CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
1 LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL: LEI Nº 9.394/96 E SUAS ALTERAÇÕES.
TÍTULO I Da Educação Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. § 1º Esta Lei disciplina a educação escolar, que se desenvolve, predominantemente, por meio do ensino, em instituições próprias. § 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social. Destaca-se que a lei possui abrangência somente nos ambientes escolares, sendo que processos educacionais são muito mais amplos e também podem ocorrer em outros espaços e situações. TÍTULO II Dos Princípios e Fins da Educação Nacional Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; IV - respeito à liberdade e apreço à tolerância; V - coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; VI - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; VII - valorização do profissional da educação escolar; VIII - gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino; IX - garantia de padrão de qualidade; X - valorização da experiência extraescolar; XI - vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais. Todos os aspectos mencionados neste artigo são de extrema importância, visto que abordam os princípios democráticos previstos e inspirados pela Constituição promulgada em 1988, na qual se valorizam a criticidade, a participação popular, o envolvimento coletivo, o pluralismo de ideias entre outros aspectos. TÍTULO III Do Direito à Educação e do Dever de Educar Art. 4º O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de:
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LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, popularmente conhecida pela sigla LDB, define e regulariza o sistema de educação  brasileiro  baseado em princípios constitucionais. A primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional foi criada no ano de 1961, sendo posteriormente substituída por uma nova versão, já em 1971. A mais recente, e também atual, foi promulgada no ano de 1996. Em 1988, com a promulgação da Nova Constituição da República Federativa do Brasil, a versão anterior da LDB foi considerada obsoleta, carecendo de uma interpretação mais atualizada e atenta aos novos desafios educacionais do país. No entanto, esta aprovação aconteceu somente após oito anos da nova constituição, ou seja, em 1996. O texto aprovado em 1996 é fruto de um longo debate, pautado na existência de duas propostas distintas, quais sejam: a primeira, popularmente conhecida como Projeto Jorge Hage, sendo resultado de uma série de debates abertos com a sociedade, organizados pelo  Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública, apresentado na  Câmara dos Deputados; já a segunda foi elaborada pelos então senadores  Darcy Ribeiro,  Marco Maciel  e  Maurício Correa, sendo esta em articulação com o poder executivo através do MEC. Destaca-se que a principal divergência entre as duas versões era em razão do papel do Estado. O Projeto Jorge Hage apresentava uma grande preocupação com mecanismos de controle social do sistema de ensino; Já a segunda visava uma estrutura de poder mais centrada nas mãos do  governo. Ao final, prevaleceram majoritariamente as ideias da segunda proposta, encabeçadas pelo educador e então Senador Darcy Ribeiro. De antemão, antes da análise de alguns artigos, torna-se importante o apontamento de alguns aspectos principais relacionados à Lei 9394/96. A Lei foi promulgada no ano de 1996, mais precisamente no dia 20 de dezembro, sob o mandato do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Darcy Ribeiro foi o relator da lei 9394/96. Paulo Renato de Souza era o Ministro da Educação. A Nova LDB pressupõe a Gestão democrática do ensino público e progressiva autonomia pedagógica e administrativa das unidades escolares, aspectos previstos nos artigos 3 e 15. Na sequência segue a LDB na íntegra, acompanhada de alguns comentários dos aspectos mais relevantes. LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Didatismo e Conhecimento

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS I . de modo a assegurar formação básica comum. independentemente da escolarização anterior.estabelecer. II . acionar o Poder Público para exigi-lo. Ainda. § 2º Os sistemas de ensino terão liberdade de organização nos termos desta Lei.atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais. § 1º Caberá à União a coordenação da política nacional de educação. Art. de 2005) Esta informação é bastante observada em concursos. IX . torna-se importante perceber que as responsabilidade ora são específicas e ora são compartilhadas. 7º O ensino é livre à iniciativa privada. preferencialmente na rede regular. o Poder Público criará formas alternativas de acesso aos diferentes níveis de ensino.universalização do ensino médio gratuito. V . o Poder Público assegurará em primeiro lugar o acesso ao ensino obrigatório. preferencialmente na rede regular de ensino. Art. merece destaque vários aspectos.ensino fundamental. definidos como a variedade e quantidade mínimas. seja para os alunos em idade escolar. Art. poderá ela ser imputada por crime de responsabilidade. Art. II . sendo os pais os responsáveis sujeitos a penalidades se não a fizerem. articulando os diferentes níveis e sistemas e exercendo função normativa. entidade de classe ou outra legalmente constituída. na hipótese do § 2º do art. VI . da pesquisa e da criação artística. inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria. VII .prestar assistência técnica e financeira aos Estados. organização sindical.oferta de ensino noturno regular. competências e diretrizes para a educação infantil. § 1º Compete aos Estados e aos Municípios. VIII . o Distrito Federal e os Municípios organizarão. Art. neste artigo. . como o EJA adequando às necessidades e disponibilidades dos discentes e creches e préescolas gratuitamente a todas as crianças de zero a seis anos. por aluno. II . e os jovens e adultos que a ele não tiveram acesso.padrões mínimos de qualidade de ensino. IV . 208 da Constituição Federal. como o papel do Estado em garantir a todos o ensino fundamental. nos termos deste artigo. de 2009) III .700. obrigatório e gratuito. os Estados.organizar. III . ao Distrito Federal e aos Municípios para o desenvolvimento de seus sistemas de ensino e o atendimento prioritário à escolaridade obrigatória. também é papel do estado o atendimento de alunos com necessidades especiais. Ademais. os respectivos sistemas de ensino. ou seja. seja para aqueles que não tiveram acesso em idade própria. merece destaque o processo de universalização do ensino médio.zelar. no ensino fundamental. (Incluído pela Lei nº 11. com características e modalidades adequadas às suas necessidades e disponibilidades. 5º O acesso ao ensino fundamental é direito público subjetivo. e. no ensino fundamental público. outros direitos merecem destaque. IV . Didatismo e Conhecimento 2 § 3º Qualquer das partes mencionadas no caput deste artigo tem legitimidade para peticionar no Poder Judiciário. redistributiva e supletiva em relação às demais instâncias educacionais.atendimento gratuito em creches e pré-escolas às crianças de zero a seis anos de idade. o Ministério Público. (Redação dada pela Lei nº 12.acesso aos níveis mais elevados do ensino. a partir dos seis anos de idade. por meio de programas suplementares de material didático-escolar. podendo qualquer cidadão. ressalvado o previsto no art. em regime de colaboração. o ensino fundamental e o ensino médio. Também. ainda. II . transporte. em colaboração com os Estados. e com a assistência da União: I . associação comunitária. manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais do sistema federal de ensino e o dos Territórios. § 4º Comprovada a negligência da autoridade competente para garantir o oferecimento do ensino obrigatório. pela freqüência à escola.recensear a população em idade escolar para o ensino fundamental. a obrigatoriedade de matrícula dos menores a partir dos seis anos. Por fim. § 5º Para garantir o cumprimento da obrigatoriedade de ensino.cumprimento das normas gerais da educação nacional e do respectivo sistema de ensino. 213 da Constituição Federal. segundo a capacidade de cada um. em colaboração com os Estados.fazer-lhes a chamada pública. de insumos indispensáveis ao desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem. junto aos pais ou responsáveis. Inegavelmente. X – vaga na escola pública de educação infantil ou de ensino fundamental mais próxima de sua residência a toda criança a partir do dia em que completar 4 (quatro) anos de idade. § 2º Em todas as esferas administrativas. adequado às condições do educando. III .capacidade de autofinanciamento. 8º A União. grupo de cidadãos. III . 9º A União incumbir-se-á de: (Regulamento) I .061. 6o É dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula dos menores. o Distrito Federal e os Municípios. (Redação dada pela Lei nº 11. sendo gratuita e de rito sumário a ação judicial correspondente.elaborar o Plano Nacional de Educação.atendimento ao educando.114. garantindo-se aos que forem trabalhadores as condições de acesso e permanência na escola. exercendo sua função redistributiva e supletiva. o Distrito Federal e os Municípios. contemplando em seguida os demais níveis e modalidades de ensino. em regime de colaboração. atendidas as seguintes condições: I . de maneira gratuita.autorização de funcionamento e avaliação de qualidade pelo Poder Público.oferta de educação escolar regular para jovens e adultos. TÍTULO IV Da Organização da Educação Nacional Nos próximos artigos. alimentação e assistência à saúde. conforme as prioridades constitucionais e legais. também é papel do estado ofertar ensino noturno com as mesmas condições do ensino diurno. que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos. de 2008).

(Redação dada pela Lei nº 12. sendo. VIII . com prioridade. IV . respectivamente. V . Os estabelecimentos de ensino. de 2009) VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município. o ensino fundamental. Art.assegurar o ensino fundamental e oferecer. permitida a atuação em outros níveis de ensino somente quando estiverem atendidas plenamente as necessidades de sua área de competência e com recursos acima dos percentuais mínimos vinculados pela Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento do ensino. A seguir.(Incluído pela Lei nº 10. possui no processo. todas importantes para o entendimento das reais atribuições que cada escola. VI . § 3º As atribuições constantes do inciso IX poderão ser delegadas aos Estados e ao Distrito Federal. respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino. baixar normas.baixar normas complementares para o seu sistema de ensino.coletar.oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas. transporte de alunos da rede municipal. os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino. os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino. V .elaborar e executar políticas e planos educacionais. Os Estados incumbir-se-ão de: I . prestar assistência técnica e financeira. credenciar e supervisionar os estabelecimentos do seu sistema de ensino. III . IV . 10. transporte (rede estadual).administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros. analisar e disseminar informações sobre a educação. credenciar.709. integrando e coordenando as suas ações e as dos seus Municípios. supervisionar e avaliar (ensino superior) – esta função também pode ser delegada ao estado. II .287.baixar normas complementares para o seu sistema de ensino. V . se for o caso.assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar no ensino fundamental. Em resumo. bem como sobre a execução da proposta pedagógica da escola. o ensino médio a todos que o de andarem.2003) Parágrafo único. formas de colaboração na oferta do ensino fundamental. com funções normativas e de supervisão e atividade permanente. os responsáveis legais.baixar normas gerais sobre cursos de graduação e pós-graduação. de acordo com a população a ser atendida e os recursos financeiros disponíveis em cada uma dessas esferas do Poder Público. assegurar o ensino fundamental. (Incluído pela Lei nº 10. haverá um Conselho Nacional de Educação.elaborar e executar sua proposta pedagógica. sem exceções. ainda. de 31. VII .assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas. manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino. II . supervisionar e avaliar. em consonância com as diretrizes e planos nacionais de educação. § 1º Na estrutura educacional. VI . respeitado o disposto no art. estabelecer competências e diretrizes (nortear currículos).prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento. Ao Distrito Federal aplicar-se-ão as competências referentes aos Estados e aos Municípios. (Incluído pela Lei nº 10. Art.exercer ação redistributiva em relação às suas escolas. Art. respectivamente. de 2001) . Os Municípios incumbir-se-ão de: I . criando processos de integração da sociedade com a escola. cabe aos Estados e ao Distrito Federal Manter suas instituições oficiais. III . e. baixar normas (graduação e pós-graduação). desde que mantenham instituições de educação superior. reconhecer. a União terá acesso a todos os dados e informações necessários de todos os estabelecimentos e órgãos educacionais.709. manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino. de 2009) VII . § 2° Para o cumprimento do disposto nos incisos V a IX. terão a incumbência de: I . com os Municípios. parceria com os municípios para a oferta de ensino fundamental. serão apresentadas todas as obrigações das unidades de ensino. VI . integrando-os às políticas e planos educacionais da União e dos Estados. com prioridade. III . objetivando a definição de prioridades e a melhoria da qualidade do ensino.organizar. cabe aos municípios manter instituições oficiais. independente do nível ou modalidade. baixar normas complementares. cabe à União elaborar o Plano Nacional de Educação. Em resumo.autorizar. sobre a frequência e rendimento dos alunos. possibilidade de atuar em outros níveis de ensino. Os Municípios poderão optar. reconhecer. VI .assegurar processo nacional de avaliação das instituições de educação superior. supervisionar seus estabelecimentos. ao juiz competente da Comarca e ao respectivo representante do Ministério Público a relação dos alunos que apresentem quantidade de faltas acima de cinquenta por cento do percentual permitido em lei. criado por lei.articular-se com as famílias e a comunidade. oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas e. autorizar. credenciar.assumir o transporte escolar dos alunos da rede municipal. 11. supervisionar e avaliar.definir. 12. elaborar e aplicar processos nacionais de avaliação. II .061. IV .organizar. por se integrar ao sistema estadual de ensino ou compor com ele um sistema único de educação básica. e.2003) Parágrafo único. com prioridade. conviventes ou não com seus filhos.7. de 31. reconhecer. o ensino fundamental. em colaboração com os sistemas de ensino.informar pai e mãe.autorizar. 38 desta Lei. Didatismo e Conhecimento 3 Em resumo. VII .7.autorizar. com a cooperação dos sistemas que tiverem responsabilidade sobre este nível de ensino.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS V . médio e superior. IX .assumir o transporte escolar dos alunos da rede estadual. credenciar. (Redação dada pela Lei nº 12.velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente. as quais devem assegurar a distribuição proporcional das responsabilidades.013.

no Artigo 14. serão apresentados a composição de cada um dos sistemas de ensino. 19. presente no art.educação básica. Art. as instituições de educação infantil. Art. II .zelar pela aprendizagem dos alunos. IV . assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. 21.educação superior. criadas e mantidas pela iniciativa privada. pelo Poder Público estadual e pelo Distrito Federal. observadas as normas gerais de direito financeiro público. de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: I . Art. Ainda na sequência. IV .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS No artigo anterior foram apresentadas as atribuições das unidades de ensino.colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade. médio e de educação infantil mantidas pelo Poder Público municipal. II . Art. Agora. ensino fundamental e ensino médio. . 13. Os docentes incumbir-se-ão de: I . A educação escolar compõe-se de: I . inclusive cooperativas educacionais. Art. assim entendidas as que são instituídas e mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas de direito privado que não apresentem as características dos incisos abaixo. Art. VI .ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos. V . à avaliação e ao desenvolvimento profissional. Tratamse de temas bastante observados em concursos públicos que abordam temas da LDB. mais uma vez a presença do termo democrática. Percebe-se. No Distrito Federal. III – os órgãos municipais de educação. Na sequência. integram seu sistema de ensino. Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira. respectivamente. de 2009) III . Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica. As instituições de ensino dos diferentes níveis classificam-se nas seguintes categorias administrativas: (Regulamento) I .as instituições de ensino mantidas. 16. Portanto. III .os órgãos de educação estaduais e do Distrito Federal. 19. Art.participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola.particulares em sentido estrito. 17.as instituições de ensino mantidas pela União. TÍTULO V Dos Níveis e das Modalidades de Educação e Ensino CAPÍTULO I Da Composição dos Níveis Escolares Os níveis escolares apresentados na sequência não carecem de maiores comentários. Art. também merece destaque a separação em duas categorias administrativas (Públicas e Privadas).as instituições de educação infantil criadas e mantidas pela iniciativa privada. todas também extremamente importantes. na forma da lei.filantrópicas. 18. III . III . Os sistemas de ensino dos Estados e do Distrito Federal compreendem: I . amplamente difundido na nova LDB.020. ou seja. CAPÍTULO II DA EDUCAÇÃO BÁSICA Seção I Das Disposições Gerais Art.as instituições de educação superior mantidas pelo Poder Público municipal. o estadual/distrital e o municipal.participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino. segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino. II . A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando. mantidas e administradas pelo Poder Público.elaborar e cumprir plano de trabalho. Art. assim entendidas as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas. assim entendidas as mantidas e administradas por pessoas físicas ou jurídicas de direito privado. (Redação dada pela Lei nº 12.as instituições de educação superior criadas e mantidas pela iniciativa privada. que incluam na sua entidade mantenedora representantes da comunidade. assim entendidas as criadas ou incorporadas. II . além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento. II . 20. 14.públicas. II . II . respectivamente. o que está em pauta são as atividades incumbidas aos docentes. 22.estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento.as instituições do ensino fundamental. O sistema federal de ensino compreende: I .comunitárias. Os sistemas municipais de ensino compreendem: I .os órgãos federais de educação. 15.as instituições de ensino fundamental e médio criadas e mantidas pela iniciativa privada. IV . o federal. saber identificar os itens pertinentes a cada sistema é extremamente importante. formada pela educação infantil.privadas. As instituições privadas de ensino se enquadrarão nas seguintes categorias: (Regulamento) I .confessionais. assim entendidas as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas que atendem a orientação confessional e ideologia específicas e ao disposto no inciso anterior. Didatismo e Conhecimento 4 Parágrafo único. II . temas estes bastante recorrentes em concursos ligados à LDB. pois são de fácil interpretação. sem fins lucrativos.participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art.12.a carga horária mínima anual será de oitocentas horas. artes. estiver obrigado à prática da educação física.12. de 2008) § 7o Os currículos do ensino fundamental e médio devem incluir os princípios da proteção e defesa civil e a educação ambiental de forma integrada aos conteúdos obrigatórios.793. de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos. sem com isso reduzir o número de horas letivas previsto nesta Lei. 26.2003) II – maior de trinta anos de idade.2003) V – (VETADO)(Incluído pela Lei nº 10. e) obrigatoriedade de estudos de recuperação. sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar. desde que preservada a sequência do currículo. (Incluído pela Lei nº 10.poderão organizar-se classes.769.a classificação em qualquer série ou etapa. na própria escola. (Incluído pela Lei nº 10. Art. com as especificações cabíveis. § 2o O ensino da arte. de 1º. especialmente das matrizes indígena. obrigatoriamente. conforme o disposto no seu regimento e nas normas do respectivo sistema de ensino. dentro das possibilidades da instituição.793. a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos. cuja escolha ficará a cargo da comunidade escolar.12. ou por forma diversa de organização. (Redação dada pela Lei nº 12. da cultura. Cabe ao respectivo sistema de ensino. para alunos que cursaram. a ser complementada. que defina o grau de desenvolvimento e experiência do candidato e permita sua inscrição na série ou etapa adequada. do componente curricular de que trata o § 2o deste artigo. quando houver. (Incluído pela Lei nº 10.12. sendo sua prática facultativa ao aluno: (Redação dada pela Lei nº 10. § 2º O calendário escolar deverá adequar-se às peculiaridades locais. com aproveitamento. obrigatoriamente. excluído o tempo reservado aos exames finais. especialmente em suas expressões regionais. A educação básica. c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado.12. o regimento escolar pode admitir formas de progressão parcial. com níveis equivalentes de adiantamento na matéria. a série ou fase anterior.12. (Incluído pela Lei nº 11. de 21 de outubro de 1969. de 1º. A educação básica poderá organizar-se em séries anuais. para candidatos procedentes de outras escolas. para os casos de baixo rendimento escolar. exigida pelas características regionais e locais da sociedade. de 2012) . c) independentemente de escolarização anterior. exceto a primeira do ensino fundamental. da economia e da clientela. com alunos de séries distintas. (Incluído pela Lei nº 12. exigida a frequência mínima de setenta e cinco por cento do total de horas letivas para aprovação. b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar. em situação similar. conforme regulamentação do respectivo sistema de ensino. Art. Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum. distribuídas por um mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar. mediante avaliação feita pela escola. especialmente do Brasil. de 1º.nos estabelecimentos que adotam a progressão regular por série. o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política. declarações de conclusão de série e diplomas ou certificados de conclusão de cursos. ou outros componentes curriculares.793.044. a partir da quinta série. de 2010) § 3o A educação física. períodos semestrais. em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar. 23. com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais. por uma parte diversificada. de 1º. a carga horária e as condições materiais do estabelecimento. de 1º. integrada à proposta pedagógica da escola. b) por transferência. (Incluído pela Lei nº 10. III .287. africana e europeia. a critério do respectivo sistema de ensino.793. grupos não-seriados. mas não exclusivo. o ensino de pelo menos uma língua estrangeira moderna. inclusive quando se tratar de transferências entre estabelecimentos situados no País e no exterior. Art. Didatismo e Conhecimento 5 VII . tendo como base as normas curriculares gerais.12. com base na idade.608.2003) I – que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a seis horas.2003) III – que estiver prestando serviço militar inicial ou que. VI . ciclos. de preferência paralelos ao período letivo. Será objetivo permanente das autoridades responsáveis alcançar relação adequada entre o número de alunos e o professor. 24. inclusive climáticas e econômicas. d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito. § 1º Os currículos a que se refere o caput devem abranger. ou turmas.cabe a cada instituição de ensino expedir históricos escolares. § 6o A música deverá ser conteúdo obrigatório. nos níveis fundamental e médio. de 1º. para o ensino de línguas estrangeiras. (Incluído pela Lei nº 10. 25. II .o controle de frequência fica a cargo da escola.2003) VI – que tenha prole. à vista das condições disponíveis e das características regionais e locais.2003) IV – amparado pelo Decreto-Lei no 1.793. V . pode ser feita: a) por promoção. será organizada de acordo com as seguintes regras comuns: I . Parágrafo único. § 5º Na parte diversificada do currículo será incluído. § 1º A escola poderá reclassificar os alunos. na competência e em outros critérios. observadas as normas do respectivo sistema de ensino. alternância regular de períodos de estudos. o estudo da língua portuguesa e da matemática. constituirá componente curricular obrigatório nos diversos níveis da educação básica. IV . de 1º. é componente curricular obrigatório da educação básica.793.2003) § 4º O ensino da História do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro. estabelecer parâmetro para atendimento do disposto neste artigo.793.a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios: a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno.

para crianças de até três anos de idade. em seus aspectos físico. ou entidades equivalentes. torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena. tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade.creches. § 2º Os estabelecimentos que utilizam progressão regular por série podem adotar no ensino fundamental o regime de progressão continuada. de matrícula facultativa. incluindo adequação do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas. de 2007). Os conteúdos curriculares da educação básica observarão. 33. IV . intelectual e social. a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil.a compreensão do ambiente natural e social.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. Art. mediante: (Redação dada pela Lei nº 11. O ensino religioso. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio.conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e interesses dos alunos da zona rural. ainda. aos direitos e deveres dos cidadãos. terá por objetivo a formação básica do cidadão. Na oferta de educação básica para a população rural.o fortalecimento dos vínculos de família. de 2006) I . os sistemas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua adequação às peculiaridades da vida rural e de cada região. § 5o O currículo do ensino fundamental incluirá.o desenvolvimento da capacidade de aprender. 31. sem o objetivo de promoção. pertinentes à história do Brasil. Art. (Redação dada pela Lei nº 11. § 2o Os conteúdos referentes à história e cultura afrobrasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar. Obs: Adaptações ao ambiente rural. 30.promoção do desporto educacional e apoio às práticas desportivas não-formais. as seguintes diretrizes: I . a Educação Básica: Organização: anos. Seção II Da Educação Infantil Art. com duração de 9 (nove) anos. vedadas quaisquer formas de proselitismo. sendo o ensino a distância utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais. § 1º É facultado aos sistemas de ensino desdobrar o ensino fundamental em ciclos. de 22. do sistema político. (Redação dada pela Lei nº 9.645.1997) § 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a definição dos conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas para a habilitação e admissão dos professores.472. Art. sem prejuízo da avaliação do processo de ensinoaprendizagem.a difusão de valores fundamentais ao interesse social. conteúdo que trate dos direitos das crianças e dos adolescentes.pré-escolas.274.645. IV . mínimo de 200 dias letivos. (Redação dada pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11. III . de 13 de julho de 1990. § 3º O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa. ciclos. II . da escrita e do cálculo. 26-A.orientação para o trabalho. A educação infantil. tendo como diretriz a Lei no 8.adequação à natureza do trabalho na zona rural. II . a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional. complementando a ação da família e da comunidade. em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras. tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores. 29. § 6º O estudo sobre os símbolos nacionais será incluído como tema transversal nos currículos do ensino fundamental. (Redação dada pela Lei nº 11. da tecnologia. II . é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. Art. 32. observada a produção e distribuição de material didático adequado. observadas as normas do respectivo sistema de ensino. que institui o Estatuto da Criança e do Adolescente. III . psicológico. iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade. mesmo para o acesso ao ensino fundamental. das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade.consideração das condições de escolaridade dos alunos em cada estabelecimento. dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social. tais como o estudo da história da África e dos africanos. semestres. III . para as crianças de quatro a seis anos de idade. grupos não-seriados (adaptabilidade a diferentes situações). Na educação infantil a avaliação far-se-á mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento. Em resumo.organização escolar própria. resgatando as suas contribuições nas áreas social. Avaliação: contínua e cumulativa.475. obrigatoriamente. tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura. de 2008). assegurada às comunidades indígenas a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. primeira etapa da educação básica. econômica e política. O ensino fundamental obrigatório. Seção III Do Ensino Fundamental Art. Mínimo de 800 horas/ano. gratuito na escola pública. especialmente: I . .o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem. 27. de respeito ao bem comum e à ordem democrática. de 2011). 28.069. Currículo: Base Nacional Comum e Base Nacional Diversificada. de 2008). a partir desses dois grupos étnicos. Frequência Mínima de 75%. § 4º O ensino fundamental será presencial.525. Didatismo e Conhecimento 6 II . públicos e privados. § 1o O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira. assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil. Art. A educação infantil será oferecida em: I . de 2008).7.645.(Incluído pela Lei nº 12.

em caráter optativo. de 2008) § 1º Os conteúdos. A educação profissional técnica de nível médio deverá observar: (Incluído pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11.741. 34. IV – serão incluídas a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias em todas as séries do ensino médio. IV . efetuando-se matrículas distintas para cada curso. de 2008) Art.domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna. de 2008) I . (Incluído pela Lei nº 11.741.subsequente. com duração mínima de três anos. a habilitação profissional poderão ser desenvolvidas nos próprios estabelecimentos de ensino médio ou em cooperação com instituições especializadas em educação profissional. (Incluído pela Lei nº 11. § 2º O ensino fundamental será ministrado progressivamente em tempo integral. (Incluído pela Lei nº 11.741.741. incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico. o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura. Didatismo e Conhecimento 7 § 2º(Revogado pela Lei nº 11. prevista no inciso I do caputdo art. II . Filosofia e Sociologia (obrigatórias). o ensino médio. (Incluído pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11. para continuar aprendendo. de 2008) II . acesso ao conhecimento e exercício da cidadania.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS § 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil. atendida a formação geral do educando. II .será incluída uma língua estrangeira moderna.articulada com o ensino médio. Seção IV Do Ensino Médio Art. a critério dos sistemas de ensino. A jornada escolar no ensino fundamental incluirá pelo menos quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula.684. facultativamente. das letras e das artes. será desenvolvida de forma: (Incluído pela Lei nº 11. 36.741. 36-B desta Lei. valores sociais. (Incluído pela Lei nº 11. § 1º São ressalvados os casos do ensino noturno e das formas alternativas de organização autorizadas nesta Lei. de 2008) II . efetuando-se matrícula única para cada aluno. O ensino médio. cálculos. como disciplina obrigatória. de 2008) Art. nos termos de seu projeto pedagógico. e podendo ocorrer: (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) I . de 2008) II . (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) § 3º Os cursos do ensino médio terão equivalência legal e habilitarão ao prosseguimento de estudos. 36-B. de 2008) Parágrafo único. (Incluído pela Lei nº 11.integrada. Currículo: inclusão obrigatória de uma Língua Estrangeira Moderna e outra em caráter optativo (participação da comunidade). 36-C.. oferecida a quem ingresse no ensino médio ou já o esteja cursando. constituída pelas diferentes denominações religiosas. Em resumo: Consolidação e Aprofundamento.741.adotará metodologias de ensino e de avaliação que estimulem a iniciativa dos estudantes.concomitante. III . de 2008) Parágrafo único.» Art.as normas complementares dos respectivos sistemas de ensino. possibilitando o prosseguimento de estudos. Mínimo de três anos.a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental.os objetivos e definições contidos nas diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. de 2008) Art. e uma segunda. III .o aprimoramento do educando como pessoa humana.741. na mesma instituição de ensino. a língua portuguesa como instrumento de comunicação.741.(Incluído pela Lei nº 11. Em resumo: Mínimo de 9 anos.741. Em caso de progressão regular. de 2008) a) na mesma instituição de ensino.). O currículo do ensino médio observará o disposto na Seção I deste Capítulo e as seguintes diretrizes: I . no ensino de cada disciplina.. 36-A. de 2008) I . de 2008) .741. de 2008) III . A preparação geral para o trabalho e. A educação profissional técnica de nível médio será desenvolvida nas seguintes formas: (Incluído pela Lei nº 11.741.741.a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando. oferecida somente a quem já tenha concluído o ensino fundamental.conhecimento das formas contemporâneas de linguagem. 35. sendo o curso planejado de modo a conduzir o aluno à habilitação profissional técnica de nível médio. as metodologias e as formas de avaliação serão organizados de tal forma que ao final do ensino médio o educando demonstre: I .destacará a educação tecnológica básica. relacionando a teoria com a prática.741. II . Ciclos (facultativo). de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores. preparação para aperfeiçoamentos posteriores. a compreensão do significado da ciência. solidariedade. etapa final da educação básica. aproveitando-se as oportunidades educacionais disponíveis. Sem prejuízo do disposto na Seção IV deste Capítulo. tolerância.741.as exigências de cada instituição de ensino.741. poderá prepará-lo para o exercício de profissões técnicas. em cursos destinados a quem já tenha concluído o ensino médio. terá como finalidades: I . A educação profissional técnica de nível médio articulada. Art. é facultado o uso da progressão continuada. para a definição dos conteúdos do ensino religioso. preparação para o trabalho. Formação Básica do Cidadão (leitura. sendo progressivamente ampliado o período de permanência na escola. escrita. dentro das disponibilidades da instituição.a compreensão dos fundamentos científicotecnológicos dos processos produtivos. escolhida pela comunidade escolar. Seção IV-A Da Educação Profissional Técnica de Nível Médio (Incluído pela Lei nº 11.

(Regulamento) Art. que não puderam efetuar os estudos na idade regular. nas formas articulada concomitante e subsequente. oferecerão cursos especiais.741. § 1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e aos adultos. características e duração. no cumprimento dos objetivos da educação nacional. (Incluído pela Lei nº 11. 39. de 2008) CAPÍTULO IV DA EDUCAÇÃO SUPERIOR Art.741. oportunidades educacionais apropriadas. O conhecimento adquirido na educação profissional e tecnológica. habilitando ao prosseguimento de estudos em caráter regular. (Redação dada pela Lei nº 11.741. visando ao planejamento e ao desenvolvimento de projeto pedagógico unificado. § 1º Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão: I . mediante ações integradas e complementares entre si. quando registrados. Ensino Fundamental (maiores de 15 anos). condições de vida e de trabalho. Avaliação de Competências (absorvidas formal e informalmente).741. terão validade nacional e habilitarão ao prosseguimento de estudos na educação superior. 43. Os cursos de educação profissional técnica de nível médio. As instituições de educação profissional e tecnológica. Em resumo: Busca assegurar gratuitamente aos jovens e aos adultos.741. A educação profissional será desenvolvida em articulação com o ensino regular ou por diferentes estratégias de educação continuada. preferencialmente. para os maiores de quinze anos.741. de 2008) § 3o Os cursos de educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação organizar-se-ão. de 2008) Art. § 3o A educação de jovens e adultos deverá articular-se. na forma do regulamento. 40. poderá ser objeto de avaliação. de 2008) Art. em instituições especializadas ou no ambiente de trabalho. integra-se aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho. para os maiores de dezoito anos. § 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos educandos por meios informais serão aferidos e reconhecidos mediante exames. de cada etapa que caracterize uma qualificação para o trabalho.741.no nível de conclusão do ensino fundamental. possibilitando a construção de diferentes itinerários formativos. da ciência e da tecnologia. (Incluído pela Lei nº 11. além dos seus cursos regulares. 37. de 2008) I – de formação inicial e continuada ou qualificação profissional.741. mediante cursos e exames. abertos à comunidade. condições de vida e de trabalho.741. aproveitando-se as oportunidades educacionais disponíveis. (Incluído pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) III – de educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação. 38.estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo. (Incluído pela Lei nº 11. Didatismo e Conhecimento 8 oportunidades educacionais apropriadas. seus interesses. seus interesses.741. de 2008) § 2o A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes cursos: (Incluído pela Lei nº 11. condicionada a matrícula à capacidade de aproveitamento e não necessariamente ao nível de escolaridade. que não puderam efetuar os estudos na idade regular. mediante convênios de intercomplementaridade. no que concerne a objetivos. § 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso e a permanência do trabalhador na escola. A educação superior tem por finalidade: I . (Redação dada pela Lei nº 11. inclusive no trabalho. Próprios estabelecimentos de Ensino Médio ou por meio de parcerias com outras instituições. II . 41. com a educação profissional. com aproveitamento. de 2008) Em resumo: Permite consorciar a formação do Ensino Médio com a formação profissional técnica. 42.(Redação dada pela Lei nº 11. de 2008) c) em instituições de ensino distintas. observadas as normas do respectivo sistema e nível de ensino. (Incluído pela Lei nº 11. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria. de acordo com as diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação.741. CAPÍTULO III DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL Da Educação Profissional e Tecnológica (Redação dada pela Lei nº 11. reconhecimento e certificação para prosseguimento ou conclusão de estudos. Ensino Médio (maiores de 18 anos).no nível de conclusão do ensino médio. de 2008) Art. mediante cursos e exames.741. (Incluído pela Lei nº 11. . A educação profissional e tecnológica. de 2008) Art. de 2008) Art.741. possibilitarão a obtenção de certificados de qualificação para o trabalho após a conclusão. (Incluído pela Lei nº 11. Seção V Da Educação de Jovens e Adultos Art. que compreenderão a base nacional comum do currículo. de 2008) § 1o Os cursos de educação profissional e tecnológica poderão ser organizados por eixos tecnológicos. consideradas as características do alunado. 36-D. consideradas as características do alunado. de 2008) Parágrafo único. Articulada com o Ensino Médio ou subsequente. Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos. Os diplomas de cursos de educação profissional técnica de nível médio. (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) II – de educação profissional técnica de nível médio. (Incluído pela Lei nº 11.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS b) em instituições de ensino distintas.741. quando estruturados e organizados em etapas com terminalidade.741.

Os diplomas de cursos superiores reconhecidos. aberta à participação da população. a respectiva ordem de classificação. Art. os programas dos cursos e demais componentes curriculares. salvo nos programas de educação a distância. recursos disponíveis e critérios de avaliação. VII . desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive. garantida a necessária previsão orçamentária. para a superação das deficiências. abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos em cada caso pelas instituições de ensino. § 1º Os diplomas expedidos pelas universidades serão por elas próprias registrados. em desativação de cursos e habilitações. As instituições de educação superior aceitarão a transferência de alunos regulares. II .estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente. 48. o ano letivo regular. cursos de graduação nos mesmos padrões de qualidade mantidos no período diurno. em suspensão temporária de prerrogativas da autonomia. em particular os nacionais e regionais. de 2006) Art. quando da ocorrência de vagas. de publicações ou de outras formas de comunicação. V . 46. compreendendo programas de mestrado e doutorado. abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo. antes de cada período letivo. quando houver. 44. visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura. cursos de especialização. de diferentes níveis de abrangência. § 2º Os diplomas de graduação expedidos por universidades estrangeiras serão revalidados por universidades públicas que tenham curso do mesmo nível e área ou equivalente. VI . demonstrado por meio de provas e outros instrumentos de avaliação específicos. de 2007). (Regulamento) Art. Art. e colaborar na sua formação contínua. tem. (Regulamento) Didatismo e Conhecimento 9 § 1º Após um prazo para saneamento de deficiências eventualmente identificadas pela avaliação a que se refere este artigo. abrirão matrícula nas disciplinas de seus cursos a alunos não regulares que demonstrarem capacidade de cursá-las com proveito. sendo renovados. em intervenção na instituição. terão prazos limitados. e. e mediante processo seletivo.de pós-graduação. As instituições de educação superior. bem como do cronograma das chamadas para matrícula.promover a divulgação de conhecimentos culturais. prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade. 50. (Incluído pela Lei nº 11. no período noturno. § 4º As instituições de educação superior oferecerão. quando registrados.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS II . na mesma área de conhecimento e em nível equivalente ou superior. qualificação dos professores. visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição. § 2º Os alunos que tenham extraordinário aproveitamento nos estudos. mediante processo seletivo prévio. 47. sendo obrigatória a divulgação da relação nominal dos classificados. de acordo com as normas dos sistemas de ensino. IV .de graduação. abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos pelas instituições de ensino. § 3º Os diplomas de Mestrado e de Doutorado expedidos por universidades estrangeiras só poderão ser reconhecidos por universidades que possuam cursos de pós-graduação reconhecidos e avaliados.632. ou em descredenciamento. Art. para cursos afins. bem como o credenciamento de instituições de educação superior. poderão ter abreviada a duração dos seus cursos. o Poder Executivo responsável por sua manutenção acompanhará o processo de saneamento e fornecerá recursos adicionais. desde que tenham concluído o ensino médio ou equivalente. aplicados por banca examinadora especial. excluído o tempo reservado aos exames finais. Parágrafo único. A autorização e o reconhecimento de cursos. 49. na hipótese de existência de vagas. independente do ano civil. III . aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira. de acordo com os critérios para preenchimento das vagas constantes do respectivo edital. (Regulamento) Art. com variados graus de abrangência ou especialização. § 1º As instituições informarão aos interessados.cursos sequenciais por campo de saber. requisitos. conforme o caso. IV . científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino. respeitandose os acordos internacionais de reciprocidade ou equiparação. Parágrafo único. e aqueles conferidos por instituições nãouniversitárias serão registrados em universidades indicadas pelo Conselho Nacional de Educação.promover a extensão. no mínimo. após processo regular de avaliação.formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento. públicas ou privadas. terão validade nacional como prova da formação recebida por seu titular. (Redação dada pela Lei nº 11. Os resultados do processo seletivo referido no inciso II do caput deste artigo serão tornados públicos pelas instituições de ensino superior. periodicamente. duzentos dias de trabalho acadêmico efetivo. integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento de cada geração. sendo obrigatória a oferta noturna nas instituições públicas. .incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica. § 3º É obrigatória afrequência de alunos e professores. se necessários.suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretização. A educação superior será ministrada em instituições de ensino superior. abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino. A educação superior abrangerá os seguintes cursos e programas: (Regulamento) I . haverá reavaliação. que poderá resultar. aperfeiçoamento e outros. desse modo. As transferências exofficio dar-se-ão na forma da lei.331. III .de extensão. obrigando-se a cumprir as respectivas condições. (Regulamento) § 2º No caso de instituição pública. sua duração. Na educação superior. 45. Art.

programas e projetos de investimentos referentes a obras. legados e cooperação financeira resultante de convênios com entidades públicas e privadas. com base em avaliação realizada pelo Poder Público. programas e projetos de investimentos referentes a obras. Nas instituições públicas de educação superior. são asseguradas às universidades. VI . as seguintes atribuições: I . É facultada a criação de universidades especializadas por campo do saber. graduação. que se caracterizam por: (Regulamento) I . anualmente. VII . As instituições públicas de educação superior obedecerão ao princípio da gestão democrática. organizar e extinguir.planos de carreira docente.realizar operações de crédito ou de financiamento. quitações e tomar outras providências de ordem orçamentária. sobre: I . V . Didatismo e Conhecimento 10 Art. IX . tanto do ponto de vista científico e cultural. 52. para aquisição de bens imóveis.(Regulamento) Alguns aspectos acerca da educação superior merecem destaque. extensão. pelo menos.administrar os rendimentos e deles dispor na forma prevista no ato de constituição. Em qualquer caso. Art. quanto regional e nacional.efetuar transferências. . 53. serviços e aquisições em geral.aprovar e executar planos. nas leis e nos respectivos estatutos. de estatuto jurídico especial para atender às peculiaridades de sua estrutura. ao deliberar sobre critérios e normas de seleção e admissão de estudantes. heranças. organização e financiamento pelo Poder Público. modificação e extinção de cursos. instalações e equipamentos. incentivar a pesquisa e a disseminação do conhecimento. VI . atendidas as normas gerais pertinentes e os recursos disponíveis. em sua sede.propor o seu quadro de pessoal docente. bem como da escolha de dirigentes. No exercício de sua autonomia. Art. 55. dentro dos recursos orçamentários disponíveis. (Regulamento) § 1º No exercício da sua autonomia. as universidades públicas poderão: I .firmar contratos. acordos e convênios. expansão. do respectivo sistema de ensino. diplomas e outros títulos. de pesquisa. II . III . assim como dos seus planos de carreira e do regime jurídico do seu pessoal. Parágrafo único. sem prejuízo de outras.elaborar seus orçamentos anuais e plurianuais. Art. IV . promover a extensão. levarão em conta os efeitos desses critérios sobre a orientação do ensino médio. 56. caberá aos seus colegiados de ensino e pesquisa decidir. programas e projetos de pesquisa científica.elaborar o regulamento de seu pessoal em conformidade com as normas gerais concernentes. Parágrafo único. produção artística e atividades de extensão. recursos suficientes para manutenção e desenvolvimento das instituições de educação superior por ela mantidas. IV . Cursos e Programas: sequenciais.criar. financeira e patrimonial necessárias ao seu bom desempenho. quando for o caso. doutorado. de que participarão os segmentos da comunidade institucional. articulando-se com os órgãos normativos dos sistemas de ensino. 57.um terço do corpo docente em regime de tempo integral. o professor ficará obrigado ao mínimo de oito horas semanais de aulas.ampliação e diminuição de vagas. bem como administrar rendimentos conforme dispositivos institucionais.fixar o número de vagas de acordo com a capacidade institucional e as exigências do seu meio. 51. de extensão e de domínio e cultivo do saber humano.contratação e dispensa de professores. Caberá à União assegurar. 54. técnico e administrativo. quais sejam: Objetiva formar diplomados em diferentes áreas. assegurada a existência de órgãos colegiados deliberativos. especialização.receber subvenções. III . obedecendo às normas gerais da União e. VI . V . As universidades mantidas pelo Poder Público gozarão. III . pós-graduação (mestrado. local e regional. § 2º Atribuições de autonomia universitária poderão ser estendidas a instituições que comprovem alta qualificação para o ensino ou para a pesquisa.). VIII . VII . (Regulamento) Art.programação das pesquisas e das atividades de extensão. X . cursos e programas de educação superior previstos nesta Lei. III . As instituições de educação superior credenciadas como universidades.elaboração da programação dos cursos.adotar regime financeiro e contábil que atenda às suas peculiaridades de organização e funcionamento. em seu Orçamento Geral. além das atribuições asseguradas pelo artigo anterior.um terço do corpo docente. na forma da lei. Art.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art.fixar os currículos dos seus cursos e programas. II . assim como um plano de cargos e salários.criação.produção intelectual institucionalizada mediante o estudo sistemático dos temas e problemas mais relevantes. V . Para garantir a autonomia didáticocientífica das universidades. aperfeiçoamento etc. doações. (Regulamento) II . com titulação acadêmica de mestrado ou doutorado. com aprovação do Poder competente.aprovar e executar planos. As universidades são instituições pluridisciplinares de formação dos quadros profissionais de nível superior.conferir graus.estabelecer planos. observadas as diretrizes gerais pertinentes.elaborar e reformar os seus estatutos e regimentos em consonância com as normas gerais atinentes. serviços e aquisições em geral. de acordo com os recursos alocados pelo respectivo Poder mantenedor. os docentes ocuparão setenta por cento dos assentos em cada órgão colegiado e comissão. Parágrafo único. inclusive nos que tratarem da elaboração e modificações estatutárias e regimentais. II . IV .

intelectual ou psicomotora. Art. sempre que. nela estando em efetivo exercício e tendo sido formados em cursos reconhecidos. que propicie o conhecimento dos fundamentos científicos e sociais de suas competências de trabalho. § 2º O atendimento educacional será feito em classes. em instituições de ensino e em outras atividades. para os efeitos desta Lei. especializadas e com atuação exclusiva em educação especial. serviços de apoio especializado.014. supervisão. como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental. a base comum nacional. em curso de licenciatura. de 2009) III – trabalhadores em educação. (Incluído pela Lei nº 12. deverão promover a formação inicial. 63.056. III . Parágrafo único. IV . de modo a atender às especificidades do exercício de suas atividades. de 2009) III – o aproveitamento da formação e experiências anteriores. em universidades e institutos superiores de educação.014. 62. de 2009). a modalidade de educação escolar. de graduação plena. para fins de apoio técnico e financeiro pelo Poder Público. os Estados e os Municípios. será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pósgraduação. O Poder Público adotará. em regime de colaboração. não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. (Incluído pela Lei nº 12. inspeção e orientação educacional. (Regulamento) § 1º A União. escolas ou serviços especializados. (Incluído pela Lei nº 12. recursos educativos e organização específicos. e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados. para atender às suas necessidades. de 2009) Parágrafo único. 60. inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo. V . de 2009) II – a associação entre teorias e práticas. 61. inspeção. planejamento. métodos. a ampliação do atendimento aos educandos com necessidades especiais na própria rede pública regular de ensino. técnicas. admitida.056. nesta formação. para atender às peculiaridades da clientela de educação especial. A formação dos profissionais da educação. TÍTULO VI Dos Profissionais da Educação Art. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: I . na escola regular. Art.014. de 2009) II – trabalhadores em educação portadores de diploma de pedagogia. bem como aos objetivos das diferentes etapas e modalidades da educação básica. tem início na faixa etária de zero a seis anos. (Incluído pela Lei nº 12.educação especial para o trabalho. de 2009) Didatismo e Conhecimento 11 I – professores habilitados em nível médio ou superior para a docência na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio. inclusive o curso normal superior.014. bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística. em função das condições específicas dos alunos.014. na modalidade Normal. em virtude de suas deficiências. 59.056. bem como com títulos de mestrado ou doutorado nas mesmas áreas. mediante articulação com os órgãos oficiais afins. dever constitucional do Estado.cursos formadores de profissionais para a educação básica. de 2009) I – a presença de sólida formação básica. para educandos portadores de necessidades especiais.programas de formação pedagógica para portadores de diplomas de educação superior que queiram se dedicar à educação básica. subsidiariamente fazendo uso de recursos e tecnologias de educação a distância. (Redação dada pela Lei nº 12. são: (Redação dada pela Lei nº 12. 64.currículos. como alternativa preferencial. (Incluído pela Lei nº 12. Art. quando necessário. de 2009). 58. II . Entende-se por educação especial. bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns. Os institutos superiores de educação manterão: (Regulamento) I . a critério da instituição de ensino. de 2009) Art. (Incluído pela Lei nº 12.acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular.014. § 2º A formação continuada e a capacitação dos profissionais de magistério poderão utilizar recursos e tecnologias de educação a distância. portadores de diploma de curso técnico ou superior em área pedagógica ou afim. de 2009). Os órgãos normativos dos sistemas de ensino estabelecerão critérios de caracterização das instituições privadas sem fins lucrativos. II . (Incluído pela Lei nº 12. § 3º A oferta de educação especial. o Distrito Federal.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS CAPÍTULO V DA EDUCAÇÃO ESPECIAL Art. Art. § 1º Haverá. mediante estágios supervisionados e capacitação em serviço. § 3º A formação inicial de profissionais de magistério dará preferência ao ensino presencial. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior. a continuada e a capacitação dos profissionais de magistério. para atendimento especializado. oferecida preferencialmente na rede regular de ensino. a oferecida em nível médio. Consideram-se profissionais da educação escolar básica os que.terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental. supervisão e orientação educacional para a educação básica. garantida. III .014. planejamento.014.programas de educação continuada para os profissionais de educação dos diversos níveis. terá como fundamentos: (Incluído pela Lei nº 12. destinado à formação de docentes para a educação infantil e para as primeiras séries do ensino fundamental. independentemente do apoio às instituições previstas neste artigo.professores com especialização adequada em nível médio ou superior. (Redação dada pela Lei nº 12. visando a sua efetiva integração na vida em sociedade. com habilitação em administração. . durante a educação infantil. A formação de profissionais de educação para administração.

(Incluído pela Lei nº 11. além do exercício da docência.progressão funcional baseada na titulação ou habilitação. 40 e no § 8o do art.aquisição. até o trigésimo dia.condições adequadas de trabalho. ou pelos Estados aos respectivos Municípios. III – uso e manutenção de bens e serviços vinculados ao ensino. inclusive com licenciamento periódico remunerado para esse fim.piso salarial profissional. por lei que autorizar a abertura de créditos adicionais. § 1º A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados. A União aplicará. receita do governo que a transferir. observados os seguintes prazos: I . incluído na carga de trabalho.(Renumerado pela Lei nº 11. do Distrito Federal e dos Municípios ocorrerá imediatamente ao órgão responsável pela educação. 65. estudos e pesquisas visando precipuamente ao aprimoramento da qualidade e à expansão do ensino. II . de 2006) TÍTULO VII Dos Recursos financeiros Art.ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos. manutenção. 67. III . Art.receita do salário-educação e de outras contribuições sociais. para efeito do cálculo previsto neste artigo. O Artigo apresentado na sequência (69) é extremamente importante. pois apresenta aspectos relativos aos percentuais do orçamento que obrigatoriamente deverão ser aplicados na educação. assegurando-lhes. V . II .outros recursos previstos em lei. quando for o caso. quando exercidas em estabelecimento de educação básica em seus diversos níveis e modalidades. compreendendo as que se destinam a: I . III . § 3º Para fixação inicial dos valores correspondentes aos mínimos estatuídos neste artigo. dos Estados.receita de transferências constitucionais e outras transferências. da receita resultante de impostos.realização de atividades-meio necessárias ao funcionamento dos sistemas de ensino. ou o que consta nas respectivas Constituições ou Leis Orgânicas.remuneração e aperfeiçoamento do pessoal docente e demais profissionais da educação. com base no eventual excesso de arrecadação. nunca menos de dezoito. será considerada a receita estimada na lei do orçamento anual.receita de incentivos fiscais.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. construção e conservação de instalações e equipamentos necessários ao ensino. 70. Art. 66. ao Distrito Federal e aos Municípios. o Distrito Federal e os Municípios. no artigo 70. prioritariamente em programas de mestrado e doutorado. Art. IV . A preparação para o exercício do magistério superior far-se-á em nível de pós-graduação. V . § 1o A experiência docente é pré-requisito para o exercício profissional de quaisquer outras funções de magistério. do Distrito Federal e dos Municípios. VIII . e os Estados. tema bastante observado em concursos públicos. nos termos das normas de cada sistema de ensino. não será considerada. Considerar-se-ão como de manutenção e desenvolvimento do ensino as despesas realizadas com vistas à consecução dos objetivos básicos das instituições educacionais de todos os níveis.301. serão apuradas e corrigidas a cada trimestre do exercício financeiro.receita de impostos próprios da União. na manutenção e desenvolvimento do ensino público. VII . 201 da Constituição Federal. Serão recursos públicos destinados à educação os originários de: I . VI .período reservado a estudos. II . A formação docente. O notório saber. anualmente. vinte e cinco por cento. V . § 5º O repasse dos valores referidos neste artigo do caixa da União. são consideradas funções de magistério as exercidas por professores e especialistas em educação no desempenho de atividades educativas. de 2006) § 2o Para os efeitos do disposto no § 5º do art.recursos arrecadados do primeiro ao décimo dia de cada mês. IV . as de direção de unidade escolar e as de coordenação e assessoramento pedagógico. IV .amortização e custeio de operações de crédito destinadas a atender ao disposto nos incisos deste artigo. compreendidas as transferências constitucionais. dos Estados.concessão de bolsas de estudo a alunos de escolas públicas e privadas. e na avaliação do desempenho.levantamentos estatísticos. § 2º Serão consideradas excluídas das receitas de impostos mencionadas neste artigo as operações de crédito por antecipação de receita orçamentária de impostos.aperfeiçoamento profissional continuado. Art. até o vigésimo dia. Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da educação.301. Parágrafo único. 68. VI . inclusive nos termos dos estatutos e dos planos de carreira do magistério público: I . no mínimo. 69. poderá suprir a exigência de título acadêmico. Didatismo e Conhecimento 12 . reconhecido por universidade com curso de doutorado em área afim. são apresentados onde e em que estes recursos podem ser aplicados. ajustada. que resultem no não atendimento dos percentuais mínimos obrigatórios. Posteriormente.recursos arrecadados do décimo primeiro ao vigésimo dia de cada mês. § 6º O atraso da liberação sujeitará os recursos a correção monetária e à responsabilização civil e criminal das autoridades competentes.aquisição de material didático-escolar e manutenção de programas de transporte escolar. exceto para a educação superior. incluirá prática de ensino de. § 4º As diferenças entre a receita e a despesa previstas e as efetivamente realizadas. trezentas horas. até o décimo dia do mês subsequente. planejamento e avaliação. incluídas. II . III .recursos arrecadados do vigésimo primeiro dia ao final de cada mês.

II . assistência médico-odontológica. A União apoiará técnica e financeiramente os sistemas de ensino no provimento da educação intercultural às comunidades indígenas. capaz de assegurar ensino de qualidade.fortalecer as práticas socioculturais e a língua materna de cada comunidade indígena. a União poderá fazer a transferência direta de recursos a cada estabelecimento de ensino. as disparidades de acesso e garantir o padrão mínimo de qualidade de ensino. em colaboração com os Estados. Art. quando efetivada fora dos sistemas de ensino. com os seguintes objetivos: I . II . o acesso às informações. 75. V . ou. desenvolverá programas integrados de ensino e pesquisa. inclusive diplomáticos. relativo ao padrão mínimo de qualidade.assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária. A ação supletiva e redistributiva da União e dos Estados será exercida de modo a corrigir. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e na legislação concernente. . III . A ação supletiva e redistributiva prevista no artigo anterior ficará condicionada ao efetivo cumprimento pelos Estados. prioritariamente. dos Estados e dos Municípios se estes oferecerem vagas. quando em desvio de função ou em atividade alheia à manutenção e desenvolvimento do ensino. a valorização de suas línguas e ciências. sem prejuízo de outras prescrições legais.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. farmacêutica e psicológica. inclusive mediante bolsas de estudo. na forma da lei. desenvolvendo programas integrados de ensino e pesquisa. 78. IV . no caso de encerramento de suas atividades. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas. § 2º As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão receber apoio financeiro do Poder Público. a reafirmação de suas identidades étnicas. e outras formas de assistência social. assim como nos relatórios a que se refere o § 3º do art. em número inferior à sua capacidade de atendimento. 76. Art.prestem contas ao Poder Público dos recursos recebidos. 73. para oferta de educação escolar bilíngue e intercultural aos povos indígenas. na área de ensino de sua responsabilidade.formação de quadros especiais para a administração pública. § 1º Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de estudo para a educação básica. quando não vinculada às instituições de ensino. ou ao Poder Público. § 1º A ação a que se refere este artigo obedecerá a fórmula de domínio público que inclua a capacidade de atendimento e a medida do esforço fiscal do respectivo Estado.proporcionar aos índios. 77. Os órgãos fiscalizadores examinarão.obras de infraestrutura. o cumprimento do disposto no art. dividendos. do Distrito Federal ou do Município em favor da manutenção e do desenvolvimento do ensino. § 2º Os programas a que se refere este artigo. II . Art. IV . desportivo ou cultural. § 2º A capacidade de atendimento de cada governo será definida pela razão entre os recursos de uso constitucionalmente obrigatório na manutenção e desenvolvimento do ensino e o custo anual do aluno. 165 da Constituição Federal.garantir aos índios. podendo ser dirigidos a escolas comunitárias. Art. conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional e demais sociedades indígenas e não-índias. A União. III . § 3º Com base nos critérios estabelecidos nos §§ 1º e 2º. TÍTULO VIII Das Disposições Gerais Art. 79. a recuperação de suas memórias históricas. 72. O custo mínimo de que trata este artigo será calculado pela União ao final de cada ano. estabelecerá padrão mínimo de oportunidades educacionais para o ensino fundamental. para os que demonstrarem insuficiência de recursos. considerando variações regionais no custo dos insumos e as diversas modalidades de ensino. com validade para o ano subseqüente. conforme o inciso VI do art. confessionais ou filantrópicas que: I . Parágrafo único. incluídos nos Planos Nacionais de Educação. na prestação de contas de recursos públicos. com a colaboração das agências federais de fomento à cultura e de assistência aos índios. precipuamente. Art. VI . 212 da Constituição Federal. que não vise. ainda que realizadas para beneficiar direta ou indiretamente a rede escolar. baseado no cálculo do custo mínimo por aluno. 11 desta Lei. Não constituirão despesas de manutenção e desenvolvimento do ensino aquelas realizadas com: I . 10 e o inciso V do art. Distrito Federal e Municípios do disposto nesta Lei.apliquem seus excedentes financeiros em educação. Art. O Sistema de Ensino da União. Art. considerado o número de alunos que efetivamente frequentam a escola. ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão da sua rede local. participações ou parcela de seu patrimônio sob nenhuma forma ou pretexto. bonificações.pesquisa. suas comunidades e povos. sejam militares ou civis. suas comunidades e povos.pessoal docente e demais trabalhadores da educação. As receitas e despesas com manutenção e desenvolvimento do ensino serão apuradas e publicadas nos balanços do Poder Público. quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública de domicílio do educando. terão os seguintes objetivos: I . no art. § 1º Os programas serão planejados com audiência das comunidades indígenas. 71. 74. o Distrito Federal e os Municípios. Didatismo e Conhecimento 13 § 4º A ação supletiva e redistributiva não poderá ser exercida em favor do Distrito Federal. progressivamente.subvenção a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial. filantrópica ou confessional.programas suplementares de alimentação.comprovem finalidade não-lucrativa e não distribuam resultados. ao aprimoramento de sua qualidade ou à sua expansão.

concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas. Art. admitida a equivalência de estudos. § 6º A assistência financeira da União aos Estados. ao Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia. 79-B. 41 da Constituição Federal e 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. ao Congresso Nacional. utilizando também.custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radiodifusão sonora e de sons e imagens e em outros meios de comunicação que sejam explorados mediante autorização. o atendimento aos povos indígenas efetivar-se-á. TÍTULO IX Das Disposições Transitórias Art. organizada com abertura e regime especiais. 84.elaborar e publicar sistematicamente material didático específico e diferenciado.330. destinado à educação escolar nas comunidades indígenas. sem ônus para o Poder Público.2003) Art. neles incluindo os conteúdos culturais correspondentes às respectivas comunidades. Os discentes da educação superior poderão ser aproveitados em tarefas de ensino e pesquisa pelas respectivas instituições. sem prejuízo de outras ações. no prazo de um ano a partir da publicação desta Lei. ficam condicionadas ao cumprimento do art. § 1º A União. (Incluído pela Lei nº 10. 79-A.integrar todos os estabelecimentos de ensino fundamental do seu território ao sistema nacional de avaliação do rendimento escolar. de 2011) Art. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS II . § 2o O poder público deverá recensear os educandos no ensino fundamental.603. 86. caberão aos respectivos sistemas de ensino.1. Qualquer cidadão habilitado com a titulação própria poderá exigir a abertura de concurso público de provas e títulos para cargo de docente de instituição pública de ensino que estiver sendo ocupado por professor não concursado. O ensino militar é regulado em lei específica. para isto.desenvolver currículos e programas específicos.274. . § 3º As normas para produção. que incluirá: I . As instituições de educação superior constituídas como universidades integrar-se-ão. será oferecida por instituições especificamente credenciadas pela União.274. § 3o No que se refere à educação superior.reserva de tempo mínimo. de acordo com seu rendimento e seu plano de estudos. ressalvados os direitos assegurados pelos arts. a União.274. e. de 2006) § 3o O Distrito Federal. 85. de 2006) a) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11. Didatismo e Conhecimento 14 Art. cada Estado e Município. exercendo funções de monitoria. com diretrizes e metas para os dez anos seguintes. nos termos da legislação específica. com especial atenção para o grupo de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos de idade e de 15 (quinze) a 16 (dezesseis) anos de idade. também. encaminhará. o Plano Nacional de Educação. nas universidades públicas e privadas. § 4º Até o fim da Década da Educação somente serão admitidos professores habilitados em nível superior ou formados por treinamento em serviço. de 2006) I – matricular todos os educandos a partir dos 6 (seis) anos de idade no ensino fundamental. mediante a oferta de ensino e de assistência estudantil. e de educação continuada.1. 82. controle e avaliação de programas de educação a distância e a autorização para sua implementação. de 2006) c) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11.416.274. podendo haver cooperação e integração entre os diferentes sistemas. III . os recursos da educação a distância.2003) Art. por mais de seis anos.639. (Redação dada pela Lei nº 11. 87. assim como de estímulo à pesquisa e desenvolvimento de programas especiais. (Regulamento) § 4º A educação a distância gozará de tratamento diferenciado. concessão ou permissão do poder público. de 2006) II . supletivamente. IV . (Redação dada pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 12. na sua condição de instituições de pesquisa. pelos concessionários de canais comerciais. de 2008) Art. em todos os níveis e modalidades de ensino. IV . 80. III . Art. ao Distrito Federal e aos Municípios. § 5º Serão conjugados todos os esforços objetivando a progressão das redes escolares públicas urbanas de ensino fundamental para o regime de escolas de tempo integral. III . § 2º A União regulamentará os requisitos para a realização de exames e registro de diploma relativos a cursos de educação a distância. 212 da Constituição Federal e dispositivos legais pertinentes pelos governos beneficiados. 81. observada a lei federal sobre a matéria. de 2012) II . em sintonia com a Declaração Mundial sobre Educação para Todos.788. Art. a iniciar-se um ano a partir da publicação desta Lei. Os sistemas de ensino estabelecerão as normas de realização de estágio em sua jurisdição. (Regulamento) § 1º A educação a distância. (Redação dada pela Lei nº 11. Art. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância. de 9.639.manter programas de formação de pessoal especializado. (VETADO)(Incluído pela Lei nº 10.prover cursos presenciais ou a distância aos jovens e adultos insuficientemente escolarizados. (Redação dada pela Lei nº 12. É permitida a organização de cursos ou instituições de ensino experimentais. É instituída a Década da Educação. 83. bem como a dos Estados aos seus Municípios. de 2006) b) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11. de acordo com as normas fixadas pelos sistemas de ensino.realizar programas de capacitação para todos os professores em exercício. de 9. devem: (Redação dada pela Lei nº 11.274. desde que obedecidas as disposições desta Lei.

915 propostas de alteração ao texto (emendas) ao PL 8035/2010 foi apresentado na Câmara dos Deputados. É o maior número de emendas recebido desde a Constituição de 1988 até hoje. a partir da data de sua publicação. por intermédio das Comissões de Educação. de 18 de outubro de 1982. 92. Art. Art. Nas duas primeiras décadas. I . e foi elaborado para que sua vigência se limitasse a 10 anos. integrar-se ao respectivo sistema de ensino. Art. A União. e 5. o Distrito Federal. de 21 de dezembro de 1995 e.024. Brasília. Art. de 24 de novembro de 1995 e 9. o Distrito Federal e os Municípios adaptarão sua legislação educacional e de ensino às disposições desta Lei no prazo máximo de um ano. LEI FEDERAL Nº 10. dos Estados. FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Paulo Renato Souza PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO O Plano Nacional de Educação válido atualmente é este de 2001. 20 de dezembro de 1996. que deveria ser resultado das discussões e deliberações da Conferência Nacional de Educação finalizada em março de 2010. as Leis nºs 5. de 28 de novembro de 1968. 6oOs Poderes da União. § 1o O Poder Legislativo. 7o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. 15 2 PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO: LEI Nº 10. Art. 90.INTRODUÇÃO 1. no prazo de três anos. Revogam-se as disposições das Leis nºs 4. anualmente. este continuará continua em vigor. ainda.  É instituído o ‘Dia do Plano Nacional de Educação’. 9 de janeiro de 2001. Art. de 20 de dezembro de 1961. mediante delegação deste. Enquanto o novo Plano Nacional de Educação. 1o Fica aprovado o Plano Nacional de Educação. de 11 de agosto de 1971 e 7. Um conjunto de 2. ajudaram no amadurecimento da percepção coletiva da educação como um problema nacional. 91. procederá a avaliações periódicas da implementação do Plano Nacional de Educação. 88. Brasília.172/2001. À medida que o quadro social. cabendo ao Congresso Nacional aprovar as medidas legais decorrentes. com vistas à correção de deficiências e distorções. os Estados. preservada a autonomia universitária. e as demais leis e decretos-lei que as modificaram e quaisquer outras disposições em contrário.540. em 12 de dezembro. político e econômico do início deste século se desenhava. 5o Os planos plurianuais da União. o Distrito Federal e os Municípios deverão. nos seus diversos níveis e modalidades. acompanhará a execução do Plano Nacional de Educação. 52 é de oito anos. na Câmara. 6o-A. os Estados. Art. (Regulamento) § 1º As instituições educacionais adaptarão seus estatutos e regimentos aos dispositivos desta Lei e às normas dos respectivos sistemas de ensino. constante do documento anexo. com base no Plano Nacional de Educação. as várias reformas educacionais.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art.192. foi enviado ao Congresso Nacional em 15 de dezembro de 2010 e recebeu o número PL 8035/2010. Didatismo e Conhecimento . 175º da Independência e 108º da República. a educação começava a se impor como condição fundamental para o desenvolvimento do País. a ser comemorado. As creches e pré-escolas existentes ou que venham a ser criadas deverão. elaborar planos decenais correspondentes. os municípios e a sociedade civil. 180o da Independência e 113o da República.131. a contar da publicação desta Lei. 89. HISTÓRICO A instalação da República no Brasil e o surgimento das primeiras idéias de um plano que tratasse da educação para todo o território nacional aconteceram simultaneamente. do Distrito Federal e dos Municípios serão elaborados de modo a dar suporte às metas constantes do Plano Nacional de Educação e dos respectivos planos decenais. Cultura e Desporto da Câmara dos Deputados e da Comissão de Educação do Senado Federal. para que a sociedade o conheça amplamente e acompanhe sua implementação. DE 9 DE JANEIRO DE 2001 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte  Lei: Art. para um projeto.172. 2 A partir da vigência desta Lei.692. Havia grande preocupação com a instrução. não é aprovado. O projeto de lei (PL) que cria o Plano Nacional de Educação (PNE) para vigorar de 2011 a 2020. pelos órgãos normativos dos sistemas de ensino. FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Paulo Renato Souza § 2o A primeira avaliação realizar-se-á no quarto ano de vigência desta Lei. em articulação com os Estados. com duração de dez anos. § 2º O prazo para que as universidades cumpram o disposto nos incisos II e III do art. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. do Distrito Federal e dos Municípios empenhar-se-ão na divulgação deste Plano e da progressiva realização de seus objetivos e metas. As questões suscitadas na transição entre o regime anterior e o que se institui nesta Lei serão resolvidas pelo Conselho Nacional de Educação ou. dos Estados. 4oA União instituirá o Sistema Nacional de Avaliação e estabelecerá os mecanismos necessários ao acompanhamento das metas constantes do Plano Nacional de Educação. Art. 3oA União. o Art. nos prazos por estes estabelecidos. Art.044. não alteradas pelas Leis nºs 9. Art.

na extensão e na qualidade. com exceção da Carta de 37. Todas as constituições posteriores.a redução das desigualdades sociais e regionais no tocante ao acesso e à permanência. é Relator. O documento teve grande repercussão e motivou uma campanha que resultou na inclusão de um artigo específico na Constituição Brasileira de 16 de julho de 1934. cinquenta anos após a primeira tentativa oficial. Garantia de ensino fundamental obrigatório de oito anos a todas as crianças de 7 a 14 anos. desde sua Didatismo e Conhecimento 16 participação nos trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte.a melhoria da qualidade do ensino em todos os níveis. em colaboração com os Estados. A construção deste plano atendeu aos compromissos assumidos pelo Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública. que teve como eixos norteadores. 1. de 1995. que “estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional”. O processo pedagógico deverá ser adequado às necessidades dos alunos e corresponder a um ensino socialmente significativo. que se chamou Plano Complementar de Educação. sem que a iniciativa chegasse a se concretizar. destaca o Autor a importância desse documento-referência que “contempla dimensões e problemas sociais. mas apenas como uma iniciativa do Ministério da Educação e Cultura. elaborado já na vigência da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 4. a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. O art. obedecendo aos princípios da participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e a participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. novamente proposta pelo Ministério da Educação e Cultura e discutida em quatro Encontros Nacionais de Planejamento. OBJETIVOS E PRIORIDADES Em síntese. de Finanças e Tributação.. de 1998 que “aprova o Plano Nacional de Educação”. Em 11 de fevereiro de 1998. na Tailândia. de 1996 .UNDIME. nos estabelecimentos oficiais.”.024. de 1996. Propunham a reconstrução educacional.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Em 1932. a Lei nº 9. e coordenar e fiscalizar a sua execução.155/98. a Constituição Federal de 1988. Havia. o Plano tem como objetivos: . a ideia de um Plano Nacional de Educação. apensado ao PL nº 4.democratização da gestão do ensino público. Atribuía. destacando-se o Conselho Nacional de Secretários de Educação . em sintonia com a Declaração Mundial sobre Educação para Todos. Em 10 de fevereiro de 1998. Considerando que os recursos financeiros são limitados e que a capacidade para responder ao desafio de oferecer uma educação compatível. na educação pública e . 214 contempla esta obrigatoriedade. Essa prioridade inclui o necessário esforço dos sistemas de ensino para que todas obtenham a formação mínima para o exercício da cidadania e para o usufruto do patrimônio cultural da sociedade moderna. políticos e educacionais brasileiros. 150 declarava ser competência da União “fixar o plano nacional de educação. uma nova revisão.. incorporaram. preparado de acordo com as recomendações da reunião organizada pela UNESCO e realizada em Jomtien. com sucesso. respectivamente.CONSED e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação . 25 homens e mulheres da elite intelectual brasileira. culturais. e a Emenda Constitucional nº 14. embasado nas lutas e proposições daqueles que defendem uma sociedade mais justa e igualitária”.173. relativa ao projeto de lei que “Institui o Plano Nacional de Educação”. capaz de conferir estabilidade às iniciativas governamentais na área de educação. de 1961. com força de lei. Cultura e Desporto. Estabelece ainda. e institui a Década da Educação. introduziu importantes alterações na distribuição dos recursos federais. . a elaboração do Plano. iniciativa essa aprovada pelo então Conselho Federal de Educação. Em 1966. do ponto de vista legal... Por outro lado. Justiça e de Redação. em todo o território do País”. determina nos artigos 9º e 87. e de Constituição. segundo o dever constitucional e as necessidades sociais. Era basicamente um conjunto de metas quantitativas e qualitativas a serem alcançadas num prazo de oito anos. à dos países desenvolvidos precisa ser construída constante e progressivamente. Ele não foi proposto na forma de um projeto de lei. o Distrito Federal e os Municípios.  Os projetos foram distribuídos às Comissões de Educação.a elevação global do nível de escolaridade da população. assegurando o seu ingresso e permanência na escola e a conclusão desse ensino. Iniciou sua tramitação na Câmara dos Deputados como Projeto de Lei nº 4. O art. Além deste.CONED e sistematizou contribuições advindas de diferentes segmentos da sociedade civil. principalmente o Plano Decenal de Educação para Todos.155. Em 1965. que cabe à União. Considerou ainda realizações anteriores. ressurgiu a ideia de um plano nacional de longo prazo. um ano após a publicação da citada lei. implícita ou explicitamente.394. A ideia de uma lei ressurgiu em 1967. sofreu uma revisão. os documentos resultantes de ampla mobilização regional e nacional que foram apresentados pelo Brasil nas conferências da UNESCO constituíram subsídios igualmente importantes para a preparação do documento. a elaborar o plano para ser aprovado pelo Poder Legislativo. sugerindo ao Governo as medidas que julgasse necessárias para a melhor solução dos problemas educacionais bem como a distribuição adequada de fundos especiais”. Na justificação. quando foram introduzidas normas descentralizadoras e estimuladoras da elaboração de planos estaduais. que a União encaminhe o Plano ao Congresso Nacional. A idéia prosperou e nunca mais foi inteiramente abandonada. Com a Constituição Federal de 1988. com diretrizes e metas para os dez anos posteriores. organizado na forma da lei. em seu art. em 1993. consolidou os trabalhos do I e do II Congresso Nacional de Educação . 2. o Poder Executivo enviou ao Congresso Nacional a Mensagem 180/98. comuns e especializados. em 13 de março de 1998. um plano com sentido unitário e de bases científicas. Várias entidades foram consultadas pelo MEC. beneficiando a implantação de ginásios orientados para o trabalho e o atendimento de analfabetos com mais de dez anos. O primeiro Plano Nacional de Educação surgiu em 1962. o Deputado Nelson Marchezan. “de grande alcance e de vastas proporções. são estabelecidas prioridades neste plano. que instituiu o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério. um grupo de educadores. compreensivo do ensino de todos os graus e ramos. Prioridade de tempo integral para as crianças das camadas sociais mais necessitadas. de 1998. o consenso de que o plano devia ser fixado por lei. . . subjacente. o Deputado Ivan Valente apresentou no Plenário da Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 4. competência precípua ao Conselho Nacional de Educação. 152. Na Exposição de Motivos destaca o Ministro da Educação a concepção do Plano. Na primeira. lançou um manifesto ao povo e ao governo que ficou conhecido como “Manifesto dos Pioneiros da Educação”.

simultaneamente. No entanto. Se essas oportunidades forem perdidas. das operações matemáticas elementares. sociedade e famílias a investirem na atenção às crianças pequenas. 3. considerando-se a alfabetização de jovens e adultos como ponto de partida e parte intrínseca desse nível de ensino. integrada às diferentes formas de educação. Seu crescimento. elaboração de planos estaduais e municipais. que conduza ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva. deve estar presente desde o momento em que ela nasce. no entanto. Faz parte dessa prioridade a garantia de oportunidades de educação profissional complementar à educação básica. No Brasil. como instrumentos indispensáveis para a gestão do sistema educacional e melhoria do ensino. políticas e intelectuais. assim como. Faz parte dessa valorização a garantia das condições adequadas de trabalho. a formação do cidadão responsável e consciente de seus direitos e deveres. com piso salarial e carreira de magistério. significa maior acesso. 5. ainda. determinará a prioridade que as crianças das famílias de baixa renda terão na política de expansão da educação infantil. Para as demais séries e para os outros níveis. Ele deriva das condições limitantes das famílias trabalhadoras. é preciso evitar uma educação pobre para crianças pobres e a redução da qualidade à medida que se democratiza o acesso. Ampliação do atendimento nos demais níveis de ensino – a educação infantil. como também para os jovens e adultos que não cursaram os níveis de ensino nas idades próprias. deu-se principalmente a partir dos anos 70 deste século e 17 Didatismo e Conhecimento . nucleares. à ciência e à tecnologia. ou seja. são definidas metas de ampliação dos percentuais de atendimento da respectiva faixa etária. seja pelos argumentos advindos das ciências que investigaram o processo de desenvolvimento da criança. às necessidades da sociedade. salário digno.as diretrizes para a gestão e o financiamento da educação. inclusive educação profissional. a educação das crianças menores de 7 anos tem uma história de cento e cinquenta anos. Envolve. a educação infantil ganha prestígio e interessados em investir nela. neste plano. Tratando-se de metas gerais para o conjunto da Nação. durante os quais o ambiente pode influenciar a maneira como o cérebro é ativado para exercer funções em áreas como a matemática. A ampliação do atendimento. Desenvolvimento de sistemas de informação e de avaliação em todos os níveis e modalidades de ensino. artísticas e culturais. e até mais agudos nesses anos recentes. seja em decorrência da necessidade da família de contar com uma instituição que se encarregue do cuidado e da educação de seus filhos pequenos. nos níveis mais elevados. à educação de seus filhos e dependentes de zero a seis anos.as diretrizes e metas para a formação e valorização do magistério e demais profissionais da educação. Considerando que esses fatores continuam presentes. ao trabalho. Particular atenção deverá ser dada à formação inicial e continuada. no que se refere a lideranças científicas e tecnológicas. Este Plano Nacional de Educação define por conseguinte: . desenvolvimento. e a gradual extensão do acesso ao ensino médio para todos os jovens que completam o nível anterior. atendê-la com profissionais especializados capazes de fazer a mediação entre o que a criança já conhece e o que pode conhecer significa investir no desenvolvimento humano de forma inusitada. em parte. garantia crescente de vagas e. das de renda familiar insuficiente para prover os meios adequados para o cuidado e educação de seus filhos pequenos e da impossibilidade de a maioria dos pais adquirirem os conhecimentos sobre o processo de desenvolvimento da criança que a pedagogia oferece. oportunidade de formação que corresponda às necessidades das diferentes faixas etárias. contemplando também o aperfeiçoamento dos processos de coleta e difusão dos dados. Mas o argumento social é o que mais tem pesado na expressão da demanda e no seu atendimento por parte do Poder Público. nos próximos dez anos. como meio e condição de formação. o ensino médio e a educação superior. Está prevista a extensão da escolaridade obrigatória para crianças de seis anos de idade. a música.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 2. Valorização dos profissionais da educação. Isso. é de se supor que a educação infantil continuará conquistando espaço no cenário educacional brasileiro como uma necessidade social. monoparentais. . Se a inteligência se forma a partir do nascimento e se há “janelas de oportunidade” na infância quando um determinado estímulo ou experiência exerce maior influência sobre a inteligência do que em qualquer outra época da vida.1 Diagnóstico A educação das crianças de zero a seis anos em estabelecimentos específicos de educação infantil vem crescendo no mundo inteiro e de forma bastante acelerada. A alfabetização dessa população é entendida no sentido amplo de domínio dos instrumentos básicos da cultura letrada. Na base dessa questão está o direito ao cuidado e à educação a partir do nascimento. além das demandas do mercado de trabalho. Além do direito da criança. integração social e realização pessoal. portanto. da evolução histórica da sociedade humana. Hoje se sabe que há períodos cruciais no desenvolvimento. empresariais e sindicais. como desdobramento. EDUCAÇÃO INFANTIL 1. descuidar desse período significa desperdiçar um imenso potencial humano. 4. II – NÍVEIS DE ENSINO A – EDUCAÇÃO BÁSICA 1. à cada circunstância. A educação é elemento constitutivo da pessoa e. quer no ensino fundamental. será preciso. principalmente quando os pais trabalham fora de casa. Não são apenas argumentos econômicos que têm levado governos. a linguagem. À medida que essa ciência da criança se democratiza. quer na educação infantil. pais e responsáveis.as diretrizes e metas para cada nível e modalidade de ensino e . em especial dos professores. Garantia de ensino fundamental a todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria ou que não o concluíram. entre elas o tempo para estudo e preparação das aulas. da diversidade do espaço físico e político mundial e da constituição da sociedade brasileira. A erradicação do analfabetismo faz parte dessa prioridade. será muito mais difícil obter os mesmos resultados mais tarde. Ao contrário. a Constituição Federal estabelece o direito dos trabalhadores. adequação às especificidades locais e definição de estratégias adequadas.

de 1.2 milhões. ficando a faixa de 4 a 6 para a pré-escola. conclui-se que há uma demanda reprimida ou um não-atendimento das necessidades de seus filhos pequenos.1 milhões e 44%. É preciso analisar separadamente as faixas etárias de 0 a 3 e de 4 a 6 anos.3 milhões estavam matriculadas em pré-escolas no ano de 1997. Os Municípios passaram de 47.9% para 9. As estatísticas informavam sobre os atendimentos conveniados.000 crianças atendidas na faixa de 0 a 3 anos. pois em 1993 detinham 31% dos estabelecimentos e. decisões políticas e programas governamentais têm sido meios eficazes de expansão das matrículas e de aumento da consciência social sobre o direito. estaduais e 72. um número de 1. Diferentemente de outros países e até de preocupações internacionais. como a antiga LBA. estava presente em 5. Qualquer número.4% dos estabelecimentos.4%. no entanto.5% e masculino. quer por instituições que atuaram nesse campo. de sorte que a maioria das crianças de 6 anos já está na pré-escola. sejam públicas ou privadas. ele caiu para 4. constituído de 12 milhões de crianças. uma vez que o déficit de atendimento é bastante grande. elevando o percentual nessa categoria em relação ao total de professores. Bons materiais pedagógicos e uma respeitável literatura sobre organização e funcionamento das instituições para esse segmento etário vêm sendo produzidos nos últimos anos no país.6% do total. de 34 para 24%. Já em 1998. Existiam.2 milhões de crianças. porque foram grupos tratados diferentemente. as creches atenderão crianças de zero a três anos. Trata-se de um tempo que não pode estar descurado ou mal orientado. e deverão adotar objetivos educacionais. alimentação. o que revela uma progressiva melhoria da qualificação docente. Em torno de 13% dos professores possuem apenas o ensino fundamental.7% para 25.5%. o que caracteriza pequenas unidades pré-escolares de uma sala. transformando-se em instituições de educação. Daí porque os cursos de formação de magistério para a educação infantil devem ter uma atenção especial à formação humana. A mobilização de organizações da sociedade civil. em 1998. O Poder Público será cada vez mais instado a atuar nessa área. A distribuição das matrículas. Esse equilíbrio é uniforme em todas as regiões do País. Em relação a 1987. 208. Em 1998. A Sinopse Estatística da Educação Básica reuniu dados de 1998 sobre a creche. em nosso País essa questão não requer correções.7 milhões. 66% são formados em nível médio e 20% já têm o curso superior. que desenvolvem proposta pedagógica de alta qualidade educacional. Esse é um dos temas importantes para o PNE. A maioria dos ambientes não conta com profissionais qualificados. não havendo um levantamento completo de quantas crianças estavam freqüentando algum tipo de instituição nessa faixa etária. certamente não por ter alcançado a satisfação da demanda.3%. dispomos de dados mais consistentes. está equilibrada: feminino. é fundamental que os profissionais sejam altamente qualificados. precisamente. 129 mil são municipais. não desenvolve programa educacional. em idades que variam de menos de 4 a mais de 9 anos. atualmente.2% para 66. que vem se verificando nos últimos anos.8%. Em 1998. e mais acentuadamente a partir de 1994. no conjunto.8 mil. não significa necessariamente habilidade para educar crianças pequenas. de 39.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS foi mais acelerado até 1993. Nível de formação acadêmica. Com 51 e mais alunos temos apenas 29. em alguns casos. as matrículas quase estacionaram no patamar de 4. Didatismo e Conhecimento 18 A partir de 1993. equivalendo a 46. como são as crianças.3 milhão de matrículas para 2. coletados pelo sistema nacional de estatísticas educacionais.7% e a iniciativa privada.4% para 65. simultaneamente ao ensino fundamental. com profissionais com formação e experiência no cuidado e educação de crianças. orientação pedagógica de algum órgão público. Das 219 mil funções docentes. Atendia principalmente as crianças cujas mães trabalhavam fora de casa. 49. constata-se uma redução acentuada no atendimento por parte dos Estados. 4.400. indicando um atendimento de 381. das quais o Nordeste detém quase metade (47. Essa determinação segue a melhor pedagogia. especialmente da qualidade das experiências educativas. determinado pelo art.320 Municípios. aliás. Grande parte era atendida por instituições filantrópicas e associações comunitárias. Mas deve-se registrar. porque é nessa idade. que recebiam apoio financeiro e. será uma quantidade muito pequena diante da magnitude do segmento populacional de 0 a 3 anos. aumentado sua parcela. Em 1987. de 22. quanto ao gênero. ¼ delas. até alguns anos atrás. somente 8. completo ou incompleto. observa-se o mesmo fenômeno que ocorreu com as matrículas: os Estados se retraíram. Esse fenômeno decorre da expressão e pressão da demanda sobre a esfera de governo (municipal) que está mais próximo às famílias e corresponde à prioridade constitucional de atuação dos Municípios nesse nível. saúde. Observando a distribuição das matrículas entre as esferas públicas e a iniciativa privada. a importância e a necessidade da educação infantil. no entanto. considerando-se que nos primeiros anos de vida. uma pequena redução na área particular e um grande aumento na esfera municipal. naquele período. 78. quer nos objetivos. IV da Constituição Federal. 50. Estimativas precárias indicavam. em 1997. Para a faixa de 4 a 6 anos.106 pré-escolas. como cuidados físicos. baixando sua participação no total de matrículas de 25. Por determinação da LDB. é interessante observar que quase metade (45%) atende até 25 alunos. não dispõe de mobiliário.6% e as da iniciativa privada. Os com ensino médio completo eram 95 mil em 1987 e em 1998 já chegavam a 146 mil. De 1987 para 1998 houve aumento do número dos diplomados em nível universitário trabalhando na educação infantil (de 20 para 44 mil). 17 mil. também. que correspondem a 96. mesmo porque só agora as creches começam a registrar-se nos órgãos de cadastro educacional. A primeira faixa esteve predominantemente sob a égide da assistência social e tinha uma característica mais assistencial. brinquedos e outros materiais pedagógicos adequados. o que. Esses dados são alvissareiros.804 crianças. . particulares.7%. somente 600 mil. a retração foi maior ainda: para 396 mil matrículas. Considerando o aumento do número de famílias abaixo do nível de pobreza no Brasil. O atendimento maior se dá nas idades mais próximas da escolarização obrigatória. os Estados atendiam 850 mil e. Em relação ao número de alunos por estabelecimento.5%) e o Sudeste. Já os Municípios passaram. que existem creches de boa qualidade. dada a maleabilidade da criança às interferências do meio social. que os estímulos educativos têm maior poder de influência sobre a formação da personalidade e o desenvolvimento da criança. De uma população de aproximadamente 9. à questão de valores e às habilidades específicas para tratar com seres tão abertos ao mundo e tão ávidos de explorar e conhecer. é dever constitucional. São dados incompletos. segundo as diretrizes curriculares nacionais emanadas do Conselho Nacional de Educação.

Em relação à infraestrutura dos estabelecimentos. que afeta a maioria delas. Finalmente. consoante determina o art. terá que ser encontrada uma solução para as diversas demandas. que retira de suas famílias as possibilidades mais primárias de alimentálas e assisti-las. tendo sido fechadas muitas instituições de educação infantil. a educação. cultura e lazer. a Declaração Mundial de Educação para Todos (Jomtien. estabelecem os marcos para a elaboração das propostas pedagógicas para as crianças de 0 a 6 anos. no Nordeste. mesmo porque inteligência não é herdada geneticamente nem transmitida pelo ensino. Recursos antes aplicados na educação infantil foram carreados. quer sobre a vida acadêmica posterior. na interação social mediante a ação sobre os objetos. na comunidade e nas instituições. nutrição e educação está demonstrado por avaliações de políticas e programas. O setor privado baixa a média nacional para 18.153 pré-escolas. nutrição e apoio familiar são vistos como um importante instrumento de desenvolvimento econômico e social. além das organizações da sociedade civil. em 1999. responsabilidade. desafiantes e enriquecedoras oportunidades de desenvolvimento e aprendizagem. o Trabalho. as circunstâncias e os fatos. a moradia. onde o espaço externo é restrito e tem que ser dividido com muitos outros alunos. embora ainda em pequeno número. a Justiça. Tailândia. Sul e Centro-Oeste. É possível que muitos dos estabelecimentos sejam anexos a escolas urbanas de ensino fundamental. a Cultura. As ciências que se debruçaram sobre a criança nos últimos cinquenta anos. Didatismo e Conhecimento 19 . Esses valores são semelhantes em todas as regiões. pois está com 14 crianças por professor. em instituições específicas ou em programas de atenção educativa. investigando como se processa o seu desenvolvimento.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Outra questão importante a analisar é o número de crianças por professor pois. indicam os efeitos positivos da ação educacional nos primeiros anos de vida. E têm oferecido grande suporte para a educação formular seus propósitos e atuação a partir do nascimento. o trabalho e o emprego. que englobem ações integradas de educação. Daí porque a intervenção na infância. a renda e os espaços sociais de convivência. Considera-se. Há bastante segurança em afirmar que o investimento em educação infantil obtém uma taxa de retorno econômico superior a qualquer outro. requerem-se. há que se apontar que 4. a relação é de 21. saúde. medidas econômicas relativas aos recursos financeiros necessários e medidas administrativas para articulação dos setores da política social envolvidos no atendimento dos direitos e das necessidades das crianças. estando privadas da rica atividade nesses ambientes nada menos que 54% das crianças. em 1998. que a educação infantil terá um papel cada vez maior na formação integral da pessoa. Há que se registrar. como a Educação. o que é um bom número para a faixa de 4 a 6 anos. A pedagogia mesma vem acumulando considerável experiência e reflexão sobre sua prática nesse campo e definindo os procedimentos mais adequados para oferecer às crianças interessantes. da socialização. pela predominância da atividade cognoscitiva em sala de aula. também. sob pena de termos uma educação infantil descaracterizada. a Assistência Social. solidariedade. tem que ser enfrentada com políticas abrangentes que envolvam a saúde. a partir do nascimento. No horizonte dos dez anos deste Plano Nacional de Educação. ao longo da vida. sendo 127 mil em estabelecimento sem esgoto sanitário. Dada a importância do brinquedo livre. Avaliações longitudinais.7. ao ensino fundamental. ficando 167 mil crianças matriculadas sem possibilidade de acesso aos meios mais modernos da informática como instrumentos lúdicos de aprendizagem. IV da LDB.2 Diretrizes A educação infantil é a primeira etapa da Educação Básica. as atitudes de autoconfiança. de cooperação. sem prejuízo da prioridade constitucional do ensino fundamental. as crianças precisam de atenção bastante individualizada em muitas circunstâncias e requerem mais cuidados dos adultos do que nos níveis subsequentes da escolarização. no âmbito internacional.  As diretrizes curriculares nacionais para a educação infantil. beneficiando a toda criança que necessite e cuja família queira ter seus filhos frequentando uma instituição educacional. a Saúde e as Comunicações Sociais. Ela estabelece as bases da personalidade humana. A Sinopse Estatística da Educação Básica/1999 registra um decréscimo de cerca de 200 mil matrículas na pré-escola. A pobreza. Além disso. pré-escolas da zona rural.714 crianças. mas construída pela criança. persistindo. 70% dos estabelecimentos não têm parque infantil. 9o. No setor público. definidas pelo Conselho Nacional de Educação. As primeiras experiências da vida são as que marcam mais profundamente a pessoa. 1990). a inexistência de energia elétrica em 20% dos estabelecimentos.4. por Municípios e Estados. Tem-se atribuído essa redução à implantação do FUNDEF. através de programas de desenvolvimento infantil. tendem a reforçar. nessa faixa etária. esse problema deve merecer atenção especial na década da educação. O efeito sinergético de ações na área da saúde. a demanda de educação infantil poderá ser atendida com qualidade. da inteligência. medidas de natureza política. coincidem em afirmar a importância dos primeiros anos de vida para o desenvolvimento e aprendizagem posteriores. Quando positivas. Pois todos esses são elementos constitutivos da vida e do desenvolvimento da criança. Essa educação se dá na família.0 por 1 na esfera municipal e de 23. complementadas pelas normas dos sistemas de ensino dos Estados e Municípios. Para tanto. no desenvolvimento de sua capacidade de aprendizagem e na elevação do nível de inteligência das pessoas. certamente.5% das crianças atendidas nas regiões Sudeste. Essa carência ocorre para menos de 0. quer sobre outros aspectos da vida social. na estadual. ademais de orientações pedagógicas e medidas administrativas conducentes à melhoria da qualidade dos serviços oferecidos. As instituições de educação infantil vêm se tornando cada vez mais necessárias. embora em número menor (159 mil). criativo e grupal nessa faixa etária. A educação infantil inaugura a educação da pessoa. que atendem a 69. um diagnóstico das necessidades da educação infantil precisa assinalar as condições de vida e desenvolvimento das crianças brasileiras. 1. Serão essas. Mais grave é que 58% das crianças freqüentam estabelecimento sem sanitário adequado. que contemplou separadamente o ensino fundamental das etapas anterior e posterior da educação básica. a nutrição. da vida emocional. tais como decisões e compromissos políticos dos governantes em relação às crianças. mais da metade das quais. não têm abastecimento de água. Na década da educação. 84% das quais se situam no Nordeste. o que já foi afirmado pelo mais importante documento internacional de educação deste século. relativamente a 1998. como complementares à ação da família.

2. A formação dos profissionais da educação infantil merecerá uma atenção especial. respeitando as diversidades regionais. expectativas. Elaborar. de sorte que esta se torne. é o cuidado na qualidade do atendimento. tornando-se cada vez mais óbvios. no entanto. o Poder Público tem o dever de atendê-la. que formam a base sócio histórica sobre a qual as crianças iniciam a construção de suas personalidades. Além da formação acadêmica prévia. o movimento e o brinquedo. A articulação com a família visa. assistência ou assistencialismo/ educação. que. Considerando. requer-se a formação permanente. a União e os Estados atuarão subsidiariamente. o Brasil poderá chegar a uma educação infantil que abarque o segmento etário 0 a 6 anos (ou 0 a 5. de formação da inteligência e da personalidade. conforme as diretrizes curriculares e a metodologia da educação infantil. que orientações políticas e práticas sociais equivocadas foram produzindo ao longo da história. produzindo aprendizagens coerentes. no prazo de um ano. 208. No entanto. Estado e União . assegurem o atendimento das características das distintas faixas etárias e das necessidades do processo educativo quanto a: a) espaço interno. a 30% da população de até 3 anos de idade e 60% da população de 4 e 6 anos (ou 4 e 5 anos) e. Os fatores históricos que determinam a demanda continuam vigentes em nossa sociedade. nutrindo-se dele e renovando-o constantemente. consoante o art. adaptação dos estabelecimentos quanto às condições físicas. de tal maneira que a educação familiar e a escolar se complementem e se enriqueçam. qualificação dos professores. incluindo o repouso. acrescentando-se a eles a própria oferta como motivadora da procura. valores. a expressão livre. atendimento a carentes/educação para classe média e outras. num processo de desenvolvimento marcado por etapas ou estágios em que as rupturas são bases e possibilidades para a sequência. mais do que qualquer outra coisa. com reflexos positivos sobre todo o processo de aprendizagem posterior. Quando a avaliação recomendar atendimento especializado em estabelecimentos específicos. O que este plano recomenda é uma educação de qualidade prioritariamente para as crianças mais sujeitas à exclusão ou vítimas dela. Quanto às esferas administrativas. e não à demanda potencial. IV da Constituição Federal). a necessidade do atendimento em tempo integral para as crianças de idades menores. fonte de novos conhecimentos e habilidades na educação das crianças. Afinal a existência da possibilidade de acesso e o conhecimento dos benefícios da frequência a um centro de educação infantil de qualidade induzem um número cada vez maior de famílias a demandar uma vaga para seus filhos. inserida no trabalho pedagógico. cada vez mais. Para orientar uma prática pedagógica condizente com os dados das ciências e mais respeitosa possível do processo unitário de desenvolvimento da criança. pois só esta o justifica e produz resultados positivos. e) mobiliário. mais amplas e profundas. as condições concretas de nosso País. transcendendo a questão da renda familiar. constitui diretriz importante a superação das dicotomias creche/pré-escola. 20 A educação infantil é um direito de toda criança e uma obrigação do Estado (art. definida pelo número de crianças na faixa etária. porém necessariamente. em cinco anos. c) instalações para preparo e/ou serviço de alimentação. 30. das famílias de renda mais baixa. mas um direito da criança. até o final da década. esgotamento sanitário. padrões mínimos de infraestrutura para o funcionamento adequado das instituições de educação infantil (creches e pré-escolas) públicas e privadas. Importante. A expansão que se verifica no atendimento das crianças de 6 e 5 anos de idade. dada a relevância de sua atuação como mediadores no processo de desenvolvimento e aprendizagem. este plano propõe que a oferta pública de educação infantil conceda prioridade às crianças das famílias de menor renda. como vem ocorrendo entre esta e a primeira série do ensino fundamental. No período dos dez anos coberto por este plano.e da família. que exigem “adaptação” entre o que hoje constitui a creche e a pré-escola. da produção de aprendizagens e a habilidade de reflexão sobre a prática. A norma constitucional de integração das crianças especiais no sistema regular será. tanto a Constituição Federal quanto a LDB são explícitas na corresponsabilidade das três esferas de governo . equipamentos e materiais pedagógicos. Por isso. Em vista daquele direito e dos efeitos positivos da educação infantil sobre o desenvolvimento e a aprendizagem das crianças. caracterizar a educação infantil pública como uma ação pobre para pobres. sobretudo no que se refere à limitação de meios financeiros e técnicos. aos valores e às expressões culturais das diferentes localidades. f) adequação às características das crianças especiais. As inversões financeiras requeridas para cumprir as metas de abrangência e qualidade deverão ser vistas sobretudo como aplicações necessárias em direitos básicos dos cidadãos na primeira etapa da vida e como investimento.3 Objetivos e Metas 1. Educação e cuidados constituem um todo indivisível para crianças indivisíveis. cujas taxas de retorno alguns estudos já indicam serem elevadas. conduzirá invariavelmente à universalização. A criança não está obrigada a frequentar uma instituição de educação infantil. na medida em que as crianças de 6 anos ingressem no ensino fundamental) sem os percalços das passagens traumáticas. esse segmento da educação vem crescendo significativamente e vem sendo recomendado por organismos e conferências internacionais. mas sempre que sua família deseje ou necessite. no mundo inteiro. ao mútuo conhecimento de processos de educação. A qualificação específica para atuar na faixa de zero a seis anos inclui o conhecimento das bases científicas do desenvolvimento da criança. Didatismo e Conhecimento . diretrizes para essa modalidade constarão do capítulo sobre educação especial. já constatado por muitas pesquisas. rede elétrica e segurança. pois a educação infantil não é obrigatória. também. 1. quando os pais trabalham fora de casa.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Na distribuição de competências referentes à educação infantil. é preciso sublinhar que é uma diretriz nacional o respeito às diversidades regionais. situando as instituições de educação infantil nas áreas de maior necessidade e nelas concentrando o melhor de seus recursos técnicos e pedagógicos. implementada através de programas específicos de orientação aos pais.Municípios. visão para o espaço externo. d) ambiente interno e externo para o desenvolvimento das atividades. insolação. Deve-se contemplar. na educação infantil. água potável. b) instalações sanitárias e para a higiene pessoal das crianças. alcançar a meta de 50% das crianças de 0 a 3 anos e 80% das de 4 e 5 anos. equipamentos e materiais pedagógicos. VI da Constituição Federal. em apoio técnico e financeiro aos Municípios. Ampliar a oferta de educação infantil de forma a atender. em hipótese alguma. Essa prioridade não pode. ventilação. o atendimento de qualquer criança num estabelecimento de educação infantil é uma das mais sábias estratégias de desenvolvimento humano. mobiliário. nesse processo. As metas estão relacionadas à demanda manifesta. As medidas propostas por este plano decenal para implementar as diretrizes e os referenciais curriculares nacionais para a educação infantil se enquadram na perspectiva da melhoria da qualidade. com iluminação.

