasUm é usado no Antigo Testamento como sinônimo de "instruir" (Pv 1." Ainda que seja inicialmente doloroso receber disciplina. A correção é fonte de esperança para os que a aplicam e vida para aqueles que a recebem corretamente (Pv 19. 10).O v. 11). É este triplo propósito que aponta para os passos a serem seguidos em uma aplicação correta da disciplina eclesiástica.15. O mandato bíblico referente à disciplina é encontrado especialmente no ensino de Jesus (Mt 18. Abordagem individual.1-2 e 15.25-27) e sem poder (Js 7.11-12a). Jesus.5-6).3. 1. No Novo Testamento.15 e 23. o Pai celestial está apenas tratando-os como seus filhos. mas principalmente nos imperativos do Senhor." v.de Deus é um exercício do seu amor por seus filhos.) ensina que a confrontação é um tarefa cristã. 1 Co 5. instruir. a disciplina na igreja tem um triplo objetivo: 1) restabelecer o pecador (Mt 18. "corrigir" (Pv 22.20). Mas é sempre arriscado confrontar alguém. mas antes de restaurá-lo à saúde espiritual. Além do mais. Amor e disciplina possuem conexão vital (Ap 3. Além do mais. disciplina e sabedoria estão intimamente ligadas nas Escrituras (Sl 50. disciplina envolve relacionamento familiar (Hb.13) ou "castigar" (Is 53.5). Também. confrontar.5 e Gl 6. A igreja de Tiatira foi repreendida devido à sua flexibilidade moral (Ap 2. B.1).6-8) e 3) dissuadir outros (1 Tm 5. Pv 1.24). todavia. Uma das melhores coisas a se fazer por um irmão em pecado é confrontá-lo em amor (Pv 27. 2) manter a pureza da igreja (1 Co 5. Deus não disciplina bastardos. Esses passos são especialmente mencionados em Mateus 18.13). a disciplina na igreja está fundamentada não apenas no exercício do bom senso.15-17. 15) também pode ser traduzido como "trazer à luz. filhos ilegítimos (v. pois nunca se pode prever a reação do mesmo.15-17) e nos escritos de Paulo (1 Co 5.19). 146 . 8).18 e 4. ou seja. A correta disciplina deve ser sempre aplicada com amor e não com ira (Pv 13.

11). Com estes não há mais comunhão cristã. Dt 17. e do juízo. a objetividade do caso é preservada. o que diminui as chances de injustiça. 3.27). Pronunciamento público (v." Assim. Jesus ordena que haja admoestação privada (v. Isto é uma referência à prática vetero-testamentária de não se condenar alguém com base apenas em uma opinião pessoal (ver Nm 35.1415) e vigiar a si próprio (1 Co 10. o ofensor é tido como gentio (a quem não era permitido entrar nos átrios sagrados do templo do Senhor) e publicano (que eram considerados traidores e apóstatas: Lc 19. "comunicar"). "fora. pois deliberadamente recusam os princípios da vida cristã (1 Co 5. Exclusão pública .19-20).Tal proceder nunca é violação de segredos. Implicações teológicas 147 .expor. É claro que cada um desses passos envolve dor. Assim. nosso pecado traz conseqüências pessoais e coletivas. Jesus afirma que as outras pessoas envolvidas nesse processo serão testemunhas. porém.O último recurso da disciplina é o da excomunhão (do latim ex. levanos a entender que o propósito do mesmo pode ser o de conscientizar o ofensor quanto aos prejuízos de sua atitude para com a comunidade do corpo de Cristo. Se o seu pecado é heresia."(12) III. tempo. o desvio doutrinário das verdades fundamentais ensinadas nas Escrituras. Com isto." e communicare.15). amor e transparência. em convencê-los (confrontá-los) "do pecado. a recusa ao arrependimento. 2. ou seja. Há porém o conforto de saber que a presença e o poder de Jesus são reais mesmo no contexto desse processo (Mt 18. eles não devem nem mesmo ser recebidos em casa (2 Jo 10-11). Nesse caso. podemos sempre clamar por socorro Àquele cujo ministério de confrontação é sempre eficaz. da justiça. Nesse caso.12). ou seja. antes de confrontar um irmão. 16). Diante de tal pronunciamento cada membro do corpo de Cristo deve orar pelo pecador. Tal oficialização pública da disciplina traz implicações temporárias em relação aos sacramentos (1 Co 11.(11) 4. e o ofensor é beneficiado.6 e 19.8 para descrever o ministério do Espírito em relação àqueles que estão no mundo. Além do mais. a disciplina eclesiástica "não é uma atividade a ser realizada facilmente. Em outras palavras. Admoestação privada . Uma atenção maior. pode parecer que o objetivo desse passo é intimidar o ofensor.210). A princípio.30. na qual o ofensor é privado de todos os benefícios da comunhão. Nenhum deles é agradável e eles só prosseguem diante de dureza de coração do ofensor."(10) É significativo o fato de que esse é o mesmo termo usado em João 16. pois o ofensor deliberadamente recusou os caminhos prévios do arrependimento. um número maior de pessoas é envolvido.No caso de o ofensor não atender à confrontação individual. mas algo a ser conduzido na presença do Senhor. 17) . evitar comentários desnecessários (2 Ts 3.

24). porém santa e sem defeito" (Ef 5. tais marcas consistem da proclamação da Palavra. Disciplina e as Marcas da Igreja A Reforma Protestante do século XVI considerou importantíssima para a teologia cristã a seguinte questão: Como distinguir entre a igreja verdadeira e a falsa? Em outras palavras. B.9). nem coisa semelhante. C.27).10 e Ap 19. Assim. da administração dos sacramentos e do exercício da disciplina eclesiástica. quais são as marcas da verdadeira igreja cristã? Para o reformador João Calvino.10). Disciplina e a Adoração Cristã A verdadeira adoração "é a mais nobre atividade de que o homem. é uma marca da fé salvadora (Fp 3. Há uma relação entre disciplina eclesiástica e evangelismo.(14) Um princípio essencial da adoração cristã é o zelo pela santidade do nome do Senhor (Ex 20. pois é um meio instituído por Deus para manter pura a sua igreja.18-29). Segundo ele.3). nem ruga."(15) Nesse sentido.Sem a intenção de limitar. A negligência do povo de Deus quanto aos mandamentos do Senhor motiva os incrédulos a blasfemar o nome de Deus (Rm 2. Disciplina e Evangelismo A disciplina evidencia o amor cristão pelo pecador. mas tão somente de elucidar. é capaz. ou como a disciplina em família. a disciplina eclesiástica é altamente relevante.1-3). Esse amor pelo pecador cristão também reflete o amor da mesma pelo pecador incrédulo."(16) Sendo que Cristo deseja sua igreja "sem mácula. "aqueles que pensam que a igreja pode sobreviver por longo tempo sem disciplina estão enganados. mesmo diante da possibilidade da sua contaminação pelo mundo. Sem a visão dessa seriedade. Uma igreja adoradora e ao mesmo tempo tolerante para com o pecado no seu seio é uma contradição de termos e recebe a repreensão do Senhor (Ap 2."(13) A exclusiva adoração a Deus é um mandato divino (Mt 4. A. pela graça de Deus. O servo de Deus sempre deve almejar a pureza da noiva do Cordeiro (2 Co 11. oferecemos três tópicos teológicos que estão vitalmente ligados ao processo da disciplina eclesiástica. A disciplina eclesiástica ressalta a seriedade do pecado. "a disciplina eclesiástica é tão necessária quanto os ligamentos do corpo humano. 148 . ainda que esse pecador seja um dos membros da igreja.7 e Mt 6. e deve seguir os princípios revelados por Deus em sua Palavra. o zelo pela santidade do nome de Deus implica diretamente no exercício da disciplina eclesiástica. a igreja não é corretamente motivada a buscar a redenção do pecador. a menos que pensemos que podemos omitir um recurso que o Senhor considerou necessário para nós.

McDowell. se recusa a aplicar um medicamento que pode curar o seu paciente apenas porque o mesmo é forte.12-13. 5 Richard J.1-23). A disciplina é dirigida àqueles que estão dentro dos portões da igreja e que estão se sujeitando ao domínio do pecado. ou rejeitada. Illinois: Josh McDowell Ministry).Uma igreja sem disciplina torna-se um impecilho para o avanço do evangelho. Dining With the Devil: The Megachurch Movement Flirts With Modernity (Grand Rapids: Baker. 149 . que a disciplina requer profundo amor por parte da igreja que a aplica e semelhante humildade e quebrantamento por parte daquele que é disciplinado (2 Co 2. Luiz Aparecido Caruso (São Paulo: Vida. Foster. trad. O presente autor discorda do bispo e crê que a questão retórica a ser levantada não é se condenar a poligamia "seria humano. Também. Segundo. que a disciplina na igreja não é uma opção. ambos (evangelismo e disciplina) almejam a liberdade do pecador e a concretização do triunfo histórico da graça sobre o pecado na vida do mesmo (Rm. Como diz Barnes. nenhum doente faz opção pela morte ou pela continuidade da doença se a vida e a cura podem estar tão próximas."(17) Conclusão Laney adverte para o fato de que "a disciplina é como um medicamento muito forte: pode trazer a cura ou causar maior dano. Uma séria reflexão bíblica sobre a disciplina eclesiástica evidencia dois princípios básicos. 4 Josh N. 1983). mas sim uma ordenança e. 1993)." 3 Essa é uma constante referência à obra clássica de Nathaniel Howthorne.5-11). pelos seus próprios membros."(18) Nenhum profissional médico. Assim. 2 Ver Guilherme de Barros. The Scarlet Letter. Celebração da Disciplina: O Caminho do Crescimento Espiritual. "O Pastor da Esquerda Evangélica. O evangelismo é dirigido aos que estão fora dos portões da igreja e que estão escravizados pelo pecado. uma bênção divina (Hb 12. Nessa entrevista. Tolerating the Intolerable: A Mandate of Love (Wheaton." Vinde (Julho 1997):7-12. "há pouca vantagem em uma greja que tenta vencer o mundo se ela já tem se rendido ao mundo. 6. porém.57). Essa relação vital entre evangelismo e disciplina é clara à luz de 1 Co 5. conseqüentemente." mas sim se a prática atual da mesma "é bíblica. Uma igreja sem disciplina proclama uma liberdade desconhecida.D. 1 Ver Os Guinness. o bispo Robson Cavalcanti teoriza sobre casos em que a poligamia poderia ser considerada uma atitude mais humana. Primeiro.

Minha tradução. quando ele se manifestar. Laney.7.1-11). Stott. 18 Laney. Caswell. W. XXI." 200. D. John T. S. Amados. N. Mas sabemos que. Minha tradução. Inc. Minha tradução. eds. 17 Peter Barnes. González.6 Carl J. 1981). "Discipline. 896." 363. 16 Caswell." em New Dictionary of Theology." 10 F. 283-4. "Biblical Church Discipline. 1988). 9 Wayne Grudem. 200. Minha tradução. A única exceção a esse princípio foi "o pecado secreto de Ananias e Safira (At 5. Systematic Theology (Grand Rapids: Zondervan. Ferguson. seremos semelhantes a ele. 8 Justo L. McNeill (Filadélfia: Westminster. 7 Compton’s Interactive Encyclopedia.. e J. Revell.. 1997 (The Learning Company. Christ the Controversialist: A Study in Some Essentials of Evangelical Religion (Londres: Tyndale Press. Institutes of the Christian Religion. F. Minha tradução.. 1970). 13 John R.4.1. 11 R. "The Biblical Practice of Church Discipline. 1994). 12 Grudem. 1960)." The Banner of Truth 414 (Março 1998): 20. Vine’s Expository Dictionary of Old and New Testament Words (Nova Jersey: Fleming H. CD). "Discipline. e ainda não é manifesto o que havemos de ser. 898. Nesse sentido a atuação extraordinária do Espírito Santo resultou em grande temor entre os membros da igreja. agora somos filhos de Deus. Minha tradução." Biblioteca Sacra (Outubro-Dezembro 1986): 353-64. 14 Confissão de Fé de Westminster. B. ed. F. porque não conheceu a ele. 4. 15 John Calvin. I. 150 . e nós o somos. Packer (Downers Grove: InterVarsity.2). Parte XXV É MARAVILHOSO. porque assim como é. o veremos” (1Jo 3. ed. Por isso o mundo não nos conhece. 277-359.i. Systematic Theology. 1984). “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. 160. The Story of Christianity (Nova York: HarperSanFrancisco. Wright. Bruce. "The Biblical Practice of Church Discipline.

Estes dois versículos nos dão uma grande descoberta: o evangelho de Jesus Cristo tem uma mensagem de alcance mundial. as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.” Talvez fosse..8).” Já fez uma tremenda limitação. A palavra “feitura” é muito sugestiva na língua em que Paulo escreveu esta carta.10). Fizemos o destaque dos versículos iniciais do capítulo 3. Gálatas 3.14). Lc 9. quem é filho de Deus? Há inúmeras referências na Bíblia Sagrada sobre isso. que passaremos a comentar. tão extraordinária que fala de quando nosso passado foi obliterado. mas não é da Bíblia. por sinal. jovens. da presença de Jesus Cristo. daquilo que nos aguarda. e. jogado para trás. ao passarem Jesus e os discípulos por Samaria. “somos feitura sua. Este tão intolerante e raivoso João é o mesmo que quase sessenta depois. mas a idéia geral e popular é essa. criados em Cristo Jesus para boas obras. “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. Ouvi nesta semana um pedaço de conversa no supermercado em que um cidadão dizia para o outro: “.51-54).. mas eu também sou filho de Deus.. de onde vem nossa palavra “poema”. que “temos um advogado para com o Pai” (2. Quem são os filhos de Deus? A pergunta tem pertinência porque existe uma teologia popular que afirma que todos são filhos de Deus.. Algo especial vai acontecer. não deixa por menos: “Pois todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. mas tão somente criaturas. e fala do futuro. tem agora um tratamento absolutamente diferente. amadurecido. indaga de Jesus se não seria conveniente pedir um raio que acabasse com os samaritanos tão sem hospitalidade (cf. da gloriosa epifania. como atestam suas palavras do início até o verso final. como. de Sua manifestação na Segunda Vinda. Ela tem qualidades extraordinárias. que ensina que somos criaturas de Deus. verso 26. Este é o mesmo João que um dia. 1). É maravilhoso sermos “chamados filhos de Deus”. ou como o apóstolo Paulo deixou registrado.Sou fascinado pela Primeira Carta de João. é poeimia. Então. ainda hoje acontece)... “Eu escrevi. porque sois fortes. ainda. Somos uma obra de arte de Deus. pois quem não tem fé em Jesus Cristo não é filho de Deus! 151 . É nessa carta que ele diz que “Deus é amor” (4. e já vencestes o Maligno” (2. É popular. e isso é maravilhoso! É MARAVILHOSO. Escreve esta carta debaixo de uma ternura tão grande. experimentado. e a palavra de Deus permanece em vós.1). não queremos julgar. e nós o somos” (v. ao perceber a má vontade dos samaritanos em receber o grupo porque era composto de judeus (pois havia inimizade entre samaritanos e judeus. se todos somos criaturas. fala de uma experiência presente na nossa caminhada em e com Cristo.

Vamos.11.15). E o propósito do evangelho é patente: “. ser puro de mãos e limpo de coração. nem o que foge de conflitos: é o que promove a paz. “Justificados. porque eles serão chamados filhos de Deus”. que teologia é essa que ensina que todos somos filhos de Deus? Se alguém não acompanha a Jesus. ainda.9). pelo direito ou pelo meio.12).Quem é filho de Deus? Os que têm fé e crêem em Cristo Jesus. Pacificador não é o não-violento. porque eles serão chamados filhos de Deus” (Mt 5. se tristeza. o tom da voz. filhos de Deus imaculados no meio de uma geração corrupta e perversa. justiça! Ser justo é ser reto no que se faz. entre a qual resplandeceis como luminares no mundo” (Fp 2. Glória a Deus porque pela fé somos considerados retos diante de Deus: tudo o que é passado vai para a lixeira da eternidade. “Como são feliz os artesãos da paz porque Deus os tem como herdeiros de Sua natureza”. e denotava tristeza. Quando o ator não estava de máscara. ao Evangelho de João. estava com a verdadeira face aparecendo. colocava-se no rosto a máscara feita de cera denotando felicidade. essa pessoa é filha de Deus. E diz a Bíblia que quem anda na honestidade de seu coração voltado para a fé em Jesus Cristo. Uma melhor tradução para esta afirmação de Jesus Cristo é “Bem-aventurados os promotores da paz. Palavrinha boa. Uma oração atribuída a Francisco de Assis pede 152 . É o mesmo escritor da carta que estamos apreciando. ainda. por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5. Essa citação encontra outra versão em 1João 3. temos paz com Deus. deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus” (Jo 1. Mas. visto que a postura corporal. e os filhos do Diabo: quem não pratica a justiça não é de Deus”.. O modo de fazer teatro era diferente do nosso.para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros. justificar é colocar tudo reto.10: “Nisto são manifestos os filhos de Deus. a máscara triste de cera era colocada no rosto. sem a cera no rosto. portanto.Se assim é. e a outra tinha a boca voltada para baixo como se chorasse. A modo exclamativo. e os seus não o receberam... A palavra sincero vem do teatro greco-romano. compromisso]. usavam-se máscaras: uma tinha a boca voltada para cima como se estivesse sorrindo. aos que crêem no seu nome [aos que têm fé-adesão. ou. não. não tem um comprometimento sério com Ele pode efetivamente ser chamado “filho de Deus”? Pela Escritura Sagrada. mostra quem é. Nas artes gráficas. Diz a Palavra de Deus. Diz ele: “Veio [Cristo] para o que era seu. A Palavra de Deus é tão clara quando diz. que são filhos de Deus os que andam em sinceridade. palavras Suas. Ser sincero é ter uma face autêntica. a todos quantos o receberam. que são filhos de Deus os que promovem a paz. No teatro romano.1). a expressão facial têm enorme importância no teatro moderno. pela fé. e dava idéia de alegria. A Bíblia diz. Para passar alegria. Diz a Palavra Santa que é filho de Deus quem é praticante da justiça. Uma pessoa “sincera” (sem cera) ´não está mascarada. “Bem-aventurados os pacificadores. o mesmo em informática: pode-se justificar pelo lado esquerdo. então.. não o considera com responsabilidade na vida. e agora temos uma vida toda nova porque fomos considerados justos pelo Senhor. pois.

portanto. E como a nossa lei é herdeira direta da linha-mestra do Direito Romano. O fato de que agora somos filhos de Deus. A Bíblia diz que Deus nos gera no coração agora! Precisamos entender. Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho.6). “Não. Ao ser indagada pelo interlocutor.. nascido debaixo de lei. que clama: Aba. quando ele se manifestar. na lei romana. pois “Amados. a fim de recebermos a adoção de filhos” e “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.. Voltando ao texto básico (“Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. Paulo e João nos dizem que a relação fundamental dos salvos com Deus é filial. Por isso o mundo não nos conhece.“Senhor. nos elegeu nele antes da fundação do mundo.5 esclarece: “vindo a plenitude dos tempos.” Que lindo jogo de palavras. “então. nascido de mulher. porque sois filhos. Neste verso. no entanto. “E. É como claramente diz João: “somos filhos de Deus”.” (1Jo 3. Há o filho que nasce do ventre e há o que nasce do coração. agora somos filhos de Deus”! E isto é mais extraordinária porque ninguém precisa ficar esperando que uma determinada situação aconteça para tentar obter a filiação divina. esses são filhos de Deus .. o veremos”. Gálatas 4. Diz que fomos adotados por Deus: é a adoção. é meu filho do coração. Um amor que tem como fim. Uma pessoa quis falar de uma criança que havia adotado. e ainda não é manifesto o que havemos de ser. o qual . e isso é mais íntimo. descobrimos que é mais extraordinária uma declaração que vem a seguir: É MAIS MARAVILHOSO. Rm 8. Está dentro do espírito do evangelho.1.3-5. é seu filho de criação?”. sob a qual Paulo viveu. e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo. também no nosso Direito o filho adotado é reputado como filho que nasceu do ventre daquela mãe. Amados. Pai” (Gl 4. como objetivo que os seres humanos sejam chamados Seus filhos.. Paulo nos dá o aspecto legal. neste instante.14. cf.2a). porque assim como é. Além de referendar a primeira e já comentada declaração. seremos semelhantes a ele. Deus enviou seu Filho. 16). palavras que anunciam o glorioso fato de que pertencemos à família divina. “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus. E isso é simplesmente maravilhoso porque não 153 . segundo o beneplácito de sua vontade” (Efésios 1. para si mesmo.. adoção era considerada como equivalente à verdadeira filiação. para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor.. Paulo diz que fomos adotados.. mas João diz que fomos gerados. porque não conheceu a ele. agora somos filhos de Deus.. 1Jo 3.. Filhos de Deus são os guiados pelo Espírito Santo de Deus. acrescenta que “neste momento. agora somos filhos de Deus. Mas sabemos que. duas das suas idéias centrais se encontram: o amor e a filiação da parte de Deus. O Espírito mesmo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8. faze de mim um instrumento de Tua paz”. para resgatar os que estavam debaixo de lei...15). João nos apresenta o aspecto natural: fala de geração. respondeu com muita ternura. Os apóstolos usam ambas as figuras. e nós o somos.2).

nas nuvens. com poder e grande glória. ansiamos por Sua vinda. respondeu ao que lhe falava: Quem é minha mãe? e quem são meus irmãos? E. Ele virá e nos tomará para Si como nos prometeu em Mateus 24. letrada ou não.52). como destaca 1João 3. ? Somos filhos da ressurreição: “porque já não podem mais morrer. herdeiros da Sua glória. e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro.2. filhos de Deus. 154 . se filhos. Depois nós. Estamos no aguardo do retorno de Cristo. Este texto é referendado por “o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado. e procuram falar contigo. no espiritual. Filhos da ira que éramos. mas também para congregar num só corpo os filhos de Deus que estão dispersos” (Jo 11. se é certo que com ele padecemos. mas já acontece agora. Seus interesses se tornam nossos interesses. sabemos que. e são filhos de Deus. irmã e mãe” (Mt 12. E porque filhos de Deus. ao encontro do Senhor nos ares.2b). profetizou que Jesus havia de morrer pela nação.16.36). 17). ? Recebemos o amor e a disciplina da parte do Pai: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus” (1Jo 1. Ele. no segundo nascimento.30. a ser explicado em seguida. esse é meu irmão. de uma à outra extremidade dos céus”.17).3) e “É para disciplina que sofreis. e assim estaremos para sempre com o Senhor” (1 Ts 4. Aqui temos três informações importantíssimas: O Senhor Jesus ainda se manifestará. e não somente pela nação. ao som da trombeta de Deus. à voz do arcanjo. Observe o relato a seguir: “Disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos. Pois qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus. filhos da desobediência. No nascimento carnal. ? Somos herdeiros de Deus: “e. E ele enviará os seus anjos com grande clangor de trombeta. pois são iguais aos anjos. “. seja a pessoa abençoada rica ou pobre.46-50. pois qual é o filho a quem o pai não corrija?” (Hb 12. tornamo-nos. itálico do autor). E vivemos na expectativa de um futuro glorioso e radiante. quando ele se manifestar. para que também com ele sejamos glorificados” (Rm 8.. também herdeiros. É AINDA MAIS MARAVILHOSO. sendo filhos da ressurreição” (Lc 20. seremos semelhantes a ele” (Jo 3. e verão vir o Filho do homem sobre as nuvens do céu. 31: “aparecerá no céu o sinal do Filho do homem.7). os quais lhe ajuntarão os escolhidos desde os quatro ventos. por adoção. estendendo a mão para os seus discípulos disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos..acontecerá no futuro. herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo. e todas as tribos da terra se lamentarão. E esse estado é desfrutado agora.. os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles.. Deus vos trata como a filhos. porém. Isso quer significar uma série de privilégios: ? Somos congregados num só corpo: “o sumo sacerdote naquele ano.

de luz.16).7a). E tudo isso começa com uma coisa: a fé. isso já ficou para trás! Vamos vê-Lo gloriosamente retornando como a Bíblia descreve: “Eis que vem com as nuvens. creio no que Tu pregas. 1Co 2. agora. Ef 5. a reconfiguração dos que estiverem vivos naquela ocasião. e todas as tribos da terra se lamentarão. Como seria este “corpo espiritual”? É só lembrar o episódio da transfiguração: “tomou Jesus consigo a Pedro. segundo o ensino da Bíblia. o seu rosto resplandeceu como o sol. comprado pelo sangue. possui uma mensagem diferente. “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem. Mas quando Jesus retornar. A Bíblia é um tanto econômica sobre esse assunto.1. se manifestar. Por isso. por exemplo. colocou uma expressão. 2). e verão vir o Filho do homem sobre as nuvens do céu. vai de tal maneira que não somente teremos a mente de Cristo. que é a nossa vida. Implícito em todo o que foi dito por João e Paulo está a Segunda Vinda. Este povo é diferente. comprados por um alto preço de sangue. como filhos amados”. Agora. creio e quero receber as bênçãos do Calvário!” O pecado é incompatível com o fato de ser filho de Deus. creio na salvação trazida por Ti! Eu creio na Tua cruz. e foi transfigurado diante deles. com poder e grande glória” (Mt 24. a transformação dos corpos operada na ressurreição.4). não na Sua Paixão. não soube como dizer como seria este corpo igual ao corpo glorioso de Cristo. pois serve a um Deus inigualável.1). repetimos. Paulo. Esta visão extraordinariamente gloriosa pode ser uma pista para entendermos o “corpo espiritual” de que fala Paulo. a Tiago e a João. Mas o querido leitor não precisa esperar pela Segunda Vinda de Jesus Cristo para receber a filiação divina: pela fé. Diga a Jesus: “Senhor. Este povo não pode parar diante das densas trevas que se levantam.Nós o veremos como é. e. Agora o veremos na Sua glória como Rei dos reis e Senhor dos senhores! Há uma terceira etapa: isso vai completar nossa semelhança com Ele. E não é verdade? Tudo começa com fé. Porém há um povo sobre a terra que recebeu uma mensagem de vida. faz uma oração distinta e tem um poder único. precisamos ter a mente de Cristo como Paulo enfatiza (“nós temos a mente de Cristo. precisamos imitar a Jesus Cristo agora (“sede pois imitadores de Deus. fomos conquistados por Cristo. este povo são os remidos do Senhor Jesus Cristo. Isso é extraordinário porque “Quando Cristo. irmão deste. sem esperança alguma de salvação. e os conduziu à parte a um alto monte. e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz” (Mt 17. E essa felicidade de que estamos gozando tem algo tremendamente emblemático: a própria palavra começa com a sílaba – FÉ -. é incompatível com o propósito da manifestação de Cristo. para ser entregue aos homens. eu creio no que Tu falas. você pode se tornar filho de Deus! Parte XXVI EVANGELIZAÇÃO .30). 155 . “corpo espiritual”. onde muitas pessoas a cada dia seguem rumo à morte. então também vós vos manifestareis com ele em glória” (Cl 3. Não como homem de dores. mas também o corpo semelhante ao corpo glorioso de Cristo.A AÇÃO DO EVANGELHO O mundo atual no qual vivemos se encontra em um estado terrível pecaminosidade. Não fomos tomados emprestados da mão do diabo. e todo olho o verá” (Ap 1.

10. EVANGELIZAÇÃO A palavra evangelização provém do grego evaggelizo. Uma delas é voltada para o mundo em pecado a outra é voltada para a Igreja. que tem o significado de levo ou trago boas novas. com as coisas deste mundo. nada pode nos impedir. cujo significado é: "Anuncio boas novas". ambas dependem uma da outra. Quando os anjos anunciaram aos pastores o nascimento de Jesus (Lc 2. colocando o reino das trevas em retirada.Este povo não pode calar. muita terra para ser alcançada. boas novas. Basicamente. Não podemos nos deter. Evangelho é então o anuncio do cumprimento da providência de Deus para salvação dos pecadores. é a apresentação de Jesus Cristo no poder do Espírito Santo. induzi-los à aceitação de Jesus Cristo como Filho de Deus. para isso vamos analisar o que a Bíblia nos ensina com respeito a este tema. Levantando bem alto a bandeira do Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. e anunciarmos ao mundo que o Rei está voltando. que se realizou com a vinda de seu filho ao mundo.11) foi empregado o verbo correlato evanguelizo. Definindo Três Palavras: Evangelho. Desta forma podemos definir que evangelização é quando levamos as pessoas ao pleno conhecimento da verdade de Deus em relação ao seu filho Jesus Cristo. a outra é a descoberta da salvação e a outra é a ação. EVANGELHO O termo evangelho vem do grego evanguélion. Deus nos chamou para destruir as obras do diabo. e estão nas mãos da Igreja. enquanto uma se torna uma tarefa. EVANGELISMO Evangelismo é a ação cujo objetivo é levar os homens a conhecerem sua condição de pecadores perdidos e a conhecerem o plano de Deus para sua salvação. Evangelização & Evangelismo Estas três palavras possuem definições fortes e contundentes em nossas vidas. 156 . literalmente. pois. de tal maneira que os homens possam confiar nele como Salvador e servi-lo como Senhor de suas vidas. Aqueles. Muito campo ainda falta para ser conquistado. que significa. O Evangelismo é uma arma poderosa se usada de forma correta. porque se isto fizer-se até mesmo as pedras clamariam. evangelização é levar o evangelho às pessoas. naquele exato momento começa-se a cumprir as promessas de Deus com relação ao Salvador da humanidade. Temos que avançar. hão de empenhar-se apaixonadamente na propagação do evangelho. porém que entendem que a evangelização é uma ação que consiste em levar perdidos a Jesus para serem salvos por Ele.

cresce em poder e fé e se desenvolve. Nesta área de informação deve-se utilizar todos os meios de comunicação possível.O mundo inteiro. que evangelizar é uma tarefa muito importante e difícil.Integração: Consiste no discipulado.Convencer: Evangelizar também é convencer o homem de seu estado pecaminoso. desde o rádio até a Internet. que entregou seu filho para salva-lo. Desta forma a evangelização de uma pessoa não termina quando ele aceita a Jesus mas está apenas começando. Se faz necessário que o ser humano seja informado de sua condição de pecador e de sua vida distanciada da presença de Deus. na organização eficiente da evangelização local e missionária.Nesta ordem de Jesus podemos ver que se faz necessário a existência de um discipulado obediente. Nesta definição vamos encontrar três pontos básicos de apoio que devem ser verificados. 2 . 3 . Depois de examinarmos estas definições. espiritual e dinâmico. são eles: 1 .A Ordem de Jesus . e integrá-los na vida cristã. aplicando-se cada vez mais ao serviço de Deus. Na ordem de Jesus registrada em Marcos 16.Informação: Evangelismo é uma ação que tem por fim informar.O Conhecimento da Vontade de Deus .15. da necessidade de arrependerse de seus pecados e ser informado que Deus o ama (Jo 3. vamos encontrar alguns motivos fortes que nos levam a querer fazer evangelismo. 157 . durante o qual o novo crente aprende as doutrinas bíblicas. treinar. a qual não pode estar nas mãos de pessoas individualistas que não possuem compromisso com a obra de Deus. pois sendo Deus meu Senhor devo fazer de tudo para que a sua vontade seja cumprida. distinguem-se os seguintes elementos: a) O Campo de Atividade para a Evangelização . chegamos a conclusão. implica também. além de anunciar ao homem o seu estado é necessário que o evangelista dê lugar ao Espírito Santo para que este possa usá-lo para convencer o pecador que ele precisa de salvação.4).Quando lemos a Bíblia Sagrada e nela encontramos que a principal vontade de Deus é que todos cheguem ao pleno conhecimento da Salvação (I Tm 2. 2 . capacitar e ter métodos avançados e modernos de evangelização.Salvador e Senhor. nos colocamos em posição de ordem. MOTIVOS QUE NOS LEVAM AO EVANGELISMO Quando lemos a Bíblia Sagrada. vejamos alguns destes pontos fortes: 1 . é preciso investir. Essa vontade revela o amor de Deus para com todos os pecadores e ao mesmo tempo a grandiosidade da obra que é a evangelização.16).

Jesus disse que o nosso campo seria o mundo (Mc 16. desgarradas e sofrendo. E nesta mesma revelação vamos encontrar a Bíblia afirmando que uma só alma vale mais que o mundo inteiro ( Mc 8. vamos encontrar um personagem central. O EVANGELISMO VISTO NOS QUATRO EVANGELHOS Dentro dos quatro evangelhos.O homem.36.Compreensão de que Somente o Evangelho pode Salvar .A Visão da Extensão da Obra . 23. JESUS O PRIMEIRO EVANGELISTA 1 . e este evangelho que está em nós devemos repartir com aqueles que ainda não conhecem a Salvação que está em Cristo Jesus. e estão esperando por nós. e os crentes tem este poder. que ainda impõem as cortinas de ferro. voltado inteiramente para a obra de evangelização das almas.Características Pessoais 158 . muitas em países comunistas. Ele o colocou como atalaia sobre a casa de Israel.Visão da Responsabilidade Pessoal . haja vista que a cada dia que se passa milhões de pessoas nascem. nem a ciência tem poder para isto.Quando lemos na Bíblia Sagrada.b) O Alvo a ser Atingindo .23). Vamos ver algumas características que este grande evangelista possuía. (Ez 3. será que vamos cruzar os braços diante desta grande tarefa ? 6 . o desenvolvimento econômico também não têm capacidade de oferecer salvação. 6.15). como ovelhas sem pastor.É tolice tentar encontrar salvação fora do Evangelho (Rm 10. 3 .10-12. mas o evangelho têm.A Revelação das Sagradas Escrituras . se não tivermos esta visão das almas nunca teremos coragem de evangelizar. como se encontram as almas sem Cristo ( Rm 3. A grande solução da humanidade não está na política bem feita. 5 . E como podemos escapar desta responsabilidade? Não podemos. Para podermos evangelizar as almas precisamos olhar como Jesus olha para elas. Ele é com toda a certeza o maior de todos os evangelistas que o mundo já teve.Quando Deus chamou a Ezequiel. e começamos a pensar no sofrimento que há no inferno e que este sofrimento é eterno para aqueles que não aceitaram a Jesus Cristo e que eles poderão estar lá porque eu não fiz a minha parte.37). 4 . e como ele organizou uma campanha de evangelismo bem preparada e equipada. não servirá de nada no lado espiritual. ela pode até ajudar na vida material mas. c) A Tarefa específica a ser cumprida .A pregação do evangelho.17) será que é diferente? Deus tem nos constituído como um atalaia não apenas em Israel mas principalmente para o mundo. Deus ordenou e temos que cumprir nossa missão.13-17).

salvar o pecador. b) Paciência e Determinação . d) Espírito de Sacrifício . A Mulher Samaritana. desejosos de saber onde o mestre morava. rádio. vamos encontrar quando a Bíblia afirma que Jesus por compaixão as almas que ali estavam as curou de suas enfermidades. Contudo seja qual 159 . As técnicas. a considerar o pecador como um enfermo. contudo. tomasse outro rumo a não ser o reino de Deus (Jo 3. que ajudam a divulgação do evangelho. Foi justamente isso que ele fez durante seu ministério terreno. Os métodos de evangelismo são imutáveis.Neste mesmo episódio revela duas outras características de Jesus a Paciência e Determinação.Em Mateus 14. pois ele mesmo declarou (Mt 20. ampliação sonora. e ao invés de ser um juiz implacável. percorria vilas e cidades pregando a palavra de Deus e jamais despediu uma pessoa sem lhe ajudar. ele podia apenas ter mostrado onde morava e pronto.1-21. precisamos aprender com Ele. c) Compaixão .a) Esforçado . modificadas para se adaptar-se as necessidades.14. O evangelista precisa aprender com o Mestre a combater o pecado. e) Preciso . passava noites inteiras orando. a Bíblia relata que dois dos discípulos de João Batista o seguiam. Nicodemos) e Proclamação às Massas. dois métodos: Ensino Pessoal (Zaqueu. este exemplo é que nós devemos seguir.1-30).Jesus era esforçado na obra que realizava.Jesus compreendia as fraquezas humanas. MÉTODOS DE EVANGELIZAÇÃO UTILIZADOS POR JESUS CRISTO Jesus empregou. e nós quantas vezes passamos perto de pessoas que precisam de uma palavra e nada fazemos. ( Lc 5. Atualmente contamos com grande variedade de recursos técnicos. mas ele viu a oportunidade de ensinar mais a respeito dEle e da sua missão. na evangelização. podemos ver isso claramente na mulher adúltera (João 8. f) Espírito Compreensivo e Perdoador . infelizmente quando muitos vão evangelizar se deixam levar com conversas que os desviam totalmente do objetivo. que precisa de cuidados e não de açoites. eles queriam apenas conhecer aonde o Mestre morava porém Jesus aproveitou a oportunidade para convence-los de que Ele era o Messias esperado por Israel. podem evoluir. Jesus os convidou a acompanhá-lo e permaneceu com eles quase todo aquele dia. gravação em discos.21-24). projeção luminosa.1-11). televisão. Ele não tinha pressa em evangelizar.28). CDs. Ele perdoava aos que se arrependiam.Jesus durante toda a sua vida. Jo 4. passava horas e mais horas curando os enfermos. viveu uma vida de sacrifícios. g) Dinamismo .Jesus não gastava tempo com filosofias humanas e especulações Ele ia direto ao ponto sem perda de tempo.Jesus era dinâmico não parava um momento a não ser o necessário para descansar e repor as energias perdidas das caminhadas. estas sim. Internet e etc. procurando. serem substituídas. ensinado-lhes a palavra de Deus. Jesus não permitia que qualquer debate que Ele tivesse.

Lc 10. Jesus proporcionou um treinamento eficaz. Treinamento . se quisermos ser testemunhas eficientes. 2. ensinando e proclamando incessantemente o evangelho. os resultados de nosso trabalho serão multiplicados. se estivermos determinados a abrir novas frentes e organizarmos novas igrejas. Ele deu ênfase à evangelização pessoal. porém não descartou a evangelização em massa.O primeiro passo na organização do evangelismo foi chamar discípulos (Mc 1. O Evangelismo Primitivo era Intenso .for o recurso empregado como auxiliar na evangelização. A ORGANIZAÇÃO DA CAMPANHA DE EVANGELIZAÇÃO POR JESUS CRISTO Jesus não podia deixar a evangelização do mundo confiada à iniciativa pessoal e espontânea. Cristo ofereceu-nos o perfeito exemplo de evangelista. Eles sem os meios necessários para evangelizar conseguiram levar a mensagem da salvação em todo o mundo habitado de sua época.13-17). organizando campanhas de evangelização (Mc 6. 5. resultante das emoções. pelo contrário. saíam a procura deles. por isso organizou o movimento de evangelização. cumpre-nos imitá-lo.46. Jesus passou a instruí-los para o desempenho da missão que lhe daria.ou ensinar individualmente ou Proclamar às Massas. Se estivermos todos empenhados em falar de Cristo todos os dias. não cessando de anunciar a Jesus Cristo (At 2. 160 . 1. A Obra de evangelização necessita de grandes e poderosos pregadores para as massas e de inumerável quantidade de pessoas treinadas para o ensino individual. CARACTERÍSTICAS DO EVANGELISMO REGISTRADO NO LIVRO DE ATOS Se quisermos melhorar nossas atividades evangelizadora teremos que analisar os métodos utilizados pela Igreja Primitiva.Os discípulos testemunhavam todos os dias. Definição da Tarefa . O Evangelismo Primitivo era Dinâmico .Podemos notar que me ambas as tarefas Jesus especificou o local exato para que pudessem desenvolver o trabalho.16-20.Tendo escolhido os apóstolos. 2.6-13. vilas e cidades. para tal Jesus a organizou da seguinte maneira: 1. forçosamente teremos de usar um dos dois métodos de Jesus . Chamada .Os discípulos não esperavam que os pecadores lhe viessem ao encontro. é necessário que hoje haja um despertamento entre os crentes para ganhara almas para o reino de Jesus Cristo. 4. e buscarmos colocá-los em prática hoje. A evangelização deve ser um movimento racionalmente organizado.1-29).42). Instrução . 2.Além de instruir. percorrendo ruas.47. 3.

