CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
1 LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL: LEI Nº 9.394/96 E SUAS ALTERAÇÕES.
TÍTULO I Da Educação Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. § 1º Esta Lei disciplina a educação escolar, que se desenvolve, predominantemente, por meio do ensino, em instituições próprias. § 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social. Destaca-se que a lei possui abrangência somente nos ambientes escolares, sendo que processos educacionais são muito mais amplos e também podem ocorrer em outros espaços e situações. TÍTULO II Dos Princípios e Fins da Educação Nacional Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; IV - respeito à liberdade e apreço à tolerância; V - coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; VI - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; VII - valorização do profissional da educação escolar; VIII - gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino; IX - garantia de padrão de qualidade; X - valorização da experiência extraescolar; XI - vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais. Todos os aspectos mencionados neste artigo são de extrema importância, visto que abordam os princípios democráticos previstos e inspirados pela Constituição promulgada em 1988, na qual se valorizam a criticidade, a participação popular, o envolvimento coletivo, o pluralismo de ideias entre outros aspectos. TÍTULO III Do Direito à Educação e do Dever de Educar Art. 4º O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de:
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LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, popularmente conhecida pela sigla LDB, define e regulariza o sistema de educação  brasileiro  baseado em princípios constitucionais. A primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional foi criada no ano de 1961, sendo posteriormente substituída por uma nova versão, já em 1971. A mais recente, e também atual, foi promulgada no ano de 1996. Em 1988, com a promulgação da Nova Constituição da República Federativa do Brasil, a versão anterior da LDB foi considerada obsoleta, carecendo de uma interpretação mais atualizada e atenta aos novos desafios educacionais do país. No entanto, esta aprovação aconteceu somente após oito anos da nova constituição, ou seja, em 1996. O texto aprovado em 1996 é fruto de um longo debate, pautado na existência de duas propostas distintas, quais sejam: a primeira, popularmente conhecida como Projeto Jorge Hage, sendo resultado de uma série de debates abertos com a sociedade, organizados pelo  Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública, apresentado na  Câmara dos Deputados; já a segunda foi elaborada pelos então senadores  Darcy Ribeiro,  Marco Maciel  e  Maurício Correa, sendo esta em articulação com o poder executivo através do MEC. Destaca-se que a principal divergência entre as duas versões era em razão do papel do Estado. O Projeto Jorge Hage apresentava uma grande preocupação com mecanismos de controle social do sistema de ensino; Já a segunda visava uma estrutura de poder mais centrada nas mãos do  governo. Ao final, prevaleceram majoritariamente as ideias da segunda proposta, encabeçadas pelo educador e então Senador Darcy Ribeiro. De antemão, antes da análise de alguns artigos, torna-se importante o apontamento de alguns aspectos principais relacionados à Lei 9394/96. A Lei foi promulgada no ano de 1996, mais precisamente no dia 20 de dezembro, sob o mandato do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Darcy Ribeiro foi o relator da lei 9394/96. Paulo Renato de Souza era o Ministro da Educação. A Nova LDB pressupõe a Gestão democrática do ensino público e progressiva autonomia pedagógica e administrativa das unidades escolares, aspectos previstos nos artigos 3 e 15. Na sequência segue a LDB na íntegra, acompanhada de alguns comentários dos aspectos mais relevantes. LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Didatismo e Conhecimento

Por fim. grupo de cidadãos. de 2009) III . definidos como a variedade e quantidade mínimas. (Redação dada pela Lei nº 11. da pesquisa e da criação artística. 6o É dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula dos menores. Art. obrigatório e gratuito. nos termos deste artigo. exercendo sua função redistributiva e supletiva. o Distrito Federal e os Municípios organizarão. independentemente da escolarização anterior. seja para os alunos em idade escolar. em regime de colaboração. a partir dos seis anos de idade.universalização do ensino médio gratuito.cumprimento das normas gerais da educação nacional e do respectivo sistema de ensino. Art. torna-se importante perceber que as responsabilidade ora são específicas e ora são compartilhadas. com características e modalidades adequadas às suas necessidades e disponibilidades. Art. ressalvado o previsto no art. também é papel do estado ofertar ensino noturno com as mesmas condições do ensino diurno.zelar. atendidas as seguintes condições: I . entidade de classe ou outra legalmente constituída.fazer-lhes a chamada pública. o Poder Público assegurará em primeiro lugar o acesso ao ensino obrigatório. merece destaque o processo de universalização do ensino médio. que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos. ainda. 7º O ensino é livre à iniciativa privada. poderá ela ser imputada por crime de responsabilidade. seja para aqueles que não tiveram acesso em idade própria. preferencialmente na rede regular de ensino. no ensino fundamental. sendo os pais os responsáveis sujeitos a penalidades se não a fizerem. o Distrito Federal e os Municípios.ensino fundamental. § 2º Os sistemas de ensino terão liberdade de organização nos termos desta Lei. X – vaga na escola pública de educação infantil ou de ensino fundamental mais próxima de sua residência a toda criança a partir do dia em que completar 4 (quatro) anos de idade.padrões mínimos de qualidade de ensino.700.atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais. II . os respectivos sistemas de ensino. 213 da Constituição Federal. . os Estados. (Incluído pela Lei nº 11.atendimento gratuito em creches e pré-escolas às crianças de zero a seis anos de idade.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS I . IV . II . ao Distrito Federal e aos Municípios para o desenvolvimento de seus sistemas de ensino e o atendimento prioritário à escolaridade obrigatória. 8º A União. § 1º Compete aos Estados e aos Municípios. III . VIII . o Poder Público criará formas alternativas de acesso aos diferentes níveis de ensino. e com a assistência da União: I . inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria.acesso aos níveis mais elevados do ensino. em colaboração com os Estados. contemplando em seguida os demais níveis e modalidades de ensino. por meio de programas suplementares de material didático-escolar. Ademais. VI . sendo gratuita e de rito sumário a ação judicial correspondente. adequado às condições do educando. conforme as prioridades constitucionais e legais. e os jovens e adultos que a ele não tiveram acesso. TÍTULO IV Da Organização da Educação Nacional Nos próximos artigos. II . preferencialmente na rede regular. Também. neste artigo. IX .organizar. como o papel do Estado em garantir a todos o ensino fundamental. 208 da Constituição Federal. acionar o Poder Público para exigi-lo. 9º A União incumbir-se-á de: (Regulamento) I . III . § 2º Em todas as esferas administrativas. de 2008). o ensino fundamental e o ensino médio. § 1º Caberá à União a coordenação da política nacional de educação.061. associação comunitária. organização sindical. merece destaque vários aspectos. articulando os diferentes níveis e sistemas e exercendo função normativa. manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais do sistema federal de ensino e o dos Territórios. de modo a assegurar formação básica comum. no ensino fundamental público. 5º O acesso ao ensino fundamental é direito público subjetivo. (Redação dada pela Lei nº 12.estabelecer. segundo a capacidade de cada um. o Distrito Federal e os Municípios. IV . Art.recensear a população em idade escolar para o ensino fundamental. III . competências e diretrizes para a educação infantil. também é papel do estado o atendimento de alunos com necessidades especiais. como o EJA adequando às necessidades e disponibilidades dos discentes e creches e préescolas gratuitamente a todas as crianças de zero a seis anos. redistributiva e supletiva em relação às demais instâncias educacionais. por aluno. Art.oferta de ensino noturno regular. de 2005) Esta informação é bastante observada em concursos.atendimento ao educando.autorização de funcionamento e avaliação de qualidade pelo Poder Público. de insumos indispensáveis ao desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem. ou seja. podendo qualquer cidadão. e. em colaboração com os Estados.oferta de educação escolar regular para jovens e adultos. § 4º Comprovada a negligência da autoridade competente para garantir o oferecimento do ensino obrigatório. Inegavelmente. Didatismo e Conhecimento 2 § 3º Qualquer das partes mencionadas no caput deste artigo tem legitimidade para peticionar no Poder Judiciário. pela freqüência à escola. § 5º Para garantir o cumprimento da obrigatoriedade de ensino. Ainda. outros direitos merecem destaque. garantindo-se aos que forem trabalhadores as condições de acesso e permanência na escola. V .capacidade de autofinanciamento. VII . de maneira gratuita.prestar assistência técnica e financeira aos Estados.114. junto aos pais ou responsáveis. na hipótese do § 2º do art.elaborar o Plano Nacional de Educação. a obrigatoriedade de matrícula dos menores a partir dos seis anos. alimentação e assistência à saúde. II . em regime de colaboração. transporte. o Ministério Público.

7.organizar. os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino. formas de colaboração na oferta do ensino fundamental. e. de 2001) . os responsáveis legais. supervisionar e avaliar.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS V .061. Didatismo e Conhecimento 3 Em resumo.oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas. III .709.baixar normas gerais sobre cursos de graduação e pós-graduação. de 31. manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino. VI .2003) Parágrafo único. III .exercer ação redistributiva em relação às suas escolas. o ensino fundamental. 11. reconhecer. todas importantes para o entendimento das reais atribuições que cada escola. integrando e coordenando as suas ações e as dos seus Municípios.informar pai e mãe. supervisionar e avaliar. a União terá acesso a todos os dados e informações necessários de todos os estabelecimentos e órgãos educacionais. com funções normativas e de supervisão e atividade permanente. em consonância com as diretrizes e planos nacionais de educação. autorizar. em colaboração com os sistemas de ensino. haverá um Conselho Nacional de Educação.assumir o transporte escolar dos alunos da rede estadual. criando processos de integração da sociedade com a escola. Os Municípios incumbir-se-ão de: I .assegurar o ensino fundamental e oferecer. com os Municípios. por se integrar ao sistema estadual de ensino ou compor com ele um sistema único de educação básica. desde que mantenham instituições de educação superior. Os Municípios poderão optar. objetivando a definição de prioridades e a melhoria da qualidade do ensino. as quais devem assegurar a distribuição proporcional das responsabilidades.287. IV .assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar no ensino fundamental.autorizar. Em resumo. manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino. IV . integrando-os às políticas e planos educacionais da União e dos Estados. cabe à União elaborar o Plano Nacional de Educação. VI . de acordo com a população a ser atendida e os recursos financeiros disponíveis em cada uma dessas esferas do Poder Público. (Incluído pela Lei nº 10. 12.2003) Parágrafo único. com a cooperação dos sistemas que tiverem responsabilidade sobre este nível de ensino. de 2009) VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município.baixar normas complementares para o seu sistema de ensino. baixar normas (graduação e pós-graduação).coletar. Art.709. médio e superior. oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas e. II . analisar e disseminar informações sobre a educação.baixar normas complementares para o seu sistema de ensino. Art. com prioridade. II . Em resumo. IX . VI . respectivamente. V . bem como sobre a execução da proposta pedagógica da escola. possibilidade de atuar em outros níveis de ensino. assegurar o ensino fundamental. V .assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas. sobre a frequência e rendimento dos alunos. (Redação dada pela Lei nº 12. parceria com os municípios para a oferta de ensino fundamental. sem exceções. credenciar. supervisionar seus estabelecimentos. Art. 10. Os Estados incumbir-se-ão de: I . III . Ao Distrito Federal aplicar-se-ão as competências referentes aos Estados e aos Municípios. reconhecer. independente do nível ou modalidade. se for o caso. § 2° Para o cumprimento do disposto nos incisos V a IX. de 2009) VII . ao juiz competente da Comarca e ao respectivo representante do Ministério Público a relação dos alunos que apresentem quantidade de faltas acima de cinquenta por cento do percentual permitido em lei. terão a incumbência de: I . conviventes ou não com seus filhos. respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino. § 3º As atribuições constantes do inciso IX poderão ser delegadas aos Estados e ao Distrito Federal. VII .(Incluído pela Lei nº 10. os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino. respectivamente. transporte (rede estadual).autorizar. 38 desta Lei. reconhecer. II . credenciar e supervisionar os estabelecimentos do seu sistema de ensino.velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente. criado por lei. VI . (Redação dada pela Lei nº 12. baixar normas complementares. o ensino médio a todos que o de andarem. baixar normas. credenciar. VIII . transporte de alunos da rede municipal. VII . V .articular-se com as famílias e a comunidade. com prioridade. § 1º Na estrutura educacional. (Incluído pela Lei nº 10. supervisionar e avaliar (ensino superior) – esta função também pode ser delegada ao estado. Os estabelecimentos de ensino.administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros. respeitado o disposto no art. estabelecer competências e diretrizes (nortear currículos).assumir o transporte escolar dos alunos da rede municipal.elaborar e executar políticas e planos educacionais. de 31. cabe aos municípios manter instituições oficiais.013.autorizar. elaborar e aplicar processos nacionais de avaliação.elaborar e executar sua proposta pedagógica. prestar assistência técnica e financeira. credenciar. com prioridade.prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento. ainda. serão apresentadas todas as obrigações das unidades de ensino. o ensino fundamental. permitida a atuação em outros níveis de ensino somente quando estiverem atendidas plenamente as necessidades de sua área de competência e com recursos acima dos percentuais mínimos vinculados pela Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento do ensino.7. IV . sendo. possui no processo. cabe aos Estados e ao Distrito Federal Manter suas instituições oficiais. e.organizar.assegurar processo nacional de avaliação das instituições de educação superior.definir. A seguir.

participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola.zelar pela aprendizagem dos alunos. as instituições de educação infantil. III . Art. Os docentes incumbir-se-ão de: I . presente no art. 19.participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. o estadual/distrital e o municipal. 14. pois são de fácil interpretação. II . assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. No Distrito Federal. mais uma vez a presença do termo democrática.020. Art. de 2009) III . Percebe-se. Portanto.comunitárias.as instituições de educação infantil criadas e mantidas pela iniciativa privada. temas estes bastante recorrentes em concursos ligados à LDB. serão apresentados a composição de cada um dos sistemas de ensino.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS No artigo anterior foram apresentadas as atribuições das unidades de ensino. observadas as normas gerais de direito financeiro público. Art. Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira. As instituições privadas de ensino se enquadrarão nas seguintes categorias: (Regulamento) I . Os sistemas municipais de ensino compreendem: I . 22. 19. III – os órgãos municipais de educação. III . mantidas e administradas pelo Poder Público. Art. A educação escolar compõe-se de: I . Art. II . que incluam na sua entidade mantenedora representantes da comunidade. II . saber identificar os itens pertinentes a cada sistema é extremamente importante.as instituições de ensino fundamental e médio criadas e mantidas pela iniciativa privada. TÍTULO V Dos Níveis e das Modalidades de Educação e Ensino CAPÍTULO I Da Composição dos Níveis Escolares Os níveis escolares apresentados na sequência não carecem de maiores comentários. segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino. ensino fundamental e ensino médio. à avaliação e ao desenvolvimento profissional. V .elaborar e cumprir plano de trabalho. 21.estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento. Art. assim entendidas as criadas ou incorporadas. no Artigo 14.educação superior. assim entendidas as mantidas e administradas por pessoas físicas ou jurídicas de direito privado. . A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando. As instituições de ensino dos diferentes níveis classificam-se nas seguintes categorias administrativas: (Regulamento) I . 16. II . II . na forma da lei.as instituições do ensino fundamental. IV . formada pela educação infantil. além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento.ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos.participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica.as instituições de educação superior criadas e mantidas pela iniciativa privada. médio e de educação infantil mantidas pelo Poder Público municipal. assim entendidas as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas. respectivamente.colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade. assim entendidas as que são instituídas e mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas de direito privado que não apresentem as características dos incisos abaixo. Os sistemas de ensino dos Estados e do Distrito Federal compreendem: I . 20.privadas. pelo Poder Público estadual e pelo Distrito Federal. (Redação dada pela Lei nº 12. II . Ainda na sequência. amplamente difundido na nova LDB. o federal. o que está em pauta são as atividades incumbidas aos docentes. II .as instituições de ensino mantidas pela União. 13.filantrópicas. CAPÍTULO II DA EDUCAÇÃO BÁSICA Seção I Das Disposições Gerais Art. todas também extremamente importantes. Na sequência. 15. II . O sistema federal de ensino compreende: I . Tratamse de temas bastante observados em concursos públicos que abordam temas da LDB. também merece destaque a separação em duas categorias administrativas (Públicas e Privadas). VI .educação básica. 18.as instituições de educação superior mantidas pelo Poder Público municipal.particulares em sentido estrito. IV . inclusive cooperativas educacionais. Art. Art. Didatismo e Conhecimento 4 Parágrafo único. de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: I . criadas e mantidas pela iniciativa privada. ou seja.os órgãos de educação estaduais e do Distrito Federal. respectivamente. Agora. 17.os órgãos federais de educação. integram seu sistema de ensino.confessionais.as instituições de ensino mantidas. IV . sem fins lucrativos.públicas. Art. assim entendidas as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas que atendem a orientação confessional e ideologia específicas e ao disposto no inciso anterior. III .

793. de 1º. ciclos. e) obrigatoriedade de estudos de recuperação. 23. (Incluído pela Lei nº 12. obrigatoriamente. § 1º Os currículos a que se refere o caput devem abranger. nos níveis fundamental e médio. do componente curricular de que trata o § 2o deste artigo. § 2o O ensino da arte. excluído o tempo reservado aos exames finais. da economia e da clientela.793. de 1º.o controle de frequência fica a cargo da escola.2003) I – que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a seis horas. conforme regulamentação do respectivo sistema de ensino. a carga horária e as condições materiais do estabelecimento.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. inclusive quando se tratar de transferências entre estabelecimentos situados no País e no exterior. o regimento escolar pode admitir formas de progressão parcial. quando houver. V . por uma parte diversificada.2003) III – que estiver prestando serviço militar inicial ou que. § 6o A música deverá ser conteúdo obrigatório.287. africana e europeia. Art. Cabe ao respectivo sistema de ensino. dentro das possibilidades da instituição.a carga horária mínima anual será de oitocentas horas. Didatismo e Conhecimento 5 VII .608. desde que preservada a sequência do currículo. com níveis equivalentes de adiantamento na matéria. com alunos de séries distintas. (Incluído pela Lei nº 10. conforme o disposto no seu regimento e nas normas do respectivo sistema de ensino. b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar. integrada à proposta pedagógica da escola. c) independentemente de escolarização anterior.793.044. § 5º Na parte diversificada do currículo será incluído. na competência e em outros critérios.nos estabelecimentos que adotam a progressão regular por série. a série ou fase anterior. inclusive climáticas e econômicas. (Incluído pela Lei nº 11. Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum. 26.cabe a cada instituição de ensino expedir históricos escolares. especialmente das matrizes indígena.12. § 2º O calendário escolar deverá adequar-se às peculiaridades locais. de 1º. pode ser feita: a) por promoção. com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais. grupos não-seriados. Parágrafo único. estiver obrigado à prática da educação física. (Incluído pela Lei nº 10. em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar. ou turmas. a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos.793. A educação básica poderá organizar-se em séries anuais. § 1º A escola poderá reclassificar os alunos. mas não exclusivo. a partir da quinta série. III . a critério do respectivo sistema de ensino.2003) § 4º O ensino da História do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro.2003) II – maior de trinta anos de idade. especialmente do Brasil. A educação básica.2003) IV – amparado pelo Decreto-Lei no 1.12. será organizada de acordo com as seguintes regras comuns: I . II . 24. c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado. constituirá componente curricular obrigatório nos diversos níveis da educação básica. Art. (Redação dada pela Lei nº 12. Art. sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar. para o ensino de línguas estrangeiras.793. de 1º. ou por forma diversa de organização.12. exigida a frequência mínima de setenta e cinco por cento do total de horas letivas para aprovação. declarações de conclusão de série e diplomas ou certificados de conclusão de cursos. de 1º. que defina o grau de desenvolvimento e experiência do candidato e permita sua inscrição na série ou etapa adequada. na própria escola.poderão organizar-se classes. o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política. o ensino de pelo menos uma língua estrangeira moderna. sem com isso reduzir o número de horas letivas previsto nesta Lei. ou outros componentes curriculares. com as especificações cabíveis. tendo como base as normas curriculares gerais.12.12. IV .a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios: a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno. (Incluído pela Lei nº 10. de 2008) § 7o Os currículos do ensino fundamental e médio devem incluir os princípios da proteção e defesa civil e a educação ambiental de forma integrada aos conteúdos obrigatórios. em situação similar. à vista das condições disponíveis e das características regionais e locais. Será objetivo permanente das autoridades responsáveis alcançar relação adequada entre o número de alunos e o professor. (Incluído pela Lei nº 10.793.769. exigida pelas características regionais e locais da sociedade.2003) V – (VETADO)(Incluído pela Lei nº 10. (Incluído pela Lei nº 10. de 1º. para alunos que cursaram. com aproveitamento. de 2010) § 3o A educação física.2003) VI – que tenha prole. de 1º. estabelecer parâmetro para atendimento do disposto neste artigo.793. de 21 de outubro de 1969. d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito. para candidatos procedentes de outras escolas. alternância regular de períodos de estudos. mediante avaliação feita pela escola. observadas as normas do respectivo sistema de ensino. 25.12. para os casos de baixo rendimento escolar. exceto a primeira do ensino fundamental. da cultura. artes. distribuídas por um mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar. a ser complementada. especialmente em suas expressões regionais. com base na idade. cuja escolha ficará a cargo da comunidade escolar.12.a classificação em qualquer série ou etapa. de preferência paralelos ao período letivo. VI . obrigatoriamente. é componente curricular obrigatório da educação básica. b) por transferência. sendo sua prática facultativa ao aluno: (Redação dada pela Lei nº 10. de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos. de 2012) . períodos semestrais. o estudo da língua portuguesa e da matemática.

Art. Em resumo. (Redação dada pela Lei nº 9. Art.pré-escolas. observada a produção e distribuição de material didático adequado.creches. Art. de 2008). O ensino fundamental obrigatório.o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem. grupos não-seriados (adaptabilidade a diferentes situações). 31. psicológico. aos direitos e deveres dos cidadãos. II . Seção II Da Educação Infantil Art. 29. obrigatoriamente. gratuito na escola pública. tendo como diretriz a Lei no 8. IV . assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil.1997) § 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a definição dos conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas para a habilitação e admissão dos professores. mesmo para o acesso ao ensino fundamental. III . de 13 de julho de 1990. primeira etapa da educação básica. a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil. sem prejuízo da avaliação do processo de ensinoaprendizagem.(Incluído pela Lei nº 12. (Redação dada pela Lei nº 11. de 2008). (Redação dada pela Lei nº 11. mínimo de 200 dias letivos. resgatando as suas contribuições nas áreas social. 30. 32. de 2011). (Incluído pela Lei nº 11. 26-A. sendo o ensino a distância utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais. A educação infantil será oferecida em: I .7. de 22. IV . A educação infantil.a compreensão do ambiente natural e social. . conteúdo que trate dos direitos das crianças e dos adolescentes.promoção do desporto educacional e apoio às práticas desportivas não-formais.organização escolar própria. a partir desses dois grupos étnicos. as seguintes diretrizes: I . § 2º Os estabelecimentos que utilizam progressão regular por série podem adotar no ensino fundamental o regime de progressão continuada. os sistemas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua adequação às peculiaridades da vida rural e de cada região. Obs: Adaptações ao ambiente rural.o fortalecimento dos vínculos de família.adequação à natureza do trabalho na zona rural. incluindo adequação do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. vedadas quaisquer formas de proselitismo. das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade. ou entidades equivalentes. da tecnologia. Os conteúdos curriculares da educação básica observarão. dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social.472.consideração das condições de escolaridade dos alunos em cada estabelecimento. Currículo: Base Nacional Comum e Base Nacional Diversificada. Art. Mínimo de 800 horas/ano. semestres.orientação para o trabalho. 27.645. O ensino religioso. Art. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio. § 1o O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira. Frequência Mínima de 75%. terá por objetivo a formação básica do cidadão. em seus aspectos físico.475. § 4º O ensino fundamental será presencial. públicos e privados. § 3º O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa. ciclos. tais como o estudo da história da África e dos africanos. tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade. de 2007).069. 28. tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura. torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena. complementando a ação da família e da comunidade. da escrita e do cálculo. II . II . de respeito ao bem comum e à ordem democrática.conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e interesses dos alunos da zona rural. a Educação Básica: Organização: anos. com duração de 9 (nove) anos. ainda. do sistema político. para as crianças de quatro a seis anos de idade. III . é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. Na oferta de educação básica para a população rural. § 2o Os conteúdos referentes à história e cultura afrobrasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar. assegurada às comunidades indígenas a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. intelectual e social. que institui o Estatuto da Criança e do Adolescente. Na educação infantil a avaliação far-se-á mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento. Didatismo e Conhecimento 6 II . iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade.274.525. Avaliação: contínua e cumulativa. mediante: (Redação dada pela Lei nº 11. Seção III Do Ensino Fundamental Art. § 6º O estudo sobre os símbolos nacionais será incluído como tema transversal nos currículos do ensino fundamental. econômica e política.645. de matrícula facultativa.a difusão de valores fundamentais ao interesse social. tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores. a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional. sem o objetivo de promoção. III .o desenvolvimento da capacidade de aprender. de 2006) I . de 2008).645. § 1º É facultado aos sistemas de ensino desdobrar o ensino fundamental em ciclos. observadas as normas do respectivo sistema de ensino. 33. especialmente: I . (Redação dada pela Lei nº 11. para crianças de até três anos de idade. pertinentes à história do Brasil. § 5o O currículo do ensino fundamental incluirá. em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras.

de 2008) Art. § 1º São ressalvados os casos do ensino noturno e das formas alternativas de organização autorizadas nesta Lei.destacará a educação tecnológica básica. Didatismo e Conhecimento 7 § 2º(Revogado pela Lei nº 11.741.concomitante. Filosofia e Sociologia (obrigatórias). (Incluído pela Lei nº 11.» Art. O currículo do ensino médio observará o disposto na Seção I deste Capítulo e as seguintes diretrizes: I . de 2008) Art.as normas complementares dos respectivos sistemas de ensino. de 2008) § 3º Os cursos do ensino médio terão equivalência legal e habilitarão ao prosseguimento de estudos. para a definição dos conteúdos do ensino religioso. possibilitando o prosseguimento de estudos. (Incluído pela Lei nº 11.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS § 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil. de 2008) I . e uma segunda. A preparação geral para o trabalho e.o aprimoramento do educando como pessoa humana. preparação para aperfeiçoamentos posteriores. aproveitando-se as oportunidades educacionais disponíveis. para continuar aprendendo.a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental. Em resumo: Mínimo de 9 anos..741.conhecimento das formas contemporâneas de linguagem.as exigências de cada instituição de ensino. (Incluído pela Lei nº 11. a habilitação profissional poderão ser desenvolvidas nos próprios estabelecimentos de ensino médio ou em cooperação com instituições especializadas em educação profissional. e podendo ocorrer: (Incluído pela Lei nº 11. escrita.subsequente. IV – serão incluídas a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias em todas as séries do ensino médio. em caráter optativo. sendo progressivamente ampliado o período de permanência na escola. 36-B. etapa final da educação básica.. tolerância. Ciclos (facultativo). solidariedade. de 2008) I . Currículo: inclusão obrigatória de uma Língua Estrangeira Moderna e outra em caráter optativo (participação da comunidade). de 2008) § 1º Os conteúdos. valores sociais. A educação profissional técnica de nível médio deverá observar: (Incluído pela Lei nº 11. das letras e das artes.a compreensão dos fundamentos científicotecnológicos dos processos produtivos.741. poderá prepará-lo para o exercício de profissões técnicas. Seção IV Do Ensino Médio Art. prevista no inciso I do caputdo art. (Incluído pela Lei nº 11. 36-B desta Lei.741. de 2008) I .domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna. de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores. § 2º O ensino fundamental será ministrado progressivamente em tempo integral. (Incluído pela Lei nº 11. Em resumo: Consolidação e Aprofundamento.741. de 2008) Parágrafo único. Formação Básica do Cidadão (leitura.será incluída uma língua estrangeira moderna. Mínimo de três anos.741. as metodologias e as formas de avaliação serão organizados de tal forma que ao final do ensino médio o educando demonstre: I . de 2008) Art. o ensino médio. III . dentro das disponibilidades da instituição.os objetivos e definições contidos nas diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. II . nos termos de seu projeto pedagógico.741.684. relacionando a teoria com a prática. oferecida a quem ingresse no ensino médio ou já o esteja cursando. será desenvolvida de forma: (Incluído pela Lei nº 11. cálculos. de 2008) II . Art.741. de 2008) II . a critério dos sistemas de ensino. O ensino médio.articulada com o ensino médio. (Incluído pela Lei nº 11. efetuando-se matrícula única para cada aluno. II . de 2008) a) na mesma instituição de ensino. na mesma instituição de ensino. 34.741. de 2008) .(Incluído pela Lei nº 11. Sem prejuízo do disposto na Seção IV deste Capítulo. oferecida somente a quem já tenha concluído o ensino fundamental. constituída pelas diferentes denominações religiosas.a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando.741. (Incluído pela Lei nº 11. Seção IV-A Da Educação Profissional Técnica de Nível Médio (Incluído pela Lei nº 11.integrada.741. no ensino de cada disciplina. sendo o curso planejado de modo a conduzir o aluno à habilitação profissional técnica de nível médio. é facultado o uso da progressão continuada. Em caso de progressão regular. A educação profissional técnica de nível médio articulada. a língua portuguesa como instrumento de comunicação. facultativamente. atendida a formação geral do educando.). 35.741. escolhida pela comunidade escolar. efetuando-se matrículas distintas para cada curso. 36-C. IV . (Incluído pela Lei nº 11.741. acesso ao conhecimento e exercício da cidadania. de 2008) Parágrafo único. a compreensão do significado da ciência. A jornada escolar no ensino fundamental incluirá pelo menos quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula. o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura. de 2008) III . 36. incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico. com duração mínima de três anos. A educação profissional técnica de nível médio será desenvolvida nas seguintes formas: (Incluído pela Lei nº 11. II . (Incluído pela Lei nº 11.741. III . 36-A. como disciplina obrigatória. preparação para o trabalho. em cursos destinados a quem já tenha concluído o ensino médio. terá como finalidades: I . de 2008) II .741.adotará metodologias de ensino e de avaliação que estimulem a iniciativa dos estudantes.

Os diplomas de cursos de educação profissional técnica de nível médio. § 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso e a permanência do trabalhador na escola. (Redação dada pela Lei nº 11. Ensino Médio (maiores de 18 anos). de 2008) Art. 41. de 2008) § 1o Os cursos de educação profissional e tecnológica poderão ser organizados por eixos tecnológicos. de 2008) Parágrafo único. (Incluído pela Lei nº 11. que compreenderão a base nacional comum do currículo. de 2008) Art.741. abertos à comunidade. de 2008) Art. As instituições de educação profissional e tecnológica. nas formas articulada concomitante e subsequente. além dos seus cursos regulares. de 2008) I – de formação inicial e continuada ou qualificação profissional. aproveitando-se as oportunidades educacionais disponíveis. Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos. possibilitarão a obtenção de certificados de qualificação para o trabalho após a conclusão. Avaliação de Competências (absorvidas formal e informalmente). de 2008) § 2o A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes cursos: (Incluído pela Lei nº 11. 40. de 2008) § 3o Os cursos de educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação organizar-se-ão. Didatismo e Conhecimento 8 oportunidades educacionais apropriadas. (Incluído pela Lei nº 11. que não puderam efetuar os estudos na idade regular. 39. para os maiores de dezoito anos. mediante ações integradas e complementares entre si.no nível de conclusão do ensino fundamental. com aproveitamento. na forma do regulamento. 42. 43. Seção V Da Educação de Jovens e Adultos Art. seus interesses. Articulada com o Ensino Médio ou subsequente. de 2008) c) em instituições de ensino distintas. oferecerão cursos especiais. para os maiores de quinze anos. consideradas as características do alunado. possibilitando a construção de diferentes itinerários formativos. Próprios estabelecimentos de Ensino Médio ou por meio de parcerias com outras instituições. (Incluído pela Lei nº 11. terão validade nacional e habilitarão ao prosseguimento de estudos na educação superior. (Incluído pela Lei nº 11. mediante cursos e exames. de 2008) Art. condicionada a matrícula à capacidade de aproveitamento e não necessariamente ao nível de escolaridade. Em resumo: Busca assegurar gratuitamente aos jovens e aos adultos. reconhecimento e certificação para prosseguimento ou conclusão de estudos. de 2008) CAPÍTULO IV DA EDUCAÇÃO SUPERIOR Art.741. A educação profissional e tecnológica.741. no cumprimento dos objetivos da educação nacional. (Incluído pela Lei nº 11. 36-D. quando registrados. § 1º Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão: I . seus interesses.741. no que concerne a objetivos. mediante convênios de intercomplementaridade. (Incluído pela Lei nº 11. preferencialmente. § 3o A educação de jovens e adultos deverá articular-se. de acordo com as diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. A educação superior tem por finalidade: I .741. § 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos educandos por meios informais serão aferidos e reconhecidos mediante exames. habilitando ao prosseguimento de estudos em caráter regular. II .741. (Redação dada pela Lei nº 11. Os cursos de educação profissional técnica de nível médio.741. 38. oportunidades educacionais apropriadas.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS b) em instituições de ensino distintas.741. (Incluído pela Lei nº 11. integra-se aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho. com a educação profissional. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria. de cada etapa que caracterize uma qualificação para o trabalho. de 2008) Art.741. visando ao planejamento e ao desenvolvimento de projeto pedagógico unificado. CAPÍTULO III DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL Da Educação Profissional e Tecnológica (Redação dada pela Lei nº 11. que não puderam efetuar os estudos na idade regular.741. A educação profissional será desenvolvida em articulação com o ensino regular ou por diferentes estratégias de educação continuada. Ensino Fundamental (maiores de 15 anos). observadas as normas do respectivo sistema e nível de ensino. 37.(Redação dada pela Lei nº 11. poderá ser objeto de avaliação. consideradas as características do alunado. de 2008) II – de educação profissional técnica de nível médio. em instituições especializadas ou no ambiente de trabalho. de 2008) III – de educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação. condições de vida e de trabalho. quando estruturados e organizados em etapas com terminalidade.741. inclusive no trabalho. . O conhecimento adquirido na educação profissional e tecnológica. mediante cursos e exames. condições de vida e de trabalho. (Incluído pela Lei nº 11. (Regulamento) Art. características e duração.741. (Incluído pela Lei nº 11. § 1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e aos adultos.741.no nível de conclusão do ensino médio. (Incluído pela Lei nº 11. da ciência e da tecnologia.741. de 2008) Em resumo: Permite consorciar a formação do Ensino Médio com a formação profissional técnica.estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo.741.

Parágrafo único. desse modo. quando da ocorrência de vagas. cursos de graduação nos mesmos padrões de qualidade mantidos no período diurno. se necessários. haverá reavaliação. A educação superior abrangerá os seguintes cursos e programas: (Regulamento) I . científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino. (Regulamento) Art. garantida a necessária previsão orçamentária. sendo renovados. o ano letivo regular.de extensão. mediante processo seletivo prévio. (Regulamento) Didatismo e Conhecimento 9 § 1º Após um prazo para saneamento de deficiências eventualmente identificadas pela avaliação a que se refere este artigo. (Incluído pela Lei nº 11. (Regulamento) Art. requisitos. § 1º Os diplomas expedidos pelas universidades serão por elas próprias registrados. em intervenção na instituição. salvo nos programas de educação a distância. bem como o credenciamento de instituições de educação superior. Art.de graduação. Art. de acordo com os critérios para preenchimento das vagas constantes do respectivo edital. duzentos dias de trabalho acadêmico efetivo. desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive. aplicados por banca examinadora especial. e. após processo regular de avaliação. compreendendo programas de mestrado e doutorado. poderão ter abreviada a duração dos seus cursos. 49. § 2º Os alunos que tenham extraordinário aproveitamento nos estudos. quando registrados. Os diplomas de cursos superiores reconhecidos. no mínimo. A educação superior será ministrada em instituições de ensino superior. para cursos afins. aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira. V . terão validade nacional como prova da formação recebida por seu titular. As transferências exofficio dar-se-ão na forma da lei. excluído o tempo reservado aos exames finais. visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura. demonstrado por meio de provas e outros instrumentos de avaliação específicos. Parágrafo único. abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos em cada caso pelas instituições de ensino. qualificação dos professores. visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição. para a superação das deficiências. IV .promover a extensão. Art. aberta à participação da população. a respectiva ordem de classificação. abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino. abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos pelas instituições de ensino. . de 2007). e colaborar na sua formação contínua. III . sendo obrigatória a divulgação da relação nominal dos classificados. As instituições de educação superior. 47. em suspensão temporária de prerrogativas da autonomia. em particular os nacionais e regionais. 44. cursos de especialização. de diferentes níveis de abrangência. prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade. na hipótese de existência de vagas. quando houver. independente do ano civil. de acordo com as normas dos sistemas de ensino. de publicações ou de outras formas de comunicação. 48. abrirão matrícula nas disciplinas de seus cursos a alunos não regulares que demonstrarem capacidade de cursá-las com proveito. A autorização e o reconhecimento de cursos. sua duração. 46. III . os programas dos cursos e demais componentes curriculares. 45. obrigando-se a cumprir as respectivas condições. As instituições de educação superior aceitarão a transferência de alunos regulares. sendo obrigatória a oferta noturna nas instituições públicas.formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento. integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento de cada geração. II . § 1º As instituições informarão aos interessados. § 2º Os diplomas de graduação expedidos por universidades estrangeiras serão revalidados por universidades públicas que tenham curso do mesmo nível e área ou equivalente. e mediante processo seletivo. na mesma área de conhecimento e em nível equivalente ou superior. Os resultados do processo seletivo referido no inciso II do caput deste artigo serão tornados públicos pelas instituições de ensino superior.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS II . que poderá resultar.632. (Redação dada pela Lei nº 11. terão prazos limitados. § 4º As instituições de educação superior oferecerão. recursos disponíveis e critérios de avaliação. respeitandose os acordos internacionais de reciprocidade ou equiparação. antes de cada período letivo. Art. IV . em desativação de cursos e habilitações. § 3º Os diplomas de Mestrado e de Doutorado expedidos por universidades estrangeiras só poderão ser reconhecidos por universidades que possuam cursos de pós-graduação reconhecidos e avaliados. 50. aperfeiçoamento e outros. tem. VI . públicas ou privadas. (Regulamento) § 2º No caso de instituição pública.suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretização.cursos sequenciais por campo de saber.de pós-graduação. com variados graus de abrangência ou especialização. de 2006) Art. conforme o caso. no período noturno.331. ou em descredenciamento. periodicamente. o Poder Executivo responsável por sua manutenção acompanhará o processo de saneamento e fornecerá recursos adicionais.estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente. bem como do cronograma das chamadas para matrícula.promover a divulgação de conhecimentos culturais. e aqueles conferidos por instituições nãouniversitárias serão registrados em universidades indicadas pelo Conselho Nacional de Educação. VII . Na educação superior. § 3º É obrigatória afrequência de alunos e professores. abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo.incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica. desde que tenham concluído o ensino médio ou equivalente.

tanto do ponto de vista científico e cultural. bem como administrar rendimentos conforme dispositivos institucionais. V . Parágrafo único.elaborar e reformar os seus estatutos e regimentos em consonância com as normas gerais atinentes.criação. II . local e regional. 52. extensão. VII . de acordo com os recursos alocados pelo respectivo Poder mantenedor. Nas instituições públicas de educação superior. IX .receber subvenções. 56. acordos e convênios. VIII .elaborar o regulamento de seu pessoal em conformidade com as normas gerais concernentes. 54. assegurada a existência de órgãos colegiados deliberativos. Art. bem como da escolha de dirigentes. produção artística e atividades de extensão. III . Art. que se caracterizam por: (Regulamento) I . VI . o professor ficará obrigado ao mínimo de oito horas semanais de aulas. de estatuto jurídico especial para atender às peculiaridades de sua estrutura. Cursos e Programas: sequenciais. Parágrafo único. legados e cooperação financeira resultante de convênios com entidades públicas e privadas. programas e projetos de pesquisa científica.aprovar e executar planos. com base em avaliação realizada pelo Poder Público. na forma da lei. III . III . Caberá à União assegurar. sobre: I . 51. instalações e equipamentos. II .propor o seu quadro de pessoal docente. nas leis e nos respectivos estatutos. programas e projetos de investimentos referentes a obras.realizar operações de crédito ou de financiamento. obedecendo às normas gerais da União e.). modificação e extinção de cursos. caberá aos seus colegiados de ensino e pesquisa decidir. Parágrafo único.fixar o número de vagas de acordo com a capacidade institucional e as exigências do seu meio. observadas as diretrizes gerais pertinentes. cursos e programas de educação superior previstos nesta Lei. VII . V . recursos suficientes para manutenção e desenvolvimento das instituições de educação superior por ela mantidas. II . § 2º Atribuições de autonomia universitária poderão ser estendidas a instituições que comprovem alta qualificação para o ensino ou para a pesquisa. especialização. com titulação acadêmica de mestrado ou doutorado. em seu Orçamento Geral. Para garantir a autonomia didáticocientífica das universidades.elaboração da programação dos cursos. atendidas as normas gerais pertinentes e os recursos disponíveis.contratação e dispensa de professores. No exercício de sua autonomia. do respectivo sistema de ensino. 55.produção intelectual institucionalizada mediante o estudo sistemático dos temas e problemas mais relevantes. com aprovação do Poder competente. As instituições públicas de educação superior obedecerão ao princípio da gestão democrática. É facultada a criação de universidades especializadas por campo do saber. de que participarão os segmentos da comunidade institucional. (Regulamento) Art.conferir graus. diplomas e outros títulos. aperfeiçoamento etc. III . incentivar a pesquisa e a disseminação do conhecimento. quais sejam: Objetiva formar diplomados em diferentes áreas. doutorado. anualmente. programas e projetos de investimentos referentes a obras.um terço do corpo docente em regime de tempo integral. assim como dos seus planos de carreira e do regime jurídico do seu pessoal. as seguintes atribuições: I . para aquisição de bens imóveis. quando for o caso. VI .(Regulamento) Alguns aspectos acerca da educação superior merecem destaque. pós-graduação (mestrado. VI . em sua sede.planos de carreira docente. As universidades mantidas pelo Poder Público gozarão. articulando-se com os órgãos normativos dos sistemas de ensino.aprovar e executar planos.adotar regime financeiro e contábil que atenda às suas peculiaridades de organização e funcionamento. expansão.estabelecer planos.um terço do corpo docente. quitações e tomar outras providências de ordem orçamentária. IV . sem prejuízo de outras. inclusive nos que tratarem da elaboração e modificações estatutárias e regimentais. doações. . Didatismo e Conhecimento 10 Art. (Regulamento) II . serviços e aquisições em geral.ampliação e diminuição de vagas.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. de extensão e de domínio e cultivo do saber humano. As instituições de educação superior credenciadas como universidades. assim como um plano de cargos e salários. X . As universidades são instituições pluridisciplinares de formação dos quadros profissionais de nível superior. levarão em conta os efeitos desses critérios sobre a orientação do ensino médio. dentro dos recursos orçamentários disponíveis. Art. V .criar. organizar e extinguir.firmar contratos. quanto regional e nacional.programação das pesquisas e das atividades de extensão. heranças. IV . os docentes ocuparão setenta por cento dos assentos em cada órgão colegiado e comissão. financeira e patrimonial necessárias ao seu bom desempenho. 53. técnico e administrativo. ao deliberar sobre critérios e normas de seleção e admissão de estudantes. Em qualquer caso. além das atribuições asseguradas pelo artigo anterior. Art. IV .efetuar transferências.elaborar seus orçamentos anuais e plurianuais.fixar os currículos dos seus cursos e programas. as universidades públicas poderão: I . organização e financiamento pelo Poder Público. graduação. pelo menos. promover a extensão. de pesquisa.administrar os rendimentos e deles dispor na forma prevista no ato de constituição. são asseguradas às universidades. (Regulamento) § 1º No exercício da sua autonomia. serviços e aquisições em geral. 57.

(Incluído pela Lei nº 12. 58. na modalidade Normal.programas de formação pedagógica para portadores de diplomas de educação superior que queiram se dedicar à educação básica. para atender às peculiaridades da clientela de educação especial. inclusive o curso normal superior. de graduação plena. com habilitação em administração. III .014. Art. escolas ou serviços especializados. na escola regular. oferecida preferencialmente na rede regular de ensino. recursos educativos e organização específicos. supervisão. deverão promover a formação inicial. (Redação dada pela Lei nº 12. de 2009) II – a associação entre teorias e práticas. § 2º A formação continuada e a capacitação dos profissionais de magistério poderão utilizar recursos e tecnologias de educação a distância. § 3º A oferta de educação especial. métodos. a base comum nacional. durante a educação infantil. sempre que. mediante estágios supervisionados e capacitação em serviço.014. de 2009) II – trabalhadores em educação portadores de diploma de pedagogia. inspeção e orientação educacional. independentemente do apoio às instituições previstas neste artigo. como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental. de 2009). para atender às suas necessidades.056. em curso de licenciatura. III . .014. bem como com títulos de mestrado ou doutorado nas mesmas áreas. admitida. a ampliação do atendimento aos educandos com necessidades especiais na própria rede pública regular de ensino. planejamento. mediante articulação com os órgãos oficiais afins.educação especial para o trabalho. (Regulamento) § 1º A União. 59. (Incluído pela Lei nº 12. a oferecida em nível médio. técnicas. inspeção. § 1º Haverá. serviços de apoio especializado. TÍTULO VI Dos Profissionais da Educação Art. para atendimento especializado. dever constitucional do Estado. a continuada e a capacitação dos profissionais de magistério. para educandos portadores de necessidades especiais. de 2009) Didatismo e Conhecimento 11 I – professores habilitados em nível médio ou superior para a docência na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio. portadores de diploma de curso técnico ou superior em área pedagógica ou afim. 60. de modo a atender às especificidades do exercício de suas atividades. bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística. garantida. Os órgãos normativos dos sistemas de ensino estabelecerão critérios de caracterização das instituições privadas sem fins lucrativos. Parágrafo único. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior. especializadas e com atuação exclusiva em educação especial. 64. bem como aos objetivos das diferentes etapas e modalidades da educação básica. II . § 3º A formação inicial de profissionais de magistério dará preferência ao ensino presencial. nela estando em efetivo exercício e tendo sido formados em cursos reconhecidos. para os efeitos desta Lei.014. Consideram-se profissionais da educação escolar básica os que.014. de 2009) Art. em função das condições específicas dos alunos. os Estados e os Municípios. de 2009) III – trabalhadores em educação. destinado à formação de docentes para a educação infantil e para as primeiras séries do ensino fundamental. para fins de apoio técnico e financeiro pelo Poder Público. O Poder Público adotará. visando a sua efetiva integração na vida em sociedade. não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. supervisão e orientação educacional para a educação básica. será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pósgraduação. em universidades e institutos superiores de educação.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS CAPÍTULO V DA EDUCAÇÃO ESPECIAL Art. que propicie o conhecimento dos fundamentos científicos e sociais de suas competências de trabalho. como alternativa preferencial. são: (Redação dada pela Lei nº 12. Os institutos superiores de educação manterão: (Regulamento) I .programas de educação continuada para os profissionais de educação dos diversos níveis.056. terá como fundamentos: (Incluído pela Lei nº 12. a critério da instituição de ensino.014. planejamento. nesta formação.currículos. de 2009). de 2009) III – o aproveitamento da formação e experiências anteriores. a modalidade de educação escolar. A formação de profissionais de educação para administração. (Incluído pela Lei nº 12. V . quando necessário. 62. (Incluído pela Lei nº 12. em virtude de suas deficiências. (Incluído pela Lei nº 12. 61. e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados.014. Art. Entende-se por educação especial.acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular. IV . A formação dos profissionais da educação. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: I .cursos formadores de profissionais para a educação básica. Art. § 2º O atendimento educacional será feito em classes. de 2009) Parágrafo único.014. tem início na faixa etária de zero a seis anos. (Redação dada pela Lei nº 12. em instituições de ensino e em outras atividades. II .056. bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns. 63. subsidiariamente fazendo uso de recursos e tecnologias de educação a distância. intelectual ou psicomotora. inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo. Art. de 2009). em regime de colaboração.terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental. de 2009) I – a presença de sólida formação básica. o Distrito Federal. (Incluído pela Lei nº 12. (Incluído pela Lei nº 12.professores com especialização adequada em nível médio ou superior.

piso salarial profissional. III . no artigo 70. do Distrito Federal e dos Municípios ocorrerá imediatamente ao órgão responsável pela educação. Considerar-se-ão como de manutenção e desenvolvimento do ensino as despesas realizadas com vistas à consecução dos objetivos básicos das instituições educacionais de todos os níveis. IV . ao Distrito Federal e aos Municípios. estudos e pesquisas visando precipuamente ao aprimoramento da qualidade e à expansão do ensino. pois apresenta aspectos relativos aos percentuais do orçamento que obrigatoriamente deverão ser aplicados na educação. anualmente. IV . receita do governo que a transferir. O notório saber.progressão funcional baseada na titulação ou habilitação. poderá suprir a exigência de título acadêmico. inclusive com licenciamento periódico remunerado para esse fim. não será considerada. 69.amortização e custeio de operações de crédito destinadas a atender ao disposto nos incisos deste artigo. exceto para a educação superior. quando exercidas em estabelecimento de educação básica em seus diversos níveis e modalidades. II . Art. compreendidas as transferências constitucionais. incluído na carga de trabalho.(Renumerado pela Lei nº 11. ou o que consta nas respectivas Constituições ou Leis Orgânicas. além do exercício da docência. de 2006) TÍTULO VII Dos Recursos financeiros Art. as de direção de unidade escolar e as de coordenação e assessoramento pedagógico. V . Art. reconhecido por universidade com curso de doutorado em área afim. até o vigésimo dia. § 1º A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados.outros recursos previstos em lei. ajustada.recursos arrecadados do vigésimo primeiro dia ao final de cada mês. compreendendo as que se destinam a: I . (Incluído pela Lei nº 11.receita de incentivos fiscais. § 4º As diferenças entre a receita e a despesa previstas e as efetivamente realizadas. Posteriormente. o Distrito Federal e os Municípios. II . Serão recursos públicos destinados à educação os originários de: I . dos Estados. no mínimo. construção e conservação de instalações e equipamentos necessários ao ensino.aperfeiçoamento profissional continuado. até o décimo dia do mês subsequente.receita do salário-educação e de outras contribuições sociais. assegurando-lhes. inclusive nos termos dos estatutos e dos planos de carreira do magistério público: I . até o trigésimo dia.aquisição. de 2006) § 2o Para os efeitos do disposto no § 5º do art. são consideradas funções de magistério as exercidas por professores e especialistas em educação no desempenho de atividades educativas. 40 e no § 8o do art. trezentas horas. vinte e cinco por cento.301.levantamentos estatísticos. 201 da Constituição Federal.remuneração e aperfeiçoamento do pessoal docente e demais profissionais da educação. quando for o caso. que resultem no não atendimento dos percentuais mínimos obrigatórios. § 3º Para fixação inicial dos valores correspondentes aos mínimos estatuídos neste artigo. será considerada a receita estimada na lei do orçamento anual. na manutenção e desenvolvimento do ensino público. ou pelos Estados aos respectivos Municípios.período reservado a estudos. III . com base no eventual excesso de arrecadação. III . 67. prioritariamente em programas de mestrado e doutorado. serão apuradas e corrigidas a cada trimestre do exercício financeiro. 70. por lei que autorizar a abertura de créditos adicionais. Art. e os Estados. V . II . A preparação para o exercício do magistério superior far-se-á em nível de pós-graduação.receita de transferências constitucionais e outras transferências.concessão de bolsas de estudo a alunos de escolas públicas e privadas.condições adequadas de trabalho. VIII . O Artigo apresentado na sequência (69) é extremamente importante. VI . A formação docente. § 6º O atraso da liberação sujeitará os recursos a correção monetária e à responsabilização civil e criminal das autoridades competentes. § 2º Serão consideradas excluídas das receitas de impostos mencionadas neste artigo as operações de crédito por antecipação de receita orçamentária de impostos. tema bastante observado em concursos públicos.recursos arrecadados do décimo primeiro ao vigésimo dia de cada mês.receita de impostos próprios da União.301. Didatismo e Conhecimento 12 .realização de atividades-meio necessárias ao funcionamento dos sistemas de ensino.ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos. V . III – uso e manutenção de bens e serviços vinculados ao ensino. incluídas. dos Estados. VII . manutenção. da receita resultante de impostos. Parágrafo único. 65. 66.aquisição de material didático-escolar e manutenção de programas de transporte escolar. II . observados os seguintes prazos: I . Art. nunca menos de dezoito. para efeito do cálculo previsto neste artigo. Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da educação. e na avaliação do desempenho. § 5º O repasse dos valores referidos neste artigo do caixa da União. nos termos das normas de cada sistema de ensino. incluirá prática de ensino de. VI .recursos arrecadados do primeiro ao décimo dia de cada mês. IV . são apresentados onde e em que estes recursos podem ser aplicados.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. § 1o A experiência docente é pré-requisito para o exercício profissional de quaisquer outras funções de magistério. A União aplicará. do Distrito Federal e dos Municípios. 68. planejamento e avaliação.

suas comunidades e povos. que não vise. dividendos. participações ou parcela de seu patrimônio sob nenhuma forma ou pretexto. podendo ser dirigidos a escolas comunitárias. terão os seguintes objetivos: I . Art. as disparidades de acesso e garantir o padrão mínimo de qualidade de ensino. relativo ao padrão mínimo de qualidade. § 2º As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão receber apoio financeiro do Poder Público. quando efetivada fora dos sistemas de ensino. quando não vinculada às instituições de ensino. ou. desportivo ou cultural. na forma da lei. quando em desvio de função ou em atividade alheia à manutenção e desenvolvimento do ensino. 11 desta Lei. inclusive diplomáticos. 212 da Constituição Federal. em colaboração com os Estados. § 2º A capacidade de atendimento de cada governo será definida pela razão entre os recursos de uso constitucionalmente obrigatório na manutenção e desenvolvimento do ensino e o custo anual do aluno. sem prejuízo de outras prescrições legais. quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública de domicílio do educando. considerado o número de alunos que efetivamente frequentam a escola. . Art. O Sistema de Ensino da União. § 1º Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de estudo para a educação básica. conforme o inciso VI do art. considerando variações regionais no custo dos insumos e as diversas modalidades de ensino. VI . § 1º Os programas serão planejados com audiência das comunidades indígenas.formação de quadros especiais para a administração pública. II . 73. para os que demonstrarem insuficiência de recursos. 10 e o inciso V do art. para oferta de educação escolar bilíngue e intercultural aos povos indígenas. § 1º A ação a que se refere este artigo obedecerá a fórmula de domínio público que inclua a capacidade de atendimento e a medida do esforço fiscal do respectivo Estado. prioritariamente. 76. 74. com a colaboração das agências federais de fomento à cultura e de assistência aos índios. o Distrito Federal e os Municípios. dos Estados e dos Municípios se estes oferecerem vagas. II . 79.subvenção a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial. Art. III . 75. desenvolverá programas integrados de ensino e pesquisa. filantrópica ou confessional. Art. IV . Art. 165 da Constituição Federal. o acesso às informações.pessoal docente e demais trabalhadores da educação. A União. desenvolvendo programas integrados de ensino e pesquisa.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. IV . ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão da sua rede local. a recuperação de suas memórias históricas. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas. capaz de assegurar ensino de qualidade. Didatismo e Conhecimento 13 § 4º A ação supletiva e redistributiva não poderá ser exercida em favor do Distrito Federal. TÍTULO VIII Das Disposições Gerais Art. ao aprimoramento de sua qualidade ou à sua expansão. a reafirmação de suas identidades étnicas. conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional e demais sociedades indígenas e não-índias. e outras formas de assistência social.proporcionar aos índios. A ação supletiva e redistributiva prevista no artigo anterior ficará condicionada ao efetivo cumprimento pelos Estados. sejam militares ou civis. incluídos nos Planos Nacionais de Educação. 77.pesquisa. III . progressivamente.fortalecer as práticas socioculturais e a língua materna de cada comunidade indígena. precipuamente. no art.obras de infraestrutura. As receitas e despesas com manutenção e desenvolvimento do ensino serão apuradas e publicadas nos balanços do Poder Público. a valorização de suas línguas e ciências.comprovem finalidade não-lucrativa e não distribuam resultados. V . Art. com os seguintes objetivos: I . em número inferior à sua capacidade de atendimento. no caso de encerramento de suas atividades. O custo mínimo de que trata este artigo será calculado pela União ao final de cada ano. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e na legislação concernente. 71. baseado no cálculo do custo mínimo por aluno.programas suplementares de alimentação.garantir aos índios. Art. na prestação de contas de recursos públicos. § 2º Os programas a que se refere este artigo. inclusive mediante bolsas de estudo.assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária. ou ao Poder Público. A União apoiará técnica e financeiramente os sistemas de ensino no provimento da educação intercultural às comunidades indígenas. Parágrafo único. farmacêutica e psicológica. assistência médico-odontológica. Distrito Federal e Municípios do disposto nesta Lei. na área de ensino de sua responsabilidade. § 3º Com base nos critérios estabelecidos nos §§ 1º e 2º. do Distrito Federal ou do Município em favor da manutenção e do desenvolvimento do ensino. assim como nos relatórios a que se refere o § 3º do art. 72. A ação supletiva e redistributiva da União e dos Estados será exercida de modo a corrigir.apliquem seus excedentes financeiros em educação. estabelecerá padrão mínimo de oportunidades educacionais para o ensino fundamental. a União poderá fazer a transferência direta de recursos a cada estabelecimento de ensino. o cumprimento do disposto no art. Os órgãos fiscalizadores examinarão. II . confessionais ou filantrópicas que: I . ainda que realizadas para beneficiar direta ou indiretamente a rede escolar.prestem contas ao Poder Público dos recursos recebidos. bonificações. Não constituirão despesas de manutenção e desenvolvimento do ensino aquelas realizadas com: I . suas comunidades e povos. 78. com validade para o ano subseqüente.

por mais de seis anos. III . pelos concessionários de canais comerciais. de 2006) II . de 2006) I – matricular todos os educandos a partir dos 6 (seis) anos de idade no ensino fundamental.274. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância. nos termos da legislação específica. de 2006) § 3o O Distrito Federal. admitida a equivalência de estudos. § 3º As normas para produção. podendo haver cooperação e integração entre os diferentes sistemas. nas universidades públicas e privadas. supletivamente. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’. de acordo com seu rendimento e seu plano de estudos. É permitida a organização de cursos ou instituições de ensino experimentais. § 2º A União regulamentará os requisitos para a realização de exames e registro de diploma relativos a cursos de educação a distância.prover cursos presenciais ou a distância aos jovens e adultos insuficientemente escolarizados. de 9. § 6º A assistência financeira da União aos Estados. As instituições de educação superior constituídas como universidades integrar-se-ão. controle e avaliação de programas de educação a distância e a autorização para sua implementação. desde que obedecidas as disposições desta Lei. de 2012) II . TÍTULO IX Das Disposições Transitórias Art. III .2003) Art. (Incluído pela Lei nº 12.custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radiodifusão sonora e de sons e imagens e em outros meios de comunicação que sejam explorados mediante autorização. de 2006) b) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11. § 1º A União. de 2008) Art.desenvolver currículos e programas específicos. bem como a dos Estados aos seus Municípios. O ensino militar é regulado em lei específica.330. destinado à educação escolar nas comunidades indígenas. de 2011) Art. § 2o O poder público deverá recensear os educandos no ensino fundamental. de 9. de 2006) a) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11. 83. 81. em sintonia com a Declaração Mundial sobre Educação para Todos.reserva de tempo mínimo.1. III . de 2006) c) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11. com especial atenção para o grupo de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos de idade e de 15 (quinze) a 16 (dezesseis) anos de idade. o Plano Nacional de Educação. cada Estado e Município. 84. (Redação dada pela Lei nº 11.603. (VETADO)(Incluído pela Lei nº 10. 212 da Constituição Federal e dispositivos legais pertinentes pelos governos beneficiados. 79-A. (Regulamento) § 4º A educação a distância gozará de tratamento diferenciado. 80.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS II . para isto. também. Didatismo e Conhecimento 14 Art. Os sistemas de ensino estabelecerão as normas de realização de estágio em sua jurisdição. em todos os níveis e modalidades de ensino. caberão aos respectivos sistemas de ensino. Art. (Redação dada pela Lei nº 12. Art. 87. 79-B. ao Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia.416.concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas.274.realizar programas de capacitação para todos os professores em exercício. a iniciar-se um ano a partir da publicação desta Lei. (Regulamento) § 1º A educação a distância. É instituída a Década da Educação. sem ônus para o Poder Público. utilizando também. devem: (Redação dada pela Lei nº 11. . os recursos da educação a distância.integrar todos os estabelecimentos de ensino fundamental do seu território ao sistema nacional de avaliação do rendimento escolar. Art.274. observada a lei federal sobre a matéria. ressalvados os direitos assegurados pelos arts. ao Distrito Federal e aos Municípios. (Redação dada pela Lei nº 11. que incluirá: I . (Incluído pela Lei nº 10.1. 82. Os discentes da educação superior poderão ser aproveitados em tarefas de ensino e pesquisa pelas respectivas instituições. 86.788.2003) Art. sem prejuízo de outras ações. com diretrizes e metas para os dez anos seguintes. encaminhará. § 5º Serão conjugados todos os esforços objetivando a progressão das redes escolares públicas urbanas de ensino fundamental para o regime de escolas de tempo integral. ao Congresso Nacional. concessão ou permissão do poder público. Art. e.639.639. será oferecida por instituições especificamente credenciadas pela União.274.elaborar e publicar sistematicamente material didático específico e diferenciado. o atendimento aos povos indígenas efetivar-se-á. § 4º Até o fim da Década da Educação somente serão admitidos professores habilitados em nível superior ou formados por treinamento em serviço. na sua condição de instituições de pesquisa. no prazo de um ano a partir da publicação desta Lei. mediante a oferta de ensino e de assistência estudantil. assim como de estímulo à pesquisa e desenvolvimento de programas especiais.274. ficam condicionadas ao cumprimento do art. organizada com abertura e regime especiais. Qualquer cidadão habilitado com a titulação própria poderá exigir a abertura de concurso público de provas e títulos para cargo de docente de instituição pública de ensino que estiver sendo ocupado por professor não concursado. 41 da Constituição Federal e 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. exercendo funções de monitoria.manter programas de formação de pessoal especializado. 85. e de educação continuada. neles incluindo os conteúdos culturais correspondentes às respectivas comunidades. IV . IV . (Redação dada pela Lei nº 11. § 3o No que se refere à educação superior. a União. de acordo com as normas fixadas pelos sistemas de ensino.

o Art. a partir da data de sua publicação. DE 9 DE JANEIRO DE 2001 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte  Lei: Art. Art. na Câmara. cabendo ao Congresso Nacional aprovar as medidas legais decorrentes. Art. 4oA União instituirá o Sistema Nacional de Avaliação e estabelecerá os mecanismos necessários ao acompanhamento das metas constantes do Plano Nacional de Educação. 6oOs Poderes da União. 3oA União. mediante delegação deste. anualmente.INTRODUÇÃO 1. por intermédio das Comissões de Educação. O projeto de lei (PL) que cria o Plano Nacional de Educação (PNE) para vigorar de 2011 a 2020. 7o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. HISTÓRICO A instalação da República no Brasil e o surgimento das primeiras idéias de um plano que tratasse da educação para todo o território nacional aconteceram simultaneamente. elaborar planos decenais correspondentes. I . Enquanto o novo Plano Nacional de Educação. 9 de janeiro de 2001. FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Paulo Renato Souza PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO O Plano Nacional de Educação válido atualmente é este de 2001. de 18 de outubro de 1982.915 propostas de alteração ao texto (emendas) ao PL 8035/2010 foi apresentado na Câmara dos Deputados. do Distrito Federal e dos Municípios empenhar-se-ão na divulgação deste Plano e da progressiva realização de seus objetivos e metas. e foi elaborado para que sua vigência se limitasse a 10 anos. 1o Fica aprovado o Plano Nacional de Educação. LEI FEDERAL Nº 10. dos Estados. 20 de dezembro de 1996. 175º da Independência e 108º da República. com vistas à correção de deficiências e distorções.172/2001. a educação começava a se impor como condição fundamental para o desenvolvimento do País. em 12 de dezembro. os Estados. os Estados. de 24 de novembro de 1995 e 9. e 5. Art. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Revogam-se as disposições das Leis nºs 4. Cultura e Desporto da Câmara dos Deputados e da Comissão de Educação do Senado Federal. constante do documento anexo. 92. no prazo de três anos. À medida que o quadro social. 2 A partir da vigência desta Lei. As questões suscitadas na transição entre o regime anterior e o que se institui nesta Lei serão resolvidas pelo Conselho Nacional de Educação ou. § 2º O prazo para que as universidades cumpram o disposto nos incisos II e III do art.692. Art.131. o Distrito Federal e os Municípios adaptarão sua legislação educacional e de ensino às disposições desta Lei no prazo máximo de um ano. as Leis nºs 5. Didatismo e Conhecimento . Nas duas primeiras décadas. para que a sociedade o conheça amplamente e acompanhe sua implementação. os municípios e a sociedade civil. Art.  É instituído o ‘Dia do Plano Nacional de Educação’. e as demais leis e decretos-lei que as modificaram e quaisquer outras disposições em contrário. ajudaram no amadurecimento da percepção coletiva da educação como um problema nacional. Art. 90.192. as várias reformas educacionais. procederá a avaliações periódicas da implementação do Plano Nacional de Educação. 91. Art. É o maior número de emendas recebido desde a Constituição de 1988 até hoje. não é aprovado. Um conjunto de 2. As creches e pré-escolas existentes ou que venham a ser criadas deverão. este continuará continua em vigor. preservada a autonomia universitária. 88. em articulação com os Estados. foi enviado ao Congresso Nacional em 15 de dezembro de 2010 e recebeu o número PL 8035/2010. integrar-se ao respectivo sistema de ensino.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. político e econômico do início deste século se desenhava. a ser comemorado. A União. de 20 de dezembro de 1961. Art. § 1o O Poder Legislativo. para um projeto. nos seus diversos níveis e modalidades. de 21 de dezembro de 1995 e. (Regulamento) § 1º As instituições educacionais adaptarão seus estatutos e regimentos aos dispositivos desta Lei e às normas dos respectivos sistemas de ensino. 180o da Independência e 113o da República. a contar da publicação desta Lei. o Distrito Federal. 5o Os planos plurianuais da União. de 11 de agosto de 1971 e 7. 89.044.024. o Distrito Federal e os Municípios deverão. 15 2 PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO: LEI Nº 10.540. ainda. com duração de dez anos. de 28 de novembro de 1968.172. Art. FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Paulo Renato Souza § 2o A primeira avaliação realizar-se-á no quarto ano de vigência desta Lei. não alteradas pelas Leis nºs 9. pelos órgãos normativos dos sistemas de ensino. dos Estados. nos prazos por estes estabelecidos. que deveria ser resultado das discussões e deliberações da Conferência Nacional de Educação finalizada em março de 2010. 6o-A. com base no Plano Nacional de Educação. 52 é de oito anos. Art. Brasília. acompanhará a execução do Plano Nacional de Educação. Havia grande preocupação com a instrução. Brasília. do Distrito Federal e dos Municípios serão elaborados de modo a dar suporte às metas constantes do Plano Nacional de Educação e dos respectivos planos decenais.

Ele não foi proposto na forma de um projeto de lei. A ideia de uma lei ressurgiu em 1967. o Poder Executivo enviou ao Congresso Nacional a Mensagem 180/98. O processo pedagógico deverá ser adequado às necessidades dos alunos e corresponder a um ensino socialmente significativo.. a Lei nº 9. de Finanças e Tributação. 152. competência precípua ao Conselho Nacional de Educação. destacando-se o Conselho Nacional de Secretários de Educação . culturais. o Deputado Ivan Valente apresentou no Plenário da Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 4. que cabe à União. Por outro lado. O art. de 1995. Lei nº 4. que a União encaminhe o Plano ao Congresso Nacional.394.a melhoria da qualidade do ensino em todos os níveis. O art. e institui a Década da Educação. desde sua Didatismo e Conhecimento 16 participação nos trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte. OBJETIVOS E PRIORIDADES Em síntese. Na justificação. uma nova revisão. a elaboração do Plano. mas apenas como uma iniciativa do Ministério da Educação e Cultura. quando foram introduzidas normas descentralizadoras e estimuladoras da elaboração de planos estaduais. a elaborar o plano para ser aprovado pelo Poder Legislativo. Prioridade de tempo integral para as crianças das camadas sociais mais necessitadas. o consenso de que o plano devia ser fixado por lei. na Tailândia. Propunham a reconstrução educacional. Cultura e Desporto. incorporaram. sofreu uma revisão. Considerou ainda realizações anteriores. 150 declarava ser competência da União “fixar o plano nacional de educação. sem que a iniciativa chegasse a se concretizar.. determina nos artigos 9º e 87. Era basicamente um conjunto de metas quantitativas e qualitativas a serem alcançadas num prazo de oito anos. Em 1966. Estabelece ainda. Além deste. . o Distrito Federal e os Municípios. a Constituição Federal de 1988. um ano após a publicação da citada lei. os documentos resultantes de ampla mobilização regional e nacional que foram apresentados pelo Brasil nas conferências da UNESCO constituíram subsídios igualmente importantes para a preparação do documento. principalmente o Plano Decenal de Educação para Todos. iniciativa essa aprovada pelo então Conselho Federal de Educação. . novamente proposta pelo Ministério da Educação e Cultura e discutida em quatro Encontros Nacionais de Planejamento. Garantia de ensino fundamental obrigatório de oito anos a todas as crianças de 7 a 14 anos.CONED e sistematizou contribuições advindas de diferentes segmentos da sociedade civil. Atribuía. Na primeira. um grupo de educadores. comuns e especializados. assegurando o seu ingresso e permanência na escola e a conclusão desse ensino.UNDIME. 214 contempla esta obrigatoriedade. sugerindo ao Governo as medidas que julgasse necessárias para a melhor solução dos problemas educacionais bem como a distribuição adequada de fundos especiais”. é Relator. ressurgiu a ideia de um plano nacional de longo prazo. em sintonia com a Declaração Mundial sobre Educação para Todos.a redução das desigualdades sociais e regionais no tocante ao acesso e à permanência. que teve como eixos norteadores. um plano com sentido unitário e de bases científicas. capaz de conferir estabilidade às iniciativas governamentais na área de educação.024. preparado de acordo com as recomendações da reunião organizada pela UNESCO e realizada em Jomtien.155/98. a ideia de um Plano Nacional de Educação. segundo o dever constitucional e as necessidades sociais. introduziu importantes alterações na distribuição dos recursos federais. do ponto de vista legal.  Os projetos foram distribuídos às Comissões de Educação. são estabelecidas prioridades neste plano. 1.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Em 1932. Em 10 de fevereiro de 1998. políticos e educacionais brasileiros. com diretrizes e metas para os dez anos posteriores. Com a Constituição Federal de 1988. com força de lei. Havia. lançou um manifesto ao povo e ao governo que ficou conhecido como “Manifesto dos Pioneiros da Educação”. Na Exposição de Motivos destaca o Ministro da Educação a concepção do Plano. consolidou os trabalhos do I e do II Congresso Nacional de Educação . 25 homens e mulheres da elite intelectual brasileira. O primeiro Plano Nacional de Educação surgiu em 1962. e a Emenda Constitucional nº 14.a elevação global do nível de escolaridade da população. em todo o território do País”. Várias entidades foram consultadas pelo MEC. relativa ao projeto de lei que “Institui o Plano Nacional de Educação”.CONSED e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação . em 13 de março de 1998. o Plano tem como objetivos: . destaca o Autor a importância desse documento-referência que “contempla dimensões e problemas sociais.173. implícita ou explicitamente. elaborado já na vigência da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Todas as constituições posteriores. O documento teve grande repercussão e motivou uma campanha que resultou na inclusão de um artigo específico na Constituição Brasileira de 16 de julho de 1934. respectivamente. . na educação pública e . que instituiu o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério. de 1998 que “aprova o Plano Nacional de Educação”. subjacente. e de Constituição. obedecendo aos princípios da participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e a participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. A construção deste plano atendeu aos compromissos assumidos pelo Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública. “de grande alcance e de vastas proporções. de 1998. organizado na forma da lei. em 1993. Iniciou sua tramitação na Câmara dos Deputados como Projeto de Lei nº 4. embasado nas lutas e proposições daqueles que defendem uma sociedade mais justa e igualitária”. a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Considerando que os recursos financeiros são limitados e que a capacidade para responder ao desafio de oferecer uma educação compatível. o Deputado Nelson Marchezan.”. compreensivo do ensino de todos os graus e ramos. em seu art. beneficiando a implantação de ginásios orientados para o trabalho e o atendimento de analfabetos com mais de dez anos. nos estabelecimentos oficiais. Justiça e de Redação. em colaboração com os Estados. A idéia prosperou e nunca mais foi inteiramente abandonada. à dos países desenvolvidos precisa ser construída constante e progressivamente. com exceção da Carta de 37.democratização da gestão do ensino público. que “estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional”.. Em 11 de fevereiro de 1998. de 1996 . na extensão e na qualidade. Em 1965. de 1996..155. 2. cinquenta anos após a primeira tentativa oficial. e coordenar e fiscalizar a sua execução. que se chamou Plano Complementar de Educação. apensado ao PL nº 4. Essa prioridade inclui o necessário esforço dos sistemas de ensino para que todas obtenham a formação mínima para o exercício da cidadania e para o usufruto do patrimônio cultural da sociedade moderna. com sucesso. de 1961.

II – NÍVEIS DE ENSINO A – EDUCAÇÃO BÁSICA 1. deve estar presente desde o momento em que ela nasce. considerando-se a alfabetização de jovens e adultos como ponto de partida e parte intrínseca desse nível de ensino. que conduza ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva. políticas e intelectuais. deu-se principalmente a partir dos anos 70 deste século e 17 Didatismo e Conhecimento . significa maior acesso. desenvolvimento. durante os quais o ambiente pode influenciar a maneira como o cérebro é ativado para exercer funções em áreas como a matemática. salário digno. integração social e realização pessoal. atendê-la com profissionais especializados capazes de fazer a mediação entre o que a criança já conhece e o que pode conhecer significa investir no desenvolvimento humano de forma inusitada. Na base dessa questão está o direito ao cuidado e à educação a partir do nascimento. nos próximos dez anos. e a gradual extensão do acesso ao ensino médio para todos os jovens que completam o nível anterior. garantia crescente de vagas e. EDUCAÇÃO INFANTIL 1. em parte. Não são apenas argumentos econômicos que têm levado governos. nucleares. Envolve. Para as demais séries e para os outros níveis. Faz parte dessa prioridade a garantia de oportunidades de educação profissional complementar à educação básica. Ampliação do atendimento nos demais níveis de ensino – a educação infantil. Desenvolvimento de sistemas de informação e de avaliação em todos os níveis e modalidades de ensino. das de renda familiar insuficiente para prover os meios adequados para o cuidado e educação de seus filhos pequenos e da impossibilidade de a maioria dos pais adquirirem os conhecimentos sobre o processo de desenvolvimento da criança que a pedagogia oferece. 4. oportunidade de formação que corresponda às necessidades das diferentes faixas etárias. a educação das crianças menores de 7 anos tem uma história de cento e cinquenta anos. Mas o argumento social é o que mais tem pesado na expressão da demanda e no seu atendimento por parte do Poder Público. das operações matemáticas elementares. entre elas o tempo para estudo e preparação das aulas. a linguagem.as diretrizes e metas para cada nível e modalidade de ensino e . ou seja. nos níveis mais elevados. À medida que essa ciência da criança se democratiza. Ele deriva das condições limitantes das famílias trabalhadoras. da diversidade do espaço físico e político mundial e da constituição da sociedade brasileira. No entanto. empresariais e sindicais. Ao contrário. à ciência e à tecnologia. é de se supor que a educação infantil continuará conquistando espaço no cenário educacional brasileiro como uma necessidade social. pais e responsáveis. elaboração de planos estaduais e municipais. Este Plano Nacional de Educação define por conseguinte: . contemplando também o aperfeiçoamento dos processos de coleta e difusão dos dados. Garantia de ensino fundamental a todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria ou que não o concluíram. à educação de seus filhos e dependentes de zero a seis anos. descuidar desse período significa desperdiçar um imenso potencial humano. No Brasil. monoparentais. Isso. Particular atenção deverá ser dada à formação inicial e continuada.as diretrizes para a gestão e o financiamento da educação.1 Diagnóstico A educação das crianças de zero a seis anos em estabelecimentos específicos de educação infantil vem crescendo no mundo inteiro e de forma bastante acelerada. como meio e condição de formação. o ensino médio e a educação superior. Além do direito da criança. como também para os jovens e adultos que não cursaram os níveis de ensino nas idades próprias. seja em decorrência da necessidade da família de contar com uma instituição que se encarregue do cuidado e da educação de seus filhos pequenos. Se essas oportunidades forem perdidas. Seu crescimento. A ampliação do atendimento. Considerando que esses fatores continuam presentes. são definidas metas de ampliação dos percentuais de atendimento da respectiva faixa etária. ao trabalho. determinará a prioridade que as crianças das famílias de baixa renda terão na política de expansão da educação infantil. é preciso evitar uma educação pobre para crianças pobres e a redução da qualidade à medida que se democratiza o acesso. . neste plano. no entanto. Hoje se sabe que há períodos cruciais no desenvolvimento. principalmente quando os pais trabalham fora de casa. às necessidades da sociedade. no que se refere a lideranças científicas e tecnológicas. à cada circunstância. Valorização dos profissionais da educação. A educação é elemento constitutivo da pessoa e. ainda. Tratando-se de metas gerais para o conjunto da Nação. 3. a Constituição Federal estabelece o direito dos trabalhadores. artísticas e culturais. a educação infantil ganha prestígio e interessados em investir nela. seja pelos argumentos advindos das ciências que investigaram o processo de desenvolvimento da criança. 5. a formação do cidadão responsável e consciente de seus direitos e deveres. A erradicação do analfabetismo faz parte dessa prioridade. será preciso. a música. Está prevista a extensão da escolaridade obrigatória para crianças de seis anos de idade. além das demandas do mercado de trabalho. será muito mais difícil obter os mesmos resultados mais tarde. com piso salarial e carreira de magistério. Faz parte dessa valorização a garantia das condições adequadas de trabalho.as diretrizes e metas para a formação e valorização do magistério e demais profissionais da educação. portanto. como instrumentos indispensáveis para a gestão do sistema educacional e melhoria do ensino. assim como.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 2. quer na educação infantil. como desdobramento. da evolução histórica da sociedade humana. sociedade e famílias a investirem na atenção às crianças pequenas. inclusive educação profissional. em especial dos professores. quer no ensino fundamental. simultaneamente. e até mais agudos nesses anos recentes. A alfabetização dessa população é entendida no sentido amplo de domínio dos instrumentos básicos da cultura letrada. Se a inteligência se forma a partir do nascimento e se há “janelas de oportunidade” na infância quando um determinado estímulo ou experiência exerce maior influência sobre a inteligência do que em qualquer outra época da vida. integrada às diferentes formas de educação. adequação às especificidades locais e definição de estratégias adequadas.

7%. Existiam. com profissionais com formação e experiência no cuidado e educação de crianças. segundo as diretrizes curriculares nacionais emanadas do Conselho Nacional de Educação. Essa determinação segue a melhor pedagogia. somente 600 mil. Esses dados são alvissareiros. o que revela uma progressiva melhoria da qualificação docente. De uma população de aproximadamente 9. Atendia principalmente as crianças cujas mães trabalhavam fora de casa. ¼ delas. baixando sua participação no total de matrículas de 25. o que.320 Municípios. em alguns casos. um número de 1. até alguns anos atrás. que recebiam apoio financeiro e. de 39.4%. Esse é um dos temas importantes para o PNE. Com 51 e mais alunos temos apenas 29. de 34 para 24%. pois em 1993 detinham 31% dos estabelecimentos e. de 1. uma pequena redução na área particular e um grande aumento na esfera municipal. constituído de 12 milhões de crianças. não desenvolve programa educacional. aumentado sua parcela. que os estímulos educativos têm maior poder de influência sobre a formação da personalidade e o desenvolvimento da criança. Nível de formação acadêmica.3 milhões estavam matriculadas em pré-escolas no ano de 1997.2% para 66. precisamente. Em 1987. o que caracteriza pequenas unidades pré-escolares de uma sala. aliás. equivalendo a 46.8 mil.400. Em 1998. as matrículas quase estacionaram no patamar de 4. será uma quantidade muito pequena diante da magnitude do segmento populacional de 0 a 3 anos. determinado pelo art. Didatismo e Conhecimento 18 A partir de 1993. Das 219 mil funções docentes. Para a faixa de 4 a 6 anos. 129 mil são municipais. Os Municípios passaram de 47.9% para 9. no conjunto. quer nos objetivos. também. Os com ensino médio completo eram 95 mil em 1987 e em 1998 já chegavam a 146 mil.7% para 25. não havendo um levantamento completo de quantas crianças estavam freqüentando algum tipo de instituição nessa faixa etária. brinquedos e outros materiais pedagógicos adequados. Bons materiais pedagógicos e uma respeitável literatura sobre organização e funcionamento das instituições para esse segmento etário vêm sendo produzidos nos últimos anos no país. É preciso analisar separadamente as faixas etárias de 0 a 3 e de 4 a 6 anos. Qualquer número.804 crianças. sejam públicas ou privadas. Em torno de 13% dos professores possuem apenas o ensino fundamental. certamente não por ter alcançado a satisfação da demanda. mesmo porque só agora as creches começam a registrar-se nos órgãos de cadastro educacional. ficando a faixa de 4 a 6 para a pré-escola.3%.6% e as da iniciativa privada.7% e a iniciativa privada. O Poder Público será cada vez mais instado a atuar nessa área. é fundamental que os profissionais sejam altamente qualificados.5% e masculino. Observando a distribuição das matrículas entre as esferas públicas e a iniciativa privada.106 pré-escolas.4% para 65. Em relação a 1987. em 1998. 66% são formados em nível médio e 20% já têm o curso superior. IV da Constituição Federal. das quais o Nordeste detém quase metade (47. Considerando o aumento do número de famílias abaixo do nível de pobreza no Brasil. decisões políticas e programas governamentais têm sido meios eficazes de expansão das matrículas e de aumento da consciência social sobre o direito. os Estados atendiam 850 mil e.3 milhão de matrículas para 2. e deverão adotar objetivos educacionais.7 milhões.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS foi mais acelerado até 1993. Daí porque os cursos de formação de magistério para a educação infantil devem ter uma atenção especial à formação humana. Em 1998. conclui-se que há uma demanda reprimida ou um não-atendimento das necessidades de seus filhos pequenos. é interessante observar que quase metade (45%) atende até 25 alunos. porque foram grupos tratados diferentemente.4% dos estabelecimentos. em 1997. Já os Municípios passaram. 50. de 22. que desenvolvem proposta pedagógica de alta qualidade educacional. no entanto. Esse equilíbrio é uniforme em todas as regiões do País.8%. Esse fenômeno decorre da expressão e pressão da demanda sobre a esfera de governo (municipal) que está mais próximo às famílias e corresponde à prioridade constitucional de atuação dos Municípios nesse nível. A Sinopse Estatística da Educação Básica reuniu dados de 1998 sobre a creche. 49. naquele período.2 milhões de crianças. indicando um atendimento de 381. A primeira faixa esteve predominantemente sob a égide da assistência social e tinha uma característica mais assistencial. Trata-se de um tempo que não pode estar descurado ou mal orientado. elevando o percentual nessa categoria em relação ao total de professores.000 crianças atendidas na faixa de 0 a 3 anos. estava presente em 5. como cuidados físicos. e mais acentuadamente a partir de 1994. especialmente da qualidade das experiências educativas. constata-se uma redução acentuada no atendimento por parte dos Estados. de sorte que a maioria das crianças de 6 anos já está na pré-escola. Por determinação da LDB. orientação pedagógica de algum órgão público. que correspondem a 96. atualmente. considerando-se que nos primeiros anos de vida. como a antiga LBA. alimentação. no entanto. A maioria dos ambientes não conta com profissionais qualificados. que existem creches de boa qualidade. em nosso País essa questão não requer correções. simultaneamente ao ensino fundamental. . 78.5%) e o Sudeste. Mas deve-se registrar. transformando-se em instituições de educação. não significa necessariamente habilidade para educar crianças pequenas. coletados pelo sistema nacional de estatísticas educacionais. observa-se o mesmo fenômeno que ocorreu com as matrículas: os Estados se retraíram. quanto ao gênero. Grande parte era atendida por instituições filantrópicas e associações comunitárias. De 1987 para 1998 houve aumento do número dos diplomados em nível universitário trabalhando na educação infantil (de 20 para 44 mil). O atendimento maior se dá nas idades mais próximas da escolarização obrigatória. Estimativas precárias indicavam. não dispõe de mobiliário.6% do total. A distribuição das matrículas. A mobilização de organizações da sociedade civil. dispomos de dados mais consistentes. como são as crianças. As estatísticas informavam sobre os atendimentos conveniados. quer por instituições que atuaram nesse campo.2 milhões. a retração foi maior ainda: para 396 mil matrículas. saúde. 17 mil. que vem se verificando nos últimos anos. particulares. a importância e a necessidade da educação infantil. somente 8. 208. em idades que variam de menos de 4 a mais de 9 anos. estaduais e 72. Já em 1998. completo ou incompleto. é dever constitucional. dada a maleabilidade da criança às interferências do meio social. está equilibrada: feminino. as creches atenderão crianças de zero a três anos. porque é nessa idade. Em relação ao número de alunos por estabelecimento. 4. ele caiu para 4. uma vez que o déficit de atendimento é bastante grande. à questão de valores e às habilidades específicas para tratar com seres tão abertos ao mundo e tão ávidos de explorar e conhecer. Diferentemente de outros países e até de preocupações internacionais. São dados incompletos.1 milhões e 44%.5%.