Ampliar a oferta de cursos de formação de professores de educação infantil de nível superior. visando ao apoio técnico-pedagógico para a melhoria da qualidade e à garantia do cumprimento dos padrões mínimos estabelecidos pelas diretrizes nacionais e estaduais. nas normas complementares estaduais e nas sugestões dos referenciais curriculares nacionais. 15. A partir do segundo ano deste plano. ENSINO FUNDAMENTAL 2. A partir da vigência deste plano. É básico na formação do cidadão. Promover debates com a sociedade civil sobre o direito dos trabalhadores à assistência gratuita a seus filhos e dependentes em creches e pré-escolas. b) que. 16. todos os professores tenham habilitação específica de nível médio e. Instituir mecanismos de colaboração entre os setores da educação. 2. em cinco anos. com vistas a melhorar a eficiência e garantir a generalização da qualidade do atendimento. prioritariamente. em todos os Municípios e com a colaboração dos setores responsáveis pela educação. um sistema de acompanhamento. (Tabela 1). Incluir as creches ou entidades equivalentes no sistema nacional de estatísticas educacionais. bem como para a formação do pessoal auxiliar. com a participação dos profissionais de educação neles envolvidos. Encaminhar ao Congresso Nacional projeto de lei visando à regulamentação daquele dispositivo. sejam atendidos os padrões mínimos de infraestrutura definidos na meta nº 2. Estabelecer um Programa Nacional de Formação dos Profissionais de educação infantil. 208. o controle e a avaliação. Assegurar. 20. que atendam aos requisitos de infraestrutura definidos no item anterior. pois de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 3. Diagnóstico De acordo com a Constituição Brasileira. 26. Estabelecer parâmetros de qualidade dos serviços de educação infantil. para a atualização permanente e o aprofundamento dos conhecimentos dos profissionais que atuam na educação infantil. 19. Isto significa que há muitas crianças matriculadas no ensino fundamental com idade acima de 14 anos. No prazo máximo de três anos a contar do início deste plano. com a cooperação técnica e financeira da União e dos Estados. também. prioritariamente nas regiões onde o déficit de qualificação é maior. sempre que possível em articulação com as instituições de ensino superior que tenham experiência na área. Assegurar que. o fornecimento de materiais pedagógicos adequados às faixas etárias e às necessidades do trabalho educacional. inclusive das universidades e institutos superiores de educação e organizações não governamentais. 10. O art. Garantir a alimentação escolar para as crianças atendidas na educação infantil. 6. da Constituição Federal. da escrita e do cálculo constituem meios para o desenvolvimento da capacidade de aprender e de se relacionar no meio social e político. naquele nível todas as crianças de 7 anos ou mais que se encontrem na educação infantil. até o final da década. violência doméstica e desagregação familiar extrema. o ensino fundamental é obrigatório e gratuito. como referência para a supervisão. 13. em cinco anos. nos estabelecimentos públicos e conveniados. 25. e como instrumento para a adoção das medidas de melhoria da qualidade. o pleno domínio da leitura. 18. que realize as seguintes metas: a) que. preferencialmente em articulação com instituições de ensino superior. somente admitir novos profissionais na educação infantil que possuam a titulação mínima em nível médio. em cinco anos. Assegurar que. oferecendo. 21. através da colaboração financeira da União e dos Estados. 70% tenham formação específica de nível superior. em dez anos. inclusive. em dois anos. 7. além de outros recursos municipais os 10% dos recursos de manutenção e desenvolvimento do ensino não vinculados ao FUNDEF sejam aplicados. em dez anos. Didatismo e Conhecimento 21 . nos termos dos arts. Adaptar os prédios de educação infantil de sorte que. Estabelecer. no prazo de três anos. As matrículas do ensino fundamental brasileiro superam a casa dos 35 milhões. VI e 211. saúde e assistência social e de organizações não governamentais. colocar em execução programa de formação em serviço. de modo a atingir a meta estabelecida pela LDB para a década da educação. Extinguir as classes de alfabetização incorporando imediatamente as crianças no ensino fundamental e matricular. em três anos. programas de orientação e apoio aos pais com filhos entre 0 e 3 anos. 208 preconiza a garantia de sua oferta. O art. Estados e Municípios. no prazo de três anos. § 1º. modalidade normal. 32. Exercer a ação supletiva da União e do Estado junto aos Municípios que apresentem maiores necessidades técnicas e financeiras. Realizar estudos sobre custo da educação infantil com base nos parâmetros de qualidade. expansão. todos estejam conformes aos padrões mínimos de infraestrutura estabelecidos. somente autorizar construção e funcionamento de instituições de educação infantil. estabelecido no art. 24. Estabelecer em todos os Municípios. § 1º. da Constituição Federal. todos os dirigentes de instituições de educação infantil possuam formação apropriada em nível médio (modalidade Normal) e. Adotar progressivamente o atendimento em tempo integral para as crianças de 0 a 6 anos. tínhamos mais de 8 milhões de pessoas nesta situação. 22. XXV. todos os Municípios tenham definido sua política para a educação infantil. É prioridade oferecê-lo a toda população brasileira. 11. com a colaboração da União. controle e avaliação das instituições de atendimento das crianças de 0 a 3 anos de idade. 17. Assegurar que. com base nas diretrizes nacionais. 14. 30. 12. Existe hoje. dando-se preferência à admissão de profissionais graduados em curso específico de nível superior. 8.1. Observar as metas estabelecidas nos demais capítulos referentes à educação infantil. um amplo consenso sobre a situação e os problemas do ensino fundamental. da Constituição Federal afirma: “O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo”. 4. em cinco anos. na educação infantil. com conteúdos específicos. (VETADO) 23. 5. Em 1998. em cada município ou por grupos de Município. formação de nível superior. administração. Implantar conselhos escolares e outras formas de participação da comunidade escolar e local na melhoria do funcionamento das instituições de educação infantil e no enriquecimento das oportunidades educativas e dos recursos pedagógicos. 9. número superior ao de crianças de 7 a 14 anos representando 116% dessa faixa etária. saúde e assistência na manutenção. em todos os Municípios. em todos os Municípios. públicas ou privadas. seus projetos pedagógicos. todas as instituições de educação infantil tenham formulado. inclusive para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria. jurídica e de suplementação alimentar nos casos de pobreza. controle e supervisão da educação infantil. nos estabelecimentos públicos e privados. e seu não oferecimento pelo Poder Público ou sua oferta irregular implica responsabilidade da autoridade competente. de forma que. assistência financeira. no Brasil. em seu art. 7o.

249.279 49.518 4.373 29.717 4.837 459.232 50.288 Menos 7 anos 147.886 595 42.420 75.565 452.492 485. é a forma mais perversa e irremediável de exclusão social.729 22.247 1.961 1.365 91.870.863 2.121 608 Fonte MEC/INEP/SEEC – (Nota: A idade foi obtida a partir do Ano do Nascimento informado no censo escolar.686 19.103 16.361 864 3.770 44.985 30.057 1.429 1.345 104.792.176 638.995 44.742 71.441 28.289 11.238 116.712 149.915 Total 6. Tabela 1 .553 619.679 242.142 787.008 1.890 209.313 68. A consciência desse fato e a mobilização social que dela decorre têm promovido esforços coordenados das diferentes instâncias do Poder Público que resultaram numa evolução muito positiva do sistema de ensino fundamental como um todo.207.758 15.210.883 245 17.606.117 2.904 1. isto é.712 90.761 9.067 14.954 10.912 701.446 13.127 10.387 276.001 15.177 513 2.766 286.586 463.686 91.806 8. do Sul Centro-Oeste M.992 140.736 5.440 262.169 516 24.175 Mais de 19 anos 221.878 17.197 31.052 Menos de 7 anos 449.266 377.892 164 20.394. no ensino fundamental.565.771 1.777 614.578 8.407.097.054 244.554 6.558 80.983 5.262 86.845 Mais de 19 anos 1.340 27.606 De 15 a 19 anos 1.273 34.855.224 24. seja por omissão da família e da sociedade.590 2.195.248 8.663.593 8.150 1.473 750.423 182.638 437 4.813 32.742 2.239 122.609 1.119 De 7 a 14 Anos 26.769 50.512 54.994 1.488 577.815 32.880 1.333 149.530 357. pois nega o direito elementar de cidadania.285 436. G.165 1.924.568 99.537 97.777.036 32. seja por incúria do Poder Público.448 664.468 598.480 1.279 36.693 150.561 2.698 40.121 130.815 364.080 53.146 71.633 29.881 77.335 13.377.224 424.548 16.796 152.124 149. do Sul Mato Grosso Goiás Distrito Federal Total Total 35.913 8.018 2.408 100.521 116.566 19.853 115.719 322.227 731.892 184.847 532.916 12.211 1.892 1.237 650.161 2.131 1.779 1.759 23.732 320 1.822 11.204 171.808 256.185 8.742 899 Rural De 7 a 14 anos 5.864 6.214 1.630 250. indicam claramente esta questão. em 25/3/98.642 23.173 De 15 a 19 anos 7.466 849.532 5.618 24.818 103.490.341 111.818.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A exclusão da escola de crianças na idade própria.648 1.072 1.986 16.991 27.483 18.153.479 688.786 789.399 423.319 39.136 3.315 2. foi considerada a idade que o aluno completou em 1998) Didatismo e Conhecimento 22 .880 308.526 18.322 15.278 464.785 2.192 255.423 839.736 642 1.921 2.836 11.303 66.534 50.948 71.305.964 10.075 744.135.953 216 13.388 605.910 441.669 13.584 82.691 480.682 4.803 9.G.786 2.791 604.666 441.780 10.526 248.156.814 3.686 956 1.293. por Faixa Etária e Localização – 1998 Matrícula por Faixa Etária e Localização Unidade da Federação Brasil Norte Rondônia Acre Amazonas Roraima Pará Amapá Tocantins Nordeste Maranhão Piauí Ceará R.918.440 6.998 142.554 3.987 952.137.098 498.472 3.062 810.447 1.511 37.082 241.100 312.922 144.938 20.299 12.270 24.770.470 215.716 85.558.375.137 18.605 3.723 20.993 12.984 22.394 159.809 130.082 134.056 229.954 81.991 4.G.672 499.149 983.370 2.061 3.169 2.459 7.266 951.646 117.876.411 16.020 69.631 3.287 7.331 45.585.857.714 3.690 185.808.652 171.050 2.383 65.782 479 1.169 12.847 105.559 2.684 92.015 531.711 882.254 94.431.297.063 248.220 144.580 215.447.062 195.079 21.377.609 1.446 10.079 43.034 22.372 1.964 264.342 73.066 113.859 456 8.830 22.303 350.073 8.863 48.104 4.016.392 346.539 428.698 4.823 5.097 224.813 117.383 120.091 8.874 1.383 25.382 296.378 126.369.178 3. em termos tanto de cobertura quanto de eficiência.766.842.868 1. condensados na Tabela 2. Os dados evolutivos.172 12.636 82.295 54.060 33.910.472 134.553.180 12.380 4.616 7.838 4.175 412.305 172.187.952 2.724 149.876 557.143 15.do Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Sudeste Minas Gerais Espírito Santo Rio de Janeiro São Paulo Sul Paraná Santa Catarina R.015 472.805 34.361 97.815 86.355 57.935 4.Matrícula.287 2.251.466 632.629 552.506 974.728 63. reproduzindo o círculo da pobreza e da marginalidade e alienando milhões de brasileiros de qualquer perspectiva de futuro.953 10.948 412.

804. verificamos que.8 x 118. A existência de crianças fora da escola e as taxas de analfabetismo estão estreitamente associadas.2 Diretrizes As diretrizes norteadoras da educação fundamental estão contidas na Constituição Federal.773. O progresso foi impressionante.9 Brasil 1991 1996 Norte 1991 1996 Nordeste 1991 1996 Sudeste 1991 1996 Sul 1991 1996 Centro-Oeste 1991 1996 xx 27.010.1 x 99.140.958. Nos cinco primeiros anos de vigência deste plano.089 x 10.270 x 2.774 x 2. Tomando como referência apenas as crianças de 14 anos.157 2. a qual. De acordo com o censo escolar de 1996.339 2.558. De acordo com a contagem da população realizada pelo IBGE em julho de 1996.400. uma situação de inchaço nas matrículas do ensino fundamental. pois nas regiões Norte e Nordeste a taxa de escolarização líquida passou a 90%. ampliar o ensino obrigatório para nove séries. a situação de distorção idade-série provoca custos adicionais aos sistemas de ensino.369 4.532 9. o ensino privado absorvia apenas 9.417. são cerca de 2.201.330 11.815 x 2. que depende. está relacionado à precariedade do ensino e às condições de exclusão e marginalidade social em que vivem segmentos da população brasileira. o ingresso no ensino fundamental é relativamente tardio no Brasil.803.Taxas de Escolarização Bruta e Líquida na faixa etária de 7 a 14 anos Brasil e Regiões – 1991 e 1996 Região/ Ano População de 7 a 14 anos Matrícula no Ensino Fundamental Total x 29. Se considerarmos.2 89. de problemas localizados.185. do trabalho infantil.480 12.531 x 8.860 x 1.5% das matrículas.171. priorizando o auxílio técnico e financeiro para as regiões que apresentam maiores deficiências.8 x 94.7 milhões de crianças de 7 a 14 anos fora da escola. O Fundo Nacional de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério. para sua subsistência. Tendo em vista este conjunto de dados e a extensão das matrículas no ensino fundamental.701 1.007 x 1. as regiões Norte e Nordeste continuam apresentando as piores taxas de escolarização do País.580 28.860 3.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Tabela 2 . assim como o Projeto Nordeste/Fundescola.1 90.469 x 11.650.777.980 Taxa de Escolarização Líquida % x 86.822 Taxa Escolarização Bruta % x 105.6 126.820.899. o ensino fundamental deverá atingir a sua universalização.8 x 79.4 116.6% para 95%. mantendo as crianças por período excessivamente longo no ensino fundamental. portanto aproximando-se da média nacional. que decorre basicamente da distorção idadesérie. mantendo a tendência decrescente de participação relativa. concentrando-se em bolsões de pobreza existentes nas periferias urbanas e nas áreas rurais.876 2.589.2 114.4 94. A correção dessa distorção abre a perspectiva de.8 116. da população muito pobre.5 82.7 x 96. 2.475.5 x 110.8 x 72. por sua vez. Na maioria das situações. sendo de seis anos a idade padrão na grande maioria dos sistemas.9 116. Temos. inclusive nos demais países da América Latina.811.209 x 6. é consequência dos elevados índices de reprovação. Esse problema dá a exata dimensão do grau de ineficiência do sistema educacional do País: os alunos levam em média 10.601. Em 1998. o que tem sido um dos principais fatores de evasão. A desigualdade regional é grave.528. permanência e qualidade da Didatismo e Conhecimento 23 . considerando a indissociabilidade entre acesso.0 114. Corrigir essa situação constitui prioridade da política educacional. abrir vagas.161 Fontes: MEC/INEP/SEEC e IBGE Considerando-se o número de crianças de 7 a 14 anos matriculadas no ensino fundamental. Trata-se. o atendimento é ainda maior e o progresso igualmente impressionante: entre 1991 e 1998.965.248.230 1. dos 3.1 x 111. Não basta.475. por outro lado.730 x 1. mantendo-se o atual número de vagas.3 Matrícula no Ensino Fundamental 7 a 14 anos x 23. é surpreendente e inaceitável que ainda haja crianças fora da escola. em comparação com os demais países.852 x 3.474 10. além de uma parcela muito reduzida que já ingressou no ensino médio. o que está muito próximo de uma universalização real do atendimento. devem garantir os recursos para a correção dessas desigualdades. o índice de atendimento dessa faixa etária (taxa de escolarização líquida) aumentou.5 milhões de adolescentes nessa faixa etária.4 anos para completar as oito séries do ensino fundamental.9 94.693. tanto em termos de cobertura como de sucesso escolar. mais de 46% dos alunos do ensino fundamental têm idade superior à faixa etária correspondente a cada série. apenas cerca de 622 mil frequentavam a 8ª série do ensino fundamental. essa taxa de atendimento cresceu de 91. na faixa de 7 a 14 anos.214 10. de 95%.9 x 94. o número de crianças de 7 a 14 anos efetivamente matriculadas em algum nível de ensino.180.724 33. Além de indicar atraso no percurso escolar dos alunos.665 x 3. Apesar do expressivo aumento de 9 pontos percentuais de crescimento entre 1991 e 1998. portanto.737.127. com início aos seis anos de idade. principalmente se tomarmos os dados já disponíveis de 1998: taxa bruta de escolarização de 128% e líquida.8 x 93.428 25.062 2. Esta medida é importante porque. o fato de ainda haver crianças fora da escola não tem como causa determinante o déficit de vagas. Uma parcela dessa população pode ser reincorporada à escola regular e outra precisa ser atingida pelos programas de educação de jovens e adultos. No Nordeste essa situação é mais dramática. A taxa de atendimento subiu para 96%.131. de 86% para cerca de 91% entre 1991 e 1996.194 3.780. o que inclui algumas que estão na pré-escola.914 7.203.525. na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e nas Diretrizes Curriculares para o ensino fundamental.901. chegando a 64% o índice de distorção. Programas paralelos de assistência a famílias são fundamentais para o acesso à escola e a permanência nela. parte das quais nela já esteve e a abandonou. sob a responsabilidade do Poder Público.909.649 x 9.611.2 96.333 x 10.674 x 4. em 1998. outras que frequentam classes de alfabetização. As diferenças regionais estão diminuindo. É preciso que a União continue atenta a este problema.246. portanto. O problema da exclusão ainda é grande no Brasil. em ambos os casos.

a consolidação e o aperfeiçoamento do censo escolar. o tempo. O atraso no percurso escolar resultante da repetência e da evasão sinaliza para a necessidade de políticas educacionais destinadas à correção das distorções idade-série. no mínimo em duas refeições. prática de esportes. propõem a inserção de temas transversais como ética. iluminação. em dez anos. preconiza a progressiva implantação do ensino em tempo integral. regularizar os percursos escolares. programas para equipar todas as escolas. pais. 7. pois a oferta de ensino fundamental precisa chegar a todos os recantos do País e a ampliação da oferta de quatro séries regulares em substituição às classes isoladas unidocentes é meta a ser perseguida. A escola rural requer um tratamento diferenciado. equipamentos e materiais pedagógicos. para os alunos do ensino fundamental.3 Objetivos e Metas 1. A expressiva presença de jovens com mais de 14 anos no ensino fundamental demanda a criação de condições próprias para a aprendizagem dessa faixa etária. em todos os sistemas de ensino e com o apoio da União e da comunidade escolar. Universalizar o atendimento de toda a clientela do ensino fundamental. g) telefone e serviço de reprodução de textos. O turno integral e as classes de aceleração são modalidades inovadoras na tentativa de solucionar a universalização do ensino e minimizar a repetência. recreação. em cinco anos. oportunizando orientação no cumprimento dos deveres escolares. até os espaços especializados de atividades artístico-culturais. embasadas na ciência da educação. com adaptações adequadas a portadores de necessidades especiais. O atendimento em tempo integral. padrões mínimos nacionais de infraestrutura para o ensino fundamental. recreativas e a adequação de equipamentos. biblioteca e serviço de merenda escolar. água potável. abre novas perspectivas no desenvolvimento de habilidades para dominar esse novo mundo que se desenha. com a colaboração da União. § 2º. 2. Deve-se assegurar a melhoria da infraestrutura física das escolas. que surgiram como importante proposta e eficiente orientação para os professores. considerando a especificidade de horários. Além do currículo composto pelas disciplinas Didatismo e Conhecimento 24 tradicionais. Além do atendimento pedagógico. compatíveis com o tamanho dos estabelecimentos e com as realidades regionais. À medida que forem sendo implantadas as escolas de tempo integral. A partir do segundo ano da vigência deste plano. trabalho e consumo. em cinco anos. b) instalações sanitárias e para higiene. todas as escolas atendam os itens de “a” a “d” e. somente autorizar a construção e funcionamento de escolas que atendam aos requisitos de infraestrutura definidos. e a criação de sistemas complementares nos Estados e Municípios permitirão um permanente acompanhamento da situação escolar do País. incluindo: a) espaço. mas ao ensino de qualidade. 6. alimentação escolar. especialmente para crianças carentes. como a própria expressão da organização educativa da unidade escolar. a escola tem responsabilidades sociais que extrapolam o simples ensinar. é um avanço significativo para diminuir as desigualdades sociais e ampliar democraticamente as oportunidades de aprendizagem. adequadas à sua maneira de usar o espaço. 3. e) atualização e ampliação do acervo das bibliotecas. permitindo que crianças e adolescentes permaneçam na escola o tempo necessário para concluir este nível de ensino. O direito ao ensino fundamental não se refere apenas à matrícula. desenvolvimento de atividades artísticas e alimentação adequada. envolverão comunidade. 2. com procedimentos como renda mínima associada à educação. eliminando mais celeremente o analfabetismo e elevando gradativamente a escolaridade da população brasileira. mudanças significativas deverão ocorrer quanto à expansão da rede física. A LDB. c) espaços para esporte. As novas concepções pedagógicas. f) mobiliário. contemplando-se desde a construção física. . Para garantir um melhor equilíbrio e desempenho dos seus alunos. tanto das metas como dos objetivos propostos neste plano. É preciso avançar mais nos programas de formação e de qualificação de professores. em seu art. a totalidade dos itens. esportivas. rede elétrica. por meio de programas de aceleração da aprendizagem e de recuperação paralela ao longo do curso. ventilação. dos Estados e dos Municípios. finalmente. 5. A oferta de cursos para a habilitação de todos os profissionais do magistério deverá ser um compromisso efetivo das instituições de educação superior e dos sistemas de ensino. pluralidade cultural. atendimento diferenciado da alimentação escolar e disponibilidade de professores. A ampliação da jornada escolar para turno integral tem dado bons resultados. à medida que for sendo universalizado o atendimento na faixa de 7 a 14 anos. A atualidade do currículo. gradualmente. os recursos didáticos e às formas peculiares com que a juventude tem de conviver. livro didático e transporte escolar. meio ambiente. no prazo de cinco anos a partir da data de aprovação deste plano. entre outros. segurança e temperatura ambiente. que deverão orientar-se pelo princípio democrático da participação. as taxas de repetência e evasão. 34. Assegurar que. Regularizar o fluxo escolar reduzindo em 50%. estabelecendo em regiões em que se demonstrar necessárioprogramas específicos. no prazo de um ano. faz-se necessário ampliar o atendimento social. generalizando inclusive as condições para a utilização das tecnologias educacionais em multimídia. A oferta qualitativa deverá. 4. consideradas as peculiaridades regionais e a sazonalidade. A gestão da educação e a cobrança de resultados. Estabelecer. surgem os conselhos escolares. valorizando um paradigma curricular que possibilite a interdisciplinaridade. até a conclusão. Os temas estão vinculados ao cotidiano da maioria da população. Reforçando o projeto político-pedagógico da escola. em decorrência. d) adaptação dos edifícios escolares para o atendimento dos alunos portadores de necessidades especiais. podendo dimensionar as necessidades e perspectivas do ensino médio e superior. Ampliar para nove anos a duração do ensino fundamental obrigatório com início aos seis anos de idade. Elaborar.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS educação escolar. garantindo o acesso e a permanência de todas as crianças na escola. h) informática e equipamento multimídia para o ensino. garantindo efetiva aprendizagem. assim como do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB). a critério dos sistemas de ensino. sinalizaram a reforma curricular expressa nos Parâmetros Curriculares Nacionais. professores e demais trabalhadores da educação. com os equipamentos discriminados nos itens de”e” a “h”. sobretudo nos Municípios de menor renda. Esta estrutura curricular deverá estar sempre em consonância com as diretrizes emanadas do Conselho Nacional de Educação e dos conselhos de educação dos Estados e Municípios. E. alunos. insolação.

401 estudantes. 30. Transformar progressivamente as escolas unidocentes em escolas de mais de um professor. A educação ambiental. se o fluxo escolar fosse regular. de mais de dois turnos diurnos e um turno noturno. a expansão do ensino médio pode ser um poderoso fator de formação para a cidadania e de qualificação profissional. das crianças fora da escola. o provimento da alimentação escolar e o equilíbrio necessário garantindo os níveis calóricos-proteicos por faixa etária. Associar as classes isoladas unidocentes remanescentes a escolas de. Prover de transporte escolar as zonas rurais. Estados e Municípios. visando localizar a demanda e universalizar a oferta de ensino obrigatório. Esses pequenos incrementos anuais terão efeito cumulativo. 16. textos científicos. universalizando. 28. em virtude das elevadas taxas de repetência no ensino fundamental. Estados e Municípios. Elevar de quatro para cinco o número de livros didáticos oferecidos aos alunos das quatro séries iniciais do ensino fundamental. bem como a adequada formação profissional dos professores. Assegurar a elevação progressiva do nível de desempenho dos alunos mediante a implantação. pelo menos. no caso do ensino médio. contínua e permanente em conformidade com a Lei nº 9. em três anos.580. com prioridade para as regiões nas quais o acesso dos alunos ao material escrito seja particularmente deficiente. ENSINO MÉDIO 3. de forma a garantir a escolarização dos alunos e o acesso à escola por parte do professor. idealmente.933. 20. A Contagem da População realizada pelo IBGE em 1997 acusa uma população de 16. Em segundo lugar. Justamente em virtude disso. Isso é muito pouco. 21. 13. de forma a adequá-los às características da clientela e promover a eliminação gradual da necessidade de sua oferta. 23. todas as escolas tenham formulado seus projetos pedagógicos. a instituição de conselhos escolares ou órgãos equivalentes. Estimular os Municípios a proceder um mapeamento. considerando a especificidade do alunado e as exigências do meio.1 Diagnóstico Considerando o processo de modernização em curso no País. a cada ano. 25. que a carga horária semanal dos cursos diurnos compreenda. no mesmo ano. cultural e etária do alunado do ensino médio. 15. preferencialmente para as crianças das famílias de menor renda. obras básicas de referência e livros didático-pedagógicos de apoio ao professor as escolas do ensino fundamental. resultarão em uma mudança nunca antes observada na composição social. porque há um grande número de adultos que volta à escola vários anos depois de concluir o ensino fundamental. 14. 20 horas semanais de efetivo trabalho escolar. 5. Manter e consolidar o programa de avaliação do livro didático criado pelo Ministério de Educação. Integrar recursos do Poder Público destinados à política social. os cálculos das taxas de atendimento dessa faixa etária são pouco confiáveis. dentro de três anos. em todos os sistemas de ensino. com observância das Diretrizes Curriculares para o ensino fundamental e dos Parâmetros Curriculares Nacionais. embora as estatísticas demonstrem que os concluintes do ensino fundamental começam a chegar à terceira etapa da educação básica em número um pouco maior. 22. A situação agrava-se quando se considera que. a Renda Mínima Associada a Ações Socioeducativas para as famílias com carência econômica comprovada. Garantir. pelo menos. Assegurar. nos moldes do Programa de Renda Mínima Associado a Ações Socioeducativas. nas escolas de tempo integral. a reorganização curricular dos cursos noturnos. 18. no caso brasileiro. sem prejuízo do atendimento da demanda. por bairro ou distrito de residência e/ou locais de trabalho dos pais. na medida em que estão relacionadas às previstas neste capítulo. os jovens chegam ao ensino médio bem mais velhos. 17. formação de professores. em dois anos. com previsão de professores e funcionários em número suficiente. 9. dos Estados e Municípios. será desenvolvida como uma prática educativa integrada. apoio às tarefas escolares. Prever formas mais flexíveis de organização escolar para a zona rural. nas escolas. quando necessário. do negro e do índio. quatro séries completas. educação especial e financiamento e gestão. 29. levando em consideração as realidades e as necessidades pedagógicas e de aprendizagem dos alunos. . Promover a participação da comunidade na gestão das escolas. com colaboração financeira da União. 27. Apoiar e incentivar as organizações estudantis.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 8. muito menor que nos demais países latino-americanos em desenvolvimento. progressivamente a jornada escolar visando expandir a escola de tempo integral. por meio de censo educacional. Observar as metas estabelecidas nos capítulos referentes à educação a distância. Eliminar a existência. 26. de um programa de monitoramento que utilize os indicadores do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica e dos sistemas de avaliação dos Estados e Municípios que venham a ser desenvolvidos. de forma a cobrir as áreas que compõem as Diretrizes Curriculares do ensino fundamental e os Parâmetros Curriculares Nacionais. o ensino médio tem um importante papel a desempenhar. em dois anos. Ao final de alguns anos. 3. 12. 19. estabelecendo entre seus critérios a adequada abordagem das questões de gênero e etnia e a eliminação de textos discriminatórios ou que reproduzam estereótipos acerca do papel da mulher. com a colaboração da União. que abranja um período de pelo menos sete horas diárias. Assegurar que. para garantir entre outras metas. como espaço de participação e exercício da cidadania. 10.383 habitantes na faixa etária de 15 a 19 anos. a prática de esportes e atividades artísticas. Ampliar progressivamente a oferta de livros didáticos a todos os alunos das quatro séries finais do ensino fundamental. Estabelecer. especialmente quando se considera a acelerada elevação do grau de escolaridade exigida pelo mercado de trabalho. Significa que. educação indígena. Ampliar. é particularmente preocupante o reduzido acesso ao ensino médio. Articular as atuais funções de supervisão e inspeção no sistema de avaliação.795/99. Prover de literatura. por diversas razões. Didatismo e Conhecimento 25 24. tratada como tema transversal. em ações conjuntas da União. Prover.** 11. Estavam matriculados no ensino médio. Tanto nos países desenvolvidos quanto nos que lutam para superar o subdesenvolvimento. o ensino médio comportaria bem menos que metade de jovens desta faixa etária. econômica. Em primeiro lugar porque. no mínimo duas refeições.

9 Fonte: MEC/INEP/SEEC.ou seja 3.770.0 4. com alta seletividade interna. por sua vez.472.531 alunos.4 41.3 71. Tabela 5 .9 57.7 28.7 25.2 71.531 alunos do ensino médio. na de 1991-94.4 77.641 x 96.5 55.2 114. o ensino médio atende majoritariamente jovens e adultos com idade acima da prevista para este nível de ensino (Tabela 3).4 53.230 para 6.7 7. em 1998.872 % 100.6 57.Ensino Médio – Taxa de Abandono e Reprovação 1995 e 1997 Regiões Abandono Brasil Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste 21.6 52.4 39.230 x 103.612 x 128.6 62.6 72. os índices de conclusão nas últimas décadas sinalizam que há muito a ser feito. Causas externas ao sistema educacional contribuem para que adolescentes e jovens se percam pelos caminhos da escolarização. pois apresenta características diferentes das outras séries.8 70. 74% dos que iniciavam o ensino médio conseguiam concluí-lo na coorte 1977-80.1 10.Ensino Médio – Taxa de Distorção idade-série 1996-1998 Regiões Brasil 1996 1998 Norte 1996 1998 Nordeste 1996 1998 Sudeste 1996 1998 Sul 1996 1998 Centro-Oeste 1996 1998 Total Geral 55.7 33.7 12. devendo-se supor que já estejam inseridos no mercado de trabalho.092 2.3 47. Se os alunos estão chegando em maior número a esse nível de ensino.1 53.1 91.0 x 1. Os números do abandono e da repetência.9 3ª série 51.301.6 20. De fato os 6.9 74.2 53.927 5.0 64.2 20. conforme estimativas contidas na Tabela 6.4 26. 54.2 35.757 176.5 50.8 76.0 x 3. Fonte: MEC/INEP/SEEC Nota: Para o ensino médio. entretanto.637 % 100.7 1ª série 57.6 17.2 75. ao lado das taxas de distorção idade-série. já ocorridas.5 23. a matrícula evoluiu de 3.0 48.4 36.3 Fonte: MEC/INEP/SEEC Nota: Não incluído o não-seriado nas taxas de reprovação Desagregados por regiões. Tabela 3 . O ensino médio convive.6 19.2 1997 Reprovação 7. a idade recomendada é de 15 anos para a 1ª série. da qual resultam elevados índices de repetência e evasão.0 16. 1996 e censo escolar 1998 O número reduzido de matrículas no ensino médio – apenas cerca de 30. Informe Estatístico. A exclusão ao ensino médio deve-se às baixas taxas de conclusão do ensino fundamental.7 56.804 1.9 68. a demanda por ensino médio deverá se ampliar de forma explosiva.226.3 41. 16 para a 2ª e 17 para a 3ª série. em idade pedagogicamente adequada (Tabela 5 ).3 52.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Em virtude dessas duas condições.0 18. por desinteresse do Poder Público em atender à demanda.688 – estudavam à noite.9 10. ainda são bastante desfavoráveis (Tabela 4).1 Total 21.8% da população de 15 a 17 anos não se explica.3 16.1 Total 31.4 49.017.7 66. O mais importante deles é que este foi o nível de ensino que apresentou maior taxa de crescimento nos últimos anos. agravadas por dificuldades da própria organização da escola e do processo ensino-aprendizagem.4 79.015.817.2 26.8 73.625. que.185 3.5 x -25. Há.5 Abandono 13.120. os dados da repetência e abandono.1 12.7 27. este índice caiu para 50.5 6.8 x 19.6 17.751.488 1.8% .531 x 122.7 65.0 10.8 48. permitem visualizar – na falta de políticas específicas – em que região haverá maior percentual de alunos no ensino médio. de acordo com censo escolar.968.8 53.1 36.474 3.4 43.1 58.2 33.6 72.0 x 2.1 Tabela 4 .8 2ª série 54. Didatismo e Conhecimento 26 .968.9 10. entretanto.8 68.2 53.475 317. Na coorte 1970-73.968. Nos próximo anos.1 9.8%.4 44.5 1998 Valor Absoluto 6.6 36.769 1.8 Crescimento % 84.2 69.9 86.2 49. aspectos positivos no panorama do ensino médio brasileiro. pois a oferta de vagas na 1ª série do ensino médio tem sido consistentemente superior ao número de egressos da 8ª série do ensino fundamental.770. o que está claramente associado a uma recente melhoria do ensino fundamental e à ampliação do acesso ao ensino médio.0 46.3 10.1 10. em todo o sistema.8 73.6 4.6 69. estão associadas à baixa qualidade daquele nível de ensino.6 x 1.7 26.789 2.0 41.Ensino Médio – Matrícula Brasil – 1991 e 1998 Dependência Administrativa Faixa Etária Total Dependência Administrativa Federal Estadual Municipal Particular Faixa Etária Menos de 15 anos 15 a 17 anos Mais de 17 anos 1991 Valor Absoluto 3. apesar da melhoria dos últimos anos.8%.5 7.0 51. para 43. como resultado do esforço que está sendo feito para elevar as taxas de conclusão da 8ª série.1 37. Apenas no período de 1991a 1998. A 4ª série do ensino médio não é incluída nos cálculos.0 26.4 60.6 32. também.7 43.4 1995 Reprovação 10.

serão criados em outras.282 18.488 35.225 Fundamental 1ª a 4ª 20. De fato. Assim. a ampliação do ensino médio vem competindo com a criação de universidades estaduais. basicamente. no passado mais longínquo. Esta destinação assegurará a manutenção e a expansão deste nível de ensino nos próximos anos. o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).439 34. que aspirem melhoria social e salarial e precisem dominar habilidades que permitem assimilar e utilizar. abstração. o número de alunos matriculados será. mesmo com a universalização do ensino médio. às matrículas na rede estadual (Tabela 3).325 15. 35% daquele atendido no nível fundamental. produtivamente. os demais 10% vinculados à educação deverão ser aplicados.980 Médio 5. Um aspecto que deverá ser superado com a implementação das Novas Diretrizes Curriculares para o ensino médio e com programas de formação de professores.253 33.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Tabela 6 . O Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) e. Por outro lado. no máximo. sobretudo nas áreas de Ciências e Matemática. foi no ensino médio que se observou o maior crescimento de matrículas do País. o surpreendente crescimento do ensino médio se deve. Desde meados dos anos 80. que devem ser destinados prioritariamente à educação básica. de segmentos já inseridos no mercado de trabalho. a tensão expressa nos privilégios e nas exclusões decorre da origem social. Estatísticas recentes confirmam esta tendência. Em vista disso.544 33.562 18. mas contínuo. 3. domínio de aptidões básicas de linguagens. no ensino médio. é essencial para o acompanhamento dos resultados do ensino médio e correção de seus equívocos. conforme disposto no art.446 10. que respeitem as diferenças e superem a segmentação social. prioritariamente. operados pelo MEC. a oferta da educação média de qualidade não pode prescindir de definições pedagógicas e administrativas fundamentais a uma formação geral sólida e medidas econômicas que assegurem recursos financeiros para seu financiamento.027 21.2 Diretrizes O aumento lento. a Emenda Constitucional nº 14.020 10.666 15. a demanda pelo ensino médio – terceira etapa da educação básica – vai compor-se. Como os Estados e o Distrito Federal estão obrigados a aplicar 15% da receita de impostos no ensino fundamental. a educação média é particularmente vulnerável à desigualdade social. hoje ele se dá no limiar e dentro do ensino médio. prioritariamente.947 34.813 32.383 10.774 10. especialmente quando se considera que o ensino fundamental consta de oito séries e o Médio.552 17. mais autônomas em suas escolhas. . os sistemas de avaliação já existentes em algumas unidades da federação que. hoje com índices de distorção idade-série inaceitáveis. Ao longo dos dez anos de vigência deste plano.691 15. como os Estados estão obrigados a aplicar 15% da receita de impostos no ensino fundamental. capacidade de observar. Preparando jovens e adultos para os desafios da modernidade. Entre os diferentes níveis de ensino.Educação Básica – Matrículas Brasil: 1995 – 2010 (em mil) Ano x 1995 1996 1998 2000* 2002* 2004* 2005* 2008* 2010* x Total 32. à semelhança do que ocorre com o ensino fundamental. A diminuição da matrícula na rede privada. em seguida pela diferenciação da qualidade do ensino oferecido. sem comprometer os 25% constitucionalmente vinculados à educação. associado à tendência para a diminuição da idade dos concluintes. mais recentemente. entretanto. entre objetivos humanistas ou econômicos. esse foi o que enfrentou.962 8. esse crescimento foi superior a 100%. Se. que.104 14.131 35. do número dos que conseguem concluir a escola obrigatória.164 20. de apenas três. interpretar e tomar decisões. nessa instância federativa. Uma educação que propicie aprendizagem de competências de caráter geral. Essa destinação deve prover fundos suficientes para a ampliação desse nível de ensino. A expansão futura. dependerá da utilização judiciosa dos recursos vinculados à educação.624 15. Pelo caráter que assumiu na história educacional de quase todos os países. assim como a Lei de Diretrizes e Bases. no caso do ensino médio. atesta o caráter cada vez mais público deste nível de ensino.041 20. o ensino médio deverá permitir aquisição de competências relacionadas ao pleno exercício da cidadania e da inserção produtiva: autoaprendizagem. para este nível de ensino.245 x 5ª a 8ª 12. constituem importantes mecanismos para promover a eficiência e a igualdade do ensino médio oferecido em todas as regiões do País. recursos tecnológicos novos e em acelerada transformação.151 19. no ensino médio. o ponto de ruptura do sistema educacional brasileiro situou-se no acesso à escola. II. Quanto ao financiamento do ensino médio. Há de se considerar. nos últimos anos. As metas de expansão da oferta e de melhoria da qualidade do ensino médio devem estar associadas. forme pessoas mais aptas a assimilar mudanças. Assim.369 Fonte: MEC/INEP/SEEC (*) Dados estimados Entretanto. não se trata apenas de expansão. Na disputa permanente entre orientações profissionalizantes ou acadêmicas.739 6. compreensão dos processos produtivos.297 10. atribui aos Estados a responsabilidade pela sua manutenção e desenvolvimento. habilidades para incorporar valores éticos de solidariedade. de forma clara. percepção da dinâmica social e capacidade para nela intervir. o ensino médio proposto neste plano deverá enfrentar o desafio dessa dualidade com oferta de escola média de qualidade a toda a demanda. isso significa que. os demais 10% vinculados à educação deverão ser aplicados.503 13. posteriormente na passagem do antigo primário ao ginásio.255 17. a diretrizes que levem à correção do fluxo de alunos na escola básica. De 1985 a 1994. enquanto no ensino fundamental foi de 30%. e os sistemas estatísticos já disponíveis. certamente. o estabelecimento de um sistema de avaliação. O mais razoável seria promover a expansão da educação superior estadual com recursos adicionais. porém. especialmente porque não há.261 14. vai permitir que um Didatismo e Conhecimento 27 crescente número de jovens ambicione uma carreira educacional mais longa.313 5.879 32. em muitos Estados. recursos adicionais como os que existem para o ensino fundamental na forma do Salário Educação. também. comunicação.288 15. cooperação e respeito às individualidades. a maior crise em termos de ausência de definição dos rumos que deveriam ser seguidos em seus objetivos e em sua organização. da Constituição Federal que prevê como dever do Estado a garantia da progressiva universalização do ensino médio gratuito. 208.

especialmente nas áreas de Ciências e Matemática. ventilação e insolação dos prédios escolares. 11. Adaptar. sem prejuízo da qualidade do ensino. em cinco anos. de forma a atender aos padrões mínimos estabelecidos. EDUCAÇÃO SUPERIOR 4. 17. sérios problemas. que o ensino médio atende a uma faixa etária que demanda uma organização escolar adequada à sua maneira de usar o espaço. 10. em 10 anos. que assegure: a) o reordenamento. f) instalação para laboratórios de ciências. Assegurar a autonomia das escolas. a uma revisão da organização didático-pedagógica e administrativa do ensino noturno. h) atualização e ampliação do acervo das bibliotecas incluindo material bibliográfico de apoio ao professor e aos alunos. programa emergencial para formação de professores.EDUCAÇÃO SUPERIOR 4. telefone e reprodutor de textos. incentivando a criação de instalações próprias para esse nível de ensino. Não autorizar o funcionamento de novas escolas fora dos padrões de “a” a “g”. i) equipamento didático-pedagógico de apoio ao trabalho em sala de aula. no ensino médio.1 Diagnóstico A educação superior enfrenta. as metas do PNE devem associar-se. pelo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e pelos sistemas de avaliação que venham a ser implantados nos Estados. em 5% ao ano.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Há que se considerar. Como nos demais níveis de ensino. como conselhos ou equivalentes. 14. 13. 20. todas as escolas estejam equipadas. 9. Criar mecanismos. 19. também. no que diz respeito ao ensino médio. pelo menos 50%. no prazo de um ano. oportunidades de formação nesse nível de ensino àqueles que não a possuem. inclusive. Adotar medidas para a universalização progressiva das redes de comunicação. no prazo de cinco anos. a partir do primeiro ano deste Plano. uma política de gestão da infraestrutura física na educação básica pública. 2. 18. de forma a adequá-lo às necessidades do aluno-trabalhador. b) a expansão gradual do número de escolas públicas de ensino médio de acordo com as necessidades de infraestrutura identificada ao longo do processo de reordenamento da rede física atual. a 100% da demanda de ensino médio. Formular e implementar.3 Objetivos e Metas 1. Proceder. de facilitar a delimitação de instalações físicas próprias para o ensino médio separadas. com biblioteca. B. padrões mínimos nacionais de infraestrutura para o ensino médio. Reduzir. pelo menos. 208. de forma a diminuir para quatro anos o tempo médio para conclusão deste nível.795/99. c) espaço para esporte e recreação. Reconhece-se que a carência de professores da área de Ciências constitui problema que prejudica a qualidade do ensino e dificulta tanto a manutenção dos cursos existentes como sua expansão. tratada como tema transversal. c) no prazo de dois anos. o atendimento da totalidade dos egressos do ensino fundamental e a inclusão dos alunos com defasagem de idade e dos que possuem necessidades especiais de aprendizagem. estejam concluindo a educação básica com uma sólida formação geral. das quatro primeiras séries do ensino fundamental e da educação infantil. Estabelecer. em cinco anos. financiamento e gestão e ensino a distância. a totalidade das escolas disponham de equipamento de informática para modernização da administração e para apoio à melhoria do ensino e da aprendizagem. Quando necessário atendimento especializado. as escolas existentes. como espaço de participação e exercício da cidadania. 15. 4. correspondam a 50% e. entre outros. da rede de escolas públicas que contemple a ocupação racional dos estabelecimentos de ensino estaduais e municipais. d) espaço para a biblioteca. 6. fortemente. no Brasil. aos 17 ou 18 anos de idade. as metas estabelecidas nos capítulos referentes à formação de professores. implementada através de qualificação dos professores e da adaptação das escolas quanto às condições físicas. Adotar medidas para ampliar a oferta diurna e manter a oferta noturna. mobiliário. pelo menos. 16. Elaborar. suficiente para garantir o atendimento dos alunos que trabalham. oferecendo. Implantar e consolidar. Melhorar o aproveitamento dos alunos do ensino médio. Assegurar que. Assegurar. e. progressivamente. 12. e) adaptação dos edifícios escolares para o atendimento dos alunos portadores de necessidades especiais. 5. Observar. Didatismo e Conhecimento . o tempo e os recursos didáticos disponíveis. no prazo de cinco anos. 8. que se agravarão se o Plano Nacional de Educação não estabelecer uma política que promova sua renovação e desenvolvimento. Assim. 3. em decorrência da universalização e regularização do fluxo de alunos no ensino fundamental. Esses elementos devem pautar a organização do ensino a partir das novas diretrizes curriculares para o ensino médio. A educação ambiental. às de formação. com o objetivo. Adotar medidas para a universalização progressiva de todos os padrões mínimos durante a década. iluminação. compatíveis com as realidades regionais. 3. contínua e permanente em conformidade com a Lei nº 9. os cerca de 1. 28 b) instalações sanitárias e condições para a manutenção da higiene em todos os edifícios escolares. Assegurar que. capacitação e valorização do magistério. Atualmente. em dois anos. tratadas noutra parte deste documento. a repetência e a evasão. j) telefone e reprodutor de texto. em cinco anos. para melhoria do ensino e da aprendizagem. manutenção e melhoria das condições de funcionamento das escolas. incluindo: a) espaço. já elaboradas e aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação. 7. será desenvolvida como uma prática educativa integrada. para incentivar a participação da comunidade na gestão. d) o oferecimento de vagas que. de forma a atingir níveis satisfatórios de desempenho definidos e avaliados pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB). tanto no que diz respeito ao projeto pedagógico como em termos de gerência de recursos mínimos para a manutenção do cotidiano escolar. Apoiar e incentivar as organizações estudantis. a nova concepção curricular elaborada pelo Conselho Nacional de Educação.5 milhões de jovens egressos do nível médio têm à sua disposição um número razoável de vagas. que todos os professores do ensino médio possuam diploma de nível superior. III) de integração dos portadores de deficiência na rede regular de ensino será. a contar da vigência deste Plano. serão observadas diretrizes específicas contidas no capítulo sobre educação especial. em dez anos. as diretrizes do Plano Nacional de Educação apontam para a criação de incentivos e a retirada de todo obstáculo para que os jovens permaneçam no sistema escolar e. em cinco anos. (Tabela 7). g) informática e equipamento multimídia para o ensino. equipamentos e materiais pedagógicos. em um ano. A disposição constitucional (art.

29 59.6% nas municipais.102 1.594 94.934 Municipal 66. Houve.186.407.43 60.99 41.152 970.414 578.831 315.196 1.054 850. para 2 milhões e 125 mil em 1998.00 40.283 308.934 96. um crescimento de 9%.734 329.215 243.64 60.782 Municipal 78 507 39.74 38.353 776.661.759.36 39.94 38. prevê -se uma explosão na demanda por educação superior.792 1.958 Federal 316.450 700. Didatismo e Conhecimento 29 .535.987 1.992 1.217 316.388 576. aumento das exigências do mercado de trabalho. em 1997.399. Tabela 8 . .417 202.118 326.125.522 325.318 Fonte : INEP/MEC .26 60. na rede estadual esta porcentagem sobe para 62%.87 40.615 2.321.232 535.833 408.351 584. como decorrência de uma pressão de demanda a partir da “questão dos excedentes”.26 61.05 59.584 1.518.1% nas instituições privadas.788 1.197 156.547 89.013 146.52 62.455 959.08 40.95 40.039 190.950 Particular 764 3.252 129.42 61.5% nas estaduais.059.82 39.031 124.678 274.950 651.57 38.789 168. bem acima das públicas.Quadro do Ensino Superior no Brasil – 1998 E n s i n o Total Superior Instituições Cursos Ingressantes V a g a s oferecidas Vagas não preenchidas 973 6.490 961.163 1.671 121.982 859. 55% dos estudantes deste nível frequentavam cursos noturnos.78 38.940 340.267 4.736 629.18 60.599 862.784 75.945.531 388.689 571.367.1980 – 1998 Ano 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 Total 1.29 59.126 941.670 2.109 87.987 395. portanto.386.529 1.155 Total Públicas 492. A matrícula no ensino médio deverá crescer nas redes estaduais.516 690.22 61.13 59.867 320.438.315 210.03 37.306 115. haverá uma demanda crescente de alunos carentes por educação superior.423 317. o número de alunos subiu 36.816 153.133.540 735.377.00 59.74 39.503.418.901 147.204 934. Isto é.680 577.565. o número total de matriculados saltou de 1 milhão e 945 mil.660 810.697 194.338 89.01 58.92 59.133 216.659 134.503 76.387 363.539 1.640 Estadual 109.540.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Tabela 7 .810 548.788 1.971 93. Nos últimos vinte anos.265 92.590 918.929 840.Evolução da Matrícula por Dependência Administrativa– Brasil . além das políticas de melhoria do ensino médio.182 804.080 1.470.645 92.101 253.662 653.58 38.980 454.936 239.668 1.286 1.433 1.71 40.794 103.317 44.71 41.904 1. Nestas. o setor privado tem oferecido pouco menos de dois terços das vagas na educação superior (Tabela 8).034 1.86 Particular 885.879 556.555 1.628 Estadual 74 1.64 38.729 % Públicas 35.14 Fonte : MEC/INEP A participação do ensino privado no nível superior aumentou sobretudo na década de 70.199 326.286 93.125 67.965 585.056 1.dados referentes a 1998 Entretanto.341 83. De 1994 para cá.555 1.594. 18.543 367.434 75.36 61.715 313.678 Federal 57 1.667 83.97 62. A matrícula nas instituições de educação superior vem apresentando um rápido crescimento nos últimos anos.374 89.884 344. como resultado conjugado de fatores demográficos.868.564 885. sendo provável que o crescimento seja oriundo de alunos das camadas mais pobres da população.736 193.703 1.160 90.342 98.índice igual ao atingido pelo sistema em toda a década de 80.229 % Particular 64. Apenas em 1998.320 906.625 605.888 70.535 231.988 570.4% nas federais.609 1.632 584.303 827. Em 1998.48 37.06 61.135 325. e 27. o crescimento foi de 12.339 109.427 759.

048 % 5.004 419.6 142.2 134.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A manutenção das atividades típicas das universidades . não será possível sem o fortalecimento do setor público.285 % 12.688 80.4 124.que constituem o suporte necessário para o desenvolvimento científico.69 1. verificou-se ampliação expressiva das matrículas em estabelecimentos municipais. registra-se também. Deve-se observar.5 128.6 122.76 14.01 9.função esta que deve ser preservada.16 27.4 123. Tabela 10 . (Tabela 10). esta tendência de ampliação das municipais contraria o disposto na Emenda Constitucional nº 14.9 106. com crescimento de 5.7 102.087 230.321.61 3.0 101.640 45.0 101.159 1.5 98.5 122.8 Privada 100.8 5.960 44. o que precisará ser corrigido.19 11.681 43. É importante observar que o crescimento do setor público se deveu.Índice de Crescimento da Matrícula por Dependência Administrativa Brasil 1988-1998 1998=100 Ano 1998 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 Crescimento médio Anual Federal 100.0 99. ao passo que as estaduais e particulares.2 97.229 28. Assim. como se verifica na Tabela 8.73 Municipal 121.1 110.6 2.0 144. entretanto. as federais de 2.8% ao ano. no caso da educação superior. os recursos destinados pelos Estados à educação superior devem ser adicionais aos 25% da receita de impostos vinculada à manutenção e desenvolvimento da educação básica.4 127. por outro lado.ensino.6%).957 118. Observe-se.1 108. apresentam crescimento de 4.99 13.2 100. onde o sistema municipal de ensino deve atender prioritariamente à educação infantil e ao ensino fundamental.148. Mas o Brasil continua em situação desfavorável frente ao Chile (20.155 952 10.4 129.Matrícula por Dependência Administrativa – Brasil e Regiões – Nível Superior 1998 Dependência Administrativa Região Brasil Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Total 2.6 101. mas não deve ocorrer em detrimento da expansão com qualidade do ensino médio.34 75. a participação das municipais seja pouco expressiva – a participação das municipais correspondia a menos de 6% do total das matrículas -.2 143. pesquisa e extensão . que esta desigualdade resulta da concentração das matrículas em instituições particulares das regiões mais desenvolvidas. nos últimos anos.4 115.09 54.7 102.1 4.9 Estadual 100.975 % 62.11 Fonte : MEC/INEP/SEEC No conjunto da América Latina.06 Estadual 274. mesmo quando se leva em consideração o setor privado. o que se reflete em altos índices de repetência e evasão nos primeiros anos. Como se pode verificar na Tabela 9.25 8. uma distribuição de vagas muito desigual por região.2 113. o Brasil apresenta um dos índices mais baixos de acesso à educação superior.96 61.991 71.93 11.22 54. A Argentina.4 114.9 4.264 5.6 125. Ainda que em termos do contingente. está mais bem distribuído e cumpre assim uma função importante de diminuição das desigualdades regionais .210 61. configura um caso à parte.702 114. uma vez que adotou o ingresso irrestrito.543 14.133 163.366 99. à Venezuela (26%) e à Bolívia (20. O setor público.0 98. a porcentagem de matriculados na educação superior brasileiro em relação à população de 18 a 24 anos é de menos de 12%.6 123.7 104.38 26. Tabela 9 . embora conte com 40% da faixa etária.01 38. à ampliação do atendimento nas redes estaduais. de 1996.958 85.4 Fonte: MEC/INEP/SEEC Didatismo e Conhecimento 30 .8 157.6%).716 55.08 Particular 1.4 Municipal 100.5 133. Para um desenvolvimento equilibrado e nos marcos do regime de colaboração. a expansão do setor privado deve continuar.11 3.455 127. A contribuição estadual para a educação superior tem sido importante. entre 1988 e 1998.7 115.077 310.8 104.14 17. tecnológico e cultural do País.125.5 108.9%. Paralelamente.47 32.5 121.321 862.2 98. desde que garantida a qualidade. comparando-se desfavoravelmente com os índices de outros países do continente.934 9.277 % 19. ainda que.4% e.0 120.5 105.14 33.585 Federal 408.7 122.44 3.480 100.

investimentos. permitiria uma expansão substancial do atendimento nas atuais instituições de educação superior. em racionalização de gastos e diversificação do sistema. Muitos estudiosos brasileiros também contestam esta posição.623 168.7 .154.381 1.IFES .578.7 46. função prevista na Carta Magna. entende-se que devem ser custeados pela União. as despesas com investimento apresentam declínio. 4.381 1.3 64. hoje mais do que nunca e assim tende a ser cada vez mais é a base do desenvolvimento científico e tecnológico e que este é que está criando o dinamismo das sociedades atuais. mas desligados do orçamento das Instituições Federais de Ensino Superior – IFES.499. institucional e social.287.5 .33.Despesas com Investimentos e Inversões Financeiras Exercício 1995 1996 1997 1998 Total 260.679. Há uma variação de 5 a 11 mil reais como gasto anual por aluno.914 1. deflacionando-se com base no IGP-DI/FGV.609.578. que. Tabela 11 .IFES – Relação entre Despesas com Aposentadorias e Pensões e com Outros Custeios e Capital Didatismo e Conhecimento .168 1. dependendo da metodologia adotada e da visão do analista.714 4.496 1.419. Há uma grande controvérsia acerca do gasto por aluno no nível superior. na formação de qualificação em áreas técnicas e profissionais.9 29. sem custo adicional excessivo. exclusive os Centros Federais de Educação Tecnológica-CEFETs Não cabe ao Plano Nacional de Educação tomar partido nesta disputa.224 4.419. passaram a apresentar relativa estabilidade. mormente à universidade e aos centros de pesquisa. (Tabela 12) Tabela 12 . + occ) 51.421.168 1. o percentual relativo às aposentadorias é crescente ao longo do período e que o verdadeiro significado dessa despesa é mais perceptível quando comparada com outras despesas das IFES como os gastos com Outros Custeios e CapitalOCC: o que é gasto com o pagamento dos inativos e pensionistas é equivalente ao montante gasto com todas as demais despesas das IFES que não se referem a pessoal. o apoio público é decisivo.470.981.735 Aposentadorias e Pensões 859.478. Para que estas possam desempenhar sua missão educacional. Parte dos estudos acerca do tema divide simplesmente todo o orçamento da universidade pelo número de alunos.552. além de significativo. É importante observar. incluindo manutenção em geral. ao contrário das despesas totais das IFES.973.5 30. exclusive os CEFETs Dessa forma.957.2 Diretrizes Nenhum país pode aspirar a ser desenvolvido e independente sem um forte sistema de educação superior.168. evidentemente. (Tabela 13).592.0 50. + occ ) 49.5 33.00 % ( apos.679.0 . A própria modulação do ensino universitário.0 66. para que se atinjam as metas previstas na LDB quanto à titulação docente.016 Índice de Gasto 100. Recomenda-se que a comunidade acadêmica procure critérios consensuais de avaliação.7 48. uma vez que não se pode confundir a função-”ensino” com as funções “pesquisa” e “extensão”. após um salto em 1996. Há que se pensar. mantendo o papel do setor público.2 1995 1996 1997 1998 859. seja como padrão de referência no ensino de graduação.470.00 Exercício 1995 1996 1997 1998 Pessoal e Encargos 2.319 172.637 86.8 Outros Custeios e Capital R$ 1.499.0 49. 31 Fonte :SIAFI/TCU – valores constantes de 1998. ainda o comportamento das despesas com investimentos e inversões financeiras.403 1.00 % (apos.IFES – Participação das Despesas com Aposentadorias e Pensões no Total de Despesas com Pessoal e Encargos Sociais R$ 1.937.2 (%) Em Relação a 1995 0.2 Exercício Aposentadorias e Pensões R$ 1. Num mundo em que o conhecimento sobrepuja os recursos materiais como fator de desenvolvimento humano. etc.35. no que se refere à questão dos inativos.496 1. (Tabela 11). Alguns autores desconsideram ainda os elevados gastos com os hospitais universitários e as aposentadorias.032 % (B/A) 28. isto é. erige-se sobre a constatação de que a produção de conhecimento. A importância que neste plano se deve dar às Instituições de Ensino Superior (IES). Desta forma são embutidos no custo da graduação os consideráveis gastos com pesquisa – o que não se admite. a importância da educação superior e de suas instituições é cada vez maior.472.032 849.278. na França.66.3 53.891. há que se pensar na expansão do póssecundário.478. As instituições públicas deste nível de ensino não podem prescindir do apoio do Estado.428.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS À União atribui-se historicamente o papel de atuar na educação superior. por exemplo. cabe-lhe qualificar os docentes que atuam na educação básica e os docentes da educação superior que atuam em instituições públicas e privadas. como foi estabelecido na França.354.907. seja na pesquisa básica e na pós-graduação stricto sensu.452.970.609. portanto que o percentual de recursos destinados à manutenção e investimento nas IFES decresce na mesma proporção em que aumentam os gastos com inativos e pensionistas. O Tribunal de Contas da União ressalta que.984.1 32.172 Fonte : Tribunal de Contas da União – valores constantes de 1998 Verifica-se.3 51. com diploma intermediário. Tabela 13 . As universidades públicas têm um importante papel a desempenhar no sistema. que reflete uma acirrada disputa de concepções.8 Fonte : Tribunal de Contas da União . inversões financeiras. Como estratégia de diversificação. Além disso.930 1.348 4.valores constantes de 1998. Entretanto.

. A universidade é. É igualmente indispensável melhorar a qualidade do ensino oferecido. encontrando a solução para os problemas atuais. no mínimo. 4. Esta providência implicará a melhoria do indicador referente ao número de docentes por alunos. nos marcos de um projeto nacional. que depende dessas instituições. que as instituições não vocacionadas para a pesquisa. evitando-se o fácil caminho da massificação. que já oferece a maior parte das vagas na educação superior e tem um relevante papel a cumprir. A Constituição Federal preceitua que o dever do Estado com a educação efetiva-se mediante a garantia de. Deve-se assegurar. Esse núcleo estratégico tem como missão contribuir para o desenvolvimento do País e a redução dos desequilíbrios regionais. até o final da década. bem como ao desenvolvimento da pesquisa necessária ao País. 86). entre outros. No mundo contemporâneo.em sintonia com o papel constitucional a elas reservado. para que a educação superior possa enfrentar as rápidas transformações por que passa a sociedade brasileira e constituir um polo formulador de caminhos para o desenvolvimento humano em nosso país. A diretriz básica para o bom desempenho desse segmento é a autonomia universitária. Assim. tenha uma expansão de vagas tal que. inclusive. É o caso dos centros universitários. incluindo a superação das desigualdades sociais e regionais. depositária e criadora de conhecimentos. eventualmente. Historicamente. a partir de uma matriz que considere suas funções constitucionais. em colaboração com o Ministério da Ciência e Tecnologia e com as Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa. assim como preparar seus professores. O sistema de educação superior deve contar com um conjunto diversificado de instituições que atendam a diferentes demandas e funções. é necessário rever e ampliar. Prover. mas que praticam ensino de qualidade e. também. o papel de fundamentar e divulgar os conhecimentos ministrados nos outros níveis de ensino. devendo exercer inclusive prerrogativas da autonomia. para o que constitui instrumento adequado a institucionalização de um amplo sistema de avaliação associada à ampliação dos programas de pós-graduação. portanto. a política de incentivo à pósgraduação e à investigação científica. na medida que a elas compete primordialmente a formação dos profissionais do magistério. qualidade e cooperação internacional. a busca de solução para os problemas atuais são funções que destacam a universidade no objetivo de projetar a sociedade brasileira num futuro melhor. também. É importante garantir um financiamento estável às universidades públicas. reformular o rígido sistema atual de controles burocráticos. Didatismo e Conhecimento 32 Para promover a renovação do ensino universitário brasileiro. não só por parte da universidade. simultaneamente. Por esse motivo. 2. Seu núcleo estratégico há de ser composto pelas universidades. reduzindo as desigualdades. sobretudo as federais possuem espaço para este fim. no conjunto dos esforços nacionais. a produção de pesquisa e inovação. Esta é sua função precípua e que deve atrair a maior parcela dos recursos de sua receita vinculada. Ressalte-se que à educação superior está reservado. que exercem as funções que lhe foram atribuídas pela Constituição: ensino. científicos e culturais de nível superior. 4. Deve-se ressaltar. as rápidas transformações destinam às universidades o desafio de reunir em suas atividades de ensino. tecnológica e humanística nas universidades. utilizando-o. estas instituições devem ter estreita articulação com as instituições de ciência e tecnologia – como aliás está indicado na LDB (art. o desenho federativo brasileiro reservou à União o papel de atuar na educação superior. pesquisa e extensão. para colocar o País à altura das exigências e desafios do Séc. já está acontecendo e tenderá a crescer. Deve-se planejar a expansão com qualidade. da pesquisa e da criação artística. Finalmente. Há necessidade da expansão das universidades públicas para atender à demanda crescente dos alunos. destacando a necessidade de se garantir o acesso a laboratórios. segundo a capacidade de cada um. As universidades constituem. mas também das outras instituições de educação superior deve haver não só uma estreita articulação entre este nível de ensino e os demais como também um compromisso com o conjunto do sistema educacional brasileiro. a ampliação da margem de liberdade das instituições não-universitárias e a permanente avaliação dos currículos constituem medidas tão necessárias quanto urgentes. acesso aos níveis mais elevados do ensino. (VETADO) 3. têm um importante papel a cumprir no sistema de educação superior e sua expansão. os requisitos de relevância. mantenha uma proporção nunca inferior a 40% do total. a oferta de educação superior para. desde que respeitados os parâmetros de qualidade estabelecidos pelos sistemas de ensino. o principal instrumento de transmissão da experiência cultural e científica acumulada pela humanidade. É importante a contribuição do setor privado. 30% da faixa etária de 18 a 24 anos. para ampliar as possibilidades de atendimento nos cursos presenciais. administrativa e de gestão financeira e patrimonial. exercida nas dimensões previstas na Carta Magna: didático-científica. extensão. a partir da reflexão e da pesquisa. considerando que as universidades. regulares ou de educação continuada. Estabelecer uma política de expansão que diminua as desigualdades de oferta existentes entre as diferentes regiões do País. A pressão pelo aumento de vagas na educação superior. cujo objetivo é qualificar os docentes que atuam na educação superior. que decorre do aumento acelerado do número de egressos da educação média. A oferta de educação básica de qualidade para todos está grandemente nas mãos dessas instituições.3 Objetivos e Metas 1. pesquisa e extensão. Ressalte-se a importância da expansão de vagas no período noturno. pelo menos. também. a formação dos quadros profissionais. em todos os campos da vida e da atividade humana e abrindo um horizonte para um futuro melhor para a sociedade brasileira. é preciso. Nessas instituições apropria-se o patrimônio do saber humano que deve ser aplicado ao conhecimento e desenvolvimento do País e da sociedade brasileira. XXI.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS As IES têm muito a fazer. que o setor público neste processo. Estabelecer um amplo sistema interativo de educação a distância. bibliotecas e outros recursos que assegurem ao aluno-trabalhador o ensino de qualidade a que têm direito nas mesmas condições de que dispõem os estudantes do período diurno. sobretudo os carentes. uma vez que realizam mais de 90% da pesquisa e da pós-graduação nacionais . A efetiva autonomia das universidades.

11. em dez anos. . 28. 6. 4. 18. Garantir a criação de conselhos com a participação da comunidade e de entidades da sociedade civil organizada. 33. com vistas a oferecer bolsas de estudo e apoio ao prosseguimento dos estudos. para consolidar o desenvolvimento da pós-graduação e da pesquisa. pluralidade cultural. pelo menos. Instituir programas de fomento para que as instituições de educação superior constituam sistemas próprios e sempre que possível nacionalmente articulados. estudantes com altas habilidades intelectuais. Assegurar efetiva autonomia didática.* 32. com o objetivo de assegurar o retorno à sociedade dos resultados das pesquisas. solidariedade e tolerância).Financiamento e Gestão da Educação Superior 24. 29. investigar suas causas. saúde e temas locais. o número de pesquisadores qualificados. desenvolver ações imediatas no sentido de impedir que o êxodo continue e planejar estratégias de atração desses pesquisadores. 34. Promover levantamentos periódicos do êxodo de pesquisadores brasileiros formados.4 . bem como de talentos provenientes de outros países. favorecendo e valorizando estabelecimentos não-universitários que ofereçam ensino de qualidade e que atendam clientelas com demandas específicas de formação: tecnológica. Estender. meio ambiente. 7. tais como bolsa-trabalho ou outros destinados a apoiar os estudantes carentes que demonstrem bom desempenho acadêmico. 10% do total de créditos exigidos para a graduação no ensino superior no País será reservado para a atuação dos alunos em ações extensionistas. 20. apoiado no sistema nacional de avaliação. competir em igualdade de condições nos processos de seleção e admissão a esse nível de ensino. levando em consideração a avaliação do custo e a qualidade do ensino oferecido. com base no sistema de avaliação. 9. 23. Estabelecer. Estabelecer sistema de recredenciamento periódico das instituições e reconhecimento periódicos dos cursos superiores. nos estratos de renda mais baixa. permitindo-lhes. 12. inclusive com a participação de alunos no desenvolvimento da pesquisa. 17. (VETADO) 27. também de pesquisa. Incluir nas diretrizes curriculares dos cursos de formação de docentes temas relacionados às problemáticas tratadas nos temas transversais. Criar políticas que facilitem às minorias. 14. Estimular a consolidação e o desenvolvimento da pósgraduação e da pesquisa das universidades. sendo de competência da IES definir a forma de utilização dos recursos previstos para esta finalidade. equipamentos e bibliotecas. desenvolvendo e consolidando a pós-graduação no País. para outros países. ética (justiça. Diversificar a oferta de ensino. (VETADO) 25. 26. nas informações coletadas anualmente através do questionário anexo ao Exame Nacional de Cursos. Incluir. diretrizes curriculares que assegurem a necessária flexibilidade e diversidade nos programas de estudos oferecidos pelas diferentes instituições de educação superior. Didatismo e Conhecimento 33 19. como condição para o recredenciamento das instituições de educação superior e renovação do reconhecimento de cursos. Institucionalizar um amplo e diversificado sistema de avaliação interna e externa que englobe os setores público e privado. profissional liberal. Garantir. dobrando.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 5. o acesso à educação superior. o número de alunos atendidos. Estimular. Implantar o Programa de Desenvolvimento da Extensão Universitária em todas as Instituições Federais de Ensino Superior no quadriênio 2001-2004 e assegurar que. Estimular as instituições de ensino superior a identificar. 16. 10. em nível nacional. para acompanhamento e controle social das atividades universitárias. tais como trancamento de matrícula ou abandono temporário dos cursos superiores motivados por gravidez e/ou exercício de funções domésticas relacionadas à guarda e educação dos filhos. Estimular a adoção. diálogo. incentivando a criação de cursos noturnos com propostas inovadoras. educação sexual. A partir de padrões mínimos fixados pelo Poder Público. exigir melhoria progressiva da infra-estrutura de laboratórios. com recursos públicos federais e estaduais. respeito mútuo. permitindo maior flexibilidade na formação e ampliação da oferta de ensino. Utilizar parte dos recursos destinados à ciência e tecnologia. Oferecer apoio e incentivo governamental para as instituições comunitárias sem fins lucrativos. (VETADO) 30. vítimas de discriminação. as instituições de educação superior a constituírem programas especiais de titulação e capacitação de docentes. científica. diferentes prerrogativas de autonomia às instituições não-universitárias públicas e privadas. Incentivar a generalização da prática da pesquisa como elemento integrante e modernizador dos processos de ensinoaprendizagem em toda a educação superior. 31. Estimular a inclusão de representantes da sociedade civil organizada nos Conselhos Universitários. de extensão e no caso das universidades. de avaliação institucional e de cursos. através de programas de compensação de deficiências de sua formação escolar anterior. em novas profissões. administrativa e de gestão financeira para as universidades públicas. questões relevantes para a formulação de políticas de gênero. pelas instituições públicas. Estabelecer um sistema de financiamento para o setor público. do ensino e da extensão. de forma a melhor atender às necessidades diferenciais de suas clientelas e às peculiaridades das regiões nas quais se inserem. 21. a oferta de cursos de extensão. especialmente no que se refere à abordagem tais como: gênero. preferencialmente aquelas situadas em localidades não atendidas pelo Poder Público. da extensão e da gestão acadêmica. Implantar planos de capacitação dos servidores técnicoadministrativos das instituições públicas de educação superior. na distribuição de recursos para cada instituição. 13. nas instituições de educação superior.* 8. 5%. na educação básica. que considere. com a certificação. Diversificar o sistema superior de ensino. com ou sem formação superior. desta forma. de cursos sequenciais e de cursos modulares. na perspectiva de integrar o necessário esforço nacional de resgate da dívida social e educacional. para atender as necessidades da educação continuada de adultos. Promover o aumento anual do número de mestres e de doutores formados no sistema nacional de pós-graduação em. além da pesquisa. 22. capazes de possibilitar a elevação dos padrões de qualidade do ensino. da pesquisa. resguardada a qualidade dessa oferta. no mínimo. de programas de assistência estudantil. para exercício do magistério ou de formação geral. e promova a melhoria da qualidade do ensino. 15.

7 % 11.86 16.Taxas de Analfabetismo das Pessoas de 15 anos de idade ou mais – Brasil e Regiões – 1996 Brasil Região Norte urbana * Região Nordeste Região Sudeste Região Sul Região Centro-Oeste 14. I).03 9.47 17.68 0.01 20.88 0. o número de analfabetos é ainda excessivo e envergonha o País: atinge 16 milhões de brasileiros maiores de 15 anos.87 0.08 4 anos 16.71 1. Trata-se de tarefa que exige uma ampla mobilização de recursos humanos e financeiros por parte dos governos e da sociedade. Os déficits do atendimento no ensino fundamental resultaram.39 11.61 10. Roraima. 18.1 Diagnóstico A Constituição Federal determina como um dos objetivos do Plano Nacional de Educação a integração de ações do poder público que conduzam à erradicação do analfabetismo (art.41 3. 1998.15 22. Acre.84 18.80 17.14 5 a 7 anos 18.03 0. O analfabetismo está intimamente associado às taxas de escolarização e ao número de crianças fora da escola. aumenta a população a ser atingida.59 17.07 19.60 0.9 % 11. Observar. Todos os indicadores apontam para a profunda desigualdade regional na oferta de oportunidades educacionais e a concentração de população analfabeta ou insuficientemente escolarizada nos bolsões de pobreza existentes no País. num grande número de jovens e adultos que não tiveram acesso ou não lograram terminar o ensino fundamental obrigatório.81 8. é muito elevado o número de jovens e adultos que não lograram completar a escolaridade obrigatória.46 10.66 12.76 6.53 3. educação especial e educação de jovens e adultos. Contagem da População de 1996.81 11.05 14. Tabela 15 . EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 5.83 Fonte: IBGE.32 4.87 13.6 % 28.10 8.00 0.36 5.37 32. III – MODALIDADES DE ENSINO 5.18 10.75 13. v.29 8.85 20.53 40. abrangendo a formação equivalente às oito séries do ensino fundamental. formação de professores. Amazonas. Embora tenha havido progresso com relação a essa questão.79 0.10 19.02 Não determinados 0.84 11.7 % 8.61 20. como se verifica na Tabela 15.55 42.75 7.08 0. as metas estabelecidas nos capítulos referentes à educação a distância.51 0.17 22.32 26.80 11. *Exclusive a população da área rural de Rondônia.35 5.46 25.73 19.1996.25 0.36 8 anos 8. 214. Pará e Amapá.10 15.Escolarização da População – 1996 Classes de Anos de Estudo (%) Grupos de idades Total 10 a 14 anos 15 a 19 anos 20 a 24 anos 25 a 29 anos 30 a 39 anos 40 a 49 anos 50 a 59 anos 60 anos ou mais I d a d e ignorada Sem Instrução e menos de 1 ano 13.27 8 a 11 anos 14. no que diz respeito à educação superior.20 8.96 1.50 12 anos e mais 5. Uma concepção ampliada de alfabetização.-4 6.87 15.81 1 a 3 anos 21.34 5.99 16. IBGE.61 24.11 5. Didatismo e Conhecimento 34 .Rio de Janeiro. educação indígena.85 12. Tabela 14 .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 35.70 23. ao longo dos anos.29 14. (Tabela 14).08 10.6 % Fonte : Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.00 5.51 8.59 19.7 % 8.72 6. Cerca de 30% da população analfabeta com mais de 15 anos está localizada no Nordeste. pois.44 10.99 22.37 14.20 25.

454.761 11.484 304.955.643 2.0 5.0 5.669 4.295 623.031.435 6.2 6.590 15.7 8.3 Preta e Parda 4.591.Censo Demográfico 1991/PNAD 1995/1996/1997 * Exclusive a população rural de Rondônia.6 % em 1995.849.984 7. a indicar a necessidade de políticas focalizadas. estando inclusive as mulheres melhor posicionadas nos grupos etários abaixo de 40 anos. para 15.3 10.500.555 7.807 599.114.2 4.744 5.2 12.519 5.667 469.8 25 a 29 anos 12.560 7.245.574 6. Acre.1997 (*) Sexo e Localização do Domicílio Total Total Não Alfabetizada Analfabetismo % Homens Não Alfabetizada Analfabetismo % Mulheres Não Alfabetizada Analfabetismo % Urbana Não Alfabetizada Analfabetismo % Rural Não Alfabetizada Analfabetismo % 108. Amazonas. quando o fator verificado é a etnia.025.5 50 anos ou mais 24.3 5. Roraima. em 1991.9 3.455. Pará e Amapá.179.6 11.691 34.275 1.303.517. além do fenômeno da regressão. Tabela 16 .7 3.537.048.274. Tomando-se o corte regional.194 1.4 5.5 4.374 5.9 4.448 14.219.931 55.5 Média de anos de estudo Homens 5.981.350.517 10.186 9.0 5. tomado este indicador.683.375 1.4 19.264.6 20 a 24 anos 13.114 1.8 87.608.195 1.801 9.391 490.666 8.251 361. nota-se uma distorção.063.3 4.667.4 13.883.8 5.389 2.856.População de 15 anos ou mais de idade por situação de alfabetização .2 Mulheres 5.1% da população.562 10.390 15.2 6.6 5.159.318.580.9 6.076 9. em todas as regiões. uma maior média de anos de estudo.043.07 52.267.2 4.7 13.562 3.0 6.348.968 1. Por isso.382 31.961 23.218 3.Média de anos de estudo das pessoas de 10 anos ou mais de idade por sexo e cor – 1996 Brasil Total Total Região Urbana Norte 5.595 10.802 7.2 8.006.7 Fonte: IBGE .133 3.064.421.118.144 442. para acelerar a redução do analfabetismo é necessário agir ativamente tanto sobre o estoque existente quanto sobre as futuras gerações.080 434.4 4.6 9.6 55.601.058. Como se infere da Tabela 15.987 1.0 6.6 6.5 6.214.596 515.451 25.564. (Tabela 17) Tabela 17 .691 28.931 10.197.800 14. Entretanto.1 6.924 14.5 2. (CD-ROM).9 4.227.083.840.211 14.786. passando de 20.255. O problema não se resume a uma questão demográfica.726. distorções significativas em função do gênero.795 36.7 Região Nordeste Região Sudeste Região Sul Região Oeste Centro- Fonte: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 1996.382. pois pessoas entre quinze e trinta anos em 1997 somavam cerca de 21.126.7 8.4 19.127 26.774 6.8 5.4 % do analfabetismo total.953.312.656 1.779 542.8 6. não se verificam.383 941.7 20.8 3.705 8. Didatismo e Conhecimento 35 . há também uma redução insuficiente do analfabetismo ao longo do tempo.899 637.675.9 14.0 População de 15 anos ou mais por Grupos de Idade 15 a 19 anos 16.675 1.372 14.4 2. é de se esperar que apenas a dinâmica demográfica seja insuficiente para promover a redução em níveis razoáveis nos próximos anos. As gerações antigas não podem ser consideradas como as únicas responsáveis pelas taxas atuais.855 32.5 Branca 6.2 3.730 4.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Embora o analfabetismo esteja concentrado nas faixas etárias mais avançadas (Tabela 16) e as taxas tenham se reduzido.830 18.650 15.365.2 11.4 3.351.8 5. Como há reposição do estoque de analfabetos.421.2 30 a 39 anos 23.4 5.239 499. as mulheres têm.3 4.058 960.4 40 a 49 anos 17.8 10.283 2.773 5.6 6.489.

a produção de materiais didáticos e técnicas pedagógicas apropriadas. tais como museus e bibliotecas e privados. além de políticas dirigidas para as mulheres. requerem um esforço nacional. Assegurar. É necessária. lograr-se-á universalizar uma formação equivalente às oito séries iniciais do ensino fundamental. dar-se-á atendimento integral à família. para os cursos em nível de ensino fundamental para jovens e adultos. é fundamental a participação solidária de toda a comunidade. deve ser garantido. com o envolvimento das organizações da sociedade civil diretamente envolvidas na temática. Da mesma forma. um grande impacto na próxima geração. dificilmente o analfabetismo será erradicado e. há que se diversificar os programas. Uma tarefa dessa envergadura necessita da garantia e programação de recursos necessários. ou ainda – sobretudo as mulheres – envolvidos com tarefas domésticas. devem ser consideradas pelos sistemas de ensino responsáveis pela educação de jovens e adultos. numerosa e heterogênea no que se refere a interesses e competências adquiridas na prática social. Daí a importância da associação das políticas de emprego e proteção contra o desemprego à formação de jovens e adultos. de material didático-pedagógico. Assegurar que os sistemas estaduais de ensino. de forma a atender a demanda de órgãos públicos e privados envolvidos no esforço de erradicação do analfabetismo. na participação política. . por fim. não mais restrita a um período particular da vida ou a uma finalidade circunscrita. 208. Esta questão é abordada no capítulo referente ao financiamento e gestão. no nível fundamental deve ser oferecida gratuitamente pelo Estado a todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria. pelo Ministério da Educação. entidades estudantis. levantamento e avaliação de experiências em alfabetização de jovens e adultos. considerar que o resgate da dívida educacional não se restringe à oferta de formação equivalente às quatro séries iniciais do ensino fundamental. Realizar. Assegurar. é importante ressaltar que. até o final da década. Para inserir a população no exercício pleno da cidadania. ou à procura de emprego. anualmente. as metas que se seguem. de acordo com as diretrizes curriculares nacionais. os Estados e o Distrito Federal. a modalidade de ensino “educação de jovens e adultos”. auxiliando na diminuição do surgimento de “novos analfabetos”. e ampliar suas oportunidades no mercado de trabalho. erradicar o analfabetismo. implantação de cursos de formação de jovens e adultos no próprio local de trabalho. A integração dos programas de educação de jovens e adultos com a educação profissional aumenta sua eficácia. Também é oportuno observar que há milhões de trabalhadores inseridos no amplo mercado informal. com responsabilidade partilhada entre a União. no sentido de considerar a necessidade de formação permanente – o que pode dar-se de diversas formas: organização de jornadas de trabalho compatíveis com o horário escolar. melhorar sua qualidade de vida e de fruição do tempo livre. muito menos. o acesso ao ensino médio. Trata-se de um direito público subjetivo (CF. como bolsas de estudo. em regime de colaboração com os demais entes federativos. esta política deve ser integrada àquelas dirigidas às crianças. A oferta do ciclo completo de oito séries àqueles que lograrem completar Didatismo e Conhecimento 36 as séries iniciais é parte integrante dos direitos assegurados pela Constituição Federal e deve ser ampliada gradativamente. As experiências bem sucedidas de concessão de incentivos financeiros. tornando-os mais atrativos. concessão de licenças para frequência em cursos de atualização. sindicatos. assim como na reorganização do mundo do trabalho. ainda. tanto no que diz respeito às regiões político-administrativas. É importante o apoio dos empregadores. a educação de jovens e adultos deve compreender no mínimo. além de estratégias específicas para a população rural.2 Diretrizes As profundas transformações que vêm ocorrendo em escala mundial.3 Objetivos e Metas 1. nas relações sociais. 4. ademais. Por isso. 6. Assim. meios de comunicação de massa e organizações da sociedade civil em geral devem ser agentes dessa ampla mobilização. § 1º). 208. cuja escolarização têm. Cabe. aos que completaram o ensino fundamental. para assegurar que as escolas públicas de ensino fundamental e médio localizadas em áreas caracterizadas por analfabetismo e baixa escolaridade ofereçam programas de alfabetização e de ensino e exames para jovens e adultos. adequado à clientela. Estabelecer programa nacional de fornecimento. como no que se refere ao corte urbano/rural. mantenham programas de formação de educadores de jovens e adultos. capacitados para atuar de acordo com o perfil da clientela . há que se buscar parcerias com os equipamentos culturais públicos. como as que associam educação e renda mínima. Estabelecer. têm implicações diretas nos valores culturais. imprescindíveis à construção da cidadania no País. Para atender a essa clientela. na organização das rotinas individuais. Assim. Universidades. é importante o acompanhamento regionalizado das metas.e habilitados para no mínimo. art. como cinemas e teatros. o exercício do magistério nas séries iniciais do ensino fundamental. em cinco anos e.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 5. Desenvolve-se o conceito de educação ao longo de toda a vida. os Municípios e a sociedade organizada. Neste sentido. associações de bairros. de forma a incentivar a generalização das iniciativas mencionadas na meta anterior. 7. a oferta de educação de jovens e adultos equivalente às quatro séries iniciais do ensino fundamental para 50% da população de 15 anos e mais que não tenha atingido este nível de escolaridade. 3. Assim. 5. Estabelecer programa nacional. que constituam referência para os agentes integrados ao esforço nacional de erradicação do analfabetismo. A necessidade de contínuo desenvolvimento de capacidades e competências para enfrentar essas transformações alterou a concepção tradicional de educação de jovens e adultos. igrejas. I). em virtude do acelerado avanço científico e tecnológico e do fenômeno da globalização. Sempre que possível. em cinco anos. até o final da década. programas visando a alfabetizar 10 milhões de jovens e adultos. De acordo com a Carta Magna (art. Dada a importância de criar oportunidades de convivência com um ambiente cultural enriquecedor. a oferta de cursos equivalentes às quatro séries finais do ensino fundamental para toda a população de 15 anos e mais que concluiu as quatro séries iniciais. as taxas de analfabetismo acompanham os desequilíbrios regionais brasileiros. 5. sem uma efetiva contribuição da sociedade civil. a oferta de uma formação equivalente às oito séries iniciais do ensino fundamental. 2. a partir da aprovação do PNE. além da especialização do corpo docente. Embora o financiamento das ações pelos poderes públicos seja decisivo na formulação e condução de estratégias necessárias para enfrentar o problema dos déficits educacionais. Mas não basta ensinar a ler e a escrever. que há de se iniciar com aalfabetização. compete aos poderes públicos disponibilizar os recursos para atender a essa educação. empresas. Como face da pobreza.

penitenciário. para a educação de jovens e adultos. que tem produzido programas educativos de boa qualidade. Incluir. da população analfabeta. A TV Escola e o fornecimento. setores próprios incumbidos de promover a educação de jovens e adultos. tem dado prioridade à atualização e aperfeiçoamento de professores para o ensino fundamental e ao enriquecimento do instrumental pedagógico disponível para esse nível de ensino. Instar Estados e Municípios a procederem um mapeamento. Ao introduzir novas concepções de tempo e espaço na educação. como instrumento para assegurar o cumprimento das metas do Plano.1 Diagnóstico No processo de universalização e democratização do ensino. § 3º).** 19. 6. de censos específicos (agrícola. Didatismo e Conhecimento 37 25. Há. o rádio e o computador como instrumentos pedagógicos de grande importância. especialmente para a televisão. 87. a Educação de Jovens e Adultos nas formas de financiamento da Educação Básica. Expandir a oferta de programas de educação a distância na modalidade de educação de jovens e adultos. 13. respeitando-se as especificidades da clientela e a diversidade regional. avaliação e divulgação dos resultados dos programas de educação de jovens e adultos. no entanto. associar ao ensino fundamental para jovens e adultos a oferta de cursos básicos de formação profissional. Estão também em fase inicial os treinamentos que orientam os professores a utilizar sistematicamente a televisão. no prazo de um ano. portanto. na educação a distância. etc) para verificar o grau de escolarização da população. tenham ou não formação de nível superior. por bairro ou distrito das residências e/ou locais de trabalho. 16. Incentivar as instituições de educação superior a oferecerem cursos de extensão para prover as necessidades de educação continuada de adultos. nas secretarias estaduais e municipais de educação. Cursos a distância ou semipresenciais podem desempenhar um papel crucial na oferta de formação equivalente ao nível fundamental e médio para jovens e adultos insuficientemente escolarizados. Dobrar em cinco anos e quadruplicar em dez anos a capacidade de atendimento nos cursos de nível médio para jovens e adultos.§1º da LDB. de sorte que sua clientela seja beneficiária de ações que permitam ampliar seus horizontes culturais. a União e os Estados são parceiros necessários para o desenvolvimento da informática nas escolas de ensino fundamental e médio. nesse setor. Realizar em todos os sistemas de ensino. onde os déficitseducativos e as desigualdades regionais são tão elevados. os desafios educacionais existentes podem ter. financiamento e gestão. 12. À União cabe o credenciamento das instituições autorizadas a oferecer cursos de educação a distância. 22. As possibilidades da educação a distância são particularmente relevantes quando analisamos o crescimento dos índices de conclusão do ensino fundamental e médio. a educação a distância tem função estratégica: contribui para o surgimento de mudanças significativas na instituição escolar e influi nas decisões a serem tomadas pelos dirigentes políticos e pela sociedade civil na definição das prioridades educacionais. o vídeo. Estimular as universidades e organizações nãogovernamentais a oferecer cursos dirigidos à terceira idade. assim como a autorização para sua implementação (art. aquelas que concretizam um trabalho em regime de cooperação. Implantar. a cada dois anos. Articular as políticas de educação de jovens e adultos com as de proteção contra o desemprego e de geração de empregos. bem como o efetivo aproveitamento do potencial de trabalho comunitário das entidades da sociedade civil. Observar. Reestruturar. formação dos professores. nos termos do art. assim como de formação profissional. visando localizar e induzir a demanda e programar a oferta de educação de jovens e adultos para essa população. 17. controle e avaliação dos programas. programas de educação de jovens e adultos de nível fundamental e médio. capaz de elevar a qualidade e aumentar o número de programas produzidos e apresentados. 11. contemplando para esta clientela as metas n° 5 e nº 14. aos estabelecimentos escolares. 23. Ainda são incipientes. Estimular a concessão de créditos curriculares aos estudantes de educação superior e de cursos de formação de professores em nível médio que participarem de programas de educação de jovens e adultos. §§ 1º e 2º). O Ministério da Educação. 24. um meio auxiliar de indiscutível eficácia. 87. O sistema também se ressente da falta de uma rede informatizada que permita o acesso generalizado aos programas existentes. criar e fortalecer. 18. educação a distância. . O País já conta com inúmeras redes de televisão e rádio educativas no setor público. educação tecnológica.5º. Estabelecer políticas que facilitem parcerias para o aproveitamento dos espaços ociosos existentes na comunidade. 14. a TV Escola deverá revelar-se um instrumento importante para orientar os sistemas de ensino quanto à adoção das Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino fundamental e os Parâmetros Curriculares. as metas estabelecidas para o ensino fundamental. especialmente no Brasil. parâmetros nacionais de qualidade para as diversas etapas da educação de jovens e adultos. formação profissional e educação indígena. assim como de condições para a recepção de programas de teleducação. 15. Aperfeiçoar o sistema de certificação de competências para prosseguimento de estudos. são de responsabilidade dos sistemas de ensino as normas para produção. inúmeras iniciativas neste setor. 26. Elaborar. há que se considerar a contribuição do setor privado. incentivando seu aproveitamento nos cursos presenciais. Além disso. Além do mais. Realizar estudos específicos com base nos dados do censo demográfico da PNAD. 21. O Ministério da Educação. os programas educativos podem desempenhar um papel inestimável no desenvolvimento cultural da população em geral. por meio de censo educacional. 20. Entretanto a regulamentação constante na Lei de Diretrizes e Bases é o reconhecimento da construção de um novo paradigma da educação a distância. Paralelamente.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 8. 9. assim como o estabelecimento dos requisitos para a realização de exames e o registro de diplomas (art. a partir da aprovação do Plano Nacional de Educação. no que diz respeito à educação de jovens e adultos. EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS 6. Nas empresas públicas e privadas incentivar a criação de programas permanentes de educação de jovens e adultos para os seus trabalhadores. do equipamento tecnológico necessário constituem importantes iniciativas. 10. Sempre que possível. Articular as políticas de educação de jovens e adultos com as culturais. em todas as unidades prisionais e nos estabelecimentos que atendam adolescentes e jovens infratores.

