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APOSTILA DE CONHECMENTOS PEDAGÓGICOS.pdf

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CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
1 LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL: LEI Nº 9.394/96 E SUAS ALTERAÇÕES.
TÍTULO I Da Educação Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. § 1º Esta Lei disciplina a educação escolar, que se desenvolve, predominantemente, por meio do ensino, em instituições próprias. § 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social. Destaca-se que a lei possui abrangência somente nos ambientes escolares, sendo que processos educacionais são muito mais amplos e também podem ocorrer em outros espaços e situações. TÍTULO II Dos Princípios e Fins da Educação Nacional Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; IV - respeito à liberdade e apreço à tolerância; V - coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; VI - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; VII - valorização do profissional da educação escolar; VIII - gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino; IX - garantia de padrão de qualidade; X - valorização da experiência extraescolar; XI - vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais. Todos os aspectos mencionados neste artigo são de extrema importância, visto que abordam os princípios democráticos previstos e inspirados pela Constituição promulgada em 1988, na qual se valorizam a criticidade, a participação popular, o envolvimento coletivo, o pluralismo de ideias entre outros aspectos. TÍTULO III Do Direito à Educação e do Dever de Educar Art. 4º O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de:
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LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, popularmente conhecida pela sigla LDB, define e regulariza o sistema de educação  brasileiro  baseado em princípios constitucionais. A primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional foi criada no ano de 1961, sendo posteriormente substituída por uma nova versão, já em 1971. A mais recente, e também atual, foi promulgada no ano de 1996. Em 1988, com a promulgação da Nova Constituição da República Federativa do Brasil, a versão anterior da LDB foi considerada obsoleta, carecendo de uma interpretação mais atualizada e atenta aos novos desafios educacionais do país. No entanto, esta aprovação aconteceu somente após oito anos da nova constituição, ou seja, em 1996. O texto aprovado em 1996 é fruto de um longo debate, pautado na existência de duas propostas distintas, quais sejam: a primeira, popularmente conhecida como Projeto Jorge Hage, sendo resultado de uma série de debates abertos com a sociedade, organizados pelo  Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública, apresentado na  Câmara dos Deputados; já a segunda foi elaborada pelos então senadores  Darcy Ribeiro,  Marco Maciel  e  Maurício Correa, sendo esta em articulação com o poder executivo através do MEC. Destaca-se que a principal divergência entre as duas versões era em razão do papel do Estado. O Projeto Jorge Hage apresentava uma grande preocupação com mecanismos de controle social do sistema de ensino; Já a segunda visava uma estrutura de poder mais centrada nas mãos do  governo. Ao final, prevaleceram majoritariamente as ideias da segunda proposta, encabeçadas pelo educador e então Senador Darcy Ribeiro. De antemão, antes da análise de alguns artigos, torna-se importante o apontamento de alguns aspectos principais relacionados à Lei 9394/96. A Lei foi promulgada no ano de 1996, mais precisamente no dia 20 de dezembro, sob o mandato do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Darcy Ribeiro foi o relator da lei 9394/96. Paulo Renato de Souza era o Ministro da Educação. A Nova LDB pressupõe a Gestão democrática do ensino público e progressiva autonomia pedagógica e administrativa das unidades escolares, aspectos previstos nos artigos 3 e 15. Na sequência segue a LDB na íntegra, acompanhada de alguns comentários dos aspectos mais relevantes. LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Didatismo e Conhecimento

elaborar o Plano Nacional de Educação. IV . (Redação dada pela Lei nº 12. obrigatório e gratuito. junto aos pais ou responsáveis.114.fazer-lhes a chamada pública.atendimento gratuito em creches e pré-escolas às crianças de zero a seis anos de idade. e. nos termos deste artigo. o Distrito Federal e os Municípios. III . 6o É dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula dos menores. torna-se importante perceber que as responsabilidade ora são específicas e ora são compartilhadas. Art. organização sindical. II . outros direitos merecem destaque. II . de modo a assegurar formação básica comum. de 2005) Esta informação é bastante observada em concursos. atendidas as seguintes condições: I . ressalvado o previsto no art. seja para aqueles que não tiveram acesso em idade própria.atendimento ao educando. associação comunitária. competências e diretrizes para a educação infantil. . preferencialmente na rede regular. § 2º Os sistemas de ensino terão liberdade de organização nos termos desta Lei.organizar. ou seja. como o papel do Estado em garantir a todos o ensino fundamental. Inegavelmente.estabelecer. redistributiva e supletiva em relação às demais instâncias educacionais.atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais. IV .oferta de educação escolar regular para jovens e adultos. o Distrito Federal e os Municípios. a partir dos seis anos de idade. X – vaga na escola pública de educação infantil ou de ensino fundamental mais próxima de sua residência a toda criança a partir do dia em que completar 4 (quatro) anos de idade. 7º O ensino é livre à iniciativa privada. definidos como a variedade e quantidade mínimas.universalização do ensino médio gratuito. de 2009) III . IX . e os jovens e adultos que a ele não tiveram acesso. por meio de programas suplementares de material didático-escolar. § 4º Comprovada a negligência da autoridade competente para garantir o oferecimento do ensino obrigatório. o Ministério Público.recensear a população em idade escolar para o ensino fundamental. em colaboração com os Estados. Didatismo e Conhecimento 2 § 3º Qualquer das partes mencionadas no caput deste artigo tem legitimidade para peticionar no Poder Judiciário. 5º O acesso ao ensino fundamental é direito público subjetivo. sendo gratuita e de rito sumário a ação judicial correspondente. Ainda. da pesquisa e da criação artística. na hipótese do § 2º do art. acionar o Poder Público para exigi-lo. 213 da Constituição Federal. exercendo sua função redistributiva e supletiva. no ensino fundamental.capacidade de autofinanciamento. III . Art. ao Distrito Federal e aos Municípios para o desenvolvimento de seus sistemas de ensino e o atendimento prioritário à escolaridade obrigatória. o Poder Público assegurará em primeiro lugar o acesso ao ensino obrigatório. adequado às condições do educando.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS I . com características e modalidades adequadas às suas necessidades e disponibilidades.zelar. grupo de cidadãos. (Redação dada pela Lei nº 11. § 2º Em todas as esferas administrativas. TÍTULO IV Da Organização da Educação Nacional Nos próximos artigos. seja para os alunos em idade escolar. VI . entidade de classe ou outra legalmente constituída. independentemente da escolarização anterior. merece destaque vários aspectos. transporte. os Estados. também é papel do estado ofertar ensino noturno com as mesmas condições do ensino diurno. Art.ensino fundamental.700. os respectivos sistemas de ensino. ainda. Art. VII . de insumos indispensáveis ao desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem. que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos.acesso aos níveis mais elevados do ensino.061. § 1º Caberá à União a coordenação da política nacional de educação. preferencialmente na rede regular de ensino. manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais do sistema federal de ensino e o dos Territórios. de 2008). 8º A União. V . pela freqüência à escola. § 1º Compete aos Estados e aos Municípios.padrões mínimos de qualidade de ensino. em regime de colaboração.prestar assistência técnica e financeira aos Estados. de maneira gratuita. segundo a capacidade de cada um. Art.autorização de funcionamento e avaliação de qualidade pelo Poder Público. Também. o Distrito Federal e os Municípios organizarão. como o EJA adequando às necessidades e disponibilidades dos discentes e creches e préescolas gratuitamente a todas as crianças de zero a seis anos. podendo qualquer cidadão. VIII . conforme as prioridades constitucionais e legais. merece destaque o processo de universalização do ensino médio. contemplando em seguida os demais níveis e modalidades de ensino. em colaboração com os Estados. 9º A União incumbir-se-á de: (Regulamento) I . e com a assistência da União: I .cumprimento das normas gerais da educação nacional e do respectivo sistema de ensino. II . poderá ela ser imputada por crime de responsabilidade. inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria. a obrigatoriedade de matrícula dos menores a partir dos seis anos. (Incluído pela Lei nº 11. sendo os pais os responsáveis sujeitos a penalidades se não a fizerem. o Poder Público criará formas alternativas de acesso aos diferentes níveis de ensino. alimentação e assistência à saúde. neste artigo. Ademais. também é papel do estado o atendimento de alunos com necessidades especiais. no ensino fundamental público. II . articulando os diferentes níveis e sistemas e exercendo função normativa. 208 da Constituição Federal. § 5º Para garantir o cumprimento da obrigatoriedade de ensino.oferta de ensino noturno regular. por aluno. Por fim. III . o ensino fundamental e o ensino médio. garantindo-se aos que forem trabalhadores as condições de acesso e permanência na escola. em regime de colaboração.

informar pai e mãe. credenciar. (Redação dada pela Lei nº 12. Os Municípios poderão optar. integrando e coordenando as suas ações e as dos seus Municípios. a União terá acesso a todos os dados e informações necessários de todos os estabelecimentos e órgãos educacionais. as quais devem assegurar a distribuição proporcional das responsabilidades.organizar. médio e superior. conviventes ou não com seus filhos. II . serão apresentadas todas as obrigações das unidades de ensino.organizar.velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente.elaborar e executar sua proposta pedagógica. cabe aos municípios manter instituições oficiais. com prioridade. II . credenciar e supervisionar os estabelecimentos do seu sistema de ensino. por se integrar ao sistema estadual de ensino ou compor com ele um sistema único de educação básica.baixar normas gerais sobre cursos de graduação e pós-graduação.assumir o transporte escolar dos alunos da rede municipal. Os estabelecimentos de ensino.coletar. 10. 38 desta Lei. credenciar. transporte de alunos da rede municipal.7. Os Municípios incumbir-se-ão de: I . de 31. supervisionar e avaliar.exercer ação redistributiva em relação às suas escolas.(Incluído pela Lei nº 10. com os Municípios.013.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS V . 12. IV . V . criado por lei. VII . V . com prioridade. com prioridade. integrando-os às políticas e planos educacionais da União e dos Estados. independente do nível ou modalidade. Ao Distrito Federal aplicar-se-ão as competências referentes aos Estados e aos Municípios. Didatismo e Conhecimento 3 Em resumo.baixar normas complementares para o seu sistema de ensino. (Redação dada pela Lei nº 12.2003) Parágrafo único. VI . respectivamente.autorizar.baixar normas complementares para o seu sistema de ensino. sendo. § 2° Para o cumprimento do disposto nos incisos V a IX. III . de 2001) . de 2009) VII . credenciar. reconhecer.assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar no ensino fundamental. analisar e disseminar informações sobre a educação. em colaboração com os sistemas de ensino. prestar assistência técnica e financeira. VI .061. Art. supervisionar e avaliar (ensino superior) – esta função também pode ser delegada ao estado. 11. respeitado o disposto no art. § 1º Na estrutura educacional.oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas. (Incluído pela Lei nº 10. III . VII .709. VI . IV . manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino.709. permitida a atuação em outros níveis de ensino somente quando estiverem atendidas plenamente as necessidades de sua área de competência e com recursos acima dos percentuais mínimos vinculados pela Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento do ensino. reconhecer.assumir o transporte escolar dos alunos da rede estadual. com funções normativas e de supervisão e atividade permanente. III . os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino. § 3º As atribuições constantes do inciso IX poderão ser delegadas aos Estados e ao Distrito Federal. haverá um Conselho Nacional de Educação. de 2009) VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município.autorizar. terão a incumbência de: I . se for o caso.assegurar processo nacional de avaliação das instituições de educação superior. com a cooperação dos sistemas que tiverem responsabilidade sobre este nível de ensino. II . IV . reconhecer.prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento. assegurar o ensino fundamental. formas de colaboração na oferta do ensino fundamental. baixar normas (graduação e pós-graduação). o ensino fundamental. V . VIII .assegurar o ensino fundamental e oferecer. possui no processo. manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino. (Incluído pela Lei nº 10. Em resumo. respectivamente. baixar normas complementares. baixar normas. A seguir. os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino. criando processos de integração da sociedade com a escola. objetivando a definição de prioridades e a melhoria da qualidade do ensino.autorizar. autorizar. transporte (rede estadual). respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino.elaborar e executar políticas e planos educacionais. possibilidade de atuar em outros níveis de ensino. Em resumo. o ensino médio a todos que o de andarem.administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros. Art. os responsáveis legais. ao juiz competente da Comarca e ao respectivo representante do Ministério Público a relação dos alunos que apresentem quantidade de faltas acima de cinquenta por cento do percentual permitido em lei. sobre a frequência e rendimento dos alunos. em consonância com as diretrizes e planos nacionais de educação. de 31. oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas e. Os Estados incumbir-se-ão de: I . de acordo com a população a ser atendida e os recursos financeiros disponíveis em cada uma dessas esferas do Poder Público. supervisionar e avaliar. VI . elaborar e aplicar processos nacionais de avaliação.assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas. parceria com os municípios para a oferta de ensino fundamental.definir. estabelecer competências e diretrizes (nortear currículos). Art.7. e. IX . e. cabe à União elaborar o Plano Nacional de Educação. o ensino fundamental. ainda. cabe aos Estados e ao Distrito Federal Manter suas instituições oficiais. bem como sobre a execução da proposta pedagógica da escola.287. sem exceções.2003) Parágrafo único. supervisionar seus estabelecimentos. todas importantes para o entendimento das reais atribuições que cada escola.articular-se com as famílias e a comunidade. desde que mantenham instituições de educação superior.

III .as instituições de ensino mantidas pela União. IV .privadas. médio e de educação infantil mantidas pelo Poder Público municipal. Os sistemas de ensino dos Estados e do Distrito Federal compreendem: I . 16. Art. Art.os órgãos de educação estaduais e do Distrito Federal. que incluam na sua entidade mantenedora representantes da comunidade. além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento.ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos. 22.as instituições de ensino mantidas. as instituições de educação infantil.020. integram seu sistema de ensino. Art. 15. presente no art. IV . ensino fundamental e ensino médio. todas também extremamente importantes. Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira. 17. III . assim entendidas as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas. Os docentes incumbir-se-ão de: I . II . Art. sem fins lucrativos. II . o que está em pauta são as atividades incumbidas aos docentes.as instituições do ensino fundamental. III . Art. assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. Portanto.particulares em sentido estrito.participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola. Ainda na sequência. II .as instituições de ensino fundamental e médio criadas e mantidas pela iniciativa privada.os órgãos federais de educação.participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino. pelo Poder Público estadual e pelo Distrito Federal. pois são de fácil interpretação.públicas. A educação escolar compõe-se de: I .confessionais. 19. de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: I . criadas e mantidas pela iniciativa privada. Art. serão apresentados a composição de cada um dos sistemas de ensino.educação básica. o federal. Agora. 21. II . ou seja. à avaliação e ao desenvolvimento profissional. TÍTULO V Dos Níveis e das Modalidades de Educação e Ensino CAPÍTULO I Da Composição dos Níveis Escolares Os níveis escolares apresentados na sequência não carecem de maiores comentários.estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento. A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando. formada pela educação infantil. de 2009) III . V . assim entendidas as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas que atendem a orientação confessional e ideologia específicas e ao disposto no inciso anterior. CAPÍTULO II DA EDUCAÇÃO BÁSICA Seção I Das Disposições Gerais Art.colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade. no Artigo 14. II . na forma da lei. respectivamente. temas estes bastante recorrentes em concursos ligados à LDB. Art. 18. inclusive cooperativas educacionais. assim entendidas as mantidas e administradas por pessoas físicas ou jurídicas de direito privado. II .elaborar e cumprir plano de trabalho. Didatismo e Conhecimento 4 Parágrafo único.comunitárias. também merece destaque a separação em duas categorias administrativas (Públicas e Privadas).as instituições de educação superior criadas e mantidas pela iniciativa privada. o estadual/distrital e o municipal. Art. (Redação dada pela Lei nº 12. amplamente difundido na nova LDB.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS No artigo anterior foram apresentadas as atribuições das unidades de ensino.as instituições de educação infantil criadas e mantidas pela iniciativa privada.as instituições de educação superior mantidas pelo Poder Público municipal. mais uma vez a presença do termo democrática. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica.participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. III – os órgãos municipais de educação. . O sistema federal de ensino compreende: I .educação superior. mantidas e administradas pelo Poder Público. Percebe-se. II . No Distrito Federal. observadas as normas gerais de direito financeiro público. 19. As instituições de ensino dos diferentes níveis classificam-se nas seguintes categorias administrativas: (Regulamento) I . assim entendidas as que são instituídas e mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas de direito privado que não apresentem as características dos incisos abaixo. 14. II . 13. assim entendidas as criadas ou incorporadas. saber identificar os itens pertinentes a cada sistema é extremamente importante. segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino. VI . Tratamse de temas bastante observados em concursos públicos que abordam temas da LDB. IV . respectivamente.zelar pela aprendizagem dos alunos. As instituições privadas de ensino se enquadrarão nas seguintes categorias: (Regulamento) I . Os sistemas municipais de ensino compreendem: I . 20.filantrópicas. Na sequência. Art.

(Redação dada pela Lei nº 12. para alunos que cursaram. é componente curricular obrigatório da educação básica. ciclos. com base na idade. por uma parte diversificada. ou turmas. de 1º.poderão organizar-se classes. pode ser feita: a) por promoção. dentro das possibilidades da instituição.287. de 2012) .o controle de frequência fica a cargo da escola. sendo sua prática facultativa ao aluno: (Redação dada pela Lei nº 10. artes. em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar. de 1º. § 5º Na parte diversificada do currículo será incluído. o regimento escolar pode admitir formas de progressão parcial. (Incluído pela Lei nº 12. conforme o disposto no seu regimento e nas normas do respectivo sistema de ensino. grupos não-seriados. com aproveitamento. declarações de conclusão de série e diplomas ou certificados de conclusão de cursos. para o ensino de línguas estrangeiras. constituirá componente curricular obrigatório nos diversos níveis da educação básica. o ensino de pelo menos uma língua estrangeira moderna.2003) VI – que tenha prole. de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos.793. períodos semestrais.2003) § 4º O ensino da História do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro.2003) III – que estiver prestando serviço militar inicial ou que.793.2003) I – que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a seis horas. Será objetivo permanente das autoridades responsáveis alcançar relação adequada entre o número de alunos e o professor. A educação básica. com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais. e) obrigatoriedade de estudos de recuperação.793. a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos. Didatismo e Conhecimento 5 VII . III . sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar. II .608. b) por transferência. de 1º. § 2º O calendário escolar deverá adequar-se às peculiaridades locais.2003) IV – amparado pelo Decreto-Lei no 1. com as especificações cabíveis. § 2o O ensino da arte. o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política. Art. de 1º. (Incluído pela Lei nº 11. ou outros componentes curriculares. VI . de 1º. 25. Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum. quando houver. com alunos de séries distintas. de 2008) § 7o Os currículos do ensino fundamental e médio devem incluir os princípios da proteção e defesa civil e a educação ambiental de forma integrada aos conteúdos obrigatórios.12. d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito. mas não exclusivo. 23. na própria escola. Art.12. a série ou fase anterior. nos níveis fundamental e médio. (Incluído pela Lei nº 10.793.769. Cabe ao respectivo sistema de ensino. exigida a frequência mínima de setenta e cinco por cento do total de horas letivas para aprovação.12. a partir da quinta série. especialmente em suas expressões regionais. distribuídas por um mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar. inclusive climáticas e econômicas. § 1º Os currículos a que se refere o caput devem abranger.12.a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios: a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno. mediante avaliação feita pela escola. de 2010) § 3o A educação física.cabe a cada instituição de ensino expedir históricos escolares. ou por forma diversa de organização.12. de 1º. § 1º A escola poderá reclassificar os alunos. o estudo da língua portuguesa e da matemática. integrada à proposta pedagógica da escola.12. especialmente das matrizes indígena. tendo como base as normas curriculares gerais. c) independentemente de escolarização anterior. especialmente do Brasil. estabelecer parâmetro para atendimento do disposto neste artigo. Parágrafo único. da economia e da clientela. exceto a primeira do ensino fundamental. a ser complementada. na competência e em outros critérios. IV . (Incluído pela Lei nº 10.a carga horária mínima anual será de oitocentas horas.nos estabelecimentos que adotam a progressão regular por série. cuja escolha ficará a cargo da comunidade escolar. para candidatos procedentes de outras escolas. b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar. c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado. africana e europeia. (Incluído pela Lei nº 10.793. Art.2003) II – maior de trinta anos de idade. que defina o grau de desenvolvimento e experiência do candidato e permita sua inscrição na série ou etapa adequada. V .a classificação em qualquer série ou etapa.793.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. da cultura. com níveis equivalentes de adiantamento na matéria. desde que preservada a sequência do currículo. a critério do respectivo sistema de ensino. obrigatoriamente.2003) V – (VETADO)(Incluído pela Lei nº 10. excluído o tempo reservado aos exames finais. 26. obrigatoriamente. 24. (Incluído pela Lei nº 10.793. sem com isso reduzir o número de horas letivas previsto nesta Lei. para os casos de baixo rendimento escolar. de 1º. alternância regular de períodos de estudos. em situação similar.12. A educação básica poderá organizar-se em séries anuais. § 6o A música deverá ser conteúdo obrigatório. à vista das condições disponíveis e das características regionais e locais. inclusive quando se tratar de transferências entre estabelecimentos situados no País e no exterior. exigida pelas características regionais e locais da sociedade. de 21 de outubro de 1969.044. (Incluído pela Lei nº 10. conforme regulamentação do respectivo sistema de ensino. a carga horária e as condições materiais do estabelecimento. do componente curricular de que trata o § 2o deste artigo. estiver obrigado à prática da educação física. será organizada de acordo com as seguintes regras comuns: I . observadas as normas do respectivo sistema de ensino. de preferência paralelos ao período letivo.

das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade. sem prejuízo da avaliação do processo de ensinoaprendizagem.(Incluído pela Lei nº 12. III . mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.7. para as crianças de quatro a seis anos de idade. do sistema político.475. com duração de 9 (nove) anos.274. resgatando as suas contribuições nas áreas social. Currículo: Base Nacional Comum e Base Nacional Diversificada. intelectual e social. Didatismo e Conhecimento 6 II . a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional. (Redação dada pela Lei nº 11.472. ainda.1997) § 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a definição dos conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas para a habilitação e admissão dos professores. O ensino religioso. (Redação dada pela Lei nº 9. tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade. para crianças de até três anos de idade. O ensino fundamental obrigatório. (Redação dada pela Lei nº 11.promoção do desporto educacional e apoio às práticas desportivas não-formais. 33. 31. obrigatoriamente. de matrícula facultativa. de 2006) I . Em resumo.645. tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura.orientação para o trabalho. Art. Frequência Mínima de 75%. de 2008). 32. de 2008). III . Art. de 13 de julho de 1990. Art. terá por objetivo a formação básica do cidadão. da escrita e do cálculo. incluindo adequação do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas. 29. (Incluído pela Lei nº 11. econômica e política. (Redação dada pela Lei nº 11. II .a compreensão do ambiente natural e social. mínimo de 200 dias letivos. tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores. os sistemas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua adequação às peculiaridades da vida rural e de cada região. de 2011). torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena. II . A educação infantil será oferecida em: I . conteúdo que trate dos direitos das crianças e dos adolescentes. 26-A. de 22. iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade.525. sendo o ensino a distância utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais. ciclos. IV .o desenvolvimento da capacidade de aprender. grupos não-seriados (adaptabilidade a diferentes situações). Avaliação: contínua e cumulativa. § 2º Os estabelecimentos que utilizam progressão regular por série podem adotar no ensino fundamental o regime de progressão continuada. gratuito na escola pública. observadas as normas do respectivo sistema de ensino. a Educação Básica: Organização: anos. a partir desses dois grupos étnicos. Seção II Da Educação Infantil Art. é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. observada a produção e distribuição de material didático adequado. Art. complementando a ação da família e da comunidade. em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras. de 2008).creches. ou entidades equivalentes. as seguintes diretrizes: I . da tecnologia.o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem. III . tais como o estudo da história da África e dos africanos. .organização escolar própria. assegurada às comunidades indígenas a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. sem o objetivo de promoção. que institui o Estatuto da Criança e do Adolescente. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio. de respeito ao bem comum e à ordem democrática. § 1o O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira. § 4º O ensino fundamental será presencial.consideração das condições de escolaridade dos alunos em cada estabelecimento. § 2o Os conteúdos referentes à história e cultura afrobrasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar. 28. pertinentes à história do Brasil. IV .069.adequação à natureza do trabalho na zona rural. vedadas quaisquer formas de proselitismo. públicos e privados. Na educação infantil a avaliação far-se-á mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento.pré-escolas. primeira etapa da educação básica. em seus aspectos físico. especialmente: I . § 5o O currículo do ensino fundamental incluirá. assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil. § 1º É facultado aos sistemas de ensino desdobrar o ensino fundamental em ciclos. Seção III Do Ensino Fundamental Art. A educação infantil.a difusão de valores fundamentais ao interesse social. 27. II . dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social. tendo como diretriz a Lei no 8. mesmo para o acesso ao ensino fundamental. aos direitos e deveres dos cidadãos. de 2007). § 3º O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art.conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e interesses dos alunos da zona rural. a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil. Mínimo de 800 horas/ano.645. Obs: Adaptações ao ambiente rural.o fortalecimento dos vínculos de família. psicológico. semestres.645. 30. Os conteúdos curriculares da educação básica observarão. § 6º O estudo sobre os símbolos nacionais será incluído como tema transversal nos currículos do ensino fundamental. Na oferta de educação básica para a população rural. Art.

(Incluído pela Lei nº 11. Em caso de progressão regular. Filosofia e Sociologia (obrigatórias). (Incluído pela Lei nº 11. prevista no inciso I do caputdo art. para a definição dos conteúdos do ensino religioso. de 2008) II . Em resumo: Mínimo de 9 anos. oferecida somente a quem já tenha concluído o ensino fundamental. 36-C. preparação para aperfeiçoamentos posteriores. II . 36-B. efetuando-se matrículas distintas para cada curso.» Art. incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico. de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores. de 2008) Parágrafo único. Didatismo e Conhecimento 7 § 2º(Revogado pela Lei nº 11. em cursos destinados a quem já tenha concluído o ensino médio. II .741. III . de 2008) II . A jornada escolar no ensino fundamental incluirá pelo menos quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula. de 2008) Art.a compreensão dos fundamentos científicotecnológicos dos processos produtivos. das letras e das artes. solidariedade. será desenvolvida de forma: (Incluído pela Lei nº 11.destacará a educação tecnológica básica. de 2008) III .articulada com o ensino médio. em caráter optativo. na mesma instituição de ensino.a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando. aproveitando-se as oportunidades educacionais disponíveis. (Incluído pela Lei nº 11. IV . (Incluído pela Lei nº 11. a critério dos sistemas de ensino. oferecida a quem ingresse no ensino médio ou já o esteja cursando. possibilitando o prosseguimento de estudos. IV – serão incluídas a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias em todas as séries do ensino médio. relacionando a teoria com a prática..integrada. de 2008) Art. com duração mínima de três anos.conhecimento das formas contemporâneas de linguagem. A educação profissional técnica de nível médio articulada.741.741. § 1º São ressalvados os casos do ensino noturno e das formas alternativas de organização autorizadas nesta Lei. preparação para o trabalho. o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura.as exigências de cada instituição de ensino. de 2008) I . poderá prepará-lo para o exercício de profissões técnicas. Em resumo: Consolidação e Aprofundamento. de 2008) . etapa final da educação básica.os objetivos e definições contidos nas diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) I . Seção IV Do Ensino Médio Art. 36-B desta Lei. de 2008) I . sendo o curso planejado de modo a conduzir o aluno à habilitação profissional técnica de nível médio. a compreensão do significado da ciência. constituída pelas diferentes denominações religiosas. efetuando-se matrícula única para cada aluno. e podendo ocorrer: (Incluído pela Lei nº 11. e uma segunda.subsequente.741. O ensino médio.741. facultativamente. cálculos. O currículo do ensino médio observará o disposto na Seção I deste Capítulo e as seguintes diretrizes: I . (Incluído pela Lei nº 11. para continuar aprendendo.741.741. Ciclos (facultativo). nos termos de seu projeto pedagógico.741.domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna. tolerância.será incluída uma língua estrangeira moderna. atendida a formação geral do educando.741..). 36-A. valores sociais.o aprimoramento do educando como pessoa humana.concomitante. Formação Básica do Cidadão (leitura. escrita. II . sendo progressivamente ampliado o período de permanência na escola. 34.a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental. (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) II . é facultado o uso da progressão continuada. dentro das disponibilidades da instituição. escolhida pela comunidade escolar. 36.684. III . de 2008) Art. A preparação geral para o trabalho e. (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) § 3º Os cursos do ensino médio terão equivalência legal e habilitarão ao prosseguimento de estudos. as metodologias e as formas de avaliação serão organizados de tal forma que ao final do ensino médio o educando demonstre: I .741. a habilitação profissional poderão ser desenvolvidas nos próprios estabelecimentos de ensino médio ou em cooperação com instituições especializadas em educação profissional. Sem prejuízo do disposto na Seção IV deste Capítulo. (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) Parágrafo único. Currículo: inclusão obrigatória de uma Língua Estrangeira Moderna e outra em caráter optativo (participação da comunidade). a língua portuguesa como instrumento de comunicação. o ensino médio.741. § 2º O ensino fundamental será ministrado progressivamente em tempo integral.as normas complementares dos respectivos sistemas de ensino.741.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS § 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil. de 2008) a) na mesma instituição de ensino. Mínimo de três anos. como disciplina obrigatória.adotará metodologias de ensino e de avaliação que estimulem a iniciativa dos estudantes. Art. 35.741. A educação profissional técnica de nível médio será desenvolvida nas seguintes formas: (Incluído pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11. Seção IV-A Da Educação Profissional Técnica de Nível Médio (Incluído pela Lei nº 11. acesso ao conhecimento e exercício da cidadania. de 2008) § 1º Os conteúdos. no ensino de cada disciplina. terá como finalidades: I .741. A educação profissional técnica de nível médio deverá observar: (Incluído pela Lei nº 11.741.

de 2008) Art. de 2008) Parágrafo único. integra-se aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 11. condicionada a matrícula à capacidade de aproveitamento e não necessariamente ao nível de escolaridade. que compreenderão a base nacional comum do currículo. de 2008) § 1o Os cursos de educação profissional e tecnológica poderão ser organizados por eixos tecnológicos. poderá ser objeto de avaliação. Em resumo: Busca assegurar gratuitamente aos jovens e aos adultos. 43. Avaliação de Competências (absorvidas formal e informalmente). de 2008) Art. (Incluído pela Lei nº 11. . de 2008) Art. 36-D. observadas as normas do respectivo sistema e nível de ensino.741. de 2008) CAPÍTULO IV DA EDUCAÇÃO SUPERIOR Art. Seção V Da Educação de Jovens e Adultos Art. de 2008) Art. de 2008) III – de educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação. (Incluído pela Lei nº 11. inclusive no trabalho. visando ao planejamento e ao desenvolvimento de projeto pedagógico unificado. de 2008) § 3o Os cursos de educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação organizar-se-ão. (Incluído pela Lei nº 11. habilitando ao prosseguimento de estudos em caráter regular. (Incluído pela Lei nº 11. (Regulamento) Art. (Incluído pela Lei nº 11.741. § 1º Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão: I . quando estruturados e organizados em etapas com terminalidade. reconhecimento e certificação para prosseguimento ou conclusão de estudos. além dos seus cursos regulares.741. consideradas as características do alunado. (Incluído pela Lei nº 11.estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo. no que concerne a objetivos. Ensino Fundamental (maiores de 15 anos). (Incluído pela Lei nº 11. condições de vida e de trabalho. de 2008) II – de educação profissional técnica de nível médio.741. mediante convênios de intercomplementaridade. A educação profissional e tecnológica. A educação superior tem por finalidade: I . 41. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria. para os maiores de dezoito anos. seus interesses. (Incluído pela Lei nº 11. que não puderam efetuar os estudos na idade regular. condições de vida e de trabalho.741. Didatismo e Conhecimento 8 oportunidades educacionais apropriadas. possibilitando a construção de diferentes itinerários formativos. A educação profissional será desenvolvida em articulação com o ensino regular ou por diferentes estratégias de educação continuada. § 1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e aos adultos. mediante ações integradas e complementares entre si.no nível de conclusão do ensino médio. com aproveitamento. § 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso e a permanência do trabalhador na escola. aproveitando-se as oportunidades educacionais disponíveis. As instituições de educação profissional e tecnológica.741. no cumprimento dos objetivos da educação nacional. 37. de 2008) § 2o A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes cursos: (Incluído pela Lei nº 11. abertos à comunidade. 39.741.741. II .741. com a educação profissional. de 2008) c) em instituições de ensino distintas.741. de 2008) I – de formação inicial e continuada ou qualificação profissional. de acordo com as diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. Articulada com o Ensino Médio ou subsequente. em instituições especializadas ou no ambiente de trabalho.741. Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos. oferecerão cursos especiais. de cada etapa que caracterize uma qualificação para o trabalho. seus interesses.741.741. (Redação dada pela Lei nº 11. na forma do regulamento. Os cursos de educação profissional técnica de nível médio.741. Ensino Médio (maiores de 18 anos). (Incluído pela Lei nº 11.(Redação dada pela Lei nº 11. possibilitarão a obtenção de certificados de qualificação para o trabalho após a conclusão. oportunidades educacionais apropriadas. terão validade nacional e habilitarão ao prosseguimento de estudos na educação superior. mediante cursos e exames. que não puderam efetuar os estudos na idade regular.no nível de conclusão do ensino fundamental. preferencialmente. Os diplomas de cursos de educação profissional técnica de nível médio. de 2008) Em resumo: Permite consorciar a formação do Ensino Médio com a formação profissional técnica. da ciência e da tecnologia. § 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos educandos por meios informais serão aferidos e reconhecidos mediante exames. (Incluído pela Lei nº 11. nas formas articulada concomitante e subsequente. 38. O conhecimento adquirido na educação profissional e tecnológica.741. CAPÍTULO III DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL Da Educação Profissional e Tecnológica (Redação dada pela Lei nº 11. § 3o A educação de jovens e adultos deverá articular-se. consideradas as características do alunado. 40. 42. características e duração.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS b) em instituições de ensino distintas. para os maiores de quinze anos. quando registrados. mediante cursos e exames. de 2008) Art. Próprios estabelecimentos de Ensino Médio ou por meio de parcerias com outras instituições.

conforme o caso. Os resultados do processo seletivo referido no inciso II do caput deste artigo serão tornados públicos pelas instituições de ensino superior. de acordo com os critérios para preenchimento das vagas constantes do respectivo edital.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS II . requisitos. Parágrafo único.promover a extensão. desde que tenham concluído o ensino médio ou equivalente. compreendendo programas de mestrado e doutorado. que poderá resultar. para cursos afins. prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade. sendo obrigatória a divulgação da relação nominal dos classificados. abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino. quando houver. o ano letivo regular. . III . desse modo. sendo obrigatória a oferta noturna nas instituições públicas. científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino. Art. independente do ano civil. cursos de especialização. § 4º As instituições de educação superior oferecerão. e colaborar na sua formação contínua. sendo renovados. o Poder Executivo responsável por sua manutenção acompanhará o processo de saneamento e fornecerá recursos adicionais. abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos em cada caso pelas instituições de ensino. 49. (Regulamento) § 2º No caso de instituição pública. III . em desativação de cursos e habilitações. cursos de graduação nos mesmos padrões de qualidade mantidos no período diurno. § 1º As instituições informarão aos interessados. periodicamente. garantida a necessária previsão orçamentária. terão validade nacional como prova da formação recebida por seu titular. excluído o tempo reservado aos exames finais. aberta à participação da população. os programas dos cursos e demais componentes curriculares. abrirão matrícula nas disciplinas de seus cursos a alunos não regulares que demonstrarem capacidade de cursá-las com proveito. poderão ter abreviada a duração dos seus cursos. de acordo com as normas dos sistemas de ensino. de 2006) Art. 50.suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretização. Na educação superior. Art. a respectiva ordem de classificação. 44. (Redação dada pela Lei nº 11.estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente. VII . 46. (Regulamento) Art. com variados graus de abrangência ou especialização. terão prazos limitados. As instituições de educação superior aceitarão a transferência de alunos regulares. sua duração. bem como o credenciamento de instituições de educação superior.de extensão. antes de cada período letivo. A autorização e o reconhecimento de cursos. § 2º Os alunos que tenham extraordinário aproveitamento nos estudos. em intervenção na instituição. Art. haverá reavaliação. se necessários. recursos disponíveis e critérios de avaliação. no mínimo. (Incluído pela Lei nº 11.promover a divulgação de conhecimentos culturais. A educação superior será ministrada em instituições de ensino superior. em particular os nacionais e regionais.cursos sequenciais por campo de saber. abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos pelas instituições de ensino. As instituições de educação superior. § 3º É obrigatória afrequência de alunos e professores. tem. e mediante processo seletivo. VI . (Regulamento) Art. na hipótese de existência de vagas. de 2007). obrigando-se a cumprir as respectivas condições. aplicados por banca examinadora especial. A educação superior abrangerá os seguintes cursos e programas: (Regulamento) I . II .331. (Regulamento) Didatismo e Conhecimento 9 § 1º Após um prazo para saneamento de deficiências eventualmente identificadas pela avaliação a que se refere este artigo. abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo. IV . 47. públicas ou privadas.de pós-graduação. após processo regular de avaliação. integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento de cada geração. § 2º Os diplomas de graduação expedidos por universidades estrangeiras serão revalidados por universidades públicas que tenham curso do mesmo nível e área ou equivalente. visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição. e. e aqueles conferidos por instituições nãouniversitárias serão registrados em universidades indicadas pelo Conselho Nacional de Educação. na mesma área de conhecimento e em nível equivalente ou superior. § 1º Os diplomas expedidos pelas universidades serão por elas próprias registrados. Art. visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura. ou em descredenciamento.formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento. quando registrados. IV . de publicações ou de outras formas de comunicação. aperfeiçoamento e outros. Parágrafo único. salvo nos programas de educação a distância. demonstrado por meio de provas e outros instrumentos de avaliação específicos. § 3º Os diplomas de Mestrado e de Doutorado expedidos por universidades estrangeiras só poderão ser reconhecidos por universidades que possuam cursos de pós-graduação reconhecidos e avaliados. aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira. V .de graduação. As transferências exofficio dar-se-ão na forma da lei. qualificação dos professores. respeitandose os acordos internacionais de reciprocidade ou equiparação.632. Os diplomas de cursos superiores reconhecidos. quando da ocorrência de vagas. em suspensão temporária de prerrogativas da autonomia. 45. bem como do cronograma das chamadas para matrícula. 48. de diferentes níveis de abrangência.incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica. mediante processo seletivo prévio. desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive. para a superação das deficiências. no período noturno. duzentos dias de trabalho acadêmico efetivo.

obedecendo às normas gerais da União e.conferir graus. local e regional. organizar e extinguir. quando for o caso. Art. recursos suficientes para manutenção e desenvolvimento das instituições de educação superior por ela mantidas. serviços e aquisições em geral. nas leis e nos respectivos estatutos. expansão. programas e projetos de pesquisa científica. (Regulamento) II . modificação e extinção de cursos. II . de acordo com os recursos alocados pelo respectivo Poder mantenedor.planos de carreira docente.administrar os rendimentos e deles dispor na forma prevista no ato de constituição. assegurada a existência de órgãos colegiados deliberativos. extensão. Caberá à União assegurar. graduação. VII . em seu Orçamento Geral. ao deliberar sobre critérios e normas de seleção e admissão de estudantes. acordos e convênios. sem prejuízo de outras.contratação e dispensa de professores. No exercício de sua autonomia. financeira e patrimonial necessárias ao seu bom desempenho. anualmente. bem como da escolha de dirigentes. de estatuto jurídico especial para atender às peculiaridades de sua estrutura. o professor ficará obrigado ao mínimo de oito horas semanais de aulas. 54. VII . assim como dos seus planos de carreira e do regime jurídico do seu pessoal. II . Art. As instituições de educação superior credenciadas como universidades. II . com aprovação do Poder competente.adotar regime financeiro e contábil que atenda às suas peculiaridades de organização e funcionamento. As universidades são instituições pluridisciplinares de formação dos quadros profissionais de nível superior. do respectivo sistema de ensino. articulando-se com os órgãos normativos dos sistemas de ensino.fixar o número de vagas de acordo com a capacidade institucional e as exigências do seu meio. as seguintes atribuições: I . Em qualquer caso.um terço do corpo docente. quanto regional e nacional. são asseguradas às universidades. VIII .programação das pesquisas e das atividades de extensão.elaborar o regulamento de seu pessoal em conformidade com as normas gerais concernentes. X . programas e projetos de investimentos referentes a obras. Parágrafo único. (Regulamento) § 1º No exercício da sua autonomia. 55. de que participarão os segmentos da comunidade institucional.aprovar e executar planos.produção intelectual institucionalizada mediante o estudo sistemático dos temas e problemas mais relevantes. legados e cooperação financeira resultante de convênios com entidades públicas e privadas. IV . Didatismo e Conhecimento 10 Art. para aquisição de bens imóveis. pós-graduação (mestrado. de pesquisa. V .ampliação e diminuição de vagas. VI . os docentes ocuparão setenta por cento dos assentos em cada órgão colegiado e comissão. III . que se caracterizam por: (Regulamento) I . V . heranças. pelo menos. VI . 52. bem como administrar rendimentos conforme dispositivos institucionais. técnico e administrativo. instalações e equipamentos. doações. 51.aprovar e executar planos. programas e projetos de investimentos referentes a obras.(Regulamento) Alguns aspectos acerca da educação superior merecem destaque. de extensão e de domínio e cultivo do saber humano. V . 53. III . As universidades mantidas pelo Poder Público gozarão.receber subvenções. É facultada a criação de universidades especializadas por campo do saber. promover a extensão. IX . quais sejam: Objetiva formar diplomados em diferentes áreas. além das atribuições asseguradas pelo artigo anterior. (Regulamento) Art. aperfeiçoamento etc. em sua sede.um terço do corpo docente em regime de tempo integral. As instituições públicas de educação superior obedecerão ao princípio da gestão democrática. incentivar a pesquisa e a disseminação do conhecimento. com base em avaliação realizada pelo Poder Público. Art. produção artística e atividades de extensão. 56. serviços e aquisições em geral.elaboração da programação dos cursos.propor o seu quadro de pessoal docente.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. caberá aos seus colegiados de ensino e pesquisa decidir.efetuar transferências. observadas as diretrizes gerais pertinentes. cursos e programas de educação superior previstos nesta Lei.elaborar seus orçamentos anuais e plurianuais. na forma da lei. sobre: I . doutorado. IV . levarão em conta os efeitos desses critérios sobre a orientação do ensino médio. 57. .estabelecer planos.elaborar e reformar os seus estatutos e regimentos em consonância com as normas gerais atinentes.criação.criar. assim como um plano de cargos e salários. Parágrafo único.firmar contratos. com titulação acadêmica de mestrado ou doutorado. Cursos e Programas: sequenciais.).fixar os currículos dos seus cursos e programas. IV . as universidades públicas poderão: I .realizar operações de crédito ou de financiamento. III . Para garantir a autonomia didáticocientífica das universidades. especialização. Art. inclusive nos que tratarem da elaboração e modificações estatutárias e regimentais. quitações e tomar outras providências de ordem orçamentária. Nas instituições públicas de educação superior. VI . organização e financiamento pelo Poder Público. atendidas as normas gerais pertinentes e os recursos disponíveis. dentro dos recursos orçamentários disponíveis. III . diplomas e outros títulos. § 2º Atribuições de autonomia universitária poderão ser estendidas a instituições que comprovem alta qualificação para o ensino ou para a pesquisa. tanto do ponto de vista científico e cultural. Parágrafo único.

tem início na faixa etária de zero a seis anos. § 2º A formação continuada e a capacitação dos profissionais de magistério poderão utilizar recursos e tecnologias de educação a distância. de 2009). inclusive o curso normal superior. de 2009) Parágrafo único.014. (Redação dada pela Lei nº 12.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS CAPÍTULO V DA EDUCAÇÃO ESPECIAL Art. (Incluído pela Lei nº 12. métodos. bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: I . supervisão e orientação educacional para a educação básica. de modo a atender às especificidades do exercício de suas atividades. Consideram-se profissionais da educação escolar básica os que. destinado à formação de docentes para a educação infantil e para as primeiras séries do ensino fundamental. será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pósgraduação. de 2009) III – o aproveitamento da formação e experiências anteriores.056. em curso de licenciatura.014. a oferecida em nível médio. Entende-se por educação especial. em função das condições específicas dos alunos. 63. III . (Incluído pela Lei nº 12. como alternativa preferencial. para fins de apoio técnico e financeiro pelo Poder Público. técnicas. quando necessário. § 3º A oferta de educação especial. (Incluído pela Lei nº 12. § 2º O atendimento educacional será feito em classes.educação especial para o trabalho. subsidiariamente fazendo uso de recursos e tecnologias de educação a distância. § 1º Haverá. de 2009) Didatismo e Conhecimento 11 I – professores habilitados em nível médio ou superior para a docência na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio. oferecida preferencialmente na rede regular de ensino. como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental.014. bem como aos objetivos das diferentes etapas e modalidades da educação básica. (Incluído pela Lei nº 12.programas de formação pedagógica para portadores de diplomas de educação superior que queiram se dedicar à educação básica. serviços de apoio especializado. Art. nesta formação. mediante estágios supervisionados e capacitação em serviço. inspeção e orientação educacional. planejamento. para os efeitos desta Lei. O Poder Público adotará. (Incluído pela Lei nº 12. admitida. a ampliação do atendimento aos educandos com necessidades especiais na própria rede pública regular de ensino. inspeção. 59. de 2009) III – trabalhadores em educação.cursos formadores de profissionais para a educação básica. Art. inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo. § 3º A formação inicial de profissionais de magistério dará preferência ao ensino presencial. a critério da instituição de ensino. não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. mediante articulação com os órgãos oficiais afins. Parágrafo único. de 2009). para educandos portadores de necessidades especiais. II . o Distrito Federal.014. A formação de profissionais de educação para administração. 64. que propicie o conhecimento dos fundamentos científicos e sociais de suas competências de trabalho. supervisão. Os institutos superiores de educação manterão: (Regulamento) I . A formação dos profissionais da educação.professores com especialização adequada em nível médio ou superior. independentemente do apoio às instituições previstas neste artigo. para atender às suas necessidades. II . 61. Art. portadores de diploma de curso técnico ou superior em área pedagógica ou afim. planejamento. III . a base comum nacional. terá como fundamentos: (Incluído pela Lei nº 12. deverão promover a formação inicial.acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular. TÍTULO VI Dos Profissionais da Educação Art. na escola regular. IV . (Redação dada pela Lei nº 12. na modalidade Normal. a continuada e a capacitação dos profissionais de magistério. V .014. de 2009).014. e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados. visando a sua efetiva integração na vida em sociedade.014. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior. em universidades e institutos superiores de educação. para atender às peculiaridades da clientela de educação especial. durante a educação infantil. dever constitucional do Estado. (Incluído pela Lei nº 12. em regime de colaboração.currículos. Os órgãos normativos dos sistemas de ensino estabelecerão critérios de caracterização das instituições privadas sem fins lucrativos. (Regulamento) § 1º A União. especializadas e com atuação exclusiva em educação especial. de 2009) II – a associação entre teorias e práticas. de 2009) Art. os Estados e os Municípios. garantida. 60. são: (Redação dada pela Lei nº 12. de graduação plena.056. para atendimento especializado. 58. . bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística. escolas ou serviços especializados. bem como com títulos de mestrado ou doutorado nas mesmas áreas. 62. sempre que. Art. de 2009) II – trabalhadores em educação portadores de diploma de pedagogia. intelectual ou psicomotora. (Incluído pela Lei nº 12. em instituições de ensino e em outras atividades.terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental.014. de 2009) I – a presença de sólida formação básica.programas de educação continuada para os profissionais de educação dos diversos níveis. a modalidade de educação escolar. recursos educativos e organização específicos. com habilitação em administração. em virtude de suas deficiências. nela estando em efetivo exercício e tendo sido formados em cursos reconhecidos.056.

III . planejamento e avaliação.aquisição de material didático-escolar e manutenção de programas de transporte escolar.recursos arrecadados do primeiro ao décimo dia de cada mês. IV .301. III . IV . dos Estados. § 1o A experiência docente é pré-requisito para o exercício profissional de quaisquer outras funções de magistério. 66. 67.aperfeiçoamento profissional continuado.progressão funcional baseada na titulação ou habilitação. pois apresenta aspectos relativos aos percentuais do orçamento que obrigatoriamente deverão ser aplicados na educação. 68. VIII . II . quando exercidas em estabelecimento de educação básica em seus diversos níveis e modalidades.receita de impostos próprios da União. assegurando-lhes. incluirá prática de ensino de. com base no eventual excesso de arrecadação. por lei que autorizar a abertura de créditos adicionais. § 1º A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados. até o trigésimo dia. 70.recursos arrecadados do décimo primeiro ao vigésimo dia de cada mês. O notório saber. IV . do Distrito Federal e dos Municípios. ou pelos Estados aos respectivos Municípios. tema bastante observado em concursos públicos. compreendidas as transferências constitucionais. poderá suprir a exigência de título acadêmico. Art.realização de atividades-meio necessárias ao funcionamento dos sistemas de ensino.receita de transferências constitucionais e outras transferências. receita do governo que a transferir. reconhecido por universidade com curso de doutorado em área afim. O Artigo apresentado na sequência (69) é extremamente importante. no mínimo.receita do salário-educação e de outras contribuições sociais. VI . Serão recursos públicos destinados à educação os originários de: I . Parágrafo único. e os Estados. manutenção. V . nos termos das normas de cada sistema de ensino. quando for o caso.(Renumerado pela Lei nº 11. e na avaliação do desempenho. Posteriormente. 65. 201 da Constituição Federal. Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da educação. compreendendo as que se destinam a: I . de 2006) § 2o Para os efeitos do disposto no § 5º do art. § 4º As diferenças entre a receita e a despesa previstas e as efetivamente realizadas. anualmente.301. do Distrito Federal e dos Municípios ocorrerá imediatamente ao órgão responsável pela educação. as de direção de unidade escolar e as de coordenação e assessoramento pedagógico. dos Estados.amortização e custeio de operações de crédito destinadas a atender ao disposto nos incisos deste artigo. Art. serão apuradas e corrigidas a cada trimestre do exercício financeiro. inclusive com licenciamento periódico remunerado para esse fim.condições adequadas de trabalho. A União aplicará. são apresentados onde e em que estes recursos podem ser aplicados. II .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. § 3º Para fixação inicial dos valores correspondentes aos mínimos estatuídos neste artigo. na manutenção e desenvolvimento do ensino público. será considerada a receita estimada na lei do orçamento anual. que resultem no não atendimento dos percentuais mínimos obrigatórios. até o décimo dia do mês subsequente. A preparação para o exercício do magistério superior far-se-á em nível de pós-graduação. II .remuneração e aperfeiçoamento do pessoal docente e demais profissionais da educação.outros recursos previstos em lei. construção e conservação de instalações e equipamentos necessários ao ensino. Art. ou o que consta nas respectivas Constituições ou Leis Orgânicas. além do exercício da docência. são consideradas funções de magistério as exercidas por professores e especialistas em educação no desempenho de atividades educativas. ajustada. de 2006) TÍTULO VII Dos Recursos financeiros Art. até o vigésimo dia. incluído na carga de trabalho. VII . V .período reservado a estudos. prioritariamente em programas de mestrado e doutorado.receita de incentivos fiscais. Art. ao Distrito Federal e aos Municípios. V . observados os seguintes prazos: I .concessão de bolsas de estudo a alunos de escolas públicas e privadas. incluídas. § 5º O repasse dos valores referidos neste artigo do caixa da União. o Distrito Federal e os Municípios. nunca menos de dezoito. (Incluído pela Lei nº 11. da receita resultante de impostos. exceto para a educação superior. trezentas horas. não será considerada.levantamentos estatísticos. A formação docente. vinte e cinco por cento. 40 e no § 8o do art. estudos e pesquisas visando precipuamente ao aprimoramento da qualidade e à expansão do ensino.ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos. III – uso e manutenção de bens e serviços vinculados ao ensino. II . no artigo 70. 69. VI . para efeito do cálculo previsto neste artigo. III . § 2º Serão consideradas excluídas das receitas de impostos mencionadas neste artigo as operações de crédito por antecipação de receita orçamentária de impostos.piso salarial profissional. § 6º O atraso da liberação sujeitará os recursos a correção monetária e à responsabilização civil e criminal das autoridades competentes.recursos arrecadados do vigésimo primeiro dia ao final de cada mês. Didatismo e Conhecimento 12 . inclusive nos termos dos estatutos e dos planos de carreira do magistério público: I .aquisição. Considerar-se-ão como de manutenção e desenvolvimento do ensino as despesas realizadas com vistas à consecução dos objetivos básicos das instituições educacionais de todos os níveis.

para oferta de educação escolar bilíngue e intercultural aos povos indígenas.prestem contas ao Poder Público dos recursos recebidos. precipuamente. ainda que realizadas para beneficiar direta ou indiretamente a rede escolar. As receitas e despesas com manutenção e desenvolvimento do ensino serão apuradas e publicadas nos balanços do Poder Público. 72. assim como nos relatórios a que se refere o § 3º do art. considerado o número de alunos que efetivamente frequentam a escola. no caso de encerramento de suas atividades. A União. Art. quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública de domicílio do educando. inclusive diplomáticos. Art. § 1º Os programas serão planejados com audiência das comunidades indígenas. incluídos nos Planos Nacionais de Educação. desenvolvendo programas integrados de ensino e pesquisa. relativo ao padrão mínimo de qualidade. § 2º A capacidade de atendimento de cada governo será definida pela razão entre os recursos de uso constitucionalmente obrigatório na manutenção e desenvolvimento do ensino e o custo anual do aluno. 75. 165 da Constituição Federal. Parágrafo único. capaz de assegurar ensino de qualidade. III . confessionais ou filantrópicas que: I . § 2º Os programas a que se refere este artigo. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas. A ação supletiva e redistributiva prevista no artigo anterior ficará condicionada ao efetivo cumprimento pelos Estados. as disparidades de acesso e garantir o padrão mínimo de qualidade de ensino. desenvolverá programas integrados de ensino e pesquisa. sejam militares ou civis. Art. na área de ensino de sua responsabilidade. o acesso às informações. com os seguintes objetivos: I . 73. a reafirmação de suas identidades étnicas.programas suplementares de alimentação. filantrópica ou confessional. ou ao Poder Público.formação de quadros especiais para a administração pública. a União poderá fazer a transferência direta de recursos a cada estabelecimento de ensino.pessoal docente e demais trabalhadores da educação. 76. A ação supletiva e redistributiva da União e dos Estados será exercida de modo a corrigir. ao aprimoramento de sua qualidade ou à sua expansão.garantir aos índios. inclusive mediante bolsas de estudo. Art. suas comunidades e povos. no art. ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão da sua rede local. dos Estados e dos Municípios se estes oferecerem vagas. 74. desportivo ou cultural.proporcionar aos índios. dividendos. o Distrito Federal e os Municípios. participações ou parcela de seu patrimônio sob nenhuma forma ou pretexto. baseado no cálculo do custo mínimo por aluno. VI . II . bonificações.pesquisa. IV . do Distrito Federal ou do Município em favor da manutenção e do desenvolvimento do ensino. III . Os órgãos fiscalizadores examinarão. IV . O Sistema de Ensino da União. Não constituirão despesas de manutenção e desenvolvimento do ensino aquelas realizadas com: I . 71. assistência médico-odontológica. na forma da lei. Distrito Federal e Municípios do disposto nesta Lei. suas comunidades e povos.fortalecer as práticas socioculturais e a língua materna de cada comunidade indígena. podendo ser dirigidos a escolas comunitárias. § 2º As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão receber apoio financeiro do Poder Público. em número inferior à sua capacidade de atendimento. conforme o inciso VI do art. o cumprimento do disposto no art. O custo mínimo de que trata este artigo será calculado pela União ao final de cada ano. § 1º Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de estudo para a educação básica. Art. 77. prioritariamente.apliquem seus excedentes financeiros em educação. quando não vinculada às instituições de ensino. estabelecerá padrão mínimo de oportunidades educacionais para o ensino fundamental. V . . conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional e demais sociedades indígenas e não-índias. Art. 10 e o inciso V do art. 11 desta Lei. TÍTULO VIII Das Disposições Gerais Art.assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária. farmacêutica e psicológica. II . sem prejuízo de outras prescrições legais. considerando variações regionais no custo dos insumos e as diversas modalidades de ensino. II .comprovem finalidade não-lucrativa e não distribuam resultados. que não vise. a valorização de suas línguas e ciências. e outras formas de assistência social. com validade para o ano subseqüente. progressivamente. em colaboração com os Estados. A União apoiará técnica e financeiramente os sistemas de ensino no provimento da educação intercultural às comunidades indígenas. Didatismo e Conhecimento 13 § 4º A ação supletiva e redistributiva não poderá ser exercida em favor do Distrito Federal.subvenção a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial.obras de infraestrutura. Art. quando em desvio de função ou em atividade alheia à manutenção e desenvolvimento do ensino. ou. com a colaboração das agências federais de fomento à cultura e de assistência aos índios. terão os seguintes objetivos: I . quando efetivada fora dos sistemas de ensino. § 3º Com base nos critérios estabelecidos nos §§ 1º e 2º.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. § 1º A ação a que se refere este artigo obedecerá a fórmula de domínio público que inclua a capacidade de atendimento e a medida do esforço fiscal do respectivo Estado. 212 da Constituição Federal. na prestação de contas de recursos públicos. 78. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e na legislação concernente. 79. para os que demonstrarem insuficiência de recursos. a recuperação de suas memórias históricas.

Art. de 2006) a) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS II .639.603.274. III . também. 80. (Redação dada pela Lei nº 12.2003) Art. de 9.realizar programas de capacitação para todos os professores em exercício. § 2o O poder público deverá recensear os educandos no ensino fundamental. supletivamente. observada a lei federal sobre a matéria. podendo haver cooperação e integração entre os diferentes sistemas. Os sistemas de ensino estabelecerão as normas de realização de estágio em sua jurisdição.274. § 5º Serão conjugados todos os esforços objetivando a progressão das redes escolares públicas urbanas de ensino fundamental para o regime de escolas de tempo integral. 83.274. na sua condição de instituições de pesquisa. (Regulamento) § 1º A educação a distância. IV . § 3º As normas para produção. É permitida a organização de cursos ou instituições de ensino experimentais. bem como a dos Estados aos seus Municípios. ressalvados os direitos assegurados pelos arts. os recursos da educação a distância. 212 da Constituição Federal e dispositivos legais pertinentes pelos governos beneficiados. que incluirá: I . nos termos da legislação específica. Qualquer cidadão habilitado com a titulação própria poderá exigir a abertura de concurso público de provas e títulos para cargo de docente de instituição pública de ensino que estiver sendo ocupado por professor não concursado. encaminhará. § 6º A assistência financeira da União aos Estados.788. As instituições de educação superior constituídas como universidades integrar-se-ão. de 2012) II . É instituída a Década da Educação. III . exercendo funções de monitoria. de 2006) c) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’. 84. por mais de seis anos. Art. de acordo com seu rendimento e seu plano de estudos. cada Estado e Município. de 2006) b) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11. de 9. (Redação dada pela Lei nº 11. § 3o No que se refere à educação superior. desde que obedecidas as disposições desta Lei. organizada com abertura e regime especiais.330. será oferecida por instituições especificamente credenciadas pela União. utilizando também.custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radiodifusão sonora e de sons e imagens e em outros meios de comunicação que sejam explorados mediante autorização. 87. (Incluído pela Lei nº 12. em todos os níveis e modalidades de ensino. sem ônus para o Poder Público. (Redação dada pela Lei nº 11. a União. § 2º A União regulamentará os requisitos para a realização de exames e registro de diploma relativos a cursos de educação a distância. de 2011) Art. (Regulamento) § 4º A educação a distância gozará de tratamento diferenciado. 81. no prazo de um ano a partir da publicação desta Lei. controle e avaliação de programas de educação a distância e a autorização para sua implementação. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância. TÍTULO IX Das Disposições Transitórias Art. com diretrizes e metas para os dez anos seguintes. § 1º A União. 79-B. de 2008) Art. (Redação dada pela Lei nº 11. para isto. . pelos concessionários de canais comerciais. destinado à educação escolar nas comunidades indígenas.416. III .desenvolver currículos e programas específicos. ao Distrito Federal e aos Municípios. com especial atenção para o grupo de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos de idade e de 15 (quinze) a 16 (dezesseis) anos de idade.elaborar e publicar sistematicamente material didático específico e diferenciado. 82. de acordo com as normas fixadas pelos sistemas de ensino.reserva de tempo mínimo. 79-A. em sintonia com a Declaração Mundial sobre Educação para Todos. Didatismo e Conhecimento 14 Art. (VETADO)(Incluído pela Lei nº 10. O ensino militar é regulado em lei específica. ao Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia. Os discentes da educação superior poderão ser aproveitados em tarefas de ensino e pesquisa pelas respectivas instituições. Art. a iniciar-se um ano a partir da publicação desta Lei. sem prejuízo de outras ações. e de educação continuada. e. 85. Art.274. devem: (Redação dada pela Lei nº 11. assim como de estímulo à pesquisa e desenvolvimento de programas especiais. ao Congresso Nacional. (Incluído pela Lei nº 10. nas universidades públicas e privadas. IV . neles incluindo os conteúdos culturais correspondentes às respectivas comunidades. § 4º Até o fim da Década da Educação somente serão admitidos professores habilitados em nível superior ou formados por treinamento em serviço. o Plano Nacional de Educação. mediante a oferta de ensino e de assistência estudantil.274. 41 da Constituição Federal e 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. de 2006) II . caberão aos respectivos sistemas de ensino.1.concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas. de 2006) § 3o O Distrito Federal.prover cursos presenciais ou a distância aos jovens e adultos insuficientemente escolarizados.639. o atendimento aos povos indígenas efetivar-se-á.integrar todos os estabelecimentos de ensino fundamental do seu território ao sistema nacional de avaliação do rendimento escolar.1. ficam condicionadas ao cumprimento do art.manter programas de formação de pessoal especializado. 86. admitida a equivalência de estudos. concessão ou permissão do poder público.2003) Art. de 2006) I – matricular todos os educandos a partir dos 6 (seis) anos de idade no ensino fundamental.

3oA União.044. Art. § 1o O Poder Legislativo. o Distrito Federal e os Municípios deverão. 6o-A. o Art. Art. elaborar planos decenais correspondentes. Revogam-se as disposições das Leis nºs 4. 88. Art. Nas duas primeiras décadas. ainda. foi enviado ao Congresso Nacional em 15 de dezembro de 2010 e recebeu o número PL 8035/2010. para que a sociedade o conheça amplamente e acompanhe sua implementação. 52 é de oito anos. a ser comemorado. Art. § 2º O prazo para que as universidades cumpram o disposto nos incisos II e III do art.  É instituído o ‘Dia do Plano Nacional de Educação’. em 12 de dezembro. político e econômico do início deste século se desenhava. por intermédio das Comissões de Educação. de 20 de dezembro de 1961. os Estados. não é aprovado. acompanhará a execução do Plano Nacional de Educação. integrar-se ao respectivo sistema de ensino. com base no Plano Nacional de Educação. dos Estados. 2 A partir da vigência desta Lei.024. constante do documento anexo. Enquanto o novo Plano Nacional de Educação. preservada a autonomia universitária. 92. Cultura e Desporto da Câmara dos Deputados e da Comissão de Educação do Senado Federal. os Estados. DE 9 DE JANEIRO DE 2001 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte  Lei: Art. O projeto de lei (PL) que cria o Plano Nacional de Educação (PNE) para vigorar de 2011 a 2020. a contar da publicação desta Lei. e as demais leis e decretos-lei que as modificaram e quaisquer outras disposições em contrário. mediante delegação deste. do Distrito Federal e dos Municípios serão elaborados de modo a dar suporte às metas constantes do Plano Nacional de Educação e dos respectivos planos decenais. Brasília. dos Estados. 4oA União instituirá o Sistema Nacional de Avaliação e estabelecerá os mecanismos necessários ao acompanhamento das metas constantes do Plano Nacional de Educação. procederá a avaliações periódicas da implementação do Plano Nacional de Educação. nos seus diversos níveis e modalidades. de 18 de outubro de 1982. as Leis nºs 5. 1o Fica aprovado o Plano Nacional de Educação. e 5. Art. 89. LEI FEDERAL Nº 10. o Distrito Federal. ajudaram no amadurecimento da percepção coletiva da educação como um problema nacional. Art. as várias reformas educacionais. 15 2 PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO: LEI Nº 10.INTRODUÇÃO 1. anualmente. Havia grande preocupação com a instrução.172/2001. do Distrito Federal e dos Municípios empenhar-se-ão na divulgação deste Plano e da progressiva realização de seus objetivos e metas. Um conjunto de 2. nos prazos por estes estabelecidos.172. 90. À medida que o quadro social.692. a educação começava a se impor como condição fundamental para o desenvolvimento do País. Didatismo e Conhecimento . 7o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. 6oOs Poderes da União. cabendo ao Congresso Nacional aprovar as medidas legais decorrentes. 180o da Independência e 113o da República. FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Paulo Renato Souza PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO O Plano Nacional de Educação válido atualmente é este de 2001. HISTÓRICO A instalação da República no Brasil e o surgimento das primeiras idéias de um plano que tratasse da educação para todo o território nacional aconteceram simultaneamente. Art. de 28 de novembro de 1968. a partir da data de sua publicação. para um projeto. 9 de janeiro de 2001. A União. Art. FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Paulo Renato Souza § 2o A primeira avaliação realizar-se-á no quarto ano de vigência desta Lei.131. de 24 de novembro de 1995 e 9. As questões suscitadas na transição entre o regime anterior e o que se institui nesta Lei serão resolvidas pelo Conselho Nacional de Educação ou.540. As creches e pré-escolas existentes ou que venham a ser criadas deverão. com duração de dez anos. 91. no prazo de três anos. 20 de dezembro de 1996.192. com vistas à correção de deficiências e distorções. na Câmara. É o maior número de emendas recebido desde a Constituição de 1988 até hoje. Art. os municípios e a sociedade civil. em articulação com os Estados. Art. 175º da Independência e 108º da República. de 11 de agosto de 1971 e 7. de 21 de dezembro de 1995 e. não alteradas pelas Leis nºs 9. e foi elaborado para que sua vigência se limitasse a 10 anos. pelos órgãos normativos dos sistemas de ensino. Brasília. 5o Os planos plurianuais da União. o Distrito Federal e os Municípios adaptarão sua legislação educacional e de ensino às disposições desta Lei no prazo máximo de um ano. (Regulamento) § 1º As instituições educacionais adaptarão seus estatutos e regimentos aos dispositivos desta Lei e às normas dos respectivos sistemas de ensino. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. este continuará continua em vigor. que deveria ser resultado das discussões e deliberações da Conferência Nacional de Educação finalizada em março de 2010. I .915 propostas de alteração ao texto (emendas) ao PL 8035/2010 foi apresentado na Câmara dos Deputados.

o Poder Executivo enviou ao Congresso Nacional a Mensagem 180/98. O art. de 1961. Em 11 de fevereiro de 1998. respectivamente. que a União encaminhe o Plano ao Congresso Nacional. os documentos resultantes de ampla mobilização regional e nacional que foram apresentados pelo Brasil nas conferências da UNESCO constituíram subsídios igualmente importantes para a preparação do documento. o Deputado Nelson Marchezan. e institui a Década da Educação. Ele não foi proposto na forma de um projeto de lei. a elaboração do Plano.CONSED e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação . que “estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional”. uma nova revisão. que cabe à União. Garantia de ensino fundamental obrigatório de oito anos a todas as crianças de 7 a 14 anos.394. . Prioridade de tempo integral para as crianças das camadas sociais mais necessitadas. de 1998. apensado ao PL nº 4. Justiça e de Redação. em seu art. Iniciou sua tramitação na Câmara dos Deputados como Projeto de Lei nº 4. A construção deste plano atendeu aos compromissos assumidos pelo Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública. O art. principalmente o Plano Decenal de Educação para Todos. em 1993. mas apenas como uma iniciativa do Ministério da Educação e Cultura. que teve como eixos norteadores. com sucesso. beneficiando a implantação de ginásios orientados para o trabalho e o atendimento de analfabetos com mais de dez anos. Em 10 de fevereiro de 1998. ressurgiu a ideia de um plano nacional de longo prazo. comuns e especializados. subjacente. 214 contempla esta obrigatoriedade. e de Constituição. Em 1966. implícita ou explicitamente. Considerou ainda realizações anteriores. lançou um manifesto ao povo e ao governo que ficou conhecido como “Manifesto dos Pioneiros da Educação”. incorporaram. 2. .155/98. Essa prioridade inclui o necessário esforço dos sistemas de ensino para que todas obtenham a formação mínima para o exercício da cidadania e para o usufruto do patrimônio cultural da sociedade moderna. culturais.UNDIME. 152. OBJETIVOS E PRIORIDADES Em síntese. a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. sem que a iniciativa chegasse a se concretizar. de 1996 . a Constituição Federal de 1988. Estabelece ainda. o Plano tem como objetivos: .a elevação global do nível de escolaridade da população. novamente proposta pelo Ministério da Educação e Cultura e discutida em quatro Encontros Nacionais de Planejamento. “de grande alcance e de vastas proporções. segundo o dever constitucional e as necessidades sociais. a ideia de um Plano Nacional de Educação. O documento teve grande repercussão e motivou uma campanha que resultou na inclusão de um artigo específico na Constituição Brasileira de 16 de julho de 1934. iniciativa essa aprovada pelo então Conselho Federal de Educação. obedecendo aos princípios da participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e a participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. e a Emenda Constitucional nº 14. A ideia de uma lei ressurgiu em 1967.a redução das desigualdades sociais e regionais no tocante ao acesso e à permanência. de 1998 que “aprova o Plano Nacional de Educação”. com força de lei. Na primeira.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Em 1932. competência precípua ao Conselho Nacional de Educação.democratização da gestão do ensino público.173. um plano com sentido unitário e de bases científicas. 25 homens e mulheres da elite intelectual brasileira. em sintonia com a Declaração Mundial sobre Educação para Todos. Com a Constituição Federal de 1988..  Os projetos foram distribuídos às Comissões de Educação. Lei nº 4. em colaboração com os Estados. na educação pública e . capaz de conferir estabilidade às iniciativas governamentais na área de educação. Várias entidades foram consultadas pelo MEC. com diretrizes e metas para os dez anos posteriores. Havia. com exceção da Carta de 37.. Cultura e Desporto. o Deputado Ivan Valente apresentou no Plenário da Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 4. . 150 declarava ser competência da União “fixar o plano nacional de educação. à dos países desenvolvidos precisa ser construída constante e progressivamente. um grupo de educadores. e coordenar e fiscalizar a sua execução. desde sua Didatismo e Conhecimento 16 participação nos trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte. Todas as constituições posteriores. O processo pedagógico deverá ser adequado às necessidades dos alunos e corresponder a um ensino socialmente significativo.155. sugerindo ao Governo as medidas que julgasse necessárias para a melhor solução dos problemas educacionais bem como a distribuição adequada de fundos especiais”. O primeiro Plano Nacional de Educação surgiu em 1962.024. cinquenta anos após a primeira tentativa oficial.”. de 1995. na Tailândia.a melhoria da qualidade do ensino em todos os níveis. do ponto de vista legal. consolidou os trabalhos do I e do II Congresso Nacional de Educação . que se chamou Plano Complementar de Educação. em 13 de março de 1998. Na Exposição de Motivos destaca o Ministro da Educação a concepção do Plano. compreensivo do ensino de todos os graus e ramos.. sofreu uma revisão. Por outro lado. preparado de acordo com as recomendações da reunião organizada pela UNESCO e realizada em Jomtien. Era basicamente um conjunto de metas quantitativas e qualitativas a serem alcançadas num prazo de oito anos. Além deste. é Relator. Atribuía. que instituiu o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério. nos estabelecimentos oficiais. introduziu importantes alterações na distribuição dos recursos federais. elaborado já na vigência da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. a elaborar o plano para ser aprovado pelo Poder Legislativo. de 1996. a Lei nº 9. Em 1965. quando foram introduzidas normas descentralizadoras e estimuladoras da elaboração de planos estaduais.CONED e sistematizou contribuições advindas de diferentes segmentos da sociedade civil. organizado na forma da lei. um ano após a publicação da citada lei. embasado nas lutas e proposições daqueles que defendem uma sociedade mais justa e igualitária”. destaca o Autor a importância desse documento-referência que “contempla dimensões e problemas sociais. A idéia prosperou e nunca mais foi inteiramente abandonada. destacando-se o Conselho Nacional de Secretários de Educação . de Finanças e Tributação. na extensão e na qualidade. em todo o território do País”. Propunham a reconstrução educacional. o consenso de que o plano devia ser fixado por lei. assegurando o seu ingresso e permanência na escola e a conclusão desse ensino. relativa ao projeto de lei que “Institui o Plano Nacional de Educação”. determina nos artigos 9º e 87. 1. Considerando que os recursos financeiros são limitados e que a capacidade para responder ao desafio de oferecer uma educação compatível. Na justificação.. são estabelecidas prioridades neste plano. o Distrito Federal e os Municípios. políticos e educacionais brasileiros.

além das demandas do mercado de trabalho. da diversidade do espaço físico e político mundial e da constituição da sociedade brasileira. a educação das crianças menores de 7 anos tem uma história de cento e cinquenta anos. às necessidades da sociedade. A educação é elemento constitutivo da pessoa e. significa maior acesso. Se a inteligência se forma a partir do nascimento e se há “janelas de oportunidade” na infância quando um determinado estímulo ou experiência exerce maior influência sobre a inteligência do que em qualquer outra época da vida. garantia crescente de vagas e. em especial dos professores. integrada às diferentes formas de educação. Seu crescimento. determinará a prioridade que as crianças das famílias de baixa renda terão na política de expansão da educação infantil. Para as demais séries e para os outros níveis. e a gradual extensão do acesso ao ensino médio para todos os jovens que completam o nível anterior. nucleares. sociedade e famílias a investirem na atenção às crianças pequenas. assim como. Desenvolvimento de sistemas de informação e de avaliação em todos os níveis e modalidades de ensino. 3. Faz parte dessa prioridade a garantia de oportunidades de educação profissional complementar à educação básica. A ampliação do atendimento. ao trabalho. como também para os jovens e adultos que não cursaram os níveis de ensino nas idades próprias. Não são apenas argumentos econômicos que têm levado governos. No Brasil. Envolve. Particular atenção deverá ser dada à formação inicial e continuada. como desdobramento. monoparentais. . deu-se principalmente a partir dos anos 70 deste século e 17 Didatismo e Conhecimento . 5. Faz parte dessa valorização a garantia das condições adequadas de trabalho. Hoje se sabe que há períodos cruciais no desenvolvimento. elaboração de planos estaduais e municipais. a linguagem. como meio e condição de formação. Além do direito da criança. quer no ensino fundamental. considerando-se a alfabetização de jovens e adultos como ponto de partida e parte intrínseca desse nível de ensino. Mas o argumento social é o que mais tem pesado na expressão da demanda e no seu atendimento por parte do Poder Público. empresariais e sindicais. contemplando também o aperfeiçoamento dos processos de coleta e difusão dos dados. desenvolvimento. adequação às especificidades locais e definição de estratégias adequadas. Ao contrário. da evolução histórica da sociedade humana. nos níveis mais elevados. como instrumentos indispensáveis para a gestão do sistema educacional e melhoria do ensino.1 Diagnóstico A educação das crianças de zero a seis anos em estabelecimentos específicos de educação infantil vem crescendo no mundo inteiro e de forma bastante acelerada. deve estar presente desde o momento em que ela nasce. simultaneamente. à educação de seus filhos e dependentes de zero a seis anos. Tratando-se de metas gerais para o conjunto da Nação. neste plano. seja em decorrência da necessidade da família de contar com uma instituição que se encarregue do cuidado e da educação de seus filhos pequenos. ou seja. entre elas o tempo para estudo e preparação das aulas.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 2. atendê-la com profissionais especializados capazes de fazer a mediação entre o que a criança já conhece e o que pode conhecer significa investir no desenvolvimento humano de forma inusitada. II – NÍVEIS DE ENSINO A – EDUCAÇÃO BÁSICA 1. No entanto. a Constituição Federal estabelece o direito dos trabalhadores. nos próximos dez anos. integração social e realização pessoal. Na base dessa questão está o direito ao cuidado e à educação a partir do nascimento. no que se refere a lideranças científicas e tecnológicas. e até mais agudos nesses anos recentes. Considerando que esses fatores continuam presentes. Se essas oportunidades forem perdidas. em parte. a educação infantil ganha prestígio e interessados em investir nela.as diretrizes e metas para a formação e valorização do magistério e demais profissionais da educação. com piso salarial e carreira de magistério. pais e responsáveis. é de se supor que a educação infantil continuará conquistando espaço no cenário educacional brasileiro como uma necessidade social. A erradicação do analfabetismo faz parte dessa prioridade.as diretrizes e metas para cada nível e modalidade de ensino e . Garantia de ensino fundamental a todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria ou que não o concluíram. oportunidade de formação que corresponda às necessidades das diferentes faixas etárias. À medida que essa ciência da criança se democratiza.as diretrizes para a gestão e o financiamento da educação. políticas e intelectuais. Isso. principalmente quando os pais trabalham fora de casa. inclusive educação profissional. salário digno. artísticas e culturais. é preciso evitar uma educação pobre para crianças pobres e a redução da qualidade à medida que se democratiza o acesso. será preciso. A alfabetização dessa população é entendida no sentido amplo de domínio dos instrumentos básicos da cultura letrada. durante os quais o ambiente pode influenciar a maneira como o cérebro é ativado para exercer funções em áreas como a matemática. no entanto. das de renda familiar insuficiente para prover os meios adequados para o cuidado e educação de seus filhos pequenos e da impossibilidade de a maioria dos pais adquirirem os conhecimentos sobre o processo de desenvolvimento da criança que a pedagogia oferece. são definidas metas de ampliação dos percentuais de atendimento da respectiva faixa etária. ainda. Ele deriva das condições limitantes das famílias trabalhadoras. a formação do cidadão responsável e consciente de seus direitos e deveres. Está prevista a extensão da escolaridade obrigatória para crianças de seis anos de idade. Valorização dos profissionais da educação. das operações matemáticas elementares. será muito mais difícil obter os mesmos resultados mais tarde. portanto. descuidar desse período significa desperdiçar um imenso potencial humano. 4. quer na educação infantil. Ampliação do atendimento nos demais níveis de ensino – a educação infantil. EDUCAÇÃO INFANTIL 1. à cada circunstância. seja pelos argumentos advindos das ciências que investigaram o processo de desenvolvimento da criança. que conduza ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva. à ciência e à tecnologia. a música. Este Plano Nacional de Educação define por conseguinte: . o ensino médio e a educação superior.

naquele período. mesmo porque só agora as creches começam a registrar-se nos órgãos de cadastro educacional. e deverão adotar objetivos educacionais. de 39. As estatísticas informavam sobre os atendimentos conveniados. Já os Municípios passaram. ficando a faixa de 4 a 6 para a pré-escola. Diferentemente de outros países e até de preocupações internacionais. como cuidados físicos. uma vez que o déficit de atendimento é bastante grande. certamente não por ter alcançado a satisfação da demanda. Em torno de 13% dos professores possuem apenas o ensino fundamental. Bons materiais pedagógicos e uma respeitável literatura sobre organização e funcionamento das instituições para esse segmento etário vêm sendo produzidos nos últimos anos no país.000 crianças atendidas na faixa de 0 a 3 anos.2% para 66. que recebiam apoio financeiro e. porque foram grupos tratados diferentemente. no entanto.4% dos estabelecimentos. que desenvolvem proposta pedagógica de alta qualidade educacional.7 milhões. Trata-se de um tempo que não pode estar descurado ou mal orientado. a retração foi maior ainda: para 396 mil matrículas. transformando-se em instituições de educação. é interessante observar que quase metade (45%) atende até 25 alunos. conclui-se que há uma demanda reprimida ou um não-atendimento das necessidades de seus filhos pequenos. de 1. aliás. que correspondem a 96. O atendimento maior se dá nas idades mais próximas da escolarização obrigatória. não desenvolve programa educacional. o que caracteriza pequenas unidades pré-escolares de uma sala. as creches atenderão crianças de zero a três anos.3 milhão de matrículas para 2. decisões políticas e programas governamentais têm sido meios eficazes de expansão das matrículas e de aumento da consciência social sobre o direito. Nível de formação acadêmica. é fundamental que os profissionais sejam altamente qualificados. equivalendo a 46. A mobilização de organizações da sociedade civil. no conjunto. Didatismo e Conhecimento 18 A partir de 1993.7% e a iniciativa privada. das quais o Nordeste detém quase metade (47. Em relação a 1987. Existiam. no entanto. Considerando o aumento do número de famílias abaixo do nível de pobreza no Brasil. alimentação. Mas deve-se registrar. 66% são formados em nível médio e 20% já têm o curso superior. orientação pedagógica de algum órgão público. um número de 1. em 1998.2 milhões. porque é nessa idade. Os com ensino médio completo eram 95 mil em 1987 e em 1998 já chegavam a 146 mil. 50. não dispõe de mobiliário. à questão de valores e às habilidades específicas para tratar com seres tão abertos ao mundo e tão ávidos de explorar e conhecer. Com 51 e mais alunos temos apenas 29. A maioria dos ambientes não conta com profissionais qualificados. 17 mil. É preciso analisar separadamente as faixas etárias de 0 a 3 e de 4 a 6 anos. particulares. . como a antiga LBA. ¼ delas. a importância e a necessidade da educação infantil. saúde. 4. que vem se verificando nos últimos anos. em alguns casos. Estimativas precárias indicavam.7% para 25. como são as crianças. segundo as diretrizes curriculares nacionais emanadas do Conselho Nacional de Educação. 129 mil são municipais. somente 8.804 crianças. quer nos objetivos. Esse fenômeno decorre da expressão e pressão da demanda sobre a esfera de governo (municipal) que está mais próximo às famílias e corresponde à prioridade constitucional de atuação dos Municípios nesse nível. constata-se uma redução acentuada no atendimento por parte dos Estados. Daí porque os cursos de formação de magistério para a educação infantil devem ter uma atenção especial à formação humana. será uma quantidade muito pequena diante da magnitude do segmento populacional de 0 a 3 anos.3%.7%. Atendia principalmente as crianças cujas mães trabalhavam fora de casa. pois em 1993 detinham 31% dos estabelecimentos e. 208. ele caiu para 4.5%. simultaneamente ao ensino fundamental. considerando-se que nos primeiros anos de vida. determinado pelo art.9% para 9. também. em 1997. especialmente da qualidade das experiências educativas.400. observa-se o mesmo fenômeno que ocorreu com as matrículas: os Estados se retraíram. Esse equilíbrio é uniforme em todas as regiões do País. com profissionais com formação e experiência no cuidado e educação de crianças. estava presente em 5. de sorte que a maioria das crianças de 6 anos já está na pré-escola. IV da Constituição Federal. estaduais e 72. quer por instituições que atuaram nesse campo. que os estímulos educativos têm maior poder de influência sobre a formação da personalidade e o desenvolvimento da criança. em idades que variam de menos de 4 a mais de 9 anos.6% e as da iniciativa privada. completo ou incompleto. brinquedos e outros materiais pedagógicos adequados. que existem creches de boa qualidade.8%. aumentado sua parcela. 78. Em 1998. coletados pelo sistema nacional de estatísticas educacionais. baixando sua participação no total de matrículas de 25. Para a faixa de 4 a 6 anos. Em 1987. uma pequena redução na área particular e um grande aumento na esfera municipal. de 22. está equilibrada: feminino.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS foi mais acelerado até 1993. constituído de 12 milhões de crianças. os Estados atendiam 850 mil e. indicando um atendimento de 381.1 milhões e 44%. o que. não havendo um levantamento completo de quantas crianças estavam freqüentando algum tipo de instituição nessa faixa etária. De uma população de aproximadamente 9. Os Municípios passaram de 47. atualmente.3 milhões estavam matriculadas em pré-escolas no ano de 1997.106 pré-escolas. e mais acentuadamente a partir de 1994.5%) e o Sudeste.2 milhões de crianças. dispomos de dados mais consistentes. precisamente. Qualquer número. Grande parte era atendida por instituições filantrópicas e associações comunitárias. somente 600 mil. A distribuição das matrículas. Em 1998.4% para 65. elevando o percentual nessa categoria em relação ao total de professores. não significa necessariamente habilidade para educar crianças pequenas. Esses dados são alvissareiros. o que revela uma progressiva melhoria da qualificação docente. sejam públicas ou privadas. Essa determinação segue a melhor pedagogia.5% e masculino. até alguns anos atrás. Esse é um dos temas importantes para o PNE. dada a maleabilidade da criança às interferências do meio social.6% do total. De 1987 para 1998 houve aumento do número dos diplomados em nível universitário trabalhando na educação infantil (de 20 para 44 mil). São dados incompletos.8 mil. Em relação ao número de alunos por estabelecimento. em nosso País essa questão não requer correções. as matrículas quase estacionaram no patamar de 4. Observando a distribuição das matrículas entre as esferas públicas e a iniciativa privada. de 34 para 24%. A primeira faixa esteve predominantemente sob a égide da assistência social e tinha uma característica mais assistencial. é dever constitucional.4%. A Sinopse Estatística da Educação Básica reuniu dados de 1998 sobre a creche.320 Municípios. O Poder Público será cada vez mais instado a atuar nessa área. 49. Por determinação da LDB. Já em 1998. Das 219 mil funções docentes. quanto ao gênero.

