CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
1 LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL: LEI Nº 9.394/96 E SUAS ALTERAÇÕES.
TÍTULO I Da Educação Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. § 1º Esta Lei disciplina a educação escolar, que se desenvolve, predominantemente, por meio do ensino, em instituições próprias. § 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social. Destaca-se que a lei possui abrangência somente nos ambientes escolares, sendo que processos educacionais são muito mais amplos e também podem ocorrer em outros espaços e situações. TÍTULO II Dos Princípios e Fins da Educação Nacional Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; IV - respeito à liberdade e apreço à tolerância; V - coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; VI - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; VII - valorização do profissional da educação escolar; VIII - gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino; IX - garantia de padrão de qualidade; X - valorização da experiência extraescolar; XI - vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais. Todos os aspectos mencionados neste artigo são de extrema importância, visto que abordam os princípios democráticos previstos e inspirados pela Constituição promulgada em 1988, na qual se valorizam a criticidade, a participação popular, o envolvimento coletivo, o pluralismo de ideias entre outros aspectos. TÍTULO III Do Direito à Educação e do Dever de Educar Art. 4º O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de:
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LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, popularmente conhecida pela sigla LDB, define e regulariza o sistema de educação  brasileiro  baseado em princípios constitucionais. A primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional foi criada no ano de 1961, sendo posteriormente substituída por uma nova versão, já em 1971. A mais recente, e também atual, foi promulgada no ano de 1996. Em 1988, com a promulgação da Nova Constituição da República Federativa do Brasil, a versão anterior da LDB foi considerada obsoleta, carecendo de uma interpretação mais atualizada e atenta aos novos desafios educacionais do país. No entanto, esta aprovação aconteceu somente após oito anos da nova constituição, ou seja, em 1996. O texto aprovado em 1996 é fruto de um longo debate, pautado na existência de duas propostas distintas, quais sejam: a primeira, popularmente conhecida como Projeto Jorge Hage, sendo resultado de uma série de debates abertos com a sociedade, organizados pelo  Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública, apresentado na  Câmara dos Deputados; já a segunda foi elaborada pelos então senadores  Darcy Ribeiro,  Marco Maciel  e  Maurício Correa, sendo esta em articulação com o poder executivo através do MEC. Destaca-se que a principal divergência entre as duas versões era em razão do papel do Estado. O Projeto Jorge Hage apresentava uma grande preocupação com mecanismos de controle social do sistema de ensino; Já a segunda visava uma estrutura de poder mais centrada nas mãos do  governo. Ao final, prevaleceram majoritariamente as ideias da segunda proposta, encabeçadas pelo educador e então Senador Darcy Ribeiro. De antemão, antes da análise de alguns artigos, torna-se importante o apontamento de alguns aspectos principais relacionados à Lei 9394/96. A Lei foi promulgada no ano de 1996, mais precisamente no dia 20 de dezembro, sob o mandato do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Darcy Ribeiro foi o relator da lei 9394/96. Paulo Renato de Souza era o Ministro da Educação. A Nova LDB pressupõe a Gestão democrática do ensino público e progressiva autonomia pedagógica e administrativa das unidades escolares, aspectos previstos nos artigos 3 e 15. Na sequência segue a LDB na íntegra, acompanhada de alguns comentários dos aspectos mais relevantes. LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Didatismo e Conhecimento

Didatismo e Conhecimento 2 § 3º Qualquer das partes mencionadas no caput deste artigo tem legitimidade para peticionar no Poder Judiciário. manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais do sistema federal de ensino e o dos Territórios. nos termos deste artigo. também é papel do estado ofertar ensino noturno com as mesmas condições do ensino diurno. III . § 4º Comprovada a negligência da autoridade competente para garantir o oferecimento do ensino obrigatório. junto aos pais ou responsáveis. 208 da Constituição Federal. da pesquisa e da criação artística. Ainda. atendidas as seguintes condições: I . definidos como a variedade e quantidade mínimas.114. e. seja para os alunos em idade escolar. por aluno.atendimento gratuito em creches e pré-escolas às crianças de zero a seis anos de idade. II . II .oferta de ensino noturno regular. outros direitos merecem destaque. que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos. no ensino fundamental. obrigatório e gratuito.zelar. (Redação dada pela Lei nº 12. II . § 5º Para garantir o cumprimento da obrigatoriedade de ensino. o Distrito Federal e os Municípios organizarão. Art. os Estados. V . Art. ao Distrito Federal e aos Municípios para o desenvolvimento de seus sistemas de ensino e o atendimento prioritário à escolaridade obrigatória. Também. VII . exercendo sua função redistributiva e supletiva. transporte. garantindo-se aos que forem trabalhadores as condições de acesso e permanência na escola. inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria. organização sindical. a obrigatoriedade de matrícula dos menores a partir dos seis anos.autorização de funcionamento e avaliação de qualidade pelo Poder Público. . pela freqüência à escola. ressalvado o previsto no art. IV . em regime de colaboração. sendo gratuita e de rito sumário a ação judicial correspondente. de maneira gratuita. também é papel do estado o atendimento de alunos com necessidades especiais.acesso aos níveis mais elevados do ensino. 6o É dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula dos menores. seja para aqueles que não tiveram acesso em idade própria. na hipótese do § 2º do art. contemplando em seguida os demais níveis e modalidades de ensino. 9º A União incumbir-se-á de: (Regulamento) I . merece destaque vários aspectos. 7º O ensino é livre à iniciativa privada.fazer-lhes a chamada pública. no ensino fundamental público. IV .prestar assistência técnica e financeira aos Estados. de 2009) III . (Redação dada pela Lei nº 11. de 2008). o Distrito Federal e os Municípios. entidade de classe ou outra legalmente constituída. independentemente da escolarização anterior. Ademais. preferencialmente na rede regular de ensino. em colaboração com os Estados. os respectivos sistemas de ensino. Art. II . conforme as prioridades constitucionais e legais.ensino fundamental. como o papel do Estado em garantir a todos o ensino fundamental. § 2º Em todas as esferas administrativas.organizar.atendimento ao educando. ou seja. alimentação e assistência à saúde. de 2005) Esta informação é bastante observada em concursos. o Ministério Público. e com a assistência da União: I . sendo os pais os responsáveis sujeitos a penalidades se não a fizerem.padrões mínimos de qualidade de ensino. 5º O acesso ao ensino fundamental é direito público subjetivo. III .estabelecer. de modo a assegurar formação básica comum. Por fim. neste artigo.recensear a população em idade escolar para o ensino fundamental. ainda.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS I . com características e modalidades adequadas às suas necessidades e disponibilidades. Inegavelmente. em colaboração com os Estados. (Incluído pela Lei nº 11. Art. redistributiva e supletiva em relação às demais instâncias educacionais. segundo a capacidade de cada um. 8º A União. competências e diretrizes para a educação infantil.cumprimento das normas gerais da educação nacional e do respectivo sistema de ensino.061.700. § 2º Os sistemas de ensino terão liberdade de organização nos termos desta Lei. VIII . como o EJA adequando às necessidades e disponibilidades dos discentes e creches e préescolas gratuitamente a todas as crianças de zero a seis anos. grupo de cidadãos. em regime de colaboração. Art. o Poder Público criará formas alternativas de acesso aos diferentes níveis de ensino.universalização do ensino médio gratuito. o ensino fundamental e o ensino médio. por meio de programas suplementares de material didático-escolar. 213 da Constituição Federal. poderá ela ser imputada por crime de responsabilidade. o Distrito Federal e os Municípios.atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais. § 1º Caberá à União a coordenação da política nacional de educação. o Poder Público assegurará em primeiro lugar o acesso ao ensino obrigatório. a partir dos seis anos de idade. acionar o Poder Público para exigi-lo. III .elaborar o Plano Nacional de Educação. adequado às condições do educando. podendo qualquer cidadão. IX . de insumos indispensáveis ao desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem. § 1º Compete aos Estados e aos Municípios. TÍTULO IV Da Organização da Educação Nacional Nos próximos artigos. associação comunitária. articulando os diferentes níveis e sistemas e exercendo função normativa.oferta de educação escolar regular para jovens e adultos. VI . e os jovens e adultos que a ele não tiveram acesso. merece destaque o processo de universalização do ensino médio. X – vaga na escola pública de educação infantil ou de ensino fundamental mais próxima de sua residência a toda criança a partir do dia em que completar 4 (quatro) anos de idade.capacidade de autofinanciamento. torna-se importante perceber que as responsabilidade ora são específicas e ora são compartilhadas. preferencialmente na rede regular.