Quando se trata. Elas constituem hoje um instrumento de enorme potencial para o enriquecimento curricular e a melhoria da qualidade do ensino presencial. Capacitar. embora sujeitos a padrões de qualidade que precisam ser objeto de preocupação não só dos órgãos governamentais. a produção de programas de educação a distância de nível médio. consagrada pela Constituição Federal. dentro de 2 anos. Iniciar. criando. com a colaboração da União e dos Estados e em parceria com instituições de ensino superior. 2. por meio de um sistema de auto-regulamentação. Estabelecer. 6. especialmente nas universidades. os serviços nacionais de aprendizagem e as escolas técnicas federais. há certamente que permitir-se a multiplicação de iniciativas.000 professores para a utilização plena da TV Escola e de outras redes de programação educacional. com especial consideração para o potencial dos canais radiofônicos e para o atendimento da população rural. para transmissão de programas educativos pelos canais comerciais de rádio e televisão. em cooperação da União com os Estados e Municípios. A Lei de Diretrizes e Bases considera a educação a distância como um importante instrumento de formação e capacitação de professores em serviço. da Ciência e Tecnologia e das Comunicações para o desenvolvimento da educação a distância no País. comprometendo-o a desenvolver programas que atendam as metas propostas neste capítulo. . pela ampliação da infraestrutura tecnológica e pela redução de custos dos serviços de comunicação e informação. transmissão radiofônica e televisiva. dentro de um ano. de nível fundamental e médio. O material escrito. a oferta de formação a distância em nível superior para todas as áreas. as relações de comunicação e interação direta entre educador e educando. um programa que assegure essa colaboração. no prazo de um ano. assegurando às escolas e à comunidade condições básicas de acesso a esses meios. 12. É preciso ampliar o conceito de educação a distância para poder incorporar todas as possibilidades que as tecnologias de comunicação possam propiciar a todos os níveis e modalidades de educação. especialmente na Escola Normal. especialmente no que diz respeito à oferta de ensino fundamental.3 Objetivos e Metas 1. inclusive em horários nobres. Há. que dêem direito a certificados ou diplomas. 7. padrões éticos e estéticos mediante os quais será feita a avaliação da produção de programas de educação a distância. entretanto. de forma a atender as demandas da sociedade brasileira. o rádio e o computador constituem importantes instrumentos pedagógicos auxiliares.2 Diretrizes Ao estabelecer que o Poder Público incentivará o desenvolvimento de programas de educação a distância. do Trabalho. Promover. bem como a elaboração dos programas será realizada pelas Secretarias Estaduais. o acesso universal à televisão educativa e a outras redes de programação educativo-cultural. deverá apresentar a mesma qualidade dos materiais audiovisuais. a formação de recursos humanos para educação a distância. Ampliar. 13. 5. Fortalecer e apoiar o Sistema Nacional de Rádio e Televisão Educativa. Garantir a integração de ações dos Ministérios da Educação. proposta de regulamentação da reserva de tempo mínimo. em todos os níveis e modalidades de ensino. com o fornecimento do equipamento correspondente. No conjunto da oferta de programas para formação a distância. incorporando em sua programação temas que afirmem pela igualdade de direitos entre homens e mulheres. As tecnologias utilizadas na educação a distância não podem. nos cursos de Pedagogia e nas Licenciaturas. é fundamental equipar as escolas com multimeios. entretanto. de prazo razoavelmente curto. os quais deverão atuar como centros de orientação para as escolas e para os órgãos administrativos dos sistemas de ensino no acesso aos programas informatizados e aos vídeos educativos. em parceria com o Ministério do Trabalho. seja por meio dos mais recentes processos de utilização conjugada de meios como a telemática e a multimídia. o vídeo. Só será permitida a celebração de contratos onerosos para a retransmissão de programa de Educação à Distância com redes de televisão e de rádio quando não houver cobertura da Televisão e de Rádio Educativa. sem ônus para o Poder Público. no entanto. ficar restritas a esta finalidade. normas para credenciamento das instituições que ministram cursos a distância. pelo menos 500. logo após a aprovação do Plano.000 núcleos de tecnologia educacional. Enviar ao Congresso Nacional. 9. internet. Apoiar financeira e institucionalmente a pesquisa na área de educação a distância. em dois anos. Numa visão prospectiva. Promover. em nível superior. Ampliar a oferta de programas de formação a distância para a educação de jovens e adultos. Para isto. 11. não devendo substituir. gradualmente. assim como a adequada abordagem de temas referentes à etnia e portadores de necessidades especiais. de cursos regulares. e integrar a informática na formação regular dos alunos. mas também dos próprios produtores. é preciso aproveitar melhor a competência existente no ensino superior presencial para institucionalizar a oferta de cursos de graduação e iniciar um projeto de universidade aberta que dinamize o processo de formação de profissionais qualificados. a regulamentação e o controle de qualidade por parte do Poder Público são indispensáveis e devem ser rigorosos. 4.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 6. a produção e difusão de programas de formação profissional a distância. Instalar. Utilizar os canais educativos televisivos e radiofônicos. 8. que distinguirem-se claramente as políticas dirigidas para o incentivo de programas educativos em geral e aquelas formuladas para controlar e garantir a qualidade dos programas que levam à certificação ou diploma. Assegurar às escolas públicas. Municipais ou pelo Ministério da Educação. Incentivar. 17. para a disseminação de programas culturais e educativos. 6. 10. A União deverá estabelecer. 15. 3. especialmente na área de formação de professores para a educação básica. em dez anos. assim como redes telemáticas de educação. Promover imagens não estereotipadas de homens e mulheres na Televisão Educativa. parte integrante e essencial para a eficácia desta modalidade de educação. da Cultura. em cinco anos. as empresas. programas de computador. a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional introduziu uma abertura de grande alcance para a política educacional. a oferta de cursos a distância. portanto. Os programas educativos e culturais devem ser incentivados dentro do espírito geral da liberdade de imprensa. promovendo sua integração no projeto pedagógico da escola. capacitar os professores para utilizá-los. seja por meio de correspondência. incentivando a participação das universidades e das demais instituições de educação superior credenciadas. 16. A televisão. 14. Didatismo e Conhecimento 38 2.

o País selou a educação profissional de qualquer nível. de acordo com as estimativas mais recentes. 150. criou-se um sistema de seleção que tende a favorecer os alunos de maior renda e melhor nível de escolarização. a elevação da escolaridade do trabalhador coloca-se como essencial para a inserção competitiva do Brasil no mundo globalizado.7 2.7 -22. em cada dez concluintes do ensino médio. menos de 5% oferecem ambiente adequado para estudo das ciências e nem 2% possuem laboratório de informática – indicadores da baixa qualidade do ensino que oferecem às camadas mais desassistidas da população. sobre a oferta de formação para o trabalho.001 31. SENAC. sindicais.8 2. Didatismo e Conhecimento 39 Afora estas redes específicas – a federal e outras poucas estaduais vocacionadas para a educação profissional – as demais escolas que oferecem educação profissional padecem de problemas de toda ordem. fornecerá dados abrangentes sobre os cursos básicos.0 3.3 haviam cursado alguma habilitação profissional. . Equipar. que aliam a formação geral de nível médio à formação profissional. O primeiro Censo da Educação Profissional.0 2. no que diz respeito à educação a distância e às novas tecnologias educacionais. Tabela 18 – Habilitações de nível médio com maior número de concluintes .2 eram concluintes egressos das habilitações de Magistério e Técnico em Contabilidade – um conjunto três vezes maior que a soma de todas as outras nove habilitações listadas pela estatística.023 113. 19. à formação de professores.389 490. 20.4 0. A heterogeneidade e a diversidade são elementos positivos. pois permitem atender a uma demanda muito variada. O maior problema. ao prever que o cidadão brasileiro deve galgar – com apoio do Poder Público – níveis altos de escolarização.349 7.1 18. 3. técnicos e tecnológicos oferecidos pelas escolas técnicas federais.8 50.165 14. em cinco anos.3 311. a Educação Profissional tem reafirmado a dualidade propedêutico-profissional existente na maioria dos países ocidentais. Capacitar.6 1. de cursos particulares de curta duração.2 10. Nesse contexto.739 12.3 0. o que torna inviável uma multiplicação capaz de poder atender ao conjunto de jovens que procura formação profissional. SESC e outros).186 32.394 9. das secretarias estaduais e municipais do trabalho e dos sistemas nacionais de aprendizagem. todas as escolas de nível médio e todas as escolas de ensino fundamental com mais de 100 alunos.000 professores e 34. Instalar. O principal deles é que a oferta é pequena: embora.789 8.0 TECNOLÓGICA E FORMAÇÃO Fonte: MEC/INEP/SEEC Funcionando em escolas onde há carências e improvisações generalizadas.000 computadores em 30. assim como um certo número. Em apenas 15% delas há bibliotecas. Capacitar. mas sobretudo o médio. cerca de cinco milhões de trabalhadores.0 53.9 1. 21.0 -4.768 8. além de treinamento em serviço de cursos técnicos oferecidos pelas empresas para seus funcionários.3 0. em cinco anos. 500. promovendo condições de acesso à internet.000 professores multiplicadores em informática da educação. com computadores e conexões internet que possibilitem a instalação de uma Rede Nacional de Informática na Educação e desenvolver programas educativos apropriados.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 18. até porque estudos têm demonstrado que o aumento de um ano na média educacional da população economicamente ativa determina um incremento de 5. 12.1996 52.7 0. comunitárias e filantrópicas.9 23. Adicionais Eletrônica Agropecuária Mecânica Secretariado Total Concluintes 1988 127. que se imagina muito grande.4 110. à educação indígena e à educação especial. Destes. a matrícula em 1996 expressa que. é que a alta qualidade do ensino que oferecem está associada a um custo extremamente alto para sua instalação e manutenção. 7. SENAI. está longe de atingir a população de jovens que precisa se preparar para o mercado de trabalho e a de adultos que a ele precisa se readaptar.000 técnicos em informática educativa e ampliar em 20% ao ano a oferta dessa capacitação.8 0. municipais e pelos estabelecimentos do chamado Sistema S (SESI. Um cenário que as diretrizes da educação profissional propostas neste plano buscam superar. Há muito.443 9.1 Diagnóstico Não há informações precisas.005 % 16. no que diz respeito às escolas técnicas públicas de nível médio. Observar. 22. No sistema escolar.2 1. iniciado pelo Ministério da Educação em 1999.6 15. já atinja. Além das redes federais e estaduais de escolas técnicas. afastando os jovens trabalhadores.6 1996 193.548 24.513 % 20.8 0. Funcionou sempre como mecanismo de exclusão fortemente associado à origem social do estudante. que são os que dela mais necessitam. sabe-se que a maioria das habilitações de baixo custo e prestígio encontra-se em instituições noturnas estaduais ou municipais.1988 e 1996 Habitações Magistério 1º grau Técnico Contabilidade Administração Proc. Associada a esse fato está a limitação de vagas nos estabelecimentos públicos. no Brasil. 4.8 0. em dez anos. em razão da oferta restrita. EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 7.4 32. de Dados Auxiliar de Contabilidade Magistério – Est. até aqueles ministrados por instituições empresariais.451 8. à educação de jovens e adultos.249 7.881 3.056 8.1 Crescimento 1988 .9 1. em dez anos. Mas há fatores preocupantes. estaduais.2 46. especialmente a produção de softwares educativos de qualidade.7 1.811 325. as metas pertinentes incluídas nos capítulos referentes à educação infantil.7 42. Além disso. inclusive de educação a distância. Embora não existam estatísticas detalhadas a respeito.000 escolas públicas de ensino fundamental e médio. justamente porque ela é muito heterogênea. especialmente na rede das 152 escolas federais de nível técnico e tecnológico. existem os programas do Ministério do Trabalho.293 15.4 51.024 174.959 5.5 % do PIB (Produto Interno Bruto). como forma de separar aqueles que não se destinariam às melhores posições na sociedade.

estaduais e municipais e a iniciativa privada. levando em conta seu nível de escolarização e as peculiaridades e potencialidades da atividade agrícola na região. secretarias do trabalho. estão sendo implantadas novas diretrizes no sistema público de educação profissional. Estabelece para isso um sistema flexível de reconhecimento de créditos obtidos em qualquer uma das modalidades e certifica competências adquiridas por meios não-formais de educação profissional. sem prejuízo de que sua oferta seja conjugada com ações para elevação da escolaridade. Estabelecer parcerias entre os sistemas federal. A política de educação profissional é. de forma a garantir que cumpram o papel de oferecer educação profissional específica e permanente para a população rural. voltados para a melhoria do nível técnico das práticas agrícolas e da preservação ambiental. os CEFETs. com a oferta de programas que permitam aos alunos que não concluíram o ensino fundamental obter formação equivalente. 13. 8. 208. inclusive no trabalho. para ampliar e incentivar a oferta de educação profissional. Integrar a oferta de cursos básicos profissionais. mas também para o treinamento e retreinamento de trabalhadores com vistas a inseri-los no mercado de trabalho com mais condições de competitividade e produtividade. Estabelecer. associados à promoção de níveis crescentes de escolarização regular. em colaboração com empresários e trabalhadores nas próprias escolas e em todos os níveis de governo. e a não-formal. 2. adquirida em instituições especializadas. Estabelecer. dos cursos básicos. É importante também considerar que a oferta de educação profissional é responsabilidade igualmente compartilhada entre o setor educacional. articular e ampliar a capacidade instalada na rede de instituições de educação profissional. com a colaboração entre o Ministério da Educação. ainda. da agricultura e da indústria e os sistemas nacionais de aprendizagem. de múltiplas fontes. a cada cinco anos. as normas atuais que regulamentam a formação de pessoal docente para essa modalidade de ensino. associadas à reforma do ensino médio. Didatismo e Conhecimento 40 4. os serviços nacionais de aprendizagem e a iniciativa privada. Mobilizar. contar com recursos das próprias empresas. Têm como objetivo central generalizar as oportunidades de formação para o trabalho. 12. de modo a triplicar. articular e aumentar a capacidade instalada na rede de instituições de educação profissional. Reorganizar a rede de escolas agrotécnicas. o Ministério do Trabalho. como ocorre nos países desenvolvidos. programas de formação de formadores para a educação tecnológica e formação profissional. a oferta de formação de nível técnico aos alunos nelas matriculados ou egressos do ensino médio. técnico complementar ao ensino médio e tecnológico superior de graduação ou de pós-graduação.2 Diretrizes Há um consenso nacional: a formação para o trabalho exige hoje níveis cada vez mais altos de educação básica. Transformar. a oferta de educação profissional permanente para a população em idade produtiva e que precisa se readaptar às novas exigências e perspectivas do mercado de trabalho. que perpassa toda a vida do trabalhador. Prevê-se. Modificar. As metas do Plano Nacional de Educação estão voltadas para a implantação de uma nova educação profissional no País e para a integração das iniciativas. a cada cinco anos. 14. Trata- . 7. Mobilizar. dentro de um ano. 10. e cada vez mais. articular e ampliar a capacidade instalada na rede de instituições de educação profissional. o que não impede o oferecimento de cursos de curta duração voltados para a adaptação do trabalhador às oportunidades do mercado de trabalho. EDUCAÇÃO ESPECIAL 8. em parceria com agências governamentais e instituições privadas. até o final da década. que pelo menos um desses centros em cada unidade federada possa servir como centro de referência para toda a rede de educação profissional. mencionando. entendese que a educação profissional não pode ser concebida apenas como uma modalidade de ensino médio. Prevê-se que a educação profissional. Os recursos provêm. de forma a aproveitar e valorizar a experiência profissional dos formadores. as universidades. o trabalhador rural. técnicos e superiores da educação profissional. não podendo esta ficar reduzida à aprendizagem de algumas habilidades técnicas. É necessário também. 15. Incentivar. a integração desses dois tipos de formação: a formal. notadamente em matéria de formação de formadores e desenvolvimento metodológico. Estabelecer a permanente revisão e adequação às exigências de uma política de desenvolvimento nacional e regional. III). Finalmente. a produção de programas de educação a distância que ampliem as possibilidades de educação profissional permanente para toda a população economicamente ativa. 8. sob o ponto de vista operacional. A diretriz atual é a da plena integração dessas pessoas em todas as áreas da sociedade. que oriente a política educacional para satisfazer as necessidades de formação inicial e continuada da força de trabalho. um sistema integrado de informações. 3. de modo a triplicar. 5. unidades da rede de educação técnica federal em centros públicos de educação profissional e garantir. de treinamentos. mas deve constituir educação continuada. seja estruturada nos níveis básico – independente do nível de escolarização do aluno. Mobilizar. adquirida por meios diversos. a cada cinco anos. dentro de dois anos. tarefa que exige a colaboração de múltiplas instâncias do Poder Público e da sociedade civil. observadas as ofertas do mercado de trabalho. gradativamente. serviços sociais do comércio. a oferta de cursos básicos destinados a atender à população que está sendo excluída do mercado de trabalho. 6. as quais devem financiar a qualificação dos seus trabalhadores. de modo a triplicar. técnico e de renda.1 Diagnóstico A Constituição Federal estabelece o direito de as pessoas com necessidades especiais receberem educação preferencialmente na rede regular de ensino (art.3 Objetivos e Metas 1. Por isso mesmo. 11. Estimular permanentemente o uso das estruturas públicas e privadas não só para os cursos regulares. o Ministério do Trabalho. portanto. sempre associados à educação básica. dentro da perspectiva do desenvolvimento auto-sustentável. portanto. 7. as escolas técnicas de nível superior. possibilitando a elevação de seu nível educacional. Estabelecer junto às escolas agrotécnicas e em colaboração com o Ministério da Agricultura cursos básicos para agricultores. 9.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 7. geral. por meio de recursos públicos e privados. de forma especial. Observar as metas estabelecidas nos demais capítulos referentes à educação tecnológica e formação profissional. sempre que possível.

4%.o direito à educação. nos níveis fundamental e médio (52 e 49%. Em “outras modalidades” são atendidas 25% das turmas de educação especial. Diante dessa política.7%. Entre as esferas administrativas. Não há dados sobre o atendimento do aluno com necessidades especiais na educação superior.expansão da oferta dos cursos de formação/especialização pelas universidades e escolas normais. é sábia em determinar preferência para essa modalidade de atendimento educacional. sempre que possível. as crianças. com problemas físicos. físicas. 2. chamando a atenção que 62% do atendimento registrado está localizado em escolas especializadas. Notase que o atendimento particular. .2%. no ensino fundamental. Em relação à qualificação dos profissionais de magistério. particulares e 0. realizar o atendimento em classes e escolas especializadas. Espírito Santo é o Estado com o mais alto percentual de Municípios que oferecem educação especial (83. Observando as modalidades de atendimento educacional.1% de visão. . ressalvando os casos de excepcionalidade em que as necessidades do educando exigem outras formas de atendimento. municipais. conforme as necessidades específicas dos alunos. todos os professores deveriam ter conhecimento da educação de alunos especiais.1%). sendo o Paraná o de mais alto percentual (83. teremos cerca de 15 milhões de pessoas com necessidades especiais. As diferenças regionais são grandes.403 alunos. Em princípio. segundo os dados de 1997. 24.3% dos Municípios.705.8%. completo ou incompleto. federais.3%. como formação máxima. Mato Grosso do Sul tinha atendimento em 76. 13.1% são da iniciativa privada. 26.2%.2% dos estabelecimentos de educação especial em 1998 eram estaduais. auditivas. . que atendiam a 31% das matrículas. se isto não for possível em função das necessidades do educando. do MEC/INEP).607 crianças na educação infantil. 4. 13. com deficiências múltiplas. predominam as “classes especiais”. pois o percentual dos estabelecimentos com aquele requisito baixa para 6%.2% em “oficinas pedagógicas”. Como os estabelecimentos são de diferentes tamanhos. que permitirão análises mais profundas da realidade. Se essa estimativa se aplicar também no Brasil. Inexistência. o que reflete a necessidade de um compromisso maior da escola comum com o atendimento do aluno especial. . 48.melhoria da qualificação dos professores do ensino fundamental para essa clientela. em 1998. 58.1% não ofereciam educação especial em 1998. no entanto. As políticas recentes do setor têm indicado três situações possíveis para a organização do atendimento: participação nas classes comuns. inadequação e precariedades podem ser constatadas em muitos centros de atendimento a essa clientela. distribuídos da seguinte forma: 58% com problemas mentais. No CentroOeste. em nível superior.7% delas estão em “salas de recursos” e 12. Os números de matrícula nos estabelecimentos escolares são tão baixos que não permitem qualquer confronto com aquele contingente.. No Nordeste.8%. verifica-se que este dá preferência à educação precoce. As tendências recentes dos sistemas de ensino são as seguintes: . a necessidade de preparação do corpo docente.9% recebiam “outro tipo de atendimento”(Sinopse Estatística da Educação Básica/Censo Escolar 1998.258 na educação de jovens e adultos.8%.ampliação do regulamento das escolas especiais para prestarem apoio e orientação aos programas de integração. municipais e 0. Mas.2%). múltiplas. a ausência dessa modalidade acontece em 78. em 1998. 3. das funções docentes). enquanto aquele dá prioridade às classes especiais e classes comuns com apoio pedagógico. a oficinas pedagógicas e a outras modalidades não especificadas no Informe. 132. é responsável por quase metade de toda a educação especial no País. considerando a diretriz da integração. como está a educação especial brasileira? O conhecimento da realidade é ainda bastante precário. portanto.. com apenas 9. Apenas 0. Eram formados em nível médio 51% e. sala especial e escola especial. O particular está muito à frente na educação infantil especial (64%) e o estadual. 59.1% dos Municípios ofereciam educação especial. apresenta o seguinte quadro: 87. Segundo dados de 1998. 31. 15. além do atendimento específico. O atendimento por nível de ensino. São informados como “outros” 64. a situação é bastante boa: apenas 3.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS se. 1. apenas 14% desses estabelecimentos possuíam instalação sanitária para alunos com necessidades especiais. possuíam o ensino fundamental.6% dos seus Municípios apresentando dados de atendimento. Outro elemento fundamental é o material didático-pedagógico adequado. as matrículas apresentam alguma variação nessa distribuição: 53. jovens e adultos especiais sejam atendidos em escolas regulares.507 Municípios brasileiros. Comparando o atendimento público com o particular. estaduais. As informações de 1998 estabelecem outra classificação. distúrbios de conduta e também superdotação ou altas habilidades. Os dados não informam sobre outras facilidades como rampas e corrimãos. constituindo uma meta necessária na década da educação. Apenas 5% das turmas estão em “classes comuns com apoio pedagógico” e 6% são de “educação precoce” . Dos 5. Todas as possibilidades têm por objetivo a oferta de educação de qualidade. A região Norte é a menos servida nesse particular. de duas questões . A legislação. 7. respectivamente). nele incluído o oferecido por entidades filantrópicas.visuais.integração/inclusão do aluno com necessidades especiais no sistema regular de ensino e. comum a todas as pessoas. ou seja. 12%. por isso 73% deles fizeram curso específico. Estas podem ser de diversas ordens . Dadas as discrepâncias regionais e a insignificante atuação federal. Em 1998.3%. Somente a partir do ano 2000 o Censo Demográfico fornecerá dados mais precisos. Na região Sul. e do corpo técnico e administrativo das escolas aumenta enormemente. insuficiência.3% com altas habilidades ou eram superdotados e 5.685. de recursos. 45. Didatismo e Conhecimento 41 A eliminação das barreiras arquitetônicas nas escolas é uma condição importante para a integração dessas pessoas no ensino regular. com problemas de audição. há necessidade de uma atuação mais incisiva da União nessa área. federais.5%.148 atendimentos. de conduta. A Organização Mundial de Saúde estima que em torno de 10% da população têm necessidades especiais. e o direito de receber essa educação sempre que possível junto com as demais pessoas nas escolas “regulares”. nas quais estão 38% das turmas atendidas. mas o municipal vem crescendo sensivelmente no atendimento em nível fundamental. destacando-se Rio Grande do Norte. havia 293. Os sistemas de ensino costumam oferecer cursos de preparação para os professores que atuam em escolas especiais. mentais.2% dos professores (melhor dito. porque não dispomos de estatísticas completas nem sobre o número de pessoas com necessidades especiais nem sobre o atendimento.6% dos seus Municípios. no ensino médio. de que.

Propõe-se uma escola integradora. de natureza filantrópica. Entre elas. originadas quer de deficiência física. de sorte que todas as crianças. com vistas a verificar a intensidade. produção de livros e materiais pedagógicos adequados para as diferentes necessidades. A integração dessas pessoas no sistema de ensino regular é uma diretriz constitucional (art. etc. assistência e promoção social. que garanta o atendimento à diversidade humana. ao longo de seu desenvolvimento. recomenda-se a celebração de convênios intermunicipais e com organizações não-governamentais. quer porque o espectro das necessidades especiais é variado. escolas regulares de ensino fundamental. quer porque as realidades são bastante diversificadas no País. Na hipótese de não ser possível o atendimento durante a educação infantil. mental ou múltipla. Uma política explícita e vigorosa de acesso à educação. e o âmbito educacional. precisam contar com professores especializados e material pedagógico adequado. A garantia de vagas no ensino regular para os diversos graus e tipos de deficiência é uma medida importante. órgãos oficiais e entidades não governamentais de assistência social. As escolas especiais devem ser enfatizadas quando as necessidades dos alunos assim o indicarem. Requer-se um esforço determinado das autoridades educacionais para valorizar a permanência dos alunos nas classes regulares. situadas nas escolas “regulares”. tanto nos aspectos administrativos (adequação do espaço escolar. fazendo parte da política governamental há pelo menos uma década. dos Estados e Distrito Federal e dos Municípios. jovens e adultos com necessidades especiais.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Apesar do crescimento das matrículas. demais técnicos. a articulação e a cooperação entre os setores de educação. jovens e adultos especiais como cidadãos e de seu direito de estarem integrados na sociedade o mais plenamente possível. pois diversas ações devem ser realizadas ao mesmo tempo. Em relação às crianças com altas habilidades (superdotadas ou talentosas). mas envolve especialistas sobretudo da área da saúde e da psicologia e depende da colaboração de diferentes órgãos do Poder Público. uma vez que as desigualdades regionais na oferta educacional atestam uma enorme disparidade nas possibilidades de acesso à escola por parte dessa população especial. como as visuais e auditivas. adaptação das escolas para que os alunos especiais possam nelas transitar. Por isso. pessoal administrativo e auxiliar sejam preparados para atendê-los adequadamente. O Programa de Renda Mínima Associado a Ações Socioeducativas (Lei n. quanto na qualificação dos professores e demais profissionais envolvidos. Tal política abrange: o âmbito social. a qualificação dos professores para o atendimento nas escolas regulares e a especialização dos professores para o atendimento nas novas escolas especiais. o apoio do governo a tais organizações visa tanto à continuidade de sua colaboração quanto à maior eficiência por contar com a participação dos pais nessa tarefa. que podem ser aplicados pelos professores. O apoio da União é mais urgente e será mais necessário onde se verificam os maiores déficits de atendimento. sensorial. médio e superior. mais eficaz ela se tornará no decorrer dos anos. Justifica-se. problemas de dispersão de atenção ou de disciplina.2 Diretrizes A educação especial se destina às pessoas com necessidades especiais no campo da aprendizagem. a identificação levará em conta o contexto socioeconômico e cultural e será feita por meio de observação sistemática do comportamento e do desempenho do aluno. tal diretriz ainda não produziu a mudança necessária na realidade escolar. pode ser um importante meio de garantir-lhe o acesso e à frequência à escola. a frequência e a consistência dos traços. terá que ser promovida sistematicamente nos diferentes níveis de ensino. superdotação ou talentos. Quando esse tipo de instituição não puder ser criado nos Municípios menores e mais pobres. é uma condição para que às pessoas especiais sejam assegurados seus direitos à educação. de responsabilidade da União. há que se detectarem as deficiências. historicamente. produzindo efeitos mais profundos sobre o desenvolvimento das crianças. no que a participação da comunidade é fator essencial. têm. jovens e adultos com necessidades especiais sejam atendidos em escolas regulares. com a colaboração dos Ministérios da Saúde e da Previdência. inclusive em termos de recursos. do reconhecimento das crianças. eliminando a nociva prática de encaminhamento para classes especiais daqueles que apresentam dificuldades comuns de aprendizagem. 8. Mas. É medida racional que se evite a duplicação de recursos através da articulação daqueles setores desde a fase de diagnóstico de déficits sensoriais até as terapias específicas. Considerando as questões envolvidas no desenvolvimento e na aprendizagem das crianças. O ambiente escolar como um todo deve ser sensibilizado para uma perfeita integração. o déficit é muito grande e constitui um desafio imenso para os sistemas de ensino. quer de características como altas habilidades. para garantir o atendimento da clientela. Quanto às escolas especiais. o atendimento não se limita à área educacional. Existem testes simples. o apoio do governo a essas instituições como parceiras no processo educacional dos educandos com necessidades especiais. saúde e assistência é fundamental e potencializa a ação de cada um deles. que podem dificultar a aprendizagem Didatismo e Conhecimento 42 escolar. Entre outras características dessa política. destacam-se a sensibilização dos demais alunos e da comunidade em geral para a integração.533/97) estendido a essa clientela. sempre que for recomendado pela avaliação de suas condições pessoais. A formação de recursos humanos com capacidade de oferecer o atendimento aos educandos especiais nas creches. A educação especial. como modalidade de educação escolar. em particular os vinculados à saúde. sido um exemplo de compromisso e de eficiência no atendimento educacional dessa clientela. Certas organizações da sociedade civil. bem como em instituições especializadas e outras instituições é uma prioridade para o Plano Nacional de Educação. aberta à diversidade dos alunos. apesar desse relativamente longo período. pré-escolas. centros de educação infantil. há ainda necessidade de ampliar. Para a população de baixa renda. de seus equipamentos e materiais pedagógicos). Longe de diminuir a responsabilidade do Poder Público para com a educação especial. destinadas aos alunos parcialmente integrados. III). os atuais programas para oferecimento de órteses e próteses de diferentes tipos. oferta de transporte escolar adaptado. a política de inclusão as reorienta para prestarem apoio aos programas de integração. A União tem um papel essencial e insubstituível no planejamento e direcionamento da expansão do atendimento. para a identificação desses problemas e seu adequado tratamento. Quanto mais cedo se der a intervenção educacional. quando a criança ingressa no ensino fundamental. inclusive como forma preventiva. A esses deve ser dado maior apoio pedagógico nas suas próprias . portanto. inclusiva. o atendimento deve começar precocemente. são importantes a flexibilidade e a diversidade. Mas o grande avanço que a década da educação deveria produzir será a construção de uma escola inclusiva. As classes especiais. Não há como ter uma escola regular eficaz quanto ao desenvolvimento e aprendizagem dos educandos especiais sem que seus professores. Como é sabido.9. que envolvem os pais de crianças especiais. 208. notadamente na etapa da educação infantil. as adaptações curriculares.

21. Garantir a generalização. para os professores em exercício na educação infantil e no ensino fundamental. em dez anos. a realização de estudos e pesquisas. Estabelecer programas para equipar. Assegurar. para todos os alunos cegos e para os de visão sub-normal do ensino fundamental. Organizar. sobre as diversas áreas relacionadas aos alunos que apresentam necessidades especiais para a aprendizagem. como Medicina. nos níveis médio e superior. 6. Considerando que o aluno especial pode ser também da escola regular. 18. Ampliar o fornecimento e uso de equipamentos de informática como apoio à aprendizagem do educando com necessidades especiais. de sorte que as diferentes regiões de cada Estado contem com seus serviços. em parceria com a área de saúde. Generalizar. habilitação específica. o atendimento dos alunos com necessidades especiais na educação infantil e no ensino fundamental. também. a oferta de cursos sobre o atendimento básico a educandos especiais. em parceria com organizações governamentais e não-governamentais. públicas e privadas. pelo menos um centro especializado. para o desenvolvimento de programas de qualificação profissional para alunos especiais. quando necessário. em cinco anos. Generalizar. entre outras. em parceria com as áreas de assistência social e cultura e com organizações não-governamentais. tendo em vista as especificidades dessa modalidade de educação e a necessidade de promover a ampliação do atendimento. em cinco anos. as de educação superior que atendam educandos surdos e aos de visão sub-normal. em todos os Municípios e em parceria com as áreas de saúde e assistência. pelo menos um curso desse tipo em cada unidade da Federação. 19. 15. durante a década. em cinco anos. o transporte escolar. especialmente nas universidades públicas. sua observância. conteúdos e disciplinas específicas para a capacitação ao atendimento dos alunos especiais. conteúdos disciplinares referentes aos educandos com necessidades especiais nos cursos que formam profissionais em áreas relevantes para o atendimento dessas necessidades. 14. nestes casos. Tornar disponíveis. 10. . 4. redimensionar conforme as necessidades da clientela. assim como atendimento especializado de saúde. em cinco anos. Definir condições para a terminalidade para os educandos que não puderem atingir níveis ulteriores de ensino. progressivamente. indicadores básicos de qualidade para o funcionamento de instituições de educação especial. de forma a favorecer e apoiar a integração dos educandos com necessidades especiais em classes comuns. tornar disponíveis órteses e próteses para todos os educandos com deficiências. no projeto pedagógico das unidades escolares. assistência social. estar previstos no ensino fundamental. até o final da década. as classes especiais e salas de recursos. e não separá-los como se precisassem de atendimento especial. Introduzir. Definir. do atendimento às necessidades educacionais especiais de seus alunos. Estabelecer cooperação com as áreas de saúde. em cinco anos.d. 7. Assegurar a inclusão. transporte escolar com as adaptações necessárias aos alunos que apresentem dificuldade de locomoção. 16. Entretanto. com aparelhos de amplificação sonora e outros equipamentos que facilitem a aprendizagem. o número desses centros. em cada unidade da Federação. programas destinados a ampliar a oferta da estimulação precoce (interação educativa adequada) para as crianças com necessidades educacionais especiais. trabalho e com as organizações da sociedade civil. em conjunto com as entidades da área. salas de recursos e outras alternativas pedagógicas recomendadas. Incluir ou ampliar. os padrões mínimos de infraestrutura das escolas para o recebimento dos alunos especiais. 3. 12. livros didáticos falados.3 Objetivos e Metas 1. em parceria com organizações não-governamentais. mediante um programa de formação de monitores. previdência e assistência social para. dentro de três anos a contar da vigência deste plano. nos dois primeiros anos de vigência deste plano. em cinco anos. durante a década. garantindo. em níveis de graduação e pósgraduação. se necessário. 3 e 4. especialmente creches. Em coerência com as metas nº 2. públicos ou privados. da aplicação de testes de acuidade visual e auditiva em todas as instituições de educação infantil e do ensino fundamental. 22. os prédios escolares existentes. no prazo de dez anos. os recursos devem. definindo os recursos disponíveis e oferecendo formação em serviço aos professores em exercício. Didatismo e Conhecimento 43 11. 9. Incentivar. 13. inclusive através de consórcios entre Municípios. recomenda-se reservar-lhe uma parcela equivalente a 5 ou 6% dos recursos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino. em parceria com as áreas de saúde. Ampliar. no primeiro ano de vigência deste plano. em instituições especializadas ou regulares de educação infantil. o ensino da Língua Brasileira de Sinais para os alunos surdos e. somente autorizar a construção de prédios escolares. em braille e em caracteres ampliados. Articular as ações de educação especial e estabelecer mecanismos de cooperação com a política de educação para o trabalho. provendo. prioritariamente. destinado ao atendimento de pessoas com severa dificuldade de desenvolvimento. incrementando. Estabelecer. 5. 8. redes municipais ou intermunicipais para tornar disponíveis aos alunos cegos e aos de visão subnormal livros de literatura falados.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS classes. Implantar. em cinco anos. quando for o caso. 17. sempre que possível. como parte dos programas de formação em serviço. Incluir nos currículos de formação de professores. em conformidade aos já definidos requisitos de infraestrutura para atendimento dos alunos especiais. de forma a detectar problemas e oferecer apoio adequado às crianças especiais. 8. segundo aqueles padrões. do ensino fundamental: a) estabelecer. 2. 20. as classes especiais. Nos primeiros cinco anos de vigência deste plano. promovendo sua colocação no mercado de trabalho. Enfermagem e Arquitetura. para seus familiares e para o pessoal da unidade escolar. dentro de cinco anos. e generalizar em dez anos. em dez anos. b) a partir da vigência dos novos padrões. especialmente pelas instituições de ensino superior. em até quatro anos. utilizando inclusive a TV Escola e outros programas de educação a distância. da educação infantil e metas nº 4. em braille e em caracteres ampliados. inclusive através de parceria com organizações da sociedade civil voltadas para esse tipo de atendimento. 5 e 6. para formar pessoal especializado em educação especial. as escolas de educação básica e. e generalizar. c) adaptar. Implantar. atendendo-se. fornecendo-lhes o apoio adicional de que precisam.

o quadro geral da educação escolar indígena no Brasil. O abandono da previsão de desaparecimento físico dos índios e da postura integracionista que buscava assimilar os índios à comunidade nacional. à formação de professores e ao financiamento e gestão. em dez anos. assistência social. Com a transferência de responsabilidades da FUNAI para o MEC. muito a ser feito e construído no sentido da universalização da oferta de uma educação escolar de qualidade para os povos indígenas. Só em anos recentes esse quadro começou a mudar. compartilhando uma mesma concepção sobre o processo educativo a ser oferecido para as comunidades indígenas. específica. constituindo cerca de 210 grupos distintos. que possa atuar em parceria com os setores de saúde. é regionalmente desigual e desarticulado.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 23. permeado por experiências fragmentadas e descontínuas. Por isso mesmo. assistência social. 26. que venha ao encontro de seus projetos de futuro. trabalho e previdência e com as organizações da sociedade civil. e deste para as secretarias estaduais de educação. após séculos de práticas genocidas. como meio para assegurar o acesso a conhecimentos gerais sem precisar negar as especificidades culturais e a identidade daqueles grupos. como se verifica hoje. intercultural e bilíngüe. em alguns casos. contemplando as experiências bem sucedidas em curso e reorientando outras para que elaborem regimentos. do ensino catequético ao ensino bilíngue. a oferta de programas de educação escolar às comunidades indígenas esteve pautada pela catequização. hoje. 28. de autonomia e que garanta a sua inclusão no universo dos programas governamentais que buscam a satisfação das necessidades básicas de aprendizagem. o que vem sendo regulamentado em vários textos legais. Assegurar a continuidade do apoio técnico e financeiro às instituições privadas sem fim lucrativo com atuação exclusiva em educação especial. 17 e 18. buscando alternativas à submissão desses grupos.000 e 329. as metas pertinentes estabelecidas nos capítulos referentes aos níveis de ensino. Observar. 27. no que diz respeito a essa modalidade de ensino. Representou também uma mudança em termos de execução: se antes as escolas indígenas eram mantidas pela FUNAI (ou por secretarias estaduais e municipais de educação. como a garantia de seus territórios e formas menos violentas de relacionamento e convivência entre essas populações e outros segmentos da sociedade nacional. 9.1 Diagnóstico No Brasil. a partir do primeiro ano deste plano. criou-se uma situação de acefalia no processo de gerenciamento global da assistência educacional aos povos indígenas. a tônica foi uma só: negar a diferença.000 índios em terras indígenas. . A estadualização assim conduzida não representou um processo de instituição de parcerias entre órgãos governamentais e entidades ou organizações da sociedade civil. está integrado nas mudanças e inovações garantidas pelo atual texto constitucional e fundamenta-se no reconhecimento da extraordinária capacidade Didatismo e Conhecimento 44 de sobrevivência e mesmo de recuperação demográfica. O tamanho reduzido da população indígena. nas ações referidas nas metas nº 6. 24. EDUCAÇÃO INDÍGENA 9. calendários. Só dessa forma se poderá assegurar não apenas sua sobrevivência física mas também étnica. Aumentar os recursos destinados à educação especial. resgatando a dívida social que o Brasil acumulou em relação aos habitantes originais do território. fazer com que eles se transformassem em algo diferente do que eram. que realizem atendimento de qualidade. Há também a necessidade de regularizar juridicamente as escolas indígenas. o que dificulta a implementação de uma política nacional que assegure a especificidade do modelo de educação intercultural e bilíngue às comunidades indígenas. a serem coletadas pelo censo educacional e pelos censos populacionais. organizar e pôr em funcionamento em todos os sistemas de ensino um setor responsável pela educação especial. programas de atendimento aos alunos com altas habilidades nas áreas artística. civilização e integração forçada dos índios à sociedade nacional. nos termos da Declaração Mundial sobre Educação para Todos. desde o século XVI. Em que pese a boa vontade de setores de órgãos governamentais. Implantar gradativamente. construindo projetos educacionais específicos à realidade sociocultural e histórica de determinados grupos indígenas. A transferência da responsabilidade pela educação indígena da Fundação Nacional do Índio para o Ministério da Educação não representou apenas uma mudança do órgão federal gerenciador do processo. então. assimilar os índios. Nesse processo. a instituição da escola entre grupos indígenas serviu de instrumento de imposição de valores alheios e negação de identidades e culturas diferenciadas. através de convênios firmados com o órgão indigenista oficial). o mínimo equivalente a 5% dos recursos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino. e muitos deles preservam suas línguas e tradições. 14. A estadualização das escolas indígenas e. mas sim uma simples transferência de atribuições e responsabilidades. a fim de atingir. Dos missionários jesuítas aos positivistas do Serviço de Proteção aos Índios. As pesquisas mais recentes indicam que existem hoje entre 280. A escola entre grupos indígenas ganhou. currículos. intelectual ou psicomotora. 11. Diferentes experiências surgiram em várias regiões do Brasil. atestado em avaliação conduzida pelo respectivo sistema de ensino. praticando a interculturalidade e o bilingüismo e adequando-se ao seu projeto de futuro. Grupos organizados da sociedade civil passaram a trabalhar junto com comunidades indígenas. sua dispersão e heterogeneidade tornam particularmente difícil a implementação de uma política educacional adequada. para tanto. bem como pela administração dos recursos orçamentários específicos para o atendimento dessa modalidade. Há. Não há informações sobre os índios urbanizados. Não há. os Estados e os Municípios. sua municipalização ocorreram sem a criação de mecanismos que assegurassem uma certa uniformidade de ações que garantissem a especificidade destas escolas. ainda. agora cabe aos Estados assumirem tal tarefa. trabalho e previdência. porque os entendia como categoria étnica e social transitória e fadada à extinção. é de particular importância o fato de a Constituição Federal ter assegurado o direito das sociedades indígenas a uma educação escolar diferenciada. 9. um novo significado e um novo sentido. contando. 25. Estabelecer um sistema de informações completas e fidedignas sobre a população a ser atendida pela educação especial. No prazo de três anos a contar da vigência deste plano. materiais didático-pedagógicos e conteúdos programáticos adaptados às particularidades étno-culturais e linguísticas próprias a cada povo indígena. com as parcerias com as áreas de saúde. uma clara distribuição de responsabilidades entre a União.

5. sob responsabilidade do Ministério de Educação. 14. as diretrizes curriculares nacionais e os parâmetros curriculares e universalizar. 9. tanto no que se refere ao projeto pedagógico quanto ao uso de recursos financeiros públicos para a manutenção do cotidiano escolar. Proceder. Fortalecer e garantir a consolidação. é melhor atendida através de professores índios. Assegurar a autonomia das escolas indígenas. a aplicação pelas escolas indígenas na formulação do seu projeto pedagógico. um plano para a implementação de programas especiais para a formação de professores indígenas em nível superior. 11. incluindo bibliotecas. além de condições sanitárias e de higiene. de forma a contemplar a especificidade da educação indígena. 4. quer integrando os alunos em classes comuns nas escolas próximas. suas visões de mundo e as situações sociolingüísticas específicas por elas vivenciadas. com a incumbência de promovê-la. universidades e organizações ou associações indígenas. organizações de apoio aos índios. 18. merenda escolar. vídeos. Estabelecer. com concurso de provas e títulos adequados às particularidades linguísticas e culturais das sociedades indígenas. 10. É preciso reconhecer que a formação inicial e continuada dos próprios índios.2 Diretrizes A Constituição Federal assegura às comunidades indígenas a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. programas voltados à produção e publicação de materiais didáticos e pedagógicos específicos para os grupos indígenas. Universalizar imediatamente a adoção das diretrizes para a política nacional de educação escolar indígena e os parâmetros curriculares estabelecidos pelo Conselho Nacional de Educação e pelo Ministério da Educação. dentro de cinco anos. Didatismo e Conhecimento 45 8. Universalizar. já existentes. a serem executados pelas secretarias estaduais ou municipais de educação. hoje. ao mesmo tempo que se lhes ofereça o atendimento adicional necessário para sua adaptação. dentro do prazo máximo de dois anos. enquanto professores de suas comunidades. bilíngues ou não. em dois anos. em dez anos.3 Objetivos e Metas 1. tanto para que estas escolas sejam de fato incorporadas e beneficiadas por sua inclusão no sistema oficial. sob a coordenação geral e com o apoio financeiro do Ministério da Educação. dentro de um ano. A proposta de uma escola indígena diferenciada. estruturar e fortalecer. 13. quer diretamente. com a criação da categoria de professores indígenas como carreira específica do magistério. Adaptar programas do Ministério da Educação de auxílio ao desenvolvimento da educação. especialmente no que diz respeito aos conhecimentos relativos aos processos escolares de ensino-aprendizagem. no que se refere à metodologia e ensino de segundas línguas e ao estabelecimento e uso de um sistema ortográfico das línguas maternas. 7. quer através de delegação de responsabilidades aos seus Municípios. nas secretarias estaduais de educação. biblioteca escolar. incluindo livros. A coordenação das ações escolares de educação indígena está. padrões mínimos mais flexíveis de infraestrutura escolar para esses estabelecimentos. Instituir e regulamentar. a oferta às comunidades indígenas de programas educacionais equivalentes às quatro primeiras séries do ensino fundamental. à construção coletiva de conhecimentos na escola e à valorização do patrimônio cultural da população atendida. cabendo aos Estados e Municípios. 3. Estabelecer um programa nacional de colaboração entre a União e os Estados para. o aperfeiçoamento e o reconhecimento de experiências de construção de uma educação diferenciada e de qualidade atualmente em curso em áreas indígenas. Implantar. . o ensino bilíngue. a categoria oficial de “escola indígena” para que a especificidade do modelo de educação intercultural e bilíngue seja assegurada. Estabelecer e assegurar a qualidade de programas contínuos de formação sistemática do professorado indígena. setores responsáveis pela educação indígena. a fim de garantir o acesso ao ensino fundamental pleno. TV Escola. a profissionalização e reconhecimento público do magistério indígena. quer em termos do contingente escolar. garantindo a esses professores os mesmos direitos atribuídos aos demais do mesmo sistema de ensino. acompanhá-la e gerenciá-la. respeitando seus modos de vida. como transporte escolar. 2. 6. Ampliar. concepções e mecanismos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 9. que garantam a adaptação às condições climáticas da região e. de acordo com o uso social e concepções do espaço próprias de cada comunidade indígena. 9. Fortalecer e ampliar as linhas de financiamento existentes no Ministério da Educação para implementação de programas de educação escolar indígena. 17. sempre que possível. gradativamente. Atribuir aos Estados a responsabilidade legal pela educação indígena. A formação que se contempla deve capacitar os professores para a elaboração de currículos e programas específicos para as escolas indígenas. quer quanto aos seus objetivos e necessidades. tanto no Ministério da Educação como nos órgãos estaduais de educação. Criar. 15. elaborados por professores indígenas juntamente com os seus alunos e assessores. a oferta de ensino de 5ª a 8ª série à população indígena. dentro de um ano. Criar. nos sistemas estaduais de ensino. em cinco anos. à alfabetização. equipar as escolas indígenas com equipamento didático-pedagógico básico. quanto para que sejam respeitadas em suas particularidades. a condução de pesquisas de caráter antropológico visando à sistematização e incorporação dos conhecimentos e saberes tradicionais das sociedades indígenas e à elaboração de materiais didáticopedagógicos. quer na própria escola indígena. a sua execução. de qualidade. Criar. 16. Formular. 12. livro didático. A educação bilíngue. deve ocorrer em serviço e concomitantemente à sua própria escolarização. assegurando o fornecimento desses benefícios às escolas. garantindo a plena participação de cada comunidade indígena nas decisões relativas ao funcionamento da escola. ao reconhecimento oficial e à regularização legal de todos os estabelecimentos de ensino localizados no interior das terras indígenas e em outras áreas assim como a constituição de um cadastro nacional de escolas indígenas. dentro de dois anos. através da colaboração das universidades e de instituições de nível equivalente. com níveis de remuneração correspondentes ao seu nível de qualificação profissional. para uso nas escolas instaladas em suas comunidades. adequada às peculiaridades culturais dos diferentes grupos. representa uma grande novidade no sistema educacional do País e exige das instituições e órgãos responsáveis a definição de novas dinâmicas. videotecas e outros materiais de apoio. dicionários e outros. as técnicas de edificação próprias do grupo. dentro de um ano.

segundo os dados de 1998 (MEC/INEP/SEEC): . sendo.258 501.462 32.Ensino médio: 365. quanto à formulação dos planos de carreira e de remuneração do magistério e do pessoal administrativo e de apoio. As funções docentes em educação básica.256 172. . aos meios tecnológicos.Funções Docentes .126 . passam de 2 milhões. ficam baldados quaisquer esforços para alcançar as metas estabelecidas em cada um dos níveis e modalidades do ensino. nesse caso. como meio de combater o desconhecimento.625 661. a qual implica. há que se repensar a própria formação. especialmente nas regiões agrárias.356 . mais do que uma conclusão lógica. Salário digno e carreira de magistério entram.274 Pré-Esc e Alfabetiz.a formação profissional inicial. Didatismo e Conhecimento 46 . A simultaneidade dessas três condições.Fund.051 Ens. ainda. à infra-estrutura. Incompl. Promover a correta e ampla informação da população brasileira em geral. Sup.947 5ª à 8ª séries 712 5.968 80. com a colaboração entre a União. quer no que diz respeito à formulação das propostas pedagógicas. simultaneamente. Esforços dos sistemas de ensino e.Educação especial: 37.874 . em todas as modalidades de ensino. a dedicação e a confiança nos resultados do trabalho pedagógico.Educação infantil: 219.791 1. à participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e nos conselhos escolares.as condições de trabalho.396 2.150 68.129. . Formar mais e melhor os profissionais do magistério é apenas uma parte da tarefa.Educação de jovens e adultos: 103. As funções docentes estão assim distribuídas. quer.051 A análise da distribuição das funções docentes por nível de formação e níveis escolares em que atuam somente pode ser feita sobre os dados de 1996. aqui. FORMAÇÃO DOS PROFESSORES E VALORIZAÇÃO DO MAGISTÉRIO 10. quer no tocante aos espaços físicos. dentro de um ano.508 ensino médio 18 675 38. 20. especificamente. Se.Ensino fundamental: 1. É preciso criar condições que mantenham o entusiasmo inicial. Completo Ens.1 Diagnóstico A melhoria da qualidade do ensino. O número de professores é menor.801 365. Essa valorização só pode ser obtida por meio de uma política global de magistério. IV – MAGISTÉRIO DA EDUCAÇÃO BÁSICA 10.913 153.581 22. Avaliação de desempenho também tem importância.108 37.distribuição nacional por nível de formação e níveis escolares em que atuam – 1998 Níveis e modalidades de atuação Nível de formação Total de funções 65. sobre as sociedades e culturas indígenas. salário e carreira.Classes de alfabetização: 46. em vista dos desafios presentes e das novas exigências no campo da educação. Nota: O mesmo docente pode atuar em mais de um nível/modalidade de ensino e em mais de um estabelecimento. o Plano Nacional de Educação estabelece diretrizes e metas relativas à melhoria das escolas.079 17. das instituições formadoras em qualificar e formar professores têm se tornado pouco eficazes para produzir a melhoria da qualidade do ensino por meio de formação inicial porque muitos professores se deparam com uma realidade muitas vezes desanimadora.641 531. Completo Total Fonte: MEC/INEP: Sinopse Estatística 1996. desde a educação infantil até a educação superior (e isso não é uma questão meramente técnica de oferta de maior número de cursos de formação inicial e de cursos de qualificação em serviço) por outro lado é fundamental manter na rede de ensino e com perspectivas de aperfeiçoamento constante os bons profissionais do magistério.043 174.356 jovens e adultos 567 1.250 326. a valorização do magistério. a produção de programas de formação de professores de educação a distância de nível fundamental e médio.439. considerando que o mesmo docente pode estar atuando em mais de um nível e/ou modalidade de ensino e em mais de um estabelecimento. que é um dos objetivos centrais do Plano Nacional de Educação. 20. cursos de educação profissional. Promover. Implantar.a formação continuada. os Estados e Municípios e em parceria com as instituições de ensino superior.744 educação especial 322 847 19. que exige profissionais cada vez mais qualificados e permanentemente atualizados. como componentes essenciais.064 ..Fund. Ano após ano. 21. de um lado. somente poderá ser alcançada se for promovida.715 798.147 265.119 916. visando à auto sustentação e ao uso da terra de forma equilibrada. é uma lição extraída da prática.948 48. ao mesmo tempo.066. Sem esta. a intolerância e o preconceito em relação a essas populações.335 50. Em coerência com esse diagnóstico. . nesse contexto. grande número de professores abandona o magistério devido aos baixos salários e às condições de trabalho nas escolas. Médio Completo Ens. aos instrumentos e materiais pedagógicos e de apoio.872 103. os últimos publicados pelo MEC/INEP/SEEC.719 1ª à 4ª séries 44. contado mais de uma vez. É preciso que os professores possam vislumbrar perspectivas de crescimento profissional e de continuidade de seu processo de formação. conforme se vê a seguir: Tabela 19 .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 19.593 . etc. Ens.

para que o magistério brasileiro que está atuando nos sistemas de ensino possua o nível de formação mínimo estabelecido pela lei. nos Municípios. calculando-se a partir dos dados disponíveis sobre o percentual dos que atuam nesse nível com curso superior. em 1997. as necessidades de formação crescerão na mesma proporção daquelas metas. modalidade normal.salário condigno. aliás. dentro de uma visão crítica e da perspectiva de um novo humanismo. Quanto às classes de alfabetização: como serão desfeitas. para o desenvolvimento do País. o respeito a que têm direito como cidadãos em formação. constitui um compromisso da Nação. modalidade normal.429/96. Se os 10% dos mínimos constitucionalmente vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino não postos no FUNDEF forem efetivamente destinados. Um levantamento urgente se faz necessário. Considerando o grande aumento do número de matrículas nesse nível de ensino. A valorização do magistério implica. entre 1996 e 1999. é a qualificação para a especificidade da tarefa. dificuldades adicionais para certos Municípios manter o padrão anterior de remuneração. com outras ocupações que requerem nível equivalente de formação. Tratando-se de um processo em curso. antes. Para as 4 últimas séries do ensino fundamental: 159. Chega-se ao número de 58. é de supor que a quantidade de professores nessa situação seja bem maior.486 necessitam de formação superior. o domínio dos conhecimentos objeto de trabalho com os alunos e dos métodos pedagógicos que promovam a aprendizagem. São 13. . Os dados acima apontam somente para a necessidade atual. a valorização do magistério . com licenciatura plena. É fundamental que os dados sobre necessidades de qualificação sejam desagregados por Estado. nos Estados. estão sendo elaborados ou reformulados os planos de carreira do magistério. não há dados.458 professores que atuam na pré-escola precisam fazer o curso de nível médio. se aplica também na formação para o magistério na educação infantil. ficaram prejudicados. obrigatoriamente. os seguintes requisitos: . pelo menos 60% dos recursos do FUNDEF na remuneração do pessoal de magistério em efetivo exercício de suas atividades no ensino fundamental público (Lei Didatismo e Conhecimento 47 9. Considerando que este plano fixa metas de expansão e de melhoria da qualidade do ensino. em ambas as modalidades. na expectativa de que isso constitua um importante passo e instrumento na valorização do magistério.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Se uma função docente correspondesse a um professor. para dimensionar a demanda e definir a estratégia e os recursos requeridos. Devem ser aplicados. . indispensável para assegurar à população brasileira o acesso pleno à cidadania e a inserção nas atividades produtivas que permita a elevação constante do nível de vida. o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério está fazendo uma extraordinária mudança naqueles Estados e Municípios onde o professor recebia salários muito baixos. no mercado de trabalho. mas para atuarem no ensino fundamental. 7o). pelo menos. As características psicológicas. portanto. Assim. Os quatro primeiros precisam ser supridos pelos sistemas de ensino. para atingirem a qualificação mínima permitida.424/96.166 professores que possuem formação apenas de ensino fundamental e que deverão cursar pelo menos o ensino médio.2 Diretrizes A qualificação do pessoal docente se apresenta hoje como um dos maiores desafios para o Plano Nacional de Educação. a fim de dimensionar o esforço que em cada um deles deverá ser feito para alcançar o patamar mínimo de formação exigido. A questão principal. ao ensino médio. competitivo. uma vez que a produção do conhecimento e a criação de novas tecnologias dependem do nível e da qualidade da formação das pessoas. As necessidades de qualificação para a educação especial e para a educação de jovens e adultos são pequenas no que se refere ao nível de formação pois.compromisso social e político do magistério. é preciso adquirir o conhecimento da especificidade do processo de construção do conhecimento em cada uma daquelas circunstâncias e faixas etárias.976 precisam obter diploma de nível médio. art. uma vez que os docentes exercem um papel decisivo no processo educacional. não houve melhoria para os professores.883 carecem de formação de nível superior.jornada de trabalho organizada de acordo com a jornada dos alunos. Nos Estados e Municípios onde o salário já era mais alto do que o possibilitado pelo FUNDEF.um sistema de educação continuada que permita ao professor um crescimento constante de seu domínio sobre a cultura letrada. Em alguns lugares. . Este compromisso. Daí por que não basta ser formado num determinado nível de ensino. No campo da remuneração. este plano reforça o propósito através de metas específicas. inferiores ao salário mínimo. principalmente se houve admissões sem a qualificação mínima exigida. na escola. 97% dos professores têm nível médio ou superior. A implementação de políticas públicas de formação inicial e continuada dos profissionais da educação é uma condição e um meio para o avanço científico e tecnológico em nossa sociedade e.000. à educação infantil e. concentrada num único estabelecimento de ensino e que inclua o tempo necessário para as atividades complementares ao trabalho em sala de aula. os problemas ficarão em parte minimizados. A melhoria da qualidade do ensino. sociais e físicas das diferentes faixas etárias carregam modos diversos de encarar os objetos de conhecimento e de aprender. conforme as diretrizes e metas deste plano. não se trata de qualificar os professores para nelas permanecerem. Esta exigência. interesse pelo trabalho e participação no trabalho de equipe. e o Poder Público precisa se dedicar prioritariamente à solução deste problema. nesses dois casos. Em cumprimento à Lei 9.uma formação profissional que assegure o desenvolvimento da pessoa do educador enquanto cidadão e profissional. entretanto. não poderá ser cumprido sem a valorização do magistério. depreender-se-ia dessa Tabela a seguinte necessidade de qualificação: Para a educação infantil: 29. os professores de educação infantil. O quinto depende dos próprios professores: o compromisso com a aprendizagem dos alunos. 10. Quanto aos da creche. o que deverá ser feito nos planos estaduais. de jovens e adultos e de ensino médio. modalidade normal. isto é. Para as 4 primeiras séries do ensino fundamental: 94. Para o ensino médio: 44. nas séries iniciais e finais do ensino fundamental e no ensino médio. A avaliação do FUNDEF vem apontando as falhas e sugerindo revisões com vistas a solucionar os problemas que vêm ocorrendo. .

da garantia de condições adequadas de formação. uma jornada de trabalho de tempo integral. d) contato com a realidade escolar desde o início até o final do curso. 9. Este Plano. entre outras formas. já no primeiro ano deste PNE. deverá dar especial atenção à formação permanente (em serviço) dos profissionais da educação. portanto. já a partir do primeiro ano deste plano. sua realização incluirá sempre uma parte presencial. Essa formação terá como finalidade a reflexão sobre a prática educacional e a busca de seu aperfeiçoamento técnico. segundo o preceito constitucional. deverá ser oferecido também nas suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. dos planos de carreira para o magistério. com piso salarial próprio. nos termos do art. que oferecem a formação admitida para atuação na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental formam os profissionais. Garantir. possibilitando-lhes a formação exigida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. programas de formação de professores. durante o curso. A educação escolar não se reduz à sala de aula e se viabiliza pela ação articulada entre todos os agentes educativos . avaliações e reuniões pedagógicas. Na formação inicial é preciso superar a histórica dicotomia entre teoria e prática e o divórcio entre a formação pedagógica e a formação no campo dos conhecimentos específicos que serão trabalhados na sala de aula. 3. da cultura e da economia. Garantir a implantação. promoção e afastamentos periódicos para estudos que levem em conta as condições de trabalho e de formação continuada e a avaliação do desempenho dos professores. técnicos. ensino e extensão e a relação entre teoria e prática podem garantir o patamar de qualidade social. onde as funções de pesquisa. 87. ético e político. Por essa razão. cuja atuação incluirá a coordenação. os professores em exercício em todo o território nacional. organizados a partir das necessidades expressas pelos professores. 6. j) vivência. Implementar. com vistas a seu possível aproveitamento. de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. Identificar e mapear. k) desenvolvimento do compromisso social e político do magistério. Aquela relativa aos professores que atuam na esfera privada será de responsabilidade das respectivas instituições. Dessa forma. de formas de gestão democrática do ensino. somente admitir professores e demais profissionais de educação que possuam as qualificações mínimas exigidas no art. de modo a elaborar-se. pelo lado dos profissionais do magistério. do bom desempenho na atividade. Este plano estabelece as seguintes diretrizes para a formação dos profissionais da educação e sua valorização: Os cursos de formação deverão obedecer. no caso de os antigos ainda não terem sido reformulados segundo aquela lei. (VETADO) 5. pelo lado do Poder Público. que não possuem. i) trabalho coletivo interdisciplinar. As instituições de formação em nível médio (modalidade Normal). 62 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação. quando conveniente. há que se prever na carreira sistemas de ingresso. identificar e mapear. igualmente. 2. A formação continuada dos profissionais da educação pública deverá ser garantida pelas secretarias estaduais e municipais de educação. em quaisquer de seus níveis e modalidades. constituída. Quanto à remuneração. no mínimo. de encontros coletivos. cumprida em um único estabelecimento escolar. de trabalho e de remuneração e. e visará à abertura de novos horizontes na atuação profissional.424/96 e a criação de novos planos. e l) conhecimento e aplicação das diretrizes curriculares nacionais dos níveis e modalidades da educação básica. O ensino fundamental nas comunidades indígenas. . funcionários administrativos e de apoio que atuam na escola. em seu art.3 Objetivos e Metas 1.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS depende. b) ampla formação cultural.docentes. assegurando a promoção por mérito. é indispensável que níveis mais elevados correspondam a exigências maiores de qualificação profissional e de desempenho. para o que será necessário formar professores dessas mesmas comunidades. c) atividade docente como foco formativo. 10. portadores de diplomas de licenciatura e de habilitação de nível médio para o magistério. o financiamento e a manutenção dos programas como ação permanente e a busca de parceria com universidades e instituições de ensino superior. o diagnóstico da demanda de habilitação de professores leigos e organizarse. 7. a formação dos profissionais para as áreas técnicas e administrativas deve esmerar-se em oferecer a mesma qualidade dos cursos para o magistério. integrando a teoria à prática pedagógica. e) pesquisa como princípio formativo. A partir da entrada em vigor deste PNE. f) domínio das novas tecnologias de comunicação e da informação e capacidade para integrá-las à prática do magistério. bem como nos conteúdos especificamente pedagógicos. 62 da LDB. Quando feita na modalidade Didatismo e Conhecimento 48 de educação a distância. em decorrência do avanço científico e tecnológico e de exigência de um nível de conhecimentos sempre mais amplos e profundos na sociedade moderna. os novos níveis de remuneração em todos os sistemas de ensino. política e pedagógica que se considera necessário. 4. g) análise dos temas atuais da sociedade. h) inclusão das questões relativas à educação dos alunos com necessidades especiais e das questões de gênero e de etnia nos programas de formação. a partir do primeiro ano deste plano. em dois anos. a habilitação de nível médio para o magistério. que se encontrem fora do sistema de ensino. aos seguintes princípios: a) sólida formação teórica nos conteúdos específicos a serem ensinados na Educação Básica. Nos Municípios onde a necessidade de novos professores é elevada e é grande o número de professores leigos. A formação continuada do magistério é parte essencial da estratégia de melhoria permanente da qualidade da educação. em todos os sistemas de ensino. elaborados e aprovados de acordo com as determinações da Lei nº. A formação continuada assume particular importância. A formação inicial dos profissionais da educação básica deve ser responsabilidade principalmente das instituições de ensino superior. Destinar entre 20 e 25% da carga horária dos professores para preparação de aulas. gradualmente.

Desenvolver programas de pós-graduação e pesquisa em educação como centro irradiador da formação profissional em educação. prevendo a continuidade dos estudos desses profissionais em nível superior. para a educação especial. Promover. 26. no mínimo. A vinculação é realizada em relação às receitas resultantes de impostos. 10. 22. 28. contando com a parceria das instituições de ensino superior sediadas nas respectivas áreas geográficas. estabelecer cursos de nível médio. Observar as metas estabelecidas nos demais capítulos referentes à formação de professores e valorização do magistério. V . o desenvolvimento das competências profissionais e a avaliação da formação inicial e continuada dos professores. no prazo de 5 anos. para outras áreas que a realidade demonstrar ser necessário. já no primeiro ano de vigência deste plano. no prazo de dez anos. Generalizar. bem como a certificação. Incentivar as universidades e demais instituições formadoras a oferecer no interior dos Estados. Definir diretrizes e estabelecer padrões nacionais para orientar os processo de credenciamento das instituições formadoras. das manifestações artísticas e religiosas do segmento afro-brasileiro. a oferta. nos sistemas de ensino. que. 12. Garantir. dos Estados e Municípios. A receita vinculada à manutenção e desenvolvimento do ensino. cursos de formação de professores. inclusive para alimentação escolar e. Garantir. das sociedades indígenas e dos trabalhadores rurais e sua contribuição na sociedade brasileira. equivalia a 325. no prazo de três anos a partir da vigência deste PNE. na perspectiva da integração social. 13. todos os professores em exercício na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental. valor que sequer cobre os gastos com instituições de ensino superior (Tabela 20). 11. dos conhecimentos. por meio de um programa conjunto da União. especialmente linguísticas. É preciso. observando as diretrizes e os parâmetros curriculares.6 bilhões. nas instituições públicas de nível superior.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 8. de programas de formação. cursos regulares noturnos e cursos modulares de licenciatura plena que facilitem o acesso dos docentes em exercício à formação nesse nível de ensino. no mesmo padrão dos cursos oferecidos na sede. habilitação de nível médio (modalidade normal). Onde ainda não existam condições para formação em nível superior de todos os profissionais necessários para o atendimento das necessidades do ensino. com base nas diretrizes de que trata a meta nº 8. possuam. temas específicos da história. de cursos de especialização voltados para a formação de pessoal para as diferentes áreas de ensino e. em particular. 24. no prazo de dez anos. de modo a atender à demanda local e regional por profissionais do magistério graduados em nível superior. Incluir em quaisquer cursos de formação profissional. dos grupos indígenas. os programas de formação em serviço que assegurem a todos os professores a possibilidade de adquirir a qualificação mínima exigida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.1 Diagnóstico A fixação de um plano de metas exige uma definição de custos assim como a identificação dos recursos atualmente disponíveis e das estratégias para sua ampliação. . Desenvolver programas de educação a distância que possam ser utilizados também em cursos semipresenciais modulares. elaborando e dando início à implementação. no prazo de dois anos. 23. a partir da constatação da necessidade de maior investimento. a formação de jovens e adultos e a educação infantil. obtida em curso de licenciatura plena nas áreas de conhecimento em que atuam.FINANCIAMENTO E GESTÃO 11. da cultura. nas instituições de ensino superior públicas. a médio prazo. dos Estados e dos Municípios. multimeios e manutenção de infraestruturas escolares. Didatismo e Conhecimento 49 20. sendo o orçamento da seguridade social da ordem de 105 bilhões. a gestão escolar. entretanto. Há uma imagem equivocada de que esta fonte representa valor elevado. Criar. dos Estados e dos Municípios. dentro de um ano. Promover. para a educação de jovens e adultos e para as séries iniciais do ensino fundamental. 16. cursos profissionalizantes de nível médio destinados à formação de pessoal de apoio para as áreas de administração escolar. por exemplo. que observem os princípios definidos na diretriz nº 1 e preparem pessoal qualificado para a educação infantil. conhecimentos sobre educação das pessoas com necessidades especiais. no nível federal. a avaliação periódica da qualidade de atuação dos professores. Estabelecer. O imposto é espécie do gênero tributo. em ação conjunta da União. seja por meio de uma gestão mais eficiente. Incluir. Ampliar a oferta de cursos de mestrado e doutorado na área educacional e desenvolver a pesquisa neste campo. na sede ou fora dela. em instituições específicas. como subsídio à definição de necessidades e características dos cursos de formação continuada. desfazer alguns enganos. que os sistemas estaduais e municipais de ensino mantenham programas de formação continuada de professores alfabetizadores. Garantir que. inclusive nas modalidades de educação especial e de jovens e adultos. e não à totalidade dos recursos orçamentários. de forma a tornar possível o cumprimento da meta anterior. todos os professores de ensino médio possuam formação específica de nível superior. 25. a partir da colaboração da União. específica e adequada às características e necessidades de aprendizagem dos alunos. 17. para todos os níveis e modalidades de ensino. seja por meio de criação de novas fontes. 70% dos professores de educação infantil e de ensino fundamental (em todas as modalidades) possuam formação específica de nível superior. Garantir que. Os percentuais constitucionalmente vinculados à manutenção e ao desenvolvimento do ensino devem representar o ponto de partida para a formulação e implementação de metas educacionais. 18. de licenciatura plena em instituições qualificadas. 14. Identificar e mapear. diretrizes e parâmetros curriculares para os cursos superiores de formação de professores e de profissionais da educação para os diferentes níveis e modalidades de ensino. Ampliar. incluir requisitos referentes às particularidades culturais. 21. de nível médio e superior. 15. 27. não chegou a 4 bilhões. as necessidades de formação inicial e continuada do pessoal técnico e administrativo. 19. Os recursos de impostos não constituem sequer a totalidade dos recursos tributários (que incluem taxas e contribuições de melhoria). O orçamento fiscal da União de 1998. Nos concursos de provas e títulos para provimento dos cargos de professor para a educação indígena. 9. nos currículos e programas dos cursos de formação de profissionais da educação.

273.7 4.1 29. O conjunto dos Município do Maranhão e de Alagoas era responsável por dois terços das matrículas e recebia apenas um terço dos recursos.138 3.2 0 15.774.7 1. responsáveis pela maioria das matrículas o valor aplicado não passava de 88 reais.317 2.26 34.0 Fonte : SIAFI/PRODASEN .165 reais.388 575 0 621 9. verificavam-se graves distorções.919.153 % 0 52. Didatismo e Conhecimento 50 .152 2.0 1999 1. onde o estado arcava com a maior parte das matrículas do ensino fundamental.360 613 39 1.1 34.812 9.085 Todas as esferasconsolidado 23.099 2. Social S/ Lucro das Pessoas. CF Salário-Educação Contrib.983.226.Lei Orçamentária Dada a natureza federativa do Estado brasileiro. ao passo que nas redes municipais.985. dois cidadãos do mesmo estado e do mesmo nível de ensino eram tratados de forma absolutamente distinta. em São Paulo.valores liquidados 1999 .4 25.164 12.201. no Maranhão.8 4.483.8 5.9 6.9 100.Gastos Com Educação – Esferas Federativas – 1997 Ente federativo UNIÃO ESTADOS MUNICÍPIOS % 23.513 717.243.012 40.4 35.814 Esfera de governo Estados 12.762 11.731 3.0 1996 0 4.763.733 518 496 932 10.634.085 % 10.303 2. os Estados e os Municípios.3 0 6.275. No extremo oposto.3 100. Assim.9 37.0 3.851.214.132.8 6.070 % 0 38.Jurídicas Contrib.8 100.152 246 0 1.067. estabelecendo ainda a organização dos sistemas de ensino em regime de colaboração.632 530 0 671 9.129 8.440 495 0 620 9.6 47.430.3 2.955.3 19. antes da aprovação da Emenda Constitucional nº 14. na reduzida rede estadual. o gasto correspondia a 336 reais.542 917.8 0 7.711. As Tabelas 21 e 22 mostram o retrato dos gastos com educação.768 % 4.3 Fonte: Fecamp Em 1995.627.5 6.547 6. o gasto médio por aluno era de 343 reais.1 3.Elaboração.474.613 Municípios 7.058.237.027.831 619 161 0 3.4 6. COFF/CD 1995 a 1998 . enquanto nas redes municipais equivalia a 1.685.5 0 34.310.4 100.074 2.788 486 259 787 1.3 5.842.6 17.4 11.5 13.517.797.4 0.512 Fonte : FECAMP – em valores históricos Tabela 22 .446.1 0 6.927 913.489 370 271 356 3.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Tabela 20 .256.413.067.4 2.Despesa por Fonte( R$ milhões) Fonte Recursos ordinários Manutenção e desenvolvimento do ensino – art 212.248 3.5 4.129 167.8 5. Social p/ Seguridade Social Fundo de Estabilização Fiscal – FEF Recursos Diretamente arrecadados Recursos de Concessões e Permissões Outros Total 1995 0 3.968. Tabela 21 .696 2.326 11.250. Por exemplo. a Constituição definiu uma divisão de responsabilidades entre a União.228.0 1997 977 3.891 152. somadas todas as esferas administrativas.Gastos Diretos com Educação das Administrações Públicas – 1997 Natureza da despesa União Pessoal e encargos sociais Transferência de Assistência e Previdência Outras despesas correntes Investimentos Inversões financeiras Total 4.3 5.641 603.874 19.826 738 529 694 2.643 % 10.503.7 4.Ministério da Educação .617.4 100.8 8.119.254.0 1998 478 3.

461 434.506 Municípios brasileiros. Para o exercício de 1999 a previsão é de que a complementação da União seja de cerca de 610 milhões (Portaria nº 286/99-MF).7 281. o FUNDEF foi o instrumento de uma política que induziu várias outras transformações: .003 12.0 Alunos/97 Número 1.192.3 1.6 16.4 225. sobretudo no Nordeste – onde as redes municipais são responsáveis por cerca de 50% das matrículas.280 % 13.3 211.4 66.096 237.Origem das Receitas do Fundef – 1998 R$ Mil Receita FPM FPE ICMS IPI-Exp. .565 4.7     Com o FUNDEF (B) 324.2     Receita Adicional Bruta (R$ Milhões) 429.002 1.7 9.2 178.8 2.435. Os núcleos da proposta do FUNDEF são: o estabelecimento de um valor mínimo por aluno a ser despendido anualmente (fixado em 315 reais para os anos de 1998 e 1999).com a obrigatoriedade da apresentação de planos de carreira com exigência de habilitação. .8 195.159) contavam com um valor por aluno/ano abaixo do valor mínimo nacional de 315 reais. cota do ICMS.00) Até 100 De 100 a 150 De 150 a 200 De 200 a250 De 250 a 315 Subtotal Outros Municípios Total Municípios Número 308 613 474 370 394 2. que passou a ser conhecido como FUNDEF.1 8.6 163.0 211.638.6 6. É inegável o efeito redistributivo do FUNDEF.2 60.0 1.9     Variação Do valor por aluno 247.6 11. Se o fundo.7 375.8 3.4 96.5     % (B/A) 317 170 145 72 44 129     Fonte : MEC/SEADE – Balanço do primeiro ano do FUNDEF Didatismo e Conhecimento 51 . Em 1998 esta foi equivalente a cerca de 435 milhões (Tabela 23). .1 140.5 124.758 8.4 33.551 2.759. LC 87/96 Subtotal Complementação da União Total Valor Distribuído 1.7 7. Conforme indica a Tabela 24.3 405. cota do IPI-Exp). segundo o número de matrículas e a subvinculação de 60% de seu valor para o pagamento de profissionais do magistério em efetivo exercício.9 12.006. a União efetua a complementação.9 463.506 % 5. A maior visibilidade dos recursos possibilitou inclusive a identificação de desvios.347 5. Tabela 24 . no âmbito de determinado estado não atingir o valor mínimo.1 39.0 17.8 124.8 100. a redistribuição dos recursos do fundo.963 12.740.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Para corrigir esta situação foi concebido o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério.0 Fonte : SIAFI/Tribunal de Contas da União Além de promover a equidade. verificou-se uma transferência líquida de recursos das redes estaduais para as municipais.0 389.819 13.257.159 3.diminuiu consideravelmente o número de classes de alfabetização e de alunos maiores de 7 anos na pré-escola.a fixação de um critério objetivo do número de matrículas e a natureza contábil do fundo permitiram colocar os recursos onde estão os alunos e eliminar práticas clientelistas. Em 21 dos 26 Estados. decorrentes da Lei Complementar n° 87/96. Tabela 23 . Este é constituído por uma cesta de recursos equivalentes a 15% de alguns impostos do estado (FPE.193.058 8. deflagrou-se um processo de profissionalização da carreira. cerca de 39% (2.) e dos Municípios (FPM. além da compensação referente às perdas com a desoneração das exportações.1 9.00) – 1998 Valor por aluno/ ano (R$1.3 163.178.6 100.Efeitos Financeiros do FUNDEF.com a criação de contas únicas e específicas e dos conselhos de acompanhamento e controle social do FUNDEF deu-se mais transparência à gestão.222.787.2 100. nos Municípios com gasto abaixo do valor mínimo (R$ 315.0 66.989 314.2 258.125. dos 5. . ICMS.746.0 Valor por aluno/ano Antes do FUNDEF (A) 77.315 1.9 335.com a subvinculação ao pagamento dos professores melhoraram os salários e foram novamente atraídos para a carreira professores que ocupavam outras posições no mercado de trabalho.209 2.045 1.4 437.1 518. cota do IPI-Exp. sendo trazidos para o ensino fundamental.838.528 % 14.

“a melhoria dos níveis de qualidade do ensino requer a profissionalização tanto das ações do Ministério da Educação e dos demais níveis da administração educativa como a ação nos estabelecimentos de ensino. o repasse automático dos recursos vinculados. mas não o quanto se gasta . de atingir 6.591 em 1998.5 5.9 3. Por outro lado.1997). embora trabalhe com a execução o IPEA considera os gastos da função educação e cultura.MEC/INEP. Estes aumentaram de 11. 52 Didatismo e Conhecimento .173/98. Não se devem interpretar estes dados de maneira estática. cada ponto percentual significa cerca de 10 bilhões de reais. Este esforço inicial é indispensável. afigura-se muito modesta. isto é. O problema deste método é que capta muito bem o que se deve gastar. que tem os enormes desafios discutidos neste plano. Negri procurou em criterioso estudo estimar os recursos potencialmente disponíveis. corrigida a distorção idade-série e aperfeiçoada a gestão. no futuro. em 1997.024. a meta contida no PL nº 4. ao estabelecer. Destacam-se as questões de como garantir o financiamento da educação de jovens e adultos. Este plano propõe que num prazo de dez anos atinjamos um gasto público equivalente a 7% do PIB. Conforme dispunha o Plano Nacional de Educação para Todos. através de aumento contínuo e progressivo de todas as esferas federativas.7 x 3. superestimando. sem a devida dedução das transferências intragovernamentais destinadas à educação. ao órgão gestor e ao regulamentar quais as despesas admitidas como gastos com manutenção e desenvolvimento do ensino.4 4. o FUNDEF constituiu-se em instrumento fundamental para alcançar a meta prioritária da universalização.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A partir desta redistribuição. Com o tempo haveria uma estabilização num patamar menor. Outra é a situação do Brasil. Isso pode ter elevado indevidamente a estimativa do percentual do PIB. Em valores atuais. em relação ao PIB – 1995 PAÍS AMÉRICA DO NORTE Canadá Estados Unidos México AMÉRICA DO SUL Argentina* BRASIL Chile* Paraguai* Uruguai* ÁSIA Coréia Malásia* Tailândia* EUROPA Áustria Dinamarca França Noruega Portugal Espanha Suécia Reino Unido % do PIB x 5. De toda sorte. direcionando-os diretamente às escolas.643.8 6. educação infantil e ensino médio. apenas no setor público o equivalente a 10% do PIB é muito elevada. ao número de 4. os países desenvolvidos que já fizeram um amplo esforço no período pós-guerra estabilizaram seus gastos.8 5. Para superar esta dificuldade. que elaborarão os planos plurianuais e orçamentos que vigorarão no período.5% do PIB. para 54. tanto nos níveis centrais como nos descentralizados. houve um aumento expressivo de 6% nas matrículas. inclusive a eventual criação.2% os gastos públicos com educação para o ano de 1995. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional facilita amplamente esta tarefa. políticas e técnicas.Despesas Públicas em Educação. de um fundo único para toda a educação básica – que não pode ser feito no âmbito deste plano. Dado recente da OCDE indica um gasto público em educação no Brasil equivalente a 5% do PIB (Tabela 25). Municípios e da União.0 4. Negri havia chegado. Essa profissionalização implica a definição de competências específicas e a dotação de novas capacidades humanas. mas que constavam ainda do Anuário Estatístico de 1995). de modo a fortalecer sua autonomia (Tabela 26).6 4.” O governo federal vem atuando de maneira a descentralizar recursos.155/98. A transparência da gestão de recursos financeiros e o exercício do controle social permitirão garantir a efetiva aplicação dos recursos destinados à educação. Recentemente.6 x 5.072. a partir das vinculações. tendo como objetivo o desenvolvimento de uma gestão responsável. ou seja. incluindo-se uma dupla contagem de gastos. para 32. a meta estabelecida pelo PL nº 4.6 x 3. De 1997 para 1998.6 Fonte: Base de dados da OCDE *Dados de 1996 Financiamento e gestão estão indissoluvelmente ligados. no § 5º do art. de atingir. do governo federal para os governos estaduais e municipais e dos governos estaduais para os municipais. na medida em que fosse sendo erradicado o analfabetismo. inflacionando os dados da UNESCO” (de 1989. uma vez que requer alteração na Emenda Constitucional nº 14. que cresceram de 30. incluindo os gastos do setor privado (que Negri estima em 1% do PIB). com o objetivo de aumentar a racionalidade e produtividade.535. “há uma grande controvérsia sobre o quanto se gasta com educação no Brasil.4 5.8 5. como está previsto na própria legislação.3 6.0 3.8 6. Neste processo foi induzida a formação de Associações de Pais e Mestres ou de Conselhos escolares. para aquele exercício. o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA calculou em 4. A profissionalização requer também a ampliação do leque de diferentes profissões envolvidas na gestão educacional. É certo que alguns ajustes e aperfeiçoamentos são necessários. Tabela 25 . Observe-se que. A partir de 1986 iniciouse a disseminação de informações que continham grave erro metodológico.dado que só pode ser aferido após a consolidação dos balanços de todos Estados. em 1998. Como apontou Barjas Negri (Financiamento da Educação no Brasil . qualquer política de financiamento há de partir do FUNDEF. Este dado foi informado à OCDE pelo governo brasileiro.1 2. em 1995. e dos Legislativos subnacionais.6 4.69. portanto os gastos apenas com educação.380.0 3.53% de recursos disponíveis. Para tanto é necessário o compromisso do Congresso Nacional. Partindo deste dado oficial.

inclusive a econômica. e. e destes entre si. O dinheiro é aplicado na atividade-fim: recebe mais quem tem rede. IX) como “a variedade e quantidade mínimas. mas como um uma questão de cidadania. Observe-se a propósito que a Educação é uma responsabilidade do Estado e da 53 Didatismo e Conhecimento . 205. os que cumprem são premiados. por ano. Somente a garantia de recursos e seu fluxo regular permitem o planejamento educacional.2 Diretrizes Ao tratar do financiamento da Educação. mas também como condição de uma gestão mais eficaz. para o desenvolvimento humano e para a melhoria da qualidade de vida da população. levava a uma diferença significativa de gasto por aluno. a Educação e seu financiamento não serão tratados neste PNE como um problema econômico. Daí emerge a primeira diretriz básica para o financiamento da Educação: a vinculação constitucional de recursos à manutenção e desenvolvimento do ensino. com a aprovação da Emenda Calmon. por aluno. o que permitiu manter níveis razoáveis de investimento na educação pública. sintonizada com os valores jurídicos que emanam dos documentos que incorporam as conquistas de nossa época – tais como a Declaração Universal de Direitos do Homem e a Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança –. Assim. Para tanto. ainda. reduzindo a repetência e a evasão e envolvendo mais a família com a educação de seus filhos – ingrediente indispensável para o sucesso escolar.4º. O avanço significativo dos indicadores educacionais alcançado na década de 90 apoiou-se na vinculação de recursos.632 Número de alunos 28. ainda uma vez. de nada adiantariam as previsões de dever do Estado. de nada adianta receber dos fundos educacionais um valor por aluno e praticar gastos que privilegiem algumas escolas em detrimento das escolas dos bairros pobres. CF e art. mas aos alunos em cada escola.350. deve ser financiado com recursos oriundos de outras fontes que não as destinadas à educação escolar em senso estrito. ressurgindo com a redemocratização em 1946. Desta forma. a diversidade da capacidade de arrecadação de Estados e Municípios. de insumos indispensáveis ao desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem”. Para enfrentar esta necessidade. O fundo contábil permite que a vinculação seja efetiva. É fundamental fortalecer a educação como um dos alicerces da rede de proteção social. aqueles que não cumprissem determinadas disposições eram punidos. As políticas que associam a renda mínima à educação.743 279. Até então. A equidade refere-se não só aos sistemas.262 Valor em R$ mil 229. A Constituição de 1988.337 Fonte: FNDE (Relatório de Atividades e Gerência do Programa). houve uma drástica redução de gastos na educação – como demonstrou o Senador João Calmon nos debates que precederam a aprovação de sua proposta. requisito para o exercício pleno da cidadania. Há que se combinar .760 106. adotadas em alguns Estados e Municípios. o desafio é obter a adequação da aprendizagem a um padrão mínimo de qualidade (art. caput. Por se tratar não propriamente de um programa educacional. o fundamento da obrigação do Poder Público de financiá-la é o fato de constituir um direito.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Tabela 26 . há estímulo para a universalização do ensino. mas de um programa social de amplo alcance. é importante o conceito operacional de valor mínimo gasto por aluno. e particularmente à União cabe fortalecer sua função supletiva. ADCT). definido nacionalmente. por iniciativa própria ou com apoio da União. Aqui o conceito chave já não é mais o de valor mínimo. dá-se um enfoque positivo ao financiamento da Educação. Com o FUNDEF inaugurou-se importante diretriz de financiamento: a alocação de recursos segundo as necessidades e compromissos de cada sistema. no bojo do processo de abertura política.306 167. A LDB preceitua que aos Municípios cabe exercer a função redistributiva com relação a suas escolas. 211. a vinculação de recursos impõe-se não só pela prioridade conferida à Educação. Cumpre consolidar e aperfeiçoar outra diretriz introduzida a partir do FUNDEF. Partindo deste enfoque. Tratase de dar às crianças real possibilidade de acesso e permanência na escola. pelo Estado e pela sociedade. apenas escolas com mais de 20 alunos ** Dados até julho 11.229 31.§ 1º.Programa Dinheiro na Escola 1995 a 1998 – Atendimento Ano 1995 1996 1997 1998** Número de escolas* 144. expressos pelo número de matrículas. sendo a base do planejamento.711 129. Este deve ser a referência para a política de financiamento da Educação. Assim. Além disso. Embora a educação tenha outras dimensões relevantes. A educação deve ser considerada uma prioridade estratégica para um projeto nacional de desenvolvimento que favoreça a superação das desigualdades na distribuição de renda e a erradicação da pobreza.Mensagem presidencial ao Congresso Nacional/1999 *a partir de 1997. se não fossem dados os instrumentos para garanti-lo. os sistemas de ensino devem ajustar suas contribuições financeiras a este padrão desejado. a partir da Lei nº 9533/97. 227. CF) pela família. Além disso. é preciso reconhecê-la como um valor emsi. através do aumento dos recursos destinados à complementação do FUNDEF. pelo simples fato de estar matriculado numa escola estadual ou municipal. permite um controle social mais eficaz e evita a aplicação excessiva de recursos nas atividades–meio e as injunções de natureza política. Agora.§ 4º. mas o de custo-aluno-qualidade. quem tem alunos.800 28.428 304. e não se reduza a um jogo ex post de justificação para efeito de prestação de contas.CF). em primeiro lugar. determinou expressamente que a Educação é um direito de todos e dever do Estado e da família (art. Outra diretriz importante é a gestão de recursos da educação por meio de fundos de natureza contábil e contas específicas. 211.287. Nos interregnos em que o princípio da vinculação foi enfraquecido ou suprimido. têm-se revelado instrumentos eficazes de melhoria da qualidade de ensino. cuja preocupação central foi a equidade. Embora encontre ainda alguma resistência em alguns nichos da tecnocracia econômica mais avessos ao social. sendo consolidada pela Constituição de 1988. § 1º).583 26. com critérios educacionais.857. A Constituição Federal preceitua que à União compete exercer as funções redistributiva e supletiva de modo a garantir a equalização de oportunidades educacionais (art. adotada pela primeira vez pela Constituição de 1934. ou. devendo ser assegurada “com absoluta prioridade” à criança e ao adolescente (art. acompanhadas de rigorosas sanções aos agentes públicos em caso de desrespeito a este direito. as ações para tanto com aquelas dirigidas ao combate do trabalho infantil. Instaurada a equidade. definido em termos precisos na LDB (art. diretamente pela União em áreas em que as crianças se encontrem em situação de risco.672.348 259. 60.

entre entes da mesma esfera federativa. Entre esses mecanismos deve estar a aferição anual pelo censo escolar da efetiva automaticidade dos repasses. 11. 30. 211. (VETADO) 2. de forma a alcançar todos os recursos destinados à Educação Básica. CF). de sorte que o que ocorre num determinado nível repercute nos demais. A adoção de ambos os sistemas requer a formação de recursos humanos qualificados e a informatização dos serviços. 212 da Constituição Federal em termos de aplicação dos percentuais mínimos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino. 3 e 4. em nível das unidades escolares. mas também. no que se refere à educação infantil. contando com recursos do Fundo Penitenciário. Esporte e Turismo. Desta maneira. cuja competência deve ser ampliada. com o aprimoramento da base de dados educacionais do aperfeiçoamento dos processos de coleta e armazenamento de dados censitários e estatísticas sobre a educação nacional. como é o caso do ensino fundamental. como os Conselhos de Educação e os órgãos de controle social. Evidentemente. devem ser fortalecidas as instâncias de controle interno e externo. para a Assistência Social. CF e art. Este deve dar-se. parcela da dívida ativa tributária que seja resultante de impostos). que assegura o repasse automático dos recursos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino para o órgão responsável por este setor. uma diretriz importante é o aprimoramento contínuo do regime de colaboração. Mesmo na hipótese de competência bem definida. inclusive. 4. 70 e 71 da Lei de Diretrizes e Bases. Há competências concorrentes.1 Financiamento 1.CF) e da União (art. nos níveis estadual e municipal) da área há de ter o papel central no que se refere à educação escolar. 9. imediatamente. para os Ministérios da Cultura. que definem os gastos admitidos como de manutenção e desenvolvimento do ensino e aqueles que não podem ser incluídos nesta rubrica. administrativa e de gestão financeira. Estabelecer programa nacional de apoio financeiro e técnico-administrativo da União para a oferta. as Procuradorias da União e dos Estados. que não teve acesso ao ensino fundamental. Envolve todo o governo e deve permear todas as suas ações. ITBI. por meio da formação de conselhos escolares de que participe a comunidade educacional e formas de escolha da direção escolar que associem a garantia da competência ao compromisso com a proposta pedagógica emanada dos conselhos escolares e a representatividade e liderança dos gestores escolares. Mobilizar os Tribunais de Contas. constitui diretriz da maior importância a transparência. algumas ações devem envolver Estados e Municípios. para a qualificação. 30. 3.3. provido por Estados e Municípios. o ensino médio como prioridade para a aplicação dos 10% dos recursos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino não reservados para o ensino fundamental. formação e treinamento de trabalhadores. O mesmo raciocínio vale para a Assistência Social e para a Saúde. como é o caso do transporte escolar. 69 da Lei de Diretrizes e Bases. é importante implantar sistemas de informação. Estabelecer. Mas há também que se articular com outros ministérios (ou secretarias).§ 1º . para o Ministério das Comunicações. os sindicatos. as organizações não-governamentais e a população em geral para exercerem a fiscalização necessária para o cumprimento das metas nº 2. Para que a gestão seja eficiente há que se promover o autêntico federalismo em matéria educacional. de 15% dos recursos destinados ao ensino fundamental cujas fontes não integrem o FUNDEF: nos Municípios (IPTU. (VETADO) 8. 11. não só entre União. O MEC há de ter uma atuação conjunta com o Ministério do Trabalho. Ainda que consolidadas as redes de acordo com a vontade política e capacidade de financiamento de cada ente. de educação de jovens e adultos para a população de 15 anos e mais. no que concerne à erradicação da pobreza.* Entre esses mecanismos estará o demonstrativo de gastos elaborado pelos poderes executivos e apreciado pelos legislativos com o auxílio dos tribunais de contas respectivos. 6. Didatismo e Conhecimento . nos Municípios. no exercício de sua autonomia. VI. cota do IRRF e do IOF-Ouro. A educação é um todo integrado. a partir da divisão de responsabilidades previstas na Carta Magna. regionais e intermunicipais. nos quais devem ser aplicados. como a educação infantil. a educação infantil como prioridade para a aplicação dos 10% dos recursos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino não reservados para o ensino fundamental. entre as metas dos planos plurianuais vigentes nos próximos dez anos. 70 da LDB. nos Municípios mais pobres.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS sociedade e não apenas de um órgão. mediante ações. reunindo competências seja em termos de apoio técnico ou recursos financeiros.indispensável para verificar a eficácia das políticas públicas em matéria de educação. que é de responsabilidade dos Municípios.3 Objetivos e Metas 11. Portanto. 7. sempre que possível. inicialmente nas secretarias. 10. devendo as unidades escolares contar com repasse direto de recursos para desenvolver o essencial de sua proposta pedagógica e para despesas de seu cotidiano. Ciência e Tecnologia e assim por diante. nos Estados. como os Conselhos de Acompanhamento e Controle Social do FUNDEF. em áreas de atuação comum. os Conselhos de Acompanhamento e Controle Social do FUNDEF. nos Estados e no Distrito Federal (IPVA. o Ministério (ou Secretaria. Quanto à distribuição e gestão dos recursos financeiros. do IRRF e do IOF-Ouro. tanto no que se refere aos aspectos quantitativos como qualitativos. a previsão do suporte financeiro às metas constantes deste PNE. Estabelecer. mas com o objetivo de conectá-las em rede com suas escolas e com o MEC. Garantir. para o Ministério da Justiça em relação a educação de jovens e adultos para presos e egressos. parcela da dívida ativa tributária que seja resultante de impostos). poder-se-á consolidar um sistema de avaliação . Implementar mecanismos de fiscalização e controle que assegurem o rigoroso cumprimento do art. Estabelecer a utilização prioritária para a educação de jovens e adultos. Para que seja possível o planejamento educacional.FUNPEN . 5. Finalmente. Criar mecanismos que viabilizem. órgãos de gestão nos sistemas de ensino.VI. recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador . ISS . fóruns e planejamento interestaduais. cada sistema de ensino 54 há de implantar gestão democrática. o cumprimento do § 5º do art. Assim sendo. Deve-se promover a efetiva desburocratização e descentralização da gestão nas dimensões pedagógica. Estados e Municípios. A Educação não é uma preocupação confinada em gueto de um segmento. preferencialmente. discriminando os valores correspondentes a cada uma das alíneas do art. ITCM.FAT. cota do ITR. não pode ser negligenciada a função supletiva dos Estados (art. Em nível de gestão de sistema na forma de Conselhos de Educação que reúnam competência técnica e representatividade dos diversos setores educacionais. Estabelecer mecanismos destinados a assegurar o cumprimento dos arts. no que se refere aos recursos para a universalização que devem ser disponibilizados em condições privilegiadas para as escolas públicas.