Essa carência ocorre para menos de 0. tem que ser enfrentada com políticas abrangentes que envolvam a saúde. a partir do nascimento. esse problema deve merecer atenção especial na década da educação. E têm oferecido grande suporte para a educação formular seus propósitos e atuação a partir do nascimento. em 1998. Esses valores são semelhantes em todas as regiões. ao longo da vida. sendo 127 mil em estabelecimento sem esgoto sanitário. mesmo porque inteligência não é herdada geneticamente nem transmitida pelo ensino. a Cultura. Daí porque a intervenção na infância. Em relação à infraestrutura dos estabelecimentos. na estadual. o trabalho e o emprego. 9o. estando privadas da rica atividade nesses ambientes nada menos que 54% das crianças.5% das crianças atendidas nas regiões Sudeste. há que se apontar que 4. terá que ser encontrada uma solução para as diversas demandas. sem prejuízo da prioridade constitucional do ensino fundamental.7. não têm abastecimento de água. Há bastante segurança em afirmar que o investimento em educação infantil obtém uma taxa de retorno econômico superior a qualquer outro. no Nordeste. o que é um bom número para a faixa de 4 a 6 anos. medidas econômicas relativas aos recursos financeiros necessários e medidas administrativas para articulação dos setores da política social envolvidos no atendimento dos direitos e das necessidades das crianças. Considera-se. a relação é de 21. O efeito sinergético de ações na área da saúde. No setor público. a inexistência de energia elétrica em 20% dos estabelecimentos. as crianças precisam de atenção bastante individualizada em muitas circunstâncias e requerem mais cuidados dos adultos do que nos níveis subsequentes da escolarização. IV da LDB. medidas de natureza política. investigando como se processa o seu desenvolvimento. a Saúde e as Comunicações Sociais. Serão essas. A Sinopse Estatística da Educação Básica/1999 registra um decréscimo de cerca de 200 mil matrículas na pré-escola. no âmbito internacional. da socialização. como complementares à ação da família. na interação social mediante a ação sobre os objetos. definidas pelo Conselho Nacional de Educação. um diagnóstico das necessidades da educação infantil precisa assinalar as condições de vida e desenvolvimento das crianças brasileiras. certamente. A pobreza. pois está com 14 crianças por professor. responsabilidade. Pois todos esses são elementos constitutivos da vida e do desenvolvimento da criança. por Municípios e Estados. solidariedade. a renda e os espaços sociais de convivência. que afeta a maioria delas. mas construída pela criança. o que já foi afirmado pelo mais importante documento internacional de educação deste século. As instituições de educação infantil vêm se tornando cada vez mais necessárias. saúde. quer sobre outros aspectos da vida social.4. A pedagogia mesma vem acumulando considerável experiência e reflexão sobre sua prática nesse campo e definindo os procedimentos mais adequados para oferecer às crianças interessantes. estabelecem os marcos para a elaboração das propostas pedagógicas para as crianças de 0 a 6 anos. a demanda de educação infantil poderá ser atendida com qualidade. como a Educação. nutrição e apoio familiar são vistos como um importante instrumento de desenvolvimento econômico e social. As ciências que se debruçaram sobre a criança nos últimos cinquenta anos. No horizonte dos dez anos deste Plano Nacional de Educação. 1. Finalmente. beneficiando a toda criança que necessite e cuja família queira ter seus filhos frequentando uma instituição educacional. ficando 167 mil crianças matriculadas sem possibilidade de acesso aos meios mais modernos da informática como instrumentos lúdicos de aprendizagem. também. consoante determina o art. pré-escolas da zona rural. 70% dos estabelecimentos não têm parque infantil. quer sobre a vida acadêmica posterior. 84% das quais se situam no Nordeste.  As diretrizes curriculares nacionais para a educação infantil. tais como decisões e compromissos políticos dos governantes em relação às crianças. de cooperação. mais da metade das quais. a educação. tendem a reforçar. que contemplou separadamente o ensino fundamental das etapas anterior e posterior da educação básica. sob pena de termos uma educação infantil descaracterizada. Sul e Centro-Oeste. persistindo. embora ainda em pequeno número. a Justiça. nutrição e educação está demonstrado por avaliações de políticas e programas.2 Diretrizes A educação infantil é a primeira etapa da Educação Básica. As primeiras experiências da vida são as que marcam mais profundamente a pessoa. as atitudes de autoconfiança. desafiantes e enriquecedoras oportunidades de desenvolvimento e aprendizagem. pela predominância da atividade cognoscitiva em sala de aula. Quando positivas. tendo sido fechadas muitas instituições de educação infantil. através de programas de desenvolvimento infantil. no desenvolvimento de sua capacidade de aprendizagem e na elevação do nível de inteligência das pessoas. a Declaração Mundial de Educação para Todos (Jomtien. que retira de suas famílias as possibilidades mais primárias de alimentálas e assisti-las. na comunidade e nas instituições. da inteligência. da vida emocional. ademais de orientações pedagógicas e medidas administrativas conducentes à melhoria da qualidade dos serviços oferecidos. que englobem ações integradas de educação. as circunstâncias e os fatos. Há que se registrar. em instituições específicas ou em programas de atenção educativa. complementadas pelas normas dos sistemas de ensino dos Estados e Municípios. O setor privado baixa a média nacional para 18. Essa educação se dá na família.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Outra questão importante a analisar é o número de crianças por professor pois. Tailândia. É possível que muitos dos estabelecimentos sejam anexos a escolas urbanas de ensino fundamental. Recursos antes aplicados na educação infantil foram carreados. Dada a importância do brinquedo livre.153 pré-escolas. cultura e lazer. embora em número menor (159 mil).0 por 1 na esfera municipal e de 23. Didatismo e Conhecimento 19 . coincidem em afirmar a importância dos primeiros anos de vida para o desenvolvimento e aprendizagem posteriores. onde o espaço externo é restrito e tem que ser dividido com muitos outros alunos. requerem-se. A educação infantil inaugura a educação da pessoa. Na década da educação. nessa faixa etária. que atendem a 69. criativo e grupal nessa faixa etária. Ela estabelece as bases da personalidade humana. a moradia. em 1999. que a educação infantil terá um papel cada vez maior na formação integral da pessoa. Além disso. além das organizações da sociedade civil. o Trabalho. a Assistência Social. a nutrição. Tem-se atribuído essa redução à implantação do FUNDEF. 1990). indicam os efeitos positivos da ação educacional nos primeiros anos de vida. Para tanto. ao ensino fundamental. Avaliações longitudinais. Mais grave é que 58% das crianças freqüentam estabelecimento sem sanitário adequado. relativamente a 1998.714 crianças.

sobretudo no que se refere à limitação de meios financeiros e técnicos. na educação infantil. Educação e cuidados constituem um todo indivisível para crianças indivisíveis. cujas taxas de retorno alguns estudos já indicam serem elevadas. já constatado por muitas pesquisas. atendimento a carentes/educação para classe média e outras. mais do que qualquer outra coisa. A articulação com a família visa. respeitando as diversidades regionais. de tal maneira que a educação familiar e a escolar se complementem e se enriqueçam. A qualificação específica para atuar na faixa de zero a seis anos inclui o conhecimento das bases científicas do desenvolvimento da criança. como vem ocorrendo entre esta e a primeira série do ensino fundamental. qualificação dos professores. Em vista daquele direito e dos efeitos positivos da educação infantil sobre o desenvolvimento e a aprendizagem das crianças. esgotamento sanitário. no prazo de um ano. da produção de aprendizagens e a habilidade de reflexão sobre a prática. Considerando. de formação da inteligência e da personalidade. incluindo o repouso. produzindo aprendizagens coerentes. porém necessariamente. VI da Constituição Federal. a União e os Estados atuarão subsidiariamente. ventilação. o Poder Público tem o dever de atendê-la. consoante o art. Importante. que formam a base sócio histórica sobre a qual as crianças iniciam a construção de suas personalidades.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Na distribuição de competências referentes à educação infantil. Ampliar a oferta de educação infantil de forma a atender. mobiliário. equipamentos e materiais pedagógicos.e da família. 208. as condições concretas de nosso País. pois só esta o justifica e produz resultados positivos. A criança não está obrigada a frequentar uma instituição de educação infantil. implementada através de programas específicos de orientação aos pais. transcendendo a questão da renda familiar. ao mútuo conhecimento de processos de educação. inserida no trabalho pedagógico. A norma constitucional de integração das crianças especiais no sistema regular será. assistência ou assistencialismo/ educação. em hipótese alguma. até o final da década. num processo de desenvolvimento marcado por etapas ou estágios em que as rupturas são bases e possibilidades para a sequência. das famílias de renda mais baixa. Por isso. o Brasil poderá chegar a uma educação infantil que abarque o segmento etário 0 a 6 anos (ou 0 a 5. a expressão livre. Quanto às esferas administrativas. no mundo inteiro. Além da formação acadêmica prévia. dada a relevância de sua atuação como mediadores no processo de desenvolvimento e aprendizagem. esse segmento da educação vem crescendo significativamente e vem sendo recomendado por organismos e conferências internacionais. a 30% da população de até 3 anos de idade e 60% da população de 4 e 6 anos (ou 4 e 5 anos) e. Elaborar. definida pelo número de crianças na faixa etária. valores. acrescentando-se a eles a própria oferta como motivadora da procura. Quando a avaliação recomendar atendimento especializado em estabelecimentos específicos. que exigem “adaptação” entre o que hoje constitui a creche e a pré-escola. Afinal a existência da possibilidade de acesso e o conhecimento dos benefícios da frequência a um centro de educação infantil de qualidade induzem um número cada vez maior de famílias a demandar uma vaga para seus filhos. diretrizes para essa modalidade constarão do capítulo sobre educação especial. b) instalações sanitárias e para a higiene pessoal das crianças. conduzirá invariavelmente à universalização. pois a educação infantil não é obrigatória. cada vez mais. situando as instituições de educação infantil nas áreas de maior necessidade e nelas concentrando o melhor de seus recursos técnicos e pedagógicos. que. A expansão que se verifica no atendimento das crianças de 6 e 5 anos de idade. mas um direito da criança. e não à demanda potencial. 1. f) adequação às características das crianças especiais. mas sempre que sua família deseje ou necessite. O que este plano recomenda é uma educação de qualidade prioritariamente para as crianças mais sujeitas à exclusão ou vítimas dela. 2. Os fatores históricos que determinam a demanda continuam vigentes em nossa sociedade. tornando-se cada vez mais óbvios. equipamentos e materiais pedagógicos. mais amplas e profundas. este plano propõe que a oferta pública de educação infantil conceda prioridade às crianças das famílias de menor renda. em apoio técnico e financeiro aos Municípios. d) ambiente interno e externo para o desenvolvimento das atividades. o movimento e o brinquedo. A formação dos profissionais da educação infantil merecerá uma atenção especial. As inversões financeiras requeridas para cumprir as metas de abrangência e qualidade deverão ser vistas sobretudo como aplicações necessárias em direitos básicos dos cidadãos na primeira etapa da vida e como investimento. As metas estão relacionadas à demanda manifesta. no entanto. água potável. constitui diretriz importante a superação das dicotomias creche/pré-escola. aos valores e às expressões culturais das diferentes localidades. com reflexos positivos sobre todo o processo de aprendizagem posterior. conforme as diretrizes curriculares e a metodologia da educação infantil. a necessidade do atendimento em tempo integral para as crianças de idades menores. em cinco anos. e) mobiliário. é o cuidado na qualidade do atendimento. é preciso sublinhar que é uma diretriz nacional o respeito às diversidades regionais. com iluminação. alcançar a meta de 50% das crianças de 0 a 3 anos e 80% das de 4 e 5 anos. insolação.3 Objetivos e Metas 1. No período dos dez anos coberto por este plano. Estado e União . expectativas. requer-se a formação permanente. nutrindo-se dele e renovando-o constantemente. o atendimento de qualquer criança num estabelecimento de educação infantil é uma das mais sábias estratégias de desenvolvimento humano. nesse processo. também. caracterizar a educação infantil pública como uma ação pobre para pobres. Didatismo e Conhecimento . visão para o espaço externo. de sorte que esta se torne. IV da Constituição Federal). Para orientar uma prática pedagógica condizente com os dados das ciências e mais respeitosa possível do processo unitário de desenvolvimento da criança. que orientações políticas e práticas sociais equivocadas foram produzindo ao longo da história. As medidas propostas por este plano decenal para implementar as diretrizes e os referenciais curriculares nacionais para a educação infantil se enquadram na perspectiva da melhoria da qualidade. fonte de novos conhecimentos e habilidades na educação das crianças. tanto a Constituição Federal quanto a LDB são explícitas na corresponsabilidade das três esferas de governo . padrões mínimos de infraestrutura para o funcionamento adequado das instituições de educação infantil (creches e pré-escolas) públicas e privadas. No entanto. quando os pais trabalham fora de casa.Municípios. c) instalações para preparo e/ou serviço de alimentação. 30. rede elétrica e segurança. Essa prioridade não pode. na medida em que as crianças de 6 anos ingressem no ensino fundamental) sem os percalços das passagens traumáticas. 20 A educação infantil é um direito de toda criança e uma obrigação do Estado (art. adaptação dos estabelecimentos quanto às condições físicas. assegurem o atendimento das características das distintas faixas etárias e das necessidades do processo educativo quanto a: a) espaço interno. Deve-se contemplar.

programas de orientação e apoio aos pais com filhos entre 0 e 3 anos. (Tabela 1). Assegurar. Implantar conselhos escolares e outras formas de participação da comunidade escolar e local na melhoria do funcionamento das instituições de educação infantil e no enriquecimento das oportunidades educativas e dos recursos pedagógicos. ENSINO FUNDAMENTAL 2. com base nas diretrizes nacionais. sejam atendidos os padrões mínimos de infraestrutura definidos na meta nº 2. 12. em dois anos. todos os professores tenham habilitação específica de nível médio e. através da colaboração financeira da União e dos Estados. para a atualização permanente e o aprofundamento dos conhecimentos dos profissionais que atuam na educação infantil. 208 preconiza a garantia de sua oferta. Instituir mecanismos de colaboração entre os setores da educação. § 1º.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 3. As matrículas do ensino fundamental brasileiro superam a casa dos 35 milhões. Garantir a alimentação escolar para as crianças atendidas na educação infantil. 2. Em 1998. 21. inclusive para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria. no Brasil. tínhamos mais de 8 milhões de pessoas nesta situação. Isto significa que há muitas crianças matriculadas no ensino fundamental com idade acima de 14 anos. com vistas a melhorar a eficiência e garantir a generalização da qualidade do atendimento.1. inclusive das universidades e institutos superiores de educação e organizações não governamentais. em dez anos. prioritariamente nas regiões onde o déficit de qualificação é maior. 7o. 14. e como instrumento para a adoção das medidas de melhoria da qualidade. 13. o pleno domínio da leitura. expansão. em três anos. dando-se preferência à admissão de profissionais graduados em curso específico de nível superior. todos os dirigentes de instituições de educação infantil possuam formação apropriada em nível médio (modalidade Normal) e. em todos os Municípios. naquele nível todas as crianças de 7 anos ou mais que se encontrem na educação infantil. nos estabelecimentos públicos e conveniados. controle e supervisão da educação infantil. nos termos dos arts. em seu art. o ensino fundamental é obrigatório e gratuito. Extinguir as classes de alfabetização incorporando imediatamente as crianças no ensino fundamental e matricular. Existe hoje. nos estabelecimentos públicos e privados. Didatismo e Conhecimento 21 . A partir da vigência deste plano. somente admitir novos profissionais na educação infantil que possuam a titulação mínima em nível médio. 15. b) que. Estabelecer parâmetros de qualidade dos serviços de educação infantil. preferencialmente em articulação com instituições de ensino superior. prioritariamente. com a participação dos profissionais de educação neles envolvidos. número superior ao de crianças de 7 a 14 anos representando 116% dessa faixa etária. pois de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. da Constituição Federal afirma: “O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo”. 10. que realize as seguintes metas: a) que. saúde e assistência social e de organizações não governamentais. É básico na formação do cidadão. em cinco anos. 17. formação de nível superior. sempre que possível em articulação com as instituições de ensino superior que tenham experiência na área. em cinco anos. com a colaboração da União. violência doméstica e desagregação familiar extrema. A partir do segundo ano deste plano. o controle e a avaliação. O art. bem como para a formação do pessoal auxiliar. também. assistência financeira. 9. até o final da década. no prazo de três anos. Observar as metas estabelecidas nos demais capítulos referentes à educação infantil. no prazo de três anos. Realizar estudos sobre custo da educação infantil com base nos parâmetros de qualidade. seus projetos pedagógicos. como referência para a supervisão. É prioridade oferecê-lo a toda população brasileira. visando ao apoio técnico-pedagógico para a melhoria da qualidade e à garantia do cumprimento dos padrões mínimos estabelecidos pelas diretrizes nacionais e estaduais. na educação infantil. Diagnóstico De acordo com a Constituição Brasileira. 4. o fornecimento de materiais pedagógicos adequados às faixas etárias e às necessidades do trabalho educacional. em cinco anos. Estabelecer um Programa Nacional de Formação dos Profissionais de educação infantil. VI e 211. todos os Municípios tenham definido sua política para a educação infantil. Estabelecer. um amplo consenso sobre a situação e os problemas do ensino fundamental. inclusive. com conteúdos específicos. Incluir as creches ou entidades equivalentes no sistema nacional de estatísticas educacionais. 24. 6. 208. 22. públicas ou privadas. além de outros recursos municipais os 10% dos recursos de manutenção e desenvolvimento do ensino não vinculados ao FUNDEF sejam aplicados. 25. 19. Exercer a ação supletiva da União e do Estado junto aos Municípios que apresentem maiores necessidades técnicas e financeiras. em todos os Municípios e com a colaboração dos setores responsáveis pela educação. oferecendo. 70% tenham formação específica de nível superior. 5. nas normas complementares estaduais e nas sugestões dos referenciais curriculares nacionais. Adotar progressivamente o atendimento em tempo integral para as crianças de 0 a 6 anos. administração. Assegurar que. colocar em execução programa de formação em serviço. 7. somente autorizar construção e funcionamento de instituições de educação infantil. 30. O art. em todos os Municípios. em cada município ou por grupos de Município. XXV. da Constituição Federal. 26. saúde e assistência na manutenção. Assegurar que. 16. da Constituição Federal. Assegurar que. 32. estabelecido no art. Adaptar os prédios de educação infantil de sorte que. que atendam aos requisitos de infraestrutura definidos no item anterior. e seu não oferecimento pelo Poder Público ou sua oferta irregular implica responsabilidade da autoridade competente. todas as instituições de educação infantil tenham formulado. § 1º. Promover debates com a sociedade civil sobre o direito dos trabalhadores à assistência gratuita a seus filhos e dependentes em creches e pré-escolas. Ampliar a oferta de cursos de formação de professores de educação infantil de nível superior. 8. de modo a atingir a meta estabelecida pela LDB para a década da educação. 18. modalidade normal. No prazo máximo de três anos a contar do início deste plano. 11. da escrita e do cálculo constituem meios para o desenvolvimento da capacidade de aprender e de se relacionar no meio social e político. de forma que. Estabelecer em todos os Municípios. 20. Estados e Municípios. em cinco anos. controle e avaliação das instituições de atendimento das crianças de 0 a 3 anos de idade. jurídica e de suplementação alimentar nos casos de pobreza. um sistema de acompanhamento. (VETADO) 23. com a cooperação técnica e financeira da União e dos Estados. todos estejam conformes aos padrões mínimos de infraestrutura estabelecidos. Encaminhar ao Congresso Nacional projeto de lei visando à regulamentação daquele dispositivo. em dez anos.

383 120. indicam claramente esta questão.459 7.561 2.470 215.652 171.342 73.915 Total 6.836 11.232 50.176 638.288 Menos 7 anos 147. condensados na Tabela 2.341 111.616 7.559 2.150 1.742 899 Rural De 7 a 14 anos 5.Matrícula.370 2.172 12.472 134.289 11.938 20.870. G.780 10.723 20.803 9.369.609 1.052 Menos de 7 anos 449.446 10.808 256.062 195.072 1.935 4.287 7.815 86.315 2.585.169 516 24.912 701.593 8.636 82.091 8.468 598.149 983.036 32.137.874 1. pois nega o direito elementar de cidadania.758 15.558.490.669 13.698 40.135. seja por incúria do Poder Público.192 255.948 71.008 1.638 437 4.466 849.440 262.175 412.771 1.766.295 54.904 1.630 250.605 3.293.880 1. do Sul Mato Grosso Goiás Distrito Federal Total Total 35.629 552.987 952.924.333 149.910 441.207.822 11.119 De 7 a 14 Anos 26.098 498.864 6.672 499.712 90.237 650.373 29.299 12. A consciência desse fato e a mobilização social que dela decorre têm promovido esforços coordenados das diferentes instâncias do Poder Público que resultaram numa evolução muito positiva do sistema de ensino fundamental como um todo.079 21.769 50.180 12.539 428.254 94.377.578 8.305. Os dados evolutivos.993 12.814 3.770.606 De 15 a 19 anos 1.472 3.881 77.584 82.420 75.387 276.423 839. seja por omissão da família e da sociedade. por Faixa Etária e Localização – 1998 Matrícula por Faixa Etária e Localização Unidade da Federação Brasil Norte Rondônia Acre Amazonas Roraima Pará Amapá Tocantins Nordeste Maranhão Piauí Ceará R.511 37.995 44.142 787.239 122.211 1.736 5.876.691 480.863 2.466 632.015 472.408 100.684 92.060 33.985 30.131 1.016.961 1.224 424.913 8.890 209. do Sul Centro-Oeste M.847 532.313 68.916 12.303 350.279 36.015 531.830 22.838 4.161 2.998 142.067 14.447 1.642 23.690 185.892 1.319 39.365 91.580 215.178 3. isto é.G.994 1.823 5.631 3.197 31.050 2.716 85.378 126.382 296.983 5.345 104.331 45.742 2.666 441.863 48.566 19.394.845 Mais de 19 anos 1.492 485.815 364.991 27.372 1.717 4.837 459.079 43.777 614.886 595 42.423 182.do Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Sudeste Minas Gerais Espírito Santo Rio de Janeiro São Paulo Sul Paraná Santa Catarina R.061 3.143 15.G.262 86.249.448 664.177 513 2.954 10.248 8.080 53.792.018 2.446 13.146 71. foi considerada a idade que o aluno completou em 1998) Didatismo e Conhecimento 22 .034 22.953 10.383 25.480 1.809 130.663.766 286.618 24.473 750.380 4.855.712 149.679 242.411 16. Tabela 1 .779 1.097 224.394 159.986 16.270 24.227 731.686 956 1.447.818.082 134.512 54.185 8.297.483 18.892 164 20.066 113.859 456 8.883 245 17.054 244.305 172.682 4.073 8.383 65.782 479 1.210.711 882.104 4. é a forma mais perversa e irremediável de exclusão social.287 2.173 De 15 a 19 anos 7.553 619.097.399 423.964 10.526 18.992 140.266 377.375.786 789.153.175 Mais de 19 anos 221.728 63.921 2.813 117.117 2.124 149.335 13.686 91.857.724 149.808.922 144.063 248.813 32.247 1.530 357.322 15.729 22.532 5.361 97.842.853 115.214 1.534 50.548 16.127 10.910.377.806 8.554 3.742 71.407.786 2.648 1.732 320 1.518 4.954 81.441 28.238 116.001 15.633 29.984 22.392 346.565 452.698 4.165 1.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A exclusão da escola de crianças na idade própria.646 117.479 688.609 1.187.777.892 184.273 34.303 66.103 16.761 9.537 97.521 116.169 2.868 1.878 17.815 32.266 951.137 18.075 744.340 27. no ensino fundamental.948 412.565.361 864 3.818 103.964 264.062 810. em termos tanto de cobertura quanto de eficiência.686 19.136 3.057 1.918.876 557.251.220 144.953 216 13.880 308.204 171.156.431.121 608 Fonte MEC/INEP/SEEC – (Nota: A idade foi obtida a partir do Ano do Nascimento informado no censo escolar.796 152.429 1.568 99.279 49.506 974.791 604.736 642 1.785 2.759 23.526 248.100 312.586 463.388 605.195. reproduzindo o círculo da pobreza e da marginalidade e alienando milhões de brasileiros de qualquer perspectiva de futuro.805 34. em 25/3/98.719 322.121 130.693 150.020 69.553.355 57.554 6.952 2.056 229.224 24.440 6.606.590 2.991 4.082 241.714 3.488 577.770 44.847 105.558 80.169 12.285 436.278 464.

essa taxa de atendimento cresceu de 91.876 2.270 x 2.062 2.650. permanência e qualidade da Didatismo e Conhecimento 23 . de 95%.815 x 2.2 96.611. uma situação de inchaço nas matrículas do ensino fundamental. em 1998.899.127.7 x 96. por sua vez.214 10. está relacionado à precariedade do ensino e às condições de exclusão e marginalidade social em que vivem segmentos da população brasileira. De acordo com o censo escolar de 1996.532 9. o número de crianças de 7 a 14 anos efetivamente matriculadas em algum nível de ensino.4 94. verificamos que.4 anos para completar as oito séries do ensino fundamental.1 90. o fato de ainda haver crianças fora da escola não tem como causa determinante o déficit de vagas. ampliar o ensino obrigatório para nove séries. abrir vagas. No Nordeste essa situação é mais dramática.6% para 95%. mantendo a tendência decrescente de participação relativa. o ensino fundamental deverá atingir a sua universalização.822 Taxa Escolarização Bruta % x 105. priorizando o auxílio técnico e financeiro para as regiões que apresentam maiores deficiências. inclusive nos demais países da América Latina. do trabalho infantil. de 86% para cerca de 91% entre 1991 e 1996.730 x 1. mais de 46% dos alunos do ensino fundamental têm idade superior à faixa etária correspondente a cada série. portanto. além de uma parcela muito reduzida que já ingressou no ensino médio.9 Brasil 1991 1996 Norte 1991 1996 Nordeste 1991 1996 Sudeste 1991 1996 Sul 1991 1996 Centro-Oeste 1991 1996 xx 27.804.475.860 3.674 x 4.693.737.230 1. tanto em termos de cobertura como de sucesso escolar. para sua subsistência. dos 3. É preciso que a União continue atenta a este problema. sob a responsabilidade do Poder Público. o ensino privado absorvia apenas 9.8 x 94.2 114. Tomando como referência apenas as crianças de 14 anos.180.525.089 x 10.980 Taxa de Escolarização Líquida % x 86. Além de indicar atraso no percurso escolar dos alunos. Esta medida é importante porque. Apesar do expressivo aumento de 9 pontos percentuais de crescimento entre 1991 e 1998.8 x 118.203.339 2.185.9 94.469 x 11.5 x 110. o que está muito próximo de uma universalização real do atendimento. concentrando-se em bolsões de pobreza existentes nas periferias urbanas e nas áreas rurais.4 116. portanto aproximando-se da média nacional.400. da população muito pobre. considerando a indissociabilidade entre acesso.724 33.010.475.531 x 8. Corrigir essa situação constitui prioridade da política educacional.8 x 79.5% das matrículas. Temos. portanto.0 114. que depende. principalmente se tomarmos os dados já disponíveis de 1998: taxa bruta de escolarização de 128% e líquida. em ambos os casos.194 3.665 x 3. na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e nas Diretrizes Curriculares para o ensino fundamental. Nos cinco primeiros anos de vigência deste plano.140. Na maioria das situações.7 milhões de crianças de 7 a 14 anos fora da escola.246.901.333 x 10.428 25.417.131.Taxas de Escolarização Bruta e Líquida na faixa etária de 7 a 14 anos Brasil e Regiões – 1991 e 1996 Região/ Ano População de 7 a 14 anos Matrícula no Ensino Fundamental Total x 29. Trata-se. a situação de distorção idade-série provoca custos adicionais aos sistemas de ensino.007 x 1.811. devem garantir os recursos para a correção dessas desigualdades. A correção dessa distorção abre a perspectiva de.914 7. O problema da exclusão ainda é grande no Brasil. O progresso foi impressionante.528. por outro lado. apenas cerca de 622 mil frequentavam a 8ª série do ensino fundamental. são cerca de 2.5 82.480 12. O Fundo Nacional de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério.780.1 x 99. na faixa de 7 a 14 anos.330 11.773. o índice de atendimento dessa faixa etária (taxa de escolarização líquida) aumentou. Tendo em vista este conjunto de dados e a extensão das matrículas no ensino fundamental.701 1.8 x 93. Se considerarmos.8 116.201. Uma parcela dessa população pode ser reincorporada à escola regular e outra precisa ser atingida pelos programas de educação de jovens e adultos. Em 1998.209 x 6.248. pois nas regiões Norte e Nordeste a taxa de escolarização líquida passou a 90%.161 Fontes: MEC/INEP/SEEC e IBGE Considerando-se o número de crianças de 7 a 14 anos matriculadas no ensino fundamental.601.909. o atendimento é ainda maior e o progresso igualmente impressionante: entre 1991 e 1998.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Tabela 2 . sendo de seis anos a idade padrão na grande maioria dos sistemas.777.2 Diretrizes As diretrizes norteadoras da educação fundamental estão contidas na Constituição Federal.3 Matrícula no Ensino Fundamental 7 a 14 anos x 23.820. outras que frequentam classes de alfabetização. Não basta.1 x 111.589.8 x 72.649 x 9. A existência de crianças fora da escola e as taxas de analfabetismo estão estreitamente associadas. A desigualdade regional é grave.2 89. parte das quais nela já esteve e a abandonou. o que inclui algumas que estão na pré-escola. as regiões Norte e Nordeste continuam apresentando as piores taxas de escolarização do País. De acordo com a contagem da população realizada pelo IBGE em julho de 1996. chegando a 64% o índice de distorção.6 126. que decorre basicamente da distorção idadesérie.860 x 1. é surpreendente e inaceitável que ainda haja crianças fora da escola.558.171. o ingresso no ensino fundamental é relativamente tardio no Brasil.5 milhões de adolescentes nessa faixa etária.474 10. 2.9 116. Esse problema dá a exata dimensão do grau de ineficiência do sistema educacional do País: os alunos levam em média 10.958.369 4. de problemas localizados. assim como o Projeto Nordeste/Fundescola. com início aos seis anos de idade. é consequência dos elevados índices de reprovação. A taxa de atendimento subiu para 96%. mantendo as crianças por período excessivamente longo no ensino fundamental.852 x 3.803.157 2. Programas paralelos de assistência a famílias são fundamentais para o acesso à escola e a permanência nela.774 x 2. em comparação com os demais países. o que tem sido um dos principais fatores de evasão.9 x 94. mantendo-se o atual número de vagas.965. a qual.580 28. As diferenças regionais estão diminuindo.

É preciso avançar mais nos programas de formação e de qualificação de professores. incluindo: a) espaço. em dez anos. considerando a especificidade de horários. garantindo efetiva aprendizagem. em cinco anos. Regularizar o fluxo escolar reduzindo em 50%. sinalizaram a reforma curricular expressa nos Parâmetros Curriculares Nacionais. 5. até os espaços especializados de atividades artístico-culturais. embasadas na ciência da educação. biblioteca e serviço de merenda escolar.3 Objetivos e Metas 1. propõem a inserção de temas transversais como ética. é um avanço significativo para diminuir as desigualdades sociais e ampliar democraticamente as oportunidades de aprendizagem. pois a oferta de ensino fundamental precisa chegar a todos os recantos do País e a ampliação da oferta de quatro séries regulares em substituição às classes isoladas unidocentes é meta a ser perseguida. compatíveis com o tamanho dos estabelecimentos e com as realidades regionais. trabalho e consumo. livro didático e transporte escolar. preconiza a progressiva implantação do ensino em tempo integral. regularizar os percursos escolares. para os alunos do ensino fundamental. a critério dos sistemas de ensino. adequadas à sua maneira de usar o espaço. A atualidade do currículo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS educação escolar. f) mobiliário. ventilação. A expressiva presença de jovens com mais de 14 anos no ensino fundamental demanda a criação de condições próprias para a aprendizagem dessa faixa etária. que deverão orientar-se pelo princípio democrático da participação. Estabelecer. no prazo de um ano. Assegurar que. iluminação. pais. a totalidade dos itens. água potável. 2. Universalizar o atendimento de toda a clientela do ensino fundamental. prática de esportes. o tempo. com adaptações adequadas a portadores de necessidades especiais. oportunizando orientação no cumprimento dos deveres escolares. somente autorizar a construção e funcionamento de escolas que atendam aos requisitos de infraestrutura definidos. tanto das metas como dos objetivos propostos neste plano. A gestão da educação e a cobrança de resultados. mudanças significativas deverão ocorrer quanto à expansão da rede física. recreativas e a adequação de equipamentos. que surgiram como importante proposta e eficiente orientação para os professores. desenvolvimento de atividades artísticas e alimentação adequada. permitindo que crianças e adolescentes permaneçam na escola o tempo necessário para concluir este nível de ensino. . eliminando mais celeremente o analfabetismo e elevando gradativamente a escolaridade da população brasileira. as taxas de repetência e evasão. garantindo o acesso e a permanência de todas as crianças na escola. 6. insolação. estabelecendo em regiões em que se demonstrar necessárioprogramas específicos. faz-se necessário ampliar o atendimento social. em decorrência. O direito ao ensino fundamental não se refere apenas à matrícula. A escola rural requer um tratamento diferenciado. 2. § 2º. surgem os conselhos escolares. à medida que for sendo universalizado o atendimento na faixa de 7 a 14 anos. programas para equipar todas as escolas. dos Estados e dos Municípios. Os temas estão vinculados ao cotidiano da maioria da população. segurança e temperatura ambiente. abre novas perspectivas no desenvolvimento de habilidades para dominar esse novo mundo que se desenha. pluralidade cultural. em seu art. c) espaços para esporte. como a própria expressão da organização educativa da unidade escolar. gradualmente. 7. 34. atendimento diferenciado da alimentação escolar e disponibilidade de professores. contemplando-se desde a construção física. recreação. b) instalações sanitárias e para higiene. em todos os sistemas de ensino e com o apoio da União e da comunidade escolar. professores e demais trabalhadores da educação. consideradas as peculiaridades regionais e a sazonalidade. Ampliar para nove anos a duração do ensino fundamental obrigatório com início aos seis anos de idade. A oferta qualitativa deverá. Deve-se assegurar a melhoria da infraestrutura física das escolas. equipamentos e materiais pedagógicos. mas ao ensino de qualidade. valorizando um paradigma curricular que possibilite a interdisciplinaridade. Esta estrutura curricular deverá estar sempre em consonância com as diretrizes emanadas do Conselho Nacional de Educação e dos conselhos de educação dos Estados e Municípios. os recursos didáticos e às formas peculiares com que a juventude tem de conviver. As novas concepções pedagógicas. padrões mínimos nacionais de infraestrutura para o ensino fundamental. À medida que forem sendo implantadas as escolas de tempo integral. a consolidação e o aperfeiçoamento do censo escolar. em cinco anos. 4. podendo dimensionar as necessidades e perspectivas do ensino médio e superior. entre outros. A partir do segundo ano da vigência deste plano. O atraso no percurso escolar resultante da repetência e da evasão sinaliza para a necessidade de políticas educacionais destinadas à correção das distorções idade-série. A ampliação da jornada escolar para turno integral tem dado bons resultados. no mínimo em duas refeições. envolverão comunidade. O turno integral e as classes de aceleração são modalidades inovadoras na tentativa de solucionar a universalização do ensino e minimizar a repetência. O atendimento em tempo integral. com a colaboração da União. até a conclusão. rede elétrica. e a criação de sistemas complementares nos Estados e Municípios permitirão um permanente acompanhamento da situação escolar do País. Além do atendimento pedagógico. Além do currículo composto pelas disciplinas Didatismo e Conhecimento 24 tradicionais. generalizando inclusive as condições para a utilização das tecnologias educacionais em multimídia. a escola tem responsabilidades sociais que extrapolam o simples ensinar. alunos. A LDB. meio ambiente. esportivas. Para garantir um melhor equilíbrio e desempenho dos seus alunos. E. sobretudo nos Municípios de menor renda. g) telefone e serviço de reprodução de textos. e) atualização e ampliação do acervo das bibliotecas. por meio de programas de aceleração da aprendizagem e de recuperação paralela ao longo do curso. 3. com procedimentos como renda mínima associada à educação. Reforçando o projeto político-pedagógico da escola. Elaborar. h) informática e equipamento multimídia para o ensino. d) adaptação dos edifícios escolares para o atendimento dos alunos portadores de necessidades especiais. A oferta de cursos para a habilitação de todos os profissionais do magistério deverá ser um compromisso efetivo das instituições de educação superior e dos sistemas de ensino. especialmente para crianças carentes. no prazo de cinco anos a partir da data de aprovação deste plano. alimentação escolar. assim como do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB). finalmente. todas as escolas atendam os itens de “a” a “d” e. com os equipamentos discriminados nos itens de”e” a “h”.

nas escolas de tempo integral. Manter e consolidar o programa de avaliação do livro didático criado pelo Ministério de Educação. na medida em que estão relacionadas às previstas neste capítulo. 20 horas semanais de efetivo trabalho escolar. Observar as metas estabelecidas nos capítulos referentes à educação a distância. 9. Promover a participação da comunidade na gestão das escolas. universalizando. do negro e do índio. Ampliar. o ensino médio comportaria bem menos que metade de jovens desta faixa etária. Eliminar a existência. Estados e Municípios. 5. 13. estabelecendo entre seus critérios a adequada abordagem das questões de gênero e etnia e a eliminação de textos discriminatórios ou que reproduzam estereótipos acerca do papel da mulher. a instituição de conselhos escolares ou órgãos equivalentes. que abranja um período de pelo menos sete horas diárias. levando em consideração as realidades e as necessidades pedagógicas e de aprendizagem dos alunos. Prover de literatura. Isso é muito pouco. educação especial e financiamento e gestão. embora as estatísticas demonstrem que os concluintes do ensino fundamental começam a chegar à terceira etapa da educação básica em número um pouco maior. 10.795/99. Transformar progressivamente as escolas unidocentes em escolas de mais de um professor. dentro de três anos. educação indígena. visando localizar a demanda e universalizar a oferta de ensino obrigatório. de mais de dois turnos diurnos e um turno noturno. Ampliar progressivamente a oferta de livros didáticos a todos os alunos das quatro séries finais do ensino fundamental. A situação agrava-se quando se considera que. todas as escolas tenham formulado seus projetos pedagógicos. Estavam matriculados no ensino médio.580.1 Diagnóstico Considerando o processo de modernização em curso no País. a reorganização curricular dos cursos noturnos. para garantir entre outras metas. Prever formas mais flexíveis de organização escolar para a zona rural. Ao final de alguns anos. obras básicas de referência e livros didático-pedagógicos de apoio ao professor as escolas do ensino fundamental. com a colaboração da União. textos científicos. A Contagem da População realizada pelo IBGE em 1997 acusa uma população de 16. nos moldes do Programa de Renda Mínima Associado a Ações Socioeducativas. é particularmente preocupante o reduzido acesso ao ensino médio. nas escolas. A educação ambiental. 16. com colaboração financeira da União. a expansão do ensino médio pode ser um poderoso fator de formação para a cidadania e de qualificação profissional. de forma a cobrir as áreas que compõem as Diretrizes Curriculares do ensino fundamental e os Parâmetros Curriculares Nacionais. 30. com previsão de professores e funcionários em número suficiente. 28. Assegurar que. os cálculos das taxas de atendimento dessa faixa etária são pouco confiáveis. das crianças fora da escola. Esses pequenos incrementos anuais terão efeito cumulativo. apoio às tarefas escolares. o ensino médio tem um importante papel a desempenhar. 3. resultarão em uma mudança nunca antes observada na composição social. Em primeiro lugar porque. ENSINO MÉDIO 3. Prover de transporte escolar as zonas rurais. em virtude das elevadas taxas de repetência no ensino fundamental.** 11. Estimular os Municípios a proceder um mapeamento. por meio de censo educacional. com observância das Diretrizes Curriculares para o ensino fundamental e dos Parâmetros Curriculares Nacionais. bem como a adequada formação profissional dos professores. muito menor que nos demais países latino-americanos em desenvolvimento. .933. 12. pelo menos. quando necessário. quatro séries completas. Articular as atuais funções de supervisão e inspeção no sistema de avaliação. Associar as classes isoladas unidocentes remanescentes a escolas de. 20. idealmente. em todos os sistemas de ensino. 29. 25. em dois anos. 14. no caso do ensino médio. Justamente em virtude disso. em ações conjuntas da União. 17.383 habitantes na faixa etária de 15 a 19 anos. em três anos. Tanto nos países desenvolvidos quanto nos que lutam para superar o subdesenvolvimento. a cada ano. Estados e Municípios. sem prejuízo do atendimento da demanda. 26. preferencialmente para as crianças das famílias de menor renda. com prioridade para as regiões nas quais o acesso dos alunos ao material escrito seja particularmente deficiente. Didatismo e Conhecimento 25 24. em dois anos. Garantir. Prover. econômica. 27. por bairro ou distrito de residência e/ou locais de trabalho dos pais. a prática de esportes e atividades artísticas. 22. formação de professores. de um programa de monitoramento que utilize os indicadores do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica e dos sistemas de avaliação dos Estados e Municípios que venham a ser desenvolvidos. Assegurar. 19. se o fluxo escolar fosse regular. por diversas razões. de forma a garantir a escolarização dos alunos e o acesso à escola por parte do professor. será desenvolvida como uma prática educativa integrada. Em segundo lugar. Assegurar a elevação progressiva do nível de desempenho dos alunos mediante a implantação. porque há um grande número de adultos que volta à escola vários anos depois de concluir o ensino fundamental. 18.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 8. 21. progressivamente a jornada escolar visando expandir a escola de tempo integral. Apoiar e incentivar as organizações estudantis. no mínimo duas refeições. cultural e etária do alunado do ensino médio. como espaço de participação e exercício da cidadania. Estabelecer. dos Estados e Municípios. no caso brasileiro. que a carga horária semanal dos cursos diurnos compreenda. Elevar de quatro para cinco o número de livros didáticos oferecidos aos alunos das quatro séries iniciais do ensino fundamental. Significa que. considerando a especificidade do alunado e as exigências do meio. tratada como tema transversal. os jovens chegam ao ensino médio bem mais velhos. Integrar recursos do Poder Público destinados à política social. 15.401 estudantes. pelo menos. 23. especialmente quando se considera a acelerada elevação do grau de escolaridade exigida pelo mercado de trabalho. o provimento da alimentação escolar e o equilíbrio necessário garantindo os níveis calóricos-proteicos por faixa etária. de forma a adequá-los às características da clientela e promover a eliminação gradual da necessidade de sua oferta. contínua e permanente em conformidade com a Lei nº 9. no mesmo ano. a Renda Mínima Associada a Ações Socioeducativas para as famílias com carência econômica comprovada.

531 alunos do ensino médio.872 % 100.0 51. Nos próximo anos. Os números do abandono e da repetência.5 x -25. os índices de conclusão nas últimas décadas sinalizam que há muito a ser feito.8 x 19. o que está claramente associado a uma recente melhoria do ensino fundamental e à ampliação do acesso ao ensino médio. 1996 e censo escolar 1998 O número reduzido de matrículas no ensino médio – apenas cerca de 30.9 Fonte: MEC/INEP/SEEC.4 79.2 53. Há.6 72.637 % 100.9 57.6 x 1.688 – estudavam à noite.7 27.1 12. os dados da repetência e abandono.ou seja 3.Ensino Médio – Taxa de Distorção idade-série 1996-1998 Regiões Brasil 1996 1998 Norte 1996 1998 Nordeste 1996 1998 Sudeste 1996 1998 Sul 1996 1998 Centro-Oeste 1996 1998 Total Geral 55.6 19. permitem visualizar – na falta de políticas específicas – em que região haverá maior percentual de alunos no ensino médio.5 55. agravadas por dificuldades da própria organização da escola e do processo ensino-aprendizagem.7 33.2 49.5 6. entretanto.4 41.5 7.6 36. Didatismo e Conhecimento 26 . a matrícula evoluiu de 3.612 x 128. pois a oferta de vagas na 1ª série do ensino médio tem sido consistentemente superior ao número de egressos da 8ª série do ensino fundamental. apesar da melhoria dos últimos anos.9 3ª série 51. Causas externas ao sistema educacional contribuem para que adolescentes e jovens se percam pelos caminhos da escolarização.9 10.751. conforme estimativas contidas na Tabela 6.8 68. com alta seletividade interna.3 41.2 75.6 20.0 41.9 86. para 43.5 50.Ensino Médio – Taxa de Abandono e Reprovação 1995 e 1997 Regiões Abandono Brasil Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste 21.185 3. em 1998. O mais importante deles é que este foi o nível de ensino que apresentou maior taxa de crescimento nos últimos anos.4 53. 54. na de 1991-94. estão associadas à baixa qualidade daquele nível de ensino. de acordo com censo escolar.625.770. a idade recomendada é de 15 anos para a 1ª série. também. o ensino médio atende majoritariamente jovens e adultos com idade acima da prevista para este nível de ensino (Tabela 3). em idade pedagogicamente adequada (Tabela 5 ).472.531 alunos.789 2.7 43. entretanto. ao lado das taxas de distorção idade-série.0 46.488 1.2 35.1 9.2 26.0 48. da qual resultam elevados índices de repetência e evasão. pois apresenta características diferentes das outras séries. A exclusão ao ensino médio deve-se às baixas taxas de conclusão do ensino fundamental.7 1ª série 57. O ensino médio convive.0 x 3.531 x 122.5 23.0 26.8%.2 114.6 4.0 4.7 26.5 Abandono 13.9 74.1 10.770.1 Total 21.3 71.Ensino Médio – Matrícula Brasil – 1991 e 1998 Dependência Administrativa Faixa Etária Total Dependência Administrativa Federal Estadual Municipal Particular Faixa Etária Menos de 15 anos 15 a 17 anos Mais de 17 anos 1991 Valor Absoluto 3.017.817.120.092 2.7 65.8 73.8 76.0 10.301.8%.0 16.6 17.2 53.6 62.641 x 96.4 39.968.4 44.7 7.2 69.3 52.1 37. como resultado do esforço que está sendo feito para elevar as taxas de conclusão da 8ª série. este índice caiu para 50.3 Fonte: MEC/INEP/SEEC Nota: Não incluído o não-seriado nas taxas de reprovação Desagregados por regiões.2 1997 Reprovação 7. Informe Estatístico.4 43.7 66.5 1998 Valor Absoluto 6. A 4ª série do ensino médio não é incluída nos cálculos. devendo-se supor que já estejam inseridos no mercado de trabalho.1 91.8 73.9 10.9 68.8 70.226.4 1995 Reprovação 10.4 36.8% da população de 15 a 17 anos não se explica.7 25.769 1. já ocorridas.230 para 6.6 32.1 10.7 28.8% .7 12. em todo o sistema.8 53. 16 para a 2ª e 17 para a 3ª série. Apenas no período de 1991a 1998.6 17. De fato os 6.1 Total 31. Tabela 3 .7 56.2 71.1 Tabela 4 .804 1.0 64.0 x 2.3 16.1 58. que.4 60.230 x 103.6 69.757 176.6 52.968.0 x 1. Se os alunos estão chegando em maior número a esse nível de ensino. 74% dos que iniciavam o ensino médio conseguiam concluí-lo na coorte 1977-80.6 72.8 Crescimento % 84.6 57.0 18. por desinteresse do Poder Público em atender à demanda.8 2ª série 54.927 5.475 317.4 49. Na coorte 1970-73. Tabela 5 . a demanda por ensino médio deverá se ampliar de forma explosiva. Fonte: MEC/INEP/SEEC Nota: Para o ensino médio.4 77.2 20.8 48.1 53.968.015.474 3.1 36. ainda são bastante desfavoráveis (Tabela 4).3 47.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Em virtude dessas duas condições. por sua vez.2 33.3 10.4 26. aspectos positivos no panorama do ensino médio brasileiro.

o surpreendente crescimento do ensino médio se deve. de segmentos já inseridos no mercado de trabalho. porém.552 17.446 10.947 34. mas contínuo. dependerá da utilização judiciosa dos recursos vinculados à educação. é essencial para o acompanhamento dos resultados do ensino médio e correção de seus equívocos. o ensino médio proposto neste plano deverá enfrentar o desafio dessa dualidade com oferta de escola média de qualidade a toda a demanda.624 15. recursos tecnológicos novos e em acelerada transformação. vai permitir que um Didatismo e Conhecimento 27 crescente número de jovens ambicione uma carreira educacional mais longa.027 21. sobretudo nas áreas de Ciências e Matemática. no passado mais longínquo. a maior crise em termos de ausência de definição dos rumos que deveriam ser seguidos em seus objetivos e em sua organização.369 Fonte: MEC/INEP/SEEC (*) Dados estimados Entretanto. os sistemas de avaliação já existentes em algumas unidades da federação que. domínio de aptidões básicas de linguagens. mais autônomas em suas escolhas. As metas de expansão da oferta e de melhoria da qualidade do ensino médio devem estar associadas. 3. Uma educação que propicie aprendizagem de competências de caráter geral. a demanda pelo ensino médio – terceira etapa da educação básica – vai compor-se. cooperação e respeito às individualidades. especialmente quando se considera que o ensino fundamental consta de oito séries e o Médio.288 15. Assim. Em vista disso. Ao longo dos dez anos de vigência deste plano. entretanto.439 34.313 5. nessa instância federativa. De 1985 a 1994. abstração. no máximo. às matrículas na rede estadual (Tabela 3). Na disputa permanente entre orientações profissionalizantes ou acadêmicas. Essa destinação deve prover fundos suficientes para a ampliação desse nível de ensino. prioritariamente.245 x 5ª a 8ª 12. no ensino médio. Um aspecto que deverá ser superado com a implementação das Novas Diretrizes Curriculares para o ensino médio e com programas de formação de professores. Pelo caráter que assumiu na história educacional de quase todos os países. prioritariamente. interpretar e tomar decisões. a diretrizes que levem à correção do fluxo de alunos na escola básica. habilidades para incorporar valores éticos de solidariedade. Como os Estados e o Distrito Federal estão obrigados a aplicar 15% da receita de impostos no ensino fundamental. sem comprometer os 25% constitucionalmente vinculados à educação. Assim. assim como a Lei de Diretrizes e Bases. mesmo com a universalização do ensino médio. do número dos que conseguem concluir a escola obrigatória.962 8. capacidade de observar. no caso do ensino médio.813 32. esse foi o que enfrentou. comunicação. foi no ensino médio que se observou o maior crescimento de matrículas do País. .253 33.164 20. Há de se considerar. forme pessoas mais aptas a assimilar mudanças. a tensão expressa nos privilégios e nas exclusões decorre da origem social.325 15. De fato.383 10.282 18. hoje com índices de distorção idade-série inaceitáveis. posteriormente na passagem do antigo primário ao ginásio. 208.488 35.151 19. no ensino médio. à semelhança do que ocorre com o ensino fundamental. que aspirem melhoria social e salarial e precisem dominar habilidades que permitem assimilar e utilizar. o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). para este nível de ensino. o ponto de ruptura do sistema educacional brasileiro situou-se no acesso à escola. a ampliação do ensino médio vem competindo com a criação de universidades estaduais. e os sistemas estatísticos já disponíveis. os demais 10% vinculados à educação deverão ser aplicados. atribui aos Estados a responsabilidade pela sua manutenção e desenvolvimento.255 17. de apenas três. II. como os Estados estão obrigados a aplicar 15% da receita de impostos no ensino fundamental. entre objetivos humanistas ou econômicos. hoje ele se dá no limiar e dentro do ensino médio. também.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Tabela 6 . Entre os diferentes níveis de ensino. que. nos últimos anos. O Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) e. esse crescimento foi superior a 100%.2 Diretrizes O aumento lento. conforme disposto no art. Por outro lado.225 Fundamental 1ª a 4ª 20. A expansão futura. 35% daquele atendido no nível fundamental. os demais 10% vinculados à educação deverão ser aplicados. serão criados em outras.544 33. que respeitem as diferenças e superem a segmentação social.Educação Básica – Matrículas Brasil: 1995 – 2010 (em mil) Ano x 1995 1996 1998 2000* 2002* 2004* 2005* 2008* 2010* x Total 32. operados pelo MEC. a educação média é particularmente vulnerável à desigualdade social. Preparando jovens e adultos para os desafios da modernidade. mais recentemente.297 10.261 14. percepção da dinâmica social e capacidade para nela intervir. O mais razoável seria promover a expansão da educação superior estadual com recursos adicionais. que devem ser destinados prioritariamente à educação básica. A diminuição da matrícula na rede privada. a Emenda Constitucional nº 14. em muitos Estados. o ensino médio deverá permitir aquisição de competências relacionadas ao pleno exercício da cidadania e da inserção produtiva: autoaprendizagem. em seguida pela diferenciação da qualidade do ensino oferecido. da Constituição Federal que prevê como dever do Estado a garantia da progressiva universalização do ensino médio gratuito. recursos adicionais como os que existem para o ensino fundamental na forma do Salário Educação.691 15. o número de alunos matriculados será. especialmente porque não há. isso significa que. basicamente. Desde meados dos anos 80. Se. compreensão dos processos produtivos. associado à tendência para a diminuição da idade dos concluintes. atesta o caráter cada vez mais público deste nível de ensino. o estabelecimento de um sistema de avaliação.774 10. constituem importantes mecanismos para promover a eficiência e a igualdade do ensino médio oferecido em todas as regiões do País. enquanto no ensino fundamental foi de 30%.041 20.104 14.666 15. certamente.562 18.503 13. Esta destinação assegurará a manutenção e a expansão deste nível de ensino nos próximos anos.980 Médio 5.020 10.131 35. Estatísticas recentes confirmam esta tendência.739 6. de forma clara.879 32. produtivamente. não se trata apenas de expansão. Quanto ao financiamento do ensino médio. a oferta da educação média de qualidade não pode prescindir de definições pedagógicas e administrativas fundamentais a uma formação geral sólida e medidas econômicas que assegurem recursos financeiros para seu financiamento.

incluindo: a) espaço. 17. sem prejuízo da qualidade do ensino. Observar. em cinco anos. Assegurar que. que todos os professores do ensino médio possuam diploma de nível superior. pelo menos. pelo menos 50%. 19. as escolas existentes. de forma a diminuir para quatro anos o tempo médio para conclusão deste nível. sérios problemas. c) no prazo de dois anos. Assegurar a autonomia das escolas. 4. 208. especialmente nas áreas de Ciências e Matemática. 6. em cinco anos. no prazo de um ano. EDUCAÇÃO SUPERIOR 4. suficiente para garantir o atendimento dos alunos que trabalham. Adotar medidas para a universalização progressiva de todos os padrões mínimos durante a década. B. tratada como tema transversal. 10. III) de integração dos portadores de deficiência na rede regular de ensino será. a 100% da demanda de ensino médio. de forma a adequá-lo às necessidades do aluno-trabalhador. 3. pelo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e pelos sistemas de avaliação que venham a ser implantados nos Estados. o tempo e os recursos didáticos disponíveis.EDUCAÇÃO SUPERIOR 4. em dois anos. Estabelecer. a repetência e a evasão. a contar da vigência deste Plano. no que diz respeito ao ensino médio. d) o oferecimento de vagas que. 20. em 5% ao ano. de forma a atingir níveis satisfatórios de desempenho definidos e avaliados pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB). 13. aos 17 ou 18 anos de idade. 7.795/99. 8. todas as escolas estejam equipadas. A educação ambiental. Como nos demais níveis de ensino. e. Quando necessário atendimento especializado. em decorrência da universalização e regularização do fluxo de alunos no ensino fundamental. a partir do primeiro ano deste Plano. 2. 15. com biblioteca. no prazo de cinco anos. progressivamente. 5.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Há que se considerar. Não autorizar o funcionamento de novas escolas fora dos padrões de “a” a “g”. tanto no que diz respeito ao projeto pedagógico como em termos de gerência de recursos mínimos para a manutenção do cotidiano escolar. que o ensino médio atende a uma faixa etária que demanda uma organização escolar adequada à sua maneira de usar o espaço. Adotar medidas para a universalização progressiva das redes de comunicação. programa emergencial para formação de professores. Assim. a totalidade das escolas disponham de equipamento de informática para modernização da administração e para apoio à melhoria do ensino e da aprendizagem. em 10 anos. Reconhece-se que a carência de professores da área de Ciências constitui problema que prejudica a qualidade do ensino e dificulta tanto a manutenção dos cursos existentes como sua expansão. tratadas noutra parte deste documento. Assegurar. das quatro primeiras séries do ensino fundamental e da educação infantil. da rede de escolas públicas que contemple a ocupação racional dos estabelecimentos de ensino estaduais e municipais. para incentivar a participação da comunidade na gestão. iluminação. 14. compatíveis com as realidades regionais. Reduzir. os cerca de 1. A disposição constitucional (art. Melhorar o aproveitamento dos alunos do ensino médio. uma política de gestão da infraestrutura física na educação básica pública. i) equipamento didático-pedagógico de apoio ao trabalho em sala de aula. Adotar medidas para ampliar a oferta diurna e manter a oferta noturna. que assegure: a) o reordenamento. capacitação e valorização do magistério. implementada através de qualificação dos professores e da adaptação das escolas quanto às condições físicas. e) adaptação dos edifícios escolares para o atendimento dos alunos portadores de necessidades especiais. Criar mecanismos. (Tabela 7). 9. telefone e reprodutor de textos. Implantar e consolidar. pelo menos. equipamentos e materiais pedagógicos. de facilitar a delimitação de instalações físicas próprias para o ensino médio separadas. no ensino médio. 28 b) instalações sanitárias e condições para a manutenção da higiene em todos os edifícios escolares. no Brasil. Apoiar e incentivar as organizações estudantis. com o objetivo. manutenção e melhoria das condições de funcionamento das escolas. em um ano. no prazo de cinco anos. como conselhos ou equivalentes. também. Elaborar. b) a expansão gradual do número de escolas públicas de ensino médio de acordo com as necessidades de infraestrutura identificada ao longo do processo de reordenamento da rede física atual. Formular e implementar. 11. ventilação e insolação dos prédios escolares. d) espaço para a biblioteca. em dez anos. às de formação. que se agravarão se o Plano Nacional de Educação não estabelecer uma política que promova sua renovação e desenvolvimento. Adaptar.1 Diagnóstico A educação superior enfrenta. incentivando a criação de instalações próprias para esse nível de ensino. 16. f) instalação para laboratórios de ciências. contínua e permanente em conformidade com a Lei nº 9. a uma revisão da organização didático-pedagógica e administrativa do ensino noturno. Atualmente. oferecendo. a nova concepção curricular elaborada pelo Conselho Nacional de Educação. 12. as diretrizes do Plano Nacional de Educação apontam para a criação de incentivos e a retirada de todo obstáculo para que os jovens permaneçam no sistema escolar e. j) telefone e reprodutor de texto. Proceder. g) informática e equipamento multimídia para o ensino. 3. h) atualização e ampliação do acervo das bibliotecas incluindo material bibliográfico de apoio ao professor e aos alunos. inclusive. estejam concluindo a educação básica com uma sólida formação geral. oportunidades de formação nesse nível de ensino àqueles que não a possuem. as metas do PNE devem associar-se. em cinco anos. em cinco anos.3 Objetivos e Metas 1. Esses elementos devem pautar a organização do ensino a partir das novas diretrizes curriculares para o ensino médio. financiamento e gestão e ensino a distância. de forma a atender aos padrões mínimos estabelecidos. serão observadas diretrizes específicas contidas no capítulo sobre educação especial. fortemente. entre outros. para melhoria do ensino e da aprendizagem. será desenvolvida como uma prática educativa integrada. já elaboradas e aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação. mobiliário. como espaço de participação e exercício da cidadania. Didatismo e Conhecimento . 18. Assegurar que. o atendimento da totalidade dos egressos do ensino fundamental e a inclusão dos alunos com defasagem de idade e dos que possuem necessidades especiais de aprendizagem. as metas estabelecidas nos capítulos referentes à formação de professores. c) espaço para esporte e recreação.5 milhões de jovens egressos do nível médio têm à sua disposição um número razoável de vagas. correspondam a 50% e. padrões mínimos nacionais de infraestrutura para o ensino médio.

660 810. Apenas em 1998.543 367. Isto é. haverá uma demanda crescente de alunos carentes por educação superior.215 243.36 61.901 147.759.74 38.034 1. o número total de matriculados saltou de 1 milhão e 945 mil. Em 1998.934 96.125.531 388. como resultado conjugado de fatores demográficos.678 274.64 60.95 40.232 535.734 329.197 156.109 87.982 859.29 59.640 Estadual 109.133 216.659 134. .48 37.547 89.índice igual ao atingido pelo sistema em toda a década de 80.196 1.729 % Públicas 35.965 585. o crescimento foi de 12.29 59.417 202.13 59. A matrícula nas instituições de educação superior vem apresentando um rápido crescimento nos últimos anos.503 76.71 41.1980 – 1998 Ano 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 Total 1.564 885. Tabela 8 .374 89.784 75.516 690. Didatismo e Conhecimento 29 .678 Federal 57 1.434 75.590 918.789 168.118 326.418.670 2.031 124.934 Municipal 66.680 577.988 570.64 38. Nos últimos vinte anos. o número de alunos subiu 36.377.054 850.342 98.792 1.399.252 129.599 862.36 39.286 93.321. além das políticas de melhoria do ensino médio.555 1.609 1.056 1.703 1.133.565.013 146.628 Estadual 74 1.904 1.26 61.470.816 153.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Tabela 7 .689 571.6% nas municipais.42 61.386.950 651.338 89.831 315.306 115.888 70.320 906.82 39.455 959.662 653.99 41.229 % Particular 64.080 1.204 934.87 40.667 83.26 60.186.414 578.625 605.97 62.427 759.584 1.661.868. como decorrência de uma pressão de demanda a partir da “questão dos excedentes”.833 408.267 4.671 121.794 103.522 325.Quadro do Ensino Superior no Brasil – 1998 E n s i n o Total Superior Instituições Cursos Ingressantes V a g a s oferecidas Vagas não preenchidas 973 6.668 1.407.58 38.535 231.540 735.286 1.388 576.125 67.929 840.283 308.1% nas instituições privadas.126 941.135 325.14 Fonte : MEC/INEP A participação do ensino privado no nível superior aumentou sobretudo na década de 70.86 Particular 885.810 548.539 1.43 60.18 60.94 38.217 316. 18. na rede estadual esta porcentagem sobe para 62%. e 27.736 193. portanto. De 1994 para cá.884 344.351 584.102 1. Nestas. sendo provável que o crescimento seja oriundo de alunos das camadas mais pobres da população.059.387 363.540. bem acima das públicas.00 59. 55% dos estudantes deste nível frequentavam cursos noturnos.879 556.03 37.155 Total Públicas 492.71 40.503.367.529 1.01 58.615 2.987 395.594.423 317.980 454. Houve.78 38.450 700.318 Fonte : INEP/MEC . prevê -se uma explosão na demanda por educação superior.490 961.518.152 970.315 210.936 239.992 1.182 804.353 776.5% nas estaduais.788 1. o setor privado tem oferecido pouco menos de dois terços das vagas na educação superior (Tabela 8).163 1.987 1. em 1997.697 194.867 320.971 93.4% nas federais.199 326.dados referentes a 1998 Entretanto.303 827.715 313.736 629. A matrícula no ensino médio deverá crescer nas redes estaduais.940 340.788 1.339 109.341 83.160 90.05 59.645 92.74 39.958 Federal 316.950 Particular 764 3.57 38.08 40.265 92.52 62.92 59.945.22 61.06 61.555 1.632 584.101 253.594 94. aumento das exigências do mercado de trabalho. um crescimento de 9%.438.317 44. para 2 milhões e 125 mil em 1998.Evolução da Matrícula por Dependência Administrativa– Brasil .00 40.433 1.039 190.782 Municipal 78 507 39.535.

1 110. registra-se também.função esta que deve ser preservada.09 54.0 101.8% ao ano.8 5.61 3.048 % 5.Matrícula por Dependência Administrativa – Brasil e Regiões – Nível Superior 1998 Dependência Administrativa Região Brasil Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Total 2.5 122. não será possível sem o fortalecimento do setor público. verificou-se ampliação expressiva das matrículas em estabelecimentos municipais.455 127. uma vez que adotou o ingresso irrestrito.5 133.2 134.0 98. nos últimos anos.6 123. Como se pode verificar na Tabela 9.8 104.01 38. Para um desenvolvimento equilibrado e nos marcos do regime de colaboração.19 11.004 419.0 144.06 Estadual 274.34 75. mas não deve ocorrer em detrimento da expansão com qualidade do ensino médio. o que se reflete em altos índices de repetência e evasão nos primeiros anos.6%). Ainda que em termos do contingente. pesquisa e extensão . a participação das municipais seja pouco expressiva – a participação das municipais correspondia a menos de 6% do total das matrículas -. o Brasil apresenta um dos índices mais baixos de acesso à educação superior.9 Estadual 100. Assim.681 43. embora conte com 40% da faixa etária. de 1996.133 163. à Venezuela (26%) e à Bolívia (20.8 157.96 61.0 120. com crescimento de 5.93 11. Deve-se observar.14 17.4 124.155 952 10.229 28. está mais bem distribuído e cumpre assim uma função importante de diminuição das desigualdades regionais .125.640 45.688 80.366 99.4% e.716 55.6 125.38 26. A contribuição estadual para a educação superior tem sido importante.1 4. Observe-se.11 3.321.2 98.7 104. configura um caso à parte.991 71. a expansão do setor privado deve continuar.2 100. à ampliação do atendimento nas redes estaduais.08 Particular 1.077 310.4 Municipal 100.6 142. onde o sistema municipal de ensino deve atender prioritariamente à educação infantil e ao ensino fundamental. Mas o Brasil continua em situação desfavorável frente ao Chile (20.que constituem o suporte necessário para o desenvolvimento científico.934 9. entretanto.0 99. no caso da educação superior. Paralelamente.2 97. O setor público.5 121.6 122. (Tabela 10).22 54. esta tendência de ampliação das municipais contraria o disposto na Emenda Constitucional nº 14.01 9.99 13. o que precisará ser corrigido.5 128. uma distribuição de vagas muito desigual por região. entre 1988 e 1998.321 862.264 5. mesmo quando se leva em consideração o setor privado.958 85.702 114. Tabela 9 .2 113.14 33.4 123.5 105.Índice de Crescimento da Matrícula por Dependência Administrativa Brasil 1988-1998 1998=100 Ano 1998 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 Crescimento médio Anual Federal 100.44 3.6%). ainda que.7 115.285 % 12.9%. que esta desigualdade resulta da concentração das matrículas em instituições particulares das regiões mais desenvolvidas.4 115. A Argentina.585 Federal 408. as federais de 2.7 122.0 101.087 230.480 100. É importante observar que o crescimento do setor público se deveu.ensino.4 127. a porcentagem de matriculados na educação superior brasileiro em relação à população de 18 a 24 anos é de menos de 12%.4 114.5 108.69 1.7 102.2 143.6 2.159 1. ao passo que as estaduais e particulares.277 % 19.4 129.4 Fonte: MEC/INEP/SEEC Didatismo e Conhecimento 30 .73 Municipal 121.47 32.25 8.9 4. comparando-se desfavoravelmente com os índices de outros países do continente.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A manutenção das atividades típicas das universidades .210 61.7 102.148.11 Fonte : MEC/INEP/SEEC No conjunto da América Latina.543 14.957 118. os recursos destinados pelos Estados à educação superior devem ser adicionais aos 25% da receita de impostos vinculada à manutenção e desenvolvimento da educação básica.9 106.975 % 62. por outro lado.5 98.6 101. apresentam crescimento de 4. Tabela 10 . desde que garantida a qualidade. como se verifica na Tabela 8.16 27.8 Privada 100. tecnológico e cultural do País.1 108.76 14.960 44.

além de significativo.428. entende-se que devem ser custeados pela União. a importância da educação superior e de suas instituições é cada vez maior. inversões financeiras.00 % (apos.5 33.637 86. (Tabela 13).609. Como estratégia de diversificação.592.496 1.IFES – Relação entre Despesas com Aposentadorias e Pensões e com Outros Custeios e Capital Didatismo e Conhecimento . Há uma grande controvérsia acerca do gasto por aluno no nível superior.2 Diretrizes Nenhum país pode aspirar a ser desenvolvido e independente sem um forte sistema de educação superior.421. investimentos.679. isto é. dependendo da metodologia adotada e da visão do analista. deflacionando-se com base no IGP-DI/FGV. as despesas com investimento apresentam declínio. Muitos estudiosos brasileiros também contestam esta posição.973. + occ ) 49.354. O Tribunal de Contas da União ressalta que.2 1995 1996 1997 1998 859.981. sem custo adicional excessivo. como foi estabelecido na França.3 53. mormente à universidade e aos centros de pesquisa.016 Índice de Gasto 100. É importante observar. 4. Tabela 11 .1 32. Recomenda-se que a comunidade acadêmica procure critérios consensuais de avaliação.478.714 4.609.7 48.5 30.970.623 168.7 . há que se pensar na expansão do póssecundário.470. seja na pesquisa básica e na pós-graduação stricto sensu. exclusive os CEFETs Dessa forma. mas desligados do orçamento das Instituições Federais de Ensino Superior – IFES.578. Além disso.8 Outros Custeios e Capital R$ 1.66.381 1.2 (%) Em Relação a 1995 0.419. Há uma variação de 5 a 11 mil reais como gasto anual por aluno.319 172.valores constantes de 1998.348 4.0 . uma vez que não se pode confundir a função-”ensino” com as funções “pesquisa” e “extensão”. etc.8 Fonte : Tribunal de Contas da União . que reflete uma acirrada disputa de concepções.907. mantendo o papel do setor público. por exemplo. incluindo manutenção em geral. seja como padrão de referência no ensino de graduação.914 1. após um salto em 1996.470.499.381 1.5 . Parte dos estudos acerca do tema divide simplesmente todo o orçamento da universidade pelo número de alunos. 31 Fonte :SIAFI/TCU – valores constantes de 1998. permitiria uma expansão substancial do atendimento nas atuais instituições de educação superior.499. para que se atinjam as metas previstas na LDB quanto à titulação docente. (Tabela 11). Num mundo em que o conhecimento sobrepuja os recursos materiais como fator de desenvolvimento humano.478. Há que se pensar.287. com diploma intermediário.937.0 50.224 4. na França.419. passaram a apresentar relativa estabilidade. A própria modulação do ensino universitário.2 Exercício Aposentadorias e Pensões R$ 1. cabe-lhe qualificar os docentes que atuam na educação básica e os docentes da educação superior que atuam em instituições públicas e privadas.957. As universidades públicas têm um importante papel a desempenhar no sistema. evidentemente. ao contrário das despesas totais das IFES. Para que estas possam desempenhar sua missão educacional. As instituições públicas deste nível de ensino não podem prescindir do apoio do Estado.IFES .9 29.496 1.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS À União atribui-se historicamente o papel de atuar na educação superior. Entretanto. função prevista na Carta Magna.578.452. + occ) 51.0 49. na formação de qualificação em áreas técnicas e profissionais.472.278.168 1.403 1.00 Exercício 1995 1996 1997 1998 Pessoal e Encargos 2. (Tabela 12) Tabela 12 .168. Tabela 13 .168 1. A importância que neste plano se deve dar às Instituições de Ensino Superior (IES).35. portanto que o percentual de recursos destinados à manutenção e investimento nas IFES decresce na mesma proporção em que aumentam os gastos com inativos e pensionistas. exclusive os Centros Federais de Educação Tecnológica-CEFETs Não cabe ao Plano Nacional de Educação tomar partido nesta disputa.IFES – Participação das Despesas com Aposentadorias e Pensões no Total de Despesas com Pessoal e Encargos Sociais R$ 1. institucional e social. erige-se sobre a constatação de que a produção de conhecimento. Alguns autores desconsideram ainda os elevados gastos com os hospitais universitários e as aposentadorias.Despesas com Investimentos e Inversões Financeiras Exercício 1995 1996 1997 1998 Total 260.33. em racionalização de gastos e diversificação do sistema.0 66.172 Fonte : Tribunal de Contas da União – valores constantes de 1998 Verifica-se.3 64. o percentual relativo às aposentadorias é crescente ao longo do período e que o verdadeiro significado dessa despesa é mais perceptível quando comparada com outras despesas das IFES como os gastos com Outros Custeios e CapitalOCC: o que é gasto com o pagamento dos inativos e pensionistas é equivalente ao montante gasto com todas as demais despesas das IFES que não se referem a pessoal. hoje mais do que nunca e assim tende a ser cada vez mais é a base do desenvolvimento científico e tecnológico e que este é que está criando o dinamismo das sociedades atuais.7 46.984.735 Aposentadorias e Pensões 859.930 1.552. Desta forma são embutidos no custo da graduação os consideráveis gastos com pesquisa – o que não se admite.3 51.032 % (B/A) 28.032 849.154.891. o apoio público é decisivo.00 % ( apos. no que se refere à questão dos inativos. ainda o comportamento das despesas com investimentos e inversões financeiras. que.679.

que exercem as funções que lhe foram atribuídas pela Constituição: ensino. uma vez que realizam mais de 90% da pesquisa e da pós-graduação nacionais . . Finalmente. bem como ao desenvolvimento da pesquisa necessária ao País. Ressalte-se a importância da expansão de vagas no período noturno. depositária e criadora de conhecimentos. pelo menos. as rápidas transformações destinam às universidades o desafio de reunir em suas atividades de ensino. A pressão pelo aumento de vagas na educação superior. simultaneamente. utilizando-o. A diretriz básica para o bom desempenho desse segmento é a autonomia universitária. Deve-se assegurar. a formação dos quadros profissionais. científicos e culturais de nível superior. A oferta de educação básica de qualidade para todos está grandemente nas mãos dessas instituições. Estabelecer um amplo sistema interativo de educação a distância. administrativa e de gestão financeira e patrimonial. para colocar o País à altura das exigências e desafios do Séc. o principal instrumento de transmissão da experiência cultural e científica acumulada pela humanidade. Há necessidade da expansão das universidades públicas para atender à demanda crescente dos alunos. até o final da década. mas que praticam ensino de qualidade e. no conjunto dos esforços nacionais. mas também das outras instituições de educação superior deve haver não só uma estreita articulação entre este nível de ensino e os demais como também um compromisso com o conjunto do sistema educacional brasileiro. É igualmente indispensável melhorar a qualidade do ensino oferecido. também. no mínimo. Esta providência implicará a melhoria do indicador referente ao número de docentes por alunos. sobretudo as federais possuem espaço para este fim. assim como preparar seus professores. já está acontecendo e tenderá a crescer. é necessário rever e ampliar. que as instituições não vocacionadas para a pesquisa. em colaboração com o Ministério da Ciência e Tecnologia e com as Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa. Assim. exercida nas dimensões previstas na Carta Magna: didático-científica. É importante a contribuição do setor privado. tenha uma expansão de vagas tal que. têm um importante papel a cumprir no sistema de educação superior e sua expansão. No mundo contemporâneo. 86). inclusive. regulares ou de educação continuada. considerando que as universidades. estas instituições devem ter estreita articulação com as instituições de ciência e tecnologia – como aliás está indicado na LDB (art. É importante garantir um financiamento estável às universidades públicas. Prover. Historicamente. a produção de pesquisa e inovação. XXI. não só por parte da universidade.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS As IES têm muito a fazer. a oferta de educação superior para. eventualmente. Seu núcleo estratégico há de ser composto pelas universidades. pesquisa e extensão. destacando a necessidade de se garantir o acesso a laboratórios. acesso aos níveis mais elevados do ensino. É o caso dos centros universitários. a busca de solução para os problemas atuais são funções que destacam a universidade no objetivo de projetar a sociedade brasileira num futuro melhor. O sistema de educação superior deve contar com um conjunto diversificado de instituições que atendam a diferentes demandas e funções. o desenho federativo brasileiro reservou à União o papel de atuar na educação superior.em sintonia com o papel constitucional a elas reservado. entre outros. para o que constitui instrumento adequado a institucionalização de um amplo sistema de avaliação associada à ampliação dos programas de pós-graduação. que já oferece a maior parte das vagas na educação superior e tem um relevante papel a cumprir. reformular o rígido sistema atual de controles burocráticos. A efetiva autonomia das universidades. é preciso. Esse núcleo estratégico tem como missão contribuir para o desenvolvimento do País e a redução dos desequilíbrios regionais. encontrando a solução para os problemas atuais. pesquisa e extensão. desde que respeitados os parâmetros de qualidade estabelecidos pelos sistemas de ensino. também. Nessas instituições apropria-se o patrimônio do saber humano que deve ser aplicado ao conhecimento e desenvolvimento do País e da sociedade brasileira. que o setor público neste processo. os requisitos de relevância. o papel de fundamentar e divulgar os conhecimentos ministrados nos outros níveis de ensino. 30% da faixa etária de 18 a 24 anos. Deve-se planejar a expansão com qualidade. em todos os campos da vida e da atividade humana e abrindo um horizonte para um futuro melhor para a sociedade brasileira. Estabelecer uma política de expansão que diminua as desigualdades de oferta existentes entre as diferentes regiões do País. também.3 Objetivos e Metas 1. na medida que a elas compete primordialmente a formação dos profissionais do magistério. que depende dessas instituições. nos marcos de um projeto nacional. A universidade é. sobretudo os carentes. portanto. Esta é sua função precípua e que deve atrair a maior parcela dos recursos de sua receita vinculada. 2. para ampliar as possibilidades de atendimento nos cursos presenciais. Por esse motivo. devendo exercer inclusive prerrogativas da autonomia. a partir da reflexão e da pesquisa. que decorre do aumento acelerado do número de egressos da educação média. incluindo a superação das desigualdades sociais e regionais. Ressalte-se que à educação superior está reservado. (VETADO) 3. Didatismo e Conhecimento 32 Para promover a renovação do ensino universitário brasileiro. evitando-se o fácil caminho da massificação. segundo a capacidade de cada um. bibliotecas e outros recursos que assegurem ao aluno-trabalhador o ensino de qualidade a que têm direito nas mesmas condições de que dispõem os estudantes do período diurno. 4. qualidade e cooperação internacional. da pesquisa e da criação artística. extensão. mantenha uma proporção nunca inferior a 40% do total. reduzindo as desigualdades. As universidades constituem. cujo objetivo é qualificar os docentes que atuam na educação superior. a política de incentivo à pósgraduação e à investigação científica. Deve-se ressaltar. 4. A Constituição Federal preceitua que o dever do Estado com a educação efetiva-se mediante a garantia de. a ampliação da margem de liberdade das instituições não-universitárias e a permanente avaliação dos currículos constituem medidas tão necessárias quanto urgentes. tecnológica e humanística nas universidades. para que a educação superior possa enfrentar as rápidas transformações por que passa a sociedade brasileira e constituir um polo formulador de caminhos para o desenvolvimento humano em nosso país. a partir de uma matriz que considere suas funções constitucionais.

da extensão e da gestão acadêmica. meio ambiente. do ensino e da extensão. 14. Implantar planos de capacitação dos servidores técnicoadministrativos das instituições públicas de educação superior. Incentivar a generalização da prática da pesquisa como elemento integrante e modernizador dos processos de ensinoaprendizagem em toda a educação superior. preferencialmente aquelas situadas em localidades não atendidas pelo Poder Público. 23.* 8. para exercício do magistério ou de formação geral. (VETADO) 30. incentivando a criação de cursos noturnos com propostas inovadoras. 10. (VETADO) 25. 29. 17. para atender as necessidades da educação continuada de adultos. de extensão e no caso das universidades.* 32. em novas profissões. Incluir nas diretrizes curriculares dos cursos de formação de docentes temas relacionados às problemáticas tratadas nos temas transversais. 21. 26. diferentes prerrogativas de autonomia às instituições não-universitárias públicas e privadas. com recursos públicos federais e estaduais. da pesquisa. 15. 16. Incluir. capazes de possibilitar a elevação dos padrões de qualidade do ensino. na perspectiva de integrar o necessário esforço nacional de resgate da dívida social e educacional. com a certificação. nas instituições de educação superior. Estimular a adoção. de avaliação institucional e de cursos. diálogo. tais como bolsa-trabalho ou outros destinados a apoiar os estudantes carentes que demonstrem bom desempenho acadêmico. Implantar o Programa de Desenvolvimento da Extensão Universitária em todas as Instituições Federais de Ensino Superior no quadriênio 2001-2004 e assegurar que. questões relevantes para a formulação de políticas de gênero. apoiado no sistema nacional de avaliação. científica. dobrando. exigir melhoria progressiva da infra-estrutura de laboratórios. Garantir a criação de conselhos com a participação da comunidade e de entidades da sociedade civil organizada. . o número de alunos atendidos.Financiamento e Gestão da Educação Superior 24. Estimular a consolidação e o desenvolvimento da pósgraduação e da pesquisa das universidades. que considere. desenvolver ações imediatas no sentido de impedir que o êxodo continue e planejar estratégias de atração desses pesquisadores. pelas instituições públicas. para outros países. 5%. permitindo-lhes. Criar políticas que facilitem às minorias. desenvolvendo e consolidando a pós-graduação no País. bem como de talentos provenientes de outros países. sendo de competência da IES definir a forma de utilização dos recursos previstos para esta finalidade. favorecendo e valorizando estabelecimentos não-universitários que ofereçam ensino de qualidade e que atendam clientelas com demandas específicas de formação: tecnológica. 6. Estimular as instituições de ensino superior a identificar. ética (justiça. através de programas de compensação de deficiências de sua formação escolar anterior. investigar suas causas. educação sexual. competir em igualdade de condições nos processos de seleção e admissão a esse nível de ensino. Estimular. também de pesquisa. 34. nos estratos de renda mais baixa. 7. pluralidade cultural. para consolidar o desenvolvimento da pós-graduação e da pesquisa. Utilizar parte dos recursos destinados à ciência e tecnologia.4 . 11. levando em consideração a avaliação do custo e a qualidade do ensino oferecido. tais como trancamento de matrícula ou abandono temporário dos cursos superiores motivados por gravidez e/ou exercício de funções domésticas relacionadas à guarda e educação dos filhos. Promover o aumento anual do número de mestres e de doutores formados no sistema nacional de pós-graduação em. Estabelecer um sistema de financiamento para o setor público. solidariedade e tolerância). 10% do total de créditos exigidos para a graduação no ensino superior no País será reservado para a atuação dos alunos em ações extensionistas. Oferecer apoio e incentivo governamental para as instituições comunitárias sem fins lucrativos. para acompanhamento e controle social das atividades universitárias. de programas de assistência estudantil. equipamentos e bibliotecas. com ou sem formação superior. vítimas de discriminação. de cursos sequenciais e de cursos modulares. nas informações coletadas anualmente através do questionário anexo ao Exame Nacional de Cursos. Assegurar efetiva autonomia didática. na educação básica. Garantir. Diversificar a oferta de ensino. respeito mútuo. 28. 31.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 5. 4. Estabelecer. diretrizes curriculares que assegurem a necessária flexibilidade e diversidade nos programas de estudos oferecidos pelas diferentes instituições de educação superior. Estender. o acesso à educação superior. 12. o número de pesquisadores qualificados. Didatismo e Conhecimento 33 19. 33. especialmente no que se refere à abordagem tais como: gênero. as instituições de educação superior a constituírem programas especiais de titulação e capacitação de docentes. profissional liberal. 13. com base no sistema de avaliação. inclusive com a participação de alunos no desenvolvimento da pesquisa. pelo menos. na distribuição de recursos para cada instituição. em nível nacional. administrativa e de gestão financeira para as universidades públicas. Promover levantamentos periódicos do êxodo de pesquisadores brasileiros formados. como condição para o recredenciamento das instituições de educação superior e renovação do reconhecimento de cursos. a oferta de cursos de extensão. 18. com o objetivo de assegurar o retorno à sociedade dos resultados das pesquisas. Institucionalizar um amplo e diversificado sistema de avaliação interna e externa que englobe os setores público e privado. além da pesquisa. Instituir programas de fomento para que as instituições de educação superior constituam sistemas próprios e sempre que possível nacionalmente articulados. Diversificar o sistema superior de ensino. de forma a melhor atender às necessidades diferenciais de suas clientelas e às peculiaridades das regiões nas quais se inserem. no mínimo. Estabelecer sistema de recredenciamento periódico das instituições e reconhecimento periódicos dos cursos superiores. estudantes com altas habilidades intelectuais. e promova a melhoria da qualidade do ensino. Estimular a inclusão de representantes da sociedade civil organizada nos Conselhos Universitários. saúde e temas locais. permitindo maior flexibilidade na formação e ampliação da oferta de ensino. em dez anos. com vistas a oferecer bolsas de estudo e apoio ao prosseguimento dos estudos. 20. 22. (VETADO) 27. resguardada a qualidade dessa oferta. A partir de padrões mínimos fixados pelo Poder Público. desta forma. 9.

83 Fonte: IBGE. educação especial e educação de jovens e adultos.70 23. abrangendo a formação equivalente às oito séries do ensino fundamental.61 24.29 8. formação de professores.59 19. III – MODALIDADES DE ENSINO 5.75 7.1 Diagnóstico A Constituição Federal determina como um dos objetivos do Plano Nacional de Educação a integração de ações do poder público que conduzam à erradicação do analfabetismo (art. ao longo dos anos.Rio de Janeiro.08 0.71 1.11 5. 18. Embora tenha havido progresso com relação a essa questão.81 11.60 0.84 11. Os déficits do atendimento no ensino fundamental resultaram.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 35.72 6.86 16. Amazonas. aumenta a população a ser atingida.41 3.53 3.79 0.85 12.61 20.08 4 anos 16.00 5. educação indígena.20 8. Contagem da População de 1996.75 13.05 14. Didatismo e Conhecimento 34 .73 19.96 1. EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 5.10 15.84 18.61 10.55 42. é muito elevado o número de jovens e adultos que não lograram completar a escolaridade obrigatória.37 14.1996. num grande número de jovens e adultos que não tiveram acesso ou não lograram terminar o ensino fundamental obrigatório.01 20.03 0.35 5. Uma concepção ampliada de alfabetização.66 12.25 0.18 10. v. no que diz respeito à educação superior.50 12 anos e mais 5.9 % 11.34 5.39 11. 1998.-4 6.Escolarização da População – 1996 Classes de Anos de Estudo (%) Grupos de idades Total 10 a 14 anos 15 a 19 anos 20 a 24 anos 25 a 29 anos 30 a 39 anos 40 a 49 anos 50 a 59 anos 60 anos ou mais I d a d e ignorada Sem Instrução e menos de 1 ano 13.99 16.6 % Fonte : Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.87 13.51 8. Observar. Roraima. Cerca de 30% da população analfabeta com mais de 15 anos está localizada no Nordeste. 214. IBGE. o número de analfabetos é ainda excessivo e envergonha o País: atinge 16 milhões de brasileiros maiores de 15 anos. como se verifica na Tabela 15.32 26.36 5.47 17.17 22.99 22.29 14.68 0. Tabela 14 . *Exclusive a população da área rural de Rondônia.36 8 anos 8.02 Não determinados 0.20 25.51 0.00 0. as metas estabelecidas nos capítulos referentes à educação a distância.37 32.07 19.32 4. Acre.85 20. Tabela 15 .53 40.7 % 8. Trata-se de tarefa que exige uma ampla mobilização de recursos humanos e financeiros por parte dos governos e da sociedade.81 1 a 3 anos 21.44 10.27 8 a 11 anos 14.80 17.10 19.88 0.15 22. O analfabetismo está intimamente associado às taxas de escolarização e ao número de crianças fora da escola.10 8. I).03 9.81 8.46 10. pois. (Tabela 14).7 % 11.14 5 a 7 anos 18.80 11.87 15.59 17.6 % 28.Taxas de Analfabetismo das Pessoas de 15 anos de idade ou mais – Brasil e Regiões – 1996 Brasil Região Norte urbana * Região Nordeste Região Sudeste Região Sul Região Centro-Oeste 14.76 6. Todos os indicadores apontam para a profunda desigualdade regional na oferta de oportunidades educacionais e a concentração de população analfabeta ou insuficientemente escolarizada nos bolsões de pobreza existentes no País.08 10.7 % 8.87 0.46 25. Pará e Amapá.

421. distorções significativas em função do gênero.3 4. para 15.448 14.2 12.667 469.7 8.562 10.4 19.7 8. Roraima.3 Preta e Parda 4.179.8 3.691 28.801 9.562 3.830 18.761 11.2 11.856.218 3. quando o fator verificado é a etnia.8 5.6 % em 1995.390 15. (CD-ROM).080 434.955.961 23.3 5.691 34.953.9 6.5 Média de anos de estudo Homens 5.855 32.227.076 9.643 2. há também uma redução insuficiente do analfabetismo ao longo do tempo.6 6.4 40 a 49 anos 17.517 10.8 5.2 3.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Embora o analfabetismo esteja concentrado nas faixas etárias mais avançadas (Tabela 16) e as taxas tenham se reduzido.274.8 5.4 % do analfabetismo total.7 Região Nordeste Região Sudeste Região Sul Região Oeste Centro- Fonte: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 1996.07 52.1 6.283 2.675 1.População de 15 anos ou mais de idade por situação de alfabetização .245.4 13.7 13.Censo Demográfico 1991/PNAD 1995/1996/1997 * Exclusive a população rural de Rondônia.391 490. estando inclusive as mulheres melhor posicionadas nos grupos etários abaixo de 40 anos.114.5 50 anos ou mais 24.6 9.383 941.374 5. Tabela 16 .779 542.931 55.2 Mulheres 5.025.669 4.883. O problema não se resume a uma questão demográfica.083.596 515.519 5.786.802 7. (Tabela 17) Tabela 17 . a indicar a necessidade de políticas focalizadas.0 População de 15 anos ou mais por Grupos de Idade 15 a 19 anos 16.726.0 6.365.2 8.006.6 55.195 1.580.484 304.455.239 499.4 2.4 5.0 5.6 5.375 1.031.590 15.3 10.9 4.9 4.318.2 4.656 1.800 14.4 4.197.219.255.186 9.127 26. para acelerar a redução do analfabetismo é necessário agir ativamente tanto sobre o estoque existente quanto sobre as futuras gerações.Média de anos de estudo das pessoas de 10 anos ou mais de idade por sexo e cor – 1996 Brasil Total Total Região Urbana Norte 5.489.211 14.981.2 6.058.043.595 10.840.3 4.9 14.8 6.4 5.435 6.774 6. uma maior média de anos de estudo.389 2.574 6.517.382 31. Como há reposição do estoque de analfabetos. passando de 20.5 2.194 1.048. Pará e Amapá.683.8 25 a 29 anos 12.267.560 7.5 4. é de se esperar que apenas a dinâmica demográfica seja insuficiente para promover a redução em níveis razoáveis nos próximos anos.795 36.537. Entretanto.899 637. em 1991.9 3.666 8.7 Fonte: IBGE .144 442. em todas as regiões.500. Por isso. Amazonas.350.372 14. Tomando-se o corte regional.924 14.2 4. As gerações antigas não podem ser consideradas como as únicas responsáveis pelas taxas atuais.931 10. além do fenômeno da regressão.0 5.730 4.667.8 10. não se verificam.351.675. as mulheres têm.987 1.6 20 a 24 anos 13.126.984 7.7 3.6 11.2 6.295 623.4 19.744 5.5 Branca 6.8 87. Acre.2 30 a 39 anos 23.118.058 960.705 8. pois pessoas entre quinze e trinta anos em 1997 somavam cerca de 21.968 1.608.650 15.312.114 1.555 7.264.4 3.064.601.849.0 6.133 3.6 6.564.214.1% da população. Didatismo e Conhecimento 35 .0 5.251 361.348.382.7 20.063. tomado este indicador.159.1997 (*) Sexo e Localização do Domicílio Total Total Não Alfabetizada Analfabetismo % Homens Não Alfabetizada Analfabetismo % Mulheres Não Alfabetizada Analfabetismo % Urbana Não Alfabetizada Analfabetismo % Rural Não Alfabetizada Analfabetismo % 108.454.303. Como se infere da Tabela 15.451 25.773 5.421.591.5 6.275 1. nota-se uma distorção.807 599.

além de políticas dirigidas para as mulheres. Uma tarefa dessa envergadura necessita da garantia e programação de recursos necessários. as taxas de analfabetismo acompanham os desequilíbrios regionais brasileiros. há que se buscar parcerias com os equipamentos culturais públicos. Esta questão é abordada no capítulo referente ao financiamento e gestão. levantamento e avaliação de experiências em alfabetização de jovens e adultos. anualmente.e habilitados para no mínimo. muito menos. Assegurar. . a oferta de educação de jovens e adultos equivalente às quatro séries iniciais do ensino fundamental para 50% da população de 15 anos e mais que não tenha atingido este nível de escolaridade. para assegurar que as escolas públicas de ensino fundamental e médio localizadas em áreas caracterizadas por analfabetismo e baixa escolaridade ofereçam programas de alfabetização e de ensino e exames para jovens e adultos. erradicar o analfabetismo. assim como na reorganização do mundo do trabalho. como cinemas e teatros. 5. 4. no sentido de considerar a necessidade de formação permanente – o que pode dar-se de diversas formas: organização de jornadas de trabalho compatíveis com o horário escolar. Para atender a essa clientela. há que se diversificar os programas. Da mesma forma. o acesso ao ensino médio. em cinco anos e. entidades estudantis. nas relações sociais. é importante ressaltar que. têm implicações diretas nos valores culturais. programas visando a alfabetizar 10 milhões de jovens e adultos. igrejas. até o final da década. Desenvolve-se o conceito de educação ao longo de toda a vida. aos que completaram o ensino fundamental. Cabe. em virtude do acelerado avanço científico e tecnológico e do fenômeno da globalização. a oferta de cursos equivalentes às quatro séries finais do ensino fundamental para toda a população de 15 anos e mais que concluiu as quatro séries iniciais. Assim. para os cursos em nível de ensino fundamental para jovens e adultos. Neste sentido. ainda. a oferta de uma formação equivalente às oito séries iniciais do ensino fundamental. esta política deve ser integrada àquelas dirigidas às crianças.2 Diretrizes As profundas transformações que vêm ocorrendo em escala mundial. a educação de jovens e adultos deve compreender no mínimo. tornando-os mais atrativos. dar-se-á atendimento integral à família. que há de se iniciar com aalfabetização. As experiências bem sucedidas de concessão de incentivos financeiros. art. além de estratégias específicas para a população rural. 3. até o final da década. Daí a importância da associação das políticas de emprego e proteção contra o desemprego à formação de jovens e adultos. Estabelecer programa nacional de fornecimento. empresas. I). Para inserir a população no exercício pleno da cidadania. pelo Ministério da Educação. cuja escolarização têm. deve ser garantido. 5. numerosa e heterogênea no que se refere a interesses e competências adquiridas na prática social. Sempre que possível. a produção de materiais didáticos e técnicas pedagógicas apropriadas. devem ser consideradas pelos sistemas de ensino responsáveis pela educação de jovens e adultos. requerem um esforço nacional. de forma a incentivar a generalização das iniciativas mencionadas na meta anterior. de acordo com as diretrizes curriculares nacionais. A necessidade de contínuo desenvolvimento de capacidades e competências para enfrentar essas transformações alterou a concepção tradicional de educação de jovens e adultos. Também é oportuno observar que há milhões de trabalhadores inseridos no amplo mercado informal. É importante o apoio dos empregadores. Estabelecer.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 5. em cinco anos. ou à procura de emprego. além da especialização do corpo docente. sindicatos. de forma a atender a demanda de órgãos públicos e privados envolvidos no esforço de erradicação do analfabetismo. 208. 6. Realizar. melhorar sua qualidade de vida e de fruição do tempo livre. 2. mantenham programas de formação de educadores de jovens e adultos. adequado à clientela. Por isso. Embora o financiamento das ações pelos poderes públicos seja decisivo na formulação e condução de estratégias necessárias para enfrentar o problema dos déficits educacionais. ou ainda – sobretudo as mulheres – envolvidos com tarefas domésticas. as metas que se seguem. é importante o acompanhamento regionalizado das metas. Mas não basta ensinar a ler e a escrever. um grande impacto na próxima geração. com responsabilidade partilhada entre a União. auxiliando na diminuição do surgimento de “novos analfabetos”. imprescindíveis à construção da cidadania no País. é fundamental a participação solidária de toda a comunidade. A integração dos programas de educação de jovens e adultos com a educação profissional aumenta sua eficácia. De acordo com a Carta Magna (art. em regime de colaboração com os demais entes federativos. Assim. Como face da pobreza. não mais restrita a um período particular da vida ou a uma finalidade circunscrita. com o envolvimento das organizações da sociedade civil diretamente envolvidas na temática. Assegurar que os sistemas estaduais de ensino. compete aos poderes públicos disponibilizar os recursos para atender a essa educação. dificilmente o analfabetismo será erradicado e. a modalidade de ensino “educação de jovens e adultos”. de material didático-pedagógico.3 Objetivos e Metas 1. A oferta do ciclo completo de oito séries àqueles que lograrem completar Didatismo e Conhecimento 36 as séries iniciais é parte integrante dos direitos assegurados pela Constituição Federal e deve ser ampliada gradativamente. os Municípios e a sociedade organizada. a partir da aprovação do PNE. e ampliar suas oportunidades no mercado de trabalho. considerar que o resgate da dívida educacional não se restringe à oferta de formação equivalente às quatro séries iniciais do ensino fundamental. Dada a importância de criar oportunidades de convivência com um ambiente cultural enriquecedor. Assim. Assegurar. sem uma efetiva contribuição da sociedade civil. associações de bairros. Universidades. implantação de cursos de formação de jovens e adultos no próprio local de trabalho. Estabelecer programa nacional. É necessária. 7. lograr-se-á universalizar uma formação equivalente às oito séries iniciais do ensino fundamental. no nível fundamental deve ser oferecida gratuitamente pelo Estado a todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria. concessão de licenças para frequência em cursos de atualização. tanto no que diz respeito às regiões político-administrativas. § 1º). na organização das rotinas individuais. tais como museus e bibliotecas e privados. por fim. como bolsas de estudo. como as que associam educação e renda mínima. que constituam referência para os agentes integrados ao esforço nacional de erradicação do analfabetismo. como no que se refere ao corte urbano/rural. os Estados e o Distrito Federal. na participação política. capacitados para atuar de acordo com o perfil da clientela . ademais. meios de comunicação de massa e organizações da sociedade civil em geral devem ser agentes dessa ampla mobilização. o exercício do magistério nas séries iniciais do ensino fundamental. Trata-se de um direito público subjetivo (CF. 208.

a cada dois anos. o rádio e o computador como instrumentos pedagógicos de grande importância. Elaborar. Realizar estudos específicos com base nos dados do censo demográfico da PNAD. 24. Articular as políticas de educação de jovens e adultos com as de proteção contra o desemprego e de geração de empregos. no que diz respeito à educação de jovens e adultos. os programas educativos podem desempenhar um papel inestimável no desenvolvimento cultural da população em geral. 10. Implantar. 13. Didatismo e Conhecimento 37 25. Expandir a oferta de programas de educação a distância na modalidade de educação de jovens e adultos. os desafios educacionais existentes podem ter. para a educação de jovens e adultos. § 3º). parâmetros nacionais de qualidade para as diversas etapas da educação de jovens e adultos. 21. penitenciário. 16.1 Diagnóstico No processo de universalização e democratização do ensino. 20. a TV Escola deverá revelar-se um instrumento importante para orientar os sistemas de ensino quanto à adoção das Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino fundamental e os Parâmetros Curriculares. educação a distância. educação tecnológica. no prazo de um ano. 26. de sorte que sua clientela seja beneficiária de ações que permitam ampliar seus horizontes culturais. na educação a distância. de censos específicos (agrícola. O País já conta com inúmeras redes de televisão e rádio educativas no setor público.5º. Além disso. Realizar em todos os sistemas de ensino. As possibilidades da educação a distância são particularmente relevantes quando analisamos o crescimento dos índices de conclusão do ensino fundamental e médio. da população analfabeta. há que se considerar a contribuição do setor privado. no entanto. um meio auxiliar de indiscutível eficácia. como instrumento para assegurar o cumprimento das metas do Plano. 9. por meio de censo educacional. Dobrar em cinco anos e quadruplicar em dez anos a capacidade de atendimento nos cursos de nível médio para jovens e adultos. Instar Estados e Municípios a procederem um mapeamento. 12. programas de educação de jovens e adultos de nível fundamental e médio. Ainda são incipientes. O sistema também se ressente da falta de uma rede informatizada que permita o acesso generalizado aos programas existentes. À União cabe o credenciamento das instituições autorizadas a oferecer cursos de educação a distância. formação dos professores.** 19. 11. portanto. especialmente para a televisão. nas secretarias estaduais e municipais de educação. associar ao ensino fundamental para jovens e adultos a oferta de cursos básicos de formação profissional. a educação a distância tem função estratégica: contribui para o surgimento de mudanças significativas na instituição escolar e influi nas decisões a serem tomadas pelos dirigentes políticos e pela sociedade civil na definição das prioridades educacionais. especialmente no Brasil. capaz de elevar a qualidade e aumentar o número de programas produzidos e apresentados. Entretanto a regulamentação constante na Lei de Diretrizes e Bases é o reconhecimento da construção de um novo paradigma da educação a distância. nesse setor. 23.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 8. Reestruturar. Cursos a distância ou semipresenciais podem desempenhar um papel crucial na oferta de formação equivalente ao nível fundamental e médio para jovens e adultos insuficientemente escolarizados. O Ministério da Educação. setores próprios incumbidos de promover a educação de jovens e adultos. Observar. nos termos do art. Sempre que possível. Ao introduzir novas concepções de tempo e espaço na educação. Além do mais. Estimular as universidades e organizações nãogovernamentais a oferecer cursos dirigidos à terceira idade. 17. visando localizar e induzir a demanda e programar a oferta de educação de jovens e adultos para essa população.§1º da LDB. tem dado prioridade à atualização e aperfeiçoamento de professores para o ensino fundamental e ao enriquecimento do instrumental pedagógico disponível para esse nível de ensino. 87. Há. tenham ou não formação de nível superior. controle e avaliação dos programas. por bairro ou distrito das residências e/ou locais de trabalho. formação profissional e educação indígena. Estimular a concessão de créditos curriculares aos estudantes de educação superior e de cursos de formação de professores em nível médio que participarem de programas de educação de jovens e adultos. Estão também em fase inicial os treinamentos que orientam os professores a utilizar sistematicamente a televisão. financiamento e gestão. Estabelecer políticas que facilitem parcerias para o aproveitamento dos espaços ociosos existentes na comunidade. assim como de formação profissional. 18. Aperfeiçoar o sistema de certificação de competências para prosseguimento de estudos. Paralelamente. do equipamento tecnológico necessário constituem importantes iniciativas. bem como o efetivo aproveitamento do potencial de trabalho comunitário das entidades da sociedade civil. O Ministério da Educação. que tem produzido programas educativos de boa qualidade. §§ 1º e 2º). contemplando para esta clientela as metas n° 5 e nº 14. 22. em todas as unidades prisionais e nos estabelecimentos que atendam adolescentes e jovens infratores. a partir da aprovação do Plano Nacional de Educação. 87. 14. EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS 6. 6. aquelas que concretizam um trabalho em regime de cooperação. Incluir. Incentivar as instituições de educação superior a oferecerem cursos de extensão para prover as necessidades de educação continuada de adultos. Articular as políticas de educação de jovens e adultos com as culturais. a União e os Estados são parceiros necessários para o desenvolvimento da informática nas escolas de ensino fundamental e médio. as metas estabelecidas para o ensino fundamental. A TV Escola e o fornecimento. são de responsabilidade dos sistemas de ensino as normas para produção. avaliação e divulgação dos resultados dos programas de educação de jovens e adultos. a Educação de Jovens e Adultos nas formas de financiamento da Educação Básica. 15. respeitando-se as especificidades da clientela e a diversidade regional. o vídeo. criar e fortalecer. onde os déficitseducativos e as desigualdades regionais são tão elevados. assim como a autorização para sua implementação (art. Nas empresas públicas e privadas incentivar a criação de programas permanentes de educação de jovens e adultos para os seus trabalhadores. inúmeras iniciativas neste setor. . aos estabelecimentos escolares. etc) para verificar o grau de escolarização da população. assim como de condições para a recepção de programas de teleducação. incentivando seu aproveitamento nos cursos presenciais. assim como o estabelecimento dos requisitos para a realização de exames e o registro de diplomas (art.

em dois anos. não devendo substituir. proposta de regulamentação da reserva de tempo mínimo. programas de computador. Numa visão prospectiva. Estabelecer. parte integrante e essencial para a eficácia desta modalidade de educação. 6. para a disseminação de programas culturais e educativos. 5. As tecnologias utilizadas na educação a distância não podem. 9.3 Objetivos e Metas 1. de cursos regulares. em cinco anos. Fortalecer e apoiar o Sistema Nacional de Rádio e Televisão Educativa. a produção de programas de educação a distância de nível médio. Incentivar. pelo menos 500. incorporando em sua programação temas que afirmem pela igualdade de direitos entre homens e mulheres. em todos os níveis e modalidades de ensino. de forma a atender as demandas da sociedade brasileira. Promover. a oferta de formação a distância em nível superior para todas as áreas. logo após a aprovação do Plano. há certamente que permitir-se a multiplicação de iniciativas. Assegurar às escolas públicas. padrões éticos e estéticos mediante os quais será feita a avaliação da produção de programas de educação a distância. que distinguirem-se claramente as políticas dirigidas para o incentivo de programas educativos em geral e aquelas formuladas para controlar e garantir a qualidade dos programas que levam à certificação ou diploma. Ampliar a oferta de programas de formação a distância para a educação de jovens e adultos. os serviços nacionais de aprendizagem e as escolas técnicas federais. Iniciar. consagrada pela Constituição Federal. especialmente nas universidades. portanto. do Trabalho.000 professores para a utilização plena da TV Escola e de outras redes de programação educacional. entretanto. ficar restritas a esta finalidade. transmissão radiofônica e televisiva. normas para credenciamento das instituições que ministram cursos a distância. de prazo razoavelmente curto. seja por meio de correspondência. mas também dos próprios produtores. criando. Para isto. capacitar os professores para utilizá-los. incentivando a participação das universidades e das demais instituições de educação superior credenciadas. . é preciso aproveitar melhor a competência existente no ensino superior presencial para institucionalizar a oferta de cursos de graduação e iniciar um projeto de universidade aberta que dinamize o processo de formação de profissionais qualificados. por meio de um sistema de auto-regulamentação. Há. A União deverá estabelecer. A televisão. Enviar ao Congresso Nacional. a produção e difusão de programas de formação profissional a distância. de nível fundamental e médio. Elas constituem hoje um instrumento de enorme potencial para o enriquecimento curricular e a melhoria da qualidade do ensino presencial. O material escrito. 2. Instalar. um programa que assegure essa colaboração. embora sujeitos a padrões de qualidade que precisam ser objeto de preocupação não só dos órgãos governamentais. da Ciência e Tecnologia e das Comunicações para o desenvolvimento da educação a distância no País. 10. no prazo de um ano. 7. da Cultura. para transmissão de programas educativos pelos canais comerciais de rádio e televisão. seja por meio dos mais recentes processos de utilização conjugada de meios como a telemática e a multimídia. Promover. as empresas. assegurando às escolas e à comunidade condições básicas de acesso a esses meios. No conjunto da oferta de programas para formação a distância. 15. em nível superior. nos cursos de Pedagogia e nas Licenciaturas. no entanto. em cooperação da União com os Estados e Municípios. Capacitar. o rádio e o computador constituem importantes instrumentos pedagógicos auxiliares. os quais deverão atuar como centros de orientação para as escolas e para os órgãos administrativos dos sistemas de ensino no acesso aos programas informatizados e aos vídeos educativos. a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional introduziu uma abertura de grande alcance para a política educacional. inclusive em horários nobres. com a colaboração da União e dos Estados e em parceria com instituições de ensino superior. é fundamental equipar as escolas com multimeios. dentro de um ano. especialmente na área de formação de professores para a educação básica. com especial consideração para o potencial dos canais radiofônicos e para o atendimento da população rural. Os programas educativos e culturais devem ser incentivados dentro do espírito geral da liberdade de imprensa. 3. a oferta de cursos a distância. sem ônus para o Poder Público. especialmente na Escola Normal. A Lei de Diretrizes e Bases considera a educação a distância como um importante instrumento de formação e capacitação de professores em serviço. promovendo sua integração no projeto pedagógico da escola. 12. gradualmente. com o fornecimento do equipamento correspondente. Promover imagens não estereotipadas de homens e mulheres na Televisão Educativa.2 Diretrizes Ao estabelecer que o Poder Público incentivará o desenvolvimento de programas de educação a distância. 16. Utilizar os canais educativos televisivos e radiofônicos. É preciso ampliar o conceito de educação a distância para poder incorporar todas as possibilidades que as tecnologias de comunicação possam propiciar a todos os níveis e modalidades de educação. assim como redes telemáticas de educação. 6. 14. dentro de 2 anos. comprometendo-o a desenvolver programas que atendam as metas propostas neste capítulo. em dez anos. Só será permitida a celebração de contratos onerosos para a retransmissão de programa de Educação à Distância com redes de televisão e de rádio quando não houver cobertura da Televisão e de Rádio Educativa. 13. Garantir a integração de ações dos Ministérios da Educação. 11. a formação de recursos humanos para educação a distância. em parceria com o Ministério do Trabalho. 17. que dêem direito a certificados ou diplomas. especialmente no que diz respeito à oferta de ensino fundamental. Quando se trata. e integrar a informática na formação regular dos alunos. deverá apresentar a mesma qualidade dos materiais audiovisuais.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 6. Municipais ou pelo Ministério da Educação. bem como a elaboração dos programas será realizada pelas Secretarias Estaduais. a regulamentação e o controle de qualidade por parte do Poder Público são indispensáveis e devem ser rigorosos. 4. internet. as relações de comunicação e interação direta entre educador e educando.000 núcleos de tecnologia educacional. o acesso universal à televisão educativa e a outras redes de programação educativo-cultural. Apoiar financeira e institucionalmente a pesquisa na área de educação a distância. assim como a adequada abordagem de temas referentes à etnia e portadores de necessidades especiais. pela ampliação da infraestrutura tecnológica e pela redução de custos dos serviços de comunicação e informação. o vídeo. Ampliar. entretanto. 8. Didatismo e Conhecimento 38 2.