3. O Evangelismo Primitivo dava Ênfase ao Ensino - A Evangelização atual com a tendência de supervalorização das concentrações, em detrimento da evangelização pessoal, restando ao ensino quase exclusivamente o campo da educação religiosa para os já crentes. O ensino tendo por objetivo a evangelização pode facilmente ser usado pelas igrejas, organizando classes especiais para interessados e visitantes. 4. O Evangelismo Primitivo era Ousado - Homens iletrados enfrentam sábios; pobres e humildes desafiaram ricos e poderosos, testemunhando de Cristo, mesmo quando a sombra das mais terríveis ameaças. 5. O Evangelismo Primitivo era culto - Assim como Deus usou a Pedro e outros incultos para darem testemunho da Palavra de Deus, também se utilizou de homens como Lucas, Mateus, Paulo e tantos outros, homens formados, que diante da alta sociedade dava grande testemunho e defesa a causa do Mestre. 6. O Evangelismo Primitivo era Impulsionado e Dirigido pelo Espírito Santo Os primitivos discípulos viviam cheios do Espírito Santo, de alegria e gozo espiritual. Isso explica todas as demais características da evangelização daqueles dias. (At 4.8,31; 5.17-41; 7.55). Se colocarmos em prática estes métodos utilizado pela Igreja Primitiva, iremos logra êxito, na evangelização do mundo no qual vivemos. A PESSOA DO EVANGELISTA A responsabilidade de evangelizar não é somente dos ministros. É de todos os discípulos, há todavia, crentes que se limitam a cooperar com a obra de evangelização freqüentando os cultos contribuindo, pensando que desta forma estão fazendo o suficiente, porém se esquecem que a ordem de ganhar as almas foi para todos e é infinita até a volta de Jesus Cristo, até os confins da terra. Como Deve ser a Pessoa do Evangelista ? 1. O Evangelista Deve ser um Verdadeiro Crente, Salvo por Jesus - Esse requisito é óbvio, mas é necessário lembrá-lo. Infelizmente existe a possibilidade de pessoas tentarem evangelizar sem que, elas próprias tenham experiência de regeneração; 2. O Evangelista Deve ser Afável e cheio de simpatia - O evangelista deve lembrar-se de que está tratando com enfermos, quando evangeliza, o pecado é enfermidade. Existem evangelistas que ao invés de tratar os pecadores com amor e carinhos os tratam com pedradas e desrespeito, desta forma ao invés de ganharem perdem. O Que o Evangelista Deve Saber ? 1. O evangelista Deve Conhecer a Bíblia - É necessário que o evangelista possa ajudar o pecador a examinar a Palavra de Deus de modo a compreender o plano da Salvação, é preciso portanto, que os crentes que 161

desejam, ganhar almas para Cristo estudem sistemática, metódica e perseverantemente a Bíblia. 2. O Evangelista Deve Conhecer a Vida dos Homens e suas Desculpas - via de regra, as pessoas que o crente procura evangelizar tenta escapar à responsabilidade de enfrentar o problema do pecado com desculpas, o evangelista não deve ser apanhado de surpresas por essas desculpadas, é preciso saber rebater cada uma delas com a Palavra de Deus. 3. O evangelista Deve Conhecer as Diversas Religiões - O evangelista precisa estar preparado não só para enfrentar as desculpas, mas também os contra-ataques dos que têm convicções em falsas religiões. O Que o Evangelista Deve Cultivar ? 1. O Evangelista Deve Cultivar a Oração Fervorosa - A Evangelização é um combate espiritual contra as hostes das trevas, cuja vitória depende do poder do Espírito Santo. E a oração, é o meio pelo qual Deus outorga esse poder, não há evangelista bem sucedido que não seja dedicado à oração. 2. O evangelista Deve Cultivar a Leitura - O Evangelista deve estar sempre procurando aumentar seus conhecimentos pela leitura. 3. O Evangelista Deve Cultivar o Desejo de ver as Almas Salvas - O objetivo da evangelização é ganhar almas para Cristo, enquanto o evangelista não estiver dominado pelo desejo de conquistar almas, não poderá ser bem sucedido. 4. O Evangelista Deve Cultivar o Hábito de ir à Casa de Deus - Quem não ama a sua Igreja, não dá valor aos cultos e não tem prazer em tomar parte em suas reuniões jamais estará em condições de ganhar almas, estes são apenas alguns deveres dos evangelistas. O Que o Evangelista não Deve Fazer ? 1. O Evangelista Nunca Deve dar ênfase a Igreja e sim à Jesus - Entre o diálogo travado entre Jesus e a mulher Samaritana, vemos um exemplo claro de que a ênfase do ganhador de almas deve ser dada ao Senhor Jesus e nunca a Igreja, ou a uma religião, ou a um lugar (Jo 4.20-29; At 4.12). 2. Nunca Discutir - E ao servo do Senhor não convém contender (II Tm 2.24,25). Existem muitas outras atitudes que não são corretas à um evangelistas porém se ele tem êxito nestes dois pontos estará realizando um bom trabalho. TRAÇANDO UMA ESTRAGÉGIA DE EVANGELISMO 162

Todo trabalho para se obter êxito se faz necessário que se tenha uma estratégia de ação. Este tipo de assunto é bastante utilizado pelas grandes empresas que desenvolvem seus planos de trabalho anual ou mensal. Para que Ter uma estratégia ? Será que isto é bom ? Traçar ou ter uma estratégia nada mais é que realizar o que Jesus realizou , Ele tinha um alvo a alcançar e para chegar a este alvo Ele usou de estratégias de trabalho., Ele próprio nos ensinou a traçar nossos objetivos para se analisar se os recursos são suficientes. (Lc 14.28-33). A estratégia não anula a direção que recebemos do Espírito Santo, a estratégia apenas põe em prática a ordem que dEle recebemos. O Apostolo Paulo utilizou de estratégia para ganhar almas para o reino de Cristo, ele mesmo escrevendo disse que quando estava evangelizando os judeus guardava a lei judaica, mas relaxava quando este evangelizava os gentios que não estavam debaixo da lei (I Co 9.22; I Co 9.19). Ter uma estratégia de trabalho não é coisa da invenção do homem, Ter uma estratégia é até mesmo recomendada pela Bíblia, vejamos o que diz: Pv 16.9 "Devemos fazer nossos planos, confiando na direção que Deus nos dá" Pv 18.15 "O homem inteligente sempre está pronto para considerar novas idéias." Desta forma notamos que a estratégia tem respaldo Bíblico, basta apenas que nós venhamos a aceitar e pratica-la. VANTAGENS EM SE TER UMA ESTRATÉGIA Se aceitarmos o padrão Bíblico iremos descobrir que existe uma série de vantagens em se traçar uma estratégia de trabalho: 1. Aumenta a nosso eficiência - em qualquer coisa que fazemos é necessário gastar tempo, energia e dinheiro. A estratégia não apenas no ajuda a decidir o que fazer, mas também nos ajuda a decidir o que não fazer, e isto é igualmente importante. Um grande número de recursos dados por Deus são desperdiçados porque líderes cristãos estão concentrando-se nas coisas menos importantes. 2. Ajuda a medir a eficácia - Uma tarefa é eficaz quando ela atinge seus objetivos. O planejamento estratégico requer que os alvos sejam expressos de forma clara, isto nos capacita a medir o progresso e saber quando o que foi projetado a fazer não esta ocorrendo bem. 3. Permite Correção no meio do Caminho - Se uma estratégia bem planejada 163

irá prever diversos pontos de averiguação onde nós verificamos a metodologia que estamos usando, se o que estamos fazendo não está funcionando bem, quando mais cedo nós descobrimos melhor. 4. Une a Equipe - Muito freqüentemente as estratégia para evangelismo e missão envolve a participação de mais de uma pessoa, se faz necessário a criação de uma equipe, quando a estratégia é adequadamente planejada, cada membro desta equipe entenderá a contribuição que se espera dele, cada membro do grupo saberá sua tarefa e desta forma poderão cumprir com os objetivos de todo o grupo. 5. Permiti uma responsabilidade natural - Muito do que é feito para a obra de Deus é voluntário, quando as pessoas não estão sendo pagas pelo que estão fazendo corrigi-las não é fácil, uma estratégia claramente preparada evita estas dificuldades porque a estratégia é como um contrato que une as pessoas que estarão realizando tal trabalho. 6. Ajuda Outros - Embora as estratégias sempre precisem ser adaptadas a cada situação, quando uma certa estratégia é bem sucedida, ela se torna um modelo, outros que desejem realizar tarefas iguais, podem aprender muito de uma boa estratégia e orientar-se por ela. Desta forma notamos a importância em se Ter uma estratégia de trabalho bem elaborada e definida, esperamos em Deus, que os queridos irmãos possam usar este método para melhorar o seu desempenho em ganhar almas para o reino de Deus. CRUZADA EVANGELÍSTICA A importância da Oração. Para êxito real numa campanha evangelística, a oração intercessória deve começar meses antes. Grupos de oração, vigílias, jejuns e muita oração, e sem dúvida os resultados aparecerão. Planejamento e Finanças Planejar local, pregador, cantor, hospedagem para pregador e equipe, som, iluminação, devem ser providenciados com muita antecedência. Além do mais, há necessidade de uma comissão de finanças para cuidar dos custos e dos gastos da Cruzada. Publicidade Os planos de publicidade de uma Cruzada devem ser feitos com muitos meses de antecedência. Música A Música tem papel muito importante numa Cruzada. Meses de ensaio para 164

bandas, conjuntos, orquestras e corais, para que se apresentem muito bem. Literatura e Treinamento de Pessoal A comissão de literatura é de grande utilidade. O diretor desta comissão, em consulta com o Pastor, deve cuidar da literatura a ser distribuída antes, durante, e depois da Cruzada. O treinamento de cooperadores para trabalhar na Cruzada é de máxima importância. Conselheiros e acomodadores, para ajudar na manutenção de ordem e cuidar dos novos-convertidos, precisam de treinamento especial para que cumpram bem suas responsabilidades. Começada a Cruzada a Campanha de Oração não pode parar as reuniões de oração devem prosseguir pela manhã, nos templos. A Publicidade chega ao seu auge durante a Cruzada Entrevistas ao vivo pela rádio e televisão despertam a atenção da população para a Cruzada. Um testemunho notável de cura ou conversão pode ser publicado no jornal local. Visita de casa em casa deixando um convite impresso para cada família, um telefonema convidando a redondeza, etc. A Pregação A pregação deve consistir da mensagem direta e simples da salvação de modo que o pecador possa entendê-la. O Apelo Durante o apelo, os obreiros da plataforma devem estar em seus postos. Muitos pecadores vão à frente sem um crente se oferecer para acompanhálos até ao altar. Por outro lado, esses obreiros da plataforma não devem ser demasiadamente insistentes e indelicados. O Trabalho após a Cruzada não pára É aí que precisa entrar em ação uma campanha intensa de visitação e os cuidados necessários para com os novos decididos. Se não houver este acompanhamento todo o trabalho será em vão mesmo que tenha havido uma boa pescaria. CONCLUSÃO Todo o evangelho a todo o mundo nesta geração! Isto demanda a mobilização e treinamento de toda a Igreja; exige oração e submissão ao Espírito Santo. Depois ele fará, por nosso intermédio, o que jamais poderíamos fazer sozinhos. Evangelizar o mundo em nossa geração: cada geração de cristão tem esta 165

não tinham pacto com Deus.dívida para com seu próprio tempo. [3] Prostrou-se Abrão. [9] Disse mais Deus a Abraão: Guardarás a minha aliança. apareceu-lhe o SENHOR e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso. de ti farei nações. vós. isto é. WAGNER. Peter .Doutrina e Prática da Evangelização.Dinamismo no Evangelismo Atual . Julho/1995 . penso que Paulo. "Tua Incumbência Única Sobre a Terra é Ganhar Almas." Referências Bibliográficas 1. fala do projeto que Jesus retoma para a Trindade. para ser o teu Deus e da tua descendência.Maceió/AL Parte XXVII IGREJA: RETOMADA DO PROJETO DE DEUS Neste texto. aliança perpétua. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus.Semadeal Fevereiro/2001 . lembrai-vos de que. O apóstolo começa a conversa lembrando aos efésios o seu passado espiritual: eram incircuncisos. porque por pai de numerosas nações te constituí. 3. Paulo falava do pacto celebrado entre Deus e Abraão: (GÊNESIS Cap: 17) [1] Quando atingiu Abrão a idade de noventa e nove anos. e reis procederão de ti. 2. gentios na carne. outrora. Rio de Janeiro. 166 . 1999. Delcyr de Souza . toda a terra de Canaã. na carne. além de descrever o processo da formação da Igreja. BÍCEGO. IDACI . [2] Farei uma aliança entre mim e ti e te multiplicarei extraordinariamente. rosto em terra. e serei o seu Deus. [5] Abrão já não será o teu nome. LIMA.São Paulo/SP 4. chamados incircuncisão por aqueles que se intitulam circuncisos. Editora Sepal. será contigo a minha aliança. e sim Abraão.Estratégias Para o Crescimento da Igreja. em possessão perpétua. [7] Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência no decurso das suas gerações. por mãos humanas. tu e a tua descendência no decurso das suas gerações. [8] Dar-te-ei e à tua descendência a terra das tuas peregrinações. (EFÉSIOS Cap: 2) [11] Portanto. anda na minha presença e sê perfeito. serás pai de numerosas nações. Podemos consegui-lo se permitirmos que Deus opere por nosso intermédio em um ciclo perpétuo de evangelização. Valdir Nunes . [6] Far-te-ei fecundo extraordinariamente. e Deus lhe falou: [4] Quanto a mim.Manual de Evangelismo. ELISANGELA.

é a marca que denota que o homem em questão. de Deus e de suas promessas. de que tanto os circuncisos se orgulham. A circuncisão é anterior à lei. [14] Porque ele é a nossa paz. Não bastava converter-se ao Deus dos judeus. [13] Mas. a inimizade. que não faço parte desse pacto?" Esta é a resposta de Paulo: estar fora do pacto é estar sem saída existencial. é aliança. é feita por mãos humanas. em Cristo Jesus. essa vida será eliminada do seu povo. a minha aliança estará na vossa carne e será aliança perpétua. o que. não pertencia ao povo para quem valia a pena cumprir a lei. no caso. [14] O incircunciso. é um dos escolhidos de Deus. quebrou a minha aliança. Contudo. estáveis sem Cristo. A impressão é a de que o apóstolo chama atenção para um elo fraco da corrente: é feito por homens. aproximou os efésios e todos os não judeus que crerem em Jesus. que antes estáveis longe. Não adiantava o efésio tentar seguir a lei moral. que guardareis entre mim e vós e a tua descendência: todo macho entre vós será circuncidado. logo é externa e imperfeita. [11] Circuncidareis a carne do vosso prepúcio. vós. tanto o escravo nascido em casa como o comprado a qualquer estrangeiro. fostes aproximados pelo sangue de Cristo. ele não passara pela circuncisão (que era uma ordenança). adverte que essa circuncisão. [12] O que tem oito dias será circuncidado entre vós. será circuncidado o nascido em tua casa e o comprado por teu dinheiro. Deus é dele e ele é de Deus (v 7). Literalmente perdido. O sangue de Jesus quebrou a lógica angustiante da circuncisão. separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa. Isto quer dizer que já não estamos mais separados da comunidade de Israel. era necessário tornar-se judeu. incluia sua descendência. agora. Paulo.[10] Esta é a minha aliança. o qual de ambos fez um. Entretanto. que não for da tua estirpe. todo macho nas vossas gerações. por causa do pacto que havia celebrado com Deus. somos um povo só. não tendo esperança e sem Deus no mundo. será isso por sinal de aliança entre mim e vós. uma vez que fomos aproximados ao mesmo Deus e às mesmas possibilidades. A 167 . Algum efésio poderia perguntar: "e daí que eu não sou circuncidado. que entre eles há um pacto. [13] Com efeito. a ponto de estigmatizar os que não o são. tendo derribado a parede da separação que estava no meio. [12] naquele tempo. e. que não for circuncidado na carne do prepúcio. E mais: em relação a Deus não há mais privilegiados.

o mundo das idéias). [15] aboliu. ou dia de festa. foi projetada a partir do corpo de Cristo.. nem Deus é uma pessoa só. uma retomada da criação? Voltemos ao início. pois. vos julgue por causa de comida e bebida. membro do povo de Deus: CL 2:11 . Penso que isso nos remete à questão do significado desse novo homem. Não seria. na criação do homem temos. Mundo Cristão e Vida Nova) a idéia presente aqui é a de. porém o corpo é de Cristo. a lei dos mandamentos na forma de ordenanças. Quem entra por essa porta recebe a verdadeira circuncisão. Por isso o sangue de Jesus nos aproximou: ao morrer sem pecado. um novo homem. muitas das ordenanças tipificavam o próprio Cristo: CL 2:16.17 Ninguém. William Barclay. ou lua nova. Jesus fez isto com um objetivo: criar um novo homem. não por intermédio de mãos.Eds. diz que é um novo tipo de criação. portanto. o homem à sua imagem. pois. A sombra que esses vestíbulos (as ordenanças) para o pacto eram. É um conceito de unidade absoluta. que o torna. pagou pelo nosso crime. só víamos as sombras do mundo real.inimizade. fazendo a paz. não se reduz ao fato de cada seguidor de Cristo ser uma nova criatura. (. criar uma coisa única . Jesus. constituída pelos privilégios de um frente ao infortúnio do outro. de costas para a entrada. Parece claro que não se trata de fazer de todos os cristãos uma única pessoa. antecedendo-a. 27. em si mesmo. na sua carne. GN 1:26. há paz. de fato. citado por Foulkes. dos dois. mas no despojamento do corpo da carne. o representante da raça humana. única porta de entrada para o pacto com Deus. Estamos nas mesmas condições.muito mais profunda que a idéia de um único povo.Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem. Segundo Francis Foulkes (Efésios: introdução e comentário. Também. como deixou claro a colocação de Francis Foulkes. também fostes circuncidados. entretanto. para que dos dois criasse. que é a circuncisão de Cristo Além do mais. tornando-se. foi derrubada. pois.Nele. Esse texto marca uma mudança de ritmo e de forma na criação: até então Deus falava e tudo vinha à existência. isto é. uma declaração de intenção e uma descrição. satisfez a justiça divina. série cultura cristã . à imagem de Deus o criou. 168 .. com a chegada de Jesus fomos libertos da caverna (Platão dizia que estávamos todos presos numa caverna.) Criou Deus. porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir. conforme a nossa semelhança. ou sábados.

O que significaria isto? Segundo Derek Kidner2. Filho e Espírito Santo. perdida com a queda". A imagem seria "expressão ou transcrição do Criador eterno e incorpóreo em termos de uma existência temporal. uma vez que pecar (pelo menos no ato primeiro) exige capacidade de escolha? . conforme a nossa semelhança. os anjos. são criaturas e estão no 169 . a partícula aditiva "e". Façamos o homem à nossa imagem. Eis a descrição do projeto: o homem seria à imagem e semelhança de Deus. Algo. também. seria imagem-semelhança). por exemplo. senão estariam impossibilitados de comunicar-se e de arrazoar conosco. de modo que os termos se reforçam (a palavra. perdemos dessa imagem-semelhança.. também. é como se fosse o resultado de uma conferência entre as três Pessoas. a Trindade.. entretanto. se não for moralmente responsável? Além do que. corpórea e própria de uma criatura .como se poderia tentar a transcrição. de um poema épico numa escultura. então os anjos também não o seriam? Ora. então. no original. Bromiley1 Gosto de pensar nesse texto como uma declaração de intenção. doutrina que afirma haver um só Deus em três Pessoas: Pai.reservando-os para juízo. (2 Pe 2:4) Como qualquer ser pode ser julgado. Se ser imagem-semelhança é ser transcrição do eterno em termos de existência temporais. na queda. se Deus não poupou anjos quando pecaram (2 Pe 2:4) Como os anjos poderiam pecar se não fossem moralmente livres. com Ló (Gn 19:10-22). penso que precisa ser considerado: se ser moralmente responsável e racional é ser imagem de Deus.. W. segundo Kidner ." O que. e a semelhança é aquela harmonia com a vontade de Deus. ou de uma sinfonia num soneto. como fizeram. para alguns teólogos "imagem é a indelével constituição do homem como ser racional e como ser moralmente responsável. diz que não há. foi o amor. digamos.Façamos o homem. como declara G. Ele. porém. parece não haver dúvidas de que os anjos. pois. são racionais. que recuperaremos quando for retomada nossa plena comunhão com o Senhor.. A teologia cristã entende que essa afirmação nos apresenta a Trindade. estão incluídos.

a relação entre ambos não era de autoridade. o SENHOR Deus fez cair pesado sono sobre o homem. ao mesmo tempo que se trata de uma unidade que contém várias entidades. "A última palavra hebraica da Shema (Dt 6. (Gn 5:1. Gn 1.23 os espias pararam em Escol.4. pois. por ser a mãe de todos os seres humanos (Gn 3:20).. (Gn 2:21. macho e fêmea os criou. no hebraico. e lhes chamou pelo nome de Adão. pois. 170 . novamente é echad. os anjos fiéis não perderam nada de sua criação original. onde 'cortaram um ramo de vide com um cacho de uvas'. No dia em que Deus criou o homem. é de se supor que antes não era assim. o barro e o sopro (que dá vida ao ser humano) só aparecem uma vez. no dia em que foram criados. (Gn 2:7) Então.27 (RC). homem e mulher os criou. formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida.5) é echad." Stanley Rosenthal3 E criou Deus o homem à sua imagem. e ele te governará (Gn 3:16). Mas. à semelhança de Deus o fez. Entretanto. E por que? Penso que só após a queda o macho teve autoridade para tal: e à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez. Gosto de pensar que esta imagem-semelhança inclui. A palavra que aqui aparece com 'um'. no segundo ser. E. algo que só é comum a Deus e a nós: a unidade. E a costela que o SENHOR Deus tomara ao homem.. era. além do já citado. duas criações? Então.22) Macho e fêmea parecem ser uma criação só. e o homem passou a ser alma vivente. Deus fez desabrochar características que não fizera desabrochar no primeiro. não lhes faça diferença. ainda que o tempo. esse único cacho de uvas consistia em muitas uvas. e os abençoou. Se Deus condenou a mulher a essa condição subserviente ao homem como consequência da queda. em ambos os casos. talvez. e este adormeceu. somente do homem é dito que foi criado à imagem e semelhança de Deus. em outras palavras. Poderíamos citar um bom número de exemplos.2) Duas pessoas. realmente.tempo. um substantivo coletivo. isto é. à imagem de Deus os criou. tiveram começo. Sendo que. De fato. é uma duplicação. um só nome. tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. um substantivo que demonstra unidade. em 'um cacho'. O segundo ser não é uma segunda criação. Este é o livro da genealogia de Adão.) Em Nm 13. Seriam. a mulher só ganhou o nome de Eva depois da queda: E deu o homem o nome de Eva a sua mulher. como é evidente. transformou-a numa mulher e lha trouxe. em meio de dores darás à luz filhos.(. o teu desejo será para o teu marido.

O homem à imagem e semelhança de Deus é unitário-coletivo. 171 . à semelhança da trindade. um novo homem. este novo homem. seríamos um só homem: o homem à imagem e semelhança de Deus. penso eu. pois." Stanley Rosenthal4 Se Deus é uma família.. logo. é o projeto de Jesus. de fato. expressa o que a Trindade é. de unidade. a Igreja é. sugiro. A queda foi marcada pela quebra de unidade entre o homem e Deus. Se esse é o destino da Igreja. nos amaríamos tanto que. o que perdemos é inapreensível para nós. Criou-os para viverem em unidade. Criou-os como unidade. este deve ser o moto de seu dia a dia. entretanto. entre o macho e a fêmea. fazendo a paz. (ed. também. apesar de muitos. o homem-comunhão que. em si mesmo. Por esse novo homem Jesus se sacrificou. de modo extremamente rarefeito. Esse.) instruiu marido e mulher a tornarem-se 'os dois uma só carne'. numa família? Se Deus é uma unidade-comunhão como uma criatura que não se constituísse noutra unidade-comunhão poderia ser chamado de sua imagem-semelhança? Me parece que o projeto divino passava estritamente pela unidade: criou um casal apenas.24.quero crer. tratar-se da retomada do projeto do Gênesis. Se não tivéssemos caído. Não seria uma nova criação. Ainda que a graça comum tenha nos mantido em condições de experimentarmos. "Em Gn 2. a retomada do homem à imagem e semelhança de Deus. indicando que aquelas duas pessoas unir-se iam. Deus (. Quando Deus chamava: Adão! Macho e fêmea se voltavam para falar com Ele. amarem-se com esse amor que unifica. criou-os tendo a si como modelo: o que caracteriza a trindade é o amor. como disse Jesus: LC 19:10 . seríamos bilhões. criou-os para. logo. para admitir isso teríamos de considerar que a primeira continha uma falha. que criatura poderia expressar sua imagem-semelhança senão se constituísse. por definição. revista e corrigida) Segundo vejo. formando perfeita e harmônica unidade. guardadas as devidas proporções.. é um ser coletivo.Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido. uma só família. isto é. vínculo da perfeição. a exemplo da trindade. novamente a palavra hebraica é echad. a unidade. que une perfeitamente. Creio. talvez. O homem à imagem e semelhança de Deus. para que dos dois criasse. Em tal caso.

Uma outra forma. é um organismo vivo (tem funcionalidade).1Co 12. aceitamos o que somos e as mudanças que precisamos sofrer. e/ou com Deus. Jesus Cristo é a estrada e o Espírito Santo é o ônibus que nos leva. Gosto da idéia de que aceitar é admitir e compartilhar espaços. aceitamos a natureza. Todo mundo pode ir ao Pai. sem que nos aceitemos mutuamente. destruindo por ela a inimizade. mas. A gente está na presença do Pai. sendo ele mesmo. [17] E. não está sozinho. é uma aceitação geral: aceitamos as demandas de Deus. Todos estamos dentro desse ônibus (fomos batizados. isto é. enquanto corpo. [20] edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas. um lugar de todos nós. já não sois estrangeiros e peregrinos.penso. aceitamos o próximo. por intermédio da cruz. A paz é o princípio da unidade: paz com Deus. de definir pecado é estado de guerra consigo mesmo. mergulhados nele . paz com o próximo. portanto. vindo. Somos da mesma nação. é fornecer a possibilidade da expressão (como o corpo humano é em relação a alma) e exprimir por meio da ação (corpo inerte não exprime).13). todos os irmãos foram junto. entre outras coisas. temos o mesmo nome e o mesmo pai. Esse novo homem é mais que comunhão. [19] Assim. Sem paz. Interessante pensar que evangelizar é chamar à paz. estamos no mesmo lugar. paz consigo mesmo. ambos temos acesso ao Pai em um Espírito.[16] e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus. e sois da família de Deus. e/ou com a natureza. e/ou com o próximo. o novo homem não pode ser vivido. por ele. Não seria essa a melhor forma de diagnosticar o que está acontecendo na sociedade? Não estariam todos os relacionamentos marcados por alguma forma de violência? Paz . [18] porque. evangelizou paz a vós outros que estáveis longe e paz também aos que estavam perto. O papel da Igreja. Somos irmãos. mas concidadãos dos santos. de estar em forma. Tem de ser saudável. É o novo homem que vai à presença do Pai. 172 . Certamente é por isso que cada um de nós chega à presença do Pai e tem de dizer: "Pai nosso".

e a altura. e o comprimento. ainda que a graça comum o tenha mantido em parte. Em Jesus estamos sendo tornados um. a pedra angular. não estaríamos na Igreja) apesar de insistirmos nas diferenças. 173 . cresce para santuário dedicado ao Senhor. Propósito 1: serrnos o lugar onde Deus é adorado perfeitamente (1PE 2:5 também vós mesmos. Eles serão povos de Deus. de pastoreio. para que Deus possa ter sua morada.) ser a morada de Deus . [21] no qual todo o edifício. uma só casa). com todos os santos. a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo. um Deus vivo tem de morar numa casa viva. O novo homem retoma o seu destino: (AP 21:3 .Cristo Jesus.a fim de poderdes compreender. Isso implica em que o primeiro projeto para a igreja local deveria ser um projeto de comunhão e. bem ajustado. qual é a largura. Edificar é tornar um (vários materiais. para crescer em Cristo tem ter unidade (bem ajustado . Penso que esse é o desafio dado a cada igreja local: alcançar essa unidade.5). Jesus Cristo retoma o projeto do gênesis: cria o novo homem. consequentemente. Perdemos isso. dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens.formando uma parede só). Jesus é o alicerce e o construtor que ajusta cada pedra e material: (EF 3:18. Deus nos criou como unidade para que o expressássemos. sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo.19 . e Deus mesmo estará com eles. tem de crescer em Cristo. e a profundidade e conhecer o amor de Cristo. assentados sobre o mesmo alicerce. ouvi grande voz vinda do trono. para ser santuário. Deus habitará com eles. que excede todo entendimento. Cremos na mesma coisa (senão. apesar da boa vontade de Davi e de Salomão. Estamos. enquanto pedras vivas (1 Pe 2.Então.) A Igreja.) É na realidade do novo homem que Deus é adorado como quer e deve ser. para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus. como pedras que vivem.a Trindade. [22] no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito.

Judas Tadeu .Tomé .ed. também fizemos um breve esquema para que se tenha uma idéia de quem eram os Apóstolos de Cristo. e os conduziu à parte a um alto monte. pois tinham privilégios especiais: "Seis dias depois." (Mt." (Mc.Felipe .v.Mateus Os Pouco Conhecidos Tiago (o pequeno) . Vida Nova 2 Gênesis .. a Tiago e a João. tomou Jesus consigo a Pedro. 17:1) "E levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu.1 in artigo Trindade. Elwell . (Setor Personagens Bíblicos). mas fizemos uma coletânia dos mais famosos e armazenamos a maior quantidade de informações possíveis neste estudo.Tiago (o grande) . no passado da Igreja.Stanley Rosenthal .A.Simão 174 .Fiel Parte XXVIII MÁRTIRES CRISTÃOS De acordo com o Dicionário Aurélio. Nem todos os mártires do cristianismo viveram junto com Cristo. Mártir é: "Pessoa que sofreu tormentos. irmão deste.João Faziam parte do círculo íntimo de Cristo. in Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã .eds Mundo Cristão/Vida Nova 3 A Tri-unidade de Deus Velho Testamento . 26:37) "E não permitiu que ninguém o acompanhasse.introdução e comentário ." (Mt. começou a entristecer-se e a angustiar-se. o mesmo evangelho que hoje em dia nós temos a liberdade de defender.Derek Kidner . Muitos foram os Mártires Cristãos. Tiago.Stanley Rosentahl .editor . e João.Fiel 4 A Tri-unidade de Deus no Velho Testamento . Os Mártires Apóstolos Pedro . muitos foram aqueles que morreram em favor do evangelho. irmão de Tiago. torturas ou a morte por sustentar a fé Cristã". logo em seu primeiro século.5:37) Os Trabalhadores Silenciosos André .3 W. Clique nos nome dos mártires que estão sublinhados para ver uma breve biografia sobre os mesmos.série cultura bíblica . os que isso fizeram eram os apóstolos. senão Pedro.Bartolomeu .

Orígenes . do qual Judas se desviou para ir ao seu próprio lugar.Então deitaram sortes a respeito deles e caiu a sorte sobre Matias. um deles se torne testemunha conosco da sua ressurreição. isto é.O Traidor Judas Iscariotes Foi substituído por Matias após ter traído o Senhor e ter se matatado: 16 . Atos 1:16-26 Convertidos a Apóstolos depois da ascensão de Jesus Matias . 18 .Sebastião 175 . 24 . Campo de Sangue. que foi o guia daqueles que prenderam a Jesus. pois. 19 .Lucas .Irmãos. e precipitandose.É necessário.E tornou-se isto conhecido de todos os habitantes de Jerusalém. caiu prostrado e arrebentou pelo meio. de maneira que na própria língua deles esse campo se chama Acéldama. 21 .Cosme e Damião .Barnabé . e todas as suas entranhas se derramaram. 17 . 23 . 26 .para tomar o lugar neste ministério e apostolado.E orando.Porquanto no livro dos Salmos está escrito: Fique deserta a sua habitação. e Matias. e não haja quem nela habite. acerca de Judas.começando desde o batismo de João até o dia em que dentre nós foi levado para cima. mostra qual destes dois tens escolhido 25 .E apresentaram dois: José.) 20 . chamado Barsabás. que dos varões que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus andou entre nós.Estevão Mártires que viveram ainda com os últimos apóstolos Policarpo . 22 . e por voto comum foi ele contado com os onze apóstolos. Senhor. disseram: Tu. ele adquiriu um campo com o salário da sua iniquidade. convinha que se cumprisse a escritura que o Espírito Santo predisse pela boca de Davi. que conheces os corações de todos.Inácio .(Ora.Papias Mártires Após a Época dos Apóstolos Jorge . que tinha por sobrenome o Justo.pois ele era contado entre nós e teve parte neste ministério. e: Tome outro o seu ministério.Paulo Outros Mártires Cristãos Marcos .

p. Dízimo não é tributo. o dízimo é também uma demonstração de amor a Deus. A pessoa que diz crer em Deus e não entrega seus dízimos está negando. na vida espiritual.1265. .Bíblia Thompson . A mordomia do dízimo envolve.Barsa Enciclopédia. Nós somos salvos pela fé. Colaboradores: .Iranilde Campos Parte XXIX MORDOMIA DO DÍZIMO Introdução (1) O dízimo é o método de Deus para abençoar seus filhos na vida material. 10486. habilidade e fidelidade. a fé que diz ter no coração. O dízimo é também uma prova de santificação da vida ao Senhor. mas a totalidade dos bens e do ser pertencem ao Senhor. como os têm abençoado. Dízimo é compromisso que pauta a partir do voluntariado consciente. 1. e não apenas com palavras.Fontes de Pesquisa: .Encyclopédia e Dicionário Internacional. pp.Centro de Pesquisas Religiosas . É como o cordeiro do holocausto no altar da consagração.Verônica .Dicionário Aurélio . Um cordeiro santificado no altar santifica todo o rebanho. Cada real que você santifica para Deus significa que os outros nove reais também são santos ao Senhor. 1997 . O imposto é compulsório.20 e 28.The Grolier Multimedia Encyclopedia.Carlos Magno . não pelas obras. Gênesis 14. pela fé. Além de ser uma prova de fé. 1262 .Encyclopédia Universal Ilustrada Europeu-Americana.Manual Bíblico Halley . Quem não paga é autuado. Crer ou não crer na Palavra de Deus é crer ou não crer no próprio Deus. na prática.22. portanto. não apenas o dízimo. 1974 . Conceito e origem da mordomia do dízimo (2) A mordomia do dízimo é o perfeito uso do dinheiro que pertence a Deus por direito de criador e sustentador de todas as coisas que compõem o universo. tanto á fidelidade na entrega do que pertence a Deus como na habilidade na aplicação ou gasto deste dinheiro 176 . É o reconhecimento de que. Amor que nos identifica com o caráter e os propósitos do Senhor e que nos leva a adora-lo com atos objetivos. mas a fé que não se transforma em atos de obediência não é a fé válida para a salvação. onde Deus colocou o homem para cultivá-lo com inteligência.

O poder sustentador de Deus tem-se manifestado por meio da confiança daqueles que fielmente dizimam em amor de suas rendas para o Senhor. preservando-se o que se denomina de fidelidade de propósito.21 e 24. o dízimo sofre uma certa força carismática.consagrado. A participação dos crentes no sustento diário da causa de Deus envolve todos os fiéis de todos os tempos e lugares. O dízimo não é uma invenção do homem para sustentar a religião. Sua aplicação aparece em toda a Bíblia na medida em que o homem é chamado a assumir seu dever de entregar ao Senhor os dez por cento de sua renda para que Deus possa realizar também seus planos espirituais para o mundo. A mordomia do dízimo pode e pretende conscientizar os crentes do valor e importância prática fiel e constante do dízimo para o reino de Deus. O desafio é aprendermos a dependência da graça sustentadora do Senhor e não essencialmente dos recursos financeiros. 2. Aumentar a confiança dos crentes no poder e na providência de Deus conforme a Bíblia tem nos ensinado é a finalidade da mordomia do dízimo. Deus não resolve nada em seus planos de última hora. O dízimo faz parte do planejamento de sustento da sua grandiosa obra de redenção do mundo. Natureza e finalidade da mordomia do dízimo (3) Enquanto cálculo matemático de 10% de uma quantia é isto e nada mais. 2 Crônicas 31. para que haja mantimento na 177 . O dízimo tem sua origem na economia divina ao preparar o projeto de criação do mundo. porque cremos que nos propósitos de Deus não há variantes que não foram previstas com milhares de anos de antecedência.10-12. 3. Números 18. Os dizimistas fiéis sabem o quanto é bom confiar em Deus e praticar esta doutrina bíblica tão negligenciada por muitos servos. Não pode ser menos como alguns gostariam e não pode ser mais porque é inalterável no tempo e no espaço. Enquanto dinheiro separado para Deus.30-32. mas uma exigência de Deus para sustentar espiritualmente o homem. Como devemos dizimar (4) É dever de todo cristão dizimar à luz de Malaquias 3:10 onde Deus nos ordena dizendo: "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro.1-10. Não é difícil entender que o dízimo só deve ser usado em coisas consagradas e para a glorificação do de Deus. 10% de uma determinada quantia de dinheiro ou do peso de um corpo qualquer será sempre 10%. Malaquia 3. Salmo 24.4-12. Levítico 27. visto que o Senhor de todas as coisas promete bênçãos especiais aos fiéis dizimistas conforme o Texto Sagrado.

O problema é que não existe fidelidade parcial. vale a pena cumpri-la para o nosso próprio bem. e depois fazei prova de mim. Meia obediência é igual à desobediência total. Supostamente baseados nos ensinamentos de Paulo. diz o Senhor dos exércitos. são para nosso benefício e são também um compromisso espiritual. Quem poderá ser bom mordomo deixando de fazer o que Deus ordenou? Certamente o servo fiel é mais agradável ao seu Senhor. Se é uma ordem. É uma questão lógica.7. Atos 5. não do dízimo. Como alguém afirmou. embora contribuam eventualmente. Foi o caso de Ananias e Safira que não queriam ser completamente desobedientes. 4. Deve-se ter a preocupação de se contribuir com regularidade efetiva. Esta atitude é a normal e correta.21. o crente deve começar a dizimar ainda que sem muito entusiasmo porque é tão bom contribuir que começando por obrigação terminará por alegria e consagração. Muitos contribuem com tanta irregularidade que o dinheiro chega a perder o valor. e não derramar sobre vós uma bênção tal. não a metade ou apenas uma parte. Estão errados quanto à interpretação do Texto Bíblico que neste caso. 1-11. mas terminaram sendo os exemplos de deslealdade em matéria de contribuição.8. que o crente só pode ser ofertante depois de ser dizimista.minha casa. alguns dizem que devem contribuir segundo propôs no coração e assim o fazem. Todo o cristão sincero deveria ter verdadeira alegria ao contribuir para o sustento do Reino de Deus. Os descontos previdenciários e os impostos que nos são deduzidos em folha de pagamento ou em carnês. só posso obedecê-la trazendo o dízimo inteiro. São aqueles que dão de quando em vez e não podem ser conhecidos como dizimistas porque têm renda todo mês. porém. o que é de Deus é o dízimo e não podemos ofertar ao Senhor usando o que pertence a ele. mas em se tratando de uma ordem. em Malaquias 3. Deus não deve pagar nosso impostos ou taxas previdenciárias. se eu não vos abrir as janelas do céu. O crente pode usar a medida do coração. Deus já determinou 10% e isso é inegociável. 2 Coríntios 9. O povo de Israel roubava a Deus nos dízimos e nas ofertas alçadas. que dele vos advenha a maior abastança". quando se trata de dízimo. Vale ressaltar que o dízimo deve ser entregue do valor bruto dos nossos rendimentos. Verificamos ainda. mesmo que não seja com muita alegria. Mateus 22. Por muitos séculos Deus tem comprovado sua fidelidade para com os homens que lhe obedeceram com amor e dedicação. A quem entregar os dízimos? (5) 178 . trata de ofertas alçadas para obras sociais. Entregar ao Senhor o dízimo do valor líquido não é fidelidade integral.

o cristão arrogar-se o direito de aplicação e administração do seu próprio dízimo. Caso isso fosse verdade. se eu posso todas as coisas. Pela fé. Para que um tesoureiro? Para receber ofertas. O hades. prática e conduta. pois. elegeu um tesoureiro. 1 Coríntios 6.O texto de Malaquias é muito claro. É pecado. Vemos. Inferno. o membro tem direito de questionar e até de orientar a correção. Dízimos e ofertas alçadas. Se houver falha na mordomia da administração do dízimo por parte da igreja. teríamos de eliminar da Bíblia Filipenses 4. Jesus. que constitui pecado. 4 vezes.11. A situação dos irmãos que insistem na infidelidade é crítica. O crente não deve fazer as coisas conforme sua conveniência somente. os cristãos evangélicos. 7 vezes. a sua Palavra Santa e Infalível. A igreja aparece em 21 versículos. o crente pode todas as coisas que não contrariam a natureza de Deus. mas nunca de tomar atitudes pessoais para as quais não foi credenciado por Deus. então posso entregar o dízimo a Deus. nos são lícitas mas não devemos praticá-las. Pecado e pecadores. se assim é. Fala-se em cristãos que dão o seu dízimo parte em casas filantrópicas e parte na igreja. que no Novo Testamento muito mais se pregou sobre dinheiro que sobre qualquer outra coisa. O arrependimento. Causa perplexidade ouvir certos membros de igreja afirmando que não dão o dízimo porque não podem. asseverando que os roubadores não herdarão o Reino de Deus. A Bíblia chama de ladrão a quem não entrega o dízimo. Eleição. nos orgulhamos em afirmar que a Bíblia é o nosso único livro de fé. Espírito Santo. Muito mais valem 9/10 do nosso salário com as bênçãos de Deus. na igreja de Jesus Cristo em ato de adoração e culto solene.13. O batismo é mencionado 17 vezes. 27 vezes. 72 vezes. isto é.23. Este não é o método bíblico que manda trazer todo dízimo a Casa do Tesouro e consequentemente o dízimo todo para a administração da igreja. Conclusão (6) Nós. do que todo um 179 . e as que contrariam o caráter do senhor. quando reuniu os apóstolos. 21 vezes. Ou não entenderam de forma apropriada o compromisso da fé salvadora ou não experimentaram a salvação que se opera pela fé que desemboca na fidelidade incondicional. 1 Coríntios 6. é claro. conforme o preceito bíblico. 47 vezes. Ora. Muito bem. A vida eterna. Como agência do Reino de Deus a igreja está credenciada para gerenciar os seus negócios do Rei quer sejam especificamente espirituais ou materiais. 90 (noventa) passagens falam sobre dinheiro.12 e 10. mas de acordo com a consciência de Deus refletida nos ensinos da Bíblia. O dízimo deve ser entregue na Casa do Tesouro. 11 vezes. então por que não pomos em prática a doutrina do dízimo como a Bíblia ensina? No Novo Testamento.