Assegurar a autonomia administrativa e pedagógica das escolas e ampliar sua autonomia financeira. com auxílio técnico e financeiro da União. Ampliar o atendimento dos programas de renda mínima associados à educação. nos moldes dos Conselhos de Acompanhamento e Controle Social do FUNDEF. 31. 18. recursos da Saúde e Assistência Social para a educação infantil.000 habitantes. com a colaboração dos Municípios e das universidades. Estimular a colaboração entre as redes e sistemas de ensino municipais. Editar pelos sistemas de ensino. Instituir em todos os níveis. Promover a equidade entre os alunos dos sistemas de ensino e das escolas pertencentes a um mesmo sistema de ensino.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 12. 32. no final da década. todas as escolas de mais de 50 alunos do ensino fundamental e Médio. Promover medidas administrativas que assegurem a permanência dos técnicos formados e com bom desempenho nos quadros das secretarias. Informatizar. Ampliar a oferta de cursos de formação em administração escolar nas instituições públicas de nível superior. Promover a autonomia financeira das escolas mediante repasses de recursos. a administração das escolas com mais de 100 alunos. Estabelecer. VI – ACOMPANHAMENTO E AVALIAÇÃO DO PLANO Um plano da importância e da complexidade do PNE tem que prever mecanismos de acompanhamento e avaliação que lhe dêem segurança no prosseguimento das ações ao longo do tempo e nas diversas circunstâncias em que se desenvolverá. através do repasse de recursos diretamente às escolas para pequenas despesas de manutenção e cumprimento de sua proposta pedagógica. 13. planejamento e avaliação. (VETADO) 14.3. 29. 40. a metade dos Municípios com mais de 20. 43. compartilhando responsabilidades. Assegurar recursos do Tesouro e da Assistência Social para programas de renda mínima associados à educação. todas as escolas contem com diretores adequadamente formados em nível superior. com a participação da comunidade. 33. Estabelecer políticas e critérios de alocação de recursos federais.Incluir. 34. Estabelecer. 38. 23. a autonomia da escola. a descentralização. com a colaboração técnica e financeira da União. em dez anos. em três anos. em cada sistema de ensino. um programa de avaliação de desempenho que atinja. conectando-as em rede com as secretarias de educação. com auxílio técnico e financeiro da União e dos Estados. administrativos e financeiros do Ministério de Educação e de outros Ministérios nas áreas de atuação comum. pelo menos. o foco na aprendizagem dos alunos e a participação da comunidade. de modo a preservar as escolas rurais no meio rural e imbuídas dos valores rurais.Observar as metas estabelecidas nos demais capítulos referentes a financiamento e gestão. nos levantamentos estatísticos e no censo escolar informação acerca do gênero. nos Municípios. a equidade. normas e diretrizes gerais desburocratizantes e flexíveis. Informatizar. Integrar ações e recursos técnicos. de tal forma que. Aperfeiçoar o regime de colaboração entre os sistemas de ensino com vistas a uma ação coordenada entre entes federativos. Consolidar e aperfeiçoar o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica – SAEB e o censo escolar. 22. Definir. Organizar a educação básica no campo. de forma a permitir o cumprimento da meta anterior. 35. 44. . gradualmente. 37. preferencialmente com cursos de especialização. Elaborar e executar planos estaduais e municipais de educação. Estabelecer. todas as secretarias municipais de educação. 24. integrando-as em rede ao sistema nacional de estatísticas educacionais. diretamente aos estabelecimentos públicos de ensino. às redes de comunicação informática. em consonância com este PNE. as necessidades dos setores de informação e estatísticas educacionais. estaduais e municipais. em cinco anos. recursos do Fundo Penitenciário para a educação de presos e egressos. Conselhos da Acompanhamento e Controle Social dos recursos destinados à Educação não incluídos no FUNDEF. Apoiar tecnicamente as escolas na elaboração e execução de sua proposta pedagógica. com auxílio técnico e financeiro da União.2 Gestão 19. com auxílio técnico e financeiro da União. em cinco anos. 27. em todos os Estados. que envolva a comunidade educacional. recursos do Trabalho para a qualificação dos trabalhadores. as secretarias estaduais de educação. recursos destinados à universalização das telecomunicações.424/96. 21. nos Estados. 36. 42. Definir padrões mínimos de qualidade da aprendizagem na Educação Básica numa Conferência Nacional de Educação. que estimulem a iniciativa e a ação inovadora das instituições escolares. Assegurar que. 25. para suprir. programas diversificados de formação continuada e atualização visando a melhoria do desempenho no exercício da função ou cargo de diretores de escolas. pelo menos. 17. em todos os Estados. de sorte a garantir o acesso e permanência na escola a toda população em idade escolar no País. Estimular a criação de Conselhos Municipais de Educação e apoiar tecnicamente os Municípios que optarem por constituir sistemas municipais de ensino. normas de gestão democrática do ensino público. 26. atendendo. todas as escolas estejam no sistema. qualquer que seja sua origem. Didatismo e Conhecimento 55 30. Estabelecer. a partir de critérios objetivos. a partir das funções constitucionais próprias e supletivas e das metas deste PNE. 20. 28. quando necessários. 15. em cinco anos. possuam formação específica em nível superior e que. de forma a reduzir desigualdades regionais e desigualdades internas a cada sistema. Adaptações e medidas corretivas conforme a realidade for mudando ou assim que novas exigências forem aparecendo dependerão de um bom acompanhamento e de uma constante avaliação de percurso. Informatizar progressivamente. 11. 50% dos diretores. 39. em cinco anos. A União deverá calcular o valor mínimo para o custo-aluno para efeito de suplementação dos fundos estaduais rigorosamente de acordo com o estabelecido pela Lei nº 9. pelo menos. em dez anos. programas de acompanhamento e avaliação dos estabelecimentos de educação infantil. em cada categoria de dados coletados. 41. à criação de condições de acesso da escola. 16. Desenvolver padrão de gestão que tenha como elementos a destinação de recursos para as atividades-fim. em cinco anos pelo menos. programas de formação do pessoal técnico das secretarias. através de apoio técnico a consórcios intermunicipais e colegiados regionais consultivos.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
Será preciso, de imediato, iniciar a elaboração dos planos estaduais em consonância com este Plano Nacional e, em seguida, dos planos municipais, também coerentes com o plano do respectivo Estado. Os três documentos deverão compor um conjunto integrado e articulado. Integrado quanto aos objetivos, prioridades, diretrizes e metas aqui estabelecidas. E articulado nas ações, de sorte que, na soma dos esforços das três esferas, de todos os Estados e Municípios mais a União, chegue-se às metas aqui estabelecidas. A implantação e o desenvolvimento desse conjunto precisam de uma coordenação em âmbito nacional, de uma coordenação em cada Estado e no Distrito Federal e de uma coordenação na área de cada Município, exercidas pelos respectivos órgãos responsáveis pela Educação. Ao Ministério da Educação cabe um importante papel indutor e de cooperação técnica e financeira. Trata-se de corrigir acentuadas diferenças regionais, elevando a qualidade geral da educação no País. Os diagnósticos constantes deste plano apontam algumas, nos diversos níveis e/ou modalidades de ensino, na gestão, no financiamento, na formação e valorização do magistério e dos demais trabalhadores da educação. Há muitas ações cuja iniciativa cabe à União, mais especificamente ao Poder Executivo Federal. E há metas que precisam da cooperação do Governo Federal para serem executadas, seja porque envolvem recursos de que os Estados e os Municípios não dispõem, seja porque a presença da União confere maior poder de mobilização e realização. Desempenharão também um papel essencial nessas funções o Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação - CONSED e a União Nacional de Dirigentes Municipais de Educação - UNDIME, nos temas referentes à Educação Básica, assim como o Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras - CRUB, naqueles relativos à educação superior. Considerase, igualmente, muito importante a participação de entidades da comunidade educacional, dos trabalhadores da educação, dos estudantes e dos pais reunidos nas suas entidades representativas. É necessário que algumas entidades da sociedade civil diretamente interessadas e responsáveis pelos direitos da criança e do adolescente participem do acompanhamento e da avaliação do Plano Nacional de Educação. O art. 227, § 7o, da Constituição Federal determina que no atendimento dos direitos da criança e do adolescente (incluídas nesse grupo as pessoas de 0 a 18 anos de idade) seja levado em consideração o disposto no art. 204, que estabelece a diretriz de “participação da população, por meio de organizações representativas, na formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis”. Além da ação direta dessas organizações há que se contar com a atuação dos conselhos governamentais com representação da sociedade civil como o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente CONANDA, os Conselhos Estaduais e Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente e os Conselhos Tutelares (Lei n. 8069/90). Os Conselhos de Acompanhamento e Controle Social do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério - FUNDEF, organizados nas três esferas administrativas, deverão ter, igualmente, corresponsabilidade na boa condução deste plano. A avaliação do Plano Nacional de Educação deve valerse também dos dados e análises qualitativas e quantitativas fornecidos pelo sistema de avaliação já operado pelo Ministério da Educação, nos diferentes níveis, como os do Sistema de Avaliação do Ensino Básico – SAEB; do Exame Nacional do Ensino Didatismo e Conhecimento
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Médio – ENEM; do Sistema de Avaliação do Ensino Superior (Comissão de Especialistas, Exame Nacional de Cursos, Comissão de Autorização e Reconhecimento), avaliação conduzida pela Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES. Além da avaliação contínua, deverão ser feitas avaliações periódicas, sendo que a primeira será no quarto ano após a implantação do PNE. A organização de um sistema de acompanhamento e controle do PNE não prescinde das atribuições específicas do Congresso Nacional, do Tribunal de Contas da União - TCU e dos Tribunais de Contas dos Estados - TCEs, na fiscalização e controle. Os objetivos e as metas deste plano somente poderão ser alcançados se ele for concebido e acolhido como Plano de Estado, mais do que Plano de Governo e, por isso, assumido como um compromisso da sociedade para consigo mesma. Sua aprovação pelo Congresso Nacional, num contexto de expressiva participação social, o acompanhamento e a avaliação pelas instituições governamentais e da sociedade civil e a consequente cobrança das metas nele propostas, são fatores decisivos para que a educação produza a grande mudança, no panorama do desenvolvimento, da inclusão social, da produção científica e tecnológica e da cidadania do povo brasileiro.

3 CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL (ART. 205 A 214).

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 CAPÍTULO III DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO DESPORTO Seção I DA EDUCAÇÃO Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII - garantia de padrão de qualidade.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) Parágrafo único. A lei disporá sobre as categorias de trabalhadores considerados profissionais da educação básica e sobre a fixação de prazo para a elaboração ou adequação de seus planos de carreira, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. § 1º É facultado às universidades admitir professores, técnicos e cientistas estrangeiros, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 11, de 1996) § 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa científica e tecnológica.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 11, de 1996) Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009)(Vide Emenda Constitucional nº 59, de 2009) II - progressiva universalização do ensino médio gratuito; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino; IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um; VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando; VII - atendimento ao educando, em todas as etapas da educação básica, por meio de programas suplementares de material didáticoescolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) § 1º - O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo. § 2º - O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade competente. § 3º - Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela freqüência à escola. Art. 209. O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as seguintes condições: I - cumprimento das normas gerais da educação nacional; II - autorização e avaliação de qualidade pelo Poder Público. Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais. Didatismo e Conhecimento
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§ 1º - O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. § 2º - O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada às comunidades indígenas também a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino. § 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios, financiará as instituições de ensino públicas federais e exercerá, em matéria educacional, função redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no ensino fundamental e médio. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 4º Na organização de seus sistemas de ensino, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios definirão formas de colaboração, de modo a assegurar a universalização do ensino obrigatório. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) § 5º A educação básica pública atenderá prioritariamente ao ensino regular. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino. § 1º - A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, ou pelos Estados aos respectivos Municípios, não é considerada, para efeito do cálculo previsto neste artigo, receita do governo que a transferir. § 2º - Para efeito do cumprimento do disposto no «caput» deste artigo, serão considerados os sistemas de ensino federal, estadual e municipal e os recursos aplicados na forma do art. 213. § 3º A distribuição dos recursos públicos assegurará prioridade ao atendimento das necessidades do ensino obrigatório, no que se refere a universalização, garantia de padrão de qualidade e equidade, nos termos do plano nacional de educação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) § 4º - Os programas suplementares de alimentação e assistência à saúde previstos no art. 208, VII, serão financiados com recursos provenientes de contribuições sociais e outros recursos orçamentários. § 5º A educação básica pública terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salário-educação, recolhida pelas empresas na forma da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)(Vide Decreto nº 6.003, de 2006)

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
§ 6º As cotas estaduais e municipais da arrecadação da contribuição social do salário-educação serão distribuídas proporcionalmente ao número de alunos matriculados na educação básica nas respectivas redes públicas de ensino. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) Art. 213. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas, podendo ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, definidas em lei, que: I - comprovem finalidade não-lucrativa e apliquem seus excedentes financeiros em educação; II - assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária, filantrópica ou confessional, ou ao Poder Público, no caso de encerramento de suas atividades. § 1º - Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de estudo para o ensino fundamental e médio, na forma da lei, para os que demonstrarem insuficiência de recursos, quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública na localidade da residência do educando, ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão de sua rede na localidade. § 2º - As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão receber apoio financeiro do Poder Público. Art. 214. A lei estabelecerá o plano nacional de educação, de duração decenal, com o objetivo de articular o sistema nacional de educação em regime de colaboração e definir diretrizes, objetivos, metas e estratégias de implementação para assegurar a manutenção e desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis, etapas e modalidades por meio de ações integradas dos poderes públicos das diferentes esferas federativas que conduzam a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) I - erradicação do analfabetismo; II - universalização do atendimento escolar; III - melhoria da qualidade do ensino; IV - formação para o trabalho; V - promoção humanística, científica e tecnológica do País. VI - estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do produto interno bruto. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) Art. 1º A Constituição Federal passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 7º ..................................................................................... ................................................................................................. XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5 (cinco) anos de idade em creches e pré-escolas; ........................................................................................”(NR) “Art. 23. ................................................................................... Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para a cooperação entre a União e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional.”(NR) “Art. 30. ................................................................................... ................................................................................................. VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, programas de educação infantil e de ensino fundamental; ........................................................................................”(NR) “Art. 206. ................................................................................. ................................................................................................. V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; ................................................................................................. VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal. Parágrafo único. A lei disporá sobre as categorias de trabalhadores considerados profissionais da educação básica e sobre a fixação de prazo para a elaboração ou adequação de seus planos de carreira, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.”(NR) “Art. 208. ................................................................................. .................................................................................................. IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade; ........................................................................................”(NR) “Art. 211. ................................................................................. ................................................................................................ § 5º A educação básica pública atenderá prioritariamente ao ensino regular.”(NR) “Art. 212. ................................................................................. ................................................................................................ § 5º A educação básica pública terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salário-educação, recolhida pelas empresas na forma da lei. § 6º As cotas estaduais e municipais da arrecadação da contribuição social do salário-educação serão distribuídas proporcionalmente ao número de alunos matriculados na educação básica nas respectivas redes públicas de ensino.”(NR) Art. 2º O art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias passa a vigorar com a seguinte redação: (Vigência)

4 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 53, DE 19/12/2006.

EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 53, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2006 Dá nova redação aos arts. 7º, 23, 30, 206, 208, 211 e 212 da Constituição Federal e ao art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. AS MESAS DA CÂMARA DOS DEPUTADOS E DO SENADO FEDERAL, nos termos do § 3º do art. 60 da Constituição Federal, promulgam a seguinte Emenda ao texto constitucional:

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VIII .00 (quatro bilhões e quinhentos milhões de reais).no caso dos impostos e transferências constantes do inciso II do caput do art. . 159 da Constituição Federal: a) 16.00 (três bilhões de reais). conforme o inciso II do caput deste artigo. o Distrito Federal e os Municípios destinarão parte dos recursos a que se refere o caput do art. 60. e das alíneas a e b do inciso I e do inciso II do caput do art.FUNDEB. no terceiro ano de vigência dos Fundos. matriculados nas respectivas redes. nos respectivos âmbitos de atuação prioritária estabelecidos nos §§ 2º e 3º do art. III e IV do caput do art.FUNDEF. 212 da Constituição Federal. na forma da lei a que se refere o inciso III do caput deste artigo. § 2º O valor por aluno do ensino fundamental.aplica-se à complementação da União o disposto no art. XII . § 4º Para efeito de distribuição de recursos dos Fundos a que se refere o inciso I do caput deste artigo. a lei disporá sobre: a) a organização dos Fundos. as diferenças e as ponderações quanto ao valor anual por aluno entre etapas e modalidades da educação básica e tipos de estabelecimento de ensino. os Estados.00 (dois bilhões de reais).000. IV . § 5º A porcentagem dos recursos de constituição dos Fundos.500. Didatismo e Conhecimento 59 b) R$ 3. no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal.33% (dezoito inteiros e trinta e três centésimos por cento). levar-se-á em conta a totalidade das matrículas no ensino fundamental e considerar-se-á para a educação infantil. o inciso II do caput do art.000. Até o 14º (décimo quarto) ano a partir da promulgação desta Emenda Constitucional. fixado em observância ao disposto no inciso VII do caput deste artigo. X .o não-cumprimento do disposto nos incisos V e VII do caput deste artigo importará crime de responsabilidade da autoridade competente. os incisos II. do inciso IV do caput do art.000. d) 10% (dez por cento) do total dos recursos a que se refere o inciso II do caput deste artigo. 155. 30% (trinta por cento) da complementação da União. no primeiro ano de vigência dos Fundos. observados os arts. a distribuição proporcional de seus recursos. III e IV do caput do art. II e III do art. 208 da Constituição Federal e as metas de universalização da educação básica estabelecidas no Plano Nacional de Educação. 158.a vinculação de recursos à manutenção e desenvolvimento do ensino estabelecida no art.a União complementará os recursos dos Fundos a que se refere o inciso II do caput deste artigo sempre que. o Distrito Federal e os Municípios deverão assegurar. IX . no segundo ano. XI . da seguinte forma: I . no Distrito Federal e em cada Estado. bem como as metas do Plano Nacional de Educação. VII . 159. b) a forma de cálculo do valor anual mínimo por aluno. no máximo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS “Art. a melhoria da qualidade de ensino.000.000. será alcançada gradativamente nos primeiros 3 (três) anos de vigência dos Fundos. conforme estabelecido nos §§ 2º e 3º do art. 160 da Constituição Federal. 158. piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica. de natureza contábil. no primeiro ano. c) R$ 4. para o ensino médio e para a educação de jovens e adultos 1/3 (um terço) das matrículas no primeiro ano. proporcionalmente ao número de alunos das diversas etapas e modalidades da educação básica presencial. vedada a utilização dos recursos a que se refere o § 5º do art.proporção não inferior a 60% (sessenta por cento) de cada Fundo referido no inciso I do caput deste artigo será destinada ao pagamento dos profissionais do magistério da educação básica em efetivo exercício. os Estados e seus Municípios é assegurada mediante a criação. e) prazo para fixar.até 10% (dez por cento) da complementação da União prevista no inciso V do caput deste artigo poderá ser distribuída para os Fundos por meio de programas direcionados para a melhoria da qualidade da educação. no segundo ano de vigência dos Fundos. e c do inciso VII do caput deste artigo serão atualizados. no âmbito do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação . o valor por aluno não alcançar o mínimo definido nacionalmente. 155. em caráter permanente. todos da Constituição Federal.66% (dezesseis inteiros e sessenta e seis centésimos por cento). III .000. no Fundo de cada Estado e do Distrito Federal.a complementação da União de que trata o inciso V do caput deste artigo será de. § 1º A União. 2/3 (dois terços) no segundo ano e sua totalidade a partir do terceiro ano. de um Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação FUNDEB. considerando-se para os fins deste inciso os valores previstos no inciso VII do caput deste artigo. a partir do quarto ano de vigência dos Fundos.os recursos recebidos à conta dos Fundos instituídos nos termos do inciso I do caput deste artigo serão aplicados pelos Estados e Municípios exclusivamente nos respectivos âmbitos de atuação prioritária. respeitadas as seguintes disposições: I .os Fundos referidos no inciso I do caput deste artigo serão constituídos por 20% (vinte por cento) dos recursos a que se referem os incisos I. 212 da Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento da educação básica e à remuneração condigna dos trabalhadores da educação. no financiamento da educação básica. 211 da Constituição Federal. VI . c) os percentuais máximos de apropriação dos recursos dos Fundos pelas diversas etapas e modalidades da educação básica. anualmente. b) 18.observadas as garantias estabelecidas nos incisos I.os valores a que se referem as alíneas a. no ano anterior à vigência desta Emenda Constitucional. os Estados. não poderá ser inferior ao valor mínimo fixado nacionalmente no ano anterior ao da vigência desta Emenda Constitucional. e as alíneas a e b do inciso I e o inciso II do caput do art. d) a fiscalização e o controle dos Fundos. no mínimo: a) R$ 2. 212 da Constituição Federal suportará. em lei específica. b. II .000. 211 da Constituição Federal. § 3º O valor anual mínimo por aluno do ensino fundamental. não poderá ser inferior ao praticado no âmbito do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério . a partir da promulgação desta Emenda Constitucional. e distribuídos entre cada Estado e seus Municípios. V . 208 e 214 da Constituição Federal. II. de forma a preservar. o valor real da complementação da União. de forma a garantir padrão mínimo definido nacionalmente.a distribuição dos recursos e de responsabilidades entre o Distrito Federal.000. 157.

3o desta Lei. de 19 de dezembro de 2006 (Um fundo independente para cada Estado e para o Distrito Federal). como agente financeiro do Fundo e. DE 20/6/2007. com base no nº de alunos.ADCT. 2o  Os Fundos destinam-se à manutenção e ao desenvolvimento da educação básica pública e à valorização dos trabalhadores em educação.FUNDEB. 3o desta Lei somados aos referidos neste inciso garantam a aplicação do mínimo de 25% (vinte e cinco por cento) desses impostos e transferências em favor da manutenção e desenvolvimento do ensino. com a participação do Banco do Brasil. b) 13. O Fundeb não é considerado Federal.”(NR) § 6º (Revogado). do Distrito Federal. a partir do terceiro ano. e dos incisos II e III do caput do art. II .33% (treze inteiros e trinta e três centésimos por cento). A proposta do fundo é a disponibilização crescente de recursos da União. dependendo da ótica que se observa. na medida em que as principais fontes de recursos para a educação provêm da arrecadação de impostos. no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal. do recebimento e da aplicação final dos recursos) e a Municipal (os Municípios participam da composição. um Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação . Em suma o FUNDEB é um fundo de natureza contábil.pelo menos 25% (vinte e cinco por cento) dos demais impostos e transferências. 212 da Constituição Federal e no inciso VI do capute parágrafo único do art. Estadual ou Municipal. por fim. 1o  É instituído. II . em 19 de dezembro de 2006. a que se referem os incisos I a IX do capute o § 1odo art. Parágrafo único. do recebimento e da aplicação final dos recursos).494. do inciso II do caput do art. de 12 de setembro de 1996. Art. 10 e no inciso I do caput do art. incluindo sua condigna remuneração. pelo fato da arrecadação e distribuição dos recursos que o formam serem realizadas pela União e pelos Estados.66% (seis inteiros e sessenta e seis centésimos por cento). c) 20% (vinte por cento). de: I . no primeiro ano. formado com recursos provenientes das três esferas de governo (Federal.no caso dos impostos e transferências constantes dos incisos I e III do caput do art.Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação – que substituiu o Fundef. 11 da Lei nº 9. a proposta de emenda constitucional para a criação do Fundeb . até o início da vigência dos Fundos. 158 da Constituição Federal: a) 6. 155. na forma prevista no art. instituído pela Emenda Constitucional nº 53.394. Brasília. no segundo ano. 60 do Ato das  Disposições  Constitucionais Transitórias . § 7º (Revogado). A instituição dos Fundos previstos no caput deste artigo e a aplicação de seus recursos não isentam os Estados. Existe uma forte vinculação entre o financiamento público da educação e a situação socioeconômica do país. de modo que os recursos previstos no art. o Fundo tem seu vínculo com a esfera Federal (a União participa da composição e distribuição dos recursos). ao Congresso Nacional. vigente por 14 anos (2007 a 2020) e sua distribuição é com base no número de alunos da educação básica (Matriculados nos respectivos âmbitos de atuação prioritária) e constantes do último Censo Escolar. observado o disposto nesta Lei. o Ministério da Educação encaminhou. de natureza contábil. a Estadual (os Estados participam da composição. LEI Nº 11. mantidos os efeitos do art. da distribuição. Um importante aspecto da política econômica adotada por sucessivos governos foi a contenção de gastos para possibilitar o equilíbrio das contas públicas e viabilizar o pagamento das dívidas externa e interna. que é afetada pelo desempenho da economia. Assim.494/2007 – Regulamenta o FUNDEB Em junho de 2005. Esses aspectos do Fundeb o revestem de peculiaridades que transcendem sua simples caracterização como Federal.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS c) 20% (vinte por cento). QUE REGULAMENTA O FUNDEB. 3º Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data de sua publicação. tendo como abrangência toda a Educação Didatismo e Conhecimento 60 5 LEI Nº 11. por se tratar de um Fundo de natureza contábil. inclusive Educação de Jovens e Adultos. dos estados e municípios para a educação básica pública através da criação de Fundos Estaduais com a totalidade dos recursos vinculados à educação (previstos no artigo 212 da Constituição Federal) para a totalidade de alunos da educação básica pública e dentre outros assuntos prevê a criação de um piso salarial profissional nacional para os educadores públicos e a distribuição dos recursos gerados pelo fundo através da criação dos custos-alunoqualidade diferenciados por modalidade de ensino.494 DE 20 DE JUNHO DE 2007 LEI FEDERAL Nº 11. Estadual. a partir do terceiro ano.pelo menos 5% (cinco por cento) do montante dos impostos e transferências que compõem a cesta de recursos do Fundeb. nos termos desta Emenda Constitucional. O financiamento da educação pública é instrumento fundamental para a redução das desigualdades sociais no Brasil. conforme estabelecido pela Emenda Constitucional nº 14. Estadual e Municipal). em decorrência dos créditos dos seus recursos serem realizados automaticamente em favor dos Estados e Municípios de forma igualitária. 157. nos termos do art. de 20 de dezembro de 1996. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. o Distrito Federal e os Municípios da obrigatoriedade da aplicação na manutenção e no desenvolvimento do ensino. Nesta abrangência temos: EDUCAÇÃO BÁSICA: Creche + Pré-escola + Ensino Fundamental + Médio. nem Municipal. Básica. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.”(NR) Art. .

de 13 de setembro de 1996. a ser fixada anualmente pela Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade instituída na forma da Seção II do Capítulo III desta Lei. 3o  Os Fundos. no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal. 158 da Constituição Federal. no máximo.imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transportes interestadual e intermunicipal e de comunicação previsto no inciso II do caput do art. 5% (cinco por cento) da complementação anual. § 1o  A complementação da União observará o cronograma da programação financeira do Tesouro Nacional e contemplará pagamentos mensais de. poderá ser distribuída para os Fundos por meio de programas direcionados para a melhoria da qualidade da educação básica. Art. ao Distrito Federal e aos Municípios. § 2o  A vinculação de recursos para manutenção e desenvolvimento do ensino estabelecida no art. Didatismo e Conhecimento . de 85% (oitenta e cinco por cento) até 31 de dezembro de cada ano. e IX . Parágrafo único. o valor médio ponderado por aluno. de 26 de dezembro de 1989. bem como juros e multas eventualmente incidentes. § 2o  O valor anual mínimo por aluno será definido nacionalmente. § 1o  É vedada a utilização dos recursos oriundos da arrecadação da contribuição social do salário-educação a que se refere o § 5º do art. 157 da Constituição Federal. calculado na forma do Anexo desta Lei.imposto sobre a propriedade de veículos automotores previsto no inciso III do caput do art. 155 combinado com o inciso IV do caput do art. de 25 de outubro de 1966. conforme disposto na Lei Complementar nº 87. a serem realizados até o último dia útil de cada mês. VIII .receitas da dívida ativa tributária relativa aos impostos previstos neste artigo. VI . 154 da Constituição Federal prevista no inciso II do caput do art. conforme o caso. relativa a programas direcionados para a melhoria da qualidade da educação básica.parcela do produto da arrecadação do imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza e do imposto sobre produtos industrializados devida ao Fundo de Participação dos Municípios – FPM e prevista na alínea b do inciso I do caput do art. nos termos da Seção II deste Capítulo. limitada a até 10% (dez por cento) de seu valor anual.imposto sobre transmissão causa mortis e doação de quaisquer bens ou direitos previsto no inciso I do caput do art. no âmbito de cada Estado e no Distrito Federal. são compostos por 20% (vinte por cento) das seguintes fontes de receita: I . 10% (dez por cento) do total dos recursos a que se refere o inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal. 5o  A complementação da União destina-se exclusivamente a assegurar recursos financeiros aos Fundos. II .  Para a distribuição da parcela de recursos da complementação a que se refere o caputdeste artigo aos Fundos de âmbito estadual beneficiários da complementação nos termos do art. 155 combinado com o inciso III do caput do art. IV . relativamente a imóveis situados nos Municípios.parcela do produto da arrecadação do imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza e do imposto sobre produtos industrializados devida ao Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal – FPE e prevista na alínea a do inciso I do caput do art.a apresentação de projetos em regime de colaboração por Estado e respectivos Municípios ou por consórcios municipais. Art. 7o  Parcela da complementação da União. 212 da Constituição Federal suportará. 212 da Constituição Federal na complementação da União aos Fundos. na forma do regulamento. 158 da Constituição Federal. e de 100% (cem por cento) até 31 de janeiro do exercício imediatamente subseqüente. 60 do ADCT. § 3o  O não-cumprimento do disposto no caput deste artigo importará em crime de responsabilidade da autoridade competente.o desempenho do sistema de ensino no que se refere ao esforço de habilitação dos professores e aprendizagem dos educandos e melhoria do fluxo escolar. 6o  A complementação da União será de.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS CAPÍTULO II DA COMPOSIÇÃO FINANCEIRA Seção I Das Fontes de Receita dos Fundos Art. 159 da Constituição Federal e no Sistema Tributário Nacional de que trata a Lei nº 5. Seção II Da Complementação da União Art. § 1o  Inclui-se na base de cálculo dos recursos referidos nos incisos do caput deste artigo o montante de recursos financeiros transferidos pela União aos Estados. V . no mínimo.parcela do produto da arrecadação do imposto sobre a propriedade territorial rural. 4o desta Lei. os Fundos contarão com a complementação da União. no mínimo. fixado 61 de forma a que a complementação da União não seja inferior aos valores previstos no inciso VII do caput do art. 45% (quarenta e cinco por cento) até 31 de julho. 160 da Constituição Federal. § 2o  A complementação da União a maior ou a menor em função da diferença entre a receita utilizada para o cálculo e a receita realizada do exercício de referência será ajustada no 1o (primeiro) quadrimestre do exercício imediatamente subseqüente e debitada ou creditada à conta específica dos Fundos.172. § 1o  O valor anual mínimo por aluno definido nacionalmente constitui-se em valor de referência relativo aos anos iniciais do ensino fundamental urbano e será determinado contabilmente em função da complementação da União. 159 da Constituição Federal e no Sistema Tributário Nacional de que trata a Lei no 5. não alcançar o mínimo definido nacionalmente.parcela do produto da arrecadação do imposto sobre produtos industrializados devida aos Estados e ao Distrito Federal e prevista no inciso II do caput do art. Art. 30% (trinta por cento) da complementação da União. 158 da Constituição Federal.  prevista no  inciso II do caput do art. de 25 de outubro de 1966. aplicando-se o disposto no caput do art. VII .172. II . assegurados os repasses de.parcela do produto da arrecadação do imposto que a União eventualmente instituir no exercício da competência que lhe é atribuída pelo inciso I do caput do art. considerando-se a complementação da União após a dedução da parcela de que trata o art. 159 da Constituição Federal e na Lei Complementar no 61. levar-se-á em consideração: I . 7o desta Lei. III . § 2o  Além dos recursos mencionados nos incisos do caput e no § 1o deste artigo. 4o  A União complementará os recursos dos Fundos sempre que. no mínimo. 60 do ADCT.

V . sem fins lucrativos. . III . conforme os dados apurados no censo escolar mais atualizado.ensino médio em tempo integral. § 2o  As instituições a que se refere o § 1o deste artigo deverão obrigatória e cumulativamente: I . conveniadas com o poder público e que atendam às crianças de 4 (quatro) e 5 (cinco) anos. o cômputo das matrículas  das pré-escolas. o regulamento disporá sobre a educação básica em tempo integral e sobre os anos iniciais e finais do ensino fundamental. confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos e conveniadas com o poder público. e no § 2o deste artigo. considerando as ponderações aplicáveis. entre o governo estadual e os de seus Municípios. em qualquer hipótese. 22 desta Lei.30 (um inteiro e trinta centésimos). 32 desta Lei.pré-escola em tempo parcial. § 2o  Serão consideradas. 3o e 4o do art.educação especial. § 4o  Os Estados. na forma do Anexo desta Lei. as matrículas na rede regular de ensino. dar-se-á.anos iniciais do ensino fundamental urbano. VII . § 4o  O direito à educação infantil será assegurado às crianças até o término do ano letivo em que completarem 6 (seis) anos de idade. confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos. observado o disposto no § 1o do art. obrigatoriamente. 211 da Constituição Federal. 3o e 4o deste artigo ou ao poder público no caso do encerramento de suas atividades. confessionais ou filantrópicas. o Distrito Federal e os Municípios poderão. XII . VIII .oferecer igualdade de condições para o acesso e permanência na escola e atendimento educacional gratuito a todos os seus alunos. § 6o  Os recursos destinados às instituições de que tratam os §§ 1o. na proporção do número de alunos matriculados nas respectivas redes de educação básica pública presencial. observandose. realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira .comprovar finalidade não lucrativa e aplicar seus excedentes financeiros em educação na etapa ou modalidade previstas nos §§ 1o.394. XVI .anos iniciais do ensino fundamental no campo. no prazo de 30 (trinta) dias da publicação dos dados do censo escolar no Diário Oficial da União. § 1o  Admitir-se-á. II .educação de jovens e adultos integrada à educação profissional de nível médio. ter aprovados seus projetos pedagógicos.70 (setenta centésimos) e 1.ensino médio integrado à educação profissional. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino adotará como referência o fator 1 (um) para os anos iniciais do ensino fundamental urbano.INEP. 3o e 4o deste artigo. inclusive. 60 do ADCT. XVII . § 2o  A ponderação entre demais etapas.creche em tempo integral. com avaliação no processo. filantrópica ou confessional com atuação na etapa ou modalidade previstas nos §§ 1o.atender a padrões mínimos de qualidade definidos pelo órgão normativo do sistema de ensino. VI .educação de jovens e adultos com avaliação no processo. o limite previsto no art.educação indígena e quilombola. apresentar recursos para retificação dos dados publicados. 11 desta Lei. conveniadas com o poder público. § 1o  Os recursos serão distribuídos entre o Distrito Federal. X . 9o  Para os fins da distribuição dos recursos de que trata esta Lei. efetivadas. considerando-se exclusivamente as matrículas nos respectivos âmbitos de atuação prioritária. § 3o  Admitir-se-á. conforme o censo escolar mais atualizado até a data de publicação desta Lei. em relação às instituições comunitárias. admitir-se-á o cômputo das matrículas efetivadas. o cômputo das matrículas efetivadas na educação infantil oferecida em creches para crianças de até 3 (três) anos. CAPÍTULO III DA DISTRIBUIÇÃO DOS RECURSOS Seção I Disposições Gerais Art. 3o e 4o deste artigo somente poderão ser destinados às categorias de despesa previstas no art. no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal. § 4o  Observado o disposto no parágrafo único do art. § 5o  Eventuais diferenças do valor anual por aluno entre as instituições públicas da etapa e da modalidade referidas neste artigo e as instituições a que se refere o § 1o deste artigo serão aplicadas na criação de infra-estrutura da rede escolar pública.anos finais do ensino fundamental urbano. IV .pré-escola em tempo integral. na forma do regulamento.ensino fundamental em tempo integral. 8o desta Lei serão considerados como em efetivo exercício na educação básica pública para fins do disposto no art.anos finais do ensino fundamental no campo. IV . Didatismo e Conhecimento 62 Art.assegurar a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária. § 3o  Os profissionais do magistério da educação básica da rede pública de ensino cedidos para as instituições a que se referem os §§ 1o. pelo prazo de 4 (quatro) anos. 10. os Estados e seus Municípios.ensino médio no campo. comunitárias. de 20 de dezembro de 1996.394.a vigência de plano estadual ou municipal de educação aprovado por lei. para efeito da distribuição dos recursos previstos no inciso II do caput do art. 8o  A distribuição de recursos que compõem os Fundos. Art. modalidades e tipos de estabelecimento será resultado da multiplicação do fator de referência por um fator específico fixado entre 0. V . 70 da Lei nº 9.o esforço fiscal dos entes federados. IV .  A distribuição proporcional de recursos dos Fundos levará em conta as seguintes diferenças entre etapas. para  a  educação especial. de 20 de dezembro de 1996. XI .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS III . IX. § 3o  Para os fins do disposto neste artigo. observadas as condições previstas nos incisos I a V do § 2o deste artigo. com atuação exclusiva na modalidade. observado o disposto no § 1o do art.ensino médio urbano.creche em tempo parcial. § 1o  A ponderação entre diferentes etapas. conforme os §§ 2º e 3º do art. 21 desta Lei. e em escolas especiais ou especializadas. II . na educação especial oferecida em instituições comunitárias. XIV . III . XIII . modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica: I . conforme o censo escolar mais atualizado. XV . 60 da Lei no 9. serão consideradas exclusivamente as matrículas presenciais efetivas. em classes comuns ou em classes especiais de escolas regulares.ter certificado do Conselho Nacional de Assistência Social ou órgão equivalente.

  Os recursos dos Fundos serão disponibilizados pelas unidades transferidoras ao Banco do Brasil S.fixar anualmente a parcela da complementação da União a ser distribuída para os Fundos por meio de programas direcionados para a melhoria da qualidade da educação básica. CAPÍTULO IV DA TRANSFERÊNCIA E DA GESTÃO DOS RECURSOS Art. II . para vigência no exercício subseqüente: I . observará. 7o desta Lei. vinculadas ao respectivo Fundo.CONSED. Art. até 31 de dezembro de cada exercício. percentual de até 15% (quinze por cento) dos recursos do Fundo respectivo. para vigência no exercício seguinte.1 (um) representante do Ministério da Educação. 16 desta Lei. a Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade. 158 e as alíneas a e b do inciso I do caput e inciso II do caput do art. Art. quando convocados. segundo estudos de custo realizados e publicados pelo Inep. O Poder Executivo federal publicará. 16.ADCT. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica. observado o disposto no art. § 1o  Os repasses aos Fundos provenientes das participações a que se refere o inciso II do caput do art. 12.fixar anualmente o limite proporcional de apropriação de recursos pelas diferentes etapas. III . observados os mesmos prazos. Parágrafo único. III e IV do caput do art. 159 da Constituição Federal. V .  As despesas da Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade correrão à conta das dotações orçamentárias anualmente consignadas ao Ministério da Educação.  Para o ajuste da complementação da União de que trata o § 2o do art. no âmbito do Ministério da Educação. serão repassados automaticamente para contas únicas e específicas dos Governos Estaduais. com a seguinte composição: I . baixado em portaria do Ministro de Estado da Educação. 14. ou Caixa Econômica Federal. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias . bem como respectivos critérios de distribuição.  No exercício de suas atribuições. ao Distrito Federal e aos Municípios. levando em consideração a correspondência ao custo real da respectiva etapa e modalidade e tipo de estabelecimento de educação básica. 6o desta Lei. os valores da arrecadação efetiva dos impostos e das transferências de que trata o art. compete à Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade: I .  Os recursos dos Fundos. II . bem como os repasses aos Fundos à conta das compensações financeiras aos Estados. 13.1 (um) representante dos secretários municipais de educação de cada uma das 5 (cinco) regiões político-administrativas do Brasil indicado pelas  seções regionais da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação . 15.  A apropriação dos recursos em função das matrículas na modalidade de educação de jovens e adultos. IV . § 1o  As deliberações da Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade serão registradas em ata circunstanciada. II. 17. dos Estados e do Distrito Federal e serão creditados pela União em favor dos Governos Estaduais. que realizará a distribuição dos valores devidos aos Estados. sempre que necessário. § 3o  A participação na Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade é função não remunerada de relevante interesse público. farão jus a transporte e diárias.A. procedimentos e forma de divulgação adotados para o repasse do restante dessas transferências constitucionais em favor desses governos. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica. .1 (um) representante dos secretários  estaduais de educação de cada uma das 5 (cinco) regiões político-administrativas do Brasil  indicado  pelas  seções regionais do Conselho Nacional de Secretários de Estado da Educação . II . e seus membros. requisitar ou orientar a elaboração de estudos técnicos pertinentes. São unidades transferidoras a União.a estimativa dos valores anuais por aluno no âmbito do Distrito Federal e de cada Estado. em cada Estado e no Distrito Federal. provenientes da União. 11 desta Lei. os Estados e o Distrito Federal em relação às respectivas parcelas do Fundo cuja arrecadação e disponibilização para distribuição sejam de sua responsabilidade. 11. observado o disposto no art.a estimativa do valor da complementação da União.o valor anual mínimo por aluno definido nacionalmente. Art. Parágrafo único. III .UNDIME. III . os Estados e o Distrito Federal deverão publicar na imprensa oficial e encaminhar à Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda.  Fica instituída. de 13 de setembro de 1996. Distrito Federal e Municípios a que se refere a Lei Complementar no 87. 3o desta Lei referentes ao exercício imediatamente anterior. constarão dos orçamentos da União. § 2o  As deliberações relativas à especificação das ponderações serão baixadas em resolução publicada no Diário Oficial da União até o dia 31 de julho de cada exercício. observado o disposto no art. IV . instituídas para esse fim e mantidas na instituição financeira de que trata o art. § 2o  A Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade exercerá suas competências em observância às garantias estabelecidas nos incisos I. nos termos da alínea c do inciso III do caput do art. Seção II Da Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade Art. do Distrito Federal e dos Municípios. Didatismo e Conhecimento 63 § 1o  Serão adotados como base para a decisão da Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade os dados do censo escolar anual mais atualizado realizado pelo Inep. lavrada conforme seu regimento interno. respeitados os critérios e as finalidades estabelecidas nesta Lei.elaborar seu regimento interno.a estimativa da receita total dos Fundos. dos Estados e do Distrito Federal.especificar anualmente as ponderações aplicáveis entre diferentes etapas.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. do Distrito Federal e dos Municípios nas contas específicas a que se refere este artigo.elaborar. 10 desta Lei. 208 da Constituição Federal e às metas de universalização da educação básica estabelecidas no plano nacional de educação. até o dia 31 de janeiro. Art.

no que se refere aos recursos dos impostos e participações mencionados no § 2o deste artigo.como garantia ou contrapartida de operações de crédito.  Os recursos dos Fundos. § 4o  Os recursos dos Fundos provenientes da parcela do imposto sobre produtos industrializados.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS § 2o  Os repasses aos Fundos provenientes dos impostos previstos nos incisos I.  Para os fins do disposto no caput deste artigo. planejamento. será repassada pelo Governo Estadual ao respectivo Fundo e os recursos serão creditados na conta específica a que se refere este artigo. no exercício financeiro em que lhes forem creditados. CAPÍTULO V DA UTILIZAÇÃO DOS RECURSOS Art. recursos humanos. lastreadas em títulos da dívida pública. 211 da Constituição Federal. inclusive os encargos sociais incidentes.  Os recursos disponibilizados aos Fundos pela União. 24 desta Lei os extratos  bancários referentes à conta do fundo. § 5o  Do montante dos recursos do imposto sobre produtos industrializados de que trata o inciso II do caput do art. Art. quadro ou tabela de servidores do Estado.  (VETADO) Art.  Pelo menos 60% (sessenta por cento) dos recursos anuais totais dos Fundos serão destinados ao pagamento da remuneração dos profissionais do magistério da educação básica em efetivo exercício na rede pública. permanentemente. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica nos seus respectivos âmbitos de atuação prioritária. de que trata o inciso II do caput do art. 21. não sendo descaracterizado  por  eventuais afastamentos temporários previstos em lei. 4o da Lei Complementar no 63. Parágrafo único. 22. de 11 de janeiro de 1990. III e IV do § 1o do  art. profissionais que oferecem suporte pedagógico direto ao exercício da docência: direção ou administração escolar. procedimentos e forma de divulgação do restante dessa transferência aos Municípios. internas ou externas. segundo os critérios e respeitadas as finalidades estabelecidas nesta Lei. poderão ser utilizados no 1o (primeiro) trimestre do exercício imediatamente subseqüente. 23. creditará imediatamente as parcelas devidas ao  Governo Estadual. os Estados e os Municípios poderão celebrar convênios para a transferência de alunos. procedimentos e forma de divulgação previstos na Lei Complementar nº 61. aos conselhos referidos nos incisos II. ao Distrito Federal e aos Municípios nas contas específicas referidas neste artigo. na instituição financeira responsável pela movimentação dos recursos. 159 da Constituição Federal a parcela devida aos Municípios. 5º da Lei Complementar nº 61. considera-se: I . emprego ou função. assim como de transporte escolar. II . integrantes da estrutura. temporária ou estatutária.efetivo exercício: atuação efetiva no desempenho das atividades de magistério previstas no inciso II deste parágrafo associada à sua regular vinculação contratual. inclusive relativos à complementação da União recebidos nos termos do § 1o do art.  Nos termos do § 4º do art. Parágrafo único.394. que não impliquem rompimento da relação jurídica existente. de 20 de dezembro de 1996. II e III do caput do art. 69 da Lei no 9. 155 combinados com os incisos III e IV do caput do art. Didatismo e Conhecimento 64 Parágrafo único. III . Art. 20. de 26 de dezembro de 1989. Distrito Federal.394. em ações consideradas como de manutenção e desenvolvimento do ensino para a educação básica pública. observados os mesmos prazos. 211 da Constituição Federal. inspeção. inclusive aqueles oriundos de complementação da União. § 6o A instituição financeira disponibilizará. observados os critérios e as finalidades estabelecidas nesta Lei. ações ou programas considerados como ação de manutenção e desenvolvimento do ensino para a educação básica. Distrito Federal ou Município. conforme o caso.394. Art. 159 da Constituição Federal. II . na forma do disposto no art.  Os eventuais saldos de recursos financeiros disponíveis nas contas específicas dos Fundos cuja perspectiva de utilização seja superior a 15 (quinze) dias deverão ser aplicados em operações financeiras de curto prazo ou de mercado aberto. serão creditados pela União em favor dos Governos Estaduais e do Distrito Federal nas contas específicas.  É vedada a utilização dos recursos dos Fundos: I . 71 da Lei nº 9. mediante abertura de crédito adicional. pelo Distrito Federal e pelos Municípios. § 7o  Os recursos depositados na conta específica a que se refere o caput deste artigo serão depositados pela União. observados os mesmos prazos. com ônus para o empregador. conforme o art. pelo Distrito Federal ou pelos Municípios que não se destinem ao financiamento de projetos. de 20 de dezembro de 1996. Art. de 26 de dezembro de 1989. acompanhados da transferência imediata de recursos financeiros correspondentes ao número de matrículas assumido pelo ente federado.profissionais do magistério da educação: docentes. de modo a preservar seu poder de compra. § 1o  Os recursos poderão ser aplicados pelos Estados e Municípios indistintamente entre etapas. . 158 da Constituição Federal constarão dos orçamentos dos Governos Estaduais e do Distrito Federal e serão depositados pelo estabelecimento oficial de crédito previsto no art. § 3o  A instituição financeira de que trata o caput deste artigo. materiais e encargos financeiros. 18. Estados e Municípios na forma prevista no § 5o do art.no financiamento das despesas não consideradas como de manutenção e desenvolvimento da educação básica. no momento em que a arrecadação estiver sendo realizada nas contas do Fundo abertas na instituição financeira de que trata o caputdeste artigo. pelos Estados e pelo Distrito Federal deverão ser registrados de forma detalhada a fim de evidenciar as respectivas transferências. com o ente governamental que o remunera. 19. 70 da Lei nº 9. em decorrência do efetivo exercício em cargo. serão utilizados pelos Estados. conforme estabelecido nos §§ 2º e 3º do art. contraídas pelos Estados.  Os ganhos financeiros auferidos em decorrência das aplicações previstas no caput deste artigo deverão ser utilizados na mesma finalidade e de acordo com os mesmos critérios e condições estabelecidas para utilização do valor principal do Fundo. 6o desta Lei. § 2o  Até 5% (cinco por cento) dos recursos recebidos à conta dos Fundos.remuneração: o total de pagamentos devidos aos profissionais do magistério da educação. orientação educacional e coordenação pedagógica. de 20 de dezembro de 1996. supervisão. procedendo à divulgação dos valores creditados de forma similar e com a mesma periodicidade utilizada pelos Estados em relação ao restante da transferência do referido imposto. conforme disposto no art.

pelo conjunto dos estabelecimentos ou entidades de âmbito nacional. 24. b) 1 (um) representante dos professores da educação básica pública.nos casos dos representantes dos diretores. indicados por seus pares. até 3o (terceiro) grau. Didatismo e Conhecimento 65 d) 1 (um) representante dos servidores técnico-administrativos das escolas básicas públicas. § 8o  A atuação dos membros dos conselhos dos Fundos: I . g) 1 (um) representante da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação . do Distrito Federal e dos Municípios. por no mínimo 12 (doze) membros. III e IV do § 1o deste artigo. § 1o  Os conselhos serão criados por legislação específica.estudantes que não sejam emancipados. por no mínimo 9 (nove) membros.em âmbito municipal. contador ou funcionário de empresa de assessoria ou consultoria que prestem serviços relacionados à administração ou controle interno dos recursos do Fundo. dos Ministros de Estado. II .  O acompanhamento e o controle social sobre a distribuição. um dos quais indicado pela União Brasileira de Estudantes Secundaristas . sem vinculação ou subordinação institucional ao Poder Executivo local e serão renovados periodicamente ao final de cada mandato dos seus membros. ou b) prestem serviços terceirizados. pelas entidades sindicais da respectiva categoria.pais de alunos que: a) exerçam cargos ou funções públicas de livre nomeação e exoneração no âmbito dos órgãos do respectivo Poder Executivo gestor dos recursos.UNDIME. pelos respectivos pares.UBES. até 3o (terceiro) grau. IV . dos Estados. no âmbito da União. b) 1 (um) representante do Ministério da Fazenda. na forma dos incisos I e II do § o 3 deste artigo. II . sendo: a) 2 (dois) representantes do Poder Executivo Municipal. § 7o  Os conselhos dos Fundos atuarão com autonomia. nos casos das representações dessas instâncias. Distritais ou Municipais. excluídos os membros mencionados nas suas alíneas b e d. quando houver. editada no pertinente âmbito governamental. do Prefeito e do Vice-Prefeito. § 2o  Integrarão ainda os conselhos municipais dos Fundos. do Governador e do Vice-Governador. por no mínimo 9 (nove) membros. d) 1 (um) representante da seccional da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação . § 6o  O presidente dos conselhos previstos no caput deste artigo será eleito por seus pares em reunião do colegiado. municipais e do Distrito Federal e das entidades de classes organizadas.CNTE. o Ministério da Educação designará os integrantes do conselho previsto no inciso I do § 1o deste artigo.em âmbito federal. CONTROLE SOCIAL. II .cônjuge e parentes consangüíneos ou afins. por conselhos instituídos especificamente para esse fim. e dos Secretários Estaduais. um dos quais indicado pela entidade de estudantes secundaristas. do Distrito Federal e dos Municípios.em âmbito estadual. III . e) 1 (um) representante da seccional da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação . desses profissionais.pelos dirigentes dos órgãos  federais. sendo impedido de ocupar a função o representante do governo gestor dos recursos do Fundo no âmbito da União. b) 2 (dois) representantes dos Poderes Executivos Municipais. sendo: a) até 4 (quatro) representantes do Ministério da Educação. do Presidente e do Vice-Presidente da República.069. III .nos casos de representantes de professores e servidores. dos quais pelo menos 1 (um) do órgão estadual responsável pela educação básica. por no mínimo 14 (quatorze) membros. no âmbito dos Poderes Executivos em que atuam os respectivos conselhos. a transferência e a aplicação dos recursos dos Fundos serão exercidos. § 5o  São impedidos de integrar os conselhos a que se refere o caput deste artigo: I . pais de alunos e estudantes. f) 2 (dois) representantes dos pais de alunos da educação básica pública.tesoureiro. e) 2 (dois) representantes dos pais de alunos da educação básica pública. em processo eletivo organizado para esse fim. parentes consangüíneos ou afins. h) 2 (dois) representantes dos pais de alunos da educação básica pública. § 3o  Os membros dos conselhos previstos no caput deste artigo serão indicados até 20 (vinte) dias antes do término do mandato dos conselheiros anteriores: I . c) 1 (um) representante do Ministério do Planejamento. g) 2 (dois) representantes dos estudantes da educação básica pública. de 13 de julho de 1990. estaduais. § 4o  Indicados os conselheiros. d) 1 (um) representante do Conselho Nacional de Educação.não será remunerada. c) 1 (um) representante do Conselho Estadual de Educação. e o Poder Executivo  competente  designará os integrantes dos conselhos previstos nos incisos II. Orçamento e Gestão. IV . conforme o caso. c) 1 (um) representante dos diretores das escolas básicas públicas. f) 1 (um) representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação . COMPROVAÇÃO E FISCALIZAÇÃO DOS RECURSOS Art. estadual ou municipal. III . dos quais pelo menos 1 (um) da Secretaria Municipal de Educação ou órgão educacional equivalente.UNDIME.no Distrito Federal.CNTE. sendo a composição determinada pelo disposto no inciso II deste parágrafo. sendo: a) 3 (três) representantes do Poder Executivo estadual. e) 1 (um) representante do Conselho Nacional de Secretários de Estado da Educação . junto aos respectivos governos.CONSED. . f) 2 (dois) representantes dos estudantes da educação básica pública.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS CAPÍTULO VI DO ACOMPANHAMENTO. dos Estados.é considerada atividade de relevante interesse social. 1 (um) representante do respectivo Conselho Municipal de Educação e 1 (um) representante do Conselho Tutelar a que se refere a Lei no 8. II . bem como cônjuges. i) 2 (dois) representantes dos estudantes da educação básica pública. observados os seguintes critérios de composição: I . 1 (um) dos quais indicado pela entidade estadual de estudantes secundaristas.

modalidade ou tipo de estabelecimento a que estejam vinculados. que deverá ser apresentado ao Poder Executivo respectivo em até 30 (trinta) dias antes do vencimento do prazo para a apresentação da prestação de contas prevista no caputdeste artigo. § 10. no âmbito de suas respectivas esferas governamentais de atuação. Art. do Distrito Federal e dos Municípios. 212 da Constituição Federal e do disposto nesta Lei. sempre que julgarem conveniente: I . § 13. compete ao Ministério Público dos Estados e do Distrito Federal e Territórios e ao Ministério Público Federal. e ser-lhes-á dada ampla publicidade. serão exercidos: I .assegura isenção da obrigatoriedade de testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em razão do exercício de suas atividades de conselheiro e sobre as pessoas que lhes confiarem ou deles receberem informações. 35 da Constituição Federal. 28. ainda. inclusive por meio eletrônico.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS III . 27. IV . b) a adequação do serviço de transporte escolar.  Aos conselhos incumbe. c) a utilização em benefício do sistema de ensino de bens adquiridos com recursos do Fundo. IV . 8o desta Lei. Art.  A defesa da ordem jurídica. receber e analisar as prestações de contas referentes a esses Programas. no máximo.veda. Art.  As prestações de contas serão instruídas com parecer do conselho responsável. relacionada ao pleno cumprimento desta Lei. § 9o  Aos conselhos incumbe. bem como dos órgãos federais. III . empenho. nos termos da alínea e do inciso VII do caput do  art.pelos Tribunais de Contas dos Estados. III . permitida 1 (uma) recondução por igual período. dos interesses sociais e individuais indisponíveis. Art. representação estudantil poderá acompanhar as reuniões do conselho com direito a voz. atualizados. quando os conselheiros forem representantes de estudantes em atividades do conselho. observada a regulamentação aplicável. c) afastamento involuntário e injustificado da condição de conselheiro antes do término do mandato para o qual tenha sido designado.  Os registros contábeis e os demonstrativos gerenciais mensais.  Os Estados. b) atribuição de falta injustificada ao serviço em função das atividades do conselho. 212 da Constituição Federal e do disposto nesta Lei sujeitará os Estados e o Distrito Federal à intervenção da União. . § 12.PNATE e do Programa de Apoio aos Sistemas de Ensino para Atendimento à Educação de Jovens e Adultos e. o Distrito Federal e os Municípios prestarão contas dos recursos dos Fundos conforme os procedimentos adotados pelos Tribunais de Contas competentes. aos Estados.  Os membros dos conselhos de acompanhamento e controle terão mandato de.apresentar ao Poder Legislativo local e aos órgãos de controle interno e externo manifestação formal acerca dos registros contábeis e dos demonstrativos gerenciais do Fundo. no curso do mandato. Parágrafo único.  Os conselhos dos Fundos não contarão com estrutura administrativa própria.  A fiscalização e o controle referentes ao cumprimento do disposto no art. convocar o Secretário de Educação competente ou servidor equivalente para prestar esclarecimentos acerca do fluxo de recursos e a execução das despesas do Fundo.pelo órgão de controle interno no âmbito da União e pelos órgãos de controle interno no âmbito dos Estados.veda. III e IV do § 1o do art. e os Municípios à intervenção dos respectivos Estados a que pertencem. com o objetivo de concorrer para o regular e tempestivo tratamento e encaminhamento dos dados estatísticos e financeiros que alicerçam a operacionalização dos Fundos. atribuição de falta injustificada nas atividades escolares. 26. 2 (dois) anos. 25. § 11. do regime democrático. Art. estaduais e municipais de controle interno e externo. liquidação e pagamento de obras e serviços custeados com recursos do Fundo. b) folhas de pagamento dos profissionais da educação. quando os conselheiros forem representantes de professores e diretores ou de servidores das escolas públicas. especialmente quanto às transferências de recursos federais. do Distrito Federal e dos Municípios.requisitar ao Poder Executivo cópia de documentos referentes a: a) licitação. junto aos respectivos entes governamentais sob suas jurisdições. especialmente em relação à complementação da União.  Na hipótese da inexistência de estudantes emancipados. no curso do mandato: a) exoneração ou demissão do cargo ou emprego sem justa causa ou transferência involuntária do estabelecimento de ensino em que atuam. formulando pareceres conclusivos acerca da aplicação desses recursos e encaminhando-os ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação .  Os conselhos referidos nos incisos II.  O descumprimento do disposto no art. d) outros documentos necessários ao desempenho de suas funções. relativos aos recursos repassados e recebidos à conta dos Fundos assim como os referentes às despesas realizadas ficarão permanentemente à disposição dos conselhos responsáveis. Didatismo e Conhecimento 66 II . supervisionar o censo escolar anual e a elaboração da proposta orçamentária anual. c) documentos referentes aos convênios com as instituições a que se refere o art. as quais deverão discriminar aqueles em efetivo exercício na educação básica e indicar o respectivo nível. também. 29.FNDE. acompanhar a aplicação dos recursos federais transferidos à conta do Programa Nacional de Apoio ao Transporte  do Escolar . ao Distrito Federal e aos Municípios garantir infra-estrutura e condições materiais adequadas à execução plena das competências dos conselhos e oferecer ao Ministério da Educação os dados cadastrais relativos à criação e composição dos respectivos conselhos.realizar visitas e inspetorias in loco para verificar:  a) o desenvolvimento regular de obras e serviços efetuados nas instituições escolares com recursos do Fundo.pelo Tribunal de Contas da União. 24 desta Lei poderão.por decisão da maioria de seus membros. II . Parágrafo único. no que tange às atribuições a cargo dos órgãos federais. incumbindo à União. especialmente em relação à aplicação da totalidade dos recursos dos Fundos. V . ainda. devendo a autoridade convocada apresentar-se em prazo não superior a 30 (trinta) dias. 34 e do inciso III do caput do art.

no 3o (terceiro) ano de vigência dos Fundos. das alíneas a e b do inciso I e do inciso II do caput do art. no mínimo. b) 18. de 12 de setembro de 1996.000. apurado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE.na realização de estudos técnicos com vistas na definição do valor referencial anual por aluno que assegure padrão mínimo de qualidade do ensino. II e III do § 3o deste artigo serão atualizados.R$ 2. e c) 20% (vinte por cento). 25 e 27 desta Lei. o ensino médio e a educação de jovens e adultos: a) 1/3 (um terço) das matrículas no 1o (primeiro) ano de vigência do Fundo. 31.000.00 (dois bilhões de reais).para o ensino fundamental regular e especial público: a totalidade das matrículas imediatamente a partir do 1o (primeiro) ano de vigência do Fundo. e III . e c) 20% (vinte por cento).00 (três bilhões de reais). no mínimo: I .para a educação infantil. a realização e a utilização dos valores financeiros repassados.no apoio técnico relacionado aos procedimentos e critérios de aplicação dos recursos dos Fundos.R$ 4. no mínimo. a partir do 3o (terceiro) ano. por meio de publicação e distribuição de documentos informativos e em meio eletrônico de livre acesso público. conforme o disposto neste artigo.R$ 3. inclusive. inclusive. § 4o  Os valores a que se referem os incisos I. 45% (quarenta e cinco por cento) até 31 de julho e de 100% (cem por cento) até 31 de dezembro de cada ano. 6o desta Lei quanto à distribuição entre os fundos instituídos no âmbito de cada Estado. 159 da Constituição Federal. 3o desta Lei: a) 16. Art.para os impostos e transferências constantes dos incisos I e III do caput do art. 32. 157. devendo a primeira dessas medidas se realizar em até 2 (dois) anos após a implantação do Fundo. § 5o  Os valores a que se referem os incisos I. fiscalização e controle interno e externo. no 1o (primeiro) ano. 30. b) 2/3 (dois terços) das matrículas no 2o (segundo) ano de vigência do Fundo. . a serem realizados até o último dia útil de cada mês. sendo-lhes assegurado o acesso gratuito aos documentos mencionados nos arts. não poderá ser inferior ao efetivamente praticado em 2006. do Distrito Federal e dos Estados para a fiscalização da aplicação dos recursos dos Fundos que receberem complementação da União. no 2o (segundo) ano. § 6o  Até o 3o (terceiro) ano de vigência dos Fundos.na divulgação de orientações sobre a operacionalização do Fundo e de dados sobre a previsão.na capacitação dos membros dos conselhos. b) 13. II . 5% (cinco por cento) da complementação anual. VI . § 1o  A porcentagem de recursos de que trata o art. nos primeiros 3 (três) anos de vigência dos Fundos. no período compreendido entre o mês da promulgação da Emenda Constitucional no 53.66% (dezesseis inteiros e sessenta e seis centésimos por cento).no monitoramento da aplicação dos recursos dos Fundos. 158 da Constituição Federal: Didatismo e Conhecimento 67 a) 6.33% (dezoito inteiros e trinta e três centésimos por cento). no 1o (primeiro) ano. por meio de sistema de informações  orçamentárias e financeiras e de cooperação com os Tribunais de Contas dos Estados e Municípios e do Distrito Federal. observado o disposto no § 2o do art. 155. 5º e o § 1º do art. § 2o  Admitir-se-á litisconsórcio facultativo entre os Ministérios Públicos da União. § 2o  As matrículas de que trata o art.FUNDEF. 9o desta Lei serão consideradas conforme a seguinte progressão: I .  O Ministério da Educação atuará: I . ou índice equivalente que lhe venha a suceder. II . III . no 2o (segundo) ano de vigência dos Fundos.000.500.000. 155. § 7o  Até o 3o (terceiro) ano de vigência dos Fundos. 129 da Constituição Federal. junto aos Estados. c) a totalidade das matrículas a partir do 3o (terceiro) ano de vigência do Fundo.000. Art. e 1o de janeiro de cada um dos 3 (três) primeiros anos de vigência dos Fundos. 158. com vistas na adoção de medidas operacionais e de natureza político-educacional corretivas. II . no 1o (primeiro) ano de vigência dos Fundos. no âmbito do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério .00 (quatro bilhões e quinhentos milhões de reais). de 19 de dezembro de 2006. inciso II do caput do art. do inciso IV do caput do art.000. no Fundo de cada Estado e do Distrito Federal.000. IV . 3o desta Lei será alcançada conforme a seguinte progressão: I . pela variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor – INPC. estabelecido pela Emenda Constitucional nº 14. CAPÍTULO VII DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS Seção I Disposições Transitórias Art. inclusive. no 2o (segundo) ano. anualmente. II . a complementação da União não sofrerá ajuste quanto a seu montante em função da diferença entre a receita utilizada para o cálculo e a receita realizada do exercício de referência. V . Distrito Federal e Municípios e às instâncias responsáveis pelo acompanhamento. de forma a preservar em caráter permanente o valor real da complementação da União.33% (treze inteiros e trinta e três centésimos por cento).para os impostos e transferências constantes do inciso II do caput do art.66% (seis inteiros e sessenta e seis centésimos por cento). II e III do § 3o deste artigo serão corrigidos. o cronograma de complementação da União observará a programação financeira do Tesouro Nacional e contemplará pagamentos mensais de.  Os Fundos serão implantados progressivamente nos primeiros 3 (três) anos de vigência.na realização de avaliações dos resultados da aplicação desta Lei. incisos II e III do caput do art. assegurados os repasses de.000. a partir do 3o (terceiro) ano.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS § 1o  A legitimidade do Ministério Público prevista no caputdeste artigo não exclui a de terceiros para a propositura de ações a que se referem o inciso LXXIII do caput do art. § 3o  A complementação da União será de. anualmente.  O valor por aluno do ensino fundamental. bem como para a receita a que se refere o § 1o do art.

III . 36. 212 da Constituição Federal. adotarse-á este último exclusivamente para a distribuição dos recursos do ensino fundamental.1. 34. 37. dos Municípios. VII .anos finais do ensino fundamental no campo . os Estados. com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor .1. X .0. em 5 (cinco) anos contados da vigência dos Fundos.  A União.creche conveniada em tempo parcial . no âmbito do Fundef.20 (um inteiro e vinte centésimos).ensino médio urbano . com avaliação no processo .0. 35.1.  Os Municípios poderão integrar. dos Estados. apurado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística . que será corrigido. de forma a garantir padrão mínimo de qualidade definido nacionalmente. Didatismo e Conhecimento 68 XV .ensino médio em tempo integral . as ponderações entre as matrículas da educação infantil seguirão.90 (noventa centésimos). a transferência e a aplicação dos recursos do Fundo.1. no Fundo de cada Estado e do Distrito Federal.ensino fundamental em tempo integral . o Conselho do Fundo ao Conselho Municipal de Educação.1. IV .1.1.1.10 (um inteiro e dez centésimos).  A União desenvolverá e apoiará políticas de estímulo às iniciativas de melhoria de qualidade do ensino. Parágrafo único. § 2o  Na fixação dos valores a partir do 2o (segundo) ano de vigência do Fundeb. de 13 de julho de 1990.90 (noventa centésimos). do Distrito Federal.20 (um inteiro e vinte centésimos).CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS § 1o  Caso o valor por aluno do ensino fundamental.80 (oitenta centésimos).ensino médio integrado à educação profissional . 3o. XII . II . anualmente.25 (um inteiro e vinte e cinco centésimos).creche pública em tempo parcial .70 (setenta centésimos).80 (oitenta centésimos). fórum nacional com o objetivo de avaliar o financiamento da educação básica nacional. A União. IV .0.1. na forma do regulamento. § 1o  A Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade fixará  as ponderações referentes à creche e pré-escola em tempo integral. instituindo câmara específica para o acompanhamento e o controle social sobre a distribuição.70 (setenta centésimos).anos finais do ensino fundamental urbano . 4o e 5o do art. nos termos da legislação local específica e desta Lei. em especial aquelas voltadas para a inclusão de crianças e adolescentes em situação de risco social. as ponderações seguirão as seguintes especificações: I . Parágrafo único. ainda que na condição de presos provisórios. VI . VI .05 (um inteiro e cinco centésimos).INPC. XIII . acesso e permanência na escola. contando com representantes da União.20 (um inteiro e vinte centésimos).80 (oitenta centésimos).creche pública em tempo integral . § 2o  Aplicar-se-ão para a constituição dos Conselhos Municipais de Educação as regras previstas no § 5o do art.educação de jovens e adultos integrada à educação profissional de nível médio.anos iniciais do ensino fundamental urbano .0.pré-escola em tempo integral . Art.creche conveniada em tempo integral . Art. inclusive mediante adaptações dos  conselhos do Fundef existentes na data de publicação desta Lei. Art. mantendo-se as demais ponderações para as restantes etapas. Art.pré-escola . no período de 12 (doze) meses encerrados em junho do ano imediatamente anterior.0. § 1o  A câmara específica de acompanhamento e controle social sobre a distribuição.15 (um inteiro e quinze centésimos).que cumpram pena no sistema penitenciário. 24 desta Lei.educação de jovens e adultos com avaliação no processo . 38. as seguintes pontuações: I .1. previsto no art.0. Art.10 (um inteiro e dez centésimos).anos iniciais do ensino fundamental no campo . em regime de colaboração. 33. a melhoria da qualidade do ensino.  O Ministério da Educação deverá realizar. no âmbito do Fundeb. XI .30 (um inteiro e trinta centésimos). V . Art. Seção II Disposições Finais Art. no mínimo. 39.30 (um inteiro e trinta centésimos).aos quais tenham sido aplicadas  medidas socioeducativas nos termos da Lei no 8. promovidas pelas unidades federadas.069.1.  Os conselhos dos Fundos serão instituídos no prazo de 60 (sessenta) dias contados da vigência dos Fundos.1.educação especial . resulte inferior ao valor por aluno do ensino fundamental. V . observado o disposto no inciso IV do § 1o e nos §§ 2o.IBGE ou índice equivalente que lhe venha a suceder. VIII .ensino médio no campo .1.educação indígena e quilombola . XIV . É assegurada a participação popular e da comunidade educacional no processo de definição do padrão nacional de qualidade referido no caputdeste artigo.0.0.25 (um inteiro e vinte e cinco centésimos).pré-escola em tempo parcial . os Estados e o Distrito Federal desenvolverão.creche . dos trabalhadores da educação e de pais e alunos. II . IX .  O valor anual mínimo por aluno definido nacionalmente para o ensino fundamental no âmbito do Fundeb não poderá ser inferior ao mínimo fixado nacionalmente em 2006 no âmbito do Fundef. programas de apoio ao esforço para conclusão da educação básica dos alunos regularmente matriculados no sistema público de educação: I . a transferência e a aplicação dos recursos do Fundeb terá competência deliberativa e terminativa. II .15 (um inteiro e quinze centésimos). § 2o  O valor por aluno do ensino fundamental a que se refere o caput deste artigo terá como parâmetro aquele efetivamente praticado em 2006. III .00 (um inteiro). 24 desta Lei. no Fundo de cada Estado e do Distrito Federal. o Distrito Federal e os Municípios deverão assegurar no financiamento da educação básica. .  No 1o (primeiro) ano de vigência do  Fundeb.95 (noventa e cinco centésimos). modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica.

e o § 3º do art. 32 (ensino fundamental) e no art. . Complementação da União fixada a partir dos valores mínimos previstos no inciso VII do caput do art. 49.880. procedendo-se aos eventuais ajustes em cada Fundo. Art. de modo a assegurar: I . em cada Estado e no Distrito Federal.000. 2) dedução da parcela da complementação da União de que trata o art. o Distrito Federal e os Municípios deverão implantar Planos de Carreira e remuneração dos profissionais da educação básica. 31 desta Lei e os aportes referentes a janeiro e fevereiro de 2007. até 31 de agosto de 2007. conforme operação 3.  O ajuste referente à diferença entre o total dos recursos da alínea a do inciso I e da alínea a do inciso II do § 1o do art. recursos orçamentários para a promoção de programa emergencial de apoio ao ensino médio e para reforço do programa nacional de apoio ao transporte escolar. Art.845. ponderadas pelos fatores de diferenciação. Fi : valor do Fundo do Estado i. 3.  A partir de 1o de março de 2007. referente ao ano de 2007. 31 desta Lei. de 24 de  dezembro de 1996. de 24 de dezembro de 1996. 3) distribuição da complementação da União. e o art.  piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica. 46.2) complementação do último Fundo até que seu valor anual por aluno se iguale ao valor anual por aluno do Fundo imediatamente superior.00 (dois bilhões de reais).  O poder público deverá fixar. a partir de 1o de janeiro de 2007. multiplicado pelos fatores de ponderações aplicáveis. 60 do ADCT (EC no 53/06): Comp/União:    ≥    R$ 2. 211 da Constituição Federal).  Nos meses de janeiro e fevereiro de 2007. em lei específica. fica mantida a sistemática de repartição de recursos prevista na Lei no 9. 42.000. 47. 12 da Lei no 10.a melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem. 1º a 8º e 13 da Lei nº 9. além dos destinados à complementação ao Fundeb.  Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação. φ j : fator de diferenciação aplicável à etapa e/ou às N ji : número de matrículas na etapa e/ou nas modalidades e/ ou no tipo de estabelecimento de ensino j no Estado i.  (VETADO) Art. será pago no mês de abril de 2007. será integralmente distribuída entre março e dezembro.  Os Planos de Carreira deverão contemplar capacitação profissional especialmente voltada à formação continuada com vistas na melhoria da qualidade do ensino. de cada Estado e dos Municípios. Art.  mediante a utilização dos coeficientes de participação do Distrito Federal. 40.000. 4) verificação.  O ajuste da distribuição dos recursos referentes ao primeiro trimestre de 2007 será realizado no mês de abril de 2007.  (VETADO) Art. a União alocará. sem o pagamento de complementação da União. os arts. II . realizados na forma do disposto neste artigo. 3. Parágrafo único. 41. 7o desta Lei.  Nos 2 (dois) primeiros anos de vigência do Fundeb. 48. modalidades e/ou ao tipo de estabelecimento de ensino j.2. 2º da Lei nº 10. no 1o (primeiro) ano de vigência.  A complementação da União prevista no inciso I do § 3o do art. ANEXO Nota explicativa: O cálculo para a distribuição dos recursos do Fundeb é realizado em 4 (quatro) etapas subsequentes: Didatismo e Conhecimento 69 1) cálculo do valor anual por aluno do Fundo. Os Estados. a complementação da União será distribuída a esses 2 (dois) Fundos até que seu valor anual por aluno se iguale ao valor anual por aluno do Fundo imediatamente superior. no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal.  Os Fundos terão vigência até 31 de dezembro de 2020. obtido pela razão entre o total de recursos de cada Fundo e o número de matrículas presenciais efetivas nos âmbitos de atuação prioritária (§§ 2o e 3o do art. de forma que o valor anual mínimo por aluno resulte definido nacionalmente em função dessa complementação. a distribuição dos recursos dos Fundos é realizada na forma prevista nesta Lei. Parágrafo único. Art. 11 (educação de jovens e adultos) desta Lei. antes da complementação da União.a remuneração condigna dos profissionais  na educação básica da rede pública. referentes ao exercício de 2006.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art.  Ficam revogados.424. III . 45.4) as operações 3. Art.2 e 3. NPi : número de matrículas do Estado i. Parágrafo único. Parágrafo único. 43. Art.424.1) ordenação decrescente dos valores anuais por aluno obtidos nos Fundos de cada Estado e do Distrito Federal. 44. 3. de 9 de junho de 2004.3 são repetidas tantas vezes quantas forem necessárias até que a complementação da União tenha sido integralmente distribuída. da observância do disposto no § 1o do art. de 5 de março de 2004.integração entre o trabalho individual e a proposta pedagógica da escola. Art.3) uma vez equalizados os valores anuais por aluno dos Fundos. conforme os seguintes procedimentos: 3. conforme a sistemática estabelecida nesta Lei. Fórmulas de cálculo: Valor anual por aluno: F VAi = i NPi NPi = ∑φ j =1 15 j N ji em que: VAi : valor por aluno no Estado i.

A e B. que considera o menor valor entre NPi = NPfi + NPei + NPoi em que: 6 EDUCAÇÃO NO MUNDO CONTEMPORÂNEO: EXIGÊNCIAS DE UM NOVO PERFIL DE CIDADÃO. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica da rede k do Estado i. NPoi : número de matrículas em demais etapas. ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis. B ] : função mínimo. consequentemente. ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis. 11 (educação de jovens e adultos) desta Lei. “processo de formação de recursos humanos para as áreas técnicas”. de certa maneira. ≥    10% (dez por cento) do total de recursos do fundo.000. F fi : valor transferido tendo como base o valor por aluno do em ∗que: F fi : parcela de recursos do Fundo do Estado i destinada ao ensino fundamental. como “processo de qualificação de mão-de-obra especializada”. a fim de obter a distribuição aplicável a demais etapas. no 2o (segundo) ano de vigência. De um lado há aqueles que enfatizam a conexão entre educação e conhecimento.500. . a União complementará os ∗ recursos do Fundo do Estado i até que VAmin = Fi ni Estado i. Max[ A . modalidades e tipos de estabelecimento de ensino. Para Estados que não recebem complementação da União (VAi ≥ VAmin ) . etc. NPei : número de matrículas na educação de jovens e adultos ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis.00 (três bilhões de reais). NPeki : número de matrículas na educação de jovens e adultos da rede k do Estado i. αFi ∗   NPei + NPoi  ( ) ∗ * ∗ Foi = Fi ∗ − F fi − Fei em que: ensino fundamental efetivamente praticado em 2006. de sua visão da educação. no 3o (terceiro) ano de vigência.00 (quatro bilhões e quinhentos milhões de reais). modalidades e tipos de estabelecimento de ensino: ∗ ∗ ∗ Fi ∗ = F fi + Fei + Foi NPfki : número de matrículas no ensino fundamental da rede k do Estado i. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica. tudo aquilo que se refere mais diretamente ao preparo para o exercício de uma profissão técnica. F fi   NPi    NPei ∗ * Fei = Min  Fi ∗ − F fi . concebendo a noção de conhecimento de modo a incluir nela quase que tão somente os pontos de vista e temas que. sendo batizado com vários nomes diferentes. Para o Distrito Federal e cada um dos Estados:  NPfi ∗  ∗ F fi = Max  Fi . Este preparo é considerado como mero treinamento ou adestramento em certas técnicas e habilidades e não deveria merecer o honroso privilégio de ser considerada parte integrante do processo educacional. Complementação da União e valor anual mínimo por aluno definido nacionalmente: Sempre que (VAi < VAmin ) .000. ≥    R$ 4. NPi em que: VAmin : valor mínimo por aluno definido nacionalmente. Certamente nesta questão tem havido radicais de ambos os lados.000. ∗ : parcela de recursos do Fundo do Estado i destinada a Foi demais etapas. sobreviveram o teste de durabilidade e que. O total de matrículas ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis é obtido da seguinte forma: Min[A . portanto.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS ≥    R$ 3. ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis. B ]: função máximo.000. de início. ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis. pelos Estados e seus Municípios: ∗ Fki = NPfki NPfi ∗ F fi + NPeki ∗ NPoki ∗ Fei + Foi NPei NPoi Fi ∗ = ni + 1 k =1 ∑F ∗ ki em que: k: rede de educação básica do Distrito Federal. 32 (ensino fundamental) e o disposto no art. tem-se: Fi∗ = Fi Distribuição de recursos entre o Distrito Federal. e. NPfi : número de matrículas no ensino fundamental ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis. por exemplo. Didatismo e Conhecimento 70 Analisemos. NPoki : número de matrículas de demais etapas. ∗ : parcela de recursos do Fundo do Estado i destinada à Fei educação de jovens e adultos. ∗ Fki : valor transferido para a rede k de educação básica do : número de Municípios do Estado i. no âmbito Fundef. do Estado i ou de um de seus Municípios. se mostraram “perenes” -. a questão da chamada educação humanística versus a chamada educação técnico-profissionalizante. que considera o maior valor entre A e B. Apropriação de recursos do Fundo do Estado i pelo Distrito Federal. α : limite proporcional de apropriação de recursos pela educação de jovens e adultos.000.há uma escola de teoria educacional chamada “perenialismo” -. os Estados e seus Municípios observa o disposto no § 1o do art. os Estados e seus Municípios: A distribuição de recursos entre o Distrito Federal.e de modo a excluir da noção de conhecimento. Fi ∗ : valor do Fundo do Estado i após a complementação da União. a partir do 4o (quarto) ano de vigência.

etc. para efeito de argumentação. têm valores diferentes. pode coexistir. Na verdade. Deixamos. portanto. em que o objetivo educacional básico é a preparação do indivíduo para a vida ativa do trabalho. visto que o acesso a um e a outro subsistema não é. mesmo que não concorde com a hierarquia de valores predominante naquele contexto. concebendo a noção de vida de modo a realçar suas ligações com o trabalho. o processo educacional terá conteúdos basicamente diferentes no que diz respeito ao seu teor.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Do outro lado há aqueles. os interesses e os valores dessa classe (que. deliberadamente. “adorno”. a democracia. pode condenar a educação por ser estritamente profissionalizante: ela estará se ocupando dos conteúdos considerados valiosos naquele contexto. mais em moda no Brasil de hoje. será. ou para o qual enviaria seus filhos. e não condenar o seu sistema educacional por incorporá-los. igualmente. apenas para esclarecer alguns aspectos da questão e mostrar a abrangência de nossa conceituação de educação. onde os conteúdos considerados valiosos por uns e por outros não se identificam. Observamos atrás que. de perpetuar seus privilégios. por razões predominantes econômicas. pois permitiria que cada qual escolhesse o subsistema em que iria ingressar. (De certa maneira. fato este que faz com que o sistema educacional enfrente sérios problemas e dificuldades para levar em conta esta divergência e conflitância de valores. que está estreitamente ligado ao que acabamos de dizer. Educar. Em uma sociedade pluralista. sem dúvida. que foram deverá tomar o sistema educacional? Uma solução que se tem dado a este problema é o da criação de vários subsistemas educacionais. Estamos. se concebermos o termo “cultura” em um sentido amplo. Concordam. Mencionamos. preparar o restante da população para se conformar com a condição de dominados) e não daqueles a quem esses sistemas e sub-sistemas se destinam. frequentemente. não incluímos nenhuma indicação acerca de quem considera valiosos os conteúdos do processo educacional. para o exercício de uma profissão. valores conflitantes podem coexistir dentro de uma mesma cultura. e. também. pois nosso propósito é mostrar que mesmo esse ponto de vista acerca da educação se enquadra dentro de nossa conceituação. Não nos cabe aqui analisar esta questão. pois nela. enquanto valor é plenamente compatível com outros valores. em decorrência disso. mas ainda assim conteúdos considerados valiosos naquele contexto. mutatis mutandis. entretanto. o processo educacional vai ser visto como (pelo menos em parte) preparação para o exercício da cidadania democrática. à existência de um subsistema educacional para os “nossos filhos” e de outro(s) subsistema(s) para “os filhos dos outros”. franqueado. Nesta cultura. Esta não é nossa intenção. que se considerarmos o termo “cultura” em um sentido amplo (como quando se fala em “cultura brasileira”). observando que esta solução leva. na medida em que. na qual o trabalho. apontando. porém. Problema mais sério e grave é trazido à tona por aqueles que apontam ao fato de que sistemas e subsistemas educacionais são organizados e administrados por uma ínfima parcela da população. outros ingredientes que possam não parecer diretamente profissionalizantes só sendo permitidos. e o exercício da cidadania democrática é tido como algo valioso. sem discutir o fato. é preparar para a vida. Naturalmente. e que. e as várias classes sociais. a nosso ver. para o gozo dos momentos de lazer. onde diferentes fossem os valores. Imaginemos. de um lado. uma cultura cujos valores sejam bastante coerentes. Na prática sabemos que esta solução não tem sido muito democrática. Somente vamos procurar situá-la dentro de nossa conceituação de educação. dentro de uma mesma cultura. mesmo de maneira indireta. A questão difícil que pode ser colocada. de conteúdos considerados valiosos e de concepções de quais devam ser os objetivos educacionais específicos a serem promovidos. e um processo educacional que prepara o indivíduo para o exercício da cidadania democrática pode também prepará-lo para o exercício de uma profissão. valores conflitantes. o sistema educacional a apresentar certas características que poderia não apresentar em outros contextos. Didatismo e Conhecimento 71 Voltamos a enfatizar. dentro do processo educacional. à relação entre educação e democracia. a formação profissional. afirmam. seja como fator básico de desenvolvimento econômico. dependendo de seus próprios valores e daqueles que cada um dos subsistemas enfatizasse. preparar uma elite para vir a ser os futuros “donos do poder”. Em um contexto socioeconômico como o que acabamos de imaginar. venham a contribuir para o bom desempenho profissional. consequentemente. etc. Tudo o mais é “ornamento”. es- . e a deixar de lado suas ligações com o lazer. a democraticidade de sua proposta e combatido a falta de democraticidade da solução que esboçamos. inclusive. Estamos simplesmente procurando ilustrar o fato de que dentro de uma mesma cultura pode haver valores conflitantes. Ao conceituar a educação. Outra solução. Em uma cultura cujos valores sejam diametricamente opostos aos da cultura que acabamos de imaginar. preconiza a existência de um sistema educacional único que gradativamente se diferencia em subsistemas e que permite mobilidade horizontal (entre os subsistemas) e vertical (entre os subsistemas de um nível e os de outro nível). frequentemente não menos radicais. “perfumaria”. invariavelmente. é como mudar valores sem atuar na educação? Isto nos traz ao nosso terceiro comentário. de outro lado. Se nossos valores não coincidem com os dessa cultura que imaginamos. devemos criticar e combater os valores dessa cultura. e. seja como forma de realização pessoal. seja o valor preponderante. conseqüentemente. vê a tarefa da educação como sendo. está desejosa de manter o status quo. Em um contexto sociocultural em que a democracia é um valor básico. sem dúvida. cada um deles enfatizando certo conjunto de valores. Não vamos entrar aqui nos méritos ou deméritos dessas soluções nem mencionar outras que têm sido propostas. agora. menos educação. invariavelmente da chamada classe dominante. e não condenar o seu sistema educacional por incorporá-los. fato que levará. devemos criticar e combater esses valores. onde valores se chocam. de igual maneira. quer nos parecer. não fazendo várias distinções básicas e deixando de lado os aspectos complexos que envolvem processos educacionais concretos (e não imaginários). O que acabamos de dizer aplica-se. porque dominante. as velhas discussões medievais acerca das vantagens e desvantagens da vida contemplativa e da vida ativa se repetem. para a apreciação das artes. Esta solução pareceria democrática. que enfatizam a conexão entre educação e vida. o elemento predominante no processo educacional. há os que procuram realçar o papel do trabalho como fator de desenvolvimento econômico. e ao explicitar aquela conceituação. a todos. a preparação para o trabalho. ninguém. se não concordamos com os valores de uma determinada cultura. Não vamos tentar resolver essa controvérsia. e refletem. simplificando as coisas aqui. observamos que os conteúdos (no sentido visto) que podem ser parte integrante do processo educacional são conteúdos considerados valiosos dentro de um dado contexto sociocultural. os que propõem um sistema educacional único (a “escola única”) têm reivindicado. e que diz respeito ao que poderíamos chamar de relacionamento entre educação e sociedade. com outras roupagens). Dentre os que assumem esta posição há os que enfatizam o trabalho como forma de auto realização individual. A maior parte do mundo vive em sociedades de classes. para o problema que surge em decorrência da coexistência de valores conflitantes dentro de uma mesma cultura.

bem como para aqueles que a conceituam em termos do que ela deve ser. sem investigação da razão de ser. Ao passo que faz bastante sentido dizer que al- Didatismo e Conhecimento . pontos de vista. sem ensino. e mesmo de modo não intencional. esses conteúdos à esfera intelectual e cognitiva. procuramos conceituar a educação. Contudo. um vínculo conceitual com o ensino. habilidades intelectuais). ao mesmo tempo. Só sabemos. mas. a doutrinação é sempre intencional. Alguém pode. portanto. de maneira alguma. atitudes. 72 Portanto. bastante difundido. Vimos. com crenças e não com atitudes. afirmamos que os conteúdos que podem ser objeto de educação são (desde que considerados valiosos) os mais amplos possíveis. podemos afirmar que tinha potencialidade de tornar-se aquilo (pois doutra forma não se teria tornado). em nossa conceituação de educação. ocorrendo sempre em situações de ensino. em relação ao conceito de doutrinação. ou qualquer coisa desse tipo. a priori. que conceitua a educação como o desenvolvimento das potencialidades do indivíduo. excluindo-se da esfera da doutrinação mesmo conteúdos intelectuais e cognitivos de outros tipos (como. este acerca do ponto de vista. na qual o valor preponderante era o trabalho. e. Pode ser que algumas potencialidades (como. sem compreensão. e já os gregos nos alertavam acerca da “akrasia”. a nosso ver. também. Cumpre-nos relembrar. quando aplicada a seres humanos. o do autoquestionamento da educação. ser desenvolvidas. depois que essas potencialidades já foram “atualizadas”. ou convicções. inclusive. ou. mesmo que fosse possível descobrir a priori quais as potencialidades dos indivíduos. igualmente. mas condicionamento e doutrinação não é a mesma coisa. e observamos que um processo que leva ao domínio. a nossa ver.não faz sentido dizer que houve educação se não houve nenhuma aprendizagem -. como vimos. como veremos. portanto. Alguém pode ter sido condicionado a adotar uma atitude passiva diante da violência. ou pontos de vista. deva levar ao domínio e à compreensão de conteúdos considerados valiosos. A noção de potencialidades. Doutrinação tem que haver com crenças. para que seja educacional. ser doutrinado na crença de que se deva tomar uma atitude passiva diante da violência -. etc. a potencialidade para comportamento agressivo e destrutivo) não devessem ser desenvolvidas. Mas por que é que afirmamos que a doutrinação só pode ocorrer em situações de ensino? A resposta a esta pergunta nos parece óbvia e simples. adquirir suficiente compreensão desses conteúdos de modo a assumir diante deles uma postura crítica e aberta. Uma segunda consideração geral que devemos fazer acerca do conceito de doutrinação é a de que.e que o ensino tem um vínculo conceitual com a intenção de produzir a aprendizagem. Salientamos um comentário. teorias. então. sim. a doutrinação também tem um vínculo conceitual com a intenção de produzir a aprendizagem. possibilitasse ao aluno assumir uma postura crítica diante do próprio tipo de educação que estava recebendo. Em relação a qualquer indivíduo. Quando.). por exemplo. a menos que conteúdo dessa doutrinação seja alguma coisa do tipo que acabamos de mencionar. hoje em dia. cai-se na necessidade de discriminar entre as potencialidades que devem e as que não devem ser desenvolvidas. deva levar ao domínio e compreensão de conteúdos considerados valiosos coloca o processo educacional diante daquilo que consideramos sua maior dificuldade. sem crítica. hábitos. Baseando-nos naquilo que um dando indivíduo se torna. portanto. seu maior desafio: de que maneira podem indivíduos vir a adquirir domínio de certos conteúdos considerados valiosos e. e. quer nos parecer que seja impossível dizer. É somente na medida em que a educação leva o indivíduo a questionar sua própria educação que está recebendo que ela está se desincumbindo de sua tarefa. compreensão esta que inevitavelmente envolve o seu questionamento. aqui. por isso mesmo. por exemplo. cai dentro de nossa conceituação (se se admite a possibilidade de identificar potencialidades a priori. O dilema educacional por excelência é. para ser educacional. Não vamos. Quando falamos em doutrinação. porém. Parece haver pouca dúvida. ou a tomar banho diariamente. ensino e aprendizagem. de certos conteúdos.mas isto já é outra coisa: estamos lidando. que incluímos. Processos que levam ao mero domínio e à mera aceitação de conteúdos. podem ser doutrinados. Desde que a doutrinação tem. quais as potencialidades de alguém a posteriori. muito embora a educação possa ocorrer. Não parece fazer o menor sentido afirmar que alguém foi doutrinado. na seção anterior. exame esse de que pode. A exigência de que um processo. mesmo daqueles unanimemente considerados valiosos. essa difundida conceituação de educação caracteriza o processo educacional como algo impossível (por não ser possível identificar a priori quais as potencialidades de alguém). de que os conteúdos que podem ser doutrinados são sempre conteúdos intelectuais e cognitivos do tipo mencionado (crenças. talvez. que a educação tem um vínculo conceitual com a aprendizagem -. é uma daquelas noções que só têm sentido retrospectivamente. ao mesmo tempo. nada nos garante que todas as suas potencialidades devessem. a saber: apenas crenças. parece haver uma grande limitação no tocante aos conteúdos que podem ser doutrinados. Condicionamento tem que haver com comportamento. garantias de que quem acredite que se deva tomar uma atitude passiva diante da violência venha a assumir esta atitude quando confrontado com a violência: há sempre a possibilidade de que haja incoerência entre o pensamento e comportamento de uma pessoa. quais sejam as suas potencialidades. isto é.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS paço para aqueles que conceituam a educação em termos do que ela é. ou ideologias. porém. ou a banhar-se diariamente. porque muito embora possamos falar em educação em termos do que ela é. não devemos nos esquecer de que a educação como ela é frequentemente não é educação. não são educacionais por não levarem os indivíduos à compreensão desses conteúdos. Parece absurdo dizer que alguém foi doutrinado a adotar uma atitude passiva diante da violência. não pode ser visto como educacional. Há muita controvérsia. ou fraqueza da vontade). depois de este alguém ter se tornado aquilo para que tivesse potencialidade. ou. não restringindo. que os leve a um exame criterioso desses conteúdos e das alternativas a eles. E ao decidirmos quais potencialidades deveriam e quais não deveriam ser desenvolvidas cairíamos no domínio dos “conteúdos considerados valiosos”. (Não há. possivelmente. A dificuldade básica dessa conceituação diz respeito à noção de potencialidades. apresentando e defendendo um conceito de doutrinação e mostrando como o conceito de doutrinaçãose relaciona com os conceitos de educação. o desafio educacional maior seria o de encontrar uma maneira de promover a educação profissional que cumprisse o objetivo de preparar para o trabalho e para uma profissão. etc. a exigência de que o processo. portanto. Este é um lembrete que qualifica o que dissemos no final do parágrafo anterior. entre as potencialidades cujo desenvolvimento é considerado valioso e aquelas cujo desenvolvimento não é assim visto). resultar sua rejeição? Naquela cultura que imaginamos atrás. agora. por exemplo. tentar solucionar todas as disputas e divergências: vamos apenas nos situar dentro da controvérsia. doutrinação.