714 crianças. em 1999. que retira de suas famílias as possibilidades mais primárias de alimentálas e assisti-las. a nutrição. ao ensino fundamental. de cooperação. a inexistência de energia elétrica em 20% dos estabelecimentos. Há bastante segurança em afirmar que o investimento em educação infantil obtém uma taxa de retorno econômico superior a qualquer outro. sob pena de termos uma educação infantil descaracterizada.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Outra questão importante a analisar é o número de crianças por professor pois. nessa faixa etária.  As diretrizes curriculares nacionais para a educação infantil. da inteligência. estando privadas da rica atividade nesses ambientes nada menos que 54% das crianças. terá que ser encontrada uma solução para as diversas demandas. além das organizações da sociedade civil. complementadas pelas normas dos sistemas de ensino dos Estados e Municípios. No setor público. nutrição e apoio familiar são vistos como um importante instrumento de desenvolvimento econômico e social. A pedagogia mesma vem acumulando considerável experiência e reflexão sobre sua prática nesse campo e definindo os procedimentos mais adequados para oferecer às crianças interessantes. tais como decisões e compromissos políticos dos governantes em relação às crianças. a demanda de educação infantil poderá ser atendida com qualidade. ao longo da vida. mais da metade das quais. solidariedade. medidas econômicas relativas aos recursos financeiros necessários e medidas administrativas para articulação dos setores da política social envolvidos no atendimento dos direitos e das necessidades das crianças. persistindo. Há que se registrar. Tailândia. não têm abastecimento de água. Didatismo e Conhecimento 19 . estabelecem os marcos para a elaboração das propostas pedagógicas para as crianças de 0 a 6 anos. em instituições específicas ou em programas de atenção educativa. tendo sido fechadas muitas instituições de educação infantil. tendem a reforçar. Pois todos esses são elementos constitutivos da vida e do desenvolvimento da criança.7. Sul e Centro-Oeste. na estadual. beneficiando a toda criança que necessite e cuja família queira ter seus filhos frequentando uma instituição educacional. no Nordeste. A educação infantil inaugura a educação da pessoa. a moradia. que a educação infantil terá um papel cada vez maior na formação integral da pessoa. que englobem ações integradas de educação. Recursos antes aplicados na educação infantil foram carreados. o trabalho e o emprego. requerem-se. quer sobre a vida acadêmica posterior. as circunstâncias e os fatos. em 1998. sendo 127 mil em estabelecimento sem esgoto sanitário.153 pré-escolas. Na década da educação. as atitudes de autoconfiança. também. Dada a importância do brinquedo livre. sem prejuízo da prioridade constitucional do ensino fundamental. Tem-se atribuído essa redução à implantação do FUNDEF. na interação social mediante a ação sobre os objetos.4.0 por 1 na esfera municipal e de 23. a Cultura. 1990). da vida emocional. pré-escolas da zona rural. Mais grave é que 58% das crianças freqüentam estabelecimento sem sanitário adequado. esse problema deve merecer atenção especial na década da educação. O efeito sinergético de ações na área da saúde. desafiantes e enriquecedoras oportunidades de desenvolvimento e aprendizagem. Finalmente. a Justiça. Considera-se. mesmo porque inteligência não é herdada geneticamente nem transmitida pelo ensino. Esses valores são semelhantes em todas as regiões. o que já foi afirmado pelo mais importante documento internacional de educação deste século. através de programas de desenvolvimento infantil. que afeta a maioria delas. na comunidade e nas instituições. no desenvolvimento de sua capacidade de aprendizagem e na elevação do nível de inteligência das pessoas. E têm oferecido grande suporte para a educação formular seus propósitos e atuação a partir do nascimento. Ela estabelece as bases da personalidade humana. ficando 167 mil crianças matriculadas sem possibilidade de acesso aos meios mais modernos da informática como instrumentos lúdicos de aprendizagem. relativamente a 1998. a Saúde e as Comunicações Sociais. certamente. como a Educação. definidas pelo Conselho Nacional de Educação. Avaliações longitudinais.2 Diretrizes A educação infantil é a primeira etapa da Educação Básica. a partir do nascimento. no âmbito internacional. A Sinopse Estatística da Educação Básica/1999 registra um decréscimo de cerca de 200 mil matrículas na pré-escola. o Trabalho. por Municípios e Estados. responsabilidade. mas construída pela criança. como complementares à ação da família. indicam os efeitos positivos da ação educacional nos primeiros anos de vida. embora ainda em pequeno número. Para tanto. 84% das quais se situam no Nordeste. As instituições de educação infantil vêm se tornando cada vez mais necessárias. Essa carência ocorre para menos de 0. pois está com 14 crianças por professor. a educação. Quando positivas. pela predominância da atividade cognoscitiva em sala de aula. No horizonte dos dez anos deste Plano Nacional de Educação. É possível que muitos dos estabelecimentos sejam anexos a escolas urbanas de ensino fundamental. saúde. cultura e lazer. Daí porque a intervenção na infância. a Declaração Mundial de Educação para Todos (Jomtien. medidas de natureza política. um diagnóstico das necessidades da educação infantil precisa assinalar as condições de vida e desenvolvimento das crianças brasileiras. consoante determina o art. As ciências que se debruçaram sobre a criança nos últimos cinquenta anos. tem que ser enfrentada com políticas abrangentes que envolvam a saúde. ademais de orientações pedagógicas e medidas administrativas conducentes à melhoria da qualidade dos serviços oferecidos.5% das crianças atendidas nas regiões Sudeste. a Assistência Social. investigando como se processa o seu desenvolvimento. 1. Essa educação se dá na família. Além disso. criativo e grupal nessa faixa etária. As primeiras experiências da vida são as que marcam mais profundamente a pessoa. a relação é de 21. O setor privado baixa a média nacional para 18. que atendem a 69. a renda e os espaços sociais de convivência. Em relação à infraestrutura dos estabelecimentos. 70% dos estabelecimentos não têm parque infantil. IV da LDB. as crianças precisam de atenção bastante individualizada em muitas circunstâncias e requerem mais cuidados dos adultos do que nos níveis subsequentes da escolarização. que contemplou separadamente o ensino fundamental das etapas anterior e posterior da educação básica. nutrição e educação está demonstrado por avaliações de políticas e programas. coincidem em afirmar a importância dos primeiros anos de vida para o desenvolvimento e aprendizagem posteriores. quer sobre outros aspectos da vida social. 9o. da socialização. Serão essas. há que se apontar que 4. embora em número menor (159 mil). onde o espaço externo é restrito e tem que ser dividido com muitos outros alunos. o que é um bom número para a faixa de 4 a 6 anos. A pobreza.

valores. Afinal a existência da possibilidade de acesso e o conhecimento dos benefícios da frequência a um centro de educação infantil de qualidade induzem um número cada vez maior de famílias a demandar uma vaga para seus filhos. consoante o art. a União e os Estados atuarão subsidiariamente. ventilação. conduzirá invariavelmente à universalização. situando as instituições de educação infantil nas áreas de maior necessidade e nelas concentrando o melhor de seus recursos técnicos e pedagógicos. pois a educação infantil não é obrigatória. 1. em apoio técnico e financeiro aos Municípios. o movimento e o brinquedo. equipamentos e materiais pedagógicos. Essa prioridade não pode. na medida em que as crianças de 6 anos ingressem no ensino fundamental) sem os percalços das passagens traumáticas. a expressão livre. tanto a Constituição Federal quanto a LDB são explícitas na corresponsabilidade das três esferas de governo . As inversões financeiras requeridas para cumprir as metas de abrangência e qualidade deverão ser vistas sobretudo como aplicações necessárias em direitos básicos dos cidadãos na primeira etapa da vida e como investimento. mais amplas e profundas. com iluminação. Considerando. VI da Constituição Federal. de tal maneira que a educação familiar e a escolar se complementem e se enriqueçam. conforme as diretrizes curriculares e a metodologia da educação infantil. respeitando as diversidades regionais. A expansão que se verifica no atendimento das crianças de 6 e 5 anos de idade. adaptação dos estabelecimentos quanto às condições físicas. que formam a base sócio histórica sobre a qual as crianças iniciam a construção de suas personalidades. mais do que qualquer outra coisa. assegurem o atendimento das características das distintas faixas etárias e das necessidades do processo educativo quanto a: a) espaço interno. mas sempre que sua família deseje ou necessite. da produção de aprendizagens e a habilidade de reflexão sobre a prática. alcançar a meta de 50% das crianças de 0 a 3 anos e 80% das de 4 e 5 anos. assistência ou assistencialismo/ educação. A articulação com a família visa. de formação da inteligência e da personalidade. cujas taxas de retorno alguns estudos já indicam serem elevadas. requer-se a formação permanente. já constatado por muitas pesquisas. A formação dos profissionais da educação infantil merecerá uma atenção especial. qualificação dos professores. o Poder Público tem o dever de atendê-la. com reflexos positivos sobre todo o processo de aprendizagem posterior. na educação infantil. Quando a avaliação recomendar atendimento especializado em estabelecimentos específicos. d) ambiente interno e externo para o desenvolvimento das atividades. 20 A educação infantil é um direito de toda criança e uma obrigação do Estado (art. Os fatores históricos que determinam a demanda continuam vigentes em nossa sociedade. As metas estão relacionadas à demanda manifesta. as condições concretas de nosso País. Para orientar uma prática pedagógica condizente com os dados das ciências e mais respeitosa possível do processo unitário de desenvolvimento da criança. e não à demanda potencial. f) adequação às características das crianças especiais. ao mútuo conhecimento de processos de educação. Quanto às esferas administrativas. O que este plano recomenda é uma educação de qualidade prioritariamente para as crianças mais sujeitas à exclusão ou vítimas dela. em cinco anos. no entanto. que. o Brasil poderá chegar a uma educação infantil que abarque o segmento etário 0 a 6 anos (ou 0 a 5. definida pelo número de crianças na faixa etária. a necessidade do atendimento em tempo integral para as crianças de idades menores. diretrizes para essa modalidade constarão do capítulo sobre educação especial. A qualificação específica para atuar na faixa de zero a seis anos inclui o conhecimento das bases científicas do desenvolvimento da criança.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Na distribuição de competências referentes à educação infantil. Em vista daquele direito e dos efeitos positivos da educação infantil sobre o desenvolvimento e a aprendizagem das crianças. sobretudo no que se refere à limitação de meios financeiros e técnicos. inserida no trabalho pedagógico.3 Objetivos e Metas 1. No período dos dez anos coberto por este plano. aos valores e às expressões culturais das diferentes localidades. nutrindo-se dele e renovando-o constantemente. 30. incluindo o repouso. água potável. também. equipamentos e materiais pedagógicos. mas um direito da criança. no prazo de um ano. A norma constitucional de integração das crianças especiais no sistema regular será. padrões mínimos de infraestrutura para o funcionamento adequado das instituições de educação infantil (creches e pré-escolas) públicas e privadas. esse segmento da educação vem crescendo significativamente e vem sendo recomendado por organismos e conferências internacionais. 2. Importante. porém necessariamente. que exigem “adaptação” entre o que hoje constitui a creche e a pré-escola. b) instalações sanitárias e para a higiene pessoal das crianças. e) mobiliário.e da família. num processo de desenvolvimento marcado por etapas ou estágios em que as rupturas são bases e possibilidades para a sequência. visão para o espaço externo. Além da formação acadêmica prévia. até o final da década. pois só esta o justifica e produz resultados positivos. dada a relevância de sua atuação como mediadores no processo de desenvolvimento e aprendizagem. que orientações políticas e práticas sociais equivocadas foram produzindo ao longo da história. acrescentando-se a eles a própria oferta como motivadora da procura. atendimento a carentes/educação para classe média e outras. este plano propõe que a oferta pública de educação infantil conceda prioridade às crianças das famílias de menor renda. produzindo aprendizagens coerentes. Educação e cuidados constituem um todo indivisível para crianças indivisíveis. nesse processo. Por isso. transcendendo a questão da renda familiar. As medidas propostas por este plano decenal para implementar as diretrizes e os referenciais curriculares nacionais para a educação infantil se enquadram na perspectiva da melhoria da qualidade. Ampliar a oferta de educação infantil de forma a atender. Deve-se contemplar. A criança não está obrigada a frequentar uma instituição de educação infantil. é o cuidado na qualidade do atendimento. mobiliário. das famílias de renda mais baixa. em hipótese alguma. No entanto. Elaborar. IV da Constituição Federal). c) instalações para preparo e/ou serviço de alimentação. como vem ocorrendo entre esta e a primeira série do ensino fundamental. o atendimento de qualquer criança num estabelecimento de educação infantil é uma das mais sábias estratégias de desenvolvimento humano. tornando-se cada vez mais óbvios. a 30% da população de até 3 anos de idade e 60% da população de 4 e 6 anos (ou 4 e 5 anos) e. é preciso sublinhar que é uma diretriz nacional o respeito às diversidades regionais. expectativas. no mundo inteiro. constitui diretriz importante a superação das dicotomias creche/pré-escola. quando os pais trabalham fora de casa. caracterizar a educação infantil pública como uma ação pobre para pobres. cada vez mais. insolação. 208. implementada através de programas específicos de orientação aos pais. Didatismo e Conhecimento . rede elétrica e segurança. fonte de novos conhecimentos e habilidades na educação das crianças. esgotamento sanitário.Municípios. de sorte que esta se torne. Estado e União .

somente autorizar construção e funcionamento de instituições de educação infantil. bem como para a formação do pessoal auxiliar. em todos os Municípios. 22. O art. em seu art. em cinco anos. sempre que possível em articulação com as instituições de ensino superior que tenham experiência na área. Observar as metas estabelecidas nos demais capítulos referentes à educação infantil. com a cooperação técnica e financeira da União e dos Estados. saúde e assistência social e de organizações não governamentais. 32. sejam atendidos os padrões mínimos de infraestrutura definidos na meta nº 2. 16. naquele nível todas as crianças de 7 anos ou mais que se encontrem na educação infantil. também. 20. Estabelecer em todos os Municípios. Didatismo e Conhecimento 21 . através da colaboração financeira da União e dos Estados. em todos os Municípios e com a colaboração dos setores responsáveis pela educação. No prazo máximo de três anos a contar do início deste plano. modalidade normal. até o final da década. 12. § 1º. visando ao apoio técnico-pedagógico para a melhoria da qualidade e à garantia do cumprimento dos padrões mínimos estabelecidos pelas diretrizes nacionais e estaduais. 25. 14. em dez anos. 18. para a atualização permanente e o aprofundamento dos conhecimentos dos profissionais que atuam na educação infantil. todos os professores tenham habilitação específica de nível médio e. o controle e a avaliação. Estabelecer. nos estabelecimentos públicos e conveniados. seus projetos pedagógicos. prioritariamente. Promover debates com a sociedade civil sobre o direito dos trabalhadores à assistência gratuita a seus filhos e dependentes em creches e pré-escolas. 7o. um sistema de acompanhamento. na educação infantil. todas as instituições de educação infantil tenham formulado. em cinco anos. todos os Municípios tenham definido sua política para a educação infantil. Assegurar. 4. de forma que. além de outros recursos municipais os 10% dos recursos de manutenção e desenvolvimento do ensino não vinculados ao FUNDEF sejam aplicados. Estados e Municípios. número superior ao de crianças de 7 a 14 anos representando 116% dessa faixa etária. colocar em execução programa de formação em serviço. o ensino fundamental é obrigatório e gratuito. tínhamos mais de 8 milhões de pessoas nesta situação. Adotar progressivamente o atendimento em tempo integral para as crianças de 0 a 6 anos. Incluir as creches ou entidades equivalentes no sistema nacional de estatísticas educacionais. É prioridade oferecê-lo a toda população brasileira. inclusive. em três anos. 11. estabelecido no art. Extinguir as classes de alfabetização incorporando imediatamente as crianças no ensino fundamental e matricular. no Brasil. Diagnóstico De acordo com a Constituição Brasileira. programas de orientação e apoio aos pais com filhos entre 0 e 3 anos. em cinco anos. 6. e seu não oferecimento pelo Poder Público ou sua oferta irregular implica responsabilidade da autoridade competente. 19. públicas ou privadas. todos estejam conformes aos padrões mínimos de infraestrutura estabelecidos. formação de nível superior. em cada município ou por grupos de Município. 2. A partir do segundo ano deste plano. Realizar estudos sobre custo da educação infantil com base nos parâmetros de qualidade. expansão. com vistas a melhorar a eficiência e garantir a generalização da qualidade do atendimento. de modo a atingir a meta estabelecida pela LDB para a década da educação. § 1º. Isto significa que há muitas crianças matriculadas no ensino fundamental com idade acima de 14 anos. 9. saúde e assistência na manutenção. Exercer a ação supletiva da União e do Estado junto aos Municípios que apresentem maiores necessidades técnicas e financeiras. com base nas diretrizes nacionais. assistência financeira. XXV. 15.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 3. somente admitir novos profissionais na educação infantil que possuam a titulação mínima em nível médio. controle e avaliação das instituições de atendimento das crianças de 0 a 3 anos de idade. com a colaboração da União. As matrículas do ensino fundamental brasileiro superam a casa dos 35 milhões. O art. prioritariamente nas regiões onde o déficit de qualificação é maior. VI e 211. 10. nos termos dos arts. (VETADO) 23. da Constituição Federal afirma: “O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo”. 5. Estabelecer um Programa Nacional de Formação dos Profissionais de educação infantil. 21. como referência para a supervisão. Assegurar que. inclusive das universidades e institutos superiores de educação e organizações não governamentais. violência doméstica e desagregação familiar extrema. 26. pois de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. controle e supervisão da educação infantil. 13. preferencialmente em articulação com instituições de ensino superior. oferecendo. 8. em dois anos. Assegurar que. da escrita e do cálculo constituem meios para o desenvolvimento da capacidade de aprender e de se relacionar no meio social e político. que atendam aos requisitos de infraestrutura definidos no item anterior. e como instrumento para a adoção das medidas de melhoria da qualidade. Implantar conselhos escolares e outras formas de participação da comunidade escolar e local na melhoria do funcionamento das instituições de educação infantil e no enriquecimento das oportunidades educativas e dos recursos pedagógicos. É básico na formação do cidadão. que realize as seguintes metas: a) que. um amplo consenso sobre a situação e os problemas do ensino fundamental. b) que. dando-se preferência à admissão de profissionais graduados em curso específico de nível superior. nos estabelecimentos públicos e privados. 7. 17. ENSINO FUNDAMENTAL 2. da Constituição Federal. Assegurar que. no prazo de três anos. em todos os Municípios. A partir da vigência deste plano. jurídica e de suplementação alimentar nos casos de pobreza. em dez anos. Adaptar os prédios de educação infantil de sorte que. administração. em cinco anos. 30. Encaminhar ao Congresso Nacional projeto de lei visando à regulamentação daquele dispositivo. o pleno domínio da leitura. Existe hoje. com conteúdos específicos. (Tabela 1). Instituir mecanismos de colaboração entre os setores da educação. Ampliar a oferta de cursos de formação de professores de educação infantil de nível superior. 208. 70% tenham formação específica de nível superior. no prazo de três anos. com a participação dos profissionais de educação neles envolvidos. Estabelecer parâmetros de qualidade dos serviços de educação infantil. todos os dirigentes de instituições de educação infantil possuam formação apropriada em nível médio (modalidade Normal) e. inclusive para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria. da Constituição Federal. 24. o fornecimento de materiais pedagógicos adequados às faixas etárias e às necessidades do trabalho educacional. Em 1998. Garantir a alimentação escolar para as crianças atendidas na educação infantil. nas normas complementares estaduais e nas sugestões dos referenciais curriculares nacionais. 208 preconiza a garantia de sua oferta.1.

578 8.892 164 20.904 1.565 452.008 1.876.297.806 8.187.067 14.117 2.441 28.175 Mais de 19 anos 221.224 424.859 456 8.616 7.124 149.468 598.813 117.984 22.061 3.770 44.964 10.447 1.Matrícula.420 75.716 85.440 262.479 688.652 171.853 115.991 4.153.394 159.606 De 15 a 19 anos 1.532 5.248 8.892 184.714 3.392 346.847 532.672 499. Os dados evolutivos. por Faixa Etária e Localização – 1998 Matrícula por Faixa Etária e Localização Unidade da Federação Brasil Norte Rondônia Acre Amazonas Roraima Pará Amapá Tocantins Nordeste Maranhão Piauí Ceará R.447. reproduzindo o círculo da pobreza e da marginalidade e alienando milhões de brasileiros de qualquer perspectiva de futuro.098 498.565.G.305.568 99.091 8.136 3.758 15.892 1.137 18.161 2.792.185 8.377.287 7.315 2.340 27.847 105.150 1.777.369.210.137.669 13.488 577.880 308.728 63.690 185.742 899 Rural De 7 a 14 anos 5.585.805 34.724 149.511 37.383 65.262 86.770.780 10.266 377.838 4.558 80.303 66.686 956 1.322 15.512 54.559 2.237 650.034 22.072 1.062 195.247 1. seja por omissão da família e da sociedade.691 480.539 428.712 90.952 2.490.232 50.149 983. condensados na Tabela 2.729 22.964 264. pois nega o direito elementar de cidadania.586 463.388 605.342 73.554 3.063 248.do Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Sudeste Minas Gerais Espírito Santo Rio de Janeiro São Paulo Sul Paraná Santa Catarina R.993 12.881 77.180 12.886 595 42.172 12.104 4.698 4.994 1.175 412.815 32.214 1.178 3.864 6.227 731.195.686 91.630 250.373 29.723 20.883 245 17.050 2.431.663.224 24.712 149.266 951.466 632.383 120.782 479 1.558.119 De 7 a 14 Anos 26.239 122.345 104.429 1.375.777 614.684 92.207.815 364.815 86.331 45.682 4.079 21.822 11.121 608 Fonte MEC/INEP/SEEC – (Nota: A idade foi obtida a partir do Ano do Nascimento informado no censo escolar.629 552.238 116.399 423.686 19.408 100.303 350.580 215.169 2.492 485.961 1.423 182.082 134.878 17.796 152. no ensino fundamental.521 116.407.566 19.985 30.813 32.526 248.717 4.341 111.177 513 2.910.766.383 25.097 224.916 12.192 255. foi considerada a idade que o aluno completou em 1998) Didatismo e Conhecimento 22 .537 97.836 11.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A exclusão da escola de crianças na idade própria. isto é. do Sul Centro-Oeste M.648 1.912 701.293.719 322.938 20. em 25/3/98.387 276.165 1.057 1.953 10.991 27.803 9.693 150.863 2.561 2.786 789.609 1.060 33.818 103.791 604.922 144.646 117.935 4.103 16.G.606.211 1.642 23.173 De 15 a 19 anos 7.001 15.054 244.448 664.220 144.890 209.251.197 31.380 4.066 113.698 40.736 642 1.742 71.377.335 13.809 130.954 10.073 8.289 11.554 6.135. A consciência desse fato e a mobilização social que dela decorre têm promovido esforços coordenados das diferentes instâncias do Poder Público que resultaram numa evolução muito positiva do sistema de ensino fundamental como um todo.870. é a forma mais perversa e irremediável de exclusão social.382 296.411 16.863 48.618 24.954 81.361 97.769 50.986 16.808 256.016.361 864 3.924.837 459.983 5.146 71.305 172.156.759 23.855.483 18.518 4.995 44.786 2.526 18.779 1.313 68.605 3.254 94.378 126.097.633 29.948 412.808.082 241.370 2.584 82.079 43.918.530 357.593 8.423 839.711 882.365 91.036 32.785 2.534 50.176 638.814 3.742 2. indicam claramente esta questão.638 437 4.169 516 24.446 10.845 Mais de 19 anos 1.913 8.278 464. em termos tanto de cobertura quanto de eficiência.142 787.992 140.127 10.372 1.868 1.080 53.876 557.466 849.288 Menos 7 anos 147.609 1.470 215.818.910 441.169 12.987 952.333 149.459 7.506 974.553 619.921 2.062 810.285 436.270 24.761 9.020 69.355 57.279 49.998 142.736 5.480 1.553.394.472 3. seja por incúria do Poder Público.299 12.666 441.446 13.732 320 1.473 750.295 54.771 1.631 3.015 531.249.766 286.018 2.915 Total 6.121 130. G.874 1.636 82.953 216 13.679 242.100 312.131 1.440 6.279 36.287 2.830 22.823 5.842.857.143 15.319 39.204 171.472 134.880 1.015 472.590 2.075 744.056 229.548 16.273 34.948 71. do Sul Mato Grosso Goiás Distrito Federal Total Total 35. Tabela 1 .052 Menos de 7 anos 449.

480 12.469 x 11. As diferenças regionais estão diminuindo.9 x 94. devem garantir os recursos para a correção dessas desigualdades.649 x 9. O problema da exclusão ainda é grande no Brasil. Uma parcela dessa população pode ser reincorporada à escola regular e outra precisa ser atingida pelos programas de educação de jovens e adultos.909. abrir vagas.6 126. por sua vez.601.580 28. verificamos que.246.010.674 x 4.5% das matrículas. A existência de crianças fora da escola e as taxas de analfabetismo estão estreitamente associadas. parte das quais nela já esteve e a abandonou. em ambos os casos.0 114.089 x 10. Temos. Programas paralelos de assistência a famílias são fundamentais para o acesso à escola e a permanência nela.852 x 3.209 x 6. Tendo em vista este conjunto de dados e a extensão das matrículas no ensino fundamental. essa taxa de atendimento cresceu de 91.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Tabela 2 . de 86% para cerca de 91% entre 1991 e 1996. na faixa de 7 a 14 anos. No Nordeste essa situação é mais dramática.820. Se considerarmos.701 1. é surpreendente e inaceitável que ainda haja crianças fora da escola.804. a situação de distorção idade-série provoca custos adicionais aos sistemas de ensino. do trabalho infantil. da população muito pobre. permanência e qualidade da Didatismo e Conhecimento 23 . Esta medida é importante porque. que depende.8 116.230 1. Além de indicar atraso no percurso escolar dos alunos.811. são cerca de 2. o ensino privado absorvia apenas 9.693. em comparação com os demais países. inclusive nos demais países da América Latina. portanto. uma situação de inchaço nas matrículas do ensino fundamental.8 x 79.773.860 x 1.330 11.6% para 95%.5 milhões de adolescentes nessa faixa etária.803.185.1 90. para sua subsistência.2 Diretrizes As diretrizes norteadoras da educação fundamental estão contidas na Constituição Federal. sendo de seis anos a idade padrão na grande maioria dos sistemas.860 3.777.140.8 x 94.161 Fontes: MEC/INEP/SEEC e IBGE Considerando-se o número de crianças de 7 a 14 anos matriculadas no ensino fundamental.4 anos para completar as oito séries do ensino fundamental.062 2. o fato de ainda haver crianças fora da escola não tem como causa determinante o déficit de vagas. o atendimento é ainda maior e o progresso igualmente impressionante: entre 1991 e 1998.475.9 Brasil 1991 1996 Norte 1991 1996 Nordeste 1991 1996 Sudeste 1991 1996 Sul 1991 1996 Centro-Oeste 1991 1996 xx 27.007 x 1.339 2.665 x 3.822 Taxa Escolarização Bruta % x 105. chegando a 64% o índice de distorção.428 25. o ingresso no ensino fundamental é relativamente tardio no Brasil. as regiões Norte e Nordeste continuam apresentando as piores taxas de escolarização do País. portanto. Não basta. pois nas regiões Norte e Nordeste a taxa de escolarização líquida passou a 90%.5 82.127. Nos cinco primeiros anos de vigência deste plano. Esse problema dá a exata dimensão do grau de ineficiência do sistema educacional do País: os alunos levam em média 10. o número de crianças de 7 a 14 anos efetivamente matriculadas em algum nível de ensino. por outro lado.194 3. Corrigir essa situação constitui prioridade da política educacional.475. apenas cerca de 622 mil frequentavam a 8ª série do ensino fundamental. dos 3. de problemas localizados. 2.203. o que está muito próximo de uma universalização real do atendimento.2 89. Tomando como referência apenas as crianças de 14 anos. ampliar o ensino obrigatório para nove séries. A desigualdade regional é grave.1 x 111. com início aos seis anos de idade.9 94. concentrando-se em bolsões de pobreza existentes nas periferias urbanas e nas áreas rurais.7 milhões de crianças de 7 a 14 anos fora da escola.214 10. Trata-se.737. principalmente se tomarmos os dados já disponíveis de 1998: taxa bruta de escolarização de 128% e líquida. É preciso que a União continue atenta a este problema.4 94.528. Apesar do expressivo aumento de 9 pontos percentuais de crescimento entre 1991 e 1998.589. assim como o Projeto Nordeste/Fundescola. em 1998.157 2. sob a responsabilidade do Poder Público.248.899.8 x 93.532 9. A correção dessa distorção abre a perspectiva de.815 x 2.Taxas de Escolarização Bruta e Líquida na faixa etária de 7 a 14 anos Brasil e Regiões – 1991 e 1996 Região/ Ano População de 7 a 14 anos Matrícula no Ensino Fundamental Total x 29. De acordo com o censo escolar de 1996. A taxa de atendimento subiu para 96%. tanto em termos de cobertura como de sucesso escolar.4 116. priorizando o auxílio técnico e financeiro para as regiões que apresentam maiores deficiências.3 Matrícula no Ensino Fundamental 7 a 14 anos x 23. O Fundo Nacional de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério. de 95%.611. o que inclui algumas que estão na pré-escola.131.876 2.180.9 116. mantendo-se o atual número de vagas. o índice de atendimento dessa faixa etária (taxa de escolarização líquida) aumentou. mantendo as crianças por período excessivamente longo no ensino fundamental.525. Em 1998. a qual. outras que frequentam classes de alfabetização.774 x 2.650. o que tem sido um dos principais fatores de evasão.965.730 x 1.417.914 7. o ensino fundamental deverá atingir a sua universalização.5 x 110.333 x 10.2 96.171. mais de 46% dos alunos do ensino fundamental têm idade superior à faixa etária correspondente a cada série.7 x 96. é consequência dos elevados índices de reprovação.724 33. O progresso foi impressionante.901. considerando a indissociabilidade entre acesso.958.8 x 118.2 114.369 4. na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e nas Diretrizes Curriculares para o ensino fundamental. além de uma parcela muito reduzida que já ingressou no ensino médio. portanto aproximando-se da média nacional.980 Taxa de Escolarização Líquida % x 86.400.780.1 x 99.558.201.531 x 8. mantendo a tendência decrescente de participação relativa. está relacionado à precariedade do ensino e às condições de exclusão e marginalidade social em que vivem segmentos da população brasileira.8 x 72.474 10.270 x 2. De acordo com a contagem da população realizada pelo IBGE em julho de 1996. que decorre basicamente da distorção idadesérie. Na maioria das situações.

A gestão da educação e a cobrança de resultados. sobretudo nos Municípios de menor renda. e a criação de sistemas complementares nos Estados e Municípios permitirão um permanente acompanhamento da situação escolar do País. água potável. dos Estados e dos Municípios. A oferta de cursos para a habilitação de todos os profissionais do magistério deverá ser um compromisso efetivo das instituições de educação superior e dos sistemas de ensino. trabalho e consumo. entre outros. § 2º. embasadas na ciência da educação. eliminando mais celeremente o analfabetismo e elevando gradativamente a escolaridade da população brasileira. compatíveis com o tamanho dos estabelecimentos e com as realidades regionais. no mínimo em duas refeições. pluralidade cultural. O atendimento em tempo integral. 6. em todos os sistemas de ensino e com o apoio da União e da comunidade escolar. podendo dimensionar as necessidades e perspectivas do ensino médio e superior. Além do atendimento pedagógico. adequadas à sua maneira de usar o espaço. rede elétrica. E. a critério dos sistemas de ensino. padrões mínimos nacionais de infraestrutura para o ensino fundamental.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS educação escolar. regularizar os percursos escolares. professores e demais trabalhadores da educação. 5. somente autorizar a construção e funcionamento de escolas que atendam aos requisitos de infraestrutura definidos. tanto das metas como dos objetivos propostos neste plano. considerando a especificidade de horários. alunos. no prazo de um ano. as taxas de repetência e evasão. permitindo que crianças e adolescentes permaneçam na escola o tempo necessário para concluir este nível de ensino. desenvolvimento de atividades artísticas e alimentação adequada. Esta estrutura curricular deverá estar sempre em consonância com as diretrizes emanadas do Conselho Nacional de Educação e dos conselhos de educação dos Estados e Municípios. em decorrência. mas ao ensino de qualidade. A partir do segundo ano da vigência deste plano. Elaborar. Os temas estão vinculados ao cotidiano da maioria da população. pais. Estabelecer. em dez anos. contemplando-se desde a construção física. A oferta qualitativa deverá. recreativas e a adequação de equipamentos. envolverão comunidade. surgem os conselhos escolares. segurança e temperatura ambiente. é um avanço significativo para diminuir as desigualdades sociais e ampliar democraticamente as oportunidades de aprendizagem. pois a oferta de ensino fundamental precisa chegar a todos os recantos do País e a ampliação da oferta de quatro séries regulares em substituição às classes isoladas unidocentes é meta a ser perseguida. a totalidade dos itens. em seu art. com procedimentos como renda mínima associada à educação. Reforçando o projeto político-pedagógico da escola. mudanças significativas deverão ocorrer quanto à expansão da rede física. 34. em cinco anos. f) mobiliário. com os equipamentos discriminados nos itens de”e” a “h”. 4. O turno integral e as classes de aceleração são modalidades inovadoras na tentativa de solucionar a universalização do ensino e minimizar a repetência. com adaptações adequadas a portadores de necessidades especiais. As novas concepções pedagógicas. generalizando inclusive as condições para a utilização das tecnologias educacionais em multimídia. esportivas. 7. d) adaptação dos edifícios escolares para o atendimento dos alunos portadores de necessidades especiais. propõem a inserção de temas transversais como ética. Ampliar para nove anos a duração do ensino fundamental obrigatório com início aos seis anos de idade. que deverão orientar-se pelo princípio democrático da participação. Além do currículo composto pelas disciplinas Didatismo e Conhecimento 24 tradicionais. O atraso no percurso escolar resultante da repetência e da evasão sinaliza para a necessidade de políticas educacionais destinadas à correção das distorções idade-série. h) informática e equipamento multimídia para o ensino. insolação. faz-se necessário ampliar o atendimento social. 2. meio ambiente. preconiza a progressiva implantação do ensino em tempo integral. À medida que forem sendo implantadas as escolas de tempo integral. especialmente para crianças carentes. atendimento diferenciado da alimentação escolar e disponibilidade de professores. estabelecendo em regiões em que se demonstrar necessárioprogramas específicos. ventilação. o tempo. a consolidação e o aperfeiçoamento do censo escolar. e) atualização e ampliação do acervo das bibliotecas. g) telefone e serviço de reprodução de textos. oportunizando orientação no cumprimento dos deveres escolares. Assegurar que. que surgiram como importante proposta e eficiente orientação para os professores. alimentação escolar. até a conclusão. assim como do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB). 2. garantindo efetiva aprendizagem. com a colaboração da União. programas para equipar todas as escolas.3 Objetivos e Metas 1. como a própria expressão da organização educativa da unidade escolar. Regularizar o fluxo escolar reduzindo em 50%. incluindo: a) espaço. abre novas perspectivas no desenvolvimento de habilidades para dominar esse novo mundo que se desenha. É preciso avançar mais nos programas de formação e de qualificação de professores. Para garantir um melhor equilíbrio e desempenho dos seus alunos. em cinco anos. A ampliação da jornada escolar para turno integral tem dado bons resultados. equipamentos e materiais pedagógicos. sinalizaram a reforma curricular expressa nos Parâmetros Curriculares Nacionais. A escola rural requer um tratamento diferenciado. no prazo de cinco anos a partir da data de aprovação deste plano. O direito ao ensino fundamental não se refere apenas à matrícula. finalmente. Universalizar o atendimento de toda a clientela do ensino fundamental. . recreação. 3. Deve-se assegurar a melhoria da infraestrutura física das escolas. iluminação. A atualidade do currículo. os recursos didáticos e às formas peculiares com que a juventude tem de conviver. até os espaços especializados de atividades artístico-culturais. c) espaços para esporte. A expressiva presença de jovens com mais de 14 anos no ensino fundamental demanda a criação de condições próprias para a aprendizagem dessa faixa etária. à medida que for sendo universalizado o atendimento na faixa de 7 a 14 anos. livro didático e transporte escolar. prática de esportes. valorizando um paradigma curricular que possibilite a interdisciplinaridade. para os alunos do ensino fundamental. b) instalações sanitárias e para higiene. A LDB. todas as escolas atendam os itens de “a” a “d” e. a escola tem responsabilidades sociais que extrapolam o simples ensinar. biblioteca e serviço de merenda escolar. gradualmente. por meio de programas de aceleração da aprendizagem e de recuperação paralela ao longo do curso. consideradas as peculiaridades regionais e a sazonalidade. garantindo o acesso e a permanência de todas as crianças na escola.

formação de professores. Estavam matriculados no ensino médio. Prover. levando em consideração as realidades e as necessidades pedagógicas e de aprendizagem dos alunos. com prioridade para as regiões nas quais o acesso dos alunos ao material escrito seja particularmente deficiente. resultarão em uma mudança nunca antes observada na composição social. Em segundo lugar. Justamente em virtude disso. 9. 15. com observância das Diretrizes Curriculares para o ensino fundamental e dos Parâmetros Curriculares Nacionais. em virtude das elevadas taxas de repetência no ensino fundamental.795/99. progressivamente a jornada escolar visando expandir a escola de tempo integral. ENSINO MÉDIO 3. educação especial e financiamento e gestão. nas escolas. 30. no mesmo ano. Associar as classes isoladas unidocentes remanescentes a escolas de. com a colaboração da União. Assegurar que. em dois anos. Apoiar e incentivar as organizações estudantis. de mais de dois turnos diurnos e um turno noturno. idealmente.401 estudantes. 28. de forma a garantir a escolarização dos alunos e o acesso à escola por parte do professor. tratada como tema transversal. contínua e permanente em conformidade com a Lei nº 9.1 Diagnóstico Considerando o processo de modernização em curso no País. porque há um grande número de adultos que volta à escola vários anos depois de concluir o ensino fundamental. que a carga horária semanal dos cursos diurnos compreenda. em todos os sistemas de ensino. com colaboração financeira da União. sem prejuízo do atendimento da demanda. o ensino médio tem um importante papel a desempenhar. a Renda Mínima Associada a Ações Socioeducativas para as famílias com carência econômica comprovada. embora as estatísticas demonstrem que os concluintes do ensino fundamental começam a chegar à terceira etapa da educação básica em número um pouco maior. a reorganização curricular dos cursos noturnos. Manter e consolidar o programa de avaliação do livro didático criado pelo Ministério de Educação. 18. a cada ano. estabelecendo entre seus critérios a adequada abordagem das questões de gênero e etnia e a eliminação de textos discriminatórios ou que reproduzam estereótipos acerca do papel da mulher. Ao final de alguns anos. a prática de esportes e atividades artísticas. pelo menos. de forma a adequá-los às características da clientela e promover a eliminação gradual da necessidade de sua oferta. bem como a adequada formação profissional dos professores. Observar as metas estabelecidas nos capítulos referentes à educação a distância. Didatismo e Conhecimento 25 24. 22. educação indígena. 13.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 8. Estabelecer. Ampliar. universalizando. 16. é particularmente preocupante o reduzido acesso ao ensino médio. Prover de literatura. em dois anos. Em primeiro lugar porque. 23. os jovens chegam ao ensino médio bem mais velhos. A Contagem da População realizada pelo IBGE em 1997 acusa uma população de 16. Estimular os Municípios a proceder um mapeamento. do negro e do índio. como espaço de participação e exercício da cidadania. de um programa de monitoramento que utilize os indicadores do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica e dos sistemas de avaliação dos Estados e Municípios que venham a ser desenvolvidos. A educação ambiental. para garantir entre outras metas. 20. nos moldes do Programa de Renda Mínima Associado a Ações Socioeducativas. na medida em que estão relacionadas às previstas neste capítulo. Prover de transporte escolar as zonas rurais. de forma a cobrir as áreas que compõem as Diretrizes Curriculares do ensino fundamental e os Parâmetros Curriculares Nacionais. Eliminar a existência. Transformar progressivamente as escolas unidocentes em escolas de mais de um professor. será desenvolvida como uma prática educativa integrada. a expansão do ensino médio pode ser um poderoso fator de formação para a cidadania e de qualificação profissional. cultural e etária do alunado do ensino médio. considerando a especificidade do alunado e as exigências do meio. econômica. apoio às tarefas escolares. 20 horas semanais de efetivo trabalho escolar. das crianças fora da escola. Esses pequenos incrementos anuais terão efeito cumulativo. Isso é muito pouco. Estados e Municípios. nas escolas de tempo integral.** 11. preferencialmente para as crianças das famílias de menor renda. Ampliar progressivamente a oferta de livros didáticos a todos os alunos das quatro séries finais do ensino fundamental. em ações conjuntas da União. no mínimo duas refeições. Garantir. dentro de três anos. com previsão de professores e funcionários em número suficiente. no caso do ensino médio. textos científicos.933. todas as escolas tenham formulado seus projetos pedagógicos. obras básicas de referência e livros didático-pedagógicos de apoio ao professor as escolas do ensino fundamental. Estados e Municípios. Tanto nos países desenvolvidos quanto nos que lutam para superar o subdesenvolvimento. os cálculos das taxas de atendimento dessa faixa etária são pouco confiáveis. Assegurar.383 habitantes na faixa etária de 15 a 19 anos. . o ensino médio comportaria bem menos que metade de jovens desta faixa etária. especialmente quando se considera a acelerada elevação do grau de escolaridade exigida pelo mercado de trabalho. visando localizar a demanda e universalizar a oferta de ensino obrigatório. Prever formas mais flexíveis de organização escolar para a zona rural. por meio de censo educacional. Assegurar a elevação progressiva do nível de desempenho dos alunos mediante a implantação. no caso brasileiro. por diversas razões. 3. Promover a participação da comunidade na gestão das escolas. 25. Articular as atuais funções de supervisão e inspeção no sistema de avaliação. dos Estados e Municípios. muito menor que nos demais países latino-americanos em desenvolvimento.580. 26. 12. o provimento da alimentação escolar e o equilíbrio necessário garantindo os níveis calóricos-proteicos por faixa etária. Significa que. 14. 29. 17. A situação agrava-se quando se considera que. pelo menos. quatro séries completas. 21. 10. a instituição de conselhos escolares ou órgãos equivalentes. por bairro ou distrito de residência e/ou locais de trabalho dos pais. 5. 19. que abranja um período de pelo menos sete horas diárias. em três anos. 27. Integrar recursos do Poder Público destinados à política social. se o fluxo escolar fosse regular. quando necessário. Elevar de quatro para cinco o número de livros didáticos oferecidos aos alunos das quatro séries iniciais do ensino fundamental.

por sua vez.789 2.1 Tabela 4 .0 x 2.2 20.641 x 96. permitem visualizar – na falta de políticas específicas – em que região haverá maior percentual de alunos no ensino médio. A 4ª série do ensino médio não é incluída nos cálculos.1 36.637 % 100.3 47.9 Fonte: MEC/INEP/SEEC.7 1ª série 57. os índices de conclusão nas últimas décadas sinalizam que há muito a ser feito.0 16. Nos próximo anos.4 77.0 46.6 52.0 64. na de 1991-94. aspectos positivos no panorama do ensino médio brasileiro.3 10. Didatismo e Conhecimento 26 .0 26. os dados da repetência e abandono.770.8 2ª série 54.226. o ensino médio atende majoritariamente jovens e adultos com idade acima da prevista para este nível de ensino (Tabela 3). também.769 1. Tabela 3 .8 x 19.7 12.1 9.9 86.2 69. Apenas no período de 1991a 1998.5 1998 Valor Absoluto 6.5 6.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Em virtude dessas duas condições.6 32. este índice caiu para 50.688 – estudavam à noite.8% da população de 15 a 17 anos não se explica.7 26. Os números do abandono e da repetência. a matrícula evoluiu de 3.3 Fonte: MEC/INEP/SEEC Nota: Não incluído o não-seriado nas taxas de reprovação Desagregados por regiões. de acordo com censo escolar. 54.625. A exclusão ao ensino médio deve-se às baixas taxas de conclusão do ensino fundamental.4 43.1 58. estão associadas à baixa qualidade daquele nível de ensino. em todo o sistema.531 x 122. 1996 e censo escolar 1998 O número reduzido de matrículas no ensino médio – apenas cerca de 30.4 44.230 x 103. por desinteresse do Poder Público em atender à demanda.6 19.531 alunos do ensino médio. O mais importante deles é que este foi o nível de ensino que apresentou maior taxa de crescimento nos últimos anos. agravadas por dificuldades da própria organização da escola e do processo ensino-aprendizagem. já ocorridas.4 60.474 3.0 x 3.015.ou seja 3.0 4.7 7. Na coorte 1970-73. apesar da melhoria dos últimos anos.5 x -25.9 10.8 53.531 alunos.968.927 5.6 72.4 49.2 71.1 91. Há.7 56.770.2 1997 Reprovação 7.475 317.6 20.4 1995 Reprovação 10. De fato os 6. a idade recomendada é de 15 anos para a 1ª série.8 73.1 53.8%.7 43. Tabela 5 .1 37.5 Abandono 13. a demanda por ensino médio deverá se ampliar de forma explosiva.1 Total 21. pois apresenta características diferentes das outras séries.4 53.4 41.0 48.3 71. Fonte: MEC/INEP/SEEC Nota: Para o ensino médio.612 x 128. que.1 10. ao lado das taxas de distorção idade-série.5 23.9 3ª série 51.7 28.301. Causas externas ao sistema educacional contribuem para que adolescentes e jovens se percam pelos caminhos da escolarização. 74% dos que iniciavam o ensino médio conseguiam concluí-lo na coorte 1977-80.7 66.2 114.804 1. Informe Estatístico. para 43. com alta seletividade interna. em idade pedagogicamente adequada (Tabela 5 ).8 73.4 26.8 68.9 10.757 176.6 x 1.8%.6 4.8 48. entretanto.6 36.0 18.Ensino Médio – Taxa de Distorção idade-série 1996-1998 Regiões Brasil 1996 1998 Norte 1996 1998 Nordeste 1996 1998 Sudeste 1996 1998 Sul 1996 1998 Centro-Oeste 1996 1998 Total Geral 55.Ensino Médio – Taxa de Abandono e Reprovação 1995 e 1997 Regiões Abandono Brasil Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste 21. ainda são bastante desfavoráveis (Tabela 4).2 53.5 7.3 16.1 12.7 65.6 62. conforme estimativas contidas na Tabela 6.872 % 100. da qual resultam elevados índices de repetência e evasão. pois a oferta de vagas na 1ª série do ensino médio tem sido consistentemente superior ao número de egressos da 8ª série do ensino fundamental.4 39.488 1. em 1998.5 50. entretanto. o que está claramente associado a uma recente melhoria do ensino fundamental e à ampliação do acesso ao ensino médio.6 69.9 68.6 17.6 57.8% .0 x 1.2 49.120.185 3.817.751.3 52.9 57.1 10.2 53.7 27.092 2. devendo-se supor que já estejam inseridos no mercado de trabalho.9 74.0 10.2 33.2 26. Se os alunos estão chegando em maior número a esse nível de ensino.6 72.472.4 79.7 25.8 76.230 para 6. O ensino médio convive.0 51.2 35. como resultado do esforço que está sendo feito para elevar as taxas de conclusão da 8ª série.4 36.968.968.7 33.3 41.6 17.8 70.8 Crescimento % 84.Ensino Médio – Matrícula Brasil – 1991 e 1998 Dependência Administrativa Faixa Etária Total Dependência Administrativa Federal Estadual Municipal Particular Faixa Etária Menos de 15 anos 15 a 17 anos Mais de 17 anos 1991 Valor Absoluto 3.017.0 41.5 55.2 75.1 Total 31. 16 para a 2ª e 17 para a 3ª série.

de forma clara.488 35. habilidades para incorporar valores éticos de solidariedade. Em vista disso. Pelo caráter que assumiu na história educacional de quase todos os países. a demanda pelo ensino médio – terceira etapa da educação básica – vai compor-se. produtivamente.383 10. a tensão expressa nos privilégios e nas exclusões decorre da origem social. os demais 10% vinculados à educação deverão ser aplicados. mais recentemente. recursos tecnológicos novos e em acelerada transformação.739 6. assim como a Lei de Diretrizes e Bases. sem comprometer os 25% constitucionalmente vinculados à educação. o surpreendente crescimento do ensino médio se deve. Por outro lado. certamente. a diretrizes que levem à correção do fluxo de alunos na escola básica. prioritariamente. 208.962 8. De fato. esse foi o que enfrentou. em muitos Estados. constituem importantes mecanismos para promover a eficiência e a igualdade do ensino médio oferecido em todas as regiões do País. Se. entre objetivos humanistas ou econômicos. hoje com índices de distorção idade-série inaceitáveis. que respeitem as diferenças e superem a segmentação social. atesta o caráter cada vez mais público deste nível de ensino. operados pelo MEC. prioritariamente. para este nível de ensino. esse crescimento foi superior a 100%. 35% daquele atendido no nível fundamental. A diminuição da matrícula na rede privada. que.313 5.691 15. domínio de aptidões básicas de linguagens. no passado mais longínquo. especialmente porque não há.439 34.552 17. o ensino médio deverá permitir aquisição de competências relacionadas ao pleno exercício da cidadania e da inserção produtiva: autoaprendizagem.774 10. a Emenda Constitucional nº 14. no ensino médio.947 34. Estatísticas recentes confirmam esta tendência.980 Médio 5. a oferta da educação média de qualidade não pode prescindir de definições pedagógicas e administrativas fundamentais a uma formação geral sólida e medidas econômicas que assegurem recursos financeiros para seu financiamento. entretanto. o estabelecimento de um sistema de avaliação. compreensão dos processos produtivos. A expansão futura. o número de alunos matriculados será. vai permitir que um Didatismo e Conhecimento 27 crescente número de jovens ambicione uma carreira educacional mais longa. a ampliação do ensino médio vem competindo com a criação de universidades estaduais. de apenas três. hoje ele se dá no limiar e dentro do ensino médio. Desde meados dos anos 80. nos últimos anos. serão criados em outras.261 14. II. especialmente quando se considera que o ensino fundamental consta de oito séries e o Médio. mais autônomas em suas escolhas.104 14. mesmo com a universalização do ensino médio. recursos adicionais como os que existem para o ensino fundamental na forma do Salário Educação.813 32. mas contínuo. associado à tendência para a diminuição da idade dos concluintes. Ao longo dos dez anos de vigência deste plano. O Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) e. As metas de expansão da oferta e de melhoria da qualidade do ensino médio devem estar associadas. à semelhança do que ocorre com o ensino fundamental. Como os Estados e o Distrito Federal estão obrigados a aplicar 15% da receita de impostos no ensino fundamental. não se trata apenas de expansão.325 15.Educação Básica – Matrículas Brasil: 1995 – 2010 (em mil) Ano x 1995 1996 1998 2000* 2002* 2004* 2005* 2008* 2010* x Total 32. enquanto no ensino fundamental foi de 30%. conforme disposto no art. no caso do ensino médio. interpretar e tomar decisões. Uma educação que propicie aprendizagem de competências de caráter geral. Na disputa permanente entre orientações profissionalizantes ou acadêmicas. que aspirem melhoria social e salarial e precisem dominar habilidades que permitem assimilar e utilizar. De 1985 a 1994. nessa instância federativa. abstração. porém. Assim.245 x 5ª a 8ª 12.255 17.503 13.297 10.666 15. o ensino médio proposto neste plano deverá enfrentar o desafio dessa dualidade com oferta de escola média de qualidade a toda a demanda.562 18.879 32. Entre os diferentes níveis de ensino. percepção da dinâmica social e capacidade para nela intervir. Quanto ao financiamento do ensino médio.282 18. que devem ser destinados prioritariamente à educação básica. também. O mais razoável seria promover a expansão da educação superior estadual com recursos adicionais. foi no ensino médio que se observou o maior crescimento de matrículas do País. os sistemas de avaliação já existentes em algumas unidades da federação que. Assim.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Tabela 6 . a educação média é particularmente vulnerável à desigualdade social. no máximo. em seguida pela diferenciação da qualidade do ensino oferecido. posteriormente na passagem do antigo primário ao ginásio.027 21. Um aspecto que deverá ser superado com a implementação das Novas Diretrizes Curriculares para o ensino médio e com programas de formação de professores. sobretudo nas áreas de Ciências e Matemática.446 10. Preparando jovens e adultos para os desafios da modernidade. do número dos que conseguem concluir a escola obrigatória. dependerá da utilização judiciosa dos recursos vinculados à educação. forme pessoas mais aptas a assimilar mudanças. é essencial para o acompanhamento dos resultados do ensino médio e correção de seus equívocos.041 20. . o ponto de ruptura do sistema educacional brasileiro situou-se no acesso à escola. da Constituição Federal que prevê como dever do Estado a garantia da progressiva universalização do ensino médio gratuito. como os Estados estão obrigados a aplicar 15% da receita de impostos no ensino fundamental.544 33. Essa destinação deve prover fundos suficientes para a ampliação desse nível de ensino. 3.2 Diretrizes O aumento lento. de segmentos já inseridos no mercado de trabalho.624 15.020 10. capacidade de observar. Esta destinação assegurará a manutenção e a expansão deste nível de ensino nos próximos anos. atribui aos Estados a responsabilidade pela sua manutenção e desenvolvimento. cooperação e respeito às individualidades. Há de se considerar. basicamente. a maior crise em termos de ausência de definição dos rumos que deveriam ser seguidos em seus objetivos e em sua organização.369 Fonte: MEC/INEP/SEEC (*) Dados estimados Entretanto. e os sistemas estatísticos já disponíveis. no ensino médio.131 35.225 Fundamental 1ª a 4ª 20.151 19.164 20. comunicação. os demais 10% vinculados à educação deverão ser aplicados. isso significa que. o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).253 33. às matrículas na rede estadual (Tabela 3).288 15.

795/99. Como nos demais níveis de ensino. que se agravarão se o Plano Nacional de Educação não estabelecer uma política que promova sua renovação e desenvolvimento. com biblioteca. Não autorizar o funcionamento de novas escolas fora dos padrões de “a” a “g”. a partir do primeiro ano deste Plano. i) equipamento didático-pedagógico de apoio ao trabalho em sala de aula. (Tabela 7). todas as escolas estejam equipadas. Assegurar que.5 milhões de jovens egressos do nível médio têm à sua disposição um número razoável de vagas. no que diz respeito ao ensino médio. no ensino médio. para incentivar a participação da comunidade na gestão. 7. suficiente para garantir o atendimento dos alunos que trabalham. de forma a atender aos padrões mínimos estabelecidos. incluindo: a) espaço. 9. h) atualização e ampliação do acervo das bibliotecas incluindo material bibliográfico de apoio ao professor e aos alunos. e) adaptação dos edifícios escolares para o atendimento dos alunos portadores de necessidades especiais.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Há que se considerar. c) espaço para esporte e recreação. pelo menos 50%. Quando necessário atendimento especializado. programa emergencial para formação de professores. progressivamente. Formular e implementar. sem prejuízo da qualidade do ensino. d) espaço para a biblioteca. inclusive. estejam concluindo a educação básica com uma sólida formação geral. tanto no que diz respeito ao projeto pedagógico como em termos de gerência de recursos mínimos para a manutenção do cotidiano escolar. oferecendo. padrões mínimos nacionais de infraestrutura para o ensino médio. Elaborar. III) de integração dos portadores de deficiência na rede regular de ensino será. no Brasil. Atualmente. Reduzir. Esses elementos devem pautar a organização do ensino a partir das novas diretrizes curriculares para o ensino médio. Criar mecanismos. tratadas noutra parte deste documento. d) o oferecimento de vagas que. em 5% ao ano. 12. capacitação e valorização do magistério.3 Objetivos e Metas 1. em cinco anos. Assegurar a autonomia das escolas. em cinco anos. como espaço de participação e exercício da cidadania. em 10 anos. 19. Apoiar e incentivar as organizações estudantis. 17. que assegure: a) o reordenamento. B. 3. 16. 6. Assegurar. mobiliário. as diretrizes do Plano Nacional de Educação apontam para a criação de incentivos e a retirada de todo obstáculo para que os jovens permaneçam no sistema escolar e. para melhoria do ensino e da aprendizagem. como conselhos ou equivalentes. em decorrência da universalização e regularização do fluxo de alunos no ensino fundamental. às de formação. f) instalação para laboratórios de ciências. em cinco anos. a 100% da demanda de ensino médio. que todos os professores do ensino médio possuam diploma de nível superior. já elaboradas e aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação.EDUCAÇÃO SUPERIOR 4. c) no prazo de dois anos. 2. em cinco anos. aos 17 ou 18 anos de idade. as metas do PNE devem associar-se. 20. sérios problemas. manutenção e melhoria das condições de funcionamento das escolas. que o ensino médio atende a uma faixa etária que demanda uma organização escolar adequada à sua maneira de usar o espaço. o tempo e os recursos didáticos disponíveis. de facilitar a delimitação de instalações físicas próprias para o ensino médio separadas. b) a expansão gradual do número de escolas públicas de ensino médio de acordo com as necessidades de infraestrutura identificada ao longo do processo de reordenamento da rede física atual. telefone e reprodutor de textos. o atendimento da totalidade dos egressos do ensino fundamental e a inclusão dos alunos com defasagem de idade e dos que possuem necessidades especiais de aprendizagem. Assegurar que. Proceder. Melhorar o aproveitamento dos alunos do ensino médio. as metas estabelecidas nos capítulos referentes à formação de professores. 28 b) instalações sanitárias e condições para a manutenção da higiene em todos os edifícios escolares. das quatro primeiras séries do ensino fundamental e da educação infantil. Implantar e consolidar. Adotar medidas para a universalização progressiva de todos os padrões mínimos durante a década. EDUCAÇÃO SUPERIOR 4. incentivando a criação de instalações próprias para esse nível de ensino. a repetência e a evasão. pelo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e pelos sistemas de avaliação que venham a ser implantados nos Estados. as escolas existentes. os cerca de 1. em dez anos. 208. tratada como tema transversal. Adaptar. oportunidades de formação nesse nível de ensino àqueles que não a possuem. em dois anos. no prazo de cinco anos. financiamento e gestão e ensino a distância. no prazo de um ano. uma política de gestão da infraestrutura física na educação básica pública. ventilação e insolação dos prédios escolares. Observar. g) informática e equipamento multimídia para o ensino. Estabelecer. Adotar medidas para a universalização progressiva das redes de comunicação. 14. 11. Assim. j) telefone e reprodutor de texto. 4. contínua e permanente em conformidade com a Lei nº 9.1 Diagnóstico A educação superior enfrenta. com o objetivo. a contar da vigência deste Plano. A disposição constitucional (art. Reconhece-se que a carência de professores da área de Ciências constitui problema que prejudica a qualidade do ensino e dificulta tanto a manutenção dos cursos existentes como sua expansão. 15. de forma a adequá-lo às necessidades do aluno-trabalhador. 3. em um ano. de forma a atingir níveis satisfatórios de desempenho definidos e avaliados pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB). iluminação. da rede de escolas públicas que contemple a ocupação racional dos estabelecimentos de ensino estaduais e municipais. 10. 18. e. também. de forma a diminuir para quatro anos o tempo médio para conclusão deste nível. fortemente. entre outros. compatíveis com as realidades regionais. no prazo de cinco anos. 5. A educação ambiental. pelo menos. a nova concepção curricular elaborada pelo Conselho Nacional de Educação. pelo menos. a totalidade das escolas disponham de equipamento de informática para modernização da administração e para apoio à melhoria do ensino e da aprendizagem. a uma revisão da organização didático-pedagógica e administrativa do ensino noturno. especialmente nas áreas de Ciências e Matemática. correspondam a 50% e. 8. equipamentos e materiais pedagógicos. será desenvolvida como uma prática educativa integrada. serão observadas diretrizes específicas contidas no capítulo sobre educação especial. implementada através de qualificação dos professores e da adaptação das escolas quanto às condições físicas. Adotar medidas para ampliar a oferta diurna e manter a oferta noturna. Didatismo e Conhecimento . 13.

374 89.982 859.414 578.14 Fonte : MEC/INEP A participação do ensino privado no nível superior aumentou sobretudo na década de 70.64 60.26 61.126 941. o número de alunos subiu 36.317 44.92 59.265 92.315 210.342 98.101 253.659 134.940 340. Tabela 8 . A matrícula nas instituições de educação superior vem apresentando um rápido crescimento nos últimos anos.901 147.759.945.971 93. além das políticas de melhoria do ensino médio.367.670 2.660 810.22 61.125 67. Nestas.678 274.535.789 168.503 76.407.540 735. sendo provável que o crescimento seja oriundo de alunos das camadas mais pobres da população.232 535. Isto é.95 40.555 1.059.810 548.286 93.965 585.013 146.782 Municipal 78 507 39.503.671 121. Em 1998.555 1.788 1.667 83.199 326.74 39.318 Fonte : INEP/MEC .645 92.934 Municipal 66. o setor privado tem oferecido pouco menos de dois terços das vagas na educação superior (Tabela 8).056 1.080 1.535 231.816 153.01 58.48 37.52 62.438.182 804.388 576. na rede estadual esta porcentagem sobe para 62%.034 1.Evolução da Matrícula por Dependência Administrativa– Brasil .133 216.599 862.734 329. Apenas em 1998.197 156.417 202.6% nas municipais.303 827.99 41.399. como resultado conjugado de fatores demográficos.217 316.988 570.470.516 690.992 1.792 1.715 313.196 1.71 40.78 38.490 961.929 840.888 70.118 326.518.36 39.86 Particular 885.678 Federal 57 1.662 653.índice igual ao atingido pelo sistema em toda a década de 80.794 103.204 934.703 1.dados referentes a 1998 Entretanto.102 1.18 60. em 1997.590 918. e 27.163 1.36 61.283 308.08 40.267 4.43 60.427 759.06 61.306 115.286 1.351 584.57 38.74 38.539 1.339 109. o número total de matriculados saltou de 1 milhão e 945 mil.531 388.26 60.950 651.625 605.29 59.71 41. prevê -se uma explosão na demanda por educação superior.594 94.522 325. Nos últimos vinte anos.155 Total Públicas 492.950 Particular 764 3.689 571.729 % Públicas 35.229 % Particular 64.680 577.341 83.321. A matrícula no ensino médio deverá crescer nas redes estaduais. Didatismo e Conhecimento 29 .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Tabela 7 .884 344.455 959. o crescimento foi de 12.543 367.82 39.58 38.160 90.353 776.215 243.434 75.109 87.03 37.054 850.4% nas federais. bem acima das públicas.94 38. aumento das exigências do mercado de trabalho. portanto.958 Federal 316. para 2 milhões e 125 mil em 1998.00 40.418.934 96.152 970.565.668 1.133. como decorrência de uma pressão de demanda a partir da “questão dos excedentes”.64 38. .135 325.450 700.736 629.320 906.42 61.423 317.833 408. haverá uma demanda crescente de alunos carentes por educação superior.00 59.788 1.628 Estadual 74 1.980 454.338 89.05 59.377.039 190.584 1.Quadro do Ensino Superior no Brasil – 1998 E n s i n o Total Superior Instituições Cursos Ingressantes V a g a s oferecidas Vagas não preenchidas 973 6.632 584.547 89. 18.1980 – 1998 Ano 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 Total 1.831 315.736 193. 55% dos estudantes deste nível frequentavam cursos noturnos.904 1.1% nas instituições privadas.615 2.252 129.031 124.5% nas estaduais.987 1.433 1.640 Estadual 109.97 62.784 75.29 59.697 194.564 885.386.661.529 1.13 59.867 320.868. De 1994 para cá.879 556.594. um crescimento de 9%.540.186. Houve.987 395.387 363.609 1.936 239.87 40.125.

4 127.Matrícula por Dependência Administrativa – Brasil e Regiões – Nível Superior 1998 Dependência Administrativa Região Brasil Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Total 2. entretanto.6 125. onde o sistema municipal de ensino deve atender prioritariamente à educação infantil e ao ensino fundamental.8 Privada 100.99 13.73 Municipal 121.4 Fonte: MEC/INEP/SEEC Didatismo e Conhecimento 30 . como se verifica na Tabela 8.7 102. o que se reflete em altos índices de repetência e evasão nos primeiros anos.14 17.34 75.543 14.01 9.264 5. o que precisará ser corrigido.Índice de Crescimento da Matrícula por Dependência Administrativa Brasil 1988-1998 1998=100 Ano 1998 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 Crescimento médio Anual Federal 100. de 1996.6 2.048 % 5. à Venezuela (26%) e à Bolívia (20. Assim. tecnológico e cultural do País. Ainda que em termos do contingente.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A manutenção das atividades típicas das universidades . esta tendência de ampliação das municipais contraria o disposto na Emenda Constitucional nº 14.321 862.11 3.8 157.que constituem o suporte necessário para o desenvolvimento científico.2 113. Observe-se.8% ao ano.96 61.133 163.6%).9%.2 97. ao passo que as estaduais e particulares. no caso da educação superior.0 101. verificou-se ampliação expressiva das matrículas em estabelecimentos municipais. à ampliação do atendimento nas redes estaduais. que esta desigualdade resulta da concentração das matrículas em instituições particulares das regiões mais desenvolvidas.6 123.6 122. os recursos destinados pelos Estados à educação superior devem ser adicionais aos 25% da receita de impostos vinculada à manutenção e desenvolvimento da educação básica.5 121.277 % 19.640 45.2 98.2 100.155 952 10.4 124.321.8 5.958 85.125.4 123.61 3. embora conte com 40% da faixa etária.9 4.9 Estadual 100. não será possível sem o fortalecimento do setor público.0 98.4 114.148.480 100.7 104.5 133.08 Particular 1.159 1.455 127. a porcentagem de matriculados na educação superior brasileiro em relação à população de 18 a 24 anos é de menos de 12%.229 28. O setor público. o Brasil apresenta um dos índices mais baixos de acesso à educação superior.087 230.688 80.6 142.716 55. a expansão do setor privado deve continuar. as federais de 2.960 44.1 110.0 99. Tabela 9 .4 115.09 54.0 101.25 8. registra-se também. configura um caso à parte.5 122. ainda que.4 Municipal 100.93 11. mas não deve ocorrer em detrimento da expansão com qualidade do ensino médio. está mais bem distribuído e cumpre assim uma função importante de diminuição das desigualdades regionais . Para um desenvolvimento equilibrado e nos marcos do regime de colaboração.0 120.975 % 62. Deve-se observar.702 114. apresentam crescimento de 4. uma vez que adotou o ingresso irrestrito.1 4. É importante observar que o crescimento do setor público se deveu. nos últimos anos.210 61.2 143.01 38. uma distribuição de vagas muito desigual por região.6 101.5 108.681 43. Como se pode verificar na Tabela 9.991 71.957 118.2 134. comparando-se desfavoravelmente com os índices de outros países do continente. (Tabela 10).6%).5 98. por outro lado.366 99. a participação das municipais seja pouco expressiva – a participação das municipais correspondia a menos de 6% do total das matrículas -. Paralelamente.38 26.06 Estadual 274.7 115.004 419. Mas o Brasil continua em situação desfavorável frente ao Chile (20. pesquisa e extensão .585 Federal 408.077 310. A contribuição estadual para a educação superior tem sido importante. A Argentina.ensino.44 3.285 % 12.9 106.11 Fonte : MEC/INEP/SEEC No conjunto da América Latina. entre 1988 e 1998.8 104. mesmo quando se leva em consideração o setor privado.1 108.4% e.7 102.19 11.47 32.16 27.7 122.14 33.22 54. desde que garantida a qualidade.5 105.4 129.função esta que deve ser preservada.0 144. Tabela 10 .69 1.5 128.934 9. com crescimento de 5.76 14.

após um salto em 1996.172 Fonte : Tribunal de Contas da União – valores constantes de 1998 Verifica-se. A importância que neste plano se deve dar às Instituições de Ensino Superior (IES). (Tabela 12) Tabela 12 .578. (Tabela 11). sem custo adicional excessivo.609. permitiria uma expansão substancial do atendimento nas atuais instituições de educação superior. As universidades públicas têm um importante papel a desempenhar no sistema.8 Fonte : Tribunal de Contas da União .016 Índice de Gasto 100. em racionalização de gastos e diversificação do sistema. (Tabela 13).35. Tabela 13 .354.2 1995 1996 1997 1998 859.452. 4.287. função prevista na Carta Magna.0 50.224 4. + occ) 51. portanto que o percentual de recursos destinados à manutenção e investimento nas IFES decresce na mesma proporção em que aumentam os gastos com inativos e pensionistas.381 1.7 48. como foi estabelecido na França. o percentual relativo às aposentadorias é crescente ao longo do período e que o verdadeiro significado dessa despesa é mais perceptível quando comparada com outras despesas das IFES como os gastos com Outros Custeios e CapitalOCC: o que é gasto com o pagamento dos inativos e pensionistas é equivalente ao montante gasto com todas as demais despesas das IFES que não se referem a pessoal. que.032 849.66. É importante observar.2 (%) Em Relação a 1995 0. erige-se sobre a constatação de que a produção de conhecimento.319 172. mas desligados do orçamento das Instituições Federais de Ensino Superior – IFES.5 30. na França. deflacionando-se com base no IGP-DI/FGV.8 Outros Custeios e Capital R$ 1. na formação de qualificação em áreas técnicas e profissionais. há que se pensar na expansão do póssecundário. uma vez que não se pode confundir a função-”ensino” com as funções “pesquisa” e “extensão”.5 33.valores constantes de 1998.032 % (B/A) 28.578.679.478. + occ ) 49.3 51.470.984.891. hoje mais do que nunca e assim tende a ser cada vez mais é a base do desenvolvimento científico e tecnológico e que este é que está criando o dinamismo das sociedades atuais.914 1.168 1. Para que estas possam desempenhar sua missão educacional. para que se atinjam as metas previstas na LDB quanto à titulação docente. as despesas com investimento apresentam declínio.499. a importância da educação superior e de suas instituições é cada vez maior. seja como padrão de referência no ensino de graduação. exclusive os Centros Federais de Educação Tecnológica-CEFETs Não cabe ao Plano Nacional de Educação tomar partido nesta disputa.421.IFES – Relação entre Despesas com Aposentadorias e Pensões e com Outros Custeios e Capital Didatismo e Conhecimento . incluindo manutenção em geral.9 29. Além disso. Há uma grande controvérsia acerca do gasto por aluno no nível superior. Alguns autores desconsideram ainda os elevados gastos com os hospitais universitários e as aposentadorias. com diploma intermediário. A própria modulação do ensino universitário. Desta forma são embutidos no custo da graduação os consideráveis gastos com pesquisa – o que não se admite.428.735 Aposentadorias e Pensões 859.496 1. Há uma variação de 5 a 11 mil reais como gasto anual por aluno.3 53. As instituições públicas deste nível de ensino não podem prescindir do apoio do Estado. Recomenda-se que a comunidade acadêmica procure critérios consensuais de avaliação. mantendo o papel do setor público. por exemplo. institucional e social. que reflete uma acirrada disputa de concepções. entende-se que devem ser custeados pela União.552. ao contrário das despesas totais das IFES.970.981.381 1.623 168. passaram a apresentar relativa estabilidade.592. investimentos.0 .609.00 % ( apos. mormente à universidade e aos centros de pesquisa.0 49. além de significativo. isto é. o apoio público é decisivo.403 1. dependendo da metodologia adotada e da visão do analista.478.637 86.714 4. Parte dos estudos acerca do tema divide simplesmente todo o orçamento da universidade pelo número de alunos.5 .1 32.973.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS À União atribui-se historicamente o papel de atuar na educação superior. no que se refere à questão dos inativos.00 % (apos.907.IFES – Participação das Despesas com Aposentadorias e Pensões no Total de Despesas com Pessoal e Encargos Sociais R$ 1.2 Exercício Aposentadorias e Pensões R$ 1.3 64. etc. evidentemente. inversões financeiras.679.937. Há que se pensar.168. seja na pesquisa básica e na pós-graduação stricto sensu. Entretanto.499.00 Exercício 1995 1996 1997 1998 Pessoal e Encargos 2.2 Diretrizes Nenhum país pode aspirar a ser desenvolvido e independente sem um forte sistema de educação superior. 31 Fonte :SIAFI/TCU – valores constantes de 1998.470.957.33. Como estratégia de diversificação.IFES .7 46.0 66.930 1.419. cabe-lhe qualificar os docentes que atuam na educação básica e os docentes da educação superior que atuam em instituições públicas e privadas.472.Despesas com Investimentos e Inversões Financeiras Exercício 1995 1996 1997 1998 Total 260. O Tribunal de Contas da União ressalta que. exclusive os CEFETs Dessa forma.278. Tabela 11 . Num mundo em que o conhecimento sobrepuja os recursos materiais como fator de desenvolvimento humano.419.348 4. Muitos estudiosos brasileiros também contestam esta posição.168 1. ainda o comportamento das despesas com investimentos e inversões financeiras.496 1.7 .154.

Nessas instituições apropria-se o patrimônio do saber humano que deve ser aplicado ao conhecimento e desenvolvimento do País e da sociedade brasileira. também. mantenha uma proporção nunca inferior a 40% do total. que depende dessas instituições. Esse núcleo estratégico tem como missão contribuir para o desenvolvimento do País e a redução dos desequilíbrios regionais. A oferta de educação básica de qualidade para todos está grandemente nas mãos dessas instituições. o principal instrumento de transmissão da experiência cultural e científica acumulada pela humanidade. que exercem as funções que lhe foram atribuídas pela Constituição: ensino. para colocar o País à altura das exigências e desafios do Séc. É igualmente indispensável melhorar a qualidade do ensino oferecido. Deve-se planejar a expansão com qualidade. sobretudo as federais possuem espaço para este fim. a partir da reflexão e da pesquisa. Ressalte-se a importância da expansão de vagas no período noturno. é necessário rever e ampliar. é preciso. utilizando-o. depositária e criadora de conhecimentos. o desenho federativo brasileiro reservou à União o papel de atuar na educação superior. Deve-se assegurar. bibliotecas e outros recursos que assegurem ao aluno-trabalhador o ensino de qualidade a que têm direito nas mesmas condições de que dispõem os estudantes do período diurno. tenha uma expansão de vagas tal que. bem como ao desenvolvimento da pesquisa necessária ao País. em colaboração com o Ministério da Ciência e Tecnologia e com as Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa. entre outros. tecnológica e humanística nas universidades. A Constituição Federal preceitua que o dever do Estado com a educação efetiva-se mediante a garantia de. no mínimo. no conjunto dos esforços nacionais. (VETADO) 3. para ampliar as possibilidades de atendimento nos cursos presenciais. já está acontecendo e tenderá a crescer. pesquisa e extensão. reduzindo as desigualdades. regulares ou de educação continuada. na medida que a elas compete primordialmente a formação dos profissionais do magistério. 2. Esta é sua função precípua e que deve atrair a maior parcela dos recursos de sua receita vinculada. a formação dos quadros profissionais. Estabelecer uma política de expansão que diminua as desigualdades de oferta existentes entre as diferentes regiões do País. que decorre do aumento acelerado do número de egressos da educação média. segundo a capacidade de cada um. a busca de solução para os problemas atuais são funções que destacam a universidade no objetivo de projetar a sociedade brasileira num futuro melhor. não só por parte da universidade. para que a educação superior possa enfrentar as rápidas transformações por que passa a sociedade brasileira e constituir um polo formulador de caminhos para o desenvolvimento humano em nosso país. evitando-se o fácil caminho da massificação. Historicamente. Esta providência implicará a melhoria do indicador referente ao número de docentes por alunos. o papel de fundamentar e divulgar os conhecimentos ministrados nos outros níveis de ensino. pelo menos. 30% da faixa etária de 18 a 24 anos. eventualmente. extensão. que o setor público neste processo. Por esse motivo. . que já oferece a maior parte das vagas na educação superior e tem um relevante papel a cumprir. cujo objetivo é qualificar os docentes que atuam na educação superior. os requisitos de relevância.em sintonia com o papel constitucional a elas reservado. assim como preparar seus professores. da pesquisa e da criação artística. em todos os campos da vida e da atividade humana e abrindo um horizonte para um futuro melhor para a sociedade brasileira. pesquisa e extensão. as rápidas transformações destinam às universidades o desafio de reunir em suas atividades de ensino. até o final da década. sobretudo os carentes. As universidades constituem. exercida nas dimensões previstas na Carta Magna: didático-científica. a política de incentivo à pósgraduação e à investigação científica. No mundo contemporâneo. encontrando a solução para os problemas atuais. também. desde que respeitados os parâmetros de qualidade estabelecidos pelos sistemas de ensino. portanto. a produção de pesquisa e inovação. Seu núcleo estratégico há de ser composto pelas universidades. inclusive. considerando que as universidades. O sistema de educação superior deve contar com um conjunto diversificado de instituições que atendam a diferentes demandas e funções. simultaneamente. reformular o rígido sistema atual de controles burocráticos.3 Objetivos e Metas 1. Deve-se ressaltar. qualidade e cooperação internacional. Didatismo e Conhecimento 32 Para promover a renovação do ensino universitário brasileiro. que as instituições não vocacionadas para a pesquisa. A universidade é. a oferta de educação superior para. Estabelecer um amplo sistema interativo de educação a distância. também. É importante garantir um financiamento estável às universidades públicas. a ampliação da margem de liberdade das instituições não-universitárias e a permanente avaliação dos currículos constituem medidas tão necessárias quanto urgentes.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS As IES têm muito a fazer. mas também das outras instituições de educação superior deve haver não só uma estreita articulação entre este nível de ensino e os demais como também um compromisso com o conjunto do sistema educacional brasileiro. destacando a necessidade de se garantir o acesso a laboratórios. científicos e culturais de nível superior. XXI. A efetiva autonomia das universidades. É o caso dos centros universitários. administrativa e de gestão financeira e patrimonial. 86). uma vez que realizam mais de 90% da pesquisa e da pós-graduação nacionais . Há necessidade da expansão das universidades públicas para atender à demanda crescente dos alunos. Prover. devendo exercer inclusive prerrogativas da autonomia. A pressão pelo aumento de vagas na educação superior. têm um importante papel a cumprir no sistema de educação superior e sua expansão. estas instituições devem ter estreita articulação com as instituições de ciência e tecnologia – como aliás está indicado na LDB (art. para o que constitui instrumento adequado a institucionalização de um amplo sistema de avaliação associada à ampliação dos programas de pós-graduação. nos marcos de um projeto nacional. a partir de uma matriz que considere suas funções constitucionais. Ressalte-se que à educação superior está reservado. 4. incluindo a superação das desigualdades sociais e regionais. Finalmente. A diretriz básica para o bom desempenho desse segmento é a autonomia universitária. Assim. mas que praticam ensino de qualidade e. 4. É importante a contribuição do setor privado. acesso aos níveis mais elevados do ensino.

nas instituições de educação superior. Implantar o Programa de Desenvolvimento da Extensão Universitária em todas as Instituições Federais de Ensino Superior no quadriênio 2001-2004 e assegurar que. dobrando. científica. com a certificação. 23. em nível nacional. de cursos sequenciais e de cursos modulares. 14. bem como de talentos provenientes de outros países. Promover levantamentos periódicos do êxodo de pesquisadores brasileiros formados. Estimular as instituições de ensino superior a identificar. Implantar planos de capacitação dos servidores técnicoadministrativos das instituições públicas de educação superior. nas informações coletadas anualmente através do questionário anexo ao Exame Nacional de Cursos. pelas instituições públicas. 22. Diversificar o sistema superior de ensino. profissional liberal. solidariedade e tolerância). exigir melhoria progressiva da infra-estrutura de laboratórios. especialmente no que se refere à abordagem tais como: gênero.* 8. do ensino e da extensão. pelo menos. da extensão e da gestão acadêmica. permitindo-lhes. 26. desenvolver ações imediatas no sentido de impedir que o êxodo continue e planejar estratégias de atração desses pesquisadores. as instituições de educação superior a constituírem programas especiais de titulação e capacitação de docentes. 28. resguardada a qualidade dessa oferta. para atender as necessidades da educação continuada de adultos. 18. pluralidade cultural. levando em consideração a avaliação do custo e a qualidade do ensino oferecido. de forma a melhor atender às necessidades diferenciais de suas clientelas e às peculiaridades das regiões nas quais se inserem. 29. Estimular a consolidação e o desenvolvimento da pósgraduação e da pesquisa das universidades. diferentes prerrogativas de autonomia às instituições não-universitárias públicas e privadas. 7. preferencialmente aquelas situadas em localidades não atendidas pelo Poder Público.4 . vítimas de discriminação. nos estratos de renda mais baixa. o acesso à educação superior. a oferta de cursos de extensão. saúde e temas locais. também de pesquisa. 20. de programas de assistência estudantil. 33. de avaliação institucional e de cursos. administrativa e de gestão financeira para as universidades públicas. respeito mútuo. favorecendo e valorizando estabelecimentos não-universitários que ofereçam ensino de qualidade e que atendam clientelas com demandas específicas de formação: tecnológica. sendo de competência da IES definir a forma de utilização dos recursos previstos para esta finalidade. 5%. Estabelecer sistema de recredenciamento periódico das instituições e reconhecimento periódicos dos cursos superiores. 6. Estabelecer. Instituir programas de fomento para que as instituições de educação superior constituam sistemas próprios e sempre que possível nacionalmente articulados. para outros países. capazes de possibilitar a elevação dos padrões de qualidade do ensino. 9. questões relevantes para a formulação de políticas de gênero. que considere. 16. estudantes com altas habilidades intelectuais. Utilizar parte dos recursos destinados à ciência e tecnologia. diretrizes curriculares que assegurem a necessária flexibilidade e diversidade nos programas de estudos oferecidos pelas diferentes instituições de educação superior. Oferecer apoio e incentivo governamental para as instituições comunitárias sem fins lucrativos. Incluir nas diretrizes curriculares dos cursos de formação de docentes temas relacionados às problemáticas tratadas nos temas transversais. 31. Estabelecer um sistema de financiamento para o setor público. 10% do total de créditos exigidos para a graduação no ensino superior no País será reservado para a atuação dos alunos em ações extensionistas. Institucionalizar um amplo e diversificado sistema de avaliação interna e externa que englobe os setores público e privado. e promova a melhoria da qualidade do ensino. ética (justiça. competir em igualdade de condições nos processos de seleção e admissão a esse nível de ensino. com ou sem formação superior. com recursos públicos federais e estaduais. na educação básica. desenvolvendo e consolidando a pós-graduação no País. com base no sistema de avaliação. na distribuição de recursos para cada instituição. através de programas de compensação de deficiências de sua formação escolar anterior. tais como bolsa-trabalho ou outros destinados a apoiar os estudantes carentes que demonstrem bom desempenho acadêmico. Estimular a inclusão de representantes da sociedade civil organizada nos Conselhos Universitários. em dez anos. o número de pesquisadores qualificados. Assegurar efetiva autonomia didática. (VETADO) 30. Incluir. para acompanhamento e controle social das atividades universitárias. para exercício do magistério ou de formação geral. na perspectiva de integrar o necessário esforço nacional de resgate da dívida social e educacional. diálogo. Estender. como condição para o recredenciamento das instituições de educação superior e renovação do reconhecimento de cursos. Estimular. Promover o aumento anual do número de mestres e de doutores formados no sistema nacional de pós-graduação em. de extensão e no caso das universidades. Didatismo e Conhecimento 33 19. Criar políticas que facilitem às minorias. para consolidar o desenvolvimento da pós-graduação e da pesquisa. Garantir. tais como trancamento de matrícula ou abandono temporário dos cursos superiores motivados por gravidez e/ou exercício de funções domésticas relacionadas à guarda e educação dos filhos. meio ambiente. (VETADO) 27. A partir de padrões mínimos fixados pelo Poder Público.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 5. da pesquisa. permitindo maior flexibilidade na formação e ampliação da oferta de ensino. inclusive com a participação de alunos no desenvolvimento da pesquisa. equipamentos e bibliotecas. Garantir a criação de conselhos com a participação da comunidade e de entidades da sociedade civil organizada. Incentivar a generalização da prática da pesquisa como elemento integrante e modernizador dos processos de ensinoaprendizagem em toda a educação superior. . 17. 10. educação sexual. incentivando a criação de cursos noturnos com propostas inovadoras.* 32. com o objetivo de assegurar o retorno à sociedade dos resultados das pesquisas. Estimular a adoção. 21. apoiado no sistema nacional de avaliação. 11. 4. Diversificar a oferta de ensino. com vistas a oferecer bolsas de estudo e apoio ao prosseguimento dos estudos. desta forma. (VETADO) 25. 13. além da pesquisa. 12. o número de alunos atendidos. 15. no mínimo.Financiamento e Gestão da Educação Superior 24. 34. em novas profissões. investigar suas causas.

59 17.08 10. IBGE. educação especial e educação de jovens e adultos. num grande número de jovens e adultos que não tiveram acesso ou não lograram terminar o ensino fundamental obrigatório. formação de professores. Tabela 15 .81 1 a 3 anos 21. Todos os indicadores apontam para a profunda desigualdade regional na oferta de oportunidades educacionais e a concentração de população analfabeta ou insuficientemente escolarizada nos bolsões de pobreza existentes no País.80 17.34 5.36 5. 1998.87 0.37 32.80 11. v.61 24.41 3. Pará e Amapá.20 8.84 11.84 18.03 9.39 11.Rio de Janeiro.88 0. Embora tenha havido progresso com relação a essa questão. ao longo dos anos. Os déficits do atendimento no ensino fundamental resultaram. é muito elevado o número de jovens e adultos que não lograram completar a escolaridade obrigatória.05 14.53 40.85 12.51 0.7 % 11. (Tabela 14).10 19.51 8.10 15.99 16.85 20.75 7.87 15.47 17.6 % 28.14 5 a 7 anos 18.75 13.20 25. Contagem da População de 1996.83 Fonte: IBGE.86 16.81 8.53 3.07 19.73 19. Trata-se de tarefa que exige uma ampla mobilização de recursos humanos e financeiros por parte dos governos e da sociedade. Cerca de 30% da população analfabeta com mais de 15 anos está localizada no Nordeste.18 10. III – MODALIDADES DE ENSINO 5.7 % 8.71 1.87 13. Observar.29 8.81 11. pois.66 12.59 19.76 6.1 Diagnóstico A Constituição Federal determina como um dos objetivos do Plano Nacional de Educação a integração de ações do poder público que conduzam à erradicação do analfabetismo (art.72 6. Roraima.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 35.61 10.32 26.27 8 a 11 anos 14.15 22.Escolarização da População – 1996 Classes de Anos de Estudo (%) Grupos de idades Total 10 a 14 anos 15 a 19 anos 20 a 24 anos 25 a 29 anos 30 a 39 anos 40 a 49 anos 50 a 59 anos 60 anos ou mais I d a d e ignorada Sem Instrução e menos de 1 ano 13. o número de analfabetos é ainda excessivo e envergonha o País: atinge 16 milhões de brasileiros maiores de 15 anos.96 1.70 23.37 14. *Exclusive a população da área rural de Rondônia. Uma concepção ampliada de alfabetização.6 % Fonte : Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.00 0.44 10.03 0. no que diz respeito à educação superior.-4 6.61 20.17 22.79 0.29 14.46 10.11 5.32 4. abrangendo a formação equivalente às oito séries do ensino fundamental. Tabela 14 .00 5.36 8 anos 8. EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 5.50 12 anos e mais 5.Taxas de Analfabetismo das Pessoas de 15 anos de idade ou mais – Brasil e Regiões – 1996 Brasil Região Norte urbana * Região Nordeste Região Sudeste Região Sul Região Centro-Oeste 14.01 20.10 8.1996. como se verifica na Tabela 15. I).08 4 anos 16. 214.02 Não determinados 0. Didatismo e Conhecimento 34 . Amazonas.9 % 11. O analfabetismo está intimamente associado às taxas de escolarização e ao número de crianças fora da escola.55 42.7 % 8.25 0.46 25. aumenta a população a ser atingida. 18.99 22. Acre.68 0. as metas estabelecidas nos capítulos referentes à educação a distância. educação indígena.60 0.35 5.08 0.

07 52.6 55.389 2.596 515. para 15. as mulheres têm.0 População de 15 anos ou mais por Grupos de Idade 15 a 19 anos 16.519 5.968 1.591.227. Acre. a indicar a necessidade de políticas focalizadas.669 4.773 5.961 23.705 8.6 6.6 11.500. Amazonas.675.6 9.348.2 30 a 39 anos 23.517. Por isso. em 1991.5 50 anos ou mais 24.4 19.448 14.795 36.4 2.318. Tabela 16 .562 10.048. estando inclusive as mulheres melhor posicionadas nos grupos etários abaixo de 40 anos.421. Didatismo e Conhecimento 35 .9 6.2 8.2 6.555 7.2 4.560 7.675 1. não se verificam.5 4.133 3. Pará e Amapá.955. Tomando-se o corte regional.4 13.8 87.849.4 40 a 49 anos 17.4 % do analfabetismo total.4 5. é de se esperar que apenas a dinâmica demográfica seja insuficiente para promover a redução em níveis razoáveis nos próximos anos.7 13.667.455.3 Preta e Parda 4.383 941.255.3 10. nota-se uma distorção.4 3.0 5.2 3.667 469.924 14.0 6.245.2 12.537. além do fenômeno da regressão.063.114 1.127 26.4 19.8 6.Média de anos de estudo das pessoas de 10 anos ou mais de idade por sexo e cor – 1996 Brasil Total Total Região Urbana Norte 5.7 3.984 7.126.372 14.076 9.421.211 14.197. para acelerar a redução do analfabetismo é necessário agir ativamente tanto sobre o estoque existente quanto sobre as futuras gerações.8 5.144 442. quando o fator verificado é a etnia. distorções significativas em função do gênero.801 9.3 4.006.931 10.3 5.981. Como se infere da Tabela 15.953. (Tabela 17) Tabela 17 .382 31.601.7 8.9 14.3 4.5 2. (CD-ROM).8 25 a 29 anos 12.267.214.064.779 542.774 6.1 6. há também uma redução insuficiente do analfabetismo ao longo do tempo.2 6.6 20 a 24 anos 13.159.656 1. passando de 20. em todas as regiões.786.987 1.4 5.7 20.650 15.730 4.374 5.807 599.274.484 304.219.931 55.9 4.350.7 8.608.5 6.264.517 10.8 10.489. Entretanto.7 Região Nordeste Região Sudeste Região Sul Região Oeste Centro- Fonte: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 1996.454.0 5.2 4. Como há reposição do estoque de analfabetos.5 Média de anos de estudo Homens 5.303.590 15.031.058.683.595 10.6 6.2 11.295 623.580.761 11.643 2.351.179.5 Branca 6.435 6.840.058 960.899 637.883. tomado este indicador.451 25.1% da população.375 1. pois pessoas entre quinze e trinta anos em 1997 somavam cerca de 21.275 1. O problema não se resume a uma questão demográfica. Roraima.365.691 28.390 15.083.025.562 3.9 4.239 499.666 8.4 4.802 7.118.574 6. As gerações antigas não podem ser consideradas como as únicas responsáveis pelas taxas atuais.Censo Demográfico 1991/PNAD 1995/1996/1997 * Exclusive a população rural de Rondônia.8 5.194 1.043.218 3.0 6.726.855 32.391 490.7 Fonte: IBGE .114.800 14.312.9 3.2 Mulheres 5.830 18.744 5.8 5.8 3. uma maior média de anos de estudo.6 5.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Embora o analfabetismo esteja concentrado nas faixas etárias mais avançadas (Tabela 16) e as taxas tenham se reduzido.População de 15 anos ou mais de idade por situação de alfabetização .186 9.251 361.283 2.6 % em 1995.1997 (*) Sexo e Localização do Domicílio Total Total Não Alfabetizada Analfabetismo % Homens Não Alfabetizada Analfabetismo % Mulheres Não Alfabetizada Analfabetismo % Urbana Não Alfabetizada Analfabetismo % Rural Não Alfabetizada Analfabetismo % 108.0 5.195 1.691 34.080 434.382.564.856.

é fundamental a participação solidária de toda a comunidade. Por isso. Estabelecer programa nacional. levantamento e avaliação de experiências em alfabetização de jovens e adultos. os Municípios e a sociedade organizada. para assegurar que as escolas públicas de ensino fundamental e médio localizadas em áreas caracterizadas por analfabetismo e baixa escolaridade ofereçam programas de alfabetização e de ensino e exames para jovens e adultos. 6. têm implicações diretas nos valores culturais. de material didático-pedagógico. concessão de licenças para frequência em cursos de atualização. requerem um esforço nacional. implantação de cursos de formação de jovens e adultos no próprio local de trabalho. Embora o financiamento das ações pelos poderes públicos seja decisivo na formulação e condução de estratégias necessárias para enfrentar o problema dos déficits educacionais. deve ser garantido. Assim. A necessidade de contínuo desenvolvimento de capacidades e competências para enfrentar essas transformações alterou a concepção tradicional de educação de jovens e adultos. numerosa e heterogênea no que se refere a interesses e competências adquiridas na prática social. . Também é oportuno observar que há milhões de trabalhadores inseridos no amplo mercado informal. A oferta do ciclo completo de oito séries àqueles que lograrem completar Didatismo e Conhecimento 36 as séries iniciais é parte integrante dos direitos assegurados pela Constituição Federal e deve ser ampliada gradativamente. mantenham programas de formação de educadores de jovens e adultos. melhorar sua qualidade de vida e de fruição do tempo livre. Para atender a essa clientela. 5. como cinemas e teatros. até o final da década. como as que associam educação e renda mínima. Assegurar que os sistemas estaduais de ensino. Assim. dar-se-á atendimento integral à família. Assim. Sempre que possível. De acordo com a Carta Magna (art. É necessária. meios de comunicação de massa e organizações da sociedade civil em geral devem ser agentes dessa ampla mobilização. 208. A integração dos programas de educação de jovens e adultos com a educação profissional aumenta sua eficácia. compete aos poderes públicos disponibilizar os recursos para atender a essa educação. Como face da pobreza. ou à procura de emprego. assim como na reorganização do mundo do trabalho. há que se buscar parcerias com os equipamentos culturais públicos. sindicatos. tanto no que diz respeito às regiões político-administrativas. não mais restrita a um período particular da vida ou a uma finalidade circunscrita. 208. auxiliando na diminuição do surgimento de “novos analfabetos”. a oferta de educação de jovens e adultos equivalente às quatro séries iniciais do ensino fundamental para 50% da população de 15 anos e mais que não tenha atingido este nível de escolaridade. tais como museus e bibliotecas e privados. Realizar. na participação política. além de estratégias específicas para a população rural. I).2 Diretrizes As profundas transformações que vêm ocorrendo em escala mundial. É importante o apoio dos empregadores. e ampliar suas oportunidades no mercado de trabalho. a modalidade de ensino “educação de jovens e adultos”. imprescindíveis à construção da cidadania no País. 7. Universidades. no nível fundamental deve ser oferecida gratuitamente pelo Estado a todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria. além da especialização do corpo docente. sem uma efetiva contribuição da sociedade civil. As experiências bem sucedidas de concessão de incentivos financeiros. considerar que o resgate da dívida educacional não se restringe à oferta de formação equivalente às quatro séries iniciais do ensino fundamental. erradicar o analfabetismo. as metas que se seguem. muito menos. lograr-se-á universalizar uma formação equivalente às oito séries iniciais do ensino fundamental. até o final da década. a oferta de uma formação equivalente às oito séries iniciais do ensino fundamental. em regime de colaboração com os demais entes federativos. é importante o acompanhamento regionalizado das metas. de acordo com as diretrizes curriculares nacionais. ou ainda – sobretudo as mulheres – envolvidos com tarefas domésticas. com o envolvimento das organizações da sociedade civil diretamente envolvidas na temática. os Estados e o Distrito Federal. há que se diversificar os programas. em virtude do acelerado avanço científico e tecnológico e do fenômeno da globalização.3 Objetivos e Metas 1. por fim. a oferta de cursos equivalentes às quatro séries finais do ensino fundamental para toda a população de 15 anos e mais que concluiu as quatro séries iniciais. em cinco anos e. esta política deve ser integrada àquelas dirigidas às crianças. Daí a importância da associação das políticas de emprego e proteção contra o desemprego à formação de jovens e adultos. na organização das rotinas individuais. o acesso ao ensino médio. de forma a incentivar a generalização das iniciativas mencionadas na meta anterior. com responsabilidade partilhada entre a União. é importante ressaltar que. a partir da aprovação do PNE.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 5. Para inserir a população no exercício pleno da cidadania. como bolsas de estudo. de forma a atender a demanda de órgãos públicos e privados envolvidos no esforço de erradicação do analfabetismo. dificilmente o analfabetismo será erradicado e. tornando-os mais atrativos. art. 3. Desenvolve-se o conceito de educação ao longo de toda a vida. para os cursos em nível de ensino fundamental para jovens e adultos. ademais. Esta questão é abordada no capítulo referente ao financiamento e gestão. programas visando a alfabetizar 10 milhões de jovens e adultos. Estabelecer programa nacional de fornecimento. aos que completaram o ensino fundamental. que constituam referência para os agentes integrados ao esforço nacional de erradicação do analfabetismo. o exercício do magistério nas séries iniciais do ensino fundamental. empresas. as taxas de analfabetismo acompanham os desequilíbrios regionais brasileiros. Uma tarefa dessa envergadura necessita da garantia e programação de recursos necessários. Assegurar.e habilitados para no mínimo. capacitados para atuar de acordo com o perfil da clientela . Cabe. devem ser consideradas pelos sistemas de ensino responsáveis pela educação de jovens e adultos. 2. associações de bairros. Assegurar. um grande impacto na próxima geração. no sentido de considerar a necessidade de formação permanente – o que pode dar-se de diversas formas: organização de jornadas de trabalho compatíveis com o horário escolar. Dada a importância de criar oportunidades de convivência com um ambiente cultural enriquecedor. adequado à clientela. Mas não basta ensinar a ler e a escrever. que há de se iniciar com aalfabetização. Neste sentido. a produção de materiais didáticos e técnicas pedagógicas apropriadas. ainda. 5. pelo Ministério da Educação. Estabelecer. § 1º). igrejas. em cinco anos. como no que se refere ao corte urbano/rural. anualmente. 4. além de políticas dirigidas para as mulheres. Trata-se de um direito público subjetivo (CF. entidades estudantis. a educação de jovens e adultos deve compreender no mínimo. cuja escolarização têm. nas relações sociais. Da mesma forma.

inúmeras iniciativas neste setor. onde os déficitseducativos e as desigualdades regionais são tão elevados. 18. formação profissional e educação indígena. As possibilidades da educação a distância são particularmente relevantes quando analisamos o crescimento dos índices de conclusão do ensino fundamental e médio.** 19. Entretanto a regulamentação constante na Lei de Diretrizes e Bases é o reconhecimento da construção de um novo paradigma da educação a distância. Sempre que possível. . visando localizar e induzir a demanda e programar a oferta de educação de jovens e adultos para essa população. os programas educativos podem desempenhar um papel inestimável no desenvolvimento cultural da população em geral. 87. o rádio e o computador como instrumentos pedagógicos de grande importância. no entanto. do equipamento tecnológico necessário constituem importantes iniciativas. Aperfeiçoar o sistema de certificação de competências para prosseguimento de estudos. Expandir a oferta de programas de educação a distância na modalidade de educação de jovens e adultos. §§ 1º e 2º). 16. educação a distância. Paralelamente. parâmetros nacionais de qualidade para as diversas etapas da educação de jovens e adultos. portanto. a partir da aprovação do Plano Nacional de Educação. capaz de elevar a qualidade e aumentar o número de programas produzidos e apresentados. os desafios educacionais existentes podem ter. assim como de condições para a recepção de programas de teleducação. Além do mais. a cada dois anos. 21. avaliação e divulgação dos resultados dos programas de educação de jovens e adultos. por bairro ou distrito das residências e/ou locais de trabalho. etc) para verificar o grau de escolarização da população. educação tecnológica. de sorte que sua clientela seja beneficiária de ações que permitam ampliar seus horizontes culturais. Articular as políticas de educação de jovens e adultos com as culturais. Dobrar em cinco anos e quadruplicar em dez anos a capacidade de atendimento nos cursos de nível médio para jovens e adultos. O País já conta com inúmeras redes de televisão e rádio educativas no setor público.1 Diagnóstico No processo de universalização e democratização do ensino. de censos específicos (agrícola. Estimular a concessão de créditos curriculares aos estudantes de educação superior e de cursos de formação de professores em nível médio que participarem de programas de educação de jovens e adultos. da população analfabeta. Realizar estudos específicos com base nos dados do censo demográfico da PNAD. O Ministério da Educação. O sistema também se ressente da falta de uma rede informatizada que permita o acesso generalizado aos programas existentes. 22. nos termos do art. Estabelecer políticas que facilitem parcerias para o aproveitamento dos espaços ociosos existentes na comunidade. 14.§1º da LDB. tem dado prioridade à atualização e aperfeiçoamento de professores para o ensino fundamental e ao enriquecimento do instrumental pedagógico disponível para esse nível de ensino. Há. formação dos professores. um meio auxiliar de indiscutível eficácia. a TV Escola deverá revelar-se um instrumento importante para orientar os sistemas de ensino quanto à adoção das Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino fundamental e os Parâmetros Curriculares. Ainda são incipientes. 87. Articular as políticas de educação de jovens e adultos com as de proteção contra o desemprego e de geração de empregos. financiamento e gestão. para a educação de jovens e adultos. as metas estabelecidas para o ensino fundamental. setores próprios incumbidos de promover a educação de jovens e adultos. 23. A TV Escola e o fornecimento. 15. no prazo de um ano. nesse setor. a União e os Estados são parceiros necessários para o desenvolvimento da informática nas escolas de ensino fundamental e médio. contemplando para esta clientela as metas n° 5 e nº 14. O Ministério da Educação. EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS 6. 13. assim como de formação profissional. Estimular as universidades e organizações nãogovernamentais a oferecer cursos dirigidos à terceira idade. 17. incentivando seu aproveitamento nos cursos presenciais. penitenciário. 11. nas secretarias estaduais e municipais de educação. associar ao ensino fundamental para jovens e adultos a oferta de cursos básicos de formação profissional. 26. Cursos a distância ou semipresenciais podem desempenhar um papel crucial na oferta de formação equivalente ao nível fundamental e médio para jovens e adultos insuficientemente escolarizados. criar e fortalecer. Reestruturar. controle e avaliação dos programas. aos estabelecimentos escolares. À União cabe o credenciamento das instituições autorizadas a oferecer cursos de educação a distância. Realizar em todos os sistemas de ensino. em todas as unidades prisionais e nos estabelecimentos que atendam adolescentes e jovens infratores. 6. a Educação de Jovens e Adultos nas formas de financiamento da Educação Básica. há que se considerar a contribuição do setor privado. § 3º). especialmente para a televisão. 9. 10. por meio de censo educacional. assim como o estabelecimento dos requisitos para a realização de exames e o registro de diplomas (art. Incentivar as instituições de educação superior a oferecerem cursos de extensão para prover as necessidades de educação continuada de adultos. programas de educação de jovens e adultos de nível fundamental e médio. tenham ou não formação de nível superior. o vídeo. que tem produzido programas educativos de boa qualidade. são de responsabilidade dos sistemas de ensino as normas para produção. Estão também em fase inicial os treinamentos que orientam os professores a utilizar sistematicamente a televisão. Nas empresas públicas e privadas incentivar a criação de programas permanentes de educação de jovens e adultos para os seus trabalhadores. Incluir. a educação a distância tem função estratégica: contribui para o surgimento de mudanças significativas na instituição escolar e influi nas decisões a serem tomadas pelos dirigentes políticos e pela sociedade civil na definição das prioridades educacionais. Além disso. como instrumento para assegurar o cumprimento das metas do Plano. bem como o efetivo aproveitamento do potencial de trabalho comunitário das entidades da sociedade civil. no que diz respeito à educação de jovens e adultos. aquelas que concretizam um trabalho em regime de cooperação.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 8. assim como a autorização para sua implementação (art. 20. Didatismo e Conhecimento 37 25. Instar Estados e Municípios a procederem um mapeamento. Elaborar. Implantar. 12. Ao introduzir novas concepções de tempo e espaço na educação. especialmente no Brasil.5º. 24. respeitando-se as especificidades da clientela e a diversidade regional. Observar. na educação a distância.

gradualmente. seja por meio de correspondência. em todos os níveis e modalidades de ensino. Numa visão prospectiva. Há. que dêem direito a certificados ou diplomas. normas para credenciamento das instituições que ministram cursos a distância. internet. no prazo de um ano. Utilizar os canais educativos televisivos e radiofônicos. em nível superior. assim como redes telemáticas de educação. um programa que assegure essa colaboração. Apoiar financeira e institucionalmente a pesquisa na área de educação a distância. 4. o acesso universal à televisão educativa e a outras redes de programação educativo-cultural. não devendo substituir. 8. capacitar os professores para utilizá-los. embora sujeitos a padrões de qualidade que precisam ser objeto de preocupação não só dos órgãos governamentais. para a disseminação de programas culturais e educativos. 14. comprometendo-o a desenvolver programas que atendam as metas propostas neste capítulo. deverá apresentar a mesma qualidade dos materiais audiovisuais. em parceria com o Ministério do Trabalho. 7. com a colaboração da União e dos Estados e em parceria com instituições de ensino superior. inclusive em horários nobres. criando. Didatismo e Conhecimento 38 2. as relações de comunicação e interação direta entre educador e educando. a produção de programas de educação a distância de nível médio. com o fornecimento do equipamento correspondente. dentro de um ano. o rádio e o computador constituem importantes instrumentos pedagógicos auxiliares. Incentivar. seja por meio dos mais recentes processos de utilização conjugada de meios como a telemática e a multimídia. a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional introduziu uma abertura de grande alcance para a política educacional. parte integrante e essencial para a eficácia desta modalidade de educação. em cinco anos. Instalar. por meio de um sistema de auto-regulamentação. dentro de 2 anos. 10. É preciso ampliar o conceito de educação a distância para poder incorporar todas as possibilidades que as tecnologias de comunicação possam propiciar a todos os níveis e modalidades de educação. Enviar ao Congresso Nacional. do Trabalho. Ampliar a oferta de programas de formação a distância para a educação de jovens e adultos. 6. sem ônus para o Poder Público. Iniciar. é preciso aproveitar melhor a competência existente no ensino superior presencial para institucionalizar a oferta de cursos de graduação e iniciar um projeto de universidade aberta que dinamize o processo de formação de profissionais qualificados. entretanto. o vídeo. ficar restritas a esta finalidade. 13. a produção e difusão de programas de formação profissional a distância. 9. A Lei de Diretrizes e Bases considera a educação a distância como um importante instrumento de formação e capacitação de professores em serviço. Só será permitida a celebração de contratos onerosos para a retransmissão de programa de Educação à Distância com redes de televisão e de rádio quando não houver cobertura da Televisão e de Rádio Educativa. Promover. Capacitar. que distinguirem-se claramente as políticas dirigidas para o incentivo de programas educativos em geral e aquelas formuladas para controlar e garantir a qualidade dos programas que levam à certificação ou diploma. Os programas educativos e culturais devem ser incentivados dentro do espírito geral da liberdade de imprensa. No conjunto da oferta de programas para formação a distância. os serviços nacionais de aprendizagem e as escolas técnicas federais. incentivando a participação das universidades e das demais instituições de educação superior credenciadas. Ampliar. de prazo razoavelmente curto.000 núcleos de tecnologia educacional. A televisão.3 Objetivos e Metas 1. em cooperação da União com os Estados e Municípios. com especial consideração para o potencial dos canais radiofônicos e para o atendimento da população rural. as empresas. Promover. consagrada pela Constituição Federal. especialmente na Escola Normal. Promover imagens não estereotipadas de homens e mulheres na Televisão Educativa. As tecnologias utilizadas na educação a distância não podem. Municipais ou pelo Ministério da Educação. a regulamentação e o controle de qualidade por parte do Poder Público são indispensáveis e devem ser rigorosos. da Cultura. em dez anos. 16. proposta de regulamentação da reserva de tempo mínimo. 11. incorporando em sua programação temas que afirmem pela igualdade de direitos entre homens e mulheres. Estabelecer. de forma a atender as demandas da sociedade brasileira. de cursos regulares. no entanto. programas de computador. 6. transmissão radiofônica e televisiva. a oferta de formação a distância em nível superior para todas as áreas. e integrar a informática na formação regular dos alunos. Garantir a integração de ações dos Ministérios da Educação. os quais deverão atuar como centros de orientação para as escolas e para os órgãos administrativos dos sistemas de ensino no acesso aos programas informatizados e aos vídeos educativos. bem como a elaboração dos programas será realizada pelas Secretarias Estaduais. a formação de recursos humanos para educação a distância. a oferta de cursos a distância. pelo menos 500. é fundamental equipar as escolas com multimeios. Assegurar às escolas públicas. Quando se trata. Elas constituem hoje um instrumento de enorme potencial para o enriquecimento curricular e a melhoria da qualidade do ensino presencial. pela ampliação da infraestrutura tecnológica e pela redução de custos dos serviços de comunicação e informação. entretanto. especialmente no que diz respeito à oferta de ensino fundamental. assegurando às escolas e à comunidade condições básicas de acesso a esses meios. há certamente que permitir-se a multiplicação de iniciativas. padrões éticos e estéticos mediante os quais será feita a avaliação da produção de programas de educação a distância. especialmente nas universidades. 5. A União deverá estabelecer. Para isto. para transmissão de programas educativos pelos canais comerciais de rádio e televisão. Fortalecer e apoiar o Sistema Nacional de Rádio e Televisão Educativa.2 Diretrizes Ao estabelecer que o Poder Público incentivará o desenvolvimento de programas de educação a distância. de nível fundamental e médio. promovendo sua integração no projeto pedagógico da escola. especialmente na área de formação de professores para a educação básica. 2. O material escrito.000 professores para a utilização plena da TV Escola e de outras redes de programação educacional.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 6. . 12. 15. 3. logo após a aprovação do Plano. portanto. mas também dos próprios produtores. da Ciência e Tecnologia e das Comunicações para o desenvolvimento da educação a distância no País. assim como a adequada abordagem de temas referentes à etnia e portadores de necessidades especiais. em dois anos. 17. nos cursos de Pedagogia e nas Licenciaturas.