1986.salário sem as suas bênçãos. Prostituíram após outros deuses. 1997. 31-32). João. Após ler estas considerações de Peterson. 1982. Notem as palavras de Eugene Peterson: "Os pastores estão abandonando seus postos. (pp. 62 p. Ibid. Alguns pastores estão abandonando seus postos. 161). 74-75). (4) Id. (2) CÂNDIDO. Waldomiro. mas realista. o nome deles ainda consta no boletim dominical e continuam a subir não púlpito domingo após domingo. Duque de Caxias: AFE. Uma reflexão dura. (7) Ação de soberania em conceder livre arbítrio ao seus vassalos para o exercício de aparente ou relativa autonomia Parte XXX MOTIVAÇÕES PERIGOSAS PARA O MINISTÉRIO Uma breve Reflexão sobre alguns motivos errados para o Ministério Falar de vocação não é uma tarefa fácil. 124 p. E não só sem as bênçãos. seus pastores. o chamado. A Doutrina Bíblica da Mordomia. Ibid. É preciso avaliar as verdadeiras motivações. Estou Convosco. (pp. Notas (1) FALCÃO SOBRINHO. não sustentará o pastor através das ásperas realidades da vida na igreja.3-6. Ed. Entendo que grande culpa dos problemas destas igrejas deve-se a nós mesmos. fiz a seguinte pergunta: O que tem levado nossos jovens ao ministério ? Minha pergunta levanta a questão sobre as reais motivações de nossos vocacionados para o Ministério Pastoral. 162-163. desviando-se para a direita e para a esquerda. As congregações ainda pagam seus salários. Ibid. Rio de janeiro: JUERP. (5) MOTTA. Isto não quer dizer que estejam deixando a igreja e sendo contratados por alguma empresa. Amém. 231 p. Nestes doze anos de ministério tenho visto alguns pastores perderem o rumo original e ministérios infrutíferos com igrejas fracas e em declínio. O que estão abandonando é o posto. Como explicar os vislumbres de certezas espirituais ? Pode a vocação de Deus ser descrita ? Talvez devesse deixar tal desafio para os mais experientes nas lidas pastorais. Ageu 1. (3) Id. 180 . não obstante. quero pisar neste terreno mui solenemente. pp. Daniel Oliveira. 163-164.Aquilo que fazem e alegam ser ministério pastoral não tem a menor relação com as atitudes dos pastores que fizeram a história nos últimos vinte séculos" . 3. Talvez nem todos têm consciência de que errar na vocação trás conseqüências desagradáveis para si mesmos e também para suas futuras igrejas. 162. (5) Id. antes de ingressar nos seminários. Embora uma vaga vocação para o ministério possa levar ao pastorado. Rio de Janeiro: CPCCBB. Reflexões sobre Mordomia Cristã. com freqüência alarmante. (pp. mas com as maldições previstas no juízo divino que se impõe pela suserania (7) do Senhor. pp. pp.

A título de alertarnos para este perigo. São só na cidade de São Paulo. passe a compreender o ministério como uma profissão e um meio de ganhar a vida. Paulo escreve: "se alguém deseja o pastorado. Contudo. mesmo que estas não sejam verbais. ambicionar. Ficamos frustrados com os conflitos da igreja. É com temor e tremor que arrisco raciocinar desta maneira. entendemos que todo genuíno vocacionado deve ter como ambição ser um instrumento de Deus . o serviço. O status social não pode sustentar o nosso ministério e fazer com que vivamos nossa vocação de modo responsável. Pastorear ovelhas relutantes é uma atividade esmagadora. sacodem o nosso coração. Precisa ser observado que o objeto do desejo é a obra. até mesmo pelos escândalos envolvendo alguns líderes cristãos. com a futilidade de nossos planos e com o fracasso do nosso povo. mas temo que alguns jovens em nossas Igrejas. Não obstante. Este foi um erro cometido por Tiago e João (Mc 10:35:45).Por motivação queremos dizer os motivos internos que levam uma pessoa à ação. mesmo que em nossos dias não é lá muito bem visto. 181 . melhor que se afaste dele de uma vez. Penso que todo candidato ao ministério deveria responder a esta pergunta: O motivo que tenho para desejar ser pastor é porque serei pago para isto? Quanto a isto. Vivemos uma época de recessão e de desemprego. O "ser pastor". quase 2 milhões de desempregados. e não a posição ou status. excelente obra almeja" O termo "deseja"na língua grega é epithumeo. Nós pastores inevitavelmente armazenamos um certo nível de frustração em nosso trabalho. Em I Tm 3:1. Às vezes pregar pode ser uma tortura. desejar". depois do mais severo exame de si mesmo. liderar não é fácil. O tempo médio hoje para alguém que perde o emprego é de 1 ano até conseguir outro. Todos nós tomamos decisões na vida motivados por algo ou alguma coisa em dado momento de nossa existência e considerando as diversas situações da vida. qualquer outro motivo que a glória de Deus e o bem das almas em sua busca do pastorado. e lhe confere status social. Alguém motivado por posição elevada e pelo desejo de atenção trará com certeza prejuízo a si mesmo e à Igreja de Cristo. que tem o significado de "colocar o coração. Spurgeon escreveu: "Se um homem perceber. Falando da motivação que leva um jovem a decidir pelo ministério. alisto cinco possíveis motivações erradas e egocêntricas que podem levar alguém ao Ministério: 1) Adquirir estabilidade financeira: Os motivos da nossa sociedade seculare são controlados pelo cifrão. Ser uma figura pública sob os olhares de todos e viver sob constantes cobranças. é possível que nem sempre esta seja a mola propulsora de um ou outro aspirante ao pastorado. os títulos de Reverendo e Pastor transmitem uma certa dose de autoridade que dignifica o ser humano. pois o Senhor aborrece a entrada de compradores e vendedores em seu templo" 2) Status social: Não é de hoje que a sede de posição cega as pessoas . Sua única motivação para ser pastor é seu desejo ardente de realizar a obra de Deus e para a glória de Deus.

Todos nós que somos pastores sabemos como o ministério é desgastante. Um velho pregador deu um sábio conselho a um jovem quando indagado sobre sua opinião quanto a seguir o ministério: "Se você pode ser feliz fora do ministério. mas não é a motivação correta para o ministério. Poderão ser uma excelente ajuda às igrejas como pregadores. 4) O Senso de obrigação: Há quem se torne ministro. caso sintam que não foram chamados ao pastorado. entendam que o tempo de estudos e de preparação não será perdido. vão-se embora". Alguém pontuou o seguinte: "os ministros sem a convicção do chamado carecem muitas vezes de coragem e carregam uma carta de demissão no bolso do paletó. percebeu que poderia fazer um curso de nível superior pago pelo Presbitério e ainda recebendo ajuda de custo de sua Igreja.3) Necessidade de firmar-se como pessoa: É possível que alguém caia na armadilha de desejar o ministério por entender que a posição e o status conquistado forçam os outros a lhe dedicarem atenção. sendo seu chamado imposto por Deus. caso sinta que esta foi uma escolha sua e não de Deus. presbitério e ter feito o curso teológico no seminário. O desejo que um ser humano tem de que os outros o respeitem é um sinal louvável de sua auto-estima. Não há nada de errado em desejar ser respeitado e admirado. oficiais e líderes. É desnecessário dizer que este líder não desenvolverá seu ministério com alegria e prazer. ou por não ter condições financeiras de custear um curso em uma universidade . pois depois de ter passado pela família. O Ministério deve ser obedecido por vocação e não por obrigação. não fuja" Precisamos instruir aos nossos seminaristas que mesmo que tenham feito o curso de teologia no Seminário. Conheci um pastor que guardava todo exemplar do jornal Brasil Presbiteriano em que saía uma matéria com sua foto e que falava a seu respeito. Ao menor sinal de dificuldade. não é uma preferência entre outras alternativas. O peso de um sentimento de obrigação não pode levar ninguém ao pastorado. e ninguém pode cumprir o difícil papel de pastor se não tiver a consciência de que foi comissionado por Deus. Sente-se culpado se não fizer aquilo que todos esperam dele. fazse necessária nossa orientação aos aspirantes e candidatos ao Ministério de que não há como alguém sobreviver no pastorado. professores. Na qualidade de pastores e tutores eclesiásticos. 5) Falta de opções: É possível que alguém decida ser um pastor. fique fora. Nossos jovens precisam ver que o candidato ao ministério. Ele é pastor não por falta de alternativas. e insisto: Vocação pastoral não pode ser por falta de opções. 182 . ou por falta delas. mas se veio o solene chamado. É comum termos notícias de líderes que avaliam sua eficiência ministerial através de quantas pessoas da denominação o conhecem. conselho. sentese na obrigação de ter que ir até o fim de seu "chamado". São líderes que buscam a fama e serem aplaudidos pelos homens. pois depois de tentativas inglórias de ingressar em alguma outra faculdade. mas porque foi imposta por Deus. mas porque esta é a única alternativa possível para ele.

outros: Elias. o Filho do Deus vivo. o salvador vislumbrado pelos patriarcas e anunciado pelos profetas. este teria de ser um Deus também. não acertaram.3). Certo. quer por ensino exclusivo. Pedro disse-o: Jesus de 183 . assim como esboça sua composição. se parasse por aí: todos criam que o messias seria o maior dos profetas (Dt 18. libertar Israel do domínio romano. curou. obtiveram informações privilegiadas. Jesus tenha interagido com quase todos os partidos judaicos: os herodianos. logo. o messias. A pergunta era. desenvolveu o seu ministério. dois deuses. incompleto. ortodoxos estudiosos das escrituras. não podia ter filho. Pedro teria ido apenas um pouco mais adiante que o povo. quer pela observação no dia a dia. perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem? Embora. Detendo mais informações. conseguiram ver em Jesus um grande profeta. de fato. Ao povo pregou. Revolucionário! Os teólogos. os fariseus. o Filho do Deus vivo". entretanto. em seu ministério público. partido da classe sacerdotal. portanto.Parte XXXI O ANÚNCIO DA IGREJA Neste trecho. Tu és o Cristo. Ouvir. uma aferição: o que as bençãos recebidas pelo povo geraram neste em termos de compreensão de quem Jesus era? [14] E eles responderam: Uns dizem: João Batista. que. Foi com o povo que andou e que se confundiu. esta mais importante: os discípulos conviveram com Jesus. Ele vai mais longe: "o filho do Deus vivo". estavam mais preparados para responder. os zelotes. era de se supor que acertariam. alimentou. [15] Mas vós. porém.15). [16] Respondendo Simão Pedro. quer pelas perguntas que puderam fazer. entendo que o Senhor Jesus apresenta a Igreja como seu propósito. não sabiam que há três pessoas e um só Deus. então. Por que? Porque se Deus tivesse um filho. e os saduceus. foi com o povo que Jesus. que queriam. continuou ele. quem dizeis que eu sou? Outra aferição. A resposta deixou a desejar. e outros: Jeremias ou algum dos profetas. Eles não conheciam a doutrina da Trindade. ser curado e alimentado por Jesus não é garantia de chegar a ter dele o conhecimento que dá vida eterna (Jo 17. um profeta. eram partidários de Herodes. porém. disse: Tu és o Cristo. pela força das armas. já não seria um único Deus. responde Pedro. diziam que Deus era único. mas. "Tu és o Cristo. conforme indica o nome. catalogaram-no entre os maiores. seu caráter e missão: (MATEUS Cap: 16) [13] Indo Jesus para os lados de Cesaréia de Filipe. de então.

a revelação de que Jesus Cristo é Deus vindo para salvar-nos. 184 . . ataviada como noiva adornada para o seu esposo (AP 21:2). e eu o ressuscitarei no último dia. assembléia. acerca de Jesus. características e/ou objetivos comuns. O filme. não o TROUXER. Franco Zefirelli.Então. que começa com a entrega da vida. Esse é o conhecimento. originariamente. Não foi a convivência com Jesus que os fez saber a verdade. adoração. apresentado em duas partes.Nazaré é o Cristo. mais que um mestre a ser seguido. que me enviou. Foi uma revelação! O conhecimento-experiência. a esposa do Cordeiro (AP 21:9). fez o filme Jesus. da parte de Deus. ato contínuo. Jesus de Nazaré é Deus. porque não foi carne e sangue que to revelaram. e sobre esta pedra edificarei a minha igreja. Portanto. Neste sentido a missão da Igreja é agradar o seu Senhor. por se tratar de ajuntamento de pessoas que têm afinidades. os demais discípulos tomados pelo impacto da afirmação. esta. [18] Também eu te digo que tu és Pedro. Não sei se foi assim mesmo que aconteceu. nação e afins. mas meu Pai.30). como término de sua primeira parte. a exemplo de Pedro. tinha. Que igreja? Igreja é uma palavra que pode ser traduzida por reunião. testemunhando sua concordância. (JO 6:44). Resposta completa. A Igreja é a reunião dos adoradores de Jesus. receberam. é a Igreja como noiva: . veio um dos sete anjos que têm as sete taças cheias dos últimos sete flagelos e falou comigo. Simão Barjonas. que descia do céu. que está nos céus. ao anunciar um salvador. porém. indubitavelmente. Jesus é mais que um profeta a ser ouvido. que dá vida eterna (Jo 17.15) . ou melhor. cena que procurava retratar o texto que estamos trabalhando: Zefirelli descreve Pedro ajoelhando-se enquanto proferia a declaração em questão e. entenderam ser um grande profeta . Os teólogos entenderam que Deus haveria de mandar um salvador. a revelação: "Tu és o Cristo. o Filho do Deus vivo". Que pedra? A afirmação. Deus anunciava a sua visita. é a cena que mais se coaduna com a profundidade do que foi dito. Não imaginavam que a salvação humana custaria tão grande preço. [17] Então. e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. cineasta italiano. Jesus está falando de um grupo de pessoas especiais: as pessoas que receberam a mesma revelação que Pedro e os discípulos.Ninguém pode vir a mim se o Pai. que deve ser adorado.não entenderam que. dizendo: Vem. também se ajoelham. é Deus a ser adorado.Vi também a cidade santa. do Pai. é uma revelação do Pai . mostrar-te-ei a noiva . que chamou de seu afresco. acerca de Jesus. Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és. A Igreja é a reunião daqueles que. a nova Jerusalém. que dá vida eterna.Moisés assim pareceu dizer (Dt 18.

a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. A igreja perscruta a natureza para ver Jesus." Adoração. Igreja é. contemplando. o Filho do Deus vivo" Jesus construirá a sua igreja. Por exemplo: Adorai o SENHOR na BELEZA da sua santidade (SL 96:9). como por espelho.Examinais as Escrituras. a glória do Senhor. também. sacerdócio real. também. representadas por três cidades.ed. Assim Cristo edifica a sua Igreja. é o mesmo que contemplação amorosa. A glória de Deus é a sua bondade (Ex. povo de propriedade exclusiva de Deus. Torna-nos parecidos com Ele à medida que o adoramos. prestar culto e. Aliás. Nesta contemplação (adoração) somos edificados. contemplando. e encontram. 33. Vida Nova e Mundo Cristão) diz sobre adorar na beleza da santidade: "a verdadeira adoração reflete isto no amor e admiração dados a Ele. aqui. também.19). como pelo Senhor. Qual é o espelho? Penso e algumas coisas que devem ser usadas como espelho: i. porque são estes que o Pai procura para seus adoradores (JO 4:23). Derek Kidner (Salmos .E todos nós. e sobre esta pedra edificarei a minha igreja A partir da confissão-adoração: "Tu és o Cristo. de características especiais.a criação: SL 19:1 . entre outras. e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. como por espelho. ii.Os céus proclamam a glória de Deus. em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. Será que a Igreja é edificada enquanto e na medida em que adora? Paulo parece dizer que sim: . A palavra reunião pode dar uma conotação equivocada: de que só há igreja quando essas pessoas. e são elas mesmas que testificam de mim. portanto. O Pai desvenda-nos o rosto (por meio da revelação). somos transformados. é a satisfação do desejo do Pai: . mostra-nos o Filho e o Espírito Santo nos transforma. porém. o Espírito (2CO 3:18). não apenas para ter informações sobre ele. de glória em glória. porque julgais ter nelas a vida eterna. Jesus disse "e sobre esta pedra edificarei a minha igreja" num contexto muito peculiar: Haviam três nações.Vós. que tinham 185 . A natureza expressa a glória de Deus. sois raça eleita. Ele é a vida eterna que está no texto sagrado. a reunião das pessoas que estão sendo transformadas pelo Espírito Santo à imagem e semelhança de Cristo. a glória do Senhor.introdução e comentário . reverenciar.a bíblia: JO 5:39 . nação santa. com o rosto desvendado. contemplação. A Igreja lê as escrituras para ver Jesus. a encarnação da bondade de Deus. na sua própria imagem. pela contemplação? Adorar tem várias conotações: prestar homenagens. Por isso gosto muito do que o Pedro disse: 1PE 2:9 .Mas vem a hora e já chegou. na sua ação de adorar.A noiva. Será que adorar passa.

os gregos. pois. por sua vez. o que significava submeter-se a eles. penso. judeus. I .o corpo. Jesus diz que vai fundar uma nação que libertará de fato os homens do inferno. Os romanos acreditavam que a salvação do mundo estava em todos se submeterem à sua "pax". representados por Roma. os conduziriam no caminho de Deus. onde a porta é o último bastião. sua nação atacará o inferno e as portas deste não resistirão ao ataque daquela. a última defesa. Jesus falava no contexto das cidades muradas. mais eficaz se torna contra o inferno.a noiva. Outro elemento que. mas também purificar. representados por Jerusalém e os gregos.O significado bíblico do termo "Avivamento":. e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. O corpo depende da noiva. acreditavam que a tal salvação estava em todos submeterem-se a seu modo de pensar. Porém. também. A medida que a igreja vai sendo edificada vai. Quanto mais a igreja adora. ou seja. 1. corrigir e livrar do mal. como sacerdotes. uma nação de soldados . a cidade é invadida e tomada.1. uma nação de soldados da libertação. Eis o projeto de Jesus: uma nação de adoradores . como disse João: 1JO 3:8 -Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo. O verbo hebraico hyh (avivar) tem o significado primário de "preservar" ou "manter vivo". Parte XXXII O PADRÃO BÍBLICO DE AVIVAMENTO Qual o padrão bíblico de avivamento? Os avivamentos bíblicos oferecem alguma coordenada para a renovação da igreja evangélica no Brasil de hoje? Estas são algumas das perguntas que procuraremos responder no decorrer desse estudo. No Antigo Testamento:. liberando os seus prisioneiros. Esta é uma conseqüência natural em 186 . Pois. está contido nessa afirmação é o fato de a igreja ser o braço ministerial de Jesus Cristo. Os judeus acreditavam que a salvação dos homens estava na submissão destes a eles que. assumindo seu papel ministerial. Por que ataque? Porque fala das portas não prevalecerem.pretensões universais: romanos. representados por Atenas. "avivar" não significa somente preservar ou manter vivo. destruindo as obras do diabo. se as portas não resistem ao ataque.

6) (4). mesmo que rápida. na maior parte do tempo.10). No Novo Testamento:. e me sinto alarmado. e. Sou devedor ao dileto colega por suas pertinentes observações. 'anaphállo em Fp 4. em seu livro AVIVAMENTO URGENTE.6) ou uma planta que lança novos brotos e "floresce novamente" (cf. em comparação ao Antigo Testamento. Avivamento não é ação da igreja. mas de Deus. durante a qual a Igreja Cristã desfrutou. 2. Avivamento é obra soberana e livre do Espírito Santo. 1. Na história de cada avivamento. no contexto de avivamento. dentro ou fora da Bíblia. na tua ira. apresenta sete interessantes razões sobre o que não deve ser entendido como avivamento de verdade. Avivamento não é um programa agendado pela igreja. Uma possível explicação para o uso escasso dos termos. São elas: 'egeíro. é usado mais de 250 vezes no Antigo Testamento. ó Senhor. acreditamos ser de grande ajuda uma abordagem.toda vez que Deus aviva. II . No Novo Testamento grego as palavras supracitadas aparecem.1. ó Senhor. e da clássica oração do profeta Habacuque: "Tenho ouvido. A igreja não promove e nem faz avivamento. para que em ti se regozije o teu povo?" (Sl 85. lembra-te da misericórdia" (Hc 3. embora a idéia básica de avivamento seja sugerida com mais freqüência. no decorrer dos anos. Hernandes Dias Lopes. o avivamento é sempre indicado como uma obra ativa e intensiva de Deus. 'anázoe e 'anakaínoo. O verbo "avivar". faze-a conhecida. das quais 55 vezes estão num grau chamado piel. O Rev. 'anastáso. não tornarás a vivificar-nos (3). em suas várias formas (2). propriamente dito. é que o Novo cobre apenas uma geração. A igreja não é 187 . livra do mal e do pecado. Transcrevo-as quase que na íntegra. Antes de falarmos sobre avivamento bíblico.O que não é avivamento bíblico:. Alguns exemplos de sua ocorrência são as clássicas orações de Davi. no decurso dos anos. Encontramos no Novo Testamento grego um conjunto de palavras que expressam o conceito básico de avivamento. tira a escória e as coisas que estavam impedindo o progresso da causa (1). apenas sete vezes. aviva a tua obra. as tuas declarações. um grau incomum de vida espiritual. Um verbo nas formas do Piel expressa uma ação ativa intensiva no hebraico. lemos que Deus purifica. como esta: "Porventura.2). Outras palavras gregas comparam o avivamento ao reacender de uma chama que se apaga aos poucos (cf. 'anazopyréo em 2 Tm 1.2. do que não é o padrão bíblico de avivamento. Neste sentido.

Louvor em que a pessoa 188 . Avivamento sem doutrina é fogo de palha. 2. Não é mimetismo. em agonia de alma. Contudo. Não é ritualismo. Cometem ledo engano aqueles que querem descartar a teologia e desprezar a doutrina na busca do avivamento. Avivamento não é mudança doutrinária. O avivamento jamais virá se a igreja não preparar o caminho do Senhor (5).7). Louvor não é pululância. assim ele é" (Pv 23. Quando o seu coração parecia desalentado e já não havia prenúncios de chuva da parte de Deus. ajoelhado na neve. é experiencialismo personalista e antropocentrista. quem determina o quando e o como do avivamento é Deus. o Espírito foi poderosamente derramado e os corações se dobraram a Cristo aos milhares. em oração fervente. O avivamento precisa estar norteado pelas Escrituras e não por sonhos e visões. Desprezar a doutrina é querer por um corpo de pé e em movimento sem a estrutura óssea. Não é emocionalismo. A teologia é mãe da ética.agente de avivamento. com liturgia animada. A igreja não agenda e nem programa avivamento. Louvor que apenas levanta as mãos para o alto. Deus tem compromisso com a verdade e a sua Palavra é a verdade e todo avivamento precisa estar fundamentado na Palavra. é movimento emocionalista. dizer aleluia. com coreografia e instrumental aparatoso.2. não anula a responsabilidade humana. amém e levantar as mãos. num gesto de rendição e entrega (I Tm 2. 2. "Assim como o homem crê no seu coração. Sem busca não há encontro.8). Sem obediência a Deus.3. A soberania de Deus. A igreja só pode buscar o avivamento e preparar o caminho da sua chegada. muitas vezes feitas na carne. Louvor não é encenação. as chuvas torrenciais de Deus não descerão. Muitos crentes confundem avivamento com forma de culto. Precisa estar dentro das balizas da Bíblia e não dentro dos muros de revelações subjetivistas. A doutrina é a base da ética. Ele é soberano. Não há vida piedosa sem doutrina. em favor daqueles pobres índios. Não é apenas seguir formas pré-estabelecidas. O avivamento jamais acontecerá se a igreja não se humilhar. gingos e dança (6). Vida sem doutrina gera misticismo e experiencialismo subjetivista. Desprezar a doutrina é querer levantar um edifício sem lançar o fundamento. mas não as estende para o necessitado não agrada a Deus. Aquele jovem. Desprezar a doutrina é dinamitar os alicerces da vida cristã. no entanto. como bater palmas. A Bíblia ordena levantar mãos santas ao Senhor. Sem oração da igreja. suava de molhar a camisa. ela só pode içar suas velas em direção a esse vento. David Brainerd orou vários anos pelo avivamento entre os índios peles vermelhas no século XVIII. Avivamento não é mudança litúrgica. A igreja não produz o vento do Espírito. jamais haverá derramamento do Espírito.

Todavia. Louvor que não produz mudança de vida. o seu louvor estará sempre nos meus lábios" (Sl 34. é preciso dizer que. Um hino de louvor ao nosso Deus".apenas saltita e pula. é mudança de vida. Ele procura adoradores. Cada culto é um acontecimento singular. é preciso dizer que avivamento não é mudança litúrgica. Louvor é a totalidade da vida. em espírito e em verdade. vemos o resultado deste cântico: "Muitos verão estas coisas. formalista. é ofensa a Deus. senão é fogo estranho. Avivamento não é histeria carnal. todo avivamento mexe com a liturgia. Este cântico não é para entreter ou agradar o gosto e preferência das pessoas. O louvor que agrada a Deus precisa ser em espírito e em verdade. mas novo de natureza. quebrantamento. Este cântico vem de Deus e volta para Deus. dos show-men. mas não vive em santidade. a liturgia é desingessada e o povo com alegria e liberdade do Espírito adora a Deus. ungida. onde há liberdade do Espírito. do "rock evangélico". Em épocas de avivamento. temerão e confiarão no Senhor". mas não leva Deus a sério na vida é fogo estranho diante do Senhor.. não é louvor. dos animadores de programas religiosos. O louvor bíblico leva as pessoas a temerem a Deus. É um cântico que expressa a marca da sua nova vida. Primeiro.1). Não é um novo de edição. Hoje estamos vivendo a época dos shows evangélicos. versículo 3. fala-nos sobre as balizas do louvor que agrada a Deus: "E me pôs nos lábios um novo cântico.23). 189 . das músicas badaladas por um ritmo sensual. Louvor que apenas verbaliza coisas bonitas para Deus. O verdadeiro louvor leva as pessoas a se voltarem para Deus. fria e morta e põe em seu lugar uma liturgia viva. O avivamento desinstala a liturgia ritualista. Assim diz o Senhor: "Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos. no Salmo 40. liberta do tremendal de lama (v2). sem regras rígidas préestabelecidas. embora o avivamento não seja mudança de liturgia. Terceiro. muitos verão estas coisa. sem abandonar a ordem e a decência. A música do mundo tem entrado nas igrejas. alegre.. Deus não procura adoração. cerimonialista. temerão e confiarão no Senhor". O louvor não é um espaço da liturgia. "Bendirei ao Senhor em todo o tempo. um hino de louvor ao nosso Deus. O louvor precisa ser bíblico. Davi. vemos o objetivo deste cântico: ". vemos a origem deste cântico: "E me pôs nos lábios". é choro pelo pecado. Este louvor vem de Deus e não do homem. Deus é o seu alfa e o seu ômega. porque não ouvirei as melodias das tuas liras" (Am 5. Quarto. vemos a natureza deste cântico: "E me pôs nos lábios um novo cântico". para vergonha nossa e para derrota nossa. obediência e não leva as pessoas a confiarem em Deus. Segundo. novo. À luz destas coisas. a confiarem em Deus. onde há abertura para o que Deus deseja falar e fazer com o seu povo. é barulho aos ouvidos de Deus. Mais do que nunca é preciso tocar a trombeta em Sião e condenar a idéia de que precisamos imitar o mundo para atrair o mundo.

Ninguém pode deter a sua mão. Naquela igreja profundamente carismática. Devemos clamar como os puritanos: "Queremos liturgia pura". mas pelo fruto do Espírito. partidos. Disse J. ungida. dirigida pelo Espírito de Deus. Entretanto. onde quer. alegre. e a cooperação financeira com os pobres negligenciada. aparatosos. todavia. Ele é livre. Ele não se deixa pressionar. sem observarem a abrangência global da doutrina pneumatológica. mas estão mortos. Naquela igreja a ceia do Senhor estava sendo incompreendida. Ninguém pode obstaculá-lo nem ensinar-lhe qualquer coisa. era uma igreja imatura e bebê espiritualmente. os dons são buscados e exercidos para a glória de Deus e a edificação da igreja. com quem quer.Hoje existem muitos cultos solenes. A igreja hoje empolga-se mais com milagres do que com vida cheia do Espírito. cismas. Ninguém pode ser o conselheiro de Deus. curas e exorcismos. Embora o avivamento não seja mudança litúrgica.11). os dons estavam sendo usados erradamente. Avivamento não é modismo. contendas. Deus pode e faz maravilhas. É verdade que. Uma igreja pode ter todos os dons sem ser uma igreja avivada. nós produzimos deformações e distorções nesta verdade. imoralidade e irmãos levando outros irmãos aos tribunais mundanos. Há cultos solenes que estão mortos". Acham que avivamento é uma 190 . como quer. pomposos. esta não é a ênfase do avivamento. brigas. tornando-a bíblica.4. Muitos crentes. Ele não obedece à agenda dos homens. A igreja hoje busca mais uma vida antropocêntrica do que teocêntrica. se posicionam contra o avivamento porque acham que ele é a mais nova onda da igreja. havia divisões. Ele faz tudo quanto Ele quer. Packer no seu livro "Na Dinâmica do Espírito": "Não há nada mais solene do que um cadáver. curas e prodígios extraordinários quando Ele quer. Toda vez que super-enfatizamos uma verdade em detrimento de outra. todo avivamento muda a liturgia. Avivamento não é conhecido pelos dons do Espírito. I.5. A igreja de Corinto possuía todos os dons. A igreja hoje anseia mais as bênçãos de Deus do que o Deus das bênçãos. A igreja hoje está correndo mais atrás de sinais do que atrás de santidade. Este é um sério perigo. a ressurreição dos crentes estava sendo negada. 2. Ele é soberano. quando quer. Muitas pessoas hoje estão limitando o avivamento a milagres. 2. por desconhecimento. em épocas de avivamento. Havia falta de compreensão acerca do casamento e da liberdade cristã. mas a ênfase carismática não é sinônimo de avivamento. Avivamento não é efervescência carismática. Ninguém pode instruir a Deus e dizer o que Ele pode e o que Ele não pode fazer. "Ele faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade" (Ef 1. Avivamento não é uma ênfase carismática unilateral.

Tudo em nossa vida é vazado pelo sagrado. Os pontos culminantes da igreja aconteceram em épocas de avivamento. o trabalho. em Antioquia da Síria e em Éfeso. Acham que Deus só olha para a vida de trabalho na igreja. Todo o nosso viver é litúrgico. O grande avivalista John Wesley lutou pelas causas sociais na Inglaterra ao mesmo tempo que pregou sobre avivamento. Na evangelização. 191 . Avivamento não é campanha de evangelização. sociais e morais. os pecadores apelam aos pregadores. É só ver o grande avivamento em Jerusalém. Não podemos confundir avivamento com campanhas evangelísticas. os estudos e a vida do dia-a-dia com o mesmo interesse. evangelização é para pecadores inconversos. Ele possui firmes lastros históricos. a família. Dividem a vida entre sagrado e profano. Tornam-se tão "espirituais" que já não sabem mais conviver com a vida. avivamento não é uma onda. Desde o Antigo Testamento que esta é uma verdade incontestável. mas ao enfrentamento. Avivamento não é uma visão dicotomizada da vida. Na evangelização. Na evangelização. fazendo da vida uma caverna de fuga. Esta não é a visão bíblica nem a visão do verdadeiro avivamento. Deus trabalha para a igreja. 2. Acham que Deus está interessado apenas nas coisas espirituais. Muitas pessoas. não é um modismo. Certamente. no avivamento. isolam-se. Certamente. evangelização é para o mundo. em Samaria. na Inglaterra. aqueles que assim pensam não estudam com critério a Bíblia nem a história da igreja. Ele é nossa herança e nosso legado e deve continuar sendo nossa aspiração e nossa busca constante. no avivamento. econômicas. matéria e espírito. de Josias e de Neemias. os pecadores correm para a igreja.6.coqueluche moderna e uma inovação sem nenhum respaldo bíblico e histórico. Toda a nossa vida é cúltica. É só olhar para os grandes despertamentos na época de Ezequias. É só ver o que Deus fez na Reforma do Século XVI. Querem sair do mundo em vez de serem guardados do mal. Avivamento é para a igreja. O avivamento sempre traz profundas mudanças políticas. pessoas que já têm vida. sem observar os negócios. Finney pregou ardorosamente contra a escravidão nos EUA no século passado ao mesmo tempo que foi o maior avivalista do seu país.7. no avivamento. João Calvino atacou com veemência os juros extorsivos em Genebra. Avivamento é para crentes nascidos de novo. a igreja trabalha para Deus. pessoas que estão mortas em delitos e pecados. 2. quando começam a buscar avivamento. no século XVIII e em outros grandes avivamentos da história. saem da realidade e enclausuram-se nos castelos inexpugnáveis de uma espiritualidade isolada e monástica. os pregadores apelam aos pecadores. corpo e alma. a igreja vai aos pecadores. O avivamento não leva a igreja à fuga.

O sentido estrito de avivamento. a missão integral de servir o mundo evangelística e socialmente. volta-se para Deus em resposta ao evangelho. neste sentido não apenas a igreja.O Padrão Bíblico de Avivamento: Podemos definir o avivamento bíblico em dois sentidos distintos: 3. Em suma. Em outras palavras. quase moribundos (8). reaviva e desperta a igreja sonolenta. Isto acontece porque. por sua vez. primeiramente. mas a sociedade não-cristã também é beneficiada pelo avivamento. os resultados imediatos do avivamento são sentidos no povo de Deus: senso inequívoco da presença de Deus. a igreja amortecida e tristemente doente é a primeira a ser beneficiada pelo avivamento. Não se pode reviver algo que nunca teve vida. convicção de pecado na vida das pessoas. O sentido amplo de avivamento. é "o retorno de algo à sua verdadeira natureza e propósito" (7).2. dormentes. O Espírito Santo renova. assim. como disse Robert Coleman. Ou. Comentando um pouco mais sobre o sentido estrito de avivamento. Como a própria expressão define. entre os membros da Igreja: é um reviver dos crentes. Acertadamente o Dr. É revitalização onde já existe vida. Héber de Campos comenta que "o reavivamento começa na igreja e termina na comunidade maior onde ela vive. além da atuação soberana do Espírito Santo no mundo. desejo profundo de santidade de vida e aumento perceptível no desejo de pregação do evangelho.III . Martin Lloyd-Jones: É uma experiência na vida da Igreja quando o Espírito Santo realiza uma obra incomum. oração fervorosa e louvor sincero. A sociedade não-cristã. Ele não se limita simplesmente aos membros das igrejas atingidas pela obra de Deus. Os efeitos do reavivamento são muito mais perceptíveis nas mudanças morais que acontecem na região ou num país onde ele acontece. Quando há esse impacto da obra do Espírito de Deus na vida da igreja. um despertamento de membros de igreja que se acham letárgicos. Ele a realiza. diz o Dr.1. na igreja passa a existir uma conscientização profunda de sua missão. 3. as duas características principais do avivamento são 1) o extraordinário revigoramento da igreja de Cristo e 2) a conversão de multidões que até o 192 . No avivamento a igreja vive a missão para a qual foi chamada. isto é. o avivamento é primeiramente uma vivificação. Ele causa impacto em toda a comunidade onde a igreja de Deus está inserida" (9). por definição. Estritamente falando. avivamento é algo que acontece unicamente no meio do povo de Deus. um revigoramento.

certamente tem sua ênfase naquilo que tem sido esquecido por muito tempo: a Palavra de Deus. ela é tão autêntica e singular como dois e dois são quatro. uma das maiores autoridades sobre avivamentos. Avivamento onde a Bíblia não está presente não passa de um mero pentecostalismo convencional. Sabemos que hoje existem desde aqueles que vêem toda e qualquer manifestação entusiástica como avivamento. A Bíblia passa novamente a ser honrada como a única Palavra inspirada de Deus" 193 . Não existe verdadeira espiritualidade sem a Bíblia. Além disso. notamos que os objetos do Espírito eram sempre persuadidos com e para a Bíblia. disse que viu duas igrejas nos Estados Unidos convidando pessoas para suas reuniões de avivamentos. até àqueles que negam a sua existência. Voltando ao lugar da Bíblia no avivamento. Aqui também abordaremos dois aspectos essenciais do avivamento. uma coqueluche moderna. recorrermos à lei e ao testemunho. é importante salientar que ela foi. diz o Dr. Edwin Orr (10). Uma vez que a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática. Estamos falando do único padrão inerrante e infalível de avivamento: a Bíblia. é ela e somente ela que nos pode dar a direção certa deste assunto. é fundamental o equilíbrio que só a Bíblia oferece. mais do que nunca. Permita-me ilustrar o que queremos dizer por "extremos". 3. ou quando muito acham que avivamento é a mais nova onda do momento. Orr menciona este fato para relatar um desses extremos em que a palavra "avivamento" ou "reavivamento" é usada aleatoriamente. Avivamento e a Bíblia. é e sempre será a espada do Espírito Santo em todo avivamento bíblico. como se o avivamento fosse produzido simplesmente pelo desempenho humano com data e hora marcadas. exceto às segundas-feiras". "Um reavivamento". Uma delas dizia: "Reavivamento aqui todas às segundas-feiras à noite". numa época de tantos extremos como este em que vivemos. Observando os avivamentos ocorridos na Bíblia e na história da igreja. enquanto que a outra prometia: "Reavivamento aqui todas às noites. A autoridade da Palavra de Deus passa ser algo extremamente forte num momento genuíno de reavivamento. É necessário. uma inovação humana sem respaldo bíblico.3.momento estiveram fora dela na indiferença e no pecado. "que é produto da obra do Espírito Santo na igreja. A relação entre a Bíblia e o avivamento é tão intrínseca que é impossível um avivamento de verdade sem que a Bíblia faça parte dele. Héber de Campos. 1) O padrão bíblico de avivamento é a Bíblia Por mais simplória e pleonástica que esta declaração pareça ser.

6. prosseguindo durante "todos os dias de Josué.12-23). Depois temos os patriarcas que por vários séculos lideraram o povo de Deus.1-5. Segundo Coleman. entrando com a arca em Jerusalém. Josué reuniu as tribos de Israel. e sabiam toda a obra que o Senhor tinha feito a Israel" (Js 24.1-35.1-15).15. 10. Em cada ocasião Deus responde as orações. sob a direção de Samuel (I Sm 7. 2) O padrão bíblico de avivamento está na Bíblia Os primórdios do avivamento bíblico aparecem em Gênesis. possui muitos ingredientes de um avivamento (2 Sm 6. é outro grande exemplo (I Rs 8).1-8. Então. À parte desta indicação não existe nenhum outro relato de avivamento no princípio da história da raça humana. 6.9. no início do reinado de Salomão.(11). O avivamento também chega a Judá nos dias de Asa (I Rs 15.9-15). 4. O relato subseqüente do dilúvio ilustra de modo dramático o que acontece com um povo que não se arrepende de seus pecados. como na travessia do rio Jordão (Js 3. "É provável que fosse um reflexo da consciência da depravação humana e da necessidade da graça divina" (13).10). O que é deveras significativo. Um verdadeiro avivamento segue-se a esse desafio.1-25. o povo se arrepende e clama ao Senhor (Jz 3. Sabendo que seu povo estava dividido.1-8. o nome Enos era bastante adequado. E Josafá. 24.31). após longos anos de opressão. em Siquém. de quando em quando.29) e no levantamento da serpente de bronze no monte Hor (Nm 21. traindo o Senhor e servindo a outros deuses. Sempre que a vitalidade espiritual do povo se desvanecia.9-15) e o aparecimento cada vez mais forte de doenças na raça humana. lidera uma reforma (I 194 . 32. na outorga da lei do Senhor no Sinai (Ex 19. Um dos maiores movimentos avivalistas aparece no final desse período. há períodos empolgantes de refrigério. O período de trezentos anos de liderança dos juízes mostra os israelitas. Tempos de renovação ocorreram periodicamente no período dos reis. O breve avivamento na casa de Jacó é um bom exemplo disso (Gn 35. e todos os dias dos anciãos que ainda viveram muito tempo depois de Josué. Mas quando terminaram as guerras e o povo se assentou para desfrutar os despojos da vitória. A marcha de Davi.12) e na conquista de Ai (Js 7. o que se pode chamar de "o grande despertamento geral" ocorreu nos dias de Sete. Mais tarde. uma apatia espiritual se apoderou da nação.26) (12). a quem servir (Js 24. eles agiam como a força que promovia novo vigor. A dedicação do templo.4-9). pouco depois do nascimento de seu filho Enos: "Então se começou a invocar o nome do Senhor" (Gn 4. enviando-lhes um libertador que liberta o povo na vitória contra os inimigos. O juízo de Deus é inevitável. O nome Enos quer dizer fraco ou doente. sob a liderança de Moisés. de uma vez por todas.1-17).35).1-15).3. outro rei de Judá. e exigiu que cada um escolhesse. No tempo de Josué um despertamento espiritual predominou em suas campanhas. especialmente nos acontecimentos ligados à primeira páscoa (Ex 12.21-28).7. Considerando o assassinato de Abel (Gn 3.