Na segunda passagem observamos: “. pois. enfaticamente negativa. a doutrinação se realiza somente através do ensino. o ensino também foi não-educacional (tendo sido. mas não compreendidos). e política não há como evitar a doutrinação e que em áreas como a física e a astronomia não faz sentido falar-se em doutrinação.. a saber.)? A resposta a esta questão deve ser. Em outras palavras.. moralidade. aludimos. meramente passiva -. doutrinacional.). é a aprendizagem não acompanhada por compreensão. como ponto de referência. pois quer nos parecer que em nossa cultura não seja considerado valioso um conteúdo que consista de enunciados falsos. será que a doutrinação nada mais é do que a educação. ou uma teoria científica. o ensino está sendo não educacional. como veremos. educacionalmente e doutrinacionalmente. como constatamos. É aqui que aquilo que a segunda passagem nos sugere se liga com o que a primeira nos sugeriu. sem dúvida aprendeu um certo conteúdo (possivelmente até através do ensino). etc. quem doutrina está muito mais interessado em que seus alunos simplesmente aceitam (acreditem em) certos pontos de vista do que em que eles venham a examinar os fundamentos desses pontos de vista. Se a intenção é a de que os alunos meramente aprendam (i. É verdade que vimos que apenas certos conteúdos podem ser doutrinados (conteúdos intelectuais e cognitivos de certo tipo. possivelmente. pontos de vista. Com esta tomada de posição nos contrapomos àqueles que afirmam que em áreas coimo religião. meramente aceita. certo conteúdo intelectual e cognitivo: digamos uma doutrina política. ou acerca dos quais a evidência seja inconclusiva. atitudes. como podem a física e a astronomia serem ensinadas de modo doutrinacional. O ensino e aprendizagem de conteúdos que consistam de enunciados falsos. a compreendê-los. no caso. ou contrários à melhor evidência disponível. Baseando-nos nesta conceituação de doutrinação. Feitas essas colocações. e frequentemente ocorre. etc. foi não-educacional. e. da aprendizagem não significativa. acreditem em) o conteúdo em questão. talvez. doutrinacional). talvez. consequentemente. de enunciados acerca dos quais a evidência. e isto em função da intenção daquele que ensina de que exatamente isto ocorra. exame este indispensável para sua compreensão. aprendidos. Dada nossa conceituação de educação e doutrinação. o conteúdo em questão pode ser ensinado de maneira educacional bem como de maneira não educacional. mais precisamente. de sua razão de ser. embora alguns conteúdos sejam. certos conteúdos intelectuais e cognitivos (normas sociais e valores culturais).). a nosso ver. neste caso. consequentemente. O que nos sugerem estas observações feitas atrás? A primeira nos sugere que o tipo de aprendizagem associado com a doutrinação. com a intenção de que estes conteúdos Didatismo e Conhecimento 73 sejam aceitos não obstante a evidência. educacionalmente ou doutrinacionalmente.. à doutrinação. Mas isto não quer dizer que mesmo estes conteúdos não possam ser ensinados de dois modos diferentes. etc. e não na sua compreensão. talvez. é basicamente a intenção da pessoa que ensina. Mas se este é o caso. sendo. estamos em condições de conceituar. portanto. diferentemente daquela que se associa com a educação. em nossa seção anterior. exatamente quando se trata de conteúdos considerados como altamente valiosos que há o maior risco de doutrinação. é o da aprendizagem não acompanhada por compreensão. ou. que este conteúdo seja considerado valioso no contexto em que se realiza seu ensino. e é a intenção que se torna o critério básico e fundamental que nos permite diferenciar entre um ensino educacional e um ensino doutrinacional. o que realmente distingue a doutrinação da educação? Em duas ocasiões. Também deixaremos de lado. seja inconclusiva. O mesmo conteúdo poderá ser ensinado de um ou de outro modo. a educação informal (no segundo sentido visto) para nos determos na educação que se realiza através do ensino. no sentido visto. mas o fez sem compreensão: a aprendizagem.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS guém se educou. “O ensino de conteúdos deste tipo parece bem mais próximo da doutrinação do que da educação”. Desde que. podemos agora procurar esclarecer alguns dos aspectos mais controvertidos desse conceito. etc. ou. ou que resulta da doutrinação. Isto quer dizer que não há conteúdos que estejam inevitavelmente fadados a serem objeto de doutrinação. mesmo conteúdos considerados valioso podem ser doutrinados. doutrinação tem que haver apenas com conteúdos intelectuais e cognitivos de certo tipo (crenças.o indivíduo. etc. a saber. pois os que assim afirmam privilegiam o conteúdo como critério básico e fundamental de diferenciação entre educação e doutrinação. O que a segunda passagem nos sugere é que a intenção de quem doutrina está muito mais voltada para a aceitação dos conteúdos que ele está ensinando do que para um exame criterioso dos fundamentos epistemológicos desses conteúdos. mas que não são objeto da doutrinação. que a aprendizagem que se associa com a doutrinação. o conteúdo não é o critério básico e fundamental que nos permite diferenciar entre educação e doutrinação. crenças.e.) de que se ocupa a educação. comportamentos. grande probabilidade de serem falsos). aceitem. como bem mostram algumas pesquisas recentes na área da história e sociologia da ciência. Tomemos. através do ensino. O que distingue a educação da doutrinação. relembramos aqui essas passagens: “Alguém que aceita normas sociais e valores culturais sem examinar e compreender sua razão de ser. vamos comparar educação e doutrinação no que dizem respeito a esses conteúdos. ou seja. como acabamos de observar. como sugerem alguns. isto é. bem como seu relacionamento com o conceito de educação. Vamos supor. aprendeu certos conteúdos considerados valiosos de maneira a realmente compreendê-los. deixando fora de nossa análise outros conteúdos (habilidades intelectuais e cognitivas.). nessa comparação. quando esta ocorre através do ensino e se ocupa de conteúdos intelectuais e cognitivos do tipo mencionado (crenças. ou de enunciados que a melhor evidência disponível indique terem pouca probabilidade de serem verdadeiros (e. não devem ser parte integrante do processo educacional. a moralidade e a política serem ensinadas de maneira educacional. Se este é o caso. para efeito de argumentação. Além disso. . não nos parece fazer o menor sentido afirmar que alguém se doutrinou: sempre afirmamos que alguém foi doutrinado. tanto podem a religião. segundo nossa conceituação. e se a aprendizagem foi decorrência de um ensino que estava interessado apenas na aceitação das normas e dos valores. sem examinar e compreender sua razão de serem. Se a intenção de quem ensina é a de que os alunos aprendam e compreendam este conteúdo. de passagem. devemos abordar a seguinte questão: tendo em vista as conclusões alcançadas atrás. Pare melhor entendermos esse conceito. pois. Portanto. a doutrinação: doutrinação é o processo através do qual uma pessoa ensina os outros certos conteúdos intelectuais e cognitivos (crenças. o ensino estará sendo educacional. sem um exame criterioso de seus fundamentos epistemológicos. com a intenção de que esses conteúdos sejam meramente aprendidos (isto é. será que o único aspecto a distinguir a educação da doutrinação é que esta é um caso específico daquela? Em outras palavras. Isto posto. favorável ou contrária. de que a educação pode ocorrer. mais preferidos por doutrinadores a outros.

O segundo. é possível atribuir a alguém a intenção de doutrinar mesmo que esta pessoa não admita esta intenção. na verdade. não seja analisada com justiça e isenção de ânimos e preconceitos. mas que. quanto o realizado de maneira doutrinacional. em decorrência de um ensino educacional. doutrinando. em que a verdade já é considerada uma possessão. o que acabamos de ver nos permite afirmar que é inteiramente possível que haja doutrinação mesmo de conteúdos verdadeiros. do que em fazer com que seus alunos simplesmente aceitem o conteúdo: seu intuito não é persuadir seus alunos a aceitarem o conteúdo.. crenças em que o próprio doutrinador não acredita. a menos que esteja em condições tais que o acesso a esta evidência lhe seja totalmente impossível. O primeiro possivelmente utilizará métodos que envolvam a livre discussão de ideias. no nível das intenções. enquanto a doutrinação é um processo que tem por objetivo a transmissão e mera aceitação de crenças. que evidência contrária não seja apresentada. Desde que. como sugerem ainda outros. que. porém. porque tolerar pontos de vista alternativos e conflitantes. ou conteúdos que a melhor evidência disponível indique terem pouca probabilidade de serem verdadeiros como sendo. Na medida. está em incessante busca da verdade. O que ensina de maneira doutrinacional coloca-se na posição do orgulhoso possuidor da verdade. que a educação se preocupa muito mais em dar ao indivíduo condições de não ser facilmente persuadido. uma atitude mais dogmática e menos crítica. o aluno venha a ter uma mente mais aberta e flexível. como vimos à intenção de alguém (que não nós mesmos) só pode ser determinada pela análise de suas ações em um dado contexto. Podemos fazer algumas observações específicas em relação aos aspectos mais controversos do problema da doutrinação. etc. Daí a conexão. A questão. temos que admitir que possa haver doutrinação mesmo quando os conteúdos são considerados valiosos e todos aprovam o que está acontecendo. de pontos de vista divergentes. a redução de horizontes. que se preocupe com a análise e o exame da evidência. principalmente estas -. Didatismo e Conhecimento 74 Aquele que ensina de maneira educacional coloca-se na posição de quem. o fechamento de mentes. que em decorrência de um ensino doutrinacional. à luz da evidência. a análise séria de alternativas. subordinará a análise da evidência à sua intenção de fazer com que os alunos aceitem o conteúdo. em função dessa compreensão. como é de se esperar. entre . mesmo. através do estudo e do exame da evidência. da verdade. aceitá-lo ou rejeitá-lo. ou doutrinas. a falsidade. Podemos atribuir-lhe a intenção de doutrinar. um exame crítico e rigoroso dos fundamentos epistemológicos do conteúdo em questão. Na verdade. e. pois mesmo as críticas e a evidência negativa -. verdadeiros. Em terceiro lugar. pois na medida em que estes divergem da “verdade” só podem ser errôneos ou falsos. Não importa que ele acredite que os conteúdos que ensina sejam verdadeiros. se ele tem condições de obter acesso a esta evidência e não se preocupa em fazê-lo. é em situações assim que a doutrinação se torna mais fácil e mais provável. já mostrada por muitos. Poderíamos mesmo dizer. sendo apresentada. estará. embora seja de es esperar que aquele que ensina com a intenção de que seus alunos aprendam e compreendam os conteúdos ensinados e aquele que ensina coma intenção de que seus alunos meramente aceitem os conteúdos ensinados venham a se valer de métodos de ensino diferentes. entre a crença na posse da verdade e a intolerância. o critério básico e fundamental de diferenciação entre doutrinação e educação. pois. ou. pois ninguém questiona o valor e a veracidade daquilo que está sendo ensinado. de que tanto o ensino realizado de maneira educacional. da evidência. É de se esperar. é mais complexa aqui. Como vimos atrás. portanto. Também no caso de alguém que não tem conhecimento de evidência contrária àquilo que está ensinando.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Nem é tampouco o método de ensino. poderíamos afirmar que ele se preocupará muito mais em fazer que seus alunos considerem a evidência e. embora neste caso também seja de esperar que as consequências do ensino educacional e do ensino doutrinacional sejam diferentes. principalmente. a educação é um processo que tem por objetivo a abertura de mentes. e quem os propõe só pode ser ignorante ou mal-intencionado. É muito mais fácil doutrinar alguém na ideologia capitalista nos Estados Unidos do que em um país radicalmente socialista. deseja incutir em seus alunos). com a transmissão de crenças que se supõem verdadeiras (ou.. Teríamos maiores reservas em atribuir-lhe esta intenção se não houvesse maneiras viáveis de ele obter acesso a esta evidência. por algum motivo. se não inteiramente suprimida. a limitação de opções (frequentemente a uma só). a educação é tolerante. em cujo caso as consequências que deles poderiam advir não seriam aquelas que. cada vez mais. mesmo a repressão. dos fundamentos epistemológicos.podem contribuir para que nos aproximemos da verdade. assim. um apego mais emocional do que evidenciar às suas convicções. a persuasão e não o incentivo ao livre exame. na busca da verdade. podem ser mal sucedidos. de fato. Não podemos nos esquecer. aos fundamentos epistemológicos do conteúdo em pauta.diriam mesmo. É de se esperar que o aluno doutrinado acabe por assumir a seguinte atitude: “É nisto que acredito: vamos ver agora se encontro alguma evidência para fundamentar minhas crenças”. e vice-versa. Isto significa que professores de conteúdos intelectuais e cognitivos do tipo visto (crenças. não se pode negligenciar nenhum aspecto da evidência que possa ser relevante. A questão importante é a do relacionamento entre o conteúdo e a evidência. fazendo paralelo a uma importante corrente de filosofia de ciência e de filosofia política. a situação é complexa. devemos concluir que não há doutrinação não intencional. Em condições normais. seja distorcida. o incentivo à livre opção dos alunos. também. o “desprivilegiamento” da evidência em favor da crença. onde argumentos contra a ideologia capitalista provavelmente serão muito mais abundantes e comuns. mesmo que se refira à evidência. muito provavelmente. pois lhe foi ensinado preocupar-se mais com certas crenças. em alguns casos piores de doutrinação. humildemente.) correm grande risco de doutrinarem (ao invés de educarem) se não estiverem constantemente atualizados acerca dos desenvolvimentos nas áreas que ensinam. que esta evidência. condicionando sua aceitação ou não dos conteúdos ensinados a este exame da evidência. enquanto a doutrinação se preocupa muito mais com a persuasão. se esperariam. tirem suas próprias conclusões. ou teorias. e. e. porém. e que o ensino doutrinacional resulte na mera aceitação (sem compreensão) dos conteúdos ensinados. que ocorre quando há doutrinação. normalmente. não há mais porque buscá-la. Em primeiro lugar. isenta de preconceitos. Também não é em função das consequências do ensino que podemos dizer se o ensino foi educacional ou doutrinacional. o aluno venha a ter uma mente mais fechada. é de se esperar que o ensino educacional resulte em aprendizagem acompanhada de compreensão. Desde que. após análise e exame críticos da evidência. mas levá-los a compreendê-lo. etc. aproximar-se. Com esta atitude. Esta é uma questão subjetiva. como sugerem outros. consequentemente. porém. é de se esperar. de evitar o erro. etc. o professor que ensina conteúdos falsos como sendo verdadeiros. que. do que com a análise crítica. Em segundo lugar. a ampliação de horizontes. é possível que suas razões para aceitar suas crenças não passem de racionalizações. Podemos concluir.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
os conteúdos e os seus fundamentos epistemológicos -- questão esta que, apesar das controvérsias atuais na área da epistemologia e da filosofia da ciência, nos parece ser objetivas. Em quarto lugar, devemos abordar, ainda que brevemente, a complicada questão que se coloca em relação a crianças em tenra idade, que ainda não atingiram a chamada “idade da razão”. Será que, no que diz respeito a estas crianças, só nos resta à alternativa de doutrinação, visto não serem elas capazes, segundo se crê, de compreensão, no sentido visto, de exame de evidência, de opção livre e consciente? Em relação a este problema devemos distinguir (pelo menos) dois aspectos. O primeiro é que exigir que crianças pequenas se comportem de determinada maneira, ou que adotem determinadas atitudes, não é, segundo nossa caracterização, doutriná-las, porque os conteúdos aqui não são conteúdos intelectuais e cognitivos do tipo passível de doutrinação (crenças, etc.), mas comportamentos e atitudes. A doutrinação poderá ocorrer no momento em que se procura fazer com que as crianças aceitem certas justificativas para o comportamento e as atitudes que lhes estão sendo exigidos. O segundo aspecto é que mesmo a crianças que ainda não atingiram a maturidade mental e intelectual necessária para compreender a razão de ser de certos comportamentos e atitudes que lhes são exigidos podem ser oferecidas as razões dessas exigências, as alternativas, etc., de maneira bastante aberta e flexível. Haverá doutrinação se a intenção for a de que as crianças aceitam estas justificativas (ou qualquer outro conteúdo do tipo passível de doutrinação) passivamente, sem discussão, a despeito de qualquer outro tipo de consideração, ou argumentação, ou evidência. Em quinto lugar, a possibilidade de doutrinação faz com que aqueles que se preocupa com a educação, de seus filhos ou de seus alunos, se confrontem com um sério dilema, semelhante ao grande desafio a que fizemos menção no final da seção anterior. Este dilema, embora possa aparecer em qualquer área, aparece mais frequentemente naquelas áreas em que a evidência parece ser mais inconcludente, mas em que, por ironia do destino, se encontram algumas das questões mais básicas e importantes com que tem que se defrontar o ser humano: a moralidade, a política, e a religião. Por um lado, acreditamos (por exemplo) ser necessário apresentar a nossos filhos e alunos o ponto de vista moral, o lado moral das coisas, para que venham a serem seres morais. Do outro lado, acreditamos que temos de evitar a doutrinação, se queremos realmente educar nossos filhos e alunos, isto é, se queremos que sejam indivíduos livres para pensar e escolher, liberdade esta que é pré-condição para que eles venham a serem seres morais. É diante deste dilema que os educadores terão que procurar as melhores maneiras de prosseguir, sabendo, de antemão, que a tarefa é dificílima e que muitos, antes deles, optaram, ou por não procurar oferecer nenhum ensino nessas áreas, ou, então, pela doutrinação como única alternativa viável. [E o exemplo?] É em confronto com este dilema que muitos têm optado pela alternativa da chamada «educação negativa», que não é nem educação nem negativa, devendo, talvez, ser descrita como «não educação neutra», por paradoxal que esta expressão também pareça: afirmam que o ensino da moralidade, da política, e da religião não deve ser ministrado até que a criança atinja maturidade suficiente para analisar a evidência e tirar suas próprias conclusões. Outros têm se desesperado e concluído que a única alternativa, apesar dos pesares, é doutrinar -- estes são os doutrinadores contra sua própria vontade. Tanto os defensores da «educação negativa» como os que, contra a vontade, optam pela doutrinação, não veem uma terceira Didatismo e Conhecimento
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alternativa, não veem uma solução realmente educacional para o problema. Embora não afirmemos que esta solução seja fácil de alcançar, cremos que desenvolvimentos recentes, principalmente no campo da educação moral, têm nos indicado o caminho a seguir na direção de uma educação moral viável e digna do nome. Mas ainda há muito por fazer nesta área. Em sexto e último lugar, gostaríamos de observar que, de tudo o que foi dito acerca da doutrinação, fica claro porque a doutrinação é indesejável e moralmente censurável. Quem doutrina não respeita a liberdade de pensamento e de escolha de seus alunos, procurando incutir crenças em suas mentes e não lhes dando condições de analisar e examinar a evidência, decidindo, então, por si próprios; quem doutrina desrespeita os cânones de racionalidade e objetividade, tratando questões abertas como se fossem fechadas, questões incertas como se fossem certas, enunciados falsos ou não demonstrados como verdadeiros como se fossem verdades acima de qualquer suspeita. É verdade que esta tomada de posição contra à doutrinação já implica, ao mesmo tempo, um comprometimento com certos valores e ideais básicos, como o da liberdade de pensamento e de escolha dos alunos (e de qualquer pessoa), o da racionalidade, etc. É importante que se reconheça isto para que não se incorra no erro de pensar que a adoção desses valores e ideais não precisa ser defensável, e, mais que isto, defendida, através da argumentação. Argumentos contra a adoção desses valores e ideais precisam ser cuidadosamente analisados para que, ao propor a tese da indesejabilidade e falta de apoio moral da doutrinação, não o façamos de modo a imitar os doutrinadores, isto é, tratando como fechada uma questão que é realmente aberta. Cremos não ser esta a ocasião de fazer esta defesa dos valores e ideais da liberdade de pensamento e escolha, nem da racionalidade. Mas isto não significa que estes valores e ideais não precisem ser defendidos. Com estas observações concluímos esta seção sobre doutrinação. Cremos que a análise desse conceito, além de valiosa em si mesma, nos ajuda a compreender melhor, por contraste, o que seja a educação. Uma análise mais completa deveria incluir um exame das semelhanças e diferenças existentes entre doutrinação, treinamento, condicionamento, lavagem cerebral, etc. Há importantes diferenças, bem como semelhanças, entre estes conceitos. Isto, porém, precisará ficar para outro trabalho. Cremos ter dado respostas a algumas das perguntas acerca do relacionamento existente entre o conceito de educação e os conceitos de ensino e aprendizagem, bem como entre educação e valores, educação e cultura, etc. Nossas respostas, reconhecidamente em forma de esboço, são, na verdade, bastante pessoais. É possível e provável que muitos discordem delas. Acreditamos, contudo, que elas fazem sentido, é justificável, e nos ajudam a “colocar a cabeça em ordem” em relação a essas noções. Dada à importância que atribuímos ao conceito de doutrinação, resolvemos dedicar a este conceito uma seção em separado, pois quer nos parecer que a análise desse conceito nos ajuda a compreender melhor, por contraste, o conceito de educação. A muitos pode parecer que o tipo de investigação que caracterizamos neste trabalho, embora de alguma utilidade e de algum interesse, não seja de grande importância. Mais importante do que a tarefa “clarificatória” que a filosofia pode desenvolver, diriam, é sua tarefa “normativa”, à qual ela não se deve furtar: a filosofia deve contribuir -- continuariam -- para que as grandes e pequenas decisões que diariamente precisam ser tomadas na área da educação sejam tomadas de maneira a evidenciar sabedoria, e não apenas clareza de pensamento. À filosofia da educação competiria, pois, segundo muitos, investigar a questão dos objetivos específicos da educação, propondo metas a serem atingidas e valores a serem promovidos.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
Concordamos, em grande parte, com o espírito dessas observações. Achamos que clareza em nossos conceitos e acerca de nossas pressuposições básicas não é tudo, não é condição suficiente para a sabedoria de nossas decisões, dos alvos que propomos a nós mesmos e aos outros, dos valores que adotamos e que desejamos que os outros também cultivem. Contudo, estamos certos de que esta clareza seja condição necessária para esta sabedoria. Embora alguém possa ter clareza quanto às suas concepções, sem ser sábio, ninguém consegue ser sábio sem antes adquirir clareza acerca das convicções mantidas por ele próprio e por outros. Quer nos parecer, portanto, que a tarefa do educador, e quiçá do filósofo da educação, não termine com a análise e clarificação dos conceitos educacionais básicos e das pressuposições que sustentam a atividade educacional. A tarefa clarificatória da filosofia é apenas um preâmbulo à tarefa mais normativa de examinar, questionar, e propor objetivos e valores. O filósofo, porém, não detém o monopólio destas últimas questões. No que diz respeito aos objetivos e valores que devem nortear a vida, e, consequentemente, o processo educacional, o filósofo, como qualquer outra pessoa, estará sempre buscando, procurando, pois na área de valores e objetivos de vida não há peritos e profissionais: cada um, em última instância, tem que escolher os seus valores básicos e os objetivos que deverão nortear sua vida. Não há como abrir mão dessa tarefa solicitando a um filósofo (ou a seja lá quem for) que faça isto por nós, sem abrirmos mão de nossa autonomia, e, em última instância, de nós mesmos. À filosofia da educação como aqui caracterizada deve, portanto, seguir uma teoria da educação que tenha como principal tarefa o exame dos princípios básicos, objetivos, valores, etc., que prevalecem em nossa cultura e que norteiam, atualmente, a educação em nosso país, a reflexão crítica sobre eles e sobre a realidade social, econômica e cultural que envolve o processo educacional, e, se necessário for (e quase sempre o é), a proposta de novos princípios básicos, objetivos e valores para a nossa cultura e para a nossa educação. À teoria da educação compete, portanto, a tarefa normativa a que fizemos referência, e para se desincumbir desta tarefa a teoria da educação deve recorrer não só à filosofia da educação, mas também à sociologia da educação, à psicologia da educação, à economia da educação, à medicina preventiva e social, etc. -- ou, para encurtar, a qualquer ramo do saber que possa contribuir alguma coisa, nunca se esquecendo de incluir na mistura uma boa dose de bom senso. Para muitos, o que acabamos de caracterizar como sendo a tarefa da teoria da educação nada mais é do que a real tarefa da filosofia da educação. Não temos o menor interesse em discutir rótulos, pois a discussão seria meramente acadêmica. Quer nos parecer, porém, que a bem da clareza, seja recomendável e de bom alvitre estabelecer uma distinção entre a filosofia da educação e a teoria educacional, pelas seguintes razões. (a) A filosofia da educação, como aqui caracterizada, é uma atividade reflexiva de segunda ordem, que tem como objeto as reflexões de primeira ordem feitas sobre os vários aspectos do processo educacional; a teoria educacional é uma atividade reflexiva de primeira ordem, no nosso entender, que tem por objeto básico a realidade educacional e não reflexões que tenham sido feitas sobre esta realidade; estas reflexões servirão de subsídios ao teórico da educação para que este elabore suas próprias conclusões, mas ele tem, basicamente, que “debruçar-se sobre a realidade educacional”, para entendê-la, explicá-la, criticá-la e propor sua reformulação. Didatismo e Conhecimento
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(b) Na medida em que a teoria educacional tem que se valer das contribuições das várias ciências que estudam a educação, ela extrapola os domínios da filosofia e, consequentemente, da filosofia da educação. A filosofia da educação, como aqui concebida, deveria ser vista como observamos, como um prolegômenos, um preâmbulo à teoria educacional, cuja tarefa principal seria fornecer ao teórico da educação os instrumentos conceituais básicos para a sua teoria. (c) A teoria educacional, embora possa (e talvez deva) ser considerada científica, tem uma finalidade que vai além da mera explicação e interpretação da realidade educacional: ela procura orientar e guiar a prática educacional. É por isso que a teoria da educação, além de estudar e examinar a realidade educacional tem a função de criticar esta realidade e de propor novas direções a seguir. A teoria da educação, para usar uma expressão que se torna comum, não tem como tarefa simplesmente constatar qual é a realidade educacional: ela vai além e contesta esta realidade, não em função de um espírito puramente negativista, mas em função de uma proposta de realidade diferente. E esta proposta envolve, inevitavelmente, valores diferentes. Portanto, a teoria educacional, em sua tarefa de orientar e guiar a prática educacional envolve, necessariamente, um ingrediente de valores. O texto em questão, dentro de seus limites, procurou, entre outras coisas, apresentar os rudimentos de um preâmbulo à teoria educacional, fazendo, no processo, um primeiro ensaio em direção a uma demarcação entre filosofia da educação e teoria educacional.

7 POLÍTICAS PÚBLICAS PARA EDUCAÇÃO.

Em termos de políticas públicas, a relevância do debate atual é a respeito do currículo da escola fundamental, isso parece óbvio, já que toda política educacional só ganha sentido se estiver referida àquilo que deve ser seu propósito por excelência, ou seja, o provimento, aos educandos, de um conteúdo cultural que lhes proporcione formar-se como cidadãos. No entanto, esse debate parece não ter conseguido ainda a força social e política suficiente para questionar radicalmente a estrutura curricular de nossas escolas, de modo a buscar medidas que visem a superá-la. O currículo da escola fundamental tem permanecido com a mesma configuração há muitas décadas, mantendo sua forma verbalista e restringindo seu conteúdo às disciplinas tradicionais, adstritas a conhecimentos e informações. A sociedade mudou, novos direitos políticos, civis e sociais foram alcançados ou entraram na pauta de reivindicações, mas a concepção de currículo e daquilo que é necessário para a formação humano-histórica dos cidadãos continua a mesma. Apesar disso, especialmente nos últimos anos, tanto as políticas públicas quanto boa parte da academia parecem dar pouca atenção à importância do currículo para a efetiva qualidade do ensino, preferindo pautar suas iniciativas e análises quase exclusivamente nos resultados das avaliações em massa, que privilegiam a aferição de conhecimentos “adquiridos”, sem grande atenção para a cultura em seu sentido pleno. E este, me parece, é mais um fator que reforça a relevância de se problematizar a atual estrutura curricular da escola fundamental, em razão dos subsídios que

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
esse questionamento pode oferecer para uma melhor adequação da própria maneira como o Estado procura avaliar a qualidade do ensino. Independentemente do real poder das avaliações externas para aferir a aquisição de conhecimentos, será que seus resultados podem servir de parâmetros para indicar até que ponto o Estado está atendendo ao direito das pessoas à cultura, visto que esta, em seu sentido pleno, não é contemplada em tais medições? Tal discussão deve iniciar-se pela constatação de que o currículo é um dos aspectos que mostram mais enfaticamente como a escola tradicional tem privilegiado uma dimensão “conteudista” do ensino, que enxerga a instituição escolar como mera transmissora de conhecimentos e informações. Daí a relevância de se pensar em sua reformulação numa perspectiva mais ampla que contemple a formação integral do educando. Certamente, não se pode contestar a importância dos conteúdos das disciplinas tradicionais (Matemática, Geografia, História, Ciências etc.), que são imprescindíveis para a formação humana e não podem, sob nenhum pretexto, ser minimizados. Todavia, conteúdos como a dança, a música, as artes plásticas e outras manifestações da cultura são igualmente necessários para o usufruto de uma vida plena de realização pessoal. As questões relacionadas com a ética, a política, a arte, o cuidado pessoal, o uso do corpo e tantos outros temas relacionados ao viver bem das pessoas e grupos não podem constituir apenas “temas transversais” a compor versões escritas de currículos, mas transformar-se em temas centrais na prática diária das escolas. Essas matérias que envolvem o uso do corpo, a criatividade, o manuseio de objetos concretos, opiniões individuais, posturas diante de valores, enfim, matérias que levam os educandos a se comportarem mais explicitamente como sujeitos, são importantes não apenas por seu valor intrínseco de componentes da cultura que precisam ser apropriados, mas também porque elas tendem a tornar mais interessantes as demais matérias, especialmente quando com estas se inter-relacionam, tornando o aprendizado mais prazeroso e levando os estudantes a assumirem o estudo de todos os conteúdos como algo que enriquece suas vidas e faz parte constitutiva de seu cotidiano. Por isso, ao se propor a oferecer tão pouco (conhecimentos e informações), a escola tradicional nem esse pouco consegue transmitir. É que as informações e os conhecimentos usualmente só ganham interesse por parte do educando se estiverem no contexto de toda a cultura. Não se pode esquecer que os valores (querer aprender, por exemplo) são componentes culturais. Quando se trata das questões de currículo não convém nunca deixar de associar conteúdo e forma de ensinar. Se a condição para o educando aprender é que ele seja sujeito, então, por mais abstrato e complexo que seja determinado conteúdo cultural (conhecimento, valor, arte etc.), o aluno só aceita o convite do educador para apropriar-se dele, se se fizer autor, ou seja, ele só aprende na forma de quem age orientado por sua vontade. E isto não é uma questão apenas teórica, mas prática. Corolário disso é que o educador também não pode ser um mero repetidor de conteúdos, mas deve buscar a forma mais adequada para criar no educando a vontade de aprender. É nisso que tem investido toda a Didática, historicamente: criar métodos, técnicas, procedimentos, que produzam no aluno a vontade de aprender. Essa questão da associação entre forma de ensinar e conteúdo que se ensina se torna ainda mais proeminente, quando não se trata apenas de conhecimentos a serem adquiridos, mas de valores e posturas a serem assumidos. Não se pode, por exemplo, ensinar democracia com base em formas autoritárias de ensinar. É nessas situações que mais claramente se percebe que, em educação, a forma é conteúdo. Didatismo e Conhecimento
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Quando se fala de formas de ensinar que favoreçam a vontade de estudar do educando, é bom não se esquecer de que esse princípio não se restringe a uma relação entre professor e aluno dentro de uma sala de aula. É a escola inteira que deve ser motivadora; portanto, é a escola toda que deve se tornar educadora. A esse respeito, o enriquecimento do currículo não pode se restringir a mero acréscimo de disciplinas a serem estudadas, mas a uma verdadeira transformação da escola num lugar desejável pelo aluno, onde ele não vá apenas para se preparar para a vida, mas para vivê-la efetivamente. Assim, ele não é mero “cliente” de uma sala de aula, mas cidadão de toda uma escola que lhe propicia condições de participar de variadas atividades, no grupo de dança, no coral, no clube de ciências, no conjunto musical, no grupo de teatro, na roda de capoeira etc. Assim concebida, a escola é um lugar que deve fazer parte da vida das crianças, não provocar sua negação. Não deixa de ser desalentador perceber o quanto nossa escola tradicional tem negado esse princípio. Basta contemplar o mito de que ensino não se pode misturar com brincadeira, bastante presente no imaginário de nossos professores da escola fundamental, para se ter a dimensão dessa verdadeira negação da escola como local onde se constroem personalidades humano-históricas. Esse mito se sintetiza no esforço que às vezes se percebe em professores do primeiro ano do ensino fundamental que, desde o primeiro dia de aula, procuram convencer as crianças vindas da escola de educação infantil de que a escola, diferentemente da pré-escola, não é lugar de brincar, mas de estudar. Imagine-se a situação de crianças pequenas – para quem a alegria de viver se resume, em boa parte, em brincar – ver-se privada disso. Como é possível ensinar para alunos cuja forma privilegiada de se fazer sujeito é o brincar, se se lhes proíbe essa atividade? É como se fosse possível aprender sem ser sujeito. É como se vivêssemos um tempo em que a Didática ainda não tivesse descoberto a importância do lúdico na aprendizagem. Hoje, com o avanço dos conhecimentos na Pedagogia, continuar repelindo a brincadeira como adversária do ensino implica cortar pela raiz a possibilidade de fazer da escola uma verdadeira casa de educação, o que aponta mais uma vez para a relevância de se estudarem alternativas de transformação do currículo da escola fundamental, tanto no conteúdo quanto na forma. A cultura como matéria-prima do currículo Falar do currículo da escola fundamental é falar do conteúdo do ensino, mas de uma forma mais ampla do que usualmente se entende. Os “conteudistas” reduzem o conteúdo aos conhecimentos e informações que são transmitidos pela escola. Todavia, se educação é formação de personalidades humano-históricas, o seu conteúdo tem a ver com a cultura em seu sentido pleno: conhecimentos, informações, valores, crenças, tecnologia, ciência, arte, filosofia, direito etc., ou seja, tudo aquilo que é criado pelos homens, por contraposição à natureza, que existe independentemente de sua ação e vontade. O conceito de cultura, nesse sentido mais amplo, tem relação com o significado que lhe dá, pois a palavra cultura designa a soma total das criações humanas, ou o resultado organizado da experiência de um grupo qualquer, num dado momento ou momentos sucessivos. Incluem instrumentos, habitações, armas, todos os bens de produção existentes no grupo, como os processos de sua utilização; e ainda tudo quanto esse grupo tenha elaborado na forma de atitudes e crenças, ideias e opiniões, códigos e instruções, arte e ciência, organização social e filosofia de vida. Uma cultura se constitui pelo que se vê, de elementos materiais, e não materiais, ou simbólicos.

dos atributos políticos (autoritários ou democráticos) incorporados na personalidade de cada professor do ensino fundamental deve levar à constatação de que tais atributos. esse componente não tem recebido a devida atenção por parte das políticas públicas em educação. Didatismo e Conhecimento 78 princípios e métodos com que teve contato em sua formação docente.). como comumente se supõe. como sujeito. de modo a incluir em sua prática cotidiana momentos de estudo. para fazer-se eficientemente. está-se falando sobre um dos componentes da estrutura curricular. O essencial dessa formação é constituído muito antes de o jovem chegar ao ensino superior. sua personalidade. a primeira questão que viria à tona aos formuladores de currículos e programas para o ensino fundamental seria a consideração do caráter democrático da personalidade do educador escolar. seja levado a aplicar sua vontade. no processo de aprendizado. 2003). ao lado de todos os demais elementos da cultura (conhecimentos. que ele reconheça e aceite o valor desse elemento e. porque é aí que. fazendo sofrer os seus educandos precisamente aquilo por que ele passou. corresponde-se de tal maneira que a pessoa que recebeu a educação se coloca mais tarde na vida no lugar do seu educador. em pleno período de seu desenvolvimento biopsíquico. para ensinar. Em estudo que verifica as razões do apego de educadores ao emprego da reprovação escolar. Assim. E a estratégia adequada para dotar o ensino de bons professores no que diz respeito a esse quesito não pode restringir-se à melhoria da formação profissional nos cursos superiores de Pedagogia e assemelhados. Mas. e que o educador. e de sua capacidade de exercitar essa condição na interação com o educando. como um ensino de caráter punitivo e que desconsidera a subjetividade do educando “parece levar os professores de hoje a reproduzirem. A relação pedagógica como relação entre sujeitos supõe que o educando. tanto quanto para a melhoria dessa educação visando a gerações futuras. a forma como foram tratados. Em consequência. Acontece que a formação dessa “personalidade democrática” do educador escolar não se faz inteiramente por meio dos livros e dos cursos de Pedagogia e outros de formação de professores. especialmente do professor. para aprender. o primeiro conteúdo do currículo é precisamente a forma de ensinar. precisa superar a atual maneira pontual e anárquica que tem preponderado nos “programas” de formação em serviço e “formações a distância” vigentes. são parte integrante do currículo escolar. por seus mestres” (PARO. porque o mais determinante dessa “formação” já se deu quando o futuro professor frequentava a escola fundamental. ao se tratar da estrutura didática. por meio daquilo que denomina “determinantes psicobiográficos” da propensão à reprovação. aplique sua vontade na transmissão de tal elemento. Se fosse valorizado. A relação pedagógica. valores etc. em sua personalidade vão-se incorporando valores de cunho universal relacionados à forma democrática de convivência entre humanos. é preciso que a estrutura mesma da escola seja transformada. Como se vê. se pode formar a personalidade democrática dos professores de amanhã. é muito mais um replicador das relações pelas quais ele passou no ensino fundamental do que aplicador dos conhecimentos. Ao enfatizar a importância da forma em sua dimensão de conteúdo do currículo escolar. o indivíduo é exposto a relações sociais que marcam. Em vista disso. Lamentavelmente. Ou seja. entre cidadãos. indelevelmente. Ao educar-se. de trocas de experiências e de práticas coletivas. Para. obedecendo. A importância desse fator decorre do fato de que a transmissão de valores – e das condutas que eles favorecem – não se sustenta em palavras e preceitos. não é difícil imaginar sua conduta de hoje com seus alunos. Mas para as gerações atuais. essa forma não é assimilada pelo educando apenas como forma de ensinar e aprender. como autor. em geral. incorpora os valores que dão forma à maneira de essa cultura ser passada. . de leitura. Uma formação em serviço que logre produzir mudanças consistentes nas condutas políticas dos professores de hoje. com a diferença de que o lugar incômodo foi trocado pelo mais cômodo. para dar conta da passagem da democracia como componente curricular. O modo de pensar é aqui o mesmo que na juventude e que foi formado pela experiência quotidiana. então. seja “verdadeiro” na transmissão de determinado componente cultural. de uma forma ou de outra. Já as crianças pequenas tratam as suas bonecas exatamente da mesma maneira como são tratadas. Mas. Às vezes. Ao contrário.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A primeira consequência da consideração da cultura como conteúdo do ensino é que a estrutura curricular está necessariamente associada à estrutura didática. se levarmos em conta o caráter autoritário das relações vigentes na escola que esse professor frequentou quando jovem. as visões de mundo e os modos de conduta incorporados durante os primeiros períodos de vida muito dificilmente serão apagados ou substituídos na idade adulta. objetos e valores presentes na “relação” pedagógica. visto ser no contexto da cultura que se forjam os conhecimentos. Vitor Henrique Paro (2003) constata a força da escolaridade pregressa em professores do ensino fundamental. sendo de particular importância o tipo de educação que ele recebe durante o ensino fundamental. além disso. outro aspecto relacionado aos conhecimentos incluídos no currículo escolar refere-se à natureza mesma desses conhecimentos. visando à melhoria da prática pedagógica. regras ou recomendações. com seus alunos. Verifica. predominantemente. A importância determinante. o estudante. na verdade. É por isso que o professor do ensino fundamental de hoje. de discussão. o caminho mais curto é a formação em serviço das dezenas de milhares de professores que hoje operam no ensino fundamental. além dessa preocupação com uma forma de ensino que provoque sua efetiva realização. Aqui. esse componente político1 presente na educação como prática democrática é ingrediente curricular fundamental na formação de personalidades livres e autônomas. pela simples razão de os valores não serem passados apenas por palavras. exige uma forma democrática de relacionamento. ou seja. Aprende-se a dominar. eles são tão importantes que é preciso providenciar uma forma de ensiná-los que produza sua real apropriação. ou melhor. Para isso. os valores. mas principalmente pela conduta assumida na relação. não se está querendo dizer que os conhecimentos e informações constantes das disciplinas escolares não sejam importantes. As crenças. quando estudantes. a intenção e o êxito. para a educação. ao fazer-se conteúdo do ensino. para as gerações futuras cumpre melhorar a educação que é oferecida hoje em nossas escolas fundamentais. de modo a tocarem em suas próprias personalidades. técnicas. é claro. é preciso que o educador “queira” ser democrático e “seja capaz de agir” democraticamente. Esta é uma condição necessária para que o educador possa levar o educando a fazer-se sujeito e aprender. Nessa perspectiva.

o raciocínio seguro. ter consciência de seu papel social. o critério na apreciação dos homens. Se perguntássemos. aplicam-se sob medida ao Brasil de hoje: George coloca que a partir da idade de 6 anos. de seus deveres. se os fatos já se não tivessem encarregado de fazê-lo. os exercícios. A adoção de uma concepção de currículo que não se baste no rol de conhecimentos a serem transmitidos. Michel Lobrot (1977). Neste sentido. já enfatizava a importância da formação. Por mais “neutra” que possa parecer uma disciplina como a Matemática. uma articulação entre os vários tipos de conteúdos e uma adequação estrutural da escola com vistas a essa nova concepção de currículo. as classificações e. os novos componentes curriculares relacionados à arte (música. de modo a propiciar condições de novos avanços e aprofundamentos em cada conteúdo nos estágios e níveis subsequentes do ensino. No primeiro caso. de modo a que ele não se torne. Certamente. Língua Portuguesa. Tal cuidado estava presente até mesmo no método dos jesuítas que. sem perguntar seu significado e razão de ser. há que se selecionar. se se guardam intactos em sua feição primitiva. afirma que esta “não exerce quase nenhuma influência no saber e na capacidade dos adultos.) e. de toda colaboração efetiva com os outros. o que chama a atenção é precisamente a ausência dessa preocupação por parte das políticas públicas. a alfabetização só por si seria um programa excelente. mas também em toda cultura que venha a compor o currículo escolar. Nossos currículos parecem constituir um enorme rol de conhecimentos a serem armazenados nas cabeças dos estudantes. por outro. à saúde etc. um simples repetidor de conteúdo é uma preocupação que sempre esteve presente na História da Educação. “ideias que são simplesmente recebidas pela mente sem que sejam utilizadas ou testadas ou mergulhadas em novas combinações”. Afirmou-se por muito tempo: abrir escolas é fechar prisões. artes plásticas etc. de seus direitos. ao domínio do corpo. é crítico todo conhecimento que esteja comprometido com a verdade. de indivíduos que não fossem meros acúmulos de conhecimentos. Didatismo e Conhecimento 79 Entretanto. como a história. ao esporte. A Matemática continuará contribuindo para inibir o espírito crítico se continuar sendo ensinada de maneira “bancária” (FREIRE. Os conhecimentos positivos de geografia ou de física poderão estar antiquados no cabo de poucos lustros. se os espíritos continuam virgens. bela e enérgica de uma alma harmoniosamente desenvolvida representam aquisições humanas de valor perene. entretanto. a capacidade de raciocínio e a aptidão para o julgamento são relegados a um plano inferior. a criatividade. se com este termo estivermos entendendo a superação de uma visão ingênua do mundo. é preciso garantir a flexibilidade suficiente para permitir os necessários ajustes às características regionais e estimular a criatividade de cada unidade escolar. mas que soubessem refletir e apreciar a cultura. História. é dar-lhe um instrumento cuja prática pode ser mais prejudicial do que benéfica. mas que contemple também as demais dimensões da cultura. É preciso precaver-se contra aquilo que Whitehead chama de “ideias inertes”. implica considerar pelo menos três tipos de providências relativas a sua concretização: uma seleção de conteúdos. Tanto que todo o ensino francês parece se reduzir a um gigantesco empreendimento de alienação mental. é comum ouvir-se falar da necessidade de um conteúdo do ensino que seja crítico e que favoreça a consciência política dos educandos. Isto vai contra a crença de que a forma por excelência de o ensino se fazer crítico é selecionando os conhecimentos que tragam explicitamente uma intenção política de conscientização. Não há dúvida de que o conhecimento deve ser crítico. quando se inicia seriamente a aprendizagem da leitura e da escrita. obtivessem adaptação a seu meio social e não lessem senão ideias construtoras. Quanto . como muitos acreditam que se propiciará um aprendizado mais crítico. os conhecimentos relevantes. teatro.). também passivamente.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A esse respeito. quando adulto. Muito embora não se possa menosprezar a importância dessas disciplinas – e não se deva descartar determinado conteúdo curricular por ele ser explicitamente político – o componente crítico deve estar presente não apenas em todo conhecimento veiculado pelas disciplinas. quantas prisões as escolas fecharam. A criança que hoje é levada a aceitar passivamente um algoritmo ou uma regra sem compreender seu funcionamento. Alfabetizar o indivíduo sem fazê-lo crescer. se ela instila um fastio insuperável e mantém uma mentalidade de competição e de respeito formal aos mestres”. o caráter crítico do ensino estaria presente apenas naquelas disciplinas que veiculam explicitamente valores ou posturas políticas. na vida adulta. Se todos os que aprendessem a ler atendessem a seus interesses vitais. coroando tudo isso. De nada vale. se os conhecimentos forem apenas “revelados” pelo professor. nenhuma estatística seria capaz de dizê-lo. pois tudo o que ensina é em grande parte esquecido”. a capacidade de expressão exata. que comporão as matérias ou disciplinas escolares (Matemática. ou seja. A esse respeito. A alfabetização pura e simples nada tem feito de construtivo. A reflexão. Tais considerações desautorizariam. isto é. Além disso. apesar de não contar com os avanços atuais da Pedagogia. embora se possa (ou se deva) estabelecer mínimos curriculares ou parâmetros orientadores que tenham validade nacional. as palavras de George Gudsdorf (1987) são bastante atuais e. porém. por um lado. e uma ordenação que leve em conta cada fase ou ciclo de desenvolvimento curricular. Filosofia etc. apesar de se referirem ao sistema francês na década de 1960. com base apenas na autoridade do professor ou da escola. Segundo esse ponto de vista. a criança francesa torna-se a presa de um sistema cujo único ideal é empanturrar cérebros sem levar em conta o essencial desenvolvimento equilibrado da personalidade. mas considera que ela “pode desviar definitivamente o jovem de toda pesquisa intelectual. na comunidade e para a comunidade. 1975). a sociologia e outras disciplinas do campo das ciências humanas. O cuidado com a formação do jovem. de suas responsabilidades e de suas obrigações. A estratégia preferida para proceder a essa adequação parece ser a aquisição da maior quantidade possível de informação. ao folclore. Os únicos elementos importantes da vida escolar são os programas. aperfeiçoar-se individualmente. a afirmativa de que a instrução é a grande panaceia universal. o princípio prevalecente nessas escolhas deve ser o da busca de uma síntese possível do conteúdo de cada área. não é enxertando questões sociais nos exemplos de problemas matemáticos. e aceitos passivamente pelo aluno. Nos dias atuais tornou-se quase sagrado o mito da “sociedade do conhecimento” e da necessidade de adequar-se a ela. em que as regras e algoritmos são memorizadas sem nenhum questionamento ou descoberta por parte do educando. nas diversas áreas do saber e das ciências. e a escola passa a ser valorizada quase só na medida de sua capacidade de fornecer informações. de toda curiosidade. por exemplo. pela escola. os exames. tenderá a ser o mesmo indivíduo que. as notas. ao artesanato. dança. o espírito crítico. em sua crítica à escola. aceitará preconceitos e injustiças sociais.

portanto. a capacidade de penetrar nos problemas da vida. é pela apropriação dessa cultura (pela educação). porém. não para estas se fazerem estanques e independentes umas das outras. O direito à cultura significa. essa visão da cultura como necessidade (e direito) universal ainda está longe de se generalizar em nossa sociedade. filosófico. quando se advoga a superação do atual currículo fundado apenas em conhecimentos e informações. pois é necessário um grande esforço de educação e autoeducação a fim de reconhecermos sinceramente este postulado. É preciso não se esquecer de que. Na verdade. Por isso. Mesmo as pessoas que têm maior acesso à cultura muito raramente percebem essa dimensão dos direitos humanos. para realizar-se como tal. enquanto forma sua personalidade e prepara para futuros enriquecimentos cultural. ao fazerem a história. Nesse sentido. ao emprego). mas histórica). que lamentavelmente é precisamente isso que acontece: a cultura é distribuída de acordo com a origem social dos indivíduos. a cultura não pode ser considerada um bem privado a que apenas os privilegiados das camadas mais abastadas têm acesso. A imensa maioria das escolas é concebida para receber turmas de alunos ouvintes. Do ponto de vista dos valores democráticos. enriquecer a vida presente do educando. Esta preparação é usualmente associada aos conhecimentos mínimos necessários para o indivíduo viver em sociedade. não precisa apenas de conhecimentos e informações. Didatismo e Conhecimento 80 Todavia. para além da necessidade natural. Estas são. a escola é a verdadeira unidade educacional em qualquer sistema nacional para a salvaguarda da eficiência. tempos e equipamentos completamente diversificados. propiciando maior prazer e satisfação na apropriação dos conhecimentos. Uma nova concepção de currículo que se preocupe com toda a cultura certamente exigirá outra escola. os mais ricos tendo a sua disposição os meios e recursos que lhes possibilitam o desenvolvimento de suas potencialidades. O direito à cultura Tomar a educação como apropriação da cultura traz importantes consequências para a apreciação dos direitos humanos. A segunda medida relativa ao dimensionamento curricular diz respeito à imprescindível conexão dos conteúdos das chamadas disciplinas teóricas com os conteúdos relacionados às outras dimensões da cultura que farão parte do currículo. e se propõe a abordagem plena da cultura. . ético. A cultura. em salas separadas. o direito ao ensino fundamental é visto apenas em termos do cumprimento dessas metas. todas essas são qualidades que nos são dadas pela educação como apropriação da cultura. em particular o fundamental. A classificação das escolas para determinadas finalidades é necessária. pelo fato mesmo de serem cidadãos. Ela clama por uma educação que logre preparar o indivíduo para o usufruto de todos os bens espirituais e materiais criados historicamente no contexto da cultura. Como geralmente não se adota uma concepção de educação como apropriação da cultura. Todavia. Geografia. é o próprio substrato da liberdade do homem. a tendência mais funda é achar que nossos direitos são mais urgentes que os do próximo. também o currículo deve levar em conta essa condição. pautada por valores progressistas de afirmação da condição de sujeito de todos os cidadãos. somos meras natureza. a que todos os cidadãos. artístico.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS a isso. quer nasçamos no barraco da favela. que o homem se diferencia da mera natureza e se faz humano. portanto. o direito à própria humanização do indivíduo. para sentir-se bem. não modificado por seu próprio corpo docente. ou melhor. A realização pessoal exige muito mais do que fragmentos de cultura que nossa escola se propõe a fornecer.). Quando falamos de direito à educação. a boa disposição para com o próximo. o afinamento das emoções. portanto. liberto dos grilhões da necessidade. mas para facilitar o tratamento específico naquilo que lhes convém. os mais pobres tendo que permanecer à beira da necessidade natural por lhes serem negada as condições objetivas de se desenvolverem culturalmente. o cultivo do humor. isso não pode significar o direito apenas a pequenos “pedaços” da cultura. como afirmei no início deste artigo. Para que isso aconteça. tecnológico etc. embaixo de uma ponte ou na mansão de algum magnata. as artes e a cultura em geral comportam divisões em disciplinas ou áreas. Dessa forma. Em geral costuma-se valorizar o ensino escolar. a aquisição do saber. o terceiro tipo de providência que deve acompanhar uma reforma curricular refere-se à reestruturação da própria unidade escolar e de seu desenrolar cotidiano. na forma das chamadas disciplinas escolares (Matemática. convém ter sempre presente que. na forma da assim chamada “cultura erudita”. com funções. conclui-se que esse processo confirma no homem aqueles traços que reputamos essenciais. O ser humano. Quanto a isso. espaços. Finalmente. destinando aos desprotegidos as migalhas dos conhecimentos escolares. Essa me parece a essência do problema. Fazemo-nos humanos à medida que nos apropriamos da cultura. uma das reivindicações é precisamente fazer com que essas outras dimensões da cultura deem mais sentido à escola. como o exercício da reflexão. é preciso que haja inter-relacionamento entre os vários conteúdos. mas não são tudo.. As ciências. Ora. têm o direito de acesso. concorrendo assim para o benefício do todo cultural de que fazem parte. Sabemos. de modo que os vários componentes culturais propiciem aquilo que é próprio de uma educação verdadeiramente significativa: ser intrinsecamente interessante. para que essa herança cultural seja distribuída de modo desigual aos cidadãos. entendida a cultura como toda a criação humana (contraposta. pelo que ele pode trazer de contribuição ao desenvolvimento econômico e social do país e para a preparação individual dos cidadãos. portanto. Língua Portuguesa. mas propiciar condições para que cada unidade escolar encontre a melhor forma de dispor seus recursos e adequá-los ao currículo adotado e à população usuária. sem dúvida. não há nenhuma razão. mas não deveria ser permitido o currículo inteiramente rígido. inclusive no plano estritamente individual. ao mundo natural. para seguir nos níveis subsequentes de ensino e para tornar-se apto ao trabalho (ou melhor. partes importantíssimas da herança cultural. Neste quesito também não se deve homogeneizar. numa sociedade verdadeiramente democrática. etc. cada indivíduo se faz mais livre à medida que se apropria da cultura. As escolas devem ter a prerrogativa de serem consideradas em relação a suas circunstâncias especiais. o senso da beleza. a percepção da complexidade do mundo e dos seres. de tudo o que nossos antepassados. humano-histórico. que independe da ação e da vontade do homem). Por isso. nos deixaram por herança (não genética. na forma de todo desenvolvimento científico. é preciso estar alerta para o fato de que pensar em direitos humanos tem um pressuposto: reconhecer que aquilo que consideramos indispensável para nós é também indispensável para o próximo. sem nenhuma referência à cultura plena como direito. No nascimento.

instrução. mas de dar-lhes condições de aprender democracia.] que os pais não estão dando mais. diz que precisa ensinar a cidadania. como casa. a falta de tempo que eles acham que eles não têm mais pro seu filho [.. assim. parece mais próxima de uma abordagem correta do problema quando procura adequá-lo em termos de conduta para com o outro. sonegar a cultura é sonegar uma parte da capacidade de viver em liberdade. “Eu acho (isso eu acho. eu me identificar com o outro. Quanto as valorações e os métodos de educação em vigor. em alguma medida. a certos bens fundamentais. . as questões levantadas e as opiniões dos educadores parecem representar. os modos de ser e de agir que enriquecem a personalidade das crianças e criam nelas valores democráticos. As pessoas que se acham condicionadas a aceitar cegamente valores.. identificando-a. individuais ou coletivos. valores cuja função social e psicológica seja inteligível. com “luta pelo poder” ou com seu sentido formal e específico envolvendo o funcionamento dos poderes da república. Mas será que pensam que seu semelhante pobre teria direito a ler Dostoievski ou ouvir os quartetos de Beethoven? Apesar das boas intenções no outro setor. Um quesito importante dessa tarefa é saber o que pensam os professores e demais educadores escolares.. isso que eu falo que eles estão pondo na escola. como acaba sendo hoje em dia”. na valorização da paz.] É que eles não entendem o caminho. mesmo na primeira série..] [a questão dos valores]. é a que se refere à necessidade da inclusão da política no conteúdo escolar.. na relação dialógica entre todos que participam da situação de ensino. e ao mesmo tempo conservar um sistema educacional que em suas técnicas essenciais aja por meio da criação de inibições e procure impedir o desenvolvimento da capacidade crítica. e a atribuição à família de um papel civilizador que. De um modo geral. não tenho certeza ainda). é vista como tendo que exercer um papel civilizatório. Os educadores escolares e o currículo Qualquer projeto de mudança na estrutura curricular do ensino fundamental precisa partir da realidade atual de nossas escolas. saúde. Neste tópico procuro apresentar o ponto de vista dos entrevistados a respeito desses temas. ao se reportar aos valores como conteúdos do ensino. as visões a respeito de currículo comumente presentes na realidade educacional brasileira. dificilmente serão capazes de se haver com valores cujo apelo à razão e cujos princípios subjacentes podem e devem ser discutidos. Ainda não nos demos completamente conta de quão tremenda seria a reforma da educação necessária para fazer funcionar uma sociedade democrática. para depois não ser levada. essa é a parte que a escola tem que fazer que eu acho que o pai também tem que fazer [. coisas que ninguém bem formado admite hoje em dia que seja privilégio de minorias. no exercício do companheirismo etc. passível de envolver todos os atos e momentos da vida em sociedade. na discussão e na tomada de decisões nas pequenas coisas do dia a dia. Isso é essencial. eu respeitar o outro.. não se pode criar um novo mundo moral alicerçado. Eu procuro fazer isso com meus alunos. demonstra uma sociedade agressiva.” Mas. Deixa escapar. o currículo da escola fundamental não pode restringir-se a uma lista de conhecimentos e informações. passando uma moral que as populações não teriam. Nesse período de formação de suas personalidades. a forma se faz conteúdo. desde pequena. talvez isto não lhes passe pela cabeça. sem dúvida. mas somente porque quando arrolam seus direitos não estendem todos eles ao semelhante. Uma professora da segunda série. que ela se expressa a partir de um conceito restrito de política. Eu acho que é importante a criança. por meio de obediência. agindo democraticamente. Aqui. Ao falar sobre fatores sociológicos que perturbam o processo de valoração na sociedade moderna.. Elas afirmam que o próximo tem direito. na convivência em grupos de estudo. verificamos que para criar um cidadão obediente à lei cuja obediência não se baseia exclusivamente na cegueira da aceitação e do hábito. no entanto. como são no Brasil. ou seja. sobretudo em apreciação dos valores racionais. assim. como convivência pacífica entre indivíduos e grupos que “se afirmam como sujeitos”. em certo sentido. etc. Ora. suas apreciações relativas à atual estrutura curricular. judiciários ou legislativos.] eu discuto [.. o esforço para incluir o semelhante no mesmo elenco de bens que reivindicamos está na base da reflexão sobre os direitos humanos. eu acho que é pela falta do limite [. sonegando aos educandos outros elementos culturais igualmente valiosos. Escapa-lhe a compreensão da política em seu sentido amplo de convivência entre sujeitos. Uma questão que aparece quando se menciona a necessidade de um currículo mais rico para o ensino fundamental. eu gostar do outro. no comportamento de aceitação do outro. até para poder opinar. E não por mal. A escola.. cheia de problemas. quando perguntada sobre o assunto diz. o negócio do mensalão [. devemos reeducar o homem integral. Diante da pergunta sobre como “preparar para a vida”. com a política em sua forma democrática. não são preponderantemente os discursos. Considerando o caráter imprescindível da cultura para a formação integral da personalidade e para o efetivo exercício da cidadania. isto é. mais do que nunca. a partir da manifestação da professora. imitação ou de sugestão emocional. a oportunidade de proporcionar aos educandos condições de entrar em contato com a política e. Não percebe que as crianças de sete ou oito anos não têm suficiente discernimento para discutir a política nacional. Percebe-se. Quando se põe a explicar o que é isso diz: “Eu ser um cidadão. é que seria possível oferecer condições de aprendizado e prática da democracia a essas crianças. de brincadeiras e de trabalho.. os comportamentos. É comum encontrar-se no discurso dos educadores escolares um apelo para a imposição de «limites». assim. já se denuncia que ela não tem condições de desempenhar. mais do que isso. no desenvolvimento da autonomia e da autodisciplina. Outra professora da terceira série. Como vimos até aqui. em lugar da criação de condutas democráticas. porque não se trata de “doutrinar” as crianças. a seguir. na forma meramente verbal. Didatismo e Conhecimento 81 Nesse sentido mais amplo e rigoroso de democracia. que é favorável a que se ensine e se discuta política com os alunos: “Eu acho que as crianças desde pequenas já têm que entender certas coisas. já ter consciência de certas coisas. então. mas as condutas. comida. incontinenti. pelo acréscimo de conhecimentos nas listas das disciplinas tradicionais. A esse respeito a pesquisa de campo procurou identificar entre os depoentes suas concepções de currículo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Desse modo. as pessoas são frequentemente vítimas de uma curiosa obnubilação.]. baseada na apreciação consciente dos valores. tomando posição diante de atos governamentais. parece adotar uma concepção que tem mais a ver com disciplina e moralização: Seu relato. Não seria. bem como suas perspectivas em relação à eventual transformação dessa realidade. de saída.

colocar isso tudo de lado e transformar a escola numa escola prazerosa. Segundo o estudo. por exemplo.] e teria que. uma escola lúdica. Uma das surpresas é constatar como a escola consegue criar nas crianças a ojeriza à própria cultura. Por isso. Associado a esse tema está a fraca importância que é dada socialmente a qualquer tipo de refinamento cultural. Não sabe arrolar as razões por que a escola deve mudar para ser eficaz. ela é conteudista. demonstra se preocupar com o caráter enfadonho das atividades escolares. mas que a notícia que ela tem é de que “é uma porcaria”. É ousada. mesmo com métodos ultrapassados que lhes tolhem a espontaneidade e com currículos pouco significativos para suas vidas. Na verdade. mas não é apenas isso. se está pensando apenas em mais conhecimentos e conhecimentos mais adequados aos tempos modernos. de consultório médico. Essa falta de interesse pela aula de artes lembra um dos aspectos mais importantes para uma escola que pretenda transmitir. é possível encontrar entre os educadores escolares quem perceba o caráter pouco atrativo do currículo e da didática da escola e se preocupe com isso e com a necessidade de mudança. Há professores que sequer veem a necessidade de alguma mudança substancial na estrutura curricular. fazer alguma mágica. De repente. o que evidencia a falta de suporte técnico-pedagógico do sistema de ensino para proporcionar aos trabalhadores da educação aptidão e confiança para sugerir e implementar qualquer tipo de mudança no campo didático ou curricular. porque é uma escola “chata”. Não deixa de ser altamente intrigante que as crianças não gostem da aula de artes! Observe-se o que a escola consegue fazer com a cultura. Tenho-me interessado por esse fenômeno em várias pesquisas de campo que tenho feito e sempre se confirma essa hipótese. enfadonho e ineficiente desde a alfabetização até o contato (quando há) com as obras literárias nacionais e internacionais. Acontece que os professores e demais adultos com os quais a criança tem contato (inclusive seus familiares) são frutos de uma escola tão carente de cultura quanto a de hoje. Segundo essa concepção.. a dançar. Embora não pareça ser a regra. sente que precisa mudar. convém não ignorar que qualquer solução para a formação cultural das crianças de hoje precisa incluir o acesso à cultura também dos adultos. quer uma escola “prazerosa”.]. O fato de não ter havido ainda nenhum movimento (pelo menos que seja de conhecimento público) que reclame contra essa restrição ao direito de ler. Vera Sanches percebe que é isso também. tradicional. em mágica e. pode-se citar a desvalorização que tem entre nós o exercício da leitura. fazer uma competição entre pais e filhos.] Fala-se em grandes transformações. fazer uma competição de jogos. a vice-diretora. um programa muito rígido impõe dificuldades à criatividade e a uma maior abertura para conteúdos culturais mais elaborados e mais diversificados. Para ficar apenas num exemplo. mas também a cantar. acaba se dando conta de suas deficiências e. Também nas várias investigações tenho procurado saber entre os professores e pessoal da escola a respeito da causa dessa atração.. que em geral confirmaram a hipótese. quando muito sugerindo alguma atividade ou conteúdo no currículo existente. parece bem um indicativo do exíguo número de pessoas que tentam dele usufruir nessas situações. diz que seus alunos não gostam da aula de artes. fazer alguma coisa. a diretora da escola. embora não fundamente tecnicamente a mudança. Ela acha que a criança precisa aprender. Como deu a entender a diretora da escola.. Uma professora da primeira série. o professor. em geral. Na verdade não é só porque “não se pode” que a cultura não é privilegiada. você tirar um pouco da sua aula conteudista. Ela faz críticas ao modo (formal. num grande circo [. por exemplo. criativos. que existiria em escolas do Estado. mas também porque o professor não sabe o que fazer. numa “contação” de história [. um dia. sim [. Tem que transformar numa escola prazerosa. quando adultas. Parece que não. criar uma atividade extraescolar. quando convidado a refletir sobre o currículo atual. os estudantes ainda são atraídos pela escola.. . Didatismo e Conhecimento 82 Quem visita a escola fundamental com olhos críticos a todo momento se surpreende com as relações e fatos que presencia. A situação exige uma mudança mais profunda que toca no que se ensina e como se ensina. O problema já começa com o ensino de Língua Portuguesa. de aeroporto. desse importante bem cultural. não apenas conhecimentos. Um aspecto curioso relacionado à estrutura didática e curricular de nossa escola fundamental é o fato de que.procurou-se atualizar as informações junto aos entrevistados desta investigação. e a conclusão que esses depoimentos favorecem é que seu motivo principal é o convívio com os colegas. que ela considera uma boa ideia. porque a escola não tem estrutura para realizar seus fins. mas a pergunta que se faz é se esse é o único empecilho. com muitas referências dos alunos a respeito da falta que sentem da escola nas férias. Durante uma pesquisa. sim. Embora o tema já tenha sido tratado anteriormente. não apenas a ler e a escrever. Sobre o enriquecimento do currículo.. além das más condições de trabalho do professor e do baixo valor atribuído ao aspecto cultural. extra tudo. apresenta justificativas ou desculpas para o fato de não estar desenvolvendo determinados conteúdos. parece que. Nada se menciona do direito à cultura integral. extraclasse. numa atitude defensiva. As crianças. de repartição pública. o pauzinho da barraca e transformar numa escola gostosa. há um terceiro fator decisivo a dificultar a transmissão da cultura no ensino fundamental. desinteressante) como a professora dá a disciplina. essa sim capaz de formar personalidades consentâneas com o conceito de cidadania. Às vezes. até mesmo com seus conteúdos mais prazerosos. Mas.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Em suma. se refere à escola de tempo integral. com ênfase nos valores. Dificilmente se encontra uma sala de espera de escritório. quando se fala que a escola tem que dar cidadania aos educandos. convém ser culto para transmitir cultura. Chutar mesmo. especialmente seus professores. mas cultura em seu sentido pleno: trata-se da influência decisiva da capacidade do educador no desempenho de seu papel. em vez de adquirirem o hábito de ler e a capacidade de usufruir do direto à literatura.. acabam por adquirir resistência à leitura e ficam privadas. os poucos que tiveram a felicidade de uma formação que os levou ao gosto pela leitura acabam por ser permanentemente tolhidos em suas tentativas de ler em lugares públicos. porque a escola nossa é chata. pelo menos uma vez. a escola do dia a dia é uma escola chata. e a gente tem normas chatas. como dizem aí vulgarmente. extra currículo. Não bastasse isso. sim. estimulantes e belos. ou de qualquer local em que se tenha de aguardar para ser atendido que não tenha um televisor ou um rádio ligado num volume que impede o saudável exercício da leitura. enriquecer o currículo é dar novos conhecimentos. O mal que a escola tem feito à apreciação da leitura é alarmante. a realizar atividades artísticas etc.

devem ser incluídos no rol de elementos culturais componentes do ensino fundamental. não esquecendo que é Didatismo e Conhecimento 83 preciso ser culto para transmitir cultura. deixando na sombra o verdadeiro direito à humanização do cidadão que é seu direito à cultura. sua apropriação na forma “simplória” da mera passagem de conhecimentos. ao uso do corpo etc. Por outro lado. na estrutura didática. Essa parece ser uma forma efetiva de melhorar a escola de hoje e. Espera-se também que as ponderações apresentadas contribuam para uma melhor reflexão sobre o real sentido da qualidade do ensino e sobre a necessidade da elaboração e adoção de instrumentos mais adequados para sua avaliação. PROJETO DE LEI Nº 8035/2010 Aprova o Plano Nacional de Educação para o decênio 20112020 e dá outras providências. portadores de cultura e que usufruem dos bens culturais como direito universal. do ponto de vista estritamente técnico. e independentemente de medidas que se venham tomar com relação à formação de professores em nível superior. que. à ética.formação para o trabalho.2011/2020: I .2011/2020) constante do Anexo desta Lei. O CONGRESSO NACIONAL decreta: Art. é preciso ser democrático para formar personalidades democráticas. IV . embora tais conteúdos não devam. . que hoje são minimizados ou completamente ignorados.melhoria da qualidade do ensino. sem que seja exercitada na prática da vida cotidiana. sofrer restrições. ao mesmo tempo. as mudanças no currículo do ensino fundamental devem se articular com as demais transformações que nossa tradicional escola exige: na estrutura administrativa. A negação desse direito. conteúdos relacionados à arte. III . mas de modo a questionar a estrutura curricular em seus próprios fundamentos. Em suma. Nenhuma “sociedade do conhecimento”. A estreiteza do conceito de educação que a relaciona apenas à transmissão de conhecimentos e informações tem reduzido a apenas isso a compreensão do direito constitucional à educação. à política. para a formação do estudante desse nível de ensino não bastam os conteúdos de conhecimentos e informações que compõem as disciplinas escolares tradicionais. na atividade discente e na participação da comunidade. especialmente na fase de desenvolvimento biopsíquico e social da criança e do jovem. no trabalho docente. Não. numa sociedade democrática. quer da fruição dessa cultura. O cuidado em proporcionar educadores capazes para uma educação de qualidade precisa considerar que o que.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS O escopo do texto foi o de trazer ao campo das discussões a questão do currículo do ensino fundamental. O processo pedagógico escolar. que privilegia a seleção. que precisa ser considerada como matéria-prima do currículo quando o que está em jogo é o atendimento do direito do cidadão. como propósito de oferecer subsídios teóricos e argumentativos àqueles que discutem. precisa ser contemplado com tempos e espaços que favoreçam seu pleno desenvolvimento e que garantam sua realização como prática democrática enriquecedora de personalidades cidadãs. O que é urgente é que conteúdos importantíssimos. V . começa na escola. a rigor. sobrevive apenas com conhecimentos. Para quebrar essa tradição. Verificou-se. elaboram e implementam políticas públicas para a educação. à luz dos avanços científicos na área da Pedagogia. em seus conteúdos pautados na transmissão de conhecimentos. II . Art. 8 CURRÍCULOS E PROGRAMAS: DIRETRIZES. e de acordo com sua especificidade humana-social. a concepção global da escola precisa mudar se quisermos que ela seja adequada a uma educação comprometida com a formação de sujeitos humano-históricos. Aspecto de destaque na discussão do direito do cidadão à cultura é o oferecimento de uma educação que concorra para a construção daquilo que se poderia chamar de personalidade democrática do indivíduo. convém dedicar todo esforço na formação em serviço das centenas de milhares de professores que já estão nas escolas. mais influiu na personalidade do professor foi uma escola fundamental tão carente de cultura quanto a de hoje. que na sociedade em geral se concretiza na falta do acesso aos bens culturais de vastas camadas da população. são esses “novos” conteúdos – pelo envolvimento com a subjetividade do “aprendente” que eles exigem e propiciam – que contribuirão para que a apropriação dos conhecimentos tradicionais (agora sim) possam ser apreendidos com mais eficácia. ao cuidado pessoal. em nenhuma hipótese. pela recusa. ganhem o seu lugar de importância no currículo.erradicação do analfabetismo. a primeira questão curricular de importância é seu relacionamento com a estrutura didática da escola. Em vista disso. de modo a abarcar a cultura em suas múltiplas dimensões. contribuir para a formação do professor de amanhã. com vistas ao cumprimento do disposto no art. Uma verdade – que se suspeita secular – é que os professores de determinada geração reproduzem com seus alunos o que seus mestres fizeram com eles no passado. formando as novas gerações. 2o São diretrizes do PNE .superação das desigualdades educacionais. as questões políticas educacionais sobre a estrutura curricular da escola fundamental corroboram considerações sobre os demais aspectos da estrutura total da escola feitas no relatório geral da pesquisa. ordenação e relacionamento das disciplinas tradicionais. tanto em nível de sistema quanto no âmbito das unidades escolares. 214 da Constituição. Em vista disso e considerando a importância do período em que se frequenta o ensino fundamental na construção da personalidade. Por isso. então. é preciso extremo cuidado na formação dos professores. todavia. É a cultura em seu sentido pleno. como insiste o jargão acadêmico. A multiplicidade e a complexidade dos elementos culturais não admitem. A esse respeito. 1o Fica aprovado o Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2020 (PNE . que abarca tudo o que é produzido historicamente pelos seres humanos.universalização do atendimento escolar. PARÂMETROS E ORIENTAÇÕES NACIONAIS. também a democracia não se aprende nem passa a compor a personalidade. o suposto básico é que. com relação à discussão do redimensionamento do currículo da escola fundamental. quer do oferecimento dos meios intelectuais necessários para seu pleno usufruto. assim como a educação não se faz crítica apenas a partir de conhecimentos críticos. Tendo em vista esses conteúdos bem como o avanço teórico-prático da Didática no que se refere à necessária consideração do educando como sujeito no processo pedagógico.

2011/2020 e com os respectivos planos de educação. § 1o As estratégias definidas no Anexo desta Lei não elidem a adoção de medidas adicionais em âmbito local ou de instrumentos jurídicos que formalizem a cooperação entre os entes federados. científica e tecnológica do País. o quadro de pessoal e os recursos pedagógicos e de acessibilidade empregados na creche e na pré-escola. Estratégias: 1. metas de expansão das respectivas redes públicas de educação infantil segundo padrão nacional de qualidade compatível com as peculiaridades locais. § 3o A educação escolar indígena deverá ser implementada por meio de regime de colaboração específico que considere os territórios étnico-educacionais e de estratégias que levem em conta as especificidades socioculturais e lingüísticas de cada comunidade. vinculado ao Ministério da Educação. a ser instituído no âmbito do Ministério da Educação.2011/2020 e dos planos previstos no art.2) Manter e aprofundar programa nacional de reestruturação e aquisição de equipamentos para a rede escolar pública de educação infantil. ou adequar os planos já aprovados em lei. 5o A meta de ampliação progressiva do investimento público em educação será avaliada no quarto ano de vigência dessa Lei. com intervalo de até quatro anos entre elas. Art. IX . a fim de viabilizar sua plena execução. até 2016. ANEXO METAS E ESTRATÉGIAS Meta 1: Universalizar. 4o As metas previstas no Anexo desta Lei deverão ter como referência os censos nacionais da educação básica e superior mais atualizados. o Distrito Federal e os Municípios deverão aprovar leis específicas disciplinando a gestão democrática da educação em seus respectivos âmbitos de atuação no prazo de um ano contado da publicação desta Lei. 1. as diretrizes orçamentárias e os orçamentos anuais da União. 10. Art. Art. os Estados.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS VI . § 1o Os entes federados deverão estabelecer em seus respectivos planos de educação metas que considerem as necessidades específicas das populações do campo e de áreas remanescentes de quilombos.INEP. 3o As metas previstas no Anexo desta Lei deverão ser cumpridas no prazo de vigência do PNE . articulará e coordenará as conferências nacionais de educação previstas no caput. podendo ser revista. os Estados. 1. o Distrito Federal e os Municípios. 1.IDEB será utilizado para avaliar a qualidade do ensino a partir dos dados de rendimento escolar apurados pelo censo escolar da educação básica.2011-2020 e subsidiar a elaboração do Plano Nacional de Educação para o decênio 20212030.1) Definir. etapas e modalidades. podendo ser complementadas por mecanismos nacionais e locais de coordenação e colaboração recíproca. o Distrito Federal e os Municípios deverão elaborar seus correspondentes planos de educação.estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do produto interno bruto. . metas e estratégias previstas no PNE .011/2020.6) Estimular a articulação entre programas de pós-graduação stricto sensu e cursos de formação de professores para a educação infantil. 7o A consecução das metas do PNE . 8o Os Estados.2011/2020 e a implementação das estratégias deverão ser realizadas em regime de colaboração entre a União. VII . Art. a oferta de educação infantil de forma a atender a cinquenta por cento da população de até três anos. e X . 8o. assegurando sistema educacional inclusivo em todos os níveis. 1.promoção humanística. no prazo de um ano contado da publicação desta Lei.3) Avaliar a educação infantil com base em instrumentos nacionais. promovendo a consulta prévia e informada a essas comunidades. em regime de colaboração entre a União. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica . Art. garantindo equidade educacional. 6o A União deverá promover a realização de pelo menos duas conferências nacionais de educação até o final da década. § 1o O IDEB é calculado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira . Didatismo e Conhecimento 84 § 2o Os entes federados deverão estabelecer em seus respectivos planos de educação metas que garantam o atendimento às necessidades educacionais específicas da educação especial. metas e estratégias do PNE . Art.2011/2020. VIII . o Distrito Federal e os Municípios. Art. do Distrito Federal e dos Municípios deverão ser formulados de maneira a assegurar a consignação de dotações orçamentárias compatíveis com as diretrizes. Parágrafo único. voltado à expansão e à melhoria da rede física de creches e pré-escolas públicas. dos Estados. com o objetivo de avaliar e monitorar a execução do PNE .valorização dos profissionais da educação. o atendimento escolar da população de quatro e cinco anos. Art. em consonância com as diretrizes. do respeito à diversidade e a gestão democrática da educação. e ampliar. Art. conforme o caso.2011/2020. desde que não haja prazo inferior definido para metas específicas. 11. disponíveis na data da publicação desta Lei. de modo a garantir a construção de currículos capazes de incorporar os avanços das ciências no atendimento da população de quatro e cinco anos.5) Fomentar a formação inicial e continuada de profissionais do magistério para a educação infantil. O Fórum Nacional de Educação. O plano plurianual. para atender às necessidades financeiras do cumprimento das demais metas do PNE . do Distrito Federal e dos Municípios deverão prever mecanismos para o acompanhamento local da consecução das metas do PNE . a fim de aferir a infraestrutura física. até 2020. 12.difusão dos princípios da equidade.promoção da sustentabilidade sócio-ambiental. combinados com os dados relativos ao desempenho dos estudantes apurados na avaliação nacional do rendimento escolar. § 2o Os sistemas de ensino dos Estados. 1. 9o Os Estados. Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação. § 2o O INEP empreenderá estudos para desenvolver outros indicadores de qualidade relativos ao corpo docente e à infraestrutura das escolas de educação básica. Art.4) Estimular a oferta de matrículas gratuitas em creches por meio da concessão de certificado de entidade beneficente de assistência social na educação.

expectativas de aprendizagem para todos os anos do ensinofundamental. 3.3) Promover a busca ativa de crianças fora da escola. o atendimento escolar para toda a população de quinze adezessete anos e elevar. até dezembro de 2012. produção de material didático específicoe formação continuada de professores. .8) Respeitar a opção dos povos indígenas quanto à oferta de educação infantil. cabendo aos sistemas estaduais e municipais reduzir o tempo máximo dos estudantes em deslocamento a partir de suas realidades. em regime de colaboração.observando-se as peculiaridades das populações do campo. neles incluindo os conteúdos culturais correspondentes às respectivas comunidades e considerando o fortalecimento das práticas socioculturais e da língua materna de cada comunidade indígena. 3. trabalho. até 2020. Didatismo e Conhecimento 85 2. de forma concomitante ao ensino médio público.8) Estimular a oferta dos anos iniciais do ensino fundamental para as populações do camponas próprias comunidades rurais.incluindo adequação do calendário escolar de acordo com a realidade local e com ascondições climáticas da região. 1. até 2016. identificando motivos de ausência e baixa freqüência e garantir. a fim deincentivar abordagens interdisciplinares estruturadas pela relação entre teoria e prática.inclusive mediantes certames e concursos nacionais. preservando-se seu caráter pedagógico integrado aoitinerário formativo do estudante.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 1.9) Disciplinar. cultura e esporte. 3. apoiado por meio deações de aquisição de equipamentos e laboratórios. reconhecendo aespecificidade da infância e da adolescência.7) Fortalecer o acompanhamento e o monitoramento do acesso e da permanência na escolapor parte dos beneficiários de programas de assistência social e transferência de renda. os novos saberes e os tempos escolares.1) Criar mecanismos para o acompanhamento individual de cada estudante do ensino fundamental. dos povos indígenas e dascomunidades quilombolas. visando ao aprendizado de competências próprias daatividade profissional. 2. a organização do tempo e das atividades didáticas entre a escola e o ambiente comunitário.7) Desenvolver tecnologias pedagógicas que combinem.7) Fomentar o atendimento das crianças do campo na educação infantil por meio do redimensionamento da distribuição territorial da oferta. promovendo a utilização pedagógica das tecnologias da informação e dacomunicação. tais como ciência. à contextualização curricular e ao desenvolvimento do estudantepara a vida cidadã e para o trabalho. emparceria com as áreas da assistência social e da saúde. por meio de mecanismos de consulta prévia e informada. 2. 3. de maneira a assegurar a formação básica comum. 2.3) Utilizar exame nacional do ensino médio como critério de acesso à educação superior.5) Manter programa nacional de reestruturação e aquisição de equipamentos para escolas do campo.9) Implementar políticas de prevenção à evasão motivada por preconceito e discriminação àorientação sexual ou à identidade de gênero. a organização do trabalho pedagógico. 3.1) Institucionalizar programa nacional de diversificação curricular do ensino médio.6) Manter programas de formação de pessoal especializado. 2. 2. Meta 3: Universalizar. 3. 1. nesta faixa etária. a freqüência e o apoio à aprendizagem. garantindo o transporte intracampo.9) Fomentar o acesso à creche e à pré-escola e a oferta do atendimento educacional especializado complementar aos educandos com deficiência. 2. criando rede de proteção contra formasassociadas de exclusão.discriminando-se conteúdos obrigatórios e conteúdos eletivos articulados em dimensõestemáticas.2) Manter e ampliar programas e ações de correção de fluxo do ensino fundamental por meiodo acompanhamento individualizado do estudante com rendimento escolar defasado e pelaadoção de práticas como aulas de reforço no turno complementar.fundamentado em matriz de referência do conteúdo curricular do ensino médio e emtécnicas estatísticas e psicométricas que permitam a comparabilidade dos resultados doexame. 3. a taxa líquida de matrículas no ensino médio paraoitenta e cinco por cento. com os objetivos de renovar e padronizar a frota rural de veículos escolares. Meta 2: Universalizar o ensino fundamental de nove anos para toda população de seis a quatorze anos.6) Estimular a expansão do estágio para estudantes da educação profissional técnica de nívelmédio e do ensino médio regular. 3. em parceria com as áreas de assistência social e saúde.identificando motivos de ausência e baixa frequência e garantir. 2. com especial atenção às classes multisseriadas. com qualificação social e profissional parajovens que estejam fora da escola e com defasagem idade-série.11) Universalizar o acesso à rede mundial de computadores em banda larga de alta velocidadee aumentar a relação computadores/estudante nas escolas da rede pública de educaçãobásica. estudos de recuperação eprogressão parcial.2) Fortalecer o acompanhamento e o monitoramento do acesso e da permanência na escola por parte dos beneficiários de programas de transferência de renda.12) Definir.10) Oferecer atividades extracurriculares de incentivo aos estudantes e de estímulo a habilidades. em prol daeducação do campo e da educação indígena. assegurando a transversalidade da educação especial na educação infantil.5) Fomentar a expansão da oferta de matrículas gratuitas de educação profissional técnica denível médio por parte das entidades privadas de formação profissional vinculadas aosistema sindical. de forma a reposicioná-lo no ciclo escolar de maneira compatível comsua idade. 2. Estratégias: 2.a frequência e o apoio à aprendizagem. 2. 2. 3.4) Ampliar programa nacional de aquisição de veículos para transporte dos estudantes do campo. bem como de produção de material didático e de formação de professores para a educação do campo. reduzir a evasão escolar da educação do campo e racionalizar o processo de compra de veículos para o transporte escolar do campo. no âmbito dos sistemas de ensino.8) Promover a busca ativa da população de quinze a dezessete anos fora da escola.10) Fomentar programas de educação de jovens e adultos para a população urbana e do campona faixa etária de quinze a dezessete anos. transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação. de forma a atender às especificidades das comunidades rurais. Estratégias: 3. limitando a nucleação de escolas e o deslocamento das crianças. de produção de material didático e de desenvolvimento de currículos e programas específicos para educação escolar nas comunidades indígenas. em regime de colaboração.4) Fomentar a expansão das matrículas de ensino médio integrado à educação profissional. de maneira articulada. tecnologia.

consideradas as diversas abordagensmetodológicas e sua efetividade. 5.1) Contabilizar.5) Orientar. a fim de garantir a alfabetização plena detodas as crianças.a aplicação em gratuidade em atividades de ampliação da jornada escolar de estudantesmatriculados nas escolas da rede pública de educação básica.6 4.assegurada a diversidade de métodos e propostas pedagógicas. . no máximo.3) Associar a prestação de assistência técnica e financeira à fixação de metas intermediárias. Meta 6: Oferecer educação em tempo integral em cinquenta por cento das escolas públicas deeducação básica. Didatismo e Conhecimento 86 5.1) Formalizar e executar os planos de ações articuladas dando cumprimento às metas dequalidade estabelecidas para a educação básica pública e às estratégias de apoio técnico efinanceiro voltadas à melhoria da gestão educacional.0 Anos finais do ensino fundamental 3. ao desenvolvimento de recursos pedagógicos e àmelhoria e expansão da infraestrutura física da rede escolar. bem como adistribuição territorial das escolas de ensino médio. buscandoatender a pelo menos metade dos alunos matriculados nas escolas contempladas peloprograma. na forma do art. Meta 4: Universalizar. nas escolasurbanas e rurais. teatros ecinema.0 5. 4. 4.2 Estratégias: 7. Estratégias: 6. e oferta da educação bilíngue emlíngua portuguesa e Língua Brasileira de Sinais . museus. 4.2 5. banheiros e outrosequipamentos. por meio deatividades de acompanhamento pedagógico e interdisciplinares.priorizando sistemas e redes de ensino com IDEB abaixo da média nacional.1) Fomentar a estruturação do ensino fundamental de nove anos com foco na organização deciclo de alfabetização com duração de três anos. os oito anos de idade.2) Aplicar exame periódico específico para aferir a alfabetização das crianças. bibliotecas.2) Institucionalizar e manter. de forma concomitante e emarticulação com a rede pública de ensino.4) Fomentar o desenvolvimento de tecnologias educacionais e de inovação das práticaspedagógicas nos sistemas de ensino que assegurem a alfabetização e favoreçam a melhoriado fluxo escolar e a aprendizagem dos estudantes.2) Implantar salas de recursos multifuncionais e fomentar a formação continuada deprofessores para o atendimento educacional especializado complementar. bibliotecas. bem como oacompanhamento dos resultados nos sistemas de ensino em que forem aplicadas. para fins do repasse do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento daEducação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação . Estratégias: 5. programa nacional de ampliação ereestruturação das escolas públicas por meio da instalação de quadras poliesportivas. até o final do terceiro ano.4) Estimular a oferta de atividades voltadas à ampliação da jornada escolar de estudantesmatriculados nas escolas da rede pública de educação básica por parte das entidadesprivadas de serviço social vinculadas ao sistema sindical. Meta 5: Alfabetizar todas as crianças até.laboratórios. 7.0 5. asmatrículas dos estudantes da educação regular da rede pública que recebem atendimentoeducacional especializado complementar.3) Ampliar a oferta do atendimento educacional especializado complementar aos estudantesmatriculados na rede pública de ensino regular.7 5. 6. 5. adolescentes e jovens na escola ou sob sua responsabilidadepasse a ser igual ou superior a sete horas diárias durante todo o ano letivo. promovendo a articulação entre o ensino regular e oatendimento educacional especializado complementar ofertado em salas de recursosmultifuncionais da própria escola ou em instituições especializadas.6) Fortalecer o acompanhamento e o monitoramento do acesso à escola por parte dosbeneficiários do benefício de prestação continuada.quando for o caso. dos Estados.LIBRAS.1) Estender progressivamente o alcance do programa nacional de ampliação da jornadaescolar. refeitórios. 4.de acordo com as necessidades específicas dos estudantes. 6. sem prejuízo do cômputo dessas matrículas naeducação básica regular.6) Atender as escolas do campo na oferta de educação em tempo integral. das redespúblicas de educação básica e dos sistemas de ensino da União.nos termos e nas condições estabelecidas conforme pactuação voluntária entre os entes.7 6. auditórios.4 4. de forma a atender a toda a demanda. mediante oferta de educação básica pública em tempo integral. certificar e divulgar tecnologias educacionais para alfabetização de crianças.9 4. 5.11) Universalizar o acesso à rede mundial de computadores em banda larga de alta velocidadee aumentar a relação computadores/estudante nas escolas da rede pública de educaçãobásica.3 4. do DistritoFederal e dos Municípios. promovendo a utilização pedagógica das tecnologias da informação e dacomunicação nas escolas da rede pública de ensino médio. 6.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 3.5) Fomentar a educação inclusiva. no máximo. de forma concomitante e emarticulação com a rede pública de ensino. parques. de 27 de novembro de 2009.9 5. oferta de transporte acessível.2 5.3) Selecionar. em regime de colaboração.7 5. disponibilização de materialdidático acessível e recursos de tecnologia assistiva. considerando aspeculiaridades locais. § 1o.5) Apoiar a alfabetização de crianças indígenas e desenvolver instrumentos de acompanhamento que considerem o uso da língua materna pelas comunidades indígenas.3) Fomentar a articulação da escola com os diferentes espaços educativos e equipamentospúblicos como centros comunitários. transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidadesou superdotação na rede regular de ensino.2) Fixar.7 3. de forma que o tempo depermanência de crianças. praças. inciso I.5 Ensino médio 3.12) Redimensionar a oferta de ensino médio nos turnos diurno e noturno. acompanhar e divulgar bienalmente os resultados do IDEB das escolas.5 5. Estratégias: 4. 4. o atendimento escolar aosestudantes com deficiência.4) Manter e aprofundar programa nacional de acessibilidade nas escolas públicas paraadequação arquitetônica. 3. bem como de produção de material didático e de formação de recursoshumanos para a educação em tempo integral. Meta 7: Atingir as seguintes médias nacionais para o IDEB: IDEB 2011 2013 2015 2017 2019 2021 Anos iniciais do ensino fundamental 4. 13. para a população de quatro a dezessete anos. de maneira a garantir a ampliação doatendimento aos estudantes com deficiência na rede pública regular de ensino.101.FUNDEB. à formação de professores eprofissionais de serviços e apoio escolar. 6. 7. da Lei no 12.9 4. cozinhas. 6.

de 9 de janeiro de 2003. de forma a englobar o ensino de ciências nos exames aplicados nosanos finais do ensino fundamental e incorporar o exame nacional de ensino médio aosistema de avaliação da educação básica. 7. estadual e local. 7. equipes pedagógicas e com a sociedade civil em geral.23) Estabelecer ações efetivas especificamente voltadas para a prevenção. 7. possibilitando a criação de rede de apoio integral às famílias. em regime de colaboração. por meio deações colaborativas com fóruns de educação para a diversidade étnicoracial. em todas as etapas daeducação básica.Inmetro. .069. acesso a espaçospara prática de esportes.24) Orientar as políticas das redes e sistemas de educação. mediante renovação integral da frota de veículos.2) Fomentar programas de educação de jovens e adultos para os segmentos populacionaisconsiderados. que as ajude agarantir melhores condições para o aprendizado dos estudantes. 7. 8. 7. o atendimento aos estudantes da rede pública de educação básica por meio deações de prevenção. bemcomo priorizar estudantes com rendimento escolar defasado. vinculado ao Ministério do Desenvolvimento. acessibilidade à pessoa com deficiência. 7.6) Selecionar. acesso a bens culturais e à arte. 7.transporte. energia elétrica.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 7. que estejam fora da escola e com defasagem idade série.8) Apoiar técnica e financeiramente a gestão escolar mediante transferência direta de recursosfinanceiros à escola. água tratada e saneamentobásico. certificar e divulgar tecnologias educacionais para o ensino fundamental emédio. 7.20) Mobilizar as famílias e setores da sociedade civil. recuperação e progressão parcial. alimentação e assistência à saúde. considerando asespecificidades dos segmentos populacionais considerados.5) Garantir transporte gratuito para todos os estudantes da educação do campo na faixa etáriada educação escolar obrigatória. articulando a educação formal comexperiências de educação popular e cidadã. assegurando-se osprincípios do Estatuto da Criança e do Adolescente de que trata a Lei no 8. deacordo com especificações definidas pelo Instituto Nacional de Metrologia. pais. nos termos da Lei no10. procurando reduzir a diferença entre as escolas com os menores índices e amédia nacional.15) Implementar políticas de inclusão e permanência na escola para adolescentes e jovens quese encontram em regime de liberdade assistida e em situação de rua.17) Ampliar a educação escolar do campo. de âmbito local e nacional.639. atenção eatendimento à saúde e integridade física.com os de outras áreas como saúde.645. promoção e atenção à saúde. quilombola e indígena a partir de visão articuladaao desenvolvimento sustentável e à preservação da identidade cultural. acesso à rede mundial de computadores em banda larga de altavelocidade. 7. do DistritoFederal e dos Municípios. alunos e comunidade. 7.como condição para a melhoria da qualidade do ensino. Normalizaçãoe Qualidade Industrial .22) Universalizar. 7.leitura e ciências 395 417 438 455 473 Meta 8: Elevar a escolaridade média da população de dezoito a vinte e quatro anos de modo aalcançar mínimo de doze anos de estudo para as populações do campo. bem comoigualar a escolaridade média entre negros e não negros.leitura e ciências obtidos nas provas do Programa Internacional de Avaliação de Alunos -PISA. de forma a buscar atingir as metasdo IDEB. com os propósitos de que a educação sejaassumida como responsabilidade de todos e de ampliar o controle social sobre ocumprimento das políticas públicas educacionais. de 10 de março de 2008.19) Assegurar. da região demenor escolaridade no país e dos vinte e cinco por cento mais pobres. esporte. mental e moral dos profissionais da educação. acompanhamento pedagógico individualizado.13) Informatizar a gestão das escolas e das secretarias de educação dos Estados. conselhosescolares. 7. Estratégias: 8. que assegurem a melhoria do fluxo escolar e aaprendizagem dos estudantes. trabalho e emprego. de acordo com as seguintes projeções: PISA 2009 2012 2015 2018 2021 Média dos resultados em matemática.14) Garantir políticas de combate à violência na escola e construção de cultura de paz eambiente escolar dotado de segurança para a comunidade escolar.7) Fomentar o desenvolvimento de tecnologias educacionais e de inovação das práticaspedagógicas nos sistemas de ensino. Didatismo e Conhecimento 87 7.16) Garantir o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena.21) Promover a articulação dos programas da área da educação. bem como oacompanhamento dos resultados nos sistemas de ensino em que forem aplicadas.10) Institucionalizar e manter. mediante articulação entre os órgãos responsáveis pelas áreas da saúde e daeducação. 7. a todas as escolas públicas de educação básica.18) Priorizar o repasse de transferências voluntárias na área da educação para os Estados. escolhidos pelos seus pares. assegurada a diversidade de métodos e propostas pedagógicas. com vistas à redução dadesigualdade educacional. respeitada a diversidade regional. e equipamentos e laboratórios deciências. 7. Indústria eComércio Exterior. 7.25) Confrontar os resultados obtidos no IDEB com a média dos resultados em matemática. 7. e da Lei no 11. como forma de controle externo da convergência entre os processos de avaliaçãodo ensino conduzidos pelo INEP e processos de avaliação do ensino internacionalmentereconhecidos. com representação detrabalhadores em educação. com vistas à ampliação da participação da comunidade escolar noplanejamento e na aplicação dos recursos e o desenvolvimento da gestão democráticaefetiva. 7. assistência social. 7. 7.9) Ampliar programas e aprofundar ações de atendimento ao estudante. bem como manter programa nacional de formação inicial econtinuada para o pessoal técnico das secretarias de educação. por meio de programas suplementares de material didático-escolar.1) Institucionalizar programas e desenvolver tecnologias para correção de fluxo.12) Estabelecer diretrizes pedagógicas para a educação básica e parâmetros curricularesnacionais comuns.4) Aprimorar continuamente os instrumentos de avaliação da qualidade do ensinofundamental e médio. de 13 dejulho de 1990. programa nacional de reestruturaçãoe aquisição de equipamentos para escolas públicas.cultura. 7. garantindo equidade da aprendizagem. acesso a bibliotecas. oDistrito Federal e os Municípios que tenham aprovado lei específica para a instalação deconselhos escolares ou órgãos colegiados equivalentes. tendo em vista a equalização regionaldas oportunidades educacionais.11) Prover equipamentos e recursos tecnológicos digitais para a utilização pedagógica noambiente escolar a todas as escolas de ensino fundamental e médio.