2 10.959 5. afastando os jovens trabalhadores. no que diz respeito às escolas técnicas públicas de nível médio.3 0. em dez anos.789 8.6 1. já atinja. O primeiro Censo da Educação Profissional. Destes. fornecerá dados abrangentes sobre os cursos básicos.7 0. A heterogeneidade e a diversidade são elementos positivos. o País selou a educação profissional de qualquer nível.5 % do PIB (Produto Interno Bruto).000 técnicos em informática educativa e ampliar em 20% ao ano a oferta dessa capacitação. todas as escolas de nível médio e todas as escolas de ensino fundamental com mais de 100 alunos. Capacitar.000 computadores em 30. Instalar. Equipar.768 8.023 113. existem os programas do Ministério do Trabalho. 12.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 18. Um cenário que as diretrizes da educação profissional propostas neste plano buscam superar.0 TECNOLÓGICA E FORMAÇÃO Fonte: MEC/INEP/SEEC Funcionando em escolas onde há carências e improvisações generalizadas.9 23. 21.056 8. as metas pertinentes incluídas nos capítulos referentes à educação infantil. Mas há fatores preocupantes. a elevação da escolaridade do trabalhador coloca-se como essencial para a inserção competitiva do Brasil no mundo globalizado. municipais e pelos estabelecimentos do chamado Sistema S (SESI. mas sobretudo o médio. à educação indígena e à educação especial.005 % 16. O maior problema. Didatismo e Conhecimento 39 Afora estas redes específicas – a federal e outras poucas estaduais vocacionadas para a educação profissional – as demais escolas que oferecem educação profissional padecem de problemas de toda ordem. Há muito. em cinco anos. promovendo condições de acesso à internet.4 32. é que a alta qualidade do ensino que oferecem está associada a um custo extremamente alto para sua instalação e manutenção. que são os que dela mais necessitam. com computadores e conexões internet que possibilitem a instalação de uma Rede Nacional de Informática na Educação e desenvolver programas educativos apropriados. SENAI. sindicais.000 professores multiplicadores em informática da educação. 7. 150.4 110.3 haviam cursado alguma habilitação profissional. assim como um certo número. Capacitar.4 51. em cada dez concluintes do ensino médio.4 0. 20.001 31. estaduais.9 1. a Educação Profissional tem reafirmado a dualidade propedêutico-profissional existente na maioria dos países ocidentais. menos de 5% oferecem ambiente adequado para estudo das ciências e nem 2% possuem laboratório de informática – indicadores da baixa qualidade do ensino que oferecem às camadas mais desassistidas da população. ao prever que o cidadão brasileiro deve galgar – com apoio do Poder Público – níveis altos de escolarização. que se imagina muito grande. 3. 4.7 2. que aliam a formação geral de nível médio à formação profissional.7 42. especialmente na rede das 152 escolas federais de nível técnico e tecnológico. Além das redes federais e estaduais de escolas técnicas. de Dados Auxiliar de Contabilidade Magistério – Est.6 1996 193.548 24. como forma de separar aqueles que não se destinariam às melhores posições na sociedade.8 50. Embora não existam estatísticas detalhadas a respeito. Adicionais Eletrônica Agropecuária Mecânica Secretariado Total Concluintes 1988 127.739 12.3 0.0 -4. até porque estudos têm demonstrado que o aumento de um ano na média educacional da população economicamente ativa determina um incremento de 5.1 Crescimento 1988 .6 15.249 7.2 46. Em apenas 15% delas há bibliotecas. iniciado pelo Ministério da Educação em 1999. à educação de jovens e adultos.000 escolas públicas de ensino fundamental e médio. EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 7.349 7.451 8. à formação de professores. Além disso. inclusive de educação a distância. Associada a esse fato está a limitação de vagas nos estabelecimentos públicos.8 0. de acordo com as estimativas mais recentes.2 eram concluintes egressos das habilitações de Magistério e Técnico em Contabilidade – um conjunto três vezes maior que a soma de todas as outras nove habilitações listadas pela estatística.0 3. pois permitem atender a uma demanda muito variada.2 1. até aqueles ministrados por instituições empresariais. no Brasil. sobre a oferta de formação para o trabalho.7 1.1 18.7 -22. justamente porque ela é muito heterogênea. de cursos particulares de curta duração.293 15.443 9. em razão da oferta restrita. 500. .881 3. Tabela 18 – Habilitações de nível médio com maior número de concluintes .024 174. Nesse contexto. 19.1996 52. Observar. das secretarias estaduais e municipais do trabalho e dos sistemas nacionais de aprendizagem. além de treinamento em serviço de cursos técnicos oferecidos pelas empresas para seus funcionários.0 2. Funcionou sempre como mecanismo de exclusão fortemente associado à origem social do estudante. criou-se um sistema de seleção que tende a favorecer os alunos de maior renda e melhor nível de escolarização.8 0. o que torna inviável uma multiplicação capaz de poder atender ao conjunto de jovens que procura formação profissional.165 14. SENAC. No sistema escolar. cerca de cinco milhões de trabalhadores. a matrícula em 1996 expressa que. técnicos e tecnológicos oferecidos pelas escolas técnicas federais. sabe-se que a maioria das habilitações de baixo custo e prestígio encontra-se em instituições noturnas estaduais ou municipais.1 Diagnóstico Não há informações precisas. SESC e outros).186 32. em cinco anos.513 % 20. especialmente a produção de softwares educativos de qualidade.389 490.8 0.0 53.8 2.1988 e 1996 Habitações Magistério 1º grau Técnico Contabilidade Administração Proc.811 325.000 professores e 34.394 9. 22.3 311. O principal deles é que a oferta é pequena: embora.9 1. comunitárias e filantrópicas. no que diz respeito à educação a distância e às novas tecnologias educacionais. está longe de atingir a população de jovens que precisa se preparar para o mercado de trabalho e a de adultos que a ele precisa se readaptar. em dez anos.

o trabalhador rural.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 7. que perpassa toda a vida do trabalhador. dentro de um ano. Transformar. as quais devem financiar a qualificação dos seus trabalhadores. a oferta de formação de nível técnico aos alunos nelas matriculados ou egressos do ensino médio. III). 7. dentro da perspectiva do desenvolvimento auto-sustentável. Têm como objetivo central generalizar as oportunidades de formação para o trabalho. e a não-formal. portanto. contar com recursos das próprias empresas. tarefa que exige a colaboração de múltiplas instâncias do Poder Público e da sociedade civil. Estabelecer. até o final da década. dentro de dois anos. 2. A política de educação profissional é. 208. secretarias do trabalho. da agricultura e da indústria e os sistemas nacionais de aprendizagem. Por isso mesmo. Mobilizar.3 Objetivos e Metas 1. Mobilizar. É importante também considerar que a oferta de educação profissional é responsabilidade igualmente compartilhada entre o setor educacional. sempre que possível. os CEFETs. a cada cinco anos. que pelo menos um desses centros em cada unidade federada possa servir como centro de referência para toda a rede de educação profissional. em colaboração com empresários e trabalhadores nas próprias escolas e em todos os níveis de governo. adquirida por meios diversos. portanto. de treinamentos. serviços sociais do comércio. Estabelecer parcerias entre os sistemas federal. Estabelecer junto às escolas agrotécnicas e em colaboração com o Ministério da Agricultura cursos básicos para agricultores. unidades da rede de educação técnica federal em centros públicos de educação profissional e garantir. as universidades. É necessário também. 7. a produção de programas de educação a distância que ampliem as possibilidades de educação profissional permanente para toda a população economicamente ativa. a cada cinco anos. notadamente em matéria de formação de formadores e desenvolvimento metodológico. Trata- . para ampliar e incentivar a oferta de educação profissional. a integração desses dois tipos de formação: a formal. Integrar a oferta de cursos básicos profissionais. As metas do Plano Nacional de Educação estão voltadas para a implantação de uma nova educação profissional no País e para a integração das iniciativas. articular e aumentar a capacidade instalada na rede de instituições de educação profissional. as escolas técnicas de nível superior. associados à promoção de níveis crescentes de escolarização regular. a oferta de cursos básicos destinados a atender à população que está sendo excluída do mercado de trabalho. levando em conta seu nível de escolarização e as peculiaridades e potencialidades da atividade agrícola na região. Estabelecer. que oriente a política educacional para satisfazer as necessidades de formação inicial e continuada da força de trabalho. 12. Mobilizar. de forma especial. as normas atuais que regulamentam a formação de pessoal docente para essa modalidade de ensino. Finalmente. de modo a triplicar. Prevê-se. Estabelece para isso um sistema flexível de reconhecimento de créditos obtidos em qualquer uma das modalidades e certifica competências adquiridas por meios não-formais de educação profissional. por meio de recursos públicos e privados. adquirida em instituições especializadas. o Ministério do Trabalho. com a colaboração entre o Ministério da Educação. geral. 14. com a oferta de programas que permitam aos alunos que não concluíram o ensino fundamental obter formação equivalente. em parceria com agências governamentais e instituições privadas. inclusive no trabalho. o Ministério do Trabalho. gradativamente. entendese que a educação profissional não pode ser concebida apenas como uma modalidade de ensino médio. Incentivar. A diretriz atual é a da plena integração dessas pessoas em todas as áreas da sociedade. como ocorre nos países desenvolvidos. um sistema integrado de informações. 3. associadas à reforma do ensino médio. Observar as metas estabelecidas nos demais capítulos referentes à educação tecnológica e formação profissional. Reorganizar a rede de escolas agrotécnicas. Prevê-se que a educação profissional. Didatismo e Conhecimento 40 4. a oferta de educação profissional permanente para a população em idade produtiva e que precisa se readaptar às novas exigências e perspectivas do mercado de trabalho. 11. programas de formação de formadores para a educação tecnológica e formação profissional. observadas as ofertas do mercado de trabalho. Estabelecer a permanente revisão e adequação às exigências de uma política de desenvolvimento nacional e regional. técnico e de renda. de forma a garantir que cumpram o papel de oferecer educação profissional específica e permanente para a população rural. mas também para o treinamento e retreinamento de trabalhadores com vistas a inseri-los no mercado de trabalho com mais condições de competitividade e produtividade. os serviços nacionais de aprendizagem e a iniciativa privada. sem prejuízo de que sua oferta seja conjugada com ações para elevação da escolaridade. 15. articular e ampliar a capacidade instalada na rede de instituições de educação profissional. técnico complementar ao ensino médio e tecnológico superior de graduação ou de pós-graduação. Modificar. Estimular permanentemente o uso das estruturas públicas e privadas não só para os cursos regulares. 6. articular e ampliar a capacidade instalada na rede de instituições de educação profissional. mencionando. de múltiplas fontes. 5. sempre associados à educação básica. estaduais e municipais e a iniciativa privada. Os recursos provêm. o que não impede o oferecimento de cursos de curta duração voltados para a adaptação do trabalhador às oportunidades do mercado de trabalho. de modo a triplicar. voltados para a melhoria do nível técnico das práticas agrícolas e da preservação ambiental. estão sendo implantadas novas diretrizes no sistema público de educação profissional. dos cursos básicos. mas deve constituir educação continuada. ainda. possibilitando a elevação de seu nível educacional. EDUCAÇÃO ESPECIAL 8. sob o ponto de vista operacional. 13. a cada cinco anos. não podendo esta ficar reduzida à aprendizagem de algumas habilidades técnicas. 9. seja estruturada nos níveis básico – independente do nível de escolarização do aluno. de modo a triplicar. 8. 8. 10.1 Diagnóstico A Constituição Federal estabelece o direito de as pessoas com necessidades especiais receberem educação preferencialmente na rede regular de ensino (art.2 Diretrizes Há um consenso nacional: a formação para o trabalho exige hoje níveis cada vez mais altos de educação básica. de forma a aproveitar e valorizar a experiência profissional dos formadores. técnicos e superiores da educação profissional. e cada vez mais.

Inexistência. das funções docentes). Todas as possibilidades têm por objetivo a oferta de educação de qualidade. destacando-se Rio Grande do Norte. Espírito Santo é o Estado com o mais alto percentual de Municípios que oferecem educação especial (83. sala especial e escola especial. A região Norte é a menos servida nesse particular. com apenas 9. com problemas físicos. constituindo uma meta necessária na década da educação. de duas questões . a situação é bastante boa: apenas 3. como está a educação especial brasileira? O conhecimento da realidade é ainda bastante precário.3%. Apenas 5% das turmas estão em “classes comuns com apoio pedagógico” e 6% são de “educação precoce” .7%.2% dos professores (melhor dito.258 na educação de jovens e adultos.6% dos seus Municípios. Mato Grosso do Sul tinha atendimento em 76.4%.3% com altas habilidades ou eram superdotados e 5. 26. porque não dispomos de estatísticas completas nem sobre o número de pessoas com necessidades especiais nem sobre o atendimento. Os dados não informam sobre outras facilidades como rampas e corrimãos. As informações de 1998 estabelecem outra classificação. ou seja.685. que permitirão análises mais profundas da realidade.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS se.607 crianças na educação infantil. completo ou incompleto. Em “outras modalidades” são atendidas 25% das turmas de educação especial. múltiplas. de que. em 1998. Dos 5. a ausência dessa modalidade acontece em 78. Mas. há necessidade de uma atuação mais incisiva da União nessa área. auditivas.705. Os sistemas de ensino costumam oferecer cursos de preparação para os professores que atuam em escolas especiais. por isso 73% deles fizeram curso específico. Estas podem ser de diversas ordens . Como os estabelecimentos são de diferentes tamanhos. 13. federais. Diante dessa política. de recursos. 59. jovens e adultos especiais sejam atendidos em escolas regulares. 7. Observando as modalidades de atendimento educacional. mentais. considerando a diretriz da integração. A legislação.. e do corpo técnico e administrativo das escolas aumenta enormemente. de conduta. Outro elemento fundamental é o material didático-pedagógico adequado. sendo o Paraná o de mais alto percentual (83. as matrículas apresentam alguma variação nessa distribuição: 53. 24.7% delas estão em “salas de recursos” e 12. Somente a partir do ano 2000 o Censo Demográfico fornecerá dados mais precisos. chamando a atenção que 62% do atendimento registrado está localizado em escolas especializadas. além do atendimento específico.2% dos estabelecimentos de educação especial em 1998 eram estaduais. e o direito de receber essa educação sempre que possível junto com as demais pessoas nas escolas “regulares”. a oficinas pedagógicas e a outras modalidades não especificadas no Informe. predominam as “classes especiais”.1% são da iniciativa privada. Em princípio.3%. 3. Didatismo e Conhecimento 41 A eliminação das barreiras arquitetônicas nas escolas é uma condição importante para a integração dessas pessoas no ensino regular. municipais e 0. as crianças. . Comparando o atendimento público com o particular. que atendiam a 31% das matrículas. conforme as necessidades específicas dos alunos. como formação máxima. 31. estaduais. enquanto aquele dá prioridade às classes especiais e classes comuns com apoio pedagógico.integração/inclusão do aluno com necessidades especiais no sistema regular de ensino e.148 atendimentos.1% dos Municípios ofereciam educação especial. do MEC/INEP).expansão da oferta dos cursos de formação/especialização pelas universidades e escolas normais. é responsável por quase metade de toda a educação especial no País.9% recebiam “outro tipo de atendimento”(Sinopse Estatística da Educação Básica/Censo Escolar 1998. no ensino fundamental.1% de visão. possuíam o ensino fundamental. nele incluído o oferecido por entidades filantrópicas. se isto não for possível em função das necessidades do educando.8%. ressalvando os casos de excepcionalidade em que as necessidades do educando exigem outras formas de atendimento. 2.1%). São informados como “outros” 64.ampliação do regulamento das escolas especiais para prestarem apoio e orientação aos programas de integração. respectivamente). a necessidade de preparação do corpo docente.2%). em nível superior.2% em “oficinas pedagógicas”.507 Municípios brasileiros. As políticas recentes do setor têm indicado três situações possíveis para a organização do atendimento: participação nas classes comuns. Dadas as discrepâncias regionais e a insignificante atuação federal. Apenas 0. . As tendências recentes dos sistemas de ensino são as seguintes: . 13. 15. 58.8%.5%. teremos cerca de 15 milhões de pessoas com necessidades especiais. nos níveis fundamental e médio (52 e 49%. nas quais estão 38% das turmas atendidas. realizar o atendimento em classes e escolas especializadas. em 1998. no ensino médio. insuficiência. 48. apenas 14% desses estabelecimentos possuíam instalação sanitária para alunos com necessidades especiais.o direito à educação. todos os professores deveriam ter conhecimento da educação de alunos especiais. comum a todas as pessoas. portanto. 12%. Na região Sul. Segundo dados de 1998. No Nordeste. pois o percentual dos estabelecimentos com aquele requisito baixa para 6%. O atendimento por nível de ensino. físicas. apresenta o seguinte quadro: 87. A Organização Mundial de Saúde estima que em torno de 10% da população têm necessidades especiais. municipais.2%. 45.3% dos Municípios. Os números de matrícula nos estabelecimentos escolares são tão baixos que não permitem qualquer confronto com aquele contingente. federais. Em relação à qualificação dos profissionais de magistério. o que reflete a necessidade de um compromisso maior da escola comum com o atendimento do aluno especial. distribuídos da seguinte forma: 58% com problemas mentais. verifica-se que este dá preferência à educação precoce. 132. . havia 293. segundo os dados de 1997.2%.6% dos seus Municípios apresentando dados de atendimento. Em 1998. O particular está muito à frente na educação infantil especial (64%) e o estadual. particulares e 0.visuais. 1.403 alunos. no entanto. Notase que o atendimento particular. Não há dados sobre o atendimento do aluno com necessidades especiais na educação superior. com problemas de audição. é sábia em determinar preferência para essa modalidade de atendimento educacional. As diferenças regionais são grandes. inadequação e precariedades podem ser constatadas em muitos centros de atendimento a essa clientela.1% não ofereciam educação especial em 1998. Entre as esferas administrativas. . distúrbios de conduta e também superdotação ou altas habilidades.melhoria da qualificação dos professores do ensino fundamental para essa clientela. 4. No CentroOeste. com deficiências múltiplas. Se essa estimativa se aplicar também no Brasil.. sempre que possível. mas o municipal vem crescendo sensivelmente no atendimento em nível fundamental.8%. Eram formados em nível médio 51% e.

mas envolve especialistas sobretudo da área da saúde e da psicologia e depende da colaboração de diferentes órgãos do Poder Público. Mas. As classes especiais. originadas quer de deficiência física. jovens e adultos especiais como cidadãos e de seu direito de estarem integrados na sociedade o mais plenamente possível. órgãos oficiais e entidades não governamentais de assistência social. a frequência e a consistência dos traços. Por isso. para garantir o atendimento da clientela. o apoio do governo a essas instituições como parceiras no processo educacional dos educandos com necessidades especiais. que garanta o atendimento à diversidade humana. são importantes a flexibilidade e a diversidade. problemas de dispersão de atenção ou de disciplina. oferta de transporte escolar adaptado. sido um exemplo de compromisso e de eficiência no atendimento educacional dessa clientela. Tal política abrange: o âmbito social. produção de livros e materiais pedagógicos adequados para as diferentes necessidades. o apoio do governo a tais organizações visa tanto à continuidade de sua colaboração quanto à maior eficiência por contar com a participação dos pais nessa tarefa. O Programa de Renda Mínima Associado a Ações Socioeducativas (Lei n. Entre outras características dessa política. Justifica-se. Considerando as questões envolvidas no desenvolvimento e na aprendizagem das crianças. É medida racional que se evite a duplicação de recursos através da articulação daqueles setores desde a fase de diagnóstico de déficits sensoriais até as terapias específicas. pessoal administrativo e auxiliar sejam preparados para atendê-los adequadamente. historicamente. o atendimento deve começar precocemente. o atendimento não se limita à área educacional. portanto. pode ser um importante meio de garantir-lhe o acesso e à frequência à escola.2 Diretrizes A educação especial se destina às pessoas com necessidades especiais no campo da aprendizagem. Para a população de baixa renda. Uma política explícita e vigorosa de acesso à educação. saúde e assistência é fundamental e potencializa a ação de cada um deles. assistência e promoção social. Entre elas. As escolas especiais devem ser enfatizadas quando as necessidades dos alunos assim o indicarem. terá que ser promovida sistematicamente nos diferentes níveis de ensino. como as visuais e auditivas. aberta à diversidade dos alunos. é uma condição para que às pessoas especiais sejam assegurados seus direitos à educação. notadamente na etapa da educação infantil. produzindo efeitos mais profundos sobre o desenvolvimento das crianças. mais eficaz ela se tornará no decorrer dos anos. A garantia de vagas no ensino regular para os diversos graus e tipos de deficiência é uma medida importante.9.533/97) estendido a essa clientela. O apoio da União é mais urgente e será mais necessário onde se verificam os maiores déficits de atendimento. inclusive como forma preventiva. para a identificação desses problemas e seu adequado tratamento. a qualificação dos professores para o atendimento nas escolas regulares e a especialização dos professores para o atendimento nas novas escolas especiais. inclusive em termos de recursos. ao longo de seu desenvolvimento. os atuais programas para oferecimento de órteses e próteses de diferentes tipos. de sorte que todas as crianças. tal diretriz ainda não produziu a mudança necessária na realidade escolar. de natureza filantrópica. demais técnicos. Não há como ter uma escola regular eficaz quanto ao desenvolvimento e aprendizagem dos educandos especiais sem que seus professores. inclusiva. de responsabilidade da União. pré-escolas. sempre que for recomendado pela avaliação de suas condições pessoais. em particular os vinculados à saúde. fazendo parte da política governamental há pelo menos uma década. que podem ser aplicados pelos professores. A educação especial. tanto nos aspectos administrativos (adequação do espaço escolar. e o âmbito educacional. O ambiente escolar como um todo deve ser sensibilizado para uma perfeita integração. do reconhecimento das crianças. Como é sabido. A União tem um papel essencial e insubstituível no planejamento e direcionamento da expansão do atendimento. como modalidade de educação escolar. quanto na qualificação dos professores e demais profissionais envolvidos. com vistas a verificar a intensidade. recomenda-se a celebração de convênios intermunicipais e com organizações não-governamentais.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Apesar do crescimento das matrículas. dos Estados e Distrito Federal e dos Municípios. que podem dificultar a aprendizagem Didatismo e Conhecimento 42 escolar. A integração dessas pessoas no sistema de ensino regular é uma diretriz constitucional (art. eliminando a nociva prática de encaminhamento para classes especiais daqueles que apresentam dificuldades comuns de aprendizagem. 8. III). jovens e adultos com necessidades especiais sejam atendidos em escolas regulares. sensorial. apesar desse relativamente longo período. jovens e adultos com necessidades especiais. A esses deve ser dado maior apoio pedagógico nas suas próprias . as adaptações curriculares. destinadas aos alunos parcialmente integrados. destacam-se a sensibilização dos demais alunos e da comunidade em geral para a integração. pois diversas ações devem ser realizadas ao mesmo tempo. precisam contar com professores especializados e material pedagógico adequado. que envolvem os pais de crianças especiais. quer porque o espectro das necessidades especiais é variado. uma vez que as desigualdades regionais na oferta educacional atestam uma enorme disparidade nas possibilidades de acesso à escola por parte dessa população especial. Quando esse tipo de instituição não puder ser criado nos Municípios menores e mais pobres. a política de inclusão as reorienta para prestarem apoio aos programas de integração. a identificação levará em conta o contexto socioeconômico e cultural e será feita por meio de observação sistemática do comportamento e do desempenho do aluno. Mas o grande avanço que a década da educação deveria produzir será a construção de uma escola inclusiva. há que se detectarem as deficiências. Propõe-se uma escola integradora. 208. Em relação às crianças com altas habilidades (superdotadas ou talentosas). no que a participação da comunidade é fator essencial. bem como em instituições especializadas e outras instituições é uma prioridade para o Plano Nacional de Educação. Certas organizações da sociedade civil. quer de características como altas habilidades. etc. Longe de diminuir a responsabilidade do Poder Público para com a educação especial. escolas regulares de ensino fundamental. quer porque as realidades são bastante diversificadas no País. de seus equipamentos e materiais pedagógicos). centros de educação infantil. Requer-se um esforço determinado das autoridades educacionais para valorizar a permanência dos alunos nas classes regulares. Quanto às escolas especiais. A formação de recursos humanos com capacidade de oferecer o atendimento aos educandos especiais nas creches. superdotação ou talentos. o déficit é muito grande e constitui um desafio imenso para os sistemas de ensino. adaptação das escolas para que os alunos especiais possam nelas transitar. Existem testes simples. Quanto mais cedo se der a intervenção educacional. têm. mental ou múltipla. a articulação e a cooperação entre os setores de educação. com a colaboração dos Ministérios da Saúde e da Previdência. situadas nas escolas “regulares”. Na hipótese de não ser possível o atendimento durante a educação infantil. há ainda necessidade de ampliar. médio e superior. quando a criança ingressa no ensino fundamental.

o atendimento dos alunos com necessidades especiais na educação infantil e no ensino fundamental. 7. nos dois primeiros anos de vigência deste plano. programas destinados a ampliar a oferta da estimulação precoce (interação educativa adequada) para as crianças com necessidades educacionais especiais. em parceria com organizações não-governamentais. e generalizar. entre outras. Incentivar. 15. quando for o caso. Introduzir. mediante um programa de formação de monitores. de forma a detectar problemas e oferecer apoio adequado às crianças especiais. Ampliar. Definir condições para a terminalidade para os educandos que não puderem atingir níveis ulteriores de ensino. Incluir nos currículos de formação de professores. garantindo. tornar disponíveis órteses e próteses para todos os educandos com deficiências. 14. e generalizar em dez anos. as de educação superior que atendam educandos surdos e aos de visão sub-normal. conteúdos disciplinares referentes aos educandos com necessidades especiais nos cursos que formam profissionais em áreas relevantes para o atendimento dessas necessidades. estar previstos no ensino fundamental. em níveis de graduação e pósgraduação. os padrões mínimos de infraestrutura das escolas para o recebimento dos alunos especiais. redes municipais ou intermunicipais para tornar disponíveis aos alunos cegos e aos de visão subnormal livros de literatura falados. definindo os recursos disponíveis e oferecendo formação em serviço aos professores em exercício. em conformidade aos já definidos requisitos de infraestrutura para atendimento dos alunos especiais. em parceria com organizações governamentais e não-governamentais. Didatismo e Conhecimento 43 11. até o final da década. em todos os Municípios e em parceria com as áreas de saúde e assistência. públicos ou privados. públicas e privadas. o transporte escolar. Tornar disponíveis. durante a década. em cinco anos. 22. Entretanto. as classes especiais. assistência social. 19.d. progressivamente. como parte dos programas de formação em serviço. para formar pessoal especializado em educação especial. pelo menos um curso desse tipo em cada unidade da Federação.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS classes. os prédios escolares existentes. Estabelecer programas para equipar. 5 e 6. em instituições especializadas ou regulares de educação infantil. promovendo sua colocação no mercado de trabalho. as classes especiais e salas de recursos. durante a década. Definir. Enfermagem e Arquitetura. prioritariamente. indicadores básicos de qualidade para o funcionamento de instituições de educação especial. previdência e assistência social para. no primeiro ano de vigência deste plano. do ensino fundamental: a) estabelecer. 10. Implantar. nos níveis médio e superior. inclusive através de parceria com organizações da sociedade civil voltadas para esse tipo de atendimento. Garantir a generalização. 8. se necessário. no prazo de dez anos. conteúdos e disciplinas específicas para a capacitação ao atendimento dos alunos especiais.3 Objetivos e Metas 1. Assegurar. especialmente nas universidades públicas. especialmente creches. Nos primeiros cinco anos de vigência deste plano. utilizando inclusive a TV Escola e outros programas de educação a distância. em cada unidade da Federação. em parceria com a área de saúde. para o desenvolvimento de programas de qualificação profissional para alunos especiais. 5. de forma a favorecer e apoiar a integração dos educandos com necessidades especiais em classes comuns. com aparelhos de amplificação sonora e outros equipamentos que facilitem a aprendizagem. provendo. incrementando. Em coerência com as metas nº 2. em conjunto com as entidades da área. Incluir ou ampliar. a oferta de cursos sobre o atendimento básico a educandos especiais. em cinco anos. somente autorizar a construção de prédios escolares. Ampliar o fornecimento e uso de equipamentos de informática como apoio à aprendizagem do educando com necessidades especiais. o ensino da Língua Brasileira de Sinais para os alunos surdos e. em cinco anos. transporte escolar com as adaptações necessárias aos alunos que apresentem dificuldade de locomoção. do atendimento às necessidades educacionais especiais de seus alunos. em parceria com as áreas de assistência social e cultura e com organizações não-governamentais. em cinco anos. sempre que possível. dentro de cinco anos. habilitação específica. a realização de estudos e pesquisas. livros didáticos falados. em parceria com as áreas de saúde. para seus familiares e para o pessoal da unidade escolar. 17. nestes casos. Implantar. 20. redimensionar conforme as necessidades da clientela. no projeto pedagógico das unidades escolares. Estabelecer. 12. o número desses centros. para os professores em exercício na educação infantil e no ensino fundamental. em dez anos. também. fornecendo-lhes o apoio adicional de que precisam. Generalizar. atendendo-se. Organizar. 9. 3. Assegurar a inclusão. . sua observância. 3 e 4. trabalho e com as organizações da sociedade civil. da educação infantil e metas nº 4. pelo menos um centro especializado. em dez anos. 4. especialmente pelas instituições de ensino superior. 16. 18. em braille e em caracteres ampliados. quando necessário. 13. 6. e não separá-los como se precisassem de atendimento especial. 2. b) a partir da vigência dos novos padrões. em cinco anos. Generalizar. tendo em vista as especificidades dessa modalidade de educação e a necessidade de promover a ampliação do atendimento. segundo aqueles padrões. 21. dentro de três anos a contar da vigência deste plano. da aplicação de testes de acuidade visual e auditiva em todas as instituições de educação infantil e do ensino fundamental. as escolas de educação básica e. Articular as ações de educação especial e estabelecer mecanismos de cooperação com a política de educação para o trabalho. em até quatro anos. salas de recursos e outras alternativas pedagógicas recomendadas. de sorte que as diferentes regiões de cada Estado contem com seus serviços. em cinco anos. recomenda-se reservar-lhe uma parcela equivalente a 5 ou 6% dos recursos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino. para todos os alunos cegos e para os de visão sub-normal do ensino fundamental. sobre as diversas áreas relacionadas aos alunos que apresentam necessidades especiais para a aprendizagem. destinado ao atendimento de pessoas com severa dificuldade de desenvolvimento. em braille e em caracteres ampliados. 8. em cinco anos. inclusive através de consórcios entre Municípios. Considerando que o aluno especial pode ser também da escola regular. os recursos devem. Estabelecer cooperação com as áreas de saúde. assim como atendimento especializado de saúde. c) adaptar. como Medicina.

as metas pertinentes estabelecidas nos capítulos referentes aos níveis de ensino. calendários. porque os entendia como categoria étnica e social transitória e fadada à extinção. intelectual ou psicomotora. está integrado nas mudanças e inovações garantidas pelo atual texto constitucional e fundamenta-se no reconhecimento da extraordinária capacidade Didatismo e Conhecimento 44 de sobrevivência e mesmo de recuperação demográfica. e muitos deles preservam suas línguas e tradições. Não há informações sobre os índios urbanizados. 26. como meio para assegurar o acesso a conhecimentos gerais sem precisar negar as especificidades culturais e a identidade daqueles grupos. fazer com que eles se transformassem em algo diferente do que eram.000 e 329. que venha ao encontro de seus projetos de futuro. EDUCAÇÃO INDÍGENA 9. Observar. 17 e 18. Estabelecer um sistema de informações completas e fidedignas sobre a população a ser atendida pela educação especial. como se verifica hoje. como a garantia de seus territórios e formas menos violentas de relacionamento e convivência entre essas populações e outros segmentos da sociedade nacional. que possa atuar em parceria com os setores de saúde. e deste para as secretarias estaduais de educação. após séculos de práticas genocidas. Representou também uma mudança em termos de execução: se antes as escolas indígenas eram mantidas pela FUNAI (ou por secretarias estaduais e municipais de educação. O abandono da previsão de desaparecimento físico dos índios e da postura integracionista que buscava assimilar os índios à comunidade nacional. compartilhando uma mesma concepção sobre o processo educativo a ser oferecido para as comunidades indígenas. buscando alternativas à submissão desses grupos. bem como pela administração dos recursos orçamentários específicos para o atendimento dessa modalidade. a tônica foi uma só: negar a diferença. o que vem sendo regulamentado em vários textos legais. criou-se uma situação de acefalia no processo de gerenciamento global da assistência educacional aos povos indígenas. Diferentes experiências surgiram em várias regiões do Brasil. através de convênios firmados com o órgão indigenista oficial). de autonomia e que garanta a sua inclusão no universo dos programas governamentais que buscam a satisfação das necessidades básicas de aprendizagem. específica.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 23. constituindo cerca de 210 grupos distintos. Não há. com as parcerias com as áreas de saúde. a serem coletadas pelo censo educacional e pelos censos populacionais. 27. A transferência da responsabilidade pela educação indígena da Fundação Nacional do Índio para o Ministério da Educação não representou apenas uma mudança do órgão federal gerenciador do processo. 9. 11.1 Diagnóstico No Brasil. contemplando as experiências bem sucedidas em curso e reorientando outras para que elaborem regimentos. sua dispersão e heterogeneidade tornam particularmente difícil a implementação de uma política educacional adequada. A estadualização assim conduzida não representou um processo de instituição de parcerias entre órgãos governamentais e entidades ou organizações da sociedade civil. Com a transferência de responsabilidades da FUNAI para o MEC. programas de atendimento aos alunos com altas habilidades nas áreas artística. sua municipalização ocorreram sem a criação de mecanismos que assegurassem uma certa uniformidade de ações que garantissem a especificidade destas escolas. para tanto. é regionalmente desigual e desarticulado.000 índios em terras indígenas. a oferta de programas de educação escolar às comunidades indígenas esteve pautada pela catequização. mas sim uma simples transferência de atribuições e responsabilidades. resgatando a dívida social que o Brasil acumulou em relação aos habitantes originais do território. a fim de atingir. civilização e integração forçada dos índios à sociedade nacional. Grupos organizados da sociedade civil passaram a trabalhar junto com comunidades indígenas. em alguns casos. Há. assimilar os índios. Há também a necessidade de regularizar juridicamente as escolas indígenas. trabalho e previdência. No prazo de três anos a contar da vigência deste plano. A estadualização das escolas indígenas e. um novo significado e um novo sentido. assistência social. Nesse processo. organizar e pôr em funcionamento em todos os sistemas de ensino um setor responsável pela educação especial. Só em anos recentes esse quadro começou a mudar. O tamanho reduzido da população indígena. Dos missionários jesuítas aos positivistas do Serviço de Proteção aos Índios. trabalho e previdência e com as organizações da sociedade civil. assistência social. currículos. do ensino catequético ao ensino bilíngue. Em que pese a boa vontade de setores de órgãos governamentais. desde o século XVI. os Estados e os Municípios. o que dificulta a implementação de uma política nacional que assegure a especificidade do modelo de educação intercultural e bilíngue às comunidades indígenas. Aumentar os recursos destinados à educação especial. atestado em avaliação conduzida pelo respectivo sistema de ensino. permeado por experiências fragmentadas e descontínuas. a partir do primeiro ano deste plano. 28. no que diz respeito a essa modalidade de ensino. intercultural e bilíngüe. hoje. Implantar gradativamente. 9. em dez anos. nas ações referidas nas metas nº 6. materiais didático-pedagógicos e conteúdos programáticos adaptados às particularidades étno-culturais e linguísticas próprias a cada povo indígena. construindo projetos educacionais específicos à realidade sociocultural e histórica de determinados grupos indígenas. As pesquisas mais recentes indicam que existem hoje entre 280. Só dessa forma se poderá assegurar não apenas sua sobrevivência física mas também étnica. o quadro geral da educação escolar indígena no Brasil. 14. o mínimo equivalente a 5% dos recursos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino. contando. nos termos da Declaração Mundial sobre Educação para Todos. à formação de professores e ao financiamento e gestão. ainda. que realizem atendimento de qualidade. Assegurar a continuidade do apoio técnico e financeiro às instituições privadas sem fim lucrativo com atuação exclusiva em educação especial. agora cabe aos Estados assumirem tal tarefa. é de particular importância o fato de a Constituição Federal ter assegurado o direito das sociedades indígenas a uma educação escolar diferenciada. Por isso mesmo. . A escola entre grupos indígenas ganhou. muito a ser feito e construído no sentido da universalização da oferta de uma educação escolar de qualidade para os povos indígenas. praticando a interculturalidade e o bilingüismo e adequando-se ao seu projeto de futuro. 25. uma clara distribuição de responsabilidades entre a União. então. 24. a instituição da escola entre grupos indígenas serviu de instrumento de imposição de valores alheios e negação de identidades e culturas diferenciadas.

a serem executados pelas secretarias estaduais ou municipais de educação. com concurso de provas e títulos adequados às particularidades linguísticas e culturais das sociedades indígenas. A coordenação das ações escolares de educação indígena está. Universalizar imediatamente a adoção das diretrizes para a política nacional de educação escolar indígena e os parâmetros curriculares estabelecidos pelo Conselho Nacional de Educação e pelo Ministério da Educação. deve ocorrer em serviço e concomitantemente à sua própria escolarização. Ampliar. 4. 7. 16. dentro de dois anos.3 Objetivos e Metas 1. Adaptar programas do Ministério da Educação de auxílio ao desenvolvimento da educação. Fortalecer e garantir a consolidação. dentro de cinco anos. quer na própria escola indígena. a condução de pesquisas de caráter antropológico visando à sistematização e incorporação dos conhecimentos e saberes tradicionais das sociedades indígenas e à elaboração de materiais didáticopedagógicos. Universalizar. padrões mínimos mais flexíveis de infraestrutura escolar para esses estabelecimentos. Criar. é melhor atendida através de professores índios. 13. o aperfeiçoamento e o reconhecimento de experiências de construção de uma educação diferenciada e de qualidade atualmente em curso em áreas indígenas. programas voltados à produção e publicação de materiais didáticos e pedagógicos específicos para os grupos indígenas. quer em termos do contingente escolar. organizações de apoio aos índios. Instituir e regulamentar. assegurando o fornecimento desses benefícios às escolas. dentro de um ano. a oferta às comunidades indígenas de programas educacionais equivalentes às quatro primeiras séries do ensino fundamental. videotecas e outros materiais de apoio. 12. ao reconhecimento oficial e à regularização legal de todos os estabelecimentos de ensino localizados no interior das terras indígenas e em outras áreas assim como a constituição de um cadastro nacional de escolas indígenas. de forma a contemplar a especificidade da educação indígena. em dez anos. a profissionalização e reconhecimento público do magistério indígena. especialmente no que diz respeito aos conhecimentos relativos aos processos escolares de ensino-aprendizagem. a aplicação pelas escolas indígenas na formulação do seu projeto pedagógico. É preciso reconhecer que a formação inicial e continuada dos próprios índios. cabendo aos Estados e Municípios. 9. 14. estruturar e fortalecer. tanto no que se refere ao projeto pedagógico quanto ao uso de recursos financeiros públicos para a manutenção do cotidiano escolar. as diretrizes curriculares nacionais e os parâmetros curriculares e universalizar. Formular. 10. 9. no que se refere à metodologia e ensino de segundas línguas e ao estabelecimento e uso de um sistema ortográfico das línguas maternas. 6. universidades e organizações ou associações indígenas. vídeos. representa uma grande novidade no sistema educacional do País e exige das instituições e órgãos responsáveis a definição de novas dinâmicas. já existentes. hoje. incluindo bibliotecas. o ensino bilíngue. setores responsáveis pela educação indígena. 2. Proceder. merenda escolar. dentro de um ano. TV Escola. . dentro de um ano. tanto para que estas escolas sejam de fato incorporadas e beneficiadas por sua inclusão no sistema oficial. sempre que possível. que garantam a adaptação às condições climáticas da região e. como transporte escolar. Estabelecer. em dois anos. dentro do prazo máximo de dois anos. incluindo livros. em cinco anos. 3. garantindo a esses professores os mesmos direitos atribuídos aos demais do mesmo sistema de ensino. além de condições sanitárias e de higiene. 15. biblioteca escolar. gradativamente. a sua execução. Criar. 17. a oferta de ensino de 5ª a 8ª série à população indígena. dicionários e outros. A educação bilíngue. elaborados por professores indígenas juntamente com os seus alunos e assessores.2 Diretrizes A Constituição Federal assegura às comunidades indígenas a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. livro didático. quer integrando os alunos em classes comuns nas escolas próximas. quanto para que sejam respeitadas em suas particularidades. 18. Implantar. Assegurar a autonomia das escolas indígenas. Didatismo e Conhecimento 45 8. quer diretamente. através da colaboração das universidades e de instituições de nível equivalente. sob a coordenação geral e com o apoio financeiro do Ministério da Educação. a fim de garantir o acesso ao ensino fundamental pleno. Fortalecer e ampliar as linhas de financiamento existentes no Ministério da Educação para implementação de programas de educação escolar indígena. enquanto professores de suas comunidades. de acordo com o uso social e concepções do espaço próprias de cada comunidade indígena. as técnicas de edificação próprias do grupo. à construção coletiva de conhecimentos na escola e à valorização do patrimônio cultural da população atendida. quer quanto aos seus objetivos e necessidades. Estabelecer e assegurar a qualidade de programas contínuos de formação sistemática do professorado indígena. A proposta de uma escola indígena diferenciada. nas secretarias estaduais de educação.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 9. com níveis de remuneração correspondentes ao seu nível de qualificação profissional. Atribuir aos Estados a responsabilidade legal pela educação indígena. ao mesmo tempo que se lhes ofereça o atendimento adicional necessário para sua adaptação. equipar as escolas indígenas com equipamento didático-pedagógico básico. tanto no Ministério da Educação como nos órgãos estaduais de educação. adequada às peculiaridades culturais dos diferentes grupos. concepções e mecanismos. suas visões de mundo e as situações sociolingüísticas específicas por elas vivenciadas. garantindo a plena participação de cada comunidade indígena nas decisões relativas ao funcionamento da escola. nos sistemas estaduais de ensino. com a incumbência de promovê-la. para uso nas escolas instaladas em suas comunidades. com a criação da categoria de professores indígenas como carreira específica do magistério. sob responsabilidade do Ministério de Educação. à alfabetização. A formação que se contempla deve capacitar os professores para a elaboração de currículos e programas específicos para as escolas indígenas. 5. a categoria oficial de “escola indígena” para que a especificidade do modelo de educação intercultural e bilíngue seja assegurada. acompanhá-la e gerenciá-la. bilíngues ou não. respeitando seus modos de vida. um plano para a implementação de programas especiais para a formação de professores indígenas em nível superior. Estabelecer um programa nacional de colaboração entre a União e os Estados para. Criar. quer através de delegação de responsabilidades aos seus Municípios. de qualidade. 11.

aos instrumentos e materiais pedagógicos e de apoio. ficam baldados quaisquer esforços para alcançar as metas estabelecidas em cada um dos níveis e modalidades do ensino.593 . como componentes essenciais. dentro de um ano. quanto à formulação dos planos de carreira e de remuneração do magistério e do pessoal administrativo e de apoio. IV – MAGISTÉRIO DA EDUCAÇÃO BÁSICA 10. de um lado. Didatismo e Conhecimento 46 . Em coerência com esse diagnóstico. As funções docentes em educação básica.126 . Se. que é um dos objetivos centrais do Plano Nacional de Educação. como meio de combater o desconhecimento. o Plano Nacional de Educação estabelece diretrizes e metas relativas à melhoria das escolas.439. Completo Total Fonte: MEC/INEP: Sinopse Estatística 1996.129.256 172. ainda.Fund.Ensino médio: 365.335 50.250 326.719 1ª à 4ª séries 44.508 ensino médio 18 675 38. à participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e nos conselhos escolares. As funções docentes estão assim distribuídas. especialmente nas regiões agrárias. 20.872 103. Esforços dos sistemas de ensino e. sobre as sociedades e culturas indígenas.119 916.Educação de jovens e adultos: 103. quer.064 .258 501.Funções Docentes . FORMAÇÃO DOS PROFESSORES E VALORIZAÇÃO DO MAGISTÉRIO 10. etc. segundo os dados de 1998 (MEC/INEP/SEEC): . a intolerância e o preconceito em relação a essas populações. Ens. mais do que uma conclusão lógica. Salário digno e carreira de magistério entram. Implantar.581 22. à infra-estrutura.801 365.396 2. Completo Ens.948 48.a formação profissional inicial. cursos de educação profissional. que exige profissionais cada vez mais qualificados e permanentemente atualizados. os Estados e Municípios e em parceria com as instituições de ensino superior.. Sup. considerando que o mesmo docente pode estar atuando em mais de um nível e/ou modalidade de ensino e em mais de um estabelecimento.distribuição nacional por nível de formação e níveis escolares em que atuam – 1998 Níveis e modalidades de atuação Nível de formação Total de funções 65.913 153. somente poderá ser alcançada se for promovida. É preciso que os professores possam vislumbrar perspectivas de crescimento profissional e de continuidade de seu processo de formação. passam de 2 milhões. conforme se vê a seguir: Tabela 19 .356 jovens e adultos 567 1.Educação especial: 37. em vista dos desafios presentes e das novas exigências no campo da educação.Educação infantil: 219. sendo. Sem esta. Essa valorização só pode ser obtida por meio de uma política global de magistério.791 1.968 80.079 17. quer no que diz respeito à formulação das propostas pedagógicas. É preciso criar condições que mantenham o entusiasmo inicial.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 19.715 798. O número de professores é menor. em todas as modalidades de ensino. Avaliação de desempenho também tem importância.Ensino fundamental: 1. 21. Incompl. especificamente. Nota: O mesmo docente pode atuar em mais de um nível/modalidade de ensino e em mais de um estabelecimento. os últimos publicados pelo MEC/INEP/SEEC. aqui. das instituições formadoras em qualificar e formar professores têm se tornado pouco eficazes para produzir a melhoria da qualidade do ensino por meio de formação inicial porque muitos professores se deparam com uma realidade muitas vezes desanimadora. nesse caso.625 661. a qual implica. é uma lição extraída da prática.641 531. A simultaneidade dessas três condições. simultaneamente.051 A análise da distribuição das funções docentes por nível de formação e níveis escolares em que atuam somente pode ser feita sobre os dados de 1996. Médio Completo Ens. nesse contexto.462 32. Promover. quer no tocante aos espaços físicos. . aos meios tecnológicos. a produção de programas de formação de professores de educação a distância de nível fundamental e médio.Fund. a valorização do magistério.356 .744 educação especial 322 847 19. grande número de professores abandona o magistério devido aos baixos salários e às condições de trabalho nas escolas.274 Pré-Esc e Alfabetiz.947 5ª à 8ª séries 712 5. visando à auto sustentação e ao uso da terra de forma equilibrada. há que se repensar a própria formação.Classes de alfabetização: 46. Formar mais e melhor os profissionais do magistério é apenas uma parte da tarefa. 20.1 Diagnóstico A melhoria da qualidade do ensino. desde a educação infantil até a educação superior (e isso não é uma questão meramente técnica de oferta de maior número de cursos de formação inicial e de cursos de qualificação em serviço) por outro lado é fundamental manter na rede de ensino e com perspectivas de aperfeiçoamento constante os bons profissionais do magistério.051 Ens. ao mesmo tempo. a dedicação e a confiança nos resultados do trabalho pedagógico.066. com a colaboração entre a União.147 265.as condições de trabalho.108 37.150 68. contado mais de uma vez. salário e carreira. . Promover a correta e ampla informação da população brasileira em geral. Ano após ano.874 . .043 174.a formação continuada.

e o Poder Público precisa se dedicar prioritariamente à solução deste problema. à educação infantil e. ficaram prejudicados.um sistema de educação continuada que permita ao professor um crescimento constante de seu domínio sobre a cultura letrada. 10. É fundamental que os dados sobre necessidades de qualificação sejam desagregados por Estado. Em alguns lugares. a fim de dimensionar o esforço que em cada um deles deverá ser feito para alcançar o patamar mínimo de formação exigido. com outras ocupações que requerem nível equivalente de formação. O quinto depende dos próprios professores: o compromisso com a aprendizagem dos alunos. A melhoria da qualidade do ensino. Esta exigência.166 professores que possuem formação apenas de ensino fundamental e que deverão cursar pelo menos o ensino médio. Daí por que não basta ser formado num determinado nível de ensino. pelo menos 60% dos recursos do FUNDEF na remuneração do pessoal de magistério em efetivo exercício de suas atividades no ensino fundamental público (Lei Didatismo e Conhecimento 47 9.compromisso social e político do magistério. o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério está fazendo uma extraordinária mudança naqueles Estados e Municípios onde o professor recebia salários muito baixos. Quanto aos da creche.458 professores que atuam na pré-escola precisam fazer o curso de nível médio. nas séries iniciais e finais do ensino fundamental e no ensino médio. A valorização do magistério implica.jornada de trabalho organizada de acordo com a jornada dos alunos. pelo menos. A avaliação do FUNDEF vem apontando as falhas e sugerindo revisões com vistas a solucionar os problemas que vêm ocorrendo. Tratando-se de um processo em curso. o respeito a que têm direito como cidadãos em formação.883 carecem de formação de nível superior. Os quatro primeiros precisam ser supridos pelos sistemas de ensino. antes. sociais e físicas das diferentes faixas etárias carregam modos diversos de encarar os objetos de conhecimento e de aprender. modalidade normal. este plano reforça o propósito através de metas específicas. Um levantamento urgente se faz necessário. as necessidades de formação crescerão na mesma proporção daquelas metas. inferiores ao salário mínimo. Nos Estados e Municípios onde o salário já era mais alto do que o possibilitado pelo FUNDEF. modalidade normal. estão sendo elaborados ou reformulados os planos de carreira do magistério. é a qualificação para a especificidade da tarefa. para o desenvolvimento do País. Em cumprimento à Lei 9.976 precisam obter diploma de nível médio. constitui um compromisso da Nação. não poderá ser cumprido sem a valorização do magistério. mas para atuarem no ensino fundamental. Considerando o grande aumento do número de matrículas nesse nível de ensino. os professores de educação infantil. em 1997. é preciso adquirir o conhecimento da especificidade do processo de construção do conhecimento em cada uma daquelas circunstâncias e faixas etárias. nos Estados. Considerando que este plano fixa metas de expansão e de melhoria da qualidade do ensino. em ambas as modalidades. indispensável para assegurar à população brasileira o acesso pleno à cidadania e a inserção nas atividades produtivas que permita a elevação constante do nível de vida. Quanto às classes de alfabetização: como serão desfeitas. modalidade normal. para dimensionar a demanda e definir a estratégia e os recursos requeridos. nesses dois casos. . para atingirem a qualificação mínima permitida. Chega-se ao número de 58. A implementação de políticas públicas de formação inicial e continuada dos profissionais da educação é uma condição e um meio para o avanço científico e tecnológico em nossa sociedade e.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Se uma função docente correspondesse a um professor. entretanto. Se os 10% dos mínimos constitucionalmente vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino não postos no FUNDEF forem efetivamente destinados. o domínio dos conhecimentos objeto de trabalho com os alunos e dos métodos pedagógicos que promovam a aprendizagem. 97% dos professores têm nível médio ou superior. portanto. art.salário condigno. conforme as diretrizes e metas deste plano. A questão principal. 7o). dentro de uma visão crítica e da perspectiva de um novo humanismo. Para as 4 primeiras séries do ensino fundamental: 94. com licenciatura plena. para que o magistério brasileiro que está atuando nos sistemas de ensino possua o nível de formação mínimo estabelecido pela lei. a valorização do magistério . São 13. . interesse pelo trabalho e participação no trabalho de equipe. de jovens e adultos e de ensino médio.424/96.000. o que deverá ser feito nos planos estaduais. As características psicológicas. os problemas ficarão em parte minimizados. isto é.2 Diretrizes A qualificação do pessoal docente se apresenta hoje como um dos maiores desafios para o Plano Nacional de Educação. concentrada num único estabelecimento de ensino e que inclua o tempo necessário para as atividades complementares ao trabalho em sala de aula. . Para as 4 últimas séries do ensino fundamental: 159. entre 1996 e 1999. é de supor que a quantidade de professores nessa situação seja bem maior. os seguintes requisitos: . uma vez que a produção do conhecimento e a criação de novas tecnologias dependem do nível e da qualidade da formação das pessoas. Devem ser aplicados. depreender-se-ia dessa Tabela a seguinte necessidade de qualificação: Para a educação infantil: 29. dificuldades adicionais para certos Municípios manter o padrão anterior de remuneração. no mercado de trabalho. calculando-se a partir dos dados disponíveis sobre o percentual dos que atuam nesse nível com curso superior.429/96. Assim. . principalmente se houve admissões sem a qualificação mínima exigida. ao ensino médio. As necessidades de qualificação para a educação especial e para a educação de jovens e adultos são pequenas no que se refere ao nível de formação pois. nos Municípios. Para o ensino médio: 44. na escola. se aplica também na formação para o magistério na educação infantil. No campo da remuneração. competitivo. não há dados.uma formação profissional que assegure o desenvolvimento da pessoa do educador enquanto cidadão e profissional. obrigatoriamente.486 necessitam de formação superior. não houve melhoria para os professores. na expectativa de que isso constitua um importante passo e instrumento na valorização do magistério. uma vez que os docentes exercem um papel decisivo no processo educacional. não se trata de qualificar os professores para nelas permanecerem. Os dados acima apontam somente para a necessidade atual. Este compromisso. aliás.

g) análise dos temas atuais da sociedade. avaliações e reuniões pedagógicas. dos planos de carreira para o magistério. os novos níveis de remuneração em todos os sistemas de ensino. portanto. organizados a partir das necessidades expressas pelos professores. 10. f) domínio das novas tecnologias de comunicação e da informação e capacidade para integrá-las à prática do magistério. A formação continuada do magistério é parte essencial da estratégia de melhoria permanente da qualidade da educação. os professores em exercício em todo o território nacional. integrando a teoria à prática pedagógica. i) trabalho coletivo interdisciplinar. 4. pelo lado dos profissionais do magistério. programas de formação de professores. em todos os sistemas de ensino. 87. somente admitir professores e demais profissionais de educação que possuam as qualificações mínimas exigidas no art. (VETADO) 5. sua realização incluirá sempre uma parte presencial. identificar e mapear. assegurando a promoção por mérito. gradualmente. . em dois anos. a partir do primeiro ano deste plano. aos seguintes princípios: a) sólida formação teórica nos conteúdos específicos a serem ensinados na Educação Básica. promoção e afastamentos periódicos para estudos que levem em conta as condições de trabalho e de formação continuada e a avaliação do desempenho dos professores. bem como nos conteúdos especificamente pedagógicos. A partir da entrada em vigor deste PNE. é indispensável que níveis mais elevados correspondam a exigências maiores de qualificação profissional e de desempenho.3 Objetivos e Metas 1. k) desenvolvimento do compromisso social e político do magistério. As instituições de formação em nível médio (modalidade Normal). que oferecem a formação admitida para atuação na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental formam os profissionais. e) pesquisa como princípio formativo. funcionários administrativos e de apoio que atuam na escola. c) atividade docente como foco formativo. de modo a elaborar-se. Aquela relativa aos professores que atuam na esfera privada será de responsabilidade das respectivas instituições. portadores de diplomas de licenciatura e de habilitação de nível médio para o magistério. que não possuem. do bom desempenho na atividade. 7. elaborados e aprovados de acordo com as determinações da Lei nº. deverá ser oferecido também nas suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. Quando feita na modalidade Didatismo e Conhecimento 48 de educação a distância. a formação dos profissionais para as áreas técnicas e administrativas deve esmerar-se em oferecer a mesma qualidade dos cursos para o magistério. nos termos do art. 6. Na formação inicial é preciso superar a histórica dicotomia entre teoria e prática e o divórcio entre a formação pedagógica e a formação no campo dos conhecimentos específicos que serão trabalhados na sala de aula. de formas de gestão democrática do ensino. igualmente. deverá dar especial atenção à formação permanente (em serviço) dos profissionais da educação. segundo o preceito constitucional. 62 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Garantir a implantação.424/96 e a criação de novos planos. Nos Municípios onde a necessidade de novos professores é elevada e é grande o número de professores leigos. da cultura e da economia. j) vivência. que se encontrem fora do sistema de ensino. 62 da LDB. e visará à abertura de novos horizontes na atuação profissional. possibilitando-lhes a formação exigida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. há que se prever na carreira sistemas de ingresso. política e pedagógica que se considera necessário. Este Plano. para o que será necessário formar professores dessas mesmas comunidades. de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. em quaisquer de seus níveis e modalidades. a habilitação de nível médio para o magistério. já no primeiro ano deste PNE. A educação escolar não se reduz à sala de aula e se viabiliza pela ação articulada entre todos os agentes educativos . 3. durante o curso. cumprida em um único estabelecimento escolar. da garantia de condições adequadas de formação. o diagnóstico da demanda de habilitação de professores leigos e organizarse. no caso de os antigos ainda não terem sido reformulados segundo aquela lei. h) inclusão das questões relativas à educação dos alunos com necessidades especiais e das questões de gênero e de etnia nos programas de formação. o financiamento e a manutenção dos programas como ação permanente e a busca de parceria com universidades e instituições de ensino superior. b) ampla formação cultural. Implementar. Por essa razão. com vistas a seu possível aproveitamento. entre outras formas. onde as funções de pesquisa. uma jornada de trabalho de tempo integral. com piso salarial próprio. e l) conhecimento e aplicação das diretrizes curriculares nacionais dos níveis e modalidades da educação básica. Destinar entre 20 e 25% da carga horária dos professores para preparação de aulas. constituída. Quanto à remuneração. 2. cuja atuação incluirá a coordenação. d) contato com a realidade escolar desde o início até o final do curso. Dessa forma. Essa formação terá como finalidade a reflexão sobre a prática educacional e a busca de seu aperfeiçoamento técnico. Garantir. já a partir do primeiro ano deste plano. pelo lado do Poder Público. O ensino fundamental nas comunidades indígenas. técnicos. Identificar e mapear. A formação continuada dos profissionais da educação pública deverá ser garantida pelas secretarias estaduais e municipais de educação. Este plano estabelece as seguintes diretrizes para a formação dos profissionais da educação e sua valorização: Os cursos de formação deverão obedecer. 9. em seu art. ético e político. ensino e extensão e a relação entre teoria e prática podem garantir o patamar de qualidade social. A formação inicial dos profissionais da educação básica deve ser responsabilidade principalmente das instituições de ensino superior. em decorrência do avanço científico e tecnológico e de exigência de um nível de conhecimentos sempre mais amplos e profundos na sociedade moderna.docentes.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS depende. quando conveniente. A formação continuada assume particular importância. de trabalho e de remuneração e. de encontros coletivos. no mínimo.

conhecimentos sobre educação das pessoas com necessidades especiais. É preciso. Generalizar. 10. Ampliar. Garantir. bem como a certificação. no nível federal. de programas de formação. no prazo de dois anos. 70% dos professores de educação infantil e de ensino fundamental (em todas as modalidades) possuam formação específica de nível superior. 28. a médio prazo. Onde ainda não existam condições para formação em nível superior de todos os profissionais necessários para o atendimento das necessidades do ensino. 21. 25. por exemplo. nos sistemas de ensino. Incluir. diretrizes e parâmetros curriculares para os cursos superiores de formação de professores e de profissionais da educação para os diferentes níveis e modalidades de ensino. cursos profissionalizantes de nível médio destinados à formação de pessoal de apoio para as áreas de administração escolar. 17. para a educação de jovens e adultos e para as séries iniciais do ensino fundamental. de forma a tornar possível o cumprimento da meta anterior. a formação de jovens e adultos e a educação infantil. Promover. a gestão escolar. nos currículos e programas dos cursos de formação de profissionais da educação. A receita vinculada à manutenção e desenvolvimento do ensino. em instituições específicas. inclusive para alimentação escolar e. como subsídio à definição de necessidades e características dos cursos de formação continuada. cursos de formação de professores. já no primeiro ano de vigência deste plano. Desenvolver programas de educação a distância que possam ser utilizados também em cursos semipresenciais modulares. Identificar e mapear. todos os professores de ensino médio possuam formação específica de nível superior. Incluir em quaisquer cursos de formação profissional. para todos os níveis e modalidades de ensino. que os sistemas estaduais e municipais de ensino mantenham programas de formação continuada de professores alfabetizadores. entretanto. Os percentuais constitucionalmente vinculados à manutenção e ao desenvolvimento do ensino devem representar o ponto de partida para a formulação e implementação de metas educacionais. seja por meio de criação de novas fontes. equivalia a 325. habilitação de nível médio (modalidade normal). de modo a atender à demanda local e regional por profissionais do magistério graduados em nível superior. dos conhecimentos. elaborando e dando início à implementação. nas instituições públicas de nível superior. que.FINANCIAMENTO E GESTÃO 11. 27. 15. 18. das sociedades indígenas e dos trabalhadores rurais e sua contribuição na sociedade brasileira. a oferta. Criar.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 8. 19.6 bilhões. 14. Definir diretrizes e estabelecer padrões nacionais para orientar os processo de credenciamento das instituições formadoras. estabelecer cursos de nível médio. seja por meio de uma gestão mais eficiente. 26. multimeios e manutenção de infraestruturas escolares. das manifestações artísticas e religiosas do segmento afro-brasileiro. sendo o orçamento da seguridade social da ordem de 105 bilhões. temas específicos da história. não chegou a 4 bilhões. de cursos de especialização voltados para a formação de pessoal para as diferentes áreas de ensino e. os programas de formação em serviço que assegurem a todos os professores a possibilidade de adquirir a qualificação mínima exigida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. para a educação especial. dos Estados e dos Municípios. no prazo de três anos a partir da vigência deste PNE. 11. a partir da colaboração da União. as necessidades de formação inicial e continuada do pessoal técnico e administrativo. 23. dentro de um ano. O orçamento fiscal da União de 1998. obtida em curso de licenciatura plena nas áreas de conhecimento em que atuam. possuam. A vinculação é realizada em relação às receitas resultantes de impostos. de nível médio e superior. Incentivar as universidades e demais instituições formadoras a oferecer no interior dos Estados. 22. observando as diretrizes e os parâmetros curriculares. a partir da constatação da necessidade de maior investimento. em ação conjunta da União. Promover. todos os professores em exercício na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental. Observar as metas estabelecidas nos demais capítulos referentes à formação de professores e valorização do magistério. 24. 9. incluir requisitos referentes às particularidades culturais. desfazer alguns enganos. Garantir que. na sede ou fora dela. Garantir. Desenvolver programas de pós-graduação e pesquisa em educação como centro irradiador da formação profissional em educação. especialmente linguísticas. cursos regulares noturnos e cursos modulares de licenciatura plena que facilitem o acesso dos docentes em exercício à formação nesse nível de ensino. e não à totalidade dos recursos orçamentários. Estabelecer. com base nas diretrizes de que trata a meta nº 8. valor que sequer cobre os gastos com instituições de ensino superior (Tabela 20). O imposto é espécie do gênero tributo. nas instituições de ensino superior públicas.1 Diagnóstico A fixação de um plano de metas exige uma definição de custos assim como a identificação dos recursos atualmente disponíveis e das estratégias para sua ampliação. Garantir que. contando com a parceria das instituições de ensino superior sediadas nas respectivas áreas geográficas. no mesmo padrão dos cursos oferecidos na sede. em particular. para outras áreas que a realidade demonstrar ser necessário. na perspectiva da integração social. de licenciatura plena em instituições qualificadas. específica e adequada às características e necessidades de aprendizagem dos alunos. no mínimo. Os recursos de impostos não constituem sequer a totalidade dos recursos tributários (que incluem taxas e contribuições de melhoria). que observem os princípios definidos na diretriz nº 1 e preparem pessoal qualificado para a educação infantil. dos grupos indígenas. prevendo a continuidade dos estudos desses profissionais em nível superior. Nos concursos de provas e títulos para provimento dos cargos de professor para a educação indígena. . V . inclusive nas modalidades de educação especial e de jovens e adultos. Ampliar a oferta de cursos de mestrado e doutorado na área educacional e desenvolver a pesquisa neste campo. por meio de um programa conjunto da União. 12. a avaliação periódica da qualidade de atuação dos professores. no prazo de 5 anos. da cultura. no prazo de dez anos. o desenvolvimento das competências profissionais e a avaliação da formação inicial e continuada dos professores. 13. 16. no prazo de dez anos. dos Estados e Municípios. dos Estados e dos Municípios. Há uma imagem equivocada de que esta fonte representa valor elevado. Didatismo e Conhecimento 49 20.

1 34.762 11.3 5.413.8 5.711. Didatismo e Conhecimento 50 .360 613 39 1.Jurídicas Contrib.731 3.26 34.067.310.503.4 100.165 reais.1 29.4 11. COFF/CD 1995 a 1998 .0 1998 478 3.634. no Maranhão.2 0 15.250.430.983.326 11.4 0.547 6.214.513 717.4 35.517.8 0 7.733 518 496 932 10.627.8 5.641 603. em São Paulo.512 Fonte : FECAMP – em valores históricos Tabela 22 .4 2.Lei Orçamentária Dada a natureza federativa do Estado brasileiro.489 370 271 356 3.129 167. na reduzida rede estadual. somadas todas as esferas administrativas. a Constituição definiu uma divisão de responsabilidades entre a União.919.763.0 1996 0 4.613 Municípios 7.228.774. o gasto correspondia a 336 reais.696 2.9 37. responsáveis pela maioria das matrículas o valor aplicado não passava de 88 reais.153 % 0 52.099 2.4 25.012 40.768 % 4.Gastos Com Educação – Esferas Federativas – 1997 Ente federativo UNIÃO ESTADOS MUNICÍPIOS % 23.Ministério da Educação .273.8 4. Tabela 21 .7 4.085 % 10.826 738 529 694 2.4 6.4 100.891 152.788 486 259 787 1.132.237.027.440 495 0 620 9.201. verificavam-se graves distorções. Social S/ Lucro das Pessoas.9 6.256.275. antes da aprovação da Emenda Constitucional nº 14.6 47.5 13. CF Salário-Educação Contrib. os Estados e os Municípios.8 6.8 100.643 % 10.831 619 161 0 3. ao passo que nas redes municipais.797.7 4.5 4.0 3.152 2.7 1.119.0 Fonte : SIAFI/PRODASEN .542 917.152 246 0 1.226.8 8.254. estabelecendo ainda a organização dos sistemas de ensino em regime de colaboração.129 8. Social p/ Seguridade Social Fundo de Estabilização Fiscal – FEF Recursos Diretamente arrecadados Recursos de Concessões e Permissões Outros Total 1995 0 3. Por exemplo. Assim.812 9.483.Elaboração.814 Esfera de governo Estados 12.0 1999 1.138 3.474.874 19.1 3. As Tabelas 21 e 22 mostram o retrato dos gastos com educação.3 5. O conjunto dos Município do Maranhão e de Alagoas era responsável por dois terços das matrículas e recebia apenas um terço dos recursos.164 12.317 2.446.685.3 0 6.3 Fonte: Fecamp Em 1995.067.632 530 0 671 9.9 100.3 100.303 2.070 % 0 38.851.0 1997 977 3.085 Todas as esferasconsolidado 23. enquanto nas redes municipais equivalia a 1.5 6.3 2.985.Gastos Diretos com Educação das Administrações Públicas – 1997 Natureza da despesa União Pessoal e encargos sociais Transferência de Assistência e Previdência Outras despesas correntes Investimentos Inversões financeiras Total 4.955. o gasto médio por aluno era de 343 reais.617.842.058.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Tabela 20 .Despesa por Fonte( R$ milhões) Fonte Recursos ordinários Manutenção e desenvolvimento do ensino – art 212.3 19. onde o estado arcava com a maior parte das matrículas do ensino fundamental.927 913.968.5 0 34.6 17.243.valores liquidados 1999 . No extremo oposto.1 0 6.248 3. dois cidadãos do mesmo estado e do mesmo nível de ensino eram tratados de forma absolutamente distinta.074 2.388 575 0 621 9.

.0 Alunos/97 Número 1.0 66.7 7.6 16.1 8.8 3.com a criação de contas únicas e específicas e dos conselhos de acompanhamento e controle social do FUNDEF deu-se mais transparência à gestão. cerca de 39% (2. cota do IPI-Exp).838.7     Com o FUNDEF (B) 324.819 13. cota do ICMS. deflagrou-se um processo de profissionalização da carreira.5     % (B/A) 317 170 145 72 44 129     Fonte : MEC/SEADE – Balanço do primeiro ano do FUNDEF Didatismo e Conhecimento 51 .4 437.2 60. Tabela 24 . É inegável o efeito redistributivo do FUNDEF.7 281.a fixação de um critério objetivo do número de matrículas e a natureza contábil do fundo permitiram colocar os recursos onde estão os alunos e eliminar práticas clientelistas.4 66.0 1. ICMS.963 12. nos Municípios com gasto abaixo do valor mínimo (R$ 315.4 225. dos 5.8 100.9 335.diminuiu consideravelmente o número de classes de alfabetização e de alunos maiores de 7 anos na pré-escola. .159) contavam com um valor por aluno/ano abaixo do valor mínimo nacional de 315 reais.257.00) – 1998 Valor por aluno/ ano (R$1.787.347 5.528 % 14.9 463. decorrentes da Lei Complementar n° 87/96.7 9.159 3.989 314.178.8 124. .1 39. Em 21 dos 26 Estados. a União efetua a complementação.3 1.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Para corrigir esta situação foi concebido o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério.461 434. .193. Conforme indica a Tabela 24.9 12.0 Valor por aluno/ano Antes do FUNDEF (A) 77.4 96. que passou a ser conhecido como FUNDEF. sendo trazidos para o ensino fundamental.002 1.00) Até 100 De 100 a 150 De 150 a 200 De 200 a250 De 250 a 315 Subtotal Outros Municípios Total Municípios Número 308 613 474 370 394 2.6 6.com a subvinculação ao pagamento dos professores melhoraram os salários e foram novamente atraídos para a carreira professores que ocupavam outras posições no mercado de trabalho.2 178. Para o exercício de 1999 a previsão é de que a complementação da União seja de cerca de 610 milhões (Portaria nº 286/99-MF).6 163.8 195.222.8 2. Tabela 23 .096 237. Os núcleos da proposta do FUNDEF são: o estabelecimento de um valor mínimo por aluno a ser despendido anualmente (fixado em 315 reais para os anos de 1998 e 1999).2 258.3 163.7 375.5 124. Em 1998 esta foi equivalente a cerca de 435 milhões (Tabela 23).125.3 405.280 % 13.759. cota do IPI-Exp.3 211. Se o fundo.com a obrigatoriedade da apresentação de planos de carreira com exigência de habilitação. sobretudo no Nordeste – onde as redes municipais são responsáveis por cerca de 50% das matrículas. A maior visibilidade dos recursos possibilitou inclusive a identificação de desvios. o FUNDEF foi o instrumento de uma política que induziu várias outras transformações: .565 4.Origem das Receitas do Fundef – 1998 R$ Mil Receita FPM FPE ICMS IPI-Exp.058 8.) e dos Municípios (FPM. verificou-se uma transferência líquida de recursos das redes estaduais para as municipais.6 11.192.4 33.638.0 211.506 % 5.2     Receita Adicional Bruta (R$ Milhões) 429.1 518.2 100.1 140.506 Municípios brasileiros.Efeitos Financeiros do FUNDEF.0 17.758 8. a redistribuição dos recursos do fundo.9     Variação Do valor por aluno 247.0 Fonte : SIAFI/Tribunal de Contas da União Além de promover a equidade. além da compensação referente às perdas com a desoneração das exportações.315 1.746.003 12.0 389. Este é constituído por uma cesta de recursos equivalentes a 15% de alguns impostos do estado (FPE.006. no âmbito de determinado estado não atingir o valor mínimo.045 1.551 2. segundo o número de matrículas e a subvinculação de 60% de seu valor para o pagamento de profissionais do magistério em efetivo exercício.1 9.740.209 2.435. LC 87/96 Subtotal Complementação da União Total Valor Distribuído 1.6 100.

direcionando-os diretamente às escolas. Tabela 25 . o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA calculou em 4. e dos Legislativos subnacionais. inclusive a eventual criação. ou seja. tendo como objetivo o desenvolvimento de uma gestão responsável.9 3. o FUNDEF constituiu-se em instrumento fundamental para alcançar a meta prioritária da universalização. políticas e técnicas. De 1997 para 1998. em 1998. afigura-se muito modesta. Dado recente da OCDE indica um gasto público em educação no Brasil equivalente a 5% do PIB (Tabela 25). do governo federal para os governos estaduais e municipais e dos governos estaduais para os municipais. O problema deste método é que capta muito bem o que se deve gastar. a meta contida no PL nº 4. A transparência da gestão de recursos financeiros e o exercício do controle social permitirão garantir a efetiva aplicação dos recursos destinados à educação.155/98. educação infantil e ensino médio.Despesas Públicas em Educação.8 6. corrigida a distorção idade-série e aperfeiçoada a gestão. em 1995.6 4. Como apontou Barjas Negri (Financiamento da Educação no Brasil .1997). através de aumento contínuo e progressivo de todas as esferas federativas.dado que só pode ser aferido após a consolidação dos balanços de todos Estados. sem a devida dedução das transferências intragovernamentais destinadas à educação.53% de recursos disponíveis. para aquele exercício.4 5. ao número de 4. Negri procurou em criterioso estudo estimar os recursos potencialmente disponíveis.2% os gastos públicos com educação para o ano de 1995. Este plano propõe que num prazo de dez anos atinjamos um gasto público equivalente a 7% do PIB. Não se devem interpretar estes dados de maneira estática.591 em 1998.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A partir desta redistribuição. Outra é a situação do Brasil.643. de atingir 6.072. para 32. a meta estabelecida pelo PL nº 4. inflacionando os dados da UNESCO” (de 1989. ao órgão gestor e ao regulamentar quais as despesas admitidas como gastos com manutenção e desenvolvimento do ensino. Conforme dispunha o Plano Nacional de Educação para Todos. Isso pode ter elevado indevidamente a estimativa do percentual do PIB. que elaborarão os planos plurianuais e orçamentos que vigorarão no período. ao estabelecer. tanto nos níveis centrais como nos descentralizados.4 4. incluindo os gastos do setor privado (que Negri estima em 1% do PIB). no futuro.1 2. uma vez que requer alteração na Emenda Constitucional nº 14. apenas no setor público o equivalente a 10% do PIB é muito elevada. Em valores atuais. como está previsto na própria legislação.8 5. A partir de 1986 iniciouse a disseminação de informações que continham grave erro metodológico. Negri havia chegado.535. Por outro lado. Partindo deste dado oficial. em 1997. houve um aumento expressivo de 6% nas matrículas. Com o tempo haveria uma estabilização num patamar menor. no § 5º do art. Este esforço inicial é indispensável. de modo a fortalecer sua autonomia (Tabela 26). na medida em que fosse sendo erradicado o analfabetismo. Recentemente. isto é. “há uma grande controvérsia sobre o quanto se gasta com educação no Brasil. Para tanto é necessário o compromisso do Congresso Nacional.7 x 3. Essa profissionalização implica a definição de competências específicas e a dotação de novas capacidades humanas.6 x 3. Para superar esta dificuldade.6 x 5.6 4. Este dado foi informado à OCDE pelo governo brasileiro. em relação ao PIB – 1995 PAÍS AMÉRICA DO NORTE Canadá Estados Unidos México AMÉRICA DO SUL Argentina* BRASIL Chile* Paraguai* Uruguai* ÁSIA Coréia Malásia* Tailândia* EUROPA Áustria Dinamarca França Noruega Portugal Espanha Suécia Reino Unido % do PIB x 5. “a melhoria dos níveis de qualidade do ensino requer a profissionalização tanto das ações do Ministério da Educação e dos demais níveis da administração educativa como a ação nos estabelecimentos de ensino. Municípios e da União. de atingir. A profissionalização requer também a ampliação do leque de diferentes profissões envolvidas na gestão educacional.5 5.8 5. qualquer política de financiamento há de partir do FUNDEF. a partir das vinculações. mas não o quanto se gasta .MEC/INEP.380. De toda sorte. os países desenvolvidos que já fizeram um amplo esforço no período pós-guerra estabilizaram seus gastos. Neste processo foi induzida a formação de Associações de Pais e Mestres ou de Conselhos escolares.” O governo federal vem atuando de maneira a descentralizar recursos.69. Destacam-se as questões de como garantir o financiamento da educação de jovens e adultos. embora trabalhe com a execução o IPEA considera os gastos da função educação e cultura.024.0 4. incluindo-se uma dupla contagem de gastos. Estes aumentaram de 11. mas que constavam ainda do Anuário Estatístico de 1995).5% do PIB.6 Fonte: Base de dados da OCDE *Dados de 1996 Financiamento e gestão estão indissoluvelmente ligados.8 6. Observe-se que. o repasse automático dos recursos vinculados. que tem os enormes desafios discutidos neste plano.3 6. com o objetivo de aumentar a racionalidade e produtividade.173/98. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional facilita amplamente esta tarefa. É certo que alguns ajustes e aperfeiçoamentos são necessários. de um fundo único para toda a educação básica – que não pode ser feito no âmbito deste plano. portanto os gastos apenas com educação. 52 Didatismo e Conhecimento .0 3. superestimando. para 54.0 3. que cresceram de 30. cada ponto percentual significa cerca de 10 bilhões de reais.

por aluno. permite um controle social mais eficaz e evita a aplicação excessiva de recursos nas atividades–meio e as injunções de natureza política. 211. reduzindo a repetência e a evasão e envolvendo mais a família com a educação de seus filhos – ingrediente indispensável para o sucesso escolar. acompanhadas de rigorosas sanções aos agentes públicos em caso de desrespeito a este direito. quem tem alunos. mas o de custo-aluno-qualidade. de nada adiantariam as previsões de dever do Estado. Assim. no bojo do processo de abertura política. adotadas em alguns Estados e Municípios. definido em termos precisos na LDB (art. os que cumprem são premiados. e não se reduza a um jogo ex post de justificação para efeito de prestação de contas. Daí emerge a primeira diretriz básica para o financiamento da Educação: a vinculação constitucional de recursos à manutenção e desenvolvimento do ensino. Partindo deste enfoque. Para enfrentar esta necessidade.2 Diretrizes Ao tratar do financiamento da Educação.Mensagem presidencial ao Congresso Nacional/1999 *a partir de 1997. levava a uma diferença significativa de gasto por aluno. cuja preocupação central foi a equidade. Além disso. a diversidade da capacidade de arrecadação de Estados e Municípios. a Educação e seu financiamento não serão tratados neste PNE como um problema econômico.800 28. inclusive a econômica. adotada pela primeira vez pela Constituição de 1934.§ 4º. o que permitiu manter níveis razoáveis de investimento na educação pública. definido nacionalmente. O avanço significativo dos indicadores educacionais alcançado na década de 90 apoiou-se na vinculação de recursos. Agora. Até então. O dinheiro é aplicado na atividade-fim: recebe mais quem tem rede. mas como um uma questão de cidadania.287. CF e art. mas aos alunos em cada escola. pelo Estado e pela sociedade. a partir da Lei nº 9533/97. em primeiro lugar. ressurgindo com a redemocratização em 1946. As políticas que associam a renda mínima à educação. houve uma drástica redução de gastos na educação – como demonstrou o Senador João Calmon nos debates que precederam a aprovação de sua proposta. ainda.672.583 26. os sistemas de ensino devem ajustar suas contribuições financeiras a este padrão desejado. CF) pela família. de nada adianta receber dos fundos educacionais um valor por aluno e praticar gastos que privilegiem algumas escolas em detrimento das escolas dos bairros pobres. mas também como condição de uma gestão mais eficaz. e particularmente à União cabe fortalecer sua função supletiva.428 304. 60. se não fossem dados os instrumentos para garanti-lo. Por se tratar não propriamente de um programa educacional. e destes entre si.632 Número de alunos 28.337 Fonte: FNDE (Relatório de Atividades e Gerência do Programa).350. é preciso reconhecê-la como um valor emsi. o fundamento da obrigação do Poder Público de financiá-la é o fato de constituir um direito. mas de um programa social de amplo alcance. com critérios educacionais. ainda uma vez. por ano. 227. é importante o conceito operacional de valor mínimo gasto por aluno. O fundo contábil permite que a vinculação seja efetiva. Com o FUNDEF inaugurou-se importante diretriz de financiamento: a alocação de recursos segundo as necessidades e compromissos de cada sistema. dá-se um enfoque positivo ao financiamento da Educação. ou. o desafio é obter a adequação da aprendizagem a um padrão mínimo de qualidade (art.229 31. 211. diretamente pela União em áreas em que as crianças se encontrem em situação de risco. 205.857. pelo simples fato de estar matriculado numa escola estadual ou municipal. Este deve ser a referência para a política de financiamento da Educação. Aqui o conceito chave já não é mais o de valor mínimo.4º.760 106. Há que se combinar .262 Valor em R$ mil 229. Instaurada a equidade. com a aprovação da Emenda Calmon. Desta forma. sendo consolidada pela Constituição de 1988.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Tabela 26 . É fundamental fortalecer a educação como um dos alicerces da rede de proteção social. ADCT). requisito para o exercício pleno da cidadania. caput.743 279. para o desenvolvimento humano e para a melhoria da qualidade de vida da população. Para tanto. através do aumento dos recursos destinados à complementação do FUNDEF. apenas escolas com mais de 20 alunos ** Dados até julho 11.§ 1º.348 259. A LDB preceitua que aos Municípios cabe exercer a função redistributiva com relação a suas escolas. IX) como “a variedade e quantidade mínimas. Tratase de dar às crianças real possibilidade de acesso e permanência na escola. Cumpre consolidar e aperfeiçoar outra diretriz introduzida a partir do FUNDEF. determinou expressamente que a Educação é um direito de todos e dever do Estado e da família (art. Embora a educação tenha outras dimensões relevantes.306 167. Além disso.Programa Dinheiro na Escola 1995 a 1998 – Atendimento Ano 1995 1996 1997 1998** Número de escolas* 144. Nos interregnos em que o princípio da vinculação foi enfraquecido ou suprimido. têm-se revelado instrumentos eficazes de melhoria da qualidade de ensino.711 129. A equidade refere-se não só aos sistemas. a vinculação de recursos impõe-se não só pela prioridade conferida à Educação. A Constituição Federal preceitua que à União compete exercer as funções redistributiva e supletiva de modo a garantir a equalização de oportunidades educacionais (art. de insumos indispensáveis ao desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem”. Somente a garantia de recursos e seu fluxo regular permitem o planejamento educacional. A Constituição de 1988. e. sendo a base do planejamento. Embora encontre ainda alguma resistência em alguns nichos da tecnocracia econômica mais avessos ao social. devendo ser assegurada “com absoluta prioridade” à criança e ao adolescente (art. aqueles que não cumprissem determinadas disposições eram punidos. por iniciativa própria ou com apoio da União. Outra diretriz importante é a gestão de recursos da educação por meio de fundos de natureza contábil e contas específicas.CF). Assim. há estímulo para a universalização do ensino. Observe-se a propósito que a Educação é uma responsabilidade do Estado e da 53 Didatismo e Conhecimento . sintonizada com os valores jurídicos que emanam dos documentos que incorporam as conquistas de nossa época – tais como a Declaração Universal de Direitos do Homem e a Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança –. A educação deve ser considerada uma prioridade estratégica para um projeto nacional de desenvolvimento que favoreça a superação das desigualdades na distribuição de renda e a erradicação da pobreza. deve ser financiado com recursos oriundos de outras fontes que não as destinadas à educação escolar em senso estrito. as ações para tanto com aquelas dirigidas ao combate do trabalho infantil. expressos pelo número de matrículas. § 1º).

é importante implantar sistemas de informação. Evidentemente. os sindicatos.3. 30. para o Ministério da Justiça em relação a educação de jovens e adultos para presos e egressos. para a qualificação. 9. A Educação não é uma preocupação confinada em gueto de um segmento. inclusive. discriminando os valores correspondentes a cada uma das alíneas do art. cota do IRRF e do IOF-Ouro. 70 e 71 da Lei de Diretrizes e Bases. CF e art. 6. nos níveis estadual e municipal) da área há de ter o papel central no que se refere à educação escolar. poder-se-á consolidar um sistema de avaliação . mas também. Criar mecanismos que viabilizem. não pode ser negligenciada a função supletiva dos Estados (art. como é o caso do transporte escolar. O MEC há de ter uma atuação conjunta com o Ministério do Trabalho. Portanto. a partir da divisão de responsabilidades previstas na Carta Magna. de 15% dos recursos destinados ao ensino fundamental cujas fontes não integrem o FUNDEF: nos Municípios (IPTU. nos Estados.CF) e da União (art. parcela da dívida ativa tributária que seja resultante de impostos). para o Ministério das Comunicações. de educação de jovens e adultos para a população de 15 anos e mais. com o aprimoramento da base de dados educacionais do aperfeiçoamento dos processos de coleta e armazenamento de dados censitários e estatísticas sobre a educação nacional. que definem os gastos admitidos como de manutenção e desenvolvimento do ensino e aqueles que não podem ser incluídos nesta rubrica. 7. não só entre União. Envolve todo o governo e deve permear todas as suas ações.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS sociedade e não apenas de um órgão. em áreas de atuação comum. 3 e 4. 4. Estabelecer. Estabelecer mecanismos destinados a assegurar o cumprimento dos arts. nos quais devem ser aplicados. mas com o objetivo de conectá-las em rede com suas escolas e com o MEC. Mas há também que se articular com outros ministérios (ou secretarias). cuja competência deve ser ampliada. Mobilizar os Tribunais de Contas. 11. preferencialmente. como a educação infantil. entre as metas dos planos plurianuais vigentes nos próximos dez anos. Didatismo e Conhecimento . nos Municípios mais pobres. Em nível de gestão de sistema na forma de Conselhos de Educação que reúnam competência técnica e representatividade dos diversos setores educacionais. recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador . os Conselhos de Acompanhamento e Controle Social do FUNDEF. para a Assistência Social. 69 da Lei de Diretrizes e Bases. Há competências concorrentes. Implementar mecanismos de fiscalização e controle que assegurem o rigoroso cumprimento do art. devendo as unidades escolares contar com repasse direto de recursos para desenvolver o essencial de sua proposta pedagógica e para despesas de seu cotidiano. ISS . Finalmente. Estabelecer a utilização prioritária para a educação de jovens e adultos. como os Conselhos de Acompanhamento e Controle Social do FUNDEF. Ciência e Tecnologia e assim por diante. O mesmo raciocínio vale para a Assistência Social e para a Saúde. inicialmente nas secretarias. de sorte que o que ocorre num determinado nível repercute nos demais. a previsão do suporte financeiro às metas constantes deste PNE. Estados e Municípios. 10. do IRRF e do IOF-Ouro. órgãos de gestão nos sistemas de ensino.§ 1º . fóruns e planejamento interestaduais.1 Financiamento 1. 211. Entre esses mecanismos deve estar a aferição anual pelo censo escolar da efetiva automaticidade dos repasses. formação e treinamento de trabalhadores. constitui diretriz da maior importância a transparência. por meio da formação de conselhos escolares de que participe a comunidade educacional e formas de escolha da direção escolar que associem a garantia da competência ao compromisso com a proposta pedagógica emanada dos conselhos escolares e a representatividade e liderança dos gestores escolares. no que se refere aos recursos para a universalização que devem ser disponibilizados em condições privilegiadas para as escolas públicas. tanto no que se refere aos aspectos quantitativos como qualitativos. para os Ministérios da Cultura. cota do ITR. Para que a gestão seja eficiente há que se promover o autêntico federalismo em matéria educacional. regionais e intermunicipais. algumas ações devem envolver Estados e Municípios. 212 da Constituição Federal em termos de aplicação dos percentuais mínimos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino. a educação infantil como prioridade para a aplicação dos 10% dos recursos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino não reservados para o ensino fundamental. Para que seja possível o planejamento educacional.FAT.FUNPEN . 3. as Procuradorias da União e dos Estados. de forma a alcançar todos os recursos destinados à Educação Básica. no que concerne à erradicação da pobreza. 11.VI. nos Municípios. cada sistema de ensino 54 há de implantar gestão democrática. administrativa e de gestão financeira. Deve-se promover a efetiva desburocratização e descentralização da gestão nas dimensões pedagógica. Assim sendo. uma diretriz importante é o aprimoramento contínuo do regime de colaboração. Quanto à distribuição e gestão dos recursos financeiros. ITBI. A adoção de ambos os sistemas requer a formação de recursos humanos qualificados e a informatização dos serviços. provido por Estados e Municípios. sempre que possível.3 Objetivos e Metas 11. A educação é um todo integrado. (VETADO) 2. 30. CF). Garantir. devem ser fortalecidas as instâncias de controle interno e externo. 70 da LDB. entre entes da mesma esfera federativa. Ainda que consolidadas as redes de acordo com a vontade política e capacidade de financiamento de cada ente. Estabelecer programa nacional de apoio financeiro e técnico-administrativo da União para a oferta. parcela da dívida ativa tributária que seja resultante de impostos).indispensável para verificar a eficácia das políticas públicas em matéria de educação. o ensino médio como prioridade para a aplicação dos 10% dos recursos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino não reservados para o ensino fundamental. que não teve acesso ao ensino fundamental. as organizações não-governamentais e a população em geral para exercerem a fiscalização necessária para o cumprimento das metas nº 2. que é de responsabilidade dos Municípios. no que se refere à educação infantil. Estabelecer. Este deve dar-se. nos Estados e no Distrito Federal (IPVA. imediatamente. o Ministério (ou Secretaria. ITCM.* Entre esses mecanismos estará o demonstrativo de gastos elaborado pelos poderes executivos e apreciado pelos legislativos com o auxílio dos tribunais de contas respectivos. Desta maneira. VI. (VETADO) 8. como é o caso do ensino fundamental. contando com recursos do Fundo Penitenciário. no exercício de sua autonomia. Mesmo na hipótese de competência bem definida. o cumprimento do § 5º do art. que assegura o repasse automático dos recursos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino para o órgão responsável por este setor. mediante ações. Esporte e Turismo. reunindo competências seja em termos de apoio técnico ou recursos financeiros. em nível das unidades escolares. 5. como os Conselhos de Educação e os órgãos de controle social.