Capacitar. a Educação Profissional tem reafirmado a dualidade propedêutico-profissional existente na maioria dos países ocidentais. comunitárias e filantrópicas. técnicos e tecnológicos oferecidos pelas escolas técnicas federais. Equipar. No sistema escolar. Nesse contexto. de cursos particulares de curta duração.056 8. à educação indígena e à educação especial.1 Diagnóstico Não há informações precisas. em dez anos.024 174.9 23.023 113. as metas pertinentes incluídas nos capítulos referentes à educação infantil.000 professores e 34. em dez anos.739 12. sindicais. no que diz respeito à educação a distância e às novas tecnologias educacionais.7 42. Mas há fatores preocupantes. 20. ao prever que o cidadão brasileiro deve galgar – com apoio do Poder Público – níveis altos de escolarização. O principal deles é que a oferta é pequena: embora. 150. é que a alta qualidade do ensino que oferecem está associada a um custo extremamente alto para sua instalação e manutenção. de Dados Auxiliar de Contabilidade Magistério – Est.000 computadores em 30.0 3.4 0.9 1.881 3.9 1. o que torna inviável uma multiplicação capaz de poder atender ao conjunto de jovens que procura formação profissional.789 8.443 9. 3. justamente porque ela é muito heterogênea.001 31. 4.7 0.3 0.2 46.4 110.1 18. 22. 12.0 TECNOLÓGICA E FORMAÇÃO Fonte: MEC/INEP/SEEC Funcionando em escolas onde há carências e improvisações generalizadas.1 Crescimento 1988 .7 -22.7 1. O primeiro Censo da Educação Profissional. Capacitar. Observar. SENAI.7 2. a elevação da escolaridade do trabalhador coloca-se como essencial para a inserção competitiva do Brasil no mundo globalizado.451 8. promovendo condições de acesso à internet. SESC e outros).000 professores multiplicadores em informática da educação. que aliam a formação geral de nível médio à formação profissional.6 15.0 2. Funcionou sempre como mecanismo de exclusão fortemente associado à origem social do estudante. que se imagina muito grande. assim como um certo número.2 10.293 15. Um cenário que as diretrizes da educação profissional propostas neste plano buscam superar.768 8.1996 52.811 325. Didatismo e Conhecimento 39 Afora estas redes específicas – a federal e outras poucas estaduais vocacionadas para a educação profissional – as demais escolas que oferecem educação profissional padecem de problemas de toda ordem. no que diz respeito às escolas técnicas públicas de nível médio.3 311. das secretarias estaduais e municipais do trabalho e dos sistemas nacionais de aprendizagem. com computadores e conexões internet que possibilitem a instalação de uma Rede Nacional de Informática na Educação e desenvolver programas educativos apropriados. cerca de cinco milhões de trabalhadores. EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 7. 500. SENAC. menos de 5% oferecem ambiente adequado para estudo das ciências e nem 2% possuem laboratório de informática – indicadores da baixa qualidade do ensino que oferecem às camadas mais desassistidas da população. até porque estudos têm demonstrado que o aumento de um ano na média educacional da população economicamente ativa determina um incremento de 5.8 50. 7. de acordo com as estimativas mais recentes. Tabela 18 – Habilitações de nível médio com maior número de concluintes .3 haviam cursado alguma habilitação profissional.0 53. inclusive de educação a distância. 21. o País selou a educação profissional de qualquer nível. está longe de atingir a população de jovens que precisa se preparar para o mercado de trabalho e a de adultos que a ele precisa se readaptar. Além das redes federais e estaduais de escolas técnicas. iniciado pelo Ministério da Educação em 1999.1988 e 1996 Habitações Magistério 1º grau Técnico Contabilidade Administração Proc. Além disso.548 24. 19. sobre a oferta de formação para o trabalho.000 escolas públicas de ensino fundamental e médio. especialmente na rede das 152 escolas federais de nível técnico e tecnológico. sabe-se que a maioria das habilitações de baixo custo e prestígio encontra-se em instituições noturnas estaduais ou municipais.2 eram concluintes egressos das habilitações de Magistério e Técnico em Contabilidade – um conjunto três vezes maior que a soma de todas as outras nove habilitações listadas pela estatística. especialmente a produção de softwares educativos de qualidade. em razão da oferta restrita. além de treinamento em serviço de cursos técnicos oferecidos pelas empresas para seus funcionários. mas sobretudo o médio.8 0.3 0. Associada a esse fato está a limitação de vagas nos estabelecimentos públicos. Há muito. no Brasil. fornecerá dados abrangentes sobre os cursos básicos.6 1. pois permitem atender a uma demanda muito variada. já atinja. à formação de professores. que são os que dela mais necessitam. como forma de separar aqueles que não se destinariam às melhores posições na sociedade. em cinco anos.389 490.6 1996 193.249 7. afastando os jovens trabalhadores.8 2.5 % do PIB (Produto Interno Bruto).0 -4. até aqueles ministrados por instituições empresariais.000 técnicos em informática educativa e ampliar em 20% ao ano a oferta dessa capacitação. Embora não existam estatísticas detalhadas a respeito. Instalar. em cinco anos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 18. à educação de jovens e adultos. Em apenas 15% delas há bibliotecas. O maior problema.4 32. Destes. municipais e pelos estabelecimentos do chamado Sistema S (SESI. criou-se um sistema de seleção que tende a favorecer os alunos de maior renda e melhor nível de escolarização. todas as escolas de nível médio e todas as escolas de ensino fundamental com mais de 100 alunos. em cada dez concluintes do ensino médio.186 32. Adicionais Eletrônica Agropecuária Mecânica Secretariado Total Concluintes 1988 127. A heterogeneidade e a diversidade são elementos positivos.349 7.8 0. existem os programas do Ministério do Trabalho.4 51.513 % 20.959 5. .165 14.394 9.005 % 16.2 1.8 0. estaduais. a matrícula em 1996 expressa que.

de modo a triplicar. dentro de dois anos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 7. Trata- . 5. articular e ampliar a capacidade instalada na rede de instituições de educação profissional. sob o ponto de vista operacional. o que não impede o oferecimento de cursos de curta duração voltados para a adaptação do trabalhador às oportunidades do mercado de trabalho. sempre que possível. programas de formação de formadores para a educação tecnológica e formação profissional. como ocorre nos países desenvolvidos. que perpassa toda a vida do trabalhador. de forma especial. a oferta de formação de nível técnico aos alunos nelas matriculados ou egressos do ensino médio. de múltiplas fontes. 6. Didatismo e Conhecimento 40 4. observadas as ofertas do mercado de trabalho. técnicos e superiores da educação profissional. Estabelecer a permanente revisão e adequação às exigências de uma política de desenvolvimento nacional e regional. sem prejuízo de que sua oferta seja conjugada com ações para elevação da escolaridade. associados à promoção de níveis crescentes de escolarização regular. Mobilizar. Prevê-se. Estabelecer junto às escolas agrotécnicas e em colaboração com o Ministério da Agricultura cursos básicos para agricultores. os CEFETs. É importante também considerar que a oferta de educação profissional é responsabilidade igualmente compartilhada entre o setor educacional. mas deve constituir educação continuada. técnico complementar ao ensino médio e tecnológico superior de graduação ou de pós-graduação. em colaboração com empresários e trabalhadores nas próprias escolas e em todos os níveis de governo. mencionando. Mobilizar. voltados para a melhoria do nível técnico das práticas agrícolas e da preservação ambiental. a cada cinco anos. 12. e a não-formal. notadamente em matéria de formação de formadores e desenvolvimento metodológico. o trabalhador rural. As metas do Plano Nacional de Educação estão voltadas para a implantação de uma nova educação profissional no País e para a integração das iniciativas. 2. que oriente a política educacional para satisfazer as necessidades de formação inicial e continuada da força de trabalho. de modo a triplicar. É necessário também. Prevê-se que a educação profissional. não podendo esta ficar reduzida à aprendizagem de algumas habilidades técnicas. gradativamente. Estabelece para isso um sistema flexível de reconhecimento de créditos obtidos em qualquer uma das modalidades e certifica competências adquiridas por meios não-formais de educação profissional. Integrar a oferta de cursos básicos profissionais. possibilitando a elevação de seu nível educacional. Reorganizar a rede de escolas agrotécnicas. Observar as metas estabelecidas nos demais capítulos referentes à educação tecnológica e formação profissional. entendese que a educação profissional não pode ser concebida apenas como uma modalidade de ensino médio. articular e ampliar a capacidade instalada na rede de instituições de educação profissional. a integração desses dois tipos de formação: a formal. de forma a aproveitar e valorizar a experiência profissional dos formadores. que pelo menos um desses centros em cada unidade federada possa servir como centro de referência para toda a rede de educação profissional. Estabelecer. 9. secretarias do trabalho. articular e aumentar a capacidade instalada na rede de instituições de educação profissional. o Ministério do Trabalho. 10. a oferta de cursos básicos destinados a atender à população que está sendo excluída do mercado de trabalho. A política de educação profissional é. seja estruturada nos níveis básico – independente do nível de escolarização do aluno. Os recursos provêm.3 Objetivos e Metas 1.1 Diagnóstico A Constituição Federal estabelece o direito de as pessoas com necessidades especiais receberem educação preferencialmente na rede regular de ensino (art. 8. Por isso mesmo. 13. mas também para o treinamento e retreinamento de trabalhadores com vistas a inseri-los no mercado de trabalho com mais condições de competitividade e produtividade. 3. adquirida por meios diversos. 7. 11. o Ministério do Trabalho. a cada cinco anos. estão sendo implantadas novas diretrizes no sistema público de educação profissional. Incentivar. a produção de programas de educação a distância que ampliem as possibilidades de educação profissional permanente para toda a população economicamente ativa. de treinamentos. tarefa que exige a colaboração de múltiplas instâncias do Poder Público e da sociedade civil. contar com recursos das próprias empresas. Mobilizar. dentro de um ano. A diretriz atual é a da plena integração dessas pessoas em todas as áreas da sociedade. estaduais e municipais e a iniciativa privada. dos cursos básicos. adquirida em instituições especializadas. geral. sempre associados à educação básica. os serviços nacionais de aprendizagem e a iniciativa privada. um sistema integrado de informações. com a colaboração entre o Ministério da Educação. 8. Modificar. portanto. associadas à reforma do ensino médio. para ampliar e incentivar a oferta de educação profissional. as escolas técnicas de nível superior. em parceria com agências governamentais e instituições privadas. serviços sociais do comércio. Estimular permanentemente o uso das estruturas públicas e privadas não só para os cursos regulares. III). 14.2 Diretrizes Há um consenso nacional: a formação para o trabalho exige hoje níveis cada vez mais altos de educação básica. a oferta de educação profissional permanente para a população em idade produtiva e que precisa se readaptar às novas exigências e perspectivas do mercado de trabalho. a cada cinco anos. de modo a triplicar. por meio de recursos públicos e privados. com a oferta de programas que permitam aos alunos que não concluíram o ensino fundamental obter formação equivalente. Transformar. Estabelecer. Têm como objetivo central generalizar as oportunidades de formação para o trabalho. Estabelecer parcerias entre os sistemas federal. de forma a garantir que cumpram o papel de oferecer educação profissional específica e permanente para a população rural. da agricultura e da indústria e os sistemas nacionais de aprendizagem. Finalmente. unidades da rede de educação técnica federal em centros públicos de educação profissional e garantir. as quais devem financiar a qualificação dos seus trabalhadores. inclusive no trabalho. dentro da perspectiva do desenvolvimento auto-sustentável. ainda. 15. até o final da década. e cada vez mais. 7. 208. as normas atuais que regulamentam a formação de pessoal docente para essa modalidade de ensino. técnico e de renda. as universidades. portanto. EDUCAÇÃO ESPECIAL 8. levando em conta seu nível de escolarização e as peculiaridades e potencialidades da atividade agrícola na região.

As diferenças regionais são grandes. 2.3%. Apenas 0. enquanto aquele dá prioridade às classes especiais e classes comuns com apoio pedagógico. apenas 14% desses estabelecimentos possuíam instalação sanitária para alunos com necessidades especiais. apresenta o seguinte quadro: 87. sempre que possível.1% dos Municípios ofereciam educação especial.4%. completo ou incompleto. em 1998. possuíam o ensino fundamental. Segundo dados de 1998. a ausência dessa modalidade acontece em 78. de conduta. O atendimento por nível de ensino. No CentroOeste. teremos cerca de 15 milhões de pessoas com necessidades especiais. respectivamente). Apenas 5% das turmas estão em “classes comuns com apoio pedagógico” e 6% são de “educação precoce” . federais.607 crianças na educação infantil.2%. conforme as necessidades específicas dos alunos.3%. As tendências recentes dos sistemas de ensino são as seguintes: .2%.5%. A Organização Mundial de Saúde estima que em torno de 10% da população têm necessidades especiais. é sábia em determinar preferência para essa modalidade de atendimento educacional.7% delas estão em “salas de recursos” e 12. Outro elemento fundamental é o material didático-pedagógico adequado. nele incluído o oferecido por entidades filantrópicas. distribuídos da seguinte forma: 58% com problemas mentais. ou seja. portanto. múltiplas.6% dos seus Municípios apresentando dados de atendimento. 31.148 atendimentos.1% de visão. que permitirão análises mais profundas da realidade. há necessidade de uma atuação mais incisiva da União nessa área. com apenas 9. Comparando o atendimento público com o particular. 3. 45. distúrbios de conduta e também superdotação ou altas habilidades. Em princípio.expansão da oferta dos cursos de formação/especialização pelas universidades e escolas normais.2% dos estabelecimentos de educação especial em 1998 eram estaduais. 4. é responsável por quase metade de toda a educação especial no País. pois o percentual dos estabelecimentos com aquele requisito baixa para 6%. por isso 73% deles fizeram curso específico.. 7. de recursos. 59.2% em “oficinas pedagógicas”. estaduais.8%. Em 1998. . Os dados não informam sobre outras facilidades como rampas e corrimãos.705. Mato Grosso do Sul tinha atendimento em 76. 48. em 1998. verifica-se que este dá preferência à educação precoce. Na região Sul. em nível superior. 15. Eram formados em nível médio 51% e. . . Os sistemas de ensino costumam oferecer cursos de preparação para os professores que atuam em escolas especiais. São informados como “outros” 64. A legislação.6% dos seus Municípios. Diante dessa política. Em relação à qualificação dos profissionais de magistério. que atendiam a 31% das matrículas. no ensino médio. 132. Entre as esferas administrativas. constituindo uma meta necessária na década da educação. 1.2% dos professores (melhor dito. se isto não for possível em função das necessidades do educando. como está a educação especial brasileira? O conhecimento da realidade é ainda bastante precário. destacando-se Rio Grande do Norte. a oficinas pedagógicas e a outras modalidades não especificadas no Informe. a necessidade de preparação do corpo docente. Não há dados sobre o atendimento do aluno com necessidades especiais na educação superior.o direito à educação.visuais. Os números de matrícula nos estabelecimentos escolares são tão baixos que não permitem qualquer confronto com aquele contingente. 13. Dos 5. com problemas de audição. Estas podem ser de diversas ordens .3% com altas habilidades ou eram superdotados e 5. comum a todas as pessoas. nas quais estão 38% das turmas atendidas. insuficiência. A região Norte é a menos servida nesse particular.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS se.melhoria da qualificação dos professores do ensino fundamental para essa clientela. ressalvando os casos de excepcionalidade em que as necessidades do educando exigem outras formas de atendimento. federais. as crianças. havia 293. inadequação e precariedades podem ser constatadas em muitos centros de atendimento a essa clientela. realizar o atendimento em classes e escolas especializadas. 24. Didatismo e Conhecimento 41 A eliminação das barreiras arquitetônicas nas escolas é uma condição importante para a integração dessas pessoas no ensino regular. As informações de 1998 estabelecem outra classificação. e do corpo técnico e administrativo das escolas aumenta enormemente. sala especial e escola especial. Observando as modalidades de atendimento educacional.1% são da iniciativa privada. Se essa estimativa se aplicar também no Brasil.685. 26. todos os professores deveriam ter conhecimento da educação de alunos especiais. 12%. a situação é bastante boa: apenas 3. segundo os dados de 1997. de que. no ensino fundamental. Como os estabelecimentos são de diferentes tamanhos. Inexistência.507 Municípios brasileiros. as matrículas apresentam alguma variação nessa distribuição: 53. sendo o Paraná o de mais alto percentual (83. Notase que o atendimento particular. Espírito Santo é o Estado com o mais alto percentual de Municípios que oferecem educação especial (83. físicas.403 alunos.258 na educação de jovens e adultos. O particular está muito à frente na educação infantil especial (64%) e o estadual. Todas as possibilidades têm por objetivo a oferta de educação de qualidade.2%). porque não dispomos de estatísticas completas nem sobre o número de pessoas com necessidades especiais nem sobre o atendimento. mentais. além do atendimento específico. como formação máxima. chamando a atenção que 62% do atendimento registrado está localizado em escolas especializadas.7%.8%. 13. das funções docentes). de duas questões . mas o municipal vem crescendo sensivelmente no atendimento em nível fundamental. com deficiências múltiplas.. Mas. municipais e 0. As políticas recentes do setor têm indicado três situações possíveis para a organização do atendimento: participação nas classes comuns.3% dos Municípios. com problemas físicos. 58.1%). Dadas as discrepâncias regionais e a insignificante atuação federal. Em “outras modalidades” são atendidas 25% das turmas de educação especial. auditivas.ampliação do regulamento das escolas especiais para prestarem apoio e orientação aos programas de integração.1% não ofereciam educação especial em 1998. . predominam as “classes especiais”. particulares e 0.8%. Somente a partir do ano 2000 o Censo Demográfico fornecerá dados mais precisos. o que reflete a necessidade de um compromisso maior da escola comum com o atendimento do aluno especial. municipais. considerando a diretriz da integração.9% recebiam “outro tipo de atendimento”(Sinopse Estatística da Educação Básica/Censo Escolar 1998. nos níveis fundamental e médio (52 e 49%. do MEC/INEP). e o direito de receber essa educação sempre que possível junto com as demais pessoas nas escolas “regulares”. no entanto.integração/inclusão do aluno com necessidades especiais no sistema regular de ensino e. jovens e adultos especiais sejam atendidos em escolas regulares. No Nordeste.

inclusiva. para garantir o atendimento da clientela. no que a participação da comunidade é fator essencial. escolas regulares de ensino fundamental. oferta de transporte escolar adaptado. Quanto mais cedo se der a intervenção educacional.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Apesar do crescimento das matrículas. mais eficaz ela se tornará no decorrer dos anos. que garanta o atendimento à diversidade humana. Quando esse tipo de instituição não puder ser criado nos Municípios menores e mais pobres. órgãos oficiais e entidades não governamentais de assistência social. de responsabilidade da União. o déficit é muito grande e constitui um desafio imenso para os sistemas de ensino. quer porque o espectro das necessidades especiais é variado. Propõe-se uma escola integradora. o atendimento não se limita à área educacional. são importantes a flexibilidade e a diversidade. destacam-se a sensibilização dos demais alunos e da comunidade em geral para a integração. as adaptações curriculares. quer porque as realidades são bastante diversificadas no País. A formação de recursos humanos com capacidade de oferecer o atendimento aos educandos especiais nas creches. o atendimento deve começar precocemente. em particular os vinculados à saúde. a frequência e a consistência dos traços. sido um exemplo de compromisso e de eficiência no atendimento educacional dessa clientela. A esses deve ser dado maior apoio pedagógico nas suas próprias . jovens e adultos com necessidades especiais. há que se detectarem as deficiências. Em relação às crianças com altas habilidades (superdotadas ou talentosas). ao longo de seu desenvolvimento. Mas. para a identificação desses problemas e seu adequado tratamento. Requer-se um esforço determinado das autoridades educacionais para valorizar a permanência dos alunos nas classes regulares. os atuais programas para oferecimento de órteses e próteses de diferentes tipos. mental ou múltipla. como modalidade de educação escolar. É medida racional que se evite a duplicação de recursos através da articulação daqueles setores desde a fase de diagnóstico de déficits sensoriais até as terapias específicas. produção de livros e materiais pedagógicos adequados para as diferentes necessidades. Uma política explícita e vigorosa de acesso à educação. Justifica-se. uma vez que as desigualdades regionais na oferta educacional atestam uma enorme disparidade nas possibilidades de acesso à escola por parte dessa população especial. Como é sabido.2 Diretrizes A educação especial se destina às pessoas com necessidades especiais no campo da aprendizagem. o apoio do governo a essas instituições como parceiras no processo educacional dos educandos com necessidades especiais. Por isso. portanto. Considerando as questões envolvidas no desenvolvimento e na aprendizagem das crianças. destinadas aos alunos parcialmente integrados. quanto na qualificação dos professores e demais profissionais envolvidos. Para a população de baixa renda. produzindo efeitos mais profundos sobre o desenvolvimento das crianças. a articulação e a cooperação entre os setores de educação.9. As classes especiais. a identificação levará em conta o contexto socioeconômico e cultural e será feita por meio de observação sistemática do comportamento e do desempenho do aluno. 8. historicamente. 208. com vistas a verificar a intensidade. tal diretriz ainda não produziu a mudança necessária na realidade escolar. é uma condição para que às pessoas especiais sejam assegurados seus direitos à educação. mas envolve especialistas sobretudo da área da saúde e da psicologia e depende da colaboração de diferentes órgãos do Poder Público. demais técnicos. situadas nas escolas “regulares”. como as visuais e auditivas. jovens e adultos com necessidades especiais sejam atendidos em escolas regulares. quer de características como altas habilidades. tanto nos aspectos administrativos (adequação do espaço escolar. pois diversas ações devem ser realizadas ao mesmo tempo. fazendo parte da política governamental há pelo menos uma década. centros de educação infantil. inclusive em termos de recursos. pessoal administrativo e auxiliar sejam preparados para atendê-los adequadamente. pré-escolas. que podem ser aplicados pelos professores. saúde e assistência é fundamental e potencializa a ação de cada um deles. do reconhecimento das crianças. originadas quer de deficiência física. terá que ser promovida sistematicamente nos diferentes níveis de ensino. problemas de dispersão de atenção ou de disciplina. com a colaboração dos Ministérios da Saúde e da Previdência. recomenda-se a celebração de convênios intermunicipais e com organizações não-governamentais. notadamente na etapa da educação infantil. apesar desse relativamente longo período. superdotação ou talentos. Existem testes simples. A educação especial. A integração dessas pessoas no sistema de ensino regular é uma diretriz constitucional (art. assistência e promoção social. de sorte que todas as crianças. pode ser um importante meio de garantir-lhe o acesso e à frequência à escola. O Programa de Renda Mínima Associado a Ações Socioeducativas (Lei n. quando a criança ingressa no ensino fundamental. As escolas especiais devem ser enfatizadas quando as necessidades dos alunos assim o indicarem. A União tem um papel essencial e insubstituível no planejamento e direcionamento da expansão do atendimento. jovens e adultos especiais como cidadãos e de seu direito de estarem integrados na sociedade o mais plenamente possível. sensorial. médio e superior. Na hipótese de não ser possível o atendimento durante a educação infantil. sempre que for recomendado pela avaliação de suas condições pessoais. A garantia de vagas no ensino regular para os diversos graus e tipos de deficiência é uma medida importante. precisam contar com professores especializados e material pedagógico adequado. Não há como ter uma escola regular eficaz quanto ao desenvolvimento e aprendizagem dos educandos especiais sem que seus professores. bem como em instituições especializadas e outras instituições é uma prioridade para o Plano Nacional de Educação. Tal política abrange: o âmbito social. adaptação das escolas para que os alunos especiais possam nelas transitar. têm. Entre outras características dessa política. III). Longe de diminuir a responsabilidade do Poder Público para com a educação especial. a qualificação dos professores para o atendimento nas escolas regulares e a especialização dos professores para o atendimento nas novas escolas especiais. O apoio da União é mais urgente e será mais necessário onde se verificam os maiores déficits de atendimento. inclusive como forma preventiva. Certas organizações da sociedade civil. eliminando a nociva prática de encaminhamento para classes especiais daqueles que apresentam dificuldades comuns de aprendizagem. o apoio do governo a tais organizações visa tanto à continuidade de sua colaboração quanto à maior eficiência por contar com a participação dos pais nessa tarefa. Quanto às escolas especiais. de seus equipamentos e materiais pedagógicos). que podem dificultar a aprendizagem Didatismo e Conhecimento 42 escolar. e o âmbito educacional. etc. dos Estados e Distrito Federal e dos Municípios. Entre elas.533/97) estendido a essa clientela. aberta à diversidade dos alunos. que envolvem os pais de crianças especiais. a política de inclusão as reorienta para prestarem apoio aos programas de integração. de natureza filantrópica. Mas o grande avanço que a década da educação deveria produzir será a construção de uma escola inclusiva. há ainda necessidade de ampliar. O ambiente escolar como um todo deve ser sensibilizado para uma perfeita integração.

Entretanto. públicas e privadas. provendo. 19. Implantar. Nos primeiros cinco anos de vigência deste plano. Assegurar. em cinco anos. inclusive através de consórcios entre Municípios. Definir. de forma a favorecer e apoiar a integração dos educandos com necessidades especiais em classes comuns. sua observância. transporte escolar com as adaptações necessárias aos alunos que apresentem dificuldade de locomoção. Articular as ações de educação especial e estabelecer mecanismos de cooperação com a política de educação para o trabalho. em todos os Municípios e em parceria com as áreas de saúde e assistência. durante a década. dentro de cinco anos. no projeto pedagógico das unidades escolares. 13. Incluir nos currículos de formação de professores. 16. sempre que possível. a oferta de cursos sobre o atendimento básico a educandos especiais. Ampliar o fornecimento e uso de equipamentos de informática como apoio à aprendizagem do educando com necessidades especiais. 5. salas de recursos e outras alternativas pedagógicas recomendadas. redimensionar conforme as necessidades da clientela. os padrões mínimos de infraestrutura das escolas para o recebimento dos alunos especiais. em cinco anos. 12. 7. o atendimento dos alunos com necessidades especiais na educação infantil e no ensino fundamental. promovendo sua colocação no mercado de trabalho. da educação infantil e metas nº 4. em cinco anos. dentro de três anos a contar da vigência deste plano. Garantir a generalização. em parceria com as áreas de assistência social e cultura e com organizações não-governamentais. definindo os recursos disponíveis e oferecendo formação em serviço aos professores em exercício. estar previstos no ensino fundamental. 6. em parceria com organizações governamentais e não-governamentais. pelo menos um centro especializado. Enfermagem e Arquitetura. com aparelhos de amplificação sonora e outros equipamentos que facilitem a aprendizagem. Em coerência com as metas nº 2. Implantar. 22. até o final da década. em dez anos. 4. para o desenvolvimento de programas de qualificação profissional para alunos especiais. pelo menos um curso desse tipo em cada unidade da Federação. atendendo-se. 2. públicos ou privados. Considerando que o aluno especial pode ser também da escola regular. 21. as classes especiais e salas de recursos. especialmente pelas instituições de ensino superior. 17. especialmente creches. 14. em braille e em caracteres ampliados. indicadores básicos de qualidade para o funcionamento de instituições de educação especial. para todos os alunos cegos e para os de visão sub-normal do ensino fundamental. Tornar disponíveis. 3 e 4. a realização de estudos e pesquisas. em cinco anos. garantindo. Estabelecer cooperação com as áreas de saúde. trabalho e com as organizações da sociedade civil. da aplicação de testes de acuidade visual e auditiva em todas as instituições de educação infantil e do ensino fundamental. como Medicina. em cinco anos. especialmente nas universidades públicas. Ampliar. nos níveis médio e superior. se necessário.d. do atendimento às necessidades educacionais especiais de seus alunos. progressivamente. também. do ensino fundamental: a) estabelecer. 8. as classes especiais. 8. de forma a detectar problemas e oferecer apoio adequado às crianças especiais.3 Objetivos e Metas 1. Definir condições para a terminalidade para os educandos que não puderem atingir níveis ulteriores de ensino. para seus familiares e para o pessoal da unidade escolar. em parceria com organizações não-governamentais. Didatismo e Conhecimento 43 11. em conjunto com as entidades da área. quando for o caso. habilitação específica. Generalizar. em níveis de graduação e pósgraduação. em até quatro anos. de sorte que as diferentes regiões de cada Estado contem com seus serviços. Generalizar. em cinco anos. destinado ao atendimento de pessoas com severa dificuldade de desenvolvimento. 3. Introduzir. em conformidade aos já definidos requisitos de infraestrutura para atendimento dos alunos especiais. prioritariamente. mediante um programa de formação de monitores. em parceria com a área de saúde. previdência e assistência social para. utilizando inclusive a TV Escola e outros programas de educação a distância. como parte dos programas de formação em serviço. em dez anos. e não separá-los como se precisassem de atendimento especial. Incluir ou ampliar. Assegurar a inclusão. b) a partir da vigência dos novos padrões. no primeiro ano de vigência deste plano. nos dois primeiros anos de vigência deste plano. livros didáticos falados. segundo aqueles padrões. quando necessário. c) adaptar. no prazo de dez anos. assim como atendimento especializado de saúde. as de educação superior que atendam educandos surdos e aos de visão sub-normal. em instituições especializadas ou regulares de educação infantil. somente autorizar a construção de prédios escolares. 20. redes municipais ou intermunicipais para tornar disponíveis aos alunos cegos e aos de visão subnormal livros de literatura falados.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS classes. para formar pessoal especializado em educação especial. o transporte escolar. 5 e 6. 9. tendo em vista as especificidades dessa modalidade de educação e a necessidade de promover a ampliação do atendimento. as escolas de educação básica e. incrementando. 10. entre outras. assistência social. inclusive através de parceria com organizações da sociedade civil voltadas para esse tipo de atendimento. tornar disponíveis órteses e próteses para todos os educandos com deficiências. em parceria com as áreas de saúde. em cada unidade da Federação. e generalizar. Estabelecer programas para equipar. Incentivar. recomenda-se reservar-lhe uma parcela equivalente a 5 ou 6% dos recursos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino. . os recursos devem. sobre as diversas áreas relacionadas aos alunos que apresentam necessidades especiais para a aprendizagem. 15. o número desses centros. programas destinados a ampliar a oferta da estimulação precoce (interação educativa adequada) para as crianças com necessidades educacionais especiais. em braille e em caracteres ampliados. o ensino da Língua Brasileira de Sinais para os alunos surdos e. para os professores em exercício na educação infantil e no ensino fundamental. em cinco anos. os prédios escolares existentes. Estabelecer. conteúdos disciplinares referentes aos educandos com necessidades especiais nos cursos que formam profissionais em áreas relevantes para o atendimento dessas necessidades. durante a década. e generalizar em dez anos. nestes casos. Organizar. conteúdos e disciplinas específicas para a capacitação ao atendimento dos alunos especiais. fornecendo-lhes o apoio adicional de que precisam. 18.

No prazo de três anos a contar da vigência deste plano. a instituição da escola entre grupos indígenas serviu de instrumento de imposição de valores alheios e negação de identidades e culturas diferenciadas. Só dessa forma se poderá assegurar não apenas sua sobrevivência física mas também étnica. Estabelecer um sistema de informações completas e fidedignas sobre a população a ser atendida pela educação especial. contando. a oferta de programas de educação escolar às comunidades indígenas esteve pautada pela catequização. 26. assistência social. O abandono da previsão de desaparecimento físico dos índios e da postura integracionista que buscava assimilar os índios à comunidade nacional. no que diz respeito a essa modalidade de ensino. compartilhando uma mesma concepção sobre o processo educativo a ser oferecido para as comunidades indígenas. Aumentar os recursos destinados à educação especial. como se verifica hoje. Por isso mesmo. Em que pese a boa vontade de setores de órgãos governamentais. assimilar os índios. o quadro geral da educação escolar indígena no Brasil. em dez anos.000 e 329. currículos. o mínimo equivalente a 5% dos recursos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino. as metas pertinentes estabelecidas nos capítulos referentes aos níveis de ensino. 9. à formação de professores e ao financiamento e gestão. porque os entendia como categoria étnica e social transitória e fadada à extinção. Representou também uma mudança em termos de execução: se antes as escolas indígenas eram mantidas pela FUNAI (ou por secretarias estaduais e municipais de educação. As pesquisas mais recentes indicam que existem hoje entre 280. 9. com as parcerias com as áreas de saúde. 24. 25. A transferência da responsabilidade pela educação indígena da Fundação Nacional do Índio para o Ministério da Educação não representou apenas uma mudança do órgão federal gerenciador do processo. agora cabe aos Estados assumirem tal tarefa. a partir do primeiro ano deste plano. está integrado nas mudanças e inovações garantidas pelo atual texto constitucional e fundamenta-se no reconhecimento da extraordinária capacidade Didatismo e Conhecimento 44 de sobrevivência e mesmo de recuperação demográfica. que venha ao encontro de seus projetos de futuro. praticando a interculturalidade e o bilingüismo e adequando-se ao seu projeto de futuro. construindo projetos educacionais específicos à realidade sociocultural e histórica de determinados grupos indígenas. que realizem atendimento de qualidade. A estadualização das escolas indígenas e. sua dispersão e heterogeneidade tornam particularmente difícil a implementação de uma política educacional adequada. Não há. a tônica foi uma só: negar a diferença. 17 e 18. a fim de atingir. A escola entre grupos indígenas ganhou.1 Diagnóstico No Brasil. Com a transferência de responsabilidades da FUNAI para o MEC. fazer com que eles se transformassem em algo diferente do que eram. específica. organizar e pôr em funcionamento em todos os sistemas de ensino um setor responsável pela educação especial. . permeado por experiências fragmentadas e descontínuas. resgatando a dívida social que o Brasil acumulou em relação aos habitantes originais do território. e deste para as secretarias estaduais de educação. nas ações referidas nas metas nº 6. através de convênios firmados com o órgão indigenista oficial). calendários. trabalho e previdência. atestado em avaliação conduzida pelo respectivo sistema de ensino. assistência social. Só em anos recentes esse quadro começou a mudar. materiais didático-pedagógicos e conteúdos programáticos adaptados às particularidades étno-culturais e linguísticas próprias a cada povo indígena. bem como pela administração dos recursos orçamentários específicos para o atendimento dessa modalidade. Assegurar a continuidade do apoio técnico e financeiro às instituições privadas sem fim lucrativo com atuação exclusiva em educação especial. então. A estadualização assim conduzida não representou um processo de instituição de parcerias entre órgãos governamentais e entidades ou organizações da sociedade civil. e muitos deles preservam suas línguas e tradições. Há. 28. Implantar gradativamente. do ensino catequético ao ensino bilíngue. é regionalmente desigual e desarticulado. desde o século XVI. intercultural e bilíngüe. Há também a necessidade de regularizar juridicamente as escolas indígenas. EDUCAÇÃO INDÍGENA 9. ainda. de autonomia e que garanta a sua inclusão no universo dos programas governamentais que buscam a satisfação das necessidades básicas de aprendizagem. a serem coletadas pelo censo educacional e pelos censos populacionais. mas sim uma simples transferência de atribuições e responsabilidades. civilização e integração forçada dos índios à sociedade nacional. Não há informações sobre os índios urbanizados. em alguns casos. como meio para assegurar o acesso a conhecimentos gerais sem precisar negar as especificidades culturais e a identidade daqueles grupos. muito a ser feito e construído no sentido da universalização da oferta de uma educação escolar de qualidade para os povos indígenas. contemplando as experiências bem sucedidas em curso e reorientando outras para que elaborem regimentos. um novo significado e um novo sentido. programas de atendimento aos alunos com altas habilidades nas áreas artística. 11. O tamanho reduzido da população indígena. trabalho e previdência e com as organizações da sociedade civil. Grupos organizados da sociedade civil passaram a trabalhar junto com comunidades indígenas. para tanto. após séculos de práticas genocidas. que possa atuar em parceria com os setores de saúde. Diferentes experiências surgiram em várias regiões do Brasil. sua municipalização ocorreram sem a criação de mecanismos que assegurassem uma certa uniformidade de ações que garantissem a especificidade destas escolas. criou-se uma situação de acefalia no processo de gerenciamento global da assistência educacional aos povos indígenas. como a garantia de seus territórios e formas menos violentas de relacionamento e convivência entre essas populações e outros segmentos da sociedade nacional. os Estados e os Municípios. hoje. Nesse processo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 23. nos termos da Declaração Mundial sobre Educação para Todos. é de particular importância o fato de a Constituição Federal ter assegurado o direito das sociedades indígenas a uma educação escolar diferenciada. Dos missionários jesuítas aos positivistas do Serviço de Proteção aos Índios. buscando alternativas à submissão desses grupos. intelectual ou psicomotora. Observar. constituindo cerca de 210 grupos distintos. o que vem sendo regulamentado em vários textos legais. uma clara distribuição de responsabilidades entre a União. 14. 27.000 índios em terras indígenas. o que dificulta a implementação de uma política nacional que assegure a especificidade do modelo de educação intercultural e bilíngue às comunidades indígenas.

além de condições sanitárias e de higiene. TV Escola. Atribuir aos Estados a responsabilidade legal pela educação indígena. a fim de garantir o acesso ao ensino fundamental pleno. tanto no Ministério da Educação como nos órgãos estaduais de educação. 15. sob a coordenação geral e com o apoio financeiro do Ministério da Educação. sob responsabilidade do Ministério de Educação. especialmente no que diz respeito aos conhecimentos relativos aos processos escolares de ensino-aprendizagem. com a criação da categoria de professores indígenas como carreira específica do magistério. dentro de um ano. Estabelecer e assegurar a qualidade de programas contínuos de formação sistemática do professorado indígena. quer integrando os alunos em classes comuns nas escolas próximas. dentro de um ano. cabendo aos Estados e Municípios. 6. Universalizar.2 Diretrizes A Constituição Federal assegura às comunidades indígenas a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. quer na própria escola indígena. Adaptar programas do Ministério da Educação de auxílio ao desenvolvimento da educação. A proposta de uma escola indígena diferenciada. adequada às peculiaridades culturais dos diferentes grupos. 18. com a incumbência de promovê-la. a sua execução. sempre que possível. elaborados por professores indígenas juntamente com os seus alunos e assessores. 4. videotecas e outros materiais de apoio. dentro do prazo máximo de dois anos. quer diretamente. através da colaboração das universidades e de instituições de nível equivalente. de forma a contemplar a especificidade da educação indígena. ao reconhecimento oficial e à regularização legal de todos os estabelecimentos de ensino localizados no interior das terras indígenas e em outras áreas assim como a constituição de um cadastro nacional de escolas indígenas. gradativamente. o aperfeiçoamento e o reconhecimento de experiências de construção de uma educação diferenciada e de qualidade atualmente em curso em áreas indígenas. dentro de dois anos. organizações de apoio aos índios. bilíngues ou não. a serem executados pelas secretarias estaduais ou municipais de educação. 16. já existentes. A formação que se contempla deve capacitar os professores para a elaboração de currículos e programas específicos para as escolas indígenas. representa uma grande novidade no sistema educacional do País e exige das instituições e órgãos responsáveis a definição de novas dinâmicas. no que se refere à metodologia e ensino de segundas línguas e ao estabelecimento e uso de um sistema ortográfico das línguas maternas. hoje. universidades e organizações ou associações indígenas. 13. de qualidade. a oferta de ensino de 5ª a 8ª série à população indígena. Didatismo e Conhecimento 45 8. Instituir e regulamentar. estruturar e fortalecer. É preciso reconhecer que a formação inicial e continuada dos próprios índios. livro didático. Proceder. 9. a profissionalização e reconhecimento público do magistério indígena. 14. nos sistemas estaduais de ensino. que garantam a adaptação às condições climáticas da região e. merenda escolar. incluindo bibliotecas. garantindo a plena participação de cada comunidade indígena nas decisões relativas ao funcionamento da escola. concepções e mecanismos. programas voltados à produção e publicação de materiais didáticos e pedagógicos específicos para os grupos indígenas. 3. biblioteca escolar. Criar. Estabelecer. dentro de um ano. setores responsáveis pela educação indígena. a categoria oficial de “escola indígena” para que a especificidade do modelo de educação intercultural e bilíngue seja assegurada. à construção coletiva de conhecimentos na escola e à valorização do patrimônio cultural da população atendida. 10. A coordenação das ações escolares de educação indígena está. suas visões de mundo e as situações sociolingüísticas específicas por elas vivenciadas. vídeos. nas secretarias estaduais de educação. em dois anos. quer quanto aos seus objetivos e necessidades. à alfabetização. ao mesmo tempo que se lhes ofereça o atendimento adicional necessário para sua adaptação. a condução de pesquisas de caráter antropológico visando à sistematização e incorporação dos conhecimentos e saberes tradicionais das sociedades indígenas e à elaboração de materiais didáticopedagógicos. em dez anos. com níveis de remuneração correspondentes ao seu nível de qualificação profissional. Criar. acompanhá-la e gerenciá-la. como transporte escolar. dentro de cinco anos. as diretrizes curriculares nacionais e os parâmetros curriculares e universalizar. Fortalecer e garantir a consolidação. quer em termos do contingente escolar. a aplicação pelas escolas indígenas na formulação do seu projeto pedagógico. tanto para que estas escolas sejam de fato incorporadas e beneficiadas por sua inclusão no sistema oficial. deve ocorrer em serviço e concomitantemente à sua própria escolarização. para uso nas escolas instaladas em suas comunidades. com concurso de provas e títulos adequados às particularidades linguísticas e culturais das sociedades indígenas. 9. Assegurar a autonomia das escolas indígenas. incluindo livros.3 Objetivos e Metas 1. . a oferta às comunidades indígenas de programas educacionais equivalentes às quatro primeiras séries do ensino fundamental.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 9. 5. tanto no que se refere ao projeto pedagógico quanto ao uso de recursos financeiros públicos para a manutenção do cotidiano escolar. quanto para que sejam respeitadas em suas particularidades. Ampliar. A educação bilíngue. em cinco anos. garantindo a esses professores os mesmos direitos atribuídos aos demais do mesmo sistema de ensino. quer através de delegação de responsabilidades aos seus Municípios. equipar as escolas indígenas com equipamento didático-pedagógico básico. o ensino bilíngue. 7. 17. Criar. de acordo com o uso social e concepções do espaço próprias de cada comunidade indígena. Implantar. 11. 2. padrões mínimos mais flexíveis de infraestrutura escolar para esses estabelecimentos. respeitando seus modos de vida. as técnicas de edificação próprias do grupo. dicionários e outros. enquanto professores de suas comunidades. é melhor atendida através de professores índios. Estabelecer um programa nacional de colaboração entre a União e os Estados para. assegurando o fornecimento desses benefícios às escolas. Formular. Universalizar imediatamente a adoção das diretrizes para a política nacional de educação escolar indígena e os parâmetros curriculares estabelecidos pelo Conselho Nacional de Educação e pelo Ministério da Educação. um plano para a implementação de programas especiais para a formação de professores indígenas em nível superior. 12. Fortalecer e ampliar as linhas de financiamento existentes no Ministério da Educação para implementação de programas de educação escolar indígena.

. em vista dos desafios presentes e das novas exigências no campo da educação.335 50.051 A análise da distribuição das funções docentes por nível de formação e níveis escolares em que atuam somente pode ser feita sobre os dados de 1996. os Estados e Municípios e em parceria com as instituições de ensino superior. Promover.as condições de trabalho. em todas as modalidades de ensino. nesse caso. É preciso que os professores possam vislumbrar perspectivas de crescimento profissional e de continuidade de seu processo de formação. a intolerância e o preconceito em relação a essas populações.Fund. Promover a correta e ampla informação da população brasileira em geral. os últimos publicados pelo MEC/INEP/SEEC. das instituições formadoras em qualificar e formar professores têm se tornado pouco eficazes para produzir a melhoria da qualidade do ensino por meio de formação inicial porque muitos professores se deparam com uma realidade muitas vezes desanimadora. como componentes essenciais. que é um dos objetivos centrais do Plano Nacional de Educação.051 Ens. como meio de combater o desconhecimento. a qual implica.439. somente poderá ser alcançada se for promovida.872 103. à infra-estrutura. considerando que o mesmo docente pode estar atuando em mais de um nível e/ou modalidade de ensino e em mais de um estabelecimento.distribuição nacional por nível de formação e níveis escolares em que atuam – 1998 Níveis e modalidades de atuação Nível de formação Total de funções 65.968 80.126 .258 501. ao mesmo tempo.043 174.a formação profissional inicial.Funções Docentes .079 17. que exige profissionais cada vez mais qualificados e permanentemente atualizados. aos meios tecnológicos. quer no tocante aos espaços físicos. a produção de programas de formação de professores de educação a distância de nível fundamental e médio. Médio Completo Ens.356 . simultaneamente. 20.947 5ª à 8ª séries 712 5. Ano após ano. FORMAÇÃO DOS PROFESSORES E VALORIZAÇÃO DO MAGISTÉRIO 10.744 educação especial 322 847 19. Essa valorização só pode ser obtida por meio de uma política global de magistério. É preciso criar condições que mantenham o entusiasmo inicial. dentro de um ano. o Plano Nacional de Educação estabelece diretrizes e metas relativas à melhoria das escolas. Completo Total Fonte: MEC/INEP: Sinopse Estatística 1996.a formação continuada. passam de 2 milhões. há que se repensar a própria formação. etc.066. contado mais de uma vez. Em coerência com esse diagnóstico.250 326. conforme se vê a seguir: Tabela 19 . Esforços dos sistemas de ensino e. aqui. Implantar. Nota: O mesmo docente pode atuar em mais de um nível/modalidade de ensino e em mais de um estabelecimento.Educação de jovens e adultos: 103. com a colaboração entre a União. segundo os dados de 1998 (MEC/INEP/SEEC): . A simultaneidade dessas três condições.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 19.119 916.Educação especial: 37. é uma lição extraída da prática.108 37. a dedicação e a confiança nos resultados do trabalho pedagógico.625 661.801 365. desde a educação infantil até a educação superior (e isso não é uma questão meramente técnica de oferta de maior número de cursos de formação inicial e de cursos de qualificação em serviço) por outro lado é fundamental manter na rede de ensino e com perspectivas de aperfeiçoamento constante os bons profissionais do magistério. Ens.256 172.Educação infantil: 219. de um lado.1 Diagnóstico A melhoria da qualidade do ensino. O número de professores é menor. especialmente nas regiões agrárias. grande número de professores abandona o magistério devido aos baixos salários e às condições de trabalho nas escolas.913 153.064 . mais do que uma conclusão lógica. quer no que diz respeito à formulação das propostas pedagógicas. Didatismo e Conhecimento 46 . Se. sobre as sociedades e culturas indígenas. salário e carreira.462 32.719 1ª à 4ª séries 44. sendo. Sup.356 jovens e adultos 567 1.Ensino fundamental: 1..129. Salário digno e carreira de magistério entram.508 ensino médio 18 675 38. Avaliação de desempenho também tem importância.Fund.791 1. Formar mais e melhor os profissionais do magistério é apenas uma parte da tarefa.150 68. cursos de educação profissional. especificamente. Sem esta. visando à auto sustentação e ao uso da terra de forma equilibrada. quanto à formulação dos planos de carreira e de remuneração do magistério e do pessoal administrativo e de apoio.593 . a valorização do magistério.874 . IV – MAGISTÉRIO DA EDUCAÇÃO BÁSICA 10. . ainda. Completo Ens.Ensino médio: 365. As funções docentes estão assim distribuídas.581 22. 20. aos instrumentos e materiais pedagógicos e de apoio. quer. As funções docentes em educação básica. ficam baldados quaisquer esforços para alcançar as metas estabelecidas em cada um dos níveis e modalidades do ensino. nesse contexto.Classes de alfabetização: 46.948 48. Incompl. .147 265.396 2. à participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e nos conselhos escolares. 21.641 531.274 Pré-Esc e Alfabetiz.715 798.

compromisso social e político do magistério. competitivo. Este compromisso. concentrada num único estabelecimento de ensino e que inclua o tempo necessário para as atividades complementares ao trabalho em sala de aula. Chega-se ao número de 58. A questão principal. Para as 4 primeiras séries do ensino fundamental: 94. uma vez que os docentes exercem um papel decisivo no processo educacional. estão sendo elaborados ou reformulados os planos de carreira do magistério. nos Municípios. A implementação de políticas públicas de formação inicial e continuada dos profissionais da educação é uma condição e um meio para o avanço científico e tecnológico em nossa sociedade e. se aplica também na formação para o magistério na educação infantil.976 precisam obter diploma de nível médio.um sistema de educação continuada que permita ao professor um crescimento constante de seu domínio sobre a cultura letrada. para que o magistério brasileiro que está atuando nos sistemas de ensino possua o nível de formação mínimo estabelecido pela lei. é preciso adquirir o conhecimento da especificidade do processo de construção do conhecimento em cada uma daquelas circunstâncias e faixas etárias. A avaliação do FUNDEF vem apontando as falhas e sugerindo revisões com vistas a solucionar os problemas que vêm ocorrendo. nesses dois casos. o respeito a que têm direito como cidadãos em formação.166 professores que possuem formação apenas de ensino fundamental e que deverão cursar pelo menos o ensino médio. Tratando-se de um processo em curso. Considerando que este plano fixa metas de expansão e de melhoria da qualidade do ensino. com outras ocupações que requerem nível equivalente de formação. principalmente se houve admissões sem a qualificação mínima exigida. A valorização do magistério implica. Devem ser aplicados. 7o). para atingirem a qualificação mínima permitida. a valorização do magistério . nas séries iniciais e finais do ensino fundamental e no ensino médio. .000. art. mas para atuarem no ensino fundamental. A melhoria da qualidade do ensino. nos Estados. modalidade normal.salário condigno. obrigatoriamente. . Nos Estados e Municípios onde o salário já era mais alto do que o possibilitado pelo FUNDEF. a fim de dimensionar o esforço que em cada um deles deverá ser feito para alcançar o patamar mínimo de formação exigido. portanto. constitui um compromisso da Nação. São 13. em 1997. Em cumprimento à Lei 9.uma formação profissional que assegure o desenvolvimento da pessoa do educador enquanto cidadão e profissional. ao ensino médio. As características psicológicas. Quanto aos da creche. 10. .2 Diretrizes A qualificação do pessoal docente se apresenta hoje como um dos maiores desafios para o Plano Nacional de Educação.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Se uma função docente correspondesse a um professor.486 necessitam de formação superior. Esta exigência. antes. entre 1996 e 1999. Os quatro primeiros precisam ser supridos pelos sistemas de ensino. 97% dos professores têm nível médio ou superior. os professores de educação infantil. o domínio dos conhecimentos objeto de trabalho com os alunos e dos métodos pedagógicos que promovam a aprendizagem. dentro de uma visão crítica e da perspectiva de um novo humanismo. na escola. aliás. não poderá ser cumprido sem a valorização do magistério. com licenciatura plena. Os dados acima apontam somente para a necessidade atual. sociais e físicas das diferentes faixas etárias carregam modos diversos de encarar os objetos de conhecimento e de aprender. é de supor que a quantidade de professores nessa situação seja bem maior. não houve melhoria para os professores. as necessidades de formação crescerão na mesma proporção daquelas metas. Um levantamento urgente se faz necessário. o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério está fazendo uma extraordinária mudança naqueles Estados e Municípios onde o professor recebia salários muito baixos. Para as 4 últimas séries do ensino fundamental: 159. na expectativa de que isso constitua um importante passo e instrumento na valorização do magistério. O quinto depende dos próprios professores: o compromisso com a aprendizagem dos alunos. pelo menos 60% dos recursos do FUNDEF na remuneração do pessoal de magistério em efetivo exercício de suas atividades no ensino fundamental público (Lei Didatismo e Conhecimento 47 9. Daí por que não basta ser formado num determinado nível de ensino. Se os 10% dos mínimos constitucionalmente vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino não postos no FUNDEF forem efetivamente destinados.jornada de trabalho organizada de acordo com a jornada dos alunos. Quanto às classes de alfabetização: como serão desfeitas. pelo menos. Em alguns lugares. modalidade normal. em ambas as modalidades. inferiores ao salário mínimo. Assim.883 carecem de formação de nível superior. para dimensionar a demanda e definir a estratégia e os recursos requeridos. . não há dados. calculando-se a partir dos dados disponíveis sobre o percentual dos que atuam nesse nível com curso superior. os seguintes requisitos: . uma vez que a produção do conhecimento e a criação de novas tecnologias dependem do nível e da qualidade da formação das pessoas. No campo da remuneração. É fundamental que os dados sobre necessidades de qualificação sejam desagregados por Estado. à educação infantil e.458 professores que atuam na pré-escola precisam fazer o curso de nível médio. indispensável para assegurar à população brasileira o acesso pleno à cidadania e a inserção nas atividades produtivas que permita a elevação constante do nível de vida. isto é. Para o ensino médio: 44. ficaram prejudicados. não se trata de qualificar os professores para nelas permanecerem. para o desenvolvimento do País. no mercado de trabalho. As necessidades de qualificação para a educação especial e para a educação de jovens e adultos são pequenas no que se refere ao nível de formação pois. os problemas ficarão em parte minimizados. e o Poder Público precisa se dedicar prioritariamente à solução deste problema. entretanto. de jovens e adultos e de ensino médio. dificuldades adicionais para certos Municípios manter o padrão anterior de remuneração. o que deverá ser feito nos planos estaduais. é a qualificação para a especificidade da tarefa. conforme as diretrizes e metas deste plano.429/96.424/96. interesse pelo trabalho e participação no trabalho de equipe. Considerando o grande aumento do número de matrículas nesse nível de ensino. este plano reforça o propósito através de metas específicas. depreender-se-ia dessa Tabela a seguinte necessidade de qualificação: Para a educação infantil: 29. modalidade normal.

no caso de os antigos ainda não terem sido reformulados segundo aquela lei. técnicos. Garantir. assegurando a promoção por mérito. Na formação inicial é preciso superar a histórica dicotomia entre teoria e prática e o divórcio entre a formação pedagógica e a formação no campo dos conhecimentos específicos que serão trabalhados na sala de aula. já a partir do primeiro ano deste plano. f) domínio das novas tecnologias de comunicação e da informação e capacidade para integrá-las à prática do magistério. portanto. quando conveniente. . Este plano estabelece as seguintes diretrizes para a formação dos profissionais da educação e sua valorização: Os cursos de formação deverão obedecer. ensino e extensão e a relação entre teoria e prática podem garantir o patamar de qualidade social. o financiamento e a manutenção dos programas como ação permanente e a busca de parceria com universidades e instituições de ensino superior. da garantia de condições adequadas de formação. Garantir a implantação. identificar e mapear.3 Objetivos e Metas 1. e l) conhecimento e aplicação das diretrizes curriculares nacionais dos níveis e modalidades da educação básica. de formas de gestão democrática do ensino. 3. Quando feita na modalidade Didatismo e Conhecimento 48 de educação a distância. e visará à abertura de novos horizontes na atuação profissional. Este Plano. g) análise dos temas atuais da sociedade. Por essa razão. funcionários administrativos e de apoio que atuam na escola. 4. o diagnóstico da demanda de habilitação de professores leigos e organizarse. aos seguintes princípios: a) sólida formação teórica nos conteúdos específicos a serem ensinados na Educação Básica. em decorrência do avanço científico e tecnológico e de exigência de um nível de conhecimentos sempre mais amplos e profundos na sociedade moderna. elaborados e aprovados de acordo com as determinações da Lei nº. 10. cumprida em um único estabelecimento escolar. nos termos do art. com vistas a seu possível aproveitamento. Destinar entre 20 e 25% da carga horária dos professores para preparação de aulas. k) desenvolvimento do compromisso social e político do magistério. já no primeiro ano deste PNE. deverá ser oferecido também nas suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. no mínimo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS depende. A formação continuada do magistério é parte essencial da estratégia de melhoria permanente da qualidade da educação. que oferecem a formação admitida para atuação na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental formam os profissionais. de trabalho e de remuneração e. bem como nos conteúdos especificamente pedagógicos. a formação dos profissionais para as áreas técnicas e administrativas deve esmerar-se em oferecer a mesma qualidade dos cursos para o magistério. portadores de diplomas de licenciatura e de habilitação de nível médio para o magistério. Identificar e mapear. A formação inicial dos profissionais da educação básica deve ser responsabilidade principalmente das instituições de ensino superior. Dessa forma. pelo lado dos profissionais do magistério. 7. h) inclusão das questões relativas à educação dos alunos com necessidades especiais e das questões de gênero e de etnia nos programas de formação. Essa formação terá como finalidade a reflexão sobre a prática educacional e a busca de seu aperfeiçoamento técnico. Implementar. i) trabalho coletivo interdisciplinar. segundo o preceito constitucional. de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. de modo a elaborar-se. A formação continuada assume particular importância. política e pedagógica que se considera necessário. constituída. da cultura e da economia. 87. c) atividade docente como foco formativo. A formação continuada dos profissionais da educação pública deverá ser garantida pelas secretarias estaduais e municipais de educação. gradualmente. a partir do primeiro ano deste plano. os professores em exercício em todo o território nacional. 62 da LDB. organizados a partir das necessidades expressas pelos professores. sua realização incluirá sempre uma parte presencial. b) ampla formação cultural. e) pesquisa como princípio formativo. do bom desempenho na atividade.424/96 e a criação de novos planos. ético e político. possibilitando-lhes a formação exigida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. a habilitação de nível médio para o magistério. deverá dar especial atenção à formação permanente (em serviço) dos profissionais da educação. 6. 2. para o que será necessário formar professores dessas mesmas comunidades. há que se prever na carreira sistemas de ingresso. programas de formação de professores. 9. pelo lado do Poder Público. O ensino fundamental nas comunidades indígenas. d) contato com a realidade escolar desde o início até o final do curso. integrando a teoria à prática pedagógica. Aquela relativa aos professores que atuam na esfera privada será de responsabilidade das respectivas instituições. em todos os sistemas de ensino. em quaisquer de seus níveis e modalidades. em seu art. os novos níveis de remuneração em todos os sistemas de ensino. dos planos de carreira para o magistério. que não possuem. j) vivência. somente admitir professores e demais profissionais de educação que possuam as qualificações mínimas exigidas no art. é indispensável que níveis mais elevados correspondam a exigências maiores de qualificação profissional e de desempenho. entre outras formas. cuja atuação incluirá a coordenação. em dois anos. promoção e afastamentos periódicos para estudos que levem em conta as condições de trabalho e de formação continuada e a avaliação do desempenho dos professores. que se encontrem fora do sistema de ensino. Quanto à remuneração. durante o curso. uma jornada de trabalho de tempo integral.docentes. (VETADO) 5. de encontros coletivos. 62 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação. avaliações e reuniões pedagógicas. onde as funções de pesquisa. As instituições de formação em nível médio (modalidade Normal). Nos Municípios onde a necessidade de novos professores é elevada e é grande o número de professores leigos. com piso salarial próprio. A partir da entrada em vigor deste PNE. igualmente. A educação escolar não se reduz à sala de aula e se viabiliza pela ação articulada entre todos os agentes educativos .

possuam. Incluir. já no primeiro ano de vigência deste plano. todos os professores em exercício na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental. Os percentuais constitucionalmente vinculados à manutenção e ao desenvolvimento do ensino devem representar o ponto de partida para a formulação e implementação de metas educacionais. a formação de jovens e adultos e a educação infantil. conhecimentos sobre educação das pessoas com necessidades especiais. observando as diretrizes e os parâmetros curriculares. como subsídio à definição de necessidades e características dos cursos de formação continuada. Promover. cursos regulares noturnos e cursos modulares de licenciatura plena que facilitem o acesso dos docentes em exercício à formação nesse nível de ensino. 26. Garantir que. temas específicos da história. 16. multimeios e manutenção de infraestruturas escolares. 28. entretanto. a gestão escolar. nas instituições de ensino superior públicas. Nos concursos de provas e títulos para provimento dos cargos de professor para a educação indígena. 19. Garantir. dentro de um ano. os programas de formação em serviço que assegurem a todos os professores a possibilidade de adquirir a qualificação mínima exigida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Identificar e mapear. de licenciatura plena em instituições qualificadas. Garantir. Incluir em quaisquer cursos de formação profissional. 15. V . que observem os princípios definidos na diretriz nº 1 e preparem pessoal qualificado para a educação infantil. dos Estados e Municípios. 21. em particular. Há uma imagem equivocada de que esta fonte representa valor elevado. É preciso. das manifestações artísticas e religiosas do segmento afro-brasileiro. na perspectiva da integração social. 18. de nível médio e superior. para a educação de jovens e adultos e para as séries iniciais do ensino fundamental. Definir diretrizes e estabelecer padrões nacionais para orientar os processo de credenciamento das instituições formadoras. no prazo de dez anos. que. 17.1 Diagnóstico A fixação de um plano de metas exige uma definição de custos assim como a identificação dos recursos atualmente disponíveis e das estratégias para sua ampliação. Didatismo e Conhecimento 49 20. 14. 25. de programas de formação. de forma a tornar possível o cumprimento da meta anterior. para todos os níveis e modalidades de ensino. nos sistemas de ensino. 22. O orçamento fiscal da União de 1998. a partir da constatação da necessidade de maior investimento. na sede ou fora dela. no prazo de três anos a partir da vigência deste PNE. no prazo de dois anos. dos Estados e dos Municípios. cursos de formação de professores. Desenvolver programas de educação a distância que possam ser utilizados também em cursos semipresenciais modulares. a médio prazo. equivalia a 325. Garantir que. 23. 9. com base nas diretrizes de que trata a meta nº 8. Incentivar as universidades e demais instituições formadoras a oferecer no interior dos Estados. 10. por exemplo. da cultura. diretrizes e parâmetros curriculares para os cursos superiores de formação de professores e de profissionais da educação para os diferentes níveis e modalidades de ensino. a oferta. por meio de um programa conjunto da União. estabelecer cursos de nível médio. 70% dos professores de educação infantil e de ensino fundamental (em todas as modalidades) possuam formação específica de nível superior. seja por meio de criação de novas fontes. A receita vinculada à manutenção e desenvolvimento do ensino. no prazo de dez anos.6 bilhões. A vinculação é realizada em relação às receitas resultantes de impostos. nos currículos e programas dos cursos de formação de profissionais da educação. das sociedades indígenas e dos trabalhadores rurais e sua contribuição na sociedade brasileira. habilitação de nível médio (modalidade normal). no prazo de 5 anos. que os sistemas estaduais e municipais de ensino mantenham programas de formação continuada de professores alfabetizadores. em instituições específicas. Estabelecer. Ampliar a oferta de cursos de mestrado e doutorado na área educacional e desenvolver a pesquisa neste campo. valor que sequer cobre os gastos com instituições de ensino superior (Tabela 20). 27. 13. dos grupos indígenas. 24. nas instituições públicas de nível superior. dos Estados e dos Municípios. Criar. no mesmo padrão dos cursos oferecidos na sede. O imposto é espécie do gênero tributo. todos os professores de ensino médio possuam formação específica de nível superior. desfazer alguns enganos. a partir da colaboração da União. e não à totalidade dos recursos orçamentários. Generalizar. inclusive para alimentação escolar e. seja por meio de uma gestão mais eficiente. Onde ainda não existam condições para formação em nível superior de todos os profissionais necessários para o atendimento das necessidades do ensino. Os recursos de impostos não constituem sequer a totalidade dos recursos tributários (que incluem taxas e contribuições de melhoria). Desenvolver programas de pós-graduação e pesquisa em educação como centro irradiador da formação profissional em educação. cursos profissionalizantes de nível médio destinados à formação de pessoal de apoio para as áreas de administração escolar. em ação conjunta da União. para outras áreas que a realidade demonstrar ser necessário. o desenvolvimento das competências profissionais e a avaliação da formação inicial e continuada dos professores. no mínimo. sendo o orçamento da seguridade social da ordem de 105 bilhões. de cursos de especialização voltados para a formação de pessoal para as diferentes áreas de ensino e. prevendo a continuidade dos estudos desses profissionais em nível superior. as necessidades de formação inicial e continuada do pessoal técnico e administrativo. 11. não chegou a 4 bilhões. elaborando e dando início à implementação. inclusive nas modalidades de educação especial e de jovens e adultos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 8. . Promover. Ampliar. para a educação especial. dos conhecimentos. no nível federal. especialmente linguísticas. 12. de modo a atender à demanda local e regional por profissionais do magistério graduados em nível superior. contando com a parceria das instituições de ensino superior sediadas nas respectivas áreas geográficas. específica e adequada às características e necessidades de aprendizagem dos alunos.FINANCIAMENTO E GESTÃO 11. incluir requisitos referentes às particularidades culturais. a avaliação periódica da qualidade de atuação dos professores. obtida em curso de licenciatura plena nas áreas de conhecimento em que atuam. Observar as metas estabelecidas nos demais capítulos referentes à formação de professores e valorização do magistério. bem como a certificação.

214.085 % 10. no Maranhão.733 518 496 932 10.503.3 5. em São Paulo. estabelecendo ainda a organização dos sistemas de ensino em regime de colaboração.627.919.138 3.7 4.1 29.153 % 0 52.067.310.3 Fonte: Fecamp Em 1995.129 8.774.927 913.4 100.012 40.983. enquanto nas redes municipais equivalia a 1.831 619 161 0 3.326 11.762 11.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Tabela 20 .6 47.Gastos Com Educação – Esferas Federativas – 1997 Ente federativo UNIÃO ESTADOS MUNICÍPIOS % 23.632 530 0 671 9.797.164 12.0 1997 977 3.226.099 2. Social S/ Lucro das Pessoas.9 100.26 34.8 0 7.027.275.0 1998 478 3. somadas todas as esferas administrativas.Lei Orçamentária Dada a natureza federativa do Estado brasileiro.3 5.7 1. O conjunto dos Município do Maranhão e de Alagoas era responsável por dois terços das matrículas e recebia apenas um terço dos recursos.273.1 34.641 603.085 Todas as esferasconsolidado 23.711.814 Esfera de governo Estados 12.0 1999 1. o gasto médio por aluno era de 343 reais.243.413. ao passo que nas redes municipais.696 2.874 19.7 4.Ministério da Educação .788 486 259 787 1.474. na reduzida rede estadual.237.483.968.446.685. Assim.617.201.430.731 3.4 6.Despesa por Fonte( R$ milhões) Fonte Recursos ordinários Manutenção e desenvolvimento do ensino – art 212.1 3.0 1996 0 4.0 3.4 2.360 613 39 1. a Constituição definiu uma divisão de responsabilidades entre a União.152 2.3 2.070 % 0 38.129 167.8 6.9 6. verificavam-se graves distorções.248 3.5 13.256. responsáveis pela maioria das matrículas o valor aplicado não passava de 88 reais.228.613 Municípios 7.1 0 6.4 35.440 495 0 620 9.valores liquidados 1999 .851.317 2. Didatismo e Conhecimento 50 .547 6.5 6.6 17. antes da aprovação da Emenda Constitucional nº 14.985.891 152.4 100. Tabela 21 .8 100.254.152 246 0 1.2 0 15.489 370 271 356 3.812 9.250.842.Jurídicas Contrib. CF Salário-Educação Contrib.067. COFF/CD 1995 a 1998 .512 Fonte : FECAMP – em valores históricos Tabela 22 .3 0 6.303 2.388 575 0 621 9.132.826 738 529 694 2.5 4. Por exemplo. Social p/ Seguridade Social Fundo de Estabilização Fiscal – FEF Recursos Diretamente arrecadados Recursos de Concessões e Permissões Outros Total 1995 0 3. dois cidadãos do mesmo estado e do mesmo nível de ensino eram tratados de forma absolutamente distinta.955.768 % 4.8 5.643 % 10.634.5 0 34.542 917.517.4 25. As Tabelas 21 e 22 mostram o retrato dos gastos com educação. onde o estado arcava com a maior parte das matrículas do ensino fundamental.058. No extremo oposto.165 reais.8 8.3 19.8 5.3 100.Gastos Diretos com Educação das Administrações Públicas – 1997 Natureza da despesa União Pessoal e encargos sociais Transferência de Assistência e Previdência Outras despesas correntes Investimentos Inversões financeiras Total 4.119.Elaboração. o gasto correspondia a 336 reais.074 2.4 0. os Estados e os Municípios.763.9 37.513 717.4 11.8 4.0 Fonte : SIAFI/PRODASEN .

7 9.7 281. A maior visibilidade dos recursos possibilitou inclusive a identificação de desvios.6 100.) e dos Municípios (FPM. a redistribuição dos recursos do fundo. .096 237. É inegável o efeito redistributivo do FUNDEF. .759.3 163.963 12.435. Tabela 23 . Tabela 24 .4 66. Em 21 dos 26 Estados. cota do IPI-Exp.com a obrigatoriedade da apresentação de planos de carreira com exigência de habilitação.045 1.528 % 14.0 17.506 Municípios brasileiros.002 1. ICMS.00) Até 100 De 100 a 150 De 150 a 200 De 200 a250 De 250 a 315 Subtotal Outros Municípios Total Municípios Número 308 613 474 370 394 2. no âmbito de determinado estado não atingir o valor mínimo.3 405. Em 1998 esta foi equivalente a cerca de 435 milhões (Tabela 23).5 124.00) – 1998 Valor por aluno/ ano (R$1.222. .6 11.3 211. além da compensação referente às perdas com a desoneração das exportações.Efeitos Financeiros do FUNDEF.8 100.1 8. decorrentes da Lei Complementar n° 87/96. nos Municípios com gasto abaixo do valor mínimo (R$ 315.0 Valor por aluno/ano Antes do FUNDEF (A) 77.746.1 518.5     % (B/A) 317 170 145 72 44 129     Fonte : MEC/SEADE – Balanço do primeiro ano do FUNDEF Didatismo e Conhecimento 51 .989 314.a fixação de um critério objetivo do número de matrículas e a natureza contábil do fundo permitiram colocar os recursos onde estão os alunos e eliminar práticas clientelistas.058 8. Os núcleos da proposta do FUNDEF são: o estabelecimento de um valor mínimo por aluno a ser despendido anualmente (fixado em 315 reais para os anos de 1998 e 1999).6 16.003 12.0 Fonte : SIAFI/Tribunal de Contas da União Além de promover a equidade.4 96.192. Para o exercício de 1999 a previsão é de que a complementação da União seja de cerca de 610 milhões (Portaria nº 286/99-MF).461 434.347 5.6 163.638.209 2.257. sendo trazidos para o ensino fundamental.com a subvinculação ao pagamento dos professores melhoraram os salários e foram novamente atraídos para a carreira professores que ocupavam outras posições no mercado de trabalho.551 2.Origem das Receitas do Fundef – 1998 R$ Mil Receita FPM FPE ICMS IPI-Exp.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Para corrigir esta situação foi concebido o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério.7 7.838. dos 5.0 389.0 Alunos/97 Número 1.9 463. .178.740.2 60.0 66.4 33.8 195.0 1.193.006.2     Receita Adicional Bruta (R$ Milhões) 429.9 12.diminuiu consideravelmente o número de classes de alfabetização e de alunos maiores de 7 anos na pré-escola.159 3.565 4.9 335.7 375.2 178.2 100. LC 87/96 Subtotal Complementação da União Total Valor Distribuído 1. a União efetua a complementação.315 1.125. deflagrou-se um processo de profissionalização da carreira. cota do ICMS. segundo o número de matrículas e a subvinculação de 60% de seu valor para o pagamento de profissionais do magistério em efetivo exercício. o FUNDEF foi o instrumento de uma política que induziu várias outras transformações: .280 % 13.819 13.8 2. cerca de 39% (2.8 3.758 8.3 1.2 258.1 9.4 437.787.9     Variação Do valor por aluno 247.com a criação de contas únicas e específicas e dos conselhos de acompanhamento e controle social do FUNDEF deu-se mais transparência à gestão.506 % 5. Este é constituído por uma cesta de recursos equivalentes a 15% de alguns impostos do estado (FPE.6 6. cota do IPI-Exp). verificou-se uma transferência líquida de recursos das redes estaduais para as municipais. Se o fundo. sobretudo no Nordeste – onde as redes municipais são responsáveis por cerca de 50% das matrículas.0 211.1 140.4 225. Conforme indica a Tabela 24.7     Com o FUNDEF (B) 324.8 124. que passou a ser conhecido como FUNDEF.159) contavam com um valor por aluno/ano abaixo do valor mínimo nacional de 315 reais.1 39.

Em valores atuais. em 1995. A transparência da gestão de recursos financeiros e o exercício do controle social permitirão garantir a efetiva aplicação dos recursos destinados à educação. tanto nos níveis centrais como nos descentralizados.6 x 3. os países desenvolvidos que já fizeram um amplo esforço no período pós-guerra estabilizaram seus gastos.1997).6 Fonte: Base de dados da OCDE *Dados de 1996 Financiamento e gestão estão indissoluvelmente ligados.7 x 3. Conforme dispunha o Plano Nacional de Educação para Todos. Essa profissionalização implica a definição de competências específicas e a dotação de novas capacidades humanas. Tabela 25 . educação infantil e ensino médio. Isso pode ter elevado indevidamente a estimativa do percentual do PIB. ao estabelecer. para 54. com o objetivo de aumentar a racionalidade e produtividade.8 6. de atingir. de modo a fortalecer sua autonomia (Tabela 26). Outra é a situação do Brasil.69.2% os gastos públicos com educação para o ano de 1995.072. Recentemente. que elaborarão os planos plurianuais e orçamentos que vigorarão no período. A profissionalização requer também a ampliação do leque de diferentes profissões envolvidas na gestão educacional.” O governo federal vem atuando de maneira a descentralizar recursos. no futuro. do governo federal para os governos estaduais e municipais e dos governos estaduais para os municipais. Como apontou Barjas Negri (Financiamento da Educação no Brasil . Observe-se que. superestimando.8 5.024. a partir das vinculações. “a melhoria dos níveis de qualidade do ensino requer a profissionalização tanto das ações do Ministério da Educação e dos demais níveis da administração educativa como a ação nos estabelecimentos de ensino.0 4. cada ponto percentual significa cerca de 10 bilhões de reais.5 5. A partir de 1986 iniciouse a disseminação de informações que continham grave erro metodológico. no § 5º do art. incluindo-se uma dupla contagem de gastos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A partir desta redistribuição.3 6.6 x 5. como está previsto na própria legislação.173/98.0 3. o FUNDEF constituiu-se em instrumento fundamental para alcançar a meta prioritária da universalização. qualquer política de financiamento há de partir do FUNDEF.0 3. de um fundo único para toda a educação básica – que não pode ser feito no âmbito deste plano. através de aumento contínuo e progressivo de todas as esferas federativas.8 5. Dado recente da OCDE indica um gasto público em educação no Brasil equivalente a 5% do PIB (Tabela 25). Este dado foi informado à OCDE pelo governo brasileiro. Para superar esta dificuldade. Destacam-se as questões de como garantir o financiamento da educação de jovens e adultos. inclusive a eventual criação. Este esforço inicial é indispensável. de atingir 6. Negri havia chegado.4 5.53% de recursos disponíveis. Não se devem interpretar estes dados de maneira estática. em 1998. embora trabalhe com a execução o IPEA considera os gastos da função educação e cultura. a meta estabelecida pelo PL nº 4.4 4. o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA calculou em 4. portanto os gastos apenas com educação. tendo como objetivo o desenvolvimento de uma gestão responsável. houve um aumento expressivo de 6% nas matrículas.155/98.dado que só pode ser aferido após a consolidação dos balanços de todos Estados. que cresceram de 30. mas não o quanto se gasta .MEC/INEP. Este plano propõe que num prazo de dez anos atinjamos um gasto público equivalente a 7% do PIB. 52 Didatismo e Conhecimento . De 1997 para 1998. isto é. O problema deste método é que capta muito bem o que se deve gastar.8 6. e dos Legislativos subnacionais.9 3. uma vez que requer alteração na Emenda Constitucional nº 14.6 4. corrigida a distorção idade-série e aperfeiçoada a gestão. ao número de 4. Neste processo foi induzida a formação de Associações de Pais e Mestres ou de Conselhos escolares. na medida em que fosse sendo erradicado o analfabetismo. Partindo deste dado oficial. Por outro lado. Estes aumentaram de 11.535. apenas no setor público o equivalente a 10% do PIB é muito elevada.591 em 1998. Para tanto é necessário o compromisso do Congresso Nacional. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional facilita amplamente esta tarefa. a meta contida no PL nº 4.Despesas Públicas em Educação. Negri procurou em criterioso estudo estimar os recursos potencialmente disponíveis. ao órgão gestor e ao regulamentar quais as despesas admitidas como gastos com manutenção e desenvolvimento do ensino. De toda sorte. ou seja. afigura-se muito modesta.5% do PIB. para 32. em 1997. em relação ao PIB – 1995 PAÍS AMÉRICA DO NORTE Canadá Estados Unidos México AMÉRICA DO SUL Argentina* BRASIL Chile* Paraguai* Uruguai* ÁSIA Coréia Malásia* Tailândia* EUROPA Áustria Dinamarca França Noruega Portugal Espanha Suécia Reino Unido % do PIB x 5. o repasse automático dos recursos vinculados.380. incluindo os gastos do setor privado (que Negri estima em 1% do PIB). “há uma grande controvérsia sobre o quanto se gasta com educação no Brasil.6 4. mas que constavam ainda do Anuário Estatístico de 1995). políticas e técnicas. Com o tempo haveria uma estabilização num patamar menor. sem a devida dedução das transferências intragovernamentais destinadas à educação.643. É certo que alguns ajustes e aperfeiçoamentos são necessários. inflacionando os dados da UNESCO” (de 1989. que tem os enormes desafios discutidos neste plano.1 2. para aquele exercício. direcionando-os diretamente às escolas. Municípios e da União.

em primeiro lugar. Além disso. diretamente pela União em áreas em que as crianças se encontrem em situação de risco. Embora a educação tenha outras dimensões relevantes. e particularmente à União cabe fortalecer sua função supletiva.348 259. Outra diretriz importante é a gestão de recursos da educação por meio de fundos de natureza contábil e contas específicas. Além disso. § 1º). e não se reduza a um jogo ex post de justificação para efeito de prestação de contas. adotadas em alguns Estados e Municípios.632 Número de alunos 28. Até então. adotada pela primeira vez pela Constituição de 1934. CF e art. os que cumprem são premiados. no bojo do processo de abertura política. a partir da Lei nº 9533/97.Programa Dinheiro na Escola 1995 a 1998 – Atendimento Ano 1995 1996 1997 1998** Número de escolas* 144. o fundamento da obrigação do Poder Público de financiá-la é o fato de constituir um direito. acompanhadas de rigorosas sanções aos agentes públicos em caso de desrespeito a este direito. requisito para o exercício pleno da cidadania. 211. de nada adiantariam as previsões de dever do Estado. A educação deve ser considerada uma prioridade estratégica para um projeto nacional de desenvolvimento que favoreça a superação das desigualdades na distribuição de renda e a erradicação da pobreza. Observe-se a propósito que a Educação é uma responsabilidade do Estado e da 53 Didatismo e Conhecimento . Instaurada a equidade. permite um controle social mais eficaz e evita a aplicação excessiva de recursos nas atividades–meio e as injunções de natureza política. levava a uma diferença significativa de gasto por aluno. houve uma drástica redução de gastos na educação – como demonstrou o Senador João Calmon nos debates que precederam a aprovação de sua proposta. há estímulo para a universalização do ensino. Para tanto. com critérios educacionais. Daí emerge a primeira diretriz básica para o financiamento da Educação: a vinculação constitucional de recursos à manutenção e desenvolvimento do ensino.743 279.672. ainda. devendo ser assegurada “com absoluta prioridade” à criança e ao adolescente (art. 227. se não fossem dados os instrumentos para garanti-lo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Tabela 26 . 205.262 Valor em R$ mil 229. A LDB preceitua que aos Municípios cabe exercer a função redistributiva com relação a suas escolas. ADCT). 211. sendo a base do planejamento. ressurgindo com a redemocratização em 1946. quem tem alunos. cuja preocupação central foi a equidade.337 Fonte: FNDE (Relatório de Atividades e Gerência do Programa). de nada adianta receber dos fundos educacionais um valor por aluno e praticar gastos que privilegiem algumas escolas em detrimento das escolas dos bairros pobres. dá-se um enfoque positivo ao financiamento da Educação. Para enfrentar esta necessidade. e destes entre si. por ano. é preciso reconhecê-la como um valor emsi.857. a vinculação de recursos impõe-se não só pela prioridade conferida à Educação. a Educação e seu financiamento não serão tratados neste PNE como um problema econômico. mas aos alunos em cada escola. 60. Desta forma. IX) como “a variedade e quantidade mínimas. o desafio é obter a adequação da aprendizagem a um padrão mínimo de qualidade (art. é importante o conceito operacional de valor mínimo gasto por aluno. Aqui o conceito chave já não é mais o de valor mínimo. mas o de custo-aluno-qualidade. Tratase de dar às crianças real possibilidade de acesso e permanência na escola. sintonizada com os valores jurídicos que emanam dos documentos que incorporam as conquistas de nossa época – tais como a Declaração Universal de Direitos do Homem e a Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança –. reduzindo a repetência e a evasão e envolvendo mais a família com a educação de seus filhos – ingrediente indispensável para o sucesso escolar. pelo simples fato de estar matriculado numa escola estadual ou municipal. Há que se combinar . definido nacionalmente. através do aumento dos recursos destinados à complementação do FUNDEF.711 129. O fundo contábil permite que a vinculação seja efetiva. aqueles que não cumprissem determinadas disposições eram punidos.287.Mensagem presidencial ao Congresso Nacional/1999 *a partir de 1997.2 Diretrizes Ao tratar do financiamento da Educação. Agora. Assim. por iniciativa própria ou com apoio da União. As políticas que associam a renda mínima à educação. Com o FUNDEF inaugurou-se importante diretriz de financiamento: a alocação de recursos segundo as necessidades e compromissos de cada sistema. É fundamental fortalecer a educação como um dos alicerces da rede de proteção social. expressos pelo número de matrículas.800 28. A equidade refere-se não só aos sistemas. O avanço significativo dos indicadores educacionais alcançado na década de 90 apoiou-se na vinculação de recursos. Por se tratar não propriamente de um programa educacional. definido em termos precisos na LDB (art. Assim.§ 4º. Somente a garantia de recursos e seu fluxo regular permitem o planejamento educacional. e. Cumpre consolidar e aperfeiçoar outra diretriz introduzida a partir do FUNDEF. Nos interregnos em que o princípio da vinculação foi enfraquecido ou suprimido. para o desenvolvimento humano e para a melhoria da qualidade de vida da população. com a aprovação da Emenda Calmon.§ 1º.760 106. A Constituição de 1988. ou. CF) pela família. o que permitiu manter níveis razoáveis de investimento na educação pública. deve ser financiado com recursos oriundos de outras fontes que não as destinadas à educação escolar em senso estrito. mas como um uma questão de cidadania. mas de um programa social de amplo alcance. os sistemas de ensino devem ajustar suas contribuições financeiras a este padrão desejado. Partindo deste enfoque.350.428 304. caput.229 31. determinou expressamente que a Educação é um direito de todos e dever do Estado e da família (art. a diversidade da capacidade de arrecadação de Estados e Municípios. ainda uma vez. A Constituição Federal preceitua que à União compete exercer as funções redistributiva e supletiva de modo a garantir a equalização de oportunidades educacionais (art. apenas escolas com mais de 20 alunos ** Dados até julho 11. O dinheiro é aplicado na atividade-fim: recebe mais quem tem rede. Este deve ser a referência para a política de financiamento da Educação. inclusive a econômica. sendo consolidada pela Constituição de 1988. Embora encontre ainda alguma resistência em alguns nichos da tecnocracia econômica mais avessos ao social.CF).306 167. de insumos indispensáveis ao desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem”. pelo Estado e pela sociedade.4º.583 26. mas também como condição de uma gestão mais eficaz. têm-se revelado instrumentos eficazes de melhoria da qualidade de ensino. por aluno. as ações para tanto com aquelas dirigidas ao combate do trabalho infantil.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS sociedade e não apenas de um órgão. não só entre União. (VETADO) 8. para o Ministério da Justiça em relação a educação de jovens e adultos para presos e egressos. Estados e Municípios. como é o caso do ensino fundamental. Ainda que consolidadas as redes de acordo com a vontade política e capacidade de financiamento de cada ente. Mobilizar os Tribunais de Contas. (VETADO) 2. provido por Estados e Municípios. sempre que possível. inclusive. Envolve todo o governo e deve permear todas as suas ações. órgãos de gestão nos sistemas de ensino. como os Conselhos de Acompanhamento e Controle Social do FUNDEF. o cumprimento do § 5º do art. em áreas de atuação comum. as organizações não-governamentais e a população em geral para exercerem a fiscalização necessária para o cumprimento das metas nº 2. no que se refere aos recursos para a universalização que devem ser disponibilizados em condições privilegiadas para as escolas públicas. 7. Em nível de gestão de sistema na forma de Conselhos de Educação que reúnam competência técnica e representatividade dos diversos setores educacionais.indispensável para verificar a eficácia das políticas públicas em matéria de educação. no que concerne à erradicação da pobreza. Mesmo na hipótese de competência bem definida. O mesmo raciocínio vale para a Assistência Social e para a Saúde. Para que a gestão seja eficiente há que se promover o autêntico federalismo em matéria educacional. Há competências concorrentes. Estabelecer. Garantir. Estabelecer a utilização prioritária para a educação de jovens e adultos. preferencialmente. ITBI. com o aprimoramento da base de dados educacionais do aperfeiçoamento dos processos de coleta e armazenamento de dados censitários e estatísticas sobre a educação nacional. para a qualificação. mas também. 69 da Lei de Diretrizes e Bases. para o Ministério das Comunicações. CF). 3 e 4.CF) e da União (art. 10. fóruns e planejamento interestaduais.* Entre esses mecanismos estará o demonstrativo de gastos elaborado pelos poderes executivos e apreciado pelos legislativos com o auxílio dos tribunais de contas respectivos. a partir da divisão de responsabilidades previstas na Carta Magna. cota do ITR. formação e treinamento de trabalhadores.FUNPEN .1 Financiamento 1. Implementar mecanismos de fiscalização e controle que assegurem o rigoroso cumprimento do art. por meio da formação de conselhos escolares de que participe a comunidade educacional e formas de escolha da direção escolar que associem a garantia da competência ao compromisso com a proposta pedagógica emanada dos conselhos escolares e a representatividade e liderança dos gestores escolares. devem ser fortalecidas as instâncias de controle interno e externo. 11. de educação de jovens e adultos para a população de 15 anos e mais. Desta maneira. imediatamente. Estabelecer mecanismos destinados a assegurar o cumprimento dos arts.3. no exercício de sua autonomia. discriminando os valores correspondentes a cada uma das alíneas do art. Finalmente. cota do IRRF e do IOF-Ouro. a educação infantil como prioridade para a aplicação dos 10% dos recursos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino não reservados para o ensino fundamental. como é o caso do transporte escolar. nos quais devem ser aplicados. que definem os gastos admitidos como de manutenção e desenvolvimento do ensino e aqueles que não podem ser incluídos nesta rubrica. ITCM. administrativa e de gestão financeira. nos Municípios. para os Ministérios da Cultura. de forma a alcançar todos os recursos destinados à Educação Básica. que assegura o repasse automático dos recursos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino para o órgão responsável por este setor. algumas ações devem envolver Estados e Municípios. em nível das unidades escolares. os sindicatos. 212 da Constituição Federal em termos de aplicação dos percentuais mínimos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino. uma diretriz importante é o aprimoramento contínuo do regime de colaboração. Criar mecanismos que viabilizem. 6. regionais e intermunicipais. reunindo competências seja em termos de apoio técnico ou recursos financeiros. tanto no que se refere aos aspectos quantitativos como qualitativos. CF e art. 30. cuja competência deve ser ampliada. 4. O MEC há de ter uma atuação conjunta com o Ministério do Trabalho. como a educação infantil. Entre esses mecanismos deve estar a aferição anual pelo censo escolar da efetiva automaticidade dos repasses. as Procuradorias da União e dos Estados. poder-se-á consolidar um sistema de avaliação . que é de responsabilidade dos Municípios. para a Assistência Social. Este deve dar-se. 30. A Educação não é uma preocupação confinada em gueto de um segmento. nos Estados. 5. nos níveis estadual e municipal) da área há de ter o papel central no que se refere à educação escolar. 70 da LDB. Evidentemente. mediante ações. entre entes da mesma esfera federativa. A educação é um todo integrado.VI. a previsão do suporte financeiro às metas constantes deste PNE. VI. Deve-se promover a efetiva desburocratização e descentralização da gestão nas dimensões pedagógica. 9. como os Conselhos de Educação e os órgãos de controle social. que não teve acesso ao ensino fundamental.FAT. Portanto. 211.3 Objetivos e Metas 11. não pode ser negligenciada a função supletiva dos Estados (art. contando com recursos do Fundo Penitenciário. parcela da dívida ativa tributária que seja resultante de impostos). cada sistema de ensino 54 há de implantar gestão democrática.§ 1º . Assim sendo. Quanto à distribuição e gestão dos recursos financeiros. ISS . nos Municípios mais pobres. entre as metas dos planos plurianuais vigentes nos próximos dez anos. A adoção de ambos os sistemas requer a formação de recursos humanos qualificados e a informatização dos serviços. constitui diretriz da maior importância a transparência. Ciência e Tecnologia e assim por diante. é importante implantar sistemas de informação. do IRRF e do IOF-Ouro. Estabelecer. nos Estados e no Distrito Federal (IPVA. parcela da dívida ativa tributária que seja resultante de impostos). 70 e 71 da Lei de Diretrizes e Bases. inicialmente nas secretarias. os Conselhos de Acompanhamento e Controle Social do FUNDEF. o ensino médio como prioridade para a aplicação dos 10% dos recursos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino não reservados para o ensino fundamental. 11. Estabelecer programa nacional de apoio financeiro e técnico-administrativo da União para a oferta. o Ministério (ou Secretaria. recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador . no que se refere à educação infantil. de 15% dos recursos destinados ao ensino fundamental cujas fontes não integrem o FUNDEF: nos Municípios (IPTU. 3. de sorte que o que ocorre num determinado nível repercute nos demais. Para que seja possível o planejamento educacional. Esporte e Turismo. devendo as unidades escolares contar com repasse direto de recursos para desenvolver o essencial de sua proposta pedagógica e para despesas de seu cotidiano. Didatismo e Conhecimento . mas com o objetivo de conectá-las em rede com suas escolas e com o MEC. Mas há também que se articular com outros ministérios (ou secretarias).

recursos destinados à universalização das telecomunicações. nos Estados. Estabelecer. recursos do Fundo Penitenciário para a educação de presos e egressos. Apoiar tecnicamente as escolas na elaboração e execução de sua proposta pedagógica. Assegurar recursos do Tesouro e da Assistência Social para programas de renda mínima associados à educação. 44. estaduais e municipais. Informatizar. a partir de critérios objetivos. Elaborar e executar planos estaduais e municipais de educação. de sorte a garantir o acesso e permanência na escola a toda população em idade escolar no País. com a participação da comunidade. pelo menos. para suprir.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 12. 25. Instituir em todos os níveis. preferencialmente com cursos de especialização. Adaptações e medidas corretivas conforme a realidade for mudando ou assim que novas exigências forem aparecendo dependerão de um bom acompanhamento e de uma constante avaliação de percurso. Aperfeiçoar o regime de colaboração entre os sistemas de ensino com vistas a uma ação coordenada entre entes federativos. Desenvolver padrão de gestão que tenha como elementos a destinação de recursos para as atividades-fim. que estimulem a iniciativa e a ação inovadora das instituições escolares. todas as secretarias municipais de educação. Promover a equidade entre os alunos dos sistemas de ensino e das escolas pertencentes a um mesmo sistema de ensino. 34. normas e diretrizes gerais desburocratizantes e flexíveis. em cinco anos. em dez anos. . Estimular a colaboração entre as redes e sistemas de ensino municipais. através de apoio técnico a consórcios intermunicipais e colegiados regionais consultivos. às redes de comunicação informática. Assegurar a autonomia administrativa e pedagógica das escolas e ampliar sua autonomia financeira. em todos os Estados. 15. Promover a autonomia financeira das escolas mediante repasses de recursos. com auxílio técnico e financeiro da União. com a colaboração técnica e financeira da União. Ampliar o atendimento dos programas de renda mínima associados à educação. Estabelecer. programas diversificados de formação continuada e atualização visando a melhoria do desempenho no exercício da função ou cargo de diretores de escolas. em cinco anos pelo menos. 23. Organizar a educação básica no campo. 43. Promover medidas administrativas que assegurem a permanência dos técnicos formados e com bom desempenho nos quadros das secretarias. 21. de tal forma que. todas as escolas contem com diretores adequadamente formados em nível superior. A União deverá calcular o valor mínimo para o custo-aluno para efeito de suplementação dos fundos estaduais rigorosamente de acordo com o estabelecido pela Lei nº 9. à criação de condições de acesso da escola. 35. 36. gradualmente. possuam formação específica em nível superior e que.3. diretamente aos estabelecimentos públicos de ensino. programas de formação do pessoal técnico das secretarias. Integrar ações e recursos técnicos.2 Gestão 19. integrando-as em rede ao sistema nacional de estatísticas educacionais. recursos da Saúde e Assistência Social para a educação infantil. de forma a permitir o cumprimento da meta anterior. 31. nos Municípios. um programa de avaliação de desempenho que atinja. a partir das funções constitucionais próprias e supletivas e das metas deste PNE. Conselhos da Acompanhamento e Controle Social dos recursos destinados à Educação não incluídos no FUNDEF. em cinco anos. através do repasse de recursos diretamente às escolas para pequenas despesas de manutenção e cumprimento de sua proposta pedagógica. 17. planejamento e avaliação. em cada sistema de ensino. 42. 11. com auxílio técnico e financeiro da União. 16. Informatizar. todas as escolas de mais de 50 alunos do ensino fundamental e Médio.000 habitantes. Consolidar e aperfeiçoar o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica – SAEB e o censo escolar. administrativos e financeiros do Ministério de Educação e de outros Ministérios nas áreas de atuação comum. 24. pelo menos. Definir. as necessidades dos setores de informação e estatísticas educacionais. nos levantamentos estatísticos e no censo escolar informação acerca do gênero. em três anos. Estabelecer. pelo menos. 26. com auxílio técnico e financeiro da União. Definir padrões mínimos de qualidade da aprendizagem na Educação Básica numa Conferência Nacional de Educação. 37. de modo a preservar as escolas rurais no meio rural e imbuídas dos valores rurais. 22. 41. 27. Estabelecer políticas e critérios de alocação de recursos federais. de forma a reduzir desigualdades regionais e desigualdades internas a cada sistema. 33.Observar as metas estabelecidas nos demais capítulos referentes a financiamento e gestão. em cinco anos. o foco na aprendizagem dos alunos e a participação da comunidade. todas as escolas estejam no sistema. normas de gestão democrática do ensino público. Estabelecer. Estimular a criação de Conselhos Municipais de Educação e apoiar tecnicamente os Municípios que optarem por constituir sistemas municipais de ensino. Didatismo e Conhecimento 55 30. conectando-as em rede com as secretarias de educação. em dez anos. Editar pelos sistemas de ensino. VI – ACOMPANHAMENTO E AVALIAÇÃO DO PLANO Um plano da importância e da complexidade do PNE tem que prever mecanismos de acompanhamento e avaliação que lhe dêem segurança no prosseguimento das ações ao longo do tempo e nas diversas circunstâncias em que se desenvolverá. em consonância com este PNE. compartilhando responsabilidades. 39. quando necessários. Informatizar progressivamente.424/96. Ampliar a oferta de cursos de formação em administração escolar nas instituições públicas de nível superior. em todos os Estados. atendendo. 40. Assegurar que. 20. 38. a administração das escolas com mais de 100 alunos. com a colaboração dos Municípios e das universidades. 50% dos diretores. a autonomia da escola. 28.Incluir. 29. programas de acompanhamento e avaliação dos estabelecimentos de educação infantil. em cinco anos. nos moldes dos Conselhos de Acompanhamento e Controle Social do FUNDEF. em cada categoria de dados coletados. a descentralização. com auxílio técnico e financeiro da União e dos Estados. 13. qualquer que seja sua origem. (VETADO) 14. a metade dos Municípios com mais de 20. as secretarias estaduais de educação. no final da década. recursos do Trabalho para a qualificação dos trabalhadores. que envolva a comunidade educacional. a equidade. 32. 18.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
Será preciso, de imediato, iniciar a elaboração dos planos estaduais em consonância com este Plano Nacional e, em seguida, dos planos municipais, também coerentes com o plano do respectivo Estado. Os três documentos deverão compor um conjunto integrado e articulado. Integrado quanto aos objetivos, prioridades, diretrizes e metas aqui estabelecidas. E articulado nas ações, de sorte que, na soma dos esforços das três esferas, de todos os Estados e Municípios mais a União, chegue-se às metas aqui estabelecidas. A implantação e o desenvolvimento desse conjunto precisam de uma coordenação em âmbito nacional, de uma coordenação em cada Estado e no Distrito Federal e de uma coordenação na área de cada Município, exercidas pelos respectivos órgãos responsáveis pela Educação. Ao Ministério da Educação cabe um importante papel indutor e de cooperação técnica e financeira. Trata-se de corrigir acentuadas diferenças regionais, elevando a qualidade geral da educação no País. Os diagnósticos constantes deste plano apontam algumas, nos diversos níveis e/ou modalidades de ensino, na gestão, no financiamento, na formação e valorização do magistério e dos demais trabalhadores da educação. Há muitas ações cuja iniciativa cabe à União, mais especificamente ao Poder Executivo Federal. E há metas que precisam da cooperação do Governo Federal para serem executadas, seja porque envolvem recursos de que os Estados e os Municípios não dispõem, seja porque a presença da União confere maior poder de mobilização e realização. Desempenharão também um papel essencial nessas funções o Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação - CONSED e a União Nacional de Dirigentes Municipais de Educação - UNDIME, nos temas referentes à Educação Básica, assim como o Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras - CRUB, naqueles relativos à educação superior. Considerase, igualmente, muito importante a participação de entidades da comunidade educacional, dos trabalhadores da educação, dos estudantes e dos pais reunidos nas suas entidades representativas. É necessário que algumas entidades da sociedade civil diretamente interessadas e responsáveis pelos direitos da criança e do adolescente participem do acompanhamento e da avaliação do Plano Nacional de Educação. O art. 227, § 7o, da Constituição Federal determina que no atendimento dos direitos da criança e do adolescente (incluídas nesse grupo as pessoas de 0 a 18 anos de idade) seja levado em consideração o disposto no art. 204, que estabelece a diretriz de “participação da população, por meio de organizações representativas, na formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis”. Além da ação direta dessas organizações há que se contar com a atuação dos conselhos governamentais com representação da sociedade civil como o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente CONANDA, os Conselhos Estaduais e Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente e os Conselhos Tutelares (Lei n. 8069/90). Os Conselhos de Acompanhamento e Controle Social do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério - FUNDEF, organizados nas três esferas administrativas, deverão ter, igualmente, corresponsabilidade na boa condução deste plano. A avaliação do Plano Nacional de Educação deve valerse também dos dados e análises qualitativas e quantitativas fornecidos pelo sistema de avaliação já operado pelo Ministério da Educação, nos diferentes níveis, como os do Sistema de Avaliação do Ensino Básico – SAEB; do Exame Nacional do Ensino Didatismo e Conhecimento
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Médio – ENEM; do Sistema de Avaliação do Ensino Superior (Comissão de Especialistas, Exame Nacional de Cursos, Comissão de Autorização e Reconhecimento), avaliação conduzida pela Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES. Além da avaliação contínua, deverão ser feitas avaliações periódicas, sendo que a primeira será no quarto ano após a implantação do PNE. A organização de um sistema de acompanhamento e controle do PNE não prescinde das atribuições específicas do Congresso Nacional, do Tribunal de Contas da União - TCU e dos Tribunais de Contas dos Estados - TCEs, na fiscalização e controle. Os objetivos e as metas deste plano somente poderão ser alcançados se ele for concebido e acolhido como Plano de Estado, mais do que Plano de Governo e, por isso, assumido como um compromisso da sociedade para consigo mesma. Sua aprovação pelo Congresso Nacional, num contexto de expressiva participação social, o acompanhamento e a avaliação pelas instituições governamentais e da sociedade civil e a consequente cobrança das metas nele propostas, são fatores decisivos para que a educação produza a grande mudança, no panorama do desenvolvimento, da inclusão social, da produção científica e tecnológica e da cidadania do povo brasileiro.