2 Cr 34. quando Neemias se apresenta para completar a construção dos muros de Jerusalém e estabelecer um governo teocrático (Ne 1. Outro poderoso despertamento é vivenciado na terra sob a liderança do rei Ezequias (2 Rs 18.4-12. no dia de Pentecostes. em Samaria.49-53. E de lá para cá. na Alemanha com a Reforma Protestante do século XVI. são muitos os relatos da obra vivificadora do Espírito Santo na história da igreja. ascende aos céus.22. São Paulo: Editora Vida. "reavivamento". Veja também. NOTAS (1) Cf. Ainda. pp.41-50). dá início a um dos maiores avivamentos registrados na Bíblia (2 Rs 22. de Gerard Van Groningen.1-2. DO TEMOR À FÉ (2ª ed.6.8)" (14).1-13. os profetas Ageu e Zacarias entraram em cena para instigar o povo a prosseguir (Ed 5. sob a liderança de Zorobabel e Jesua. M.23. na Inglaterra no século XVIII.23.1-4. O poderoso derramamento do Espírito Santo.14-3. "vivificação". Uma oração por avivamento e a promessa de sua ocorrência encontramos também em Joel 2. Que Deus derrame do seu Espírito sobre nós para que possamos.1-21.28-32. "Marca-se.1-6. deixando-os na expectativa de receberam a promessa do Espírito (Lc 24. onde se reconhece que a vitalidade espiritual depende 195 . "renovação". novas reformas são iniciadas em Jerusalém.1-26). "reviver" e "tornar a viver" são usados no mesmo sentido. a descoberta do livro da lei. em Antioquia da Síria e em Éfeso.18). redimida por seu sangue. o início de uma nova era na história da redenção.35). Por três anos Jesus trabalhara na preparação desse dia . entre os negros Zulus da África do Sul na década de 60 e na Coréia do Sul nestes últimos tempos.ipcb. At 1. Setenta e cinco anos depois. AVIVAMENTO SOB UM PRISMA VÉTERO-TESTAMENTÁRIO no site www. do Salmo 85.1-23). Avivamento em Jerusalém. O livro de Atos registra a dimensão desse avivamento. 1987). sairia em seu nome a proclamar o Evangelho 'até os confins da terra' (At 1. durante o reinado de Josias. Lloyd-Jones. O avivamento alcança o auge poucos anos depois. Ag 1.31). dentre outros. inaugura o avivamento que Jesus havia predito (At 2. Por fim.1-10.16). dando-se mais atenção à lei (Ed 7.24). discipulada por intermédio de seu exemplo. "despertamento". garantida por sua ressurreição.19 e Malaquias 4.1-47).4. outra vez começa a reacender um novo avivamento (Ed 1. Zc 1.br. experimentar mais uma vez daquele "fogo abrasador" que nos purifica e nos santifica para uma vida cristã de obediência à sua Palavra. 73.44). Tendo as intimidações dos inimigos induzido os judeus a interromperem a reconstrução do templo. é "causa-nos viver". No apogeu de um grande avivamento Jesus aparece e é batizado por João Batista. como por exemplo. como igreja e povo brasileiros. 8.org. Habacuque 2. com a chegada de outra expedição liderada por Esdras. assim. (3) O significado literal da expressão hebraica "vivificar-nos".o dia em que a Igreja. D. Escolhe e treina seus discípulos. bem como o sacerdote Joiada (2 Rs 11. (2) Os termos "avivamento".Rs 22.

quando avivamento é tão somente uma consciência clara e profunda da vontade de Deus (que é doutrinária) e uma disposição plena de obediência (que é prática)". etc. (12) R. Paul E. Pierson.inteiramente de Deus. 1996). op. (9) Héber C.. levantar de mãos. 61 Parte XXXII O QUE É MINISTÉRIO? TEXTO 2 CORÍNTIOS 6:1-10 01. 53. (8) D. Coleman. dá a este Salmo o sugestivo título: UMA ORAÇÃO PEDINDO REAVIVAMENTO.Em primeiro lugar vamos examinar os fatores internos que influem no ministério cristão. p. (13) Idem.6. pp. disposição e acima de tudo uma visão clara do trabalho que vai realizar. material apostilado pela Faculdade Teológica Sul Americana de Londrina . 45. Edições Vida Nova. o excelente livro AVIVAMENTO (São Paulo: PES. porque se dá ênfase excessiva ao louvor. Campos. Veja também. pp. Edijéce Martins Ferreira. A HISTÓRIA DOS AVIVAMENTOS. Essas atitudes em si não são propriamente prejudiciais. p. C. Nº 1 (São Paulo: 1996). Campos. com expressão emocional. (4) O Novo Comentário da Bíblia. a sermões eletrizantes. pela confusão que se faz a doutrina sai perdendo. VAMOS VER O MINISTÉRIO PELA PERSPECTIVA DE PAULO . p. p. veja a obra do Dr. 1992) 320 pp. p. p. 15. 1994).compromisso. (6) Uma posição semelhante foi apresentada pelo Rev. Lloyd-Jones. Se não soubermos administrar esses fatores.. Há uma superficialidade doutrinária muito grande. (14) Idem.qual a sua visão do seu ministério pessoal? 02.1 . 18. M. do mesmo autor. op. O MINISTÉRIO NÃO É UMA PROFISSÃO E SIM UMA VOCAÇÃO . (7) R.2 Coríntios 6: 1-10 2. OS PURITANOS: SUAS ORIGENS E SEUS SUCESSORES (São Paulo: PES. (11) H. cit. (5) Para um ponto de vista diferente. A CHEGADA DO AVIVAMENTO MUNDIAL (São Paulo: CPAD. 44. a práticas pentecostais. 1993).PR. em entrevista ao Jornal Brasil Presbiteriano (Abril/94. Coleman. acabaremos desistindo no meio do caminho. 196 . Vol I. . Edwards em REVIVAL! A PEOPLE SATURED WITH GOD (England: Evangelical Press. (10) Citado por Brian H.5. 12): "Confunde-se avivamento com atitude pessoal e inclusive corporal (física). cit.vocação pressupõe . CRESCIMENTO DA IGREJA: COM REFORMA OU COM REAVIVAMENTO? In Fides Reformata. 25. Todavia.

A síntese desse movimento era que o mal foi planejado para o nosso bem. através do exercício da fé. de vesuviar. 197 . de largar tudo. eu ouvi uma certa ocasião um pastor afirmar que nós precisamos ter pelo ao menos três pessoas compartilhando do nosso ministério.A . com todas as dificuldades da vida.Há duas situações neste contexto que precisam ser compreendidas: . O medo de fracassar é um fantasma que ronda com muita freqüência o pastorado.Privação . "afligir".paciência . As aflições não podem nos afastar deste propósito.Crisóstomo afirmou: "a paciência é um porto que desconhece tempestades". Portanto devemos nos aquietar. de permanência.O pastor segundo os ativistas não deve ficar deprimido. ..Há momentos em que a Bíblia parece um livro fechado.Nas privações . . O sentido da palavra aponta para um espírito de perseverança. Esse conceito nasceu no Séc.O outro lado que se opõe frontalmente ao quietismo. . de firmeza! . Isto é. XVII na França e na Itália e foi chamado de Quietismo. Não podemos nos esquecer de que o pastor é antes de tudo um sacerdote chamado para interceder junto a Deus pelo povo. "restringir". Vale a pena reler Romanos 12:12 "Sede pacientes na tribulação.Pergunta: você tem exercido esta paciência em seu ministério? B .um dos grandes problemas do ministério é que o pastor nunca se acha fraco.. . Quem ainda não passou por esses vales profundos de pobreza ministerial. é chamado de Ativistas.A primeira é a de aceitar as aflições como uma disciplina de Deus.esta palavra tem o sentido de "espremer". ." C . podemos acabar com todas as enfermidades.Na muita paciência .Ser paciente . Você não consegue tirar nem uma gota de inspiração. Somos e procuramos exteriormente demonstrar uma força que muitas vezes não temos. Tem de ser um heroi 24 horas por dia! Nós sabemos que há momentos no ministério em que a vontade é de desaparecer.significa a habilidade em conservar o projeto do ministério mesmo quando as águas são agitadas.não é ser simplesmente ser gentil. de estabilidade. .Nas aflições . Para os ativistas. Tudo o que acontece nesse campo de dores vem de Deus. Todo mal vem de Satanás e deve ser enfrentado com ousadia! .tem o sentido de passar por "experiências adversas".Ilust. Poucos são os pastores que demonstram paciência no exercício do ministério. Esta habilidade hoje está muito comprometida. .

contar suas frustrações e receber todo apoio. Freud analizando os aspectos da melancolia chegou à conclusão que ela produz "uma anulação do interesse pelo mundo exterior. .2 .Marcos 14:66-71 . Alguém que possa servir de referencial para você nos momentos de provação.Em segundo lugar vamos examinar os fatores externos que acontecem com muita frequência no ministério. Você se esforça. Alguém que dependa de você para vencer as dificuldades da vida. Você não pode caminhar sozinho. . O enfoque maior desta palavra se refere as "feridas". uma inibição de toda atividade e uma diminuição dos sentimentos de valor próprio até o ponto de auto-recriminações e auto-injúrias. A . fechado. . 198 .Em açoites . Este ponto é muito importante no ministério pastoral. Mas sempre há alguém mais próximo de nós.alguém a quem você possa ensinar. . e não deve se abrir com muita gente.São frequentes os momentos em que os espaços diminuem. ..alguém que esteja acima de você e que possa orientá-lo nos seus momentos difíceis.o sentido aqui é de "estreitamento". Quando você tem alguém sob sua responsabilidade você se desdobra em busca de socorro. Alguém com quem você possa se abrir. Esse sofrimento não tem muito a ver com sofrimento físico.Aqui surge um outro problema. 2.Adão tentou se disfarçar com uma folha de figueira. A idéia é que o ministro pode a qualquer momento ser confinado.usaram a aparência de santidade para impressionar o apóstolo Pedro. .Em segundo você precisa de um Barnabé ..Pedro por sua vez demonstrou um espírito de arrogância quando foi confrontado pela criada . ser levado a um ambiente apertado. É o que os pais fazem com os filhos. Procurou encobrir o seu erro camuflando-se diante de Deus. . D . não consegue progredir. Nestas circunstâncias o pastor é levado a se esconder atrás de disfarces.Ananias e Safira . Eu sei que é muito difícil você se abrir com um colega com o qual você não tem uma amizade verdadeira. Estas marcas ainda são necessárias ao ministério.. uma perda da capacidade de amar." (As Máscaras da Melancolia. .Paulo tinha as marcas de Cristo em seu corpo. Angústia faz parte do ministério. 87). Hoje isto quase não acontece. pg. luta mas não consegue avançar.Aqui também corremos um outro perigo: o de produzir um estado de melancolia.o sentido desta palavra aponta para um dos sofrimentos maiores do ministério.Nas angústias . aos "golpes" que recebemos em nossas emoções. em nossa mente.alguém que esteja no mesmo nível espiritual que você.Em primeiro lugar você precisa de um Timóteo .Em terceiro lugar você precisa de um Paulo .

é fazer o pastor afastar-se da igreja. E afirma: "Nas igrejas crescentes. Ele diz que é fácil alimentar um espírito de desforra. O que não pode ser esquecido é que sem trabalho o ministério não cresce. Fomos aprisionados por Cristo. nas vigílias. 2.." (Igrejas amigáveis e acolhedoras). no caso da maioria das igrejas crescentes. para uma ausência planejada". Há muita gente interessada em tumultuar o ambiente. não podemos fugir desse compromisso.3 .O Bispo Roberto sempre dizia: "ministério é trabalho.Em quarto lugar Paulo nos mostra como devemos ser.Lembre-se: ministério sem dor não é ministério.nos tumultos . "Uma estratégia que funciona bem. Eles fazem parte da nossa chamada. de "instabilidade". Lewis fala da "paixão vingativa". . A . .Devemos portanto pensar em prisão no sentido de não termos outro espaço para viver a não ser o do ministério. George Barna diz algo muito interessante: Ele fala da ausência programada do pastor. fazendo o resto da equipe funcionar como uma unidade . .o sentido aqui é de "vacilação". Mesmo com todas as dificuldades já apontadas. Ele aponta um trio de atividades que não podem ser menosprezadas.Sobre o isolamento pastoral.4 . 2. .Eu sei que cada pastor tem um sistema próprio de vida. de isolamento. .eu creio que não estamos ferindo o texto bíblico ao aplicarmos estas experiências de Paulo em nosso contexto social. (Efésios 3:1). nos jejuns. de "desesperança". C. B . Precisamos estar preparados para sofrermos esses golpes. Neste ponto nós podemos nos identificar com o apóstolo Paulo. Ficamos na espreita aguardando uma oportunidade para crucificar aqueles que provocaram as divisões. Há correntes contrárias que tentam desestabilizar o nosso ministério. Uma série de virtudes são apresentadas neste bloco. Eu não sei quanto tempo você dedica ao exercício de vigiar.nas prisões . a breve ausência do pastor realmente fortalece a sua igreja. não é distração". C . E esse trabalho exige momentos de reflexão. Poucos são os pastores que exercem esse ministério. de afastamento de tudo e de todos para ouvir a voz de Deus.O perigo é querer punir os autores desses conflitos. Eles experimentam a alegria de saber que a igreja não é um espetáculo de um único homem.Em terceiro lugar Paulo mostra o que o ministério exige de cada um de nós. É importante saber que não estamos livres de tumultos na igreja. Ainda hoje sofremos este tipo de problema na igreja.S.nos trabalhos. de jejuar. Hoje poucos sabem o que é uma prisão. 199 .

porém não mortos. .Em quinto lugar Paulo mostra o que devemos fazer em nosso ministério. gentileza. . sinceridade. Costas (1942-1987) nasceu em Porto Rico e faleceu nos Estados Unidos. Não ficar alheio ao que acontece no mundo. . Graduou-se doutor em teologia e missiologia nos Estados Unidos.eu disse a igreja que nós perdemos um pouco da nossa característica. entretanto bem conhecidos.A . mas possuindo tudo. no amor não fingido. .na pureza. em 1973.no amor não fingido . na Filadélfia. Há muitas oportunidades a nossa frente. onde também foi professor de missiologia e diretor de estudos hispânicos. aos 45 anos de idade. no poder de Deus. Temos tudo e ao mesmo tempo não temos nada. e como vice-presidente da Fraternidade Teológica LatinoAmericana.pureza . mas sempre alegres .no Espírito Santo .5 . pelas armas da justiça. Atuou como administrador da faculdade do Eastern Baptist Theological Seminary. .Nós fomos chamados para um ministério singular. ocupou o cargo de segundo vicepresidente do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI) e. A . Além disso. 200 . eis que vivemos. pobres. como castigados. entristecidos.longanimidade . contudo. Era pastor e teólogo batista. na bondade. vitimado por um câncer. Que ninguém desanime nesse caminhar. na longanimidade. Não devemos apenas interpretar um papel que não vivemos na realidade.generosidade. na ocasião de seu falecimento. . . no saber. quer ofensivas. Assim é o ministério pastoral. em San José. de resistência.amor não teatral. Pouco falamos sobre os dons do Espírito.Quem consegue entender esta composição bíblica consegue também exercer um trabalho rico e abençoado por Deus. Foi reitor e professor do Seminário Bíblico Latino-Americano de Costa Rica. Ser paciente para com os demais.Há uma série de paradoxos neste texto. por infâmia e por boa fama. como se estivéssemos morrendo e. atuava como professor no Andover Newton Theological School.na palavra da verdade. Esta falta enfraquece o ministério. . no Espírito Santo. por honra e por desonra.significa simplicidade. . 2. ORLANDO COSTA E A IGREJA BRASILEIRA Introdução Orlando E. .saber . em Massachussetts. transparência. fundou o Centro Evangélico Latino-Americano de Estudos Pastorais (CELEP).fala de tolerância. quer defensivas. Temos dado pouca ênfase nas manifestações do Espírito. nada tendo. Costa Rica. mas enriquecendo a muitos. como desconhecidos e.estar afinado com o movimento da ciência. como enganadores e sendo verdadeiros.na bondade .no poder do Espírito.

1. Entre seus escritos são dignos de destaque o artigo Dimensões do Crescimento Integral da Igreja e o livro Compromiso y Misión. ao mesmo tempo. Nosso trabalho visa a igreja brasileira em solo brasileiro. René Padilla. Haja vista o clássico episódio em que Orlando Costas visitou uma igreja pentecostal no Chile. pois o crescimento deve ser o resultado natural de uma igreja saudável. Entendendo que a fé não é "uma herança familiar". entendendo que a missão da igreja não é simples comunicação da fé. não se deixava impressionar simplesmente com números. Seu enfoque é a América Latina como um todo. tal crescimento não deve ser almejado e nem considerado sadio quando a ética cristã está em jogo. participando da V Semana de Atualização Teológica. Ele entendia que antes de tudo algumas questões importantes deveriam ser levadas em consideração. sentiu-se atraído pela evangelização do povo latino-americano. O CRESCIMENTO NUMÉRICO DA IGREJA BRASILEIRA O crescimento numérico da igreja evangélica brasileira deve fazer parte do desejo de todo cristão sincero. O renomado teólogo considerava-se um "teólogo na encruzilhada". o rol de membros de uma igreja. Chegando lá. 201 . Contudo. constatou que uma igreja como aquela não podia crescer saudavelmente estando. enveredou-se pela "libertação social e cultural". saúde sem crescimento é contradição de termos. Questionou a hegemonia política na América Latina. o que requer a mobilização da igreja em busca de uma prática libertadora integral. como por exemplo: O crescimento é motivado pelo Espírito Santo? O crescimento está relacionado com os frutos do Espírito? A fé do crente é vibrante. por exemplo. Orlando Costas. Além disso. Embora reconhecesse o valor. calorosa e esperançosa? Ele é amoroso? Sua fé é vista através da ação? A fidelidade. segundo Costas. rejeitando o que chamou de "império norte-americano". era cuidadoso em sua análise de crescimento numérico de uma igreja. Assim. Entretanto. mas o mundo em sua complexidade. Admirou a liderança jovem da igreja brasileira e criticou seu fraco desempenho teológico. Crescimento de igreja sem saúde é mera inchação. faz um comentário interessante sobre as dimensões do crescimento integral de Orlando Costas em seu artigo Avaliação Teológica do Ministério Integral em Servindo com os pobres na América Latina: Modelos de Ministério Integral. também não pode servir como critério de avaliação de crescimento. (1).Orlando Costas esteve no Brasil em junho de 1984. por exemplo. porque uma igreja que não cresce está fora dos propósitos de Deus. Padilla é amplo demais. Não é um trabalho original no que se refere ao estudo dos tipos de crescimento propriamente dito. Esta pesquisa é uma simples tentativa de se aplicar os conceitos de crescimento da igreja de Orlando Costas a nossa realidade brasileira. Costas rompeu com a cultura anglo-saxônica e a mentalidade colonialista que subjuga os povos latinoamericanos. a importância e a necessidade de uma igreja crescer. atrelada à ditadura militar do general Augusto Pinochet.

O que Costas questionava. Costas entendia que estas devem ser preocupações salutares e necessárias. Todo crescimento de igreja. sabemos de tantas igrejas que estão marcando passo. do mesmo modo como estas deveriam crescer? 2. E o que dizer do crescimento orgânico da igreja? Primeiramente é preciso saber o que é crescimento orgânico na concepção de Costas. O que. seus líderes. "é parte fundamental do ser da igreja" (3). outras nem tanto. Pelo contrário. Os extremos são sempre perigosos. pois nenhuma igreja foi formada para ficar estagnada e parada no tempo. O CRESCIMENTO ORGÂNICO DA IGREJA BRASILEIRA Vimos no tópico anterior que o crescimento numérico não tem sido tão favorável para a igreja evangélica brasileira de modo geral. ou mesmo a falta dele. E por que não? Porque nem sempre a ética cristã de uma vida santificada tem andado de mãos dadas com o crescimento de nossas igrejas. eram os meios muitas vezes utilizados para se chegar em tal crescimento. propriamente dito. o tipo de atividade na qual investe seu tempo e recursos e sua celebração cultural" (4). mas que estão crescendo saudavelmente. Embora nem todas as igrejas tenham vocação para ser mega-igreja. e por uma razão óbvia: no Brasil existe uma forte tendência em se achar que todo e qualquer crescimento de igreja é obra do Espírito Santo. esta não é a realidade geral em nosso país. existem aquelas que experimentam um crescimento fenomenal e intrigante até. Contudo. Isto é um princípio bíblico que Costas fazia questão em destacar. Entretanto. fica a pergunta: aquelas estão crescendo realmente com saúde. É preciso discernimento e critério de avaliação. sua estrutura financeira. por si só. As indagações levantadas por Costas precisam ser ponderadas por todos nós. o crescimento orgânico da 202 . Temos no Brasil igrejas abençoadas: algumas grandes.espiritualidade e encarnação (2) estão presentes na vida da igreja? Estas questões são fundamentais para se avaliar o crescimento da igreja brasileira hoje. Porém. Orlando Costas dizia que o crescimento numérico da igreja. esta não é a regra geral. todas devem crescer. De acordo com ele. e com razão. Independente de ser pentecostal ou histórica. O que não significa dizer que não haja igrejas crescendo com autenticidade. com pouca ou nenhuma perspectiva de sua missão e de seu crescimento. esta dimensão inclui aspectos da vida interna da igreja como "sua forma de governo. de acordo com os preceitos bíblicos. É importante deixarmos claro que Orlando Costas não era (e jamais foi) contra o crescimento da igreja. Contudo. deve ser criteriosamente analisado. engessadas em suas tradições ou em seus usos e costumes. As igrejas pentecostais do Brasil sempre serão um desafio saudável às igrejas históricas. Na questão de crescimento da igreja não podemos ser totalmente crédulos de um lado e nem céticos do outro. segundo Orlando Costas. Por outro lado. não pode ser aceito como crescimento verdadeiro.

na intenção de constituir-se em uma verdadeira comunidade com raízes autóctones" (6). só que agora como embaixadores de Cristo" (7). Há alguns anos escrevi uma lição para a escola dominical na qual dizia: "Reconhecemos que há muita coisa boa que uma igreja local pode fazer além de missões. se a 'muita coisa boa' estiver desassociada de missões. formação de líderes. uso do tempo e do templo estão voltados para o deleite de nossas próprias igrejas. a IPB deveria ser. voltado para dentro de si mesmo. o responsável pelo envio dos primeiros missionários ao Brasil em 1555 (9). entre outras coisas. tira o convertido do mundo e jamais o envia de volta a ele. a conclusão que chegamos é que a igreja brasileira não é. À luz do que vimos até aqui. É verdade que sua visão e missão. Devemos reentrar no mundo de que saímos. ainda tem muita estrada para se rodar. cerca de 80% a 90% dos recursos financeiros.13. O crescimento orgânico é um dos tipos mais naturais de crescimento experimentado pela igreja brasileira.igreja não deve ser introspectivo. atualmente. inclusive. A igreja não pode servir de tropeço para ela mesma. Bruce Shelley expressou a mesma preocupação de Costas quando advertiu: "Infelizmente. Mt 5. Um bom (ou seria mau?) exemplo disso é o que a igreja geralmente faz com seus novos membros ou recém-convertidos. porém. por outro lado.14). até porque o maior potencial de uma igreja é o crente novo. Sua obediência a Cristo se faz apenas mediante canais institucionais ou pietistas: reuniões e programas. uma igreja missionária. A nossa evangelização. Costas fazia questão de deixar isso bem claro (5) e René Padilla interpretou muito bem o pensamento do missiólogo quando disse: "Ele (o crescimento orgânico) abrange. A igreja que se orgulha de sua teologia calvinista esquece que Calvino possuía uma consciência missionária profunda (8) sendo. o desafio da contextualização da igreja em uma situação histórica definida. todavia uma nova pessoa com novas convicções e padrões. quando fazem! Um exemplo a ser considerado é a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). Se o primeiro mandamento de Jesus foi 'Vinde' o segundo foi 'Ide'. As palavras de Shelley deve nos levar a uma reflexão séria. pena que às avessas. de uns tempos para cá. ou reuniões de oração e grupos de discipulado. Nosso alvo deve ser a missão da mesma pessoa no mundo. denominação da qual sou pastor. A igreja evangélica brasileira de modo geral ainda não se conscientizou de sua missão fora dos portões como sal da terra e luz do mundo (cf. Boa parte de nossas igrejas que pensam serem missionárias na verdade apenas fazem missões. Fruto direto da obra missionária de Ashbel Green Simonton em 1859. Segundo pesquisas. vem progredindo . no geral. uma das denominações mais missionárias do país. pois é preciso resgatar por 203 . mas. então não é tão boa quanto se pensa'. as igrejas tendem a 'eclesiastizar' seus membros. Infelizmente a IPB é hoje o que jamais deveria ser. essencialmente.

Qualidade sem crescimento é inconcebível. tornando-as mais funcionais e principalmente por uma estruturação doutrinária que se expresse na vida prática. embora a passos não tão largos como gostaríamos. Saindo do particular para o geral. sua interação com a história dessa fé e sua compreensão do mundo que rodeia. um pastor britânico já falecido. "expansão na inteligência da fé: o grau de consciência que a comunidade eclesial tem a respeito da sua existência e razão de ser. orgânica. seu conhecimento da fonte dessa fé (as Escrituras). Talvez um dos teólogos que mais chamou a atenção da igreja para sua dimensão conceitual (embora não com esta terminologia. O doutor costumava dizer. propriamente dita. o que significa. além de uma conscientização missionária. Citemos um pequeno exemplo: Crescimento numérico sem qualidade pode ser comparado ao câncer que cresce mas não é bom. Com a graça de Deus chegaremos lá! Aos poucos o velho conceito de fazer missões vai dando lugar ao ser missões. consciente ou inconscientemente. não apenas em seu aspecto teológico. por exemplo. O CRESCIMENTO CONCEITUAL DA IGREJA BRASILEIRA A igreja brasileira não é um caso perdido. cada dimensão da igreja só tem razão de ser se for vivenciada nas outras. orgânica e ética" (10). Jones e notei que muito da preocupação conceitual de Orlando Costas era a daquele também. A igreja evangélica brasileira ainda não entendeu como deveria essas dimensões e suas implicações. A qualidade da qual se derivam todas as outras dimensões. Li vários livros do Dr.completo a boa herança reformada. conceitual ou diaconal) acarretaria numa deficiência danosa. Pelo contrário. o que vem comprometendo seriamente o evangelho e a aceitação do mesmo por parte da sociedade. Infelizmente falta sã doutrina e santidade de vida no povo de Deus. Isto está acontecendo porque a igreja. 3. começa a crescer conceitualmente também. é uma igreja que está caminhando. estará errado em todos os aspectos da sua vida" (11). que "se você estiver errado em sua doutrina. É importante lembrar que Orlando Costas entendia corretamente as dimensões do crescimento integral da igreja como um sistema interligado. Na verdade. A ausência de qualquer uma daquelas dimensões (numérica. Martin Lloyd-Jones. tenha sido o Dr. a igreja brasileira precisa passar por uma revitalização de suas estruturas. O crescimento conceitual da igreja é o que poderíamos chamar de "dimensão central da igreja". mas sobretudo na totalidade daquela missão integral que ficou perdida em algum lugar do passado. mas caminha na esperança de um futuro promissor. segundo Costas. sua compreensão da fé cristã. E de quem é a culpa? Certamente são daquelas lideranças que muitas vezes refletem em suas igrejas uma mentalidade tacanha e retrógrada. mas com a mesma ênfase). São aquelas pessoas que confundem a boa tradição bíblica e evangélica pelo tradicionalismo 204 . Esta dimensão dá à igreja firmeza intelectual para enfrentar a todo tipo de doutrina e capacidade crítica para evitar a fossilização e garantir a criatividade evangelizadora.

e sem qualquer preocupação de ser rotulada e perseguida por isso. O crescimento diaconal da igreja brasileira. Mas ele não está estagnado. portanto. De uns tempos para cá a igreja melhorou consideravelmente. a igreja que assumia sua responsabilidade social no mundo era taxada de comunista. porque. sem deixar de olhar para fora. já que "somente na medida em que conseguir dar visibilidade e concreticidade à sua vocação de amor e serviço ela pode esperar ser ouvida e respeitada" (12). Estamos adentrando em um novo milênio e a igreja continua sonolenta em muitos dos aspectos de sua missão integral. quanto à participação nos problemas da sociedade. 4. precisa ser devidamente analisada e exercitada pela igreja brasileira como um todo. De certo modo. por outro. assim como as demais dimensões do crescimento integral. De uma igreja que se consolide pela visão integral de sua missão no mundo. Hoje.mórbido. ainda não amadureceu tanto em sua concepção de missão integral. etc. Uma consciência que estende a mão em ajuda aos fracos e oprimidos. Que Deus nos ajude! Conclusão: Vivemos na esperança de dias melhores para a igreja brasileira. É pena que a igreja foi. Orlando Costas entendia que sem este crescimento a igreja perderia sua autenticidade e credibilidade no mundo. porém. Vale lembrar. mas poderia andar um pouco mais depressa. a consciência social da igreja brasileira hoje parece ser maior do que algumas décadas atrás. liberalista. justamente porque ao se discutir prioridades (como por exemplo as que envolvem evangelização e ação social) a igreja deixa de fazer bem uma e outra coisa. e não faz muito tempo. influenciada pelos sistemas políticos e deixado de ser a voz profética de Deus na sociedade. os cristãos foram colocados no mundo "para ser a consciência da sociedade" (13). e muitas vezes tem sido ainda hoje. Contudo. graças ao bom Deus. caminha lentamente pelo que a gente tem visto. Felizmente. se por um lado a igreja vem melhorando em sua visão social. ainda temos um longo caminho pela frente. O CRESCIMENTO DIACONAL DA IGREJA BRASILEIRA Esta é a dimensão encarnacional da igreja. inovação saudável e revitalizadora pelo inovacionismo e oba-oba. inseparáveis e indispensáveis na missão integral da igreja de Jesus Cristo no mundo e para o mundo. Para Costas. À luz do que vimos até aqui fica difícil dizer: "A igreja brasileira tem esta cara". 205 . como ocorria em tempos atrás. A igreja brasileira não pode se calar diante dos males sociais. boa parte das igrejas brasileiras está envolvida em trabalhos sociais. Evangelização e responsabilidade social são partes integrantes da missio Dei. esta dimensão que nos faz olhar para dentro de nós mesmos. A igreja brasileira não está parada. ainda somos uma grande colcha de retalhos.

7. Trata-se dos fatores ou princípios críticos em função dos quais avalia-se qualitativamente as várias classes e dimensões do crescimento eclesial e se prova a validez teológica de dito crescimento" (Daniel S. nota 6. 13. cit. p. Cf. Bruce Shelley. 113. Antonio Carlos Barro. 7. 29.. I (São Paulo: Vida Nova. 11. Fred H. III. 113. René Padilla. p. 9. 1979) p. verbete ORLANDO E. M.fidelidade. Nossa igreja brasileira ainda não é a igreja dos sonhos. MISSIONS . A IGREJA: O POVO DE DEUS (São Paulo: Vida Nova. Lloyd-Jones. Idem. Cf. 8. L. 117. estas três qualidades ou critérios teológicos . Vol. a igreja que gostaríamos de ser. Schipani. op. espiritualidade e encarnação . COMPROMISO Y MISION (San José: Editorial Caribe. 102. Orlando E. Costas.. A.4. 101. op. Costas. 1992) p. 183. nº 1 (São Paulo: 1998) pp.. 38-49. 5. 1994) p. T. 1984) pp. Deus visitará seu povo e o avivará para honra e glória do Seu nome! NOTAS 1. COSTAS em Enciclopédia históricoteológica da igreja cristã. Vol. mas com certeza esse dia vai chegar.THE HEIDELBERG CATECISM AND CALVIN em Calvin theological journal (1972) pp. 10. Idem. D. 1988). 1991) p. 4. 114. Sayão. O COMBATE CRISTÃO (São Paulo: PES. 362. 206 . Costas.são as variáveis de controle em seu modelo de crescimento integral. "Para Costas. 2. 12. p.EN CRISTO em Misión en el camino (Buenos Aires: FTL. Costas. CREZCAMOS EN TODO.Comparando os quatro conceitos de crescimento de Orlando Costas à igreja brasileira.. 1998) p. AVALIAÇÃO TEOLÓGICA DO MINISTÉRIO INTEGRAL em Servindo com os pobres na América Latina (Curitiba-Londrina: Editora Descoberta. 126. 6. DIMENSÕES DO CRESCIMENTO INTEGRAL DA IGREJA em A missão da igreja (Belo Horizonte: Missão Editora. podemos notar um avanço em todos eles. cit. 3. A CONSCIÊNCIA MISSIONÁRIA DE JOÃO CALVINO em Fides reformata. klooster.

são sutilezas que procuram desestabilizar e adulterar o nosso pastorado. corremos atrás de atender a um modelo ideal de pastor estigmatizado por esta cultura do sucesso que é aquele líder que está sempre ocupado. reunir-se com a liderança. um grande. Tornamo-nos daí pastores compulsivos. os quais tenho constatado em minha própria caminhada. alguns perigos do ministério. preparar estudos e sermões. onde nossa identidade pastoral passa a ser derivada de nossas atividades. que a ação interna (oração) tem precedência sobre a ação externa (proclamação).16 afirma “ele porém se retirava para lugares solitários e orava”. Obviamente. e para tanto. ser espetacular e ser poderoso. Penso que na essência..15 nos informa que muitas pessoas procuravam a Jesus para serem curadas por ele e o v. Abro aqui um parêntesis para recomendar a leitura do livro de Henry Nouwen “ No Nome de Jesus” . Se estar atarefado é ser importante. todo pastor deseja grandes mudanças em suas igrejas e daí a quantidade exorbitante de atividades a que nos entregamos todos os dias: aconselhamentos. Como sempre. Cito Henry Nouwen quando ele afirma que na solidão. Em razão disso. Mas voltando. etc. Jesus percebeu o 207 . descobrimos que ser é mais importante que ter e que valemos muito mais que o resultado de nossos esforços. um grande coral. existe por trás deste excesso de atividades uma cultura – nosso mundo é voltado para o sucesso. Sutilmente somos enganados. Conscientemente ou não. mas aqui falo também como pastor .em nossa vida agitada e cheia de atividades temos fracassado em separar tempo para a solidão afim de aprofundarmos nossa vida espiritual. a nossa utilidade. onde o autor fala de três tentações mais comuns no ministério pastoral: ser relevante. fazer ligações telefônicas. constantemente temos que provar o nosso valor. 1º Perigo: O perigo de envolver-se tanto em atividades que negligenciamos nossa vida devocional. Trata-se de um desejo de compartilhar com meus irmãos e colegas pastores. Parece uma ousadia falar assim aos pastores. separar tempo para planejar. procuramos nos manter sempre ocupado. então preciso estar atarefado. Solidão é o remédio contra o ativismo pastoral.Parte XXXIII PERIGOS SUTIS AO MINISTÉRIO PASTORAL "Quando fui convidado para escrever este artigo para a nossa Revista PROPOSTA. O v.. escrever artigos. visitas. em nossas muitas atividades eclesiásticas somos cada vez mais dominados por superlativos.. Orgulhamos por ter uma grande Igreja.. como evitar cair na armadilha do excesso de atividades ? A resposta é a mais simples possível: Precisamos praticar um tempo a sós com Deus. logo pensei em algo sobre o ministério pastoral. sem tempo para mais nada. e por fazermos parte de uma sociedade competitiva. Aprendemos com nosso Senhor Jesus em Lucas 5:15.16.

Nós pastores precisamos pastorear. Precisamos ser lembrados que fomos chamados para pastorear e não para administrar. Diferentemente de nós que somos movidos para a produção. das reformas feitas na estrutura física da igreja durante nosso pastorado ali. mas à pessoas. dos terrenos que a igreja adquiriu. usamos estas pessoas como empregados para cumprirem uma missão que nem sempre é de Deus e sim do pastor.Pessoas são a razão de nosso ministério. homens e mulheres com quem vivemos e trabalhamos podem se tornar meros objetos. Pouco a pouco todos se transformam em instrumentos de trabalho.. Deixe a administração com o presbítero regente. Talvez devêssemos perguntar: Como posso saber se estou sendo bem sucedido no cumprimento de meu ministério? Creio que Efésios 4:11-15 delineia qual é a expectativa de Deus para nós pastores – Dentre algumas das medidas de sucesso em nosso ministério. o perigo é sutil. aconselha-las. deixando de pastorear pessoas. são um prejuízo para a fé e um empecilho para o crescimento da igreja. imitar sua vida profunda de oração. A princípio não há nada de errado em tudo isto.. ao mesmo tempo. 3º Perigo: O perigo de se afastar tanto do mundo que perdemos a consciência de que o mundo é nossa paróquia. Para fazer isto preciso gastar tempo com as pessoas – ajuda-las. Corremos o perigo de abandonarmos nossa função como pastor. verificamos que ele passou mais tempo cuidando de pessoas e conversando com elas do que em qualquer outra coisa. Começamos a medir o sucesso no ministério pela popularidade de nossos projetos. 2º Perigo: O perigo de reduzir a funções e projetos a pessoas que Deus nos mandou pastorear. do formato novo do boletim informativo. Quando olhamos para o ministério de Jesus. e nos tornamos administradores e secretários de Igrejas. e que ter uma vida profunda de oração não perde o seu valor quando somos ordenados ao ministério. Não me entendam mal. está o fato de que precisamos preparar pessoas para o ministério. Nós pastores insistimos com nossas ovelhas sobre a necessidade delas terem um tempo a sós com Deus. dedicar tempo ás nossas ovelhas para visitá-las e orienta-las espiritualmente. sem. Jesus não era inclinado à programas. ouvilas. negligenciando sua vida devocional. movida á produção. a “ exigência” é que devemos nos retirar do 208 . Para isto é que existem presbíteros regentes e docentes. etc.perigo e não caiu na armadilha de se entregar ás atividades. Neste processo da secularização da igreja.. Mas não podemos nos esquecer que somos ovelhas também.. Quando nos tornamos pastores. O pastor que imita as ações e a pregação de Jesus. etc. Sob a pressão de que estão trabalhando para Jesus.

É surpreendente ver que Jesus não agiu desta maneira.. Nossa espiritualidade pastoral não pode ser desenvolvida apenas dentro da igreja. penso que temos que responder a três perguntas: 1) Quais são as atividades que você tem durante a semana em que você se coloca na presença de Deus na perspectiva de ovelha. prisões. lanchonetes.. Aflitas por falta de trabalho. De tanto se afastar do “mundo”. hospitais. talvez pela sobrecarga de trabalho. nos enfiamos nos trabalhos da Igreja que consomem todo nosso tempo e energia e cada vez menos nos interessamos pelo mundo lá fora. Creio que já está na hora de desenvolve-lo “fora da igreja” também. não ter tempo para o lazer ou por causa dos problemas do dia-a-dia.Ele não resumiria seu ministério apenas aos salvos. Em Mateus 9:36 lemos que Ele andava pela cidade e vendo as pessoas compadecia-se delas porque eram como ovelhas sem pastor. Eram pessoas exaustas. medo da violência. precisamos.. problemas com os filhos. fazer parte da sociedade amigos de bairro. na vida profissional. podemos dizer que nossa ordenação foi adulterada”. simplesmente levanos a evita-lo. um inimigo ou um competidor de nossa espiritualidade. sem acesso a uma boa escola e inseguras quanto ao dia seguinte. nos envolver em atividades promovidas pelas pessoas da vizinhança. Se faz necessário construir relacionamentos. Creio que para evitar que nosso pastorado seja adulterado. teremos que duramente admitir que ele andaria pela nossa cidade. nossa linguagem vai se tornando “igrejeira” e quem é de fora entende muito pouco do que falamos. ou. Nas palavras de Eugene Peterson “quando o trabalho que executamos para Jesus como pastores esmaece nossa consciência do mundo. visitando asilos. os vizinhos que moram próximos á igreja.. visitar a Câmara Municipal. O texto ainda fala que eram pessoas sem rumo na vida. precisamos buscar a “paz da cidade” ( Jr 29:7 ) e para tanto é mister nos envolvermos com ela. Nós pastores precisamos seguir o exemplo de Jesus e olhar para a nossa cidade. etc. seguindo seu próprio cronograma e agenda. Nosso ministério corre o perigo de ser exercido basicamente dentro da Igreja. Pessoas com crises no casamento. o prefeito da cidade. vemos o mundo como algo mal.mundo e nos entregarmos ao trabalho de uma instituição religiosa que se dedica a seus próprios assuntos. de filho e não de um funcionário da igreja? 209 . etc. colocamo-nos em competição contra ele.Assim. afasta dele o foco de nossa atenção. sejam crentes ou não. para o nosso bairro e ter uma proposta pastoral para estas pessoas aflitas. emocional e existencial. Erroneamente. exaustas e sem rumo na vida. estabelecer amizades e se identificar com as pessoas da comunidade. A título de aplicação daquilo que foi dito aqui. Eram pessoas aflitas. Imagine se Jesus fosse o pastor de sua igreja! Por onde você acha que ele andaria ? Quem ele visitaria ? Se formos bem honestos. por exemplo.

tementes a Deus. Assim é que Efésios 4.10). e detêm funções de liderança aqueles soberanamente escolhidos para esse cometimento. · as que observam o que está acontecendo e · as que fazem com que as coisas aconteçam. Desse modo. Na Igreja de Cristo é a liderança desse corpo. FUNDAMENTO BÍBLICO DA LIDERANÇA CRISTÃ Deus utiliza seres humanos como seu método. homem submisso ã vontade de Deus (Js 6.2: "e o que de mim ouviste diante de muitas testemunhas. Assim aconteceu com Moisés.1-13 oferece o padrão para os ministérios pastoral (ali denominado "episcopado") e diaconal.10). Quanto à liderança espiritual e à preparação de outros líderes da igreja apostólica. Dr. e em dar ordens claras (v. e 1Timóteo 3.8). há de ser lembrada a palavra de Paulo em 2Timóteo 2. Paulo usa a expressão "a graça que nos foi dada" (Rm 12. Parece ser o óbvio. 6. Como parte do seu aprendizado. hábil na distribuição de tarefas (vv. cita o ex-reitor da Universidade de Colúmbia. É um Josué.2) Quem são as pessoas que estão sendo afetadas pela sua vida? Pela convivência espiritual com você? 3) Quais os lugares. TEOLOGIA DA LIDERANÇA 210 . nos EUA. ambientes que você freqüenta e pessoas com quem se relaciona que facilitam sua ação como sal da terra e luz do mundo? Parte XXXIV REFLETINDO SOBRE LIDERANÇA CRISTÃ Há um lugar especialíssimo para a liderança na visão do Novo Testamento. mas de presidência a ser exercida zelosamente.2).21). Um líder tem limitações. Não é função de mando. 11-16 apresenta a plataforma de liderança da Igreja Apostólica. pessoas de palavra e não avarentos (Ex 18. foi humilde bastante a ponto de atender conselhos que lhe foram dados. treinou os líderes escolhidos dentre critérios bem determinados: que fossem capazes.7). que sejam idôneos para também ensinarem os outros". mas a função do líder é liderar. São essas últimas que detêm o dom de liderança. e Moisés reconhecia as suas próprias (Ex 4. Uma música popular dos anos 70 de forte mensagem diz que "quem sabe faz a hora. transmite-o a homens fiéis.6).20. com Josué e com os apóstolos. Nicholas Murray Butler que disse haver três tipos de pessoas no mundo: · as que não sabem o que está acontecendo.27). mas no seu aprendizado teve que aprender a delegar (Ex 18. Nancy DUSILEK no seu Liderança Cristã: a arte de crescer com as pessoas. segundo a Versão da IBB (Rm 12. não espera acontecer".

de detenção de poder decisório que só evidenciam que.41-48 apresenta uma palavra de Jesus Cristo a esse respeito. comando. pela fé a unidade da igreja é mantida. homens. 1Co 12. o líder cristão exerce a perseverança.19. Vocábulos como democracia. traduz "força.1). determinados títulos "religiosos" com o propósito de "autenticar" o poder de mando e comando. permitindo que se chegue ao universo semântico de "força ou espiritual. Lamentavelmente. potência". QUALIDADES DO LÍDER · No mínimo as seguintes qualidades podem ser destacadas. O líder cristão deve agir com fé. Lucas 12. que é o "partir para a ação". livres. "poder da técnica" e "autoridade dos idosos". autoridade". Porque o serviço é inerente à função. o líder é estimula a desenvolver seu potencial (1Co 11. a preeminência. Romanos 16 o lembra com extrema clareza: havia naquela comunidade cristã: mulheres. por outro lado.6). reagindo e interagindo para o bem comum e para o bem da causa de Jesus Cristo. o líder é um condutor. na falta de autêntica autoridade espiritual. são igualmente basilares. passam a buscar o controle. Pela fé. Não é demais dizer que a Igreja é variada e multiforme. aliada a esta. o líder é servo. · A competência e o espírito de iniciativa.24-31. especialmente no sentido de "poder político. e. jovens e idosos. libertos e escravos.Recorde-se de que liderança cristã é "o trabalho de despertar e conduzir o ser humano para Deus e para tudo o que dEle recebeu". pois essa virtude determina o verdadeiro objetivo da liderança cristã que é o ser servo (cf. Mais: o líder tem poder. conforme ensinou MINERVINO. Se estamos falando de conduzir para Deus. atividade. judeus e gentios. assumindo. e utiliza para tanto os dons dos seus liderados e associados. observa-se uma profusão de kratos em numerosos líderes com sede de manipulação.10-12.4). Hb 11. dinamite e dinamismo. Além disso. energia". A primeira é ter ideal. tecnocracia. 211 . Mas o líder cristão reconhece que não o faz por mérito próprio: Deus está com ele (Ex 3. mesmo. ter visão: alma e olhar de condutor de vidas. Kratos é "poder. todos agindo. autoridade de mando". Gl 5. e pela fé. 1Co 9. gerontocracia veiculam a idéia de "poder do povo". e desse modo leva os seus liderados aos cometimentos propostos. Duas palavras gregas são elucidativas do conceito de poder: kratos e dynamis. e dando-nos vocábulos como dínamo.13.27. É um com o seu povo. Do líder cristão é esperada a dynamis como fundamento e veículo da sua autoridade espiritual e da sua atividade de condutor de vidas.28.1). Dynamis. de dinamismo ungido. pois sem essa virtude é impossível agradar a Deus (cf. falemos igualmente de fé. Mt 20. Pelo próprio conceito da palavra (leader>líder). Fp 1. Lc 22. É observar o que diz 2Coríntios 11.

