Convenio FENIPE e FATEFINA Promoção dos 300.

000 Cursos Grátis Pelo Sistema de Ensino a Distancia – SED CNPJ º 21.221.528/0001-60 Registro Civil das Pessoas Jurídicas nº 333 do Livro A-l das Fls. 173/173 vº, Fundada em 01 de Janeiro de 1980, Registrada em 27 de Outubro de 1984 Presidente Nacional Reverendo Pr. Gilson Aristeu de Oliveira Coordenador Geral Pr. Antony Steff Gilson de Oliveira APOSTILA Nº. 18/300.000 MIL CURSOS GRATIS EM 270 PAGINAS. Apostila 18 Estudando sobre a Igreja CONSAGRADO PARA CUIDAR Parte I O capítulo 8 de Levítico é o cumprimento da ordem dada em Êxodo 29 em relação à consagração dos sacerdotes (cohanim), Arão e seus filhos, dada por Moisés, o libertador e líder do povo de Israel. É um ato de extrema seriedade que descreve, de modo gráfico a responsabilidade dos consagrandos, que eram os guardiães espirituais do povo de Deus. Deste ato distante de nós cerca de 3.300 anos, desejamos extrair lições para o ministro do século 21, tarefa esta do intérprete da Bíblia Sagrada. O Ato de Consagração O ritual é um sacrifício de comunhão com a função especial de consagrar. A cerimônia pode ser dividida em quatro partes: vv. 1-13 Purificação, Vestidura, Unção dos Consagrandos vv. 14-17 Oferta pelo pecado dos Sacerdotes vv. 18-21 Oferta queimada vv. 22-36 Oferta de paz Uma análise da liturgia nos mostra em primeiro lugar o oferecimento de uma oferta pelo pecado, que seria totalmente consumida de acordo com as instruções do capítulo 4 do mesmo livro; e o oferecimento de dois carneiros.

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O primeiro seria oferecido em holocausto, de acordo com o capítulo 1. O segundo, porém tem uma parte especialíssima na cerimônia, razão porque é chamado de "o carneiro da consagração", conforme o verso 22 deste capítulo 8. Lê-se no verso 23 que houve aplicação do seu sangue a algumas partes do corpo dos consagrandos. Este sangue foi usado para trazer Arão e seus filhos a um estado sem igual de santidade. O restante do sangue será jogado ao redor do altar, estabelecendo com este ato um relacionamento especial entre o altar, símbolo do ministério, e os ordenandos, agentes desse ministério. As partes do corpo tocadas pelo sangue são orelha, mão e pé. Esse toque pelo sangue lava-os e dedica-os simbolicamente ao Senhor. Quer também dizer que o ministro de Deus ouvirá e obedecerá, e suas mãos e pés servirão ao Senhor. As lições são extraordinárias: O OUVIR (v. 23) O ministro de Deus há de ouvir corretamente. Referimo-nos à conversação pastoral, chamada por alguns de Clínica Pastoral no gabinete, na visitação ou informalmente. Não a confunda, porém, com aquilo que jocosamente chamam de "papoterapia". Como ministro de Deus e da Igreja de Jesus Cristo, você deve conhecer exatamente o papel que lhe corresponde. Não será um profissional da psicologia, da psicanálise ou das variadas terapias oferecidas à clientela. E, no entanto, seu ministério de ouvir é comparável ao do psicoterapeuta, do conselheiro matrimonial, ou do psicólogo. Muito de seu trabalho tem a ver com ouvir-e-aconselhar. Entretanto, você não receberá honorários pelo aconselhamento, nem fará contrato de trabalho para isso. Você é um ministro de Deus e será procurado não por um paciente ou cliente, mas por uma ovelha sua, ou um semelhante seu que precisa de ajuda. Há quem apenas deseja falar, conversar; dê ouvidos, pois para isso sua orelha foi ungida. Há quem queira injeções de otimismo cristão, de esperança. Há quem tenha sérios sentimentos de culpa, de rejeição. Há quem precise ser confrontado. Uma coisa, porém, é certa: você tem autoridade dada por Deus e pela igreja que o chamou para dar esse conselho, essa exortação ou esse confronto. O ministro de Deus deve ouvir corretamente. Assim, você precisa ouvir o que está por trás das palavras. Palavras ditas, palavras não ditas, e palavras em suspenso. Talvez os lábios digam algo, mas a expressão facial, as mãos, 2

a expressão corporal digam outra. Você precisa "ouvir" corretamente os sentimentos de quem está à sua frente. Na Clínica Pastoral, ouça bastante antes de opinar. Leve a ovelha a falar; viva a situação do outro. Você é chamado a um ministério de simpatia, de carinho, de afeição e de amor. Sobretudo quando você é enérgico! Desde que você começa a ouvir, está fazendo Psicoterapia Pastoral. Isso é afirmado pelo Dr. Wayne Oates, autor ou co-autor de mais de quarenta livros e por muitos anos professor de Aconselhamento Pastoral (Pastoral Care), no The Southern Baptist Theological Seminary em Louisville. Você é visto dentro de um esquema todo especial: há um significado simbólico em você como ministro de Deus. O pastor, por exemplo, é um ponto de referência na igreja para o povo de Deus. Ele simboliza e representa a comunidade cristã, e é agente dessa comunidade de Cristo, de Deus. Há muita esperança quando alguém procura o pastor. Por essa razão, é terrível, medonho mesmo, quando as palavras do pastor são divinas, mas seus hábitos de vida contradizem essa dimensão... Você representa e simboliza muito mais do que você mesmo: você representa o Pai, você leva a palavra de Cristo e o faz sob a direção do Espírito Santo. Quem vai ao seu gabinete espera e deve sair abençoado. Você vai ouvir confissões, vai ouvir palavras de arrependimento. Mas não pressione: ajude no processo de crescimento. O TOCAR (v. 23) O ministro de Deus é ungido na mão para tocar vidas. Estamos nos referindo, então, à influência. Você vai tocar muitas vidas e deve fazê-lo com cuidado e leveza. Use suas mãos para abençoar a criança, o jovem, o adulto, o idoso. E faça-o com carinho. Leve-os à consciência do santo, lembrando ao crente em Jesus Cristo que a rigor, para o povo de Deus, não existem espaços separados, compartimentos estanques entre o secular e o religioso, o sagrado e o profano, pois a vida pública, social, civil do crente em Jesus Cristo há de ser normatizada pelo senso do santo. Leve-os ao senso da providência, à fé, à gratidão, ao arrependimento, à comunhão, à vocação. Você há de tocar vidas; há de xer com as emoções das pessoas: raiva, medo, alegria. Você vai lidar com almas enfermas. São doenças do comportamento, mazelas do espírito, enfermidades psicossomáticas. Você terá um ministério a desempenhar nas crises. Crise é qualquer acontecimento que ameace o bem-estar de uma pessoa, e interfira na sua rotina de vida. O nascimento de uma criança, a morte de um parente, o fim 3

de um casamento, o desemprego, a aposentadoria são crises . Você há de entrar em contato e reduzir a ansiedade, encorajando a pessoa a agir. Lembre-se de que cada situação de crise é única, sem igual. Ou como o povo diz, "Cada caso é um caso". Você há de tocar vidas em diferentes níveis de cuidado pastoral: o Nível da Amizade; o Nível do Conforto; o Nível da Confissão, o Nível do Ensino e o Nível do Aconselhamento e Psicoterapia. Devo estas classificações ao Dr. Oates. Há pessoas aflitas que necessitam de apoio; há aqueles enfrentando a morte que precisam do poder espiritual que o pastor representa; há pessoas com enfermidades crônicas; há deficientes físicos; há famílias com filhos com déficit mental; há os deprimidos e os desapontados com o amor ou outra causa. Todos estes estão no Nível de Conforto. Há o jovem solteiro, os jovens casados, o adulto de meia-idade, a viúva, a mãe solteira, o separado/desquitado/divorciado, o hospitalizado, todos em diferentes níveis do seu cuidado pastoral. O ANDAR (v. 23) O ministro de Deus é ungido no pé para andar santamente. Estamos falando de ética. Para isso, necessária é a ajuda do Espírito Santo. Se você não tem a ajuda do Espírito de Deus para crescer na graça e na maturidade, vai ser difícil entender a Bíblia, impossível aplicá-la às vidas, será um problema conviver com as ovelhas, e terrível dominar atitudes internas. Mais do que nunca, é preciso ser imitador de Cristo. Para sê-lo, porém, é preciso andar no Espírito, andar santamente. E andar santamente exige análise freqüente de nós mesmos, submissão do eu a Deus, e plenitude do Espírito Santo, que é o Seu controle em nossas vidas. Você há de visitar. Irá a muitos lugares e lares. Há dois tipos de visitas: as regulares e as de emergência. Não visite só nas crises: você precisa visitar o seu rebanho em tempos de paz. Seja ético, então, quanto ao que ouve, vê e aconselha. CONCLUSÃO O final da narração de Levítico 8 registra a obediência dos consagrandos, Arão e filhos. Isso nos ensina que consagração é entrega absoluta marcada pela obediência irrestrita às ordens de Deus. Nossa oração é que nosso ministério seja pontuado agora, hoje, sempre pela disciplina, obediência, entrega e consagração total àquele que é o Mestre de nossas vidas, Senhor do nosso futuro, Salvador de nosso ser. A Catedral

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Uma catedral para a honra e a glória de nosso Senhor Jesus Cristo se constrói momento a momento à medida que uma mão se estende e toca outra mão com amor humano, e à medida que um coração responde em amor a outro coração capacitado pelo Espírito Santo para anelar, escutar, elevar e amar-nos uns aos outros. Para que todos, em todo lugar possamos oferecer outros dons que Deus nos tem dado: Integridade nas relações, Alegria e paz na fidelidade, Fortaleza para fazer por meio da igreja, Mais do que pedimos ou imaginamos. Margaret Shannon Parte II LEVANDO A SÉRIO A CEIA DO SENHOR "Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, havendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo que é por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto do meu sangue; Fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha. De modo que qualquer que comer do pão, ou beber do cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim como do pão e beba do cálice. Porque quem come e bebe, come e bebe para sua própria condenação, se não discernir o corpo do Senhor" (1Co 11.23-29). A Ceia Memorial tem sido celebrada num ambiente espiritual, profundo, reverente e cheio de certeza, além do destaque que a Ceia do Senhor nos fala numa linguagem silenciosa porém plena de energia. Temos o pão e o vinho, elementos simples, porém altamente destacados nesta celebração. E nesta simplicidade, ela se torna um meio de comunicação de algumas importantes mensagens para o povo de Deus. Quando levamos a sério a celebração da Ceia do Senhor, usamos de determinadas linguagens: A LINGUAGEM DE COMEMORAÇÃO (v.25)

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porque estamos pregando o Seu sacrifício para a salvação de todo aquele que crê. apenas uma filigrana lingüística: na língua hebraica.1. em Canaã. não por nós ou pelos outros. São ordenanças sem qualquer benefício acessório para a salvação.Paulo diz isso: "Semelhantemente também. Estamos pregando a mensagem de livramento de redenção para todo o que crê! Como precisamos de memoriais! Sim. em memória de mim". dizemos que o sangue de Jesus Cristo foi derramado por nós. "o Verbo habitou. e para que pensemos nEle. O impressionante. Quando João escreveu a narrativa que abre o Evangelho que leva o seu nome. até mesmo a escolha de certas palavras tem o seu lugar na Escritura Sagrada. ou seja. presença divina" é shekinah. a palavra que significa "manifestação de Deus. Pela inspiração do Espírito de Deus. a palavra grega utilizada não é do hebraico: é grega. ou vontade de Deus que as palavras assemelhadas fossem usadas pelo escritor sagrado? Para que se manifeste a glória de Deus. daquilo que somos. e quem já passou por isso o 6 . O malfeitor da cruz não precisou se batizar. Quando nosso país joga na Copa. manifestou-se entre nós". na verdade não precisa. As duas palavras têm praticamente o mesmo radical. quando observamos a Ceia do Senhor. para acrescentar algum valor maior à salvação. Cada vez que a glória do Senhor se manifestava no meio do povo de Israel. Sl 78. no entanto. "para que pensem novamente em mim. do Batismo. fazemos algo pelo Senhor." A presença de Jesus Cristo é algo extraordinário na vida cristã. ou nas grandes batalhas. cheio de graça e de verdade". Jesus Cristo estabeleceu duas ordenanças. mas já estava com Jesus Cristo no paraíso após a crueldade daquele momento. tem outra origem. mas pelo Senhor. 22. E não existe sentimento maior. e somente duas: o Batismo e a Ceia Memorial. é a palavra grega que diz skinê. Estamos dizendo isso quando tomamos o pão nas mãos. fosse no deserto. é que a Ceia do Senhor é celebrada por Sua Igreja. e quando tomamos o cálice. sempre era celebrada a manifestação da shekinah divina (cf. porque estamos aqui. depois de cear. a gloriosa presença de Deus no meio do Seu povo. Is 18. que é o corpo de Jesus Cristo que sofreu no Calvário.19). todas as vezes que o beberdes. Então. Uma pessoa em sendo salva por Jesus Cristo. é que o vocábulo utilizado por João para dizer. e habitou entre nós. Coincidência. os memoriais brasileiros se apresentam por todos os lados: é a bandeira do Brasil sendo desfraldada. tomou o cálice. A outra ordenança é a Ceia do Senhor.60. fazei isto. marcou presença. ele disse "E o Verbo se fez carne. precisamos de memoriais para que nos lembremos de quem somos. e aonde estamos indo. Percebam o som do hebraico sh ki nah e do grego s ki nê. dizendo: Este cálice é o novo pacto no meu sangue. Aqui.

temos o memorial da Ceia do Senhor. e derramo um pouco no cálice. não: é patriotismo mesmo! Sim. Não é doença. o amor cívico. mas uma comunhão espiritual. mas ainda hoje tremo quando tenho na minha memória e coração a cena de Jesus Cristo no Calvário. pela face. Aconteceu. entre o homem pecador e o Deus perfeito. não é comunicação com um morto como querem ensinar por aí. patriótico. Ao longo destes 39 anos de ministério da palavra e das ordenanças. que estar num outro país. ao se participar da Ceia do Senhor. utilizamos a linguagem da comemoração. se alguém quiser ser contencioso. Não confundamos as coisas: quando falamos de comunhão. porém. Por essa razão. Paulo está preocupado. não estamos falando de encontro sobrenatural. que se reuniu não para o melhor. Temos que lembrar da nossa indignidade e da beleza do perdão.. precisamos de memoriais. Sim. não estamos dizendo que nos unimos a Jesus Cristo através do Nirvana.. eu me emociono.sabe. lembramos a aliança. porquanto vos ajuntais. e pela nossa identificação com essa cruz: a minha cruz. infelizmente. que vou dizer-vos não vos louvo. Nisto. nem tampouco as igrejas de Deus. há uma comunhão espiritual pela lembrança de Cristo na cruz. e pelo tronco da cruz. A LINGUAGEM DA COMUNHÃO (vv. e diz "Mas. sem dúvida. porque me vem à mente que sou indigno pecador. se a levamos a sério. Não há comunhão física. são 39 anos celebrando a Ceia do Senhor praticamente mês a mês (e houve época quando o fiz duas vezes no mês). 17). que vou dizer-vos não vos louvo. quando tomo a jarra de vinho. mas a minha cruz! Há uma comunhão entre os crentes na Ceia Memorial. pela lembrança de Cristo na cruz. É isso o exatamente o que faz a Ceia do Senhor: ela nos relembra o dom da vida através da morte de Jesus Cristo. e o Seu sangue escorrendo pelas mãos. e se emocionar com o verde-amarelo tremulando nos mastros com outras bandeiras. porém. Assim. místico. Com certeza: precisamos de memoriais. não. não de Cristo. não para melhor. nós não temos tal costume. logo lembramos do Dois de Julho. com a igreja de Corinto. mas para o pior. ainda me emociono quando participo da Ceia do Senhor! E cada vez que seguro o pão. como querem pregar as religiões orientais. de que fico com as mãos trêmulas. Isso se chama filia. pela Sua testa. reunia-se para a indignidade. 17-20) Paulo disse: "Nisto. e o parto na frente dos irmãos. mas não é comunhãode-cafezinho! Por isso. Quando se ouve o nome de Maria Quitéria. mas para pior" (v. quando nos reunimos seriamente para celebrar este ato memorial. não estamos tendo uma visão. a data principal da Bahia! Falamos de amor conjugal. e que pela graça de Deus fui feito Seu filho! Lembro-me. porquanto vos 7 . não! A Palavra nos ensina que a Ceia do Senhor é um memorial.

pois.). não. a unidade da igreja. E depois todos queriam se reunir para "tomar cafezinho"?! A Ceia do Senhor não é para isso. os sacerdotes entravam. e assim coma do pão e beba do cálice". "será culpado 8 . etc. não para melhor. Havia divisões na igreja de Corinto quanto a questões de doutrina. com várias camadas de tecidos (e de cores diferentes para mostrar o grau de santidade do objeto). capítulos 12 e 14). por isso podemos nos aproximar dos objetos.ajuntais. será culpado do corpo e do sangue do Senhor. A conduta dos irmãos de Corinto destruía o propósito da igreja. porque a tomamos agora. a qualidade de vida espiritual. Veja bem a seriedade de seus objetivos. e o propósito da Ceia! O que Paulo está enfatizando é a harmonia da Ceia. há um paradoxo: o irmão pode sair pior se tomou a Ceia do Senhor indignamente! É o que Paulo diz. é isso o que estamos proclamando! A LINGUAGEM DA CONSAGRAÇÃO (vv. Os levitas funcionavam. E sempre é lembrado o seguinte: "e o estranho que se chegar será morto" (Nm 3. Quando havia necessidade de desmontar o tabernáculo para se transferirem para outro lugar. Fiquei arrepiado! Que coisa impressionante a legislação. por essa razão é dever de cada um solene e seriamente examinarse sobre quais são os seus interesses e propósitos quando se aproxima da Mesa do Senhor. no entanto. o "povão"! Na Igreja de Cristo fomos todos elevados ao sacerdócio. A igreja estava seccionada por causa de trajes (capítulo 11)?! Havia divisões por causa de uma doutrina (cf. entre outros deveres. o homem a si mesmo. A lei não era fácil: era marcial. e se não temos essa impressão profunda. ou beber do cálice do Senhor indignamente. E. Examine-se. e ninguém via a forma do objeto. "De modo que qualquer que comer do pão. embalavam os móveis. nem os levitas que eram os seus auxiliares. e quando celebramos com seriedade a Ceia. sairemos com a mesma amargura e rancor com que entramos.10. Interessante que a Ceia do Senhor não torna ninguém melhor: ninguém vai sair melhor porque tomou a Ceia do Senhor. Só que há uma diferença muito grande: na Igreja Cristã o pastor não é o sacerdote. como guardas de segurança do tabernáculo. era o próprio povo de Israel. e depois que tudo era embalado. como eram as normas no acampamento de Israel no deserto: somente podiam se aproximar dos móveis os sacerdotes. da Mesa do Senhor! Mas tem uma coisa: se o irmão vier à Mesa do Senhor com as mãos sujas. lei de guerra! O "estranho" não era o pagão. mas para pior". 27-29) Quando celebramos a Ceia usamos esse tipo de linguagem. os levitas pegavam o pacote e faziam o carregamento nos carros de boi para o transporte pelo deserto. e os outros. Estive lendo sobre os levitas e sacerdotes (Números 3 e 4).

tomou o pão. o objetivo. assim. depois de cear. de alegria. Examine-se. e sou eu um com os Seus? Estou em harmonia. salvo pelo sangue de Jesus? Lavado pelo Seu sangue? · Que é que eu tenho feito? Minhas mãos estão limpas. em memória de mim. tomou o cálice. na noite em que foi traído. e consagração pessoal porque esse é o propósito. Porque quem come e bebe. ou borrado. será culpado do corpo e do sangue do Senhor. ou beber do cálice do Senhor indignamente. o alvo de nossa vida sempre. até que ele venha. e assim como do pão e beba do cálice. como posso me lembrar dEle? Phillip Henry diz que o crente quando for participar da Ceia deve fazer três perguntas: · Que é que eu sou? Filho de Deus. reverente e cheio de certeza. o partiu e disse: Isto é o meu corpo que é por vós. Quanto seriedade é exigida dos participantes?! Então. profundo.23-29). dizendo: Este cálice é o novo pacto do meu sangue. e. Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor. mas pode sair pior do santuário. estou vindo com fé na morte de Jesus Cristo? Vivo diariamente pelo poder da ressurreição de Jesus Cristo? São perguntas que tenho que fazer! É Jesus realmente o alimento da minha alma? Sou eu um dos Seus. pois. havendo dado graças. se não discernir o corpo do Senhor" (1Co 11. fazei isto em memória de mim. todas as vezes que o beberdes. Semelhantemente também. que a Ceia do Senhor não é um funeral (para que cara triste?): a Ceia do Senhor é uma celebração de fé. De modo que qualquer que comer do pão. que almejo na Causa de Jesus Cristo? Não é sério? Então. de esperança porque nós olhamos para o dia da volta de nosso Senhor Jesus Cristo! Parte III O DIÁLOGO DA CEIA DO SENHOR Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus. Temos o pão e temos o vinho. o homem a si mesmo. sujo? · Que é que eu desejo? Quais os meus sonhos e visões. Fazei isto. sobretudo.27b)! O irmão não sai melhor. come e bebe para sua própria condenação. em comunhão espiritual porque essa é a realidade que vivemos agora. 9 .do corpo e do sangue do Senhor" (1Co 11. A Ceia Memorial tem sido celebrada num ambiente espiritual. e. minha vida é digna da comunhão com os outros crentes? Permanece a minha aliança com o Deus vivo? Se não conheço a Jesus Cristo. Meu coração está limpo. além do destaque que a Ceia do Senhor nos fala numa linguagem silenciosa porém plena de energia. devemos dar graças a Deus pelo privilégio de termos um diálogo com a Ceia do Senhor. E lembrando. que venhamos à mesa do Senhor em espírito de comemoração porque essa é a linguagem que falamos agora. ou manchadas.

ou seja. fazei isto. As duas palavras têm praticamente o mesmo radical. Pela inspiração do Espírito de Deus. Coincidência. apenas uma filigrana lingüística: na língua hebraica. A outra ordenança é a Ceia do Senhor. não por nós ou pelos outros. que é o corpo de Jesus Cristo que sofreu no Calvário. e para que pensemos nEle. e habitou entre nós. até mesmo a escolha de certas palavras tem o seu lugar na Escritura Sagrada. A LINGUAGEM DE COMEMORAÇÃO (v. a palavra que significa "manifestação de Deus. Is 18. e somente duas: o Batismo e a Ceia Memorial. Jesus Cristo estabeleceu duas ordenanças. porque estamos pregando a Sua morte para a salvação de todo aquele que crê. mas já estava com Jesus Cristo no paraíso após aquele momento cruel. mas o batismo é um ato de obediência: Jesus até foi batizado por João. é que a Ceia do Senhor é celebrada por Sua Igreja. O malfeitor da cruz não precisou se batizar. Estamos dizendo isso quando tomamos o pão nas mãos. a palavra grega utilizada nada tem a ver com o hebraico: é outra língua.elementos simples e destacados nesta celebração. ou nas grandes batalhas. outra origem. fosse no deserto. o que fazemos como testemunho público do que Jesus Cristo fez na nossa vida. Quando João escreveu a narrativa que abre o Evangelho que leva o seu nome. Percebam o som do hebraico sh ki nah e do grego s ki nê. na verdade não precisa do Batismo para acrescentar algum valor maior à salvação. depois de cear. presença divina" é shekinah. É extraordinária a presença de Jesus Cristo na vida cristã. Pois bem. todas as vezes que o beberdes.1. Cada vez que a glória do Senhor se manifestava no meio do povo de Israel.19). Sl 78. e quando tomamos o cálice. "para que pensem novamente em mim". 22. dizendo: Este cálice é o novo pacto no meu sangue. é a palavra grega que diz skinê. manifestou-se entre nós". dizemos que o sangue de Jesus Cristo foi derramado por mim e por 10 . inclusive lingüística. não tem a mesma categoria. tomou o cálice. Não é preciso. a gloriosa presença de Deus no meio do Seu povo. e mandou que a Igreja praticasse o batismo. mas pelo Senhor. Aqui. em memória de mim".60. ela se torna um meio de comunicação de algumas importantes mensagens para o povo de Deus. cheio de graça e de verdade". quando observamos a Ceia do Senhor. ele disse "E o Verbo se fez carne. E nesta simplicidade. ou vontade de Deus que as palavras assemelhadas fossem usadas pelo escritor sagrado? Para que se manifeste a glória de Deus.25) Paulo diz isso: "Semelhantemente também. sempre era celebrada a manifestação da shekinah divina (cf. Então. São ordenanças sem qualquer benefício acessório para a salvação. em Canaã. fazemos algo pelo Senhor. Uma pessoa em sendo salva por Jesus Cristo. a palavra que João utilizou para dizer "o Verbo habitou. marcou presença.

respectivamente. reunirem-se os nossos irmãos para atos indignos! Não confundamos as coisas: quando falamos de comunhão. os memoriais brasileiros se apresentam por todos os lados: é a bandeira do Brasil sendo desfraldada. ao se participar da Ceia do Senhor. precisamos de memoriais para que nos lembremos de quem somos. místico. porém. Quando se ouve o nome de Maria Quitéria. ela utiliza a linguagem da comemoração. não estamos falando de encontro sobrenatural. Isso aconteceu. não. Isso se chama filia. a data principal da Bahia! Falamos de amor conjugal. E não existe sentimento maior que estar em outro país. mas uma comunhão espiritual. daquilo que somos. não estamos tendo uma visão. não! É por esses erros todos que doutrinas estranhas surgiram ao longo da história da Igreja Cristã. quando nos reunimos para a Ceia. ensinando que no momento em que são pronunciadas as palavras de instituição ("isso é o meu corpo" e "isso é o meu sangue") que tanto o pão quanto o vinho mudam a sua substância. logo lembramos do Dois de Julho. entre o homem pecador e o Deus perfeito. o amor cívico. A LINGUAGEM DA COMUNHÃO (vv. mas para pior" (v. Por essa razão.você. a da carne e do sangue de Jesus Cristo! O Senhor tenha piedade! Isso não se encontra na Escritura?! A comunhão com Cristo não necessita que a substância desses elementos materiais seja mudada. não é comunicação com um morto como querem ensinar por aí. Como a transubstanciação. precisamos de memoriais. Temos que lembrar da nossa indignidade e da beleza do perdão. 17-20) Paulo disse: "Nisto. infelizmente. sem dúvida. Quando nosso país joga na Copa. porquanto vos ajuntais. Estamos pregando a mensagem de livramento de redenção para todo o que crê! Como precisamos de memoriais! Sim. lembramos a aliança. que se reunia para a indignidade. 17). que vou dizer-vos não vos louvo. porque estamos aqui. e as suas substâncias tornam-se. com a igreja de Corinto. patriótico. não estamos dizendo que nos unimos a Jesus Cristo através do Nirvana. O Novo Testamento nos ensina que a Ceia do Senhor é um memorial. como querem pregar orientais. por nós. Sem dúvida. Que coisa triste. precisamos de memoriais. Sim. Assim. pela lembrança de Cristo na cruz. temos o memorial da Ceia do Senhor. e se emocionar com o verde-amarelo tremulando nos mastros com outras bandeiras. e aonde estamos indo. 11 . É isso o exatamente o que faz a Ceia do Senhor: ela nos relembra o dom da vida através da morte de Jesus Cristo. Não há comunhão física. não para melhor.

ou beber do cálice do Senhor indignamente. porém. a qualidade de vida espiritual. "De modo que qualquer que comer do pão. pela face. mas a minha cruz! Há uma comunhão entre os crentes. pois. são 39 anos celebrando a Ceia do Senhor praticamente mês a mês (e houve época quando o fiz duas vezes no mês). será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Terrível! Havia divisões na igreja de Corinto quanto a questões de doutrina. o homem a si mesmo. Na verdade. não! Porque tomamos agora. e se não temos essa impressão profunda.. nós não temos tal costume. e diz "Mas. e derramo um pouco no cálice. e assim coma do pão e beba do cálice". Paulo está preocupado. pela Sua testa. nem tampouco as igrejas de Deus. havia divisões por causa de trajes (capítulo 11)?! E depois todos queriam se reunir para "tomar cafezinho"?! A Ceia do Senhor não é para isso. eu me emociono. há uma comunhão espiritual pela lembrança de Cristo na cruz. A igreja estava dividida por causa de uma doutrina (cf. e pelo tronco da cruz. é isso o que estamos dizendo! A LINGUAGEM DA CONSAGRAÇÃO (vv. E agora o paradoxo: o irmão pode sair pior se tomou a Ceia do Senhor indignamente! É o que Paulo diz. Sim.. se alguém quiser ser contencioso. mas para pior". Examine-se. porque me vem à mente que sou indigno pecador. e o propósito da Ceia! O que Paulo está enfatizando aqui é a harmonia da Ceia. quando tomo esta jarra de vinho. Interessante que a Ceia do Senhor não torna ninguém melhor. mas ainda hoje tremo quando tenho na minha mente e coração a cena de Jesus Cristo no Calvário. capítulos 12 e 14). porquanto vos ajuntais. Fiquei arrepiado! Que coisa impressionante a legislação. e pela nossa identificação com essa cruz: a minha cruz. e quando celebramos a Ceia. não para melhor. sairemos de novo com a mesma raiva e amargura do nosso irmão em Jesus Cristo! A conduta dos irmãos de Corinto destruía o propósito da igreja. e o Seu sangue escorrendo pelas mãos. é a unidade da igreja. não de Cristo. Você participou da Ceia só porque os outros iam ver. mas não é comunhão-de-cafezinho. tenho me emocionado sempre que participo da Ceia Memorial! E cada vez que seguro a côdea de pão. e que pela graça de Deus fui feito Seu filho! Lembro-me. fico com as mãos trêmulas ainda. Nisto. e você ia ficar com vergonha se ficasse sentado e não participasse? Quais são seus propósitos quando se aproxima da Mesa do Senhor? Estive lendo sobre a congregação dos levitas e sacerdotes (Números 3 e 4). como eram as 12 . que vou dizer-vos não vos louvo. ninguém vai sair melhor porque tomou a Ceia do Senhor. e o parto na frente dos participantes. porque a Ceia do Senhor não é isso! Por isso. por essa razão é dever de cada um solene e seriamente examinar-se sobre quais são os seus interesses em Jesus Cristo.Ao longo destes quase quarenta anos de ministério da palavra e das ordenanças. 27-29) Quando celebramos a Ceia usamos essa linguagem.

sobretudo.normas no acampamento de Israel no deserto: somente podiam se aproximar dos móveis os sacerdotes. Os levitas funcionavam. e os outros. Meu coração está limpo. ou borrado. com várias camadas de tecidos (e de cores diferentes para mostrar o grau de santidade do objeto). não. ou manchadas. da Mesa do Senhor! Mas tem uma coisa: se o irmão vier à Mesa do Senhor com as mãos sujas. era o próprio povo de Israel. salvo pelo sangue de Jesus? Lavado pelo Seu sangue? · Que é que eu tenho feito? Minhas mãos estão limpas. mas pode sair pior do santuário. Quando havia necessidade de desmontar o tabernáculo para ir para outro lugar. assim. A lei não era fácil: era marcial. E lembrando. Só que há uma diferença muito grande: na Igreja Cristã o pastor não é o sacerdote. devemos dar graças a Deus pelo privilégio de termos um diálogo com a Ceia do Senhor. estou vindo com fé na morte de Jesus Cristo? Vivo diariamente pelo poder da ressurreição de Jesus Cristo? São perguntas que tenho que fazer! É Jesus realmente o alimento da minha alma? Sou eu um dos Seus. o objetivo. e consagração pessoal porque esse é o propósito. como posso me lembrar dEle? Por isso que Phillip Henry diz que o crente quando for participar da Ceia deve fazer três perguntas: · Que é que eu sou? Filho de Deus.). em comunhão espiritual porque essa é a realidade que vivemos agora. lei de guerra! O "estranho" não era o pagão. e depois que tudo era embalado. e sou eu um com os Seus? Estou em harmonia. nem os levitas quer eram os seus auxiliares. e ninguém via a forma do objeto. que almejo na Causa de Jesus Cristo? Então. os levitas pegavam o pacote e faziam o carregamento nos carros de boi para o transporte pelo deserto. por isso podemos nos aproximar dos objetos. sujo? · Que é que eu desejo? Quais os meus sonhos e visões. embalavam os móveis. o "povão"! Na Igreja de Cristo fomos todos elevados ao sacerdócio. E sempre é lembrado o seguinte: "e o estranho que se chegar será morto" (Nm 3. e. como guardas de segurança do tabernáculo. Então. "será culpado do corpo e do sangue do Senhor" (1Co 11. de esperança porque nós olhamos para aquele dia! Que o Senhor nos ajude e abençoe! Patte IV VESTIMENTA NA IGREJA 13 .27b)! O irmão não sai melhor. minha vida é digna da comunhão com os outros crentes? Permanece a minha aliança com o Deus vivo? Se não conheço a Jesus Cristo. de alegria. entre outros deveres. etc.10. os sacerdotes entravam. o alvo de nossa vida sempre. que a Ceia do Senhor não é um funeral (para que cara triste?): a Ceia do Senhor é uma celebração de fé. que venhamos à mesa do Senhor em espírito de comemoração porque essa é a linguagem que falamos agora.

Não pretendemos desenvolver um tratado teológico sobre o tema e nem desejamos agir com rigorismo em termos de usos e costumes. 14 . tem recato". as pessoas estão cada vez mais nuas. Tais vestimentas são precursoras de muitas outras medidas adotadas por Deus. permanecendo fiel a Cristo e a convicção ministerial que temos de que a igreja brasileira necessita urgentemente experimentar um avivamento de santidade. visando o bem-estar físico. pois creio que na igreja de Jesus Cristo não deve existir a preocupação exagerada com a moda. bem como no combate de toda a sorte de malignidade que tenta corromper os parâmetros de Deus para a santidade do cristão. Há algum tempo temos alertado a igreja sobre esta questão. da Rede Globo. Faço minhas as palavras da personagem de Tarcísio Meira na série Um só Coração. Aquelas que insistem em se vestir bem e com decoro. cercadas de pessoas nuas por todos os lados. Há uma monumental investida contra a moralidade do ser humano. da liberação feminina. causando transformações radicais em nossas mentes. Porém.Introdução: "Nesta casa não tem moda. mas sim com o recato e o decoro que devem ser peculiares aos santos. relacionadas a moral e aos bons costumes. Inicialmente. para asseverar a minha convicção espiritual em relação a vestimenta do cristão verdadeiro. Não importa a razão. mesmo sob a pecha de radical. social e espiritual da humanidade. Medidas que se tornaram necessárias por causa da corrupção imposta pelo pecado à natureza humana. do tropicalismo.. 1. vejamos algo sobre. O trágico é reconhecer que esta nudez desenfreada chegou à igreja. Vejamos no Texto Sagrado alguns ensinamentos bem objetivos sobre a vestimenta do povo de Deus. ou seja. A primeira roupa . de retrógrado. dos regionalismos ou da libertinagem e do hedonismo peculiar a pós-modernidade. mas parece que não temos sido bem-sucedido nestes alertas. Seja em nome da moda. da quebra dos paradigmas. Apenas desejamos apresentar aos irmãos textos bíblicos que devem nortear a nossa experiência de fé e de vida cristã. razão pela qual decidimos tratar francamente deste assunto com toda a igreja. transformações essas que nos atribuam redobrada autoridade espiritual e testemunhal diante desta geração corrompida e perversa em que vivemos. de antiquado ou de autoritário. parece que estão ilhadas. o que é absurdo. em nome de Jesus. pretendemos persistir no combate desta maldição.. que se reflete na vestimenta.Gênesis 3. Chegou para ficar e se estabelecer como referencial de comportamento cristão.21: Vemos que o primeiro a apresentar a preocupação com a vestimenta do ser humano foi o próprio Deus.

Desta referência concluímos que estar na presença de Deus consciente da nudez imoral é afronta contra o Senhor. A glória de Deus manifesta é símbolo real e indiscutível da presença de Deus no culto ministrado diante dele e para ele.. que fazem referência aos paramentos e assessórios sacerdotais. provocando pensamentos impuros e constrangimentos ao desnudo. Ou seja. A nudez neste contexto representa a consciência da corrupção. É reconhecimento do caráter divino e da santidade do Deus objeto da adoração..9. O conceito básico que estabelece os parâmetros da vestimenta sacerdotal é o de que as roupas são como referencial de apresentação diante da glória de Deus e para a glória do Deus que é adorado. que é santíssimo.1-4: Neste texto Deus exige roupas especiais. Deus não expulsou o homem do Éden nu. verso 21. ou seja. visto que nos aproximaremos de Deus. verso 42. É pecado. com a roupa íntima do sacerdote. roupa que cobre tudo o que deve ser preservado e que indica parâmetros de moralidade e de respeito entre serem humanos. 15 . puras e santificadas. uma vez quebrada a imagem e semelhança moral de Deus no homem. roupas de gala. Por esta razão. Apocalipse 1. Em segundo lugar. 2. em pecado. O homem foi criado em santidade e a nudez não lhe causava constrangimento diante do Criador. para a desonra. Deus exige roupas especiais para o ato de culto verdadeiro.6 e 1 Pedro 2. destacando a preocupação de Deus até com os calções. vejamos algo sobre. a nudez passou a ser motivo de medo. O princípio que se encerra neste contexto bíblico é o de que as vestimentas que usamos no ato de culto devem ser limpas. a partir do sacrifício de Jesus. Se a sua mente tenta justificar a não aplicação deste texto em sua vida. Devemos observar que mesmo sob maldição. para o sacerdote na ministração do culto e da adoração. Pior ainda é a seminudez. da quebra de um padrão estabelecido por Deus. Deus fez túnicas de peles. Adoração é ato de culto. Mas depois do pecado. devo ressaltar que a Palavra de Deus assevera que. que instiga e explora a sensualidade. Podemos verificar também os versos 31-35 e 39-43 de Êxodo 28. As roupas para a adoração . todos fomos feitos sacerdotes para Deus.Nos versos 10 e 11 de Gênesis 3 o homem alega medo de Deus devido a sua nudez.Êxodo 28. com o rasgar do véu no templo.

desejando causar boa impressão e agrada-lo. o grande general. ou ainda. amados. humilhado. devemos observar ainda os ensinos de Salmos 29. eram roupas especiais. em sua idéia mais remota. indicam. não entendia bem tudo o que estava acontecendo. Roupas como sinal de reverência . Pensando ainda em roupas para a adoração. embora traduzidas como "esplendor do seu santuário" ou "esplendor da sua santidade". Ficou frustrado e aborrecido ao se sentir desprezado pelo profeta. Vale ressaltar que o Texto Sagrado alerta até mesmo aqueles que não são servos de Deus e que não têm. As afirmações destes versos.. curado e salvo. Devemos ter a consciência de que estamos diante do próprio Deus e que. que o representa na ministração para as nossas vidas. Afinal. nem trapo velho encardido. bem como durante os cultos. Hebreus 12. é que Deus requer decência de cada um de nós. que devemos estar bem vestidos. Não podemos estar na Casa de Deus com vestimentas que não sejam expressão da nossa busca de santidade.9. nem roupas indecorosas ou falta de roupa que se deve levar para a presença do Senhor ou do servo de Deus. roupas de festa. ou seja. que é o que nos habilita a estarmos diante do Senhor em adoração. como "beleza da sua santidade". A realidade. levou roupas finas e luxuosas. Desta maravilhosa narrativa bíblica fica para nós a seguinte lição: não é molambo. por 16 . uma experiência íntima com ele.2 e 96. a tomarem cuidado com os seus trajes quando estiverem em uma situação que saibam que estarão diante de Deus. nem modismo. com aquela atitude. Porém. Vejamos em seguida algo sobre. Naamã fosse quebrantado. quando nos apresentamos diante do Senhor para prestar-lhe culto. Este texto mostra que Naamã ao se dirigir ao servo de Deus.indicando que o cuidado de Deus vai além da roupa aparente. Este gesto de Naamã aponta para o reconhecimento da superioridade do profeta em relação a ele e para o reconhecimento da soberania de Deus em relação a sua vida e circunstância. com aplicações em ouro. trajados com decência. Naamã. por isso. o seu coração ainda era obstinado e Deus conduziu o profeta para que.14. prata e cravejadas de pedras preciosas. 3. a luz do contexto geral da Bíblia. Somos os sacerdotes consagrados por ele e para ele.2 Reis 5..1-6: Reverência tem a ver com a postura resultante da conscientização a que chegamos em relação ao valor do outro. Deus requer moralidade na adoração e na ministração dos cultos. bem como pelo fato de o profeta não aceitar os seus presentes.

a nos curar e ministrar salvação. em seu retorno. Os farrapos de uma vida dissoluta e distanciada de Deus e dos parâmetros da moralidade devem ser jogados fora e trocados por vestimentas novas. mostrando que reconhecemos a superioridade e a soberania de Deus..21-22: Neste texto identificamos duas questões importantes: O filho reconhecendo o seu estado e admitindo a perda da condição de filho e o pai amoroso dando ao filho pródigo.. Vejamos ainda algo sobre. não podemos mais permanecer maltrapilhos.. Vamos nos ater as roupas. Apocalipse 3. A entrega de roupas novas para o filho. Em Cristo nos tornamos pessoas especiais.14-22. mas com decência e decoro. em especial osversos 16-18. 17 . que simbolizam a nossa restauração e a retomada da nossa condição de filhos. roupas novas. indica a transformação de vida que o jovem experimentara. o Deus que está pronto a nos quebrantar. como que deserdadas por causa do pecado.9-10: Estes versos falam em trajes decorosos e sem luxúria como a vestimenta ideal para o servo de Deus. 4. A exigência de decoro e de moralidade na vestimenta é para mulheres e homens ao mesmo tempo. Roupas como sinal de restauração . Quando nos convertemos Deus nos honra e nos dá novas vestes. devemos estar bem trajados. vestes espirituais. Isso não é verdade.. 5.Lucas 15. bem como da restituição do nosso direito espiritual como herdeiros de Deus em Cristo. A condição de coitado. sapatos e um anel. Mais uma vez a sua mente. servindo também como prova da nossa aceitação na casa do Pai. vejamos algo sobre. Estas roupas novas simbolizam o perdão que nos foi outorgado. em especial o verso 8. miserável e nu é para aqueles que serão vomitados pelo Senhor devido a mornidão espiritual. mesmo que com roupas humildes e simples. e não para os filhos que vivem em perfeita comunhão com o Pai. Por fim.1 Timóteo 2. Em Jesus não somos mais pessoas separadas de Deus. principalmente a dos homens. "a melhor roupa". que exige dos homens um alto padrão de santidade para a oração. O que comprova isso é o contexto geral do capítulo. desnudados ou vestidos de maneira indecorosa. limpas e decentes.isso. O parâmetro de Deus para a vestimenta do cristão . pode estar tentando se justificar dizendo que o ensinamento paulino não se aplica a você. tendo regatado a nossa posição espiritual como filhos de Deus. levando o melhor possível.

Isso é verdade desde que não haja falsidade em nossos corações A escolha não é muito difícil. Conclusão: Outros textos poderíamos estudar sobre o tema. Lembre-se. que reflete a sua compostura moral e espiritual.Decoro é recato no comportamento e decência no vestir. que fala da roupa dos mártires na glória. no que diz respeito a nossa vestimenta. falarão mais alto do que as suas palavras em meio ao burburinho esganiçado da promiscuidade na qual chafurda a nossa sociedade. Apocalipse 7. por certo.23-24. Luxúria é comportamento desregrado em relação a sexualidade. ultrapassa a idéia de vestuário simplesmente. imorais. de valor e de discreta beleza usadas por Jesus. Deus exige de nós um comportamento recatado através do qual as pessoas percebam que estamos libertos do desejo de pecar e que fomos restaurados em nossa moralidade. que eram as mesmas vestes que usavam aqui na terra. 18 . Se nos vestimos com decoro. que falam das roupas de boa qualidade. por certo as pessoas perceberão que nós nos honramos e que lutamos para nos preservar em santidade diante de Deus. É licenciosidade moral que denota a lascívia. do indivíduo. que é o desejo de pecar. A maneira como nos vestimos ressaltam o valor moral que atribuímos ao nosso corpo diante de Deus. em nosso caráter. Paulo usa o termo para fazer referência também a moralidade sexual que nos é exigida por Deus e que deve se refletir em nossas roupas. Está relacionado com a postura que adotamos para a vida. Em contrapartida. bem como o nosso senso de preservação da nossa integridade moral. tais como João 19. Ou seja. que é agora santificado pela ação do Espírito Santo que em nós habita.9-17. pois não haverá tempo para trocar de roupa antes de entramos no céu. e a concupiscência. utilizado por Paulo. e Apocalipse 16.15. Deus exige dos seus filhos uma vestimenta decorosa e isenta de qualquer sintoma de luxúria. Roupas sobrecarregadas de luxúria e de sensualidade. Se nos vestimos com luxúria as pessoas poderão imaginar que somos licenciosos. no original. suas roupas. que descreve o fato de termos as roupas sempre à mão como sinal de preparo espiritual para o encontro com Jesus. A nossa roupa pode refletir o nosso caráter. O que vestimos mostra o que esperamos que as pessoas pensem de nós em relação a maneira como tratamos a nossa sexualidade. O jeito como nos vestimos reflete a nossa consciência moral em termos de sexualidade. mas creio que já vimos o bastante para estabelecermos parâmetros éticos para a nossa igreja. que é pecado. O termo traduzido por "traje decoroso". A luxúria se contrapõe acirradamente ao decoro. que refletem lascívia e libertinagem imoral. Nossas roupas indicam se temos maus ou bons costumes morais. ou seja. ou roupa decorosa.

em fim. visto que imoralidade. a banalização do adultério. ao estar na frente para ministrar o culto. vamos ao objetivo deste estudo que não é nada que a igreja já não saiba. pois o pastor não deve se dar ao trabalho de vigiar ninguém. no trabalho. para declamar. A igreja de Cristo não é o seu lugar. promiscuidade. na escola. decote umbilical. Não importa. a aceitação parcimoniosa do divórcio e.Talvez você esteja se perguntando: Onde se pretende chegar com este estudo? Ou quem sabe você esta ruminando com os seus botões. famílias destroçadas. de hoje em diante. É Bíblia. Porém. a gravidez na adolescência. "Já até sei qual vai ser o resultado disso".. não podemos fazer o papel do Espírito Santo no convencimento das pessoas. Uma vez realizado o estudo. para qualquer coisa. embora de cunho ético. não se deve permitido blusas de alças (aquelas blusas que só tem as alcinhas e mais nada). Se você procura outro evangelho que não o de Jesus Cristo. como decorrência. em todo o lugar onde estivermos e no nosso cotidiano. bateu no estudo errado. sem relativizações éticas e sem a tentativa de se fazer a vontade humana. bem como para se subir na plataforma para ministrar o louvor. Por isso. toque em nossas mentes e corações a fim de que mudemos radicalmente a maneira de nos vestirmos. desigual e agonizante como percebemos a nossa. exploração da sensualidade na vestimenta e o cinicamente chamado nu artístico são ações maléficas do diabo contra a natureza humana e a sociedade. Mas devemos tratar destas questões na igreja sim. Não só na igreja. Não é o pastor que manda. O resultado dessas estratégias diabólicas tem sido a violência sexual contra as crianças. O resultado da imoralidade no vestir é uma sociedade corrompida. Não nos preocupa nem mesmo o fato de você pensar que este assunto não deveria ser tratado na igreja. tomara que caia (que para os mais afoitos devia chamar "pena que não caiu").. mas em casa. É Palavra de Deus. pelo Espírito Santo. sem ajustes humanos. que nos quer santos para ele e santificadores pelo testemunho cristão autêntico. Seria uma bênção se estas normas fossem aplicadas pelos irmãos e irmãs de modo geral. como pastores. o culto ou qualquer outra participação. e nem decotes meia-taça que 19 . Será mesmo que não temos razões que justificam estudar este tema? Vale ressaltar ainda que este estudo. visto que. Lógico que cabe ao pastor a ministração da Palavra e a supervisão quanto a obediência aos ensinamentos do Senhor. devem ser estabelecidas algumas regras bíblicas em relação a vestimenta que se usará para a participação e para ministração nos cultos. Deus há de restaurar e transformar a consciência de cada um. pois em diversas ocasiões manifestamos nossa posição bíblica sobre a questão da vestimenta do cristão. é também evangelístico. para cantar. a prostituição desenfreada. na igreja. Este estudo apresenta o evangelho que é a luta por se fazer a vontade de Deus. nossa oração é para Deus. como já dissemos neste estudo. Pois apresenta o evangelho verdadeiro. lascívia. Por fim. no que diz respeito a utilização do púlpito. no cóxi ou no "rego".

por que estas não são roupas adequadas para se estar na frente da congregação. Seria maravilhoso se num domingo fizéssemos esta fogueira para queimar as roupas das quais o Senhor nos libertou depois de termos estudado a Palavra. Esperamos no Senhor que este estudo seja suficiente para uma tomada de posição nossa como igreja de Cristo no Brasil. Diante da igreja. Isto por quê? Porque fomos restaurados por Deus da nossa natureza pecaminosa e porque estamos dispostos a obedecer ao Senhor. modismos exagerados e imorais. no que diz respeito a vestimenta. e nem com uma calça comprida atarracada no corpo. Não se deve ir para a igreja com calça de cós baixo (daqueles que ficam no púbis) sem uma blusa ou camiseta que cubra os quadris. micro-saia. Porém. diante de Deus.projetam os seios para os olhos incautos dos homens ávidos por aconchego ou mesmo dos desavisados. ficamos com a Bíblia. ficamos com a Palavra de Deus. na genitália ou no traseiro. em nome de Jesus. para ministrar na presença de Deus. aos críticos. Mesmo que isso nos imponha a impopularidade. Entre a relativização ética e o Texto Sagrado. Haja unção para olhar e não pecar.. Diante de Deus e da congregação devemos estar bem trajados. entre a frouxidão moral e Palavra de Deus. fazer anúncios. admitimos que eles comprem ou que usem. fazendo a sua vontade. vestidos curtos (daqueles que vão só até a cabeça do fêmur) ou transparentes e translúcidos. cantar em conjunto ou pregar. 20 . Vamos assumir a nossa responsabilidade e corrigir a nossa conduta moral. Seja para dirigir programa. para ministrar o culto ou o louvor. Não precisaríamos ouvir críticas ou cobranças por causa de vestimenta. e que estamos devidamente vestidos para a adoração e em profunda e sincera reverência a Deus. demonstrando que não temos mais os temores do pecado quanto a nossa nudez. o estigma de radical ou a renúncia do pastorado. Seja para apresentar visitantes. cantar. que não condizem com o padrão de Deus para a vestimenta do salvo e nem com o testemunho cristão. Se não compramos. Quanto às críticas ao autor e ao estudo. Somos nós que compramos as roupas dos nossos filhos.. mesmo que para isso tenhamos que fazer uma "fogueira santa" com as roupas que usávamos até sermos exortados na Palavra de Deus. Somos nós e os nossos filhos que nos vestimos indevidamente. muito obrigado. não se deve permitir mais uma vestimenta indecorosa. ou mesmo roupas esculachadas. Não mais se deve permitir o uso de mini-saia. ficamos com a Bíblia. Entre a perversão do modismo e as Escrituras. Com roupas deste tipo não se deve participar da ministração. tocar. Não importa. expressa na Bíblia Sagrada.

a fim de darem graças ao nome do Senhor” (Sl 122. No dizer de Paulo. O povo ia ao Templo de Jerusalém. 4). a auto-suficiência. “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor!” (cf. a rebeldia pela rendição a Deus. É nesse pensamento que o poeta exclama com tanto entusiasmo. Cantar. e saímos para servir com um só propósito embora em situações e contextos distintos. cultuar é confessar que se mantém um relacionamento com o Criador. porém. fato esquecido hoje em dia por liberais. é mais que qualquer um desses atos. mesmo. as tribos do Senhor. para que. o crente deve dar é unir-se ao povo de Deus na instituição que Ele estabeleceu para o propósito de lhe trazer crescimento: a igreja local.14. Parte V “ALEFREI-ME QUANDO ME DISSERAM.. É o que diz a nota de explicação do Salmo 122 com a expressão “cântico de degraus” (“gradual” ou “de romagem”. níveis sociais. no caso de eu tardar. crentes com espírito de louvor. raças e 21 . edificante experiência de ver o povo de Deus chegando cada manhã ao templo é uma alegria dominicalmente renovada.. pois o Espírito Santo age através do coração. e cantando à medida que iam se aproximando dos portões da Cidade Santa. No culto comunitário. Na verdade." Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor” (Sl 122.1) A tocante. inspiradora. W. seitas e (até) cristãos bíblicos”. Podemos. o louvor é a nossa resposta ao amor de Deus. Está na Palavra Santa: “. Se não somos adoradores. meditar. visto que. pela entrega. é se deixar inflamar pelo Deus Pai. No culto. v. que ser assim. não poderemos trabalhar aceitável e adequadamente pelo reino de Deus. louvamos a Deus em conjunto. recebemos a Palavra em conjunto.. após a salvação. O crente troca a independência.4) Jesus Cristo ensina que o Senhor busca adoradores (Jô 4.aonde sobem as tribos. “de romaria” ou “de procissão” em outras traduções). tudo leva à adoração.15). Há.23). ou como bem o expressou A. pelo Deus Filho e por Deus Espírito Santo. submissão e pedido de socorro.Amém. orar. das mãos. saibas como se deve proceder na casa de Deus. confessamos nossos pecados em conjunto. apóstolo: “Escrevo-te estas coisas. dos pés. imaginar as multidões indo à Beth haMikdash (Templo) em Jerusalém. coluna e esteio da verdade” (1Tm 3. embora esperando ir ver-te em breve. como testemunho para Israel.. no entanto. o passo mais importante que o novo crente. com que objetivo? A Casa de Deus É lugar de adoração. há pessoas de diferentes origens. Adorar. Assim. a qual é a igreja do Deus vivo. dos lábios que se renderam ao Criador. Tozer: “Deus salva os homens para fazê-los adoradores. Porém. e vem hoje ao templo.

Deus está presente: “O Senhor está no seu santo templo. O cristão evangélico não “assiste ao culto”: dele participa. e. Deus também vo-lo revelará”.culturas. “Orai pela paz de Jerusalém” pede o salmista no Salmo 122. muito grave. e perdoarei os seus pecados. quando estou com o povo de Deus. e a igreja como um todo tocar pelo Espírito de Deus.1a)? É até possível ampliar a explicação exortando a guardar os ouvidos. ao vir ao culto.31). Jesus Cristo está presente: “onde se acham dois ou três reunidos em meu nome. A dinâmica do culto consiste em deixar-se o crente individualmente. no entanto. na ira lembra-te da misericórdia” (3. “Alegrei-me de verdade. E. tendo eles orado. se sentis alguma coisa de modo diverso. e todos foram cheios do Espírito Santo. aí estou eu no meio deles” (Mt 18. é ambiente de conseqüente avivamento.5: “Pelo que todos quanto somos perfeitos tenhamos este sentimento.13). e se desviar dos seus maus caminhos. prezamos.6. a esperança fortalecidas.. os olhos. e sararei a sua terra” (2Cr 7. e enriquecida pela comunhão dos irmãos. a mente e o coração. a mãos. e orar. e anunciavam com intrepidez a palavra de Deus” (At 4. O 22 . se evaporam no canto congregacional. o despertamento que buscamos.. Dominados haveremos de ser por um anseio de uma maior consagração. E o Senhor nos responde: “e se o meu povo. pela compreensão do grande. diz o adorador-em-espíritoe-em-verdade. alegrei-me com tudo o que eu sou. surgindo a necessidade de reavivar-se a chama dentro de nós. a coragem. são as energias espirituais renovadas. ó Senhor. eu sinto a maior alegria. de adoração conjunta em perfeito acordo com o que Paulo acentuou em Filipenses 3. eu sinto real harmonia. quando o culto termina.. na mesma expectativa quanto à pregação. É o fogo estranho de que fala Levítico 10.20). a robustez. Há um popular hineto que diz: “Quando estou com o povo de Deus. Irreverência na casa do Senhor é pecado grave. no canto coral. na oração.3. Habacuque expressou este clamor ao dizer. e traz sério prejuízo espiritual para toda a igreja. É o reaquecimento. por que no culto.4. eterno amor.. na leitura bíblica. tremeu o lugar em que estavam reunidos. Todas essas distinções.” (Hc 2. “Aviva. que se chama pelo meu nome. algo vai acontecer: sua vida será agraciada pela presença de Deus. alegrei-me quando me disseram: vamos à casa do Senhor!” A casa de Deus é um lugar de oração.14). se humilhar. e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós” (2Co 13. na entrega dos bens e vidas. Assim. Por vezes.2). faze que ela seja conhecida no meio dos anos. e o amor de Deus. queremos e pelo qual clamamos. É o senso de conjunto. Isso nos recorda o ensino bíblico de que é pecado trazer no culto divino e ao serviço do Senhor qualquer coisa que não proceda de uma vida renascida. “Guarda o teu pé quando fores à casa de Deus” (Ec 5. vidas são áridas num mundo árido. então eu ouvirei do céu. aquilo que é tão bem expresso na Bênção Apostólica: “A graça do Senhor Jesus Cristo. a tua obra no meio dos anos. O crente há de compreender que.20). Não expressa a Escritura. o Espírito Santo está presente: “E.” É a fé estimulada. e buscar a minha face.1 e Números 3.

não abandonando a nossa congregação. sem espírito de dependência. a oração e as ofertas para o tema a ser explanado e desenvolvido no sermão. a praia. ler e meditar em casa. os temores afastados. e acentuada essa alegria quando compartilhamos a adoração com outros crentes. se o louvor é sem reverência.. como é costume de alguns. por exemplo. É errado chamar a primeira parte do culto de Louvor.. o “trio elétrico” evangélico”. As ausências. crescer na igreja. ou ligar a TV e ter a igreja eletrônica com um pregador de estúdio “olhando” para você (?!) da tela fria do televisor.. A palavra de Deus é claríssima sobre esse tema: “consideremo-nos uns aos outros. sem quebrantamento e sem consagração.” (Hb 10..25). O irmão Lawrence afirmou. a alegria da presença de Deus. Há quem se interesse pelo som. e nada vai comprar as bênçãos divinas. porque nosso Deus não merece nem tolera isso! Por que substituir os teológica e musicalmente bem escritos hinos. cantar.. ou realizado tão somente pelo oficiante sem a presença de um auditório. Portanto. Sim. É ato corporativo. em vez da liturgia (palavrinha boa que significa “o trabalho do leigo”). os passeios.. mas não pelo Senhor que é exaltado nos seus versos. escritos em mau português.24. . Algo Prático O cantar.” É ausentar-se podendo estar presente. hinetos e doxologias por corinhos de paladar duvidoso. É não deixar que a chuva. há quem se interesse pelo barulho em vez do serviço a Deus. Negromonte esclarece ainda mais.”. nunca o destaque pessoal. e o culto todo é uma tremenda apoteose de louvor. bíblico. trazer o amor de Deus e enfatizar a adoração. visto que. “Não deixando as nossas reuniões. ou o turismo eclesiástico nos impeça de vir à própria congregação. o futebol. como. onde em poucas palavras há um erro crasso de linguagem? O hino deve ser reverente. o frio.culto não é um drama encenado para uma platéia de espectadores. Aliás. “Não consigo imaginar como pessoas religiosas podem viver satisfeitas sem a prática da presença de Deus”. a corrida de automóveis. A tradução do Pe. o velho e persistente comodismo.. e a fé revigorada na adoração coletiva. improvisada. 23 . na realidade. sem ensaio. pela harmonia ou pelo ritmo. com uma teologia que não é bíblica. a “axé music” evangélica em vez da calma onde se manifestou o Espírito de Deus a Elias (1Rs 19. pois é preciso crescer com a igreja. não basta a um cristão dizer que pode orar. o calor. Cuidado com a música de qualquer jeito. O bom hino comunica o amor do Pai. porque a alegria não é encontrada em cantar certo tipo de música ou viver com certo grupo. Não pode haver culto se não há adoração com seriedade. a alegria do culto divino é um sentimento antecipado. sem humildade. “Jesus é a aliança entre você e eu. popularescos. a TV.12b). Consiste na obediência. O objetivo é unicamente a glória de Deus. o dever de casa. sem confiança. sem espírito de cooperação. porque nada vai compensar o culto que você perdeu. todo culto. as falsas idéias e doutrinas corrigidas. A música são as flores do jardim da adoração. Há quem esteja mais interessado no que alguém imaginosamente chamou de LITORGIA.. A música deve afunilar juntamente com as leituras bíblicas.

cultuar é transformarse.Revelação Geral .Sl19:1. não recebemos as bênçãos do culto. quando saímos é obediência. ou.21). Serão verdadeiras essas afirmações? Admitimos que há muita coisa por aí levando o nome de "teologia" que não passa de especulação humana. e o terceiro. Se a adoração. o louvor. louvor. de vida". Mt 5. de que Ele tem Se revelado tanto por meio de Suas obras (criação e providência . o espírito de unidade. por isso. que alguém pode ser cristão sem conhecer a Deus. como. o segundo.Hb1:1. não levamos os filhos a crescer e a igreja perde a cooperação. Perguntamos. Quando entramos no templo é a expectativa. 1 Pd 1:20. At 14:17). sim.. mas não um ato de culto. Neemias nos inspira: “porque este dia é consagrado ao nosso Senhor. se não investigarmos o que Ele deixou revelado para nosso conhecimento? Pois esse é o trabalho da Teologia.B. quem somos nós em relação a Ele. Não é disto que falamos aqui. por não se basear em pressupostos de uma hermenêutica bíblica. Perguntamos se a verdadeira Teologia é necessária à Igreja. Teologia é o estudo de Deus.2. de que Ele pode ser conhecido. nas Santas Escrituras (Revelação Especial . Esse trabalho parte de três pressupostos: O primeiro é o de que Deus existe. quando se torna um fim em si mesma. É porque Deus Se revelou que podemos conhece-Lo.2. pode não ter qualquer uso prático e reduzir-se a mero academicismo. O que lhes falta é um bom conhecimento do que é Teologia e de suas implicações. adoração (cf. embora não de modo exaustivo e completo. quando entramos é fé e esperança. Como podemos conhecer a Deus sem estudar a revelação que Ele faz de Si mesmo? Como saber quem Ele é e o que Ele tem feito e faz. o que Ele requer de nós. conscientemente. por conseguinte.crescer para a Igreja de Cristo em sua expressão local.23. principalmente. Quando deixamos a congregação. se a Igreja pode prescindir do conhecimento de Deus e da Sua obra e ainda ser Igreja de Deus. quando saímos é amor.etc. É quase certo que aqueles que negam a necessidade da Teologia na vida da Igreja não diriam. definindo mais formalmente. pois a alegria do Senhor é a vossa força” (8. quando nos ausentamos da igreja. Portanto não vos entristeçais. é só agitação. Nosso 24 . visto que adorar. “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor!” Parte VI A IGREJA PRECISA DE TEOLOGIA? Introdução e Conceitos É comum ouvirmos que "a teologia mata a religião" ou que "a Igreja não precisa de teologia e.24).10b). E o que é verdadeira Teologia? Como o próprio nome indica. louvar. "é a ciência que trata de Deus em Si mesmo e em relação com a Sua obra" (B. não pode ser chamado culto. perdemos o fervor. o culto não nos transformar. E até a "boa teologia". a comunidade de fé de você faz parte. Warfield). Se a adoração não nos levar a maior obediência.

etc. mas pelo próprio ato expiatório. qualquer estudo de Deus que não tiver a Sua revelação como base. devidamente aplicada pelo Espírito no coração do crente. que Teologia é o conjunto de verdades extraídas dos ensinos bíblicos a respeito de Deus e de Sua obra. como ao conteúdo do que é ensinado (Rm 6:17. O adjetivo aqui. nem natural. e ainda não experimentar as graças ensinadas nas doutrinas que expõe. Por isso. nem mesmo "descobrir" a Deus. A primeira é a suposição de que o Cristianismo se baseia em fatos e não em doutrinas Concordamos que nossa salvação não repousa sobre um conjunto de teorias ou idéias. Sua morte substitutiva. Sua ascensão e assentamento à direita do Pai. na forma de um corpo de doutrinas. e que são apresentadas de modo sistemático. A essa forma ordenada de doutrinas. Sua ressurreição. 2Tim 4:3-4. Tito 1:2. Como viemos a saber que aquele menino que nasceu em Belém é o Filho de Deus? Por que descansamos na eficácia da Sua morte para a expiação dos nossos pecados? Por que sabemos que a Sua ressurreição. no grego). A doutrina realmente não salva. A palavra "teologia" não ocorre na Bíblia e o termo que lhe é equivalente. Duas são as razões geralmente apresentadas para se dizer que a Igreja não precisa de Teologia.. 25 .9. mas pela própria pessoa de Cristo. Sua vida de perfeita obediência à Lei.). são os grandes fatos que tornam garantida a salvação dos eleitos. não altera o conceito de "teologia". fica evidente que não há diferença entre Teologia e Doutrina. o nome de "Teologia Sistemática". Seu nascimento sobrenatural. dá-se inclusive. mas conhecer e compreender a revelação que Ele próprio deu de Si. Sua segunda vinda. Podemos dizer.T. Não somos salvos através de uma correta teoria a respeito da pessoa de Cristo. a que damos o nome de "doutrina". portanto.1Tm 6:3-4. devidamente entendida. mas sobre os atos poderosos e eficazes do nosso soberano Deus. é que assegura essa graça. meio e princípio regulador não é "teologia". que vem de uma raiz que significa "ensinar" e pode se referir tanto ao ato de ensinar. nesse sentido. é "doutrina" ( "didache" ou "didaskalia". de modo mais completo agora. "Fazer teologia". não é inventar teorias a respeito de Deus e de Suas obras. mesmo que extraídas corretamente da Bíblia. Mas voltemos ao nosso tema. Assim entendidas. nem através de um exato entendimento da doutrina da Expiação. A obra de Cristo. Elas se baseiam em duas falsas antíteses: 1. garante a nossa justificação? É porque esses fatos são todos explicados e interpretados pela doutrina. propriamente. mas comunicado por Ele mesmo através dos meios que soberanamente escolheu. Mas como sabemos que esses são os fatos? Que sentido teriam esses acontecimentos se não tivessem sido interpretados? É a doutrina que lhes dá sentido. há dois mil anos atrás. É possível alguém ser "bom teólogo". no N.conhecimento de Deus não é intuitivo.

desde que mutável. "Religião é vida e a vida é dinâmica. A prática (práxis) é colocada acima da doutrina não só em importância. A segunda é a suposição de que o Cristianismo consiste em vida. a doutrina é estática. mas fato sem doutrina é mera história. adaptada sempre à dinâmica da vida e conformada às "necessidades" da época e do lugar onde a vida do Cristianismo se manifesta. à razão. "A letra mata. mas se isso não for um fato histórico também. portanto. Segundo esse ponto de vista. e. Podemos hoje entender que "os céus manifestam a glória de Deus" (Sl 19:1) porque o Criador nos tem revelado isso na Sua Palavra. Isto é o que se vê em toda a Escritura. Aqueles que assim pensam até admitem um certo tipo de doutrina. que os fatos só têm sentido quando acompanhados da doutrina. A doutrina não salva. e não somente que Ele aja. Nem é pertinente perguntar qual dos dois é mais importante.B. como lemos em Rm 1:18-32. vol 2. Até mesmo os fatos manifestos na natureza (Revelação Geral) não seriam devidamente compreendidos se não fossem explicados pela Bíblia (Revelação Especial).Esta não só informa o fato como também dá o seu significado.e ressuscitou por causa da nossa justificação" (Rm 4:25). consiste em "fatos que são doutrinas e doutrinas que são fatos". Daí dizer-se que para se conhecer a Deus é preciso que Ele fale. não está apenas apresentando um fato. ou quando a chamam de "mãe natureza"?. Quando João diz: "E o Verbo se fez carne. e que procura eliminar da religião todo apelo ao intelecto. mas pode tornar o homem sábio para a salvação (2Tm 3:15). na expressão de B. O ensino da doutrina é uma das ênfases da Bíblia (1Tm 3:2. fria. pois sem ela não existe verdadeiro Cristianismo. 2Tm 2:2. a criatura toma o seu lugar. Sem a revelação do Criador. mas o espírito vivifica". as emoções. p. não é a doutrina que deve dirigir a vida. Até chamam a isso de "teologia contemporanizada" ou "contextualizada". de igual modo está dando uma interpretação aos fatos da morte e ressurreição de Cristo. não pode ser compatível com o caráter do Cristianismo". Doutrina sem fato é mito. mas também 26 . portanto. O Cristianismo. dizem. Warfield. cheio de graça e de verdade" (Jo 1:14). está explicando-o também. Ele diz: "A Encarnação é uma doutrina: nenhum olho viu o Filho de Deus descer dos céus e entrar no ventre da virgem. Ef 4:11). 234). Sem essa explicação. não em doutrina Por trás dessa afirmação podem estar raízes do conceito filosófico que exalta o misticismo. o sentimento religioso do homem. Concluímos. Seria o mesmo que indagar qual das duas pernas é mais importante para o nosso caminhar. Quando Paulo afirma que Jesus "foi entregue por causa das nossas transgressões. portanto. Não é o acontece quando as pessoas dizem que "a natureza é sábia". fluente. e habitou entre nós. especialmente nas epístolas. 2. Fato e doutrina se complementam no Cristianismo. gerando a idolatria (devido ao pecado). sua mensagem (a dos céus) passaria despercebida e eles poderiam até ocupar o lugar do Criador. Tito 1:9. argumentam. nossa fé é vã e permanecemos ainda em nossos pecados"( Selected Shorter Writings. mas esta àquela.

Há até quem interprete assim a célebre divisa: "Igreja reformada sempre se reformando". Não admira que haja tanta "fluidez" e instabilidade entre os que assim pensam. independente da obra santificadora do Espírito. E não há outra forma de se fazer isto a não ser pela doutrina. Foi a doutrina bíblica. ou. Tudo cairá no campo dos valores relativos e passará a depender do subjetivismo. e que sejam facilmente levados "por todo vento de doutrina". não estamos afirmando que apenas a doutrina. depois nos dias de Warfield e dos Hodge e. Reformar é voltar às origens. Não basta apenas um sentimento religioso para fazer de um homem um cristão. a doutrina é o que menos interessa. tão bem exposta pelos reformadores e tão negligenciada pela Igreja. até os nossos dias. ninguém verá o Senhor ( 1 Ts 4:3. Sem dúvida. A doutrina é. assim. não a sua norma. que o Cristianismo é vida e não doutrina. Foi a falta da verdadeira doutrina que enfraqueceu a Igreja e a lançou num tradicionalismo vazio e pagão. Hb 12:14). nos moldes escriturísticos. Mas será essa a visão bíblica do Cristianismo? Podemos dizer. com base na palavra de Deus. e graças a Deus por isso! Onde a vida não se manifesta. É através dela que ficamos sabendo que a vontade de Deus é a nossa santificação e que. Será que aquilo que foi deixado por Paulo e pelos outros apóstolos como doutrina para os seus dias deveria ser mudado nos dias de Agostinho. não alterá-la. para dar lugar às manifestações de vida? Não creio que a Bíblia justifique essa posição nem que esses teólogos a tenham entendido assim. nem revelação objetiva. que é quem nos 27 . é a verdade de Deus relativa? Depende o seu valor do lugar e da época em que se encontram os homens? Sabemos que esta é a posição atual dos que se denominam pluralistas e esse é o pressuposto básico desta posição. que a trouxe de volta às origens e lhe recuperou a vida. depois nos dias de Lutero e Calvino. sucessivamente. o meio que o Espírito soberanamente usa para nos fazer conhecer a vontade de Deus e nos levar a praticá-la. É para que continue sempre sacudindo de si toda tradição e acréscimo humano que não estejam de acordo com os valores fixos e absolutos da palavra de Deus.É a doutrina que dá característica à vida. sem esta. O princípio de que "a Igreja reformada deve estar sempre se reformando" visa manter sempre a mesma posição em relação à verdade. falta a alma da verdadeira religião. primeiramente vida. É ela que nos aponta os meios de graça deixados pelo próprio Senhor. depois doutrina? Existe tal antítese? Se essa posição for verdadeira. produz vida. para que seja aplicável em todas as épocas. Mas devemos ou podemos prescindir da doutrina para que essa vida se manifeste? Antes de tudo. É preciso que sua vida seja moldada na doutrina de Cristo. nem princípio fixo. das emoções. isto sim. Para estes.no tempo: a doutrina passa a ser um produto da vida cristã. então não haverá verdade absoluta. ao que foi intencionado no princípio por Deus. Concordamos também que Cristianismo é vida. no século XVI. da "piedade". É a correta aplicação da doutrina que produz a verdadeira vida cristã.

Templo do Espírito Santo . Ef 5:26). Qual o verdadeiro significado deste termo! Quais as responsabilidades daqueles que dela participam. 19:7 28 . da razão.1 .Noiva do Cordeiro . se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo".O nascimento da Igreja ocorreu n dia de Pentecoste. a tua palavra é a verdade" (Jo 15 :17) e em João 7:17. Rm 1-11: doutrina. 2:21-22 . 1:22-23 . Por isso. 1:23 .2 . mas é pela pregação da Palavra que vem a fé que transforma (Rm 10:7) A espada do Espírito é a Palavra (Ef 6:17).Plenitude de Cristo . portanto. Nossa demonstração de vida pode impressionar as pessoas e despertar nelas certa admiração."povo de Deus" "Ekklesia" .Ef.No Novo Testamento .2 Cor. A ORIGEM DA IGREJA 1. para depois pervadir todas as áreas do ser e se transformar em manifestações de vida que O agradem e glorifiquem.A primeira referência bíblia sobre a igreja aparece em Mateus 16:18 1. A NATUREZA E AS FUNÇÕES DA IGREJA COMO CORPO 2. 01. CORPO DE CRISTO TEXTO: EFÉSIOS 1:22-23 PROPOSTA: A nossa proposta é a de conhecer o que a Bíblia fala sobre a igreja.Corpo de Cristo . 12-16: prática). a íntima relação entre doutrina e prática é evidenciada pelo seu método de apresentar primeiro a argumentação teológica (doutrinária) para depois tirar as implicações práticas dela decorrentes (Ex. Nas epístolas paulinas. porque precisa da doutrina nela contida para dar sentido e expressão aos fatos do Cristianismo e para prover os meios de manifestação da verdadeira vida cristã. O conhecimento de Deus começa pela porta do intelecto. 11:2. Parte VII A IGREJA. Conclusão Concluímos."chamados para fora" . pela Escola Dominical e por qualquer outro meio disponível. Isso se torna ainda mais claro na oração sacerdotal de Cristo.Outros títulos: .Ef. em que Ele associa a prática da santificação com a doutrina da Palavra: "Santifica-os na verdade. o ensino da doutrina é indispensável na Igreja. Atos 2:1-4 02. conhecerá a respeito da doutrina.santifica (Lv 20:7-8.1 . que a Igreja precisa da Teologia. Ap. tanto através do púlpito como pelos estudos semanais. onde o fazer a vontade de Deus está ligado ao conhecer a doutrina: "Se alguém quiser fazer a vontade dele.Ef.

criar unidade no corpo .manter a unidade da fé .Ef. 2:9. Observe as expressões: "escolheu".Col. 2:19 . 12:14 .1 Cor.Ela tem responsabilidades . 3:15 Parte VIII A IGREJA. CORPO DE CRISTO II TEXTO: MATEUS 28:18 PROPOSTA: Este estudo visa mostrar que a mesma autoridade que Jesus recebeu do Pai. A FORMAÇÃO A IGREJA . 3:9 . 8:29. "eleita". SÍMBOLOS BÍBLICOS QUE DESCREVEM A IGREJA .transmitir ordens .1 Cor. dos desafios .1 Cor.Coluna e Baluarte da verdade . a sua 29 .nutrir os demais membros . 3:9 .Individualidade .Fil.1 Cor.João 10:16 .1 Cor. 3:16 .1 Cor.Diversificação de ministérios . 12:28-29 06.instruir seus filhos na Palavra 03.ministrar . CARACTERÍSTICAS DO CORPO . 4:16 . 12:17 .Santuário de Deus . "para serem". Ela se tornou a agência mediante a qual o Senhor manifesta o seu poder.participar do louvor.A Igreja como corpo deve: .Ela é formada pela união de seus membros .Lavoura de Deus . Rom.sustentar os membros .Ef.1 Cor. 12:21 .Colaboração . 12:12 .Rebanho .1 Cor. 1 Ped.Exclusividade .Harmonia .. 04. "a fim de". 12:25 . 1:4. AS FUNÇÕES DOS MEMBROS . foi também delegada a igreja.1 Tim.1 Cor. "conheceu".Edifício de Deus . "para sermos". 4:9 05. da comunhão.reconhecer ministérios .1 Cor. 12:25 .

só através do sangue de Cristo.A autoridade da igreja é maior do que o poder do Diabo . Mat.Resumo: a igreja não pode morrer. o pecado. 20-21-22 . recebeu do Senhor Jesus.Mat.4 . porque ele desejou ser igual a Deus. A autoridade a nós foi delegada. 1Cor.A igreja pode perdoar os pecados (ofensas) cometidos contra ela. Tg. Jó 20:23. 2.Igreja x Portas do inferno . Satanás não tem medo de uma pessoa que prega a Palavra. AUTORIDADE E PODER A autoridade representa a própria essência de Deus. 17:20. Mat. 30 .5 . 2. 16:19.graça e autoridade. 02. 01. sim.Mat."Portas do Hades" .Porta . Ela se torna em realidade devido a autoridade que Cristo concedeu à igreja.Autoridade sobre os pecados . e não simplesmente realizar os mesmos feitos de Deus.Mat.1 . 18:18. Ele tem medo das pessoas que se submetem a autoridade de Cristo.A igreja como corpo. 5:9. 10:8 . coletivo. 5:14-15 Diferença entre: "pecado" e "pecados" .3 . e.2 .A luta profetizada pôr Jesus: . mas retêm o perdão àqueles que menosprezam a sua autoridade. Mat.Autoridade para ligar e desligar .Mar. enquanto o poder expressa os seus atos! Isaías 40:25-26 Deus pode perdoar aqueles que duvidam de seus feitos.esse poder é manifestado através da oração. A queda de Satanás ocorreu. 5:3-5 . Luc.Autoridade sobre a natureza . provocado pela queda do homem. 8:30 . 2. força o diabo a nos obedecer. 2. AUTORIDADE E PODER DELEGADOS À IGREJA .representava a corte.Autoridade sobre os espíritos . toda a autoridade e poder para se tornar uma igreja viva e vitoriosa.Para exercer esta autoridade a igreja precisa estar em perfeita sintonia com o Espírito Santo. 10:19. 2. Ela é eterna.Luc. o poder do reino do mundo inferior! . Esta autoridade não é um exercício individual. Isaías 14:13-14 Obs.Hades representa o deus que tinha autoridade sobre os mortos! .Jesus comandou o espírito que atormentava o jovem e o expulsou. 6:14. Mas.

Queda do querubim da guarda .Rebelião de Cão .1 .comunhão c.2 .7 .Kerygna .Obs.5 . ou negar-se a si mesmo. 3.AUTORIDADE E A LIDERENÇA DA IGREJA .Números 16 3.1 Reis 11 3. e da igreja em se transformarem. .Ezequiel 28:13-17 3. 13:7 Parte IX A IGREJA.2 Crônicas 26:16 4. Os maiores castigos mencionados na Bíblia ocorreram em razão da desobediência à autoridade delegada pôr Deus. Watchamann Nee: "A maior das exigências que Deus faz ao homem não é a de carregar a cruz. A maior das exigências é que ele obedeça" . 13:17.4 .9 .3 . 1 Cor.0 .8 . Não se obedece a homens.A comunicação se processa através de três elementos básicos: a . Zac.Rebelião de Coré . Para que ela produza 31 . 5:12-13.Obs.A nossa obediência deve ser praticada não em função da pessoa mas da autoridade nela investida. CORPO DE CRISTO III TEXTO: ROMANOS 12:1-2 PROPÓSITO: A maior necessidade do mundo.0 . Ilust. é a necessidade de adaptação ao curso da História. e.Encurtando as distâncias .1 Sam.João 13:12-17 A mensagem . servir. 15:22-23 .Gênesis 9:20-27 3.Números 12 3.Levítico 10:1-2 3.Gênesis 2 e 3 3.A idolatria de Salomão .Castigo de Arão e Miriã . Esta adaptação só se viabiliza mediante a disposição do mundo.2 . Leon Tolstói: "Todos pensam em mudar a humanidade e ninguém pensa em mudar-se a si mesmo". dar ofertas.Queda de Adão e Eva .A igreja só crescerá quando todos os membros estiverem debaixo do autoridade de Deus delegada aos seus ministros.CONTESTANDO A AUTORIDADE DELEGADA .1 Samuel 15 3. 16:15-16. 1 Tes.A transgressão de Uzias . como também da igreja.3. das pessoas. Koinonia . Diakonia .10 .2 Samuel 15 3.6 .não funciona isoladamente.mensagem b. das pessoas. sim.1 . à autoridade de Deus que está nesse homem.A insubmissão de Absalão .A desobediência de Saul .Rebelião de Nadabe e Abiú . 1. Kerygma . Transformação é o segredo de um organismo vivo.serviço 1. Heb.

um anemiamento espiritual 2.a arrogância quebra a linha de comunicação 2.A falta de oportunidade produz: . 12:25-26.2 . 5:15-16 .Marcos 11:25 .Disciplina na prática da liberdade . Sem unidade. 9: 24 .1 Cor.1Cor. 12:17-18 . Um membro não pode inibir a ação do outro.TODA TRANSFORMAÇÃO EXIGE UMA FONTE DE DISCIPLINA PESSOAL .desvalorização do membro .1Cor. 34:17 .Princípio da integração .4 . ocorre: .um espírito de concorrência . 5:13 .João 8:47 . Ez.2 . João 17:23 3.desperdício de forças 2.resultados positivos.A igreja precisa ser a autora e não a espectadora no processo de mudanças.Disciplina na prática do tempo .Col.0 . 0.o egoísmo passa a predominar nas relações .1 .um enfraquecimento de todos os membros .1Cor. de troca a mobilidade e harmonia do corpo. a igreja perde a sua função.Gal.quando este princípio é quebrado.Disciplina na prática da fé .Princípio da Unidade .a unidade é a fonte geradora de toda a energia.A quebra desse princípio provoca: . . .Princípio da oportunidade . 12:21-22 .Princípio de Dependência .contestação da vontade de Deus .Ef. 3:17 . 13:5 .1 Tim.1 Cor. é necessário que o membro exercite a Koinonia e a Diakonia. Ela foi criada para ser o instrumento de Deus na transformação da sociedade.este princípio visa das a todos os membros a mesma chance de trabalho.desequilíbrio em todo o sistema .2 Cor. 12:15-16 . quando isso ocorre todo o corpo é prejudicado.Disciplina na prática da santidade . . 5:22 Parte X 32 .Disciplina na prática dos hábitos . 2.3 .Disciplina na prática do perdão .TRANSFORMANDO A NOSSA RELAÇÃO COM OS OUTROS MEMBROS Este processo de transformação ocorre através da prática de quatro princípios bíblicos. Um membro não deve aspirar o lugar do outro.Afastamento dos outros membros .cada membro tem sua função.Disciplina na prática de ouvir/falar .

. Mas a realidade daquele vale ainda é a mesma em nossos dias. 3:12 2. VANDERLEI FRARI PROPÓSITO: Cerca de 2960 anos nos separam da experiência de Ezequiel junto ao vale de ossos secos.4 . CORPO DE CRISTO IV TEXTO: EZEQUIEL 37:1-14 Autor(a): PR. 5:26. 15:2..enferma o corpo! . mantém a flexibilidade e resistência do corpo.para comprometer o profeta com o desafio de restauração 1. 12:15." ... Gál."tendões" .perturbação da nutrição -prejudica o metabolismo do corpo. a carne fala do conhecimento da Palavra. 2:3.para identificar a situação do povo 1."nervos" .3 . . participação." ..Esta convivência foi necessária: 1..17.. HARMONIZANDO O CORPO O texto de Ezequiel 37:6 nos ensina quatro verdades básicas sobre a harmonia do corpo de Cristo. 8:13-15 c. Sentiu os odores daquele ambiente fétido."Farei crescer carne sobre vós. Rom. Heb. a carne representa unidade. Ef. Conviveu com a morte.A IGREJA.Ne.a pele é o elemento de proteção.1 . Fil. dá sustentação. 01.hipersensibilidade .3 . É o alimento sólido."E sobre vós estenderei pele. 1 Ezequiel não só foi levado ao vale de ossos secos.Rom.1 .para mostrar qual o propósito de Deus 02. 4:22 2. integração . .cria a união. Col." .2 . Ele andou pôr entre aqueles ossos.Há três aspectos importantes sobre este elemento: a . 2:11-15 ." O resultado final de um corpo equilibrado e harmônico é a presença do Espírito Santo agindo em todos os membros.A experiência de Neemias . a carne é o elemento do corpo. 3:1-2.estimulam. UMA CONVIVÊNCIA DESAGRADÁVEL . 33 . mantém a sensibilidade. O alvo deste estudo é recriar uma nova esperança no coração daqueles que como membros. .. 2:23 b. fazem parte da Igreja do Senhor Jesus. 5:11-14 2. A distrofia .Gên.2 ."E porei em vós o fôlego da vida e vivereis. Uma pele ressecada prejudica a respiração do corpo. Ela funciona também como um filtro. 2.V. 2 Cor."Porei tendões (nervos) sobre vós. 1 Cor.

8:12..sabedoria em tudo.Ef. Moisés nos dá um bom exemplo de falta de sabedoria. Êxodo 18:13-18 a . a igreja tem lutado mais contra si mesma do que contra os verdadeiros adversários. um pobre. DEFININDO A SABEDORIA . que Deus fará de membros soltos e sem vida. SABEDORIA.v.12-13 e. que Deus derramará o seu Espírito Santo . A IMPORTÂNCIA DA SABEDORIA Pôr vivermos em grupos sociais.Gên.Is.1 .sabedoria nas amizades .sabedoria nas decisões .pessoais.0 . CORPO DE CRISTO V TEXTO: PROVÉRBIOS 4:7 Pôr falta de sabedoria. 1 Reis 3:25-28 2. 22:6 b. 3:1-2 2.1 . tem usado ignorantemente a armadura de Saul. que Deus abrirá as sepulturas e libertará todos os que vivem presos .Prov. 5:15. Cabe a cada membro do corpo a mesma responsabilidade.2 .14 Parte XI A IGREJA. a sabedoria torna-se em elemento indispensável em nossos relacionamentos inter .Gên. 2. 03.v.COMO SE PROCESSA ESTA RESTAURAÇÃO? Ezequiel foi o instrumento usado pôr Deus para restaurar os ossos secos.v. e à pessoa certa. se não surgirem homens mais sábios. tem perdido enfim o poder de atuação.(Concílio Vaticano II) 01. AGENTE ESPIRITUALIZANTE A sabedoria não é uma virtude isolada. que Deus harmonizará o corpo beneficiando assim cada membro em particular v. Ecl. 26:4.sabedoria nos negócios . um grande exército . sabedoria como doutrina ..10 d.Sabedoria é saber fazer a coisa certa. 3. 7:16 2. 41:38.7 c.O que profetizar? a . 9:4-5 2. 19:18. Dan. O processo de restauração ocorre através da ação profética.Prov. 10:12 02.Prov. tem fomentado divisões. "Realmente estará em perigo a sorte do mundo.3 . 1 Pd.sabedoria no diálogo .3.v. 41:39 2.5 b. Não é contrária 34 .6 . um que precisa de oração". sabedoria como virtude de homem . no momento certo.Jer. que Deus pode vivificar o que está morto em nossas vidas .sabedoria no comportamento .5 . e muito menos eletrizante. sabedoria como atributo e qualidade de Deus .4 . 1:17 c. 28:29. Jer. O homem sábio é aquele que é capaz de reconhecer um necessitado.

arrefecendo a autoridade da igreja em sua ação reformadora no mundo.4 . Ela é antes de tudo o fiel da balança espiritual. 17).Atos 6:3 3. 3. Devemos evitar a visão antropocêntrica e buscarmos uma visão horizonal.1. Estivermos preocupados com a vontade do Mestre e não com a nossa própria vontade – (Vs. Como Jesus. Efésios 3. apenas a submissão. devemos admitir nossa humanidade em sua plenitude mas sempre 35 .. Mas amados.Tiago 3:13-18 Resumo: Igreja sábia produz santos verdadeiros! Parte XII A IGREJA QUE FAZ A DIFERENÇA Mateus 26.1 Cor. 1. do mundanismo que gera a mundanalidade incrustada na igreja pela relativização da ética cristã. É imperativo fazermos diferença no mundo. Os anseios e vontades humanas desembocam sempre no hedonismo ou nas guerras cruentas e desumanas.A força de Estevão . A igreja deve interagir na história. é imperioso resgatarmos a relevância da igreja no contexto sociocultural em que trilhamos a jornada da santificação. soberana. Romanos 12. escrevendo a história da salvação na vida das pessoas e para isto.a verdadeira espiritualidade. A vontade decisiva e decisória de Deus onde não cabe relativizações ou negociatas.3 .Exigência dos apóstolos .17-30 Introdução A igreja será apenas uma instituição humana se não tiver a visão de Jesus Cristo para o contexto e a realidade histórica na qual está inserida.A verdadeira busca .Atos 6:8-10 3. não andar a reboque da historieta escrita nos alfarrábios desta geração corrompida e perversa.1 .2 . cristocêntrica. Só a vontade de Deus para a igreja é "boa. A igreja é manifestação de Deus na história. fazendo verdadeira diferença neste mundo com Agência reformadora de Deus. Falar dos objetivos da igreja em contraposição as megatendências da pósmodernidade e o modismo quanto a quebra de paradigmas que resultam na perda da identidade doutrinária..A oferta do Espírito Santo .10. agradável e perfeita". quando. a igreja só será relevante para o mundo e para o Reino. Somos o povo do Deus que é Senhor da história e que se manifesta através da história. Não podemos nos contentar em causar impacto na história com os nossos escândalos ou com a nossa inércia contemplativa enquanto o céu não vem. vontade ativa. 12:8 3. "Onde queres" – Théleis. cristológica e cristossímel.

é hoje. da morte às mão do opressor. mensurado e controlado pelo homem. no sangue da remissão. diz o Mestre. à Denominação ou à Eclesiologia – (Vs. de festa. apresentações e números especiais. devido a presença do próprio Deus entre nós. Estivermos conscientes da brevidade do tempo da salvação – (Vs. O tempo da Deus é kairós. santo e agradável". A festa. Romanos 12. da graça salvadora. sendo Deus. Na dispensação da igreja. Devemos buscar a consciência de que o Senhor está em seu trono de glória para receber de nós um culto "vivo. 2. 36 .13. Mestre. e a pregação deve ser levada a efeito "a tempo e fora de tempo". Uma festa alegre e vívida em gratidão pela libertação do pecado que nos é outorgada por Cristo. 2 Timóteo 4. Não sabemos quando o Mestre voltará. alguém que ensina revestido de capacidade. Se quer. Êxodo 12. e de celebração.14-16. e não kronos. infinito. Páscoa. 1 Coríntios 2. de alegria e satisfação prezeirosa em nossos cultos. Se perseguimos palco. Não induz ao radicalismo ou ao êxtase emocional espiritualista esotericamente espiritualizado. eterno. Nossos cultos se tornarem verdadeira celebração ao Cristo vivo. didáskalos. nossos cultos devem ser verdadeira celebração pela e para salvação em Cristo. É imperioso buscarmos a consciência de libertação. mas a tua". honra e dignidade. era um memorial da libertação do Egito. 18b e 19). Vale ressaltar a expressão "o Mestre diz". o tempo é sempre presente. O texto não prevê sectarismo ou uniformidade. resultado de mentes renovadas em Cristo no entendimento dos mistérios da salvação. não à liturgia. a Páscoa.1. Estar preparados para adentrarmos com ele em sua glória implica em testemunho e pregação incessantes. 3.orando: "não se faça a minha vontade. o texto aponta para um denominacionalismo desvairado e promotor de uma nefasta negligência ao que é bíblico em defesa de um hediondo tradicionalismo históricodenominacional. Jesus. aqui não é nosso lugar. Da mesma forma. 18). como se fossemos senhores do tempo. ou se queremos vislumbrar os nossos olhos com feitos pitorescos ou com manifestações pneumotécnicas. é Senhor do tempo e fala com autoridade quanto a brevidade do tempo para a pregação do evangelho. limitado. "Meu tempo está próximo".14-17. Mateus 25.42. Lucas 22.2. A Igreja não pode postergar a pregação.