3 CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL (ART. 205 A 214).

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 CAPÍTULO III DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO DESPORTO Seção I DA EDUCAÇÃO Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII - garantia de padrão de qualidade.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) Parágrafo único. A lei disporá sobre as categorias de trabalhadores considerados profissionais da educação básica e sobre a fixação de prazo para a elaboração ou adequação de seus planos de carreira, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. § 1º É facultado às universidades admitir professores, técnicos e cientistas estrangeiros, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 11, de 1996) § 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa científica e tecnológica.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 11, de 1996) Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009)(Vide Emenda Constitucional nº 59, de 2009) II - progressiva universalização do ensino médio gratuito; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino; IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um; VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando; VII - atendimento ao educando, em todas as etapas da educação básica, por meio de programas suplementares de material didáticoescolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) § 1º - O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo. § 2º - O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade competente. § 3º - Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela freqüência à escola. Art. 209. O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as seguintes condições: I - cumprimento das normas gerais da educação nacional; II - autorização e avaliação de qualidade pelo Poder Público. Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais. Didatismo e Conhecimento
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§ 1º - O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. § 2º - O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada às comunidades indígenas também a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino. § 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios, financiará as instituições de ensino públicas federais e exercerá, em matéria educacional, função redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no ensino fundamental e médio. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 4º Na organização de seus sistemas de ensino, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios definirão formas de colaboração, de modo a assegurar a universalização do ensino obrigatório. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) § 5º A educação básica pública atenderá prioritariamente ao ensino regular. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino. § 1º - A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, ou pelos Estados aos respectivos Municípios, não é considerada, para efeito do cálculo previsto neste artigo, receita do governo que a transferir. § 2º - Para efeito do cumprimento do disposto no «caput» deste artigo, serão considerados os sistemas de ensino federal, estadual e municipal e os recursos aplicados na forma do art. 213. § 3º A distribuição dos recursos públicos assegurará prioridade ao atendimento das necessidades do ensino obrigatório, no que se refere a universalização, garantia de padrão de qualidade e equidade, nos termos do plano nacional de educação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) § 4º - Os programas suplementares de alimentação e assistência à saúde previstos no art. 208, VII, serão financiados com recursos provenientes de contribuições sociais e outros recursos orçamentários. § 5º A educação básica pública terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salário-educação, recolhida pelas empresas na forma da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)(Vide Decreto nº 6.003, de 2006)

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
§ 6º As cotas estaduais e municipais da arrecadação da contribuição social do salário-educação serão distribuídas proporcionalmente ao número de alunos matriculados na educação básica nas respectivas redes públicas de ensino. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) Art. 213. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas, podendo ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, definidas em lei, que: I - comprovem finalidade não-lucrativa e apliquem seus excedentes financeiros em educação; II - assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária, filantrópica ou confessional, ou ao Poder Público, no caso de encerramento de suas atividades. § 1º - Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de estudo para o ensino fundamental e médio, na forma da lei, para os que demonstrarem insuficiência de recursos, quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública na localidade da residência do educando, ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão de sua rede na localidade. § 2º - As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão receber apoio financeiro do Poder Público. Art. 214. A lei estabelecerá o plano nacional de educação, de duração decenal, com o objetivo de articular o sistema nacional de educação em regime de colaboração e definir diretrizes, objetivos, metas e estratégias de implementação para assegurar a manutenção e desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis, etapas e modalidades por meio de ações integradas dos poderes públicos das diferentes esferas federativas que conduzam a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) I - erradicação do analfabetismo; II - universalização do atendimento escolar; III - melhoria da qualidade do ensino; IV - formação para o trabalho; V - promoção humanística, científica e tecnológica do País. VI - estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do produto interno bruto. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) Art. 1º A Constituição Federal passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 7º ..................................................................................... ................................................................................................. XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5 (cinco) anos de idade em creches e pré-escolas; ........................................................................................”(NR) “Art. 23. ................................................................................... Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para a cooperação entre a União e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional.”(NR) “Art. 30. ................................................................................... ................................................................................................. VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, programas de educação infantil e de ensino fundamental; ........................................................................................”(NR) “Art. 206. ................................................................................. ................................................................................................. V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; ................................................................................................. VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal. Parágrafo único. A lei disporá sobre as categorias de trabalhadores considerados profissionais da educação básica e sobre a fixação de prazo para a elaboração ou adequação de seus planos de carreira, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.”(NR) “Art. 208. ................................................................................. .................................................................................................. IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade; ........................................................................................”(NR) “Art. 211. ................................................................................. ................................................................................................ § 5º A educação básica pública atenderá prioritariamente ao ensino regular.”(NR) “Art. 212. ................................................................................. ................................................................................................ § 5º A educação básica pública terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salário-educação, recolhida pelas empresas na forma da lei. § 6º As cotas estaduais e municipais da arrecadação da contribuição social do salário-educação serão distribuídas proporcionalmente ao número de alunos matriculados na educação básica nas respectivas redes públicas de ensino.”(NR) Art. 2º O art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias passa a vigorar com a seguinte redação: (Vigência)

4 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 53, DE 19/12/2006.

EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 53, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2006 Dá nova redação aos arts. 7º, 23, 30, 206, 208, 211 e 212 da Constituição Federal e ao art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. AS MESAS DA CÂMARA DOS DEPUTADOS E DO SENADO FEDERAL, nos termos do § 3º do art. 60 da Constituição Federal, promulgam a seguinte Emenda ao texto constitucional:

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158. b) a forma de cálculo do valor anual mínimo por aluno. IV .a distribuição dos recursos e de responsabilidades entre o Distrito Federal. de forma a preservar. considerando-se para os fins deste inciso os valores previstos no inciso VII do caput deste artigo. d) a fiscalização e o controle dos Fundos. c) R$ 4.FUNDEB.000. em lei específica. II.000. e c do inciso VII do caput deste artigo serão atualizados. 159 da Constituição Federal: a) 16. . observados os arts. e distribuídos entre cada Estado e seus Municípios. os Estados. no financiamento da educação básica. as diferenças e as ponderações quanto ao valor anual por aluno entre etapas e modalidades da educação básica e tipos de estabelecimento de ensino. 160 da Constituição Federal. no ano anterior à vigência desta Emenda Constitucional. 211 da Constituição Federal. e) prazo para fixar. X . 30% (trinta por cento) da complementação da União. da seguinte forma: I . fixado em observância ao disposto no inciso VII do caput deste artigo. anualmente. respeitadas as seguintes disposições: I . no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal. II . o Distrito Federal e os Municípios destinarão parte dos recursos a que se refere o caput do art.a vinculação de recursos à manutenção e desenvolvimento do ensino estabelecida no art.000. b) 18. c) os percentuais máximos de apropriação dos recursos dos Fundos pelas diversas etapas e modalidades da educação básica. 159. 155.observadas as garantias estabelecidas nos incisos I. VI . o valor por aluno não alcançar o mínimo definido nacionalmente. III e IV do caput do art. § 4º Para efeito de distribuição de recursos dos Fundos a que se refere o inciso I do caput deste artigo. levar-se-á em conta a totalidade das matrículas no ensino fundamental e considerar-se-á para a educação infantil. no primeiro ano de vigência dos Fundos. bem como as metas do Plano Nacional de Educação. os Estados. conforme estabelecido nos §§ 2º e 3º do art. vedada a utilização dos recursos a que se refere o § 5º do art. de um Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação FUNDEB. e das alíneas a e b do inciso I e do inciso II do caput do art.até 10% (dez por cento) da complementação da União prevista no inciso V do caput deste artigo poderá ser distribuída para os Fundos por meio de programas direcionados para a melhoria da qualidade da educação. a melhoria da qualidade de ensino. 208 da Constituição Federal e as metas de universalização da educação básica estabelecidas no Plano Nacional de Educação. 158. § 2º O valor por aluno do ensino fundamental. 208 e 214 da Constituição Federal. IX . a partir do quarto ano de vigência dos Fundos. a partir da promulgação desta Emenda Constitucional.000.33% (dezoito inteiros e trinta e três centésimos por cento). para o ensino médio e para a educação de jovens e adultos 1/3 (um terço) das matrículas no primeiro ano.proporção não inferior a 60% (sessenta por cento) de cada Fundo referido no inciso I do caput deste artigo será destinada ao pagamento dos profissionais do magistério da educação básica em efetivo exercício.FUNDEF. 155. 212 da Constituição Federal suportará. de natureza contábil. não poderá ser inferior ao valor mínimo fixado nacionalmente no ano anterior ao da vigência desta Emenda Constitucional.00 (quatro bilhões e quinhentos milhões de reais).500. III .000. nos respectivos âmbitos de atuação prioritária estabelecidos nos §§ 2º e 3º do art.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS “Art. b. VIII . Didatismo e Conhecimento 59 b) R$ 3. XI . 2/3 (dois terços) no segundo ano e sua totalidade a partir do terceiro ano. os Estados e seus Municípios é assegurada mediante a criação. XII . o valor real da complementação da União. 157.a União complementará os recursos dos Fundos a que se refere o inciso II do caput deste artigo sempre que.66% (dezesseis inteiros e sessenta e seis centésimos por cento). no âmbito do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação . os incisos II. VII . proporcionalmente ao número de alunos das diversas etapas e modalidades da educação básica presencial. o Distrito Federal e os Municípios deverão assegurar.no caso dos impostos e transferências constantes do inciso II do caput do art. § 1º A União. todos da Constituição Federal. III e IV do caput do art.os recursos recebidos à conta dos Fundos instituídos nos termos do inciso I do caput deste artigo serão aplicados pelos Estados e Municípios exclusivamente nos respectivos âmbitos de atuação prioritária. no segundo ano de vigência dos Fundos. 211 da Constituição Federal. do inciso IV do caput do art. no mínimo: a) R$ 2.os Fundos referidos no inciso I do caput deste artigo serão constituídos por 20% (vinte por cento) dos recursos a que se referem os incisos I.000.00 (três bilhões de reais). a distribuição proporcional de seus recursos. no terceiro ano de vigência dos Fundos. no segundo ano. será alcançada gradativamente nos primeiros 3 (três) anos de vigência dos Fundos. no máximo. piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica. na forma da lei a que se refere o inciso III do caput deste artigo. II e III do art. não poderá ser inferior ao praticado no âmbito do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério . conforme o inciso II do caput deste artigo. matriculados nas respectivas redes. no Fundo de cada Estado e do Distrito Federal.aplica-se à complementação da União o disposto no art.000. Até o 14º (décimo quarto) ano a partir da promulgação desta Emenda Constitucional. § 5º A porcentagem dos recursos de constituição dos Fundos.os valores a que se referem as alíneas a.a complementação da União de que trata o inciso V do caput deste artigo será de. e as alíneas a e b do inciso I e o inciso II do caput do art. o inciso II do caput do art. no primeiro ano. § 3º O valor anual mínimo por aluno do ensino fundamental.000. de forma a garantir padrão mínimo definido nacionalmente. 212 da Constituição Federal. 212 da Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento da educação básica e à remuneração condigna dos trabalhadores da educação.o não-cumprimento do disposto nos incisos V e VII do caput deste artigo importará crime de responsabilidade da autoridade competente.00 (dois bilhões de reais). 60. d) 10% (dez por cento) do total dos recursos a que se refere o inciso II do caput deste artigo. em caráter permanente. a lei disporá sobre: a) a organização dos Fundos. V . no Distrito Federal e em cada Estado.

na forma prevista no art. Existe uma forte vinculação entre o financiamento público da educação e a situação socioeconômica do país.494/2007 – Regulamenta o FUNDEB Em junho de 2005. até o início da vigência dos Fundos. nem Municipal. DE 20/6/2007. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. A instituição dos Fundos previstos no caput deste artigo e a aplicação de seus recursos não isentam os Estados. por se tratar de um Fundo de natureza contábil. 2o  Os Fundos destinam-se à manutenção e ao desenvolvimento da educação básica pública e à valorização dos trabalhadores em educação. A proposta do fundo é a disponibilização crescente de recursos da União. 3º Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data de sua publicação. O financiamento da educação pública é instrumento fundamental para a redução das desigualdades sociais no Brasil. de 19 de dezembro de 2006 (Um fundo independente para cada Estado e para o Distrito Federal). da distribuição. dos estados e municípios para a educação básica pública através da criação de Fundos Estaduais com a totalidade dos recursos vinculados à educação (previstos no artigo 212 da Constituição Federal) para a totalidade de alunos da educação básica pública e dentre outros assuntos prevê a criação de um piso salarial profissional nacional para os educadores públicos e a distribuição dos recursos gerados pelo fundo através da criação dos custos-alunoqualidade diferenciados por modalidade de ensino. a proposta de emenda constitucional para a criação do Fundeb . na medida em que as principais fontes de recursos para a educação provêm da arrecadação de impostos. de modo que os recursos previstos no art. em 19 de dezembro de 2006. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. Brasília. conforme estabelecido pela Emenda Constitucional nº 14.394.ADCT. com base no nº de alunos. 158 da Constituição Federal: a) 6. de: I . no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal.pelo menos 5% (cinco por cento) do montante dos impostos e transferências que compõem a cesta de recursos do Fundeb. 1o  É instituído. LEI Nº 11. mantidos os efeitos do art. de 12 de setembro de 1996. II .494. de 20 de dezembro de 1996. como agente financeiro do Fundo e. do inciso II do caput do art. c) 20% (vinte por cento). 157. ao Congresso Nacional. com a participação do Banco do Brasil.no caso dos impostos e transferências constantes dos incisos I e III do caput do art. QUE REGULAMENTA O FUNDEB. nos termos do art. incluindo sua condigna remuneração. do recebimento e da aplicação final dos recursos) e a Municipal (os Municípios participam da composição. o Distrito Federal e os Municípios da obrigatoriedade da aplicação na manutenção e no desenvolvimento do ensino. observado o disposto nesta Lei. O Fundeb não é considerado Federal. Estadual. do recebimento e da aplicação final dos recursos). dependendo da ótica que se observa. a partir do terceiro ano. Básica. por fim. § 7º (Revogado). Um importante aspecto da política econômica adotada por sucessivos governos foi a contenção de gastos para possibilitar o equilíbrio das contas públicas e viabilizar o pagamento das dívidas externa e interna. em decorrência dos créditos dos seus recursos serem realizados automaticamente em favor dos Estados e Municípios de forma igualitária.66% (seis inteiros e sessenta e seis centésimos por cento). b) 13. Nesta abrangência temos: EDUCAÇÃO BÁSICA: Creche + Pré-escola + Ensino Fundamental + Médio. II . formado com recursos provenientes das três esferas de governo (Federal. vigente por 14 anos (2007 a 2020) e sua distribuição é com base no número de alunos da educação básica (Matriculados nos respectivos âmbitos de atuação prioritária) e constantes do último Censo Escolar. Estadual e Municipal). 3o desta Lei somados aos referidos neste inciso garantam a aplicação do mínimo de 25% (vinte e cinco por cento) desses impostos e transferências em favor da manutenção e desenvolvimento do ensino. Art.33% (treze inteiros e trinta e três centésimos por cento). um Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação . a que se referem os incisos I a IX do capute o § 1odo art. Assim.pelo menos 25% (vinte e cinco por cento) dos demais impostos e transferências.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS c) 20% (vinte por cento). o Fundo tem seu vínculo com a esfera Federal (a União participa da composição e distribuição dos recursos). instituído pela Emenda Constitucional nº 53. 155. tendo como abrangência toda a Educação Didatismo e Conhecimento 60 5 LEI Nº 11. inclusive Educação de Jovens e Adultos. a Estadual (os Estados participam da composição.494 DE 20 DE JUNHO DE 2007 LEI FEDERAL Nº 11. 212 da Constituição Federal e no inciso VI do capute parágrafo único do art. 10 e no inciso I do caput do art.FUNDEB. 60 do Ato das  Disposições  Constitucionais Transitórias . nos termos desta Emenda Constitucional. no segundo ano. o Ministério da Educação encaminhou.”(NR) Art.”(NR) § 6º (Revogado). Estadual ou Municipal. Em suma o FUNDEB é um fundo de natureza contábil. 3o desta Lei. pelo fato da arrecadação e distribuição dos recursos que o formam serem realizadas pela União e pelos Estados. do Distrito Federal. no primeiro ano. e dos incisos II e III do caput do art. Parágrafo único. que é afetada pelo desempenho da economia. . de natureza contábil.Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação – que substituiu o Fundef. a partir do terceiro ano. 11 da Lei nº 9. Esses aspectos do Fundeb o revestem de peculiaridades que transcendem sua simples caracterização como Federal.

II . Art.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS CAPÍTULO II DA COMPOSIÇÃO FINANCEIRA Seção I Das Fontes de Receita dos Fundos Art. nos termos da Seção II deste Capítulo. Art. VII . 45% (quarenta e cinco por cento) até 31 de julho. o valor médio ponderado por aluno. 159 da Constituição Federal e no Sistema Tributário Nacional de que trata a Lei nº 5. de 25 de outubro de 1966. VIII . a serem realizados até o último dia útil de cada mês. 155 combinado com o inciso IV do caput do art. 6o  A complementação da União será de. assegurados os repasses de. na forma do regulamento. § 2o  A vinculação de recursos para manutenção e desenvolvimento do ensino estabelecida no art.172. § 2o  Além dos recursos mencionados nos incisos do caput e no § 1o deste artigo. a ser fixada anualmente pela Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade instituída na forma da Seção II do Capítulo III desta Lei. 60 do ADCT. de 26 de dezembro de 1989.parcela do produto da arrecadação do imposto sobre a propriedade territorial rural. no mínimo. § 2o  A complementação da União a maior ou a menor em função da diferença entre a receita utilizada para o cálculo e a receita realizada do exercício de referência será ajustada no 1o (primeiro) quadrimestre do exercício imediatamente subseqüente e debitada ou creditada à conta específica dos Fundos. são compostos por 20% (vinte por cento) das seguintes fontes de receita: I . considerando-se a complementação da União após a dedução da parcela de que trata o art. 4o  A União complementará os recursos dos Fundos sempre que.receitas da dívida ativa tributária relativa aos impostos previstos neste artigo. II . 158 da Constituição Federal. de 85% (oitenta e cinco por cento) até 31 de dezembro de cada ano.parcela do produto da arrecadação do imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza e do imposto sobre produtos industrializados devida ao Fundo de Participação dos Municípios – FPM e prevista na alínea b do inciso I do caput do art. Art. não alcançar o mínimo definido nacionalmente. 155 combinado com o inciso III do caput do art. conforme o caso. no âmbito de cada Estado e no Distrito Federal. relativamente a imóveis situados nos Municípios. 7o  Parcela da complementação da União.imposto sobre a propriedade de veículos automotores previsto no inciso III do caput do art. Seção II Da Complementação da União Art. levar-se-á em consideração: I . Parágrafo único. no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal. calculado na forma do Anexo desta Lei.172. 158 da Constituição Federal. § 1o  A complementação da União observará o cronograma da programação financeira do Tesouro Nacional e contemplará pagamentos mensais de. no mínimo. 3o  Os Fundos. 60 do ADCT. 5% (cinco por cento) da complementação anual. § 1o  Inclui-se na base de cálculo dos recursos referidos nos incisos do caput deste artigo o montante de recursos financeiros transferidos pela União aos Estados. ao Distrito Federal e aos Municípios. 159 da Constituição Federal e no Sistema Tributário Nacional de que trata a Lei no 5. V . os Fundos contarão com a complementação da União. e de 100% (cem por cento) até 31 de janeiro do exercício imediatamente subseqüente. bem como juros e multas eventualmente incidentes. fixado 61 de forma a que a complementação da União não seja inferior aos valores previstos no inciso VII do caput do art.imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transportes interestadual e intermunicipal e de comunicação previsto no inciso II do caput do art. 10% (dez por cento) do total dos recursos a que se refere o inciso II do caput do art.imposto sobre transmissão causa mortis e doação de quaisquer bens ou direitos previsto no inciso I do caput do art. § 1o  É vedada a utilização dos recursos oriundos da arrecadação da contribuição social do salário-educação a que se refere o § 5º do art. IV .  prevista no  inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal. conforme disposto na Lei Complementar nº 87. limitada a até 10% (dez por cento) de seu valor anual. aplicando-se o disposto no caput do art. de 25 de outubro de 1966. 7o desta Lei. § 3o  O não-cumprimento do disposto no caput deste artigo importará em crime de responsabilidade da autoridade competente. 30% (trinta por cento) da complementação da União. 157 da Constituição Federal. poderá ser distribuída para os Fundos por meio de programas direcionados para a melhoria da qualidade da educação básica. 4o desta Lei.  Para a distribuição da parcela de recursos da complementação a que se refere o caputdeste artigo aos Fundos de âmbito estadual beneficiários da complementação nos termos do art.parcela do produto da arrecadação do imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza e do imposto sobre produtos industrializados devida ao Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal – FPE e prevista na alínea a do inciso I do caput do art. 158 da Constituição Federal.o desempenho do sistema de ensino no que se refere ao esforço de habilitação dos professores e aprendizagem dos educandos e melhoria do fluxo escolar. § 2o  O valor anual mínimo por aluno será definido nacionalmente. de 13 de setembro de 1996. 154 da Constituição Federal prevista no inciso II do caput do art. 5o  A complementação da União destina-se exclusivamente a assegurar recursos financeiros aos Fundos. 160 da Constituição Federal. § 1o  O valor anual mínimo por aluno definido nacionalmente constitui-se em valor de referência relativo aos anos iniciais do ensino fundamental urbano e será determinado contabilmente em função da complementação da União.parcela do produto da arrecadação do imposto sobre produtos industrializados devida aos Estados e ao Distrito Federal e prevista no inciso II do caput do art. Didatismo e Conhecimento . III . VI . no mínimo.parcela do produto da arrecadação do imposto que a União eventualmente instituir no exercício da competência que lhe é atribuída pelo inciso I do caput do art. 212 da Constituição Federal suportará. no máximo. 212 da Constituição Federal na complementação da União aos Fundos. relativa a programas direcionados para a melhoria da qualidade da educação básica. e IX .a apresentação de projetos em regime de colaboração por Estado e respectivos Municípios ou por consórcios municipais. 159 da Constituição Federal e na Lei Complementar no 61.

realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira . IV . confessionais ou filantrópicas. para efeito da distribuição dos recursos previstos no inciso II do caput do art. considerando-se exclusivamente as matrículas nos respectivos âmbitos de atuação prioritária.pré-escola em tempo integral.ensino fundamental em tempo integral. IV .anos iniciais do ensino fundamental urbano.ensino médio em tempo integral. 8o  A distribuição de recursos que compõem os Fundos.atender a padrões mínimos de qualidade definidos pelo órgão normativo do sistema de ensino. XVII . IV . § 1o  Admitir-se-á. Art. modalidades e tipos de estabelecimento será resultado da multiplicação do fator de referência por um fator específico fixado entre 0.ter certificado do Conselho Nacional de Assistência Social ou órgão equivalente. 60 do ADCT. § 3o  Para os fins do disposto neste artigo. apresentar recursos para retificação dos dados publicados.pré-escola em tempo parcial. confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos. II . os Estados e seus Municípios. 10. CAPÍTULO III DA DISTRIBUIÇÃO DOS RECURSOS Seção I Disposições Gerais Art. o cômputo das matrículas efetivadas na educação infantil oferecida em creches para crianças de até 3 (três) anos. 60 da Lei no 9. ter aprovados seus projetos pedagógicos. conveniadas com o poder público. 21 desta Lei. XIV . serão consideradas exclusivamente as matrículas presenciais efetivas. dar-se-á. XVI . 22 desta Lei. § 3o  Os profissionais do magistério da educação básica da rede pública de ensino cedidos para as instituições a que se referem os §§ 1o. com avaliação no processo. observandose. conforme os dados apurados no censo escolar mais atualizado.70 (setenta centésimos) e 1. VII .educação de jovens e adultos integrada à educação profissional de nível médio.anos finais do ensino fundamental urbano. 9o  Para os fins da distribuição dos recursos de que trata esta Lei. as matrículas na rede regular de ensino. 3o e 4o deste artigo ou ao poder público no caso do encerramento de suas atividades.comprovar finalidade não lucrativa e aplicar seus excedentes financeiros em educação na etapa ou modalidade previstas nos §§ 1o.394.ensino médio no campo.30 (um inteiro e trinta centésimos).a vigência de plano estadual ou municipal de educação aprovado por lei.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS III . no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal. 3o e 4o do art. e em escolas especiais ou especializadas. III . entre o governo estadual e os de seus Municípios. o cômputo das matrículas  das pré-escolas. § 1o  Os recursos serão distribuídos entre o Distrito Federal. V . § 1o  A ponderação entre diferentes etapas. § 4o  Os Estados. VI . o limite previsto no art. na forma do Anexo desta Lei.ensino médio urbano. § 3o  Admitir-se-á.educação de jovens e adultos com avaliação no processo. § 2o  Serão consideradas.creche em tempo integral. 3o e 4o deste artigo somente poderão ser destinados às categorias de despesa previstas no art. 211 da Constituição Federal. efetivadas.oferecer igualdade de condições para o acesso e permanência na escola e atendimento educacional gratuito a todos os seus alunos. de 20 de dezembro de 1996.educação indígena e quilombola. XIII . e no § 2o deste artigo.o esforço fiscal dos entes federados. XI . VIII . para  a  educação especial. observadas as condições previstas nos incisos I a V do § 2o deste artigo. conveniadas com o poder público e que atendam às crianças de 4 (quatro) e 5 (cinco) anos. o Distrito Federal e os Municípios poderão.educação especial. IX. § 5o  Eventuais diferenças do valor anual por aluno entre as instituições públicas da etapa e da modalidade referidas neste artigo e as instituições a que se refere o § 1o deste artigo serão aplicadas na criação de infra-estrutura da rede escolar pública. conforme o censo escolar mais atualizado. conforme os §§ 2º e 3º do art. na proporção do número de alunos matriculados nas respectivas redes de educação básica pública presencial. observado o disposto no § 1o do art. observado o disposto no § 1o do art.creche em tempo parcial. filantrópica ou confessional com atuação na etapa ou modalidade previstas nos §§ 1o. § 6o  Os recursos destinados às instituições de que tratam os §§ 1o. XII . § 2o  A ponderação entre demais etapas. 8o desta Lei serão considerados como em efetivo exercício na educação básica pública para fins do disposto no art. pelo prazo de 4 (quatro) anos. 3o e 4o deste artigo. o regulamento disporá sobre a educação básica em tempo integral e sobre os anos iniciais e finais do ensino fundamental. admitir-se-á o cômputo das matrículas efetivadas. V . no prazo de 30 (trinta) dias da publicação dos dados do censo escolar no Diário Oficial da União. XV . obrigatoriamente. inclusive.anos finais do ensino fundamental no campo. na forma do regulamento.  A distribuição proporcional de recursos dos Fundos levará em conta as seguintes diferenças entre etapas. § 4o  Observado o disposto no parágrafo único do art. II . considerando as ponderações aplicáveis.anos iniciais do ensino fundamental no campo.INEP. X . modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica: I . modalidades e tipos de estabelecimento de ensino adotará como referência o fator 1 (um) para os anos iniciais do ensino fundamental urbano. 70 da Lei nº 9. 11 desta Lei.394. Didatismo e Conhecimento 62 Art. em classes comuns ou em classes especiais de escolas regulares. III . § 2o  As instituições a que se refere o § 1o deste artigo deverão obrigatória e cumulativamente: I . . em qualquer hipótese. confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos e conveniadas com o poder público. conforme o censo escolar mais atualizado até a data de publicação desta Lei. § 4o  O direito à educação infantil será assegurado às crianças até o término do ano letivo em que completarem 6 (seis) anos de idade. com atuação exclusiva na modalidade. 32 desta Lei. de 20 de dezembro de 1996. sem fins lucrativos.ensino médio integrado à educação profissional.assegurar a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária. na educação especial oferecida em instituições comunitárias. em relação às instituições comunitárias. comunitárias.

10 desta Lei. São unidades transferidoras a União. dos Estados e do Distrito Federal e serão creditados pela União em favor dos Governos Estaduais.elaborar. para vigência no exercício seguinte. a Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade. . no âmbito do Ministério da Educação. § 3o  A participação na Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade é função não remunerada de relevante interesse público. CAPÍTULO IV DA TRANSFERÊNCIA E DA GESTÃO DOS RECURSOS Art. ao Distrito Federal e aos Municípios. V . observado o disposto no art. até 31 de dezembro de cada exercício. segundo estudos de custo realizados e publicados pelo Inep. observados os mesmos prazos.a estimativa dos valores anuais por aluno no âmbito do Distrito Federal e de cada Estado. percentual de até 15% (quinze por cento) dos recursos do Fundo respectivo. O Poder Executivo federal publicará.CONSED. ou Caixa Econômica Federal. observado o disposto no art. 208 da Constituição Federal e às metas de universalização da educação básica estabelecidas no plano nacional de educação.  Fica instituída. baixado em portaria do Ministro de Estado da Educação. IV . Didatismo e Conhecimento 63 § 1o  Serão adotados como base para a decisão da Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade os dados do censo escolar anual mais atualizado realizado pelo Inep. 159 da Constituição Federal.  Para o ajuste da complementação da União de que trata o § 2o do art. Art. bem como os repasses aos Fundos à conta das compensações financeiras aos Estados. quando convocados. Seção II Da Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade Art. e seus membros. os Estados e o Distrito Federal em relação às respectivas parcelas do Fundo cuja arrecadação e disponibilização para distribuição sejam de sua responsabilidade. vinculadas ao respectivo Fundo. II . II . do Distrito Federal e dos Municípios. II. Parágrafo único. IV . dos Estados e do Distrito Federal.UNDIME. provenientes da União. 13. II . para vigência no exercício subseqüente: I . em cada Estado e no Distrito Federal. 7o desta Lei.1 (um) representante dos secretários  estaduais de educação de cada uma das 5 (cinco) regiões político-administrativas do Brasil  indicado  pelas  seções regionais do Conselho Nacional de Secretários de Estado da Educação .a estimativa da receita total dos Fundos.  Os recursos dos Fundos. III . serão repassados automaticamente para contas únicas e específicas dos Governos Estaduais. nos termos da alínea c do inciso III do caput do art. com a seguinte composição: I . observado o disposto no art.A.especificar anualmente as ponderações aplicáveis entre diferentes etapas. respeitados os critérios e as finalidades estabelecidas nesta Lei. 6o desta Lei. § 2o  As deliberações relativas à especificação das ponderações serão baixadas em resolução publicada no Diário Oficial da União até o dia 31 de julho de cada exercício. III . 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias . Distrito Federal e Municípios a que se refere a Lei Complementar no 87.o valor anual mínimo por aluno definido nacionalmente.  As despesas da Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade correrão à conta das dotações orçamentárias anualmente consignadas ao Ministério da Educação. 12. Art. farão jus a transporte e diárias. observará. os valores da arrecadação efetiva dos impostos e das transferências de que trata o art.fixar anualmente o limite proporcional de apropriação de recursos pelas diferentes etapas.elaborar seu regimento interno. III .1 (um) representante dos secretários municipais de educação de cada uma das 5 (cinco) regiões político-administrativas do Brasil indicado pelas  seções regionais da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação . 16.  No exercício de suas atribuições.  Os recursos dos Fundos serão disponibilizados pelas unidades transferidoras ao Banco do Brasil S. levando em consideração a correspondência ao custo real da respectiva etapa e modalidade e tipo de estabelecimento de educação básica. até o dia 31 de janeiro. 17.  A apropriação dos recursos em função das matrículas na modalidade de educação de jovens e adultos. compete à Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade: I .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. III e IV do caput do art.fixar anualmente a parcela da complementação da União a ser distribuída para os Fundos por meio de programas direcionados para a melhoria da qualidade da educação básica.1 (um) representante do Ministério da Educação. instituídas para esse fim e mantidas na instituição financeira de que trata o art. 15. 11. constarão dos orçamentos da União. que realizará a distribuição dos valores devidos aos Estados. 158 e as alíneas a e b do inciso I do caput e inciso II do caput do art. os Estados e o Distrito Federal deverão publicar na imprensa oficial e encaminhar à Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda. § 1o  As deliberações da Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade serão registradas em ata circunstanciada. bem como respectivos critérios de distribuição. sempre que necessário. 11 desta Lei. 14. 3o desta Lei referentes ao exercício imediatamente anterior. § 2o  A Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade exercerá suas competências em observância às garantias estabelecidas nos incisos I. § 1o  Os repasses aos Fundos provenientes das participações a que se refere o inciso II do caput do art. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica. lavrada conforme seu regimento interno. de 13 de setembro de 1996. requisitar ou orientar a elaboração de estudos técnicos pertinentes. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica. Art.ADCT. Art. Parágrafo único. do Distrito Federal e dos Municípios nas contas específicas a que se refere este artigo. procedimentos e forma de divulgação adotados para o repasse do restante dessas transferências constitucionais em favor desses governos.a estimativa do valor da complementação da União. 16 desta Lei.

II e III do caput do art. inspeção. ao Distrito Federal e aos Municípios nas contas específicas referidas neste artigo. acompanhados da transferência imediata de recursos financeiros correspondentes ao número de matrículas assumido pelo ente federado.394. § 4o  Os recursos dos Fundos provenientes da parcela do imposto sobre produtos industrializados. § 1o  Os recursos poderão ser aplicados pelos Estados e Municípios indistintamente entre etapas. 5º da Lei Complementar nº 61.  Os eventuais saldos de recursos financeiros disponíveis nas contas específicas dos Fundos cuja perspectiva de utilização seja superior a 15 (quinze) dias deverão ser aplicados em operações financeiras de curto prazo ou de mercado aberto. com o ente governamental que o remunera. § 3o  A instituição financeira de que trata o caput deste artigo. poderão ser utilizados no 1o (primeiro) trimestre do exercício imediatamente subseqüente. de 11 de janeiro de 1990. observados os mesmos prazos. 23. 20.efetivo exercício: atuação efetiva no desempenho das atividades de magistério previstas no inciso II deste parágrafo associada à sua regular vinculação contratual.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS § 2o  Os repasses aos Fundos provenientes dos impostos previstos nos incisos I. serão creditados pela União em favor dos Governos Estaduais e do Distrito Federal nas contas específicas. de 26 de dezembro de 1989. profissionais que oferecem suporte pedagógico direto ao exercício da docência: direção ou administração escolar. orientação educacional e coordenação pedagógica.  Os recursos disponibilizados aos Fundos pela União. 69 da Lei no 9. Estados e Municípios na forma prevista no § 5o do art. 70 da Lei nº 9.394. integrantes da estrutura. na forma do disposto no art. 21. pelo Distrito Federal ou pelos Municípios que não se destinem ao financiamento de projetos. 18.  É vedada a utilização dos recursos dos Fundos: I . com ônus para o empregador. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica nos seus respectivos âmbitos de atuação prioritária. mediante abertura de crédito adicional. III e IV do § 1o do  art. de 20 de dezembro de 1996. observados os critérios e as finalidades estabelecidas nesta Lei. de que trata o inciso II do caput do art. pelo Distrito Federal e pelos Municípios. 71 da Lei nº 9.  Nos termos do § 4º do art. conforme disposto no art. Parágrafo único. § 5o  Do montante dos recursos do imposto sobre produtos industrializados de que trata o inciso II do caput do art. em decorrência do efetivo exercício em cargo.no financiamento das despesas não consideradas como de manutenção e desenvolvimento da educação básica. ações ou programas considerados como ação de manutenção e desenvolvimento do ensino para a educação básica. segundo os critérios e respeitadas as finalidades estabelecidas nesta Lei. inclusive os encargos sociais incidentes. 158 da Constituição Federal constarão dos orçamentos dos Governos Estaduais e do Distrito Federal e serão depositados pelo estabelecimento oficial de crédito previsto no art. conforme estabelecido nos §§ 2º e 3º do art. 4o da Lei Complementar no 63.394. pelos Estados e pelo Distrito Federal deverão ser registrados de forma detalhada a fim de evidenciar as respectivas transferências. temporária ou estatutária. § 7o  Os recursos depositados na conta específica a que se refere o caput deste artigo serão depositados pela União. lastreadas em títulos da dívida pública. creditará imediatamente as parcelas devidas ao  Governo Estadual. planejamento.  Para os fins do disposto no caput deste artigo. considera-se: I .remuneração: o total de pagamentos devidos aos profissionais do magistério da educação. Art.profissionais do magistério da educação: docentes. Art. 22. permanentemente. no que se refere aos recursos dos impostos e participações mencionados no § 2o deste artigo. materiais e encargos financeiros. 211 da Constituição Federal. CAPÍTULO V DA UTILIZAÇÃO DOS RECURSOS Art. procedimentos e forma de divulgação previstos na Lei Complementar nº 61. procedimentos e forma de divulgação do restante dessa transferência aos Municípios. Art. serão utilizados pelos Estados. 159 da Constituição Federal. 155 combinados com os incisos III e IV do caput do art. § 2o  Até 5% (cinco por cento) dos recursos recebidos à conta dos Fundos. Art. 159 da Constituição Federal a parcela devida aos Municípios.  Os recursos dos Fundos. assim como de transporte escolar. § 6o A instituição financeira disponibilizará. inclusive aqueles oriundos de complementação da União. no momento em que a arrecadação estiver sendo realizada nas contas do Fundo abertas na instituição financeira de que trata o caputdeste artigo. conforme o art.  (VETADO) Art. de 20 de dezembro de 1996. III . aos conselhos referidos nos incisos II. conforme o caso. será repassada pelo Governo Estadual ao respectivo Fundo e os recursos serão creditados na conta específica a que se refere este artigo. de modo a preservar seu poder de compra. inclusive relativos à complementação da União recebidos nos termos do § 1o do art. quadro ou tabela de servidores do Estado. Didatismo e Conhecimento 64 Parágrafo único. Distrito Federal ou Município. Distrito Federal. internas ou externas.como garantia ou contrapartida de operações de crédito. de 26 de dezembro de 1989. observados os mesmos prazos. em ações consideradas como de manutenção e desenvolvimento do ensino para a educação básica pública.  Os ganhos financeiros auferidos em decorrência das aplicações previstas no caput deste artigo deverão ser utilizados na mesma finalidade e de acordo com os mesmos critérios e condições estabelecidas para utilização do valor principal do Fundo. 19.  Pelo menos 60% (sessenta por cento) dos recursos anuais totais dos Fundos serão destinados ao pagamento da remuneração dos profissionais do magistério da educação básica em efetivo exercício na rede pública. 6o desta Lei. não sendo descaracterizado  por  eventuais afastamentos temporários previstos em lei. na instituição financeira responsável pela movimentação dos recursos. II . 211 da Constituição Federal. procedendo à divulgação dos valores creditados de forma similar e com a mesma periodicidade utilizada pelos Estados em relação ao restante da transferência do referido imposto. supervisão. 24 desta Lei os extratos  bancários referentes à conta do fundo. . recursos humanos. de 20 de dezembro de 1996. no exercício financeiro em que lhes forem creditados. contraídas pelos Estados. Parágrafo único. emprego ou função. II . que não impliquem rompimento da relação jurídica existente. os Estados e os Municípios poderão celebrar convênios para a transferência de alunos.

f) 2 (dois) representantes dos pais de alunos da educação básica pública.não será remunerada.estudantes que não sejam emancipados. Didatismo e Conhecimento 65 d) 1 (um) representante dos servidores técnico-administrativos das escolas básicas públicas. do Distrito Federal e dos Municípios. em processo eletivo organizado para esse fim.em âmbito federal. § 8o  A atuação dos membros dos conselhos dos Fundos: I . bem como cônjuges.em âmbito municipal. nos casos das representações dessas instâncias. g) 2 (dois) representantes dos estudantes da educação básica pública. . por no mínimo 14 (quatorze) membros. e dos Secretários Estaduais. h) 2 (dois) representantes dos pais de alunos da educação básica pública. II . dos quais pelo menos 1 (um) da Secretaria Municipal de Educação ou órgão educacional equivalente. 24. e) 2 (dois) representantes dos pais de alunos da educação básica pública. sendo a composição determinada pelo disposto no inciso II deste parágrafo.cônjuge e parentes consangüíneos ou afins. CONTROLE SOCIAL.CONSED. c) 1 (um) representante do Conselho Estadual de Educação.069. i) 2 (dois) representantes dos estudantes da educação básica pública. c) 1 (um) representante dos diretores das escolas básicas públicas. Distritais ou Municipais. o Ministério da Educação designará os integrantes do conselho previsto no inciso I do § 1o deste artigo. no âmbito da União. e) 1 (um) representante do Conselho Nacional de Secretários de Estado da Educação .é considerada atividade de relevante interesse social.pais de alunos que: a) exerçam cargos ou funções públicas de livre nomeação e exoneração no âmbito dos órgãos do respectivo Poder Executivo gestor dos recursos. conforme o caso. § 1o  Os conselhos serão criados por legislação específica. um dos quais indicado pela União Brasileira de Estudantes Secundaristas . estadual ou municipal. § 2o  Integrarão ainda os conselhos municipais dos Fundos.CNTE. § 5o  São impedidos de integrar os conselhos a que se refere o caput deste artigo: I . um dos quais indicado pela entidade de estudantes secundaristas. pelos respectivos pares. III . COMPROVAÇÃO E FISCALIZAÇÃO DOS RECURSOS Art. por no mínimo 9 (nove) membros. IV . dos quais pelo menos 1 (um) do órgão estadual responsável pela educação básica. por conselhos instituídos especificamente para esse fim. contador ou funcionário de empresa de assessoria ou consultoria que prestem serviços relacionados à administração ou controle interno dos recursos do Fundo.pelos dirigentes dos órgãos  federais. II . b) 1 (um) representante dos professores da educação básica pública. sendo: a) até 4 (quatro) representantes do Ministério da Educação. § 7o  Os conselhos dos Fundos atuarão com autonomia. III e IV do § 1o deste artigo. d) 1 (um) representante do Conselho Nacional de Educação.nos casos dos representantes dos diretores. III . do Governador e do Vice-Governador. ou b) prestem serviços terceirizados. e o Poder Executivo  competente  designará os integrantes dos conselhos previstos nos incisos II.CNTE. III . de 13 de julho de 1990. e) 1 (um) representante da seccional da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação .no Distrito Federal. II . na forma dos incisos I e II do § o 3 deste artigo. g) 1 (um) representante da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação . § 6o  O presidente dos conselhos previstos no caput deste artigo será eleito por seus pares em reunião do colegiado. b) 1 (um) representante do Ministério da Fazenda. editada no pertinente âmbito governamental.UNDIME. c) 1 (um) representante do Ministério do Planejamento. Orçamento e Gestão. do Distrito Federal e dos Municípios. pais de alunos e estudantes. dos Estados. até 3o (terceiro) grau. quando houver. parentes consangüíneos ou afins. indicados por seus pares. excluídos os membros mencionados nas suas alíneas b e d. sendo: a) 2 (dois) representantes do Poder Executivo Municipal. sendo: a) 3 (três) representantes do Poder Executivo estadual. dos Ministros de Estado. b) 2 (dois) representantes dos Poderes Executivos Municipais. II . § 4o  Indicados os conselheiros. IV . desses profissionais.em âmbito estadual. sem vinculação ou subordinação institucional ao Poder Executivo local e serão renovados periodicamente ao final de cada mandato dos seus membros. do Presidente e do Vice-Presidente da República. a transferência e a aplicação dos recursos dos Fundos serão exercidos. f) 2 (dois) representantes dos estudantes da educação básica pública.tesoureiro.  O acompanhamento e o controle social sobre a distribuição. municipais e do Distrito Federal e das entidades de classes organizadas. 1 (um) dos quais indicado pela entidade estadual de estudantes secundaristas. junto aos respectivos governos. sendo impedido de ocupar a função o representante do governo gestor dos recursos do Fundo no âmbito da União. no âmbito dos Poderes Executivos em que atuam os respectivos conselhos. até 3o (terceiro) grau. por no mínimo 9 (nove) membros. observados os seguintes critérios de composição: I .nos casos de representantes de professores e servidores. pelas entidades sindicais da respectiva categoria. pelo conjunto dos estabelecimentos ou entidades de âmbito nacional. d) 1 (um) representante da seccional da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS CAPÍTULO VI DO ACOMPANHAMENTO. por no mínimo 12 (doze) membros.UNDIME. § 3o  Os membros dos conselhos previstos no caput deste artigo serão indicados até 20 (vinte) dias antes do término do mandato dos conselheiros anteriores: I . estaduais.UBES. f) 1 (um) representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação . do Prefeito e do Vice-Prefeito. dos Estados. 1 (um) representante do respectivo Conselho Municipal de Educação e 1 (um) representante do Conselho Tutelar a que se refere a Lei no 8.

III . Art. especialmente em relação à complementação da União. Didatismo e Conhecimento 66 II . modalidade ou tipo de estabelecimento a que estejam vinculados. c) a utilização em benefício do sistema de ensino de bens adquiridos com recursos do Fundo. Parágrafo único.  Os conselhos dos Fundos não contarão com estrutura administrativa própria. serão exercidos: I . devendo a autoridade convocada apresentar-se em prazo não superior a 30 (trinta) dias. relativos aos recursos repassados e recebidos à conta dos Fundos assim como os referentes às despesas realizadas ficarão permanentemente à disposição dos conselhos responsáveis. supervisionar o censo escolar anual e a elaboração da proposta orçamentária anual. § 9o  Aos conselhos incumbe. acompanhar a aplicação dos recursos federais transferidos à conta do Programa Nacional de Apoio ao Transporte  do Escolar . Parágrafo único. atualizados.pelo órgão de controle interno no âmbito da União e pelos órgãos de controle interno no âmbito dos Estados. § 12. 8o desta Lei.assegura isenção da obrigatoriedade de testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em razão do exercício de suas atividades de conselheiro e sobre as pessoas que lhes confiarem ou deles receberem informações. no máximo. 25. 28. . estaduais e municipais de controle interno e externo. ao Distrito Federal e aos Municípios garantir infra-estrutura e condições materiais adequadas à execução plena das competências dos conselhos e oferecer ao Ministério da Educação os dados cadastrais relativos à criação e composição dos respectivos conselhos. d) outros documentos necessários ao desempenho de suas funções.pelos Tribunais de Contas dos Estados.apresentar ao Poder Legislativo local e aos órgãos de controle interno e externo manifestação formal acerca dos registros contábeis e dos demonstrativos gerenciais do Fundo. incumbindo à União. III . representação estudantil poderá acompanhar as reuniões do conselho com direito a voz. dos interesses sociais e individuais indisponíveis. 27.requisitar ao Poder Executivo cópia de documentos referentes a: a) licitação. III e IV do § 1o do art.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS III . 212 da Constituição Federal e do disposto nesta Lei. Art. II . b) a adequação do serviço de transporte escolar. § 10.  A fiscalização e o controle referentes ao cumprimento do disposto no art. § 11. 24 desta Lei poderão. 34 e do inciso III do caput do art. especialmente quanto às transferências de recursos federais. com o objetivo de concorrer para o regular e tempestivo tratamento e encaminhamento dos dados estatísticos e financeiros que alicerçam a operacionalização dos Fundos. Art. V . inclusive por meio eletrônico. relacionada ao pleno cumprimento desta Lei. formulando pareceres conclusivos acerca da aplicação desses recursos e encaminhando-os ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação . empenho. ainda. do Distrito Federal e dos Municípios. e os Municípios à intervenção dos respectivos Estados a que pertencem. atribuição de falta injustificada nas atividades escolares. 29. ainda. nos termos da alínea e do inciso VII do caput do  art. liquidação e pagamento de obras e serviços custeados com recursos do Fundo.  A defesa da ordem jurídica. b) atribuição de falta injustificada ao serviço em função das atividades do conselho.FNDE.  Os Estados. e ser-lhes-á dada ampla publicidade. no curso do mandato: a) exoneração ou demissão do cargo ou emprego sem justa causa ou transferência involuntária do estabelecimento de ensino em que atuam.veda. Art. do Distrito Federal e dos Municípios.  Aos conselhos incumbe. convocar o Secretário de Educação competente ou servidor equivalente para prestar esclarecimentos acerca do fluxo de recursos e a execução das despesas do Fundo.  Os conselhos referidos nos incisos II.  Na hipótese da inexistência de estudantes emancipados. quando os conselheiros forem representantes de professores e diretores ou de servidores das escolas públicas. no curso do mandato. no que tange às atribuições a cargo dos órgãos federais. IV .por decisão da maioria de seus membros. no âmbito de suas respectivas esferas governamentais de atuação. b) folhas de pagamento dos profissionais da educação.  As prestações de contas serão instruídas com parecer do conselho responsável.pelo Tribunal de Contas da União. sempre que julgarem conveniente: I . Art.veda. bem como dos órgãos federais. compete ao Ministério Público dos Estados e do Distrito Federal e Territórios e ao Ministério Público Federal.  Os registros contábeis e os demonstrativos gerenciais mensais. permitida 1 (uma) recondução por igual período. também. § 13. junto aos respectivos entes governamentais sob suas jurisdições. as quais deverão discriminar aqueles em efetivo exercício na educação básica e indicar o respectivo nível. c) documentos referentes aos convênios com as instituições a que se refere o art.realizar visitas e inspetorias in loco para verificar:  a) o desenvolvimento regular de obras e serviços efetuados nas instituições escolares com recursos do Fundo. especialmente em relação à aplicação da totalidade dos recursos dos Fundos. receber e analisar as prestações de contas referentes a esses Programas. 212 da Constituição Federal e do disposto nesta Lei sujeitará os Estados e o Distrito Federal à intervenção da União.  Os membros dos conselhos de acompanhamento e controle terão mandato de.PNATE e do Programa de Apoio aos Sistemas de Ensino para Atendimento à Educação de Jovens e Adultos e. que deverá ser apresentado ao Poder Executivo respectivo em até 30 (trinta) dias antes do vencimento do prazo para a apresentação da prestação de contas prevista no caputdeste artigo. aos Estados. do regime democrático. quando os conselheiros forem representantes de estudantes em atividades do conselho. observada a regulamentação aplicável. 35 da Constituição Federal.  O descumprimento do disposto no art. IV . 26. 2 (dois) anos. o Distrito Federal e os Municípios prestarão contas dos recursos dos Fundos conforme os procedimentos adotados pelos Tribunais de Contas competentes. c) afastamento involuntário e injustificado da condição de conselheiro antes do término do mandato para o qual tenha sido designado.

no mínimo. do inciso IV do caput do art. no 1o (primeiro) ano. incisos II e III do caput do art. a partir do 3o (terceiro) ano. e III .na divulgação de orientações sobre a operacionalização do Fundo e de dados sobre a previsão. § 7o  Até o 3o (terceiro) ano de vigência dos Fundos.no apoio técnico relacionado aos procedimentos e critérios de aplicação dos recursos dos Fundos. c) a totalidade das matrículas a partir do 3o (terceiro) ano de vigência do Fundo.R$ 2. 155. das alíneas a e b do inciso I e do inciso II do caput do art. § 6o  Até o 3o (terceiro) ano de vigência dos Fundos. § 1o  A porcentagem de recursos de que trata o art. estabelecido pela Emenda Constitucional nº 14. no 1o (primeiro) ano.no monitoramento da aplicação dos recursos dos Fundos.00 (quatro bilhões e quinhentos milhões de reais). por meio de publicação e distribuição de documentos informativos e em meio eletrônico de livre acesso público. 129 da Constituição Federal.para o ensino fundamental regular e especial público: a totalidade das matrículas imediatamente a partir do 1o (primeiro) ano de vigência do Fundo. IV . bem como para a receita a que se refere o § 1o do art. 30. Art. 158.000. inclusive. II e III do § 3o deste artigo serão corrigidos. no 3o (terceiro) ano de vigência dos Fundos. b) 13. 157. inclusive.500. 158 da Constituição Federal: Didatismo e Conhecimento 67 a) 6. 3o desta Lei será alcançada conforme a seguinte progressão: I . II .000. Distrito Federal e Municípios e às instâncias responsáveis pelo acompanhamento. VI . no mínimo. e c) 20% (vinte por cento).na capacitação dos membros dos conselhos. § 2o  Admitir-se-á litisconsórcio facultativo entre os Ministérios Públicos da União. de 19 de dezembro de 2006. de forma a preservar em caráter permanente o valor real da complementação da União. 5% (cinco por cento) da complementação anual.FUNDEF. de 12 de setembro de 1996. e c) 20% (vinte por cento).66% (dezesseis inteiros e sessenta e seis centésimos por cento). 31. V . com vistas na adoção de medidas operacionais e de natureza político-educacional corretivas.na realização de estudos técnicos com vistas na definição do valor referencial anual por aluno que assegure padrão mínimo de qualidade do ensino. 32. inciso II do caput do art. no mínimo: I . 5º e o § 1º do art.66% (seis inteiros e sessenta e seis centésimos por cento). no 2o (segundo) ano. § 5o  Os valores a que se referem os incisos I. CAPÍTULO VII DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS Seção I Disposições Transitórias Art. II e III do § 3o deste artigo serão atualizados. b) 2/3 (dois terços) das matrículas no 2o (segundo) ano de vigência do Fundo. no 1o (primeiro) ano de vigência dos Fundos. 159 da Constituição Federal. no 2o (segundo) ano de vigência dos Fundos. b) 18. sendo-lhes assegurado o acesso gratuito aos documentos mencionados nos arts. II . . 9o desta Lei serão consideradas conforme a seguinte progressão: I .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS § 1o  A legitimidade do Ministério Público prevista no caputdeste artigo não exclui a de terceiros para a propositura de ações a que se referem o inciso LXXIII do caput do art. o ensino médio e a educação de jovens e adultos: a) 1/3 (um terço) das matrículas no 1o (primeiro) ano de vigência do Fundo. no 2o (segundo) ano. conforme o disposto neste artigo. apurado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. III . fiscalização e controle interno e externo. a complementação da União não sofrerá ajuste quanto a seu montante em função da diferença entre a receita utilizada para o cálculo e a receita realizada do exercício de referência. II .R$ 3.  Os Fundos serão implantados progressivamente nos primeiros 3 (três) anos de vigência.  O Ministério da Educação atuará: I . devendo a primeira dessas medidas se realizar em até 2 (dois) anos após a implantação do Fundo.para os impostos e transferências constantes dos incisos I e III do caput do art. § 4o  Os valores a que se referem os incisos I.na realização de avaliações dos resultados da aplicação desta Lei. II .000. ou índice equivalente que lhe venha a suceder. 155. assegurados os repasses de.33% (dezoito inteiros e trinta e três centésimos por cento). a realização e a utilização dos valores financeiros repassados. 3o desta Lei: a) 16. o cronograma de complementação da União observará a programação financeira do Tesouro Nacional e contemplará pagamentos mensais de. no âmbito do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério .000. § 2o  As matrículas de que trata o art. não poderá ser inferior ao efetivamente praticado em 2006.000.  O valor por aluno do ensino fundamental. a serem realizados até o último dia útil de cada mês. 25 e 27 desta Lei.para os impostos e transferências constantes do inciso II do caput do art. pela variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor – INPC. e 1o de janeiro de cada um dos 3 (três) primeiros anos de vigência dos Fundos. 6o desta Lei quanto à distribuição entre os fundos instituídos no âmbito de cada Estado. a partir do 3o (terceiro) ano. 45% (quarenta e cinco por cento) até 31 de julho e de 100% (cem por cento) até 31 de dezembro de cada ano. nos primeiros 3 (três) anos de vigência dos Fundos.para a educação infantil.00 (três bilhões de reais).000.000. anualmente. Art. observado o disposto no § 2o do art.33% (treze inteiros e trinta e três centésimos por cento).000. por meio de sistema de informações  orçamentárias e financeiras e de cooperação com os Tribunais de Contas dos Estados e Municípios e do Distrito Federal.00 (dois bilhões de reais). no Fundo de cada Estado e do Distrito Federal. no período compreendido entre o mês da promulgação da Emenda Constitucional no 53. anualmente. do Distrito Federal e dos Estados para a fiscalização da aplicação dos recursos dos Fundos que receberem complementação da União. § 3o  A complementação da União será de. junto aos Estados.R$ 4. inclusive.

1. na forma do regulamento.educação de jovens e adultos integrada à educação profissional de nível médio. 36. inclusive mediante adaptações dos  conselhos do Fundef existentes na data de publicação desta Lei.0. o Distrito Federal e os Municípios deverão assegurar no financiamento da educação básica.ensino fundamental em tempo integral .1. XII . em regime de colaboração.20 (um inteiro e vinte centésimos). Art. no Fundo de cada Estado e do Distrito Federal.15 (um inteiro e quinze centésimos). as ponderações seguirão as seguintes especificações: I . É assegurada a participação popular e da comunidade educacional no processo de definição do padrão nacional de qualidade referido no caputdeste artigo. § 1o  A câmara específica de acompanhamento e controle social sobre a distribuição. § 2o  Na fixação dos valores a partir do 2o (segundo) ano de vigência do Fundeb.0.70 (setenta centésimos). II . no período de 12 (doze) meses encerrados em junho do ano imediatamente anterior.ensino médio em tempo integral .15 (um inteiro e quinze centésimos).creche pública em tempo integral . 24 desta Lei.1. II . Parágrafo único. X . as ponderações entre as matrículas da educação infantil seguirão.anos finais do ensino fundamental no campo . IV .80 (oitenta centésimos). 33.80 (oitenta centésimos).80 (oitenta centésimos). III . VI . dos Municípios.0. Art. V .pré-escola em tempo parcial . a melhoria da qualidade do ensino. a transferência e a aplicação dos recursos do Fundeb terá competência deliberativa e terminativa.1.  Os conselhos dos Fundos serão instituídos no prazo de 60 (sessenta) dias contados da vigência dos Fundos.aos quais tenham sido aplicadas  medidas socioeducativas nos termos da Lei no 8.10 (um inteiro e dez centésimos). VIII .0.95 (noventa e cinco centésimos). Art. em especial aquelas voltadas para a inclusão de crianças e adolescentes em situação de risco social. § 1o  A Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade fixará  as ponderações referentes à creche e pré-escola em tempo integral. A União. do Distrito Federal.  Os Municípios poderão integrar. 38.IBGE ou índice equivalente que lhe venha a suceder. . resulte inferior ao valor por aluno do ensino fundamental.069.educação de jovens e adultos com avaliação no processo . instituindo câmara específica para o acompanhamento e o controle social sobre a distribuição. 34. programas de apoio ao esforço para conclusão da educação básica dos alunos regularmente matriculados no sistema público de educação: I . VI . IV . de 13 de julho de 1990.1.30 (um inteiro e trinta centésimos). observado o disposto no inciso IV do § 1o e nos §§ 2o.1. o Conselho do Fundo ao Conselho Municipal de Educação.1. as seguintes pontuações: I .00 (um inteiro). XI .pré-escola em tempo integral .05 (um inteiro e cinco centésimos).90 (noventa centésimos). § 2o  Aplicar-se-ão para a constituição dos Conselhos Municipais de Educação as regras previstas no § 5o do art.20 (um inteiro e vinte centésimos). com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor . Art. 4o e 5o do art.anos iniciais do ensino fundamental urbano . fórum nacional com o objetivo de avaliar o financiamento da educação básica nacional. II .ensino médio no campo . ainda que na condição de presos provisórios.ensino médio urbano . Seção II Disposições Finais Art.creche conveniada em tempo parcial .educação indígena e quilombola . IX . 39.0. de forma a garantir padrão mínimo de qualidade definido nacionalmente. nos termos da legislação local específica e desta Lei.25 (um inteiro e vinte e cinco centésimos). 212 da Constituição Federal. contando com representantes da União. 35.90 (noventa centésimos).1. VII . modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica. XIII . Didatismo e Conhecimento 68 XV . previsto no art.anos finais do ensino fundamental urbano . com avaliação no processo .1.  A União desenvolverá e apoiará políticas de estímulo às iniciativas de melhoria de qualidade do ensino. que será corrigido.creche pública em tempo parcial . apurado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística .30 (um inteiro e trinta centésimos). no âmbito do Fundef.que cumpram pena no sistema penitenciário.20 (um inteiro e vinte centésimos). os Estados.  O valor anual mínimo por aluno definido nacionalmente para o ensino fundamental no âmbito do Fundeb não poderá ser inferior ao mínimo fixado nacionalmente em 2006 no âmbito do Fundef. dos Estados.  O Ministério da Educação deverá realizar. 37.ensino médio integrado à educação profissional .anos iniciais do ensino fundamental no campo .pré-escola . III .10 (um inteiro e dez centésimos).70 (setenta centésimos).0.creche conveniada em tempo integral . acesso e permanência na escola.educação especial .  A União. os Estados e o Distrito Federal desenvolverão.  No 1o (primeiro) ano de vigência do  Fundeb. a transferência e a aplicação dos recursos do Fundo.1. Art.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS § 1o  Caso o valor por aluno do ensino fundamental. XIV . no âmbito do Fundeb.1. mantendo-se as demais ponderações para as restantes etapas.0. 24 desta Lei. Parágrafo único. no mínimo. em 5 (cinco) anos contados da vigência dos Fundos. 3o. adotarse-á este último exclusivamente para a distribuição dos recursos do ensino fundamental.25 (um inteiro e vinte e cinco centésimos).creche . promovidas pelas unidades federadas. V .1. dos trabalhadores da educação e de pais e alunos.1. no Fundo de cada Estado e do Distrito Federal.0.INPC. anualmente. Art. § 2o  O valor por aluno do ensino fundamental a que se refere o caput deste artigo terá como parâmetro aquele efetivamente praticado em 2006.

49.2 e 3. além dos destinados à complementação ao Fundeb.  Os Fundos terão vigência até 31 de dezembro de 2020. φ j : fator de diferenciação aplicável à etapa e/ou às N ji : número de matrículas na etapa e/ou nas modalidades e/ ou no tipo de estabelecimento de ensino j no Estado i. em lei específica.1) ordenação decrescente dos valores anuais por aluno obtidos nos Fundos de cada Estado e do Distrito Federal.  Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação. II . referentes ao exercício de 2006. os arts. recursos orçamentários para a promoção de programa emergencial de apoio ao ensino médio e para reforço do programa nacional de apoio ao transporte escolar.  O ajuste da distribuição dos recursos referentes ao primeiro trimestre de 2007 será realizado no mês de abril de 2007. Art. será integralmente distribuída entre março e dezembro. no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal. 48. . conforme os seguintes procedimentos: 3. antes da complementação da União. Parágrafo único. 60 do ADCT (EC no 53/06): Comp/União:    ≥    R$ 2. 11 (educação de jovens e adultos) desta Lei. de 24 de dezembro de 1996. e o art. NPi : número de matrículas do Estado i. 47. conforme a sistemática estabelecida nesta Lei. 3. a União alocará. da observância do disposto no § 1o do art. Complementação da União fixada a partir dos valores mínimos previstos no inciso VII do caput do art.  O ajuste referente à diferença entre o total dos recursos da alínea a do inciso I e da alínea a do inciso II do § 1o do art. em cada Estado e no Distrito Federal. Art.2. de forma que o valor anual mínimo por aluno resulte definido nacionalmente em função dessa complementação.  Nos meses de janeiro e fevereiro de 2007. modalidades e/ou ao tipo de estabelecimento de ensino j.424. 1º a 8º e 13 da Lei nº 9.845. Os Estados. III .00 (dois bilhões de reais). Fi : valor do Fundo do Estado i.000.  Os Planos de Carreira deverão contemplar capacitação profissional especialmente voltada à formação continuada com vistas na melhoria da qualidade do ensino. 32 (ensino fundamental) e no art. Art. 40. de 5 de março de 2004. Art.  A partir de 1o de março de 2007. de 9 de junho de 2004. 3) distribuição da complementação da União.  (VETADO) Art. multiplicado pelos fatores de ponderações aplicáveis. 4) verificação.a melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem. sem o pagamento de complementação da União. 3. até 31 de agosto de 2007. conforme operação 3. 44. obtido pela razão entre o total de recursos de cada Fundo e o número de matrículas presenciais efetivas nos âmbitos de atuação prioritária (§§ 2o e 3o do art.000.000. o Distrito Federal e os Municípios deverão implantar Planos de Carreira e remuneração dos profissionais da educação básica. 2º da Lei nº 10.2) complementação do último Fundo até que seu valor anual por aluno se iguale ao valor anual por aluno do Fundo imediatamente superior.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. será pago no mês de abril de 2007. 3.  Ficam revogados. 45. 2) dedução da parcela da complementação da União de que trata o art. Fórmulas de cálculo: Valor anual por aluno: F VAi = i NPi NPi = ∑φ j =1 15 j N ji em que: VAi : valor por aluno no Estado i. 211 da Constituição Federal). 42. de cada Estado e dos Municípios. fica mantida a sistemática de repartição de recursos prevista na Lei no 9. referente ao ano de 2007. realizados na forma do disposto neste artigo. 31 desta Lei e os aportes referentes a janeiro e fevereiro de 2007. e o § 3º do art.  A complementação da União prevista no inciso I do § 3o do art. Parágrafo único. 7o desta Lei.integração entre o trabalho individual e a proposta pedagógica da escola. 12 da Lei no 10. Art. 41. de modo a assegurar: I .3) uma vez equalizados os valores anuais por aluno dos Fundos. Parágrafo único.a remuneração condigna dos profissionais  na educação básica da rede pública. procedendo-se aos eventuais ajustes em cada Fundo.  mediante a utilização dos coeficientes de participação do Distrito Federal. ponderadas pelos fatores de diferenciação.4) as operações 3.3 são repetidas tantas vezes quantas forem necessárias até que a complementação da União tenha sido integralmente distribuída.880. a complementação da União será distribuída a esses 2 (dois) Fundos até que seu valor anual por aluno se iguale ao valor anual por aluno do Fundo imediatamente superior. Art. no 1o (primeiro) ano de vigência. 46.  O poder público deverá fixar.  Nos 2 (dois) primeiros anos de vigência do Fundeb. 31 desta Lei. Parágrafo único. 43.  piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica. a partir de 1o de janeiro de 2007. de 24 de  dezembro de 1996.  (VETADO) Art.424. Art. ANEXO Nota explicativa: O cálculo para a distribuição dos recursos do Fundeb é realizado em 4 (quatro) etapas subsequentes: Didatismo e Conhecimento 69 1) cálculo do valor anual por aluno do Fundo. a distribuição dos recursos dos Fundos é realizada na forma prevista nesta Lei.

sobreviveram o teste de durabilidade e que. ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis. NPoi : número de matrículas em demais etapas. α : limite proporcional de apropriação de recursos pela educação de jovens e adultos.500.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS ≥    R$ 3. por exemplo. que considera o menor valor entre NPi = NPfi + NPei + NPoi em que: 6 EDUCAÇÃO NO MUNDO CONTEMPORÂNEO: EXIGÊNCIAS DE UM NOVO PERFIL DE CIDADÃO. αFi ∗   NPei + NPoi  ( ) ∗ * ∗ Foi = Fi ∗ − F fi − Fei em que: ensino fundamental efetivamente praticado em 2006. a fim de obter a distribuição aplicável a demais etapas. O total de matrículas ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis é obtido da seguinte forma: Min[A . NPei : número de matrículas na educação de jovens e adultos ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis. Didatismo e Conhecimento 70 Analisemos. NPi em que: VAmin : valor mínimo por aluno definido nacionalmente.e de modo a excluir da noção de conhecimento. de sua visão da educação. a União complementará os ∗ recursos do Fundo do Estado i até que VAmin = Fi ni Estado i. os Estados e seus Municípios: A distribuição de recursos entre o Distrito Federal. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica da rede k do Estado i. Este preparo é considerado como mero treinamento ou adestramento em certas técnicas e habilidades e não deveria merecer o honroso privilégio de ser considerada parte integrante do processo educacional. tudo aquilo que se refere mais diretamente ao preparo para o exercício de uma profissão técnica. ∗ Fki : valor transferido para a rede k de educação básica do : número de Municípios do Estado i.000. 32 (ensino fundamental) e o disposto no art. do Estado i ou de um de seus Municípios. De um lado há aqueles que enfatizam a conexão entre educação e conhecimento. . ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis. de início.00 (quatro bilhões e quinhentos milhões de reais). os Estados e seus Municípios observa o disposto no § 1o do art.000. Complementação da União e valor anual mínimo por aluno definido nacionalmente: Sempre que (VAi < VAmin ) .000. NPeki : número de matrículas na educação de jovens e adultos da rede k do Estado i. B ]: função máximo. Fi ∗ : valor do Fundo do Estado i após a complementação da União. sendo batizado com vários nomes diferentes. NPoki : número de matrículas de demais etapas. que considera o maior valor entre A e B. Para Estados que não recebem complementação da União (VAi ≥ VAmin ) .000. NPfi : número de matrículas no ensino fundamental ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis.00 (três bilhões de reais). “processo de formação de recursos humanos para as áreas técnicas”. ≥    R$ 4. consequentemente. ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis. F fi : valor transferido tendo como base o valor por aluno do em ∗que: F fi : parcela de recursos do Fundo do Estado i destinada ao ensino fundamental. ∗ : parcela de recursos do Fundo do Estado i destinada à Fei educação de jovens e adultos. como “processo de qualificação de mão-de-obra especializada”.000. Max[ A . pelos Estados e seus Municípios: ∗ Fki = NPfki NPfi ∗ F fi + NPeki ∗ NPoki ∗ Fei + Foi NPei NPoi Fi ∗ = ni + 1 k =1 ∑F ∗ ki em que: k: rede de educação básica do Distrito Federal. etc. portanto. no 2o (segundo) ano de vigência. ≥    10% (dez por cento) do total de recursos do fundo. no 3o (terceiro) ano de vigência. de certa maneira. ∗ : parcela de recursos do Fundo do Estado i destinada a Foi demais etapas. Apropriação de recursos do Fundo do Estado i pelo Distrito Federal.há uma escola de teoria educacional chamada “perenialismo” -. se mostraram “perenes” -. Para o Distrito Federal e cada um dos Estados:  NPfi ∗  ∗ F fi = Max  Fi . 11 (educação de jovens e adultos) desta Lei. e. B ] : função mínimo. no âmbito Fundef. ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis. F fi   NPi    NPei ∗ * Fei = Min  Fi ∗ − F fi . modalidades e tipos de estabelecimento de ensino. Certamente nesta questão tem havido radicais de ambos os lados. a partir do 4o (quarto) ano de vigência. a questão da chamada educação humanística versus a chamada educação técnico-profissionalizante. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica. tem-se: Fi∗ = Fi Distribuição de recursos entre o Distrito Federal. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino: ∗ ∗ ∗ Fi ∗ = F fi + Fei + Foi NPfki : número de matrículas no ensino fundamental da rede k do Estado i. concebendo a noção de conhecimento de modo a incluir nela quase que tão somente os pontos de vista e temas que. A e B.

Em um contexto sociocultural em que a democracia é um valor básico. os interesses e os valores dessa classe (que. dependendo de seus próprios valores e daqueles que cada um dos subsistemas enfatizasse. uma cultura cujos valores sejam bastante coerentes. sem dúvida. se concebermos o termo “cultura” em um sentido amplo. pois nela. etc. e que. e que diz respeito ao que poderíamos chamar de relacionamento entre educação e sociedade. invariavelmente da chamada classe dominante. não incluímos nenhuma indicação acerca de quem considera valiosos os conteúdos do processo educacional. visto que o acesso a um e a outro subsistema não é. invariavelmente. Em um contexto socioeconômico como o que acabamos de imaginar. mais em moda no Brasil de hoje. o elemento predominante no processo educacional. para efeito de argumentação. Imaginemos. Dentre os que assumem esta posição há os que enfatizam o trabalho como forma de auto realização individual. mesmo de maneira indireta. pode coexistir. Somente vamos procurar situá-la dentro de nossa conceituação de educação. cada um deles enfatizando certo conjunto de valores. outros ingredientes que possam não parecer diretamente profissionalizantes só sendo permitidos. preconiza a existência de um sistema educacional único que gradativamente se diferencia em subsistemas e que permite mobilidade horizontal (entre os subsistemas) e vertical (entre os subsistemas de um nível e os de outro nível). conseqüentemente. venham a contribuir para o bom desempenho profissional. apontando. afirmam. fato que levará. Mencionamos. para o gozo dos momentos de lazer. Esta solução pareceria democrática. Concordam. e não condenar o seu sistema educacional por incorporá-los. consequentemente. Não vamos tentar resolver essa controvérsia. e refletem. será. os que propõem um sistema educacional único (a “escola única”) têm reivindicado. concebendo a noção de vida de modo a realçar suas ligações com o trabalho. A maior parte do mundo vive em sociedades de classes. e o exercício da cidadania democrática é tido como algo valioso. preparar uma elite para vir a ser os futuros “donos do poder”. e a deixar de lado suas ligações com o lazer. que enfatizam a conexão entre educação e vida. mesmo que não concorde com a hierarquia de valores predominante naquele contexto. Outra solução. quer nos parecer. dentro do processo educacional. à existência de um subsistema educacional para os “nossos filhos” e de outro(s) subsistema(s) para “os filhos dos outros”. a democracia. Na prática sabemos que esta solução não tem sido muito democrática. “adorno”. em que o objetivo educacional básico é a preparação do indivíduo para a vida ativa do trabalho. observamos que os conteúdos (no sentido visto) que podem ser parte integrante do processo educacional são conteúdos considerados valiosos dentro de um dado contexto sociocultural. pois nosso propósito é mostrar que mesmo esse ponto de vista acerca da educação se enquadra dentro de nossa conceituação. franqueado. es- . com outras roupagens). é como mudar valores sem atuar na educação? Isto nos traz ao nosso terceiro comentário. Educar. de outro lado. é preparar para a vida. e não condenar o seu sistema educacional por incorporá-los. por razões predominantes econômicas. Deixamos. seja como fator básico de desenvolvimento econômico. (De certa maneira. fato este que faz com que o sistema educacional enfrente sérios problemas e dificuldades para levar em conta esta divergência e conflitância de valores. o processo educacional terá conteúdos basicamente diferentes no que diz respeito ao seu teor. a formação profissional. e. enquanto valor é plenamente compatível com outros valores. Não nos cabe aqui analisar esta questão. Na verdade. sem discutir o fato. frequentemente não menos radicais. a nosso ver. Estamos simplesmente procurando ilustrar o fato de que dentro de uma mesma cultura pode haver valores conflitantes. e. vê a tarefa da educação como sendo. dentro de uma mesma cultura. onde os conteúdos considerados valiosos por uns e por outros não se identificam. e um processo educacional que prepara o indivíduo para o exercício da cidadania democrática pode também prepará-lo para o exercício de uma profissão. de um lado. mas ainda assim conteúdos considerados valiosos naquele contexto. O que acabamos de dizer aplica-se. têm valores diferentes. de perpetuar seus privilégios. apenas para esclarecer alguns aspectos da questão e mostrar a abrangência de nossa conceituação de educação. está desejosa de manter o status quo. Estamos. que está estreitamente ligado ao que acabamos de dizer. e ao explicitar aquela conceituação. Tudo o mais é “ornamento”. mutatis mutandis. a democraticidade de sua proposta e combatido a falta de democraticidade da solução que esboçamos. em decorrência disso. na medida em que. onde diferentes fossem os valores. devemos criticar e combater os valores dessa cultura. de conteúdos considerados valiosos e de concepções de quais devam ser os objetivos educacionais específicos a serem promovidos. Ao conceituar a educação. também. Nesta cultura. valores conflitantes podem coexistir dentro de uma mesma cultura. “perfumaria”. porque dominante. A questão difícil que pode ser colocada. valores conflitantes. Se nossos valores não coincidem com os dessa cultura que imaginamos. Didatismo e Conhecimento 71 Voltamos a enfatizar. porém. pode condenar a educação por ser estritamente profissionalizante: ela estará se ocupando dos conteúdos considerados valiosos naquele contexto. seja como forma de realização pessoal. há os que procuram realçar o papel do trabalho como fator de desenvolvimento econômico. Naturalmente. que foram deverá tomar o sistema educacional? Uma solução que se tem dado a este problema é o da criação de vários subsistemas educacionais. para o problema que surge em decorrência da coexistência de valores conflitantes dentro de uma mesma cultura. Não vamos entrar aqui nos méritos ou deméritos dessas soluções nem mencionar outras que têm sido propostas. as velhas discussões medievais acerca das vantagens e desvantagens da vida contemplativa e da vida ativa se repetem. a todos. devemos criticar e combater esses valores. não fazendo várias distinções básicas e deixando de lado os aspectos complexos que envolvem processos educacionais concretos (e não imaginários). o processo educacional vai ser visto como (pelo menos em parte) preparação para o exercício da cidadania democrática. Problema mais sério e grave é trazido à tona por aqueles que apontam ao fato de que sistemas e subsistemas educacionais são organizados e administrados por uma ínfima parcela da população. inclusive. para a apreciação das artes. entretanto. pois permitiria que cada qual escolhesse o subsistema em que iria ingressar. à relação entre educação e democracia. se não concordamos com os valores de uma determinada cultura. seja o valor preponderante. Em uma cultura cujos valores sejam diametricamente opostos aos da cultura que acabamos de imaginar. igualmente. preparar o restante da população para se conformar com a condição de dominados) e não daqueles a quem esses sistemas e sub-sistemas se destinam. onde valores se chocam. frequentemente. agora. de igual maneira. para o exercício de uma profissão. portanto. Em uma sociedade pluralista. sem dúvida. o sistema educacional a apresentar certas características que poderia não apresentar em outros contextos. na qual o trabalho. a preparação para o trabalho. ninguém. que se considerarmos o termo “cultura” em um sentido amplo (como quando se fala em “cultura brasileira”). etc. deliberadamente.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Do outro lado há aqueles. ou para o qual enviaria seus filhos. Observamos atrás que. Esta não é nossa intenção. e as várias classes sociais. menos educação. simplificando as coisas aqui. observando que esta solução leva.

para que seja educacional. parece haver uma grande limitação no tocante aos conteúdos que podem ser doutrinados. porém. depois que essas potencialidades já foram “atualizadas”. seu maior desafio: de que maneira podem indivíduos vir a adquirir domínio de certos conteúdos considerados valiosos e. ser doutrinado na crença de que se deva tomar uma atitude passiva diante da violência -. talvez. esses conteúdos à esfera intelectual e cognitiva. Este é um lembrete que qualifica o que dissemos no final do parágrafo anterior. que os leve a um exame criterioso desses conteúdos e das alternativas a eles. possibilitasse ao aluno assumir uma postura crítica diante do próprio tipo de educação que estava recebendo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS paço para aqueles que conceituam a educação em termos do que ela é. cai-se na necessidade de discriminar entre as potencialidades que devem e as que não devem ser desenvolvidas. e. essa difundida conceituação de educação caracteriza o processo educacional como algo impossível (por não ser possível identificar a priori quais as potencialidades de alguém). então. ao mesmo tempo. mas condicionamento e doutrinação não é a mesma coisa. ou qualquer coisa desse tipo. Não vamos. um vínculo conceitual com o ensino. não pode ser visto como educacional. a doutrinação é sempre intencional.mas isto já é outra coisa: estamos lidando. o desafio educacional maior seria o de encontrar uma maneira de promover a educação profissional que cumprisse o objetivo de preparar para o trabalho e para uma profissão. não são educacionais por não levarem os indivíduos à compreensão desses conteúdos. excluindo-se da esfera da doutrinação mesmo conteúdos intelectuais e cognitivos de outros tipos (como. Processos que levam ao mero domínio e à mera aceitação de conteúdos. com crenças e não com atitudes. e mesmo de modo não intencional. Vimos. nada nos garante que todas as suas potencialidades devessem. mesmo daqueles unanimemente considerados valiosos. deva levar ao domínio e compreensão de conteúdos considerados valiosos coloca o processo educacional diante daquilo que consideramos sua maior dificuldade. na qual o valor preponderante era o trabalho. este acerca do ponto de vista. como vimos. em relação ao conceito de doutrinação. a priori. etc. a menos que conteúdo dessa doutrinação seja alguma coisa do tipo que acabamos de mencionar. E ao decidirmos quais potencialidades deveriam e quais não deveriam ser desenvolvidas cairíamos no domínio dos “conteúdos considerados valiosos”. porém. bem como para aqueles que a conceituam em termos do que ela deve ser. ou a tomar banho diariamente. ou. etc. sim. igualmente. Parece absurdo dizer que alguém foi doutrinado a adotar uma atitude passiva diante da violência.e que o ensino tem um vínculo conceitual com a intenção de produzir a aprendizagem. É somente na medida em que a educação leva o indivíduo a questionar sua própria educação que está recebendo que ela está se desincumbindo de sua tarefa.). ocorrendo sempre em situações de ensino. ensino e aprendizagem. a exigência de que o processo. quais sejam as suas potencialidades. portanto. sem ensino. que conceitua a educação como o desenvolvimento das potencialidades do indivíduo. procuramos conceituar a educação. podemos afirmar que tinha potencialidade de tornar-se aquilo (pois doutra forma não se teria tornado). Cumpre-nos relembrar. garantias de que quem acredite que se deva tomar uma atitude passiva diante da violência venha a assumir esta atitude quando confrontado com a violência: há sempre a possibilidade de que haja incoerência entre o pensamento e comportamento de uma pessoa. também. ou convicções. por exemplo. apresentando e defendendo um conceito de doutrinação e mostrando como o conceito de doutrinaçãose relaciona com os conceitos de educação. hábitos. Em relação a qualquer indivíduo. para ser educacional. deva levar ao domínio e à compreensão de conteúdos considerados valiosos. ou pontos de vista. Uma segunda consideração geral que devemos fazer acerca do conceito de doutrinação é a de que.não faz sentido dizer que houve educação se não houve nenhuma aprendizagem -. A dificuldade básica dessa conceituação diz respeito à noção de potencialidades. por isso mesmo. resultar sua rejeição? Naquela cultura que imaginamos atrás. portanto. sem investigação da razão de ser. entre as potencialidades cujo desenvolvimento é considerado valioso e aquelas cujo desenvolvimento não é assim visto). Desde que a doutrinação tem. a nosso ver. como veremos. quer nos parecer que seja impossível dizer. adquirir suficiente compreensão desses conteúdos de modo a assumir diante deles uma postura crítica e aberta. (Não há. o do autoquestionamento da educação. a saber: apenas crenças. Doutrinação tem que haver com crenças. compreensão esta que inevitavelmente envolve o seu questionamento. isto é. habilidades intelectuais). depois de este alguém ter se tornado aquilo para que tivesse potencialidade. ao mesmo tempo. agora. bastante difundido. que incluímos. Alguém pode ter sido condicionado a adotar uma atitude passiva diante da violência. sem compreensão. mas. Quando. Condicionamento tem que haver com comportamento. Salientamos um comentário. inclusive. possivelmente. a nossa ver. por exemplo. na seção anterior. de certos conteúdos. 72 Portanto. de que os conteúdos que podem ser doutrinados são sempre conteúdos intelectuais e cognitivos do tipo mencionado (crenças. Baseando-nos naquilo que um dando indivíduo se torna. a doutrinação também tem um vínculo conceitual com a intenção de produzir a aprendizagem. Mas por que é que afirmamos que a doutrinação só pode ocorrer em situações de ensino? A resposta a esta pergunta nos parece óbvia e simples. ou. Ao passo que faz bastante sentido dizer que al- Didatismo e Conhecimento . quais as potencialidades de alguém a posteriori. atitudes. Não parece fazer o menor sentido afirmar que alguém foi doutrinado. portanto. ou ideologias. e já os gregos nos alertavam acerca da “akrasia”. porque muito embora possamos falar em educação em termos do que ela é. Pode ser que algumas potencialidades (como. quando aplicada a seres humanos. hoje em dia. e. mesmo que fosse possível descobrir a priori quais as potencialidades dos indivíduos. A exigência de que um processo. por exemplo. Quando falamos em doutrinação. doutrinação. cai dentro de nossa conceituação (se se admite a possibilidade de identificar potencialidades a priori. que a educação tem um vínculo conceitual com a aprendizagem -. O dilema educacional por excelência é. ou fraqueza da vontade). Parece haver pouca dúvida. sem crítica. Alguém pode. não devemos nos esquecer de que a educação como ela é frequentemente não é educação. muito embora a educação possa ocorrer. em nossa conceituação de educação. exame esse de que pode. a potencialidade para comportamento agressivo e destrutivo) não devessem ser desenvolvidas. A noção de potencialidades. Contudo. de maneira alguma. Há muita controvérsia. portanto. podem ser doutrinados. afirmamos que os conteúdos que podem ser objeto de educação são (desde que considerados valiosos) os mais amplos possíveis. não restringindo. teorias. ou a banhar-se diariamente. ser desenvolvidas. pontos de vista. tentar solucionar todas as disputas e divergências: vamos apenas nos situar dentro da controvérsia. aqui. Só sabemos. e observamos que um processo que leva ao domínio. é uma daquelas noções que só têm sentido retrospectivamente.