VI .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS V .elaborar e executar sua proposta pedagógica. Art. II .709. (Redação dada pela Lei nº 12.definir.assumir o transporte escolar dos alunos da rede estadual. cabe à União elaborar o Plano Nacional de Educação. autorizar. Os Estados incumbir-se-ão de: I . respectivamente. com a cooperação dos sistemas que tiverem responsabilidade sobre este nível de ensino. de 2009) VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município. credenciar.administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros.287. Didatismo e Conhecimento 3 Em resumo. reconhecer. se for o caso. II .baixar normas complementares para o seu sistema de ensino. Os Municípios incumbir-se-ão de: I .assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas. todas importantes para o entendimento das reais atribuições que cada escola.2003) Parágrafo único. III . sem exceções. objetivando a definição de prioridades e a melhoria da qualidade do ensino. bem como sobre a execução da proposta pedagógica da escola.autorizar. Os Municípios poderão optar. supervisionar e avaliar (ensino superior) – esta função também pode ser delegada ao estado. desde que mantenham instituições de educação superior.baixar normas complementares para o seu sistema de ensino. possui no processo. Art.assumir o transporte escolar dos alunos da rede municipal. os responsáveis legais. criando processos de integração da sociedade com a escola. parceria com os municípios para a oferta de ensino fundamental. reconhecer. III .coletar. de 31.assegurar o ensino fundamental e oferecer. 38 desta Lei. supervisionar seus estabelecimentos. Os estabelecimentos de ensino. baixar normas. credenciar.assegurar processo nacional de avaliação das instituições de educação superior. o ensino fundamental. elaborar e aplicar processos nacionais de avaliação. VI .autorizar. Art.elaborar e executar políticas e planos educacionais.oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas. haverá um Conselho Nacional de Educação. sendo. de 31. oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas e. ainda. (Redação dada pela Lei nº 12. formas de colaboração na oferta do ensino fundamental. a União terá acesso a todos os dados e informações necessários de todos os estabelecimentos e órgãos educacionais. por se integrar ao sistema estadual de ensino ou compor com ele um sistema único de educação básica. Em resumo. 11.articular-se com as famílias e a comunidade.assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar no ensino fundamental. terão a incumbência de: I . Em resumo. II . § 3º As atribuições constantes do inciso IX poderão ser delegadas aos Estados e ao Distrito Federal. com os Municípios. os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino. as quais devem assegurar a distribuição proporcional das responsabilidades. baixar normas (graduação e pós-graduação).2003) Parágrafo único. analisar e disseminar informações sobre a educação. manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino. transporte (rede estadual). III . IV . e. sobre a frequência e rendimento dos alunos. estabelecer competências e diretrizes (nortear currículos). 10. supervisionar e avaliar. § 2° Para o cumprimento do disposto nos incisos V a IX. (Incluído pela Lei nº 10. integrando e coordenando as suas ações e as dos seus Municípios. § 1º Na estrutura educacional.(Incluído pela Lei nº 10. transporte de alunos da rede municipal. A seguir. independente do nível ou modalidade. permitida a atuação em outros níveis de ensino somente quando estiverem atendidas plenamente as necessidades de sua área de competência e com recursos acima dos percentuais mínimos vinculados pela Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento do ensino. respeitado o disposto no art.013. possibilidade de atuar em outros níveis de ensino. em consonância com as diretrizes e planos nacionais de educação. V . IX . o ensino médio a todos que o de andarem. serão apresentadas todas as obrigações das unidades de ensino.exercer ação redistributiva em relação às suas escolas. VI . integrando-os às políticas e planos educacionais da União e dos Estados. VI . assegurar o ensino fundamental.061. de acordo com a população a ser atendida e os recursos financeiros disponíveis em cada uma dessas esferas do Poder Público. ao juiz competente da Comarca e ao respectivo representante do Ministério Público a relação dos alunos que apresentem quantidade de faltas acima de cinquenta por cento do percentual permitido em lei. em colaboração com os sistemas de ensino. V . com prioridade. baixar normas complementares. VIII . IV .709.baixar normas gerais sobre cursos de graduação e pós-graduação.organizar.autorizar.informar pai e mãe. reconhecer. respectivamente. respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino. manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino. com prioridade. V . conviventes ou não com seus filhos. (Incluído pela Lei nº 10.7. cabe aos Estados e ao Distrito Federal Manter suas instituições oficiais. VII . supervisionar e avaliar. de 2001) . credenciar e supervisionar os estabelecimentos do seu sistema de ensino. criado por lei. o ensino fundamental. VII . os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino. médio e superior. 12. com prioridade. cabe aos municípios manter instituições oficiais. Ao Distrito Federal aplicar-se-ão as competências referentes aos Estados e aos Municípios. com funções normativas e de supervisão e atividade permanente. IV .prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento. de 2009) VII .velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente.organizar. e. credenciar.7. prestar assistência técnica e financeira.