vinte e cinco por cento das matrículas de educação de jovens eadultos na forma integrada à educação profissional nos anos finais do ensinofundamental e no ensino médio.3) Promover o acesso ao ensino fundamental aos egressos de programas de alfabetização egarantir o acesso a exames de reclassificação e de certificação da aprendizagem. 9. Didatismo e Conhecimento 88 10. 11. 9.3) Fomentar a integração da educação de jovens e adultos com a educação profissional.3) Garantir acesso gratuito a exames de certificação da conclusão dos ensinos fundamental emédio. sua vinculação com arranjos produtivos. programa nacional de atendimentooftalmológico e fornecimento gratuito de óculos para estudantes da educação de jovens eadultos. do trabalho.8) Estimular o atendimento do ensino médio integrado à formação profissional.1) Assegurar a oferta gratuita da educação de jovens e adultos a todos os que não tiveramacesso à educação básica na idade própria.7) Institucionalizar sistema de avaliação da qualidade da educação profissional técnica denível médio das redes públicas e privadas. 10. de forma concomitante ao ensino público.4) Institucionalizar programa nacional de reestruturação e aquisição de equipamentosvoltados à expansão e à melhoria da rede física de escolas públicas que atuam naeducação de jovens e adultos integrada à educação profissional.assegurando a qualidade da oferta.3) Fomentar a expansão da oferta de educação profissional técnica de nível médio namodalidade de educação a distância. objetivando aelevação do nível de escolaridade do trabalhador. 8. 11. 8. de maneira a estimular a ampliação do atendimento desses estudantes narede pública regular de ensino.6) Promover busca ativa de crianças fora da escola pertencentes aos segmentos populacionaisconsiderados. 10. até 2020. 9. assegurandoa qualidade da oferta. 11. financeira e de apoio psico-pedagógico que contribuam para garantir oacesso. bem como a interiorização da educação profissional. a relação de alunos por professor para vinte.5) Executar. 11.7) Institucionalizar programa nacional de assistência ao estudante. .6) Expandir a oferta de financiamento estudantil à educação profissional técnica de nívelmédio oferecida em instituições privadas de educação superior.5) Ampliar a oferta de matrículas gratuitas de educação profissional técnica de nível médiopelas entidades privadas de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. Estratégias: 11. da tecnologia e da cultura ecidadania. 10. 11.8) Fomentar a diversificação curricular do ensino médio para jovens e adultos.2) Fomentar a expansão da oferta de educação profissional técnica de nível médio nas redespúblicas estaduais de ensino. produção dematerial didático específico e formação continuada de professores. 11. no mínimo. de acordo com as características e especificidades do público daeducação de jovens e adultos. de forma a estimular a conclusão daeducação básica. com a finalidade de ampliar a oferta e democratizar oacesso à educação profissional pública e gratuita. 10. levando em consideração a responsabilidadedos Institutos na ordenação territorial.9) Expandir o atendimento do ensino médio integrado à formação profissional para os povosdo campo. que permitam aferição do grau deanalfabetismo de jovens e adultos com mais de quinze anos de idade. sociais eculturais locais e regionais.5) Fomentar a produção de material didático.2) Fomentar a expansão das matrículas na educação de jovens e adultos de forma a articulara formação inicial e continuada de trabalhadores e a educação profissional.1) Manter programa nacional de educação de jovens e adultos. em articulação com a área da saúde. em parceria com as áreas de assistência social e saúde. emcursos planejados. Estratégias: 10. a permanência. a aprendizagem e a conclusão com êxito da educação de jovens eadultos integrada com a educação profissional.2) Implementar ações de alfabetização de jovens e adultos com garantia de continuidade daescolarização básica. 10. 10. de acordocom as necessidades e interesses dos povos indígenas. o desenvolvimento de currículos e metodologias específicas para avaliação e formação continuada de docentes das redespúblicas que atuam na educação de jovens e adultos integrada à educação profissional. Meta 9: Elevar a taxa de alfabetização da população com quinze anos ou mais para noventa etrês vírgula cinco por cento até 2015 e erradicar. nos cursos presenciais. científica e tecnológica para noventa por cento eelevar. de forma a organizar o tempo e o espaço pedagógicos adequados àscaracterísticas de jovens e adultos por meio de equipamentos e laboratórios. voltado à conclusão doensino fundamental e à formação profissional inicial. 11. 8. 9. Estratégias: 9. Meta 12: Elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para cinquenta por cento e ataxa líquida para trinta e três por cento da população de dezoito a vinte e quatro anos. compreendendo ações deassistência social.10) Elevar gradualmente a taxa de conclusão média dos cursos técnicos de nível médio narede federal de educação profissional. o analfabetismo absoluto ereduzir em cinquenta por cento a taxa de analfabetismo funcional. 11. em regime de colaboração e com apoio das entidadesprivadas de formação profissional vinculadas ao sistema sindical.4) Ampliar a oferta de programas de reconhecimento de saberes para fins da certificaçãoprofissional em nível técnico. inclusive na modalidade de educação a distância. Ciência e Tecnologia. de acordo com os seus interesses e necessidades. com base noincremento de programas de assistência estudantil e mecanismos de mobilidadeacadêmica.1) Expandir as matrículas de educação profissional técnica de nível médio nos InstitutosFederais de Educação. identificando motivos de ausência e baixafreqüência e colaborando com Estados e Municípios para garantia de frequência e apoio àaprendizagem.4) Promover chamadas públicas regulares para educação de jovens e adultos e avaliação dealfabetização por meio de exames específicos.4) Fomentar a expansão da oferta de matrículas gratuitas de educação profissional técnica porparte das entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas aosistema sindical. para os segmentospopulacionais considerados. Meta 10: Oferecer.6) Fomentar a oferta pública de formação inicial e continuada para trabalhadores articulada àeducação de jovens e adultos. integrando aformação integral à preparação para o mundo do trabalho e promovendo a inter-relaçãoentre teoria e prática nos eixos da ciência. 11.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 8.5) Fortalecer acompanhamento e monitoramento de acesso à escola específicos para ossegmentos populacionais considerados. Meta 11: Duplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível médio.

direcionando sua atividade. as políticas de inclusão e de assistênciaestudantil nas instituições públicas de educação superior.com vistas a potencializar a atuação regional. aoferta de vagas públicas em relação à população na idade de referência e observadas ascaracterísticas regionais das micro e mesorregiões definidas pela Fundação InstitutoBrasileiro de Geografia e Estatística . demodo a que mais estudantes. 13.2) Estimular a integração e a atuação articulada entre a Coordenação de Aperfeiçoamento dePessoal de Nível Superior CAPES. sendo.5) Ampliar.FIES. 13. mediante estratégiasde aproveitamento de créditos e inovações acadêmicas que valorizem a aquisição decompetências de nível superior. na forma da lei. pesquisa institucionalizada. considerando as necessidades econômicas.861. na forma de programas de pósgraduaçãostricto sensu. 12.a fim de apurar o valor agregado dos cursos de graduação.recursos e tecnologias de educação a distância. Estratégias: 13. e as agências estaduais de fomento à pesquisa.4) Induzir a melhoria da qualidade dos cursos de pedagogia e licenciaturas. utilizando metodologias.2) Ampliar a oferta de vagas por meio da expansão e interiorização da rede federal deeducação superior. mediante ações planejadas e coordenadas. 12. considerando a densidade populacional.1) Expandir o financiamento da pós-graduação stricto sensu por meio das agências oficiaisde fomento. trinta e cinco porcento doutores. inclusive por meio de plano dedesenvolvimento institucional integrado. de modo a ampliar as taxas deacesso à educação superior de estudantes egressos da escola pública.3) Expandir o financiamento estudantil por meio do FIES à pós-graduação stricto sensu. de que trata a Lei no 10. 12. conclusão e formação de profissionais para atuação junto a estaspopulações. Estratégias: 14.6) Substituir o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes .8) Fomentar a ampliação da oferta de estágio como parte da formação de nível superior.especialmente ao mestrado profissional.7) Assegurar. de mais áreas.11) Fomentar estudos e pesquisas que analisem a necessidade de articulação entre formação.CONAES. 12. efetivamente. bem como a aplicação de instrumentosde avaliação que orientem as dimensões a serem fortalecidas. 12. bem como para atender ao déficit de profissionais em áreas específicas. do total. 12. 14.4) Fomentar a oferta de educação superior pública e gratuita prioritariamente para aformação de professores para a educação básica. Meta 14: Elevar gradualmente o número de matrículas na pós-graduação stricto sensu. dez por cento do total de créditos curriculares exigidos para agraduação em programas e projetos de extensão universitária.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Estratégias: 12.4) Expandir a oferta de cursos de pós-graduação stricto sensu. de forma aampliar e interiorizar o acesso à graduação. fortalecendo as ações deavaliação. demodo a atingir a titulação anual de sessenta mil mestres e vinte e cinco mil doutores. no mínimo. em relação a acesso. Científica e Tecnológica edo Sistema Universidade Aberta do Brasil. regulação e supervisão.10) Assegurar condições de acessibilidade nas instituições de educação superior. por meio daaplicação de instrumento próprio de avaliação aprovado pela Comissão Nacional deAvaliação da Educação Superior . 13.12) Consolidar e ampliar programas e ações de incentivo à mobilidade estudantil e docenteem cursos de graduação e pósgraduação.3) Elevar gradualmente a taxa de conclusão média dos cursos de graduação presenciais nasuniversidades públicas para noventa por cento. nomínimo. . pesquisa e extensão. sociais eculturais do País. combinando formação geral e prática didática.IBGE. 13.14) Mapear a demanda e fomentar a oferta de formação de pessoal de nível superior. 12.5) Elevar o padrão de qualidade das universidades.16) Consolidar processos seletivos nacionais e regionais para acesso à educação superiorcomo forma de superar exames vestibulares individualizados.260. da Rede Federal de Educação Profissional.15) Institucionalizar programa de composição de acervo digital de referências bibliográficaspara os cursos de graduação. de modo querealizem. 12. de que trata a Lei no 10. sejam avaliados no que diz respeito àaprendizagem resultante da graduação.1) Otimizar a capacidade instalada da estrutura física e de recursos humanos das instituiçõespúblicas de educação superior. destacando-se aqualificação e a dedicação do corpo docente. 12.3) Induzir processo contínuo de autoavaliação das instituições superiores. apoiando seusucesso acadêmico.currículo e mundo do trabalho. 13.9) Ampliar a participação proporcional de grupos historicamente desfavorecidos naeducação superior. 14. fortalecendo aparticipação das comissões próprias de avaliação. tendo emvista o enriquecimento da formação de nível superior. por meio de programas especiais. de 12 de julho de 2001.2) Ampliar a cobertura do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes . uniformizando a expansão no territórionacional. a inovação tecnológica e amelhoria da qualidade da educação básica.1) Aprofundar e aperfeiçoar o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior -SINAES.6) Expandir o financiamento estudantil por meio do Fundo de Financiamento ao Estudantedo Ensino Superior .permanência. de modo a permitir aos graduandos aaquisição das competências necessárias a conduzir o processo de aprendizagem de seusfuturos alunos. 12. na forma dalegislação. Meta 13: Elevar a qualidade da educação superior pela ampliação da atuação de mestres edoutores nas instituições de educação superior para setenta e cinco por cento. por meioda constituição de fundo garantidor do financiamento.7) Fomentar a formação de consórcios entre universidades públicas de educação superior. inclusive mediante a adoção de políticas afirmativas. sobretudo nas áreas de ciências ematemática. assegurando maior visibilidade nacional einternacional às atividades de ensino. ofertar um terço das vagas em cursosnoturnos e elevar a relação de estudantes por professor para dezoito. do corpo docente em efetivo exercício. 12.ENADE.ENADE aplicado ao finaldo primeiro ano do curso de graduação pelo Exame Nacional do Ensino Médio . em âmbito nacional e internacional. de forma a dispensarprogressivamente a exigência de fiador. 12. 14.13) Expandir atendimento específico a populações do campo e indígena.ENEM. inclusive por meio do SistemaUniversidade Aberta do Brasil. Didatismo e Conhecimento 89 12. de 14 de abril de 2004.considerando as necessidades do desenvolvimento do País. 12. 13. 12.

em regime de colaboração. e defina obrigações recíprocas entre os partícipes. 14. Meta 15: Garantir.3) Realizar prova nacional de admissão de docentes.1) Atuar conjuntamente.2) Consolidar o financiamento estudantil a estudantes matriculados em cursos de licenciaturacom avaliação positiva pelo SINAES. 15. Meta 18: Assegurar. regulação e supervisão da educação superior. 16. 15.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 14. do Distrito Federal e dos Municípios.9) Manter e expandir programa de acervo digital de referências bibliográficas para os cursosde pós-graduação. Estratégias: 18. 15. com implementação gradual da jornada de trabalhocumprida em um único estabelecimento escolar.10) Implementar cursos e programas especiais para assegurar formação específica em suaárea de atuação aos docentes com formação de nível médio na modalidade normal. a ser disponibilizado para os professoresdas escolas da rede pública de educação básica.2011/2020.1) Constituir fórum permanente com representação da União. com base emavaliação documentada. 90 Meta 16: Formar cinquenta por cento dos professores da educação básica em nível de pósgraduaçãolato e stricto sensu e garantir a todos formação continuada em sua área deatuação.3) Implementar. dos Municípios e dos trabalhadores em educação para acompanhamento daatualização progressiva do valor do piso salarial profissional nacional para osprofissionais do magistério público da educação básica. Estratégias: 17. do Distrito Federal e dos Municípios. 18. 16. nos planos de carreira dos profissionais da educação dos Estados.disponibilizando gratuitamente roteiros didáticos e material suplementar. nos campi novos abertos no âmbito dos programas de expansão einteriorização das instituições superiores públicas.8) Induzir. nãolicenciados ou licenciados em área diversa da de atuação docente. sem prejuízo de outros. o Distrito Federal e osMunicípios. noventa por cento de servidores nomeados em cargos de provimento efetivoem efetivo exercício na rede pública de educação básica. de 2004. multimeios e manutençãoda infraestrutura escolar. dos Estados.planos de carreira para o magistério.4) Fomentar a oferta de cursos técnicos de nível médio destinados à formação defuncionários de escola para as áreas de administração escolar.7) Promover a reforma curricular dos cursos de licenciatura.1) Realizar.2) Consolidar sistema nacional de formação de professores. Estratégias: 16. dividindo a carga horária em formação geral. Distrito Federal e Municípios. em efetivo exercício. 18. nacional e internacional. do DistritoFederal e dos Municípios. do DistritoFederal. 15. com base em plano estratégico que apresente diagnóstico dasnecessidades de formação de profissionais do magistério e da capacidade de atendimentopor parte de instituições públicas e comunitárias de educação superior existentes nosEstados.8) Ampliar a oferta de programas de pós-graduação stricto sensu. Didatismo e Conhecimento .4) Ampliar e consolidar portal eletrônico para subsidiar o professor na preparação de aulas. os Estados. de forma a ampliar aspossibilidades de formação em serviço. sem prejuízo de outras. 16. 15. a fim de aproximar o rendimentomédio do profissional do magistério com mais de onze anos de escolaridade dorendimento médio dos demais profissionais com escolaridade equivalente.5) Consolidar programas. Municípios e Distrito Federal. visando trabalho sistemático de conexãoentre a formação acadêmica dos graduandos e as demandas da rede pública de educaçãobásica. Meta 17: Valorizar o magistério público da educação básica. por meio das funções de avaliação. no prazo de dois anos. de forma a assegurar o foco noaprendizado do estudante. em seu quadro de profissionais domagistério.5) Prever.1) Estruturar os sistemas de ensino buscando atingir. permitindoinclusive a amortização do saldo devedor pela docência efetiva na rede pública deeducação básica. em regime de colaboração entre a União. a decisão pela efetivação ou não efetivação do professor ao finaldo estágio probatório. 15. no âmbito da União. a existência de planos de carreira para osprofissionais do magistério em todos os sistemas de ensino. 18. formação na áreado saber e didática específica.6) Implementar programas específicos para formação de professores para as populações docampo. incentivando a atuação em rede e o fortalecimento de gruposde pesquisa. entre asinstituições de ensino. 14. de forma orgânica e articulada às políticas deformação dos Estados.áreas prioritárias. o planejamento estratégico para dimensionamento dademanda por formação continuada e fomentar a respectiva oferta por parte dasinstituições públicas de educação superior. 15. que todos os professores da educação básica possuam formaçãoespecífica de nível superior. dos Estados.5) Institucionalizar. bem como para divulgação e atualizaçãodos currículos eletrônicos dos docentes. especialmente o dedoutorado. no prazo de um ano de vigência do PNE .4) Consolidar plataforma eletrônica para organizar a oferta e as matrículas em cursos deformação inicial e continuada de professores. 15. 17. pesquisa e extensão. 17.a plena implementação das respectivas diretrizes curriculares. Estratégias: 15. projetos e ações que objetivem a internacionalização da pesquisa eda pós-graduação brasileira. instituições formadoras e processos de certificação dos cursos. política nacionalde formação e valorização dos profissionais da educação. licenças para qualificação profissional em nível de pósgraduaçãostricto sensu. obtida em curso de licenciatura na área de conhecimentoem que atuam.3) Ampliar programa permanente de iniciação à docência a estudantes matriculados emcursos de licenciatura. definindo diretrizes nacionais. paradidáticos.6) Promover o intercâmbio científico e tecnológico.861.7) Implementar ações para redução de desigualdades regionais e para favorecer o acesso daspopulações do campo e indígena a programas de mestrado e doutorado.9) Valorizar o estágio nos cursos de licenciatura. supervisionado porprofissional do magistério com experiência de ensino. 14. a fim de subsidiar a realização deconcursos públicos de admissão pelos Estados. 16. deliteratura e dicionários.3) Expandir programa de composição de acervo de livros didáticos. 15. inclusive para alimentação escolar. 14. na forma da Lei no 10.2) Instituir programa de acompanhamento do professor iniciante.2) Acompanhar a evolução salarial por meio de indicadores obtidos a partir da pesquisanacional por amostragem de domicílios periodicamente divulgados pelo IBGE. comunidades quilombolas e povos indígenas. a fim de incentivar a formação de profissionais do magistério paraatuar na educação básica pública. a fim de fundamentar.

de 2001. que regulamentou o Fundo deManutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais daEducação . no prazo de um ano de vigência desta Lei. A educação é um dos mais importantes instrumentos de inclusão social. Estratégias: 20. . Por essa razão. Por isso. construída em regime de colaboração com ossistemas de ensino. destacando-se a Lei de Diretrizes e Bases daEducação Nacional (Lei nº 9.2011/2020 na forma ora proposta representa um importante avançoinstitucional para o país.LDB). nomínimo. mediante lei específica aprovada no âmbito dos Estados.8) Priorizar o repasse de transferências voluntárias na área da educação para os Estados. a fim de subsidiar a definição de critérios objetivospara o provimento dos cargos de diretores escolares. mobilizandoGovernos e os mais diversos segmentos da sociedade em torno de um objetivo comum: aampliação do acesso à educação de qualidade para todos os brasileiros. 03 de novembro de 2010.494. Os indicadores mais recentes confirmam o alcance de bons resultados em quase todos os níveis e dimensões da educação.1) Garantir fonte de financiamento permanente e sustentável para todas as etapas emodalidades da educação pública. a aprovação deum novo Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2020 deve ser encarada comoestratégica para o país. 1. o patamar de sete por cento do produto interno bruto do País. Formatado E M N° 033Brasília. Meta 19: Garantir.5) Implantar. 18.assegurando o acesso ao ensino como direito público subjetivo.1) Priorizar o repasse de transferências voluntárias na área da educação para os Estados. 20. impondo a corresponsabilidadedos entes federados por sua implementação e garantindo a aplicação de percentuais mínimos dareceitas provenientes de impostos para sua manutenção e desenvolvimento.2) Aplicar prova nacional específica.6) Desenvolver e acompanhar regularmente indicadores de investimento e tipo de despesaper capita por aluno em todas as etapas da educação pública. efetivação da democracia e ampliação da cidadania para muitosbrasileiros. A melhoria continuada do nível de educação da população certamente irá refletir-senão só na qualidade da vida. oDistrito Federal e os Municípios que tenham aprovado lei específica estabelecendo planosde carreira para os profissionais da educação. há ainda muitoque fazer.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 18. 20. em regime de colaboração com ossistemas de ensino. para quealcancemos os níveis desejados e necessários para o desenvolvimento do país. Todavia. oDistrito Federal e os Municípios que tenham aprovado lei específica prevendo aobservância de critérios técnicos de mérito e desempenho e a processos que garantam aparticipação da comunidade escolar preliminares à nomeação comissionada de diretoresescolares. de 1996. as modificações na ordem jurídico-institucionalcompletaram-se com a aprovação. a Lei nº 11.4) Fortalecer os mecanismos e os instrumentos que promovam a transparência e o controlesocial na utilização dos recursos públicos aplicados em educação. 2009. Temos a honra de submeter à consideração de Vossa Excelência o anexo Projeto deLei que “Aprova o Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2020 e dá outrasprovidências”. oestabelecimento de metas e estratégias para garantia de uma educação de qualidade para todosos brasileiros tem que ser prioridade nacional. de vários instrumentos legais degrande impacto para a educação brasileira. A LDB reestruturou e definiu as diretrizes e bases da educação escolar no Brasil.6) Realizar. tratando-a como direito social inalienável e fundamental para o exercício da cidadania. Meta 20: Ampliar progressivamente o investimento público em educação até atingir. mas.PNE atualmente vigente. O tratamento da educação como política de Estado. Estratégias: 19. 20. No que tange à educação. do Distrito Federale dos Municípios. a Lei n° 10. 20. o texto aprovado exprime uma concepção ampla de educação. Formatado A Constituição Federal de 1988 incorpora estas bandeiras e traz avançosconsideráveis dos pontos de vista jurídico. fez surgir como uma das principais bandeiras a luta pelo direito à educação.5) Definir o custo aluno-qualidade da educação básica à luz da ampliação do investimentopúblico em educação.FUNDEB.7) Considerar as especificidades socioculturais dos povos indígenas no provimento de cargosefetivos para as escolas indígenas. também no desenvolvimento econômico do país. a nomeação comissionada de diretores de escola vinculada acritérios técnicos de mérito e desempenho e à participação da comunidade escolar. no prazo de dois anos de vigência desta Lei. acelerando mudanças na educação brasileiraimpulsionadas por mobilização popular. mais recentemente. Excelentíssimo Senhor Presidente da República. 18. queinstituiu o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorizaçãodo Magistério – FUNDEF. demonstrando o empenho do Governo e da sociedadebrasileira em saldar a enorme dívida que o Brasil tem com a educação. Antecedentes A redemocratização do País. essencial Didatismo e Conhecimento 91 para a redução das desigualdades no Brasil. a Emenda Constitucional nº 14. É inegável que nos anos mais recentes o temaeducação foi sendo definitivamente alçado à prioridade na agenda nacional.2) Aperfeiçoar e ampliar os mecanismos de acompanhamento da arrecadação dacontribuição social do salárioeducação.3) Destinar recursos do Fundo Social ao desenvolvimento do ensino. normativo e institucional para garantia dos direitossociais. que ampliouo ensino obrigatório dos 4 aos 17 anos de idade. de 1996 . Na esfera infra-constitucional. 20. política nacional de formaçãocontinuada para funcionários de escola. de 2007. a partir da década de 1980. definindo metas e estratégias para avançar no processo de melhoria daeducação brasileira. pelo Congresso Nacional.394. que estabeleceu o Plano Nacional deEducação . e. 19. com planejamento sistemático ede longo prazo é de fundamental importância para vencer esta batalha. O PNE . a Emenda Constitucional nº 59. o censo dos funcionários de escola da educação básica. 18.172.

Além deste efeito direto. na Conferência Nacional Educação Para Todos. quanto as perspectivas de continuidade de escolarização. Decretos PortariasInsterministeriais e Planos de Ações Articuladas firmados com todos os 26 estados. buscando uma visão sistêmica da educaçãoque compreendesse o ciclo educacional de modo integral.a Lei veio sofrendo várias alterações. Em 2007. De acordo com esta visão. formação de professores e valorização do magistério e gestãoe mobilização das comunidades.563 municípios. Fundada na justificativa da necessidade de estabelecer prioridades. com o objetivo de articular nacionalmente os sistemas de ensino emregime de colaboração e definir diretrizes. Estados. etapas emodalidades da educação não eram entendidos enquanto momentos de um processo. ampliar a abrangência dosprogramas suplementares para todas as etapas da educação básica e estabelecer nova redaçãopara o parágrafo 214 da Constituição Federal. os diversos níveis. Conferência Nacional de Educação Básica. de 1994. ensinofundamental. fixou-se o prazo decenal para oplano nacional de educação. Os programas e ações do PDE foram institucionalizados em Leis. de 9 de janeiro de 2001. técnicos e financeiros)entre os três níveis federativos. aprovado pelo Congresso Nacional e instituído pela Lei nº10. nas conferências nacionais de educação e cultura promovidas pela Câmara dosDeputados entre 2000 e 2005. permitindo a organização deeixos norteadores. Sob o discurso de universalização do ensino fundamental. por exemplo. etapas e24modalidades por meio de ações integradas dos poderes públicos das diferentes esferasfederativas. Para mudar este quadro e alcançar efetivamente resultados mais favoráveis na educação. De lá para cá.a chamada “Década da Educação”. para a melhoria da qualidade doensino em todos os aspectos e para a democratização do acesso. ampliou-se o escopo do financiamento. regulou e regulamentou a estrutura e o funcionamento do ensino nacional. ainda.componentes de uma unidade geral. 92 Como resposta a esta situação. ensino médio. Ao vedar por decreto a oferta deensino médio articulado à educação profissional e proibir por lei a expansão do sistema federalde educação profissional. educação especial e educação de jovens e adultos. sobretudo.assim. o DistritoFederal e os 5. registrar a atuação do Ministério da Educação na aprovação da Emenda Constitucional 59/2009. muito embora tenha vindodesacompanhado dos instrumentos executivos para consecução das metas por ele estabelecidas.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Delineou o papel a ser desempenhado pela União. Municípios. ressaltese. que possibilitou grandes conquistas para a educação nacionalao prever a obrigatoriedade do ensino de quatro a dezessete anos. realizada entre 28 de março e 01 deabril de 2010. visando à adequação de seus dispositivos às alteraçõesconstitucionais. fixando objetivos e metas para a educação brasileira por um período de dezanos . O PNE 2001-2010. reforçaram-se falsas oposições e promoveu-se verdadeira disputa entre etapas. universalização do atendimento escolar. melhoria da qualidade do ensino. em instrumento essencial na universalização do ensino fundamental.destacando-se especialmente as conferências municipais. acabou por constituir-se em importante instrumentopara persecução das metas quantitativas estabelecidas naquele diploma legal. Porto Alegre São Paulo e Recife). Uma terceira oposiçãoverificada deu-se entre ensino médio e educação profissional. à atualização de conceitos às novas visões e estratégias educacionais e aoaprimoramento de parte de suas normas. promovesse a articulação entre aspolíticas específicas e coordenasse os instrumentos disponíveis (políticos. Ademais. abrangendo todosos eixos. a atenção exclusiva ao ensino fundamentalresultou em descaso com as outras duas etapas (ensino infantil e médio). devemconduzir ainda ao estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação comoproporção do produto interno bruto. Diante da falta de recursos. níveis e modalidades da Educação. indispensáveis à criação das condições objetivas paraa efetivação de políticas de Estado. um conjunto de mais de 40 medidas. o PDE como conjunto de programas eações destinadas à melhoria da educação. nos congressos nacionais de educação (em Belo Horizonte. Além destes marcos jurídicos. promoção humanística. o argumento serviu de pretexto para asfixiar o sistema federal de educação superior einviabilizar a expansão da rede. O PDE apresenta mecanismospara aprofundar o diagnóstico das condições da educação. por fim. traçou rumos para as políticas e açõesgovernamentais. Sem que a União aumentasse o investimento na educaçãobásica. contemplando educação infantil. conceitos fundamentais que garantem a organização dos sistemaseducacionais do país. criou-se aindesejável oposição entre educação básica e superior. Esta concepção esteve presente. com acriação do Fundeb. além dos objetivos já fixados na redação anterior (erradicação doanalfabetismo. Niterói. Constituiu-se. objetivos. O PNE em vigor contribuiu para a construção depolíticas e programas voltados à melhoria da educação.127. Didatismo e Conhecimento . Goiânia eBrasília).formação para o trabalho. nasconferências e encontros recentemente realizados pelo Ministério da Educação (ConferênciaNacional de Educação Profissional e Tecnológica. Belo Horizonte. Tais ações. modalidades e níveiseducacionais. O Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE O PNE foi lançado quando vigorava no país uma visão fragmentada da educação.passando a abranger toda a educação básica. especificou os níveis e modalidades deensino. O Fundef instaurou um novo modelo de financiamento do ensino fundamental. Cumpre. no âmbito da educação básica. científica e tecnológica do País). a realização de conferências nacionais deeducação como espaços de participação da sociedade na construção de novos marcos para aspolíticas educacionais. o resultado desta política para aeducação básica foi a falta de professores com licenciatura para exercer o magistério e alunos doensino médio desmotivados pela insuficiência de oferta de ensino gratuito nas universidadespúblicas. nas conferências brasileirasde educação (realizadas na década de 80 em São Paulo. Os pilares de sustentação doPDE são: financiamento adequado. metas e estratégias de implementação paraassegurar a manutenção e desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis. caberia aogestor público optar pela primeira. A visão sistêmica que enlaça todos os projetos doPDE empresta coerência e promove a articulação de todo o sistema.Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena e Fórum Nacional de Educação Superior). avaliação e responsabilização dos agentes públicos quecomandam o sistema educacional. 2. cuja vigência se estende a 2020.implementando importante mecanismo de redistribuição de recursos vinculados à educação comvistas a cumprir o princípio constitucional da equalização do financiamento. Apesar de não ser a tradução direta do PNE. No texto atual. por sua vez. reforçando mutuamente cada etapa de ensino. comprometendo tanto abase do ensino. pelas escolas e demaisinstituições de ensino. intermunicipais e estaduais queresultaram na Conferência Nacional de Educação CONAE. Traçou os princípios educativos. este Governo lançou em 2007 o Plano deDesenvolvimento da Educação – PDE. desarticulou-se uma política importantíssima para o país. especialmente em nível federal. era necessário superar essas oposições.

por intermédio das Comissões deEducação. pelo Legislativo e ainda pela sociedade civil. que renomeou e reestruturou o Conselho Nacional deEducação . A avaliação do PNE. se essa capacidade de aprendizagem e oportunidade lhe for oferecida. Os papéis do MEC. com vistas àcorreção de deficiências e distorções”. procederá a avaliaçõesperiódicas da implementação do Plano Nacional de Educação”. publicado em 2004. pressupostos escritos por Vygotsky Lev Semenovich Vygotsky estudou sistematicamente a psicologia e seu projeto principal foi os processos de transformação do desenvolvimento na dimensão filogenética. Discordaram quanto ao processo de construção desse conhecimento. em que se articularam as dimensões técnica e política. acompanhará a execução do PlanoNacional de Educação”. pois além de constituir-se em instrumento estruturante e de planejamento das açõesgovernamentais. portanto. define como uma das suas atribuições “subsidiar a elaboração e acompanhara execução do Plano Nacional de Educação”. a Avaliação Preliminardo PNE. não acreditava que a transmissão direta desse tipo fosse viável. Piaget estava interessado em como o conhecimento é adquirido ou construído. e que “a primeira avaliação realizar-se-á no quarto ano de vigênciadesta lei. A criança transforma aquilo que aprende de acordo com sua capacidade interna e nata. simultaneamente. Resultou. mediante a construção pessoal desse conhecimento. por solicitação da Comissão de Educação eCultura da Câmara dos Deputados. Já o art. da Câmara dosDeputados e da Comissão de Educação do Senado Federal. cabendo ao Congresso Nacional aprovar medidas legais decorrentes.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 3. (d) osdiagnósticos regionais da situação educacional diante das metas do PNE. características e dimensões em um país de porte continental como o Brasil. ambos viram o desenvolvimento e a aprendizagem da criança como participativa. a Lei nº9. Assim. respectivamente. mas eles partilham de pontos de vista semelhantes. Vygotsky e Piaget estavam preocupados com o desenvolvimento intelectual. Cultura e Desporto [hoje Comissão de Educação e Cultura]. (e) os Ciclos dedebates pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) com vistas a subsidiar o MEC no envio depropostas para o Congresso Nacional. (c) os Semináriosregionais de acompanhamento e avaliação do PNE e dos planos decenais correspondentes. de 24 de novembro de 1995. com aparticipação de especialistas em educação. coordenada pela DTDIE/ Didatismo e Conhecimento 93 Inep. As diferenças entre os dois autores parecem ser muitas. As crianças constroem e internalizam o conhecimento que esses seres instruídos possuem. sistematizados pelo MEC. onde a teoria é um acontecimento da invenção ou construção que ocorre na mente do indivíduo.131. Vygotsky estava preocupado com a questão de como os fatores sociais e culturais influenciam o desenvolvimento intelectual. Comefeito. pela União. traduzidas porpolíticas. Observa-se. em 2006. em articulação com osestados. os municípios e a sociedade civil. programas e ações. como professores e colegas. os indivíduos interagem com agentes sociais mais lecionados. não ocorrendo de maneira automática. partiu de várias concepções e perspectivas. realizado emBrasília. portanto. em setembro e outubro de 2005. não circunscritaà esfera governamental.concorrentes e complementares. e (g) a Avaliação do PNE. sob a responsabilidade da Coordenação Geral de Articulação e Fortalecimento Institucional dos Sistemas de Ensino (Cafise) da Seb/MEC. o Distrito Federal. dadas suanatureza.do CNE e das comissões de educação da Câmara e do Senado Federal são. Ambos entenderam o conhecimento como adaptação e como construção individual e compreenderam a aprendizagem e o desenvolvimento como autorregulados. com a participação de especialistas em educação. alto grau de complexidade. 4º da Lei do PNE prevê que “a União instituiráo Sistema Nacional de Avaliação e estabelecerá os mecanismos necessários aoacompanhamento das metas constantes do Plano Nacional de Educação”. embora comumente liga- . desencadeados pelos diferentes agentes. A teoria de Vygotsky é uma teoria de transmissão do conhecimento da cultura para a criança. trouxe previsão legal que determinou e exigiu monitoramento e avaliaçãoperiódicas de sua execução. o PNE 2001-2010 representou um importante avanço institucional.CNE. de 2001 a 2008. tornando-se transformadora da aprendizagem. exercer acoordenação do processo de execução dos próximos Planos. entendida como política de Estado e. criadora. Piaget escreveu sobre a interação entre indivíduo e meio constituída através de dois processos: organização interna das experiências e adaptação ao meio. o MEC tem como atribuição não apenas instituir “os mecanismos necessários aoacompanhamento das metas constantes do Plano Nacional de Educação” e assegurar a realização de avaliações periódicas dos seus níveis de implementação. o artigo 3º da lei que aprovou o PNE determina que: “a União. e coordenados pelo MEC/Seb/ Dase/Cafise. Enquanto que Piaget. Como órgão formulador e executor das políticas federais deeducação. na medida em que a proposição depolíticas na área envolve a ação da sociedade política e da sociedade civil. em 2006. Por sua vez. Dentre os processos avaliativos ocorridos ao longo da implementação do PNEvigente. Piaget aprovou a construção individual como singular e diferente. que: “o Poder Legislativo. deanálise contextualizada. Os §§ 1º e 2º desse artigoestipulam. também. que a legislação educacional em vigor distribui entre várias instituições a responsabilidade pelo acompanhamento e avaliação do PNE.realizados nas cinco regiões do País. 9 CONCEPÇÕES DE ENSINO E APRENDIZAGEM E ATIVIDADE DOCENTE. merecem ser destacados: (a) a realização de estudo sobre aimplementação do PNE pela Consultoria Legislativa. realizados pelo Centrode Planejamento e Desenvolvimento Regional (Cedeplar/UFMG). (b) o Colóquio Nacional sobreMecanismos de Acompanhamento e Avaliação do Plano Nacional de Educação. ela envolveuquestões específicas da educação e outras que a transcendem. Para ele as crianças adquirem uma forma própria de se desenvolver no social. portanto. porém cada um começou e perseguiu por diferentes questões e problemas. Piaget não deu ênfase aos valores sociais e culturais no desenvolvimento da inteligência. O PNE 2011-2020 – Uma construção coletiva Como referido. mas. A avaliação daspolíticas públicas na arena educacional apresenta. histórico social e ontogenético. em 2005. sobretudo. coordenada pela SEA/MEC. de 2001 a 2005.

Piaget considerou a linguagem como facilitadora. A aprendizagem. é referente ao papel da linguagem no desenvolvimento intelectual. A zona de desenvolvimento potencial é o nível de desenvolvimento em que os estudantes são capazes de solucionar problemas de forma independente. mas rememora. acreditavam no desenvolvimento e aprendizagem. também desta forma. com a desiquilibração. 94 Didatismo e Conhecimento . não podendo ir além daquele estádio adquirido. Piaget. Para Piaget. A interação social no desenvolvimento e aprendizagem escolar para Piaget e Vygotsky Para Vygotsky (1998). como processo psicológico superior adquirido na vida social mais extensa e por toda a espécie. como vontade. instrumento de imenso poder. mas não o produz (Fowler 1994). Os fatores sociais influenciam a desequilibração individual através do conflito cognitivo e apontam que há construção a ser feita. Piaget coloca que a nova construção é sempre realizada sobre uma construção anterior e que. assegura que significados linguisticamente criados sejam significados sociais e compartilhados. mas não como necessária ao desenvolvimento intelectual. Vygotsky atribui importância a linguagem. uma vez que irão contribuir no desenvolvimento dos processos psicológicos. pela motivação da criança. tanto Vygotsky como Piaget. (Fowler 1994). a interação com os colegas e adultos. Ou seja. na formação do pensamento e da consciência. e com isso o facilitador ou professor é o instrutor da criança. estimulando a iniciativa e a pesquisa”. quando o indivíduo emprega a capacidade de empregar símbolos para representar. estimular e apoiar a exploração. por sua vez. Para Piaget. a criança constrói o seu próprio conhecimento interno a partir do que é oferecido. através da fala. para Vygotsky desempenham um papel fundamental no desenvolvimento intelectual. Em segundo lugar. onde cada pessoa tem um ritmo. Nas obras de Piaget. explicando desta forma. Piaget considerou a construção do conhecimento como um ato individual da criança. Vygotsky trata a aquisição da linguagem do meio social como o resultado entre raciocínio e pensamento em nível intelectual. consequentemente. ele não é copiado de um referencial e modelo. Assim. e sendo produzido pela internalização de atividades sociais. ou seja. Piaget. A criança pode ativamente ouvir uma exposição ou ler um livro e empregar a informação recebida na construção. é sempre possível o avanço das construções anteriores. As implicações do desenvolvimento para Piaget e Vygotsky Tomando o ponto de vista educacional. a linguagem reflete. claro. com a modelação do conhecimento e a interação social. Vygotsky substituiu os instrumentos de trabalho por instrumentos psicológicos. os estudantes podem aprender coisas que não aprendiam sozinhos. a linguagem. Vygotsky retoma o tema da zona de desenvolvimento proximal e sua relação com a aprendizagem. Sabemos que muitos indivíduos estão estacionados em algumas etapas de desenvolvimento e isso é refletido no dia-a dia. mas não produz inteligência. O papel da linguagem no desenvolvimento intelectual para Vygotsky e Piaget A diferença mais nítida entre os dois teóricos. Nos primeiros. pois além da função comunicativa. reconheceu infinitamente o papel dos fatores sociais no desenvolvimento intelectual. A interação e a linguagem têm um importante destaque no pensamento de Vygotsky. A única maneira de avançar a um nível intelectual mais elevado não é na linguagem com suas representações. seus pontos de vista sobre o relacionamento sejam diferentes. em todas as demais funções psíquicas superiores do sujeito. através da ação. assunto deste estudo. O que é desejado é que o professor deixe de ser um expositor satisfeito em transmitir soluções prontas. superiores rudimentares e processos psicológicos avançados. Vygotsky chamou de zona de desenvolvimento potencial e zona de desenvolvimento proximal. Em relação à aprendizagem e desenvolvimento. o professor e o programa institucional devem modelar ou explicar o conhecimento. faz uma diferenciação entre processos psicológicos. A criança não inventa. que toda situação de aprendizagem escolar se depara sempre com uma história de aprendizagem prévia. com um jeito particular de pensar. através da ação. o trabalho do agente é. Tanto para Piaget como para Vygotsky. um processo de transmissão de cultura. O processo não é o de recriar um modelo. enquanto que para Piaget o próprio desenvolvimento é a força propulsora. o ambiente social é a fonte de modelos dos quais as construções devem se aproximar. mas o de inventá-lo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS da e próxima daquela da cultura. As crianças por sua vez vão tornando-se indivíduos com funções e habilidades intelectuais. copia o que está socialmente exposto e a disposição. na organização e planejamento da ação. na regulação do comportamento e. Vygotsky tinha a ideia de que a aprendizagem é a força propulsora do desenvolvimento intelectual. pelo fator social e ambiente. Vygotsky (1987). modelar cuidadosamente o conhecimento.4). são consideradas para a construção do conhecimento social. o ambiente da sala de aula requer interação social. (1973). de desenvolvimento. ele é necessário para proporcionar contraexemplos que forcem a reflexão e a reconsideração das soluções rápidas. Isto é. A verdadeira construção do conhecimento não é medida. no sentido vygotskiano. Vai ocorrendo períodos de desequilibração para uma nova sustentação de bases. O conhecimento anterior é reconstruído diante da desiquilibração socialmente provocada e estimulada. memória e atenção. com isso a criança tem a chance de errar e construir. Piaget tinha a concepção de que o nível de desenvolvimento colocava limites sobre o que podia ser aprendido e sobre o nível da compreensão possível daquela aprendizagem. por isso. e o desenvolvimento são adquiridos por modelos e. a evolução dos processos naturais até alcançar os processos mentais superiores. Para Vygotsky. as duas teorias divertem. As interações sociais foram consideradas como uma fonte do conflito cognitivo. de desequilibração e. portanto. embora por circunstâncias distintas. para Vygotsky toda construção era mediada pelos fatores externos sociais. a aprendizagem não começa na escola. O papel do professor é visto basicamente como o de encorajar. embora. o seu papel deveria ser aquele de um mentor. entre outras coisas. a criança pode utilizar as fontes e formas de informação no processo de construção. a construção e invenção. “É óbvio que o professor enquanto organizador permanece indispensável no sentido de criar as situações e de arquitetar os projetos iniciais que introduzam os problemas significativos à criança. e sim. Os fatores sociais. Dessa forma. Embora Vygotsky e Piaget considerassem o conhecimento como uma construção individual. A sociedade atribui a isto. ela é essencial no processo de transição do interpessoal em intramental. É a fonte do conhecimento socialmente construído que serve de modelo e media as construções do indivíduo. o que reflete o desenvolvimento intelectual. p. enquanto que a zona de desenvolvimento proximal é o nível em que os estudantes podem resolver problemas com “apoio”(Lester 1994. A cultura estabelece um conhecimento que é internalizado e construído pelas crianças. ele colocaria a linguagem oral. Piaget considerou a linguagem falada como manifestação da função simbólica.

Ex: interação e troca com outras crianças e do adulto como modelo. O desenvolvimento cognitivo para Vygotsky e Piaget Segundo Piaget (1987). completa-se o processo a que Piaget chamou de adaptação. é também possível graças à atividade do sujeito. ressaltando a maturidade do desenvolvimento. até o pensamento formal. Todo o conhecimento é uma construção que vai sendo elaborada desde a infância. tais como: a) O que a criança consegue hoje com a colaboração de uma pessoa mais especializada. desde o estágio inicial de uma inteligência prática (período sensório-motor). instigado. ou seja. através de estágios diferentes um do outro. por isso que a sua teoria ficou conhecida como sócio interacionista. nem resultado do simples registro de percepções e informações como comenta o empirismo. A abordagem de Vygotsky se contrapõe a de Piaget. sejam eles do mundo físico ou cultural. Piaget procurou mostrar quais as mudanças qualitativas por quais passa a criança. mediado pelo grupo. ela já tem esquemas assimilados. A criança vai adquirindo estruturas linguísticas e cognitivas. que determina o que por ela é internalizado. Desenvolvimento e aprendizagem para Piaget Ao elaborar a teoria psicogenética. elas observam o que os outros dizem. mas. O desenvolvimento cognitivo para Piaget. conceito central na teoria construtivista. Desenvolvimento proximal e desenvolvimento real para Vygotsky Para Vygotsky (1987). consegue chegar a zona de desenvolvimento Didatismo e Conhecimento 95 proximal. mas terá que modificar o esquema para chupeta. através de assimilações e acomodações. a zona de desenvolvimento proximal representa o espaço entre o nível de desenvolvimento real. Recriam e conservam o que se passa ao redor. é o de equilibração. genética. pois é este que se transforma para a elaboração de novos conhecimentos. através da internalização. o professor terá condições de não só utilizar meios concretos. Os objetos do conhecimento têm propriedades e particularidades que nem sempre são assimiladas pela pessoa. Desta forma. com maior facilidade utiliza a mamadeira. Resumindo. Dolle (1993). Segundo Piaget. Com sucessivas aproximações. porque falam. O que promove este movimento é o processo de equilibração. mais tarde poderá realizar sozinha. c) Segundo Vygotsky (1987). Vygotky afirma que a aprendizagem da criança se dá pelas interações com outras crianças de seu ambiente. que sejam professores. onde a criança era apta a resolver um problema sozinha. se utilizando a mediação. aquele momento. porém sua ênfase recai no papel do ambiente para o desenvolvimento biológico. afirmando serem as influências sociais mais importantes que o contexto biológico. a assimilação. a moral. a criança o fazia com colaboração de um adulto ou um companheiro. com maior propriedade. o desenvolvimento é de fora para dentro. construindo acomodações e assimilações. sendo que a linguagem funciona como mediador. embora seja estimulado pelo objeto. a origem do desenvolvimento cognitivo dá-se do interior para o exterior. A adaptação do sujeito vai ocorrendo. Resulta das ações e interações do sujeito com o ambiente onde vive. o conhecimento não pode ser aceito como algo predeterminado desde o nascimento ou de acordo com a teoria inatista. A mediação é a forma de conceber o percurso transcorrido pela pessoa no seu processo de aprender. uma criança que já construiu o esquema de sugar. A cada adaptação constituída e realizada. o indivíduo pode olhar como desafio. ao contrário do pensamento de Piaget que assegura ser a aprendizagem uma consequência do desenvolvimento. pais e outras crianças mais velhas e mais experientes. o esquema assimilador se torna solidificado e disponível para que a pessoa realize novas acomodações. Por isso. comer com colher. lógico-dedutivo. O autor ressalta a importância de que esses processos sejam internalizados pela criança. motivado e. através da interação sujeito com os objetos que procura conhecer. formando os esquemas. Em função desta constatação. faz com que a pessoa se “desequilibra” intelectualmente. visuais e reais. procura restabelecer o equilíbrio que é sempre dinâmico. A este processo de ampliação ou modificação de um esquema de assimilação. O pensamento vai se tornando cada vez mais complexo e abrangente. Este questionamento é o interesse principal da epistemologia genética. pela sua própria estrutura mental. pois é alcançado por meio de ações físicas e também mentais. Para que esta adaptação se torne abrangente. fica curioso. ou por outra criança mais velha. Vygotsky afirma que o conhecimento se dá dentro de um contexto. ligados com outros fatores como experiências. a aprendizagem acelera processos superiores internos que são capazes de atuar quando a criança encontra interagida com o meio ambiente e com outras pessoas. O autor considera que o ambiente poderá influenciar no desenvolvimento cognitivo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Vygotsky coloca que no cotidiano das crianças. . interagindo com objetos do conhecimento cada vez mais diferentes e abstratos. ocorrendo em função da maturidade da pessoa. Também será mais fácil para essa criança. Piaget chamou de acomodação. b) A criança consegue autonomia na resolução do problema. uma suposta falta no conhecimento. a acomodação. porque dizem. ajudando à criança a superar suas capacidades. A criança vai usando o sistema. Vygotsky colocou que “as funções mentais superiores são produto do desenvolvimento sócio histórico da espécie. através dos “porquês” e dos “como”. Quando o professor. maturação biológica. o desenvolvimento ocorre em função da aprendizagem. A educação é um processo necessário. e o nível de desenvolvimento potencial. de maneira que é necessário investigar. fazer uso de recursos que se reportem ao pensamento abstrato. existiria uma interação entre o indivíduo e o meio. o que falam. a partir da adolescência. que Piaget destaca. Diante de um estímulo. A referência da zona de desenvolvimento proximal implica na compreensão de outras ideias que completa a ideia central. é importante considerar o principal objetivo da educação que é autonomia. através da assistência e auxílio do adulto. etc. a lógica. a adaptação e a assimilação. para a teoria vygotskiana. Não se pode ignorar o papel desempenhado pelas crianças ao se relacionarem e interagirem com outras pessoas. Lima (1990). tanto intelectual como moral. ele pode atingir maneiras através das quais a instrução será mais útil para a criança. a linguagem e a compreensão de regras sociais que não são inatas. internalizando tudo o que é observado e se apropriando do que viu e ouviu. é necessário investigar como esses conhecimentos são adquiridos. que não são impostas de dentro para fora e sim construídas pelo sujeito ao longo do desenvolvimento. formando desta forma uma construção dinâmica entre aprendizagem e desenvolvimento.

consequentemente. é a forma em que os indivíduos podem resolver os problemas com apoio. onde o ser é visto como ativo. antes desconhecidas por ele mesmo. Seria uma troca de meios para que esse desenvolvimento ocorra. Assim. justifica-se o presente estudo. Muitas vezes. cabe ao facilitador. como muitos pensam. dentro do que lhe é cobrado. É necessário errar. 96 Didatismo e Conhecimento . porque constitui conhecimento através de relações intra e interpessoais. a pessoa ir além do seu ritmo. Embora se reconheçam as dificuldades do estabelecimento de uma síntese dessas diferentes tendências pedagógicas. diferentes pressupostos sobre o papel da escola e da aprendizagem. O que resultaria num bloqueio na aprendizagem. não adianta acreditar unicamente na constituição do próprio sujeito. a aprendizagem favorece o desenvolvimento das funções mentais. de maneira tradicional ou simplista. Para Piaget o conhecimento é construído. ele acaba por superar. com isso. tendo em vista que o modo como os professores realizam o seu trabalho na escola tem a ver com esses pressupostos teóricos. emprega-se. Os estágios de desenvolvimento são importantes na a avaliação profissional. que as classifica em dois grupos: “liberais” e “progressistas”. fatores internos e externos intercalando-se. Para Piaget a construção do conhecimento individual é única. Tanto Piaget como Vygotsky estavam preocupados com a questão do desenvolvimento e cada um buscou formas diferentes e complementares para elaboração das estruturas mentais e formação de esquemas. A teoria de Vygotsky trata o indivíduo como um agente e o meio. a criança sozinha “não dá conta” de suas próprias experimentações. exigido. Enquanto para Piaget a aprendizagem depende do estágio de desenvolvimento atingido pelo sujeito. históricos e culturais influenciáveis no desenvolvimento. sob influência desse meio e como são passados os conhecimentos. cujas influências se refletem no ecletismo do ensino atual. para Vygotsky o sujeito não é apenas ativo. enquanto que para Piaget. Piaget não desconsiderava que o conhecimento é influenciado pelo externo. 10 TEORIAS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO. e nem contar com meios externos. se existe a pessoa que oferece orientação para o indivíduo. para a formação continuada de professores. para ocorrer o conhecimento. Porém. o próprio desenvolvimento é a força propulsora. os indivíduos podem adquirir conhecimentos que antes não podiam. nem modifica as estruturas do funcionamento nas quais intervém” Dolle (1993). Não são somente as desequilibrações anteriores que podem ser desenvolvidas. teoricamente. explícita ou implicitamente. não podendo. para haver desequilíbrio necessário para novas aquisições. para saber onde o indivíduo se encontra para fornecer subsídios para novas aquisições. a “renovada não-diretiva” e a “tecnicista”. mas as “superiores”. Deve haver senso de percepção para perceber o que a criança necessita no momento. por isso a utilização dos dois processos deve ser considerada. Enquanto no referencial construtivista o conhecimento se dá a partir da ação do sujeito sobre a realidade. Se a criança não consegue ir além do que lhe é permitido mentalmente. É necessário um modelo para orientar e fazer a criança pensar sobre como está para desenvolver-se. mas ao mesmo tempo tem uma influência constitucional única que a ajuda ou dificulta a construir seu conhecimento. A criança transforma aquilo que aprende de acordo com sua capacidade interna. ou seja . uma forma seria sem apoio na resolução de problemas e a outra forma. Sabemos que muitos indivíduos estão estacionados em algumas etapas de desenvolvimento e isso é refletido no dia-a dia. apenas acreditava que a criança adquire esses modelos externos. as crianças internalizam e constroem o conhecimento. Os fatores sociais para Vygotsky desempenham um papel fundamental no desenvolvimento intelectual. As duas concepções sobre aprendizagem devem ser complementares. para que não ocorra falhas no processo de conhecimento e também pra que não ocorra desgaste demasiado. enquanto que Vygotsky comentou os fatores sociais. Sabe-se que a prática escolar está sujeita a condicionantes de ordem sociopolítica que implicam diferentes concepções de homem e de sociedade e. o que permite a constituição de conhecimentos e da consciência. “A afetividade pode ser a causa de acelerações ou retardos no desenvolvimento intelectual e que ela própria não engendra estruturas cognitivas. estão incluídas a tendência “tradicional”. com ajuda externa. mas interativo. a utilização inerente de construção ou uma espera do meio. Na medida em que o indivíduo recebe uma orientação. Os educadores não devem deixar de perceber o sujeito em relação ao tempo e a cultura. dependendo do nível intelectual da constituição mental. com a modelação de conhecimento e a interação do meio social. A desequilibração é sempre possível para as construções anteriores.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A afetividade está correlacionada a esta inteligência e desempenha papel de uma fonte energética da qual dependeria o funcionamento da inteligência. a “renovada progressivista”. Piaget reconheceu os fatores sociais no desenvolvimento intelectual que provoca desiquilibração e construção desse conhecimento. É na troca com outros sujeitos e consigo próprio que há internalização de conhecimentos. com um jeito particular de pensar. a tendência “libertadora”. é externo. através da cultura. reforçando. o indivíduo vai aprendendo a pensar por si mesmo. criadora. O facilitador deve investigar. pode não haver um potencial para as novas acomodações. Através disso. No segundo. a teoria de José Carlos Libâneo. O objetivo deste texto é verificar os pressupostos de aprendizagem empregados pelas diferentes tendências pedagógicas na prática escolar brasileira. neste estudo. Vygotsky chamou de zona de desenvolvimento potencial e zona de desenvolvimento proximal. sem medição. Nas trocas de valores entre o meio. inter alia. a aprendizagem é a força propulsora do desenvolvimento intelectual. No primeiro grupo. e colocações de questões para a própria criança perceber onde está. história e modelo social. cabe observar e usar técnicas para que esse desenvolvimento ocorra. Quando a criança estiver “congelada” no desenvolvimento. Para Vygotsky. papéis e funções sociais. a “libertária” e a “crítico-social dos conteúdos”. Não adiantaria irem além do ritmo da criança. como forma de constituição individual. A cultura estabelece um conhecimento que é internalizado e construído pelas crianças. os indivíduos interagem com o social. se essa capacidade de aprendizagem e oportunidade lhe for oferecida. Para Piaget o nível de desenvolvimento colocava limites sobre o que podia ser aprendido e sobre o nível de compreensão possível daquela aprendizagem. ele começa a formular hipóteses. tornando-se transformadora da aprendizagem. com colegas e mediadores. mostrar o caminho para a aprendizagem. para Vygotsky. a criança têm chance de errar e construir. para poder ir aonde quer chegar. numa tentativa de contribuir. (Texto adaptado de Flávia Sayegh).

preponderaram as influências do estruturalismo linguístico e a concepção de linguagem como instrumento de comunicação. para os estruturalistas. ou seja. Isso pressupõe que o indivíduo precisa adaptar-se aos valores e normas vigentes na sociedade de classe. aprender se torna uma atividade de descoberta. tal como ocorreu com a corrente pragmatista. um conjunto de signos que se combinam segundo regras e que é capaz de transmitir uma mensagem. numa sequência lógica. dessa forma. sendo o ambiente apenas um meio estimulador. assim. Tendência Liberal Tradicional Segundo esse quadro teórico. não leva em conta a desigualdade de condições. Se.692/71. o papel da escola na formação de atitudes. a atividade pedagógica estava centrada no professor. o que é incorporado passa a compor a estrutura cognitiva para ser empregado em novas situações. segundo Piaget.394/96. através da descoberta pessoal. também. a tendência liberal renovada (ou pragmatista) acentua o sentido da cultura como desenvolvimento das aptidões individuais. Tendências Pedagógicas Liberais Segundo LIBÂNEO (1990). No aspecto teórico-prático. 97 A escola continua. o que presume a necessidade de regras do bem falar e do bem escrever. ou seja. articulando-se diretamente com o sistema produtivo. a uma adequação pessoal às solicitações do ambiente. portanto. a visão behaviorista acredita que adquirimos uma língua por meio de imitação e formação de hábitos. a descoberta. será dado ênfase ao ensino da Língua Portuguesa. Segundo essa concepção de linguagem. para tanto. Didatismo e Conhecimento . levando em conta os interesses do aluno. dominar o código. considerando-se as diferentes concepções de linguagem que perpassam esses períodos do pensamento pedagógico brasileiro. nessa tendência tradicional. apenas menos desenvolvida. por isso ela deve imitar a vida. pois esbarraram na prática da tendência liberal tradicional. adaptando as necessidades do educando ao meio social. No ensino da língua. Apenas se aprende o que estiver significativamente relacionado com essas percepções. pois vê nessa gramática uma perspectiva de normatização linguística. o professor terá condições de avaliar os fundamentos teóricos empregados na sua prática em sala de aula. para que o aluno forme “hábitos” do uso correto da linguagem. pois. A retenção se dá pela relevância do aprendido em relação ao “eu”. na instrução programada. encontraram. nessa tendência. Portanto. nas manifestações na prática escolar das diversas tendências educacionais. através do desenvolvimento da cultura individual. tomando como modelo de norma culta as obras dos nossos grandes escritores clássicos. exigindo uma atitude receptiva e mecânica do aluno. este trabalho pelo fato de que novos avanços no campo da Psicologia da Aprendizagem. sendo o professor apenas um facilitador. A criança é vista. ou seja. é uma autoaprendizagem. É a tomada de consciência. também conhecida como behaviorista. valorizando as tentativas experimentais. o estudo do meio natural e social. com ênfase nos exercícios repetitivos e de recapitulação da matéria. na tendência liberal tradicional. ou seja. Como pressupostos de aprendizagem. sem levar em conta as características próprias de cada idade. e a avaliação é realizada através de provas escritas e exercícios de casa. como um adulto em miniatura. teoria gramatical. a pesquisa. sobretudo. A partir da Reforma do Ensino. a pedagogia liberal sustenta a ideia de que a escola tem por função preparar os indivíduos para o desempenho de papéis sociais. é a garantia de se chegar ao domínio da língua oral ou escrita. a tecnologia comportamental. a Gramática Tradicional ou Normativa se constitui no núcleo dessa visão do ensino da língua. De acordo com essa escola tradicional. Tendência Liberal Tecnicista A escola liberal tecnicista atua no aperfeiçoamento da ordem social vigente (o sistema capitalista). razão pela qual deve estar mais preocupada com os problemas psicológicos do que com os pedagógicos ou sociais. predomina. emprega a ciência da mudança de comportamento. também. como Piaget. saber gramática. uma barreira na prática da tendência liberal tradicional. Devido a essa ênfase no aspecto cultural. não se preocupando com as mudanças sociais. na escola renovada progressivista. Skinner foi o expoente principal dessa corrente psicológica. o aluno é educado para atingir sua plena realização através de seu próprio esforço. No ensino da língua. bem como a revalorização das ideias de psicólogos interacionistas. informações de um emissor a um receptor. Aprender é modificar suas próprias percepções. Conforme MATUI (1988). embora muito difundidas. a escola tecnicista. etc. as diferenças de classe social não são consideradas e toda a prática escolar não tem nenhuma relação com o cotidiano do aluno. a ideia de que o ensino consiste em repassar os conhecimentos para o espírito da criança é acompanhada de outra: a de que a capacidade de assimilação da criança é idêntica à do adulto. Tendência Liberal Renovada Não-Diretiva Acentua-se. Quanto aos pressupostos de aprendizagem. em razão disso. portanto centrada no aluno. por isso a ênfase na repetição. Os seguidores dessa corrente linguística. a preparar o aluno para assumir seu papel na sociedade. essas ideias escolanovistas não trouxeram maiores consequências. Portanto. o que torna a avaliação escolar sem sentido. a tendência liberal tradicional se caracteriza por acentuar o ensino humanístico. de acordo com as aptidões individuais. com a Lei 5. Vygotsky e Wallon. Os conteúdos são organizados pelo professor. a partir da LDB 9. preocupamse com a organização lógica do pensamento. Tendência Liberal Renovada Progressivista Segundo essa perspectiva teórica de Libâneo. Sendo assim. baseada na teoria de aprendizagem S-R. embora a escola passe a difundir a ideia de igualdade de oportunidades. Assim. No ensino da língua portuguesa. as diferenças entre as classes sociais não são consideradas. Todo o esforço deve visar a uma mudança dentro do indivíduo. Trata-se de um ensino centrado no aluno. exigem uma atualização constante do professor. saber a língua é. nos drills.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Justifica-se. as ideias da escola renovada não-diretiva. de cultura geral. Só é retido aquilo que se incorpora à atividade do aluno. que implantou a escola tecnicista no Brasil. Segundo RICHTER (2000). Através do conhecimento dessas tendências pedagógicas e dos seus pressupostos de aprendizagem. e a autonomia da escola na construção de sua Proposta Pedagógica. defende-se a ideia de “aprender fazendo”. A língua – como diz TRAVAGLIA (1998) – é vista como um código. parte-se da concepção que considera a linguagem como expressão do pensamento. vê o aluno como depositário passivo dos conhecimentos. produzir indivíduos “competentes” para o mercado de trabalho. privilegiando-se a auto avaliação. que devem ser acumulados na mente através de associações. Seu interesse principal é. o ensino da gramática pela gramática.

nem no receptor. partindo do que o aluno já sabe. A atuação da escola consiste na preparação do aluno para o mundo adulto e suas contradições. o saber mais importante para o oprimido é a descoberta da sua situação de oprimido. além da negociação de sentidos na leitura. em comum. a pedagogia progressista designa as tendências que. fornecendo-lhe um instrumental. De acordo com ARANHA (1998). Já as tendências pedagógicas progressistas. ascendente. a partir da Lei 5. Assim. Na visão da pedagogia dos conteúdos. como queriam os empiristas. não importa qual. ora inatista. No ensino da Leitura. a renovada e a tecnicista. então. como afirma Libâneo. ou seja. separadas do homem no seu contexto social. Tendência Progressista Libertária A escola progressista libertária parte do pressuposto de que somente o vivido pelo educando é incorporado e utilizado em situações novas.692/71. no ensino da língua. é visto como possibilidade de desenvolver a expressão oral e escrita. através da elaboração da consciência crítica passo a passo com sua organização de classe. nem no objeto. no sujeito. As ideias desses psicólogos interacionistas vêm ao encontro da concepção que considera a linguagem como forma de atuação sobre o homem e o mundo e das modernas teorias sobre os estudos do texto. não se elabora uma nova teoria do conhecimento e se os oprimidos não podem adquirir uma nova estrutura do conhecimento que lhes permita reelaborar e reordenar seus próprios conhecimentos e apropriar-se de outros. como a Linguística Textual. conforme Gadotti. partindo de uma análise crítica das realidades sociais. deduz-se que as tendências pedagógicas liberais. procurassem legitimar a ordem econômica e social do sistema capitalista. Assim. tradicionalmente. Tendência Progressista Libertadora As tendências progressistas libertadora e libertária têm. Como pressuposto de aprendizagem. a partir do seu conhecimento de mundo. admite-se o princípio da aprendizagem significativa. a condição para se libertar da exploração política e econômica. a leitura como processo permite a possibilidade de negociação de sentidos em sala de aula. embora. acentua a primazia dos conteúdos no seu confronto com as realidades sociais. da Reforma do Ensino. De base empirista (Paulo Freire se proclamava um deles) e marxista (com as ideias de Gramsci). essas tendências. para uma participação organizada e ativa na democratização da sociedade. valorizam o texto produzido pelo aluno. segundo os inatistas. a pedagogia libertadora ultrapassa os limites da pedagogia. ao lado e junto deste. também conhecida como a pedagogia de Paulo Freire. não é centrado no texto. Paulo Freire. (Texto adaptado de Delcio Barros da Silva). essas teorias buscam uma aproximação com modernas correntes do ensino da língua que consideram a linguagem como forma de atuação sobre o homem e o mundo. decodificá-lo. quando o aluno supera sua visão parcial e confusa e adquire uma visão mais clara e unificadora. A transferência da aprendizagem só se realiza no momento da síntese. o ato de conhecimento na relação educativa. a força motivadora deve decorrer da codificação de uma situação-problema que será analisada criticamente. na prática. mas insiste que o conhecimento não é suficiente se. entre outros. pelo qual se procura alcançar. como diziam os empiristas. a Análise do Discurso. a partir de uma negociação de sentido entre enunciador e receptor. A tendência tecnicista é de certa forma. reflexão e crítica. numa perspectiva sócio histórica. no contexto da luta de classes. segundo essa concepção de linguagem. bottomup. sintetiza sua ideia de dialogismo: “Eu vou ao texto carinhosamente. No ensino da língua. a razão de ser dos fatos. ou sob algumas as influências teóricas do estruturalismo e do gerativismo. Assim. por meio de representações da realidade concreta. isto é. por se declararem neutras. de alguém que estava ali para decifrá-lo.394/96. uma modernização da escola tradicional e. Um dos pontos em comum entre esses psicólogos é o fato de serem interacionistas. Vygotsky e Wallon. como processo de interação verbal. segundo essa perspectiva interacionista. a travar um diálogo comigo”. descendente. A partir da LDB 9. que constitui a sua realidade fundamental. De modo geral. Tendências Pedagógicas Progressistas Segundo Libâneo. portanto. nessa abordagem interacionista. aprender é um ato de conhecimento da realidade concreta. revalorizam-se as ideias de Piaget. No ensino da língua. eu puxo uma cadeira e convido o autor. e só tem sentido se resulta de uma aproximação crítica dessa realidade. Paulo Freire não considera o papel informativo. como queriam os inatistas. a Semântica Argumentativa e a Pragmática. Tendência Progressista Crítico-Social dos Conteúdos Conforme Libâneo. o trabalho com as estruturas linguísticas.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS No ensino da Língua Portuguesa.º 9. sustentam implicitamente as finalidades sociopolíticas da educação. Segundo GADOTTI (1988). esses problemas ocorreram devido às dificuldades de o professor assimilar as novas teorias sobre o ensino da língua materna. no ensino da leitura. situando-se também no campo da economia. por meio da aquisição de conteúdos e da socialização. principalmente com as difusão das ideias de Piaget. não conseguiu superar os equívocos apresentados pelo ensino da língua centrado na gramática normativa. visam a favorecer o desenvolvimento de pessoas mais livres. da política e das ciências sociais. isto é. e a negação de toda forma de repressão. A ênfase na aprendizagem informal via grupo. apesar das contribuições teóricas do estruturalismo. para Paulo Freire. A escola libertadora. a tendência progressista crítico-social dos conteúdos. Portanto o conhecimento que o educando transfere representa uma resposta à situação de opressão a que se chega pelo processo de compreensão. como ocorria. Tendências Pedagógicas Pós-LDB 9. ou seja.394/96 Após a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de n. numa entrevista. Para citar um exemplo no ensino da língua. nunca assumiram compromisso com as transformações da sociedade. procura valorizar o texto produzido pelo aluno. a tradicional. O processo de leitura. Vygotsky e Wallon. porque concebem o conhecimento como resultado da ação que se passa entre o sujeito e um objeto. da situação real vivida pelo educando. simbolicamente. a defesa da autogestão pedagógica e o antiautoritarísmo. Em parte. com ensino da gramática tradicional. predominaram os métodos de base ora empirista. têm em comum a análise crítica do sistema capitalista. mas resulta da interação entre ambos. Por isso. vincula a educação à luta e organização de classe do oprimido. diferentemente da libertadora e libertária.394/96. o conhecimento não está. ou seja. Didatismo e Conhecimento 98 . envolvendo o exercício da abstração. De acordo com esse quadro teórico de José Carlos Libâneo. por isso o saber sistematizado só terá relevância se for possível seu uso prático. o receptor é retirado da sua condição de mero objeto do sentido do texto. mas ascendente/descendente. top-down. assim como a possibilidade de negociação de sentido na leitura. em oposição às liberais.

O Desenvolvimento dos Conteúdos e as Concepções Pedagógicas. A experiência de quem aprendeu é antes. pesquisando e organizando e selecionando alternativas. métodos. e particularmente para a Educação Física.O professor José Carlos Libâneo analisa cada uma dessas tendênciasenvolvendo os aspectos do papel da escola. em geral elaborado em nível de sistema oficial de ensino econsegue dar uma unidade ao trabalho dos professores nas escolas doestado ou município. o autor denominou tais métodos de globalizadores. selecionadas e organizadas pelas escolas (Turra –planejamento de ensino e avaliação). tradicional. adequados às exigências e condições que osalunos vivem.A escola como formadora é o centro da educação constante e temcomo função repassar o conhecimento. em uma lógica da organização curricular. atitudes. nos últimos anos é cada vez mais comum encontrarmos propostas que rompem com a organização por unidades centradas exclusivamente em disciplinas. Daí a importância da compreensão do significado da transversalidade. No tocante aos métodos globalizadores. ponto de partida para aquisição de informações. quantidade. pressupostos de aprendizagem e práticaescolar. Didatismo e Conhecimento 99 . uma organizaçãovertical (plano temporal ) que envolver a continuidade e a sequencia queenvolve o conteúdo repetidas vezes em diferentes fases de um cursoaprofundando e ampliando a sequencia e o horizontal ( plano de umamesma série) que se refere ao relacionamento entre as diversas áreas docurrículo integrando e visando garantir a unidade do conhecimento. hoje. comocooperação. é organizada em torno dos problemas ouprojetos importantes dos alunos. pelos educadores e educadoras nas escolas e nos encontros da categoria docente. o estudo do meio.O papel do professor bem preparado é fundamental para o inferir doaluno. o desenvolvimento do modelopedagógico adequado para o nível de alunos que frequenta as escolar éessencial para um bom desenvolvimento cognitivo. Os conteúdos são importantes à medida que constituem aorganização sobre a qual o aluno constrói o conhecimento. o professor deve-se basear nos seguintes critérios: • Validade – relação clara e nítida com os objetivos a serematingidos no ensino e conteúdos • Utilidade – possibilidade de aplicar o conhecimento emsituações novas. a temática de organização dos conteúdos de aprendizagem não poderia ser mais atual e significativa para a educação brasileira de maneira geral. respeito ao próximo. podendo também serchamado de organização psicológica significativa para o próprio aluno. conhecimento e interessesde seus alunos. e sim assimilar o que se deseja passar.O professor dispõe de flexibilidade para selecionar os conteúdos maisadequados aos seus alunos.Conteúdo são experiências educativas onde se apoia a práticamental. habilidades e atitudes para alcançarmos osobjetivos proposto no processo de orientação educacional. Através da estrutura da disciplinapodemos ter uma visão ampla do conhecimento estudado. Como a questão da diversidade tem sido pensada nos diferentes espaços sociais. principalmente.A unidade que é um tipo de organização estrutural inclui experiênciasque abrange. especifica os objetivos e conteúdos de acordo com as condições década classe. ajudando-os na vida cotidiana a solucionar osproblemas e enfrentar situações novas. dão um papel de destaque para os temas transversais. A organização dos conteúdos nesses métodos. o que foi maisimportante e o que foi relevante. nos seus documentos do Ensino Fundamental.relacionamento professor e aluno. Zabala descreve as possibilidades dos centros de interesse de Decroly. A organização do Conteúdo. O Programa pessoal de cada professor pode ser anual.O aluno deve ser envolver pessoalmente com o conteúdo. renovada-progressista. conteúdo de ensino. ser. os métodos de projetos de Kilpatrick. Os conteúdos devem apresentar uma sequência. O programa escolar oficial é a ação educativa para um determinadograu de ensino. É preciso incutir nas crianças ejovens o s valores essenciais para a sobrevivência da comunidade. as DCNs do Ensino Médio referenciam como princípio básico para este nível a interdisciplinaridade. justiça. Os conteúdos devem estar organizados por princípios lógicosestabelecendo relação entre seus elementos. • Significação – interessante para o aluno quando relacionadopor situações vivenciadas por ele. e para o encaminhamento de novas propostas de ensino.Critérios para a Seleção de Conteúdos. valorização do trabalho etc.Tanto a organização do conhecimento como as experiênciaseducativas são importantes. nos movimentos sociais? Como podemos lidar pedagogicamente com a diversidade? Esses e outros questionamentos estão colocados. pois os conteúdos de aprendizagem só podem ser considerados relevantes na medida em que desenvolvam nos alunos a capacidade para compreender uma realidade que se manifesta globalmente.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 11 CURRÍCULO BASEADO EM HABILIDADES E COMPETÊNCIAS. São analisadas as relações e a forma de vincular os diferentes conteúdos de aprendizagem. observando a qualidade. porém deve o mesmo ter responsabilidade namontagem. um processo de aquisiçãode novos modos de perceber. observando o desenvolvimento e aprendizagens do aluno. para odesenvolvimento de hábitos. várias semanas. Portanto. Ao longo da história. visa operacionalizar as diretrizes curriculares do sistema deensino.hábitos etc. fazendoassociações. desenvolvendo o conhecimento e o desenvolvimento de seu ser. O conceito do conteúdo não é simplesmente a aquisição deinformação. renovada não-diretiva e a Pedagogia progressista que élibertadora. A função da escolar é a difusão do conhecimento visando à melhoriada qualidade de vida das camadas populares. mensal ousemanal. o professor dever fazer umaligação do já conhecido com o novo o que torna o conteúdosignificativo. Pedagogia Liberal cujas tendências são. ou melhor. libertária e crítica social dos conteúdos. Por outro lado. Contudo. o conhecimento sobre as novas formas de organização é necessário para a compreensão e reflexão destes documentos. Os PCNs. as experiências que o homem adquire serãotransmitidas ao aluno e as experiências que o próprio aluno vivenciara emtorno desses conhecimentos adquiridos. •Flexibilidade – somente quando houver possibilidade de fazeralterações no conteúdo suprimindo itens ou incluindo novostópicos de acordo com o interesse dos alunos. reconstruindo o conhecimento. os conhecimentos foram alocados em disciplinas. No nosso entendimento.Cada proposta pedagógica baseia-se em uma determinada ideia deensino-aprendizagem e da interação professor-aluno.Conteúdos podem dizer respeito à organização de conhecimentosobre a base de suas próprias regras ou são as experiências educativas nocampo do conhecimento. pensar e agir. e os projetos de trabalhos globais. • Adequação ao nível de desenvolvimento do aluno – adequar erespeitar a maturidade intelectual do aluno deve haverassimilação essenciais e desejáveis contribuindo para seudesenvolvimento.O conteúdo é um conjunto de referencia a conhecimentos. assimestará construindo.

há a demanda óbvia. mesmo os aspectos tipicamente observáveis. só passaram a ser percebidos dessa forma. que aprendemos a ver como diferentes desde o nosso nascimento. idades e culturas? Esse desafio é enfrentado por todos nós que atuamos no campo da educação. Seres humanos apresentam. por um currículo que atenda a essa universalidade. A primeira constatação talvez seja que. a nossa relação com os alunos e suas famílias e as nossas relações profissionais? Como enxergamos a diversidade enquanto cidadãos e cidadãs nas nossas práticas cotidianas? . em específico. Esse fenômeno. de ressaltar como positivos e melhores os valores que lhe são próprios. Por mais que a diversidade seja um elemento constitutivo do processo de humanização. não se caracteriza somente pela unidade do gênero humano. É o que chamamos de etnocentrismo. A diversidade é um componente do desenvolvimento biológico e cultural da humanidade. Sendo assim. gerando certo estranhamento e. quando exacerbado. Este último. assim os nomeamos e identificamos. no contexto da cultura. Todavia. Algumas dessas diversidades provocam impedimentos de natureza distinta no processo de desenvolvimento das pessoas (as comumente chamadas de “portadoras de necessidades especiais”). sobretudo. Durante toda a nossa vida realizamos aprendizagens de naturezas mais diferentes. nos projetos pedagógicos e nas diferentes Secretarias de Educação. O discurso. até mesmo. Para avançarmos nessas questões. no contexto das relações sociais. As discussões acima realizadas poderão ajudar a aprofundar as reflexões sobre a diversidade no coletivo de educadores. marcado pela interação contínua entre o ser humano e o meio. a diversidade pode ser entendida como um fenômeno que atravessa o tempo e o espaço e se torna uma questão cada vez mais séria quanto mais complexas vão se tornando as sociedades. saberes. trabalharmos pedagogicamente com a diversidade. Mas essas três qualidades não se constroem no vazio e nem se limitam a ser nomes abstratos. De acordo com Elvira de Souza Lima (2006). o escolar. tanto o desenvolvimento biológico. Afinal. porque nós. ainda. Será que existe sensibilidade para a diversidade na educação infantil. seres humanos e sujeitos sociais. Por isso. de alguns coletivos de profissionais no interior das escolas e secretarias de educação ou se já alcançou um lugar de destaque nas preocupações pedagógicas e nos currículos. os quais realizam práticas curriculares variadas. valores. Como toda forma de diversidade é hoje recebida na escola. nos projetos pedagógicos e nas propostas educacionais. Estamos diante de uma terceira tarefa. pois a experiência da diversidade faz parte dos processos de socialização. há uma tendência nas culturas. Sendo assim. Nesse processo. permeados por relações de poder e dominação. as reflexões aqui realizadas aplicam-se aos profissionais que atuam em todos esses campos. por isso se faz presente em toda e qualquer sociedade. a nossa primeira tarefa poderá ser o questionamento sobre a presença ou não dessas indagações na nossa prática docente. A construção das diferenças ultrapassa as características biológicas.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Ao realizarmos essa discussão. A relação existente entre educação e diversidade coloca-nos diante do seguinte desafio: o que entendemos por diversidade? Que diversidade pretendemos esteja contemplada no currículo das escolas e nas políticas de currículo? Para responder a essas questões. Mas não será essa afirmativa uma contradição? Como a educação escolar pode se manter distante da diversidade sendo que a mesma se faz presente no cotidiano escolar por meio da presença de professores/ as e alunos/as dos mais diferentes pertencimentos étnico-raciais. nos processos de adaptação do homem e da mulher ao meio social e no contexto das relações de poder. os nossos currículos. sobretudo. ambígua de lidar com o diverso. fazem-se necessários alguns esclarecimentos e posicionamentos sobre o que entendemos por diversidade e currículo. experiências de sociabilidade e de aprendizagem. a relação entre currículo e diversidade é muito mais complexa. Mapear o trato que já é dado à diversidade pode ser um ponto de partida para novos equacionamentos da relação entre diversidade e currículo. sociais e culturais. Elas se constroem no contexto social e. pela riqueza da diversidade. na EJA. há uma tensão nesse processo. a diversidade pode ser entendida como a construção histórica. Seria muito mais simples dizer que o substantivo diversidade significa variedade. As diferenças são também construídas pelos sujeitos sociais ao longo do processo histórico e cultural. no ensino fundamental. A educação de uma maneira geral é um processo constituinte da experiência humana. sendo assim. de fato. ensino fundamental e ensino médio) até a educação superior incluindo a EJA. qual é o lugar ocupado pela diversidade? Ela figura como tema que transversaliza o currículo? Faz parte do núcleo comum? Ou encontra espaço somente na parte diversificada? Do ponto de vista cultural. enquanto uma experiência que atravessa toda sociedade e toda cultura. Há uma relação estreita entre o olhar e o trato pedagógico da diversidade e a concepção de educação que informa as práticas educativas. especial. cultural e social das diferenças. Nessa tensão. de um modo geral. são únicos em suas personalidades e são também diversos em suas formas de perceber o mundo. representações e identidades. uma rejeição em relação ao diferente. valores. A diversidade faz parte do acontecer humano. diferença e multiplicidade. Ele atravessa todos os níveis de ensino desde a educação básica (educação infantil. é que construímos nosso conhecimento. pode se transformar em práticas xenófobas (aversão ou ódio ao estrangeiro) e em racismo (crença na existência da superioridade e inferioridade racial). Ela se faz presente na produção de práticas. por vezes. Portanto. de humanização e desumanização. científicas. cultural e social. a diversidade é norma da espécie humana: seres humanos são diversos em suas experiências culturais. a Educação Profissional e a Educação Especial. outra tarefa faz-se necessária: é preciso ter clareza sobre a concepção de educação que nos orienta. Que concepções de diversidade permeiam as nossas práticas. Os diferentes contextos históricos. mas. diversidade biológica. Didatismo e Conhecimento 100 Os currículos e práticas escolares que incorporam essa visão de educação tendem a ficar mais próximos do trato positivo da diversidade humana. quanto o domínio das práticas culturais existentes no nosso meio são imprescindíveis para a realização do acontecer humano. A escolarização. representações do mundo. são acompanhados de uma maneira tensa e. não é tarefa fácil para nós. a presença da diversidade no acontecer humano nem sempre garante um trato positivo dessa diversidade. observáveis a olho nu. a diversidade pode ser tratada de maneira desigual e naturalizada. técnicas artísticas. linguagens. é um dos recortes do processo educativo mais amplo. Ao analisarmos o cotidiano da escola. médio e profissional? Seria interessante diagnosticar se a diversidade é apenas uma preocupação de um grupo de professores(as). educadores e educadoras. a compreensão e o trato pedagógico da diversidade vão muito além da visão romântica do elogio à diferença ou da visão negativa que advoga que ao falarmos sobre a diversidade corremos o risco de discriminar os ditos diferentes.

pressupõe uma interação. a identidade. enquanto processo. os problemas ambientais não são considerados graves porque afetam o planeta. parcialmente interior. esses grupos vêm se organizando cada vez mais e passam a exigir das escolas e dos órgãos responsáveis pelas elas o direito ao reconhecimento dos seus saberes e sua incorporação aos currículos. o modo de ser e de interpretar o mundo também é variado e diverso. O desenvolvimento ecológico e socialmente sustentável tem como orientação a construção da biodemocracia com quem respeita/cultiva a biodiversidade. Na realidade. porém. social. somos diferentes. os trabalhadores do campo e demais povos da floresta. b) toda a discussão a que hoje assistimos sobre a preservação. São eles • diversidade biológica e currículo. Existem grupos humanos que. Ou seja. orientado pela busca de políticas e estratégias de desenvolvimento alternativo. o avanço tecnológico do qual nos gabamos como seres dotados de razão e capazes de transformar a natureza não tem significado avanço para a própria biodiversidade da qual participamos. É nessa perspectiva que privilegiaremos. têm colaborado para a vulnerabilidade desses e outros grupos. • diversidade cultural e currículo. ao refletirmos sobre a presença dos seres humanos no contexto da diversidade biológica. garantem sua sobrevivência e produzem conhecimentos por meio de uma relação mais direta com o ambiente em que vivem. E mais: somos desafiados pela própria experiência humana a aprender a conviver com as diferenças. entendido como algo externo. Ao contrário. mostram diferenças entre si. idades. Ou seja. Algumas considerações sobre a diversidade biológica ou biodiversidade A diversidade pode ser entendida em uma perspectiva biológica e cultural. raça/etnia. Portanto. alguns aspectos acerca da diversidade a fim de dar mais elementos às nossas indagações sobre o currículo. entre outros. ela é negociada durante a vida toda dos sujeitos por meio do diálogo. Nos últimos anos. devemos entender dois aspectos importantes: a) o ser humano enquanto parte da diversidade biológica não pode ser entendido fora do contexto da diversidade cultural. citado por Silvério (2006). Lamentavelmente. Assim como a diversidade. para se constituir como realidade. de seu “eu”. da expansão das monoculturas. políticos. O nossogrande desafio está em desenvolver uma postura ética de não hierarquizar as diferenças e entender que nenhum grupo humano e social é melhor ou pior do que outro. da relação deste como um dos componentes dessa diversidade. • diversidade e ética. ao longo do processo histórico e cultural e no contexto das relações de poder estabelecidas entre os diferentes grupos humanos. apresentam diversidade biológica. nenhuma identidade é construída no isolamento. histórica e culturalmente construída recebe a mesma interpretação nas diferentes sociedades. A discussão acima suscita algumas reflexões: que indagações o debate sobre a diversidade biológica traz para os currículos? A nossa abordagem em sala de aula e os nossos projetos pedagógicos sobre educação ambiental têm explorado a complexidade e os conflitos trazidos pela forma como a sociedade atual se relaciona com a diversidade biológica? Como incorporar a discussão sobre a biodiversidade nas propostas curriculares das escolas e das redes de ensino? Um primeiro passo poderia ser a reflexão sobre a nossa postura diante desse debate enquanto educadores e educadoras e partícipes dessa mesma biodiversidade. A diversidade cultural: algumas reflexões O ser humano se constitui por meio de um processo complexo: somosao mesmo tempo semelhantes (enquanto gênero humano) e muito diferentes (enquanto forma de realização do humano ao longo da história e da cultura). os processos de formação em serviço desde a educação infantil até o ensino médio e EJA. parcialmente exterior. entre outros fatores. Mesmo os animais e plantas pertencentes à mesma espécie apresentam diferenças entre si. as comunidades tradicionais (como os seringueiros). necessitam ser ampliadas e aprofundadas para compreendermos outras diferenças presentes na escola. Nem sempre aquilo que julgamos como diferença social. A diversidade cultural varia de contexto para contexto. Estes constroem conhecimentos variados a respeito dos recursos da biodiversidade que nem sempre são considerados pela escola. Jacques d’Adesky (2001) destaca que a identidade. devido a sua história e cultura. conservação e uso sustentável da biodiversidade não diz respeito somente ao uso que o homem faz do ambiente externo. No entanto. Elas já acompanham há muito o campo da educação especial. experiências. culturas.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Essas indagações poderão orientar os nossos encontros pedagógicos. a variedade de seres vivos e ambientes em conjunto é chamada de diversidade biológica ou biodiversidade. entende-se que a natureza é formada por vários tipos de ambientes e cada um deles é ocupado por uma infinidade de seres vivos diferentes que se adaptam ao mesmo. com os outros. Do ponto de vista biológico. político e cultural. sobretudo. enquanto seres vivos. neste texto. não podemos nos esquecer de pontuar que ela se dá lado a lado com a construção de processos identitários. os atributos ou as formas “inventadas” pela cultura . é intermediada pelo reconhecimento obtido dos outros em decorrência de sua ação. Nessa concepção. Coloca em risco a capacidade de sustentabilidade proporcionada pela biodiversidade. Estas dependem de maneira vital das relações dialógicas com os outros. não é inata. os remanescentes de quilombos. assim como a redistribuição e a ocupação responsável de terras improdutivas. os problemas ambientais. Ao discutir a diversidade cultural. Tal situação afeta toda a espécie humana da qual fazemos parte. para romper com o bioimperialismo o qual impõe monoculturas. a não efetivação de uma justa reforma agrária. • diversidade e organização dos tempos e espaços escolares. Podemos dizer que o que nos torna mais semelhantes enquanto gênero humano é o fato de todos apresentarmos diferenças: de gênero. A ideia que um indivíduo faz de si mesmo. a diversidade precisa ser entendida em uma perspectiva relacional. o desenvolvimento só pode ser um desenvolvimento ecológico e socialmente sustentável. dos desequilíbrios ecológicos de qualquer parte do sistema. Assim como a diversidade. ou seja. Além disso. Dessa forma. Por isso. • a luta política pelo direito à diversidade. Entre eles podemos destacar os indígenas. culturais e sociais estão intimamente embricados. Tanto a identidade pessoal quanto a identidade social são formadas em diálogo aberto. algumas dessas variabilidades do gênero humano receberam leituras estereotipadas e preconceituosas. o homem e a mulher participam desse processo enquanto espécie e sujeito sociocultural. Ela se constrói em determinado contexto histórico. passaram a ser exploradas e tratadas de forma desigual e discriminatória. De acordo com Shiva (2003). Além disso. passam a reivindicar dos governos o reconhecimento e posse das suas terras. mas. Por isso. Didatismo e Conhecimento 101 A falta de controle e de conhecimento dos fatores de degradação ambiental. Os seres humanos. as características. mas porque afetam a todos nós e colocam em risco a vida da espécie humana e a das demais espécies. • diversidade e conhecimento.

Também pode ser considerado um discurso que. fundamentalmente. a cobrança hoje feita em relação à forma como a escola lida com a diversidade no seu cotidiano. as relações sociais. as narrativas contidas no currículo. as de outros são desvalorizadas e proscritas. das marcas da diversidade presentes nas diferentes áreas do conhecimento e no currículo como um todo: ver a diversidade nos processos de produção e de seleção do conhecimento escolar. sobretudo a pública. A luta política pelo direito à diversidade Como já foi dito. Moreira e Vera Maria Candau (2006) existem várias concepções de currículo. as narrativas do currículo contam histórias que fixam noções particulares de gênero. raça. as questões curriculares são marcadas pelas discussões sobre conhecimento. os movimentos do campo. 102 Didatismo e Conhecimento . Ainda segundo esse autor. Elas dizem qual conhecimento é legítimo e qual é ilegítimo. o que é certo e o que é errado. por exemplo. no terreno das desigualdades. Trabalhar com a diversidade na escola não é um apelo romântico do final do século XX e início do século XXI. representam os diferentes grupos sociais de forma diferente: enquanto as formas de vida e a cultura de alguns grupos são valorizadas e instituídas como cânone. sobretudo nos contextos de colonização e dominação. Como nos diz Carlos Rodrigues Brandão (1986)“por diversas vezes. quais formas de conhecer são válidas e quais não o são. Tem a ver com as estratégias por meio das quais os grupos humanos considerados diferentes passaram cada vez mais a destacar politicamente as suas singularidades. imersos em relações de poder. Esquecer esse processo de produção – no qual estão envolvidas as relações desiguais de poder entre grupos sociais – significa reificar o conhecimento e reificar o currículo. marcados por processos de colonização e dominação. Possui um caráter político e histórico e também constitui uma relação social. Na realidade. 1995). as quais refletem variados posicionamentos. socioeconômicos e políticos tensos. os grupos humanos não passaram a hostilizar e dominar outros grupos simplesmente pelo fato de serem diferentes. além disso. Retomo. o que é belo e o que é feio. Podemos indagar que histórias as narrativas do currículo têm contado sobre as relações raciais. mesmo uma lista de conteúdos não teria propriamente existência e sentido. assim como sua seleção e legitimação. é a instituição social na qual as diferentes presenças se encontram. a luta dos povos da floresta. Os autores se apoiam em Silva (1999). A produção do conhecimento. ao afirmarem que. destacando apenas os seus aspectos de consumo e não de produção. debates sobre os conhecimentos escolares. Dessa forma poderemos avançar na superação de concepções românticas sobre a diversidade cultural presentes nas várias práticas pedagógicas e currículos. as vivências da infância (principalmente a popular) e a luta das mulheres? São narrativas que fixam os sujeitos e os movimentos sociais em noções estereotipadas ou realizam uma interpretação emancipatória dessas lutas e grupos sociais? Que grupos sociais têm o poder de se representar e quais podem apenas ser representados nos currículos? Que grupos sociais e étnico/raciais têm sido historicamente representados de forma estereotipada e distorcida? Diante das respostas a essas perguntas. com maior ou menor ênfase. o movimento das pessoas com deficiência. se não se fizesse nada com ela. explícita ou implicitamente. levando-nos a refletir sobre a tensa e complexa relação entre esta noção e os outros saberes que fazem parte do processo cultural e histórico no qual estamos imersos. corporificam noções particulares sobre conhecimento. Estamos. Sendo assim. em resumo. As reflexões do autor nos sugerem que é preciso ter consciência. na realidade. aqui. construídas por sujeitos concretos. sobre formas de organização da sociedade. O currículo pode ser considerado uma atividade produtiva e possui um aspecto político que pode ser visto em dois sentidos: em suas ações (aquilo que fazemos) e em seus efeitos (o que ele nos faz). ao corporificar narrativas particulares sobre o indivíduo e a sociedade. só nos resta agir. mesmo quando pensamos no currículo como uma coisa. Não se trata apenas de incluir a diversidade como um tema nos currículos. quais vozes são autorizadas e quais não o são (Silva. então a escola. o currículo não se restringe apenas a ideias e abstrações. No processo histórico. a cultura e o currículo são produzidos no contexto das relações sociais e de poder. As discussões sobre currículo incorporam. 1995). uma discussão já realizada em outro texto (Gomes. nas suas práticas faz parte de uma história mais ampla. portanto. no sentido de que a produção de conhecimento nele envolvida se realiza por meio de uma relação entre pessoas. das identidades e das diferenças. no seu currículo. pois. Elas. ao longo do processo cultural e histórico. poder e identidade. enquanto docentes. o movimento indígena. o que é bom e o que é mau. o que é moral e o que é imoral. O autor ainda adverte que as narrativas contidas no currículo trazem embutidas noções sobre quais grupos sociais podem representar a si e aos outros e quais grupos sociais podem apenas ser representados ou até mesmo serem totalmente excluídos de qualquer representação. compromissos e ponto de vista teóricos. Nesse sentido. os grupos humanos tornam o outro diferente para fazê-lo inimigo”. O currículo não está envolvido em um simples processo de transmissão de conhecimentos e conteúdos. sair do imobilismo e da inércia e cumprir a nossa função pedagógica diante da diversidade: construir práticas pedagógicas que realmente expressem a riqueza das identidades e da diversidade cultural presente na escola e na sociedade. Assim. os valores e as identidades dos nossos alunos e alunas. se a diversidade faz parte do acontecer humano. 2006). como uma listagem de conteúdos. cobrando que as mesmas sejam tratadas de forma justa e igualitária. Segundo Tomaz Tadeu da Silva (1995) o conhecimento. mas a experiências e práticas concretas. Muito do que fomos educados a ver e distinguir como diferença é. foi tomando forma e materialidade. sobre os diferentes grupos sociais. os procedimentos pedagógicos. desmistificando a ideia de inferioridade que paira sobre algumas dessas diferenças socialmente construídas e exigindo que o elogio à diversidade seja mais do que um discurso sobre a variedade do gênero humano. participa do processo de constituição de sujeitos (e sujeitos também muito particulares). verdade. Então. aquilo que fazemos com essa coisa. classe – noções que acabam também nos fixando em posições muito particulares ao longo desses eixos (de autoridade) (Silva.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS para distinguir tanto o sujeito quanto o grupo a que ele pertence dependem do lugar por eles ocupado na sociedade e da relação que mantêm entre si e com os outros. A perspectiva de currículo acima citada poderá nos ajudar a questionar a noção hegemônica de conhecimento que impera na escola. nem sempre a diversidade entendida como a construção histórica. Não podemos esquecer que essa sociedade é construída em contextos históricos. social e cultural das diferenças implica em um trato igualitário e democrático em relação àqueles considerados diferentes. as trajetórias dos jovens da periferia. está transpassada pela diversidade. uma invenção humana que. Ora. ele acaba sendo. como essa instituição poderá omitir o debate sobre a diversidade? E como os currículos poderiam deixar de discuti-la? Mas o que entendemos por currículo? Segundo Antônio Flávio B.