às posturas e aos valores da instituição. ao lado da simpatia. v. plenitude do Espírito Santo. controle da situação e avaliação do realizado.5).3 descreve o equilíbrio desejado: boa reputação (cf. plenitude de sabedoria e de fé (cf. vale ressaltar. o compromisso dos membros no exercício de cargos e no sustento da igreja com a indiferença reinante. a postura apologética diante das ameaças à doutrina. O líder há de ser equilibrado.2). com o arcaísmo saudosista e excludente praticado por aqueles que insistem em não pensar a batistandade. o número de dizimistas fiéis. e Atos 6. E dentro disso. que se justifica quando confrontamos o projeto da maioria de nossas igrejas com o potencial das igrejas batistas. deveríamos corre o risco de rever os nossos 212 . 1Tm 3. · Em seguida. análise dos acontecimentos do passado. tomando-se por base o alto índice de exclusões. formam o perfil do líder cristão.· Segue-se a tenacidade aliada à serenidade. Outra importante função da liderança é a defesa. sem sombra de dúvida. imaginação e rapidez de raciocínio. autenticidade e comunicação. a média do número de membros e a incontável massa de líderes neopentecostais oriundos de nossa denominação. segurança e confiança. escolha dos meios para a realização do planejamento. Parte XXXIV REVITALIZANDO A IGREJA Introdução: Aonde chegaremos como igreja se continuarmos insistindo em ser apenas o que temos sido e em praticar somente aquilo que temos praticado nestes últimos anos? Essa pergunta estabelece a relevância do presente trabalho. das circunstâncias do presente e das tendências do futuro. Funções do Líder Previsão e visão que envolvem. Precisamos estudar mais as nossas doutrinas. Se analisarmos muitas de nossas igrejas sem ufanismo e sem o amor platônico que nos foi inculcado. a necessidade de revitalização da igreja para a sobrevivência no mundo globalizado com o tradicionalismo embotador imposto por um seguimento de líderes denominacionais ideologicamente ultrapassados e quando confrontamos a gradativa contextualização denominacional em seu interminável repensar. temos que a admitir que a situação é caótica. Tais confrontações se materializam na leitura do perfil traçado de muitas de nossas igrejas. expressa na média Brasil batista de integração que é de 40% apenas. · que. Planejamento que envolve algumas análises preliminares: estabelecimento de objetivos.

que direcionará os nossos olhos sempre para o ideal de Cristo para a igreja. é retomar os princípios bíblicoteológicos desprezados e é reordenar a estrutura. buscando compreender o nosso corpo de doutrinas. principalmente a igreja. devemos elaborar a nossa declaração de missão. No nosso caso.Missão e Visão: ferramentas para a revitalização da igreja Se é nosso desejo revitalizar a igreja para augurarmos relevância ministerial na proclamação do evangelho. mas creio que devemos urgentemente buscar a revitalização de nossas igrejas. Se esperamos ser igreja viva para cumprirmos o nosso papel no reino de Deus. se não sabe ao certo o que deve fazer e se não tem noção clara das estratégias possíveis para fazer o que deve. o que realmente permite que a igreja redirecione seu foco e retome os propósitos de Deus para o seu ministério e para o cumprimento de sua missão evangelizadora. cabem duas perguntas. Este momento. que nos manterá atrelados a Palavra de Deus. e a nossa missão prática no mundo. independente da Denominação. Aqui. Antes que a perda da identidade e da relevância no mundo como igreja ocorram. precisamos desenvolver uma genuína consciência de missão que propicie uma visão objetiva do que somos e do mundo para o qual pregamos. devemos avaliar as nossas convicções doutrinárias. é a leitura hermenêutica do traçado histórico da igreja e a constatação da situação real em que nos encontramos. * Missão é a definição objetiva e clara da nossa identidade como igreja local. os nossos objetivos e a nossa estrutura organizacional. quando bem definida. Devemos revitalizar. que estabelece a nossa identidade. A igreja que busca a revitalização tem o privilégio e o compromisso de prosseguir sempre vitoriosa. o que é a nossa missão e qual seria. e que determina a qual denominação nos filiar. as devidas respostas. Antes que a igreja se prostre em nostalgia e desemboque nos questionamentos que provocam a rotura que tem como fim último o desaparecimento da igreja. a nossa visão? Vejamos. Revitalizar é reafirmar tudo aquilo que é bíblico. a partir de uma conceituação teológica. sucumbe a historicidade e torna-se dependente do tradicionalismo conservador de nulidades e acalentador da nostalgia petrificante. A primeira resposta é sobre a missão. a luz dessa missão. em Eclesiologia. quem somos. É essa consciência de missão.posicionamentos doutrinários. o que cremos. o que devemos fazer. fica mais fácil por que somos batistas e não devemos prescindir dessa 213 . bem como a nossa declaração de visão. para a retomada dos ideais de Cristo para a igreja e a manifestação da glória de Deus em nossos arraiais. carecemos de uma reformulação da proposta de educação teológica e prosseguir repensando a denominação. I . Qualquer instituição. o modelo e as estratégias para que não sejamos vitimados por uma nulidade eclesial devastadora.

no afã de definirmos nossa declaração de missão. Mais de 120 anos de igreja contra aproximadamente um milhão de batistas. o que cremos e o que devemos fazer. não temos o que olhar ou. mas carecemos de saber e de definir conceitualmente o que é ser batista no terceiro milênio. Temos um verdadeiro desafio missionário no Brasil e no mundo. Agora vejamos a resposta sobre visão. conforme as últimas estatísticas denominacionais. Tomando por base o livro de Darrell Robinson. não tradicionalista. mas para levarmos a cabo esta grandiosa tarefa carecemos de uma previsão dotada de discernimento e alicerçada na compreensão do que deveríamos ter feito como igreja de Cristo nestes mais de 120 anos de história. basta olharmos para o tempo de permanência da igreja batista no País e confrontarmos com o número de membros que somamos. para onde direcionar os nossos olhos. sequer. Vale ressaltar a necessidade de adaptação à realidade da igreja local. Não podemos acreditar que está tudo muito bom. Nossa visão do mundo e de nós mesmos como igreja é determinada e condicionada pela nossa consciência de missão. a imagem futura que fazemos do lugar onde pretendemos chegar como igreja e a concepção filosófica de como vivemos como igreja de Jesus no mundo. O que a CBB busca fazer com a aprovação do parecer do GT Repensando na última Assembléia convencional. Na verdade. Nossa missão precípua é a evangelização.identidade denominacional. bem como a nossa declaração de visão. * Visão é. Precisamos ou não de revitalização? Carecemos ou não de redescobrir a nossa missão? Necessitamos ou não de restaurarmos a nossa visão? A resposta para estas questões é um altissonante e retumbante sim! Não podemos negar a necessidade de restaurarmos a nossa visão para que obtenhamos vitória de Deus no cumprimento da nossa missão. no caso de se considerar apropriada a presente propositora. Negar a necessidade de revitalização é como usar antolhos históricos e eclesiológicos. nos deparamos com a premente necessidade de definirmos as nossas reais intenções ministeriais a fim de que adquiramos características eclesiológicas e expressão cúltica puramente bíblicas. Isso é ter visão. que apresenta a nova análise 214 . Se não sabemos quem somos. buscamos nos arraiais batistas as respostas possíveis e as apresentamos no presente trabalho. II . Um número inexpressivo se comparado a densidade demográfica verificada no censo 2000 e divulgada pelo IBGE.Declaração de Missão e de Visão cabíveis para a revitalização da igreja Acreditando serem positivas as respostas às questões colocadas. bem como uma identidade denominacional definitivamente Batista. a partir da compreensão de nossa realidade efetiva.

18. Sobre a missão. e de 1 Pedro 2. vivendo. A igreja deve se permitir a uma permanente autocrítica e praticar uma continuada hermenêutica histórica. Temos o mesmo Senhor e Cabeça. podemos asseverar que: * A missão da nossa igreja é evangelizar os pecadores. ou mesmo redefini-las.44-48 e João 20. Logo. Não há mistério nem inovações. Colossenses 1. coletiva e individualmente.19 e 20 e Marcos 16. para a exaltação de Cristo. para a maturidade espiritual e para o crescimento numérico da igreja. cumprindo a nossa missão evangelizadora com autoridade espiritual e relevância sociocultural. É a cabeça que impõe a visão. afirmamos que: * Nossa visão é ser Corpo Vivo de Cristo. Com relação a visão.21. Jesus.bíblica dos dons espirituais no contexto Batista. III .Antíteses indispensáveis para a revitalização bem-sucedida É extremamente produtivo definir a declaração de missão e de visão. O tamanho da igreja é diretamente proporcional a visão que seus membros têm de Deus e ela cumpre sua missão na mesma proporção em que crê no poder de Deus ainda atuante no mundo. que apresentam a Grande Comissão delegada por Jesus e ainda. visto que desejamos estar afinados com a batistandade. A nossa missão só pode ser baseada em textos como Mateus 28. a fim de que obtenhamos contundente autoridade testemunhal em Cristo.1-5. Essa visão está de acordo com os princípios do Novo Testamento e vem do Cabeça da igreja. que nos posiciona como casa espiritual e ministradores do sacerdócio universal praticado em genuína espiritualidade. A imagem visual se projeta e se define a partir da construção da imagem mental que se faz. Jesus. em textos como Lucas 24.15.18. que apresenta a igreja como poderosa e vitoriosa no embate contra o inferno. mas este labor impõe antíteses entre o tradicionalismo da batistandade e a tradição bíblica que deve ser abraçada 215 . É isso que podemos deferir de textos como Mateus 16. após a conversão. capacitando-os. como santos de Deus. definimos a nossa declaração de missão e de visão. se deseja cumprir sua missão. sob sua autoridade e seu senhorio. se entendemos que se faz necessário. com todas as suas implicações. ainda tomando por base Darrell Robinson. de suas doutrinas e de suas estratégias ministeriais. Esta declaração de missão proporciona uma vida eclesiástica equilibrada e contém tudo que é essencial para o fortalecimento doutrinário. incitando seus membros e sua liderança à constante renovação do entendimento de si mesma. exercendo influência ético-cristã na sociedade. essa missão promoverá relevância histórica e ministerial para a igreja. que determinam a formatação missiológica designada pelo próprio Cristo para a sua igreja.

no século XVII. muitas vezes lamentando. Na Bíblia. visto que a maioria dos nossos membros. Diversos líderes postergam ao máximo a decisão de iniciar a revitalização da igreja na tentativa de evitar os desgastes decorrentes destas antíteses. até porque denominação não existia no período da Igreja Primitiva.15 e em 1 Coríntios 11. tradicionalismo é a defesa explícita da tradição no âmbito do espírito romântico. Em síntese. Muitas vezes. Tradicionalismo é aferro ou apego. lidar com estas antíteses não é nada agradável e exige uma firmeza doutrinária hercúlea e uma identidade denominacional capaz de intercambiar relacionamento sem se permitir ser influenciado. a perda de seus membros para a igreja neopentecostal que se acampou nas redondezas. visando preservar as crenças. Em Teologia. No contexto bíblico.pela igreja de Cristo denominada Batista. É a transmissão de valores espirituais através das gerações.42. onde a palavra no original significa preceitos doutrinários e está condicionada a doutrina dos apóstolos citada em Atos 2. visto que tais movimentos foram uma tentativa idealista de se devolver à Igreja Católica Romana a absoluta autoridade sobre as questões religiosas.2 indicações para se preservar a tradição. Tradição é ato de transmitir ou de entregar. Não há na Bíblia qualquer referência a tradição denominacional. A primeira Denominação Cristã surgida foi o Catolicismo Romano. tradição é a herança cultural transmitida de uma geração para outra. não sabe a diferença efetiva entre uma coisa e outra. e até mesmo boa parcela dos nossos líderes. no século IV. Filosoficamente. a Revolução Francesa. A doutrina dos apóstolos nada mais é do que os ensinamentos espirituais transmitidos por Jesus. amor exagerado aos usos antigos. ao final. tradição consiste em sabedoria e discernimento quanto a validade das instruções e as noções religiosas transmitidas de geração para geração. a questão reside na compreensão da diferença entre o que é ser uma Igreja Tradicional ou uma Igreja Tradicionalista. vemos em 2 Tessalonicenses 2. que são verdadeiros e que estabelecem os parâmetros e a validade do cristianismo. Em Teologia rejeita-se o tradicionalismo devido a sua origem no iluminismo e o seu ponto culminante. classificando como tradição o que se entende ser verdadeiro e não necessariamente a verdade. É o único reconhecimento e a única garantia da verdade. Filosoficamente. ou seja. tradicionalismo é um mal devastador que afasta as pessoas 216 . que monopolizou a igreja até o movimento de Reforma Protestante.

as mudanças reais acontecerão. como batistas. Na verdade. Ed Kivitz em assembléias convencionais: "Tradicionalismo é a fé morta dos vivos. IV . na educação cristã. doutrinariamente. não o perfil do pastor. o que vai mudar realmente? A resposta não é simples e nem resumida na palavra tudo. que será ajustado ao Texto Sagrado. por que a igreja terá uma identidade denominacional e doutrinária própria.Objetivos gerais para uma igreja de visão no cumprimento de sua missão Para que a igreja tenha a motivação correta.8-15. pode-se então 217 . que impunham ao povo 365 proibições e 250 mandamentos. porém do jeito e da maneira mais apropriada para a realidade sociocultural na qual interage. utilizar bateria e guitarras. após a revitalização. Mateus 23. a pergunta talvez seja. deve-se estabelecer os objetivos gerais que a impulsionarão e que indicarão o seu modo peculiar de ser igreja viva na adoração. nos ministérios e na proclamação. A igreja apenas se adequará a estes ajustes para permanecer fiel a Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira. Em quarto lugar. mais informal e menos eclesiástica. como no caso do Espírito Santo. bem como cantar hinetos ou fazer coreografias nas músicas. visto que bater palmas. primeiro. Os ajustes doutrinários possíveis são os promovidos pela CBB. a diferença fundamental entre tradição e tradicionalismo se identifica no quadro que se segue Este quadro reflete algo que já ouvi do próprio Pr. Segundo. A igreja se tornará mais contextualizada e menos ritualista.1-7. a Declaração de Missão e de Visão. nada. na comunhão. o que não se pode prescindir como Batistas. e não pela iconografia muitas vezes perniciosa. Jesus combateu a tradição dos anciões. renunciando tradicionalismo histórico e promovendo mudanças radicais de vida nos membros da igreja. As mudanças se efetivarão na expressão cúltica. acusando-os de subjugar o povo com um fardo extremamente pesado que nem mesmo eles suportariam carregar. Depois de se permitir a estas antíteses. escribas e fariseus. fazendo o que todas as igrejas devem fazer. Tradição é a fé viva dos mortos". que será mais efetiva e sempre direcionada pelo serviço cristão. No contexto da igreja que busca a revitalização e que está disposta a se permitir as antíteses necessárias na avaliação de sua prática eclesiológica e cúltica. Marcos 7. na formação da liderança. Tendo definido. Terceiro. nada mudará também. na forma do praticar o culto.do ideal de Deus para escravizá-las com rudimentos humanos ou para enganá-las com sutilezas diabólicas. no que diz respeito a Eclesiologia. A Eclesiologia trata dos postulados filosóficos sobre o ser igreja.1-13 e Colossenses 2. não são temas contemplados no estudo da Eclesiologia Batista.

capacitando-os a vivenciar o quotidiano conforme o propósito de Deus. Mateus 3.Praticar o evangelismo responsável é. é fator determinante na evangelização. por mais ortodoxa que seja e por melhor que seja a sua doutrina. João 5.8.21-24. 2 Timóteo 4.2 Consciência ético-cristã para o exercício do sacerdócio universal e do ministério eclesiástico . com amor extremado pelos pecadores e com entusiasmo contagiante. certamente.14-16. mas motivar a cada cristão a uma ação pró-ativa na evangelização. com dedicação. 218 . A vivência prática da fé. as estratégias ministeriais e a identidade denominacional levados a efeito pela igreja revitalizada.11-14 e 1 Pedro 2. e uma dedicação extremada ao serviço cristão na igreja.19-20. Em outras palavras. dificilmente experimentará crescimento real se não aprender a vivenciar e a transmitir a outros a sua fé de forma pessoal e contagiante. Lucas 24. Somente instrução bíblica com esta perspectiva pode oferecer à igreja referências claras de ensino bíblico profundo que se conciliem com uma unção incontestável na vida comunitária do cristão. no trabalho ou na rua. a motivação da igreja revitalizada deve derivar dos objetivos gerais definidos a partir da consciência de missão e da visão alargada em seus horizontes.8. 4.8-9 e 28. mesmo que tenha um conhecimento bíblico apurado. ensinando aos membros da igreja as verdades de Deus em sua Palavra. 2 Coríntios 5.3 Evangelismo responsável e baseado no testemunho pessoal . não trabalharão mais por suas próprias forças. À medida que os cristãos trabalharem nas igrejas conscientes dos compromissos do sacerdócio e sabedores dos seus Dons espirituais para o ministério. Vale ressaltar que a motivação da igreja deve ser a consciência objetiva quanto a missão e quanto a visão futura que se projeta do quanto se deseja alargar os horizontes do reino de Deus a partir do ministério prático da igreja. mas o Espírito Santo trabalhará neles e através deles. Gálatas 2. despertado pela amizade e pela convivência com o cristão.1-2 e 1 Pedro 3.Deve-se levar os membros da igreja ao entendimento de que todos somos sacerdotes para Deus.estabelecer os objetivos gerais que nortearão a eclesiologia. 9-10. Podemos agora asseverar que os objetivos gerais de uma igreja revitalizada são os seguintes: 4. Uma igreja. Tito 2.20.1 Instrução bíblica promotora de maturidade cristã e autoridade testemunhal Deve-se desenvolver um programa de educação cristã com embasamento bíblico sólido. para que quando o visitante chegar a igreja já tenha no seu coração o interesse pelo evangelho. seja em casa.45-48. Atos 1. a expressão cúltica. não depender de campanhas ou de programas especiais. Josué 1.14 e 15. o que nos exige um padrão ético e moral elevados. pois representamos o povo diante de Deus.39-47 e Tiago 1. 4.

5 Comunhão dinâmica vivenciada em amor.45 e 4. 4.4. 4. no qual cantamos. com o patrimônio ou com a conta bancária. pois por intermédio dela o Espírito Santo ministra graça e prosperidade à igreja. É a prática da empatia e da mutualidade na consolação. Adorar é abrir o coração ao amor de Deus e render a nossa vontade aos propósitos dele. Atos 2.34-35 e 2 Coríntios 9.1-7. Romanos 12.3-5. Não se pode comprar o Dom de Deus. É saber que conversão e senhorio estão amalgamados e que a insistência em não dizimar e ofertar é confissão objetiva de incredulidade.17. A 219 . A igreja que vivencia este tipo de comunhão valoriza as pessoas e torna seu ministério muito mais efetivo.8-9. Hebreus 10. A oferta deve ser feita com fé e pela fé. Esta é a oferta que propicia bênçãos incontáveis para o cristão.7-12. Salmo 92.Isto é a decretação do fim do preconceito e da segregação na igreja. bem como a pequenez do adorador.Isto é o mesmo que dizer que não se deve estar preocupado com o número de membros no rol. santo e agradável a Deus. como devoção amorosa ao Senhor e à sua obra. Isaías 38. visto que são satisfeitas as necessidades do ser integral.11-12.6 Fidelidade voluntária e incondicional na consagração de vidas e no sustento financeiro da obra .Isto é o entendimento pessoal de cada membro no fato de que é Deus quem nos sustenta e de que a contribuição financeira é apenas um reflexo da dedicação amorável de nossas vidas ao Senhor.17-20.1-4.20. 2 Coríntios 1.8 e 15. É um exercício do espírito humano no encontro pessoal com Deus. Atos 2.9-18. bem como ao seu povo. Ageu 2.7 Crescimento integrado da igreja a partir do equilíbrio entre quantidade e qualidade . A verdadeira adoração nos conclama a declararmos a superioridade absoluta de Deus. Em vez de encararmos a contribuição como uma obrigação desagradável e penosa.10-17. Romanos 12. Sofonias 3.18-21.6-14.32-35.19-25 e 1 João 4. na intercessão confidente e na ministração da bênção àquele que foi vitimado pelas amputações existenciais ou pelas confrontações espirituais.1.4 Adoração cristocêntrica que propicie verdadeiro louvor em culto vivo . 1 Crônicas 29. devemos compreender que a dedicação de vidas expressa na fidelidade nos dízimos e ofertas é um fértil meio de graça na igreja.12-17. sinceridade e alegria produtiva . Apocalipse 5. Malaquias 3. 4. Atos 8. A prática do verdadeiro amor dá à igreja um brilho divino e uma alegria que se intensificam nos relacionamentos interpessoais de seus membros. motivando-nos à participação efetiva e vívida na adoração. É a igreja se tornar sensível à ação do Espírito Santo que a guiará na exaltação a Cristo e na ministração de um culto vivo. a partir da convicção de que Deus se faz presente em nossas celebrações. É a compreensão efetiva de que todos somos um.44-47 e 4. Colossenses 3. Não se pode permitir a crença em uma dispensação automática ou mecânica de bênçãos para os contribuintes.Isto é o que nos permite libertação da preocupação escravista com a liturgia ou com os estilos. glorificamos e magnificamos ao Senhor por sua santidade e por sua ação salvífica em nosso favor. 13. Adoração é um mistério.

4.Neste objetivo reside a probabilidade de vitória. mas deve-se desejar também que a Palavra de Deus seja a única regra de conduta. uma catedral. bem como saúde e maturidade espirituais na prática efetiva do fazer igreja.20-23. a luz da Palavra de Deus. por isso. Se para ter dez mil membros.7-10. 1 Pedro 2. o que nos exige uma reflexão crítica sobre o denominacionalismo a luz da Bíblia Sagrada. mas que não aceita um doutrinismo antibíblico.Isto é o mesmo que dizer que a igreja deve querer ser batistas. não dando atenção às questões mais profundas que afetam a humanidade em decorrência do aviltante paradoxo entre o ser e o ter.46-47 e 9. sem receios da crítica mordaz da batistandade. A maior contribuição que a igreja tem para oferecer ao mundo é o evangelho de Cristo e seu poder libertador.15. Atos 2. A Declaração Doutrinária dos Batistas preceitua que a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática.3 e 1 Coríntios 11. uma frota de veículos e uma equipe ministerial bem remunerada tivermos que prescindir da ética cristã e do embasamento bíblico continuaremos pequenos e pobres. mesmo que para isso se tenha que renunciar a história. porém. Deve-se querer ser batista. Evita-se a tradicionalização suicida da igreja.31.8-10 e 2 Tessalonicenses 2. Mateus 26. Romanos 12. Atos 2. e entre o saber e o fazer.8 Identidade doutrinária e denominacional definidas a partir do Texto Sagrado e não pelo conservadorismo histórico ou tradicionalismo .41-42. 220 . da expressão cúltica e da estrutura organizacional . do que se faz e de como se fazem as coisas. Tito 2.19-21. o arcaísmo dos estratagemas. Marcos 7. um edifício anexo moderno e funcional. Salmo 15.28-32. Colossenses 2. um palacete pastoral.1-5. o embotamento das idéias e o esvanecer dos ideais.9e Apocalipse 2.preocupação certa é com a qualidade da vida espiritual dos membros da igreja. que se reconhecer erros doutrinários historicamente defendidos ou que se quebrar alguns paradigmas denominacionais. mas principalmente deve querer a liberdade para praticar os ensinamentos da Palavra de Deus. Sempre que o tradicionalismo denominacional se sobrepõe a doutrina bíblica ou que o tradicionalismo histórico se torna ineficiente diante dos propósitos de Deus. Quando se estabelece a autocrítica e a constante hermenêutica da própria realidade.11-15. bem como a mortificação da consciência cristã no fazer igreja.5-9. Mateus 10. jamais haverá crescimento verdadeiro na igreja se nos aprisionarmos ao poderio concedido pelo número de membros no rol ou pelo saldo financeiro e patrimonial. A constante autocrítica e a avaliação permanente exigirá uma continuada revitalização. evita-se a petrificação das estruturas. Levítico 19. fiéis ao Senhor Deus. 4. outorgando cognição no pensar a igreja.9 Constante autocrítica e permanente avaliação do contexto histórico. é necessário substituí-los ou desmascará-los a luz da Palavra de Deus.

e) O nível de compromisso exigido dos membros da igreja.37-47. Atos 2. h) Qual a periodicidade da avaliação. Não há pessoa. c) O referencial de ética que a igreja perseguirá. ministério e comunhão. d) O tipo de mensagem que se proclamará.37-40 e Mateus 28. como denomina George Barna. Pode-se inovar no fazer igreja sem se alterar a essência do ser Igreja. negando-se a um processo de avaliação justo e construtivo. penso. b) A expressão cúltica que será praticada. para que se defina o seguinte: a) O tipo de igreja que se pretende ser. identificamos nestes nove objetivos gerais os cinco propósitos eternos de Deus para a igreja. o presente trabalho visa embasar a assertiva de é que possível promover a revitalização da igreja de maneira bíblica. voltando a sentirse uma Igreja Viva que proclama a salvação e a libertação em Cristo em meio a esta geração corrompida e perversa. se pretendemos relevância testemunhal e autoridade espiritual no cumprimento da nossa missão. discipulado. é impossível levar adiante a revitalização da igreja que carece de resgatar sua identidade doutrinária e denominacional. que são: louvor. evangelismo. Na verdade. Conforme ressaltamos anteriormente.10. Sem tais definições.19 e 20. se há comprometimento com o Grande Mandamento e com a Grande Comissão. Estes propósitos sintetizam o Grande Mandamento e a Grande Comissão de Jesus para a igreja.40. Atos 2. é prova inconteste de sua vulnerabilidade à deterioração e à petrificação motivadas pela maldição da negligência preceituada em Jeremias 48. Conclusão Finalizando esta proposta de trabalho com vistas a revitalização da igreja. deixo como sugestão a realização de estudos amplos e de debates francos. o que fará da igreja revitalizada uma grande igreja. g) O método de evangelização que será usado.A prática constante da autocrítica e da interpretação investigativa dos comportamentos da igreja revitalizada permite o desmascarar as vacas sagradas. Tudo o que somos e fazemos como igreja deve estar aberto à análise e à crítica. porém respeitosos. A insistência de uma igreja em não se submeter à autocrítica e à hermenêutica imparcial. f) O padrão de relacionamento interpessoal e de comunhão que se desenvolverá. independentemente da tradição denominacional. que foram praticados de forma efetiva e vitoriosa pela Igreja Primitiva. programa. conforme Mateus 22. seguindo os preceitos de 221 . São estes os mesmos propósitos que devem ser perseguidos e praticados pela igreja que busca revitalização. estrutura ou idéia que esteja fora do alcance de uma avaliação justa e alinhada com o propósito de Deus para a igreja.

a nossa intenção não é lidar com modelos de igrejas propriamente dito. que somente a igreja pode desenvolver. desejo ressaltar que a igreja. Sejamos Igreja. Se considerarmos apenas a tradição histórica e os pressupostos denominacionais para sermos e fazermos igreja. Corpo Vivo de Cristo. de romper as fronteiras e de alargar seus horizontes. Não se pode ter fobia de evangelismo responsável. entre o ser e o fazer igreja. bem como um método prático para se introduzir as mudanças necessárias para a contextualização da igreja. Amém. isto é. Por isso. leve a sua igreja entender o que é e a desejar a revitalização. Pense em tudo isso e ore pedindo a Deus discernimento espiritual e direcionamento para a decisão que você precisa tomar juntamente com a sua igreja para a revitalização. seja despertado por Deus para os nove objetivos aqui propostos.Jesus e desenvolvendo uma perspectiva correta de renovação espiritual e eclesiológica. porque acreditamos que cada caso é um caso. Não existe Eclesiologia. Pois estas são as características distintivas da igreja de Jesus Cristo no Texto Sagrado. Como ficará evidente. nenhuma igreja que afirme compromisso de missão conforme os postulados bíblicos e o mandamento de Jesus pode esquecer que o cumprimento da missão acontece em meio a difícil dialética entre o conservar a identidade doutrinária e o renunciar a tradição histórica. santo e agradável a Deus. Abrace este projeto. em sua igreja e em nossa denominação. Finalmente. do ser igreja. se considera-lo procedente e biblicamente correto. o fazer igreja. As denominações são expressões sociológicas. de quebrar paradigmas. A diferença básica entre o ser e o fazer igreja e uma denominação reside na comunhão com Cristo. de sacerdócio universal e de comunhão dinâmica em amor. Parte XXXV UM PROJETO DE REVITALIZAÇÃO PARA A IGREJA LOCAL O presente trabalho é uma tentativa de se apresentar. como Corpo Vivo de Cristo. não é mera sociedade de pessoas humanas. de modo prático (assim esperamos). jamais compreenderemos o que realmente significa ser o povo de Deus que em Cristo é chamado para as boas obras. Trabalhe para que você. Uma igreja verdadeiramente viva e motivada pela missão não tem receios de ultrapassar barreiras. visando seu crescimento numérico. alguns princípios fundamentais de revitalização da igreja local. de discipulado biblicamente instrutivo. 222 . Não se pode ter medo de se praticar culto vivo. mas nos basearemos em princípios gerais e em nossa experiência pastoral. Não critique ou refute sem estudar e orar. dissociada da Cristologia. O relato bíblico nos incentiva a perceber a dialética inevitável e continuada entre a identidade eclesial e o chamamento para a missão. juntamente com sua igreja. Permita-se a Deus e ao Espírito Santo para que estes objetivos sejam realidades efetivas em sua vida.

Pelo contrário. O crescimento natural da igreja. viajamos com eles para 223 . a energia investida por eles pode multiplicar-se quase infinitamente. a pirâmide de autoridade é invertida: os líderes ajudam cada cristão de sua igreja a chegar à medida de plenitude intencionada por Deus para cada um. 23). Eles capacitam. que por sua vez capacitem e formem outros líderes. Investimos na nova liderança. A. Os resultados serão simplesmente surpreendentes! Os líderes de igrejas que crescem concentram seus esforços em capacitar outras pessoas para ministérios específicos. o que é deveras significativo. Um líder não é capaz somente pela sua boa reputação dentro e fora da igreja. Sendo assim. descobrem como esse aspecto leva ‘por si mesmo’ ao crescimento" (C. Aos poucos (ir devagar é fundamental quando se chega em uma nova igreja) fomos renovando a junta diaconal. Existe boa literatura sobre administração eclesiástica que ajudarão o pastor neste empreendimento. Investir na formação de uma boa liderança é garantir o sucesso da igreja local. O pastor precisa delegar e distribuir tarefas. Pegamos uma junta diaconal debilitada e sem muito compromisso. trocando os "irrecuperáveis" por novos. motivam e acompanham a todos individualmente para se tornarem aquilo que Deus tem em mente. Pastor. como revitalizar uma igreja cuja liderança está cansada e os liderados insatisfeitos? Em nossa pouca experiência temos aprendido que o segredo do sucesso está no investimento. Invista-se na liderança e na formação de novos líderes e a igreja como um todo reagirá positivamente. a varonilidade do Corpo de Cristo. Schwarz. Confie no potencial de seu rebanho. A pessoa do pastor é fundamental para a formação de uma liderança capaz e capacitadora. e não meros "ajudantes" ou "marionetes" com o intuito de alcançar seus próprios interesses. O que não falta nas igrejas são pessoas que querem trabalhar. pude perceber um pouco da força do que acabamos de dizer. p. ensine sua igreja a fazer. a saber. Assim. apóiam. receber novas orientações. A REVITALIZAÇÃO DA LIDERANÇA Não são poucas as igrejas que conhecemos que nos obrigam a fazer uma inevitável pergunta: "Onde está a liderança?". Um pastor centralizador compromete seu ministério e o futuro de sua própria igreja. mas não sabem como fazer. "Líderes que se vêem como instrumentos para capacitar outros cristãos e levá-los à maturidade espiritual. Um pastor que pretende levar a carga sozinho não conseguirá ir muito longe. Mas também é preciso que ele capacite e equipe novos líderes. Uma das funções do pastor é equipar os santos. a fim de contribuir na formação de novos líderes. esses líderes investem a maior parte do tempo na formação de novos líderes através do discipulado e do compartilhamento de tarefas.1. Em vez de fazer a maior parte do trabalho. Para isso. Quando fui pastor em uma das igrejas da Grande São Paulo. a liderança deve ser constantemente revitalizada. Líderes capacitadores formam colaboradores.

quer sejam de ordem administrativa. Orlando Costas (Compromiso y misión. Existe muita gente boa no ministério errado. Mudança também é revitalização. 62) acertou quando disse que "o crescimento da igreja depende de uma eficaz mobilização de seus membros". verdadeiramente revitalizada. p. O que seria daquela igreja se todos os setores fossem revitalizados? Infelizmente não foi possível continuar ali para ver os resultados. e pude constatar que o resultado da pesquisa não foi diferente. disse acertadamente que "o maior fenômeno de revitalização na igreja é o crente novo". seriam resolvidos com mais facilidade. Em português há pelo menos dois que recomendo: Quem é você no Corpo de Cristo?/ Lida E. mas precisa ser trocada. Curitiba: Editora Evangélica Esperança. 1997. É perda de tempo. Meu ex-professor. Novos líderes devem ser formados a partir de seus dons. Revitalização nem sempre significa tentar recuperar o que não tem jeito. recebemos orientações específicas de líderes de juntas diaconais que estavam dando certo e em pouco tempo a junta diaconal de nossa igreja se tornou uma das mais atuantes da Grande São Paulo. no ambiente de fala alemã. se todos os membros da igreja descobrissem e usassem seus dons ministeriais. como veremos adiante. E ele sabia o que estava dizendo porque levava isso a sério nas igrejas que pastoreava. Os diáconos reconquistaram a credibilidade da igreja. descobrimos que 80% deles não sabem os seus dons espirituais". e a mesma se colocou à disposição para ajudá-los no que fosse preciso. Tem que ser trocada. 1994 e O teste dos dons/Christian A. Existem bons livros que poderão ajudar na formação de ministérios orientados pelos dons. só é possível quando os membros de uma igreja estão no lugar certo. Será que o resultado da pesquisa seria diferente se fosse feita com 1600 cristãos ativos nas igrejas do Brasil? Acredito que não e digo por quê. 2) Tem muita gente nova na igreja que daria um bom líder. quer sejam de ordem espiritual. Ministrei sobre o tema na região sul do País durante quase um ano. Minha proposta é: 1) Quando uma liderança está "viciada" é preciso ser trocada. Dr. E esta "mobilização". é fundamental que os ministérios sejam orientados pelos dons. Mas como preparar uma liderança capaz e capacitadora. a meu ver. Campinas: Luz Para o Caminho. Knight. Além de outros fatores indispensáveis para o crescimento da igreja. Elias Dantas.um encontro de diáconos no Rio de Janeiro. Schwarz. na Europa. sem que haja frustrações no futuro? 1º) Os ministérios devem ser orientados pelos dons Acredito que muitos dos problemas de uma igreja. Aos poucos. Schwarz faz uma declaração alarmante: "De uma pesquisa que fizemos com 1600 cristãos ativos em suas igrejas. 224 . ou até mesmo não existiriam. Geralmente não vale a pena tentar recuperá-la.

pelo menos. 1º) A quebra de paradigmas Paradigma é uma palavra de origem grega que significa "modelo" ou "padrão". Um discípulo deve ser preparado para discipular e formar novos discípulos. entendo que os próprios pastores deveriam iniciar o processo de discipulado. 1995. indicando um jeito de ser. por assim dizer. que por sua vez discipularão e formarão outros e assim sucessivamente. Às vezes é preciso coragem para quebrar paradigmas que não funcionam mais e que. já não têm nenhum valor prático. Mas nem sempre é tão simples assim. Por uma questão de prudência e respeito com aqueles que não pensam como nós. em termos de discipulado. é 225 . são aquelas estruturas enrijecidas pelo tradicionalismo e. viver ou fazer as coisas. Para um estudo interessante deste tema sugiro a leitura do livro Quebrando Paradigmas/Ed René Kivitz. Isto sim é bíblico. Os discipuladores não devem perder isso de vista se realmente desejam formar líderes capazes. À primeira vista parece fácil mudar aquilo que se tornou obsoleto. Os paradigmas podem ser definidos como "verdades" que se fixaram na mente. o que temos visto na prática. portanto. é a preparação que visa o crescimento espiritual do discípulo e nada mais que isso.2º) Formar discípulos para serem discipuladores O discipulado que gira em torno de si mesmo está fadado ao fracasso. <B< ECLESIAIS ESTRUTURAS DAS REVITALIZAÇÃO A> O que muito tem contribuído para o não crescimento. a fim de tornar eficiente a vida espiritual do povo de Deus. Para isso preparou seus discípulos. E quem. daqueles que confundem inovação com inovacionismo. A ênfase da Grande Comissão foi: "fazei discípulos". não funcionais. A preparação de um discípulo que não tem como objetivo a formação de outros não é bíblica. Primeiro é preciso mudar a mentalidade dos acomodados e principalmente dos saudosistas. são necessárias para que as estruturas de uma igreja se tornem funcionais. O segredo do sucesso está num trabalho de conscientização sério e paciente. Duas coisas. pois foi a tônica do ministério terreno de Jesus. orientar e superintender as atividades da igreja. a boa tradição com tradicionalismo. daria o ponta pé inicial do discipulado? Como pastor. por uma simples razão: Uma das principais atribuições do pastor é instruir. Toda ovelha deve ser preparada para produzir outras ovelhas. Infelizmente. e até decréscimo na membresia de algumas igrejas. portanto. São Paulo: Abba Press.