II . Percebe-se. Os sistemas municipais de ensino compreendem: I . além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento. Agora. criadas e mantidas pela iniciativa privada. amplamente difundido na nova LDB. III .as instituições de educação infantil criadas e mantidas pela iniciativa privada.elaborar e cumprir plano de trabalho.as instituições de educação superior mantidas pelo Poder Público municipal. assim entendidas as criadas ou incorporadas. 19. pelo Poder Público estadual e pelo Distrito Federal. Na sequência. Art. A educação escolar compõe-se de: I . III . Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira. assim entendidas as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas que atendem a orientação confessional e ideologia específicas e ao disposto no inciso anterior. temas estes bastante recorrentes em concursos ligados à LDB. 17. sem fins lucrativos. Art. (Redação dada pela Lei nº 12.os órgãos federais de educação. pois são de fácil interpretação.educação superior. TÍTULO V Dos Níveis e das Modalidades de Educação e Ensino CAPÍTULO I Da Composição dos Níveis Escolares Os níveis escolares apresentados na sequência não carecem de maiores comentários. II .participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola. 15.as instituições de educação superior criadas e mantidas pela iniciativa privada. médio e de educação infantil mantidas pelo Poder Público municipal. V . 22. Os docentes incumbir-se-ão de: I . assim entendidas as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas.privadas. O sistema federal de ensino compreende: I . 13. 18. presente no art. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica. IV .as instituições de ensino mantidas.particulares em sentido estrito. As instituições privadas de ensino se enquadrarão nas seguintes categorias: (Regulamento) I . ensino fundamental e ensino médio.educação básica. integram seu sistema de ensino. CAPÍTULO II DA EDUCAÇÃO BÁSICA Seção I Das Disposições Gerais Art. . 19. Tratamse de temas bastante observados em concursos públicos que abordam temas da LDB. II . IV .as instituições de ensino fundamental e médio criadas e mantidas pela iniciativa privada. Art. inclusive cooperativas educacionais. Art. Ainda na sequência.estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento. No Distrito Federal. respectivamente.zelar pela aprendizagem dos alunos. II .020. assim entendidas as mantidas e administradas por pessoas físicas ou jurídicas de direito privado.públicas. as instituições de educação infantil. Art.filantrópicas.as instituições de ensino mantidas pela União. II . Art. As instituições de ensino dos diferentes níveis classificam-se nas seguintes categorias administrativas: (Regulamento) I . 16. Art. II . observadas as normas gerais de direito financeiro público. assim entendidas as que são instituídas e mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas de direito privado que não apresentem as características dos incisos abaixo. assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. saber identificar os itens pertinentes a cada sistema é extremamente importante. o estadual/distrital e o municipal.ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos. o federal. de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: I . Portanto. no Artigo 14.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS No artigo anterior foram apresentadas as atribuições das unidades de ensino. que incluam na sua entidade mantenedora representantes da comunidade.confessionais. III – os órgãos municipais de educação. mantidas e administradas pelo Poder Público. ou seja. o que está em pauta são as atividades incumbidas aos docentes.as instituições do ensino fundamental.comunitárias. na forma da lei. mais uma vez a presença do termo democrática.participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes.os órgãos de educação estaduais e do Distrito Federal. todas também extremamente importantes. à avaliação e ao desenvolvimento profissional. respectivamente. serão apresentados a composição de cada um dos sistemas de ensino. IV . segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino. Art. II . A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando. VI . também merece destaque a separação em duas categorias administrativas (Públicas e Privadas). III . 21. formada pela educação infantil. Os sistemas de ensino dos Estados e do Distrito Federal compreendem: I . Art.participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino. 20. II . 14. de 2009) III . Didatismo e Conhecimento 4 Parágrafo único.colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade.

c) independentemente de escolarização anterior.2003) V – (VETADO)(Incluído pela Lei nº 10. Cabe ao respectivo sistema de ensino. a partir da quinta série. constituirá componente curricular obrigatório nos diversos níveis da educação básica.a carga horária mínima anual será de oitocentas horas. Art. de 2010) § 3o A educação física. o ensino de pelo menos uma língua estrangeira moderna. na própria escola. inclusive climáticas e econômicas. integrada à proposta pedagógica da escola.608. IV . quando houver. o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política. especialmente do Brasil.12. VI .2003) III – que estiver prestando serviço militar inicial ou que. africana e europeia. estabelecer parâmetro para atendimento do disposto neste artigo.2003) IV – amparado pelo Decreto-Lei no 1. b) por transferência. sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar. § 5º Na parte diversificada do currículo será incluído.793.2003) II – maior de trinta anos de idade. de 21 de outubro de 1969. de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos. exigida pelas características regionais e locais da sociedade. para os casos de baixo rendimento escolar. 23. inclusive quando se tratar de transferências entre estabelecimentos situados no País e no exterior. de 1º. § 1º A escola poderá reclassificar os alunos. é componente curricular obrigatório da educação básica. para o ensino de línguas estrangeiras. (Incluído pela Lei nº 10. grupos não-seriados. mediante avaliação feita pela escola.cabe a cada instituição de ensino expedir históricos escolares. exigida a frequência mínima de setenta e cinco por cento do total de horas letivas para aprovação. III . conforme regulamentação do respectivo sistema de ensino. à vista das condições disponíveis e das características regionais e locais. sem com isso reduzir o número de horas letivas previsto nesta Lei. com alunos de séries distintas. por uma parte diversificada. do componente curricular de que trata o § 2o deste artigo. a carga horária e as condições materiais do estabelecimento. c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado. artes. de 1º. especialmente das matrizes indígena. excluído o tempo reservado aos exames finais. obrigatoriamente. II . Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum. períodos semestrais.12. (Incluído pela Lei nº 10. com aproveitamento. na competência e em outros critérios. de 1º. d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito. § 1º Os currículos a que se refere o caput devem abranger. em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar. 26. § 2o O ensino da arte. (Incluído pela Lei nº 10. a série ou fase anterior. Será objetivo permanente das autoridades responsáveis alcançar relação adequada entre o número de alunos e o professor. cuja escolha ficará a cargo da comunidade escolar. 25. com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais.2003) VI – que tenha prole. Parágrafo único. de 1º.793. declarações de conclusão de série e diplomas ou certificados de conclusão de cursos. de 1º. A educação básica poderá organizar-se em séries anuais. de 1º. 24. mas não exclusivo. ciclos. obrigatoriamente. Didatismo e Conhecimento 5 VII .a classificação em qualquer série ou etapa.793. especialmente em suas expressões regionais. (Redação dada pela Lei nº 12.2003) § 4º O ensino da História do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro. de 2012) . com níveis equivalentes de adiantamento na matéria. tendo como base as normas curriculares gerais. dentro das possibilidades da instituição.793. de 1º. ou turmas.12. (Incluído pela Lei nº 10. a ser complementada. b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar. em situação similar.044.poderão organizar-se classes.2003) I – que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a seis horas. A educação básica.o controle de frequência fica a cargo da escola.12.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art.12. (Incluído pela Lei nº 12.793. observadas as normas do respectivo sistema de ensino. § 6o A música deverá ser conteúdo obrigatório. desde que preservada a sequência do currículo. alternância regular de períodos de estudos. a critério do respectivo sistema de ensino.12. ou outros componentes curriculares. a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos. e) obrigatoriedade de estudos de recuperação. de preferência paralelos ao período letivo. será organizada de acordo com as seguintes regras comuns: I .287. de 2008) § 7o Os currículos do ensino fundamental e médio devem incluir os princípios da proteção e defesa civil e a educação ambiental de forma integrada aos conteúdos obrigatórios. para alunos que cursaram. distribuídas por um mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar. pode ser feita: a) por promoção. que defina o grau de desenvolvimento e experiência do candidato e permita sua inscrição na série ou etapa adequada.nos estabelecimentos que adotam a progressão regular por série. (Incluído pela Lei nº 11. com as especificações cabíveis. (Incluído pela Lei nº 10. sendo sua prática facultativa ao aluno: (Redação dada pela Lei nº 10. da cultura. da economia e da clientela.793.769. exceto a primeira do ensino fundamental. conforme o disposto no seu regimento e nas normas do respectivo sistema de ensino.a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios: a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno. para candidatos procedentes de outras escolas.12. V . § 2º O calendário escolar deverá adequar-se às peculiaridades locais. Art. estiver obrigado à prática da educação física. o regimento escolar pode admitir formas de progressão parcial. nos níveis fundamental e médio. Art. o estudo da língua portuguesa e da matemática.793. com base na idade. ou por forma diversa de organização.