Isaías. Somos assolapados pela consciência de pecado que desemboca no arrependimento ou permanecemos insensíveis e nada nos impulsiona à santidade? A expressão do verso 21. Pedro. não podemos permanecer aguilhoados ao pelourinho do pecado e dissociados pelo preconceito que ressalta as idiossincrasias. Efésios 4. para nos reconciliar com Deus. Qual a nossa reação diante da expressão "um de vós me trairá".. não conseguem olhar para Jesus e identificá-lo com Senhor absoluto de todas as coisa. se buscamos relevância para a sociedade. profetizando um futuro melhor. Colossenses 2.14. insistindo nos passos de Caim e na decisão diabólica tomada por Judas Iscariotes. Jeremias.4 e conjugando-nos em só coração. Jacó. O sangue do pacto foi derramado "para a remissão de pecados".32. 28). O sangue que "nos purifica de todo o pecado".20. o que não é uma característica da personalidade de Jesus. Muitos. permanecendo na inércia petrificada do comodismo. Efésios 2. Não divisionismo ou sectarismo autofágico e se quer. evidenciado na proclamação do evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. afirmo que a igreja fará diferença no mundo e resgatará sua relevância e autoridade na pregação quando. "me entregará". e se nos dispomos à perfeita adoração. É assombroso que muitos crentes não sintam o sabor amargo de pecado como sentiram Moisés. Somos contristados pela possibilidade de sermos o traidor – (Vs. no original. mestre da lei.. para um preconceito satanicamente beatificado pelo denominacionalismo coercitivo. fazendo-nos um só povo. admitindo-o apenas como rabi. Kírios. No culto verdadeiro Deus sempre manifesta sua glória. O sangue do pacto promover aliança de compromisso em nós – (Vs. persistindo na traição. Paulo e muitos outros indicados no Texto Sagrado. Jesus Cristo.4. se pretendemos fazer a diferença já em nosso tempo. a fim de que dediquemos nossas vidas em perfeito louvor. irmanados em Jesus Cristo. denota que Jesus bem sabia das intenções daqueles que o perseguiam. Como igreja.14-18 e 1 João 4. mesmo estando diante de Jesus e sendo desafiados ao arrependimento. é constituir-se em traidor. Retirar-se do culto sem experimentar restauração santificadora. devemos vivenciar íntima comunhão. Se somos igreja.1-8. l 37 . para cobrir e apagar o escrito de culpa que recaia sobre nós. Isaías 6. 21 e 22). sempre somos levados à contrição e ao arrependimento. 5. 2 Coríntios 5.18 e 19. Em quinto e último lugar. Atos 4. a partir do arrependimento e da confissão sincera diante de nosso Advogado e único mediador.

João 1.8, 2.2 e 1 Timóteo 2.5, nos impõe a comunhão que afaga o coração e acarinha o aflito e o existencialmente desesperançado. Pelo que, a igreja deve retirar-se do templo, após o culto prestado, restaurada, perdoada, transbordando em amor e alegria e amalgamada no sangue de Jesus Cristo. Todo o nosso pecado e preconceito devem ser abandonados aos pés da cruz de Cristo, o Cristo que "é tudo em todos", Colossenses 3.11. Conclusão Amados, é urgente e premente uma reflexão quanto relevância e a atuação da igreja no mundo da globalização e, em especial, aqui em São Paulo. Se não identificamos estas cinco assertivas em nossa expressão cúltica e identidade doutrinária e denominacional, corremos o risco de sermos vitimados por descomunal aridez teológica, eclesiológica e doutrinária. Nos tornaremos insipientes, insignificantes e dispensáveis ao homem que carece de salvação e não de liturgias, eventos sociais ou verdadeiros shows pseudo-espirituais aromatizados com essência de enxofre, não com o hálito do Espírito Santo. Sejamos igreja. Corpo vivo de Cristo. Submissos a ordem do Mestre e conscientes da brevidade do tempo para a salvação. Sejamos igreja que festeja a vitória de Cristo na Cruz e que é contristada pela consciência de pecado. Sejamos igreja santa e poderosa na evangelização para que desfrutemos as benesses do perdão, do amor e da comunhão íntima, expressão inconteste da nossa reconciliação com Deus em Cristo Jesus. Parte XIII A LIDERANÇA CRISTÃ E O DISCIPULADO Creio na liderança cristã e creio no discipulado. Compreendo que a liderança cristã tem o trabalho de despertar e conduzir o ser humano para Deus e para tudo o que de Deus recebeu. Creio numa liderança comprometida com o reino de Deus (cf. Mt 6.33), o que, aliás, é uma qualidade-chave do líder cristão. Uma liderança comprometida é fiel (1Co 4.2), disponível (Lc 9.57-62), receptiva à capacitação, ou seja, ao treinamento (um teste é convidar 12 a 20 pessoas para reuniões de treinamento, e observar quem retorna a partir da segunda reunião. O treinamento, por sinal, já é uma seleção). Descobrir pessoas que possuam potencial é tarefa do líder, e isso com o objetivo de treiná-las de modo a que em dado momento a organização possa funcionar sem ele, líder. É um facilitador no ensino dos novos discípulos e na participação deles no global do processo; é exemplo e ajuda em vez de apenas verbalizar, valoriza a participação dos outros, é paciente e confia no Espírito Santo como conselheiro e auxílio nas dificuldades. Creio na liderança capacitada pelo Espírito de Deus, "carismatizada" para o benefício da Igreja de Cristo, para que todo o edifício bem ajustado cresça para templo santo cuja glória seja unicamente a de Deus, ou como colocou a Bíblia em Português Corrente (edição da Sociedade Bíblica de Portugal, 1993): "É em Cristo 38

que todo o edifício está seguro e cresce até se transformar num templo que honre ao Senhor" (Ef 2.21). Creio também no discipulado cristão, pois é somente observar a ênfase dada por Jesus ao cuidado, carinho, busca e instrução dos que O seguiam. "Discípulo", por sinal, parece ser a palavra favorita de Jesus para aqueles cuja vida estava ligada a dEle. Aparece 269 vezes nos Evangelhos e no livro dos Atos dos Apóstolos. O líder cristão do século 21 não pode esquecer que as condições do discípulo são um daqueles princípios imutáveis, apesar das transformações litúrgicas, administrativas, pelas quais a Igreja de Cristo vem passando através dos séculos. Quem as declara são os Evangelhos: · Transportar a cruz (Lc 14.27). A cruz não é brinquedo, mas instrumento de morte, na qual o eu deve morrer. Ir-para-o-Calvário é um caminho escolhido deliberadamente, visto que a cruz é o símbolo da perseguição, vergonha e abuso que o mundo jogou sobre o Filho de Deus e jogará sobre os que escolhem navegar contra a corrente, o discípulo. · Renúncia (Lc 14.33), que é entrega irrevogável a Jesus Cristo, autonegação, nos termos de Lucas 14.26 e Mateus 16.24. Nosso amor a Jesus e à Sua causa há de ser tão evidente que, em comparação, todos os demais serão diminuídos. Billy Graham afirmou que "a salvação é de graça, mas o discipulado custa tudo o que temos". · Constância (Jo 8.31). É passar a viver em companhia de Jesus, comunhão de destinos com Ele, segui-Lo, permanecer nEle. O verdadeiro discípulo se caracteriza pela estabilidade. · Produção de frutos (Jo 15.8). União frutífera como Senhor (Jo 15.4,5). O líder cristão há de observar os dois aspectos básicos do discipulado em sua própria experiência de vida: a união com Cristo e a dedicação sem reservas, que Jesus Cristo descreveu em termos de videira e ramos (cf. Jo 15.5ss). Em relação ao primeiro aspecto, Paulo usa inúmeras vezes a expressão "em Cristo" para com isso significar que nós estamos nEle e Ele está em nós (Cl 1.27). Por sua vez, Romanos 6.1-12 indica o significado do regime de dedicação exclusiva a Jesus. O alvo do discipulado deve permanecer bem definido na mente do líder cristão: é a semelhança de Cristo em caráter e em serviço. O Espírito Santo dá-nos o caráter de filhos de Deus, e nessa linha de raciocínio, o fruto do Espírito é o retrato desse caráter: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e autodomínio. OIKOS, UM CONCEITO PARA O SÉCULO 21 As grandes cidades, sejam capitais legais, formais ou informais são um centro dominante A característica maior é a concentração de população várias vezes superior à cidade seguinte em importância. Tem primazia política, econômica, acadêmica e cultural (a área metropolitana de Tóquio é maior que a metade da população do Canadá). É também nessa situação que o líder cristão há de exercer o discipulado. 39

São características dos habitantes da urbis: · Um ser solitário. Quem mora na roça vive praticamente num sistema de clã (estilo semita bíblico). Na cidade grande está perdido. · Um ser pobre. Mora em invasão. · Um ser que sonha. Não perdeu essa capacidade. · Um ser que escuta. E a ele muitos "discipuladores" querem falar. OIKOS, UM NOVO VELHO CONCEITO Oikos é o "lar familiar", a esfera de influência. É o sistema social primário composto por aqueles que que são relacionados por laços comuns de família, trabalho e vizinhança. Três são as constantes culturais: o parentesco, a comunidade e a associação: · parentesco são laços de sangue ou de afinidade. · A associação é voluntária com normas, autoridade, mobilização de recursos, e movidas por amizade, sexo, poder, ideais, interesses, prestígio (sindicatos, igrejas, clubes). · A comunidade é determinada pela geografia. Se isso existe hoje, e é uma constante antropológica, existiu nos dias neotestamentários. É o oikos (cf. Michael Green. Evangelização na Igreja Primitiva). Alguns casos são: · a família de Betânia (Jo 12.1-3); · a casa de Cornélio, oficial romano (At 10); · a casa de Lídia (At 16.13-15); · a família do carcereiro de Filipos (At 16.25-34); · a casa de Prisca e Áqüila (Rm 16.3-5); · a casa de Aristóbulo (Rm 16.10); · a casa de Narciso (Rm 16110. Os descrentes têm dois problemas: o de informação (não conhecem a um cristão de verdade), e o de reputação (conhecem um "cristão" que não tem a mente de Cristo).

IMPEDIMENTOS Liderança que não encarna ideais e falta de mobilização do povo de Deus. Falar de liderança é falar de pastores, presbíteros, diáconos, ministros na várias áreas, professores, conselheiros, relatores, etc. Através da história, Deus tem chamado homens e mulheres para abençoar Seu povo. No século 21 muita coisa tem mudado: igrejas querem dinheiro, não poder do 40

Espírito; santuários cheios de pessoas, mas não de poder; animação, mas não renovação. A liderança há de ter visão. A LIDERANÇA E A PALAVRA DE DEUS

A liderança cristã não pode prescindir de utilizar a Bíblia Sagrada como fonte de reflexão, de meditação, de discipulado e caminho de vida. O desenvolvimento do Salmo 119 bem o demonstra. Afinal, a Bíblia se evidencia Palavra de Deus nas profecias e cumprimentos, em mostrar o ser humano em sua realidade e pelos seus efeitos na vida do homem que é transformado em discípulo de Jesus Cristo. Por essa razão, há o líder de nela meditar (Sl 1.1,2), de nela viver (v.3) e conhecêla para crescer em graça (v.3). OMO A PALAVRA DE DEUS TEM SIDO DESAFIADA A proposta de um evangelho para o Terceiro Milênio. Exemplo típico deste desafio à Escritura Sagrada e o seu ensinamento é o feito por Huáscar Terra do Valle em seu Tratado de Teologia Profana. No capítulo em que trata de "Além do Bem e do Mal", Valle explica que a moral do judaísmo se resume na expressão "Olho por olho, dente por dente", buscando provar com tal exposição que o Deus dos hebreus, é mau e vingativo. Javé é colocado no mesmo nível de Marduque dos babilônios, de Baal dos fenícios e outros deuses semitas. Civilizado é, no seu entender, o Zoroastrismo que prega a eterna luta entre o bem e o mal (Ormuz e Arimã) e a presença de Mitra, encarregado de ajudar o ser humano a lutar pelo bem. Chega esse pensador à conclusão que a figura de Deus vem do fundo do inconsciente, referindo-se ao comando instintivo dos genes. Há uma tremenda carga emocional que inspira profundo respeito e é codificada para o entendimento do consciente como Deus onipotente, criador, etc. Expressão dessa carga emocional é o misticismo. Religião, diz ele, é uma adoração da própria raça, que são os genes, ou na figura de Deus ou na imagem dos ancestrais. Pecado é a desobediência aos mandamentos dos genes, sendo, a rigor, um conceito tribal. A proposta de uma nova moral. Tratando-se de uma nova moral para o Terceiro Milênio, não se pode negar a sobrevivência do mais apto, ou seja, daquele que soubesse compatibilizar os interesses do indivíduo com os da sociedade. As religiões nada fizeram para melhorar os padrões de moralidade da sociedade como um todo, visto que vivem confinadas em suas próprias doutrinas, e consideram os elementos de outras 41

religiões como gentios ou pagãos. A nova moral, como a nova religião, tem que ser universal excluindo apenas um grupo, os fanáticos. A idéia de Deus não é indispensável para um comportamento moral. A proposta é a de um código de ética baseado na ciência, pois a Astronomia mostra a insignificância do ser humano no universo; a Biologia, a Genética, a Teoria da Evolução e a Sociobiologia de mostram que o ser humano não foi criado à semelhança de Deus, e sim do macaco e de outros animais. Valle declara não acreditar em outra vida, por isso o céu deve ser procurado nesta, evitando, também que a vida se transforme em um inferno. O destino do ser humano é entregar aos descendentes os genes que recebeu dos antepassados, o que o transforma em uma máquina de sobrevivência apenas. Igreja É a prostituição da religião. A verdadeira religião consiste em agir desinteressadamente, visando ao bem da coletividade, e não, entre outras coisas, citar a Bíblia, fazer sermões de duvidosa sinceridade, ou pagar o imposto do céu (o dízimo). Por isso, prescinde de Deus. O sentimento religioso pode ser transmitido de várias maneiras, sobressaindo-se a música, que é emoção pura. O arrebatamento religioso poderá vir por meio dela. É PRECISO... Resgatar o senso da soberania e majestade de Deus. Ou seja, um conceito adequado de Deus e da sua doutrina. Porque homens e mulheres levaram Deus a sério, foram escolhidos para altas missões (Gn 6.9; 7.1; 12.1-3; Is 6.1ss); tiveram visões (2Rs 6.17; Ez 1); foram mães de grandes homens (1Sm 1.1ss; Jz 13.2,3; Lc 1.1ss). Deus não é algo, uma força ou uma influência. Mas, ensina a Escritura e a nossa própria experiência, uma Pessoa com quem podemos manter comunhão. O Nome e o toque de Deus. O Deus à minha imagem e semelhança: o Deus Papai Noel, o Deus da Arte, o Deus-que-me-obedece, o Deus utilitário. Quem é Deus? É o Deus único (Is 45.22; Dt 6.4); é o Deus que está presente (Ez 48.35); é o Deus Vivo, Santo e Verdadeiro. Resgatar o senso da messianidade e da obra de Jesus Cristo. A doutrina de Cristo, no Cristianismo, dá significado a todas as outras (Revelação, o Ser Humano, Igreja, Escatologia, etc.) Uma pergunta tão antiga quanto o evangelho é "Quem dizem os homens que eu sou?" (Lc 9.18,19). * "O Homem Perfeito" * "O Homem Ideal", modelo dos outros * "A mais bela alma que jamais existiu" (Auguste Sabatier, filósofo francês) * "Curvo-me diante de Jesus Cristo como diante da revelação divina do princípio supremo da moralidade" (Goethe) 42

CHRISTIAN. 1998. Trad. Sola Scriptura. 1973." (Ernest Renan) * "(foi Jesus quem) pôs à luz. Pedro faz a confissão de fé evangélica ao dizer "o Cristo. Shaping your Faith. Confederação Evangélica do Brasil. Word. Christianity Close to life.3). Truths that Make a Difference. Eu Sou Quem Sou. 1966. Kent S. O que se deve entender por missões cristãs? Quais são a natureza e os objetivos da missão da igreja? Evidentemente essas perguntas podem receber uma grande variedade de respostas a partir de diferentes pressupostos e compromissos teológicos. Verbo ou Palavra. Quem é Jesus Cristo? Rio. Aceptado por Dios.M. pela primeira vez. Tratado de Teologia Profana.31) e os crentes cresçam (1Pe 2. SP. 1978. Lavonn D. Uma antiga abordagem foi o debate em torno de 43 . Blauch. Rita. e penetrante e apta. 1961. BROWN.2. Haroldo. 57 p. SP.R. NEILL. KNUTSON. a mais destacada e a mais virtuosa. Collins. etc. Edinburgh. Trad. L. Stephen.12).* "Um grande mestre" * "(Jesus com) seu perfeito idealismo. 349 p.82 p. El Estandarte de la Verdad. Convention Press.. Minneapolis.16). Maria J. Parte XIV A MISSÃO DA IGREJA Na confrontação com a opressão espiritual Uma das questões mais cruciais da missiologia é a definição do próprio conceito de missão. Resgatar o valor da Escritura Sagrada como norma de vida Os estandartes da Reforma: Sola Gratia. VALLE. é a mais alta regra da vida. 128 p. Huáscar Terra do. 1974. C.. Alfa Ômega.W. Loyola. Augsburg. Cristo ("Ungido"). Livros sugeridos BLANCHARD. His Only Son Our Lord. 1980. Waco. Ele criou o mundo das almas puras. John. A Caruso SNOWDEN. o valor de cada alma humana e ninguém pode desfazer o que ele fez" (Harnack). 1976. J. LAMEGO. e RAHM. Nashville. Glasgow. Sola Fide. o Filho do Deus Vivo" (Mt 16. O propósito da Bíblia Sagrada e dos seus registros: para que homens e mulheres venham a crer (Jo 20. Senhor. A Palavra de Deus é viva e eficaz (Hb 4. Um modo de reconhecer os atributos de Jesus Cristo é examinar os seus títulos no Novo Testamento: Jesus ("Salvação do Senhor").

tem estado em diálogo constante com representantes de grupos e movimentos importantes do cristianismo latinoamericano e mundial. ou seja. A escolha de Escobar justifica-se por várias razões. Ao longo dos anos. evangélico. fazer um apanhado dos principais movimentos de que tem participado e apresentar alguns dos principais temas e ênfases da sua reflexão missiológica. mas também sumamente importante para a igreja e para os cristãos individuais. Nossa análise começa com um retrospecto histórico da discussão missiológica protestante na América Latina. Escobar tem defendido um conceito de missão que é ao mesmo tempo bíblico. finalmente. 44 . um dos mais destacados missiólogos evangélicos contemporâneos da América Latina. tendo trabalhado em vários países como pastor e missionário. na amplitude de suas necessidades e relacionamentos.evangelização e “civilização. sociais e econômicas da América Latina. políticas. Speer (1867-1947). uma vez que somente foram convidadas para a conferência as sociedades missionárias que atuavam entre povos não-cristãos. ANTECEDENTES A reflexão sistemática e abrangente sobre o trabalho missionário protestante na América Latina foi desencadeada pela célebre Conferência Missionária Mundial. sendo admitidas apenas as missões que trabalhavam entre as tribos pagãs desse continente. esse estímulo ocorreu às avessas. iremos fornecer algumas informações biográficas sobre Samuel Escobar. social e política da América Latina. contextual e sensível às complexas realidades espirituais. presença cristã. Ele tem um profundo conhecimento da situação religiosa. Certamente este é um assunto controvertido. I. o que o coloca numa posição privilegiada para falar a uma audiência mais ampla e levar ao primeiro mundo uma valiosa perspectiva do terceiro mundo acerca de missões. diaconia e outros conceitos. A seguir. a missão da igreja na sociedade. Diferentes autores do século XX têm procurado expressar a missão da igreja em termos de desenvolvimento. Criticando os modelos missionários reducionistas ou dicotômicos. justiça e paz. Durante a conferência. tem sido um líder respeitado em círculos missiológicos e teológicos.2 Todavia. diálogo interreligioso. ele propõe um programa que implica em levar o evangelho integral ao ser humano integral. Concluiremos o estudo acrescentando algumas de nossas próprias convicções a respeito do tema em questão.3 Isso excluiu a América Latina do âmbito daquele encontro.”1 Hoje é mais comum falar-se em evangelismo e responsabilidade social. escritor e orador extremamente articulado e criativo. por vários anos ele tem sido professor em instituições teológicas norte-americanas. Robert E. é um teólogo. realizada em Edimburgo em 1910. Como pode a igreja ser o que deve ser e fazer o que deve fazer se não tiver uma clara compreensão acerca do seu propósito na sociedade e no mundo? O objetivo deste estudo é abordar o tema a partir da perspectiva de Samuel Escobar. o secretário executivo da Junta de Missões Estrangeiras da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos.

que rapidamente tornavam-se minoritárias no contexto geral do protestantismo da América Latina. embora a participação de latino-americanos tenha sido maior (o pastor presbiteriano brasileiro Erasmo Braga foi eleito presidente do congresso). 1969). o evento produziu a primeira discussão séria do protestantismo latino-americano e estimulou a criação de órgãos cooperativos regionais em vários países. Como resultado desses entendimentos. presidido pelo metodista mexicano Gonzalo Baez-Camargo. o desejo de dar uma dimensão social ao trabalho missionário na América Latina e o esforço em promover a unidade protestante. O primeiro. os norte-americanos ficaram a cargo da organização e presidiram todas as comissões. uma conferência sobre missões na América Latina. Por sua vez. antes que um encontro de líderes protestantes latino-americanos. denominado Congresso de Ação Cristã na América do Sul. O Congresso mostrou a necessidade de maior cooperação em áreas como educação religiosa. o maior encontro das forças protestantes desse continente realizado até aquela data. apenas 21 eram latino-americanos natos. O protestantismo ecumênico das CELAs recebia a influência do protestantismo histórico declinante do hemisfério norte. Desta feita.” Como resultado do encontro do Panamá. 1961) e CELA III (Buenos Aires. a unificação da educação teológica através de seminários unidos. literatura e formação teológica. Uruguai. o Congresso do Panamá foi uma reunião de representantes de juntas missionárias estrangeiras. Finalmente. nos anos seguintes realizaram-se dois congressos missionários regionais. a CCLA patrocinou o Congresso de Ação Cristã na América Latina.5 Na realidade. em março de 1913. Por outro lado. Mais especificamente. CELA II (Lima. Aqui.7 Essas conferências estavam ligadas às denominações históricas. realizou-se em Nova York. suas metas principais foram a evangelização das classes cultas. o congresso foi inteiramente organizado e conduzido por latinoamericanos e as ênfases recaíram sobre a nacionalização e o auto-sustento das igrejas evangélicas. o Congresso do Panamá revelou duas ênfases que se tornariam problemáticas para os evangélicos latino-americanos: uma atitude simpática para com a Igreja Católica e uma forte influência do “evangelho social.convidou vários delegados interessados na América Latina a se reunirem informalmente para discutir como essa lacuna poderia ser suprida. missões. sob os auspícios da Conferência de Missões Estrangeiras da América do Norte. Uma segunda série de encontros do protestantismo latino-americano foi representada por três Conferências Evangélicas continentais: CELA I (Buenos Aires. em 1929 reuniu-se em Havana o Congresso Evangélico Hispano-Americano. 1949).4 Essa conferência criou a Comissão de Cooperação na América Latina (CCLA). buscava aproximar-se do catolicismo 45 .6 Mesmo assim. tendo como presidente o próprio Robert Speer e como secretário executivo Samuel Guy Inman. reuniu-se em Montevidéu. Dos 230 delegados oficiais. reunido no Panamá em fevereiro de 1916. em 1925.

realizado em Santiago do Chile. Do seio desse protestantismo majoritário surgiu o impulso para os Congressos LatinoAmericanos de Evangelização. Naquela ocasião e naquele contexto. O CLADE IV deverá realizar-se em setembro do ano 2000 no Equador. esse congresso teve duas marcas distintivas: Manifestou com clareza que. 1979) e CLADE III (Quito. 1966). Colômbia. convocado pela revista evangélica Christianity Today. que mantinham o seu vigor evangelístico apesar das debilidades da sua teologia. os protestantes haviam criado a organização Igreja e Sociedade na América Latina (ISAL). tendo como órgão o periódico Cristianismo e Sociedade. Agência de Serviços Ecumênicos Latino-Americanos (ASEL). somos e queremos ser latino-americanos. Ela tornou-se o centro de convergência dos teólogos protestantes da libertação. no ano anterior. o protestantismo ecumênico latino-americano criou várias estruturas paraeclesiásticas com o fim de promover os seus objetivos. em 1968.posterior ao Concílio Vaticano II (1962-1965) e procurava responder à difícil situação social do continente com uma teologia radical. Alguns organismos importantes são ou foram os seguintes: Movimento Estudantil Cristão (MEC). 1969). 1992).9 Uma característica desse protestantismo ecumênico era o crescente declínio do seu ímpeto evangelizador. as duas correntes teológicas puseram-se em contato no I Congresso Latino-Americano de Cristãos pelo Socialismo. Coordenadoria de Projetos Ecumênicos (COPEC) e Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI). Em 1972.8 Anos antes. CLADE II (Lima. Comissão Evangélica Latino-Americana de Educação Cristã (CELADEC). sob o impulso do Congresso Mundial de Evangelização (Berlim. na América Latina. sendo evangélicos.” A teologia da libertação adquiriu notoriedade no âmbito católico romano com a segunda assembléia da Conferência Episcopal Latino-Americana (CELAM). que constituem a terceira das séries mencionadas acima: CLADE I (Bogotá. Ao lado das Conferências Evangélicas continentais (CELAs) e do ISAL. em contraste com a vitalidade das igrejas vinculadas a missões independentes ou ao movimento pentecostal. que eventualmente identificou-se com a célebre “teologia da libertação. Para Valdir Steuernagel. Ecumênicas (ULAJE). após uma consulta realizada em Huampaní. em 1962. E. somos e queremos ser evangélicos. buscássemos uma teologia da encarnação que estabelecesse as pautas para um diálogo com a situação de sofrimento e opressão que se vivia em toda a América Latina. reunida em Medellín. Peru. como evangélicos. tornava-se urgente que.10 O primeiro CLADE foi organizado pela Associação Evangelística Billy Graham.11 Foi no CLADE I que se articulou a criação da Fraternidade Teológica Latino46 . O CLADE I permitiu que líderes preocupados em relacionar a fé evangélica com a realidade latino-americana compartilhassem as suas inquietações. União Latino-Americana de Juventudes Evangélicas – depois.

ele recebeu o seu grau de mestre em artes e educação na Universidade de São Marcos. secundário e superior.18 Ele também leciona sobre missões em seu país natal. Nas décadas de 1960 e 1970. dentro do marco evangélico de uma lealdade comum à autoridade bíblica e à fé evangélica como base da reflexão e de um compromisso ativo com o cumprimento da missão cristã.Americana. após o que dedicou-se ao ensino nos níveis primário. inclusive o que irá realizar-se no ano 2000. com sede em Toronto.) na Universidade Complutense de Madri e eventualmente trabalhou como secretário da Fraternidade Cristã Universitária (Inter-Varsity Christian Fellowship) do Canadá.D. Ela é também mais representativa do protestantismo popular da América Latina que a sua congênere ecumênica. Em 1959 Escobar tornou-se o secretário itinerante da Fraternidade Internacional de Estudantes Evangélicos (International Fellowship of Evangelical Students) — representada no Brasil pela Aliança Bíblica Universitária —. mas ao mesmo tempo preocupou-se em abordar a questão de uma perspectiva que entendia ser mais bíblica e equilibrada.14 II. Alguns anos depois. visitando praticamente todos os países da América Latina. em Filadélfia. a FTL procurou ser uma plataforma de encontro e diálogo teológico da qual participassem pastores. Escobar assim expressou os objetivos da Fraternidade: Desde o primeiro momento. ele e outros teólogos latino-americanos tornaram-se bem conhecidos em círculos evangélicos e ecumênicos internacionais através de sua participação em importantes conferências. tendo participado de muitas de suas consultas ao redor do mundo. a Fraternidade Teológica Latino-Americana convocou os CLADEs posteriores. Ele trabalhou como missionário entre estudantes universitários na Argentina e no Brasil15 e foi diretor da Comunidade Evangélica Kairós.16 Escobar foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Fraternidade Teológica Latino-Americana (1970-1984) e de 1979 a 1985 ocupou o cargo de secretário geral da Fraternidade Internacional de Estudantes Evangélicos. em Lima. o Peru. há muitos anos ele é membro da Comissão Teológica da Fraternidade Evangélica Mundial (World Evangelical Fellowship). ele fez o curso de doutorado em filosofia (Ph. DADOS BIOGRÁFICOS E ESCRITOS Samuel Escobar nasceu no Peru e freqüentou uma escola missionária inglesa em Arequipa. organizada no ano seguinte em Cochabamba. Além disso. Samuel Escobar é presidente das Sociedades Bíblicas Unidas e professor titular de missiologia no Seminário Teológico Batista do Leste. tendo Pedro Savage como seu primeiro secretário e Samuel Escobar como seu primeiro presidente.17 Atualmente. 47 . missionários e pensadores evangélicos. Estados Unidos. em Buenos Aires. Em 1956. Bolívia.13 A Fraternidade procurou estar tão consciente da problemática social latino-americana quanto o grupo ISAL. Entre os seus participantes mais destacados e influentes está o líder que é o enfoque principal deste artigo — Samuel Escobar.12 Por sua vez.

1987).” em Emerging Voices in Global Christian Theology (1994). “Religion and Social Change at the Grass Roots in Latin America. “Has McGavran´s Missiology Been Devoured by a Lion?” (Missiology. Uma vez mais.” em New Face of the Church in Latin America: Between Tradition and Change (1994). 1990). “The Church in Latin America after Five Hundred Years” e “Conflict of Interpretations of Popular Protestantism.” em The Good News of the Kingdom (1993). “The Search for a Missiological Christology in Latin America. entre outros. La Fe Evangelica y las Teologías de la Liberación (1987). 1989). Decadencia da la Religión (1972). “Evangelism and Man´s Search for Freedom.” em Is Revolution Change? (1972). “A Movement Divided: Three Approaches to World Evangelization Stand in Tension with One Another” (Transformation. 1987). Paulo Freire: Una Pedagogia Latinoamericana (1993). René Padilla). “The Training of Missiologists for a Latin American Context.” em Toward the Twenty-First Century in Christian Mission (1993). “La Presencia Protestante en America Latina: Conflicto de Interpretaciones. seus numerosos artigos têm aparecido em renomados periódicos como Evangelical Missions Quarterly. “Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America” (IBMR. International Bulletin of Missionary Research. Justice and Fulfillment. os próprios títulos de alguns artigos representativos dão uma clara idéia dos principais temas com os quais Escobar tem trabalhado ao longo dos anos: “The Social Responsibility of the Church in Latin America” (EMQ.” em Christ the Liberator (1971). Estratégia e Teologia de Missões. “Missions and Renewal in Latin American Catholicism” (Missiology. Missiology e International Review of Mission. 1991). “Latin America. “Mission in Latin America: An Evangelical Pespective” (Missiology. Alguns títulos representativos podem dar-nos uma idéia de seus temas prediletos: “Social Concern and World Evangelism. Evangelio y Realidad Social (1988).” em Bible Translation and the Spread of the Church (1990). 1992). Escobar também escreveu diversos ensaios que foram publicados como capítulos de livros. “The Social Impact of the Gospel. “500 Years after Columbus: Requiem 48 . Finalmente. “Transformation in Ayacucho: From Violence to Peace and Hope” (Transformation.Samuel Escobar é autor de vários livros sobre teologia e missiologia: Diálogo entre Cristo y Marx (1967). com John Driver). Transformation.” em Historia y Misión: Revisión de Perspectivas (1994). “The Elements of Style in Crafting New International Mission Leaders” (EMQ.” em Missiological Education for the Twenty-First Century (1996). entre outros. Quien es Cristo Hoy? (1970. Evangelical Review of Theology. publicado em 1998 pela Editora Ultimato. com C.”19 em The Role of NGOs: Charity and Empowerment (1997). “From Lausanne 1974 to Manilla 1989: The Pilgrimage of Urban Mission” (Urban Mission. 1986). “Recruitment of Students for Mission” (Missiology. Christian Mission and Social Justice (1978. “Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological Christology” (Missiology. Irrupción Juvenil (1978). 1991). “A Pauline Paradigm of Mission: A Latin American Reading. 1982). “The Role of Translation in Developing Indigenous Theologies: A Latin American View. 1970). Um dos seus livros mais recentes é Desafios da Igreja na América Latina: História. Liberation Themes in Reformational Perspective (1989). 1992).” em Let the Earth Hear His Voice (1974).

20 As influências recebidas por Escobar. a mensagem bíblica em geral. “Missions´ New World Order: The Twenty-First Century Calls for us to Give up our Nineteenth-Century Models for Worldwide Ministry” (Christianity Today. “The Whole Gospel for the Whole World from Latin America” (Transformation. o ano em que eles patrocinaram duas grandes conferências mundiais sobre missões e 49 . 1994). Tendo vivido em um período de grande turbulência na história latino-americana. professor e teólogo.21 Isto significa. Em seu livro Mission Theology. mostram o interesse de Deus por todas as necessidades humanas. pastores. ele sempre interessou-se pela missão da igreja. 1998). ele está longe de partilhar das idéias e compromissos do fundamentalismo. 1993).or Te Deum?” (EMQ. “A Missiological Approach to Latin American Protestantism” (IRM. o evangelho tem relevância para a totalidade da vida. Sua identidade latino-americana também é essencial para a reflexão e os envolvimentos teológicos de Escobar. Escobar e alguns colegas sentiram que não era suficiente pregar um evangelho puramente espiritual. por um lado. Ele observa que. Como pastor. especialmente entre 1948 e 1975. A igreja deve proclamar Jesus Cristo como Salvador e Senhor porque os seres humanos carecem tanto de reconciliação com Deus quanto de dignidade e integridade em sua vida neste mundo. tanto católica quanto protestante. Para ele. em meados da década de 60. como indivíduos e como membros da sociedade. III. regimes ditatoriais e caos sócioeconômico. Conseqüentemente. leigos e líderes cristãos — a compartilhar essa visão. marcado por injustiça e opressão generalizada. os evangélicos começaram a constituir uma comunidade verdadeiramente global com uma visão abrangente de missões. Rodger C. “The Legacy of John Alexander Mackay” (IBMR. que ele não tem nenhuma conexão particular com as correntes da teologia da libertação que foram e ainda são uma expressão importante da teologia latinoamericana. especialmente através dos movimentos de que participou a partir da década de 1960. Bassham descreve o desenvolvimento das teologias de missão ecumênica. evangélica conservadora e católica. e os ensinos e o ministério de Jesus em particular. ajudam a entender as preocupações reveladas pelos títulos dos seus escritos. “Beyond Liberation Theology: A Review Article” (Themelios. Por outro lado. O evangelho tem implicações sociais e políticas revolucionárias que não podem ser omitidas. golpes militares. Escobar considera sua tarefa articular essa missiologia holística e inspirar outras pessoas — estudantes. 1992). em particular depois de 1966. e a igreja deve partilhar desse interesse de Deus. sendo bastante crítico da sua teologia/ideologia. especialmente em um contexto de pobreza e sofrimento. Para ele. líder de movimentos estudantis. REFLEXÃO TEOLÓGICA E ENVOLVIMENTOS Samuel Escobar identifica-se como um evangélico. 1994). 1992). Escobar tem um profundo interesse em missões. violência política.

No Congresso Mundial de Evangelização (Berlim. dotadas de uma liderança nacional bem-treinada. Estes por sua vez contribuíram para o Congresso Internacional de Evangelização Mundial (Lausanne. diversidade de perspectivas e profundidade de análise jamais alcançado anteriormente em uma assembléia evangélica. Samuel Escobar estando entre eles. Ele e outros oradores da América Latina desafiaram os evangélicos norte-americanos a reconhecer a necessidade de promover justiça social e reformas políticas como parte dos seus deveres como cristãos. à medida que os participantes se debatiam com as questões da teologia de missão no mundo contemporâneo. 1966). e capazes de atuar eficazmente em seu contexto local. Ele exortou os missionários a superar a mentalidade paternalista. Estados Unidos. nos anos 60. Escobar foi ouvido pela primeira vez por grandes audiências internacionais nas convenções da Fraternidade Cristã Universitária realizadas em Urbana. o Pacto de Lausanne demonstra que “os evangélicos desenvolveram uma teologia de missão amadurecida.22 Os congressos de Wheaton e Berlim marcaram um novo estágio na emergência de uma identidade evangélica. O impacto de líderes como Samuel Escobar e C. 1966) – a primeira grande reunião mundial de evangélicos no século XX – também estimulou congressos regionais de evangelização em vários continentes. o forte impacto do conceito de “crescimento da igreja” sobre a teologia evangélica de missões. Para Bassham. Nesse contexto. o principal forum internacional em que se ouviu a voz de Escobar foi o Congresso Internacional de Evangelização Mundial (Lausanne. Bassham observa que “as apresentações e discussões de Lausanne mostraram um espírito de abertura. 1974).evangelização.24 Na convenção de 1970. 1974). a luta em torno da relação entre evangelização e ação social.”23 Em todos esses acontecimentos importantes houve uma decidida participação de teólogos latino-americanos. Escobar falaria apaixonadamente sobre a necessidade de se estabelecer uma relação entre as preocupações sociais e a evangelização mundial. à medida que evangélicos de todo o mundo começaram a empreender juntos uma análise da situação enfrentada por aqueles que estavam envolvidos com missões e evangelismo em todos os continentes. imperialista e colonialista. que evocou manifestações de opinião de toda a comunidade evangélica. 50 . positiva e consistente. O Congresso Mundial de Evangelização (Berlim.”26 Uma das grandes influências nas deliberações do congresso veio através das contribuições de oradores do terceiro mundo. Bassham identifica vários desdobramentos importantes: os primórdios de uma teologia evangélica de missão altamente representativa (a Declaração de Wheaton).25 No entanto. a fim de permitir o surgimento de igrejas nativas alicerçadas na fé. e o crescente número de vozes evangélicas provenientes de fora da América do Norte. Escobar estava entre os muitos líderes do terceiro mundo que falaram enfaticamente em prol das igrejas nativas.

todavia afirmamos que tanto a evangelização como o envolvimento socio-político são parte do nosso dever cristão. Oradores latino-americanos como René Padilla. cor. tem uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida. ela também produziu algumas mudanças bemdefinidas na teologia evangélica de missões. Bassham cita as seguintes afirmações de Escobar: Uma espiritualidade sem discipulado nos aspectos diários da vida — sociais. acentuando a autoridade da Bíblia. através do grupo de Discipulado Radical. devemos partilhar da sua preocupação com a justiça e a reconciliação em toda a sociedade humana e com a libertação dos homens de todo tipo de opressão. nem a libertação política seja salvação.28 No âmbito continental. nem a ação social seja evangelismo. tanto pela nossa negligência quanto por às vezes termos considerado a evangelização e a preocupação social como mutuamente exclusivas. não importa qual seja a sua raça. Lausanne abordou o tema abrangente da evangelização mundial. Ao contrário. O Pacto de Lausanne foi muito além das declarações evangélicas tradicionais. referindo-se com isso ao ministério e à missão total da igreja. do discipulado cristão e da renovação da igreja. foi de especial importância. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus. Enquanto que a orientação teológica de Lausanne permaneceu firmemente evangélica. toda pessoa.” o Pacto de Lausanne declara: Afirmamos que Deus é tanto o Criador como o Juiz de todos os homens. De uma vez por todas. é o interesse pela integridade do Evangelho que nos motiva a acentuarmos a sua dimensão social. Portanto. classe. Também aqui manifestamos o nosso arrependimento.. e não explorada.René Padilla. cultura. devemos rejeitar a falsa noção de que a preocupação com as implicações sociais do evangelho e as dimensões sociais do testemunho cristão resultam de uma falsa doutrina ou de uma ausência de convicção evangélica.27 Muitas vezes durante o congresso os participantes afirmaram ter um interesse profundo e permanente pela ação social em favor dos pobres e necessitados. Samuel Escobar teve uma importante participação no 51 . até mesmo ao ponto de se esforçarem pela mudança das estruturas sociais. Em seu capítulo sobre a “Responsabilidade Social Cristã. religião. demonstrando que o evangelismo bíblico é inseparável da responsabilidade social. sexo ou idade. Orlando Costas e Samuel Escobar proferiram as declarações mais fortes no sentido de que a preocupação com as necessidades sociais da humanidade e o envolvimento com as mesmas é uma parte necessária do testemunho e da responsabilidade dos cristãos em favor do mundo. a singularidade de Cristo e a necessidade da evangelização. é religiosidade e não cristianismo. Embora a reconciliação com o ser humano não seja o mesmo que a reconciliação com Deus.. econômicos e políticos —.

fome. em Medellín.35 Em um capítulo sobre a América Latina que escreveu para o livro Toward the Twenty-First Century in Christian Mission (1993). do homem e do mundo. além do CLADE I. Sustentamos que uma evangelização que não toma conhecimento dos problemas sociais e que não anuncia a salvação e a soberania de Cristo dentro do contexto no qual vivem os que ouvem. Naquele ano.31 Essa ênfase achou lugar na Declaração Evangélica de Bogotá.. é uma evangelização defeituosa.30 Escobar afirmou a certa altura: Existe base suficiente na história da Igreja e nos ensinamentos da Palavra de Deus para afirmar categoricamente que a preocupação pelo aspecto social do testemunho evangélico no mundo não é um abandono das verdades fundamentais do Evangelho. que trai o ensino bíblico e não segue o modelo proposto por Cristo. 1969). Apesar das diferenças existentes entre os dois movimentos. de Jesus Cristo. uma das quais é o modelo ético-missiológico — missão da perspectiva de questões éticas — articulado por. Bogotá. essa terceira busca tem assumido várias formas.”34 Ele argumenta que os evangélicos latino-americanos escolheram o Pacto de Lausanne como uma expressão do seu consenso doutrinário básico e do seu claro compromisso com um modelo de missão integral e bíblico. evangélicos. Samuel Escobar e C. Costa vê nos documentos de ambos os eventos a emergência de novas tendências missiológicas caracterizadas por um tríplice interesse: a busca de um entendimento histórico de missões. que envia o evangelista. Ele argumentou eloqüentemente que tanto a evangelização quanto a ação social são necessárias para o testemunho cristão. a sua apresentação sobre a responsabilidade social da igreja recebeu a atenção mais entusiástica. três anos antes. é levar às suas últimas conseqüências os ensinos a respeito de Deus. em Buenos Aires. Em sua opinião. violência e desespero.29 Dentre os 28 discursos principais. injustiça. entre outros. levarmos a sério a nossa responsabilidade social.. Escobar menciona duas outras 52 . Orlando Costas comenta que 1969 foi para os protestantes o que 1968 havia sido para os católicos (II Conferência Episcopal Latino-Americana. os protestantes latino-americanos realizaram ainda outra grande conferência – a Conferência Evangélica LatinoAmericana (CELA III). René Padilla. que formam a base desse Evangelho.33 O próprio Escobar acha que o seu modelo pode ser melhor descrito como “holístico.”32 se os cristãos quisessem testemunhar fielmente em seu contexto sócio-cultural.Primeiro Congresso Latino-Americano de Evangelização (CLADE I. pelo contrário. planejado em resposta a pedidos de delegados latino-americanos presentes no Congresso de Berlim. de uma expressão mais autêntica de unidade cristã no empreendimento missionário e de uma reflexão missiológica mais séria e profunda. Colômbia). que afirmou: “É chegada a hora de nós.” Os participantes afirmaram que “o exemplo de Cristo devia ser encarnado na crítica situação latino-americana de subdesenvolvimento.

Eles não procurariam estabelecer prioridades nesses termos. Assim sendo.38 Ele acha que a base desse questionamento tem sido o compromisso claro com a tarefa de missões e evangelização. São Paulo. 1987) deixou de abordar conceitos básicos do entendimento de missões.37 Por essa razão. porque Jesus Cristo é Senhor. Ele observa que os grandes missionários dos primeiros 1800 anos da igreja dificilmente fariam a distinção entre “espiritual” (evangelização) e “o resto. Escobar afirma que. somente em seu nome há salvação para a humanidade. Uma delas foi o Primeiro Congresso Missionário Latino-Americano (Curitiba. ele lamenta o fato de que o Congresso Missionário Ibero-Americano (COMIBAM. hoje o Senhor está nos chamando para cruzarmos as fronteiras da desigualdade. cujo pacto manteve a ênfase de Lausanne sobre a preocupação social como parte da missão da igreja: “Assim como no passado o chamado de Jesus Cristo e da sua missão foi um chamado para cruzar fronteiras geográficas. Reagindo contra o triunfalismo fácil das estatísticas e a tirania do controle de dados. pois operavam com uma noção bíblica holística do ser humano. do marketing e das relações públicas?41 53 . O que o movimento do Crescimento da Igreja necessita é o corretivo de uma sólida teologia bíblica. 1976). Segundo. ou irá adotar as técnicas e padrões da sociologia funcionalista. a igreja nunca deve perder o seu senso de missão e do seu chamado para proclamar a Jesus Cristo como Salvador e Senhor. como evangélico. iniciado por Donald McGavran em 1960. Escobar é um crítico rigoroso do movimento do Crescimento da Igreja. Escobar acredita que o êxito do avanço protestante na América Latina deve ser interpretado fazendo-se perguntas sérias sobre o seu dinamismo transformador e a sua contribuição para a justiça nas relações sociais. Ele preocupa-se com a “missiologia gerencial” que dá ênfase à proclamação verbal e ao crescimento numérico de adesões à igreja como o principal componente das missões cristãs. e essa singularidade de Jesus Cristo é essencial para a mensagem da igreja.”36 Todavia. que poderá nunca chegar. Escobar argumenta que o grande dilema para o qual a missiologia deve estar alerta é diferente: A obra missionária será realizada segundo o modelo de Jesus e a prática apostólica.40 O que Escobar questiona é se uma pessoa pode realmente evangelizar anunciando a Cristo como Salvador e então deixar a questão do senhorio de Cristo sobre toda a criação para uma segunda etapa. ele concorda integralmente com dois pontos do apelo de McGavran: primeiro. injustiça e idolatria ideológica.conferências missionárias latino-americanas. ambas realizadas no Brasil. mas também o esforço consciente de executar essa tarefa segundo moldes bíblicos. testemunha-se o surgimento de uma nova teologia contextual que conclama à “integridade” da missão e procura associar o zelo evangelístico com a paixão holística. inclusive a clamorosa realidade de pobreza que circundava o próprio local em que se reuniram os delegados.39 Em resposta a um artigo de McGavran.” que McGavran faz.

essas igrejas estão oferecendo não somente um abrigo ou refúgio no sentido mais limitado. Com relação ao primeiro. um na área da consciência histórica e o outro na da hermenêutica. nas palavras de René Padilla. Escobar entende que a Teologia da Libertação é uma voz eloqüente que procura reinterpretar a história cristã e a mensagem cristã. embora Escobar considere inadequadas a análise marxista e a “escatologia” da Teologia da Libertação. ele admite que a missiologia evangélica está aprendendo a encarar a história missionária com uma atitude menos ingênua e mais madura. Ele admite que a hermenêutica evangélica necessitar ser constantemente purificada de pressuposições ideológicas.44 Em décadas recentes. a Teologia da Libertação foi uma das conseqüências desse processo."43 Ele observa que alguns pentecostais latino-americanos também escolheram o Pacto de Lausanne como expressão do seu compromisso com um modelo de missão holístico e bíblico. por um lado. Como evangélico. A missiologia evangélica deve avaliá-la.Compreensivelmente. é um movimento popular.”46 Na área da hermenêutica. Ele observa como. mas a única maneira disponível de encontrar aceitação social. Se. por outro lado ele não sente entusiasmo pela Teologia da Libertação. e a religião oficial uma força opressora. enfatize “o discipulado cristão como algo que implica em colocar a totalidade da vida debaixo do senhorio de Jesus Cristo. alcançar dignidade humana e sobreviver ao impacto das forças anômicas que atuam nas grandes cidades.”42 Ele destaca várias lições missiológicas que podem ser extraídas do impressionante crescimento do pentecostalismo latinoamericano: é um movimento religioso (e não social ou político). alguém que tem procurado ser um crítico e intérprete amoroso – um crítico severo em alguns pontos – do lado de dentro. Escobar declara que "para as massas em transição. Ele admite: “Nós não mais podemos aceitar uma missiologia que recusa-se a levar a sério as realidades políticas e sociais. e apela a uma genuína cristologia missiológica que. ele aborda esse movimento na qualidade de “um observador-participante. à medida que a Igreja Católica Romana latino-americana buscou nova relevância social e política. Escobar e os seus colegas da Fraternidade Teológica Latino-Americana têm refletido sobre o Jesus dos 54 . mobiliza as pessoas para a missão e cria um senso de comunidade. no início das missões protestantes na América Latina.”47 Contra o Cristo “docético” do catolicismo latino-americano tradicional. Escobar diverge da escola do Crescimento da Igreja. Escobar vê com apreciação o dinamismo e o crescimento do protestantismo popular (pentecostalismo) na América Latina.45 A Teologia da Libertação confronta a missiologia evangélica com dois desafios. Escobar reafirma a ênfase evangélica na centralidade da Escritura e questiona a abordagem fortemente ideológica da interpretação bíblica demonstrada pelos teólogos da libertação. o evangelho era a verdadeira força libertadora nas vidas dos latino-americanos.

ele argumenta que “nosso programa de treinamento na América Latina precisa ser elaborado com base em convicções bíblicas. mas também da África e da Ásia. as igrejas dos pobres. Há também uma preocupação quanto às marcas da missão de Jesus. Nessas igrejas do hemisfério sul.”48 Essa missiologia cristológica busca um novo modelo para inspirar e moldar a ação missionária. tanto individual quanto social. mencionada no início deste trabalho. Escobar identifica essa reflexão missiológica que está vindo não só da América Latina.evangelhos. como uma missiologia crítica da periferia. Nesse sentido. Há uma séria reflexão acerca daquilo que os evangelhos dizem sobre a pessoa e a obra de Jesus de Nazaré. experiência de vida. Ele observa que tal missiologia “é caracterizada por uma forte ênfase hermenêutica que insiste na importância de ler o mundo e ler a Palavra.”51 Mais uma vez ele expressa o seu entusiasmo pelo protestantismo popular (pentecostalismo) devido a sua ênfase na mobilização dos leigos. terceiro mundo) pudessem convergir em um movimento mais articulado e cooperativo para enfrentar a tarefa missionária do terceiro milênio.”50 Em sua obra publicada recentemente em português. suas formas contextualizadas de culto e ação missionária e o destaque 55 . Escobar aborda em cinco ensaios algumas de suas preocupações mais fundamentais. crescimento da igreja. mas é totalmente incapaz de relacionar o Evangelho com a ética social e a vida social. mesmo que essa leitura signifique um exame incômodo e sério da herança evangélica. Escobar observa que a internacionalização das missões cristãs implica em reconhecer que Deus tem levantado igrejas grandes e florescentes no terceiro mundo. e vamos unirnos aos nossos irmãos e irmãs a fim de completarmos a tarefa inacabada. Além disso. há uma busca do significado e da “integridade” do evangelho — Jesus Cristo é tanto o conteúdo quanto o modelo e o alvo da proclamação do evangelho. com o entendimento de que ser seu discípulo é ser chamado por ele tanto para conhecê-lo quanto para participar da sua missão. Escobar gostaria de ouvir as igrejas norte-americanas dizerem: “Vamos descobrir o que Deus está fazendo em outras partes do mundo. sobre como a sua obra e ensino são relevantes para todas as áreas da vida. Deus está despertando uma nova força missionária. Essa reflexão inclui uma crítica do cristianismo evangélico na América Latina. O material bíblico é abordado a partir de várias perspectivas possuidoras de significado missiológico.”49 Ele argumenta que seria grandemente desejável para a globalização das missões e da teologia evangélica se as diferentes correntes missiológicas do evangelicalismo (européias. Inicialmente. consciência histórica e preocupação pastoral. Escobar cita novamente seu amigo René Padilla: “(O evangelicalismo) afirma o poder transformador de Cristo em relação ao indivíduo. e como ele o está fazendo. ele destaca a importância do treinamento de missionários e missiólogos para o contexto latino-americano. Em um artigo sobre a preparação de líderes de missões. especialmente nas fronteiras de missão.

cartas. Não precisamos concordar com tudo o que Samuel Escobar tem escrito. em anos recentes. Na realidade. os reformados têm acentuado um conceito abrangente acerca da missão da igreja. fato que tem sido amplamente documentado por diversos pesquisadores. Para superar esses problemas ele novamente propõe o modelo de missão integral. Não obstante. REFLEXÕES FINAIS Samuel Escobar não se identifica como um reformado ou calvinista. ele aponta que os evangélicos latino-americanos têm maior afinidade com os pietistas. vemos uma preocupação constante com as implicações sociais e comunitárias do Evangelho. algumas de suas suas ênfases certamente contariam com o aval de João Calvino e de muitos dos seus seguidores. Ele encarece a necessidade de uma espiritualidade profunda aliada a uma preocupação igualmente intensa com as exigências éticas do evangelho. Ao lado disso. o nosso continente testemunha o crescimento cada mais acentuado de uma classe média significativa que também deve ser alvo do interesse da igreja. elas enfrentam os riscos do excesso de individualismo. com sua notável interação entre reflexão e ação missionária.”52 Ao mesmo tempo que expressa sua admiração pelas igrejas populares. com sua ênfase na conversão de indivíduos ao evangelho. ao lado da sua anterior ênfase cristocêntrica. uma vez que está filiado à Igreja Menonita. Isso tem levado Escobar. Escobar reconhece que. seja em seus comentários. a partir da sua própria comunidade local. Após salientar o “fator novo” na história do cristianismo que é a transferência do dinamismo missionário para o hemisfério sul (África.53 Finalmente. Ásia e América Latina). Ainda que isso não deixe de ser importante. morávios e avivalistas dos séculos XVIII e XIX do que com os reformadores do século XVI.54 Historicamente. e conclui com uma análise do modelo missionário de Paulo. Sua biografia e envolvimentos revelam uma conexão preponderante com a tradição anabatista.dado ao ministério do Espírito Santo e ao elemento de conflito espiritual relacionado com a missão da igreja. que vai além da experiência religiosa pessoal para incluir a comunidade e o mundo. Escobar alerta os cristãos evangélicos para a necessidade de um constante processo de encarnação e contextualização que rejeita toda e qualquer forma de paternalismo e discriminação. Ele entende que “os evangélicos latino-americanos necessitam de um impulso renovado do Espírito Santo e de uma leitura nova e contextual da Palavra de Deus. a dar uma grande ênfase ao papel do Espírito Santo nas missões cristãs. Nos escritos do grande reformador. Escobar tende a superestimar os valores positivos das igrejas 56 . alguns pontos da sua missiologia merecem reparos. como a sua ênfase quase que exclusiva sobre as massas empobrecidas da América Latina como objeto da ação missionária da igreja. sermões ou nas Institutas. muito embora as suas práticas nem sempre tenham correspondido às suas convicções. espírito de competição. falta de uma eclesiologia clara e atitudes sectárias.

devemos levar a sério os desafios desses líderes. ao passo que os liberais. quando. as igrejas e cristãos individuais estavam na vanguarda de movimentos em prol da extinção do tráfico negreiro. pois que a igreja cristã em geral e as igrejas evangélicas de modo particular têm uma longa e honrosa tradição de “missão integral” ao mundo. Os conservadores em grande parte aferraram-se à idéia de que a missão exclusiva da igreja é a evangelização. Samuel Escobar e seus companheiros da Fraternidade Teológica LatinoAmericana fizeram um esforço sério no sentido de apresentar uma alternativa a essa teologia que fosse bíblica. Isso foi ilustrado de maneira extraordinária por Jesus. notadamente nas áreas doutrinária e ética. em seu ministério terreno. Infelizmente. do combate ao alcoolismo e de tantas outras causas nobres. Basta lembrarmos o intenso esforço de missões e de reforma social gerado pelos grandes despertamentos dos séculos XVIII e XIX. como é caso de alguns recentes movimentos neopentecostais. dando pouca atenção a alguns sérios problemas apresentados pelas mesmas. são o nosso grande paradigma de missão. que quer dar vida e dignidade à sua criação. Num período conturbado da história recente da América Latina. Jesus Cristo. Tal ocorrência seria um retrocesso histórico lastimável. ideológicas e sociais. quando nosso continente foi sacudido por profundas convulsões políticas. Eles demonstraram que as igrejas podem permanecer fiéis às suas convicções históricas e ao mesmo tempo adotar uma postura ousada e coerente em relação aos problemas sociais. as disputas teológicas tão bem exemplificadas pela controvérsia modernistafundamentalista nos Estados Unidos. Não obstante. manifestou o interesse de Deus por todos os tipos de pessoas e pela pessoa integral. Escobar e seus colegas têm algo importante a dizer às igrejas evangélicas históricas da América Latina e do Brasil. na Europa e nos Estados Unidos. que busca a humanidade com amor e compaixão. Ao mesmo tempo que enviavam pregadores do evangelho para todos os quadrantes do mundo. evangélica e igualmente radical em suas implicações. como agente e instrumento de Deus. especialmente como reveladas no seu Filho. da reforma das prisões. a atitude e as ações de Deus em relação ao mundo. que falam com convicção. da abolição da escravatura. optaram decididamente por atividades de cunho social. no início deste século. 57 . muitos cristãos aderiram à agenda revolucionária da Teologia da Libertação. que realmente correm o risco de tornar-se irrelevantes na sociedade caso não despertem para algumas dolorosas realidades que existem ao seu redor. Como cristãos brasileiros preocupados tanto com a missão da igreja quanto com as difíceis realidades sócio-econômicas de nosso país. Como Escobar destaca. coerência e clareza sobre a necessidade de um entendimento abrangente da tarefa da igreja no mundo. poucos afeitos à pregação do evangelho. A Bíblia fala de um Deus que toma a iniciativa. produziram a concepção dicotômica da missão da igreja que hoje observamos. da luta contra o trabalho infantil. tendo como alvo a conversão individual.populares.

se vivida até as suas últimas conseqüências. as famílias e as comunidades à reconciliação e nova vida em Jesus Cristo – certamente é básica e essencial. Essa mensagem.: O presente estudo é uma versão ampliada do artigo “Samuel Escobar e a Missão Integral da Igreja: Uma Perspectiva Latino-Americana. com uma contribuição e uma mensagem singular. Oldham. o propósito total de Deus para a humanidade e para a comunidade redimida. É para essas implicações mais amplas do evangelho e da missão da igreja que cristãos comprometidos e inquiridores como Samuel Escobar chamam a nossa atenção. e a tenham em abundância. 353-402 (Genebra: World 58 . físicas e emocionais. praticidade ou. a evangelização – convidar os indivíduos. a preocupação com prioridades. A Conferência de Edimburgo é considerada o berço do moderno movimento ecumênico. eram provenientes do movimento cristão de estudantes. a sua mensagem e ações desafiam todas as áreas da vida particular e coletiva. Hutchison. O reino de Deus e seus novos valores devem ser manifestos em todos os tipos de relacionamentos humanos. Errand to the World: American Protestant Thought and Foreign Missions (Chicago: The University of Chicago Press. a esse respeito. Tudo deve ser colocado debaixo do propósito e do senhorio de Deus.. Ruth Rouse e Stephen C.” A igreja não deve ser reduzida a uma organização social ou a um grupo de pressão política como tantos que existem na sociedade. estatísticas e resultados rápidos não deve cegar a igreja para a integridade da missão. Por causa do seu forte senso de missão. como Joseph H. 3ª ed. Ela é uma instituição singular. vamos concentrar os nossos esforços no que é primordial – a evangelização – e as outras preocupações cuidarão de si mesmas. Ele instruiu os seus seguidores a continuarem a sua obra de proclamação do reino (Jo 20.” em A History of the Ecumenical Movement: 1517-1948. Ver Kenneth S. Obs.21s). John R. Evidentemente. Todavia. Inevitavelmente é levantada a questão das prioridades: uma vez que não podemos fazer tudo que Deus espera que façamos. Ver. ela também precisa expressar o interesse de Deus por toda a vida e espelhar a atitude daquele que disse: “Eu vinham para que tenham vida. Speer. “Ecumenical Bearings of the Missionary Movement and the International Missionary Council. 1987). eds. Jesus lutou e morreu na cruz. Seus líderes. Neill.O Cristo do Novo Testamento interessa-se por todas as necessidades humanas — espirituais. Latourette. o importante livro de William R. esses sublimes ideais nem sempre encontram plena expressão nas vidas diárias dos cristãos e das igrejas. necessariamente fará com que a igreja enfrente as diferentes situações que afetam a vida humana neste mundo caído. Mott e Robert E.” publicado em Vox Scripturae 8/1 (Julho 1998): 95-111. Desde uma perspectiva evangélica. muitas vezes. À medida que a igreja evangeliza.

” 22. “Los ‘CLADEs’ y la Misión de la Iglesia. Hogg. 20. 1952). Nelson. na selva peruana. metade das inscrições é reservada para participantes pentecostais.” William R. Das três CELAs. Entre os latino-americanos presentes no congresso estavam apenas três brasileiros. José Porfirio Miranda. entre 1962 e 1964. Tito Paredes. 13. Neste último aspecto. o órgão cooperativo correspondente ao CLAI é a Confraternidade de Evangélicos da América Latina (CONELA). Jon Sobrino. identidade étnica e filiação eclesiástica. até chegar a São Paulo. nos primeiros anos da Aliança Bíblica Universitária. onde. ed. 35.” Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). Outros nomes importantes no campo católico são Juan Luis Segundo. os presbiterianos Eduardo Carlos Pereira. Um dos primeiros e mais importantes articuladores dessa teologia foi o sacerdote peruano Gustavo Gutiérrez. Hugo Assmann. “Panamá 1916 y su Impacto sobre el Protestantismo Latinoamericano. Dali percorri o Norte e o Nordeste. no campo protestante destacaram-se José Miguez Bonino e Rubem Alves. Escobar. de Iquitos. Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999).” Samuel Escobar. Daí o subtítulo utilizado: “Para considerar os problemas missionários relativos ao mundo não-cristão. Rolando Gutiérrez. Os próprios locais dessas conferências e congressos são reveladores. como jovem delegado peruano a um congresso mundial da juventude batista.” Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). Emílio A. o próprio Escobar afirma em uma obra recente: “Desde a minha primeira visita ao Brasil. entidade que promoveu o maior esforço cooperativo até hoje empreendido pelas igrejas evangélicas brasileiras e foi precursora da Confederação Evangélica do Brasil. apaixonei-me por esse imenso país. Álvaro Reis e Erasmo Braga. trabalhei como missionário na frente estudantil.Council of Churches. até Manaus. autor de Uma Teologia da Libertação (1971). Erasmo eventualmente tornou-se o secretário da Comissão Brasileira de Cooperação. 1986). Henrique Dussel e Leonardo Boff. Citado por Tito Paredes em “Visión Histórica de los ‘CLADEs’. um velho Catalina da Panair. especial (Novembro 1978): 521. duas realizaram-se na cosmopolita e culta Buenos Aires. “Los ‘CLADEs’ y la Misión de la Iglesia. Entre os evangélicos conservadores. Em 1959 e 1960 percorri como evangelista e discipulador um bom número de centros universitários. sexo. Outros membros bem conhecidos da Fraternidade Teológica são C. 131-32. enquanto que todos os CLADEs ocorreram nos países andinos. Ecumenical Foundations: A History of the International Missionary Council and its Nineteenth-Century Background (Nova York: Harper and Brothers. Cheguei de avião.” Pastoralia 1/2. John Kessler e Wilton M. Os critérios de seleção procuram ser os mais abrangentes possíveis em termos de faixas etárias dos participantes. Núnez e o brasileiro Valdir Steuernagel. Sobre a sua relação com o Brasil. com seus enormes problemas sociais e suas dinâmicas igrejas populares. 59 . O historiador Sidney Rooy identifica uma seqüência de três séries ou ciclos de encontros do protestantismo latino-americano. em 1953. entre outros. René Padilla. Ver Samuel Escobar.

nº 1 (abril 1983): 48-62.Desafios da Igreja na América Latina: História. “O evangelho inteiro para o mundo inteiro a partir da América Latina”. “A nova ordem mundial das missões: o século XXI nos conclama a abandonarmos nossos modelos de ministério mundial procedentes do século XIX”. publicou os trabalhos apresentados nessa consulta. como ocorre nos Estados Unidos. publicado na Argentina. em 1982 Escobar participou da Consulta de Teólogos do Terceiro Mundo. um deles escrito por Escobar e três colegas latinoamericanos. Por exemplo. o termo “evangélico” tem sido virtualmente sinônimo de “protestante. Para os leitores não familiarizados com o inglês. MG: Editora Ultimato. “Teologia evangélica na América Latina: o desenvolvimento de uma cristologia missiológica”. Ver Samuel Escobar. 11. em distinção dos progressistas ou liberais. 1997). A revista Evangelical Review of Theology. “Missões e renovação no catolicismo latino-americano”. Valdir Steuernagel e Rodrigo Zapata.” Evangelical Review of Theology 7. Também publicado em Annals of the American Academy of Political & Social Science 554 (Nov 1997). na Coréia do Sul. David Bosch menciona pelo menos seis tipos básicos: (1) novos evangelicais (como Billy Graham). “Além da teologia da libertação: artigo-resenha” e “Uma abordagem missiológica do protestantismo latino-americano. esta é a tradução dos títulos dos artigos de Escobar: “A responsabilidade social da igreja na América Latina”. Estratégia e Teologia de Missões (Viçosa. Por força de suas ocupações. (2) evangelicais separatistas 60 . Mackay”. Escobar participou de uma conferência sobre economia e missões promovida pelo Concílio de Ministérios Internacionais das igrejas menonitas norteamericanas. “Elementos de estilo na formação de novos líderes missionários internacionais”. Mais recentemente. “Além da teologia da libertação: missiologia evangélica na América Latina”. que tentam unificar todos os evangelicais. em março de 1998. “o missiologista Samuel Escobar disse que um conceito holístico de missão conclama os cristãos a compartilhar tanto a vida espiritual quanto recursos materiais e a utilizar instrumentos espirituais. “De Lausanne 1974 até Manilla 1989: a peregrinação da missão urbana”. “500 anos após Colombo: Requiem ou Te Deum?”.” os estudiosos estão utilizado o anglicismo “evangelical” para designar especificamente os evangélicos conservadores. Segundo o Mennonite Brethren Herald.” Como no Brasil. “Um movimento dividido: três abordagens da evangelização mundial permanecem em tensão entre si”. “Transformação em Ayacucho: da violência à paz e esperança”. “O legado de John A. Pedro Arana. Por exemplo.” Escobar também leciona no curso de Administração do Eastern College. Seu papel principal é ajudar os estudantes a considerar as missões cristãs no contexto da justiça econômica. “A missiologia de McGavran foi devorada por um leão?”. em nível de pós-gradução. “O recrutamento de estudantes para missões”. ele foi editor de Certeza. “A Latin American Critique of Latin American Theology. uma revista para estudantes universitários. Escobar também foi responsável por vários periódicos. “Missão na América Latina: uma perspectiva evangélica”. culturais e tecnológicos. um órgão de exposição do pensamento evangélico. historicamente. realizada em Seul. e diretor de Pensamiento Cristiano. órgão oficial da referida Comissão Teológica.

Desafios da Igreja... ed. 291.” em Pensamiento Cristiano 93 (Março 1978): 170-175. Esse congresso foi o berço da Fraternidade Teológica Latino-Americana. and Roman Catholic (Pasadena. Romen (Farmington. Evangelical. denota o que diz respeito a totalidades ou sistemas completos. 22. “completo”). “Latin America. e (6) evangelicais ecumênicos (como John Stott. “Latin America.br/cem/postura. Bassham. 187. Phillips e Robert T. 7-8. Michigan: Urbanus. tratamento ou divisão em partes.html. Harvie M. Samuel Escobar. que recebeu 920 delegados de 25 países. Um bom exemplo das idéias de Escobar acerca da evangelização pode ser encontrado no seu artigo “Vivir y Evangelizar. (3) evangelicais por confissão (como Peter Beyerhaus). ed. 1970). 237. Ibid. Coote (Grand Rapids: Eerdmans. Quando Escobar concluiu sua palestra. Escobar atribui ao CLADE I. Ibid. “Anômicas” deriva de “anomia. Orlando Costas. Samuel Escobar..” 241. A medicina holística.” Missiology 20 (Abril 1992). “Missiology in Contemporary Latin America: A Survey. O COMIBAM deu uma forte ênfase à segunda vinda de Cristo. 231.” a instabilidade 61 . “Has McGavran´s Missiology been Devoured by a Lion?” Missiology 17 (Julho 1989). Ibid. 244. Samuel Escobar. Escobar. Tópicos do Momento 3 (São Paulo: Vida Nova. Ibid. “Holístico. 1993)..” do grego hólos (“inteiro”. 349-350. Conn e Samuel F. 104. procura tratar tanto a mente como o corpo. Bassham. (5) evangelicais radicais (como Samuel Escobar. 1975). Ibid.com. 25.” em Toward the Twenty-First Century in Mission. A palestra foi publicada na íntegra por Edições Vida Nova. Ver Internet. Ibid.homenet. Bassham... “Mission in Latin America: An Evangelical Perspective. 350. os delegados colocaram-se de pé e demonstraram a sua aprovação aplaudindo-o entusiasticamente. “Mission in Latin America. Festo Kivengere e Arthur Glasser). Rodger C. Ver Samuel Escobar. em contraste com a análise. 225. Ibid. 295.” 134. A Responsabilidade Social da Igreja.” em Missions and Theological Education in World Perspective.(como Carl McIntire e o seu Concílio Internacional de Igrejas Cristãs). René Padilla e Orlando Costas). Mission Theology. James M. Escobar. Mission Theology: 1948-1975 – Years of Worldwide Creative Tension – Ecumenical. www. 1979). o surgimento de uma “teologia nacional” entre os evangélicos latino-americanos. Califórnia: William Carey Library. John Stott. por exemplo. (4) evangelicais pentecostais e carismáticos. Mission Theology. The Lausanne Covenant: An Exposition and Commentary (Minneapolis: World Wide. 262. Ibid. 133. 131. 1984)..

Samuel Escobar.social resultante do colapso dos padrões e valores. 48. sob o título “Discernindo o Espírito na América Latina. Desafios da Igreja na América Latina. 316. “Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological Christology. 7. O Pensamento Econômico e Social de Calvino. Tal consulta. conforme observamos no 62 .” Fides Reformata 2:2 (Jul-Dez 1997). 64... obras como as de René Padilla e Timóteo Carriker são dignas de nota. Ibid. Ver também. “The Elements of Style in Crafting New International Mission Leaders. e “Jonathan Edwards: Teólogo do Coração e do Intelecto. É o caso de André Biéler.. Não é original porque missão integral já faz parte da discussão teológica da Igreja há algum tempo. 328.” Evangelical Review of Theology 20/4 (Outubro 1996). Samuel Escobar. 108.” International Bulletin of Missionary Research 6 (Julho 1982). 69-88. 1990).” Missiology 19 (Julho 1991). do autor do presente artigo. trad. Nele nada menos que 27 articulistas tratam da missão integral da Igreja. 111. Waldyr Carvalho Luz (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana. Ibid.” Fides Reformata 3:1 (Jan-Jun 1998). Não é um trabalho original e nem exaustivo. Samuel Escobar. no sentido individual. teve como tema “Fé e Esperança para o Futuro: Por Uma Teologia Evangélica Vital e Coerente para o Século XXI. Desafios da Igreja na América Latina.” Escobar foi o autor de um dos seis estudos apresentados ao plenário.. 72-87 Parte XV A MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA Introdução: Que é missão integral? O que envolve a missão da Igreja a ponto de investigarmos o que é mito e o que é realidade? Na procura de respostas para estas e outras perguntas semelhantes é que este estudo veio a lume. “Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America. Escobar. Escobar. Mas existem muitos outros autores que não aparecem no livro de Steuernagel.” Evangelical Missions Quarterly 28 (Janeiro 1992). organizado pelo Dr. Não é exaustivo porque o número de teólogos. Valdir Steuernagel em 1994. 19. “Mañana – Discerning the Spirit in Latin America. gerando uma espiritualidade nova e radical. “Amando a Deus e ao Próximo: João Calvino e o Diaconato em Genebra. Um bom exemplo da diversidade da missão integral é o livro A Missão da Igreja. 110. missiólogos e pensadores que têm escrito e palestrado sobre a missão da Igreja. Ibid. Samuel Escobar. Ibid. 321. alienação e incerteza que decorre da ausência de propósito ou ideais. Além disso. e em seus vários aspectos. Há poucos anos. é enorme. Ibid.. significa a inquietação. realizada em Londres de 9 a 14 de abril de 1996. Escobar participou de mais uma consulta da Comissão Teológica da Fraternidade Evangélica Mundial.” em que revela o seu grande interesse pela dimensão pneumatológica da missão da igreja e conclama os evangélicos a estarem receptivos ao novo vento do Espírito que sopra na igreja.

Entretanto. Nosso estudo divide-se em três capítulos principais. 1998. 14). O mito da polarização teológica Que evangelização e responsabilidade social são verdades bíblicas para a Igreja de Jesus Cristo não há dúvida. também. Não estamos falando em prioridade temporal. a. a consciência social da igreja brasileira hoje parece ser maior do que algumas décadas atrás. chegamos à conclusão que dois pontos resumiriam bem o mito de missão integral da Igreja. I. neste capítulo. isto é.1. pois há situações em que o 63 . Nosso objetivo é mostrar que a Igreja evangélica brasileira só pode ser verdadeiramente missionária quando no desempenho de sua missão integral. O primeiro trata da missão integral como mito e realidade propriamente dito. ou pelo menos não deveria haver (1). "Um ministério integral verdadeiro define a evangelização e a ação social como funcionalmente separadas. Evangelização e responsabilidade social devem andar juntas como causa e efeito de uma mesma verdade evangélica. o ser humano considerado em partes separadas ao invés do todo. justamente porque ao se discutir prioridades (estamos falando apenas de evangelização e ação social) a igreja deixa de fazer bem uma e outra coisa. presidida por John Stott em 1982. Felizmente. mas relacionalmente inseparáveis e necessárias para um ministério integral da igreja" (YAMAMORI. O segundo mito estaria diretamente ligado à dicotomia humana. vez ou outra mencionados no corpo deste trabalho. O MITO E A REALIDADE DA MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA 1. O primeiro deles estaria relacionado a um debate que perdura já algum tempo na igreja evangélica mundial e na brasileira em particular. se por um lado a Igreja vem melhorando em sua visão social. p.capítulo sobre o conceito de missão integral da Igreja na teologia contemporânea. também não estamos afirmando que sejam duas coisas diametralmente separadas. O relatório da Consulta Internacional realizada em Grand Rapids (EUA). concluiu que na questão da primazia entre evangelização e ação social "a evangelização tem uma certa prioridade. Por causa dessa variedade de autores foi preciso adotar alguns critérios. Com isso não queremos dizer que evangelização e ação social devam ser entendidas como sendo a mesma coisa. a polarização entre evangelização e a responsabilidade social da Igreja. mas em prioridade lógica. Por outro lado. Alguns fatores que possibilitaram o surgimento desses mitos é o que veremos. ainda não amadureceu tanto em sua concepção de missão integral. O mito da missão integral da Igreja O que poderíamos denominar de mito ou mitos na missão integral da Igreja? Após relativa pesquisa e análise cuidadosa deste assunto. Os outros dois são uma explanação bíblico-teológica e pragmática do primeiro. por outro. a saber.

e raramente teremos de optar entre uma e outra. p. 1983. sem distinção de raça. foi um dos fatores que colaboraram para a polarização entre evangelização e a ação social no meio 64 . cor. afirmamos que a evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. cultura. p. devemos partilhar o seu interesse pela justiça e pela reconciliação em toda a sociedade humana. nem a ação social evangelização. pelo menos nas sociedades livres. 23). inseparáveis e indispensáveis na missão integral da Igreja de Jesus Cristo no mundo e para o mundo (2). V). elas se sustentam e fortalecem mutuamente. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus. portanto. 1983. o chamado Pacto de Lausanne: "Os resultados da evangelização incluem a obediência a Cristo. A fé sem obras é morta" (Idem. toda pessoa. religião. a seguir.ministério social precisa vir primeiro" (STOTT. o ingresso em sua igreja e um serviço responsável no mundo" (O PACTO DE LAUSANNE. numa espiral ascendente de preocupação crescente (STOTT. 1983. Portanto. Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus. uma rápida apresentação de dois grandes movimentos que contribuíram negativamente para o distanciamento da Igreja de sua missão integral. O evangelho social e a teologia da libertação A influência perniciosa e nefasta do liberalismo teológico do século XX. classe social. e pela libertação dos homens de todo tipo de opressão. IV). sexo ou idade possui uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida. E na prática? Na prática. 23) A discussão pouco louvável no meio cristão sobre a missão prioritária da Igreja no mundo também levou o comitê de Lausanne a elaborar uma declaração sóbria e amadurecida. E ainda: Afirmamos que Deus é o Criador e o Juiz de todos os homens. em particular das teologias do evangelho social e da libertação. Aqui também nos arrependemos de nossa negligência e de termos algumas vezes considerado a evangelização e a atividade social mutuamente exclusivas. Evangelização e responsabilidade social são partes integrantes da missio Dei. em seus artigos. nem a libertação política salvação. Façamos. estas duas realidades (evangelização e ação social) são inseparáveis. Diz assim. Em lugar de estarem em competição. como aconteceu no ministério público de Jesus. (Idem. e não explorada. V) (Grifos nossos) E mais: "A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais.

e sem qualquer preocupação de ser rotulada e perseguida por isso. é uma necessidade urgente em nossos dias. "só existe fidelidade na evangelização quando existe fidelidade na missão integral da igreja". 59). a Igreja acabou se equivocando e não enxergou a mensagem social autêntica que o mesmo evangelho oferecia. Veremos a seguir que pelo menos três fatores contribuíram negativamente para o surgimento do mito da dicotomia humana. a igreja evangélica brasileira. p. pecou na espiritualidade sem encarnação. pela própria Igreja. p. Hoje em dia. na pior. principalmente desta última). p. pois. 154) observa que parte do descuido do "homem total" tem sua origem na ênfase platônica não-cristã sobre a dualidade do ser humano. isto é.é um todo e deveria sempre ser visto assim. por sua vez. Partindo da perspectiva bíblica. por outro lado. Entretanto. "Esta ênfase foi dirigida pelos cristãos na Idade Média e tem sido transmitida para o presente". como o é pela Bíblia.evangélico. a influência missionária européia e norte-americana e a teologia sistemática. A influência missionária e da teologia sistemática Norman L. como ocorria em tempos atrás. Em síntese o platonismo argumenta que o ser humano é essencialmente um ser espiritual e que apenas tem conexão funcional com um corpo que. O esforço de se combater a teologia do evangelho social e depois a teologia da libertação (por causa da ênfase social à parte do evangelho bíblico e de uma filosofia marxista. Contudo. 38). dando uma reviravolta considerável nessa história toda. Um dos maiores males cometidos na igreja evangélica brasileira de hoje é limitar o conceito de salvação. provocou um mal-estar na igreja brasileira. boa parte das igrejas brasileiras está envolvida em trabalhos sociais. A Igreja foi levada a refletir seus valores. na melhor das hipóteses. tem levado a mesma a desvalorizar não somente o ser humano na sociedade. um grande mal. o platonismo. há de se admitir que. 65 . como salientou muito bem Manfred (1987. O mito da dicotomia humana Ver o indivíduo completo. achando que Cristo veio salvar apenas a alma do homem ou da mulher. A correção deste erro está no ensino bíblico acerca da unidade essencial do ser humano. tanto o evangelho social quanto a teologia da libertação provocaram uma reação positiva na Igreja. a ausência da compreensão do indivíduo como ser integral. Geisler (1985. é um impedimento e. o ser humano poderia ser definido como sendo 'uma comunidade integrada de corpo e alma' (STOTT. Se de um lado as teologias liberais mencionadas cometeram o pecado do social sem espiritualidade. b. como também o próprio evangelho para o qual ela foi chamada a proclamar no mundo. O ser humano . Resultado: No afã de se preservar o espiritual. 1989. não dictomizado.homem ou mulher . conforme veremos no decorrer deste estudo.

a omissão da Igreja. e segundo: porque novas questões e problemas continuam a surgir para desafiar a igreja. Isso explica. p. de certa forma. Embora as Escrituras sejam invioláveis. contribuiu para a difusão do evangelho social e principalmente da teologia da libertação em nosso país. na análise da questão corpo. Primeiro: porque à medida que a linguagem e as formas culturais mudam. deixaram a impressão de que missões é coisa que o Brasil recebe e não que faz (CARRIKER. Porém. ora dominador e paternalista.1988.Além da influência platônica. 1993. ora nobre e sacrificial. E. não transmitiam a mesma visão missionária para as igrejas autóctones. 39. (Grifo nosso) (3) Outro fator que infelizmente tem colaborado para a dicotomia humana é a teologia sistemática. isto tem sido um dos fatores prejudiciais na compreensão da missão da Igreja. e durante tanto tempo vem caminhando lentamente na questão social? Pelo menos por três razões principais: Uma delas tratamos há pouco. faz uma advertência importante: Alguns consideram a teologia sistemática como um depósito eterno e inalterável de verdades divinas. é claro. o conjunto da verdade cristã deve ser vestido em roupagens contemporâneas a fim de permanecer inteligível. por causa daquela reação ao evangelho social e à teologia da libertação. embora não justifique. No estudo da natureza do ser humano na teologia sistemática. pp. isto é. pelo contrário. A realidade da missão integral da Igreja 66 . p. nosso espiritualismo desencarnado no campo social. a história da igreja brasileira registra dignos exemplos de missionários como Robert e Sarah Kalley. 515). por que a igreja evangélica brasileira de modo geral não herdou a totalidade da visão desses bons exemplos de missionários. Outra razão é que a maioria dos missionários estrangeiros que aqui chegaram tendia para a corrente do evangelho individual (KRIEGER. os missionários europeus e norte-americanos que aqui estiveram parece que não conseguiram passar adiante a idéia da missão integral. Bruce A. o texto bíblico precisa ser reinterpretado e reaplicado ao contexto moderno. novos entendimentos teológicos e reformulações são necessários a cada geração. Mas então. em seu artigo Teologia Sistemática (In EHTIC1990. isso não quer dizer que não houve qualquer tipo de envolvimento social. e em seus conceitos dicotômicos e tricotômicos. Uma terceira razão foi observada pelo missiólogo norte-americano Timóteo Carriker. In Teses. alma e/ou espírito. DEMAREST. de tempos em tempos. Nossa herança missionária é deveras espiritualista. o que. com raríssimas exceções.40). Assim. é preciso ter cautela com a mesma.2. Por isso. O que é facilmente percebido nas mensagens bíblicas e hinos que os missionários nos legaram. independente de sua linha confessional. Embora a teologia sistemática seja uma tentativa interessante de organizar em um ou mais compêndios conceitos e pensamentos religiosos variados. quando diz que boa parte dos missionários europeus e norte-americanos que aqui estiveram "realizaram o trabalho. Ashbell Green Simonton e outros. perdeu-se de vista a perspectiva bíblica de que somos um todo. certamente. mas. 55). que desempenharam um papel social muito grande em nosso país. 1. até hoje sentida.

como diria Orlando COSTAS (1979. Por isso mesmo. de dignidade humana. por exemplo. de amor a Deus e à humanidade". Ela é uma instituição divina supra partidária. E ainda: Esta dimensão envolve o impacto que o ministério reconciliador da igreja exerce sobre o mundo. A missão da Igreja é holística e diaconal Por mais óbvia que pareça esta afirmação. mas também à criação de Deus em geral. a Igreja "não prega uma forma de governo. verdadeira afronta contra a imagem e semelhança de Deus. a Igreja como sal da terra e luz do mundo deve fazer a diferença nos vários setores da sociedade. de respeito ao próximo e. Onde está. como resultado de uma política social opressora. É mais que isso. principalmente no socorro aos menos favorecidos. por causa da má distribuição de renda de nosso país. Uma opção preferencial pelos pobres? E por que não? O evangelho é para todos. Orlando Costas via nesta dimensão diaconal ou encarnacional da Igreja "a intensidade de serviço que a igreja presta ao mundo. em nossa opinião. como prova concreta do amor de Deus" (COSTAS. à luz dos conceitos de liberdade. em se tratando de benefícios a serem recebidos. destaquemos dois fatores que. tem o dever ético e moral de ser mais justa do que qualquer governo ou partido político pretenda ser. p.Em contrapartida ao mito da teologia de missão integral da Igreja. conflitos. 102). Conforme salientou Jorge GOULART (1941. A Igreja deve ser a voz do que clama no deserto a fim de fazer a diferença no mundo. p. Não só no que se refere ao indivíduo. Quando se coloca o pobre e o rico lado a lado. 229). a. sobretudo. o seu grau de participação na vida. sabemos que a ortopraxia da missão integral não é tão óbvia como deveria ser. porém. p. tem solapado nosso país e a Igreja muitas vezes tem se afastado como se nada tivesse com isso. expressam bem a realidade dessa missão. É preciso sim que os pobres desse mundo recebam um tratamento preferencial porque foi assim que Deus os tratou na Bíblia. 1994. como veremos mais adiante. Não é fácil inculcar na cabeça do nosso povo que o envolvimento da Igreja deve ser total. mas cria uma consciência democrática. Os cristãos foram postos no mundo para ser a consciência da sociedade. É verdade que a Igreja não é uma instituição político-partidária que deva defender qualquer bandeira política. A injustiça social. Precisa deixar o monte da transfiguração (entenda-se contemplação) e descer até ao sopé onde se encontram os excluídos. somente o pobre precisa ser atendido também em suas necessidades básicas prioritárias. a consciência ecológica da Igreja? (4) Além disso. temores e esperanças da sociedade e a medida em que seu serviço ajuda a aliviar a dor humana e a transformar as condições sociais que têm condenado milhões de 67 . 113). o primeiro sempre sai perdendo.

significa que ela (a missão integral da Igreja) não é uma filosofia cega ou um modismo passageiro. aquele que está diretamente relacionado à pessoa do indivíduo ou. adoração. A Bíblia não incentiva nenhum blá-blá-blá teórico desinteressado. evangelismo e serviço". mulheres e crianças à pobreza. Sem esta dimensão a igreja perde sua autenticidade e credibilidade. pois somente na medida em que conseguir dar visibilidade e concreticidade à sua vocação de amor e serviço ela pode esperar ser ouvida e respeitada. 68 . "Nada é mais claro na Bíblia do que ser Deus o campeão dos pobres. visto que a dimensão dessa missão é vertical e horizontal. aos pobres deste mundo. como um todo deve ser a missão integral de Sua Igreja. Por isso mesmo nosso objetivo agora será tratar. A missão integral da Igreja é ampla. A Bíblia é doutrina e prática. A missão da Igreja é bíblica Quando dizemos que a missão integral da Igreja é bíblica. b. Não é por acaso que GRELLERT (1987. 1994. mais especificamente. 15) salienta: Tanto no Antigo como no Novo Testamentos a Bíblia ordena à igreja que ministre à pessoa como um todo. isto é. (BRYANT. 22) resumiu a missão intergral da Igreja em "comunhão. Isso é verdade. 113. II. O compromisso da Igreja com Deus (vertical) resulta nela um compromisso com a criação em geral e com o ser humano em particular (horizontal). que estão inseparavelmente relacionadas. apenas de um dos aspectos da missão integral.homens. 56). (COSTAS. A opção por apenas um desses seus aspectos (doutrina ou prática) causará profunda ojeriza em Deus. A missão integral na Bíblia A missão integral tem raízes bíblicas profundas. A missão da Igreja não é filosofia e muito menos modismo. Tetsunao YAMAMORI (1998. ainda que sejam separadas em termos funcionais.4). 1988. à luz da Bíblia. No capítulo anterior mencionamos que a missão integral da Igreja é ampla. edificação. Isto quer dizer que se deve atender tanto às necessidades físicas como às espirituais.1. A BASE BÍBLICA E TEOLÓGICA DA MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA 2. No capítulo 2 desse estudo falaremos um pouco mais sobre a base bíblica da missão integral da Igreja. p. p. p. pp. A Bíblia não existe para o deleite de nossa mente carnal. Segue abaixo uma abordagem resumida sobre o assunto. A integralidade da Igreja é bíblica e se baseia na missão integral de Deus. É uma verdade bíblica que precisa ser resgatada e praticada em sua totalidade. dos oprimidos e dos explorados". Sua Palavra é um todo. assim como é ampla a missão integral de Deus.

quando o povo de Deus pergunta: "Por que é que nós oramos e jejuamos e tu não nos respondes?".23 lemos também: "Percorria Jesus toda a Galiléia. Ezequiel 16. que não têm voz. o órfão. do fraco. o pobre. No Novo Testamento Jesus Cristo é a revelação máxima da missão integral de Deus no mundo.1. do desamparado. quer pelo sistema econômico. quer pelo sistema religioso. No Antigo Testamento Se folhearmos as páginas do Antigo Testamento veremos que existe uma clara opção preferencial de Deus pelos pobres e oprimidos. "Nós nunca encontramos Jesus Cristo de dedo apontado contra os pobres e marginalizados.a. do que clama por justiça. O cuidado de Jesus com os pobres e marginalizados é enorme. vocês estão oprimindo os pobres. é que ajam com justiça em relação aos desamparados". e apregoar o ano aceitável do Senhor" (Lc 4. Em Mateus 4. e seus próprios operários. veremos que o objetivo de toda a legislação era que não houvesse miseráveis e injustiçados no meio do povo de Israel. Veja também Isaías 1. e o jejum que eu quero.19). pelo que me ungiu para evangelizar os pobres. E ainda em Mateus (cap.18. ensinando nas sinagogas. 10. 25) notamos que além da questão do se "fazer igualmente a Cristo". ou sistema político de sua própria época". p. a nossa atitude para com os desfavorecidos deste mundo será um critério importante de julgamento no Juízo Final.49 afirma que o pecado de Sodoma. (MACEDO FILHO. realidade e conseqüências da pobreza. Deus diz: "É porque vocês jejuam e oram para a iniqüidade. Veja por exemplo Atos 5 e 6. Vinte e cinco palavras hebraicas para falar do oprimido. b. da vaidade e da imoralidade era que aquela cidade. é que vocês cortem as ligaduras da impiedade. 69 . Isto não significa que Deus faça acepção de pessoas ou de classe social.3-8. sendo rica e abastada. para por em liberdade os oprimidos. do destituído. enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos. Se olharmos na legislação do povo de Deus no Velho Testamento. 1988. do humilhado. a viúva. Em Isaías 58. De modo algum! Mas com certeza Ele olha de maneira especial para aqueles que não têm vez. mas enfrentando exatamente aqueles que oprimiam o povo. Só no AT nós temos 300 referências sobre causas. Os apóstolos deram continuidade ao tema da missão integral de Jesus em seus ministérios.17.2. do desesperado. pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo". o estrangeiro. 35). do carente. No início de seu ministério terreno o Senhor Jesus deixou bem clara a sua missão quando declarou: "O Espírito do Senhor está sobre mim. além do orgulho. nunca atendeu o pobre e o necessitado.

a missio Dei exige os missiones eclesiae. as igrejas de Corinto (II Co 8 e 9). seria simplesmente impossível para as dimensões do nosso trabalho. a liberdade de selecionar apenas dois deles. não significa que a participação da igreja na evangelização mundial tem pouca significância. Em primeiro lugar. O seu reino tem um escopo universal até cósmico. Em segundo lugar. nossos dois teólogos são duas das maiores autoridades mundiais sobre a missão integral da Igreja.1-6). e explico porquê. A seguir exporemos alguns dos principais conceitos da missão integral de Carriker.2. e Ele vai cumpri-lo. Os marginalizados. vale a pena conferir a ênfase e a abordagem distintas que ambos conferem em seus respectivos livros acerca da missão integral da Igreja. diz o apóstolo em Gálatas 2. Destacamos. É este Deus salvador que alcança além das leis judaicas. e gentios recebem a misericórdia de Deus. 1-7. Valdir Steuernagel em que ele reúne nada menos que 27 autores. A missão integral na teologia contemporânea O número de teólogos que escreveram e escrevem sobre a missão integral da Igreja não é pequeno. Estou tomando. da identidade e tarefa missionárias do povo de Deus (1992. então. missio Dei. mulheres. Esta imagem de Deus está no coração do Novo Testamento também. Seu objetivo é ressaltar as diversas dimensões. Reconhecer que a missão é essencialmente de Deus. Deus tem um plano salvífico que alcança tanto judeu quanto gentio. Sua aproximação do homem exige a atitude de conversão. No Antigo Testamento Javé é o Deus soberano sobre toda a sua criação. a saber.14-26. São praticamente dois 70 . não fica passiva em relação à soberania de Deus. da Galácia (Gl 6. Timóteo Carriker e René Padilla. samaritanos. A igreja. 5. cada um deles escreveu um livro com o mesmo título (Missão Integral) com cerca de 300 páginas cada. O conceito de Timóteo Carriker O livro de Timóteo Carriker é uma teologia bíblica de missões. Muito pelo contrário. dentre outras. Em terceiro lugar. A confiança no cumprimento do seu plano dá a igreja motivação para perseverar até o fim. contudo. Um Deus soberano e misericordioso é o ator último das parábolas de Jesus. "o que também me esforcei por fazer". Falar do trabalho de cada um desses autores. a.10.Em Jerusalém as três colunas do colégio apostólico (Pedro. Tiago e João) recomendaram a Paulo e a Barnabé que não se esquecessem dos pobres. 2. Um bom exemplo disso é a obra do Dr.2-10) e das doze tribos da dispersão (Tg 2. Várias igrejas foram orientadas por cartas a agirem com a mesma visão de integralidade bíblica dos apóstolos. 11). p. na palavra de Deus. sem considerar outro tanto que Steuernagel não menciona.

na cidade. Porque há um mundo. A "explosão urbana" é um fenômeno mundial. a missão cristã não pode ser outra coisa que missão realizada em colaboração mútua. portanto. através da história. com todo seu poder desumanizante. O Deus da Bíblia é o Deus que age na história. O conceito de René Padilla A abordagem de René Padilla é mais teológica e menos bíblica. a saber: O desafio da evangelização e do discipulado. A humanidade está indo na direção do cumprimento. o símbolo do desafio que a evangelização e o discipulado colocam para a igreja. esquecendo-se das cidades. subdivide-se em outros três. Diz ele que o maior desafio que a igreja enfrenta atualmente é o desafio da missão integral (1992. Padilla desenvolve seu tratado em termos de desafios. Por "mais teológica" queremos dizer que os argumentos de Padilla estão mais na área das idéias. b. Seus argumentos principais são os seguintes: Um conceito um tanto romântico da obra missionária impulsionou as missões a concentrarem seu esforço em pequenas tribos nas selvas. eventos bem visíveis que fazem parte da nossa história. pessoal e age nos eventos e experiências concretas das nossas vidas. seus princípios são eminentemente bíblicos. o valor da obra dele. Lá. vê-se com clareza a necessidade de um evangelho com poder para transformar a totalidade da vida. A missão urbana. é uma prioridade em todas as partes. Num mundo que está se urbanizando rapidamente. a cidade é. através da sua morte e ressurreição. uma igreja e um evangelho. Chegou o momento de encontrar maneiras de reduzir a distância entre as igrejas no Ocidente e no 71 . sem dúvida. 139). Por "menos bíblica" queremos afirmar que o livro de Padilla não é uma teologia bíblica nos moldes do livro de Timóteo Carriker. Não é principalmente apresentado como um conceito ou idéia. Ele atua através da vida humana do seu filho Jesus. do dilúvio e do cativeiro no Velho Testamento. e este movimento entrou na sua fase final com a ressurreição de Cristo. p. o que não diminui. É na nossa história humana que Deus se revela e o faz com movimento para frente. por sua vez. de modo algum. todos eventos históricos até "seculares". a perspectiva cristã da história é essencialmente escatológica. Percebemos. Atua através do êxodo. a sua conclusão. Ele é. vale ressaltar que as aplicações de Padilla são mais contextualizadas que as de Carriker.lados da mesma moeda. o desafio da colaboração e da unidade e o desafio do desenvolvimento e da justiça. O desafio da missão integral. Apesar de não termos o objetivo de comparar os dois autores. Assim. Deus não se restringe a uma dimensão mística da nossa vida. porém. uma doutrina que podemos elaborar. Hoje é o dia da salvação. acima de tudo. julgamento e salvação.