Adaptações e medidas corretivas conforme a realidade for mudando ou assim que novas exigências forem aparecendo dependerão de um bom acompanhamento e de uma constante avaliação de percurso. 20. 50% dos diretores. recursos do Fundo Penitenciário para a educação de presos e egressos. todas as escolas estejam no sistema. Promover a equidade entre os alunos dos sistemas de ensino e das escolas pertencentes a um mesmo sistema de ensino. 23. Estabelecer. com auxílio técnico e financeiro da União. com auxílio técnico e financeiro da União. estaduais e municipais. em cinco anos pelo menos. 36. Conselhos da Acompanhamento e Controle Social dos recursos destinados à Educação não incluídos no FUNDEF. Desenvolver padrão de gestão que tenha como elementos a destinação de recursos para as atividades-fim. em dez anos. com auxílio técnico e financeiro da União. as secretarias estaduais de educação. Informatizar. em três anos. recursos da Saúde e Assistência Social para a educação infantil. Informatizar. 35. a partir de critérios objetivos. planejamento e avaliação. Ampliar o atendimento dos programas de renda mínima associados à educação. (VETADO) 14. em consonância com este PNE. todas as escolas de mais de 50 alunos do ensino fundamental e Médio. Instituir em todos os níveis. programas diversificados de formação continuada e atualização visando a melhoria do desempenho no exercício da função ou cargo de diretores de escolas. Definir. que estimulem a iniciativa e a ação inovadora das instituições escolares. em cada categoria de dados coletados. 18. pelo menos. quando necessários. 43. 29. de tal forma que. nos Estados. 44. através do repasse de recursos diretamente às escolas para pequenas despesas de manutenção e cumprimento de sua proposta pedagógica. em todos os Estados. recursos destinados à universalização das telecomunicações. Estabelecer. com auxílio técnico e financeiro da União e dos Estados. integrando-as em rede ao sistema nacional de estatísticas educacionais. Organizar a educação básica no campo. Estabelecer. Promover a autonomia financeira das escolas mediante repasses de recursos. de sorte a garantir o acesso e permanência na escola a toda população em idade escolar no País. A União deverá calcular o valor mínimo para o custo-aluno para efeito de suplementação dos fundos estaduais rigorosamente de acordo com o estabelecido pela Lei nº 9. pelo menos. de forma a permitir o cumprimento da meta anterior. em cinco anos. 13. o foco na aprendizagem dos alunos e a participação da comunidade. à criação de condições de acesso da escola. em cinco anos. normas de gestão democrática do ensino público. Estimular a criação de Conselhos Municipais de Educação e apoiar tecnicamente os Municípios que optarem por constituir sistemas municipais de ensino. Consolidar e aperfeiçoar o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica – SAEB e o censo escolar. às redes de comunicação informática. 38. 11. conectando-as em rede com as secretarias de educação. a administração das escolas com mais de 100 alunos. 33. um programa de avaliação de desempenho que atinja. Informatizar progressivamente. compartilhando responsabilidades. as necessidades dos setores de informação e estatísticas educacionais. Assegurar recursos do Tesouro e da Assistência Social para programas de renda mínima associados à educação.Observar as metas estabelecidas nos demais capítulos referentes a financiamento e gestão. nos levantamentos estatísticos e no censo escolar informação acerca do gênero. em cinco anos. 25. 41. de forma a reduzir desigualdades regionais e desigualdades internas a cada sistema. Estabelecer políticas e critérios de alocação de recursos federais. 40.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 12. 39. 24. 31. Editar pelos sistemas de ensino. a equidade. 16. para suprir.000 habitantes. todas as secretarias municipais de educação. qualquer que seja sua origem. que envolva a comunidade educacional. com a participação da comunidade. 17. recursos do Trabalho para a qualificação dos trabalhadores. preferencialmente com cursos de especialização. .3. gradualmente. administrativos e financeiros do Ministério de Educação e de outros Ministérios nas áreas de atuação comum. Ampliar a oferta de cursos de formação em administração escolar nas instituições públicas de nível superior. em dez anos. 34. 15. através de apoio técnico a consórcios intermunicipais e colegiados regionais consultivos. programas de acompanhamento e avaliação dos estabelecimentos de educação infantil. Estabelecer. 32. Promover medidas administrativas que assegurem a permanência dos técnicos formados e com bom desempenho nos quadros das secretarias. pelo menos. a autonomia da escola. com a colaboração técnica e financeira da União. 26. atendendo. todas as escolas contem com diretores adequadamente formados em nível superior. 28. normas e diretrizes gerais desburocratizantes e flexíveis. 21. Integrar ações e recursos técnicos. de modo a preservar as escolas rurais no meio rural e imbuídas dos valores rurais.424/96. diretamente aos estabelecimentos públicos de ensino. possuam formação específica em nível superior e que. Elaborar e executar planos estaduais e municipais de educação. nos Municípios. Apoiar tecnicamente as escolas na elaboração e execução de sua proposta pedagógica. em cada sistema de ensino. em cinco anos. 27. nos moldes dos Conselhos de Acompanhamento e Controle Social do FUNDEF. no final da década. em todos os Estados. Assegurar que.2 Gestão 19. 42. 37. a metade dos Municípios com mais de 20. Estimular a colaboração entre as redes e sistemas de ensino municipais. Definir padrões mínimos de qualidade da aprendizagem na Educação Básica numa Conferência Nacional de Educação. VI – ACOMPANHAMENTO E AVALIAÇÃO DO PLANO Um plano da importância e da complexidade do PNE tem que prever mecanismos de acompanhamento e avaliação que lhe dêem segurança no prosseguimento das ações ao longo do tempo e nas diversas circunstâncias em que se desenvolverá. programas de formação do pessoal técnico das secretarias. com a colaboração dos Municípios e das universidades.Incluir. 22. Aperfeiçoar o regime de colaboração entre os sistemas de ensino com vistas a uma ação coordenada entre entes federativos. a partir das funções constitucionais próprias e supletivas e das metas deste PNE. Assegurar a autonomia administrativa e pedagógica das escolas e ampliar sua autonomia financeira. Didatismo e Conhecimento 55 30. a descentralização.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
Será preciso, de imediato, iniciar a elaboração dos planos estaduais em consonância com este Plano Nacional e, em seguida, dos planos municipais, também coerentes com o plano do respectivo Estado. Os três documentos deverão compor um conjunto integrado e articulado. Integrado quanto aos objetivos, prioridades, diretrizes e metas aqui estabelecidas. E articulado nas ações, de sorte que, na soma dos esforços das três esferas, de todos os Estados e Municípios mais a União, chegue-se às metas aqui estabelecidas. A implantação e o desenvolvimento desse conjunto precisam de uma coordenação em âmbito nacional, de uma coordenação em cada Estado e no Distrito Federal e de uma coordenação na área de cada Município, exercidas pelos respectivos órgãos responsáveis pela Educação. Ao Ministério da Educação cabe um importante papel indutor e de cooperação técnica e financeira. Trata-se de corrigir acentuadas diferenças regionais, elevando a qualidade geral da educação no País. Os diagnósticos constantes deste plano apontam algumas, nos diversos níveis e/ou modalidades de ensino, na gestão, no financiamento, na formação e valorização do magistério e dos demais trabalhadores da educação. Há muitas ações cuja iniciativa cabe à União, mais especificamente ao Poder Executivo Federal. E há metas que precisam da cooperação do Governo Federal para serem executadas, seja porque envolvem recursos de que os Estados e os Municípios não dispõem, seja porque a presença da União confere maior poder de mobilização e realização. Desempenharão também um papel essencial nessas funções o Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação - CONSED e a União Nacional de Dirigentes Municipais de Educação - UNDIME, nos temas referentes à Educação Básica, assim como o Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras - CRUB, naqueles relativos à educação superior. Considerase, igualmente, muito importante a participação de entidades da comunidade educacional, dos trabalhadores da educação, dos estudantes e dos pais reunidos nas suas entidades representativas. É necessário que algumas entidades da sociedade civil diretamente interessadas e responsáveis pelos direitos da criança e do adolescente participem do acompanhamento e da avaliação do Plano Nacional de Educação. O art. 227, § 7o, da Constituição Federal determina que no atendimento dos direitos da criança e do adolescente (incluídas nesse grupo as pessoas de 0 a 18 anos de idade) seja levado em consideração o disposto no art. 204, que estabelece a diretriz de “participação da população, por meio de organizações representativas, na formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis”. Além da ação direta dessas organizações há que se contar com a atuação dos conselhos governamentais com representação da sociedade civil como o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente CONANDA, os Conselhos Estaduais e Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente e os Conselhos Tutelares (Lei n. 8069/90). Os Conselhos de Acompanhamento e Controle Social do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério - FUNDEF, organizados nas três esferas administrativas, deverão ter, igualmente, corresponsabilidade na boa condução deste plano. A avaliação do Plano Nacional de Educação deve valerse também dos dados e análises qualitativas e quantitativas fornecidos pelo sistema de avaliação já operado pelo Ministério da Educação, nos diferentes níveis, como os do Sistema de Avaliação do Ensino Básico – SAEB; do Exame Nacional do Ensino Didatismo e Conhecimento
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Médio – ENEM; do Sistema de Avaliação do Ensino Superior (Comissão de Especialistas, Exame Nacional de Cursos, Comissão de Autorização e Reconhecimento), avaliação conduzida pela Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES. Além da avaliação contínua, deverão ser feitas avaliações periódicas, sendo que a primeira será no quarto ano após a implantação do PNE. A organização de um sistema de acompanhamento e controle do PNE não prescinde das atribuições específicas do Congresso Nacional, do Tribunal de Contas da União - TCU e dos Tribunais de Contas dos Estados - TCEs, na fiscalização e controle. Os objetivos e as metas deste plano somente poderão ser alcançados se ele for concebido e acolhido como Plano de Estado, mais do que Plano de Governo e, por isso, assumido como um compromisso da sociedade para consigo mesma. Sua aprovação pelo Congresso Nacional, num contexto de expressiva participação social, o acompanhamento e a avaliação pelas instituições governamentais e da sociedade civil e a consequente cobrança das metas nele propostas, são fatores decisivos para que a educação produza a grande mudança, no panorama do desenvolvimento, da inclusão social, da produção científica e tecnológica e da cidadania do povo brasileiro.

3 CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL (ART. 205 A 214).

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 CAPÍTULO III DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO DESPORTO Seção I DA EDUCAÇÃO Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII - garantia de padrão de qualidade.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) Parágrafo único. A lei disporá sobre as categorias de trabalhadores considerados profissionais da educação básica e sobre a fixação de prazo para a elaboração ou adequação de seus planos de carreira, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. § 1º É facultado às universidades admitir professores, técnicos e cientistas estrangeiros, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 11, de 1996) § 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa científica e tecnológica.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 11, de 1996) Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009)(Vide Emenda Constitucional nº 59, de 2009) II - progressiva universalização do ensino médio gratuito; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino; IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um; VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando; VII - atendimento ao educando, em todas as etapas da educação básica, por meio de programas suplementares de material didáticoescolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) § 1º - O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo. § 2º - O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade competente. § 3º - Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela freqüência à escola. Art. 209. O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as seguintes condições: I - cumprimento das normas gerais da educação nacional; II - autorização e avaliação de qualidade pelo Poder Público. Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais. Didatismo e Conhecimento
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§ 1º - O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. § 2º - O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada às comunidades indígenas também a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino. § 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios, financiará as instituições de ensino públicas federais e exercerá, em matéria educacional, função redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no ensino fundamental e médio. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 4º Na organização de seus sistemas de ensino, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios definirão formas de colaboração, de modo a assegurar a universalização do ensino obrigatório. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) § 5º A educação básica pública atenderá prioritariamente ao ensino regular. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino. § 1º - A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, ou pelos Estados aos respectivos Municípios, não é considerada, para efeito do cálculo previsto neste artigo, receita do governo que a transferir. § 2º - Para efeito do cumprimento do disposto no «caput» deste artigo, serão considerados os sistemas de ensino federal, estadual e municipal e os recursos aplicados na forma do art. 213. § 3º A distribuição dos recursos públicos assegurará prioridade ao atendimento das necessidades do ensino obrigatório, no que se refere a universalização, garantia de padrão de qualidade e equidade, nos termos do plano nacional de educação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) § 4º - Os programas suplementares de alimentação e assistência à saúde previstos no art. 208, VII, serão financiados com recursos provenientes de contribuições sociais e outros recursos orçamentários. § 5º A educação básica pública terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salário-educação, recolhida pelas empresas na forma da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)(Vide Decreto nº 6.003, de 2006)

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
§ 6º As cotas estaduais e municipais da arrecadação da contribuição social do salário-educação serão distribuídas proporcionalmente ao número de alunos matriculados na educação básica nas respectivas redes públicas de ensino. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) Art. 213. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas, podendo ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, definidas em lei, que: I - comprovem finalidade não-lucrativa e apliquem seus excedentes financeiros em educação; II - assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária, filantrópica ou confessional, ou ao Poder Público, no caso de encerramento de suas atividades. § 1º - Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de estudo para o ensino fundamental e médio, na forma da lei, para os que demonstrarem insuficiência de recursos, quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública na localidade da residência do educando, ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão de sua rede na localidade. § 2º - As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão receber apoio financeiro do Poder Público. Art. 214. A lei estabelecerá o plano nacional de educação, de duração decenal, com o objetivo de articular o sistema nacional de educação em regime de colaboração e definir diretrizes, objetivos, metas e estratégias de implementação para assegurar a manutenção e desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis, etapas e modalidades por meio de ações integradas dos poderes públicos das diferentes esferas federativas que conduzam a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) I - erradicação do analfabetismo; II - universalização do atendimento escolar; III - melhoria da qualidade do ensino; IV - formação para o trabalho; V - promoção humanística, científica e tecnológica do País. VI - estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do produto interno bruto. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) Art. 1º A Constituição Federal passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 7º ..................................................................................... ................................................................................................. XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5 (cinco) anos de idade em creches e pré-escolas; ........................................................................................”(NR) “Art. 23. ................................................................................... Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para a cooperação entre a União e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional.”(NR) “Art. 30. ................................................................................... ................................................................................................. VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, programas de educação infantil e de ensino fundamental; ........................................................................................”(NR) “Art. 206. ................................................................................. ................................................................................................. V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; ................................................................................................. VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal. Parágrafo único. A lei disporá sobre as categorias de trabalhadores considerados profissionais da educação básica e sobre a fixação de prazo para a elaboração ou adequação de seus planos de carreira, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.”(NR) “Art. 208. ................................................................................. .................................................................................................. IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade; ........................................................................................”(NR) “Art. 211. ................................................................................. ................................................................................................ § 5º A educação básica pública atenderá prioritariamente ao ensino regular.”(NR) “Art. 212. ................................................................................. ................................................................................................ § 5º A educação básica pública terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salário-educação, recolhida pelas empresas na forma da lei. § 6º As cotas estaduais e municipais da arrecadação da contribuição social do salário-educação serão distribuídas proporcionalmente ao número de alunos matriculados na educação básica nas respectivas redes públicas de ensino.”(NR) Art. 2º O art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias passa a vigorar com a seguinte redação: (Vigência)

4 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 53, DE 19/12/2006.

EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 53, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2006 Dá nova redação aos arts. 7º, 23, 30, 206, 208, 211 e 212 da Constituição Federal e ao art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. AS MESAS DA CÂMARA DOS DEPUTADOS E DO SENADO FEDERAL, nos termos do § 3º do art. 60 da Constituição Federal, promulgam a seguinte Emenda ao texto constitucional:

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e as alíneas a e b do inciso I e o inciso II do caput do art. observados os arts. § 1º A União. no ano anterior à vigência desta Emenda Constitucional. piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica. d) 10% (dez por cento) do total dos recursos a que se refere o inciso II do caput deste artigo. o inciso II do caput do art. considerando-se para os fins deste inciso os valores previstos no inciso VII do caput deste artigo. c) R$ 4. todos da Constituição Federal. os incisos II. de natureza contábil. 212 da Constituição Federal suportará.66% (dezesseis inteiros e sessenta e seis centésimos por cento). no Distrito Federal e em cada Estado. o valor real da complementação da União. matriculados nas respectivas redes.500. de um Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação FUNDEB. 212 da Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento da educação básica e à remuneração condigna dos trabalhadores da educação. o Distrito Federal e os Municípios destinarão parte dos recursos a que se refere o caput do art. Didatismo e Conhecimento 59 b) R$ 3. b) 18.FUNDEF. V . não poderá ser inferior ao valor mínimo fixado nacionalmente no ano anterior ao da vigência desta Emenda Constitucional. a partir do quarto ano de vigência dos Fundos. no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal. § 3º O valor anual mínimo por aluno do ensino fundamental.observadas as garantias estabelecidas nos incisos I. e c do inciso VII do caput deste artigo serão atualizados.00 (quatro bilhões e quinhentos milhões de reais). § 2º O valor por aluno do ensino fundamental. no âmbito do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação . III e IV do caput do art.33% (dezoito inteiros e trinta e três centésimos por cento). anualmente. no máximo. no primeiro ano.000. . os Estados. 208 e 214 da Constituição Federal. VIII . 2/3 (dois terços) no segundo ano e sua totalidade a partir do terceiro ano. conforme estabelecido nos §§ 2º e 3º do art. X . as diferenças e as ponderações quanto ao valor anual por aluno entre etapas e modalidades da educação básica e tipos de estabelecimento de ensino. XII .aplica-se à complementação da União o disposto no art. o valor por aluno não alcançar o mínimo definido nacionalmente.o não-cumprimento do disposto nos incisos V e VII do caput deste artigo importará crime de responsabilidade da autoridade competente.proporção não inferior a 60% (sessenta por cento) de cada Fundo referido no inciso I do caput deste artigo será destinada ao pagamento dos profissionais do magistério da educação básica em efetivo exercício. no Fundo de cada Estado e do Distrito Federal. a distribuição proporcional de seus recursos. para o ensino médio e para a educação de jovens e adultos 1/3 (um terço) das matrículas no primeiro ano.000.000. c) os percentuais máximos de apropriação dos recursos dos Fundos pelas diversas etapas e modalidades da educação básica. VI . levar-se-á em conta a totalidade das matrículas no ensino fundamental e considerar-se-á para a educação infantil.no caso dos impostos e transferências constantes do inciso II do caput do art. e) prazo para fixar. na forma da lei a que se refere o inciso III do caput deste artigo.000. do inciso IV do caput do art. respeitadas as seguintes disposições: I . conforme o inciso II do caput deste artigo.000. 30% (trinta por cento) da complementação da União. 158. no terceiro ano de vigência dos Fundos. a partir da promulgação desta Emenda Constitucional.a União complementará os recursos dos Fundos a que se refere o inciso II do caput deste artigo sempre que. no segundo ano de vigência dos Fundos.FUNDEB.000.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS “Art. II . no mínimo: a) R$ 2. 159. Até o 14º (décimo quarto) ano a partir da promulgação desta Emenda Constitucional. proporcionalmente ao número de alunos das diversas etapas e modalidades da educação básica presencial. será alcançada gradativamente nos primeiros 3 (três) anos de vigência dos Fundos. a lei disporá sobre: a) a organização dos Fundos. b. 60. III . 208 da Constituição Federal e as metas de universalização da educação básica estabelecidas no Plano Nacional de Educação. de forma a garantir padrão mínimo definido nacionalmente. 157. IX . em caráter permanente.os Fundos referidos no inciso I do caput deste artigo serão constituídos por 20% (vinte por cento) dos recursos a que se referem os incisos I. e distribuídos entre cada Estado e seus Municípios. 155.00 (dois bilhões de reais). § 4º Para efeito de distribuição de recursos dos Fundos a que se refere o inciso I do caput deste artigo. 160 da Constituição Federal.até 10% (dez por cento) da complementação da União prevista no inciso V do caput deste artigo poderá ser distribuída para os Fundos por meio de programas direcionados para a melhoria da qualidade da educação.a complementação da União de que trata o inciso V do caput deste artigo será de. II.a vinculação de recursos à manutenção e desenvolvimento do ensino estabelecida no art. em lei específica. no primeiro ano de vigência dos Fundos. XI . b) a forma de cálculo do valor anual mínimo por aluno.00 (três bilhões de reais). § 5º A porcentagem dos recursos de constituição dos Fundos. os Estados. não poderá ser inferior ao praticado no âmbito do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério . no financiamento da educação básica.000. da seguinte forma: I . nos respectivos âmbitos de atuação prioritária estabelecidos nos §§ 2º e 3º do art. 155. 211 da Constituição Federal. o Distrito Federal e os Municípios deverão assegurar.os valores a que se referem as alíneas a. de forma a preservar. 211 da Constituição Federal. e das alíneas a e b do inciso I e do inciso II do caput do art. VII . 212 da Constituição Federal. os Estados e seus Municípios é assegurada mediante a criação. bem como as metas do Plano Nacional de Educação. a melhoria da qualidade de ensino. 158. no segundo ano. vedada a utilização dos recursos a que se refere o § 5º do art. III e IV do caput do art. d) a fiscalização e o controle dos Fundos. 159 da Constituição Federal: a) 16. IV .os recursos recebidos à conta dos Fundos instituídos nos termos do inciso I do caput deste artigo serão aplicados pelos Estados e Municípios exclusivamente nos respectivos âmbitos de atuação prioritária. II e III do art.000.a distribuição dos recursos e de responsabilidades entre o Distrito Federal. fixado em observância ao disposto no inciso VII do caput deste artigo.

no caso dos impostos e transferências constantes dos incisos I e III do caput do art. Em suma o FUNDEB é um fundo de natureza contábil. no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal. no primeiro ano. a Estadual (os Estados participam da composição. na medida em que as principais fontes de recursos para a educação provêm da arrecadação de impostos. na forma prevista no art. 155. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. c) 20% (vinte por cento).pelo menos 5% (cinco por cento) do montante dos impostos e transferências que compõem a cesta de recursos do Fundeb. de natureza contábil. em 19 de dezembro de 2006.494. O Fundeb não é considerado Federal. em decorrência dos créditos dos seus recursos serem realizados automaticamente em favor dos Estados e Municípios de forma igualitária. do inciso II do caput do art. Esses aspectos do Fundeb o revestem de peculiaridades que transcendem sua simples caracterização como Federal. observado o disposto nesta Lei. dos estados e municípios para a educação básica pública através da criação de Fundos Estaduais com a totalidade dos recursos vinculados à educação (previstos no artigo 212 da Constituição Federal) para a totalidade de alunos da educação básica pública e dentre outros assuntos prevê a criação de um piso salarial profissional nacional para os educadores públicos e a distribuição dos recursos gerados pelo fundo através da criação dos custos-alunoqualidade diferenciados por modalidade de ensino. da distribuição. um Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação . do recebimento e da aplicação final dos recursos). II . II . LEI Nº 11. de modo que os recursos previstos no art. nem Municipal. pelo fato da arrecadação e distribuição dos recursos que o formam serem realizadas pela União e pelos Estados.”(NR) Art.494/2007 – Regulamenta o FUNDEB Em junho de 2005. do recebimento e da aplicação final dos recursos) e a Municipal (os Municípios participam da composição. até o início da vigência dos Fundos.Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação – que substituiu o Fundef. que é afetada pelo desempenho da economia.pelo menos 25% (vinte e cinco por cento) dos demais impostos e transferências. 3o desta Lei.394. por fim. por se tratar de um Fundo de natureza contábil. A instituição dos Fundos previstos no caput deste artigo e a aplicação de seus recursos não isentam os Estados. Parágrafo único. nos termos desta Emenda Constitucional. § 7º (Revogado).66% (seis inteiros e sessenta e seis centésimos por cento). incluindo sua condigna remuneração. com base no nº de alunos. 60 do Ato das  Disposições  Constitucionais Transitórias . O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. b) 13. nos termos do art. 3º Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data de sua publicação. e dos incisos II e III do caput do art. DE 20/6/2007. ao Congresso Nacional. do Distrito Federal.”(NR) § 6º (Revogado). com a participação do Banco do Brasil. mantidos os efeitos do art. Estadual. Existe uma forte vinculação entre o financiamento público da educação e a situação socioeconômica do país. o Distrito Federal e os Municípios da obrigatoriedade da aplicação na manutenção e no desenvolvimento do ensino. dependendo da ótica que se observa.ADCT. 3o desta Lei somados aos referidos neste inciso garantam a aplicação do mínimo de 25% (vinte e cinco por cento) desses impostos e transferências em favor da manutenção e desenvolvimento do ensino. 157. de 20 de dezembro de 1996. no segundo ano. a partir do terceiro ano. de 19 de dezembro de 2006 (Um fundo independente para cada Estado e para o Distrito Federal). 212 da Constituição Federal e no inciso VI do capute parágrafo único do art. formado com recursos provenientes das três esferas de governo (Federal. Estadual e Municipal). . Nesta abrangência temos: EDUCAÇÃO BÁSICA: Creche + Pré-escola + Ensino Fundamental + Médio. O financiamento da educação pública é instrumento fundamental para a redução das desigualdades sociais no Brasil. a partir do terceiro ano. A proposta do fundo é a disponibilização crescente de recursos da União. 2o  Os Fundos destinam-se à manutenção e ao desenvolvimento da educação básica pública e à valorização dos trabalhadores em educação. Art. instituído pela Emenda Constitucional nº 53. 11 da Lei nº 9. QUE REGULAMENTA O FUNDEB. tendo como abrangência toda a Educação Didatismo e Conhecimento 60 5 LEI Nº 11. de: I . a proposta de emenda constitucional para a criação do Fundeb . vigente por 14 anos (2007 a 2020) e sua distribuição é com base no número de alunos da educação básica (Matriculados nos respectivos âmbitos de atuação prioritária) e constantes do último Censo Escolar. de 12 de setembro de 1996. Básica.33% (treze inteiros e trinta e três centésimos por cento). Estadual ou Municipal. o Ministério da Educação encaminhou. 158 da Constituição Federal: a) 6. o Fundo tem seu vínculo com a esfera Federal (a União participa da composição e distribuição dos recursos).CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS c) 20% (vinte por cento). a que se referem os incisos I a IX do capute o § 1odo art. como agente financeiro do Fundo e.494 DE 20 DE JUNHO DE 2007 LEI FEDERAL Nº 11.FUNDEB. inclusive Educação de Jovens e Adultos. conforme estabelecido pela Emenda Constitucional nº 14. Assim. Brasília. 10 e no inciso I do caput do art. Um importante aspecto da política econômica adotada por sucessivos governos foi a contenção de gastos para possibilitar o equilíbrio das contas públicas e viabilizar o pagamento das dívidas externa e interna. 1o  É instituído.

parcela do produto da arrecadação do imposto sobre produtos industrializados devida aos Estados e ao Distrito Federal e prevista no inciso II do caput do art. 212 da Constituição Federal na complementação da União aos Fundos. 6o  A complementação da União será de. 212 da Constituição Federal suportará.172.parcela do produto da arrecadação do imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza e do imposto sobre produtos industrializados devida ao Fundo de Participação dos Municípios – FPM e prevista na alínea b do inciso I do caput do art. 158 da Constituição Federal. VIII .imposto sobre transmissão causa mortis e doação de quaisquer bens ou direitos previsto no inciso I do caput do art. conforme o caso. 4o  A União complementará os recursos dos Fundos sempre que. VI . 155 da Constituição Federal. 155 combinado com o inciso IV do caput do art. fixado 61 de forma a que a complementação da União não seja inferior aos valores previstos no inciso VII do caput do art. § 1o  Inclui-se na base de cálculo dos recursos referidos nos incisos do caput deste artigo o montante de recursos financeiros transferidos pela União aos Estados. nos termos da Seção II deste Capítulo.172. 10% (dez por cento) do total dos recursos a que se refere o inciso II do caput do art. no mínimo. de 26 de dezembro de 1989. 159 da Constituição Federal e na Lei Complementar no 61.a apresentação de projetos em regime de colaboração por Estado e respectivos Municípios ou por consórcios municipais. 3o  Os Fundos. 154 da Constituição Federal prevista no inciso II do caput do art. de 25 de outubro de 1966. no máximo. 30% (trinta por cento) da complementação da União.parcela do produto da arrecadação do imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza e do imposto sobre produtos industrializados devida ao Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal – FPE e prevista na alínea a do inciso I do caput do art. considerando-se a complementação da União após a dedução da parcela de que trata o art. Parágrafo único. 158 da Constituição Federal. Art. II . 158 da Constituição Federal. limitada a até 10% (dez por cento) de seu valor anual. § 1o  O valor anual mínimo por aluno definido nacionalmente constitui-se em valor de referência relativo aos anos iniciais do ensino fundamental urbano e será determinado contabilmente em função da complementação da União. III . de 25 de outubro de 1966. 157 da Constituição Federal. 60 do ADCT. de 85% (oitenta e cinco por cento) até 31 de dezembro de cada ano.parcela do produto da arrecadação do imposto sobre a propriedade territorial rural. assegurados os repasses de. bem como juros e multas eventualmente incidentes. de 13 de setembro de 1996. 159 da Constituição Federal e no Sistema Tributário Nacional de que trata a Lei nº 5. VII . 5% (cinco por cento) da complementação anual. IV . relativa a programas direcionados para a melhoria da qualidade da educação básica. § 2o  A vinculação de recursos para manutenção e desenvolvimento do ensino estabelecida no art. relativamente a imóveis situados nos Municípios.imposto sobre a propriedade de veículos automotores previsto no inciso III do caput do art. os Fundos contarão com a complementação da União. 60 do ADCT. § 2o  O valor anual mínimo por aluno será definido nacionalmente. 159 da Constituição Federal e no Sistema Tributário Nacional de que trata a Lei no 5. são compostos por 20% (vinte por cento) das seguintes fontes de receita: I . aplicando-se o disposto no caput do art. § 2o  Além dos recursos mencionados nos incisos do caput e no § 1o deste artigo. no mínimo. § 2o  A complementação da União a maior ou a menor em função da diferença entre a receita utilizada para o cálculo e a receita realizada do exercício de referência será ajustada no 1o (primeiro) quadrimestre do exercício imediatamente subseqüente e debitada ou creditada à conta específica dos Fundos. poderá ser distribuída para os Fundos por meio de programas direcionados para a melhoria da qualidade da educação básica. conforme disposto na Lei Complementar nº 87.o desempenho do sistema de ensino no que se refere ao esforço de habilitação dos professores e aprendizagem dos educandos e melhoria do fluxo escolar. e IX . não alcançar o mínimo definido nacionalmente.  Para a distribuição da parcela de recursos da complementação a que se refere o caputdeste artigo aos Fundos de âmbito estadual beneficiários da complementação nos termos do art.imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transportes interestadual e intermunicipal e de comunicação previsto no inciso II do caput do art. § 1o  É vedada a utilização dos recursos oriundos da arrecadação da contribuição social do salário-educação a que se refere o § 5º do art. 160 da Constituição Federal. Art. Seção II Da Complementação da União Art. V . § 1o  A complementação da União observará o cronograma da programação financeira do Tesouro Nacional e contemplará pagamentos mensais de. 5o  A complementação da União destina-se exclusivamente a assegurar recursos financeiros aos Fundos. no âmbito de cada Estado e no Distrito Federal. na forma do regulamento. levar-se-á em consideração: I . Didatismo e Conhecimento . a serem realizados até o último dia útil de cada mês. e de 100% (cem por cento) até 31 de janeiro do exercício imediatamente subseqüente. ao Distrito Federal e aos Municípios. II . no mínimo. no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal. a ser fixada anualmente pela Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade instituída na forma da Seção II do Capítulo III desta Lei. 7o desta Lei. Art. calculado na forma do Anexo desta Lei. 7o  Parcela da complementação da União. 155 combinado com o inciso III do caput do art. o valor médio ponderado por aluno.  prevista no  inciso II do caput do art. § 3o  O não-cumprimento do disposto no caput deste artigo importará em crime de responsabilidade da autoridade competente.receitas da dívida ativa tributária relativa aos impostos previstos neste artigo. 45% (quarenta e cinco por cento) até 31 de julho.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS CAPÍTULO II DA COMPOSIÇÃO FINANCEIRA Seção I Das Fontes de Receita dos Fundos Art.parcela do produto da arrecadação do imposto que a União eventualmente instituir no exercício da competência que lhe é atribuída pelo inciso I do caput do art. 4o desta Lei.

II . observado o disposto no § 1o do art. VIII . conforme os §§ 2º e 3º do art. 8o  A distribuição de recursos que compõem os Fundos. de 20 de dezembro de 1996. 3o e 4o deste artigo somente poderão ser destinados às categorias de despesa previstas no art. § 3o  Admitir-se-á. 32 desta Lei.pré-escola em tempo integral.educação indígena e quilombola. XII . 22 desta Lei. no prazo de 30 (trinta) dias da publicação dos dados do censo escolar no Diário Oficial da União. em qualquer hipótese. o Distrito Federal e os Municípios poderão.comprovar finalidade não lucrativa e aplicar seus excedentes financeiros em educação na etapa ou modalidade previstas nos §§ 1o. o regulamento disporá sobre a educação básica em tempo integral e sobre os anos iniciais e finais do ensino fundamental. para  a  educação especial.394. XI . o limite previsto no art. 3o e 4o do art. 3o e 4o deste artigo ou ao poder público no caso do encerramento de suas atividades. observandose. observado o disposto no § 1o do art. conforme o censo escolar mais atualizado até a data de publicação desta Lei. entre o governo estadual e os de seus Municípios. Art. § 3o  Para os fins do disposto neste artigo. 60 do ADCT. as matrículas na rede regular de ensino. § 2o  Serão consideradas. o cômputo das matrículas  das pré-escolas.educação de jovens e adultos com avaliação no processo.ensino médio no campo.creche em tempo parcial.creche em tempo integral.  A distribuição proporcional de recursos dos Fundos levará em conta as seguintes diferenças entre etapas. conveniadas com o poder público e que atendam às crianças de 4 (quatro) e 5 (cinco) anos. na proporção do número de alunos matriculados nas respectivas redes de educação básica pública presencial. CAPÍTULO III DA DISTRIBUIÇÃO DOS RECURSOS Seção I Disposições Gerais Art. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino adotará como referência o fator 1 (um) para os anos iniciais do ensino fundamental urbano. inclusive. para efeito da distribuição dos recursos previstos no inciso II do caput do art.anos finais do ensino fundamental urbano. efetivadas. 3o e 4o deste artigo. III .a vigência de plano estadual ou municipal de educação aprovado por lei. XV . ter aprovados seus projetos pedagógicos. os Estados e seus Municípios.INEP. 8o desta Lei serão considerados como em efetivo exercício na educação básica pública para fins do disposto no art. comunitárias. III .assegurar a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária. 60 da Lei no 9. 21 desta Lei. na forma do Anexo desta Lei. conforme os dados apurados no censo escolar mais atualizado.394.anos iniciais do ensino fundamental urbano. IV .ter certificado do Conselho Nacional de Assistência Social ou órgão equivalente. com atuação exclusiva na modalidade. 11 desta Lei. .anos iniciais do ensino fundamental no campo. V .atender a padrões mínimos de qualidade definidos pelo órgão normativo do sistema de ensino. filantrópica ou confessional com atuação na etapa ou modalidade previstas nos §§ 1o. apresentar recursos para retificação dos dados publicados.anos finais do ensino fundamental no campo. obrigatoriamente. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica: I . modalidades e tipos de estabelecimento será resultado da multiplicação do fator de referência por um fator específico fixado entre 0. § 2o  A ponderação entre demais etapas.educação especial. II .ensino médio urbano. § 4o  Os Estados. § 5o  Eventuais diferenças do valor anual por aluno entre as instituições públicas da etapa e da modalidade referidas neste artigo e as instituições a que se refere o § 1o deste artigo serão aplicadas na criação de infra-estrutura da rede escolar pública. admitir-se-á o cômputo das matrículas efetivadas. confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos e conveniadas com o poder público. pelo prazo de 4 (quatro) anos. realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira .oferecer igualdade de condições para o acesso e permanência na escola e atendimento educacional gratuito a todos os seus alunos. § 2o  As instituições a que se refere o § 1o deste artigo deverão obrigatória e cumulativamente: I . § 4o  O direito à educação infantil será assegurado às crianças até o término do ano letivo em que completarem 6 (seis) anos de idade.ensino fundamental em tempo integral. conforme o censo escolar mais atualizado. XVI . na forma do regulamento. § 1o  Os recursos serão distribuídos entre o Distrito Federal. Didatismo e Conhecimento 62 Art. considerando-se exclusivamente as matrículas nos respectivos âmbitos de atuação prioritária. conveniadas com o poder público. VII . na educação especial oferecida em instituições comunitárias. observadas as condições previstas nos incisos I a V do § 2o deste artigo. dar-se-á. 10. considerando as ponderações aplicáveis.70 (setenta centésimos) e 1. § 6o  Os recursos destinados às instituições de que tratam os §§ 1o.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS III . IV . 9o  Para os fins da distribuição dos recursos de que trata esta Lei. XIII .educação de jovens e adultos integrada à educação profissional de nível médio. § 3o  Os profissionais do magistério da educação básica da rede pública de ensino cedidos para as instituições a que se referem os §§ 1o. confessionais ou filantrópicas. serão consideradas exclusivamente as matrículas presenciais efetivas.pré-escola em tempo parcial.o esforço fiscal dos entes federados.ensino médio em tempo integral. § 1o  Admitir-se-á. XIV . sem fins lucrativos. com avaliação no processo. XVII . X . VI . IX. § 4o  Observado o disposto no parágrafo único do art. IV . confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos. de 20 de dezembro de 1996.30 (um inteiro e trinta centésimos). V . o cômputo das matrículas efetivadas na educação infantil oferecida em creches para crianças de até 3 (três) anos. e no § 2o deste artigo. no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal. 70 da Lei nº 9.ensino médio integrado à educação profissional. em relação às instituições comunitárias. 211 da Constituição Federal. e em escolas especiais ou especializadas. § 1o  A ponderação entre diferentes etapas. em classes comuns ou em classes especiais de escolas regulares.

III e IV do caput do art. Didatismo e Conhecimento 63 § 1o  Serão adotados como base para a decisão da Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade os dados do censo escolar anual mais atualizado realizado pelo Inep. bem como respectivos critérios de distribuição. observado o disposto no art.especificar anualmente as ponderações aplicáveis entre diferentes etapas. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias . Art. segundo estudos de custo realizados e publicados pelo Inep. Seção II Da Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade Art. vinculadas ao respectivo Fundo. V . § 2o  As deliberações relativas à especificação das ponderações serão baixadas em resolução publicada no Diário Oficial da União até o dia 31 de julho de cada exercício. Distrito Federal e Municípios a que se refere a Lei Complementar no 87. dos Estados e do Distrito Federal e serão creditados pela União em favor dos Governos Estaduais. O Poder Executivo federal publicará. serão repassados automaticamente para contas únicas e específicas dos Governos Estaduais. . Art. até 31 de dezembro de cada exercício. 11.  Os recursos dos Fundos. de 13 de setembro de 1996. II . 7o desta Lei. 159 da Constituição Federal. II. que realizará a distribuição dos valores devidos aos Estados. os Estados e o Distrito Federal em relação às respectivas parcelas do Fundo cuja arrecadação e disponibilização para distribuição sejam de sua responsabilidade. provenientes da União. III . IV . a Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade. III . 15.a estimativa dos valores anuais por aluno no âmbito do Distrito Federal e de cada Estado. respeitados os critérios e as finalidades estabelecidas nesta Lei.ADCT. observado o disposto no art.fixar anualmente o limite proporcional de apropriação de recursos pelas diferentes etapas. e seus membros. quando convocados. sempre que necessário. 6o desta Lei.  No exercício de suas atribuições. São unidades transferidoras a União.  A apropriação dos recursos em função das matrículas na modalidade de educação de jovens e adultos. nos termos da alínea c do inciso III do caput do art. § 1o  As deliberações da Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade serão registradas em ata circunstanciada. 158 e as alíneas a e b do inciso I do caput e inciso II do caput do art. III . farão jus a transporte e diárias. 16. § 3o  A participação na Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade é função não remunerada de relevante interesse público.o valor anual mínimo por aluno definido nacionalmente. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica. observados os mesmos prazos.1 (um) representante dos secretários municipais de educação de cada uma das 5 (cinco) regiões político-administrativas do Brasil indicado pelas  seções regionais da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação .UNDIME. observado o disposto no art. Parágrafo único. constarão dos orçamentos da União.  As despesas da Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade correrão à conta das dotações orçamentárias anualmente consignadas ao Ministério da Educação.A. com a seguinte composição: I . ou Caixa Econômica Federal. ao Distrito Federal e aos Municípios.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. 14. levando em consideração a correspondência ao custo real da respectiva etapa e modalidade e tipo de estabelecimento de educação básica. para vigência no exercício seguinte.CONSED. até o dia 31 de janeiro. CAPÍTULO IV DA TRANSFERÊNCIA E DA GESTÃO DOS RECURSOS Art. Art.elaborar seu regimento interno. Art. percentual de até 15% (quinze por cento) dos recursos do Fundo respectivo.a estimativa do valor da complementação da União. § 1o  Os repasses aos Fundos provenientes das participações a que se refere o inciso II do caput do art. no âmbito do Ministério da Educação. Parágrafo único. 3o desta Lei referentes ao exercício imediatamente anterior.elaborar.1 (um) representante dos secretários  estaduais de educação de cada uma das 5 (cinco) regiões político-administrativas do Brasil  indicado  pelas  seções regionais do Conselho Nacional de Secretários de Estado da Educação . os valores da arrecadação efetiva dos impostos e das transferências de que trata o art.1 (um) representante do Ministério da Educação. requisitar ou orientar a elaboração de estudos técnicos pertinentes. do Distrito Federal e dos Municípios nas contas específicas a que se refere este artigo.a estimativa da receita total dos Fundos. em cada Estado e no Distrito Federal. 17. 11 desta Lei. instituídas para esse fim e mantidas na instituição financeira de que trata o art. baixado em portaria do Ministro de Estado da Educação. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica. lavrada conforme seu regimento interno. procedimentos e forma de divulgação adotados para o repasse do restante dessas transferências constitucionais em favor desses governos.  Para o ajuste da complementação da União de que trata o § 2o do art. 10 desta Lei. 12. compete à Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade: I . 208 da Constituição Federal e às metas de universalização da educação básica estabelecidas no plano nacional de educação. IV . para vigência no exercício subseqüente: I .fixar anualmente a parcela da complementação da União a ser distribuída para os Fundos por meio de programas direcionados para a melhoria da qualidade da educação básica. do Distrito Federal e dos Municípios. II . II .  Fica instituída. bem como os repasses aos Fundos à conta das compensações financeiras aos Estados. § 2o  A Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade exercerá suas competências em observância às garantias estabelecidas nos incisos I. observará.  Os recursos dos Fundos serão disponibilizados pelas unidades transferidoras ao Banco do Brasil S. dos Estados e do Distrito Federal. 13. os Estados e o Distrito Federal deverão publicar na imprensa oficial e encaminhar à Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda. 16 desta Lei.

no financiamento das despesas não consideradas como de manutenção e desenvolvimento da educação básica. profissionais que oferecem suporte pedagógico direto ao exercício da docência: direção ou administração escolar. Estados e Municípios na forma prevista no § 5o do art. 211 da Constituição Federal. creditará imediatamente as parcelas devidas ao  Governo Estadual. supervisão.  Os recursos disponibilizados aos Fundos pela União.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS § 2o  Os repasses aos Fundos provenientes dos impostos previstos nos incisos I. com ônus para o empregador.  Nos termos do § 4º do art. orientação educacional e coordenação pedagógica. que não impliquem rompimento da relação jurídica existente.  (VETADO) Art. de 20 de dezembro de 1996.profissionais do magistério da educação: docentes.remuneração: o total de pagamentos devidos aos profissionais do magistério da educação. de 26 de dezembro de 1989. contraídas pelos Estados. planejamento. de modo a preservar seu poder de compra. 20. 155 combinados com os incisos III e IV do caput do art. 22. de 11 de janeiro de 1990. II . Didatismo e Conhecimento 64 Parágrafo único. pelos Estados e pelo Distrito Federal deverão ser registrados de forma detalhada a fim de evidenciar as respectivas transferências. III . internas ou externas. segundo os critérios e respeitadas as finalidades estabelecidas nesta Lei. 21. observados os mesmos prazos. poderão ser utilizados no 1o (primeiro) trimestre do exercício imediatamente subseqüente. CAPÍTULO V DA UTILIZAÇÃO DOS RECURSOS Art. § 1o  Os recursos poderão ser aplicados pelos Estados e Municípios indistintamente entre etapas.  É vedada a utilização dos recursos dos Fundos: I . 211 da Constituição Federal.  Os ganhos financeiros auferidos em decorrência das aplicações previstas no caput deste artigo deverão ser utilizados na mesma finalidade e de acordo com os mesmos critérios e condições estabelecidas para utilização do valor principal do Fundo. conforme o caso. 158 da Constituição Federal constarão dos orçamentos dos Governos Estaduais e do Distrito Federal e serão depositados pelo estabelecimento oficial de crédito previsto no art. emprego ou função. conforme disposto no art. § 5o  Do montante dos recursos do imposto sobre produtos industrializados de que trata o inciso II do caput do art. Parágrafo único. 19. em decorrência do efetivo exercício em cargo.  Pelo menos 60% (sessenta por cento) dos recursos anuais totais dos Fundos serão destinados ao pagamento da remuneração dos profissionais do magistério da educação básica em efetivo exercício na rede pública. em ações consideradas como de manutenção e desenvolvimento do ensino para a educação básica pública. § 7o  Os recursos depositados na conta específica a que se refere o caput deste artigo serão depositados pela União. de 20 de dezembro de 1996. de 26 de dezembro de 1989. serão utilizados pelos Estados. Distrito Federal ou Município. 6o desta Lei. será repassada pelo Governo Estadual ao respectivo Fundo e os recursos serão creditados na conta específica a que se refere este artigo. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica nos seus respectivos âmbitos de atuação prioritária. observados os mesmos prazos. 23. Parágrafo único. considera-se: I .  Os recursos dos Fundos. na forma do disposto no art. § 6o A instituição financeira disponibilizará. pelo Distrito Federal ou pelos Municípios que não se destinem ao financiamento de projetos. quadro ou tabela de servidores do Estado. 70 da Lei nº 9. inspeção. 4o da Lei Complementar no 63. Art.394.394. 71 da Lei nº 9. Art. § 4o  Os recursos dos Fundos provenientes da parcela do imposto sobre produtos industrializados. acompanhados da transferência imediata de recursos financeiros correspondentes ao número de matrículas assumido pelo ente federado.como garantia ou contrapartida de operações de crédito. 24 desta Lei os extratos  bancários referentes à conta do fundo. com o ente governamental que o remunera. ao Distrito Federal e aos Municípios nas contas específicas referidas neste artigo. no exercício financeiro em que lhes forem creditados.efetivo exercício: atuação efetiva no desempenho das atividades de magistério previstas no inciso II deste parágrafo associada à sua regular vinculação contratual. temporária ou estatutária. ações ou programas considerados como ação de manutenção e desenvolvimento do ensino para a educação básica. pelo Distrito Federal e pelos Municípios.  Para os fins do disposto no caput deste artigo. Distrito Federal. procedimentos e forma de divulgação do restante dessa transferência aos Municípios. materiais e encargos financeiros. 18. lastreadas em títulos da dívida pública. procedendo à divulgação dos valores creditados de forma similar e com a mesma periodicidade utilizada pelos Estados em relação ao restante da transferência do referido imposto. conforme o art. § 3o  A instituição financeira de que trata o caput deste artigo. Art. 69 da Lei no 9. II e III do caput do art. procedimentos e forma de divulgação previstos na Lei Complementar nº 61. inclusive relativos à complementação da União recebidos nos termos do § 1o do art. II . na instituição financeira responsável pela movimentação dos recursos. observados os critérios e as finalidades estabelecidas nesta Lei. no que se refere aos recursos dos impostos e participações mencionados no § 2o deste artigo. 159 da Constituição Federal a parcela devida aos Municípios. mediante abertura de crédito adicional. recursos humanos. inclusive aqueles oriundos de complementação da União. . 159 da Constituição Federal. inclusive os encargos sociais incidentes. III e IV do § 1o do  art.  Os eventuais saldos de recursos financeiros disponíveis nas contas específicas dos Fundos cuja perspectiva de utilização seja superior a 15 (quinze) dias deverão ser aplicados em operações financeiras de curto prazo ou de mercado aberto. aos conselhos referidos nos incisos II. permanentemente. integrantes da estrutura. § 2o  Até 5% (cinco por cento) dos recursos recebidos à conta dos Fundos. assim como de transporte escolar. 5º da Lei Complementar nº 61. os Estados e os Municípios poderão celebrar convênios para a transferência de alunos. não sendo descaracterizado  por  eventuais afastamentos temporários previstos em lei. de 20 de dezembro de 1996.394. de que trata o inciso II do caput do art. serão creditados pela União em favor dos Governos Estaduais e do Distrito Federal nas contas específicas. conforme estabelecido nos §§ 2º e 3º do art. Art. no momento em que a arrecadação estiver sendo realizada nas contas do Fundo abertas na instituição financeira de que trata o caputdeste artigo.

dos quais pelo menos 1 (um) da Secretaria Municipal de Educação ou órgão educacional equivalente. 24. d) 1 (um) representante da seccional da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação .CNTE. III e IV do § 1o deste artigo. e) 1 (um) representante da seccional da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação . IV .tesoureiro. II . quando houver.pelos dirigentes dos órgãos  federais.UBES.CONSED. em processo eletivo organizado para esse fim. do Prefeito e do Vice-Prefeito. por no mínimo 9 (nove) membros. Orçamento e Gestão. § 1o  Os conselhos serão criados por legislação específica. e) 2 (dois) representantes dos pais de alunos da educação básica pública. pelas entidades sindicais da respectiva categoria. 1 (um) representante do respectivo Conselho Municipal de Educação e 1 (um) representante do Conselho Tutelar a que se refere a Lei no 8. e o Poder Executivo  competente  designará os integrantes dos conselhos previstos nos incisos II. dos Estados. II . por no mínimo 9 (nove) membros.estudantes que não sejam emancipados. b) 2 (dois) representantes dos Poderes Executivos Municipais. 1 (um) dos quais indicado pela entidade estadual de estudantes secundaristas. sendo a composição determinada pelo disposto no inciso II deste parágrafo. sendo impedido de ocupar a função o representante do governo gestor dos recursos do Fundo no âmbito da União. excluídos os membros mencionados nas suas alíneas b e d. dos quais pelo menos 1 (um) do órgão estadual responsável pela educação básica. pais de alunos e estudantes. c) 1 (um) representante do Ministério do Planejamento. § 7o  Os conselhos dos Fundos atuarão com autonomia. indicados por seus pares. II . § 8o  A atuação dos membros dos conselhos dos Fundos: I . o Ministério da Educação designará os integrantes do conselho previsto no inciso I do § 1o deste artigo. do Distrito Federal e dos Municípios. municipais e do Distrito Federal e das entidades de classes organizadas. até 3o (terceiro) grau. por no mínimo 14 (quatorze) membros. pelos respectivos pares. um dos quais indicado pela União Brasileira de Estudantes Secundaristas . CONTROLE SOCIAL. Distritais ou Municipais. no âmbito da União. § 3o  Os membros dos conselhos previstos no caput deste artigo serão indicados até 20 (vinte) dias antes do término do mandato dos conselheiros anteriores: I .não será remunerada. g) 1 (um) representante da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação . e dos Secretários Estaduais. até 3o (terceiro) grau.  O acompanhamento e o controle social sobre a distribuição. f) 1 (um) representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação . d) 1 (um) representante do Conselho Nacional de Educação. h) 2 (dois) representantes dos pais de alunos da educação básica pública. sendo: a) até 4 (quatro) representantes do Ministério da Educação.UNDIME. g) 2 (dois) representantes dos estudantes da educação básica pública. b) 1 (um) representante do Ministério da Fazenda. contador ou funcionário de empresa de assessoria ou consultoria que prestem serviços relacionados à administração ou controle interno dos recursos do Fundo. e) 1 (um) representante do Conselho Nacional de Secretários de Estado da Educação .CNTE. dos Estados. estadual ou municipal. III . junto aos respectivos governos. desses profissionais. .nos casos dos representantes dos diretores. b) 1 (um) representante dos professores da educação básica pública. sendo: a) 2 (dois) representantes do Poder Executivo Municipal. COMPROVAÇÃO E FISCALIZAÇÃO DOS RECURSOS Art. III .é considerada atividade de relevante interesse social. § 2o  Integrarão ainda os conselhos municipais dos Fundos. estaduais. pelo conjunto dos estabelecimentos ou entidades de âmbito nacional.nos casos de representantes de professores e servidores.no Distrito Federal. § 6o  O presidente dos conselhos previstos no caput deste artigo será eleito por seus pares em reunião do colegiado.069. do Presidente e do Vice-Presidente da República. sendo: a) 3 (três) representantes do Poder Executivo estadual. f) 2 (dois) representantes dos estudantes da educação básica pública. c) 1 (um) representante do Conselho Estadual de Educação.em âmbito federal. por no mínimo 12 (doze) membros. conforme o caso. um dos quais indicado pela entidade de estudantes secundaristas. na forma dos incisos I e II do § o 3 deste artigo. editada no pertinente âmbito governamental. a transferência e a aplicação dos recursos dos Fundos serão exercidos. § 5o  São impedidos de integrar os conselhos a que se refere o caput deste artigo: I . parentes consangüíneos ou afins. III .cônjuge e parentes consangüíneos ou afins. dos Ministros de Estado.UNDIME. Didatismo e Conhecimento 65 d) 1 (um) representante dos servidores técnico-administrativos das escolas básicas públicas.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS CAPÍTULO VI DO ACOMPANHAMENTO. § 4o  Indicados os conselheiros. bem como cônjuges.em âmbito estadual. do Distrito Federal e dos Municípios. observados os seguintes critérios de composição: I . no âmbito dos Poderes Executivos em que atuam os respectivos conselhos. de 13 de julho de 1990. do Governador e do Vice-Governador. por conselhos instituídos especificamente para esse fim. f) 2 (dois) representantes dos pais de alunos da educação básica pública. c) 1 (um) representante dos diretores das escolas básicas públicas. IV . nos casos das representações dessas instâncias. sem vinculação ou subordinação institucional ao Poder Executivo local e serão renovados periodicamente ao final de cada mandato dos seus membros. i) 2 (dois) representantes dos estudantes da educação básica pública. II .em âmbito municipal.pais de alunos que: a) exerçam cargos ou funções públicas de livre nomeação e exoneração no âmbito dos órgãos do respectivo Poder Executivo gestor dos recursos. ou b) prestem serviços terceirizados.

ao Distrito Federal e aos Municípios garantir infra-estrutura e condições materiais adequadas à execução plena das competências dos conselhos e oferecer ao Ministério da Educação os dados cadastrais relativos à criação e composição dos respectivos conselhos. devendo a autoridade convocada apresentar-se em prazo não superior a 30 (trinta) dias. 35 da Constituição Federal. receber e analisar as prestações de contas referentes a esses Programas.  As prestações de contas serão instruídas com parecer do conselho responsável. 26.  O descumprimento do disposto no art. . V . com o objetivo de concorrer para o regular e tempestivo tratamento e encaminhamento dos dados estatísticos e financeiros que alicerçam a operacionalização dos Fundos. atualizados. serão exercidos: I . Art. do Distrito Federal e dos Municípios. do regime democrático. b) folhas de pagamento dos profissionais da educação. as quais deverão discriminar aqueles em efetivo exercício na educação básica e indicar o respectivo nível. incumbindo à União. liquidação e pagamento de obras e serviços custeados com recursos do Fundo. especialmente em relação à complementação da União. Parágrafo único. nos termos da alínea e do inciso VII do caput do  art. relacionada ao pleno cumprimento desta Lei. no que tange às atribuições a cargo dos órgãos federais. junto aos respectivos entes governamentais sob suas jurisdições. II . especialmente em relação à aplicação da totalidade dos recursos dos Fundos. § 13.  Os conselhos referidos nos incisos II.  Os registros contábeis e os demonstrativos gerenciais mensais. c) documentos referentes aos convênios com as instituições a que se refere o art. no curso do mandato: a) exoneração ou demissão do cargo ou emprego sem justa causa ou transferência involuntária do estabelecimento de ensino em que atuam. Art. quando os conselheiros forem representantes de professores e diretores ou de servidores das escolas públicas.  A fiscalização e o controle referentes ao cumprimento do disposto no art.pelo Tribunal de Contas da União. quando os conselheiros forem representantes de estudantes em atividades do conselho. IV . Didatismo e Conhecimento 66 II . 24 desta Lei poderão. 2 (dois) anos. no máximo. aos Estados. Art.veda. 25. dos interesses sociais e individuais indisponíveis. b) a adequação do serviço de transporte escolar. III e IV do § 1o do art. do Distrito Federal e dos Municípios. e ser-lhes-á dada ampla publicidade. no âmbito de suas respectivas esferas governamentais de atuação. b) atribuição de falta injustificada ao serviço em função das atividades do conselho. empenho. § 9o  Aos conselhos incumbe. representação estudantil poderá acompanhar as reuniões do conselho com direito a voz.  A defesa da ordem jurídica.realizar visitas e inspetorias in loco para verificar:  a) o desenvolvimento regular de obras e serviços efetuados nas instituições escolares com recursos do Fundo. 29. 27.pelos Tribunais de Contas dos Estados. III .  Os Estados. ainda. também. 28. inclusive por meio eletrônico. atribuição de falta injustificada nas atividades escolares. Art. relativos aos recursos repassados e recebidos à conta dos Fundos assim como os referentes às despesas realizadas ficarão permanentemente à disposição dos conselhos responsáveis. d) outros documentos necessários ao desempenho de suas funções.  Na hipótese da inexistência de estudantes emancipados. e os Municípios à intervenção dos respectivos Estados a que pertencem. c) afastamento involuntário e injustificado da condição de conselheiro antes do término do mandato para o qual tenha sido designado. compete ao Ministério Público dos Estados e do Distrito Federal e Territórios e ao Ministério Público Federal. supervisionar o censo escolar anual e a elaboração da proposta orçamentária anual.  Os conselhos dos Fundos não contarão com estrutura administrativa própria. no curso do mandato. acompanhar a aplicação dos recursos federais transferidos à conta do Programa Nacional de Apoio ao Transporte  do Escolar .assegura isenção da obrigatoriedade de testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em razão do exercício de suas atividades de conselheiro e sobre as pessoas que lhes confiarem ou deles receberem informações.pelo órgão de controle interno no âmbito da União e pelos órgãos de controle interno no âmbito dos Estados.FNDE. sempre que julgarem conveniente: I .  Os membros dos conselhos de acompanhamento e controle terão mandato de. que deverá ser apresentado ao Poder Executivo respectivo em até 30 (trinta) dias antes do vencimento do prazo para a apresentação da prestação de contas prevista no caputdeste artigo. especialmente quanto às transferências de recursos federais. 34 e do inciso III do caput do art.veda. modalidade ou tipo de estabelecimento a que estejam vinculados. 212 da Constituição Federal e do disposto nesta Lei sujeitará os Estados e o Distrito Federal à intervenção da União. bem como dos órgãos federais.por decisão da maioria de seus membros.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS III . 212 da Constituição Federal e do disposto nesta Lei. convocar o Secretário de Educação competente ou servidor equivalente para prestar esclarecimentos acerca do fluxo de recursos e a execução das despesas do Fundo. IV . formulando pareceres conclusivos acerca da aplicação desses recursos e encaminhando-os ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação . § 11.PNATE e do Programa de Apoio aos Sistemas de Ensino para Atendimento à Educação de Jovens e Adultos e.requisitar ao Poder Executivo cópia de documentos referentes a: a) licitação. III .  Aos conselhos incumbe. estaduais e municipais de controle interno e externo. permitida 1 (uma) recondução por igual período. § 12. c) a utilização em benefício do sistema de ensino de bens adquiridos com recursos do Fundo. 8o desta Lei. Art. o Distrito Federal e os Municípios prestarão contas dos recursos dos Fundos conforme os procedimentos adotados pelos Tribunais de Contas competentes. § 10. ainda. Parágrafo único.apresentar ao Poder Legislativo local e aos órgãos de controle interno e externo manifestação formal acerca dos registros contábeis e dos demonstrativos gerenciais do Fundo. observada a regulamentação aplicável.

no mínimo.66% (seis inteiros e sessenta e seis centésimos por cento). III . II e III do § 3o deste artigo serão atualizados.no apoio técnico relacionado aos procedimentos e critérios de aplicação dos recursos dos Fundos. IV .  O Ministério da Educação atuará: I . § 2o  Admitir-se-á litisconsórcio facultativo entre os Ministérios Públicos da União. 32. não poderá ser inferior ao efetivamente praticado em 2006.na divulgação de orientações sobre a operacionalização do Fundo e de dados sobre a previsão.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS § 1o  A legitimidade do Ministério Público prevista no caputdeste artigo não exclui a de terceiros para a propositura de ações a que se referem o inciso LXXIII do caput do art. do inciso IV do caput do art. no mínimo: I . com vistas na adoção de medidas operacionais e de natureza político-educacional corretivas.500. no 2o (segundo) ano. sendo-lhes assegurado o acesso gratuito aos documentos mencionados nos arts. § 4o  Os valores a que se referem os incisos I.00 (três bilhões de reais). de 19 de dezembro de 2006. b) 18. no mínimo. 25 e 27 desta Lei.R$ 4. inclusive. anualmente. II e III do § 3o deste artigo serão corrigidos. das alíneas a e b do inciso I e do inciso II do caput do art. § 5o  Os valores a que se referem os incisos I.000. 6o desta Lei quanto à distribuição entre os fundos instituídos no âmbito de cada Estado. a serem realizados até o último dia útil de cada mês. nos primeiros 3 (três) anos de vigência dos Fundos. 158. 157. inclusive.000. e 1o de janeiro de cada um dos 3 (três) primeiros anos de vigência dos Fundos. no 1o (primeiro) ano. II . c) a totalidade das matrículas a partir do 3o (terceiro) ano de vigência do Fundo. no âmbito do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério . 5º e o § 1º do art.66% (dezesseis inteiros e sessenta e seis centésimos por cento). b) 2/3 (dois terços) das matrículas no 2o (segundo) ano de vigência do Fundo. no 2o (segundo) ano de vigência dos Fundos. II . e c) 20% (vinte por cento). II . Art.FUNDEF. § 3o  A complementação da União será de. estabelecido pela Emenda Constitucional nº 14. no período compreendido entre o mês da promulgação da Emenda Constitucional no 53. o cronograma de complementação da União observará a programação financeira do Tesouro Nacional e contemplará pagamentos mensais de.na capacitação dos membros dos conselhos. pela variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor – INPC. assegurados os repasses de.33% (treze inteiros e trinta e três centésimos por cento). anualmente. do Distrito Federal e dos Estados para a fiscalização da aplicação dos recursos dos Fundos que receberem complementação da União. a partir do 3o (terceiro) ano.na realização de estudos técnicos com vistas na definição do valor referencial anual por aluno que assegure padrão mínimo de qualidade do ensino. § 7o  Até o 3o (terceiro) ano de vigência dos Fundos. no 3o (terceiro) ano de vigência dos Fundos. a partir do 3o (terceiro) ano. de forma a preservar em caráter permanente o valor real da complementação da União.para a educação infantil.000. ou índice equivalente que lhe venha a suceder. 5% (cinco por cento) da complementação anual. incisos II e III do caput do art. Art. 9o desta Lei serão consideradas conforme a seguinte progressão: I . por meio de publicação e distribuição de documentos informativos e em meio eletrônico de livre acesso público. 3o desta Lei: a) 16.R$ 3. conforme o disposto neste artigo.000. e III . observado o disposto no § 2o do art.  Os Fundos serão implantados progressivamente nos primeiros 3 (três) anos de vigência. inciso II do caput do art. VI . no 1o (primeiro) ano.na realização de avaliações dos resultados da aplicação desta Lei.000. a complementação da União não sofrerá ajuste quanto a seu montante em função da diferença entre a receita utilizada para o cálculo e a receita realizada do exercício de referência.  O valor por aluno do ensino fundamental. Distrito Federal e Municípios e às instâncias responsáveis pelo acompanhamento. II . 159 da Constituição Federal. 155. 155.no monitoramento da aplicação dos recursos dos Fundos.00 (dois bilhões de reais). no Fundo de cada Estado e do Distrito Federal. no 1o (primeiro) ano de vigência dos Fundos. a realização e a utilização dos valores financeiros repassados. 3o desta Lei será alcançada conforme a seguinte progressão: I . . por meio de sistema de informações  orçamentárias e financeiras e de cooperação com os Tribunais de Contas dos Estados e Municípios e do Distrito Federal. devendo a primeira dessas medidas se realizar em até 2 (dois) anos após a implantação do Fundo.000. § 2o  As matrículas de que trata o art. V .R$ 2. b) 13.para os impostos e transferências constantes dos incisos I e III do caput do art. no 2o (segundo) ano. CAPÍTULO VII DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS Seção I Disposições Transitórias Art. § 6o  Até o 3o (terceiro) ano de vigência dos Fundos. fiscalização e controle interno e externo.000. inclusive. bem como para a receita a que se refere o § 1o do art.para o ensino fundamental regular e especial público: a totalidade das matrículas imediatamente a partir do 1o (primeiro) ano de vigência do Fundo. o ensino médio e a educação de jovens e adultos: a) 1/3 (um terço) das matrículas no 1o (primeiro) ano de vigência do Fundo.para os impostos e transferências constantes do inciso II do caput do art. 45% (quarenta e cinco por cento) até 31 de julho e de 100% (cem por cento) até 31 de dezembro de cada ano. 129 da Constituição Federal. junto aos Estados. de 12 de setembro de 1996. 30. 31.000. § 1o  A porcentagem de recursos de que trata o art.00 (quatro bilhões e quinhentos milhões de reais). apurado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. e c) 20% (vinte por cento).33% (dezoito inteiros e trinta e três centésimos por cento). 158 da Constituição Federal: Didatismo e Conhecimento 67 a) 6.

dos Municípios. nos termos da legislação local específica e desta Lei. § 2o  Na fixação dos valores a partir do 2o (segundo) ano de vigência do Fundeb. ainda que na condição de presos provisórios.1. os Estados. previsto no art.05 (um inteiro e cinco centésimos). os Estados e o Distrito Federal desenvolverão. adotarse-á este último exclusivamente para a distribuição dos recursos do ensino fundamental.25 (um inteiro e vinte e cinco centésimos). no Fundo de cada Estado e do Distrito Federal. que será corrigido.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS § 1o  Caso o valor por aluno do ensino fundamental.1. Seção II Disposições Finais Art.0. de forma a garantir padrão mínimo de qualidade definido nacionalmente. 212 da Constituição Federal.ensino médio em tempo integral . . 35.70 (setenta centésimos). IV . V .  A União. VIII . Parágrafo único.creche pública em tempo integral .creche pública em tempo parcial . XIII .1.1. na forma do regulamento. fórum nacional com o objetivo de avaliar o financiamento da educação básica nacional. as seguintes pontuações: I . 24 desta Lei.0.20 (um inteiro e vinte centésimos).80 (oitenta centésimos).pré-escola . É assegurada a participação popular e da comunidade educacional no processo de definição do padrão nacional de qualidade referido no caputdeste artigo.30 (um inteiro e trinta centésimos). as ponderações seguirão as seguintes especificações: I .educação indígena e quilombola .anos iniciais do ensino fundamental no campo .educação de jovens e adultos com avaliação no processo .  No 1o (primeiro) ano de vigência do  Fundeb.1.anos finais do ensino fundamental no campo . no mínimo.creche conveniada em tempo integral . dos Estados. em 5 (cinco) anos contados da vigência dos Fundos. Art.90 (noventa centésimos). VI . II . Didatismo e Conhecimento 68 XV . Art.ensino médio no campo . o Distrito Federal e os Municípios deverão assegurar no financiamento da educação básica. de 13 de julho de 1990.1. IV . as ponderações entre as matrículas da educação infantil seguirão. 24 desta Lei. 3o.  Os conselhos dos Fundos serão instituídos no prazo de 60 (sessenta) dias contados da vigência dos Fundos.0.20 (um inteiro e vinte centésimos). § 1o  A câmara específica de acompanhamento e controle social sobre a distribuição. contando com representantes da União. XII .pré-escola em tempo parcial . 37.  Os Municípios poderão integrar.aos quais tenham sido aplicadas  medidas socioeducativas nos termos da Lei no 8.creche .1. mantendo-se as demais ponderações para as restantes etapas. III . 33.25 (um inteiro e vinte e cinco centésimos). programas de apoio ao esforço para conclusão da educação básica dos alunos regularmente matriculados no sistema público de educação: I .que cumpram pena no sistema penitenciário.1. a transferência e a aplicação dos recursos do Fundeb terá competência deliberativa e terminativa. acesso e permanência na escola. a melhoria da qualidade do ensino. com avaliação no processo . IX .creche conveniada em tempo parcial . o Conselho do Fundo ao Conselho Municipal de Educação. a transferência e a aplicação dos recursos do Fundo. no período de 12 (doze) meses encerrados em junho do ano imediatamente anterior. em regime de colaboração. A União. § 2o  Aplicar-se-ão para a constituição dos Conselhos Municipais de Educação as regras previstas no § 5o do art. anualmente.0.IBGE ou índice equivalente que lhe venha a suceder. V . Art.30 (um inteiro e trinta centésimos). VI . em especial aquelas voltadas para a inclusão de crianças e adolescentes em situação de risco social.10 (um inteiro e dez centésimos).20 (um inteiro e vinte centésimos).95 (noventa e cinco centésimos). 4o e 5o do art. 36.pré-escola em tempo integral .90 (noventa centésimos).ensino médio integrado à educação profissional . apurado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística .80 (oitenta centésimos). observado o disposto no inciso IV do § 1o e nos §§ 2o. 34. no âmbito do Fundeb. do Distrito Federal.1. no Fundo de cada Estado e do Distrito Federal. resulte inferior ao valor por aluno do ensino fundamental. inclusive mediante adaptações dos  conselhos do Fundef existentes na data de publicação desta Lei. com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor .  A União desenvolverá e apoiará políticas de estímulo às iniciativas de melhoria de qualidade do ensino. XIV .0.anos iniciais do ensino fundamental urbano .1. Art.ensino médio urbano . X . XI .educação de jovens e adultos integrada à educação profissional de nível médio.0. VII .00 (um inteiro).INPC. § 1o  A Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade fixará  as ponderações referentes à creche e pré-escola em tempo integral. Art. no âmbito do Fundef.15 (um inteiro e quinze centésimos). § 2o  O valor por aluno do ensino fundamental a que se refere o caput deste artigo terá como parâmetro aquele efetivamente praticado em 2006.1.069. II .10 (um inteiro e dez centésimos).1. dos trabalhadores da educação e de pais e alunos. Parágrafo único.  O valor anual mínimo por aluno definido nacionalmente para o ensino fundamental no âmbito do Fundeb não poderá ser inferior ao mínimo fixado nacionalmente em 2006 no âmbito do Fundef.0. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica.ensino fundamental em tempo integral . II .anos finais do ensino fundamental urbano .15 (um inteiro e quinze centésimos). instituindo câmara específica para o acompanhamento e o controle social sobre a distribuição.0. 39. promovidas pelas unidades federadas.educação especial . III .80 (oitenta centésimos).70 (setenta centésimos). 38.1.  O Ministério da Educação deverá realizar. Art.

Art.1) ordenação decrescente dos valores anuais por aluno obtidos nos Fundos de cada Estado e do Distrito Federal. obtido pela razão entre o total de recursos de cada Fundo e o número de matrículas presenciais efetivas nos âmbitos de atuação prioritária (§§ 2o e 3o do art.00 (dois bilhões de reais). de 24 de  dezembro de 1996. 46. em lei específica.  (VETADO) Art. antes da complementação da União.000. 31 desta Lei. da observância do disposto no § 1o do art.  (VETADO) Art. 12 da Lei no 10. 44. 42. modalidades e/ou ao tipo de estabelecimento de ensino j.  mediante a utilização dos coeficientes de participação do Distrito Federal. de forma que o valor anual mínimo por aluno resulte definido nacionalmente em função dessa complementação. será pago no mês de abril de 2007. Art. a distribuição dos recursos dos Fundos é realizada na forma prevista nesta Lei. e o § 3º do art. de 24 de dezembro de 1996. 49. 45.  A partir de 1o de março de 2007. Parágrafo único. φ j : fator de diferenciação aplicável à etapa e/ou às N ji : número de matrículas na etapa e/ou nas modalidades e/ ou no tipo de estabelecimento de ensino j no Estado i. 2) dedução da parcela da complementação da União de que trata o art. referente ao ano de 2007. realizados na forma do disposto neste artigo.integração entre o trabalho individual e a proposta pedagógica da escola.2) complementação do último Fundo até que seu valor anual por aluno se iguale ao valor anual por aluno do Fundo imediatamente superior.424.000.  A complementação da União prevista no inciso I do § 3o do art. 7o desta Lei.  O ajuste da distribuição dos recursos referentes ao primeiro trimestre de 2007 será realizado no mês de abril de 2007. Art. Parágrafo único. Fórmulas de cálculo: Valor anual por aluno: F VAi = i NPi NPi = ∑φ j =1 15 j N ji em que: VAi : valor por aluno no Estado i.000. 11 (educação de jovens e adultos) desta Lei.  Os Fundos terão vigência até 31 de dezembro de 2020. os arts.424.  Nos meses de janeiro e fevereiro de 2007.  O ajuste referente à diferença entre o total dos recursos da alínea a do inciso I e da alínea a do inciso II do § 1o do art. no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal.a remuneração condigna dos profissionais  na educação básica da rede pública.880. 1º a 8º e 13 da Lei nº 9. de 9 de junho de 2004. multiplicado pelos fatores de ponderações aplicáveis.  piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica. Art.  Nos 2 (dois) primeiros anos de vigência do Fundeb. até 31 de agosto de 2007. será integralmente distribuída entre março e dezembro.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. a partir de 1o de janeiro de 2007. II . 32 (ensino fundamental) e no art. procedendo-se aos eventuais ajustes em cada Fundo. sem o pagamento de complementação da União. Os Estados. conforme operação 3. Art. referentes ao exercício de 2006. fica mantida a sistemática de repartição de recursos prevista na Lei no 9. . 48. de cada Estado e dos Municípios. a complementação da União será distribuída a esses 2 (dois) Fundos até que seu valor anual por aluno se iguale ao valor anual por aluno do Fundo imediatamente superior. ANEXO Nota explicativa: O cálculo para a distribuição dos recursos do Fundeb é realizado em 4 (quatro) etapas subsequentes: Didatismo e Conhecimento 69 1) cálculo do valor anual por aluno do Fundo. 4) verificação.3) uma vez equalizados os valores anuais por aluno dos Fundos.  Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação. 3. Art. além dos destinados à complementação ao Fundeb. recursos orçamentários para a promoção de programa emergencial de apoio ao ensino médio e para reforço do programa nacional de apoio ao transporte escolar. 3) distribuição da complementação da União.3 são repetidas tantas vezes quantas forem necessárias até que a complementação da União tenha sido integralmente distribuída. ponderadas pelos fatores de diferenciação. 3. 3. Fi : valor do Fundo do Estado i. conforme os seguintes procedimentos: 3. e o art.4) as operações 3.  Os Planos de Carreira deverão contemplar capacitação profissional especialmente voltada à formação continuada com vistas na melhoria da qualidade do ensino. Complementação da União fixada a partir dos valores mínimos previstos no inciso VII do caput do art. 41.2 e 3. a União alocará. 40. o Distrito Federal e os Municípios deverão implantar Planos de Carreira e remuneração dos profissionais da educação básica. Art. 211 da Constituição Federal).  O poder público deverá fixar. conforme a sistemática estabelecida nesta Lei.845. 60 do ADCT (EC no 53/06): Comp/União:    ≥    R$ 2.  Ficam revogados. 2º da Lei nº 10. de 5 de março de 2004. 47.a melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem. de modo a assegurar: I .2. Parágrafo único. 43. NPi : número de matrículas do Estado i. III . 31 desta Lei e os aportes referentes a janeiro e fevereiro de 2007. em cada Estado e no Distrito Federal. Parágrafo único. no 1o (primeiro) ano de vigência.

a partir do 4o (quarto) ano de vigência. Certamente nesta questão tem havido radicais de ambos os lados. ≥    R$ 4. pelos Estados e seus Municípios: ∗ Fki = NPfki NPfi ∗ F fi + NPeki ∗ NPoki ∗ Fei + Foi NPei NPoi Fi ∗ = ni + 1 k =1 ∑F ∗ ki em que: k: rede de educação básica do Distrito Federal. no 3o (terceiro) ano de vigência.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS ≥    R$ 3. tem-se: Fi∗ = Fi Distribuição de recursos entre o Distrito Federal. B ] : função mínimo. NPei : número de matrículas na educação de jovens e adultos ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis. ∗ : parcela de recursos do Fundo do Estado i destinada a Foi demais etapas. α : limite proporcional de apropriação de recursos pela educação de jovens e adultos. a questão da chamada educação humanística versus a chamada educação técnico-profissionalizante. por exemplo. B ]: função máximo. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino. αFi ∗   NPei + NPoi  ( ) ∗ * ∗ Foi = Fi ∗ − F fi − Fei em que: ensino fundamental efetivamente praticado em 2006. ∗ : parcela de recursos do Fundo do Estado i destinada à Fei educação de jovens e adultos. De um lado há aqueles que enfatizam a conexão entre educação e conhecimento. O total de matrículas ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis é obtido da seguinte forma: Min[A .500. Didatismo e Conhecimento 70 Analisemos.000. se mostraram “perenes” -. “processo de formação de recursos humanos para as áreas técnicas”.e de modo a excluir da noção de conhecimento. ∗ Fki : valor transferido para a rede k de educação básica do : número de Municípios do Estado i. F fi : valor transferido tendo como base o valor por aluno do em ∗que: F fi : parcela de recursos do Fundo do Estado i destinada ao ensino fundamental. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica. 32 (ensino fundamental) e o disposto no art. ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis. NPoi : número de matrículas em demais etapas. consequentemente. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino: ∗ ∗ ∗ Fi ∗ = F fi + Fei + Foi NPfki : número de matrículas no ensino fundamental da rede k do Estado i. F fi   NPi    NPei ∗ * Fei = Min  Fi ∗ − F fi . sendo batizado com vários nomes diferentes. etc. e. portanto. Para Estados que não recebem complementação da União (VAi ≥ VAmin ) . ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis. os Estados e seus Municípios observa o disposto no § 1o do art. como “processo de qualificação de mão-de-obra especializada”.000. que considera o menor valor entre NPi = NPfi + NPei + NPoi em que: 6 EDUCAÇÃO NO MUNDO CONTEMPORÂNEO: EXIGÊNCIAS DE UM NOVO PERFIL DE CIDADÃO. Max[ A . os Estados e seus Municípios: A distribuição de recursos entre o Distrito Federal. Este preparo é considerado como mero treinamento ou adestramento em certas técnicas e habilidades e não deveria merecer o honroso privilégio de ser considerada parte integrante do processo educacional. de início. no 2o (segundo) ano de vigência.00 (quatro bilhões e quinhentos milhões de reais). NPfi : número de matrículas no ensino fundamental ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis. de sua visão da educação. Fi ∗ : valor do Fundo do Estado i após a complementação da União. Para o Distrito Federal e cada um dos Estados:  NPfi ∗  ∗ F fi = Max  Fi . modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica da rede k do Estado i. que considera o maior valor entre A e B. tudo aquilo que se refere mais diretamente ao preparo para o exercício de uma profissão técnica.00 (três bilhões de reais). de certa maneira. A e B. NPi em que: VAmin : valor mínimo por aluno definido nacionalmente. NPeki : número de matrículas na educação de jovens e adultos da rede k do Estado i.000. 11 (educação de jovens e adultos) desta Lei.000.000. NPoki : número de matrículas de demais etapas. concebendo a noção de conhecimento de modo a incluir nela quase que tão somente os pontos de vista e temas que. . no âmbito Fundef. Complementação da União e valor anual mínimo por aluno definido nacionalmente: Sempre que (VAi < VAmin ) . Apropriação de recursos do Fundo do Estado i pelo Distrito Federal. sobreviveram o teste de durabilidade e que. a União complementará os ∗ recursos do Fundo do Estado i até que VAmin = Fi ni Estado i. do Estado i ou de um de seus Municípios. ≥    10% (dez por cento) do total de recursos do fundo.há uma escola de teoria educacional chamada “perenialismo” -. a fim de obter a distribuição aplicável a demais etapas. ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis. ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis.

quer nos parecer. onde valores se chocam. de perpetuar seus privilégios. preparar o restante da população para se conformar com a condição de dominados) e não daqueles a quem esses sistemas e sub-sistemas se destinam. de outro lado. ou para o qual enviaria seus filhos. onde os conteúdos considerados valiosos por uns e por outros não se identificam. entretanto. mutatis mutandis. há os que procuram realçar o papel do trabalho como fator de desenvolvimento econômico. para o problema que surge em decorrência da coexistência de valores conflitantes dentro de uma mesma cultura. pode coexistir. A questão difícil que pode ser colocada. cada um deles enfatizando certo conjunto de valores. Concordam. portanto. com outras roupagens). preparar uma elite para vir a ser os futuros “donos do poder”. a democraticidade de sua proposta e combatido a falta de democraticidade da solução que esboçamos. têm valores diferentes. afirmam. menos educação. “adorno”. Se nossos valores não coincidem com os dessa cultura que imaginamos. simplificando as coisas aqui. igualmente. apenas para esclarecer alguns aspectos da questão e mostrar a abrangência de nossa conceituação de educação. e não condenar o seu sistema educacional por incorporá-los. uma cultura cujos valores sejam bastante coerentes. o elemento predominante no processo educacional. seja o valor preponderante. e que. de um lado. es- . (De certa maneira. a formação profissional. consequentemente. porque dominante. a nosso ver. agora. Na verdade. de conteúdos considerados valiosos e de concepções de quais devam ser os objetivos educacionais específicos a serem promovidos. se não concordamos com os valores de uma determinada cultura. vê a tarefa da educação como sendo. seja como fator básico de desenvolvimento econômico. seja como forma de realização pessoal. Esta não é nossa intenção. porém. e as várias classes sociais. deliberadamente. concebendo a noção de vida de modo a realçar suas ligações com o trabalho. frequentemente não menos radicais. e um processo educacional que prepara o indivíduo para o exercício da cidadania democrática pode também prepará-lo para o exercício de uma profissão. pois nosso propósito é mostrar que mesmo esse ponto de vista acerca da educação se enquadra dentro de nossa conceituação. enquanto valor é plenamente compatível com outros valores. fato que levará. Em um contexto socioeconômico como o que acabamos de imaginar. mesmo que não concorde com a hierarquia de valores predominante naquele contexto. e que diz respeito ao que poderíamos chamar de relacionamento entre educação e sociedade. à relação entre educação e democracia. o processo educacional terá conteúdos basicamente diferentes no que diz respeito ao seu teor. a todos. e. Didatismo e Conhecimento 71 Voltamos a enfatizar. Imaginemos. a democracia. não fazendo várias distinções básicas e deixando de lado os aspectos complexos que envolvem processos educacionais concretos (e não imaginários). na medida em que. por razões predominantes econômicas. sem dúvida. Na prática sabemos que esta solução não tem sido muito democrática. Não nos cabe aqui analisar esta questão. se concebermos o termo “cultura” em um sentido amplo. invariavelmente. está desejosa de manter o status quo. Outra solução. à existência de um subsistema educacional para os “nossos filhos” e de outro(s) subsistema(s) para “os filhos dos outros”. Educar. e refletem. conseqüentemente. sem discutir o fato. apontando. Deixamos. venham a contribuir para o bom desempenho profissional. e não condenar o seu sistema educacional por incorporá-los. também. não incluímos nenhuma indicação acerca de quem considera valiosos os conteúdos do processo educacional. Somente vamos procurar situá-la dentro de nossa conceituação de educação. a preparação para o trabalho. etc. Em um contexto sociocultural em que a democracia é um valor básico. dentro do processo educacional. em que o objetivo educacional básico é a preparação do indivíduo para a vida ativa do trabalho. franqueado. que foram deverá tomar o sistema educacional? Uma solução que se tem dado a este problema é o da criação de vários subsistemas educacionais. Tudo o mais é “ornamento”. dentro de uma mesma cultura. O que acabamos de dizer aplica-se. Dentre os que assumem esta posição há os que enfatizam o trabalho como forma de auto realização individual. e ao explicitar aquela conceituação. que enfatizam a conexão entre educação e vida. Em uma cultura cujos valores sejam diametricamente opostos aos da cultura que acabamos de imaginar. Mencionamos. é preparar para a vida. em decorrência disso. Naturalmente. preconiza a existência de um sistema educacional único que gradativamente se diferencia em subsistemas e que permite mobilidade horizontal (entre os subsistemas) e vertical (entre os subsistemas de um nível e os de outro nível). sem dúvida. Problema mais sério e grave é trazido à tona por aqueles que apontam ao fato de que sistemas e subsistemas educacionais são organizados e administrados por uma ínfima parcela da população. Estamos. para efeito de argumentação. de igual maneira. A maior parte do mundo vive em sociedades de classes. Estamos simplesmente procurando ilustrar o fato de que dentro de uma mesma cultura pode haver valores conflitantes. para a apreciação das artes. e a deixar de lado suas ligações com o lazer. ninguém. e o exercício da cidadania democrática é tido como algo valioso. fato este que faz com que o sistema educacional enfrente sérios problemas e dificuldades para levar em conta esta divergência e conflitância de valores. Ao conceituar a educação. visto que o acesso a um e a outro subsistema não é. Não vamos entrar aqui nos méritos ou deméritos dessas soluções nem mencionar outras que têm sido propostas. etc. invariavelmente da chamada classe dominante. onde diferentes fossem os valores. será. “perfumaria”. que está estreitamente ligado ao que acabamos de dizer. para o gozo dos momentos de lazer. devemos criticar e combater os valores dessa cultura. observamos que os conteúdos (no sentido visto) que podem ser parte integrante do processo educacional são conteúdos considerados valiosos dentro de um dado contexto sociocultural. as velhas discussões medievais acerca das vantagens e desvantagens da vida contemplativa e da vida ativa se repetem. outros ingredientes que possam não parecer diretamente profissionalizantes só sendo permitidos. Esta solução pareceria democrática. é como mudar valores sem atuar na educação? Isto nos traz ao nosso terceiro comentário. que se considerarmos o termo “cultura” em um sentido amplo (como quando se fala em “cultura brasileira”). e. valores conflitantes.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Do outro lado há aqueles. frequentemente. Observamos atrás que. os interesses e os valores dessa classe (que. mesmo de maneira indireta. pois nela. Não vamos tentar resolver essa controvérsia. dependendo de seus próprios valores e daqueles que cada um dos subsistemas enfatizasse. valores conflitantes podem coexistir dentro de uma mesma cultura. pois permitiria que cada qual escolhesse o subsistema em que iria ingressar. devemos criticar e combater esses valores. para o exercício de uma profissão. pode condenar a educação por ser estritamente profissionalizante: ela estará se ocupando dos conteúdos considerados valiosos naquele contexto. inclusive. mais em moda no Brasil de hoje. na qual o trabalho. Em uma sociedade pluralista. os que propõem um sistema educacional único (a “escola única”) têm reivindicado. mas ainda assim conteúdos considerados valiosos naquele contexto. observando que esta solução leva. o sistema educacional a apresentar certas características que poderia não apresentar em outros contextos. Nesta cultura. o processo educacional vai ser visto como (pelo menos em parte) preparação para o exercício da cidadania democrática.

de certos conteúdos. Ao passo que faz bastante sentido dizer que al- Didatismo e Conhecimento .e que o ensino tem um vínculo conceitual com a intenção de produzir a aprendizagem. na qual o valor preponderante era o trabalho. excluindo-se da esfera da doutrinação mesmo conteúdos intelectuais e cognitivos de outros tipos (como. para que seja educacional. portanto. não pode ser visto como educacional. Uma segunda consideração geral que devemos fazer acerca do conceito de doutrinação é a de que. isto é. possivelmente. hoje em dia. a doutrinação também tem um vínculo conceitual com a intenção de produzir a aprendizagem. então. e. Quando. Cumpre-nos relembrar. muito embora a educação possa ocorrer. É somente na medida em que a educação leva o indivíduo a questionar sua própria educação que está recebendo que ela está se desincumbindo de sua tarefa. a priori. ou a banhar-se diariamente. 72 Portanto. que os leve a um exame criterioso desses conteúdos e das alternativas a eles. para ser educacional. não são educacionais por não levarem os indivíduos à compreensão desses conteúdos. porém. quando aplicada a seres humanos. A dificuldade básica dessa conceituação diz respeito à noção de potencialidades. deva levar ao domínio e à compreensão de conteúdos considerados valiosos. ou ideologias. que a educação tem um vínculo conceitual com a aprendizagem -. ou. Parece haver pouca dúvida. igualmente. e já os gregos nos alertavam acerca da “akrasia”. Não parece fazer o menor sentido afirmar que alguém foi doutrinado. mas. essa difundida conceituação de educação caracteriza o processo educacional como algo impossível (por não ser possível identificar a priori quais as potencialidades de alguém). um vínculo conceitual com o ensino. Há muita controvérsia. ou qualquer coisa desse tipo. porque muito embora possamos falar em educação em termos do que ela é. ao mesmo tempo. depois que essas potencialidades já foram “atualizadas”.). por exemplo. Baseando-nos naquilo que um dando indivíduo se torna. quer nos parecer que seja impossível dizer. atitudes. Não vamos. Processos que levam ao mero domínio e à mera aceitação de conteúdos. Doutrinação tem que haver com crenças. na seção anterior. habilidades intelectuais). tentar solucionar todas as disputas e divergências: vamos apenas nos situar dentro da controvérsia. por exemplo. etc. ensino e aprendizagem. este acerca do ponto de vista. a nosso ver. sim. hábitos. a nossa ver. Salientamos um comentário. que incluímos. mas condicionamento e doutrinação não é a mesma coisa. mesmo que fosse possível descobrir a priori quais as potencialidades dos indivíduos. A exigência de que um processo.mas isto já é outra coisa: estamos lidando. como vimos. Pode ser que algumas potencialidades (como. depois de este alguém ter se tornado aquilo para que tivesse potencialidade. Só sabemos. procuramos conceituar a educação. agora. em nossa conceituação de educação. de maneira alguma. e. A noção de potencialidades. sem compreensão. bem como para aqueles que a conceituam em termos do que ela deve ser. podemos afirmar que tinha potencialidade de tornar-se aquilo (pois doutra forma não se teria tornado). sem crítica. possibilitasse ao aluno assumir uma postura crítica diante do próprio tipo de educação que estava recebendo. (Não há. Contudo. nada nos garante que todas as suas potencialidades devessem. também. quais as potencialidades de alguém a posteriori. e observamos que um processo que leva ao domínio. é uma daquelas noções que só têm sentido retrospectivamente. esses conteúdos à esfera intelectual e cognitiva. ocorrendo sempre em situações de ensino. não devemos nos esquecer de que a educação como ela é frequentemente não é educação. podem ser doutrinados. por isso mesmo. a potencialidade para comportamento agressivo e destrutivo) não devessem ser desenvolvidas. cai-se na necessidade de discriminar entre as potencialidades que devem e as que não devem ser desenvolvidas. doutrinação. a saber: apenas crenças. de que os conteúdos que podem ser doutrinados são sempre conteúdos intelectuais e cognitivos do tipo mencionado (crenças. ser desenvolvidas. a menos que conteúdo dessa doutrinação seja alguma coisa do tipo que acabamos de mencionar. ou pontos de vista. o do autoquestionamento da educação. bastante difundido. Alguém pode. em relação ao conceito de doutrinação. Mas por que é que afirmamos que a doutrinação só pode ocorrer em situações de ensino? A resposta a esta pergunta nos parece óbvia e simples. inclusive. a exigência de que o processo. exame esse de que pode. pontos de vista. a doutrinação é sempre intencional. o desafio educacional maior seria o de encontrar uma maneira de promover a educação profissional que cumprisse o objetivo de preparar para o trabalho e para uma profissão. O dilema educacional por excelência é. mesmo daqueles unanimemente considerados valiosos. ser doutrinado na crença de que se deva tomar uma atitude passiva diante da violência -. Quando falamos em doutrinação. Alguém pode ter sido condicionado a adotar uma atitude passiva diante da violência. ao mesmo tempo. sem investigação da razão de ser. ou. Este é um lembrete que qualifica o que dissemos no final do parágrafo anterior. ou fraqueza da vontade). e mesmo de modo não intencional. adquirir suficiente compreensão desses conteúdos de modo a assumir diante deles uma postura crítica e aberta. cai dentro de nossa conceituação (se se admite a possibilidade de identificar potencialidades a priori. garantias de que quem acredite que se deva tomar uma atitude passiva diante da violência venha a assumir esta atitude quando confrontado com a violência: há sempre a possibilidade de que haja incoerência entre o pensamento e comportamento de uma pessoa. resultar sua rejeição? Naquela cultura que imaginamos atrás. ou convicções. com crenças e não com atitudes. ou a tomar banho diariamente. etc. afirmamos que os conteúdos que podem ser objeto de educação são (desde que considerados valiosos) os mais amplos possíveis. parece haver uma grande limitação no tocante aos conteúdos que podem ser doutrinados. entre as potencialidades cujo desenvolvimento é considerado valioso e aquelas cujo desenvolvimento não é assim visto). Parece absurdo dizer que alguém foi doutrinado a adotar uma atitude passiva diante da violência. Condicionamento tem que haver com comportamento.não faz sentido dizer que houve educação se não houve nenhuma aprendizagem -. aqui. não restringindo. portanto. Vimos. por exemplo. compreensão esta que inevitavelmente envolve o seu questionamento. Desde que a doutrinação tem. seu maior desafio: de que maneira podem indivíduos vir a adquirir domínio de certos conteúdos considerados valiosos e. deva levar ao domínio e compreensão de conteúdos considerados valiosos coloca o processo educacional diante daquilo que consideramos sua maior dificuldade. portanto. apresentando e defendendo um conceito de doutrinação e mostrando como o conceito de doutrinaçãose relaciona com os conceitos de educação. quais sejam as suas potencialidades. talvez. sem ensino. E ao decidirmos quais potencialidades deveriam e quais não deveriam ser desenvolvidas cairíamos no domínio dos “conteúdos considerados valiosos”. teorias. portanto. que conceitua a educação como o desenvolvimento das potencialidades do indivíduo. como veremos. porém.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS paço para aqueles que conceituam a educação em termos do que ela é. Em relação a qualquer indivíduo.