Prove! 2º) Uma questão de obediência e prioridade A experiência nos ensinou que evangelizar não é uma opção de vida de uma 226 . Foi preciso um trabalho de base. conceitos desmotivadores de administração das finanças. sem atropelos. servirem melhor o organismo. inclusive a financeira. mas progressivamente. Tudo que não contribui para esse objetivo deve ser mudado ou eliminado. Quando uma igreja se envolve com missões. E não poderia ser diferente. o surgimento de estruturas enrijecidas é evitado em grande parte. 1º) Um exemplo que deu certo Aprendi com um colega de ministério a separar um domingo por mês para falar de forma mais específica sobre a importância da igreja local em missões. desse modo. etc. aquele foi um dos períodos mais abençoados na vida daquela igreja. horário e duração do culto inadequados. era dedicado às missões. não será por meio de decreto conciliar que conseguiremos qualquer êxito. O ideal seria todos os domingos. 3. A REVITALIZAÇÃO DO COMPROMISSO MISSIONÁRIO Com o passar do tempo os membros de uma igreja local tendem a esquecer-se de seus compromissos missionários. Para se evitar isso é preciso lembrá-los constantemente da importância da igreja local para com a obra missionária no mundo. O Domingo Missionário. Entendíamos que separar um domingo por mês para missões era o mínimo que estávamos fazendo. pode ser muito bem aproveitado. Por meio de um processo constante de avaliação e renovação. a igreja orava por missões e contribuía financeiramente com a obra missionária. de muita conscientização e investimento que valeram a pena. Uma coisa aprendi em meu ministério pastoral: Se a igreja não "comprar" a nossa idéia. 2º) Testes de qualidade As estruturas da igreja devem ser constantemente testadas por sua liderança. a fim de serem revitalizadas e. Um diálogo franco. aberto e amigável é a chave do sucesso. todas as demais áreas são abençoadas por Deus. Pregávamos sobre missões. Neste caso específico. As idéias e conceitos devem ser amadurecidos no meio da comunidade.preciso que os paradigmas sejam quebrados aos poucos. Algumas coisas podem ser citadas como exemplos do que não devem passar pelo teste de qualidade de uma igreja local: liderança inibidora. Segundo testemunho de irmãos antigos (que a principio foram relutantes). como era chamado. Mesmo assim foi gratificante. o livro Igreja local e missões. de Edison Queiroz. Mas isso não aconteceu de um dia para o outro.

a formação de grupos familiares ou células. Parte XXXVI UMA IGREJA RENOVADA TEXTO: ROMANOS 12: 1-2 227 . a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz" (I Pe 2. do indivíduo e da sociedade. Conclusão: Mais coisas poderiam ser ditas como parte integrante de um projeto de revitalização para a igreja local. Além disso.igreja local. o que fez antes. etc. Geralmente a frieza por missões acontece por causa da rotina. O que está "matando" muito crente novo (que desperdício!) é a igreja não-funcional. mas sempre partir para uma ação social transformadora. sacerdócio real. com a graça de Deus. mas a própria vida de uma igreja local. nação santa. porém. é importante que a igreja saiba que sua missão no mundo é integral. para a honra e glória de Deus Pai. é preciso reconscientizar a igreja de sua missão no mundo. O ponto de partida será o parâmetro bíblico e o contexto da igreja local. Sermões e estudos bíblicos missionários. Vejamos alguns exemplos de como a igreja poderá revitalizar sua visão missionária. é preciso conscientizá-la de que ela está no mundo para servir o mundo integralmente. evangelizar não é simplesmente distribuir folhetos como alguns pensam. fechada em quatro paredes. naturalmente resultarão em novas realizações. que se limita a suas atividades internas. Em segundo lugar. Uma vez que o mal foi detectado é necessário que seja combatido com atividades variadas. Se a igreja chegou a se empolgar com missão algum dia. como por exemplo. como bem declarou o apóstolo Pedro: "Vós. é sinal que ela tem potencial para fazer. além do auxílio de associações evangélicas e agências missionárias. a espiritualidade contagiante da igreja local com relacionamentos marcados pelo amor fraternal.9). excelência maior de seu chamado. A igreja local precisa resgatar sua visão missionária. 3º) Revitalizando a missão integral da igreja local Como revitalizar uma igreja que começou com tanta empolgação para fazer missões e de repente esfriou? Em primeiro lugar. a igreja nunca deve deixar se levar pela prática do paternalismo e assistencialismo paliativos. filmes específicos como por exemplo As Primícias. mas sim. Entretanto. atender o indivíduo na totalidade de suas necessidades. certamente produzirão novo alento. sois raça eleita. Isto é. Por outro lado. entendemos que a formação de uma liderança capacitadora. Etal e Atrás do Sol. povo de propriedade exclusiva de Deus. as estruturas da igreja sendo funcionais e o compromisso missionário revitalizado. A igreja deve ser redirecionada. um culto inspirador.

não funciona isoladamente.contestação da vontade de Deus c . 02. Leon Tolstói: "Todos pensam em mudar a humanidade e ninguém pensa em mudar-se a si mesmo". Um membro não pode inibir a ação do outro.um espírito de concorrência 228 .cada membro tem a sua função.Princípio da oportunidade .desequilíbrio em todo os sistema b . Um membro não deve aspirar o lugar do outro.Princípio da integralização .afastamento dos outros membros d . das pessoas e da igreja em se transformarem. .Diakonia .1 Coríntios 12:17-18 . TRANSFORMAÇÃO ATRAVÉS DA COMUNICAÇÃO A igreja não sobrevive sem uma comunicação interna.2 .Encurtando as distâncias .PROPÓSITO: Uma das maiores necessidades do mundo.comunhão c .Ilust.Kerigma . TRANSFORMANDO A NOSSA RELAÇÃO Este processo ocorre através da prática de quatro princípios bíblicos: 2. Transformação é o segredo de um organismo vivo. .desvalorização do membro b . 1. Quando isto ocorre todo o corpo é prejudicado. das pessoas e também da igreja é a de se adaptar ao curso da história.1 . 01.Koinonia . Para que ela produza resultados positivos é necessário que o membro exercite a Koinonia e a Diakonia. .João 13: 12-17 A mensagem Kerigma .A comunicação se processa através de três elementos básicos: a .desperdício de forças 2. Esta adaptação só se viabiliza mediante a disposição do mundo.este princípio visa dar a todos a mesma chance de trabalho.mensagem b .1 Coríntios 12: 15-16 .A falta de oportunidade produz: a .1 .serviço 1. O grande fator de dispersão que a enfraquece é a falta de uma boa comunicação entre seus membros.2 .A quebra deste princípio provoca: a .

1 Coríntios 12: 21-22 .Disciplina na prática da santidade .1 Timóteo 5:22 . Há uma mistura de judeus e gentios.Disciplina na prática do amor . Das pessoas mencionadas.Disciplina na prática do perdão .22). a igreja perde a sua função.uma anemia espiritual 2. . ocorre: a . 229 .Marcos 11:25 . escravos.João 13: 35 Parte XXXVII UNIDADE NA VARIEDADE Romanos 16. Fp 4. A independência enfraquece o corpo.4 . Sem ela.o egoísmo passa a predominar nas relações c .Efésios 5:15-16 .Disciplina na prática das ações . .A igreja precisa ser a autora e não a espectadora no processo de mudanças. João 17:23 3. Mostra como aquela comunhão de fé na cidade de Roma era formada de gente de várias nacionalidades. Paulo faz recomendações.João 8:47 . grupos de pessoas ou "igrejas no lar".Disciplina na prática do tempo . nobres. são.2 Coríntios 13:5 . São saudações individuais a vinte e seis pessoas e a cinco famílias.Colossenses 3:17 .Princípio da unidade . É uma esclarecedora lista de como a fé evangélica se havia espalhado entre todas as classes sociais.a arrogância quebra a linha de comunicação 2. Ela foi criada para ser o instrumento de Deus na transformação da sociedade.Disciplina na prática da fé . Para isto o exercício da disciplina é imprescindível.a unidade é a fonte geradora de toda a energia. na maioria.Disciplina na prática de ouvir e falar .3-16 No último capítulo da Carta aos Romanos. pelo menos oito são mulheres.0 .Quando este princípio é quebrado. idosos e jovens.enfraquecimento de todos os demais membros b .todos os membros devem participar das atividades que os demais realizam.Gálatas 5:13 .Disciplina na prática da liberdade .3 .Princípio da dependência . saudações e votos.1 Coríntios 12: 25-26 .TODA TRANSFORMAÇÃO EXIGE DISCIPLINA PESSOAL 1 Coríntios 9:25 . homens e mulheres.c . No entanto. mobilidade e harmonia do corpo. Treze dos nomes aparecem em inscrições ou documentos que tem a ver com a nobreza e com o palácio do imperador naquela cidade (cf. libertos e escravos.

de Maria (v. 3. Flegonte.5b): "meu amado" e "primícias da Ásia para Cristo". pelo menos. Pérside e Hermas. erudito · Flegonte = ardoroso · Hermes = intérprete (daí a palavra hermenêutica. Maria (v. Há judeus e há gentios. exatamente nos termos de Efésios 2. A relação de nomes é de altíssimo significado.3). obstinada") · Nereu = molhado · Olimpas = descido dos céus · Pátrobas = vida do pai · Priscila = venerável · Trifena = delicada · Trifosa = mimosa. e examinando-os com alguma análise.4): "meus cooperadores em Cristo" e "pela minha vida expuseram as suas cabeças" . Era o caso de Priscila e Áquila (v. Urbano. Registra. cheias de gratidão e plenas de amor: Em relação a Prisca e Áquila (vv. Os judeus.14.8) e Urbano (v. de Herodião (v. ainda. "meus companheiros de prisão" e "bem conceituados entre os apóstolos".7). e.procedências e estratos sociais. e gente que vem do paganismo. de Andrônico e Júnias (v.6). graciosa · Urbano = criado na cidade. Para Epêneto (v. Andrônico e Júnias são "meus parentes". A COLORIDA VARIEDADE Como já enfatizado. ou seja. já o dissemos.6) foi a que "muito trabalhou por vós". como o muro de separação entre judeus e não-judeus fora derrubado.11).28).16 (cf. O significado dos nomes é igualmente muito interessante: · Áquila = águia · Asíncrito = incomparável · Epêneto = louvado · Estáquis = espiga · Filólogo = falador. 230 . vemos que os tipos são tão diferentes que só um milagre chamado evangelho pode explicar a interação naquela comunidade de fé. a arte da eloqüência) · Júlia = juvenil · Maria = bela (alguns traduzem como "teimosa. Epêneto. Estáquis. mas são muito expressivas. gente que vem de um profundo contexto espiritual.9). Escravos: Ampliato. No verso 7.10). As saudações não são longas. Há homens e há mulheres. Gl 3. há nesta passagem uma visão da intensa vida da Igreja-dosPrimeiros-Dias. de Apeles (v. Há romanos: Ampliato (v. um grego. Há ricos e há pobres.

morou com eles. A história de Prisca e Áquila. tenuíssima e fragílima 231 . MEMÓRIAS Há algumas histórias por trás das lembranças de Paulo. e Áqüila fosse um judeuda Ásia menor setentrional. de sua mãe. Rufo é o "eleito no Senhor". por um tempo. como Lucia faz Lucila. essa experiência que deveria ser abençoada. Mas a verdade é que é muito difícil viver em comunidade. Ampliato é "meu amado no Senhor". a ponto de sofrerem perigo de vida (cf. At 18. mãe de Rufo. aplicando-as à bênção de Deus que se chama Igreja. Dietrich Bonhoffer usa as expressões "dom de uma vida comum" e "dom da adoração em comum aos domingos". o relacionamento humano é uma teia delicadíssima.26). em certos casos. porque Priscila é o diminutivo de Prisca (cf. Paulo usa uma palavrinha que diz isso: kopian. que. Há quem admita ser Rufo filho de Simão. E passando ao verso 13. Pérside ("natural da Pérsia") e Maria são pessoas que não se entregam. no 9. abençoadora. mas não como irmãos no Nome de Jesus Cristo. Diz ele que o estilo de vida que acontece na igreja é um privilégio. gente que enche os bancos da igreja. o grande apóstolo aos gentios. Muitos problemas afloram porque nossos irmãos em Cristo (em quem corre o mesmo de Jesus nas veias) são tratados apenas como outras pessoas. o maltratto. Pois é.No verso 8. e Pérside. até. torna-se amarga e.23) Tinham a mesma profissão de Paulo. traumatizante. Livila. em concórdia. No verso 13.21). Paulo chamou à senhora. 10) é denominado "aprovado em Cristo". Drusila e Lívia. Apeles (v. Eram avançadas na idade. o cireneu que carregou a cruz de Jesus compartilhando com Ele a dor. que Priscila pertencesse a uma família da nobreza romana. e a mãe "adotou" Paulo. no verso 12. At 19. a humilhação daquela manhã em Jerusalém (cf. que gente extraordinária são os pais de Rufo: o pai carregou a cruz de Jesus Cristo.32. É possível. e incansáveis no trabalho. Eu escrevi Prisca? Prisca ou Priscila? Dá no mesmo. Outra história interessante é a de Rufo. o casal o acompanhou (At 18. de acordo com o costume oriental de assim chamar uma senhora mais idosa. Aliás. 1Co 15. Se assim ocorreu.2. Era um casal devotadíssimo ao apóstolo Paulo. que significa "trabalhar até o cansaço" A UNIDADE Não é fácil viver em unidade. enriquecedora. nosso Salvador. Urbano é "nosso cooperador em Cristo"e Estáquis é chamado de "meu amado".18). Drusa. é amada" e "muito trabalhou no Senhor". veterana senhora. Mc 15. As duas idosas irmãs em Cristo têm histórias não contadas no texto. Quando Paulo deixou Corinto indo para Éfeso. 18. E se não há o alicerce de Jesus Cristo. Um estudioso do Novo Testamento diz que não há no Novo Testamento um casal mais fascinante que este. as irmãs Trifena e Trifosa são as que "trabalham no Senhor".

. no bem-querer e nas atitudes de boa vontade. 1Co 1. Paulo usa a palavra "santo". É digno de observação que as mulheres são significativamente proeminentes na vida da Igreja de Cristo. 16. Era. lembremos. um ato de fraternidade entre os semitas.14. Desde o princípio desta genuína e profunda amizade. o casal amado. então. Cl 4. em muitas ocasiões. mães e todas executando um admirável ministério na Causa do Senhor. Por outro lado. mas não entre os romanos. Júlia. havia. Temos membros de uma mesma família fazendo parte com outras famílias de uma mesma família de fé.4. também. Aqui temos Priscila e Áqüila. a ponto de quase serem mortos.26 e 1Pedro 5. porém. famílias inteiras eram batizadas (cf. É o caso de um núcleo que tinha seus encontros na casa de Áquila e Priscila (v. mas que se fortalece quando está fundamentada no respeito. 16. na tolerância. mãe e filhos). de Rufo. Aceitação de uns pelos outros (v.12. nem como uma ordenança ritual. Paulo recomenda uma saudação muito comum no Oriente Próximo ainda hoje: o beijo (cf. Priscila e Áquila foram pessoas que mantiveram aberto o coração.um sinal de amor.16. Fm 2). poderoso e incentiva o crescimento pessoal e da Igreja como um corpo.11. 33. sua mãe e sua irmã. 1Sm 10. 1Tessalonicenses 5. Nereu e sua irmã (provavelmente. Paulo até o menciona. 18.48). Dr. No verso 10. não o entende só como sinal de amizade. Além de ser um sinal de afeição entre parentes. na confiança.1). recebendo do apóstolo o reconhecimento pelo modo através do qual compartilharam de suas lutas. o costume já se havia difundido nas igrejas conforme atestam os seguintes exemplos textuais: 1Coríntios 16.é um sinal de amizade e saudação (Mt 26. Na verdade. na honestidade.2).7). e aberta a porta para a expansão do nome e reino de Cristo Trabalho pelo bem comum (v. Gn 29. "ósculo santo". para evitar toda e qualquer conotação maldosa. no verso 13. v. viúvas. no verso 11. o relacionamento humano e cristão é dinâmico.que pode se romper com coisas mínimas e minúsculas.6). um tom de homenagem (Gn 29. 232 .8. 2Coríntios 13.19. No Novo Testamento.20. 33330-34. ele fala dos "da casa de Aristóbulo". 16). nosso ex-professor. PRECIOSAS LIÇÕES Sacrifício de uns pelos outros (vv. At 10. abertas as mãos.15. 5a). Paulo saúda a irmã na fé chamada Maria. casadas. "os da casa de Narciso". Alguns foram companheiros de prisão do apóstolo (cf. fez uma significativa afirmação ao dizer que será um dia glorioso quando os cárceres forem transformados em púlpitos. Havia casos em que pequenos grupos se reuniam em uma casa. Equivale. pai.15. no querer o bem.11. Paulo. e no verso 15. O Novo Testamento menciona que.44-48. Dale Moody. de Filólogo. Nesta lista há solteiras. Ct 1. 3-5a).

nós Te pedimos: Que nos conheçamos sempre melhor Em nossas aspirações e nos compreendamos Mais e mais em nossas limitações. Senhor. Não impeça o outro de viver a sua. Oração Senhor. Que ninguém fique alheio aos momentos De cansaço. comunhão (koinonia) é uma das grandes palavras do Novo Testamento. E que. a um fraternal abraço e aperto de mãos. no fim de todos os caminhos. a solidariedade e a fraternidade de uns pelos outros. nos aproximar de alguém. Assim é: "Todas as vossas obras sejam feitas com amor". É ele quem põe um ponto final nas divisões. ao construir a própria vida. nenhum desejo de unidade ou de comunhão é coisa alguma sem o amor. Mas somente irmãos. Aliás. aberta e sensível Aos problemas de cada um. Mas nos unam na busca da verdade e do bem. Será preciso lembrar que o primeiro aspecto do fruto do Espírito é o Amor? Por ele. Encontra-se em 1Coríntios 16. Que nossas discussões não nos dividam. Além de todas as buscas. Amém! 233 .14b: "Fazei todas as vosss obras com amor". Assim seja. Que olhemos para cada um. Devemos buscar a comunhão. É preciso lembrar que avivamento e comunhão andam de mãos juntas. manifesta-se a humildade (Rm 12. desenvolve-se a compreensão e o ministério do ouvido amigo.4). pois é vital para a saúde espiritual da igreja e do crente como indivíduo. O amor é o começo do crescimento espiritual. um cordial "Bom dia!" É preciso recuperar o significado da comunhão. e depois de cada encontro. mas uma há uma comunhão o dedo e o fígado de alguém. Mas seja disponível. Fala de uma abordagem sistêmica. Que nossas diferenças não excluam ninguém da comunidade. Que a nossa fraternidade não se feche em si mesma. a perna e o coração porque corre um sangue vital. Com os Teus olhos e nos amemos com o Teu coração. Pode não parecer. É recomendação perfeitamente pertinente porque nenhum dom espiritual. faz desaparecer o orgulho. Não haja vencidos nem vencedores.em nossa cultura. Que cada um de nós. Há uma recomendação do apóstolo que é apropriada para encerrar esta reflexão. Que cada um de nós sinta e viva as dificuldades dos outros. dissabor e desânimo do próximo. que regenera o interesse.

O mesmo efeito tiveram as duas principais conversões relatadas por Lucas. Também em Atos 234 . O segundo era Simeão que tinha o sobrenome de Níger. filho de Herodes o Grande. A palavra pode significar que Manaém foi "criado" com ele de forma geral ou mais especificamente que era seu irmão de leite. através do apóstolo Pedro. que carregou a cruz para Jesus. É mais provável que se referia aos membros da igreja como um todo já que eles e os líderes são mencionados juntos no versículo 1 de Atos 13. que consistia em cinco profetas e mestres que moravam na cidade. A população cosmopolita de Antioquia se refletia nos membros de sua igreja e até mesmo em sua liderança. a de Saulo. A partir de Antioquia chegaria aos confins da terra. e a de Cornélio. Havia também Manaém. O primeiro era Barnabé. isto é. Mas sempre a ação esteve limitada à Palestina e à Síria. Ninguém tinha tido a visão de levar as boas novas às nações além mar. as pessoas que estavam jejuando e orando? Parece-me improvável que devamos restringi-los ao pequeno grupo dos cinco líderes. que significa Negro. que também fora comissionado a ser o apóstolo dos gentios. provavelmente um africano e supostamente ninguém menos que Simão Cireneu.(Autor desconhecido) Parte XXXVIII O QUE LEVOU A IGREJA Em Antioquia a fazer Missões Em Atos 13 o horizonte de Lucas se alarga pois o nome de Jesus seria maciçamente testemunhado além da Judéia e Samaria. Estevão através de seu ensino e martírio. A quem o Espírito Santo revelou a sua vontade? Quem eram "eles". Agora. Estes cinco homens simbolizavam a diversidade étnica e cultural de Antioquia e da própria igreja. de Herodes Antipas. Filipe através de sua evangelização ousada junto aos samaritanos e ao etíope. nem se todos os cinco exerciam ambos os ministérios ou se os primeiros três eram profetas e os últimos dois mestres. apesar de Chipre ter sido mencionada em Atos 11:19. Evangelistas anônimos também pregaram o evangelho aos "helenistas" em Antioquia. O quinto líder era Saulo. Foi quando eles estavam "servindo ao Senhor. finalmente. vai ser dado esse passo significativo. em grego chamado o "syntrophos" de Herodes o tetrarca. que foi descrito com "um levita. Lucas não explica a diferença entre esses ministérios. natural de Chipre" (Atos 4:36). O terceiro era Lúcio de Cirene e alguns conjecturam que Lucas se referia a si mesmo o que é muito improvável já que ele preserva seu anonimato em todo o livro. Ele só nos dá os seus nomes. Algumas perguntas precisam ser respondidas. pois isso implicaria em três deles serem instruídos acerca dos outros dois.13:2). Os dois diáconos evangelistas prepararam o caminho. e jejuando" que o Espírito Santo lhes disse: "separai-me agora a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado" (At.

por ter recebido instruções do Espírito. Notamos que o jejum não é mencionado isoladamente. para testar o chamado de Deus e em parte para interceder pelos dois que seriam enviados. após a imposição de mãos. Possivelmente Paulo e Barnabé já possuíam anterior convicção do chamado de Deus e esta verdade foi aqui revelada para toda a igreja. Precisamos observar também que tanto Abrão como Saulo e Barnabé precisariam. O primeiro é a tendência para o individualismo pelo qual uma pessoa alega direção pessoal e direta do Espírito sem nenhuma referência à igreja. Independente de como o receberam. quando Paulo e Barnabé retornam. Mas de acordo com o versículo seguinte foi a igreja que. ou seja. os despediu. O jejum é uma ação negativa em relação a uma função positiva. em parte. O mais provável é que Deus tenha falado à igreja através de um de seus profetas. Mas seu chamado também poderia ter sido interno e não externo. "impondo sobre eles as mãos os despediram". Portanto creio que seria certo dizer que o Espírito os enviou instruindo a igreja a fazê-lo e que a igreja os enviou. Qual o conteúdo da revelação do Espírito Santo à Igreja em Antioquia? Foi algo muito vago e possivelmente nos ensina que devemos nos contentar com as instruções de Deus para o dia de hoje. Esse equilíbrio é sadio e evita ambos os extremos. Mas ele também o usa no sentido de dispensar. Isto não era uma ordenação ao ministério muito menos uma nomeação para o apostolado já que Paulo insiste que seu apostolado não era da parte de homens. prestam conta a toda a igreja por terem sido comissionados por ela. comissionando-os para o serviço missionário. É verdade que o último verbo pode ser entendido como "deixou-os ir". ao que parece. livrando-os de suas responsabilidades de ensino na igreja. prontos para a obediência. para obedecerem a Deus. pois às vezes Lucas usa o verbo "adulou" no sentido de soltar. ou nunca. Na verdade em ambos os casos o chamado era claro mas a terra e o país não. A instrução do Espírito Santo foi "separai-me agora a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado". pois raras vezes. ou seja. muito semelhante ao chamado de Abrão: "vai para a terra que te mostrarei".14:26-27. Como foi revelado o chamado de Deus? Não sabemos. Quem comissionou os missionários? De acordo com Atos 13:4 Barnabé e Saulo foram enviados pelo Espírito Santo que anteriormente havia instruído a igreja no sentido de separá-los para ele. darem um passo de fé. Ele é ligado ao culto e à oração. pelo qual todas as decisões são tomadas pela igreja sem 235 . a primeira reação deles foi a de orar e jejuar. o jejum é um fim em si mesmo. mas sim uma despedida. através do testemunho do Espírito em seus corações e mentes. Então jejuando e orando. O segundo é a tendência para o institucionalismo.

Não existe chamada mais honrosa e elevada que a divina para o ministério integral. e em especial aos seus líderes. 25 – 27). É senso comum que qualquer outra atividade desenvolvida pelos cristãos tem sua pertinência na Causa de Cristo e não deve ser minimizada. Chamado missionário não é um ato voluntário. detalhes que merecem análise. missionários e pastores. está deixando um lugar onde tem exercido um ministério fiel e pleno de frutos. ainda. a fim de descobrir a quem ele está concedendo dons ou chamado. não me esquivei de vos anunciar todo o conselho de Deus.. estou limpo do sangue de todos" (Atos 20. Assim precisamos evitar o pecado da omissão ao deixarmos de enviar ao campo aqueles irmãos com clara convicção de que foram chamados por Deus.passei pregando o reino de Deus. a Escritura Sagrada dá grande importância a homens e mulheres que foram separados como profetas. uma despedida carregada de emoção. mas sem confirmação do Espírito à igreja. nada cobiçou de outras pessoas. bem como a precipitação de o fazermos com outros que possuem os dons para tal. Parte XXXIX MINISTÉRIOS FIÉIS ". É.. na verdade. 236 . ser sensível ao Espírito Santo. Portanto cabe a toda igreja local. No entanto. menciona. é uma obediência à visão do Senhor. Conclusão Não há indícios para crermos que Saulo e Barnabé eram voluntários para o trabalho missionário. não o reservava para si.. havia transmitido a vontade de Deus sem quaisquer reservas. E há. Eles foram enviados pelo Espírito através da igreja.. O apóstolo Paulo mesmo demonstrou uma clara visão do seu ministério. que sempre trabalhou com as próprias mãos para satisfazer as suas necessidades pessoais. seu trabalho.nenhuma referência ao Espírito. O equilíbrio é ouvir o Espírito. Paulo está com sentimentos divididos: está triste e alegre. apóstolo. pelo contrário. Paulo menciona que sua palavra sempre foi destemida.. mas ajudava a suprir as necessidades de outros menos validos. e suas cartas o revelam (1). evangelistas. É tristeza por deixar aqueles a quem ama.. no seu desenvolvimento. mas prazeroso por ter sido o instrumento de sua conversão. O contexto da porção bíblica escolhida é que Paulo. obedecê-lo e fazer da igreja local um ponto de partida para os confins da terra.

obreiros em geral para manter a pureza e a intocabilidade da Igreja de Jesus Cristo sob a sua liderança espiritual. prioritários. Spurgeon fez referência a pregadores que enfatizavam apenas certas doutrinas.. O método de Deus para a salvação dos perdidos não é outro senão a pregação. consagração e abandono de seu espírito ao Espírito de Deus. precioso é o evangelho. 237 . 25). de todos os fiéis ministros. Paulo recorda aos seus colegas de ministério algumas realidades próprias do seu múnus ministerial e profético: o dever que não é outro senão vigiar. insta a tempo e fora de tempo"(5). Entretanto. por extensão. pelo contrário. os ministros fiéis não se prendem a um assunto favorito. cuidar do rebanho do Senhor que lhes foi confiado. ajudam. traz à memória de seus amados três características de seu próprio ministério. espera-o e o enfrenta com a plena consciência de toda a direção é do Espírito.19-26 e 3.(2)" Outros métodos são auxiliares. alimentar. missionários. para ela é escolhido. prioritário é pregar. antes. não são. proclamar essa mensagem abençoada e abençoadora de um evangelho eficaz para a salvação de todo aquele que crê. porém. evangelistas. bem na medida do pensamento contemporâneo de que "o preço da liberdade é a eterna vigilância". feroz e constante mantida pelos profetas.Outra expressão de Paulo em sua despedida é o enfrentamento do futuro com confiança visto que depende unicamente do Espírito Santo. do secularismo. da inveja ou do sucesso. É verdadeiramente uma luta ingente. CARACTERÍSTICA 2: APRESENTAÇÃO PLENA "Não me esquivei de vos anunciar todo o conselho de Deus" (v. obreiros do Reino de Deus. A palavra pregar é usada por Paulo cinqüenta e nove vezes nas suas cartas. Mesmo não sabendo o que virá no dia seguinte. Filipenses 1.13. CARACTERÍSTICA 1:FIDELIDADE À DIVINA COMISSÃO "Passei pregando o reino de Deus" (v. a cura divina. Para Paulo. e. Esta convicção que queimava a sua consciência ela a reflete igualmente em Atos 21. contribuem. tarefa que ninguém escolhe. pois "aprouve a Deus salvar pela loucura da pregação. Para o apóstolo. Os participantes da obra divina correm o perigo da contaminação do mundo. mas proclamam todas as Doutrinas da Graça. e a Timóteo exortou com a seguinte expressão: "Prega a palavra. não a sua vida(6). o perigo a que estão sujeitos. Antes de sua partida.8. missionários. entre outros tocantes exemplos de dedicação. Até mencionou que "Cristo não me enviou para batizar"(3). 27). e outras igualmente populares. "cheguei a Trôade para pregar o evangelho"(4). Da mesma forma. escreveu.. educadores. pastores. É o que podemos chamar de "evangelho light". profetas. Esses pregadores falam de doutrinas como o reavivamento.

A referência à culpa pela morte de alguém aplica-se. a justificação. incluindo seus aspectos como a eleição. desse modo. como se depreende. A resposta dos ouvintes não era sua responsabilidade. e cumpria sua tarefa. e o levar. Garante a Escritura que a Palavra de Deus "não voltará vazia"(10). Paulo também o disse ecoando o profeta Ezequiel. um pregador tremendamente linear. na verdade. e não se der por avisado. e apelando para que se escolha a vida. eu não sou responsável" Paulo era. e vier a espada.O apóstolo Paulo não se esquivava de fazê-lo. o ministro fiel e destemido não busca a popularidade "amaciando" certas ênfases do evangelho que não apoiadas por alguns.. frase do missionário vertida pela BLH como "se algum de vocês se perder. a redenção. e assim o pregador cumpriu o seu sagrado dever de ressaltar o pecado. Pregava todo o plano de Deus. Pode o missionário. quantas vezes. "o ser humano. o pecado e a graça". o seu sangue será sobre a sua cabeça"(7). Gloriosa certeza! Extraordinária convicção! Em outro 238 . "Lança o teu pão sobre as águas". o pastor ficar tão ansioso e não se lembrar da recomendação bíblica. Nosso problema. Diz a Bíblia na Linguagem de Hoje: "Esse alguém é responsável por sua própria morte". CARACTERÍSTICA 3: OBRIGAÇÃO SEM CULPA "Estou limpo do sangue de todos" (v. e tudo o mais que está contido na Palavra de Deus.1 . tem sido o desejo de ver resultados visíveis em lugar de deixarmos os resultados com Deus. o evangelista. 26). a responsabilidade de atender ao convite para a bênção já lhe foi passada. Na verdade. "estou limpo do sangue de todos" (8). a justiça e o juízo. Seu tema principal é a salvação. ao dever espiritual do missionário/evangelista pela apresentação fiel da mensagem de vida abundante: o pecador é advertido. 25a). a santificação e a glorificação a serem explicados com toda a clareza possível. O Senhor da seara é fiel." (v. Estas palavras são um eco de Ezequiel 33. os Seus servos devem ser fiéis na entrega da mensagem e na obrigação por causa de sua divina comissão. Não deixava de pregar porque certas verdades não satisfaziam os paladares de seus ouvintes porque um ministro fiel não se amedronta diante dos homens. razão porque não precisamos nos preocupar com os resultados visíveis imediatos. ÚLTIMO PENSAMENTOS "E eis agora sei. até porque nos garante a conclusão desta recomendação que "depois de muitos dias o acharás"(9). "todo aquele que ouvir o som da trombeta. ou como já foi resumido com muita pertinência.. deixando que o Espírito faça a obra de convencimento.9.

Cabe-nos corresponder! NOTAS (1) Cf. Sem qualquer sombra de dúvida. etc. 1978) O MINISTÉRIO DA PALAVRA Introdução(1) É interessante observarmos a exigência que muitos cristãos fazem a seus pastores para que dediquem tempo em atividades secundárias.17.. Vemos em Atos 6. Colossenses 1. e sempre pronto a dar sustento emocional.. por essência e definição Seus autênticos mensageiros e ministradores. (8) Cf. (11) 2Timóteo 1. o missionário/profeta/pastor/obreiro/obreira dirá "EU SEI. porém. Lisboa.12 (O Novo Testamento. 10.. 15.!" Sim.14ss. (5) 2Timóteo 4. o Dia do Juízo(11). tem conhecimento de sua pequenez.12a. ousadas que podem afirmar "EU SEI. Atos 20. (2) 1Coríntios 1. v. (4) 1Coríntios 2. no entanto.. e.espaço.1ss. (10) Isaías 55. Há lobos vorazes rondando o rebanho.26b. Atos 20.1. também o fez com a afirmação de "sei em quem pus a minha confiança e estou certo de que ele tem poder para me guardar na minha missão até ao dia marcado". Tradução Interconfessional. (6) Cf.21b. espiritual e forças físicas para o desempenho da tarefa proposta.! EU CONHEÇO O SENHOR DA SEARA!" Que não passemos adiante a sagrada missão evangelizadora que o Senhor poderia ter confiado aos Seus anjos. quanto poder nas palavras emanadas por vidas confiantes. o apóstolo introduziu os pensamentos acima analisados. quanta novidade penetrando como se fossem moderníssimos métodos de proclamação.. (3) 1Coríntios 1.4.14-6. A pregação da Palavra deve ser efetivada por cristãos especialmente 239 .2a.24 (7) Cf. fragilidade e tremenda dependência de um Pai amoroso. prontos a entrar no santo aprisco.10. 1Coríntios 16. Quanta deturpação doutrinária. prescindindo aquelas que o Texto Sagrado preceitua como sendo a função pastoral. cuidadoso..10ss. corajosas.23. (9) Eclesiastes 11. 2Coríntios 2.4 que a tarefa pastoral precípua é a oração e o ministério da Palavra. Sociedade Bíblica de Portugal. Com esta expressão de fé e esperança. foi a nós que Ele o fez.24-2.11.

Aperfeiçoamentos dos crentes O pastor não pode contentar-se em visualizar nos membros da igreja apenas certas atitudes éticas pautadas na Palavra de Deus ou algumas poucas posturas próprias dos costumes e princípios denominacionais. outros a união dos crentes com o Senhor. 1. que no Novo testamento é o equivalente a Davar Elohim. citada em hebraico 394 vezes no Antigo Testamento. Dentre os Ministérios alistados na Bíblia o Ministério da Palavra é o mais rico na sua significação. além das tarefas primordiais indicadas em Atos 6. que emprestam ao ministro dignidade e importância oficial devido a natureza e a qualidade do serviço prestado. É espantoso notar que muitos pastores dirigem igrejas e pregam sem ter uma noção clara quanto a finalidade do Ministério. é o que encerra o compromisso de anunciar a Revelação de Cristo no sentido de uma comunicação divina em forma de mandamentos. sempre divinamente inspirado e autorizado para esclarecer as manifestações de Deus decorrentes da mensagem proclamada. I – Finalidade específica do Ministério Pastoral (2) Em uma pesquisa realizada entre pastores perguntou-se qual seria o alvo final do trabalho pastoral e muitos responderam ser a evangelização. o que ressalta o fato de que não desenvolveram uma visão bíblica para o Ministério da Palavra.28. cristãos "perfeitos em Cristo".vocacionados em distinção a todos os demais Ministérios Eclesiásticos. profecias e conforto para o povo de Deus. é serviço prestado em submissão. subserviência. O pregador da Palavra é o mensageiro de Deus e o verdadeiro mestre da sociedade. Estão pastores mas não são Pastores na acepção bíblica da tarefa pastoral. as responsabilidades alistadas a seguir. O pregador da Palavra de Deus é um profeta que deve compreender claramente a beleza e a universalidade do evangelho. zelo e extremado amor. muitos não souberam responder a questão proposta. Deus espera mais dos pastores e a tarefa pastoral deve esmerar-se em apresentar ao Senhor pessoas maduras e adultas na fé que sejam cumpridores da Palavra.4. É o Ministério do Logos. Colossenses 1. uns poucos disseram ser o preparo do crente para a eternidade e para o mundo atual e. em todo o Novo Testamento. eleito pelo próprio Deus da Palavra para arquitetar os ideais divinos para a sociedade. afim de que os ouvintes passem a orientar e dirigir suas vidas a partir da Palavra proclamada. Palavra de Deus. portanto. A idéia radical inerente ao Ministério. absorto pelo Dom de proclamá-lo com persuasão. Quando buscamos no Texto Sagrado a finalidade específica para o Ministério Pastoral encontramos. diligência e fidelidade. O Ministério da Palavra. lamentavelmente. 240 .

servindo na igreja local. Hebreus 10. Cristãos que tenham uma identidade doutrinária definida e que interagem na obra do ministério da igreja de modo geral. Devemos servir com esmero e amor no presente para que sejamos encontrados fiéis no tempo em que formos convocados ao serviço celestial. Vivemos em uma sociedade cibernética e de realidades virtuais.14-30. 2.43-45. Efésios 4. A igreja não é um estágio no qual apenas esperamos passar o tempo até que Jesus volte. É um chamado à compreensão das diferentes manifestações de Deus no mundo através da igreja local sem prescindir da comunhão em Jesus e da sinergia cooperativa entre as diversas igrejas para que cada uma delas cumpra o seu Ministério.11 e 20-23. O pastor deve ter uma visão horizonal do Reino de Deus.26.21-24. Preservar a unidade da igreja A unidade da igreja é um desafio ao amor e ao respeito que os cristãos devem uns aos outros. preparando-nos para o serviço futuro na glória celestial. sendo a igreja local condicionada pelos sinaléticos denominacionais apenas uma ínfima expressão da grande totalidade do que constitui-se a Igreja de Deus em Cristo.Deus espera que os pastores entreguem a Cristo a obra acabada.22-25 e Apocalipse 22. II – A Relevância da Tarefa Pastoral para a Sociedade (3) Nossa sociedade se admite pós-moderna e adota novos paradigmas socioculturais e eclesiológicos. Mateus 6. que é a figura da igreja universal gloriosa. A igreja não pode 241 . João 12. deve enxergar além do horizonte da igreja local ou de sua denominação. 3. cristãos aperfeiçoados em Jesus. João 17.9-15.3-4. Marcos 10. Capacitar os cristão para o serviço. cheios do pleno conhecimento e firmados doutrinariamente. Apocalipse 7. isto é. A igreja é uma escola de vida e de serviço. Hebreus 12. O Senhor espera que nos preparemos e aprendamos sobre fidelidade e dons de ministérios. Lucas 12. Invisível e Gloriosa.7-10. A convivência na igreja deve nos ensinar a servir no presente. 13. edificados na igreja. Mateus 25.22-24. Gálatas 5.4-7.13-17. Há uma realidade muito maior e superior do que a própria igreja local que é a Igreja Universal. isto é.35-38. Efésios 4. independentemente da condição social ou cultural. 1 Pedro 4. o que nos exige a compreensão das rupturas que se refletem no nosso cotidiano a partir da substituição da mecanicidade pela informação e informatização.13.10-16.

Uma cosmovisão pastoral para a pós-modernidade deve considerar o fato de que o mundo não é algo exterior e que dele extraímos nossos conhecimentos. isto por quê uma mensagem bíblica e profeticamente contundente aborda sobre uma variedade de problemas existenciais e práticos. como faz discurso evangélico tradicionalista que reproduz uma eclesiologia arcaica em detrimento da edificação e da relevância da igreja para a sociedade. o que exige da igreja o redirecionamento dos comportamentos eclesiológicos e pluralidade na expressão cúltica. O pastor tem a vantagem de estar presente em quase todas as ocasiões da vida das pessoas podendo interpretar as revelações proposicionais da Bíblia a partir da atuação de Deus na história. considerando a validade das emoções e da intuição na percepção ideológica da verdade e da fé. Uma atuação pastoral instrutiva e construtiva. tornando a igreja e o labor pastoral relevantes e essenciais para o nosso contexto sociocultural. sua eclesiologia e sua expressão cúltica em paralelo a recusa do verdadeiro conhecimento de Deus. ética e social orientando a igreja para que condicione sua mentalidade. as realidades existenciais. por meio da pregação contextualizada que considera as influências recebidas na formatação da personalidade. como preceitua a Palavra de Deus. descambar para a relativização dos absolutos estabelecidos na Palavra de Deus. dos conceitos éticos e da própria religião. que vive em constante suspeição da própria razão ressaltando a espontaneidade em contraposição à subordinação. Não há como não enxergar a pluralidade dos conceitos éticos e morais estabelecidos pelo situacionismo degradante ancorado e aglutinado em torno de interesses egocêntricos. Nossa sociedade admite variegadas contemplações do mundo supondo que a realidade seja ordenada a partir da observação das leis naturais e do ciclo existencial. indeterminada e participável. A pósmodernidade implica no abandono de qualquer mito legitimador dominante desacreditando das meta-narrativas predominantes. Há que se redefinir a homilia. O pastor não pode fechar os olhos às transmutações da sociedade que privilegia a privatização e a heterogeneização de interesses e valores.ser acometida de refração causada pelas lentes do virtuosismo ufanista e sectário que se recusa à novas e diversificadas percepções da sociedade. deve entender e visualizar a possibilidade de criarmos os mundos. Mediante a essa miopia sociológica é imperioso desenvolvermos uma cosmovisão pastoral que se contraponha à predisposição pós-moderna de rejeitar uma perspectiva unívoca e correta. A Bíblia tem pressupostos para o ceticismo humano e os pastores devem ser dotados de graça e qualificados para a interpretação dos absolutos de Deus em qualquer época da história. sem contudo. bem como uma igreja relevante. Se na pós-modernidade a realidade é relativa. o que só será possível a partir do reposicionamento da atuação pastoral. refutando e ridicularizando as micro-narrativas que se auto-arrogam credibilidade insofismável. 242 . os pastores devem atuar na formação da consciência cristã.

pois a fé cristã é o único misticismo que permite ao homem comunhão consigo mesmo. vocacionado e lapidado para a proclamação da sã doutrina. para o ensino da Palavra de Deus e para o exercício da liderança na igreja de Jesus Cristo. (5) É urgente e premente a necessidade de resgatarmos a credibilidade do Ministério da Palavra pois somente aqueles que abrem seus corações e suas mentes para a mensagem bíblica e à instrução pastoral crescerão espiritualmente. Os resultados disto é profundamente perturbador e causador de uma verdadeira crise de identidade ministerial entre os pastores. Conclusão (4) Não é difícil perceber que a igreja sofre as mais variadas influências e se vê pressionada pelas mais diversas tendências no atual contexto sociocultural. a igreja pós-moderna tem desvalorizado a autoridade pastoral quando exige do Ministro permanecer alheio ao desenvolvimento tecnológico e atrelado as expectativas denominacionais tradicionalistas que jamais promoverão desenvolvimento e maturidade para a igreja e para o próprio pastor. Nenhum outro Ministério Eclesiástico é chamado. Alguns membros das igrejas tecnicamente treinados têm dificuldades em respeitar e ouvir os ministros formados e habilitados em retórica e idealismo denominacional devido a crescente confiabilidade dos modelos de gerenciamento e ao pragmatismo situacionista que corroem as bases bíblico-teológicas legadas aos pastores para a realização de seus ministérios. inigualável.jamais apresentando-se como um discurso paliativo e superficialmente direcionado às necessidades imediatas. a totalidade e a integralidade do ser. O ministério pastoral é a única tarefa que pode oferecer renovada razão de ser para a sociedade em decadência ética e espiritual por enunciar mensagem verdadeira e mística. Podemos ainda considerar de extrema relevância a tarefa pastoral por ser o pastor. O triunfo do individualismo criou uma igreja cheia de pessoas que se recusam a aceitar alguém que lhes diga em que devem crer ou o que devem ou não fazer. Os cristãos que resistem a autoridade pastoral ou que vivem buscando referenciais externos para abalizar a proclamação de seu pastor. no sentido pleno do termo. Na melhor das hipóteses. O padrão sociológico é muito forte e o padrão bíblico é quase utópico no mundo estético e pictórico. o que se verifica pela esquizofrenia resultante do trauma causado pela confrontação da liderança. proporcionando ao ser uma experiência agregária. agindo como salvaguarda da Verdade Apostólica. sem deixar de lado o intelecto. excluem-se da nutrição espiritual que emana do púlpito da igreja. 243 . com a sociedade e com o Deus verdadeiro de forma completa. quando consciente de sua tarefa e de seu compromisso como profeta. pela exortação bíblica e ensino da Palavra. levando-o. a amplitude. a comunhão com o Deus que pode restaurar e regenerar a sociedade. além de se tornarem infelizes. a igreja. a volição e as emoções. o único com argumentos capazes de superar as controvérsias ideológicas e restaurar a unidade.