O desafio tanto para os cristãos no Ocidente como para os cristãos nos países subdesenvolvidos é criar modelos de missão centrados num estilo de vida profético.1. portanto.Terceiro Mundo. É preciso sim que a Igreja seja a consciência da sociedade e a voz profética que denuncia os desmandos desta mesma sociedade. Fazem falta modelos de missão plenamente adaptados a uma situação marcada por uma distância abismal entre ricos e pobres. no sentido de envolver a missão da Igreja num âmbito mundial ou. Robert C. nem a libertação política salvação. a. mas é necessário fazer muito mais para desenvolver modelos de solidariedade acima das barreiras políticas. Dividimo-nos em duas partes distintas. Entretanto. é o nosso comum acordo com a declaração de Lausanne: Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus. Os desafios que agora mencionaremos tratam da igreja brasileira em solo brasileiro. e para estimular a colaboração mútua entre as igrejas. No final das contas. Linthicum 72 . Desafios da missão integral da Igreja Observamos no capítulo anterior que René Padilla apresenta a missão integral da Igreja em termos de desafios. econômicas. A igreja evangélica brasileira tem desafios enormes nesta área. na América Latina. OS DESAFIOS E IMPLICAÇÕES DA MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA 3. sociais e culturais. Os desafios sociais da Igreja Não são poucos e nem pequenos os problemas sociais brasileiros. afirmamos que evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. Porém. no contexto da justiça. Não devemos. Que a igreja evangélica brasileira não deve se esquivar de sua missão integral. O desafio que a igreja encara no campo de desenvolvimento hoje é fundamentalmente o desafio de um desenvolvimento humano. III. são contraproducentes para a missão. Os modelos de missão baseados na riqueza do Ocidente solidarizam-se com esta situação de injustiça e condenam as igrejas do mundo pobre a uma permanente dependência. mas podemos e devemos fazer confrontações sociais sérias. isto é. Confrontação não é violência. nem a ação social evangelização. como Igreja de Cristo. à universalidade da igreja e à interdependência dos seres humanos no mundo. Já há experiências úteis que estão sendo levadas a cabo com este propósito. modelos que apontem para Jesus Cristo como Senhor da totalidade da vida. no mínimo. partir para a ignorância e violência. os desafios sociais e os desafios eclesiais. de início é preciso que encaremos com seriedade e maturidade o dilema de até onde podemos e devemos nos envolver nestes desafios. sua abordagem é ampla.

o evangelho e o bom testemunho não sejam prejudicados e. A confrontação boa e eficaz nunca deve levar à violência. pois. 73 .(1996. a violência é física. sobretudo. O certo é: Se não chegarmos a um consenso. salgando a nós mesmos e iluminando nossos umbigos. a fim de ganhar uma disputa. violência é o exercício da força física. mas à resolução do problema. Pesa (e como pesa!) sobre o povo de Deus também a responsabilidade pelo bem-estar social do nosso país. o amor ao próximo evidenciado. Os desafios sociais da igreja brasileira não são combatidos e vencidos como deveriam porque falta vontade eclesiástica por parte da mesma. Confrontação é simplesmente a atividade entre seres humanos na qual eles discordam. Era uma igreja unida em seus propósitos e se amava de verdade. em obediência ao mandado de Cristo. educação. Enquanto a confrontação é verbal. A palavra significa literalmente "testa-a-testa" . É um encontro face a face. segurança. Ou porque a liderança não se empenha. empenhemos-nos pela dignidade do povo brasileiro. essas palavras não são sinônimas. Porém. estão desafiando uns aos outros. e sim antônimas. trabalho e salário digno. mas não podemos ficar indiferentes ao que ocorre em nossa volta. um ato de violência é a indicação de que a confrontação falhou. É nesse espírito de verdadeira confrontação que a Igreja deve encarar seus desafios sociais. Os desafios eclesiais da Igreja Certamente um dos maiores desafios da igreja brasileira na atualidade é vencer seus próprios desafios.2) explica: Há muita confusão sobre a natureza da confrontação e da violência.isto é. 171. E até onde podemos e devemos ir nesta questão toda? Até onde os direitos sejam verdadeiramente assegurados. a moral dignificada. os seus e os nossos direitos: Saúde. ou porque os liderados não se envolvem na obra. com propostas terapêuticas para uma sociedade enferma. O governo tem (e como tem!) suas culpas e responsabilidades. as testas colocadas fisicamente uma contra-aoutra. Reivindiquemos. Internamente ela estava pegando fogo. jamais sairemos do lugar comum. e devido a esta discordância. Por outro lado. Portanto. Uma lição é preciso aprender com a igreja de Jerusalém. b. simplesmente criticando por criticar o governo. direto. o nome de Jesus seja glorificado. Continuaremos marcando passo. pois. desejosa de pregar o evangelho. A igreja de Jerusalém estava consciente de sua missão no mundo. procurando o fim da resolução. se não juntarmos forças. pp. De uma forma mais profunda. em sua própria natureza. Tentarei explicar esta minha tese.

daqueles que confundem inovação com inovacionismo. Pilatos. Atendeu porque a Igreja deixou de lado seus próprios interesses para servir ao mundo. aberto e amigável é a chave do sucesso. fechada em quatro paredes.2. enquanto estendes as mãos para fazer curas. mas não é tão simples assim. entendemos que estes desafios são implicações naturais para uma igreja que queira verdadeiramente cumprir sua missão integral. mas internamente muito de nossas igrejas estão enfermas. é preciso que os paradigmas sejam quebrados aos poucos. sem atropelos.externamente os desafios eram humanamente insuperáveis. Contudo. tradição com tradicionalismo. mas progressivamente. Então a Igreja orou: "agora. A reafirmação do compromisso missionário 74 . olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra. quando na verdade eram elas que deveriam estar curando! A seguir daremos duas sugestões práticas para que esse quadro sombrio possa se reverter. é a própria igreja criando obstáculos para não fazer a obra do Senhor. b. o que muito se vê. 3. à nível de igreja local. Estruturas enrijecidas pelo tradicionalismo matam ou impedem a visão de uma igreja.31). Às vezes é preciso muita coragem para mudar certos parâmetros que já não funcionam mais. E Deus atendeu ao clamor de sua Igreja (At 4. Herodes e muita gente se levantaram contra a Igreja de Deus. Uma coisa aprendi em meus poucos anos de ministério pastoral: Se a igreja não comprar a nossa idéia.30). À primeira vista parece fácil mudar aquilo que se tornou obsoleto. não será por meio de decreto conciliar que conseguiremos qualquer êxito. O que está "matando" muito crente novo (e velho também) é a igreja não-funcional. a. Um diálogo franco. Antes é preciso mudar a mentalidade dos acomodados e principalmente dos saudosistas. As idéias devem ser amadurecidas no meio da comunidade.29. Externamente desfruta-se de uma liberdade religiosa como nunca se viu. Senhor. porém. Hoje. Implicações da missão integral da Igreja As implicações que aqui abordaremos não deixam de ser verdadeiros desafios para a igreja brasileira. que se limita a suas atividades internas. sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus" (At 4. A revisão de estruturas não-funcionais O que muito tem contribuído para um mau desempenho da Igreja em sua missão integral é a falta de estruturas que funcionem. A quebra de paradigmas é uma das coisas fundamentais para que a estrutura de uma igreja se torne funcional. por uma questão de prudência e respeito àqueles que não pensam como nós.

A Igreja que troca a evangelização por qualquer outra responsabilidade social está fora de propósito e. rapidamente minguarão. filmes específicos como As Primícias. Geralmente a frieza por missões acontece por causa da rotina. Conclusão: A missão integral da Igreja é basicamente evangelização e ação social. Se a igreja chegou a se empolgar com missão algum dia. Abrange vários aspectos. Dizemos "basicamente" porque a missão integral da Igreja é na verdade universal. 5). Em segundo lugar é preciso conscientizá-la de que ela está no mundo para servir o mundo integralmente. O mais importante é que a igreja seja cientificada de que sua missão no mundo é integral. Os mitos não fazem sentido quando são resultados baratos de um reducionismo evangélico. C. Uma vez que o mal foi detectado é necessário que seja combatido com atividades variadas. com certeza produzirão novo alento. porém. é sinal que ela tem potencial para fazer. se não forem constantemente lembradas daquele compromisso. descaracterizada como igreja de Jesus Cristo. mas nunca uma opção permanente. a Igreja nunca deveria deixar se levar pela prática do paternalismo e assistencialismo paliativos. A verdadeira espiritualidade do povo de Deus se expressa em sua integralidade. Por outro lado. Etal e Atrás do Sol. Concordamos que uma igreja possa fazer uma opção temporária entre evangelizar e assistir ao necessitado. Cada igreja deve refletir sobre sua motivação em praticar evangelismo e ação social. do indivíduo e da sociedade. o que fez antes. e todas as atividades nestas direções devem estar debaixo do serviço a Deus em primeiro lugar (A. atender o indivíduo na totalidade de suas necessidades. que nenhuma igreja pense ser mais espiritual porque optou pela evangelização. p. Os mitos (pelo menos os que aqui estudamos) deturpam a missão 75 . Missão integral é uma realidade bíblica. além do auxílio de uma boa agência ou junta missionária. O ponto de partida é o parâmetro bíblico e o contexto da igreja local. Sermões e estudos bíblicos missionários. polarização entre evangelização e ação social. deveria partir sempre para uma ação social transformadora. sem data. BARRO.Aquelas igrejas que um dia receberam orientação missionária. mas sim. para a honra e glória de Deus Pai. Evangelizar é a sua qualidade primordial. Por isso mesmo. E como revitalizar uma igreja que começou com tanto entusiasmo por missões e de repente esfriou? Em primeiro lugar é preciso reconscientizar a igreja de sua missão no mundo. portanto. A mesma igreja que proclama as boas novas do reino deve ser a mesma que estende a mão ao necessitado. com a graça de Deus. Evangelizar não é simplesmente distribuir folhetos como alguns pensam. e quando se deixa de contemplar o indivíduo em sua totalidade.

1989. 1992. São Paulo: Vida Nova. _______________ . V. ed. Jorge. Quebrando paradigmas. V. Manfred. GEISLER. GOULART. São Paulo: Editora Sepal. Orlando E. Série Lausanne. 2. ________________ org. EVANGELIZAÇÀO e responsabilidade social: Relatório da consulta internacional realizda em Grand Rapids sob a presidência de John Stott. Artigo não publicado. 1998. 1994. Walter A.2. 76 . 1995. ed. BARRO. que não seja ela mesma um mito. Niterói: Vinde. v. Se queremos atentar para o ensino bíblico. CARRIKER. O cristão e a fome mundial. Compromiso y misión. São Paulo: Abba press.integral da Igreja. Anthony. Timóteo. então devemos almejar por uma igreja brasileira autêntica. 1993. C. 2. 1941. Enciclopédia histórico-teológica da igreja cristã. A ação social da igreja. KIVITZ. Ética cristã: Alternativas e questões contemporâneas. ESCOBAR. Antonio Carlos. 1979. mas a realidade bíblica de uma missão integral em nossa sociedade. São Paulo/Belo Horizonte: ABU/Visão Mundial. 1985. Missões e a igreja brasileira: A vocação missionária. Thurmon. São Paulo/Belo Horizonte: ABU/Visão Mundial. 2. Missão integral: Uma teologia bíblica. ELWELL. 1990. 1987. Londrina/Curitiba: Descoberta. E. BRYANT. 1. Samuel et al. V. Bibliografia ALLEN. A missão do povo de Deus. (editor). Tive fome: Um desafio a servir a Deus no mundo. Teses. 1988. Igreja e sociedade. Saúde integral a partir da igreja local. COSTAS. Rio de Janeiro: Juerp.3. Caio. GRELLERT. Rio de Janeiro/Belo Horizonte: Juerp/Mundo Cristão. São Paulo: Editora Mundo Cristão. Série Lausanne. Artigo não publicado. Ed René. São Paulo: Vida Nova. Norman L. Os compromissos da missão: A caminhada da Igreja no contexto brasileiro. FÁBIO.1. 1985. Um projeto de espiritualidade integral. San José: Editorial Caribe. ed.

Robert C. (2) Para um argumento interessante contra este reducionismo evangélico (a polarização teológica ente evangelização e ação social) veja Manfred Grellert (1987. 41). Série Lausanne. STEUERNAGEL. p. John R. Tetsunao et al. Parte XVI A MISSÃO DA IGREJA Uma perspectiva latino-americana Uma das questões mais cruciais da missiologia é a definição do próprio conceito de missão. 1986. 1994. Niterói: Vinde. Valdir R. org. STOTT. São Paulo: Temática Publicações. São Paulo/Belo Horizonte: ABU/Visão Mundial. MISSÃO da igreja e responsabilidade social: Teses do congresso batista de ação social. Dr. veja Francis A. A igreja e o mundo. Uma antiga abordagem foi o debate em torno de evangelização e “civilização. O cristão em uma sociedade não cristã. 41-43). 3. Diferentes autores do século XX têm procurado expressar a missão da igreja em termos de desenvolvimento. 1988. Rio de Janeiro: Juerp. ed. A missão da igreja. (3) Veja também MACEDO FILHO (In TESES. 1996. O PACTO de Lausanne. PADILLA. 1983. 33). São Paulo: Bompastor. São Paulo: Nascente. Schaeffer (Poluição e morte do homem) e Norman L.”1 Hoje é mais comum falar-se em evangelismo e responsabilidade social. ZANDRINO.. Geisler (O cristão e a ecologia). Curar também é tarefa da igreja. pp. 1988. Ricardo. 1998. diálogo inter77 . Servindo com os pobres na América Latina: Modelos de ministério integral.B. (4) Para uma compreensão importante sobre a responsabilidade da Igreja com a natureza.4. Revitalizando a igreja. 1989. Curitiba/Londrina: Descoberta. YAMAMORI. 1992. p. T. Missão integral. presença cristã. René. (1) Veja Manfred Grellert (1987. O que se deve entender por missões cristãs? Quais são a natureza e os objetivos da missão da igreja? Evidentemente essas perguntas podem receber uma grande variedade de respostas a partir de diferentes pressupostos e compromissos teológicos. V. Belo Horizonte: Missão Editora. Rio de Janeiro: Co-edição. 1987.W. MASTON.LINTHICUM.

religioso, justiça e paz, diaconia e outros conceitos. Certamente este é um assunto controvertido, mas também sumamente importante para a igreja e para os cristãos individuais. Como pode a igreja ser o que deve ser e fazer o que deve fazer se não tiver uma clara compreensão acerca do seu propósito na sociedade e no mundo? O objetivo deste estudo é abordar o tema a partir da perspectiva de Samuel Escobar, um dos mais destacados missiólogos evangélicos contemporâneos da América Latina. A escolha de Escobar justifica-se por várias razões. Ele tem um profundo conhecimento da situação religiosa, social e política da América Latina, tendo trabalhado em vários países como pastor e missionário; é um teólogo, escritor e orador extremamente articulado e criativo; tem sido um líder respeitado em círculos missiológicos e teológicos; tem estado em diálogo constante com representantes de grupos e movimentos importantes do cristianismo latinoamericano e mundial; finalmente, por vários anos ele tem sido professor em instituições teológicas norte-americanas, o que o coloca numa posição privilegiada para falar a uma audiência mais ampla e levar ao primeiro mundo uma valiosa perspectiva do terceiro mundo acerca de missões. Nossa análise começa com um retrospecto histórico da discussão missiológica protestante na América Latina. A seguir, iremos fornecer algumas informações biográficas sobre Samuel Escobar, fazer um apanhado dos principais movimentos de que tem participado e apresentar alguns dos principais temas e ênfases da sua reflexão missiológica. Ao longo dos anos, Escobar tem defendido um conceito de missão que é ao mesmo tempo bíblico, evangélico, contextual e sensível às complexas realidades espirituais, políticas, sociais e econômicas da América Latina. Criticando os modelos missionários reducionistas ou dicotômicos, ele propõe um programa que implica em levar o evangelho integral ao ser humano integral, na amplitude de suas necessidades e relacionamentos. Concluiremos o estudo acrescentando algumas de nossas próprias convicções a respeito do tema em questão, ou seja, a missão da igreja na sociedade. I. ANTECEDENTES A reflexão sistemática e abrangente sobre o trabalho missionário protestante na América Latina foi desencadeada pela célebre Conferência Missionária Mundial, realizada em Edimburgo em 1910.2 Todavia, esse estímulo ocorreu às avessas, uma vez que somente foram convidadas para a conferência as sociedades missionárias que atuavam entre povos não-cristãos.3 Isso excluiu a América Latina do âmbito daquele encontro, sendo admitidas apenas as missões que trabalhavam entre as tribos pagãs desse continente. Durante a conferência, Robert E. Speer (1867-1947), o secretário executivo da Junta de Missões Estrangeiras da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, convidou vários delegados interessados na América Latina a se reunirem informalmente para discutir como essa lacuna poderia ser suprida. Como 78

resultado desses entendimentos, realizou-se em Nova York, em março de 1913, uma conferência sobre missões na América Latina, sob os auspícios da Conferência de Missões Estrangeiras da América do Norte.4 Essa conferência criou a Comissão de Cooperação na América Latina (CCLA), tendo como presidente o próprio Robert Speer e como secretário executivo Samuel Guy Inman. Por sua vez, a CCLA patrocinou o Congresso de Ação Cristã na América Latina, reunido no Panamá em fevereiro de 1916, o maior encontro das forças protestantes desse continente realizado até aquela data. O Congresso mostrou a necessidade de maior cooperação em áreas como educação religiosa, missões, literatura e formação teológica. Mais especificamente, suas metas principais foram a evangelização das classes cultas, a unificação da educação teológica através de seminários unidos, o desejo de dar uma dimensão social ao trabalho missionário na América Latina e o esforço em promover a unidade protestante.5 Na realidade, o Congresso do Panamá foi uma reunião de representantes de juntas missionárias estrangeiras, antes que um encontro de líderes protestantes latino-americanos. Dos 230 delegados oficiais, apenas 21 eram latino-americanos natos.6 Mesmo assim, o evento produziu a primeira discussão séria do protestantismo latino-americano e estimulou a criação de órgãos cooperativos regionais em vários países. Por outro lado, o Congresso do Panamá revelou duas ênfases que se tornariam problemáticas para os evangélicos latino-americanos: uma atitude simpática para com a Igreja Católica e uma forte influência do “evangelho social.” Como resultado do encontro do Panamá, nos anos seguintes realizaram-se dois congressos missionários regionais. O primeiro, denominado Congresso de Ação Cristã na América do Sul, reuniu-se em Montevidéu, Uruguai, em 1925. Aqui, embora a participação de latino-americanos tenha sido maior (o pastor presbiteriano brasileiro Erasmo Braga foi eleito presidente do congresso), os norte-americanos ficaram a cargo da organização e presidiram todas as comissões. Finalmente, em 1929 reuniu-se em Havana o Congresso Evangélico Hispano-Americano, presidido pelo metodista mexicano Gonzalo Baez-Camargo. Desta feita, o congresso foi inteiramente organizado e conduzido por latinoamericanos e as ênfases recaíram sobre a nacionalização e o auto-sustento das igrejas evangélicas. Uma segunda série de encontros do protestantismo latino-americano foi representada por três Conferências Evangélicas continentais: CELA I (Buenos Aires, 1949), CELA II (Lima, 1961) e CELA III (Buenos Aires, 1969).7 Essas conferências estavam ligadas às denominações históricas, que rapidamente tornavam-se minoritárias no contexto geral do protestantismo da América Latina. O protestantismo ecumênico das CELAs recebia a influência do protestantismo histórico declinante do hemisfério norte, buscava aproximar-se do catolicismo posterior ao Concílio Vaticano II (1962-1965) e procurava responder à difícil situação social do continente com uma teologia radical, que eventualmente 79

identificou-se com a célebre “teologia da libertação.” A teologia da libertação adquiriu notoriedade no âmbito católico romano com a segunda assembléia da Conferência Episcopal Latino-Americana (CELAM), reunida em Medellín, Colômbia, em 1968.8 Anos antes, em 1962, os protestantes haviam criado a organização Igreja e Sociedade na América Latina (ISAL), após uma consulta realizada em Huampaní, Peru, no ano anterior. Ela tornou-se o centro de convergência dos teólogos protestantes da libertação, tendo como órgão o periódico Cristianismo e Sociedade. Em 1972, as duas correntes teológicas puseram-se em contato no I Congresso Latino-Americano de Cristãos pelo Socialismo, realizado em Santiago do Chile. Ao lado das Conferências Evangélicas continentais (CELAs) e do ISAL, o protestantismo ecumênico latino-americano criou várias estruturas paraeclesiásticas com o fim de promover os seus objetivos. Alguns organismos importantes são ou foram os seguintes: Movimento Estudantil Cristão (MEC), União Latino-Americana de Juventudes Evangélicas – depois, Ecumênicas (ULAJE), Agência de Serviços Ecumênicos Latino-Americanos (ASEL), Comissão Evangélica Latino-Americana de Educação Cristã (CELADEC), Coordenadoria de Projetos Ecumênicos (COPEC) e Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI).9 Uma característica desse protestantismo ecumênico era o crescente declínio do seu ímpeto evangelizador, em contraste com a vitalidade das igrejas vinculadas a missões independentes ou ao movimento pentecostal, que mantinham o seu vigor evangelístico apesar das debilidades da sua teologia. Do seio desse protestantismo majoritário surgiu o impulso para os Congressos LatinoAmericanos de Evangelização, que constituem a terceira das séries mencionadas acima: CLADE I (Bogotá, 1969), CLADE II (Lima, 1979) e CLADE III (Quito, 1992). O CLADE IV deverá realizar-se em setembro do ano 2000 no Equador.10 O primeiro CLADE foi organizado pela Associação Evangelística Billy Graham, sob o impulso do Congresso Mundial de Evangelização (Berlim, 1966), convocado pela revista evangélica Christianity Today. O CLADE I permitiu que líderes preocupados em relacionar a fé evangélica com a realidade latino-americana compartilhassem as suas inquietações. Para Valdir Steuernagel, esse congresso teve duas marcas distintivas: Manifestou com clareza que, na América Latina, somos e queremos ser evangélicos. E, como evangélicos, somos e queremos ser latino-americanos. Naquela ocasião e naquele contexto, tornava-se urgente que, sendo evangélicos, buscássemos uma teologia da encarnação que estabelecesse as pautas para um diálogo com a situação de sofrimento e opressão que se vivia em toda a América Latina.11 Foi no CLADE I que se articulou a criação da Fraternidade Teológica LatinoAmericana, organizada no ano seguinte em Cochabamba, Bolívia, tendo Pedro Savage como seu primeiro secretário e Samuel Escobar como seu primeiro 80

presidente. Escobar assim expressou os objetivos da Fraternidade: Desde o primeiro momento, a FTL procurou ser uma plataforma de encontro e diálogo teológico da qual participassem pastores, missionários e pensadores evangélicos, dentro do marco evangélico de uma lealdade comum à autoridade bíblica e à fé evangélica como base da reflexão e de um compromisso ativo com o cumprimento da missão cristã.12 Por sua vez, a Fraternidade Teológica Latino-Americana convocou os CLADEs posteriores, inclusive o que irá realizar-se no ano 2000.13 A Fraternidade procurou estar tão consciente da problemática social latino-americana quanto o grupo ISAL, mas ao mesmo tempo preocupou-se em abordar a questão de uma perspectiva que entendia ser mais bíblica e equilibrada. Ela é também mais representativa do protestantismo popular da América Latina que a sua congênere ecumênica. Entre os seus participantes mais destacados e influentes está o líder que é o enfoque principal deste artigo — Samuel Escobar.14 II. DADOS BIOGRÁFICOS E ESCRITOS Samuel Escobar nasceu no Peru e freqüentou uma escola missionária inglesa em Arequipa. Em 1956, ele recebeu o seu grau de mestre em artes e educação na Universidade de São Marcos, em Lima, após o que dedicou-se ao ensino nos níveis primário, secundário e superior. Em 1959 Escobar tornou-se o secretário itinerante da Fraternidade Internacional de Estudantes Evangélicos (International Fellowship of Evangelical Students) — representada no Brasil pela Aliança Bíblica Universitária —, visitando praticamente todos os países da América Latina. Ele trabalhou como missionário entre estudantes universitários na Argentina e no Brasil15 e foi diretor da Comunidade Evangélica Kairós, em Buenos Aires. Alguns anos depois, ele fez o curso de doutorado em filosofia (Ph.D.) na Universidade Complutense de Madri e eventualmente trabalhou como secretário da Fraternidade Cristã Universitária (Inter-Varsity Christian Fellowship) do Canadá, com sede em Toronto.16 Escobar foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Fraternidade Teológica Latino-Americana (1970-1984) e de 1979 a 1985 ocupou o cargo de secretário geral da Fraternidade Internacional de Estudantes Evangélicos. Nas décadas de 1960 e 1970, ele e outros teólogos latino-americanos tornaram-se bem conhecidos em círculos evangélicos e ecumênicos internacionais através de sua participação em importantes conferências. Além disso, há muitos anos ele é membro da Comissão Teológica da Fraternidade Evangélica Mundial (World Evangelical Fellowship), tendo participado de muitas de suas consultas ao redor do mundo.17 Atualmente, Samuel Escobar é presidente das Sociedades Bíblicas Unidas e professor titular de missiologia no Seminário Teológico Batista do Leste, em Filadélfia, Estados Unidos.18 Ele também leciona sobre missões em seu país natal, o Peru.

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Samuel Escobar é autor de vários livros sobre teologia e missiologia: Diálogo entre Cristo y Marx (1967), Quien es Cristo Hoy? (1970, com C. René Padilla), Decadencia da la Religión (1972), Christian Mission and Social Justice (1978, com John Driver), Irrupción Juvenil (1978), La Fe Evangelica y las Teologías de la Liberación (1987), Evangelio y Realidad Social (1988), Liberation Themes in Reformational Perspective (1989), Paulo Freire: Una Pedagogia Latinoamericana (1993), entre outros. Um dos seus livros mais recentes é Desafios da Igreja na América Latina: História, Estratégia e Teologia de Missões, publicado em 1998 pela Editora Ultimato. Escobar também escreveu diversos ensaios que foram publicados como capítulos de livros. Alguns títulos representativos podem dar-nos uma idéia de seus temas prediletos: “Social Concern and World Evangelism,” em Christ the Liberator (1971); “The Social Impact of the Gospel,” em Is Revolution Change? (1972); “Evangelism and Man´s Search for Freedom, Justice and Fulfillment,” em Let the Earth Hear His Voice (1974); “The Role of Translation in Developing Indigenous Theologies: A Latin American View,” em Bible Translation and the Spread of the Church (1990); “Latin America,” em Toward the Twenty-First Century in Christian Mission (1993); “A Pauline Paradigm of Mission: A Latin American Reading,” em The Good News of the Kingdom (1993); “La Presencia Protestante en America Latina: Conflicto de Interpretaciones,” em Historia y Misión: Revisión de Perspectivas (1994); “The Church in Latin America after Five Hundred Years” e “Conflict of Interpretations of Popular Protestantism,” em New Face of the Church in Latin America: Between Tradition and Change (1994); “The Search for a Missiological Christology in Latin America,” em Emerging Voices in Global Christian Theology (1994); “The Training of Missiologists for a Latin American Context,” em Missiological Education for the Twenty-First Century (1996); “Religion and Social Change at the Grass Roots in Latin America,”19 em The Role of NGOs: Charity and Empowerment (1997). Finalmente, seus numerosos artigos têm aparecido em renomados periódicos como Evangelical Missions Quarterly, Evangelical Review of Theology, International Bulletin of Missionary Research, Transformation, Missiology e International Review of Mission, entre outros. Uma vez mais, os próprios títulos de alguns artigos representativos dão uma clara idéia dos principais temas com os quais Escobar tem trabalhado ao longo dos anos: “The Social Responsibility of the Church in Latin America” (EMQ, 1970), “Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America” (IBMR, 1982), “Transformation in Ayacucho: From Violence to Peace and Hope” (Transformation, 1986), “Missions and Renewal in Latin American Catholicism” (Missiology, 1987), “Recruitment of Students for Mission” (Missiology, 1987), “Has McGavran´s Missiology Been Devoured by a Lion?” (Missiology, 1989), “From Lausanne 1974 to Manilla 1989: The Pilgrimage of Urban Mission” (Urban Mission, 1990), “A Movement Divided: Three Approaches to World Evangelization Stand in Tension with One Another” (Transformation, 1991), “Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological Christology” (Missiology, 1991), “Mission in Latin America: An Evangelical Pespective” (Missiology, 1992), “The Elements of Style in Crafting New International Mission Leaders” (EMQ, 1992), “500 Years after Columbus: Requiem 82

como indivíduos e como membros da sociedade. especialmente entre 1948 e 1975. e a igreja deve partilhar desse interesse de Deus. Rodger C. especialmente através dos movimentos de que participou a partir da década de 1960. tanto católica quanto protestante. ele está longe de partilhar das idéias e compromissos do fundamentalismo. leigos e líderes cristãos — a compartilhar essa visão. o ano em 83 .20 As influências recebidas por Escobar. evangélica conservadora e católica. Para ele. mostram o interesse de Deus por todas as necessidades humanas. “Missions´ New World Order: The Twenty-First Century Calls for us to Give up our Nineteenth-Century Models for Worldwide Ministry” (Christianity Today. violência política. Escobar considera sua tarefa articular essa missiologia holística e inspirar outras pessoas — estudantes. o evangelho tem relevância para a totalidade da vida. REFLEXÃO TEOLÓGICA E ENVOLVIMENTOS Samuel Escobar identifica-se como um evangélico. especialmente em um contexto de pobreza e sofrimento. “The Legacy of John Alexander Mackay” (IBMR. por um lado.or Te Deum?” (EMQ. Conseqüentemente. ajudam a entender as preocupações reveladas pelos títulos dos seus escritos. Sua identidade latino-americana também é essencial para a reflexão e os envolvimentos teológicos de Escobar. Em seu livro Mission Theology. 1994). regimes ditatoriais e caos sócioeconômico. professor e teólogo. e os ensinos e o ministério de Jesus em particular. 1998).21 Isto significa. “A Missiological Approach to Latin American Protestantism” (IRM. 1994). golpes militares. 1992). “Beyond Liberation Theology: A Review Article” (Themelios. pastores. A igreja deve proclamar Jesus Cristo como Salvador e Senhor porque os seres humanos carecem tanto de reconciliação com Deus quanto de dignidade e integridade em sua vida neste mundo. em meados da década de 60. em particular depois de 1966. Para ele. 1992). sendo bastante crítico da sua teologia/ideologia. marcado por injustiça e opressão generalizada. Escobar e alguns colegas sentiram que não era suficiente pregar um evangelho puramente espiritual. “The Whole Gospel for the Whole World from Latin America” (Transformation. Como pastor. III. Por outro lado. Tendo vivido em um período de grande turbulência na história latino-americana. os evangélicos começaram a constituir uma comunidade verdadeiramente global com uma visão abrangente de missões. Escobar tem um profundo interesse em missões. Ele observa que. que ele não tem nenhuma conexão particular com as correntes da teologia da libertação que foram e ainda são uma expressão importante da teologia latinoamericana. líder de movimentos estudantis. ele sempre interessou-se pela missão da igreja. a mensagem bíblica em geral. O evangelho tem implicações sociais e políticas revolucionárias que não podem ser omitidas. 1993). Bassham descreve o desenvolvimento das teologias de missão ecumênica.

positiva e consistente. à medida que evangélicos de todo o mundo começaram a empreender juntos uma análise da situação enfrentada por aqueles que estavam envolvidos com missões e evangelismo em todos os continentes. Nesse contexto. O Congresso Mundial de Evangelização (Berlim. o principal forum internacional em que se ouviu a voz de Escobar foi o Congresso Internacional de Evangelização Mundial (Lausanne. Ele exortou os missionários a superar a mentalidade paternalista. Estados Unidos.24 Na convenção de 1970. 1966). Bassham identifica vários desdobramentos importantes: os primórdios de uma teologia evangélica de missão altamente representativa (a Declaração de Wheaton). Escobar falaria apaixonadamente sobre a necessidade de se estabelecer uma relação entre as preocupações sociais e a evangelização mundial. diversidade de perspectivas e profundidade de análise jamais alcançado anteriormente em uma assembléia evangélica. à medida que os participantes se debatiam com as questões da teologia de missão no mundo contemporâneo. Escobar foi ouvido pela primeira vez por grandes audiências internacionais nas convenções da Fraternidade Cristã Universitária realizadas em Urbana. nos anos 60. o Pacto de Lausanne demonstra que “os evangélicos desenvolveram uma teologia de missão amadurecida. dotadas de uma liderança nacional bem-treinada. No Congresso Mundial de Evangelização (Berlim.25 No entanto.22 Os congressos de Wheaton e Berlim marcaram um novo estágio na emergência de uma identidade evangélica. Bassham observa que “as apresentações e discussões de Lausanne mostraram um espírito de abertura. 1966) – a primeira grande reunião mundial de evangélicos no século XX – também estimulou congressos regionais de evangelização em vários continentes.”26 Uma das grandes influências nas deliberações do congresso veio através das contribuições de 84 . Escobar estava entre os muitos líderes do terceiro mundo que falaram enfaticamente em prol das igrejas nativas. 1974). e capazes de atuar eficazmente em seu contexto local. imperialista e colonialista.que eles patrocinaram duas grandes conferências mundiais sobre missões e evangelização. a luta em torno da relação entre evangelização e ação social. Estes por sua vez contribuíram para o Congresso Internacional de Evangelização Mundial (Lausanne. que evocou manifestações de opinião de toda a comunidade evangélica. e o crescente número de vozes evangélicas provenientes de fora da América do Norte. a fim de permitir o surgimento de igrejas nativas alicerçadas na fé. o forte impacto do conceito de “crescimento da igreja” sobre a teologia evangélica de missões. Ele e outros oradores da América Latina desafiaram os evangélicos norte-americanos a reconhecer a necessidade de promover justiça social e reformas políticas como parte dos seus deveres como cristãos. 1974). Para Bassham.”23 Em todos esses acontecimentos importantes houve uma decidida participação de teólogos latino-americanos. Samuel Escobar estando entre eles.

cor. sexo ou idade. Também aqui manifestamos o nosso arrependimento. demonstrando que o evangelismo bíblico é inseparável da responsabilidade social. a singularidade de Cristo e a necessidade da evangelização.28 85 . Orlando Costas e Samuel Escobar proferiram as declarações mais fortes no sentido de que a preocupação com as necessidades sociais da humanidade e o envolvimento com as mesmas é uma parte necessária do testemunho e da responsabilidade dos cristãos em favor do mundo. Bassham cita as seguintes afirmações de Escobar: Uma espiritualidade sem discipulado nos aspectos diários da vida — sociais. Lausanne abordou o tema abrangente da evangelização mundial. Portanto. através do grupo de Discipulado Radical. é religiosidade e não cristianismo.. acentuando a autoridade da Bíblia. devemos partilhar da sua preocupação com a justiça e a reconciliação em toda a sociedade humana e com a libertação dos homens de todo tipo de opressão. é o interesse pela integridade do Evangelho que nos motiva a acentuarmos a sua dimensão social. nem a libertação política seja salvação. O Pacto de Lausanne foi muito além das declarações evangélicas tradicionais. devemos rejeitar a falsa noção de que a preocupação com as implicações sociais do evangelho e as dimensões sociais do testemunho cristão resultam de uma falsa doutrina ou de uma ausência de convicção evangélica. toda pessoa. até mesmo ao ponto de se esforçarem pela mudança das estruturas sociais. cultura. De uma vez por todas. Ao contrário. Embora a reconciliação com o ser humano não seja o mesmo que a reconciliação com Deus.27 Muitas vezes durante o congresso os participantes afirmaram ter um interesse profundo e permanente pela ação social em favor dos pobres e necessitados. todavia afirmamos que tanto a evangelização como o envolvimento socio-político são parte do nosso dever cristão. e não explorada. econômicos e políticos —. tem uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida. O impacto de líderes como Samuel Escobar e C. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus. ela também produziu algumas mudanças bemdefinidas na teologia evangélica de missões.. Em seu capítulo sobre a “Responsabilidade Social Cristã. Enquanto que a orientação teológica de Lausanne permaneceu firmemente evangélica.oradores do terceiro mundo. classe. do discipulado cristão e da renovação da igreja. René Padilla. não importa qual seja a sua raça.” o Pacto de Lausanne declara: Afirmamos que Deus é tanto o Criador como o Juiz de todos os homens. nem a ação social seja evangelismo. Oradores latino-americanos como René Padilla. referindo-se com isso ao ministério e à missão total da igreja. tanto pela nossa negligência quanto por às vezes termos considerado a evangelização e a preocupação social como mutuamente exclusivas. religião. foi de especial importância.

Em sua opinião. três anos antes.33 O próprio Escobar acha que o seu modelo pode ser melhor descrito como “holístico..”34 Ele argumenta que os evangélicos latino-americanos escolheram o Pacto de Lausanne como uma expressão do seu consenso doutrinário básico e do seu claro compromisso com um modelo de missão integral e bíblico. do homem e do mundo. além do CLADE I. René Padilla. evangélicos.29 Dentre os 28 discursos principais. Colômbia). essa terceira busca tem assumido várias formas. que trai o ensino bíblico e não segue o modelo proposto por Cristo. de Jesus Cristo. Apesar das diferenças existentes entre os dois movimentos. que envia o evangelista. injustiça. de uma expressão mais autêntica de unidade cristã no empreendimento missionário e de uma reflexão missiológica mais séria e profunda. Samuel Escobar teve uma importante participação no Primeiro Congresso Latino-Americano de Evangelização (CLADE I. 1969). a sua apresentação sobre a responsabilidade social da igreja recebeu a atenção mais entusiástica. uma das quais é o modelo ético-missiológico — missão da perspectiva de questões éticas — articulado por.35 Em um capítulo sobre a América Latina que escreveu para o livro Toward the 86 . é levar às suas últimas conseqüências os ensinos a respeito de Deus.No âmbito continental.” Os participantes afirmaram que “o exemplo de Cristo devia ser encarnado na crítica situação latino-americana de subdesenvolvimento. que formam a base desse Evangelho. entre outros. levarmos a sério a nossa responsabilidade social.31 Essa ênfase achou lugar na Declaração Evangélica de Bogotá.”32 se os cristãos quisessem testemunhar fielmente em seu contexto sócio-cultural. pelo contrário. Costa vê nos documentos de ambos os eventos a emergência de novas tendências missiológicas caracterizadas por um tríplice interesse: a busca de um entendimento histórico de missões. os protestantes latino-americanos realizaram ainda outra grande conferência – a Conferência Evangélica LatinoAmericana (CELA III). Bogotá. Naquele ano. Ele argumentou eloqüentemente que tanto a evangelização quanto a ação social são necessárias para o testemunho cristão.30 Escobar afirmou a certa altura: Existe base suficiente na história da Igreja e nos ensinamentos da Palavra de Deus para afirmar categoricamente que a preocupação pelo aspecto social do testemunho evangélico no mundo não é um abandono das verdades fundamentais do Evangelho. que afirmou: “É chegada a hora de nós. Sustentamos que uma evangelização que não toma conhecimento dos problemas sociais e que não anuncia a salvação e a soberania de Cristo dentro do contexto no qual vivem os que ouvem. em Buenos Aires.. fome. é uma evangelização defeituosa. em Medellín. Orlando Costas comenta que 1969 foi para os protestantes o que 1968 havia sido para os católicos (II Conferência Episcopal Latino-Americana. planejado em resposta a pedidos de delegados latino-americanos presentes no Congresso de Berlim. violência e desespero. Samuel Escobar e C.

Ele preocupa-se com a “missiologia gerencial” que dá ênfase à proclamação verbal e ao crescimento numérico de adesões à igreja como o principal componente das missões cristãs. ambas realizadas no Brasil. somente em seu nome há salvação para a humanidade. pois operavam com uma noção bíblica holística do ser humano. Ele observa que os grandes missionários dos primeiros 1800 anos da igreja dificilmente fariam a distinção entre “espiritual” (evangelização) e “o resto. 1976). Assim sendo. Escobar acredita que o êxito do avanço protestante na América Latina deve ser interpretado fazendo-se perguntas sérias sobre o seu dinamismo transformador e a sua contribuição para a justiça nas relações sociais. ele concorda integralmente com dois pontos do apelo de McGavran: primeiro. Escobar é um crítico rigoroso do movimento do Crescimento da Igreja. Eles não procurariam estabelecer prioridades nesses termos.37 Por essa razão. Escobar argumenta que o grande dilema para o qual a missiologia deve estar alerta é diferente: A obra missionária será realizada segundo o modelo de Jesus e a prática apostólica. e essa singularidade de Jesus Cristo é essencial para a mensagem da igreja. cujo pacto manteve a ênfase de Lausanne sobre a preocupação social como parte da missão da igreja: “Assim como no passado o chamado de Jesus Cristo e da sua missão foi um chamado para cruzar fronteiras geográficas. O que o movimento do Crescimento da Igreja necessita é o corretivo de uma sólida teologia bíblica.39 Em resposta a um artigo de McGavran. Uma delas foi o Primeiro Congresso Missionário Latino-Americano (Curitiba.Twenty-First Century in Christian Mission (1993). 1987) deixou de abordar conceitos básicos do entendimento de missões. inclusive a clamorosa realidade de pobreza que circundava o próprio local em que se reuniram os delegados. como evangélico.” que McGavran faz. mas também o esforço consciente de executar essa tarefa segundo moldes bíblicos. hoje o Senhor está nos chamando para cruzarmos as fronteiras da desigualdade. Escobar afirma que. Escobar menciona duas outras conferências missionárias latino-americanas. São Paulo.40 O que Escobar questiona é se uma pessoa pode realmente evangelizar anunciando a Cristo como Salvador e então deixar a questão do senhorio de Cristo sobre toda a criação para uma segunda etapa. Segundo. iniciado por Donald McGavran em 1960.38 Ele acha que a base desse questionamento tem sido o compromisso claro com a tarefa de missões e evangelização. ou irá adotar as técnicas e padrões da sociologia 87 .”36 Todavia. que poderá nunca chegar. testemunha-se o surgimento de uma nova teologia contextual que conclama à “integridade” da missão e procura associar o zelo evangelístico com a paixão holística. porque Jesus Cristo é Senhor. ele lamenta o fato de que o Congresso Missionário Ibero-Americano (COMIBAM. a igreja nunca deve perder o seu senso de missão e do seu chamado para proclamar a Jesus Cristo como Salvador e Senhor. Reagindo contra o triunfalismo fácil das estatísticas e a tirania do controle de dados. injustiça e idolatria ideológica.

A missiologia evangélica deve avaliá-la.44 Em décadas recentes. o evangelho era a verdadeira força libertadora nas vidas dos latino-americanos. no início das missões protestantes na América Latina. mobiliza as pessoas para a missão e cria um senso de comunidade. um na área da consciência histórica e o outro na da hermenêutica. Com relação ao primeiro. Ele admite que a hermenêutica evangélica necessitar ser constantemente purificada de pressuposições ideológicas. ele aborda esse movimento na qualidade de “um observador-participante. Escobar diverge da escola do Crescimento da Igreja. à medida que a Igreja Católica Romana latino-americana buscou nova relevância social e política. Ele admite: “Nós não mais podemos aceitar uma missiologia que recusa-se a levar a sério as realidades políticas e sociais.funcionalista."43 Ele observa que alguns pentecostais latino-americanos também escolheram o Pacto de Lausanne como expressão do seu compromisso com um modelo de missão holístico e bíblico. do marketing e das relações públicas?41 Compreensivelmente. alcançar dignidade humana e sobreviver ao impacto das forças anômicas que atuam nas grandes cidades. por um lado.”46 Na área da hermenêutica. mas a única maneira disponível de encontrar aceitação social. Ele observa como. e a religião oficial uma força opressora. Escobar entende que a Teologia da Libertação é uma voz eloqüente que procura reinterpretar a história cristã e a mensagem cristã. e apela a uma genuína cristologia missiológica que. Escobar vê com apreciação o dinamismo e o crescimento do protestantismo popular (pentecostalismo) na América Latina.”42 Ele destaca várias lições missiológicas que podem ser extraídas do impressionante crescimento do pentecostalismo latinoamericano: é um movimento religioso (e não social ou político). Se. Escobar e os seus colegas 88 . Como evangélico. a Teologia da Libertação foi uma das conseqüências desse processo. embora Escobar considere inadequadas a análise marxista e a “escatologia” da Teologia da Libertação.”47 Contra o Cristo “docético” do catolicismo latino-americano tradicional. é um movimento popular. enfatize “o discipulado cristão como algo que implica em colocar a totalidade da vida debaixo do senhorio de Jesus Cristo. alguém que tem procurado ser um crítico e intérprete amoroso – um crítico severo em alguns pontos – do lado de dentro.45 A Teologia da Libertação confronta a missiologia evangélica com dois desafios. Escobar declara que "para as massas em transição. essas igrejas estão oferecendo não somente um abrigo ou refúgio no sentido mais limitado. por outro lado ele não sente entusiasmo pela Teologia da Libertação. ele admite que a missiologia evangélica está aprendendo a encarar a história missionária com uma atitude menos ingênua e mais madura. nas palavras de René Padilla. Escobar reafirma a ênfase evangélica na centralidade da Escritura e questiona a abordagem fortemente ideológica da interpretação bíblica demonstrada pelos teólogos da libertação.

Nessas igrejas do hemisfério sul.”49 Ele argumenta que seria grandemente desejável para a globalização das missões e da teologia evangélica se as diferentes correntes missiológicas do evangelicalismo (européias.”50 Em sua obra publicada recentemente em português. Essa reflexão inclui uma crítica do cristianismo evangélico na América Latina. ele destaca a importância do treinamento de missionários e missiólogos para o contexto latino-americano. ele argumenta que “nosso programa de treinamento na América Latina precisa ser elaborado com base em convicções bíblicas. as igrejas dos pobres. O material bíblico é abordado a partir de várias perspectivas possuidoras de significado missiológico. Há uma séria reflexão acerca daquilo que os evangelhos dizem sobre a pessoa e a obra de Jesus de Nazaré. mesmo que essa leitura signifique um exame incômodo e sério da herança evangélica. há uma busca do significado e da “integridade” do evangelho — Jesus Cristo é tanto o conteúdo quanto o modelo e o alvo da proclamação do evangelho. e como ele o está fazendo. Além disso. Nesse sentido. experiência de vida. Deus está despertando uma nova força missionária. consciência histórica e preocupação pastoral. mas é totalmente incapaz de relacionar o Evangelho com a ética social e a vida social. tanto individual quanto social. especialmente nas fronteiras de missão. mencionada no início deste trabalho. Inicialmente. Em um artigo sobre a preparação de líderes de missões. com o entendimento de que ser seu discípulo é ser chamado por ele tanto para conhecê-lo quanto para participar da sua missão. crescimento da igreja. Escobar aborda em cinco ensaios algumas de suas preocupações mais fundamentais. Ele observa que tal missiologia “é caracterizada por uma forte ênfase hermenêutica que insiste na importância de ler o mundo e ler a Palavra. sobre como a sua obra e ensino são relevantes para todas as áreas da vida. Escobar cita novamente seu amigo René Padilla: “(O evangelicalismo) afirma o poder transformador de Cristo em relação ao indivíduo. mas também da África e da Ásia. Há também uma preocupação quanto às marcas da missão de Jesus. Escobar identifica essa reflexão missiológica que está vindo não só da América Latina.”48 Essa missiologia cristológica busca um novo modelo para inspirar e moldar a ação missionária.”51 Mais uma vez ele expressa o seu entusiasmo pelo protestantismo popular (pentecostalismo) devido a sua ênfase na mobilização 89 . como uma missiologia crítica da periferia. terceiro mundo) pudessem convergir em um movimento mais articulado e cooperativo para enfrentar a tarefa missionária do terceiro milênio. Escobar observa que a internacionalização das missões cristãs implica em reconhecer que Deus tem levantado igrejas grandes e florescentes no terceiro mundo. e vamos unirnos aos nossos irmãos e irmãs a fim de completarmos a tarefa inacabada.da Fraternidade Teológica Latino-Americana têm refletido sobre o Jesus dos evangelhos. Escobar gostaria de ouvir as igrejas norte-americanas dizerem: “Vamos descobrir o que Deus está fazendo em outras partes do mundo.

os reformados têm acentuado um conceito abrangente acerca da missão da igreja. uma vez que está filiado à Igreja Menonita. REFLEXÕES FINAIS Samuel Escobar não se identifica como um reformado ou calvinista. Sua biografia e envolvimentos revelam uma conexão preponderante com a tradição anabatista. algumas de suas suas ênfases certamente contariam com o aval de João Calvino e de muitos dos seus seguidores. muito embora as suas práticas nem sempre tenham correspondido às suas convicções. Para superar esses problemas ele novamente propõe o modelo de missão integral.”52 Ao mesmo tempo que expressa sua admiração pelas igrejas populares. suas formas contextualizadas de culto e ação missionária e o destaque dado ao ministério do Espírito Santo e ao elemento de conflito espiritual relacionado com a missão da igreja. elas enfrentam os riscos do excesso de individualismo.53 Finalmente. Isso tem levado Escobar. que vai além da experiência religiosa pessoal para incluir a comunidade e o mundo. vemos uma preocupação constante com as implicações sociais e comunitárias do Evangelho. Na realidade. em anos recentes. o nosso continente testemunha o crescimento cada mais acentuado de uma 90 . a dar uma grande ênfase ao papel do Espírito Santo nas missões cristãs. com sua ênfase na conversão de indivíduos ao evangelho. Ásia e América Latina). Escobar alerta os cristãos evangélicos para a necessidade de um constante processo de encarnação e contextualização que rejeita toda e qualquer forma de paternalismo e discriminação. Ele encarece a necessidade de uma espiritualidade profunda aliada a uma preocupação igualmente intensa com as exigências éticas do evangelho.54 Historicamente. cartas. alguns pontos da sua missiologia merecem reparos. Nos escritos do grande reformador. e conclui com uma análise do modelo missionário de Paulo. falta de uma eclesiologia clara e atitudes sectárias.dos leigos. a partir da sua própria comunidade local. Escobar reconhece que. Ainda que isso não deixe de ser importante. ao lado da sua anterior ênfase cristocêntrica. Não obstante. ele aponta que os evangélicos latino-americanos têm maior afinidade com os pietistas. morávios e avivalistas dos séculos XVIII e XIX do que com os reformadores do século XVI. como a sua ênfase quase que exclusiva sobre as massas empobrecidas da América Latina como objeto da ação missionária da igreja. Não precisamos concordar com tudo o que Samuel Escobar tem escrito. fato que tem sido amplamente documentado por diversos pesquisadores. sermões ou nas Institutas. Ele entende que “os evangélicos latino-americanos necessitam de um impulso renovado do Espírito Santo e de uma leitura nova e contextual da Palavra de Deus. seja em seus comentários. com sua notável interação entre reflexão e ação missionária. Após salientar o “fator novo” na história do cristianismo que é a transferência do dinamismo missionário para o hemisfério sul (África. espírito de competição.

notadamente nas áreas doutrinária e ética. que falam com convicção. que busca a humanidade com amor e compaixão. da abolição da escravatura. especialmente como reveladas no seu Filho. devemos levar a sério os desafios desses líderes. da reforma das prisões. Os conservadores em grande parte aferraram-se à idéia de que a missão exclusiva da igreja é a evangelização. coerência e clareza sobre a necessidade de um entendimento abrangente da tarefa da igreja no mundo. optaram decididamente por atividades de cunho social. pois que a igreja cristã em geral e as igrejas evangélicas de modo particular têm uma longa e honrosa tradição de “missão integral” ao mundo. evangélica e igualmente radical em suas implicações. na Europa e nos Estados Unidos. as igrejas e cristãos individuais estavam na vanguarda de movimentos em prol da extinção do tráfico negreiro. A Bíblia fala de um Deus que toma a iniciativa. da luta contra o trabalho infantil. Escobar e seus colegas têm algo importante a dizer às igrejas evangélicas históricas da América Latina e do Brasil. Eles demonstraram que as igrejas podem permanecer fiéis às suas convicções históricas e ao mesmo tempo adotar uma postura ousada e coerente em relação aos problemas sociais. Escobar tende a superestimar os valores positivos das igrejas populares. ao passo que os liberais. produziram a concepção dicotômica da missão da igreja que hoje observamos. como é caso de alguns recentes movimentos neopentecostais. Como cristãos brasileiros preocupados tanto com a missão da igreja quanto com as difíceis realidades sócio-econômicas de nosso país. Ao lado disso. como agente e instrumento de Deus. ideológicas e sociais. muitos cristãos aderiram à agenda revolucionária da Teologia da Libertação. do combate ao alcoolismo e de tantas outras causas nobres. Isso foi ilustrado de maneira extraordinária por 91 . Não obstante. a atitude e as ações de Deus em relação ao mundo. Jesus Cristo. que realmente correm o risco de tornar-se irrelevantes na sociedade caso não despertem para algumas dolorosas realidades que existem ao seu redor. quando nosso continente foi sacudido por profundas convulsões políticas. dando pouca atenção a alguns sérios problemas apresentados pelas mesmas.classe média significativa que também deve ser alvo do interesse da igreja. Como Escobar destaca. Samuel Escobar e seus companheiros da Fraternidade Teológica LatinoAmericana fizeram um esforço sério no sentido de apresentar uma alternativa a essa teologia que fosse bíblica. Basta lembrarmos o intenso esforço de missões e de reforma social gerado pelos grandes despertamentos dos séculos XVIII e XIX. que quer dar vida e dignidade à sua criação. Tal ocorrência seria um retrocesso histórico lastimável. Ao mesmo tempo que enviavam pregadores do evangelho para todos os quadrantes do mundo. Infelizmente. tendo como alvo a conversão individual. no início deste século. poucos afeitos à pregação do evangelho. as disputas teológicas tão bem exemplificadas pela controvérsia modernistafundamentalista nos Estados Unidos. Num período conturbado da história recente da América Latina. são o nosso grande paradigma de missão.

Ver. o importante livro de William R. O Cristo do Novo Testamento interessa-se por todas as necessidades humanas — espirituais. e a tenham em abundância. Tudo deve ser colocado debaixo do propósito e do senhorio de Deus. necessariamente fará com que a igreja enfrente as diferentes situações que afetam a vida humana neste mundo caído. estatísticas e resultados rápidos não deve cegar a igreja para a integridade da missão. “Ecumenical Bearings of the Missionary Movement and the 92 . esses sublimes ideais nem sempre encontram plena expressão nas vidas diárias dos cristãos e das igrejas. em seu ministério terreno. a esse respeito.” A igreja não deve ser reduzida a uma organização social ou a um grupo de pressão política como tantos que existem na sociedade. vamos concentrar os nossos esforços no que é primordial – a evangelização – e as outras preocupações cuidarão de si mesmas.” publicado em Vox Scripturae 8/1 (Julho 1998): 95-111. Inevitavelmente é levantada a questão das prioridades: uma vez que não podemos fazer tudo que Deus espera que façamos. Desde uma perspectiva evangélica. À medida que a igreja evangeliza. as famílias e as comunidades à reconciliação e nova vida em Jesus Cristo – certamente é básica e essencial. Todavia. eram provenientes do movimento cristão de estudantes. Ele instruiu os seus seguidores a continuarem a sua obra de proclamação do reino (Jo 20.: O presente estudo é uma versão ampliada do artigo “Samuel Escobar e a Missão Integral da Igreja: Uma Perspectiva Latino-Americana. Obs. Por causa do seu forte senso de missão. Ela é uma instituição singular. a evangelização – convidar os indivíduos. quando. É para essas implicações mais amplas do evangelho e da missão da igreja que cristãos comprometidos e inquiridores como Samuel Escobar chamam a nossa atenção. Oldham. o propósito total de Deus para a humanidade e para a comunidade redimida. muitas vezes. praticidade ou. Essa mensagem. Latourette. ela também precisa expressar o interesse de Deus por toda a vida e espelhar a atitude daquele que disse: “Eu vinham para que tenham vida. a preocupação com prioridades. A Conferência de Edimburgo é considerada o berço do moderno movimento ecumênico. Evidentemente. a sua mensagem e ações desafiam todas as áreas da vida particular e coletiva. Mott e Robert E.Jesus. como Joseph H. Jesus lutou e morreu na cruz. Speer. com uma contribuição e uma mensagem singular. Ver Kenneth S. 1987). manifestou o interesse de Deus por todos os tipos de pessoas e pela pessoa integral. Errand to the World: American Protestant Thought and Foreign Missions (Chicago: The University of Chicago Press. Seus líderes.21s). John R. O reino de Deus e seus novos valores devem ser manifestos em todos os tipos de relacionamentos humanos. Hutchison. físicas e emocionais. se vivida até as suas últimas conseqüências.

Outros membros bem conhecidos da Fraternidade Teológica são C. Escobar. “Los ‘CLADEs’ y la Misión de la Iglesia. 3ª ed. um velho Catalina da Panair. “Panamá 1916 y su Impacto sobre el Protestantismo Latinoamericano. José Porfirio Miranda. Rolando Gutiérrez. o órgão cooperativo correspondente ao CLAI é a Confraternidade de Evangélicos da América Latina (CONELA). 35. 353-402 (Genebra: World Council of Churches. ed. Neill. Os critérios de seleção procuram ser os mais abrangentes possíveis em termos de faixas etárias dos participantes. 1952). Das três CELAs..” Pastoralia 1/2. Hugo Assmann. Entre os latino-americanos presentes no congresso estavam apenas três brasileiros. com seus enormes problemas sociais e suas dinâmicas igrejas populares.” em A History of the Ecumenical Movement: 1517-1948. Os próprios locais dessas conferências e congressos são reveladores. Daí o subtítulo utilizado: “Para considerar os problemas missionários relativos ao mundo não-cristão. Ver Samuel Escobar. O historiador Sidney Rooy identifica uma seqüência de três séries ou ciclos de encontros do protestantismo latino-americano.” Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). Cheguei de avião. duas realizaram-se na cosmopolita e culta Buenos Aires. no campo protestante destacaram-se José Miguez Bonino e Rubem Alves. Jon Sobrino. entre outros. Nelson. Álvaro Reis e Erasmo Braga. os presbiterianos Eduardo Carlos Pereira. “Los ‘CLADEs’ y la Misión de la Iglesia. 20. enquanto que todos os CLADEs ocorreram nos países andinos. René Padilla. autor de Uma Teologia da Libertação (1971).” Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). 13. Erasmo eventualmente tornou-se o secretário da Comissão Brasileira de Cooperação. apaixonei-me por esse imenso país. Em 1959 e 1960 percorri como evangelista e discipulador um bom número de centros universitários. de Iquitos.International Missionary Council. Núnez e o brasileiro Valdir Steuernagel. até Manaus. eds. até chegar a 93 . metade das inscrições é reservada para participantes pentecostais. John Kessler e Wilton M. Iglesia y Misión 67/68 (Jan-Jul 1999). Hogg. Neste último aspecto. identidade étnica e filiação eclesiástica. Ecumenical Foundations: A History of the International Missionary Council and its Nineteenth-Century Background (Nova York: Harper and Brothers. Emílio A. 1986). Dali percorri o Norte e o Nordeste. Sobre a sua relação com o Brasil. na selva peruana. Um dos primeiros e mais importantes articuladores dessa teologia foi o sacerdote peruano Gustavo Gutiérrez. em 1953. como jovem delegado peruano a um congresso mundial da juventude batista. Ruth Rouse e Stephen C. Tito Paredes. sexo. entidade que promoveu o maior esforço cooperativo até hoje empreendido pelas igrejas evangélicas brasileiras e foi precursora da Confederação Evangélica do Brasil. 131-32. Citado por Tito Paredes em “Visión Histórica de los ‘CLADEs’. especial (Novembro 1978): 521. Henrique Dussel e Leonardo Boff.” William R. Entre os evangélicos conservadores.” 22. Outros nomes importantes no campo católico são Juan Luis Segundo. o próprio Escobar afirma em uma obra recente: “Desde a minha primeira visita ao Brasil.

“Transformação em Ayacucho: da violência à paz e esperança”.” Escobar também leciona no curso de Administração do Eastern College. culturais e tecnológicos. como ocorre nos Estados Unidos. David Bosch 94 . Também publicado em Annals of the American Academy of Political & Social Science 554 (Nov 1997). em março de 1998. “500 anos após Colombo: Requiem ou Te Deum?”. um órgão de exposição do pensamento evangélico. “A missiologia de McGavran foi devorada por um leão?”. em 1982 Escobar participou da Consulta de Teólogos do Terceiro Mundo. Por força de suas ocupações. órgão oficial da referida Comissão Teológica. na Coréia do Sul. em nível de pós-gradução.” Evangelical Review of Theology 7. Desafios da Igreja na América Latina: História. “A Latin American Critique of Latin American Theology. Por exemplo. A revista Evangelical Review of Theology. “O evangelho inteiro para o mundo inteiro a partir da América Latina”. Por exemplo. “Um movimento dividido: três abordagens da evangelização mundial permanecem em tensão entre si”. Mackay”. “O legado de John A. “De Lausanne 1974 até Manilla 1989: a peregrinação da missão urbana”. publicou os trabalhos apresentados nessa consulta. trabalhei como missionário na frente estudantil. um deles escrito por Escobar e três colegas latinoamericanos. onde. esta é a tradução dos títulos dos artigos de Escobar: “A responsabilidade social da igreja na América Latina”. Ver Samuel Escobar. 11. “Além da teologia da libertação: missiologia evangélica na América Latina”. historicamente. e diretor de Pensamiento Cristiano. “Além da teologia da libertação: artigo-resenha” e “Uma abordagem missiológica do protestantismo latino-americano. 1997). nos primeiros anos da Aliança Bíblica Universitária. Mais recentemente. “o missiologista Samuel Escobar disse que um conceito holístico de missão conclama os cristãos a compartilhar tanto a vida espiritual quanto recursos materiais e a utilizar instrumentos espirituais. em distinção dos progressistas ou liberais. MG: Editora Ultimato.” Samuel Escobar. o termo “evangélico” tem sido virtualmente sinônimo de “protestante.São Paulo. “Missão na América Latina: uma perspectiva evangélica”. nº 1 (abril 1983): 48-62. publicado na Argentina. Estratégia e Teologia de Missões (Viçosa. uma revista para estudantes universitários. entre 1962 e 1964.” os estudiosos estão utilizado o anglicismo “evangelical” para designar especificamente os evangélicos conservadores. Escobar participou de uma conferência sobre economia e missões promovida pelo Concílio de Ministérios Internacionais das igrejas menonitas norteamericanas. “A nova ordem mundial das missões: o século XXI nos conclama a abandonarmos nossos modelos de ministério mundial procedentes do século XIX”. Para os leitores não familiarizados com o inglês. Pedro Arana. Escobar também foi responsável por vários periódicos. ele foi editor de Certeza. “Teologia evangélica na América Latina: o desenvolvimento de uma cristologia missiológica”. Segundo o Mennonite Brethren Herald. realizada em Seul. “O recrutamento de estudantes para missões”. Valdir Steuernagel e Rodrigo Zapata. “Missões e renovação no catolicismo latino-americano”.” Como no Brasil. “Elementos de estilo na formação de novos líderes missionários internacionais”. Seu papel principal é ajudar os estudantes a considerar as missões cristãs no contexto da justiça econômica.

Harvie M. 22. o surgimento de uma “teologia nacional” entre os evangélicos latino-americanos. Samuel Escobar. “Latin America.html. “Mission in Latin America: An Evangelical Perspective. os delegados colocaram-se de pé e demonstraram a sua aprovação aplaudindo-o entusiasticamente. “Missiology in Contemporary Latin America: A Survey. Quando Escobar concluiu sua palestra. procura tratar tanto a mente como o corpo. Samuel Escobar. 1984).” em Missions and Theological Education in World Perspective.” Missiology 20 (Abril 1992). e (6) evangelicais ecumênicos (como John Stott. (2) evangelicais separatistas (como Carl McIntire e o seu Concílio Internacional de Igrejas Cristãs). 25. 104. Evangelical. Orlando Costas. John Stott.. Califórnia: William Carey Library. 187. O COMIBAM deu uma forte ênfase à segunda vinda de Cristo. (3) evangelicais por confissão (como Peter Beyerhaus). por exemplo. 231. “Has McGavran´s Missiology been Devoured by a Lion?” Missiology 17 (Julho 1989). Festo Kivengere e Arthur Glasser).. Ibid. Ver Internet.menciona pelo menos seis tipos básicos: (1) novos evangelicais (como Billy Graham).. Ver Samuel Escobar.. 349-350. 131. (4) evangelicais pentecostais e carismáticos. Bassham. Coote (Grand Rapids: Eerdmans. Bassham. 1970). Romen (Farmington. (5) evangelicais radicais (como Samuel Escobar. Phillips e Robert T. The Lausanne Covenant: An Exposition and Commentary (Minneapolis: World Wide. A medicina holística. Um bom exemplo das idéias de Escobar acerca da evangelização pode ser encontrado no seu artigo “Vivir y Evangelizar. and Roman Catholic (Pasadena. 350.. que tentam unificar todos os evangelicais. 295. 237. ed.. Bassham. 95 . ed. Ibid. Ibid. Mission Theology. Desafios da Igreja.br/cem/postura. Escobar atribui ao CLADE I.” em Toward the Twenty-First Century in Mission. René Padilla e Orlando Costas). Samuel Escobar. tratamento ou divisão em partes. 133. Tópicos do Momento 3 (São Paulo: Vida Nova. Michigan: Urbanus. 244. 1979). “Holístico. 1975). Ibid. “completo”). A Responsabilidade Social da Igreja. 225.homenet. Esse congresso foi o berço da Fraternidade Teológica Latino-Americana. Mission Theology: 1948-1975 – Years of Worldwide Creative Tension – Ecumenical. 291. Rodger C. Ibid. Ibid. A palestra foi publicada na íntegra por Edições Vida Nova. 7-8. James M.. em contraste com a análise. Ibid.com. www. 1993). Conn e Samuel F. que recebeu 920 delegados de 25 países. Ibid.” do grego hólos (“inteiro”. Mission Theology.” em Pensamiento Cristiano 93 (Março 1978): 170-175. 262. denota o que diz respeito a totalidades ou sistemas completos.

Escobar participou de mais uma consulta da Comissão Teológica da Fraternidade Evangélica Mundial. 110. “Anômicas” deriva de “anomia. Outros se arrepiam imediatamente quando ouvem falar do assunto.” 134. O Pensamento Econômico e Social de Calvino. Desafios da Igreja na América Latina. 69-88. no decorrer dos anos.” Escobar foi o autor de um dos seis estudos apresentados ao plenário. “Latin America. realizada em Londres de 9 a 14 de abril de 1996.. É o caso de André Biéler. Samuel Escobar.Escobar."(1) Talvez não se expressem exatamente com estas palavras. Ibid. Não seria melhor evitar o assunto? Neste artigo estudaremos um pouco da história para ver se podemos descobrir algumas lições para os dias de hoje. Ibid. e “Jonathan Edwards: Teólogo do Coração e do Intelecto.. 72-87 Parte XVII APRENDENDO DA HISTÓRIA DOS AVIVAMENTOS Estamos vivendo numa época em que muitos membros das nossas igrejas oram: "Aviva a tua obra. Desafios da Igreja na América Latina. 316. Ver também.. Mas avivamento? Já passamos por tanta confusão. 7.” International Bulletin of Missionary Research 6 (Julho 1982). tribulação e separação amarga. trad. “The Elements of Style in Crafting New International Mission Leaders. no sentido individual. mas de fato almejam um avivamento autêntico. 111. Escobar. Samuel Escobar. Samuel Escobar. Há poucos anos. mas podemos aprender com ela. gerando uma espiritualidade nova e radical. 1990).. teve como tema “Fé e Esperança para o Futuro: Por Uma Teologia Evangélica Vital e Coerente para o Século XXI. Não é que não queiram que as igrejas sejam vivas e dispostas para a obra do Senhor. Não é possível repetir a história. sob o título “Discernindo o Espírito na América Latina. alienação e incerteza que decorre da ausência de propósito ou ideais. ó Senhor. Escobar.” em que revela o seu grande interesse pela dimensão pneumatológica da missão da igreja e conclama os evangélicos a estarem receptivos ao novo vento do Espírito que sopra na igreja.” Evangelical Review of Theology 20/4 (Outubro 1996). Samuel Escobar. 19. significa a inquietação. “Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America.” Fides Reformata 3:1 (Jan-Jun 1998). 48. Ibid.” Fides Reformata 2:2 (Jul-Dez 1997). Tal consulta. Ibid. “Mission in Latin America.” a instabilidade social resultante do colapso dos padrões e valores. “Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological Christology. “Mañana – Discerning the Spirit in Latin America. Waldyr Carvalho Luz (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana. Escobar. 96 . ao contrário.” Evangelical Missions Quarterly 28 (Janeiro 1992). do autor do presente artigo. “Amando a Deus e ao Próximo: João Calvino e o Diaconato em Genebra. 328. Ibid. 321.” Missiology 19 (Julho 1991). 64. 108.” 241..

da Palavra de Deus. E havia outros problemas. e os preços dos produtos da lavoura muito baixos. Os escoceses sabiam fazer isto. e em 1701 um jovem pastor do nordeste da Irlanda. não é de estranhar que 97 . a situação religiosa nas colônias não era boa. sendo Virgínia a primeira (1607). santificação constante e disposição incansável. até entre pastores. 17391745). chamada consciente. O Senhor abençoou o seu trabalho. Somente um século mais tarde nações protestantes começaram a zarpar pelos oceanos.(4) Apesar do crescimento numérico das igrejas em geral. Foi na época em que Portugal e Espanha começaram a navegar pelos oceanos e fundar o seu império ibérico. visão ampla. Portanto. É que os colonos eram pobres. chegando em casa depois de uma longa cavalgada numa tempestade de neve. Porém. então. Foi adotada a ordem eclesiástica da Escócia. Francis Makemie. a não ser que pudessem ser industrializados. Era um homem preparado para o trabalho de Deus: conversão clara. mormente a embriaguez. mamãe. especialmente escocesas-irlandesas.. Nesse caso. rebatizando-a como Nova York). depois que foi quebrada a espinha dorsal marítima da Espanha com a derrota da sua Armada (1588). iniciou o seu trabalho itinerante de Nova York até as Carolinas. Nesse país também houve várias épocas de avivamento com bênçãos e problemas incontáveis. Muitos colonos viviam longe das igrejas e.(2) Os holandeses fundaram Nova Amsterdã (1614) com sua Igreja Reformada (mas os ingleses capturariam a colônia cinqüenta anos depois. A Inglaterra implantou colônias na América do Norte. O Presbiterianismo na América do Norte O Brasil foi descoberto em 1500. mas por outro lado existiam muitos obstáculos à santificação. I. Makemie foi preso por ter pregado em Nova York. e também o seu selo e lema: Nec Tamen Consumebatur. pior ainda. só que não conseguiam vender o whisky a tempo. era tentado a tomar uns tragos.. No ano seguinte. o pastor podia ser pago em espécie e. Foi absolvido. mas adoeceu gravemente devido à permanência no calabouço e foi promovido à glória. Ele defendeu o seu próprio caso. para a época que entrou na história como o "Grande Despertamento" (Great Awakening.As nossas igrejas no Brasil foram plantadas por missionários da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos. como é que foi?" Voltemos. com a Igreja Anglicana como a igreja oficial. Vamos perguntar à nossa mãe espiritual: "Conte.(3) Ele é considerado o "pai do presbiterianismo americano. Os "Pais Peregrinos" foram para o nordeste do continente (1620) e estabeleceram fortes colônias congregacionais. o crescimento continuou e em 1717 organizou-se o primeiro sínodo. Por volta de 1700 havia muitas famílias presbiterianas espalhadas por todas as colônias. Nos lares crentes de fato havia leitura bíblica e o catecismo era decorado. Muitas igrejas foram organizadas e já cinco anos depois o presbitério reuniu-se pela primeira vez em Filadélfia. que ficou famoso na jurisprudência sobre a liberdade religiosa." tendo organizado igrejas e até consagrado ministros.

o Rev.(14) Também puderam ser observados vários desvios teológicos. que até os seus correligionários o consideraram mentalmente fraco. a pregação de George Whitefield e de John Wesley levou muitas pessoas ao Senhor. mas também uma ética e comportamento bíblicos. que por sua vez tinha recebido muita influência do puritanismo inglês(10) não somente uma doutrina e fé bíblicas. O próprio Gilbert Tennent abusou da palavra. depois de visitá-los. Vários pastores não souberam controlar a sua língua. Além disso."(7) A conversão era absolutamente necessária (inclusive para os presbiterianos) e essa conversão devia ser visível.algumas pessoas reconhecessem que a igreja precisava ser purificada para tornar-se realmente uma igreja puritana. mas com um vocabulário por vezes muito veemente. o pastor de uma das Igrejas Reformadas holandesas. no seu humilde "colégio de toras" (Log College). houve problemas humanos. 10% da população americana da época. o Senhor estava operando nas Igrejas Congregacionais do nordeste americano (1734) e algum tempo depois o Rev. e quando Whitefield fez uma campanha evangelística nas colônias (1739-1741). tais como: a Lei não se aplicaria aos crentes. Jonathan Edwards pregou o seu célebre sermão "Pecadores nas mãos de um Deus irado" (1741). Theodore era herdeiro de uma ênfase do puritanismo holandês. se alguém não sabia quando estivera 98 .(12) Na Inglaterra. Quando. 1739-1745 Essa ênfase na pregação tinha sido (re)iniciada naquela região por "Dominie"(8) Theodore J.(11) Ao mesmo tempo. em dois anos mais de trinta mil pessoas foram ganhas. Frelinghuysen. que eram muitas por causa da antiga colonização holandesa e que continuaram a crescer mesmo depois da conquista de Nova Amsterdã pelos ingleses. que preparou uns poucos jovens para o ministério sagrado.(13) Apesar desses resultados positivos. mas infelizmente nem sempre zelavam pela ortodoxia e pela ortopraxia. tais como Harvard e Yale. ou seja.(9) Nesse sentido. Então. isso não foi algo estranho ao puritanismo presbiteriano americano. Um desses foi o velho Rev. entre eles seus próprios filhos.(6) O casal Tennent era um exemplo de piedade e o próprio George Whitefield. A sua oração diária era pela "purificação dos filhos de Levi. referindo-se aos colegas como "cães mortos" e outros termos negativos. William Tennent. recorreu-se ao sistema conhecido na Irlanda do Norte. Não era incomum o uso de linguagem violenta. como sempre ocorre quando o Senhor dá a sua bênção. mas o impacto do sermão de Gilbert foi mais amplo pelo fato de ter sido impresso.(5) Havia algumas escolas para preparação de pastores no nordeste americano. pois. em que candidatos ao ministério eram treinados na casa de um ou outro pastor com o dom de mestre. Em 1740 ele pregou uma mensagem com um título apropriado sobre os perigos de um ministério não convertido. comparou-os a Zacarias e Isabel. E essa purificação devia começar com o corpo ministerial. o jovem ministro Gilbert Tennent começou a pregar como o seu colega reformado (1733). A gritaria de um certo James Davenport passou tanto dos limites. II. as distâncias eram grandes e as despesas altas. O Grande Despertamento.

que ocorreram divisões no corpo de Cristo. ó graça real." que simplesmente declarava que os avivados não tinham lugar "neste concílio de Cristo. não poderia ser considerado convertido. Nessa época. e toca meus lábios com fogo celestial. que pregava como o embaixador de um rei poderoso. que era presidente do colégio teológico de Princeton. pisaram o direito eclesiástico. III.(15) O cisma na Igreja Presbiteriana começou em 1741. a sua noiva Jerusha também faleceu vitimada pela mesma enfermidade (1748). e quatro deles deviam ser afastados do ministério por causa de problemas graves. O Cisma Presbiteriano. Não somente pregou aos colonos europeus. que resultou no primeiro presbitério do sul." implantou o trabalho presbiteriano na região de Richmond. e os avivados como a "Ala Nova" do Sínodo de Nova York. O grupo de tradicionalistas ficou conhecido como a "Ala Velha" do Sínodo de Filadélfia. Poucos meses depois. também formado num "colégio (teológico) de toras. Algumas irregularidades contra a ordem presbiteriana também azedaram as relações eclesiásticas. Jonathan Edwards. o Rev. o de Hanover (1755). praticaram uma lealdade dúplice por causa do seu corporativismo. David trabalhou incansavelmente durante quatro anos entre os indígenas. Davies foi chamado para substituí-lo. O fato era 99 ." Sete dos "protestadores" pertenciam ao Presbitério de Donegal. No início do sínodo daquele ano um grupo de doze ministros apresentou um documento chamado "Protestação. 1741-1758 Infelizmente as tensões aumentaram tanto durante a época do Grande Despertamento. veio a falecer por causa da varíola. mas não menos importante. uma frase de um dos seus 600 hinos: "Inspira a minha alma. afetando ambos os grupos como um vírus maligno. que gostavam de cantar salmos em sua cozinha. até sucumbir à tuberculose na casa do seu futuro sogro. se alguém não sentia o sopro do Espírito Santo como um vento verdadeiro. pelo esforço missionário transcultural de homens como o Rev. na Virgínia (1747-1759).sem Cristo. Dizendo-se leais a Cristo. Menos conhecido. No seu diário ele anotou que de vez em quando acordava com uma torrente de melodias celestiais. zombaria e forte oposição dos tradicionalistas e de um certo radicalismo e farisaismo dos avivados.(16) Alegando apoio na Constituição Presbiteriana. já tensas por causa da frieza. mas também faleceu depois de dois curtos anos. foi o trabalho de "missões nacionais" da Ala Nova. seria um crente carnal.(18) Brainerd havia sido expulso do curso teológico de Yale por afirmar que um certo professor não tinha mais da graça de Deus do que uma cadeira."(19) Um problema muito interessante era a tensão entre educação e missão. que havia se tornado uma foco de oposição. Jonathan Edwards. Em primeiro lugar. que nos deixou o seu conhecido diário. David Brainerd. Depois da sua ordenação. Davies teve o privilégio de batizar uns 150 deles. mas também aos escravos africanos. Colocaram no túmulo desse servo.(17) A Ala Nova é mais conhecida por causa do seu trabalho evangelístico. Samuel Davies.

desmaios. E a Lei do Senhor era sem dúvida uma norma de gratidão para a vida do crente convertido. pois os convertidos que apresentavam reações físicas (como arrepios. 1758 Depois de dezessete anos. Mas os que conseguiam fazer o curso teológico saíam como homens bem preparados.(22) Os avivados. Não é que os presbiterianos não tivessem visão. estavam seriamente iludidos. Também reconheceram que as suas línguas não haviam sido batizadas pelo Espírito Santo quando usavam certas expressões pejorativas ao referirem-se aos seus colegas. A Reunião.(24) Um pouco de estatística pastoral demonstra isto claramente: em 1741 a Ala Velha tinha 27 pastores e a Ala Nova 22. sentiam ainda um profundo desejo de pregar em todo e qualquer lugar. Os tradicionalistas ainda tinham certas restrições. 100 .que as igrejas.). especialmente para os da Ala Velha. tivessem uma experiência religiosa. as duas alas conseguiram restabelecer a paz. As duas correntes uniram-se novamente. mas reconheceram que de fato houve muitas conversões sinceras e permanentes. não respeitando assim as normas constitucionais. congregações e pontos de pregação se multiplicavam. Uma das alavancas foi o sofrimento comum causado pela guerra contra os franceses. Também admitiram ser necessário que os pastores (e conseqüentemente os candidatos ao ministério sagrado). por causa da maioria numérica da Ala Nova. No começo do cisma os avivados eram uma minoria. O restabelecimento da união também foi possível porque ambos os lados haviam permanecido presbiterianos na doutrina e os renovados não tinham rejeitado o batismo dos filhos da aliança. Os colonos pediam que o pastor ensinasse seus filhos. e não somente uma fé formal. Quando chegavam aos seus campos de trabalho. por outro lado. mal sobrava tempo para visitarem as congregações espalhadas. mas admitiram que houve falta de discernimento espiritual. gritos. sendo o próprio Gilbert Tennent o maior defensor dessa reunião.(20) Mas o bom era o inimigo do melhor. mas sem os frutos do Espírito Santo. mas havia falta de obreiros por causa das rigorosas exigências na educação teológica. Insistiram que o avivamento era uma obra santa do Senhor. basicamente por existir mais humildade nos dois lados. mas reconheceram que erraram algumas vezes ao invadirem campos pastorais de colegas tradicionalistas sem serem convidados. porque uma vez envolvidos no ensino diário. mas havia falta de pastores para atender aqueles vastos campos. em 1758 a Ala Velha tinha 23 pastores e a Ala Nova 73. eram bem-vindos como pastores e também como professores. a paz entre os dois grupos deve ter sido um pouco difícil. que às vezes perdiam o contato com a igreja presbiteriana e filiavam-se a outras denominações. mas cresceram muito durante os anos da separação. etc. freqüentemente na então fronteira colonial. Porém. o mais importante é que o clima havia se tornado mais ameno.(21) IV. porque eram as pessoas mais educadas da comunidade.(23) Porém. o que diminuia o número dos que podiam estudar.

Não deveríamos perdê-la por causa de abusos. santificação esta que é o alvo do Espírito Santo em cada efusão especial do poder do alto. ocultas à maioria. duas marés).(27) Não devíamos perder o conteúdo por causa de uma palavra. E existiria ainda alguma "causa noturna"? Cremos que sim. ó Senhor. produzindo mais frutos do Espírito Santo.De fato. no início a Ala Velha não reconheceu essa necessidade premente de santificação. ou seja.(25) Mas qual teria sido a causa dessa diferença tão patente? Muito se tem discutido. E o Senhor nos convoca a renovarmos a aliança que ele estabeleceu conosco. two tides" (duas alas. Se não quisermos usar a palavra "avivamento. não promovendo um avivamento pelo esforço próprio. as missões sendo sempre um índice preciso do avivamento autêntico. para que a igreja seja testemunha no tempo e no lugar onde Deus a colocou na história. mais quatro. foi como o historiador Trinterud afirmou: "Two sides. Um dia especial para enfatizar 101 . à luz das Escrituras? Calvino certa vez disse o seguinte sobre aqueles que querem tirar uma série de aplicações de um texto bíblico: "A Escritura é frutífera em si mesma." os seus presbitérios faltaram com a disciplina fraternal. Dos doze "protestadores" que iniciaram o cisma expulsando os avivados. V." para nós da tradição reformada uma expressão como "Renovação da Aliança" ajudaria muito a entender o que o Senhor quer de nós. Aquela súplica — "Aviva a tua obra. Faltando essa característica essencial. patentes a todos. humilhar-se e começar a ter uma vida purificada. começando pelo individual. no fim desse período. no decorrer dos anos" — é uma oração ensinada pelo próprio Espírito Santo. mas assim também o foram os tradicionalistas. quatro tinham problemas morais e." Parece que as lições históricas neste caso são óbvias. infelizmente a "causa noturna" mais provável por que o braço tradicionalista da Igreja Presbiteriana americana murchou até mesmo durante o "Grande Despertamento" foi a falta de santificação.(26) Embora a Ala Velha também tenha feito algo pelas missões nacionais. ao todo dois terços do mesmo grupo! Em virtude do "corporativismo. a fim de não perdermos o verdadeiro avivamento. focalizando suas críticas em aspectos mais circunstanciais. nem rejeitando as bênçãos incontáveis da obra do Senhor. significando reviver. a "causa diurna" do crescimento maior da Ala Nova deve ter sido o trabalho evangelístico mais intenso e mais descentralizado dos irmãos avivados. e causas noturnas. Talvez tenhamos de lembrar a distinção entre causas diurnas. O conceito de avivamento também é muito bíblico: retornar ao Senhor. Sim. o avivamento não passa de emoção litúrgica. Oremos para que aprendamos a andar em humildade. renová-la em todos os seus aspectos. E cada um de nós deve aplicá-las à vida. Sem dúvida. dependendo da nossa posição no processo histórico atual. "Avivamento" é uma palavra muito bíblica. A Ala Velha insistiu que os avivados tinham sido beneficiados pela imigração e fundos do Velho Mundo. O fato é que o avivamento real procura maior santificação em todos os setores da vida. Dia da Renovação da Aliança Devemos ainda acrescentar um parágrafo sobre as lições espirituais que emanam desse período.