como veremos.e. grande probabilidade de serem falsos). no sentido visto. de enunciados acerca dos quais a evidência. Feitas essas colocações. isto é. ou uma teoria científica. sendo. à doutrinação. como sugerem alguns. a doutrinação: doutrinação é o processo através do qual uma pessoa ensina os outros certos conteúdos intelectuais e cognitivos (crenças. a saber. a saber. ou seja. Desde que. e política não há como evitar a doutrinação e que em áreas como a física e a astronomia não faz sentido falar-se em doutrinação. foi não-educacional. aprendeu certos conteúdos considerados valiosos de maneira a realmente compreendê-los.. consequentemente. Se a intenção de quem ensina é a de que os alunos aprendam e compreendam este conteúdo. Em outras palavras. a moralidade e a política serem ensinadas de maneira educacional. pois. Na segunda passagem observamos: “. pois quer nos parecer que em nossa cultura não seja considerado valioso um conteúdo que consista de enunciados falsos. meramente aceita. acreditem em) o conteúdo em questão. o ensino está sendo não educacional. ou contrários à melhor evidência disponível. mesmo conteúdos considerados valioso podem ser doutrinados. educacionalmente e doutrinacionalmente. seja inconclusiva.) de que se ocupa a educação. enfaticamente negativa. pontos de vista. mais preferidos por doutrinadores a outros. talvez.). ou. talvez. exame este indispensável para sua compreensão. para efeito de argumentação. etc. Mas isto não quer dizer que mesmo estes conteúdos não possam ser ensinados de dois modos diferentes. vamos comparar educação e doutrinação no que dizem respeito a esses conteúdos. estamos em condições de conceituar. e não na sua compreensão.). o que realmente distingue a doutrinação da educação? Em duas ocasiões. moralidade. doutrinacional). da aprendizagem não significativa. Se a intenção é a de que os alunos meramente aprendam (i. Isto quer dizer que não há conteúdos que estejam inevitavelmente fadados a serem objeto de doutrinação. que a aprendizagem que se associa com a doutrinação. etc. Baseando-nos nesta conceituação de doutrinação. e é a intenção que se torna o critério básico e fundamental que nos permite diferenciar entre um ensino educacional e um ensino doutrinacional. etc. É aqui que aquilo que a segunda passagem nos sugere se liga com o que a primeira nos sugeriu. É verdade que vimos que apenas certos conteúdos podem ser doutrinados (conteúdos intelectuais e cognitivos de certo tipo. é o da aprendizagem não acompanhada por compreensão. neste caso. Mas se este é o caso. pois. O que distingue a educação da doutrinação. doutrinação tem que haver apenas com conteúdos intelectuais e cognitivos de certo tipo (crenças. Tomemos. segundo nossa conceituação. que este conteúdo seja considerado valioso no contexto em que se realiza seu ensino. ou que resulta da doutrinação. certos conteúdos intelectuais e cognitivos (normas sociais e valores culturais). aludimos. possivelmente. a compreendê-los.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS guém se educou. Com esta tomada de posição nos contrapomos àqueles que afirmam que em áreas coimo religião. aprendidos. Além disso. crenças. certo conteúdo intelectual e cognitivo: digamos uma doutrina política. sem um exame criterioso de seus fundamentos epistemológicos. etc. ou. O ensino e aprendizagem de conteúdos que consistam de enunciados falsos.o indivíduo. como podem a física e a astronomia serem ensinadas de modo doutrinacional. mas o fez sem compreensão: a aprendizagem. será que a doutrinação nada mais é do que a educação. talvez. através do ensino. O que nos sugerem estas observações feitas atrás? A primeira nos sugere que o tipo de aprendizagem associado com a doutrinação. é basicamente a intenção da pessoa que ensina. deixando fora de nossa análise outros conteúdos (habilidades intelectuais e cognitivas. exatamente quando se trata de conteúdos considerados como altamente valiosos que há o maior risco de doutrinação. quando esta ocorre através do ensino e se ocupa de conteúdos intelectuais e cognitivos do tipo mencionado (crenças. não devem ser parte integrante do processo educacional. . Vamos supor. o ensino também foi não-educacional (tendo sido. tanto podem a religião. O mesmo conteúdo poderá ser ensinado de um ou de outro modo. Dada nossa conceituação de educação e doutrinação. quem doutrina está muito mais interessado em que seus alunos simplesmente aceitam (acreditem em) certos pontos de vista do que em que eles venham a examinar os fundamentos desses pontos de vista. e isto em função da intenção daquele que ensina de que exatamente isto ocorra. “O ensino de conteúdos deste tipo parece bem mais próximo da doutrinação do que da educação”. Portanto. consequentemente. mas que não são objeto da doutrinação. pois os que assim afirmam privilegiam o conteúdo como critério básico e fundamental de diferenciação entre educação e doutrinação. etc. relembramos aqui essas passagens: “Alguém que aceita normas sociais e valores culturais sem examinar e compreender sua razão de ser. educacionalmente ou doutrinacionalmente. como bem mostram algumas pesquisas recentes na área da história e sociologia da ciência. embora alguns conteúdos sejam. e se a aprendizagem foi decorrência de um ensino que estava interessado apenas na aceitação das normas e dos valores. ou acerca dos quais a evidência seja inconclusiva. é a aprendizagem não acompanhada por compreensão. nessa comparação. Pare melhor entendermos esse conceito. de que a educação pode ocorrer. diferentemente daquela que se associa com a educação. o conteúdo em questão pode ser ensinado de maneira educacional bem como de maneira não educacional. Também deixaremos de lado.. atitudes.). não nos parece fazer o menor sentido afirmar que alguém se doutrinou: sempre afirmamos que alguém foi doutrinado. O que a segunda passagem nos sugere é que a intenção de quem doutrina está muito mais voltada para a aceitação dos conteúdos que ele está ensinando do que para um exame criterioso dos fundamentos epistemológicos desses conteúdos. o conteúdo não é o critério básico e fundamental que nos permite diferenciar entre educação e doutrinação. no caso. comportamentos. a doutrinação se realiza somente através do ensino. ou de enunciados que a melhor evidência disponível indique terem pouca probabilidade de serem verdadeiros (e. devemos abordar a seguinte questão: tendo em vista as conclusões alcançadas atrás. como constatamos. meramente passiva -. o ensino estará sendo educacional. aceitem. de passagem. com a intenção de que estes conteúdos Didatismo e Conhecimento 73 sejam aceitos não obstante a evidência. e frequentemente ocorre. podemos agora procurar esclarecer alguns dos aspectos mais controvertidos desse conceito. de sua razão de ser. e. sem dúvida aprendeu um certo conteúdo (possivelmente até através do ensino).)? A resposta a esta questão deve ser. em nossa seção anterior. bem como seu relacionamento com o conceito de educação. será que o único aspecto a distinguir a educação da doutrinação é que esta é um caso específico daquela? Em outras palavras. Se este é o caso. como ponto de referência. sem examinar e compreender sua razão de serem. portanto. doutrinacional. a educação informal (no segundo sentido visto) para nos determos na educação que se realiza através do ensino. a nosso ver. favorável ou contrária. com a intenção de que esses conteúdos sejam meramente aprendidos (isto é. como acabamos de observar. mas não compreendidos). Isto posto. mais precisamente..

mas que. que. mesmo a repressão. em função dessa compreensão. porque tolerar pontos de vista alternativos e conflitantes. que evidência contrária não seja apresentada. é possível que suas razões para aceitar suas crenças não passem de racionalizações. já mostrada por muitos. que ocorre quando há doutrinação. Podemos concluir. como sugerem outros. Desde que. doutrinando. pois ninguém questiona o valor e a veracidade daquilo que está sendo ensinado. da verdade. mesmo que se refira à evidência. o fechamento de mentes. mesmo. Em terceiro lugar. que em decorrência de um ensino doutrinacional. porém. também. um exame crítico e rigoroso dos fundamentos epistemológicos do conteúdo em questão. Não importa que ele acredite que os conteúdos que ensina sejam verdadeiros. em decorrência de um ensino educacional. a persuasão e não o incentivo ao livre exame. mas levá-los a compreendê-lo. do que com a análise crítica. sendo apresentada. se esperariam. como vimos à intenção de alguém (que não nós mesmos) só pode ser determinada pela análise de suas ações em um dado contexto. de que tanto o ensino realizado de maneira educacional. temos que admitir que possa haver doutrinação mesmo quando os conteúdos são considerados valiosos e todos aprovam o que está acontecendo. ou. está em incessante busca da verdade. é de se esperar que o ensino educacional resulte em aprendizagem acompanhada de compreensão. ou teorias. um apego mais emocional do que evidenciar às suas convicções. Esta é uma questão subjetiva. de fato. humildemente. não se pode negligenciar nenhum aspecto da evidência que possa ser relevante.podem contribuir para que nos aproximemos da verdade. pois lhe foi ensinado preocupar-se mais com certas crenças. Em condições normais. Na verdade. O primeiro possivelmente utilizará métodos que envolvam a livre discussão de ideias. em que a verdade já é considerada uma possessão. enquanto a doutrinação se preocupa muito mais com a persuasão. a redução de horizontes. A questão. a situação é complexa. que se preocupe com a análise e o exame da evidência. portanto. dos fundamentos epistemológicos. de evitar o erro. e. consequentemente. ou conteúdos que a melhor evidência disponível indique terem pouca probabilidade de serem verdadeiros como sendo. o professor que ensina conteúdos falsos como sendo verdadeiros. pois na medida em que estes divergem da “verdade” só podem ser errôneos ou falsos. não há mais porque buscá-la. Podemos atribuir-lhe a intenção de doutrinar. podem ser mal sucedidos. devemos concluir que não há doutrinação não intencional. se ele tem condições de obter acesso a esta evidência e não se preocupa em fazê-lo. ou doutrinas. o aluno venha a ter uma mente mais aberta e flexível. Não podemos nos esquecer. à luz da evidência. principalmente estas -. O segundo. e. é mais complexa aqui. a limitação de opções (frequentemente a uma só). estará. de pontos de vista divergentes. a menos que esteja em condições tais que o acesso a esta evidência lhe seja totalmente impossível. A questão importante é a do relacionamento entre o conteúdo e a evidência. na verdade. Didatismo e Conhecimento 74 Aquele que ensina de maneira educacional coloca-se na posição de quem. embora neste caso também seja de esperar que as consequências do ensino educacional e do ensino doutrinacional sejam diferentes. Também no caso de alguém que não tem conhecimento de evidência contrária àquilo que está ensinando. crenças em que o próprio doutrinador não acredita. porém.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Nem é tampouco o método de ensino. condicionando sua aceitação ou não dos conteúdos ensinados a este exame da evidência. em alguns casos piores de doutrinação. Como vimos atrás. é de se esperar.diriam mesmo.. isenta de preconceitos. etc. em cujo caso as consequências que deles poderiam advir não seriam aquelas que. aproximar-se.. que. é possível atribuir a alguém a intenção de doutrinar mesmo que esta pessoa não admita esta intenção. tirem suas próprias conclusões. e vice-versa. entre . é em situações assim que a doutrinação se torna mais fácil e mais provável. a análise séria de alternativas. Na medida. após análise e exame críticos da evidência. etc. que a educação se preocupa muito mais em dar ao indivíduo condições de não ser facilmente persuadido. a educação é um processo que tem por objetivo a abertura de mentes. O que ensina de maneira doutrinacional coloca-se na posição do orgulhoso possuidor da verdade. da evidência. Teríamos maiores reservas em atribuir-lhe esta intenção se não houvesse maneiras viáveis de ele obter acesso a esta evidência. o “desprivilegiamento” da evidência em favor da crença. aceitá-lo ou rejeitá-lo. etc. como é de se esperar. o critério básico e fundamental de diferenciação entre doutrinação e educação. a falsidade. através do estudo e do exame da evidência. por algum motivo. e quem os propõe só pode ser ignorante ou mal-intencionado. pois mesmo as críticas e a evidência negativa -. É de se esperar. assim. poderíamos afirmar que ele se preocupará muito mais em fazer que seus alunos considerem a evidência e. normalmente. porém. cada vez mais. verdadeiros.) correm grande risco de doutrinarem (ao invés de educarem) se não estiverem constantemente atualizados acerca dos desenvolvimentos nas áreas que ensinam. fazendo paralelo a uma importante corrente de filosofia de ciência e de filosofia política. do que em fazer com que seus alunos simplesmente aceitem o conteúdo: seu intuito não é persuadir seus alunos a aceitarem o conteúdo. a educação é tolerante. quanto o realizado de maneira doutrinacional. É de se esperar que o aluno doutrinado acabe por assumir a seguinte atitude: “É nisto que acredito: vamos ver agora se encontro alguma evidência para fundamentar minhas crenças”. na busca da verdade. onde argumentos contra a ideologia capitalista provavelmente serão muito mais abundantes e comuns. o aluno venha a ter uma mente mais fechada. Em segundo lugar. se não inteiramente suprimida. não seja analisada com justiça e isenção de ânimos e preconceitos. e que o ensino doutrinacional resulte na mera aceitação (sem compreensão) dos conteúdos ensinados. seja distorcida. Também não é em função das consequências do ensino que podemos dizer se o ensino foi educacional ou doutrinacional. deseja incutir em seus alunos). embora seja de es esperar que aquele que ensina com a intenção de que seus alunos aprendam e compreendam os conteúdos ensinados e aquele que ensina coma intenção de que seus alunos meramente aceitem os conteúdos ensinados venham a se valer de métodos de ensino diferentes. Daí a conexão. Isto significa que professores de conteúdos intelectuais e cognitivos do tipo visto (crenças. muito provavelmente. Poderíamos mesmo dizer. Desde que. aos fundamentos epistemológicos do conteúdo em pauta. subordinará a análise da evidência à sua intenção de fazer com que os alunos aceitem o conteúdo. principalmente. e. a ampliação de horizontes. o incentivo à livre opção dos alunos. Em primeiro lugar. Com esta atitude. no nível das intenções. como sugerem ainda outros. Podemos fazer algumas observações específicas em relação aos aspectos mais controversos do problema da doutrinação. que esta evidência. uma atitude mais dogmática e menos crítica. É muito mais fácil doutrinar alguém na ideologia capitalista nos Estados Unidos do que em um país radicalmente socialista. pois. com a transmissão de crenças que se supõem verdadeiras (ou. entre a crença na posse da verdade e a intolerância. enquanto a doutrinação é um processo que tem por objetivo a transmissão e mera aceitação de crenças. o que acabamos de ver nos permite afirmar que é inteiramente possível que haja doutrinação mesmo de conteúdos verdadeiros.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
os conteúdos e os seus fundamentos epistemológicos -- questão esta que, apesar das controvérsias atuais na área da epistemologia e da filosofia da ciência, nos parece ser objetivas. Em quarto lugar, devemos abordar, ainda que brevemente, a complicada questão que se coloca em relação a crianças em tenra idade, que ainda não atingiram a chamada “idade da razão”. Será que, no que diz respeito a estas crianças, só nos resta à alternativa de doutrinação, visto não serem elas capazes, segundo se crê, de compreensão, no sentido visto, de exame de evidência, de opção livre e consciente? Em relação a este problema devemos distinguir (pelo menos) dois aspectos. O primeiro é que exigir que crianças pequenas se comportem de determinada maneira, ou que adotem determinadas atitudes, não é, segundo nossa caracterização, doutriná-las, porque os conteúdos aqui não são conteúdos intelectuais e cognitivos do tipo passível de doutrinação (crenças, etc.), mas comportamentos e atitudes. A doutrinação poderá ocorrer no momento em que se procura fazer com que as crianças aceitem certas justificativas para o comportamento e as atitudes que lhes estão sendo exigidos. O segundo aspecto é que mesmo a crianças que ainda não atingiram a maturidade mental e intelectual necessária para compreender a razão de ser de certos comportamentos e atitudes que lhes são exigidos podem ser oferecidas as razões dessas exigências, as alternativas, etc., de maneira bastante aberta e flexível. Haverá doutrinação se a intenção for a de que as crianças aceitam estas justificativas (ou qualquer outro conteúdo do tipo passível de doutrinação) passivamente, sem discussão, a despeito de qualquer outro tipo de consideração, ou argumentação, ou evidência. Em quinto lugar, a possibilidade de doutrinação faz com que aqueles que se preocupa com a educação, de seus filhos ou de seus alunos, se confrontem com um sério dilema, semelhante ao grande desafio a que fizemos menção no final da seção anterior. Este dilema, embora possa aparecer em qualquer área, aparece mais frequentemente naquelas áreas em que a evidência parece ser mais inconcludente, mas em que, por ironia do destino, se encontram algumas das questões mais básicas e importantes com que tem que se defrontar o ser humano: a moralidade, a política, e a religião. Por um lado, acreditamos (por exemplo) ser necessário apresentar a nossos filhos e alunos o ponto de vista moral, o lado moral das coisas, para que venham a serem seres morais. Do outro lado, acreditamos que temos de evitar a doutrinação, se queremos realmente educar nossos filhos e alunos, isto é, se queremos que sejam indivíduos livres para pensar e escolher, liberdade esta que é pré-condição para que eles venham a serem seres morais. É diante deste dilema que os educadores terão que procurar as melhores maneiras de prosseguir, sabendo, de antemão, que a tarefa é dificílima e que muitos, antes deles, optaram, ou por não procurar oferecer nenhum ensino nessas áreas, ou, então, pela doutrinação como única alternativa viável. [E o exemplo?] É em confronto com este dilema que muitos têm optado pela alternativa da chamada «educação negativa», que não é nem educação nem negativa, devendo, talvez, ser descrita como «não educação neutra», por paradoxal que esta expressão também pareça: afirmam que o ensino da moralidade, da política, e da religião não deve ser ministrado até que a criança atinja maturidade suficiente para analisar a evidência e tirar suas próprias conclusões. Outros têm se desesperado e concluído que a única alternativa, apesar dos pesares, é doutrinar -- estes são os doutrinadores contra sua própria vontade. Tanto os defensores da «educação negativa» como os que, contra a vontade, optam pela doutrinação, não veem uma terceira Didatismo e Conhecimento
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alternativa, não veem uma solução realmente educacional para o problema. Embora não afirmemos que esta solução seja fácil de alcançar, cremos que desenvolvimentos recentes, principalmente no campo da educação moral, têm nos indicado o caminho a seguir na direção de uma educação moral viável e digna do nome. Mas ainda há muito por fazer nesta área. Em sexto e último lugar, gostaríamos de observar que, de tudo o que foi dito acerca da doutrinação, fica claro porque a doutrinação é indesejável e moralmente censurável. Quem doutrina não respeita a liberdade de pensamento e de escolha de seus alunos, procurando incutir crenças em suas mentes e não lhes dando condições de analisar e examinar a evidência, decidindo, então, por si próprios; quem doutrina desrespeita os cânones de racionalidade e objetividade, tratando questões abertas como se fossem fechadas, questões incertas como se fossem certas, enunciados falsos ou não demonstrados como verdadeiros como se fossem verdades acima de qualquer suspeita. É verdade que esta tomada de posição contra à doutrinação já implica, ao mesmo tempo, um comprometimento com certos valores e ideais básicos, como o da liberdade de pensamento e de escolha dos alunos (e de qualquer pessoa), o da racionalidade, etc. É importante que se reconheça isto para que não se incorra no erro de pensar que a adoção desses valores e ideais não precisa ser defensável, e, mais que isto, defendida, através da argumentação. Argumentos contra a adoção desses valores e ideais precisam ser cuidadosamente analisados para que, ao propor a tese da indesejabilidade e falta de apoio moral da doutrinação, não o façamos de modo a imitar os doutrinadores, isto é, tratando como fechada uma questão que é realmente aberta. Cremos não ser esta a ocasião de fazer esta defesa dos valores e ideais da liberdade de pensamento e escolha, nem da racionalidade. Mas isto não significa que estes valores e ideais não precisem ser defendidos. Com estas observações concluímos esta seção sobre doutrinação. Cremos que a análise desse conceito, além de valiosa em si mesma, nos ajuda a compreender melhor, por contraste, o que seja a educação. Uma análise mais completa deveria incluir um exame das semelhanças e diferenças existentes entre doutrinação, treinamento, condicionamento, lavagem cerebral, etc. Há importantes diferenças, bem como semelhanças, entre estes conceitos. Isto, porém, precisará ficar para outro trabalho. Cremos ter dado respostas a algumas das perguntas acerca do relacionamento existente entre o conceito de educação e os conceitos de ensino e aprendizagem, bem como entre educação e valores, educação e cultura, etc. Nossas respostas, reconhecidamente em forma de esboço, são, na verdade, bastante pessoais. É possível e provável que muitos discordem delas. Acreditamos, contudo, que elas fazem sentido, é justificável, e nos ajudam a “colocar a cabeça em ordem” em relação a essas noções. Dada à importância que atribuímos ao conceito de doutrinação, resolvemos dedicar a este conceito uma seção em separado, pois quer nos parecer que a análise desse conceito nos ajuda a compreender melhor, por contraste, o conceito de educação. A muitos pode parecer que o tipo de investigação que caracterizamos neste trabalho, embora de alguma utilidade e de algum interesse, não seja de grande importância. Mais importante do que a tarefa “clarificatória” que a filosofia pode desenvolver, diriam, é sua tarefa “normativa”, à qual ela não se deve furtar: a filosofia deve contribuir -- continuariam -- para que as grandes e pequenas decisões que diariamente precisam ser tomadas na área da educação sejam tomadas de maneira a evidenciar sabedoria, e não apenas clareza de pensamento. À filosofia da educação competiria, pois, segundo muitos, investigar a questão dos objetivos específicos da educação, propondo metas a serem atingidas e valores a serem promovidos.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
Concordamos, em grande parte, com o espírito dessas observações. Achamos que clareza em nossos conceitos e acerca de nossas pressuposições básicas não é tudo, não é condição suficiente para a sabedoria de nossas decisões, dos alvos que propomos a nós mesmos e aos outros, dos valores que adotamos e que desejamos que os outros também cultivem. Contudo, estamos certos de que esta clareza seja condição necessária para esta sabedoria. Embora alguém possa ter clareza quanto às suas concepções, sem ser sábio, ninguém consegue ser sábio sem antes adquirir clareza acerca das convicções mantidas por ele próprio e por outros. Quer nos parecer, portanto, que a tarefa do educador, e quiçá do filósofo da educação, não termine com a análise e clarificação dos conceitos educacionais básicos e das pressuposições que sustentam a atividade educacional. A tarefa clarificatória da filosofia é apenas um preâmbulo à tarefa mais normativa de examinar, questionar, e propor objetivos e valores. O filósofo, porém, não detém o monopólio destas últimas questões. No que diz respeito aos objetivos e valores que devem nortear a vida, e, consequentemente, o processo educacional, o filósofo, como qualquer outra pessoa, estará sempre buscando, procurando, pois na área de valores e objetivos de vida não há peritos e profissionais: cada um, em última instância, tem que escolher os seus valores básicos e os objetivos que deverão nortear sua vida. Não há como abrir mão dessa tarefa solicitando a um filósofo (ou a seja lá quem for) que faça isto por nós, sem abrirmos mão de nossa autonomia, e, em última instância, de nós mesmos. À filosofia da educação como aqui caracterizada deve, portanto, seguir uma teoria da educação que tenha como principal tarefa o exame dos princípios básicos, objetivos, valores, etc., que prevalecem em nossa cultura e que norteiam, atualmente, a educação em nosso país, a reflexão crítica sobre eles e sobre a realidade social, econômica e cultural que envolve o processo educacional, e, se necessário for (e quase sempre o é), a proposta de novos princípios básicos, objetivos e valores para a nossa cultura e para a nossa educação. À teoria da educação compete, portanto, a tarefa normativa a que fizemos referência, e para se desincumbir desta tarefa a teoria da educação deve recorrer não só à filosofia da educação, mas também à sociologia da educação, à psicologia da educação, à economia da educação, à medicina preventiva e social, etc. -- ou, para encurtar, a qualquer ramo do saber que possa contribuir alguma coisa, nunca se esquecendo de incluir na mistura uma boa dose de bom senso. Para muitos, o que acabamos de caracterizar como sendo a tarefa da teoria da educação nada mais é do que a real tarefa da filosofia da educação. Não temos o menor interesse em discutir rótulos, pois a discussão seria meramente acadêmica. Quer nos parecer, porém, que a bem da clareza, seja recomendável e de bom alvitre estabelecer uma distinção entre a filosofia da educação e a teoria educacional, pelas seguintes razões. (a) A filosofia da educação, como aqui caracterizada, é uma atividade reflexiva de segunda ordem, que tem como objeto as reflexões de primeira ordem feitas sobre os vários aspectos do processo educacional; a teoria educacional é uma atividade reflexiva de primeira ordem, no nosso entender, que tem por objeto básico a realidade educacional e não reflexões que tenham sido feitas sobre esta realidade; estas reflexões servirão de subsídios ao teórico da educação para que este elabore suas próprias conclusões, mas ele tem, basicamente, que “debruçar-se sobre a realidade educacional”, para entendê-la, explicá-la, criticá-la e propor sua reformulação. Didatismo e Conhecimento
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(b) Na medida em que a teoria educacional tem que se valer das contribuições das várias ciências que estudam a educação, ela extrapola os domínios da filosofia e, consequentemente, da filosofia da educação. A filosofia da educação, como aqui concebida, deveria ser vista como observamos, como um prolegômenos, um preâmbulo à teoria educacional, cuja tarefa principal seria fornecer ao teórico da educação os instrumentos conceituais básicos para a sua teoria. (c) A teoria educacional, embora possa (e talvez deva) ser considerada científica, tem uma finalidade que vai além da mera explicação e interpretação da realidade educacional: ela procura orientar e guiar a prática educacional. É por isso que a teoria da educação, além de estudar e examinar a realidade educacional tem a função de criticar esta realidade e de propor novas direções a seguir. A teoria da educação, para usar uma expressão que se torna comum, não tem como tarefa simplesmente constatar qual é a realidade educacional: ela vai além e contesta esta realidade, não em função de um espírito puramente negativista, mas em função de uma proposta de realidade diferente. E esta proposta envolve, inevitavelmente, valores diferentes. Portanto, a teoria educacional, em sua tarefa de orientar e guiar a prática educacional envolve, necessariamente, um ingrediente de valores. O texto em questão, dentro de seus limites, procurou, entre outras coisas, apresentar os rudimentos de um preâmbulo à teoria educacional, fazendo, no processo, um primeiro ensaio em direção a uma demarcação entre filosofia da educação e teoria educacional.

7 POLÍTICAS PÚBLICAS PARA EDUCAÇÃO.

Em termos de políticas públicas, a relevância do debate atual é a respeito do currículo da escola fundamental, isso parece óbvio, já que toda política educacional só ganha sentido se estiver referida àquilo que deve ser seu propósito por excelência, ou seja, o provimento, aos educandos, de um conteúdo cultural que lhes proporcione formar-se como cidadãos. No entanto, esse debate parece não ter conseguido ainda a força social e política suficiente para questionar radicalmente a estrutura curricular de nossas escolas, de modo a buscar medidas que visem a superá-la. O currículo da escola fundamental tem permanecido com a mesma configuração há muitas décadas, mantendo sua forma verbalista e restringindo seu conteúdo às disciplinas tradicionais, adstritas a conhecimentos e informações. A sociedade mudou, novos direitos políticos, civis e sociais foram alcançados ou entraram na pauta de reivindicações, mas a concepção de currículo e daquilo que é necessário para a formação humano-histórica dos cidadãos continua a mesma. Apesar disso, especialmente nos últimos anos, tanto as políticas públicas quanto boa parte da academia parecem dar pouca atenção à importância do currículo para a efetiva qualidade do ensino, preferindo pautar suas iniciativas e análises quase exclusivamente nos resultados das avaliações em massa, que privilegiam a aferição de conhecimentos “adquiridos”, sem grande atenção para a cultura em seu sentido pleno. E este, me parece, é mais um fator que reforça a relevância de se problematizar a atual estrutura curricular da escola fundamental, em razão dos subsídios que

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
esse questionamento pode oferecer para uma melhor adequação da própria maneira como o Estado procura avaliar a qualidade do ensino. Independentemente do real poder das avaliações externas para aferir a aquisição de conhecimentos, será que seus resultados podem servir de parâmetros para indicar até que ponto o Estado está atendendo ao direito das pessoas à cultura, visto que esta, em seu sentido pleno, não é contemplada em tais medições? Tal discussão deve iniciar-se pela constatação de que o currículo é um dos aspectos que mostram mais enfaticamente como a escola tradicional tem privilegiado uma dimensão “conteudista” do ensino, que enxerga a instituição escolar como mera transmissora de conhecimentos e informações. Daí a relevância de se pensar em sua reformulação numa perspectiva mais ampla que contemple a formação integral do educando. Certamente, não se pode contestar a importância dos conteúdos das disciplinas tradicionais (Matemática, Geografia, História, Ciências etc.), que são imprescindíveis para a formação humana e não podem, sob nenhum pretexto, ser minimizados. Todavia, conteúdos como a dança, a música, as artes plásticas e outras manifestações da cultura são igualmente necessários para o usufruto de uma vida plena de realização pessoal. As questões relacionadas com a ética, a política, a arte, o cuidado pessoal, o uso do corpo e tantos outros temas relacionados ao viver bem das pessoas e grupos não podem constituir apenas “temas transversais” a compor versões escritas de currículos, mas transformar-se em temas centrais na prática diária das escolas. Essas matérias que envolvem o uso do corpo, a criatividade, o manuseio de objetos concretos, opiniões individuais, posturas diante de valores, enfim, matérias que levam os educandos a se comportarem mais explicitamente como sujeitos, são importantes não apenas por seu valor intrínseco de componentes da cultura que precisam ser apropriados, mas também porque elas tendem a tornar mais interessantes as demais matérias, especialmente quando com estas se inter-relacionam, tornando o aprendizado mais prazeroso e levando os estudantes a assumirem o estudo de todos os conteúdos como algo que enriquece suas vidas e faz parte constitutiva de seu cotidiano. Por isso, ao se propor a oferecer tão pouco (conhecimentos e informações), a escola tradicional nem esse pouco consegue transmitir. É que as informações e os conhecimentos usualmente só ganham interesse por parte do educando se estiverem no contexto de toda a cultura. Não se pode esquecer que os valores (querer aprender, por exemplo) são componentes culturais. Quando se trata das questões de currículo não convém nunca deixar de associar conteúdo e forma de ensinar. Se a condição para o educando aprender é que ele seja sujeito, então, por mais abstrato e complexo que seja determinado conteúdo cultural (conhecimento, valor, arte etc.), o aluno só aceita o convite do educador para apropriar-se dele, se se fizer autor, ou seja, ele só aprende na forma de quem age orientado por sua vontade. E isto não é uma questão apenas teórica, mas prática. Corolário disso é que o educador também não pode ser um mero repetidor de conteúdos, mas deve buscar a forma mais adequada para criar no educando a vontade de aprender. É nisso que tem investido toda a Didática, historicamente: criar métodos, técnicas, procedimentos, que produzam no aluno a vontade de aprender. Essa questão da associação entre forma de ensinar e conteúdo que se ensina se torna ainda mais proeminente, quando não se trata apenas de conhecimentos a serem adquiridos, mas de valores e posturas a serem assumidos. Não se pode, por exemplo, ensinar democracia com base em formas autoritárias de ensinar. É nessas situações que mais claramente se percebe que, em educação, a forma é conteúdo. Didatismo e Conhecimento
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Quando se fala de formas de ensinar que favoreçam a vontade de estudar do educando, é bom não se esquecer de que esse princípio não se restringe a uma relação entre professor e aluno dentro de uma sala de aula. É a escola inteira que deve ser motivadora; portanto, é a escola toda que deve se tornar educadora. A esse respeito, o enriquecimento do currículo não pode se restringir a mero acréscimo de disciplinas a serem estudadas, mas a uma verdadeira transformação da escola num lugar desejável pelo aluno, onde ele não vá apenas para se preparar para a vida, mas para vivê-la efetivamente. Assim, ele não é mero “cliente” de uma sala de aula, mas cidadão de toda uma escola que lhe propicia condições de participar de variadas atividades, no grupo de dança, no coral, no clube de ciências, no conjunto musical, no grupo de teatro, na roda de capoeira etc. Assim concebida, a escola é um lugar que deve fazer parte da vida das crianças, não provocar sua negação. Não deixa de ser desalentador perceber o quanto nossa escola tradicional tem negado esse princípio. Basta contemplar o mito de que ensino não se pode misturar com brincadeira, bastante presente no imaginário de nossos professores da escola fundamental, para se ter a dimensão dessa verdadeira negação da escola como local onde se constroem personalidades humano-históricas. Esse mito se sintetiza no esforço que às vezes se percebe em professores do primeiro ano do ensino fundamental que, desde o primeiro dia de aula, procuram convencer as crianças vindas da escola de educação infantil de que a escola, diferentemente da pré-escola, não é lugar de brincar, mas de estudar. Imagine-se a situação de crianças pequenas – para quem a alegria de viver se resume, em boa parte, em brincar – ver-se privada disso. Como é possível ensinar para alunos cuja forma privilegiada de se fazer sujeito é o brincar, se se lhes proíbe essa atividade? É como se fosse possível aprender sem ser sujeito. É como se vivêssemos um tempo em que a Didática ainda não tivesse descoberto a importância do lúdico na aprendizagem. Hoje, com o avanço dos conhecimentos na Pedagogia, continuar repelindo a brincadeira como adversária do ensino implica cortar pela raiz a possibilidade de fazer da escola uma verdadeira casa de educação, o que aponta mais uma vez para a relevância de se estudarem alternativas de transformação do currículo da escola fundamental, tanto no conteúdo quanto na forma. A cultura como matéria-prima do currículo Falar do currículo da escola fundamental é falar do conteúdo do ensino, mas de uma forma mais ampla do que usualmente se entende. Os “conteudistas” reduzem o conteúdo aos conhecimentos e informações que são transmitidos pela escola. Todavia, se educação é formação de personalidades humano-históricas, o seu conteúdo tem a ver com a cultura em seu sentido pleno: conhecimentos, informações, valores, crenças, tecnologia, ciência, arte, filosofia, direito etc., ou seja, tudo aquilo que é criado pelos homens, por contraposição à natureza, que existe independentemente de sua ação e vontade. O conceito de cultura, nesse sentido mais amplo, tem relação com o significado que lhe dá, pois a palavra cultura designa a soma total das criações humanas, ou o resultado organizado da experiência de um grupo qualquer, num dado momento ou momentos sucessivos. Incluem instrumentos, habitações, armas, todos os bens de produção existentes no grupo, como os processos de sua utilização; e ainda tudo quanto esse grupo tenha elaborado na forma de atitudes e crenças, ideias e opiniões, códigos e instruções, arte e ciência, organização social e filosofia de vida. Uma cultura se constitui pelo que se vê, de elementos materiais, e não materiais, ou simbólicos.

de discussão. Verifica. não é difícil imaginar sua conduta de hoje com seus alunos. e que o educador. especialmente do professor. Mas. para aprender. Esta é uma condição necessária para que o educador possa levar o educando a fazer-se sujeito e aprender. Uma formação em serviço que logre produzir mudanças consistentes nas condutas políticas dos professores de hoje. ao lado de todos os demais elementos da cultura (conhecimentos. seja levado a aplicar sua vontade. por meio daquilo que denomina “determinantes psicobiográficos” da propensão à reprovação. sendo de particular importância o tipo de educação que ele recebe durante o ensino fundamental. ou melhor. esse componente não tem recebido a devida atenção por parte das políticas públicas em educação. porque o mais determinante dessa “formação” já se deu quando o futuro professor frequentava a escola fundamental. A importância determinante. pela simples razão de os valores não serem passados apenas por palavras. fazendo sofrer os seus educandos precisamente aquilo por que ele passou. visto ser no contexto da cultura que se forjam os conhecimentos. A importância desse fator decorre do fato de que a transmissão de valores – e das condutas que eles favorecem – não se sustenta em palavras e preceitos. por seus mestres” (PARO. é muito mais um replicador das relações pelas quais ele passou no ensino fundamental do que aplicador dos conhecimentos. Aprende-se a dominar. objetos e valores presentes na “relação” pedagógica. como sujeito. é claro. ao se tratar da estrutura didática. tanto quanto para a melhoria dessa educação visando a gerações futuras. dos atributos políticos (autoritários ou democráticos) incorporados na personalidade de cada professor do ensino fundamental deve levar à constatação de que tais atributos. Em estudo que verifica as razões do apego de educadores ao emprego da reprovação escolar. os valores. Ao educar-se.). no processo de aprendizado. A relação pedagógica. em geral. é preciso que o educador “queira” ser democrático e “seja capaz de agir” democraticamente. corresponde-se de tal maneira que a pessoa que recebeu a educação se coloca mais tarde na vida no lugar do seu educador. de modo a tocarem em suas próprias personalidades. Mas para as gerações atuais. com seus alunos. ou seja. Ou seja. Didatismo e Conhecimento 78 princípios e métodos com que teve contato em sua formação docente. Vitor Henrique Paro (2003) constata a força da escolaridade pregressa em professores do ensino fundamental. O modo de pensar é aqui o mesmo que na juventude e que foi formado pela experiência quotidiana. em pleno período de seu desenvolvimento biopsíquico. para dar conta da passagem da democracia como componente curricular. regras ou recomendações. de trocas de experiências e de práticas coletivas. que ele reconheça e aceite o valor desse elemento e. o indivíduo é exposto a relações sociais que marcam. Ao enfatizar a importância da forma em sua dimensão de conteúdo do currículo escolar. Aqui. está-se falando sobre um dos componentes da estrutura curricular. Às vezes. visando à melhoria da prática pedagógica. a primeira questão que viria à tona aos formuladores de currículos e programas para o ensino fundamental seria a consideração do caráter democrático da personalidade do educador escolar. aplique sua vontade na transmissão de tal elemento. Como se vê. Ao contrário. a intenção e o êxito. na verdade. técnicas. o caminho mais curto é a formação em serviço das dezenas de milhares de professores que hoje operam no ensino fundamental. além disso. para fazer-se eficientemente. Em vista disso. como comumente se supõe. exige uma forma democrática de relacionamento. como autor. O essencial dessa formação é constituído muito antes de o jovem chegar ao ensino superior. Lamentavelmente. é preciso que a estrutura mesma da escola seja transformada. precisa superar a atual maneira pontual e anárquica que tem preponderado nos “programas” de formação em serviço e “formações a distância” vigentes. o primeiro conteúdo do currículo é precisamente a forma de ensinar. indelevelmente. sua personalidade. É por isso que o professor do ensino fundamental de hoje. Para. o estudante. entre cidadãos. porque é aí que. . valores etc. como um ensino de caráter punitivo e que desconsidera a subjetividade do educando “parece levar os professores de hoje a reproduzirem. 2003). para ensinar. seja “verdadeiro” na transmissão de determinado componente cultural. em sua personalidade vão-se incorporando valores de cunho universal relacionados à forma democrática de convivência entre humanos. obedecendo. mas principalmente pela conduta assumida na relação. e de sua capacidade de exercitar essa condição na interação com o educando. para a educação. se levarmos em conta o caráter autoritário das relações vigentes na escola que esse professor frequentou quando jovem. as visões de mundo e os modos de conduta incorporados durante os primeiros períodos de vida muito dificilmente serão apagados ou substituídos na idade adulta. incorpora os valores que dão forma à maneira de essa cultura ser passada. eles são tão importantes que é preciso providenciar uma forma de ensiná-los que produza sua real apropriação. A relação pedagógica como relação entre sujeitos supõe que o educando. Acontece que a formação dessa “personalidade democrática” do educador escolar não se faz inteiramente por meio dos livros e dos cursos de Pedagogia e outros de formação de professores. a forma como foram tratados.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A primeira consequência da consideração da cultura como conteúdo do ensino é que a estrutura curricular está necessariamente associada à estrutura didática. Assim. com a diferença de que o lugar incômodo foi trocado pelo mais cômodo. As crenças. não se está querendo dizer que os conhecimentos e informações constantes das disciplinas escolares não sejam importantes. então. de uma forma ou de outra. ao fazer-se conteúdo do ensino. E a estratégia adequada para dotar o ensino de bons professores no que diz respeito a esse quesito não pode restringir-se à melhoria da formação profissional nos cursos superiores de Pedagogia e assemelhados. Se fosse valorizado. são parte integrante do currículo escolar. quando estudantes. essa forma não é assimilada pelo educando apenas como forma de ensinar e aprender. Nessa perspectiva. Em consequência. Já as crianças pequenas tratam as suas bonecas exatamente da mesma maneira como são tratadas. predominantemente. para as gerações futuras cumpre melhorar a educação que é oferecida hoje em nossas escolas fundamentais. de leitura. se pode formar a personalidade democrática dos professores de amanhã. além dessa preocupação com uma forma de ensino que provoque sua efetiva realização. outro aspecto relacionado aos conhecimentos incluídos no currículo escolar refere-se à natureza mesma desses conhecimentos. Para isso. de modo a incluir em sua prática cotidiana momentos de estudo. esse componente político1 presente na educação como prática democrática é ingrediente curricular fundamental na formação de personalidades livres e autônomas. Mas.

). é dar-lhe um instrumento cuja prática pode ser mais prejudicial do que benéfica. porém. aplicam-se sob medida ao Brasil de hoje: George coloca que a partir da idade de 6 anos. apesar de não contar com os avanços atuais da Pedagogia. quando adulto. dança. A esse respeito. na vida adulta. como a história. é crítico todo conhecimento que esteja comprometido com a verdade. História. se ela instila um fastio insuperável e mantém uma mentalidade de competição e de respeito formal aos mestres”. em sua crítica à escola. nenhuma estatística seria capaz de dizê-lo. Afirmou-se por muito tempo: abrir escolas é fechar prisões. Por mais “neutra” que possa parecer uma disciplina como a Matemática. coroando tudo isso. é preciso garantir a flexibilidade suficiente para permitir os necessários ajustes às características regionais e estimular a criatividade de cada unidade escolar. os exames. A alfabetização pura e simples nada tem feito de construtivo. Isto vai contra a crença de que a forma por excelência de o ensino se fazer crítico é selecionando os conhecimentos que tragam explicitamente uma intenção política de conscientização. quantas prisões as escolas fecharam. Tais considerações desautorizariam. se os fatos já se não tivessem encarregado de fazê-lo. ao domínio do corpo. Certamente. os novos componentes curriculares relacionados à arte (música. também passivamente. as classificações e. ao esporte. e aceitos passivamente pelo aluno. se os espíritos continuam virgens. o que chama a atenção é precisamente a ausência dessa preocupação por parte das políticas públicas. No primeiro caso. uma articulação entre os vários tipos de conteúdos e uma adequação estrutural da escola com vistas a essa nova concepção de currículo. a sociologia e outras disciplinas do campo das ciências humanas. se com este termo estivermos entendendo a superação de uma visão ingênua do mundo. apesar de se referirem ao sistema francês na década de 1960. a capacidade de expressão exata. de seus deveres. ter consciência de seu papel social. mas também em toda cultura que venha a compor o currículo escolar. o espírito crítico. quando se inicia seriamente a aprendizagem da leitura e da escrita. bela e enérgica de uma alma harmoniosamente desenvolvida representam aquisições humanas de valor perene. ou seja. na comunidade e para a comunidade. por exemplo. e a escola passa a ser valorizada quase só na medida de sua capacidade de fornecer informações. o critério na apreciação dos homens. um simples repetidor de conteúdo é uma preocupação que sempre esteve presente na História da Educação. como muitos acreditam que se propiciará um aprendizado mais crítico. com base apenas na autoridade do professor ou da escola. de modo a que ele não se torne. de suas responsabilidades e de suas obrigações. Os conhecimentos positivos de geografia ou de física poderão estar antiquados no cabo de poucos lustros. artes plásticas etc. obtivessem adaptação a seu meio social e não lessem senão ideias construtoras. nas diversas áreas do saber e das ciências. em que as regras e algoritmos são memorizadas sem nenhum questionamento ou descoberta por parte do educando. se os conhecimentos forem apenas “revelados” pelo professor. e uma ordenação que leve em conta cada fase ou ciclo de desenvolvimento curricular. os exercícios. Além disso. Tanto que todo o ensino francês parece se reduzir a um gigantesco empreendimento de alienação mental. ao folclore. 1975). Se todos os que aprendessem a ler atendessem a seus interesses vitais. Nos dias atuais tornou-se quase sagrado o mito da “sociedade do conhecimento” e da necessidade de adequar-se a ela. aceitará preconceitos e injustiças sociais. Não há dúvida de que o conhecimento deve ser crítico. Quanto . por outro. entretanto. o caráter crítico do ensino estaria presente apenas naquelas disciplinas que veiculam explicitamente valores ou posturas políticas. a capacidade de raciocínio e a aptidão para o julgamento são relegados a um plano inferior. de seus direitos. A adoção de uma concepção de currículo que não se baste no rol de conhecimentos a serem transmitidos. teatro. à saúde etc. mas considera que ela “pode desviar definitivamente o jovem de toda pesquisa intelectual. pois tudo o que ensina é em grande parte esquecido”. Segundo esse ponto de vista. Filosofia etc. de modo a propiciar condições de novos avanços e aprofundamentos em cada conteúdo nos estágios e níveis subsequentes do ensino. a afirmativa de que a instrução é a grande panaceia universal. o princípio prevalecente nessas escolhas deve ser o da busca de uma síntese possível do conteúdo de cada área. implica considerar pelo menos três tipos de providências relativas a sua concretização: uma seleção de conteúdos. Didatismo e Conhecimento 79 Entretanto. aperfeiçoar-se individualmente. Alfabetizar o indivíduo sem fazê-lo crescer. Língua Portuguesa. por um lado. que comporão as matérias ou disciplinas escolares (Matemática. não é enxertando questões sociais nos exemplos de problemas matemáticos. isto é.) e. Tal cuidado estava presente até mesmo no método dos jesuítas que. Muito embora não se possa menosprezar a importância dessas disciplinas – e não se deva descartar determinado conteúdo curricular por ele ser explicitamente político – o componente crítico deve estar presente não apenas em todo conhecimento veiculado pelas disciplinas. de indivíduos que não fossem meros acúmulos de conhecimentos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A esse respeito. A estratégia preferida para proceder a essa adequação parece ser a aquisição da maior quantidade possível de informação. é comum ouvir-se falar da necessidade de um conteúdo do ensino que seja crítico e que favoreça a consciência política dos educandos. há que se selecionar. embora se possa (ou se deva) estabelecer mínimos curriculares ou parâmetros orientadores que tenham validade nacional. De nada vale. Michel Lobrot (1977). A Matemática continuará contribuindo para inibir o espírito crítico se continuar sendo ensinada de maneira “bancária” (FREIRE. A criança que hoje é levada a aceitar passivamente um algoritmo ou uma regra sem compreender seu funcionamento. “ideias que são simplesmente recebidas pela mente sem que sejam utilizadas ou testadas ou mergulhadas em novas combinações”. os conhecimentos relevantes. Os únicos elementos importantes da vida escolar são os programas. o raciocínio seguro. Neste sentido. as palavras de George Gudsdorf (1987) são bastante atuais e. já enfatizava a importância da formação. Se perguntássemos. O cuidado com a formação do jovem. mas que soubessem refletir e apreciar a cultura. tenderá a ser o mesmo indivíduo que. a criatividade. as notas. A reflexão. afirma que esta “não exerce quase nenhuma influência no saber e na capacidade dos adultos. Nossos currículos parecem constituir um enorme rol de conhecimentos a serem armazenados nas cabeças dos estudantes. a criança francesa torna-se a presa de um sistema cujo único ideal é empanturrar cérebros sem levar em conta o essencial desenvolvimento equilibrado da personalidade. de toda colaboração efetiva com os outros. mas que contemple também as demais dimensões da cultura. É preciso precaver-se contra aquilo que Whitehead chama de “ideias inertes”. pela escola. de toda curiosidade. sem perguntar seu significado e razão de ser. a alfabetização só por si seria um programa excelente. ao artesanato. se se guardam intactos em sua feição primitiva.

embaixo de uma ponte ou na mansão de algum magnata. para além da necessidade natural. pelo que ele pode trazer de contribuição ao desenvolvimento econômico e social do país e para a preparação individual dos cidadãos. não há nenhuma razão. Por isso. é preciso estar alerta para o fato de que pensar em direitos humanos tem um pressuposto: reconhecer que aquilo que consideramos indispensável para nós é também indispensável para o próximo. para sentir-se bem. tempos e equipamentos completamente diversificados. enquanto forma sua personalidade e prepara para futuros enriquecimentos cultural. Mesmo as pessoas que têm maior acesso à cultura muito raramente percebem essa dimensão dos direitos humanos. Na verdade. Estas são. em salas separadas. No nascimento. etc. Esta preparação é usualmente associada aos conhecimentos mínimos necessários para o indivíduo viver em sociedade. partes importantíssimas da herança cultural. essa visão da cultura como necessidade (e direito) universal ainda está longe de se generalizar em nossa sociedade. Do ponto de vista dos valores democráticos. é pela apropriação dessa cultura (pela educação). pautada por valores progressistas de afirmação da condição de sujeito de todos os cidadãos. ao mundo natural. Para que isso aconteça. os mais ricos tendo a sua disposição os meios e recursos que lhes possibilitam o desenvolvimento de suas potencialidades. isso não pode significar o direito apenas a pequenos “pedaços” da cultura. pelo fato mesmo de serem cidadãos. mas propiciar condições para que cada unidade escolar encontre a melhor forma de dispor seus recursos e adequá-los ao currículo adotado e à população usuária. portanto. numa sociedade verdadeiramente democrática. Língua Portuguesa. A segunda medida relativa ao dimensionamento curricular diz respeito à imprescindível conexão dos conteúdos das chamadas disciplinas teóricas com os conteúdos relacionados às outras dimensões da cultura que farão parte do currículo. os mais pobres tendo que permanecer à beira da necessidade natural por lhes serem negada as condições objetivas de se desenvolverem culturalmente. as artes e a cultura em geral comportam divisões em disciplinas ou áreas. Geografia. Nesse sentido. As ciências. também o currículo deve levar em conta essa condição. Sabemos. que o homem se diferencia da mera natureza e se faz humano. A classificação das escolas para determinadas finalidades é necessária. é o próprio substrato da liberdade do homem. espaços. Didatismo e Conhecimento 80 Todavia.). A realização pessoal exige muito mais do que fragmentos de cultura que nossa escola se propõe a fornecer. com funções. a percepção da complexidade do mundo e dos seres. Finalmente. Essa me parece a essência do problema. Ela clama por uma educação que logre preparar o indivíduo para o usufruto de todos os bens espirituais e materiais criados historicamente no contexto da cultura. portanto. em particular o fundamental. nos deixaram por herança (não genética. ao fazerem a história. . Quando falamos de direito à educação.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS a isso. enriquecer a vida presente do educando. na forma de todo desenvolvimento científico. cada indivíduo se faz mais livre à medida que se apropria da cultura. sem dúvida. como o exercício da reflexão. para que essa herança cultural seja distribuída de modo desigual aos cidadãos. ético. de tudo o que nossos antepassados. humano-histórico. portanto. O direito à cultura Tomar a educação como apropriação da cultura traz importantes consequências para a apreciação dos direitos humanos. para seguir nos níveis subsequentes de ensino e para tornar-se apto ao trabalho (ou melhor. propiciando maior prazer e satisfação na apropriação dos conhecimentos. somos meras natureza. Como geralmente não se adota uma concepção de educação como apropriação da cultura. na forma das chamadas disciplinas escolares (Matemática. destinando aos desprotegidos as migalhas dos conhecimentos escolares. têm o direito de acesso. a cultura não pode ser considerada um bem privado a que apenas os privilegiados das camadas mais abastadas têm acesso. a capacidade de penetrar nos problemas da vida. na forma da assim chamada “cultura erudita”. que lamentavelmente é precisamente isso que acontece: a cultura é distribuída de acordo com a origem social dos indivíduos. a tendência mais funda é achar que nossos direitos são mais urgentes que os do próximo. É preciso não se esquecer de que. ou melhor. convém ter sempre presente que. Neste quesito também não se deve homogeneizar. todas essas são qualidades que nos são dadas pela educação como apropriação da cultura. porém. inclusive no plano estritamente individual.. conclui-se que esse processo confirma no homem aqueles traços que reputamos essenciais. Dessa forma. O direito à cultura significa. quer nasçamos no barraco da favela. a escola é a verdadeira unidade educacional em qualquer sistema nacional para a salvaguarda da eficiência. mas para facilitar o tratamento específico naquilo que lhes convém. entendida a cultura como toda a criação humana (contraposta. a boa disposição para com o próximo. concorrendo assim para o benefício do todo cultural de que fazem parte. ao emprego). o direito à própria humanização do indivíduo. é preciso que haja inter-relacionamento entre os vários conteúdos. tecnológico etc. quando se advoga a superação do atual currículo fundado apenas em conhecimentos e informações. Fazemo-nos humanos à medida que nos apropriamos da cultura. que independe da ação e da vontade do homem). a que todos os cidadãos. uma das reivindicações é precisamente fazer com que essas outras dimensões da cultura deem mais sentido à escola. A imensa maioria das escolas é concebida para receber turmas de alunos ouvintes. de modo que os vários componentes culturais propiciem aquilo que é próprio de uma educação verdadeiramente significativa: ser intrinsecamente interessante. o cultivo do humor. filosófico. para realizar-se como tal. mas não deveria ser permitido o currículo inteiramente rígido. A cultura. e se propõe a abordagem plena da cultura. artístico. Uma nova concepção de currículo que se preocupe com toda a cultura certamente exigirá outra escola. Quanto a isso. sem nenhuma referência à cultura plena como direito. a aquisição do saber. liberto dos grilhões da necessidade. o direito ao ensino fundamental é visto apenas em termos do cumprimento dessas metas. não modificado por seu próprio corpo docente. não para estas se fazerem estanques e independentes umas das outras. o terceiro tipo de providência que deve acompanhar uma reforma curricular refere-se à reestruturação da própria unidade escolar e de seu desenrolar cotidiano. As escolas devem ter a prerrogativa de serem consideradas em relação a suas circunstâncias especiais. Ora. Todavia. Por isso. O ser humano. portanto. Em geral costuma-se valorizar o ensino escolar. mas não são tudo. pois é necessário um grande esforço de educação e autoeducação a fim de reconhecermos sinceramente este postulado. como afirmei no início deste artigo. mas histórica). o afinamento das emoções. não precisa apenas de conhecimentos e informações. o senso da beleza.

]. é vista como tendo que exercer um papel civilizatório. valores cuja função social e psicológica seja inteligível. mesmo na primeira série. “Eu acho (isso eu acho.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Desse modo. Quando se põe a explicar o que é isso diz: “Eu ser um cidadão. no desenvolvimento da autonomia e da autodisciplina. o esforço para incluir o semelhante no mesmo elenco de bens que reivindicamos está na base da reflexão sobre os direitos humanos. com “luta pelo poder” ou com seu sentido formal e específico envolvendo o funcionamento dos poderes da república. sobretudo em apreciação dos valores racionais. demonstra uma sociedade agressiva. baseada na apreciação consciente dos valores. já se denuncia que ela não tem condições de desempenhar. individuais ou coletivos. mas de dar-lhes condições de aprender democracia. e a atribuição à família de um papel civilizador que. que é favorável a que se ensine e se discuta política com os alunos: “Eu acho que as crianças desde pequenas já têm que entender certas coisas. saúde. a oportunidade de proporcionar aos educandos condições de entrar em contato com a política e. passando uma moral que as populações não teriam. na relação dialógica entre todos que participam da situação de ensino. as visões a respeito de currículo comumente presentes na realidade educacional brasileira.. Os educadores escolares e o currículo Qualquer projeto de mudança na estrutura curricular do ensino fundamental precisa partir da realidade atual de nossas escolas.. As pessoas que se acham condicionadas a aceitar cegamente valores. que ela se expressa a partir de um conceito restrito de política.. já ter consciência de certas coisas. como são no Brasil. cheia de problemas. no comportamento de aceitação do outro. suas apreciações relativas à atual estrutura curricular. Outra professora da terceira série. o currículo da escola fundamental não pode restringir-se a uma lista de conhecimentos e informações. os comportamentos. pelo acréscimo de conhecimentos nas listas das disciplinas tradicionais. agindo democraticamente. isto é. em alguma medida. Didatismo e Conhecimento 81 Nesse sentido mais amplo e rigoroso de democracia. a seguir. Considerando o caráter imprescindível da cultura para a formação integral da personalidade e para o efetivo exercício da cidadania. Uma questão que aparece quando se menciona a necessidade de um currículo mais rico para o ensino fundamental. tomando posição diante de atos governamentais. mas as condutas. Isso é essencial. É comum encontrar-se no discurso dos educadores escolares um apelo para a imposição de «limites». mais do que isso. ou seja. a forma se faz conteúdo.] [a questão dos valores].. em lugar da criação de condutas democráticas. de saída. de brincadeiras e de trabalho. assim. Neste tópico procuro apresentar o ponto de vista dos entrevistados a respeito desses temas. eu gostar do outro. sonegar a cultura é sonegar uma parte da capacidade de viver em liberdade. é que seria possível oferecer condições de aprendizado e prática da democracia a essas crianças. Não seria. a falta de tempo que eles acham que eles não têm mais pro seu filho [. comida. Elas afirmam que o próximo tem direito..] É que eles não entendem o caminho. até para poder opinar. mas somente porque quando arrolam seus direitos não estendem todos eles ao semelhante.] que os pais não estão dando mais. eu respeitar o outro. sem dúvida. instrução.” Mas. na discussão e na tomada de decisões nas pequenas coisas do dia a dia. imitação ou de sugestão emocional. Uma professora da segunda série. talvez isto não lhes passe pela cabeça. Eu acho que é importante a criança. Nesse período de formação de suas personalidades. verificamos que para criar um cidadão obediente à lei cuja obediência não se baseia exclusivamente na cegueira da aceitação e do hábito. isso que eu falo que eles estão pondo na escola. no exercício do companheirismo etc. Deixa escapar. Quanto as valorações e os métodos de educação em vigor. Escapa-lhe a compreensão da política em seu sentido amplo de convivência entre sujeitos. Ao falar sobre fatores sociológicos que perturbam o processo de valoração na sociedade moderna. na forma meramente verbal. Ora. Mas será que pensam que seu semelhante pobre teria direito a ler Dostoievski ou ouvir os quartetos de Beethoven? Apesar das boas intenções no outro setor. a certos bens fundamentais. é a que se refere à necessidade da inclusão da política no conteúdo escolar. eu acho que é pela falta do limite [. assim. os modos de ser e de agir que enriquecem a personalidade das crianças e criam nelas valores democráticos. sonegando aos educandos outros elementos culturais igualmente valiosos. não são preponderantemente os discursos. coisas que ninguém bem formado admite hoje em dia que seja privilégio de minorias. Aqui. judiciários ou legislativos. diz que precisa ensinar a cidadania. Não percebe que as crianças de sete ou oito anos não têm suficiente discernimento para discutir a política nacional. como convivência pacífica entre indivíduos e grupos que “se afirmam como sujeitos”. Como vimos até aqui. então. parece mais próxima de uma abordagem correta do problema quando procura adequá-lo em termos de conduta para com o outro. não se pode criar um novo mundo moral alicerçado. não tenho certeza ainda). como casa. no entanto. De um modo geral. na valorização da paz. ao se reportar aos valores como conteúdos do ensino. eu me identificar com o outro. como acaba sendo hoje em dia”. E não por mal... a partir da manifestação da professora. Percebe-se.. dificilmente serão capazes de se haver com valores cujo apelo à razão e cujos princípios subjacentes podem e devem ser discutidos. bem como suas perspectivas em relação à eventual transformação dessa realidade. A escola. porque não se trata de “doutrinar” as crianças. as questões levantadas e as opiniões dos educadores parecem representar. . Ainda não nos demos completamente conta de quão tremenda seria a reforma da educação necessária para fazer funcionar uma sociedade democrática. etc. mais do que nunca. Um quesito importante dessa tarefa é saber o que pensam os professores e demais educadores escolares. em certo sentido. incontinenti. assim. as pessoas são frequentemente vítimas de uma curiosa obnubilação. devemos reeducar o homem integral. quando perguntada sobre o assunto diz. com a política em sua forma democrática.] eu discuto [. essa é a parte que a escola tem que fazer que eu acho que o pai também tem que fazer [. o negócio do mensalão [. e ao mesmo tempo conservar um sistema educacional que em suas técnicas essenciais aja por meio da criação de inibições e procure impedir o desenvolvimento da capacidade crítica. para depois não ser levada. Eu procuro fazer isso com meus alunos. por meio de obediência. parece adotar uma concepção que tem mais a ver com disciplina e moralização: Seu relato. passível de envolver todos os atos e momentos da vida em sociedade. desde pequena.. Diante da pergunta sobre como “preparar para a vida”. na convivência em grupos de estudo. identificando-a.. A esse respeito a pesquisa de campo procurou identificar entre os depoentes suas concepções de currículo.

Vera Sanches percebe que é isso também. mas cultura em seu sentido pleno: trata-se da influência decisiva da capacidade do educador no desempenho de seu papel. que em geral confirmaram a hipótese... por exemplo. que existiria em escolas do Estado. o pauzinho da barraca e transformar numa escola gostosa. mas também porque o professor não sabe o que fazer. convém ser culto para transmitir cultura. extra tudo. tradicional. quer uma escola “prazerosa”. Tenho-me interessado por esse fenômeno em várias pesquisas de campo que tenho feito e sempre se confirma essa hipótese. acaba se dando conta de suas deficiências e. especialmente seus professores. de consultório médico. em vez de adquirirem o hábito de ler e a capacidade de usufruir do direto à literatura. pelo menos uma vez. fazer uma competição de jogos. Sobre o enriquecimento do currículo. mas não é apenas isso. pode-se citar a desvalorização que tem entre nós o exercício da leitura. e a gente tem normas chatas. Essa falta de interesse pela aula de artes lembra um dos aspectos mais importantes para uma escola que pretenda transmitir. De repente. Não bastasse isso. sim. desinteressante) como a professora dá a disciplina. Embora não pareça ser a regra. acabam por adquirir resistência à leitura e ficam privadas. embora não fundamente tecnicamente a mudança. a dançar. convém não ignorar que qualquer solução para a formação cultural das crianças de hoje precisa incluir o acesso à cultura também dos adultos. numa “contação” de história [. Não deixa de ser altamente intrigante que as crianças não gostem da aula de artes! Observe-se o que a escola consegue fazer com a cultura. até mesmo com seus conteúdos mais prazerosos.. o professor.] e teria que. apresenta justificativas ou desculpas para o fato de não estar desenvolvendo determinados conteúdos.. Ela acha que a criança precisa aprender. enfadonho e ineficiente desde a alfabetização até o contato (quando há) com as obras literárias nacionais e internacionais. os estudantes ainda são atraídos pela escola. Dificilmente se encontra uma sala de espera de escritório. com ênfase nos valores. Ela faz críticas ao modo (formal. Tem que transformar numa escola prazerosa. a escola do dia a dia é uma escola chata.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Em suma. Didatismo e Conhecimento 82 Quem visita a escola fundamental com olhos críticos a todo momento se surpreende com as relações e fatos que presencia. O mal que a escola tem feito à apreciação da leitura é alarmante. essa sim capaz de formar personalidades consentâneas com o conceito de cidadania.]. por exemplo. Às vezes. mesmo com métodos ultrapassados que lhes tolhem a espontaneidade e com currículos pouco significativos para suas vidas. mas a pergunta que se faz é se esse é o único empecilho. porque a escola não tem estrutura para realizar seus fins. o que evidencia a falta de suporte técnico-pedagógico do sistema de ensino para proporcionar aos trabalhadores da educação aptidão e confiança para sugerir e implementar qualquer tipo de mudança no campo didático ou curricular. Chutar mesmo. extra currículo. não apenas conhecimentos. fazer uma competição entre pais e filhos. estimulantes e belos. . sim. Na verdade não é só porque “não se pode” que a cultura não é privilegiada. demonstra se preocupar com o caráter enfadonho das atividades escolares. se refere à escola de tempo integral. parece bem um indicativo do exíguo número de pessoas que tentam dele usufruir nessas situações. O problema já começa com o ensino de Língua Portuguesa. além das más condições de trabalho do professor e do baixo valor atribuído ao aspecto cultural. porque é uma escola “chata”. como dizem aí vulgarmente.. É ousada. em geral. os poucos que tiveram a felicidade de uma formação que os levou ao gosto pela leitura acabam por ser permanentemente tolhidos em suas tentativas de ler em lugares públicos. sim [. Há professores que sequer veem a necessidade de alguma mudança substancial na estrutura curricular. ou de qualquer local em que se tenha de aguardar para ser atendido que não tenha um televisor ou um rádio ligado num volume que impede o saudável exercício da leitura. fazer alguma mágica. extraclasse. é possível encontrar entre os educadores escolares quem perceba o caráter pouco atrativo do currículo e da didática da escola e se preocupe com isso e com a necessidade de mudança. com muitas referências dos alunos a respeito da falta que sentem da escola nas férias. Durante uma pesquisa. se está pensando apenas em mais conhecimentos e conhecimentos mais adequados aos tempos modernos. As crianças. O fato de não ter havido ainda nenhum movimento (pelo menos que seja de conhecimento público) que reclame contra essa restrição ao direito de ler. você tirar um pouco da sua aula conteudista. Por isso. mas que a notícia que ela tem é de que “é uma porcaria”. Mas. numa atitude defensiva. de repartição pública. Uma professora da primeira série. sente que precisa mudar. Acontece que os professores e demais adultos com os quais a criança tem contato (inclusive seus familiares) são frutos de uma escola tão carente de cultura quanto a de hoje. desse importante bem cultural. e a conclusão que esses depoimentos favorecem é que seu motivo principal é o convívio com os colegas.. Não sabe arrolar as razões por que a escola deve mudar para ser eficaz. Associado a esse tema está a fraca importância que é dada socialmente a qualquer tipo de refinamento cultural. quando se fala que a escola tem que dar cidadania aos educandos. Embora o tema já tenha sido tratado anteriormente. mas também a cantar. Também nas várias investigações tenho procurado saber entre os professores e pessoal da escola a respeito da causa dessa atração. a diretora da escola. Nada se menciona do direito à cultura integral. Um aspecto curioso relacionado à estrutura didática e curricular de nossa escola fundamental é o fato de que. Para ficar apenas num exemplo. Segundo o estudo. não apenas a ler e a escrever. fazer alguma coisa. quando convidado a refletir sobre o currículo atual. ela é conteudista. Segundo essa concepção. criar uma atividade extraescolar. parece que. enriquecer o currículo é dar novos conhecimentos. Parece que não. A situação exige uma mudança mais profunda que toca no que se ensina e como se ensina. Na verdade. a realizar atividades artísticas etc. que ela considera uma boa ideia. de aeroporto. a vice-diretora.] Fala-se em grandes transformações. quando adultas. colocar isso tudo de lado e transformar a escola numa escola prazerosa. uma escola lúdica. num grande circo [. Como deu a entender a diretora da escola. criativos. há um terceiro fator decisivo a dificultar a transmissão da cultura no ensino fundamental. um programa muito rígido impõe dificuldades à criatividade e a uma maior abertura para conteúdos culturais mais elaborados e mais diversificados. quando muito sugerindo alguma atividade ou conteúdo no currículo existente.procurou-se atualizar as informações junto aos entrevistados desta investigação. Uma das surpresas é constatar como a escola consegue criar nas crianças a ojeriza à própria cultura. porque a escola nossa é chata. em mágica e. diz que seus alunos não gostam da aula de artes. um dia.

contribuir para a formação do professor de amanhã. Em vista disso. como insiste o jargão acadêmico. embora tais conteúdos não devam. V . que. quer do oferecimento dos meios intelectuais necessários para seu pleno usufruto. na atividade discente e na participação da comunidade. a primeira questão curricular de importância é seu relacionamento com a estrutura didática da escola.superação das desigualdades educacionais. a rigor. como propósito de oferecer subsídios teóricos e argumentativos àqueles que discutem. todavia. A estreiteza do conceito de educação que a relaciona apenas à transmissão de conhecimentos e informações tem reduzido a apenas isso a compreensão do direito constitucional à educação. e independentemente de medidas que se venham tomar com relação à formação de professores em nível superior. quer da fruição dessa cultura. que na sociedade em geral se concretiza na falta do acesso aos bens culturais de vastas camadas da população. é preciso ser democrático para formar personalidades democráticas. Essa parece ser uma forma efetiva de melhorar a escola de hoje e. assim como a educação não se faz crítica apenas a partir de conhecimentos críticos. conteúdos relacionados à arte. à luz dos avanços científicos na área da Pedagogia. O CONGRESSO NACIONAL decreta: Art. O cuidado em proporcionar educadores capazes para uma educação de qualidade precisa considerar que o que. deixando na sombra o verdadeiro direito à humanização do cidadão que é seu direito à cultura. para a formação do estudante desse nível de ensino não bastam os conteúdos de conhecimentos e informações que compõem as disciplinas escolares tradicionais. Para quebrar essa tradição. numa sociedade democrática. Em vista disso e considerando a importância do período em que se frequenta o ensino fundamental na construção da personalidade. são esses “novos” conteúdos – pelo envolvimento com a subjetividade do “aprendente” que eles exigem e propiciam – que contribuirão para que a apropriação dos conhecimentos tradicionais (agora sim) possam ser apreendidos com mais eficácia. que privilegia a seleção. 2o São diretrizes do PNE .universalização do atendimento escolar. que abarca tudo o que é produzido historicamente pelos seres humanos. ordenação e relacionamento das disciplinas tradicionais. elaboram e implementam políticas públicas para a educação.erradicação do analfabetismo. com relação à discussão do redimensionamento do currículo da escola fundamental. PROJETO DE LEI Nº 8035/2010 Aprova o Plano Nacional de Educação para o decênio 20112020 e dá outras providências. mas de modo a questionar a estrutura curricular em seus próprios fundamentos. Nenhuma “sociedade do conhecimento”. que hoje são minimizados ou completamente ignorados. Por isso. a concepção global da escola precisa mudar se quisermos que ela seja adequada a uma educação comprometida com a formação de sujeitos humano-históricos.formação para o trabalho.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS O escopo do texto foi o de trazer ao campo das discussões a questão do currículo do ensino fundamental. as questões políticas educacionais sobre a estrutura curricular da escola fundamental corroboram considerações sobre os demais aspectos da estrutura total da escola feitas no relatório geral da pesquisa. ao mesmo tempo. Art. III . 8 CURRÍCULOS E PROGRAMAS: DIRETRIZES. portadores de cultura e que usufruem dos bens culturais como direito universal. Espera-se também que as ponderações apresentadas contribuam para uma melhor reflexão sobre o real sentido da qualidade do ensino e sobre a necessidade da elaboração e adoção de instrumentos mais adequados para sua avaliação. 1o Fica aprovado o Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2020 (PNE . PARÂMETROS E ORIENTAÇÕES NACIONAIS. precisa ser contemplado com tempos e espaços que favoreçam seu pleno desenvolvimento e que garantam sua realização como prática democrática enriquecedora de personalidades cidadãs. sem que seja exercitada na prática da vida cotidiana.2011/2020: I . Verificou-se. e de acordo com sua especificidade humana-social. O que é urgente é que conteúdos importantíssimos. à política. também a democracia não se aprende nem passa a compor a personalidade. de modo a abarcar a cultura em suas múltiplas dimensões. convém dedicar todo esforço na formação em serviço das centenas de milhares de professores que já estão nas escolas. IV . mais influiu na personalidade do professor foi uma escola fundamental tão carente de cultura quanto a de hoje. A multiplicidade e a complexidade dos elementos culturais não admitem. à ética. Em suma. o suposto básico é que. A esse respeito. com vistas ao cumprimento do disposto no art. é preciso extremo cuidado na formação dos professores. então. em nenhuma hipótese. Não. II . devem ser incluídos no rol de elementos culturais componentes do ensino fundamental. formando as novas gerações. Aspecto de destaque na discussão do direito do cidadão à cultura é o oferecimento de uma educação que concorra para a construção daquilo que se poderia chamar de personalidade democrática do indivíduo. O processo pedagógico escolar. A negação desse direito. especialmente na fase de desenvolvimento biopsíquico e social da criança e do jovem. pela recusa. sofrer restrições. começa na escola. não esquecendo que é Didatismo e Conhecimento 83 preciso ser culto para transmitir cultura. ao cuidado pessoal. . tanto em nível de sistema quanto no âmbito das unidades escolares. as mudanças no currículo do ensino fundamental devem se articular com as demais transformações que nossa tradicional escola exige: na estrutura administrativa. sua apropriação na forma “simplória” da mera passagem de conhecimentos. Por outro lado. que precisa ser considerada como matéria-prima do currículo quando o que está em jogo é o atendimento do direito do cidadão. Tendo em vista esses conteúdos bem como o avanço teórico-prático da Didática no que se refere à necessária consideração do educando como sujeito no processo pedagógico. É a cultura em seu sentido pleno. ganhem o seu lugar de importância no currículo. ao uso do corpo etc.melhoria da qualidade do ensino. no trabalho docente. na estrutura didática. 214 da Constituição. Uma verdade – que se suspeita secular – é que os professores de determinada geração reproduzem com seus alunos o que seus mestres fizeram com eles no passado. em seus conteúdos pautados na transmissão de conhecimentos. sobrevive apenas com conhecimentos. do ponto de vista estritamente técnico.2011/2020) constante do Anexo desta Lei.

podendo ser complementadas por mecanismos nacionais e locais de coordenação e colaboração recíproca.1) Definir.011/2020. disponíveis na data da publicação desta Lei. § 3o A educação escolar indígena deverá ser implementada por meio de regime de colaboração específico que considere os territórios étnico-educacionais e de estratégias que levem em conta as especificidades socioculturais e lingüísticas de cada comunidade. ou adequar os planos já aprovados em lei. O plano plurianual. VII .5) Fomentar a formação inicial e continuada de profissionais do magistério para a educação infantil. metas e estratégias previstas no PNE . dos Estados. 1. Art.3) Avaliar a educação infantil com base em instrumentos nacionais.2011-2020 e subsidiar a elaboração do Plano Nacional de Educação para o decênio 20212030.2) Manter e aprofundar programa nacional de reestruturação e aquisição de equipamentos para a rede escolar pública de educação infantil.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS VI .valorização dos profissionais da educação.difusão dos princípios da equidade. o Distrito Federal e os Municípios deverão elaborar seus correspondentes planos de educação. . combinados com os dados relativos ao desempenho dos estudantes apurados na avaliação nacional do rendimento escolar. a fim de aferir a infraestrutura física. os Estados. Art.6) Estimular a articulação entre programas de pós-graduação stricto sensu e cursos de formação de professores para a educação infantil. § 2o O INEP empreenderá estudos para desenvolver outros indicadores de qualidade relativos ao corpo docente e à infraestrutura das escolas de educação básica. o Distrito Federal e os Municípios. podendo ser revista.2011/2020. e ampliar. os Estados. a oferta de educação infantil de forma a atender a cinquenta por cento da população de até três anos. e X . § 1o As estratégias definidas no Anexo desta Lei não elidem a adoção de medidas adicionais em âmbito local ou de instrumentos jurídicos que formalizem a cooperação entre os entes federados. o Distrito Federal e os Municípios. 9o Os Estados. Estratégias: 1.2011/2020 e a implementação das estratégias deverão ser realizadas em regime de colaboração entre a União. assegurando sistema educacional inclusivo em todos os níveis. 1.4) Estimular a oferta de matrículas gratuitas em creches por meio da concessão de certificado de entidade beneficente de assistência social na educação.INEP. 6o A União deverá promover a realização de pelo menos duas conferências nacionais de educação até o final da década. Art.2011/2020. metas e estratégias do PNE . com intervalo de até quatro anos entre elas. 10. VIII . 11. o atendimento escolar da população de quatro e cinco anos. 12. o Distrito Federal e os Municípios deverão aprovar leis específicas disciplinando a gestão democrática da educação em seus respectivos âmbitos de atuação no prazo de um ano contado da publicação desta Lei. promovendo a consulta prévia e informada a essas comunidades. a fim de viabilizar sua plena execução. a ser instituído no âmbito do Ministério da Educação. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica . 1.promoção da sustentabilidade sócio-ambiental. Art. do Distrito Federal e dos Municípios deverão ser formulados de maneira a assegurar a consignação de dotações orçamentárias compatíveis com as diretrizes. até 2020. de modo a garantir a construção de currículos capazes de incorporar os avanços das ciências no atendimento da população de quatro e cinco anos. em regime de colaboração entre a União. O Fórum Nacional de Educação. metas de expansão das respectivas redes públicas de educação infantil segundo padrão nacional de qualidade compatível com as peculiaridades locais.estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do produto interno bruto. do respeito à diversidade e a gestão democrática da educação. científica e tecnológica do País. do Distrito Federal e dos Municípios deverão prever mecanismos para o acompanhamento local da consecução das metas do PNE . voltado à expansão e à melhoria da rede física de creches e pré-escolas públicas. Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação. 5o A meta de ampliação progressiva do investimento público em educação será avaliada no quarto ano de vigência dessa Lei. Parágrafo único. 1. etapas e modalidades.2011/2020 e com os respectivos planos de educação.promoção humanística. até 2016. § 2o Os sistemas de ensino dos Estados. Art. 7o A consecução das metas do PNE . 3o As metas previstas no Anexo desta Lei deverão ser cumpridas no prazo de vigência do PNE . Art. 8o. vinculado ao Ministério da Educação. Art. articulará e coordenará as conferências nacionais de educação previstas no caput. 8o Os Estados. § 1o O IDEB é calculado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira . para atender às necessidades financeiras do cumprimento das demais metas do PNE . IX . 4o As metas previstas no Anexo desta Lei deverão ter como referência os censos nacionais da educação básica e superior mais atualizados. as diretrizes orçamentárias e os orçamentos anuais da União. 1. Art. ANEXO METAS E ESTRATÉGIAS Meta 1: Universalizar. desde que não haja prazo inferior definido para metas específicas.2011/2020 e dos planos previstos no art. o quadro de pessoal e os recursos pedagógicos e de acessibilidade empregados na creche e na pré-escola. conforme o caso. no prazo de um ano contado da publicação desta Lei. Didatismo e Conhecimento 84 § 2o Os entes federados deverão estabelecer em seus respectivos planos de educação metas que garantam o atendimento às necessidades educacionais específicas da educação especial. Art.IDEB será utilizado para avaliar a qualidade do ensino a partir dos dados de rendimento escolar apurados pelo censo escolar da educação básica. § 1o Os entes federados deverão estabelecer em seus respectivos planos de educação metas que considerem as necessidades específicas das populações do campo e de áreas remanescentes de quilombos. em consonância com as diretrizes. Art. garantindo equidade educacional. com o objetivo de avaliar e monitorar a execução do PNE .

3. a organização do trabalho pedagógico.4) Fomentar a expansão das matrículas de ensino médio integrado à educação profissional. 2. 2. garantindo o transporte intracampo. em parceria com as áreas de assistência social e saúde. . bem como de produção de material didático e de formação de professores para a educação do campo. 3. em prol daeducação do campo e da educação indígena. a taxa líquida de matrículas no ensino médio paraoitenta e cinco por cento. por meio de mecanismos de consulta prévia e informada. emparceria com as áreas da assistência social e da saúde. à contextualização curricular e ao desenvolvimento do estudantepara a vida cidadã e para o trabalho. criando rede de proteção contra formasassociadas de exclusão.6) Estimular a expansão do estágio para estudantes da educação profissional técnica de nívelmédio e do ensino médio regular. cultura e esporte.4) Ampliar programa nacional de aquisição de veículos para transporte dos estudantes do campo.observando-se as peculiaridades das populações do campo.11) Universalizar o acesso à rede mundial de computadores em banda larga de alta velocidadee aumentar a relação computadores/estudante nas escolas da rede pública de educaçãobásica. Didatismo e Conhecimento 85 2. Estratégias: 2. de maneira articulada. Estratégias: 3. 2. 3.3) Utilizar exame nacional do ensino médio como critério de acesso à educação superior. até dezembro de 2012. tais como ciência. cabendo aos sistemas estaduais e municipais reduzir o tempo máximo dos estudantes em deslocamento a partir de suas realidades. de maneira a assegurar a formação básica comum. com qualificação social e profissional parajovens que estejam fora da escola e com defasagem idade-série. com especial atenção às classes multisseriadas. 3.8) Promover a busca ativa da população de quinze a dezessete anos fora da escola. 2. de forma a atender às especificidades das comunidades rurais. a freqüência e o apoio à aprendizagem. os novos saberes e os tempos escolares. tecnologia. 1.12) Definir. em regime de colaboração. Meta 2: Universalizar o ensino fundamental de nove anos para toda população de seis a quatorze anos.1) Criar mecanismos para o acompanhamento individual de cada estudante do ensino fundamental. expectativas de aprendizagem para todos os anos do ensinofundamental.2) Fortalecer o acompanhamento e o monitoramento do acesso e da permanência na escola por parte dos beneficiários de programas de transferência de renda. transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação. estudos de recuperação eprogressão parcial.6) Manter programas de formação de pessoal especializado. 2. no âmbito dos sistemas de ensino.incluindo adequação do calendário escolar de acordo com a realidade local e com ascondições climáticas da região. 3.3) Promover a busca ativa de crianças fora da escola.fundamentado em matriz de referência do conteúdo curricular do ensino médio e emtécnicas estatísticas e psicométricas que permitam a comparabilidade dos resultados doexame. 2. até 2016.5) Manter programa nacional de reestruturação e aquisição de equipamentos para escolas do campo. a organização do tempo e das atividades didáticas entre a escola e o ambiente comunitário. promovendo a utilização pedagógica das tecnologias da informação e dacomunicação. em regime de colaboração. 2.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 1. reconhecendo aespecificidade da infância e da adolescência. 2.10) Fomentar programas de educação de jovens e adultos para a população urbana e do campona faixa etária de quinze a dezessete anos. dos povos indígenas e dascomunidades quilombolas. visando ao aprendizado de competências próprias daatividade profissional.9) Implementar políticas de prevenção à evasão motivada por preconceito e discriminação àorientação sexual ou à identidade de gênero. reduzir a evasão escolar da educação do campo e racionalizar o processo de compra de veículos para o transporte escolar do campo. neles incluindo os conteúdos culturais correspondentes às respectivas comunidades e considerando o fortalecimento das práticas socioculturais e da língua materna de cada comunidade indígena. 3. Meta 3: Universalizar.7) Fortalecer o acompanhamento e o monitoramento do acesso e da permanência na escolapor parte dos beneficiários de programas de assistência social e transferência de renda.identificando motivos de ausência e baixa frequência e garantir. de produção de material didático e de desenvolvimento de currículos e programas específicos para educação escolar nas comunidades indígenas.1) Institucionalizar programa nacional de diversificação curricular do ensino médio. apoiado por meio deações de aquisição de equipamentos e laboratórios.inclusive mediantes certames e concursos nacionais.10) Oferecer atividades extracurriculares de incentivo aos estudantes e de estímulo a habilidades.7) Fomentar o atendimento das crianças do campo na educação infantil por meio do redimensionamento da distribuição territorial da oferta. de forma concomitante ao ensino médio público. de forma a reposicioná-lo no ciclo escolar de maneira compatível comsua idade.8) Respeitar a opção dos povos indígenas quanto à oferta de educação infantil. identificando motivos de ausência e baixa freqüência e garantir. 3. preservando-se seu caráter pedagógico integrado aoitinerário formativo do estudante.a frequência e o apoio à aprendizagem. com os objetivos de renovar e padronizar a frota rural de veículos escolares. o atendimento escolar para toda a população de quinze adezessete anos e elevar. 2. limitando a nucleação de escolas e o deslocamento das crianças.9) Fomentar o acesso à creche e à pré-escola e a oferta do atendimento educacional especializado complementar aos educandos com deficiência.8) Estimular a oferta dos anos iniciais do ensino fundamental para as populações do camponas próprias comunidades rurais. assegurando a transversalidade da educação especial na educação infantil.7) Desenvolver tecnologias pedagógicas que combinem.5) Fomentar a expansão da oferta de matrículas gratuitas de educação profissional técnica denível médio por parte das entidades privadas de formação profissional vinculadas aosistema sindical. 3.discriminando-se conteúdos obrigatórios e conteúdos eletivos articulados em dimensõestemáticas. 2. 1. a fim deincentivar abordagens interdisciplinares estruturadas pela relação entre teoria e prática.2) Manter e ampliar programas e ações de correção de fluxo do ensino fundamental por meiodo acompanhamento individualizado do estudante com rendimento escolar defasado e pelaadoção de práticas como aulas de reforço no turno complementar. trabalho. nesta faixa etária.9) Disciplinar. produção de material didático específicoe formação continuada de professores. 3. até 2020.

7. no máximo. 5. de 27 de novembro de 2009. Meta 4: Universalizar.5) Fomentar a educação inclusiva.LIBRAS. disponibilização de materialdidático acessível e recursos de tecnologia assistiva.0 5. § 1o.3) Associar a prestação de assistência técnica e financeira à fixação de metas intermediárias.nos termos e nas condições estabelecidas conforme pactuação voluntária entre os entes. nas escolasurbanas e rurais.1) Estender progressivamente o alcance do programa nacional de ampliação da jornadaescolar. para fins do repasse do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento daEducação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação . 4.6 4. 6. transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidadesou superdotação na rede regular de ensino. 3. inciso I.priorizando sistemas e redes de ensino com IDEB abaixo da média nacional.1) Fomentar a estruturação do ensino fundamental de nove anos com foco na organização deciclo de alfabetização com duração de três anos.a aplicação em gratuidade em atividades de ampliação da jornada escolar de estudantesmatriculados nas escolas da rede pública de educação básica. 13.laboratórios. de forma que o tempo depermanência de crianças. 4.2 5. buscandoatender a pelo menos metade dos alunos matriculados nas escolas contempladas peloprograma. no máximo. da Lei no 12.6) Atender as escolas do campo na oferta de educação em tempo integral. dos Estados. promovendo a articulação entre o ensino regular e oatendimento educacional especializado complementar ofertado em salas de recursosmultifuncionais da própria escola ou em instituições especializadas. 6.1) Formalizar e executar os planos de ações articuladas dando cumprimento às metas dequalidade estabelecidas para a educação básica pública e às estratégias de apoio técnico efinanceiro voltadas à melhoria da gestão educacional. Meta 7: Atingir as seguintes médias nacionais para o IDEB: IDEB 2011 2013 2015 2017 2019 2021 Anos iniciais do ensino fundamental 4.4 4. banheiros e outrosequipamentos. certificar e divulgar tecnologias educacionais para alfabetização de crianças.4) Estimular a oferta de atividades voltadas à ampliação da jornada escolar de estudantesmatriculados nas escolas da rede pública de educação básica por parte das entidadesprivadas de serviço social vinculadas ao sistema sindical.assegurada a diversidade de métodos e propostas pedagógicas.4) Manter e aprofundar programa nacional de acessibilidade nas escolas públicas paraadequação arquitetônica.2 5.7 5. consideradas as diversas abordagensmetodológicas e sua efetividade. 4. promovendo a utilização pedagógica das tecnologias da informação e dacomunicação nas escolas da rede pública de ensino médio. a fim de garantir a alfabetização plena detodas as crianças. ao desenvolvimento de recursos pedagógicos e àmelhoria e expansão da infraestrutura física da rede escolar.101.9 4.7 6. considerando aspeculiaridades locais. sem prejuízo do cômputo dessas matrículas naeducação básica regular.9 4.1) Contabilizar. acompanhar e divulgar bienalmente os resultados do IDEB das escolas. de maneira a garantir a ampliação doatendimento aos estudantes com deficiência na rede pública regular de ensino. teatros ecinema.quando for o caso.4) Fomentar o desenvolvimento de tecnologias educacionais e de inovação das práticaspedagógicas nos sistemas de ensino que assegurem a alfabetização e favoreçam a melhoriado fluxo escolar e a aprendizagem dos estudantes.3) Fomentar a articulação da escola com os diferentes espaços educativos e equipamentospúblicos como centros comunitários.5) Orientar.2 Estratégias: 7. na forma do art. os oito anos de idade. praças. .6) Fortalecer o acompanhamento e o monitoramento do acesso à escola por parte dosbeneficiários do benefício de prestação continuada.2) Institucionalizar e manter. parques. e oferta da educação bilíngue emlíngua portuguesa e Língua Brasileira de Sinais .11) Universalizar o acesso à rede mundial de computadores em banda larga de alta velocidadee aumentar a relação computadores/estudante nas escolas da rede pública de educaçãobásica.7 5. adolescentes e jovens na escola ou sob sua responsabilidadepasse a ser igual ou superior a sete horas diárias durante todo o ano letivo. bem como de produção de material didático e de formação de recursoshumanos para a educação em tempo integral. de forma concomitante e emarticulação com a rede pública de ensino.5 Ensino médio 3.2) Fixar. 4.de acordo com as necessidades específicas dos estudantes.3) Ampliar a oferta do atendimento educacional especializado complementar aos estudantesmatriculados na rede pública de ensino regular.7 3. programa nacional de ampliação ereestruturação das escolas públicas por meio da instalação de quadras poliesportivas. em regime de colaboração.0 Anos finais do ensino fundamental 3. de forma concomitante e emarticulação com a rede pública de ensino. Meta 5: Alfabetizar todas as crianças até. bem como oacompanhamento dos resultados nos sistemas de ensino em que forem aplicadas. bibliotecas. auditórios. 4. bibliotecas.FUNDEB.3 4. das redespúblicas de educação básica e dos sistemas de ensino da União. Estratégias: 5. 7. 5.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 3.5 5. mediante oferta de educação básica pública em tempo integral. à formação de professores eprofissionais de serviços e apoio escolar.12) Redimensionar a oferta de ensino médio nos turnos diurno e noturno.9 5. bem como adistribuição territorial das escolas de ensino médio. Estratégias: 6.5) Apoiar a alfabetização de crianças indígenas e desenvolver instrumentos de acompanhamento que considerem o uso da língua materna pelas comunidades indígenas. 6. refeitórios. Didatismo e Conhecimento 86 5. asmatrículas dos estudantes da educação regular da rede pública que recebem atendimentoeducacional especializado complementar. Estratégias: 4. até o final do terceiro ano. 6. Meta 6: Oferecer educação em tempo integral em cinquenta por cento das escolas públicas deeducação básica. 5. para a população de quatro a dezessete anos. oferta de transporte acessível.2) Aplicar exame periódico específico para aferir a alfabetização das crianças. museus.2) Implantar salas de recursos multifuncionais e fomentar a formação continuada deprofessores para o atendimento educacional especializado complementar. o atendimento escolar aosestudantes com deficiência. 6. de forma a atender a toda a demanda.0 5. cozinhas. do DistritoFederal e dos Municípios.3) Selecionar. por meio deatividades de acompanhamento pedagógico e interdisciplinares.

7. estadual e local.5) Garantir transporte gratuito para todos os estudantes da educação do campo na faixa etáriada educação escolar obrigatória. respeitada a diversidade regional. energia elétrica. com representação detrabalhadores em educação. 7. acesso a bibliotecas. mental e moral dos profissionais da educação. garantindo equidade da aprendizagem. e da Lei no 11.como condição para a melhoria da qualidade do ensino. pais. 7. Indústria eComércio Exterior. 7. programa nacional de reestruturaçãoe aquisição de equipamentos para escolas públicas.19) Assegurar. do DistritoFederal e dos Municípios. 7. acessibilidade à pessoa com deficiência.645. 7. 7. que assegurem a melhoria do fluxo escolar e aaprendizagem dos estudantes. deacordo com especificações definidas pelo Instituto Nacional de Metrologia. de 9 de janeiro de 2003.6) Selecionar. 7. esporte. 7. de forma a englobar o ensino de ciências nos exames aplicados nosanos finais do ensino fundamental e incorporar o exame nacional de ensino médio aosistema de avaliação da educação básica. com vistas à ampliação da participação da comunidade escolar noplanejamento e na aplicação dos recursos e o desenvolvimento da gestão democráticaefetiva. que estejam fora da escola e com defasagem idade série. trabalho e emprego.12) Estabelecer diretrizes pedagógicas para a educação básica e parâmetros curricularesnacionais comuns. assegurada a diversidade de métodos e propostas pedagógicas. acompanhamento pedagógico individualizado.leitura e ciências 395 417 438 455 473 Meta 8: Elevar a escolaridade média da população de dezoito a vinte e quatro anos de modo aalcançar mínimo de doze anos de estudo para as populações do campo. oDistrito Federal e os Municípios que tenham aprovado lei específica para a instalação deconselhos escolares ou órgãos colegiados equivalentes. alunos e comunidade. bem como manter programa nacional de formação inicial econtinuada para o pessoal técnico das secretarias de educação. 7. atenção eatendimento à saúde e integridade física.23) Estabelecer ações efetivas especificamente voltadas para a prevenção.9) Ampliar programas e aprofundar ações de atendimento ao estudante. acesso a bens culturais e à arte. recuperação e progressão parcial. que as ajude agarantir melhores condições para o aprendizado dos estudantes. certificar e divulgar tecnologias educacionais para o ensino fundamental emédio. mediante renovação integral da frota de veículos.20) Mobilizar as famílias e setores da sociedade civil. conselhosescolares. acesso a espaçospara prática de esportes. possibilitando a criação de rede de apoio integral às famílias. promoção e atenção à saúde.25) Confrontar os resultados obtidos no IDEB com a média dos resultados em matemática.Inmetro.15) Implementar políticas de inclusão e permanência na escola para adolescentes e jovens quese encontram em regime de liberdade assistida e em situação de rua.16) Garantir o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena. assistência social. 7. com os propósitos de que a educação sejaassumida como responsabilidade de todos e de ampliar o controle social sobre ocumprimento das políticas públicas educacionais. assegurando-se osprincípios do Estatuto da Criança e do Adolescente de que trata a Lei no 8. vinculado ao Ministério do Desenvolvimento. 7.11) Prover equipamentos e recursos tecnológicos digitais para a utilização pedagógica noambiente escolar a todas as escolas de ensino fundamental e médio. 7. 7.21) Promover a articulação dos programas da área da educação. Normalizaçãoe Qualidade Industrial . bem como oacompanhamento dos resultados nos sistemas de ensino em que forem aplicadas. de forma a buscar atingir as metasdo IDEB. escolhidos pelos seus pares. Didatismo e Conhecimento 87 7. 7. nos termos da Lei no10. procurando reduzir a diferença entre as escolas com os menores índices e amédia nacional. em todas as etapas daeducação básica. a todas as escolas públicas de educação básica.24) Orientar as políticas das redes e sistemas de educação.com os de outras áreas como saúde.8) Apoiar técnica e financeiramente a gestão escolar mediante transferência direta de recursosfinanceiros à escola. 8. 7. com vistas à redução dadesigualdade educacional. água tratada e saneamentobásico. de acordo com as seguintes projeções: PISA 2009 2012 2015 2018 2021 Média dos resultados em matemática.639. mediante articulação entre os órgãos responsáveis pelas áreas da saúde e daeducação. Estratégias: 8.18) Priorizar o repasse de transferências voluntárias na área da educação para os Estados. de 10 de março de 2008.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 7.4) Aprimorar continuamente os instrumentos de avaliação da qualidade do ensinofundamental e médio. e equipamentos e laboratórios deciências.1) Institucionalizar programas e desenvolver tecnologias para correção de fluxo.2) Fomentar programas de educação de jovens e adultos para os segmentos populacionaisconsiderados. por meio deações colaborativas com fóruns de educação para a diversidade étnicoracial.transporte.leitura e ciências obtidos nas provas do Programa Internacional de Avaliação de Alunos -PISA.cultura. bemcomo priorizar estudantes com rendimento escolar defasado. considerando asespecificidades dos segmentos populacionais considerados. 7.13) Informatizar a gestão das escolas e das secretarias de educação dos Estados. alimentação e assistência à saúde. de 13 dejulho de 1990.069.14) Garantir políticas de combate à violência na escola e construção de cultura de paz eambiente escolar dotado de segurança para a comunidade escolar. tendo em vista a equalização regionaldas oportunidades educacionais.17) Ampliar a educação escolar do campo.22) Universalizar. de âmbito local e nacional. equipes pedagógicas e com a sociedade civil em geral. em regime de colaboração. bem comoigualar a escolaridade média entre negros e não negros. quilombola e indígena a partir de visão articuladaao desenvolvimento sustentável e à preservação da identidade cultural. .10) Institucionalizar e manter. 7.7) Fomentar o desenvolvimento de tecnologias educacionais e de inovação das práticaspedagógicas nos sistemas de ensino. da região demenor escolaridade no país e dos vinte e cinco por cento mais pobres. como forma de controle externo da convergência entre os processos de avaliaçãodo ensino conduzidos pelo INEP e processos de avaliação do ensino internacionalmentereconhecidos. acesso à rede mundial de computadores em banda larga de altavelocidade. articulando a educação formal comexperiências de educação popular e cidadã. 7. o atendimento aos estudantes da rede pública de educação básica por meio deações de prevenção. por meio de programas suplementares de material didático-escolar. 7.