Mas será que essas ações são iniciativas apenas de grupos de educadores(as) sensíveis diante da diversidade? Ou elas são assumidas como um dos eixos do trabalho das escolas. O reconhecimento e a realização dessa mudança do olhar sobre o “outro” e sobre nós mesmos a partir das diferenças deve superar o apelo romântico ao diverso e ao diferente e construir políticas e práticas pedagógicas e curriculares nas quais a diversidade é uma dimensão constitutiva do currículo. no plano de aula. a partir da segunda metade do século XX. em uma . Podemos dizer que a sociedade brasileira. Falar sobre diversidade e diferença implica posicionarse contra processos de colonização e dominação. Para este autor. a entrada em cena. interferem na política educacional e na elaboração de leis educacionais e diretrizes curriculares. na produção de material didático alternativo e acessível em consonância às necessidades educacionais especiais dos alunos. no Ministério da Educação. no Governo Federal. sobretudo. as culturas diferem entre si. imprimem mudanças nos projetos pedagógicos. tratadas de forma desigual e discriminatória. E foram eles. entre outros) passam a reivindicar reconhecimento. mas também e. apesar dos avanços. Podemos ir além: com que olhar foram e são vistos os educandos nas suas diversas identidades e diferenças? Será que ainda continuamos discursando sobre a diversidade. na segunda metade do século XX. um dos aprendizados trazidos pelo debate sobre o lugar da diversidade e da diferença cultural no Brasil contemporâneo é que a sociedade brasileira passa por um processo de (re)configuração do pacto social a partir da insurgência de atores sociais até então pouco visíveis na cena pública. uma determinada visão dos alunos nas propostas curriculares. nas Secretarias Estaduais e Municipais de Educação. homossexuais. portanto. o conhecimento produzido pela juventude na vivência da sua condição juvenil. econômicas e sociais de fenômenos como etnocentrismo. racismo. nos livros didáticos. não como um dos eixos centrais da orientação curricular. todos nós que atuamos e nos ocupamos da escola somos desafiados a rever o ordenamento curricular e as práticas pedagógicas. Didatismo e Conhecimento 103 De acordo com Valter Roberto Silvério (2006). de movimentos sociais denominados identitários. A fim de conseguir alcançar esse objetivo. Certamente. Há diversos conhecimentos produzidos pela humanidade que ainda estão ausentes nos currículos e na formação dos professores. Essa situação possibilita o reconhecimento da cultura docente. mas agindo. à política educacional. colocam em xeque a escola uniformizadora que tanto imperou em nosso sistema de ensino. sobretudo. sim.um momento de maior consolidação de algumas demandas dos movimentos sociais e da sua luta pelo direito à diferença. começa a viver – não sem contradições e conflitos . a inserção da diversidade nos currículos implica compreender as causas políticas. que trouxeram a luta pelo direito à diversidade como uma indagação ao campo do currículo. iremos notar que a questão da diversidade aparece. Questionam os currículos. das propostas políticas pedagógicas das Secretarias de Educação e do MEC? Elas são legitimadas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais? Fazem parte do currículo vivenciado nas escolas e das políticas curriculares? A resposta a essas questões poderá nos ajudar a compreender o lugar ocupado pela diversidade cultural na educação escolar. É perceber como. mas não questiona o lugar que a diversidade de culturas ocupa na escola. Cabe destacar. No que diz respeito à educação.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Por isso. Os educandos são os sujeitos centrais da ação educativa. planejando. o conhecimento produzido pela comunidade negra ao longo da luta pela superação do racismo. Tais movimentos indagam a sociedade como um todo e. Ainda segundo Silvério (2006). nos projetos pedagógicos das escolas. Que indagações a diversidade traz aos currículos? E nas escolas. provocou transformações significativas na forma como a política pública educacional era concebida durante a primeira metade daquele século. como um tema. Há uma nova sensibilidade nas escolas públicas. do aluno e da comunidade. que trouxeram a luta pelo direito à diversidade como uma indagação ao campo do currículo. do trabalho docente fosse conformar todos a esse protótipo único? Os educandos são os sujeitos centrais da ação educativa. nesses contextos. das relações estabelecidas na escola. organizando o currículo como se os alunos fossem um bloco homogêneo e um corpo abstrato? Como se convivêssemos com um protótipo único de aluno? Como se a função da escola. como. democrático e aberto à diversidade. indígenas. porém. Para tal. por exemplo. E mais: muitas que temos múltiplas culturas. algumas diferenças foram naturalizadas e inferiorizadas sendo. sexismo. Entretanto. Esse contexto coloca um conjunto de problemas e desafios à sociedade como um todo. como a diversidade se faz presente? Será que os movimentos sociais conseguem indagar e incorporar mais a diversidade do que a própria escola e a política educacional? Um bom exercício para perceber o caráter indagador da diversidade nos currículos seria analisar as propostas e documentos oficiais com os quais lidamos cotidianamente. portanto. a demanda por reconhecimento é aquela a partir da qual vários movimentos sociais que têm por fundamento uma identidade cultural (negros. articulados ou não em movimentos sociais. Mais do que múltiplas. a presença da cultura escolar. a questão é com que tipo de olhar eles foram e são vistos. enquanto sujeitos políticos. mas. quer seja pela ausência deste ou por um reconhecimento considerado inadequado de sua diferença. entre outros. Esse é um movimento que vai além do pedagógico. E foram eles. todos nós precisaremos passar por um processo de reeducação do olhar. Estamos. na literatura infanto-juvenil. ainda existe muito trabalho a fazer. um dos aspectos significativos desse novo cenário é a percepção de que a escola é um espaço de sociabilidade para onde convergem diferentes experiências socioculturais. o papel dos movimentos sociais e culturais nas demandas em prol do respeito à diversidade no currículo. É possível perceber alguns avanços na produção teórica educacional. o conhecimento produzido pelas mulheres no processo de luta pela igualdade de gênero. aqui. É entender o impacto subjetivo destes processos na vida dos sujeitos sociais e no cotidiano da escola. É urgente incorporar esses conhecimentos que versam sobre a produção histórica das diferenças e das desigualdades para superar tratos escolares românticos sobre a diversidade. as quais refletem diversas e divergentes formas de inserção grupal na história do país. ou mais precisamente. entendendo que estes não representam apenas uma determinada visão de conhecimento que pode excluir o “outro” e suas diferenças. do planejamento das ações. para a diversidade e suas múltiplas dimensões na vida dos sujeitos. nos currículos e políticas educacionais. homofobia e xenofobia. nos projetos pedagógicos das escolas os saberes produzidos pelas diversas áreas e ciências articulados com os saberes produzidos pelos movimentos sociais e pela comunidade. em um campo político. E é possível que. articulados ou não em movimentos sociais. É incorporar no currículo. Sensibilidade que vem se traduzindo em ações pedagógicas de transformação do sistema educacional em um sistema inclusivo.

os costumes. da economia e da clientela. transversal e. No entanto. em cada sistema de ensino e em cada escola. é importante destacar que ele não é suficiente. existem focos de resistência que sempre lutaram contra a hegemonia de certos conteúdos escolares previamente selecionados e o apogeu da ciência moderna na escola Didatismo e Conhecimento 104 . uma monocultura do saber que privilegia o saber científico (transposto didaticamente como conteúdo escolar) como único e legítimo. mesmo que reconheçamos a importância desse fôlego dado à diversidade nos documentos oficiais. É nesta parte que. a discussão sobre a relação ou distinção entre conhecimento e saber . da cultura. É dela que herdamos. a diversidade está presente na parte diversificada. quanto mais o aprendizado do imperativo ético que esse processo nos traz. muitas vezes. p. A incorporação da diversidade no currículo deve ser entendida não como uma ilustração ou modismo. a LDB confere liberdade de organização aos sistemas de ensino. Ou seja. Esse movimento de mudança sugere a necessidade de aprofundar mais sobre a diversidade nos currículos. Nesse mesmo debate. as quais se articulam com as do bairro e região. Essa autora discute que o saber científico se impôs como forma dominante de conhecimento sobre os outros conhecimentos produzidos pelas diferentes sociedades e povos africanos. Nessa perspectiva curricular. Ainda estamos presos à divisão núcleo comum e parte diversificada presente na lei 5692/71. No seu artigo 26. regionais e políticas que compõem a “parte diversificada” dos currículos pode ser visto. com o formato de atividades paralelas. podemos notar uma situação semelhante quando refletimos sobre o lugar ocupado pelos saberes construídos pelos movimentos sociais e pelos setores populares na escola brasileira. porém. a sexualidade são “partes que diversificam o currículo” e não “núcleos”. tende a reduzir a diversidade cultural à diversidade regional e não dialoga com os sujeitos. diferem-se em gênero. desde que eles se orientem a partir de um eixo central por ela colocado: os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base comum nacional que será complementada. hierarquicamente. O lugar não hegemônico ocupado pelas questões sociais. a visão reducionista dessa lei marcou as décadas de 1970 e 1980 como uma forma hegemônica de pensar e organizar o currículo e as escolas e ainda se faz presente e persistente na visão que muitas escolas têm do seu papel social e na visão que docentes e administradores têm de sua função profissional. Se a convivência com a diferença já é salutar para a reeducação do nosso olhar. A cultura não deve ser vista como um tema e nem como disciplina. Vivemos. realizar trabalhos mais próximos da comunidade. suas vivências e práticas. na igualdade de oportunidades e no exercício de uma prática e postura democráticas. podemos dizer que há. Reconhecer não apenas a diversidade no seu aspecto regional e local. sobretudo. cultural e social que marca a trajetória humana. sim. Essa forma de interpretar e lidar com o conhecimento se perpetua na teoria e na prática escolar em todos os níveis de ensino desde a educação infantil até o ensino superior. a cultura. intencionalmente produzida. Não podemos afirmar que esses saberes são totalmente inexistentes na realidade escolar.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS mesma escola. podemos localizar a dicotomia construída nos currículos entre o saber considerado como “comum a todos” e o saber entendido como “diverso”. a forma fragmentada de como o conhecimento escolar e o currículo ainda são tratados e a persistente associação entre educação escolar e preparo para o mercado de trabalho. Um direito garantido a todos e não somente àqueles que são considerados diferentes. as políticas educacionais. nesse sentido. mas. Conviver com a diferença (e com os diferentes) é construir relações que se pautem no respeito. portanto. um novo brilho. a sua presença enquanto construção histórica. Ao mesmo tempo. na igualdade social. a corporeidade. por uma parte diversificada. políticos e também culturais por meio dos quais são construídas. mas como um eixo que orienta as experiências e práticas curriculares. Em outros momentos. ao analisar o caso da universidade em Moçambique e a produção de saberes realizada pelos países que se encontram fora do eixo do Ocidente. ao mesmo tempo. mas não são consideradas como integrantes do eixo central. Dez anos se passaram. as artes. no contexto da diversidade cultural e esta.56). por mais que possamos negar. O peso da rigidez dessa lei marcou profundamente a organização e a estrutura das escolas. da nossa visão de mundo. Diversidade e conhecimento – A antropóloga Paula Meneses (2005). artístico e estético dos alunos e alunas. dos nossos sentidos. ocupa um lugar menor do que o núcleo comum. Nesse sentido. Rever o nosso paradigma curricular. Nessa concepção. marginal. Segundo Arroyo (2006. Guardadas as devidas especificidades históricas. entendida como a orientação legal para a construção das diretrizes curriculares nacionais dela advindas. possuem valores diferenciados. variedade ou “pluralidade”. sociais. na educação brasileira. segundo a lei. projetos sociais e experiências lúdicas. sim. marcadas por singularidades advindas dos processos históricos. muitas vezes. Alguns aspectos específicos do currículo indagados pela diversidade. portanto. as características regionais e locais. deve ser um elemento presente e indagador do currículo. encontramse estereotipados e presentes no chamado “currículo oculto” e. E é neste último que encontramos os ditos conhecimentos historicamente acumulados recontextualizados como conhecimento escolar. Antes. Podemos dizer que houve avanço em relação à sensibilidade para com a diversidade incorporada – mesmo que de forma tímida – na Lei. a qual os educadores sabem que. pertencem a diferentes grupos étnico-raciais. Por isso. culturais e geográficas que dizem respeito à realidade africana abordada pela autora acima citada. nos dizeres de Boaventura de Sousa Santos (2004). Eles apresentam diferentes formas de ver e conceber o mundo. traz algumas reflexões que podem nos ajudar a indagar a relação entre conhecimento e diversidade no Brasil. no que se refere ao seu número. vivemos no contexto das diferentes culturas.e que tem servido aos interesses dos grupos sócio raciais hegemônicos . localizada em uma região específica. pois coloca essa discussão em um lugar provisório. Elas podem até mesmo trazer certa diversificação. Os movimentos sociais.é colocada pela autora no contexto de um debate epistemológico e político. Além disso. Eles existem. que atenda uma determinada comunidade. a reflexão das ciências sociais. certos saberes que não encontram um lugar definido nos currículos oficiais podem ser compreendidos como uma ausência ativa e. Inspirados em Boaventura de Sousa Santos (2004). podem ser compreendidos como a produção da nãoexistência. os projetos das escolas expressam esse avanço com contornos e nuances diferentes. deve ser vista como um direito. explorar o potencial criativo. os educadores e as educadoras conseguem ousar. como vulnerabilidade e liberdade. culturais. é exigida pelas características regionais e locais da sociedade. muitas vezes. Podemos indagar como a diversidade é apresentada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB nº 9394/96. deve ser compreendida no campo político e tenso no qual as diferenças são produzidas. também. encontremos no interior da sala de aula alunos que portam diferentes culturas locais. mais do que uma multiplicidade de culturas. Esta última. idade e experiência de vida. por vezes.

los como sujeitos éticos. representações e valores sobre nós mesmos e sobre os “outros”. Nesse sentido. social. Por realizar-se como relação intersubjetiva e social a ética não é alheia ou indiferente às condições históricas e políticas. Segundo Marilena Chauí (1998). como costume. a ética é referência para que a escolha do sujeito seja aceita como um princípio geral que respeite e proteja o ser humano no mundo.) refletir sobre nossas ações cotidianas na escola.. dos(as) educadores(as) e da comunidade nas propostas educacionais (Santos. Isso nos impele. pois são construídas nas relações sociais. os movimentos sociais conquanto sujeitos políticos podem ser vistos como produtores de saber. A diversidade coloca em xeque os processos tradicionais de avaliação escolar. Segundo Amauri Carlos Ferreira (2006). algumas indagações podem ser feitas: como vemos o debate sobre a inclusão das crianças com deficiência na escola regular comum? As escolas regulares comuns introduzem no seu currículo a necessidade de uma postura ética em relação a essas crianças? Enxergamos essas crianças na sua potencialidade humana e criadora ou nos apegamos à particularidade da “deficiência” que elas apresentam? Esse debate faz parte dos processos de formação inicial e em serviço? Buscamos conhecer as experiências significativas realizadas na perspectiva da educação inclusiva? Nesse momento. considerando. tem sido colocada no campo das “ausências” resultando no “desperdício da experiência social e educativa”. Ainda inspirados em Boaventura de Sousa Santos (2006).os como sujeitos sociais e de direitos? O reconhecimento do aluno e do professor como sujeitos de direitos é também compreendê. como contrapartida. Também tem indagado a relação entre conhecimento escolar e o conhecimento produzido pelos movimentos sociais. juventude e vida adulta poderá ser uma orientação que tenha como foco os sujeitos da educação. A grande questão é: como o conhecimento escolar poderá contribuir para o pleno desenvolvimento humano dos sujeitos? Não se trata de negar a importância do conhecimento escolar. A consideração destes e de outros saberes trará novos elementos não só para as análises dos movimentos sociais e seus processos de produção do conhecimento como também para a discussão sobre a reorientação curricular. educação inclusiva. o que consideram ser o bem e a virtude. cultural e Didatismo e Conhecimento 105 . A luta travada em torno da educação do campo. adolescência. Será que nos relacionamos com os “outros” presentes na escola. por vezes. Construímos relações que podem ou não se pautar no respeito às diferenças. Marilena Chauí (1998) ainda esclarece que embora toda ética seja universal do ponto de vista da sociedade que a institui (universal porque os seus valores são obrigatórios para todos os seus membros).em algumas escolas públicas e em propostas pedagógicas da educação básica. também. valores. educação para a diversidade. nossas práticas em sala de aula. Discutir a diversidade no campo da ética significa rever posturas. sobre a linguagem que utilizamos. nas propostas mais progressistas de educação escolar tais como: educação do campo. 2006).. sobre aquilo que prejulgamos ou outras situações do cotidiano”. faz-se necessário retomar a concepção de diversidade que orienta a reflexão presente nesse texto: a diversidade é entendida como a construção histórica. Tomaremos como exemplo dessas práticas a educação de pessoas com deficiência. A ética fundamenta a moral. cultural e político. No entanto. a educação dos negros e a educação do campo. enquanto educadores a“(. Não se trata de negar a importância do conhecimento escolar. os procedimentos e instrumentos que usamos para avaliar os alunos e a forma como os conhecimentos são aprendidos e apreendidos. mas de abolir o equivoco histórico da escola e da educação de ter como foco prioritariamente os “conteúdos” e não os sujeitos do processo educativo. representações e preconceitos que permeiam a relação estabelecida com os alunos. Este nem sempre tem sido considerado enquanto tal pelo próprio campo educacional. Nesse percurso construímos as nossas identidades. política e pedagógica. a discussão sobre a diversidade permite-nos avançar em outro ponto do debate: a indagação sobre diversidade e ética. O não reconhecimento dos saberes e das práticas sociais no currículo tem resultado no desperdício da experiência social dos(as) educandos(as). No que se refere à educação de pessoas com deficiência. Por isso se transforma para responder a exigências novas da sociedade e da cultura. Estas extrapolam o nível interpessoal e intersubjetivo. do ponto de vista dos valores. Como se pode notar.não sem conflitos . São experiências de gestão democrática. educação do campo. educação e diversidade étnico-racial. educação indígena. do negro. o mal e o vício e. Diversidade e ética – além de indagar a relação currículo e conhecimento. A relação entre ética e diversidade nos coloca diante de práticas e políticas voltadas para o respeito às diferenças e para a superação dos preconceitos e discriminações. econômicas e culturais da ação moral. educação quilombola etc. das comunidades remanescentes de quilombos. Estes já conseguiram algumas vitórias satisfatórias. Eles questionam não só o currículo que se efetiva nas escolas como. Tal processo vem ocorrendo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS brasileira. indígena. (Fernandes e Freitas. Essas e outras indagações que podemos fazer ao conhecimento e sua presença no currículo são colocadas principalmente pelos movimentos sociais e pelos sujeitos em movimento. Essa é mais uma indagação que podemos fazer aos currículos. Nessa perspectiva. ao expressar a sua natureza reflexiva na sistematização das normas. articula-se às escolhas que o sujeito faz ao longo da vida. o ethos. educação ambiental. 2006). Um bom caminho para repensar as propostas curriculares para infância. educação ambiental e EJA. das pessoas com deficiência tem desencadeado mudanças na legislação e na política educacional. assumir a diversidade no currículo implica compreender o nosso caminhar no processo de formação humana que se realiza em um contexto histórico. Estas propostas e projetos têm se realizado . sobretudo. ela está em relação com o tempo e a história. a comunidade e demais profissionais da escola. pois somos seres históricos e culturais e nossa ação se desenrola no tempo. a ética exprime a maneira como a cultura e a sociedade definem para si mesmas o que julgam ser a violência e o crime. revisão de propostas curriculares e dos processos de formação de professores. podemos dizer que a relação entre currículo e conhecimento nos convida a um exercício epistemológico e pedagógico de tornar os saberes produzidos pelos movimentos sociais e pela comunidade em “emergências”. mas de abolir o equivoco histórico da escola e da educação de ter como foco prioritariamente os “conteúdos” e não os sujeitos do processo educativo. uma vez que a sua importância social. a relação entre ética e diversidade ainda é pouco explorada nas discussões sobre o currículo.

E epistemológico na medida em que realizarmos uma crítica à racionalidade ocidental. Como a escola lida com a cultura negra e com as demandas do Movimento Negro? Garantir uma educação de qualidade para todos significa. Um deles é a criação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR). é permeada de diversas leituras e interpretações. a sua organização. os currículos. p. Dessas novas iniciativas. o racismo. Alfabetização e Diversidade (SECAD). esse também é tenso. mas para a escola com um todo. valores. Ricas experiências têm sido desenvolvidas em vários estados e municípios. entendida como uma forma de pensar que se tornou totalizante e hegemônica. o movimento negro passou a adotar uma postura mais propositiva. a desigualdade racial? De forma semelhante podemos indagar: e os alunos brancos.aprendizagem. O debate torna-se necessário não apenas no âmbito das propostas. a exclusão sistemática. das práticas discriminatórias e da lenta implementação da igualdade de oportunidades em nossa sociedade. estamos desafiados a reinventar novas práticas pedagógicas e curriculares e abrir um novo horizonte de possibilidades cartografado por alternativas radicais às que deixaram de o ser. suas potencialidades e vivências. A inclusão de toda diversidade e. raciais. a fim de introduzir essa discussão nos currículos. A construção do olhar sobre as pessoas com deficiências ultrapassa as características biológicas. Nesse sentido. especificamente. Como todo processo de luta pelo direito à diferença.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS social das diferenças. com apoio ou não das universidades e secretarias estaduais e municipais. como ainda nomeiam alguns fóruns). podemos dizer que a resposta a essas questões passa por uma ruptura política e epistemológica.5 Estas experiências têm revelado a eficiência e os benefícios da educação inclusiva não só para os alunos com deficiência. construído no contexto das desigualdades sociais. da organização da escola (seus tempos e espaços) e do currículo escolar para que a educação inclusiva cumpra o seu objetivo educativo. conferências e produção de material didático voltado para a temática. cultural e social da diversidade e das diferenças. o debate sobre a inclusão de crianças com deficiência revela que não basta apenas a inclusão física dessas crianças na escola. das pessoas com deficiência indaga a escola. a cultura escolar não imune à construção histórica. no início do terceiro milênio. universidades. É preciso também compreender os dilemas e conflitos entre as perspectivas clínicas e pedagógicas que acompanham a história da Educação Especial. de deficiência e de inclusão. sobre o fenômeno da repetência. A construção histórica e cultural da deficiência (ou necessidade especial. Esta lei torna obrigatória a inclusão do ensino da . também. mas também no âmbito das concepções de diferença. É nesse campo complexo que se encontram as propostas de educação inclusiva.639/03. a Coordenadoria de Diversidade e Inclusão Educacional que tem realizado publicações. Os teóricos que investigam a inclusão de crianças com deficiência na escola regular comum possuem opiniões diversas sobre o tema e o indagam a partir de diferentes abordagens teóricas e políticas. de mundo.las como sujeitos de direitos e compreender como se construiu e se constrói historicamente o olhar social e pedagógico sobre a sua diferença. Entendendo que a questão racial permeia toda a história social. Além da SEPPIR. alguns avanços foram conseguidos. observáveis a olho nu. a sua organização temporal. Não será suficiente incluir as crianças com deficiência na escola regular comum se também não realizarmos um processo de reeducação do olhar e das práticas a fim de superar os estereótipos que pairam sobre esses sujeitos. Nessa perspectiva. marcado por limites e avanços. alunos brancos e índios precisam saber mais sobre a cultura negra. suas histórias. ignorando e até mesmo desprezando outros conhecimentos. a discriminação com relação às variações linguísticas. Propostas de educação inclusiva acontecem nas redes de educação e nas escolas. da postura pedagógica. Isso nos leva a indagar em que medida os currículos escolares expressam uma visão restrita de conhecimento. os processos de avaliação e todo o processo ensino. Didatismo e Conhecimento 106 A educação dos negros é outro campo político e pedagógico que nos ajuda a avançar na relação entre ética e diversidade e traz mais indagações ao currículo. sobretudo. Na última década houve vários avanços nas políticas de inclusão. é responsável por várias ações voltadas para a igualdade racial em conjunto com outros ministérios. No entanto. Indaga. A construção das diferenças ultrapassa as características biológicas. Carlos Skliar (2004. A educação dos negros é outro campo político e pedagógico que nos ajuda a avançar na relação entre ética e diversidade e traz mais indagações ao currículo. as escolas de educação básica estão desafiadas a implementar a lei de nº 10. Muitas delas estão alicerçadas em preconceitos e discriminações denunciados historicamente por aqueles(as) que atuam no campo da Educação Especial e pelos movimentos sociais que lutam pela garantia dos direitos desses sujeitos. interpretações da realidade. de abrangência nacional. São políticas e propostas orientadas por concepções mais democráticas de educação. As práticas significativas de educação inclusiva se propõem a desconstruir o imaginário negativo sobre as diferenças. movimentos sociais e ONG’s.12) questiona: a escola regular tende a produzir mecanismos educativos dentro de um marco de diversidade cultural? Ao refletir sobre a estrutura rígida que ainda impera nas escolas. E mais: compreender as discussões e práticas em torno dessa diferença como mais um desafio na garantia do direito à educação e conhecer as várias experiências educacionais inclusivas que vêm sendo realizadas em diferentes estados e municípios. foi constituída no interior da Secretaria de Educação Continuada. de sociedade e de ser humano acumulados pelos coletivos diversos. interessa reconhecê. Esta secretaria. o movimento negro brasileiro tem feito reivindicações e construído práticas pedagógicas alternativas. secretarias estaduais e municipais. os rituais de enturmação. e propusermos novos rumos para sua superação a fim de alcançarmos uma transformação social. realizando intervenções sistemáticas no interior do Estado. no caso das pessoas com deficiência. cultural e política brasileira e que afeta a todos nós. independentemente do nosso pertencimento étnico-racial. étnicas etc. Há também a necessidade de uma mudança de lógica. a nossa inserção na luta antirracista? Colocamos a discussão sobre a questão racial no currículo no campo da ética ou a entendemos como uma reivindicação dos ditos “diferentes” que só deverá ser feita pelas escolas nas quais o público atendido é de maioria negra? Afinal. negros e quilombolas precisam saber mais sobre os povos indígenas? Como faremos para articular todas essas dimensões? Precisaremos de um currículo específico que atenda a cada diferença? Ou essas discussões podem e devem ser incluídas no currículo de uma maneira geral? Caminhando na mesma perspectiva de Boaventura Sousa Santos (2006). Nessa nova forma de intervenção do Movimento Negro e de intelectuais comprometidos com a luta antirracista. enquanto uma diferença que se faz presente nos mais diversos grupos humanos. Do ponto de vista político.

A organização escolar é ainda bastante rígida. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. o Conselho Nacional de Educação aprovou a resolução 01 de 17 de março de 2004. Os Movimentos do Campo também têm conseguido. é importante refletir que ele exprime uma determinada concepção e interpretação de sujeito social. Povos da Floresta. Rever esses ordenamentos temporais é uma exigência ética e política para a garantia do direito à diversidade.Brasileira nos currículos dos estabelecimentos de ensino públicos e particulares da educação básica. além disso. adolescentes. Trata-se de uma alteração da lei nº 9394/96. e se. a escola é também uma organização temporal. de 03 de abril de 2002. Nesse sentido. Pequenos Agricultores. Esta tensão é maior nos coletivos sociais submetidos a formas de vida e de sobrevivência precarizadas. tais como. A tendência da escola é flexibilizar a diversidade indaga os currículos e as escolas: repensar seu ordenamento temporal como exigência da garantia do direito de todos(as) à educação. entre tempos rígidos do aprender escolar e tempos não controláveis do sobreviver. por meio da Resolução CNE/ CEB n. Em 2002. Nesse sentido. níveis. Pescadores.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS História da África e da Cultura Afro. No que concerne ao espaço físico da escola. gerando uma tensão entre tempos escolares e tempos da vida. Como equacionar essas tensões? Que tipo de organização escolar e que ordenamento temporal dos currículos e dos processos de ensinar-aprender serão os mais adequados para garantir a permanência e o direito à educação de crianças. Por isso. avaliação. semestres. repetência. na qual foram incluídos mais três artigos. É preciso desnaturalizar o nosso olhar sobre o tempo escolar. 01. séries. Ela é também um espaço sociocultural e imprime marcas profundas no nosso processo de formação humana. os setores populares e os exclui da instituição escolar. A instituição das diretrizes é resultado das lutas e reivindicações dos movimentos sociais e organizações que lutam por uma educação que contemple a diversidade dos povos que vivem no e do campo com suas diversas identidades. sobretudo. as escolas da educação básica poderão se orientar a partir de um documento que discute detalhadamente o teor da lei. a organização escolar não pode ser reduzida há um tempo empobrecido de experiências pedagógicas e de vida. reprovação e repetência que atingem. reprovação. aos poucos. Podemos dizer que a escola enquanto instituição social se realiza. os jovens e adultos trabalhadores da EJA etc? Os currículos incorporam uma organização espacial e temporal do conhecimento e dos processos de ensino.aprendizagem. que foi durante mais de um século se cristalizando em calendários. transformar demandas em práticas e políticas educacionais (Arroyo. No entanto. O espaço escolar exprime uma determinada concepção e interpretação de sujeito social. pelo currículo que se realiza no cotidiano das escolas e pela ação pedagógica de uma maneira geral. Extrativistas e Assalariados Rurais. o espaço da escola também não é neutro e precisa passar por um processo de desnaturalização. trabalho e sobrevivência. Caldart e Molina. E. É ainda este autor que nos diz que a compreensão das nuances e dos dilemas da construção do tempo da escola poderá nos ajudar a corrigir os problemas de evasão. A partir das reflexões do autor podemos dizer que a relação diversidade-currículo se defronta com um dado a ser equacionado: os(as) educandos(as) são diversos também nas vivências e Didatismo e Conhecimento 107 controle de seus tempos de vida. Nesse ponto tão nuclear. jovens e adultos submetidos a tempos da vida tão precários? Serão os(as) educandos(as) que terão que se adequar aos tempos rígidos da escola ou estes terão que ser repensados em função das diversas vivências e controle dos tempos dos(as) educandos(as)? Propostas de escolas e de redes de ensino vêm tentando minorar essas tensões tomando como critério o respeito à diversidade de vivências do tempo dos(as) alunos(as) e da comunidade. Ela também acrescenta que o dia 20 de novembro (considerado dia da morte de Zumbi) deverá ser incluído no calendário escolar como dia nacional da consciência negra. Assim como o tempo. A implementação das leis e das diretrizes acima citadas vem somar às demandas destes e de outros movimentos sociais que se mantêm atentos à luta por uma educação que articule a garantia dos direitos sociais e o respeito à diversidade humana e cultural. podemos indagar como a educação escolar tem equacionado a questão do tempo e do espaço escolar. a escola não é só um espaço/tempo de aprendizagem. que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações ÉtnicoRaciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira. Sem Terra. o currículo pode ser visto como um ordenamento temporal do conhecimento e dos processos de ensinar e aprender. Diversidade e organização dos tempos e espaços escolares – Um currículo que respeita a diversidade precisa de um espaço/ tempo objetivo para ser concretizado. Por isso. Eles são pensados levando em conta os coletivos diversos? O tempo/espaço escolar leva em conta os educandos com deficiência ou aqueles que dividem o seu tempo entre escola. tal como já é comemorado pelo movimento negro e por alguns setores da sociedade. segmentada e uniforme em nossa tradição. a diversidade indaga os currículos e as escolas: repensar seu ordenamento temporal como exigência da garantia do direito de todos(as) à educação. A rigidez e a naturalização da organização dos tempos e espaços escolares entram em conflito com a diversidade de vivências dos tempos e espaços dos alunos e das alunas. à qual todos(as) alunos e alunas indistintamente têm de adequar seus tempos. 2004). bimestres. A partir desta lei. há que se indagar como. esses avanços políticos têm sido considerados pelo campo do currículo. de criatividade e de experimentação? Será que a forma como organizamos o espaço possibilita ao aluno e à aluna interagir . Quilombolas. rituais de transmissão. Como será a organização dos nossos espaços escolares? Será que o espaço da escola é pensado e ressignificado no sentido de garantir o desenvolvimento de um senso de liberdade. trabalho e sobrevivência. As pesquisas educacionais mostram que a rigidez desse ordenamento é uma das causas do abandono escolar de coletivos sociais considerados como mais vulneráveis. Como nos diz Miguel Arroyo (2004a). Ribeirinhos. os quais versam sobre essa obrigatoriedade. Segundo Arroyo (2004a). ao mesmo tempo. o Conselho Nacional de Educação aprovou as Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo. o tempo da escola é conflitivo porque é um tempo instituído. apresentando sugestões de trabalho e de práticas pedagógicas. como um espaço físico específico e também sociocultural. O tempo para aprender não é um tempo curto. Entender a lógica institucionalizada do tempo escolar que se impõe sobre os/as alunos/as e professores(as) é fundamental para compreender muitos problemas crônicos da educação escolar.

querendo com isto significar: • no caso da multidisciplinaridade. os critérios do que seja precedente. os movimentos sociais e organizações da sociedade civil e as manifestações culturais. embora se tenham por base os seus conheci­mentos. assim como os(as) jovens e adultos(as) trabalhadores(as) lutam por adequar o tempo rígido do trabalho a um tempo mais flexível de educação. adolescentes e jovens? Enquanto espaço sociocultural. jovens e adultos. os instrumentos tradicionais da avaliação escolar e a própria concepção de avaliação que ainda imperam na escola também serão indagados. podemos dizer que estamos diante de questões fortes que indagam o currículo das nossas escolas e por isso exigem respostas igualmente fortes e ágeis. arranjar sua sala de aula. É preciso pensar o tempo como processo. Entre eles. estabelecem. por exemplo. no decorrer das suas temporalidades humanas. pressupõe-se uma organização em que diversas disciplinas que se situam. A Figura 1 traduz esta relação entre disciplinas. adolescentes. relações entre si. geralmente. vem apontando para a necessidade de uma redefinição e organização da escola a qual inclui. Pensar o espaço da escola é considerar que o mesmo será ocupado. • no caso da interdisciplinaridade. Só assim os(as) alunos(as) serão realmente considerados A avaliação poderá ser realizada de forma mais coletiva e com o objetivo de acompanhamento do processo de construção do conhecimento dos(as) aluno(as) nas suas múltiplas dimensões humanas e não como instrumento punitivo ou como forma de “medir o desempenho escolar”. A construção de uma escola democrática implica em repensar as estruturas e o funcionamento dos sistemas de ensino como um todo. Será que essa tem sido uma preocupação da educação escolar? Será que ao pensarmos a gestão da escola consideramos a organização dos espaços escolares como uma questão relevante? Será que exploramos o conteúdo histórico e político imerso na arquitetura escolar? Compreender a percepção e utilização do espaço pelas crianças. calcado na ideia de um percurso único para todos e da produtividade. em fluxos mais flexíveis. Os que concebem a articulação curricular enquanto meio de estabelecimento de relação entre disciplinas e os seus conteúdos apontam-na no sentido da multidisciplinaridade. apropriado e alterado por sujeitos sociais concretos: crianças. como construção histórica e cultural. mães e dos alunos e alunas. alterar a lógica e a utilização do espaço escolar e garantir uma justa remuneração aos educadores e educadoras. movimentar-se com tranquilidade e autonomia? Ou o espaço entra como um elemento de condicionamento e redução cultural de nossas crianças. como. esta relação entre conteúdos disciplinares pode ocorrer intradisciplinam ente (dentro da mesma área do saber. Por isso. alterá-la esteticamente. Esses mesmos sujeitos. Vários têm sido os contributos do conhecimento produzido e divulgado no campo das Ciências da Educação sobre a importância de procedimentos de articulação curricular. ocorre a valorização de um grupo de disciplinas que se inter-relacionam e cujo nível de relações pode ir desde o estabelecimento de processos de comunicação entre si até à integração de conteúdos e conceitos fundamentais que proporcionem uma visão global das situações (influencia­da pelos “olhares” das diferentes disciplinas de base). a escola participa dos processos de socialização e possibilita a construção de redes de sociabilidade a partir da inter-relação entre as experiências escolares e aquelas que construímos em outros espaços sociais. é importante considerar que o questionamento às lógicas e práticas cristalizadas e endurecidas de organização dos tempos/ espaços escolares faz parte das lutas e conquistas da categoria docente que. por exemplo. fracasso/ sucesso serão redefinidos a fim de garantir aos alunos e às alunas o direito a uma educação que respeite a diversidade cultural e os sujeitos nas suas temporalidades humanas. Dessa forma. Além disso.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS com o ambiente. e embora continuando a manter as suas fronteiras de conhecimento. organizado em etapas em ascensão. a distribuição dos tempos e espaços estarão interligados a um objetivo central: a formação e vivência sociocultural próprias das diferentes temporalidades da vida – infância. o tempo escolar será questionado. Portanto. entendida como pleno desenvolvimento dos(as) educandos (as). o tempo escolar poderá ser organizado de maneiras diversas. O movimento dos(as) trabalhadores(as) da educação e os movimentos sociais vêm lutando por maior controle e alargamento do tempo de escola. numa perspectiva de interligação que permita um encadeamento em espiral de aprofundamento e de complexidade crescente dos conteúdos disciplinares) ou interdisciplinam ente (numa interrelação de conteúdos que pertencem a áreas do saber distintas). do que seja reprovável/aprovável. Nesse processo. reorganizar o coletivo dos(as) professores(as). tais como a vida familiar. adolescentes. da interdisciplinaridade ou da transdisciplinaridade. 1977). extenuantes e alienantes. pré. o trabalho. • no caso da transdisciplinaridade. interagem com o espaço e com o tempo de forma diferenciada. também. Para este último sentido de articulação apontou também George Gusdorf. adolescência.adolescência. pontualmente. este tipo de organização corresponde ao grau máximo de coordenação entre as disciplinas e interdisciplinas e é apontada como facilitadora da interpretação e compreensão das realidades na sua extensão e complexidade. Neste último caso incluem-se trabalhos que consideram que o currículo deve ter em conta o meio em que se insere a escola e a relação entre a cultura escolar e as culturas de origem dos alunos a quem esse currículo sedes­tina. criar tempos mais democráticos de formação docente e dos alunos. deixa de existir o parcelamento das disciplinas. Por outro lado. jovens e adultos é um desafio para os(as) educadores(as) e uma questão a ser pensada quando reivindicamos uma escola democrática e um currículo que contemple a diversidade. Em consequência. os conteúdos escolares. tempos e espaços escolares pressupõe uma nova estrutura de escola que se articula em torno de uma concepção mais ampla de educação. na década de 70 (Gusdorf. historicamente. quando sustentou Didatismo e Conhecimento . dos pais. fatalmente. no tempo da escola estão em jogo direitos dos profissionais da educação. autoritários. A articulação entre currículo. Ao discutirmos sobre o espaço. a denúncia aos tempos mal remunerados. Parafraseando Boaventura de Sousa Santos. é de realçar os que elegem como argumentos questões focadas na relação entre conteúdos disciplinares e os que o fazem focando questões culturais. ao discutir a relação entre diversidade e organização dos tempos e espaços escolares. juventude e vida adulta. no mesmo nível hierárquico. mais longos e mais atentos às múltiplas dimensões da formação dos sujeitos. Para construir uma nova forma de organização dos tempos teremos que superar a ideia de um tempo linear. Finalizando. como. A avaliação poderá ser realizada de forma mais coletiva e com o objetivo de acompanhamento do processo de construção do conhecimento dos(as) aluno(as) 108 nas suas múltiplas dimensões humanas e não como instrumento punitivo ou como forma de “medir o desempenho escolar”.

com a especificidade de cada um dos seus membros. Ameu ver. Acredita-se que o cruzamento de saberes e de opiniões diversas. 1977. as vozes que reclamam a necessidade de se romper com o acantonamento das disciplinas na lógica da multidisciplinaridade. e convocando Doll (2002). aos alunos) trazer ao domínio da consciência o que sabem para interpretar essa situação. na base da qual contestou a hiperespecialização por se afastar da formação simultânea de um homem culto. quer pelo tipo de interação que é proporcionada (interação entre sujeitos). Ou seja. interativo” (Santos 2004). nesta linha. é tendo também por referência esta perspectiva que cada vez mais tem sido reconhecida a importância de equipas multidisciplinares que. 2002). 1999. em entrevista à Revista em Educação. quer pelo reconhecimento e importância atribuídos às culturas de origem de cada um dos alunos que constituem a população escolar. bem como métodos e dispositivos de pensa­mento comuns capazes de produzir e reproduzir esses saberes”. através de uma “pedagogia da totalidade”. sábio. este autor foi buscar as suas raízes do conhecimento integrado à Grécia antiga. a articulação entre conteúdos e a articulação curricular justificar-se-iam . numa perspectiva pós-moderna. isto é. favorecem leituras e interpretações mais rigorosas das situações do que se elas ocorrerem baseadas apenas em conhecimentos monodisciplinares. quando existem condições para ocorrer um “conflito sociocognitivo” (Piaget. Leite. de um modo geral. no entanto. mais perdem o contato com are­alidade humana. afirma que a análise do histórico de uma série de disciplinas no currículo escolar mostrou que «havia uma política governando as disciplinas» não sendo. Veiculando uma visão humanista que apontava para a formação do “homem integral”. tem sido reconhecida a influência da componente social na aprendizagem. enquanto característica de um grupo pode contribuir para superar leituras frágeis e superficiais das situações. a este propósito. conhecimentos esses que ganham novos sentidos quando se envolvem na leitura e na interpretação conjunta de um mesmo fenómeno ou situação. mas também de atribuição de sentidos às situações vivi­das. lembra a necessidade de se passar da produção do conhecimento convencional que lhe era reconhecido para a produção de um “conhecimento pluriuniversitário. é esta condição que justifica um trabalho de equipa entre professores de diferentes disciplinas na construção e desenvolvimento de projetos curriculares. Santos (2004). isto é. O reconhecimento da importância de projetos que promovam articulações com o local é também realçado pelos educadores que. segundo as ideias até aqui sistematizadas. aponta para a importância de se recorrer a processos de construção do conheci­mento que envolva distintos pontos de vista e distintas áreas de saber. 2008). Em síntese. sendo-lhe atribuídas razões que passam pela facilidade organizativa e de relação direta entre a formação inicial dos professores e a dos alunos a formar. Nesta orientação. Reconhecendo que a estruturação de um currículo em tomo de disciplinas facilita a organização escolar. 109 Também Goodson. mas sim “as disciplinas como construções sociais que atendem a determinadas finalidades” e que “reúnem sujeitosem determinados territórios”(Lopes. afirma que “isso acontece porque não está em foco o sentido epistemológico de disciplina”. proporcionam releituras e reinterpretações do mesmo fenómeno ou situação (Stoer e Cortesão. Afirmou na altura que quanto mais as disciplinas se desenvolvem. propõe o recurso a projetos pedagógicos contra hegemônicos que estimulem uma atitude crítica e criativa do conhecimento e criem condições para refletir os entraves da estrutura curricular. Ora. qualquer que seja a disciplina de onde provenha o saber considerado necessário. 1977). entendida como “conjuntos de saberes. desafiando os limites dos ambientes escolares existentes. estudou as raízes epistemológicas dessas disciplinas para compreendê-las. em artigo que reflete razões por que somos tão disciplinares e por que nos organizamos disciplinarmente. várias têm sido. a propósito das alterações que têm ocorrido na relação das instituições universitárias com a sociedade. sem ser no quadro de um processo político e social. 1997) que nos faça estabelecer interações com o que nos é próximo e familiar. Doll (2002). contextualizado. este tem sido um aspeto que tem justificado a organização de muitos dos sistemas escolares atuais. possível entender o currículo Didatismo e Conhecimento . E é tendo por referência esta situação que Alice Casimiro Lopes. portanto. o que justifica a necessidade de se encontrar outras formas de aceder ao conhecimento. ou seja. Dito por outras palavras. os currículos escolares continuam a privilegiar uma organização fundada nas disciplinas apoiada numa docência também ela fortemente disciplinar. O conhecimento produzido sobre a aprendizagem tem-nos também dito que esta tem mais probabilidades de ocorrer quando se torna significativa. elegendo como objetivo a configuração e a vivência de um currículo que positivamente responda à multiculturalidade propõem processos que ultrapassem os limites estruturais dos espaços físicos da instituição escolar e permitam a construção de um conhecimento contextualizado. não se justifica o desenvolvimento de um currículo que não tenha em conta a diversidade de experiências de situações vividas pelos alunos a quem se quer ensinar e a quem se deseja oferecer condições para aprender. filósofo e artista (Gusdorf. Sisto. portanto. quando permite atribuir sentidos às situações com que convivemos. por razões de acesso a modos de apropriação de conhecimentos. é necessário que o currículo. 2007). a articulação é concebida como o estabelecimento de relações entre a cultura escolar e as culturas de origem dos alunos e como meio indutor de processos de construção do conhecimentos que envolvem diferentes pontos de vista que. Na verdade. considera-se que a aprendizagem é favorecida quando existe uma relação entre conteúdos que promove uma leitura das situações reais o mais próxima possível dessa realidade e quando se recorre a pontos de partida que permitem a quem está a aprender (e. No entanto. ao interagirem.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS a importância de se trabalhar na lógica de relações entre as disciplinas. de um “conhecimento politicamente estruturado” (Goodson. se organize de modo a tomar-se mais rigoroso porque tem em conta os alunos concretos e estabelece relações com as situações reais recorrendo a procedimentos reflexivos que o fazem mais rico. e transpondo a sua ideia para o que está em foco neste texto. Neste entendimento. transdisciplinar. Aliada a esta justificação. Nesta perspectiva. e que esta é a tradição de muitos dos sistemas educativos. E. e quando existe uma relação entre o “novo” (o conhecimento a adquirir) e o conhecimento que possuímos.

Segundo Zabala e Arnau (2010). Dizem estes autores: Uma escola que pretenda ensinar competência para responder a problemas da vida deve realizar uma análise que determine com rigor quais são as competências alcançáveis. estas i deias? Neste texto. em função das finalidades propostas e das características singulares dos alunos (Zabala e Amau. pelas especificidades que constituem a vida de cada comunidade e de cada ambiente escolar. Neste sentido. 2011). aproveitar os meios disponíveis. e isto pelas condições de base que criam para que cada aluno faça novas aprendizagens socialmente reconhecidas como relevantes. Neste sentido.. propõe um regresso a “fontes do bom saber e do bom fazer”. 2010). pesquisas do meio. isto é. mas sim questionar a forma como estes poderiam ser reposicionados nos contextos dos temas”. entre outras. sim. propõe. este procedimento. e admitindo a importância de processos de articulação Didatismo e Conhecimento . para melhorar a cultura que se dissemina no sistema educacional. o que pretendo aqui realçar é a importância de procedi­mentos curriculares que permitam apreender a complexidade das situações em análise. convivendo com análise de casos. a concepção de currículo que se orienta por esta intenção não significa “abandonar os conteúdos valorizados. pretendem que as aprendizagens sejam o mais significativas possível e permitam resolver os problemas de compreensão e de participação nas situações da vida real. passam pelo recurso a métodos de enfoque globalizador. 2010).) aprendem-se exercendo as ações correspondentes que as configuram” (Zabala e Arnau. empenhadamente. observação. 2006). portanto. 2010). revisar as práticas que dificultam esses objetivos.. Alerta ainda este autor para que. e como em outro lugar afirmámos (Leite et al. É o que Canário (2005) propõe quando se refere à criação e valorização de elos entre a escola e a comunidade. de modo algum. a um problema ou a uma situação que se pretende compreender.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Também Apple e Beane (2000). as situações reais inerentes a um problema a resolver ou uma situação na qual se pretende intervir. Como é evidente. esta atitude exige aos professores uma forte relação com os locais e uma atenção acrescida aos modos de trabalho pedagógico. que lhe seja interessante e o desafie a responder a questões que não separem os conteúdos em compartimentos tratados como estanques. mas como intenção levar ao reconhecimento dos limites de cada uma delas e. tornar as escolas algo mais que simples locais onde se ‘passa a matéria”’ (GimenoSacristán e Pérez Gómez.. afirmámos já a importância de ter em conta as experiências de vida dos alunos e de partir dessa experiência e desse conhecimento para o ensino de no­vos conhecimentos. os clássicos ou as novas tecnologias. tenha o meio não só como ponto de partida. utilização de instrumentos e recursos disciplinares. aspeto que é facilitado quando interagem contributos de diferentes áreas do saber e que traduzem diferentes leituras. Ou seja. “revisar e ampliar o sentido do que são conteúdos relevantes. aproximando escola e vida. apontam no sentido de uma articulação na lógica de um currículo integrado. mas a utilização apropriada de estratégias e métodos coerentes com o conhecimento disponível sobre como são produzidas as aprendizagens. trata-se de uma concepção que perspectiva como ponto de entrada para a organização curricular não as disciplinas. o que é importante é prever e concretizar momentos de articulação curricular que dê sentido e utilidade social ao que se aprende. e como tenho afirmado (Leite. e fixar critérios precisos que permitam o estabelecimento de pautas para a seleção e priorização dos conteúdos de ensino. torná-los atrativos para os estudantes. por processos que partam de uma situação próxima da realidade do aluno. não se fique limitado ao que são as experiências de partida dos alunos e aos conhecimentos locais. afirmam que “a solução não está em acrescentar novos conteúdos. nesta ruptura de muros relacionais que a separam das comunidades. mas em aplicar as formas de ensino adequadas” (Zabala e Amau. 2011). cada professor deve seguir na sua área o seguinte esquema: “situação da realidade. não somente as desejáveis. Estas ideias lembram-nos o que já neste texto sustentam os quando afirmamos que os projetos curriculares devem ter como ponto de partida o que é próximo e familiar aos alunos a quem se destinam. tal como outros modelos de articulação curricular... ignorar a importância de saberes disciplina­ res. 2010). constituindo uma resposta às limitações do ensino tradicional. não se restringindo a uma unidade didática. etc. Outra posição a ter em conta é a de GimenoSacristán e Pérez Gómez (2011) quando. Neste caso. podemos questionar: como concretizar. Ao mesmo tempo. características de uma orientação clássica onde apenas têm lugar os alunos socializados com a cultura escolar. De certo modo.) recomendam: O professor deverá utiliza r uma metodologia variada com sequências didáticas enfocadas sob o método de projetos. 1997) implica que se tenha uma atenção acrescida aos fenómenos da diversidade cultural e aos pontos de partida dos alunos que constituem a população escolar. a organização e o desenvolvimento do currículo em tomo de competências. 2002). 2000). E para esta concretização. Tal como afirma Beane (2000). pressupõe que a instituição escolar. “tem como ponto de partida as disciplinas. Devo esclarecer que as ideias que aqui estou a sustentar não significam. é envolvido na responsabilidade da educação e formação da população que o constitui. Zabala eAmau (2010. Em síntese. na linha dos que atribuem um sentido social ao saber e na defesa de currículos democráticos. Por isso. afirmando que é necessário “considerar a vida quotidiana e os recursos do meio ambiente para relacionar a experiência do sujeito com as aprendizagens escolares sem cair em localismos limitadores” (GimenoSacristán e Pérez Gómez. a interdisciplinaridade. formalização segundo os critérios científicos da disciplina e aplicação a outras situ­ações para facilitar a generalização e o domínio dos conceitos e das habilidades aprendidas” (Zabala e Arnau. esta é também a posição de Zabala (1998) quando se refere aos métodos globalizadores que. referem ainda que “os componentes procedimentais das competências (trabalho em equipa. Por isso. Como pode ser delineada e concretizada a articulação curricular nos projetos curriculares? A atribuição à educação escolar do objetivo de participar na criação de condições que promovam a equidade e a justiça social (Conne. e com intervenções expositivas convencionais [. 110 Na continuação desta posição.] o objetivo não será a variedade. deixando de ter significado por si sós. de um currículo em que os vários conteúdos estão subordinados a uma ideia central. mas também como recurso que. E implica que o reconheci­mento dessa situação seja acompanhado por processos de organização e desenvolvimento do currículo que rompam com lógicas etnocêntricas e homogeneizantes. do ponto de vista estratégico. Na continuidade deste raciocínio. isto é. não pondo de parte os contributos das disciplinas. implica a construção de um conhecimento sobre cada situação e um constante revisar dos caminhos delineados. sem a pré-determinar. E é este procedimento que torna as escolas democráticas (Apple e Beane. favorecer situações que recorrem ao contributo das que sejam necessárias para uma melhor compreensão/interpretação do mundo em que vivemos”. proposição de questões. mas. contestando a utilidade das competências em educação. nestes procedimentos de desenvolvimento do currículo.

conhecimento dos contextos em que se situa cada escola. E. onde numa atitude dialógica se constroem conhecimentos. É um resumo das condições e funcionamento da escola e ao mesmo tempo um diagnóstico seguido de compromissos aceitos e firmados pela escola consigo mesma – sob o olhar atento do poder público. Portanto. Entretanto. portanto. é preciso entender que o projeto político pedagógico da escola dará indicações necessárias à organização do trabalho pedagógico. quer ainda dos que fazem parte da mesma comunidade educativa. que inclui o trabalho do professor na dinâmica interna da sala de aula. Isto significa resgatar a escola como espaço público. A escola é o lugar da concepção.. É uma ação intencional e um compromisso definido coletivamente. ele configura a identidade da escola. colaboração e criatividade. Assim. discutir. realização e avaliação de seu projeto educativo. porque articula o compromisso sócio-político aos interesses da comunidade. A principal possibilidade de construção do projeto políticopedagógico passa pela relativa autonomia da escola. O Projeto Político Pedagógico (PPP) é construído e vivenciado por todos os envolvidos com o processo educativo da escola. propiciando a vivência democrática necessária para a participação de todos os membros da comunidade escolar e o exercício da cidadania. política e social. Já. Projeto Político Pedagógico: discutindo conceitos A abordagem do PPP fundamenta-se em alguns princípios que norteiam a escola democrática. a segunda define as ações educativas. cultural. Uma escola autônoma. “gestão democrática”. tudo isto recorrendo a procedimentos democraticamente contratualizados em contratos didáticos. O Projeto Político Pedagógico representa um desafio importante na caminhada de uma escola que busca efetivamente uma educação de qualidade. uma vez que organiza seu trabalho pedagógico baseando-se em sua realidade. para que o PPP seja possível deve- Didatismo e Conhecimento . envolvimento das famílias na responsabilização pelo ato de educar e formar as suas crianças e jovens. vivenciam relações e valores em vista da educação integral. condições de trabalho e remuneração docente. a “valorização do magistério” que objetiva a formação inicial e a continuada. E. fundado na reflexão coletiva. tenta instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico em dois níveis: o da escola como um todo e o da sala de aula. a escola deve assumir o trabalho de reflexão sobre sua finalidade educativa. a construção desse projeto político pedagógico. para que se possa construir o PPP. lugar de debate. definição de pontos de contato entre projetos que permitam realizar aprendizagens cognitivas e desenvolver competências de intervenção nas situações com que se convive. o projeto político pedagógico. e. (1998). deve alicerçar o conceito de autonomia. visa uma nova organização no trabalho pedagógico com participação da comunidade. quer dos que trabalham com os mesmos alunos. Ela é um espaço em que as pessoas possa dialogar. rompendo com a rotina do mando impessoal e racionalizado da burocracia que permeia as relações no interior da escola. questionar e compartilhar saberes. igualmente muito importante. executar e avaliar o seu próprio trabalho. nas seguintes dimensões: definição e estabelecimento de relações entre conteúdos das disciplinas que constituem os diferentes níveis de ensino. buscando eliminar as relações competitivas. onde todos os educadores possam pensar. há que trabalhar. Sendo. associando-o com o contexto social. a equipe escolar e os funcionários aprendam a pensar e a realizar o fazer pedagógico de modo coerente. cooperação entre docentes quer da mesma área disciplinar. considera-se o PPP como um processo permanente de reflexão e discussão de problemas escolares. Nessa perspectiva. A Escola torna-se um ambiente desafiador que provoca o questionamento. permitindo aos sujeitos que o produzem pensar. Nesse sentido. Assim. que é tida como espaço social marcado pela manifestação de práticas contraditórias (luta e/ou acomodação) de todos os envolvidos. Onde há lugar para transformações. preocupa-se em instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico que supere os conflitos. na busca de alternativas viáveis à efetivação de sua intencionalidade. realização de atividades entre a es­cola e a comunidade. de sua capacidade de delinear sua própria identidade. há sete elementos básicos que podem ser apontados. “autonomia” de atuação. Nesse sentido. processual e contínuo. sendo norteada por referenciais ditados pelo sistema de ensino. Não é feito para ser mandado para alguém ou algum setor. o qual se relaciona a duas dimensões. do diálogo. mas sim para ser usado como referência para as lutas da escola. “qualidade” de ensino para todos. curricular e pedagógica. a reflexão e a criação de alternativas e soluções. (FREITAS et al.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS organizacional. Ambas as dimensões relacionam-se reciprocamente. a escola deve ter autonomia e se basear em um referencial que tenha uma teoria pedagógica compromissada em solucionar problemas educativos e de ensino. A primeira é política.(Texto adaptado de Carlinda Leite). refletir e avaliar o processo de construção do conhecimento. 2004). que inclui a ampla participação dos representantes dos diferentes segmentos da escola nas decisões/ações administrativo-pedagógicas ali desenvolvidas. Pelo caráter democrático. duvidar. valorização das experiências de vida e dos quotidianos diversificados. se propiciar situações que permitam que os professores. Para VEIGA. pois reside na possibilidade de se efetivar a intenção escolar: a formação do cidadão. diminuindo os efeitos fragmentários da divisão do trabalho que reforça as diferenças e hierarquiza os poderes de decisão. contradições. visto que sua sistematização nunca é definitiva e deve ser produto de um processo de planejamento participativo. corporativas e autoritárias. envolvimento dos alunos nos processos de construção das suas aprendizagens. o mais importante. que não deve ser tratado de forma dogmática e esvaziada de significado. a construção do PPP é a própria organização do trabalho pedagógico da escola. podendo ser: constitucional. A principio. 111 12 CONSTRUÇÃO DA PROPOSTA PEDAGÓGICA DA ESCOLA: PRESSUPOSTOS E ESTRATÉGIAS. É importante ressaltar que o projeto político pedagógico é inconcluso. pelo menos. ao se constituir em processo democrático. pública e gratuita: “igualdade” de condições para acesso e permanência na escola. O projeto pedagógico não é uma peça burocrática e sim um instrumento de gestão e de compromisso político e pedagógico coletivo.

• Diálogo profundo. Conceitual e Operacional. Em terceiro. De acordo com Veiga (1998). a avaliação deve favorecer o desenvolvimento da capacidade discente de apropriar-se dos saberes científicos. o processo de decisão. que assegura a locação. conhecer seus conflitos e contradições. o Projeto Político Pedagógico visa reorganizar formalmente a escola e dar certa qualidade em todo processo vivido. com espaços abertos à reflexão coletiva que fortaleçam o dialogo. Didatismo e Conhecimento 112 O objetivo do Ato Situacional é apreender o movimento interno da escola. rigoroso e visceral com as situações. que essa organização do trabalho pedagógico relaciona-se com organização social. educação. No Ato Conceitual. O currículo é estruturado em períodos fixos de tempo para cada disciplina. a escola discute a sua concepção de educação e sociedade. De modo geral. em igualdade de importância. a gestão de recursos humanos. deve prever meios que estimulem a participação de todos no processo de decisão e.aprendizagem: • Cuidado com todas as dimensões humanas. A escola é o lugar de concepção. Em quarto. e vai definindo como as prioridades devem ser trabalhadas. • No campo acadêmico. • Cultura do cuidado. tecnológicos produzidos e deve ser resultante de um processo coletivo de avaliação diagnóstica. Envolve três momentos: a descrição e a problematização da realidade escolar. ainda. é necessário . sociais. após as férias de julho e no encerramento do ano letivo que estes momentos são pensados e previstos pelas escolas. Há uma correlação de forças propiciando a construção de novas formas de relações de trabalho. Vale acrescentar. respondendo. físicos e financeiros. temos o currículo. dimensão cognitiva. incluindo todos os setores necessários ao desenvolvimento do seu trabalho. devido ao fato da escola ser uma instituição social que reflete internamente as determinações e contradições da sociedade capitalista. tais como: dimensão física e estética. a descentralização do poder. a comunicação horizontal entre os diferentes segmentos envolvidos com o processo educativo. na perspectiva da Ecologia Integral. Sua análise estrutural visa identificar quais elementos são valorizados e por quem. ensino e aprendizagem. de modo a articular. o empenho na atualização constante dos conhecimentos. A sensibilização à cultura do registro do pensado e vivido pela escola. povos e pessoas em situação de risco. Os movimentos de acompanhamento e avaliação devem seguir todos os atos. homem. • Materialização da Proposta Educativa na perspectiva dos quatro pilares da educação para o século XXI. a busca de processos mais democráticos e. é durante o início do ano letivo. no currículo e nas práticas educativas. o aprender a conhecer. Este é dinâmico e seu processo envolve.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Em segundo lugar. Em quinto. simultaneamente. o aprender a ser e o aprender a conviver. as dimensões da ecologia pessoal. por último. da ecologia ambiental e da ecologia social. dimensão ético-valorativa e transcendente. busca explicar e compreender as causas da existência de problemas. o aumento do interesse da escola em conhecer melhor sua comunidade. visando a um esforço analítico da realidade constatada no Ato Situacional. Identificam-se alguns pressupostos e eixos sustentadores e norteadores do processo ensino . a administrativa. é possível apontar três movimentos básicos deste processo de construção do PPP. dimensão afetiva. Logo. o encontro de alternativas criativas para problemas cristalizados no cotidiano. Todavia. seus polos de poder e seus conflitos. Em sexto. • Opção pela comunicação. Todas essas dimensões devem ser expressas e concretizadas nas propostas e projetos pedagógicos. o tempo escolar que é um dos elementos constitutivos da organização do trabalho pedagógico. há necessidade de se instalarem mecanismos institucionais. visando à participação política dos envolvidos com o processo educativo da escola. cuja estrutura administrativa. escola. denominados pela autora de: Ato Situacional. uma vez que ele retrata o entendimento e o percurso possível trilhado em cada uma das escolas. e. No entanto. a proposição de alternativas de ação. O como realizar as tarefas configura o Ato Operacional refere-se às atividades a serem assumidas e realizadas para mudar a realidade das escolas. uma gestão deve considerar as condições concretas presentes na escola. o aguçamento da crítica e da autocrítica. recíprocas e de participação coletiva. às questões de ensino-aprendizagem e às curriculares. aos grandes desafios do mundo e da sociedade contemporâneos. realização e avaliação de seu projeto educativo. sendo uma construção social do saber. avaliar é conhecer a organização do trabalho pedagógico. formação em valores e virtudes. a partir da organização de um currículo fundado na solidariedade. A avaliação é também responsabilidade coletiva e parte integrante do processo de construção do PPP. Geralmente. Porém. processo e produto. destacam-se o cultivo do rigor conceitual. em relação às práticas de gestão e à atuação dos órgãos colegiados. não são suficientes. aprender a fazer. e. as relações de trabalho que devem girar em torno de atitudes solidárias. momento da criação coletiva. a fim de indagar sobre suas características. Direção escolar e equipe pedagógica devem prever momentos coletivos para este fim. vale a pena insistir em um processo em que a escola seja a autora do seu Projeto. Por isso. Ao ser avaliada. A organização temporal do conhecimento é marcada pela segmentação do dia letivo. além do patrimônio escolar e de como esse se apresenta. existem vários caminhos para construção do PPP. dentro e fora da escola. currículo. a busca de excelência acadêmica em tudo que se faz e se produz. dimensão comunitária e social. suas mudanças e se esforça para propor alternativas coletivas. Em suma. pautados no respeito às diferenças. dessa forma. que estabelecem. E. a avaliação do PPP que parte da necessidade de se conhecer a realidade escolar. uma vez que necessita organizar seu trabalho pedagógico com base em seus alunos. de forma a possibilitar a implementação de decisões coletivas. A construção do projeto da escola A construção/reformulação/avaliação do Projeto PolíticoPedagógico necessita de uma ação conjunta. são pontos fundamentais para o avanço democrático e formativo no âmbito das escolas. relaciona-se com a sua estrutura organizacional: a pedagógica que se referem às interações políticas. fazer seu diagnóstico e definir onde é prioritário agir. em especial. bem como suas relações. que refere-se à organização do conhecimento escolar. a compreensão crítica da realidade descrita e problematizada. bem como introduzir novas questões e propostas de ações. questiona-se os pressupostos burocráticos que inviabilizam a formação de cidadãos. Implica a tomada de decisão para atingir os objetivos e as metas definidas coletivamente. pressupondo a sistematização dos meios para que se efetive. para se tornar possível. Entre eles temos: o calendário e o horário escolar.

coexistência de instituições públicas e privadas de ensino. por sua vez. idiossincrasias. portanto. Construir um projeto pedagógico da escola é mantê-la em constante estado de reflexão e elaboração. está voltada para si. para a sua particularidade. a qualidade tem uma natureza formadora – produz uma cultura. XI. seja prolongada. 2004). na forma desta lei e da legislação do sistema de ensino. reuniões de pais. é uma instituição social que se diferencia de uma organização. assim se posiciona Freitas: O pressuposto deste enfoque é que as instituições também “aprendem”.. é necessário afirmar que é uma atribuição da escola. No entanto. a escola não define o seu padrão de qualidade dentro das suas limitações e possibilidades. Em sendo assim. É fundamental que o documento descreva os princípios norteadores que estão contemplados na LDB nº 9394/96. porém sem perder a perspectiva de realização de um trabalho de qualidade. a escola não pode prescindir da administração. Para retratar a sua importância. mas também durante a sua elaboração.] que.. igualdade de condições para acesso e permanência na escola. Quanto a sua construção.. numa esclarecida recorrência às questões relevantes do interesse comum e historicamente requeridas. 2002). de forma democrática e participativa. O padrão de qualidade de partida deve ser definido não só pela escola internamente. a arte e o saber. ênfase de prioridades. utilizando-se do princípio da racionalidade. reuniões do Conselho Escolar e do Grêmio Estudantil. a qualidade tem uma natureza auto reflexiva – reflexão sobre a prática. em um contexto de sociedade dominado pelo modelo de produção capitalista. Como instituição social a escola busca a universalidade. garantia do padrão de qualidade.. pois nunca estará finalizado. como também pelas redes de ensino e pelo poder público. (PARO. através dos seus órgãos executores (estaduais ou municipais) a incumbência de orientar os estabelecimentos de ensino quanto à elaboração ou reelaboração dos seus Projetos Políticos Pedagógicos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS discuti-lo também. ensinar. tendo como princípio e referência ela mesma em um processo de competição com outras com os mesmos objetivos (CHAUI. como as pessoas. Há sim. Ao construir-se o projeto da escola algumas questões necessitam ser feitas em relação aos sujeitos que se quer formar. Deste ponto de vista. VII. IV. em direção ao alcance dos objetivos verdadeiramente educacionais da escola. valorização do profissional da educação escolar. 2003). seja uma decorrência do trabalho cooperativo de todos os envolvidos no processo escolar. 3º: I. porque na escola há vida e a vida modifica-se continuamente. Enquanto o planejamento dimensiona o que se vai construir. pluralismo de ideias e concepções pedagógicas. entendida como atividade natural humana para alcançar certos fins e objetivos e que se utiliza de forma racional de recursos materiais e humanos (PARO 2002). VIII. pode-se utilizar o que diz Luckesi a esse respeito: A avaliação poderia ser compreendida como uma crítica de percurso de ação.. gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais. Entende-se que o enfoque da qualidade negociada abrange uma totalidade de fatores essenciais à vida de uma instituição que se pauta por uma gestão participativa e democrática. Apesar das dificuldades inerentes aos sistemas da sociedade atual. valorização da experiência extracurricular.] A gestão do projeto político-pedagógico Considera-se que a gestão do projeto político pedagógico realiza-se não somente durante o seu acompanhamento. observando os referenciais legais. 113 A escola. guiados por uma “vontade coletiva”.. A organização. caso contrário. que visa objetivos sociais. X. tendo como referência e princípio normativo e valorativo a sociedade em que atua. [. à sociedade que se quer para viver. na hora atividade dos professores. a qualidade é um processo – a qualidade constrói-se. reuniões pedagógicas. a qualidade tem uma natureza contextual e plural – admitem modalidades de realização diferentes. com o desenvolvimento dos seus profissionais. mas que tem uma especificidade organizativa. IX. porque fundamenta novas decisões. a qualidade tem uma natureza participativa – natureza polifônica. respeito a liberdade e apreço a tolerância. será um documento de gaveta. Como um coletivo. cada escola implementa no seu ritmo e tempo próprios e na dimensão das vontades dos coletivos nela atuantes. por parte do sistema educacional. Enfim. vinculação entre a educação escolar. a avaliação subsidia essa construção. Novos desafios surgem todos os dias e novas demandas são exigidas. o que se pretende é que a escola tenha uma administração participativa. gestão democrática do ensino público. V. seja ela curta. liberdade de aprender. A qualidade negociada assim caracterizada através dos seguintes indicadores: a qualidade tem uma natureza transacional – não é um valor absoluto e não se estabelece a priori. sem autoritarismos.] a avaliação como crítica de percurso é uma ferramenta necessária Didatismo e Conhecimento . Sendo assim. no seu Art. O enfoque de qualidade que se pretende enfatizar na gestão do projeto político pedagógico é o da “qualidade negociada”. apenas para cumprir formalidades burocráticas. Cabe aqui ressaltar a fundamental importância do pedagogo escolar na organização do trabalho pedagógico e na viabilização destes momentos. É um documento que necessita de constante avaliação por parte da própria escola. VI. assumindo postura de não neutralidade diante dos distintos caminhos a seguir. aos conhecimentos que se quer ensinar. cabe ao Conselho Escolar das instituições aprová-los. II. as instituições têm uma memória das suas lutas e demandas e são um organismo vivo que reflete sobre sua realidade e seu futuro. ele será sempre um ponto de partida. É necessário implementá-lo. pesquisar e divulgar a cultura. o trabalho e as práticas sociais [. entendida como uma construção participativa e coletiva. induz à transformação para melhor dos seus atores (BONDIOLI. sem os constrangimentos da gerência capitalista e da parcelarização desumana do trabalho. usando métodos e técnicas que garantam o alcance deles. sem ferir o calendário escolar. não há modelos a serem seguidos porque não há escolas idênticas. Outro aspecto que merece ênfase na gestão do projeto político pedagógico é a questão da avaliação. o pensamento. cujos pressupostos foram analisados no item anterior desse trabalho e onde fica clara a importância da participação e compromisso do coletivo da escola. Sobre o enfoque da qualidade negociada na administração do projeto político pedagógico. A questão que se coloca é como administrar. a qualidade tem uma natureza transformadora – transformar para melhor. mas segue o padrão de partida definido pelo coletivo do sistema educacional da sociedade. uma cultura que deve ser levada em consideração em um processo de gestão. conselhos de classe. supõe ação. III. A escola como uma instituição social difere de uma organização. uma administração: [. que se preocupe com o coletivo. Qualidade negociada não significa a ausência de um padrão de qualidade.

Considerado como o eixo central da organização do trabalho na escola. 1995). em que as decisões sejam democratizadas e que o seu processo de avaliação e revisão seja uma prática coletiva constante. políticos que podem impulsioná-la para uma gestão eficiente e eficaz. com seus limites e perspectivas. É necessário que seja o “retrato da escola”. valorizando as diferenças de cada um no processo educacional e na concepção política de construção de sistemas educacionais com escolas abertas para todos. O Ministério da Educação do Brasil. é de fundamental importância que a construção e o acompanhamento do projeto político pedagógico estejam alicerçados em uma administração participativa. na proposta pedagógica que propõe-se ensinar a todos os alunos. revertendo as propostas convencionais de criar programas especiais para atender. Projeto Político Pedagógico: Gestão Democrática A escola como uma instituição social voltada para a educação do cidadão. ou seja. o processo de democratização da gestão escolar tem se desenvolvido lentamente. mas envolve relações com a família e com a comunidade externa mais ampla. administrá-la de modo eficiente e eficaz é uma das condições para que cumpra o seu papel. Fatalmente. alcance os seus objetivos. Para que a escola. fundamentada nos princípios éticos do respeito aos direitos humanos. entendida como aquela que a escola faz de si mesma. organizando a escola para exercer o importante papel que lhe é próprio: socializar conhecimentos. (FREITAS et al. Tem como pressuposto a gestão escolar democrática e participativa e articula seus compromissos em torno à construção do projeto pedagógico da escola. isso não elimina a necessidade de se buscar. portanto. A política de inclusão educacional A educação especial envolve um amplo processo de mudanças para a implantação de sistemas educacionais inclusivos. Quanto à utilização racional de recursos pela gestão da escola. com as relações dos homens entre si”. A escola não pode pensar a si mesma desconhecendo suas relações com seu entorno. pais. é um dos elementos mais importantes para a gestão democrática. de forma segregada.. esses objetivos podem ser alcançados com melhor qualidade quando integrados e articulados aos objetivos administrativos. Buscar a eficiência e a eficácia de forma racional através dos recursos materiais e humanos. Apesar do reconhecimento legal. se chegará à conclusão de que a própria tarefa só aparece onde as condições materiais de sua solução já existem. a “coordenação” tem a ver. bem como. (Texto adaptado de Rosária Albertina da Fonseca Costa).. cujos critérios são os resultados. assegurando a unidade teórica e metodológica no trabalho didático e pedagógico. Este é. no processo administrativo. Justifica-se essa forma positiva de encarar o desafio da gestão escolar na frase de Marx: [. como bem mostra o trecho abaixo: A peça chave na questão da avaliação institucional é o projeto político pedagógico da escola e suas relações com a gestão escolar. têm que ser compatíveis com a especificidade organizativa. Por isso. o projeto políticopedagógico. e a eficácia. Didatismo e Conhecimento 114 Assim. não basta que ele simplesmente exista. A educação inclusiva é hoje o debate mais presente na educação de país. porém não administrá-lo adequadamente não leva a lugar algum. e que esta é a principal função da escola. avaliação. Quanto às técnicas de gestão a serem utilizadas. ele deve articular os aspectos administrativos (plano de ação do diretor/ escola e regimento escolar) aos aspectos pedagógicos (currículo. implicando na necessidade de reverter os velhos conceitos de normalidade e padrões de aprendizagem. alunos com necessidades especiais e inserindo os gestores públicos e os profissionais da educação na elaboração de políticas para todos. formação continuada) e ao objetivo da escola. implementa a política de inclusão educacional. pois é um documento fundamental. A utilização racional do esforço humano. assim Paro (2002) se posiciona: “Enquanto a “racionalização do trabalho” se refere às relações homem/natureza. os seus agentes sociais. considerando o seu todo pedagógico e administrativo e suas relações externas. ou. não significa aplicar os conceitos da administração empresarial na escola. reveste-se de uma importância vital para a sua realização. a eficiência. Quando assim administrada a escola oferece condições para a melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem. métodos. Entretanto. 13 EDUCAÇÃO INCLUSIVA: FUNDAMENTOS LEGAIS E O PAPEL DO PROFESSOR. burocrático e técnico.. instruídos e formados. com os objetivos e fins da instituição escola. um desafio a ser vencido pela escola e o Projeto Político-Pedagógico ocupa um importante papel nesse processo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS ao ser humano no processo de construção dos resultados que planificou produzir. 2004). 1998). pois. e construído por várias mãos. construído e reconstruído coletivamente. se considera mais atentamente. alcançando os seus objetivos especificamente pedagógicos/ educacionais de forma significativa. que contemplem a diversidade humana. Ainda sobre avaliação. como oportunidade de reflexão para mudanças de direção e caminhos. realmente.] a humanidade só se propõe as tarefas que pode resolver. no interior desse processo. Entretanto. afirmar novos . a unidade na organização do trabalho escolar e a coerência entre o planejado e o executado nas práticas escolares. (LUCKESI. Considerando que é do interesse da sociedade que seus cidadãos sejam educados. Nunca foram tão discutidos os princípios constitucionais de igualdade de condições de acesso e permanência na escola. assim como o é no redimensionamento da direção da ação. Neste sentido. cujos critérios estão voltados à economicidade. coletiva. e quando se fala em avaliação institucional. chamo atenção para o fato de que o Projeto PolíticoPedagógico. parte de uma concepção de educação aceita pelo coletivo e que deve unir as ações deste na escola. tem como objetivos principais a sua instrução e a sua formação. Construir o projeto político pedagógico da escola é fundamental. de forma racional. a escola não atingirá os seus objetivos de forma ótima. 1985). pelo menos são captadas no processo de seu devir. econômicos. Na grande maioria dos estabelecimentos escolares ainda predomina uma administração de caráter centralizado. a auto avaliação. Inclui não só a comunidade interna da escola. com a qualidade que dela esperam os seus alunos. o poder de produzir os efeitos esperados (SANDER. norteador para as ações que formam a identidade da escola. Paro (2002) chama de “coordenação do esforço humano coletivo” ou simplesmente “coordenação”. Entende-se que uma vez formulado e conhecido o problema a sua solução está posta. a própria escola possui as suas forças transformadoras. (MARX. comunidade e sociedade de forma geral.

Observamos que a escola necessita se adaptar para acolher os alunos com necessidades especiais educacionais. Principais fundamentos da educação inclusiva Partindo dos princípios de: igualdade de oportunidade e de educação para todos é inegável que deve-se ampliar as oportunidades educacionais para uma grande parcela da população em que está inserido o acesso e a permanência a escolarização aos alunos considerados portadores de necessidades especiais. O enfoque da educação Inclusiva O movimento mundial em direção à sistemas educacionais inclusivos indicam uma nova visão da educação. A escola tem sido marcada em sua organização por critérios seletivos que tem como base a concepção homogeneizadora do ensino. Levar sempre em consideração o fato de que as pessoas são diferentes e que. em função das condições específicas dos alunos. Para que uma escola se torne um modelo de educação inclusiva não deve haver exigências quanto a acesso. discriminação e exclusão do estudante. tem início na faixa etária de zero a seis anos.terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental. e na maximização dos recursos que apóiam ambos os processos de ensino aprendizagem. quando necessário. então. I . jovens e adultos têm direito a uma educação de qualidade.A oferta de educação especial. para os efeitos desta Lei. observar a inserção desses alunos no sistema regular de ensino. livre de seleção e da consequente classificação de alunos em diferentes tipos de instituições especializados. mas que haja uma aprendizagem significativa para todos os alunos.O atendimento educacional será feito em duas classes. como meio primordial de comunicação. surgindo assim. visando a sua efetivação na vida em sociedade. a situação de desvantagem ou deficiência do educando. Se concordarmos que todas as crianças.Haverá. III . e aceleração para concluir em menor tempo o programa  escolar para os super dotados. comprovou-se que esta solução não resolve e é frustrante e devastadora para todas as crianças.professores com especialização adequada em nível médio ou superior. A promoção da inclusão implica na identificação e minimização de barreiras à aprendizagem e participação. não são nossos sistemas educacionais que tem o direito a certos tipos de crianças. 3º.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS valores na escola que contemplem a cidadania. para atender às suas necessidades. intelectuais ou psicomotoras.acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível de ensino regular. Com o passar do tempo. dentro da qual alguns estudantes são rotulados O não reconhecimento da diversidade com o recurso existente na escola e o ciclo constituído pela rotulação. que a inclusão não seja somente física. para atendimento especializado. inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo. Ao invés disso a escola deve adquirir uma melhor compreensão do contexto educacional onde as dificuldades escolares se manifestam em buscar formas para tornar o currículo mais acessível e significativo. a educação inclusiva que tem como objetivo modificar o modelo educacional arcaico vigente através da retirada das crianças dessa Prisão de Especialidades. 1º. bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artísticas. Durante alguns anos os corpos docentes (escola) da educação especial tentaram dar uma resposta aos alunos com necessidades especiais. bem como os recursos destinados a educação de deficientes auditivos. Os Sistemas de ensino assegurarão aos educando com necessidades especiais. jovens e adultos têm direito a uma educação de qualidade. que recupera seu caráter democrático através da adoção legal. portanto a escola deve ajudar cada um a desenvolver sua aptidão num contexto comum a todos.educação especial para o trabalho. Entende-se por Educação Especial. o acesso universal e a garantia do direito de todas as crianças. métodos. então. a modalidade de educação escolar. durante a educação infantil. dever constitucional de Estado. constatamos que a educação para deficientes auditivos requer uma metodologia por meio da Língua de Sinais-Libras. 115 O corpo docente junto com os pais desejou um modo mais inclusivo de educar todas as crianças. Entretanto. É o sistema escolar de um país que tem que se ajustar para satisfazer as necessidades de todas as crianças. com a oferta de educação de qualidade para todos. Uma escola cuja política se comprometa com a igualdade de oportunidades e condições para todos os estudantes a fim de garantir que todos possam ser bem sucedidos educacionalmente. principalmente. como assina Lindquist. serviços de apoio especializado. há muitas dificuldades para se chegar a esse objetivo. bem como professores de ensino regular capacitados para a integração desses educando nas classes comuns. que os profissionais da sala de aula comum precisam se adaptar a essa realidade. II . nem a mecanismos ou discriminação de qualquer espécie. O foco deste estudo não é só olhar a realidade dos deficientes e. retirando-os da sala de aula e ministrando-lhes em ensino individual que tecnicamente achavam o mais adequado. Através de pesquisas. não sendo possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. mediante articulação com os órgãos oficiais afins. contribuem para aprofundar as desigualdades educacionais ao invés de combatê-las. É o sistema escolar de um país que tem que se ajustar para satisfazer as necessidades de todas as crianças. técnicas. na escola regular. na qual a diversidade deve ser entendida e promovida como elemento enriquecedor da aprendizagem e catalizador do desenvolvimento pessoal e social. A promoção da inclusão implica na identificação e minimização de barreiras a aprendizagem e participação.currículos. oferecida preferencialmente na Rede Regular de Ensino.58. para educando portadores de necessidades especiais. não devem ser enfatizadas. Didatismo e Conhecimento . como assina Lindquist. 2º. sim. Em uma escola inclusiva. escolas ou serviços especializados. em virtude de suas deficiências. jovens e adultos de participação nos diferentes espaços da estrutura social. sempre que. V . no que diz respeito à prática de ensino curricular da escola à formação profissional do corpo docente aos métodos e técnicas pedagógicas adotadas no ensino aos meios (recursos humanos materiais) disponíveis em cada escola. Se concordarmos que todas as crianças. não são nossos sistemas educacionais que tem o direito a certos tipos de crianças. para atender às peculiaridades da clientela de educação especial. IV . recursos educativos e organização específica. As Leis que regem a Educação Inclusiva Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional no se artigo 58 e artigo 59 determina que: Art. e na maximização dos recursos que apóiam ambos os processos. trabalhando com esses alunos descobrindo suas dificuldades e procurando inseri-los juntos aos outros alunos ditos normais.

que cada conquista não é o ponto final. social. “Assim. real- Didatismo e Conhecimento . pois todos estão sob o princípio da igualdade. Para nortear esses trabalhos faz-se necessário ter objetivos bem claros. A luta em se ter uma escola inclusiva de verdade é grande. condição social ou qualquer outra situação. e toda a comunidade em geral. de nada adianta colocar a criança especial dentro de uma classe comum. mas sim da necessidade da escola conhecer a diversidade com que trabalha para que realmente possa desenvolver um bom trabalho. Na perspectiva da inclusão. alunos. é apenas o estímulo para buscar cada vez mais.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A política de inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais na rede de regular de ensino. pois prefere o erro (e muitas vezes bitolar e acabar com a vida de uma criança) do que ter a humildade de pedir ajuda. Ninguém nasce sabendo as coisas. esse problema deixa de existir. passível de crítica por levar ao rótulo que tem a deficiência como uma desvantagem. entre outros ingredientes. respeitando suas diferenças e atendimento as suas necessidades. Também não se deseja a uniformização das crianças. para que obtenham sucesso na corrente educativa geral”. bem como desenvolver o potencial dessas pessoas. melhores ou piores umas que as outras. questionar seu projeto pedagógico e verificar se ele está voltado para diversidade” Percebe-se que aqui não se está falando em tratar as crianças como diferentes. todos nós ignoramos alguma coisa. reconhecer e ir à busca dessas crianças e levá-las a escola. vegetando em sala de aula. Mais do que isso. cada qual tem seus talentos. emocional. exclusa. que é indiferente. Vale ressaltar um aspecto a ser comentado sobre o aluno com deficiência auditiva que é a classificação da pessoa com necessidade especial. orientação. A pessoa com deficiência tem que sentir-se valorizada. ou seja. que atinja a todos. mas representa a ousadia de rever concepções e paradigmas. Não se deseja de forma alguma. independentemente de etnia. pais. Um ensino significativo. não consiste apenas na permanência física desses alunos junto aos demais educando. resumindo. fé. fundamentação teórica relacionada com a prática (materialismo dialético). Ninguém vence sozinho. sexo. gradativamente constrói a consciência de que a escola é um bem público que também é seu” A avaliação (já citada). uma escola inclusiva ideal requer muitas coisas. inteligente. suas habilidades e capacidades próprias. até os “ditos normais” também possuem. ninguém é perfeito. capaz igual aos demais estudantes. pois não se limita a ajudar somente os alunos que apresentam dificuldades na escola. Cada um possui limites. confiança e tranqüilidade. pois cada ser é uno. políticos empenhados. que todos sabem lidar perfeitamente. Especialmente na deficiência auditiva. Cabe não só aos pais a responsabilidade de procurar matrícula. possibilidades. uma escola somente poderá ser considerada inclusiva quando estiver organizada para favorecer a cada aluno. não pode ser chamado de educador. sem ser excludente. precisa-se ter vontade. mas também da escola e da comunidade. perseverança. mas apóia a todos: professores. bitola e constrange uma pessoa. que não busca ajuda. direção. bem como já dizia Che Guevara “Tenemos que ser fuertes. é perceber que se irá errar muitas vezes e fracassar. bem como. primeiramente é importante que o município tenha elaborado e em funcionamento o Plano Municipal de Educação. “A inclusão está fundada na dimensão humana e sociocultural que procura enfatizar formas de interação positivas. reconhecendo e respeitando a diversidade e respondendo a cada um de acordo com suas potencialidades e necessidades” O sucesso de toda escola só acontece quando há a participação e a integração de todos os envolvidos no processo educacional: docentes. A legislação é bem clara quando relata que se deve oferecer estudo gratuito a todas as crianças de 0 a 14 anos. Enfim. não é assim tão fácil precisa dos principais ingredientes da receita: vontade de que as coisas realmente aconteçam. é querer. se a deixarem segregada. não pode haver nenhum tipo de discriminação ou preconceito. ocasionando segregação e marginalização. tendo como ponto de partida a escuta dos alunos. mas o que ocorre muitas vezes é os pais (principalmente de pessoas com necessidades especiais) não saberem disso. desenvolvê-las é o mais importante do que um simples número que restringe. tudo se aprende e não se deve nunca perder a esperança. mas é ter coragem para reconhecer que errou e seguir em frente. Pois como já dizia Paulo Freire “Todos nós sabemos alguma coisa. deve haver flexões curriculares para atender todo o público escolar. ao se lidar com crianças com deficiências. aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de rejeição” O processo de avaliação deverá ser todo reformulado também. a proposta pedagógica deve ser estudada. “A inclusão causa uma mudança de perspectiva educacional. existe grande distância entre o real e o ideal.” Para a construção de uma escola inclusiva. O professor que enfatiza o fracasso da outra pessoa. pois “Ensinar exige risco. é determinante quanto ao tipo de escola e recursos que podem proporcionar seu melhor aproveitamento. superação. Mas é inegável que cada aluno tem a sua própria história composta pelo seu ambiente familiar. pessoal administrativo. econômico. não é isso. por isso aprendemos sempre”. o que o professor não pode é enfatizar a limitação das pessoas e sim mostrar-lhes que são capazes de evoluir sempre. não se pode julgar todos iguais. Construir uma escola inclusiva. um desvio da norma. e merece ser tratado como ser especial. entusiasmo. pois sem planejamento é praticamente impossível estabelecer prioridades e necessidades reais do município e das escolas. idade. dizer que ser professor é fácil ou de que ter crianças totalmente diversas e com necessidades especiais em sala é tranqüilo fácil de trabalhar. a “história” do aluno precisa ser conhecida para ser mais valorizada. apoio às dificuldades e acolhimento das necessidades dessas pessoas. esse sim é um fracassado. “A escola deve buscar refletir sobre sua prática. que sejam todas consideradas iguais. de que tem o direito de colocar seus filhos na escola. alunos. importante. pais e comunidade escolar”. pero jamais perder la ternura” “Escola inclusiva é. projeto político pedagógico que condiz com a realidade. 116 A vontade de vencer deve ser maior que o medo de fracassar. reinventada. políticas públicas definidas e acessíveis. além das suas condições orgânicas. aquela que garante a qualidade de ensino educacional a cada um de seus alunos. é acreditar que pode dar certo e o mais importante ter consciência de que muito já se está sendo feito mais ainda é pouco. Todos possuem limitações. Mas o que não se pode aceitar é o docente que se deixa abater diante das dificuldades. para garantir o acesso de alunos com necessidades educacionais especiais à aprendizagem e ao conhecimento. “A pedagogia adotada na escola inclusiva deve ser a pedagogia voltada à criança como um todo. “A escola que pretende ser inclusiva deve se planejar para gradativamente implementar as adequações necessárias. “Quando a família dispõe de meios efetivos de participação ativa e regular na vida da escola. e trabalhá-las. deficiência. é aquele que garante o acesso ao conjunto sistematizado de conhecimentos como recursos a serem mobilizados”.

alunos) se lembrem de que todo aluno pode. realizadas periodicamente através de fóruns de discussões. . pois os grupos humanos são muito diversos e cada um tem seus padrões culturais. e por todos indivíduos que coletivamente unidos. tendo muito mais que um cooperativismo ou um tipo de ajuda humanitária.escolas responsivas e de qualidade. com a proposta básica de parcerias internacionais e cooperação dentro de cada país. dão vida própria a denominação SOCIEDADE. raiva. no que consiste um sistema educacional inclusivo? De forma clara. embora prevista na nossa LDB (Lei 9394/96) e claramente explicitado no artigo 14. participação da família e da comunidade. reiteram vertentes constantemente levantadas como: o direito a educação e garantia de financiamentos que propiciem melhorar a oferta educacional para todos. .. podendo socializar-se com aqueles que partilham das mesma necessidades. tem se mostrado um desafio seja pela novidade para muitos. escolas responsivas e de qualidade. adequações na prática pedagógica. sendo assim uma visão bem saudável e politicamente real disso. com todos e sem discriminação o aprendizado com participação de todos. carências psíquicas. e outros obstáculos que precisam ser trabalhados para a consagração da educação inclusiva. E qual o papel da escola nesta inclusão? Uma boa escola. Um espaço adequado para pessoas que precisam de adequação. beneficiar-se de programas educacionais. o projeto visa a “identificação única” da escola. mas educar a pessoa com deficiência para um socialização de fato para que esteja preparada para saber se portar diante das diversidades sociais. considerando-se uma cadeia de fatores que se interligam entre si. o que não significa tratar todos de forma iguais. especificamente voltadas para a América Latina e Caribe. I.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS mente único como é. amor.o direito a educação igualitária em relação a diversidade de classes. dentro do estado. condições financeiras. mas possibilitar a cada um o que necessita de acordo com suas características próprias. Nesse processo objetiva-se apenas a inclusão de todos. sentido-se assim estimulados e à vontade para se arriscar tendo a oportunidade de experimentar realidades diversas verdadeiramente incluídos partilhando das mesmas atividades em nível de igualdade. Mas afinal. acesso e transparência a população quanto aos processos de gestão educacional. reconhecimento e incentivo ao fortalecimento capacitatório dos docentes. desde que tenha oportunidades adequadas para desenvolver sua potencialidade”. Tais desafios tem sido objeto de sucessivas conferencias internacionais entre os países em desenvolvimento. O padrão de normalidade existe levando-se em consideração as semelhanças mais comuns entre os indivíduos. Assim é possível pensar que é importante que as pessoas tenham a possibilidade de viver de uma maneira mais autônoma dentro de um ambiente que verdadeiramente os acolha. capaz de proporcionar para todos. causadores da morosidade do avanço das técnicas inclusivas. morais e outras séries de juízos que moldam uma sociedade. Não é uma maneira justa identificar como vigorantes estereótipos de normalidade vigentes de maneira universal. sem exclusões. Em contra partida para lograr êxito e transformar-se em “escola inclusiva” necessário a REMOÇÃO DE BARREIRAS através de gestão administrativa pública. a humanidade até na própria forma de compreensão de humanidade é diversa. Os seres humanos são ligados por sentimentos que podem ser os mais diversos possíveis. Por mais que se executem padrões ou tentativas de favorecimento de uns em detrimento de outros. que se dá através de uma boa formação de educadores. processo avaliatório. Destes encontros resultam recomendações de cunho organizacional para implementação gradual da inclusão. e assuma o papel de protagonista de sua própria vida. na Conferência Geral de Educação. despreparo dos educadores e gestores.o direito à igualdade de oportunidades. características. a vida do humano no mundo implica em luta pela sobrevivência e socialização. É preciso esse espaço de socialização. noções éticas. está desempenhando com certeza absoluta. criando um espaço sistemático para encontros entre Ministros de Educação dos Paises da América Latina e Caribe. que servem como modelo para suas comunidades especificas. e esta deve ocorrer não só na escola mas em toda a vida social da pessoa. é pensar a sociedade nos âmbitos das diversidades e assimilação. apatia. constantes estudos e pesquisas como ações indispensáveis ao processo educativo. entre outros transtornos sociais . a UNESCO apresentou um projeto Principal de Educação em Paris. a elaboração de um projeto político pedagógico para as escolas. funcionários.direito a plena aprendizagem e participação eficaz. 117 Didatismo e Conhecimento . a proposta de inclusão. Destarte. que implicam em processos cruéis de adaptação que cada um tem que passar para si formar como ser humano. etnias. e não como já se fundou e se funda em muitas defesas a perspectivas de uma sociedade segregadora apontando como culpado a diversidade de grupos sociais organizados. E se indagarmos a quem cabe a remoção de todas estas barreiras: a resposta mais sensata é : CABE A TODOS: desde o porteiro da escola até o Presidente da República. “É importante que o professor e toda a comunidade escolar (diretor. a seu modo e respeitando seu tempo. alunos. o alto índice de analfabetismo. Muito mais que um plano de trabalho. seja pela inexperiência do verdadeiro trabalho em equipe. o ideal dos sistemas educacionais inclusivos visam: . objetiva e sintetizada. A pessoa com deficiência ensinando os caminhos para escola inclusiva A palavra diversidade tem seu sentidodentro da multiplicidade de diferenças que possam ser reconhecidas.. evidenciando os valores e percurso que pretende seguir para atingir a plenitude educativa. passando por professores. então diverso é aquilo que é múltiplo de diferenças. 1981. entre elas: a pobreza. reconhecimento e adaptação dessas diversidades. Nesse contexto. . que. as pessoas se organizam em grupos com pessoas que se assemelham dentro de características que são comuns aqueles com quem estão se relacionando.