2 Para um resumo sobre religião na América do Norte. 1938). do latim dominus.2)! 8 Como eram chamados os ministros da Igreja Reformada Holandesa: dominie. and the Log College (Greensboro. a fim de que ela seja sal da terra e luz neste mundo tenebroso. nos use. ver Gerald F. incorporando muitos dos antigos huguenotes. 7 Ml 3. 102 . "senhor. ao contrário. Sr. 5 Assim também Philipp J.3. publicado em 1675. para a salvação de muitos perdidos. 1670 (Amsterdam: T. Notas 1 Habacuque 3. 4 Adotado pela Igreja Presbiteriana da Escócia em 1635. o dia do aniversário da igreja universal. Religion in America (New York: Scribner’s. ver W. NC: Greensboro Printing Co. 10 Wilhelm Goeters. em seu famoso livro Pia Desideria ("desejos piedosos"). o ano em que a França sangrava por causa da revolução. S. Hudson. M. 1971). senão Deus amaldiçoará até as nossas bênçãos (Ml 2. ver W. e em 1789.2 (Almeida Revista e Atualizada). seria um dia de oração e jejum para que o Senhor não nos lance fora. realizou-se a primeira Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos. 1942). 6 Sobre Tennent e sua escola. 1993). como é o desejo profundo de todo verdadeiro presbiteriano. Bolland. De Jong. não para o nosso próprio triunfalismo oco. 3 Sobre Makemie. The Life Story of Rev. o grande líder do pietismo na Igreja Luterana da Alemanha." 9 Sobre a posição oficial. Light in Darkness: The Story of William Tennent. ver M. The Dutch Reformed Church in the American Colonies (Grand Rapids: Eerdmans. Tennent. Mas. Religion in Colonial America (New York: Scribner’s. Ou talvez o dia de Pentecoste. ver I. W. Die Vorbereitung des Pietismus in der Reformierten Kirche der Niederlande bis zur Labadistischen Krisis. e sim para a sua glória. Francis Makemie (Grand Rapids: Eerdmans. Sweet. 12 de agosto. Spener. Page. 1978). Para o período colonial.essa renovação da aliança pode ser para nós presbiterianos o dia do aniversário da nossa igreja. A. e para a santificação e edificação da igreja. qualquer dia que seja.. o crescimento e os problemas dessas igrejas reformadas (inclusive depois da conquista de Nova Amsterdã pelos ingleses em 1664). Os Estados Unidos tornaram-se independentes em 1776. absolutamente necessário.

não ficou claro até agora. 13 Sobre Whitefield. Pecadores nas Mãos de um Deus Irado. 3a. "Irenicum Ecclesiasticum" (1749)." os batistas em "Regulars" e "Separatists. Para essa biografia do seu genro. 2 vols. 12 Jonathan Edwards. Nesse século XVIII de racionalismo. and touch my lips with heavenly fire.1993). 18 Ver Jonathan Edwards. Alexander. Dallimore. 8: "The Withered Branch. Sermons and Essays by the Tennents and their Contemporaries (Philadelphia: Presbyterian Board of Publication. ([London]: Ed. A Vida de David Brainerd (São José dos Campos. Trinterud. 25 Trinterud. Edwards baseou-se em grande parte no diário de Brainerd. ed. Forming of an American Tradition. [1855]). 32.." 16 Se houve também uma dupla lealdade por causa de ligações maçônicas. 17 "The Old and New Side" do século XVIII não devem ser confundidos com "The Old and New School" do século XIX. J. 14 A. c. The Forming of an American Tradition (Philadelphia: Westminster Press. SP: Editora Fiel. 1993). no seu Art. a maçonaria era uma espécie de reação mística contra o árido deísmo. 24 O mesmo fenômeno de crescimento numérico ocorreu entre os congregacionais: na região de Boston havia nessa altura quase três vezes mais pastores avivados do que tradicionalistas. (São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas. 22 Exigência incluída também na Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil. 11 L. 21 Valeria a pena um estudo aprofundado sobre as congregações da IPB que foram perdidas.1974)." 20 Dessas escolas paroquiais nasceram instituições educacionais conhecidas. o seu sermão publicado. cap. como a Universidade de Pittsburgh. my soul inspire. 19 "Almighty grace. Banner of Truth Trust. Começou em Londres em 1717 e trinta anos depois já era influente na colônia americana." 103 . [1970]). ver A. George Whitefield. 15 Os congregacionais dividiram-se em "Old Lights" e "New Lights. na Pensilvânia. 23 Cf. 1949). A. comp.

2. Histórico e Geográfico Pernambucano e Universidade Federal de Pernambuco. disse o Espírito Santo: Separai-me.. Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado. 2 Cr 29-30.27 2 Cr 7. 1980). obrigatoriamente. um exemplo de igreja missionária. isto é. "prestar culto a Deus". O particípio presente indica ação contínua. numa base missionária.3).2 com o mesmo significado de latréw. e impondo sobre eles as mãos. passando a ser oficialmente o portal da missão entre os gentios. e orando.". nem sempre é essa a realidade em termos de igreja brasileira. jejuando. deveriam inspirar todas as igrejas. etc Fonte: Revista Fides Reformata Parte XVIII AS QUATRO INDISPENSÁVEIS QUALIDADES Uma Igreja Missionária "E.2 inicia assim: "E. todo campo missionário deveria se tornar. foram cuidadosamente observados e registrados por Lucas em Atos 13. Igreja missionária é igreja adoradora Atos 13.. servindo eles ao Senhor. pois quando o Espírito Santo disse em Atos 13.26 Ruy dos Santos Pereira. Os princípios que nortearam a vida da igreja de Antioquia.. Mas por uma série de fatores que lamentamos. que o Espírito Santo preparou para receber a boa semente do evangelho. workshiping [NIV]). como Js 5. os despediram" (At 13. servindo eles ao Senhor e jejuando. 23. E ainda: 104 . Uma igreja só pode ser verdadeiramente missionária se for verdadeiramente adoradora e vice-versa. A igreja que outrora foi campo. sem sombra de dúvida." a partir daquele momento a igreja de Antioquia não seria mais a mesma em termos de visão e ação missionárias. 24. Orlando Costas estava certo quando disse que "o culto está intrinsecamente relacionado com a ação de Deus na história e a conversão das nações ao Deus trino e uno". Ne 8. Como deve ser caracterizada a igreja evangélica brasileira em seu propósito de ser uma igreja verdadeiramente missionária no Brasil e no mundo? Biblicamente falando.. é empregado por Lucas em Atos 13. Piso e a Medicina Indígena (Recife: Instituto Arqueológico.14. agora. "Separai-me agora . Existem muitos exemplos históricos. "servir em adoração". e que. Já a igreja de Antioquia era. do verbo leitourgéw. Então.2. cresceu e frutificou. O particípio presente leitourgountwn (servindo [ARA]. com certeza.

A missão é a culminação e antecipação do culto. O culto é a reunião do povo enviado ao mundo para celebrar o que Deus fez em Cristo e está fazendo mediante a participação deles na ação testemunhal do Espírito. ou que "missões existem porque o culto não existe". É o resultado espontâneo da experiência da redenção. "A liturgia sem missão é como um rio sem manancial. De um lado temos os que insistem que "missões são a segunda mais importante atividade no mundo". Igreja missionária é igreja de oração José Martins disse corretamente: "A oração é a essência da obra missionária. mas sim. Do mesmo modo. No culto e na missão a comunidade redimida dá evidência concreta do fato de que é. por sua vez. porquanto celebra o que Deus tem feito por homens e mulheres em Jesus Cristo e os chama a receber e compartilhar o dom da graça de Deus.O culto. ao mesmo tempo. At 13. que o culto deve levar a igreja a fazer missões (cf. Será que precisamos mesmo priorizar uma tarefa em detrimento da outra. Os defensores da segunda posição argumentam. surge da missão. Igreja é missões". E não estamos nos referindo à questão da evangelização e responsabilidade social. só o fato do culto ser dirigido a Deus e as missões aos homens já definiria.44-49). Talvez um dos piores males que têm assolado. At 2. tem quem afirme ser "um absurdo dizer que muitas são as responsabilidades da igreja. estamos falando da dicotomia existente entre culto e missões. então. o que deve ser considerado em primeiro lugar. a missão deve ser vista como um acontecimento cultual. que é preciso mais que adoração. Do outro lado. a questão da prioridade da igreja. Sem um o outro perde sua vitalidade e significado".é a obra em si. outro assunto desnecessariamente polarizado. devem levar os perdidos a prestarem culto a Deus (cf. As opiniões são as mais variadas e extremistas até. E a discussão não é se a igreja deve adorar ou evangelizar (embora às vezes é o que de fato acontece). por si só.42-47). e missões. e uma evangelização que não leva os pecadores a adorarem a Deus está fora dos propósitos do próprio Deus. É evidente que 105 . quando vivida de maneira bíblica". É a prática mais missionária possível. Não é só uma atividade necessária ao sucesso da obra . "É preciso ter paixão pelos perdidos e obedecer ao ide de Jesus". Ao contrário. em sua dimensão humana. Para os defensores da primeira posição. Ambos são necessários. a missão sem culto é como um rio sem mar. dividido e enfraquecido a igreja brasileira em nossos dias seja os constantes debates em torno da tarefa prioritária da igreja. Pois uma adoração que não leva a igreja a evangelizar não passa de mera contemplação. como temos visto na prática? Será que podemos afirmar que culto é mais importante que missões ou vice-versa? Mais uma vez contamos com o argumento equilibrado de Orlando Costas: Não existe dicotomia alguma entre culto e missão. Vemos. um povo de oração e testemunho". por sua vez.

A ordem das palavras é significativa e não pode ser menosprezada. a igreja de Antioquia era uma igreja que exercia a prática do jejum. Paulo foi um homem de oração e recomendava às igrejas que orassem por ele e pela expansão do evangelho de Jesus Cristo. conforme dissemos acima. que essas duas atividades devem vir interligadas uma na outra. a igreja de Antioquia foi uma das igrejas mais anti-judaicas do passado. em segundo lugar. qual o interesse dele em dar tanta ênfase a uma prática estritamente judaica? Segundo.. do mesmo capítulo 13. Agora. Basta saber que a igreja de Antioquia era uma igreja de oração e que fazia da oração a base de sua missão. A ênfase de Lucas é importante por duas razões pelo menos: 1) Não devemos pensar que a igreja de Antioquia jejuava porque trazia resquícios do judaísmo.Martins não quer dizer que oração e missões são a mesma coisa. Direta ou indiretamente o Concílio de Jerusalém de Atos 15 aconteceu em razão desse anti-judaísmocerimonialista. por isso mesmo. 2) Acreditamos que Lucas fez questão em enfatizar a prática do jejum pela igreja de Antioquia." (v3). embora sabemos que ela também orava. respectivamente. primeiramente para mostrar que jejum e oração não são incompatíveis na vida de uma igreja e. No verso 3. Lucas coloca a palavra "jejuando" na frente de "orando". primeiro porque Lucas era gentio (provavelmente da cidade de Antioquia da Síria) e. mostrar como esta prática era (e deve ser) valorizada no meio de uma igreja verdadeiramente missionária. Em Atos 13. Seria incoerente pensar que uma igreja que estava adorando a Deus e jejuando não estivesse em oração. 106 . mas todo jejum bíblico é feito com oração. como tem feito a maioria dos autores que consultamos. mais do que simplesmente orar. Esta não seria uma forma inteligente de pensar.. Esta verdade está implícita e explícita em Atos 13. Mas se é o mesmo ou deixa de ser.2 ele diz que a igreja jejuava. naquilo que se refere às práticas religiosas do judaísmo.2 e 3. Quando o Espírito Santo ordenou que a igreja de Antioquia separasse Paulo e Barnabé para a obra que os tinha chamado. Nem toda oração é feita em jejum. Nunca é demais enfatizar a importância da prática da oração na obra missionária. tudo indica que sim. É provável que o exemplo da igreja de Antioquia tenha marcado positivamente o ministério de Paulo.. No texto grego é a mesma coisa: nestéusantes kai proseuxamenoi. O fato da igreja estar jejuando subentende-se que ela estava também orando.. Implicitamente porque o versículo dois diz o seguinte: "E. e jejuando. servindo eles ao Senhor.". É impressionante a ênfase que Lucas dá ao jejum na igreja de Antioquia. a igreja estava em oração. Pela urgência do chamado do Espírito. Além disso. jejuando e orando. e não menciona a oração. Não sabemos ao certo se o jejum do verso 3 é o mesmo do verso 2. e sim. temos uma evidência explícita de que a igreja de Antioquia realmente orava naquela ocasião: "Então. não é tão importante sabermos.

Se o povo de Deus tiver que jejuar "em casos muito excepcionais de calamidades públicas. pois a Bíblia nos dá vários exemplos disso. o que dizer então da prática do jejum em nossas igrejas? Acredito que as igrejas históricas têm falhado até agora em subestimar a importância do jejum na vida do povo de Deus. Apesar da Igreja Primitiva ter vivido momentos de muitas provações. de modo geral. terremotos. porém. o contexto próximo (cap. "a palavra do Senhor crescia e se multiplicava" (At 12. de ações de graças" (Princípios de Liturgia. na prática é o que tem acontecido.24). o rei Herodes Agripa I. em casos muito excepcionais de calamidades públicas.Se muitas de nossas igrejas têm falhado na prática da oração. Pedro havia sido libertado milagrosamente da prisão e um dos maiores inimigos da igreja. epidemias. diga-se de passagem. cessadas tais calamidades. estava vivendo um dos seus melhores dias. é recomendável a observância de dia de jejum ou. Creio que o capítulo sobre jejum deveria ser revisto pela IPB.. XI). primeiro porque ele não expressa corretamente a realidade brasileira e também por não apresentar uma definição mais completa do verdadeiro conceito bíblico de jejum. Que Deus conceda à igreja brasileira a graça de ser uma igreja que se alegre em estar em Sua presença. Na minha própria denominação. A igreja de Antioquia buscava a presença de Deus pelo simples prazer de estar servindo a Deus. e falhado mais ainda em rogar ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a Sua seara. 12) indica que a Igreja Primitiva. Pelo contrário. aprendi: "Sem o propósito de santificar de maneira particular qualquer outro dia que não seja o dia do Senhor. intercedendo dia após dia pela obra missionária do Brasil 107 . terremotos. como guerras. E continuou assim quando enviou seus missionários e os sustentou com fervorosas orações. ao invés de estimular o crente a praticá-lo. Enquanto isso. ele faz exatamente o contrário. foi morto mediante a intervenção de um anjo do Senhor. conforme prescrevem os princípios de liturgia da IPB. como guerras. Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). nada indica que naquela ocasião especial de Atos 13 a igreja de Antioquia estivesse jejuando e orando porque passava por momentos difíceis. Mas será que devemos jejuar somente em casos muito excepcionais de calamidades públicas? Da forma como foi redigido o princípio para a prática de jejum na IPB. etc. Quantos são os membros destas igrejas que jejuam? Quantos de seus pastores jejuam? Muitos de nós mal oramos. nunca existirá um dia de jejum neste país! Que o jejum deve ser praticado em dias de calamidades públicas não questionamos. em interceder pelos missionários e orar pela obra missionária de um modo geral. etc. epidemias. Não que o princípio fora escrito com o objetivo de desestimular quem quer que seja.".

no sentido literal. principalmente. Stott nos lembra. sem a mínima consideração para com a situação cultural ou as verdadeiras necessidades dessas pessoas. em sua alienação e perdição. desajeitada e até irrelevante. Neste caso. e mais do que aguçar os ouvidos para ouvir a Sua voz. o som das palavras. O Espírito Santo falou à igreja de Antioquia e ela imediatamente colocou Paulo e Barnabé no mundo. ela ouviu. que existem dois grupos de pessoas no mundo que. ou que. O verbo "ouvir" é empregado em mais de um sentido nas Escrituras. ainda não o aceitaram e. além de precisarem ouvir o que a igreja tem a lhes dizer. estão sofrendo terrivelmente. Se ouvir o Espírito Santo significa obedecê-lo. precisam. De fato. subir no nosso poleiro e vomitar a nossa mensagem. obedecendo. frustração e sofrimento. Ele falou e a igreja ouviu. Seja como for. portanto. nós afastamos as pessoas e até mesmo aumentamos sua alienação. Diz ele: Primeiro. através da Escritura. E é exatamente nesse sentido de fazer o que Deus ordena que a igreja brasileira hoje deve ouvir. o que costumamos fazer é sair correndo com o evangelho nas mãos. antes. tentar descobrir quais são as suas possíveis 108 . Pode significar: captar. tornando Sua vontade conhecida. Igreja missionária é igreja que ouve a voz do Espírito Santo Enquanto a igreja orava. embora tenham ouvido falar nele. "responder antes de ouvir é estultícia e vergonha". este "ouvir" nem sempre tem sido traduzido em termos de "obediência". Eis aí a voz do Espírito que muitas vezes tem sido ignorada pelos crentes: A igreja no mundo e para o mundo. ser ouvidos pela igreja. entender. Alguém pode escutar e ouvir. pois a forma como apresentamos a Cristo é insensível. A igreja de Antioquia era uma igreja sensível à voz do Espírito. E o que significa ouvir o mundo? John Stott responde: "O mundo de hoje está repleto de clamores que refletem ira. ainda. Não sabemos ao certo como o Espírito Santo falou aos profetas da igreja de Antioquia.e do mundo. O resultado é que. mas lamentavelmente. abraçar e obedecer o que se ouve. mas ser totalmente surdo quanto à prática dessas palavras. O Espírito Santo continua falando e ouvimos a Sua voz. é provável que o Espírito Santo falou pelos profetas que ali estavam. A melhor coisa é ouvir antes de falar. Mas muitas vezes nós nos fazemos de surdos diante dessas vozes de angústia". procurar penetrar no mundo das idéias e pensamentos da outra pessoa. É nisso que Deus espera ser ouvido e obedecido. temos o sofrimento daqueles que nunca ouviram o nome de Jesus. entender as palavras. com muito mais freqüência do que gostaríamos de admitir. uma das grandes expressões dessa obediência é estar no mundo para ouvir o mundo. o que "o Espírito diz às igrejas".

temos o sofrimento dos pobres e dos famintos. E mais: Esta dimensão envolve o impacto que o ministério reconciliador da igreja exerce sobre o mundo. humilde e perspicaz é chamada. dos despossuídos e dos oprimidos. pois somente na medida em que conseguir dar visibilidade e concreticidade à sua vocação de amor e serviço ela pode esperar ser ouvida e respeitada. Atos 13. Ele contém uma solene palavra de Deus para aqueles que. o seu grau de participação na vida. Em segundo lugar. se uma igreja é ou não missionária é o seu envolvimento e compromisso com os missionários. com certeza ouvirá a voz dos que precisam ser ouvidos.3). Se a igreja brasileira der ouvidos à voz do Espírito..13: "O que tapa o ouvido ao clamor do pobre também clamará e não será ouvido. Mas é essencial acrescentar que contextualizar o evangelho não é de maneira alguma manipulá-lo. Ela estava compromissada com Deus (servindo a Deus. Nós deveríamos ouvir com mais atenção os clamores e os suspiros daqueles que estão sofrendo. jejuando e orando. de certo modo.3) e com os missionários (impondo sobre eles [Barnabé e Saulo] as mãos. A igreja de Antioquia era uma igreja de compromissos. 109 . que também costumava chamar o compromisso da igreja para com a sociedade e o mundo de dimensão diaconal ou encarnacional. Esta atividade desafiadora. "a intensidade de serviço que a igreja presta ao mundo. Igreja missionária é igreja compromissada com os missionários O que determina. até onde ela tem sido obediente à voz do Espírito de Deus. Encontra-se em Provérbios 21. como prova concreta do amor de Deus". de preocupar-se com a justiça social. em se tratando deste assunto. temores e esperanças da sociedade e a medida em que seu serviço ajuda a aliviar a dor humana e a transformar as condições sociais que têm condenado milhões de homens. quem sabe deveríamos destacar. Quero compartilhar aqui um versículo bíblico que nós temos negligenciado e que. os despediram. conflitos. mesmo quando atua na retaguarda. principalmente.objeções ao evangelho e então compartilhar com ela as boas novas de Jesus Cristo de uma maneira que fale às suas necessidades. Atos 13. Sem esta dimensão a igreja perde sua autenticidade e credibilidade. e com razão. de "contextualização". Este compromisso mostrará até onde a igreja está engajada em missões e. Complementando Jonh Stott. Muitos de nós só agora é que estão despertando para a obrigação que a Escritura sempre colocou sobre o povo de Deus.2. dentre o seu povo. isto é. . carecem de consciência social. lembramos ainda de Orlando Costas. mulheres e crianças à pobreza..

Kistemaker diz com razão que "toda a igreja de Antioquia estava envolvida em comissionar Barnabé e Saulo. associando-vos na minha tribulação. nem por isso deixaria de ser o trabalho da igreja toda. e o outro é a igreja local. a primeira viagem 110 . quando parti da Macedônia.É importante destacar. E mesmo se a imposição de mãos sobre Paulo e Barnabé tivesse sido realizada por apenas três deles.26-28. no início do evangelho. Comentando o envio dos missionários pela igreja de Antioquia.14. Comentando este texto de Filipenses 4.13). a igreja e a família estão indo juntas ao campo. A interpretação de Liefeld quanto à imposição de mãos em Atos 13. A imposição de mãos sobre Paulo e Barnabé não deve ser entendida. eles relataram à igreja o que Deus tinha feito (14. E ainda: "O certo é que Paulo e Barnabé foram enviados para uma obra específica numa atmosfera de adoração. por exemplo. além do que Liefeld diz. em um projeto missionário um dos sócios é o missionário e sua família. E ainda. que. nem sequer por intermédio dos homens.3 é boa mas poderia ser melhorada. Lucas registra que a igreja de Antioquia "acompanhou" as viagens missionárias de Paulo e este. acrescentou: "Todavia. oração e jejuns (At 13. que o envolvimento missionário da igreja de Antioquia não estava limitado àqueles cinco nomes de Atos 13. relatava a ela as coisas que Deus fazia por seu intermédio. conforme observa Liefeld. Em Atos 14. Gl 1. E sabeis também vós. e não dos homens.15. grifos nossos). os 'recomendou à graça de Deus'".1-3). pelo cuidado a ele dispensado e. Edison Queiroz destaca: A palavra que Paulo está usando aqui para "associar-se" é uma palavra comercial. Por duas vezes o apóstolo usa o verbo "associar" nesta passagem. houve naquela ocasião um "pacto" entre a igreja de Antioquia e os missionários. e Paulo considerava que a sua autoridade vinha diretamente de Deus. por sua vez. antes de tudo. pois quando os missionários retornaram. É que. "o Espírito Santo movimenta a igreja e não meramente cinco pessoas para se engajarem na obra missionária". como "uma ordenação para ensinar (Paulo e Barnabé já tinham estado no ministério cristão. segundo Atos 14. Assim como eles se tornam sócios.27)".1)". Uma palavra grega que expressa muito bem o vínculo do relacionamento e do compromisso cristãos entre missionário e igreja é koinwnéw (associar). Certa vez o apóstolo Paulo expressou sua gratidão para com os filipenses. usada quando duas pessoas decidem formar uma sociedade. senão unicamente vós outros" (Fp 4. no qual a igreja ficaria definitivamente vinculada aos missionários e os missionários à igreja.14. nenhuma igreja se associou comigo no tocante a dar e receber.26. ó filipenses.15. depois de observar que "tudo posso naquele que me fortalece" (Fp 4.1. fizestes bem. uma ação que.

. além de compreender as dimensões bíblica. De maneira nenhuma! A igreja de Antioquia tinha responsabilidade missionária. onde tinham sido recomendados à graça de Deus para a obra que haviam já cumprido. por outro lado. indo além de suas atribuições.3 não aconteceu o que vemos hoje em dia.missionária termina com o retorno de Paulo e Barnabé à igreja enviadora para repartir os "lucros" com os "sócios". Não que as agências não tenham seu devido valor. Em Atos 13. Ali chegados. A igreja local. precisa ver-se como a força missionária de Deus nesse mundo e em nosso país. A missão do Espírito seria a missão da igreja. são elas: 1. é claro que têm. relataram quantas cousas fizera Deus com eles e como abrira aos gentios a porta da fé. 111 . Atualmente. para compartilhar os frutos do trabalho com ela: ". é porque as igrejas estão aquém de sua vocação. Paulo e Barnabé não foram lançados num campo e deixados "ao deus dará".. o que muitas vezes temos visto? Além disso. compreendendo sua importância para missões. A igreja não se esqueceu daqueles que enviou e os missionários. não pode transferir esta responsabilidade. E permaneceram não pouco tempo com os discípulos". as agências de missões. se hoje elas estão ocupando o lugar das igrejas. Del Pino destaca quatro coisas que. E por que? Porque ela se propôs a ser co-participante do Espírito no envio e sustento dos missionários. espiritual. infelizmente. 2. Havia nela o que Queiroz chama de "personalização". A igreja de Antioquia tomou para si a responsabilidade da obra missionária. deveriam acontecer em nossas igrejas. Ademais. reunida a igreja. Falando ainda acerca da importância da igreja local em missões. A igreja local como um todo precisa receber. Não queremos generalizar. a igreja de Antioquia não entregou Paulo e Barnabé aos cuidados da igreja de Jerusalém e muito menos os deixou por conta de uma agência missionária. compreender e assumir a visão de seu lugar na obra missionária. mas não é. Em resumo. em si. segundo ele. cultural e financeira desta tarefa. Del Pino complementa o conceito da responsabilidade missionária da igreja dizendo: Um grande número de igrejas espalhadas por este nosso Brasil precisa ver-se como vocacionadas por Deus para exercerem a tarefa missionária como um fator de peso em seu ministério. o que temos visto com freqüência são as agências ou juntas de missões ocupando o lugar da igreja local. não tiram a responsabilidade missionária das igrejas. Contudo. navegaram para Antioquia. não se lembraram da igreja somente quando o dinheiro da missão encurtou.

p. John STOTT. Idem. op.40. ou somos base missionária. precisamos ser evangelizados. BEZERRA. São Paulo: ABU Editora. Simon J. Se somos campo. t. 229-244. Por falar em evangelização e responsabilidade social da igreja. Cf. p. A oração dominical e missões. 1985. a igreja local precisa conscientizar-se e ver-se como a principal agência missionária da face da Terra. 455. 2a ed. 17-25. p. precisa assumir por completo a sua responsabilidade missionária. KISTEMAKER. vale a pena ressaltar que o verdadeiro conceito de missão para a igreja de Antioquia era (como os missiólogos contemporâneos costumam denominar) o de missão integral. 20. p. cit. Para Deus só existem duas coisas: Ou somos campo. Notas Segundo Orlando Costas. ainda. COSTAS. p. op. p. Evangelização e responsabilidade social. A missão de interceder: oração na obra missionária. KISTEMAKER. New Testament Commentary: Exposition of the Acts of the Apostles. Cf. In: Missões e a igreja brasileira: perspectivas teológicas. BAVINCK. p. San José-Costa Rica: Editorial Caribe. A igreja local. Ibidem. ouça o mundo. p. p. 123.. agir tendo isso em mente.114. 58-60. Grand Rapids: Baker Book House.. o indivíduo assistido em sua totalidade. An introduction to the science of missions. p. KISTEMAKER. 150. pregar tendo isso em mente. conforme Atos 11. p. Ouça o Espírito.27-30. t. STOTT. mas se somos base. 7 José MARTINS. Idem. 151). como se isso não fosse problema dela. KISTEMAKER. V. 150. São Paulo-Belo Horizonte: ABU Editora/Mundo Cristão. 1990. 4. 112 . p. cit. cit. então está na hora de trabalhar. Compromiso y misión.. trabalhar tendo isso em mente. A omissão não pode ser a missão de uma igreja vocacionada pelo Espírito Santo de Deus. Mas quando chega o momento de assumir o compromisso financeiro regular e decente. 2001.151. ora por aquele irmão e diz para ele ir. op. Idem.. 1979. 2ª ed. O que mais comumente vemos é que a igreja muito se alegra com o despertar de uma vocação em seu meio. Por fim. 113. p. p. Phillipsburg: The Presbyterian and Reformed Publishing Company. 455. Atos 15. Londrina: Descoberta. "a prova de uma vigorosa experiência cultual será a participação dinâmica na missão: a prova de um fiel compromisso missionário será uma profunda experiência de culto" (Orlando E. 150. V. isto é. Orar tendo isso em mente. 1998.3. p. 113. 455.21. Cf. p. 67. COSTAS. 123-125. COSTAS. H. Durvalina B. Cf. ela se silencia.. J. 1960.

Paul E. cit. QUEIROZ. Fp 4. A igreja e a integridade pessoal e familiar do obreiro do Senhor. In: STEUERNAGEL. A importância da igreja local em missões. 153-160. 113 . Valdir R.). E o Verbo se fez carne: desde a América Latina. Igreja local e missões. 117. A missão de enviar: como sustentar o seu missionário. A missão da igreja e o despertar missionário na América Latina. 1999. Belo Horizonte: Missão Editora. Diz ele: "O objetivo da igreja. cit. Idem. (ed. A missão da igreja. E. Fp 4. Neal Pirolo.. p. fazer com que o maior número possível de membros da igreja tenha contato com os missionários". Do chamado ao campo. Não concordo com A. QUEIROZ.9) quando afirma que "Paulo e Barnabé tiveram que financiar a própria viagem". com autoridades governamentais. el ministerio y el Espírito Santo: el caso de la iglesia de Antioquia. 60. 1994. 1990. p. Grand Rapids: Baker Book House.1). Oswaldo PRADO. 50. Idem.. V. Às vezes faltava oportunidade para uma melhor participação da igreja (cf. Robertson (em Word Pictures in the New Testament: The Acts of the Apostles. e sim. 2001. 43-58. Precisa haver contatos com outras agências missionárias. PIERSON. 2000. 324. 13-31. p. p. inclusive financeiras (cf. O melhor para missões.61. p. p. Hugo PIRIZ. Valdir (ed. 1-7.15. 60.10). 3a ed. a importância das juntas e organizações missionárias" (E. p. Curitiba: Encontrão Editora.Walter L. Imposição de mãos. 1995.179-200. Atos que contam. In: Missões e a igreja brasileira. mas isto não aconteceu por falta de compromisso da igreja de Antioquia. 323. Carlos Del PINO. p. com base em Filipenses 4. Enciclopédia histórico-teológica da igreja cristã.). p. emissão de vistos de entrada e permanência. Vol. este "sustento" significava mais do que orar por eles. V. Edison Queiroz destaca muito bem alguns pontos que evidenciam a importância de uma agência missionária.). In: STEUERNAGEL. t. COSTAS. 56). Londrina: Descoberta. e continuaria vinculada a eles. V. Daí. ao fazer missões. Londrina: Descoberta. Walter A. 178. Paulo passou por muitas dificuldades em seu ministério. orientação quanto aos relacionamentos no campo com igrejas. 1930. 2a ed. Londrina-Curitiba: Descoberta. T. 60. 1991. São Paulo: Vida Nova. p. A expressão "os despediram" de Atos 13. Cf. De fato. São Paulo: Vida Nova. Edison QUEIROZ.117-126 e O. In: ELWELL. não sugere "despedida definitiva". QUEIROZ. E.12). E. t. Todas estas tarefas são difíceis para a igreja. por causa das circunstâncias político-religiosas da época. câmbio e envio de dinheiro. deve ser promover a máxima personalização. LIEFELD. In: Misión y ministerio en America Latina. II. uma vez que o verbo apolyw. t.3 reforça a idéia de que a igreja de Antioquia estava enviando Paulo e Barnabé. op. V. 2000. E.88. 87. La misión. p. p. diferentemente de apospaw (At 21. Diz ele: "Há inúmeras dificuldades para o envio de um missionário. São Paulo: Sepal. artigo não publicado. p. op. (ed. certamente. p. governo e outras agências e avaliação in loco do andamento do trabalho. t. p.

prometeu: "Mas recebereis poder.o 20. E keras (lit.49. Lucas sabia muito bem que ao escolher dynamis estava utilizando o termo que melhor representava a ação poderosa do revestimento do Espírito na vida do crente e da igreja. ou ele a escolheu aleatoriamente? Vejamos: exousia é uma palavra usada com muita freqüência no Novo Testamento. por sua vez. disse Jesus aos discípulos. cheio de graça e poder.8 é a ascensão de Cristo.: chifre). a sede do governo.44-49. juntamente com kratos. ischys. mas depois passou a significar a pessoa que detinha semelhante posição de autoridade ou força. Quando o Espírito Santo foi derramado por ocasião do Pentecostes.8 E A MISSÃO DA IGREJA O contexto de Atos 1. kratos e keras. Contudo.33). O poder do Espírito Há uma série de termos para "poder" no Novo Testamento.1-3). dynamis tem um sentido todo exclusivo. Ela é a palavra por excelência para se referir ao poder do Espírito Santo. Mc 16. formam as duas palavras do NT cujo significado fica mais perto de exousia e dynamis. permanecei.14-18. bia. "até que do alto sejais revestidos de poder.. Kratos tem um sentido semelhante ao de ischys... Nestes exemplos Lucas revela que desde o princípio o evangelho foi disseminado pelo poder do Espírito Santo. mas se refere mais ao exercício da autoridade..com o Espírito Santo e poder. geralmente era empregada num contexto político (cf. Energia é poder no seu exercício. O Senhor respondeu que não competia a eles conhecer tempos e épocas que o Pai reservou para a Sua exclusiva autoridade. ao descer sobre vós o Espírito Santo. e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém. Temos também a declaração de Pedro na casa de Cornélio a respeito de Jesus.Parte XIX ATOS 1. Será que existiu algum motivo especial para que Lucas usasse a palavra dynamis ao invés de qualquer outra..38). A rigor é traduzida como "autoridade". Lucas empregou dynamis em At 1..18-20. ". 1. E ainda: "Estêvão. Os que estavam reunidos no monte das Oliveiras perguntaram ao Mestre quando seria o tempo da restauração do reino de Israel.21). como em toda a Judéia e Samaria.8). thronos. Portanto. Lc 24.8)." (At 10. J. Lembremos que 114 . energia. força em ação. Rm 13.. a quem Ele havia comissionado para evangelizar o mundo. Contudo.. O poder do Espírito é o segredo do sucesso da missão da igreja. por assim dizer. "com grande poder os apóstolos davam o testemunho da ressurreição do Senhor Jesus." (Lc 24. a priori.. pois na cidade".. e até aos confins da terra".." (At 6. Bia está associada ao emprego da força coerciva.8 o Senhor Jesus repete as promessas da Grande Comissão (Mt 28. Porém. At 1. indica força e." (At 4. fazia prodígios e grandes sinais.. É a palavra do poder sem fronteiras. Thronos indicava. mas tem também exousia. Ischys significa força física. Em Atos 1.8. que "Deus ungiu.

Conheceram-nO intimamente. Se alguma vez existiram homens que estivessem em melhor posição e condição de falar ao mundo acerca da ressurreição de Jesus e de todos os fatos a respeito dEle. curas..8 se cumpriu (1). ao descer sobre vós o Espírito Santo..sereis minhas testemunhas. seria imprescindível o poder do alto para 115 . Nada do que a igreja recebe do Espírito tem nela um fim em si mesmo. cinco significados principais.". No Novo Testamento os dons ou manifestações do Espírito (línguas. E para uma reflexão imediata. ressurreição e ascensão. como está registrado em Atos 1.8: ". o que o Senhor Jesus diz é que eles seriam totalmente incapazes de fazê-lo se do alto não fossem revestidos do poder do Espírito.(3) O substantivo grego martys (4) (martyres) do verbo martyreo já possuía. o que significava nos tempos bíblicos e o que deveria significar para a igreja evangélica brasileira hoje ser testemunha de Jesus Cristo. Não! O poder do Espírito tinha como finalidade primordial capacitar os crentes para dar testemunho de Cristo. o testemunho evangelístico da natureza e da importância de Cristo.. profecias. sendo que o último deles era a expressão mais elevada daquilo que significava ser testemunha de Jesus. Jesus disse a seus discípulos. (2). morte.os discípulos de Jesus foram homens que andaram cerca de três anos com o Mestre. quanto à expansão geográfica e cultural da Igreja..8). disse Jesus (At 1. 2. Muito dessa comissão.. Viram Seus sofrimentos. Poder e testemunho No dia de Pentecostes a promessa de Atos 1. Neste tópico procuraremos observar.".) foram dados com o único objetivo de que a igreja testemunhasse de Jesus ao redor do mundo. Entretanto.. (5). foram ensinados por Ele.. e sereis minhas testemunhas.". martírio. começando em Jerusalém e espalhando-se geográfica e culturalmente para fora. vale conferir um alerta do Dr.. declaração de um fato como testemunha ocular de um ocorrido. se cumpriu. como nunca teve. a saber: testemunha judicial de fatos.. sereis minhas testemunhas [kai esesthe mou martyres]. um fim em si mesmo. "Recebereis poder. A igreja foi batizada e revestida do poder do Espírito Santo. Pela própria natureza da evangelização e pelas perseguições e adversidades futuras que desafiariam a Igreja Primitiva. de modo prático. ouviram Seus sermões e viram Seus milagres. Mas provavelmente não captamos as palavras de Cristo em todo o seu peso: ". etc. Em Atos não existe esta concepção moderna equivocada de que o poder do Espírito é para edificar o crente e ficar tudo por isso mesmo. estes homens eram Seus discípulos. nos tempos bíblicos. Entretanto. testemunha de fatos numa confissão de fé. para os confins da terra (eôs eschatou tês gês). o poder do Espírito para a igreja não tem. Charles van Engen: "Logo antes de sua ascensão..

8.35.8. mas na maioria das vezes sucediam a mensagem do evangelho (cf. Mediador do poder salvífico de Deus. que incluía expressões como "palavra do Senhor". E quando Lucas quer indicar o sucesso de uma missão. para uma pregação cheia do Espírito (cf.14). vale a pena conferir o teólogo alemão Otto Betz: "Cristo era "poderoso em obras e palavras" (Lc 24. a pregação e o ensino da Palavra estão estritamente relacionados. (6). outras vezes estavam intercalados numa pregação (cf.58). Jesus é o "mais forte" que.14. A Palavra é a espada do Espírito (cf. "atos poderosos"). "A pregação autoritativa dos apóstolos (At 4. e "a palavra" tout simple.7-12). Cf. "palavra do evangelho". A glorificação do Messias faz dEle. 19. e a luta contra o diabo é levada a efeito no nível da existência humana (Mt 12. Ef 6. ele diz que a Palavra do Senhor "crescia e prevalecia poderosamente" (9). 6.10).22-30. Aquele que foi ungido pelo Espírito (At 2.22-30). Os milagres de Jesus são operados por um poder dentro dEle (Mc 5. Contudo.17). portanto. é a maneira como ele destaca esta verdade da ligação do Espírito Santo com a Palavra.19). pois. Em Éfeso a mesma coisa.22.17.16-34).8-12). Seus milagres são chamados dynameis (cf. A Igreja em Atos testemunhava: 1) No poder do Espírito com sinais e maravilhas Quanto a esta questão. Heb. são encarados como evidência da parte de Deus quanto a Jesus ser o Messias. 10.37. gebûrôt. Lc 5. Michel Green diz que um dos grandes méritos do livro de C. é importante ressaltar. Os cristãos primitivos levavam a Palavra para qualquer lugar que fossem (8.Barret.39 par. Luke the Historian. Mc 6. At 10. Mc 6.K. porque neles. At 1. Isto salienta o fato de que o Espírito de Deus costuma agir através da Palavra de Deus. Que a igreja muitas vezes testemunhou ao preço de sangue é algo que dispensa comentários. como Representante de Deus. Os milagres. 16. Lc 19. 4. (8). Mc 1. que estes podem operar atos poderosos (At 4.8-10) é vista como prova de um poder sobrenatural" (10). por assim dizer.8. É. i. dois aspectos do testemunho pelos quais os cristãos muitas vezes tiveram que pagar com a vida. "palavra da salvação". Às vezes os sinais e prodígios preparavam o palco. Não é por menos que o evangelho causou tanto 116 . At 20. com o Espírito Santo em Lc 1.11)". 2) No poder do Espírito na pregação da Palavra Em Atos o Espírito Santo.7. O que manteve Paulo dezoito meses ou mais em Corinto foi a Palavra (18. At 3.é. subjuga o "homem forte". 6. At 19.testemunhar de Jesus.8 com 3.5).13.2. o diabo (cf. pelo poder do Espírito que Jesus derramou sobre os Seus servos. pelo menos. "O principal meio através do qual o Espírito estende a soberania de Cristo é a Palavra de Deus" (7). em grau ainda maior.4).38. dado por Deus. 10. o reino de Deus na terra começa a ter efeito poderoso.33.38). Lucas liga este poder. durante os dois anos em que trabalhou ali (19.

23-31). principalmente no mundo ocidental. "Uma lição é preciso aprender com a igreja de Jerusalém: A igreja de Jerusalém estava consciente de sua missão no mundo. não é a realidade de todas elas.28) e que os missionários anônimos de Atos 8. os Herodes.31). alienada do mundo. E Deus atendeu ao clamor de sua igreja (At 4.1). Felizmente (ou seria infelizmente?) seus desafios são mais de ordem interna que externa. Pilatos. à nível de igreja local. em obediência ao mandado de Cristo.1. Não é de admirar que o ministério da Palavra fosse prioridade para os doze (6. A Igreja Primitiva tinha desafios imensuráveis. Era uma igreja de oração que buscava constantemente a plenitude e enchimento do Espírito Santo. (11). o centurião Cornélio (10. enquanto estendes as mãos para fazer curas. os judeus e gentios que estão perseguindo a igreja. externamente os desafios eram humanamente insuperáveis. mas internamente muito de nossas igrejas estão enfermas. sob o poder do Espírito de Deus". "Não é exagero dizer que a Palavra é o principal instrumento na missão evangelizadora da igreja. Externamente desfruta-se de uma liberdade religiosa como nunca se viu. Herodes e muita gente se levantaram contra a igreja de Deus. Hoje. Também não é de admirar que eles comprometessem seus convertidos com ela (20. O vento 117 . Clamava a Deus para ser revestida com mais e mais poder para proclamar com ousadia e intrepidez as verdades do Senhor a quem ela tanto amava (At 4. com pouca ou nenhuma perspectiva da missão para a qual ela foi chamada. a igreja é perseguida pelo fantasma de sua própria morbidez por persistir. Quando alguém cria é porque a Palavra trouxe fé (4. numa vida contemplativa.4). A igreja de hoje. Mas graças ao bom Deus. quando na verdade eram elas que deveriam estar curando!".4). Atendeu porque a igreja deixou de lado seus próprios interesses para servir ao mundo. Então a igreja orou: "agora. Porém. disse algo a respeito da igreja de Jerusalém que poderia ser repetido aqui. Atualmente já não são tantos os Pilatos. o que muito se vê. também possui seus desafios.44). Será que o poder do Espírito dos tempos bíblicos continua sendo o mesmo para a igreja evangélica brasileira hoje? Com certeza.29.44). Quando alguém se tornava cristão é porque o Espírito iluminava o coração dos ouvintes com a mensagem apostólica (16. sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus" (At 4.7) e os cidadãos de Antioquia (13. E não é possível um testemunho autêntico de Jesus sem o poder do Espírito.14).30). cf. pois precisamos testemunhar. Quando alguém recebia o Espírito isto acontecia por ouvir a Palavra (10. Era uma igreja unida em seus propósitos e se amava de verdade. Hoje. olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra. mas não se curvava diante deles.4 a tinham como sua grande arma. Lc 1. muitas vezes. o procônsul de Chipre (13. é a própria igreja criando obstáculos para não fazer a obra do Senhor.impacto sobre Teófilo (At 1. Senhor. Esta é a triste realidade de muitas igrejas históricas e pentecostais brasileiras em nossos dias. Em outro estudo de minha autoria (A Missão Integral da Igreja).44). Internamente ela estava pegando fogo. desejosa de pregar o evangelho.

8 é para a gente também! Gostaria de concluir este tópico com uma declaração urgente e atual do Comitê de Lausanne sobre a importância do poder do Espírito Santo na missão da igreja: "Cremos no poder do Espírito Santo. a maioria dos que pensam assim não está preocupada com a obra missionária nem mesmo no seu próprio país. Sem o testemunho dele o nosso seria em vão. precisamos do poder e enchimento do Espírito para transpor nossos próprios portões. e até aos confins da terra".kai. na sabedoria. simultaneidade de trabalho. mas sem. Convicção de pecado.8. deturpar o texto bíblico. A ordem e a promessa de Atos 1.. Como sabemos. (13). hoje em dia não são poucos os crentes equivocados quanto à compreensão da ordem do Mestre. novo nascimento e crescimento cristão.. Só então a igreja inteira se tornará um instrumento adequado em suas mãos. precisamos orar mais. Deus seja louvado! Entretanto. no grego. Uma aplicação contextualizada das regiões citadas por Jesus fica por conta da nossa imaginação. A esfera de atuação da igreja A missão da igreja consiste em percorrer o mundo todo para pregar o evangelho a toda criatura (cf. Em Atos 1. Pelo contrário. para que toda a terra ouça a Sua voz"..tanto em Jerusalém.15). De mais a mais. temos que evangelizar lá sem esquecer de cá e vice-versa. isto é. precisamos ser avivados (no verdadeiro conceito bíblico desse avivamento). . isto é. o Espírito Santo é um Espírito missionário. A igreja que não é missionária se contradiz a si mesma e debela o Espírito. Infelizmente. Em grego "tanto. a fim de sermos o verdadeiro sal da terra e a verdadeira luz do mundo. no amor e no poder. O Pai enviou o seu Espírito para dar testemunho do seu Filho. a idéia bíblica do termo aqui é: atuar ao mesmo tempo em todos os lugares da terra. de maneira que a evangelização deve surgir espontaneamente numa igreja cheia do Espírito.8 é formada. na fé. fé em Cristo. Mc 16. Portanto. na santidade. Quantas vezes já não ouvimos indagações mais ou menos assim: "Por que mandar ou sustentar missionários no estrangeiro se temos tanto o que fazer no Brasil?". evidentemente. Jesus não estava dizendo simplesmente que a Sua igreja precisava escolher uma dessas áreas geográficas para trabalhar ou que deveria começar por uma de cada vez.8 Jesus especifica a missão global da igreja dizendo que ela deveria testemunhar ". (12). A evangelização mundial só se tornará realidade quando o Espírito renovar a igreja na verdade.como" de Atos 1. a fim de que o seu fruto todo apareça em todo o seu povo. Jerusalém 118 ... como em toda a Judéia e Samaria. é tudo obra dele. A expressão "tanto. Jesus ordena que o trabalho missionário da igreja seja te. instamos com todos os cristãos para que orem pedindo pela visita do soberano Espírito de Deus. em Atos 1. pela partícula enclítica te mais a conjunção kai...sopra onde quer e está soprando em muitas de nossas igrejas.como" equivale ao nosso adjetivo comparativo e sugere. e que todos os seus dons enriqueçam o corpo de Cristo..

situada ao norte da Judéia. III (3. naturalmente. estou de pleno acordo com Boer e Escobar. R. NOTAS (1) Harry Boer. p. mas não de igual modo a Pentecostes. van Engen. São Paulo: Vida Nova. mas da teologia em geral. afirma que "a pregação ou 119 . Poderíamos comparar Samaria ao nosso paísl? Os confins da terra (14) significam. mas deveria ser central na reflexão sobre missões. 1985). (6) O. é missão transcultural que envolve. G.Green. Kittel. Atualmente sabe-se que "os confins da terra" de Atos 1. (7) Barret apud M. p. "martys". a ponto de não ter ligação alguma com ela. 1996). "é que no estudo de missões prestou-se muita atenção à Grande Comissão. p. Cit. Povo Missionário. ressuscitou e ordenou a evangelização do mundo. no dia de Pentecostes. era a província que tinha Jerusalém como capital. São Paulo: Vida Nova. 144. Op. A missão da igreja contemporânea é mais do que missão estrangeira. por sua vez. pp. Sproul. missionário reformado na Nigéria na década de 50. Nela Jesus prometeu o Espírito Santo e nela. Supomos que a nossa Judéia seja o estado onde estamos vivendo.3 (Grifo nosso). (4) Das 34 ocorrências de "martys" no Novo Testamento. Povo de Deus (São Paulo: Vida Nova. Seu cuidadoso estudo do material bíblico seguia a convicção de que escreveu-se muito sobre a obra do Espírito Santo na salvação dos seres humanos. Vol. por exemplo.. p. Para efeito de comparação e aplicação da ordem de Jesus. "Poder" em Dicionário de Teologia do Novo Testamento. 13 estão em Atos. segundo Green. 123. ed. É geografia sim mas também é etnia. (3) (3) C. 122. 1997).185. p. & Friedrich. a igreja cristã foi inaugurada e habilitada para cumprir a Grande Comissão. escreveu Pentecost and Missions (1961).Betz. 576. em The Theological Dictionary of the New Testament apud C. mas muito pouco sobre seu significado crucial para o testemunho missionário da igreja. 43). os índios do Brasil. e que o ponto de partida de missões no Novo Testamento é o que aconteceu em Pentecostes.8 é mais que "universalidade concebida de forma geográfica". Desde que não se entenda que o Pentecostes deve ser desvinculado da Grande Comissão. Ele propõe uma revisão não só da teologia de missões. 1997). O assunto não foi totalmente ignorado. G. Boa parte do ministério de Jesus ocorreu em Jerusalém.foi o berço dos acontecimentos básicos do cristianismo. 1989). Barret. Evangelização na Igreja Primitiva (2. (5) Cf. C. van Engen. e tem sido relegado à periferia". Nela Jesus morreu. podemos identificar Jerusalém com a cidade em que moramos. (2) Cf. "A tese desse trabalho". Samaria era uma região mais afastada. O Mistério do Espírito Santo (São Paulo: Cultura Cristã. que devemos ser testemunhas de Jesus para todos os povos. segundo Samuel Escobar (Desafios da Igreja na América Latina (São Paulo: Ultimato. ed. A Judéia. à luz desse fato..

Pela fraseologia de Zabatiero e as referências citadas. deixaram de incluir na lista deles uma das principais passagens de Atos? Acredito que não.t. como Irineu (século II). onde te kai poderia possivelmente ser traduzido como "e".7).12. "Poder e Testemunho . Será que os autores simplesmente. por exemplo. Para ele "a expressão grega te kai. milhares de cristãos evangélicos no mundo continuam a prática. em Lucas.T. E esta omissão não aparece somente na tradução de Zabatiero.27.14). Cit. Paulo. 5.49) e na Ásia (19.4-7. At 1. Além disso. Op. (10) O. Orígines (século IV) foi batizado quando criança. na primeira viagem missionária (13.28).30)" (Zabatiero. p.24. Gingrich e Danker não mencionam Atos 1. Danker do qual ele foi o tradutor. BATISMO DE CRIANÇAS Algumas Considerações A prática de batizar os filhos dos cristãos vem desde os primórdios do cristianismo. Wilbur Gingrich e Frederick W. sem mais nem menos. Cit.20). 576. (11) M. Betz. embora alguns pais permitam que seus filhos sejam batizados apenas porque faz parte da tradição religiosa na qual 120 .8 é citado para provar tal argumento.1. 1983. 1993). Jonh Stott Comenta o Pacto de Lausanne (São Paulo: ABU Editora). Samaria (8. (9) Foi assim na Judéia (6.recebimento desta Palavra é mencionado nada menos que trinta e duas vezes em Atos" (p. "freqüentemente" não é o mesmo que "sempre". porém. A concepção geográfica dos cristãos primitivos era limitada. (8) Idem. 202). Pais da Igreja. Green. XIV. 4. significa simplesmente "e" (Lc 23. tudo indica que ele está seguindo o Léxico do N. p. se referem ao batismo infantil.24. V. (13) Júlio Paulo Tavares Zabatiero discorda da idéia de simultaneidade de Atos 1. naturalmente porque entendia que ela fosse os confins do extremo ocidental da terra. 185. 21. Op.Missões em Atos 1 e 2" em Missões e a Igreja Brasileira. III (São Paulo: Mundo Cristão. Vol. p. Hoje. 204). Entretanto. p.8. Grego/Português de F. que até justificaria por ser um resumo de A Greek-English Lexicon of the New Testament and other Early Christian Literature. 185. (12) O Pacto de Lausanne. Para Gingrich e Danker te kai "freqüentemente significa simplesmente e" (p. 83). nem mesmo nesta volumosa obra (900 páginas!) Atos 1.. na relação das referências de Atos.. (14) Convém lembrar que o conceito de confins da terra da maioria das pessoas nos tempos bíblicos não era o mesmo conceito de Jesus e do Espírito Santo.8. mostrou-se desejoso de ir à Espanha (Rm 15.

Para outros. Foi uma grande alegria ter meus filhos batizados e vê-los. 21.1-14).11). que remonta ao tempo do Antigo Testamento. Deus mandou que Noé e sua família entrassem na arca (Gn. ao chamar os ouvintes ao arrependimento. Deus sempre tratou com famílias (Dt 29. na nuvem e no mar inclusive as crianças.7. de vê-los crescer nos caminhos do Evangelho. o batismo é um ato pelo qual consagram seus filhos ao Senhor. quanto os que os apresentam.6). diz que todo o povo foi batizado com Moisés. 7. E não é de admirar que os apóstolos batizavam casas inteiras em suas viagens 121 . quando Moisés aspergiu com o sangue da aliança as tábuas da Lei dada por Deus. tanto os que batizam seus filhos. Estou persuadido de que a Igreja cristã é a continuação da Igreja do Antigo Testamento. pois havia milhares delas (1 Co 10. embora nunca em detrimento da responsabilidade individual. 17. portanto. disse-lhes que a promessa do Espírito Santo era para eles e para seus filhos (At 2. com votos solenes de educá-los nos caminhos de Deus até. Abraão creu e o sinal da sua fé foi aplicado à Isaque. Porém. na verdade. mais tarde. mas é a mesma Igreja. era o selo da fé que Abraão tinha (ver Rm 43.16). em Ceia. antes de completar duas semanas (Gn. Deus determinou-lhe que circuncidasse Ismael e. à fé em Cristo e ao batismo.4). no dia de Pentecostes. O Sábado tomou-se em Domingo. a Páscoa.1-3) e castigou Acã. o mesmo povo. mesmo quando este ainda não podia crer como seu pai.29) e a Igreja de "o Israel de Deus" (Gl 6.1). quando Deus fez um pacto com Abraão. através desse rito iniciatório. e que não foi abolida no Novo. de incluir os filhos dos fiéis na aliança de Deus com o seu povo. chamou Abraão e sua família (Gn 12.38-39). pois acreditam que o batismo é somente para adultos que crêem. a idade da razão. têm um desejo só. Minha crença sé baseia no fato de que.19-20).nasceram. Coré e suas famílias juntamente. mesmo assim. e a circuncisão. Muitos preferem apresentar seus filhos ao Senhor. Assim.9-12). e.1-4). Alguns me perguntam por que apresentei meus quatro filhos para serem batizados. Batizei meus filhos crendo que. Minha resposta é que acredito estar seguindo a tradição bíblica. e determinou que fossem todos circuncidados (Gn. Os crentes são chamados de "filhos de Abraão" (Gl 3. Paulo. assim. Não é de se admirar que Paulo chame o batismo de "a circuncisão de Cristo" (C12. em batismo. sem batizá-los. quando chegarem à idade própria. quando cada um ainda não tinha mais que dois meses. publicamente professar sua fé pessoal em Cristo Jesus. incluindo obviamente as mães e seus filhos de colo (Hb 9. Evidentemente nem todos os evangélicos concordam que o batismo infantil seja a única maneira de se fazer isso. A circuncisão. é claro. Não é de se admirar. que Pedro. aspergiu também todo o povo presente no monte Sinai. mas. ao refletir sobre a história de Israel e ao mencionar a passagem dos israelitas pelo Mar Morto. incluiu seus filhos na aliança. Isaque. Mais tarde. receber o selo da fé que minha esposa e eu temos no Senhor Jesus. eles passaram a fazer parte da Igreja visível de Cristo aqui na terra.11 com Gn 15. Símbolos e rituais mudaram.

ao crescer. era de se esperar que houvesse alguma proibição neste sentido por parte dos apóstolos. ao crescer. talvez seja mais seguro ficar com o ensino do Antigo Testamento. se houvesse crianças. Talvez ele estivesse seguindo o que o Senhor Jesus havia dito. serem exemplos de vida cristã. Simboliza a fé dos seus país nas promessas de Deus quanto aos seus filhos (cf. a casa de Estéfanas (1 Co 1. At 16. pois não há exemplos claros de crianças sendo batizadas no Novo Testamento. Meus filhos terão de exercer fé pessoal em Cristo Jesus.7.4). para que sejam salvos. assim como os que foram batizados em idade adulta. que não impedissem as crianças de virem a Ele (Mc 10. Pv 22. lembremos que passagens assim não tinham em vista os filhos dos fiéis. Ef 6. isto é.38.missionárias: Paulo batizou Lídia e toda sua casa (.3233). É verdade que não se mencionam crianças nessas passagens.6. Compreendo a dificuldade que alguns terão quanto ao batismo infantil. Mas não há nenhuma proibição apostólica quanto a isso. Neste caso. Pois. Eles terão de se converter de seus pecados e crer no Senhor Jesus.15). os filhos dos crentes eram "santos" (1 Co 7. Por outro lado. Mas é igualmente verdade que não há nenhum exemplo de um filho de crente sendo batizado em idade adulta.. tanto os que batizaram seus filhos quanto os que os apresentaram. Se os judeus que se converteram a Cristo não podiam batizar seus filhos.At. ao fim.31) e expressa os termos da aliança que nós e nossos filhos temos com o Senhor (Dt ' 6. mas toda uma primeira geração de adultos que se converteram pela pregação do Evangelho. Mas. O batismo infantil não salva a criança. levá-los à Igreja. uma criança que foi batizada resolver desviar-se dos caminhos em que foi criada. ao contrário dos filhos dos incrédulos. o carcereiro e todos os seus (At 16.14). já que estavam acostumados a incluir seus filhos em todos os aspectos da religião judaica.13-16). Compreendo também que alguns têm dificuldades com o batismo infantil por causa da prática da Igreja Católica e de algumas denominações evangélicas. Se.6. O batismo foi apenas o ritual de iniciação pelo qual foram admitidos na comunhão. que adotam a idéia da regeneração batismal. Certamente que o Novo Testamento fala do batismo como sendo uma expressão de fé e de arrependimento por parte daqueles que se convertem a Cristo . Fonte: Revista Fides Reformata 122 . para Paulo. mas o entendimento mais natural de "casa" e "todos os seus" é que se refira à família do que creu e fica difícil imaginar que. da Igreja visível. elas teriam sido excluídas. é da sua inteira responsabilidade. a criança tenha seus pecados lavados e seja salva. instruí-los nas Escrituras e viver de tal modo que. 16. Pessoalmente não creio que seja este o ensino bíblico. At 2.coisas que uma criança em tenra idade não pode fazer. devem orar com eles e por eles. Não serão salvos pela minha fé ou da minha esposa. pelo batismo. os filhos desejem servir ao mesmo Deus de seus pais. É verdade. que. e que se desviam depois.16).

se comunidade temos algo em comum: a fé comum em Cristo Jesus (Tt 1. mas o Espirito é o mesmo.4.24-27) A Igreja de Jesus Cristo tem uma natureza militante. esse é meu irmão. se um membro é honrado. o sangue de Cristo (1Co 10. onde o nome de Jesus Cristo é exaltado. e todos os membros do corpo. quer escravos quer livres. Pois em um só Espirito fomos nós batizados em um só corpo. quer judeus.7).8). A IGREJA A Igreja é isso: uma congregação de crentes cuja única cabeça é Jesus Cristo. na Igreja Presbiteriana da Bahia.35). e a todos nós foi dado beber de um só Espirito. o Espírito Santo (Fp 2. e. e.3. e onde nos estimulamos e encorajamos a crescer em amor.6. Aparece cerca de 250 vezes nos Atos e cartas. Somos "irmãos".13. Diferença que exista é de dom e função na Causa de Cristo. 2Co 13.15. Jesus disse que "irmão" era quem fazia a vontade de Deus: "Pois aquele que fizer a vontade de Deus.1. 1Jo 2. "A Igreja é uma companhia de crentes regenerados e batizados que se associam num conceito de fé e fraternidade do evangelho". mas que os membros tenham igual cuidado uns dos outros padecem com ele. quer gregos. 1Jo 1. formamos uma comunidade (At 2. vos sois corpo de Cristo. falamos na Igreja Batista Sião. uma participação comum no Espirito. "Ora há diversidade de dons. e quer dizer que fraternidade tem a ver com amor.10). plena participação na família de Deus. irmã e mãe" (Mc 3. É uma saudação natural (cf. e Lhe obedecem seguindo-O como discípulos e tendo-O como Senhor. É a mais freqüente designação do Novo Testamento para os crentes em Jesus Cristo. e um compartilhar pleno na realização da vida da igreja. na Igreja Evangélica Fluminense como uma dessas comunidades locais. todos os membros se regozijam com ele. Rm 8. com responsabilidade mútua. É uma fraternidade de pessoas que crêem em Jesus Cristo como Salvador pessoal.29.12.13). embora muitos formam um só corpo. não há diferença quando chamamos o outro de "meu irmão" (Mt 23. 1Co 1. e é descrita através de imagens riquíssimas como "Povo de Deus". Para que não haja divisão no corpo. "Corpo de Cristo" e "Comunhão no Espírito". Sim. assim como o corpo é um. e individualmente seus membros" (1Co 12. e tem muitos membros. um compromisso de obediência comum a Cristo como Senhor. Não há superioridade. Ora. E há diversidade de 123 . Assim. assim também é Cristo. Tg 2. Expressa-se também como um corpo local.16).Parte XX COMO MEMBROS DO CORPO DE CRISTO "Porque.9). A verdadeira comunidade cristã é criada e sustentada por uma fé e uma vida comuns em Cristo. estudada. Sua palavra.42.

e se é salvo. aí esta a primeira exigência para ser membro da Igreja de Cristo: regeneração através do arrependimento.13). Ef 1. por meio da Igreja. A cada um. sua atividade. mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. aos principados e potestades nas regiões celestes. e recebereis o Dom do Espirito Santo" (At 2. porque confessamos a um só Senhor: Jesus Cristo (Mt 10. porém. ou sem exercício da fé como no caso de recém-nascidos. há quem participe da comunhão terrena.38). e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo. investimento de alto retorno em termos de crescimento. Mt 28. da qual somos membros pelas razões já expostas.4-7). mas o Senhor é o mesmo. E é realizado através da Igreja local.10. se fossem dos nosso. A Igreja de Jesus Cristo. quer judeus. "Arrependei-vos. 1Jo 2. mas não eram dos nosso. E visto que o propósito redentor de Deus é para ser realizado por meio da Igreja.5. é . Por isso.13. Lc 11. Então. a participação nesse plano deve ser o ponto focal da lealdade do irmão e do seu trabalho. porque filhos do mesmo Pai (Jo 1. bênçãos! Muitas bênçãos! E PARA SER MEMBRO DA IGREJA? Há condições. Somos membros uns dos outros. paz. de conhecimento.12. porque regenerados pelo poder do Santo Espírito (Tt 3. Não se pode ser membro por ordem de outros. e 124 . O ingresso tem seguimento pelo batismo: Jesus deu ordem definida sobre isso (cf. Importa que isso aconteça porque o salvo é batizado no Espírito Santo. e o batismo há de ser realizado em nome do Pai. mas todos eles saíram para que se manifestasse que não são dos nossos" (1Jo 2. um centro de trabalho e de lealdade. e assim unido à Igreja de Deus: "Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo . cf. quer gregos. porque. quer escravos quer livres.23. Rm 8. para remissão de vossos pecados. At 8. 4. 10. Após a regeneração. o que significa que seu esforço. Todos devem ser salvos antes de se tornarem membros de uma Igreja.19. de graça.19). então.32. é dada a manifestação do Espirito para o proveito comum" (1Co 12. o passo da obediência: o batismo. Por outro lado. teriam permanecido conosco." (Ef 3.14-17). e a todos nós foi dado beber de um só Espírito" (1Co 12. É uma questão de investimento espiritual. de amor alegria. é normal que busque a comunhão do povo de Deus. pois pode uma pessoa ser cristã e não ser membro de uma Igreja local. sim.11). segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor. por procuração. Gl 3. 16. e essa expressão "batismo no Espírito Santo"significa o ministério do Espírito em favor do que crê. "Para que agora a multiforme sabedoria de Deus seja manifestada .27).13). mas não do nascimento celestial.36-38. "Saíram dentre nós.ministérios.47. E há diversidade de operações. sua iniciativa devem ser através desta abençoada comunhão local.15).33.

Mt 18. e orai uns pelos outros. 25. cantar.1-13). consolar. Há os postiços.46). o novo convertido é batizado para se tornar célula viva. para serdes curados. e que levam a igreja a crescer. 2.20).35.11.5). Tomá-la para "ler. 1Pe 3.8). mas como um corpo estranho.42) E isso para ir ao encontro do Senhor e dos irmãos (Sl 84. Mas é preciso recordar e viver a comunhão com Cristo no batismo (Rm 6. portanto. cf. Jesus ensinou: "Contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre. e Tiago deixou claro: "Confessai portanto. E também a comunhão com os outros.16. criam problemas. Na Reforma Protestante do século 16. Crucificados com Ele (Gl 2. para imitar o exemplo dos primeiros cristãos (At 2.1). membro ativo na comunhão de irmãos que se chama Igreja de Jesus Cristo. Jesus os chamou "joio"no meio do trigal. batizados no Espirito. lembrando a exortação: "Procura apresentar-te diante de Deus aprovado. como é costume de alguns. na ressurreição (v. ensinar. Ap 3. a exclamação "Sola Scriptura!" ("apenas e unicamente a Escritura Sagrada!"). viver e crescer".4).19). administrar. 17. Levam freqüentemente a igreja à tristeza.1. 125 .14-18.24ss.15. Amor ao estudo da Palavra de Deus.4. Mt 8.10). lavados no sangue de Cristo.6.21).2. na vida eterna (v. A súplica de um justo pode muito na sua atuação" (Tg 5.17). tão essencial que João a põe como prova de conversão (1Jo 3. Atividade. Assiduidade os cultos. Ef 2.4). e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós" (2Tm 2.6). 2Ts 2. hb 8. vidas inspiradoras. 133.5. exemplares. Cl 3. úteis. que maneja bem a palavra da verdade".16). exortar. 1Co 13.3. os vossos pecados uns aos outros. regenerados.24. como obreiro que não tem de que se envergonhar. 2. 23. quando vedes que se vai aproximando aquele dia" (cf. Há membros e há membros. antes admoestando-nos uns aos outros.do Filho. QUALIDADES DO MEMBRO DA IGREJA DE CRISTO 1. não fazem crescer escandalizam até.2. agregados ao Corpo de Cristo.21. Socorrer. e com Ele nos céus (Ef 2. Está em Hebreus 10. 3. e nunca desfalecer" (Lc 18. em absoluta confiança em Deus. cf. fortalece o espirito e alimenta a alma (Mc 12. Fervor na Oração.1).3.32ss). A Palavra de Deus que alegra o coração. Jo 10. At. na morte (v. 2Tm 3. "bodes" no meio das ovelhas (Mt 13. Paulo exortou "orai sem cessar" (1Ts 5.25: "Não abandonando a nossa congregação.20. Não crescem. Consciência dos dons que recebeu e usá-los: pregar.1. em comunhão com Deus. Há os salvos. Pois oração implica em atitude de dependência de Deus. Jo 13. Deste modo. Com o objetivo de "antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor.4. e tanto mais.17). vivificados com Ele (Ef 2.15). 4. o que quer que seja. para receber do Senhor bênçãos e mais abundância de vida (Sl 133. e do Espírito Santo (Mt 28.

1ss. Mt 20. falsa doutrina. e isolada dos outros crentes.17). 9. já se auto-excluiu (Rm 16.17). Se alguém está fora dessa comunhão. porém em outras igrejas.2b. Pr. Vão à igreja como quem vai ao teatro: esperam boa música. há quem. mesmo. Jesus andava e mantinha comunhão com seus discípulos. Na igreja. Tt 3. Era imperativo que vigiassem sua conduta. que preservassem a harmonia entre eles. 2Ts 3.10. sendo membro de uma igreja. todos os crentes têm direito a privilégios iguais. de campanhas. apreciado. ensinou haver três tipos de membros de igreja que podem ser comparados a barcos: os que tem motor próprio. encontravam alegria na comunhão. Há uma alegria especial em ser membro da igreja.6. nunca na sua (?!). Lc 8.17.18-20. de movimento. e não fizesse meu serviço com o gado. Mt 6. abandono. Como é você como membro da Igreja de Cristo? Como eram os primeiros cristãos? É somente ler Atos ou as Cartas. o Novo Testamento não fala de experiência cristã praticada independentemente. Lc 8. Tt 2. 12. 23. Mt 10. os que possuem vela (precisam de vento. de agitação. 1Pe 1. estavam vigilantes quanto à Sua Segunda vinda. não trabalham e dão trabalho. unidos todos em amor comum e lealdade (cf. 9-11. Harald Schaly. É uma comunhão. alguns fazem pouco ou nada fazem. de fato. seja por falta grave. Dizer isso significa que ninguém tem privilégio especial sobre outro.6. O falecido mestre do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil (no Recife).21. há quem venha se tiver cargo. há privilégios iguais na igreja.9. bom sermão.10).1ss. A igreja não é uma relação de sócios ou de membros ou de filiados. ele me mandaria embora!" Jesus não falou naqueles que dizem "Senhor. e que todos sejam sociáveis.A IGREJA LOCAL O princípio da Igreja diz que pertencer-lhe é um santo privilégio e um sagrado dever.3-5. mas só aparecem no Natal ou Noite de Ano Novo. Essa é a razão porque somos uma fraternidade. 1Co 5. a igreja era um investimento de vida. escândalo. 28. 16-19. 1Tm 1.14. Ef 4. homens e mulheres. deve ser excluído da igreja porque. O mesmo Pr. dizendo que é o melhor patrão. e Jesus Cristo o irmão mais velho (R. Senhor! E que não entrarão no reino dos céus?" 126 . Mc 6.13. de novidades para vir à igreja). aqueles que são como balsas (são puxados). eram ativos no testemunho de Jesus Cristo.7ss.29. têm nome no rol de membros.5. mas mesmo que eu passasse todo o tempo falando de "seu" Vicente . Estes são peso morto na igreja. Schaly conta uma história.1-3. espere convite especial para vir. 27. Jd 4. A do vaqueiro crente: "eu trabalho para "seu" Vicente.10-13.55. Isso não se refere a diferenças de habilidades ou capacidades espirituais das pessoas.50. 1Tm 5.9. uma família da qual Deus é o Pai. Há quem. 8. e cantasse muito para ele (já que ele gosta de música sertaneja). é muito operoso. Só Cristo! Então.15. sendo membro da igreja.M. já que há direitos iguais de acesso a Deus. 2Tm 3.5. Aliás. e tivessem a consciência de que a verdade divina lhes fora confiada. 2Jo 9-11.13.

Por isso. ou a 127 . cresce o reino de Deus. porém santa e sem defeito" (Ef 5.13). aliás. oramos no sentido que cresça em número e espiritualidade. para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado" (Hb 3. o melhor coro. Cresce a igreja.15b-27). ou o maior balancete mensal. É esse. sem mácula. ou o fermento na massa do pão (Mt 13. que nos lembremos uns dos outros em nossas orações. o mais eficiente meio de deter nossa tendência de fazer renascer a velha criatura. nem coisa semelhante. à EBD!). É um crescimento lento porem continuado. que amem a Deus de todo o coração. E cada dia acrescentava-lhes o senhor os que iam sendo salvos". a cultivar relações francas e a delicadeza no trato e a estar pronto a perdoar as ofensas (Mt 6. a igreja é chamada a crescer.Pois é. e caindo na graça de todo p povo. que exerçam o sacerdócio dos crentes. atingindo os não conhecem a salvação em Cristo Jesus. de toda a alma e de todo o entendimento. portanto. É desejo comum que esta nossa igreja seja grande em todos os sentidos.31-3). Precisamos de crentes que entendam ser a igreja local o lugar previsto por Deus para a comunhão. que amem a Palavra de Deus. para baixo. para que a santificasse. buscando o altar de Deus. que amem ao próximo como amam a si mesmos. aprofundando-se na doutrina do Senhor. nem as melhores salas para a educação religiosa do seu povo. que sejam luz do mundo. Crescimento.12-15). agregando pecadores regenerados. de dentro para fora. nem ruga. Como árvore que nasce da semente.47: "Louvando a Deus. Que Deus nos ajude! Parte XXI COMO SE FAZ UMA GRANDE IGREJA "Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela. para os lados. "Antes exortai-vos uns aos outros todos os dias. Uma grande igreja não é a que tem o maior templo da cidade. Que nos comprometamos a ter cuidado uns dos outros. tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra. e de fora para dentro. para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa. que sejam santos porque o Senhor é santo. E o modelo é o de Atos 2. Crescer em todas as direções: para o alto. que façam do crescimento pessoal assunto de perseverança. cuidado e prática diária. que confiem no poder da intervenção.16b). Por isso. pela vida espiritual intensa pela consagração à causa. durante o tempo que se chama Hoje. e onde os recursos para o crescimento cristão ao dispor (venha. a buscar a paz com todos. não inchação! É isso: precisamos de crentes que busquem o reino de Deus em primeiro lugar. que nos ajudemos mutuamente em nossas enfermidades (Tg 5.

Mc 10. No entanto. treinando-a para o exercício eficaz do ministério de cada pessoa. Não é aquela cujo pastor é o melhor orador da cidade. é utilizada no primeiro escalão do governo.45). sobretudo. magister. o meu dom". e não ter sido capacitada por Deus para exercê-lo no ambiente de formação espiritual da igreja.12. Era que tinha com que contribuir. Palavra. e. afinal de contas. Falamos em Ministro da Educação. Os chamados testes dos dons dão uma pista. "Ministro" vem de minister. incidentalmente. Esse é um fato altamente prático. capacitar os cristãos para o exercício eficiente de seus ministérios. de estar presente em todas essas reuniões. No entanto. é palavra tão simples. "magistrado". "magistério". Isso é interessante porque podemos pensar que a palavra "ministro" é tão elevada. No entanto. Você reconhece o seu dom espiritual pela compulsão que 128 . o escravo.que levanta as maiores ofertas missionárias e para outros fins.11. uma grande igreja é a quem tem certas características bíblicas que passaremos a enumerar.. se possível. Lembremos que o pastor trabalha COM a igreja capacitando-a. é um conceito bíblico. Dom não é o talento natural. e.e é igualmente prático (cf. "Mestre" vem de uma palavra da língua latina. do alto escalão do governo. de preferência ao mesmo tempo. "Pastor. que ele tenha o singular condão nunca esperado de outras pessoas. o servo.". Somos todos chamados para ser ministros de Jesus Cristo. e quer dizer que cada um de nós tem um ministério. e os membros os mais destacados da sociedade. alguém que tem "algo de menos". UMA GRANDE IGREJA É A QUE TEM UM MINISTÉRIO PARA TODOS Cada crente é chamado por Deus para ser um ministro. quem vai ser o pastor?" É precisamente neste tipo de pergunta que há malentendidos. Ef 4. e assim por diante. designando alguém que era procurado por ter "algo a mais (magis)". Ministro das Finanças. No entanto. ainda. A Bíblia diz que nós temos um serviço. pelo fato de algumas pessoas ainda presumirem que o pastor tem que fazer tudo na igreja. uma grande igreja pode ter tudo o que foi mencionado. para dizer "servo" e o conseqüente serviço prestado. usada para pessoas de altíssimo gabarito. pois alguém pode ter um grande talento em certa área. ensina a Palavra Santa que a principal tarefa do pastor é preparar. estar em todas as reuniões. Você vai dizer. portanto. procedente de minus. evangélico em todos os sentidos porque Jesus declarou "O Filho do Homem (Cristo) não veio para ser servido. Talvez uma pergunta esteja na mente dos leitores: "se todos vão ser ministros.. mas para servir. Há uma diferença abismal entre as palavras "ministro" e "mestre". pois. não sei qual é o meu ministério. algumas marcadas ao mesmo tempo. Essa palavra "ministro" é usada.. Isso é algo básico. de onde procedem.

essa é uma grande igreja! UMA GRANDE IGREJA É AQUELA QUE TEM FIRMEZA DE FÉ E DE DOUTRINAS Como é possível obter uma fé estável. firme. O mesmo com a doutrina: edifica. há quem tenha filhos ainda pequenos... Seria uma tremenda economia para o irmã. engorda e faz ficar bonito. sua contribuição de presença à Celebração do Nome de Jesus. e terça-feira na casa da tia. com prazer. a que tem um ministério para cada pessoa. Essa é uma grande igreja. faz crescer. encaminha. 129 . É meio complicado para um igreja de centrão da cidade ter uma altíssima freqüência à noite: há quem more muito distante. da ajuda. cinco cargos. ele responde "Pronto. Fulano de Tal. Porém. porque infelizmente. bem temperado edifica. mas há tantos banquetes que fazem mal. mas o feijão-com-arroz é em casa. se evangelismo.. Uma muito simples é compartilhando as experiências nos cultos. Soube de uma igreja no estado da Flórida (EUA) onde não indicação para os cargos. irmã querida. Você sente o desejo de realizar algo. se você não tem nenhum desses impedimentos. à noite. O hábito da freqüência sistemática aos cultos é uma bênção na vida do cristão por ser fundamental para a firmeza de suas convicções. As posições são disponíveis e os membros dizem à Comissão. e outra tantas razões. quatro. Fora. Não é a contribuição em dinheiro para resolver a débil situação econômica de alguém. Cada um sabe qual o seu ministério. Cada um faz alegria. quarta-feira vai para a do primo. muita gente fica esquecida quando a Comissão de Indicações vai estudar os nomes e cargos. Achei-a um tanto pesada. Li uma frase (mas não vou dar 100% de crédito porque conheço a luta de alguns irmãos): "No domingo de manhã. qual a sua mesa espiritual? Já imaginou se seu filho resolvesse que amanhã vai almoçar na casa do vizinho. há quem seja idoso. seu louvor. ele diz "Vou resolver". se ensino. e os cargos vão sendo preenchidos de acordo com a vontade de trabalhar da pessoa."Mas o Espírito Santo diz "Não deixando a vossa congregação como é costume de alguns". Feijão-com-arroz bem preparado. se ação social. Sem alarde. vêm todos. de passear pelas outras igrejas (o chamado "turismo eclesiástico"). diga onde está que vou buscar". E esses "alguns" sabem quem são e quais são os costumes: de faltar sem necessidade. que não seja levada por todo vento de heresia ou de corrupção? Temos algumas pistas na Palavra de Deus. Irmão amado. e assim cada dia da semana.parte do seu íntimo. Assim fazendo. A Carta aos Hebreus quase que diz "Não deixando a vossa congregação como é costume de. só os fiéis". Com um ministério para cada um. Uns são esquecidos. trabalha quem quer trabalhar. Há um irmão em nossa igreja que tem o evidente carisma do socorro. e não é preciso pedir "Por favor" porque o Espírito Santo já capacitou para tal trabalho. há banquete. É que no momento em que você diz "Preciso de tal coisa". fortalece. Traga sua alegria. "Quero trabalhar nessa função". venha.. outros recebem três.

todo o teu corpo será luminoso. dona "Reunião de Oração". UMA GRANDE IGREJA É A QUE TEM UMA VIDA DE DISCIPLINA Os primeiros seguidores de Jesus foram chamados de "discípulos". trazendo ainda os males da carne: rivalidades. tanto quanto participar das atividades da Denominação fortalece os laços de amor entre as igrejas locais. que já estava enferma desde os primeiros séculos da era cristã. ciúmes. como "pão da vida". uma pergunta: SERÁ QUE O LEITOR NÃO AJUDOU A MATAR A DONA "REUNIÃO DE ORAÇÃO"? Quantos pastores se ressentem da ausência de irmãos (até da liderança. "aqueles que estão debaixo de uma disciplina". mas erroneamente. o xarope de reuniões sociais" sufocou-a. Os médicos constataram que sua doença foi motivada pela "frieza de coração". nem pensar. na Igreja dos negligentes e frios na fé. a disciplina de Jesus Cristo é uma atitude e uma atividade. Até cápsulas de "gincana" lhe deram pra tomar! RESULTADO: Morreu Dona "Reunião de Oração"! A autópsia revelou: falta de alimentação. emendando o lazer de sexta a segunda e vigília.E o Culto de Oração nas quartas ou quintas-feiras que tem virado uma lástima em algumas igrejas? Alguém me repassou uma Nota de Falecimento que diz o seguinte: Nota de falecimento Faleceu. isto é. deram-lhe "injeções de competições esportivas". Aos domingos. de quebrantamento. se os teus olhos forem bons. Agora. É uma atitude de submissão. de entrega.. de reconhecimento do senhorio de Jesus Cristo sobre nós com o objetivo nosso de aprender. e ausência de vida espiritual. a Igreja dos negligentes. só pela manhã. pois lhe deram grande dose de "administração de empresa". E é uma atividade que se demonstra em tudo o que fazemos. A presença nos Cultos é fundamental para a solidez da fé. mas. estará fechada nos cultos do meio da semana. Foi medicada. Constataram ainda: "dureza de joelhos" . situada na Rua do Mundanismo. e comprimidos de "clube de campo". devido à falta de circulação do "sangue da fé". principalmente entre os jovens. assim mesmo quando não houver dias feriados.) que deveriam e até poderiam estar presentes no Culto de Oração. Administraram-lhe muitos "acampamentos".não dobravam mais ."fraqueza de ânimo" e muita falta de boa vontade. se forem maus. Na Palavra de deus. mudando-lhe o regime. o que provocou má circulação nas amizades. Foi proprietária de grandes avivamentos bíblicos e de grande poder e influência no passado. número 666. carência de "água viva". Em sua memória. haverá Culto ou Escola Bíblica. Como Jesus expressou: "São os teus olhos a lâmpada do teu corpo. o teu corpo ficará em 130 ..

como ensina Paulo: "a fé vem pela. É uma atividade que olha para o alvo que é a cruz de Jesus Cristo. e na sua lei medita dia e noite". "Vós sois o sal da terra".8b são textos basilares sobre o testemunho do cristão: "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens. e aquele que deseja fazer de sua vida um real ministério. Jesus manteve uma vida de oração. Observem que os discípulos não pediram a Jesus "Ensina-nos a pregar".. chegou a ensinar uma oração-modelo.". Eles vêm para melhorar a nossa vida pessoal e da igreja como um todo. uma bemaventurança para aquele que "tem prazer na lei do Senhor. Mas temos que nela colocar alma para que não vire reza (palavra que vem de "recitar"). Há. Através de vida disciplinada no serviço. modelo porque não é recitada simplesmente. Há até uma bem-aventurança: no Salmo 1. e outra horinha de noite para meditar na Palavra. no Templo. o apóstolo. A oração torna a nossa marcha mais firme. não julgo havê-lo alcançado.14. e Paulo.. Prefiro esta última expressão "dia e noite" a uma outra tradução que ensina "de dia e de noite".. enquanto a segunda pode dar idéia de tirar uma horinha de dia. Todos somos chamados. cada atitude que expressamos está marcada por essa disciplina que vem da Escritura Sagrada. Lemos a Bíblia com o objetivo de estudá-la e de nela meditar. e na sua lei medita dia e noite". deve nele disciplinar-se. cada palavra que pronunciarmos. UMA GRANDE IGREJA É AQUELA QUE TEM UMA VIDA DE TESTEMUNHO Mateus 5. prossigo para o alvo.34). permanência na Palavra.13.16 e Atos 1. mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão. "Irmãos. Sua vida de oração era intensa: ou Ele Se levantava de madrugada para orar. Através do estudo da Palavra. Rm 10. aliás. Nossa igreja tem realizado seminários e simpósios de capacitação. o próprio Senhor Jesus Cristo. quanto a mim. orava na sinagoga. ou ficava até de madrugada em oração. O propósito da leitura e estudo da palavra de Deus é confirmar e estimular nossa fé. pela qual pautamos a nossa oração.. onde fala do "varão que tem o seu prazer na lei do Senhor. As horas consumidas no preparo disciplinado não constituem tempo perdido. palavra de Cristo" (cf. Ela só é meditação constante quando aplicada à vida e cada coisa que fizermos.trevas"(Lc 11. a nossa vida mais constante. porque a primeira fala de constância. em Filipenses 3. "Vós sois a luz do mundo". O exercício da oração é prova disso. mas "Ensina-nos a orar". Tudo isso é testemunho! O apóstolo Paulo tem uma 131 . Essa disciplina se manifesta na devoção e na vida de serviço. para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus". embora até a recitemos. Orava durante o dia. Não posso entender o crente que não se alegra com a leitura da Palavra de Deus.17). e o nosso trabalho mais abundante no Senhor. Isso quando a Bíblia fala tanto de alegria e felicidade.

FIQUEI ASSIM (corado.23). Parece que estamos andando com os discípulos. ser testemunha de Jesus Cristo? É compartilhar algo da própria experiência. no entanto. o melhor testemunho é dizer "eu era ssim.15). e o evangelho veio e me resgatou para Jesus!!!) É a minha história e a sua também.. Nesse livro. de Pedro e João (3. O conteúdo do testemunho aponta para Jesus Cristo e Sua obra na vida humana. eu conto. produzida pelo ministério. igualmente. ""pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Rm 3. e você passa a ser respeitado. Nós éramos assim (que palavra terrível!). havia uma propaganda que dizia "EU ERA ASSIM (e mostrava um indivíduo bem apessoado) CHEGUEI A FICAR QUASE ASSIM (a figura era de um esqueleto) TOMEI [E DIZIA O NOME DO FORTIFICANTE]. Ele estava sendo apedrejado. estando já manifestos como carta de Cristo.2< "Vós sois. e entrando com eles nas cidades. Não foi ele que pediu a Deus que 132 .. Que livro extraordinário! É uma leitura empolgante. Se disse que não o tem. conhecida e lida por todos os homens.. em pé à direita de Deus" (7. de Paulo (20. Perceberam que isso é o que Jesus faz? É o evangelho! EU ERA ASSIM (o pecado em deixou desta maneira. e começa na própria experiência de Pedro (At 2.expressão em 2Coríntios 3.. na lama. forte).10). Pode até acontecer que em nosso testemunho ao mundo perdido sejamos um tanto vacilantes. ainda. já está pecando. "Não há um justo. ele exclamou: "Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem. O que eu vi. Outra realidade impressionante é que o melhor testemunho não é aquele que eu pesquiso e repasso às pessoas: é o da minha vida.24. escrita não com tinta. a única Bíblia que estas pessoas irão ler. E sabe quando você começa a ser respeitado? Quando aquela rodinha no trabalho ou na escola se cala quando você chega. bonito. Que é. e . mantenhais comunhão conosco". Fico impressionado com o testemunho de Estêvão.56). mas a minha vida mudou". e participando das pregações. mas vai ler a minha e a sua vida." O que é impressionante é que muita gente nunca vai abrir a Bíblia Sagrada. e a Bíblia diz. mas sempre devemos começar com a nossa própria experiência nos termos de 1João 1. no passado bem passado. Nos bondes. e naqueles momentos finais. o testemunho é pessoal. Ninguém fique iludido pensando não ter pecado. eu fazia isso. é o que eu conto sobre o que Deus fez por mim. quase me arrastando. Portanto. nem um sequer"" (Rm 3.32). O melhor testemunho é contar a vida. 22.4-6). Somente temos que ler o livro dos Atos dos Apóstolos para confirmar o que foi dito. e não conta mais aquela piada indecente que você costumava ouvir.14. uma grande igrejaé aquela que tem uma vida de testemunho. para que vós.3. "O que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros. de Estêvão (7. mas pelo espírito do Deus vivente.56).

"Não por força nem por poder. mas pelo meu Espírito. quando os missionários regressaram. Seu chefe. É uma mascarada. é uma reunião de amigos. não haverá estabilidade de fé. na inspiração de Zacarias 4.60). É um clube religioso. a igreja não tem sentido. de gente idealista. O Pr. Não fizemos qualquer lavagem cerebral. se perguntava o que poderia fazer para ajudar. Uma tarde. Não haverá um ministério para cada um. diz o Senhor dos Exércitos". faziam ruídos. usando a linguagem da psicologia: "Que vocês. nada. um descrente. O homem tem dez filhos. Tomás Munguba contou-me sobre um operário de uma fábrica em sua cidade (João Pessoa). Deste modo. perguntou ao Pr. Faltava. viram os macacos que os estavam imitando: puseram lenha para fazer uma fogueira.peroasse os seus algozes? (7. amigo do Pr. mas não é uma igreja onde Jesus Cristo é Senhor. Tomás. Absoluta nada. mas também perto de uma colônia de chimpanzés selvagens. porém. Cada tardinha. Numa certa segunda-feira. Era apenas uma imitação. Quando o chefe soube que ele estava freqüentando uma igreja evangélica. voltavam das aldeias. algo importante naquela fogueira: o fogo. e estavam sentados ao redor da fogueira apagada se "esquentando" como os missionários faziam nas noites frias: esfregavam as mãos... uma fantasia. Mas o Espírito Santo trabalhou.6. acendiam uma fogueira e ficavam ao redor contando as experiências e as bênçãos. e todo início de semana chegava embriagado ao trabalho. o mundo quer ver esta realidade vital genuína que só Cristo pode oferecer. Olha o nome: Atos dos Apóstolos: o Testemunho dos Apóstolos! Um livro inteiro só de testemunhos do que Deus fez através dele. nem vida de disciplina. protestantes." UMA GRANDE IGREJA É AQUELA QUE TEM O PODER DO ESPÍRITO SANTO Não obstante. deu-se um milagre: chegou sóbrio à fábrica e assim permaneceu por toda a semana e sempre. Assim é com a igreja: sem o fogo do Espírito. "Nada. A única prova disponível para que o mundo veja a obra de Cristo em nós é nossa própria vida. Tomás. Lembremos que o fogo que aquece a igreja é o Espírito Santo. EXPRESSÕES PARA DESCREVER O MINISTÉRIO DO ESPÍRITO O Novo Testamento tem dois termos para descrever o ministério do Espírito Santo na vida e experiência dos crentes: a habitação do Espírito Santo e a plenitude do 133 . nada acontecerá sem o poder do Espírito Santo. É. em todos os casos. testemunho pessoal que parte da experiência pessoal. Há uma história sobre um grupo de missionários acampados na selva perto das vilas e aldeias. estão fazendo para condicionar a atitude comportamental de Fulano?" Responde o pastor. Um testemunho eficaz inclui dois elementos básicos: um modo de viver: um modo de vida e uma comunicação oral. nem vida de testemunho.

Esta deve ser uma nova hora para cada pessoa que lê esta reflexão. secular. tudo tem 134 . reconhece que o dinheiro não é o lado profano. a água da vida é grátis. A hora de se firmar mais e cada vez mais em Jesus Cristo.5). Paulo faz uma analogia entre a intoxicação alcoólica. se o que desejamos é uma vida abundante e vitoriosa. tão sagrada quanto uma cesta básica que é dada para uma família menos valida. havendo. A plenitude do Espírito Santo não é instantânea como a embriaguez também não o é. Tg 4. quando a igreja se reúne para a edificação ou quando espalha a mensagem através de ondas do rádio. A contabilidade de uma igreja local é tão sagrada quanto a mensagem que sai do púlpito. seus pensamentos. O segundo significa ser controlado pelo Espírito Santo (Ef 5. a água da vida é levada. a embriaguez. Sua comunhão com o Espírito vai fazendo com que sua vida seja controlada. todos compreendem que você está sob o domínio do Espírito de Deus. porque na Igreja de Jesus Cristo não reconhecemos coisas profanas e coisas sagradas. "Na verdade. no qual há dissolução.Espírito Santo ou ser cheio do Espírito. de algo sagrado chamado Igreja. Por incrível que possa parecer. ou através da imprensa escrita. de tal modo que quando você fala. no entanto.14) A causa de Jesus Cristo tem seu lado financeiro.18). Este é o momento sério de renovar o pacto com suas convicções.16. Isso faz lembrar a palavra de um evangelista que afirmou com muita propriedade. A hora de buscar a plenitude do Espírito. Quando uma pessoa está "cheia de vinho" não significa que está cheia da cabeça aos pés como uma garrafa. mas que cada parte de seu corpo está afetada pela bebida: seu modo de caminhar. anda ou toca as pessoas. E o crente que se consagra. sua conversa. Ele o faz em Efésios 5. e cada vez mais controlada. nossa Rocha Eterna. É o controle e o domínio do Espírito Santo sobre. seu olhar.18: "Não vos embriagueis com vinho. O primeiro se refere à conversão (1Co 3. Quando os irmãos se reúnem para o crescimento. A hora de cada crente renovar sua aliança com Deus. o que ninguém desconhece. se o que queremos é uma grande igreja. Para o cristão. Ser "cheio do Espírito" significa que cada ação nossa. cada pensamento e palavra está sob Sua influência. e o controle do Espírito de Deus. mas enchei-vos do Espírito". mas o balde em que é transportada tem que ser comprado. da televisão. forte e espiritual! Parte XXII CREIO NA CONTRIBUIÇÃO CRISTÃ "Fazei todas as vossas obras com amor" (1Co 16. um custo financeiro. tão sagrada quanto a lição da Escola Bíblica que é repassada para os alunos em uma classe." Quer isso significar que quando se anuncia o reino de Deus isso é feito de modo absolutamente gratuito.