10) Elevar gradualmente a taxa de conclusão média dos cursos técnicos de nível médio narede federal de educação profissional. integrando aformação integral à preparação para o mundo do trabalho e promovendo a inter-relaçãoentre teoria e prática nos eixos da ciência.8) Fomentar a diversificação curricular do ensino médio para jovens e adultos. de maneira a estimular a ampliação do atendimento desses estudantes narede pública regular de ensino.3) Promover o acesso ao ensino fundamental aos egressos de programas de alfabetização egarantir o acesso a exames de reclassificação e de certificação da aprendizagem. 10. bem como a interiorização da educação profissional. em regime de colaboração e com apoio das entidadesprivadas de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. 10. Ciência e Tecnologia. em articulação com a área da saúde. 11. Meta 10: Oferecer. 11. a permanência. a relação de alunos por professor para vinte. Meta 9: Elevar a taxa de alfabetização da população com quinze anos ou mais para noventa etrês vírgula cinco por cento até 2015 e erradicar. Estratégias: 10. 11.5) Fomentar a produção de material didático. Estratégias: 9. emcursos planejados. 11. de acordo com os seus interesses e necessidades. o analfabetismo absoluto ereduzir em cinquenta por cento a taxa de analfabetismo funcional. assegurandoa qualidade da oferta.2) Implementar ações de alfabetização de jovens e adultos com garantia de continuidade daescolarização básica.7) Institucionalizar programa nacional de assistência ao estudante. . 11. no mínimo. para os segmentospopulacionais considerados.1) Expandir as matrículas de educação profissional técnica de nível médio nos InstitutosFederais de Educação. 11. 9.1) Assegurar a oferta gratuita da educação de jovens e adultos a todos os que não tiveramacesso à educação básica na idade própria. 10. 8. científica e tecnológica para noventa por cento eelevar.6) Expandir a oferta de financiamento estudantil à educação profissional técnica de nívelmédio oferecida em instituições privadas de educação superior. produção dematerial didático específico e formação continuada de professores. voltado à conclusão doensino fundamental e à formação profissional inicial. 9. 11. com base noincremento de programas de assistência estudantil e mecanismos de mobilidadeacadêmica. compreendendo ações deassistência social. financeira e de apoio psico-pedagógico que contribuam para garantir oacesso. de acordocom as necessidades e interesses dos povos indígenas.2) Fomentar a expansão da oferta de educação profissional técnica de nível médio nas redespúblicas estaduais de ensino.5) Fortalecer acompanhamento e monitoramento de acesso à escola específicos para ossegmentos populacionais considerados.4) Promover chamadas públicas regulares para educação de jovens e adultos e avaliação dealfabetização por meio de exames específicos. Meta 11: Duplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível médio. que permitam aferição do grau deanalfabetismo de jovens e adultos com mais de quinze anos de idade.4) Fomentar a expansão da oferta de matrículas gratuitas de educação profissional técnica porparte das entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas aosistema sindical.4) Ampliar a oferta de programas de reconhecimento de saberes para fins da certificaçãoprofissional em nível técnico. de forma concomitante ao ensino público. do trabalho. 10. com a finalidade de ampliar a oferta e democratizar oacesso à educação profissional pública e gratuita. de acordo com as características e especificidades do público daeducação de jovens e adultos. até 2020. nos cursos presenciais. 9.3) Garantir acesso gratuito a exames de certificação da conclusão dos ensinos fundamental emédio. identificando motivos de ausência e baixafreqüência e colaborando com Estados e Municípios para garantia de frequência e apoio àaprendizagem. objetivando aelevação do nível de escolaridade do trabalhador. Meta 12: Elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para cinquenta por cento e ataxa líquida para trinta e três por cento da população de dezoito a vinte e quatro anos.9) Expandir o atendimento do ensino médio integrado à formação profissional para os povosdo campo.5) Executar. 11.3) Fomentar a integração da educação de jovens e adultos com a educação profissional. 10.3) Fomentar a expansão da oferta de educação profissional técnica de nível médio namodalidade de educação a distância.6) Fomentar a oferta pública de formação inicial e continuada para trabalhadores articulada àeducação de jovens e adultos. Estratégias: 11.7) Institucionalizar sistema de avaliação da qualidade da educação profissional técnica denível médio das redes públicas e privadas. vinte e cinco por cento das matrículas de educação de jovens eadultos na forma integrada à educação profissional nos anos finais do ensinofundamental e no ensino médio.6) Promover busca ativa de crianças fora da escola pertencentes aos segmentos populacionaisconsiderados.8) Estimular o atendimento do ensino médio integrado à formação profissional. de forma a estimular a conclusão daeducação básica.assegurando a qualidade da oferta. inclusive na modalidade de educação a distância.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 8. sociais eculturais locais e regionais. programa nacional de atendimentooftalmológico e fornecimento gratuito de óculos para estudantes da educação de jovens eadultos. 10. da tecnologia e da cultura ecidadania.4) Institucionalizar programa nacional de reestruturação e aquisição de equipamentosvoltados à expansão e à melhoria da rede física de escolas públicas que atuam naeducação de jovens e adultos integrada à educação profissional.2) Fomentar a expansão das matrículas na educação de jovens e adultos de forma a articulara formação inicial e continuada de trabalhadores e a educação profissional. a aprendizagem e a conclusão com êxito da educação de jovens eadultos integrada com a educação profissional.5) Ampliar a oferta de matrículas gratuitas de educação profissional técnica de nível médiopelas entidades privadas de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. 11. em parceria com as áreas de assistência social e saúde. 9. sua vinculação com arranjos produtivos. o desenvolvimento de currículos e metodologias específicas para avaliação e formação continuada de docentes das redespúblicas que atuam na educação de jovens e adultos integrada à educação profissional. 8. levando em consideração a responsabilidadedos Institutos na ordenação territorial. Didatismo e Conhecimento 88 10. de forma a organizar o tempo e o espaço pedagógicos adequados àscaracterísticas de jovens e adultos por meio de equipamentos e laboratórios.1) Manter programa nacional de educação de jovens e adultos. 8.

1) Otimizar a capacidade instalada da estrutura física e de recursos humanos das instituiçõespúblicas de educação superior.9) Ampliar a participação proporcional de grupos historicamente desfavorecidos naeducação superior.7) Assegurar. Estratégias: 14. por meio daaplicação de instrumento próprio de avaliação aprovado pela Comissão Nacional deAvaliação da Educação Superior . sociais eculturais do País. 12. na forma dalegislação. fortalecendo aparticipação das comissões próprias de avaliação. fortalecendo as ações deavaliação. de mais áreas.12) Consolidar e ampliar programas e ações de incentivo à mobilidade estudantil e docenteem cursos de graduação e pósgraduação. assegurando maior visibilidade nacional einternacional às atividades de ensino. tendo emvista o enriquecimento da formação de nível superior.2) Ampliar a cobertura do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes . em relação a acesso. 12.861. 12. de que trata a Lei no 10. regulação e supervisão.currículo e mundo do trabalho. trinta e cinco porcento doutores.especialmente ao mestrado profissional. de modo querealizem. 14.3) Expandir o financiamento estudantil por meio do FIES à pós-graduação stricto sensu.ENADE. na forma de programas de pósgraduaçãostricto sensu. a inovação tecnológica e amelhoria da qualidade da educação básica.8) Fomentar a ampliação da oferta de estágio como parte da formação de nível superior. efetivamente.14) Mapear a demanda e fomentar a oferta de formação de pessoal de nível superior.6) Substituir o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes . mediante estratégiasde aproveitamento de créditos e inovações acadêmicas que valorizem a aquisição decompetências de nível superior.4) Induzir a melhoria da qualidade dos cursos de pedagogia e licenciaturas. 12.a fim de apurar o valor agregado dos cursos de graduação. Científica e Tecnológica edo Sistema Universidade Aberta do Brasil. 12. dez por cento do total de créditos curriculares exigidos para agraduação em programas e projetos de extensão universitária.recursos e tecnologias de educação a distância.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Estratégias: 12.6) Expandir o financiamento estudantil por meio do Fundo de Financiamento ao Estudantedo Ensino Superior . 14. em âmbito nacional e internacional. considerando as necessidades econômicas. mediante ações planejadas e coordenadas. de 14 de abril de 2004. de modo a permitir aos graduandos aaquisição das competências necessárias a conduzir o processo de aprendizagem de seusfuturos alunos. Didatismo e Conhecimento 89 12.3) Induzir processo contínuo de autoavaliação das instituições superiores. 13. ofertar um terço das vagas em cursosnoturnos e elevar a relação de estudantes por professor para dezoito. 12.ENADE aplicado ao finaldo primeiro ano do curso de graduação pelo Exame Nacional do Ensino Médio .5) Elevar o padrão de qualidade das universidades. 13. por meioda constituição de fundo garantidor do financiamento. sobretudo nas áreas de ciências ematemática. 13.4) Fomentar a oferta de educação superior pública e gratuita prioritariamente para aformação de professores para a educação básica.10) Assegurar condições de acessibilidade nas instituições de educação superior. 12.13) Expandir atendimento específico a populações do campo e indígena. uniformizando a expansão no territórionacional. 13. utilizando metodologias. sendo.2) Ampliar a oferta de vagas por meio da expansão e interiorização da rede federal deeducação superior.IBGE. no mínimo. de 12 de julho de 2001. 12. aoferta de vagas públicas em relação à população na idade de referência e observadas ascaracterísticas regionais das micro e mesorregiões definidas pela Fundação InstitutoBrasileiro de Geografia e Estatística . sejam avaliados no que diz respeito àaprendizagem resultante da graduação. 12. 12.4) Expandir a oferta de cursos de pós-graduação stricto sensu. da Rede Federal de Educação Profissional. inclusive por meio de plano dedesenvolvimento institucional integrado.considerando as necessidades do desenvolvimento do País. nomínimo. destacando-se aqualificação e a dedicação do corpo docente. por meio de programas especiais. 12.15) Institucionalizar programa de composição de acervo digital de referências bibliográficaspara os cursos de graduação. na forma da lei.FIES. do corpo docente em efetivo exercício. e as agências estaduais de fomento à pesquisa. 12. inclusive por meio do SistemaUniversidade Aberta do Brasil.permanência. direcionando sua atividade.CONAES.260. Meta 14: Elevar gradualmente o número de matrículas na pós-graduação stricto sensu.1) Aprofundar e aperfeiçoar o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior -SINAES. de que trata a Lei no 10. as políticas de inclusão e de assistênciaestudantil nas instituições públicas de educação superior. 13.11) Fomentar estudos e pesquisas que analisem a necessidade de articulação entre formação. demodo a que mais estudantes. de modo a ampliar as taxas deacesso à educação superior de estudantes egressos da escola pública.2) Estimular a integração e a atuação articulada entre a Coordenação de Aperfeiçoamento dePessoal de Nível Superior CAPES.3) Elevar gradualmente a taxa de conclusão média dos cursos de graduação presenciais nasuniversidades públicas para noventa por cento. 12. Meta 13: Elevar a qualidade da educação superior pela ampliação da atuação de mestres edoutores nas instituições de educação superior para setenta e cinco por cento. considerando a densidade populacional. 13.16) Consolidar processos seletivos nacionais e regionais para acesso à educação superiorcomo forma de superar exames vestibulares individualizados. combinando formação geral e prática didática. do total. de forma a dispensarprogressivamente a exigência de fiador. apoiando seusucesso acadêmico.ENEM.1) Expandir o financiamento da pós-graduação stricto sensu por meio das agências oficiaisde fomento.5) Ampliar. pesquisa institucionalizada. bem como a aplicação de instrumentosde avaliação que orientem as dimensões a serem fortalecidas. inclusive mediante a adoção de políticas afirmativas. .com vistas a potencializar a atuação regional. 14. Estratégias: 13. bem como para atender ao déficit de profissionais em áreas específicas.7) Fomentar a formação de consórcios entre universidades públicas de educação superior. demodo a atingir a titulação anual de sessenta mil mestres e vinte e cinco mil doutores. 12. conclusão e formação de profissionais para atuação junto a estaspopulações. pesquisa e extensão. de forma aampliar e interiorizar o acesso à graduação.

15. a existência de planos de carreira para osprofissionais do magistério em todos os sistemas de ensino. instituições formadoras e processos de certificação dos cursos. com base emavaliação documentada. 15. 18. dos Municípios e dos trabalhadores em educação para acompanhamento daatualização progressiva do valor do piso salarial profissional nacional para osprofissionais do magistério público da educação básica. incentivando a atuação em rede e o fortalecimento de gruposde pesquisa.2) Consolidar o financiamento estudantil a estudantes matriculados em cursos de licenciaturacom avaliação positiva pelo SINAES. comunidades quilombolas e povos indígenas. regulação e supervisão da educação superior.1) Atuar conjuntamente. inclusive para alimentação escolar. paradidáticos. 90 Meta 16: Formar cinquenta por cento dos professores da educação básica em nível de pósgraduaçãolato e stricto sensu e garantir a todos formação continuada em sua área deatuação. no prazo de um ano de vigência do PNE . 16. Estratégias: 18. 14. 14.5) Institucionalizar.5) Consolidar programas. 14.6) Implementar programas específicos para formação de professores para as populações docampo.4) Ampliar e consolidar portal eletrônico para subsidiar o professor na preparação de aulas. a fim de fundamentar. licenças para qualificação profissional em nível de pósgraduaçãostricto sensu.planos de carreira para o magistério.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 14. e defina obrigações recíprocas entre os partícipes. o Distrito Federal e osMunicípios. na forma da Lei no 10. permitindoinclusive a amortização do saldo devedor pela docência efetiva na rede pública deeducação básica. entre asinstituições de ensino.2) Consolidar sistema nacional de formação de professores. dos Estados. do DistritoFederal e dos Municípios.disponibilizando gratuitamente roteiros didáticos e material suplementar. de 2004. Estratégias: 15. a fim de subsidiar a realização deconcursos públicos de admissão pelos Estados.1) Realizar. em seu quadro de profissionais domagistério. 15. obtida em curso de licenciatura na área de conhecimentoem que atuam.3) Expandir programa de composição de acervo de livros didáticos. 18. Estratégias: 17. pesquisa e extensão. dividindo a carga horária em formação geral.1) Constituir fórum permanente com representação da União. do DistritoFederal. os Estados. em regime de colaboração entre a União.1) Estruturar os sistemas de ensino buscando atingir. visando trabalho sistemático de conexãoentre a formação acadêmica dos graduandos e as demandas da rede pública de educaçãobásica. 17. 15. Distrito Federal e Municípios. supervisionado porprofissional do magistério com experiência de ensino.6) Promover o intercâmbio científico e tecnológico.9) Valorizar o estágio nos cursos de licenciatura. a fim de incentivar a formação de profissionais do magistério paraatuar na educação básica pública.7) Implementar ações para redução de desigualdades regionais e para favorecer o acesso daspopulações do campo e indígena a programas de mestrado e doutorado.4) Fomentar a oferta de cursos técnicos de nível médio destinados à formação defuncionários de escola para as áreas de administração escolar. 17. definindo diretrizes nacionais.3) Realizar prova nacional de admissão de docentes. nos planos de carreira dos profissionais da educação dos Estados.áreas prioritárias.10) Implementar cursos e programas especiais para assegurar formação específica em suaárea de atuação aos docentes com formação de nível médio na modalidade normal. a ser disponibilizado para os professoresdas escolas da rede pública de educação básica. nãolicenciados ou licenciados em área diversa da de atuação docente.3) Ampliar programa permanente de iniciação à docência a estudantes matriculados emcursos de licenciatura. Meta 18: Assegurar. deliteratura e dicionários.2) Acompanhar a evolução salarial por meio de indicadores obtidos a partir da pesquisanacional por amostragem de domicílios periodicamente divulgados pelo IBGE. a decisão pela efetivação ou não efetivação do professor ao finaldo estágio probatório. por meio das funções de avaliação. no âmbito da União.4) Consolidar plataforma eletrônica para organizar a oferta e as matrículas em cursos deformação inicial e continuada de professores. 18. 15. noventa por cento de servidores nomeados em cargos de provimento efetivoem efetivo exercício na rede pública de educação básica. 15. nos campi novos abertos no âmbito dos programas de expansão einteriorização das instituições superiores públicas. Municípios e Distrito Federal. do Distrito Federal e dos Municípios. 16. 15. que todos os professores da educação básica possuam formaçãoespecífica de nível superior. 16. Estratégias: 16.a plena implementação das respectivas diretrizes curriculares.9) Manter e expandir programa de acervo digital de referências bibliográficas para os cursosde pós-graduação. especialmente o dedoutorado. dos Estados.5) Prever. 15. bem como para divulgação e atualizaçãodos currículos eletrônicos dos docentes. Didatismo e Conhecimento . com base em plano estratégico que apresente diagnóstico dasnecessidades de formação de profissionais do magistério e da capacidade de atendimentopor parte de instituições públicas e comunitárias de educação superior existentes nosEstados. de forma a ampliar aspossibilidades de formação em serviço. o planejamento estratégico para dimensionamento dademanda por formação continuada e fomentar a respectiva oferta por parte dasinstituições públicas de educação superior. projetos e ações que objetivem a internacionalização da pesquisa eda pós-graduação brasileira.3) Implementar. Meta 17: Valorizar o magistério público da educação básica. política nacionalde formação e valorização dos profissionais da educação. 14. 15.8) Ampliar a oferta de programas de pós-graduação stricto sensu. Meta 15: Garantir. de forma a assegurar o foco noaprendizado do estudante. em regime de colaboração.861.7) Promover a reforma curricular dos cursos de licenciatura. a fim de aproximar o rendimentomédio do profissional do magistério com mais de onze anos de escolaridade dorendimento médio dos demais profissionais com escolaridade equivalente. sem prejuízo de outros. formação na áreado saber e didática específica. de forma orgânica e articulada às políticas deformação dos Estados. com implementação gradual da jornada de trabalhocumprida em um único estabelecimento escolar. nacional e internacional.2011/2020. multimeios e manutençãoda infraestrutura escolar.8) Induzir. em efetivo exercício. sem prejuízo de outras. no prazo de dois anos. 16. do Distrito Federal e dos Municípios.2) Instituir programa de acompanhamento do professor iniciante.

1) Garantir fonte de financiamento permanente e sustentável para todas as etapas emodalidades da educação pública.6) Realizar.6) Desenvolver e acompanhar regularmente indicadores de investimento e tipo de despesaper capita por aluno em todas as etapas da educação pública. Antecedentes A redemocratização do País. fez surgir como uma das principais bandeiras a luta pelo direito à educação. em regime de colaboração com ossistemas de ensino. mais recentemente. 18. essencial Didatismo e Conhecimento 91 para a redução das desigualdades no Brasil. No que tange à educação. O PNE . no prazo de um ano de vigência desta Lei.PNE atualmente vigente. o censo dos funcionários de escola da educação básica.394. mas. 20. demonstrando o empenho do Governo e da sociedadebrasileira em saldar a enorme dívida que o Brasil tem com a educação. Os indicadores mais recentes confirmam o alcance de bons resultados em quase todos os níveis e dimensões da educação.5) Implantar.7) Considerar as especificidades socioculturais dos povos indígenas no provimento de cargosefetivos para as escolas indígenas. A melhoria continuada do nível de educação da população certamente irá refletir-senão só na qualidade da vida. e. que ampliouo ensino obrigatório dos 4 aos 17 anos de idade.5) Definir o custo aluno-qualidade da educação básica à luz da ampliação do investimentopúblico em educação. Meta 19: Garantir. nomínimo. para quealcancemos os níveis desejados e necessários para o desenvolvimento do país. também no desenvolvimento econômico do país. pelo Congresso Nacional.494. mediante lei específica aprovada no âmbito dos Estados. oestabelecimento de metas e estratégias para garantia de uma educação de qualidade para todosos brasileiros tem que ser prioridade nacional. a partir da década de 1980. Por isso.2011/2020 na forma ora proposta representa um importante avançoinstitucional para o país. no prazo de dois anos de vigência desta Lei. 2009. A educação é um dos mais importantes instrumentos de inclusão social. queinstituiu o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorizaçãodo Magistério – FUNDEF. 18. com planejamento sistemático ede longo prazo é de fundamental importância para vencer esta batalha. 20. do Distrito Federale dos Municípios.3) Destinar recursos do Fundo Social ao desenvolvimento do ensino. as modificações na ordem jurídico-institucionalcompletaram-se com a aprovação. oDistrito Federal e os Municípios que tenham aprovado lei específica prevendo aobservância de critérios técnicos de mérito e desempenho e a processos que garantam aparticipação da comunidade escolar preliminares à nomeação comissionada de diretoresescolares.LDB).assegurando o acesso ao ensino como direito público subjetivo. o texto aprovado exprime uma concepção ampla de educação. Temos a honra de submeter à consideração de Vossa Excelência o anexo Projeto deLei que “Aprova o Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2020 e dá outrasprovidências”. a nomeação comissionada de diretores de escola vinculada acritérios técnicos de mérito e desempenho e à participação da comunidade escolar. efetivação da democracia e ampliação da cidadania para muitosbrasileiros. oDistrito Federal e os Municípios que tenham aprovado lei específica estabelecendo planosde carreira para os profissionais da educação.172. Na esfera infra-constitucional. 19. acelerando mudanças na educação brasileiraimpulsionadas por mobilização popular. de vários instrumentos legais degrande impacto para a educação brasileira. 03 de novembro de 2010. o patamar de sete por cento do produto interno bruto do País.1) Priorizar o repasse de transferências voluntárias na área da educação para os Estados. Excelentíssimo Senhor Presidente da República. de 2001.2) Aperfeiçoar e ampliar os mecanismos de acompanhamento da arrecadação dacontribuição social do salárioeducação. Meta 20: Ampliar progressivamente o investimento público em educação até atingir. 20. a Lei n° 10.2) Aplicar prova nacional específica. Todavia. que estabeleceu o Plano Nacional deEducação . de 1996.4) Fortalecer os mecanismos e os instrumentos que promovam a transparência e o controlesocial na utilização dos recursos públicos aplicados em educação. definindo metas e estratégias para avançar no processo de melhoria daeducação brasileira. Formatado A Constituição Federal de 1988 incorpora estas bandeiras e traz avançosconsideráveis dos pontos de vista jurídico. impondo a corresponsabilidadedos entes federados por sua implementação e garantindo a aplicação de percentuais mínimos dareceitas provenientes de impostos para sua manutenção e desenvolvimento. há ainda muitoque fazer. a Emenda Constitucional nº 59. Estratégias: 20. tratando-a como direito social inalienável e fundamental para o exercício da cidadania. política nacional de formaçãocontinuada para funcionários de escola. O tratamento da educação como política de Estado. normativo e institucional para garantia dos direitossociais. a Lei nº 11. destacando-se a Lei de Diretrizes e Bases daEducação Nacional (Lei nº 9. que regulamentou o Fundo deManutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais daEducação . 1. .FUNDEB. construída em regime de colaboração com ossistemas de ensino. de 2007. a aprovação deum novo Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2020 deve ser encarada comoestratégica para o país.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 18. 20. 18. de 1996 . Estratégias: 19. Por essa razão.8) Priorizar o repasse de transferências voluntárias na área da educação para os Estados. Formatado E M N° 033Brasília. a fim de subsidiar a definição de critérios objetivospara o provimento dos cargos de diretores escolares. mobilizandoGovernos e os mais diversos segmentos da sociedade em torno de um objetivo comum: aampliação do acesso à educação de qualidade para todos os brasileiros. 20. É inegável que nos anos mais recentes o temaeducação foi sendo definitivamente alçado à prioridade na agenda nacional. A LDB reestruturou e definiu as diretrizes e bases da educação escolar no Brasil. a Emenda Constitucional nº 14.

Estados. conceitos fundamentais que garantem a organização dos sistemaseducacionais do país. criou-se aindesejável oposição entre educação básica e superior. a atenção exclusiva ao ensino fundamentalresultou em descaso com as outras duas etapas (ensino infantil e médio). Ao vedar por decreto a oferta deensino médio articulado à educação profissional e proibir por lei a expansão do sistema federalde educação profissional. Municípios.passando a abranger toda a educação básica. No texto atual. Belo Horizonte. ressaltese. buscando uma visão sistêmica da educaçãoque compreendesse o ciclo educacional de modo integral.implementando importante mecanismo de redistribuição de recursos vinculados à educação comvistas a cumprir o princípio constitucional da equalização do financiamento. fixando objetivos e metas para a educação brasileira por um período de dezanos . em instrumento essencial na universalização do ensino fundamental. intermunicipais e estaduais queresultaram na Conferência Nacional de Educação CONAE. Sem que a União aumentasse o investimento na educaçãobásica. A visão sistêmica que enlaça todos os projetos doPDE empresta coerência e promove a articulação de todo o sistema. nos congressos nacionais de educação (em Belo Horizonte. com o objetivo de articular nacionalmente os sistemas de ensino emregime de colaboração e definir diretrizes. Sob o discurso de universalização do ensino fundamental. Uma terceira oposiçãoverificada deu-se entre ensino médio e educação profissional. Além destes marcos jurídicos. Traçou os princípios educativos.a chamada “Década da Educação”. Decretos PortariasInsterministeriais e Planos de Ações Articuladas firmados com todos os 26 estados. Cumpre.assim. objetivos. 92 Como resposta a esta situação. Constituiu-se. reforçando mutuamente cada etapa de ensino. etapas emodalidades da educação não eram entendidos enquanto momentos de um processo. melhoria da qualidade do ensino. registrar a atuação do Ministério da Educação na aprovação da Emenda Constitucional 59/2009. O Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE O PNE foi lançado quando vigorava no país uma visão fragmentada da educação. os diversos níveis. O PDE apresenta mecanismospara aprofundar o diagnóstico das condições da educação. Didatismo e Conhecimento . abrangendo todosos eixos. à atualização de conceitos às novas visões e estratégias educacionais e aoaprimoramento de parte de suas normas. a realização de conferências nacionais deeducação como espaços de participação da sociedade na construção de novos marcos para aspolíticas educacionais. Para mudar este quadro e alcançar efetivamente resultados mais favoráveis na educação. promovesse a articulação entre aspolíticas específicas e coordenasse os instrumentos disponíveis (políticos. promoção humanística. o resultado desta política para aeducação básica foi a falta de professores com licenciatura para exercer o magistério e alunos doensino médio desmotivados pela insuficiência de oferta de ensino gratuito nas universidadespúblicas. técnicos e financeiros)entre os três níveis federativos. de 9 de janeiro de 2001. Conferência Nacional de Educação Básica. o DistritoFederal e os 5.Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena e Fórum Nacional de Educação Superior). este Governo lançou em 2007 o Plano deDesenvolvimento da Educação – PDE. Goiânia eBrasília). para a melhoria da qualidade doensino em todos os aspectos e para a democratização do acesso. nas conferências nacionais de educação e cultura promovidas pela Câmara dosDeputados entre 2000 e 2005. O PNE 2001-2010. ampliou-se o escopo do financiamento. o PDE como conjunto de programas eações destinadas à melhoria da educação. ensino médio. caberia aogestor público optar pela primeira. um conjunto de mais de 40 medidas. Niterói.componentes de uma unidade geral. traçou rumos para as políticas e açõesgovernamentais. era necessário superar essas oposições. Os programas e ações do PDE foram institucionalizados em Leis. de 1994. quanto as perspectivas de continuidade de escolarização. por sua vez. permitindo a organização deeixos norteadores. O PNE em vigor contribuiu para a construção depolíticas e programas voltados à melhoria da educação. Os pilares de sustentação doPDE são: financiamento adequado.127. Ademais. que possibilitou grandes conquistas para a educação nacionalao prever a obrigatoriedade do ensino de quatro a dezessete anos. por exemplo. sobretudo. educação especial e educação de jovens e adultos. Diante da falta de recursos. devemconduzir ainda ao estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação comoproporção do produto interno bruto. aprovado pelo Congresso Nacional e instituído pela Lei nº10. Fundada na justificativa da necessidade de estabelecer prioridades. pelas escolas e demaisinstituições de ensino. ensinofundamental. além dos objetivos já fixados na redação anterior (erradicação doanalfabetismo.destacando-se especialmente as conferências municipais. avaliação e responsabilização dos agentes públicos quecomandam o sistema educacional. muito embora tenha vindodesacompanhado dos instrumentos executivos para consecução das metas por ele estabelecidas. regulou e regulamentou a estrutura e o funcionamento do ensino nacional. Além deste efeito direto. formação de professores e valorização do magistério e gestãoe mobilização das comunidades. com acriação do Fundeb. metas e estratégias de implementação paraassegurar a manutenção e desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis. por fim. especialmente em nível federal. acabou por constituir-se em importante instrumentopara persecução das metas quantitativas estabelecidas naquele diploma legal.a Lei veio sofrendo várias alterações. De acordo com esta visão. De lá para cá. O Fundef instaurou um novo modelo de financiamento do ensino fundamental. nas conferências brasileirasde educação (realizadas na década de 80 em São Paulo. Porto Alegre São Paulo e Recife). contemplando educação infantil. visando à adequação de seus dispositivos às alteraçõesconstitucionais. fixou-se o prazo decenal para oplano nacional de educação.formação para o trabalho. reforçaram-se falsas oposições e promoveu-se verdadeira disputa entre etapas. 2. especificou os níveis e modalidades deensino. no âmbito da educação básica. o argumento serviu de pretexto para asfixiar o sistema federal de educação superior einviabilizar a expansão da rede. ampliar a abrangência dosprogramas suplementares para todas as etapas da educação básica e estabelecer nova redaçãopara o parágrafo 214 da Constituição Federal. Apesar de não ser a tradução direta do PNE.563 municípios. cuja vigência se estende a 2020. comprometendo tanto abase do ensino. etapas e24modalidades por meio de ações integradas dos poderes públicos das diferentes esferasfederativas. modalidades e níveiseducacionais. universalização do atendimento escolar. ainda. Em 2007. na Conferência Nacional Educação Para Todos. indispensáveis à criação das condições objetivas paraa efetivação de políticas de Estado. Esta concepção esteve presente. desarticulou-se uma política importantíssima para o país. científica e tecnológica do País). Tais ações. níveis e modalidades da Educação.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Delineou o papel a ser desempenhado pela União. nasconferências e encontros recentemente realizados pelo Ministério da Educação (ConferênciaNacional de Educação Profissional e Tecnológica. realizada entre 28 de março e 01 deabril de 2010.

do CNE e das comissões de educação da Câmara e do Senado Federal são. Discordaram quanto ao processo de construção desse conhecimento. (d) osdiagnósticos regionais da situação educacional diante das metas do PNE. (e) os Ciclos dedebates pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) com vistas a subsidiar o MEC no envio depropostas para o Congresso Nacional.concorrentes e complementares. e coordenados pelo MEC/Seb/ Dase/Cafise. Piaget estava interessado em como o conhecimento é adquirido ou construído. não acreditava que a transmissão direta desse tipo fosse viável. (b) o Colóquio Nacional sobreMecanismos de Acompanhamento e Avaliação do Plano Nacional de Educação. ela envolveuquestões específicas da educação e outras que a transcendem. pois além de constituir-se em instrumento estruturante e de planejamento das açõesgovernamentais. respectivamente. define como uma das suas atribuições “subsidiar a elaboração e acompanhara execução do Plano Nacional de Educação”. Os §§ 1º e 2º desse artigoestipulam. Vygotsky estava preocupado com a questão de como os fatores sociais e culturais influenciam o desenvolvimento intelectual. a Lei nº9. simultaneamente. merecem ser destacados: (a) a realização de estudo sobre aimplementação do PNE pela Consultoria Legislativa. o Distrito Federal. que a legislação educacional em vigor distribui entre várias instituições a responsabilidade pelo acompanhamento e avaliação do PNE. traduzidas porpolíticas. Por sua vez. realizado emBrasília. programas e ações. Comefeito. Piaget aprovou a construção individual como singular e diferente. acompanhará a execução do PlanoNacional de Educação”. da Câmara dosDeputados e da Comissão de Educação do Senado Federal.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 3. o PNE 2001-2010 representou um importante avanço institucional. A avaliação daspolíticas públicas na arena educacional apresenta. procederá a avaliaçõesperiódicas da implementação do Plano Nacional de Educação”. mas eles partilham de pontos de vista semelhantes. portanto. coordenada pela SEA/MEC. em 2006. Para ele as crianças adquirem uma forma própria de se desenvolver no social. o artigo 3º da lei que aprovou o PNE determina que: “a União. ambos viram o desenvolvimento e a aprendizagem da criança como participativa. como professores e colegas. Vygotsky e Piaget estavam preocupados com o desenvolvimento intelectual. sob a responsabilidade da Coordenação Geral de Articulação e Fortalecimento Institucional dos Sistemas de Ensino (Cafise) da Seb/MEC. portanto. A avaliação do PNE. porém cada um começou e perseguiu por diferentes questões e problemas. dadas suanatureza. alto grau de complexidade. As crianças constroem e internalizam o conhecimento que esses seres instruídos possuem. de 2001 a 2005. Cultura e Desporto [hoje Comissão de Educação e Cultura]. em que se articularam as dimensões técnica e política. publicado em 2004. não circunscritaà esfera governamental. com vistas àcorreção de deficiências e distorções”. Ambos entenderam o conhecimento como adaptação e como construção individual e compreenderam a aprendizagem e o desenvolvimento como autorregulados. tornando-se transformadora da aprendizagem. também. (c) os Semináriosregionais de acompanhamento e avaliação do PNE e dos planos decenais correspondentes.CNE. entendida como política de Estado e. Observa-se. pela União. As diferenças entre os dois autores parecem ser muitas. que renomeou e reestruturou o Conselho Nacional deEducação . embora comumente liga- . Assim. se essa capacidade de aprendizagem e oportunidade lhe for oferecida. realizados pelo Centrode Planejamento e Desenvolvimento Regional (Cedeplar/UFMG). Piaget não deu ênfase aos valores sociais e culturais no desenvolvimento da inteligência. com a participação de especialistas em educação. em 2005. histórico social e ontogenético. em 2006. na medida em que a proposição depolíticas na área envolve a ação da sociedade política e da sociedade civil. O PNE 2011-2020 – Uma construção coletiva Como referido. a Avaliação Preliminardo PNE. e que “a primeira avaliação realizar-se-á no quarto ano de vigênciadesta lei. 9 CONCEPÇÕES DE ENSINO E APRENDIZAGEM E ATIVIDADE DOCENTE. exercer acoordenação do processo de execução dos próximos Planos. Já o art. de 24 de novembro de 1995. não ocorrendo de maneira automática. pressupostos escritos por Vygotsky Lev Semenovich Vygotsky estudou sistematicamente a psicologia e seu projeto principal foi os processos de transformação do desenvolvimento na dimensão filogenética. o MEC tem como atribuição não apenas instituir “os mecanismos necessários aoacompanhamento das metas constantes do Plano Nacional de Educação” e assegurar a realização de avaliações periódicas dos seus níveis de implementação. de 2001 a 2008.realizados nas cinco regiões do País. Piaget escreveu sobre a interação entre indivíduo e meio constituída através de dois processos: organização interna das experiências e adaptação ao meio. Enquanto que Piaget. Dentre os processos avaliativos ocorridos ao longo da implementação do PNEvigente. por intermédio das Comissões deEducação. trouxe previsão legal que determinou e exigiu monitoramento e avaliaçãoperiódicas de sua execução. A criança transforma aquilo que aprende de acordo com sua capacidade interna e nata. características e dimensões em um país de porte continental como o Brasil. Os papéis do MEC. sistematizados pelo MEC. criadora. portanto. por solicitação da Comissão de Educação eCultura da Câmara dos Deputados. sobretudo. e (g) a Avaliação do PNE. em setembro e outubro de 2005. os municípios e a sociedade civil. onde a teoria é um acontecimento da invenção ou construção que ocorre na mente do indivíduo. desencadeados pelos diferentes agentes. A teoria de Vygotsky é uma teoria de transmissão do conhecimento da cultura para a criança. pelo Legislativo e ainda pela sociedade civil. 4º da Lei do PNE prevê que “a União instituiráo Sistema Nacional de Avaliação e estabelecerá os mecanismos necessários aoacompanhamento das metas constantes do Plano Nacional de Educação”. em articulação com osestados. partiu de várias concepções e perspectivas.131. cabendo ao Congresso Nacional aprovar medidas legais decorrentes. deanálise contextualizada. Como órgão formulador e executor das políticas federais deeducação. os indivíduos interagem com agentes sociais mais lecionados. que: “o Poder Legislativo. coordenada pela DTDIE/ Didatismo e Conhecimento 93 Inep. Resultou. mas. com aparticipação de especialistas em educação. mediante a construção pessoal desse conhecimento.

a aprendizagem não começa na escola. por sua vez. por isso. Piaget tinha a concepção de que o nível de desenvolvimento colocava limites sobre o que podia ser aprendido e sobre o nível da compreensão possível daquela aprendizagem. onde cada pessoa tem um ritmo. é referente ao papel da linguagem no desenvolvimento intelectual. ele não é copiado de um referencial e modelo. Ou seja. o seu papel deveria ser aquele de um mentor. As crianças por sua vez vão tornando-se indivíduos com funções e habilidades intelectuais. A criança não inventa. o ambiente da sala de aula requer interação social. ele colocaria a linguagem oral. pelo fator social e ambiente. em todas as demais funções psíquicas superiores do sujeito. a linguagem. Vygotsky atribui importância a linguagem. “É óbvio que o professor enquanto organizador permanece indispensável no sentido de criar as situações e de arquitetar os projetos iniciais que introduzam os problemas significativos à criança. seus pontos de vista sobre o relacionamento sejam diferentes. as duas teorias divertem. também desta forma. copia o que está socialmente exposto e a disposição. Piaget considerou a linguagem falada como manifestação da função simbólica. A verdadeira construção do conhecimento não é medida. mas o de inventá-lo. Isto é. na organização e planejamento da ação. estimular e apoiar a exploração. e com isso o facilitador ou professor é o instrutor da criança. acreditavam no desenvolvimento e aprendizagem. a interação com os colegas e adultos. O que é desejado é que o professor deixe de ser um expositor satisfeito em transmitir soluções prontas. na formação do pensamento e da consciência. O papel do professor é visto basicamente como o de encorajar. É a fonte do conhecimento socialmente construído que serve de modelo e media as construções do indivíduo. embora. explicando desta forma. e o desenvolvimento são adquiridos por modelos e. A interação social no desenvolvimento e aprendizagem escolar para Piaget e Vygotsky Para Vygotsky (1998). faz uma diferenciação entre processos psicológicos. portanto. são consideradas para a construção do conhecimento social. embora por circunstâncias distintas. instrumento de imenso poder. através da fala. na regulação do comportamento e. Em relação à aprendizagem e desenvolvimento. A cultura estabelece um conhecimento que é internalizado e construído pelas crianças. Vygotsky trata a aquisição da linguagem do meio social como o resultado entre raciocínio e pensamento em nível intelectual. Para Piaget. consequentemente. para Vygotsky toda construção era mediada pelos fatores externos sociais. superiores rudimentares e processos psicológicos avançados. O processo não é o de recriar um modelo. a evolução dos processos naturais até alcançar os processos mentais superiores. As interações sociais foram consideradas como uma fonte do conflito cognitivo. pois além da função comunicativa. assegura que significados linguisticamente criados sejam significados sociais e compartilhados. entre outras coisas. Vygotsky retoma o tema da zona de desenvolvimento proximal e sua relação com a aprendizagem. Piaget. mas não como necessária ao desenvolvimento intelectual.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS da e próxima daquela da cultura. ele é necessário para proporcionar contraexemplos que forcem a reflexão e a reconsideração das soluções rápidas. Sabemos que muitos indivíduos estão estacionados em algumas etapas de desenvolvimento e isso é refletido no dia-a dia. a criança constrói o seu próprio conhecimento interno a partir do que é oferecido. Piaget. os estudantes podem aprender coisas que não aprendiam sozinhos. tanto Vygotsky como Piaget. mas não produz inteligência. A zona de desenvolvimento potencial é o nível de desenvolvimento em que os estudantes são capazes de solucionar problemas de forma independente. Piaget coloca que a nova construção é sempre realizada sobre uma construção anterior e que. claro. no sentido vygotskiano. a linguagem reflete. memória e atenção. e sendo produzido pela internalização de atividades sociais. com isso a criança tem a chance de errar e construir. A criança pode ativamente ouvir uma exposição ou ler um livro e empregar a informação recebida na construção. Nos primeiros. O papel da linguagem no desenvolvimento intelectual para Vygotsky e Piaget A diferença mais nítida entre os dois teóricos. modelar cuidadosamente o conhecimento. Vai ocorrendo períodos de desequilibração para uma nova sustentação de bases. A aprendizagem. (1973). o professor e o programa institucional devem modelar ou explicar o conhecimento. Assim. enquanto que para Piaget o próprio desenvolvimento é a força propulsora. de desenvolvimento. o ambiente social é a fonte de modelos dos quais as construções devem se aproximar. através da ação. Vygotsky (1987). Para Vygotsky. a criança pode utilizar as fontes e formas de informação no processo de construção. quando o indivíduo emprega a capacidade de empregar símbolos para representar. mas rememora. Os fatores sociais. Os fatores sociais influenciam a desequilibração individual através do conflito cognitivo e apontam que há construção a ser feita. com a desiquilibração. (Fowler 1994). Em segundo lugar.4). com a modelação do conhecimento e a interação social. de desequilibração e. 94 Didatismo e Conhecimento . ela é essencial no processo de transição do interpessoal em intramental. e sim. A interação e a linguagem têm um importante destaque no pensamento de Vygotsky. p. mas não o produz (Fowler 1994). O conhecimento anterior é reconstruído diante da desiquilibração socialmente provocada e estimulada. como vontade. Piaget considerou a linguagem como facilitadora. Embora Vygotsky e Piaget considerassem o conhecimento como uma construção individual. A única maneira de avançar a um nível intelectual mais elevado não é na linguagem com suas representações. Para Piaget. não podendo ir além daquele estádio adquirido. A sociedade atribui a isto. Vygotsky substituiu os instrumentos de trabalho por instrumentos psicológicos. assunto deste estudo. Vygotsky tinha a ideia de que a aprendizagem é a força propulsora do desenvolvimento intelectual. um processo de transmissão de cultura. para Vygotsky desempenham um papel fundamental no desenvolvimento intelectual. Nas obras de Piaget. com um jeito particular de pensar. através da ação. o que reflete o desenvolvimento intelectual. uma vez que irão contribuir no desenvolvimento dos processos psicológicos. ou seja. Vygotsky chamou de zona de desenvolvimento potencial e zona de desenvolvimento proximal. como processo psicológico superior adquirido na vida social mais extensa e por toda a espécie. que toda situação de aprendizagem escolar se depara sempre com uma história de aprendizagem prévia. pela motivação da criança. enquanto que a zona de desenvolvimento proximal é o nível em que os estudantes podem resolver problemas com “apoio”(Lester 1994. estimulando a iniciativa e a pesquisa”. Tanto para Piaget como para Vygotsky. reconheceu infinitamente o papel dos fatores sociais no desenvolvimento intelectual. é sempre possível o avanço das construções anteriores. Piaget considerou a construção do conhecimento como um ato individual da criança. As implicações do desenvolvimento para Piaget e Vygotsky Tomando o ponto de vista educacional. a construção e invenção. o trabalho do agente é. Dessa forma.

através de assimilações e acomodações. c) Segundo Vygotsky (1987). O pensamento vai se tornando cada vez mais complexo e abrangente. Vygotky afirma que a aprendizagem da criança se dá pelas interações com outras crianças de seu ambiente. a origem do desenvolvimento cognitivo dá-se do interior para o exterior. Desenvolvimento proximal e desenvolvimento real para Vygotsky Para Vygotsky (1987). Este questionamento é o interesse principal da epistemologia genética. Lima (1990). sejam eles do mundo físico ou cultural. o que falam. A mediação é a forma de conceber o percurso transcorrido pela pessoa no seu processo de aprender. através de estágios diferentes um do outro. Resulta das ações e interações do sujeito com o ambiente onde vive. maturação biológica. desde o estágio inicial de uma inteligência prática (período sensório-motor). A abordagem de Vygotsky se contrapõe a de Piaget. formando desta forma uma construção dinâmica entre aprendizagem e desenvolvimento. porque falam. sendo que a linguagem funciona como mediador. e o nível de desenvolvimento potencial. A cada adaptação constituída e realizada. o esquema assimilador se torna solidificado e disponível para que a pessoa realize novas acomodações. A este processo de ampliação ou modificação de um esquema de assimilação. através da assistência e auxílio do adulto. formando os esquemas. A referência da zona de desenvolvimento proximal implica na compreensão de outras ideias que completa a ideia central. motivado e. conceito central na teoria construtivista. Por isso. etc. através dos “porquês” e dos “como”. O que promove este movimento é o processo de equilibração. ligados com outros fatores como experiências. ou por outra criança mais velha. de maneira que é necessário investigar. que sejam professores. Vygotsky afirma que o conhecimento se dá dentro de um contexto. Piaget chamou de acomodação. pois é alcançado por meio de ações físicas e também mentais. ressaltando a maturidade do desenvolvimento. uma criança que já construiu o esquema de sugar. fazer uso de recursos que se reportem ao pensamento abstrato. b) A criança consegue autonomia na resolução do problema. ou seja. afirmando serem as influências sociais mais importantes que o contexto biológico. nem resultado do simples registro de percepções e informações como comenta o empirismo. mas. se utilizando a mediação. ele pode atingir maneiras através das quais a instrução será mais útil para a criança. a zona de desenvolvimento proximal representa o espaço entre o nível de desenvolvimento real. Não se pode ignorar o papel desempenhado pelas crianças ao se relacionarem e interagirem com outras pessoas. ajudando à criança a superar suas capacidades. aquele momento. tanto intelectual como moral. ocorrendo em função da maturidade da pessoa. Desta forma. Todo o conhecimento é uma construção que vai sendo elaborada desde a infância. pois é este que se transforma para a elaboração de novos conhecimentos. Vygotsky colocou que “as funções mentais superiores são produto do desenvolvimento sócio histórico da espécie. faz com que a pessoa se “desequilibra” intelectualmente. Ex: interação e troca com outras crianças e do adulto como modelo. pela sua própria estrutura mental. mais tarde poderá realizar sozinha. completa-se o processo a que Piaget chamou de adaptação. a adaptação e a assimilação. O autor considera que o ambiente poderá influenciar no desenvolvimento cognitivo. para a teoria vygotskiana. a acomodação. construindo acomodações e assimilações. A adaptação do sujeito vai ocorrendo. elas observam o que os outros dizem. Piaget procurou mostrar quais as mudanças qualitativas por quais passa a criança. através da internalização. Quando o professor. Os objetos do conhecimento têm propriedades e particularidades que nem sempre são assimiladas pela pessoa. Resumindo. onde a criança era apta a resolver um problema sozinha. consegue chegar a zona de desenvolvimento Didatismo e Conhecimento 95 proximal. mas terá que modificar o esquema para chupeta. Em função desta constatação. instigado. o desenvolvimento ocorre em função da aprendizagem. O autor ressalta a importância de que esses processos sejam internalizados pela criança. a linguagem e a compreensão de regras sociais que não são inatas. O desenvolvimento cognitivo para Vygotsky e Piaget Segundo Piaget (1987). A educação é um processo necessário. porque dizem. Também será mais fácil para essa criança. interagindo com objetos do conhecimento cada vez mais diferentes e abstratos. lógico-dedutivo. a aprendizagem acelera processos superiores internos que são capazes de atuar quando a criança encontra interagida com o meio ambiente e com outras pessoas. Dolle (1993). por isso que a sua teoria ficou conhecida como sócio interacionista. é necessário investigar como esses conhecimentos são adquiridos. visuais e reais. Com sucessivas aproximações. existiria uma interação entre o indivíduo e o meio. com maior propriedade. o indivíduo pode olhar como desafio. a moral. Para que esta adaptação se torne abrangente. Diante de um estímulo. porém sua ênfase recai no papel do ambiente para o desenvolvimento biológico. uma suposta falta no conhecimento. que determina o que por ela é internalizado. a partir da adolescência. a assimilação. internalizando tudo o que é observado e se apropriando do que viu e ouviu. A criança vai adquirindo estruturas linguísticas e cognitivas. procura restabelecer o equilíbrio que é sempre dinâmico. O desenvolvimento cognitivo para Piaget. é importante considerar o principal objetivo da educação que é autonomia. a lógica. mediado pelo grupo. A criança vai usando o sistema. pais e outras crianças mais velhas e mais experientes. embora seja estimulado pelo objeto. que não são impostas de dentro para fora e sim construídas pelo sujeito ao longo do desenvolvimento. o professor terá condições de não só utilizar meios concretos. através da interação sujeito com os objetos que procura conhecer. Recriam e conservam o que se passa ao redor. até o pensamento formal. comer com colher. o desenvolvimento é de fora para dentro. fica curioso. ela já tem esquemas assimilados. Desenvolvimento e aprendizagem para Piaget Ao elaborar a teoria psicogenética. o conhecimento não pode ser aceito como algo predeterminado desde o nascimento ou de acordo com a teoria inatista. . tais como: a) O que a criança consegue hoje com a colaboração de uma pessoa mais especializada. que Piaget destaca. é também possível graças à atividade do sujeito. é o de equilibração. Segundo Piaget. com maior facilidade utiliza a mamadeira.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Vygotsky coloca que no cotidiano das crianças. ao contrário do pensamento de Piaget que assegura ser a aprendizagem uma consequência do desenvolvimento. a criança o fazia com colaboração de um adulto ou um companheiro. genética.

enquanto que para Piaget. O objetivo deste texto é verificar os pressupostos de aprendizagem empregados pelas diferentes tendências pedagógicas na prática escolar brasileira. justifica-se o presente estudo. nem modifica as estruturas do funcionamento nas quais intervém” Dolle (1993). para poder ir aonde quer chegar. para Vygotsky. Para Vygotsky. mas as “superiores”. Quando a criança estiver “congelada” no desenvolvimento. o indivíduo vai aprendendo a pensar por si mesmo. Deve haver senso de percepção para perceber o que a criança necessita no momento. ou seja . Para Piaget a construção do conhecimento individual é única. tornando-se transformadora da aprendizagem. onde o ser é visto como ativo. Para Piaget o nível de desenvolvimento colocava limites sobre o que podia ser aprendido e sobre o nível de compreensão possível daquela aprendizagem. as crianças internalizam e constroem o conhecimento. Na medida em que o indivíduo recebe uma orientação. Piaget reconheceu os fatores sociais no desenvolvimento intelectual que provoca desiquilibração e construção desse conhecimento. a aprendizagem é a força propulsora do desenvolvimento intelectual. Os estágios de desenvolvimento são importantes na a avaliação profissional. teoricamente. cabe ao facilitador. estão incluídas a tendência “tradicional”. A cultura estabelece um conhecimento que é internalizado e construído pelas crianças. Sabe-se que a prática escolar está sujeita a condicionantes de ordem sociopolítica que implicam diferentes concepções de homem e de sociedade e. diferentes pressupostos sobre o papel da escola e da aprendizagem. que as classifica em dois grupos: “liberais” e “progressistas”. a teoria de José Carlos Libâneo. É necessário um modelo para orientar e fazer a criança pensar sobre como está para desenvolver-se. As duas concepções sobre aprendizagem devem ser complementares. a “renovada não-diretiva” e a “tecnicista”. históricos e culturais influenciáveis no desenvolvimento. através da cultura. os indivíduos podem adquirir conhecimentos que antes não podiam. com ajuda externa. com isso. Tanto Piaget como Vygotsky estavam preocupados com a questão do desenvolvimento e cada um buscou formas diferentes e complementares para elaboração das estruturas mentais e formação de esquemas. Seria uma troca de meios para que esse desenvolvimento ocorra. para saber onde o indivíduo se encontra para fornecer subsídios para novas aquisições. Os fatores sociais para Vygotsky desempenham um papel fundamental no desenvolvimento intelectual. para ocorrer o conhecimento. a “libertária” e a “crítico-social dos conteúdos”. 96 Didatismo e Conhecimento . Através disso. A teoria de Vygotsky trata o indivíduo como um agente e o meio. Não adiantaria irem além do ritmo da criança. não adianta acreditar unicamente na constituição do próprio sujeito. e nem contar com meios externos. por isso a utilização dos dois processos deve ser considerada. e colocações de questões para a própria criança perceber onde está. a criança sozinha “não dá conta” de suas próprias experimentações. É na troca com outros sujeitos e consigo próprio que há internalização de conhecimentos. para Vygotsky o sujeito não é apenas ativo. os indivíduos interagem com o social. Porém. mas interativo. com a modelação de conhecimento e a interação do meio social. No segundo. antes desconhecidas por ele mesmo. ele acaba por superar. criadora. se essa capacidade de aprendizagem e oportunidade lhe for oferecida. (Texto adaptado de Flávia Sayegh). emprega-se. enquanto que Vygotsky comentou os fatores sociais. para haver desequilíbrio necessário para novas aquisições. dentro do que lhe é cobrado. uma forma seria sem apoio na resolução de problemas e a outra forma. consequentemente. é externo. É necessário errar. não podendo. Enquanto no referencial construtivista o conhecimento se dá a partir da ação do sujeito sobre a realidade. Embora se reconheçam as dificuldades do estabelecimento de uma síntese dessas diferentes tendências pedagógicas. o próprio desenvolvimento é a força propulsora. apenas acreditava que a criança adquire esses modelos externos. o que permite a constituição de conhecimentos e da consciência. 10 TEORIAS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO. para que não ocorra falhas no processo de conhecimento e também pra que não ocorra desgaste demasiado. inter alia. sem medição. Vygotsky chamou de zona de desenvolvimento potencial e zona de desenvolvimento proximal. neste estudo. de maneira tradicional ou simplista. com um jeito particular de pensar. como forma de constituição individual. tendo em vista que o modo como os professores realizam o seu trabalho na escola tem a ver com esses pressupostos teóricos. a utilização inerente de construção ou uma espera do meio. Enquanto para Piaget a aprendizagem depende do estágio de desenvolvimento atingido pelo sujeito. como muitos pensam. A desequilibração é sempre possível para as construções anteriores. Para Piaget o conhecimento é construído. sob influência desse meio e como são passados os conhecimentos. com colegas e mediadores. pode não haver um potencial para as novas acomodações. Muitas vezes. mostrar o caminho para a aprendizagem. a tendência “libertadora”. dependendo do nível intelectual da constituição mental. cabe observar e usar técnicas para que esse desenvolvimento ocorra. Se a criança não consegue ir além do que lhe é permitido mentalmente. No primeiro grupo. para a formação continuada de professores. a “renovada progressivista”. papéis e funções sociais. Sabemos que muitos indivíduos estão estacionados em algumas etapas de desenvolvimento e isso é refletido no dia-a dia. a pessoa ir além do seu ritmo. cujas influências se refletem no ecletismo do ensino atual. Os educadores não devem deixar de perceber o sujeito em relação ao tempo e a cultura.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A afetividade está correlacionada a esta inteligência e desempenha papel de uma fonte energética da qual dependeria o funcionamento da inteligência. a aprendizagem favorece o desenvolvimento das funções mentais. a criança têm chance de errar e construir. Nas trocas de valores entre o meio. porque constitui conhecimento através de relações intra e interpessoais. Assim. explícita ou implicitamente. O que resultaria num bloqueio na aprendizagem. O facilitador deve investigar. Não são somente as desequilibrações anteriores que podem ser desenvolvidas. numa tentativa de contribuir. exigido. é a forma em que os indivíduos podem resolver os problemas com apoio. fatores internos e externos intercalando-se. ele começa a formular hipóteses. reforçando. Piaget não desconsiderava que o conhecimento é influenciado pelo externo. mas ao mesmo tempo tem uma influência constitucional única que a ajuda ou dificulta a construir seu conhecimento. se existe a pessoa que oferece orientação para o indivíduo. história e modelo social. “A afetividade pode ser a causa de acelerações ou retardos no desenvolvimento intelectual e que ela própria não engendra estruturas cognitivas. A criança transforma aquilo que aprende de acordo com sua capacidade interna.

na tendência liberal tradicional. pois vê nessa gramática uma perspectiva de normatização linguística. o ensino da gramática pela gramática. de acordo com as aptidões individuais. o papel da escola na formação de atitudes. Tendências Pedagógicas Liberais Segundo LIBÂNEO (1990). Os seguidores dessa corrente linguística. pois. valorizando as tentativas experimentais. sem levar em conta as características próprias de cada idade. produzir indivíduos “competentes” para o mercado de trabalho. para os estruturalistas. sendo o ambiente apenas um meio estimulador. e a autonomia da escola na construção de sua Proposta Pedagógica. na instrução programada. Sendo assim. Como pressupostos de aprendizagem. essas ideias escolanovistas não trouxeram maiores consequências. segundo Piaget. vê o aluno como depositário passivo dos conhecimentos. o estudo do meio natural e social. A criança é vista. para que o aluno forme “hábitos” do uso correto da linguagem. um conjunto de signos que se combinam segundo regras e que é capaz de transmitir uma mensagem. predomina. tal como ocorreu com a corrente pragmatista. A língua – como diz TRAVAGLIA (1998) – é vista como um código. também. a tecnologia comportamental. saber a língua é. Portanto. a escola tecnicista. levando em conta os interesses do aluno. Seu interesse principal é. como Piaget. será dado ênfase ao ensino da Língua Portuguesa. nas manifestações na prática escolar das diversas tendências educacionais. Os conteúdos são organizados pelo professor. No ensino da língua portuguesa. etc. Vygotsky e Wallon. o professor terá condições de avaliar os fundamentos teóricos empregados na sua prática em sala de aula. a uma adequação pessoal às solicitações do ambiente. é a garantia de se chegar ao domínio da língua oral ou escrita. Aprender é modificar suas próprias percepções. parte-se da concepção que considera a linguagem como expressão do pensamento. com ênfase nos exercícios repetitivos e de recapitulação da matéria. razão pela qual deve estar mais preocupada com os problemas psicológicos do que com os pedagógicos ou sociais. Quanto aos pressupostos de aprendizagem. de cultura geral. o que é incorporado passa a compor a estrutura cognitiva para ser empregado em novas situações. com a Lei 5. portanto. a visão behaviorista acredita que adquirimos uma língua por meio de imitação e formação de hábitos. No aspecto teórico-prático. Conforme MATUI (1988). informações de um emissor a um receptor. as ideias da escola renovada não-diretiva. nos drills. o que torna a avaliação escolar sem sentido. é uma autoaprendizagem. a Gramática Tradicional ou Normativa se constitui no núcleo dessa visão do ensino da língua. A partir da Reforma do Ensino. a preparar o aluno para assumir seu papel na sociedade. No ensino da língua. sendo o professor apenas um facilitador. que devem ser acumulados na mente através de associações. nessa tendência tradicional. também conhecida como behaviorista. numa sequência lógica. Portanto. por isso ela deve imitar a vida. assim. No ensino da língua. Trata-se de um ensino centrado no aluno. adaptando as necessidades do educando ao meio social. preocupamse com a organização lógica do pensamento. aprender se torna uma atividade de descoberta. Só é retido aquilo que se incorpora à atividade do aluno. Devido a essa ênfase no aspecto cultural. que implantou a escola tecnicista no Brasil. embora a escola passe a difundir a ideia de igualdade de oportunidades. considerando-se as diferentes concepções de linguagem que perpassam esses períodos do pensamento pedagógico brasileiro. saber gramática. a partir da LDB 9. nessa tendência. teoria gramatical. baseada na teoria de aprendizagem S-R. através do desenvolvimento da cultura individual. também. articulando-se diretamente com o sistema produtivo. encontraram. em razão disso. apenas menos desenvolvida. Apenas se aprende o que estiver significativamente relacionado com essas percepções. exigem uma atualização constante do professor.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Justifica-se. ou seja.394/96. bem como a revalorização das ideias de psicólogos interacionistas.692/71. defende-se a ideia de “aprender fazendo”. a pedagogia liberal sustenta a ideia de que a escola tem por função preparar os indivíduos para o desempenho de papéis sociais. Skinner foi o expoente principal dessa corrente psicológica. por isso a ênfase na repetição. Didatismo e Conhecimento . Segundo essa concepção de linguagem. Todo o esforço deve visar a uma mudança dentro do indivíduo. a atividade pedagógica estava centrada no professor. É a tomada de consciência. na escola renovada progressivista. as diferenças entre as classes sociais não são consideradas. não se preocupando com as mudanças sociais. tomando como modelo de norma culta as obras dos nossos grandes escritores clássicos. o aluno é educado para atingir sua plena realização através de seu próprio esforço. Se. como um adulto em miniatura. a descoberta. para tanto. a tendência liberal renovada (ou pragmatista) acentua o sentido da cultura como desenvolvimento das aptidões individuais. ou seja. não leva em conta a desigualdade de condições. embora muito difundidas. preponderaram as influências do estruturalismo linguístico e a concepção de linguagem como instrumento de comunicação. através da descoberta pessoal. portanto centrada no aluno. 97 A escola continua. pois esbarraram na prática da tendência liberal tradicional. privilegiando-se a auto avaliação. Assim. Tendência Liberal Tradicional Segundo esse quadro teórico. Segundo RICHTER (2000). as diferenças de classe social não são consideradas e toda a prática escolar não tem nenhuma relação com o cotidiano do aluno. dessa forma. emprega a ciência da mudança de comportamento. o que presume a necessidade de regras do bem falar e do bem escrever. Isso pressupõe que o indivíduo precisa adaptar-se aos valores e normas vigentes na sociedade de classe. Tendência Liberal Tecnicista A escola liberal tecnicista atua no aperfeiçoamento da ordem social vigente (o sistema capitalista). exigindo uma atitude receptiva e mecânica do aluno. ou seja. A retenção se dá pela relevância do aprendido em relação ao “eu”. Tendência Liberal Renovada Não-Diretiva Acentua-se. sobretudo. Tendência Liberal Renovada Progressivista Segundo essa perspectiva teórica de Libâneo. uma barreira na prática da tendência liberal tradicional. a pesquisa. e a avaliação é realizada através de provas escritas e exercícios de casa. dominar o código. a ideia de que o ensino consiste em repassar os conhecimentos para o espírito da criança é acompanhada de outra: a de que a capacidade de assimilação da criança é idêntica à do adulto. este trabalho pelo fato de que novos avanços no campo da Psicologia da Aprendizagem. Através do conhecimento dessas tendências pedagógicas e dos seus pressupostos de aprendizagem. De acordo com essa escola tradicional. a tendência liberal tradicional se caracteriza por acentuar o ensino humanístico. ou seja.

visam a favorecer o desenvolvimento de pessoas mais livres. Por isso. Paulo Freire não considera o papel informativo. Assim. da Reforma do Ensino. que constitui a sua realidade fundamental. a leitura como processo permite a possibilidade de negociação de sentidos em sala de aula. sintetiza sua ideia de dialogismo: “Eu vou ao texto carinhosamente. partindo de uma análise crítica das realidades sociais. revalorizam-se as ideias de Piaget. segundo essa perspectiva interacionista. a pedagogia progressista designa as tendências que. não é centrado no texto. Um dos pontos em comum entre esses psicólogos é o fato de serem interacionistas. então. numa entrevista. o receptor é retirado da sua condição de mero objeto do sentido do texto. No ensino da Leitura. No ensino da língua. segundo os inatistas. Paulo Freire. A escola libertadora. como ocorria. a defesa da autogestão pedagógica e o antiautoritarísmo. têm em comum a análise crítica do sistema capitalista. da política e das ciências sociais. procura valorizar o texto produzido pelo aluno. a condição para se libertar da exploração política e econômica. A partir da LDB 9. por meio de representações da realidade concreta. situando-se também no campo da economia. Já as tendências pedagógicas progressistas. isto é. sustentam implicitamente as finalidades sociopolíticas da educação. Tendência Progressista Libertária A escola progressista libertária parte do pressuposto de que somente o vivido pelo educando é incorporado e utilizado em situações novas. além da negociação de sentidos na leitura. fornecendo-lhe um instrumental. ao lado e junto deste. ou seja. a tendência progressista crítico-social dos conteúdos. a partir do seu conhecimento de mundo. assim como a possibilidade de negociação de sentido na leitura. diferentemente da libertadora e libertária. admite-se o princípio da aprendizagem significativa. Portanto o conhecimento que o educando transfere representa uma resposta à situação de opressão a que se chega pelo processo de compreensão. descendente. Didatismo e Conhecimento 98 . A ênfase na aprendizagem informal via grupo. em oposição às liberais. Tendências Pedagógicas Progressistas Segundo Libâneo. conforme Gadotti.394/96 Após a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de n. da situação real vivida pelo educando. De modo geral. eu puxo uma cadeira e convido o autor.692/71. não importa qual. partindo do que o aluno já sabe. procurassem legitimar a ordem econômica e social do sistema capitalista. ou sob algumas as influências teóricas do estruturalismo e do gerativismo. nessa abordagem interacionista. a pedagogia libertadora ultrapassa os limites da pedagogia. ascendente. a força motivadora deve decorrer da codificação de uma situação-problema que será analisada criticamente. o trabalho com as estruturas linguísticas. bottomup. nunca assumiram compromisso com as transformações da sociedade. também conhecida como a pedagogia de Paulo Freire. é visto como possibilidade de desenvolver a expressão oral e escrita. reflexão e crítica. top-down. não se elabora uma nova teoria do conhecimento e se os oprimidos não podem adquirir uma nova estrutura do conhecimento que lhes permita reelaborar e reordenar seus próprios conhecimentos e apropriar-se de outros. nem no receptor. como processo de interação verbal. a razão de ser dos fatos. uma modernização da escola tradicional e. principalmente com as difusão das ideias de Piaget. essas teorias buscam uma aproximação com modernas correntes do ensino da língua que consideram a linguagem como forma de atuação sobre o homem e o mundo. De acordo com ARANHA (1998). mas insiste que o conhecimento não é suficiente se. a tradicional.394/96. Para citar um exemplo no ensino da língua. mas ascendente/descendente. No ensino da língua. a Análise do Discurso. ou seja. A atuação da escola consiste na preparação do aluno para o mundo adulto e suas contradições. Tendências Pedagógicas Pós-LDB 9. tradicionalmente. isto é. Tendência Progressista Libertadora As tendências progressistas libertadora e libertária têm. essas tendências. (Texto adaptado de Delcio Barros da Silva).394/96. nem no objeto. e a negação de toda forma de repressão. decodificá-lo. Assim. a partir da Lei 5. a renovada e a tecnicista. segundo essa concepção de linguagem. não conseguiu superar os equívocos apresentados pelo ensino da língua centrado na gramática normativa. O processo de leitura. aprender é um ato de conhecimento da realidade concreta. Como pressuposto de aprendizagem. predominaram os métodos de base ora empirista. mas resulta da interação entre ambos. simbolicamente. quando o aluno supera sua visão parcial e confusa e adquire uma visão mais clara e unificadora. o saber mais importante para o oprimido é a descoberta da sua situação de oprimido. portanto. através da elaboração da consciência crítica passo a passo com sua organização de classe. a Semântica Argumentativa e a Pragmática. envolvendo o exercício da abstração.º 9. com ensino da gramática tradicional. apesar das contribuições teóricas do estruturalismo. valorizam o texto produzido pelo aluno. para Paulo Freire.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS No ensino da Língua Portuguesa. a travar um diálogo comigo”. ou seja. como afirma Libâneo. Vygotsky e Wallon. e só tem sentido se resulta de uma aproximação crítica dessa realidade. ora inatista. porque concebem o conhecimento como resultado da ação que se passa entre o sujeito e um objeto. pelo qual se procura alcançar. por isso o saber sistematizado só terá relevância se for possível seu uso prático. de alguém que estava ali para decifrá-lo. como queriam os empiristas. no sujeito. como queriam os inatistas. A transferência da aprendizagem só se realiza no momento da síntese. para uma participação organizada e ativa na democratização da sociedade. por meio da aquisição de conteúdos e da socialização. Segundo GADOTTI (1988). A tendência tecnicista é de certa forma. acentua a primazia dos conteúdos no seu confronto com as realidades sociais. deduz-se que as tendências pedagógicas liberais. Vygotsky e Wallon. Em parte. esses problemas ocorreram devido às dificuldades de o professor assimilar as novas teorias sobre o ensino da língua materna. como diziam os empiristas. Tendência Progressista Crítico-Social dos Conteúdos Conforme Libâneo. a partir de uma negociação de sentido entre enunciador e receptor. separadas do homem no seu contexto social. vincula a educação à luta e organização de classe do oprimido. como a Linguística Textual. no contexto da luta de classes. na prática. De acordo com esse quadro teórico de José Carlos Libâneo. embora. o conhecimento não está. no ensino da língua. Assim. por se declararem neutras. entre outros. no ensino da leitura. em comum. As ideias desses psicólogos interacionistas vêm ao encontro da concepção que considera a linguagem como forma de atuação sobre o homem e o mundo e das modernas teorias sobre os estudos do texto. Na visão da pedagogia dos conteúdos. numa perspectiva sócio histórica. De base empirista (Paulo Freire se proclamava um deles) e marxista (com as ideias de Gramsci). o ato de conhecimento na relação educativa.

O Programa pessoal de cada professor pode ser anual.hábitos etc. a temática de organização dos conteúdos de aprendizagem não poderia ser mais atual e significativa para a educação brasileira de maneira geral. A experiência de quem aprendeu é antes. em uma lógica da organização curricular. porém deve o mesmo ter responsabilidade namontagem. uma organizaçãovertical (plano temporal ) que envolver a continuidade e a sequencia queenvolve o conteúdo repetidas vezes em diferentes fases de um cursoaprofundando e ampliando a sequencia e o horizontal ( plano de umamesma série) que se refere ao relacionamento entre as diversas áreas docurrículo integrando e visando garantir a unidade do conhecimento.A escola como formadora é o centro da educação constante e temcomo função repassar o conhecimento. dão um papel de destaque para os temas transversais. Os conteúdos são importantes à medida que constituem aorganização sobre a qual o aluno constrói o conhecimento. quantidade. habilidades e atitudes para alcançarmos osobjetivos proposto no processo de orientação educacional. pressupostos de aprendizagem e práticaescolar.O aluno deve ser envolver pessoalmente com o conteúdo. pelos educadores e educadoras nas escolas e nos encontros da categoria docente. e os projetos de trabalhos globais.O professor dispõe de flexibilidade para selecionar os conteúdos maisadequados aos seus alunos. as DCNs do Ensino Médio referenciam como princípio básico para este nível a interdisciplinaridade. conhecimento e interessesde seus alunos. Como a questão da diversidade tem sido pensada nos diferentes espaços sociais. Portanto. o professor dever fazer umaligação do já conhecido com o novo o que torna o conteúdosignificativo. respeito ao próximo. São analisadas as relações e a forma de vincular os diferentes conteúdos de aprendizagem. principalmente. é organizada em torno dos problemas ouprojetos importantes dos alunos. observando o desenvolvimento e aprendizagens do aluno. o professor deve-se basear nos seguintes critérios: • Validade – relação clara e nítida com os objetivos a serematingidos no ensino e conteúdos • Utilidade – possibilidade de aplicar o conhecimento emsituações novas. em geral elaborado em nível de sistema oficial de ensino econsegue dar uma unidade ao trabalho dos professores nas escolas doestado ou município. No nosso entendimento. especifica os objetivos e conteúdos de acordo com as condições década classe.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 11 CURRÍCULO BASEADO EM HABILIDADES E COMPETÊNCIAS. Daí a importância da compreensão do significado da transversalidade. nos seus documentos do Ensino Fundamental. ponto de partida para aquisição de informações. Os conteúdos devem estar organizados por princípios lógicosestabelecendo relação entre seus elementos. valorização do trabalho etc. A organização dos conteúdos nesses métodos. reconstruindo o conhecimento. um processo de aquisiçãode novos modos de perceber. O programa escolar oficial é a ação educativa para um determinadograu de ensino. hoje. justiça. renovada não-diretiva e a Pedagogia progressista que élibertadora. pensar e agir. Didatismo e Conhecimento 99 . Ao longo da história. os conhecimentos foram alocados em disciplinas. nos últimos anos é cada vez mais comum encontrarmos propostas que rompem com a organização por unidades centradas exclusivamente em disciplinas. e sim assimilar o que se deseja passar. métodos.Conteúdo são experiências educativas onde se apoia a práticamental. Os conteúdos devem apresentar uma sequência. No tocante aos métodos globalizadores. Por outro lado.O professor José Carlos Libâneo analisa cada uma dessas tendênciasenvolvendo os aspectos do papel da escola. observando a qualidade.Cada proposta pedagógica baseia-se em uma determinada ideia deensino-aprendizagem e da interação professor-aluno. e particularmente para a Educação Física. •Flexibilidade – somente quando houver possibilidade de fazeralterações no conteúdo suprimindo itens ou incluindo novostópicos de acordo com o interesse dos alunos. o que foi maisimportante e o que foi relevante.A unidade que é um tipo de organização estrutural inclui experiênciasque abrange. pois os conteúdos de aprendizagem só podem ser considerados relevantes na medida em que desenvolvam nos alunos a capacidade para compreender uma realidade que se manifesta globalmente. O conceito do conteúdo não é simplesmente a aquisição deinformação. adequados às exigências e condições que osalunos vivem. o conhecimento sobre as novas formas de organização é necessário para a compreensão e reflexão destes documentos. as experiências que o homem adquire serãotransmitidas ao aluno e as experiências que o próprio aluno vivenciara emtorno desses conhecimentos adquiridos. visa operacionalizar as diretrizes curriculares do sistema deensino. Através da estrutura da disciplinapodemos ter uma visão ampla do conhecimento estudado. mensal ousemanal. A função da escolar é a difusão do conhecimento visando à melhoriada qualidade de vida das camadas populares. • Significação – interessante para o aluno quando relacionadopor situações vivenciadas por ele. ou melhor. desenvolvendo o conhecimento e o desenvolvimento de seu ser. comocooperação. • Adequação ao nível de desenvolvimento do aluno – adequar erespeitar a maturidade intelectual do aluno deve haverassimilação essenciais e desejáveis contribuindo para seudesenvolvimento. conteúdo de ensino. Pedagogia Liberal cujas tendências são.O conteúdo é um conjunto de referencia a conhecimentos.Conteúdos podem dizer respeito à organização de conhecimentosobre a base de suas próprias regras ou são as experiências educativas nocampo do conhecimento. libertária e crítica social dos conteúdos.O papel do professor bem preparado é fundamental para o inferir doaluno. selecionadas e organizadas pelas escolas (Turra –planejamento de ensino e avaliação). para odesenvolvimento de hábitos. O Desenvolvimento dos Conteúdos e as Concepções Pedagógicas. o estudo do meio.Critérios para a Seleção de Conteúdos. tradicional. várias semanas. renovada-progressista. o autor denominou tais métodos de globalizadores. ajudando-os na vida cotidiana a solucionar osproblemas e enfrentar situações novas. e para o encaminhamento de novas propostas de ensino.relacionamento professor e aluno. pesquisando e organizando e selecionando alternativas. Contudo. ser. podendo também serchamado de organização psicológica significativa para o próprio aluno. A organização do Conteúdo. o desenvolvimento do modelopedagógico adequado para o nível de alunos que frequenta as escolar éessencial para um bom desenvolvimento cognitivo. É preciso incutir nas crianças ejovens o s valores essenciais para a sobrevivência da comunidade. atitudes. Zabala descreve as possibilidades dos centros de interesse de Decroly.Tanto a organização do conhecimento como as experiênciaseducativas são importantes. os métodos de projetos de Kilpatrick. nos movimentos sociais? Como podemos lidar pedagogicamente com a diversidade? Esses e outros questionamentos estão colocados. assimestará construindo. fazendoassociações. Os PCNs.

idades e culturas? Esse desafio é enfrentado por todos nós que atuamos no campo da educação. valores. A construção das diferenças ultrapassa as características biológicas. pode se transformar em práticas xenófobas (aversão ou ódio ao estrangeiro) e em racismo (crença na existência da superioridade e inferioridade racial). Seria muito mais simples dizer que o substantivo diversidade significa variedade. a diversidade pode ser entendida como a construção histórica. científicas. permeados por relações de poder e dominação. ainda. marcado pela interação contínua entre o ser humano e o meio. cultural e social. que aprendemos a ver como diferentes desde o nosso nascimento. no contexto das relações sociais. Algumas dessas diversidades provocam impedimentos de natureza distinta no processo de desenvolvimento das pessoas (as comumente chamadas de “portadoras de necessidades especiais”). representações do mundo. ambígua de lidar com o diverso. só passaram a ser percebidos dessa forma. quando exacerbado. os quais realizam práticas curriculares variadas. Ao analisarmos o cotidiano da escola. A primeira constatação talvez seja que. Mas essas três qualidades não se constroem no vazio e nem se limitam a ser nomes abstratos. de alguns coletivos de profissionais no interior das escolas e secretarias de educação ou se já alcançou um lugar de destaque nas preocupações pedagógicas e nos currículos. de ressaltar como positivos e melhores os valores que lhe são próprios. tanto o desenvolvimento biológico. a nossa primeira tarefa poderá ser o questionamento sobre a presença ou não dessas indagações na nossa prática docente. É o que chamamos de etnocentrismo. nos processos de adaptação do homem e da mulher ao meio social e no contexto das relações de poder. Mapear o trato que já é dado à diversidade pode ser um ponto de partida para novos equacionamentos da relação entre diversidade e currículo. os nossos currículos. Elas se constroem no contexto social e. A escolarização. no ensino fundamental. médio e profissional? Seria interessante diagnosticar se a diversidade é apenas uma preocupação de um grupo de professores(as). Que concepções de diversidade permeiam as nossas práticas. Estamos diante de uma terceira tarefa. até mesmo. especial. representações e identidades. a compreensão e o trato pedagógico da diversidade vão muito além da visão romântica do elogio à diferença ou da visão negativa que advoga que ao falarmos sobre a diversidade corremos o risco de discriminar os ditos diferentes. há a demanda óbvia. Esse fenômeno. Os diferentes contextos históricos. o escolar. Ele atravessa todos os níveis de ensino desde a educação básica (educação infantil. quanto o domínio das práticas culturais existentes no nosso meio são imprescindíveis para a realização do acontecer humano. enquanto uma experiência que atravessa toda sociedade e toda cultura. fazem-se necessários alguns esclarecimentos e posicionamentos sobre o que entendemos por diversidade e currículo. Nessa tensão. As diferenças são também construídas pelos sujeitos sociais ao longo do processo histórico e cultural. a diversidade é norma da espécie humana: seres humanos são diversos em suas experiências culturais. não se caracteriza somente pela unidade do gênero humano. no contexto da cultura. a diversidade pode ser entendida como um fenômeno que atravessa o tempo e o espaço e se torna uma questão cada vez mais séria quanto mais complexas vão se tornando as sociedades. Sendo assim. as reflexões aqui realizadas aplicam-se aos profissionais que atuam em todos esses campos. cultural e social das diferenças. a nossa relação com os alunos e suas famílias e as nossas relações profissionais? Como enxergamos a diversidade enquanto cidadãos e cidadãs nas nossas práticas cotidianas? . há uma tendência nas culturas. sobretudo. por isso se faz presente em toda e qualquer sociedade. ensino fundamental e ensino médio) até a educação superior incluindo a EJA. Por isso. porque nós. não é tarefa fácil para nós. Sendo assim. valores. sendo assim. Todavia. sobretudo. em específico. a relação entre currículo e diversidade é muito mais complexa. de um modo geral. Como toda forma de diversidade é hoje recebida na escola. trabalharmos pedagogicamente com a diversidade. Portanto. linguagens. A relação existente entre educação e diversidade coloca-nos diante do seguinte desafio: o que entendemos por diversidade? Que diversidade pretendemos esteja contemplada no currículo das escolas e nas políticas de currículo? Para responder a essas questões. de humanização e desumanização. a diversidade pode ser tratada de maneira desigual e naturalizada. nos projetos pedagógicos e nas propostas educacionais. Mas não será essa afirmativa uma contradição? Como a educação escolar pode se manter distante da diversidade sendo que a mesma se faz presente no cotidiano escolar por meio da presença de professores/ as e alunos/as dos mais diferentes pertencimentos étnico-raciais. Por mais que a diversidade seja um elemento constitutivo do processo de humanização. educadores e educadoras. uma rejeição em relação ao diferente. observáveis a olho nu. outra tarefa faz-se necessária: é preciso ter clareza sobre a concepção de educação que nos orienta. gerando certo estranhamento e. de fato. assim os nomeamos e identificamos. A educação de uma maneira geral é um processo constituinte da experiência humana. Para avançarmos nessas questões. Seres humanos apresentam. técnicas artísticas. Ela se faz presente na produção de práticas. Afinal. há uma tensão nesse processo. Será que existe sensibilidade para a diversidade na educação infantil. seres humanos e sujeitos sociais. qual é o lugar ocupado pela diversidade? Ela figura como tema que transversaliza o currículo? Faz parte do núcleo comum? Ou encontra espaço somente na parte diversificada? Do ponto de vista cultural. Nesse processo. saberes. a Educação Profissional e a Educação Especial. A diversidade é um componente do desenvolvimento biológico e cultural da humanidade. nos projetos pedagógicos e nas diferentes Secretarias de Educação. mas. são acompanhados de uma maneira tensa e. De acordo com Elvira de Souza Lima (2006). Durante toda a nossa vida realizamos aprendizagens de naturezas mais diferentes. é um dos recortes do processo educativo mais amplo. a presença da diversidade no acontecer humano nem sempre garante um trato positivo dessa diversidade. Há uma relação estreita entre o olhar e o trato pedagógico da diversidade e a concepção de educação que informa as práticas educativas. por um currículo que atenda a essa universalidade. Este último. pois a experiência da diversidade faz parte dos processos de socialização. mesmo os aspectos tipicamente observáveis. A diversidade faz parte do acontecer humano.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Ao realizarmos essa discussão. O discurso. diversidade biológica. por vezes. são únicos em suas personalidades e são também diversos em suas formas de perceber o mundo. diferença e multiplicidade. Didatismo e Conhecimento 100 Os currículos e práticas escolares que incorporam essa visão de educação tendem a ficar mais próximos do trato positivo da diversidade humana. é que construímos nosso conhecimento. sociais e culturais. As discussões acima realizadas poderão ajudar a aprofundar as reflexões sobre a diversidade no coletivo de educadores. na EJA. experiências de sociabilidade e de aprendizagem. pela riqueza da diversidade.

o desenvolvimento só pode ser um desenvolvimento ecológico e socialmente sustentável. A diversidade cultural varia de contexto para contexto. mostram diferenças entre si. os problemas ambientais. alguns aspectos acerca da diversidade a fim de dar mais elementos às nossas indagações sobre o currículo. Além disso. ou seja. as características. O desenvolvimento ecológico e socialmente sustentável tem como orientação a construção da biodemocracia com quem respeita/cultiva a biodiversidade. Na realidade. • diversidade cultural e currículo. ao refletirmos sobre a presença dos seres humanos no contexto da diversidade biológica. Ela se constrói em determinado contexto histórico. os atributos ou as formas “inventadas” pela cultura . Dessa forma. Ou seja. Lamentavelmente. • diversidade e conhecimento. b) toda a discussão a que hoje assistimos sobre a preservação. social. No entanto. E mais: somos desafiados pela própria experiência humana a aprender a conviver com as diferenças. os trabalhadores do campo e demais povos da floresta. citado por Silvério (2006). os problemas ambientais não são considerados graves porque afetam o planeta. a identidade. somos diferentes. culturas. neste texto. nenhuma identidade é construída no isolamento. apresentam diversidade biológica. esses grupos vêm se organizando cada vez mais e passam a exigir das escolas e dos órgãos responsáveis pelas elas o direito ao reconhecimento dos seus saberes e sua incorporação aos currículos. a não efetivação de uma justa reforma agrária. sobretudo. • diversidade e ética. da expansão das monoculturas. as comunidades tradicionais (como os seringueiros). entre outros. raça/etnia. com os outros. têm colaborado para a vulnerabilidade desses e outros grupos. o modo de ser e de interpretar o mundo também é variado e diverso. entre outros fatores. São eles • diversidade biológica e currículo. conservação e uso sustentável da biodiversidade não diz respeito somente ao uso que o homem faz do ambiente externo. histórica e culturalmente construída recebe a mesma interpretação nas diferentes sociedades. é intermediada pelo reconhecimento obtido dos outros em decorrência de sua ação. Estes constroem conhecimentos variados a respeito dos recursos da biodiversidade que nem sempre são considerados pela escola. O nossogrande desafio está em desenvolver uma postura ética de não hierarquizar as diferenças e entender que nenhum grupo humano e social é melhor ou pior do que outro. Tanto a identidade pessoal quanto a identidade social são formadas em diálogo aberto. passaram a ser exploradas e tratadas de forma desigual e discriminatória. É nessa perspectiva que privilegiaremos. Assim como a diversidade. • a luta política pelo direito à diversidade. Por isso. De acordo com Shiva (2003). dos desequilíbrios ecológicos de qualquer parte do sistema. idades. Coloca em risco a capacidade de sustentabilidade proporcionada pela biodiversidade. Elas já acompanham há muito o campo da educação especial. parcialmente interior. políticos. Assim como a diversidade. assim como a redistribuição e a ocupação responsável de terras improdutivas. Jacques d’Adesky (2001) destaca que a identidade. Podemos dizer que o que nos torna mais semelhantes enquanto gênero humano é o fato de todos apresentarmos diferenças: de gênero. Os seres humanos. mas porque afetam a todos nós e colocam em risco a vida da espécie humana e a das demais espécies. Nessa concepção. os processos de formação em serviço desde a educação infantil até o ensino médio e EJA. ao longo do processo histórico e cultural e no contexto das relações de poder estabelecidas entre os diferentes grupos humanos. Do ponto de vista biológico. Ao discutir a diversidade cultural. experiências. Além disso. Algumas considerações sobre a diversidade biológica ou biodiversidade A diversidade pode ser entendida em uma perspectiva biológica e cultural. Entre eles podemos destacar os indígenas. devido a sua história e cultura. A diversidade cultural: algumas reflexões O ser humano se constitui por meio de um processo complexo: somosao mesmo tempo semelhantes (enquanto gênero humano) e muito diferentes (enquanto forma de realização do humano ao longo da história e da cultura). Ou seja. Tal situação afeta toda a espécie humana da qual fazemos parte. Nos últimos anos. da relação deste como um dos componentes dessa diversidade.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Essas indagações poderão orientar os nossos encontros pedagógicos. ela é negociada durante a vida toda dos sujeitos por meio do diálogo. não podemos nos esquecer de pontuar que ela se dá lado a lado com a construção de processos identitários. porém. a variedade de seres vivos e ambientes em conjunto é chamada de diversidade biológica ou biodiversidade. Nem sempre aquilo que julgamos como diferença social. político e cultural. enquanto processo. culturais e sociais estão intimamente embricados. Existem grupos humanos que. enquanto seres vivos. o homem e a mulher participam desse processo enquanto espécie e sujeito sociocultural. Por isso. parcialmente exterior. os remanescentes de quilombos. entendido como algo externo. não é inata. A ideia que um indivíduo faz de si mesmo. • diversidade e organização dos tempos e espaços escolares. Didatismo e Conhecimento 101 A falta de controle e de conhecimento dos fatores de degradação ambiental. entende-se que a natureza é formada por vários tipos de ambientes e cada um deles é ocupado por uma infinidade de seres vivos diferentes que se adaptam ao mesmo. mas. pressupõe uma interação. a diversidade precisa ser entendida em uma perspectiva relacional. Portanto. passam a reivindicar dos governos o reconhecimento e posse das suas terras. orientado pela busca de políticas e estratégias de desenvolvimento alternativo. necessitam ser ampliadas e aprofundadas para compreendermos outras diferenças presentes na escola. de seu “eu”. garantem sua sobrevivência e produzem conhecimentos por meio de uma relação mais direta com o ambiente em que vivem. o avanço tecnológico do qual nos gabamos como seres dotados de razão e capazes de transformar a natureza não tem significado avanço para a própria biodiversidade da qual participamos. Mesmo os animais e plantas pertencentes à mesma espécie apresentam diferenças entre si. para se constituir como realidade. algumas dessas variabilidades do gênero humano receberam leituras estereotipadas e preconceituosas. devemos entender dois aspectos importantes: a) o ser humano enquanto parte da diversidade biológica não pode ser entendido fora do contexto da diversidade cultural. Estas dependem de maneira vital das relações dialógicas com os outros. A discussão acima suscita algumas reflexões: que indagações o debate sobre a diversidade biológica traz para os currículos? A nossa abordagem em sala de aula e os nossos projetos pedagógicos sobre educação ambiental têm explorado a complexidade e os conflitos trazidos pela forma como a sociedade atual se relaciona com a diversidade biológica? Como incorporar a discussão sobre a biodiversidade nas propostas curriculares das escolas e das redes de ensino? Um primeiro passo poderia ser a reflexão sobre a nossa postura diante desse debate enquanto educadores e educadoras e partícipes dessa mesma biodiversidade. para romper com o bioimperialismo o qual impõe monoculturas. Ao contrário.