diferentemente daquela que se associa com a educação. deixando fora de nossa análise outros conteúdos (habilidades intelectuais e cognitivas. favorável ou contrária. para efeito de argumentação.. ou. É aqui que aquilo que a segunda passagem nos sugere se liga com o que a primeira nos sugeriu. através do ensino. aceitem. estamos em condições de conceituar. o ensino estará sendo educacional. Baseando-nos nesta conceituação de doutrinação. O que nos sugerem estas observações feitas atrás? A primeira nos sugere que o tipo de aprendizagem associado com a doutrinação. é a aprendizagem não acompanhada por compreensão. é basicamente a intenção da pessoa que ensina. no caso. sem dúvida aprendeu um certo conteúdo (possivelmente até através do ensino). Se a intenção é a de que os alunos meramente aprendam (i. ou contrários à melhor evidência disponível. pontos de vista. ou uma teoria científica.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS guém se educou. Também deixaremos de lado. ou seja. “O ensino de conteúdos deste tipo parece bem mais próximo da doutrinação do que da educação”. devemos abordar a seguinte questão: tendo em vista as conclusões alcançadas atrás. meramente aceita.).). Com esta tomada de posição nos contrapomos àqueles que afirmam que em áreas coimo religião. bem como seu relacionamento com o conceito de educação. consequentemente.e. exatamente quando se trata de conteúdos considerados como altamente valiosos que há o maior risco de doutrinação. ou que resulta da doutrinação. Feitas essas colocações. pois. meramente passiva -. O ensino e aprendizagem de conteúdos que consistam de enunciados falsos. como constatamos. como veremos. a moralidade e a política serem ensinadas de maneira educacional. que a aprendizagem que se associa com a doutrinação. ou acerca dos quais a evidência seja inconclusiva. neste caso. Portanto. doutrinacional). ou. O que a segunda passagem nos sugere é que a intenção de quem doutrina está muito mais voltada para a aceitação dos conteúdos que ele está ensinando do que para um exame criterioso dos fundamentos epistemológicos desses conteúdos. o que realmente distingue a doutrinação da educação? Em duas ocasiões. Isto quer dizer que não há conteúdos que estejam inevitavelmente fadados a serem objeto de doutrinação. doutrinação tem que haver apenas com conteúdos intelectuais e cognitivos de certo tipo (crenças. de que a educação pode ocorrer. pois. pois quer nos parecer que em nossa cultura não seja considerado valioso um conteúdo que consista de enunciados falsos. aprendidos. moralidade.. É verdade que vimos que apenas certos conteúdos podem ser doutrinados (conteúdos intelectuais e cognitivos de certo tipo. a doutrinação se realiza somente através do ensino. com a intenção de que estes conteúdos Didatismo e Conhecimento 73 sejam aceitos não obstante a evidência. a doutrinação: doutrinação é o processo através do qual uma pessoa ensina os outros certos conteúdos intelectuais e cognitivos (crenças. a nosso ver. o ensino também foi não-educacional (tendo sido. Se a intenção de quem ensina é a de que os alunos aprendam e compreendam este conteúdo. tanto podem a religião. Isto posto. mais precisamente.)? A resposta a esta questão deve ser. e.) de que se ocupa a educação. Se este é o caso. isto é. de enunciados acerca dos quais a evidência. nessa comparação. o conteúdo não é o critério básico e fundamental que nos permite diferenciar entre educação e doutrinação. quem doutrina está muito mais interessado em que seus alunos simplesmente aceitam (acreditem em) certos pontos de vista do que em que eles venham a examinar os fundamentos desses pontos de vista. mas não compreendidos). portanto. talvez. o conteúdo em questão pode ser ensinado de maneira educacional bem como de maneira não educacional. atitudes. a compreendê-los. exame este indispensável para sua compreensão. acreditem em) o conteúdo em questão. etc. educacionalmente ou doutrinacionalmente. quando esta ocorre através do ensino e se ocupa de conteúdos intelectuais e cognitivos do tipo mencionado (crenças. a saber. mas que não são objeto da doutrinação. certo conteúdo intelectual e cognitivo: digamos uma doutrina política. Desde que. Mas isto não quer dizer que mesmo estes conteúdos não possam ser ensinados de dois modos diferentes. embora alguns conteúdos sejam. seja inconclusiva. consequentemente. no sentido visto. é o da aprendizagem não acompanhada por compreensão. talvez. podemos agora procurar esclarecer alguns dos aspectos mais controvertidos desse conceito. e se a aprendizagem foi decorrência de um ensino que estava interessado apenas na aceitação das normas e dos valores. doutrinacional. mesmo conteúdos considerados valioso podem ser doutrinados. Mas se este é o caso. sem um exame criterioso de seus fundamentos epistemológicos. O que distingue a educação da doutrinação. em nossa seção anterior. etc. e isto em função da intenção daquele que ensina de que exatamente isto ocorra. como bem mostram algumas pesquisas recentes na área da história e sociologia da ciência. e é a intenção que se torna o critério básico e fundamental que nos permite diferenciar entre um ensino educacional e um ensino doutrinacional. sendo. possivelmente. grande probabilidade de serem falsos). pois os que assim afirmam privilegiam o conteúdo como critério básico e fundamental de diferenciação entre educação e doutrinação. de passagem. a saber. ou de enunciados que a melhor evidência disponível indique terem pouca probabilidade de serem verdadeiros (e.o indivíduo. à doutrinação. será que a doutrinação nada mais é do que a educação. e frequentemente ocorre. de sua razão de ser. etc. como sugerem alguns. Dada nossa conceituação de educação e doutrinação. Tomemos. mais preferidos por doutrinadores a outros. enfaticamente negativa. com a intenção de que esses conteúdos sejam meramente aprendidos (isto é. educacionalmente e doutrinacionalmente. comportamentos. Além disso. mas o fez sem compreensão: a aprendizagem. etc. . relembramos aqui essas passagens: “Alguém que aceita normas sociais e valores culturais sem examinar e compreender sua razão de ser. Vamos supor. como podem a física e a astronomia serem ensinadas de modo doutrinacional. Em outras palavras. talvez. não nos parece fazer o menor sentido afirmar que alguém se doutrinou: sempre afirmamos que alguém foi doutrinado. aprendeu certos conteúdos considerados valiosos de maneira a realmente compreendê-los..). crenças. não devem ser parte integrante do processo educacional. foi não-educacional. sem examinar e compreender sua razão de serem. e política não há como evitar a doutrinação e que em áreas como a física e a astronomia não faz sentido falar-se em doutrinação. Pare melhor entendermos esse conceito. vamos comparar educação e doutrinação no que dizem respeito a esses conteúdos. aludimos. como acabamos de observar. segundo nossa conceituação. certos conteúdos intelectuais e cognitivos (normas sociais e valores culturais). etc. O mesmo conteúdo poderá ser ensinado de um ou de outro modo. será que o único aspecto a distinguir a educação da doutrinação é que esta é um caso específico daquela? Em outras palavras. da aprendizagem não significativa. Na segunda passagem observamos: “. como ponto de referência. a educação informal (no segundo sentido visto) para nos determos na educação que se realiza através do ensino. o ensino está sendo não educacional. que este conteúdo seja considerado valioso no contexto em que se realiza seu ensino. e não na sua compreensão.

entre a crença na posse da verdade e a intolerância. Como vimos atrás. aos fundamentos epistemológicos do conteúdo em pauta. não há mais porque buscá-la. o professor que ensina conteúdos falsos como sendo verdadeiros. a análise séria de alternativas. se ele tem condições de obter acesso a esta evidência e não se preocupa em fazê-lo. porém. embora neste caso também seja de esperar que as consequências do ensino educacional e do ensino doutrinacional sejam diferentes. da verdade. A questão importante é a do relacionamento entre o conteúdo e a evidência. ou teorias. O primeiro possivelmente utilizará métodos que envolvam a livre discussão de ideias. portanto. à luz da evidência. principalmente estas -. crenças em que o próprio doutrinador não acredita. aceitá-lo ou rejeitá-lo. e que o ensino doutrinacional resulte na mera aceitação (sem compreensão) dos conteúdos ensinados. de evitar o erro. Esta é uma questão subjetiva. porém. e quem os propõe só pode ser ignorante ou mal-intencionado. como sugerem outros. seja distorcida. Em segundo lugar. Isto significa que professores de conteúdos intelectuais e cognitivos do tipo visto (crenças. está em incessante busca da verdade. humildemente. e. uma atitude mais dogmática e menos crítica. por algum motivo. entre . é mais complexa aqui. tirem suas próprias conclusões. na busca da verdade. que. Didatismo e Conhecimento 74 Aquele que ensina de maneira educacional coloca-se na posição de quem. o aluno venha a ter uma mente mais aberta e flexível. ou. etc. Com esta atitude. temos que admitir que possa haver doutrinação mesmo quando os conteúdos são considerados valiosos e todos aprovam o que está acontecendo. na verdade. muito provavelmente. porque tolerar pontos de vista alternativos e conflitantes. a menos que esteja em condições tais que o acesso a esta evidência lhe seja totalmente impossível. e vice-versa. É de se esperar que o aluno doutrinado acabe por assumir a seguinte atitude: “É nisto que acredito: vamos ver agora se encontro alguma evidência para fundamentar minhas crenças”. do que com a análise crítica. Não podemos nos esquecer. que a educação se preocupa muito mais em dar ao indivíduo condições de não ser facilmente persuadido. fazendo paralelo a uma importante corrente de filosofia de ciência e de filosofia política. em decorrência de um ensino educacional. a persuasão e não o incentivo ao livre exame. um apego mais emocional do que evidenciar às suas convicções. cada vez mais. Em primeiro lugar. enquanto a doutrinação se preocupa muito mais com a persuasão. Podemos atribuir-lhe a intenção de doutrinar.) correm grande risco de doutrinarem (ao invés de educarem) se não estiverem constantemente atualizados acerca dos desenvolvimentos nas áreas que ensinam. o “desprivilegiamento” da evidência em favor da crença. Podemos fazer algumas observações específicas em relação aos aspectos mais controversos do problema da doutrinação. o critério básico e fundamental de diferenciação entre doutrinação e educação. do que em fazer com que seus alunos simplesmente aceitem o conteúdo: seu intuito não é persuadir seus alunos a aceitarem o conteúdo. Também no caso de alguém que não tem conhecimento de evidência contrária àquilo que está ensinando. O que ensina de maneira doutrinacional coloca-se na posição do orgulhoso possuidor da verdade. A questão. pois. isenta de preconceitos. um exame crítico e rigoroso dos fundamentos epistemológicos do conteúdo em questão.diriam mesmo. O segundo. embora seja de es esperar que aquele que ensina com a intenção de que seus alunos aprendam e compreendam os conteúdos ensinados e aquele que ensina coma intenção de que seus alunos meramente aceitem os conteúdos ensinados venham a se valer de métodos de ensino diferentes. que se preocupe com a análise e o exame da evidência. ou conteúdos que a melhor evidência disponível indique terem pouca probabilidade de serem verdadeiros como sendo. que evidência contrária não seja apresentada. devemos concluir que não há doutrinação não intencional. verdadeiros. Não importa que ele acredite que os conteúdos que ensina sejam verdadeiros. deseja incutir em seus alunos). e. consequentemente. em alguns casos piores de doutrinação. condicionando sua aceitação ou não dos conteúdos ensinados a este exame da evidência. Em condições normais. mas levá-los a compreendê-lo. de pontos de vista divergentes. também. em função dessa compreensão. a educação é tolerante. é de se esperar que o ensino educacional resulte em aprendizagem acompanhada de compreensão. porém. o fechamento de mentes. a situação é complexa. a limitação de opções (frequentemente a uma só). de que tanto o ensino realizado de maneira educacional. Daí a conexão. normalmente. pois na medida em que estes divergem da “verdade” só podem ser errôneos ou falsos.. da evidência. pois ninguém questiona o valor e a veracidade daquilo que está sendo ensinado. mas que. assim. de fato. É de se esperar. Na verdade. o que acabamos de ver nos permite afirmar que é inteiramente possível que haja doutrinação mesmo de conteúdos verdadeiros. é possível atribuir a alguém a intenção de doutrinar mesmo que esta pessoa não admita esta intenção. quanto o realizado de maneira doutrinacional. a educação é um processo que tem por objetivo a abertura de mentes. mesmo que se refira à evidência. o incentivo à livre opção dos alunos. podem ser mal sucedidos. a redução de horizontes. mesmo. ou doutrinas. é possível que suas razões para aceitar suas crenças não passem de racionalizações. é de se esperar. se não inteiramente suprimida. como vimos à intenção de alguém (que não nós mesmos) só pode ser determinada pela análise de suas ações em um dado contexto. Teríamos maiores reservas em atribuir-lhe esta intenção se não houvesse maneiras viáveis de ele obter acesso a esta evidência. Em terceiro lugar. não seja analisada com justiça e isenção de ânimos e preconceitos. a falsidade. em cujo caso as consequências que deles poderiam advir não seriam aquelas que. que. e. subordinará a análise da evidência à sua intenção de fazer com que os alunos aceitem o conteúdo. pois lhe foi ensinado preocupar-se mais com certas crenças. com a transmissão de crenças que se supõem verdadeiras (ou. Na medida. o aluno venha a ter uma mente mais fechada. é em situações assim que a doutrinação se torna mais fácil e mais provável. se esperariam. estará. como é de se esperar. como sugerem ainda outros. no nível das intenções. aproximar-se. principalmente.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Nem é tampouco o método de ensino. através do estudo e do exame da evidência. etc. enquanto a doutrinação é um processo que tem por objetivo a transmissão e mera aceitação de crenças. não se pode negligenciar nenhum aspecto da evidência que possa ser relevante. Poderíamos mesmo dizer. já mostrada por muitos.. mesmo a repressão. Desde que. É muito mais fácil doutrinar alguém na ideologia capitalista nos Estados Unidos do que em um país radicalmente socialista. a ampliação de horizontes. em que a verdade já é considerada uma possessão. que ocorre quando há doutrinação. Desde que. etc. Podemos concluir. pois mesmo as críticas e a evidência negativa -. onde argumentos contra a ideologia capitalista provavelmente serão muito mais abundantes e comuns. sendo apresentada.podem contribuir para que nos aproximemos da verdade. poderíamos afirmar que ele se preocupará muito mais em fazer que seus alunos considerem a evidência e. que esta evidência. que em decorrência de um ensino doutrinacional. Também não é em função das consequências do ensino que podemos dizer se o ensino foi educacional ou doutrinacional. dos fundamentos epistemológicos. após análise e exame críticos da evidência. doutrinando.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
os conteúdos e os seus fundamentos epistemológicos -- questão esta que, apesar das controvérsias atuais na área da epistemologia e da filosofia da ciência, nos parece ser objetivas. Em quarto lugar, devemos abordar, ainda que brevemente, a complicada questão que se coloca em relação a crianças em tenra idade, que ainda não atingiram a chamada “idade da razão”. Será que, no que diz respeito a estas crianças, só nos resta à alternativa de doutrinação, visto não serem elas capazes, segundo se crê, de compreensão, no sentido visto, de exame de evidência, de opção livre e consciente? Em relação a este problema devemos distinguir (pelo menos) dois aspectos. O primeiro é que exigir que crianças pequenas se comportem de determinada maneira, ou que adotem determinadas atitudes, não é, segundo nossa caracterização, doutriná-las, porque os conteúdos aqui não são conteúdos intelectuais e cognitivos do tipo passível de doutrinação (crenças, etc.), mas comportamentos e atitudes. A doutrinação poderá ocorrer no momento em que se procura fazer com que as crianças aceitem certas justificativas para o comportamento e as atitudes que lhes estão sendo exigidos. O segundo aspecto é que mesmo a crianças que ainda não atingiram a maturidade mental e intelectual necessária para compreender a razão de ser de certos comportamentos e atitudes que lhes são exigidos podem ser oferecidas as razões dessas exigências, as alternativas, etc., de maneira bastante aberta e flexível. Haverá doutrinação se a intenção for a de que as crianças aceitam estas justificativas (ou qualquer outro conteúdo do tipo passível de doutrinação) passivamente, sem discussão, a despeito de qualquer outro tipo de consideração, ou argumentação, ou evidência. Em quinto lugar, a possibilidade de doutrinação faz com que aqueles que se preocupa com a educação, de seus filhos ou de seus alunos, se confrontem com um sério dilema, semelhante ao grande desafio a que fizemos menção no final da seção anterior. Este dilema, embora possa aparecer em qualquer área, aparece mais frequentemente naquelas áreas em que a evidência parece ser mais inconcludente, mas em que, por ironia do destino, se encontram algumas das questões mais básicas e importantes com que tem que se defrontar o ser humano: a moralidade, a política, e a religião. Por um lado, acreditamos (por exemplo) ser necessário apresentar a nossos filhos e alunos o ponto de vista moral, o lado moral das coisas, para que venham a serem seres morais. Do outro lado, acreditamos que temos de evitar a doutrinação, se queremos realmente educar nossos filhos e alunos, isto é, se queremos que sejam indivíduos livres para pensar e escolher, liberdade esta que é pré-condição para que eles venham a serem seres morais. É diante deste dilema que os educadores terão que procurar as melhores maneiras de prosseguir, sabendo, de antemão, que a tarefa é dificílima e que muitos, antes deles, optaram, ou por não procurar oferecer nenhum ensino nessas áreas, ou, então, pela doutrinação como única alternativa viável. [E o exemplo?] É em confronto com este dilema que muitos têm optado pela alternativa da chamada «educação negativa», que não é nem educação nem negativa, devendo, talvez, ser descrita como «não educação neutra», por paradoxal que esta expressão também pareça: afirmam que o ensino da moralidade, da política, e da religião não deve ser ministrado até que a criança atinja maturidade suficiente para analisar a evidência e tirar suas próprias conclusões. Outros têm se desesperado e concluído que a única alternativa, apesar dos pesares, é doutrinar -- estes são os doutrinadores contra sua própria vontade. Tanto os defensores da «educação negativa» como os que, contra a vontade, optam pela doutrinação, não veem uma terceira Didatismo e Conhecimento
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alternativa, não veem uma solução realmente educacional para o problema. Embora não afirmemos que esta solução seja fácil de alcançar, cremos que desenvolvimentos recentes, principalmente no campo da educação moral, têm nos indicado o caminho a seguir na direção de uma educação moral viável e digna do nome. Mas ainda há muito por fazer nesta área. Em sexto e último lugar, gostaríamos de observar que, de tudo o que foi dito acerca da doutrinação, fica claro porque a doutrinação é indesejável e moralmente censurável. Quem doutrina não respeita a liberdade de pensamento e de escolha de seus alunos, procurando incutir crenças em suas mentes e não lhes dando condições de analisar e examinar a evidência, decidindo, então, por si próprios; quem doutrina desrespeita os cânones de racionalidade e objetividade, tratando questões abertas como se fossem fechadas, questões incertas como se fossem certas, enunciados falsos ou não demonstrados como verdadeiros como se fossem verdades acima de qualquer suspeita. É verdade que esta tomada de posição contra à doutrinação já implica, ao mesmo tempo, um comprometimento com certos valores e ideais básicos, como o da liberdade de pensamento e de escolha dos alunos (e de qualquer pessoa), o da racionalidade, etc. É importante que se reconheça isto para que não se incorra no erro de pensar que a adoção desses valores e ideais não precisa ser defensável, e, mais que isto, defendida, através da argumentação. Argumentos contra a adoção desses valores e ideais precisam ser cuidadosamente analisados para que, ao propor a tese da indesejabilidade e falta de apoio moral da doutrinação, não o façamos de modo a imitar os doutrinadores, isto é, tratando como fechada uma questão que é realmente aberta. Cremos não ser esta a ocasião de fazer esta defesa dos valores e ideais da liberdade de pensamento e escolha, nem da racionalidade. Mas isto não significa que estes valores e ideais não precisem ser defendidos. Com estas observações concluímos esta seção sobre doutrinação. Cremos que a análise desse conceito, além de valiosa em si mesma, nos ajuda a compreender melhor, por contraste, o que seja a educação. Uma análise mais completa deveria incluir um exame das semelhanças e diferenças existentes entre doutrinação, treinamento, condicionamento, lavagem cerebral, etc. Há importantes diferenças, bem como semelhanças, entre estes conceitos. Isto, porém, precisará ficar para outro trabalho. Cremos ter dado respostas a algumas das perguntas acerca do relacionamento existente entre o conceito de educação e os conceitos de ensino e aprendizagem, bem como entre educação e valores, educação e cultura, etc. Nossas respostas, reconhecidamente em forma de esboço, são, na verdade, bastante pessoais. É possível e provável que muitos discordem delas. Acreditamos, contudo, que elas fazem sentido, é justificável, e nos ajudam a “colocar a cabeça em ordem” em relação a essas noções. Dada à importância que atribuímos ao conceito de doutrinação, resolvemos dedicar a este conceito uma seção em separado, pois quer nos parecer que a análise desse conceito nos ajuda a compreender melhor, por contraste, o conceito de educação. A muitos pode parecer que o tipo de investigação que caracterizamos neste trabalho, embora de alguma utilidade e de algum interesse, não seja de grande importância. Mais importante do que a tarefa “clarificatória” que a filosofia pode desenvolver, diriam, é sua tarefa “normativa”, à qual ela não se deve furtar: a filosofia deve contribuir -- continuariam -- para que as grandes e pequenas decisões que diariamente precisam ser tomadas na área da educação sejam tomadas de maneira a evidenciar sabedoria, e não apenas clareza de pensamento. À filosofia da educação competiria, pois, segundo muitos, investigar a questão dos objetivos específicos da educação, propondo metas a serem atingidas e valores a serem promovidos.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
Concordamos, em grande parte, com o espírito dessas observações. Achamos que clareza em nossos conceitos e acerca de nossas pressuposições básicas não é tudo, não é condição suficiente para a sabedoria de nossas decisões, dos alvos que propomos a nós mesmos e aos outros, dos valores que adotamos e que desejamos que os outros também cultivem. Contudo, estamos certos de que esta clareza seja condição necessária para esta sabedoria. Embora alguém possa ter clareza quanto às suas concepções, sem ser sábio, ninguém consegue ser sábio sem antes adquirir clareza acerca das convicções mantidas por ele próprio e por outros. Quer nos parecer, portanto, que a tarefa do educador, e quiçá do filósofo da educação, não termine com a análise e clarificação dos conceitos educacionais básicos e das pressuposições que sustentam a atividade educacional. A tarefa clarificatória da filosofia é apenas um preâmbulo à tarefa mais normativa de examinar, questionar, e propor objetivos e valores. O filósofo, porém, não detém o monopólio destas últimas questões. No que diz respeito aos objetivos e valores que devem nortear a vida, e, consequentemente, o processo educacional, o filósofo, como qualquer outra pessoa, estará sempre buscando, procurando, pois na área de valores e objetivos de vida não há peritos e profissionais: cada um, em última instância, tem que escolher os seus valores básicos e os objetivos que deverão nortear sua vida. Não há como abrir mão dessa tarefa solicitando a um filósofo (ou a seja lá quem for) que faça isto por nós, sem abrirmos mão de nossa autonomia, e, em última instância, de nós mesmos. À filosofia da educação como aqui caracterizada deve, portanto, seguir uma teoria da educação que tenha como principal tarefa o exame dos princípios básicos, objetivos, valores, etc., que prevalecem em nossa cultura e que norteiam, atualmente, a educação em nosso país, a reflexão crítica sobre eles e sobre a realidade social, econômica e cultural que envolve o processo educacional, e, se necessário for (e quase sempre o é), a proposta de novos princípios básicos, objetivos e valores para a nossa cultura e para a nossa educação. À teoria da educação compete, portanto, a tarefa normativa a que fizemos referência, e para se desincumbir desta tarefa a teoria da educação deve recorrer não só à filosofia da educação, mas também à sociologia da educação, à psicologia da educação, à economia da educação, à medicina preventiva e social, etc. -- ou, para encurtar, a qualquer ramo do saber que possa contribuir alguma coisa, nunca se esquecendo de incluir na mistura uma boa dose de bom senso. Para muitos, o que acabamos de caracterizar como sendo a tarefa da teoria da educação nada mais é do que a real tarefa da filosofia da educação. Não temos o menor interesse em discutir rótulos, pois a discussão seria meramente acadêmica. Quer nos parecer, porém, que a bem da clareza, seja recomendável e de bom alvitre estabelecer uma distinção entre a filosofia da educação e a teoria educacional, pelas seguintes razões. (a) A filosofia da educação, como aqui caracterizada, é uma atividade reflexiva de segunda ordem, que tem como objeto as reflexões de primeira ordem feitas sobre os vários aspectos do processo educacional; a teoria educacional é uma atividade reflexiva de primeira ordem, no nosso entender, que tem por objeto básico a realidade educacional e não reflexões que tenham sido feitas sobre esta realidade; estas reflexões servirão de subsídios ao teórico da educação para que este elabore suas próprias conclusões, mas ele tem, basicamente, que “debruçar-se sobre a realidade educacional”, para entendê-la, explicá-la, criticá-la e propor sua reformulação. Didatismo e Conhecimento
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(b) Na medida em que a teoria educacional tem que se valer das contribuições das várias ciências que estudam a educação, ela extrapola os domínios da filosofia e, consequentemente, da filosofia da educação. A filosofia da educação, como aqui concebida, deveria ser vista como observamos, como um prolegômenos, um preâmbulo à teoria educacional, cuja tarefa principal seria fornecer ao teórico da educação os instrumentos conceituais básicos para a sua teoria. (c) A teoria educacional, embora possa (e talvez deva) ser considerada científica, tem uma finalidade que vai além da mera explicação e interpretação da realidade educacional: ela procura orientar e guiar a prática educacional. É por isso que a teoria da educação, além de estudar e examinar a realidade educacional tem a função de criticar esta realidade e de propor novas direções a seguir. A teoria da educação, para usar uma expressão que se torna comum, não tem como tarefa simplesmente constatar qual é a realidade educacional: ela vai além e contesta esta realidade, não em função de um espírito puramente negativista, mas em função de uma proposta de realidade diferente. E esta proposta envolve, inevitavelmente, valores diferentes. Portanto, a teoria educacional, em sua tarefa de orientar e guiar a prática educacional envolve, necessariamente, um ingrediente de valores. O texto em questão, dentro de seus limites, procurou, entre outras coisas, apresentar os rudimentos de um preâmbulo à teoria educacional, fazendo, no processo, um primeiro ensaio em direção a uma demarcação entre filosofia da educação e teoria educacional.

7 POLÍTICAS PÚBLICAS PARA EDUCAÇÃO.

Em termos de políticas públicas, a relevância do debate atual é a respeito do currículo da escola fundamental, isso parece óbvio, já que toda política educacional só ganha sentido se estiver referida àquilo que deve ser seu propósito por excelência, ou seja, o provimento, aos educandos, de um conteúdo cultural que lhes proporcione formar-se como cidadãos. No entanto, esse debate parece não ter conseguido ainda a força social e política suficiente para questionar radicalmente a estrutura curricular de nossas escolas, de modo a buscar medidas que visem a superá-la. O currículo da escola fundamental tem permanecido com a mesma configuração há muitas décadas, mantendo sua forma verbalista e restringindo seu conteúdo às disciplinas tradicionais, adstritas a conhecimentos e informações. A sociedade mudou, novos direitos políticos, civis e sociais foram alcançados ou entraram na pauta de reivindicações, mas a concepção de currículo e daquilo que é necessário para a formação humano-histórica dos cidadãos continua a mesma. Apesar disso, especialmente nos últimos anos, tanto as políticas públicas quanto boa parte da academia parecem dar pouca atenção à importância do currículo para a efetiva qualidade do ensino, preferindo pautar suas iniciativas e análises quase exclusivamente nos resultados das avaliações em massa, que privilegiam a aferição de conhecimentos “adquiridos”, sem grande atenção para a cultura em seu sentido pleno. E este, me parece, é mais um fator que reforça a relevância de se problematizar a atual estrutura curricular da escola fundamental, em razão dos subsídios que

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
esse questionamento pode oferecer para uma melhor adequação da própria maneira como o Estado procura avaliar a qualidade do ensino. Independentemente do real poder das avaliações externas para aferir a aquisição de conhecimentos, será que seus resultados podem servir de parâmetros para indicar até que ponto o Estado está atendendo ao direito das pessoas à cultura, visto que esta, em seu sentido pleno, não é contemplada em tais medições? Tal discussão deve iniciar-se pela constatação de que o currículo é um dos aspectos que mostram mais enfaticamente como a escola tradicional tem privilegiado uma dimensão “conteudista” do ensino, que enxerga a instituição escolar como mera transmissora de conhecimentos e informações. Daí a relevância de se pensar em sua reformulação numa perspectiva mais ampla que contemple a formação integral do educando. Certamente, não se pode contestar a importância dos conteúdos das disciplinas tradicionais (Matemática, Geografia, História, Ciências etc.), que são imprescindíveis para a formação humana e não podem, sob nenhum pretexto, ser minimizados. Todavia, conteúdos como a dança, a música, as artes plásticas e outras manifestações da cultura são igualmente necessários para o usufruto de uma vida plena de realização pessoal. As questões relacionadas com a ética, a política, a arte, o cuidado pessoal, o uso do corpo e tantos outros temas relacionados ao viver bem das pessoas e grupos não podem constituir apenas “temas transversais” a compor versões escritas de currículos, mas transformar-se em temas centrais na prática diária das escolas. Essas matérias que envolvem o uso do corpo, a criatividade, o manuseio de objetos concretos, opiniões individuais, posturas diante de valores, enfim, matérias que levam os educandos a se comportarem mais explicitamente como sujeitos, são importantes não apenas por seu valor intrínseco de componentes da cultura que precisam ser apropriados, mas também porque elas tendem a tornar mais interessantes as demais matérias, especialmente quando com estas se inter-relacionam, tornando o aprendizado mais prazeroso e levando os estudantes a assumirem o estudo de todos os conteúdos como algo que enriquece suas vidas e faz parte constitutiva de seu cotidiano. Por isso, ao se propor a oferecer tão pouco (conhecimentos e informações), a escola tradicional nem esse pouco consegue transmitir. É que as informações e os conhecimentos usualmente só ganham interesse por parte do educando se estiverem no contexto de toda a cultura. Não se pode esquecer que os valores (querer aprender, por exemplo) são componentes culturais. Quando se trata das questões de currículo não convém nunca deixar de associar conteúdo e forma de ensinar. Se a condição para o educando aprender é que ele seja sujeito, então, por mais abstrato e complexo que seja determinado conteúdo cultural (conhecimento, valor, arte etc.), o aluno só aceita o convite do educador para apropriar-se dele, se se fizer autor, ou seja, ele só aprende na forma de quem age orientado por sua vontade. E isto não é uma questão apenas teórica, mas prática. Corolário disso é que o educador também não pode ser um mero repetidor de conteúdos, mas deve buscar a forma mais adequada para criar no educando a vontade de aprender. É nisso que tem investido toda a Didática, historicamente: criar métodos, técnicas, procedimentos, que produzam no aluno a vontade de aprender. Essa questão da associação entre forma de ensinar e conteúdo que se ensina se torna ainda mais proeminente, quando não se trata apenas de conhecimentos a serem adquiridos, mas de valores e posturas a serem assumidos. Não se pode, por exemplo, ensinar democracia com base em formas autoritárias de ensinar. É nessas situações que mais claramente se percebe que, em educação, a forma é conteúdo. Didatismo e Conhecimento
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Quando se fala de formas de ensinar que favoreçam a vontade de estudar do educando, é bom não se esquecer de que esse princípio não se restringe a uma relação entre professor e aluno dentro de uma sala de aula. É a escola inteira que deve ser motivadora; portanto, é a escola toda que deve se tornar educadora. A esse respeito, o enriquecimento do currículo não pode se restringir a mero acréscimo de disciplinas a serem estudadas, mas a uma verdadeira transformação da escola num lugar desejável pelo aluno, onde ele não vá apenas para se preparar para a vida, mas para vivê-la efetivamente. Assim, ele não é mero “cliente” de uma sala de aula, mas cidadão de toda uma escola que lhe propicia condições de participar de variadas atividades, no grupo de dança, no coral, no clube de ciências, no conjunto musical, no grupo de teatro, na roda de capoeira etc. Assim concebida, a escola é um lugar que deve fazer parte da vida das crianças, não provocar sua negação. Não deixa de ser desalentador perceber o quanto nossa escola tradicional tem negado esse princípio. Basta contemplar o mito de que ensino não se pode misturar com brincadeira, bastante presente no imaginário de nossos professores da escola fundamental, para se ter a dimensão dessa verdadeira negação da escola como local onde se constroem personalidades humano-históricas. Esse mito se sintetiza no esforço que às vezes se percebe em professores do primeiro ano do ensino fundamental que, desde o primeiro dia de aula, procuram convencer as crianças vindas da escola de educação infantil de que a escola, diferentemente da pré-escola, não é lugar de brincar, mas de estudar. Imagine-se a situação de crianças pequenas – para quem a alegria de viver se resume, em boa parte, em brincar – ver-se privada disso. Como é possível ensinar para alunos cuja forma privilegiada de se fazer sujeito é o brincar, se se lhes proíbe essa atividade? É como se fosse possível aprender sem ser sujeito. É como se vivêssemos um tempo em que a Didática ainda não tivesse descoberto a importância do lúdico na aprendizagem. Hoje, com o avanço dos conhecimentos na Pedagogia, continuar repelindo a brincadeira como adversária do ensino implica cortar pela raiz a possibilidade de fazer da escola uma verdadeira casa de educação, o que aponta mais uma vez para a relevância de se estudarem alternativas de transformação do currículo da escola fundamental, tanto no conteúdo quanto na forma. A cultura como matéria-prima do currículo Falar do currículo da escola fundamental é falar do conteúdo do ensino, mas de uma forma mais ampla do que usualmente se entende. Os “conteudistas” reduzem o conteúdo aos conhecimentos e informações que são transmitidos pela escola. Todavia, se educação é formação de personalidades humano-históricas, o seu conteúdo tem a ver com a cultura em seu sentido pleno: conhecimentos, informações, valores, crenças, tecnologia, ciência, arte, filosofia, direito etc., ou seja, tudo aquilo que é criado pelos homens, por contraposição à natureza, que existe independentemente de sua ação e vontade. O conceito de cultura, nesse sentido mais amplo, tem relação com o significado que lhe dá, pois a palavra cultura designa a soma total das criações humanas, ou o resultado organizado da experiência de um grupo qualquer, num dado momento ou momentos sucessivos. Incluem instrumentos, habitações, armas, todos os bens de produção existentes no grupo, como os processos de sua utilização; e ainda tudo quanto esse grupo tenha elaborado na forma de atitudes e crenças, ideias e opiniões, códigos e instruções, arte e ciência, organização social e filosofia de vida. Uma cultura se constitui pelo que se vê, de elementos materiais, e não materiais, ou simbólicos.

de leitura. seja “verdadeiro” na transmissão de determinado componente cultural. de discussão. Ao enfatizar a importância da forma em sua dimensão de conteúdo do currículo escolar. E a estratégia adequada para dotar o ensino de bons professores no que diz respeito a esse quesito não pode restringir-se à melhoria da formação profissional nos cursos superiores de Pedagogia e assemelhados. porque o mais determinante dessa “formação” já se deu quando o futuro professor frequentava a escola fundamental. Didatismo e Conhecimento 78 princípios e métodos com que teve contato em sua formação docente. tanto quanto para a melhoria dessa educação visando a gerações futuras. Para. seja levado a aplicar sua vontade. para dar conta da passagem da democracia como componente curricular. Mas para as gerações atuais. sendo de particular importância o tipo de educação que ele recebe durante o ensino fundamental. para fazer-se eficientemente. Às vezes. Ao educar-se. de modo a incluir em sua prática cotidiana momentos de estudo. Em estudo que verifica as razões do apego de educadores ao emprego da reprovação escolar. quando estudantes. obedecendo. objetos e valores presentes na “relação” pedagógica. dos atributos políticos (autoritários ou democráticos) incorporados na personalidade de cada professor do ensino fundamental deve levar à constatação de que tais atributos. A relação pedagógica como relação entre sujeitos supõe que o educando. o caminho mais curto é a formação em serviço das dezenas de milhares de professores que hoje operam no ensino fundamental. para aprender. para a educação. de uma forma ou de outra. Já as crianças pequenas tratam as suas bonecas exatamente da mesma maneira como são tratadas. Ao contrário. como sujeito. As crenças. esse componente político1 presente na educação como prática democrática é ingrediente curricular fundamental na formação de personalidades livres e autônomas. fazendo sofrer os seus educandos precisamente aquilo por que ele passou. além dessa preocupação com uma forma de ensino que provoque sua efetiva realização. essa forma não é assimilada pelo educando apenas como forma de ensinar e aprender. Uma formação em serviço que logre produzir mudanças consistentes nas condutas políticas dos professores de hoje. O essencial dessa formação é constituído muito antes de o jovem chegar ao ensino superior. são parte integrante do currículo escolar. é muito mais um replicador das relações pelas quais ele passou no ensino fundamental do que aplicador dos conhecimentos. predominantemente. Lamentavelmente. que ele reconheça e aceite o valor desse elemento e. 2003). regras ou recomendações. sua personalidade.). com a diferença de que o lugar incômodo foi trocado pelo mais cômodo. outro aspecto relacionado aos conhecimentos incluídos no currículo escolar refere-se à natureza mesma desses conhecimentos. O modo de pensar é aqui o mesmo que na juventude e que foi formado pela experiência quotidiana. corresponde-se de tal maneira que a pessoa que recebeu a educação se coloca mais tarde na vida no lugar do seu educador. como um ensino de caráter punitivo e que desconsidera a subjetividade do educando “parece levar os professores de hoje a reproduzirem. com seus alunos. as visões de mundo e os modos de conduta incorporados durante os primeiros períodos de vida muito dificilmente serão apagados ou substituídos na idade adulta. ou melhor. a forma como foram tratados. é claro. Para isso. Nessa perspectiva. como autor. em pleno período de seu desenvolvimento biopsíquico. é preciso que a estrutura mesma da escola seja transformada. . A importância desse fator decorre do fato de que a transmissão de valores – e das condutas que eles favorecem – não se sustenta em palavras e preceitos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A primeira consequência da consideração da cultura como conteúdo do ensino é que a estrutura curricular está necessariamente associada à estrutura didática. os valores. Em consequência. Esta é uma condição necessária para que o educador possa levar o educando a fazer-se sujeito e aprender. valores etc. no processo de aprendizado. como comumente se supõe. Em vista disso. a primeira questão que viria à tona aos formuladores de currículos e programas para o ensino fundamental seria a consideração do caráter democrático da personalidade do educador escolar. se pode formar a personalidade democrática dos professores de amanhã. Como se vê. na verdade. a intenção e o êxito. Se fosse valorizado. o estudante. Aprende-se a dominar. não se está querendo dizer que os conhecimentos e informações constantes das disciplinas escolares não sejam importantes. exige uma forma democrática de relacionamento. Ou seja. Aqui. por meio daquilo que denomina “determinantes psicobiográficos” da propensão à reprovação. visto ser no contexto da cultura que se forjam os conhecimentos. em sua personalidade vão-se incorporando valores de cunho universal relacionados à forma democrática de convivência entre humanos. se levarmos em conta o caráter autoritário das relações vigentes na escola que esse professor frequentou quando jovem. para ensinar. ou seja. Assim. pela simples razão de os valores não serem passados apenas por palavras. e de sua capacidade de exercitar essa condição na interação com o educando. porque é aí que. Vitor Henrique Paro (2003) constata a força da escolaridade pregressa em professores do ensino fundamental. de modo a tocarem em suas próprias personalidades. Mas. esse componente não tem recebido a devida atenção por parte das políticas públicas em educação. incorpora os valores que dão forma à maneira de essa cultura ser passada. o indivíduo é exposto a relações sociais que marcam. não é difícil imaginar sua conduta de hoje com seus alunos. precisa superar a atual maneira pontual e anárquica que tem preponderado nos “programas” de formação em serviço e “formações a distância” vigentes. de trocas de experiências e de práticas coletivas. A importância determinante. mas principalmente pela conduta assumida na relação. o primeiro conteúdo do currículo é precisamente a forma de ensinar. em geral. e que o educador. além disso. Verifica. técnicas. por seus mestres” (PARO. Acontece que a formação dessa “personalidade democrática” do educador escolar não se faz inteiramente por meio dos livros e dos cursos de Pedagogia e outros de formação de professores. indelevelmente. entre cidadãos. para as gerações futuras cumpre melhorar a educação que é oferecida hoje em nossas escolas fundamentais. está-se falando sobre um dos componentes da estrutura curricular. Mas. então. ao se tratar da estrutura didática. ao lado de todos os demais elementos da cultura (conhecimentos. É por isso que o professor do ensino fundamental de hoje. ao fazer-se conteúdo do ensino. especialmente do professor. visando à melhoria da prática pedagógica. aplique sua vontade na transmissão de tal elemento. é preciso que o educador “queira” ser democrático e “seja capaz de agir” democraticamente. eles são tão importantes que é preciso providenciar uma forma de ensiná-los que produza sua real apropriação. A relação pedagógica.

Didatismo e Conhecimento 79 Entretanto. apesar de se referirem ao sistema francês na década de 1960. dança. 1975). Muito embora não se possa menosprezar a importância dessas disciplinas – e não se deva descartar determinado conteúdo curricular por ele ser explicitamente político – o componente crítico deve estar presente não apenas em todo conhecimento veiculado pelas disciplinas. é dar-lhe um instrumento cuja prática pode ser mais prejudicial do que benéfica. e aceitos passivamente pelo aluno. Tais considerações desautorizariam. as notas. à saúde etc. É preciso precaver-se contra aquilo que Whitehead chama de “ideias inertes”. ou seja. de suas responsabilidades e de suas obrigações. mas considera que ela “pode desviar definitivamente o jovem de toda pesquisa intelectual. a capacidade de expressão exata. se os conhecimentos forem apenas “revelados” pelo professor. por um lado. se os fatos já se não tivessem encarregado de fazê-lo. o raciocínio seguro. nenhuma estatística seria capaz de dizê-lo. e a escola passa a ser valorizada quase só na medida de sua capacidade de fornecer informações. a criatividade. coroando tudo isso. de seus deveres. obtivessem adaptação a seu meio social e não lessem senão ideias construtoras. a afirmativa de que a instrução é a grande panaceia universal. de modo a propiciar condições de novos avanços e aprofundamentos em cada conteúdo nos estágios e níveis subsequentes do ensino. há que se selecionar. em sua crítica à escola. Além disso. Língua Portuguesa. também passivamente. A alfabetização pura e simples nada tem feito de construtivo. aplicam-se sob medida ao Brasil de hoje: George coloca que a partir da idade de 6 anos. e uma ordenação que leve em conta cada fase ou ciclo de desenvolvimento curricular. porém. ao domínio do corpo. de modo a que ele não se torne. A reflexão. mas também em toda cultura que venha a compor o currículo escolar. Nossos currículos parecem constituir um enorme rol de conhecimentos a serem armazenados nas cabeças dos estudantes. é preciso garantir a flexibilidade suficiente para permitir os necessários ajustes às características regionais e estimular a criatividade de cada unidade escolar. uma articulação entre os vários tipos de conteúdos e uma adequação estrutural da escola com vistas a essa nova concepção de currículo. Certamente. na vida adulta. Se perguntássemos. se se guardam intactos em sua feição primitiva. se os espíritos continuam virgens. O cuidado com a formação do jovem. Afirmou-se por muito tempo: abrir escolas é fechar prisões. os conhecimentos relevantes. ao artesanato. a criança francesa torna-se a presa de um sistema cujo único ideal é empanturrar cérebros sem levar em conta o essencial desenvolvimento equilibrado da personalidade. apesar de não contar com os avanços atuais da Pedagogia. em que as regras e algoritmos são memorizadas sem nenhum questionamento ou descoberta por parte do educando. o critério na apreciação dos homens. História. implica considerar pelo menos três tipos de providências relativas a sua concretização: uma seleção de conteúdos. Michel Lobrot (1977). Por mais “neutra” que possa parecer uma disciplina como a Matemática. as classificações e. A adoção de uma concepção de currículo que não se baste no rol de conhecimentos a serem transmitidos. isto é. já enfatizava a importância da formação. de seus direitos. a capacidade de raciocínio e a aptidão para o julgamento são relegados a um plano inferior. é comum ouvir-se falar da necessidade de um conteúdo do ensino que seja crítico e que favoreça a consciência política dos educandos. se com este termo estivermos entendendo a superação de uma visão ingênua do mundo. de toda curiosidade. Tanto que todo o ensino francês parece se reduzir a um gigantesco empreendimento de alienação mental.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A esse respeito. afirma que esta “não exerce quase nenhuma influência no saber e na capacidade dos adultos. a sociologia e outras disciplinas do campo das ciências humanas. tenderá a ser o mesmo indivíduo que. mas que soubessem refletir e apreciar a cultura. de indivíduos que não fossem meros acúmulos de conhecimentos. os exercícios. Neste sentido. é crítico todo conhecimento que esteja comprometido com a verdade.). mas que contemple também as demais dimensões da cultura. Alfabetizar o indivíduo sem fazê-lo crescer. as palavras de George Gudsdorf (1987) são bastante atuais e. que comporão as matérias ou disciplinas escolares (Matemática. Se todos os que aprendessem a ler atendessem a seus interesses vitais. “ideias que são simplesmente recebidas pela mente sem que sejam utilizadas ou testadas ou mergulhadas em novas combinações”. quantas prisões as escolas fecharam. com base apenas na autoridade do professor ou da escola. Tal cuidado estava presente até mesmo no método dos jesuítas que. como a história. o caráter crítico do ensino estaria presente apenas naquelas disciplinas que veiculam explicitamente valores ou posturas políticas. quando adulto. um simples repetidor de conteúdo é uma preocupação que sempre esteve presente na História da Educação. os novos componentes curriculares relacionados à arte (música. No primeiro caso. Os conhecimentos positivos de geografia ou de física poderão estar antiquados no cabo de poucos lustros. como muitos acreditam que se propiciará um aprendizado mais crítico. entretanto. embora se possa (ou se deva) estabelecer mínimos curriculares ou parâmetros orientadores que tenham validade nacional. Não há dúvida de que o conhecimento deve ser crítico. nas diversas áreas do saber e das ciências. teatro.) e. o que chama a atenção é precisamente a ausência dessa preocupação por parte das políticas públicas. Nos dias atuais tornou-se quase sagrado o mito da “sociedade do conhecimento” e da necessidade de adequar-se a ela. pela escola. ao folclore. Segundo esse ponto de vista. Filosofia etc. ao esporte. ter consciência de seu papel social. na comunidade e para a comunidade. pois tudo o que ensina é em grande parte esquecido”. o princípio prevalecente nessas escolhas deve ser o da busca de uma síntese possível do conteúdo de cada área. Isto vai contra a crença de que a forma por excelência de o ensino se fazer crítico é selecionando os conhecimentos que tragam explicitamente uma intenção política de conscientização. aperfeiçoar-se individualmente. artes plásticas etc. Os únicos elementos importantes da vida escolar são os programas. a alfabetização só por si seria um programa excelente. bela e enérgica de uma alma harmoniosamente desenvolvida representam aquisições humanas de valor perene. A criança que hoje é levada a aceitar passivamente um algoritmo ou uma regra sem compreender seu funcionamento. aceitará preconceitos e injustiças sociais. A Matemática continuará contribuindo para inibir o espírito crítico se continuar sendo ensinada de maneira “bancária” (FREIRE. o espírito crítico. quando se inicia seriamente a aprendizagem da leitura e da escrita. A estratégia preferida para proceder a essa adequação parece ser a aquisição da maior quantidade possível de informação. De nada vale. de toda colaboração efetiva com os outros. sem perguntar seu significado e razão de ser. não é enxertando questões sociais nos exemplos de problemas matemáticos. os exames. Quanto . se ela instila um fastio insuperável e mantém uma mentalidade de competição e de respeito formal aos mestres”. por exemplo. por outro. A esse respeito.

Ora. É preciso não se esquecer de que. para além da necessidade natural. a boa disposição para com o próximo. mas não são tudo. Finalmente. cada indivíduo se faz mais livre à medida que se apropria da cultura. o senso da beleza. humano-histórico. mas propiciar condições para que cada unidade escolar encontre a melhor forma de dispor seus recursos e adequá-los ao currículo adotado e à população usuária. O ser humano. propiciando maior prazer e satisfação na apropriação dos conhecimentos. Essa me parece a essência do problema. espaços.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS a isso. como o exercício da reflexão. em particular o fundamental. Sabemos. Mesmo as pessoas que têm maior acesso à cultura muito raramente percebem essa dimensão dos direitos humanos. Quando falamos de direito à educação. para seguir nos níveis subsequentes de ensino e para tornar-se apto ao trabalho (ou melhor. pois é necessário um grande esforço de educação e autoeducação a fim de reconhecermos sinceramente este postulado. pautada por valores progressistas de afirmação da condição de sujeito de todos os cidadãos. a capacidade de penetrar nos problemas da vida. portanto. Didatismo e Conhecimento 80 Todavia. Uma nova concepção de currículo que se preocupe com toda a cultura certamente exigirá outra escola. portanto. concorrendo assim para o benefício do todo cultural de que fazem parte. essa visão da cultura como necessidade (e direito) universal ainda está longe de se generalizar em nossa sociedade. Em geral costuma-se valorizar o ensino escolar. o direito ao ensino fundamental é visto apenas em termos do cumprimento dessas metas. Por isso. somos meras natureza. Nesse sentido. isso não pode significar o direito apenas a pequenos “pedaços” da cultura. Dessa forma. com funções. O direito à cultura significa. Todavia. Língua Portuguesa. ético. a cultura não pode ser considerada um bem privado a que apenas os privilegiados das camadas mais abastadas têm acesso. enriquecer a vida presente do educando. a tendência mais funda é achar que nossos direitos são mais urgentes que os do próximo. a que todos os cidadãos. No nascimento. o afinamento das emoções. mas histórica). Geografia. para realizar-se como tal. Por isso. filosófico. ao emprego).. A cultura. o terceiro tipo de providência que deve acompanhar uma reforma curricular refere-se à reestruturação da própria unidade escolar e de seu desenrolar cotidiano. mas para facilitar o tratamento específico naquilo que lhes convém. é o próprio substrato da liberdade do homem. como afirmei no início deste artigo. Neste quesito também não se deve homogeneizar. não para estas se fazerem estanques e independentes umas das outras. portanto. A classificação das escolas para determinadas finalidades é necessária. a aquisição do saber. artístico. que independe da ação e da vontade do homem). porém. é pela apropriação dessa cultura (pela educação). não há nenhuma razão. que lamentavelmente é precisamente isso que acontece: a cultura é distribuída de acordo com a origem social dos indivíduos. em salas separadas. que o homem se diferencia da mera natureza e se faz humano. e se propõe a abordagem plena da cultura. sem dúvida. . os mais ricos tendo a sua disposição os meios e recursos que lhes possibilitam o desenvolvimento de suas potencialidades. conclui-se que esse processo confirma no homem aqueles traços que reputamos essenciais. Quanto a isso. embaixo de uma ponte ou na mansão de algum magnata. de modo que os vários componentes culturais propiciem aquilo que é próprio de uma educação verdadeiramente significativa: ser intrinsecamente interessante. ou melhor. Para que isso aconteça. ao mundo natural. O direito à cultura Tomar a educação como apropriação da cultura traz importantes consequências para a apreciação dos direitos humanos. não modificado por seu próprio corpo docente. destinando aos desprotegidos as migalhas dos conhecimentos escolares. para sentir-se bem. é preciso que haja inter-relacionamento entre os vários conteúdos. a percepção da complexidade do mundo e dos seres. nos deixaram por herança (não genética. Ela clama por uma educação que logre preparar o indivíduo para o usufruto de todos os bens espirituais e materiais criados historicamente no contexto da cultura. partes importantíssimas da herança cultural. o cultivo do humor. têm o direito de acesso. Na verdade. numa sociedade verdadeiramente democrática. enquanto forma sua personalidade e prepara para futuros enriquecimentos cultural. As escolas devem ter a prerrogativa de serem consideradas em relação a suas circunstâncias especiais. na forma das chamadas disciplinas escolares (Matemática. Fazemo-nos humanos à medida que nos apropriamos da cultura. A imensa maioria das escolas é concebida para receber turmas de alunos ouvintes. pelo que ele pode trazer de contribuição ao desenvolvimento econômico e social do país e para a preparação individual dos cidadãos. quando se advoga a superação do atual currículo fundado apenas em conhecimentos e informações. portanto. quer nasçamos no barraco da favela. Esta preparação é usualmente associada aos conhecimentos mínimos necessários para o indivíduo viver em sociedade. sem nenhuma referência à cultura plena como direito. todas essas são qualidades que nos são dadas pela educação como apropriação da cultura. na forma de todo desenvolvimento científico. tempos e equipamentos completamente diversificados. etc. inclusive no plano estritamente individual. é preciso estar alerta para o fato de que pensar em direitos humanos tem um pressuposto: reconhecer que aquilo que consideramos indispensável para nós é também indispensável para o próximo.). A segunda medida relativa ao dimensionamento curricular diz respeito à imprescindível conexão dos conteúdos das chamadas disciplinas teóricas com os conteúdos relacionados às outras dimensões da cultura que farão parte do currículo. de tudo o que nossos antepassados. pelo fato mesmo de serem cidadãos. Como geralmente não se adota uma concepção de educação como apropriação da cultura. na forma da assim chamada “cultura erudita”. Do ponto de vista dos valores democráticos. tecnológico etc. também o currículo deve levar em conta essa condição. uma das reivindicações é precisamente fazer com que essas outras dimensões da cultura deem mais sentido à escola. os mais pobres tendo que permanecer à beira da necessidade natural por lhes serem negada as condições objetivas de se desenvolverem culturalmente. mas não deveria ser permitido o currículo inteiramente rígido. a escola é a verdadeira unidade educacional em qualquer sistema nacional para a salvaguarda da eficiência. entendida a cultura como toda a criação humana (contraposta. liberto dos grilhões da necessidade. convém ter sempre presente que. ao fazerem a história. não precisa apenas de conhecimentos e informações. as artes e a cultura em geral comportam divisões em disciplinas ou áreas. o direito à própria humanização do indivíduo. para que essa herança cultural seja distribuída de modo desigual aos cidadãos. Estas são. As ciências. A realização pessoal exige muito mais do que fragmentos de cultura que nossa escola se propõe a fornecer.

“Eu acho (isso eu acho. as visões a respeito de currículo comumente presentes na realidade educacional brasileira. assim. . passando uma moral que as populações não teriam. com a política em sua forma democrática. A esse respeito a pesquisa de campo procurou identificar entre os depoentes suas concepções de currículo. verificamos que para criar um cidadão obediente à lei cuja obediência não se baseia exclusivamente na cegueira da aceitação e do hábito. por meio de obediência. quando perguntada sobre o assunto diz. o esforço para incluir o semelhante no mesmo elenco de bens que reivindicamos está na base da reflexão sobre os direitos humanos. Ainda não nos demos completamente conta de quão tremenda seria a reforma da educação necessária para fazer funcionar uma sociedade democrática. Deixa escapar. Outra professora da terceira série.. Mas será que pensam que seu semelhante pobre teria direito a ler Dostoievski ou ouvir os quartetos de Beethoven? Apesar das boas intenções no outro setor. a certos bens fundamentais. na discussão e na tomada de decisões nas pequenas coisas do dia a dia. no comportamento de aceitação do outro. no desenvolvimento da autonomia e da autodisciplina. já ter consciência de certas coisas. valores cuja função social e psicológica seja inteligível. Eu acho que é importante a criança. eu acho que é pela falta do limite [. para depois não ser levada. essa é a parte que a escola tem que fazer que eu acho que o pai também tem que fazer [. individuais ou coletivos. mais do que isso. Como vimos até aqui. Elas afirmam que o próximo tem direito. comida. na relação dialógica entre todos que participam da situação de ensino. Uma questão que aparece quando se menciona a necessidade de um currículo mais rico para o ensino fundamental.] eu discuto [. devemos reeducar o homem integral. pelo acréscimo de conhecimentos nas listas das disciplinas tradicionais. no exercício do companheirismo etc. Neste tópico procuro apresentar o ponto de vista dos entrevistados a respeito desses temas. É comum encontrar-se no discurso dos educadores escolares um apelo para a imposição de «limites». dificilmente serão capazes de se haver com valores cujo apelo à razão e cujos princípios subjacentes podem e devem ser discutidos. é vista como tendo que exercer um papel civilizatório. eu me identificar com o outro. em lugar da criação de condutas democráticas. sobretudo em apreciação dos valores racionais... Diante da pergunta sobre como “preparar para a vida”. isto é. instrução. parece adotar uma concepção que tem mais a ver com disciplina e moralização: Seu relato. é a que se refere à necessidade da inclusão da política no conteúdo escolar. de saída. Eu procuro fazer isso com meus alunos. etc.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Desse modo. sem dúvida. Nesse período de formação de suas personalidades.] É que eles não entendem o caminho. não se pode criar um novo mundo moral alicerçado. passível de envolver todos os atos e momentos da vida em sociedade. com “luta pelo poder” ou com seu sentido formal e específico envolvendo o funcionamento dos poderes da república. E não por mal.. incontinenti. ao se reportar aos valores como conteúdos do ensino. porque não se trata de “doutrinar” as crianças. como acaba sendo hoje em dia”.]. suas apreciações relativas à atual estrutura curricular. é que seria possível oferecer condições de aprendizado e prática da democracia a essas crianças. Quando se põe a explicar o que é isso diz: “Eu ser um cidadão. parece mais próxima de uma abordagem correta do problema quando procura adequá-lo em termos de conduta para com o outro. desde pequena.] que os pais não estão dando mais. como casa. Ora. que é favorável a que se ensine e se discuta política com os alunos: “Eu acho que as crianças desde pequenas já têm que entender certas coisas. baseada na apreciação consciente dos valores. Escapa-lhe a compreensão da política em seu sentido amplo de convivência entre sujeitos. assim. então. mesmo na primeira série. de brincadeiras e de trabalho. até para poder opinar. assim. Não seria. como são no Brasil. Os educadores escolares e o currículo Qualquer projeto de mudança na estrutura curricular do ensino fundamental precisa partir da realidade atual de nossas escolas. agindo democraticamente. eu respeitar o outro. a oportunidade de proporcionar aos educandos condições de entrar em contato com a política e. mas de dar-lhes condições de aprender democracia. tomando posição diante de atos governamentais. mas as condutas. a forma se faz conteúdo. ou seja. o negócio do mensalão [. não são preponderantemente os discursos. De um modo geral. Considerando o caráter imprescindível da cultura para a formação integral da personalidade e para o efetivo exercício da cidadania. não tenho certeza ainda).. As pessoas que se acham condicionadas a aceitar cegamente valores. Uma professora da segunda série. Percebe-se. judiciários ou legislativos. bem como suas perspectivas em relação à eventual transformação dessa realidade. Ao falar sobre fatores sociológicos que perturbam o processo de valoração na sociedade moderna. as questões levantadas e as opiniões dos educadores parecem representar. coisas que ninguém bem formado admite hoje em dia que seja privilégio de minorias.. mas somente porque quando arrolam seus direitos não estendem todos eles ao semelhante. eu gostar do outro. saúde. já se denuncia que ela não tem condições de desempenhar. como convivência pacífica entre indivíduos e grupos que “se afirmam como sujeitos”. Isso é essencial. em certo sentido. isso que eu falo que eles estão pondo na escola.. a partir da manifestação da professora. que ela se expressa a partir de um conceito restrito de política. a seguir. os modos de ser e de agir que enriquecem a personalidade das crianças e criam nelas valores democráticos. e ao mesmo tempo conservar um sistema educacional que em suas técnicas essenciais aja por meio da criação de inibições e procure impedir o desenvolvimento da capacidade crítica. sonegando aos educandos outros elementos culturais igualmente valiosos. demonstra uma sociedade agressiva. diz que precisa ensinar a cidadania. na forma meramente verbal. Quanto as valorações e os métodos de educação em vigor. na convivência em grupos de estudo. A escola. Didatismo e Conhecimento 81 Nesse sentido mais amplo e rigoroso de democracia. o currículo da escola fundamental não pode restringir-se a uma lista de conhecimentos e informações. e a atribuição à família de um papel civilizador que.” Mas. sonegar a cultura é sonegar uma parte da capacidade de viver em liberdade. talvez isto não lhes passe pela cabeça. em alguma medida. mais do que nunca. identificando-a. Não percebe que as crianças de sete ou oito anos não têm suficiente discernimento para discutir a política nacional.. Um quesito importante dessa tarefa é saber o que pensam os professores e demais educadores escolares. no entanto. a falta de tempo que eles acham que eles não têm mais pro seu filho [.. os comportamentos. cheia de problemas.] [a questão dos valores]. Aqui. na valorização da paz.. imitação ou de sugestão emocional. as pessoas são frequentemente vítimas de uma curiosa obnubilação.

. porque a escola nossa é chata. por exemplo. Embora o tema já tenha sido tratado anteriormente. quando muito sugerindo alguma atividade ou conteúdo no currículo existente. essa sim capaz de formar personalidades consentâneas com o conceito de cidadania. quando se fala que a escola tem que dar cidadania aos educandos. criativos. se está pensando apenas em mais conhecimentos e conhecimentos mais adequados aos tempos modernos. pelo menos uma vez. demonstra se preocupar com o caráter enfadonho das atividades escolares. sente que precisa mudar.. mas cultura em seu sentido pleno: trata-se da influência decisiva da capacidade do educador no desempenho de seu papel. diz que seus alunos não gostam da aula de artes. criar uma atividade extraescolar. com muitas referências dos alunos a respeito da falta que sentem da escola nas férias. a vice-diretora. Nada se menciona do direito à cultura integral. De repente. embora não fundamente tecnicamente a mudança. Não sabe arrolar as razões por que a escola deve mudar para ser eficaz. desinteressante) como a professora dá a disciplina. mas também a cantar. mesmo com métodos ultrapassados que lhes tolhem a espontaneidade e com currículos pouco significativos para suas vidas. Segundo o estudo. a dançar. quando convidado a refletir sobre o currículo atual. e a conclusão que esses depoimentos favorecem é que seu motivo principal é o convívio com os colegas. você tirar um pouco da sua aula conteudista. Parece que não. Como deu a entender a diretora da escola. numa atitude defensiva. Durante uma pesquisa. fazer uma competição de jogos. até mesmo com seus conteúdos mais prazerosos. não apenas conhecimentos. Chutar mesmo. acabam por adquirir resistência à leitura e ficam privadas.. Na verdade.]. um programa muito rígido impõe dificuldades à criatividade e a uma maior abertura para conteúdos culturais mais elaborados e mais diversificados. Vera Sanches percebe que é isso também. quer uma escola “prazerosa”. quando adultas. colocar isso tudo de lado e transformar a escola numa escola prazerosa. a realizar atividades artísticas etc. enfadonho e ineficiente desde a alfabetização até o contato (quando há) com as obras literárias nacionais e internacionais. estimulantes e belos. Há professores que sequer veem a necessidade de alguma mudança substancial na estrutura curricular. com ênfase nos valores. a escola do dia a dia é uma escola chata. ela é conteudista. Um aspecto curioso relacionado à estrutura didática e curricular de nossa escola fundamental é o fato de que. que em geral confirmaram a hipótese.] e teria que. Uma das surpresas é constatar como a escola consegue criar nas crianças a ojeriza à própria cultura. ou de qualquer local em que se tenha de aguardar para ser atendido que não tenha um televisor ou um rádio ligado num volume que impede o saudável exercício da leitura. Não deixa de ser altamente intrigante que as crianças não gostem da aula de artes! Observe-se o que a escola consegue fazer com a cultura. Ela acha que a criança precisa aprender. Acontece que os professores e demais adultos com os quais a criança tem contato (inclusive seus familiares) são frutos de uma escola tão carente de cultura quanto a de hoje. Não bastasse isso. convém não ignorar que qualquer solução para a formação cultural das crianças de hoje precisa incluir o acesso à cultura também dos adultos..procurou-se atualizar as informações junto aos entrevistados desta investigação. não apenas a ler e a escrever. o que evidencia a falta de suporte técnico-pedagógico do sistema de ensino para proporcionar aos trabalhadores da educação aptidão e confiança para sugerir e implementar qualquer tipo de mudança no campo didático ou curricular. em geral. O mal que a escola tem feito à apreciação da leitura é alarmante. Dificilmente se encontra uma sala de espera de escritório. numa “contação” de história [. mas a pergunta que se faz é se esse é o único empecilho. Ela faz críticas ao modo (formal. se refere à escola de tempo integral. Sobre o enriquecimento do currículo. mas não é apenas isso. Mas. é possível encontrar entre os educadores escolares quem perceba o caráter pouco atrativo do currículo e da didática da escola e se preocupe com isso e com a necessidade de mudança. extraclasse. há um terceiro fator decisivo a dificultar a transmissão da cultura no ensino fundamental. os poucos que tiveram a felicidade de uma formação que os levou ao gosto pela leitura acabam por ser permanentemente tolhidos em suas tentativas de ler em lugares públicos. que existiria em escolas do Estado. As crianças. extra currículo. além das más condições de trabalho do professor e do baixo valor atribuído ao aspecto cultural. como dizem aí vulgarmente. Também nas várias investigações tenho procurado saber entre os professores e pessoal da escola a respeito da causa dessa atração. porque é uma escola “chata”. mas que a notícia que ela tem é de que “é uma porcaria”.. em mágica e.. parece bem um indicativo do exíguo número de pessoas que tentam dele usufruir nessas situações. num grande circo [. Tem que transformar numa escola prazerosa. de consultório médico. enriquecer o currículo é dar novos conhecimentos. Embora não pareça ser a regra. uma escola lúdica. em vez de adquirirem o hábito de ler e a capacidade de usufruir do direto à literatura.] Fala-se em grandes transformações. Essa falta de interesse pela aula de artes lembra um dos aspectos mais importantes para uma escola que pretenda transmitir. O problema já começa com o ensino de Língua Portuguesa. e a gente tem normas chatas. Segundo essa concepção. tradicional. Tenho-me interessado por esse fenômeno em várias pesquisas de campo que tenho feito e sempre se confirma essa hipótese. A situação exige uma mudança mais profunda que toca no que se ensina e como se ensina. a diretora da escola. Para ficar apenas num exemplo. porque a escola não tem estrutura para realizar seus fins. sim. Associado a esse tema está a fraca importância que é dada socialmente a qualquer tipo de refinamento cultural. parece que. sim [. especialmente seus professores. mas também porque o professor não sabe o que fazer.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Em suma. que ela considera uma boa ideia. fazer alguma mágica. os estudantes ainda são atraídos pela escola. o professor. sim. Na verdade não é só porque “não se pode” que a cultura não é privilegiada. O fato de não ter havido ainda nenhum movimento (pelo menos que seja de conhecimento público) que reclame contra essa restrição ao direito de ler. fazer uma competição entre pais e filhos. um dia. Didatismo e Conhecimento 82 Quem visita a escola fundamental com olhos críticos a todo momento se surpreende com as relações e fatos que presencia. o pauzinho da barraca e transformar numa escola gostosa. acaba se dando conta de suas deficiências e. pode-se citar a desvalorização que tem entre nós o exercício da leitura. Às vezes. de aeroporto. Uma professora da primeira série. Por isso. fazer alguma coisa. de repartição pública. apresenta justificativas ou desculpas para o fato de não estar desenvolvendo determinados conteúdos. desse importante bem cultural. por exemplo. convém ser culto para transmitir cultura.. É ousada. extra tudo.

ao mesmo tempo. 8 CURRÍCULOS E PROGRAMAS: DIRETRIZES. formando as novas gerações. na atividade discente e na participação da comunidade. a concepção global da escola precisa mudar se quisermos que ela seja adequada a uma educação comprometida com a formação de sujeitos humano-históricos. e de acordo com sua especificidade humana-social. então. como insiste o jargão acadêmico. à política. de modo a abarcar a cultura em suas múltiplas dimensões. deixando na sombra o verdadeiro direito à humanização do cidadão que é seu direito à cultura.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS O escopo do texto foi o de trazer ao campo das discussões a questão do currículo do ensino fundamental. ao uso do corpo etc. com relação à discussão do redimensionamento do currículo da escola fundamental. em seus conteúdos pautados na transmissão de conhecimentos. para a formação do estudante desse nível de ensino não bastam os conteúdos de conhecimentos e informações que compõem as disciplinas escolares tradicionais. do ponto de vista estritamente técnico. mais influiu na personalidade do professor foi uma escola fundamental tão carente de cultura quanto a de hoje. é preciso ser democrático para formar personalidades democráticas.formação para o trabalho. Verificou-se. em nenhuma hipótese. também a democracia não se aprende nem passa a compor a personalidade. com vistas ao cumprimento do disposto no art. à ética. quer da fruição dessa cultura. devem ser incluídos no rol de elementos culturais componentes do ensino fundamental. Espera-se também que as ponderações apresentadas contribuam para uma melhor reflexão sobre o real sentido da qualidade do ensino e sobre a necessidade da elaboração e adoção de instrumentos mais adequados para sua avaliação. e independentemente de medidas que se venham tomar com relação à formação de professores em nível superior. sem que seja exercitada na prática da vida cotidiana. Essa parece ser uma forma efetiva de melhorar a escola de hoje e. são esses “novos” conteúdos – pelo envolvimento com a subjetividade do “aprendente” que eles exigem e propiciam – que contribuirão para que a apropriação dos conhecimentos tradicionais (agora sim) possam ser apreendidos com mais eficácia. mas de modo a questionar a estrutura curricular em seus próprios fundamentos. A estreiteza do conceito de educação que a relaciona apenas à transmissão de conhecimentos e informações tem reduzido a apenas isso a compreensão do direito constitucional à educação. É a cultura em seu sentido pleno. O processo pedagógico escolar. Por outro lado. IV . que precisa ser considerada como matéria-prima do currículo quando o que está em jogo é o atendimento do direito do cidadão. Em vista disso e considerando a importância do período em que se frequenta o ensino fundamental na construção da personalidade.superação das desigualdades educacionais. contribuir para a formação do professor de amanhã. PARÂMETROS E ORIENTAÇÕES NACIONAIS. Em suma.2011/2020: I . Tendo em vista esses conteúdos bem como o avanço teórico-prático da Didática no que se refere à necessária consideração do educando como sujeito no processo pedagógico. A multiplicidade e a complexidade dos elementos culturais não admitem. convém dedicar todo esforço na formação em serviço das centenas de milhares de professores que já estão nas escolas. o suposto básico é que. precisa ser contemplado com tempos e espaços que favoreçam seu pleno desenvolvimento e que garantam sua realização como prática democrática enriquecedora de personalidades cidadãs. embora tais conteúdos não devam. as questões políticas educacionais sobre a estrutura curricular da escola fundamental corroboram considerações sobre os demais aspectos da estrutura total da escola feitas no relatório geral da pesquisa. ao cuidado pessoal. Não. 214 da Constituição. Por isso. 1o Fica aprovado o Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2020 (PNE . quer do oferecimento dos meios intelectuais necessários para seu pleno usufruto. conteúdos relacionados à arte.universalização do atendimento escolar. A esse respeito. A negação desse direito. como propósito de oferecer subsídios teóricos e argumentativos àqueles que discutem.melhoria da qualidade do ensino. começa na escola. todavia. Nenhuma “sociedade do conhecimento”. sua apropriação na forma “simplória” da mera passagem de conhecimentos.erradicação do analfabetismo. III . especialmente na fase de desenvolvimento biopsíquico e social da criança e do jovem. assim como a educação não se faz crítica apenas a partir de conhecimentos críticos. elaboram e implementam políticas públicas para a educação. Em vista disso. numa sociedade democrática. ganhem o seu lugar de importância no currículo. 2o São diretrizes do PNE .2011/2020) constante do Anexo desta Lei. PROJETO DE LEI Nº 8035/2010 Aprova o Plano Nacional de Educação para o decênio 20112020 e dá outras providências. as mudanças no currículo do ensino fundamental devem se articular com as demais transformações que nossa tradicional escola exige: na estrutura administrativa. a rigor. não esquecendo que é Didatismo e Conhecimento 83 preciso ser culto para transmitir cultura. no trabalho docente. II . Para quebrar essa tradição. portadores de cultura e que usufruem dos bens culturais como direito universal. pela recusa. Aspecto de destaque na discussão do direito do cidadão à cultura é o oferecimento de uma educação que concorra para a construção daquilo que se poderia chamar de personalidade democrática do indivíduo. sofrer restrições. que hoje são minimizados ou completamente ignorados. a primeira questão curricular de importância é seu relacionamento com a estrutura didática da escola. ordenação e relacionamento das disciplinas tradicionais. O cuidado em proporcionar educadores capazes para uma educação de qualidade precisa considerar que o que. V . que na sociedade em geral se concretiza na falta do acesso aos bens culturais de vastas camadas da população. O CONGRESSO NACIONAL decreta: Art. Art. Uma verdade – que se suspeita secular – é que os professores de determinada geração reproduzem com seus alunos o que seus mestres fizeram com eles no passado. sobrevive apenas com conhecimentos. . que. O que é urgente é que conteúdos importantíssimos. que privilegia a seleção. na estrutura didática. à luz dos avanços científicos na área da Pedagogia. que abarca tudo o que é produzido historicamente pelos seres humanos. é preciso extremo cuidado na formação dos professores. tanto em nível de sistema quanto no âmbito das unidades escolares.

3o As metas previstas no Anexo desta Lei deverão ser cumpridas no prazo de vigência do PNE . a fim de viabilizar sua plena execução. Art. 12. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica . a oferta de educação infantil de forma a atender a cinquenta por cento da população de até três anos.promoção humanística. VIII . Art. IX . 11. do Distrito Federal e dos Municípios deverão ser formulados de maneira a assegurar a consignação de dotações orçamentárias compatíveis com as diretrizes. podendo ser complementadas por mecanismos nacionais e locais de coordenação e colaboração recíproca. a fim de aferir a infraestrutura física. 6o A União deverá promover a realização de pelo menos duas conferências nacionais de educação até o final da década. 1. Art. e ampliar. científica e tecnológica do País. Art. etapas e modalidades. ou adequar os planos já aprovados em lei.difusão dos princípios da equidade.2011/2020. 1. o Distrito Federal e os Municípios. o atendimento escolar da população de quatro e cinco anos. 8o. § 1o As estratégias definidas no Anexo desta Lei não elidem a adoção de medidas adicionais em âmbito local ou de instrumentos jurídicos que formalizem a cooperação entre os entes federados. os Estados.2011/2020 e a implementação das estratégias deverão ser realizadas em regime de colaboração entre a União. Didatismo e Conhecimento 84 § 2o Os entes federados deverão estabelecer em seus respectivos planos de educação metas que garantam o atendimento às necessidades educacionais específicas da educação especial. § 1o O IDEB é calculado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira . 10.2011/2020. até 2020. 1. O plano plurianual. com intervalo de até quatro anos entre elas.IDEB será utilizado para avaliar a qualidade do ensino a partir dos dados de rendimento escolar apurados pelo censo escolar da educação básica. § 1o Os entes federados deverão estabelecer em seus respectivos planos de educação metas que considerem as necessidades específicas das populações do campo e de áreas remanescentes de quilombos.2011/2020 e dos planos previstos no art. § 2o O INEP empreenderá estudos para desenvolver outros indicadores de qualidade relativos ao corpo docente e à infraestrutura das escolas de educação básica. o Distrito Federal e os Municípios deverão aprovar leis específicas disciplinando a gestão democrática da educação em seus respectivos âmbitos de atuação no prazo de um ano contado da publicação desta Lei.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS VI . garantindo equidade educacional.6) Estimular a articulação entre programas de pós-graduação stricto sensu e cursos de formação de professores para a educação infantil. ANEXO METAS E ESTRATÉGIAS Meta 1: Universalizar. combinados com os dados relativos ao desempenho dos estudantes apurados na avaliação nacional do rendimento escolar. os Estados. metas de expansão das respectivas redes públicas de educação infantil segundo padrão nacional de qualidade compatível com as peculiaridades locais. do Distrito Federal e dos Municípios deverão prever mecanismos para o acompanhamento local da consecução das metas do PNE . vinculado ao Ministério da Educação. § 2o Os sistemas de ensino dos Estados. até 2016.INEP. Parágrafo único. Art. O Fórum Nacional de Educação. promovendo a consulta prévia e informada a essas comunidades.promoção da sustentabilidade sócio-ambiental. dos Estados. assegurando sistema educacional inclusivo em todos os níveis. disponíveis na data da publicação desta Lei. Art. metas e estratégias do PNE . 9o Os Estados. . o Distrito Federal e os Municípios deverão elaborar seus correspondentes planos de educação. 7o A consecução das metas do PNE . 1.4) Estimular a oferta de matrículas gratuitas em creches por meio da concessão de certificado de entidade beneficente de assistência social na educação. as diretrizes orçamentárias e os orçamentos anuais da União.3) Avaliar a educação infantil com base em instrumentos nacionais.valorização dos profissionais da educação.1) Definir. VII . 4o As metas previstas no Anexo desta Lei deverão ter como referência os censos nacionais da educação básica e superior mais atualizados. Art. de modo a garantir a construção de currículos capazes de incorporar os avanços das ciências no atendimento da população de quatro e cinco anos. podendo ser revista. 1. no prazo de um ano contado da publicação desta Lei. em regime de colaboração entre a União. em consonância com as diretrizes. o Distrito Federal e os Municípios.5) Fomentar a formação inicial e continuada de profissionais do magistério para a educação infantil. metas e estratégias previstas no PNE . § 3o A educação escolar indígena deverá ser implementada por meio de regime de colaboração específico que considere os territórios étnico-educacionais e de estratégias que levem em conta as especificidades socioculturais e lingüísticas de cada comunidade. articulará e coordenará as conferências nacionais de educação previstas no caput. Art.011/2020. 8o Os Estados. conforme o caso. Art. o quadro de pessoal e os recursos pedagógicos e de acessibilidade empregados na creche e na pré-escola.2011/2020 e com os respectivos planos de educação.2011-2020 e subsidiar a elaboração do Plano Nacional de Educação para o decênio 20212030. e X . a ser instituído no âmbito do Ministério da Educação.2) Manter e aprofundar programa nacional de reestruturação e aquisição de equipamentos para a rede escolar pública de educação infantil. para atender às necessidades financeiras do cumprimento das demais metas do PNE . voltado à expansão e à melhoria da rede física de creches e pré-escolas públicas. Art.estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do produto interno bruto. 5o A meta de ampliação progressiva do investimento público em educação será avaliada no quarto ano de vigência dessa Lei. com o objetivo de avaliar e monitorar a execução do PNE . Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação. do respeito à diversidade e a gestão democrática da educação. Estratégias: 1. desde que não haja prazo inferior definido para metas específicas.

7) Desenvolver tecnologias pedagógicas que combinem.7) Fomentar o atendimento das crianças do campo na educação infantil por meio do redimensionamento da distribuição territorial da oferta. com os objetivos de renovar e padronizar a frota rural de veículos escolares.9) Disciplinar.a frequência e o apoio à aprendizagem.4) Ampliar programa nacional de aquisição de veículos para transporte dos estudantes do campo.2) Manter e ampliar programas e ações de correção de fluxo do ensino fundamental por meiodo acompanhamento individualizado do estudante com rendimento escolar defasado e pelaadoção de práticas como aulas de reforço no turno complementar. a fim deincentivar abordagens interdisciplinares estruturadas pela relação entre teoria e prática. de forma a atender às especificidades das comunidades rurais. trabalho.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 1. Meta 2: Universalizar o ensino fundamental de nove anos para toda população de seis a quatorze anos.8) Estimular a oferta dos anos iniciais do ensino fundamental para as populações do camponas próprias comunidades rurais. 3. estudos de recuperação eprogressão parcial. identificando motivos de ausência e baixa freqüência e garantir. promovendo a utilização pedagógica das tecnologias da informação e dacomunicação. transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação. reduzir a evasão escolar da educação do campo e racionalizar o processo de compra de veículos para o transporte escolar do campo.1) Criar mecanismos para o acompanhamento individual de cada estudante do ensino fundamental. no âmbito dos sistemas de ensino. até 2016. em prol daeducação do campo e da educação indígena. 2. a organização do trabalho pedagógico.inclusive mediantes certames e concursos nacionais. em regime de colaboração.6) Estimular a expansão do estágio para estudantes da educação profissional técnica de nívelmédio e do ensino médio regular. cabendo aos sistemas estaduais e municipais reduzir o tempo máximo dos estudantes em deslocamento a partir de suas realidades. à contextualização curricular e ao desenvolvimento do estudantepara a vida cidadã e para o trabalho.3) Promover a busca ativa de crianças fora da escola.identificando motivos de ausência e baixa frequência e garantir. 2. em parceria com as áreas de assistência social e saúde. tais como ciência. criando rede de proteção contra formasassociadas de exclusão. . reconhecendo aespecificidade da infância e da adolescência.3) Utilizar exame nacional do ensino médio como critério de acesso à educação superior. nesta faixa etária. 3. 3. 3. o atendimento escolar para toda a população de quinze adezessete anos e elevar. garantindo o transporte intracampo. 3. com qualificação social e profissional parajovens que estejam fora da escola e com defasagem idade-série. Meta 3: Universalizar. preservando-se seu caráter pedagógico integrado aoitinerário formativo do estudante. a organização do tempo e das atividades didáticas entre a escola e o ambiente comunitário.1) Institucionalizar programa nacional de diversificação curricular do ensino médio. produção de material didático específicoe formação continuada de professores. 2. 1. até 2020. 3. 2.4) Fomentar a expansão das matrículas de ensino médio integrado à educação profissional.observando-se as peculiaridades das populações do campo.9) Fomentar o acesso à creche e à pré-escola e a oferta do atendimento educacional especializado complementar aos educandos com deficiência. de forma concomitante ao ensino médio público. a taxa líquida de matrículas no ensino médio paraoitenta e cinco por cento. 2. Estratégias: 2.8) Respeitar a opção dos povos indígenas quanto à oferta de educação infantil.7) Fortalecer o acompanhamento e o monitoramento do acesso e da permanência na escolapor parte dos beneficiários de programas de assistência social e transferência de renda. por meio de mecanismos de consulta prévia e informada. neles incluindo os conteúdos culturais correspondentes às respectivas comunidades e considerando o fortalecimento das práticas socioculturais e da língua materna de cada comunidade indígena. até dezembro de 2012. 2.discriminando-se conteúdos obrigatórios e conteúdos eletivos articulados em dimensõestemáticas. 3.5) Fomentar a expansão da oferta de matrículas gratuitas de educação profissional técnica denível médio por parte das entidades privadas de formação profissional vinculadas aosistema sindical. tecnologia. visando ao aprendizado de competências próprias daatividade profissional. dos povos indígenas e dascomunidades quilombolas. emparceria com as áreas da assistência social e da saúde.11) Universalizar o acesso à rede mundial de computadores em banda larga de alta velocidadee aumentar a relação computadores/estudante nas escolas da rede pública de educaçãobásica.10) Fomentar programas de educação de jovens e adultos para a população urbana e do campona faixa etária de quinze a dezessete anos. 3. 2. com especial atenção às classes multisseriadas. os novos saberes e os tempos escolares. Estratégias: 3. expectativas de aprendizagem para todos os anos do ensinofundamental.6) Manter programas de formação de pessoal especializado.incluindo adequação do calendário escolar de acordo com a realidade local e com ascondições climáticas da região. em regime de colaboração. 1. Didatismo e Conhecimento 85 2.10) Oferecer atividades extracurriculares de incentivo aos estudantes e de estímulo a habilidades.5) Manter programa nacional de reestruturação e aquisição de equipamentos para escolas do campo. de maneira a assegurar a formação básica comum. apoiado por meio deações de aquisição de equipamentos e laboratórios. 2. de maneira articulada. 2.9) Implementar políticas de prevenção à evasão motivada por preconceito e discriminação àorientação sexual ou à identidade de gênero. cultura e esporte.2) Fortalecer o acompanhamento e o monitoramento do acesso e da permanência na escola por parte dos beneficiários de programas de transferência de renda. bem como de produção de material didático e de formação de professores para a educação do campo. assegurando a transversalidade da educação especial na educação infantil. de forma a reposicioná-lo no ciclo escolar de maneira compatível comsua idade. limitando a nucleação de escolas e o deslocamento das crianças. de produção de material didático e de desenvolvimento de currículos e programas específicos para educação escolar nas comunidades indígenas.8) Promover a busca ativa da população de quinze a dezessete anos fora da escola. 2.fundamentado em matriz de referência do conteúdo curricular do ensino médio e emtécnicas estatísticas e psicométricas que permitam a comparabilidade dos resultados doexame.12) Definir. a freqüência e o apoio à aprendizagem. 3.

de acordo com as necessidades específicas dos estudantes. promovendo a articulação entre o ensino regular e oatendimento educacional especializado complementar ofertado em salas de recursosmultifuncionais da própria escola ou em instituições especializadas. 3. Didatismo e Conhecimento 86 5. para a população de quatro a dezessete anos.2 5. inciso I.9 4.7 6. de maneira a garantir a ampliação doatendimento aos estudantes com deficiência na rede pública regular de ensino.a aplicação em gratuidade em atividades de ampliação da jornada escolar de estudantesmatriculados nas escolas da rede pública de educação básica. do DistritoFederal e dos Municípios.6) Atender as escolas do campo na oferta de educação em tempo integral. de forma concomitante e emarticulação com a rede pública de ensino. 7. das redespúblicas de educação básica e dos sistemas de ensino da União.5 Ensino médio 3. praças.2) Fixar. refeitórios. de forma concomitante e emarticulação com a rede pública de ensino. banheiros e outrosequipamentos. 5. 6.2 Estratégias: 7. parques.2) Institucionalizar e manter. nas escolasurbanas e rurais. 5.12) Redimensionar a oferta de ensino médio nos turnos diurno e noturno.1) Formalizar e executar os planos de ações articuladas dando cumprimento às metas dequalidade estabelecidas para a educação básica pública e às estratégias de apoio técnico efinanceiro voltadas à melhoria da gestão educacional. museus. bem como de produção de material didático e de formação de recursoshumanos para a educação em tempo integral. 6. .FUNDEB.9 4. à formação de professores eprofissionais de serviços e apoio escolar. asmatrículas dos estudantes da educação regular da rede pública que recebem atendimentoeducacional especializado complementar. considerando aspeculiaridades locais.2) Implantar salas de recursos multifuncionais e fomentar a formação continuada deprofessores para o atendimento educacional especializado complementar. 4.3) Associar a prestação de assistência técnica e financeira à fixação de metas intermediárias.7 5.7 5.4 4. consideradas as diversas abordagensmetodológicas e sua efetividade.6) Fortalecer o acompanhamento e o monitoramento do acesso à escola por parte dosbeneficiários do benefício de prestação continuada. 5. até o final do terceiro ano. 4. 6.1) Estender progressivamente o alcance do programa nacional de ampliação da jornadaescolar.priorizando sistemas e redes de ensino com IDEB abaixo da média nacional.0 5. buscandoatender a pelo menos metade dos alunos matriculados nas escolas contempladas peloprograma. para fins do repasse do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento daEducação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação . os oito anos de idade. da Lei no 12. 6. na forma do art. Meta 6: Oferecer educação em tempo integral em cinquenta por cento das escolas públicas deeducação básica. bibliotecas. 4. 13. ao desenvolvimento de recursos pedagógicos e àmelhoria e expansão da infraestrutura física da rede escolar.11) Universalizar o acesso à rede mundial de computadores em banda larga de alta velocidadee aumentar a relação computadores/estudante nas escolas da rede pública de educaçãobásica.laboratórios. o atendimento escolar aosestudantes com deficiência. Estratégias: 6. Meta 5: Alfabetizar todas as crianças até. dos Estados. promovendo a utilização pedagógica das tecnologias da informação e dacomunicação nas escolas da rede pública de ensino médio. § 1o. certificar e divulgar tecnologias educacionais para alfabetização de crianças.5) Orientar. auditórios.7 3. no máximo. teatros ecinema.5 5. 4.6 4. de forma a atender a toda a demanda. mediante oferta de educação básica pública em tempo integral. 6.5) Apoiar a alfabetização de crianças indígenas e desenvolver instrumentos de acompanhamento que considerem o uso da língua materna pelas comunidades indígenas. adolescentes e jovens na escola ou sob sua responsabilidadepasse a ser igual ou superior a sete horas diárias durante todo o ano letivo.2 5. Meta 7: Atingir as seguintes médias nacionais para o IDEB: IDEB 2011 2013 2015 2017 2019 2021 Anos iniciais do ensino fundamental 4. disponibilização de materialdidático acessível e recursos de tecnologia assistiva.4) Manter e aprofundar programa nacional de acessibilidade nas escolas públicas paraadequação arquitetônica.0 5.3) Ampliar a oferta do atendimento educacional especializado complementar aos estudantesmatriculados na rede pública de ensino regular. Estratégias: 4.nos termos e nas condições estabelecidas conforme pactuação voluntária entre os entes. 4.LIBRAS.9 5. em regime de colaboração.101.1) Fomentar a estruturação do ensino fundamental de nove anos com foco na organização deciclo de alfabetização com duração de três anos.0 Anos finais do ensino fundamental 3.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 3.quando for o caso. oferta de transporte acessível. sem prejuízo do cômputo dessas matrículas naeducação básica regular. programa nacional de ampliação ereestruturação das escolas públicas por meio da instalação de quadras poliesportivas. acompanhar e divulgar bienalmente os resultados do IDEB das escolas. de 27 de novembro de 2009. bem como oacompanhamento dos resultados nos sistemas de ensino em que forem aplicadas.4) Fomentar o desenvolvimento de tecnologias educacionais e de inovação das práticaspedagógicas nos sistemas de ensino que assegurem a alfabetização e favoreçam a melhoriado fluxo escolar e a aprendizagem dos estudantes.2) Aplicar exame periódico específico para aferir a alfabetização das crianças. cozinhas. 7. bem como adistribuição territorial das escolas de ensino médio.1) Contabilizar. e oferta da educação bilíngue emlíngua portuguesa e Língua Brasileira de Sinais . no máximo. por meio deatividades de acompanhamento pedagógico e interdisciplinares.3) Fomentar a articulação da escola com os diferentes espaços educativos e equipamentospúblicos como centros comunitários.5) Fomentar a educação inclusiva. Meta 4: Universalizar. transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidadesou superdotação na rede regular de ensino. Estratégias: 5. bibliotecas. de forma que o tempo depermanência de crianças.assegurada a diversidade de métodos e propostas pedagógicas.4) Estimular a oferta de atividades voltadas à ampliação da jornada escolar de estudantesmatriculados nas escolas da rede pública de educação básica por parte das entidadesprivadas de serviço social vinculadas ao sistema sindical.3 4.3) Selecionar. a fim de garantir a alfabetização plena detodas as crianças.

com representação detrabalhadores em educação. deacordo com especificações definidas pelo Instituto Nacional de Metrologia. de acordo com as seguintes projeções: PISA 2009 2012 2015 2018 2021 Média dos resultados em matemática. 7. 7. por meio de programas suplementares de material didático-escolar. 7. 7.14) Garantir políticas de combate à violência na escola e construção de cultura de paz eambiente escolar dotado de segurança para a comunidade escolar.5) Garantir transporte gratuito para todos os estudantes da educação do campo na faixa etáriada educação escolar obrigatória.639. 7. assistência social.20) Mobilizar as famílias e setores da sociedade civil. de 13 dejulho de 1990. considerando asespecificidades dos segmentos populacionais considerados. acessibilidade à pessoa com deficiência. esporte. equipes pedagógicas e com a sociedade civil em geral.13) Informatizar a gestão das escolas e das secretarias de educação dos Estados. Indústria eComércio Exterior. assegurada a diversidade de métodos e propostas pedagógicas. energia elétrica. acesso a espaçospara prática de esportes.1) Institucionalizar programas e desenvolver tecnologias para correção de fluxo. possibilitando a criação de rede de apoio integral às famílias. mediante articulação entre os órgãos responsáveis pelas áreas da saúde e daeducação.8) Apoiar técnica e financeiramente a gestão escolar mediante transferência direta de recursosfinanceiros à escola.10) Institucionalizar e manter. 7. 7. mediante renovação integral da frota de veículos.com os de outras áreas como saúde. 7. alunos e comunidade.transporte. 7. de âmbito local e nacional. da região demenor escolaridade no país e dos vinte e cinco por cento mais pobres. 7.21) Promover a articulação dos programas da área da educação. 7. 7. 7. 7. que as ajude agarantir melhores condições para o aprendizado dos estudantes. acompanhamento pedagógico individualizado. quilombola e indígena a partir de visão articuladaao desenvolvimento sustentável e à preservação da identidade cultural. acesso a bibliotecas.2) Fomentar programas de educação de jovens e adultos para os segmentos populacionaisconsiderados. oDistrito Federal e os Municípios que tenham aprovado lei específica para a instalação deconselhos escolares ou órgãos colegiados equivalentes.7) Fomentar o desenvolvimento de tecnologias educacionais e de inovação das práticaspedagógicas nos sistemas de ensino. de forma a buscar atingir as metasdo IDEB. acesso à rede mundial de computadores em banda larga de altavelocidade.19) Assegurar. tendo em vista a equalização regionaldas oportunidades educacionais. Didatismo e Conhecimento 87 7. e da Lei no 11. bem como manter programa nacional de formação inicial econtinuada para o pessoal técnico das secretarias de educação. bem como oacompanhamento dos resultados nos sistemas de ensino em que forem aplicadas. água tratada e saneamentobásico. e equipamentos e laboratórios deciências. garantindo equidade da aprendizagem.4) Aprimorar continuamente os instrumentos de avaliação da qualidade do ensinofundamental e médio. recuperação e progressão parcial. assegurando-se osprincípios do Estatuto da Criança e do Adolescente de que trata a Lei no 8. pais. estadual e local. mental e moral dos profissionais da educação. 7. acesso a bens culturais e à arte. programa nacional de reestruturaçãoe aquisição de equipamentos para escolas públicas. em regime de colaboração. 7. como forma de controle externo da convergência entre os processos de avaliaçãodo ensino conduzidos pelo INEP e processos de avaliação do ensino internacionalmentereconhecidos. o atendimento aos estudantes da rede pública de educação básica por meio deações de prevenção. 8.645.18) Priorizar o repasse de transferências voluntárias na área da educação para os Estados. vinculado ao Ministério do Desenvolvimento. bem comoigualar a escolaridade média entre negros e não negros.leitura e ciências obtidos nas provas do Programa Internacional de Avaliação de Alunos -PISA. escolhidos pelos seus pares. promoção e atenção à saúde. por meio deações colaborativas com fóruns de educação para a diversidade étnicoracial. que estejam fora da escola e com defasagem idade série.como condição para a melhoria da qualidade do ensino. Normalizaçãoe Qualidade Industrial .12) Estabelecer diretrizes pedagógicas para a educação básica e parâmetros curricularesnacionais comuns.16) Garantir o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena. trabalho e emprego. de 10 de março de 2008. nos termos da Lei no10.cultura.Inmetro. conselhosescolares.17) Ampliar a educação escolar do campo.6) Selecionar. em todas as etapas daeducação básica. 7. com vistas à ampliação da participação da comunidade escolar noplanejamento e na aplicação dos recursos e o desenvolvimento da gestão democráticaefetiva. procurando reduzir a diferença entre as escolas com os menores índices e amédia nacional.25) Confrontar os resultados obtidos no IDEB com a média dos resultados em matemática. 7. respeitada a diversidade regional. . com os propósitos de que a educação sejaassumida como responsabilidade de todos e de ampliar o controle social sobre ocumprimento das políticas públicas educacionais. Estratégias: 8. a todas as escolas públicas de educação básica. de forma a englobar o ensino de ciências nos exames aplicados nosanos finais do ensino fundamental e incorporar o exame nacional de ensino médio aosistema de avaliação da educação básica. com vistas à redução dadesigualdade educacional.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 7. certificar e divulgar tecnologias educacionais para o ensino fundamental emédio.15) Implementar políticas de inclusão e permanência na escola para adolescentes e jovens quese encontram em regime de liberdade assistida e em situação de rua. 7.069.24) Orientar as políticas das redes e sistemas de educação. articulando a educação formal comexperiências de educação popular e cidadã. de 9 de janeiro de 2003. que assegurem a melhoria do fluxo escolar e aaprendizagem dos estudantes. do DistritoFederal e dos Municípios.9) Ampliar programas e aprofundar ações de atendimento ao estudante. bemcomo priorizar estudantes com rendimento escolar defasado. alimentação e assistência à saúde. atenção eatendimento à saúde e integridade física.23) Estabelecer ações efetivas especificamente voltadas para a prevenção.22) Universalizar.leitura e ciências 395 417 438 455 473 Meta 8: Elevar a escolaridade média da população de dezoito a vinte e quatro anos de modo aalcançar mínimo de doze anos de estudo para as populações do campo.11) Prover equipamentos e recursos tecnológicos digitais para a utilização pedagógica noambiente escolar a todas as escolas de ensino fundamental e médio. 7.