é a raiz de todos os problemas e sofrimentos. O aspecto civil da lei de Moisés confundia-se com o lado cultual. É um sistema de valores econômicos. ritual e litúrgico. faz parte do "Sermão do Monte.2. quem pense que a Bíblia ensina que o dinheiro é a raiz de todos os males. e a loja diz que custa R$ 450." Sustentavam a obra de Jesus Cristo. E normalmente se dá mais valor ao que custa mais caro. nós colocamos no dinheiro um sistema de valores porque damos preço a um objeto pela quantidade de dinheiro investido nele. Assim o era no Antigo Testamento. tão sagrado que Jesus tinha um tesoureiro no colégio apostólico. Porque começa dizendo assim. a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui". a ganância. Não pode ser dessa maneira. E Joana. Isso não existe na palavra de Deus. Vamos a Lucas 8. Mateus 6. ou disse ao ouro fino: Tu és a minha segurança. pois eu teria sido infiel a Deus que está lá em cima. neste último versículo. Se assim fosse. diz o verso 24: "Se no ouro pus a minha esperança. portanto. O que a Escritura ensina é que a avareza. No livro de Jó no capítulo 31. Também isto seria pecado para ser punido pelos juizes.00." A idéia é essa mesmo: servir. "Está na Bíblia". existe um aspecto sagrado no dinheiro que entregamos à igreja. amar e dedicar-se a Deus e dedicar-se aos bens. há um sugestivo ensinamento sobre uma gradação no relacionamento entre o homem e o seu dinheiro." Na palavra de Jesus. até. Se alguém vai comprar um refrigerador. O que a Bíblia diz. mulher de Cusa.sacralidade. Há. Aliás. Por isso que o valor de um objeto é medido pela quantidade de dinheiro que nós gastamos nele.00. em Lucas 12. Tão sério.24. e Suzana. é assunto sério. Não podeis servir a Deus e as riquezas". Dinheiro. Se me alegrei por ser grande a minha riqueza. chamada Madalena. procurador de Herodes. Não servir.15: "Acautelai-vos e guardai-vos da avareza. ninguém pode se devotar e ninguém pode cultuar. que apresentam o seguinte: "E também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria. ou se devotará a um e desprezará o outro. não seria ordenado "trazei todos os dízimos à casa do tesouro". Ou a de odiar a um e amar o outro.3. "Ninguém pode servir. Dinheiro. e há um outro bem semelhante nas características e funções e custa R$ 580. não é apenas um meio de adquirir bens. e muitas outras as quais o serviam com seus bens. E alguém disse. e por ter a minha mão alcançado muito. Temos nesta história todo um sistema de valores. das riquezas. à conta bancária. é que "o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males". Dinheiro é um sistema de valores. você vai querer saber porque um custa duzentos e pouco e o outro quinhentos e alguma coisa. da qual saíram sete demônios. A Constituição do povo de Israel era a própria Lei de Moisés. 135 . Nele está que "Ninguém pode servir a dois senhores. Então. espirituais e morais. às posses. Mamon é a personalização do dinheiro. o amor ao dinheiro. E havia pessoas fiéis que sustentavam o Seu ministério. odiar e desprezar a Deus. Sim. Algumas traduções têm "Não podeis servir a Deus e a Mamon".

É um sistema de valores espirituais. A própria expansão do evangelho quando mandamos um missionário ou uma família missionária. A Convenção estadual reúne das igrejas do seu campo e remete uma porcentagem para a Convenção Batista Brasileira. O crente faz isso através do seu dízimo. uma parte dele é enviada para a Convenção Batista do seu Estado. "Que Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu filho unigênito". podemos reconhecer a ação do Espírito Santo de Deus. e se a igreja pedir uma contribuição para ajudar a uma determinada causa. o carisma de ser liberal. a manutenção do culto (ou alguém não paga essas luzes que são acesas durante o culto? Ou outros bens que nós usamos. A lista de versículos relacionados com dar. que também pode ser doar e oferecer. a sua personalidade. aliás. significa assistência aos pobres. forçosamente nós temos que entrar no sistema de Deus para o financiamento do Seu projeto. doar e oferecer é imensa. E parte desse projeto é 10% da renda pessoal.O dinheiro é. E então. até. no entanto. O dízimo faz parte desse sistema de valores. e uma das graças do Espírito na nossa vida chama-se o dom da liberalidade. Quando contribuímos. Também há uma palavra de Jesus registrada fora dos Evangelhos. de "o Evangelho do Espírito"): "Mais bem aventurada coisa é dar do que receber". Vamos começar com o que o dízimo não é: O dízimo não é um meio de pressionar a igreja a levantar dinheiro a fim de suprir 136 . o seu trabalho. Contribuir significa companheirismo no serviço cristão. o carisma é tão forte na sua vida que se a igreja pedir o segundo dízimo dá. no livro dos Atos dos Apóstolos (chamado. também. também dá. a Bíblia diz tantas vezes. Realmente. No caso particular dos Batistas. há pessoas que são ajudadas com as cestas básicas há pouco mencionadas. Dar é sinal da graça de Deus. Nesse ponto. Romanos 12 fala sobre isso. O projeto de Deus é o programa de expansão do Seu reino neste mundo. e a sustentamos em um determinado país. a qual. a Escritura mostra que dar é sinal da graça de Deus na sua vida e a disposição de fazê-lo é dom da operação do Espírito Santo no coração. por sua vez. É o governo soberano de Deus nos corações. indo de Gênesis 4:12 a Apocalipse 22:12. Tive a curiosidade de olhar na Concordância Bíblica a palavra dar. Por isso. um sistema de valores morais porque representa o seu tempo. outros serviços públicos que a igreja utiliza?). enviando uma parte à Aliança Batista Mundial. e. Contribuir está intimamente ligado ao estado de vida espiritual e onde há contribuição generosa e liberal a Deus. É aquela pessoa que dá o dízimo. como o emprega na causa de Jesus Cristo. divide toda a contribuição recolhida pelos diversos apostolados e ministérios que realiza. quando o fiel entrega o dízimo. nós entramos na questão do dízimo. dependendo do modo como você o usa. Então o que é e o que não é o dízimo? Vamos esclarecer algumas coisas.

sim. nem neles te deleitaste os quais se oferecem segundo a lei. ele que evangelize. não. não é um meio de pagar para que outros façam. não." Há outras bênçãos além de dinheiro. ofertas com massas para pagar pecados. por isso. As bênçãos são a graça. Não é que Deus me deva alguma coisa e com isso eu tenho credito com Ele. mais miserável é.500 reais que o outro entregou. além de realizar obras caracteristicamente cristãs. Deus não se deleitava com essas coisas.00 para R$ 15." Não dê o dízimo com intenção de pagar pecados. eu preciso cumprir a minha parte. ela é aconselhadora. 137 . O Coordenador de um Ministério. Agora vou dar o dízimo para não acontecer mais. "Se eu não vos derramar sobre vós uma benção em abundância. o salário mínimo. oblações com vinho. Não é um meio de subornar a justiça de Deus. Ouvi contar de certo pastor que falou para alguém. um tem mais posição que o outro. não dê o dízimo para pagar promessa. Não é uma maneira de mostrar posição pessoal. para a obra de Cristo." Como pode?! Deus não está me devendo nada. Vou dar o dízimo para ficar rico. "Eu tenho crédito com Deus. por isso. Já vi gente dizer isso.8 coloca o assunto da seguinte maneira: "Depois de dizer como acima: Sacrifício e oferta.10 para quem recebe R$ 151. mas. Já vi isso também. O dízimo não é cumprimento de exigência da lei de Moisés. a misericórdia. ela é visitadora. que lhe devo! Deus só me cobre de graça sobre graça. Não dê o dízimo com medo. mais dinheiro uma pessoa tem. do endro.necessidades do seu orçamento. A palavra de Jesus diz que nós devemos. então. Por exemplo: trigo. e holocausto e oblações pelo pecado não quiseste. coordena. mas irmão Fulano ganha R$ 15 mil. mas. Ela é evangelista. Quantas vezes o dinheiro tem sido maldição. Porque o povo dava o dízimo não só de dinheiro. Então. quem realiza é a Igreja de Jesus Cristo. se tinha vinte sacas de trigo. que levam para o campo. benção sobre benção. Diante de Deus é a mesma coisa.00. Mas." Não acabou nada. Nem para criar um saldo de graças com Deus. ele é o Diretor. mostrando como é natural. dou R$ 15. às vezes.00 é a mesmíssima proporção de R$ 15.10. R$1. os 15 reais e 10 centavos que os 1. não são apenas bênçãos materiais. e agora posso exigir dele. Porque alguém pode pensar assim: "Bom. O Diretor de Evangelismo dirige a evangelização. o crescimento espiritual. Eu só ganho R$ 151. e essa pessoa repassou que ele dissera. As bênçãos de Malaquias 3.500. Há quem pense.00. dar o dízimo também.000." Faziam sacrifícios de animais. Hebreus 10. Talvez seja até mais sacrificial.500. Por isso. cada ministério é realizado pela igreja. um era do Senhor. eu. E ele até mencionou temperos usados no trivial da cozinha: dízimo do cominho. ele dá R$ 1. um era do Templo. dava o dízimo também de espécie. ele é o Coordenador. com pessoas que treinam.00 de dízimo. Não é um meio de pagar para que outros façam a obra no meu lugar. O Novo Testamento acabou com o dízimo. A promessa é de bênção. "Se ele é o Diretor de Evangelismo.10". "Não dou dízimo porque é da lei de Moisés. glória sobre glória! Agora. Eu não tenho que criar um saldo de graças com Ele. duas pertenciam ao Senhor entregava ao Templo. que dirigem." Não é assim não. Se tinha naquele ano uma produção de dez bezerros. Por isso. do coentro. enfim. da hortelã. "Isso me aconteceu porque eu não dei o dízimo. não! Dízimo não é para isso.

minha irmã. Acho que é uma boa prática não entregar dízimo na tesouraria. Onde devo dar o dízimo? Na "casa do tesouro". Há designações para isso: conspiração e formação de quadrilha. "Faça o seguinte irmão. O dízimo é reconhecimento de que eu aceito o fato de que Deus é soberano sobre o mundo e sobre a minha vida também. é solução para a expansão 138 . A Bíblia me mostra que o dízimo é uma solução para o crente pessoalmente falando. De vez em quando. É porque é um ato de louvor e deve. ser trazido ao culto e entregue em adoração. É um referencial simbólico de tudo aquilo que o crente entrega a Deus. houve muita oração. Eu vou dar quanto? A resposta é a mesma. É errado por vários motivos: por não trazer o dízimo. nos ajuda a desenvolver a disciplina de um padrão. E assim. o padrão de contribuir. É um guia para o padrão de crescimento do crente na contribuição. Esse irmão de outra igreja falou isso: "Há um grupinho da igreja que está depositando o dízimo em uma poupança. É solução para não só para o crente individual. mas não é dessa maneira que se faz. que deveriam pagá-lo no banco. e está em 1Coríntios 16. por usar um expediente errado e por pressionar o pastor daquela maneira. Porque um vai dizer. "Pastor. não! Dízimo é expressão de adoração. 10%. dá para entregar o dízimo na tesouraria?" Respondo. é forma de cultuar a Deus. nem na tesouraria. O tesoureiro depois vai recolher os dízimos e ofertas". É uma boa prática não entregar na mão de ninguém. água. Ou você pensa que 10% é de Deus e 90% é seu? Não é. É crime e dá cadeia. Isso diz que o dízimo é adequado. não é por outra razão. é ponderado. telefone. É assim que está na Escritura Sagrada. ou fatura de clube. Então. mas. para sair tem que haver muita oração.14: "Fazei todas as vossas obras com amor". não! "Dez por cento é de Deus. por isso. do resto eu faço o que quiser". Aprendo que o dízimo é uma solução. nós não podemos fazer o que umas igrejas andaram fazendo. Alguém de uma igreja irmã me disse certa vez que para pressionar a saída do pastor estava com outros irmãos depositando o dízimo em uma caderneta de poupança."Então o que é o dízimo. Mas. No banco. Isso significa que o dízimo é proporcional. paga-se luz. meu irmão querido. na igreja em culto. Não é. o que Jesus Cristo quer é você. pastor?" Dízimo. pagam-se duplicatas e prestações. que é para ver se com isso o pastor sai. Entregaram um boleto bancário para os membros. além de nos ajudar também a estabelecer corretamente quais são as prioridades da nossa vida. Se para entrar." Está errado. qual é o motivo real para que eu dê o dízimo? Creio que só há um motivo irmãos. O pastor pode estar errado. por isso. não. eu ganho pouco e o outro vai dizer. Mas. O que Ele quer é você. vá lá no santuário e coloque no gazofilácio. Dez por cento é apenas o começo dessa expressão de entrega. o dízimo é do Senhor e eu o trago à casa do Senhor. Como quem paga carnê do Baú da Felicidade. alguém pergunta. é 10% da renda. eu ganho muito. que ensina que é até uma coisa mesquinha pensar apenas em 10% porque Jesus Cristo realmente pede 100% de nós.

sabiam? Há quem pense que oferta é menor do que o Dízimo. e assim por diante.00. com amplitude. Contribuição é menos. vilas. que não é outro senão o programa da igreja local. 200. leilões. recebem porque o irmão deu o dízimo na igreja. a Convenção Batista Baiana estabelece seu programa de ação. rifas.00. Se você deve dar R$ 100. Se o seu dízimo é de R$ 100. você começou a cooperar. Quando você então se une a outros crentes na sua igreja e você dá o dízimo. na Bahia. Os missionários que estão no Japão. shows e coisas assemelhadas. E esse programa começa com o crente. os planos evangelísticos. Um problema financeiro que a igreja tem será resolvido com facilidade. Seminários. chás sociais. Qual é a próxima etapa do Plano Cooperativo? A igreja local. e dá R$ 80. Ele coopera com outros crentes e dessa maneira todos trazem seu dízimo. Dízimo é solução para a vida de qualquer denominação evangélica como agente da causa de Jesus Cristo nesse mundo através de um plano de cooperação. O plano cooperativo começa com você. vilarejos do interior. Então.. da Capixaba. ou 20%. da Paraense. O Plano Cooperativo é um programa de integração das igrejas.da igreja. espalhados pelo mundo. da Sergipana. da Amazonense.00. Está fora do padrão. no Canadá. onde fica a sede da Convenção Batista Brasileira. com visão por causa do dízimo. Junta de Missões Nacionais. Coloca missionários em cidades. no Brasil e 139 . 250. A nossa igreja contribui com 10%. As outras igrejas locais do Campo Baiano fazem o mesmo: cada igreja do interior e da capital manda este sua parte e. Que mais? A Convenção Batista Baiana por sua vez. na África. que na verdade é o dinheiro do Senhor. etc. Está estipulado pela assembléia da igreja que nós daremos 10% da entrada. porque as causas missionárias. A Convenção Batista Brasileira recebe então. sua oferta ao Senhor.. Aliás. não haverá problema financeiro. quanto estiver estipulado em assembléia da respectiva Convenção. o dinheiro das Convenções que na verdade é o dinheiro que veio das igrejas.00. 10%). na Romênia. o desenvolvimento na educação dos novos e dos antigos crentes. da Paraibana e assim por diante.. JUERP. Oferta alçada é mais do que dízimo.00. Aliança Batista Mundial. Junta de Rádio e Televisão. que na verdade é o seu dinheiro. da Mineira. sorteios. através do Plano Cooperativo. O nome está dizendo Plano de Cooperação das Igrejas. 30%. enfim.00. a nossa igreja mensalmente envia 10% para a Convenção Batista Baiana. 50%. tudo se executará com largueza. oferta é R$ 120. Isso é o que se chama de Plano Cooperativo na igreja local. poderia contribuir com 5%. está dando uma contribuição. E dessa maneira distribui pelos diversos ministérios que ela executa: Junta de Missões Mundiais. A igreja local e a obra de Cristo não se sustenta através de bazares. remete 20% para o Rio de Janeiro. Todas as Convenções mandam uma parte (20%. Talvez os crentes mais novos tenham ouvido muito superficialmente na Classe de Preparação para o Batismo. E a Convenção Batista Brasileira recebe da Convenção Baiana.

no mundo. Esse Programa de Cooperação só vai trazer uma coisa: bênçãos! Vamos para Malaquias 3.10, "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimentos na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós benção tal, que dela vos advenha a maior abastança". Abundância é questão de valores, não é questão de dinheiro. Não faça negociação com Deus. Há uma história que é passada às vezes de um modo muito lindo, no entanto, na minha interpretação, essa história, não guarda nada de nobreza.. É a história de quando Jacó estava em Betel, e teve a revelação de que naquele lugar o Senhor estava; que ali era Beth-El, a casa de Deus. Ele fez um voto dizendo: "Se Deus for comigo e me guardar nessa viagem que ora faço; e me der pão para comer e vestes para vestir, e eu em paz voltar a casa de meu pai, o Senhor será o meu Deus". Por que ele disse, "Se Deus for comigo", o problema é esse "se...", "Se Deus for comigo; se Deus me guardar; se ele me der comida; se ele me der roupa; se me fizer voltar em paz, então, eu darei o dízimo". Parece bonito, mas, o problema é que Deus lhe foi fiel e ele continuou o mesmo enganador de todo o sempre, porque dízimo é uma questão de valores espirituais e não de recompensas materiais como ele estava colocando diante do Senhor. O pastor Roberto McAlister, já falecido, faz uma pergunta, "Que é melhor: saúde ou um bom tratamento médico?". O que é que você prefere irmão, saúde ou o melhor médico da cidade tratando do seu terrível caso ? "Que é melhor, um filho simples e obediente ou um filho brilhante sem caráter? Que é melhor, um casamento humilde com muito amor ou um casamento infeliz com muito dinheiro?" O que é melhor? Porque tudo depende do senso de valores e Jesus Cristo fala de valores quando diz que devemos buscar o Reino de Deus e a sua justiça, porque o restante vem acrescentado. Quer dizer, se eu colocar o dízimo como o meu ponto de partida, a minha falta de fé vai se transformar em confiança e em sinceridade. Não vai haver falta de recursos para fazer a obra do Senhor, na casa do Senhor. A conquista de almas vai aumentar porque eu só tenho que fazer uma coisa, uma aliança com Deus; uma aliança com o Senhor na base da fé, na base da dependência Dele, pois certas coisas só podem ser realizadas com o Espírito Santo. Por isso, não é dever, é privilégio do crente, o de participar da obra do Senhor, da causa do Senhor; do projeto de Deus. Parte XXIII DESAFIOS DA LIDERANÇA CRISTÃ A verdade é que entramos no século 21 com tremendos desafios para a liderança na igreja. Um deles é, no dizer de Warren Wiersbe uma crise de integridade. E ela atinge o cerne da autoridade e da liderança da Igreja de Jesus Cristo. Wiersbe lembra que Paulo exclamou com as veras da sua alma: "não me envergonho do evangelho!" E sugere que talvez o evangelho afirme: "(mas) eu me envergonho dos cristãos". Quanta coisa tem sido praticada em nome do evangelho, com aparência de evangelho, com linguagem de evangelho, e tem dado como 140

resultado superficialidade de convicções, confusão mental e espiritual, e enfraquecimento da fé porque os líderes, pastores ou não, têm aberto campo para a falta de ética, para a manipulação dos sentimentos, para a falta de integridade. Excelente palavra a que traduz o conceito de integridade na língua hebraica: shalom, a qual é vertida para o português com alguns ricos significados, tais como "inteireza, integridade, plenitude, sucesso, salvação, saúde, prosperidade e, também paz". Não podemos fazer por menos: o instrumento que Deus tem para unir as pessoas, fatos e acontecimentos é a Igreja de Cristo. O líder há de ser íntegro, "limpo de mãos" (cf. Cl 1.9,10; 2.10; Sl 24.3,4), e "puro de coração" (cf. Sl 24.3,4). O líder cristão deve possuir uma mente como a de Cristo (cf. 1Co 2.16); sua vontade é honesta (Ed 9.6). O fato é que na época de Jeremias a religião parecia com esta do século 21: o povo dizia crer, mas havia influência secularista, pois o que cria não fazia diferença quanto ao modo de viver. O ideal evangélico está expresso em 2Coríntios 5.17. Além disso, na época de Jeremias, a religião havia se tornado um "grande negócio". É só conferir com as exclamações do profeta Jeremias que não tolerava os abusos como em 5.30,31 e Lamentações 4.13. Tudo isso é o que A. W. Tozer chamou de "tratamento comercial" do evangelho. Esse mesmo "tratamento comercial" é responsável pelo pragmatismo religioso: "visto que a igreja está cheia, Deus está abençoando", afirmam. Outro desafio às portas do século 21 são os novos estilos de culto. O que em outros países é denominado histórico ou contemporâneo, em nosso país é objeto da pergunta "tradicional ou renovado?" Outras comunidades têm utilizado a terminologia Culto Jovem contrapondo-se ao estilo recebido de liturgia e rito. É evidente que o culto é mensurado pela transformação causada nos que cultuam a Deus, e há de ser sempre "em espírito e em verdade" (Jo 4.23,24), ou não há de ser culto. É gratidão, reconhecimento, louvor, e (embora não seja o propósito primário) terapêutico. Ao tempo que o cultuante reconhece o cuidado, carinho e amor de Deus, louva-O e sai aliviado das tensões, dos cuidados e preocupações, terapia grupal no louvor comunitário. O culto, por ser dinâmico, envolve mudanças, mas envolve igualmente o que nunca deve ser mudado. Deus não muda; as verdades eternas não mudam; a Palavra de Deus não muda. Questiona-se a ressurreição de Jesus Cristo, a realidade do pecado, a necessidade de salvação, e a singularidade da obra redentora de Cristo. Mas o método pode mudar porque não são estáticos, mas se adequam aos tempos e circunstâncias. A liderança da igreja às vésperas do século 21 há de estar aberta para o novo sem perder a visão do permanente na igreja. Afinal, somos líderes e capacitadores numa comunidade local sem perder a visão do todo da Igreja de Jesus Cristo; e 141

capacitadores e líderes da Igreja de Deus sem perder a visão da comunidade como expressão local dessa Igreja. Numa análise do que chama "a Igreja do Futuro", Ralph W. Neighbour destaca que a "Igreja do Presente" se caracteriza por ser tridimensional: tem largura, comprimento e profundidade, mas não possui poder espiritual para dar à luz outra geração de cristãos. A "Igreja do Futuro", além dessas dimensões, tem mais uma: altura, ou seja, vive num mundo físico, de três dimensões como a outra, mas vive em acréscimo num ambiente espiritual onde "principados, potestades, príncipes do mundo destas trevas, hostes espirituais da iniqüidade" são diariamente enfrentados. É o caso, então, de examinar o que Neighbour destaca quanto ao que caracteriza essa Igreja dinâmica, ativa, viva, quadridimensional: · O Espírito Santo é Quem a dirige. É só permitir que Ele a controle nos termos de Efésios 3.16. A Igreja e sua liderança não são significativas pelo que possuem, mas porque são usadas por Deus. · Essa Igreja vive na quarta dimensão, sem qualquer alusão à ideologia esposada pelo pastor coreano David (antes Paul) Yongi Cho. Humanos, somos seres tridimensionais; mas como povo de Deus, e ainda mais, liderança desse povo, temos por conceito o sublime e urgente dever de ser quadridimensionais. Afinal, é nessa dimensão que o poder de Deus se revela e Satanás é vencido (cf. Jo 3.3; Ef 2.18,19). Onde se enfatizam as três dimensões, a liderança trabalha para o povo; nas quadridimensionais, a liderança trabalha com o povo. Não é de estranhar, portanto, que na Igreja onde se enfatizam as quatro dimensões a liderança seja composta por aqueles em quem os milagres de Deus acontecem de modo pessoal, e não de segunda mão. Ver a Deus, por exemplo, é experiência de primeira mão: Noé teve uma experiência sensorial com Deus e tornou-se o arauto divino para o arrependimento do seu povo (Gn 6.13); Abraão viu a Deus, e isso resultou num rompimento com a velha e surrada vida no politeísmo de sua terra natal (Gn 12.1ss); Jacó viu a Deus, e desde esse momento tornou-se "o princípe de Deus" ((israel, cf. Gn 32.22-32); Moisés viu a Deus e isso fez diferença na sua vida (Ex 3. 1-12; 34.29-35); Gideão que teve um encontro transformador com o Todo-Poderoso (Jz 6.11-24); Elias recuperou-se de um processo de depressão para a vitória porque viu a Deus (1Rs 19.8ss); Isaías nunca mais foi o mesmo depois da visão de Deus (Is 6.1ss); foi o caso de Paulo (At 9.1.ss). E "ver a Deus" dá novas energias. Quando se experimenta pessoalmente o poder de Deus, não se necessita ser aguilhoado para crer que todas as coisas são possíveis por meio de Cristo Jesus. Um líder que tenha tido uma visão definida de Deus será capaz de amar, terá todas as condições de repassar esperança, assim como capacidade de comunicar a fé. Na verdade, só podemos influenciar e liderar outros até o ponto a que nós mesmos chegamos. Nesse ponto, vai se revelar o líder espiritual em contraposição ao líder natural. Segundo Sanders, o paralelo entre estas duas qualidades de líderes é o seguinte: O Líder Natural 142

· É autoconfiante · Conhece os homens · Toma as próprias decisões · Usa os próprios métodos · Gosta de comandar os outros (e ser obedecido) · É motivado por questões pessoais · É independente. Bem diferente, portanto, do Líder Espiritual, o qual: · Confia em Deus · Conhece os homens e conhece a Deus · Faz a vontade de Deus · É humilde · Usa o método de Deus · Busca obedecer a Deus · É motivado pelo amor a Deus e aos homens · Dependência de Deus Parte XXIV DISCIPLINA NA IGREJA Introdução Disciplina eclesiástica é um termo em risco de extinção no atual vocabulário cristão. Desde que os princípios do pós-modernismo encontraram lugar no seio da igreja,(1) qualquer conceito que ameace o individualismo e a liberdade de escolha quanto ao estilo de vida, comportamento, etc., é logo taxado de arcaico, passé. A dicotomia prática de muitos cristãos gera a ilusão de que a igreja não tem nada a ver com o procedimento "secular" de seus membros. Nessa "nova era" antropocêntrica, a igreja é vista como uma organização altamente dependente do indivíduo, e que precisa conservá-lo ao custo de várias exceções. O medo da impopularidade leva muitos líderes à cumplicidade e pecados são justificados em nome de uma atitude mais "humana."(2) Por outro lado, o que dizer daqueles que, em nome do zelo pela disciplina, cometeram injustiças e causaram mais males que bens?(3) Em todo esse contexto, a disciplina tem uma vida curta e a tolerância consagra-se como a virtude da moda.(4 )Porém, o que acontece com uma igreja sem disciplina? O termo "disciplina," em geral, é empregado em vários sentidos. Podemos usá-lo para referir-nos a uma área de ensino, ao exercício da ordem, ao exercício da piedade(5) ou a medidas corretivas no seio da igreja. O objetivo deste artigo é delinear alguns fatores da importância da disciplina eclesiástica entre os membros do corpo de Cristo. O autor está plenamente consciente de que um artigo como este não coloca um ponto final no diálogo sobre o assunto. Porém, o que motiva esta reflexão é a esperança de que a mesma seja útil para elucidar a muitos quanto ao aspecto bíblico-teológico 143

da disciplina. I. Errando o alvo A igreja cristã tem sido acusada de ser o único exército que atira nos seus feridos.(6) O grau de verdade dessa acusação é, muitas vezes, devido a malentendidos com relação à disciplina eclesiástica. Tais mal-entendidos estão presentes em pelo menos dois grupos: 1) os que aplicam a disciplina, e 2) os que sofrem a aplicação da mesma. Como cada caso deve ser analisado individualmente, só nos cabe aqui listar os mal-entendidos mais comuns em relação à disciplina eclesiástica. A. Disciplina e Despotismo Com a subida ao poder do Partido Nacional na África do Sul, em 1948, a segregação foi legalizada em nome da disciplina. Como resultado, foi sancionado o aprisionamento de negros sem nenhum julgamento formal.(7) Isso não foi disciplina, mas despotismo. A história da Igreja Medieval apresenta uma vasta galeria de ilustrações da confusão entre o uso da disciplina e o exercício do despotismo.(8) Seria isto apenas um fenômeno do passado? Infelizmente basta familiarizar-se com os círculos eclesiásticos para se descobrir que o espírito medieval ainda está vivo e ativo na mente e atitude de alguns líderes modernos. Há aqueles que, como resultado da ganância pelo poder, seguem o caminho de Balaão e amam a injustiça (2 Pe 2.13,15). Estes estarão sempre prontos a "disciplinar" por motivos interesseiros (Jd 16). Não se deve esquecer, porém, que a culpa de Edom consistiu no fato de que "perseguiu o seu irmão à espada, e baniu toda a misericórdia; e a sua ira não cessou de despedaçar, e reteve a sua indignação para sempre" (Amós 1.11). B. Disciplina e Discriminação A confusa identificação entre disciplina e discriminação pode ser vista sob dois aspectos: 1) no abandono do disciplinado por parte da igreja, e 2) na recusa do disciplinado em receber a disciplina. Para se evitar o primeiro erro é imprescindível que a família cristã não desista de um dos seus membros que caiu. Paulo exorta a igreja para que manifeste perdão, conforto e reafirmação de amor para com o arrependido, para que "o mesmo não seja consumido por excessiva tristeza" (2 Co 2.7-8). Outra razão para esta exortação é para que "Satanás não alcance vantagem" sobre a igreja, criando amargura, discórdia e dissensão (v. 11). Há sempre a possibilidade de que o disciplinado não se submeta à disciplina, e acuse a igreja de discriminação. Tal atitude apenas manifesta ignorância e estupidez (Pv 12.1 - tradução literal). Segundo as Escrituras, é o pecado e a determinação em segui-lo que gera discriminação, e não a 144

1-13. Nenhum direito nos é dado. C. Ou seja.29). Na sua Primeira Carta aos Coríntios 5. ao escrever a Segunda Carta aos Tessalonicenses 3. na Segunda Carta a Timóteo 2. Por outro lado. "Aliás.17 o apóstolo recomenda disciplina aos que causam divisões na igreja e. Além do mais. mas sim a responsabilidade de amar o pecador e vigiar para que também não caiamos (1 Co 10.4-13). e na Primeira Carta a Timóteo 1. é preciso lembrar que toda atitude pecaminosa precisa ser corrigida. Por exemplo. O Ensino Bíblico A. a pergunta a ser feita dever ser: "Com que direito um membro da Igreja do Cordeiro profana o sangue da aliança e ultraja o Espírito da graça?" (Hb 10. mas as Escrituras mostram que a disciplina 145 . é importante lembrar que a autoridade na disciplina nunca vem daquele que a aplica. A Necessidade da Disciplina Aquele que ordena a disciplina na igreja é o mesmo que estabelece o padrão a ser seguido no exercício da mesma. Esse padrão consiste primeiramente em amor paternal (Hb 12. É certo que o mundo vê a disciplina como expressão de ira e hostilidade. "não somos todos pecadores?" Primeiramente."(9) Com relação à autoridade. mas há algumas que requerem correção pública. equívocos.16-17 o evangelista fala daqueles que se recusam a abandonar o pecado mesmo diante de uma amorosa exortação pessoal. ou seja. e muitos deles haviam continuado por um período de tempo. mas daquele que a ordenou.12).15). Disciplina e Arbitrariedade "Com que direito fizeram isso?" Tal é a pergunta que constantemente se ouve em casos de disciplina.5 e 1 Tm 1.17-18 e na Segunda Carta de João 9–11 são mencionados os que dissimulam ensinos contrários ao Evangelho. ou dureza de coração poderiam levar alguém a deturpar os princípios bíblicos sobre a disciplina eclesiástica e justificar sua ausência entre os membros do corpo de Cristo. na Carta aos Romanos 16. II. Paulo descreve as pessoas cujas práticas trazem escândalo à igreja.20).6-10 ele prescreve disciplina eclesiástica para aqueles que se deleitam na preguiça. "Que direito temos nós de tomar o corpo de Cristo e fazê-lo um com a prostituição?" (1 Co 6. somente a ignorância." alguns argumentariam.22-23). é como se aqueles que aplicam a disciplina não tivessem nenhum direito de fazer tal coisa debaixo do sol. o Cabeça e Senhor da Igreja (Ef 1.20.disciplina (1 Co 5. Também. em Mateus 18. Concluindo. Essa pergunta revela um mal-entendido comum entre disciplina e arbitrariedade. Há um princípio claro: "Os pecados que foram explicitamente disciplinados no Novo Testamento eram conhecidos publicamente e externamente evidentes.

O v. 8).3. instruir.1-10 e Ap 3. Abordagem individual. o grego paidei/a possui sentido semelhante e é freqüentemente usado na analogia entre a disciplina dos filhos por seus pais e a correção que vem do Senhor (ver Hb 12. 12. 13 ensina que o propósito de Deus em disciplinar não é o de incapacitar permanentemente o pecador.17. a disciplina na igreja tem um triplo objetivo: 1) restabelecer o pecador (Mt 18.15. A correta disciplina deve ser sempre aplicada com amor e não com ira (Pv 13.20).15-17. A correção é fonte de esperança para os que a aplicam e vida para aqueles que a recebem corretamente (Pv 19.13) ou "castigar" (Is 53. No Novo Testamento.19). Além do mais. "corrigir" (Pv 22.) ensina que a confrontação é um tarefa cristã. pois nunca se pode prever a reação do mesmo.6-8) e 3) dissuadir outros (1 Tm 5. 2) manter a pureza da igreja (1 Co 5." Ainda que seja inicialmente doloroso receber disciplina.7-9). 8).1-13). disciplina e sabedoria estão intimamente ligadas nas Escrituras (Sl 50. disciplina envolve relacionamento familiar (Hb. há clara referência bíblica de que a igreja que negligencia o exercício desse mandato compromete não apenas sua eficiência espiritual mas sua própria existência. e quando os cristãos recebem disciplina divina..25-27) e sem poder (Js 7.11-12a).19). Pv 1. filhos ilegítimos (v. Mas é sempre arriscado confrontar alguém.5-6). dirige nossa atenção para a alegre possibilidade de que tal irmão nos ouça. Nesse sentido. Os Passos da Disciplina Biblicamente. 146 .1). a disciplina na igreja está fundamentada não apenas no exercício do bom senso.de Deus é um exercício do seu amor por seus filhos. Esses passos são especialmente mencionados em Mateus 18. O padrão de disciplina divina revela também maravilhosos benefícios. todavia. O v.5). 10). O mandato bíblico referente à disciplina é encontrado especialmente no ensino de Jesus (Mt 18.15 e 23.15-17) e nos escritos de Paulo (1 Co 5. confrontar. 1 Co 5. O termo hebraico rasUm é usado no Antigo Testamento como sinônimo de "instruir" (Pv 1. 1. 15 (Se teu irmão pecar vai argui-lo entre ti e ele só. Segundo as Escrituras. É este triplo propósito que aponta para os passos a serem seguidos em uma aplicação correta da disciplina eclesiástica. 15) também pode ser traduzido como "trazer à luz..32). 11). Deus não disciplina bastardos. A igreja de Tiatira foi repreendida devido à sua flexibilidade moral (Ap 2.18 e 4. ou seja. A igreja sem disciplina é uma igreja sem pureza (Ef 5.5 e Gl 6.24). a mesma produz paz e retidão (v. Uma das melhores coisas a se fazer por um irmão em pecado é confrontá-lo em amor (Pv 27. mas antes de restaurá-lo à saúde espiritual. o Pai celestial está apenas tratando-os como seus filhos." v. B.13). A disciplina que vem do Senhor "é para o nosso bem (v. Amor e disciplina possuem conexão vital (Ap 3.20-24). Jesus. o termo grego e)/legcon ("arguir. mas principalmente nos imperativos do Senhor. Além do mais. Também.1-2 e 15.

antes de confrontar um irmão. evitar comentários desnecessários (2 Ts 3. "comunicar")." Assim. 16). porém. Nenhum deles é agradável e eles só prosseguem diante de dureza de coração do ofensor."(12) III.19-20). Além do mais. mas algo a ser conduzido na presença do Senhor. 17) . tempo. Nesse caso. podemos sempre clamar por socorro Àquele cujo ministério de confrontação é sempre eficaz.27).15). a objetividade do caso é preservada. Jesus afirma que as outras pessoas envolvidas nesse processo serão testemunhas. a disciplina eclesiástica "não é uma atividade a ser realizada facilmente. eles não devem nem mesmo ser recebidos em casa (2 Jo 10-11).11). Com isto.No caso de o ofensor não atender à confrontação individual. Se o seu pecado é heresia.(11) 4.Tal proceder nunca é violação de segredos. ou seja.210). o que diminui as chances de injustiça. Pronunciamento público (v."(10) É significativo o fato de que esse é o mesmo termo usado em João 16. A princípio. e do juízo.12). Isto é uma referência à prática vetero-testamentária de não se condenar alguém com base apenas em uma opinião pessoal (ver Nm 35. Uma atenção maior. Exclusão pública . Assim. 3. Nesse caso. nosso pecado traz conseqüências pessoais e coletivas. o ofensor é tido como gentio (a quem não era permitido entrar nos átrios sagrados do templo do Senhor) e publicano (que eram considerados traidores e apóstatas: Lc 19. Implicações teológicas 147 . levanos a entender que o propósito do mesmo pode ser o de conscientizar o ofensor quanto aos prejuízos de sua atitude para com a comunidade do corpo de Cristo. Dt 17.8 para descrever o ministério do Espírito em relação àqueles que estão no mundo. Diante de tal pronunciamento cada membro do corpo de Cristo deve orar pelo pecador.30. "fora. da justiça. 2.6 e 19. pois o ofensor deliberadamente recusou os caminhos prévios do arrependimento. amor e transparência.O último recurso da disciplina é o da excomunhão (do latim ex. o desvio doutrinário das verdades fundamentais ensinadas nas Escrituras. Com estes não há mais comunhão cristã. em convencê-los (confrontá-los) "do pecado. na qual o ofensor é privado de todos os benefícios da comunhão. e o ofensor é beneficiado.1415) e vigiar a si próprio (1 Co 10. Há porém o conforto de saber que a presença e o poder de Jesus são reais mesmo no contexto desse processo (Mt 18. Em outras palavras. pode parecer que o objetivo desse passo é intimidar o ofensor. pois deliberadamente recusam os princípios da vida cristã (1 Co 5. um número maior de pessoas é envolvido. ou seja." e communicare. Tal oficialização pública da disciplina traz implicações temporárias em relação aos sacramentos (1 Co 11.expor. Admoestação privada . a recusa ao arrependimento. É claro que cada um desses passos envolve dor. Jesus ordena que haja admoestação privada (v.

Disciplina e as Marcas da Igreja A Reforma Protestante do século XVI considerou importantíssima para a teologia cristã a seguinte questão: Como distinguir entre a igreja verdadeira e a falsa? Em outras palavras. pela graça de Deus. B. Assim. Sem a visão dessa seriedade.9). e deve seguir os princípios revelados por Deus em sua Palavra. Disciplina e a Adoração Cristã A verdadeira adoração "é a mais nobre atividade de que o homem. A negligência do povo de Deus quanto aos mandamentos do Senhor motiva os incrédulos a blasfemar o nome de Deus (Rm 2. nem coisa semelhante.3)."(13) A exclusiva adoração a Deus é um mandato divino (Mt 4.1-3). A disciplina eclesiástica ressalta a seriedade do pecado. mesmo diante da possibilidade da sua contaminação pelo mundo. Segundo ele. "aqueles que pensam que a igreja pode sobreviver por longo tempo sem disciplina estão enganados. ainda que esse pecador seja um dos membros da igreja. "a disciplina eclesiástica é tão necessária quanto os ligamentos do corpo humano. Esse amor pelo pecador cristão também reflete o amor da mesma pelo pecador incrédulo. o zelo pela santidade do nome de Deus implica diretamente no exercício da disciplina eclesiástica. porém santa e sem defeito" (Ef 5. ou como a disciplina em família. Disciplina e Evangelismo A disciplina evidencia o amor cristão pelo pecador."(15) Nesse sentido. C.Sem a intenção de limitar. é capaz.10 e Ap 19. mas tão somente de elucidar. pois é um meio instituído por Deus para manter pura a sua igreja. quais são as marcas da verdadeira igreja cristã? Para o reformador João Calvino.(14) Um princípio essencial da adoração cristã é o zelo pela santidade do nome do Senhor (Ex 20. Uma igreja adoradora e ao mesmo tempo tolerante para com o pecado no seu seio é uma contradição de termos e recebe a repreensão do Senhor (Ap 2.27). a disciplina eclesiástica é altamente relevante.7 e Mt 6. nem ruga. 148 . é uma marca da fé salvadora (Fp 3. da administração dos sacramentos e do exercício da disciplina eclesiástica. oferecemos três tópicos teológicos que estão vitalmente ligados ao processo da disciplina eclesiástica. Há uma relação entre disciplina eclesiástica e evangelismo.18-29).24). a menos que pensemos que podemos omitir um recurso que o Senhor considerou necessário para nós. a igreja não é corretamente motivada a buscar a redenção do pecador."(16) Sendo que Cristo deseja sua igreja "sem mácula. O servo de Deus sempre deve almejar a pureza da noiva do Cordeiro (2 Co 11.10). A. tais marcas consistem da proclamação da Palavra.

ambos (evangelismo e disciplina) almejam a liberdade do pecador e a concretização do triunfo histórico da graça sobre o pecado na vida do mesmo (Rm. trad. porém. 5 Richard J. Segundo. Como diz Barnes. Luiz Aparecido Caruso (São Paulo: Vida.57). McDowell. "O Pastor da Esquerda Evangélica." 3 Essa é uma constante referência à obra clássica de Nathaniel Howthorne. A disciplina é dirigida àqueles que estão dentro dos portões da igreja e que estão se sujeitando ao domínio do pecado."(17) Conclusão Laney adverte para o fato de que "a disciplina é como um medicamento muito forte: pode trazer a cura ou causar maior dano. Uma igreja sem disciplina proclama uma liberdade desconhecida. 2 Ver Guilherme de Barros.1-23). O presente autor discorda do bispo e crê que a questão retórica a ser levantada não é se condenar a poligamia "seria humano. o bispo Robson Cavalcanti teoriza sobre casos em que a poligamia poderia ser considerada uma atitude mais humana. Celebração da Disciplina: O Caminho do Crescimento Espiritual. 6. 1993). 1983). ou rejeitada. Também. 4 Josh N. Uma séria reflexão bíblica sobre a disciplina eclesiástica evidencia dois princípios básicos. O evangelismo é dirigido aos que estão fora dos portões da igreja e que estão escravizados pelo pecado.5-11).12-13. nenhum doente faz opção pela morte ou pela continuidade da doença se a vida e a cura podem estar tão próximas. se recusa a aplicar um medicamento que pode curar o seu paciente apenas porque o mesmo é forte. Illinois: Josh McDowell Ministry). pelos seus próprios membros." Vinde (Julho 1997):7-12."(18) Nenhum profissional médico. Assim. uma bênção divina (Hb 12. Essa relação vital entre evangelismo e disciplina é clara à luz de 1 Co 5. Dining With the Devil: The Megachurch Movement Flirts With Modernity (Grand Rapids: Baker. The Scarlet Letter. Foster. Nessa entrevista. conseqüentemente.Uma igreja sem disciplina torna-se um impecilho para o avanço do evangelho. 1 Ver Os Guinness. Primeiro. mas sim uma ordenança e. que a disciplina na igreja não é uma opção. Tolerating the Intolerable: A Mandate of Love (Wheaton. que a disciplina requer profundo amor por parte da igreja que a aplica e semelhante humildade e quebrantamento por parte daquele que é disciplinado (2 Co 2. "há pouca vantagem em uma greja que tenta vencer o mundo se ela já tem se rendido ao mundo." mas sim se a prática atual da mesma "é bíblica.D. 149 .

"Discipline.4. CD)." 363. 7 Compton’s Interactive Encyclopedia. S.6 Carl J. W. 15 John Calvin. 16 Caswell. Minha tradução. ed. e J. porque não conheceu a ele. Caswell. Stott. 14 Confissão de Fé de Westminster. Minha tradução." The Banner of Truth 414 (Março 1998): 20. John T. A única exceção a esse princípio foi "o pecado secreto de Ananias e Safira (At 5. 4. Por isso o mundo não nos conhece. Systematic Theology (Grand Rapids: Zondervan. D.. Packer (Downers Grove: InterVarsity. ed. Minha tradução. 283-4." em New Dictionary of Theology. Ferguson.2). 1984).7. "The Biblical Practice of Church Discipline. N. 13 John R." 10 F. Inc. e ainda não é manifesto o que havemos de ser. 1988). 9 Wayne Grudem. Vine’s Expository Dictionary of Old and New Testament Words (Nova Jersey: Fleming H. o veremos” (1Jo 3. 150 . 160. Amados. porque assim como é. Laney. “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. 1994).1. Bruce. Institutes of the Christian Religion. B. 11 R. F. F. "Biblical Church Discipline. 1981). Mas sabemos que. 18 Laney." 200. 1970). Wright. "Discipline.i.. Minha tradução. XXI. I. Nesse sentido a atuação extraordinária do Espírito Santo resultou em grande temor entre os membros da igreja. e nós o somos. 12 Grudem. 1960). Revell. seremos semelhantes a ele. 200. The Story of Christianity (Nova York: HarperSanFrancisco. 1997 (The Learning Company. eds. 898. 8 Justo L. Minha tradução." Biblioteca Sacra (Outubro-Dezembro 1986): 353-64. "The Biblical Practice of Church Discipline. quando ele se manifestar. Minha tradução. agora somos filhos de Deus. Systematic Theology.. McNeill (Filadélfia: Westminster. González. 896. Christ the Controversialist: A Study in Some Essentials of Evangelical Religion (Londres: Tyndale Press. Parte XXV É MARAVILHOSO. 277-359. 17 Peter Barnes.1-11).

É popular. ao passarem Jesus e os discípulos por Samaria. “somos feitura sua. Escreve esta carta debaixo de uma ternura tão grande. não deixa por menos: “Pois todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. experimentado. É maravilhoso sermos “chamados filhos de Deus”. A palavra “feitura” é muito sugestiva na língua em que Paulo escreveu esta carta. mas eu também sou filho de Deus. Gálatas 3. de Sua manifestação na Segunda Vinda. que ensina que somos criaturas de Deus. e. Este é o mesmo João que um dia. as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.. Somos uma obra de arte de Deus. Algo especial vai acontecer. mas não é da Bíblia. verso 26. daquilo que nos aguarda. e a palavra de Deus permanece em vós.. como atestam suas palavras do início até o verso final. “Eu escrevi. por sinal. se todos somos criaturas.. quem é filho de Deus? Há inúmeras referências na Bíblia Sagrada sobre isso. como.14).” Talvez fosse. não queremos julgar. mas a idéia geral e popular é essa. ou como o apóstolo Paulo deixou registrado.Sou fascinado pela Primeira Carta de João. jogado para trás. Quem são os filhos de Deus? A pergunta tem pertinência porque existe uma teologia popular que afirma que todos são filhos de Deus. indaga de Jesus se não seria conveniente pedir um raio que acabasse com os samaritanos tão sem hospitalidade (cf. Fizemos o destaque dos versículos iniciais do capítulo 3. fala de uma experiência presente na nossa caminhada em e com Cristo. ainda.. pois quem não tem fé em Jesus Cristo não é filho de Deus! 151 . da presença de Jesus Cristo. Ouvi nesta semana um pedaço de conversa no supermercado em que um cidadão dizia para o outro: “. jovens.8). tem agora um tratamento absolutamente diferente. É nessa carta que ele diz que “Deus é amor” (4. de onde vem nossa palavra “poema”. porque sois fortes. e já vencestes o Maligno” (2..1).” Já fez uma tremenda limitação. criados em Cristo Jesus para boas obras. “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. da gloriosa epifania. que passaremos a comentar. Lc 9. Ela tem qualidades extraordinárias. e fala do futuro.10). e nós o somos” (v. 1). Então.. e isso é maravilhoso! É MARAVILHOSO. mas tão somente criaturas. Estes dois versículos nos dão uma grande descoberta: o evangelho de Jesus Cristo tem uma mensagem de alcance mundial. tão extraordinária que fala de quando nosso passado foi obliterado.51-54). ao perceber a má vontade dos samaritanos em receber o grupo porque era composto de judeus (pois havia inimizade entre samaritanos e judeus. é poeimia. que “temos um advogado para com o Pai” (2. amadurecido. Este tão intolerante e raivoso João é o mesmo que quase sessenta depois. ainda hoje acontece).

e agora temos uma vida toda nova porque fomos considerados justos pelo Senhor. Uma melhor tradução para esta afirmação de Jesus Cristo é “Bem-aventurados os promotores da paz. justificar é colocar tudo reto.. pelo direito ou pelo meio.. a expressão facial têm enorme importância no teatro moderno. aos que crêem no seu nome [aos que têm fé-adesão. Ser sincero é ter uma face autêntica. Mas. e denotava tristeza. colocava-se no rosto a máscara feita de cera denotando felicidade. E o propósito do evangelho é patente: “. O modo de fazer teatro era diferente do nosso. e os filhos do Diabo: quem não pratica a justiça não é de Deus”. Uma oração atribuída a Francisco de Assis pede 152 . que teologia é essa que ensina que todos somos filhos de Deus? Se alguém não acompanha a Jesus. o tom da voz. deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus” (Jo 1.11. se tristeza. a todos quantos o receberam. usavam-se máscaras: uma tinha a boca voltada para cima como se estivesse sorrindo. e a outra tinha a boca voltada para baixo como se chorasse. que são filhos de Deus os que andam em sinceridade. filhos de Deus imaculados no meio de uma geração corrupta e perversa. o mesmo em informática: pode-se justificar pelo lado esquerdo. estava com a verdadeira face aparecendo. mostra quem é. E diz a Bíblia que quem anda na honestidade de seu coração voltado para a fé em Jesus Cristo. justiça! Ser justo é ser reto no que se faz. Diz a Palavra Santa que é filho de Deus quem é praticante da justiça. compromisso]. A palavra sincero vem do teatro greco-romano. nem o que foge de conflitos: é o que promove a paz.15). Palavrinha boa. pela fé. visto que a postura corporal. palavras Suas. sem a cera no rosto. “Bem-aventurados os pacificadores. Para passar alegria. No teatro romano. então. A modo exclamativo. e os seus não o receberam. Diz ele: “Veio [Cristo] para o que era seu.12). ou. entre a qual resplandeceis como luminares no mundo” (Fp 2. Vamos. Diz a Palavra de Deus. não tem um comprometimento sério com Ele pode efetivamente ser chamado “filho de Deus”? Pela Escritura Sagrada. Pacificador não é o não-violento. Nas artes gráficas. a máscara triste de cera era colocada no rosto. Uma pessoa “sincera” (sem cera) ´não está mascarada. que são filhos de Deus os que promovem a paz. ao Evangelho de João.Quem é filho de Deus? Os que têm fé e crêem em Cristo Jesus. “Como são feliz os artesãos da paz porque Deus os tem como herdeiros de Sua natureza”..9). ainda.Se assim é. pois. A Palavra de Deus é tão clara quando diz. por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros. porque eles serão chamados filhos de Deus” (Mt 5. “Justificados. É o mesmo escritor da carta que estamos apreciando. ainda. essa pessoa é filha de Deus. e dava idéia de alegria. A Bíblia diz. temos paz com Deus. portanto.10: “Nisto são manifestos os filhos de Deus. porque eles serão chamados filhos de Deus”.1). ser puro de mãos e limpo de coração. Glória a Deus porque pela fé somos considerados retos diante de Deus: tudo o que é passado vai para a lixeira da eternidade.. Essa citação encontra outra versão em 1João 3. Quando o ator não estava de máscara. não o considera com responsabilidade na vida. não.

16). Um amor que tem como fim. nascido de mulher. acrescenta que “neste momento. Gálatas 4. Os apóstolos usam ambas as figuras.. Paulo nos dá o aspecto legal.. para resgatar os que estavam debaixo de lei.. palavras que anunciam o glorioso fato de que pertencemos à família divina.5 esclarece: “vindo a plenitude dos tempos. Uma pessoa quis falar de uma criança que havia adotado. “Não.. Há o filho que nasce do ventre e há o que nasce do coração. para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor. Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho. agora somos filhos de Deus”! E isto é mais extraordinária porque ninguém precisa ficar esperando que uma determinada situação aconteça para tentar obter a filiação divina. segundo o beneplácito de sua vontade” (Efésios 1. portanto. sob a qual Paulo viveu. É como claramente diz João: “somos filhos de Deus”. 1Jo 3. Amados. Paulo diz que fomos adotados. Mas sabemos que.. Está dentro do espírito do evangelho.2a).. porque não conheceu a ele.. Voltando ao texto básico (“Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. “então.15). Ao ser indagada pelo interlocutor. seremos semelhantes a ele. “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus. o veremos”.14. como objetivo que os seres humanos sejam chamados Seus filhos. descobrimos que é mais extraordinária uma declaração que vem a seguir: É MAIS MARAVILHOSO. cf. porque sois filhos. pois “Amados. Neste verso. Filhos de Deus são os guiados pelo Espírito Santo de Deus.. duas das suas idéias centrais se encontram: o amor e a filiação da parte de Deus. esses são filhos de Deus . quando ele se manifestar. Rm 8. Paulo e João nos dizem que a relação fundamental dos salvos com Deus é filial. também no nosso Direito o filho adotado é reputado como filho que nasceu do ventre daquela mãe.1. Além de referendar a primeira e já comentada declaração.“Senhor.” Que lindo jogo de palavras. mas João diz que fomos gerados. “E. para si mesmo.6). adoção era considerada como equivalente à verdadeira filiação. Diz que fomos adotados por Deus: é a adoção. E como a nossa lei é herdeira direta da linha-mestra do Direito Romano. a fim de recebermos a adoção de filhos” e “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. A Bíblia diz que Deus nos gera no coração agora! Precisamos entender. agora somos filhos de Deus. e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo...” (1Jo 3. no entanto.. E isso é simplesmente maravilhoso porque não 153 . faze de mim um instrumento de Tua paz”. Deus enviou seu Filho. é meu filho do coração. que clama: Aba. o qual . João nos apresenta o aspecto natural: fala de geração.2). nos elegeu nele antes da fundação do mundo. O fato de que agora somos filhos de Deus. na lei romana. agora somos filhos de Deus. e nós o somos. Por isso o mundo não nos conhece. Pai” (Gl 4. e ainda não é manifesto o que havemos de ser. nascido debaixo de lei.3-5. neste instante. respondeu com muita ternura. porque assim como é. e isso é mais íntimo. é seu filho de criação?”. O Espírito mesmo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.

e assim estaremos para sempre com o Senhor” (1 Ts 4. E esse estado é desfrutado agora.36). Isso quer significar uma série de privilégios: ? Somos congregados num só corpo: “o sumo sacerdote naquele ano. No nascimento carnal.16. Observe o relato a seguir: “Disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos. no espiritual. Ele. herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo. E vivemos na expectativa de um futuro glorioso e radiante. É AINDA MAIS MARAVILHOSO. 31: “aparecerá no céu o sinal do Filho do homem.. e verão vir o Filho do homem sobre as nuvens do céu.17). de uma à outra extremidade dos céus”. ao som da trombeta de Deus. Estamos no aguardo do retorno de Cristo. pois qual é o filho a quem o pai não corrija?” (Hb 12. profetizou que Jesus havia de morrer pela nação.. E porque filhos de Deus. para que também com ele sejamos glorificados” (Rm 8. à voz do arcanjo. e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. também herdeiros. mas também para congregar num só corpo os filhos de Deus que estão dispersos” (Jo 11. respondeu ao que lhe falava: Quem é minha mãe? e quem são meus irmãos? E. ao encontro do Senhor nos ares. e não somente pela nação. 154 . porém. quando ele se manifestar.2b). tornamo-nos. “. por adoção. ? Somos filhos da ressurreição: “porque já não podem mais morrer. com poder e grande glória. se filhos. letrada ou não. Este texto é referendado por “o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado. Depois nós. esse é meu irmão. e procuram falar contigo.52). ansiamos por Sua vinda.2. irmã e mãe” (Mt 12. e todas as tribos da terra se lamentarão. herdeiros da Sua glória. Filhos da ira que éramos. como destaca 1João 3. Pois qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus. nas nuvens. mas já acontece agora. itálico do autor). Seus interesses se tornam nossos interesses.7). E ele enviará os seus anjos com grande clangor de trombeta. sabemos que. 17). seja a pessoa abençoada rica ou pobre.46-50. a ser explicado em seguida.. os quais lhe ajuntarão os escolhidos desde os quatro ventos. ? Recebemos o amor e a disciplina da parte do Pai: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus” (1Jo 1. Deus vos trata como a filhos. estendendo a mão para os seus discípulos disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos.3) e “É para disciplina que sofreis.acontecerá no futuro. sendo filhos da ressurreição” (Lc 20. no segundo nascimento. seremos semelhantes a ele” (Jo 3. filhos da desobediência. os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles. filhos de Deus. se é certo que com ele padecemos.30. Ele virá e nos tomará para Si como nos prometeu em Mateus 24.. pois são iguais aos anjos. Aqui temos três informações importantíssimas: O Senhor Jesus ainda se manifestará. ? Somos herdeiros de Deus: “e. e são filhos de Deus.

Por isso. onde muitas pessoas a cada dia seguem rumo à morte.1). Mas quando Jesus retornar. E tudo isso começa com uma coisa: a fé. 2). Este povo é diferente. Como seria este “corpo espiritual”? É só lembrar o episódio da transfiguração: “tomou Jesus consigo a Pedro. e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz” (Mt 17.7a). E não é verdade? Tudo começa com fé. Implícito em todo o que foi dito por João e Paulo está a Segunda Vinda. repetimos. 1Co 2. como filhos amados”. possui uma mensagem diferente. e todo olho o verá” (Ap 1. faz uma oração distinta e tem um poder único. a transformação dos corpos operada na ressurreição. e foi transfigurado diante deles. precisamos imitar a Jesus Cristo agora (“sede pois imitadores de Deus. irmão deste. pois serve a um Deus inigualável. eu creio no que Tu falas. Porém há um povo sobre a terra que recebeu uma mensagem de vida.1. e todas as tribos da terra se lamentarão. e os conduziu à parte a um alto monte. não soube como dizer como seria este corpo igual ao corpo glorioso de Cristo. Agora. Mas o querido leitor não precisa esperar pela Segunda Vinda de Jesus Cristo para receber a filiação divina: pela fé. que é a nossa vida. é incompatível com o propósito da manifestação de Cristo. e. a reconfiguração dos que estiverem vivos naquela ocasião. creio na salvação trazida por Ti! Eu creio na Tua cruz. o seu rosto resplandeceu como o sol. “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem. não na Sua Paixão. Este povo não pode parar diante das densas trevas que se levantam. Paulo. A Bíblia é um tanto econômica sobre esse assunto. Ef 5. isso já ficou para trás! Vamos vê-Lo gloriosamente retornando como a Bíblia descreve: “Eis que vem com as nuvens. E essa felicidade de que estamos gozando tem algo tremendamente emblemático: a própria palavra começa com a sílaba – FÉ -. Esta visão extraordinariamente gloriosa pode ser uma pista para entendermos o “corpo espiritual” de que fala Paulo. sem esperança alguma de salvação. para ser entregue aos homens. de luz. Isso é extraordinário porque “Quando Cristo.30). 155 .4). segundo o ensino da Bíblia. colocou uma expressão. “corpo espiritual”. você pode se tornar filho de Deus! Parte XXVI EVANGELIZAÇÃO . creio e quero receber as bênçãos do Calvário!” O pecado é incompatível com o fato de ser filho de Deus. por exemplo. agora. comprados por um alto preço de sangue. se manifestar. fomos conquistados por Cristo. comprado pelo sangue. Não como homem de dores. a Tiago e a João. precisamos ter a mente de Cristo como Paulo enfatiza (“nós temos a mente de Cristo.A AÇÃO DO EVANGELHO O mundo atual no qual vivemos se encontra em um estado terrível pecaminosidade. este povo são os remidos do Senhor Jesus Cristo. Agora o veremos na Sua glória como Rei dos reis e Senhor dos senhores! Há uma terceira etapa: isso vai completar nossa semelhança com Ele. e verão vir o Filho do homem sobre as nuvens do céu.16). Não fomos tomados emprestados da mão do diabo. vai de tal maneira que não somente teremos a mente de Cristo. então também vós vos manifestareis com ele em glória” (Cl 3.Nós o veremos como é. com poder e grande glória” (Mt 24. creio no que Tu pregas. mas também o corpo semelhante ao corpo glorioso de Cristo. Diga a Jesus: “Senhor.

Levantando bem alto a bandeira do Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. que tem o significado de levo ou trago boas novas. boas novas. Deus nos chamou para destruir as obras do diabo. Uma delas é voltada para o mundo em pecado a outra é voltada para a Igreja.Este povo não pode calar. Definindo Três Palavras: Evangelho. induzi-los à aceitação de Jesus Cristo como Filho de Deus. naquele exato momento começa-se a cumprir as promessas de Deus com relação ao Salvador da humanidade. de tal maneira que os homens possam confiar nele como Salvador e servi-lo como Senhor de suas vidas. O Evangelismo é uma arma poderosa se usada de forma correta.10. Temos que avançar. hão de empenhar-se apaixonadamente na propagação do evangelho. EVANGELHO O termo evangelho vem do grego evanguélion. com as coisas deste mundo. EVANGELISMO Evangelismo é a ação cujo objetivo é levar os homens a conhecerem sua condição de pecadores perdidos e a conhecerem o plano de Deus para sua salvação. e anunciarmos ao mundo que o Rei está voltando. nada pode nos impedir. e estão nas mãos da Igreja. enquanto uma se torna uma tarefa. EVANGELIZAÇÃO A palavra evangelização provém do grego evaggelizo. pois. Basicamente. Não podemos nos deter. cujo significado é: "Anuncio boas novas". que se realizou com a vinda de seu filho ao mundo. Muito campo ainda falta para ser conquistado.11) foi empregado o verbo correlato evanguelizo. Quando os anjos anunciaram aos pastores o nascimento de Jesus (Lc 2. que significa. evangelização é levar o evangelho às pessoas. Evangelho é então o anuncio do cumprimento da providência de Deus para salvação dos pecadores. porém que entendem que a evangelização é uma ação que consiste em levar perdidos a Jesus para serem salvos por Ele. porque se isto fizer-se até mesmo as pedras clamariam. Aqueles. literalmente. 156 . ambas dependem uma da outra. Desta forma podemos definir que evangelização é quando levamos as pessoas ao pleno conhecimento da verdade de Deus em relação ao seu filho Jesus Cristo. para isso vamos analisar o que a Bíblia nos ensina com respeito a este tema. Evangelização & Evangelismo Estas três palavras possuem definições fortes e contundentes em nossas vidas. é a apresentação de Jesus Cristo no poder do Espírito Santo. colocando o reino das trevas em retirada. muita terra para ser alcançada. a outra é a descoberta da salvação e a outra é a ação.

distinguem-se os seguintes elementos: a) O Campo de Atividade para a Evangelização . vejamos alguns destes pontos fortes: 1 . Essa vontade revela o amor de Deus para com todos os pecadores e ao mesmo tempo a grandiosidade da obra que é a evangelização. capacitar e ter métodos avançados e modernos de evangelização. a qual não pode estar nas mãos de pessoas individualistas que não possuem compromisso com a obra de Deus. na organização eficiente da evangelização local e missionária. 3 . durante o qual o novo crente aprende as doutrinas bíblicas. nos colocamos em posição de ordem. Desta forma a evangelização de uma pessoa não termina quando ele aceita a Jesus mas está apenas começando.Convencer: Evangelizar também é convencer o homem de seu estado pecaminoso. vamos encontrar alguns motivos fortes que nos levam a querer fazer evangelismo. é preciso investir.15. cresce em poder e fé e se desenvolve. 2 .Nesta ordem de Jesus podemos ver que se faz necessário a existência de um discipulado obediente. treinar.Integração: Consiste no discipulado. Nesta definição vamos encontrar três pontos básicos de apoio que devem ser verificados. implica também.Quando lemos a Bíblia Sagrada e nela encontramos que a principal vontade de Deus é que todos cheguem ao pleno conhecimento da Salvação (I Tm 2.16). chegamos a conclusão.Salvador e Senhor. espiritual e dinâmico. que evangelizar é uma tarefa muito importante e difícil. além de anunciar ao homem o seu estado é necessário que o evangelista dê lugar ao Espírito Santo para que este possa usá-lo para convencer o pecador que ele precisa de salvação. Nesta área de informação deve-se utilizar todos os meios de comunicação possível.O mundo inteiro. MOTIVOS QUE NOS LEVAM AO EVANGELISMO Quando lemos a Bíblia Sagrada. da necessidade de arrependerse de seus pecados e ser informado que Deus o ama (Jo 3. aplicando-se cada vez mais ao serviço de Deus. Na ordem de Jesus registrada em Marcos 16. e integrá-los na vida cristã.Informação: Evangelismo é uma ação que tem por fim informar. 2 .4). são eles: 1 . desde o rádio até a Internet.O Conhecimento da Vontade de Deus .A Ordem de Jesus . pois sendo Deus meu Senhor devo fazer de tudo para que a sua vontade seja cumprida. Depois de examinarmos estas definições. 157 . Se faz necessário que o ser humano seja informado de sua condição de pecador e de sua vida distanciada da presença de Deus. que entregou seu filho para salva-lo.

13-17). será que vamos cruzar os braços diante desta grande tarefa ? 6 . e este evangelho que está em nós devemos repartir com aqueles que ainda não conhecem a Salvação que está em Cristo Jesus.Compreensão de que Somente o Evangelho pode Salvar . Deus ordenou e temos que cumprir nossa missão. 6. (Ez 3.37). 23. E nesta mesma revelação vamos encontrar a Bíblia afirmando que uma só alma vale mais que o mundo inteiro ( Mc 8. não servirá de nada no lado espiritual. se não tivermos esta visão das almas nunca teremos coragem de evangelizar. A grande solução da humanidade não está na política bem feita. E como podemos escapar desta responsabilidade? Não podemos. Ele é com toda a certeza o maior de todos os evangelistas que o mundo já teve.A pregação do evangelho. e os crentes tem este poder.Visão da Responsabilidade Pessoal . Vamos ver algumas características que este grande evangelista possuía.A Visão da Extensão da Obra . haja vista que a cada dia que se passa milhões de pessoas nascem. mas o evangelho têm.15). ela pode até ajudar na vida material mas.Quando Deus chamou a Ezequiel. vamos encontrar um personagem central.10-12. JESUS O PRIMEIRO EVANGELISTA 1 .É tolice tentar encontrar salvação fora do Evangelho (Rm 10. e como ele organizou uma campanha de evangelismo bem preparada e equipada. 5 . O EVANGELISMO VISTO NOS QUATRO EVANGELHOS Dentro dos quatro evangelhos. muitas em países comunistas. o desenvolvimento econômico também não têm capacidade de oferecer salvação.17) será que é diferente? Deus tem nos constituído como um atalaia não apenas em Israel mas principalmente para o mundo. Para podermos evangelizar as almas precisamos olhar como Jesus olha para elas. e estão esperando por nós. nem a ciência tem poder para isto. c) A Tarefa específica a ser cumprida . 3 . 4 . como se encontram as almas sem Cristo ( Rm 3.O homem. desgarradas e sofrendo. Ele o colocou como atalaia sobre a casa de Israel. que ainda impõem as cortinas de ferro. voltado inteiramente para a obra de evangelização das almas.A Revelação das Sagradas Escrituras .36.Jesus disse que o nosso campo seria o mundo (Mc 16.23).b) O Alvo a ser Atingindo .Características Pessoais 158 . e começamos a pensar no sofrimento que há no inferno e que este sofrimento é eterno para aqueles que não aceitaram a Jesus Cristo e que eles poderão estar lá porque eu não fiz a minha parte.Quando lemos na Bíblia Sagrada. como ovelhas sem pastor.

Nicodemos) e Proclamação às Massas.Jesus durante toda a sua vida. e ao invés de ser um juiz implacável. precisamos aprender com Ele. Ele não tinha pressa em evangelizar. ( Lc 5. CDs.1-11). a considerar o pecador como um enfermo. desejosos de saber onde o mestre morava. televisão. podem evoluir. serem substituídas. modificadas para se adaptar-se as necessidades. ensinado-lhes a palavra de Deus. g) Dinamismo . gravação em discos. tomasse outro rumo a não ser o reino de Deus (Jo 3. Os métodos de evangelismo são imutáveis. O evangelista precisa aprender com o Mestre a combater o pecado. eles queriam apenas conhecer aonde o Mestre morava porém Jesus aproveitou a oportunidade para convence-los de que Ele era o Messias esperado por Israel. As técnicas. podemos ver isso claramente na mulher adúltera (João 8.1-30). d) Espírito de Sacrifício . este exemplo é que nós devemos seguir. ele podia apenas ter mostrado onde morava e pronto. infelizmente quando muitos vão evangelizar se deixam levar com conversas que os desviam totalmente do objetivo. e) Preciso . vamos encontrar quando a Bíblia afirma que Jesus por compaixão as almas que ali estavam as curou de suas enfermidades.Neste mesmo episódio revela duas outras características de Jesus a Paciência e Determinação. Jesus os convidou a acompanhá-lo e permaneceu com eles quase todo aquele dia. Foi justamente isso que ele fez durante seu ministério terreno. rádio. estas sim. procurando.1-21.Jesus era esforçado na obra que realizava. percorria vilas e cidades pregando a palavra de Deus e jamais despediu uma pessoa sem lhe ajudar.a) Esforçado . Jo 4. projeção luminosa. viveu uma vida de sacrifícios.21-24). f) Espírito Compreensivo e Perdoador . passava horas e mais horas curando os enfermos. passava noites inteiras orando.28). Contudo seja qual 159 . que precisa de cuidados e não de açoites.Jesus era dinâmico não parava um momento a não ser o necessário para descansar e repor as energias perdidas das caminhadas. a Bíblia relata que dois dos discípulos de João Batista o seguiam. na evangelização. ampliação sonora. contudo. Internet e etc. b) Paciência e Determinação . MÉTODOS DE EVANGELIZAÇÃO UTILIZADOS POR JESUS CRISTO Jesus empregou. Atualmente contamos com grande variedade de recursos técnicos.Em Mateus 14. dois métodos: Ensino Pessoal (Zaqueu.Jesus não gastava tempo com filosofias humanas e especulações Ele ia direto ao ponto sem perda de tempo. e nós quantas vezes passamos perto de pessoas que precisam de uma palavra e nada fazemos. Ele perdoava aos que se arrependiam. mas ele viu a oportunidade de ensinar mais a respeito dEle e da sua missão. pois ele mesmo declarou (Mt 20.Jesus compreendia as fraquezas humanas. salvar o pecador. que ajudam a divulgação do evangelho. Jesus não permitia que qualquer debate que Ele tivesse.14. A Mulher Samaritana. c) Compaixão .

4. cumpre-nos imitá-lo. 160 .16-20. é necessário que hoje haja um despertamento entre os crentes para ganhara almas para o reino de Jesus Cristo. A Obra de evangelização necessita de grandes e poderosos pregadores para as massas e de inumerável quantidade de pessoas treinadas para o ensino individual. para tal Jesus a organizou da seguinte maneira: 1.ou ensinar individualmente ou Proclamar às Massas. organizando campanhas de evangelização (Mc 6. 2. A ORGANIZAÇÃO DA CAMPANHA DE EVANGELIZAÇÃO POR JESUS CRISTO Jesus não podia deixar a evangelização do mundo confiada à iniciativa pessoal e espontânea. se estivermos determinados a abrir novas frentes e organizarmos novas igrejas. Ele deu ênfase à evangelização pessoal. não cessando de anunciar a Jesus Cristo (At 2. 1. CARACTERÍSTICAS DO EVANGELISMO REGISTRADO NO LIVRO DE ATOS Se quisermos melhorar nossas atividades evangelizadora teremos que analisar os métodos utilizados pela Igreja Primitiva. Treinamento . ensinando e proclamando incessantemente o evangelho. Lc 10.Podemos notar que me ambas as tarefas Jesus especificou o local exato para que pudessem desenvolver o trabalho. Jesus proporcionou um treinamento eficaz. Instrução .13-17).Tendo escolhido os apóstolos. 2.for o recurso empregado como auxiliar na evangelização. percorrendo ruas.Além de instruir.Os discípulos não esperavam que os pecadores lhe viessem ao encontro. 5. e buscarmos colocá-los em prática hoje. Se estivermos todos empenhados em falar de Cristo todos os dias. Definição da Tarefa . O Evangelismo Primitivo era Intenso . os resultados de nosso trabalho serão multiplicados. porém não descartou a evangelização em massa. pelo contrário.Os discípulos testemunhavam todos os dias. se quisermos ser testemunhas eficientes. 2. Chamada . Eles sem os meios necessários para evangelizar conseguiram levar a mensagem da salvação em todo o mundo habitado de sua época. O Evangelismo Primitivo era Dinâmico .47. Jesus passou a instruí-los para o desempenho da missão que lhe daria.1-29).46. resultante das emoções. por isso organizou o movimento de evangelização. vilas e cidades. Cristo ofereceu-nos o perfeito exemplo de evangelista.6-13. A evangelização deve ser um movimento racionalmente organizado. 3. forçosamente teremos de usar um dos dois métodos de Jesus . saíam a procura deles.42).O primeiro passo na organização do evangelismo foi chamar discípulos (Mc 1.

3. O Evangelismo Primitivo dava Ênfase ao Ensino - A Evangelização atual com a tendência de supervalorização das concentrações, em detrimento da evangelização pessoal, restando ao ensino quase exclusivamente o campo da educação religiosa para os já crentes. O ensino tendo por objetivo a evangelização pode facilmente ser usado pelas igrejas, organizando classes especiais para interessados e visitantes. 4. O Evangelismo Primitivo era Ousado - Homens iletrados enfrentam sábios; pobres e humildes desafiaram ricos e poderosos, testemunhando de Cristo, mesmo quando a sombra das mais terríveis ameaças. 5. O Evangelismo Primitivo era culto - Assim como Deus usou a Pedro e outros incultos para darem testemunho da Palavra de Deus, também se utilizou de homens como Lucas, Mateus, Paulo e tantos outros, homens formados, que diante da alta sociedade dava grande testemunho e defesa a causa do Mestre. 6. O Evangelismo Primitivo era Impulsionado e Dirigido pelo Espírito Santo Os primitivos discípulos viviam cheios do Espírito Santo, de alegria e gozo espiritual. Isso explica todas as demais características da evangelização daqueles dias. (At 4.8,31; 5.17-41; 7.55). Se colocarmos em prática estes métodos utilizado pela Igreja Primitiva, iremos logra êxito, na evangelização do mundo no qual vivemos. A PESSOA DO EVANGELISTA A responsabilidade de evangelizar não é somente dos ministros. É de todos os discípulos, há todavia, crentes que se limitam a cooperar com a obra de evangelização freqüentando os cultos contribuindo, pensando que desta forma estão fazendo o suficiente, porém se esquecem que a ordem de ganhar as almas foi para todos e é infinita até a volta de Jesus Cristo, até os confins da terra. Como Deve ser a Pessoa do Evangelista ? 1. O Evangelista Deve ser um Verdadeiro Crente, Salvo por Jesus - Esse requisito é óbvio, mas é necessário lembrá-lo. Infelizmente existe a possibilidade de pessoas tentarem evangelizar sem que, elas próprias tenham experiência de regeneração; 2. O Evangelista Deve ser Afável e cheio de simpatia - O evangelista deve lembrar-se de que está tratando com enfermos, quando evangeliza, o pecado é enfermidade. Existem evangelistas que ao invés de tratar os pecadores com amor e carinhos os tratam com pedradas e desrespeito, desta forma ao invés de ganharem perdem. O Que o Evangelista Deve Saber ? 1. O evangelista Deve Conhecer a Bíblia - É necessário que o evangelista possa ajudar o pecador a examinar a Palavra de Deus de modo a compreender o plano da Salvação, é preciso portanto, que os crentes que 161

desejam, ganhar almas para Cristo estudem sistemática, metódica e perseverantemente a Bíblia. 2. O Evangelista Deve Conhecer a Vida dos Homens e suas Desculpas - via de regra, as pessoas que o crente procura evangelizar tenta escapar à responsabilidade de enfrentar o problema do pecado com desculpas, o evangelista não deve ser apanhado de surpresas por essas desculpadas, é preciso saber rebater cada uma delas com a Palavra de Deus. 3. O evangelista Deve Conhecer as Diversas Religiões - O evangelista precisa estar preparado não só para enfrentar as desculpas, mas também os contra-ataques dos que têm convicções em falsas religiões. O Que o Evangelista Deve Cultivar ? 1. O Evangelista Deve Cultivar a Oração Fervorosa - A Evangelização é um combate espiritual contra as hostes das trevas, cuja vitória depende do poder do Espírito Santo. E a oração, é o meio pelo qual Deus outorga esse poder, não há evangelista bem sucedido que não seja dedicado à oração. 2. O evangelista Deve Cultivar a Leitura - O Evangelista deve estar sempre procurando aumentar seus conhecimentos pela leitura. 3. O Evangelista Deve Cultivar o Desejo de ver as Almas Salvas - O objetivo da evangelização é ganhar almas para Cristo, enquanto o evangelista não estiver dominado pelo desejo de conquistar almas, não poderá ser bem sucedido. 4. O Evangelista Deve Cultivar o Hábito de ir à Casa de Deus - Quem não ama a sua Igreja, não dá valor aos cultos e não tem prazer em tomar parte em suas reuniões jamais estará em condições de ganhar almas, estes são apenas alguns deveres dos evangelistas. O Que o Evangelista não Deve Fazer ? 1. O Evangelista Nunca Deve dar ênfase a Igreja e sim à Jesus - Entre o diálogo travado entre Jesus e a mulher Samaritana, vemos um exemplo claro de que a ênfase do ganhador de almas deve ser dada ao Senhor Jesus e nunca a Igreja, ou a uma religião, ou a um lugar (Jo 4.20-29; At 4.12). 2. Nunca Discutir - E ao servo do Senhor não convém contender (II Tm 2.24,25). Existem muitas outras atitudes que não são corretas à um evangelistas porém se ele tem êxito nestes dois pontos estará realizando um bom trabalho. TRAÇANDO UMA ESTRAGÉGIA DE EVANGELISMO 162

Todo trabalho para se obter êxito se faz necessário que se tenha uma estratégia de ação. Este tipo de assunto é bastante utilizado pelas grandes empresas que desenvolvem seus planos de trabalho anual ou mensal. Para que Ter uma estratégia ? Será que isto é bom ? Traçar ou ter uma estratégia nada mais é que realizar o que Jesus realizou , Ele tinha um alvo a alcançar e para chegar a este alvo Ele usou de estratégias de trabalho., Ele próprio nos ensinou a traçar nossos objetivos para se analisar se os recursos são suficientes. (Lc 14.28-33). A estratégia não anula a direção que recebemos do Espírito Santo, a estratégia apenas põe em prática a ordem que dEle recebemos. O Apostolo Paulo utilizou de estratégia para ganhar almas para o reino de Cristo, ele mesmo escrevendo disse que quando estava evangelizando os judeus guardava a lei judaica, mas relaxava quando este evangelizava os gentios que não estavam debaixo da lei (I Co 9.22; I Co 9.19). Ter uma estratégia de trabalho não é coisa da invenção do homem, Ter uma estratégia é até mesmo recomendada pela Bíblia, vejamos o que diz: Pv 16.9 "Devemos fazer nossos planos, confiando na direção que Deus nos dá" Pv 18.15 "O homem inteligente sempre está pronto para considerar novas idéias." Desta forma notamos que a estratégia tem respaldo Bíblico, basta apenas que nós venhamos a aceitar e pratica-la. VANTAGENS EM SE TER UMA ESTRATÉGIA Se aceitarmos o padrão Bíblico iremos descobrir que existe uma série de vantagens em se traçar uma estratégia de trabalho: 1. Aumenta a nosso eficiência - em qualquer coisa que fazemos é necessário gastar tempo, energia e dinheiro. A estratégia não apenas no ajuda a decidir o que fazer, mas também nos ajuda a decidir o que não fazer, e isto é igualmente importante. Um grande número de recursos dados por Deus são desperdiçados porque líderes cristãos estão concentrando-se nas coisas menos importantes. 2. Ajuda a medir a eficácia - Uma tarefa é eficaz quando ela atinge seus objetivos. O planejamento estratégico requer que os alvos sejam expressos de forma clara, isto nos capacita a medir o progresso e saber quando o que foi projetado a fazer não esta ocorrendo bem. 3. Permite Correção no meio do Caminho - Se uma estratégia bem planejada 163

irá prever diversos pontos de averiguação onde nós verificamos a metodologia que estamos usando, se o que estamos fazendo não está funcionando bem, quando mais cedo nós descobrimos melhor. 4. Une a Equipe - Muito freqüentemente as estratégia para evangelismo e missão envolve a participação de mais de uma pessoa, se faz necessário a criação de uma equipe, quando a estratégia é adequadamente planejada, cada membro desta equipe entenderá a contribuição que se espera dele, cada membro do grupo saberá sua tarefa e desta forma poderão cumprir com os objetivos de todo o grupo. 5. Permiti uma responsabilidade natural - Muito do que é feito para a obra de Deus é voluntário, quando as pessoas não estão sendo pagas pelo que estão fazendo corrigi-las não é fácil, uma estratégia claramente preparada evita estas dificuldades porque a estratégia é como um contrato que une as pessoas que estarão realizando tal trabalho. 6. Ajuda Outros - Embora as estratégias sempre precisem ser adaptadas a cada situação, quando uma certa estratégia é bem sucedida, ela se torna um modelo, outros que desejem realizar tarefas iguais, podem aprender muito de uma boa estratégia e orientar-se por ela. Desta forma notamos a importância em se Ter uma estratégia de trabalho bem elaborada e definida, esperamos em Deus, que os queridos irmãos possam usar este método para melhorar o seu desempenho em ganhar almas para o reino de Deus. CRUZADA EVANGELÍSTICA A importância da Oração. Para êxito real numa campanha evangelística, a oração intercessória deve começar meses antes. Grupos de oração, vigílias, jejuns e muita oração, e sem dúvida os resultados aparecerão. Planejamento e Finanças Planejar local, pregador, cantor, hospedagem para pregador e equipe, som, iluminação, devem ser providenciados com muita antecedência. Além do mais, há necessidade de uma comissão de finanças para cuidar dos custos e dos gastos da Cruzada. Publicidade Os planos de publicidade de uma Cruzada devem ser feitos com muitos meses de antecedência. Música A Música tem papel muito importante numa Cruzada. Meses de ensaio para 164

bandas, conjuntos, orquestras e corais, para que se apresentem muito bem. Literatura e Treinamento de Pessoal A comissão de literatura é de grande utilidade. O diretor desta comissão, em consulta com o Pastor, deve cuidar da literatura a ser distribuída antes, durante, e depois da Cruzada. O treinamento de cooperadores para trabalhar na Cruzada é de máxima importância. Conselheiros e acomodadores, para ajudar na manutenção de ordem e cuidar dos novos-convertidos, precisam de treinamento especial para que cumpram bem suas responsabilidades. Começada a Cruzada a Campanha de Oração não pode parar as reuniões de oração devem prosseguir pela manhã, nos templos. A Publicidade chega ao seu auge durante a Cruzada Entrevistas ao vivo pela rádio e televisão despertam a atenção da população para a Cruzada. Um testemunho notável de cura ou conversão pode ser publicado no jornal local. Visita de casa em casa deixando um convite impresso para cada família, um telefonema convidando a redondeza, etc. A Pregação A pregação deve consistir da mensagem direta e simples da salvação de modo que o pecador possa entendê-la. O Apelo Durante o apelo, os obreiros da plataforma devem estar em seus postos. Muitos pecadores vão à frente sem um crente se oferecer para acompanhálos até ao altar. Por outro lado, esses obreiros da plataforma não devem ser demasiadamente insistentes e indelicados. O Trabalho após a Cruzada não pára É aí que precisa entrar em ação uma campanha intensa de visitação e os cuidados necessários para com os novos decididos. Se não houver este acompanhamento todo o trabalho será em vão mesmo que tenha havido uma boa pescaria. CONCLUSÃO Todo o evangelho a todo o mundo nesta geração! Isto demanda a mobilização e treinamento de toda a Igreja; exige oração e submissão ao Espírito Santo. Depois ele fará, por nosso intermédio, o que jamais poderíamos fazer sozinhos. Evangelizar o mundo em nossa geração: cada geração de cristão tem esta 165

será contigo a minha aliança. de ti farei nações. outrora. toda a terra de Canaã. [8] Dar-te-ei e à tua descendência a terra das tuas peregrinações. Peter . rosto em terra. 166 . [7] Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência no decurso das suas gerações. 3. apareceu-lhe o SENHOR e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso. isto é. O apóstolo começa a conversa lembrando aos efésios o seu passado espiritual: eram incircuncisos. não tinham pacto com Deus. Podemos consegui-lo se permitirmos que Deus opere por nosso intermédio em um ciclo perpétuo de evangelização. tu e a tua descendência no decurso das suas gerações. (EFÉSIOS Cap: 2) [11] Portanto.Dinamismo no Evangelismo Atual . WAGNER. Paulo falava do pacto celebrado entre Deus e Abraão: (GÊNESIS Cap: 17) [1] Quando atingiu Abrão a idade de noventa e nove anos. 1999. LIMA. ELISANGELA. Editora Sepal.Manual de Evangelismo.São Paulo/SP 4. chamados incircuncisão por aqueles que se intitulam circuncisos.Maceió/AL Parte XXVII IGREJA: RETOMADA DO PROJETO DE DEUS Neste texto. serás pai de numerosas nações. por mãos humanas. e Deus lhe falou: [4] Quanto a mim. Valdir Nunes .Semadeal Fevereiro/2001 . [3] Prostrou-se Abrão. além de descrever o processo da formação da Igreja. [5] Abrão já não será o teu nome. na carne. penso que Paulo. lembrai-vos de que. em possessão perpétua. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus. fala do projeto que Jesus retoma para a Trindade. [2] Farei uma aliança entre mim e ti e te multiplicarei extraordinariamente. Julho/1995 . [9] Disse mais Deus a Abraão: Guardarás a minha aliança. Delcyr de Souza .Doutrina e Prática da Evangelização. "Tua Incumbência Única Sobre a Terra é Ganhar Almas.Estratégias Para o Crescimento da Igreja. e serei o seu Deus. gentios na carne. Rio de Janeiro. para ser o teu Deus e da tua descendência. e sim Abraão. 2. aliança perpétua. [6] Far-te-ei fecundo extraordinariamente. e reis procederão de ti." Referências Bibliográficas 1. BÍCEGO. IDACI . porque por pai de numerosas nações te constituí. anda na minha presença e sê perfeito.dívida para com seu próprio tempo. vós.

tendo derribado a parede da separação que estava no meio. é feita por mãos humanas. [12] naquele tempo. [11] Circuncidareis a carne do vosso prepúcio. [14] Porque ele é a nossa paz. Não adiantava o efésio tentar seguir a lei moral. ele não passara pela circuncisão (que era uma ordenança). será circuncidado o nascido em tua casa e o comprado por teu dinheiro. Não bastava converter-se ao Deus dos judeus. o qual de ambos fez um. o que.[10] Esta é a minha aliança. era necessário tornar-se judeu. agora. essa vida será eliminada do seu povo. a inimizade. fostes aproximados pelo sangue de Cristo. O sangue de Jesus quebrou a lógica angustiante da circuncisão. que não for circuncidado na carne do prepúcio. Paulo. adverte que essa circuncisão. todo macho nas vossas gerações. a minha aliança estará na vossa carne e será aliança perpétua. que antes estáveis longe. que não for da tua estirpe. vós. de Deus e de suas promessas. que guardareis entre mim e vós e a tua descendência: todo macho entre vós será circuncidado. [14] O incircunciso. Algum efésio poderia perguntar: "e daí que eu não sou circuncidado. [13] Mas. A circuncisão é anterior à lei. E mais: em relação a Deus não há mais privilegiados. logo é externa e imperfeita. quebrou a minha aliança. é aliança. no caso. Contudo. separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa. estáveis sem Cristo. não tendo esperança e sem Deus no mundo. que entre eles há um pacto. somos um povo só. [12] O que tem oito dias será circuncidado entre vós. é um dos escolhidos de Deus. incluia sua descendência. Isto quer dizer que já não estamos mais separados da comunidade de Israel. uma vez que fomos aproximados ao mesmo Deus e às mesmas possibilidades. tanto o escravo nascido em casa como o comprado a qualquer estrangeiro. Deus é dele e ele é de Deus (v 7). não pertencia ao povo para quem valia a pena cumprir a lei. aproximou os efésios e todos os não judeus que crerem em Jesus. Entretanto. será isso por sinal de aliança entre mim e vós. por causa do pacto que havia celebrado com Deus. é a marca que denota que o homem em questão. Literalmente perdido. de que tanto os circuncisos se orgulham. em Cristo Jesus. [13] Com efeito. e. a ponto de estigmatizar os que não o são. A 167 . A impressão é a de que o apóstolo chama atenção para um elo fraco da corrente: é feito por homens. que não faço parte desse pacto?" Esta é a resposta de Paulo: estar fora do pacto é estar sem saída existencial.