vedadas quaisquer formas de proselitismo. em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras. mediante: (Redação dada pela Lei nº 11. ou entidades equivalentes. da tecnologia.creches.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena. psicológico. Seção II Da Educação Infantil Art.o fortalecimento dos vínculos de família.adequação à natureza do trabalho na zona rural. A educação infantil. semestres. § 2o Os conteúdos referentes à história e cultura afrobrasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar. 33. a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil. incluindo adequação do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas. § 2º Os estabelecimentos que utilizam progressão regular por série podem adotar no ensino fundamental o regime de progressão continuada. econômica e política. (Redação dada pela Lei nº 11. 27. a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional. 26-A. as seguintes diretrizes: I .7. que institui o Estatuto da Criança e do Adolescente. 29. grupos não-seriados (adaptabilidade a diferentes situações). . Em resumo. de matrícula facultativa. tendo como diretriz a Lei no 8.orientação para o trabalho. observada a produção e distribuição de material didático adequado. de 2008). de 2011).(Incluído pela Lei nº 12. do sistema político.pré-escolas.472. Na oferta de educação básica para a população rural. (Redação dada pela Lei nº 11. § 3º O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa. IV . Art.consideração das condições de escolaridade dos alunos em cada estabelecimento. § 5o O currículo do ensino fundamental incluirá. III . gratuito na escola pública. tais como o estudo da história da África e dos africanos.promoção do desporto educacional e apoio às práticas desportivas não-formais.645. a partir desses dois grupos étnicos. em seus aspectos físico.475.organização escolar própria. mesmo para o acesso ao ensino fundamental. Art. sem o objetivo de promoção. de 2007). Seção III Do Ensino Fundamental Art. assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil. § 1º É facultado aos sistemas de ensino desdobrar o ensino fundamental em ciclos. 30. tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores. Obs: Adaptações ao ambiente rural. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio.069. obrigatoriamente. de 2008). de 13 de julho de 1990. para as crianças de quatro a seis anos de idade. II . Didatismo e Conhecimento 6 II . das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade. de 22. os sistemas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua adequação às peculiaridades da vida rural e de cada região. (Incluído pela Lei nº 11. Frequência Mínima de 75%.a difusão de valores fundamentais ao interesse social. Na educação infantil a avaliação far-se-á mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento.o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem. mínimo de 200 dias letivos. terá por objetivo a formação básica do cidadão. assegurada às comunidades indígenas a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. sendo o ensino a distância utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais. II . Art. pertinentes à história do Brasil. O ensino religioso.645. ainda. é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. Os conteúdos curriculares da educação básica observarão. tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura. III . § 1o O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira. tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade.645. iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade. de 2008). conteúdo que trate dos direitos das crianças e dos adolescentes. com duração de 9 (nove) anos. Currículo: Base Nacional Comum e Base Nacional Diversificada. (Redação dada pela Lei nº 11. Art. § 6º O estudo sobre os símbolos nacionais será incluído como tema transversal nos currículos do ensino fundamental.a compreensão do ambiente natural e social. para crianças de até três anos de idade. 32. ciclos. Mínimo de 800 horas/ano. dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social. observadas as normas do respectivo sistema de ensino. de 2006) I . sem prejuízo da avaliação do processo de ensinoaprendizagem.conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e interesses dos alunos da zona rural. especialmente: I . primeira etapa da educação básica. § 4º O ensino fundamental será presencial. IV .525. Art. de respeito ao bem comum e à ordem democrática. 31. A educação infantil será oferecida em: I . complementando a ação da família e da comunidade. aos direitos e deveres dos cidadãos. 28.o desenvolvimento da capacidade de aprender. III . resgatando as suas contribuições nas áreas social.274. públicos e privados.1997) § 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a definição dos conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas para a habilitação e admissão dos professores. intelectual e social. (Redação dada pela Lei nº 9. O ensino fundamental obrigatório. Avaliação: contínua e cumulativa. da escrita e do cálculo. II . a Educação Básica: Organização: anos.

cálculos. etapa final da educação básica. nos termos de seu projeto pedagógico. escolhida pela comunidade escolar. preparação para o trabalho. de 2008) . com duração mínima de três anos. Seção IV Do Ensino Médio Art.741. no ensino de cada disciplina.as normas complementares dos respectivos sistemas de ensino. (Incluído pela Lei nº 11.741. 36-A.. A educação profissional técnica de nível médio será desenvolvida nas seguintes formas: (Incluído pela Lei nº 11.741. valores sociais. (Incluído pela Lei nº 11. III .684. é facultado o uso da progressão continuada. § 1º São ressalvados os casos do ensino noturno e das formas alternativas de organização autorizadas nesta Lei. escrita. de 2008) Art.os objetivos e definições contidos nas diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. preparação para aperfeiçoamentos posteriores. sendo o curso planejado de modo a conduzir o aluno à habilitação profissional técnica de nível médio.conhecimento das formas contemporâneas de linguagem.a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando. como disciplina obrigatória.741. Art. II . o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura. possibilitando o prosseguimento de estudos. dentro das disponibilidades da instituição.articulada com o ensino médio.741. sendo progressivamente ampliado o período de permanência na escola. O currículo do ensino médio observará o disposto na Seção I deste Capítulo e as seguintes diretrizes: I . efetuando-se matrículas distintas para cada curso. a critério dos sistemas de ensino. Filosofia e Sociologia (obrigatórias). de 2008) I .741. solidariedade. (Incluído pela Lei nº 11.(Incluído pela Lei nº 11. terá como finalidades: I . de 2008) III . A educação profissional técnica de nível médio deverá observar: (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) Art. prevista no inciso I do caputdo art. para a definição dos conteúdos do ensino religioso.741.741. facultativamente. Sem prejuízo do disposto na Seção IV deste Capítulo. (Incluído pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11. acesso ao conhecimento e exercício da cidadania. 36-B.a compreensão dos fundamentos científicotecnológicos dos processos produtivos. Seção IV-A Da Educação Profissional Técnica de Nível Médio (Incluído pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11. e podendo ocorrer: (Incluído pela Lei nº 11. das letras e das artes.concomitante.» Art. incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico. Em resumo: Consolidação e Aprofundamento. de 2008) II . atendida a formação geral do educando. 34. oferecida a quem ingresse no ensino médio ou já o esteja cursando. poderá prepará-lo para o exercício de profissões técnicas. a habilitação profissional poderão ser desenvolvidas nos próprios estabelecimentos de ensino médio ou em cooperação com instituições especializadas em educação profissional. a língua portuguesa como instrumento de comunicação. na mesma instituição de ensino. de 2008) § 3º Os cursos do ensino médio terão equivalência legal e habilitarão ao prosseguimento de estudos.741. aproveitando-se as oportunidades educacionais disponíveis. de 2008) I . 35. de 2008) I . A jornada escolar no ensino fundamental incluirá pelo menos quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula. A educação profissional técnica de nível médio articulada.o aprimoramento do educando como pessoa humana.741. para continuar aprendendo. de 2008) II . em cursos destinados a quem já tenha concluído o ensino médio. Ciclos (facultativo).741. (Incluído pela Lei nº 11. a compreensão do significado da ciência. tolerância.destacará a educação tecnológica básica. de 2008) II . 36-B desta Lei. constituída pelas diferentes denominações religiosas. Didatismo e Conhecimento 7 § 2º(Revogado pela Lei nº 11. III .adotará metodologias de ensino e de avaliação que estimulem a iniciativa dos estudantes. 36-C.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS § 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil. as metodologias e as formas de avaliação serão organizados de tal forma que ao final do ensino médio o educando demonstre: I . será desenvolvida de forma: (Incluído pela Lei nº 11. Formação Básica do Cidadão (leitura. de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores.741. (Incluído pela Lei nº 11. efetuando-se matrícula única para cada aluno. II .). Em caso de progressão regular. Currículo: inclusão obrigatória de uma Língua Estrangeira Moderna e outra em caráter optativo (participação da comunidade).domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna. em caráter optativo.741.741.741. de 2008) Art. IV . e uma segunda.subsequente. (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) a) na mesma instituição de ensino. IV – serão incluídas a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias em todas as séries do ensino médio..as exigências de cada instituição de ensino.será incluída uma língua estrangeira moderna. O ensino médio. II .integrada. A preparação geral para o trabalho e. relacionando a teoria com a prática. oferecida somente a quem já tenha concluído o ensino fundamental. de 2008) § 1º Os conteúdos. § 2º O ensino fundamental será ministrado progressivamente em tempo integral. Em resumo: Mínimo de 9 anos. 36. de 2008) Parágrafo único. de 2008) Parágrafo único. o ensino médio. Mínimo de três anos.a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental.