Então. uma discussão já realizada em outro texto (Gomes. Na realidade. então a escola. mesmo quando pensamos no currículo como uma coisa. 2006). como essa instituição poderá omitir o debate sobre a diversidade? E como os currículos poderiam deixar de discuti-la? Mas o que entendemos por currículo? Segundo Antônio Flávio B. nem sempre a diversidade entendida como a construção histórica. fundamentalmente. ao longo do processo cultural e histórico. os valores e as identidades dos nossos alunos e alunas. cobrando que as mesmas sejam tratadas de forma justa e igualitária. participa do processo de constituição de sujeitos (e sujeitos também muito particulares). raça. Os autores se apoiam em Silva (1999). Nesse sentido. no terreno das desigualdades. além disso. Como nos diz Carlos Rodrigues Brandão (1986)“por diversas vezes. as questões curriculares são marcadas pelas discussões sobre conhecimento. pois. no sentido de que a produção de conhecimento nele envolvida se realiza por meio de uma relação entre pessoas. uma invenção humana que. classe – noções que acabam também nos fixando em posições muito particulares ao longo desses eixos (de autoridade) (Silva. A luta política pelo direito à diversidade Como já foi dito. levando-nos a refletir sobre a tensa e complexa relação entre esta noção e os outros saberes que fazem parte do processo cultural e histórico no qual estamos imersos. sobre os diferentes grupos sociais. das identidades e das diferenças. na realidade. os procedimentos pedagógicos. Retomo. portanto. ao corporificar narrativas particulares sobre o indivíduo e a sociedade. construídas por sujeitos concretos. o currículo não se restringe apenas a ideias e abstrações. Esquecer esse processo de produção – no qual estão envolvidas as relações desiguais de poder entre grupos sociais – significa reificar o conhecimento e reificar o currículo. As reflexões do autor nos sugerem que é preciso ter consciência. A produção do conhecimento. Trabalhar com a diversidade na escola não é um apelo romântico do final do século XX e início do século XXI. verdade. sair do imobilismo e da inércia e cumprir a nossa função pedagógica diante da diversidade: construir práticas pedagógicas que realmente expressem a riqueza das identidades e da diversidade cultural presente na escola e na sociedade. as vivências da infância (principalmente a popular) e a luta das mulheres? São narrativas que fixam os sujeitos e os movimentos sociais em noções estereotipadas ou realizam uma interpretação emancipatória dessas lutas e grupos sociais? Que grupos sociais têm o poder de se representar e quais podem apenas ser representados nos currículos? Que grupos sociais e étnico/raciais têm sido historicamente representados de forma estereotipada e distorcida? Diante das respostas a essas perguntas. sobretudo a pública. Também pode ser considerado um discurso que. corporificam noções particulares sobre conhecimento. O currículo não está envolvido em um simples processo de transmissão de conhecimentos e conteúdos. a luta dos povos da floresta. com maior ou menor ênfase. Moreira e Vera Maria Candau (2006) existem várias concepções de currículo. o que é bom e o que é mau. 102 Didatismo e Conhecimento . o que é certo e o que é errado. as narrativas contidas no currículo. poder e identidade. as narrativas do currículo contam histórias que fixam noções particulares de gênero. Tem a ver com as estratégias por meio das quais os grupos humanos considerados diferentes passaram cada vez mais a destacar politicamente as suas singularidades. só nos resta agir. social e cultural das diferenças implica em um trato igualitário e democrático em relação àqueles considerados diferentes. enquanto docentes. se não se fizesse nada com ela. o movimento indígena. imersos em relações de poder. o que é belo e o que é feio. 1995). Segundo Tomaz Tadeu da Silva (1995) o conhecimento. O currículo pode ser considerado uma atividade produtiva e possui um aspecto político que pode ser visto em dois sentidos: em suas ações (aquilo que fazemos) e em seus efeitos (o que ele nos faz). mas a experiências e práticas concretas. Dessa forma poderemos avançar na superação de concepções românticas sobre a diversidade cultural presentes nas várias práticas pedagógicas e currículos. Muito do que fomos educados a ver e distinguir como diferença é. nas suas práticas faz parte de uma história mais ampla. Elas dizem qual conhecimento é legítimo e qual é ilegítimo. O autor ainda adverte que as narrativas contidas no currículo trazem embutidas noções sobre quais grupos sociais podem representar a si e aos outros e quais grupos sociais podem apenas ser representados ou até mesmo serem totalmente excluídos de qualquer representação. como uma listagem de conteúdos. no seu currículo. Não podemos esquecer que essa sociedade é construída em contextos históricos. ele acaba sendo. quais formas de conhecer são válidas e quais não o são. os grupos humanos tornam o outro diferente para fazê-lo inimigo”. sobretudo nos contextos de colonização e dominação. assim como sua seleção e legitimação. Não se trata apenas de incluir a diversidade como um tema nos currículos. Podemos indagar que histórias as narrativas do currículo têm contado sobre as relações raciais. por exemplo. a cultura e o currículo são produzidos no contexto das relações sociais e de poder. os movimentos do campo. debates sobre os conhecimentos escolares. socioeconômicos e políticos tensos. destacando apenas os seus aspectos de consumo e não de produção. o movimento das pessoas com deficiência. as trajetórias dos jovens da periferia. é a instituição social na qual as diferentes presenças se encontram. ao afirmarem que. a cobrança hoje feita em relação à forma como a escola lida com a diversidade no seu cotidiano. As discussões sobre currículo incorporam. representam os diferentes grupos sociais de forma diferente: enquanto as formas de vida e a cultura de alguns grupos são valorizadas e instituídas como cânone. Estamos. Ora. em resumo. compromissos e ponto de vista teóricos. as quais refletem variados posicionamentos. explícita ou implicitamente. Assim. Sendo assim. quais vozes são autorizadas e quais não o são (Silva. os grupos humanos não passaram a hostilizar e dominar outros grupos simplesmente pelo fato de serem diferentes. marcados por processos de colonização e dominação. foi tomando forma e materialidade. aqui. A perspectiva de currículo acima citada poderá nos ajudar a questionar a noção hegemônica de conhecimento que impera na escola. No processo histórico. Ainda segundo esse autor. mesmo uma lista de conteúdos não teria propriamente existência e sentido. se a diversidade faz parte do acontecer humano. Elas. 1995). aquilo que fazemos com essa coisa. as relações sociais. das marcas da diversidade presentes nas diferentes áreas do conhecimento e no currículo como um todo: ver a diversidade nos processos de produção e de seleção do conhecimento escolar. o que é moral e o que é imoral. Possui um caráter político e histórico e também constitui uma relação social. desmistificando a ideia de inferioridade que paira sobre algumas dessas diferenças socialmente construídas e exigindo que o elogio à diversidade seja mais do que um discurso sobre a variedade do gênero humano.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS para distinguir tanto o sujeito quanto o grupo a que ele pertence dependem do lugar por eles ocupado na sociedade e da relação que mantêm entre si e com os outros. está transpassada pela diversidade. sobre formas de organização da sociedade. as de outros são desvalorizadas e proscritas.

o conhecimento produzido pela comunidade negra ao longo da luta pela superação do racismo. Há uma nova sensibilidade nas escolas públicas. como a diversidade se faz presente? Será que os movimentos sociais conseguem indagar e incorporar mais a diversidade do que a própria escola e a política educacional? Um bom exercício para perceber o caráter indagador da diversidade nos currículos seria analisar as propostas e documentos oficiais com os quais lidamos cotidianamente. Essa situação possibilita o reconhecimento da cultura docente. no plano de aula. homofobia e xenofobia. em uma . nos projetos pedagógicos das escolas. na literatura infanto-juvenil. que trouxeram a luta pelo direito à diversidade como uma indagação ao campo do currículo. articulados ou não em movimentos sociais. racismo. Esse é um movimento que vai além do pedagógico. de movimentos sociais denominados identitários. das propostas políticas pedagógicas das Secretarias de Educação e do MEC? Elas são legitimadas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais? Fazem parte do currículo vivenciado nas escolas e das políticas curriculares? A resposta a essas questões poderá nos ajudar a compreender o lugar ocupado pela diversidade cultural na educação escolar. um dos aspectos significativos desse novo cenário é a percepção de que a escola é um espaço de sociabilidade para onde convergem diferentes experiências socioculturais. entre outros) passam a reivindicar reconhecimento. o papel dos movimentos sociais e culturais nas demandas em prol do respeito à diversidade no currículo. a questão é com que tipo de olhar eles foram e são vistos. Esse contexto coloca um conjunto de problemas e desafios à sociedade como um todo. portanto. não como um dos eixos centrais da orientação curricular. ainda existe muito trabalho a fazer. planejando. Certamente. E é possível que. sobretudo. Os educandos são os sujeitos centrais da ação educativa.um momento de maior consolidação de algumas demandas dos movimentos sociais e da sua luta pelo direito à diferença. No que diz respeito à educação. à política educacional. E foram eles. para a diversidade e suas múltiplas dimensões na vida dos sujeitos. Entretanto. iremos notar que a questão da diversidade aparece. um dos aprendizados trazidos pelo debate sobre o lugar da diversidade e da diferença cultural no Brasil contemporâneo é que a sociedade brasileira passa por um processo de (re)configuração do pacto social a partir da insurgência de atores sociais até então pouco visíveis na cena pública. começa a viver – não sem contradições e conflitos . Ainda segundo Silvério (2006). o conhecimento produzido pela juventude na vivência da sua condição juvenil. em um campo político. interferem na política educacional e na elaboração de leis educacionais e diretrizes curriculares. sobretudo. É entender o impacto subjetivo destes processos na vida dos sujeitos sociais e no cotidiano da escola. quer seja pela ausência deste ou por um reconhecimento considerado inadequado de sua diferença. uma determinada visão dos alunos nas propostas curriculares. na segunda metade do século XX. democrático e aberto à diversidade. a partir da segunda metade do século XX. do trabalho docente fosse conformar todos a esse protótipo único? Os educandos são os sujeitos centrais da ação educativa. nas Secretarias Estaduais e Municipais de Educação. nesses contextos. Podemos ir além: com que olhar foram e são vistos os educandos nas suas diversas identidades e diferenças? Será que ainda continuamos discursando sobre a diversidade. Didatismo e Conhecimento 103 De acordo com Valter Roberto Silvério (2006). por exemplo. do planejamento das ações. algumas diferenças foram naturalizadas e inferiorizadas sendo. o conhecimento produzido pelas mulheres no processo de luta pela igualdade de gênero. a presença da cultura escolar. nos currículos e políticas educacionais. Mais do que múltiplas. É possível perceber alguns avanços na produção teórica educacional.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Por isso. a entrada em cena. imprimem mudanças nos projetos pedagógicos. Mas será que essas ações são iniciativas apenas de grupos de educadores(as) sensíveis diante da diversidade? Ou elas são assumidas como um dos eixos do trabalho das escolas. as quais refletem diversas e divergentes formas de inserção grupal na história do país. como um tema. mas. mas não questiona o lugar que a diversidade de culturas ocupa na escola. sexismo. colocam em xeque a escola uniformizadora que tanto imperou em nosso sistema de ensino. Questionam os currículos. entre outros. Cabe destacar. Para este autor. Tais movimentos indagam a sociedade como um todo e. na produção de material didático alternativo e acessível em consonância às necessidades educacionais especiais dos alunos. O reconhecimento e a realização dessa mudança do olhar sobre o “outro” e sobre nós mesmos a partir das diferenças deve superar o apelo romântico ao diverso e ao diferente e construir políticas e práticas pedagógicas e curriculares nas quais a diversidade é uma dimensão constitutiva do currículo. Há diversos conhecimentos produzidos pela humanidade que ainda estão ausentes nos currículos e na formação dos professores. organizando o currículo como se os alunos fossem um bloco homogêneo e um corpo abstrato? Como se convivêssemos com um protótipo único de aluno? Como se a função da escola. articulados ou não em movimentos sociais. Podemos dizer que a sociedade brasileira. Sensibilidade que vem se traduzindo em ações pedagógicas de transformação do sistema educacional em um sistema inclusivo. mas também e. as culturas diferem entre si. como. que trouxeram a luta pelo direito à diversidade como uma indagação ao campo do currículo. no Ministério da Educação. enquanto sujeitos políticos. apesar dos avanços. É incorporar no currículo. Estamos. a inserção da diversidade nos currículos implica compreender as causas políticas. mas agindo. ou mais precisamente. homossexuais. É perceber como. econômicas e sociais de fenômenos como etnocentrismo. Para tal. tratadas de forma desigual e discriminatória. Que indagações a diversidade traz aos currículos? E nas escolas. no Governo Federal. a demanda por reconhecimento é aquela a partir da qual vários movimentos sociais que têm por fundamento uma identidade cultural (negros. A fim de conseguir alcançar esse objetivo. É urgente incorporar esses conhecimentos que versam sobre a produção histórica das diferenças e das desigualdades para superar tratos escolares românticos sobre a diversidade. do aluno e da comunidade. portanto. provocou transformações significativas na forma como a política pública educacional era concebida durante a primeira metade daquele século. E mais: muitas que temos múltiplas culturas. sim. Falar sobre diversidade e diferença implica posicionarse contra processos de colonização e dominação. todos nós precisaremos passar por um processo de reeducação do olhar. indígenas. porém. nos livros didáticos. entendendo que estes não representam apenas uma determinada visão de conhecimento que pode excluir o “outro” e suas diferenças. todos nós que atuamos e nos ocupamos da escola somos desafiados a rever o ordenamento curricular e as práticas pedagógicas. nos projetos pedagógicos das escolas os saberes produzidos pelas diversas áreas e ciências articulados com os saberes produzidos pelos movimentos sociais e pela comunidade. das relações estabelecidas na escola. E foram eles. aqui.

a qual os educadores sabem que. projetos sociais e experiências lúdicas. Ainda estamos presos à divisão núcleo comum e parte diversificada presente na lei 5692/71. os costumes. localizada em uma região específica. deve ser um elemento presente e indagador do currículo. as características regionais e locais. dos nossos sentidos. da economia e da clientela. encontremos no interior da sala de aula alunos que portam diferentes culturas locais. explorar o potencial criativo. os projetos das escolas expressam esse avanço com contornos e nuances diferentes. Nessa perspectiva curricular. as quais se articulam com as do bairro e região. Podemos indagar como a diversidade é apresentada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB nº 9394/96. sim. Nesse sentido. A incorporação da diversidade no currículo deve ser entendida não como uma ilustração ou modismo. pois coloca essa discussão em um lugar provisório. podem ser compreendidos como a produção da nãoexistência.56). nos dizeres de Boaventura de Sousa Santos (2004). da nossa visão de mundo. suas vivências e práticas. E é neste último que encontramos os ditos conhecimentos historicamente acumulados recontextualizados como conhecimento escolar. porém. uma monocultura do saber que privilegia o saber científico (transposto didaticamente como conteúdo escolar) como único e legítimo. Dez anos se passaram. No entanto. muitas vezes. Os movimentos sociais. mais do que uma multiplicidade de culturas. na igualdade social. marginal. podemos localizar a dicotomia construída nos currículos entre o saber considerado como “comum a todos” e o saber entendido como “diverso”. sim. Rever o nosso paradigma curricular. Ao mesmo tempo. por vezes. O peso da rigidez dessa lei marcou profundamente a organização e a estrutura das escolas. Eles apresentam diferentes formas de ver e conceber o mundo. Nesse mesmo debate. artístico e estético dos alunos e alunas. p. marcadas por singularidades advindas dos processos históricos. culturais. muitas vezes. traz algumas reflexões que podem nos ajudar a indagar a relação entre conhecimento e diversidade no Brasil. mas como um eixo que orienta as experiências e práticas curriculares. certos saberes que não encontram um lugar definido nos currículos oficiais podem ser compreendidos como uma ausência ativa e. Podemos dizer que houve avanço em relação à sensibilidade para com a diversidade incorporada – mesmo que de forma tímida – na Lei. idade e experiência de vida. como vulnerabilidade e liberdade. por uma parte diversificada. com o formato de atividades paralelas. quanto mais o aprendizado do imperativo ético que esse processo nos traz. sociais. desde que eles se orientem a partir de um eixo central por ela colocado: os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base comum nacional que será complementada. deve ser compreendida no campo político e tenso no qual as diferenças são produzidas. Um direito garantido a todos e não somente àqueles que são considerados diferentes. Por isso. Não podemos afirmar que esses saberes são totalmente inexistentes na realidade escolar. em cada sistema de ensino e em cada escola. no contexto da diversidade cultural e esta. na educação brasileira. é importante destacar que ele não é suficiente. no que se refere ao seu número. deve ser vista como um direito. portanto. a cultura. mesmo que reconheçamos a importância desse fôlego dado à diversidade nos documentos oficiais. a corporeidade. a discussão sobre a relação ou distinção entre conhecimento e saber . A cultura não deve ser vista como um tema e nem como disciplina. também. segundo a lei. a sua presença enquanto construção histórica. Vivemos. os educadores e as educadoras conseguem ousar. sobretudo. Esta última. a LDB confere liberdade de organização aos sistemas de ensino. Nessa concepção. políticos e também culturais por meio dos quais são construídas. que atenda uma determinada comunidade. diferem-se em gênero. ocupa um lugar menor do que o núcleo comum. O lugar não hegemônico ocupado pelas questões sociais. transversal e.é colocada pela autora no contexto de um debate epistemológico e político. hierarquicamente. podemos notar uma situação semelhante quando refletimos sobre o lugar ocupado pelos saberes construídos pelos movimentos sociais e pelos setores populares na escola brasileira. encontramse estereotipados e presentes no chamado “currículo oculto” e. Diversidade e conhecimento – A antropóloga Paula Meneses (2005). a reflexão das ciências sociais. é exigida pelas características regionais e locais da sociedade. podemos dizer que há. na igualdade de oportunidades e no exercício de uma prática e postura democráticas. Antes. tende a reduzir a diversidade cultural à diversidade regional e não dialoga com os sujeitos. possuem valores diferenciados. Em outros momentos. Conviver com a diferença (e com os diferentes) é construir relações que se pautem no respeito. nesse sentido. as políticas educacionais. É nesta parte que. É dela que herdamos. Alguns aspectos específicos do currículo indagados pela diversidade. por mais que possamos negar. realizar trabalhos mais próximos da comunidade. a forma fragmentada de como o conhecimento escolar e o currículo ainda são tratados e a persistente associação entre educação escolar e preparo para o mercado de trabalho. muitas vezes. vivemos no contexto das diferentes culturas. Inspirados em Boaventura de Sousa Santos (2004). Esse movimento de mudança sugere a necessidade de aprofundar mais sobre a diversidade nos currículos. variedade ou “pluralidade”. mas. regionais e políticas que compõem a “parte diversificada” dos currículos pode ser visto. culturais e geográficas que dizem respeito à realidade africana abordada pela autora acima citada. a sexualidade são “partes que diversificam o currículo” e não “núcleos”. Essa autora discute que o saber científico se impôs como forma dominante de conhecimento sobre os outros conhecimentos produzidos pelas diferentes sociedades e povos africanos. cultural e social que marca a trajetória humana. intencionalmente produzida. Elas podem até mesmo trazer certa diversificação.e que tem servido aos interesses dos grupos sócio raciais hegemônicos . um novo brilho. entendida como a orientação legal para a construção das diretrizes curriculares nacionais dela advindas. ao analisar o caso da universidade em Moçambique e a produção de saberes realizada pelos países que se encontram fora do eixo do Ocidente. Guardadas as devidas especificidades históricas. Segundo Arroyo (2006. as artes. No seu artigo 26. existem focos de resistência que sempre lutaram contra a hegemonia de certos conteúdos escolares previamente selecionados e o apogeu da ciência moderna na escola Didatismo e Conhecimento 104 . portanto. mas não são consideradas como integrantes do eixo central.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS mesma escola. da cultura. Eles existem. Essa forma de interpretar e lidar com o conhecimento se perpetua na teoria e na prática escolar em todos os níveis de ensino desde a educação infantil até o ensino superior. Ou seja. pertencem a diferentes grupos étnico-raciais. Se a convivência com a diferença já é salutar para a reeducação do nosso olhar. Além disso. a diversidade está presente na parte diversificada. ao mesmo tempo. Reconhecer não apenas a diversidade no seu aspecto regional e local. a visão reducionista dessa lei marcou as décadas de 1970 e 1980 como uma forma hegemônica de pensar e organizar o currículo e as escolas e ainda se faz presente e persistente na visão que muitas escolas têm do seu papel social e na visão que docentes e administradores têm de sua função profissional.

Segundo Marilena Chauí (1998). nossas práticas em sala de aula. 2006). Este nem sempre tem sido considerado enquanto tal pelo próprio campo educacional. Estas extrapolam o nível interpessoal e intersubjetivo. os movimentos sociais conquanto sujeitos políticos podem ser vistos como produtores de saber. Construímos relações que podem ou não se pautar no respeito às diferenças. educação inclusiva. Eles questionam não só o currículo que se efetiva nas escolas como. os procedimentos e instrumentos que usamos para avaliar os alunos e a forma como os conhecimentos são aprendidos e apreendidos. Nesse percurso construímos as nossas identidades. educação ambiental. Será que nos relacionamos com os “outros” presentes na escola. faz-se necessário retomar a concepção de diversidade que orienta a reflexão presente nesse texto: a diversidade é entendida como a construção histórica. podemos dizer que a relação entre currículo e conhecimento nos convida a um exercício epistemológico e pedagógico de tornar os saberes produzidos pelos movimentos sociais e pela comunidade em “emergências”. a relação entre ética e diversidade ainda é pouco explorada nas discussões sobre o currículo. revisão de propostas curriculares e dos processos de formação de professores. Por isso se transforma para responder a exigências novas da sociedade e da cultura. Diversidade e ética – além de indagar a relação currículo e conhecimento. Estes já conseguiram algumas vitórias satisfatórias. Essas e outras indagações que podemos fazer ao conhecimento e sua presença no currículo são colocadas principalmente pelos movimentos sociais e pelos sujeitos em movimento. educação e diversidade étnico-racial. A luta travada em torno da educação do campo. sobre aquilo que prejulgamos ou outras situações do cotidiano”. política e pedagógica. representações e valores sobre nós mesmos e sobre os “outros”. Marilena Chauí (1998) ainda esclarece que embora toda ética seja universal do ponto de vista da sociedade que a institui (universal porque os seus valores são obrigatórios para todos os seus membros). o ethos. a ética exprime a maneira como a cultura e a sociedade definem para si mesmas o que julgam ser a violência e o crime.. a ética é referência para que a escolha do sujeito seja aceita como um princípio geral que respeite e proteja o ser humano no mundo. educação indígena. pois somos seres históricos e culturais e nossa ação se desenrola no tempo. como costume. educação do campo. mas de abolir o equivoco histórico da escola e da educação de ter como foco prioritariamente os “conteúdos” e não os sujeitos do processo educativo.os como sujeitos sociais e de direitos? O reconhecimento do aluno e do professor como sujeitos de direitos é também compreendê. mas de abolir o equivoco histórico da escola e da educação de ter como foco prioritariamente os “conteúdos” e não os sujeitos do processo educativo. cultural e Didatismo e Conhecimento 105 . O não reconhecimento dos saberes e das práticas sociais no currículo tem resultado no desperdício da experiência social dos(as) educandos(as). Também tem indagado a relação entre conhecimento escolar e o conhecimento produzido pelos movimentos sociais.los como sujeitos éticos. Ainda inspirados em Boaventura de Sousa Santos (2006).não sem conflitos . por vezes. também. A consideração destes e de outros saberes trará novos elementos não só para as análises dos movimentos sociais e seus processos de produção do conhecimento como também para a discussão sobre a reorientação curricular.) refletir sobre nossas ações cotidianas na escola. Tal processo vem ocorrendo.em algumas escolas públicas e em propostas pedagógicas da educação básica. Isso nos impele. do ponto de vista dos valores. adolescência. considerando. social. Estas propostas e projetos têm se realizado . Discutir a diversidade no campo da ética significa rever posturas. No entanto. representações e preconceitos que permeiam a relação estabelecida com os alunos. como contrapartida. Segundo Amauri Carlos Ferreira (2006). a educação dos negros e a educação do campo. ao expressar a sua natureza reflexiva na sistematização das normas. tem sido colocada no campo das “ausências” resultando no “desperdício da experiência social e educativa”. articula-se às escolhas que o sujeito faz ao longo da vida. Tomaremos como exemplo dessas práticas a educação de pessoas com deficiência. Por realizar-se como relação intersubjetiva e social a ética não é alheia ou indiferente às condições históricas e políticas. Um bom caminho para repensar as propostas curriculares para infância. educação para a diversidade. enquanto educadores a“(. No que se refere à educação de pessoas com deficiência. sobre a linguagem que utilizamos. o mal e o vício e. das pessoas com deficiência tem desencadeado mudanças na legislação e na política educacional. o que consideram ser o bem e a virtude. A ética fundamenta a moral. dos(as) educadores(as) e da comunidade nas propostas educacionais (Santos. do negro. pois são construídas nas relações sociais. juventude e vida adulta poderá ser uma orientação que tenha como foco os sujeitos da educação. assumir a diversidade no currículo implica compreender o nosso caminhar no processo de formação humana que se realiza em um contexto histórico. ela está em relação com o tempo e a história. São experiências de gestão democrática. cultural e político. a comunidade e demais profissionais da escola. Essa é mais uma indagação que podemos fazer aos currículos. uma vez que a sua importância social. econômicas e culturais da ação moral. Nesse sentido. Não se trata de negar a importância do conhecimento escolar. 2006). Como se pode notar. A relação entre ética e diversidade nos coloca diante de práticas e políticas voltadas para o respeito às diferenças e para a superação dos preconceitos e discriminações. (Fernandes e Freitas. indígena. das comunidades remanescentes de quilombos. nas propostas mais progressistas de educação escolar tais como: educação do campo. sobretudo. A grande questão é: como o conhecimento escolar poderá contribuir para o pleno desenvolvimento humano dos sujeitos? Não se trata de negar a importância do conhecimento escolar. educação quilombola etc. valores.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS brasileira. educação ambiental e EJA. Nessa perspectiva.. algumas indagações podem ser feitas: como vemos o debate sobre a inclusão das crianças com deficiência na escola regular comum? As escolas regulares comuns introduzem no seu currículo a necessidade de uma postura ética em relação a essas crianças? Enxergamos essas crianças na sua potencialidade humana e criadora ou nos apegamos à particularidade da “deficiência” que elas apresentam? Esse debate faz parte dos processos de formação inicial e em serviço? Buscamos conhecer as experiências significativas realizadas na perspectiva da educação inclusiva? Nesse momento. A diversidade coloca em xeque os processos tradicionais de avaliação escolar. a discussão sobre a diversidade permite-nos avançar em outro ponto do debate: a indagação sobre diversidade e ética.

Entendendo que a questão racial permeia toda a história social. valores. A construção das diferenças ultrapassa as características biológicas. os processos de avaliação e todo o processo ensino. conferências e produção de material didático voltado para a temática. Propostas de educação inclusiva acontecem nas redes de educação e nas escolas. de sociedade e de ser humano acumulados pelos coletivos diversos. alguns avanços foram conseguidos. a cultura escolar não imune à construção histórica. realizando intervenções sistemáticas no interior do Estado. Nesse sentido. Além da SEPPIR. os currículos. a desigualdade racial? De forma semelhante podemos indagar: e os alunos brancos. sobre o fenômeno da repetência. Ricas experiências têm sido desenvolvidas em vários estados e municípios. podemos dizer que a resposta a essas questões passa por uma ruptura política e epistemológica. São políticas e propostas orientadas por concepções mais democráticas de educação. Como a escola lida com a cultura negra e com as demandas do Movimento Negro? Garantir uma educação de qualidade para todos significa. a exclusão sistemática. das práticas discriminatórias e da lenta implementação da igualdade de oportunidades em nossa sociedade. No entanto. universidades. interessa reconhecê. a discriminação com relação às variações linguísticas. enquanto uma diferença que se faz presente nos mais diversos grupos humanos. os rituais de enturmação. E epistemológico na medida em que realizarmos uma crítica à racionalidade ocidental. Didatismo e Conhecimento 106 A educação dos negros é outro campo político e pedagógico que nos ajuda a avançar na relação entre ética e diversidade e traz mais indagações ao currículo. Um deles é a criação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR). Esta secretaria. o debate sobre a inclusão de crianças com deficiência revela que não basta apenas a inclusão física dessas crianças na escola. Isso nos leva a indagar em que medida os currículos escolares expressam uma visão restrita de conhecimento. com apoio ou não das universidades e secretarias estaduais e municipais. interpretações da realidade. Do ponto de vista político.aprendizagem. observáveis a olho nu. o racismo. de abrangência nacional. da organização da escola (seus tempos e espaços) e do currículo escolar para que a educação inclusiva cumpra o seu objetivo educativo. esse também é tenso. cultural e social da diversidade e das diferenças. Não será suficiente incluir as crianças com deficiência na escola regular comum se também não realizarmos um processo de reeducação do olhar e das práticas a fim de superar os estereótipos que pairam sobre esses sujeitos. A construção do olhar sobre as pessoas com deficiências ultrapassa as características biológicas. das pessoas com deficiência indaga a escola. É nesse campo complexo que se encontram as propostas de educação inclusiva. E mais: compreender as discussões e práticas em torno dessa diferença como mais um desafio na garantia do direito à educação e conhecer as várias experiências educacionais inclusivas que vêm sendo realizadas em diferentes estados e municípios. Indaga. a fim de introduzir essa discussão nos currículos. a sua organização. o movimento negro passou a adotar uma postura mais propositiva. Na última década houve vários avanços nas políticas de inclusão. movimentos sociais e ONG’s. foi constituída no interior da Secretaria de Educação Continuada. Carlos Skliar (2004. alunos brancos e índios precisam saber mais sobre a cultura negra. construído no contexto das desigualdades sociais. o movimento negro brasileiro tem feito reivindicações e construído práticas pedagógicas alternativas. as escolas de educação básica estão desafiadas a implementar a lei de nº 10. A inclusão de toda diversidade e. é responsável por várias ações voltadas para a igualdade racial em conjunto com outros ministérios. e propusermos novos rumos para sua superação a fim de alcançarmos uma transformação social. p. de mundo. O debate torna-se necessário não apenas no âmbito das propostas. raciais. secretarias estaduais e municipais.12) questiona: a escola regular tende a produzir mecanismos educativos dentro de um marco de diversidade cultural? Ao refletir sobre a estrutura rígida que ainda impera nas escolas. negros e quilombolas precisam saber mais sobre os povos indígenas? Como faremos para articular todas essas dimensões? Precisaremos de um currículo específico que atenda a cada diferença? Ou essas discussões podem e devem ser incluídas no currículo de uma maneira geral? Caminhando na mesma perspectiva de Boaventura Sousa Santos (2006).las como sujeitos de direitos e compreender como se construiu e se constrói historicamente o olhar social e pedagógico sobre a sua diferença. mas para a escola com um todo. Nessa nova forma de intervenção do Movimento Negro e de intelectuais comprometidos com a luta antirracista. cultural e política brasileira e que afeta a todos nós. entendida como uma forma de pensar que se tornou totalizante e hegemônica. de deficiência e de inclusão.5 Estas experiências têm revelado a eficiência e os benefícios da educação inclusiva não só para os alunos com deficiência. marcado por limites e avanços. Muitas delas estão alicerçadas em preconceitos e discriminações denunciados historicamente por aqueles(as) que atuam no campo da Educação Especial e pelos movimentos sociais que lutam pela garantia dos direitos desses sujeitos. sobretudo. étnicas etc. a sua organização temporal. da postura pedagógica. As práticas significativas de educação inclusiva se propõem a desconstruir o imaginário negativo sobre as diferenças. Alfabetização e Diversidade (SECAD). Como todo processo de luta pelo direito à diferença. É preciso também compreender os dilemas e conflitos entre as perspectivas clínicas e pedagógicas que acompanham a história da Educação Especial. no caso das pessoas com deficiência.639/03. Os teóricos que investigam a inclusão de crianças com deficiência na escola regular comum possuem opiniões diversas sobre o tema e o indagam a partir de diferentes abordagens teóricas e políticas. mas também no âmbito das concepções de diferença. suas histórias. Dessas novas iniciativas.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS social das diferenças. especificamente. no início do terceiro milênio. estamos desafiados a reinventar novas práticas pedagógicas e curriculares e abrir um novo horizonte de possibilidades cartografado por alternativas radicais às que deixaram de o ser. independentemente do nosso pertencimento étnico-racial. a nossa inserção na luta antirracista? Colocamos a discussão sobre a questão racial no currículo no campo da ética ou a entendemos como uma reivindicação dos ditos “diferentes” que só deverá ser feita pelas escolas nas quais o público atendido é de maioria negra? Afinal. a Coordenadoria de Diversidade e Inclusão Educacional que tem realizado publicações. suas potencialidades e vivências. ignorando e até mesmo desprezando outros conhecimentos. Nessa perspectiva. também. Esta lei torna obrigatória a inclusão do ensino da . é permeada de diversas leituras e interpretações. Há também a necessidade de uma mudança de lógica. A educação dos negros é outro campo político e pedagógico que nos ajuda a avançar na relação entre ética e diversidade e traz mais indagações ao currículo. A construção histórica e cultural da deficiência (ou necessidade especial. como ainda nomeiam alguns fóruns).

Pescadores. aos poucos. gerando uma tensão entre tempos escolares e tempos da vida. Diversidade e organização dos tempos e espaços escolares – Um currículo que respeita a diversidade precisa de um espaço/ tempo objetivo para ser concretizado. a diversidade indaga os currículos e as escolas: repensar seu ordenamento temporal como exigência da garantia do direito de todos(as) à educação. O espaço escolar exprime uma determinada concepção e interpretação de sujeito social. No que concerne ao espaço físico da escola. avaliação. Ela é também um espaço sociocultural e imprime marcas profundas no nosso processo de formação humana. Assim como o tempo. Ribeirinhos. como um espaço físico específico e também sociocultural. trabalho e sobrevivência. por meio da Resolução CNE/ CEB n. Segundo Arroyo (2004a). transformar demandas em práticas e políticas educacionais (Arroyo. as escolas da educação básica poderão se orientar a partir de um documento que discute detalhadamente o teor da lei. além disso. e se. jovens e adultos submetidos a tempos da vida tão precários? Serão os(as) educandos(as) que terão que se adequar aos tempos rígidos da escola ou estes terão que ser repensados em função das diversas vivências e controle dos tempos dos(as) educandos(as)? Propostas de escolas e de redes de ensino vêm tentando minorar essas tensões tomando como critério o respeito à diversidade de vivências do tempo dos(as) alunos(as) e da comunidade. Como será a organização dos nossos espaços escolares? Será que o espaço da escola é pensado e ressignificado no sentido de garantir o desenvolvimento de um senso de liberdade. A tendência da escola é flexibilizar a diversidade indaga os currículos e as escolas: repensar seu ordenamento temporal como exigência da garantia do direito de todos(as) à educação. Trata-se de uma alteração da lei nº 9394/96. a escola não é só um espaço/tempo de aprendizagem. bimestres. As pesquisas educacionais mostram que a rigidez desse ordenamento é uma das causas do abandono escolar de coletivos sociais considerados como mais vulneráveis. o Conselho Nacional de Educação aprovou a resolução 01 de 17 de março de 2004.aprendizagem. Esta tensão é maior nos coletivos sociais submetidos a formas de vida e de sobrevivência precarizadas. na qual foram incluídos mais três artigos. os setores populares e os exclui da instituição escolar. o tempo da escola é conflitivo porque é um tempo instituído. A instituição das diretrizes é resultado das lutas e reivindicações dos movimentos sociais e organizações que lutam por uma educação que contemple a diversidade dos povos que vivem no e do campo com suas diversas identidades. A partir desta lei. podemos indagar como a educação escolar tem equacionado a questão do tempo e do espaço escolar. à qual todos(as) alunos e alunas indistintamente têm de adequar seus tempos. que foi durante mais de um século se cristalizando em calendários. Nesse ponto tão nuclear. Sem Terra. trabalho e sobrevivência. reprovação.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS História da África e da Cultura Afro. o Conselho Nacional de Educação aprovou as Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo. repetência. Rever esses ordenamentos temporais é uma exigência ética e política para a garantia do direito à diversidade. Nesse sentido. Como equacionar essas tensões? Que tipo de organização escolar e que ordenamento temporal dos currículos e dos processos de ensinar-aprender serão os mais adequados para garantir a permanência e o direito à educação de crianças. que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações ÉtnicoRaciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira. Nesse sentido. esses avanços políticos têm sido considerados pelo campo do currículo. 01. No entanto. É ainda este autor que nos diz que a compreensão das nuances e dos dilemas da construção do tempo da escola poderá nos ajudar a corrigir os problemas de evasão. O tempo para aprender não é um tempo curto. a organização escolar não pode ser reduzida há um tempo empobrecido de experiências pedagógicas e de vida. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. é importante refletir que ele exprime uma determinada concepção e interpretação de sujeito social. Eles são pensados levando em conta os coletivos diversos? O tempo/espaço escolar leva em conta os educandos com deficiência ou aqueles que dividem o seu tempo entre escola. semestres. tal como já é comemorado pelo movimento negro e por alguns setores da sociedade. entre tempos rígidos do aprender escolar e tempos não controláveis do sobreviver. Por isso. A rigidez e a naturalização da organização dos tempos e espaços escolares entram em conflito com a diversidade de vivências dos tempos e espaços dos alunos e das alunas. Podemos dizer que a escola enquanto instituição social se realiza. Extrativistas e Assalariados Rurais. os quais versam sobre essa obrigatoriedade. pelo currículo que se realiza no cotidiano das escolas e pela ação pedagógica de uma maneira geral. adolescentes. os jovens e adultos trabalhadores da EJA etc? Os currículos incorporam uma organização espacial e temporal do conhecimento e dos processos de ensino. Povos da Floresta. E. rituais de transmissão. Em 2002. Os Movimentos do Campo também têm conseguido. apresentando sugestões de trabalho e de práticas pedagógicas. A partir das reflexões do autor podemos dizer que a relação diversidade-currículo se defronta com um dado a ser equacionado: os(as) educandos(as) são diversos também nas vivências e Didatismo e Conhecimento 107 controle de seus tempos de vida. o espaço da escola também não é neutro e precisa passar por um processo de desnaturalização.Brasileira nos currículos dos estabelecimentos de ensino públicos e particulares da educação básica. há que se indagar como. de 03 de abril de 2002. A organização escolar é ainda bastante rígida. Pequenos Agricultores. Como nos diz Miguel Arroyo (2004a). ao mesmo tempo. níveis. tais como. Entender a lógica institucionalizada do tempo escolar que se impõe sobre os/as alunos/as e professores(as) é fundamental para compreender muitos problemas crônicos da educação escolar. Por isso. a escola é também uma organização temporal. sobretudo. reprovação e repetência que atingem. o currículo pode ser visto como um ordenamento temporal do conhecimento e dos processos de ensinar e aprender. 2004). segmentada e uniforme em nossa tradição. Caldart e Molina. A implementação das leis e das diretrizes acima citadas vem somar às demandas destes e de outros movimentos sociais que se mantêm atentos à luta por uma educação que articule a garantia dos direitos sociais e o respeito à diversidade humana e cultural. É preciso desnaturalizar o nosso olhar sobre o tempo escolar. Ela também acrescenta que o dia 20 de novembro (considerado dia da morte de Zumbi) deverá ser incluído no calendário escolar como dia nacional da consciência negra. Quilombolas. de criatividade e de experimentação? Será que a forma como organizamos o espaço possibilita ao aluno e à aluna interagir . séries.

os critérios do que seja precedente. Parafraseando Boaventura de Sousa Santos. pré. geralmente.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS com o ambiente. ocorre a valorização de um grupo de disciplinas que se inter-relacionam e cujo nível de relações pode ir desde o estabelecimento de processos de comunicação entre si até à integração de conteúdos e conceitos fundamentais que proporcionem uma visão global das situações (influencia­da pelos “olhares” das diferentes disciplinas de base). Além disso. Em consequência. Vários têm sido os contributos do conhecimento produzido e divulgado no campo das Ciências da Educação sobre a importância de procedimentos de articulação curricular. Por outro lado. arranjar sua sala de aula. deixa de existir o parcelamento das disciplinas. jovens e adultos é um desafio para os(as) educadores(as) e uma questão a ser pensada quando reivindicamos uma escola democrática e um currículo que contemple a diversidade. também. por exemplo. mães e dos alunos e alunas. É preciso pensar o tempo como processo. jovens e adultos. adolescentes e jovens? Enquanto espaço sociocultural. calcado na ideia de um percurso único para todos e da produtividade. relações entre si. querendo com isto significar: • no caso da multidisciplinaridade. tais como a vida familiar. Pensar o espaço da escola é considerar que o mesmo será ocupado. numa perspectiva de interligação que permita um encadeamento em espiral de aprofundamento e de complexidade crescente dos conteúdos disciplinares) ou interdisciplinam ente (numa interrelação de conteúdos que pertencem a áreas do saber distintas).adolescência. Por isso. Será que essa tem sido uma preocupação da educação escolar? Será que ao pensarmos a gestão da escola consideramos a organização dos espaços escolares como uma questão relevante? Será que exploramos o conteúdo histórico e político imerso na arquitetura escolar? Compreender a percepção e utilização do espaço pelas crianças. criar tempos mais democráticos de formação docente e dos alunos. o trabalho. mais longos e mais atentos às múltiplas dimensões da formação dos sujeitos. assim como os(as) jovens e adultos(as) trabalhadores(as) lutam por adequar o tempo rígido do trabalho a um tempo mais flexível de educação. O movimento dos(as) trabalhadores(as) da educação e os movimentos sociais vêm lutando por maior controle e alargamento do tempo de escola. a denúncia aos tempos mal remunerados. o tempo escolar poderá ser organizado de maneiras diversas. ao discutir a relação entre diversidade e organização dos tempos e espaços escolares. • no caso da interdisciplinaridade. no decorrer das suas temporalidades humanas. e embora continuando a manter as suas fronteiras de conhecimento. os conteúdos escolares. A Figura 1 traduz esta relação entre disciplinas. os movimentos sociais e organizações da sociedade civil e as manifestações culturais. Dessa forma. Para este último sentido de articulação apontou também George Gusdorf. Nesse processo. a distribuição dos tempos e espaços estarão interligados a um objetivo central: a formação e vivência sociocultural próprias das diferentes temporalidades da vida – infância. quando sustentou Didatismo e Conhecimento . tempos e espaços escolares pressupõe uma nova estrutura de escola que se articula em torno de uma concepção mais ampla de educação. é importante considerar que o questionamento às lógicas e práticas cristalizadas e endurecidas de organização dos tempos/ espaços escolares faz parte das lutas e conquistas da categoria docente que. Neste último caso incluem-se trabalhos que consideram que o currículo deve ter em conta o meio em que se insere a escola e a relação entre a cultura escolar e as culturas de origem dos alunos a quem esse currículo sedes­tina. o tempo escolar será questionado. extenuantes e alienantes. adolescência. Esses mesmos sujeitos. historicamente. da interdisciplinaridade ou da transdisciplinaridade. esta relação entre conteúdos disciplinares pode ocorrer intradisciplinam ente (dentro da mesma área do saber. no mesmo nível hierárquico. os instrumentos tradicionais da avaliação escolar e a própria concepção de avaliação que ainda imperam na escola também serão indagados. adolescentes. pressupõe-se uma organização em que diversas disciplinas que se situam. é de realçar os que elegem como argumentos questões focadas na relação entre conteúdos disciplinares e os que o fazem focando questões culturais. Finalizando. alterar a lógica e a utilização do espaço escolar e garantir uma justa remuneração aos educadores e educadoras. • no caso da transdisciplinaridade. reorganizar o coletivo dos(as) professores(as). movimentar-se com tranquilidade e autonomia? Ou o espaço entra como um elemento de condicionamento e redução cultural de nossas crianças. A articulação entre currículo. adolescentes. por exemplo. Entre eles. fracasso/ sucesso serão redefinidos a fim de garantir aos alunos e às alunas o direito a uma educação que respeite a diversidade cultural e os sujeitos nas suas temporalidades humanas. do que seja reprovável/aprovável. em fluxos mais flexíveis. alterá-la esteticamente. 1977). pontualmente. interagem com o espaço e com o tempo de forma diferenciada. Só assim os(as) alunos(as) serão realmente considerados A avaliação poderá ser realizada de forma mais coletiva e com o objetivo de acompanhamento do processo de construção do conhecimento dos(as) aluno(as) nas suas múltiplas dimensões humanas e não como instrumento punitivo ou como forma de “medir o desempenho escolar”. Portanto. este tipo de organização corresponde ao grau máximo de coordenação entre as disciplinas e interdisciplinas e é apontada como facilitadora da interpretação e compreensão das realidades na sua extensão e complexidade. Para construir uma nova forma de organização dos tempos teremos que superar a ideia de um tempo linear. como. na década de 70 (Gusdorf. apropriado e alterado por sujeitos sociais concretos: crianças. fatalmente. no tempo da escola estão em jogo direitos dos profissionais da educação. podemos dizer que estamos diante de questões fortes que indagam o currículo das nossas escolas e por isso exigem respostas igualmente fortes e ágeis. A avaliação poderá ser realizada de forma mais coletiva e com o objetivo de acompanhamento do processo de construção do conhecimento dos(as) aluno(as) 108 nas suas múltiplas dimensões humanas e não como instrumento punitivo ou como forma de “medir o desempenho escolar”. vem apontando para a necessidade de uma redefinição e organização da escola a qual inclui. A construção de uma escola democrática implica em repensar as estruturas e o funcionamento dos sistemas de ensino como um todo. autoritários. embora se tenham por base os seus conheci­mentos. como construção histórica e cultural. entendida como pleno desenvolvimento dos(as) educandos (as). Os que concebem a articulação curricular enquanto meio de estabelecimento de relação entre disciplinas e os seus conteúdos apontam-na no sentido da multidisciplinaridade. organizado em etapas em ascensão. dos pais. como. a escola participa dos processos de socialização e possibilita a construção de redes de sociabilidade a partir da inter-relação entre as experiências escolares e aquelas que construímos em outros espaços sociais. juventude e vida adulta. Ao discutirmos sobre o espaço. estabelecem.

filósofo e artista (Gusdorf. a propósito das alterações que têm ocorrido na relação das instituições universitárias com a sociedade. 2008). se organize de modo a tomar-se mais rigoroso porque tem em conta os alunos concretos e estabelece relações com as situações reais recorrendo a procedimentos reflexivos que o fazem mais rico. Leite. quando existem condições para ocorrer um “conflito sociocognitivo” (Piaget. portanto. bem como métodos e dispositivos de pensa­mento comuns capazes de produzir e reproduzir esses saberes”. os currículos escolares continuam a privilegiar uma organização fundada nas disciplinas apoiada numa docência também ela fortemente disciplinar. E é tendo por referência esta situação que Alice Casimiro Lopes. Na verdade. interativo” (Santos 2004). a este propósito. Reconhecendo que a estruturação de um currículo em tomo de disciplinas facilita a organização escolar. mais perdem o contato com are­alidade humana. de um modo geral. Veiculando uma visão humanista que apontava para a formação do “homem integral”. e transpondo a sua ideia para o que está em foco neste texto. sem ser no quadro de um processo político e social. Ora. propõe o recurso a projetos pedagógicos contra hegemônicos que estimulem uma atitude crítica e criativa do conhecimento e criem condições para refletir os entraves da estrutura curricular. no entanto. O conhecimento produzido sobre a aprendizagem tem-nos também dito que esta tem mais probabilidades de ocorrer quando se torna significativa. Ameu ver. qualquer que seja a disciplina de onde provenha o saber considerado necessário. Neste entendimento. a articulação é concebida como o estabelecimento de relações entre a cultura escolar e as culturas de origem dos alunos e como meio indutor de processos de construção do conhecimentos que envolvem diferentes pontos de vista que. sábio. quer pelo tipo de interação que é proporcionada (interação entre sujeitos). aos alunos) trazer ao domínio da consciência o que sabem para interpretar essa situação. quer pelo reconhecimento e importância atribuídos às culturas de origem de cada um dos alunos que constituem a população escolar. O reconhecimento da importância de projetos que promovam articulações com o local é também realçado pelos educadores que. conhecimentos esses que ganham novos sentidos quando se envolvem na leitura e na interpretação conjunta de um mesmo fenómeno ou situação. de um “conhecimento politicamente estruturado” (Goodson. 1999. Dito por outras palavras. isto é. elegendo como objetivo a configuração e a vivência de um currículo que positivamente responda à multiculturalidade propõem processos que ultrapassem os limites estruturais dos espaços físicos da instituição escolar e permitam a construção de um conhecimento contextualizado. nesta linha. portanto. mas sim “as disciplinas como construções sociais que atendem a determinadas finalidades” e que “reúnem sujeitosem determinados territórios”(Lopes. em artigo que reflete razões por que somos tão disciplinares e por que nos organizamos disciplinarmente. E. transdisciplinar. 1977). segundo as ideias até aqui sistematizadas. 1977. sendo-lhe atribuídas razões que passam pela facilidade organizativa e de relação direta entre a formação inicial dos professores e a dos alunos a formar. o que justifica a necessidade de se encontrar outras formas de aceder ao conhecimento. este autor foi buscar as suas raízes do conhecimento integrado à Grécia antiga. é tendo também por referência esta perspectiva que cada vez mais tem sido reconhecida a importância de equipas multidisciplinares que. entendida como “conjuntos de saberes. é necessário que o currículo. desafiando os limites dos ambientes escolares existentes. e que esta é a tradição de muitos dos sistemas educativos. afirma que “isso acontece porque não está em foco o sentido epistemológico de disciplina”. possível entender o currículo Didatismo e Conhecimento . ao interagirem. através de uma “pedagogia da totalidade”. a articulação entre conteúdos e a articulação curricular justificar-se-iam . 2002). mas também de atribuição de sentidos às situações vivi­das. Sisto. em entrevista à Revista em Educação. contextualizado. este tem sido um aspeto que tem justificado a organização de muitos dos sistemas escolares atuais. as vozes que reclamam a necessidade de se romper com o acantonamento das disciplinas na lógica da multidisciplinaridade. 1997) que nos faça estabelecer interações com o que nos é próximo e familiar. isto é. numa perspectiva pós-moderna. por razões de acesso a modos de apropriação de conhecimentos. e quando existe uma relação entre o “novo” (o conhecimento a adquirir) e o conhecimento que possuímos. Santos (2004). Afirmou na altura que quanto mais as disciplinas se desenvolvem. é esta condição que justifica um trabalho de equipa entre professores de diferentes disciplinas na construção e desenvolvimento de projetos curriculares. não se justifica o desenvolvimento de um currículo que não tenha em conta a diversidade de experiências de situações vividas pelos alunos a quem se quer ensinar e a quem se deseja oferecer condições para aprender. estudou as raízes epistemológicas dessas disciplinas para compreendê-las. várias têm sido. proporcionam releituras e reinterpretações do mesmo fenómeno ou situação (Stoer e Cortesão. tem sido reconhecida a influência da componente social na aprendizagem. 109 Também Goodson. favorecem leituras e interpretações mais rigorosas das situações do que se elas ocorrerem baseadas apenas em conhecimentos monodisciplinares. Em síntese. e convocando Doll (2002). afirma que a análise do histórico de uma série de disciplinas no currículo escolar mostrou que «havia uma política governando as disciplinas» não sendo. lembra a necessidade de se passar da produção do conhecimento convencional que lhe era reconhecido para a produção de um “conhecimento pluriuniversitário. Acredita-se que o cruzamento de saberes e de opiniões diversas. quando permite atribuir sentidos às situações com que convivemos. Nesta orientação. Nesta perspectiva. aponta para a importância de se recorrer a processos de construção do conheci­mento que envolva distintos pontos de vista e distintas áreas de saber.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS a importância de se trabalhar na lógica de relações entre as disciplinas. 2007). Doll (2002). No entanto. considera-se que a aprendizagem é favorecida quando existe uma relação entre conteúdos que promove uma leitura das situações reais o mais próxima possível dessa realidade e quando se recorre a pontos de partida que permitem a quem está a aprender (e. ou seja. com a especificidade de cada um dos seus membros. na base da qual contestou a hiperespecialização por se afastar da formação simultânea de um homem culto. Aliada a esta justificação. Ou seja. enquanto característica de um grupo pode contribuir para superar leituras frágeis e superficiais das situações.

constituindo uma resposta às limitações do ensino tradicional..] o objetivo não será a variedade. aproveitar os meios disponíveis. não se fique limitado ao que são as experiências de partida dos alunos e aos conhecimentos locais. esta atitude exige aos professores uma forte relação com os locais e uma atenção acrescida aos modos de trabalho pedagógico. Zabala eAmau (2010. contestando a utilidade das competências em educação. revisar as práticas que dificultam esses objetivos. entre outras. o que é importante é prever e concretizar momentos de articulação curricular que dê sentido e utilidade social ao que se aprende. Na continuidade deste raciocínio. características de uma orientação clássica onde apenas têm lugar os alunos socializados com a cultura escolar. etc. mas a utilização apropriada de estratégias e métodos coerentes com o conhecimento disponível sobre como são produzidas as aprendizagens. a concepção de currículo que se orienta por esta intenção não significa “abandonar os conteúdos valorizados.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Também Apple e Beane (2000). mas. as situações reais inerentes a um problema a resolver ou uma situação na qual se pretende intervir. não se restringindo a uma unidade didática.. Alerta ainda este autor para que. Como pode ser delineada e concretizada a articulação curricular nos projetos curriculares? A atribuição à educação escolar do objetivo de participar na criação de condições que promovam a equidade e a justiça social (Conne. que lhe seja interessante e o desafie a responder a questões que não separem os conteúdos em compartimentos tratados como estanques. propõe. deixando de ter significado por si sós. nesta ruptura de muros relacionais que a separam das comunidades. Dizem estes autores: Uma escola que pretenda ensinar competência para responder a problemas da vida deve realizar uma análise que determine com rigor quais são as competências alcançáveis. afirmando que é necessário “considerar a vida quotidiana e os recursos do meio ambiente para relacionar a experiência do sujeito com as aprendizagens escolares sem cair em localismos limitadores” (GimenoSacristán e Pérez Gómez. mas sim questionar a forma como estes poderiam ser reposicionados nos contextos dos temas”. nestes procedimentos de desenvolvimento do currículo. Por isso.. Ao mesmo tempo. Neste sentido. 2011). Segundo Zabala e Arnau (2010). portanto. referem ainda que “os componentes procedimentais das competências (trabalho em equipa. os clássicos ou as novas tecnologias. utilização de instrumentos e recursos disciplinares. formalização segundo os critérios científicos da disciplina e aplicação a outras situ­ações para facilitar a generalização e o domínio dos conceitos e das habilidades aprendidas” (Zabala e Arnau. observação. 1997) implica que se tenha uma atenção acrescida aos fenómenos da diversidade cultural e aos pontos de partida dos alunos que constituem a população escolar. afirmam que “a solução não está em acrescentar novos conteúdos. afirmámos já a importância de ter em conta as experiências de vida dos alunos e de partir dessa experiência e desse conhecimento para o ensino de no­vos conhecimentos. “revisar e ampliar o sentido do que são conteúdos relevantes. 2006). 2011).) recomendam: O professor deverá utiliza r uma metodologia variada com sequências didáticas enfocadas sob o método de projetos. propõe um regresso a “fontes do bom saber e do bom fazer”. isto é. 2010). E é este procedimento que torna as escolas democráticas (Apple e Beane. mas como intenção levar ao reconhecimento dos limites de cada uma delas e. implica a construção de um conhecimento sobre cada situação e um constante revisar dos caminhos delineados. tornar as escolas algo mais que simples locais onde se ‘passa a matéria”’ (GimenoSacristán e Pérez Gómez. De certo modo. e como em outro lugar afirmámos (Leite et al. 2010). E implica que o reconheci­mento dessa situação seja acompanhado por processos de organização e desenvolvimento do currículo que rompam com lógicas etnocêntricas e homogeneizantes. 2010). Estas ideias lembram-nos o que já neste texto sustentam os quando afirmamos que os projetos curriculares devem ter como ponto de partida o que é próximo e familiar aos alunos a quem se destinam. de modo algum. 2010). mas em aplicar as formas de ensino adequadas” (Zabala e Amau. sim.) aprendem-se exercendo as ações correspondentes que as configuram” (Zabala e Arnau. Por isso. Como é evidente. Outra posição a ter em conta é a de GimenoSacristán e Pérez Gómez (2011) quando. na linha dos que atribuem um sentido social ao saber e na defesa de currículos democráticos. sem a pré-determinar. não pondo de parte os contributos das disciplinas. empenhadamente. e como tenho afirmado (Leite. convivendo com análise de casos. pelas especificidades que constituem a vida de cada comunidade e de cada ambiente escolar. pressupõe que a instituição escolar. passam pelo recurso a métodos de enfoque globalizador. Neste caso. Neste sentido. Devo esclarecer que as ideias que aqui estou a sustentar não significam. estas i deias? Neste texto. mas também como recurso que. favorecer situações que recorrem ao contributo das que sejam necessárias para uma melhor compreensão/interpretação do mundo em que vivemos”. 2000). o que pretendo aqui realçar é a importância de procedi­mentos curriculares que permitam apreender a complexidade das situações em análise.. é envolvido na responsabilidade da educação e formação da população que o constitui. esta é também a posição de Zabala (1998) quando se refere aos métodos globalizadores que. aproximando escola e vida. em função das finalidades propostas e das características singulares dos alunos (Zabala e Amau. trata-se de uma concepção que perspectiva como ponto de entrada para a organização curricular não as disciplinas. pretendem que as aprendizagens sejam o mais significativas possível e permitam resolver os problemas de compreensão e de participação nas situações da vida real. cada professor deve seguir na sua área o seguinte esquema: “situação da realidade. aspeto que é facilitado quando interagem contributos de diferentes áreas do saber e que traduzem diferentes leituras. ignorar a importância de saberes disciplina­ res. Ou seja. 110 Na continuação desta posição. de um currículo em que os vários conteúdos estão subordinados a uma ideia central. E para esta concretização. podemos questionar: como concretizar. isto é. pesquisas do meio. tal como outros modelos de articulação curricular. Tal como afirma Beane (2000). e admitindo a importância de processos de articulação Didatismo e Conhecimento . tenha o meio não só como ponto de partida. “tem como ponto de partida as disciplinas. não somente as desejáveis. 2002). por processos que partam de uma situação próxima da realidade do aluno. proposição de questões. e fixar critérios precisos que permitam o estabelecimento de pautas para a seleção e priorização dos conteúdos de ensino. torná-los atrativos para os estudantes. apontam no sentido de uma articulação na lógica de um currículo integrado. do ponto de vista estratégico. a interdisciplinaridade. e com intervenções expositivas convencionais [. É o que Canário (2005) propõe quando se refere à criação e valorização de elos entre a escola e a comunidade. Em síntese. para melhorar a cultura que se dissemina no sistema educacional. a um problema ou a uma situação que se pretende compreender.. e isto pelas condições de base que criam para que cada aluno faça novas aprendizagens socialmente reconhecidas como relevantes. este procedimento. a organização e o desenvolvimento do currículo em tomo de competências.

Sendo. Isto significa resgatar a escola como espaço público. o projeto político pedagógico. Nessa perspectiva. 111 12 CONSTRUÇÃO DA PROPOSTA PEDAGÓGICA DA ESCOLA: PRESSUPOSTOS E ESTRATÉGIAS. cultural. nas seguintes dimensões: definição e estabelecimento de relações entre conteúdos das disciplinas que constituem os diferentes níveis de ensino. Para VEIGA. na busca de alternativas viáveis à efetivação de sua intencionalidade. igualmente muito importante. O projeto pedagógico não é uma peça burocrática e sim um instrumento de gestão e de compromisso político e pedagógico coletivo. A principio. onde todos os educadores possam pensar. condições de trabalho e remuneração docente. refletir e avaliar o processo de construção do conhecimento. que inclui a ampla participação dos representantes dos diferentes segmentos da escola nas decisões/ações administrativo-pedagógicas ali desenvolvidas. questionar e compartilhar saberes. Já. que não deve ser tratado de forma dogmática e esvaziada de significado. E. se propiciar situações que permitam que os professores. Onde há lugar para transformações. O Projeto Político Pedagógico (PPP) é construído e vivenciado por todos os envolvidos com o processo educativo da escola. definição de pontos de contato entre projetos que permitam realizar aprendizagens cognitivas e desenvolver competências de intervenção nas situações com que se convive. porque articula o compromisso sócio-político aos interesses da comunidade. deve alicerçar o conceito de autonomia. discutir. curricular e pedagógica.. (1998). há sete elementos básicos que podem ser apontados. pois reside na possibilidade de se efetivar a intenção escolar: a formação do cidadão. visa uma nova organização no trabalho pedagógico com participação da comunidade. A Escola torna-se um ambiente desafiador que provoca o questionamento. Entretanto. Ambas as dimensões relacionam-se reciprocamente. Nesse sentido. considera-se o PPP como um processo permanente de reflexão e discussão de problemas escolares. executar e avaliar o seu próprio trabalho. É uma ação intencional e um compromisso definido coletivamente. que inclui o trabalho do professor na dinâmica interna da sala de aula. buscando eliminar as relações competitivas. A primeira é política. que é tida como espaço social marcado pela manifestação de práticas contraditórias (luta e/ou acomodação) de todos os envolvidos. associando-o com o contexto social. valorização das experiências de vida e dos quotidianos diversificados. envolvimento das famílias na responsabilização pelo ato de educar e formar as suas crianças e jovens.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS organizacional. onde numa atitude dialógica se constroem conhecimentos. Projeto Político Pedagógico: discutindo conceitos A abordagem do PPP fundamenta-se em alguns princípios que norteiam a escola democrática. quer dos que trabalham com os mesmos alunos. é preciso entender que o projeto político pedagógico da escola dará indicações necessárias à organização do trabalho pedagógico. Pelo caráter democrático. realização e avaliação de seu projeto educativo. mas sim para ser usado como referência para as lutas da escola. “qualidade” de ensino para todos. A principal possibilidade de construção do projeto políticopedagógico passa pela relativa autonomia da escola. a escola deve ter autonomia e se basear em um referencial que tenha uma teoria pedagógica compromissada em solucionar problemas educativos e de ensino. “autonomia” de atuação. do diálogo. colaboração e criatividade. o qual se relaciona a duas dimensões. preocupa-se em instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico que supere os conflitos. E. e. visto que sua sistematização nunca é definitiva e deve ser produto de um processo de planejamento participativo. lugar de debate. para que se possa construir o PPP. conhecimento dos contextos em que se situa cada escola. Uma escola autônoma. pelo menos. realização de atividades entre a es­cola e a comunidade. A escola é o lugar da concepção. para que o PPP seja possível deve- Didatismo e Conhecimento . tudo isto recorrendo a procedimentos democraticamente contratualizados em contratos didáticos. a reflexão e a criação de alternativas e soluções. É importante ressaltar que o projeto político pedagógico é inconcluso. fundado na reflexão coletiva. quer ainda dos que fazem parte da mesma comunidade educativa. a “valorização do magistério” que objetiva a formação inicial e a continuada. podendo ser: constitucional. política e social. corporativas e autoritárias. (FREITAS et al. propiciando a vivência democrática necessária para a participação de todos os membros da comunidade escolar e o exercício da cidadania. 2004). a equipe escolar e os funcionários aprendam a pensar e a realizar o fazer pedagógico de modo coerente. pública e gratuita: “igualdade” de condições para acesso e permanência na escola. sendo norteada por referenciais ditados pelo sistema de ensino. portanto. Assim. uma vez que organiza seu trabalho pedagógico baseando-se em sua realidade. a segunda define as ações educativas. tenta instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico em dois níveis: o da escola como um todo e o da sala de aula. Assim. Nesse sentido. Ela é um espaço em que as pessoas possa dialogar. a escola deve assumir o trabalho de reflexão sobre sua finalidade educativa. contradições.(Texto adaptado de Carlinda Leite). ao se constituir em processo democrático. O Projeto Político Pedagógico representa um desafio importante na caminhada de uma escola que busca efetivamente uma educação de qualidade. envolvimento dos alunos nos processos de construção das suas aprendizagens. ele configura a identidade da escola. há que trabalhar. a construção do PPP é a própria organização do trabalho pedagógico da escola. permitindo aos sujeitos que o produzem pensar. duvidar. diminuindo os efeitos fragmentários da divisão do trabalho que reforça as diferenças e hierarquiza os poderes de decisão. É um resumo das condições e funcionamento da escola e ao mesmo tempo um diagnóstico seguido de compromissos aceitos e firmados pela escola consigo mesma – sob o olhar atento do poder público. vivenciam relações e valores em vista da educação integral. o mais importante. a construção desse projeto político pedagógico. Não é feito para ser mandado para alguém ou algum setor. rompendo com a rotina do mando impessoal e racionalizado da burocracia que permeia as relações no interior da escola. cooperação entre docentes quer da mesma área disciplinar. de sua capacidade de delinear sua própria identidade. Portanto. “gestão democrática”. processual e contínuo.

na perspectiva da Ecologia Integral. Logo. E. Este é dinâmico e seu processo envolve. Conceitual e Operacional. a gestão de recursos humanos. Didatismo e Conhecimento 112 O objetivo do Ato Situacional é apreender o movimento interno da escola. seus polos de poder e seus conflitos. a descentralização do poder. conhecer seus conflitos e contradições. sociais. O como realizar as tarefas configura o Ato Operacional refere-se às atividades a serem assumidas e realizadas para mudar a realidade das escolas. dimensão comunitária e social. formação em valores e virtudes. uma gestão deve considerar as condições concretas presentes na escola. Porém. Envolve três momentos: a descrição e a problematização da realidade escolar.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Em segundo lugar. as dimensões da ecologia pessoal. Em quarto. para se tornar possível. No Ato Conceitual. Identificam-se alguns pressupostos e eixos sustentadores e norteadores do processo ensino . fazer seu diagnóstico e definir onde é prioritário agir. tecnológicos produzidos e deve ser resultante de um processo coletivo de avaliação diagnóstica. incluindo todos os setores necessários ao desenvolvimento do seu trabalho. denominados pela autora de: Ato Situacional. a avaliação do PPP que parte da necessidade de se conhecer a realidade escolar. e vai definindo como as prioridades devem ser trabalhadas. que refere-se à organização do conhecimento escolar. bem como introduzir novas questões e propostas de ações. Em sexto. currículo. relaciona-se com a sua estrutura organizacional: a pedagógica que se referem às interações políticas. processo e produto. dimensão ético-valorativa e transcendente. dessa forma. o aumento do interesse da escola em conhecer melhor sua comunidade. pautados no respeito às diferenças. destacam-se o cultivo do rigor conceitual. • No campo acadêmico. A escola é o lugar de concepção. escola. por último. a administrativa. é durante o início do ano letivo. que estabelecem. Implica a tomada de decisão para atingir os objetivos e as metas definidas coletivamente. além do patrimônio escolar e de como esse se apresenta. O currículo é estruturado em períodos fixos de tempo para cada disciplina. da ecologia ambiental e da ecologia social. após as férias de julho e no encerramento do ano letivo que estes momentos são pensados e previstos pelas escolas. cuja estrutura administrativa. homem. suas mudanças e se esforça para propor alternativas coletivas. tais como: dimensão física e estética. uma vez que necessita organizar seu trabalho pedagógico com base em seus alunos. uma vez que ele retrata o entendimento e o percurso possível trilhado em cada uma das escolas. é possível apontar três movimentos básicos deste processo de construção do PPP. é necessário . questiona-se os pressupostos burocráticos que inviabilizam a formação de cidadãos. visando a um esforço analítico da realidade constatada no Ato Situacional. Os movimentos de acompanhamento e avaliação devem seguir todos os atos. dentro e fora da escola. em especial. avaliar é conhecer a organização do trabalho pedagógico. aprender a fazer. são pontos fundamentais para o avanço democrático e formativo no âmbito das escolas. Por isso. o encontro de alternativas criativas para problemas cristalizados no cotidiano. deve prever meios que estimulem a participação de todos no processo de decisão e. Todavia. povos e pessoas em situação de risco. a avaliação deve favorecer o desenvolvimento da capacidade discente de apropriar-se dos saberes científicos. Entre eles temos: o calendário e o horário escolar. a busca de processos mais democráticos e. A organização temporal do conhecimento é marcada pela segmentação do dia letivo. que assegura a locação. A construção do projeto da escola A construção/reformulação/avaliação do Projeto PolíticoPedagógico necessita de uma ação conjunta. De acordo com Veiga (1998). o Projeto Político Pedagógico visa reorganizar formalmente a escola e dar certa qualidade em todo processo vivido. busca explicar e compreender as causas da existência de problemas. devido ao fato da escola ser uma instituição social que reflete internamente as determinações e contradições da sociedade capitalista. dimensão cognitiva. Em suma. que essa organização do trabalho pedagógico relaciona-se com organização social. o processo de decisão. momento da criação coletiva. o aprender a ser e o aprender a conviver. há necessidade de se instalarem mecanismos institucionais. o empenho na atualização constante dos conhecimentos. educação. e. a compreensão crítica da realidade descrita e problematizada. A avaliação é também responsabilidade coletiva e parte integrante do processo de construção do PPP. Vale acrescentar. De modo geral. a busca de excelência acadêmica em tudo que se faz e se produz. Sua análise estrutural visa identificar quais elementos são valorizados e por quem. as relações de trabalho que devem girar em torno de atitudes solidárias. simultaneamente. vale a pena insistir em um processo em que a escola seja a autora do seu Projeto. a escola discute a sua concepção de educação e sociedade. temos o currículo. a proposição de alternativas de ação. bem como suas relações. não são suficientes. ainda. às questões de ensino-aprendizagem e às curriculares. ensino e aprendizagem. físicos e financeiros. rigoroso e visceral com as situações. realização e avaliação de seu projeto educativo.aprendizagem: • Cuidado com todas as dimensões humanas. e. Em terceiro. o aprender a conhecer. dimensão afetiva. a comunicação horizontal entre os diferentes segmentos envolvidos com o processo educativo. a fim de indagar sobre suas características. sendo uma construção social do saber. o tempo escolar que é um dos elementos constitutivos da organização do trabalho pedagógico. de forma a possibilitar a implementação de decisões coletivas. • Cultura do cuidado. aos grandes desafios do mundo e da sociedade contemporâneos. No entanto. Em quinto. • Materialização da Proposta Educativa na perspectiva dos quatro pilares da educação para o século XXI. recíprocas e de participação coletiva. Geralmente. o aguçamento da crítica e da autocrítica. • Diálogo profundo. de modo a articular. Há uma correlação de forças propiciando a construção de novas formas de relações de trabalho. Todas essas dimensões devem ser expressas e concretizadas nas propostas e projetos pedagógicos. em relação às práticas de gestão e à atuação dos órgãos colegiados. pressupondo a sistematização dos meios para que se efetive. no currículo e nas práticas educativas. visando à participação política dos envolvidos com o processo educativo da escola. a partir da organização de um currículo fundado na solidariedade. Direção escolar e equipe pedagógica devem prever momentos coletivos para este fim. • Opção pela comunicação. A sensibilização à cultura do registro do pensado e vivido pela escola. respondendo. Ao ser avaliada. em igualdade de importância. com espaços abertos à reflexão coletiva que fortaleçam o dialogo. existem vários caminhos para construção do PPP.

é necessário afirmar que é uma atribuição da escola. utilizando-se do princípio da racionalidade. Sobre o enfoque da qualidade negociada na administração do projeto político pedagógico. Para retratar a sua importância. O enfoque de qualidade que se pretende enfatizar na gestão do projeto político pedagógico é o da “qualidade negociada”. ensinar. tendo como princípio e referência ela mesma em um processo de competição com outras com os mesmos objetivos (CHAUI. Outro aspecto que merece ênfase na gestão do projeto político pedagógico é a questão da avaliação. IV. que visa objetivos sociais. como também pelas redes de ensino e pelo poder público. a arte e o saber. Enquanto o planejamento dimensiona o que se vai construir. Entende-se que o enfoque da qualidade negociada abrange uma totalidade de fatores essenciais à vida de uma instituição que se pauta por uma gestão participativa e democrática. na hora atividade dos professores. pesquisar e divulgar a cultura. reuniões de pais. guiados por uma “vontade coletiva”. aos conhecimentos que se quer ensinar.. ênfase de prioridades. mas segue o padrão de partida definido pelo coletivo do sistema educacional da sociedade. por parte do sistema educacional. ele será sempre um ponto de partida. a qualidade é um processo – a qualidade constrói-se. tendo como referência e princípio normativo e valorativo a sociedade em que atua.. Ao construir-se o projeto da escola algumas questões necessitam ser feitas em relação aos sujeitos que se quer formar. porém sem perder a perspectiva de realização de um trabalho de qualidade. Apesar das dificuldades inerentes aos sistemas da sociedade atual. cabe ao Conselho Escolar das instituições aprová-los. usando métodos e técnicas que garantam o alcance deles. É fundamental que o documento descreva os princípios norteadores que estão contemplados na LDB nº 9394/96. reuniões do Conselho Escolar e do Grêmio Estudantil. caso contrário. à sociedade que se quer para viver. sem autoritarismos. liberdade de aprender. apenas para cumprir formalidades burocráticas. para a sua particularidade. mas que tem uma especificidade organizativa. através dos seus órgãos executores (estaduais ou municipais) a incumbência de orientar os estabelecimentos de ensino quanto à elaboração ou reelaboração dos seus Projetos Políticos Pedagógicos. coexistência de instituições públicas e privadas de ensino. 2003). por sua vez. assumindo postura de não neutralidade diante dos distintos caminhos a seguir. Deste ponto de vista. É necessário implementá-lo. A escola como uma instituição social difere de uma organização. as instituições têm uma memória das suas lutas e demandas e são um organismo vivo que reflete sobre sua realidade e seu futuro. seja prolongada. com o desenvolvimento dos seus profissionais. igualdade de condições para acesso e permanência na escola. na forma desta lei e da legislação do sistema de ensino. VIII. gestão democrática do ensino público.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS discuti-lo também. V. como as pessoas. porque na escola há vida e a vida modifica-se continuamente. Em sendo assim. supõe ação. o trabalho e as práticas sociais [. A qualidade negociada assim caracterizada através dos seguintes indicadores: a qualidade tem uma natureza transacional – não é um valor absoluto e não se estabelece a priori. sem ferir o calendário escolar.. respeito a liberdade e apreço a tolerância. (PARO. Sendo assim.. Como instituição social a escola busca a universalidade. observando os referenciais legais. É um documento que necessita de constante avaliação por parte da própria escola. vinculação entre a educação escolar. é uma instituição social que se diferencia de uma organização. Enfim. mas também durante a sua elaboração. a qualidade tem uma natureza participativa – natureza polifônica. no seu Art. reuniões pedagógicas. a qualidade tem uma natureza transformadora – transformar para melhor. III.] A gestão do projeto político-pedagógico Considera-se que a gestão do projeto político pedagógico realiza-se não somente durante o seu acompanhamento. Quanto a sua construção. seja uma decorrência do trabalho cooperativo de todos os envolvidos no processo escolar. O padrão de qualidade de partida deve ser definido não só pela escola internamente. [. 2002). A questão que se coloca é como administrar. pois nunca estará finalizado. a avaliação subsidia essa construção. entendida como uma construção participativa e coletiva.] a avaliação como crítica de percurso é uma ferramenta necessária Didatismo e Conhecimento . o que se pretende é que a escola tenha uma administração participativa. 3º: I. garantia do padrão de qualidade. portanto. XI. VI. uma administração: [. de forma democrática e participativa. Qualidade negociada não significa a ausência de um padrão de qualidade. pode-se utilizar o que diz Luckesi a esse respeito: A avaliação poderia ser compreendida como uma crítica de percurso de ação. 113 A escola. uma cultura que deve ser levada em consideração em um processo de gestão. Construir um projeto pedagógico da escola é mantê-la em constante estado de reflexão e elaboração. o pensamento. Como um coletivo. No entanto. Novos desafios surgem todos os dias e novas demandas são exigidas. seja ela curta. cada escola implementa no seu ritmo e tempo próprios e na dimensão das vontades dos coletivos nela atuantes. a qualidade tem uma natureza contextual e plural – admitem modalidades de realização diferentes.] que. em um contexto de sociedade dominado pelo modelo de produção capitalista. gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais. induz à transformação para melhor dos seus atores (BONDIOLI. valorização do profissional da educação escolar. será um documento de gaveta. sem os constrangimentos da gerência capitalista e da parcelarização desumana do trabalho. porque fundamenta novas decisões. idiossincrasias. cujos pressupostos foram analisados no item anterior desse trabalho e onde fica clara a importância da participação e compromisso do coletivo da escola. X. II. A organização. VII.. em direção ao alcance dos objetivos verdadeiramente educacionais da escola. está voltada para si. pluralismo de ideias e concepções pedagógicas. não há modelos a serem seguidos porque não há escolas idênticas. a escola não define o seu padrão de qualidade dentro das suas limitações e possibilidades. a qualidade tem uma natureza auto reflexiva – reflexão sobre a prática.. entendida como atividade natural humana para alcançar certos fins e objetivos e que se utiliza de forma racional de recursos materiais e humanos (PARO 2002). 2004). que se preocupe com o coletivo. a qualidade tem uma natureza formadora – produz uma cultura. numa esclarecida recorrência às questões relevantes do interesse comum e historicamente requeridas. valorização da experiência extracurricular. assim se posiciona Freitas: O pressuposto deste enfoque é que as instituições também “aprendem”. a escola não pode prescindir da administração. conselhos de classe. IX. Há sim. Cabe aqui ressaltar a fundamental importância do pedagogo escolar na organização do trabalho pedagógico e na viabilização destes momentos.

pais. têm que ser compatíveis com a especificidade organizativa. pelo menos são captadas no processo de seu devir. Justifica-se essa forma positiva de encarar o desafio da gestão escolar na frase de Marx: [. ou seja. Por isso. esses objetivos podem ser alcançados com melhor qualidade quando integrados e articulados aos objetivos administrativos. Considerando que é do interesse da sociedade que seus cidadãos sejam educados. considerando o seu todo pedagógico e administrativo e suas relações externas. assegurando a unidade teórica e metodológica no trabalho didático e pedagógico. na proposta pedagógica que propõe-se ensinar a todos os alunos. porém não administrá-lo adequadamente não leva a lugar algum. mas envolve relações com a família e com a comunidade externa mais ampla. a “coordenação” tem a ver. a eficiência. bem como. 1985). com seus limites e perspectivas. (LUCKESI. o projeto políticopedagógico. realmente.. entendida como aquela que a escola faz de si mesma. Entende-se que uma vez formulado e conhecido o problema a sua solução está posta. a auto avaliação. os seus agentes sociais. portanto. Construir o projeto político pedagógico da escola é fundamental. ou. políticos que podem impulsioná-la para uma gestão eficiente e eficaz. Entretanto. alcançando os seus objetivos especificamente pedagógicos/ educacionais de forma significativa. e construído por várias mãos. com a qualidade que dela esperam os seus alunos. chamo atenção para o fato de que o Projeto PolíticoPedagógico. É necessário que seja o “retrato da escola”. Na grande maioria dos estabelecimentos escolares ainda predomina uma administração de caráter centralizado. com as relações dos homens entre si”. pois é um documento fundamental.. Projeto Político Pedagógico: Gestão Democrática A escola como uma instituição social voltada para a educação do cidadão. A educação inclusiva é hoje o debate mais presente na educação de país. organizando a escola para exercer o importante papel que lhe é próprio: socializar conhecimentos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS ao ser humano no processo de construção dos resultados que planificou produzir. formação continuada) e ao objetivo da escola. isso não elimina a necessidade de se buscar. 2004). 1998). valorizando as diferenças de cada um no processo educacional e na concepção política de construção de sistemas educacionais com escolas abertas para todos. parte de uma concepção de educação aceita pelo coletivo e que deve unir as ações deste na escola. Este é. se chegará à conclusão de que a própria tarefa só aparece onde as condições materiais de sua solução já existem. como bem mostra o trecho abaixo: A peça chave na questão da avaliação institucional é o projeto político pedagógico da escola e suas relações com a gestão escolar.] a humanidade só se propõe as tarefas que pode resolver. A escola não pode pensar a si mesma desconhecendo suas relações com seu entorno. como oportunidade de reflexão para mudanças de direção e caminhos. coletiva. 1995). alunos com necessidades especiais e inserindo os gestores públicos e os profissionais da educação na elaboração de políticas para todos. métodos. A política de inclusão educacional A educação especial envolve um amplo processo de mudanças para a implantação de sistemas educacionais inclusivos. tem como objetivos principais a sua instrução e a sua formação. administrá-la de modo eficiente e eficaz é uma das condições para que cumpra o seu papel. cujos critérios estão voltados à economicidade. assim como o é no redimensionamento da direção da ação. Para que a escola. Quando assim administrada a escola oferece condições para a melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem. norteador para as ações que formam a identidade da escola. e quando se fala em avaliação institucional. alcance os seus objetivos. revertendo as propostas convencionais de criar programas especiais para atender. de forma racional. no interior desse processo. Buscar a eficiência e a eficácia de forma racional através dos recursos materiais e humanos. Neste sentido. reveste-se de uma importância vital para a sua realização. um desafio a ser vencido pela escola e o Projeto Político-Pedagógico ocupa um importante papel nesse processo. Inclui não só a comunidade interna da escola. Fatalmente. que contemplem a diversidade humana. no processo administrativo. (FREITAS et al. não basta que ele simplesmente exista. Quanto à utilização racional de recursos pela gestão da escola. econômicos. fundamentada nos princípios éticos do respeito aos direitos humanos. burocrático e técnico. a escola não atingirá os seus objetivos de forma ótima. afirmar novos . Tem como pressuposto a gestão escolar democrática e participativa e articula seus compromissos em torno à construção do projeto pedagógico da escola. A utilização racional do esforço humano. cujos critérios são os resultados. construído e reconstruído coletivamente. é um dos elementos mais importantes para a gestão democrática. implicando na necessidade de reverter os velhos conceitos de normalidade e padrões de aprendizagem. Didatismo e Conhecimento 114 Assim. e a eficácia. Paro (2002) chama de “coordenação do esforço humano coletivo” ou simplesmente “coordenação”.. não significa aplicar os conceitos da administração empresarial na escola. a unidade na organização do trabalho escolar e a coerência entre o planejado e o executado nas práticas escolares. com os objetivos e fins da instituição escola. (Texto adaptado de Rosária Albertina da Fonseca Costa). é de fundamental importância que a construção e o acompanhamento do projeto político pedagógico estejam alicerçados em uma administração participativa. o processo de democratização da gestão escolar tem se desenvolvido lentamente. se considera mais atentamente. Nunca foram tão discutidos os princípios constitucionais de igualdade de condições de acesso e permanência na escola. Considerado como o eixo central da organização do trabalho na escola. Entretanto. Apesar do reconhecimento legal. (MARX. instruídos e formados. ele deve articular os aspectos administrativos (plano de ação do diretor/ escola e regimento escolar) aos aspectos pedagógicos (currículo. avaliação. Quanto às técnicas de gestão a serem utilizadas. Ainda sobre avaliação. a própria escola possui as suas forças transformadoras. 13 EDUCAÇÃO INCLUSIVA: FUNDAMENTOS LEGAIS E O PAPEL DO PROFESSOR. de forma segregada. O Ministério da Educação do Brasil. o poder de produzir os efeitos esperados (SANDER. em que as decisões sejam democratizadas e que o seu processo de avaliação e revisão seja uma prática coletiva constante. assim Paro (2002) se posiciona: “Enquanto a “racionalização do trabalho” se refere às relações homem/natureza. comunidade e sociedade de forma geral. implementa a política de inclusão educacional. e que esta é a principal função da escola. pois.

É o sistema escolar de um país que tem que se ajustar para satisfazer as necessidades de todas as crianças. intelectuais ou psicomotoras. 2º. e na maximização dos recursos que apóiam ambos os processos de ensino aprendizagem. tem início na faixa etária de zero a seis anos.O atendimento educacional será feito em duas classes. sempre que. É o sistema escolar de um país que tem que se ajustar para satisfazer as necessidades de todas as crianças. III . para os efeitos desta Lei. A escola tem sido marcada em sua organização por critérios seletivos que tem como base a concepção homogeneizadora do ensino. inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo. dever constitucional de Estado. A promoção da inclusão implica na identificação e minimização de barreiras a aprendizagem e participação.58. I .A oferta de educação especial. trabalhando com esses alunos descobrindo suas dificuldades e procurando inseri-los juntos aos outros alunos ditos normais. não são nossos sistemas educacionais que tem o direito a certos tipos de crianças. O enfoque da educação Inclusiva O movimento mundial em direção à sistemas educacionais inclusivos indicam uma nova visão da educação. bem como os recursos destinados a educação de deficientes auditivos. sim. Observamos que a escola necessita se adaptar para acolher os alunos com necessidades especiais educacionais. jovens e adultos têm direito a uma educação de qualidade. como meio primordial de comunicação. O foco deste estudo não é só olhar a realidade dos deficientes e. para atender às peculiaridades da clientela de educação especial. principalmente. Entende-se por Educação Especial. quando necessário. Através de pesquisas. comprovou-se que esta solução não resolve e é frustrante e devastadora para todas as crianças. e aceleração para concluir em menor tempo o programa  escolar para os super dotados. Com o passar do tempo. visando a sua efetivação na vida em sociedade. para atendimento especializado. bem como professores de ensino regular capacitados para a integração desses educando nas classes comuns. métodos. recursos educativos e organização específica. na qual a diversidade deve ser entendida e promovida como elemento enriquecedor da aprendizagem e catalizador do desenvolvimento pessoal e social.terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental. Entretanto. oferecida preferencialmente na Rede Regular de Ensino. Os Sistemas de ensino assegurarão aos educando com necessidades especiais. há muitas dificuldades para se chegar a esse objetivo.acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível de ensino regular. livre de seleção e da consequente classificação de alunos em diferentes tipos de instituições especializados.educação especial para o trabalho. Principais fundamentos da educação inclusiva Partindo dos princípios de: igualdade de oportunidade e de educação para todos é inegável que deve-se ampliar as oportunidades educacionais para uma grande parcela da população em que está inserido o acesso e a permanência a escolarização aos alunos considerados portadores de necessidades especiais. Ao invés disso a escola deve adquirir uma melhor compreensão do contexto educacional onde as dificuldades escolares se manifestam em buscar formas para tornar o currículo mais acessível e significativo.Haverá. em função das condições específicas dos alunos. Didatismo e Conhecimento . escolas ou serviços especializados. IV . Em uma escola inclusiva. mas que haja uma aprendizagem significativa para todos os alunos. 1º. dentro da qual alguns estudantes são rotulados O não reconhecimento da diversidade com o recurso existente na escola e o ciclo constituído pela rotulação. em virtude de suas deficiências. a situação de desvantagem ou deficiência do educando. constatamos que a educação para deficientes auditivos requer uma metodologia por meio da Língua de Sinais-Libras. retirando-os da sala de aula e ministrando-lhes em ensino individual que tecnicamente achavam o mais adequado. A promoção da inclusão implica na identificação e minimização de barreiras à aprendizagem e participação. técnicas. como assina Lindquist. II . Levar sempre em consideração o fato de que as pessoas são diferentes e que. que os profissionais da sala de aula comum precisam se adaptar a essa realidade. na escola regular. o acesso universal e a garantia do direito de todas as crianças.currículos. para atender às suas necessidades. V . então. que recupera seu caráter democrático através da adoção legal. que a inclusão não seja somente física. Durante alguns anos os corpos docentes (escola) da educação especial tentaram dar uma resposta aos alunos com necessidades especiais. então. mediante articulação com os órgãos oficiais afins.professores com especialização adequada em nível médio ou superior.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS valores na escola que contemplem a cidadania. não sendo possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. discriminação e exclusão do estudante. As Leis que regem a Educação Inclusiva Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional no se artigo 58 e artigo 59 determina que: Art. 115 O corpo docente junto com os pais desejou um modo mais inclusivo de educar todas as crianças. surgindo assim. serviços de apoio especializado. Uma escola cuja política se comprometa com a igualdade de oportunidades e condições para todos os estudantes a fim de garantir que todos possam ser bem sucedidos educacionalmente. durante a educação infantil. nem a mecanismos ou discriminação de qualquer espécie. observar a inserção desses alunos no sistema regular de ensino. portanto a escola deve ajudar cada um a desenvolver sua aptidão num contexto comum a todos. 3º. a modalidade de educação escolar. como assina Lindquist. no que diz respeito à prática de ensino curricular da escola à formação profissional do corpo docente aos métodos e técnicas pedagógicas adotadas no ensino aos meios (recursos humanos materiais) disponíveis em cada escola. não devem ser enfatizadas. não são nossos sistemas educacionais que tem o direito a certos tipos de crianças. Se concordarmos que todas as crianças. com a oferta de educação de qualidade para todos. jovens e adultos têm direito a uma educação de qualidade. bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artísticas. contribuem para aprofundar as desigualdades educacionais ao invés de combatê-las. Para que uma escola se torne um modelo de educação inclusiva não deve haver exigências quanto a acesso. Se concordarmos que todas as crianças. e na maximização dos recursos que apóiam ambos os processos. para educando portadores de necessidades especiais. a educação inclusiva que tem como objetivo modificar o modelo educacional arcaico vigente através da retirada das crianças dessa Prisão de Especialidades. jovens e adultos de participação nos diferentes espaços da estrutura social.

gradativamente constrói a consciência de que a escola é um bem público que também é seu” A avaliação (já citada). dizer que ser professor é fácil ou de que ter crianças totalmente diversas e com necessidades especiais em sala é tranqüilo fácil de trabalhar. ou seja. fundamentação teórica relacionada com a prática (materialismo dialético). bem como. ocasionando segregação e marginalização. não pode haver nenhum tipo de discriminação ou preconceito. vegetando em sala de aula. respeitando suas diferenças e atendimento as suas necessidades. mas sim da necessidade da escola conhecer a diversidade com que trabalha para que realmente possa desenvolver um bom trabalho. mas o que ocorre muitas vezes é os pais (principalmente de pessoas com necessidades especiais) não saberem disso. que atinja a todos. fé. pois sem planejamento é praticamente impossível estabelecer prioridades e necessidades reais do município e das escolas. um desvio da norma. Ninguém vence sozinho. pois “Ensinar exige risco. o que o professor não pode é enfatizar a limitação das pessoas e sim mostrar-lhes que são capazes de evoluir sempre. Mas o que não se pode aceitar é o docente que se deixa abater diante das dificuldades. “A inclusão está fundada na dimensão humana e sociocultural que procura enfatizar formas de interação positivas. Construir uma escola inclusiva. Não se deseja de forma alguma. a proposta pedagógica deve ser estudada. “Assim. é querer. superação. e trabalhá-las. Mas é inegável que cada aluno tem a sua própria história composta pelo seu ambiente familiar. não é assim tão fácil precisa dos principais ingredientes da receita: vontade de que as coisas realmente aconteçam. a “história” do aluno precisa ser conhecida para ser mais valorizada. bem como desenvolver o potencial dessas pessoas. aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de rejeição” O processo de avaliação deverá ser todo reformulado também. possibilidades. deficiência. para garantir o acesso de alunos com necessidades educacionais especiais à aprendizagem e ao conhecimento. primeiramente é importante que o município tenha elaborado e em funcionamento o Plano Municipal de Educação. por isso aprendemos sempre”. não pode ser chamado de educador. Na perspectiva da inclusão. capaz igual aos demais estudantes. pois cada ser é uno.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A política de inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais na rede de regular de ensino. reconhecendo e respeitando a diversidade e respondendo a cada um de acordo com suas potencialidades e necessidades” O sucesso de toda escola só acontece quando há a participação e a integração de todos os envolvidos no processo educacional: docentes. mas é ter coragem para reconhecer que errou e seguir em frente. bitola e constrange uma pessoa. alunos. esse problema deixa de existir. para que obtenham sucesso na corrente educativa geral”. inteligente. é apenas o estímulo para buscar cada vez mais. e merece ser tratado como ser especial. A luta em se ter uma escola inclusiva de verdade é grande. reconhecer e ir à busca dessas crianças e levá-las a escola. que é indiferente. tudo se aprende e não se deve nunca perder a esperança. projeto político pedagógico que condiz com a realidade. direção. perseverança. precisa-se ter vontade. social. é acreditar que pode dar certo e o mais importante ter consciência de que muito já se está sendo feito mais ainda é pouco. Também não se deseja a uniformização das crianças. que cada conquista não é o ponto final. sexo. mas apóia a todos: professores. é aquele que garante o acesso ao conjunto sistematizado de conhecimentos como recursos a serem mobilizados”. apoio às dificuldades e acolhimento das necessidades dessas pessoas. pessoal administrativo. idade. “A pedagogia adotada na escola inclusiva deve ser a pedagogia voltada à criança como um todo. Mais do que isso. “Quando a família dispõe de meios efetivos de participação ativa e regular na vida da escola. pois não se limita a ajudar somente os alunos que apresentam dificuldades na escola. até os “ditos normais” também possuem. aquela que garante a qualidade de ensino educacional a cada um de seus alunos. políticos empenhados. econômico. que não busca ajuda. orientação. desenvolvê-las é o mais importante do que um simples número que restringe. questionar seu projeto pedagógico e verificar se ele está voltado para diversidade” Percebe-se que aqui não se está falando em tratar as crianças como diferentes. “A escola deve buscar refletir sobre sua prática. suas habilidades e capacidades próprias. “A inclusão causa uma mudança de perspectiva educacional. além das suas condições orgânicas. deve haver flexões curriculares para atender todo o público escolar. A pessoa com deficiência tem que sentir-se valorizada. O professor que enfatiza o fracasso da outra pessoa. entusiasmo. que sejam todas consideradas iguais. pois prefere o erro (e muitas vezes bitolar e acabar com a vida de uma criança) do que ter a humildade de pedir ajuda. bem como já dizia Che Guevara “Tenemos que ser fuertes. condição social ou qualquer outra situação. Especialmente na deficiência auditiva. 116 A vontade de vencer deve ser maior que o medo de fracassar. “A escola que pretende ser inclusiva deve se planejar para gradativamente implementar as adequações necessárias. resumindo. cada qual tem seus talentos. uma escola somente poderá ser considerada inclusiva quando estiver organizada para favorecer a cada aluno. melhores ou piores umas que as outras. emocional. Vale ressaltar um aspecto a ser comentado sobre o aluno com deficiência auditiva que é a classificação da pessoa com necessidade especial. ninguém é perfeito. todos nós ignoramos alguma coisa. é determinante quanto ao tipo de escola e recursos que podem proporcionar seu melhor aproveitamento. passível de crítica por levar ao rótulo que tem a deficiência como uma desvantagem. não se pode julgar todos iguais. e toda a comunidade em geral. se a deixarem segregada. sem ser excludente. A legislação é bem clara quando relata que se deve oferecer estudo gratuito a todas as crianças de 0 a 14 anos. Pois como já dizia Paulo Freire “Todos nós sabemos alguma coisa. alunos. pois todos estão sob o princípio da igualdade.” Para a construção de uma escola inclusiva. exclusa. de que tem o direito de colocar seus filhos na escola. confiança e tranqüilidade. Um ensino significativo. importante. Todos possuem limitações. pais. esse sim é um fracassado. entre outros ingredientes. uma escola inclusiva ideal requer muitas coisas. de nada adianta colocar a criança especial dentro de uma classe comum. Para nortear esses trabalhos faz-se necessário ter objetivos bem claros. tendo como ponto de partida a escuta dos alunos. não consiste apenas na permanência física desses alunos junto aos demais educando. que todos sabem lidar perfeitamente. pais e comunidade escolar”. políticas públicas definidas e acessíveis. é perceber que se irá errar muitas vezes e fracassar. independentemente de etnia. Cabe não só aos pais a responsabilidade de procurar matrícula. Cada um possui limites. existe grande distância entre o real e o ideal. real- Didatismo e Conhecimento . mas representa a ousadia de rever concepções e paradigmas. reinventada. mas também da escola e da comunidade. Ninguém nasce sabendo as coisas. pero jamais perder la ternura” “Escola inclusiva é. ao se lidar com crianças com deficiências. Enfim. não é isso.

mas possibilitar a cada um o que necessita de acordo com suas características próprias. E se indagarmos a quem cabe a remoção de todas estas barreiras: a resposta mais sensata é : CABE A TODOS: desde o porteiro da escola até o Presidente da República. participação da família e da comunidade. na Conferência Geral de Educação.. raiva. e por todos indivíduos que coletivamente unidos. então diverso é aquilo que é múltiplo de diferenças. Por mais que se executem padrões ou tentativas de favorecimento de uns em detrimento de outros. constantes estudos e pesquisas como ações indispensáveis ao processo educativo. dentro do estado.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS mente único como é. com a proposta básica de parcerias internacionais e cooperação dentro de cada país. reconhecimento e incentivo ao fortalecimento capacitatório dos docentes. . I. e esta deve ocorrer não só na escola mas em toda a vida social da pessoa. podendo socializar-se com aqueles que partilham das mesma necessidades. a humanidade até na própria forma de compreensão de humanidade é diversa. o projeto visa a “identificação única” da escola. capaz de proporcionar para todos. causadores da morosidade do avanço das técnicas inclusivas. Nesse contexto. processo avaliatório. que. alunos) se lembrem de que todo aluno pode. tendo muito mais que um cooperativismo ou um tipo de ajuda humanitária. sentido-se assim estimulados e à vontade para se arriscar tendo a oportunidade de experimentar realidades diversas verdadeiramente incluídos partilhando das mesmas atividades em nível de igualdade. criando um espaço sistemático para encontros entre Ministros de Educação dos Paises da América Latina e Caribe. reconhecimento e adaptação dessas diversidades. entre outros transtornos sociais . pois os grupos humanos são muito diversos e cada um tem seus padrões culturais. despreparo dos educadores e gestores. especificamente voltadas para a América Latina e Caribe. considerando-se uma cadeia de fatores que se interligam entre si. sendo assim uma visão bem saudável e politicamente real disso. dão vida própria a denominação SOCIEDADE. apatia. Tais desafios tem sido objeto de sucessivas conferencias internacionais entre os países em desenvolvimento. evidenciando os valores e percurso que pretende seguir para atingir a plenitude educativa. O padrão de normalidade existe levando-se em consideração as semelhanças mais comuns entre os indivíduos. Assim é possível pensar que é importante que as pessoas tenham a possibilidade de viver de uma maneira mais autônoma dentro de um ambiente que verdadeiramente os acolha. condições financeiras. que se dá através de uma boa formação de educadores. e assuma o papel de protagonista de sua própria vida.. passando por professores. que servem como modelo para suas comunidades especificas. acesso e transparência a população quanto aos processos de gestão educacional. 1981. Um espaço adequado para pessoas que precisam de adequação. Nesse processo objetiva-se apenas a inclusão de todos. seja pela inexperiência do verdadeiro trabalho em equipe. a proposta de inclusão. características. alunos. a UNESCO apresentou um projeto Principal de Educação em Paris. “É importante que o professor e toda a comunidade escolar (diretor. Destes encontros resultam recomendações de cunho organizacional para implementação gradual da inclusão. tem se mostrado um desafio seja pela novidade para muitos. morais e outras séries de juízos que moldam uma sociedade. a seu modo e respeitando seu tempo. as pessoas se organizam em grupos com pessoas que se assemelham dentro de características que são comuns aqueles com quem estão se relacionando. o que não significa tratar todos de forma iguais. funcionários. Em contra partida para lograr êxito e transformar-se em “escola inclusiva” necessário a REMOÇÃO DE BARREIRAS através de gestão administrativa pública. embora prevista na nossa LDB (Lei 9394/96) e claramente explicitado no artigo 14. desde que tenha oportunidades adequadas para desenvolver sua potencialidade”. o ideal dos sistemas educacionais inclusivos visam: . a elaboração de um projeto político pedagógico para as escolas. carências psíquicas. 117 Didatismo e Conhecimento . Os seres humanos são ligados por sentimentos que podem ser os mais diversos possíveis. Muito mais que um plano de trabalho. entre elas: a pobreza. E qual o papel da escola nesta inclusão? Uma boa escola. . beneficiar-se de programas educacionais. que implicam em processos cruéis de adaptação que cada um tem que passar para si formar como ser humano. etnias. Destarte. está desempenhando com certeza absoluta. .escolas responsivas e de qualidade. adequações na prática pedagógica. amor. e outros obstáculos que precisam ser trabalhados para a consagração da educação inclusiva. escolas responsivas e de qualidade. mas educar a pessoa com deficiência para um socialização de fato para que esteja preparada para saber se portar diante das diversidades sociais.direito a plena aprendizagem e participação eficaz. É preciso esse espaço de socialização. Mas afinal. sem exclusões. e não como já se fundou e se funda em muitas defesas a perspectivas de uma sociedade segregadora apontando como culpado a diversidade de grupos sociais organizados. no que consiste um sistema educacional inclusivo? De forma clara.o direito à igualdade de oportunidades. realizadas periodicamente através de fóruns de discussões.o direito a educação igualitária em relação a diversidade de classes. reiteram vertentes constantemente levantadas como: o direito a educação e garantia de financiamentos que propiciem melhorar a oferta educacional para todos. a vida do humano no mundo implica em luta pela sobrevivência e socialização. A pessoa com deficiência ensinando os caminhos para escola inclusiva A palavra diversidade tem seu sentidodentro da multiplicidade de diferenças que possam ser reconhecidas. é pensar a sociedade nos âmbitos das diversidades e assimilação. o alto índice de analfabetismo. objetiva e sintetizada. Não é uma maneira justa identificar como vigorantes estereótipos de normalidade vigentes de maneira universal. noções éticas. com todos e sem discriminação o aprendizado com participação de todos.