. mas no despojamento do corpo da carne. criar uma coisa única . pagou pelo nosso crime. uma retomada da criação? Voltemos ao início. também fostes circuncidados. ou dia de festa. A sombra que esses vestíbulos (as ordenanças) para o pacto eram. pois. há paz. na sua carne.muito mais profunda que a idéia de um único povo. fazendo a paz. a lei dos mandamentos na forma de ordenanças. Jesus fez isto com um objetivo: criar um novo homem. o mundo das idéias). Jesus. Estamos nas mesmas condições. para que dos dois criasse. GN 1:26. 27. membro do povo de Deus: CL 2:11 . Por isso o sangue de Jesus nos aproximou: ao morrer sem pecado. 168 . nem Deus é uma pessoa só. entretanto. portanto. Mundo Cristão e Vida Nova) a idéia presente aqui é a de.inimizade. William Barclay. ou sábados.Nele. ou lua nova. o representante da raça humana. não por intermédio de mãos. porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir. que é a circuncisão de Cristo Além do mais. na criação do homem temos.) Criou Deus. conforme a nossa semelhança.17 Ninguém. porém o corpo é de Cristo. pois. vos julgue por causa de comida e bebida. tornando-se. Parece claro que não se trata de fazer de todos os cristãos uma única pessoa. foi derrubada. dos dois.Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem. de costas para a entrada. de fato. Penso que isso nos remete à questão do significado desse novo homem. um novo homem. diz que é um novo tipo de criação. uma declaração de intenção e uma descrição. Esse texto marca uma mudança de ritmo e de forma na criação: até então Deus falava e tudo vinha à existência. em si mesmo. como deixou claro a colocação de Francis Foulkes. constituída pelos privilégios de um frente ao infortúnio do outro. muitas das ordenanças tipificavam o próprio Cristo: CL 2:16. (. Também. o homem à sua imagem.. Quem entra por essa porta recebe a verdadeira circuncisão. única porta de entrada para o pacto com Deus. só víamos as sombras do mundo real. É um conceito de unidade absoluta. à imagem de Deus o criou. satisfez a justiça divina. Não seria. Segundo Francis Foulkes (Efésios: introdução e comentário. foi projetada a partir do corpo de Cristo.Eds. [15] aboliu. antecedendo-a. série cultura cristã . isto é. que o torna. citado por Foulkes. com a chegada de Jesus fomos libertos da caverna (Platão dizia que estávamos todos presos numa caverna. pois. não se reduz ao fato de cada seguidor de Cristo ser uma nova criatura.

senão estariam impossibilitados de comunicar-se e de arrazoar conosco. A teologia cristã entende que essa afirmação nos apresenta a Trindade. uma vez que pecar (pelo menos no ato primeiro) exige capacidade de escolha? . perdida com a queda". diz que não há. perdemos dessa imagem-semelhança. na queda. os anjos. (2 Pe 2:4) Como qualquer ser pode ser julgado." O que. estão incluídos. porém. são criaturas e estão no 169 .. de modo que os termos se reforçam (a palavra. W. também. segundo Kidner . se não for moralmente responsável? Além do que. também.reservando-os para juízo. doutrina que afirma haver um só Deus em três Pessoas: Pai. com Ló (Gn 19:10-22). seria imagem-semelhança). de um poema épico numa escultura. por exemplo. que recuperaremos quando for retomada nossa plena comunhão com o Senhor. Algo. e a semelhança é aquela harmonia com a vontade de Deus. se Deus não poupou anjos quando pecaram (2 Pe 2:4) Como os anjos poderiam pecar se não fossem moralmente livres. como fizeram. a partícula aditiva "e". parece não haver dúvidas de que os anjos. ou de uma sinfonia num soneto. Eis a descrição do projeto: o homem seria à imagem e semelhança de Deus. Façamos o homem à nossa imagem. é como se fosse o resultado de uma conferência entre as três Pessoas. foi o amor. no original.. são racionais. Ele. para alguns teólogos "imagem é a indelével constituição do homem como ser racional e como ser moralmente responsável. Se ser imagem-semelhança é ser transcrição do eterno em termos de existência temporais. Filho e Espírito Santo. então os anjos também não o seriam? Ora. penso que precisa ser considerado: se ser moralmente responsável e racional é ser imagem de Deus. como declara G.Façamos o homem.. conforme a nossa semelhança. pois. a Trindade. entretanto. A imagem seria "expressão ou transcrição do Criador eterno e incorpóreo em termos de uma existência temporal. Bromiley1 Gosto de pensar nesse texto como uma declaração de intenção. O que significaria isto? Segundo Derek Kidner2. digamos.. então.como se poderia tentar a transcrição. corpórea e própria de uma criatura .

em ambos os casos. "A última palavra hebraica da Shema (Dt 6.27 (RC). E por que? Penso que só após a queda o macho teve autoridade para tal: e à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez. a relação entre ambos não era de autoridade. Gn 1. Entretanto. um substantivo que demonstra unidade. isto é. O segundo ser não é uma segunda criação. transformou-a numa mulher e lha trouxe. e este adormeceu.) Em Nm 13.2) Duas pessoas. duas criações? Então. Seriam. e os abençoou. (Gn 2:7) Então. em outras palavras. pois. homem e mulher os criou. e o homem passou a ser alma vivente. no hebraico. Mas. ainda que o tempo. no dia em que foram criados.(." Stanley Rosenthal3 E criou Deus o homem à sua imagem. um substantivo coletivo. em meio de dores darás à luz filhos. e ele te governará (Gn 3:16). não lhes faça diferença. Deus fez desabrochar características que não fizera desabrochar no primeiro. a mulher só ganhou o nome de Eva depois da queda: E deu o homem o nome de Eva a sua mulher. algo que só é comum a Deus e a nós: a unidade. como é evidente.5) é echad. tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. pois. o SENHOR Deus fez cair pesado sono sobre o homem. 170 . o teu desejo será para o teu marido. à semelhança de Deus o fez. No dia em que Deus criou o homem. somente do homem é dito que foi criado à imagem e semelhança de Deus. além do já citado. (Gn 5:1. no segundo ser.4. A palavra que aqui aparece com 'um'. em 'um cacho'. por ser a mãe de todos os seres humanos (Gn 3:20). é uma duplicação. e lhes chamou pelo nome de Adão.. talvez. um só nome. os anjos fiéis não perderam nada de sua criação original.. De fato. E a costela que o SENHOR Deus tomara ao homem. realmente. (Gn 2:21.23 os espias pararam em Escol. ao mesmo tempo que se trata de uma unidade que contém várias entidades.22) Macho e fêmea parecem ser uma criação só. à imagem de Deus os criou. formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida. Gosto de pensar que esta imagem-semelhança inclui. Sendo que. esse único cacho de uvas consistia em muitas uvas. Poderíamos citar um bom número de exemplos. macho e fêmea os criou. onde 'cortaram um ramo de vide com um cacho de uvas'. Este é o livro da genealogia de Adão. tiveram começo. o barro e o sopro (que dá vida ao ser humano) só aparecem uma vez. E. novamente é echad.tempo. é de se supor que antes não era assim. era. Se Deus condenou a mulher a essa condição subserviente ao homem como consequência da queda.

24. guardadas as devidas proporções. pois. o homem-comunhão que. seríamos um só homem: o homem à imagem e semelhança de Deus. nos amaríamos tanto que. este deve ser o moto de seu dia a dia. é o projeto de Jesus. Criou-os para viverem em unidade. em si mesmo. Se não tivéssemos caído. fazendo a paz. uma só família. Quando Deus chamava: Adão! Macho e fêmea se voltavam para falar com Ele. tratar-se da retomada do projeto do Gênesis. à semelhança da trindade." Stanley Rosenthal4 Se Deus é uma família. A queda foi marcada pela quebra de unidade entre o homem e Deus. criou-os tendo a si como modelo: o que caracteriza a trindade é o amor. este novo homem. que une perfeitamente. sugiro. a Igreja é. O homem à imagem e semelhança de Deus é unitário-coletivo. a unidade. o que perdemos é inapreensível para nós. a exemplo da trindade. para admitir isso teríamos de considerar que a primeira continha uma falha. seríamos bilhões. logo. como disse Jesus: LC 19:10 .. (ed. entre o macho e a fêmea. vínculo da perfeição. por definição. amarem-se com esse amor que unifica. também.Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido. de unidade. isto é. para que dos dois criasse. Por esse novo homem Jesus se sacrificou. penso eu. a retomada do homem à imagem e semelhança de Deus.quero crer. novamente a palavra hebraica é echad. Creio. entretanto. de modo extremamente rarefeito. que criatura poderia expressar sua imagem-semelhança senão se constituísse. revista e corrigida) Segundo vejo. é um ser coletivo. criou-os para. expressa o que a Trindade é. talvez. O homem à imagem e semelhança de Deus. apesar de muitos. Em tal caso. um novo homem.. Não seria uma nova criação. Ainda que a graça comum tenha nos mantido em condições de experimentarmos. 171 . de fato. Esse.) instruiu marido e mulher a tornarem-se 'os dois uma só carne'. logo. "Em Gn 2. formando perfeita e harmônica unidade. Deus (. Se esse é o destino da Igreja. indicando que aquelas duas pessoas unir-se iam. numa família? Se Deus é uma unidade-comunhão como uma criatura que não se constituísse noutra unidade-comunhão poderia ser chamado de sua imagem-semelhança? Me parece que o projeto divino passava estritamente pela unidade: criou um casal apenas. Criou-os como unidade.

[18] porque. mergulhados nele . de estar em forma. por intermédio da cruz. paz com o próximo. paz consigo mesmo.[16] e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus. já não sois estrangeiros e peregrinos. Esse novo homem é mais que comunhão. sendo ele mesmo. [19] Assim. de definir pecado é estado de guerra consigo mesmo. A paz é o princípio da unidade: paz com Deus. um lugar de todos nós. Somos da mesma nação.1Co 12. evangelizou paz a vós outros que estáveis longe e paz também aos que estavam perto. destruindo por ela a inimizade. É o novo homem que vai à presença do Pai. é fornecer a possibilidade da expressão (como o corpo humano é em relação a alma) e exprimir por meio da ação (corpo inerte não exprime). e sois da família de Deus. o novo homem não pode ser vivido. Certamente é por isso que cada um de nós chega à presença do Pai e tem de dizer: "Pai nosso". é uma aceitação geral: aceitamos as demandas de Deus. Não seria essa a melhor forma de diagnosticar o que está acontecendo na sociedade? Não estariam todos os relacionamentos marcados por alguma forma de violência? Paz . Todo mundo pode ir ao Pai. e/ou com o próximo. [20] edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas. Sem paz. O papel da Igreja. isto é. sem que nos aceitemos mutuamente. ambos temos acesso ao Pai em um Espírito.penso. mas concidadãos dos santos. vindo. mas.13). aceitamos o próximo. Somos irmãos. não está sozinho. por ele. entre outras coisas. enquanto corpo. portanto. aceitamos o que somos e as mudanças que precisamos sofrer. 172 . é um organismo vivo (tem funcionalidade). todos os irmãos foram junto. A gente está na presença do Pai. Uma outra forma. Gosto da idéia de que aceitar é admitir e compartilhar espaços. Jesus Cristo é a estrada e o Espírito Santo é o ônibus que nos leva. estamos no mesmo lugar. Tem de ser saudável. Todos estamos dentro desse ônibus (fomos batizados. temos o mesmo nome e o mesmo pai. aceitamos a natureza. Interessante pensar que evangelizar é chamar à paz. e/ou com a natureza. [17] E. e/ou com Deus.

ainda que a graça comum o tenha mantido em parte. com todos os santos.) ser a morada de Deus . para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus. de pastoreio. qual é a largura. para crescer em Cristo tem ter unidade (bem ajustado . assentados sobre o mesmo alicerce. sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo. e Deus mesmo estará com eles. O novo homem retoma o seu destino: (AP 21:3 . 173 . um Deus vivo tem de morar numa casa viva.) É na realidade do novo homem que Deus é adorado como quer e deve ser. Deus nos criou como unidade para que o expressássemos. Estamos.5). como pedras que vivem. Deus habitará com eles.Cristo Jesus. e a altura. a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo.a fim de poderdes compreender. a pedra angular. Jesus é o alicerce e o construtor que ajusta cada pedra e material: (EF 3:18. Em Jesus estamos sendo tornados um. que excede todo entendimento. [21] no qual todo o edifício. enquanto pedras vivas (1 Pe 2. Edificar é tornar um (vários materiais. Eles serão povos de Deus. e a profundidade e conhecer o amor de Cristo.formando uma parede só). Penso que esse é o desafio dado a cada igreja local: alcançar essa unidade.Então. bem ajustado. Propósito 1: serrnos o lugar onde Deus é adorado perfeitamente (1PE 2:5 também vós mesmos. dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. tem de crescer em Cristo.a Trindade. não estaríamos na Igreja) apesar de insistirmos nas diferenças. e o comprimento. ouvi grande voz vinda do trono. [22] no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito.) A Igreja. Perdemos isso. consequentemente. cresce para santuário dedicado ao Senhor.19 . para que Deus possa ter sua morada. uma só casa). Cremos na mesma coisa (senão. Isso implica em que o primeiro projeto para a igreja local deveria ser um projeto de comunhão e. para ser santuário. apesar da boa vontade de Davi e de Salomão. Jesus Cristo retoma o projeto do gênesis: cria o novo homem.

17:1) "E levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu.Felipe .Bartolomeu .Judas Tadeu .Mateus Os Pouco Conhecidos Tiago (o pequeno) .eds Mundo Cristão/Vida Nova 3 A Tri-unidade de Deus Velho Testamento . 26:37) "E não permitiu que ninguém o acompanhasse.1 in artigo Trindade. o mesmo evangelho que hoje em dia nós temos a liberdade de defender." (Mc. Clique nos nome dos mártires que estão sublinhados para ver uma breve biografia sobre os mesmos.Tiago (o grande) . logo em seu primeiro século. pois tinham privilégios especiais: "Seis dias depois. no passado da Igreja. tomou Jesus consigo a Pedro.5:37) Os Trabalhadores Silenciosos André ." (Mt.3 W. torturas ou a morte por sustentar a fé Cristã". mas fizemos uma coletânia dos mais famosos e armazenamos a maior quantidade de informações possíveis neste estudo. irmão deste. Elwell . senão Pedro. Mártir é: "Pessoa que sofreu tormentos.editor .introdução e comentário . (Setor Personagens Bíblicos).A. e os conduziu à parte a um alto monte.Stanley Rosenthal .Derek Kidner .Stanley Rosentahl .série cultura bíblica . os que isso fizeram eram os apóstolos. muitos foram aqueles que morreram em favor do evangelho.ed." (Mt. in Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã .. Vida Nova 2 Gênesis .Fiel 4 A Tri-unidade de Deus no Velho Testamento . Tiago.Tomé . Os Mártires Apóstolos Pedro .Simão 174 .v. irmão de Tiago. começou a entristecer-se e a angustiar-se. a Tiago e a João. também fizemos um breve esquema para que se tenha uma idéia de quem eram os Apóstolos de Cristo. e João.Fiel Parte XXVIII MÁRTIRES CRISTÃOS De acordo com o Dicionário Aurélio. Nem todos os mártires do cristianismo viveram junto com Cristo.João Faziam parte do círculo íntimo de Cristo. Muitos foram os Mártires Cristãos.

um deles se torne testemunha conosco da sua ressurreição.Então deitaram sortes a respeito deles e caiu a sorte sobre Matias.começando desde o batismo de João até o dia em que dentre nós foi levado para cima. 19 .E orando.O Traidor Judas Iscariotes Foi substituído por Matias após ter traído o Senhor e ter se matatado: 16 . isto é. ele adquiriu um campo com o salário da sua iniquidade.É necessário. de maneira que na própria língua deles esse campo se chama Acéldama. 26 . 23 .Inácio .(Ora. Campo de Sangue. que foi o guia daqueles que prenderam a Jesus. mostra qual destes dois tens escolhido 25 . e não haja quem nela habite. e precipitandose.E apresentaram dois: José.Papias Mártires Após a Época dos Apóstolos Jorge . e por voto comum foi ele contado com os onze apóstolos. chamado Barsabás. 24 . do qual Judas se desviou para ir ao seu próprio lugar.Sebastião 175 . caiu prostrado e arrebentou pelo meio. Atos 1:16-26 Convertidos a Apóstolos depois da ascensão de Jesus Matias .Paulo Outros Mártires Cristãos Marcos . e Matias. disseram: Tu. pois.Irmãos.para tomar o lugar neste ministério e apostolado.Lucas .Porquanto no livro dos Salmos está escrito: Fique deserta a sua habitação.Barnabé . e: Tome outro o seu ministério.Estevão Mártires que viveram ainda com os últimos apóstolos Policarpo . que dos varões que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus andou entre nós.E tornou-se isto conhecido de todos os habitantes de Jerusalém. 17 . e todas as suas entranhas se derramaram. 18 .pois ele era contado entre nós e teve parte neste ministério. acerca de Judas. convinha que se cumprisse a escritura que o Espírito Santo predisse pela boca de Davi.Orígenes .) 20 . 22 . Senhor.Cosme e Damião . que tinha por sobrenome o Justo. que conheces os corações de todos. 21 .

1.Barsa Enciclopédia. tanto á fidelidade na entrega do que pertence a Deus como na habilidade na aplicação ou gasto deste dinheiro 176 . .Centro de Pesquisas Religiosas . A pessoa que diz crer em Deus e não entrega seus dízimos está negando. p. 1997 . Conceito e origem da mordomia do dízimo (2) A mordomia do dízimo é o perfeito uso do dinheiro que pertence a Deus por direito de criador e sustentador de todas as coisas que compõem o universo. Amor que nos identifica com o caráter e os propósitos do Senhor e que nos leva a adora-lo com atos objetivos.Iranilde Campos Parte XXIX MORDOMIA DO DÍZIMO Introdução (1) O dízimo é o método de Deus para abençoar seus filhos na vida material. O imposto é compulsório. Gênesis 14. É como o cordeiro do holocausto no altar da consagração. mas a fé que não se transforma em atos de obediência não é a fé válida para a salvação. não pelas obras. o dízimo é também uma demonstração de amor a Deus. na prática. portanto. como os têm abençoado.22.Manual Bíblico Halley . não apenas o dízimo. Colaboradores: . e não apenas com palavras. A mordomia do dízimo envolve.Carlos Magno . onde Deus colocou o homem para cultivá-lo com inteligência. O dízimo é também uma prova de santificação da vida ao Senhor.20 e 28. É o reconhecimento de que. pela fé.Verônica . Nós somos salvos pela fé.Dicionário Aurélio . Crer ou não crer na Palavra de Deus é crer ou não crer no próprio Deus.1265.Encyclopédia e Dicionário Internacional.Bíblia Thompson . 1262 . 10486. Dízimo é compromisso que pauta a partir do voluntariado consciente. pp.The Grolier Multimedia Encyclopedia. na vida espiritual. 1974 . Além de ser uma prova de fé. Quem não paga é autuado. Um cordeiro santificado no altar santifica todo o rebanho. Cada real que você santifica para Deus significa que os outros nove reais também são santos ao Senhor.Encyclopédia Universal Ilustrada Europeu-Americana. Dízimo não é tributo.Fontes de Pesquisa: . mas a totalidade dos bens e do ser pertencem ao Senhor. a fé que diz ter no coração. habilidade e fidelidade.

4-12. O desafio é aprendermos a dependência da graça sustentadora do Senhor e não essencialmente dos recursos financeiros. o dízimo sofre uma certa força carismática. Enquanto dinheiro separado para Deus. A participação dos crentes no sustento diário da causa de Deus envolve todos os fiéis de todos os tempos e lugares. Sua aplicação aparece em toda a Bíblia na medida em que o homem é chamado a assumir seu dever de entregar ao Senhor os dez por cento de sua renda para que Deus possa realizar também seus planos espirituais para o mundo. O dízimo faz parte do planejamento de sustento da sua grandiosa obra de redenção do mundo. 10% de uma determinada quantia de dinheiro ou do peso de um corpo qualquer será sempre 10%. mas uma exigência de Deus para sustentar espiritualmente o homem.30-32. visto que o Senhor de todas as coisas promete bênçãos especiais aos fiéis dizimistas conforme o Texto Sagrado.consagrado. O poder sustentador de Deus tem-se manifestado por meio da confiança daqueles que fielmente dizimam em amor de suas rendas para o Senhor. A mordomia do dízimo pode e pretende conscientizar os crentes do valor e importância prática fiel e constante do dízimo para o reino de Deus. porque cremos que nos propósitos de Deus não há variantes que não foram previstas com milhares de anos de antecedência. Salmo 24. Natureza e finalidade da mordomia do dízimo (3) Enquanto cálculo matemático de 10% de uma quantia é isto e nada mais. Não é difícil entender que o dízimo só deve ser usado em coisas consagradas e para a glorificação do de Deus. 3. Malaquia 3. Aumentar a confiança dos crentes no poder e na providência de Deus conforme a Bíblia tem nos ensinado é a finalidade da mordomia do dízimo. para que haja mantimento na 177 . 2. preservando-se o que se denomina de fidelidade de propósito. 2 Crônicas 31. Os dizimistas fiéis sabem o quanto é bom confiar em Deus e praticar esta doutrina bíblica tão negligenciada por muitos servos. O dízimo não é uma invenção do homem para sustentar a religião.21 e 24. O dízimo tem sua origem na economia divina ao preparar o projeto de criação do mundo.1-10. Não pode ser menos como alguns gostariam e não pode ser mais porque é inalterável no tempo e no espaço. Como devemos dizimar (4) É dever de todo cristão dizimar à luz de Malaquias 3:10 onde Deus nos ordena dizendo: "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro. Deus não resolve nada em seus planos de última hora. Números 18. Levítico 27.10-12.

7. Quem poderá ser bom mordomo deixando de fazer o que Deus ordenou? Certamente o servo fiel é mais agradável ao seu Senhor. Meia obediência é igual à desobediência total. Deus não deve pagar nosso impostos ou taxas previdenciárias.minha casa. Deus já determinou 10% e isso é inegociável.21. mesmo que não seja com muita alegria. Vale ressaltar que o dízimo deve ser entregue do valor bruto dos nossos rendimentos. O problema é que não existe fidelidade parcial. e depois fazei prova de mim. quando se trata de dízimo. diz o Senhor dos exércitos. só posso obedecê-la trazendo o dízimo inteiro. É uma questão lógica. vale a pena cumpri-la para o nosso próprio bem. que o crente só pode ser ofertante depois de ser dizimista. são para nosso benefício e são também um compromisso espiritual. Deve-se ter a preocupação de se contribuir com regularidade efetiva. Verificamos ainda. Atos 5. Estão errados quanto à interpretação do Texto Bíblico que neste caso. Como alguém afirmou. 2 Coríntios 9. porém.8. Todo o cristão sincero deveria ter verdadeira alegria ao contribuir para o sustento do Reino de Deus. Por muitos séculos Deus tem comprovado sua fidelidade para com os homens que lhe obedeceram com amor e dedicação. o que é de Deus é o dízimo e não podemos ofertar ao Senhor usando o que pertence a ele. Muitos contribuem com tanta irregularidade que o dinheiro chega a perder o valor. O crente pode usar a medida do coração. e não derramar sobre vós uma bênção tal. embora contribuam eventualmente. Foi o caso de Ananias e Safira que não queriam ser completamente desobedientes. Os descontos previdenciários e os impostos que nos são deduzidos em folha de pagamento ou em carnês. trata de ofertas alçadas para obras sociais. o crente deve começar a dizimar ainda que sem muito entusiasmo porque é tão bom contribuir que começando por obrigação terminará por alegria e consagração. Esta atitude é a normal e correta. alguns dizem que devem contribuir segundo propôs no coração e assim o fazem. 4. A quem entregar os dízimos? (5) 178 . se eu não vos abrir as janelas do céu. 1-11. mas em se tratando de uma ordem. Se é uma ordem. Mateus 22. mas terminaram sendo os exemplos de deslealdade em matéria de contribuição. que dele vos advenha a maior abastança". em Malaquias 3. Entregar ao Senhor o dízimo do valor líquido não é fidelidade integral. O povo de Israel roubava a Deus nos dízimos e nas ofertas alçadas. Supostamente baseados nos ensinamentos de Paulo. não do dízimo. São aqueles que dão de quando em vez e não podem ser conhecidos como dizimistas porque têm renda todo mês. não a metade ou apenas uma parte.

se eu posso todas as coisas. 72 vezes. prática e conduta. mas de acordo com a consciência de Deus refletida nos ensinos da Bíblia. Se houver falha na mordomia da administração do dízimo por parte da igreja. elegeu um tesoureiro. teríamos de eliminar da Bíblia Filipenses 4. então posso entregar o dízimo a Deus.O texto de Malaquias é muito claro. que no Novo Testamento muito mais se pregou sobre dinheiro que sobre qualquer outra coisa. A situação dos irmãos que insistem na infidelidade é crítica. a sua Palavra Santa e Infalível. então por que não pomos em prática a doutrina do dízimo como a Bíblia ensina? No Novo Testamento. 11 vezes.13. Ou não entenderam de forma apropriada o compromisso da fé salvadora ou não experimentaram a salvação que se opera pela fé que desemboca na fidelidade incondicional. 27 vezes. Pecado e pecadores. 4 vezes. O batismo é mencionado 17 vezes. Muito mais valem 9/10 do nosso salário com as bênçãos de Deus.11. nos orgulhamos em afirmar que a Bíblia é o nosso único livro de fé. isto é. Vemos. 1 Coríntios 6. o membro tem direito de questionar e até de orientar a correção. Fala-se em cristãos que dão o seu dízimo parte em casas filantrópicas e parte na igreja. que constitui pecado. O arrependimento. do que todo um 179 . pois. se assim é. é claro. Inferno. O dízimo deve ser entregue na Casa do Tesouro. o crente pode todas as coisas que não contrariam a natureza de Deus. Eleição. Dízimos e ofertas alçadas. 47 vezes. na igreja de Jesus Cristo em ato de adoração e culto solene. Espírito Santo. Para que um tesoureiro? Para receber ofertas. conforme o preceito bíblico. os cristãos evangélicos. nos são lícitas mas não devemos praticá-las. O crente não deve fazer as coisas conforme sua conveniência somente. 1 Coríntios 6. Caso isso fosse verdade. Este não é o método bíblico que manda trazer todo dízimo a Casa do Tesouro e consequentemente o dízimo todo para a administração da igreja. Causa perplexidade ouvir certos membros de igreja afirmando que não dão o dízimo porque não podem. mas nunca de tomar atitudes pessoais para as quais não foi credenciado por Deus. O hades. o cristão arrogar-se o direito de aplicação e administração do seu próprio dízimo.12 e 10. Muito bem.23. 7 vezes. A Bíblia chama de ladrão a quem não entrega o dízimo. A igreja aparece em 21 versículos. Conclusão (6) Nós. Como agência do Reino de Deus a igreja está credenciada para gerenciar os seus negócios do Rei quer sejam especificamente espirituais ou materiais. e as que contrariam o caráter do senhor. Ora. quando reuniu os apóstolos. 21 vezes. Pela fé. A vida eterna. É pecado. asseverando que os roubadores não herdarão o Reino de Deus. Jesus. 90 (noventa) passagens falam sobre dinheiro.

Ed. Isto não quer dizer que estejam deixando a igreja e sendo contratados por alguma empresa. Embora uma vaga vocação para o ministério possa levar ao pastorado. 161). Daniel Oliveira. 31-32). não sustentará o pastor através das ásperas realidades da vida na igreja. A Doutrina Bíblica da Mordomia. quero pisar neste terreno mui solenemente. Como explicar os vislumbres de certezas espirituais ? Pode a vocação de Deus ser descrita ? Talvez devesse deixar tal desafio para os mais experientes nas lidas pastorais. (pp. (3) Id. Amém. 74-75). Ibid. Notas (1) FALCÃO SOBRINHO. o chamado. Alguns pastores estão abandonando seus postos. O que estão abandonando é o posto. As congregações ainda pagam seus salários. Notem as palavras de Eugene Peterson: "Os pastores estão abandonando seus postos. seus pastores. mas realista. Entendo que grande culpa dos problemas destas igrejas deve-se a nós mesmos. o nome deles ainda consta no boletim dominical e continuam a subir não púlpito domingo após domingo. Ibid. 3. 62 p. Uma reflexão dura. 180 . Estou Convosco. Nestes doze anos de ministério tenho visto alguns pastores perderem o rumo original e ministérios infrutíferos com igrejas fracas e em declínio. antes de ingressar nos seminários. Ageu 1. Duque de Caxias: AFE. (7) Ação de soberania em conceder livre arbítrio ao seus vassalos para o exercício de aparente ou relativa autonomia Parte XXX MOTIVAÇÕES PERIGOSAS PARA O MINISTÉRIO Uma breve Reflexão sobre alguns motivos errados para o Ministério Falar de vocação não é uma tarefa fácil. pp. 162-163.Aquilo que fazem e alegam ser ministério pastoral não tem a menor relação com as atitudes dos pastores que fizeram a história nos últimos vinte séculos" . 124 p. mas com as maldições previstas no juízo divino que se impõe pela suserania (7) do Senhor. 1986. Após ler estas considerações de Peterson. Talvez nem todos têm consciência de que errar na vocação trás conseqüências desagradáveis para si mesmos e também para suas futuras igrejas. desviando-se para a direita e para a esquerda. com freqüência alarmante. pp. não obstante. Reflexões sobre Mordomia Cristã. (4) Id. (5) MOTTA. João.salário sem as suas bênçãos. Rio de Janeiro: CPCCBB.3-6. Prostituíram após outros deuses. É preciso avaliar as verdadeiras motivações. pp. fiz a seguinte pergunta: O que tem levado nossos jovens ao ministério ? Minha pergunta levanta a questão sobre as reais motivações de nossos vocacionados para o Ministério Pastoral. 163-164. (pp. (pp. 231 p. 1997. Waldomiro. 162. (2) CÂNDIDO. Ibid. (5) Id. E não só sem as bênçãos. 1982. Rio de janeiro: JUERP.

que tem o significado de "colocar o coração. mesmo que em nossos dias não é lá muito bem visto. Às vezes pregar pode ser uma tortura. Pastorear ovelhas relutantes é uma atividade esmagadora. Nós pastores inevitavelmente armazenamos um certo nível de frustração em nosso trabalho. melhor que se afaste dele de uma vez. desejar". liderar não é fácil. passe a compreender o ministério como uma profissão e um meio de ganhar a vida. Paulo escreve: "se alguém deseja o pastorado. Todos nós tomamos decisões na vida motivados por algo ou alguma coisa em dado momento de nossa existência e considerando as diversas situações da vida. O "ser pastor". com a futilidade de nossos planos e com o fracasso do nosso povo. Spurgeon escreveu: "Se um homem perceber. pois o Senhor aborrece a entrada de compradores e vendedores em seu templo" 2) Status social: Não é de hoje que a sede de posição cega as pessoas . mas temo que alguns jovens em nossas Igrejas. Ficamos frustrados com os conflitos da igreja. Sua única motivação para ser pastor é seu desejo ardente de realizar a obra de Deus e para a glória de Deus. e não a posição ou status. depois do mais severo exame de si mesmo. até mesmo pelos escândalos envolvendo alguns líderes cristãos. quase 2 milhões de desempregados. Vivemos uma época de recessão e de desemprego. Não obstante. Alguém motivado por posição elevada e pelo desejo de atenção trará com certeza prejuízo a si mesmo e à Igreja de Cristo. alisto cinco possíveis motivações erradas e egocêntricas que podem levar alguém ao Ministério: 1) Adquirir estabilidade financeira: Os motivos da nossa sociedade seculare são controlados pelo cifrão. o serviço. Falando da motivação que leva um jovem a decidir pelo ministério. Penso que todo candidato ao ministério deveria responder a esta pergunta: O motivo que tenho para desejar ser pastor é porque serei pago para isto? Quanto a isto. é possível que nem sempre esta seja a mola propulsora de um ou outro aspirante ao pastorado. excelente obra almeja" O termo "deseja"na língua grega é epithumeo. entendemos que todo genuíno vocacionado deve ter como ambição ser um instrumento de Deus . sacodem o nosso coração. A título de alertarnos para este perigo. ambicionar. Em I Tm 3:1. Ser uma figura pública sob os olhares de todos e viver sob constantes cobranças. Precisa ser observado que o objeto do desejo é a obra. Este foi um erro cometido por Tiago e João (Mc 10:35:45). e lhe confere status social. É com temor e tremor que arrisco raciocinar desta maneira.Por motivação queremos dizer os motivos internos que levam uma pessoa à ação. mesmo que estas não sejam verbais. Contudo. O status social não pode sustentar o nosso ministério e fazer com que vivamos nossa vocação de modo responsável. qualquer outro motivo que a glória de Deus e o bem das almas em sua busca do pastorado. O tempo médio hoje para alguém que perde o emprego é de 1 ano até conseguir outro. São só na cidade de São Paulo. os títulos de Reverendo e Pastor transmitem uma certa dose de autoridade que dignifica o ser humano. 181 .

Poderão ser uma excelente ajuda às igrejas como pregadores. não fuja" Precisamos instruir aos nossos seminaristas que mesmo que tenham feito o curso de teologia no Seminário. presbitério e ter feito o curso teológico no seminário. 5) Falta de opções: É possível que alguém decida ser um pastor. mas não é a motivação correta para o ministério. O desejo que um ser humano tem de que os outros o respeitem é um sinal louvável de sua auto-estima. É desnecessário dizer que este líder não desenvolverá seu ministério com alegria e prazer. 182 . Ele é pastor não por falta de alternativas. caso sintam que não foram chamados ao pastorado. Nossos jovens precisam ver que o candidato ao ministério. sendo seu chamado imposto por Deus. O Ministério deve ser obedecido por vocação e não por obrigação. sentese na obrigação de ter que ir até o fim de seu "chamado".3) Necessidade de firmar-se como pessoa: É possível que alguém caia na armadilha de desejar o ministério por entender que a posição e o status conquistado forçam os outros a lhe dedicarem atenção. Um velho pregador deu um sábio conselho a um jovem quando indagado sobre sua opinião quanto a seguir o ministério: "Se você pode ser feliz fora do ministério. ou por não ter condições financeiras de custear um curso em uma universidade . mas porque esta é a única alternativa possível para ele. Na qualidade de pastores e tutores eclesiásticos. Não há nada de errado em desejar ser respeitado e admirado. O peso de um sentimento de obrigação não pode levar ninguém ao pastorado. pois depois de tentativas inglórias de ingressar em alguma outra faculdade. Conheci um pastor que guardava todo exemplar do jornal Brasil Presbiteriano em que saía uma matéria com sua foto e que falava a seu respeito. fique fora. não é uma preferência entre outras alternativas. caso sinta que esta foi uma escolha sua e não de Deus. vão-se embora". mas porque foi imposta por Deus. entendam que o tempo de estudos e de preparação não será perdido. e insisto: Vocação pastoral não pode ser por falta de opções. Sente-se culpado se não fizer aquilo que todos esperam dele. conselho. e ninguém pode cumprir o difícil papel de pastor se não tiver a consciência de que foi comissionado por Deus. São líderes que buscam a fama e serem aplaudidos pelos homens. percebeu que poderia fazer um curso de nível superior pago pelo Presbitério e ainda recebendo ajuda de custo de sua Igreja. Todos nós que somos pastores sabemos como o ministério é desgastante. professores. Alguém pontuou o seguinte: "os ministros sem a convicção do chamado carecem muitas vezes de coragem e carregam uma carta de demissão no bolso do paletó. ou por falta delas. mas se veio o solene chamado. oficiais e líderes. fazse necessária nossa orientação aos aspirantes e candidatos ao Ministério de que não há como alguém sobreviver no pastorado. É comum termos notícias de líderes que avaliam sua eficiência ministerial através de quantas pessoas da denominação o conhecem. Ao menor sinal de dificuldade. 4) O Senso de obrigação: Há quem se torne ministro. pois depois de ter passado pela família.

catalogaram-no entre os maiores. continuou ele. Ao povo pregou. Revolucionário! Os teólogos. que queriam. "Tu és o Cristo. perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem? Embora. este teria de ser um Deus também. Tu és o Cristo. então. quem dizeis que eu sou? Outra aferição. entretanto. conseguiram ver em Jesus um grande profeta. [15] Mas vós. era de se supor que acertariam. porém. porém.Parte XXXI O ANÚNCIO DA IGREJA Neste trecho. disse: Tu és o Cristo. de então. Pedro disse-o: Jesus de 183 .15). os zelotes. eram partidários de Herodes. alimentou. quer pelas perguntas que puderam fazer. o messias. estavam mais preparados para responder. quer por ensino exclusivo. já não seria um único Deus. logo. quer pela observação no dia a dia. A pergunta era. pela força das armas. o Filho do Deus vivo".3). e os saduceus. libertar Israel do domínio romano. [16] Respondendo Simão Pedro. o Filho do Deus vivo. A resposta deixou a desejar. conforme indica o nome. obtiveram informações privilegiadas. mas. os fariseus. Foi com o povo que andou e que se confundiu. um profeta. não podia ter filho. Por que? Porque se Deus tivesse um filho. Ele vai mais longe: "o filho do Deus vivo". de fato. Pedro teria ido apenas um pouco mais adiante que o povo. desenvolveu o seu ministério. o salvador vislumbrado pelos patriarcas e anunciado pelos profetas. outros: Elias. e outros: Jeremias ou algum dos profetas. curou. se parasse por aí: todos criam que o messias seria o maior dos profetas (Dt 18. portanto. Certo. Detendo mais informações. ser curado e alimentado por Jesus não é garantia de chegar a ter dele o conhecimento que dá vida eterna (Jo 17. Ouvir. que. Eles não conheciam a doutrina da Trindade. em seu ministério público. seu caráter e missão: (MATEUS Cap: 16) [13] Indo Jesus para os lados de Cesaréia de Filipe. Jesus tenha interagido com quase todos os partidos judaicos: os herodianos. responde Pedro. diziam que Deus era único. não acertaram. não sabiam que há três pessoas e um só Deus. uma aferição: o que as bençãos recebidas pelo povo geraram neste em termos de compreensão de quem Jesus era? [14] E eles responderam: Uns dizem: João Batista. esta mais importante: os discípulos conviveram com Jesus. partido da classe sacerdotal. foi com o povo que Jesus. assim como esboça sua composição. dois deuses. entendo que o Senhor Jesus apresenta a Igreja como seu propósito. ortodoxos estudiosos das escrituras. incompleto.

e sobre esta pedra edificarei a minha igreja. do Pai.não entenderam que. Que igreja? Igreja é uma palavra que pode ser traduzida por reunião.Moisés assim pareceu dizer (Dt 18. cena que procurava retratar o texto que estamos trabalhando: Zefirelli descreve Pedro ajoelhando-se enquanto proferia a declaração em questão e. por se tratar de ajuntamento de pessoas que têm afinidades. Portanto. esta. como término de sua primeira parte. Resposta completa. [18] Também eu te digo que tu és Pedro. e eu o ressuscitarei no último dia. [17] Então. originariamente. dizendo: Vem. Jesus de Nazaré é Deus. Não foi a convivência com Jesus que os fez saber a verdade. acerca de Jesus. da parte de Deus. nação e afins. porque não foi carne e sangue que to revelaram. mostrar-te-ei a noiva . mais que um mestre a ser seguido. a revelação de que Jesus Cristo é Deus vindo para salvar-nos. apresentado em duas partes. que está nos céus. Jesus está falando de um grupo de pessoas especiais: as pessoas que receberam a mesma revelação que Pedro e os discípulos. Deus anunciava a sua visita. que chamou de seu afresco. ato contínuo. fez o filme Jesus. veio um dos sete anjos que têm as sete taças cheias dos últimos sete flagelos e falou comigo. 184 . O filme. que descia do céu. A Igreja é a reunião dos adoradores de Jesus. Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és. cineasta italiano. Não imaginavam que a salvação humana custaria tão grande preço. . receberam. é a cena que mais se coaduna com a profundidade do que foi dito. e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Os teólogos entenderam que Deus haveria de mandar um salvador. ao anunciar um salvador. que deve ser adorado. o Filho do Deus vivo". características e/ou objetivos comuns.Nazaré é o Cristo. é uma revelação do Pai . Jesus é mais que um profeta a ser ouvido. os demais discípulos tomados pelo impacto da afirmação. testemunhando sua concordância. mas meu Pai. a exemplo de Pedro. porém.Vi também a cidade santa. ataviada como noiva adornada para o seu esposo (AP 21:2). é Deus a ser adorado. acerca de Jesus. que começa com a entrega da vida. que me enviou. que dá vida eterna. é a Igreja como noiva: .Então.Ninguém pode vir a mim se o Pai. a esposa do Cordeiro (AP 21:9). a nova Jerusalém. Não sei se foi assim mesmo que aconteceu. Que pedra? A afirmação. Franco Zefirelli. não o TROUXER. adoração. (JO 6:44). que dá vida eterna (Jo 17. Simão Barjonas. A Igreja é a reunião daqueles que. assembléia. Foi uma revelação! O conhecimento-experiência.30). ou melhor. indubitavelmente. tinha. também se ajoelham. Esse é o conhecimento. Neste sentido a missão da Igreja é agradar o seu Senhor. entenderam ser um grande profeta .15) . a revelação: "Tu és o Cristo.

a glória do Senhor.Os céus proclamam a glória de Deus. de características especiais. também. o Filho do Deus vivo" Jesus construirá a sua igreja. Aliás. e sobre esta pedra edificarei a minha igreja A partir da confissão-adoração: "Tu és o Cristo. Derek Kidner (Salmos . Nesta contemplação (adoração) somos edificados.a criação: SL 19:1 .Mas vem a hora e já chegou.Vós. A glória de Deus é a sua bondade (Ex. representadas por três cidades. Vida Nova e Mundo Cristão) diz sobre adorar na beleza da santidade: "a verdadeira adoração reflete isto no amor e admiração dados a Ele. prestar culto e. como por espelho. sacerdócio real. O Pai desvenda-nos o rosto (por meio da revelação). ii.Examinais as Escrituras. reverenciar. de glória em glória. Assim Cristo edifica a sua Igreja. entre outras. e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.a bíblia: JO 5:39 . A Igreja lê as escrituras para ver Jesus. como por espelho. também. 33.E todos nós. povo de propriedade exclusiva de Deus. contemplando. contemplação. A palavra reunião pode dar uma conotação equivocada: de que só há igreja quando essas pessoas. Será que adorar passa. mostra-nos o Filho e o Espírito Santo nos transforma. na sua ação de adorar. a reunião das pessoas que estão sendo transformadas pelo Espírito Santo à imagem e semelhança de Cristo. porque julgais ter nelas a vida eterna. aqui. Será que a Igreja é edificada enquanto e na medida em que adora? Paulo parece dizer que sim: . a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. é o mesmo que contemplação amorosa. nação santa. a encarnação da bondade de Deus. porém. que tinham 185 . A igreja perscruta a natureza para ver Jesus. o Espírito (2CO 3:18). Jesus disse "e sobre esta pedra edificarei a minha igreja" num contexto muito peculiar: Haviam três nações. somos transformados. pela contemplação? Adorar tem várias conotações: prestar homenagens. a glória do Senhor. Ele é a vida eterna que está no texto sagrado. Qual é o espelho? Penso e algumas coisas que devem ser usadas como espelho: i. na sua própria imagem. com o rosto desvendado.19). em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade.A noiva. Igreja é.introdução e comentário . e são elas mesmas que testificam de mim.ed. contemplando. e encontram. também. sois raça eleita. portanto. não apenas para ter informações sobre ele. Por exemplo: Adorai o SENHOR na BELEZA da sua santidade (SL 96:9). A natureza expressa a glória de Deus. Torna-nos parecidos com Ele à medida que o adoramos." Adoração. Por isso gosto muito do que o Pedro disse: 1PE 2:9 . como pelo Senhor. porque são estes que o Pai procura para seus adoradores (JO 4:23). é a satisfação do desejo do Pai: .

No Antigo Testamento:. o que significava submeter-se a eles. Jesus falava no contexto das cidades muradas. sua nação atacará o inferno e as portas deste não resistirão ao ataque daquela. acreditavam que a tal salvação estava em todos submeterem-se a seu modo de pensar. O corpo depende da noiva. 1. Eis o projeto de Jesus: uma nação de adoradores . a cidade é invadida e tomada. A medida que a igreja vai sendo edificada vai. representados por Atenas. uma nação de soldados da libertação. "avivar" não significa somente preservar ou manter vivo. Pois.1. mas também purificar. se as portas não resistem ao ataque. Os romanos acreditavam que a salvação do mundo estava em todos se submeterem à sua "pax". penso. I . mais eficaz se torna contra o inferno. a última defesa. Parte XXXII O PADRÃO BÍBLICO DE AVIVAMENTO Qual o padrão bíblico de avivamento? Os avivamentos bíblicos oferecem alguma coordenada para a renovação da igreja evangélica no Brasil de hoje? Estas são algumas das perguntas que procuraremos responder no decorrer desse estudo. Jesus diz que vai fundar uma nação que libertará de fato os homens do inferno. também. O verbo hebraico hyh (avivar) tem o significado primário de "preservar" ou "manter vivo". Os judeus acreditavam que a salvação dos homens estava na submissão destes a eles que. judeus. os conduziriam no caminho de Deus. Esta é uma conseqüência natural em 186 .o corpo. onde a porta é o último bastião.pretensões universais: romanos.a noiva.O significado bíblico do termo "Avivamento":. como disse João: 1JO 3:8 -Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo. ou seja. assumindo seu papel ministerial. liberando os seus prisioneiros. uma nação de soldados . como sacerdotes. destruindo as obras do diabo. Outro elemento que. por sua vez. Porém. está contido nessa afirmação é o fato de a igreja ser o braço ministerial de Jesus Cristo. pois. representados por Jerusalém e os gregos. os gregos. corrigir e livrar do mal. representados por Roma. Quanto mais a igreja adora. e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Por que ataque? Porque fala das portas não prevalecerem.

na tua ira. mesmo que rápida. Uma possível explicação para o uso escasso dos termos. Na história de cada avivamento. faze-a conhecida. é que o Novo cobre apenas uma geração. Um verbo nas formas do Piel expressa uma ação ativa intensiva no hebraico. apenas sete vezes. no contexto de avivamento. propriamente dito. dentro ou fora da Bíblia. em comparação ao Antigo Testamento. 'anázoe e 'anakaínoo. embora a idéia básica de avivamento seja sugerida com mais freqüência.6) (4). No Novo Testamento grego as palavras supracitadas aparecem. II . Alguns exemplos de sua ocorrência são as clássicas orações de Davi. um grau incomum de vida espiritual. em suas várias formas (2). Hernandes Dias Lopes. Avivamento não é ação da igreja. 'anazopyréo em 2 Tm 1. 'anaphállo em Fp 4. A igreja não promove e nem faz avivamento. em seu livro AVIVAMENTO URGENTE. das quais 55 vezes estão num grau chamado piel. Transcrevo-as quase que na íntegra. 2. 1. A igreja não é 187 . Avivamento é obra soberana e livre do Espírito Santo. apresenta sete interessantes razões sobre o que não deve ser entendido como avivamento de verdade. Avivamento não é um programa agendado pela igreja. na maior parte do tempo. No Novo Testamento:. Antes de falarmos sobre avivamento bíblico. Outras palavras gregas comparam o avivamento ao reacender de uma chama que se apaga aos poucos (cf.O que não é avivamento bíblico:. acreditamos ser de grande ajuda uma abordagem. no decorrer dos anos. Sou devedor ao dileto colega por suas pertinentes observações. lembra-te da misericórdia" (Hc 3. e.toda vez que Deus aviva. o avivamento é sempre indicado como uma obra ativa e intensiva de Deus. 'anastáso. do que não é o padrão bíblico de avivamento. as tuas declarações. ó Senhor. mas de Deus. no decurso dos anos. não tornarás a vivificar-nos (3). lemos que Deus purifica. Neste sentido. O verbo "avivar".2. aviva a tua obra. ó Senhor. e da clássica oração do profeta Habacuque: "Tenho ouvido. como esta: "Porventura. São elas: 'egeíro. livra do mal e do pecado. é usado mais de 250 vezes no Antigo Testamento. O Rev. e me sinto alarmado. durante a qual a Igreja Cristã desfrutou.2).10). para que em ti se regozije o teu povo?" (Sl 85. Encontramos no Novo Testamento grego um conjunto de palavras que expressam o conceito básico de avivamento.6) ou uma planta que lança novos brotos e "floresce novamente" (cf.1. tira a escória e as coisas que estavam impedindo o progresso da causa (1).

3. Sem obediência a Deus. Muitos crentes confundem avivamento com forma de culto. ajoelhado na neve. Sem oração da igreja. dizer aleluia. Ele é soberano. em agonia de alma. A igreja não produz o vento do Espírito. Desprezar a doutrina é querer por um corpo de pé e em movimento sem a estrutura óssea. Louvor não é encenação. Não é ritualismo. O avivamento jamais virá se a igreja não preparar o caminho do Senhor (5). 2. amém e levantar as mãos. Contudo. é movimento emocionalista. com liturgia animada. Precisa estar dentro das balizas da Bíblia e não dentro dos muros de revelações subjetivistas. em oração fervente. com coreografia e instrumental aparatoso. Louvor que apenas levanta as mãos para o alto. as chuvas torrenciais de Deus não descerão. Louvor em que a pessoa 188 . o Espírito foi poderosamente derramado e os corações se dobraram a Cristo aos milhares. muitas vezes feitas na carne. Não é apenas seguir formas pré-estabelecidas. num gesto de rendição e entrega (I Tm 2. O avivamento jamais acontecerá se a igreja não se humilhar. em favor daqueles pobres índios. Desprezar a doutrina é dinamitar os alicerces da vida cristã. mas não as estende para o necessitado não agrada a Deus.2. A soberania de Deus.agente de avivamento. Louvor não é pululância. A Bíblia ordena levantar mãos santas ao Senhor. Aquele jovem. assim ele é" (Pv 23. "Assim como o homem crê no seu coração. Não há vida piedosa sem doutrina. Avivamento não é mudança doutrinária. gingos e dança (6). Não é emocionalismo. Cometem ledo engano aqueles que querem descartar a teologia e desprezar a doutrina na busca do avivamento. A teologia é mãe da ética. A doutrina é a base da ética. Avivamento não é mudança litúrgica. Desprezar a doutrina é querer levantar um edifício sem lançar o fundamento. Não é mimetismo. quem determina o quando e o como do avivamento é Deus. ela só pode içar suas velas em direção a esse vento. é experiencialismo personalista e antropocentrista. A igreja não agenda e nem programa avivamento. suava de molhar a camisa. jamais haverá derramamento do Espírito.7). Deus tem compromisso com a verdade e a sua Palavra é a verdade e todo avivamento precisa estar fundamentado na Palavra. no entanto. A igreja só pode buscar o avivamento e preparar o caminho da sua chegada. não anula a responsabilidade humana. 2. Avivamento sem doutrina é fogo de palha. David Brainerd orou vários anos pelo avivamento entre os índios peles vermelhas no século XVIII. como bater palmas. Sem busca não há encontro. O avivamento precisa estar norteado pelas Escrituras e não por sonhos e visões. Vida sem doutrina gera misticismo e experiencialismo subjetivista.8). Quando o seu coração parecia desalentado e já não havia prenúncios de chuva da parte de Deus.

Deus é o seu alfa e o seu ômega. O louvor bíblico leva as pessoas a temerem a Deus. o seu louvor estará sempre nos meus lábios" (Sl 34. Hoje estamos vivendo a época dos shows evangélicos. À luz destas coisas. muitos verão estas coisa. vemos o objetivo deste cântico: ". Ele procura adoradores. vemos a natureza deste cântico: "E me pôs nos lábios um novo cântico". O louvor que agrada a Deus precisa ser em espírito e em verdade. cerimonialista. O louvor precisa ser bíblico. Mais do que nunca é preciso tocar a trombeta em Sião e condenar a idéia de que precisamos imitar o mundo para atrair o mundo. dos show-men. Este cântico não é para entreter ou agradar o gosto e preferência das pessoas. porque não ouvirei as melodias das tuas liras" (Am 5. Cada culto é um acontecimento singular. obediência e não leva as pessoas a confiarem em Deus. fria e morta e põe em seu lugar uma liturgia viva. Um hino de louvor ao nosso Deus". temerão e confiarão no Senhor". dos animadores de programas religiosos. O avivamento desinstala a liturgia ritualista. mas novo de natureza. a confiarem em Deus. é choro pelo pecado. vemos a origem deste cântico: "E me pôs nos lábios". Louvor que não produz mudança de vida. Quarto. é preciso dizer que avivamento não é mudança litúrgica. senão é fogo estranho.. Segundo. Louvor é a totalidade da vida. liberta do tremendal de lama (v2). alegre. do "rock evangélico".apenas saltita e pula. não é louvor. mas não vive em santidade.23). a liturgia é desingessada e o povo com alegria e liberdade do Espírito adora a Deus. Em épocas de avivamento. temerão e confiarão no Senhor". sem regras rígidas préestabelecidas. fala-nos sobre as balizas do louvor que agrada a Deus: "E me pôs nos lábios um novo cântico. 189 . Este louvor vem de Deus e não do homem. Louvor que apenas verbaliza coisas bonitas para Deus. sem abandonar a ordem e a decência. Davi. O verdadeiro louvor leva as pessoas a se voltarem para Deus. Deus não procura adoração. é mudança de vida. no Salmo 40. onde há liberdade do Espírito. Terceiro.. A música do mundo tem entrado nas igrejas. formalista. Todavia. Avivamento não é histeria carnal. é ofensa a Deus. um hino de louvor ao nosso Deus. versículo 3. Este cântico vem de Deus e volta para Deus. Assim diz o Senhor: "Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos. Primeiro. vemos o resultado deste cântico: "Muitos verão estas coisas. Não é um novo de edição. ungida. É um cântico que expressa a marca da sua nova vida. em espírito e em verdade. onde há abertura para o que Deus deseja falar e fazer com o seu povo. é preciso dizer que. embora o avivamento não seja mudança de liturgia. novo. "Bendirei ao Senhor em todo o tempo. mas não leva Deus a sério na vida é fogo estranho diante do Senhor. das músicas badaladas por um ritmo sensual. O louvor não é um espaço da liturgia. quebrantamento. para vergonha nossa e para derrota nossa. todo avivamento mexe com a liturgia.1). é barulho aos ouvidos de Deus.

Naquela igreja profundamente carismática. esta não é a ênfase do avivamento. Ninguém pode ser o conselheiro de Deus. ungida. Disse J. se posicionam contra o avivamento porque acham que ele é a mais nova onda da igreja. Ninguém pode deter a sua mão. todavia. Há cultos solenes que estão mortos".4. A igreja hoje anseia mais as bênçãos de Deus do que o Deus das bênçãos. como quer. Naquela igreja a ceia do Senhor estava sendo incompreendida. a ressurreição dos crentes estava sendo negada. Avivamento não é efervescência carismática. havia divisões. Este é um sério perigo. Ninguém pode instruir a Deus e dizer o que Ele pode e o que Ele não pode fazer. em épocas de avivamento. Muitas pessoas hoje estão limitando o avivamento a milagres. Acham que avivamento é uma 190 . Ele faz tudo quanto Ele quer. contendas. Ele é livre. Ninguém pode obstaculá-lo nem ensinar-lhe qualquer coisa. 2. pomposos. Deus pode e faz maravilhas. Ele não obedece à agenda dos homens. Havia falta de compreensão acerca do casamento e da liberdade cristã. I. tornando-a bíblica. todo avivamento muda a liturgia. "Ele faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade" (Ef 1. dirigida pelo Espírito de Deus. cismas. Avivamento não é uma ênfase carismática unilateral. curas e prodígios extraordinários quando Ele quer. por desconhecimento. curas e exorcismos. e a cooperação financeira com os pobres negligenciada. Embora o avivamento não seja mudança litúrgica.Hoje existem muitos cultos solenes. onde quer. A igreja hoje empolga-se mais com milagres do que com vida cheia do Espírito. Entretanto. era uma igreja imatura e bebê espiritualmente.11). mas pelo fruto do Espírito. Toda vez que super-enfatizamos uma verdade em detrimento de outra. imoralidade e irmãos levando outros irmãos aos tribunais mundanos. A igreja hoje busca mais uma vida antropocêntrica do que teocêntrica. 2. Avivamento não é modismo. Packer no seu livro "Na Dinâmica do Espírito": "Não há nada mais solene do que um cadáver. É verdade que. Ele não se deixa pressionar. quando quer. brigas. mas a ênfase carismática não é sinônimo de avivamento. com quem quer. Muitos crentes. sem observarem a abrangência global da doutrina pneumatológica. A igreja de Corinto possuía todos os dons. nós produzimos deformações e distorções nesta verdade. Uma igreja pode ter todos os dons sem ser uma igreja avivada. Devemos clamar como os puritanos: "Queremos liturgia pura". Avivamento não é conhecido pelos dons do Espírito. Ele é soberano. mas estão mortos. A igreja hoje está correndo mais atrás de sinais do que atrás de santidade. os dons estavam sendo usados erradamente. alegre.5. os dons são buscados e exercidos para a glória de Deus e a edificação da igreja. aparatosos. partidos.

Tornam-se tão "espirituais" que já não sabem mais conviver com a vida. Na evangelização. aqueles que assim pensam não estudam com critério a Bíblia nem a história da igreja. evangelização é para o mundo. É só olhar para os grandes despertamentos na época de Ezequias. não é um modismo. avivamento não é uma onda. o trabalho. matéria e espírito. 2. quando começam a buscar avivamento. Avivamento é para a igreja.coqueluche moderna e uma inovação sem nenhum respaldo bíblico e histórico. Finney pregou ardorosamente contra a escravidão nos EUA no século passado ao mesmo tempo que foi o maior avivalista do seu país. Ele é nossa herança e nosso legado e deve continuar sendo nossa aspiração e nossa busca constante. no avivamento. Acham que Deus só olha para a vida de trabalho na igreja. Tudo em nossa vida é vazado pelo sagrado. pessoas que já têm vida. 2. Querem sair do mundo em vez de serem guardados do mal. no século XVIII e em outros grandes avivamentos da história. pessoas que estão mortas em delitos e pecados. Avivamento não é campanha de evangelização. O grande avivalista John Wesley lutou pelas causas sociais na Inglaterra ao mesmo tempo que pregou sobre avivamento. 191 . em Antioquia da Síria e em Éfeso. a igreja trabalha para Deus. Desde o Antigo Testamento que esta é uma verdade incontestável. Deus trabalha para a igreja. Todo o nosso viver é litúrgico. Ele possui firmes lastros históricos. Dividem a vida entre sagrado e profano. econômicas. sem observar os negócios. Toda a nossa vida é cúltica. isolam-se. João Calvino atacou com veemência os juros extorsivos em Genebra. Certamente.7. evangelização é para pecadores inconversos. O avivamento sempre traz profundas mudanças políticas. É só ver o grande avivamento em Jerusalém. O avivamento não leva a igreja à fuga. em Samaria. os estudos e a vida do dia-a-dia com o mesmo interesse. saem da realidade e enclausuram-se nos castelos inexpugnáveis de uma espiritualidade isolada e monástica. É só ver o que Deus fez na Reforma do Século XVI. Não podemos confundir avivamento com campanhas evangelísticas. a família. os pecadores apelam aos pregadores. Acham que Deus está interessado apenas nas coisas espirituais. sociais e morais. Muitas pessoas. mas ao enfrentamento.6. Avivamento é para crentes nascidos de novo. Na evangelização. Esta não é a visão bíblica nem a visão do verdadeiro avivamento. de Josias e de Neemias. corpo e alma. a igreja vai aos pecadores. no avivamento. Certamente. Na evangelização. fazendo da vida uma caverna de fuga. Avivamento não é uma visão dicotomizada da vida. Os pontos culminantes da igreja aconteceram em épocas de avivamento. no avivamento. os pregadores apelam aos pecadores. os pecadores correm para a igreja. na Inglaterra.

mas a sociedade não-cristã também é beneficiada pelo avivamento. Acertadamente o Dr. na igreja passa a existir uma conscientização profunda de sua missão. neste sentido não apenas a igreja. a missão integral de servir o mundo evangelística e socialmente. entre os membros da Igreja: é um reviver dos crentes. Quando há esse impacto da obra do Espírito de Deus na vida da igreja.2. desejo profundo de santidade de vida e aumento perceptível no desejo de pregação do evangelho. Héber de Campos comenta que "o reavivamento começa na igreja e termina na comunidade maior onde ela vive. além da atuação soberana do Espírito Santo no mundo. é "o retorno de algo à sua verdadeira natureza e propósito" (7). Em outras palavras. O sentido amplo de avivamento. Os efeitos do reavivamento são muito mais perceptíveis nas mudanças morais que acontecem na região ou num país onde ele acontece. Ele não se limita simplesmente aos membros das igrejas atingidas pela obra de Deus. avivamento é algo que acontece unicamente no meio do povo de Deus. um despertamento de membros de igreja que se acham letárgicos. por sua vez.III . Isto acontece porque. assim. isto é. É revitalização onde já existe vida. oração fervorosa e louvor sincero. No avivamento a igreja vive a missão para a qual foi chamada. convicção de pecado na vida das pessoas. reaviva e desperta a igreja sonolenta. dormentes. quase moribundos (8). Como a própria expressão define. primeiramente. Ele causa impacto em toda a comunidade onde a igreja de Deus está inserida" (9). por definição. A sociedade não-cristã. Ele a realiza. as duas características principais do avivamento são 1) o extraordinário revigoramento da igreja de Cristo e 2) a conversão de multidões que até o 192 . diz o Dr. o avivamento é primeiramente uma vivificação. Martin Lloyd-Jones: É uma experiência na vida da Igreja quando o Espírito Santo realiza uma obra incomum. O Espírito Santo renova. 3. os resultados imediatos do avivamento são sentidos no povo de Deus: senso inequívoco da presença de Deus. um revigoramento.1. Estritamente falando. a igreja amortecida e tristemente doente é a primeira a ser beneficiada pelo avivamento.O Padrão Bíblico de Avivamento: Podemos definir o avivamento bíblico em dois sentidos distintos: 3. O sentido estrito de avivamento. Em suma. como disse Robert Coleman. Comentando um pouco mais sobre o sentido estrito de avivamento. volta-se para Deus em resposta ao evangelho. Não se pode reviver algo que nunca teve vida. Ou.

É necessário. é importante salientar que ela foi. mais do que nunca. disse que viu duas igrejas nos Estados Unidos convidando pessoas para suas reuniões de avivamentos. 3. Edwin Orr (10). como se o avivamento fosse produzido simplesmente pelo desempenho humano com data e hora marcadas. é fundamental o equilíbrio que só a Bíblia oferece. notamos que os objetos do Espírito eram sempre persuadidos com e para a Bíblia. até àqueles que negam a sua existência. Orr menciona este fato para relatar um desses extremos em que a palavra "avivamento" ou "reavivamento" é usada aleatoriamente. A relação entre a Bíblia e o avivamento é tão intrínseca que é impossível um avivamento de verdade sem que a Bíblia faça parte dele. Observando os avivamentos ocorridos na Bíblia e na história da igreja. Aqui também abordaremos dois aspectos essenciais do avivamento.3. 1) O padrão bíblico de avivamento é a Bíblia Por mais simplória e pleonástica que esta declaração pareça ser. enquanto que a outra prometia: "Reavivamento aqui todas às noites. uma coqueluche moderna. Uma vez que a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática. certamente tem sua ênfase naquilo que tem sido esquecido por muito tempo: a Palavra de Deus. Não existe verdadeira espiritualidade sem a Bíblia. Sabemos que hoje existem desde aqueles que vêem toda e qualquer manifestação entusiástica como avivamento. Avivamento e a Bíblia. recorrermos à lei e ao testemunho.momento estiveram fora dela na indiferença e no pecado. A autoridade da Palavra de Deus passa ser algo extremamente forte num momento genuíno de reavivamento. "que é produto da obra do Espírito Santo na igreja. numa época de tantos extremos como este em que vivemos. Voltando ao lugar da Bíblia no avivamento. ela é tão autêntica e singular como dois e dois são quatro. diz o Dr. exceto às segundas-feiras". Estamos falando do único padrão inerrante e infalível de avivamento: a Bíblia. uma das maiores autoridades sobre avivamentos. ou quando muito acham que avivamento é a mais nova onda do momento. é e sempre será a espada do Espírito Santo em todo avivamento bíblico. Uma delas dizia: "Reavivamento aqui todas às segundas-feiras à noite". Além disso. uma inovação humana sem respaldo bíblico. Héber de Campos. Permita-me ilustrar o que queremos dizer por "extremos". é ela e somente ela que nos pode dar a direção certa deste assunto. A Bíblia passa novamente a ser honrada como a única Palavra inspirada de Deus" 193 . "Um reavivamento". Avivamento onde a Bíblia não está presente não passa de um mero pentecostalismo convencional.

O período de trezentos anos de liderança dos juízes mostra os israelitas.31). entrando com a arca em Jerusalém. Segundo Coleman. pouco depois do nascimento de seu filho Enos: "Então se começou a invocar o nome do Senhor" (Gn 4. lidera uma reforma (I 194 .1-15). 10. eles agiam como a força que promovia novo vigor. Josué reuniu as tribos de Israel. o povo se arrepende e clama ao Senhor (Jz 3.1-8. No tempo de Josué um despertamento espiritual predominou em suas campanhas. uma apatia espiritual se apoderou da nação.7. O avivamento também chega a Judá nos dias de Asa (I Rs 15.3. Sabendo que seu povo estava dividido. enviando-lhes um libertador que liberta o povo na vitória contra os inimigos.29) e no levantamento da serpente de bronze no monte Hor (Nm 21. prosseguindo durante "todos os dias de Josué.6.9-15) e o aparecimento cada vez mais forte de doenças na raça humana. traindo o Senhor e servindo a outros deuses.1-35. especialmente nos acontecimentos ligados à primeira páscoa (Ex 12. À parte desta indicação não existe nenhum outro relato de avivamento no princípio da história da raça humana. Sempre que a vitalidade espiritual do povo se desvanecia. 2) O padrão bíblico de avivamento está na Bíblia Os primórdios do avivamento bíblico aparecem em Gênesis. 24. é outro grande exemplo (I Rs 8). "É provável que fosse um reflexo da consciência da depravação humana e da necessidade da graça divina" (13). O nome Enos quer dizer fraco ou doente.35). O relato subseqüente do dilúvio ilustra de modo dramático o que acontece com um povo que não se arrepende de seus pecados.10). de quando em quando. Um dos maiores movimentos avivalistas aparece no final desse período. Então. 6.1-15). outro rei de Judá. A dedicação do templo. Um verdadeiro avivamento segue-se a esse desafio.1-17).1-25. após longos anos de opressão.26) (12). o que se pode chamar de "o grande despertamento geral" ocorreu nos dias de Sete.12-23). como na travessia do rio Jordão (Js 3. O juízo de Deus é inevitável.(11). e sabiam toda a obra que o Senhor tinha feito a Israel" (Js 24.9.1-8.15. sob a liderança de Moisés. possui muitos ingredientes de um avivamento (2 Sm 6. a quem servir (Js 24. O que é deveras significativo. O breve avivamento na casa de Jacó é um bom exemplo disso (Gn 35. há períodos empolgantes de refrigério.12) e na conquista de Ai (Js 7. A marcha de Davi.21-28). de uma vez por todas. E Josafá. Considerando o assassinato de Abel (Gn 3. Mas quando terminaram as guerras e o povo se assentou para desfrutar os despojos da vitória.1-5. 4.4-9). e todos os dias dos anciãos que ainda viveram muito tempo depois de Josué. na outorga da lei do Senhor no Sinai (Ex 19. Tempos de renovação ocorreram periodicamente no período dos reis. Mais tarde. o nome Enos era bastante adequado. Depois temos os patriarcas que por vários séculos lideraram o povo de Deus. em Siquém. Em cada ocasião Deus responde as orações. sob a direção de Samuel (I Sm 7. 32. e exigiu que cada um escolhesse.9-15). no início do reinado de Salomão.

experimentar mais uma vez daquele "fogo abrasador" que nos purifica e nos santifica para uma vida cristã de obediência à sua Palavra. Outro poderoso despertamento é vivenciado na terra sob a liderança do rei Ezequias (2 Rs 18. sairia em seu nome a proclamar o Evangelho 'até os confins da terra' (At 1.18). (3) O significado literal da expressão hebraica "vivificar-nos".24). redimida por seu sangue. de Gerard Van Groningen. Lloyd-Jones. dá início a um dos maiores avivamentos registrados na Bíblia (2 Rs 22. Tendo as intimidações dos inimigos induzido os judeus a interromperem a reconstrução do templo. DO TEMOR À FÉ (2ª ed. Por três anos Jesus trabalhara na preparação desse dia . Setenta e cinco anos depois. Por fim. ascende aos céus. (2) Os termos "avivamento". "reviver" e "tornar a viver" são usados no mesmo sentido. At 1. em Antioquia da Síria e em Éfeso.23. inaugura o avivamento que Jesus havia predito (At 2.ipcb.35). discipulada por intermédio de seu exemplo. durante o reinado de Josias. em Samaria.4-12. "reavivamento".16). Ainda. 2 Cr 34. bem como o sacerdote Joiada (2 Rs 11.1-13.8)" (14).1-2. quando Neemias se apresenta para completar a construção dos muros de Jerusalém e estabelecer um governo teocrático (Ne 1. São Paulo: Editora Vida. AVIVAMENTO SOB UM PRISMA VÉTERO-TESTAMENTÁRIO no site www.org. 1987). com a chegada de outra expedição liderada por Esdras. No apogeu de um grande avivamento Jesus aparece e é batizado por João Batista. dando-se mais atenção à lei (Ed 7. Ag 1. M. entre os negros Zulus da África do Sul na década de 60 e na Coréia do Sul nestes últimos tempos. Veja também. O livro de Atos registra a dimensão desse avivamento.31). na Alemanha com a Reforma Protestante do século XVI. onde se reconhece que a vitalidade espiritual depende 195 . são muitos os relatos da obra vivificadora do Espírito Santo na história da igreja. Habacuque 2. Que Deus derrame do seu Espírito sobre nós para que possamos.6.Rs 22.19 e Malaquias 4.o dia em que a Igreja. Zc 1. "despertamento". E de lá para cá. "vivificação". no dia de Pentecostes.28-32. pp. Escolhe e treina seus discípulos. O avivamento alcança o auge poucos anos depois.1-4. assim. 73. como igreja e povo brasileiros. na Inglaterra no século XVIII. 8. a descoberta do livro da lei.41-50). como por exemplo. NOTAS (1) Cf. o início de uma nova era na história da redenção. outra vez começa a reacender um novo avivamento (Ed 1. O poderoso derramamento do Espírito Santo. D.1-6.br. garantida por sua ressurreição.4. sob a liderança de Zorobabel e Jesua.1-23). deixando-os na expectativa de receberam a promessa do Espírito (Lc 24. Avivamento em Jerusalém. dentre outros.1-10. novas reformas são iniciadas em Jerusalém.44).1-21. os profetas Ageu e Zacarias entraram em cena para instigar o povo a prosseguir (Ed 5.49-53.23.1-26).22. "renovação". do Salmo 85. "Marca-se. Uma oração por avivamento e a promessa de sua ocorrência encontramos também em Joel 2.1-47). é "causa-nos viver".14-3.

C.PR. Coleman. 53. Campos. 1996). (8) D. Há uma superficialidade doutrinária muito grande. op. etc. (9) Héber C. cit. o excelente livro AVIVAMENTO (São Paulo: PES. CRESCIMENTO DA IGREJA: COM REFORMA OU COM REAVIVAMENTO? In Fides Reformata. a sermões eletrizantes. Coleman. 15. pela confusão que se faz a doutrina sai perdendo. (5) Para um ponto de vista diferente. (14) Idem.6. cit. 61 Parte XXXII O QUE É MINISTÉRIO? TEXTO 2 CORÍNTIOS 6:1-10 01. p. A HISTÓRIA DOS AVIVAMENTOS. Vol I. disposição e acima de tudo uma visão clara do trabalho que vai realizar. Nº 1 (São Paulo: 1996).. com expressão emocional. porque se dá ênfase excessiva ao louvor. Edições Vida Nova.1 . p. 45. (4) O Novo Comentário da Bíblia. (12) R.. levantar de mãos. pp. VAMOS VER O MINISTÉRIO PELA PERSPECTIVA DE PAULO .qual a sua visão do seu ministério pessoal? 02. 196 . 25. veja a obra do Dr. 1994). a práticas pentecostais. em entrevista ao Jornal Brasil Presbiteriano (Abril/94.inteiramente de Deus. p. Veja também. Todavia. Edijéce Martins Ferreira. op. (11) H. quando avivamento é tão somente uma consciência clara e profunda da vontade de Deus (que é doutrinária) e uma disposição plena de obediência (que é prática)". acabaremos desistindo no meio do caminho. 18. O MINISTÉRIO NÃO É UMA PROFISSÃO E SIM UMA VOCAÇÃO . 12): "Confunde-se avivamento com atitude pessoal e inclusive corporal (física). OS PURITANOS: SUAS ORIGENS E SEUS SUCESSORES (São Paulo: PES. Lloyd-Jones. p. dá a este Salmo o sugestivo título: UMA ORAÇÃO PEDINDO REAVIVAMENTO. p. (13) Idem.compromisso. do mesmo autor.5. Se não soubermos administrar esses fatores. . (10) Citado por Brian H. Campos. 1992) 320 pp. Essas atitudes em si não são propriamente prejudiciais. pp.Em primeiro lugar vamos examinar os fatores internos que influem no ministério cristão. (7) R. Edwards em REVIVAL! A PEOPLE SATURED WITH GOD (England: Evangelical Press. p. material apostilado pela Faculdade Teológica Sul Americana de Londrina . Pierson. 1993). 44.2 Coríntios 6: 1-10 2. M. A CHEGADA DO AVIVAMENTO MUNDIAL (São Paulo: CPAD. (6) Uma posição semelhante foi apresentada pelo Rev.vocação pressupõe . Paul E.

de permanência." C . "afligir". Vale a pena reler Romanos 12:12 "Sede pacientes na tribulação. . Somos e procuramos exteriormente demonstrar uma força que muitas vezes não temos. O medo de fracassar é um fantasma que ronda com muita freqüência o pastorado. . através do exercício da fé. .Pergunta: você tem exercido esta paciência em seu ministério? B . Portanto devemos nos aquietar. Tem de ser um heroi 24 horas por dia! Nós sabemos que há momentos no ministério em que a vontade é de desaparecer.Crisóstomo afirmou: "a paciência é um porto que desconhece tempestades".um dos grandes problemas do ministério é que o pastor nunca se acha fraco. de largar tudo.tem o sentido de passar por "experiências adversas". As aflições não podem nos afastar deste propósito. com todas as dificuldades da vida.. eu ouvi uma certa ocasião um pastor afirmar que nós precisamos ter pelo ao menos três pessoas compartilhando do nosso ministério. 197 . de estabilidade.Há duas situações neste contexto que precisam ser compreendidas: . Para os ativistas.significa a habilidade em conservar o projeto do ministério mesmo quando as águas são agitadas. . . Você não consegue tirar nem uma gota de inspiração.O outro lado que se opõe frontalmente ao quietismo. Não podemos nos esquecer de que o pastor é antes de tudo um sacerdote chamado para interceder junto a Deus pelo povo.paciência .Ilust..Privação . A síntese desse movimento era que o mal foi planejado para o nosso bem. Quem ainda não passou por esses vales profundos de pobreza ministerial.A primeira é a de aceitar as aflições como uma disciplina de Deus. Poucos são os pastores que demonstram paciência no exercício do ministério.Há momentos em que a Bíblia parece um livro fechado. Todo mal vem de Satanás e deve ser enfrentado com ousadia! .O pastor segundo os ativistas não deve ficar deprimido. Esta habilidade hoje está muito comprometida. é chamado de Ativistas. Tudo o que acontece nesse campo de dores vem de Deus. XVII na França e na Itália e foi chamado de Quietismo. de vesuviar.não é ser simplesmente ser gentil.Nas privações .Nas aflições . . de firmeza! . . Isto é.Na muita paciência . O sentido da palavra aponta para um espírito de perseverança. Esse conceito nasceu no Séc.A . podemos acabar com todas as enfermidades.Ser paciente .esta palavra tem o sentido de "espremer". "restringir".

Quando você tem alguém sob sua responsabilidade você se desdobra em busca de socorro.Em primeiro lugar você precisa de um Timóteo .. não consegue progredir. Esse sofrimento não tem muito a ver com sofrimento físico.Em terceiro lugar você precisa de um Paulo . e não deve se abrir com muita gente. Mas sempre há alguém mais próximo de nós. A . uma inibição de toda atividade e uma diminuição dos sentimentos de valor próprio até o ponto de auto-recriminações e auto-injúrias.São frequentes os momentos em que os espaços diminuem. Estas marcas ainda são necessárias ao ministério. aos "golpes" que recebemos em nossas emoções. .o sentido desta palavra aponta para um dos sofrimentos maiores do ministério. uma perda da capacidade de amar. Alguém com quem você possa se abrir.Em segundo lugar vamos examinar os fatores externos que acontecem com muita frequência no ministério.Aqui surge um outro problema.Em segundo você precisa de um Barnabé .. Alguém que dependa de você para vencer as dificuldades da vida. . Alguém que possa servir de referencial para você nos momentos de provação.usaram a aparência de santidade para impressionar o apóstolo Pedro. Você se esforça. 198 .Aqui também corremos um outro perigo: o de produzir um estado de melancolia. Procurou encobrir o seu erro camuflando-se diante de Deus. .alguém a quem você possa ensinar. fechado. 87). Freud analizando os aspectos da melancolia chegou à conclusão que ela produz "uma anulação do interesse pelo mundo exterior.Em açoites . luta mas não consegue avançar. . A idéia é que o ministro pode a qualquer momento ser confinado.o sentido aqui é de "estreitamento".2 .Marcos 14:66-71 . .Nas angústias . Você não pode caminhar sozinho. 2. em nossa mente. Este ponto é muito importante no ministério pastoral. . pg. O enfoque maior desta palavra se refere as "feridas". É o que os pais fazem com os filhos. Hoje isto quase não acontece.Adão tentou se disfarçar com uma folha de figueira. contar suas frustrações e receber todo apoio.Ananias e Safira . Nestas circunstâncias o pastor é levado a se esconder atrás de disfarces. . D .Pedro por sua vez demonstrou um espírito de arrogância quando foi confrontado pela criada .alguém que esteja acima de você e que possa orientá-lo nos seus momentos difíceis." (As Máscaras da Melancolia.. ser levado a um ambiente apertado.alguém que esteja no mesmo nível espiritual que você. .Paulo tinha as marcas de Cristo em seu corpo. Eu sei que é muito difícil você se abrir com um colega com o qual você não tem uma amizade verdadeira. Angústia faz parte do ministério.

Em terceiro lugar Paulo mostra o que o ministério exige de cada um de nós. Mesmo com todas as dificuldades já apontadas. de "desesperança". de afastamento de tudo e de todos para ouvir a voz de Deus. Lewis fala da "paixão vingativa". Eles experimentam a alegria de saber que a igreja não é um espetáculo de um único homem.S. Neste ponto nós podemos nos identificar com o apóstolo Paulo.Sobre o isolamento pastoral. "Uma estratégia que funciona bem. .nas prisões . O que não pode ser esquecido é que sem trabalho o ministério não cresce. de jejuar. 199 . Poucos são os pastores que exercem esse ministério. Ficamos na espreita aguardando uma oportunidade para crucificar aqueles que provocaram as divisões.4 . (Efésios 3:1).O Bispo Roberto sempre dizia: "ministério é trabalho. a breve ausência do pastor realmente fortalece a sua igreja. Eles fazem parte da nossa chamada.eu creio que não estamos ferindo o texto bíblico ao aplicarmos estas experiências de Paulo em nosso contexto social. 2. A . no caso da maioria das igrejas crescentes. C . .3 . É importante saber que não estamos livres de tumultos na igreja. Precisamos estar preparados para sofrermos esses golpes.o sentido aqui é de "vacilação". .Lembre-se: ministério sem dor não é ministério.Em quarto lugar Paulo nos mostra como devemos ser. E afirma: "Nas igrejas crescentes.O perigo é querer punir os autores desses conflitos.Eu sei que cada pastor tem um sistema próprio de vida. Hoje poucos sabem o que é uma prisão. 2. é fazer o pastor afastar-se da igreja. Uma série de virtudes são apresentadas neste bloco. para uma ausência planejada". Ele aponta um trio de atividades que não podem ser menosprezadas. nos jejuns." (Igrejas amigáveis e acolhedoras).nos tumultos . Há muita gente interessada em tumultuar o ambiente. Ele diz que é fácil alimentar um espírito de desforra. Ainda hoje sofremos este tipo de problema na igreja. nas vigílias. não é distração". fazendo o resto da equipe funcionar como uma unidade . .Devemos portanto pensar em prisão no sentido de não termos outro espaço para viver a não ser o do ministério. de "instabilidade". de isolamento. B . . não podemos fugir desse compromisso. Eu não sei quanto tempo você dedica ao exercício de vigiar.nos trabalhos. Fomos aprisionados por Cristo. Há correntes contrárias que tentam desestabilizar o nosso ministério. George Barna diz algo muito interessante: Ele fala da ausência programada do pastor. C.. E esse trabalho exige momentos de reflexão.

estar afinado com o movimento da ciência. Pouco falamos sobre os dons do Espírito. no saber. em Massachussetts.no Espírito Santo . mas possuindo tudo. Atuou como administrador da faculdade do Eastern Baptist Theological Seminary. Era pastor e teólogo batista. Graduou-se doutor em teologia e missiologia nos Estados Unidos. na longanimidade.significa simplicidade. pelas armas da justiça. quer defensivas. sinceridade. como castigados. Que ninguém desanime nesse caminhar. 2. vitimado por um câncer. no poder de Deus.Há uma série de paradoxos neste texto. entristecidos. Costa Rica. . Foi reitor e professor do Seminário Bíblico Latino-Americano de Costa Rica. aos 45 anos de idade. mas sempre alegres . . de resistência. Esta falta enfraquece o ministério. nada tendo. na ocasião de seu falecimento. 200 . como desconhecidos e. como enganadores e sendo verdadeiros. .Nós fomos chamados para um ministério singular. gentileza. Há muitas oportunidades a nossa frente. . Temos tudo e ao mesmo tempo não temos nada. mas enriquecendo a muitos.pureza . quer ofensivas. Ser paciente para com os demais. porém não mortos. A .Em quinto lugar Paulo mostra o que devemos fazer em nosso ministério.longanimidade .5 . Além disso.na bondade . na bondade. . no Espírito Santo.Quem consegue entender esta composição bíblica consegue também exercer um trabalho rico e abençoado por Deus. entretanto bem conhecidos. na Filadélfia.na palavra da verdade. Costas (1942-1987) nasceu em Porto Rico e faleceu nos Estados Unidos. atuava como professor no Andover Newton Theological School. Assim é o ministério pastoral.no amor não fingido . eis que vivemos.A . fundou o Centro Evangélico Latino-Americano de Estudos Pastorais (CELEP). como se estivéssemos morrendo e. .no poder do Espírito. ORLANDO COSTA E A IGREJA BRASILEIRA Introdução Orlando E. transparência. Não devemos apenas interpretar um papel que não vivemos na realidade. . pobres. . e como vice-presidente da Fraternidade Teológica LatinoAmericana. no amor não fingido. Não ficar alheio ao que acontece no mundo.na pureza.saber . . onde também foi professor de missiologia e diretor de estudos hispânicos. em San José.amor não teatral. em 1973.eu disse a igreja que nós perdemos um pouco da nossa característica.generosidade. ocupou o cargo de segundo vicepresidente do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI) e. Temos dado pouca ênfase nas manifestações do Espírito. por honra e por desonra.fala de tolerância. por infâmia e por boa fama. . contudo.

201 . porque uma igreja que não cresce está fora dos propósitos de Deus. por exemplo. entendendo que a missão da igreja não é simples comunicação da fé. Não é um trabalho original no que se refere ao estudo dos tipos de crescimento propriamente dito. Ele entendia que antes de tudo algumas questões importantes deveriam ser levadas em consideração. Além disso. o rol de membros de uma igreja. rejeitando o que chamou de "império norte-americano". pois o crescimento deve ser o resultado natural de uma igreja saudável. calorosa e esperançosa? Ele é amoroso? Sua fé é vista através da ação? A fidelidade. (1). mas o mundo em sua complexidade. atrelada à ditadura militar do general Augusto Pinochet. Esta pesquisa é uma simples tentativa de se aplicar os conceitos de crescimento da igreja de Orlando Costas a nossa realidade brasileira. não se deixava impressionar simplesmente com números. Assim. Nosso trabalho visa a igreja brasileira em solo brasileiro. como por exemplo: O crescimento é motivado pelo Espírito Santo? O crescimento está relacionado com os frutos do Espírito? A fé do crente é vibrante. era cuidadoso em sua análise de crescimento numérico de uma igreja. Entre seus escritos são dignos de destaque o artigo Dimensões do Crescimento Integral da Igreja e o livro Compromiso y Misión. Costas rompeu com a cultura anglo-saxônica e a mentalidade colonialista que subjuga os povos latinoamericanos. 1. ao mesmo tempo. Entendendo que a fé não é "uma herança familiar". o que requer a mobilização da igreja em busca de uma prática libertadora integral. também não pode servir como critério de avaliação de crescimento. enveredou-se pela "libertação social e cultural". a importância e a necessidade de uma igreja crescer. por exemplo. O renomado teólogo considerava-se um "teólogo na encruzilhada". participando da V Semana de Atualização Teológica. tal crescimento não deve ser almejado e nem considerado sadio quando a ética cristã está em jogo. Crescimento de igreja sem saúde é mera inchação. Embora reconhecesse o valor. Admirou a liderança jovem da igreja brasileira e criticou seu fraco desempenho teológico. O CRESCIMENTO NUMÉRICO DA IGREJA BRASILEIRA O crescimento numérico da igreja evangélica brasileira deve fazer parte do desejo de todo cristão sincero. Haja vista o clássico episódio em que Orlando Costas visitou uma igreja pentecostal no Chile. saúde sem crescimento é contradição de termos. segundo Costas. Entretanto. Seu enfoque é a América Latina como um todo. faz um comentário interessante sobre as dimensões do crescimento integral de Orlando Costas em seu artigo Avaliação Teológica do Ministério Integral em Servindo com os pobres na América Latina: Modelos de Ministério Integral. Contudo. Chegando lá. René Padilla. Padilla é amplo demais. Questionou a hegemonia política na América Latina. constatou que uma igreja como aquela não podia crescer saudavelmente estando. sentiu-se atraído pela evangelização do povo latino-americano. Orlando Costas.Orlando Costas esteve no Brasil em junho de 1984.

Por outro lado. o tipo de atividade na qual investe seu tempo e recursos e sua celebração cultural" (4). Isto é um princípio bíblico que Costas fazia questão em destacar. esta não é a regra geral. Na questão de crescimento da igreja não podemos ser totalmente crédulos de um lado e nem céticos do outro. O que Costas questionava. do mesmo modo como estas deveriam crescer? 2. Os extremos são sempre perigosos. Embora nem todas as igrejas tenham vocação para ser mega-igreja. todas devem crescer. Contudo. E por que não? Porque nem sempre a ética cristã de uma vida santificada tem andado de mãos dadas com o crescimento de nossas igrejas. Contudo. seus líderes. Costas entendia que estas devem ser preocupações salutares e necessárias. sabemos de tantas igrejas que estão marcando passo. esta dimensão inclui aspectos da vida interna da igreja como "sua forma de governo. O que não significa dizer que não haja igrejas crescendo com autenticidade. É preciso discernimento e critério de avaliação. O que. As indagações levantadas por Costas precisam ser ponderadas por todos nós. "é parte fundamental do ser da igreja" (3). fica a pergunta: aquelas estão crescendo realmente com saúde. e com razão. com pouca ou nenhuma perspectiva de sua missão e de seu crescimento. por si só. mas que estão crescendo saudavelmente. Pelo contrário. propriamente dito. Independente de ser pentecostal ou histórica. De acordo com ele. Entretanto. esta não é a realidade geral em nosso país. O CRESCIMENTO ORGÂNICO DA IGREJA BRASILEIRA Vimos no tópico anterior que o crescimento numérico não tem sido tão favorável para a igreja evangélica brasileira de modo geral. engessadas em suas tradições ou em seus usos e costumes. o crescimento orgânico da 202 . E o que dizer do crescimento orgânico da igreja? Primeiramente é preciso saber o que é crescimento orgânico na concepção de Costas. Todo crescimento de igreja. Porém. segundo Orlando Costas. ou mesmo a falta dele. Orlando Costas dizia que o crescimento numérico da igreja.espiritualidade e encarnação (2) estão presentes na vida da igreja? Estas questões são fundamentais para se avaliar o crescimento da igreja brasileira hoje. deve ser criteriosamente analisado. sua estrutura financeira. pois nenhuma igreja foi formada para ficar estagnada e parada no tempo. existem aquelas que experimentam um crescimento fenomenal e intrigante até. eram os meios muitas vezes utilizados para se chegar em tal crescimento. de acordo com os preceitos bíblicos. Temos no Brasil igrejas abençoadas: algumas grandes. outras nem tanto. não pode ser aceito como crescimento verdadeiro. e por uma razão óbvia: no Brasil existe uma forte tendência em se achar que todo e qualquer crescimento de igreja é obra do Espírito Santo. É importante deixarmos claro que Orlando Costas não era (e jamais foi) contra o crescimento da igreja. As igrejas pentecostais do Brasil sempre serão um desafio saudável às igrejas históricas.

até porque o maior potencial de uma igreja é o crente novo. quando fazem! Um exemplo a ser considerado é a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). ou reuniões de oração e grupos de discipulado. Há alguns anos escrevi uma lição para a escola dominical na qual dizia: "Reconhecemos que há muita coisa boa que uma igreja local pode fazer além de missões. É verdade que sua visão e missão. na intenção de constituir-se em uma verdadeira comunidade com raízes autóctones" (6).14). Um bom (ou seria mau?) exemplo disso é o que a igreja geralmente faz com seus novos membros ou recém-convertidos. a IPB deveria ser. voltado para dentro de si mesmo. pena que às avessas. a conclusão que chegamos é que a igreja brasileira não é. inclusive. todavia uma nova pessoa com novas convicções e padrões. atualmente. A igreja que se orgulha de sua teologia calvinista esquece que Calvino possuía uma consciência missionária profunda (8) sendo. Fruto direto da obra missionária de Ashbel Green Simonton em 1859. As palavras de Shelley deve nos levar a uma reflexão séria. por outro lado. se a 'muita coisa boa' estiver desassociada de missões. de uns tempos para cá. uma igreja missionária. as igrejas tendem a 'eclesiastizar' seus membros. pois é preciso resgatar por 203 . Sua obediência a Cristo se faz apenas mediante canais institucionais ou pietistas: reuniões e programas. Infelizmente a IPB é hoje o que jamais deveria ser.igreja não deve ser introspectivo. entre outras coisas. uma das denominações mais missionárias do país. o desafio da contextualização da igreja em uma situação histórica definida. O crescimento orgânico é um dos tipos mais naturais de crescimento experimentado pela igreja brasileira. cerca de 80% a 90% dos recursos financeiros. tira o convertido do mundo e jamais o envia de volta a ele. Nosso alvo deve ser a missão da mesma pessoa no mundo. formação de líderes. só que agora como embaixadores de Cristo" (7). Segundo pesquisas.13. então não é tão boa quanto se pensa'. porém. Devemos reentrar no mundo de que saímos. Bruce Shelley expressou a mesma preocupação de Costas quando advertiu: "Infelizmente. À luz do que vimos até aqui. A nossa evangelização. no geral. Boa parte de nossas igrejas que pensam serem missionárias na verdade apenas fazem missões. mas. vem progredindo . denominação da qual sou pastor. Se o primeiro mandamento de Jesus foi 'Vinde' o segundo foi 'Ide'. essencialmente. ainda tem muita estrada para se rodar. uso do tempo e do templo estão voltados para o deleite de nossas próprias igrejas. o responsável pelo envio dos primeiros missionários ao Brasil em 1555 (9). A igreja não pode servir de tropeço para ela mesma. Costas fazia questão de deixar isso bem claro (5) e René Padilla interpretou muito bem o pensamento do missiólogo quando disse: "Ele (o crescimento orgânico) abrange. Mt 5. A igreja evangélica brasileira de modo geral ainda não se conscientizou de sua missão fora dos portões como sal da terra e luz do mundo (cf.

E de quem é a culpa? Certamente são daquelas lideranças que muitas vezes refletem em suas igrejas uma mentalidade tacanha e retrógrada. O CRESCIMENTO CONCEITUAL DA IGREJA BRASILEIRA A igreja brasileira não é um caso perdido. sua interação com a história dessa fé e sua compreensão do mundo que rodeia. mas caminha na esperança de um futuro promissor. Infelizmente falta sã doutrina e santidade de vida no povo de Deus. mas sobretudo na totalidade daquela missão integral que ficou perdida em algum lugar do passado. não apenas em seu aspecto teológico. é uma igreja que está caminhando. A igreja evangélica brasileira ainda não entendeu como deveria essas dimensões e suas implicações. consciente ou inconscientemente. Com a graça de Deus chegaremos lá! Aos poucos o velho conceito de fazer missões vai dando lugar ao ser missões. Li vários livros do Dr. A qualidade da qual se derivam todas as outras dimensões. sua compreensão da fé cristã. Talvez um dos teólogos que mais chamou a atenção da igreja para sua dimensão conceitual (embora não com esta terminologia. É importante lembrar que Orlando Costas entendia corretamente as dimensões do crescimento integral da igreja como um sistema interligado. O doutor costumava dizer. tenha sido o Dr. seu conhecimento da fonte dessa fé (as Escrituras). 3. o que vem comprometendo seriamente o evangelho e a aceitação do mesmo por parte da sociedade. começa a crescer conceitualmente também.completo a boa herança reformada. cada dimensão da igreja só tem razão de ser se for vivenciada nas outras. orgânica. estará errado em todos os aspectos da sua vida" (11). orgânica e ética" (10). Martin Lloyd-Jones. por exemplo. São aquelas pessoas que confundem a boa tradição bíblica e evangélica pelo tradicionalismo 204 . Citemos um pequeno exemplo: Crescimento numérico sem qualidade pode ser comparado ao câncer que cresce mas não é bom. A ausência de qualquer uma daquelas dimensões (numérica. Saindo do particular para o geral. O crescimento conceitual da igreja é o que poderíamos chamar de "dimensão central da igreja". tornando-as mais funcionais e principalmente por uma estruturação doutrinária que se expresse na vida prática. o que significa. Jones e notei que muito da preocupação conceitual de Orlando Costas era a daquele também. embora a passos não tão largos como gostaríamos. Qualidade sem crescimento é inconcebível. mas com a mesma ênfase). além de uma conscientização missionária. Isto está acontecendo porque a igreja. "expansão na inteligência da fé: o grau de consciência que a comunidade eclesial tem a respeito da sua existência e razão de ser. um pastor britânico já falecido. que "se você estiver errado em sua doutrina. conceitual ou diaconal) acarretaria numa deficiência danosa. propriamente dita. a igreja brasileira precisa passar por uma revitalização de suas estruturas. Na verdade. Esta dimensão dá à igreja firmeza intelectual para enfrentar a todo tipo de doutrina e capacidade crítica para evitar a fossilização e garantir a criatividade evangelizadora. segundo Costas. Pelo contrário.