habilitando ao prosseguimento de estudos em caráter regular. 38. de cada etapa que caracterize uma qualificação para o trabalho.741. aproveitando-se as oportunidades educacionais disponíveis.741. seus interesses.741.741. oferecerão cursos especiais. 41. com a educação profissional. em instituições especializadas ou no ambiente de trabalho. (Redação dada pela Lei nº 11. de 2008) I – de formação inicial e continuada ou qualificação profissional. terão validade nacional e habilitarão ao prosseguimento de estudos na educação superior. consideradas as características do alunado. 40. condições de vida e de trabalho. (Regulamento) Art. observadas as normas do respectivo sistema e nível de ensino. II . de 2008) CAPÍTULO IV DA EDUCAÇÃO SUPERIOR Art. 43.(Redação dada pela Lei nº 11. As instituições de educação profissional e tecnológica. de 2008) Art. na forma do regulamento. Os cursos de educação profissional técnica de nível médio. possibilitando a construção de diferentes itinerários formativos. (Incluído pela Lei nº 11. 42.741.741. (Incluído pela Lei nº 11. . (Incluído pela Lei nº 11. preferencialmente. Ensino Médio (maiores de 18 anos). que compreenderão a base nacional comum do currículo.741.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS b) em instituições de ensino distintas.no nível de conclusão do ensino médio. condições de vida e de trabalho. (Incluído pela Lei nº 11.741. de 2008) Art. (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) Art. § 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos educandos por meios informais serão aferidos e reconhecidos mediante exames. seus interesses. para os maiores de quinze anos. Próprios estabelecimentos de Ensino Médio ou por meio de parcerias com outras instituições. quando registrados. integra-se aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho. Ensino Fundamental (maiores de 15 anos).741.741. de 2008) Em resumo: Permite consorciar a formação do Ensino Médio com a formação profissional técnica.741. de 2008) Art. abertos à comunidade. Avaliação de Competências (absorvidas formal e informalmente). que não puderam efetuar os estudos na idade regular. de 2008) c) em instituições de ensino distintas. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria. de 2008) Parágrafo único. 37. (Incluído pela Lei nº 11. (Redação dada pela Lei nº 11.no nível de conclusão do ensino fundamental. de acordo com as diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. Didatismo e Conhecimento 8 oportunidades educacionais apropriadas. no cumprimento dos objetivos da educação nacional. quando estruturados e organizados em etapas com terminalidade. poderá ser objeto de avaliação. possibilitarão a obtenção de certificados de qualificação para o trabalho após a conclusão. Os diplomas de cursos de educação profissional técnica de nível médio. mediante ações integradas e complementares entre si. § 1º Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão: I . Articulada com o Ensino Médio ou subsequente. de 2008) III – de educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação. que não puderam efetuar os estudos na idade regular. § 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso e a permanência do trabalhador na escola. Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos. de 2008) § 3o Os cursos de educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação organizar-se-ão. Em resumo: Busca assegurar gratuitamente aos jovens e aos adultos. (Incluído pela Lei nº 11. visando ao planejamento e ao desenvolvimento de projeto pedagógico unificado. para os maiores de dezoito anos. consideradas as características do alunado. 36-D. § 1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e aos adultos. de 2008) § 2o A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes cursos: (Incluído pela Lei nº 11. A educação profissional e tecnológica. 39. mediante cursos e exames. oportunidades educacionais apropriadas. no que concerne a objetivos.741. de 2008) Art. da ciência e da tecnologia. nas formas articulada concomitante e subsequente.741. (Incluído pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11. reconhecimento e certificação para prosseguimento ou conclusão de estudos. inclusive no trabalho.741. condicionada a matrícula à capacidade de aproveitamento e não necessariamente ao nível de escolaridade. mediante convênios de intercomplementaridade. características e duração. com aproveitamento. A educação superior tem por finalidade: I . A educação profissional será desenvolvida em articulação com o ensino regular ou por diferentes estratégias de educação continuada. § 3o A educação de jovens e adultos deverá articular-se. Seção V Da Educação de Jovens e Adultos Art.estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo. de 2008) § 1o Os cursos de educação profissional e tecnológica poderão ser organizados por eixos tecnológicos. de 2008) II – de educação profissional técnica de nível médio. além dos seus cursos regulares.741. O conhecimento adquirido na educação profissional e tecnológica. mediante cursos e exames. (Incluído pela Lei nº 11. CAPÍTULO III DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL Da Educação Profissional e Tecnológica (Redação dada pela Lei nº 11.