10) Elevar gradualmente a taxa de conclusão média dos cursos técnicos de nível médio narede federal de educação profissional. assegurandoa qualidade da oferta. voltado à conclusão doensino fundamental e à formação profissional inicial. 11. integrando aformação integral à preparação para o mundo do trabalho e promovendo a inter-relaçãoentre teoria e prática nos eixos da ciência. 9. bem como a interiorização da educação profissional. objetivando aelevação do nível de escolaridade do trabalhador. de forma a estimular a conclusão daeducação básica. científica e tecnológica para noventa por cento eelevar. 9.3) Garantir acesso gratuito a exames de certificação da conclusão dos ensinos fundamental emédio. 10.8) Fomentar a diversificação curricular do ensino médio para jovens e adultos. 8. 10. Meta 11: Duplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível médio.7) Institucionalizar sistema de avaliação da qualidade da educação profissional técnica denível médio das redes públicas e privadas.5) Ampliar a oferta de matrículas gratuitas de educação profissional técnica de nível médiopelas entidades privadas de formação profissional vinculadas ao sistema sindical.3) Fomentar a expansão da oferta de educação profissional técnica de nível médio namodalidade de educação a distância. Estratégias: 10. para os segmentospopulacionais considerados. o desenvolvimento de currículos e metodologias específicas para avaliação e formação continuada de docentes das redespúblicas que atuam na educação de jovens e adultos integrada à educação profissional. com base noincremento de programas de assistência estudantil e mecanismos de mobilidadeacadêmica. a aprendizagem e a conclusão com êxito da educação de jovens eadultos integrada com a educação profissional.assegurando a qualidade da oferta. 11. de acordo com as características e especificidades do público daeducação de jovens e adultos. .1) Expandir as matrículas de educação profissional técnica de nível médio nos InstitutosFederais de Educação. a permanência. que permitam aferição do grau deanalfabetismo de jovens e adultos com mais de quinze anos de idade.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 8. de maneira a estimular a ampliação do atendimento desses estudantes narede pública regular de ensino. de forma concomitante ao ensino público. com a finalidade de ampliar a oferta e democratizar oacesso à educação profissional pública e gratuita. 11. 11. em parceria com as áreas de assistência social e saúde. 11. financeira e de apoio psico-pedagógico que contribuam para garantir oacesso.2) Fomentar a expansão das matrículas na educação de jovens e adultos de forma a articulara formação inicial e continuada de trabalhadores e a educação profissional. nos cursos presenciais. 11. em regime de colaboração e com apoio das entidadesprivadas de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. sua vinculação com arranjos produtivos. 11. produção dematerial didático específico e formação continuada de professores. 9. 10.2) Fomentar a expansão da oferta de educação profissional técnica de nível médio nas redespúblicas estaduais de ensino. de forma a organizar o tempo e o espaço pedagógicos adequados àscaracterísticas de jovens e adultos por meio de equipamentos e laboratórios.5) Fomentar a produção de material didático.5) Fortalecer acompanhamento e monitoramento de acesso à escola específicos para ossegmentos populacionais considerados. em articulação com a área da saúde. no mínimo. o analfabetismo absoluto ereduzir em cinquenta por cento a taxa de analfabetismo funcional. de acordocom as necessidades e interesses dos povos indígenas.3) Fomentar a integração da educação de jovens e adultos com a educação profissional.1) Assegurar a oferta gratuita da educação de jovens e adultos a todos os que não tiveramacesso à educação básica na idade própria.1) Manter programa nacional de educação de jovens e adultos.6) Expandir a oferta de financiamento estudantil à educação profissional técnica de nívelmédio oferecida em instituições privadas de educação superior. 10.7) Institucionalizar programa nacional de assistência ao estudante. levando em consideração a responsabilidadedos Institutos na ordenação territorial. 11.8) Estimular o atendimento do ensino médio integrado à formação profissional. emcursos planejados. 9. Meta 12: Elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para cinquenta por cento e ataxa líquida para trinta e três por cento da população de dezoito a vinte e quatro anos. a relação de alunos por professor para vinte. Estratégias: 9. Estratégias: 11. 10. 10. até 2020. identificando motivos de ausência e baixafreqüência e colaborando com Estados e Municípios para garantia de frequência e apoio àaprendizagem.4) Fomentar a expansão da oferta de matrículas gratuitas de educação profissional técnica porparte das entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas aosistema sindical. Meta 9: Elevar a taxa de alfabetização da população com quinze anos ou mais para noventa etrês vírgula cinco por cento até 2015 e erradicar. programa nacional de atendimentooftalmológico e fornecimento gratuito de óculos para estudantes da educação de jovens eadultos. sociais eculturais locais e regionais. compreendendo ações deassistência social.6) Promover busca ativa de crianças fora da escola pertencentes aos segmentos populacionaisconsiderados. 11. inclusive na modalidade de educação a distância. 8.3) Promover o acesso ao ensino fundamental aos egressos de programas de alfabetização egarantir o acesso a exames de reclassificação e de certificação da aprendizagem.6) Fomentar a oferta pública de formação inicial e continuada para trabalhadores articulada àeducação de jovens e adultos. Ciência e Tecnologia.4) Promover chamadas públicas regulares para educação de jovens e adultos e avaliação dealfabetização por meio de exames específicos.4) Institucionalizar programa nacional de reestruturação e aquisição de equipamentosvoltados à expansão e à melhoria da rede física de escolas públicas que atuam naeducação de jovens e adultos integrada à educação profissional. de acordo com os seus interesses e necessidades.5) Executar. vinte e cinco por cento das matrículas de educação de jovens eadultos na forma integrada à educação profissional nos anos finais do ensinofundamental e no ensino médio. Meta 10: Oferecer. do trabalho.4) Ampliar a oferta de programas de reconhecimento de saberes para fins da certificaçãoprofissional em nível técnico.2) Implementar ações de alfabetização de jovens e adultos com garantia de continuidade daescolarização básica. da tecnologia e da cultura ecidadania.9) Expandir o atendimento do ensino médio integrado à formação profissional para os povosdo campo. 8. Didatismo e Conhecimento 88 10.

4) Expandir a oferta de cursos de pós-graduação stricto sensu.3) Induzir processo contínuo de autoavaliação das instituições superiores. utilizando metodologias. de modo a permitir aos graduandos aaquisição das competências necessárias a conduzir o processo de aprendizagem de seusfuturos alunos. 12.1) Expandir o financiamento da pós-graduação stricto sensu por meio das agências oficiaisde fomento.a fim de apurar o valor agregado dos cursos de graduação. a inovação tecnológica e amelhoria da qualidade da educação básica. Didatismo e Conhecimento 89 12. trinta e cinco porcento doutores.CONAES. dez por cento do total de créditos curriculares exigidos para agraduação em programas e projetos de extensão universitária.IBGE. 12. 13.permanência. da Rede Federal de Educação Profissional. na forma de programas de pósgraduaçãostricto sensu. aoferta de vagas públicas em relação à população na idade de referência e observadas ascaracterísticas regionais das micro e mesorregiões definidas pela Fundação InstitutoBrasileiro de Geografia e Estatística . as políticas de inclusão e de assistênciaestudantil nas instituições públicas de educação superior.15) Institucionalizar programa de composição de acervo digital de referências bibliográficaspara os cursos de graduação.9) Ampliar a participação proporcional de grupos historicamente desfavorecidos naeducação superior.11) Fomentar estudos e pesquisas que analisem a necessidade de articulação entre formação. de que trata a Lei no 10. direcionando sua atividade. 12. bem como para atender ao déficit de profissionais em áreas específicas.6) Substituir o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes .considerando as necessidades do desenvolvimento do País.7) Assegurar.especialmente ao mestrado profissional. sociais eculturais do País. no mínimo.ENADE aplicado ao finaldo primeiro ano do curso de graduação pelo Exame Nacional do Ensino Médio . em relação a acesso. uniformizando a expansão no territórionacional. de mais áreas. de forma a dispensarprogressivamente a exigência de fiador.currículo e mundo do trabalho. demodo a que mais estudantes. Estratégias: 13. 13. nomínimo. mediante ações planejadas e coordenadas.3) Elevar gradualmente a taxa de conclusão média dos cursos de graduação presenciais nasuniversidades públicas para noventa por cento. efetivamente.2) Ampliar a cobertura do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes . 12. pesquisa e extensão. Meta 13: Elevar a qualidade da educação superior pela ampliação da atuação de mestres edoutores nas instituições de educação superior para setenta e cinco por cento. demodo a atingir a titulação anual de sessenta mil mestres e vinte e cinco mil doutores. 12. 12. 13. sobretudo nas áreas de ciências ematemática.2) Estimular a integração e a atuação articulada entre a Coordenação de Aperfeiçoamento dePessoal de Nível Superior CAPES. 12. ofertar um terço das vagas em cursosnoturnos e elevar a relação de estudantes por professor para dezoito.2) Ampliar a oferta de vagas por meio da expansão e interiorização da rede federal deeducação superior.ENADE. 12. 12. 12.12) Consolidar e ampliar programas e ações de incentivo à mobilidade estudantil e docenteem cursos de graduação e pósgraduação. destacando-se aqualificação e a dedicação do corpo docente. em âmbito nacional e internacional. de forma aampliar e interiorizar o acesso à graduação.4) Induzir a melhoria da qualidade dos cursos de pedagogia e licenciaturas. na forma da lei.5) Ampliar.260. 13. 12. de modo querealizem. . Científica e Tecnológica edo Sistema Universidade Aberta do Brasil. tendo emvista o enriquecimento da formação de nível superior. sejam avaliados no que diz respeito àaprendizagem resultante da graduação. por meioda constituição de fundo garantidor do financiamento. Meta 14: Elevar gradualmente o número de matrículas na pós-graduação stricto sensu. conclusão e formação de profissionais para atuação junto a estaspopulações. sendo.14) Mapear a demanda e fomentar a oferta de formação de pessoal de nível superior. inclusive mediante a adoção de políticas afirmativas. de modo a ampliar as taxas deacesso à educação superior de estudantes egressos da escola pública. fortalecendo aparticipação das comissões próprias de avaliação. pesquisa institucionalizada. mediante estratégiasde aproveitamento de créditos e inovações acadêmicas que valorizem a aquisição decompetências de nível superior.16) Consolidar processos seletivos nacionais e regionais para acesso à educação superiorcomo forma de superar exames vestibulares individualizados. assegurando maior visibilidade nacional einternacional às atividades de ensino.8) Fomentar a ampliação da oferta de estágio como parte da formação de nível superior. por meio daaplicação de instrumento próprio de avaliação aprovado pela Comissão Nacional deAvaliação da Educação Superior . Estratégias: 14. considerando a densidade populacional.3) Expandir o financiamento estudantil por meio do FIES à pós-graduação stricto sensu.13) Expandir atendimento específico a populações do campo e indígena. inclusive por meio de plano dedesenvolvimento institucional integrado.861. combinando formação geral e prática didática. 14. de 14 de abril de 2004. regulação e supervisão.1) Aprofundar e aperfeiçoar o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior -SINAES. do corpo docente em efetivo exercício. 12. bem como a aplicação de instrumentosde avaliação que orientem as dimensões a serem fortalecidas. considerando as necessidades econômicas. do total. e as agências estaduais de fomento à pesquisa. 12.recursos e tecnologias de educação a distância.1) Otimizar a capacidade instalada da estrutura física e de recursos humanos das instituiçõespúblicas de educação superior.4) Fomentar a oferta de educação superior pública e gratuita prioritariamente para aformação de professores para a educação básica. 13.FIES.6) Expandir o financiamento estudantil por meio do Fundo de Financiamento ao Estudantedo Ensino Superior .10) Assegurar condições de acessibilidade nas instituições de educação superior. 13.ENEM.5) Elevar o padrão de qualidade das universidades. na forma dalegislação.7) Fomentar a formação de consórcios entre universidades públicas de educação superior. 12. inclusive por meio do SistemaUniversidade Aberta do Brasil. fortalecendo as ações deavaliação. 14.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Estratégias: 12. apoiando seusucesso acadêmico. por meio de programas especiais. de que trata a Lei no 10. 14.com vistas a potencializar a atuação regional. de 12 de julho de 2001.

no prazo de um ano de vigência do PNE . entre asinstituições de ensino. permitindoinclusive a amortização do saldo devedor pela docência efetiva na rede pública deeducação básica. 14. 15.861. supervisionado porprofissional do magistério com experiência de ensino. em regime de colaboração.5) Consolidar programas. a ser disponibilizado para os professoresdas escolas da rede pública de educação básica.7) Implementar ações para redução de desigualdades regionais e para favorecer o acesso daspopulações do campo e indígena a programas de mestrado e doutorado. nacional e internacional.3) Realizar prova nacional de admissão de docentes.5) Institucionalizar.planos de carreira para o magistério. 16.3) Ampliar programa permanente de iniciação à docência a estudantes matriculados emcursos de licenciatura. Estratégias: 15. Meta 15: Garantir. do Distrito Federal e dos Municípios. o Distrito Federal e osMunicípios. a decisão pela efetivação ou não efetivação do professor ao finaldo estágio probatório.6) Promover o intercâmbio científico e tecnológico. multimeios e manutençãoda infraestrutura escolar.1) Atuar conjuntamente. paradidáticos. e defina obrigações recíprocas entre os partícipes. comunidades quilombolas e povos indígenas. por meio das funções de avaliação.4) Consolidar plataforma eletrônica para organizar a oferta e as matrículas em cursos deformação inicial e continuada de professores.2) Instituir programa de acompanhamento do professor iniciante. do DistritoFederal. visando trabalho sistemático de conexãoentre a formação acadêmica dos graduandos e as demandas da rede pública de educaçãobásica. instituições formadoras e processos de certificação dos cursos. deliteratura e dicionários.6) Implementar programas específicos para formação de professores para as populações docampo. Didatismo e Conhecimento . Municípios e Distrito Federal.2011/2020. 16.4) Ampliar e consolidar portal eletrônico para subsidiar o professor na preparação de aulas.disponibilizando gratuitamente roteiros didáticos e material suplementar. de forma orgânica e articulada às políticas deformação dos Estados. em seu quadro de profissionais domagistério. 18. especialmente o dedoutorado. no prazo de dois anos. a fim de fundamentar.áreas prioritárias. 15. no âmbito da União. obtida em curso de licenciatura na área de conhecimentoem que atuam. política nacionalde formação e valorização dos profissionais da educação.7) Promover a reforma curricular dos cursos de licenciatura.4) Fomentar a oferta de cursos técnicos de nível médio destinados à formação defuncionários de escola para as áreas de administração escolar. 14.8) Induzir. com base emavaliação documentada.5) Prever. a fim de incentivar a formação de profissionais do magistério paraatuar na educação básica pública. do DistritoFederal e dos Municípios. 15. nos planos de carreira dos profissionais da educação dos Estados. a fim de aproximar o rendimentomédio do profissional do magistério com mais de onze anos de escolaridade dorendimento médio dos demais profissionais com escolaridade equivalente. Meta 17: Valorizar o magistério público da educação básica. de forma a assegurar o foco noaprendizado do estudante. 90 Meta 16: Formar cinquenta por cento dos professores da educação básica em nível de pósgraduaçãolato e stricto sensu e garantir a todos formação continuada em sua área deatuação. a fim de subsidiar a realização deconcursos públicos de admissão pelos Estados. os Estados. dos Municípios e dos trabalhadores em educação para acompanhamento daatualização progressiva do valor do piso salarial profissional nacional para osprofissionais do magistério público da educação básica. com implementação gradual da jornada de trabalhocumprida em um único estabelecimento escolar.1) Estruturar os sistemas de ensino buscando atingir.1) Constituir fórum permanente com representação da União. em regime de colaboração entre a União. 15. regulação e supervisão da educação superior. 16.8) Ampliar a oferta de programas de pós-graduação stricto sensu. Estratégias: 16. nos campi novos abertos no âmbito dos programas de expansão einteriorização das instituições superiores públicas. inclusive para alimentação escolar.2) Acompanhar a evolução salarial por meio de indicadores obtidos a partir da pesquisanacional por amostragem de domicílios periodicamente divulgados pelo IBGE. 15. projetos e ações que objetivem a internacionalização da pesquisa eda pós-graduação brasileira. 18. noventa por cento de servidores nomeados em cargos de provimento efetivoem efetivo exercício na rede pública de educação básica. definindo diretrizes nacionais. a existência de planos de carreira para osprofissionais do magistério em todos os sistemas de ensino. Estratégias: 18. bem como para divulgação e atualizaçãodos currículos eletrônicos dos docentes. 15.3) Expandir programa de composição de acervo de livros didáticos. 17. de 2004. do Distrito Federal e dos Municípios.2) Consolidar sistema nacional de formação de professores.9) Valorizar o estágio nos cursos de licenciatura. com base em plano estratégico que apresente diagnóstico dasnecessidades de formação de profissionais do magistério e da capacidade de atendimentopor parte de instituições públicas e comunitárias de educação superior existentes nosEstados. 15. 17. dividindo a carga horária em formação geral.2) Consolidar o financiamento estudantil a estudantes matriculados em cursos de licenciaturacom avaliação positiva pelo SINAES. que todos os professores da educação básica possuam formaçãoespecífica de nível superior. 16. de forma a ampliar aspossibilidades de formação em serviço.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 14. sem prejuízo de outros. o planejamento estratégico para dimensionamento dademanda por formação continuada e fomentar a respectiva oferta por parte dasinstituições públicas de educação superior. licenças para qualificação profissional em nível de pósgraduaçãostricto sensu. 15.10) Implementar cursos e programas especiais para assegurar formação específica em suaárea de atuação aos docentes com formação de nível médio na modalidade normal. 14. 14. 18. Meta 18: Assegurar. 15.3) Implementar.a plena implementação das respectivas diretrizes curriculares. sem prejuízo de outras. Distrito Federal e Municípios. Estratégias: 17. incentivando a atuação em rede e o fortalecimento de gruposde pesquisa. pesquisa e extensão.9) Manter e expandir programa de acervo digital de referências bibliográficas para os cursosde pós-graduação.1) Realizar. dos Estados. em efetivo exercício. nãolicenciados ou licenciados em área diversa da de atuação docente. formação na áreado saber e didática específica. dos Estados. na forma da Lei no 10.

essencial Didatismo e Conhecimento 91 para a redução das desigualdades no Brasil. 2009. oestabelecimento de metas e estratégias para garantia de uma educação de qualidade para todosos brasileiros tem que ser prioridade nacional. Meta 19: Garantir. O PNE . de 2001. no prazo de um ano de vigência desta Lei.6) Realizar. No que tange à educação. 03 de novembro de 2010. demonstrando o empenho do Governo e da sociedadebrasileira em saldar a enorme dívida que o Brasil tem com a educação. a Lei nº 11. em regime de colaboração com ossistemas de ensino. normativo e institucional para garantia dos direitossociais. a nomeação comissionada de diretores de escola vinculada acritérios técnicos de mérito e desempenho e à participação da comunidade escolar. construída em regime de colaboração com ossistemas de ensino.2) Aplicar prova nacional específica. fez surgir como uma das principais bandeiras a luta pelo direito à educação.1) Priorizar o repasse de transferências voluntárias na área da educação para os Estados. 1. tratando-a como direito social inalienável e fundamental para o exercício da cidadania.8) Priorizar o repasse de transferências voluntárias na área da educação para os Estados.2011/2020 na forma ora proposta representa um importante avançoinstitucional para o país. a aprovação deum novo Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2020 deve ser encarada comoestratégica para o país. de 1996. política nacional de formaçãocontinuada para funcionários de escola. mas. . Por isso. Excelentíssimo Senhor Presidente da República. de 2007. a Lei n° 10. o censo dos funcionários de escola da educação básica. A educação é um dos mais importantes instrumentos de inclusão social. 18. do Distrito Federale dos Municípios.494. 20. 20. definindo metas e estratégias para avançar no processo de melhoria daeducação brasileira. as modificações na ordem jurídico-institucionalcompletaram-se com a aprovação. Os indicadores mais recentes confirmam o alcance de bons resultados em quase todos os níveis e dimensões da educação. para quealcancemos os níveis desejados e necessários para o desenvolvimento do país. a partir da década de 1980. que regulamentou o Fundo deManutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais daEducação . de vários instrumentos legais degrande impacto para a educação brasileira.7) Considerar as especificidades socioculturais dos povos indígenas no provimento de cargosefetivos para as escolas indígenas. 18. Antecedentes A redemocratização do País. o patamar de sete por cento do produto interno bruto do País. Temos a honra de submeter à consideração de Vossa Excelência o anexo Projeto deLei que “Aprova o Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2020 e dá outrasprovidências”.assegurando o acesso ao ensino como direito público subjetivo.LDB).5) Definir o custo aluno-qualidade da educação básica à luz da ampliação do investimentopúblico em educação.PNE atualmente vigente. Formatado A Constituição Federal de 1988 incorpora estas bandeiras e traz avançosconsideráveis dos pontos de vista jurídico. a Emenda Constitucional nº 59. pelo Congresso Nacional. O tratamento da educação como política de Estado. A melhoria continuada do nível de educação da população certamente irá refletir-senão só na qualidade da vida. oDistrito Federal e os Municípios que tenham aprovado lei específica estabelecendo planosde carreira para os profissionais da educação. É inegável que nos anos mais recentes o temaeducação foi sendo definitivamente alçado à prioridade na agenda nacional. há ainda muitoque fazer.6) Desenvolver e acompanhar regularmente indicadores de investimento e tipo de despesaper capita por aluno em todas as etapas da educação pública. mediante lei específica aprovada no âmbito dos Estados. 20.2) Aperfeiçoar e ampliar os mecanismos de acompanhamento da arrecadação dacontribuição social do salárioeducação.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 18. impondo a corresponsabilidadedos entes federados por sua implementação e garantindo a aplicação de percentuais mínimos dareceitas provenientes de impostos para sua manutenção e desenvolvimento. A LDB reestruturou e definiu as diretrizes e bases da educação escolar no Brasil. com planejamento sistemático ede longo prazo é de fundamental importância para vencer esta batalha.1) Garantir fonte de financiamento permanente e sustentável para todas as etapas emodalidades da educação pública.FUNDEB. o texto aprovado exprime uma concepção ampla de educação. Por essa razão. que estabeleceu o Plano Nacional deEducação . mobilizandoGovernos e os mais diversos segmentos da sociedade em torno de um objetivo comum: aampliação do acesso à educação de qualidade para todos os brasileiros. que ampliouo ensino obrigatório dos 4 aos 17 anos de idade. também no desenvolvimento econômico do país. efetivação da democracia e ampliação da cidadania para muitosbrasileiros. Estratégias: 20. queinstituiu o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorizaçãodo Magistério – FUNDEF. Formatado E M N° 033Brasília. 20. a Emenda Constitucional nº 14. no prazo de dois anos de vigência desta Lei. e.394. 18. de 1996 . a fim de subsidiar a definição de critérios objetivospara o provimento dos cargos de diretores escolares. Estratégias: 19. Meta 20: Ampliar progressivamente o investimento público em educação até atingir.5) Implantar. Na esfera infra-constitucional. 19.172. acelerando mudanças na educação brasileiraimpulsionadas por mobilização popular. mais recentemente. 20. destacando-se a Lei de Diretrizes e Bases daEducação Nacional (Lei nº 9. nomínimo. oDistrito Federal e os Municípios que tenham aprovado lei específica prevendo aobservância de critérios técnicos de mérito e desempenho e a processos que garantam aparticipação da comunidade escolar preliminares à nomeação comissionada de diretoresescolares.4) Fortalecer os mecanismos e os instrumentos que promovam a transparência e o controlesocial na utilização dos recursos públicos aplicados em educação.3) Destinar recursos do Fundo Social ao desenvolvimento do ensino. Todavia.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Delineou o papel a ser desempenhado pela União. etapas e24modalidades por meio de ações integradas dos poderes públicos das diferentes esferasfederativas. Apesar de não ser a tradução direta do PNE. metas e estratégias de implementação paraassegurar a manutenção e desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis. ampliar a abrangência dosprogramas suplementares para todas as etapas da educação básica e estabelecer nova redaçãopara o parágrafo 214 da Constituição Federal. O Fundef instaurou um novo modelo de financiamento do ensino fundamental. Para mudar este quadro e alcançar efetivamente resultados mais favoráveis na educação. regulou e regulamentou a estrutura e o funcionamento do ensino nacional. registrar a atuação do Ministério da Educação na aprovação da Emenda Constitucional 59/2009. Municípios. com acriação do Fundeb. acabou por constituir-se em importante instrumentopara persecução das metas quantitativas estabelecidas naquele diploma legal. permitindo a organização deeixos norteadores. buscando uma visão sistêmica da educaçãoque compreendesse o ciclo educacional de modo integral. conceitos fundamentais que garantem a organização dos sistemaseducacionais do país. A visão sistêmica que enlaça todos os projetos doPDE empresta coerência e promove a articulação de todo o sistema. educação especial e educação de jovens e adultos.a chamada “Década da Educação”. Fundada na justificativa da necessidade de estabelecer prioridades. Conferência Nacional de Educação Básica. o PDE como conjunto de programas eações destinadas à melhoria da educação. o argumento serviu de pretexto para asfixiar o sistema federal de educação superior einviabilizar a expansão da rede. Sem que a União aumentasse o investimento na educaçãobásica. Porto Alegre São Paulo e Recife). visando à adequação de seus dispositivos às alteraçõesconstitucionais. avaliação e responsabilização dos agentes públicos quecomandam o sistema educacional. nas conferências nacionais de educação e cultura promovidas pela Câmara dosDeputados entre 2000 e 2005. No texto atual. Além destes marcos jurídicos. pelas escolas e demaisinstituições de ensino. este Governo lançou em 2007 o Plano deDesenvolvimento da Educação – PDE. formação de professores e valorização do magistério e gestãoe mobilização das comunidades. reforçando mutuamente cada etapa de ensino. quanto as perspectivas de continuidade de escolarização. abrangendo todosos eixos. Goiânia eBrasília). De acordo com esta visão. ensinofundamental.assim. traçou rumos para as políticas e açõesgovernamentais. devemconduzir ainda ao estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação comoproporção do produto interno bruto. o resultado desta política para aeducação básica foi a falta de professores com licenciatura para exercer o magistério e alunos doensino médio desmotivados pela insuficiência de oferta de ensino gratuito nas universidadespúblicas. Constituiu-se. De lá para cá.563 municípios. especialmente em nível federal. universalização do atendimento escolar. nas conferências brasileirasde educação (realizadas na década de 80 em São Paulo. Sob o discurso de universalização do ensino fundamental. aprovado pelo Congresso Nacional e instituído pela Lei nº10. fixou-se o prazo decenal para oplano nacional de educação. contemplando educação infantil. indispensáveis à criação das condições objetivas paraa efetivação de políticas de Estado. Diante da falta de recursos. a atenção exclusiva ao ensino fundamentalresultou em descaso com as outras duas etapas (ensino infantil e médio). Uma terceira oposiçãoverificada deu-se entre ensino médio e educação profissional. a realização de conferências nacionais deeducação como espaços de participação da sociedade na construção de novos marcos para aspolíticas educacionais. na Conferência Nacional Educação Para Todos. Esta concepção esteve presente.implementando importante mecanismo de redistribuição de recursos vinculados à educação comvistas a cumprir o princípio constitucional da equalização do financiamento. nasconferências e encontros recentemente realizados pelo Ministério da Educação (ConferênciaNacional de Educação Profissional e Tecnológica. Decretos PortariasInsterministeriais e Planos de Ações Articuladas firmados com todos os 26 estados. Tais ações. ensino médio. níveis e modalidades da Educação.127. promovesse a articulação entre aspolíticas específicas e coordenasse os instrumentos disponíveis (políticos. por sua vez. Os programas e ações do PDE foram institucionalizados em Leis. melhoria da qualidade do ensino. Estados. em instrumento essencial na universalização do ensino fundamental. objetivos. de 1994. Além deste efeito direto. etapas emodalidades da educação não eram entendidos enquanto momentos de um processo. Ao vedar por decreto a oferta deensino médio articulado à educação profissional e proibir por lei a expansão do sistema federalde educação profissional. O PDE apresenta mecanismospara aprofundar o diagnóstico das condições da educação. por fim.componentes de uma unidade geral. Didatismo e Conhecimento . Cumpre.a Lei veio sofrendo várias alterações. ampliou-se o escopo do financiamento. os diversos níveis. ressaltese. Traçou os princípios educativos. O PNE em vigor contribuiu para a construção depolíticas e programas voltados à melhoria da educação. realizada entre 28 de março e 01 deabril de 2010. sobretudo. 2. Em 2007. 92 Como resposta a esta situação. à atualização de conceitos às novas visões e estratégias educacionais e aoaprimoramento de parte de suas normas. nos congressos nacionais de educação (em Belo Horizonte. que possibilitou grandes conquistas para a educação nacionalao prever a obrigatoriedade do ensino de quatro a dezessete anos. promoção humanística. comprometendo tanto abase do ensino. O Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE O PNE foi lançado quando vigorava no país uma visão fragmentada da educação. cuja vigência se estende a 2020. por exemplo. criou-se aindesejável oposição entre educação básica e superior.Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena e Fórum Nacional de Educação Superior).formação para o trabalho. com o objetivo de articular nacionalmente os sistemas de ensino emregime de colaboração e definir diretrizes. o DistritoFederal e os 5. Ademais. intermunicipais e estaduais queresultaram na Conferência Nacional de Educação CONAE. Os pilares de sustentação doPDE são: financiamento adequado. Niterói. O PNE 2001-2010. além dos objetivos já fixados na redação anterior (erradicação doanalfabetismo. ainda. era necessário superar essas oposições. reforçaram-se falsas oposições e promoveu-se verdadeira disputa entre etapas. no âmbito da educação básica.passando a abranger toda a educação básica. Belo Horizonte. fixando objetivos e metas para a educação brasileira por um período de dezanos .destacando-se especialmente as conferências municipais. científica e tecnológica do País). um conjunto de mais de 40 medidas. caberia aogestor público optar pela primeira. modalidades e níveiseducacionais. para a melhoria da qualidade doensino em todos os aspectos e para a democratização do acesso. de 9 de janeiro de 2001. especificou os níveis e modalidades deensino. técnicos e financeiros)entre os três níveis federativos. muito embora tenha vindodesacompanhado dos instrumentos executivos para consecução das metas por ele estabelecidas. desarticulou-se uma política importantíssima para o país.

acompanhará a execução do PlanoNacional de Educação”. não ocorrendo de maneira automática. que: “o Poder Legislativo. Cultura e Desporto [hoje Comissão de Educação e Cultura]. pois além de constituir-se em instrumento estruturante e de planejamento das açõesgovernamentais. pela União. ela envolveuquestões específicas da educação e outras que a transcendem. em 2006. que a legislação educacional em vigor distribui entre várias instituições a responsabilidade pelo acompanhamento e avaliação do PNE. de 24 de novembro de 1995. em 2005. em setembro e outubro de 2005. histórico social e ontogenético. dadas suanatureza. procederá a avaliaçõesperiódicas da implementação do Plano Nacional de Educação”. deanálise contextualizada.131. A avaliação do PNE. Por sua vez. sistematizados pelo MEC. Piaget não deu ênfase aos valores sociais e culturais no desenvolvimento da inteligência. coordenada pela SEA/MEC.do CNE e das comissões de educação da Câmara e do Senado Federal são. As crianças constroem e internalizam o conhecimento que esses seres instruídos possuem. Ambos entenderam o conhecimento como adaptação e como construção individual e compreenderam a aprendizagem e o desenvolvimento como autorregulados. Comefeito. Para ele as crianças adquirem uma forma própria de se desenvolver no social. em que se articularam as dimensões técnica e política. Vygotsky e Piaget estavam preocupados com o desenvolvimento intelectual. mediante a construção pessoal desse conhecimento. como professores e colegas. respectivamente. Observa-se. sob a responsabilidade da Coordenação Geral de Articulação e Fortalecimento Institucional dos Sistemas de Ensino (Cafise) da Seb/MEC. exercer acoordenação do processo de execução dos próximos Planos. onde a teoria é um acontecimento da invenção ou construção que ocorre na mente do indivíduo. define como uma das suas atribuições “subsidiar a elaboração e acompanhara execução do Plano Nacional de Educação”. o PNE 2001-2010 representou um importante avanço institucional.concorrentes e complementares. se essa capacidade de aprendizagem e oportunidade lhe for oferecida. A criança transforma aquilo que aprende de acordo com sua capacidade interna e nata. Resultou. trouxe previsão legal que determinou e exigiu monitoramento e avaliaçãoperiódicas de sua execução. portanto. e coordenados pelo MEC/Seb/ Dase/Cafise. ambos viram o desenvolvimento e a aprendizagem da criança como participativa. não acreditava que a transmissão direta desse tipo fosse viável.CNE. a Lei nº9. que renomeou e reestruturou o Conselho Nacional deEducação . da Câmara dosDeputados e da Comissão de Educação do Senado Federal. pelo Legislativo e ainda pela sociedade civil. Já o art. cabendo ao Congresso Nacional aprovar medidas legais decorrentes. 4º da Lei do PNE prevê que “a União instituiráo Sistema Nacional de Avaliação e estabelecerá os mecanismos necessários aoacompanhamento das metas constantes do Plano Nacional de Educação”. Os papéis do MEC. não circunscritaà esfera governamental. Piaget aprovou a construção individual como singular e diferente. por intermédio das Comissões deEducação. A avaliação daspolíticas públicas na arena educacional apresenta. Discordaram quanto ao processo de construção desse conhecimento. simultaneamente. realizados pelo Centrode Planejamento e Desenvolvimento Regional (Cedeplar/UFMG). Os §§ 1º e 2º desse artigoestipulam. tornando-se transformadora da aprendizagem. (e) os Ciclos dedebates pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) com vistas a subsidiar o MEC no envio depropostas para o Congresso Nacional. alto grau de complexidade. 9 CONCEPÇÕES DE ENSINO E APRENDIZAGEM E ATIVIDADE DOCENTE. publicado em 2004. merecem ser destacados: (a) a realização de estudo sobre aimplementação do PNE pela Consultoria Legislativa. sobretudo. portanto. Como órgão formulador e executor das políticas federais deeducação. de 2001 a 2008. Vygotsky estava preocupado com a questão de como os fatores sociais e culturais influenciam o desenvolvimento intelectual. o Distrito Federal. O PNE 2011-2020 – Uma construção coletiva Como referido. de 2001 a 2005. mas eles partilham de pontos de vista semelhantes. porém cada um começou e perseguiu por diferentes questões e problemas. na medida em que a proposição depolíticas na área envolve a ação da sociedade política e da sociedade civil. por solicitação da Comissão de Educação eCultura da Câmara dos Deputados. Dentre os processos avaliativos ocorridos ao longo da implementação do PNEvigente. com a participação de especialistas em educação. partiu de várias concepções e perspectivas. em 2006. As diferenças entre os dois autores parecem ser muitas. A teoria de Vygotsky é uma teoria de transmissão do conhecimento da cultura para a criança. Enquanto que Piaget. em articulação com osestados. (b) o Colóquio Nacional sobreMecanismos de Acompanhamento e Avaliação do Plano Nacional de Educação. características e dimensões em um país de porte continental como o Brasil. e que “a primeira avaliação realizar-se-á no quarto ano de vigênciadesta lei. embora comumente liga- . e (g) a Avaliação do PNE. Piaget escreveu sobre a interação entre indivíduo e meio constituída através de dois processos: organização interna das experiências e adaptação ao meio. desencadeados pelos diferentes agentes. (d) osdiagnósticos regionais da situação educacional diante das metas do PNE. criadora. portanto. realizado emBrasília. coordenada pela DTDIE/ Didatismo e Conhecimento 93 Inep. o artigo 3º da lei que aprovou o PNE determina que: “a União. com aparticipação de especialistas em educação.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 3. Assim. os indivíduos interagem com agentes sociais mais lecionados. os municípios e a sociedade civil. o MEC tem como atribuição não apenas instituir “os mecanismos necessários aoacompanhamento das metas constantes do Plano Nacional de Educação” e assegurar a realização de avaliações periódicas dos seus níveis de implementação. (c) os Semináriosregionais de acompanhamento e avaliação do PNE e dos planos decenais correspondentes.realizados nas cinco regiões do País. mas. entendida como política de Estado e. pressupostos escritos por Vygotsky Lev Semenovich Vygotsky estudou sistematicamente a psicologia e seu projeto principal foi os processos de transformação do desenvolvimento na dimensão filogenética. com vistas àcorreção de deficiências e distorções”. traduzidas porpolíticas. também. a Avaliação Preliminardo PNE. Piaget estava interessado em como o conhecimento é adquirido ou construído. programas e ações.

com a desiquilibração. Vai ocorrendo períodos de desequilibração para uma nova sustentação de bases. de desequilibração e. e com isso o facilitador ou professor é o instrutor da criança. de desenvolvimento. para Vygotsky toda construção era mediada pelos fatores externos sociais. copia o que está socialmente exposto e a disposição. (1973). Sabemos que muitos indivíduos estão estacionados em algumas etapas de desenvolvimento e isso é refletido no dia-a dia. a criança pode utilizar as fontes e formas de informação no processo de construção. ele não é copiado de um referencial e modelo. quando o indivíduo emprega a capacidade de empregar símbolos para representar. Vygotsky atribui importância a linguagem. Piaget considerou a linguagem como facilitadora. estimulando a iniciativa e a pesquisa”. são consideradas para a construção do conhecimento social. Tanto para Piaget como para Vygotsky. com isso a criança tem a chance de errar e construir. Vygotsky tinha a ideia de que a aprendizagem é a força propulsora do desenvolvimento intelectual. os estudantes podem aprender coisas que não aprendiam sozinhos. ele colocaria a linguagem oral. no sentido vygotskiano. A interação social no desenvolvimento e aprendizagem escolar para Piaget e Vygotsky Para Vygotsky (1998). e sendo produzido pela internalização de atividades sociais. Isto é. O processo não é o de recriar um modelo. em todas as demais funções psíquicas superiores do sujeito. a interação com os colegas e adultos. é referente ao papel da linguagem no desenvolvimento intelectual. o seu papel deveria ser aquele de um mentor. Vygotsky chamou de zona de desenvolvimento potencial e zona de desenvolvimento proximal. a linguagem reflete. Para Vygotsky. entre outras coisas. um processo de transmissão de cultura. A criança pode ativamente ouvir uma exposição ou ler um livro e empregar a informação recebida na construção. na organização e planejamento da ação. Assim. com a modelação do conhecimento e a interação social. a evolução dos processos naturais até alcançar os processos mentais superiores. ela é essencial no processo de transição do interpessoal em intramental. portanto. na formação do pensamento e da consciência. mas não como necessária ao desenvolvimento intelectual. faz uma diferenciação entre processos psicológicos. a construção e invenção. por sua vez. para Vygotsky desempenham um papel fundamental no desenvolvimento intelectual. as duas teorias divertem. Os fatores sociais influenciam a desequilibração individual através do conflito cognitivo e apontam que há construção a ser feita. como processo psicológico superior adquirido na vida social mais extensa e por toda a espécie. Vygotsky substituiu os instrumentos de trabalho por instrumentos psicológicos. “É óbvio que o professor enquanto organizador permanece indispensável no sentido de criar as situações e de arquitetar os projetos iniciais que introduzam os problemas significativos à criança. embora por circunstâncias distintas. Dessa forma. pela motivação da criança. o trabalho do agente é. A interação e a linguagem têm um importante destaque no pensamento de Vygotsky. instrumento de imenso poder. Piaget. A única maneira de avançar a um nível intelectual mais elevado não é na linguagem com suas representações. consequentemente. O que é desejado é que o professor deixe de ser um expositor satisfeito em transmitir soluções prontas. seus pontos de vista sobre o relacionamento sejam diferentes. A verdadeira construção do conhecimento não é medida. que toda situação de aprendizagem escolar se depara sempre com uma história de aprendizagem prévia. É a fonte do conhecimento socialmente construído que serve de modelo e media as construções do indivíduo. reconheceu infinitamente o papel dos fatores sociais no desenvolvimento intelectual. mas rememora. e sim. Para Piaget. através da fala. a linguagem. e o desenvolvimento são adquiridos por modelos e. não podendo ir além daquele estádio adquirido.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS da e próxima daquela da cultura. Em relação à aprendizagem e desenvolvimento. o ambiente da sala de aula requer interação social. Nas obras de Piaget. Os fatores sociais. na regulação do comportamento e. o professor e o programa institucional devem modelar ou explicar o conhecimento. memória e atenção. Embora Vygotsky e Piaget considerassem o conhecimento como uma construção individual. assegura que significados linguisticamente criados sejam significados sociais e compartilhados. Para Piaget. Nos primeiros. Piaget. enquanto que para Piaget o próprio desenvolvimento é a força propulsora. (Fowler 1994). por isso. A criança não inventa. onde cada pessoa tem um ritmo. tanto Vygotsky como Piaget. estimular e apoiar a exploração. Piaget considerou a linguagem falada como manifestação da função simbólica. As interações sociais foram consideradas como uma fonte do conflito cognitivo. Piaget considerou a construção do conhecimento como um ato individual da criança. 94 Didatismo e Conhecimento . As implicações do desenvolvimento para Piaget e Vygotsky Tomando o ponto de vista educacional. é sempre possível o avanço das construções anteriores. pelo fator social e ambiente. pois além da função comunicativa. O conhecimento anterior é reconstruído diante da desiquilibração socialmente provocada e estimulada. também desta forma. explicando desta forma. A cultura estabelece um conhecimento que é internalizado e construído pelas crianças. Piaget tinha a concepção de que o nível de desenvolvimento colocava limites sobre o que podia ser aprendido e sobre o nível da compreensão possível daquela aprendizagem. mas não o produz (Fowler 1994). como vontade. ou seja. Vygotsky (1987). a aprendizagem não começa na escola. A aprendizagem. A zona de desenvolvimento potencial é o nível de desenvolvimento em que os estudantes são capazes de solucionar problemas de forma independente. uma vez que irão contribuir no desenvolvimento dos processos psicológicos. Ou seja. enquanto que a zona de desenvolvimento proximal é o nível em que os estudantes podem resolver problemas com “apoio”(Lester 1994. embora. O papel do professor é visto basicamente como o de encorajar. Em segundo lugar. ele é necessário para proporcionar contraexemplos que forcem a reflexão e a reconsideração das soluções rápidas. assunto deste estudo. superiores rudimentares e processos psicológicos avançados. p. mas não produz inteligência. As crianças por sua vez vão tornando-se indivíduos com funções e habilidades intelectuais. o ambiente social é a fonte de modelos dos quais as construções devem se aproximar. Piaget coloca que a nova construção é sempre realizada sobre uma construção anterior e que. a criança constrói o seu próprio conhecimento interno a partir do que é oferecido. claro. o que reflete o desenvolvimento intelectual. mas o de inventá-lo. Vygotsky retoma o tema da zona de desenvolvimento proximal e sua relação com a aprendizagem. através da ação. Vygotsky trata a aquisição da linguagem do meio social como o resultado entre raciocínio e pensamento em nível intelectual. O papel da linguagem no desenvolvimento intelectual para Vygotsky e Piaget A diferença mais nítida entre os dois teóricos. modelar cuidadosamente o conhecimento. acreditavam no desenvolvimento e aprendizagem. A sociedade atribui a isto.4). com um jeito particular de pensar. através da ação.

uma suposta falta no conhecimento. afirmando serem as influências sociais mais importantes que o contexto biológico. através da assistência e auxílio do adulto. fica curioso. pais e outras crianças mais velhas e mais experientes. Desenvolvimento proximal e desenvolvimento real para Vygotsky Para Vygotsky (1987). construindo acomodações e assimilações. ou por outra criança mais velha. nem resultado do simples registro de percepções e informações como comenta o empirismo. ao contrário do pensamento de Piaget que assegura ser a aprendizagem uma consequência do desenvolvimento. Não se pode ignorar o papel desempenhado pelas crianças ao se relacionarem e interagirem com outras pessoas. A criança vai adquirindo estruturas linguísticas e cognitivas. interagindo com objetos do conhecimento cada vez mais diferentes e abstratos. Dolle (1993). com maior facilidade utiliza a mamadeira. é o de equilibração. com maior propriedade. A mediação é a forma de conceber o percurso transcorrido pela pessoa no seu processo de aprender. o conhecimento não pode ser aceito como algo predeterminado desde o nascimento ou de acordo com a teoria inatista. A adaptação do sujeito vai ocorrendo. formando desta forma uma construção dinâmica entre aprendizagem e desenvolvimento. é importante considerar o principal objetivo da educação que é autonomia. genética. a aprendizagem acelera processos superiores internos que são capazes de atuar quando a criança encontra interagida com o meio ambiente e com outras pessoas. instigado. Resulta das ações e interações do sujeito com o ambiente onde vive. ligados com outros fatores como experiências. Desta forma. Os objetos do conhecimento têm propriedades e particularidades que nem sempre são assimiladas pela pessoa. Resumindo. o desenvolvimento ocorre em função da aprendizagem. fazer uso de recursos que se reportem ao pensamento abstrato. a zona de desenvolvimento proximal representa o espaço entre o nível de desenvolvimento real. até o pensamento formal. visuais e reais. comer com colher. formando os esquemas. pela sua própria estrutura mental. Vygotsky afirma que o conhecimento se dá dentro de um contexto. lógico-dedutivo. o indivíduo pode olhar como desafio. para a teoria vygotskiana. porém sua ênfase recai no papel do ambiente para o desenvolvimento biológico. ele pode atingir maneiras através das quais a instrução será mais útil para a criança. ou seja. a adaptação e a assimilação. porque dizem.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Vygotsky coloca que no cotidiano das crianças. A cada adaptação constituída e realizada. elas observam o que os outros dizem. etc. mais tarde poderá realizar sozinha. pois é alcançado por meio de ações físicas e também mentais. . através de estágios diferentes um do outro. Piaget procurou mostrar quais as mudanças qualitativas por quais passa a criança. uma criança que já construiu o esquema de sugar. mas terá que modificar o esquema para chupeta. Piaget chamou de acomodação. se utilizando a mediação. a origem do desenvolvimento cognitivo dá-se do interior para o exterior. de maneira que é necessário investigar. a assimilação. O desenvolvimento cognitivo para Vygotsky e Piaget Segundo Piaget (1987). a partir da adolescência. aquele momento. ressaltando a maturidade do desenvolvimento. A abordagem de Vygotsky se contrapõe a de Piaget. onde a criança era apta a resolver um problema sozinha. o que falam. Por isso. a acomodação. O pensamento vai se tornando cada vez mais complexo e abrangente. que Piaget destaca. O autor considera que o ambiente poderá influenciar no desenvolvimento cognitivo. Diante de um estímulo. embora seja estimulado pelo objeto. que determina o que por ela é internalizado. sejam eles do mundo físico ou cultural. Segundo Piaget. por isso que a sua teoria ficou conhecida como sócio interacionista. tais como: a) O que a criança consegue hoje com a colaboração de uma pessoa mais especializada. maturação biológica. ocorrendo em função da maturidade da pessoa. a linguagem e a compreensão de regras sociais que não são inatas. completa-se o processo a que Piaget chamou de adaptação. O desenvolvimento cognitivo para Piaget. A educação é um processo necessário. é necessário investigar como esses conhecimentos são adquiridos. através dos “porquês” e dos “como”. A criança vai usando o sistema. a moral. a lógica. é também possível graças à atividade do sujeito. conceito central na teoria construtivista. internalizando tudo o que é observado e se apropriando do que viu e ouviu. mas. e o nível de desenvolvimento potencial. O que promove este movimento é o processo de equilibração. Quando o professor. Para que esta adaptação se torne abrangente. Em função desta constatação. desde o estágio inicial de uma inteligência prática (período sensório-motor). procura restabelecer o equilíbrio que é sempre dinâmico. Desenvolvimento e aprendizagem para Piaget Ao elaborar a teoria psicogenética. motivado e. Ex: interação e troca com outras crianças e do adulto como modelo. Recriam e conservam o que se passa ao redor. o esquema assimilador se torna solidificado e disponível para que a pessoa realize novas acomodações. através da interação sujeito com os objetos que procura conhecer. Vygotsky colocou que “as funções mentais superiores são produto do desenvolvimento sócio histórico da espécie. através de assimilações e acomodações. ela já tem esquemas assimilados. A referência da zona de desenvolvimento proximal implica na compreensão de outras ideias que completa a ideia central. sendo que a linguagem funciona como mediador. faz com que a pessoa se “desequilibra” intelectualmente. mediado pelo grupo. ajudando à criança a superar suas capacidades. A este processo de ampliação ou modificação de um esquema de assimilação. através da internalização. o professor terá condições de não só utilizar meios concretos. o desenvolvimento é de fora para dentro. Também será mais fácil para essa criança. O autor ressalta a importância de que esses processos sejam internalizados pela criança. porque falam. que sejam professores. a criança o fazia com colaboração de um adulto ou um companheiro. Com sucessivas aproximações. existiria uma interação entre o indivíduo e o meio. Este questionamento é o interesse principal da epistemologia genética. consegue chegar a zona de desenvolvimento Didatismo e Conhecimento 95 proximal. b) A criança consegue autonomia na resolução do problema. c) Segundo Vygotsky (1987). Vygotky afirma que a aprendizagem da criança se dá pelas interações com outras crianças de seu ambiente. Lima (1990). tanto intelectual como moral. que não são impostas de dentro para fora e sim construídas pelo sujeito ao longo do desenvolvimento. pois é este que se transforma para a elaboração de novos conhecimentos. Todo o conhecimento é uma construção que vai sendo elaborada desde a infância.

Para Piaget a construção do conhecimento individual é única. de maneira tradicional ou simplista. explícita ou implicitamente. o próprio desenvolvimento é a força propulsora. para ocorrer o conhecimento. para saber onde o indivíduo se encontra para fornecer subsídios para novas aquisições. cujas influências se refletem no ecletismo do ensino atual. a pessoa ir além do seu ritmo. para poder ir aonde quer chegar. justifica-se o presente estudo. o que permite a constituição de conhecimentos e da consciência. emprega-se. com isso. Os fatores sociais para Vygotsky desempenham um papel fundamental no desenvolvimento intelectual. e nem contar com meios externos. 96 Didatismo e Conhecimento . a “libertária” e a “crítico-social dos conteúdos”. históricos e culturais influenciáveis no desenvolvimento. para haver desequilíbrio necessário para novas aquisições. com colegas e mediadores. se essa capacidade de aprendizagem e oportunidade lhe for oferecida. consequentemente. Para Vygotsky. para Vygotsky o sujeito não é apenas ativo. Sabemos que muitos indivíduos estão estacionados em algumas etapas de desenvolvimento e isso é refletido no dia-a dia. Porém. Não adiantaria irem além do ritmo da criança. a aprendizagem favorece o desenvolvimento das funções mentais. através da cultura. dentro do que lhe é cobrado. porque constitui conhecimento através de relações intra e interpessoais. para que não ocorra falhas no processo de conhecimento e também pra que não ocorra desgaste demasiado. que as classifica em dois grupos: “liberais” e “progressistas”. 10 TEORIAS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO. Se a criança não consegue ir além do que lhe é permitido mentalmente. Piaget não desconsiderava que o conhecimento é influenciado pelo externo. o indivíduo vai aprendendo a pensar por si mesmo. enquanto que Vygotsky comentou os fatores sociais. O que resultaria num bloqueio na aprendizagem. Assim. A cultura estabelece um conhecimento que é internalizado e construído pelas crianças. mostrar o caminho para a aprendizagem. inter alia. ele acaba por superar. É necessário errar. papéis e funções sociais. Quando a criança estiver “congelada” no desenvolvimento. fatores internos e externos intercalando-se. É necessário um modelo para orientar e fazer a criança pensar sobre como está para desenvolver-se. com um jeito particular de pensar. Seria uma troca de meios para que esse desenvolvimento ocorra. Enquanto para Piaget a aprendizagem depende do estágio de desenvolvimento atingido pelo sujeito. mas as “superiores”. ele começa a formular hipóteses. cabe ao facilitador. No primeiro grupo. criadora. O facilitador deve investigar. No segundo. Nas trocas de valores entre o meio. Vygotsky chamou de zona de desenvolvimento potencial e zona de desenvolvimento proximal. a tendência “libertadora”. é a forma em que os indivíduos podem resolver os problemas com apoio. neste estudo. a “renovada progressivista”. para a formação continuada de professores. Enquanto no referencial construtivista o conhecimento se dá a partir da ação do sujeito sobre a realidade. e colocações de questões para a própria criança perceber onde está. Através disso. Muitas vezes. Os educadores não devem deixar de perceber o sujeito em relação ao tempo e a cultura. reforçando. Deve haver senso de percepção para perceber o que a criança necessita no momento. os indivíduos podem adquirir conhecimentos que antes não podiam. tendo em vista que o modo como os professores realizam o seu trabalho na escola tem a ver com esses pressupostos teóricos. mas interativo. ou seja . a utilização inerente de construção ou uma espera do meio. com ajuda externa. a aprendizagem é a força propulsora do desenvolvimento intelectual. cabe observar e usar técnicas para que esse desenvolvimento ocorra. Tanto Piaget como Vygotsky estavam preocupados com a questão do desenvolvimento e cada um buscou formas diferentes e complementares para elaboração das estruturas mentais e formação de esquemas. O objetivo deste texto é verificar os pressupostos de aprendizagem empregados pelas diferentes tendências pedagógicas na prática escolar brasileira. As duas concepções sobre aprendizagem devem ser complementares. sob influência desse meio e como são passados os conhecimentos. as crianças internalizam e constroem o conhecimento. a teoria de José Carlos Libâneo. como muitos pensam. (Texto adaptado de Flávia Sayegh). A teoria de Vygotsky trata o indivíduo como um agente e o meio. como forma de constituição individual. se existe a pessoa que oferece orientação para o indivíduo. nem modifica as estruturas do funcionamento nas quais intervém” Dolle (1993). Não são somente as desequilibrações anteriores que podem ser desenvolvidas. dependendo do nível intelectual da constituição mental. Na medida em que o indivíduo recebe uma orientação. por isso a utilização dos dois processos deve ser considerada. é externo. Sabe-se que a prática escolar está sujeita a condicionantes de ordem sociopolítica que implicam diferentes concepções de homem e de sociedade e. com a modelação de conhecimento e a interação do meio social. A desequilibração é sempre possível para as construções anteriores. Para Piaget o nível de desenvolvimento colocava limites sobre o que podia ser aprendido e sobre o nível de compreensão possível daquela aprendizagem. “A afetividade pode ser a causa de acelerações ou retardos no desenvolvimento intelectual e que ela própria não engendra estruturas cognitivas. uma forma seria sem apoio na resolução de problemas e a outra forma. numa tentativa de contribuir. teoricamente. pode não haver um potencial para as novas acomodações. a criança têm chance de errar e construir.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A afetividade está correlacionada a esta inteligência e desempenha papel de uma fonte energética da qual dependeria o funcionamento da inteligência. exigido. não podendo. Os estágios de desenvolvimento são importantes na a avaliação profissional. história e modelo social. enquanto que para Piaget. não adianta acreditar unicamente na constituição do próprio sujeito. estão incluídas a tendência “tradicional”. apenas acreditava que a criança adquire esses modelos externos. onde o ser é visto como ativo. sem medição. Embora se reconheçam as dificuldades do estabelecimento de uma síntese dessas diferentes tendências pedagógicas. É na troca com outros sujeitos e consigo próprio que há internalização de conhecimentos. a criança sozinha “não dá conta” de suas próprias experimentações. A criança transforma aquilo que aprende de acordo com sua capacidade interna. Para Piaget o conhecimento é construído. diferentes pressupostos sobre o papel da escola e da aprendizagem. Piaget reconheceu os fatores sociais no desenvolvimento intelectual que provoca desiquilibração e construção desse conhecimento. antes desconhecidas por ele mesmo. para Vygotsky. os indivíduos interagem com o social. a “renovada não-diretiva” e a “tecnicista”. tornando-se transformadora da aprendizagem. mas ao mesmo tempo tem uma influência constitucional única que a ajuda ou dificulta a construir seu conhecimento.

este trabalho pelo fato de que novos avanços no campo da Psicologia da Aprendizagem. No ensino da língua portuguesa. exigem uma atualização constante do professor. Segundo essa concepção de linguagem. não leva em conta a desigualdade de condições. e a avaliação é realizada através de provas escritas e exercícios de casa. será dado ênfase ao ensino da Língua Portuguesa. ou seja. produzir indivíduos “competentes” para o mercado de trabalho. que implantou a escola tecnicista no Brasil. privilegiando-se a auto avaliação. Os seguidores dessa corrente linguística. Quanto aos pressupostos de aprendizagem. nessa tendência tradicional. parte-se da concepção que considera a linguagem como expressão do pensamento. por isso a ênfase na repetição. portanto centrada no aluno. Tendências Pedagógicas Liberais Segundo LIBÂNEO (1990). as diferenças entre as classes sociais não são consideradas. também conhecida como behaviorista. de cultura geral. A retenção se dá pela relevância do aprendido em relação ao “eu”. adaptando as necessidades do educando ao meio social. o professor terá condições de avaliar os fundamentos teóricos empregados na sua prática em sala de aula. Portanto. um conjunto de signos que se combinam segundo regras e que é capaz de transmitir uma mensagem. a ideia de que o ensino consiste em repassar os conhecimentos para o espírito da criança é acompanhada de outra: a de que a capacidade de assimilação da criança é idêntica à do adulto. portanto. levando em conta os interesses do aluno. nos drills. Skinner foi o expoente principal dessa corrente psicológica. aprender se torna uma atividade de descoberta. Sendo assim. o papel da escola na formação de atitudes. em razão disso. preocupamse com a organização lógica do pensamento. apenas menos desenvolvida. a preparar o aluno para assumir seu papel na sociedade. Todo o esforço deve visar a uma mudança dentro do indivíduo. por isso ela deve imitar a vida. não se preocupando com as mudanças sociais. o ensino da gramática pela gramática. a descoberta. É a tomada de consciência. na tendência liberal tradicional. ou seja. A partir da Reforma do Ensino. o que torna a avaliação escolar sem sentido. a escola tecnicista. ou seja. Conforme MATUI (1988). emprega a ciência da mudança de comportamento. Assim. etc. como um adulto em miniatura. teoria gramatical. bem como a revalorização das ideias de psicólogos interacionistas. e a autonomia da escola na construção de sua Proposta Pedagógica. para que o aluno forme “hábitos” do uso correto da linguagem. Apenas se aprende o que estiver significativamente relacionado com essas percepções. saber a língua é. a partir da LDB 9. tal como ocorreu com a corrente pragmatista. a uma adequação pessoal às solicitações do ambiente. preponderaram as influências do estruturalismo linguístico e a concepção de linguagem como instrumento de comunicação. saber gramática. 97 A escola continua. uma barreira na prática da tendência liberal tradicional. também. que devem ser acumulados na mente através de associações. Os conteúdos são organizados pelo professor. para os estruturalistas. sem levar em conta as características próprias de cada idade. Vygotsky e Wallon. Tendência Liberal Renovada Não-Diretiva Acentua-se. através do desenvolvimento da cultura individual. No ensino da língua. sendo o ambiente apenas um meio estimulador. embora muito difundidas. as ideias da escola renovada não-diretiva. A criança é vista. informações de um emissor a um receptor. No aspecto teórico-prático. Devido a essa ênfase no aspecto cultural. encontraram.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Justifica-se. pois vê nessa gramática uma perspectiva de normatização linguística. defende-se a ideia de “aprender fazendo”. pois esbarraram na prática da tendência liberal tradicional. as diferenças de classe social não são consideradas e toda a prática escolar não tem nenhuma relação com o cotidiano do aluno. numa sequência lógica. sobretudo. Tendência Liberal Tradicional Segundo esse quadro teórico. dominar o código. razão pela qual deve estar mais preocupada com os problemas psicológicos do que com os pedagógicos ou sociais. tomando como modelo de norma culta as obras dos nossos grandes escritores clássicos. Se. Como pressupostos de aprendizagem. a tendência liberal renovada (ou pragmatista) acentua o sentido da cultura como desenvolvimento das aptidões individuais. com ênfase nos exercícios repetitivos e de recapitulação da matéria. a pedagogia liberal sustenta a ideia de que a escola tem por função preparar os indivíduos para o desempenho de papéis sociais. exigindo uma atitude receptiva e mecânica do aluno. Seu interesse principal é. Segundo RICHTER (2000). Tendência Liberal Tecnicista A escola liberal tecnicista atua no aperfeiçoamento da ordem social vigente (o sistema capitalista). a Gramática Tradicional ou Normativa se constitui no núcleo dessa visão do ensino da língua. vê o aluno como depositário passivo dos conhecimentos. pois. a tendência liberal tradicional se caracteriza por acentuar o ensino humanístico. Trata-se de um ensino centrado no aluno. Através do conhecimento dessas tendências pedagógicas e dos seus pressupostos de aprendizagem. No ensino da língua. para tanto. o aluno é educado para atingir sua plena realização através de seu próprio esforço. também. sendo o professor apenas um facilitador. Portanto. o que presume a necessidade de regras do bem falar e do bem escrever. a pesquisa. A língua – como diz TRAVAGLIA (1998) – é vista como um código. articulando-se diretamente com o sistema produtivo. embora a escola passe a difundir a ideia de igualdade de oportunidades. de acordo com as aptidões individuais. como Piaget. Didatismo e Conhecimento . Aprender é modificar suas próprias percepções. é a garantia de se chegar ao domínio da língua oral ou escrita.394/96. baseada na teoria de aprendizagem S-R. o estudo do meio natural e social. predomina. através da descoberta pessoal. Isso pressupõe que o indivíduo precisa adaptar-se aos valores e normas vigentes na sociedade de classe. a atividade pedagógica estava centrada no professor. nas manifestações na prática escolar das diversas tendências educacionais. dessa forma. ou seja. na instrução programada. nessa tendência. na escola renovada progressivista. a tecnologia comportamental. o que é incorporado passa a compor a estrutura cognitiva para ser empregado em novas situações. segundo Piaget. essas ideias escolanovistas não trouxeram maiores consequências. Só é retido aquilo que se incorpora à atividade do aluno. a visão behaviorista acredita que adquirimos uma língua por meio de imitação e formação de hábitos. é uma autoaprendizagem. Tendência Liberal Renovada Progressivista Segundo essa perspectiva teórica de Libâneo. com a Lei 5. assim.692/71. considerando-se as diferentes concepções de linguagem que perpassam esses períodos do pensamento pedagógico brasileiro. De acordo com essa escola tradicional. valorizando as tentativas experimentais.

394/96. assim como a possibilidade de negociação de sentido na leitura. como processo de interação verbal. tradicionalmente. No ensino da língua. a força motivadora deve decorrer da codificação de uma situação-problema que será analisada criticamente. quando o aluno supera sua visão parcial e confusa e adquire uma visão mais clara e unificadora. principalmente com as difusão das ideias de Piaget. em comum. bottomup. a Análise do Discurso. nem no objeto. pelo qual se procura alcançar. então. a leitura como processo permite a possibilidade de negociação de sentidos em sala de aula. a razão de ser dos fatos. Na visão da pedagogia dos conteúdos. a partir de uma negociação de sentido entre enunciador e receptor. Para citar um exemplo no ensino da língua. por meio da aquisição de conteúdos e da socialização. Como pressuposto de aprendizagem. essas teorias buscam uma aproximação com modernas correntes do ensino da língua que consideram a linguagem como forma de atuação sobre o homem e o mundo. Vygotsky e Wallon. conforme Gadotti. Em parte. partindo de uma análise crítica das realidades sociais. como afirma Libâneo. em oposição às liberais. a pedagogia progressista designa as tendências que. procurassem legitimar a ordem econômica e social do sistema capitalista. a Semântica Argumentativa e a Pragmática. ou seja. ou seja. no sujeito. numa entrevista. como a Linguística Textual. A escola libertadora. esses problemas ocorreram devido às dificuldades de o professor assimilar as novas teorias sobre o ensino da língua materna. sustentam implicitamente as finalidades sociopolíticas da educação. A tendência tecnicista é de certa forma.692/71. ao lado e junto deste. separadas do homem no seu contexto social. Assim. predominaram os métodos de base ora empirista. para uma participação organizada e ativa na democratização da sociedade. o conhecimento não está. isto é. a partir do seu conhecimento de mundo. eu puxo uma cadeira e convido o autor. no ensino da leitura. da política e das ciências sociais. por se declararem neutras. revalorizam-se as ideias de Piaget. deduz-se que as tendências pedagógicas liberais. e a negação de toda forma de repressão.394/96. não conseguiu superar os equívocos apresentados pelo ensino da língua centrado na gramática normativa. Paulo Freire não considera o papel informativo. No ensino da Leitura. decodificá-lo. fornecendo-lhe um instrumental. partindo do que o aluno já sabe. apesar das contribuições teóricas do estruturalismo. da situação real vivida pelo educando. nessa abordagem interacionista. no ensino da língua. essas tendências. aprender é um ato de conhecimento da realidade concreta. têm em comum a análise crítica do sistema capitalista. para Paulo Freire. também conhecida como a pedagogia de Paulo Freire.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS No ensino da Língua Portuguesa. De acordo com ARANHA (1998). Tendências Pedagógicas Pós-LDB 9. nem no receptor. mas ascendente/descendente. a tradicional. A partir da LDB 9. Tendências Pedagógicas Progressistas Segundo Libâneo. ora inatista. porque concebem o conhecimento como resultado da ação que se passa entre o sujeito e um objeto. top-down. como queriam os empiristas. Portanto o conhecimento que o educando transfere representa uma resposta à situação de opressão a que se chega pelo processo de compreensão. o receptor é retirado da sua condição de mero objeto do sentido do texto. uma modernização da escola tradicional e. embora. Assim. a tendência progressista crítico-social dos conteúdos. vincula a educação à luta e organização de classe do oprimido. De base empirista (Paulo Freire se proclamava um deles) e marxista (com as ideias de Gramsci). a renovada e a tecnicista. ou seja. reflexão e crítica. numa perspectiva sócio histórica. ascendente. diferentemente da libertadora e libertária. Um dos pontos em comum entre esses psicólogos é o fato de serem interacionistas. procura valorizar o texto produzido pelo aluno. da Reforma do Ensino. Vygotsky e Wallon. a partir da Lei 5. admite-se o princípio da aprendizagem significativa. Tendência Progressista Libertária A escola progressista libertária parte do pressuposto de que somente o vivido pelo educando é incorporado e utilizado em situações novas. valorizam o texto produzido pelo aluno. a travar um diálogo comigo”. Didatismo e Conhecimento 98 . ou sob algumas as influências teóricas do estruturalismo e do gerativismo. sintetiza sua ideia de dialogismo: “Eu vou ao texto carinhosamente. e só tem sentido se resulta de uma aproximação crítica dessa realidade. de alguém que estava ali para decifrá-lo. segundo essa perspectiva interacionista. isto é. não importa qual. segundo essa concepção de linguagem. como ocorria. o saber mais importante para o oprimido é a descoberta da sua situação de oprimido. Tendência Progressista Libertadora As tendências progressistas libertadora e libertária têm. através da elaboração da consciência crítica passo a passo com sua organização de classe.º 9. No ensino da língua. De acordo com esse quadro teórico de José Carlos Libâneo. com ensino da gramática tradicional. De modo geral. O processo de leitura. portanto. Por isso.394/96 Após a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de n. Tendência Progressista Crítico-Social dos Conteúdos Conforme Libâneo. simbolicamente. a defesa da autogestão pedagógica e o antiautoritarísmo. (Texto adaptado de Delcio Barros da Silva). A transferência da aprendizagem só se realiza no momento da síntese. não é centrado no texto. segundo os inatistas. entre outros. como diziam os empiristas. a condição para se libertar da exploração política e econômica. na prática. mas insiste que o conhecimento não é suficiente se. A atuação da escola consiste na preparação do aluno para o mundo adulto e suas contradições. situando-se também no campo da economia. nunca assumiram compromisso com as transformações da sociedade. Paulo Freire. envolvendo o exercício da abstração. A ênfase na aprendizagem informal via grupo. como queriam os inatistas. que constitui a sua realidade fundamental. Segundo GADOTTI (1988). acentua a primazia dos conteúdos no seu confronto com as realidades sociais. no contexto da luta de classes. o trabalho com as estruturas linguísticas. Já as tendências pedagógicas progressistas. o ato de conhecimento na relação educativa. é visto como possibilidade de desenvolver a expressão oral e escrita. por isso o saber sistematizado só terá relevância se for possível seu uso prático. visam a favorecer o desenvolvimento de pessoas mais livres. por meio de representações da realidade concreta. mas resulta da interação entre ambos. descendente. não se elabora uma nova teoria do conhecimento e se os oprimidos não podem adquirir uma nova estrutura do conhecimento que lhes permita reelaborar e reordenar seus próprios conhecimentos e apropriar-se de outros. além da negociação de sentidos na leitura. Assim. a pedagogia libertadora ultrapassa os limites da pedagogia. As ideias desses psicólogos interacionistas vêm ao encontro da concepção que considera a linguagem como forma de atuação sobre o homem e o mundo e das modernas teorias sobre os estudos do texto.

São analisadas as relações e a forma de vincular os diferentes conteúdos de aprendizagem. as DCNs do Ensino Médio referenciam como princípio básico para este nível a interdisciplinaridade. pensar e agir. para odesenvolvimento de hábitos. No nosso entendimento. desenvolvendo o conhecimento e o desenvolvimento de seu ser. o desenvolvimento do modelopedagógico adequado para o nível de alunos que frequenta as escolar éessencial para um bom desenvolvimento cognitivo. as experiências que o homem adquire serãotransmitidas ao aluno e as experiências que o próprio aluno vivenciara emtorno desses conhecimentos adquiridos. Portanto.relacionamento professor e aluno. atitudes.Tanto a organização do conhecimento como as experiênciaseducativas são importantes. Por outro lado. o professor deve-se basear nos seguintes critérios: • Validade – relação clara e nítida com os objetivos a serematingidos no ensino e conteúdos • Utilidade – possibilidade de aplicar o conhecimento emsituações novas. em geral elaborado em nível de sistema oficial de ensino econsegue dar uma unidade ao trabalho dos professores nas escolas doestado ou município. A função da escolar é a difusão do conhecimento visando à melhoriada qualidade de vida das camadas populares. ponto de partida para aquisição de informações. o professor dever fazer umaligação do já conhecido com o novo o que torna o conteúdosignificativo. •Flexibilidade – somente quando houver possibilidade de fazeralterações no conteúdo suprimindo itens ou incluindo novostópicos de acordo com o interesse dos alunos. podendo também serchamado de organização psicológica significativa para o próprio aluno. a temática de organização dos conteúdos de aprendizagem não poderia ser mais atual e significativa para a educação brasileira de maneira geral. uma organizaçãovertical (plano temporal ) que envolver a continuidade e a sequencia queenvolve o conteúdo repetidas vezes em diferentes fases de um cursoaprofundando e ampliando a sequencia e o horizontal ( plano de umamesma série) que se refere ao relacionamento entre as diversas áreas docurrículo integrando e visando garantir a unidade do conhecimento.O professor dispõe de flexibilidade para selecionar os conteúdos maisadequados aos seus alunos. é organizada em torno dos problemas ouprojetos importantes dos alunos. pelos educadores e educadoras nas escolas e nos encontros da categoria docente. No tocante aos métodos globalizadores. tradicional. o que foi maisimportante e o que foi relevante. conteúdo de ensino.Conteúdo são experiências educativas onde se apoia a práticamental. e particularmente para a Educação Física. Pedagogia Liberal cujas tendências são. e para o encaminhamento de novas propostas de ensino. Os conteúdos devem estar organizados por princípios lógicosestabelecendo relação entre seus elementos. métodos. O Desenvolvimento dos Conteúdos e as Concepções Pedagógicas. pois os conteúdos de aprendizagem só podem ser considerados relevantes na medida em que desenvolvam nos alunos a capacidade para compreender uma realidade que se manifesta globalmente. nos últimos anos é cada vez mais comum encontrarmos propostas que rompem com a organização por unidades centradas exclusivamente em disciplinas. visa operacionalizar as diretrizes curriculares do sistema deensino. ser. Daí a importância da compreensão do significado da transversalidade.O conteúdo é um conjunto de referencia a conhecimentos.O professor José Carlos Libâneo analisa cada uma dessas tendênciasenvolvendo os aspectos do papel da escola. reconstruindo o conhecimento. Didatismo e Conhecimento 99 . hoje.Conteúdos podem dizer respeito à organização de conhecimentosobre a base de suas próprias regras ou são as experiências educativas nocampo do conhecimento. em uma lógica da organização curricular. A organização dos conteúdos nesses métodos.Critérios para a Seleção de Conteúdos. porém deve o mesmo ter responsabilidade namontagem. observando o desenvolvimento e aprendizagens do aluno. quantidade. assimestará construindo. Os conteúdos são importantes à medida que constituem aorganização sobre a qual o aluno constrói o conhecimento.A escola como formadora é o centro da educação constante e temcomo função repassar o conhecimento. Zabala descreve as possibilidades dos centros de interesse de Decroly.O aluno deve ser envolver pessoalmente com o conteúdo. É preciso incutir nas crianças ejovens o s valores essenciais para a sobrevivência da comunidade. ou melhor. libertária e crítica social dos conteúdos. os conhecimentos foram alocados em disciplinas. Os conteúdos devem apresentar uma sequência.hábitos etc. observando a qualidade. comocooperação. pesquisando e organizando e selecionando alternativas. o estudo do meio. renovada-progressista.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 11 CURRÍCULO BASEADO EM HABILIDADES E COMPETÊNCIAS. e os projetos de trabalhos globais. valorização do trabalho etc. principalmente. adequados às exigências e condições que osalunos vivem. Através da estrutura da disciplinapodemos ter uma visão ampla do conhecimento estudado. várias semanas. ajudando-os na vida cotidiana a solucionar osproblemas e enfrentar situações novas. o autor denominou tais métodos de globalizadores. nos seus documentos do Ensino Fundamental. o conhecimento sobre as novas formas de organização é necessário para a compreensão e reflexão destes documentos. especifica os objetivos e conteúdos de acordo com as condições década classe. e sim assimilar o que se deseja passar. justiça. Contudo. O programa escolar oficial é a ação educativa para um determinadograu de ensino. Os PCNs. respeito ao próximo. nos movimentos sociais? Como podemos lidar pedagogicamente com a diversidade? Esses e outros questionamentos estão colocados. fazendoassociações. pressupostos de aprendizagem e práticaescolar. os métodos de projetos de Kilpatrick. um processo de aquisiçãode novos modos de perceber. O conceito do conteúdo não é simplesmente a aquisição deinformação. habilidades e atitudes para alcançarmos osobjetivos proposto no processo de orientação educacional. dão um papel de destaque para os temas transversais. • Significação – interessante para o aluno quando relacionadopor situações vivenciadas por ele. mensal ousemanal. renovada não-diretiva e a Pedagogia progressista que élibertadora. selecionadas e organizadas pelas escolas (Turra –planejamento de ensino e avaliação).O papel do professor bem preparado é fundamental para o inferir doaluno. Como a questão da diversidade tem sido pensada nos diferentes espaços sociais. A organização do Conteúdo.Cada proposta pedagógica baseia-se em uma determinada ideia deensino-aprendizagem e da interação professor-aluno. • Adequação ao nível de desenvolvimento do aluno – adequar erespeitar a maturidade intelectual do aluno deve haverassimilação essenciais e desejáveis contribuindo para seudesenvolvimento. conhecimento e interessesde seus alunos. Ao longo da história.A unidade que é um tipo de organização estrutural inclui experiênciasque abrange. A experiência de quem aprendeu é antes. O Programa pessoal de cada professor pode ser anual.

Nesse processo. Por isso. por um currículo que atenda a essa universalidade. técnicas artísticas. diversidade biológica. a diversidade pode ser tratada de maneira desigual e naturalizada. representações e identidades. educadores e educadoras. A primeira constatação talvez seja que. A construção das diferenças ultrapassa as características biológicas. A diversidade é um componente do desenvolvimento biológico e cultural da humanidade. sobretudo. Ela se faz presente na produção de práticas. ainda. pois a experiência da diversidade faz parte dos processos de socialização. Este último. Ao analisarmos o cotidiano da escola. sendo assim. enquanto uma experiência que atravessa toda sociedade e toda cultura. há uma tendência nas culturas. Mas não será essa afirmativa uma contradição? Como a educação escolar pode se manter distante da diversidade sendo que a mesma se faz presente no cotidiano escolar por meio da presença de professores/ as e alunos/as dos mais diferentes pertencimentos étnico-raciais. linguagens. Estamos diante de uma terceira tarefa. representações do mundo. Seres humanos apresentam. valores. assim os nomeamos e identificamos. no contexto das relações sociais. Nessa tensão. De acordo com Elvira de Souza Lima (2006). nos processos de adaptação do homem e da mulher ao meio social e no contexto das relações de poder. Mas essas três qualidades não se constroem no vazio e nem se limitam a ser nomes abstratos. As diferenças são também construídas pelos sujeitos sociais ao longo do processo histórico e cultural. nos projetos pedagógicos e nas propostas educacionais. a presença da diversidade no acontecer humano nem sempre garante um trato positivo dessa diversidade. sociais e culturais. a relação entre currículo e diversidade é muito mais complexa. Por mais que a diversidade seja um elemento constitutivo do processo de humanização. até mesmo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Ao realizarmos essa discussão. as reflexões aqui realizadas aplicam-se aos profissionais que atuam em todos esses campos. na EJA. tanto o desenvolvimento biológico. a nossa primeira tarefa poderá ser o questionamento sobre a presença ou não dessas indagações na nossa prática docente. Sendo assim. de um modo geral. no contexto da cultura. fazem-se necessários alguns esclarecimentos e posicionamentos sobre o que entendemos por diversidade e currículo. uma rejeição em relação ao diferente. os quais realizam práticas curriculares variadas. de alguns coletivos de profissionais no interior das escolas e secretarias de educação ou se já alcançou um lugar de destaque nas preocupações pedagógicas e nos currículos. Didatismo e Conhecimento 100 Os currículos e práticas escolares que incorporam essa visão de educação tendem a ficar mais próximos do trato positivo da diversidade humana. Seria muito mais simples dizer que o substantivo diversidade significa variedade. saberes. marcado pela interação contínua entre o ser humano e o meio. trabalharmos pedagogicamente com a diversidade. A escolarização. a compreensão e o trato pedagógico da diversidade vão muito além da visão romântica do elogio à diferença ou da visão negativa que advoga que ao falarmos sobre a diversidade corremos o risco de discriminar os ditos diferentes. A diversidade faz parte do acontecer humano. que aprendemos a ver como diferentes desde o nosso nascimento. o escolar. permeados por relações de poder e dominação. É o que chamamos de etnocentrismo. Portanto. Esse fenômeno. observáveis a olho nu. a diversidade pode ser entendida como a construção histórica. não é tarefa fácil para nós. são acompanhados de uma maneira tensa e. de humanização e desumanização. As discussões acima realizadas poderão ajudar a aprofundar as reflexões sobre a diversidade no coletivo de educadores. são únicos em suas personalidades e são também diversos em suas formas de perceber o mundo. cultural e social. Durante toda a nossa vida realizamos aprendizagens de naturezas mais diferentes. ambígua de lidar com o diverso. médio e profissional? Seria interessante diagnosticar se a diversidade é apenas uma preocupação de um grupo de professores(as). é que construímos nosso conhecimento. experiências de sociabilidade e de aprendizagem. gerando certo estranhamento e. os nossos currículos. Afinal. há a demanda óbvia. científicas. de ressaltar como positivos e melhores os valores que lhe são próprios. Há uma relação estreita entre o olhar e o trato pedagógico da diversidade e a concepção de educação que informa as práticas educativas. A relação existente entre educação e diversidade coloca-nos diante do seguinte desafio: o que entendemos por diversidade? Que diversidade pretendemos esteja contemplada no currículo das escolas e nas políticas de currículo? Para responder a essas questões. Para avançarmos nessas questões. ensino fundamental e ensino médio) até a educação superior incluindo a EJA. sobretudo. a nossa relação com os alunos e suas famílias e as nossas relações profissionais? Como enxergamos a diversidade enquanto cidadãos e cidadãs nas nossas práticas cotidianas? . outra tarefa faz-se necessária: é preciso ter clareza sobre a concepção de educação que nos orienta. por isso se faz presente em toda e qualquer sociedade. é um dos recortes do processo educativo mais amplo. Todavia. em específico. mas. há uma tensão nesse processo. porque nós. só passaram a ser percebidos dessa forma. Como toda forma de diversidade é hoje recebida na escola. Será que existe sensibilidade para a diversidade na educação infantil. no ensino fundamental. cultural e social das diferenças. quanto o domínio das práticas culturais existentes no nosso meio são imprescindíveis para a realização do acontecer humano. a diversidade é norma da espécie humana: seres humanos são diversos em suas experiências culturais. de fato. valores. a Educação Profissional e a Educação Especial. Ele atravessa todos os níveis de ensino desde a educação básica (educação infantil. Mapear o trato que já é dado à diversidade pode ser um ponto de partida para novos equacionamentos da relação entre diversidade e currículo. Que concepções de diversidade permeiam as nossas práticas. Algumas dessas diversidades provocam impedimentos de natureza distinta no processo de desenvolvimento das pessoas (as comumente chamadas de “portadoras de necessidades especiais”). qual é o lugar ocupado pela diversidade? Ela figura como tema que transversaliza o currículo? Faz parte do núcleo comum? Ou encontra espaço somente na parte diversificada? Do ponto de vista cultural. mesmo os aspectos tipicamente observáveis. A educação de uma maneira geral é um processo constituinte da experiência humana. a diversidade pode ser entendida como um fenômeno que atravessa o tempo e o espaço e se torna uma questão cada vez mais séria quanto mais complexas vão se tornando as sociedades. quando exacerbado. Elas se constroem no contexto social e. nos projetos pedagógicos e nas diferentes Secretarias de Educação. não se caracteriza somente pela unidade do gênero humano. especial. seres humanos e sujeitos sociais. O discurso. Os diferentes contextos históricos. diferença e multiplicidade. por vezes. pela riqueza da diversidade. idades e culturas? Esse desafio é enfrentado por todos nós que atuamos no campo da educação. pode se transformar em práticas xenófobas (aversão ou ódio ao estrangeiro) e em racismo (crença na existência da superioridade e inferioridade racial). Sendo assim.