Não há como sanear a consequência do problema sem atingir a causa. que. entre outras.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Como vemos. o Ministério da Educação/Secretaria de Educação Especial apresenta a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. recomendações. aprendendo e participando. A partir dos referenciais para a construção de sistemas educacionais inclusivos. mas a estes leitores. em 1954. o atendimento educacional às pessoas com deficiência passa a ser fundamentado pelas disposições da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN. mas continuam excluindo indivíduos e grupos considerados fora dos padrões homogeneizadores da escola. discussões e manifestações para a sua efetiva implementação tendem a virar “letra morta” se todos os elementos subjetivos causadores da exclusão não forem revistos pelas administrações públicas federais em harmonia com as administrações estaduais e municipais. por Helena Antipoff. A partir do processo de democratização da escola. por meio de diagnósticos. naturalizando o fracasso escolar. Só assim. Nesta perspectiva. responsável pela gerência da educação especial no Brasil. culturais. evidenciando diferentes compreensões. em 1854. a exclusão tem apresentado características comuns nos processos de segregação e integração. o MEC cria o Centro Nacional de Educação Especial – CENESP. A educação inclusiva constitui um paradigma educacional fundamentado na concepção de direitos humanos. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva Documento elaborado pelo Grupo de Trabalho nomeado pela Portaria Ministerial nº 555. a organização de escolas e classes especiais passa a ser repensada. físicas.024/61. e que avança em relação à idéia de eqüidade formal ao contextualizar as circunstâncias históricas da produção da exclusão dentro e fora da escola. No início do século XX é fundado o Instituto Pestalozzi (1926). Em 1961. Lei nº 4. Assim. mas ainda configuradas por campanhas assistenciais e iniciativas isoladas do Estado. sob a égide integracionista. conferências. de 09 de outubro de 2007. que pressupõem a seleção.692/71. determina formas de atendimento clínico-terapêuticos fortemente ancorados nos testes psicométricos que. e. é fundada a primeira Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE. com a criação de duas instituições: o Imperial Instituto dos Meninos Cegos. terminologias e modalidades que levaram à criação de instituições especializadas. instituição especializada no atendimento às pessoas com deficiência mental. cultural. pois enquanto cada um não receber esta mensagem verdadeiramente para si. inviável e puramente utopia. a educação inclusiva compreende vários fatores que vão além dos portões da “escola” e não produzem a eficácia pretendida por todos os elementos de cunho sócio-político-econômico elencados em várias oportunidades neste texto. definem as práticas escolares para os alunos com deficiência. decorre uma identificação dos mecanismos e processos de hierarquização que operam na regulação e produção das desigualdades. I – Introdução O movimento mundial pela educação inclusiva é uma ação política. prorrogada pela Portaria nº 948. infelizmente todas as instruções. os que se encontram em atraso considerável quanto à idade regular de matrícula e os superdotados”. Essa problematização explicita os processos normativos de distinção dos alunos em razão de características intelectuais. fundamentada no conceito de normalidade/anormalidade. sem nenhum tipo de discriminação. cabe mais do que ninguém. o atendimento às pessoas com deficiência teve início na época do Império. normatizações. em 1945. implicando uma mudança estrutural e cultural da escola para que todos os alunos tenham suas especificidades atendidas. A educação especial se organizou tradicionalmente como atendimento educacional especializado substitutivo ao ensino comum. Ao reconhecer que as dificuldades enfrentadas nos sistemas de ensino evidenciam a necessidade de confrontar as práticas discriminatórias e criar alternativas para superá-las. que aponta o direito dos “excepcionais” à educação. sob formas distintas. a educação inclusiva assume espaço central no debate acerca da sociedade contemporânea e do papel da escola na superação da lógica da exclusão. uma imediata reflexão de valores. ao definir “tratamento especial” para os alunoscom “deficiências físicas. que conjuga igualdade e diferença como valores indissociáveis. Em 1973. é criado o primeiro atendimento educacional especializado às pessoas com superdotação na Sociedade Pestalozzi. A partir da visão dos direitos humanos e do conceito de cidadania fundamentado no reconhecimento das diferenças e na participação dos sujeitos. Não há como pensar em INCLUSÃO a qualquer título sem antes acabar com a EXCLUSÃO. e o Instituto dos Surdos Mudos. A Lei nº 5. que atuam na área da Educação. visando constituir políticas públicas promotoras de uma educação de qualidade para todos os alunos. preferencialmente dentro do sistema geral de ensino. escolas especiais e classes especiais. impulsionou ações educacionais voltadas às pessoas com deficiência e às pessoas com superdotação. revisão de pré conceitos. não promove a organização de um sistema de ensino capaz de atender às necessidades educacionais especiais e acaba reforçando o encaminhamento dos alunos para as classes e escolas especiais. uma exclusão que foi legitimada nas políticas e práticas educacionais reprodutoras da ordem social. sociais e lingüísticas. estruturantes do modelo tradicional de educação escolar. este texto pode soar apenas mais um texto puramente utópico. mentais. acreditando na possibilidade de mudar a realidade atual da nossa estrutura educacional e aceitando tais ideias como solução para a exclusão. Para muitos que leem.de 5 de junho de 2007. que acompanha os avanços do conhecimento e das lutas sociais. evidencia-se o paradoxo inclusão/ exclusão quando os sistemas de ensino universalizam o acesso. é que poderemos participar ativamente do processo educacional inclusivo. Didatismo e Conhecimento 118 II – Marcos históricos e normativos A escola historicamente se caracterizou pela visão da educação que delimita a escolarização como privilégio de um grupo. qualquer tentativa de modificação ou melhorias será inócua. que altera a LDBEN de 1961. . E. atual Instituto Benjamin Constant – IBC. ambos no Rio de Janeiro. No Brasil. Essa organização. porque primeiro precisamos nos libertar das nossas próprias barreiras e encontrarmos uma verdade em todo o contexto aqui relatado. hoje denominado Instituto Nacional da Educação dos Surdos – INES. desencadeada em defesa do direito de todos os alunos de estarem juntos. social e pedagógica. em 1857.

mediante cursos e exames” (art. recursos e organização específicos para atender às suas necessidades. no artigo 205.] oportunidades educacionais apropriadas. Em 2003. que regulamenta a Lei nº 7. garantindo o pleno desenvolvimento da pessoa. não potencializam a adoção de uma política de educação inclusiva na rede pública de ensino. No que se refere aos alunos com superdotação.. inciso IV). Lei nº 10. 37).. seus interesses.853/89. preconiza que os sistemas de ensino devem assegurar aos alunos currículo.” As Diretrizes ampliam o caráter da educação especial para realizar o atendimento educacional especializado complementar ou suplementar à escolarização. (MEC/SEESP. Este Decreto tem importante repercussão na educação.069/90. a produção e a difusão do sistema Braille em todas as modalidades de ensino. destaca que “o grande avanço que a década da educação deveria produzir seria a construção de uma escola inclusiva que garanta o atendimento à diversidade humana”. Na perspectiva da educação inclusiva. exigindo uma reinterpretação da educação especial. 2001).) possuem condições de acompanhar e desenvolver as atividades curriculares programadas do ensino comum. a “possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado” (art. a Resolução CNE/CP nº 1/2002. é implementado pelo MEC o Programa Educação Inclusiva: direito à diversidade. Define. reforça os dispositivos legais supracitados ao determinar que “os pais ou responsáveis têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino”.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Nesse período. Lei nº 8.298. No seu artigo 206. apesar do acesso ao ensino regular. mas mantendo a responsabilidade da educação desses alunos exclusivamente no âmbito da educação especial. à oferta do atendimento educacional especializado e à garantia da acessibilidade. raça. Ao estabelecer objetivos e metas para que os sistemas de ensino favoreçam o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos.. métodos. no artigo 2º. orientando o processo de “integração instrucional” que condiciona o acesso às classes comuns do ensino regular àqueles que “(. no mesmo ritmo que os alunos ditos normais” (p. promovendo um amplo processo de formação de gestores e educadores nos municípios brasileiros para a garantia do direito de acesso de todos à escolarização. no artigo 55. A atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. a Política não provoca uma reformulação das práticas educacionais de maneira que sejam valorizados os diferentes potenciais de aprendizagem no ensino comum. que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica. a oferta do atendimento educacional especializado. Também define. documentos como a Declaração Mundial de Educação para Todos (1990) e a Declaração de Salamanca (1994) passam a influenciar a formulação das políticas públicas da educação inclusiva. A Constituição Federal de 1988 traz como um dos seus objetivos fundamentais “promover o bem de todos. A Lei nº 10. Acompanhando o processo de mudança. ao admitir a possibilidade de substituir o ensino regular. enfatizando a atuação complementar da educação especial ao ensino regular. compreendida no contexto da diferenciação.678/02 do MEC aprova diretrizes e normas para o uso. e assegura a aceleração de estudos aos superdotados para conclusão do programa escolar. com vistas a apoiar a transformação dos sistemas de ensino em sistemas educacionais inclusivos. formação docente voltada para a atenção à diversidade e que contemple conhecimentos sobre as especificidades dos alunos com necessidades educacionais especiais. 208). estabelece a “igualdade de condições de acesso e permanência na escola” como um dos princípios para o ensino e garante. Lei nº 9. idade e quaisquer outras formas de discriminação” (art. à formação docente. inciso V) e “[. o ensino. sexo. aponta um déficit referente à oferta de matrículas para alunos com deficiência nas classes comuns do ensino regular. preferencialmente na rede regular de ensino (art. determinam que: Didatismo e Conhecimento 119 “Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos. adotado para promover a eliminação das barreiras que impedem o acesso à escolarização. Em 1994. O Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. Em 1999.394/96. afirma que as pessoas com deficiência têm os mesmos direitos humanos e liberdades fundamentais que as demais pessoas. dentre as normas para a organização da educação básica.. definindo como discriminação com base na deficiência toda diferenciação ou exclusão que possa impedir ou anular o exercício dos direitos humanos e de suas liberdades fundamentais. condições de vida e de trabalho. à acessibilidade física e ao atendimento educacional especializado. prevista no seu artigo 2º. não é organizado um atendimento especializado que considere as suas singularidades de aprendizagem. 24. promulgada no Brasil pelo Decreto nº 3. porém. sem preconceitos de origem.3º. O Plano Nacional de Educação – PNE. é publicada a Política Nacional de Educação Especial. em sua organização curricular. o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho. A Convenção da Guatemala (1999). permanecendo a concepção de “políticas especiais” para tratar da educação de alunos com deficiência.19). assegura a terminalidade específica àqueles que não atingiram o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental. bem como a inclusão da disciplina de Libras como parte integrante do currículo nos cursos de formação de professores e de fonoaudiologia. assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos. Também nessa década. ao dispor sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência. no artigo 59. define a educação especial como uma modalidade transversal a todos os níveis e modalidades de ensino.436/02 reconhece a Língua Brasileira de Sinais – Libras como meio legal de comunicação e expressão. cabendo às escolas organizarem-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais.172/2001. determinando que sejam garantidas formas institucionalizadas de apoiar seu uso e difusão. a educação como um direito de todos. inciso I. . Ao reafirmar os pressupostos construídos a partir de padrões homogêneos de participação e aprendizagem. cor. como dever do Estado. as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. A Portaria nº 2. Resolução CNE/CEB nº 2/2001. em virtude de suas deficiências. define que as instituições de ensino superior devem prever. o Decreto nº 3.956/2001. consideradas as características do alunado. compreendendo o projeto da Grafia Braille para a Língua Portuguesa e a recomendação para o seu uso em todo o território nacional. não se efetiva uma política pública de acesso universal à educação.

sob alegação de deficiência. e à formação dos professores que atuam no atendimento educacional especializado. é lançado o Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE. constituindo a organização da política de educação inclusiva de forma a garantir esse atendimento aos alunos da rede pública de ensino. Em 2007. juntamente com a Organização das Nações Unidas para a Educação. do Ministério das Cidades. Em 2005. dentre as suas ações. tais como os das áreas de saúde. transtornos do desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação. com o objetivo de disseminar os conceitos e diretrizes mundiais para a inclusão. A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. O Decreto nº 5. Impulsionando a inclusão educacional e social. o formulário impresso do Censo Escolar foi transformado em um sistema de informações on-line. à sala de recursos ou aos equipamentos específicos. a formação e a certificação de professor.094/2007. dispõe sobre a inclusão da Libras como disciplina curricular. aprovada pela ONU em 2006 e da qual o Brasil é signatário.24). lançam o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos. possibilita o acompanhamento dos indicadores da educação especial: acesso à educação básica. contemplar. o Decreto nº 5. instrutor e tradutor/intérprete de Libras. etapas e modalidades de ensino.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Em 2004. b) As pessoas com deficiência possam ter acesso ao ensino fundamental inclusivo. são organizados centros de referência na área das altas habilidades/superdotação para o atendimento educacional especializado. o Censo Web. acesso e a permanência das pessoas com deficiência na educação superior e o monitoramento do acesso à escola dos favorecidos pelo Beneficio de Prestação Continuada – BPC. para a orientação às famílias e a formação continuada dos professores. a implantação de salas de recursos multifuncionais. municípios com matrícula de alunos com necessidades educacionais especiais. de 337. a Ciência e a Cultura – UNESCO. temáticas relativas às pessoas com deficiência e desenvolver ações afirmativas que possibilitem acesso e permanência na educação superior. o Ministério Público Federal publica o documento O Acesso de Alunos com Deficiência às Escolas e Classes Comuns da Rede Regular. limitando. o Censo Escolar/MEC/INEP coleta dados referentes ao número geral de matrículas. Contrariando a concepção sistêmica da transversalidade da educação especial nos diferentes níveis. Para a implementação do PDE é publicado o Decreto nº 6. Em 2007. é desenvolvido com o objetivo de promover a acessibilidade urbana e apoiar ações que garantam o acesso universal aos espaços públicos. reafirmando o direito e os benefícios da escolarização de alunos com e sem deficiência nas turmas comuns do ensino regular.326 em 1998 para 700. com a implantação dos Núcleos de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação –NAAH/S em todos os estados e no Distrito Federal. em igualdade de condições com as demais pessoas na comunidade em que vivem (Art. oferta do atendimento educacional especializado. Neste mesmo ano. Com relação aos dados da educação especial. o cumprimento do princípio constitucional que prevê a igualdade de condições para o acesso e permanência na escola e a continuidade nos níveis mais elevados de ensino (2007. os Ministérios da Educação e da Justiça. que passa a registrar a série ou ciclo escolar dos alunos identificados no campo da educação especial. bem como possibilita o cruzamento com outros bancos de dados. realizado anualmente em todas as escolas de educação básica. estabelecendo normas e critérios para a promoção da acessibilidade às pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. Plano de Desenvolvimento da Educação: razões. que estabelece nas diretrizes do Compromisso Todos pela Educação. às matrículas em classes especiais. Nesse contexto. A partir de 2004. a Secretaria Especial dos Direitos Humanos. o Censo Escolar registra uma evolução nas matrículas. princípios e programas é reafirmada a visão que busca superar a oposição entre educação regular e educação especial.048/00 e nº 10. expressando um crescimento de 107%. agregando informações individualizadas dos alunos. adotando medidas para garantir que: a) As pessoas com deficiência não sejam excluídas do sistema educacional geral sob alegação de deficiência e que as crianças com deficiência não sejam excluídas do ensino fundamental gratuito e compulsório. que qualifica o processo de manipulação e tratamento das informações. escolas privadas e privadas sem fins lucrativos. ao número de alunos do ensino regular com atendimento educacional especializado. à infra-estrutura das escolas quanto à acessibilidade arquitetônica. permite atualização dos dados dentro do mesmo ano escolar. a acessibilidade arquitetônica dos prédios escolares. às matrículas. fortalecendo seu ingresso nas escolas públicas. Para compor esses indicadores no âmbito da educação especial. conforme tipos de deficiência. à oferta da matrícula nas escolas públicas. no currículo da educação básica. .098/00.316 em 2006. o Programa Brasil Acessível. estabelece que os Estados-Partes devem assegurar um sistema de educação inclusiva em todos os níveis de ensino. que regulamenta a Lei nº 10. a educação não se estruturou na perspectiva da inclusão e do atendimento às necessidades educacionais especiais. tendo como eixos a formação de professores para a educação especial.296/04 regulamentou as Leis nº 10. p. que objetiva. escolas com acesso ao ensino regular e formação docente para o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos. No que se refere ao ingresso em classes comuns do ensino regular.923 alunos em 1998 para 325.436/2002. Também são realizadas alterações que ampliam o universo da pesquisa. Didatismo e Conhecimento 120 No documento do MEC. possibilitando monitorar o percurso escolar. o ensino da Língua Portuguesa como segunda língua para alunos surdos e a organização da educação bilíngüe no ensino regular.626/05. são efetivadas mudanças no instrumento de pesquisa do Censo. assistência e previdência social.624 em 2006. dos professores e da escola. acessibilidade nos prédios escolares. reafirmado pela Agenda Social. das turmas. verifica-se um crescimento de 640%. visando ao acesso à escola dos alunos surdos. 09). de qualidade e gratuito. a garantia do acesso e permanência no ensino regular e o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos. matrícula na rede pública. em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social compatível com a meta da plena participação e inclusão. escola especial e classes comuns de ensino regular. III – Diagnóstico da Educação Especial O Censo Escolar/MEC/INEP. ingresso nas classes comuns. passando de 43.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
Quanto à distribuição dessas matrículas nas esferas pública e privada, em 1998 registra-se 179.364 (53,2%) alunos na rede pública e 157.962 (46,8%) nas escolas privadas, principalmente em instituições especializadas filantrópicas. Com o desenvolvimento das ações e políticas de educação inclusiva nesse período, evidencia-se um crescimento de 146% das matrículas nas escolas públicas, que alcançaram 441.155 (63%) alunos em 2006, conforme demonstra o gráfico: Com relação à distribuição das matrículas por etapa de ensino em 2006: 112.988 (16%) estão na educação infantil, 466.155 (66,5%) no ensino fundamental, 14.150 (2%) no ensino médio, 58.420 (8,3%) na educação de jovens e adultos, e 48.911 (6,3%) na educação profissional. No âmbito da educação infantil, há uma concentração de matrículas nas escolas e classes especiais, com o registro de 89.083 alunos, enquanto apenas 24.005 estão matriculados em turmas comuns. O Censo da Educação Especial na educação superior registra que, entre 2003 e 2005, o número de alunos passou de 5.078 para 11.999 alunos, representando um crescimento de 136%. A evolução das ações referentes à educação especial nos últimos anos é expressa no crescimento de 81% do número de municípios com matrículas, que em 1998 registra 2.738 municípios (49,7%) e, em 2006 alcança 4.953 municípios (89%). Aponta também o aumento do número de escolas com matrícula, que em 1998 registra apenas 6.557 escolas e, em 2006 passa a registrar 54.412, representando um crescimento de 730%. Das escolas com matrícula em 2006, 2.724 são escolas especiais, 4.325 são escolas comuns com classe especial e 50.259 são escolas de ensino regular com matrículas nas turmas comuns. O indicador de acessibilidade arquitetônica em prédios escolares, em 1998, aponta que 14% dos 6.557 estabelecimentos de ensino com matrícula de alunos com necessidades educacionais especiais possuíam sanitários com acessibilidade. Em 2006, das 54.412 escolas com matrículas de alunos atendidos pela educação especial, 23,3% possuíam sanitários com acessibilidade e 16,3% registraram ter dependências e vias adequadas (dado não coletado em 1998). No âmbito geral das escolas de educação básica, o índice de acessibilidade dos prédios, em 2006, é de apenas 12%. Com relação à formação inicial dos professores que atuam na educação especial, o Censo de 1998, indica que 3,2% possui ensino fundamental, 51% ensino médio e 45,7% ensino superior. Em 2006, dos 54.625 professores nessa função, 0,62% registram ensino fundamental, 24% ensino médio e 75,2% ensino superior. Nesse mesmo ano, 77,8% desses professores, declararam ter curso específico nessa área de conhecimento. IV – Objetivo da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva tem como objetivo o acesso, a participação e a aprendizagem dos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas escolas regulares, orientando os sistemas de ensino para promover respostas às necessidades educacionais especiais, garantindo: Transversalidade da educação especial desde a educação infantil até a educação superior; - Atendimento educacional especializado; - Continuidade da escolarização nos níveis mais elevados do ensino; Didatismo e Conhecimento
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- Formação de professores para o atendimento educacional especializado e demais profissionais da educação para a inclusão escolar; - Participação da família e da comunidade; - Acessibilidade urbanística, arquitetônica, nos mobiliários e equipamentos, nos transportes, na comunicação e informação; e - Articulação intersetorial na implementação das políticas públicas. V – Alunos atendidos pela Educação Especial Por muito tempo perdurou o entendimento de que a educação especial, organizada de forma paralela à educação comum, seria a forma mais apropriada para o atendimento de alunos que apresentavam deficiência ou que não se adequassem à estrutura rígida dos sistemas de ensino. Essa concepção exerceu impacto duradouro na história da educação especial, resultando em práticas que enfatizavam os aspectos relacionados à deficiência, em contraposição à sua dimensão pedagógica. O desenvolvimento de estudos no campo da educação e dos direitos humanos vêm modificando os conceitos, as legislações, as práticas educacionais e de gestão, indicando a necessidade de se promover uma reestruturação das escolas de ensino regular e da educação especial. Em 1994, a Declaração de Salamanca proclama que as escolas regulares com orientação inclusiva constituem os meios mais eficazes de combater atitudes discriminatórias e que alunos com necessidades educacionais especiais devem ter acesso à escola regular, tendo como princípio orientador que “as escolas deveriam acomodar todas as crianças independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, lingüísticas ou outras” (BRASIL, 2006, p.330). O conceito de necessidades educacionais especiais, que passa a ser amplamente disseminado a partir dessa Declaração, ressalta a interação das características individuais dos alunos com o ambiente educacional e social. No entanto, mesmo com uma perspectiva conceitual que aponte para a organização de sistemas educacionais inclusivos, que garanta o acesso de todos os alunos e os apoios necessários para sua participação e aprendizagem, as políticas implementadas pelos sistemas de ensino não alcançaram esse objetivo. Na perspectiva da educação inclusiva, a educação especial passa a integrar a proposta pedagógica da escola regular, promovendo o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. Nestes casos e outros, que implicam em transtornos funcionais específicos, a educação especial atua de forma articulada com o ensino comum, orientando para o atendimento às necessidades educacionais especiais desses alunos. A educação especial direciona suas ações para o atendimento às especificidades desses alunos no processo educacional e, no âmbito de uma atuação mais ampla na escola, orienta a organização de redes de apoio, a formação continuada, a identificação de recursos, serviços e o desenvolvimento de práticas colaborativas. Os estudos mais recentes no campo da educação especial enfatizam que as definições e uso de classificações devem ser contextualizados, não se esgotando na mera especificação ou categorização atribuída a um quadro de deficiência, transtorno,

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
distúrbio, síndrome ou aptidão. Considerase que as pessoas se modificam continuamente, transformando o contexto no qual se inserem. Esse dinamismo exige uma atuação pedagógica voltada para alterar a situação de exclusão, reforçando a importância dos ambientes heterogêneos para a promoção da aprendizagem de todos os alunos. A partir dessa conceituação, considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimentos de longo prazo, de natureza física, mental ou sensorial que, em interação com diversas barreiras, podem ter restringida sua participação plena e efetiva na escola e na sociedade. Os alunos com transtornos globais do desenvolvimento são aqueles que apresentam alterações qualitativas das interações sociais recíprocas e na comunicação, um repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo. Incluem-se nesse grupo alunos com autismo, síndromes do espectro do autismo e psicose infantil. Alunos com altas habilidades/superdotação demonstram potencial elevado em qualquer uma das seguintes áreas, isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade e artes, além de apresentar grande criatividade, envolvimento na aprendizagem e realização de tarefas em áreas de seu interesse. VI – Diretrizes da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva A educação especial é uma modalidade de ensino que perpassa todos os níveis, etapas e modalidades, realiza o atendimento educacional especializado, disponibiliza os recursos e serviços e orienta quanto a sua utilização no processo de ensino e aprendizagem nas turmas comuns do ensino regular. O atendimento educacional especializado tem como função identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas. As atividades desenvolvidas no atendimento educacional especializado diferenciam-se daquelas realizadas na sala de aula comum, não sendo substitutivas à escolarização. Esse atendimento complementa e/ou suplementa a formação dos alunos com vistas à autonomia e independência na escola e fora dela. Dentre as atividades de atendimento educacional especializado são disponibilizados programas de enriquecimento curricular, o ensino de linguagens e códigos específicos de comunicação e sinalização e tecnologia assistiva. Ao longo de todo o processo de escolarização esse atendimento deve estar articulado com a proposta pedagógica do ensino comum. O atendimento educacional especializado é acompanhado por meio de instrumentos que possibilitem monitoramento e avaliação da oferta realizada nas escolas da rede pública e nos centros de atendimento educacional especializados públicos ou conveniados. O acesso à educação tem início na educação infantil, na qual se desenvolvem as bases necessárias para a construção do conhecimento e desenvolvimento global do aluno. Nessa etapa, o lúdico, o acesso às formas diferenciadas de comunicação, a riqueza de estímulos nos aspectos físicos, emocionais, cognitivos, psicomotores e sociais e a convivência com as diferenças favorecem as relações interpessoais, o respeito e a valorização da criança. Didatismo e Conhecimento
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Do nascimento aos três anos, o atendimento educacional especializado se expressa por meio de serviços de estimulação precoce, que objetivam otimizar o processo de desenvolvimento e aprendizagem em interface com os serviços de saúde e assistência social. Em todas as etapas e modalidades da educação básica, o atendimento educacional especializado é organizado para apoiar o desenvolvimento dos alunos, constituindo oferta obrigatória dos sistemas de ensino. Deve ser realizado no turno inverso ao da classe comum, na própria escola ou centro especializado que realize esse serviço educacional. Desse modo, na modalidade de educação de jovens e adultos e educação profissional, as ações da educação especial possibilitam a ampliação de oportunidades de escolarização, formação para ingresso no mundo do trabalho e efetiva participação social. A interface da educação especial na educação indígena, do campo e quilombola deve assegurar que os recursos, serviços e atendimento educacional especializado estejam presentes nos projetos pedagógicos construídos com base nas diferenças socioculturais desses grupos. Na educação superior, a educação especial se efetiva por meio de ações que promovam o acesso, a permanência e a participação dos alunos. Estas ações envolvem o planejamento e a organização de recursos e serviços para a promoção da acessibilidade arquitetônica, nas comunicações, nos sistemas de informação, nos materiais didáticos e pedagógicos, que devem ser disponibilizados nos processos seletivos e no desenvolvimento de todas as atividades que envolvam o ensino, a pesquisa e a extensão. Para o ingresso dos alunos surdos nas escolas comuns, a educação bilíngüe – Língua Portuguesa/Libras desenvolve o ensino escolar na Língua Portuguesa e na língua de sinais, o ensino da Língua Portuguesa como segunda língua na modalidade escrita para alunos surdos, os serviços de tradutor/intérprete de Libras e Língua Portuguesa e o ensino da Libras para os demais alunos da escola. O atendimento educacional especializado para esses alunos é ofertado tanto na modalidade oral e escrita quanto na língua de sinais. Devido à diferença lingüística, orienta-se que o aluno surdo esteja com outros surdos em turmas comuns na escola regular. O atendimento educacional especializado é realizado mediante a atuação de profissionais com conhecimentos específicos no ensino da Língua Brasileira de Sinais, da Língua Portuguesa na modalidade escrita como segunda língua, do sistema Braille, do Soroban, da orientação e mobilidade, das atividades de vida autônoma, da comunicação alternativa, do desenvolvimento dos processos mentais superiores, dos programas de enriquecimento curricular, da adequação e produção de materiais didáticos e pedagógicos, da utilização de recursos ópticos e não ópticos, da tecnologia assistiva e outros. A avaliação pedagógica como processo dinâmico considera tanto o conhecimento prévio e o nível atual de desenvolvimento do aluno quanto às possibilidades de aprendizagem futura, configurando uma ação pedagógica processual e formativa que analisa o desempenho do aluno em relação ao seu progresso individual, prevalecendo na avaliação os aspectos qualitativos que indiquem as intervenções pedagógicas do professor. No processo de avaliação, o professor deve criar estratégias considerando que alguns alunos podem demandar ampliação do tempo para a realização dos trabalhos e o uso da língua de sinais, de textos em Braille, de informática ou de tecnologia assistiva como uma prática cotidiana.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
Cabe aos sistemas de ensino, ao organizar a educação especial na perspectiva da educação inclusiva, disponibilizar as funções de instrutor, tradutor/intérprete de Libras e guia-intérprete, bem como de monitor ou cuidador dos alunos com necessidade de apoio nas atividades de higiene, alimentação, locomoção, entre outras, que exijam auxílio constante no cotidiano escolar. Para atuar na educação especial, o professor deve ter como base da sua formação, inicial e continuada, conhecimentos gerais para o exercício da docência e conhecimentos específicos da área. Essa formação possibilita a sua atuação no atendimento educacional especializado, aprofunda o caráter interativo e interdisciplinar da atuação nas salas comuns do ensino regular, nas salas de recursos, nos centros de atendimento educacional especializado, nos núcleos de acessibilidade das instituições de educação superior, nas classes hospitalares e nos ambientes domiciliares, para a oferta dos serviços e recursos de educação especial. Para assegurar a intersetorialidade na implementação das políticas públicas a formação deve contemplar conhecimentos de gestão de sistema educacional inclusivo, tendo em vista o desenvolvimento de projetos em parceria com outras áreas, visando à acessibilidade arquitetônica, aos atendimentos de saúde, à promoção de ações de assistência social, trabalho e justiça. Os sistemas de ensino devem organizar as condições de acesso aos espaços, aos recursos pedagógicos e à comunicação que favoreçam a promoção da aprendizagem e a valorização das diferenças, de forma a atender as necessidades educacionais de todos os alunos. A acessibilidade deve ser assegurada mediante a eliminação de barreiras arquitetônicas, urbanísticas, na edificação – incluindo instalações, equipamentos e mobiliários – e nos transportes escolares, bem como as barreiras nas comunicações e informações. alunos, sente-se tentado ameaça-los com a arma poderosa da avaliação, dizendo que irá tirar-lhes pontos, chamará os pais, irá colocá-los para fora da sala, encaminhá-los para a coordenação, etc. Nesta concepção, o mais comum é o professor, não conseguindo motivar o aluno para o trabalho, comece a usar a nota como um instrumento de pressão para obter a disciplina e participação, contribuindo assim, para a sua alienação. Para a mesma autora, muitas vezes as avaliações são realizadas como julgamento das capacidades, sem nada a contribuir para o desenvolvimento do educando, não sendo levado em conta, o modo como essa avaliação está sendo feita como, por exemplo: trabalhos avaliativos, provas orais ou escritas de dupla ou individual e saber que cada aluno é diferente no processo de ensino-aprendizagem um do outro.Outra forma, que a avaliação é utilizada pelo educador é a de uma mera reprodução e repetição dos conteúdos e conhecimentos, assim preocupam-se em vencer os conteúdos programáticos.Na maioria das vezes, a avaliação é vista pelos olhos dos alunos como uma promoção e não como parte do processo de ensino-aprendizagem, assim como um castigo, não podendo sair, brincar porque tem prova e pelos olhos da maioria professores um meio de demonstrar a autoridade. Aspectos Positivos e Negativos da avaliação Dentro da sala de aula, o termo avaliar está, intimamente relacionado à resolução de provas, exames, resultado de nota, ser aprovado ou reprovado. Em meio a esses fatores, a prova torna-se instrumento característico de todo processo de uma avaliação tradicional, mas pode também ser de muita utilidade para o professor e aluno saberem em que medida o processo de ensino-aprendizagem está útil para a formação do conhecimento do aluno.Nessa perspectiva, verifica-se que esse instrumento é adequado especialmente quando desejamos avaliar procedimentos específicos, a capacidade de organizar ideias, a clareza da expressão e a possibilidade de apresentar soluções originais. Assim, a avaliação tem seu lado positivo e negativo. O primeiro pode ser atribuído ao fato da avaliação admitir uma função de orientadora e cooperativa, sendo assim, realizada de uma forma contínua, cumulativa e ordenada dentro da sala de aula com o objetivo de fazer um diagnóstico da situação de aprendizagem de cada educando, em relação aos conteúdos passados pelo professor, desse modo, verificando se o aluno está progredindo no processo de ensino-aprendizagem.A avaliação, dessa forma, tem uma função prognostica que avalia os conhecimentos prévios dos alunos, considerada a avaliação de entrada, avaliação de input; uma função diagnóstica, do dia-a-dia , a fim de verificar quem absorveu todos conhecimentos e adquiriu as habilidades previstas nos objetivos estabelecidos. Por outro lado, a avaliação está voltada com a função de classificação, apresentando o lado negativo, pois o aluno que não alcançou a média fica sob a visão de excluído e fracassado perante os colegas de classe, professores e escola, ocasionando muitas vezes a evasão escolar. De acordo com Luckesi (2006), a avaliação que é praticada na escola é sinônimo da avaliação da culpa. As notas são usadas para como índices de classificação de alunos, onde os desempenhos são comparados e não perspectivas que se desejam atingir. O que significa em termos de avaliação um aluno ter obtido nota 5,0 ou média 5,0? E o que tirou 4,0? O primeiro, na maioria das escolas está aprovado, enquanto o segundo, reprovado. O que o primeiro sabe é considerado suficiente. Suficiente para quê? E o
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14 AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM: CONCEPÇÕES, ESTRATÉGIAS E IMPORTÂNCIA DOS RESULTADOS PARA A MELHORIA DA QUALIDADE DO ENSINO.

Avaliação Educacional O ato de ensinar e de aprender está relacionado a realizações de mudanças e aquisições de comportamento, tanto motores, cognitivos, quanto afetivos e sociais. Com base nesses preceitos, a avaliação, ou seja, o ato de avaliar consiste em verificar se estes tais comportamentos estão sendo realmente alcançados no grau exigido pelo professor servindo de suporte para que o aluno progrida na aprendizagem e na construção do saber.Com isso, avaliação tem o papel de orientar o aluno a tomar consciência de seus conhecimentos, ter posicionamento crítico e saber se está avançando na superação das dificuldades para continuar progredindo no processo de ensino aprendizagem. Existem, ainda hoje, professores que se preocupam em fazer uso da avaliação como instrumento de tortura, pressão e controle do comportamento prendendo-se em respostas “mecânicas” como certo/errado valorizando o “produto” final e não compreendem todo o processo que o aluno chegou para dar aquela resposta.O professor, então, tendo observado o “mau comportamento” dos Didatismo e Conhecimento

pela vontade de chegar ao objetivo/destino que vai sendo traçado. A avaliação mediadora. de todos os níveis. somativa. implica necessariamente uma ação que promova melhoria na situação avaliada. Buscando caminhos. deve servir à promoção. A finalidade da avaliação mediadora é subsidiar o professor. A contraposição básica estabelecida por este princípio é estabelecida entre uma concepção classificatória de avaliação da aprendizagem escolar e a concepção de avaliação mediadora. o trajeto a ser percorrido. Assim. O problema da avaliação da aprendizagem tem sido discutido intensamente neste último século. alunos e comunidade. o que revela a manutenção das práticas tradicionais e a resistência à implementação de regimes não seriados. as quais devem ser respeitadas. Dessa maneira. princípios e metodologias. programas de aceleração. Para transformar a escola. seriação. Visão dialógica. por meio de oportunidades de expressão desses sentimentos. significando algo que não ocorreu de maneira correta. Esse autor ainda ressalta que. acesso a um nível superior de aprendizagem por meio de uma educação digna e de direito de todos os seres humanos. é a de procurar superar a concepção positivista e classificatória das práticas avaliativas escolares (baseada em verdades absolutas. interagida com o meio físico e social. em conjunto. pois a partir disso desencadeiam-se processos de mudança muito mais amplos do que a simples modificação das práticas de ensino. na maioria das vezes. observa-se na maioria das escolas brasileiras. influi e sofre a influência desse próprio ato de pensar e agir. Hoffmann é contrária à ideia de que primeiro é preciso mudar a escola e a sociedade para depois mudar a avaliação. é frequente o aluno dizer que só agora ele percebeu o que era para fazer. Em seus regimentos escolares enunciam-se objetivos de avaliação contínua. mas sim a observação contínua das manifestações de aprendizagem para desenvolver ações educativas que visem à promoção. No entanto. referenciada em valores. classificação e competição. que acabam enlaçando tanto os professores quanto os alunos em suas relações pessoais verticais e horizontais.0 “sabe” não pode ser mais importante do que aquilo que não “sabe”? Dentro do contexto da avaliação temos o erro. e a escola. para compartilhar dos sentimentos de conquista. Uma das maiores dificuldades de compreensão das propostas educacionais contemporâneas reside no problema da . da compreensão das setas. É a compreensão e definição da finalidade da avaliação da aprendizagem que deve nortear as metodologias e não o inverso. Visão centrada no professor e em medidas padronizadas de disciplinas fragmentadas. de negociação. quando praticamos a avaliação. É no confronto de ideias que a avaliação vai se construindo para cada um dos professores à medida que discutem. objetivos e discussão interdisciplinar. que se contrapõem às concepções avaliativas classificatórias. dentre os principais estudiosos do assunto. na interação e na socialização. que se fundamentam na competição. pois tanto para o professor quanto para o aluno ao reconhecerem a origem e a constituição dos seus erros passam a superá-los. é necessário que ocorra uma reflexão conjunta de professores. o erro conscientemente elaborado possibilita o avanço. adquiriu um enfoque político e social. Pelo contrário. assim como quando realizamos o caminho a Santiago de Compostela. evidenciando o caráter burocrático e seletivo que persiste no país. critérios objetivos. é impulsionado pelo inusitado. isto é. Regimes seriados versus regimes não-seriados. mas. de compreensão de outras perspectivas e de reflexão sobre as próprias crenças. na Espanha. pelo sonho. neste caminho. lugar em que ocorre a gestão educacional de um trabalho coletivo. como se tem observado até agora. A intenção prognóstica. da formação.A avaliação. esse erro pode ser útil vindo a ser utilizado como fonte de virtude para aprendizagem escolar. normativa Mobilização em direção à busca de sentido e significado da ação. Avaliar para Promover Para Hoffmann. Esse processo. ao mesmo tempo. a avaliação de um curso só terá sentido se for capaz de possibilitar a implementação de programas que resultem em melhorias do curso. leva à intenção de acompanhamento permanente de mediação e intervenção pedagógica favorável à aprendizagem. tornando assim um “obstáculo vencido” e uma avaliação adequada. sua finalidade não é o registro do desempenho escolar. valores. que confere ao educador uma grande responsabilidade por seu compromisso com o objeto avaliado e com sua própria aprendizagem . o educador deve conversar com seu aluno e verificar o porquê desse erro e como foi cometido. desencadeia o respeito às individualidades. é a avaliação reflexiva que pode transformar a realidade avaliada. A ousadia do ato de avaliar. assim como no caminho a Santiago de Compostela.Luckesi (2006) afirma quando o professor atribui uma atividade a seus alunos e observa que estes não conseguem obter o resultado esperado. pelo desejo de superação. que intensificou a pesquisa sobre o assunto. da escola ou da instituição avaliada. na arbitrariedade. a atitude reprodutora. ciclos. as situações avaliadas e do exercício do diálogo entre os envolvidos. fundada na ação pedagógica reflexiva. a avaliação. a finalidade da avaliação é promover a evolução da aprendizagem dos educandos e a promoção da qualidade do trabalho educativo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS que ele não sabe? O que ele deixou de “saber” não pode ser mais importante do que o que ele “sabe”? E o que o aluno que tirou 4. por ser uma atividade de reflexão sobre os próprios atos. como instrumento de acompanhamento do trabalho. Rumos da Avaliação neste século. assume-se conscientemente o papel do avaliador no processo. no processo de melhoria da qualidade de ensino. dentro de um dado contexto. para que possam compreender os limites e as possibilidades dos alunos e delinear ações que possam favorecer seu desenvolvimento. Avaliação a serviço da aprendizagem. seleção. a dificuldade para incorporar e compreender a concepção de avaliação mediadora. Da mesma forma. isto é. No entanto. A autora resume os princípios básicos – as setas do caminho – a seguir. cidadania e direito à educação. medidas padronizadas e estatísticas) em favor de uma ação consciente e refleDidatismo e Conhecimento 124 xiva sobre o valor do objeto avaliado. ou seja. explicativa e de desempenho. confiança na capacidade de todos. a melhoria das evoluções individuais. A avaliação a serviço da ação.a de como ocorre o processo avaliativo. estabelecem-se normas classificatórias e normativas. gera inquietação e incertezas para os professores. A organização homogeneizada. Nas últimas décadas. compreendida como a avaliação da aprendizagem escolar. no individualismo. alienadora. A tendência. Essa reflexão envolve os próprios princípios da democracia. apontando para onde vamos: De para avaliação para classificação. da promoção da cidadania. Em se tratando da avaliação da aprendizagem. avaliar necessita da conversa uns com os outros. tem o sentido de avançar sempre: promover e a autora nos apresenta as setas do caminho. Da mesma forma. no poder. a despeito das inovações propostas pela nova LDB (9394/ 96).

se propondo a deferir uma sentença ao aluno. que alerta: “o que caracteriza a individualização dos percursos não é a solidão no trabalho. se torna possível acolher a todos os alunos. as facilidades e dificuldades de cada um como parte das características humanas. e a melhor forma de fazê-lo é no dia-a-dia da sala de aula. desde que se tenha garantido as melhores . As provas de recuperação se confundem com a recuperação das notas já alcançadas. estariam respondendo às dimensões ético-políticas neste contexto avaliativo. a aprendizagem. de acordo com suas possibilidades e da promoção da qualidade na escola. Nesse sentido. ao contrário. retomadas. desafiá-los a prosseguir por meio de provocações significativas. porque cada situação envolve a singularidade dos participantes do processo educativo. mas dos profissionais que atuam nas escolas. A participação das famílias.Não concordamos que deva haver regra única em avaliação. Os pais devem participar da escolaridade de seus filhos. fundamentam-se em concepções desenvolvimentistas e democráticas. Conselhos de classe versus “conselhos de classe”. que não significa atribuir a eles a tarefa da escola. metodologia. muito menos o trabalho de superação destas dificuldades não pode recair sob a responsabilidade destes.Os protagonistas da avaliação precisam ser levados a refletir sobre o que fazem e por que fazem. mas torná-la referência para decisões educativas pautadas por valores. novas formas de relações educativas se constituem a partir da cooperação e não da competição. retomo. paralela ou final) são considerados parte integrante do processo de ensino e de aprendizagem para atendimento à diversidade das características. Neste processo o conhecimento é construído entre descobertas e dúvidas. apoiar.. assumir o que lhes é de responsabilidade. trabalho científico.Os estudos paralelos precisam acompanhar os percursos individuais de formação dos alunos e considerar os princípios da pedagogia diferenciada. considerando. na sua singularidade e de acordo com suas possibilidades. por se tratar de uma atividade prática. porque não há melhores nem piores. Estudos paralelos de recuperação são próprios a uma prática de avaliação mediadora.Provas de recuperação versus estudos paralelos. É compromisso dos pais acompanhar o processo vivido pelos filhos. não como riqueza. por posturas políticas. está direcionada ao futuro do desenvolvimento do aluno. As questões atitudinais não devem ocupar um tempo enorme em detrimento das questões do ensino-aprendizagem. mas como instrumento de dominação de uns poucos sobre muitos. principalmente. Promover o diálogo entre os pais e os professores é função da escola. Os desempenhos individuais dos alunos são utilizados para se comparar uns com os outros. entretanto. a luta pela sobrevivência. deliberadora de novas ações que garantam a aquisição de competências necessárias à aprendizagem dos alunos. A razão dessa dificuldade reside justamente no apego às ideias tradicionais às quais se vinculam o processo de avaliação classificatória e seletiva. sendo que. de caráter interativo e reflexivo. nos estudos paralelos. mas o caráter único da trajetória de cada aluno no conjunto de sua escolaridade”. Didatismo e Conhecimento 125 Os conselhos de classe vêm sendo realizados. porque está embasada em juízo de valor.Uma atividade ética. A educação inclusiva Num processo de avaliação mediadora. A progressão da aprendizagem. num processo de avaliação classificatória. a realidade social destes pais. A ideia de recuperação vem sendo concebida como retrocesso. a natureza do envolvimento. que devem ser respeitadas e. orientados por modelos avaliativos classificatórios e com caráter sentencitivo. É preciso considerar a complexidade inerente a tal finalidade. Os regimes não seriados. Dessa forma.Alertamos para o fato de que Hoffman defende que o termo paralelo pressupõe estudos desenvolvidos pelo professor em sua classe e no decorrer natural do processo. sugerir e. Pelo contrário. essa organização de trabalho escolar exige à realização de uma prática pedagógica que assuma a diversidade humana como riqueza. a promoção se baseia na evolução alcançada pelo aluno. a avaliação contínua adquire o significado de avaliação mediadora do processo de desenvolvimento e da aprendizagem de cada aluno. Nestas sessões. contando com a cooperação de toda a turma. o privilégio ao passado é evidente.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS organização do regime escolar em ciclos e outras formas não seriadas. promovendo os “melhores” e retendo os “piores”. o reforço e a recuperação (nas suas modalidades contínua. para a qual nos chama a atenção Perrenoud (2000). Não basta desenvolver a avaliação educacional a serviço de uma ação com perspectiva par o futuro. As práticas educacionais exigem. no aprofundamento das noções. estes últimos. a constituição de suas famílias.Não encontramos mecanismos únicos. “os piores” estarão predestinados ao fracasso e à exclusão. Os regimes seriados estabelecem oficialmente uma série de obstáculos aos alunos. As reformas educacionais oriundas de posturas políticas que não devem se sobrepujar aos atos educativos. dialogar com a escola. rigorosa e mais permissiva. por meio de critérios pré-definidos arbitrariamente como requisitos para a passagem à série seguinte. etc. obstáculos e avanços. As diferenças individuais são reconhecidas. Os momentos do conselho de classe precisam ser repensados pelas escolas e serem utilizados para a ampliação das perspectivas acerca dos diferentes jeitos de ser e de aprender do educando que interage com outros educadores e com outros conhecimentos. O trabalho do aluno. nos faz ponderar que as dificuldades de aprendizagem dos alunos não podem ser atribuídas às famílias. e não o produto. das necessidades e dos ritmos dos alunos. É compromisso seu orientá-los na resolução de dúvidas. ética em seu sentido mais original. é comparado com ele próprio. reconhecer suas possibilidades e respeitá-las. além de conhecimento. a inclusão da dimensão ética e sensível. Cada professor estabelece uma relação diferenciada de saber com seus alunos. focalizando o processo de aprendizagem. Deste modo.Hoffman defende que esta deve ser uma ação voltada para o futuro. ao fazê-lo. bem como são de sua responsabilidade a aquisição de atitudes e habilidades que favoreçam o enriquecimento das relações interpessoais no ambiente escolar. sendo possível observar sua evolução de diversas formas ao longo do processo de ensino-aprendizagem. Para Hoffman. as novas medidas em avaliação educacional afetam os sentimentos dos atores envolvidos. projetar a avaliação no futuro dos alunos significa reforçar as setas dos seus caminhos: confiar. Nesse sentido programas e projetos desenvolvidos para dar conta de problemas apresentados para o estudo de uma área de conhecimento ou para resolver questões de determinadas escolas. Isso está longe de ser menos exigente. com repetição de conteúdos. em grande parte das escolas. ainda que elencada no bojo de diretrizes unificadoras das reformas educacionais. fundamentos filosóficos e considerações sociais. classificatórios que deem conta da complexidade do ato avaliativo.

Reforçam o valor mercadológico das aprendizagens e das relações de autoritarismo em sala de aula. a autora afirma que uma pedagogia diferenciada pode se desenvolver na experiência coletiva da sala de aula. Qualidade significa intensidade. mesmo em condições limitantes (classes superlotadas. Sobre isso. A dimensão da exclusão de muitos alunos da escola pode ser medida: • pela constatação das práticas reprovativas baseadas em parâmetros de maturidade e de normalidade. Todo o aprendiz está sempre a caminho Constatamos. principalmente nas séries finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. porque. conhecer para promover e não para julgar e classificar.Como tal. mas indicadora de progresso.A trajetória a ser percorrida pela avaliação requer diálogo. Desta forma.Entravam o diálogo entre os professores. pois cada participante do processo pode colaborar com a aprendizagem dos outros. o aluno irá progressivamente compreender e evoluir conceitualmente. É preciso reconhecer que nas práticas atuais. negando a relativização desses parâmetros em diferentes condições de aprendizagem. arbitrariamente.O aprendiz determina o próprio tempo da aprendizagem. A auto-avaliação como processo contínuo A auto-avaliação é um processo contínuo que só se justifica quando se constitui como oportunidade de reflexão. • pela ocorrência dos encaminhamentos de alunos para classes e escolas especiais por erros na avaliação pedagógica.Nesse contexto.Privilegiam a classificação e a competição em detrimento da aprendizagem. tomada de consciência sobre a própria aprendizagem e sobre a própria conduta.O aprendiz é sujeito de sua história. desaguam os conteúdos que têm que dar conta. sem interferir no direito de escolha do aprendiz sobre os rumos de sua trajetória de conhecimento. enquanto pessoa. profundidade. A responsabilidade pelo desenvolvimento da aprendizagem contínua do aluno recai sobre os educadores e sobre a comunidade. o ensino não está centrado no professor. no sistema de ensino e na sala de aula. além de impossível de se determinar a priori: a questão dos conteúdos acadêmicos e do tempo. um sério compromisso irá mobilizar a escola brasileira deste século: formar e qualificar profissionais conscientes de sua responsabilidade ética frente à inclusão. a padronização dos percursos incorre em sérios prejuízos para os alunos. entre professores e alunos e da escola com os pais. como pela turma. pelo caráter somativo que anula o processo. tanto pelo professor. É preciso conhecer o aluno enquanto aprendiz. com o qual interage ativa e continuamente. a responsabilidade pelo fracasso não pode ser atribuída ao aluno. o que implica desagregar-se do tempo determinado para aprender dado conteúdo. A inclusão nas classes regulares de alunos que necessitam de atendimento especializado. são inconclusos. Na última década. notas e conceitos são superficiais e genéricos em relação à qualidade das tarefas e manifestação dos alunos. no caminho. Tendo oportunidade de confrontar suas ideias com as dos colegas. Sendo assim.Dessa compreensão decorre o princípio da educação inclusiva: oferecer ao aluno oportunidade máxima de aprendizagem e de inserção social. Outra concepção de tempo em avaliação O tempo é um tema recorrente nas discussões sobre avaliação. em certos e errados absolutos. sua magnitude não pode ser medida em “escalas métricas” ou por recursos de “conversão entre sistema de mensuração”. perfeição. oferece ao aluno condições adequadas de aprendizagem de acordo com suas características. em termos de avaliação.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS oportunidades possíveis à aprendizagem e ao desenvolvimento de todos e de cada um.Produzem a ficção de um ensino homogêneo pela impossibilidade de acompanhar a heterogeneidade do grupo. a ampliação das perspectivas acerca da aprendizagem dos alunos. quanto em um ao letivo. acompanhar. o tempo é determinado pelo aprendiz e o conteúdo pode ser proposto e explorado de diversas formas. Isso significa encontrar meios para favorecer aprendizagem de todos os alunos. não havendo como delimitar tempos fixos. É importante refletir a cada passo. isto é. é necessário valorizar cada passo do processo. nas aulas frontais. sem pressa. criação. Essas estratégias são desenhadas por meio de respostas que chamamos de erro. Cada passo é uma grande conquista A autora oferece sugestões e exemplos de oportunidades de aprendizagem que podem ser oferecidas. fundamentalmente qualitativas. membro de uma família. Se incluir é fundamental e singular. dialogar. Para Hoffman. dizendo muito sobre “qualidade”.Superficializam e adulteram a visão da progressão das aprendizagens e do seu conjunto tanto em uma única tarefa. ajudar. premidos pelo vestibular. na verdade.O trabalho em equipe de professores envolve o compromisso de compartilhamento das experiências. quando não se compreende que o processo de aquisição de conhecimentos é não linear e infinito. ou em textos. no afã de estarem sempre concluindo caminhos que. que há um conjunto de variações de respostas dos alunos de todo os níveis de ensino. vivendo cada dia o inusitado. em condições de igualdade educativa. priva os alunos com necessidades especiais de uma escolaridade digna. vivendo situações problema. são comuns e o professor precisa compreender que trata-se deuma resposta incorreta. Avaliação mediadora significa a busca de significado para todas as dimensões do processo por meio de uma investigação séria sobre as características próprias dos aprendizes. Esta variabilidade de manifestações nos aponta que muitas tentativas de acerto são feitas por meio de ensaios e erros. que podem dividir entre si a tarefa de acompanhar mais de perto um grupo de alunos (tutoria). Assim. pela superficialidade do acompanhamento. de uma comunidade. escassez de materiais e outras situações apontadas por muitos como justificativa para a má quaDidatismo e Conhecimento 126 lidade do ensino). convicção de que as incertezas são parte da educação porque esta é fruto de relações humanas. às suas dificuldades ou à sua incapacidade. abertura e interação. mas aprende ao seu tempo e de forma única e singular. desde que haja a clareza de que o aluno aprende na relação com os outros. mas umas das alternativas é justamente o trabalho em equipe por parte dos professores.Outro problema passa a se constituir aqui. Mediar é aproximar.Baseiam-se. sem que haja a preparação do professor no desempenho de seu papel. É preciso respeitar seu tempo de aprender e de ser. despersonalizando as dificuldades de avanços de cada aluno. interativamente. suas possibilidades.Notas e conceitos classificatórios padronizam o que é diferente. para ampliar suas possibilidades e favorecer a superação de .como no caminho de Santiago. de avanço em relação a uma fase anterior do aprendizado. as trajetórias da avaliação se propõem a respeitar os tempos e percursos individuais de formação. favorecendo a abordagem interdisciplinar. são professores e escolas que precisam adequar-se aos alunos e não os alunos que devem adequar-se às escolas e aos professores. Os professores do Ensino Médio. Classes numerosas podem dificultar essa aproximação.

o processo de avaliação. educacionais que fundamentam as tomadas de decisões com base nos processos de avaliação realizados. uma vez que as decisões metodológicas estabelecem as condições de aprendizagem ampliando ou restringindo o processo de conhecimento. No âmbito escolar. mesmo vivendo a mesma experiência. A compreensão que o aluno tem de uma dada disciplina interfere em sua aprendizagem em outras disciplinas. o aluno é levado a pensar e explicitar suas próprias estratégias de aprendizagem. favorecendo aos alunos oportunidades para objetivação de suas ideias e a consolidação dos conceitos e noções desenvolvidas.A interpretação das respostas dos alunos possibilita ao professor perceber necessidades e interesses individuais de múltiplas dimensões (análise qualitativa).Aprender exige engajamento do aprendiz na construção de sentidos o que implica busca de informações pertinentes momentos diversificados de aprendizagem contínua. Os trajetos de cada aprendiz são únicos. articuladas às observações feitas. comprometer-se com seus próprios avanços e dificuldades. Assim: experiências coletivas resultam em construções individuais (cada aluno aprenderá a seu jeito. • estar alerta aos desdobramentos dos objetivos traçados inicialmente. Avaliação mediadora é um processo interativo. para poder ter acesso às suas dimensões sobre: . Novas experiências educativas. interesses. e permanente tensão no ambiente escolar entre os que querem transmitir conhecimentos e os que querem desenvolver práticas sociais”(Perrenoud. Metas e objetivos não se constituem em pontos de chegada absolutos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS dificuldades.Transformar respostas em novas perguntas.os registros obtidos. os melhores guias são os próprios peregrinos. O plano epistemológico. . Delineando objetivos. Avaliação e mediação De acordo com a autora. interdisciplinaridade e transversalidade são inerentes ao processo educativo. O planejamento pedagógico revela múltiplos direcionamentos e está diretamente vinculado ao processo avaliatório. cada um a experimenta de uma forma singular. o que implica em aprendizagens diferentes dentro de um mesmo contexto. dentro de uma visão interdisciplinar. que constituirão diversos rumos de prolongamento dos temas em estudo. Definir os rumos.Avaliar para reprovar não é indicador da qualidade da escola ou do professor. Avaliação é controle. . As múltiplas dimensões do olhar avaliativo Avaliar. o destino essencial das ações educativas precisa ser o compromisso fundamental do educador no processo de avaliação da aprendizagem. A continuidade da ação pedagógica condiciona-se aos processos vividos. família. mas pontos de passagem. ideias. a quem se destinam. 2000). sociais. ampliando sua consciência sobre seu próprio fazer e pensar. tanto por parte dos aprendizes como do próprio professor. enriquecedoras e complementares. • organizar momentos de estruturação do pensamento. delinear o norte. os próprios alunos). oferecendo oportunidade para que estabeleçam relações entre conceitos e entre as várias áreas do conhecimento. Os conteúdos Cabe ao professor: • atentar às concepções prévias dos alunos e seus modos de expressarem-se sobre elas para poder organizar situações de aprendizagem capazes de envolver esses alunos.Avaliar segundo esses princípios implica refletir sobre as crenças. atividades que podem ser para todo o grupo. Surge aí o compromisso ético implícito no processo de avaliação mediadora. A intervenção pedagógica deve estar comprometida com a superação de desafios que possam ser enfrentados pelos alunos. sobre o seu aprender a aprender. quais os benefícios ou prejuízos que podem advir desse processo de controle outorgado à escola e aos professores. são propostas e/ou negociadas com os alunos (explicações do professor. quais possibilidades e alternativas que pode ser citadas em favor do aprendiz. enfrentando as mesmas dificuldades e provocando-nos a andar mais depressa. Isso só tem sentido dentro de uma perspectiva classificatória e seletiva. precisamos construir olhares mais profundos. quais os critérios utilizados. avaliar é questionar. “Entretanto. taxionomias intermináveis. favorecendoos avançar sempre. de confronto. repensar.O mesmo processo se aplica aos próprios professores. exigindo alterações qualitativas nas formas registro e tomadas de decisão sobre aprovação. Ao ser solicitado a explicar como chegou a uma dada solução de uma situação. novos rumos para a continuidade do trabalho educativo. que percorrem o caminho conosco. A avaliação contínua significa acompanhamento da construção do conhecimento por parte do aprendiz. e diversificação dos procedimentos de aprendizagem. intenções. em seu tempo. no processo de orientação e apoio de colegas.os valores sociais e éticos.Perguntar mais do que responder. em pequenos grupos ou específicas para determinados alunos). A finalidade do controle deve ser entendida a favor do aluno e não como obrigação imposta pelo sistema. até que ponto são claros e transparentes para todas a comunidade (escola. Cabe ao professor perguntar mais do que responder. Isso 127 resulta em que o trabalho do professor acerca dos conceitos que pretende ensinar consiste em provocar gradativamente os aprendizes. de troca de mensagens e de significados. obedecem a ritmos e interesses diversos. buscar conhecimentos. estratégias.as concepções de avaliação. conforme Vygotsky e Piaget é essencial na construção do conhecimento. A intervenção pedagógica é determinada pela compreensão dos processos realizados pelo aprendiz em sua relação com o objeto de conhecimento. responderá a sua maneira). oferecendo ao aluno múltiplas oportunidades de pensar. implica em prestar atenção aos seus fundamentos. formular perguntas. excessivo fracionamento dos objetivos. engajar-se na solução de problemas. em sua totalidade.Para Vygotsky a Didatismo e Conhecimento . Como um grande iceberg do qual só se percebe os registros. .Novas tarefas e/ou atividades são propostas para acompanham o aluno em sua evolução (preferencialmente tarefas avaliativas individuais). avançados e necessidades dos alunos. propor tarefas desafiadoras em processo consecutivo/contínuo.A mediação. este trabalho se dá em um contexto escolar concreto em que”a escola enfrenta muitos limites nesse sentido: behaviorismo. isso reverte o compromisso do profissional do educador: quais os princípios e valores morais. supervisor e demais profissionais de suporte pedagógico. Cada resposta deve suscitar mais perguntas. quais as condições existentes. Assim.

Diferenciar experiências educativas atende aos pressupostos básicos da ação docente: • Aprender sobre o aprender. ao fazer algo. A expressão/construção da “aprendizagem significativa” pode se realizar de múltiplas formas e em diferentes níveis de compreensão. chegamos à expressão do conhecimento. que o leva a uma interpretação que necessita. Mediar as experiências educativas significa acompanhar o aluno em ação-reflexão-ação.Qual o papel do educador/ avaliador?É o papel de mediador. mesmo que as respostas não sejam ainda corretas. tornando-o capaz de pensar sobre seus próprios pensamentos elaborando seus conceitos e reelaborando outros. sem subestimar. de expressão.A avaliação mediadora destina-se a mobilizar. e os possíveis rumos a seguir. para poder fornecer-lhes a aprendizagem significativa. de encontros. Como mediar o desejo e a necessidade de aprender? Didatismo e Conhecimento 128 O trabalho do professor consiste em: • mediar o desejo e a necessidade de aprender. favorecer a experiência educativa e a expressão do conhecimento e a abertura a novas possibilidades por parte do aprendiz. articular novas perguntas a um processo contínuo de construção do conhecimento. em parcerias. ao longo do período letivo. que devem ser conhecidas em favor do alunos e não para fortalecer pré-conceitos sobre ele. • Oferecer ajuda específica se discriminar. Conhecer as condições prévias permite planejar tempos de descobertas.o professor precisa interpretar perguntas. • Posturas afetivas. por meio de diversos recursos didáticos e de diversas formas de expressão do conhecimento. no processo de internalização o aluno atribui sentido à informação criando e recriando significados com o uso e a audição/leitura da língua falada e escrita. uma vez que essas atividades são oportunidades de interação em meio ao processo e não pontos de chegada. criando perguntas mobilizadoras. • mediar as experiências educativas. interagir com os outros. Mediando a expressão do conhecimento.A finalidade da avaliação no que se refere à mobilização é de adequar as propostas e as situações às necessidades e possibilidades dos alunos.A dinâmica do processo avaliativo. Mediar as estratégias de aprendizagem significa intervir no processo de aprendizagem provocando no aprendiz. • Valorizar a heterogeneidade os grupo no processo de formação a diversidade. crítico sobre seu planejamento. • O professor sabe onde o aluno poderá chegar. nos processos simultâneos de busca informações. realizamos a experiência educativa. só pode ser intuída pelo professor e ajudá-lo ou confundi-lo. refletir sobre seus procedimentos de aprendizagem. com diversos graus de dificuldades. levando a refletirem sobre seus entendimentos no diálogo educativo. • mediar a expressão do conhecimento ao longo de tarefas gradativas e articuladas. nessas intervenções.Note-se ainda que a interação social é fundamental. atento. Mediando a experiência educativa. o conceito de mobilização implica a ideia do movimento. sendo uma interpretação que assume diferentes significados e dimensões ao longo do processo educacional. Mediando a mobilização. O papel do educador ao desencadear processos de aprendizagem é o de mediador da mobilização para aprendê-lo. sem antecipar respostas prontas. mas não deverá dizê-lo assim suas orientações serão sempre incompletas. uma vez que o processo de aprendizagem. É preciso que ele seja propositivo. minimizam a pressão exercida pelo questionamento do professor. . • Reconhecer que o processo de conhecimento é qualitativamente diferente. pois resulta da ação do aprendiz sobre o objeto de conhecimento e da interação social. • mediar as estratégias de aprendizagem no meio de atividades diversificadas e diferenciadas. de interação de trocas. O que o aluno já sabe é baseado em elaborações intuitivas sobre dados da realidade. Os processos de educação e de avaliação exigem do professor a postura investigativa durante todo o percurso educativo. exigindo-lhe manter-se flexível. experiências interativas e oportunidades de expressão do pensamento individual. Esses desafios possibilitam a aquisição de competências necessárias aos professores/profissionais reflexivos. uma vez que “são dúvidas” . entendido como construção do conhecimento. A dinâmica da avaliação é complexa. diferentes graus de compreensão. Mediar a mobilização significa suscitar o envolvimento do aluno no processo de aprendizagem. que necessita ser aperfeiçoado. ampliada progressivamente. sem desrespeitar. tanto por parte do professor como do aluno. de forma individual. Atividades diversificadas ou diferenciadas? Diversificar experiências educativas representa alguns princípios importantes em avaliação mediadora: diversificá-las em tempo.Para Charlot. refletir sobre si próprio enquanto aprendiz.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS reconstrução é importante porque. graus de dificuldade. • Mediar o desenvolvimento de aprendizagens coletivas e de atendimento individual. pois nela se dará a aprendizagem. consiga questionar e provocar. A análise das concepções prévias dos alunos não pode ser confundida com as condições prévias do aluno. por meio de diferentes linguagens.Duas perguntas se tornam essenciais na mediação: Qual a dimensão do envolvimento do aluno com a atividade de aprender? Como ele interage com os outros? As estratégias de aprendizagem. sem delimitar. • O aluno nem sempre expressa suas dúvidas ou as expressa claramente. termos de realização individual. mas estes necessitam ser redimensionados continuamente ao longo do processo. é ao mesmo tempo individual e coletivo. termos dos recursos didáticos e termos da expressão do conhecimento. e pode ser reformulada. e no próprio professor. a linguagem é a mediação do pensamento. A investigação de concepções prévias. Não há sentido em avaliar tarefas coletivas atribuindo valores individuais ou somar pontos por participação e outras atividades. Conhecer as concepções prévias do aluno favorece o planejamento em termos de pontos de partida. Significa oferecer aos aprendizes: experiências necessárias e complementares (diversificadas no tempo). Para Vygotsky e Piaget. em pequenos grupos.A avaliação é um processo dinâmico e espiralado que acompanha o processo de construção do conhecimento. em grandes grupos para promover confronto de ideias entre aprendizes e entre estes e o professor. As condições prévias referem-se a história escolar e de vida de cada aluno. Através mobilização. • Ouvir o aluno antes de intervir assegura melhores interpretações sobre suas estratégias. • A estratégia utilizada pelo aluno. de diálogos. Os desafios propostos durante a atividade educativa são observados por Hoffmann: • Nem sempre o que o professor diz ao estudante é entendido como ele gostaria. o que nos possibilita mobilizar novas competências adquiridas no processo.

Os instrumentos de avaliação devem respeitar as diferentes formas de expressão do aluno. Uma postura reflexiva do aluno e do professor. itens de resposta. tendo . relatórios de avaliação envolve meios de registro de um conjunto de aprendizagem do aluno que permitam ao professor. sendo necessário. questões combinadas. desde sua concepção. fazendo anotações e outros apontamentos. ora é o professor quem registra o que observou do aluno. não possui uma finalidade em si.. escreve ou faz não é seu pensamento. tais como: provas (objetivas e dissertativas) exercícios. a avaliação subsidia decisões a respeito da aprendizagem dos educandos. as estratégias que utiliza e sua interação com os outros. Nada. de tal forma que registros classificatórios sejam superados em favor de registros que assumam o caráter de experiências em construção. está falando sobre testes. mas apenas relativas ao conjunto de aprendizagens ocorridas em um dado período. Tarefas gradativas e articuladas. ou vale para todas as situações. Instrumentos de avaliação são registros de diferentes naturezas. para sua superação. para não cairmos no erro do esquecimento. Implica também refletir sobre as condições oferecidas para que tal conjunto de aprendizagem ocorra. nem de ordem atitudinal. etc. registrando e organizando dados da nossa memória. expressando o seu conhecimento em tarefas. precisamos agir como historiadores.tarefas avaliativas. Quando a autora se refere a instrumentos de avaliação. inseguranças. organização no papel. Critérios de correção de tarefas. que também evolui. ao próprio aluno e a suas famílias uma visão evolutiva do processo. No caso que nos interessa. toda avaliação. A Avaliação da Aprendizagem Escolar A avaliação da aprendizagem escolar adquire seu sentido na medida em que se articula com um projeto pedagógico e com seu consequente projeto de ensino. A organização de dossiês dos alunos. daí a necessidade do diálogo. Esses instrumentos tornam-se mediadores na medida em que contribuem para entender a evolução do aluno e apontar ao professor novos rumos para sua intervenção pedagógica sempre o mais favorável possível à aprendizagem do aluno. compreensão do processo de construção está atrelado às concepções sobre a finalidade de educação. desenhos. numa visão mediadora. Os registros em avaliação mediadora envolvem desde o uso de instrumentos comumente utilizados. mas sua expressão. definirão a dimensão do diálogo entre alunos e professor.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Mediar a expressão do conhecimento implica a reutilização de instrumentos de avaliação como desencadeadores da continuidade da ação pedagógica. Instrumentos a serviço das metodologias. • para o aluno: oportunidade de reorganização e expressão de conhecimentos x elemento de reflexão sobre os conhecimentos construídos e procedimentos de aprendizagem. favorecera tomada de consciência do aluno sobre limites e possibilidades no processo de conhecimento. mas a sua expressão. em avaliação. as quais determinam as estratégias metodológicas de ensino. de acordo com suas necessidades e possibilidades. A interpretação que o professor faz das expressões do aluno está sempre sujeita a ambiguidades. notas ou conceitos não podem ser consideradas definitivas. Mediar a aprendizagem significa. objetividade e cientificidade. A interpretação dos sentidos. portfólios. possibilitando ao educando refletir sobre sua apropria aprendizagem. em termos de procedimento. escolha de afirmações verdadeiras ou Didatismo e Conhecimento 129 falsas. por seus aspectos formais: número de páginas. Nesse sentido. nem devem ser centrados em cumprimento de tarefas quantitativos ou organização de cadernos e materiais. etc. ao mesmo tempo em que definem a dimensão do diálogo entre alunos e professor. desde um simples comentário do professor até o uso de instrumentos formais. Critérios de avaliação podem ser entendidos por orientações didáticas de execução de uma tarefa. Os registros escolares precisam refletir com clareza os princípios de avaliação mediadora delineados. de todos os alunos. Registros em avaliação mediadora Se estivermos contando uma história. planejamento de estratégias de intervenção. vemos ou lemos não é o pensamento do aluno. serve como regra geral. ela subsidia um curso de ação que visa construir um resultado previamente definido. da troca de ideias que favoreça a convergência de significados. O principio fundamental da expressão do conhecimento: o que ouvimos. Isso só ocorre mediante a postura igualmente reflexiva do educador. a partir de ações do cotidiano. a avaliação mediadora é mais exigente e rigorosa para alunos e professores porque suscita a permanente análise do pensamento em construção. Respeito às diferentes formas de expressão. o que significa muitas tarefas individuais e análise imediata do professor. A avaliação. uma vez que está em processo de aprendizagem. que também evolui e se aprimora progressivamente e necessita ser trabalhada. trabalhos e outros instrumentos. tanto no geral quanto no caso específico da aprendizagem. a clareza de intenções do professor sobre o uso que fará dos seus resultados. Os limites no diálogo entre professores e alunos devem ser considerados como positivos na busca de sintonia. pois o que verdadeiramente importa é a clareza da tarefa para o aluno e a reflexão do professor sobre a interpretação que será dada as expressões dos alunos em termos de encaminhamentos pedagógicos a serem realizados a seguir. tem por finalidade a evolução do aluno em termos de postura reflexiva sobre o que aprende. se aprimora e precisa ser trabalhada. O processo de avaliação precisa ser coerente com todo o processo de aprendizagem. testes. trabalhos e todas as formas de expressão do aluno que me permitam acompanhar o seu processo de aprendizagem . Na perspectiva mediadora. indefinições. A prática classificatória assumiu “status” de precisão.Os registros não necessitam ser genéricos. confiantes em sua perspectiva ética e humanizadora. preenchimento de lacunas. são planejadas tendo como referencia principal a sua finalidade. está sempre sujeita a ambiguidade. O que o aluno fala. definição de sua finalidade. originando significativas práticas de auto-avaliação. Os instrumentos de avaliação. a reflexão em ação e a reflexão sobre a ação (trocando ideias com outros colegas). O significado dos registros para os professores. Tarefas avaliativas. itens de múltipla escolha. muito mais do que embasados em normas de elaboração. Para Hoffmann. Ora é o aluno que é levado a fazer os próprios registros. normas de redação técnica. sendo o desempenho do aluno considerado como provisório. As tarefas avaliativas operam funções de reflexão que possibilitam: • para o professor: elemento de reflexão sobre os conhecimentos expressos pelos alunos x elemento de reflexão sobre o sentido da sua ação pedagógica. inseguranças e indefinições. expressos por ambos. em termos do planejamento e análise.

adquirindo conotação numérica. No contexto do pensamento marxista. o professor tem diversas possibilidades de utilizá-lo. são de verificação ou de avaliação. Muito Bom.crianças. ao longo deste texto. ganhando conotação verbal. de notas ou conceitos. no caso dos conceitos. identificando-a com o conceito de verificação ou de avaliação. Um exemplo é suficiente para compreender como se dá esse processo. Tendo por base a compreensão exposta neste texto. é expor os elementos do movimento real na prática escolar. ME (médio) = cinco ou seis acertos. objetivo . Por exemplo. a ciência. Por isso. a análise crítica que pretendemos proceder da prática avaliativa. basta fazer uma média simples ou ponderada. SR = sem rendimento. MI = médio inferior. para obter o resultado final de um bimestre ou ano letivo. expressam a qualidade que se atribui à aprendizagem do educando. A ciência constitui um instrumento com o qual se trabalha no desvendamento dos objetos e. mas sem nenhuma grande dificuldade. MS = médio superior. SS (superior) = nove ou dez acertos. Para proceder a essa transformação tem-se estabelecido variadas tabelas de conversão. Regular. multiplique as situações e os momentos de aferição do aproveitamento escolar. os professores realizam. A transformação dos resultados medidos em nota ou conceito dá-se através do estabelecimento de uma equivalência simples entre os acertos ou pontos obtidos pelo educando e uma escala. a literatura. abordaremos a prática da aferição do aproveitamento escolar. referentes aos resultados da aprendizagem dos educandos. que serão expostos neste texto. um aluno que acertou oito questões obtém nota oito. ou em conceito. Notas e conceitos. Caso o professor. tentando responder à seguinte pergunta: a configuração formada pelos dados da prática escolar. Péssimo. que nos permitirá.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS em vista garantir a qualidade do resultado que estamos construindo. Utilização dos Resultados Com o resultado em mãos. conforme a decisão. Isso significa que iremos trabalhar com esses conceitos a partir de suas “determinações” no movimento real da prática escolar com a qual convivemos. medida sob a forma de acertos ou pontos. como um “concreto pensado”. por decisão pessoal ou por norma escolar. O nosso esforço. A partir daí. teremos sempre presente este fato. O conceito é uma formulação abstrata que configura. no limite do possível. cada professor cria a sua. ela nos permite. o conceito equivale a uma categoria explicativa. Iniciaremos nossa análise pela descrição fenomenológica dessas três condutas dos professores. No caso deste texto. As escalas de conversão poderão ser mais complexas que estas. é transformado ou em nota. estaremos retirando consequências para a prática docente. ao final. e não com os termos verificação e avaliação. Transformação da Medida em Nota ou Conceito Outra conduta do professor no processo de aferição do aproveitamento escolar tem sido a conversão da medida em nota ou conceito. MI (médio inferior) = três ou quatro acertos. MS (médio superior) = sete ou oito acertos. IN = inferior. que prioriza o desenvolvimento dos educandos . e assim sucessivamente. na perspectiva de. tais como Excelente. Se não há uma tabela oficial na escola. não pode ser estudada. por sua vez. relativos ao tratamento dos resultados da aprendizagem dos alunos.por suposto. por isso. o professor obtém o resultado . posteriormente. entre MS e a nota oito. pode-se estabelecer a equivalência entre S e a nota dez. tais como: . Importa enfatizar que estaremos trabalhando com os conceitos de verificação e avaliação. A transformação de acertos em conceitos poderia ser feita por uma escala como a que segue: SR (sem rendimento) = nenhum acerto. • transformação da medida em nota ou conceito. obtendo-se o que seria a média da aprendizagem do educando no bimestre ou no semestre letivo. definida e delineada sem um projeto que a articule. os encaminhamentos que estaremos fazendo para a prática da avaliação da aprendizagem destinam-se a servir de base para tomadas de decisões no sentido de construir com e nos educandos conhecimentos.da aprendizagem do educando que. Tal descrição delimita um quadro empírico. em princípio. previamente definida. No caso das notas. a arte. escolher um caminho de ação. as determinações de um objeto ou fenômeno. através da assimilação ativa do legado cultural da sociedade.a partir de um processo de assimilação ativa do legado cultural já produzido pela sociedade: a filosofia. Bom. tendo como matriz de abordagem os conceitos de verificação e avaliação. jovens e adultos . que seria dez. que de símbolos qualitativos se transformam indevidamente em quantitativos. Aqui também ocorre a transposição indevida de qualidade para quantidade. assumindo que estamos trabalhando no contexto do projeto educativo. no pensamento. que ordena. três procedimentos sucessivos: • medida do aproveitamento escolar. as correspondências entre acertos e notas são simples: cada questão equivale a um décimo da nota máxima. habilidades e hábitos que possibilitem o seu efetivo desenvolvimento. ele se utiliza da média de notas ou conceitos. Com o processo de medida. o resultado é expresso ou por símbolos alfabéticos. que cremos serem coerentes e consistentes. ainda que impropriamente. deixa-nos aberta a possibilidade de encaminhamentos. retirar proveitos para a prática docente. acreditando que o esforço científico visa fundamentar a ação humana de forma adequada. ME = médio. Para os desvendamentos e proposições sobre a avaliação da aprendizagem. tais como SS = superior. ou por palavras denotativas de qualidade. Para um teste de dez questões. praticados pelos professores. obter uma média de conceitos qualitativos. a média é facilitada pelo fato de se estar operando com números. Inferior. Assim. basicamente. IN (inferior) = um ou dois acertos. com alguma segurança. os modos de ser e de viver. de tal forma que se torna possível. Neste último caso. Fenomenologia da Aferição dos Resultados da Aprendizagem Escolar Na prática da aferição do aproveitamento escolar. • utilização dos resultados identificados. “síntese de múltiplas determinações’”. compreende e expressa uma realidade empírica concreta. em função do instrumento de coleta de dados que constrói ou utiliza. Deste modo. abstrair caDidatismo e Conhecimento 130 racterísticas que nos indicarão se os atos de aferição do aproveitamento escolar. a média é obtida após a conversão dos conceitos em números. define-se como verificação ou como avaliação? Da resposta que pudermos dar a esta questão.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS .atentar para as dificuldades e desvios da aprendizagem dos educandos e decidir trabalhar com eles para que.verumfacere . Didatismo e Conhecimento 131 A dinâmica do ato de verificar encerra-se com a obtenção do dado ou informação que se busca. As entrelinhas do processo descrito no tópico anterior demonstram que. no pensamento abstrato. A Escola Opera Com Verificação e Não Com Avaliação da Aprendizagem Iniciemos pelos conceitos de verificação e avaliação. produzindo uma configuração do efetivamente aprendido. isto é. sob a forma de verificação. afetivas. de fato. identificarmos se a fenomenologia da aferição do aproveitamento escolar. sob a forma de verificação. no movimento real da aferição da aprendizagem escolar. . A avaliação. podemos dizer que a prática educacional brasileira opera na quase totalidade das vezes. possibilitando consequências na direção da construção. • atribuir uma qualidade a essa configuração da aprendizagem.situação que nenhum de nós. a efetiva aprendizagem seria o centro de todas as atividades do educador. para. fugiremos ao aspecto classificatório que. através da ameaça de reprovação .reifica a aprendizagem. não é para proceder a uma aprendizagem ainda não realizada ou ao aprofundamento de determinada aprendizagem. o atual processo de aferir a aprendizagem escolar. aprová-lo’. por isso. propomos que a avaliação do aproveitamento escolar seja praticada como uma atribuição de qualidade aos resultados da aprendizagem dos educandos. Com isso. a verificação transforma o processo dinâmico da aprendizagem em passos estáticos e definitivos. é um desvio. o conceito verificação emerge das determinações da conduta de. tem atravessado a aferição do aproveitamento escolar. “vê-se” ou “não se vê” alguma coisa. pedindo-lhe que estude para fazer uma segunda aferição. estamos preocupados com a aprovação ou reprovação do educando. Por isso. Ao contrário. ao contrário. buscar “ver se algo é isso mesmo”. construam efetivamente os resultados necessários da aprendizagem. segundo nossa concepção. pois exige que estejamos. Em síntese. em si. análise e síntese dos dados ou informações que delimitam o objeto ou ato com o qual se está trabalhando. não é para que o educando estude a fim de aprender melhor. tendo por base seus aspectos essenciais e. as manifestações das condutas cognitivas. em nossa ação docente.registrá-lo. a partir de um padrão (nível de expectativa) preestabelecido e admitido como válido pela comunidade dos educadores e especialistas dos conteúdos que estejam sendo trabalhados. Em síntese. E nas ocasiões onde se possibilita uma revisão dos conteúdos. mas sim a nota. se configura como verificação ou avaliação. possui uma nota ou um conceito de reprovação. no geral. no momento em que se chega à conclusão que tal objeto ou ato possui determinada configuração. como verificação. por isso. Uso da Avaliação Em primeiro lugar. Contudo. à medida que tem servido para desenvolver o ciclo do medo nas crianças e jovens. simplesmente. aprendam aquilo que deveriam aprender. Diante do fato de que. neste segmento do texto. O processo de verificar configura-se pela observação. E isso. psicomotoras . o professor deverá: • coletar. no máximo. . nesta circunstância. permitindo que ele faça uma nova aferição. sob a forma de verificação. a segunda opção. fazendo dela uma “coisa” e não um processo. A partir dessa observação. Nesse sentido. o desenvolvimento do educando. Por si. do ponto de vista educativo. no geral. consistente. A terceira opção possível de utilização dos resultados da aprendizagem é a mais rara na escola. dos resultados que se deseja. uma “oportunidade” de melhorar a nota ou conceito. caso ele tenha obtido uma nota ou conceito inferior. na quase totalidade das vezes. verificação não implica que o sujeito retire dela consequências novas e significativas. ainda impõe aos educandos consequências negativas. tem-se utilizado o processo de aferição da aprendizagem de uma forma negativa. têm sido incapaz de retirar do processo de aferição as consequências mais significativas para a melhoria da qualidade e do nível de aprendizagem dos educandos. ao avaliar. deve-se observar que a orientação. esta não tem sido a nossa conduta habitual de educadores escolares. A partir dessas observações. algumas indicações que poderão ser estudadas e discutidas na perspectiva de gerar encaminhamentos para a melhor forma de condução possível do ensino escolar. Se os dados obtidos revelarem que o educando se encontra numa situação negativa de aprendizagem e. as observações até aqui desenvolvidas demonstram que a aferição da aprendizagem escolar é utilizada. sinteticamente. tendo em vista a melhoria da nota e. O momento de aferição do aproveitamento escolar não é ponto definitivo de chegada. . manifesta-se como um ato dinâmico que qualifica e subsidia o reencaminhamento da ação. como a de viver sob a égide do medo.oferecer ao educando. neste caso. no mínimo registram-se os dados em cadernetas e.e significa “fazer verdadeiro”. mas para que estude “tendo em vista a melhoria da nota”.dos educandos. usualmente tem-se utilizado a primeira e. analisar e sintetizar. propomos. para classificar os alunos em aprovados ou reprovados. uma tomada de decisão que direcione o aprendizado e. mas um momento de parar para observar se a caminhada está ocorrendo com a qualidade que deveria ter. descrita no item anterior. pode desejar para si ou para outrem. usualmente. a seguir. isto é. no máximo. O modo de trabalhar com os resultados da aprendizagem escolar .sob a modalidade da verificação. polarizados pela aprendizagem e desenvolvimento do educando. nos deparamos com a prática escolar da verificação e não da avaliação. importa observar que o que está motivando e polarizando a ação não é a aprendizagem necessária. mas sim para “melhorar” a nota do educando e. a escola brasileira opera com a verificação e não com a avaliação da aprendizagem. “investigar a verdade de alguma coisa”. chama-se a atenção do aluno. O termo verificar provém etimologicamente do latim . Contudo. Neste sentido. como objetivo final. da forma mais objetiva possível. obtenção. A verificação encerra-se no momento em que o objeto ou ato de investigação chega a ser configurado. intencionalmente. contudo. em sã consciência. através da constante “ameaça” da reprovação. poder-se-á arguir: estudar para melhorar a nota não possibilita uma aprendizagem efetiva? É possível que sim. no Diário de Classe ou Caderneta de Alunos. e isso depende mais de uma nota que de uma aprendizagem ativa. inteligível. consequentemente. e tendo ciência de que o exercício efetivo da avaliação seria mais significativo para a construção dos resultados da aprendizagem do educando. além de não obter as mais significativas consequências para a melhoria do ensino e da aprendizagem.

c)Duas estão corretas. e)Todas estão erradas. no contexto escolar. tendo em vista: . o objetivo primeiro da aferição do aproveitamento escolar não será a aprovação ou reprovação do educando. habilidades e hábitos e não uma média mínima de notas. ou a sua reorientação. III e IV apresentam satisfatoriamente princípios pertinentes aos propósitos educacionais previstos na LDB e na Constituição Federal. 2.394/1996. A primeira é dinâmica. a verificação. vale lembrar o baixo investimento pedagógico. estamos pouco atentos ao seu efetivo desenvolvimento. terá espaço. e)Estimular as potencialidades dos estudantes. os processos formativos educacionais nela descritos abrangem os que se desenvolvem. b)Assegurar o desenvolvimento das capacidades dos estudantes. A nossa prática educativa se expressa mais ou menos da seguinte forma: “Ensinamos. III – pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas. se ele não tiver sido satisfatório. Os dados estatísticos educacionais estão aí para demonstrar o pequeno investimento. porém. Resposta D. II – liberdade de aprender. desde que ela só dimensione o fenômeno sem encaminhar decisões. mas o direcionamento da aprendizagem e seu consequente desenvolvimento. hoje. A ciência pedagógica. Rigor Científico e Metodológico: Para que a avaliação se tome um instrumento subsidiário significativo da prática educativa. em seu sentido pleno. ou seja. estamos interessados na aprovação ou reprovação dos educandos nas séries escolares. pesquisar e divulgar o pensamento. A resposta correta é A. e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino. a verificação é uma configuração dos resultados parciais ou finais. Nós. que se manifestem em prol do desenvolvimento do educando. sim. na efetiva aprendizagem do educando. tanto do ponto de vista financeiro quanto do pedagógico. Todavia. ensinar. o que é que vamos fazer”? De fato. caso se considere que.A gratuidade do ensino fundamental em estabelecimentos oficiais de ensino é garantida constitucionalmente a alunos de: . exceto: a)na vida familiar. importa estabelecer um padrão mínimo de conhecimentos. A avaliação implica a retomada do curso de ação. seja efetivamente essencial para a formação do educando. professores.(PI 2006 – PEDAGOGO) – Não é função do ensino: a)Organizar os conteúdos de uma área do saber. d)Três estão corretas. pois os itens I. há que se investir na construção dos resultados desejados. pois sem ela a avaliação não alcançará seu papel significativo na produção de um ensino-aprendizagem satisfatório. caso esteja se desviando. d)Estabelecer juízos sobre o desempenho dos estudantes. IV – gratuidade do ensino público. pois não é papel do educador estabelecer juízos sobre o desempenho dos estudantes. d)nas instituições de ensino e pesquisa. 3. caso sua qualidade se mostre insatisfatória e o conteúdo. mas sim contribuir para que ele evolua no processo. todavia. a)Todas estão corretas.Segundo disposição constitucional vigente.a reorientação imediata da aprendizagem. Parece um contra senso essa afirmação.Segundo disposição expressa no art.o encaminhamento dos educandos para passos subsequentes da aprendizagem.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS • a partir dessa qualificação. está suficientemente amadurecida para oferecer subsídios à condução de uma prática educativa capaz de Didatismo e Conhecimento 132 levar ã construção de resultados significativos da aprendizagem. a LDB. Padrão Mínimo de Conduta: Para que se utilize corretamente a avaliação no processo ensino-aprendizagem. a avaliação não terá espaço. c)Transmitir conhecimento e informação. tomar uma decisão sobre as condutas docentes e discentes a serem seguidas. que esteja sendo ensinado e aprendido. 4)(Prefeitura Municipal de Sorocaba/SP-2001) . . b)Apenas uma está correta. habilidades e hábitos que o educando deverá adquirir. é importante que tanto a prática educativa como a avaliação sejam conduzidas com um determinado rigor científico e técnico. habilidade ou hábito. estática. há que se ensinar até que aprendam. b)na convivência humana. QUESTÕES Alguns exercícios 1. os alunos não aprenderam e estamos interessados que aprendam. II. e)nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil. No caso da avaliação da aprendizagem. A avaliação é um diagnóstico da qualidade dos resultados intermediários ou finais. c)nas manifestações grevistas. não poderíamos deixar de menciona-la. não é o que ocorre. só será possível na medida em que se estiver efetivamente interessado na aprendizagem do educando. Não caberia tratar desta questão neste texto. atingiram um nível da satisfatoriedade no que estava sendo trabalhado. Sem esta perspectiva dinâmica de aprendizagem para o desenvolvimento. qualitativamente. mas em nenhum momento se faz menção ao direito à greve ou sua estruturação. assim como normalmente os alunos e seus pais. o ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I – igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola. um padrão mínimo de conhecimentos. A avaliação só pode funcionar efetivamente num trabalho educativo com estas características. Estar interessado que o Educando Aprenda e Desenvolva: A prática da avaliação da aprendizagem. Assim. na medida em que podemos pensar que quem está trabalhando nó ensino está interessado em que os educandos aprendam. pois todos os demais processos estão previstos no 1º Artigo da LDB. 1º da lei nº 9. como ocorre hoje na prática escolar. há que se estar interessado em que o educando aprenda aquilo que está sendo ensinado. a segunda. A resposta a ser assinalada é a alternativa C. a arte e o saber. mas os alunos não aprenderam. O sistema social não demonstra estar tão interessado em que o educando aprenda a partir do momento que investe pouco na Educação. se ensinamos.

o trabalho e as práticas sociais. identifique aquele que se concretiza mais diretamente nas atividades do professor. Está correto o contido em (A) I. c)Três estão corretas. II . (D) gestão democrática do ensino público. III . d)Pela educação infantil apenas. (D) I. (E) II. II. e)Até 21 anos. II e III. (B) elevação global da escolarização dos educandos. podem ser trabalhados com o objetivo de desenvolver nos alunos uma postura de respeito às diferenças. 21 da LDB. Didatismo e Conhecimento . (C) II. (A) vinculação entre a educação escolar. (E) a qualidade do educando na totalidade. nos estabelecimentos oficiais. As demais estão incompletas. (C) acesso e permanência dos educandos nas escolas. d)Até 18 anos.Julgue os itens a seguir e assinale a opção correta: O Sistema Federal de ensino compreende: I .compartilhamento na solução de problemas e nas tomadas de decisão do diretor escolar. II . 6 .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS a)Até 14 anos. III e V. (C) I e II. e que continuem sendo tratados cada vez com maiores possibilidades de reflexão.estabelecimento de objetivos claros e democráticos. A criança que brinca entra no mundo do trabalho. na forma dessa Lei. (B) gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais. relacionados a seguir. o que possibilitará um tratamento cada vez mais aprofundado das questões eleitas. c)Até 16 anos. (B) II. II e III. Estão corretas as afirmativas: (A) I. IV e V. (E) coexistência de instituições públicas e privadas de ensino.º 9.as instituições de ensino mantidas pela União. (E) imposição. 9– Ao concebermos a aprendizagem como a sucessão de aquisições constantes e dependentes da oportunidade que o meio oferece ao educando. (D) II e III. Alternativa B. apenas.os órgãos federais de educação. entre professores e alunos e entre diferentes membros da comunidade escolar. V . 8 – O brincar fornece à criança a possibilidade de construir uma identidade autônoma e criativa. b)Qualquer idade. 5 . (E) I. III. (C) valorização do profissional da educação escolar.obedecendo ao princípio da participação dos profissionaisno projeto pedagógico. EXCETO: (A) melhoria da qualidade de ensino em todos os níveis. IV .implementação. pois o ensino fundamental deve ser garantido em qualquer idade a todos e de maneira gratuita. (D) o horário escolar. b)Duas estão corretas. c)Pelo ensino fundamental e ensino médio apenas. 12 – O trabalho realizado de forma conjunta pela coordenação e pela orientação pedagógica visa a atingir as seguintes finalidades educacionais.394/96. ensino fundamental e ensino médio. (B) a mídia. (D) democratização da gestão. compreensão e autonomia. na sala de aula. de acordo com os PCNs. apenas. da cultura e do afeto pela via da: 133 (A) família. (B) I. a Educação Básica é composta pela Educação Infantil e Ensinos Fundamental e Médio. 10 – Dos princípios de ensino estabelecidos na Lei Federal n. IV . permeiam necessariamente toda a prática educativa que abarca relações entre os alunos. (B) imaturidade. monitoramento e avaliação dos resultados.as instituições de educação superior mantidas pelo Poder Público estadual a)Uma está correta. III e IV. (D) coerção.A Educação Básica. assumimos um compromisso com: (A) o espaço físico de que o professor dispõe para trabalhar.(Prefeitura Municipal de Sorocaba/SP-2001) . nos termos do art. IV e V. ou seja. conforme salienta o Artigo 16 da LDB. é formada: a)Pela educação infantil.envolvimento de todos que fazem parte direta ou indiretamente no processo educacional. Resposta C. 11 – A respeito dos Temas Transversais. pode-se afirmar que I. e)Pelo ensino fundamental apenas. (C) a valorização das diferenças individuais entre os alunos. b)Pela educação infantil e ensino fundamental apenas. desde o início da escolaridade. Alternativa A.as instituições de educação superior criadas e mantidas pela iniciativa privada. III . e)Todas estão erradas. 7 – Por gestão participativa entende-se: I . implicam a necessidade de um trabalho sistemático e contínuo no decorrer de toda a escolaridade. apenas.visão de conjunto associada a uma posição hierárquica. apenas. (C) representação e da experimentação. d)Todas estão corretas. (E) garantia da obtenção de qualquer formação mínima para o exercício da cidadania.

(C) a capacidade de crítica e o desenvolvimento de técnicas. A 14. assim como a tentativa de articular a variada gama de iniciativas educacionais. (C) a ruptura entre a educação básica e o ensino superior. pode ser considerado um avanço no esforço para superar: (A) a falta de articulação entre a educação regular. (B) o abandono da educação de jovens e adultos trabalhadores. extensa a todo o território nacional. Essa função socializadora remete a dois aspectos: (A) a Inter socialização entre diferentes grupos e a aquisição de conhecimentos científicos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 13 – O empenho em conceituar a educação de forma ampla. tem o compromisso de intervir efetivamente para promover o desenvolvimento e a socialização de seus alunos. (E) as divergências entre a Secretarias de Educação e o Conselho Nacional de Educação visando a redefinição de diretrizes. buscando o caminho para a construção de uma escola comum. B 11. B 10. E 9. prioridades e objetivos com vistas à elaboração de uma política pública que atenda ao território brasileiro. educação de populações indígenas. D ANOTAÇÕES ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— 134 ANOTAÇÕES ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— Didatismo e Conhecimento . C 12. da pré-escola e da creche com os sistemas de ensino fundamental e médio das redes municipais e estaduais. educação especial. por ser uma instituição social com propósito explicitamente educativo. incorporadas em forma de legislação. (D) o desenvolvimento individual e o contexto social e cultural. (D) a desvinculação da educação infantil. GABARITO 7. (E) a compreensão das relações sociais e a valorização do processo educativo-pedagógico. (B) a compreensão do mundo acadêmico e integração entre os sujeitos aprendentes. 14 – A escola. formação técnico-profissional e educação à distância. a educação infantil e o ensino fundamental com as estratégias de atendimento a população infanto-juvenil. C 13. E 8.

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