excluído o tempo reservado aos exames finais. para a superação das deficiências. A educação superior abrangerá os seguintes cursos e programas: (Regulamento) I .de graduação.331. em particular os nacionais e regionais. em suspensão temporária de prerrogativas da autonomia. o ano letivo regular. IV . As transferências exofficio dar-se-ão na forma da lei. . § 3º É obrigatória afrequência de alunos e professores. no mínimo. salvo nos programas de educação a distância.632. bem como o credenciamento de instituições de educação superior. 48. sendo obrigatória a divulgação da relação nominal dos classificados. As instituições de educação superior. (Regulamento) Art. recursos disponíveis e critérios de avaliação. visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura. públicas ou privadas. 44. § 1º As instituições informarão aos interessados. quando da ocorrência de vagas. poderão ter abreviada a duração dos seus cursos.incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica. independente do ano civil. V . Art. abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino. periodicamente. terão validade nacional como prova da formação recebida por seu titular.cursos sequenciais por campo de saber. se necessários. Art. abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo. integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento de cada geração. obrigando-se a cumprir as respectivas condições. § 2º Os alunos que tenham extraordinário aproveitamento nos estudos. § 2º Os diplomas de graduação expedidos por universidades estrangeiras serão revalidados por universidades públicas que tenham curso do mesmo nível e área ou equivalente. sua duração. sendo renovados. § 3º Os diplomas de Mestrado e de Doutorado expedidos por universidades estrangeiras só poderão ser reconhecidos por universidades que possuam cursos de pós-graduação reconhecidos e avaliados. 49. Parágrafo único. prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade. desse modo. abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos em cada caso pelas instituições de ensino. após processo regular de avaliação. e mediante processo seletivo. o Poder Executivo responsável por sua manutenção acompanhará o processo de saneamento e fornecerá recursos adicionais. VI . Art. em desativação de cursos e habilitações. 46. abrirão matrícula nas disciplinas de seus cursos a alunos não regulares que demonstrarem capacidade de cursá-las com proveito. com variados graus de abrangência ou especialização. científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino. visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição. Na educação superior. III . aberta à participação da população. Parágrafo único. desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive. ou em descredenciamento. mediante processo seletivo prévio.de pós-graduação. 47. para cursos afins. no período noturno. A educação superior será ministrada em instituições de ensino superior. em intervenção na instituição. na hipótese de existência de vagas. 50. (Regulamento) § 2º No caso de instituição pública.formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento. de publicações ou de outras formas de comunicação. sendo obrigatória a oferta noturna nas instituições públicas. e aqueles conferidos por instituições nãouniversitárias serão registrados em universidades indicadas pelo Conselho Nacional de Educação. III . garantida a necessária previsão orçamentária. de acordo com os critérios para preenchimento das vagas constantes do respectivo edital.de extensão. IV . quando houver. haverá reavaliação. de diferentes níveis de abrangência. II . § 1º Os diplomas expedidos pelas universidades serão por elas próprias registrados. 45. As instituições de educação superior aceitarão a transferência de alunos regulares. § 4º As instituições de educação superior oferecerão. requisitos. Art.suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretização.estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente. aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira. demonstrado por meio de provas e outros instrumentos de avaliação específicos. (Regulamento) Art. abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos pelas instituições de ensino. A autorização e o reconhecimento de cursos. compreendendo programas de mestrado e doutorado. a respectiva ordem de classificação.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS II . os programas dos cursos e demais componentes curriculares. tem. bem como do cronograma das chamadas para matrícula. aplicados por banca examinadora especial. de acordo com as normas dos sistemas de ensino. antes de cada período letivo. Os resultados do processo seletivo referido no inciso II do caput deste artigo serão tornados públicos pelas instituições de ensino superior. (Regulamento) Didatismo e Conhecimento 9 § 1º Após um prazo para saneamento de deficiências eventualmente identificadas pela avaliação a que se refere este artigo. cursos de graduação nos mesmos padrões de qualidade mantidos no período diurno. aperfeiçoamento e outros.promover a divulgação de conhecimentos culturais. duzentos dias de trabalho acadêmico efetivo. cursos de especialização. e. desde que tenham concluído o ensino médio ou equivalente. Os diplomas de cursos superiores reconhecidos. e colaborar na sua formação contínua. respeitandose os acordos internacionais de reciprocidade ou equiparação. de 2007). que poderá resultar.promover a extensão. terão prazos limitados. qualificação dos professores. conforme o caso. VII . de 2006) Art. (Incluído pela Lei nº 11. na mesma área de conhecimento e em nível equivalente ou superior. quando registrados. (Redação dada pela Lei nº 11.

57. VII .ampliação e diminuição de vagas.receber subvenções. as universidades públicas poderão: I . III . doutorado. II .administrar os rendimentos e deles dispor na forma prevista no ato de constituição. 54. Cursos e Programas: sequenciais. 55. os docentes ocuparão setenta por cento dos assentos em cada órgão colegiado e comissão. programas e projetos de pesquisa científica. técnico e administrativo. IV . quanto regional e nacional. pelo menos. organização e financiamento pelo Poder Público. Em qualquer caso. graduação. caberá aos seus colegiados de ensino e pesquisa decidir. de pesquisa. programas e projetos de investimentos referentes a obras. com aprovação do Poder competente. são asseguradas às universidades. nas leis e nos respectivos estatutos.realizar operações de crédito ou de financiamento. bem como da escolha de dirigentes. Didatismo e Conhecimento 10 Art.propor o seu quadro de pessoal docente.fixar o número de vagas de acordo com a capacidade institucional e as exigências do seu meio. As instituições públicas de educação superior obedecerão ao princípio da gestão democrática.elaborar o regulamento de seu pessoal em conformidade com as normas gerais concernentes. programas e projetos de investimentos referentes a obras. § 2º Atribuições de autonomia universitária poderão ser estendidas a instituições que comprovem alta qualificação para o ensino ou para a pesquisa. Nas instituições públicas de educação superior. sobre: I . quando for o caso. modificação e extinção de cursos. aperfeiçoamento etc. heranças. com base em avaliação realizada pelo Poder Público. 52. acordos e convênios.elaborar seus orçamentos anuais e plurianuais. tanto do ponto de vista científico e cultural. assegurada a existência de órgãos colegiados deliberativos. além das atribuições asseguradas pelo artigo anterior. expansão. dentro dos recursos orçamentários disponíveis.produção intelectual institucionalizada mediante o estudo sistemático dos temas e problemas mais relevantes.aprovar e executar planos.criação.contratação e dispensa de professores. V .um terço do corpo docente em regime de tempo integral.efetuar transferências. 53. legados e cooperação financeira resultante de convênios com entidades públicas e privadas. financeira e patrimonial necessárias ao seu bom desempenho.fixar os currículos dos seus cursos e programas. II . levarão em conta os efeitos desses critérios sobre a orientação do ensino médio. anualmente.planos de carreira docente. de extensão e de domínio e cultivo do saber humano. (Regulamento) § 1º No exercício da sua autonomia. III .firmar contratos.aprovar e executar planos. As instituições de educação superior credenciadas como universidades. instalações e equipamentos. As universidades são instituições pluridisciplinares de formação dos quadros profissionais de nível superior. inclusive nos que tratarem da elaboração e modificações estatutárias e regimentais. bem como administrar rendimentos conforme dispositivos institucionais. obedecendo às normas gerais da União e. para aquisição de bens imóveis. Parágrafo único.estabelecer planos. produção artística e atividades de extensão. VI . Caberá à União assegurar.elaborar e reformar os seus estatutos e regimentos em consonância com as normas gerais atinentes. incentivar a pesquisa e a disseminação do conhecimento.um terço do corpo docente. de acordo com os recursos alocados pelo respectivo Poder mantenedor. de estatuto jurídico especial para atender às peculiaridades de sua estrutura. em seu Orçamento Geral. Art. extensão. IV . III . (Regulamento) II . VI . pós-graduação (mestrado. X .(Regulamento) Alguns aspectos acerca da educação superior merecem destaque. assim como um plano de cargos e salários. ao deliberar sobre critérios e normas de seleção e admissão de estudantes. doações. promover a extensão.conferir graus. quais sejam: Objetiva formar diplomados em diferentes áreas. Parágrafo único. V . especialização. diplomas e outros títulos. que se caracterizam por: (Regulamento) I . IX . articulando-se com os órgãos normativos dos sistemas de ensino. as seguintes atribuições: I . de que participarão os segmentos da comunidade institucional. Art.programação das pesquisas e das atividades de extensão. do respectivo sistema de ensino. serviços e aquisições em geral. na forma da lei. atendidas as normas gerais pertinentes e os recursos disponíveis. cursos e programas de educação superior previstos nesta Lei. No exercício de sua autonomia. o professor ficará obrigado ao mínimo de oito horas semanais de aulas. III . 56. 51. observadas as diretrizes gerais pertinentes.elaboração da programação dos cursos. quitações e tomar outras providências de ordem orçamentária.criar. (Regulamento) Art. É facultada a criação de universidades especializadas por campo do saber. serviços e aquisições em geral. VIII . com titulação acadêmica de mestrado ou doutorado. Parágrafo único. As universidades mantidas pelo Poder Público gozarão. . Art. recursos suficientes para manutenção e desenvolvimento das instituições de educação superior por ela mantidas. VII .adotar regime financeiro e contábil que atenda às suas peculiaridades de organização e funcionamento. organizar e extinguir. IV .). em sua sede. assim como dos seus planos de carreira e do regime jurídico do seu pessoal. Para garantir a autonomia didáticocientífica das universidades. sem prejuízo de outras. local e regional. V . II . Art.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. VI .