148 p. Rogai. é o crescimento do crente individual e da igreja como corpo forte. Pregar deverá ser a demonstração pública de que a Palavra de Deus opera no pastor. 334 p. É. Campinas: Associação Evang. O tom da liderança pastoral deverá ser estabelecido na autoridade moral e espiritual que os pastores exibirão na pregação bíblica.(pp. os versos 11e 12. 31-37). E esses dom foram dados por Deus em resposta às orações do Seu povo. 1998. (pp. a consecução do múltiplo propósito que Jesus tem para Sua igreja que é o de derrubar as portas do inferno. é o estimulo à obra do discipulado. pois. O termo é usado aqui para indicar o vislumbre de nossa sociedade pelo colorido das imagens e da televisão na formação de conceitos os mais diversos. 1981. mas os ceifeiros são poucos. poderoso. 38 está registrado: "Jesus diz aos discípulos: A seara é realmente grande. (pp. Pastor-teólogo na Pós-modernidade: Uma abordagem teológico-fiolosófica a respeito da atuação pastoral na sociedade pósmoderna. resultado de oração incessante e de inspiração autoconfrontante. Trabalho Pastoral. Trad. 1991. A Doutrina Bíblica do Ministério. (pp. O povo de Deus pedia. São Paulo: Vida. Menonita. Cada sermão é uma proclamação específica de Deus para um momento específico na vida de seu povo. Fernando C. Que Deus nos ajude. (5) Pictórico é algo relativo ou próprio da pintura. (3) FERNANDES. 1999. o de resgatar vidas das mãos de Satanás. 37-38 e 46) (2) BARRIENTOS. de batizar essas pessoas e de discipulá-las. Ed. 2. Em Mateus 9. o ministério da Palavra é um dom especial de Jesus Cristo à Sua igreja.Mestrado em Teologia Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil] . Alberto. 304-307 e 318). 99-107) (4) FISHER. havendo um objetivo definido para esse ministério. Pregar sem autoridade rouba a essência da Palavra de Deus. Rio de Janeiro: JUERP.37. o Senhor cria um momento que é especialmente divino e que não pode ser repetido. Notas (1) CRABTREE. Trad. ainda. 278 p. [Dissertação . David. O Pastor do Século 21. 128 p. Asa R. O trabalho do pastor atinge seu auge no púlpito. Kédma Rix. sendo o instrumento que o Senhor utiliza para ministrar à igreja e ao mundo.Não é exagero asseverar que no século 21 o exercício do ministério pastoral ficará ainda mais difícil. ao Senhor da seara 244 . Quando o pastor prega a Palavra de Deus. O propósito é o treinamento dos crentes. na unção e instrumentalidade do Espírito Santo. visto que nossa sociedade se pauta pela negação da autoridade e pelo fato de nenhum outro ministério eclesiástico exigir cometimento e subordinação a autoridade como no caso do Ministério da Palavra. QUE É UM PASTOR? De acordo com Efésios no capítulo 4. Yolanda Krievin. robusto. Rio de Janeiro.

Por isso a pergunta base é: Que é um pastor? Estamos trabalhando em cima de um tema que já foi objeto de reflexão. todos estavam trabalhando. Relatos da Bíblia mostram que quando Deus ou o Senhor Jesus Cristo chamou. nem filho de profeta". Por essa razão. e essa razão está na palavra de Jesus Cristo em João no capítulo 15 que diz "Não fostes vós que me escolhestes mas fui eu que vos escolhei e vos designei para que vades e deis fruto. que ele estava muito enganado. mas. Perguntei-lhe. Por isso. um sentimento tão forte naquele que é chamado que levou Isaías. aqueles que estão ainda se preparando para o batismo. Profeta não é isso. no final do verso 8 onde ele diz: "Envia-me a mim". porque o ministério. Ou como Davi que também apascentava ovelhas e os outros que acabei de mencionar. "Qual é a evidência que você tem de que Deus está chamando você para ser pastor?" Ele não era ovelha minha. Profecia não é adivinhação do futuro. o pastorado. que estava cultuando no templo. "Mas o Senhor me tirou de após o gado e me disse: Vai. ninguém queira que eu adivinhe o futuro. É assim que Deus age. o episcopado não pode ser abraçado como se escolhe uma profissão." É assim que Deus faz. Amós estava apascentando o gado e quando ele estava pastoreando o gado. Então eu acho que é por isso que Deus está me chamando para ser pastor". Não pode ser uma pessoa que não tenha chamada. Que é um Pastor? O PASTOR É UM PROFETA E essa é uma palavra muito interessante. 2Coríntios. porque Deus não chama fracassados nem desocupados. especialmente os crentes mais novos. Lembro-me de um moço que me procurou uma ocasião e disse que achava que Deus o estava chamando para o ministério." E se alguém abandona essa chamada há de ser infeliz. E isso tem base bíblica. se você também ouviu a chamada e não entrou no ministério. o vocacionado estava numa atividade como Moisés que apascentava ovelhas. no entanto. A mesma coisa aconteceu com Amós. Todos estavam na sua profissão. pescando ou no escritório como fiscal de rendas. "Uma chamada divina. E quero dizer aos irmãos. A Escritura Sagrada enfatiza a vocação divina." Era agricultor. se alguém entra no ministério sem chamada vai ser um infeliz. capítulo 3. Ele está falando aqui a Amazias. "Mas boieiro e cultivador. Respondeu-me: "Pastor. fala sobre esse assunto. o que se requer daquele que busca o ministério da Palavra é uma convicção da chamada especial da parte de Deus. consertando redes. vai ser tremendamente infeliz por uma razão. E respondeu "Eu não era profeta. Na 245 . Disse-lhe que não fosse para o seminário. era de uma outra igreja e viu escrito na parte externa do templo ACONSELHAMENTO. ouviu a palavra do Senhor. Quando Jesus Cristo chamou os seus apóstolos. Talvez temos agora alguma variante. a exclamar como está registrado em Isaías no capítulo 6. Ou como dizia o saudoso pastor Valdívio Coelho. eu acho que Deus está me chamando para o ministério porque já fiz o vestibular três vezes e fui reprovado.que envie ceifeiros para a sua seara". então entrou e veio se aconselhar. que envolve um preparo divino para uma obra divina". profetiza o meu povo Israel.

. A Bíblia diz que sempre existiram aproveitadores.mente de muitas pessoas significa uma predição do futuro. vai chegar a derrota e na Palavra Santa está com toda clareza e com toda as palavras a expressão de Provérbios 29 que fala "Não havendo profecia o povo se corrompe". todos eles se tornam para o seu caminho. o ministro da palavra tem mensagem. 246 . quando a proclamação não existe. nem lhes falei. ou seja. Há tantos desqualificados sendo chamados de "pastor" que é uma verdadeira calamidade. cada um para sua ganância. fundamental do profeta é se colocar entre Deus e a pessoa humana e comunicar o propósito eterno. Por isso. Como profeta. "assim diz Walter Baptista". exorta. E a Bíblia ensina que isso é um carisma. "Ou palavra do Senhor que veio a.". não. todos sem exceção" (Is 56. de salvação que deve ser sempre fiel e reta e ortodoxa. não os enviei. Mensagem de luz. isso não é ser profeta. Mas a Bíblia mostra que não é assim. Querem ver mais? Jeremias 14:14. que sempre existiram cavadores de lucro. a função primária. por que proclama a palavra do Senhor. nunca se podem fartar. comunicar a sua vontade. mensagem de vida.11). "Estes cães são gulosos. que sempre existiram mal intencionados. a palavra tem conotação muito mais ampla. 1Coríntios capítulo12 menciona entre os dons o de profecia. Como está na Bíblia Sagrada. E porque profetiza. Apesar de uma tradição milenar desde o tempo dos profetas. vaidade e o engano do seu coração é o que vos profetizam". É um quadro que vemos amiúde. Palavra de orientação para a vida porque Jesus Cristo é o mesmo ontem. É como está colocado. são pastores que nada compreendem.. consola homens individualmente e a igreja como um todo. basilar. hoje e eternamente. Sem dúvida alguma irmãos há uma tradição milenar atrás de cada sermão que é pregado de qualquer púlpito cristão. No entanto. deve advertir sobre a justiça e deve advertir sobre o juízo de Deus. a palavra do profeta nunca é: "Assim eu digo". porque edifica. E aquele que é arrependido deve apontar a misericórdia e deve apontar o perdão de Deus e a bênção da vida com Deus. Cada sermão há de chamar a atenção para as conseqüências morais e espirituais da conduta do ouvinte. muito mais profunda e mais consistente e séria porque pela Bíblia Sagrada. adivinhação. mensagem de conforto. E mesmo assim. profeta é quem fala em nome de Deus. cada sermão deve advertir sobre o pecar. Não. Cada profeta então é uma sentinela guardando a doutrina que veio dos lábios do Senhor e do ensino apostólico. uma adivinhação. cada sermão deve ser atual. nem lhes dei ordem. E a palavra de Deus vai dizer assim. A palavra do profeta é: "Assim diz o Senhor". Sentinela e pastor. "Disse-me o Senhor: Os profetas profetizam falsamente em meu nome. Talvez na linha daquele povo que diz assim: "Previsões para o ano 2000". é o porta-voz de Deus. Portanto. visão falsa. Acontece que hoje está muito fácil se chamar "pastor". de inspiração.

ao anjo. então. o grande Charles Spurgeon. Por isso. vai ter que pregar em algum lugar". Entrou no auditório. foi para o palco. fazia a volta e ia. nem ampliação de som. Ia lá e vinha cá. Quando ali chegou. E no Apocalipse também a palavra "anjo" é usada largamente quando as sete cartas são enviadas ao pastor. E Paulo se refere a isso quando em Gálatas no capítulo 4. entrou em um auditório que recém-inaugurado em Londres. Paulo recomenda "Não desprezeis as profecias". incauta e até mesmo aquele que está desejosa de ser manipulada. menina! Que história é essa. não me rejeitastes. Tudo era à viva voz. e. Sou fascinado pela pregação. Naquele tempo não havia microfone.". Nunca foi tão fácil para alguns. Spurgeon. Quando saio de férias. reivindicarem. "EIS O CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO MUNDO!!!" 247 . Agora ninguém espere ver um par de asas nas costas do pastor Walter nem debaixo do paletó. nem me desprezastes antes me recebestes como a um anjo de Deus". e aquele auditório havia sido construído dentro dos mais modernos recursos de acústica da época. Então há quem queira ver essas asas nas costas do pastor. o quê? Um profeta. A pregação é algo extraordinário! Fico fascinado pela pregação. Nunca foi tão fácil como nos dias de hoje. Mas vamos entender irmãos. não leve o paletó: porque se levar o paletó.. Pastor é. É porque tem uma história que diz que o pastor foi almoçar na casa de uma família. que estava completamente vazio. explorando uma pessoa simples.. talvez devêssemos dizer para tantos. Anjo é aquele que traz uma mensagem. E o evangelista havia ouvido falar sobre isso. Pregar não me cansa. O PASTOR É UM ANJO. Pregar não cansa. A menina respondeu: "Eu estou procurando as asas: a senhora não disse que o pastor é um anjo. Aí a mão disse: "Rosinha pára com isso. a menininha da família começou a andar por trás da cadeira do pastor. que vos apascentem com conhecimento e com inteligência". mas. você andando para lá e para cá?!". E quando chegou. ele diz: "Embora minha enfermidade na carne vos fosse uma tentação. eu sempre levo o paletó. falarem em nome do Senhor. da igreja de Filadélfia e às demais. exclamou: "EIS O CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO MUNDO!!!" e repetiu. e com a voz poderosa de pregador. o Albert Hall. um mensageiro. a palavra do Senhor é tão clara sobre este assunto porque diz em Jeremias 3:15 "Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração. no entanto. Porque a palavra "anjo" tem significado.Há outros textos da palavra.14. recomendam-me: "Pastor. olhava e mexia e tocava no pastor.

Há muito culto que satisfaz mais ao ego dos chamados pastores que realmente às necessidades do povo. "Ninguém despreze a tua mocidade: mas sê o exemplo dos fiéis.. Fomos. Nós preferimos ficar com a Palavra sempre. Como poderia ele falar de uma experiência que não conhece? O que se pode dizer de uma determinada fruta. no espírito. ter comunhão com Ele. É necessário que haja da parte do pastor verdadeira conversão. eu sei que é a mais fedorenta do mundo. no trato. A pregação dele foi só isso: "Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo".. apresentados à durian. não sei porque não tive coragem de experimentar. é verdade. No entanto. 248 . Aliás. deve saber bem e ele deve continuar aprendendo. estava trabalhando na sala do lado quando ouvi o senhor falar lá dentro. por isso pediu que quando viesse. Continuou o homem. Pois é. um homem o procurou e disse: "O senhor que é o pastor Spurgeon?" Ele disse: "Sou eu". Ele tem que ter capacidade mental e eu diria capacidade acadêmica. mas o que ele sabe. Sua vida é vasculhada e os procuradores de agulha no palheiro usam lente de aumento sobre as falhas do ministro do evangelho. Ele precisa conhecer as ciências teológicas. Que não seja amante de novidades. na pureza". O apostolo Paulo ele diz o seguinte ao jovem pastor Timóteo. conhecimento bíblico adequado. Outra coisa que o pastor deve ter é piedade cristã para resistir ao escrutínio das outras pessoas. da graviola. mais espinhenta que a jaca. Timóteo trouxesse o livro. falaram de uma fruta chamada durian. Essa foi a declaração que ouvi por lá. É da família da jaca. afirmando esse fato. Se é mais saborosa. Por isso. se nunca se experimentou da mesma? Quando eu estava em Singapura. andar com Deus. Eu sou pedreiro. Por quê? Para orar com ele? Nem sempre. lendo muito para saber cada vez mais. é algo deliciossíssimo. O homem ficou convencido dessa verdade e se converteu. Hoje é um tempo em que se ama a novidade. No boletim de hoje. Como o pastor tem sido vítima de cobranças fiscais. Não tive coragem porque o fedor era de esgoto em dia de chuva. e li. foi transcrita uma palavra do Pr Nilson Fanini bem parecida com essa. Está na palavra em 1Timóteo 4. Por isso ele precisa de ter todas essas características aí. Ele pode não saber tudo. E essa palavra me tocou". da pinha. nós preferimos o culto digno do nome do Senhor. o pastor é um anjo. e dizem que é a fruta mais saborosa do mundo. Meus amados. da fruta-pão. lendo. Dizem que quando se come um bago da fruta. na fé.12.Experimentou e saiu convencido de que a acústica era excelente. Fede que nem esgoto. Essa fruta é um pouco maior que uma graviola. Ele precisa conhecer a Deus. se não for ortodoxa nem é sadia nem é fé. Quando chegou à porta. "Só quero dizer que aceito a Jesus Cristo. finalmente. não posso falar do sabor da durian porque não o conheço. na amor. Ele precisa ter uma fé sadia também e ter uma fé que seja ortodoxa. o seu gosto. não é demais até lembrar que Paulo tinha muito amor pelos livros. Há muita novidade barateando o culto divino. na palavra. até.

conhecer a pedagogia. animar o cansado. blasfemos. mas há uma terceira o pastor é um homem. da salvação e da libertação e do perdão que vem de Deus. essa legião de testemunhas de que Hebreus fala. três compromissos e a pessoa fica zangada porque a só se pode atender a um deles. que nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis. conhecer a psicologia. Os homens serão amantes de si mesmos. em três lugares ao mesmo tempo. como mensageiro de Deus. 2Timóteo 3:1-5.Precisa conhecer o ser humano também. levantar o que está derrubado na vida. Pastores são não somente humanos mas precisam ser plenamente humanos. Talvez. Agir para aquilo que é forte na sua ovelha continue forte e progrida até e aquilo que é fraco seja colocado com resistências. conhecer as ciências humanas. inclusive no seu dia de folga. na mesma tradição e na mesma palavra que eles anunciaram e pregaram ao seu povo. se possível for. Isso é dito porque há quem espere que o pastor. Razão porque todo pastor pede uma dose de compreensão. gananciosos. do amor. Não é que esteja tendo visões nem fantasmas juntos de mim. na mesma linha. O Pastor é um homem num mundo de homens. E a descrição do coração desses homens ímpios é a de um povo que se distancia de Deus. Como anjo de Deus é mensageiro do Espírito de Deus. seja um bom pregador e que tenha dois bons sermões todo domingo e que tenha um bom estudo em todo Culto de Oração e que atenda no gabinete a qualquer hora do dia. uma dose de paciência e uma dose de tolerância. como mensageiro da palavra divina. como anjo de Deus. o pastor é um anjo. soberbos. profanos". Essas condições que estão aqui em 1Timóteo 3:1-5 são as nossas condições hoje. fortalecer o debilitado e mostrar o caminho ao que está indeciso. ingratos. consolar aquele que está desconsolado. de lascívia. qualquer pastor de qualquer igreja em qualquer lugar. da esperança. e que não tenha tristezas e que tenha inclusive p condão de fazer a maravilha das maravilhas que é estar em dois lugares ao mesmo tempo. desobedientes a pais e mães. mas. É nesse mundo que nós exercemos o ministério. e aí segue com um catálogo de coisas do nosso tempo. com 249 . É um povo saturado de orgulho. as testemunhas do Senhor. e que seja somente sorrisos. fortaleza e ele possa crescer igualmente. conhecer aquilo em que o ser humano é forte e aquilo que o ser humano é fraco. da fé. o joelho tremente. Difícil é ser humano. de um povo que transgride as leis da decência. "Sabe. Primeira coisa que nós dissemos é que o pastor é um profeta. Amós e os apóstolos. apresentam-se as condições do mundo nos últimos dias. sinto ao meu lado quando prego. Aliás. dois compromissos. deve fortalecer aquele que está triste. Sinto ao meu lado Elias e Moisés e Isaías e Jeremias e Ezequiel e Daniel e Oséias. Segunda coisa. São dias difíceis. que não canse e que não desanime em certas horas. Como mensageiro de Deus. Por isso. como já tem acontecido comigo. conhecer as relações humanas. Joel. Em 2Timóteo 3. presunçosos. Descobri que ser anjo não é difícil e que também não é difícil ser profeta.

Porque era uma pessoa que tinha de menos. este tesouro em vasos de barro. Ele é um símbolo diz o doutor Wayne Oates em um livro sobre este assunto. Aí eu quero explicar a palavra mestre e a palavra ministro. sim tinha de menos. não tem o que dizer a quem busca o seu conselho ou a quem vai ouvir os seus sermões. Timóteo. porém. Perseguidos. é exortado à fidelidade à palavra de Deus bem como todos os outros pastores. de orgulho. que quer dizer "mais". de atrevimento. Ministro vem de minister onde está a raiz minus que quer dizer menos. fala de ingratidão.novas formas de piedade. Trabalho pesado era do minister. e é por esse motivo que ele busca ser fortalecido pelo poder do Alto. E essa palavra magister. de onde vem magistério. Isso quer dizer que há de ser homem de oração e totalmente submisso e consagrado a Cristo e à Sua causa. é um ser humano vulnerável. mas. transportar uma mesa. Ele ao mesmo tempo passa e repassa aquilo que ele tem de mais. Ministro era o escravo. abatidos. o magister ou o magistrado eram procurados? Porque tinham algo a mais a oferecer. ele é um servo. O pastor é ao mesmo tempo um mestre e um ministro. É vulnerável por isso. Levando sempre por toda a parte o morrer do Senhor Jesus no nosso corpo. Por isso. Ministro quer dizer escravo. Ao povo que o Senhor lhe confiou. perplexos. os ministros. Pensa-se que hoje a palavra "ministro" é pomposa e nós dizemos o primeiro escalão do governo. magis. O pastor é um homem no mundo dos homens. e não de nós. Os irmãos sabem que a palavra mestre vem do latim magister. enquanto o mundo desce a ladeira do inferno. Mas como o pastor é um servo da palavra. E Paulo fala de blasfêmia. Por que é que o mestre. não tem o que oferecer. de calúnia. Em tudo somos atribulados. para que a excelência do poder seja de Deus. É homem que se apropria portanto da verdade divina e a repassa a suas ovelhas. ele deve manter na consciência que ele pertence ao seu povo. de onde vem magistrado. o Deus vivo e verdadeiro. infelizmente. mas não destruídos. Porque de hora em hora o mundo piora. Ministro quer dizer isso aí. um símbolo da graça e é por esse motivo que lá na Segunda Carta aos Coríntios. no capítulo 4 está dito da seguinte maneira: "Temos. Ele é um mestre e é um ministro. É um homem de Deus mas não é um super-homem. negando. um símbolo do evangelho. mas é um homem de Deus. porém. pegar uma coisa ali adiante. Ele pertence à palavra que ele anuncia. Não o procuravam porque tinha de mais. Ele pertence a Deus que o escolheu e o comprou e o fez ministro de Sua palavra. mas não angustiados. ao mesmo tempo ele também sendo mestre. pois sem Deus na vida. mas não desamparados. ela guarda uma raiz. Mas ele é um ministro. comete o pecado de envelhecer. mas não desanimados. o jovem pastor. era ele que tinha que carregar cargas. mas. é um ministro. do escravo. para que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos". de onde vem magistratura. Dizem que uma igreja 250 . fazer isso. Que ele é um símbolo da fé cristã. Por isso.

" Aí. quando foi escolher o novo pastor. A Comissão de Sucessão Pastoral entrevistou um determinado obreiro já maduro e ficou muito satisfeita com os resultados da entrevista. O que é necessário é amar a Cristo. quando alguém se lembrou de fazer uma perguntinha que estragou tudo: "Pastor. Tu sabes que eu te amo". Ele não disse agapo te." O amor a Jesus Cristo meus irmãos. filho de Jonas. porque ele tinha sessenta e dois anos: não foi convidado. Tito 1. a barreira foi quebrada e nós somos feitos um. são anjos e são homens. na palavra de Deus: 1Timóteo 3. "Ó Senhor. Parte XXXX Dos Sínodos e Concílios Comentário do Capítulo XXXI da Confissão de Fé de Westminster 251 . a resposta. Nenhum desses grandes homens de Deus podia ser pastor. a igreja sentiu que a Comissão murchou. "Tenho sessenta e dois. Foi isso que Pedro respondeu para Jesus. "Senhor. tu me amas de verdade?".estava procurando um pastor. "Senhor. Tu sabes que eu sou teu amigo". Tu sabes que eu sou teu amigo. "Agapo te". Tu sabes que eu Te amo. tu me amas verdadeiramente?" A pergunta foi essa. Nilson Fanini não poderia ser pastor daquela igreja. Virou moda fazer o perfil do pastor. quantos anos o senhor tem?" Responde o candidato. Pedro dizer assim: "Senhor. e não pode ter medo de responsabilidades. Jesus disse. "Senhor.. tu me amas? Simão. fez o "perfil do pastor". A pergunta foi Pedro agapos me? Tu me amas verdadeiramente? E Pedro deu uma resposta infeliz. que pergunta de novo: "Pedro. não pode ter medo de críticas e não pode ter medo do aparente fracasso. razão porque ele busca o poder de Deus. Entre outras coisas dizia que o pastor deveria ter até determinada idade. "Apascenta os meus cordeirinhos. são facilitadores na obra do Senhor e o ministro do evangelho é um servo voluntário como Jesus e há de caracterizar-se pela unção do Espírito debaixo de cujo poder vive. é vulnerável. O pastor é humano. Ele disse: "Filo te" é outra palavra. o Seu rebanho. Porque quando isso acontece. Porque já haviam passado daquela idade. muito humano. agapos me? Ele devia responder. Billy Graham. O único perfil que conheço e reconheço é o que está no Novo Testamento. pastoreia minhas ovelhas. Filo. vem de filos que quer dizer amigo. Por isso. Pedro. Pastores são profetas. no ministério e sempre nesse amor a Cristo. mas. E já que um enorme muro de separação existe e sempre tem existido entre os homens (Paulo fala disso em Efésios 2).1Pedro 5." Mas Jesus perguntou três vezes. Tu sabes que eu Te amo". Os irmãos viram que na Bíblia. Tu sabe todas as coisas. e aos irmãos. é condição sine qua non para que um ministro do evangelho possa se sustentar no evangelho da Palavra. Jesus perguntou a Pedro: "Pedro. Uma igreja em nossa cidade. pastores são cooperadores." E finalmente. simples homens. esse amor de Cristo se estende naturalmente àqueles a quem Jesus Cristo também ama. a Deus. ao ministro do evangelho é confiada a causa da reconciliação porque já chegou a boa nova de que em Jesus Cristo há salvação..

assim como o presbitério e o supremo concílio.) e está registrado em Atos 15. ou seja. pertence aos pastores e aos outros presbíteros das igrejas particulares criar tais assembléias e reunir-se nelas quantas vezes julgarem útil para o bem da Igreja”. portanto. Por exemplo: Doze concílios regionais reuniram-se para debater a heresia ariana entre os concílios ecumênicos de Nicéia. Em virtude do seu cargo e do poder que Cristo lhes deu para edificação e não para destruição. 50 A. “para o bem da igreja”. Sua autoridade não lhes é delegada pelos membros da igreja. representar a igreja inteira. D. em 381. Os resultados daquele Concílio foram normativos para toda a igreja cristã primitiva. um dos grandes tratados teológicos produzidos por aquela histórica e notável assembléia. O poder governante da igreja reside primariamente nos conselhos locais e destes é passado aos sínodos e concílios. “Sínodo” ou “Concílio” é uma conferência convocada pelos líderes eclesiásticos para dar orientação à igreja. Cristo dotou a igreja do poder necessário para levar a efeito a obra que lhe confiou. embora a igreja os escolha para o ofício. mas este é naturalmente restrito de várias maneiras tão logo ela se associe a outras igrejas locais. o sínodo – composto de ministros e presbíteros dos presbitérios – é o grau acima do presbitério e abaixo do supremo concílio (ou assembléia geral) na sua ordem de governo eclesiástico.As várias denominações de hoje empregam a palavra “sínodo” de maneiras diferentes. O capítulo que passamos a compartilhar é parte integrante da Confissão de Fé. Para nós. o sínodo também é um concílio [1]. os presbiterianos. Enquanto participam do poder geral dado a todos os membros. A distinção entre os vocábulos “sínodo” e “concílio” é mais aparente que real. O primeiro concílio ecumênico na história da Igreja foi o de Jerusalém (c. Um concílio pode ser ecumênico (geral) e. Investe todos os membros da igreja com uma certa medida de poder. No entanto. recebem diretamente de Cristo aquela medida adicional que é exigida para o seu trabalho como oficiais da igreja do Senhor. ou seja. o Concílio de Jerusalém deve ser distinguido dos concílios posteriores. e de Constantinopla. Os sínodos e concílios existem “para melhor governo e maior edificação da igreja”. ou pode ser local (particular). Cada igreja local tem um certo grau de autonomia ou independência. mas outorga uma medida especial dele aos oficiais da igreja. em 325. Os interesses da igreja em geral 252 . O governo da igreja presbiteriana pertence aos pastores e presbíteros. tendo representação regional ou local. pelo fato de ter tido uma liderança apostólica [2]. A Assembléia de Westminster (1643-1649) foi um dos maiores concílios na história da igreja cristã de origem reformada. I O propósito dos sínodos e concílios “Para melhor governo e maior edificação da Igreja. deverá haver as assembléias chamadas sínodos e concílios.

sem ter em conta o mandato de Deus. pois estes. beirando (ou até praticando) o despotismo e abuso de autoridade. não cessam de inventar coisas novas. uma acumulação de poder. O pacto que Deus fez antigamente com os sacerdotes levitas foi que ensinassem o que ouviam de sua boca (Ml 2. ou mesmo de irem além. Além disso. mas a condição que se adiciona: que Cristo estará no meio do concílio sempre que o mesmo for reunido em seu nome. mas também pela autoridade através da qual são feitos. decretam o que lhes dá na telha. São obrigatórias às igrejas. diz Calvino. Os seus decretos e decisões. Do contrário correm o risco de ficarem a quem do que se exige deles. exceto em casos em que sejam explicitamente declaradas somente consultivas. 253 . que são a regra da perfeita sabedoria. determinar regras e disposições para a melhor direção do culto público de Deus e governo de sua Igreja. no qual proíbe que se acrescente ou diminua algo à sua Palavra. mas obrigatórias.20). mas aos concílios em geral. A autoridade dos sínodos e concílios deve ser segundo a Palavra de Deus. O que isso significa? Não estão reunidos em nome de Cristo os que. Resolvam essa dificuldade os adversários. É a mesma espécie de poder. mas tenha posto um sinal particular para diferenciar os verdadeiros dos que não são. nem lhes daria autoridade alguma. se desejam que se dê crédito às decisões dos homens tomadas à margem da Palavra de Deus [4]. Cristo não promete nada a não ser para quem esteja reunido em seu nome. E àqueles que quebrassem esse pacto Deus não os reconheceria como sacerdotes seus. a menos que sejam demonstradas como contrárias à Palavra de Deus. não há promessa maior do que a que se encontra nas palavras de Cristo: “Porque. ou concílios. ali estou eu no meio deles” (Mt 18. visto que essa autoridade é uma ordenação de Deus. Desde que diversas igrejas são representadas há. devem ser recebidos com reverência e submissão. não contentes com os oráculos da Escritura. controvérsias quanto à fé e casos de consciência. não podemos fazer pouco caso dessa diferença. não representam uma espécie de poder superior do que se investe nos conselhos. As assembléias maiores. sendo consoantes com a Palavra de Deus. onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome. mas representado num grau maior.7).não podem ser sacrificados pelos de qualquer igreja local [3]. E visto que Jesus Cristo não promete estar presente em todos os concílios. receber queixas em caso de má administração e com autoridade decidi-las. não só pela sintonia com a Palavra. se queremos saber qual é a autoridade dos concílios segundo a Escritura. II A autoridade dos sínodos e concílios “Aos sínodos e concílios compete decidir. Ele também pediu o mesmo aos seus profetas e apóstolos. Segundo Calvino. ministerialmente. Isso se aplica não somente a qualquer reunião particular. designada para isso em sua Palavra”. as decisões dessas assembléias não são meramente só consultivas. Contudo. naturalmente. não é essa a dificuldade da questão.

O Novo Testamento é muito claro nisso. vai refletir primeiramente na igreja representada por ele. ou por conselhos. A igreja é o termômetro das resoluções de um concílio. “O Espírito revelou o que os líderes da igreja deveriam dizer e fazer” [6]. Uma igreja pode ser bem ou mal representada. eles. recomenda-se a submissão a elas por amor à paz. tendo reunido a comunidade.III A falibilidade dos sínodos e concílios “Todos os sínodos e concílios.28). IV O caráter eclesiástico dos sínodos e concílios “Os sínodos e concílios não devem discutir nem determinar coisa alguma que não seja eclesiástica. eles podem e devem ser usados como auxílio em uma (fé) e outra coisa (prática). Após a decisão do primeiro concílio da Igreja – que se reuniu com o propósito de opor-se aos esforços judaizantes – os que foram enviados à Jerusalém desceram logo para Antioquia e. mas o seu representante. não devem constituir regra de fé e prática. Mas quando o Espírito Santo (assim como a Bíblia) não passa de inocente útil para satisfazer a carnalidade humana. Isso. E não podia ser diferente porque o que foi resolvido ali “pareceu bem ao Espírito Santo e a nós” (At 15. Se as decisões deles forem pouco sábias. e muitos têm errado no decorrer da história porque são formados por homens que podem e têm errado [5]. Quando um concílio se submete verdadeiramente ao Espírito de Deus o resultado são decisões positivas e salutares para a vida da igreja. então devemos rejeitá-las e sofrer as conseqüências [7]. mas não se opõem diretamente à vontade de Deus. quer gerais quer particulares. e muitos têm errado. Embora os sínodos e concílios não devam constituir regra de fé e prática. “Quando a leram. seja ela boa ou má. Todos os sínodos e concílios podem errar. mas podem ser usados como auxílio em uma e outra coisa”. Uma decisão conciliar equivocada é aquela que resulta em algum prejuízo para a igreja. O concílio não é a igreja. se o magistrado civil os convidar a fazê-lo”. porém. O caráter eclesiástico dos sínodos e concílios nunca deve ser perdido de vista. sobremaneira se alegraram pelo conforto recebido” (At 15. podem errar. portanto. não devem imiscuir-se nos negócios civis do Estado. em satisfação de consciência. o resultado pode ser terrivelmente desastroso para a igreja. Percebe-se que a igreja de Antioquia foi ricamente abençoada pela decisão daquele Concílio.31). entregaram a epístola. explica. mas não justifica uma decisão conciliar equivocada. desde os tempos dos apóstolos. a não ser por humilde petição em casos extraordinários. Mas se as decisões são contrárias à Palavra de Deus. Por serem assembléias eclesiásticas. não estão sob a jurisdição dos sínodos e 254 . Qualquer resolução do concílio.

562. BERKHOF. 1986.11-17). Sínodo.51. Institución de la Religión Cristiana. In: EHTIC. Parte XXXXI 255 . D. em satisfação de consciência. HALL. p. J. Concílios Eclesiásticos. Exposition of the Acts of the Apostles. e do cumprimento desses deveres como obrigação religiosa (cf. A. têm que ver com (a) assuntos que devido a sua natureza correspondam à jurisdição de assembléias menores. 1987. 1990. L. São Paulo: Vida Nova. Berkhof.ix. Barcelona: CLIE. S. H. Isso tudo é compreensível porque aos sínodos e concílios somente lhes correspondem assuntos como os de doutrina e moral. A. Notas [1] Portanto. In: EHTIC. 1990. Contudo. IV. políticos. toda vez que aparecer a palavra “concílio” neste artigo entenda-se concílios em geral. ditas assembléias menores não podem resolver. Grand Rapids: T. se por um lado os sínodos e concílios não devem tratar de assuntos que pertencem à jurisdição do magistrado civil. Rm 13. 318. [7] Cf. Hodge. p. [3] Cf. Calvino. 1985. H. p. Vol. 261. III. Bibliografia A Confissão de Fé de Westminster. A. ___________ Teologia Sistemática. [8] Cf. A. São Paulo: Cultura Cristã.L. p. mas que por uma ou outra razão. São Paulo: Vida Nova. A. Hall. H. L. Acts. Mais particularmente. a não ser por humilde petição deste em casos extraordinários. 350. 2a ed. comerciais ou equivalentes. Comentário. 3a ed. Manual de Doutrina Cristã. Grand Rapids: Baker Book House. Vol. do outro eles devem ensinar aos membros das igrejas seus deveres com respeito ao poder civil. [6] Kistemaker.11.concílios assuntos meramente científicos. WHEATON.ix. Manual. 1988. de governo da igreja e disciplina. CALVINO. Vol. HODGE. Institución. J. 1997.1-7.2. IV. 350.E. a ordem eclesiástica ou a liturgia da igreja. New Testament Commentary. J. Comentário de la Confesión de Fé de Westminster. visto que pertencem às igrejas em geral. e (b) assuntos que devido a sua natureza. 1987. 1Pe 2. tais como assuntos relacionados com a confissão.10. Hodge. Países Bajos: Felire. [2] Cf. ou por conselhos. p. Calvino está pensando principalmente nos concílios católicoromanos. KISTEMAKER.L. [4] Institución. J. correspondam à jurisdição de uma assembléia maior. Campinas/Patrocínio: LPC/Ceibel. A. Concílios eclesiásticos. se o magistrado civil os convidar a fazê-lo. [5] Cf.. e quaisquer outros que tenham a ver com a preservação da unidade e da boa ordem na igreja de Jesus Cristo. Comentário. II. I. Não devem se envolver nos negócios civis do Estado. quando toca diretamente nos interesses da igreja [8].

ele pede ao leitor que obedeça a eles. Eles certamente são. b. João Calvino escreve que.Obedeçam a Seus Líderes Comentário de Hebreus 13. 1Pe 5. Cuidado prestado. isso não quer dizer que os membros não são tidos como responsáveis.18). a admoestação do autor para não se deixarem “envolver por doutrinas várias e estranhas” (13. por exemplo. como quem deve prestar contas.17. A falta de obediência prevalece entre alguns dos leitores.11. Antes.17 .9). pois quanto mais alguém sofre por nossa causa. diz o autor de Hebreus (13. E no versículo 24 o escritor mais uma vez emprega essa expressão. as pessoas não devem questionar sua autoridade (At 20. Ef 4. são vigilantes em cuidar dos membros. o apelo para obedecer a eles e submeter-se à sua autoridade é oportuno. maiores também nossas obrigações para com eles”. esse perverso morrerá na sua iniqüidade. assim. mas o seu sangue da tua mão o requererei” (3. nutre-os espiritualmente.28. Esses líderes devem prestar contas a Deus. pois velam por vossa alma. Os líderes ficam com a congregação. Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles. 256 . e quanto maior for sua dificuldade e maiores os riscos que enfrentam por nós.Por Simon Kistemaker Este versículo não tem conexão com os versículos precedentes. Os líderes levavam a sério a tarefa que lhe havia sido dada por Deus. porque ele é o superior deles. “Pois velam por vossa alma. que Cristo lhe deu autoridade. para lhe salvar a vida. pregadores ou professores. Nós precisamos voltar ao versículo 7 onde a mesma expressão – seus líderes – ocorre. maior honra merecem. Se um líder é um ministro dedicado da Palavra de Deus. para que façam isto com alegria e não gemendo.1-3). desviam ataques malignos e administram disciplina quando necessário.7). e tu não o avisares e nada disseres para o advertir do seu mau caminho. eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel. os leitores poderiam questionar se essa autoridade era auto-imposta pelos líderes ou delegada a eles por Cristo. Assim. Obediência exigida. Líderes após líderes tomaram seus lugares. Eles devem ser relembrados por sua conduta e fé. Eles conhecem a Palavra de Deus falada ao profeta Ezequiel: “Filho do homem. Nesse versículo em particular. da minha boca ouvirás a palavra e os avisarás da minha parte. O escritor não está interessado na posição desses líderes – ele não dá qualquer idéia se eram presbíteros. ele prova. Quando eu disser ao perverso: Certamente. “Quanto mais pesada a responsabilidade deles. Observe. o autor enfatiza três pontos. E se Cristo confiou a tarefa de liderança a alguém. Os líderes que haviam falado a Palavra de Deus anteriormente não estavam mais presentes. É claro. Os líderes precisavam de ajuda e encorajamento.” Eles literalmente perdem sono por causa do bem-estar espiritual dos crentes. bispos. 17. porque isto não aproveita a vós outros. morrerás. a.

durante o tempo que se chama Hoje. Ao dificultar o trabalho e a vida dos líderes. Para mencionar um exemplo. OS RUMOS DO EVANGELISMO NA IGREJA PRIMITIVA E NA IGREJA CONTEMPORÂNEA Apesar de muitos pensamentos ao contrário. o Senhor vinga e julga seu povo (Hb 10. Essa pessoa morrerá em seu pecado.35. Se eles todos respondem de modo favorável.13).19). Onde um Império destes beneficia o Evangelho? A resposta é simples! Os evangelistas utilizavam-se das mesmas estradas usadas pelos comerciantes para disseminar a Palavra de Deus. Dt 32. Roma não era a potência mundial? César não era o “senhor” da época? Não havia pobreza e opressão por causa do Império ditador vigente? A resposta é sim. Eles recebem as bênçãos do Senhor ao obedecer os líderes que Deus lhes deu. então. há alegria nos relacionamentos interpessoais da igreja. Os líderes podem testificar diante do Senhor que advertiram a pessoa desviada. para que a tarefa dos líderes seja uma alegria e não um peso. Os membros devem entender que nem eles nem os líderes são donos da igreja. De maneira pastoral e prudente. Por toda sua epístola o autor enfatizou a responsabilidade corporativa dos crentes. harmoniosamente. Mas. onde o comércio se propagava com facilidade. A igreja pertence a Jesus Cristo. ele exorta os leitores a encorajarem-se mutuamente: “Pelo contrário. como um corpo eles devem responder a seus líderes. Sl 135. também. pois.14). No final das contas. aquele foi o melhor momento de Jesus vir ao Mundo. Quando os membros se recusam a obedecer e não respeitam seus líderes. eles serão os perdedores. A 257 . então. Foi a época da frase: “Todos os caminhos levam à Roma”. Por que não observarmos o mover do passado tirando dele lições preciosas para o presente? A Igreja Primitiva tem muito a ver com o que pensamos sobre evangelismo na Igreja Contemporânea! I. o trabalho na igreja se torna um grande peso. a quem os leitores são responsáveis. sobre a conduta espiritual dos leitores não será vantajoso para nenhum deles. é deve ser sim! Roma construía grandes estradas para cidades circunvizinhas. o escritor de Hebreus observa que um relatório triste.30. ou ela nos serve apenas para mostrarmos conhecimento livresco e ostentação de datas e nomes antigos? Foi desta pergunta que surgiu o interesse em escrever sobre este assunto! O evangelismo na Igreja Primitiva tem muito a nos ensinar hoje. a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado” (3. Alegria experimentada. Todo o comércio era obrigado a caminhar pelas estradas de Roma. mas os líderes estão livres da culpa (Ez 3. De maneira semelhante. que escolheu não abandonar o pecado.36.Eles. c. Parte XXXXII Evangelismo Ontem e Hoje INTRODUÇÃO Podemos aprender com a História da Igreja. exortai-vos mutuamente cada dia. ao invés de alegre. devem trabalhar juntos. o trabalho de seus líderes se torna muito mais alegre.

que apenas conheciam deuses carrascos e extremamente exigentes! Sabe-se de uma religião daqueles tempos. não necessitando o ser humano fazer mais sacrifício ou penitência alguma! Isto era algo muito chamativo para as pessoas da época. pois exigia-se do convertido. o comerciante ia pelo dinheiro. Na verdade. 7:5). que achavam ser um ato de selvageria. pois ficaram ao lado de César na guerra e. era que. para aqueles que crêem (Hb. onde haviam morte ou dor. As religiões serviam para saciar o desejo de segurança espiritual dos homens. Num período onde as religiões de “mistério”.. onde as pessoas tinham que ser “iniciadas”. ao contrário do que alguns pensam. muitas delas. conseguiram disseminála também. isto é. o Evangelho veio como um refrigério. seus pontos de interrogações e incertezas não diminuíam. Mas. por Cristo Jesus. muitos começaram a aceitar a religião cristã. na Graça. Um outro benefício disto. na época da Igreja Primitiva. para se viajar. 16:24) através do sacrifício já feito na cruz do Calvário. E isto foi causa até mesmo de grandes proselitismos e ajudas vindas deles (Lc. eram fiéis à preferência deste Imperador.diferença estava nos propósitos de cada um. ao contrário disto. os homens ainda ficavam na incerteza. uma faísca que ajudou na grande fogueira do cristianismo. inclusive. ofereciam medo para adentrar-se nelas e ainda. isto é. Principalmente porque os judeus tinham grandes privilégios para com os romanos. após serem iniciados. passaram até a admirar os costumes e religião dos judeus. que são monoteístas. de barriga para cima.C. até os tempos da Igreja Primitiva. Porém. Assim. achando que os sacrifícios deles também eram assim. para ser iniciada nela. 258 . “estariam nossas atitudes agradando as exigências de tais leis?”. principalmente o da circuncisão. os judeus. renúncia do “eu” (Mt. O judaísmo foi. Os romanos. com tantas exigências rituais enquanto participavam das tais. por sua vez. passar por processos de “batismos” de aceitação e “pactos” de sangue. Muitos romanos da época não aceitavam o judaísmo como religião por causa de seus rituais. que a pessoa. os filósofos começaram a disseminar o politeísmo (embora crescem eles em algum tipo de monoteísmo). de uma vítima ou do próprio iniciado. com seu sacrifício perfeito – Jesus Cristo – conseguiu suprir todas as necessidades e incertezas humanas. por exemplo. haviam religiões fundamentadas nos dois princípios – monoteísta e politeísta. No Primeiro Século a. sem precisar de “burocracia” nenhuma. “como consegue-se alcançar exigências tão transcendentes sendo o homem tão falho?” O Evangelho. 8 – 10). geravam mais dúvidas e indagações como: “estaríamos conforme as exigências rituais religiosas prescritas na lei por nós seguidas?”. não necessitava-se de passaporte! Sabe-se até de um certo homem que viajou para Roma 72 vezes. quando a circuncisão foi substituída pelo batismo nas águas. continuaram com sua crença e. para que seus pecados fossem perdoados! Os romanos se assustavam com a religião judaica porque acabavam generalizando. e um animal era sacrificado sobre sua barriga. quando as pessoas adentravam as religiões da época da Igreja Primitiva. Mas. devia deitar-se no chão. já os evangelistas iam por Cristo. principalmente a segurança após a morte.