Didatismo e Conhecimento 101 A falta de controle e de conhecimento dos fatores de degradação ambiental. a diversidade precisa ser entendida em uma perspectiva relacional. garantem sua sobrevivência e produzem conhecimentos por meio de uma relação mais direta com o ambiente em que vivem. Ela se constrói em determinado contexto histórico. esses grupos vêm se organizando cada vez mais e passam a exigir das escolas e dos órgãos responsáveis pelas elas o direito ao reconhecimento dos seus saberes e sua incorporação aos currículos. as comunidades tradicionais (como os seringueiros). conservação e uso sustentável da biodiversidade não diz respeito somente ao uso que o homem faz do ambiente externo. histórica e culturalmente construída recebe a mesma interpretação nas diferentes sociedades. o desenvolvimento só pode ser um desenvolvimento ecológico e socialmente sustentável. para se constituir como realidade. No entanto. Nos últimos anos. culturas. o modo de ser e de interpretar o mundo também é variado e diverso. necessitam ser ampliadas e aprofundadas para compreendermos outras diferenças presentes na escola.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Essas indagações poderão orientar os nossos encontros pedagógicos. mostram diferenças entre si. São eles • diversidade biológica e currículo. entre outros fatores. Ou seja. assim como a redistribuição e a ocupação responsável de terras improdutivas. Lamentavelmente. político e cultural. • a luta política pelo direito à diversidade. b) toda a discussão a que hoje assistimos sobre a preservação. de seu “eu”. parcialmente exterior. entendido como algo externo. nenhuma identidade é construída no isolamento. políticos. Coloca em risco a capacidade de sustentabilidade proporcionada pela biodiversidade. social. De acordo com Shiva (2003). Entre eles podemos destacar os indígenas. para romper com o bioimperialismo o qual impõe monoculturas. os problemas ambientais. idades. Assim como a diversidade. E mais: somos desafiados pela própria experiência humana a aprender a conviver com as diferenças. ela é negociada durante a vida toda dos sujeitos por meio do diálogo. Ao discutir a diversidade cultural. Algumas considerações sobre a diversidade biológica ou biodiversidade A diversidade pode ser entendida em uma perspectiva biológica e cultural. A discussão acima suscita algumas reflexões: que indagações o debate sobre a diversidade biológica traz para os currículos? A nossa abordagem em sala de aula e os nossos projetos pedagógicos sobre educação ambiental têm explorado a complexidade e os conflitos trazidos pela forma como a sociedade atual se relaciona com a diversidade biológica? Como incorporar a discussão sobre a biodiversidade nas propostas curriculares das escolas e das redes de ensino? Um primeiro passo poderia ser a reflexão sobre a nossa postura diante desse debate enquanto educadores e educadoras e partícipes dessa mesma biodiversidade. da expansão das monoculturas. Estes constroem conhecimentos variados a respeito dos recursos da biodiversidade que nem sempre são considerados pela escola. Os seres humanos. o avanço tecnológico do qual nos gabamos como seres dotados de razão e capazes de transformar a natureza não tem significado avanço para a própria biodiversidade da qual participamos. Tal situação afeta toda a espécie humana da qual fazemos parte. Portanto. • diversidade e organização dos tempos e espaços escolares. Existem grupos humanos que. neste texto. É nessa perspectiva que privilegiaremos. O nossogrande desafio está em desenvolver uma postura ética de não hierarquizar as diferenças e entender que nenhum grupo humano e social é melhor ou pior do que outro. raça/etnia. Além disso. culturais e sociais estão intimamente embricados. Tanto a identidade pessoal quanto a identidade social são formadas em diálogo aberto. Na realidade. devido a sua história e cultura. têm colaborado para a vulnerabilidade desses e outros grupos. é intermediada pelo reconhecimento obtido dos outros em decorrência de sua ação. Ou seja. Jacques d’Adesky (2001) destaca que a identidade. enquanto processo. passaram a ser exploradas e tratadas de forma desigual e discriminatória. os atributos ou as formas “inventadas” pela cultura . passam a reivindicar dos governos o reconhecimento e posse das suas terras. a não efetivação de uma justa reforma agrária. orientado pela busca de políticas e estratégias de desenvolvimento alternativo. não podemos nos esquecer de pontuar que ela se dá lado a lado com a construção de processos identitários. mas. O desenvolvimento ecológico e socialmente sustentável tem como orientação a construção da biodemocracia com quem respeita/cultiva a biodiversidade. Por isso. alguns aspectos acerca da diversidade a fim de dar mais elementos às nossas indagações sobre o currículo. ao refletirmos sobre a presença dos seres humanos no contexto da diversidade biológica. Elas já acompanham há muito o campo da educação especial. Nessa concepção. da relação deste como um dos componentes dessa diversidade. com os outros. a variedade de seres vivos e ambientes em conjunto é chamada de diversidade biológica ou biodiversidade. as características. os processos de formação em serviço desde a educação infantil até o ensino médio e EJA. devemos entender dois aspectos importantes: a) o ser humano enquanto parte da diversidade biológica não pode ser entendido fora do contexto da diversidade cultural. os remanescentes de quilombos. parcialmente interior. Além disso. A diversidade cultural: algumas reflexões O ser humano se constitui por meio de um processo complexo: somosao mesmo tempo semelhantes (enquanto gênero humano) e muito diferentes (enquanto forma de realização do humano ao longo da história e da cultura). a identidade. pressupõe uma interação. entende-se que a natureza é formada por vários tipos de ambientes e cada um deles é ocupado por uma infinidade de seres vivos diferentes que se adaptam ao mesmo. dos desequilíbrios ecológicos de qualquer parte do sistema. • diversidade cultural e currículo. ou seja. Estas dependem de maneira vital das relações dialógicas com os outros. somos diferentes. A diversidade cultural varia de contexto para contexto. enquanto seres vivos. citado por Silvério (2006). Do ponto de vista biológico. • diversidade e ética. sobretudo. Dessa forma. Podemos dizer que o que nos torna mais semelhantes enquanto gênero humano é o fato de todos apresentarmos diferenças: de gênero. Por isso. entre outros. o homem e a mulher participam desse processo enquanto espécie e sujeito sociocultural. Mesmo os animais e plantas pertencentes à mesma espécie apresentam diferenças entre si. não é inata. Ao contrário. Nem sempre aquilo que julgamos como diferença social. A ideia que um indivíduo faz de si mesmo. experiências. apresentam diversidade biológica. algumas dessas variabilidades do gênero humano receberam leituras estereotipadas e preconceituosas. ao longo do processo histórico e cultural e no contexto das relações de poder estabelecidas entre os diferentes grupos humanos. os trabalhadores do campo e demais povos da floresta. mas porque afetam a todos nós e colocam em risco a vida da espécie humana e a das demais espécies. porém. os problemas ambientais não são considerados graves porque afetam o planeta. • diversidade e conhecimento. Assim como a diversidade.

das marcas da diversidade presentes nas diferentes áreas do conhecimento e no currículo como um todo: ver a diversidade nos processos de produção e de seleção do conhecimento escolar. socioeconômicos e políticos tensos. O currículo pode ser considerado uma atividade produtiva e possui um aspecto político que pode ser visto em dois sentidos: em suas ações (aquilo que fazemos) e em seus efeitos (o que ele nos faz). na realidade. se não se fizesse nada com ela. Na realidade. Dessa forma poderemos avançar na superação de concepções românticas sobre a diversidade cultural presentes nas várias práticas pedagógicas e currículos. o movimento das pessoas com deficiência. como essa instituição poderá omitir o debate sobre a diversidade? E como os currículos poderiam deixar de discuti-la? Mas o que entendemos por currículo? Segundo Antônio Flávio B. Assim. 102 Didatismo e Conhecimento . sobretudo nos contextos de colonização e dominação. além disso. Nesse sentido. se a diversidade faz parte do acontecer humano. o que é belo e o que é feio. destacando apenas os seus aspectos de consumo e não de produção. ao longo do processo cultural e histórico. A produção do conhecimento. portanto. no seu currículo. debates sobre os conhecimentos escolares.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS para distinguir tanto o sujeito quanto o grupo a que ele pertence dependem do lugar por eles ocupado na sociedade e da relação que mantêm entre si e com os outros. as questões curriculares são marcadas pelas discussões sobre conhecimento. as de outros são desvalorizadas e proscritas. as vivências da infância (principalmente a popular) e a luta das mulheres? São narrativas que fixam os sujeitos e os movimentos sociais em noções estereotipadas ou realizam uma interpretação emancipatória dessas lutas e grupos sociais? Que grupos sociais têm o poder de se representar e quais podem apenas ser representados nos currículos? Que grupos sociais e étnico/raciais têm sido historicamente representados de forma estereotipada e distorcida? Diante das respostas a essas perguntas. Como nos diz Carlos Rodrigues Brandão (1986)“por diversas vezes. os grupos humanos tornam o outro diferente para fazê-lo inimigo”. fundamentalmente. no sentido de que a produção de conhecimento nele envolvida se realiza por meio de uma relação entre pessoas. Trabalhar com a diversidade na escola não é um apelo romântico do final do século XX e início do século XXI. o que é bom e o que é mau. classe – noções que acabam também nos fixando em posições muito particulares ao longo desses eixos (de autoridade) (Silva. social e cultural das diferenças implica em um trato igualitário e democrático em relação àqueles considerados diferentes. os procedimentos pedagógicos. os valores e as identidades dos nossos alunos e alunas. As discussões sobre currículo incorporam. aqui. O currículo não está envolvido em um simples processo de transmissão de conhecimentos e conteúdos. o currículo não se restringe apenas a ideias e abstrações. o que é moral e o que é imoral. Segundo Tomaz Tadeu da Silva (1995) o conhecimento. mesmo quando pensamos no currículo como uma coisa. raça. o que é certo e o que é errado. está transpassada pela diversidade. sair do imobilismo e da inércia e cumprir a nossa função pedagógica diante da diversidade: construir práticas pedagógicas que realmente expressem a riqueza das identidades e da diversidade cultural presente na escola e na sociedade. por exemplo. como uma listagem de conteúdos. Possui um caráter político e histórico e também constitui uma relação social. Moreira e Vera Maria Candau (2006) existem várias concepções de currículo. O autor ainda adverte que as narrativas contidas no currículo trazem embutidas noções sobre quais grupos sociais podem representar a si e aos outros e quais grupos sociais podem apenas ser representados ou até mesmo serem totalmente excluídos de qualquer representação. Muito do que fomos educados a ver e distinguir como diferença é. construídas por sujeitos concretos. a cultura e o currículo são produzidos no contexto das relações sociais e de poder. Tem a ver com as estratégias por meio das quais os grupos humanos considerados diferentes passaram cada vez mais a destacar politicamente as suas singularidades. Elas. o movimento indígena. as narrativas contidas no currículo. Podemos indagar que histórias as narrativas do currículo têm contado sobre as relações raciais. a cobrança hoje feita em relação à forma como a escola lida com a diversidade no seu cotidiano. nas suas práticas faz parte de uma história mais ampla. poder e identidade. Elas dizem qual conhecimento é legítimo e qual é ilegítimo. marcados por processos de colonização e dominação. participa do processo de constituição de sujeitos (e sujeitos também muito particulares). foi tomando forma e materialidade. cobrando que as mesmas sejam tratadas de forma justa e igualitária. sobretudo a pública. as quais refletem variados posicionamentos. As reflexões do autor nos sugerem que é preciso ter consciência. ele acaba sendo. Ora. aquilo que fazemos com essa coisa. nem sempre a diversidade entendida como a construção histórica. explícita ou implicitamente. ao corporificar narrativas particulares sobre o indivíduo e a sociedade. as narrativas do currículo contam histórias que fixam noções particulares de gênero. então a escola. assim como sua seleção e legitimação. em resumo. no terreno das desigualdades. corporificam noções particulares sobre conhecimento. mas a experiências e práticas concretas. as relações sociais. compromissos e ponto de vista teóricos. Não se trata apenas de incluir a diversidade como um tema nos currículos. ao afirmarem que. Também pode ser considerado um discurso que. uma invenção humana que. Sendo assim. levando-nos a refletir sobre a tensa e complexa relação entre esta noção e os outros saberes que fazem parte do processo cultural e histórico no qual estamos imersos. só nos resta agir. Ainda segundo esse autor. verdade. 1995). Estamos. Retomo. enquanto docentes. A luta política pelo direito à diversidade Como já foi dito. Não podemos esquecer que essa sociedade é construída em contextos históricos. A perspectiva de currículo acima citada poderá nos ajudar a questionar a noção hegemônica de conhecimento que impera na escola. Então. os movimentos do campo. quais vozes são autorizadas e quais não o são (Silva. Os autores se apoiam em Silva (1999). sobre os diferentes grupos sociais. as trajetórias dos jovens da periferia. No processo histórico. mesmo uma lista de conteúdos não teria propriamente existência e sentido. 1995). pois. Esquecer esse processo de produção – no qual estão envolvidas as relações desiguais de poder entre grupos sociais – significa reificar o conhecimento e reificar o currículo. das identidades e das diferenças. sobre formas de organização da sociedade. a luta dos povos da floresta. é a instituição social na qual as diferentes presenças se encontram. quais formas de conhecer são válidas e quais não o são. 2006). os grupos humanos não passaram a hostilizar e dominar outros grupos simplesmente pelo fato de serem diferentes. imersos em relações de poder. desmistificando a ideia de inferioridade que paira sobre algumas dessas diferenças socialmente construídas e exigindo que o elogio à diversidade seja mais do que um discurso sobre a variedade do gênero humano. representam os diferentes grupos sociais de forma diferente: enquanto as formas de vida e a cultura de alguns grupos são valorizadas e instituídas como cânone. uma discussão já realizada em outro texto (Gomes. com maior ou menor ênfase.

portanto. em uma . no Ministério da Educação. Os educandos são os sujeitos centrais da ação educativa. colocam em xeque a escola uniformizadora que tanto imperou em nosso sistema de ensino. indígenas. Que indagações a diversidade traz aos currículos? E nas escolas. homofobia e xenofobia. na literatura infanto-juvenil. Para este autor. de movimentos sociais denominados identitários. do aluno e da comunidade. a inserção da diversidade nos currículos implica compreender as causas políticas. o conhecimento produzido pela juventude na vivência da sua condição juvenil. É perceber como. enquanto sujeitos políticos. o papel dos movimentos sociais e culturais nas demandas em prol do respeito à diversidade no currículo. iremos notar que a questão da diversidade aparece. ainda existe muito trabalho a fazer. nas Secretarias Estaduais e Municipais de Educação. à política educacional. É possível perceber alguns avanços na produção teórica educacional. como um tema. planejando. Há diversos conhecimentos produzidos pela humanidade que ainda estão ausentes nos currículos e na formação dos professores. as culturas diferem entre si. apesar dos avanços. homossexuais. Entretanto. E foram eles. Tais movimentos indagam a sociedade como um todo e. no Governo Federal. mas. É entender o impacto subjetivo destes processos na vida dos sujeitos sociais e no cotidiano da escola. no plano de aula. articulados ou não em movimentos sociais. Certamente. um dos aspectos significativos desse novo cenário é a percepção de que a escola é um espaço de sociabilidade para onde convergem diferentes experiências socioculturais. sexismo. nos currículos e políticas educacionais. entre outros. Ainda segundo Silvério (2006). E é possível que. Falar sobre diversidade e diferença implica posicionarse contra processos de colonização e dominação. portanto. mas agindo. Esse contexto coloca um conjunto de problemas e desafios à sociedade como um todo. O reconhecimento e a realização dessa mudança do olhar sobre o “outro” e sobre nós mesmos a partir das diferenças deve superar o apelo romântico ao diverso e ao diferente e construir políticas e práticas pedagógicas e curriculares nas quais a diversidade é uma dimensão constitutiva do currículo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Por isso. que trouxeram a luta pelo direito à diversidade como uma indagação ao campo do currículo. por exemplo. as quais refletem diversas e divergentes formas de inserção grupal na história do país. algumas diferenças foram naturalizadas e inferiorizadas sendo. para a diversidade e suas múltiplas dimensões na vida dos sujeitos. uma determinada visão dos alunos nas propostas curriculares. na segunda metade do século XX. articulados ou não em movimentos sociais. provocou transformações significativas na forma como a política pública educacional era concebida durante a primeira metade daquele século. No que diz respeito à educação. Esse é um movimento que vai além do pedagógico. entre outros) passam a reivindicar reconhecimento. nos livros didáticos. das relações estabelecidas na escola. sim. a demanda por reconhecimento é aquela a partir da qual vários movimentos sociais que têm por fundamento uma identidade cultural (negros. Didatismo e Conhecimento 103 De acordo com Valter Roberto Silvério (2006). das propostas políticas pedagógicas das Secretarias de Educação e do MEC? Elas são legitimadas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais? Fazem parte do currículo vivenciado nas escolas e das políticas curriculares? A resposta a essas questões poderá nos ajudar a compreender o lugar ocupado pela diversidade cultural na educação escolar. democrático e aberto à diversidade. Há uma nova sensibilidade nas escolas públicas. todos nós precisaremos passar por um processo de reeducação do olhar. E foram eles. É incorporar no currículo. organizando o currículo como se os alunos fossem um bloco homogêneo e um corpo abstrato? Como se convivêssemos com um protótipo único de aluno? Como se a função da escola. sobretudo. tratadas de forma desigual e discriminatória. o conhecimento produzido pela comunidade negra ao longo da luta pela superação do racismo. todos nós que atuamos e nos ocupamos da escola somos desafiados a rever o ordenamento curricular e as práticas pedagógicas. o conhecimento produzido pelas mulheres no processo de luta pela igualdade de gênero. ou mais precisamente. sobretudo. nesses contextos. mas não questiona o lugar que a diversidade de culturas ocupa na escola. quer seja pela ausência deste ou por um reconhecimento considerado inadequado de sua diferença. começa a viver – não sem contradições e conflitos . entendendo que estes não representam apenas uma determinada visão de conhecimento que pode excluir o “outro” e suas diferenças. porém. não como um dos eixos centrais da orientação curricular. interferem na política educacional e na elaboração de leis educacionais e diretrizes curriculares. Questionam os currículos. Podemos ir além: com que olhar foram e são vistos os educandos nas suas diversas identidades e diferenças? Será que ainda continuamos discursando sobre a diversidade. E mais: muitas que temos múltiplas culturas. um dos aprendizados trazidos pelo debate sobre o lugar da diversidade e da diferença cultural no Brasil contemporâneo é que a sociedade brasileira passa por um processo de (re)configuração do pacto social a partir da insurgência de atores sociais até então pouco visíveis na cena pública. do planejamento das ações.um momento de maior consolidação de algumas demandas dos movimentos sociais e da sua luta pelo direito à diferença. É urgente incorporar esses conhecimentos que versam sobre a produção histórica das diferenças e das desigualdades para superar tratos escolares românticos sobre a diversidade. Cabe destacar. que trouxeram a luta pelo direito à diversidade como uma indagação ao campo do currículo. Podemos dizer que a sociedade brasileira. do trabalho docente fosse conformar todos a esse protótipo único? Os educandos são os sujeitos centrais da ação educativa. imprimem mudanças nos projetos pedagógicos. a presença da cultura escolar. Mais do que múltiplas. econômicas e sociais de fenômenos como etnocentrismo. nos projetos pedagógicos das escolas. Sensibilidade que vem se traduzindo em ações pedagógicas de transformação do sistema educacional em um sistema inclusivo. a partir da segunda metade do século XX. Mas será que essas ações são iniciativas apenas de grupos de educadores(as) sensíveis diante da diversidade? Ou elas são assumidas como um dos eixos do trabalho das escolas. Para tal. Estamos. como. como a diversidade se faz presente? Será que os movimentos sociais conseguem indagar e incorporar mais a diversidade do que a própria escola e a política educacional? Um bom exercício para perceber o caráter indagador da diversidade nos currículos seria analisar as propostas e documentos oficiais com os quais lidamos cotidianamente. na produção de material didático alternativo e acessível em consonância às necessidades educacionais especiais dos alunos. Essa situação possibilita o reconhecimento da cultura docente. em um campo político. nos projetos pedagógicos das escolas os saberes produzidos pelas diversas áreas e ciências articulados com os saberes produzidos pelos movimentos sociais e pela comunidade. aqui. a questão é com que tipo de olhar eles foram e são vistos. mas também e. racismo. A fim de conseguir alcançar esse objetivo. a entrada em cena.

nesse sentido. na igualdade de oportunidades e no exercício de uma prática e postura democráticas. Um direito garantido a todos e não somente àqueles que são considerados diferentes. traz algumas reflexões que podem nos ajudar a indagar a relação entre conhecimento e diversidade no Brasil. a forma fragmentada de como o conhecimento escolar e o currículo ainda são tratados e a persistente associação entre educação escolar e preparo para o mercado de trabalho. ao mesmo tempo.e que tem servido aos interesses dos grupos sócio raciais hegemônicos . Podemos indagar como a diversidade é apresentada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB nº 9394/96. Ao mesmo tempo. realizar trabalhos mais próximos da comunidade. muitas vezes. as artes. a reflexão das ciências sociais. Além disso. Nesse mesmo debate. Elas podem até mesmo trazer certa diversificação. muitas vezes. E é neste último que encontramos os ditos conhecimentos historicamente acumulados recontextualizados como conhecimento escolar. Inspirados em Boaventura de Sousa Santos (2004). a diversidade está presente na parte diversificada. Se a convivência com a diferença já é salutar para a reeducação do nosso olhar. Eles apresentam diferentes formas de ver e conceber o mundo. é importante destacar que ele não é suficiente. encontramse estereotipados e presentes no chamado “currículo oculto” e. vivemos no contexto das diferentes culturas. suas vivências e práticas. é exigida pelas características regionais e locais da sociedade. muitas vezes. O peso da rigidez dessa lei marcou profundamente a organização e a estrutura das escolas. as políticas educacionais. podemos notar uma situação semelhante quando refletimos sobre o lugar ocupado pelos saberes construídos pelos movimentos sociais e pelos setores populares na escola brasileira. marginal. Podemos dizer que houve avanço em relação à sensibilidade para com a diversidade incorporada – mesmo que de forma tímida – na Lei. Essa autora discute que o saber científico se impôs como forma dominante de conhecimento sobre os outros conhecimentos produzidos pelas diferentes sociedades e povos africanos. mas não são consideradas como integrantes do eixo central. A incorporação da diversidade no currículo deve ser entendida não como uma ilustração ou modismo. Ainda estamos presos à divisão núcleo comum e parte diversificada presente na lei 5692/71. certos saberes que não encontram um lugar definido nos currículos oficiais podem ser compreendidos como uma ausência ativa e. culturais. as quais se articulam com as do bairro e região. marcadas por singularidades advindas dos processos históricos. projetos sociais e experiências lúdicas. podem ser compreendidos como a produção da nãoexistência. Guardadas as devidas especificidades históricas. a discussão sobre a relação ou distinção entre conhecimento e saber . idade e experiência de vida. no que se refere ao seu número. Essa forma de interpretar e lidar com o conhecimento se perpetua na teoria e na prática escolar em todos os níveis de ensino desde a educação infantil até o ensino superior. Por isso. deve ser um elemento presente e indagador do currículo. regionais e políticas que compõem a “parte diversificada” dos currículos pode ser visto. dos nossos sentidos. a LDB confere liberdade de organização aos sistemas de ensino. os educadores e as educadoras conseguem ousar. Eles existem. sobretudo. possuem valores diferenciados. Não podemos afirmar que esses saberes são totalmente inexistentes na realidade escolar. na igualdade social. mais do que uma multiplicidade de culturas. intencionalmente produzida. os costumes. entendida como a orientação legal para a construção das diretrizes curriculares nacionais dela advindas. encontremos no interior da sala de aula alunos que portam diferentes culturas locais. segundo a lei. Esse movimento de mudança sugere a necessidade de aprofundar mais sobre a diversidade nos currículos.56). da cultura. O lugar não hegemônico ocupado pelas questões sociais. p. Nessa perspectiva curricular. Os movimentos sociais. a corporeidade. como vulnerabilidade e liberdade. portanto. culturais e geográficas que dizem respeito à realidade africana abordada pela autora acima citada. transversal e. a sua presença enquanto construção histórica. No entanto. explorar o potencial criativo. um novo brilho. porém. portanto. localizada em uma região específica. por vezes. que atenda uma determinada comunidade. Rever o nosso paradigma curricular. na educação brasileira. por uma parte diversificada. desde que eles se orientem a partir de um eixo central por ela colocado: os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base comum nacional que será complementada. a visão reducionista dessa lei marcou as décadas de 1970 e 1980 como uma forma hegemônica de pensar e organizar o currículo e as escolas e ainda se faz presente e persistente na visão que muitas escolas têm do seu papel social e na visão que docentes e administradores têm de sua função profissional. pois coloca essa discussão em um lugar provisório. artístico e estético dos alunos e alunas. da nossa visão de mundo. sim. no contexto da diversidade cultural e esta. Conviver com a diferença (e com os diferentes) é construir relações que se pautem no respeito. pertencem a diferentes grupos étnico-raciais. tende a reduzir a diversidade cultural à diversidade regional e não dialoga com os sujeitos. políticos e também culturais por meio dos quais são construídas. É dela que herdamos. deve ser vista como um direito. É nesta parte que. a cultura. com o formato de atividades paralelas. mas. nos dizeres de Boaventura de Sousa Santos (2004). as características regionais e locais. também. por mais que possamos negar. em cada sistema de ensino e em cada escola. quanto mais o aprendizado do imperativo ético que esse processo nos traz. Diversidade e conhecimento – A antropóloga Paula Meneses (2005). da economia e da clientela. mesmo que reconheçamos a importância desse fôlego dado à diversidade nos documentos oficiais. hierarquicamente. Em outros momentos. cultural e social que marca a trajetória humana. No seu artigo 26. Nesse sentido. diferem-se em gênero. os projetos das escolas expressam esse avanço com contornos e nuances diferentes. variedade ou “pluralidade”. a qual os educadores sabem que. deve ser compreendida no campo político e tenso no qual as diferenças são produzidas. sociais. sim. podemos localizar a dicotomia construída nos currículos entre o saber considerado como “comum a todos” e o saber entendido como “diverso”. ocupa um lugar menor do que o núcleo comum. A cultura não deve ser vista como um tema e nem como disciplina.é colocada pela autora no contexto de um debate epistemológico e político. a sexualidade são “partes que diversificam o currículo” e não “núcleos”.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS mesma escola. podemos dizer que há. Ou seja. Esta última. Antes. Nessa concepção. Vivemos. Segundo Arroyo (2006. existem focos de resistência que sempre lutaram contra a hegemonia de certos conteúdos escolares previamente selecionados e o apogeu da ciência moderna na escola Didatismo e Conhecimento 104 . Reconhecer não apenas a diversidade no seu aspecto regional e local. Dez anos se passaram. Alguns aspectos específicos do currículo indagados pela diversidade. ao analisar o caso da universidade em Moçambique e a produção de saberes realizada pelos países que se encontram fora do eixo do Ocidente. mas como um eixo que orienta as experiências e práticas curriculares. uma monocultura do saber que privilegia o saber científico (transposto didaticamente como conteúdo escolar) como único e legítimo.

A grande questão é: como o conhecimento escolar poderá contribuir para o pleno desenvolvimento humano dos sujeitos? Não se trata de negar a importância do conhecimento escolar. 2006). a ética exprime a maneira como a cultura e a sociedade definem para si mesmas o que julgam ser a violência e o crime. A relação entre ética e diversidade nos coloca diante de práticas e políticas voltadas para o respeito às diferenças e para a superação dos preconceitos e discriminações. Essa é mais uma indagação que podemos fazer aos currículos. adolescência. Tal processo vem ocorrendo. educação quilombola etc.não sem conflitos . o ethos. Este nem sempre tem sido considerado enquanto tal pelo próprio campo educacional. ela está em relação com o tempo e a história. a discussão sobre a diversidade permite-nos avançar em outro ponto do debate: a indagação sobre diversidade e ética. No que se refere à educação de pessoas com deficiência. política e pedagógica. São experiências de gestão democrática. valores.os como sujeitos sociais e de direitos? O reconhecimento do aluno e do professor como sujeitos de direitos é também compreendê. Ainda inspirados em Boaventura de Sousa Santos (2006). educação ambiental e EJA. tem sido colocada no campo das “ausências” resultando no “desperdício da experiência social e educativa”. Nesse percurso construímos as nossas identidades. A luta travada em torno da educação do campo. Por isso se transforma para responder a exigências novas da sociedade e da cultura. nossas práticas em sala de aula. educação ambiental. considerando. a educação dos negros e a educação do campo. Isso nos impele.. Estes já conseguiram algumas vitórias satisfatórias. como costume. podemos dizer que a relação entre currículo e conhecimento nos convida a um exercício epistemológico e pedagógico de tornar os saberes produzidos pelos movimentos sociais e pela comunidade em “emergências”. Estas extrapolam o nível interpessoal e intersubjetivo. faz-se necessário retomar a concepção de diversidade que orienta a reflexão presente nesse texto: a diversidade é entendida como a construção histórica. das pessoas com deficiência tem desencadeado mudanças na legislação e na política educacional. juventude e vida adulta poderá ser uma orientação que tenha como foco os sujeitos da educação. uma vez que a sua importância social. educação e diversidade étnico-racial. mas de abolir o equivoco histórico da escola e da educação de ter como foco prioritariamente os “conteúdos” e não os sujeitos do processo educativo. Também tem indagado a relação entre conhecimento escolar e o conhecimento produzido pelos movimentos sociais. educação inclusiva. assumir a diversidade no currículo implica compreender o nosso caminhar no processo de formação humana que se realiza em um contexto histórico.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS brasileira. sobre aquilo que prejulgamos ou outras situações do cotidiano”. Diversidade e ética – além de indagar a relação currículo e conhecimento. Será que nos relacionamos com os “outros” presentes na escola. Marilena Chauí (1998) ainda esclarece que embora toda ética seja universal do ponto de vista da sociedade que a institui (universal porque os seus valores são obrigatórios para todos os seus membros). a comunidade e demais profissionais da escola. Construímos relações que podem ou não se pautar no respeito às diferenças. cultural e político. Segundo Marilena Chauí (1998). sobre a linguagem que utilizamos. como contrapartida.em algumas escolas públicas e em propostas pedagógicas da educação básica. Nesse sentido. o mal e o vício e. representações e preconceitos que permeiam a relação estabelecida com os alunos. Não se trata de negar a importância do conhecimento escolar. social. revisão de propostas curriculares e dos processos de formação de professores. ao expressar a sua natureza reflexiva na sistematização das normas. representações e valores sobre nós mesmos e sobre os “outros”. os movimentos sociais conquanto sujeitos políticos podem ser vistos como produtores de saber.. pois somos seres históricos e culturais e nossa ação se desenrola no tempo. cultural e Didatismo e Conhecimento 105 . sobretudo. Um bom caminho para repensar as propostas curriculares para infância. pois são construídas nas relações sociais. algumas indagações podem ser feitas: como vemos o debate sobre a inclusão das crianças com deficiência na escola regular comum? As escolas regulares comuns introduzem no seu currículo a necessidade de uma postura ética em relação a essas crianças? Enxergamos essas crianças na sua potencialidade humana e criadora ou nos apegamos à particularidade da “deficiência” que elas apresentam? Esse debate faz parte dos processos de formação inicial e em serviço? Buscamos conhecer as experiências significativas realizadas na perspectiva da educação inclusiva? Nesse momento. Tomaremos como exemplo dessas práticas a educação de pessoas com deficiência. 2006). mas de abolir o equivoco histórico da escola e da educação de ter como foco prioritariamente os “conteúdos” e não os sujeitos do processo educativo. por vezes. Estas propostas e projetos têm se realizado . a ética é referência para que a escolha do sujeito seja aceita como um princípio geral que respeite e proteja o ser humano no mundo. a relação entre ética e diversidade ainda é pouco explorada nas discussões sobre o currículo. das comunidades remanescentes de quilombos. dos(as) educadores(as) e da comunidade nas propostas educacionais (Santos. Discutir a diversidade no campo da ética significa rever posturas. Eles questionam não só o currículo que se efetiva nas escolas como.) refletir sobre nossas ações cotidianas na escola. educação indígena. Essas e outras indagações que podemos fazer ao conhecimento e sua presença no currículo são colocadas principalmente pelos movimentos sociais e pelos sujeitos em movimento. o que consideram ser o bem e a virtude. A ética fundamenta a moral. Segundo Amauri Carlos Ferreira (2006). articula-se às escolhas que o sujeito faz ao longo da vida. do ponto de vista dos valores. também. os procedimentos e instrumentos que usamos para avaliar os alunos e a forma como os conhecimentos são aprendidos e apreendidos. (Fernandes e Freitas. educação para a diversidade. enquanto educadores a“(. econômicas e culturais da ação moral. Por realizar-se como relação intersubjetiva e social a ética não é alheia ou indiferente às condições históricas e políticas. nas propostas mais progressistas de educação escolar tais como: educação do campo. No entanto. educação do campo. do negro. A consideração destes e de outros saberes trará novos elementos não só para as análises dos movimentos sociais e seus processos de produção do conhecimento como também para a discussão sobre a reorientação curricular. Nessa perspectiva. indígena. A diversidade coloca em xeque os processos tradicionais de avaliação escolar.los como sujeitos éticos. Como se pode notar. O não reconhecimento dos saberes e das práticas sociais no currículo tem resultado no desperdício da experiência social dos(as) educandos(as).

las como sujeitos de direitos e compreender como se construiu e se constrói historicamente o olhar social e pedagógico sobre a sua diferença. negros e quilombolas precisam saber mais sobre os povos indígenas? Como faremos para articular todas essas dimensões? Precisaremos de um currículo específico que atenda a cada diferença? Ou essas discussões podem e devem ser incluídas no currículo de uma maneira geral? Caminhando na mesma perspectiva de Boaventura Sousa Santos (2006). p. especificamente. secretarias estaduais e municipais. Como todo processo de luta pelo direito à diferença. o debate sobre a inclusão de crianças com deficiência revela que não basta apenas a inclusão física dessas crianças na escola. Didatismo e Conhecimento 106 A educação dos negros é outro campo político e pedagógico que nos ajuda a avançar na relação entre ética e diversidade e traz mais indagações ao currículo. E mais: compreender as discussões e práticas em torno dessa diferença como mais um desafio na garantia do direito à educação e conhecer as várias experiências educacionais inclusivas que vêm sendo realizadas em diferentes estados e municípios. cultural e social da diversidade e das diferenças. suas histórias. a cultura escolar não imune à construção histórica. E epistemológico na medida em que realizarmos uma crítica à racionalidade ocidental. As práticas significativas de educação inclusiva se propõem a desconstruir o imaginário negativo sobre as diferenças. sobretudo.5 Estas experiências têm revelado a eficiência e os benefícios da educação inclusiva não só para os alunos com deficiência. também. O debate torna-se necessário não apenas no âmbito das propostas. universidades. A construção do olhar sobre as pessoas com deficiências ultrapassa as características biológicas. Ricas experiências têm sido desenvolvidas em vários estados e municípios. a nossa inserção na luta antirracista? Colocamos a discussão sobre a questão racial no currículo no campo da ética ou a entendemos como uma reivindicação dos ditos “diferentes” que só deverá ser feita pelas escolas nas quais o público atendido é de maioria negra? Afinal. o racismo. independentemente do nosso pertencimento étnico-racial. e propusermos novos rumos para sua superação a fim de alcançarmos uma transformação social. com apoio ou não das universidades e secretarias estaduais e municipais. A construção das diferenças ultrapassa as características biológicas.aprendizagem. alguns avanços foram conseguidos. Carlos Skliar (2004. São políticas e propostas orientadas por concepções mais democráticas de educação. Esta secretaria. Nesse sentido.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS social das diferenças. a desigualdade racial? De forma semelhante podemos indagar: e os alunos brancos.12) questiona: a escola regular tende a produzir mecanismos educativos dentro de um marco de diversidade cultural? Ao refletir sobre a estrutura rígida que ainda impera nas escolas. Dessas novas iniciativas. os processos de avaliação e todo o processo ensino. de abrangência nacional. da postura pedagógica. da organização da escola (seus tempos e espaços) e do currículo escolar para que a educação inclusiva cumpra o seu objetivo educativo. valores. Os teóricos que investigam a inclusão de crianças com deficiência na escola regular comum possuem opiniões diversas sobre o tema e o indagam a partir de diferentes abordagens teóricas e políticas. Além da SEPPIR. cultural e política brasileira e que afeta a todos nós. a fim de introduzir essa discussão nos currículos. Alfabetização e Diversidade (SECAD). os rituais de enturmação. Não será suficiente incluir as crianças com deficiência na escola regular comum se também não realizarmos um processo de reeducação do olhar e das práticas a fim de superar os estereótipos que pairam sobre esses sujeitos. as escolas de educação básica estão desafiadas a implementar a lei de nº 10. conferências e produção de material didático voltado para a temática. ignorando e até mesmo desprezando outros conhecimentos. de deficiência e de inclusão. o movimento negro brasileiro tem feito reivindicações e construído práticas pedagógicas alternativas. Entendendo que a questão racial permeia toda a história social. Há também a necessidade de uma mudança de lógica. É nesse campo complexo que se encontram as propostas de educação inclusiva. estamos desafiados a reinventar novas práticas pedagógicas e curriculares e abrir um novo horizonte de possibilidades cartografado por alternativas radicais às que deixaram de o ser. Isso nos leva a indagar em que medida os currículos escolares expressam uma visão restrita de conhecimento. interessa reconhecê. Muitas delas estão alicerçadas em preconceitos e discriminações denunciados historicamente por aqueles(as) que atuam no campo da Educação Especial e pelos movimentos sociais que lutam pela garantia dos direitos desses sujeitos. das pessoas com deficiência indaga a escola. Como a escola lida com a cultura negra e com as demandas do Movimento Negro? Garantir uma educação de qualidade para todos significa. Nessa perspectiva. de mundo. suas potencialidades e vivências.639/03. a sua organização. esse também é tenso. marcado por limites e avanços. É preciso também compreender os dilemas e conflitos entre as perspectivas clínicas e pedagógicas que acompanham a história da Educação Especial. a Coordenadoria de Diversidade e Inclusão Educacional que tem realizado publicações. os currículos. observáveis a olho nu. podemos dizer que a resposta a essas questões passa por uma ruptura política e epistemológica. mas também no âmbito das concepções de diferença. sobre o fenômeno da repetência. das práticas discriminatórias e da lenta implementação da igualdade de oportunidades em nossa sociedade. realizando intervenções sistemáticas no interior do Estado. Do ponto de vista político. é responsável por várias ações voltadas para a igualdade racial em conjunto com outros ministérios. étnicas etc. interpretações da realidade. no início do terceiro milênio. A inclusão de toda diversidade e. Na última década houve vários avanços nas políticas de inclusão. mas para a escola com um todo. entendida como uma forma de pensar que se tornou totalizante e hegemônica. de sociedade e de ser humano acumulados pelos coletivos diversos. o movimento negro passou a adotar uma postura mais propositiva. Esta lei torna obrigatória a inclusão do ensino da . No entanto. alunos brancos e índios precisam saber mais sobre a cultura negra. Indaga. Um deles é a criação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR). foi constituída no interior da Secretaria de Educação Continuada. enquanto uma diferença que se faz presente nos mais diversos grupos humanos. A construção histórica e cultural da deficiência (ou necessidade especial. raciais. como ainda nomeiam alguns fóruns). movimentos sociais e ONG’s. a exclusão sistemática. a discriminação com relação às variações linguísticas. Nessa nova forma de intervenção do Movimento Negro e de intelectuais comprometidos com a luta antirracista. construído no contexto das desigualdades sociais. é permeada de diversas leituras e interpretações. Propostas de educação inclusiva acontecem nas redes de educação e nas escolas. no caso das pessoas com deficiência. A educação dos negros é outro campo político e pedagógico que nos ajuda a avançar na relação entre ética e diversidade e traz mais indagações ao currículo. a sua organização temporal.

o espaço da escola também não é neutro e precisa passar por um processo de desnaturalização. Povos da Floresta. O espaço escolar exprime uma determinada concepção e interpretação de sujeito social. trabalho e sobrevivência. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Os Movimentos do Campo também têm conseguido. A tendência da escola é flexibilizar a diversidade indaga os currículos e as escolas: repensar seu ordenamento temporal como exigência da garantia do direito de todos(as) à educação. aos poucos. avaliação. apresentando sugestões de trabalho e de práticas pedagógicas. segmentada e uniforme em nossa tradição. a diversidade indaga os currículos e as escolas: repensar seu ordenamento temporal como exigência da garantia do direito de todos(as) à educação. Como nos diz Miguel Arroyo (2004a). à qual todos(as) alunos e alunas indistintamente têm de adequar seus tempos. semestres. podemos indagar como a educação escolar tem equacionado a questão do tempo e do espaço escolar. é importante refletir que ele exprime uma determinada concepção e interpretação de sujeito social. há que se indagar como. tais como. repetência. a escola é também uma organização temporal. os jovens e adultos trabalhadores da EJA etc? Os currículos incorporam uma organização espacial e temporal do conhecimento e dos processos de ensino. Assim como o tempo. Trata-se de uma alteração da lei nº 9394/96. A partir desta lei. Sem Terra. Nesse sentido. ao mesmo tempo. a organização escolar não pode ser reduzida há um tempo empobrecido de experiências pedagógicas e de vida. Podemos dizer que a escola enquanto instituição social se realiza. Rever esses ordenamentos temporais é uma exigência ética e política para a garantia do direito à diversidade. Quilombolas. séries. rituais de transmissão. trabalho e sobrevivência. sobretudo. A partir das reflexões do autor podemos dizer que a relação diversidade-currículo se defronta com um dado a ser equacionado: os(as) educandos(as) são diversos também nas vivências e Didatismo e Conhecimento 107 controle de seus tempos de vida. gerando uma tensão entre tempos escolares e tempos da vida. Em 2002. Ela também acrescenta que o dia 20 de novembro (considerado dia da morte de Zumbi) deverá ser incluído no calendário escolar como dia nacional da consciência negra. Pequenos Agricultores. o Conselho Nacional de Educação aprovou a resolução 01 de 17 de março de 2004. reprovação e repetência que atingem. de 03 de abril de 2002. as escolas da educação básica poderão se orientar a partir de um documento que discute detalhadamente o teor da lei. que foi durante mais de um século se cristalizando em calendários. A rigidez e a naturalização da organização dos tempos e espaços escolares entram em conflito com a diversidade de vivências dos tempos e espaços dos alunos e das alunas. e se. os quais versam sobre essa obrigatoriedade. Por isso. É ainda este autor que nos diz que a compreensão das nuances e dos dilemas da construção do tempo da escola poderá nos ajudar a corrigir os problemas de evasão. 2004). pelo currículo que se realiza no cotidiano das escolas e pela ação pedagógica de uma maneira geral. Nesse ponto tão nuclear. A instituição das diretrizes é resultado das lutas e reivindicações dos movimentos sociais e organizações que lutam por uma educação que contemple a diversidade dos povos que vivem no e do campo com suas diversas identidades. Ela é também um espaço sociocultural e imprime marcas profundas no nosso processo de formação humana. Nesse sentido. os setores populares e os exclui da instituição escolar. esses avanços políticos têm sido considerados pelo campo do currículo. adolescentes. Pescadores. Caldart e Molina. além disso. Por isso. na qual foram incluídos mais três artigos. Entender a lógica institucionalizada do tempo escolar que se impõe sobre os/as alunos/as e professores(as) é fundamental para compreender muitos problemas crônicos da educação escolar. que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações ÉtnicoRaciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira. É preciso desnaturalizar o nosso olhar sobre o tempo escolar. reprovação. No que concerne ao espaço físico da escola. As pesquisas educacionais mostram que a rigidez desse ordenamento é uma das causas do abandono escolar de coletivos sociais considerados como mais vulneráveis. O tempo para aprender não é um tempo curto. Diversidade e organização dos tempos e espaços escolares – Um currículo que respeita a diversidade precisa de um espaço/ tempo objetivo para ser concretizado. a escola não é só um espaço/tempo de aprendizagem. tal como já é comemorado pelo movimento negro e por alguns setores da sociedade. como um espaço físico específico e também sociocultural. o currículo pode ser visto como um ordenamento temporal do conhecimento e dos processos de ensinar e aprender. 01. No entanto. transformar demandas em práticas e políticas educacionais (Arroyo. Esta tensão é maior nos coletivos sociais submetidos a formas de vida e de sobrevivência precarizadas.aprendizagem. Eles são pensados levando em conta os coletivos diversos? O tempo/espaço escolar leva em conta os educandos com deficiência ou aqueles que dividem o seu tempo entre escola. Como equacionar essas tensões? Que tipo de organização escolar e que ordenamento temporal dos currículos e dos processos de ensinar-aprender serão os mais adequados para garantir a permanência e o direito à educação de crianças. A organização escolar é ainda bastante rígida.Brasileira nos currículos dos estabelecimentos de ensino públicos e particulares da educação básica. Segundo Arroyo (2004a). bimestres. entre tempos rígidos do aprender escolar e tempos não controláveis do sobreviver. E. jovens e adultos submetidos a tempos da vida tão precários? Serão os(as) educandos(as) que terão que se adequar aos tempos rígidos da escola ou estes terão que ser repensados em função das diversas vivências e controle dos tempos dos(as) educandos(as)? Propostas de escolas e de redes de ensino vêm tentando minorar essas tensões tomando como critério o respeito à diversidade de vivências do tempo dos(as) alunos(as) e da comunidade. Como será a organização dos nossos espaços escolares? Será que o espaço da escola é pensado e ressignificado no sentido de garantir o desenvolvimento de um senso de liberdade. A implementação das leis e das diretrizes acima citadas vem somar às demandas destes e de outros movimentos sociais que se mantêm atentos à luta por uma educação que articule a garantia dos direitos sociais e o respeito à diversidade humana e cultural.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS História da África e da Cultura Afro. Ribeirinhos. de criatividade e de experimentação? Será que a forma como organizamos o espaço possibilita ao aluno e à aluna interagir . Extrativistas e Assalariados Rurais. por meio da Resolução CNE/ CEB n. o tempo da escola é conflitivo porque é um tempo instituído. níveis. o Conselho Nacional de Educação aprovou as Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo.

os critérios do que seja precedente. relações entre si. Os que concebem a articulação curricular enquanto meio de estabelecimento de relação entre disciplinas e os seus conteúdos apontam-na no sentido da multidisciplinaridade. Nesse processo. geralmente. pré. Por isso. no decorrer das suas temporalidades humanas. criar tempos mais democráticos de formação docente e dos alunos. organizado em etapas em ascensão. é importante considerar que o questionamento às lógicas e práticas cristalizadas e endurecidas de organização dos tempos/ espaços escolares faz parte das lutas e conquistas da categoria docente que. Vários têm sido os contributos do conhecimento produzido e divulgado no campo das Ciências da Educação sobre a importância de procedimentos de articulação curricular.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS com o ambiente. calcado na ideia de um percurso único para todos e da produtividade. autoritários. mais longos e mais atentos às múltiplas dimensões da formação dos sujeitos. querendo com isto significar: • no caso da multidisciplinaridade. Esses mesmos sujeitos. este tipo de organização corresponde ao grau máximo de coordenação entre as disciplinas e interdisciplinas e é apontada como facilitadora da interpretação e compreensão das realidades na sua extensão e complexidade. A articulação entre currículo. a denúncia aos tempos mal remunerados. movimentar-se com tranquilidade e autonomia? Ou o espaço entra como um elemento de condicionamento e redução cultural de nossas crianças. no mesmo nível hierárquico. tais como a vida familiar. • no caso da interdisciplinaridade. da interdisciplinaridade ou da transdisciplinaridade. a distribuição dos tempos e espaços estarão interligados a um objetivo central: a formação e vivência sociocultural próprias das diferentes temporalidades da vida – infância. apropriado e alterado por sujeitos sociais concretos: crianças. Em consequência. os instrumentos tradicionais da avaliação escolar e a própria concepção de avaliação que ainda imperam na escola também serão indagados. Será que essa tem sido uma preocupação da educação escolar? Será que ao pensarmos a gestão da escola consideramos a organização dos espaços escolares como uma questão relevante? Será que exploramos o conteúdo histórico e político imerso na arquitetura escolar? Compreender a percepção e utilização do espaço pelas crianças. embora se tenham por base os seus conheci­mentos. esta relação entre conteúdos disciplinares pode ocorrer intradisciplinam ente (dentro da mesma área do saber. adolescentes e jovens? Enquanto espaço sociocultural. entendida como pleno desenvolvimento dos(as) educandos (as). podemos dizer que estamos diante de questões fortes que indagam o currículo das nossas escolas e por isso exigem respostas igualmente fortes e ágeis. alterá-la esteticamente. Além disso. Pensar o espaço da escola é considerar que o mesmo será ocupado. como. É preciso pensar o tempo como processo. A avaliação poderá ser realizada de forma mais coletiva e com o objetivo de acompanhamento do processo de construção do conhecimento dos(as) aluno(as) 108 nas suas múltiplas dimensões humanas e não como instrumento punitivo ou como forma de “medir o desempenho escolar”. deixa de existir o parcelamento das disciplinas. pontualmente. ocorre a valorização de um grupo de disciplinas que se inter-relacionam e cujo nível de relações pode ir desde o estabelecimento de processos de comunicação entre si até à integração de conteúdos e conceitos fundamentais que proporcionem uma visão global das situações (influencia­da pelos “olhares” das diferentes disciplinas de base). jovens e adultos é um desafio para os(as) educadores(as) e uma questão a ser pensada quando reivindicamos uma escola democrática e um currículo que contemple a diversidade. reorganizar o coletivo dos(as) professores(as). A Figura 1 traduz esta relação entre disciplinas. Finalizando. Neste último caso incluem-se trabalhos que consideram que o currículo deve ter em conta o meio em que se insere a escola e a relação entre a cultura escolar e as culturas de origem dos alunos a quem esse currículo sedes­tina. Entre eles. ao discutir a relação entre diversidade e organização dos tempos e espaços escolares. os movimentos sociais e organizações da sociedade civil e as manifestações culturais. por exemplo. alterar a lógica e a utilização do espaço escolar e garantir uma justa remuneração aos educadores e educadoras. o tempo escolar poderá ser organizado de maneiras diversas. estabelecem. também. fracasso/ sucesso serão redefinidos a fim de garantir aos alunos e às alunas o direito a uma educação que respeite a diversidade cultural e os sujeitos nas suas temporalidades humanas. a escola participa dos processos de socialização e possibilita a construção de redes de sociabilidade a partir da inter-relação entre as experiências escolares e aquelas que construímos em outros espaços sociais. no tempo da escola estão em jogo direitos dos profissionais da educação. Portanto. arranjar sua sala de aula. é de realçar os que elegem como argumentos questões focadas na relação entre conteúdos disciplinares e os que o fazem focando questões culturais. adolescentes. Só assim os(as) alunos(as) serão realmente considerados A avaliação poderá ser realizada de forma mais coletiva e com o objetivo de acompanhamento do processo de construção do conhecimento dos(as) aluno(as) nas suas múltiplas dimensões humanas e não como instrumento punitivo ou como forma de “medir o desempenho escolar”. como construção histórica e cultural. o tempo escolar será questionado. numa perspectiva de interligação que permita um encadeamento em espiral de aprofundamento e de complexidade crescente dos conteúdos disciplinares) ou interdisciplinam ente (numa interrelação de conteúdos que pertencem a áreas do saber distintas). Ao discutirmos sobre o espaço. juventude e vida adulta. • no caso da transdisciplinaridade. extenuantes e alienantes. Dessa forma. vem apontando para a necessidade de uma redefinição e organização da escola a qual inclui. e embora continuando a manter as suas fronteiras de conhecimento. do que seja reprovável/aprovável. Parafraseando Boaventura de Sousa Santos. tempos e espaços escolares pressupõe uma nova estrutura de escola que se articula em torno de uma concepção mais ampla de educação. jovens e adultos. fatalmente. em fluxos mais flexíveis. por exemplo. adolescência.adolescência. como. Para construir uma nova forma de organização dos tempos teremos que superar a ideia de um tempo linear. historicamente. mães e dos alunos e alunas. A construção de uma escola democrática implica em repensar as estruturas e o funcionamento dos sistemas de ensino como um todo. adolescentes. dos pais. pressupõe-se uma organização em que diversas disciplinas que se situam. o trabalho. Por outro lado. Para este último sentido de articulação apontou também George Gusdorf. O movimento dos(as) trabalhadores(as) da educação e os movimentos sociais vêm lutando por maior controle e alargamento do tempo de escola. na década de 70 (Gusdorf. os conteúdos escolares. interagem com o espaço e com o tempo de forma diferenciada. 1977). quando sustentou Didatismo e Conhecimento . assim como os(as) jovens e adultos(as) trabalhadores(as) lutam por adequar o tempo rígido do trabalho a um tempo mais flexível de educação.

aos alunos) trazer ao domínio da consciência o que sabem para interpretar essa situação. estudou as raízes epistemológicas dessas disciplinas para compreendê-las. Veiculando uma visão humanista que apontava para a formação do “homem integral”. a articulação entre conteúdos e a articulação curricular justificar-se-iam . entendida como “conjuntos de saberes. no entanto. Acredita-se que o cruzamento de saberes e de opiniões diversas. sem ser no quadro de um processo político e social. por razões de acesso a modos de apropriação de conhecimentos. desafiando os limites dos ambientes escolares existentes. E é tendo por referência esta situação que Alice Casimiro Lopes. Doll (2002). este tem sido um aspeto que tem justificado a organização de muitos dos sistemas escolares atuais. é necessário que o currículo. este autor foi buscar as suas raízes do conhecimento integrado à Grécia antiga. tem sido reconhecida a influência da componente social na aprendizagem. Ou seja. os currículos escolares continuam a privilegiar uma organização fundada nas disciplinas apoiada numa docência também ela fortemente disciplinar. as vozes que reclamam a necessidade de se romper com o acantonamento das disciplinas na lógica da multidisciplinaridade. e quando existe uma relação entre o “novo” (o conhecimento a adquirir) e o conhecimento que possuímos. Nesta orientação. interativo” (Santos 2004). não se justifica o desenvolvimento de um currículo que não tenha em conta a diversidade de experiências de situações vividas pelos alunos a quem se quer ensinar e a quem se deseja oferecer condições para aprender. 1997) que nos faça estabelecer interações com o que nos é próximo e familiar. a articulação é concebida como o estabelecimento de relações entre a cultura escolar e as culturas de origem dos alunos e como meio indutor de processos de construção do conhecimentos que envolvem diferentes pontos de vista que. quer pelo tipo de interação que é proporcionada (interação entre sujeitos). Leite. lembra a necessidade de se passar da produção do conhecimento convencional que lhe era reconhecido para a produção de um “conhecimento pluriuniversitário.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS a importância de se trabalhar na lógica de relações entre as disciplinas. ao interagirem. várias têm sido. de um “conhecimento politicamente estruturado” (Goodson. Nesta perspectiva. de um modo geral. nesta linha. Em síntese. ou seja. proporcionam releituras e reinterpretações do mesmo fenómeno ou situação (Stoer e Cortesão. considera-se que a aprendizagem é favorecida quando existe uma relação entre conteúdos que promove uma leitura das situações reais o mais próxima possível dessa realidade e quando se recorre a pontos de partida que permitem a quem está a aprender (e. 109 Também Goodson. em artigo que reflete razões por que somos tão disciplinares e por que nos organizamos disciplinarmente. 1977). é tendo também por referência esta perspectiva que cada vez mais tem sido reconhecida a importância de equipas multidisciplinares que. na base da qual contestou a hiperespecialização por se afastar da formação simultânea de um homem culto. enquanto característica de um grupo pode contribuir para superar leituras frágeis e superficiais das situações. O reconhecimento da importância de projetos que promovam articulações com o local é também realçado pelos educadores que. numa perspectiva pós-moderna. Ameu ver. qualquer que seja a disciplina de onde provenha o saber considerado necessário. No entanto. o que justifica a necessidade de se encontrar outras formas de aceder ao conhecimento. O conhecimento produzido sobre a aprendizagem tem-nos também dito que esta tem mais probabilidades de ocorrer quando se torna significativa. mas também de atribuição de sentidos às situações vivi­das. favorecem leituras e interpretações mais rigorosas das situações do que se elas ocorrerem baseadas apenas em conhecimentos monodisciplinares. Na verdade. Dito por outras palavras. propõe o recurso a projetos pedagógicos contra hegemônicos que estimulem uma atitude crítica e criativa do conhecimento e criem condições para refletir os entraves da estrutura curricular. portanto. em entrevista à Revista em Educação. 2002). afirma que a análise do histórico de uma série de disciplinas no currículo escolar mostrou que «havia uma política governando as disciplinas» não sendo. Sisto. mas sim “as disciplinas como construções sociais que atendem a determinadas finalidades” e que “reúnem sujeitosem determinados territórios”(Lopes. isto é. afirma que “isso acontece porque não está em foco o sentido epistemológico de disciplina”. e transpondo a sua ideia para o que está em foco neste texto. Ora. elegendo como objetivo a configuração e a vivência de um currículo que positivamente responda à multiculturalidade propõem processos que ultrapassem os limites estruturais dos espaços físicos da instituição escolar e permitam a construção de um conhecimento contextualizado. 1977. e convocando Doll (2002). 1999. quando permite atribuir sentidos às situações com que convivemos. 2008). isto é. Neste entendimento. mais perdem o contato com are­alidade humana. contextualizado. transdisciplinar. é esta condição que justifica um trabalho de equipa entre professores de diferentes disciplinas na construção e desenvolvimento de projetos curriculares. Reconhecendo que a estruturação de um currículo em tomo de disciplinas facilita a organização escolar. 2007). filósofo e artista (Gusdorf. sábio. segundo as ideias até aqui sistematizadas. Santos (2004). Aliada a esta justificação. e que esta é a tradição de muitos dos sistemas educativos. a propósito das alterações que têm ocorrido na relação das instituições universitárias com a sociedade. Afirmou na altura que quanto mais as disciplinas se desenvolvem. conhecimentos esses que ganham novos sentidos quando se envolvem na leitura e na interpretação conjunta de um mesmo fenómeno ou situação. E. sendo-lhe atribuídas razões que passam pela facilidade organizativa e de relação direta entre a formação inicial dos professores e a dos alunos a formar. com a especificidade de cada um dos seus membros. aponta para a importância de se recorrer a processos de construção do conheci­mento que envolva distintos pontos de vista e distintas áreas de saber. se organize de modo a tomar-se mais rigoroso porque tem em conta os alunos concretos e estabelece relações com as situações reais recorrendo a procedimentos reflexivos que o fazem mais rico. a este propósito. quer pelo reconhecimento e importância atribuídos às culturas de origem de cada um dos alunos que constituem a população escolar. possível entender o currículo Didatismo e Conhecimento . portanto. quando existem condições para ocorrer um “conflito sociocognitivo” (Piaget. através de uma “pedagogia da totalidade”. bem como métodos e dispositivos de pensa­mento comuns capazes de produzir e reproduzir esses saberes”.

Ou seja. afirmando que é necessário “considerar a vida quotidiana e os recursos do meio ambiente para relacionar a experiência do sujeito com as aprendizagens escolares sem cair em localismos limitadores” (GimenoSacristán e Pérez Gómez. Como pode ser delineada e concretizada a articulação curricular nos projetos curriculares? A atribuição à educação escolar do objetivo de participar na criação de condições que promovam a equidade e a justiça social (Conne. mas também como recurso que. podemos questionar: como concretizar. constituindo uma resposta às limitações do ensino tradicional. etc. Tal como afirma Beane (2000). não somente as desejáveis. a interdisciplinaridade. Neste caso. 1997) implica que se tenha uma atenção acrescida aos fenómenos da diversidade cultural e aos pontos de partida dos alunos que constituem a população escolar. Por isso. 2010). referem ainda que “os componentes procedimentais das competências (trabalho em equipa. as situações reais inerentes a um problema a resolver ou uma situação na qual se pretende intervir. características de uma orientação clássica onde apenas têm lugar os alunos socializados com a cultura escolar. 2011). afirmam que “a solução não está em acrescentar novos conteúdos. pretendem que as aprendizagens sejam o mais significativas possível e permitam resolver os problemas de compreensão e de participação nas situações da vida real. do ponto de vista estratégico. este procedimento. na linha dos que atribuem um sentido social ao saber e na defesa de currículos democráticos. É o que Canário (2005) propõe quando se refere à criação e valorização de elos entre a escola e a comunidade. e isto pelas condições de base que criam para que cada aluno faça novas aprendizagens socialmente reconhecidas como relevantes. a concepção de currículo que se orienta por esta intenção não significa “abandonar os conteúdos valorizados. sem a pré-determinar. pressupõe que a instituição escolar. esta é também a posição de Zabala (1998) quando se refere aos métodos globalizadores que. mas a utilização apropriada de estratégias e métodos coerentes com o conhecimento disponível sobre como são produzidas as aprendizagens. 2010). E implica que o reconheci­mento dessa situação seja acompanhado por processos de organização e desenvolvimento do currículo que rompam com lógicas etnocêntricas e homogeneizantes. 2000). cada professor deve seguir na sua área o seguinte esquema: “situação da realidade. é envolvido na responsabilidade da educação e formação da população que o constitui. não pondo de parte os contributos das disciplinas. aproximando escola e vida.. tal como outros modelos de articulação curricular. tornar as escolas algo mais que simples locais onde se ‘passa a matéria”’ (GimenoSacristán e Pérez Gómez. afirmámos já a importância de ter em conta as experiências de vida dos alunos e de partir dessa experiência e desse conhecimento para o ensino de no­vos conhecimentos. 2002). “tem como ponto de partida as disciplinas. apontam no sentido de uma articulação na lógica de um currículo integrado. Por isso. por processos que partam de uma situação próxima da realidade do aluno. que lhe seja interessante e o desafie a responder a questões que não separem os conteúdos em compartimentos tratados como estanques. Segundo Zabala e Arnau (2010). de um currículo em que os vários conteúdos estão subordinados a uma ideia central. nestes procedimentos de desenvolvimento do currículo. Dizem estes autores: Uma escola que pretenda ensinar competência para responder a problemas da vida deve realizar uma análise que determine com rigor quais são as competências alcançáveis.. trata-se de uma concepção que perspectiva como ponto de entrada para a organização curricular não as disciplinas. favorecer situações que recorrem ao contributo das que sejam necessárias para uma melhor compreensão/interpretação do mundo em que vivemos”. implica a construção de um conhecimento sobre cada situação e um constante revisar dos caminhos delineados. Estas ideias lembram-nos o que já neste texto sustentam os quando afirmamos que os projetos curriculares devem ter como ponto de partida o que é próximo e familiar aos alunos a quem se destinam.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Também Apple e Beane (2000). isto é. de modo algum. torná-los atrativos para os estudantes. Zabala eAmau (2010. e admitindo a importância de processos de articulação Didatismo e Conhecimento . a organização e o desenvolvimento do currículo em tomo de competências. 2010). Ao mesmo tempo. a um problema ou a uma situação que se pretende compreender. nesta ruptura de muros relacionais que a separam das comunidades. mas como intenção levar ao reconhecimento dos limites de cada uma delas e. sim. Alerta ainda este autor para que. Em síntese. utilização de instrumentos e recursos disciplinares. contestando a utilidade das competências em educação. não se restringindo a uma unidade didática. empenhadamente. entre outras. 2006). E para esta concretização. mas em aplicar as formas de ensino adequadas” (Zabala e Amau. não se fique limitado ao que são as experiências de partida dos alunos e aos conhecimentos locais. “revisar e ampliar o sentido do que são conteúdos relevantes. De certo modo. Na continuidade deste raciocínio. Como é evidente. Outra posição a ter em conta é a de GimenoSacristán e Pérez Gómez (2011) quando. para melhorar a cultura que se dissemina no sistema educacional. portanto. tenha o meio não só como ponto de partida. passam pelo recurso a métodos de enfoque globalizador.. e como em outro lugar afirmámos (Leite et al. revisar as práticas que dificultam esses objetivos. deixando de ter significado por si sós. esta atitude exige aos professores uma forte relação com os locais e uma atenção acrescida aos modos de trabalho pedagógico. o que é importante é prever e concretizar momentos de articulação curricular que dê sentido e utilidade social ao que se aprende. e como tenho afirmado (Leite. o que pretendo aqui realçar é a importância de procedi­mentos curriculares que permitam apreender a complexidade das situações em análise.) aprendem-se exercendo as ações correspondentes que as configuram” (Zabala e Arnau. em função das finalidades propostas e das características singulares dos alunos (Zabala e Amau. e com intervenções expositivas convencionais [. 110 Na continuação desta posição..] o objetivo não será a variedade. os clássicos ou as novas tecnologias.) recomendam: O professor deverá utiliza r uma metodologia variada com sequências didáticas enfocadas sob o método de projetos. estas i deias? Neste texto. isto é. e fixar critérios precisos que permitam o estabelecimento de pautas para a seleção e priorização dos conteúdos de ensino. E é este procedimento que torna as escolas democráticas (Apple e Beane. observação. 2010). Neste sentido. formalização segundo os critérios científicos da disciplina e aplicação a outras situ­ações para facilitar a generalização e o domínio dos conceitos e das habilidades aprendidas” (Zabala e Arnau.. propõe um regresso a “fontes do bom saber e do bom fazer”. pelas especificidades que constituem a vida de cada comunidade e de cada ambiente escolar. 2011). ignorar a importância de saberes disciplina­ res. propõe. pesquisas do meio. aspeto que é facilitado quando interagem contributos de diferentes áreas do saber e que traduzem diferentes leituras. Devo esclarecer que as ideias que aqui estou a sustentar não significam. mas sim questionar a forma como estes poderiam ser reposicionados nos contextos dos temas”. aproveitar os meios disponíveis. proposição de questões. convivendo com análise de casos. mas. Neste sentido.

a escola deve assumir o trabalho de reflexão sobre sua finalidade educativa. onde todos os educadores possam pensar. o qual se relaciona a duas dimensões. Isto significa resgatar a escola como espaço público. e. para que o PPP seja possível deve- Didatismo e Conhecimento . A Escola torna-se um ambiente desafiador que provoca o questionamento. que é tida como espaço social marcado pela manifestação de práticas contraditórias (luta e/ou acomodação) de todos os envolvidos. lugar de debate. envolvimento dos alunos nos processos de construção das suas aprendizagens. de sua capacidade de delinear sua própria identidade. há que trabalhar. 111 12 CONSTRUÇÃO DA PROPOSTA PEDAGÓGICA DA ESCOLA: PRESSUPOSTOS E ESTRATÉGIAS. nas seguintes dimensões: definição e estabelecimento de relações entre conteúdos das disciplinas que constituem os diferentes níveis de ensino. considera-se o PPP como um processo permanente de reflexão e discussão de problemas escolares. tudo isto recorrendo a procedimentos democraticamente contratualizados em contratos didáticos. vivenciam relações e valores em vista da educação integral. O projeto pedagógico não é uma peça burocrática e sim um instrumento de gestão e de compromisso político e pedagógico coletivo. definição de pontos de contato entre projetos que permitam realizar aprendizagens cognitivas e desenvolver competências de intervenção nas situações com que se convive. na busca de alternativas viáveis à efetivação de sua intencionalidade. O Projeto Político Pedagógico representa um desafio importante na caminhada de uma escola que busca efetivamente uma educação de qualidade. para que se possa construir o PPP. pelo menos. podendo ser: constitucional. quer ainda dos que fazem parte da mesma comunidade educativa. conhecimento dos contextos em que se situa cada escola. Uma escola autônoma. valorização das experiências de vida e dos quotidianos diversificados. a escola deve ter autonomia e se basear em um referencial que tenha uma teoria pedagógica compromissada em solucionar problemas educativos e de ensino. o projeto político pedagógico. se propiciar situações que permitam que os professores. Entretanto. propiciando a vivência democrática necessária para a participação de todos os membros da comunidade escolar e o exercício da cidadania. associando-o com o contexto social. ele configura a identidade da escola. Não é feito para ser mandado para alguém ou algum setor. que não deve ser tratado de forma dogmática e esvaziada de significado. curricular e pedagógica. política e social. Projeto Político Pedagógico: discutindo conceitos A abordagem do PPP fundamenta-se em alguns princípios que norteiam a escola democrática. colaboração e criatividade. “qualidade” de ensino para todos. “autonomia” de atuação. preocupa-se em instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico que supere os conflitos. Para VEIGA. deve alicerçar o conceito de autonomia. portanto. a equipe escolar e os funcionários aprendam a pensar e a realizar o fazer pedagógico de modo coerente. 2004). Sendo. Onde há lugar para transformações. igualmente muito importante. discutir. do diálogo. a reflexão e a criação de alternativas e soluções. mas sim para ser usado como referência para as lutas da escola. quer dos que trabalham com os mesmos alunos. Assim. onde numa atitude dialógica se constroem conhecimentos. Portanto. sendo norteada por referenciais ditados pelo sistema de ensino. E. há sete elementos básicos que podem ser apontados. pois reside na possibilidade de se efetivar a intenção escolar: a formação do cidadão. buscando eliminar as relações competitivas. rompendo com a rotina do mando impessoal e racionalizado da burocracia que permeia as relações no interior da escola. que inclui a ampla participação dos representantes dos diferentes segmentos da escola nas decisões/ações administrativo-pedagógicas ali desenvolvidas. realização e avaliação de seu projeto educativo. Nesse sentido. fundado na reflexão coletiva. que inclui o trabalho do professor na dinâmica interna da sala de aula. visa uma nova organização no trabalho pedagógico com participação da comunidade. É um resumo das condições e funcionamento da escola e ao mesmo tempo um diagnóstico seguido de compromissos aceitos e firmados pela escola consigo mesma – sob o olhar atento do poder público. refletir e avaliar o processo de construção do conhecimento. Já. condições de trabalho e remuneração docente. A principal possibilidade de construção do projeto políticopedagógico passa pela relativa autonomia da escola. corporativas e autoritárias. a segunda define as ações educativas. realização de atividades entre a es­cola e a comunidade. pública e gratuita: “igualdade” de condições para acesso e permanência na escola. executar e avaliar o seu próprio trabalho. a construção do PPP é a própria organização do trabalho pedagógico da escola. contradições. envolvimento das famílias na responsabilização pelo ato de educar e formar as suas crianças e jovens. é preciso entender que o projeto político pedagógico da escola dará indicações necessárias à organização do trabalho pedagógico. Nessa perspectiva. A principio. duvidar. O Projeto Político Pedagógico (PPP) é construído e vivenciado por todos os envolvidos com o processo educativo da escola. uma vez que organiza seu trabalho pedagógico baseando-se em sua realidade. ao se constituir em processo democrático. questionar e compartilhar saberes. tenta instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico em dois níveis: o da escola como um todo e o da sala de aula. Nesse sentido. processual e contínuo. Ambas as dimensões relacionam-se reciprocamente. (FREITAS et al. “gestão democrática”. a “valorização do magistério” que objetiva a formação inicial e a continuada. E. Ela é um espaço em que as pessoas possa dialogar.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS organizacional. cooperação entre docentes quer da mesma área disciplinar. diminuindo os efeitos fragmentários da divisão do trabalho que reforça as diferenças e hierarquiza os poderes de decisão. Assim. o mais importante. É importante ressaltar que o projeto político pedagógico é inconcluso. A primeira é política. permitindo aos sujeitos que o produzem pensar. porque articula o compromisso sócio-político aos interesses da comunidade. (1998).(Texto adaptado de Carlinda Leite). A escola é o lugar da concepção. É uma ação intencional e um compromisso definido coletivamente. cultural.. a construção desse projeto político pedagógico. visto que sua sistematização nunca é definitiva e deve ser produto de um processo de planejamento participativo. Pelo caráter democrático.

bem como suas relações. Envolve três momentos: a descrição e a problematização da realidade escolar. e vai definindo como as prioridades devem ser trabalhadas. dimensão comunitária e social. homem. E. Ao ser avaliada. visando a um esforço analítico da realidade constatada no Ato Situacional. cuja estrutura administrativa. a gestão de recursos humanos. a comunicação horizontal entre os diferentes segmentos envolvidos com o processo educativo. que assegura a locação. realização e avaliação de seu projeto educativo. A escola é o lugar de concepção. No Ato Conceitual. de forma a possibilitar a implementação de decisões coletivas. na perspectiva da Ecologia Integral. visando à participação política dos envolvidos com o processo educativo da escola. dessa forma. em relação às práticas de gestão e à atuação dos órgãos colegiados. a fim de indagar sobre suas características. recíprocas e de participação coletiva. aprender a fazer. e. escola. O como realizar as tarefas configura o Ato Operacional refere-se às atividades a serem assumidas e realizadas para mudar a realidade das escolas. a escola discute a sua concepção de educação e sociedade. após as férias de julho e no encerramento do ano letivo que estes momentos são pensados e previstos pelas escolas. Direção escolar e equipe pedagógica devem prever momentos coletivos para este fim. o processo de decisão. devido ao fato da escola ser uma instituição social que reflete internamente as determinações e contradições da sociedade capitalista. temos o currículo. a compreensão crítica da realidade descrita e problematizada. Em terceiro. o empenho na atualização constante dos conhecimentos. o aprender a conhecer. destacam-se o cultivo do rigor conceitual. é possível apontar três movimentos básicos deste processo de construção do PPP. povos e pessoas em situação de risco. simultaneamente.aprendizagem: • Cuidado com todas as dimensões humanas. fazer seu diagnóstico e definir onde é prioritário agir. educação. o aguçamento da crítica e da autocrítica. de modo a articular. o aprender a ser e o aprender a conviver. em especial. sendo uma construção social do saber. o encontro de alternativas criativas para problemas cristalizados no cotidiano. • Materialização da Proposta Educativa na perspectiva dos quatro pilares da educação para o século XXI. currículo. tecnológicos produzidos e deve ser resultante de um processo coletivo de avaliação diagnóstica. respondendo. as relações de trabalho que devem girar em torno de atitudes solidárias. avaliar é conhecer a organização do trabalho pedagógico. De acordo com Veiga (1998). a partir da organização de um currículo fundado na solidariedade. a avaliação do PPP que parte da necessidade de se conhecer a realidade escolar. Logo. Porém. questiona-se os pressupostos burocráticos que inviabilizam a formação de cidadãos. relaciona-se com a sua estrutura organizacional: a pedagógica que se referem às interações políticas. e. Todas essas dimensões devem ser expressas e concretizadas nas propostas e projetos pedagógicos. é necessário . há necessidade de se instalarem mecanismos institucionais. é durante o início do ano letivo. Em quinto. Este é dinâmico e seu processo envolve. Há uma correlação de forças propiciando a construção de novas formas de relações de trabalho. a busca de excelência acadêmica em tudo que se faz e se produz. A organização temporal do conhecimento é marcada pela segmentação do dia letivo. além do patrimônio escolar e de como esse se apresenta. Entre eles temos: o calendário e o horário escolar. uma vez que necessita organizar seu trabalho pedagógico com base em seus alunos. A avaliação é também responsabilidade coletiva e parte integrante do processo de construção do PPP. dimensão afetiva. Identificam-se alguns pressupostos e eixos sustentadores e norteadores do processo ensino . Em sexto. as dimensões da ecologia pessoal. momento da criação coletiva. sociais. em igualdade de importância. dentro e fora da escola. uma gestão deve considerar as condições concretas presentes na escola. No entanto. incluindo todos os setores necessários ao desenvolvimento do seu trabalho. com espaços abertos à reflexão coletiva que fortaleçam o dialogo. denominados pela autora de: Ato Situacional. vale a pena insistir em um processo em que a escola seja a autora do seu Projeto. processo e produto. Vale acrescentar. Didatismo e Conhecimento 112 O objetivo do Ato Situacional é apreender o movimento interno da escola. Geralmente. pressupondo a sistematização dos meios para que se efetive. busca explicar e compreender as causas da existência de problemas. para se tornar possível. são pontos fundamentais para o avanço democrático e formativo no âmbito das escolas. a busca de processos mais democráticos e. o aumento do interesse da escola em conhecer melhor sua comunidade. Os movimentos de acompanhamento e avaliação devem seguir todos os atos. uma vez que ele retrata o entendimento e o percurso possível trilhado em cada uma das escolas. suas mudanças e se esforça para propor alternativas coletivas. a avaliação deve favorecer o desenvolvimento da capacidade discente de apropriar-se dos saberes científicos. Conceitual e Operacional. que essa organização do trabalho pedagógico relaciona-se com organização social. • Opção pela comunicação. não são suficientes. no currículo e nas práticas educativas. seus polos de poder e seus conflitos. A sensibilização à cultura do registro do pensado e vivido pela escola. dimensão ético-valorativa e transcendente. De modo geral. a administrativa. o tempo escolar que é um dos elementos constitutivos da organização do trabalho pedagógico. físicos e financeiros. • Cultura do cuidado. que estabelecem. ensino e aprendizagem. Em quarto. deve prever meios que estimulem a participação de todos no processo de decisão e. O currículo é estruturado em períodos fixos de tempo para cada disciplina. às questões de ensino-aprendizagem e às curriculares. conhecer seus conflitos e contradições. que refere-se à organização do conhecimento escolar. existem vários caminhos para construção do PPP. pautados no respeito às diferenças. bem como introduzir novas questões e propostas de ações. formação em valores e virtudes. o Projeto Político Pedagógico visa reorganizar formalmente a escola e dar certa qualidade em todo processo vivido. rigoroso e visceral com as situações. Em suma. Por isso. Implica a tomada de decisão para atingir os objetivos e as metas definidas coletivamente. aos grandes desafios do mundo e da sociedade contemporâneos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Em segundo lugar. tais como: dimensão física e estética. Sua análise estrutural visa identificar quais elementos são valorizados e por quem. • Diálogo profundo. Todavia. • No campo acadêmico. por último. a descentralização do poder. dimensão cognitiva. A construção do projeto da escola A construção/reformulação/avaliação do Projeto PolíticoPedagógico necessita de uma ação conjunta. a proposição de alternativas de ação. da ecologia ambiental e da ecologia social. ainda.

observando os referenciais legais. É necessário implementá-lo. IX. sem os constrangimentos da gerência capitalista e da parcelarização desumana do trabalho. por sua vez. a qualidade tem uma natureza contextual e plural – admitem modalidades de realização diferentes.. induz à transformação para melhor dos seus atores (BONDIOLI. Qualidade negociada não significa a ausência de um padrão de qualidade.. caso contrário. a qualidade tem uma natureza transformadora – transformar para melhor.] A gestão do projeto político-pedagógico Considera-se que a gestão do projeto político pedagógico realiza-se não somente durante o seu acompanhamento. reuniões de pais. será um documento de gaveta. como também pelas redes de ensino e pelo poder público. Como um coletivo. (PARO.] a avaliação como crítica de percurso é uma ferramenta necessária Didatismo e Conhecimento . Apesar das dificuldades inerentes aos sistemas da sociedade atual. em um contexto de sociedade dominado pelo modelo de produção capitalista. reuniões do Conselho Escolar e do Grêmio Estudantil. guiados por uma “vontade coletiva”. tendo como referência e princípio normativo e valorativo a sociedade em que atua. sem ferir o calendário escolar. É um documento que necessita de constante avaliação por parte da própria escola. a qualidade é um processo – a qualidade constrói-se. pesquisar e divulgar a cultura. seja prolongada. à sociedade que se quer para viver. seja uma decorrência do trabalho cooperativo de todos os envolvidos no processo escolar. ele será sempre um ponto de partida. Enquanto o planejamento dimensiona o que se vai construir.. cada escola implementa no seu ritmo e tempo próprios e na dimensão das vontades dos coletivos nela atuantes. uma administração: [. está voltada para si. gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais. mas que tem uma especificidade organizativa. gestão democrática do ensino público. utilizando-se do princípio da racionalidade. ensinar. Em sendo assim. Entende-se que o enfoque da qualidade negociada abrange uma totalidade de fatores essenciais à vida de uma instituição que se pauta por uma gestão participativa e democrática. mas segue o padrão de partida definido pelo coletivo do sistema educacional da sociedade. respeito a liberdade e apreço a tolerância. não há modelos a serem seguidos porque não há escolas idênticas. o trabalho e as práticas sociais [. porém sem perder a perspectiva de realização de um trabalho de qualidade. entendida como uma construção participativa e coletiva. uma cultura que deve ser levada em consideração em um processo de gestão. Como instituição social a escola busca a universalidade. Cabe aqui ressaltar a fundamental importância do pedagogo escolar na organização do trabalho pedagógico e na viabilização destes momentos. porque na escola há vida e a vida modifica-se continuamente. 2003). que se preocupe com o coletivo. a arte e o saber. como as pessoas. No entanto. 2002). [. Construir um projeto pedagógico da escola é mantê-la em constante estado de reflexão e elaboração. tendo como princípio e referência ela mesma em um processo de competição com outras com os mesmos objetivos (CHAUI. a qualidade tem uma natureza auto reflexiva – reflexão sobre a prática. com o desenvolvimento dos seus profissionais. V. liberdade de aprender. em direção ao alcance dos objetivos verdadeiramente educacionais da escola.. A organização. pode-se utilizar o que diz Luckesi a esse respeito: A avaliação poderia ser compreendida como uma crítica de percurso de ação. garantia do padrão de qualidade. X. VIII. vinculação entre a educação escolar. a qualidade tem uma natureza participativa – natureza polifônica. por parte do sistema educacional.. aos conhecimentos que se quer ensinar. É fundamental que o documento descreva os princípios norteadores que estão contemplados na LDB nº 9394/96. igualdade de condições para acesso e permanência na escola. pois nunca estará finalizado. reuniões pedagógicas. Novos desafios surgem todos os dias e novas demandas são exigidas. assumindo postura de não neutralidade diante dos distintos caminhos a seguir. III. através dos seus órgãos executores (estaduais ou municipais) a incumbência de orientar os estabelecimentos de ensino quanto à elaboração ou reelaboração dos seus Projetos Políticos Pedagógicos. 2004). na forma desta lei e da legislação do sistema de ensino. Ao construir-se o projeto da escola algumas questões necessitam ser feitas em relação aos sujeitos que se quer formar. é uma instituição social que se diferencia de uma organização.] que. 3º: I. para a sua particularidade. Sobre o enfoque da qualidade negociada na administração do projeto político pedagógico. porque fundamenta novas decisões. Para retratar a sua importância. Outro aspecto que merece ênfase na gestão do projeto político pedagógico é a questão da avaliação. a avaliação subsidia essa construção. apenas para cumprir formalidades burocráticas. usando métodos e técnicas que garantam o alcance deles. Enfim. valorização da experiência extracurricular. Sendo assim.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS discuti-lo também. idiossincrasias. Há sim. que visa objetivos sociais. mas também durante a sua elaboração. as instituições têm uma memória das suas lutas e demandas e são um organismo vivo que reflete sobre sua realidade e seu futuro. A questão que se coloca é como administrar. no seu Art. numa esclarecida recorrência às questões relevantes do interesse comum e historicamente requeridas. Quanto a sua construção. IV. conselhos de classe. O padrão de qualidade de partida deve ser definido não só pela escola internamente. II. cabe ao Conselho Escolar das instituições aprová-los. sem autoritarismos. o que se pretende é que a escola tenha uma administração participativa. valorização do profissional da educação escolar. Deste ponto de vista. entendida como atividade natural humana para alcançar certos fins e objetivos e que se utiliza de forma racional de recursos materiais e humanos (PARO 2002). a escola não pode prescindir da administração. 113 A escola. a qualidade tem uma natureza formadora – produz uma cultura. VII. o pensamento. seja ela curta. A qualidade negociada assim caracterizada através dos seguintes indicadores: a qualidade tem uma natureza transacional – não é um valor absoluto e não se estabelece a priori. coexistência de instituições públicas e privadas de ensino. na hora atividade dos professores. assim se posiciona Freitas: O pressuposto deste enfoque é que as instituições também “aprendem”. pluralismo de ideias e concepções pedagógicas. O enfoque de qualidade que se pretende enfatizar na gestão do projeto político pedagógico é o da “qualidade negociada”. XI. ênfase de prioridades. a escola não define o seu padrão de qualidade dentro das suas limitações e possibilidades. portanto. A escola como uma instituição social difere de uma organização. supõe ação. cujos pressupostos foram analisados no item anterior desse trabalho e onde fica clara a importância da participação e compromisso do coletivo da escola. VI. de forma democrática e participativa.. é necessário afirmar que é uma atribuição da escola.

a escola não atingirá os seus objetivos de forma ótima. isso não elimina a necessidade de se buscar. a “coordenação” tem a ver. A escola não pode pensar a si mesma desconhecendo suas relações com seu entorno. instruídos e formados. a auto avaliação. assim como o é no redimensionamento da direção da ação. Buscar a eficiência e a eficácia de forma racional através dos recursos materiais e humanos. como bem mostra o trecho abaixo: A peça chave na questão da avaliação institucional é o projeto político pedagógico da escola e suas relações com a gestão escolar. com a qualidade que dela esperam os seus alunos. administrá-la de modo eficiente e eficaz é uma das condições para que cumpra o seu papel. de forma racional. 13 EDUCAÇÃO INCLUSIVA: FUNDAMENTOS LEGAIS E O PAPEL DO PROFESSOR. em que as decisões sejam democratizadas e que o seu processo de avaliação e revisão seja uma prática coletiva constante. o processo de democratização da gestão escolar tem se desenvolvido lentamente. como oportunidade de reflexão para mudanças de direção e caminhos. é de fundamental importância que a construção e o acompanhamento do projeto político pedagógico estejam alicerçados em uma administração participativa. de forma segregada. alcançando os seus objetivos especificamente pedagógicos/ educacionais de forma significativa. Construir o projeto político pedagógico da escola é fundamental. com seus limites e perspectivas. mas envolve relações com a família e com a comunidade externa mais ampla. cujos critérios estão voltados à economicidade. 2004). cujos critérios são os resultados. construído e reconstruído coletivamente. organizando a escola para exercer o importante papel que lhe é próprio: socializar conhecimentos. 1995). o poder de produzir os efeitos esperados (SANDER. Entretanto.. se chegará à conclusão de que a própria tarefa só aparece onde as condições materiais de sua solução já existem. considerando o seu todo pedagógico e administrativo e suas relações externas. A educação inclusiva é hoje o debate mais presente na educação de país. ou. (MARX. não significa aplicar os conceitos da administração empresarial na escola. Por isso. e a eficácia. pois é um documento fundamental. Entende-se que uma vez formulado e conhecido o problema a sua solução está posta. um desafio a ser vencido pela escola e o Projeto Político-Pedagógico ocupa um importante papel nesse processo. alcance os seus objetivos. (Texto adaptado de Rosária Albertina da Fonseca Costa). reveste-se de uma importância vital para a sua realização. se considera mais atentamente. norteador para as ações que formam a identidade da escola. Inclui não só a comunidade interna da escola. valorizando as diferenças de cada um no processo educacional e na concepção política de construção de sistemas educacionais com escolas abertas para todos. burocrático e técnico. Paro (2002) chama de “coordenação do esforço humano coletivo” ou simplesmente “coordenação”. na proposta pedagógica que propõe-se ensinar a todos os alunos. a própria escola possui as suas forças transformadoras. a eficiência. pais. alunos com necessidades especiais e inserindo os gestores públicos e os profissionais da educação na elaboração de políticas para todos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS ao ser humano no processo de construção dos resultados que planificou produzir. 1985). não basta que ele simplesmente exista. porém não administrá-lo adequadamente não leva a lugar algum. 1998). bem como. econômicos. e quando se fala em avaliação institucional. (LUCKESI. implicando na necessidade de reverter os velhos conceitos de normalidade e padrões de aprendizagem. coletiva. Fatalmente. É necessário que seja o “retrato da escola”.. fundamentada nos princípios éticos do respeito aos direitos humanos. Considerando que é do interesse da sociedade que seus cidadãos sejam educados. no interior desse processo. métodos. é um dos elementos mais importantes para a gestão democrática. assim Paro (2002) se posiciona: “Enquanto a “racionalização do trabalho” se refere às relações homem/natureza. realmente. esses objetivos podem ser alcançados com melhor qualidade quando integrados e articulados aos objetivos administrativos. Este é. com os objetivos e fins da instituição escola. implementa a política de inclusão educacional. (FREITAS et al. tem como objetivos principais a sua instrução e a sua formação.. chamo atenção para o fato de que o Projeto PolíticoPedagógico. o projeto políticopedagógico. Na grande maioria dos estabelecimentos escolares ainda predomina uma administração de caráter centralizado. assegurando a unidade teórica e metodológica no trabalho didático e pedagógico. Justifica-se essa forma positiva de encarar o desafio da gestão escolar na frase de Marx: [. Tem como pressuposto a gestão escolar democrática e participativa e articula seus compromissos em torno à construção do projeto pedagógico da escola. afirmar novos . portanto. A utilização racional do esforço humano. políticos que podem impulsioná-la para uma gestão eficiente e eficaz. que contemplem a diversidade humana. pelo menos são captadas no processo de seu devir. ele deve articular os aspectos administrativos (plano de ação do diretor/ escola e regimento escolar) aos aspectos pedagógicos (currículo. Ainda sobre avaliação. Nunca foram tão discutidos os princípios constitucionais de igualdade de condições de acesso e permanência na escola. a unidade na organização do trabalho escolar e a coerência entre o planejado e o executado nas práticas escolares. Para que a escola. Neste sentido. e construído por várias mãos. Apesar do reconhecimento legal. entendida como aquela que a escola faz de si mesma. Quanto às técnicas de gestão a serem utilizadas. Quanto à utilização racional de recursos pela gestão da escola. formação continuada) e ao objetivo da escola. comunidade e sociedade de forma geral. parte de uma concepção de educação aceita pelo coletivo e que deve unir as ações deste na escola. no processo administrativo. revertendo as propostas convencionais de criar programas especiais para atender. Quando assim administrada a escola oferece condições para a melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem.] a humanidade só se propõe as tarefas que pode resolver. Considerado como o eixo central da organização do trabalho na escola. O Ministério da Educação do Brasil. Didatismo e Conhecimento 114 Assim. Projeto Político Pedagógico: Gestão Democrática A escola como uma instituição social voltada para a educação do cidadão. e que esta é a principal função da escola. avaliação. A política de inclusão educacional A educação especial envolve um amplo processo de mudanças para a implantação de sistemas educacionais inclusivos. com as relações dos homens entre si”. Entretanto. têm que ser compatíveis com a especificidade organizativa. ou seja. pois. os seus agentes sociais.

portanto a escola deve ajudar cada um a desenvolver sua aptidão num contexto comum a todos. V .O atendimento educacional será feito em duas classes. Com o passar do tempo.acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível de ensino regular. A promoção da inclusão implica na identificação e minimização de barreiras à aprendizagem e participação. Principais fundamentos da educação inclusiva Partindo dos princípios de: igualdade de oportunidade e de educação para todos é inegável que deve-se ampliar as oportunidades educacionais para uma grande parcela da população em que está inserido o acesso e a permanência a escolarização aos alunos considerados portadores de necessidades especiais. A promoção da inclusão implica na identificação e minimização de barreiras a aprendizagem e participação. a situação de desvantagem ou deficiência do educando. técnicas. em função das condições específicas dos alunos. intelectuais ou psicomotoras. não devem ser enfatizadas. para atender às peculiaridades da clientela de educação especial. bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artísticas. com a oferta de educação de qualidade para todos.currículos. dentro da qual alguns estudantes são rotulados O não reconhecimento da diversidade com o recurso existente na escola e o ciclo constituído pela rotulação. II . jovens e adultos têm direito a uma educação de qualidade. bem como professores de ensino regular capacitados para a integração desses educando nas classes comuns. Didatismo e Conhecimento . em virtude de suas deficiências. não sendo possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. como assina Lindquist. sim. Em uma escola inclusiva. constatamos que a educação para deficientes auditivos requer uma metodologia por meio da Língua de Sinais-Libras. recursos educativos e organização específica. há muitas dificuldades para se chegar a esse objetivo. oferecida preferencialmente na Rede Regular de Ensino. que a inclusão não seja somente física. É o sistema escolar de um país que tem que se ajustar para satisfazer as necessidades de todas as crianças. Para que uma escola se torne um modelo de educação inclusiva não deve haver exigências quanto a acesso. discriminação e exclusão do estudante. jovens e adultos têm direito a uma educação de qualidade. para os efeitos desta Lei. principalmente. trabalhando com esses alunos descobrindo suas dificuldades e procurando inseri-los juntos aos outros alunos ditos normais. a educação inclusiva que tem como objetivo modificar o modelo educacional arcaico vigente através da retirada das crianças dessa Prisão de Especialidades. 115 O corpo docente junto com os pais desejou um modo mais inclusivo de educar todas as crianças.A oferta de educação especial. para atendimento especializado. então. e na maximização dos recursos que apóiam ambos os processos de ensino aprendizagem.educação especial para o trabalho. na qual a diversidade deve ser entendida e promovida como elemento enriquecedor da aprendizagem e catalizador do desenvolvimento pessoal e social. para atender às suas necessidades. O foco deste estudo não é só olhar a realidade dos deficientes e. livre de seleção e da consequente classificação de alunos em diferentes tipos de instituições especializados. inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo.professores com especialização adequada em nível médio ou superior. dever constitucional de Estado. O enfoque da educação Inclusiva O movimento mundial em direção à sistemas educacionais inclusivos indicam uma nova visão da educação. e aceleração para concluir em menor tempo o programa  escolar para os super dotados. serviços de apoio especializado. Os Sistemas de ensino assegurarão aos educando com necessidades especiais. então. Ao invés disso a escola deve adquirir uma melhor compreensão do contexto educacional onde as dificuldades escolares se manifestam em buscar formas para tornar o currículo mais acessível e significativo. o acesso universal e a garantia do direito de todas as crianças. IV . no que diz respeito à prática de ensino curricular da escola à formação profissional do corpo docente aos métodos e técnicas pedagógicas adotadas no ensino aos meios (recursos humanos materiais) disponíveis em cada escola. I .terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental. que recupera seu caráter democrático através da adoção legal. e na maximização dos recursos que apóiam ambos os processos. 3º. III . mediante articulação com os órgãos oficiais afins. contribuem para aprofundar as desigualdades educacionais ao invés de combatê-las. Durante alguns anos os corpos docentes (escola) da educação especial tentaram dar uma resposta aos alunos com necessidades especiais. É o sistema escolar de um país que tem que se ajustar para satisfazer as necessidades de todas as crianças. Se concordarmos que todas as crianças. para educando portadores de necessidades especiais. retirando-os da sala de aula e ministrando-lhes em ensino individual que tecnicamente achavam o mais adequado. observar a inserção desses alunos no sistema regular de ensino. a modalidade de educação escolar. Levar sempre em consideração o fato de que as pessoas são diferentes e que. comprovou-se que esta solução não resolve e é frustrante e devastadora para todas as crianças. As Leis que regem a Educação Inclusiva Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional no se artigo 58 e artigo 59 determina que: Art. jovens e adultos de participação nos diferentes espaços da estrutura social. surgindo assim. 2º. sempre que.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS valores na escola que contemplem a cidadania. como assina Lindquist. Uma escola cuja política se comprometa com a igualdade de oportunidades e condições para todos os estudantes a fim de garantir que todos possam ser bem sucedidos educacionalmente. visando a sua efetivação na vida em sociedade. métodos. Através de pesquisas. na escola regular. bem como os recursos destinados a educação de deficientes auditivos. quando necessário. Se concordarmos que todas as crianças. durante a educação infantil.58. Entretanto.Haverá. tem início na faixa etária de zero a seis anos. que os profissionais da sala de aula comum precisam se adaptar a essa realidade. Entende-se por Educação Especial. nem a mecanismos ou discriminação de qualquer espécie. não são nossos sistemas educacionais que tem o direito a certos tipos de crianças. como meio primordial de comunicação. Observamos que a escola necessita se adaptar para acolher os alunos com necessidades especiais educacionais. mas que haja uma aprendizagem significativa para todos os alunos. escolas ou serviços especializados. não são nossos sistemas educacionais que tem o direito a certos tipos de crianças. A escola tem sido marcada em sua organização por critérios seletivos que tem como base a concepção homogeneizadora do ensino. 1º.

emocional. importante. fundamentação teórica relacionada com a prática (materialismo dialético). não consiste apenas na permanência física desses alunos junto aos demais educando. A legislação é bem clara quando relata que se deve oferecer estudo gratuito a todas as crianças de 0 a 14 anos. é determinante quanto ao tipo de escola e recursos que podem proporcionar seu melhor aproveitamento. suas habilidades e capacidades próprias. aquela que garante a qualidade de ensino educacional a cada um de seus alunos. reinventada. ocasionando segregação e marginalização. deficiência. e toda a comunidade em geral. “Assim. que cada conquista não é o ponto final. se a deixarem segregada. reconhecendo e respeitando a diversidade e respondendo a cada um de acordo com suas potencialidades e necessidades” O sucesso de toda escola só acontece quando há a participação e a integração de todos os envolvidos no processo educacional: docentes. Mas é inegável que cada aluno tem a sua própria história composta pelo seu ambiente familiar. de que tem o direito de colocar seus filhos na escola. ou seja. entre outros ingredientes. esse sim é um fracassado. de nada adianta colocar a criança especial dentro de uma classe comum. projeto político pedagógico que condiz com a realidade. mas também da escola e da comunidade. 116 A vontade de vencer deve ser maior que o medo de fracassar. aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de rejeição” O processo de avaliação deverá ser todo reformulado também. Não se deseja de forma alguma. que sejam todas consideradas iguais. pois sem planejamento é praticamente impossível estabelecer prioridades e necessidades reais do município e das escolas. que todos sabem lidar perfeitamente. mas o que ocorre muitas vezes é os pais (principalmente de pessoas com necessidades especiais) não saberem disso. é apenas o estímulo para buscar cada vez mais. todos nós ignoramos alguma coisa. pero jamais perder la ternura” “Escola inclusiva é. bem como. primeiramente é importante que o município tenha elaborado e em funcionamento o Plano Municipal de Educação. pais. sem ser excludente. A pessoa com deficiência tem que sentir-se valorizada. uma escola somente poderá ser considerada inclusiva quando estiver organizada para favorecer a cada aluno. “A inclusão está fundada na dimensão humana e sociocultural que procura enfatizar formas de interação positivas. desenvolvê-las é o mais importante do que um simples número que restringe. mas sim da necessidade da escola conhecer a diversidade com que trabalha para que realmente possa desenvolver um bom trabalho. não é isso. pessoal administrativo. capaz igual aos demais estudantes. apoio às dificuldades e acolhimento das necessidades dessas pessoas. condição social ou qualquer outra situação. Pois como já dizia Paulo Freire “Todos nós sabemos alguma coisa. alunos. que não busca ajuda.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A política de inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais na rede de regular de ensino. uma escola inclusiva ideal requer muitas coisas. esse problema deixa de existir. gradativamente constrói a consciência de que a escola é um bem público que também é seu” A avaliação (já citada). para garantir o acesso de alunos com necessidades educacionais especiais à aprendizagem e ao conhecimento. é acreditar que pode dar certo e o mais importante ter consciência de que muito já se está sendo feito mais ainda é pouco. inteligente. existe grande distância entre o real e o ideal. mas apóia a todos: professores. até os “ditos normais” também possuem. Enfim. sexo. para que obtenham sucesso na corrente educativa geral”. pois “Ensinar exige risco. Cada um possui limites. O professor que enfatiza o fracasso da outra pessoa. mas representa a ousadia de rever concepções e paradigmas. pois prefere o erro (e muitas vezes bitolar e acabar com a vida de uma criança) do que ter a humildade de pedir ajuda. superação. Cabe não só aos pais a responsabilidade de procurar matrícula. precisa-se ter vontade. pois todos estão sob o princípio da igualdade. confiança e tranqüilidade. perseverança. Construir uma escola inclusiva. respeitando suas diferenças e atendimento as suas necessidades. que atinja a todos. Um ensino significativo. é aquele que garante o acesso ao conjunto sistematizado de conhecimentos como recursos a serem mobilizados”. cada qual tem seus talentos. não se pode julgar todos iguais. “A escola deve buscar refletir sobre sua prática.” Para a construção de uma escola inclusiva. vegetando em sala de aula. por isso aprendemos sempre”. “A inclusão causa uma mudança de perspectiva educacional. Vale ressaltar um aspecto a ser comentado sobre o aluno com deficiência auditiva que é a classificação da pessoa com necessidade especial. pois não se limita a ajudar somente os alunos que apresentam dificuldades na escola. exclusa. Também não se deseja a uniformização das crianças. reconhecer e ir à busca dessas crianças e levá-las a escola. Todos possuem limitações. e trabalhá-las. orientação. um desvio da norma. social. a “história” do aluno precisa ser conhecida para ser mais valorizada. é querer. Ninguém nasce sabendo as coisas. “Quando a família dispõe de meios efetivos de participação ativa e regular na vida da escola. mas é ter coragem para reconhecer que errou e seguir em frente. resumindo. econômico. além das suas condições orgânicas. Na perspectiva da inclusão. não pode haver nenhum tipo de discriminação ou preconceito. Ninguém vence sozinho. possibilidades. não é assim tão fácil precisa dos principais ingredientes da receita: vontade de que as coisas realmente aconteçam. direção. deve haver flexões curriculares para atender todo o público escolar. fé. bem como já dizia Che Guevara “Tenemos que ser fuertes. pois cada ser é uno. “A escola que pretende ser inclusiva deve se planejar para gradativamente implementar as adequações necessárias. Mas o que não se pode aceitar é o docente que se deixa abater diante das dificuldades. passível de crítica por levar ao rótulo que tem a deficiência como uma desvantagem. idade. Especialmente na deficiência auditiva. “A pedagogia adotada na escola inclusiva deve ser a pedagogia voltada à criança como um todo. tudo se aprende e não se deve nunca perder a esperança. melhores ou piores umas que as outras. é perceber que se irá errar muitas vezes e fracassar. A luta em se ter uma escola inclusiva de verdade é grande. Para nortear esses trabalhos faz-se necessário ter objetivos bem claros. ao se lidar com crianças com deficiências. entusiasmo. dizer que ser professor é fácil ou de que ter crianças totalmente diversas e com necessidades especiais em sala é tranqüilo fácil de trabalhar. e merece ser tratado como ser especial. não pode ser chamado de educador. políticas públicas definidas e acessíveis. ninguém é perfeito. que é indiferente. tendo como ponto de partida a escuta dos alunos. políticos empenhados. a proposta pedagógica deve ser estudada. bitola e constrange uma pessoa. real- Didatismo e Conhecimento . o que o professor não pode é enfatizar a limitação das pessoas e sim mostrar-lhes que são capazes de evoluir sempre. questionar seu projeto pedagógico e verificar se ele está voltado para diversidade” Percebe-se que aqui não se está falando em tratar as crianças como diferentes. bem como desenvolver o potencial dessas pessoas. Mais do que isso. alunos. pais e comunidade escolar”. independentemente de etnia.

sendo assim uma visão bem saudável e politicamente real disso. é pensar a sociedade nos âmbitos das diversidades e assimilação. a elaboração de um projeto político pedagógico para as escolas. características. tem se mostrado um desafio seja pela novidade para muitos. Os seres humanos são ligados por sentimentos que podem ser os mais diversos possíveis. E se indagarmos a quem cabe a remoção de todas estas barreiras: a resposta mais sensata é : CABE A TODOS: desde o porteiro da escola até o Presidente da República. Muito mais que um plano de trabalho. Mas afinal. o projeto visa a “identificação única” da escola. capaz de proporcionar para todos. podendo socializar-se com aqueles que partilham das mesma necessidades. e outros obstáculos que precisam ser trabalhados para a consagração da educação inclusiva. funcionários. reconhecimento e incentivo ao fortalecimento capacitatório dos docentes. dão vida própria a denominação SOCIEDADE.o direito à igualdade de oportunidades. Por mais que se executem padrões ou tentativas de favorecimento de uns em detrimento de outros. dentro do estado. processo avaliatório. 1981. noções éticas. É preciso esse espaço de socialização. embora prevista na nossa LDB (Lei 9394/96) e claramente explicitado no artigo 14.escolas responsivas e de qualidade. Um espaço adequado para pessoas que precisam de adequação. morais e outras séries de juízos que moldam uma sociedade. especificamente voltadas para a América Latina e Caribe. alunos) se lembrem de que todo aluno pode. Não é uma maneira justa identificar como vigorantes estereótipos de normalidade vigentes de maneira universal. condições financeiras. raiva. entre outros transtornos sociais . amor. e assuma o papel de protagonista de sua própria vida. acesso e transparência a população quanto aos processos de gestão educacional. carências psíquicas. pois os grupos humanos são muito diversos e cada um tem seus padrões culturais. Assim é possível pensar que é importante que as pessoas tenham a possibilidade de viver de uma maneira mais autônoma dentro de um ambiente que verdadeiramente os acolha. mas possibilitar a cada um o que necessita de acordo com suas características próprias. . que servem como modelo para suas comunidades especificas. I. o alto índice de analfabetismo. Tais desafios tem sido objeto de sucessivas conferencias internacionais entre os países em desenvolvimento. a proposta de inclusão.o direito a educação igualitária em relação a diversidade de classes. que implicam em processos cruéis de adaptação que cada um tem que passar para si formar como ser humano. E qual o papel da escola nesta inclusão? Uma boa escola. a seu modo e respeitando seu tempo. com todos e sem discriminação o aprendizado com participação de todos. que se dá através de uma boa formação de educadores. Destes encontros resultam recomendações de cunho organizacional para implementação gradual da inclusão. reconhecimento e adaptação dessas diversidades.. a humanidade até na própria forma de compreensão de humanidade é diversa. a vida do humano no mundo implica em luta pela sobrevivência e socialização. então diverso é aquilo que é múltiplo de diferenças. com a proposta básica de parcerias internacionais e cooperação dentro de cada país. na Conferência Geral de Educação. mas educar a pessoa com deficiência para um socialização de fato para que esteja preparada para saber se portar diante das diversidades sociais. passando por professores. apatia. participação da família e da comunidade. causadores da morosidade do avanço das técnicas inclusivas. a UNESCO apresentou um projeto Principal de Educação em Paris. reiteram vertentes constantemente levantadas como: o direito a educação e garantia de financiamentos que propiciem melhorar a oferta educacional para todos.. objetiva e sintetizada. o que não significa tratar todos de forma iguais. “É importante que o professor e toda a comunidade escolar (diretor. constantes estudos e pesquisas como ações indispensáveis ao processo educativo. evidenciando os valores e percurso que pretende seguir para atingir a plenitude educativa. adequações na prática pedagógica. beneficiar-se de programas educacionais. seja pela inexperiência do verdadeiro trabalho em equipe. está desempenhando com certeza absoluta. Destarte. no que consiste um sistema educacional inclusivo? De forma clara. sentido-se assim estimulados e à vontade para se arriscar tendo a oportunidade de experimentar realidades diversas verdadeiramente incluídos partilhando das mesmas atividades em nível de igualdade. e não como já se fundou e se funda em muitas defesas a perspectivas de uma sociedade segregadora apontando como culpado a diversidade de grupos sociais organizados. entre elas: a pobreza. . que. criando um espaço sistemático para encontros entre Ministros de Educação dos Paises da América Latina e Caribe. as pessoas se organizam em grupos com pessoas que se assemelham dentro de características que são comuns aqueles com quem estão se relacionando. o ideal dos sistemas educacionais inclusivos visam: . desde que tenha oportunidades adequadas para desenvolver sua potencialidade”. sem exclusões. . etnias. escolas responsivas e de qualidade. O padrão de normalidade existe levando-se em consideração as semelhanças mais comuns entre os indivíduos. alunos. Em contra partida para lograr êxito e transformar-se em “escola inclusiva” necessário a REMOÇÃO DE BARREIRAS através de gestão administrativa pública.direito a plena aprendizagem e participação eficaz. tendo muito mais que um cooperativismo ou um tipo de ajuda humanitária. 117 Didatismo e Conhecimento . considerando-se uma cadeia de fatores que se interligam entre si. realizadas periodicamente através de fóruns de discussões. e por todos indivíduos que coletivamente unidos. despreparo dos educadores e gestores. e esta deve ocorrer não só na escola mas em toda a vida social da pessoa. A pessoa com deficiência ensinando os caminhos para escola inclusiva A palavra diversidade tem seu sentidodentro da multiplicidade de diferenças que possam ser reconhecidas. Nesse contexto. Nesse processo objetiva-se apenas a inclusão de todos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS mente único como é.

ao definir “tratamento especial” para os alunoscom “deficiências físicas. por Helena Antipoff. Em 1973. o atendimento educacional às pessoas com deficiência passa a ser fundamentado pelas disposições da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN. instituição especializada no atendimento às pessoas com deficiência mental. A Lei nº 5. não promove a organização de um sistema de ensino capaz de atender às necessidades educacionais especiais e acaba reforçando o encaminhamento dos alunos para as classes e escolas especiais. No início do século XX é fundado o Instituto Pestalozzi (1926). ambos no Rio de Janeiro. I – Introdução O movimento mundial pela educação inclusiva é uma ação política. No Brasil. que acompanha os avanços do conhecimento e das lutas sociais. inviável e puramente utopia. E. terminologias e modalidades que levaram à criação de instituições especializadas. A partir dos referenciais para a construção de sistemas educacionais inclusivos. sem nenhum tipo de discriminação. determina formas de atendimento clínico-terapêuticos fortemente ancorados nos testes psicométricos que. que aponta o direito dos “excepcionais” à educação. . em 1954. é que poderemos participar ativamente do processo educacional inclusivo. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva Documento elaborado pelo Grupo de Trabalho nomeado pela Portaria Ministerial nº 555. revisão de pré conceitos. Nesta perspectiva. que pressupõem a seleção. A partir do processo de democratização da escola. uma imediata reflexão de valores. que altera a LDBEN de 1961. desencadeada em defesa do direito de todos os alunos de estarem juntos. infelizmente todas as instruções. Essa organização. Em 1961. estruturantes do modelo tradicional de educação escolar. físicas. pois enquanto cada um não receber esta mensagem verdadeiramente para si. evidenciando diferentes compreensões. a exclusão tem apresentado características comuns nos processos de segregação e integração. escolas especiais e classes especiais. uma exclusão que foi legitimada nas políticas e práticas educacionais reprodutoras da ordem social. impulsionou ações educacionais voltadas às pessoas com deficiência e às pessoas com superdotação. A partir da visão dos direitos humanos e do conceito de cidadania fundamentado no reconhecimento das diferenças e na participação dos sujeitos. em 1854. mas continuam excluindo indivíduos e grupos considerados fora dos padrões homogeneizadores da escola. mas ainda configuradas por campanhas assistenciais e iniciativas isoladas do Estado. mas a estes leitores. aprendendo e participando. o atendimento às pessoas com deficiência teve início na época do Império.de 5 de junho de 2007. em 1857. decorre uma identificação dos mecanismos e processos de hierarquização que operam na regulação e produção das desigualdades. A educação inclusiva constitui um paradigma educacional fundamentado na concepção de direitos humanos. a educação inclusiva assume espaço central no debate acerca da sociedade contemporânea e do papel da escola na superação da lógica da exclusão. o Ministério da Educação/Secretaria de Educação Especial apresenta a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. que. Para muitos que leem. este texto pode soar apenas mais um texto puramente utópico. visando constituir políticas públicas promotoras de uma educação de qualidade para todos os alunos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Como vemos. Didatismo e Conhecimento 118 II – Marcos históricos e normativos A escola historicamente se caracterizou pela visão da educação que delimita a escolarização como privilégio de um grupo. Não há como sanear a consequência do problema sem atingir a causa. discussões e manifestações para a sua efetiva implementação tendem a virar “letra morta” se todos os elementos subjetivos causadores da exclusão não forem revistos pelas administrações públicas federais em harmonia com as administrações estaduais e municipais. e o Instituto dos Surdos Mudos. é criado o primeiro atendimento educacional especializado às pessoas com superdotação na Sociedade Pestalozzi. evidencia-se o paradoxo inclusão/ exclusão quando os sistemas de ensino universalizam o acesso. é fundada a primeira Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE. Não há como pensar em INCLUSÃO a qualquer título sem antes acabar com a EXCLUSÃO. sociais e lingüísticas. implicando uma mudança estrutural e cultural da escola para que todos os alunos tenham suas especificidades atendidas. que conjuga igualdade e diferença como valores indissociáveis. entre outras. social e pedagógica. os que se encontram em atraso considerável quanto à idade regular de matrícula e os superdotados”. normatizações. Ao reconhecer que as dificuldades enfrentadas nos sistemas de ensino evidenciam a necessidade de confrontar as práticas discriminatórias e criar alternativas para superá-las. Só assim. definem as práticas escolares para os alunos com deficiência. Essa problematização explicita os processos normativos de distinção dos alunos em razão de características intelectuais. Assim. culturais. porque primeiro precisamos nos libertar das nossas próprias barreiras e encontrarmos uma verdade em todo o contexto aqui relatado. que atuam na área da Educação. prorrogada pela Portaria nº 948. hoje denominado Instituto Nacional da Educação dos Surdos – INES. sob a égide integracionista. conferências. A educação especial se organizou tradicionalmente como atendimento educacional especializado substitutivo ao ensino comum. de 09 de outubro de 2007. em 1945. atual Instituto Benjamin Constant – IBC. mentais. a educação inclusiva compreende vários fatores que vão além dos portões da “escola” e não produzem a eficácia pretendida por todos os elementos de cunho sócio-político-econômico elencados em várias oportunidades neste texto. fundamentada no conceito de normalidade/anormalidade. com a criação de duas instituições: o Imperial Instituto dos Meninos Cegos. o MEC cria o Centro Nacional de Educação Especial – CENESP. a organização de escolas e classes especiais passa a ser repensada. responsável pela gerência da educação especial no Brasil. por meio de diagnósticos. preferencialmente dentro do sistema geral de ensino. e. cabe mais do que ninguém. Lei nº 4.024/61. acreditando na possibilidade de mudar a realidade atual da nossa estrutura educacional e aceitando tais ideias como solução para a exclusão. recomendações. e que avança em relação à idéia de eqüidade formal ao contextualizar as circunstâncias históricas da produção da exclusão dentro e fora da escola. qualquer tentativa de modificação ou melhorias será inócua. cultural. naturalizando o fracasso escolar. sob formas distintas.692/71.