62. § 2º O atendimento educacional será feito em classes. escolas ou serviços especializados. de 2009) Art. para educandos portadores de necessidades especiais. de 2009) III – o aproveitamento da formação e experiências anteriores.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS CAPÍTULO V DA EDUCAÇÃO ESPECIAL Art. durante a educação infantil. nesta formação. supervisão. garantida. Consideram-se profissionais da educação escolar básica os que. independentemente do apoio às instituições previstas neste artigo. para atendimento especializado. bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística. II . em curso de licenciatura. de 2009) II – trabalhadores em educação portadores de diploma de pedagogia. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: I . com habilitação em administração. 58. destinado à formação de docentes para a educação infantil e para as primeiras séries do ensino fundamental.acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular.terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental. em instituições de ensino e em outras atividades. portadores de diploma de curso técnico ou superior em área pedagógica ou afim. bem como com títulos de mestrado ou doutorado nas mesmas áreas. (Redação dada pela Lei nº 12. Art. como alternativa preferencial. Os órgãos normativos dos sistemas de ensino estabelecerão critérios de caracterização das instituições privadas sem fins lucrativos. (Regulamento) § 1º A União. para atender às suas necessidades. de 2009) Parágrafo único. na modalidade Normal. III . § 3º A oferta de educação especial. Parágrafo único. IV . de 2009) III – trabalhadores em educação. admitida. Entende-se por educação especial. na escola regular. oferecida preferencialmente na rede regular de ensino.014.014. II .educação especial para o trabalho. 60. a ampliação do atendimento aos educandos com necessidades especiais na própria rede pública regular de ensino. recursos educativos e organização específicos. (Incluído pela Lei nº 12. (Redação dada pela Lei nº 12. de 2009) I – a presença de sólida formação básica. não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. subsidiariamente fazendo uso de recursos e tecnologias de educação a distância. (Incluído pela Lei nº 12. de 2009). técnicas. Art. os Estados e os Municípios. como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental.014. o Distrito Federal. que propicie o conhecimento dos fundamentos científicos e sociais de suas competências de trabalho. dever constitucional do Estado. (Incluído pela Lei nº 12. sempre que. especializadas e com atuação exclusiva em educação especial. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior.programas de formação pedagógica para portadores de diplomas de educação superior que queiram se dedicar à educação básica. planejamento. III . quando necessário. A formação de profissionais de educação para administração. de 2009).056. a base comum nacional. visando a sua efetiva integração na vida em sociedade. são: (Redação dada pela Lei nº 12. de 2009) II – a associação entre teorias e práticas. deverão promover a formação inicial. 64. § 2º A formação continuada e a capacitação dos profissionais de magistério poderão utilizar recursos e tecnologias de educação a distância. (Incluído pela Lei nº 12. de 2009) Didatismo e Conhecimento 11 I – professores habilitados em nível médio ou superior para a docência na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio.cursos formadores de profissionais para a educação básica. em regime de colaboração. mediante articulação com os órgãos oficiais afins. bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns.014. V . terá como fundamentos: (Incluído pela Lei nº 12. Art.014. planejamento.currículos.014. para fins de apoio técnico e financeiro pelo Poder Público. a continuada e a capacitação dos profissionais de magistério. em virtude de suas deficiências. inclusive o curso normal superior. Art. em universidades e institutos superiores de educação. § 3º A formação inicial de profissionais de magistério dará preferência ao ensino presencial. (Incluído pela Lei nº 12.programas de educação continuada para os profissionais de educação dos diversos níveis.056. O Poder Público adotará. (Incluído pela Lei nº 12. .014. tem início na faixa etária de zero a seis anos. A formação dos profissionais da educação. de modo a atender às especificidades do exercício de suas atividades.056. 59. será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pósgraduação. inspeção e orientação educacional.professores com especialização adequada em nível médio ou superior. em função das condições específicas dos alunos. bem como aos objetivos das diferentes etapas e modalidades da educação básica. nela estando em efetivo exercício e tendo sido formados em cursos reconhecidos. Os institutos superiores de educação manterão: (Regulamento) I . para atender às peculiaridades da clientela de educação especial. a modalidade de educação escolar. de 2009). mediante estágios supervisionados e capacitação em serviço. de graduação plena. § 1º Haverá.014. para os efeitos desta Lei. e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados. inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo. 63. métodos. (Incluído pela Lei nº 12. TÍTULO VI Dos Profissionais da Educação Art. supervisão e orientação educacional para a educação básica. a critério da instituição de ensino. inspeção. serviços de apoio especializado. intelectual ou psicomotora. 61. a oferecida em nível médio.