O CRESCIMENTO DIACONAL DA IGREJA BRASILEIRA Esta é a dimensão encarnacional da igreja. Estamos adentrando em um novo milênio e a igreja continua sonolenta em muitos dos aspectos de sua missão integral. já que "somente na medida em que conseguir dar visibilidade e concreticidade à sua vocação de amor e serviço ela pode esperar ser ouvida e respeitada" (12). inovação saudável e revitalizadora pelo inovacionismo e oba-oba. Evangelização e responsabilidade social são partes integrantes da missio Dei. A igreja brasileira não pode se calar diante dos males sociais. De uns tempos para cá a igreja melhorou consideravelmente. quanto à participação nos problemas da sociedade. Vale lembrar. Hoje. 4. justamente porque ao se discutir prioridades (como por exemplo as que envolvem evangelização e ação social) a igreja deixa de fazer bem uma e outra coisa. porque. Que Deus nos ajude! Conclusão: Vivemos na esperança de dias melhores para a igreja brasileira. Para Costas. ainda somos uma grande colcha de retalhos. influenciada pelos sistemas políticos e deixado de ser a voz profética de Deus na sociedade. A igreja brasileira não está parada. graças ao bom Deus. esta dimensão que nos faz olhar para dentro de nós mesmos. ainda não amadureceu tanto em sua concepção de missão integral. caminha lentamente pelo que a gente tem visto. ainda temos um longo caminho pela frente. a consciência social da igreja brasileira hoje parece ser maior do que algumas décadas atrás. À luz do que vimos até aqui fica difícil dizer: "A igreja brasileira tem esta cara". boa parte das igrejas brasileiras está envolvida em trabalhos sociais. sem deixar de olhar para fora. os cristãos foram colocados no mundo "para ser a consciência da sociedade" (13). Uma consciência que estende a mão em ajuda aos fracos e oprimidos. assim como as demais dimensões do crescimento integral. Felizmente. e não faz muito tempo. como ocorria em tempos atrás. Orlando Costas entendia que sem este crescimento a igreja perderia sua autenticidade e credibilidade no mundo.mórbido. inseparáveis e indispensáveis na missão integral da igreja de Jesus Cristo no mundo e para o mundo. É pena que a igreja foi. De uma igreja que se consolide pela visão integral de sua missão no mundo. e sem qualquer preocupação de ser rotulada e perseguida por isso. se por um lado a igreja vem melhorando em sua visão social. De certo modo. e muitas vezes tem sido ainda hoje. por outro. etc. a igreja que assumia sua responsabilidade social no mundo era taxada de comunista. Mas ele não está estagnado. portanto. porém. liberalista. O crescimento diaconal da igreja brasileira. precisa ser devidamente analisada e exercitada pela igreja brasileira como um todo. Contudo. 205 . mas poderia andar um pouco mais depressa.

7. podemos notar um avanço em todos eles. a igreja que gostaríamos de ser.. mas com certeza esse dia vai chegar. 11. Trata-se dos fatores ou princípios críticos em função dos quais avalia-se qualitativamente as várias classes e dimensões do crescimento eclesial e se prova a validez teológica de dito crescimento" (Daniel S. AVALIAÇÃO TEOLÓGICA DO MINISTÉRIO INTEGRAL em Servindo com os pobres na América Latina (Curitiba-Londrina: Editora Descoberta. 183. 114. Costas. Costas. 6. 126. p. COSTAS em Enciclopédia históricoteológica da igreja cristã.EN CRISTO em Misión en el camino (Buenos Aires: FTL. 4. Fred H. 10. 9.. Bruce Shelley. L. Vol. p.Comparando os quatro conceitos de crescimento de Orlando Costas à igreja brasileira. 206 . 1984) pp. A CONSCIÊNCIA MISSIONÁRIA DE JOÃO CALVINO em Fides reformata.. 5. 2. Cf. 1992) p. A IGREJA: O POVO DE DEUS (São Paulo: Vida Nova. espiritualidade e encarnação . 101.4. nota 6. 3. op. Orlando E.THE HEIDELBERG CATECISM AND CALVIN em Calvin theological journal (1972) pp. klooster. 29. Idem. p. O COMBATE CRISTÃO (São Paulo: PES. 362. 38-49. 117. cit. nº 1 (São Paulo: 1998) pp. A. Sayão. Lloyd-Jones. T. I (São Paulo: Vida Nova. 1994) p. 113. Cf.7. Costas. Vol. 102. 113. Deus visitará seu povo e o avivará para honra e glória do Seu nome! NOTAS 1. 13. Antonio Carlos Barro. Schipani. 1988).fidelidade. DIMENSÕES DO CRESCIMENTO INTEGRAL DA IGREJA em A missão da igreja (Belo Horizonte: Missão Editora. Idem. "Para Costas. op. estas três qualidades ou critérios teológicos .. Costas. Nossa igreja brasileira ainda não é a igreja dos sonhos. CREZCAMOS EN TODO. MISSIONS . D. 12. 1991) p.são as variáveis de controle em seu modelo de crescimento integral. verbete ORLANDO E. M. cit. René Padilla. III. COMPROMISO Y MISION (San José: Editorial Caribe. 8. 1998) p. 1979) p.

Aprendemos com nosso Senhor Jesus em Lucas 5:15. O v. sem tempo para mais nada.. preparar estudos e sermões. em nossas muitas atividades eclesiásticas somos cada vez mais dominados por superlativos. Penso que na essência. onde nossa identidade pastoral passa a ser derivada de nossas atividades. Abro aqui um parêntesis para recomendar a leitura do livro de Henry Nouwen “ No Nome de Jesus” . descobrimos que ser é mais importante que ter e que valemos muito mais que o resultado de nossos esforços. constantemente temos que provar o nosso valor.em nossa vida agitada e cheia de atividades temos fracassado em separar tempo para a solidão afim de aprofundarmos nossa vida espiritual. Trata-se de um desejo de compartilhar com meus irmãos e colegas pastores.. Tornamo-nos daí pastores compulsivos. onde o autor fala de três tentações mais comuns no ministério pastoral: ser relevante. procuramos nos manter sempre ocupado. Como sempre. então preciso estar atarefado. são sutilezas que procuram desestabilizar e adulterar o nosso pastorado. 1º Perigo: O perigo de envolver-se tanto em atividades que negligenciamos nossa vida devocional. Conscientemente ou não. todo pastor deseja grandes mudanças em suas igrejas e daí a quantidade exorbitante de atividades a que nos entregamos todos os dias: aconselhamentos. separar tempo para planejar. Sutilmente somos enganados. ser espetacular e ser poderoso. Orgulhamos por ter uma grande Igreja. visitas. que a ação interna (oração) tem precedência sobre a ação externa (proclamação). escrever artigos. um grande. existe por trás deste excesso de atividades uma cultura – nosso mundo é voltado para o sucesso.15 nos informa que muitas pessoas procuravam a Jesus para serem curadas por ele e o v. e para tanto. Obviamente. a nossa utilidade. Se estar atarefado é ser importante. Solidão é o remédio contra o ativismo pastoral. fazer ligações telefônicas. e por fazermos parte de uma sociedade competitiva.. mas aqui falo também como pastor . um grande coral.. Em razão disso. como evitar cair na armadilha do excesso de atividades ? A resposta é a mais simples possível: Precisamos praticar um tempo a sós com Deus. alguns perigos do ministério. os quais tenho constatado em minha própria caminhada. etc. Mas voltando.16 afirma “ele porém se retirava para lugares solitários e orava”. Jesus percebeu o 207 .Parte XXXIII PERIGOS SUTIS AO MINISTÉRIO PASTORAL "Quando fui convidado para escrever este artigo para a nossa Revista PROPOSTA. corremos atrás de atender a um modelo ideal de pastor estigmatizado por esta cultura do sucesso que é aquele líder que está sempre ocupado.16. reunir-se com a liderança. Parece uma ousadia falar assim aos pastores. logo pensei em algo sobre o ministério pastoral. Cito Henry Nouwen quando ele afirma que na solidão.

homens e mulheres com quem vivemos e trabalhamos podem se tornar meros objetos. Para isto é que existem presbíteros regentes e docentes. Quando olhamos para o ministério de Jesus. e nos tornamos administradores e secretários de Igrejas.perigo e não caiu na armadilha de se entregar ás atividades. deixando de pastorear pessoas. dos terrenos que a igreja adquiriu. Diferentemente de nós que somos movidos para a produção. usamos estas pessoas como empregados para cumprirem uma missão que nem sempre é de Deus e sim do pastor. Não me entendam mal. Precisamos ser lembrados que fomos chamados para pastorear e não para administrar. sem. e que ter uma vida profunda de oração não perde o seu valor quando somos ordenados ao ministério. negligenciando sua vida devocional. Corremos o perigo de abandonarmos nossa função como pastor. o perigo é sutil. verificamos que ele passou mais tempo cuidando de pessoas e conversando com elas do que em qualquer outra coisa. 2º Perigo: O perigo de reduzir a funções e projetos a pessoas que Deus nos mandou pastorear. Neste processo da secularização da igreja. imitar sua vida profunda de oração. O pastor que imita as ações e a pregação de Jesus. Jesus não era inclinado à programas. são um prejuízo para a fé e um empecilho para o crescimento da igreja. Pouco a pouco todos se transformam em instrumentos de trabalho.. está o fato de que precisamos preparar pessoas para o ministério. movida á produção. dedicar tempo ás nossas ovelhas para visitá-las e orienta-las espiritualmente..Pessoas são a razão de nosso ministério. Talvez devêssemos perguntar: Como posso saber se estou sendo bem sucedido no cumprimento de meu ministério? Creio que Efésios 4:11-15 delineia qual é a expectativa de Deus para nós pastores – Dentre algumas das medidas de sucesso em nosso ministério. etc. A princípio não há nada de errado em tudo isto. Para fazer isto preciso gastar tempo com as pessoas – ajuda-las. mas à pessoas. Quando nos tornamos pastores.. Deixe a administração com o presbítero regente. Nós pastores insistimos com nossas ovelhas sobre a necessidade delas terem um tempo a sós com Deus. do formato novo do boletim informativo. Nós pastores precisamos pastorear. Começamos a medir o sucesso no ministério pela popularidade de nossos projetos. das reformas feitas na estrutura física da igreja durante nosso pastorado ali. Mas não podemos nos esquecer que somos ovelhas também. ao mesmo tempo. a “ exigência” é que devemos nos retirar do 208 . ouvilas. aconselha-las. Sob a pressão de que estão trabalhando para Jesus.. 3º Perigo: O perigo de se afastar tanto do mundo que perdemos a consciência de que o mundo é nossa paróquia. etc.

nos envolver em atividades promovidas pelas pessoas da vizinhança. prisões. Nosso ministério corre o perigo de ser exercido basicamente dentro da Igreja. Eram pessoas aflitas. sem acesso a uma boa escola e inseguras quanto ao dia seguinte. etc. Imagine se Jesus fosse o pastor de sua igreja! Por onde você acha que ele andaria ? Quem ele visitaria ? Se formos bem honestos.. emocional e existencial. Em Mateus 9:36 lemos que Ele andava pela cidade e vendo as pessoas compadecia-se delas porque eram como ovelhas sem pastor. nos enfiamos nos trabalhos da Igreja que consomem todo nosso tempo e energia e cada vez menos nos interessamos pelo mundo lá fora. os vizinhos que moram próximos á igreja. Se faz necessário construir relacionamentos. seguindo seu próprio cronograma e agenda. precisamos.mundo e nos entregarmos ao trabalho de uma instituição religiosa que se dedica a seus próprios assuntos. problemas com os filhos. medo da violência. visitando asilos. É surpreendente ver que Jesus não agiu desta maneira. podemos dizer que nossa ordenação foi adulterada”. por exemplo. um inimigo ou um competidor de nossa espiritualidade. Nas palavras de Eugene Peterson “quando o trabalho que executamos para Jesus como pastores esmaece nossa consciência do mundo. hospitais. O texto ainda fala que eram pessoas sem rumo na vida.. etc. de filho e não de um funcionário da igreja? 209 . De tanto se afastar do “mundo”. não ter tempo para o lazer ou por causa dos problemas do dia-a-dia. Eram pessoas exaustas. talvez pela sobrecarga de trabalho. fazer parte da sociedade amigos de bairro. teremos que duramente admitir que ele andaria pela nossa cidade. o prefeito da cidade. estabelecer amizades e se identificar com as pessoas da comunidade. exaustas e sem rumo na vida. ou. visitar a Câmara Municipal. sejam crentes ou não.. Creio que já está na hora de desenvolve-lo “fora da igreja” também. precisamos buscar a “paz da cidade” ( Jr 29:7 ) e para tanto é mister nos envolvermos com ela. A título de aplicação daquilo que foi dito aqui. lanchonetes. Aflitas por falta de trabalho. simplesmente levanos a evita-lo.Ele não resumiria seu ministério apenas aos salvos. Pessoas com crises no casamento. Creio que para evitar que nosso pastorado seja adulterado. na vida profissional. nossa linguagem vai se tornando “igrejeira” e quem é de fora entende muito pouco do que falamos. penso que temos que responder a três perguntas: 1) Quais são as atividades que você tem durante a semana em que você se coloca na presença de Deus na perspectiva de ovelha.Assim. vemos o mundo como algo mal.. Nós pastores precisamos seguir o exemplo de Jesus e olhar para a nossa cidade. Erroneamente. colocamo-nos em competição contra ele. Nossa espiritualidade pastoral não pode ser desenvolvida apenas dentro da igreja. para o nosso bairro e ter uma proposta pastoral para estas pessoas aflitas. afasta dele o foco de nossa atenção.

Como parte do seu aprendizado. Um líder tem limitações. com Josué e com os apóstolos. tementes a Deus. homem submisso ã vontade de Deus (Js 6.2: "e o que de mim ouviste diante de muitas testemunhas.21).7).10).2) Quem são as pessoas que estão sendo afetadas pela sua vida? Pela convivência espiritual com você? 3) Quais os lugares. treinou os líderes escolhidos dentre critérios bem determinados: que fossem capazes. É um Josué. TEOLOGIA DA LIDERANÇA 210 . Assim é que Efésios 4. Não é função de mando. São essas últimas que detêm o dom de liderança. Nancy DUSILEK no seu Liderança Cristã: a arte de crescer com as pessoas. Dr. Na Igreja de Cristo é a liderança desse corpo. · as que observam o que está acontecendo e · as que fazem com que as coisas aconteçam.27).10). Quanto à liderança espiritual e à preparação de outros líderes da igreja apostólica. 6. não espera acontecer". 11-16 apresenta a plataforma de liderança da Igreja Apostólica. Paulo usa a expressão "a graça que nos foi dada" (Rm 12. Assim aconteceu com Moisés.20. Uma música popular dos anos 70 de forte mensagem diz que "quem sabe faz a hora.1-13 oferece o padrão para os ministérios pastoral (ali denominado "episcopado") e diaconal.8). mas a função do líder é liderar. há de ser lembrada a palavra de Paulo em 2Timóteo 2. e em dar ordens claras (v. e Moisés reconhecia as suas próprias (Ex 4. cita o ex-reitor da Universidade de Colúmbia. Parece ser o óbvio. e detêm funções de liderança aqueles soberanamente escolhidos para esse cometimento. segundo a Versão da IBB (Rm 12. mas de presidência a ser exercida zelosamente. nos EUA.6). FUNDAMENTO BÍBLICO DA LIDERANÇA CRISTÃ Deus utiliza seres humanos como seu método. pessoas de palavra e não avarentos (Ex 18. ambientes que você freqüenta e pessoas com quem se relaciona que facilitam sua ação como sal da terra e luz do mundo? Parte XXXIV REFLETINDO SOBRE LIDERANÇA CRISTÃ Há um lugar especialíssimo para a liderança na visão do Novo Testamento. mas no seu aprendizado teve que aprender a delegar (Ex 18. foi humilde bastante a ponto de atender conselhos que lhe foram dados. que sejam idôneos para também ensinarem os outros". e 1Timóteo 3.2). transmite-o a homens fiéis. Desse modo. Nicholas Murray Butler que disse haver três tipos de pessoas no mundo: · as que não sabem o que está acontecendo. hábil na distribuição de tarefas (vv.

potência". pois sem essa virtude é impossível agradar a Deus (cf. judeus e gentios. a preeminência. e pela fé. Duas palavras gregas são elucidativas do conceito de poder: kratos e dynamis. Romanos 16 o lembra com extrema clareza: havia naquela comunidade cristã: mulheres.27.24-31.1). 1Co 12. determinados títulos "religiosos" com o propósito de "autenticar" o poder de mando e comando. A primeira é ter ideal. mesmo. Se estamos falando de conduzir para Deus.13. libertos e escravos. atividade. 211 . de detenção de poder decisório que só evidenciam que. pois essa virtude determina o verdadeiro objetivo da liderança cristã que é o ser servo (cf. tecnocracia. especialmente no sentido de "poder político. conforme ensinou MINERVINO. comando. pela fé a unidade da igreja é mantida. assumindo. falemos igualmente de fé. Mas o líder cristão reconhece que não o faz por mérito próprio: Deus está com ele (Ex 3. de dinamismo ungido. gerontocracia veiculam a idéia de "poder do povo". Mt 20.4). permitindo que se chegue ao universo semântico de "força ou espiritual. reagindo e interagindo para o bem comum e para o bem da causa de Jesus Cristo. É um com o seu povo. o líder é um condutor. Além disso. na falta de autêntica autoridade espiritual.41-48 apresenta uma palavra de Jesus Cristo a esse respeito.6). livres. Pela fé. homens. ter visão: alma e olhar de condutor de vidas. Porque o serviço é inerente à função. Gl 5. Vocábulos como democracia. traduz "força. QUALIDADES DO LÍDER · No mínimo as seguintes qualidades podem ser destacadas. Lucas 12. Kratos é "poder. Hb 11. o líder cristão exerce a perseverança.Recorde-se de que liderança cristã é "o trabalho de despertar e conduzir o ser humano para Deus e para tudo o que dEle recebeu". Fp 1. Dynamis.28. passam a buscar o controle. por outro lado. todos agindo. dinamite e dinamismo. aliada a esta. autoridade". Não é demais dizer que a Igreja é variada e multiforme. Do líder cristão é esperada a dynamis como fundamento e veículo da sua autoridade espiritual e da sua atividade de condutor de vidas. "poder da técnica" e "autoridade dos idosos".10-12. o líder é estimula a desenvolver seu potencial (1Co 11. · A competência e o espírito de iniciativa. autoridade de mando". e dando-nos vocábulos como dínamo.1). Pelo próprio conceito da palavra (leader>líder). energia". Lamentavelmente. Lc 22. observa-se uma profusão de kratos em numerosos líderes com sede de manipulação.19. 1Co 9. É observar o que diz 2Coríntios 11. que é o "partir para a ação". O líder cristão deve agir com fé. e desse modo leva os seus liderados aos cometimentos propostos. Mais: o líder tem poder. o líder é servo. e. jovens e idosos. e utiliza para tanto os dons dos seus liderados e associados. são igualmente basilares.

Outra importante função da liderança é a defesa. às posturas e aos valores da instituição.· Segue-se a tenacidade aliada à serenidade. plenitude do Espírito Santo. O líder há de ser equilibrado. Funções do Líder Previsão e visão que envolvem. das circunstâncias do presente e das tendências do futuro. o compromisso dos membros no exercício de cargos e no sustento da igreja com a indiferença reinante. sem sombra de dúvida. Se analisarmos muitas de nossas igrejas sem ufanismo e sem o amor platônico que nos foi inculcado. deveríamos corre o risco de rever os nossos 212 . E dentro disso. vale ressaltar. v. · que. imaginação e rapidez de raciocínio. escolha dos meios para a realização do planejamento. o número de dizimistas fiéis. Tais confrontações se materializam na leitura do perfil traçado de muitas de nossas igrejas. e Atos 6. 1Tm 3. a postura apologética diante das ameaças à doutrina.2). plenitude de sabedoria e de fé (cf. segurança e confiança. autenticidade e comunicação. Precisamos estudar mais as nossas doutrinas.3 descreve o equilíbrio desejado: boa reputação (cf. tomando-se por base o alto índice de exclusões. a média do número de membros e a incontável massa de líderes neopentecostais oriundos de nossa denominação. · Em seguida. análise dos acontecimentos do passado. que se justifica quando confrontamos o projeto da maioria de nossas igrejas com o potencial das igrejas batistas. temos que a admitir que a situação é caótica. ao lado da simpatia. controle da situação e avaliação do realizado. a necessidade de revitalização da igreja para a sobrevivência no mundo globalizado com o tradicionalismo embotador imposto por um seguimento de líderes denominacionais ideologicamente ultrapassados e quando confrontamos a gradativa contextualização denominacional em seu interminável repensar. expressa na média Brasil batista de integração que é de 40% apenas.5). Planejamento que envolve algumas análises preliminares: estabelecimento de objetivos. Parte XXXIV REVITALIZANDO A IGREJA Introdução: Aonde chegaremos como igreja se continuarmos insistindo em ser apenas o que temos sido e em praticar somente aquilo que temos praticado nestes últimos anos? Essa pergunta estabelece a relevância do presente trabalho. formam o perfil do líder cristão. com o arcaísmo saudosista e excludente praticado por aqueles que insistem em não pensar a batistandade.

o que realmente permite que a igreja redirecione seu foco e retome os propósitos de Deus para o seu ministério e para o cumprimento de sua missão evangelizadora. Revitalizar é reafirmar tudo aquilo que é bíblico. em Eclesiologia. a partir de uma conceituação teológica. buscando compreender o nosso corpo de doutrinas. que direcionará os nossos olhos sempre para o ideal de Cristo para a igreja. Devemos revitalizar. precisamos desenvolver uma genuína consciência de missão que propicie uma visão objetiva do que somos e do mundo para o qual pregamos. o que devemos fazer. é a leitura hermenêutica do traçado histórico da igreja e a constatação da situação real em que nos encontramos. Se esperamos ser igreja viva para cumprirmos o nosso papel no reino de Deus. e a nossa missão prática no mundo. A igreja que busca a revitalização tem o privilégio e o compromisso de prosseguir sempre vitoriosa. quando bem definida. é retomar os princípios bíblicoteológicos desprezados e é reordenar a estrutura. No nosso caso. A primeira resposta é sobre a missão. e que determina a qual denominação nos filiar. para a retomada dos ideais de Cristo para a igreja e a manifestação da glória de Deus em nossos arraiais. mas creio que devemos urgentemente buscar a revitalização de nossas igrejas. * Missão é a definição objetiva e clara da nossa identidade como igreja local. Este momento. bem como a nossa declaração de visão. devemos elaborar a nossa declaração de missão. o modelo e as estratégias para que não sejamos vitimados por uma nulidade eclesial devastadora. Antes que a perda da identidade e da relevância no mundo como igreja ocorram. o que é a nossa missão e qual seria. a luz dessa missão. o que cremos. devemos avaliar as nossas convicções doutrinárias. as devidas respostas. independente da Denominação. que estabelece a nossa identidade. Antes que a igreja se prostre em nostalgia e desemboque nos questionamentos que provocam a rotura que tem como fim último o desaparecimento da igreja. principalmente a igreja. sucumbe a historicidade e torna-se dependente do tradicionalismo conservador de nulidades e acalentador da nostalgia petrificante. carecemos de uma reformulação da proposta de educação teológica e prosseguir repensando a denominação. que nos manterá atrelados a Palavra de Deus. quem somos. a nossa visão? Vejamos. fica mais fácil por que somos batistas e não devemos prescindir dessa 213 . os nossos objetivos e a nossa estrutura organizacional. Aqui. Qualquer instituição.posicionamentos doutrinários. cabem duas perguntas. se não sabe ao certo o que deve fazer e se não tem noção clara das estratégias possíveis para fazer o que deve. I .Missão e Visão: ferramentas para a revitalização da igreja Se é nosso desejo revitalizar a igreja para augurarmos relevância ministerial na proclamação do evangelho. É essa consciência de missão.

basta olharmos para o tempo de permanência da igreja batista no País e confrontarmos com o número de membros que somamos. * Visão é. Não podemos acreditar que está tudo muito bom. Nossa visão do mundo e de nós mesmos como igreja é determinada e condicionada pela nossa consciência de missão.Declaração de Missão e de Visão cabíveis para a revitalização da igreja Acreditando serem positivas as respostas às questões colocadas. bem como uma identidade denominacional definitivamente Batista. no afã de definirmos nossa declaração de missão. Mais de 120 anos de igreja contra aproximadamente um milhão de batistas. Tomando por base o livro de Darrell Robinson. mas carecemos de saber e de definir conceitualmente o que é ser batista no terceiro milênio. O que a CBB busca fazer com a aprovação do parecer do GT Repensando na última Assembléia convencional. não temos o que olhar ou. Precisamos ou não de revitalização? Carecemos ou não de redescobrir a nossa missão? Necessitamos ou não de restaurarmos a nossa visão? A resposta para estas questões é um altissonante e retumbante sim! Não podemos negar a necessidade de restaurarmos a nossa visão para que obtenhamos vitória de Deus no cumprimento da nossa missão. Isso é ter visão. Negar a necessidade de revitalização é como usar antolhos históricos e eclesiológicos. Agora vejamos a resposta sobre visão. Um número inexpressivo se comparado a densidade demográfica verificada no censo 2000 e divulgada pelo IBGE. Se não sabemos quem somos. II . a imagem futura que fazemos do lugar onde pretendemos chegar como igreja e a concepção filosófica de como vivemos como igreja de Jesus no mundo. Vale ressaltar a necessidade de adaptação à realidade da igreja local. sequer. bem como a nossa declaração de visão. mas para levarmos a cabo esta grandiosa tarefa carecemos de uma previsão dotada de discernimento e alicerçada na compreensão do que deveríamos ter feito como igreja de Cristo nestes mais de 120 anos de história. o que cremos e o que devemos fazer. Na verdade. nos deparamos com a premente necessidade de definirmos as nossas reais intenções ministeriais a fim de que adquiramos características eclesiológicas e expressão cúltica puramente bíblicas. que apresenta a nova análise 214 . a partir da compreensão de nossa realidade efetiva. Nossa missão precípua é a evangelização. no caso de se considerar apropriada a presente propositora. para onde direcionar os nossos olhos. conforme as últimas estatísticas denominacionais. Temos um verdadeiro desafio missionário no Brasil e no mundo. não tradicionalista.identidade denominacional. buscamos nos arraiais batistas as respostas possíveis e as apresentamos no presente trabalho.

para a exaltação de Cristo. É isso que podemos deferir de textos como Mateus 16. vivendo. É a cabeça que impõe a visão. Jesus.18. A imagem visual se projeta e se define a partir da construção da imagem mental que se faz. exercendo influência ético-cristã na sociedade. incitando seus membros e sua liderança à constante renovação do entendimento de si mesma.Antíteses indispensáveis para a revitalização bem-sucedida É extremamente produtivo definir a declaração de missão e de visão. em textos como Lucas 24. Com relação a visão. visto que desejamos estar afinados com a batistandade.18. afirmamos que: * Nossa visão é ser Corpo Vivo de Cristo. mas este labor impõe antíteses entre o tradicionalismo da batistandade e a tradição bíblica que deve ser abraçada 215 . Esta declaração de missão proporciona uma vida eclesiástica equilibrada e contém tudo que é essencial para o fortalecimento doutrinário. O tamanho da igreja é diretamente proporcional a visão que seus membros têm de Deus e ela cumpre sua missão na mesma proporção em que crê no poder de Deus ainda atuante no mundo. ainda tomando por base Darrell Robinson. se entendemos que se faz necessário.15. A nossa missão só pode ser baseada em textos como Mateus 28. III . Sobre a missão. Temos o mesmo Senhor e Cabeça. que nos posiciona como casa espiritual e ministradores do sacerdócio universal praticado em genuína espiritualidade. podemos asseverar que: * A missão da nossa igreja é evangelizar os pecadores.44-48 e João 20. para a maturidade espiritual e para o crescimento numérico da igreja. cumprindo a nossa missão evangelizadora com autoridade espiritual e relevância sociocultural. capacitando-os. a fim de que obtenhamos contundente autoridade testemunhal em Cristo. A igreja deve se permitir a uma permanente autocrítica e praticar uma continuada hermenêutica histórica. Logo. com todas as suas implicações. como santos de Deus. Jesus. Essa visão está de acordo com os princípios do Novo Testamento e vem do Cabeça da igreja. essa missão promoverá relevância histórica e ministerial para a igreja. se deseja cumprir sua missão. Colossenses 1. coletiva e individualmente.bíblica dos dons espirituais no contexto Batista.1-5. e de 1 Pedro 2. Não há mistério nem inovações.19 e 20 e Marcos 16. sob sua autoridade e seu senhorio. que apresentam a Grande Comissão delegada por Jesus e ainda.21. após a conversão. que apresenta a igreja como poderosa e vitoriosa no embate contra o inferno. de suas doutrinas e de suas estratégias ministeriais. ou mesmo redefini-las. que determinam a formatação missiológica designada pelo próprio Cristo para a sua igreja. definimos a nossa declaração de missão e de visão.

tradicionalismo é um mal devastador que afasta as pessoas 216 .2 indicações para se preservar a tradição. que são verdadeiros e que estabelecem os parâmetros e a validade do cristianismo. Na Bíblia.42. Tradicionalismo é aferro ou apego. a perda de seus membros para a igreja neopentecostal que se acampou nas redondezas. que monopolizou a igreja até o movimento de Reforma Protestante. Filosoficamente. e até mesmo boa parcela dos nossos líderes. classificando como tradição o que se entende ser verdadeiro e não necessariamente a verdade.pela igreja de Cristo denominada Batista. Diversos líderes postergam ao máximo a decisão de iniciar a revitalização da igreja na tentativa de evitar os desgastes decorrentes destas antíteses. visto que a maioria dos nossos membros. Não há na Bíblia qualquer referência a tradição denominacional. ao final. não sabe a diferença efetiva entre uma coisa e outra. Filosoficamente. onde a palavra no original significa preceitos doutrinários e está condicionada a doutrina dos apóstolos citada em Atos 2.15 e em 1 Coríntios 11. No contexto bíblico. lidar com estas antíteses não é nada agradável e exige uma firmeza doutrinária hercúlea e uma identidade denominacional capaz de intercambiar relacionamento sem se permitir ser influenciado. tradição consiste em sabedoria e discernimento quanto a validade das instruções e as noções religiosas transmitidas de geração para geração. É a transmissão de valores espirituais através das gerações. vemos em 2 Tessalonicenses 2. Em síntese. a questão reside na compreensão da diferença entre o que é ser uma Igreja Tradicional ou uma Igreja Tradicionalista. A doutrina dos apóstolos nada mais é do que os ensinamentos espirituais transmitidos por Jesus. A primeira Denominação Cristã surgida foi o Catolicismo Romano. visando preservar as crenças. Em Teologia rejeita-se o tradicionalismo devido a sua origem no iluminismo e o seu ponto culminante. Em Teologia. no século XVII. muitas vezes lamentando. Muitas vezes. ou seja. amor exagerado aos usos antigos. Tradição é ato de transmitir ou de entregar. visto que tais movimentos foram uma tentativa idealista de se devolver à Igreja Católica Romana a absoluta autoridade sobre as questões religiosas. a Revolução Francesa. tradição é a herança cultural transmitida de uma geração para outra. até porque denominação não existia no período da Igreja Primitiva. tradicionalismo é a defesa explícita da tradição no âmbito do espírito romântico. no século IV. É o único reconhecimento e a única garantia da verdade.

fazendo o que todas as igrejas devem fazer. visto que bater palmas. a Declaração de Missão e de Visão. doutrinariamente. como batistas. como no caso do Espírito Santo. Em quarto lugar. por que a igreja terá uma identidade denominacional e doutrinária própria. na educação cristã. o que não se pode prescindir como Batistas. que impunham ao povo 365 proibições e 250 mandamentos. acusando-os de subjugar o povo com um fardo extremamente pesado que nem mesmo eles suportariam carregar. e não pela iconografia muitas vezes perniciosa. no que diz respeito a Eclesiologia. que será mais efetiva e sempre direcionada pelo serviço cristão. não o perfil do pastor. IV . Tendo definido. Terceiro. Os ajustes doutrinários possíveis são os promovidos pela CBB. bem como cantar hinetos ou fazer coreografias nas músicas. nada mudará também.1-7. Marcos 7. após a revitalização. mais informal e menos eclesiástica.do ideal de Deus para escravizá-las com rudimentos humanos ou para enganá-las com sutilezas diabólicas. Tradição é a fé viva dos mortos". Ed Kivitz em assembléias convencionais: "Tradicionalismo é a fé morta dos vivos. Mateus 23. No contexto da igreja que busca a revitalização e que está disposta a se permitir as antíteses necessárias na avaliação de sua prática eclesiológica e cúltica. pode-se então 217 . na comunhão. Depois de se permitir a estas antíteses. primeiro. nada. nos ministérios e na proclamação. na forma do praticar o culto. não são temas contemplados no estudo da Eclesiologia Batista. que será ajustado ao Texto Sagrado. a diferença fundamental entre tradição e tradicionalismo se identifica no quadro que se segue Este quadro reflete algo que já ouvi do próprio Pr. Segundo. renunciando tradicionalismo histórico e promovendo mudanças radicais de vida nos membros da igreja. Jesus combateu a tradição dos anciões. A igreja apenas se adequará a estes ajustes para permanecer fiel a Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira.8-15. Na verdade. As mudanças se efetivarão na expressão cúltica. A igreja se tornará mais contextualizada e menos ritualista. a pergunta talvez seja. as mudanças reais acontecerão.1-13 e Colossenses 2. porém do jeito e da maneira mais apropriada para a realidade sociocultural na qual interage. deve-se estabelecer os objetivos gerais que a impulsionarão e que indicarão o seu modo peculiar de ser igreja viva na adoração.Objetivos gerais para uma igreja de visão no cumprimento de sua missão Para que a igreja tenha a motivação correta. utilizar bateria e guitarras. o que vai mudar realmente? A resposta não é simples e nem resumida na palavra tudo. na formação da liderança. A Eclesiologia trata dos postulados filosóficos sobre o ser igreja. escribas e fariseus.

Josué 1. por mais ortodoxa que seja e por melhor que seja a sua doutrina.19-20.Deve-se levar os membros da igreja ao entendimento de que todos somos sacerdotes para Deus. A vivência prática da fé.estabelecer os objetivos gerais que nortearão a eclesiologia. a motivação da igreja revitalizada deve derivar dos objetivos gerais definidos a partir da consciência de missão e da visão alargada em seus horizontes. com amor extremado pelos pecadores e com entusiasmo contagiante. é fator determinante na evangelização. ensinando aos membros da igreja as verdades de Deus em sua Palavra. capacitando-os a vivenciar o quotidiano conforme o propósito de Deus.Praticar o evangelismo responsável é. as estratégias ministeriais e a identidade denominacional levados a efeito pela igreja revitalizada. Vale ressaltar que a motivação da igreja deve ser a consciência objetiva quanto a missão e quanto a visão futura que se projeta do quanto se deseja alargar os horizontes do reino de Deus a partir do ministério prático da igreja. no trabalho ou na rua.14 e 15.2 Consciência ético-cristã para o exercício do sacerdócio universal e do ministério eclesiástico .14-16. 218 .21-24.45-48. pois representamos o povo diante de Deus. Mateus 3. Atos 1. seja em casa. mesmo que tenha um conhecimento bíblico apurado. Em outras palavras. 4. dificilmente experimentará crescimento real se não aprender a vivenciar e a transmitir a outros a sua fé de forma pessoal e contagiante. Somente instrução bíblica com esta perspectiva pode oferecer à igreja referências claras de ensino bíblico profundo que se conciliem com uma unção incontestável na vida comunitária do cristão. para que quando o visitante chegar a igreja já tenha no seu coração o interesse pelo evangelho. mas motivar a cada cristão a uma ação pró-ativa na evangelização.1-2 e 1 Pedro 3. Podemos agora asseverar que os objetivos gerais de uma igreja revitalizada são os seguintes: 4. 2 Coríntios 5. despertado pela amizade e pela convivência com o cristão. Gálatas 2.8-9 e 28. não depender de campanhas ou de programas especiais. À medida que os cristãos trabalharem nas igrejas conscientes dos compromissos do sacerdócio e sabedores dos seus Dons espirituais para o ministério.20. Tito 2.8. João 5. certamente. e uma dedicação extremada ao serviço cristão na igreja.39-47 e Tiago 1. Uma igreja. com dedicação. o que nos exige um padrão ético e moral elevados. 9-10.8. não trabalharão mais por suas próprias forças.3 Evangelismo responsável e baseado no testemunho pessoal . 2 Timóteo 4.11-14 e 1 Pedro 2. a expressão cúltica. mas o Espírito Santo trabalhará neles e através deles.1 Instrução bíblica promotora de maturidade cristã e autoridade testemunhal Deve-se desenvolver um programa de educação cristã com embasamento bíblico sólido. 4. Lucas 24.

4. Não se pode permitir a crença em uma dispensação automática ou mecânica de bênçãos para os contribuintes.1. A verdadeira adoração nos conclama a declararmos a superioridade absoluta de Deus. Apocalipse 5.9-18.6 Fidelidade voluntária e incondicional na consagração de vidas e no sustento financeiro da obra .17.7-12.17-20. sinceridade e alegria produtiva . A igreja que vivencia este tipo de comunhão valoriza as pessoas e torna seu ministério muito mais efetivo.Isto é o mesmo que dizer que não se deve estar preocupado com o número de membros no rol. 4.5 Comunhão dinâmica vivenciada em amor.32-35.34-35 e 2 Coríntios 9. A prática do verdadeiro amor dá à igreja um brilho divino e uma alegria que se intensificam nos relacionamentos interpessoais de seus membros. Colossenses 3. visto que são satisfeitas as necessidades do ser integral. 1 Crônicas 29.20. Romanos 12.10-17. bem como a pequenez do adorador.12-17. É a prática da empatia e da mutualidade na consolação. santo e agradável a Deus. A oferta deve ser feita com fé e pela fé. devemos compreender que a dedicação de vidas expressa na fidelidade nos dízimos e ofertas é um fértil meio de graça na igreja. A 219 . Sofonias 3. glorificamos e magnificamos ao Senhor por sua santidade e por sua ação salvífica em nosso favor. 2 Coríntios 1. Esta é a oferta que propicia bênçãos incontáveis para o cristão. como devoção amorosa ao Senhor e à sua obra. É a compreensão efetiva de que todos somos um.4 Adoração cristocêntrica que propicie verdadeiro louvor em culto vivo . bem como ao seu povo. Romanos 12.1-7. Malaquias 3.11-12.4. a partir da convicção de que Deus se faz presente em nossas celebrações.Isto é o entendimento pessoal de cada membro no fato de que é Deus quem nos sustenta e de que a contribuição financeira é apenas um reflexo da dedicação amorável de nossas vidas ao Senhor. Adoração é um mistério.19-25 e 1 João 4. motivando-nos à participação efetiva e vívida na adoração. 13. Salmo 92.7 Crescimento integrado da igreja a partir do equilíbrio entre quantidade e qualidade .8 e 15. Atos 2.8-9. Não se pode comprar o Dom de Deus. Ageu 2.Isto é o que nos permite libertação da preocupação escravista com a liturgia ou com os estilos. na intercessão confidente e na ministração da bênção àquele que foi vitimado pelas amputações existenciais ou pelas confrontações espirituais. Isaías 38. É saber que conversão e senhorio estão amalgamados e que a insistência em não dizimar e ofertar é confissão objetiva de incredulidade.3-5.45 e 4.6-14. pois por intermédio dela o Espírito Santo ministra graça e prosperidade à igreja.Isto é a decretação do fim do preconceito e da segregação na igreja.18-21. Hebreus 10. É a igreja se tornar sensível à ação do Espírito Santo que a guiará na exaltação a Cristo e na ministração de um culto vivo. Atos 2. Atos 8. 4. Em vez de encararmos a contribuição como uma obrigação desagradável e penosa. com o patrimônio ou com a conta bancária.44-47 e 4. Adorar é abrir o coração ao amor de Deus e render a nossa vontade aos propósitos dele. no qual cantamos.1-4. É um exercício do espírito humano no encontro pessoal com Deus.

Atos 2.1-5. um palacete pastoral. Atos 2.Isto é o mesmo que dizer que a igreja deve querer ser batistas. Tito 2. bem como a mortificação da consciência cristã no fazer igreja. Se para ter dez mil membros. mas deve-se desejar também que a Palavra de Deus seja a única regra de conduta. Evita-se a tradicionalização suicida da igreja. Mateus 26. Quando se estabelece a autocrítica e a constante hermenêutica da própria realidade.preocupação certa é com a qualidade da vida espiritual dos membros da igreja.5-9. Salmo 15. a luz da Palavra de Deus.Neste objetivo reside a probabilidade de vitória. Colossenses 2.19-21. Levítico 19. A constante autocrítica e a avaliação permanente exigirá uma continuada revitalização. Romanos 12. o arcaísmo dos estratagemas.11-15. da expressão cúltica e da estrutura organizacional . 220 . o embotamento das idéias e o esvanecer dos ideais. jamais haverá crescimento verdadeiro na igreja se nos aprisionarmos ao poderio concedido pelo número de membros no rol ou pelo saldo financeiro e patrimonial.8-10 e 2 Tessalonicenses 2. uma catedral. outorgando cognição no pensar a igreja. é necessário substituí-los ou desmascará-los a luz da Palavra de Deus. por isso.41-42. Marcos 7.31. que se reconhecer erros doutrinários historicamente defendidos ou que se quebrar alguns paradigmas denominacionais. A Declaração Doutrinária dos Batistas preceitua que a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática. 1 Pedro 2.20-23. Deve-se querer ser batista. sem receios da crítica mordaz da batistandade. Sempre que o tradicionalismo denominacional se sobrepõe a doutrina bíblica ou que o tradicionalismo histórico se torna ineficiente diante dos propósitos de Deus. mas principalmente deve querer a liberdade para praticar os ensinamentos da Palavra de Deus. bem como saúde e maturidade espirituais na prática efetiva do fazer igreja.28-32.8 Identidade doutrinária e denominacional definidas a partir do Texto Sagrado e não pelo conservadorismo histórico ou tradicionalismo . porém.15. Mateus 10.46-47 e 9. 4. A maior contribuição que a igreja tem para oferecer ao mundo é o evangelho de Cristo e seu poder libertador. não dando atenção às questões mais profundas que afetam a humanidade em decorrência do aviltante paradoxo entre o ser e o ter. 4. do que se faz e de como se fazem as coisas. mas que não aceita um doutrinismo antibíblico. mesmo que para isso se tenha que renunciar a história.9e Apocalipse 2. o que nos exige uma reflexão crítica sobre o denominacionalismo a luz da Bíblia Sagrada.7-10. um edifício anexo moderno e funcional. e entre o saber e o fazer.3 e 1 Coríntios 11. evita-se a petrificação das estruturas.9 Constante autocrítica e permanente avaliação do contexto histórico. uma frota de veículos e uma equipe ministerial bem remunerada tivermos que prescindir da ética cristã e do embasamento bíblico continuaremos pequenos e pobres. fiéis ao Senhor Deus.

é impossível levar adiante a revitalização da igreja que carece de resgatar sua identidade doutrinária e denominacional. h) Qual a periodicidade da avaliação. se pretendemos relevância testemunhal e autoridade espiritual no cumprimento da nossa missão. negando-se a um processo de avaliação justo e construtivo. que foram praticados de forma efetiva e vitoriosa pela Igreja Primitiva. penso.40. se há comprometimento com o Grande Mandamento e com a Grande Comissão. o presente trabalho visa embasar a assertiva de é que possível promover a revitalização da igreja de maneira bíblica. e) O nível de compromisso exigido dos membros da igreja. o que fará da igreja revitalizada uma grande igreja. voltando a sentirse uma Igreja Viva que proclama a salvação e a libertação em Cristo em meio a esta geração corrompida e perversa.19 e 20. deixo como sugestão a realização de estudos amplos e de debates francos.37-40 e Mateus 28. Conclusão Finalizando esta proposta de trabalho com vistas a revitalização da igreja. Conforme ressaltamos anteriormente. A insistência de uma igreja em não se submeter à autocrítica e à hermenêutica imparcial.10.37-47. d) O tipo de mensagem que se proclamará. Tudo o que somos e fazemos como igreja deve estar aberto à análise e à crítica. São estes os mesmos propósitos que devem ser perseguidos e praticados pela igreja que busca revitalização. como denomina George Barna. programa. f) O padrão de relacionamento interpessoal e de comunhão que se desenvolverá. ministério e comunhão. evangelismo. Na verdade. discipulado. Atos 2. para que se defina o seguinte: a) O tipo de igreja que se pretende ser. Pode-se inovar no fazer igreja sem se alterar a essência do ser Igreja. conforme Mateus 22. Estes propósitos sintetizam o Grande Mandamento e a Grande Comissão de Jesus para a igreja. é prova inconteste de sua vulnerabilidade à deterioração e à petrificação motivadas pela maldição da negligência preceituada em Jeremias 48. estrutura ou idéia que esteja fora do alcance de uma avaliação justa e alinhada com o propósito de Deus para a igreja. b) A expressão cúltica que será praticada. porém respeitosos. Atos 2. Sem tais definições. seguindo os preceitos de 221 . c) O referencial de ética que a igreja perseguirá. independentemente da tradição denominacional. Não há pessoa. g) O método de evangelização que será usado.A prática constante da autocrítica e da interpretação investigativa dos comportamentos da igreja revitalizada permite o desmascarar as vacas sagradas. que são: louvor. identificamos nestes nove objetivos gerais os cinco propósitos eternos de Deus para a igreja.

visando seu crescimento numérico. Trabalhe para que você. de sacerdócio universal e de comunhão dinâmica em amor. seja despertado por Deus para os nove objetivos aqui propostos. como Corpo Vivo de Cristo. não é mera sociedade de pessoas humanas. se considera-lo procedente e biblicamente correto. nenhuma igreja que afirme compromisso de missão conforme os postulados bíblicos e o mandamento de Jesus pode esquecer que o cumprimento da missão acontece em meio a difícil dialética entre o conservar a identidade doutrinária e o renunciar a tradição histórica. isto é. do ser igreja. que somente a igreja pode desenvolver. desejo ressaltar que a igreja. Não se pode ter medo de se praticar culto vivo. jamais compreenderemos o que realmente significa ser o povo de Deus que em Cristo é chamado para as boas obras. Como ficará evidente. de romper as fronteiras e de alargar seus horizontes. porque acreditamos que cada caso é um caso.Jesus e desenvolvendo uma perspectiva correta de renovação espiritual e eclesiológica. o fazer igreja. Corpo Vivo de Cristo. Abrace este projeto. Não existe Eclesiologia. As denominações são expressões sociológicas. Não critique ou refute sem estudar e orar. Pense em tudo isso e ore pedindo a Deus discernimento espiritual e direcionamento para a decisão que você precisa tomar juntamente com a sua igreja para a revitalização. em sua igreja e em nossa denominação. A diferença básica entre o ser e o fazer igreja e uma denominação reside na comunhão com Cristo. Se considerarmos apenas a tradição histórica e os pressupostos denominacionais para sermos e fazermos igreja. O relato bíblico nos incentiva a perceber a dialética inevitável e continuada entre a identidade eclesial e o chamamento para a missão. entre o ser e o fazer igreja. Parte XXXV UM PROJETO DE REVITALIZAÇÃO PARA A IGREJA LOCAL O presente trabalho é uma tentativa de se apresentar. Sejamos Igreja. 222 . Finalmente. Amém. juntamente com sua igreja. de quebrar paradigmas. Pois estas são as características distintivas da igreja de Jesus Cristo no Texto Sagrado. de discipulado biblicamente instrutivo. alguns princípios fundamentais de revitalização da igreja local. Permita-se a Deus e ao Espírito Santo para que estes objetivos sejam realidades efetivas em sua vida. Não se pode ter fobia de evangelismo responsável. dissociada da Cristologia. santo e agradável a Deus. leve a sua igreja entender o que é e a desejar a revitalização. Por isso. bem como um método prático para se introduzir as mudanças necessárias para a contextualização da igreja. de modo prático (assim esperamos). Uma igreja verdadeiramente viva e motivada pela missão não tem receios de ultrapassar barreiras. mas nos basearemos em princípios gerais e em nossa experiência pastoral. a nossa intenção não é lidar com modelos de igrejas propriamente dito.

a liderança deve ser constantemente revitalizada. Quando fui pastor em uma das igrejas da Grande São Paulo. A pessoa do pastor é fundamental para a formação de uma liderança capaz e capacitadora. Um pastor que pretende levar a carga sozinho não conseguirá ir muito longe. O crescimento natural da igreja. Pelo contrário. como revitalizar uma igreja cuja liderança está cansada e os liderados insatisfeitos? Em nossa pouca experiência temos aprendido que o segredo do sucesso está no investimento. "Líderes que se vêem como instrumentos para capacitar outros cristãos e levá-los à maturidade espiritual. Pastor. p. Investimos na nova liderança. A. mas não sabem como fazer. Sendo assim. e não meros "ajudantes" ou "marionetes" com o intuito de alcançar seus próprios interesses. viajamos com eles para 223 . Um líder não é capaz somente pela sua boa reputação dentro e fora da igreja. Confie no potencial de seu rebanho. o que é deveras significativo. a pirâmide de autoridade é invertida: os líderes ajudam cada cristão de sua igreja a chegar à medida de plenitude intencionada por Deus para cada um. Para isso. pude perceber um pouco da força do que acabamos de dizer. Eles capacitam. a varonilidade do Corpo de Cristo. Líderes capacitadores formam colaboradores. a energia investida por eles pode multiplicar-se quase infinitamente. O que não falta nas igrejas são pessoas que querem trabalhar. motivam e acompanham a todos individualmente para se tornarem aquilo que Deus tem em mente. descobrem como esse aspecto leva ‘por si mesmo’ ao crescimento" (C. A REVITALIZAÇÃO DA LIDERANÇA Não são poucas as igrejas que conhecemos que nos obrigam a fazer uma inevitável pergunta: "Onde está a liderança?". a saber. Existe boa literatura sobre administração eclesiástica que ajudarão o pastor neste empreendimento. Mas também é preciso que ele capacite e equipe novos líderes. O pastor precisa delegar e distribuir tarefas. a fim de contribuir na formação de novos líderes. ensine sua igreja a fazer.1. Investir na formação de uma boa liderança é garantir o sucesso da igreja local. Um pastor centralizador compromete seu ministério e o futuro de sua própria igreja. esses líderes investem a maior parte do tempo na formação de novos líderes através do discipulado e do compartilhamento de tarefas. Assim. Os resultados serão simplesmente surpreendentes! Os líderes de igrejas que crescem concentram seus esforços em capacitar outras pessoas para ministérios específicos. Em vez de fazer a maior parte do trabalho. apóiam. que por sua vez capacitem e formem outros líderes. 23). Schwarz. Invista-se na liderança e na formação de novos líderes e a igreja como um todo reagirá positivamente. Pegamos uma junta diaconal debilitada e sem muito compromisso. Aos poucos (ir devagar é fundamental quando se chega em uma nova igreja) fomos renovando a junta diaconal. trocando os "irrecuperáveis" por novos. receber novas orientações. Uma das funções do pastor é equipar os santos.

Além de outros fatores indispensáveis para o crescimento da igreja. quer sejam de ordem administrativa. Schwarz faz uma declaração alarmante: "De uma pesquisa que fizemos com 1600 cristãos ativos em suas igrejas.um encontro de diáconos no Rio de Janeiro. como veremos adiante. Aos poucos. no ambiente de fala alemã. 1997. Ministrei sobre o tema na região sul do País durante quase um ano. p. Orlando Costas (Compromiso y misión. É perda de tempo. Elias Dantas. a meu ver. 2) Tem muita gente nova na igreja que daria um bom líder. na Europa. Curitiba: Editora Evangélica Esperança. verdadeiramente revitalizada. Meu ex-professor. E esta "mobilização". O que seria daquela igreja se todos os setores fossem revitalizados? Infelizmente não foi possível continuar ali para ver os resultados. Geralmente não vale a pena tentar recuperá-la. 1994 e O teste dos dons/Christian A. Novos líderes devem ser formados a partir de seus dons. seriam resolvidos com mais facilidade. e pude constatar que o resultado da pesquisa não foi diferente. Os diáconos reconquistaram a credibilidade da igreja. descobrimos que 80% deles não sabem os seus dons espirituais". e a mesma se colocou à disposição para ajudá-los no que fosse preciso. Em português há pelo menos dois que recomendo: Quem é você no Corpo de Cristo?/ Lida E. Tem que ser trocada. Existem bons livros que poderão ajudar na formação de ministérios orientados pelos dons. 62) acertou quando disse que "o crescimento da igreja depende de uma eficaz mobilização de seus membros". mas precisa ser trocada. Mas como preparar uma liderança capaz e capacitadora. se todos os membros da igreja descobrissem e usassem seus dons ministeriais. é fundamental que os ministérios sejam orientados pelos dons. Knight. só é possível quando os membros de uma igreja estão no lugar certo. ou até mesmo não existiriam. 224 . recebemos orientações específicas de líderes de juntas diaconais que estavam dando certo e em pouco tempo a junta diaconal de nossa igreja se tornou uma das mais atuantes da Grande São Paulo. Schwarz. Dr. sem que haja frustrações no futuro? 1º) Os ministérios devem ser orientados pelos dons Acredito que muitos dos problemas de uma igreja. disse acertadamente que "o maior fenômeno de revitalização na igreja é o crente novo". Será que o resultado da pesquisa seria diferente se fosse feita com 1600 cristãos ativos nas igrejas do Brasil? Acredito que não e digo por quê. quer sejam de ordem espiritual. Minha proposta é: 1) Quando uma liderança está "viciada" é preciso ser trocada. E ele sabia o que estava dizendo porque levava isso a sério nas igrejas que pastoreava. Existe muita gente boa no ministério errado. Revitalização nem sempre significa tentar recuperar o que não tem jeito. Campinas: Luz Para o Caminho. Mudança também é revitalização.

viver ou fazer as coisas. À primeira vista parece fácil mudar aquilo que se tornou obsoleto. Duas coisas. Isto sim é bíblico. Às vezes é preciso coragem para quebrar paradigmas que não funcionam mais e que. em termos de discipulado. indicando um jeito de ser. que por sua vez discipularão e formarão outros e assim sucessivamente. portanto. daqueles que confundem inovação com inovacionismo. já não têm nenhum valor prático. a fim de tornar eficiente a vida espiritual do povo de Deus. Mas nem sempre é tão simples assim. A ênfase da Grande Comissão foi: "fazei discípulos". Os paradigmas podem ser definidos como "verdades" que se fixaram na mente. portanto. Os discipuladores não devem perder isso de vista se realmente desejam formar líderes capazes. Toda ovelha deve ser preparada para produzir outras ovelhas. São Paulo: Abba Press. 1º) A quebra de paradigmas Paradigma é uma palavra de origem grega que significa "modelo" ou "padrão". E quem. Um discípulo deve ser preparado para discipular e formar novos discípulos. são aquelas estruturas enrijecidas pelo tradicionalismo e. A preparação de um discípulo que não tem como objetivo a formação de outros não é bíblica. não funcionais. por assim dizer. é 225 . orientar e superintender as atividades da igreja. Infelizmente. daria o ponta pé inicial do discipulado? Como pastor. pelo menos. por uma simples razão: Uma das principais atribuições do pastor é instruir. Por uma questão de prudência e respeito com aqueles que não pensam como nós. e até decréscimo na membresia de algumas igrejas. são necessárias para que as estruturas de uma igreja se tornem funcionais. entendo que os próprios pastores deveriam iniciar o processo de discipulado. é a preparação que visa o crescimento espiritual do discípulo e nada mais que isso. Para um estudo interessante deste tema sugiro a leitura do livro Quebrando Paradigmas/Ed René Kivitz. O segredo do sucesso está num trabalho de conscientização sério e paciente. a boa tradição com tradicionalismo. pois foi a tônica do ministério terreno de Jesus. 1995. Para isso preparou seus discípulos. o que temos visto na prática.2º) Formar discípulos para serem discipuladores O discipulado que gira em torno de si mesmo está fadado ao fracasso. Primeiro é preciso mudar a mentalidade dos acomodados e principalmente dos saudosistas. <B< ECLESIAIS ESTRUTURAS DAS REVITALIZAÇÃO A> O que muito tem contribuído para o não crescimento.

Por meio de um processo constante de avaliação e renovação. As idéias e conceitos devem ser amadurecidos no meio da comunidade. Quando uma igreja se envolve com missões. pode ser muito bem aproveitado. Mesmo assim foi gratificante. etc. 3. sem atropelos. Segundo testemunho de irmãos antigos (que a principio foram relutantes). 1º) Um exemplo que deu certo Aprendi com um colega de ministério a separar um domingo por mês para falar de forma mais específica sobre a importância da igreja local em missões. mas progressivamente. inclusive a financeira. Um diálogo franco. a fim de serem revitalizadas e. O ideal seria todos os domingos. todas as demais áreas são abençoadas por Deus. desse modo. 2º) Testes de qualidade As estruturas da igreja devem ser constantemente testadas por sua liderança. não será por meio de decreto conciliar que conseguiremos qualquer êxito. aberto e amigável é a chave do sucesso. como era chamado. aquele foi um dos períodos mais abençoados na vida daquela igreja. Entendíamos que separar um domingo por mês para missões era o mínimo que estávamos fazendo. O Domingo Missionário. Algumas coisas podem ser citadas como exemplos do que não devem passar pelo teste de qualidade de uma igreja local: liderança inibidora. Para se evitar isso é preciso lembrá-los constantemente da importância da igreja local para com a obra missionária no mundo. era dedicado às missões. Tudo que não contribui para esse objetivo deve ser mudado ou eliminado. A REVITALIZAÇÃO DO COMPROMISSO MISSIONÁRIO Com o passar do tempo os membros de uma igreja local tendem a esquecer-se de seus compromissos missionários. o surgimento de estruturas enrijecidas é evitado em grande parte. horário e duração do culto inadequados. Foi preciso um trabalho de base. o livro Igreja local e missões. a igreja orava por missões e contribuía financeiramente com a obra missionária. de muita conscientização e investimento que valeram a pena. conceitos desmotivadores de administração das finanças. Uma coisa aprendi em meu ministério pastoral: Se a igreja não "comprar" a nossa idéia. servirem melhor o organismo. Prove! 2º) Uma questão de obediência e prioridade A experiência nos ensinou que evangelizar não é uma opção de vida de uma 226 . E não poderia ser diferente. Pregávamos sobre missões.preciso que os paradigmas sejam quebrados aos poucos. Neste caso específico. Mas isso não aconteceu de um dia para o outro. de Edison Queiroz.

do indivíduo e da sociedade. a espiritualidade contagiante da igreja local com relacionamentos marcados pelo amor fraternal. além do auxílio de associações evangélicas e agências missionárias. que se limita a suas atividades internas. A igreja local precisa resgatar sua visão missionária. mas sempre partir para uma ação social transformadora. fechada em quatro paredes. para a honra e glória de Deus Pai.9). sacerdócio real. O que está "matando" muito crente novo (que desperdício!) é a igreja não-funcional. evangelizar não é simplesmente distribuir folhetos como alguns pensam. como bem declarou o apóstolo Pedro: "Vós. Conclusão: Mais coisas poderiam ser ditas como parte integrante de um projeto de revitalização para a igreja local. porém. nação santa. Parte XXXVI UMA IGREJA RENOVADA TEXTO: ROMANOS 12: 1-2 227 . povo de propriedade exclusiva de Deus. mas a própria vida de uma igreja local. excelência maior de seu chamado. atender o indivíduo na totalidade de suas necessidades. naturalmente resultarão em novas realizações. Se a igreja chegou a se empolgar com missão algum dia. etc. é preciso conscientizá-la de que ela está no mundo para servir o mundo integralmente. a igreja nunca deve deixar se levar pela prática do paternalismo e assistencialismo paliativos. é preciso reconscientizar a igreja de sua missão no mundo. Vejamos alguns exemplos de como a igreja poderá revitalizar sua visão missionária. a formação de grupos familiares ou células. mas sim. Sermões e estudos bíblicos missionários. entendemos que a formação de uma liderança capacitadora. Isto é. um culto inspirador. como por exemplo. O ponto de partida será o parâmetro bíblico e o contexto da igreja local. o que fez antes. é sinal que ela tem potencial para fazer. Geralmente a frieza por missões acontece por causa da rotina. Por outro lado. Em segundo lugar. é importante que a igreja saiba que sua missão no mundo é integral. sois raça eleita. Uma vez que o mal foi detectado é necessário que seja combatido com atividades variadas. filmes específicos como por exemplo As Primícias.igreja local. 3º) Revitalizando a missão integral da igreja local Como revitalizar uma igreja que começou com tanta empolgação para fazer missões e de repente esfriou? Em primeiro lugar. A igreja deve ser redirecionada. Etal e Atrás do Sol. Além disso. as estruturas da igreja sendo funcionais e o compromisso missionário revitalizado. a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz" (I Pe 2. certamente produzirão novo alento. com a graça de Deus. Entretanto.

Leon Tolstói: "Todos pensam em mudar a humanidade e ninguém pensa em mudar-se a si mesmo".afastamento dos outros membros d .PROPÓSITO: Uma das maiores necessidades do mundo.não funciona isoladamente. Quando isto ocorre todo o corpo é prejudicado.A quebra deste princípio provoca: a . das pessoas e também da igreja é a de se adaptar ao curso da história. .A comunicação se processa através de três elementos básicos: a .desvalorização do membro b .Kerigma .1 .1 Coríntios 12:17-18 .1 Coríntios 12: 15-16 . das pessoas e da igreja em se transformarem.cada membro tem a sua função. . 02. 1.este princípio visa dar a todos a mesma chance de trabalho. TRANSFORMANDO A NOSSA RELAÇÃO Este processo ocorre através da prática de quatro princípios bíblicos: 2.mensagem b .Diakonia . O grande fator de dispersão que a enfraquece é a falta de uma boa comunicação entre seus membros. Um membro não deve aspirar o lugar do outro.2 .Ilust. .contestação da vontade de Deus c .Encurtando as distâncias .João 13: 12-17 A mensagem Kerigma .2 .Princípio da integralização .desperdício de forças 2.um espírito de concorrência 228 . Transformação é o segredo de um organismo vivo.serviço 1.Koinonia . Para que ela produza resultados positivos é necessário que o membro exercite a Koinonia e a Diakonia. Um membro não pode inibir a ação do outro.desequilíbrio em todo os sistema b . 01. TRANSFORMAÇÃO ATRAVÉS DA COMUNICAÇÃO A igreja não sobrevive sem uma comunicação interna.A falta de oportunidade produz: a . Esta adaptação só se viabiliza mediante a disposição do mundo.Princípio da oportunidade .comunhão c .1 .

0 . homens e mulheres.todos os membros devem participar das atividades que os demais realizam.1 Coríntios 12: 25-26 . Paulo faz recomendações. saudações e votos. É uma esclarecedora lista de como a fé evangélica se havia espalhado entre todas as classes sociais. João 17:23 3.Disciplina na prática das ações . Há uma mistura de judeus e gentios. A independência enfraquece o corpo.Princípio da unidade . Das pessoas mencionadas.Efésios 5:15-16 . libertos e escravos. Fp 4.Disciplina na prática da santidade .enfraquecimento de todos os demais membros b .c .Disciplina na prática de ouvir e falar .Quando este princípio é quebrado.Disciplina na prática do tempo . No entanto. Treze dos nomes aparecem em inscrições ou documentos que tem a ver com a nobreza e com o palácio do imperador naquela cidade (cf. idosos e jovens. .1 Coríntios 12: 21-22 .Disciplina na prática da fé .Disciplina na prática do perdão .3 .Disciplina na prática do amor . grupos de pessoas ou "igrejas no lar". São saudações individuais a vinte e seis pessoas e a cinco famílias. Sem ela. 229 .1 Timóteo 5:22 . Para isto o exercício da disciplina é imprescindível. nobres.A igreja precisa ser a autora e não a espectadora no processo de mudanças.4 . Ela foi criada para ser o instrumento de Deus na transformação da sociedade.João 13: 35 Parte XXXVII UNIDADE NA VARIEDADE Romanos 16.3-16 No último capítulo da Carta aos Romanos. mobilidade e harmonia do corpo. são.o egoísmo passa a predominar nas relações c .Marcos 11:25 .a arrogância quebra a linha de comunicação 2.Disciplina na prática da liberdade . . pelo menos oito são mulheres.a unidade é a fonte geradora de toda a energia.Princípio da dependência .Colossenses 3:17 . Mostra como aquela comunhão de fé na cidade de Roma era formada de gente de várias nacionalidades. escravos.João 8:47 .22). ocorre: a .Gálatas 5:13 . na maioria. a igreja perde a sua função.TODA TRANSFORMAÇÃO EXIGE DISCIPLINA PESSOAL 1 Coríntios 9:25 .2 Coríntios 13:5 .uma anemia espiritual 2.

e examinando-os com alguma análise.procedências e estratos sociais. de Herodião (v. ainda. vemos que os tipos são tão diferentes que só um milagre chamado evangelho pode explicar a interação naquela comunidade de fé. ou seja.6) foi a que "muito trabalhou por vós". Urbano. exatamente nos termos de Efésios 2. já o dissemos. há nesta passagem uma visão da intensa vida da Igreja-dosPrimeiros-Dias. Há ricos e há pobres. pelo menos. Andrônico e Júnias são "meus parentes".28). como o muro de separação entre judeus e não-judeus fora derrubado. Estáquis. mas são muito expressivas. 3. de Apeles (v. 230 .14. Epêneto. Para Epêneto (v. Há judeus e há gentios. A COLORIDA VARIEDADE Como já enfatizado.16 (cf.7).11).10). e gente que vem do paganismo.8) e Urbano (v. Registra. um grego. As saudações não são longas. de Maria (v. A relação de nomes é de altíssimo significado. Os judeus. Há romanos: Ampliato (v.6). No verso 7.3). gente que vem de um profundo contexto espiritual. O significado dos nomes é igualmente muito interessante: · Áquila = águia · Asíncrito = incomparável · Epêneto = louvado · Estáquis = espiga · Filólogo = falador. obstinada") · Nereu = molhado · Olimpas = descido dos céus · Pátrobas = vida do pai · Priscila = venerável · Trifena = delicada · Trifosa = mimosa. Escravos: Ampliato. Era o caso de Priscila e Áquila (v. Maria (v.5b): "meu amado" e "primícias da Ásia para Cristo". graciosa · Urbano = criado na cidade.4): "meus cooperadores em Cristo" e "pela minha vida expuseram as suas cabeças" . Gl 3. a arte da eloqüência) · Júlia = juvenil · Maria = bela (alguns traduzem como "teimosa. Flegonte. e. cheias de gratidão e plenas de amor: Em relação a Prisca e Áquila (vv. erudito · Flegonte = ardoroso · Hermes = intérprete (daí a palavra hermenêutica. "meus companheiros de prisão" e "bem conceituados entre os apóstolos". Há homens e há mulheres. Pérside e Hermas.9). de Andrônico e Júnias (v.

enriquecedora.2. e incansáveis no trabalho. torna-se amarga e. nosso Salvador. Drusa. Dietrich Bonhoffer usa as expressões "dom de uma vida comum" e "dom da adoração em comum aos domingos". Eu escrevi Prisca? Prisca ou Priscila? Dá no mesmo. veterana senhora. em concórdia. as irmãs Trifena e Trifosa são as que "trabalham no Senhor". de acordo com o costume oriental de assim chamar uma senhora mais idosa. E se não há o alicerce de Jesus Cristo. o maltratto. mãe de Rufo.21).26). o casal o acompanhou (At 18. essa experiência que deveria ser abençoada. Quando Paulo deixou Corinto indo para Éfeso. Outra história interessante é a de Rufo. por um tempo. Rufo é o "eleito no Senhor". a ponto de sofrerem perigo de vida (cf. 1Co 15. 18. Ampliato é "meu amado no Senhor". Um estudioso do Novo Testamento diz que não há no Novo Testamento um casal mais fascinante que este. que. A história de Prisca e Áquila. e a mãe "adotou" Paulo. abençoadora. Mas a verdade é que é muito difícil viver em comunidade. Paulo chamou à senhora. No verso 13. no verso 12. tenuíssima e fragílima 231 . e Áqüila fosse um judeuda Ásia menor setentrional.No verso 8. Pois é. no 9. At 18. Eram avançadas na idade. Drusila e Lívia. porque Priscila é o diminutivo de Prisca (cf. Era um casal devotadíssimo ao apóstolo Paulo. traumatizante. Muitos problemas afloram porque nossos irmãos em Cristo (em quem corre o mesmo de Jesus nas veias) são tratados apenas como outras pessoas. o grande apóstolo aos gentios. Diz ele que o estilo de vida que acontece na igreja é um privilégio. Há quem admita ser Rufo filho de Simão. gente que enche os bancos da igreja. que Priscila pertencesse a uma família da nobreza romana. de sua mãe.18).32. e Pérside. Livila. o cireneu que carregou a cruz de Jesus compartilhando com Ele a dor. que gente extraordinária são os pais de Rufo: o pai carregou a cruz de Jesus Cristo. como Lucia faz Lucila. é amada" e "muito trabalhou no Senhor". aplicando-as à bênção de Deus que se chama Igreja. o relacionamento humano é uma teia delicadíssima. Aliás. Mc 15. É possível. Se assim ocorreu. Paulo usa uma palavrinha que diz isso: kopian. Pérside ("natural da Pérsia") e Maria são pessoas que não se entregam. morou com eles. MEMÓRIAS Há algumas histórias por trás das lembranças de Paulo.23) Tinham a mesma profissão de Paulo. mas não como irmãos no Nome de Jesus Cristo. em certos casos. As duas idosas irmãs em Cristo têm histórias não contadas no texto. At 19. E passando ao verso 13. Urbano é "nosso cooperador em Cristo"e Estáquis é chamado de "meu amado". até. que significa "trabalhar até o cansaço" A UNIDADE Não é fácil viver em unidade. 10) é denominado "aprovado em Cristo". Apeles (v. a humilhação daquela manhã em Jerusalém (cf.

recebendo do apóstolo o reconhecimento pelo modo através do qual compartilharam de suas lutas. mas que se fortalece quando está fundamentada no respeito. Por outro lado. Fm 2). de Filólogo. Júlia. fez uma significativa afirmação ao dizer que será um dia glorioso quando os cárceres forem transformados em púlpitos. Equivale. Priscila e Áquila foram pessoas que mantiveram aberto o coração. para evitar toda e qualquer conotação maldosa.. o costume já se havia difundido nas igrejas conforme atestam os seguintes exemplos textuais: 1Coríntios 16. também. famílias inteiras eram batizadas (cf.um sinal de amor. Paulo recomenda uma saudação muito comum no Oriente Próximo ainda hoje: o beijo (cf. viúvas. na confiança. no verso 13. 232 . nosso ex-professor. Nereu e sua irmã (provavelmente. a ponto de quase serem mortos. Temos membros de uma mesma família fazendo parte com outras famílias de uma mesma família de fé. Paulo usa a palavra "santo". No Novo Testamento. Dale Moody. 16. "os da casa de Narciso". Paulo. um ato de fraternidade entre os semitas. Cl 4.15. mãe e filhos). O Novo Testamento menciona que. no verso 11. no querer o bem. nem como uma ordenança ritual. então. Era. v. não o entende só como sinal de amizade.14.48). 16. e aberta a porta para a expansão do nome e reino de Cristo Trabalho pelo bem comum (v.que pode se romper com coisas mínimas e minúsculas. 33330-34. 1Co 1. No verso 10. no bem-querer e nas atitudes de boa vontade. 3-5a). É o caso de um núcleo que tinha seus encontros na casa de Áquila e Priscila (v. havia. na honestidade. Alguns foram companheiros de prisão do apóstolo (cf.11. Além de ser um sinal de afeição entre parentes.8. Havia casos em que pequenos grupos se reuniam em uma casa. mas não entre os romanos. É digno de observação que as mulheres são significativamente proeminentes na vida da Igreja de Cristo. Aqui temos Priscila e Áqüila. pai.é um sinal de amizade e saudação (Mt 26. lembremos. abertas as mãos. em muitas ocasiões. o relacionamento humano e cristão é dinâmico. PRECIOSAS LIÇÕES Sacrifício de uns pelos outros (vv. Paulo até o menciona. 5a). ele fala dos "da casa de Aristóbulo". Nesta lista há solteiras.11. 33. Desde o princípio desta genuína e profunda amizade. de Rufo. sua mãe e sua irmã. Paulo saúda a irmã na fé chamada Maria. mães e todas executando um admirável ministério na Causa do Senhor. porém.4.26 e 1Pedro 5. casadas. 1Sm 10.2). na tolerância.19.15. Ct 1. um tom de homenagem (Gn 29.1). 2Coríntios 13.44-48. Dr. o casal amado. 18.6). poderoso e incentiva o crescimento pessoal e da Igreja como um corpo. "ósculo santo". 16). e no verso 15.12. Na verdade. 1Tessalonicenses 5. At 10. Aceitação de uns pelos outros (v.7). Gn 29.16.20.

que regenera o interesse. Aliás.14b: "Fazei todas as vosss obras com amor". Que a nossa fraternidade não se feche em si mesma. Que olhemos para cada um. ao construir a própria vida. Que cada um de nós. Amém! 233 . manifesta-se a humildade (Rm 12. um cordial "Bom dia!" É preciso recuperar o significado da comunhão. comunhão (koinonia) é uma das grandes palavras do Novo Testamento. a perna e o coração porque corre um sangue vital. É preciso lembrar que avivamento e comunhão andam de mãos juntas.4). dissabor e desânimo do próximo. Assim é: "Todas as vossas obras sejam feitas com amor". E que. Que ninguém fique alheio aos momentos De cansaço. nenhum desejo de unidade ou de comunhão é coisa alguma sem o amor. Que nossas discussões não nos dividam. Oração Senhor. O amor é o começo do crescimento espiritual. É ele quem põe um ponto final nas divisões. Que nossas diferenças não excluam ninguém da comunidade. Não haja vencidos nem vencedores. aberta e sensível Aos problemas de cada um. pois é vital para a saúde espiritual da igreja e do crente como indivíduo. É recomendação perfeitamente pertinente porque nenhum dom espiritual. e depois de cada encontro. Será preciso lembrar que o primeiro aspecto do fruto do Espírito é o Amor? Por ele. Há uma recomendação do apóstolo que é apropriada para encerrar esta reflexão. desenvolve-se a compreensão e o ministério do ouvido amigo. no fim de todos os caminhos. Mas somente irmãos. Que cada um de nós sinta e viva as dificuldades dos outros. Assim seja. nos aproximar de alguém.em nossa cultura. Devemos buscar a comunhão. Encontra-se em 1Coríntios 16. Fala de uma abordagem sistêmica. a um fraternal abraço e aperto de mãos. a solidariedade e a fraternidade de uns pelos outros. Pode não parecer. faz desaparecer o orgulho. Senhor. mas uma há uma comunhão o dedo e o fígado de alguém. Além de todas as buscas. nós Te pedimos: Que nos conheçamos sempre melhor Em nossas aspirações e nos compreendamos Mais e mais em nossas limitações. Mas nos unam na busca da verdade e do bem. Mas seja disponível. Não impeça o outro de viver a sua. Com os Teus olhos e nos amemos com o Teu coração.

A palavra pode significar que Manaém foi "criado" com ele de forma geral ou mais especificamente que era seu irmão de leite. Os dois diáconos evangelistas prepararam o caminho. O mesmo efeito tiveram as duas principais conversões relatadas por Lucas. a de Saulo. que foi descrito com "um levita. A partir de Antioquia chegaria aos confins da terra. em grego chamado o "syntrophos" de Herodes o tetrarca. natural de Chipre" (Atos 4:36). Foi quando eles estavam "servindo ao Senhor. que também fora comissionado a ser o apóstolo dos gentios.13:2). Também em Atos 234 . Mas sempre a ação esteve limitada à Palestina e à Síria. Havia também Manaém. O segundo era Simeão que tinha o sobrenome de Níger. Ele só nos dá os seus nomes. nem se todos os cinco exerciam ambos os ministérios ou se os primeiros três eram profetas e os últimos dois mestres.(Autor desconhecido) Parte XXXVIII O QUE LEVOU A IGREJA Em Antioquia a fazer Missões Em Atos 13 o horizonte de Lucas se alarga pois o nome de Jesus seria maciçamente testemunhado além da Judéia e Samaria. Ninguém tinha tido a visão de levar as boas novas às nações além mar. Filipe através de sua evangelização ousada junto aos samaritanos e ao etíope. pois isso implicaria em três deles serem instruídos acerca dos outros dois. Algumas perguntas precisam ser respondidas. finalmente. Agora. e jejuando" que o Espírito Santo lhes disse: "separai-me agora a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado" (At. filho de Herodes o Grande. que consistia em cinco profetas e mestres que moravam na cidade. provavelmente um africano e supostamente ninguém menos que Simão Cireneu. O quinto líder era Saulo. Lucas não explica a diferença entre esses ministérios. apesar de Chipre ter sido mencionada em Atos 11:19. de Herodes Antipas. que significa Negro. O terceiro era Lúcio de Cirene e alguns conjecturam que Lucas se referia a si mesmo o que é muito improvável já que ele preserva seu anonimato em todo o livro. O primeiro era Barnabé. que carregou a cruz para Jesus. A população cosmopolita de Antioquia se refletia nos membros de sua igreja e até mesmo em sua liderança. isto é. e a de Cornélio. Estevão através de seu ensino e martírio. Evangelistas anônimos também pregaram o evangelho aos "helenistas" em Antioquia. A quem o Espírito Santo revelou a sua vontade? Quem eram "eles". vai ser dado esse passo significativo. através do apóstolo Pedro. Estes cinco homens simbolizavam a diversidade étnica e cultural de Antioquia e da própria igreja. as pessoas que estavam jejuando e orando? Parece-me improvável que devamos restringi-los ao pequeno grupo dos cinco líderes. É mais provável que se referia aos membros da igreja como um todo já que eles e os líderes são mencionados juntos no versículo 1 de Atos 13.

14:26-27. ou seja. pelo qual todas as decisões são tomadas pela igreja sem 235 . pois raras vezes. É verdade que o último verbo pode ser entendido como "deixou-os ir". Portanto creio que seria certo dizer que o Espírito os enviou instruindo a igreja a fazê-lo e que a igreja os enviou. Independente de como o receberam. os despediu. darem um passo de fé. "impondo sobre eles as mãos os despediram". Precisamos observar também que tanto Abrão como Saulo e Barnabé precisariam. a primeira reação deles foi a de orar e jejuar. Possivelmente Paulo e Barnabé já possuíam anterior convicção do chamado de Deus e esta verdade foi aqui revelada para toda a igreja. prestam conta a toda a igreja por terem sido comissionados por ela. o jejum é um fim em si mesmo. para testar o chamado de Deus e em parte para interceder pelos dois que seriam enviados. comissionando-os para o serviço missionário. Notamos que o jejum não é mencionado isoladamente. ou seja. Isto não era uma ordenação ao ministério muito menos uma nomeação para o apostolado já que Paulo insiste que seu apostolado não era da parte de homens. livrando-os de suas responsabilidades de ensino na igreja. Mas ele também o usa no sentido de dispensar. O primeiro é a tendência para o individualismo pelo qual uma pessoa alega direção pessoal e direta do Espírito sem nenhuma referência à igreja. Mas seu chamado também poderia ter sido interno e não externo. Quem comissionou os missionários? De acordo com Atos 13:4 Barnabé e Saulo foram enviados pelo Espírito Santo que anteriormente havia instruído a igreja no sentido de separá-los para ele. após a imposição de mãos. ou nunca. por ter recebido instruções do Espírito. pois às vezes Lucas usa o verbo "adulou" no sentido de soltar. muito semelhante ao chamado de Abrão: "vai para a terra que te mostrarei". Esse equilíbrio é sadio e evita ambos os extremos. prontos para a obediência. através do testemunho do Espírito em seus corações e mentes. quando Paulo e Barnabé retornam. Na verdade em ambos os casos o chamado era claro mas a terra e o país não. O mais provável é que Deus tenha falado à igreja através de um de seus profetas. para obedecerem a Deus. Então jejuando e orando. Ele é ligado ao culto e à oração. Mas de acordo com o versículo seguinte foi a igreja que. O jejum é uma ação negativa em relação a uma função positiva. Qual o conteúdo da revelação do Espírito Santo à Igreja em Antioquia? Foi algo muito vago e possivelmente nos ensina que devemos nos contentar com as instruções de Deus para o dia de hoje. ao que parece. O segundo é a tendência para o institucionalismo. Como foi revelado o chamado de Deus? Não sabemos. em parte. A instrução do Espírito Santo foi "separai-me agora a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado". mas sim uma despedida.

estou limpo do sangue de todos" (Atos 20. ainda. Não existe chamada mais honrosa e elevada que a divina para o ministério integral. O apóstolo Paulo mesmo demonstrou uma clara visão do seu ministério. detalhes que merecem análise. O contexto da porção bíblica escolhida é que Paulo. pelo contrário. e suas cartas o revelam (1). é uma obediência à visão do Senhor.. E há. a fim de descobrir a quem ele está concedendo dons ou chamado.. Assim precisamos evitar o pecado da omissão ao deixarmos de enviar ao campo aqueles irmãos com clara convicção de que foram chamados por Deus. não me esquivei de vos anunciar todo o conselho de Deus.passei pregando o reino de Deus. Portanto cabe a toda igreja local. mas prazeroso por ter sido o instrumento de sua conversão. Paulo está com sentimentos divididos: está triste e alegre. ser sensível ao Espírito Santo. evangelistas. É. mas ajudava a suprir as necessidades de outros menos validos.nenhuma referência ao Espírito.. Conclusão Não há indícios para crermos que Saulo e Barnabé eram voluntários para o trabalho missionário. No entanto.. e em especial aos seus líderes. apóstolo. não o reservava para si. Chamado missionário não é um ato voluntário. Eles foram enviados pelo Espírito através da igreja. na verdade. Parte XXXIX MINISTÉRIOS FIÉIS ". está deixando um lugar onde tem exercido um ministério fiel e pleno de frutos. seu trabalho. É senso comum que qualquer outra atividade desenvolvida pelos cristãos tem sua pertinência na Causa de Cristo e não deve ser minimizada. no seu desenvolvimento. a Escritura Sagrada dá grande importância a homens e mulheres que foram separados como profetas. mas sem confirmação do Espírito à igreja. 236 . nada cobiçou de outras pessoas. uma despedida carregada de emoção.. bem como a precipitação de o fazermos com outros que possuem os dons para tal. obedecê-lo e fazer da igreja local um ponto de partida para os confins da terra. O equilíbrio é ouvir o Espírito.. menciona. missionários e pastores. 25 – 27). que sempre trabalhou com as próprias mãos para satisfazer as suas necessidades pessoais. Paulo menciona que sua palavra sempre foi destemida. É tristeza por deixar aqueles a quem ama. havia transmitido a vontade de Deus sem quaisquer reservas.

bem na medida do pensamento contemporâneo de que "o preço da liberdade é a eterna vigilância". antes. educadores. insta a tempo e fora de tempo"(5). porém. Para o apóstolo. CARACTERÍSTICA 1:FIDELIDADE À DIVINA COMISSÃO "Passei pregando o reino de Deus" (v. Antes de sua partida.Outra expressão de Paulo em sua despedida é o enfrentamento do futuro com confiança visto que depende unicamente do Espírito Santo. Para Paulo. e a Timóteo exortou com a seguinte expressão: "Prega a palavra. para ela é escolhido. pastores. mas proclamam todas as Doutrinas da Graça. É verdadeiramente uma luta ingente. Filipenses 1. pois "aprouve a Deus salvar pela loucura da pregação. evangelistas. a cura divina. missionários. não são.13. A palavra pregar é usada por Paulo cinqüenta e nove vezes nas suas cartas. consagração e abandono de seu espírito ao Espírito de Deus. Até mencionou que "Cristo não me enviou para batizar"(3). O método de Deus para a salvação dos perdidos não é outro senão a pregação. profetas. Mesmo não sabendo o que virá no dia seguinte. 27). por extensão. os ministros fiéis não se prendem a um assunto favorito.. Spurgeon fez referência a pregadores que enfatizavam apenas certas doutrinas. escreveu. proclamar essa mensagem abençoada e abençoadora de um evangelho eficaz para a salvação de todo aquele que crê. de todos os fiéis ministros. e. feroz e constante mantida pelos profetas. prioritário é pregar.(2)" Outros métodos são auxiliares. pelo contrário. prioritários. ajudam. entre outros tocantes exemplos de dedicação. Esta convicção que queimava a sua consciência ela a reflete igualmente em Atos 21. Entretanto. obreiros do Reino de Deus. do secularismo. missionários. precioso é o evangelho. Paulo recorda aos seus colegas de ministério algumas realidades próprias do seu múnus ministerial e profético: o dever que não é outro senão vigiar. obreiros em geral para manter a pureza e a intocabilidade da Igreja de Jesus Cristo sob a sua liderança espiritual. tarefa que ninguém escolhe. da inveja ou do sucesso. 237 .8. É o que podemos chamar de "evangelho light". espera-o e o enfrenta com a plena consciência de toda a direção é do Espírito. e outras igualmente populares. alimentar. "cheguei a Trôade para pregar o evangelho"(4). contribuem.19-26 e 3.. Esses pregadores falam de doutrinas como o reavivamento. Os participantes da obra divina correm o perigo da contaminação do mundo. 25). traz à memória de seus amados três características de seu próprio ministério. não a sua vida(6). o perigo a que estão sujeitos. CARACTERÍSTICA 2: APRESENTAÇÃO PLENA "Não me esquivei de vos anunciar todo o conselho de Deus" (v. Da mesma forma. cuidar do rebanho do Senhor que lhes foi confiado.

o pecado e a graça". até porque nos garante a conclusão desta recomendação que "depois de muitos dias o acharás"(9). e o levar. "o ser humano. a justificação. Gloriosa certeza! Extraordinária convicção! Em outro 238 ... Diz a Bíblia na Linguagem de Hoje: "Esse alguém é responsável por sua própria morte". os Seus servos devem ser fiéis na entrega da mensagem e na obrigação por causa de sua divina comissão. razão porque não precisamos nos preocupar com os resultados visíveis imediatos. 25a). o seu sangue será sobre a sua cabeça"(7). e assim o pregador cumpriu o seu sagrado dever de ressaltar o pecado. Garante a Escritura que a Palavra de Deus "não voltará vazia"(10). "todo aquele que ouvir o som da trombeta. o pastor ficar tão ansioso e não se lembrar da recomendação bíblica. CARACTERÍSTICA 3: OBRIGAÇÃO SEM CULPA "Estou limpo do sangue de todos" (v. A resposta dos ouvintes não era sua responsabilidade.9." (v. Pode o missionário. o evangelista. e tudo o mais que está contido na Palavra de Deus. "estou limpo do sangue de todos" (8). Pregava todo o plano de Deus.O apóstolo Paulo não se esquivava de fazê-lo. e cumpria sua tarefa. deixando que o Espírito faça a obra de convencimento. Estas palavras são um eco de Ezequiel 33. eu não sou responsável" Paulo era. Não deixava de pregar porque certas verdades não satisfaziam os paladares de seus ouvintes porque um ministro fiel não se amedronta diante dos homens. quantas vezes. o ministro fiel e destemido não busca a popularidade "amaciando" certas ênfases do evangelho que não apoiadas por alguns. desse modo. e vier a espada. Nosso problema. ao dever espiritual do missionário/evangelista pela apresentação fiel da mensagem de vida abundante: o pecador é advertido. como se depreende. "Lança o teu pão sobre as águas". um pregador tremendamente linear. a redenção. a justiça e o juízo. a responsabilidade de atender ao convite para a bênção já lhe foi passada. A referência à culpa pela morte de alguém aplica-se. tem sido o desejo de ver resultados visíveis em lugar de deixarmos os resultados com Deus. Paulo também o disse ecoando o profeta Ezequiel. a santificação e a glorificação a serem explicados com toda a clareza possível. ÚLTIMO PENSAMENTOS "E eis agora sei.1 . ou como já foi resumido com muita pertinência. O Senhor da seara é fiel. Na verdade. Seu tema principal é a salvação. e apelando para que se escolha a vida. e não se der por avisado. na verdade. 26). incluindo seus aspectos como a eleição. frase do missionário vertida pela BLH como "se algum de vocês se perder.