sob formas distintas. recomendações. o MEC cria o Centro Nacional de Educação Especial – CENESP. .de 5 de junho de 2007. desencadeada em defesa do direito de todos os alunos de estarem juntos. Essa problematização explicita os processos normativos de distinção dos alunos em razão de características intelectuais. Em 1973. fundamentada no conceito de normalidade/anormalidade. determina formas de atendimento clínico-terapêuticos fortemente ancorados nos testes psicométricos que. prorrogada pela Portaria nº 948. escolas especiais e classes especiais. acreditando na possibilidade de mudar a realidade atual da nossa estrutura educacional e aceitando tais ideias como solução para a exclusão. mas ainda configuradas por campanhas assistenciais e iniciativas isoladas do Estado. cultural. Assim.692/71. A educação especial se organizou tradicionalmente como atendimento educacional especializado substitutivo ao ensino comum. normatizações. os que se encontram em atraso considerável quanto à idade regular de matrícula e os superdotados”. que. terminologias e modalidades que levaram à criação de instituições especializadas. No Brasil. ambos no Rio de Janeiro. No início do século XX é fundado o Instituto Pestalozzi (1926). sociais e lingüísticas. definem as práticas escolares para os alunos com deficiência. aprendendo e participando. qualquer tentativa de modificação ou melhorias será inócua. ao definir “tratamento especial” para os alunoscom “deficiências físicas. porque primeiro precisamos nos libertar das nossas próprias barreiras e encontrarmos uma verdade em todo o contexto aqui relatado. em 1954. Não há como sanear a consequência do problema sem atingir a causa. e. instituição especializada no atendimento às pessoas com deficiência mental. visando constituir políticas públicas promotoras de uma educação de qualidade para todos os alunos. pois enquanto cada um não receber esta mensagem verdadeiramente para si. e que avança em relação à idéia de eqüidade formal ao contextualizar as circunstâncias históricas da produção da exclusão dentro e fora da escola. Ao reconhecer que as dificuldades enfrentadas nos sistemas de ensino evidenciam a necessidade de confrontar as práticas discriminatórias e criar alternativas para superá-las. evidenciando diferentes compreensões. sob a égide integracionista. que altera a LDBEN de 1961. E. que pressupõem a seleção. preferencialmente dentro do sistema geral de ensino. implicando uma mudança estrutural e cultural da escola para que todos os alunos tenham suas especificidades atendidas. de 09 de outubro de 2007. Em 1961. com a criação de duas instituições: o Imperial Instituto dos Meninos Cegos. em 1857. entre outras.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Como vemos. o Ministério da Educação/Secretaria de Educação Especial apresenta a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. este texto pode soar apenas mais um texto puramente utópico. discussões e manifestações para a sua efetiva implementação tendem a virar “letra morta” se todos os elementos subjetivos causadores da exclusão não forem revistos pelas administrações públicas federais em harmonia com as administrações estaduais e municipais. estruturantes do modelo tradicional de educação escolar. responsável pela gerência da educação especial no Brasil. mas continuam excluindo indivíduos e grupos considerados fora dos padrões homogeneizadores da escola. A partir da visão dos direitos humanos e do conceito de cidadania fundamentado no reconhecimento das diferenças e na participação dos sujeitos. e o Instituto dos Surdos Mudos. que conjuga igualdade e diferença como valores indissociáveis. atual Instituto Benjamin Constant – IBC. culturais. o atendimento às pessoas com deficiência teve início na época do Império. Não há como pensar em INCLUSÃO a qualquer título sem antes acabar com a EXCLUSÃO. Didatismo e Conhecimento 118 II – Marcos históricos e normativos A escola historicamente se caracterizou pela visão da educação que delimita a escolarização como privilégio de um grupo. naturalizando o fracasso escolar. Só assim. A partir do processo de democratização da escola. em 1945. cabe mais do que ninguém. A Lei nº 5. em 1854. Lei nº 4. Para muitos que leem. conferências. por Helena Antipoff. que atuam na área da Educação. evidencia-se o paradoxo inclusão/ exclusão quando os sistemas de ensino universalizam o acesso.024/61. físicas. a educação inclusiva compreende vários fatores que vão além dos portões da “escola” e não produzem a eficácia pretendida por todos os elementos de cunho sócio-político-econômico elencados em várias oportunidades neste texto. inviável e puramente utopia. a organização de escolas e classes especiais passa a ser repensada. a educação inclusiva assume espaço central no debate acerca da sociedade contemporânea e do papel da escola na superação da lógica da exclusão. a exclusão tem apresentado características comuns nos processos de segregação e integração. não promove a organização de um sistema de ensino capaz de atender às necessidades educacionais especiais e acaba reforçando o encaminhamento dos alunos para as classes e escolas especiais. revisão de pré conceitos. uma imediata reflexão de valores. é criado o primeiro atendimento educacional especializado às pessoas com superdotação na Sociedade Pestalozzi. é que poderemos participar ativamente do processo educacional inclusivo. que aponta o direito dos “excepcionais” à educação. A partir dos referenciais para a construção de sistemas educacionais inclusivos. uma exclusão que foi legitimada nas políticas e práticas educacionais reprodutoras da ordem social. impulsionou ações educacionais voltadas às pessoas com deficiência e às pessoas com superdotação. A educação inclusiva constitui um paradigma educacional fundamentado na concepção de direitos humanos. o atendimento educacional às pessoas com deficiência passa a ser fundamentado pelas disposições da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN. Essa organização. por meio de diagnósticos. hoje denominado Instituto Nacional da Educação dos Surdos – INES. social e pedagógica. I – Introdução O movimento mundial pela educação inclusiva é uma ação política. mas a estes leitores. que acompanha os avanços do conhecimento e das lutas sociais. Nesta perspectiva. infelizmente todas as instruções. é fundada a primeira Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE. sem nenhum tipo de discriminação. mentais. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva Documento elaborado pelo Grupo de Trabalho nomeado pela Portaria Ministerial nº 555. decorre uma identificação dos mecanismos e processos de hierarquização que operam na regulação e produção das desigualdades.

exigindo uma reinterpretação da educação especial. ao admitir a possibilidade de substituir o ensino regular. determinam que: Didatismo e Conhecimento 119 “Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos. 208). A Lei nº 10. no mesmo ritmo que os alunos ditos normais” (p. que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica. à oferta do atendimento educacional especializado e à garantia da acessibilidade. Em 2003. . condições de vida e de trabalho.] oportunidades educacionais apropriadas. promovendo um amplo processo de formação de gestores e educadores nos municípios brasileiros para a garantia do direito de acesso de todos à escolarização. em sua organização curricular.853/89. apesar do acesso ao ensino regular.” As Diretrizes ampliam o caráter da educação especial para realizar o atendimento educacional especializado complementar ou suplementar à escolarização. a educação como um direito de todos. no artigo 205. garantindo o pleno desenvolvimento da pessoa. Lei nº 9. a oferta do atendimento educacional especializado. definindo como discriminação com base na deficiência toda diferenciação ou exclusão que possa impedir ou anular o exercício dos direitos humanos e de suas liberdades fundamentais. No que se refere aos alunos com superdotação. é implementado pelo MEC o Programa Educação Inclusiva: direito à diversidade. é publicada a Política Nacional de Educação Especial. inciso I..298. métodos. o Decreto nº 3. (MEC/SEESP. prevista no seu artigo 2º. a produção e a difusão do sistema Braille em todas as modalidades de ensino. destaca que “o grande avanço que a década da educação deveria produzir seria a construção de uma escola inclusiva que garanta o atendimento à diversidade humana”. e assegura a aceleração de estudos aos superdotados para conclusão do programa escolar. no artigo 55. no artigo 2º. 37). cor. sexo. afirma que as pessoas com deficiência têm os mesmos direitos humanos e liberdades fundamentais que as demais pessoas. orientando o processo de “integração instrucional” que condiciona o acesso às classes comuns do ensino regular àqueles que “(. formação docente voltada para a atenção à diversidade e que contemple conhecimentos sobre as especificidades dos alunos com necessidades educacionais especiais. recursos e organização específicos para atender às suas necessidades.069/90. define a educação especial como uma modalidade transversal a todos os níveis e modalidades de ensino. preconiza que os sistemas de ensino devem assegurar aos alunos currículo. A atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. não potencializam a adoção de uma política de educação inclusiva na rede pública de ensino.3º. define que as instituições de ensino superior devem prever.678/02 do MEC aprova diretrizes e normas para o uso. ao dispor sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência. Em 1999. não é organizado um atendimento especializado que considere as suas singularidades de aprendizagem. no artigo 59. A Constituição Federal de 1988 traz como um dos seus objetivos fundamentais “promover o bem de todos. mas mantendo a responsabilidade da educação desses alunos exclusivamente no âmbito da educação especial. aponta um déficit referente à oferta de matrículas para alunos com deficiência nas classes comuns do ensino regular.394/96. adotado para promover a eliminação das barreiras que impedem o acesso à escolarização. dentre as normas para a organização da educação básica. inciso IV). o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho. documentos como a Declaração Mundial de Educação para Todos (1990) e a Declaração de Salamanca (1994) passam a influenciar a formulação das políticas públicas da educação inclusiva. preferencialmente na rede regular de ensino (art. Também nessa década. que regulamenta a Lei nº 7. idade e quaisquer outras formas de discriminação” (art. Resolução CNE/CEB nº 2/2001. assegura a terminalidade específica àqueles que não atingiram o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental. Este Decreto tem importante repercussão na educação.172/2001. Define. inciso V) e “[. raça. permanecendo a concepção de “políticas especiais” para tratar da educação de alunos com deficiência.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Nesse período.. Na perspectiva da educação inclusiva. O Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. como dever do Estado. à formação docente. bem como a inclusão da disciplina de Libras como parte integrante do currículo nos cursos de formação de professores e de fonoaudiologia. consideradas as características do alunado.) possuem condições de acompanhar e desenvolver as atividades curriculares programadas do ensino comum. a Política não provoca uma reformulação das práticas educacionais de maneira que sejam valorizados os diferentes potenciais de aprendizagem no ensino comum. o ensino. em virtude de suas deficiências. A Convenção da Guatemala (1999). Também define. O Plano Nacional de Educação – PNE. estabelece a “igualdade de condições de acesso e permanência na escola” como um dos princípios para o ensino e garante.956/2001. assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos. 24. porém. compreendendo o projeto da Grafia Braille para a Língua Portuguesa e a recomendação para o seu uso em todo o território nacional. 2001). compreendida no contexto da diferenciação. Acompanhando o processo de mudança. reforça os dispositivos legais supracitados ao determinar que “os pais ou responsáveis têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino”. Em 1994. A Portaria nº 2. Ao reafirmar os pressupostos construídos a partir de padrões homogêneos de participação e aprendizagem. No seu artigo 206. Ao estabelecer objetivos e metas para que os sistemas de ensino favoreçam o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos.19). a “possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado” (art. Lei nº 8. mediante cursos e exames” (art. sem preconceitos de origem. à acessibilidade física e ao atendimento educacional especializado. a Resolução CNE/CP nº 1/2002. seus interesses. cabendo às escolas organizarem-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais.. as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. determinando que sejam garantidas formas institucionalizadas de apoiar seu uso e difusão. enfatizando a atuação complementar da educação especial ao ensino regular. promulgada no Brasil pelo Decreto nº 3. não se efetiva uma política pública de acesso universal à educação..436/02 reconhece a Língua Brasileira de Sinais – Libras como meio legal de comunicação e expressão. Lei nº 10. com vistas a apoiar a transformação dos sistemas de ensino em sistemas educacionais inclusivos.

que objetiva. ingresso nas classes comuns. passando de 43. às matrículas em classes especiais. bem como possibilita o cruzamento com outros bancos de dados. Contrariando a concepção sistêmica da transversalidade da educação especial nos diferentes níveis.048/00 e nº 10. das turmas. instrutor e tradutor/intérprete de Libras. expressando um crescimento de 107%. de 337. visando ao acesso à escola dos alunos surdos. é desenvolvido com o objetivo de promover a acessibilidade urbana e apoiar ações que garantam o acesso universal aos espaços públicos. à infra-estrutura das escolas quanto à acessibilidade arquitetônica. tais como os das áreas de saúde. o Decreto nº 5. à sala de recursos ou aos equipamentos específicos. Em 2007. assistência e previdência social. Didatismo e Conhecimento 120 No documento do MEC. Nesse contexto. o Censo Escolar/MEC/INEP coleta dados referentes ao número geral de matrículas. permite atualização dos dados dentro do mesmo ano escolar. fortalecendo seu ingresso nas escolas públicas. a implantação de salas de recursos multifuncionais.098/00. é lançado o Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE. transtornos do desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação. a educação não se estruturou na perspectiva da inclusão e do atendimento às necessidades educacionais especiais. A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. ao número de alunos do ensino regular com atendimento educacional especializado. aprovada pela ONU em 2006 e da qual o Brasil é signatário. a acessibilidade arquitetônica dos prédios escolares. acessibilidade nos prédios escolares. municípios com matrícula de alunos com necessidades educacionais especiais. em igualdade de condições com as demais pessoas na comunidade em que vivem (Art. com a implantação dos Núcleos de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação –NAAH/S em todos os estados e no Distrito Federal. dos professores e da escola. b) As pessoas com deficiência possam ter acesso ao ensino fundamental inclusivo. que passa a registrar a série ou ciclo escolar dos alunos identificados no campo da educação especial.624 em 2006. à oferta da matrícula nas escolas públicas. o Programa Brasil Acessível. Plano de Desenvolvimento da Educação: razões.923 alunos em 1998 para 325. Também são realizadas alterações que ampliam o universo da pesquisa. Com relação aos dados da educação especial. o Ministério Público Federal publica o documento O Acesso de Alunos com Deficiência às Escolas e Classes Comuns da Rede Regular. escolas com acesso ao ensino regular e formação docente para o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos. contemplar. o formulário impresso do Censo Escolar foi transformado em um sistema de informações on-line. do Ministério das Cidades. os Ministérios da Educação e da Justiça. A partir de 2004. o cumprimento do princípio constitucional que prevê a igualdade de condições para o acesso e permanência na escola e a continuidade nos níveis mais elevados de ensino (2007. no currículo da educação básica. p. princípios e programas é reafirmada a visão que busca superar a oposição entre educação regular e educação especial. dispõe sobre a inclusão da Libras como disciplina curricular. para a orientação às famílias e a formação continuada dos professores. a Ciência e a Cultura – UNESCO. às matrículas. temáticas relativas às pessoas com deficiência e desenvolver ações afirmativas que possibilitem acesso e permanência na educação superior.296/04 regulamentou as Leis nº 10. e à formação dos professores que atuam no atendimento educacional especializado. dentre as suas ações. No que se refere ao ingresso em classes comuns do ensino regular. estabelecendo normas e critérios para a promoção da acessibilidade às pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. o ensino da Língua Portuguesa como segunda língua para alunos surdos e a organização da educação bilíngüe no ensino regular. Para a implementação do PDE é publicado o Decreto nº 6.626/05. conforme tipos de deficiência. Em 2007. são efetivadas mudanças no instrumento de pesquisa do Censo. que estabelece nas diretrizes do Compromisso Todos pela Educação. sob alegação de deficiência. Para compor esses indicadores no âmbito da educação especial. limitando.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Em 2004. possibilita o acompanhamento dos indicadores da educação especial: acesso à educação básica. agregando informações individualizadas dos alunos. que qualifica o processo de manipulação e tratamento das informações. a formação e a certificação de professor. escola especial e classes comuns de ensino regular.094/2007. escolas privadas e privadas sem fins lucrativos. etapas e modalidades de ensino. o Censo Web.326 em 1998 para 700.316 em 2006. estabelece que os Estados-Partes devem assegurar um sistema de educação inclusiva em todos os níveis de ensino. Neste mesmo ano. lançam o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos. O Decreto nº 5. matrícula na rede pública. constituindo a organização da política de educação inclusiva de forma a garantir esse atendimento aos alunos da rede pública de ensino. juntamente com a Organização das Nações Unidas para a Educação. tendo como eixos a formação de professores para a educação especial. 09). possibilitando monitorar o percurso escolar. acesso e a permanência das pessoas com deficiência na educação superior e o monitoramento do acesso à escola dos favorecidos pelo Beneficio de Prestação Continuada – BPC. verifica-se um crescimento de 640%. . adotando medidas para garantir que: a) As pessoas com deficiência não sejam excluídas do sistema educacional geral sob alegação de deficiência e que as crianças com deficiência não sejam excluídas do ensino fundamental gratuito e compulsório.436/2002. oferta do atendimento educacional especializado. o Censo Escolar registra uma evolução nas matrículas. III – Diagnóstico da Educação Especial O Censo Escolar/MEC/INEP. reafirmado pela Agenda Social. a Secretaria Especial dos Direitos Humanos. realizado anualmente em todas as escolas de educação básica. Em 2005. são organizados centros de referência na área das altas habilidades/superdotação para o atendimento educacional especializado. que regulamenta a Lei nº 10. de qualidade e gratuito. a garantia do acesso e permanência no ensino regular e o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos. com o objetivo de disseminar os conceitos e diretrizes mundiais para a inclusão.24). em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social compatível com a meta da plena participação e inclusão. reafirmando o direito e os benefícios da escolarização de alunos com e sem deficiência nas turmas comuns do ensino regular. Impulsionando a inclusão educacional e social.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
Quanto à distribuição dessas matrículas nas esferas pública e privada, em 1998 registra-se 179.364 (53,2%) alunos na rede pública e 157.962 (46,8%) nas escolas privadas, principalmente em instituições especializadas filantrópicas. Com o desenvolvimento das ações e políticas de educação inclusiva nesse período, evidencia-se um crescimento de 146% das matrículas nas escolas públicas, que alcançaram 441.155 (63%) alunos em 2006, conforme demonstra o gráfico: Com relação à distribuição das matrículas por etapa de ensino em 2006: 112.988 (16%) estão na educação infantil, 466.155 (66,5%) no ensino fundamental, 14.150 (2%) no ensino médio, 58.420 (8,3%) na educação de jovens e adultos, e 48.911 (6,3%) na educação profissional. No âmbito da educação infantil, há uma concentração de matrículas nas escolas e classes especiais, com o registro de 89.083 alunos, enquanto apenas 24.005 estão matriculados em turmas comuns. O Censo da Educação Especial na educação superior registra que, entre 2003 e 2005, o número de alunos passou de 5.078 para 11.999 alunos, representando um crescimento de 136%. A evolução das ações referentes à educação especial nos últimos anos é expressa no crescimento de 81% do número de municípios com matrículas, que em 1998 registra 2.738 municípios (49,7%) e, em 2006 alcança 4.953 municípios (89%). Aponta também o aumento do número de escolas com matrícula, que em 1998 registra apenas 6.557 escolas e, em 2006 passa a registrar 54.412, representando um crescimento de 730%. Das escolas com matrícula em 2006, 2.724 são escolas especiais, 4.325 são escolas comuns com classe especial e 50.259 são escolas de ensino regular com matrículas nas turmas comuns. O indicador de acessibilidade arquitetônica em prédios escolares, em 1998, aponta que 14% dos 6.557 estabelecimentos de ensino com matrícula de alunos com necessidades educacionais especiais possuíam sanitários com acessibilidade. Em 2006, das 54.412 escolas com matrículas de alunos atendidos pela educação especial, 23,3% possuíam sanitários com acessibilidade e 16,3% registraram ter dependências e vias adequadas (dado não coletado em 1998). No âmbito geral das escolas de educação básica, o índice de acessibilidade dos prédios, em 2006, é de apenas 12%. Com relação à formação inicial dos professores que atuam na educação especial, o Censo de 1998, indica que 3,2% possui ensino fundamental, 51% ensino médio e 45,7% ensino superior. Em 2006, dos 54.625 professores nessa função, 0,62% registram ensino fundamental, 24% ensino médio e 75,2% ensino superior. Nesse mesmo ano, 77,8% desses professores, declararam ter curso específico nessa área de conhecimento. IV – Objetivo da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva tem como objetivo o acesso, a participação e a aprendizagem dos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas escolas regulares, orientando os sistemas de ensino para promover respostas às necessidades educacionais especiais, garantindo: Transversalidade da educação especial desde a educação infantil até a educação superior; - Atendimento educacional especializado; - Continuidade da escolarização nos níveis mais elevados do ensino; Didatismo e Conhecimento
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- Formação de professores para o atendimento educacional especializado e demais profissionais da educação para a inclusão escolar; - Participação da família e da comunidade; - Acessibilidade urbanística, arquitetônica, nos mobiliários e equipamentos, nos transportes, na comunicação e informação; e - Articulação intersetorial na implementação das políticas públicas. V – Alunos atendidos pela Educação Especial Por muito tempo perdurou o entendimento de que a educação especial, organizada de forma paralela à educação comum, seria a forma mais apropriada para o atendimento de alunos que apresentavam deficiência ou que não se adequassem à estrutura rígida dos sistemas de ensino. Essa concepção exerceu impacto duradouro na história da educação especial, resultando em práticas que enfatizavam os aspectos relacionados à deficiência, em contraposição à sua dimensão pedagógica. O desenvolvimento de estudos no campo da educação e dos direitos humanos vêm modificando os conceitos, as legislações, as práticas educacionais e de gestão, indicando a necessidade de se promover uma reestruturação das escolas de ensino regular e da educação especial. Em 1994, a Declaração de Salamanca proclama que as escolas regulares com orientação inclusiva constituem os meios mais eficazes de combater atitudes discriminatórias e que alunos com necessidades educacionais especiais devem ter acesso à escola regular, tendo como princípio orientador que “as escolas deveriam acomodar todas as crianças independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, lingüísticas ou outras” (BRASIL, 2006, p.330). O conceito de necessidades educacionais especiais, que passa a ser amplamente disseminado a partir dessa Declaração, ressalta a interação das características individuais dos alunos com o ambiente educacional e social. No entanto, mesmo com uma perspectiva conceitual que aponte para a organização de sistemas educacionais inclusivos, que garanta o acesso de todos os alunos e os apoios necessários para sua participação e aprendizagem, as políticas implementadas pelos sistemas de ensino não alcançaram esse objetivo. Na perspectiva da educação inclusiva, a educação especial passa a integrar a proposta pedagógica da escola regular, promovendo o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. Nestes casos e outros, que implicam em transtornos funcionais específicos, a educação especial atua de forma articulada com o ensino comum, orientando para o atendimento às necessidades educacionais especiais desses alunos. A educação especial direciona suas ações para o atendimento às especificidades desses alunos no processo educacional e, no âmbito de uma atuação mais ampla na escola, orienta a organização de redes de apoio, a formação continuada, a identificação de recursos, serviços e o desenvolvimento de práticas colaborativas. Os estudos mais recentes no campo da educação especial enfatizam que as definições e uso de classificações devem ser contextualizados, não se esgotando na mera especificação ou categorização atribuída a um quadro de deficiência, transtorno,

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
distúrbio, síndrome ou aptidão. Considerase que as pessoas se modificam continuamente, transformando o contexto no qual se inserem. Esse dinamismo exige uma atuação pedagógica voltada para alterar a situação de exclusão, reforçando a importância dos ambientes heterogêneos para a promoção da aprendizagem de todos os alunos. A partir dessa conceituação, considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimentos de longo prazo, de natureza física, mental ou sensorial que, em interação com diversas barreiras, podem ter restringida sua participação plena e efetiva na escola e na sociedade. Os alunos com transtornos globais do desenvolvimento são aqueles que apresentam alterações qualitativas das interações sociais recíprocas e na comunicação, um repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo. Incluem-se nesse grupo alunos com autismo, síndromes do espectro do autismo e psicose infantil. Alunos com altas habilidades/superdotação demonstram potencial elevado em qualquer uma das seguintes áreas, isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade e artes, além de apresentar grande criatividade, envolvimento na aprendizagem e realização de tarefas em áreas de seu interesse. VI – Diretrizes da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva A educação especial é uma modalidade de ensino que perpassa todos os níveis, etapas e modalidades, realiza o atendimento educacional especializado, disponibiliza os recursos e serviços e orienta quanto a sua utilização no processo de ensino e aprendizagem nas turmas comuns do ensino regular. O atendimento educacional especializado tem como função identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas. As atividades desenvolvidas no atendimento educacional especializado diferenciam-se daquelas realizadas na sala de aula comum, não sendo substitutivas à escolarização. Esse atendimento complementa e/ou suplementa a formação dos alunos com vistas à autonomia e independência na escola e fora dela. Dentre as atividades de atendimento educacional especializado são disponibilizados programas de enriquecimento curricular, o ensino de linguagens e códigos específicos de comunicação e sinalização e tecnologia assistiva. Ao longo de todo o processo de escolarização esse atendimento deve estar articulado com a proposta pedagógica do ensino comum. O atendimento educacional especializado é acompanhado por meio de instrumentos que possibilitem monitoramento e avaliação da oferta realizada nas escolas da rede pública e nos centros de atendimento educacional especializados públicos ou conveniados. O acesso à educação tem início na educação infantil, na qual se desenvolvem as bases necessárias para a construção do conhecimento e desenvolvimento global do aluno. Nessa etapa, o lúdico, o acesso às formas diferenciadas de comunicação, a riqueza de estímulos nos aspectos físicos, emocionais, cognitivos, psicomotores e sociais e a convivência com as diferenças favorecem as relações interpessoais, o respeito e a valorização da criança. Didatismo e Conhecimento
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Do nascimento aos três anos, o atendimento educacional especializado se expressa por meio de serviços de estimulação precoce, que objetivam otimizar o processo de desenvolvimento e aprendizagem em interface com os serviços de saúde e assistência social. Em todas as etapas e modalidades da educação básica, o atendimento educacional especializado é organizado para apoiar o desenvolvimento dos alunos, constituindo oferta obrigatória dos sistemas de ensino. Deve ser realizado no turno inverso ao da classe comum, na própria escola ou centro especializado que realize esse serviço educacional. Desse modo, na modalidade de educação de jovens e adultos e educação profissional, as ações da educação especial possibilitam a ampliação de oportunidades de escolarização, formação para ingresso no mundo do trabalho e efetiva participação social. A interface da educação especial na educação indígena, do campo e quilombola deve assegurar que os recursos, serviços e atendimento educacional especializado estejam presentes nos projetos pedagógicos construídos com base nas diferenças socioculturais desses grupos. Na educação superior, a educação especial se efetiva por meio de ações que promovam o acesso, a permanência e a participação dos alunos. Estas ações envolvem o planejamento e a organização de recursos e serviços para a promoção da acessibilidade arquitetônica, nas comunicações, nos sistemas de informação, nos materiais didáticos e pedagógicos, que devem ser disponibilizados nos processos seletivos e no desenvolvimento de todas as atividades que envolvam o ensino, a pesquisa e a extensão. Para o ingresso dos alunos surdos nas escolas comuns, a educação bilíngüe – Língua Portuguesa/Libras desenvolve o ensino escolar na Língua Portuguesa e na língua de sinais, o ensino da Língua Portuguesa como segunda língua na modalidade escrita para alunos surdos, os serviços de tradutor/intérprete de Libras e Língua Portuguesa e o ensino da Libras para os demais alunos da escola. O atendimento educacional especializado para esses alunos é ofertado tanto na modalidade oral e escrita quanto na língua de sinais. Devido à diferença lingüística, orienta-se que o aluno surdo esteja com outros surdos em turmas comuns na escola regular. O atendimento educacional especializado é realizado mediante a atuação de profissionais com conhecimentos específicos no ensino da Língua Brasileira de Sinais, da Língua Portuguesa na modalidade escrita como segunda língua, do sistema Braille, do Soroban, da orientação e mobilidade, das atividades de vida autônoma, da comunicação alternativa, do desenvolvimento dos processos mentais superiores, dos programas de enriquecimento curricular, da adequação e produção de materiais didáticos e pedagógicos, da utilização de recursos ópticos e não ópticos, da tecnologia assistiva e outros. A avaliação pedagógica como processo dinâmico considera tanto o conhecimento prévio e o nível atual de desenvolvimento do aluno quanto às possibilidades de aprendizagem futura, configurando uma ação pedagógica processual e formativa que analisa o desempenho do aluno em relação ao seu progresso individual, prevalecendo na avaliação os aspectos qualitativos que indiquem as intervenções pedagógicas do professor. No processo de avaliação, o professor deve criar estratégias considerando que alguns alunos podem demandar ampliação do tempo para a realização dos trabalhos e o uso da língua de sinais, de textos em Braille, de informática ou de tecnologia assistiva como uma prática cotidiana.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
Cabe aos sistemas de ensino, ao organizar a educação especial na perspectiva da educação inclusiva, disponibilizar as funções de instrutor, tradutor/intérprete de Libras e guia-intérprete, bem como de monitor ou cuidador dos alunos com necessidade de apoio nas atividades de higiene, alimentação, locomoção, entre outras, que exijam auxílio constante no cotidiano escolar. Para atuar na educação especial, o professor deve ter como base da sua formação, inicial e continuada, conhecimentos gerais para o exercício da docência e conhecimentos específicos da área. Essa formação possibilita a sua atuação no atendimento educacional especializado, aprofunda o caráter interativo e interdisciplinar da atuação nas salas comuns do ensino regular, nas salas de recursos, nos centros de atendimento educacional especializado, nos núcleos de acessibilidade das instituições de educação superior, nas classes hospitalares e nos ambientes domiciliares, para a oferta dos serviços e recursos de educação especial. Para assegurar a intersetorialidade na implementação das políticas públicas a formação deve contemplar conhecimentos de gestão de sistema educacional inclusivo, tendo em vista o desenvolvimento de projetos em parceria com outras áreas, visando à acessibilidade arquitetônica, aos atendimentos de saúde, à promoção de ações de assistência social, trabalho e justiça. Os sistemas de ensino devem organizar as condições de acesso aos espaços, aos recursos pedagógicos e à comunicação que favoreçam a promoção da aprendizagem e a valorização das diferenças, de forma a atender as necessidades educacionais de todos os alunos. A acessibilidade deve ser assegurada mediante a eliminação de barreiras arquitetônicas, urbanísticas, na edificação – incluindo instalações, equipamentos e mobiliários – e nos transportes escolares, bem como as barreiras nas comunicações e informações. alunos, sente-se tentado ameaça-los com a arma poderosa da avaliação, dizendo que irá tirar-lhes pontos, chamará os pais, irá colocá-los para fora da sala, encaminhá-los para a coordenação, etc. Nesta concepção, o mais comum é o professor, não conseguindo motivar o aluno para o trabalho, comece a usar a nota como um instrumento de pressão para obter a disciplina e participação, contribuindo assim, para a sua alienação. Para a mesma autora, muitas vezes as avaliações são realizadas como julgamento das capacidades, sem nada a contribuir para o desenvolvimento do educando, não sendo levado em conta, o modo como essa avaliação está sendo feita como, por exemplo: trabalhos avaliativos, provas orais ou escritas de dupla ou individual e saber que cada aluno é diferente no processo de ensino-aprendizagem um do outro.Outra forma, que a avaliação é utilizada pelo educador é a de uma mera reprodução e repetição dos conteúdos e conhecimentos, assim preocupam-se em vencer os conteúdos programáticos.Na maioria das vezes, a avaliação é vista pelos olhos dos alunos como uma promoção e não como parte do processo de ensino-aprendizagem, assim como um castigo, não podendo sair, brincar porque tem prova e pelos olhos da maioria professores um meio de demonstrar a autoridade. Aspectos Positivos e Negativos da avaliação Dentro da sala de aula, o termo avaliar está, intimamente relacionado à resolução de provas, exames, resultado de nota, ser aprovado ou reprovado. Em meio a esses fatores, a prova torna-se instrumento característico de todo processo de uma avaliação tradicional, mas pode também ser de muita utilidade para o professor e aluno saberem em que medida o processo de ensino-aprendizagem está útil para a formação do conhecimento do aluno.Nessa perspectiva, verifica-se que esse instrumento é adequado especialmente quando desejamos avaliar procedimentos específicos, a capacidade de organizar ideias, a clareza da expressão e a possibilidade de apresentar soluções originais. Assim, a avaliação tem seu lado positivo e negativo. O primeiro pode ser atribuído ao fato da avaliação admitir uma função de orientadora e cooperativa, sendo assim, realizada de uma forma contínua, cumulativa e ordenada dentro da sala de aula com o objetivo de fazer um diagnóstico da situação de aprendizagem de cada educando, em relação aos conteúdos passados pelo professor, desse modo, verificando se o aluno está progredindo no processo de ensino-aprendizagem.A avaliação, dessa forma, tem uma função prognostica que avalia os conhecimentos prévios dos alunos, considerada a avaliação de entrada, avaliação de input; uma função diagnóstica, do dia-a-dia , a fim de verificar quem absorveu todos conhecimentos e adquiriu as habilidades previstas nos objetivos estabelecidos. Por outro lado, a avaliação está voltada com a função de classificação, apresentando o lado negativo, pois o aluno que não alcançou a média fica sob a visão de excluído e fracassado perante os colegas de classe, professores e escola, ocasionando muitas vezes a evasão escolar. De acordo com Luckesi (2006), a avaliação que é praticada na escola é sinônimo da avaliação da culpa. As notas são usadas para como índices de classificação de alunos, onde os desempenhos são comparados e não perspectivas que se desejam atingir. O que significa em termos de avaliação um aluno ter obtido nota 5,0 ou média 5,0? E o que tirou 4,0? O primeiro, na maioria das escolas está aprovado, enquanto o segundo, reprovado. O que o primeiro sabe é considerado suficiente. Suficiente para quê? E o
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14 AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM: CONCEPÇÕES, ESTRATÉGIAS E IMPORTÂNCIA DOS RESULTADOS PARA A MELHORIA DA QUALIDADE DO ENSINO.

Avaliação Educacional O ato de ensinar e de aprender está relacionado a realizações de mudanças e aquisições de comportamento, tanto motores, cognitivos, quanto afetivos e sociais. Com base nesses preceitos, a avaliação, ou seja, o ato de avaliar consiste em verificar se estes tais comportamentos estão sendo realmente alcançados no grau exigido pelo professor servindo de suporte para que o aluno progrida na aprendizagem e na construção do saber.Com isso, avaliação tem o papel de orientar o aluno a tomar consciência de seus conhecimentos, ter posicionamento crítico e saber se está avançando na superação das dificuldades para continuar progredindo no processo de ensino aprendizagem. Existem, ainda hoje, professores que se preocupam em fazer uso da avaliação como instrumento de tortura, pressão e controle do comportamento prendendo-se em respostas “mecânicas” como certo/errado valorizando o “produto” final e não compreendem todo o processo que o aluno chegou para dar aquela resposta.O professor, então, tendo observado o “mau comportamento” dos Didatismo e Conhecimento

Luckesi (2006) afirma quando o professor atribui uma atividade a seus alunos e observa que estes não conseguem obter o resultado esperado. Esse autor ainda ressalta que.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS que ele não sabe? O que ele deixou de “saber” não pode ser mais importante do que o que ele “sabe”? E o que o aluno que tirou 4. e a escola. explicativa e de desempenho. desencadeia o respeito às individualidades. pela vontade de chegar ao objetivo/destino que vai sendo traçado. implica necessariamente uma ação que promova melhoria na situação avaliada. estabelecem-se normas classificatórias e normativas. Avaliar para Promover Para Hoffmann. lugar em que ocorre a gestão educacional de um trabalho coletivo. que intensificou a pesquisa sobre o assunto. no poder. O problema da avaliação da aprendizagem tem sido discutido intensamente neste último século. cidadania e direito à educação. a avaliação. Uma das maiores dificuldades de compreensão das propostas educacionais contemporâneas reside no problema da . alunos e comunidade. de todos os níveis. medidas padronizadas e estatísticas) em favor de uma ação consciente e refleDidatismo e Conhecimento 124 xiva sobre o valor do objeto avaliado. é impulsionado pelo inusitado. Para transformar a escola. A intenção prognóstica. mas. Em seus regimentos escolares enunciam-se objetivos de avaliação contínua. Assim. em conjunto. É a compreensão e definição da finalidade da avaliação da aprendizagem que deve nortear as metodologias e não o inverso. ciclos. interagida com o meio físico e social. A avaliação a serviço da ação. Visão centrada no professor e em medidas padronizadas de disciplinas fragmentadas. objetivos e discussão interdisciplinar. na maioria das vezes. A finalidade da avaliação mediadora é subsidiar o professor. Visão dialógica. isto é. No entanto. a dificuldade para incorporar e compreender a concepção de avaliação mediadora. observa-se na maioria das escolas brasileiras. pelo desejo de superação. quando praticamos a avaliação. dentro de um dado contexto. mas sim a observação contínua das manifestações de aprendizagem para desenvolver ações educativas que visem à promoção. apontando para onde vamos: De para avaliação para classificação. A tendência. Da mesma forma. A autora resume os princípios básicos – as setas do caminho – a seguir. a finalidade da avaliação é promover a evolução da aprendizagem dos educandos e a promoção da qualidade do trabalho educativo. por ser uma atividade de reflexão sobre os próprios atos. adquiriu um enfoque político e social. seriação. Rumos da Avaliação neste século. Da mesma forma. esse erro pode ser útil vindo a ser utilizado como fonte de virtude para aprendizagem escolar. de negociação. tem o sentido de avançar sempre: promover e a autora nos apresenta as setas do caminho. pois tanto para o professor quanto para o aluno ao reconhecerem a origem e a constituição dos seus erros passam a superá-los. A organização homogeneizada. na Espanha. ao mesmo tempo. as quais devem ser respeitadas. somativa. leva à intenção de acompanhamento permanente de mediação e intervenção pedagógica favorável à aprendizagem. de compreensão de outras perspectivas e de reflexão sobre as próprias crenças. por meio de oportunidades de expressão desses sentimentos. seleção. No entanto. para que possam compreender os limites e as possibilidades dos alunos e delinear ações que possam favorecer seu desenvolvimento. sua finalidade não é o registro do desempenho escolar. confiança na capacidade de todos. Avaliação a serviço da aprendizagem. como instrumento de acompanhamento do trabalho. da compreensão das setas. princípios e metodologias. o que revela a manutenção das práticas tradicionais e a resistência à implementação de regimes não seriados. o erro conscientemente elaborado possibilita o avanço. A avaliação mediadora. ou seja. o educador deve conversar com seu aluno e verificar o porquê desse erro e como foi cometido. dentre os principais estudiosos do assunto. da promoção da cidadania. gera inquietação e incertezas para os professores. Pelo contrário. assim como no caminho a Santiago de Compostela. a despeito das inovações propostas pela nova LDB (9394/ 96). deve servir à promoção. isto é. Regimes seriados versus regimes não-seriados. que confere ao educador uma grande responsabilidade por seu compromisso com o objeto avaliado e com sua própria aprendizagem . o trajeto a ser percorrido. Nas últimas décadas.0 “sabe” não pode ser mais importante do que aquilo que não “sabe”? Dentro do contexto da avaliação temos o erro. na arbitrariedade. a atitude reprodutora. que acabam enlaçando tanto os professores quanto os alunos em suas relações pessoais verticais e horizontais. é necessário que ocorra uma reflexão conjunta de professores. a avaliação de um curso só terá sentido se for capaz de possibilitar a implementação de programas que resultem em melhorias do curso. as situações avaliadas e do exercício do diálogo entre os envolvidos. compreendida como a avaliação da aprendizagem escolar. Em se tratando da avaliação da aprendizagem. é a de procurar superar a concepção positivista e classificatória das práticas avaliativas escolares (baseada em verdades absolutas. assume-se conscientemente o papel do avaliador no processo. é frequente o aluno dizer que só agora ele percebeu o que era para fazer.A avaliação. no processo de melhoria da qualidade de ensino. avaliar necessita da conversa uns com os outros. alienadora. referenciada em valores. normativa Mobilização em direção à busca de sentido e significado da ação. no individualismo. Esse processo.a de como ocorre o processo avaliativo. Essa reflexão envolve os próprios princípios da democracia. fundada na ação pedagógica reflexiva. neste caminho. A ousadia do ato de avaliar. acesso a um nível superior de aprendizagem por meio de uma educação digna e de direito de todos os seres humanos. critérios objetivos. pois a partir disso desencadeiam-se processos de mudança muito mais amplos do que a simples modificação das práticas de ensino. Hoffmann é contrária à ideia de que primeiro é preciso mudar a escola e a sociedade para depois mudar a avaliação. classificação e competição. É no confronto de ideias que a avaliação vai se construindo para cada um dos professores à medida que discutem. na interação e na socialização. A contraposição básica estabelecida por este princípio é estabelecida entre uma concepção classificatória de avaliação da aprendizagem escolar e a concepção de avaliação mediadora. influi e sofre a influência desse próprio ato de pensar e agir. programas de aceleração. a melhoria das evoluções individuais. como se tem observado até agora. tornando assim um “obstáculo vencido” e uma avaliação adequada. pelo sonho. evidenciando o caráter burocrático e seletivo que persiste no país. assim como quando realizamos o caminho a Santiago de Compostela. que se contrapõem às concepções avaliativas classificatórias. que se fundamentam na competição. valores. para compartilhar dos sentimentos de conquista. significando algo que não ocorreu de maneira correta. é a avaliação reflexiva que pode transformar a realidade avaliada. Buscando caminhos. da escola ou da instituição avaliada. Dessa maneira. da formação.

na sua singularidade e de acordo com suas possibilidades. ao fazê-lo. reconhecer suas possibilidades e respeitá-las. orientados por modelos avaliativos classificatórios e com caráter sentencitivo. as facilidades e dificuldades de cada um como parte das características humanas. além de conhecimento. Isso está longe de ser menos exigente. mas torná-la referência para decisões educativas pautadas por valores. É compromisso dos pais acompanhar o processo vivido pelos filhos. a luta pela sobrevivência. ainda que elencada no bojo de diretrizes unificadoras das reformas educacionais. Os regimes seriados estabelecem oficialmente uma série de obstáculos aos alunos. essa organização de trabalho escolar exige à realização de uma prática pedagógica que assuma a diversidade humana como riqueza. que devem ser respeitadas e. Não basta desenvolver a avaliação educacional a serviço de uma ação com perspectiva par o futuro. contando com a cooperação de toda a turma. a aprendizagem. desde que se tenha garantido as melhores . Os regimes não seriados. porque não há melhores nem piores.Não concordamos que deva haver regra única em avaliação. o privilégio ao passado é evidente. Estudos paralelos de recuperação são próprios a uma prática de avaliação mediadora. a realidade social destes pais. porque cada situação envolve a singularidade dos participantes do processo educativo. É compromisso seu orientá-los na resolução de dúvidas. a avaliação contínua adquire o significado de avaliação mediadora do processo de desenvolvimento e da aprendizagem de cada aluno. Para Hoffman. A educação inclusiva Num processo de avaliação mediadora. As práticas educacionais exigem. Nestas sessões.Hoffman defende que esta deve ser uma ação voltada para o futuro. para a qual nos chama a atenção Perrenoud (2000). de acordo com suas possibilidades e da promoção da qualidade na escola. em grande parte das escolas. é comparado com ele próprio. o reforço e a recuperação (nas suas modalidades contínua. Os momentos do conselho de classe precisam ser repensados pelas escolas e serem utilizados para a ampliação das perspectivas acerca dos diferentes jeitos de ser e de aprender do educando que interage com outros educadores e com outros conhecimentos. a inclusão da dimensão ética e sensível. bem como são de sua responsabilidade a aquisição de atitudes e habilidades que favoreçam o enriquecimento das relações interpessoais no ambiente escolar. desafiá-los a prosseguir por meio de provocações significativas.se propondo a deferir uma sentença ao aluno. Os pais devem participar da escolaridade de seus filhos. Pelo contrário.Não encontramos mecanismos únicos. paralela ou final) são considerados parte integrante do processo de ensino e de aprendizagem para atendimento à diversidade das características. que alerta: “o que caracteriza a individualização dos percursos não é a solidão no trabalho. rigorosa e mais permissiva. A progressão da aprendizagem. Nesse sentido. classificatórios que deem conta da complexidade do ato avaliativo. por meio de critérios pré-definidos arbitrariamente como requisitos para a passagem à série seguinte. retomo. promovendo os “melhores” e retendo os “piores”. Os desempenhos individuais dos alunos são utilizados para se comparar uns com os outros. retomadas. ao contrário. nos faz ponderar que as dificuldades de aprendizagem dos alunos não podem ser atribuídas às famílias. muito menos o trabalho de superação destas dificuldades não pode recair sob a responsabilidade destes. porque está embasada em juízo de valor. Neste processo o conhecimento é construído entre descobertas e dúvidas. sendo possível observar sua evolução de diversas formas ao longo do processo de ensino-aprendizagem. considerando. e não o produto. nos estudos paralelos. principalmente. por se tratar de uma atividade prática. Dessa forma. Conselhos de classe versus “conselhos de classe”. sendo que. no aprofundamento das noções. se torna possível acolher a todos os alunos. a constituição de suas famílias. que não significa atribuir a eles a tarefa da escola. entretanto. Deste modo. por posturas políticas.Os protagonistas da avaliação precisam ser levados a refletir sobre o que fazem e por que fazem.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS organização do regime escolar em ciclos e outras formas não seriadas. não como riqueza. as novas medidas em avaliação educacional afetam os sentimentos dos atores envolvidos. Didatismo e Conhecimento 125 Os conselhos de classe vêm sendo realizados. obstáculos e avanços. deliberadora de novas ações que garantam a aquisição de competências necessárias à aprendizagem dos alunos. num processo de avaliação classificatória. As diferenças individuais são reconhecidas. focalizando o processo de aprendizagem. de caráter interativo e reflexivo.. fundamentam-se em concepções desenvolvimentistas e democráticas. Promover o diálogo entre os pais e os professores é função da escola. A participação das famílias. mas dos profissionais que atuam nas escolas. “os piores” estarão predestinados ao fracasso e à exclusão. A razão dessa dificuldade reside justamente no apego às ideias tradicionais às quais se vinculam o processo de avaliação classificatória e seletiva. e a melhor forma de fazê-lo é no dia-a-dia da sala de aula.Uma atividade ética. com repetição de conteúdos.Provas de recuperação versus estudos paralelos. mas o caráter único da trajetória de cada aluno no conjunto de sua escolaridade”. As questões atitudinais não devem ocupar um tempo enorme em detrimento das questões do ensino-aprendizagem. As reformas educacionais oriundas de posturas políticas que não devem se sobrepujar aos atos educativos.Os estudos paralelos precisam acompanhar os percursos individuais de formação dos alunos e considerar os princípios da pedagogia diferenciada. Nesse sentido programas e projetos desenvolvidos para dar conta de problemas apresentados para o estudo de uma área de conhecimento ou para resolver questões de determinadas escolas. O trabalho do aluno. As provas de recuperação se confundem com a recuperação das notas já alcançadas.Alertamos para o fato de que Hoffman defende que o termo paralelo pressupõe estudos desenvolvidos pelo professor em sua classe e no decorrer natural do processo. Cada professor estabelece uma relação diferenciada de saber com seus alunos. metodologia. etc. novas formas de relações educativas se constituem a partir da cooperação e não da competição. mas como instrumento de dominação de uns poucos sobre muitos. das necessidades e dos ritmos dos alunos. estes últimos. projetar a avaliação no futuro dos alunos significa reforçar as setas dos seus caminhos: confiar. está direcionada ao futuro do desenvolvimento do aluno. É preciso considerar a complexidade inerente a tal finalidade. trabalho científico. ética em seu sentido mais original. a natureza do envolvimento. fundamentos filosóficos e considerações sociais. sugerir e. dialogar com a escola. A ideia de recuperação vem sendo concebida como retrocesso. estariam respondendo às dimensões ético-políticas neste contexto avaliativo. apoiar. a promoção se baseia na evolução alcançada pelo aluno. assumir o que lhes é de responsabilidade.

Produzem a ficção de um ensino homogêneo pela impossibilidade de acompanhar a heterogeneidade do grupo.Superficializam e adulteram a visão da progressão das aprendizagens e do seu conjunto tanto em uma única tarefa. escassez de materiais e outras situações apontadas por muitos como justificativa para a má quaDidatismo e Conhecimento 126 lidade do ensino). tomada de consciência sobre a própria aprendizagem e sobre a própria conduta.como no caminho de Santiago. • pela ocorrência dos encaminhamentos de alunos para classes e escolas especiais por erros na avaliação pedagógica. o que implica desagregar-se do tempo determinado para aprender dado conteúdo. mas indicadora de progresso.Entravam o diálogo entre os professores.O trabalho em equipe de professores envolve o compromisso de compartilhamento das experiências. Para Hoffman. negando a relativização desses parâmetros em diferentes condições de aprendizagem.Como tal. membro de uma família. são inconclusos. acompanhar. são professores e escolas que precisam adequar-se aos alunos e não os alunos que devem adequar-se às escolas e aos professores. convicção de que as incertezas são parte da educação porque esta é fruto de relações humanas. enquanto pessoa. mas aprende ao seu tempo e de forma única e singular. É preciso respeitar seu tempo de aprender e de ser. tanto pelo professor. Assim. A auto-avaliação como processo contínuo A auto-avaliação é um processo contínuo que só se justifica quando se constitui como oportunidade de reflexão. no caminho. a autora afirma que uma pedagogia diferenciada pode se desenvolver na experiência coletiva da sala de aula.Outro problema passa a se constituir aqui. desaguam os conteúdos que têm que dar conta. de avanço em relação a uma fase anterior do aprendizado. despersonalizando as dificuldades de avanços de cada aluno. o ensino não está centrado no professor. É importante refletir a cada passo. arbitrariamente. mas umas das alternativas é justamente o trabalho em equipe por parte dos professores. pelo caráter somativo que anula o processo. abertura e interação. A responsabilidade pelo desenvolvimento da aprendizagem contínua do aluno recai sobre os educadores e sobre a comunidade. nas aulas frontais. A dimensão da exclusão de muitos alunos da escola pode ser medida: • pela constatação das práticas reprovativas baseadas em parâmetros de maturidade e de normalidade. fundamentalmente qualitativas. em condições de igualdade educativa. com o qual interage ativa e continuamente. Classes numerosas podem dificultar essa aproximação. Cada passo é uma grande conquista A autora oferece sugestões e exemplos de oportunidades de aprendizagem que podem ser oferecidas. como pela turma. profundidade. as trajetórias da avaliação se propõem a respeitar os tempos e percursos individuais de formação. Sobre isso. Os professores do Ensino Médio.Reforçam o valor mercadológico das aprendizagens e das relações de autoritarismo em sala de aula. Mediar é aproximar. premidos pelo vestibular. sem pressa. interativamente. no afã de estarem sempre concluindo caminhos que. Qualidade significa intensidade.O aprendiz é sujeito de sua história. pois cada participante do processo pode colaborar com a aprendizagem dos outros. desde que haja a clareza de que o aluno aprende na relação com os outros. entre professores e alunos e da escola com os pais. para ampliar suas possibilidades e favorecer a superação de . Na última década. Tendo oportunidade de confrontar suas ideias com as dos colegas.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS oportunidades possíveis à aprendizagem e ao desenvolvimento de todos e de cada um.Baseiam-se. quando não se compreende que o processo de aquisição de conhecimentos é não linear e infinito. a padronização dos percursos incorre em sérios prejuízos para os alunos.Dessa compreensão decorre o princípio da educação inclusiva: oferecer ao aluno oportunidade máxima de aprendizagem e de inserção social. priva os alunos com necessidades especiais de uma escolaridade digna. notas e conceitos são superficiais e genéricos em relação à qualidade das tarefas e manifestação dos alunos. o aluno irá progressivamente compreender e evoluir conceitualmente. isto é. criação.A trajetória a ser percorrida pela avaliação requer diálogo.Nesse contexto. na verdade. ou em textos. a ampliação das perspectivas acerca da aprendizagem dos alunos. Outra concepção de tempo em avaliação O tempo é um tema recorrente nas discussões sobre avaliação. A inclusão nas classes regulares de alunos que necessitam de atendimento especializado. é necessário valorizar cada passo do processo. sua magnitude não pode ser medida em “escalas métricas” ou por recursos de “conversão entre sistema de mensuração”. quanto em um ao letivo. a responsabilidade pelo fracasso não pode ser atribuída ao aluno. são comuns e o professor precisa compreender que trata-se deuma resposta incorreta. vivendo cada dia o inusitado. porque. É preciso reconhecer que nas práticas atuais. em termos de avaliação. oferece ao aluno condições adequadas de aprendizagem de acordo com suas características. Avaliação mediadora significa a busca de significado para todas as dimensões do processo por meio de uma investigação séria sobre as características próprias dos aprendizes. Essas estratégias são desenhadas por meio de respostas que chamamos de erro. favorecendo a abordagem interdisciplinar. que há um conjunto de variações de respostas dos alunos de todo os níveis de ensino. além de impossível de se determinar a priori: a questão dos conteúdos acadêmicos e do tempo.O aprendiz determina o próprio tempo da aprendizagem.Privilegiam a classificação e a competição em detrimento da aprendizagem. sem que haja a preparação do professor no desempenho de seu papel. Sendo assim. dialogar. mesmo em condições limitantes (classes superlotadas. Se incluir é fundamental e singular. ajudar. que podem dividir entre si a tarefa de acompanhar mais de perto um grupo de alunos (tutoria). Todo o aprendiz está sempre a caminho Constatamos. sem interferir no direito de escolha do aprendiz sobre os rumos de sua trajetória de conhecimento. principalmente nas séries finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. em certos e errados absolutos. suas possibilidades. Esta variabilidade de manifestações nos aponta que muitas tentativas de acerto são feitas por meio de ensaios e erros. vivendo situações problema. É preciso conhecer o aluno enquanto aprendiz. no sistema de ensino e na sala de aula. conhecer para promover e não para julgar e classificar. dizendo muito sobre “qualidade”. Desta forma.Notas e conceitos classificatórios padronizam o que é diferente. pela superficialidade do acompanhamento. um sério compromisso irá mobilizar a escola brasileira deste século: formar e qualificar profissionais conscientes de sua responsabilidade ética frente à inclusão. o tempo é determinado pelo aprendiz e o conteúdo pode ser proposto e explorado de diversas formas. não havendo como delimitar tempos fixos. de uma comunidade. perfeição. às suas dificuldades ou à sua incapacidade. Isso significa encontrar meios para favorecer aprendizagem de todos os alunos.

Os conteúdos Cabe ao professor: • atentar às concepções prévias dos alunos e seus modos de expressarem-se sobre elas para poder organizar situações de aprendizagem capazes de envolver esses alunos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS dificuldades.A mediação. cada um a experimenta de uma forma singular. e permanente tensão no ambiente escolar entre os que querem transmitir conhecimentos e os que querem desenvolver práticas sociais”(Perrenoud. educacionais que fundamentam as tomadas de decisões com base nos processos de avaliação realizados. os melhores guias são os próprios peregrinos. Cabe ao professor perguntar mais do que responder. isso reverte o compromisso do profissional do educador: quais os princípios e valores morais. o destino essencial das ações educativas precisa ser o compromisso fundamental do educador no processo de avaliação da aprendizagem.Avaliar para reprovar não é indicador da qualidade da escola ou do professor. repensar. Ao ser solicitado a explicar como chegou a uma dada solução de uma situação. intenções. Como um grande iceberg do qual só se percebe os registros. atividades que podem ser para todo o grupo. exigindo alterações qualitativas nas formas registro e tomadas de decisão sobre aprovação. A avaliação contínua significa acompanhamento da construção do conhecimento por parte do aprendiz. A finalidade do controle deve ser entendida a favor do aluno e não como obrigação imposta pelo sistema.os valores sociais e éticos. Delineando objetivos. O plano epistemológico. obedecem a ritmos e interesses diversos.o processo de avaliação. Avaliação é controle. propor tarefas desafiadoras em processo consecutivo/contínuo. no processo de orientação e apoio de colegas.os registros obtidos. conforme Vygotsky e Piaget é essencial na construção do conhecimento. que constituirão diversos rumos de prolongamento dos temas em estudo. Novas experiências educativas. novos rumos para a continuidade do trabalho educativo. A compreensão que o aluno tem de uma dada disciplina interfere em sua aprendizagem em outras disciplinas. . delinear o norte. Assim. Definir os rumos. mesmo vivendo a mesma experiência. de confronto. Os trajetos de cada aprendiz são únicos.Avaliar segundo esses princípios implica refletir sobre as crenças. Avaliação mediadora é um processo interativo. Surge aí o compromisso ético implícito no processo de avaliação mediadora. que percorrem o caminho conosco. o que implica em aprendizagens diferentes dentro de um mesmo contexto. favorecendoos avançar sempre. interesses. sobre o seu aprender a aprender. • organizar momentos de estruturação do pensamento. até que ponto são claros e transparentes para todas a comunidade (escola. avaliar é questionar. formular perguntas. enfrentando as mesmas dificuldades e provocando-nos a andar mais depressa. quais os critérios utilizados. família. “Entretanto. supervisor e demais profissionais de suporte pedagógico. precisamos construir olhares mais profundos.Transformar respostas em novas perguntas. de troca de mensagens e de significados. tanto por parte dos aprendizes como do próprio professor. interdisciplinaridade e transversalidade são inerentes ao processo educativo. . são propostas e/ou negociadas com os alunos (explicações do professor. sociais. avançados e necessidades dos alunos. No âmbito escolar. este trabalho se dá em um contexto escolar concreto em que”a escola enfrenta muitos limites nesse sentido: behaviorismo. oferecendo oportunidade para que estabeleçam relações entre conceitos e entre as várias áreas do conhecimento. a quem se destinam.Novas tarefas e/ou atividades são propostas para acompanham o aluno em sua evolução (preferencialmente tarefas avaliativas individuais).as concepções de avaliação. A intervenção pedagógica é determinada pela compreensão dos processos realizados pelo aprendiz em sua relação com o objeto de conhecimento. articuladas às observações feitas. estratégias. Assim: experiências coletivas resultam em construções individuais (cada aluno aprenderá a seu jeito. oferecendo ao aluno múltiplas oportunidades de pensar. uma vez que as decisões metodológicas estabelecem as condições de aprendizagem ampliando ou restringindo o processo de conhecimento. 2000).A interpretação das respostas dos alunos possibilita ao professor perceber necessidades e interesses individuais de múltiplas dimensões (análise qualitativa). o aluno é levado a pensar e explicitar suas próprias estratégias de aprendizagem. Isso só tem sentido dentro de uma perspectiva classificatória e seletiva. Isso 127 resulta em que o trabalho do professor acerca dos conceitos que pretende ensinar consiste em provocar gradativamente os aprendizes. implica em prestar atenção aos seus fundamentos.Aprender exige engajamento do aprendiz na construção de sentidos o que implica busca de informações pertinentes momentos diversificados de aprendizagem contínua. Avaliação e mediação De acordo com a autora.O mesmo processo se aplica aos próprios professores. A intervenção pedagógica deve estar comprometida com a superação de desafios que possam ser enfrentados pelos alunos.Perguntar mais do que responder. quais as condições existentes. quais os benefícios ou prejuízos que podem advir desse processo de controle outorgado à escola e aos professores. buscar conhecimentos. O planejamento pedagógico revela múltiplos direcionamentos e está diretamente vinculado ao processo avaliatório. • estar alerta aos desdobramentos dos objetivos traçados inicialmente. favorecendo aos alunos oportunidades para objetivação de suas ideias e a consolidação dos conceitos e noções desenvolvidas. ampliando sua consciência sobre seu próprio fazer e pensar. mas pontos de passagem.Para Vygotsky a Didatismo e Conhecimento . em sua totalidade. engajar-se na solução de problemas. Metas e objetivos não se constituem em pontos de chegada absolutos. comprometer-se com seus próprios avanços e dificuldades. Cada resposta deve suscitar mais perguntas. para poder ter acesso às suas dimensões sobre: . As múltiplas dimensões do olhar avaliativo Avaliar. A continuidade da ação pedagógica condiciona-se aos processos vividos. quais possibilidades e alternativas que pode ser citadas em favor do aprendiz. . em seu tempo. em pequenos grupos ou específicas para determinados alunos). e diversificação dos procedimentos de aprendizagem. ideias. taxionomias intermináveis. enriquecedoras e complementares. os próprios alunos). excessivo fracionamento dos objetivos. responderá a sua maneira). dentro de uma visão interdisciplinar.

Significa oferecer aos aprendizes: experiências necessárias e complementares (diversificadas no tempo). que devem ser conhecidas em favor do alunos e não para fortalecer pré-conceitos sobre ele. exigindo-lhe manter-se flexível. o que nos possibilita mobilizar novas competências adquiridas no processo. levando a refletirem sobre seus entendimentos no diálogo educativo. Mediar as experiências educativas significa acompanhar o aluno em ação-reflexão-ação. • O professor sabe onde o aluno poderá chegar. diferentes graus de compreensão. sendo uma interpretação que assume diferentes significados e dimensões ao longo do processo educacional. uma vez que o processo de aprendizagem. pois nela se dará a aprendizagem.Note-se ainda que a interação social é fundamental. entendido como construção do conhecimento.Qual o papel do educador/ avaliador?É o papel de mediador. interagir com os outros. só pode ser intuída pelo professor e ajudá-lo ou confundi-lo. experiências interativas e oportunidades de expressão do pensamento individual. Mediar a mobilização significa suscitar o envolvimento do aluno no processo de aprendizagem. termos dos recursos didáticos e termos da expressão do conhecimento.Para Charlot. • O aluno nem sempre expressa suas dúvidas ou as expressa claramente. • Posturas afetivas.A avaliação é um processo dinâmico e espiralado que acompanha o processo de construção do conhecimento. criando perguntas mobilizadoras. • Oferecer ajuda específica se discriminar. refletir sobre si próprio enquanto aprendiz. refletir sobre seus procedimentos de aprendizagem. • Valorizar a heterogeneidade os grupo no processo de formação a diversidade.A finalidade da avaliação no que se refere à mobilização é de adequar as propostas e as situações às necessidades e possibilidades dos alunos. e pode ser reformulada. • mediar a expressão do conhecimento ao longo de tarefas gradativas e articuladas. que necessita ser aperfeiçoado. por meio de diversos recursos didáticos e de diversas formas de expressão do conhecimento. que o leva a uma interpretação que necessita. minimizam a pressão exercida pelo questionamento do professor. Mediando a expressão do conhecimento. Os desafios propostos durante a atividade educativa são observados por Hoffmann: • Nem sempre o que o professor diz ao estudante é entendido como ele gostaria. A análise das concepções prévias dos alunos não pode ser confundida com as condições prévias do aluno. Mediar as estratégias de aprendizagem significa intervir no processo de aprendizagem provocando no aprendiz. sem desrespeitar. mas estes necessitam ser redimensionados continuamente ao longo do processo. Não há sentido em avaliar tarefas coletivas atribuindo valores individuais ou somar pontos por participação e outras atividades. tornando-o capaz de pensar sobre seus próprios pensamentos elaborando seus conceitos e reelaborando outros. A dinâmica da avaliação é complexa. O papel do educador ao desencadear processos de aprendizagem é o de mediador da mobilização para aprendê-lo. articular novas perguntas a um processo contínuo de construção do conhecimento. As condições prévias referem-se a história escolar e de vida de cada aluno. • Reconhecer que o processo de conhecimento é qualitativamente diferente. Conhecer as condições prévias permite planejar tempos de descobertas. Através mobilização. favorecer a experiência educativa e a expressão do conhecimento e a abertura a novas possibilidades por parte do aprendiz. de forma individual. nos processos simultâneos de busca informações. A expressão/construção da “aprendizagem significativa” pode se realizar de múltiplas formas e em diferentes níveis de compreensão. ampliada progressivamente. em grandes grupos para promover confronto de ideias entre aprendizes e entre estes e o professor. É preciso que ele seja propositivo. é ao mesmo tempo individual e coletivo. Diferenciar experiências educativas atende aos pressupostos básicos da ação docente: • Aprender sobre o aprender. Mediando a experiência educativa. de encontros. Atividades diversificadas ou diferenciadas? Diversificar experiências educativas representa alguns princípios importantes em avaliação mediadora: diversificá-las em tempo. mesmo que as respostas não sejam ainda corretas. uma vez que “são dúvidas” . realizamos a experiência educativa. • A estratégia utilizada pelo aluno. Os processos de educação e de avaliação exigem do professor a postura investigativa durante todo o percurso educativo. sem subestimar. sem delimitar. sem antecipar respostas prontas. • mediar as estratégias de aprendizagem no meio de atividades diversificadas e diferenciadas. por meio de diferentes linguagens. de expressão. tanto por parte do professor como do aluno.o professor precisa interpretar perguntas. Esses desafios possibilitam a aquisição de competências necessárias aos professores/profissionais reflexivos. Como mediar o desejo e a necessidade de aprender? Didatismo e Conhecimento 128 O trabalho do professor consiste em: • mediar o desejo e a necessidade de aprender. ao longo do período letivo. nessas intervenções. no processo de internalização o aluno atribui sentido à informação criando e recriando significados com o uso e a audição/leitura da língua falada e escrita. e os possíveis rumos a seguir. de diálogos. • mediar as experiências educativas. uma vez que essas atividades são oportunidades de interação em meio ao processo e não pontos de chegada. com diversos graus de dificuldades.A avaliação mediadora destina-se a mobilizar. • Ouvir o aluno antes de intervir assegura melhores interpretações sobre suas estratégias. crítico sobre seu planejamento. em pequenos grupos.Duas perguntas se tornam essenciais na mediação: Qual a dimensão do envolvimento do aluno com a atividade de aprender? Como ele interage com os outros? As estratégias de aprendizagem. atento.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS reconstrução é importante porque. A investigação de concepções prévias.A dinâmica do processo avaliativo. Conhecer as concepções prévias do aluno favorece o planejamento em termos de pontos de partida. ao fazer algo. chegamos à expressão do conhecimento. em parcerias. . o conceito de mobilização implica a ideia do movimento. de interação de trocas. a linguagem é a mediação do pensamento. e no próprio professor. Mediando a mobilização. graus de dificuldade. Para Vygotsky e Piaget. termos de realização individual. • Mediar o desenvolvimento de aprendizagens coletivas e de atendimento individual. mas não deverá dizê-lo assim suas orientações serão sempre incompletas. para poder fornecer-lhes a aprendizagem significativa. consiga questionar e provocar. pois resulta da ação do aprendiz sobre o objeto de conhecimento e da interação social. O que o aluno já sabe é baseado em elaborações intuitivas sobre dados da realidade.

para sua superação. O significado dos registros para os professores. Critérios de correção de tarefas. a avaliação subsidia decisões a respeito da aprendizagem dos educandos. expressando o seu conhecimento em tarefas. Tarefas gradativas e articuladas. etc. Nada. A Avaliação da Aprendizagem Escolar A avaliação da aprendizagem escolar adquire seu sentido na medida em que se articula com um projeto pedagógico e com seu consequente projeto de ensino. ao mesmo tempo em que definem a dimensão do diálogo entre alunos e professor. preenchimento de lacunas. registrando e organizando dados da nossa memória. não possui uma finalidade em si. questões combinadas. mas apenas relativas ao conjunto de aprendizagens ocorridas em um dado período. organização no papel. a avaliação mediadora é mais exigente e rigorosa para alunos e professores porque suscita a permanente análise do pensamento em construção. itens de resposta. tem por finalidade a evolução do aluno em termos de postura reflexiva sobre o que aprende. definirão a dimensão do diálogo entre alunos e professor. Uma postura reflexiva do aluno e do professor. O principio fundamental da expressão do conhecimento: o que ouvimos. em termos de procedimento. Para Hoffmann. Instrumentos de avaliação são registros de diferentes naturezas. As tarefas avaliativas operam funções de reflexão que possibilitam: • para o professor: elemento de reflexão sobre os conhecimentos expressos pelos alunos x elemento de reflexão sobre o sentido da sua ação pedagógica. em termos do planejamento e análise. para não cairmos no erro do esquecimento. No caso que nos interessa. Na perspectiva mediadora. Esses instrumentos tornam-se mediadores na medida em que contribuem para entender a evolução do aluno e apontar ao professor novos rumos para sua intervenção pedagógica sempre o mais favorável possível à aprendizagem do aluno. serve como regra geral. são planejadas tendo como referencia principal a sua finalidade. etc. A organização de dossiês dos alunos. nem devem ser centrados em cumprimento de tarefas quantitativos ou organização de cadernos e materiais. tendo . sendo necessário.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Mediar a expressão do conhecimento implica a reutilização de instrumentos de avaliação como desencadeadores da continuidade da ação pedagógica. precisamos agir como historiadores. as estratégias que utiliza e sua interação com os outros. vemos ou lemos não é o pensamento do aluno. Tarefas avaliativas. desenhos. ao próprio aluno e a suas famílias uma visão evolutiva do processo. possibilitando ao educando refletir sobre sua apropria aprendizagem. trabalhos e outros instrumentos. Respeito às diferentes formas de expressão. escolha de afirmações verdadeiras ou Didatismo e Conhecimento 129 falsas. de acordo com suas necessidades e possibilidades. relatórios de avaliação envolve meios de registro de um conjunto de aprendizagem do aluno que permitam ao professor. trabalhos e todas as formas de expressão do aluno que me permitam acompanhar o seu processo de aprendizagem . de todos os alunos. em avaliação. Nesse sentido. daí a necessidade do diálogo. se aprimora e precisa ser trabalhada. mas sua expressão. A avaliação. Os limites no diálogo entre professores e alunos devem ser considerados como positivos na busca de sintonia. notas ou conceitos não podem ser consideradas definitivas. desde sua concepção. de tal forma que registros classificatórios sejam superados em favor de registros que assumam o caráter de experiências em construção. que também evolui. a reflexão em ação e a reflexão sobre a ação (trocando ideias com outros colegas). favorecera tomada de consciência do aluno sobre limites e possibilidades no processo de conhecimento. originando significativas práticas de auto-avaliação. sendo o desempenho do aluno considerado como provisório. Os registros em avaliação mediadora envolvem desde o uso de instrumentos comumente utilizados. compreensão do processo de construção está atrelado às concepções sobre a finalidade de educação. Os instrumentos de avaliação devem respeitar as diferentes formas de expressão do aluno. Os instrumentos de avaliação. A prática classificatória assumiu “status” de precisão. mas a sua expressão. muito mais do que embasados em normas de elaboração. Critérios de avaliação podem ser entendidos por orientações didáticas de execução de uma tarefa. expressos por ambos. pois o que verdadeiramente importa é a clareza da tarefa para o aluno e a reflexão do professor sobre a interpretação que será dada as expressões dos alunos em termos de encaminhamentos pedagógicos a serem realizados a seguir. que também evolui e se aprimora progressivamente e necessita ser trabalhada. inseguranças. numa visão mediadora. tais como: provas (objetivas e dissertativas) exercícios. Instrumentos a serviço das metodologias. Implica também refletir sobre as condições oferecidas para que tal conjunto de aprendizagem ocorra. o que significa muitas tarefas individuais e análise imediata do professor. A interpretação que o professor faz das expressões do aluno está sempre sujeita a ambiguidades. tanto no geral quanto no caso específico da aprendizagem. a clareza de intenções do professor sobre o uso que fará dos seus resultados. da troca de ideias que favoreça a convergência de significados. está falando sobre testes.tarefas avaliativas. normas de redação técnica. Ora é o aluno que é levado a fazer os próprios registros. desde um simples comentário do professor até o uso de instrumentos formais. Isso só ocorre mediante a postura igualmente reflexiva do educador. planejamento de estratégias de intervenção. A interpretação dos sentidos. ela subsidia um curso de ação que visa construir um resultado previamente definido.. escreve ou faz não é seu pensamento. O que o aluno fala.Os registros não necessitam ser genéricos. Quando a autora se refere a instrumentos de avaliação. confiantes em sua perspectiva ética e humanizadora. ora é o professor quem registra o que observou do aluno. • para o aluno: oportunidade de reorganização e expressão de conhecimentos x elemento de reflexão sobre os conhecimentos construídos e procedimentos de aprendizagem. fazendo anotações e outros apontamentos. objetividade e cientificidade. Mediar a aprendizagem significa. uma vez que está em processo de aprendizagem. toda avaliação. por seus aspectos formais: número de páginas. portfólios. a partir de ações do cotidiano. testes. Registros em avaliação mediadora Se estivermos contando uma história. nem de ordem atitudinal. indefinições. as quais determinam as estratégias metodológicas de ensino. itens de múltipla escolha. O processo de avaliação precisa ser coerente com todo o processo de aprendizagem. Os registros escolares precisam refletir com clareza os princípios de avaliação mediadora delineados. inseguranças e indefinições. ou vale para todas as situações. definição de sua finalidade. está sempre sujeita a ambiguidade.

Importa enfatizar que estaremos trabalhando com os conceitos de verificação e avaliação. Inferior. ou em conceito. estaremos retirando consequências para a prática docente. Com o processo de medida. Por exemplo. ME = médio. de notas ou conceitos. conforme a decisão. são de verificação ou de avaliação. e assim sucessivamente. Tendo por base a compreensão exposta neste texto. Tal descrição delimita um quadro empírico. as determinações de um objeto ou fenômeno. habilidades e hábitos que possibilitem o seu efetivo desenvolvimento. ou por palavras denotativas de qualidade. na perspectiva de. define-se como verificação ou como avaliação? Da resposta que pudermos dar a esta questão. por sua vez. As escalas de conversão poderão ser mais complexas que estas. cada professor cria a sua. Para um teste de dez questões. No contexto do pensamento marxista. deixa-nos aberta a possibilidade de encaminhamentos. ele se utiliza da média de notas ou conceitos. que prioriza o desenvolvimento dos educandos . • utilização dos resultados identificados. a arte. obter uma média de conceitos qualitativos. ao longo deste texto. definida e delineada sem um projeto que a articule. posteriormente. em função do instrumento de coleta de dados que constrói ou utiliza. SR = sem rendimento. que serão expostos neste texto. no pensamento. o professor tem diversas possibilidades de utilizá-lo. • transformação da medida em nota ou conceito. acreditando que o esforço científico visa fundamentar a ação humana de forma adequada. A ciência constitui um instrumento com o qual se trabalha no desvendamento dos objetos e. identificando-a com o conceito de verificação ou de avaliação. A transformação de acertos em conceitos poderia ser feita por uma escala como a que segue: SR (sem rendimento) = nenhum acerto. SS (superior) = nove ou dez acertos. a análise crítica que pretendemos proceder da prática avaliativa. a literatura. Aqui também ocorre a transposição indevida de qualidade para quantidade. MS (médio superior) = sete ou oito acertos. pode-se estabelecer a equivalência entre S e a nota dez. adquirindo conotação numérica. a média é obtida após a conversão dos conceitos em números. A transformação dos resultados medidos em nota ou conceito dá-se através do estabelecimento de uma equivalência simples entre os acertos ou pontos obtidos pelo educando e uma escala. teremos sempre presente este fato. o professor obtém o resultado . Muito Bom. Para os desvendamentos e proposições sobre a avaliação da aprendizagem. Isso significa que iremos trabalhar com esses conceitos a partir de suas “determinações” no movimento real da prática escolar com a qual convivemos. retirar proveitos para a prática docente. ao final. Por isso. tentando responder à seguinte pergunta: a configuração formada pelos dados da prática escolar. assumindo que estamos trabalhando no contexto do projeto educativo. Se não há uma tabela oficial na escola. os encaminhamentos que estaremos fazendo para a prática da avaliação da aprendizagem destinam-se a servir de base para tomadas de decisões no sentido de construir com e nos educandos conhecimentos. os professores realizam. abordaremos a prática da aferição do aproveitamento escolar. é expor os elementos do movimento real na prática escolar. O nosso esforço. ME (médio) = cinco ou seis acertos. Bom. Péssimo. multiplique as situações e os momentos de aferição do aproveitamento escolar. Utilização dos Resultados Com o resultado em mãos. Caso o professor.crianças. tendo como matriz de abordagem os conceitos de verificação e avaliação.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS em vista garantir a qualidade do resultado que estamos construindo. Transformação da Medida em Nota ou Conceito Outra conduta do professor no processo de aferição do aproveitamento escolar tem sido a conversão da medida em nota ou conceito. por decisão pessoal ou por norma escolar. por isso. Fenomenologia da Aferição dos Resultados da Aprendizagem Escolar Na prática da aferição do aproveitamento escolar. O conceito é uma formulação abstrata que configura. tais como SS = superior. ela nos permite. abstrair caDidatismo e Conhecimento 130 racterísticas que nos indicarão se os atos de aferição do aproveitamento escolar. como um “concreto pensado”. jovens e adultos . MS = médio superior. a média é facilitada pelo fato de se estar operando com números. escolher um caminho de ação. que de símbolos qualitativos se transformam indevidamente em quantitativos. IN (inferior) = um ou dois acertos. compreende e expressa uma realidade empírica concreta. Deste modo. em princípio. que ordena. para obter o resultado final de um bimestre ou ano letivo. não pode ser estudada. objetivo . tais como: . com alguma segurança. de tal forma que se torna possível. expressam a qualidade que se atribui à aprendizagem do educando. Para proceder a essa transformação tem-se estabelecido variadas tabelas de conversão. Neste último caso. as correspondências entre acertos e notas são simples: cada questão equivale a um décimo da nota máxima. IN = inferior. mas sem nenhuma grande dificuldade. obtendo-se o que seria a média da aprendizagem do educando no bimestre ou no semestre letivo. MI = médio inferior.por suposto. No caso deste texto. basicamente. previamente definida. Iniciaremos nossa análise pela descrição fenomenológica dessas três condutas dos professores. relativos ao tratamento dos resultados da aprendizagem dos alunos. ainda que impropriamente. que cremos serem coerentes e consistentes. no caso dos conceitos. a ciência.da aprendizagem do educando que. no limite do possível. No caso das notas. Regular. medida sob a forma de acertos ou pontos. Um exemplo é suficiente para compreender como se dá esse processo.a partir de um processo de assimilação ativa do legado cultural já produzido pela sociedade: a filosofia. ganhando conotação verbal. Notas e conceitos. que nos permitirá. tais como Excelente. e não com os termos verificação e avaliação. o resultado é expresso ou por símbolos alfabéticos. é transformado ou em nota. três procedimentos sucessivos: • medida do aproveitamento escolar. basta fazer uma média simples ou ponderada. praticados pelos professores. A partir daí. “síntese de múltiplas determinações’”. um aluno que acertou oito questões obtém nota oito. o conceito equivale a uma categoria explicativa. que seria dez. Assim. MI (médio inferior) = três ou quatro acertos. referentes aos resultados da aprendizagem dos educandos. entre MS e a nota oito. os modos de ser e de viver. através da assimilação ativa do legado cultural da sociedade.

no Diário de Classe ou Caderneta de Alunos. “vê-se” ou “não se vê” alguma coisa. afetivas. para classificar os alunos em aprovados ou reprovados. uma “oportunidade” de melhorar a nota ou conceito. mas sim para “melhorar” a nota do educando e. como objetivo final.e significa “fazer verdadeiro”. sinteticamente. Por isso. estamos preocupados com a aprovação ou reprovação do educando. mas um momento de parar para observar se a caminhada está ocorrendo com a qualidade que deveria ter. analisar e sintetizar. por isso.dos educandos. chama-se a atenção do aluno. Nesse sentido. sob a forma de verificação. em sã consciência. manifesta-se como um ato dinâmico que qualifica e subsidia o reencaminhamento da ação. é um desvio. O termo verificar provém etimologicamente do latim . E isso. as manifestações das condutas cognitivas. à medida que tem servido para desenvolver o ciclo do medo nas crianças e jovens. o atual processo de aferir a aprendizagem escolar. Contudo. O momento de aferição do aproveitamento escolar não é ponto definitivo de chegada. buscar “ver se algo é isso mesmo”. e isso depende mais de uma nota que de uma aprendizagem ativa. tendo em vista a melhoria da nota e. no mínimo registram-se os dados em cadernetas e. isto é. a segunda opção. nesta circunstância. aprová-lo’. deve-se observar que a orientação. tem-se utilizado o processo de aferição da aprendizagem de uma forma negativa. fazendo dela uma “coisa” e não um processo. Por si. sob a forma de verificação. A partir dessas observações. a partir de um padrão (nível de expectativa) preestabelecido e admitido como válido pela comunidade dos educadores e especialistas dos conteúdos que estejam sendo trabalhados. mas sim a nota. Se os dados obtidos revelarem que o educando se encontra numa situação negativa de aprendizagem e. simplesmente. sob a forma de verificação. polarizados pela aprendizagem e desenvolvimento do educando. não é para que o educando estude a fim de aprender melhor. Diante do fato de que.verumfacere . o desenvolvimento do educando. no movimento real da aferição da aprendizagem escolar. O processo de verificar configura-se pela observação. A verificação encerra-se no momento em que o objeto ou ato de investigação chega a ser configurado. se configura como verificação ou avaliação.reifica a aprendizagem. As entrelinhas do processo descrito no tópico anterior demonstram que. para. usualmente tem-se utilizado a primeira e. possibilitando consequências na direção da construção. no máximo. em si. consequentemente. Uso da Avaliação Em primeiro lugar. pode desejar para si ou para outrem. no geral. inteligível. têm sido incapaz de retirar do processo de aferição as consequências mais significativas para a melhoria da qualidade e do nível de aprendizagem dos educandos. A Escola Opera Com Verificação e Não Com Avaliação da Aprendizagem Iniciemos pelos conceitos de verificação e avaliação. no máximo. Em síntese. propomos que a avaliação do aproveitamento escolar seja praticada como uma atribuição de qualidade aos resultados da aprendizagem dos educandos. a seguir. “investigar a verdade de alguma coisa”. a verificação transforma o processo dinâmico da aprendizagem em passos estáticos e definitivos. dos resultados que se deseja. pedindo-lhe que estude para fazer uma segunda aferição. através da constante “ameaça” da reprovação. Contudo. de fato. Ao contrário. através da ameaça de reprovação . descrita no item anterior. em nossa ação docente. no momento em que se chega à conclusão que tal objeto ou ato possui determinada configuração. construam efetivamente os resultados necessários da aprendizagem. ainda impõe aos educandos consequências negativas. poder-se-á arguir: estudar para melhorar a nota não possibilita uma aprendizagem efetiva? É possível que sim. tem atravessado a aferição do aproveitamento escolar. A partir dessa observação.registrá-lo. possui uma nota ou um conceito de reprovação. o professor deverá: • coletar. verificação não implica que o sujeito retire dela consequências novas e significativas. neste segmento do texto. tendo por base seus aspectos essenciais e. A terceira opção possível de utilização dos resultados da aprendizagem é a mais rara na escola. no pensamento abstrato. da forma mais objetiva possível. . intencionalmente.situação que nenhum de nós. segundo nossa concepção. na quase totalidade das vezes. • atribuir uma qualidade a essa configuração da aprendizagem. consistente. por isso. obtenção.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS . propomos. fugiremos ao aspecto classificatório que. do ponto de vista educativo. pois exige que estejamos. as observações até aqui desenvolvidas demonstram que a aferição da aprendizagem escolar é utilizada. mas para que estude “tendo em vista a melhoria da nota”. Com isso. . como a de viver sob a égide do medo. identificarmos se a fenomenologia da aferição do aproveitamento escolar. psicomotoras . ao avaliar. a efetiva aprendizagem seria o centro de todas as atividades do educador. importa observar que o que está motivando e polarizando a ação não é a aprendizagem necessária. uma tomada de decisão que direcione o aprendizado e.oferecer ao educando. Neste sentido. . Em síntese. Didatismo e Conhecimento 131 A dinâmica do ato de verificar encerra-se com a obtenção do dado ou informação que se busca. contudo. neste caso. produzindo uma configuração do efetivamente aprendido.atentar para as dificuldades e desvios da aprendizagem dos educandos e decidir trabalhar com eles para que. aprendam aquilo que deveriam aprender.sob a modalidade da verificação. análise e síntese dos dados ou informações que delimitam o objeto ou ato com o qual se está trabalhando. ao contrário. nos deparamos com a prática escolar da verificação e não da avaliação. algumas indicações que poderão ser estudadas e discutidas na perspectiva de gerar encaminhamentos para a melhor forma de condução possível do ensino escolar. além de não obter as mais significativas consequências para a melhoria do ensino e da aprendizagem. no geral. como verificação. e tendo ciência de que o exercício efetivo da avaliação seria mais significativo para a construção dos resultados da aprendizagem do educando. usualmente. a escola brasileira opera com a verificação e não com a avaliação da aprendizagem. permitindo que ele faça uma nova aferição. A avaliação. E nas ocasiões onde se possibilita uma revisão dos conteúdos. caso ele tenha obtido uma nota ou conceito inferior. não é para proceder a uma aprendizagem ainda não realizada ou ao aprofundamento de determinada aprendizagem. O modo de trabalhar com os resultados da aprendizagem escolar . esta não tem sido a nossa conduta habitual de educadores escolares. podemos dizer que a prática educacional brasileira opera na quase totalidade das vezes. isto é. o conceito verificação emerge das determinações da conduta de.

está suficientemente amadurecida para oferecer subsídios à condução de uma prática educativa capaz de Didatismo e Conhecimento 132 levar ã construção de resultados significativos da aprendizagem. 1º da lei nº 9. e)Estimular as potencialidades dos estudantes. exceto: a)na vida familiar. mas os alunos não aprenderam. A resposta correta é A. a)Todas estão corretas. a segunda. No caso da avaliação da aprendizagem. III – pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas. caso se considere que.A gratuidade do ensino fundamental em estabelecimentos oficiais de ensino é garantida constitucionalmente a alunos de: . Não caberia tratar desta questão neste texto. Nós. se ensinamos. e)Todas estão erradas. habilidade ou hábito. ou seja. 3.Segundo disposição expressa no art. tendo em vista: . a verificação. estamos pouco atentos ao seu efetivo desenvolvimento. só será possível na medida em que se estiver efetivamente interessado na aprendizagem do educando. vale lembrar o baixo investimento pedagógico. pois não é papel do educador estabelecer juízos sobre o desempenho dos estudantes. Assim. b)na convivência humana. se ele não tiver sido satisfatório. estamos interessados na aprovação ou reprovação dos educandos nas séries escolares. tomar uma decisão sobre as condutas docentes e discentes a serem seguidas. II – liberdade de aprender.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS • a partir dessa qualificação.(PI 2006 – PEDAGOGO) – Não é função do ensino: a)Organizar os conteúdos de uma área do saber. tanto do ponto de vista financeiro quanto do pedagógico. Resposta D. um padrão mínimo de conhecimentos. A avaliação implica a retomada do curso de ação. Padrão Mínimo de Conduta: Para que se utilize corretamente a avaliação no processo ensino-aprendizagem. importa estabelecer um padrão mínimo de conhecimentos. habilidades e hábitos que o educando deverá adquirir. há que se investir na construção dos resultados desejados. mas sim contribuir para que ele evolua no processo. II. os processos formativos educacionais nela descritos abrangem os que se desenvolvem. d)Três estão corretas. terá espaço. Parece um contra senso essa afirmação. Todavia. caso esteja se desviando. não é o que ocorre. Rigor Científico e Metodológico: Para que a avaliação se tome um instrumento subsidiário significativo da prática educativa. em seu sentido pleno. desde que ela só dimensione o fenômeno sem encaminhar decisões. o objetivo primeiro da aferição do aproveitamento escolar não será a aprovação ou reprovação do educando. d)nas instituições de ensino e pesquisa. Os dados estatísticos educacionais estão aí para demonstrar o pequeno investimento.a reorientação imediata da aprendizagem. e)nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil. que esteja sendo ensinado e aprendido. . sim. ensinar. é importante que tanto a prática educativa como a avaliação sejam conduzidas com um determinado rigor científico e técnico.o encaminhamento dos educandos para passos subsequentes da aprendizagem. mas em nenhum momento se faz menção ao direito à greve ou sua estruturação. c)nas manifestações grevistas. pois os itens I. A resposta a ser assinalada é a alternativa C. IV – gratuidade do ensino público. no contexto escolar. assim como normalmente os alunos e seus pais. A avaliação é um diagnóstico da qualidade dos resultados intermediários ou finais. seja efetivamente essencial para a formação do educando. A primeira é dinâmica.394/1996. qualitativamente. como ocorre hoje na prática escolar. III e IV apresentam satisfatoriamente princípios pertinentes aos propósitos educacionais previstos na LDB e na Constituição Federal. estática. mas o direcionamento da aprendizagem e seu consequente desenvolvimento. na efetiva aprendizagem do educando. não poderíamos deixar de menciona-la. atingiram um nível da satisfatoriedade no que estava sendo trabalhado. pois sem ela a avaliação não alcançará seu papel significativo na produção de um ensino-aprendizagem satisfatório. A avaliação só pode funcionar efetivamente num trabalho educativo com estas características. A ciência pedagógica. 4)(Prefeitura Municipal de Sorocaba/SP-2001) . c)Transmitir conhecimento e informação. na medida em que podemos pensar que quem está trabalhando nó ensino está interessado em que os educandos aprendam. habilidades e hábitos e não uma média mínima de notas. O sistema social não demonstra estar tão interessado em que o educando aprenda a partir do momento que investe pouco na Educação. e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino. 2. os alunos não aprenderam e estamos interessados que aprendam.Segundo disposição constitucional vigente. d)Estabelecer juízos sobre o desempenho dos estudantes. o ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I – igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola. que se manifestem em prol do desenvolvimento do educando. porém. há que se estar interessado em que o educando aprenda aquilo que está sendo ensinado. ou a sua reorientação. caso sua qualidade se mostre insatisfatória e o conteúdo. b)Apenas uma está correta. há que se ensinar até que aprendam. a avaliação não terá espaço. a arte e o saber. pesquisar e divulgar o pensamento. o que é que vamos fazer”? De fato. Sem esta perspectiva dinâmica de aprendizagem para o desenvolvimento. a verificação é uma configuração dos resultados parciais ou finais. hoje. c)Duas estão corretas. todavia. pois todos os demais processos estão previstos no 1º Artigo da LDB. b)Assegurar o desenvolvimento das capacidades dos estudantes. A nossa prática educativa se expressa mais ou menos da seguinte forma: “Ensinamos. professores. QUESTÕES Alguns exercícios 1. Estar interessado que o Educando Aprenda e Desenvolva: A prática da avaliação da aprendizagem. a LDB.

podem ser trabalhados com o objetivo de desenvolver nos alunos uma postura de respeito às diferenças. b)Duas estão corretas. V . entre professores e alunos e entre diferentes membros da comunidade escolar. (E) coexistência de instituições públicas e privadas de ensino. EXCETO: (A) melhoria da qualidade de ensino em todos os níveis. IV . (B) II. identifique aquele que se concretiza mais diretamente nas atividades do professor.(Prefeitura Municipal de Sorocaba/SP-2001) . o que possibilitará um tratamento cada vez mais aprofundado das questões eleitas. d)Todas estão corretas. a Educação Básica é composta pela Educação Infantil e Ensinos Fundamental e Médio. c)Três estão corretas. (E) imposição. conforme salienta o Artigo 16 da LDB. III . (C) a valorização das diferenças individuais entre os alunos. (D) o horário escolar. Está correto o contido em (A) I.394/96.envolvimento de todos que fazem parte direta ou indiretamente no processo educacional. apenas. (C) valorização do profissional da educação escolar. na forma dessa Lei.as instituições de educação superior mantidas pelo Poder Público estadual a)Uma está correta. o trabalho e as práticas sociais. Estão corretas as afirmativas: (A) I. relacionados a seguir. ensino fundamental e ensino médio.estabelecimento de objetivos claros e democráticos.obedecendo ao princípio da participação dos profissionaisno projeto pedagógico. da cultura e do afeto pela via da: 133 (A) família. (E) garantia da obtenção de qualquer formação mínima para o exercício da cidadania. 21 da LDB. pois o ensino fundamental deve ser garantido em qualquer idade a todos e de maneira gratuita.Julgue os itens a seguir e assinale a opção correta: O Sistema Federal de ensino compreende: I . II. As demais estão incompletas. monitoramento e avaliação dos resultados. nos termos do art. (C) acesso e permanência dos educandos nas escolas. (D) coerção. implicam a necessidade de um trabalho sistemático e contínuo no decorrer de toda a escolaridade. IV e V. II e III. c)Pelo ensino fundamental e ensino médio apenas. 12 – O trabalho realizado de forma conjunta pela coordenação e pela orientação pedagógica visa a atingir as seguintes finalidades educacionais. A criança que brinca entra no mundo do trabalho. (C) representação e da experimentação. (C) I e II. é formada: a)Pela educação infantil. (C) II.as instituições de ensino mantidas pela União. II . (B) elevação global da escolarização dos educandos. II e III. 10 – Dos princípios de ensino estabelecidos na Lei Federal n. 5 . d)Até 18 anos. (E) I.visão de conjunto associada a uma posição hierárquica. III e IV. 6 . Didatismo e Conhecimento . III. de acordo com os PCNs.compartilhamento na solução de problemas e nas tomadas de decisão do diretor escolar. permeiam necessariamente toda a prática educativa que abarca relações entre os alunos. apenas. compreensão e autonomia. b)Qualquer idade. IV e V. (B) imaturidade.os órgãos federais de educação. II .A Educação Básica. (A) vinculação entre a educação escolar.as instituições de educação superior criadas e mantidas pela iniciativa privada. Alternativa B. d)Pela educação infantil apenas. na sala de aula. e que continuem sendo tratados cada vez com maiores possibilidades de reflexão. ou seja. (E) II. apenas. assumimos um compromisso com: (A) o espaço físico de que o professor dispõe para trabalhar.º 9. III . (D) II e III. (B) a mídia. nos estabelecimentos oficiais. e)Até 21 anos. 9– Ao concebermos a aprendizagem como a sucessão de aquisições constantes e dependentes da oportunidade que o meio oferece ao educando. (B) I. 7 – Por gestão participativa entende-se: I . IV . e)Pelo ensino fundamental apenas. Alternativa A.implementação. (D) I. (D) democratização da gestão. (E) a qualidade do educando na totalidade. pode-se afirmar que I. e)Todas estão erradas. Resposta C. (D) gestão democrática do ensino público. 8 – O brincar fornece à criança a possibilidade de construir uma identidade autônoma e criativa. III e V. desde o início da escolaridade. apenas. 11 – A respeito dos Temas Transversais. c)Até 16 anos. b)Pela educação infantil e ensino fundamental apenas.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS a)Até 14 anos. (B) gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais.

assim como a tentativa de articular a variada gama de iniciativas educacionais. (D) a desvinculação da educação infantil. E 9. buscando o caminho para a construção de uma escola comum. A 14. C 12. (E) as divergências entre a Secretarias de Educação e o Conselho Nacional de Educação visando a redefinição de diretrizes. da pré-escola e da creche com os sistemas de ensino fundamental e médio das redes municipais e estaduais. (E) a compreensão das relações sociais e a valorização do processo educativo-pedagógico. (B) o abandono da educação de jovens e adultos trabalhadores. (C) a ruptura entre a educação básica e o ensino superior. (D) o desenvolvimento individual e o contexto social e cultural. D ANOTAÇÕES ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— 134 ANOTAÇÕES ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— Didatismo e Conhecimento . pode ser considerado um avanço no esforço para superar: (A) a falta de articulação entre a educação regular. (B) a compreensão do mundo acadêmico e integração entre os sujeitos aprendentes.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 13 – O empenho em conceituar a educação de forma ampla. B 11. E 8. educação de populações indígenas. por ser uma instituição social com propósito explicitamente educativo. (C) a capacidade de crítica e o desenvolvimento de técnicas. Essa função socializadora remete a dois aspectos: (A) a Inter socialização entre diferentes grupos e a aquisição de conhecimentos científicos. GABARITO 7. 14 – A escola. formação técnico-profissional e educação à distância. tem o compromisso de intervir efetivamente para promover o desenvolvimento e a socialização de seus alunos. B 10. prioridades e objetivos com vistas à elaboração de uma política pública que atenda ao território brasileiro. educação especial. a educação infantil e o ensino fundamental com as estratégias de atendimento a população infanto-juvenil. incorporadas em forma de legislação. C 13. extensa a todo o território nacional.

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