) possuem condições de acompanhar e desenvolver as atividades curriculares programadas do ensino comum. no artigo 205. no artigo 55. a oferta do atendimento educacional especializado. condições de vida e de trabalho. Também define.. bem como a inclusão da disciplina de Libras como parte integrante do currículo nos cursos de formação de professores e de fonoaudiologia. estabelece a “igualdade de condições de acesso e permanência na escola” como um dos princípios para o ensino e garante. 2001). garantindo o pleno desenvolvimento da pessoa. Ao reafirmar os pressupostos construídos a partir de padrões homogêneos de participação e aprendizagem. à oferta do atendimento educacional especializado e à garantia da acessibilidade. ao dispor sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência. sem preconceitos de origem. o Decreto nº 3. Lei nº 8. compreendida no contexto da diferenciação. raça. enfatizando a atuação complementar da educação especial ao ensino regular. prevista no seu artigo 2º. A Portaria nº 2. Em 2003. apesar do acesso ao ensino regular. à acessibilidade física e ao atendimento educacional especializado. no artigo 2º.. 37). cor. inciso I. adotado para promover a eliminação das barreiras que impedem o acesso à escolarização. Este Decreto tem importante repercussão na educação. ao admitir a possibilidade de substituir o ensino regular. idade e quaisquer outras formas de discriminação” (art. não potencializam a adoção de uma política de educação inclusiva na rede pública de ensino. seus interesses. preconiza que os sistemas de ensino devem assegurar aos alunos currículo.. assegura a terminalidade específica àqueles que não atingiram o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental. a Política não provoca uma reformulação das práticas educacionais de maneira que sejam valorizados os diferentes potenciais de aprendizagem no ensino comum. métodos. definindo como discriminação com base na deficiência toda diferenciação ou exclusão que possa impedir ou anular o exercício dos direitos humanos e de suas liberdades fundamentais. o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho. à formação docente. reforça os dispositivos legais supracitados ao determinar que “os pais ou responsáveis têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino”.956/2001. O Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. No seu artigo 206. que regulamenta a Lei nº 7. 24. O Plano Nacional de Educação – PNE. a produção e a difusão do sistema Braille em todas as modalidades de ensino. que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica. no mesmo ritmo que os alunos ditos normais” (p. afirma que as pessoas com deficiência têm os mesmos direitos humanos e liberdades fundamentais que as demais pessoas. como dever do Estado. consideradas as características do alunado.298. documentos como a Declaração Mundial de Educação para Todos (1990) e a Declaração de Salamanca (1994) passam a influenciar a formulação das políticas públicas da educação inclusiva. as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. A Convenção da Guatemala (1999). não se efetiva uma política pública de acesso universal à educação. é implementado pelo MEC o Programa Educação Inclusiva: direito à diversidade. formação docente voltada para a atenção à diversidade e que contemple conhecimentos sobre as especificidades dos alunos com necessidades educacionais especiais. não é organizado um atendimento especializado que considere as suas singularidades de aprendizagem. determinando que sejam garantidas formas institucionalizadas de apoiar seu uso e difusão.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Nesse período.436/02 reconhece a Língua Brasileira de Sinais – Libras como meio legal de comunicação e expressão. inciso V) e “[. em virtude de suas deficiências. preferencialmente na rede regular de ensino (art. orientando o processo de “integração instrucional” que condiciona o acesso às classes comuns do ensino regular àqueles que “(.. Lei nº 10. exigindo uma reinterpretação da educação especial.394/96.19). define que as instituições de ensino superior devem prever. recursos e organização específicos para atender às suas necessidades. destaca que “o grande avanço que a década da educação deveria produzir seria a construção de uma escola inclusiva que garanta o atendimento à diversidade humana”. determinam que: Didatismo e Conhecimento 119 “Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos. Define. mediante cursos e exames” (art. a educação como um direito de todos. define a educação especial como uma modalidade transversal a todos os níveis e modalidades de ensino. sexo. assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos. a “possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado” (art. 208).3º.] oportunidades educacionais apropriadas. porém. Ao estabelecer objetivos e metas para que os sistemas de ensino favoreçam o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos. compreendendo o projeto da Grafia Braille para a Língua Portuguesa e a recomendação para o seu uso em todo o território nacional.” As Diretrizes ampliam o caráter da educação especial para realizar o atendimento educacional especializado complementar ou suplementar à escolarização. Resolução CNE/CEB nº 2/2001.069/90. No que se refere aos alunos com superdotação. Em 1999. com vistas a apoiar a transformação dos sistemas de ensino em sistemas educacionais inclusivos. Acompanhando o processo de mudança. e assegura a aceleração de estudos aos superdotados para conclusão do programa escolar. inciso IV). dentre as normas para a organização da educação básica. A Lei nº 10. cabendo às escolas organizarem-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais. em sua organização curricular. A atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Também nessa década. (MEC/SEESP.172/2001. a Resolução CNE/CP nº 1/2002. o ensino. promulgada no Brasil pelo Decreto nº 3. é publicada a Política Nacional de Educação Especial.678/02 do MEC aprova diretrizes e normas para o uso. permanecendo a concepção de “políticas especiais” para tratar da educação de alunos com deficiência. . mas mantendo a responsabilidade da educação desses alunos exclusivamente no âmbito da educação especial. Lei nº 9. A Constituição Federal de 1988 traz como um dos seus objetivos fundamentais “promover o bem de todos. no artigo 59. Em 1994. promovendo um amplo processo de formação de gestores e educadores nos municípios brasileiros para a garantia do direito de acesso de todos à escolarização.853/89. Na perspectiva da educação inclusiva. aponta um déficit referente à oferta de matrículas para alunos com deficiência nas classes comuns do ensino regular.

é lançado o Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE. em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social compatível com a meta da plena participação e inclusão. dispõe sobre a inclusão da Libras como disciplina curricular. a acessibilidade arquitetônica dos prédios escolares. a educação não se estruturou na perspectiva da inclusão e do atendimento às necessidades educacionais especiais. estabelece que os Estados-Partes devem assegurar um sistema de educação inclusiva em todos os níveis de ensino.094/2007. para a orientação às famílias e a formação continuada dos professores. às matrículas em classes especiais. conforme tipos de deficiência. os Ministérios da Educação e da Justiça.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Em 2004. ingresso nas classes comuns. p. de qualidade e gratuito. reafirmado pela Agenda Social. possibilita o acompanhamento dos indicadores da educação especial: acesso à educação básica. à sala de recursos ou aos equipamentos específicos. Também são realizadas alterações que ampliam o universo da pesquisa. a Secretaria Especial dos Direitos Humanos. 09). no currículo da educação básica.923 alunos em 1998 para 325.326 em 1998 para 700. fortalecendo seu ingresso nas escolas públicas. o Censo Escolar/MEC/INEP coleta dados referentes ao número geral de matrículas. em igualdade de condições com as demais pessoas na comunidade em que vivem (Art. transtornos do desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação. tais como os das áreas de saúde. dos professores e da escola. agregando informações individualizadas dos alunos. A partir de 2004. com o objetivo de disseminar os conceitos e diretrizes mundiais para a inclusão. tendo como eixos a formação de professores para a educação especial. limitando. etapas e modalidades de ensino. temáticas relativas às pessoas com deficiência e desenvolver ações afirmativas que possibilitem acesso e permanência na educação superior. municípios com matrícula de alunos com necessidades educacionais especiais. de 337. reafirmando o direito e os benefícios da escolarização de alunos com e sem deficiência nas turmas comuns do ensino regular. princípios e programas é reafirmada a visão que busca superar a oposição entre educação regular e educação especial. o formulário impresso do Censo Escolar foi transformado em um sistema de informações on-line. o Programa Brasil Acessível. que objetiva. No que se refere ao ingresso em classes comuns do ensino regular. matrícula na rede pública. Em 2007. aprovada pela ONU em 2006 e da qual o Brasil é signatário. III – Diagnóstico da Educação Especial O Censo Escolar/MEC/INEP.436/2002. escolas privadas e privadas sem fins lucrativos. Com relação aos dados da educação especial. sob alegação de deficiência. a garantia do acesso e permanência no ensino regular e o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos. Nesse contexto. o Decreto nº 5.316 em 2006. adotando medidas para garantir que: a) As pessoas com deficiência não sejam excluídas do sistema educacional geral sob alegação de deficiência e que as crianças com deficiência não sejam excluídas do ensino fundamental gratuito e compulsório. das turmas. são organizados centros de referência na área das altas habilidades/superdotação para o atendimento educacional especializado. visando ao acesso à escola dos alunos surdos. realizado anualmente em todas as escolas de educação básica.048/00 e nº 10.626/05.24). lançam o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos. A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.098/00. à oferta da matrícula nas escolas públicas. permite atualização dos dados dentro do mesmo ano escolar. constituindo a organização da política de educação inclusiva de forma a garantir esse atendimento aos alunos da rede pública de ensino. O Decreto nº 5. possibilitando monitorar o percurso escolar. e à formação dos professores que atuam no atendimento educacional especializado. que qualifica o processo de manipulação e tratamento das informações. à infra-estrutura das escolas quanto à acessibilidade arquitetônica. Plano de Desenvolvimento da Educação: razões. ao número de alunos do ensino regular com atendimento educacional especializado. acesso e a permanência das pessoas com deficiência na educação superior e o monitoramento do acesso à escola dos favorecidos pelo Beneficio de Prestação Continuada – BPC. são efetivadas mudanças no instrumento de pesquisa do Censo. escolas com acesso ao ensino regular e formação docente para o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos. o cumprimento do princípio constitucional que prevê a igualdade de condições para o acesso e permanência na escola e a continuidade nos níveis mais elevados de ensino (2007. que passa a registrar a série ou ciclo escolar dos alunos identificados no campo da educação especial. contemplar. Em 2007. a implantação de salas de recursos multifuncionais. Didatismo e Conhecimento 120 No documento do MEC. instrutor e tradutor/intérprete de Libras. Para a implementação do PDE é publicado o Decreto nº 6. passando de 43. assistência e previdência social. . oferta do atendimento educacional especializado. bem como possibilita o cruzamento com outros bancos de dados. o Censo Web. com a implantação dos Núcleos de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação –NAAH/S em todos os estados e no Distrito Federal.296/04 regulamentou as Leis nº 10. Impulsionando a inclusão educacional e social. que regulamenta a Lei nº 10. estabelecendo normas e critérios para a promoção da acessibilidade às pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. expressando um crescimento de 107%.624 em 2006. o ensino da Língua Portuguesa como segunda língua para alunos surdos e a organização da educação bilíngüe no ensino regular. que estabelece nas diretrizes do Compromisso Todos pela Educação. do Ministério das Cidades. é desenvolvido com o objetivo de promover a acessibilidade urbana e apoiar ações que garantam o acesso universal aos espaços públicos. às matrículas. Contrariando a concepção sistêmica da transversalidade da educação especial nos diferentes níveis. o Ministério Público Federal publica o documento O Acesso de Alunos com Deficiência às Escolas e Classes Comuns da Rede Regular. dentre as suas ações. acessibilidade nos prédios escolares. verifica-se um crescimento de 640%. b) As pessoas com deficiência possam ter acesso ao ensino fundamental inclusivo. Para compor esses indicadores no âmbito da educação especial. Neste mesmo ano. Em 2005. juntamente com a Organização das Nações Unidas para a Educação. escola especial e classes comuns de ensino regular. a formação e a certificação de professor. a Ciência e a Cultura – UNESCO. o Censo Escolar registra uma evolução nas matrículas.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
Quanto à distribuição dessas matrículas nas esferas pública e privada, em 1998 registra-se 179.364 (53,2%) alunos na rede pública e 157.962 (46,8%) nas escolas privadas, principalmente em instituições especializadas filantrópicas. Com o desenvolvimento das ações e políticas de educação inclusiva nesse período, evidencia-se um crescimento de 146% das matrículas nas escolas públicas, que alcançaram 441.155 (63%) alunos em 2006, conforme demonstra o gráfico: Com relação à distribuição das matrículas por etapa de ensino em 2006: 112.988 (16%) estão na educação infantil, 466.155 (66,5%) no ensino fundamental, 14.150 (2%) no ensino médio, 58.420 (8,3%) na educação de jovens e adultos, e 48.911 (6,3%) na educação profissional. No âmbito da educação infantil, há uma concentração de matrículas nas escolas e classes especiais, com o registro de 89.083 alunos, enquanto apenas 24.005 estão matriculados em turmas comuns. O Censo da Educação Especial na educação superior registra que, entre 2003 e 2005, o número de alunos passou de 5.078 para 11.999 alunos, representando um crescimento de 136%. A evolução das ações referentes à educação especial nos últimos anos é expressa no crescimento de 81% do número de municípios com matrículas, que em 1998 registra 2.738 municípios (49,7%) e, em 2006 alcança 4.953 municípios (89%). Aponta também o aumento do número de escolas com matrícula, que em 1998 registra apenas 6.557 escolas e, em 2006 passa a registrar 54.412, representando um crescimento de 730%. Das escolas com matrícula em 2006, 2.724 são escolas especiais, 4.325 são escolas comuns com classe especial e 50.259 são escolas de ensino regular com matrículas nas turmas comuns. O indicador de acessibilidade arquitetônica em prédios escolares, em 1998, aponta que 14% dos 6.557 estabelecimentos de ensino com matrícula de alunos com necessidades educacionais especiais possuíam sanitários com acessibilidade. Em 2006, das 54.412 escolas com matrículas de alunos atendidos pela educação especial, 23,3% possuíam sanitários com acessibilidade e 16,3% registraram ter dependências e vias adequadas (dado não coletado em 1998). No âmbito geral das escolas de educação básica, o índice de acessibilidade dos prédios, em 2006, é de apenas 12%. Com relação à formação inicial dos professores que atuam na educação especial, o Censo de 1998, indica que 3,2% possui ensino fundamental, 51% ensino médio e 45,7% ensino superior. Em 2006, dos 54.625 professores nessa função, 0,62% registram ensino fundamental, 24% ensino médio e 75,2% ensino superior. Nesse mesmo ano, 77,8% desses professores, declararam ter curso específico nessa área de conhecimento. IV – Objetivo da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva tem como objetivo o acesso, a participação e a aprendizagem dos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas escolas regulares, orientando os sistemas de ensino para promover respostas às necessidades educacionais especiais, garantindo: Transversalidade da educação especial desde a educação infantil até a educação superior; - Atendimento educacional especializado; - Continuidade da escolarização nos níveis mais elevados do ensino; Didatismo e Conhecimento
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- Formação de professores para o atendimento educacional especializado e demais profissionais da educação para a inclusão escolar; - Participação da família e da comunidade; - Acessibilidade urbanística, arquitetônica, nos mobiliários e equipamentos, nos transportes, na comunicação e informação; e - Articulação intersetorial na implementação das políticas públicas. V – Alunos atendidos pela Educação Especial Por muito tempo perdurou o entendimento de que a educação especial, organizada de forma paralela à educação comum, seria a forma mais apropriada para o atendimento de alunos que apresentavam deficiência ou que não se adequassem à estrutura rígida dos sistemas de ensino. Essa concepção exerceu impacto duradouro na história da educação especial, resultando em práticas que enfatizavam os aspectos relacionados à deficiência, em contraposição à sua dimensão pedagógica. O desenvolvimento de estudos no campo da educação e dos direitos humanos vêm modificando os conceitos, as legislações, as práticas educacionais e de gestão, indicando a necessidade de se promover uma reestruturação das escolas de ensino regular e da educação especial. Em 1994, a Declaração de Salamanca proclama que as escolas regulares com orientação inclusiva constituem os meios mais eficazes de combater atitudes discriminatórias e que alunos com necessidades educacionais especiais devem ter acesso à escola regular, tendo como princípio orientador que “as escolas deveriam acomodar todas as crianças independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, lingüísticas ou outras” (BRASIL, 2006, p.330). O conceito de necessidades educacionais especiais, que passa a ser amplamente disseminado a partir dessa Declaração, ressalta a interação das características individuais dos alunos com o ambiente educacional e social. No entanto, mesmo com uma perspectiva conceitual que aponte para a organização de sistemas educacionais inclusivos, que garanta o acesso de todos os alunos e os apoios necessários para sua participação e aprendizagem, as políticas implementadas pelos sistemas de ensino não alcançaram esse objetivo. Na perspectiva da educação inclusiva, a educação especial passa a integrar a proposta pedagógica da escola regular, promovendo o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. Nestes casos e outros, que implicam em transtornos funcionais específicos, a educação especial atua de forma articulada com o ensino comum, orientando para o atendimento às necessidades educacionais especiais desses alunos. A educação especial direciona suas ações para o atendimento às especificidades desses alunos no processo educacional e, no âmbito de uma atuação mais ampla na escola, orienta a organização de redes de apoio, a formação continuada, a identificação de recursos, serviços e o desenvolvimento de práticas colaborativas. Os estudos mais recentes no campo da educação especial enfatizam que as definições e uso de classificações devem ser contextualizados, não se esgotando na mera especificação ou categorização atribuída a um quadro de deficiência, transtorno,

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
distúrbio, síndrome ou aptidão. Considerase que as pessoas se modificam continuamente, transformando o contexto no qual se inserem. Esse dinamismo exige uma atuação pedagógica voltada para alterar a situação de exclusão, reforçando a importância dos ambientes heterogêneos para a promoção da aprendizagem de todos os alunos. A partir dessa conceituação, considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimentos de longo prazo, de natureza física, mental ou sensorial que, em interação com diversas barreiras, podem ter restringida sua participação plena e efetiva na escola e na sociedade. Os alunos com transtornos globais do desenvolvimento são aqueles que apresentam alterações qualitativas das interações sociais recíprocas e na comunicação, um repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo. Incluem-se nesse grupo alunos com autismo, síndromes do espectro do autismo e psicose infantil. Alunos com altas habilidades/superdotação demonstram potencial elevado em qualquer uma das seguintes áreas, isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade e artes, além de apresentar grande criatividade, envolvimento na aprendizagem e realização de tarefas em áreas de seu interesse. VI – Diretrizes da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva A educação especial é uma modalidade de ensino que perpassa todos os níveis, etapas e modalidades, realiza o atendimento educacional especializado, disponibiliza os recursos e serviços e orienta quanto a sua utilização no processo de ensino e aprendizagem nas turmas comuns do ensino regular. O atendimento educacional especializado tem como função identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas. As atividades desenvolvidas no atendimento educacional especializado diferenciam-se daquelas realizadas na sala de aula comum, não sendo substitutivas à escolarização. Esse atendimento complementa e/ou suplementa a formação dos alunos com vistas à autonomia e independência na escola e fora dela. Dentre as atividades de atendimento educacional especializado são disponibilizados programas de enriquecimento curricular, o ensino de linguagens e códigos específicos de comunicação e sinalização e tecnologia assistiva. Ao longo de todo o processo de escolarização esse atendimento deve estar articulado com a proposta pedagógica do ensino comum. O atendimento educacional especializado é acompanhado por meio de instrumentos que possibilitem monitoramento e avaliação da oferta realizada nas escolas da rede pública e nos centros de atendimento educacional especializados públicos ou conveniados. O acesso à educação tem início na educação infantil, na qual se desenvolvem as bases necessárias para a construção do conhecimento e desenvolvimento global do aluno. Nessa etapa, o lúdico, o acesso às formas diferenciadas de comunicação, a riqueza de estímulos nos aspectos físicos, emocionais, cognitivos, psicomotores e sociais e a convivência com as diferenças favorecem as relações interpessoais, o respeito e a valorização da criança. Didatismo e Conhecimento
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Do nascimento aos três anos, o atendimento educacional especializado se expressa por meio de serviços de estimulação precoce, que objetivam otimizar o processo de desenvolvimento e aprendizagem em interface com os serviços de saúde e assistência social. Em todas as etapas e modalidades da educação básica, o atendimento educacional especializado é organizado para apoiar o desenvolvimento dos alunos, constituindo oferta obrigatória dos sistemas de ensino. Deve ser realizado no turno inverso ao da classe comum, na própria escola ou centro especializado que realize esse serviço educacional. Desse modo, na modalidade de educação de jovens e adultos e educação profissional, as ações da educação especial possibilitam a ampliação de oportunidades de escolarização, formação para ingresso no mundo do trabalho e efetiva participação social. A interface da educação especial na educação indígena, do campo e quilombola deve assegurar que os recursos, serviços e atendimento educacional especializado estejam presentes nos projetos pedagógicos construídos com base nas diferenças socioculturais desses grupos. Na educação superior, a educação especial se efetiva por meio de ações que promovam o acesso, a permanência e a participação dos alunos. Estas ações envolvem o planejamento e a organização de recursos e serviços para a promoção da acessibilidade arquitetônica, nas comunicações, nos sistemas de informação, nos materiais didáticos e pedagógicos, que devem ser disponibilizados nos processos seletivos e no desenvolvimento de todas as atividades que envolvam o ensino, a pesquisa e a extensão. Para o ingresso dos alunos surdos nas escolas comuns, a educação bilíngüe – Língua Portuguesa/Libras desenvolve o ensino escolar na Língua Portuguesa e na língua de sinais, o ensino da Língua Portuguesa como segunda língua na modalidade escrita para alunos surdos, os serviços de tradutor/intérprete de Libras e Língua Portuguesa e o ensino da Libras para os demais alunos da escola. O atendimento educacional especializado para esses alunos é ofertado tanto na modalidade oral e escrita quanto na língua de sinais. Devido à diferença lingüística, orienta-se que o aluno surdo esteja com outros surdos em turmas comuns na escola regular. O atendimento educacional especializado é realizado mediante a atuação de profissionais com conhecimentos específicos no ensino da Língua Brasileira de Sinais, da Língua Portuguesa na modalidade escrita como segunda língua, do sistema Braille, do Soroban, da orientação e mobilidade, das atividades de vida autônoma, da comunicação alternativa, do desenvolvimento dos processos mentais superiores, dos programas de enriquecimento curricular, da adequação e produção de materiais didáticos e pedagógicos, da utilização de recursos ópticos e não ópticos, da tecnologia assistiva e outros. A avaliação pedagógica como processo dinâmico considera tanto o conhecimento prévio e o nível atual de desenvolvimento do aluno quanto às possibilidades de aprendizagem futura, configurando uma ação pedagógica processual e formativa que analisa o desempenho do aluno em relação ao seu progresso individual, prevalecendo na avaliação os aspectos qualitativos que indiquem as intervenções pedagógicas do professor. No processo de avaliação, o professor deve criar estratégias considerando que alguns alunos podem demandar ampliação do tempo para a realização dos trabalhos e o uso da língua de sinais, de textos em Braille, de informática ou de tecnologia assistiva como uma prática cotidiana.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
Cabe aos sistemas de ensino, ao organizar a educação especial na perspectiva da educação inclusiva, disponibilizar as funções de instrutor, tradutor/intérprete de Libras e guia-intérprete, bem como de monitor ou cuidador dos alunos com necessidade de apoio nas atividades de higiene, alimentação, locomoção, entre outras, que exijam auxílio constante no cotidiano escolar. Para atuar na educação especial, o professor deve ter como base da sua formação, inicial e continuada, conhecimentos gerais para o exercício da docência e conhecimentos específicos da área. Essa formação possibilita a sua atuação no atendimento educacional especializado, aprofunda o caráter interativo e interdisciplinar da atuação nas salas comuns do ensino regular, nas salas de recursos, nos centros de atendimento educacional especializado, nos núcleos de acessibilidade das instituições de educação superior, nas classes hospitalares e nos ambientes domiciliares, para a oferta dos serviços e recursos de educação especial. Para assegurar a intersetorialidade na implementação das políticas públicas a formação deve contemplar conhecimentos de gestão de sistema educacional inclusivo, tendo em vista o desenvolvimento de projetos em parceria com outras áreas, visando à acessibilidade arquitetônica, aos atendimentos de saúde, à promoção de ações de assistência social, trabalho e justiça. Os sistemas de ensino devem organizar as condições de acesso aos espaços, aos recursos pedagógicos e à comunicação que favoreçam a promoção da aprendizagem e a valorização das diferenças, de forma a atender as necessidades educacionais de todos os alunos. A acessibilidade deve ser assegurada mediante a eliminação de barreiras arquitetônicas, urbanísticas, na edificação – incluindo instalações, equipamentos e mobiliários – e nos transportes escolares, bem como as barreiras nas comunicações e informações. alunos, sente-se tentado ameaça-los com a arma poderosa da avaliação, dizendo que irá tirar-lhes pontos, chamará os pais, irá colocá-los para fora da sala, encaminhá-los para a coordenação, etc. Nesta concepção, o mais comum é o professor, não conseguindo motivar o aluno para o trabalho, comece a usar a nota como um instrumento de pressão para obter a disciplina e participação, contribuindo assim, para a sua alienação. Para a mesma autora, muitas vezes as avaliações são realizadas como julgamento das capacidades, sem nada a contribuir para o desenvolvimento do educando, não sendo levado em conta, o modo como essa avaliação está sendo feita como, por exemplo: trabalhos avaliativos, provas orais ou escritas de dupla ou individual e saber que cada aluno é diferente no processo de ensino-aprendizagem um do outro.Outra forma, que a avaliação é utilizada pelo educador é a de uma mera reprodução e repetição dos conteúdos e conhecimentos, assim preocupam-se em vencer os conteúdos programáticos.Na maioria das vezes, a avaliação é vista pelos olhos dos alunos como uma promoção e não como parte do processo de ensino-aprendizagem, assim como um castigo, não podendo sair, brincar porque tem prova e pelos olhos da maioria professores um meio de demonstrar a autoridade. Aspectos Positivos e Negativos da avaliação Dentro da sala de aula, o termo avaliar está, intimamente relacionado à resolução de provas, exames, resultado de nota, ser aprovado ou reprovado. Em meio a esses fatores, a prova torna-se instrumento característico de todo processo de uma avaliação tradicional, mas pode também ser de muita utilidade para o professor e aluno saberem em que medida o processo de ensino-aprendizagem está útil para a formação do conhecimento do aluno.Nessa perspectiva, verifica-se que esse instrumento é adequado especialmente quando desejamos avaliar procedimentos específicos, a capacidade de organizar ideias, a clareza da expressão e a possibilidade de apresentar soluções originais. Assim, a avaliação tem seu lado positivo e negativo. O primeiro pode ser atribuído ao fato da avaliação admitir uma função de orientadora e cooperativa, sendo assim, realizada de uma forma contínua, cumulativa e ordenada dentro da sala de aula com o objetivo de fazer um diagnóstico da situação de aprendizagem de cada educando, em relação aos conteúdos passados pelo professor, desse modo, verificando se o aluno está progredindo no processo de ensino-aprendizagem.A avaliação, dessa forma, tem uma função prognostica que avalia os conhecimentos prévios dos alunos, considerada a avaliação de entrada, avaliação de input; uma função diagnóstica, do dia-a-dia , a fim de verificar quem absorveu todos conhecimentos e adquiriu as habilidades previstas nos objetivos estabelecidos. Por outro lado, a avaliação está voltada com a função de classificação, apresentando o lado negativo, pois o aluno que não alcançou a média fica sob a visão de excluído e fracassado perante os colegas de classe, professores e escola, ocasionando muitas vezes a evasão escolar. De acordo com Luckesi (2006), a avaliação que é praticada na escola é sinônimo da avaliação da culpa. As notas são usadas para como índices de classificação de alunos, onde os desempenhos são comparados e não perspectivas que se desejam atingir. O que significa em termos de avaliação um aluno ter obtido nota 5,0 ou média 5,0? E o que tirou 4,0? O primeiro, na maioria das escolas está aprovado, enquanto o segundo, reprovado. O que o primeiro sabe é considerado suficiente. Suficiente para quê? E o
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14 AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM: CONCEPÇÕES, ESTRATÉGIAS E IMPORTÂNCIA DOS RESULTADOS PARA A MELHORIA DA QUALIDADE DO ENSINO.

Avaliação Educacional O ato de ensinar e de aprender está relacionado a realizações de mudanças e aquisições de comportamento, tanto motores, cognitivos, quanto afetivos e sociais. Com base nesses preceitos, a avaliação, ou seja, o ato de avaliar consiste em verificar se estes tais comportamentos estão sendo realmente alcançados no grau exigido pelo professor servindo de suporte para que o aluno progrida na aprendizagem e na construção do saber.Com isso, avaliação tem o papel de orientar o aluno a tomar consciência de seus conhecimentos, ter posicionamento crítico e saber se está avançando na superação das dificuldades para continuar progredindo no processo de ensino aprendizagem. Existem, ainda hoje, professores que se preocupam em fazer uso da avaliação como instrumento de tortura, pressão e controle do comportamento prendendo-se em respostas “mecânicas” como certo/errado valorizando o “produto” final e não compreendem todo o processo que o aluno chegou para dar aquela resposta.O professor, então, tendo observado o “mau comportamento” dos Didatismo e Conhecimento

A finalidade da avaliação mediadora é subsidiar o professor. Em se tratando da avaliação da aprendizagem. A avaliação a serviço da ação. Esse processo. no poder. a dificuldade para incorporar e compreender a concepção de avaliação mediadora. A intenção prognóstica. na maioria das vezes. estabelecem-se normas classificatórias e normativas. É a compreensão e definição da finalidade da avaliação da aprendizagem que deve nortear as metodologias e não o inverso. pela vontade de chegar ao objetivo/destino que vai sendo traçado. Dessa maneira. A organização homogeneizada. Buscando caminhos. desencadeia o respeito às individualidades. Para transformar a escola. No entanto. da escola ou da instituição avaliada. influi e sofre a influência desse próprio ato de pensar e agir. adquiriu um enfoque político e social. sua finalidade não é o registro do desempenho escolar. assim como quando realizamos o caminho a Santiago de Compostela. A tendência. a finalidade da avaliação é promover a evolução da aprendizagem dos educandos e a promoção da qualidade do trabalho educativo. assim como no caminho a Santiago de Compostela. que se fundamentam na competição. pelo desejo de superação. ao mesmo tempo. A avaliação mediadora. é necessário que ocorra uma reflexão conjunta de professores. assume-se conscientemente o papel do avaliador no processo. para compartilhar dos sentimentos de conquista. é a avaliação reflexiva que pode transformar a realidade avaliada. neste caminho. pois tanto para o professor quanto para o aluno ao reconhecerem a origem e a constituição dos seus erros passam a superá-los. na interação e na socialização. que confere ao educador uma grande responsabilidade por seu compromisso com o objeto avaliado e com sua própria aprendizagem . Avaliação a serviço da aprendizagem. a avaliação de um curso só terá sentido se for capaz de possibilitar a implementação de programas que resultem em melhorias do curso. fundada na ação pedagógica reflexiva. Assim. compreendida como a avaliação da aprendizagem escolar. gera inquietação e incertezas para os professores. referenciada em valores. Avaliar para Promover Para Hoffmann. que acabam enlaçando tanto os professores quanto os alunos em suas relações pessoais verticais e horizontais. por ser uma atividade de reflexão sobre os próprios atos. valores. o educador deve conversar com seu aluno e verificar o porquê desse erro e como foi cometido. quando praticamos a avaliação. objetivos e discussão interdisciplinar. Visão centrada no professor e em medidas padronizadas de disciplinas fragmentadas. significando algo que não ocorreu de maneira correta. que intensificou a pesquisa sobre o assunto. em conjunto. dentre os principais estudiosos do assunto. como instrumento de acompanhamento do trabalho. de compreensão de outras perspectivas e de reflexão sobre as próprias crenças. No entanto. cidadania e direito à educação. Em seus regimentos escolares enunciam-se objetivos de avaliação contínua. o erro conscientemente elaborado possibilita o avanço. Hoffmann é contrária à ideia de que primeiro é preciso mudar a escola e a sociedade para depois mudar a avaliação. a melhoria das evoluções individuais. apontando para onde vamos: De para avaliação para classificação. Rumos da Avaliação neste século. leva à intenção de acompanhamento permanente de mediação e intervenção pedagógica favorável à aprendizagem. da formação. isto é. as quais devem ser respeitadas. Uma das maiores dificuldades de compreensão das propostas educacionais contemporâneas reside no problema da . É no confronto de ideias que a avaliação vai se construindo para cada um dos professores à medida que discutem. Visão dialógica. é frequente o aluno dizer que só agora ele percebeu o que era para fazer. Da mesma forma. normativa Mobilização em direção à busca de sentido e significado da ação. Pelo contrário. A autora resume os princípios básicos – as setas do caminho – a seguir. e a escola. mas sim a observação contínua das manifestações de aprendizagem para desenvolver ações educativas que visem à promoção. deve servir à promoção. critérios objetivos. tem o sentido de avançar sempre: promover e a autora nos apresenta as setas do caminho. é a de procurar superar a concepção positivista e classificatória das práticas avaliativas escolares (baseada em verdades absolutas. evidenciando o caráter burocrático e seletivo que persiste no país. no individualismo. o trajeto a ser percorrido. confiança na capacidade de todos. a avaliação. ou seja. seleção. na Espanha. Essa reflexão envolve os próprios princípios da democracia. mas. lugar em que ocorre a gestão educacional de um trabalho coletivo. O problema da avaliação da aprendizagem tem sido discutido intensamente neste último século.0 “sabe” não pode ser mais importante do que aquilo que não “sabe”? Dentro do contexto da avaliação temos o erro.A avaliação. princípios e metodologias. pelo sonho. é impulsionado pelo inusitado.a de como ocorre o processo avaliativo. isto é. para que possam compreender os limites e as possibilidades dos alunos e delinear ações que possam favorecer seu desenvolvimento. interagida com o meio físico e social. tornando assim um “obstáculo vencido” e uma avaliação adequada. pois a partir disso desencadeiam-se processos de mudança muito mais amplos do que a simples modificação das práticas de ensino. acesso a um nível superior de aprendizagem por meio de uma educação digna e de direito de todos os seres humanos.Luckesi (2006) afirma quando o professor atribui uma atividade a seus alunos e observa que estes não conseguem obter o resultado esperado. A ousadia do ato de avaliar. ciclos. de todos os níveis. avaliar necessita da conversa uns com os outros. no processo de melhoria da qualidade de ensino. programas de aceleração. o que revela a manutenção das práticas tradicionais e a resistência à implementação de regimes não seriados. Regimes seriados versus regimes não-seriados. por meio de oportunidades de expressão desses sentimentos. alienadora. a despeito das inovações propostas pela nova LDB (9394/ 96). esse erro pode ser útil vindo a ser utilizado como fonte de virtude para aprendizagem escolar. observa-se na maioria das escolas brasileiras. da promoção da cidadania. as situações avaliadas e do exercício do diálogo entre os envolvidos. A contraposição básica estabelecida por este princípio é estabelecida entre uma concepção classificatória de avaliação da aprendizagem escolar e a concepção de avaliação mediadora. medidas padronizadas e estatísticas) em favor de uma ação consciente e refleDidatismo e Conhecimento 124 xiva sobre o valor do objeto avaliado. explicativa e de desempenho. a atitude reprodutora. na arbitrariedade.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS que ele não sabe? O que ele deixou de “saber” não pode ser mais importante do que o que ele “sabe”? E o que o aluno que tirou 4. implica necessariamente uma ação que promova melhoria na situação avaliada. Esse autor ainda ressalta que. classificação e competição. como se tem observado até agora. seriação. dentro de um dado contexto. somativa. de negociação. alunos e comunidade. Nas últimas décadas. que se contrapõem às concepções avaliativas classificatórias. Da mesma forma. da compreensão das setas.

ainda que elencada no bojo de diretrizes unificadoras das reformas educacionais. a luta pela sobrevivência.Uma atividade ética. sendo que. as facilidades e dificuldades de cada um como parte das características humanas. a constituição de suas famílias. a avaliação contínua adquire o significado de avaliação mediadora do processo de desenvolvimento e da aprendizagem de cada aluno. em grande parte das escolas. estes últimos.Provas de recuperação versus estudos paralelos. As práticas educacionais exigem. projetar a avaliação no futuro dos alunos significa reforçar as setas dos seus caminhos: confiar. fundamentam-se em concepções desenvolvimentistas e democráticas.Os estudos paralelos precisam acompanhar os percursos individuais de formação dos alunos e considerar os princípios da pedagogia diferenciada. A ideia de recuperação vem sendo concebida como retrocesso. Neste processo o conhecimento é construído entre descobertas e dúvidas. e a melhor forma de fazê-lo é no dia-a-dia da sala de aula. porque cada situação envolve a singularidade dos participantes do processo educativo. Os desempenhos individuais dos alunos são utilizados para se comparar uns com os outros. com repetição de conteúdos. reconhecer suas possibilidades e respeitá-las. orientados por modelos avaliativos classificatórios e com caráter sentencitivo. mas torná-la referência para decisões educativas pautadas por valores. A razão dessa dificuldade reside justamente no apego às ideias tradicionais às quais se vinculam o processo de avaliação classificatória e seletiva. As questões atitudinais não devem ocupar um tempo enorme em detrimento das questões do ensino-aprendizagem. muito menos o trabalho de superação destas dificuldades não pode recair sob a responsabilidade destes. além de conhecimento. obstáculos e avanços. num processo de avaliação classificatória. essa organização de trabalho escolar exige à realização de uma prática pedagógica que assuma a diversidade humana como riqueza. A participação das famílias. focalizando o processo de aprendizagem. entretanto. promovendo os “melhores” e retendo os “piores”. As provas de recuperação se confundem com a recuperação das notas já alcançadas. fundamentos filosóficos e considerações sociais. a natureza do envolvimento. na sua singularidade e de acordo com suas possibilidades. Dessa forma. Nesse sentido. Os regimes seriados estabelecem oficialmente uma série de obstáculos aos alunos. As diferenças individuais são reconhecidas. desafiá-los a prosseguir por meio de provocações significativas. etc. nos faz ponderar que as dificuldades de aprendizagem dos alunos não podem ser atribuídas às famílias. Nestas sessões. nos estudos paralelos. por meio de critérios pré-definidos arbitrariamente como requisitos para a passagem à série seguinte. Os regimes não seriados. Nesse sentido programas e projetos desenvolvidos para dar conta de problemas apresentados para o estudo de uma área de conhecimento ou para resolver questões de determinadas escolas. Isso está longe de ser menos exigente. que alerta: “o que caracteriza a individualização dos percursos não é a solidão no trabalho. Conselhos de classe versus “conselhos de classe”. se torna possível acolher a todos os alunos. bem como são de sua responsabilidade a aquisição de atitudes e habilidades que favoreçam o enriquecimento das relações interpessoais no ambiente escolar. trabalho científico. Cada professor estabelece uma relação diferenciada de saber com seus alunos. dialogar com a escola. por se tratar de uma atividade prática. A educação inclusiva Num processo de avaliação mediadora. paralela ou final) são considerados parte integrante do processo de ensino e de aprendizagem para atendimento à diversidade das características. A progressão da aprendizagem. classificatórios que deem conta da complexidade do ato avaliativo. e não o produto. porque está embasada em juízo de valor. É preciso considerar a complexidade inerente a tal finalidade. contando com a cooperação de toda a turma. a aprendizagem. é comparado com ele próprio. não como riqueza. que não significa atribuir a eles a tarefa da escola. está direcionada ao futuro do desenvolvimento do aluno.Não encontramos mecanismos únicos. rigorosa e mais permissiva..CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS organização do regime escolar em ciclos e outras formas não seriadas. a promoção se baseia na evolução alcançada pelo aluno. a inclusão da dimensão ética e sensível. sendo possível observar sua evolução de diversas formas ao longo do processo de ensino-aprendizagem. que devem ser respeitadas e. mas o caráter único da trajetória de cada aluno no conjunto de sua escolaridade”. de caráter interativo e reflexivo. retomadas. É compromisso dos pais acompanhar o processo vivido pelos filhos.Os protagonistas da avaliação precisam ser levados a refletir sobre o que fazem e por que fazem. “os piores” estarão predestinados ao fracasso e à exclusão.Hoffman defende que esta deve ser uma ação voltada para o futuro. considerando. para a qual nos chama a atenção Perrenoud (2000). Não basta desenvolver a avaliação educacional a serviço de uma ação com perspectiva par o futuro. Estudos paralelos de recuperação são próprios a uma prática de avaliação mediadora. no aprofundamento das noções. das necessidades e dos ritmos dos alunos. por posturas políticas. O trabalho do aluno. deliberadora de novas ações que garantam a aquisição de competências necessárias à aprendizagem dos alunos. Promover o diálogo entre os pais e os professores é função da escola. É compromisso seu orientá-los na resolução de dúvidas. retomo. porque não há melhores nem piores. Os pais devem participar da escolaridade de seus filhos.Não concordamos que deva haver regra única em avaliação. estariam respondendo às dimensões ético-políticas neste contexto avaliativo. Didatismo e Conhecimento 125 Os conselhos de classe vêm sendo realizados. o privilégio ao passado é evidente. novas formas de relações educativas se constituem a partir da cooperação e não da competição. principalmente. desde que se tenha garantido as melhores .se propondo a deferir uma sentença ao aluno. Deste modo. metodologia. ao fazê-lo. Os momentos do conselho de classe precisam ser repensados pelas escolas e serem utilizados para a ampliação das perspectivas acerca dos diferentes jeitos de ser e de aprender do educando que interage com outros educadores e com outros conhecimentos. as novas medidas em avaliação educacional afetam os sentimentos dos atores envolvidos.Alertamos para o fato de que Hoffman defende que o termo paralelo pressupõe estudos desenvolvidos pelo professor em sua classe e no decorrer natural do processo. As reformas educacionais oriundas de posturas políticas que não devem se sobrepujar aos atos educativos. Para Hoffman. ao contrário. mas dos profissionais que atuam nas escolas. o reforço e a recuperação (nas suas modalidades contínua. a realidade social destes pais. de acordo com suas possibilidades e da promoção da qualidade na escola. sugerir e. ética em seu sentido mais original. Pelo contrário. assumir o que lhes é de responsabilidade. apoiar. mas como instrumento de dominação de uns poucos sobre muitos.

É importante refletir a cada passo. dizendo muito sobre “qualidade”. Se incluir é fundamental e singular. A inclusão nas classes regulares de alunos que necessitam de atendimento especializado. o aluno irá progressivamente compreender e evoluir conceitualmente. criação. convicção de que as incertezas são parte da educação porque esta é fruto de relações humanas. ou em textos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS oportunidades possíveis à aprendizagem e ao desenvolvimento de todos e de cada um. sem interferir no direito de escolha do aprendiz sobre os rumos de sua trajetória de conhecimento. não havendo como delimitar tempos fixos. isto é. sem pressa. Qualidade significa intensidade. Todo o aprendiz está sempre a caminho Constatamos. ajudar. mas aprende ao seu tempo e de forma única e singular. dialogar. Classes numerosas podem dificultar essa aproximação. o que implica desagregar-se do tempo determinado para aprender dado conteúdo.O trabalho em equipe de professores envolve o compromisso de compartilhamento das experiências.Entravam o diálogo entre os professores. abertura e interação. acompanhar. são comuns e o professor precisa compreender que trata-se deuma resposta incorreta. oferece ao aluno condições adequadas de aprendizagem de acordo com suas características. Mediar é aproximar. de avanço em relação a uma fase anterior do aprendizado. porque. principalmente nas séries finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. tanto pelo professor. Para Hoffman. na verdade. favorecendo a abordagem interdisciplinar. vivendo situações problema. sem que haja a preparação do professor no desempenho de seu papel. • pela ocorrência dos encaminhamentos de alunos para classes e escolas especiais por erros na avaliação pedagógica. A dimensão da exclusão de muitos alunos da escola pode ser medida: • pela constatação das práticas reprovativas baseadas em parâmetros de maturidade e de normalidade. tomada de consciência sobre a própria aprendizagem e sobre a própria conduta. suas possibilidades. a padronização dos percursos incorre em sérios prejuízos para os alunos. premidos pelo vestibular. É preciso respeitar seu tempo de aprender e de ser. de uma comunidade. um sério compromisso irá mobilizar a escola brasileira deste século: formar e qualificar profissionais conscientes de sua responsabilidade ética frente à inclusão. desaguam os conteúdos que têm que dar conta.Notas e conceitos classificatórios padronizam o que é diferente. vivendo cada dia o inusitado. no sistema de ensino e na sala de aula. pela superficialidade do acompanhamento. notas e conceitos são superficiais e genéricos em relação à qualidade das tarefas e manifestação dos alunos. no caminho. o tempo é determinado pelo aprendiz e o conteúdo pode ser proposto e explorado de diversas formas. Assim. em certos e errados absolutos. Sobre isso. para ampliar suas possibilidades e favorecer a superação de . É preciso conhecer o aluno enquanto aprendiz.Dessa compreensão decorre o princípio da educação inclusiva: oferecer ao aluno oportunidade máxima de aprendizagem e de inserção social. arbitrariamente. quanto em um ao letivo. perfeição. são inconclusos. Sendo assim. a autora afirma que uma pedagogia diferenciada pode se desenvolver na experiência coletiva da sala de aula. A responsabilidade pelo desenvolvimento da aprendizagem contínua do aluno recai sobre os educadores e sobre a comunidade. Desta forma. às suas dificuldades ou à sua incapacidade.Superficializam e adulteram a visão da progressão das aprendizagens e do seu conjunto tanto em uma única tarefa. em termos de avaliação. despersonalizando as dificuldades de avanços de cada aluno. a responsabilidade pelo fracasso não pode ser atribuída ao aluno. Na última década. são professores e escolas que precisam adequar-se aos alunos e não os alunos que devem adequar-se às escolas e aos professores. pois cada participante do processo pode colaborar com a aprendizagem dos outros. Isso significa encontrar meios para favorecer aprendizagem de todos os alunos.Nesse contexto. quando não se compreende que o processo de aquisição de conhecimentos é não linear e infinito. conhecer para promover e não para julgar e classificar. sua magnitude não pode ser medida em “escalas métricas” ou por recursos de “conversão entre sistema de mensuração”. a ampliação das perspectivas acerca da aprendizagem dos alunos. em condições de igualdade educativa. priva os alunos com necessidades especiais de uma escolaridade digna. que há um conjunto de variações de respostas dos alunos de todo os níveis de ensino. o ensino não está centrado no professor. desde que haja a clareza de que o aluno aprende na relação com os outros. Esta variabilidade de manifestações nos aponta que muitas tentativas de acerto são feitas por meio de ensaios e erros. Outra concepção de tempo em avaliação O tempo é um tema recorrente nas discussões sobre avaliação. enquanto pessoa. A auto-avaliação como processo contínuo A auto-avaliação é um processo contínuo que só se justifica quando se constitui como oportunidade de reflexão.Produzem a ficção de um ensino homogêneo pela impossibilidade de acompanhar a heterogeneidade do grupo.Como tal.O aprendiz é sujeito de sua história. Essas estratégias são desenhadas por meio de respostas que chamamos de erro. mas indicadora de progresso. é necessário valorizar cada passo do processo. Tendo oportunidade de confrontar suas ideias com as dos colegas. É preciso reconhecer que nas práticas atuais. como pela turma. nas aulas frontais.A trajetória a ser percorrida pela avaliação requer diálogo.como no caminho de Santiago. entre professores e alunos e da escola com os pais. fundamentalmente qualitativas. que podem dividir entre si a tarefa de acompanhar mais de perto um grupo de alunos (tutoria). as trajetórias da avaliação se propõem a respeitar os tempos e percursos individuais de formação. negando a relativização desses parâmetros em diferentes condições de aprendizagem. com o qual interage ativa e continuamente. no afã de estarem sempre concluindo caminhos que. pelo caráter somativo que anula o processo. Cada passo é uma grande conquista A autora oferece sugestões e exemplos de oportunidades de aprendizagem que podem ser oferecidas. Avaliação mediadora significa a busca de significado para todas as dimensões do processo por meio de uma investigação séria sobre as características próprias dos aprendizes.Outro problema passa a se constituir aqui.Reforçam o valor mercadológico das aprendizagens e das relações de autoritarismo em sala de aula. interativamente.Privilegiam a classificação e a competição em detrimento da aprendizagem. membro de uma família. escassez de materiais e outras situações apontadas por muitos como justificativa para a má quaDidatismo e Conhecimento 126 lidade do ensino). Os professores do Ensino Médio.Baseiam-se. mesmo em condições limitantes (classes superlotadas.O aprendiz determina o próprio tempo da aprendizagem. profundidade. mas umas das alternativas é justamente o trabalho em equipe por parte dos professores. além de impossível de se determinar a priori: a questão dos conteúdos acadêmicos e do tempo.

ideias. para poder ter acesso às suas dimensões sobre: . supervisor e demais profissionais de suporte pedagógico. delinear o norte. e permanente tensão no ambiente escolar entre os que querem transmitir conhecimentos e os que querem desenvolver práticas sociais”(Perrenoud. atividades que podem ser para todo o grupo. Surge aí o compromisso ético implícito no processo de avaliação mediadora. o aluno é levado a pensar e explicitar suas próprias estratégias de aprendizagem. interesses. Avaliação e mediação De acordo com a autora. avaliar é questionar. O planejamento pedagógico revela múltiplos direcionamentos e está diretamente vinculado ao processo avaliatório. são propostas e/ou negociadas com os alunos (explicações do professor. A intervenção pedagógica deve estar comprometida com a superação de desafios que possam ser enfrentados pelos alunos. cada um a experimenta de uma forma singular. A continuidade da ação pedagógica condiciona-se aos processos vividos. “Entretanto. quais os benefícios ou prejuízos que podem advir desse processo de controle outorgado à escola e aos professores. conforme Vygotsky e Piaget é essencial na construção do conhecimento. enriquecedoras e complementares.Perguntar mais do que responder. A compreensão que o aluno tem de uma dada disciplina interfere em sua aprendizagem em outras disciplinas. no processo de orientação e apoio de colegas. implica em prestar atenção aos seus fundamentos. que constituirão diversos rumos de prolongamento dos temas em estudo. sociais. favorecendo aos alunos oportunidades para objetivação de suas ideias e a consolidação dos conceitos e noções desenvolvidas. responderá a sua maneira). mesmo vivendo a mesma experiência. precisamos construir olhares mais profundos.os registros obtidos. Os conteúdos Cabe ao professor: • atentar às concepções prévias dos alunos e seus modos de expressarem-se sobre elas para poder organizar situações de aprendizagem capazes de envolver esses alunos. de troca de mensagens e de significados. • estar alerta aos desdobramentos dos objetivos traçados inicialmente.Aprender exige engajamento do aprendiz na construção de sentidos o que implica busca de informações pertinentes momentos diversificados de aprendizagem contínua. oferecendo ao aluno múltiplas oportunidades de pensar. Avaliação mediadora é um processo interativo. O plano epistemológico. o que implica em aprendizagens diferentes dentro de um mesmo contexto. a quem se destinam. estratégias. Delineando objetivos.Avaliar segundo esses princípios implica refletir sobre as crenças. . Cada resposta deve suscitar mais perguntas. comprometer-se com seus próprios avanços e dificuldades. e diversificação dos procedimentos de aprendizagem. As múltiplas dimensões do olhar avaliativo Avaliar. avançados e necessidades dos alunos. quais os critérios utilizados. taxionomias intermináveis. tanto por parte dos aprendizes como do próprio professor. de confronto. intenções. até que ponto são claros e transparentes para todas a comunidade (escola.Novas tarefas e/ou atividades são propostas para acompanham o aluno em sua evolução (preferencialmente tarefas avaliativas individuais). Isso 127 resulta em que o trabalho do professor acerca dos conceitos que pretende ensinar consiste em provocar gradativamente os aprendizes. Ao ser solicitado a explicar como chegou a uma dada solução de uma situação. família. os próprios alunos). em pequenos grupos ou específicas para determinados alunos). Cabe ao professor perguntar mais do que responder. Avaliação é controle. interdisciplinaridade e transversalidade são inerentes ao processo educativo. educacionais que fundamentam as tomadas de decisões com base nos processos de avaliação realizados. quais possibilidades e alternativas que pode ser citadas em favor do aprendiz. exigindo alterações qualitativas nas formas registro e tomadas de decisão sobre aprovação. formular perguntas. ampliando sua consciência sobre seu próprio fazer e pensar. quais as condições existentes. dentro de uma visão interdisciplinar.Transformar respostas em novas perguntas. mas pontos de passagem. novos rumos para a continuidade do trabalho educativo. isso reverte o compromisso do profissional do educador: quais os princípios e valores morais. sobre o seu aprender a aprender. No âmbito escolar. o destino essencial das ações educativas precisa ser o compromisso fundamental do educador no processo de avaliação da aprendizagem. Metas e objetivos não se constituem em pontos de chegada absolutos. propor tarefas desafiadoras em processo consecutivo/contínuo. em sua totalidade. .os valores sociais e éticos. Assim: experiências coletivas resultam em construções individuais (cada aluno aprenderá a seu jeito. excessivo fracionamento dos objetivos. em seu tempo. repensar. A finalidade do controle deve ser entendida a favor do aluno e não como obrigação imposta pelo sistema. Isso só tem sentido dentro de uma perspectiva classificatória e seletiva.O mesmo processo se aplica aos próprios professores. uma vez que as decisões metodológicas estabelecem as condições de aprendizagem ampliando ou restringindo o processo de conhecimento. Assim. buscar conhecimentos. articuladas às observações feitas. oferecendo oportunidade para que estabeleçam relações entre conceitos e entre as várias áreas do conhecimento. 2000).as concepções de avaliação.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS dificuldades. que percorrem o caminho conosco. favorecendoos avançar sempre. enfrentando as mesmas dificuldades e provocando-nos a andar mais depressa.o processo de avaliação.A interpretação das respostas dos alunos possibilita ao professor perceber necessidades e interesses individuais de múltiplas dimensões (análise qualitativa).Para Vygotsky a Didatismo e Conhecimento . Novas experiências educativas. engajar-se na solução de problemas. A intervenção pedagógica é determinada pela compreensão dos processos realizados pelo aprendiz em sua relação com o objeto de conhecimento.Avaliar para reprovar não é indicador da qualidade da escola ou do professor. Definir os rumos. este trabalho se dá em um contexto escolar concreto em que”a escola enfrenta muitos limites nesse sentido: behaviorismo. A avaliação contínua significa acompanhamento da construção do conhecimento por parte do aprendiz. . Como um grande iceberg do qual só se percebe os registros. • organizar momentos de estruturação do pensamento.A mediação. Os trajetos de cada aprendiz são únicos. os melhores guias são os próprios peregrinos. obedecem a ritmos e interesses diversos.

termos dos recursos didáticos e termos da expressão do conhecimento. que necessita ser aperfeiçoado. Como mediar o desejo e a necessidade de aprender? Didatismo e Conhecimento 128 O trabalho do professor consiste em: • mediar o desejo e a necessidade de aprender. termos de realização individual. Mediando a expressão do conhecimento. ao fazer algo. pois resulta da ação do aprendiz sobre o objeto de conhecimento e da interação social. refletir sobre seus procedimentos de aprendizagem. a linguagem é a mediação do pensamento. A expressão/construção da “aprendizagem significativa” pode se realizar de múltiplas formas e em diferentes níveis de compreensão. de encontros. • O aluno nem sempre expressa suas dúvidas ou as expressa claramente. só pode ser intuída pelo professor e ajudá-lo ou confundi-lo. O que o aluno já sabe é baseado em elaborações intuitivas sobre dados da realidade.Duas perguntas se tornam essenciais na mediação: Qual a dimensão do envolvimento do aluno com a atividade de aprender? Como ele interage com os outros? As estratégias de aprendizagem. Os processos de educação e de avaliação exigem do professor a postura investigativa durante todo o percurso educativo. sem subestimar. entendido como construção do conhecimento. Atividades diversificadas ou diferenciadas? Diversificar experiências educativas representa alguns princípios importantes em avaliação mediadora: diversificá-las em tempo. tanto por parte do professor como do aluno.A dinâmica do processo avaliativo. O papel do educador ao desencadear processos de aprendizagem é o de mediador da mobilização para aprendê-lo. A análise das concepções prévias dos alunos não pode ser confundida com as condições prévias do aluno. e pode ser reformulada. uma vez que essas atividades são oportunidades de interação em meio ao processo e não pontos de chegada.A avaliação é um processo dinâmico e espiralado que acompanha o processo de construção do conhecimento. consiga questionar e provocar.A avaliação mediadora destina-se a mobilizar. Não há sentido em avaliar tarefas coletivas atribuindo valores individuais ou somar pontos por participação e outras atividades. Conhecer as condições prévias permite planejar tempos de descobertas.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS reconstrução é importante porque. uma vez que “são dúvidas” . chegamos à expressão do conhecimento. criando perguntas mobilizadoras. mas estes necessitam ser redimensionados continuamente ao longo do processo. de diálogos. • mediar as estratégias de aprendizagem no meio de atividades diversificadas e diferenciadas. A investigação de concepções prévias. • Mediar o desenvolvimento de aprendizagens coletivas e de atendimento individual. Mediando a mobilização. refletir sobre si próprio enquanto aprendiz. por meio de diferentes linguagens.A finalidade da avaliação no que se refere à mobilização é de adequar as propostas e as situações às necessidades e possibilidades dos alunos. o conceito de mobilização implica a ideia do movimento. • mediar a expressão do conhecimento ao longo de tarefas gradativas e articuladas. uma vez que o processo de aprendizagem. que o leva a uma interpretação que necessita. . Diferenciar experiências educativas atende aos pressupostos básicos da ação docente: • Aprender sobre o aprender. • A estratégia utilizada pelo aluno.Note-se ainda que a interação social é fundamental. sem desrespeitar. atento. • mediar as experiências educativas. com diversos graus de dificuldades. de interação de trocas. Através mobilização. A dinâmica da avaliação é complexa. sem antecipar respostas prontas. o que nos possibilita mobilizar novas competências adquiridas no processo. em pequenos grupos. em grandes grupos para promover confronto de ideias entre aprendizes e entre estes e o professor. sendo uma interpretação que assume diferentes significados e dimensões ao longo do processo educacional. É preciso que ele seja propositivo. • Reconhecer que o processo de conhecimento é qualitativamente diferente. sem delimitar. é ao mesmo tempo individual e coletivo. para poder fornecer-lhes a aprendizagem significativa. Esses desafios possibilitam a aquisição de competências necessárias aos professores/profissionais reflexivos. levando a refletirem sobre seus entendimentos no diálogo educativo. • Valorizar a heterogeneidade os grupo no processo de formação a diversidade. ao longo do período letivo. Para Vygotsky e Piaget. que devem ser conhecidas em favor do alunos e não para fortalecer pré-conceitos sobre ele. • Posturas afetivas. Conhecer as concepções prévias do aluno favorece o planejamento em termos de pontos de partida. minimizam a pressão exercida pelo questionamento do professor. por meio de diversos recursos didáticos e de diversas formas de expressão do conhecimento. • Ouvir o aluno antes de intervir assegura melhores interpretações sobre suas estratégias. mas não deverá dizê-lo assim suas orientações serão sempre incompletas. diferentes graus de compreensão. exigindo-lhe manter-se flexível. de expressão. Significa oferecer aos aprendizes: experiências necessárias e complementares (diversificadas no tempo). no processo de internalização o aluno atribui sentido à informação criando e recriando significados com o uso e a audição/leitura da língua falada e escrita. tornando-o capaz de pensar sobre seus próprios pensamentos elaborando seus conceitos e reelaborando outros.o professor precisa interpretar perguntas. e no próprio professor. • O professor sabe onde o aluno poderá chegar. articular novas perguntas a um processo contínuo de construção do conhecimento. Mediar a mobilização significa suscitar o envolvimento do aluno no processo de aprendizagem. • Oferecer ajuda específica se discriminar. interagir com os outros. Mediando a experiência educativa. realizamos a experiência educativa. pois nela se dará a aprendizagem.Qual o papel do educador/ avaliador?É o papel de mediador.Para Charlot. graus de dificuldade. nos processos simultâneos de busca informações. Os desafios propostos durante a atividade educativa são observados por Hoffmann: • Nem sempre o que o professor diz ao estudante é entendido como ele gostaria. Mediar as estratégias de aprendizagem significa intervir no processo de aprendizagem provocando no aprendiz. e os possíveis rumos a seguir. de forma individual. em parcerias. nessas intervenções. experiências interativas e oportunidades de expressão do pensamento individual. Mediar as experiências educativas significa acompanhar o aluno em ação-reflexão-ação. ampliada progressivamente. crítico sobre seu planejamento. As condições prévias referem-se a história escolar e de vida de cada aluno. favorecer a experiência educativa e a expressão do conhecimento e a abertura a novas possibilidades por parte do aprendiz. mesmo que as respostas não sejam ainda corretas.

tanto no geral quanto no caso específico da aprendizagem. nem devem ser centrados em cumprimento de tarefas quantitativos ou organização de cadernos e materiais.Os registros não necessitam ser genéricos. Critérios de avaliação podem ser entendidos por orientações didáticas de execução de uma tarefa. não possui uma finalidade em si. trabalhos e outros instrumentos. A avaliação. Ora é o aluno que é levado a fazer os próprios registros. a avaliação mediadora é mais exigente e rigorosa para alunos e professores porque suscita a permanente análise do pensamento em construção. Os registros escolares precisam refletir com clareza os princípios de avaliação mediadora delineados. confiantes em sua perspectiva ética e humanizadora. a reflexão em ação e a reflexão sobre a ação (trocando ideias com outros colegas). ao próprio aluno e a suas famílias uma visão evolutiva do processo. Tarefas gradativas e articuladas. Os registros em avaliação mediadora envolvem desde o uso de instrumentos comumente utilizados. Os instrumentos de avaliação. Quando a autora se refere a instrumentos de avaliação. O que o aluno fala. expressos por ambos. O principio fundamental da expressão do conhecimento: o que ouvimos. a clareza de intenções do professor sobre o uso que fará dos seus resultados. são planejadas tendo como referencia principal a sua finalidade. organização no papel. ela subsidia um curso de ação que visa construir um resultado previamente definido. tendo . a partir de ações do cotidiano. Implica também refletir sobre as condições oferecidas para que tal conjunto de aprendizagem ocorra. escolha de afirmações verdadeiras ou Didatismo e Conhecimento 129 falsas. favorecera tomada de consciência do aluno sobre limites e possibilidades no processo de conhecimento. se aprimora e precisa ser trabalhada. itens de múltipla escolha. trabalhos e todas as formas de expressão do aluno que me permitam acompanhar o seu processo de aprendizagem . está sempre sujeita a ambiguidade. Os limites no diálogo entre professores e alunos devem ser considerados como positivos na busca de sintonia. itens de resposta. portfólios. testes. expressando o seu conhecimento em tarefas. originando significativas práticas de auto-avaliação. da troca de ideias que favoreça a convergência de significados. notas ou conceitos não podem ser consideradas definitivas. indefinições. toda avaliação. as estratégias que utiliza e sua interação com os outros. numa visão mediadora. as quais determinam as estratégias metodológicas de ensino. escreve ou faz não é seu pensamento. para sua superação. tem por finalidade a evolução do aluno em termos de postura reflexiva sobre o que aprende. desde um simples comentário do professor até o uso de instrumentos formais. em avaliação. mas sua expressão. As tarefas avaliativas operam funções de reflexão que possibilitam: • para o professor: elemento de reflexão sobre os conhecimentos expressos pelos alunos x elemento de reflexão sobre o sentido da sua ação pedagógica. etc.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Mediar a expressão do conhecimento implica a reutilização de instrumentos de avaliação como desencadeadores da continuidade da ação pedagógica. A organização de dossiês dos alunos. ao mesmo tempo em que definem a dimensão do diálogo entre alunos e professor. inseguranças e indefinições. desenhos. em termos de procedimento. definirão a dimensão do diálogo entre alunos e professor. mas apenas relativas ao conjunto de aprendizagens ocorridas em um dado período. tais como: provas (objetivas e dissertativas) exercícios. A prática classificatória assumiu “status” de precisão. No caso que nos interessa. sendo necessário. fazendo anotações e outros apontamentos. mas a sua expressão. pois o que verdadeiramente importa é a clareza da tarefa para o aluno e a reflexão do professor sobre a interpretação que será dada as expressões dos alunos em termos de encaminhamentos pedagógicos a serem realizados a seguir. questões combinadas. Para Hoffmann. daí a necessidade do diálogo. inseguranças. A interpretação que o professor faz das expressões do aluno está sempre sujeita a ambiguidades. uma vez que está em processo de aprendizagem. Instrumentos a serviço das metodologias. de acordo com suas necessidades e possibilidades. Respeito às diferentes formas de expressão. Nada. precisamos agir como historiadores. em termos do planejamento e análise. relatórios de avaliação envolve meios de registro de um conjunto de aprendizagem do aluno que permitam ao professor. Critérios de correção de tarefas. que também evolui e se aprimora progressivamente e necessita ser trabalhada.tarefas avaliativas. Isso só ocorre mediante a postura igualmente reflexiva do educador. Instrumentos de avaliação são registros de diferentes naturezas. Registros em avaliação mediadora Se estivermos contando uma história. Mediar a aprendizagem significa. sendo o desempenho do aluno considerado como provisório. definição de sua finalidade. desde sua concepção. registrando e organizando dados da nossa memória. A interpretação dos sentidos. preenchimento de lacunas. a avaliação subsidia decisões a respeito da aprendizagem dos educandos. nem de ordem atitudinal. ora é o professor quem registra o que observou do aluno. compreensão do processo de construção está atrelado às concepções sobre a finalidade de educação. possibilitando ao educando refletir sobre sua apropria aprendizagem. ou vale para todas as situações. muito mais do que embasados em normas de elaboração. Tarefas avaliativas. de todos os alunos. Os instrumentos de avaliação devem respeitar as diferentes formas de expressão do aluno. O significado dos registros para os professores. que também evolui. Nesse sentido. A Avaliação da Aprendizagem Escolar A avaliação da aprendizagem escolar adquire seu sentido na medida em que se articula com um projeto pedagógico e com seu consequente projeto de ensino. Esses instrumentos tornam-se mediadores na medida em que contribuem para entender a evolução do aluno e apontar ao professor novos rumos para sua intervenção pedagógica sempre o mais favorável possível à aprendizagem do aluno. Na perspectiva mediadora. para não cairmos no erro do esquecimento. Uma postura reflexiva do aluno e do professor. etc.. de tal forma que registros classificatórios sejam superados em favor de registros que assumam o caráter de experiências em construção. está falando sobre testes. O processo de avaliação precisa ser coerente com todo o processo de aprendizagem. o que significa muitas tarefas individuais e análise imediata do professor. por seus aspectos formais: número de páginas. vemos ou lemos não é o pensamento do aluno. planejamento de estratégias de intervenção. normas de redação técnica. objetividade e cientificidade. • para o aluno: oportunidade de reorganização e expressão de conhecimentos x elemento de reflexão sobre os conhecimentos construídos e procedimentos de aprendizagem. serve como regra geral.

que cremos serem coerentes e consistentes. um aluno que acertou oito questões obtém nota oito. Neste último caso. compreende e expressa uma realidade empírica concreta. a média é obtida após a conversão dos conceitos em números. a ciência. O nosso esforço. os professores realizam. O conceito é uma formulação abstrata que configura. Por isso. SR = sem rendimento. referentes aos resultados da aprendizagem dos educandos. IN = inferior. que prioriza o desenvolvimento dos educandos . ao longo deste texto. ME (médio) = cinco ou seis acertos. como um “concreto pensado”. é expor os elementos do movimento real na prática escolar. em princípio.a partir de um processo de assimilação ativa do legado cultural já produzido pela sociedade: a filosofia. retirar proveitos para a prática docente. e assim sucessivamente. Isso significa que iremos trabalhar com esses conceitos a partir de suas “determinações” no movimento real da prática escolar com a qual convivemos. A transformação de acertos em conceitos poderia ser feita por uma escala como a que segue: SR (sem rendimento) = nenhum acerto. No caso das notas. com alguma segurança. ao final. é transformado ou em nota. as correspondências entre acertos e notas são simples: cada questão equivale a um décimo da nota máxima. MI = médio inferior. Notas e conceitos. no pensamento. por decisão pessoal ou por norma escolar. deixa-nos aberta a possibilidade de encaminhamentos. escolher um caminho de ação. que ordena. Um exemplo é suficiente para compreender como se dá esse processo. • utilização dos resultados identificados. Por exemplo. no limite do possível. na perspectiva de. Assim. tentando responder à seguinte pergunta: a configuração formada pelos dados da prática escolar. jovens e adultos . basicamente. conforme a decisão. definida e delineada sem um projeto que a articule. Aqui também ocorre a transposição indevida de qualidade para quantidade. obter uma média de conceitos qualitativos. obtendo-se o que seria a média da aprendizagem do educando no bimestre ou no semestre letivo. Inferior. MS = médio superior. • transformação da medida em nota ou conceito. a análise crítica que pretendemos proceder da prática avaliativa. expressam a qualidade que se atribui à aprendizagem do educando. Utilização dos Resultados Com o resultado em mãos. para obter o resultado final de um bimestre ou ano letivo. Regular. e não com os termos verificação e avaliação. tais como: . os encaminhamentos que estaremos fazendo para a prática da avaliação da aprendizagem destinam-se a servir de base para tomadas de decisões no sentido de construir com e nos educandos conhecimentos. teremos sempre presente este fato. Para proceder a essa transformação tem-se estabelecido variadas tabelas de conversão. ou em conceito. não pode ser estudada. os modos de ser e de viver. as determinações de um objeto ou fenômeno. Deste modo. a arte. adquirindo conotação numérica. que serão expostos neste texto. pode-se estabelecer a equivalência entre S e a nota dez. de notas ou conceitos. multiplique as situações e os momentos de aferição do aproveitamento escolar. Se não há uma tabela oficial na escola. através da assimilação ativa do legado cultural da sociedade. o professor tem diversas possibilidades de utilizá-lo. a média é facilitada pelo fato de se estar operando com números. Bom. No contexto do pensamento marxista. tais como SS = superior. objetivo . Importa enfatizar que estaremos trabalhando com os conceitos de verificação e avaliação. cada professor cria a sua.da aprendizagem do educando que. Tendo por base a compreensão exposta neste texto. Para um teste de dez questões. As escalas de conversão poderão ser mais complexas que estas. três procedimentos sucessivos: • medida do aproveitamento escolar. A ciência constitui um instrumento com o qual se trabalha no desvendamento dos objetos e. Caso o professor. No caso deste texto.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS em vista garantir a qualidade do resultado que estamos construindo. MI (médio inferior) = três ou quatro acertos. ganhando conotação verbal. Péssimo. habilidades e hábitos que possibilitem o seu efetivo desenvolvimento. IN (inferior) = um ou dois acertos. acreditando que o esforço científico visa fundamentar a ação humana de forma adequada. a literatura. de tal forma que se torna possível. o conceito equivale a uma categoria explicativa. no caso dos conceitos. Transformação da Medida em Nota ou Conceito Outra conduta do professor no processo de aferição do aproveitamento escolar tem sido a conversão da medida em nota ou conceito. tendo como matriz de abordagem os conceitos de verificação e avaliação. basta fazer uma média simples ou ponderada. que seria dez. “síntese de múltiplas determinações’”. medida sob a forma de acertos ou pontos. o resultado é expresso ou por símbolos alfabéticos.por suposto. por isso. mas sem nenhuma grande dificuldade. A partir daí. ME = médio. abstrair caDidatismo e Conhecimento 130 racterísticas que nos indicarão se os atos de aferição do aproveitamento escolar. A transformação dos resultados medidos em nota ou conceito dá-se através do estabelecimento de uma equivalência simples entre os acertos ou pontos obtidos pelo educando e uma escala. ela nos permite. assumindo que estamos trabalhando no contexto do projeto educativo. são de verificação ou de avaliação. que nos permitirá. praticados pelos professores. tais como Excelente. por sua vez. Tal descrição delimita um quadro empírico. define-se como verificação ou como avaliação? Da resposta que pudermos dar a esta questão. posteriormente. SS (superior) = nove ou dez acertos. ainda que impropriamente. Fenomenologia da Aferição dos Resultados da Aprendizagem Escolar Na prática da aferição do aproveitamento escolar. Com o processo de medida. previamente definida. MS (médio superior) = sete ou oito acertos. entre MS e a nota oito. Muito Bom. Iniciaremos nossa análise pela descrição fenomenológica dessas três condutas dos professores.crianças. em função do instrumento de coleta de dados que constrói ou utiliza. identificando-a com o conceito de verificação ou de avaliação. o professor obtém o resultado . relativos ao tratamento dos resultados da aprendizagem dos alunos. ou por palavras denotativas de qualidade. estaremos retirando consequências para a prática docente. ele se utiliza da média de notas ou conceitos. Para os desvendamentos e proposições sobre a avaliação da aprendizagem. que de símbolos qualitativos se transformam indevidamente em quantitativos. abordaremos a prática da aferição do aproveitamento escolar.

estamos preocupados com a aprovação ou reprovação do educando. tendo em vista a melhoria da nota e. em nossa ação docente. sob a forma de verificação. inteligível. A partir dessa observação. Por isso. pode desejar para si ou para outrem.registrá-lo. produzindo uma configuração do efetivamente aprendido. tendo por base seus aspectos essenciais e. Se os dados obtidos revelarem que o educando se encontra numa situação negativa de aprendizagem e. Neste sentido. do ponto de vista educativo. Uso da Avaliação Em primeiro lugar. e tendo ciência de que o exercício efetivo da avaliação seria mais significativo para a construção dos resultados da aprendizagem do educando. propomos que a avaliação do aproveitamento escolar seja praticada como uma atribuição de qualidade aos resultados da aprendizagem dos educandos. mas sim para “melhorar” a nota do educando e. através da ameaça de reprovação .oferecer ao educando. obtenção. em sã consciência. da forma mais objetiva possível. usualmente tem-se utilizado a primeira e. podemos dizer que a prática educacional brasileira opera na quase totalidade das vezes. A partir dessas observações. Em síntese. no máximo.situação que nenhum de nós. isto é. polarizados pela aprendizagem e desenvolvimento do educando. .e significa “fazer verdadeiro”. A verificação encerra-se no momento em que o objeto ou ato de investigação chega a ser configurado. contudo. à medida que tem servido para desenvolver o ciclo do medo nas crianças e jovens. “vê-se” ou “não se vê” alguma coisa. como objetivo final. Ao contrário. além de não obter as mais significativas consequências para a melhoria do ensino e da aprendizagem. mas sim a nota. Contudo. como verificação. manifesta-se como um ato dinâmico que qualifica e subsidia o reencaminhamento da ação.dos educandos. no mínimo registram-se os dados em cadernetas e. “investigar a verdade de alguma coisa”. usualmente. consequentemente. sob a forma de verificação. a partir de um padrão (nível de expectativa) preestabelecido e admitido como válido pela comunidade dos educadores e especialistas dos conteúdos que estejam sendo trabalhados. Contudo. O processo de verificar configura-se pela observação. por isso. O termo verificar provém etimologicamente do latim . intencionalmente. As entrelinhas do processo descrito no tópico anterior demonstram que.reifica a aprendizagem.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS . para. identificarmos se a fenomenologia da aferição do aproveitamento escolar. psicomotoras .sob a modalidade da verificação. pedindo-lhe que estude para fazer uma segunda aferição. dos resultados que se deseja. caso ele tenha obtido uma nota ou conceito inferior. buscar “ver se algo é isso mesmo”. ainda impõe aos educandos consequências negativas. no máximo. e isso depende mais de uma nota que de uma aprendizagem ativa. Em síntese. tem atravessado a aferição do aproveitamento escolar. a escola brasileira opera com a verificação e não com a avaliação da aprendizagem. possibilitando consequências na direção da construção. esta não tem sido a nossa conduta habitual de educadores escolares. • atribuir uma qualidade a essa configuração da aprendizagem. chama-se a atenção do aluno. algumas indicações que poderão ser estudadas e discutidas na perspectiva de gerar encaminhamentos para a melhor forma de condução possível do ensino escolar. no movimento real da aferição da aprendizagem escolar. neste caso. as observações até aqui desenvolvidas demonstram que a aferição da aprendizagem escolar é utilizada. analisar e sintetizar. A avaliação. por isso. sob a forma de verificação. aprendam aquilo que deveriam aprender. pois exige que estejamos. E nas ocasiões onde se possibilita uma revisão dos conteúdos. análise e síntese dos dados ou informações que delimitam o objeto ou ato com o qual se está trabalhando. de fato. no geral. uma “oportunidade” de melhorar a nota ou conceito.verumfacere . as manifestações das condutas cognitivas. isto é. através da constante “ameaça” da reprovação. construam efetivamente os resultados necessários da aprendizagem. é um desvio. O momento de aferição do aproveitamento escolar não é ponto definitivo de chegada. A Escola Opera Com Verificação e Não Com Avaliação da Aprendizagem Iniciemos pelos conceitos de verificação e avaliação. fazendo dela uma “coisa” e não um processo. . têm sido incapaz de retirar do processo de aferição as consequências mais significativas para a melhoria da qualidade e do nível de aprendizagem dos educandos. a segunda opção. verificação não implica que o sujeito retire dela consequências novas e significativas. a verificação transforma o processo dinâmico da aprendizagem em passos estáticos e definitivos. Didatismo e Conhecimento 131 A dinâmica do ato de verificar encerra-se com a obtenção do dado ou informação que se busca. permitindo que ele faça uma nova aferição. Nesse sentido. E isso. aprová-lo’. consistente. descrita no item anterior. poder-se-á arguir: estudar para melhorar a nota não possibilita uma aprendizagem efetiva? É possível que sim. nesta circunstância. no pensamento abstrato. o professor deverá: • coletar. o conceito verificação emerge das determinações da conduta de. a seguir. o desenvolvimento do educando. para classificar os alunos em aprovados ou reprovados. fugiremos ao aspecto classificatório que. mas para que estude “tendo em vista a melhoria da nota”. sinteticamente. deve-se observar que a orientação. no geral. propomos. Por si. segundo nossa concepção. Com isso. ao avaliar. em si. não é para proceder a uma aprendizagem ainda não realizada ou ao aprofundamento de determinada aprendizagem. importa observar que o que está motivando e polarizando a ação não é a aprendizagem necessária. tem-se utilizado o processo de aferição da aprendizagem de uma forma negativa. no Diário de Classe ou Caderneta de Alunos. o atual processo de aferir a aprendizagem escolar. nos deparamos com a prática escolar da verificação e não da avaliação. afetivas. neste segmento do texto. possui uma nota ou um conceito de reprovação. não é para que o educando estude a fim de aprender melhor. simplesmente. a efetiva aprendizagem seria o centro de todas as atividades do educador. na quase totalidade das vezes. como a de viver sob a égide do medo. mas um momento de parar para observar se a caminhada está ocorrendo com a qualidade que deveria ter. ao contrário. . A terceira opção possível de utilização dos resultados da aprendizagem é a mais rara na escola.atentar para as dificuldades e desvios da aprendizagem dos educandos e decidir trabalhar com eles para que. no momento em que se chega à conclusão que tal objeto ou ato possui determinada configuração. se configura como verificação ou avaliação. O modo de trabalhar com os resultados da aprendizagem escolar . uma tomada de decisão que direcione o aprendizado e. Diante do fato de que.

II – liberdade de aprender. todavia. tanto do ponto de vista financeiro quanto do pedagógico. mas em nenhum momento se faz menção ao direito à greve ou sua estruturação. assim como normalmente os alunos e seus pais. A nossa prática educativa se expressa mais ou menos da seguinte forma: “Ensinamos. a)Todas estão corretas. Parece um contra senso essa afirmação. a arte e o saber. ensinar. os alunos não aprenderam e estamos interessados que aprendam. Estar interessado que o Educando Aprenda e Desenvolva: A prática da avaliação da aprendizagem. hoje. o que é que vamos fazer”? De fato. a LDB. 1º da lei nº 9.(PI 2006 – PEDAGOGO) – Não é função do ensino: a)Organizar os conteúdos de uma área do saber. estamos interessados na aprovação ou reprovação dos educandos nas séries escolares. só será possível na medida em que se estiver efetivamente interessado na aprendizagem do educando. se ensinamos. 4)(Prefeitura Municipal de Sorocaba/SP-2001) .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS • a partir dessa qualificação. não poderíamos deixar de menciona-la. há que se estar interessado em que o educando aprenda aquilo que está sendo ensinado. 3. pesquisar e divulgar o pensamento. A resposta a ser assinalada é a alternativa C. mas os alunos não aprenderam. b)Apenas uma está correta. QUESTÕES Alguns exercícios 1.o encaminhamento dos educandos para passos subsequentes da aprendizagem. 2. que esteja sendo ensinado e aprendido. A resposta correta é A. a verificação. na medida em que podemos pensar que quem está trabalhando nó ensino está interessado em que os educandos aprendam. Sem esta perspectiva dinâmica de aprendizagem para o desenvolvimento. O sistema social não demonstra estar tão interessado em que o educando aprenda a partir do momento que investe pouco na Educação. Assim. na efetiva aprendizagem do educando. a segunda. d)Três estão corretas. porém. d)Estabelecer juízos sobre o desempenho dos estudantes. mas sim contribuir para que ele evolua no processo. e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino. estática. o objetivo primeiro da aferição do aproveitamento escolar não será a aprovação ou reprovação do educando. II. c)nas manifestações grevistas. e)Estimular as potencialidades dos estudantes. a verificação é uma configuração dos resultados parciais ou finais. que se manifestem em prol do desenvolvimento do educando. b)Assegurar o desenvolvimento das capacidades dos estudantes. e)Todas estão erradas. exceto: a)na vida familiar. em seu sentido pleno. tendo em vista: .a reorientação imediata da aprendizagem. habilidade ou hábito. habilidades e hábitos e não uma média mínima de notas. não é o que ocorre. c)Duas estão corretas. . c)Transmitir conhecimento e informação. III – pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas. Todavia. Padrão Mínimo de Conduta: Para que se utilize corretamente a avaliação no processo ensino-aprendizagem. b)na convivência humana. No caso da avaliação da aprendizagem. caso sua qualidade se mostre insatisfatória e o conteúdo. ou a sua reorientação.Segundo disposição expressa no art. o ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I – igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola.394/1996. um padrão mínimo de conhecimentos. no contexto escolar. desde que ela só dimensione o fenômeno sem encaminhar decisões. ou seja. professores. habilidades e hábitos que o educando deverá adquirir. caso se considere que. Os dados estatísticos educacionais estão aí para demonstrar o pequeno investimento. A avaliação só pode funcionar efetivamente num trabalho educativo com estas características. pois os itens I. há que se investir na construção dos resultados desejados. estamos pouco atentos ao seu efetivo desenvolvimento. se ele não tiver sido satisfatório. A primeira é dinâmica. há que se ensinar até que aprendam. sim. III e IV apresentam satisfatoriamente princípios pertinentes aos propósitos educacionais previstos na LDB e na Constituição Federal. Rigor Científico e Metodológico: Para que a avaliação se tome um instrumento subsidiário significativo da prática educativa. tomar uma decisão sobre as condutas docentes e discentes a serem seguidas. mas o direcionamento da aprendizagem e seu consequente desenvolvimento. importa estabelecer um padrão mínimo de conhecimentos. pois sem ela a avaliação não alcançará seu papel significativo na produção de um ensino-aprendizagem satisfatório. Nós. pois não é papel do educador estabelecer juízos sobre o desempenho dos estudantes. A avaliação implica a retomada do curso de ação. Resposta D. atingiram um nível da satisfatoriedade no que estava sendo trabalhado.Segundo disposição constitucional vigente. como ocorre hoje na prática escolar. e)nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil. os processos formativos educacionais nela descritos abrangem os que se desenvolvem. d)nas instituições de ensino e pesquisa. é importante que tanto a prática educativa como a avaliação sejam conduzidas com um determinado rigor científico e técnico.A gratuidade do ensino fundamental em estabelecimentos oficiais de ensino é garantida constitucionalmente a alunos de: . A avaliação é um diagnóstico da qualidade dos resultados intermediários ou finais. caso esteja se desviando. terá espaço. A ciência pedagógica. Não caberia tratar desta questão neste texto. qualitativamente. a avaliação não terá espaço. pois todos os demais processos estão previstos no 1º Artigo da LDB. IV – gratuidade do ensino público. está suficientemente amadurecida para oferecer subsídios à condução de uma prática educativa capaz de Didatismo e Conhecimento 132 levar ã construção de resultados significativos da aprendizagem. vale lembrar o baixo investimento pedagógico. seja efetivamente essencial para a formação do educando.

entre professores e alunos e entre diferentes membros da comunidade escolar. (D) gestão democrática do ensino público. IV . 11 – A respeito dos Temas Transversais. II .as instituições de educação superior criadas e mantidas pela iniciativa privada. pois o ensino fundamental deve ser garantido em qualquer idade a todos e de maneira gratuita. IV . c)Pelo ensino fundamental e ensino médio apenas. podem ser trabalhados com o objetivo de desenvolver nos alunos uma postura de respeito às diferenças.envolvimento de todos que fazem parte direta ou indiretamente no processo educacional.compartilhamento na solução de problemas e nas tomadas de decisão do diretor escolar.º 9. 5 . conforme salienta o Artigo 16 da LDB.(Prefeitura Municipal de Sorocaba/SP-2001) . identifique aquele que se concretiza mais diretamente nas atividades do professor. implicam a necessidade de um trabalho sistemático e contínuo no decorrer de toda a escolaridade. de acordo com os PCNs. apenas. 9– Ao concebermos a aprendizagem como a sucessão de aquisições constantes e dependentes da oportunidade que o meio oferece ao educando. compreensão e autonomia. (C) I e II. na forma dessa Lei. (C) representação e da experimentação. II e III. o que possibilitará um tratamento cada vez mais aprofundado das questões eleitas. (E) garantia da obtenção de qualquer formação mínima para o exercício da cidadania. IV e V. d)Pela educação infantil apenas. (B) imaturidade. b)Pela educação infantil e ensino fundamental apenas.obedecendo ao princípio da participação dos profissionaisno projeto pedagógico. a Educação Básica é composta pela Educação Infantil e Ensinos Fundamental e Médio. monitoramento e avaliação dos resultados. (E) coexistência de instituições públicas e privadas de ensino. (C) valorização do profissional da educação escolar. (D) o horário escolar. 10 – Dos princípios de ensino estabelecidos na Lei Federal n.implementação. (B) elevação global da escolarização dos educandos. 6 . Estão corretas as afirmativas: (A) I. III .as instituições de educação superior mantidas pelo Poder Público estadual a)Uma está correta.Julgue os itens a seguir e assinale a opção correta: O Sistema Federal de ensino compreende: I . (C) II. e que continuem sendo tratados cada vez com maiores possibilidades de reflexão. (B) a mídia. (B) gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais. o trabalho e as práticas sociais. (B) I. III . nos termos do art. Alternativa A. apenas. (C) a valorização das diferenças individuais entre os alunos. (E) a qualidade do educando na totalidade. c)Três estão corretas. Alternativa B. II . assumimos um compromisso com: (A) o espaço físico de que o professor dispõe para trabalhar.394/96. (E) imposição. (D) coerção. Está correto o contido em (A) I. V .os órgãos federais de educação. apenas. 12 – O trabalho realizado de forma conjunta pela coordenação e pela orientação pedagógica visa a atingir as seguintes finalidades educacionais. (D) democratização da gestão. ou seja. 21 da LDB. na sala de aula.as instituições de ensino mantidas pela União. apenas.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS a)Até 14 anos. (B) II. desde o início da escolaridade. da cultura e do afeto pela via da: 133 (A) família. 7 – Por gestão participativa entende-se: I . b)Duas estão corretas. As demais estão incompletas. nos estabelecimentos oficiais. II.visão de conjunto associada a uma posição hierárquica. (A) vinculação entre a educação escolar. d)Todas estão corretas. e)Todas estão erradas.estabelecimento de objetivos claros e democráticos. III. b)Qualquer idade. d)Até 18 anos. permeiam necessariamente toda a prática educativa que abarca relações entre os alunos. é formada: a)Pela educação infantil. c)Até 16 anos. Didatismo e Conhecimento . (D) I. e)Até 21 anos. III e V. EXCETO: (A) melhoria da qualidade de ensino em todos os níveis. (E) II. A criança que brinca entra no mundo do trabalho. II e III. (C) acesso e permanência dos educandos nas escolas. e)Pelo ensino fundamental apenas. (D) II e III. pode-se afirmar que I. Resposta C. ensino fundamental e ensino médio.A Educação Básica. 8 – O brincar fornece à criança a possibilidade de construir uma identidade autônoma e criativa. relacionados a seguir. (E) I. IV e V. III e IV.

da pré-escola e da creche com os sistemas de ensino fundamental e médio das redes municipais e estaduais. educação de populações indígenas. D ANOTAÇÕES ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— 134 ANOTAÇÕES ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— Didatismo e Conhecimento . (E) a compreensão das relações sociais e a valorização do processo educativo-pedagógico. formação técnico-profissional e educação à distância.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 13 – O empenho em conceituar a educação de forma ampla. Essa função socializadora remete a dois aspectos: (A) a Inter socialização entre diferentes grupos e a aquisição de conhecimentos científicos. E 8. (C) a capacidade de crítica e o desenvolvimento de técnicas. C 13. C 12. (B) a compreensão do mundo acadêmico e integração entre os sujeitos aprendentes. buscando o caminho para a construção de uma escola comum. A 14. assim como a tentativa de articular a variada gama de iniciativas educacionais. a educação infantil e o ensino fundamental com as estratégias de atendimento a população infanto-juvenil. extensa a todo o território nacional. tem o compromisso de intervir efetivamente para promover o desenvolvimento e a socialização de seus alunos. (D) o desenvolvimento individual e o contexto social e cultural. 14 – A escola. B 10. (D) a desvinculação da educação infantil. pode ser considerado um avanço no esforço para superar: (A) a falta de articulação entre a educação regular. (C) a ruptura entre a educação básica e o ensino superior. B 11. prioridades e objetivos com vistas à elaboração de uma política pública que atenda ao território brasileiro. incorporadas em forma de legislação. GABARITO 7. educação especial. E 9. por ser uma instituição social com propósito explicitamente educativo. (B) o abandono da educação de jovens e adultos trabalhadores. (E) as divergências entre a Secretarias de Educação e o Conselho Nacional de Educação visando a redefinição de diretrizes.

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