14-6. Sem qualquer sombra de dúvida. 2Coríntios 2.1.24 (7) Cf. cuidadoso. 15. quanto poder nas palavras emanadas por vidas confiantes. foi a nós que Ele o fez.11.10ss. (9) Eclesiastes 11.26b.espaço. Cabe-nos corresponder! NOTAS (1) Cf. 1978) O MINISTÉRIO DA PALAVRA Introdução(1) É interessante observarmos a exigência que muitos cristãos fazem a seus pastores para que dediquem tempo em atividades secundárias. (2) 1Coríntios 1. (11) 2Timóteo 1. ousadas que podem afirmar "EU SEI.10. Com esta expressão de fé e esperança.!" Sim.2a. Atos 20.4. 1Coríntios 16. e sempre pronto a dar sustento emocional. tem conhecimento de sua pequenez.. (5) 2Timóteo 4. prontos a entrar no santo aprisco. fragilidade e tremenda dependência de um Pai amoroso.. Lisboa. (3) 1Coríntios 1. Sociedade Bíblica de Portugal. (10) Isaías 55. (8) Cf.24-2. quanta novidade penetrando como se fossem moderníssimos métodos de proclamação. 10. Quanta deturpação doutrinária. corajosas. Colossenses 1. (4) 1Coríntios 2. A pregação da Palavra deve ser efetivada por cristãos especialmente 239 .23.21b.17. Vemos em Atos 6... etc. por essência e definição Seus autênticos mensageiros e ministradores.. v. também o fez com a afirmação de "sei em quem pus a minha confiança e estou certo de que ele tem poder para me guardar na minha missão até ao dia marcado". o Dia do Juízo(11). no entanto. (6) Cf. Tradução Interconfessional. Atos 20.1ss.4 que a tarefa pastoral precípua é a oração e o ministério da Palavra. Há lobos vorazes rondando o rebanho. e.14ss.. espiritual e forças físicas para o desempenho da tarefa proposta. porém. prescindindo aquelas que o Texto Sagrado preceitua como sendo a função pastoral.12a. o missionário/profeta/pastor/obreiro/obreira dirá "EU SEI.! EU CONHEÇO O SENHOR DA SEARA!" Que não passemos adiante a sagrada missão evangelizadora que o Senhor poderia ter confiado aos Seus anjos. o apóstolo introduziu os pensamentos acima analisados.12 (O Novo Testamento.

sempre divinamente inspirado e autorizado para esclarecer as manifestações de Deus decorrentes da mensagem proclamada. Deus espera mais dos pastores e a tarefa pastoral deve esmerar-se em apresentar ao Senhor pessoas maduras e adultas na fé que sejam cumpridores da Palavra. absorto pelo Dom de proclamá-lo com persuasão. em todo o Novo Testamento.4. cristãos "perfeitos em Cristo". 240 . Dentre os Ministérios alistados na Bíblia o Ministério da Palavra é o mais rico na sua significação. Colossenses 1. zelo e extremado amor. uns poucos disseram ser o preparo do crente para a eternidade e para o mundo atual e. A idéia radical inerente ao Ministério. I – Finalidade específica do Ministério Pastoral (2) Em uma pesquisa realizada entre pastores perguntou-se qual seria o alvo final do trabalho pastoral e muitos responderam ser a evangelização. lamentavelmente. citada em hebraico 394 vezes no Antigo Testamento. afim de que os ouvintes passem a orientar e dirigir suas vidas a partir da Palavra proclamada. eleito pelo próprio Deus da Palavra para arquitetar os ideais divinos para a sociedade.28. O pregador da Palavra é o mensageiro de Deus e o verdadeiro mestre da sociedade. diligência e fidelidade. Estão pastores mas não são Pastores na acepção bíblica da tarefa pastoral. outros a união dos crentes com o Senhor.vocacionados em distinção a todos os demais Ministérios Eclesiásticos. O pregador da Palavra de Deus é um profeta que deve compreender claramente a beleza e a universalidade do evangelho. as responsabilidades alistadas a seguir. Palavra de Deus. portanto. subserviência. o que ressalta o fato de que não desenvolveram uma visão bíblica para o Ministério da Palavra. profecias e conforto para o povo de Deus. É espantoso notar que muitos pastores dirigem igrejas e pregam sem ter uma noção clara quanto a finalidade do Ministério. é serviço prestado em submissão. É o Ministério do Logos. além das tarefas primordiais indicadas em Atos 6. muitos não souberam responder a questão proposta. O Ministério da Palavra. que no Novo testamento é o equivalente a Davar Elohim. 1. que emprestam ao ministro dignidade e importância oficial devido a natureza e a qualidade do serviço prestado. Quando buscamos no Texto Sagrado a finalidade específica para o Ministério Pastoral encontramos. Aperfeiçoamentos dos crentes O pastor não pode contentar-se em visualizar nos membros da igreja apenas certas atitudes éticas pautadas na Palavra de Deus ou algumas poucas posturas próprias dos costumes e princípios denominacionais. é o que encerra o compromisso de anunciar a Revelação de Cristo no sentido de uma comunicação divina em forma de mandamentos.

2. A igreja é uma escola de vida e de serviço. João 12. cheios do pleno conhecimento e firmados doutrinariamente. Gálatas 5. Marcos 10. Devemos servir com esmero e amor no presente para que sejamos encontrados fiéis no tempo em que formos convocados ao serviço celestial. Mateus 6. servindo na igreja local. Vivemos em uma sociedade cibernética e de realidades virtuais.10-16. Lucas 12. A convivência na igreja deve nos ensinar a servir no presente. 13.3-4.26. Preservar a unidade da igreja A unidade da igreja é um desafio ao amor e ao respeito que os cristãos devem uns aos outros. Mateus 25. Apocalipse 7. que é a figura da igreja universal gloriosa. Capacitar os cristão para o serviço. 3. A igreja não é um estágio no qual apenas esperamos passar o tempo até que Jesus volte. Efésios 4. O pastor deve ter uma visão horizonal do Reino de Deus. preparando-nos para o serviço futuro na glória celestial.43-45.Deus espera que os pastores entreguem a Cristo a obra acabada. deve enxergar além do horizonte da igreja local ou de sua denominação. Invisível e Gloriosa. o que nos exige a compreensão das rupturas que se refletem no nosso cotidiano a partir da substituição da mecanicidade pela informação e informatização.13.9-15. independentemente da condição social ou cultural.35-38.7-10.13-17.14-30. cristãos aperfeiçoados em Jesus. É um chamado à compreensão das diferentes manifestações de Deus no mundo através da igreja local sem prescindir da comunhão em Jesus e da sinergia cooperativa entre as diversas igrejas para que cada uma delas cumpra o seu Ministério.21-24. sendo a igreja local condicionada pelos sinaléticos denominacionais apenas uma ínfima expressão da grande totalidade do que constitui-se a Igreja de Deus em Cristo. Efésios 4. II – A Relevância da Tarefa Pastoral para a Sociedade (3) Nossa sociedade se admite pós-moderna e adota novos paradigmas socioculturais e eclesiológicos.11 e 20-23.22-24. isto é. João 17. O Senhor espera que nos preparemos e aprendamos sobre fidelidade e dons de ministérios. edificados na igreja. 1 Pedro 4. Hebreus 12. Cristãos que tenham uma identidade doutrinária definida e que interagem na obra do ministério da igreja de modo geral.22-25 e Apocalipse 22.4-7. Hebreus 10. A igreja não pode 241 . isto é. Há uma realidade muito maior e superior do que a própria igreja local que é a Igreja Universal.

o que exige da igreja o redirecionamento dos comportamentos eclesiológicos e pluralidade na expressão cúltica. descambar para a relativização dos absolutos estabelecidos na Palavra de Deus. os pastores devem atuar na formação da consciência cristã. O pastor tem a vantagem de estar presente em quase todas as ocasiões da vida das pessoas podendo interpretar as revelações proposicionais da Bíblia a partir da atuação de Deus na história. Não há como não enxergar a pluralidade dos conceitos éticos e morais estabelecidos pelo situacionismo degradante ancorado e aglutinado em torno de interesses egocêntricos. Mediante a essa miopia sociológica é imperioso desenvolvermos uma cosmovisão pastoral que se contraponha à predisposição pós-moderna de rejeitar uma perspectiva unívoca e correta. isto por quê uma mensagem bíblica e profeticamente contundente aborda sobre uma variedade de problemas existenciais e práticos. que vive em constante suspeição da própria razão ressaltando a espontaneidade em contraposição à subordinação. A pósmodernidade implica no abandono de qualquer mito legitimador dominante desacreditando das meta-narrativas predominantes. Há que se redefinir a homilia. as realidades existenciais. o que só será possível a partir do reposicionamento da atuação pastoral. ética e social orientando a igreja para que condicione sua mentalidade. O pastor não pode fechar os olhos às transmutações da sociedade que privilegia a privatização e a heterogeneização de interesses e valores. como preceitua a Palavra de Deus. Uma cosmovisão pastoral para a pós-modernidade deve considerar o fato de que o mundo não é algo exterior e que dele extraímos nossos conhecimentos. indeterminada e participável. deve entender e visualizar a possibilidade de criarmos os mundos. como faz discurso evangélico tradicionalista que reproduz uma eclesiologia arcaica em detrimento da edificação e da relevância da igreja para a sociedade. Uma atuação pastoral instrutiva e construtiva. tornando a igreja e o labor pastoral relevantes e essenciais para o nosso contexto sociocultural. considerando a validade das emoções e da intuição na percepção ideológica da verdade e da fé. refutando e ridicularizando as micro-narrativas que se auto-arrogam credibilidade insofismável. A Bíblia tem pressupostos para o ceticismo humano e os pastores devem ser dotados de graça e qualificados para a interpretação dos absolutos de Deus em qualquer época da história. por meio da pregação contextualizada que considera as influências recebidas na formatação da personalidade. bem como uma igreja relevante.ser acometida de refração causada pelas lentes do virtuosismo ufanista e sectário que se recusa à novas e diversificadas percepções da sociedade. 242 . dos conceitos éticos e da própria religião. Se na pós-modernidade a realidade é relativa. sem contudo. Nossa sociedade admite variegadas contemplações do mundo supondo que a realidade seja ordenada a partir da observação das leis naturais e do ciclo existencial. sua eclesiologia e sua expressão cúltica em paralelo a recusa do verdadeiro conhecimento de Deus.

sem deixar de lado o intelecto. quando consciente de sua tarefa e de seu compromisso como profeta. com a sociedade e com o Deus verdadeiro de forma completa. 243 . o único com argumentos capazes de superar as controvérsias ideológicas e restaurar a unidade. Os cristãos que resistem a autoridade pastoral ou que vivem buscando referenciais externos para abalizar a proclamação de seu pastor. O padrão sociológico é muito forte e o padrão bíblico é quase utópico no mundo estético e pictórico. a totalidade e a integralidade do ser. a volição e as emoções. agindo como salvaguarda da Verdade Apostólica.jamais apresentando-se como um discurso paliativo e superficialmente direcionado às necessidades imediatas. pela exortação bíblica e ensino da Palavra. vocacionado e lapidado para a proclamação da sã doutrina. a igreja. inigualável. além de se tornarem infelizes. Os resultados disto é profundamente perturbador e causador de uma verdadeira crise de identidade ministerial entre os pastores. proporcionando ao ser uma experiência agregária. Na melhor das hipóteses. O triunfo do individualismo criou uma igreja cheia de pessoas que se recusam a aceitar alguém que lhes diga em que devem crer ou o que devem ou não fazer. Nenhum outro Ministério Eclesiástico é chamado. Conclusão (4) Não é difícil perceber que a igreja sofre as mais variadas influências e se vê pressionada pelas mais diversas tendências no atual contexto sociocultural. para o ensino da Palavra de Deus e para o exercício da liderança na igreja de Jesus Cristo. O ministério pastoral é a única tarefa que pode oferecer renovada razão de ser para a sociedade em decadência ética e espiritual por enunciar mensagem verdadeira e mística. Podemos ainda considerar de extrema relevância a tarefa pastoral por ser o pastor. levando-o. excluem-se da nutrição espiritual que emana do púlpito da igreja. pois a fé cristã é o único misticismo que permite ao homem comunhão consigo mesmo. a comunhão com o Deus que pode restaurar e regenerar a sociedade. o que se verifica pela esquizofrenia resultante do trauma causado pela confrontação da liderança. Alguns membros das igrejas tecnicamente treinados têm dificuldades em respeitar e ouvir os ministros formados e habilitados em retórica e idealismo denominacional devido a crescente confiabilidade dos modelos de gerenciamento e ao pragmatismo situacionista que corroem as bases bíblico-teológicas legadas aos pastores para a realização de seus ministérios. a igreja pós-moderna tem desvalorizado a autoridade pastoral quando exige do Ministro permanecer alheio ao desenvolvimento tecnológico e atrelado as expectativas denominacionais tradicionalistas que jamais promoverão desenvolvimento e maturidade para a igreja e para o próprio pastor. (5) É urgente e premente a necessidade de resgatarmos a credibilidade do Ministério da Palavra pois somente aqueles que abrem seus corações e suas mentes para a mensagem bíblica e à instrução pastoral crescerão espiritualmente. no sentido pleno do termo. a amplitude.

poderoso. A Doutrina Bíblica do Ministério. Rio de Janeiro: JUERP. (3) FERNANDES. os versos 11e 12. O propósito é o treinamento dos crentes. [Dissertação . Menonita. Trabalho Pastoral. Trad. Fernando C. 334 p. o Senhor cria um momento que é especialmente divino e que não pode ser repetido. Ed. sendo o instrumento que o Senhor utiliza para ministrar à igreja e ao mundo. 37-38 e 46) (2) BARRIENTOS. O termo é usado aqui para indicar o vislumbre de nossa sociedade pelo colorido das imagens e da televisão na formação de conceitos os mais diversos. 1999. (pp. 99-107) (4) FISHER. 148 p. Rogai. Yolanda Krievin. o de resgatar vidas das mãos de Satanás. Pregar sem autoridade rouba a essência da Palavra de Deus. David. 278 p. O povo de Deus pedia. 304-307 e 318). é o estimulo à obra do discipulado. Pastor-teólogo na Pós-modernidade: Uma abordagem teológico-fiolosófica a respeito da atuação pastoral na sociedade pósmoderna. 1981. 1998. É. O tom da liderança pastoral deverá ser estabelecido na autoridade moral e espiritual que os pastores exibirão na pregação bíblica. E esses dom foram dados por Deus em resposta às orações do Seu povo. ao Senhor da seara 244 . na unção e instrumentalidade do Espírito Santo. (pp. resultado de oração incessante e de inspiração autoconfrontante. robusto. Que Deus nos ajude. de batizar essas pessoas e de discipulá-las. 1991. São Paulo: Vida. a consecução do múltiplo propósito que Jesus tem para Sua igreja que é o de derrubar as portas do inferno. O trabalho do pastor atinge seu auge no púlpito. QUE É UM PASTOR? De acordo com Efésios no capítulo 4. 2. o ministério da Palavra é um dom especial de Jesus Cristo à Sua igreja. Rio de Janeiro. pois. é o crescimento do crente individual e da igreja como corpo forte. Cada sermão é uma proclamação específica de Deus para um momento específico na vida de seu povo. Quando o pastor prega a Palavra de Deus. Campinas: Associação Evang. Notas (1) CRABTREE. Em Mateus 9.Não é exagero asseverar que no século 21 o exercício do ministério pastoral ficará ainda mais difícil. Kédma Rix. Asa R. O Pastor do Século 21. (5) Pictórico é algo relativo ou próprio da pintura. mas os ceifeiros são poucos. ainda. visto que nossa sociedade se pauta pela negação da autoridade e pelo fato de nenhum outro ministério eclesiástico exigir cometimento e subordinação a autoridade como no caso do Ministério da Palavra. 38 está registrado: "Jesus diz aos discípulos: A seara é realmente grande. 128 p. (pp.(pp. Pregar deverá ser a demonstração pública de que a Palavra de Deus opera no pastor. havendo um objetivo definido para esse ministério. Alberto.37.Mestrado em Teologia Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil] . 31-37). Trad.

mas. a exclamar como está registrado em Isaías no capítulo 6. A mesma coisa aconteceu com Amós. Todos estavam na sua profissão. se você também ouviu a chamada e não entrou no ministério. Não pode ser uma pessoa que não tenha chamada. todos estavam trabalhando. vai ser tremendamente infeliz por uma razão. Profecia não é adivinhação do futuro. ninguém queira que eu adivinhe o futuro. "Qual é a evidência que você tem de que Deus está chamando você para ser pastor?" Ele não era ovelha minha." Era agricultor. que ele estava muito enganado. Respondeu-me: "Pastor. consertando redes. A Escritura Sagrada enfatiza a vocação divina. que estava cultuando no templo. porque o ministério. e essa razão está na palavra de Jesus Cristo em João no capítulo 15 que diz "Não fostes vós que me escolhestes mas fui eu que vos escolhei e vos designei para que vades e deis fruto. no final do verso 8 onde ele diz: "Envia-me a mim". profetiza o meu povo Israel. nem filho de profeta". E quero dizer aos irmãos. E respondeu "Eu não era profeta. Ou como Davi que também apascentava ovelhas e os outros que acabei de mencionar. então entrou e veio se aconselhar." É assim que Deus faz. que envolve um preparo divino para uma obra divina". Amós estava apascentando o gado e quando ele estava pastoreando o gado. se alguém entra no ministério sem chamada vai ser um infeliz. Ou como dizia o saudoso pastor Valdívio Coelho. E isso tem base bíblica. Por essa razão. no entanto. um sentimento tão forte naquele que é chamado que levou Isaías. Que é um Pastor? O PASTOR É UM PROFETA E essa é uma palavra muito interessante. Talvez temos agora alguma variante. fala sobre esse assunto. pescando ou no escritório como fiscal de rendas. o pastorado. o vocacionado estava numa atividade como Moisés que apascentava ovelhas. Por isso. Profeta não é isso. o que se requer daquele que busca o ministério da Palavra é uma convicção da chamada especial da parte de Deus. "Uma chamada divina. Ele está falando aqui a Amazias. o episcopado não pode ser abraçado como se escolhe uma profissão. porque Deus não chama fracassados nem desocupados. Na 245 . É assim que Deus age. capítulo 3. 2Coríntios. ouviu a palavra do Senhor. era de uma outra igreja e viu escrito na parte externa do templo ACONSELHAMENTO. Por isso a pergunta base é: Que é um pastor? Estamos trabalhando em cima de um tema que já foi objeto de reflexão.que envie ceifeiros para a sua seara". Quando Jesus Cristo chamou os seus apóstolos. "Mas boieiro e cultivador. "Mas o Senhor me tirou de após o gado e me disse: Vai. Relatos da Bíblia mostram que quando Deus ou o Senhor Jesus Cristo chamou. Lembro-me de um moço que me procurou uma ocasião e disse que achava que Deus o estava chamando para o ministério. Então eu acho que é por isso que Deus está me chamando para ser pastor". Perguntei-lhe. eu acho que Deus está me chamando para o ministério porque já fiz o vestibular três vezes e fui reprovado." E se alguém abandona essa chamada há de ser infeliz. especialmente os crentes mais novos. aqueles que estão ainda se preparando para o batismo. Disse-lhe que não fosse para o seminário.

1Coríntios capítulo12 menciona entre os dons o de profecia. por que proclama a palavra do Senhor. Apesar de uma tradição milenar desde o tempo dos profetas. "Disse-me o Senhor: Os profetas profetizam falsamente em meu nome. uma adivinhação. a palavra tem conotação muito mais ampla. Palavra de orientação para a vida porque Jesus Cristo é o mesmo ontem. nunca se podem fartar. não. E a Bíblia ensina que isso é um carisma. visão falsa. Há tantos desqualificados sendo chamados de "pastor" que é uma verdadeira calamidade. Portanto. ou seja. a função primária.11). é o porta-voz de Deus. deve advertir sobre a justiça e deve advertir sobre o juízo de Deus. quando a proclamação não existe. É como está colocado. É um quadro que vemos amiúde. cada sermão deve advertir sobre o pecar. Como está na Bíblia Sagrada. o ministro da palavra tem mensagem. E mesmo assim. Querem ver mais? Jeremias 14:14. cada sermão deve ser atual. a palavra do profeta nunca é: "Assim eu digo". não os enviei. vaidade e o engano do seu coração é o que vos profetizam". consola homens individualmente e a igreja como um todo. Acontece que hoje está muito fácil se chamar "pastor". todos sem exceção" (Is 56. nem lhes dei ordem.". profeta é quem fala em nome de Deus. "Estes cães são gulosos. exorta.. E aquele que é arrependido deve apontar a misericórdia e deve apontar o perdão de Deus e a bênção da vida com Deus. 246 . que sempre existiram mal intencionados. cada um para sua ganância. E porque profetiza. Mas a Bíblia mostra que não é assim. fundamental do profeta é se colocar entre Deus e a pessoa humana e comunicar o propósito eterno. basilar. Sem dúvida alguma irmãos há uma tradição milenar atrás de cada sermão que é pregado de qualquer púlpito cristão. nem lhes falei. Não. A palavra do profeta é: "Assim diz o Senhor". comunicar a sua vontade. adivinhação. Cada sermão há de chamar a atenção para as conseqüências morais e espirituais da conduta do ouvinte. mensagem de conforto. Sentinela e pastor..mente de muitas pessoas significa uma predição do futuro. hoje e eternamente. Por isso. todos eles se tornam para o seu caminho. "Ou palavra do Senhor que veio a. mensagem de vida. porque edifica. Mensagem de luz. Como profeta. de salvação que deve ser sempre fiel e reta e ortodoxa. Cada profeta então é uma sentinela guardando a doutrina que veio dos lábios do Senhor e do ensino apostólico. Talvez na linha daquele povo que diz assim: "Previsões para o ano 2000". isso não é ser profeta. muito mais profunda e mais consistente e séria porque pela Bíblia Sagrada. "assim diz Walter Baptista". que sempre existiram cavadores de lucro. No entanto. de inspiração. vai chegar a derrota e na Palavra Santa está com toda clareza e com toda as palavras a expressão de Provérbios 29 que fala "Não havendo profecia o povo se corrompe". são pastores que nada compreendem. E a palavra de Deus vai dizer assim. A Bíblia diz que sempre existiram aproveitadores.

explorando uma pessoa simples. o quê? Um profeta. Agora ninguém espere ver um par de asas nas costas do pastor Walter nem debaixo do paletó. e. então. Anjo é aquele que traz uma mensagem. Sou fascinado pela pregação. Pregar não cansa. olhava e mexia e tocava no pastor.. A menina respondeu: "Eu estou procurando as asas: a senhora não disse que o pastor é um anjo. E no Apocalipse também a palavra "anjo" é usada largamente quando as sete cartas são enviadas ao pastor. Porque a palavra "anjo" tem significado. recomendam-me: "Pastor. Tudo era à viva voz. Então há quem queira ver essas asas nas costas do pastor. Quando saio de férias. que estava completamente vazio. Pastor é. Aí a mão disse: "Rosinha pára com isso. o Albert Hall. no entanto. que vos apascentem com conhecimento e com inteligência". exclamou: "EIS O CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO MUNDO!!!" e repetiu. nem ampliação de som. eu sempre levo o paletó. foi para o palco. Por isso. E Paulo se refere a isso quando em Gálatas no capítulo 4. Pregar não me cansa.". Spurgeon. E o evangelista havia ouvido falar sobre isso. menina! Que história é essa. não me rejeitastes. ao anjo. O PASTOR É UM ANJO. da igreja de Filadélfia e às demais. É porque tem uma história que diz que o pastor foi almoçar na casa de uma família. a menininha da família começou a andar por trás da cadeira do pastor. não leve o paletó: porque se levar o paletó. e com a voz poderosa de pregador. vai ter que pregar em algum lugar". um mensageiro. "EIS O CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO MUNDO!!!" 247 . entrou em um auditório que recém-inaugurado em Londres. fazia a volta e ia. incauta e até mesmo aquele que está desejosa de ser manipulada. reivindicarem. Paulo recomenda "Não desprezeis as profecias". Nunca foi tão fácil como nos dias de hoje. Mas vamos entender irmãos.. nem me desprezastes antes me recebestes como a um anjo de Deus". talvez devêssemos dizer para tantos. Naquele tempo não havia microfone. A pregação é algo extraordinário! Fico fascinado pela pregação. Entrou no auditório.14. E quando chegou. o grande Charles Spurgeon. ele diz: "Embora minha enfermidade na carne vos fosse uma tentação. você andando para lá e para cá?!". falarem em nome do Senhor. Nunca foi tão fácil para alguns. a palavra do Senhor é tão clara sobre este assunto porque diz em Jeremias 3:15 "Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração. e aquele auditório havia sido construído dentro dos mais modernos recursos de acústica da época. Ia lá e vinha cá. mas. Quando ali chegou.Há outros textos da palavra.

finalmente. falaram de uma fruta chamada durian. Ele tem que ter capacidade mental e eu diria capacidade acadêmica. É da família da jaca.. Sua vida é vasculhada e os procuradores de agulha no palheiro usam lente de aumento sobre as falhas do ministro do evangelho. Fede que nem esgoto. na palavra. Não tive coragem porque o fedor era de esgoto em dia de chuva. ter comunhão com Ele.Experimentou e saiu convencido de que a acústica era excelente. é algo deliciossíssimo. Está na palavra em 1Timóteo 4. E essa palavra me tocou". estava trabalhando na sala do lado quando ouvi o senhor falar lá dentro.12. nós preferimos o culto digno do nome do Senhor. mas o que ele sabe. Há muito culto que satisfaz mais ao ego dos chamados pastores que realmente às necessidades do povo. Timóteo trouxesse o livro. foi transcrita uma palavra do Pr Nilson Fanini bem parecida com essa.. O apostolo Paulo ele diz o seguinte ao jovem pastor Timóteo. Dizem que quando se come um bago da fruta. Se é mais saborosa. Ele precisa ter uma fé sadia também e ter uma fé que seja ortodoxa. Ele precisa conhecer a Deus. da graviola. "Só quero dizer que aceito a Jesus Cristo. Pois é. e dizem que é a fruta mais saborosa do mundo. não posso falar do sabor da durian porque não o conheço. 248 . Outra coisa que o pastor deve ter é piedade cristã para resistir ao escrutínio das outras pessoas. se nunca se experimentou da mesma? Quando eu estava em Singapura. Quando chegou à porta. se não for ortodoxa nem é sadia nem é fé. na pureza". é verdade. Há muita novidade barateando o culto divino. É necessário que haja da parte do pastor verdadeira conversão. Hoje é um tempo em que se ama a novidade. O homem ficou convencido dessa verdade e se converteu. conhecimento bíblico adequado. Nós preferimos ficar com a Palavra sempre. afirmando esse fato. Como poderia ele falar de uma experiência que não conhece? O que se pode dizer de uma determinada fruta. Por isso ele precisa de ter todas essas características aí. Eu sou pedreiro. Meus amados. Continuou o homem. Aliás. até. No boletim de hoje. da fruta-pão. lendo. o pastor é um anjo. apresentados à durian. na amor. Por quê? Para orar com ele? Nem sempre. no espírito. da pinha. eu sei que é a mais fedorenta do mundo. mais espinhenta que a jaca. não sei porque não tive coragem de experimentar. no trato. Que não seja amante de novidades. deve saber bem e ele deve continuar aprendendo. Fomos. um homem o procurou e disse: "O senhor que é o pastor Spurgeon?" Ele disse: "Sou eu". andar com Deus. A pregação dele foi só isso: "Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo". Ele precisa conhecer as ciências teológicas. na fé. e li. No entanto. não é demais até lembrar que Paulo tinha muito amor pelos livros. "Ninguém despreze a tua mocidade: mas sê o exemplo dos fiéis. lendo muito para saber cada vez mais. Ele pode não saber tudo. Como o pastor tem sido vítima de cobranças fiscais. Por isso. o seu gosto. por isso pediu que quando viesse. Essa fruta é um pouco maior que uma graviola. Essa foi a declaração que ouvi por lá.

Sinto ao meu lado Elias e Moisés e Isaías e Jeremias e Ezequiel e Daniel e Oséias. sinto ao meu lado quando prego. conhecer as relações humanas. É nesse mundo que nós exercemos o ministério. Em 2Timóteo 3. Aliás. conhecer a pedagogia. em três lugares ao mesmo tempo. gananciosos. de um povo que transgride as leis da decência. essa legião de testemunhas de que Hebreus fala. da salvação e da libertação e do perdão que vem de Deus. do amor. que não canse e que não desanime em certas horas. Isso é dito porque há quem espere que o pastor. e aí segue com um catálogo de coisas do nosso tempo. se possível for. Essas condições que estão aqui em 1Timóteo 3:1-5 são as nossas condições hoje. 2Timóteo 3:1-5. "Sabe. Segunda coisa. blasfemos. animar o cansado. Agir para aquilo que é forte na sua ovelha continue forte e progrida até e aquilo que é fraco seja colocado com resistências. de lascívia. as testemunhas do Senhor. como mensageiro de Deus. fortalecer o debilitado e mostrar o caminho ao que está indeciso. três compromissos e a pessoa fica zangada porque a só se pode atender a um deles. levantar o que está derrubado na vida. e que não tenha tristezas e que tenha inclusive p condão de fazer a maravilha das maravilhas que é estar em dois lugares ao mesmo tempo. com 249 . Razão porque todo pastor pede uma dose de compreensão. seja um bom pregador e que tenha dois bons sermões todo domingo e que tenha um bom estudo em todo Culto de Oração e que atenda no gabinete a qualquer hora do dia. como mensageiro da palavra divina. e que seja somente sorrisos. consolar aquele que está desconsolado. uma dose de paciência e uma dose de tolerância. Pastores são não somente humanos mas precisam ser plenamente humanos. Não é que esteja tendo visões nem fantasmas juntos de mim. fortaleza e ele possa crescer igualmente. qualquer pastor de qualquer igreja em qualquer lugar. da fé. Descobri que ser anjo não é difícil e que também não é difícil ser profeta. O Pastor é um homem num mundo de homens. na mesma tradição e na mesma palavra que eles anunciaram e pregaram ao seu povo. Por isso. desobedientes a pais e mães. inclusive no seu dia de folga. deve fortalecer aquele que está triste. É um povo saturado de orgulho. Os homens serão amantes de si mesmos. Como anjo de Deus é mensageiro do Espírito de Deus. apresentam-se as condições do mundo nos últimos dias. na mesma linha. São dias difíceis. ingratos. da esperança. soberbos. como anjo de Deus. profanos". Talvez. conhecer aquilo em que o ser humano é forte e aquilo que o ser humano é fraco. presunçosos. Difícil é ser humano. que nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis. Joel. o joelho tremente. Como mensageiro de Deus. E a descrição do coração desses homens ímpios é a de um povo que se distancia de Deus. como já tem acontecido comigo. Amós e os apóstolos. conhecer a psicologia. o pastor é um anjo. mas há uma terceira o pastor é um homem. Primeira coisa que nós dissemos é que o pastor é um profeta.Precisa conhecer o ser humano também. dois compromissos. mas. conhecer as ciências humanas.

de atrevimento. E essa palavra magister. abatidos. Ele é um mestre e é um ministro. Ele é um símbolo diz o doutor Wayne Oates em um livro sobre este assunto. Ministro quer dizer isso aí. transportar uma mesa. ela guarda uma raiz. Isso quer dizer que há de ser homem de oração e totalmente submisso e consagrado a Cristo e à Sua causa. os ministros. pois sem Deus na vida. de onde vem magistratura. O pastor é um homem no mundo dos homens. de calúnia. Pensa-se que hoje a palavra "ministro" é pomposa e nós dizemos o primeiro escalão do governo. mas não desanimados. mas não angustiados. Timóteo. de orgulho. mas. um símbolo da graça e é por esse motivo que lá na Segunda Carta aos Coríntios. não tem o que dizer a quem busca o seu conselho ou a quem vai ouvir os seus sermões. mas. e não de nós. Ministro vem de minister onde está a raiz minus que quer dizer menos. mas é um homem de Deus. Em tudo somos atribulados. mas não desamparados. é um ser humano vulnerável. E Paulo fala de blasfêmia. fazer isso. não tem o que oferecer. para que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos". ao mesmo tempo ele também sendo mestre. Porque era uma pessoa que tinha de menos. É homem que se apropria portanto da verdade divina e a repassa a suas ovelhas. mas não destruídos. o Deus vivo e verdadeiro. comete o pecado de envelhecer. Perseguidos. era ele que tinha que carregar cargas. no capítulo 4 está dito da seguinte maneira: "Temos. de onde vem magistério. negando. perplexos. Levando sempre por toda a parte o morrer do Senhor Jesus no nosso corpo. Por isso. pegar uma coisa ali adiante. porém. fala de ingratidão. Não o procuravam porque tinha de mais. magis. sim tinha de menos. Ministro era o escravo. Aí eu quero explicar a palavra mestre e a palavra ministro. Porque de hora em hora o mundo piora. Os irmãos sabem que a palavra mestre vem do latim magister. Mas ele é um ministro. Ele pertence à palavra que ele anuncia. é um ministro. É um homem de Deus mas não é um super-homem. o jovem pastor. e é por esse motivo que ele busca ser fortalecido pelo poder do Alto. de onde vem magistrado. um símbolo do evangelho. É vulnerável por isso. Por isso. ele é um servo. Ministro quer dizer escravo. Ele pertence a Deus que o escolheu e o comprou e o fez ministro de Sua palavra. que quer dizer "mais". Mas como o pastor é um servo da palavra. Por que é que o mestre. infelizmente. do escravo. este tesouro em vasos de barro. é exortado à fidelidade à palavra de Deus bem como todos os outros pastores. Trabalho pesado era do minister. ele deve manter na consciência que ele pertence ao seu povo. Dizem que uma igreja 250 . Ao povo que o Senhor lhe confiou. O pastor é ao mesmo tempo um mestre e um ministro. Ele ao mesmo tempo passa e repassa aquilo que ele tem de mais. o magister ou o magistrado eram procurados? Porque tinham algo a mais a oferecer.novas formas de piedade. Que ele é um símbolo da fé cristã. enquanto o mundo desce a ladeira do inferno. porém. para que a excelência do poder seja de Deus.

o Seu rebanho. Pedro dizer assim: "Senhor. tu me amas de verdade?". agapos me? Ele devia responder. Tu sabe todas as coisas. Jesus disse. ao ministro do evangelho é confiada a causa da reconciliação porque já chegou a boa nova de que em Jesus Cristo há salvação. são facilitadores na obra do Senhor e o ministro do evangelho é um servo voluntário como Jesus e há de caracterizar-se pela unção do Espírito debaixo de cujo poder vive. O pastor é humano. Tu sabes que eu sou teu amigo". é condição sine qua non para que um ministro do evangelho possa se sustentar no evangelho da Palavra. "Senhor." Mas Jesus perguntou três vezes. Billy Graham. é vulnerável. razão porque ele busca o poder de Deus. "Senhor. Filo." O amor a Jesus Cristo meus irmãos. pastoreia minhas ovelhas. "Apascenta os meus cordeirinhos.1Pedro 5. E já que um enorme muro de separação existe e sempre tem existido entre os homens (Paulo fala disso em Efésios 2). Nilson Fanini não poderia ser pastor daquela igreja. Entre outras coisas dizia que o pastor deveria ter até determinada idade. Os irmãos viram que na Bíblia. "Tenho sessenta e dois. fez o "perfil do pastor". Tu sabes que eu te amo". O que é necessário é amar a Cristo. esse amor de Cristo se estende naturalmente àqueles a quem Jesus Cristo também ama. Por isso. mas. "Agapo te".. Pastores são profetas." E finalmente. Porque quando isso acontece. são anjos e são homens. muito humano. "Ó Senhor. Tu sabes que eu Te amo. Ele disse: "Filo te" é outra palavra. e não pode ter medo de responsabilidades. quando alguém se lembrou de fazer uma perguntinha que estragou tudo: "Pastor. tu me amas? Simão. Tito 1. pastores são cooperadores. não pode ter medo de críticas e não pode ter medo do aparente fracasso. simples homens. Parte XXXX Dos Sínodos e Concílios Comentário do Capítulo XXXI da Confissão de Fé de Westminster 251 . quantos anos o senhor tem?" Responde o candidato. e aos irmãos. Uma igreja em nossa cidade. Virou moda fazer o perfil do pastor. A pergunta foi Pedro agapos me? Tu me amas verdadeiramente? E Pedro deu uma resposta infeliz. a igreja sentiu que a Comissão murchou. na palavra de Deus: 1Timóteo 3. filho de Jonas. tu me amas verdadeiramente?" A pergunta foi essa. quando foi escolher o novo pastor. no ministério e sempre nesse amor a Cristo. A Comissão de Sucessão Pastoral entrevistou um determinado obreiro já maduro e ficou muito satisfeita com os resultados da entrevista. Tu sabes que eu Te amo". a Deus." Aí. Foi isso que Pedro respondeu para Jesus. porque ele tinha sessenta e dois anos: não foi convidado. que pergunta de novo: "Pedro. Pedro. O único perfil que conheço e reconheço é o que está no Novo Testamento. Porque já haviam passado daquela idade. a barreira foi quebrada e nós somos feitos um. Nenhum desses grandes homens de Deus podia ser pastor. Jesus perguntou a Pedro: "Pedro. vem de filos que quer dizer amigo. a resposta. Tu sabes que eu sou teu amigo.estava procurando um pastor. "Senhor. Ele não disse agapo te..

As várias denominações de hoje empregam a palavra “sínodo” de maneiras diferentes. Os sínodos e concílios existem “para melhor governo e maior edificação da igreja”. recebem diretamente de Cristo aquela medida adicional que é exigida para o seu trabalho como oficiais da igreja do Senhor. o sínodo – composto de ministros e presbíteros dos presbitérios – é o grau acima do presbitério e abaixo do supremo concílio (ou assembléia geral) na sua ordem de governo eclesiástico. Um concílio pode ser ecumênico (geral) e. tendo representação regional ou local. A distinção entre os vocábulos “sínodo” e “concílio” é mais aparente que real. A Assembléia de Westminster (1643-1649) foi um dos maiores concílios na história da igreja cristã de origem reformada. I O propósito dos sínodos e concílios “Para melhor governo e maior edificação da Igreja. 50 A. Em virtude do seu cargo e do poder que Cristo lhes deu para edificação e não para destruição. O primeiro concílio ecumênico na história da Igreja foi o de Jerusalém (c. em 381. Para nós. o Concílio de Jerusalém deve ser distinguido dos concílios posteriores. portanto. ou pode ser local (particular). O governo da igreja presbiteriana pertence aos pastores e presbíteros. pertence aos pastores e aos outros presbíteros das igrejas particulares criar tais assembléias e reunir-se nelas quantas vezes julgarem útil para o bem da Igreja”. No entanto. Cada igreja local tem um certo grau de autonomia ou independência. mas este é naturalmente restrito de várias maneiras tão logo ela se associe a outras igrejas locais. embora a igreja os escolha para o ofício. O poder governante da igreja reside primariamente nos conselhos locais e destes é passado aos sínodos e concílios. um dos grandes tratados teológicos produzidos por aquela histórica e notável assembléia. Enquanto participam do poder geral dado a todos os membros. em 325. Os resultados daquele Concílio foram normativos para toda a igreja cristã primitiva. ou seja. Por exemplo: Doze concílios regionais reuniram-se para debater a heresia ariana entre os concílios ecumênicos de Nicéia. representar a igreja inteira. Cristo dotou a igreja do poder necessário para levar a efeito a obra que lhe confiou. Investe todos os membros da igreja com uma certa medida de poder. assim como o presbitério e o supremo concílio. “Sínodo” ou “Concílio” é uma conferência convocada pelos líderes eclesiásticos para dar orientação à igreja. mas outorga uma medida especial dele aos oficiais da igreja. Sua autoridade não lhes é delegada pelos membros da igreja. Os interesses da igreja em geral 252 . os presbiterianos. e de Constantinopla. pelo fato de ter tido uma liderança apostólica [2]. “para o bem da igreja”. O capítulo que passamos a compartilhar é parte integrante da Confissão de Fé.) e está registrado em Atos 15. o sínodo também é um concílio [1]. D. deverá haver as assembléias chamadas sínodos e concílios. ou seja.

onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome. diz Calvino. não podemos fazer pouco caso dessa diferença. São obrigatórias às igrejas. se queremos saber qual é a autoridade dos concílios segundo a Escritura. Desde que diversas igrejas são representadas há. E visto que Jesus Cristo não promete estar presente em todos os concílios. É a mesma espécie de poder. não contentes com os oráculos da Escritura. Contudo. As assembléias maiores. visto que essa autoridade é uma ordenação de Deus. ou mesmo de irem além. receber queixas em caso de má administração e com autoridade decidi-las. Resolvam essa dificuldade os adversários. devem ser recebidos com reverência e submissão. exceto em casos em que sejam explicitamente declaradas somente consultivas.20). naturalmente. não é essa a dificuldade da questão. não cessam de inventar coisas novas. ministerialmente. II A autoridade dos sínodos e concílios “Aos sínodos e concílios compete decidir. mas aos concílios em geral. Isso se aplica não somente a qualquer reunião particular. controvérsias quanto à fé e casos de consciência. ou concílios. Além disso. que são a regra da perfeita sabedoria. A autoridade dos sínodos e concílios deve ser segundo a Palavra de Deus. sem ter em conta o mandato de Deus. Segundo Calvino. Cristo não promete nada a não ser para quem esteja reunido em seu nome. mas representado num grau maior. não há promessa maior do que a que se encontra nas palavras de Cristo: “Porque. no qual proíbe que se acrescente ou diminua algo à sua Palavra. mas obrigatórias. decretam o que lhes dá na telha. mas tenha posto um sinal particular para diferenciar os verdadeiros dos que não são. pois estes.7). não representam uma espécie de poder superior do que se investe nos conselhos. beirando (ou até praticando) o despotismo e abuso de autoridade. nem lhes daria autoridade alguma. uma acumulação de poder. Do contrário correm o risco de ficarem a quem do que se exige deles. mas a condição que se adiciona: que Cristo estará no meio do concílio sempre que o mesmo for reunido em seu nome. determinar regras e disposições para a melhor direção do culto público de Deus e governo de sua Igreja. ali estou eu no meio deles” (Mt 18. 253 . as decisões dessas assembléias não são meramente só consultivas. Ele também pediu o mesmo aos seus profetas e apóstolos.não podem ser sacrificados pelos de qualquer igreja local [3]. designada para isso em sua Palavra”. O pacto que Deus fez antigamente com os sacerdotes levitas foi que ensinassem o que ouviam de sua boca (Ml 2. a menos que sejam demonstradas como contrárias à Palavra de Deus. não só pela sintonia com a Palavra. mas também pela autoridade através da qual são feitos. O que isso significa? Não estão reunidos em nome de Cristo os que. Os seus decretos e decisões. sendo consoantes com a Palavra de Deus. se desejam que se dê crédito às decisões dos homens tomadas à margem da Palavra de Deus [4]. E àqueles que quebrassem esse pacto Deus não os reconheceria como sacerdotes seus.

Qualquer resolução do concílio. o resultado pode ser terrivelmente desastroso para a igreja. seja ela boa ou má. E não podia ser diferente porque o que foi resolvido ali “pareceu bem ao Espírito Santo e a nós” (At 15. eles. recomenda-se a submissão a elas por amor à paz. não devem imiscuir-se nos negócios civis do Estado. “Quando a leram. e muitos têm errado no decorrer da história porque são formados por homens que podem e têm errado [5]. se o magistrado civil os convidar a fazê-lo”. O caráter eclesiástico dos sínodos e concílios nunca deve ser perdido de vista. eles podem e devem ser usados como auxílio em uma (fé) e outra coisa (prática). tendo reunido a comunidade. porém. entregaram a epístola. não devem constituir regra de fé e prática. vai refletir primeiramente na igreja representada por ele.31). Todos os sínodos e concílios podem errar. IV O caráter eclesiástico dos sínodos e concílios “Os sínodos e concílios não devem discutir nem determinar coisa alguma que não seja eclesiástica. e muitos têm errado. mas podem ser usados como auxílio em uma e outra coisa”. desde os tempos dos apóstolos. O Novo Testamento é muito claro nisso. sobremaneira se alegraram pelo conforto recebido” (At 15. portanto. Embora os sínodos e concílios não devam constituir regra de fé e prática. em satisfação de consciência. “O Espírito revelou o que os líderes da igreja deveriam dizer e fazer” [6]. Uma igreja pode ser bem ou mal representada.III A falibilidade dos sínodos e concílios “Todos os sínodos e concílios. Se as decisões deles forem pouco sábias. Após a decisão do primeiro concílio da Igreja – que se reuniu com o propósito de opor-se aos esforços judaizantes – os que foram enviados à Jerusalém desceram logo para Antioquia e. mas não se opõem diretamente à vontade de Deus. a não ser por humilde petição em casos extraordinários. podem errar. O concílio não é a igreja. Mas quando o Espírito Santo (assim como a Bíblia) não passa de inocente útil para satisfazer a carnalidade humana. A igreja é o termômetro das resoluções de um concílio. não estão sob a jurisdição dos sínodos e 254 . ou por conselhos. Por serem assembléias eclesiásticas.28). mas não justifica uma decisão conciliar equivocada. explica. Mas se as decisões são contrárias à Palavra de Deus. então devemos rejeitá-las e sofrer as conseqüências [7]. Uma decisão conciliar equivocada é aquela que resulta em algum prejuízo para a igreja. Quando um concílio se submete verdadeiramente ao Espírito de Deus o resultado são decisões positivas e salutares para a vida da igreja. Isso. quer gerais quer particulares. mas o seu representante. Percebe-se que a igreja de Antioquia foi ricamente abençoada pela decisão daquele Concílio.

Países Bajos: Felire. [8] Cf. comerciais ou equivalentes. III. J. KISTEMAKER. Não devem se envolver nos negócios civis do Estado. 1986. BERKHOF. 1990. Contudo. ___________ Teologia Sistemática. IV. Exposition of the Acts of the Apostles. se por um lado os sínodos e concílios não devem tratar de assuntos que pertencem à jurisdição do magistrado civil. J. CALVINO. D. Comentário. [4] Institución. quando toca diretamente nos interesses da igreja [8].ix. políticos.ix.L. S. Isso tudo é compreensível porque aos sínodos e concílios somente lhes correspondem assuntos como os de doutrina e moral. In: EHTIC. Manual. p. 1987. A. e quaisquer outros que tenham a ver com a preservação da unidade e da boa ordem na igreja de Jesus Cristo. 3a ed. J. Mais particularmente. São Paulo: Vida Nova. Berkhof.concílios assuntos meramente científicos. Bibliografia A Confissão de Fé de Westminster. HODGE. ditas assembléias menores não podem resolver. Grand Rapids: Baker Book House. 1990. A. In: EHTIC. 1988. Calvino está pensando principalmente nos concílios católicoromanos. p. se o magistrado civil os convidar a fazê-lo. 350. a não ser por humilde petição deste em casos extraordinários. H. Vol. em satisfação de consciência. J. p. Hodge.. 350. São Paulo: Vida Nova. [6] Kistemaker.11-17). HALL. p. e (b) assuntos que devido a sua natureza. Hodge. [7] Cf. II. visto que pertencem às igrejas em geral. Manual de Doutrina Cristã. L.L. Vol. 1Pe 2. têm que ver com (a) assuntos que devido a sua natureza correspondam à jurisdição de assembléias menores. do outro eles devem ensinar aos membros das igrejas seus deveres com respeito ao poder civil. p. [3] Cf. Notas [1] Portanto. Barcelona: CLIE. a ordem eclesiástica ou a liturgia da igreja. Institución de la Religión Cristiana. 2a ed. mas que por uma ou outra razão. New Testament Commentary.1-7. Acts. H. I. Sínodo. correspondam à jurisdição de uma assembléia maior. 1987. Concílios Eclesiásticos. 562. Comentário. Rm 13.10. Institución. e do cumprimento desses deveres como obrigação religiosa (cf. A. A. WHEATON. tais como assuntos relacionados com a confissão.11.2. São Paulo: Cultura Cristã. [2] Cf. de governo da igreja e disciplina.51. 1985. toda vez que aparecer a palavra “concílio” neste artigo entenda-se concílios em geral. Concílios eclesiásticos. H. Comentário de la Confesión de Fé de Westminster. L. Vol. [5] Cf. Hall. 318. ou por conselhos. IV. Parte XXXXI 255 . Calvino. A. 1997. Grand Rapids: T. A. 261. Campinas/Patrocínio: LPC/Ceibel.E.

1-3).Por Simon Kistemaker Este versículo não tem conexão com os versículos precedentes. Observe. Eles conhecem a Palavra de Deus falada ao profeta Ezequiel: “Filho do homem. Líderes após líderes tomaram seus lugares. maior honra merecem. “Pois velam por vossa alma. E no versículo 24 o escritor mais uma vez emprega essa expressão. que Cristo lhe deu autoridade.Obedeçam a Seus Líderes Comentário de Hebreus 13. e tu não o avisares e nada disseres para o advertir do seu mau caminho. Os líderes levavam a sério a tarefa que lhe havia sido dada por Deus. isso não quer dizer que os membros não são tidos como responsáveis. nutre-os espiritualmente. assim.11. porque ele é o superior deles. são vigilantes em cuidar dos membros.17. Os líderes ficam com a congregação. Eles certamente são. Nós precisamos voltar ao versículo 7 onde a mesma expressão – seus líderes – ocorre. Antes.28. Nesse versículo em particular. bispos. e quanto maior for sua dificuldade e maiores os riscos que enfrentam por nós. E se Cristo confiou a tarefa de liderança a alguém. por exemplo.9). b. da minha boca ouvirás a palavra e os avisarás da minha parte. a. Os líderes que haviam falado a Palavra de Deus anteriormente não estavam mais presentes. Obediência exigida. maiores também nossas obrigações para com eles”. as pessoas não devem questionar sua autoridade (At 20. como quem deve prestar contas. Ef 4. pois quanto mais alguém sofre por nossa causa. Os líderes precisavam de ajuda e encorajamento. Assim.7). É claro. esse perverso morrerá na sua iniqüidade. os leitores poderiam questionar se essa autoridade era auto-imposta pelos líderes ou delegada a eles por Cristo. porque isto não aproveita a vós outros. para lhe salvar a vida.17 . para que façam isto com alegria e não gemendo. João Calvino escreve que. Se um líder é um ministro dedicado da Palavra de Deus. “Quanto mais pesada a responsabilidade deles. pois velam por vossa alma. 256 . o apelo para obedecer a eles e submeter-se à sua autoridade é oportuno.18). A falta de obediência prevalece entre alguns dos leitores. Quando eu disser ao perverso: Certamente. morrerás. 17. desviam ataques malignos e administram disciplina quando necessário. Eles devem ser relembrados por sua conduta e fé. a admoestação do autor para não se deixarem “envolver por doutrinas várias e estranhas” (13. ele prova. Esses líderes devem prestar contas a Deus. ele pede ao leitor que obedeça a eles. o autor enfatiza três pontos. pregadores ou professores. diz o autor de Hebreus (13.” Eles literalmente perdem sono por causa do bem-estar espiritual dos crentes. Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles. mas o seu sangue da tua mão o requererei” (3. 1Pe 5. Cuidado prestado. O escritor não está interessado na posição desses líderes – ele não dá qualquer idéia se eram presbíteros. eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel.

Eles. para que a tarefa dos líderes seja uma alegria e não um peso. mas os líderes estão livres da culpa (Ez 3. A igreja pertence a Jesus Cristo. devem trabalhar juntos. Foi a época da frase: “Todos os caminhos levam à Roma”. o escritor de Hebreus observa que um relatório triste. também. há alegria nos relacionamentos interpessoais da igreja. durante o tempo que se chama Hoje. Roma não era a potência mundial? César não era o “senhor” da época? Não havia pobreza e opressão por causa do Império ditador vigente? A resposta é sim. Os membros devem entender que nem eles nem os líderes são donos da igreja.13). Se eles todos respondem de modo favorável. a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado” (3. Quando os membros se recusam a obedecer e não respeitam seus líderes. ele exorta os leitores a encorajarem-se mutuamente: “Pelo contrário. Os líderes podem testificar diante do Senhor que advertiram a pessoa desviada. De maneira pastoral e prudente. exortai-vos mutuamente cada dia. Eles recebem as bênçãos do Senhor ao obedecer os líderes que Deus lhes deu. Parte XXXXII Evangelismo Ontem e Hoje INTRODUÇÃO Podemos aprender com a História da Igreja. então.19). Onde um Império destes beneficia o Evangelho? A resposta é simples! Os evangelistas utilizavam-se das mesmas estradas usadas pelos comerciantes para disseminar a Palavra de Deus.36. A 257 . sobre a conduta espiritual dos leitores não será vantajoso para nenhum deles. como um corpo eles devem responder a seus líderes. No final das contas. Dt 32. eles serão os perdedores. Ao dificultar o trabalho e a vida dos líderes. Todo o comércio era obrigado a caminhar pelas estradas de Roma. é deve ser sim! Roma construía grandes estradas para cidades circunvizinhas. o trabalho na igreja se torna um grande peso. pois. Alegria experimentada. Mas. que escolheu não abandonar o pecado.30. o trabalho de seus líderes se torna muito mais alegre. o Senhor vinga e julga seu povo (Hb 10. c. Por toda sua epístola o autor enfatizou a responsabilidade corporativa dos crentes. harmoniosamente. então.35. Para mencionar um exemplo. aquele foi o melhor momento de Jesus vir ao Mundo. ao invés de alegre. ou ela nos serve apenas para mostrarmos conhecimento livresco e ostentação de datas e nomes antigos? Foi desta pergunta que surgiu o interesse em escrever sobre este assunto! O evangelismo na Igreja Primitiva tem muito a nos ensinar hoje. onde o comércio se propagava com facilidade. De maneira semelhante. Sl 135. Por que não observarmos o mover do passado tirando dele lições preciosas para o presente? A Igreja Primitiva tem muito a ver com o que pensamos sobre evangelismo na Igreja Contemporânea! I.14). Essa pessoa morrerá em seu pecado. a quem os leitores são responsáveis. OS RUMOS DO EVANGELISMO NA IGREJA PRIMITIVA E NA IGREJA CONTEMPORÂNEA Apesar de muitos pensamentos ao contrário.

principalmente o da circuncisão. 7:5). com seu sacrifício perfeito – Jesus Cristo – conseguiu suprir todas as necessidades e incertezas humanas. para que seus pecados fossem perdoados! Os romanos se assustavam com a religião judaica porque acabavam generalizando. renúncia do “eu” (Mt. uma faísca que ajudou na grande fogueira do cristianismo. onde as pessoas tinham que ser “iniciadas”. ao contrário do que alguns pensam. e um animal era sacrificado sobre sua barriga. Assim. devia deitar-se no chão. não necessitava-se de passaporte! Sabe-se até de um certo homem que viajou para Roma 72 vezes. Um outro benefício disto. passar por processos de “batismos” de aceitação e “pactos” de sangue. era que. Mas. por exemplo. No Primeiro Século a. que apenas conheciam deuses carrascos e extremamente exigentes! Sabe-se de uma religião daqueles tempos. para aqueles que crêem (Hb. muitos começaram a aceitar a religião cristã. Num período onde as religiões de “mistério”. 258 . As religiões serviam para saciar o desejo de segurança espiritual dos homens. eram fiéis à preferência deste Imperador. que achavam ser um ato de selvageria. pois exigia-se do convertido. os filósofos começaram a disseminar o politeísmo (embora crescem eles em algum tipo de monoteísmo). Principalmente porque os judeus tinham grandes privilégios para com os romanos. ofereciam medo para adentrar-se nelas e ainda. quando as pessoas adentravam as religiões da época da Igreja Primitiva. “como consegue-se alcançar exigências tão transcendentes sendo o homem tão falho?” O Evangelho. Porém. já os evangelistas iam por Cristo. de barriga para cima. isto é. passaram até a admirar os costumes e religião dos judeus. não necessitando o ser humano fazer mais sacrifício ou penitência alguma! Isto era algo muito chamativo para as pessoas da época. inclusive. isto é. sem precisar de “burocracia” nenhuma. por Cristo Jesus. até os tempos da Igreja Primitiva. os homens ainda ficavam na incerteza. pois ficaram ao lado de César na guerra e. Na verdade. seus pontos de interrogações e incertezas não diminuíam. haviam religiões fundamentadas nos dois princípios – monoteísta e politeísta. que a pessoa. o Evangelho veio como um refrigério. achando que os sacrifícios deles também eram assim. onde haviam morte ou dor. o comerciante ia pelo dinheiro. para se viajar. conseguiram disseminála também. 16:24) através do sacrifício já feito na cruz do Calvário. Muitos romanos da época não aceitavam o judaísmo como religião por causa de seus rituais. por sua vez. continuaram com sua crença e. 8 – 10). na época da Igreja Primitiva. Os romanos. Mas. “estariam nossas atitudes agradando as exigências de tais leis?”. quando a circuncisão foi substituída pelo batismo nas águas. os judeus. O judaísmo foi. para ser iniciada nela. E isto foi causa até mesmo de grandes proselitismos e ajudas vindas deles (Lc. na Graça. geravam mais dúvidas e indagações como: “estaríamos conforme as exigências rituais religiosas prescritas na lei por nós seguidas?”. com tantas exigências rituais enquanto participavam das tais. ao contrário disto.diferença estava nos propósitos de cada um.C. que são monoteístas.. principalmente a segurança após a morte. muitas delas. após serem iniciados. de uma vítima ou do próprio iniciado.

se o evangelismo “Ontem” e “Hoje” seguem rumos bem semelhante. a maioria das pessoas entendiam o grego. o que estamos esperando? II. fosse de Sua mesma natureza. Vê-se isto até mesmo através da tolerância e conservação dos judeus neste Império. que é uma língua muito conhecida por onde passamos (quase todo o mundo tem o inglês como língua comercial). achamos que só na atualidade existem as dificuldades! Achamos isto. Desta forma. podia-se pregar o Evangelho em grego e ser entendido em quase todos os lugares civilizados daquele período. tanta chance quanto a Igreja Primitiva teve de pregar o Evangelho a toda a criatura. Se temos. pois com a perseguição assirrada. porque pensamos que se antigamente não havia tanta tecnologia. na igreja contemporânea não temos de igual modo uma língua quase que mundial como nos tempos romanos? Sim! O inglês. e havia se tornado parte da cultura religiosa do povo e que os únicos que tinham liberdade religiosa eram os judeus. pior foi o tempo onde não criam porque isto resultaria em discriminação e. sem ninguém que se equiparasse a Ele. a culpa agora é 259 . muitos dos principais e fariseus não criam no Evangelho. contribuiu muito mais do que atrapalhou. pelo fato de a língua grega ser uma língua quase que Mundial naquela época. Isso não ocorre. sem contar com os meios de comunicação de que dispomos na atualidade. nem que o Ser equiparado a Ele. necessita-se de argumentos bíblicos bem apurados e. atualmente. E isto. O EVANGELISMO COM SUAS DIFICULDADES PRIMITIVAS E ATUAIS Apesar de tantos benefícios. às vezes. e ainda eram discriminados por isto! Nós. Neste tipo de monoteísmo. Enfim. eram bem instruídos. a idolatria era predominante. também em nossa época? É claro que sim! Porém. assim. haviam também as dificuldades para se pregar o Evangelho na época da Igreja Primitiva! Muitas vezes. o fazem por liberdade. em algumas localidades. esquecemo-nos que nos tempos da Igreja Primitiva. sofrimento e até mesmo morte! Os judeus acreditavam em um tipo de monoteísmo absolutizado em uma só pessoa da Trindade. também.Percebe-se também a facilidade de se espalhar os ensinamentos de Cristo. em contrapartida. os cristãos eram bem pouco estudados! Por este motivo. Por causa da helenização. É certo que houveram tempos onde os cristãos foram fortemente perseguidos por alguns líderes romanos. também como língua comercial). como a Internet. Jeová era visto como o Deus solitário. temos liberdade religiosa apoiada pela nossa Constituição! As pessoas de hoje que não crêem em Cristo. pois quando havia afronta em uma região. os cristãos acabavam se espalhando por outros lugares. no fundo. Porém. perseguição. mas isto. houve uma disseminação maior dos cristãos pelo mundo. mostrados no capítulo anterior. contribuiu de igual modo com a pregação do Evangelho. Ou ainda o espanhol (está em 84 países. diferentemente deles. Para expor tal fato. talvez seria mais fácil as pessoas crerem em um mundo espiritual. levando consigo o Evangelho da Graça. assim como Roma foi o berço de muitos filósofos ateus. muitos dos que seguiam a religião judaica. Os judeus nunca foram proibidos de terem sua religião por nenhum imperador romano. então.

ao que parece. não as esperava “vir” até elas. não era o de César. o cristianismo por sua vez. Com isto. A cruz. no mundo espiritual. e nada disto aconteceu.35). que Ele teria grandes poderes políticos. ia até as pessoas proclamando as Boas Novas e convidando-as a renunciarem todas as práticas antigas.nossa. o Reino dele não foi deste mundo porque Sua luta foi contra um reino que também não era daqui (Jo. não estudamos. Hb. pois temos condições de estudar para atingirmos tanto a doutos quanto a indoutos em nossas pregações e. pois os romanos achavam que se o cristianismo havia surgido do judaísmo. além da religião romana. os materiais também contam. Outra dificuldade de se pregar o Evangelho naquela época. ao contrário do judaísmo. 18:36. os “campos brancos estão para a ceifa” (Jo 4. era o lugar onde morriam os malditos e. que o Messias seria também o Servo Sofredor que levaria sobre Si a nossa “maldição” através de Sua expiação. era pelo fato de que os judeus sabiam que “o Cristo” havia morrido numa cruz. o Cristo não passaria por humilhação nenhuma! Esqueceram-se de ver em Isaías 53.23. que esperava-se a pessoa vir por si mesma e tornar-se um prosélito. O Império que realmente subjugava a humanidade. não crescemos “na Graça e no conhecimento” junto (2ª Pe 3. Isto é para que percebamos como o Evangelho também encontrou dificuldades contra o paganismo greco-romano. tinha de ser examinada. Perceba-se que deixaram de ser chamados de “discípulos” (literalmente “alunos” ou “aprendizes”) e só foram chamados de “apóstolos” (que significa “enviados”) depois do período de aprendizado com Jesus Cristo! Chega de desculpas irmãos! Vamos nos preparar. por motivos variados. ao contrário do que o próprio Jesus ensinou. o cristianismo não aceitava os dias de festas pagãs. pois. segundo o livro de Deuteronômio 21:22. o Cristo nunca teria de passar por esta humilhação. não tão diferente como hoje! 260 . os judeus viviam entre os pagãos romanos e até mesmo se adaptavam ao governo de César sem muito problema. para eles. na verdade. mas sim o Império da Morte. foram os judeus. não pesquisamos. A perseguição ao cristianismo começou porque não eram os cristãos como os religiosos judeus antigos. e acabamos. começaram a perseguir os cristãos. Cristo aniquilou o mal pela raiz. para os judeus. o primordial são os valores espirituais. aderirem a muitas outras crenças paralelas e excluírem as já existentes no Império Romano. era mais excludente que o judaísmo do período. porque haveria o risco dos judeus. mas. Eles achavam. Perceba-se que os pregadores primitivos “ia” às pessoas. pela causa. O cristianismo primitivo. só alcançando os indoutos! É claro que para a pregação do Evangelho. porém. principalmente as práticas religiosas romanas. no mundo espiritual. aliás. em muitos lugares. como os cristãos. era a dos judeus.18). e a expulsá-los. o que diferenciasse destas duas. por isso não os comemorava e nem ia à praça pública comemorá-las e. não seria o “rei do pecado”. e quem também sofreu com isto. para os romanos. isto é. Não façamos da nossa “preguiça” ou “falta de vontade” um estorvo à pregação das Boas Novas do Reino de Deus! Nenhum dos discípulos de Cristo saíram a pregar o Evangelho sem antes serem preparados para tal. A única religião que poderia existir. Como o Império da Morte estava em outra dimensão. 2:14). e isto acabava prejudicando a esfera do material. pois O Messias. estes também não poderiam permanecer mais.

Isto tudo era bem diferente do Evangelho. o que estamos esperando? III. que você conhece. legislativo e territorial do mundo todo e cederia tudo a Israel. Porém. imagine só pregar o Evangelho àqueles que se julgam conhecedores plenos de Deus?! Isto ocorreu com os primeiros cristãos em Roma. Os judeus materialistas esperavam – como ainda hoje – o Messias político. Era o famoso: “Nasci nesta religião e vou morrer nela!” Seguiam os ritos. como também hoje ainda o é. os que realmente buscavam a Deus. pois eram fanáticos materialistas. apesar de tudo isto. mas não porque era a verdade.O culto greco-romano era realizado apenas por uma questão de cultura. Um pensamento bem semelhante ao de Hitler quando na época do “Holocausto”! O exclusivismo absoluto foi e é o grande problema do judeu. apenas por uma questão de tradicionalismo. conseguiam enxergar a verdade sobre Jesus e a Sua Salvação proporcionada na cruz. com seus cultos calorosos e avivados. porém. então. Cultos esses aos quais não prostravam-se diante de imagens ou objetos considerados sagrados. os que simplesmente seguiam a religião por motivo semelhante aos romanos. as promessas feitas por Deus aos profetas no Antigo Testamento. pois acham que aceitar a Jesus é trocar de “religião”? O pior cego não é aquele que não quer ver? Esta era a situação dos judeus. 6:33). simplesmente cultuavam sem inquirirem nada à respeito do que criam. Não seriam estas as dificuldades básicas de hoje também? Não temos atualmente religiões bem semelhantes às judaicas e às romanas do período da Igreja Primitiva? Não pregaram eles o Evangelho. e mesmo assim eles conseguiram. que dominaria todo setor econômico. e que estava ainda no meio deles por intermédio do Espírito Santo. Os cristãos sempre usavam como fato e como prova de que Jesus era o Messias. Ninguém queria saber se realmente haviam ou não os deuses aos quais adoravam e serviam. haviam muitos judeus que ainda seguiam sua religião à risca. poucos que realmente buscavam a Deus! Aconteceu que. A IGREJA PRIMITIVA E A DE HOJE NA EVANGELIZAÇÃO DOS JUDEUS Se pregar o Evangelho aos desconhecedores de Deus já é difícil. não aceitavam de maneira nenhuma a Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas. Queriam eles resolver um problema terreno e material olvidando o espiritual (Mt. Os seus cultos eram apenas um ritual passado de geração-a-geração. uma crença no Deus que havia morrido e ressuscitado. Fatos estes. apenas por tradição. e seguiam apenas para não perderem as tradições. Lá. 261 . administrativo. Esqueceram-se eles de seus próprios pecados e da necessidade primordial do perdão de Deus para que o “Reino dos Céus” fosse manifesto em sua vida espiritual. Quantas pessoas hoje. seguem sua religião porque aderiram cegamente a ela? Quantas que não querem ser alertadas. a toda a criatura? Se o evangelismo “Ontem” e “Hoje” encontra as mesmas dificuldades. mas sim.

vencendo as ânsias da morte (Rm. Os judeus-cristãos mostravam que todas as promessas cumpriram-se em Jesus. Jesus ressuscitou ao terceiro dia. firmando ainda a Sua Igreja para continuar disseminando a Verdade através da pregação do Evangelho a todos os povos (Mt. são ambas as religiões a mesma coisa. disseram que apesar desta briga judaica contra o cristianismo. Porém. “as murmurações no deserto”. Não somente isto levava os judeus da época a se calarem diante da Verdade. Os judeus tentavam argumentar o fato de não ser Jesus o Messias.que nunca ninguém conseguiu refutar. não havia como negar. na verdade. etc. 1:3) e apareceu a mais de quinhentos irmãos (I Co. e Jesus permaneceu. pois estes eram comumente considerados como sem valor pelos judeus tradicionais da época. podem. É aí onde o Evangelho foi de encontro às necessidades deles! Imaginem só um Deus que já havia passado pela situação de servo. Os judeus reclamavam também o fato de os cristãos usarem os mesmos livros do judaísmo (a Lei e os Profetas). porém. quando chegavam à ressurreição de Cristo. para todos os que crerem (Rm. Diziam que haviam sido roubados. A Palavra de Deus não é de cunho exclusivo e particular. onde não houve sequer uma profecia que não foi cumprida Nele. 8:46). toda a vida de Jesus. mas garantiu-nos o Dom gratuito de Deus. porém. por intermédio de muitas afirmações que diziam não ter respostas. mas como o Vitorioso. Não entendiam que Jesus não era maldito. 1:16. também perderam muitos. 6:23). e onde não houve pecado algum (Mt. não como maldito. Ele realmente ressuscitara. os cristãos diziam que os judeus não davam o valor correto à Palavra de Deus. e provaram isto com passagens como “o bezerro de ouro”. mas sim. como já exposto anteriormente. Porém. que é a morte. 28:18-20). pois não recebeu o salário do pecado. no decorrer da história. pelo fato de os judeus não aceitarem a idéia de que Jesus era o Messias tendo morrido numa cruz. Muitos. O que estamos esperando? IV. conseguiram ganhar muitos à Salvação. A IGREJA PRIMITIVA E A ATUAL NA EVANGELIZAÇÃO DE TODOS OS POVOS EM TODAS AS CULTURAS E RAÇAS O Evangelho tem uma mensagem que alcança todo tipo de coração. 15:3-8). e com isto. 26:56: Jo. Percebemos na História da Igreja Primitiva que o Evangelho foi bem recebido pelos gentios. tolices não permanecem por tanto tempo sem serem desmentidas.17). mas. ser superadas na igreja de “Hoje”. de igual modo. como também. Se as dificuldades na evangelização dos judeus e das pessoas semelhantes a eles foram superadas pela igreja de “Ontem”. 5:21). que tornou-se maldição por nós (II Co. Disseram até mesmo que Jesus foi uma tolice judaica seguida por pessoas sem escrúpulo e que não raciocinam. a Vida Eterna. sendo 262 . E isto foi mostrado desde os tempos de Jesus até aos nossos dias. Os gentios eram tratados como servos. andou entre seus discípulos por espaço de quarenta dias (At. eram humilhados e sofriam para que outros se alegrassem.

passaram a traduzir as Escrituras de forma mais empática. e não através de sacrifícios aos espíritos. que talvez até pensavam alguns que tornariam-se em escândalo para as pessoas da época. Parece que a grande dificuldade encontrada por eles. como também os contemporâneos. Isto gerou uma boa recepção do Evangelho entre os intelectuais e os escravos. mesmo que olhando para as lutas impostas pelo mundo. a também aceitarem o Grande e Único Deus – Jesus Cristo – por Quem esses homens e mulheres corajosos morriam! Ninguém morreria por uma farsa. César não exigia apenas a proclamação dele como “Senhor”. muitos eruditos da época. que não eram muito convenientes entre os gentios. O que estamos esperando para sermos diferentes também em nossa época? O cristianismo sempre foi ousado! Sempre se arriscou! E isto fez com que o Reino dos Céus lucrasse. Tudo o que tivesse apenas aparência de idolatria era de imediato abandonado por eles. graças a Deus. pensavam. Mas. como também a proclamação do Evangelho. Ali aconteceu a primeira faísca que acendeu a grande fogueira da evangelização mundial. exigia até mesmo sacrifícios e cultos a ele mesmo. por um deus que não fosse menos do que o Único e Verdadeiro! Isto não aconteceu com os japoneses Kamikazes e 263 . foi apenas a tradução do Evangelho para as línguas dos povos evangelizados. Existiam palavras escritas nos originais. pois traziam sentido estranho quando traduzidas literalmente. que sofreu para a alegria de muitos. como mostra-nos historiadores como Eusébio de Cesaréia. Os cristãos primitivos se arriscavam bastante. Os mártires cristãos. facilitando a aceitação de Jesus Cristo como único e suficiente Salvador. foi o medo dos demônios que os gentios tinham. concernente à salvação. Os primeiros cristãos consideravam que se chamassem César de “Senhor” estariam tirando o senhorio absoluto de Jesus Cristo! Isto lhes seria abominável! É claro que historicamente falando. foram na verdade usadas por Deus como meio para chamar a atenção de todos os povos ao Evangelho. Um exemplo claro quanto a isso foi a perseguição de Nero aos cristãos que não declaravam que o Imperador era “Senhor” (Kyrios no grego). Com tudo isto. Não a tradução somente das palavras mas principalmente a tradução das idéias. encontraram segurança na mensagem cristã. principalmente os que seguiam religiões animistas. mas. exterminando até mesmo o desejo de servir a Cristo dos que assistiam seus martírios. se Jesus era Todo-Poderoso e AutoSuficiente contra os ataques dos maus espíritos? Os primeiros cristãos. Um outro motivo pelo qual o Evangelho era bem aceito. pois a Palavra de Deus nunca volta vazia. que conhecia de perto o que eles passavam?! Este era o Deus que precisavam! Antioquia foi o início de tudo. lutavam principalmente contra a idolatria. Estes primeiros cristãos sabiam que toda e qualquer semelhança com o mal prejudicaria suas vidas. As tribulações que pareciam servir de derrota para a mensagem cristã. Para que outros deuses ou intermediários. acabaram por incentivar muitos que iam nas arenas para ver sangue e sofrimento por diversão. enfim. Jesus foi anunciado até os confins da terra. ou em suas cópias. ao que percebe-se.humilhado. Percebendo que pelo nome de Jesus os demônios eram expulsos.

Os primeiros evangelistas pregavam com a ajuda do Espírito Santo. e quem não consegue tais evidências. pois sabiam que eles mesmos necessitaram da salvação outorgada por Cristo no Calvário. não muito diferente dos primeiros séculos do cristianismo. alguns têm como visão primordial na pregação do Evangelho o emocionalismo. fazendo com que dessem passos no escuro. a porta da rua é a serventia da casa!” O interessante é que Jesus não ordenou à Sua Igreja seguir cartilhas de homens. também devemos trabalhar a compreensão das pessoas quanto ao valor do batismo nas águas. mas sim. mas um Farol aceso nas densas trevas do pecado. infelizmente. A CONVERSÃO NA IGREJA PRIMITIVA E NA ATUAL A conversão foi uma questão difícil de conscientização para os primeiros séculos da Era Cristã. Os filósofos ensinavam que as pessoas não podiam dar “passos no escuro”. Em nossa época. “o Clube do Bolinha”. Jesus não é só uma Luz. Foi um assunto que levou muitos pensadores a quebrarem a cabeça sobre a natureza dessa exigência. Haviam também os que achavam que o batismo tinha um certo poder mágico que capacitava as pessoas a alcançarem a salvação. referindo-se às religiões que pregavam uma fé cega. mas Sua Santa Palavra – A Bíblia Sagrada. e não complica a vida do ouvinte. quem sabe “o Clube da Luluzinha”. A pregação do Evangelho era a luz num caminho de trevas. fazendo uso abusivo da palavra “mistério”. A pregação dos nossos primeiros evangelistas não era extremista quanto a questões de costumes. onde procuram somente evidências pessoais visíveis e materialistas da “presença” de Deus. Não morriam para serem salvos. façam o favor! Acreditem se quiser. V. Hoje. sem a real compreensão e conscientização da Verdade. onde as pessoas seguiam suas crendices sem ao menos terem explicações um pouco mais concretas do “por quê” as seguiam! Diferentemente de tais religiões cegas. se quiserem participar de outro grupo. por favor. porque já eram salvos em Cristo Jesus! Não morriam para salvar. pois os que morriam por Cristo sabiam que não eram eles mesmos quem impetravam sobre si a morte. e não uma porta de mistérios às muitas dúvidas! O Evangelho explica. Saber explicar que tal ato não salva. mas que eram levados ao matadouro para serem oferecidos como oferta com cheiro suave ao Deus que tudo aquilo permitia por causa de seu Plano Eterno da Salvação. existem igrejas onde a frase que mais se ouve do púlpito é: “Quem não quiser seguir a nossa cartilha. Tudo ficava mais difícil ainda de se compreender quando falava-se em batismo nas águas! Alguns pensavam que este ato de batismo era como as iniciações feitas nas religiões de mistério da época. que fazia com que as pessoas aplicassem e compreendessem o Evangelho em suas próprias vidas. como vemos em Marcos 7: Então os fariseus e os mestres da lei perguntaram a Jesus: “Por que os seus 264 . mas sim. Muitas igrejas não são mais o veículo do Evangelho para a salvação das almas. não visavam ganhar o povo pela emoção. que é para os salvos é de fundamental importância às nossas igrejas.nem ocorre com os muçulmanos.

coragem e desprendimento material. mas o que leva as pessoas à Salvação. Eles não somente pregavam o Evangelho – eles eram o Evangelho. as iniciações. Não somente pregavam a Jesus Cristo – eram verdadeiros imitadores de Cristo. tanto para os que não conhecem a Cristo. pois todas as coisas eram 265 .. Os evangelistas do primeiro século pregavam o Evangelho com toda a ousadia. devido exatamente às conversões erradas. em seu livro “La Comunicación Del Evangelio en el Mundo Actual”.discípulos não vivem de acordo com a tradição dos líderes religiosos.. a fim de obedecerem às suas tradições!. E disse-lhes: “Vocês estão sempre encontrando uma boa maneira de pôr de lado os mandamentos de Deus. como àqueles que já conhecem.. para quem já foi justificado por Cristo Jesus. É nascer de novo.a fé vem por se ouvir a mensagem. O que salva não são os rituais. tomando o lugar da circuncisão outorgada por Deus a Abraão. pois “. E Fazem muitas coisas como essa”. o Rock in Roll Gospel. O batismo não é objeto salvador. Leon... como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios.” VI. 2º Deve haver constante evangelização. como também não tinha uma visão materialista. era porque compreenderam e assimilaram Jesus Cristo como o Único e Suficiente Salvador. do mesmo modo. o batismo é para quem já é salvo. mas o seu coração está longe de mim. As Sagradas Escrituras mostra-nos que mulheres valorosas também tomaram parte nessa missão mundial ordenada por Cristo. é a pregação genuína da Palavra de Deus. Eles não somente pregavam a mensagem da cruz – eles tomavam cada um a sua cruz.?” Ele respondeu: “Bem profetizou Isaías acerca de vocês. mas pela fé.5-9. e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo. afirma que: “1º A evangelização deve ser tensora – o ponto em que a pessoa se decide por Cristo. (Mc 7. por meio da tradição que vocês mesmos transmitiram. pois.. mesmo que para tal fosse preciso perder a própria vida! A vida dos evangelistas era um grande exemplo de fé. O autor Jorge A. etc.17). Ninguém naquela época passava necessidades enquanto outros tinham de sobra. O ENTUSIASMO DOS EVANGELISTAS DE ONTEM E DOS DE HOJE Os evangelistas da Igreja Primitiva usavam um meio muito eficaz na proclamação do Evangelho: seus próprios testemunhos de vida. Tais conversões não se baseavam no emocionalismo. hipócritas.. Muitos pensadores da época da Igreja Primitiva se converteram a Jesus Cristo. ao qual sabemos que não foi justificado por esse ato cerimonial e figurativo.13) A conversão é uma mudança total de vida. Quando tais pessoas se convertiam. Em vão me adoram. mas selo de autenticação da Salvação. as profecias. o barulho pentecostal. Assim vocês anulam a palavra de Deus. A pregação do Evangelho não estava limitada apenas aos homens.” (Rm 10. Vocês negligenciam os mandamentos de Deus e se apegam às tradições dos homens”. Sua devoção fazia com que outros se contagiassem e acabassem também se convencendo de que Cristo é real e verdadeiramente ressuscitou! Havia entre eles uma comunhão muito grande. seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens’.

muitos evangelistas atuais tentam nos convencer de que esta terra é um lugar definitivo e que nossa maior alegria está em tirarmos o maior proveito daqui. Quem tinha muito. éramos conhecidos pelo amor. muitos evangelistas de hoje não ensinam que o “barro” deve ser moldado pelo “Oleiro”. onde tudo é imediato. Muitos até diziam: “Vejam como se amam!”. não suportava ver o sofrimento do que nada tinha! Como já ouviu-se em um hino cristão. participantes da “geração microondas”. Acham que Deus está somente nos prazeres da vida. da “geração procon”. Enquanto isso. Diferente de alguns contemporâneos a nós. Atualmente ouvimos pessoas dizendo: “Vejam com se separam!” O caráter dos cristãos daquela época era totalmente modificado. Quando aquelas mulheres foram ao sepulcro de Jesus.comuns entre eles. mas infelizmente hoje. A alegria deles. Não estamos aqui ensinando “primitivismo”. mesmo numa arena cheia de leões famintos querendo devorá-los. mas também não significa que Ele seja um Ser “anacrônico”. os primeiros cristãos eram felizes. O Evangelho deve ser uma chama ardendo em nossos corações. Eles sentiam-se lisonjeados quando surrados por causa da fé cristã. mas relembrando o que fez a Igreja Primitiva de positivo. Os evangelistas eram pessoas perseverantes. isto é. não é Deus de mortos! O Evangelho deve ser para nós o que foi para os primeiros evangelistas: a razão da estada da Igreja aqui na terra. Se a História da Igreja não nos servir de apoio para a conscientização. a razão de sermos luz. mesmo diante de tais circunstâncias. Preguemos com a convicção e com o entusiasmo que pregaram os evangelistas da Igreja Primitiva. Não se deixavam vencer facilmente. Ele está vivo. viram que Ele não estava lá. Muitas teologias baratas nos são ensinadas por alguns televangelistas. envoltos em faixas embebidas em azeite ou piche amarrados a um poste pegando fogo. Muitas vezes tentamos encaixar a Palavra de Deus em nossas maneiras mesquinhas e exclusivistas de viver. Além de tudo. onde Deus é a loja e nós os consumidores insatisfeitos. Não façamos da vida cristã uma monotonia. como se houvesse um tipo de ética cristã individualista. Nosso Deus não depende do tempo. Somos livres para servirmos a Deus através da “Ética Absoluta Univérsica” por meio de Sua Palavra. e que as demais coisas nos seriam acrescentadas conforme a necessidade real e a vontade de Deus. Enquanto os evangelistas da Igreja Primitiva mostravam que somos peregrinos na terra. não somos livres para fazer o que quisermos da maneira que queremos. sal e imitadores de Cristo. então nunca passará de uma matéria técnica onde guardamos apenas nomes e datas. através de nossas tradições dogmatizadas. e o amor às almas a lenha que ajuda esse fogo a queimar! 266 . somos conhecidos de forma diferente. ou em qualquer outro lugar de martírio. tentando nos mostrar que cristianismo é somente riquezas e alegrias externas. fazia com que muitos espectadores se convertessem ao Evangelho. Não ouvia-se de suas bocas nenhum tipo de murmúrio ou reclamação por estarem sofrendo. e ainda chamamos a isso de liberdade cristã! Porém.

o ensino foi um método muito utilizado por eles pois. na carteira de uma escola. E para tal. mas. A profecia tinha em sua essência a vontade salvadora de Deus na vida do ser humano. só vai crente. e o pior. mas sim. em uma montanha. porque “quem profetiza o faz para edificação. Este tipo de evangelização era feito em locais onde não eram de uso exclusivo para pregadores. não se via Deus prometendo carro. Escolhiam lugares não evangelizados e levavam a Igreja ao povo. na poltrona de um ônibus. Os primeiros evangelistas da História da Igreja. O ensino evangelístico mostra o que Deus quer de cada um e o que quer da sociedade evangélica: um corpo bem ajustado. esquecendo-se da eficácia regeneradora do Evangelho. Quando alguém era usado no dom de profecia. mas percebe-se que essas eram totalmente baseadas nas Escrituras Sagradas (Is 8.VII. MODOS DE PREGAÇÃO DA IGREJA PRIMITIVA E CONTEMPORÂNEA Os evangelistas da Igreja Primitiva não faziam grandes congressos evangelísticos com temas pré-determinados. marido. pela ligação de cada uma das partes. como algumas igrejas contemporâneas que marcam seus cultos ao ar livre apenas para depois ficarem se gabando de que fazem isto enquanto outras não. O evangelismo ao ar livre pode ser improvisado na polpa de um barco. Método este bem improvisado. mas com as almas. onde o intuito é juntar a maior quantidade de pessoas que puderem. Um desses métodos era a evangelização ao ar livre. na mesa de uma casa. dor de cabeça. A evangelização pelo método do ensino não produz pessoas que sempre necessitarão de alguém para ser uma “muleta espiritual” para fazê-las caminhar. Parece que alguns congressos evangelísticos contemporâneos são mais congressos “evangelásticos”. a pregação teve um valor imensurável na Igreja Primitiva. etc. Entristece perceber que hoje alguns preocupam-se só com barulho. encorajamento e consolação dos homens” (1ª Co 14. etc. passageira e individualista de cada um! Na verdade. Não faziam isto apenas como tarefa. boa situação financeira. O ensino produz na vida do ser humano a fé e o sustento necessário para que nos tornemos discípulos e discipuladores.20). em uma carruagem. Não que isto seja errado. tinham em mente que o Evangelho deveria ser compreendido e não seguido cegamente como se fosse uma religião de mistérios só para “iniciados”. Era o método evangelístico que mostrava a prova de que 267 . davam lugar também à profecia. casa. O testemunho da Obra Salvadora de Cristo feita em suas vidas também era um meio de evangelização.3). mas já que seria mais difícil o povo ir à Igreja. evangelizavam através de métodos dados por Deus. e não para a mera satisfação material. locais improvisados na hora. E isto. Em muitas de suas pregações. e não almas perdidas para serem ganhas pela pregação do Evangelho. Apenas lembramos que muitos evangelistas contemporâneos ocupam-se de tais coisas como se o foco principal dos grandes congressos fosse a satisfação pessoal do pregador e a dos crentes que lá estão. por uma mente fértil e preocupada não com a aparência.

enviou-lhes Seu Único Filho para morrer pela humanidade. Um tipo de evangelização diferente da oral. Contudo. em seu sentido real. em forma de agradecimento. que sendo ainda pecadores. a resposta seria: “melhor do que mereço”! 268 . E isto de uma maneira bem mais hermenêutica. pois uma única alma tinha um valor extraordinário. foi o da evangelização literária. principalmente quando se tratava do cabeça da família. se lhes perguntássemos como estavam passando. Os lares eram pontos estratégicos do evangelismo. porém. Os amigos e os familiares eram os ouvintes. Mas isto não era um fator impedidor para essas mulheres valorosas. A MOTIVAÇÃO PARA SE PREGAR O EVANGELHO ENTRE OS PRIMEIROS EVANGELISTAS ERAM AS MESMAS DOS DE HOJE? Todas as pessoas têm motivações para fazerem algo! Então. o último método utilizado que descreveremos aqui. incluindo eles! Assim. normalmente passava por grandes lutas quando este não simpatizava com o Evangelho. a falta de um meio de transporte para levá-los aos locais de evangelismo. Os crentes de Beréia por exemplo foram evangelizados por tal método. eles eram motivados pelo sentimento de gratidão. pois o que está escrito não se muda. E avivamento. nem que isto lhes custasse a vida! Eles tinham sentimento agradecido pela salvação até mesmo diante de uma perseguição ou agravos físicos sofridos nesta vida. levavam o Evangelho a toda criatura. Felipe e o Eunuco de Candace foram um exemplo disto. porque lembravam-se das palavras de Cristo dizendo-lhes a que amassem mais a Ele do que a família. Era favor imerecido! Com isto. os primeiros evangelistas da Igreja tiveram suas motivações para evangelizar o mundo de sua época. etc. através de seu testemunho pessoal. Esses evangelistas não se preocupavam somente com a quantidade. quando era a esposa quem aceitava a Cristo. Parece que mesmo diante de muitas dificuldades. A escrita foi um método que muito ajudou.o que pregavam realmente era verdade. ao que parece! Porque não conhecermos mais a Bíblia para podermos fazer como o apóstolo Paulo diante do povo bereano? Qual o valor dado ao estudo minucioso da Palavra de Deus em cursos e seminários pelos nossos atuais evangelistas? Esperamos que a resposta seja positiva! VIII. no sentido que não mudava-se o teor da mensagem quando era passada de pessoa a pessoa. apesar de muitos outros utilizados pela Igreja Primitiva. Hoje. este poderia evangelizar o restante da casa. Enfim. percebiam que a Graça de Deus era manifesta em suas vidas. pois temos o texto ali diante de nós para inquirirmos sobre ele. dos cultos que não estavam como eles queriam. a examinar-se com detalhes o quer-se dizer com a mensagem. O evangelismo pessoal teve destaque nos primórdios da Igreja. Quais eram tais motivos? Em primeiro lugar. Não murmuravam. até os confins da terra. Eles sabiam que Deus havia provado Seu amor para com eles. e ainda ajuda. o que importa a alguns é o “movimento” e não o “avivamento”. Quando se ganhava uma alma em um lar. e não o marido. não reclamavam a vida financeira. parece ser “geração de novas vidas na igreja” e não “barulhão” de velhos crentes da igreja.

É uma preocupação que vem pelo fato de sabermos o que o futuro sem Cristo reserva para a humanidade descrente. Vivemos a História promulgada por Deus: a História com começo. não está tão longe de nós! Pode estar em nossa volta. Toquemos a trombeta em Sião! A terceira motivação era o sentimento de preocupação. Será que não seremos culpados de muito sangue? Não estaria na hora de despertarmos do sono? Não está na hora de pregarmos o Evangelho a todo o mundo? O mundo. Mas. Por causa disto alguns até acham que os evangelistas da Igreja Primitiva tentavam ganhar as pessoas através do medo quanto a vida após a morte.A segunda motivação era o sentimento de responsabilidade. passageiros e exclusivistas. muitas pessoas seriam dizimadas ao inferno. na escola. A função do atalaia era ficar de guarda no ponto mais alto dos muros do reino. Conforme o toque de sua trombeta o povo se comportava de maneira diferente. e não um “conto de fadas”. às vezes. seu vizinho. mas não era esta a causa do evangelismo deles – ganhar as pessoas – como se fosse um jogo de quem convence mais. Se fosse uma visita cordial de um reino amigo. não nos acomodamos a ponto de sermos passivos quanto a salvação do próximo? Moisés colocou sua vida em risco por causa de um povo pecador! Não colocamos nem mesmo nosso tempo. Não se conformavam em saber que seu Imperador. que é semelhante ao de responsabilidade. seu pai ou mãe iriam para o inferno! Sabiam que isto era um fato. O que aconteceu de ruim no passado deve valer-nos como disciplina para não mais errarmos como antes. Eles sabiam que eram os “atalaias” de Deus. Por exemplo. O que aconteceu de bom deve servir-nos como auxílio para a compreensão de nossa tarefa e para que possamos continuar a desenvolvermo-nos na “economia divina”. tocava a trombeta no ritmo de guerra para que o povo se preparasse para tal. o toque da trombeta seria em ritmo amistoso. de qual a maior religião do mundo. Os evangelistas dos primeiros séculos tinham semelhante responsabilidade concernente à pregação do Evangelho. seu irmão. meio 269 . em risco por causa de uma alma. etc. Não é uma questão de quem tem mais seguidores. Eles choravam com os que choram. e não conceitos humanos. devemos sempre nos perguntar: como posso melhorar na linha do tempo? Olhando a linha e aprendendo através dela parece ser um bom começo! O evangelismo de “Ontem” pode auxiliar bastante no desenvolvimento e no aprimoramento do evangelismo de “Hoje”. Sabiam que se eles não dessem o “sonido da trombeta” ou se este fosse incerto. nosso cargo eclesial. CONSIDERAÇÕES FINAIS A história deve servir-nos como alerta. Será que muitos de nós. A História é linear. atualmente. nossa vida financeira. uma questão de amor e compaixão pela vida do próximo. se o atalaia percebia que um reino inimigo se aproximava. Evangelizemos a tempo e fora de tempo. ou mesmo em nossa casa. preguemos a Palavra de Deus. e não circular como pensa as religiões orientais. e assim por diante. na rua. Assim. mas sim. com o que se vestiriam ou o que comeriam. nosso nome. no serviço. Eles preocupavam-se com o futuro das pessoas. Não o futuro temporal. A nossa História não é uma História Sem Fim. A preocupação primária deles era com a eternidade do ser humano. isto é.

1995. Não sejamos meros espectadores da História da Humanidade. D. Evangelização na Igreja Primitiva. 1994. 1997. Michael. Teologia do Novo Testamento. Estude com fé depois de ter terminado os seus estudos. J. solicite o seu Lindo DIPLOMA de Formatura e a sua Credencial de Seminarista formado. São Paulo: Vida Nova. 1989. GREEN. também poderá solicitar estagio missionário em uma de nossas igrejas no Brasil ou exterior traves da Federação Internacional das Igrejas e Pastores no Brasil ou Fenipe. Sem nadas mais graça e Paz da Parte de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo bons estudos. História Eclesiástica. alcançando media acima de 7. Reverendo Antony Steff Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana Renovada de Nova Vida Presidente da Federação Internacional das Igrejas e Pastores no Brasil ou Fenipe 270 . 2ª ed.5. O Novo Dicionário da Bíblia. assim você poderá também receber a sua Credencial de Ministro Aspirante ao Ministério de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. 1ª ed. PENHA. 1999.com. que depois do Estagio se assim o achar apto para o Ministério poderá solicitar a sua ordenação por uma de nossas organizações filiadas no Brasil ou no exterior. São Paulo: Vida Nova. 2ª ed. pois devemos nos preocupar com o “Amanhã”! NOTA BIBLIOGRÁFICA CESARÉIA. Eusébio de. Deus nos conclama a participarmos dela com mais responsabilidade. se assim quiser. Esta apostila tem 270 pagina boa sorte. 3ª ed. logo após respondido e corrigido o questionário. DOUGLAS. envie seu questionário com as respostas devidas para o endereço de e-mail: teologiagratis@hotmail. João da. Períodos Filosóficos. George Eldon. São Paulo: Novo Século.e fim. Série Princípios. LADD. São Paulo: Exodus. São Paulo: Ática. Que o “Ontem” de desperte para “Hoje”.

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