É certo que houveram tempos onde os cristãos foram fortemente perseguidos por alguns líderes romanos. nem que o Ser equiparado a Ele. fosse de Sua mesma natureza. na igreja contemporânea não temos de igual modo uma língua quase que mundial como nos tempos romanos? Sim! O inglês. mas isto. contribuiu muito mais do que atrapalhou. Jeová era visto como o Deus solitário. Desta forma. o fazem por liberdade. assim como Roma foi o berço de muitos filósofos ateus. Os judeus nunca foram proibidos de terem sua religião por nenhum imperador romano. E isto. porque pensamos que se antigamente não havia tanta tecnologia. o que estamos esperando? II. sem ninguém que se equiparasse a Ele. contribuiu de igual modo com a pregação do Evangelho. pois com a perseguição assirrada. eram bem instruídos. Vê-se isto até mesmo através da tolerância e conservação dos judeus neste Império. então. em algumas localidades. pois quando havia afronta em uma região. esquecemo-nos que nos tempos da Igreja Primitiva. Para expor tal fato. também. pelo fato de a língua grega ser uma língua quase que Mundial naquela época. perseguição. Por causa da helenização. O EVANGELISMO COM SUAS DIFICULDADES PRIMITIVAS E ATUAIS Apesar de tantos benefícios. a idolatria era predominante. pior foi o tempo onde não criam porque isto resultaria em discriminação e. em contrapartida. levando consigo o Evangelho da Graça. diferentemente deles. os cristãos acabavam se espalhando por outros lugares. houve uma disseminação maior dos cristãos pelo mundo. a culpa agora é 259 . Se temos. muitos dos que seguiam a religião judaica. se o evangelismo “Ontem” e “Hoje” seguem rumos bem semelhante. achamos que só na atualidade existem as dificuldades! Achamos isto. atualmente. e ainda eram discriminados por isto! Nós. também como língua comercial). e havia se tornado parte da cultura religiosa do povo e que os únicos que tinham liberdade religiosa eram os judeus. temos liberdade religiosa apoiada pela nossa Constituição! As pessoas de hoje que não crêem em Cristo. tanta chance quanto a Igreja Primitiva teve de pregar o Evangelho a toda a criatura. sem contar com os meios de comunicação de que dispomos na atualidade. Enfim. a maioria das pessoas entendiam o grego. mostrados no capítulo anterior. muitos dos principais e fariseus não criam no Evangelho. talvez seria mais fácil as pessoas crerem em um mundo espiritual. podia-se pregar o Evangelho em grego e ser entendido em quase todos os lugares civilizados daquele período. como a Internet. haviam também as dificuldades para se pregar o Evangelho na época da Igreja Primitiva! Muitas vezes. Ou ainda o espanhol (está em 84 países. Isso não ocorre. os cristãos eram bem pouco estudados! Por este motivo. Neste tipo de monoteísmo. no fundo. também em nossa época? É claro que sim! Porém. assim. necessita-se de argumentos bíblicos bem apurados e. sofrimento e até mesmo morte! Os judeus acreditavam em um tipo de monoteísmo absolutizado em uma só pessoa da Trindade. Porém.Percebe-se também a facilidade de se espalhar os ensinamentos de Cristo. que é uma língua muito conhecida por onde passamos (quase todo o mundo tem o inglês como língua comercial). às vezes.

segundo o livro de Deuteronômio 21:22. os “campos brancos estão para a ceifa” (Jo 4. O cristianismo primitivo. para os judeus. tinha de ser examinada. Hb. aliás. Perceba-se que os pregadores primitivos “ia” às pessoas. não pesquisamos. porque haveria o risco dos judeus. pela causa.18). era pelo fato de que os judeus sabiam que “o Cristo” havia morrido numa cruz. para eles. foram os judeus. pois O Messias. e nada disto aconteceu. o Reino dele não foi deste mundo porque Sua luta foi contra um reino que também não era daqui (Jo. mas.nossa. só alcançando os indoutos! É claro que para a pregação do Evangelho. em muitos lugares. por motivos variados. isto é. os judeus viviam entre os pagãos romanos e até mesmo se adaptavam ao governo de César sem muito problema. A única religião que poderia existir. o que diferenciasse destas duas. mas sim o Império da Morte. Com isto. Eles achavam. O Império que realmente subjugava a humanidade. o Cristo nunca teria de passar por esta humilhação. pois. era o lugar onde morriam os malditos e. não crescemos “na Graça e no conhecimento” junto (2ª Pe 3. e quem também sofreu com isto. não estudamos. no mundo espiritual. Outra dificuldade de se pregar o Evangelho naquela época. para os romanos. que o Messias seria também o Servo Sofredor que levaria sobre Si a nossa “maldição” através de Sua expiação. principalmente as práticas religiosas romanas. por isso não os comemorava e nem ia à praça pública comemorá-las e. era a dos judeus. estes também não poderiam permanecer mais. Como o Império da Morte estava em outra dimensão. Não façamos da nossa “preguiça” ou “falta de vontade” um estorvo à pregação das Boas Novas do Reino de Deus! Nenhum dos discípulos de Cristo saíram a pregar o Evangelho sem antes serem preparados para tal. ao contrário do judaísmo. começaram a perseguir os cristãos. pois temos condições de estudar para atingirmos tanto a doutos quanto a indoutos em nossas pregações e. e a expulsá-los. ia até as pessoas proclamando as Boas Novas e convidando-as a renunciarem todas as práticas antigas. aderirem a muitas outras crenças paralelas e excluírem as já existentes no Império Romano. o cristianismo por sua vez. além da religião romana. porém. o Cristo não passaria por humilhação nenhuma! Esqueceram-se de ver em Isaías 53. Isto é para que percebamos como o Evangelho também encontrou dificuldades contra o paganismo greco-romano. Perceba-se que deixaram de ser chamados de “discípulos” (literalmente “alunos” ou “aprendizes”) e só foram chamados de “apóstolos” (que significa “enviados”) depois do período de aprendizado com Jesus Cristo! Chega de desculpas irmãos! Vamos nos preparar. 18:36. e isto acabava prejudicando a esfera do material. A perseguição ao cristianismo começou porque não eram os cristãos como os religiosos judeus antigos. o cristianismo não aceitava os dias de festas pagãs. como os cristãos. ao que parece. era mais excludente que o judaísmo do período. os materiais também contam. não as esperava “vir” até elas. ao contrário do que o próprio Jesus ensinou. não seria o “rei do pecado”.23. o primordial são os valores espirituais. A cruz. Cristo aniquilou o mal pela raiz. não era o de César. 2:14). que Ele teria grandes poderes políticos.35). no mundo espiritual. na verdade. e acabamos. não tão diferente como hoje! 260 . que esperava-se a pessoa vir por si mesma e tornar-se um prosélito. pois os romanos achavam que se o cristianismo havia surgido do judaísmo.

uma crença no Deus que havia morrido e ressuscitado. haviam muitos judeus que ainda seguiam sua religião à risca. Os cristãos sempre usavam como fato e como prova de que Jesus era o Messias. pois eram fanáticos materialistas. mas não porque era a verdade.O culto greco-romano era realizado apenas por uma questão de cultura. Os judeus materialistas esperavam – como ainda hoje – o Messias político. a toda a criatura? Se o evangelismo “Ontem” e “Hoje” encontra as mesmas dificuldades. então. apesar de tudo isto. com seus cultos calorosos e avivados. como também hoje ainda o é. Quantas pessoas hoje. conseguiam enxergar a verdade sobre Jesus e a Sua Salvação proporcionada na cruz. pois acham que aceitar a Jesus é trocar de “religião”? O pior cego não é aquele que não quer ver? Esta era a situação dos judeus. administrativo. não aceitavam de maneira nenhuma a Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas. imagine só pregar o Evangelho àqueles que se julgam conhecedores plenos de Deus?! Isto ocorreu com os primeiros cristãos em Roma. porém. seguem sua religião porque aderiram cegamente a ela? Quantas que não querem ser alertadas. os que simplesmente seguiam a religião por motivo semelhante aos romanos. apenas por tradição. Era o famoso: “Nasci nesta religião e vou morrer nela!” Seguiam os ritos. simplesmente cultuavam sem inquirirem nada à respeito do que criam. mas sim. apenas por uma questão de tradicionalismo. 6:33). que dominaria todo setor econômico. Os seus cultos eram apenas um ritual passado de geração-a-geração. Lá. Não seriam estas as dificuldades básicas de hoje também? Não temos atualmente religiões bem semelhantes às judaicas e às romanas do período da Igreja Primitiva? Não pregaram eles o Evangelho. que você conhece. e que estava ainda no meio deles por intermédio do Espírito Santo. Cultos esses aos quais não prostravam-se diante de imagens ou objetos considerados sagrados. 261 . Esqueceram-se eles de seus próprios pecados e da necessidade primordial do perdão de Deus para que o “Reino dos Céus” fosse manifesto em sua vida espiritual. Isto tudo era bem diferente do Evangelho. os que realmente buscavam a Deus. Ninguém queria saber se realmente haviam ou não os deuses aos quais adoravam e serviam. e mesmo assim eles conseguiram. Porém. Um pensamento bem semelhante ao de Hitler quando na época do “Holocausto”! O exclusivismo absoluto foi e é o grande problema do judeu. A IGREJA PRIMITIVA E A DE HOJE NA EVANGELIZAÇÃO DOS JUDEUS Se pregar o Evangelho aos desconhecedores de Deus já é difícil. legislativo e territorial do mundo todo e cederia tudo a Israel. e seguiam apenas para não perderem as tradições. Fatos estes. as promessas feitas por Deus aos profetas no Antigo Testamento. Queriam eles resolver um problema terreno e material olvidando o espiritual (Mt. o que estamos esperando? III. poucos que realmente buscavam a Deus! Aconteceu que.

mas. 1:16. não havia como negar. mas garantiu-nos o Dom gratuito de Deus. 6:23). É aí onde o Evangelho foi de encontro às necessidades deles! Imaginem só um Deus que já havia passado pela situação de servo. A Palavra de Deus não é de cunho exclusivo e particular. Jesus ressuscitou ao terceiro dia. “as murmurações no deserto”. andou entre seus discípulos por espaço de quarenta dias (At. porém. e onde não houve pecado algum (Mt. tolices não permanecem por tanto tempo sem serem desmentidas. Os gentios eram tratados como servos. mas como o Vitorioso.que nunca ninguém conseguiu refutar. E isto foi mostrado desde os tempos de Jesus até aos nossos dias. Não somente isto levava os judeus da época a se calarem diante da Verdade. podem. Ele realmente ressuscitara. O que estamos esperando? IV. no decorrer da história. Se as dificuldades na evangelização dos judeus e das pessoas semelhantes a eles foram superadas pela igreja de “Ontem”. sendo 262 . ser superadas na igreja de “Hoje”. 5:21). são ambas as religiões a mesma coisa. Porém. 8:46). e com isto. Disseram até mesmo que Jesus foi uma tolice judaica seguida por pessoas sem escrúpulo e que não raciocinam. pois não recebeu o salário do pecado. firmando ainda a Sua Igreja para continuar disseminando a Verdade através da pregação do Evangelho a todos os povos (Mt. pelo fato de os judeus não aceitarem a idéia de que Jesus era o Messias tendo morrido numa cruz. na verdade. como também. vencendo as ânsias da morte (Rm. Não entendiam que Jesus não era maldito. por intermédio de muitas afirmações que diziam não ter respostas. 28:18-20). 15:3-8). como já exposto anteriormente. Porém. que é a morte. conseguiram ganhar muitos à Salvação. etc. toda a vida de Jesus. os cristãos diziam que os judeus não davam o valor correto à Palavra de Deus. 26:56: Jo. porém. Os judeus-cristãos mostravam que todas as promessas cumpriram-se em Jesus. também perderam muitos. e Jesus permaneceu. Muitos. Os judeus tentavam argumentar o fato de não ser Jesus o Messias. e provaram isto com passagens como “o bezerro de ouro”. disseram que apesar desta briga judaica contra o cristianismo. onde não houve sequer uma profecia que não foi cumprida Nele. A IGREJA PRIMITIVA E A ATUAL NA EVANGELIZAÇÃO DE TODOS OS POVOS EM TODAS AS CULTURAS E RAÇAS O Evangelho tem uma mensagem que alcança todo tipo de coração. quando chegavam à ressurreição de Cristo. que tornou-se maldição por nós (II Co. 1:3) e apareceu a mais de quinhentos irmãos (I Co.17). Os judeus reclamavam também o fato de os cristãos usarem os mesmos livros do judaísmo (a Lei e os Profetas). eram humilhados e sofriam para que outros se alegrassem. para todos os que crerem (Rm. não como maldito. pois estes eram comumente considerados como sem valor pelos judeus tradicionais da época. Percebemos na História da Igreja Primitiva que o Evangelho foi bem recebido pelos gentios. de igual modo. a Vida Eterna. mas sim. Diziam que haviam sido roubados.

graças a Deus. por um deus que não fosse menos do que o Único e Verdadeiro! Isto não aconteceu com os japoneses Kamikazes e 263 . Ali aconteceu a primeira faísca que acendeu a grande fogueira da evangelização mundial. Isto gerou uma boa recepção do Evangelho entre os intelectuais e os escravos. Para que outros deuses ou intermediários. Não a tradução somente das palavras mas principalmente a tradução das idéias. que conhecia de perto o que eles passavam?! Este era o Deus que precisavam! Antioquia foi o início de tudo. exigia até mesmo sacrifícios e cultos a ele mesmo. concernente à salvação. pois traziam sentido estranho quando traduzidas literalmente. ou em suas cópias. que não eram muito convenientes entre os gentios. Um outro motivo pelo qual o Evangelho era bem aceito. Tudo o que tivesse apenas aparência de idolatria era de imediato abandonado por eles. Existiam palavras escritas nos originais. Estes primeiros cristãos sabiam que toda e qualquer semelhança com o mal prejudicaria suas vidas. foi apenas a tradução do Evangelho para as línguas dos povos evangelizados. como também a proclamação do Evangelho. César não exigia apenas a proclamação dele como “Senhor”.humilhado. a também aceitarem o Grande e Único Deus – Jesus Cristo – por Quem esses homens e mulheres corajosos morriam! Ninguém morreria por uma farsa. Jesus foi anunciado até os confins da terra. O que estamos esperando para sermos diferentes também em nossa época? O cristianismo sempre foi ousado! Sempre se arriscou! E isto fez com que o Reino dos Céus lucrasse. que sofreu para a alegria de muitos. pois a Palavra de Deus nunca volta vazia. mas. Os primeiros cristãos consideravam que se chamassem César de “Senhor” estariam tirando o senhorio absoluto de Jesus Cristo! Isto lhes seria abominável! É claro que historicamente falando. Um exemplo claro quanto a isso foi a perseguição de Nero aos cristãos que não declaravam que o Imperador era “Senhor” (Kyrios no grego). Percebendo que pelo nome de Jesus os demônios eram expulsos. acabaram por incentivar muitos que iam nas arenas para ver sangue e sofrimento por diversão. que talvez até pensavam alguns que tornariam-se em escândalo para as pessoas da época. facilitando a aceitação de Jesus Cristo como único e suficiente Salvador. As tribulações que pareciam servir de derrota para a mensagem cristã. foram na verdade usadas por Deus como meio para chamar a atenção de todos os povos ao Evangelho. principalmente os que seguiam religiões animistas. Os cristãos primitivos se arriscavam bastante. Os mártires cristãos. se Jesus era Todo-Poderoso e AutoSuficiente contra os ataques dos maus espíritos? Os primeiros cristãos. Mas. foi o medo dos demônios que os gentios tinham. Com tudo isto. enfim. lutavam principalmente contra a idolatria. encontraram segurança na mensagem cristã. como mostra-nos historiadores como Eusébio de Cesaréia. exterminando até mesmo o desejo de servir a Cristo dos que assistiam seus martírios. como também os contemporâneos. Parece que a grande dificuldade encontrada por eles. pensavam. mesmo que olhando para as lutas impostas pelo mundo. muitos eruditos da época. ao que percebe-se. e não através de sacrifícios aos espíritos. passaram a traduzir as Escrituras de forma mais empática.

A pregação do Evangelho era a luz num caminho de trevas. quem sabe “o Clube da Luluzinha”. referindo-se às religiões que pregavam uma fé cega. onde as pessoas seguiam suas crendices sem ao menos terem explicações um pouco mais concretas do “por quê” as seguiam! Diferentemente de tais religiões cegas. alguns têm como visão primordial na pregação do Evangelho o emocionalismo. V. mas Sua Santa Palavra – A Bíblia Sagrada. mas que eram levados ao matadouro para serem oferecidos como oferta com cheiro suave ao Deus que tudo aquilo permitia por causa de seu Plano Eterno da Salvação. Muitas igrejas não são mais o veículo do Evangelho para a salvação das almas. pois sabiam que eles mesmos necessitaram da salvação outorgada por Cristo no Calvário. Tudo ficava mais difícil ainda de se compreender quando falava-se em batismo nas águas! Alguns pensavam que este ato de batismo era como as iniciações feitas nas religiões de mistério da época. como vemos em Marcos 7: Então os fariseus e os mestres da lei perguntaram a Jesus: “Por que os seus 264 . A CONVERSÃO NA IGREJA PRIMITIVA E NA ATUAL A conversão foi uma questão difícil de conscientização para os primeiros séculos da Era Cristã. e não complica a vida do ouvinte. fazendo com que dessem passos no escuro. “o Clube do Bolinha”. infelizmente. Haviam também os que achavam que o batismo tinha um certo poder mágico que capacitava as pessoas a alcançarem a salvação. e quem não consegue tais evidências. sem a real compreensão e conscientização da Verdade. por favor. que é para os salvos é de fundamental importância às nossas igrejas. Não morriam para serem salvos. não muito diferente dos primeiros séculos do cristianismo. Os primeiros evangelistas pregavam com a ajuda do Espírito Santo. que fazia com que as pessoas aplicassem e compreendessem o Evangelho em suas próprias vidas. porque já eram salvos em Cristo Jesus! Não morriam para salvar. mas um Farol aceso nas densas trevas do pecado. também devemos trabalhar a compreensão das pessoas quanto ao valor do batismo nas águas. Em nossa época. mas sim. Foi um assunto que levou muitos pensadores a quebrarem a cabeça sobre a natureza dessa exigência. se quiserem participar de outro grupo.nem ocorre com os muçulmanos. pois os que morriam por Cristo sabiam que não eram eles mesmos quem impetravam sobre si a morte. onde procuram somente evidências pessoais visíveis e materialistas da “presença” de Deus. Os filósofos ensinavam que as pessoas não podiam dar “passos no escuro”. Hoje. não visavam ganhar o povo pela emoção. fazendo uso abusivo da palavra “mistério”. e não uma porta de mistérios às muitas dúvidas! O Evangelho explica. existem igrejas onde a frase que mais se ouve do púlpito é: “Quem não quiser seguir a nossa cartilha. a porta da rua é a serventia da casa!” O interessante é que Jesus não ordenou à Sua Igreja seguir cartilhas de homens. Saber explicar que tal ato não salva. Jesus não é só uma Luz. façam o favor! Acreditem se quiser. mas sim. A pregação dos nossos primeiros evangelistas não era extremista quanto a questões de costumes.

5-9. era porque compreenderam e assimilaram Jesus Cristo como o Único e Suficiente Salvador. etc. mas o que leva as pessoas à Salvação.. por meio da tradição que vocês mesmos transmitiram. O autor Jorge A. Leon. (Mc 7. Em vão me adoram.. Tais conversões não se baseavam no emocionalismo. A pregação do Evangelho não estava limitada apenas aos homens. ao qual sabemos que não foi justificado por esse ato cerimonial e figurativo. tomando o lugar da circuncisão outorgada por Deus a Abraão. devido exatamente às conversões erradas. o Rock in Roll Gospel. Vocês negligenciam os mandamentos de Deus e se apegam às tradições dos homens”. pois todas as coisas eram 265 . Eles não somente pregavam o Evangelho – eles eram o Evangelho. Sua devoção fazia com que outros se contagiassem e acabassem também se convencendo de que Cristo é real e verdadeiramente ressuscitou! Havia entre eles uma comunhão muito grande. O ENTUSIASMO DOS EVANGELISTAS DE ONTEM E DOS DE HOJE Os evangelistas da Igreja Primitiva usavam um meio muito eficaz na proclamação do Evangelho: seus próprios testemunhos de vida. O que salva não são os rituais. é a pregação genuína da Palavra de Deus. É nascer de novo.” (Rm 10.a fé vem por se ouvir a mensagem. as profecias. o batismo é para quem já é salvo. as iniciações.. como também não tinha uma visão materialista.. tanto para os que não conhecem a Cristo. Ninguém naquela época passava necessidades enquanto outros tinham de sobra.discípulos não vivem de acordo com a tradição dos líderes religiosos..?” Ele respondeu: “Bem profetizou Isaías acerca de vocês. Assim vocês anulam a palavra de Deus. mesmo que para tal fosse preciso perder a própria vida! A vida dos evangelistas era um grande exemplo de fé. Não somente pregavam a Jesus Cristo – eram verdadeiros imitadores de Cristo. E disse-lhes: “Vocês estão sempre encontrando uma boa maneira de pôr de lado os mandamentos de Deus. coragem e desprendimento material. seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens’. 2º Deve haver constante evangelização. pois “. Muitos pensadores da época da Igreja Primitiva se converteram a Jesus Cristo. em seu livro “La Comunicación Del Evangelio en el Mundo Actual”. e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo. mas pela fé. As Sagradas Escrituras mostra-nos que mulheres valorosas também tomaram parte nessa missão mundial ordenada por Cristo. mas selo de autenticação da Salvação... como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios. mas o seu coração está longe de mim.17). como àqueles que já conhecem. Quando tais pessoas se convertiam. afirma que: “1º A evangelização deve ser tensora – o ponto em que a pessoa se decide por Cristo. hipócritas. Eles não somente pregavam a mensagem da cruz – eles tomavam cada um a sua cruz. a fim de obedecerem às suas tradições!.13) A conversão é uma mudança total de vida. O batismo não é objeto salvador. do mesmo modo.” VI. E Fazem muitas coisas como essa”. pois. para quem já foi justificado por Cristo Jesus. o barulho pentecostal. Os evangelistas do primeiro século pregavam o Evangelho com toda a ousadia.

mas infelizmente hoje. éramos conhecidos pelo amor. Nosso Deus não depende do tempo. isto é. Enquanto isso. envoltos em faixas embebidas em azeite ou piche amarrados a um poste pegando fogo. da “geração procon”. muitos evangelistas de hoje não ensinam que o “barro” deve ser moldado pelo “Oleiro”. não somos livres para fazer o que quisermos da maneira que queremos. Não ouvia-se de suas bocas nenhum tipo de murmúrio ou reclamação por estarem sofrendo. Atualmente ouvimos pessoas dizendo: “Vejam com se separam!” O caráter dos cristãos daquela época era totalmente modificado. fazia com que muitos espectadores se convertessem ao Evangelho. Muitas vezes tentamos encaixar a Palavra de Deus em nossas maneiras mesquinhas e exclusivistas de viver. muitos evangelistas atuais tentam nos convencer de que esta terra é um lugar definitivo e que nossa maior alegria está em tirarmos o maior proveito daqui. Preguemos com a convicção e com o entusiasmo que pregaram os evangelistas da Igreja Primitiva. sal e imitadores de Cristo. e ainda chamamos a isso de liberdade cristã! Porém. A alegria deles. mesmo numa arena cheia de leões famintos querendo devorá-los. onde tudo é imediato. tentando nos mostrar que cristianismo é somente riquezas e alegrias externas. Somos livres para servirmos a Deus através da “Ética Absoluta Univérsica” por meio de Sua Palavra. Se a História da Igreja não nos servir de apoio para a conscientização. Diferente de alguns contemporâneos a nós. não é Deus de mortos! O Evangelho deve ser para nós o que foi para os primeiros evangelistas: a razão da estada da Igreja aqui na terra. a razão de sermos luz. Enquanto os evangelistas da Igreja Primitiva mostravam que somos peregrinos na terra. ou em qualquer outro lugar de martírio. Quando aquelas mulheres foram ao sepulcro de Jesus. participantes da “geração microondas”. Muitos até diziam: “Vejam como se amam!”. Acham que Deus está somente nos prazeres da vida. viram que Ele não estava lá. somos conhecidos de forma diferente. Muitas teologias baratas nos são ensinadas por alguns televangelistas.comuns entre eles. Quem tinha muito. Não façamos da vida cristã uma monotonia. como se houvesse um tipo de ética cristã individualista. através de nossas tradições dogmatizadas. Não se deixavam vencer facilmente. mas relembrando o que fez a Igreja Primitiva de positivo. então nunca passará de uma matéria técnica onde guardamos apenas nomes e datas. e o amor às almas a lenha que ajuda esse fogo a queimar! 266 . O Evangelho deve ser uma chama ardendo em nossos corações. e que as demais coisas nos seriam acrescentadas conforme a necessidade real e a vontade de Deus. Os evangelistas eram pessoas perseverantes. Além de tudo. onde Deus é a loja e nós os consumidores insatisfeitos. Eles sentiam-se lisonjeados quando surrados por causa da fé cristã. os primeiros cristãos eram felizes. mesmo diante de tais circunstâncias. Não estamos aqui ensinando “primitivismo”. mas também não significa que Ele seja um Ser “anacrônico”. não suportava ver o sofrimento do que nada tinha! Como já ouviu-se em um hino cristão. Ele está vivo.

mas. mas já que seria mais difícil o povo ir à Igreja. dor de cabeça.VII. tinham em mente que o Evangelho deveria ser compreendido e não seguido cegamente como se fosse uma religião de mistérios só para “iniciados”. locais improvisados na hora. davam lugar também à profecia. etc. O evangelismo ao ar livre pode ser improvisado na polpa de um barco. E para tal. Parece que alguns congressos evangelísticos contemporâneos são mais congressos “evangelásticos”. esquecendo-se da eficácia regeneradora do Evangelho. Em muitas de suas pregações. A evangelização pelo método do ensino não produz pessoas que sempre necessitarão de alguém para ser uma “muleta espiritual” para fazê-las caminhar. mas sim. Entristece perceber que hoje alguns preocupam-se só com barulho. Quando alguém era usado no dom de profecia. Não que isto seja errado. onde o intuito é juntar a maior quantidade de pessoas que puderem. pela ligação de cada uma das partes. Um desses métodos era a evangelização ao ar livre. não se via Deus prometendo carro. boa situação financeira. Apenas lembramos que muitos evangelistas contemporâneos ocupam-se de tais coisas como se o foco principal dos grandes congressos fosse a satisfação pessoal do pregador e a dos crentes que lá estão. O testemunho da Obra Salvadora de Cristo feita em suas vidas também era um meio de evangelização. Este tipo de evangelização era feito em locais onde não eram de uso exclusivo para pregadores. em uma carruagem. o ensino foi um método muito utilizado por eles pois. E isto. e não para a mera satisfação material. na carteira de uma escola. encorajamento e consolação dos homens” (1ª Co 14. porque “quem profetiza o faz para edificação. evangelizavam através de métodos dados por Deus. na mesa de uma casa. Escolhiam lugares não evangelizados e levavam a Igreja ao povo. na poltrona de um ônibus. O ensino evangelístico mostra o que Deus quer de cada um e o que quer da sociedade evangélica: um corpo bem ajustado. mas com as almas. em uma montanha.3). etc. MODOS DE PREGAÇÃO DA IGREJA PRIMITIVA E CONTEMPORÂNEA Os evangelistas da Igreja Primitiva não faziam grandes congressos evangelísticos com temas pré-determinados. Não faziam isto apenas como tarefa. passageira e individualista de cada um! Na verdade. e o pior. marido. só vai crente. mas percebe-se que essas eram totalmente baseadas nas Escrituras Sagradas (Is 8. O ensino produz na vida do ser humano a fé e o sustento necessário para que nos tornemos discípulos e discipuladores. A profecia tinha em sua essência a vontade salvadora de Deus na vida do ser humano. a pregação teve um valor imensurável na Igreja Primitiva. Os primeiros evangelistas da História da Igreja. como algumas igrejas contemporâneas que marcam seus cultos ao ar livre apenas para depois ficarem se gabando de que fazem isto enquanto outras não.20). Método este bem improvisado. casa. Era o método evangelístico que mostrava a prova de que 267 . e não almas perdidas para serem ganhas pela pregação do Evangelho. por uma mente fértil e preocupada não com a aparência.

quando era a esposa quem aceitava a Cristo. pois o que está escrito não se muda. Mas isto não era um fator impedidor para essas mulheres valorosas. E isto de uma maneira bem mais hermenêutica. e não o marido. Eles sabiam que Deus havia provado Seu amor para com eles. em seu sentido real. e ainda ajuda. foi o da evangelização literária. E avivamento. em forma de agradecimento. que sendo ainda pecadores. porque lembravam-se das palavras de Cristo dizendo-lhes a que amassem mais a Ele do que a família. Um tipo de evangelização diferente da oral. apesar de muitos outros utilizados pela Igreja Primitiva. incluindo eles! Assim. pois uma única alma tinha um valor extraordinário. Era favor imerecido! Com isto. dos cultos que não estavam como eles queriam. O evangelismo pessoal teve destaque nos primórdios da Igreja. a resposta seria: “melhor do que mereço”! 268 . Felipe e o Eunuco de Candace foram um exemplo disto. ao que parece! Porque não conhecermos mais a Bíblia para podermos fazer como o apóstolo Paulo diante do povo bereano? Qual o valor dado ao estudo minucioso da Palavra de Deus em cursos e seminários pelos nossos atuais evangelistas? Esperamos que a resposta seja positiva! VIII. os primeiros evangelistas da Igreja tiveram suas motivações para evangelizar o mundo de sua época. Esses evangelistas não se preocupavam somente com a quantidade. se lhes perguntássemos como estavam passando. Quais eram tais motivos? Em primeiro lugar. parece ser “geração de novas vidas na igreja” e não “barulhão” de velhos crentes da igreja. principalmente quando se tratava do cabeça da família. o último método utilizado que descreveremos aqui. a examinar-se com detalhes o quer-se dizer com a mensagem. levavam o Evangelho a toda criatura. este poderia evangelizar o restante da casa. porém. Quando se ganhava uma alma em um lar. a falta de um meio de transporte para levá-los aos locais de evangelismo. Enfim. enviou-lhes Seu Único Filho para morrer pela humanidade. Os crentes de Beréia por exemplo foram evangelizados por tal método. não reclamavam a vida financeira. A escrita foi um método que muito ajudou. eles eram motivados pelo sentimento de gratidão. Hoje. Os lares eram pontos estratégicos do evangelismo. pois temos o texto ali diante de nós para inquirirmos sobre ele.o que pregavam realmente era verdade. percebiam que a Graça de Deus era manifesta em suas vidas. A MOTIVAÇÃO PARA SE PREGAR O EVANGELHO ENTRE OS PRIMEIROS EVANGELISTAS ERAM AS MESMAS DOS DE HOJE? Todas as pessoas têm motivações para fazerem algo! Então. nem que isto lhes custasse a vida! Eles tinham sentimento agradecido pela salvação até mesmo diante de uma perseguição ou agravos físicos sofridos nesta vida. Os amigos e os familiares eram os ouvintes. o que importa a alguns é o “movimento” e não o “avivamento”. até os confins da terra. etc. Contudo. Parece que mesmo diante de muitas dificuldades. através de seu testemunho pessoal. no sentido que não mudava-se o teor da mensagem quando era passada de pessoa a pessoa. Não murmuravam. normalmente passava por grandes lutas quando este não simpatizava com o Evangelho.

Conforme o toque de sua trombeta o povo se comportava de maneira diferente. Toquemos a trombeta em Sião! A terceira motivação era o sentimento de preocupação. seu irmão. mas não era esta a causa do evangelismo deles – ganhar as pessoas – como se fosse um jogo de quem convence mais. no serviço. na escola. Será que muitos de nós. se o atalaia percebia que um reino inimigo se aproximava. às vezes. e não conceitos humanos. Os evangelistas dos primeiros séculos tinham semelhante responsabilidade concernente à pregação do Evangelho. Por exemplo. Por causa disto alguns até acham que os evangelistas da Igreja Primitiva tentavam ganhar as pessoas através do medo quanto a vida após a morte. seu vizinho. O que aconteceu de ruim no passado deve valer-nos como disciplina para não mais errarmos como antes. A preocupação primária deles era com a eternidade do ser humano. com o que se vestiriam ou o que comeriam. Não se conformavam em saber que seu Imperador. CONSIDERAÇÕES FINAIS A história deve servir-nos como alerta. e assim por diante. Sabiam que se eles não dessem o “sonido da trombeta” ou se este fosse incerto. Será que não seremos culpados de muito sangue? Não estaria na hora de despertarmos do sono? Não está na hora de pregarmos o Evangelho a todo o mundo? O mundo. Eles choravam com os que choram. Não é uma questão de quem tem mais seguidores. uma questão de amor e compaixão pela vida do próximo. preguemos a Palavra de Deus. Se fosse uma visita cordial de um reino amigo. devemos sempre nos perguntar: como posso melhorar na linha do tempo? Olhando a linha e aprendendo através dela parece ser um bom começo! O evangelismo de “Ontem” pode auxiliar bastante no desenvolvimento e no aprimoramento do evangelismo de “Hoje”.A segunda motivação era o sentimento de responsabilidade. e não um “conto de fadas”. muitas pessoas seriam dizimadas ao inferno. É uma preocupação que vem pelo fato de sabermos o que o futuro sem Cristo reserva para a humanidade descrente. meio 269 . em risco por causa de uma alma. Mas. nosso nome. A História é linear. Vivemos a História promulgada por Deus: a História com começo. e não circular como pensa as religiões orientais. ou mesmo em nossa casa. A nossa História não é uma História Sem Fim. passageiros e exclusivistas. seu pai ou mãe iriam para o inferno! Sabiam que isto era um fato. não nos acomodamos a ponto de sermos passivos quanto a salvação do próximo? Moisés colocou sua vida em risco por causa de um povo pecador! Não colocamos nem mesmo nosso tempo. isto é. Eles sabiam que eram os “atalaias” de Deus. que é semelhante ao de responsabilidade. tocava a trombeta no ritmo de guerra para que o povo se preparasse para tal. não está tão longe de nós! Pode estar em nossa volta. Não o futuro temporal. nosso cargo eclesial. na rua. mas sim. O que aconteceu de bom deve servir-nos como auxílio para a compreensão de nossa tarefa e para que possamos continuar a desenvolvermo-nos na “economia divina”. de qual a maior religião do mundo. atualmente. Evangelizemos a tempo e fora de tempo. o toque da trombeta seria em ritmo amistoso. Eles preocupavam-se com o futuro das pessoas. Assim. etc. A função do atalaia era ficar de guarda no ponto mais alto dos muros do reino. nossa vida financeira.

O Novo Dicionário da Bíblia. solicite o seu Lindo DIPLOMA de Formatura e a sua Credencial de Seminarista formado. se assim quiser. Sem nadas mais graça e Paz da Parte de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo bons estudos. São Paulo: Ática. Não sejamos meros espectadores da História da Humanidade. também poderá solicitar estagio missionário em uma de nossas igrejas no Brasil ou exterior traves da Federação Internacional das Igrejas e Pastores no Brasil ou Fenipe. logo após respondido e corrigido o questionário. João da. 1995. São Paulo: Vida Nova. Eusébio de. George Eldon. J. Michael. 1994. Períodos Filosóficos. 1989. Teologia do Novo Testamento. 1997. alcançando media acima de 7. 2ª ed. D.com. PENHA. pois devemos nos preocupar com o “Amanhã”! NOTA BIBLIOGRÁFICA CESARÉIA.5. São Paulo: Exodus. assim você poderá também receber a sua Credencial de Ministro Aspirante ao Ministério de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. 3ª ed. Deus nos conclama a participarmos dela com mais responsabilidade. Esta apostila tem 270 pagina boa sorte. Que o “Ontem” de desperte para “Hoje”. Série Princípios. Estude com fé depois de ter terminado os seus estudos. São Paulo: Vida Nova. 1999. Evangelização na Igreja Primitiva. História Eclesiástica. 2ª ed. São Paulo: Novo Século. que depois do Estagio se assim o achar apto para o Ministério poderá solicitar a sua ordenação por uma de nossas organizações filiadas no Brasil ou no exterior.e fim. GREEN. DOUGLAS. Reverendo Antony Steff Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana Renovada de Nova Vida Presidente da Federação Internacional das Igrejas e Pastores no Brasil ou Fenipe 270 . 1ª ed. LADD. envie seu questionário com as respostas devidas para o endereço de e-mail: teologiagratis@hotmail.