exceto para a educação superior. nos termos das normas de cada sistema de ensino. 69. incluídas.remuneração e aperfeiçoamento do pessoal docente e demais profissionais da educação. A União aplicará. 65. além do exercício da docência.301. A formação docente. serão apuradas e corrigidas a cada trimestre do exercício financeiro. do Distrito Federal e dos Municípios. planejamento e avaliação.recursos arrecadados do décimo primeiro ao vigésimo dia de cada mês.recursos arrecadados do primeiro ao décimo dia de cada mês. prioritariamente em programas de mestrado e doutorado.ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos. V . ou o que consta nas respectivas Constituições ou Leis Orgânicas. § 5º O repasse dos valores referidos neste artigo do caixa da União. compreendidas as transferências constitucionais. no mínimo. de 2006) TÍTULO VII Dos Recursos financeiros Art.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. 201 da Constituição Federal. Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da educação. no artigo 70. Considerar-se-ão como de manutenção e desenvolvimento do ensino as despesas realizadas com vistas à consecução dos objetivos básicos das instituições educacionais de todos os níveis.progressão funcional baseada na titulação ou habilitação. do Distrito Federal e dos Municípios ocorrerá imediatamente ao órgão responsável pela educação. ou pelos Estados aos respectivos Municípios.concessão de bolsas de estudo a alunos de escolas públicas e privadas. Parágrafo único.receita de impostos próprios da União. Art. IV . II . compreendendo as que se destinam a: I . § 3º Para fixação inicial dos valores correspondentes aos mínimos estatuídos neste artigo. § 2º Serão consideradas excluídas das receitas de impostos mencionadas neste artigo as operações de crédito por antecipação de receita orçamentária de impostos. que resultem no não atendimento dos percentuais mínimos obrigatórios. Serão recursos públicos destinados à educação os originários de: I . § 6º O atraso da liberação sujeitará os recursos a correção monetária e à responsabilização civil e criminal das autoridades competentes. dos Estados. de 2006) § 2o Para os efeitos do disposto no § 5º do art. dos Estados. assegurando-lhes. VI . quando exercidas em estabelecimento de educação básica em seus diversos níveis e modalidades. pois apresenta aspectos relativos aos percentuais do orçamento que obrigatoriamente deverão ser aplicados na educação. V .301. receita do governo que a transferir. e os Estados. com base no eventual excesso de arrecadação. VIII . 70.amortização e custeio de operações de crédito destinadas a atender ao disposto nos incisos deste artigo.condições adequadas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 11. Posteriormente. na manutenção e desenvolvimento do ensino público. reconhecido por universidade com curso de doutorado em área afim. será considerada a receita estimada na lei do orçamento anual. III . Art. 40 e no § 8o do art. 66. III – uso e manutenção de bens e serviços vinculados ao ensino. ao Distrito Federal e aos Municípios. § 4º As diferenças entre a receita e a despesa previstas e as efetivamente realizadas.(Renumerado pela Lei nº 11.período reservado a estudos. anualmente. nunca menos de dezoito. Art. poderá suprir a exigência de título acadêmico. A preparação para o exercício do magistério superior far-se-á em nível de pós-graduação. IV . são apresentados onde e em que estes recursos podem ser aplicados. inclusive nos termos dos estatutos e dos planos de carreira do magistério público: I .receita de incentivos fiscais. O notório saber. VI . até o décimo dia do mês subsequente. III . IV . manutenção. Art. construção e conservação de instalações e equipamentos necessários ao ensino. II . trezentas horas. O Artigo apresentado na sequência (69) é extremamente importante. tema bastante observado em concursos públicos. § 1o A experiência docente é pré-requisito para o exercício profissional de quaisquer outras funções de magistério. § 1º A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados. incluído na carga de trabalho. são consideradas funções de magistério as exercidas por professores e especialistas em educação no desempenho de atividades educativas. até o trigésimo dia. da receita resultante de impostos.aquisição. não será considerada.outros recursos previstos em lei.receita de transferências constitucionais e outras transferências. VII . o Distrito Federal e os Municípios. II . e na avaliação do desempenho. estudos e pesquisas visando precipuamente ao aprimoramento da qualidade e à expansão do ensino. V . quando for o caso. até o vigésimo dia. inclusive com licenciamento periódico remunerado para esse fim. ajustada. III .receita do salário-educação e de outras contribuições sociais. 67.aquisição de material didático-escolar e manutenção de programas de transporte escolar. incluirá prática de ensino de.recursos arrecadados do vigésimo primeiro dia ao final de cada mês.levantamentos estatísticos.piso salarial profissional. Didatismo e Conhecimento 12 . observados os seguintes prazos: I . para efeito do cálculo previsto neste artigo.aperfeiçoamento profissional continuado. 68. as de direção de unidade escolar e as de coordenação e assessoramento pedagógico. vinte e cinco por cento. por lei que autorizar a abertura de créditos adicionais. II .realização de atividades-meio necessárias ao funcionamento dos sistemas de ensino.

74.proporcionar aos índios. Art. a reafirmação de suas identidades étnicas. precipuamente. e outras formas de assistência social. ou. Art. filantrópica ou confessional. § 1º Os programas serão planejados com audiência das comunidades indígenas. Art. estabelecerá padrão mínimo de oportunidades educacionais para o ensino fundamental. considerado o número de alunos que efetivamente frequentam a escola. para os que demonstrarem insuficiência de recursos. Não constituirão despesas de manutenção e desenvolvimento do ensino aquelas realizadas com: I . prioritariamente. § 1º Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de estudo para a educação básica. 10 e o inciso V do art. na forma da lei. podendo ser dirigidos a escolas comunitárias. quando em desvio de função ou em atividade alheia à manutenção e desenvolvimento do ensino. VI . considerando variações regionais no custo dos insumos e as diversas modalidades de ensino. O Sistema de Ensino da União. Os órgãos fiscalizadores examinarão.comprovem finalidade não-lucrativa e não distribuam resultados.obras de infraestrutura. II . inclusive mediante bolsas de estudo.assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária. na prestação de contas de recursos públicos. A União.pesquisa. IV . Art. incluídos nos Planos Nacionais de Educação. as disparidades de acesso e garantir o padrão mínimo de qualidade de ensino. o cumprimento do disposto no art. ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão da sua rede local. no art. em número inferior à sua capacidade de atendimento. § 3º Com base nos critérios estabelecidos nos §§ 1º e 2º. a valorização de suas línguas e ciências. § 1º A ação a que se refere este artigo obedecerá a fórmula de domínio público que inclua a capacidade de atendimento e a medida do esforço fiscal do respectivo Estado. inclusive diplomáticos. confessionais ou filantrópicas que: I . Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas. 78.pessoal docente e demais trabalhadores da educação. capaz de assegurar ensino de qualidade.apliquem seus excedentes financeiros em educação. 79. participações ou parcela de seu patrimônio sob nenhuma forma ou pretexto. Parágrafo único.fortalecer as práticas socioculturais e a língua materna de cada comunidade indígena. A ação supletiva e redistributiva prevista no artigo anterior ficará condicionada ao efetivo cumprimento pelos Estados.formação de quadros especiais para a administração pública. relativo ao padrão mínimo de qualidade. O custo mínimo de que trata este artigo será calculado pela União ao final de cada ano. 75. 77.programas suplementares de alimentação. As receitas e despesas com manutenção e desenvolvimento do ensino serão apuradas e publicadas nos balanços do Poder Público. no caso de encerramento de suas atividades. TÍTULO VIII Das Disposições Gerais Art. o acesso às informações. IV . bonificações. 76. Art. o Distrito Federal e os Municípios. conforme o inciso VI do art. ao aprimoramento de sua qualidade ou à sua expansão. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e na legislação concernente. desportivo ou cultural. baseado no cálculo do custo mínimo por aluno.prestem contas ao Poder Público dos recursos recebidos. 212 da Constituição Federal. com os seguintes objetivos: I . a recuperação de suas memórias históricas.subvenção a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial. para oferta de educação escolar bilíngue e intercultural aos povos indígenas. em colaboração com os Estados. com a colaboração das agências federais de fomento à cultura e de assistência aos índios. Distrito Federal e Municípios do disposto nesta Lei. dividendos. com validade para o ano subseqüente. terão os seguintes objetivos: I . assistência médico-odontológica. a União poderá fazer a transferência direta de recursos a cada estabelecimento de ensino. Art. sejam militares ou civis. III . quando efetivada fora dos sistemas de ensino. II . quando não vinculada às instituições de ensino. desenvolvendo programas integrados de ensino e pesquisa. farmacêutica e psicológica. sem prejuízo de outras prescrições legais. . desenvolverá programas integrados de ensino e pesquisa. § 2º A capacidade de atendimento de cada governo será definida pela razão entre os recursos de uso constitucionalmente obrigatório na manutenção e desenvolvimento do ensino e o custo anual do aluno. progressivamente. 165 da Constituição Federal. suas comunidades e povos. 72. 11 desta Lei.garantir aos índios.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. V . ou ao Poder Público. II . conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional e demais sociedades indígenas e não-índias. § 2º As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão receber apoio financeiro do Poder Público. dos Estados e dos Municípios se estes oferecerem vagas. Didatismo e Conhecimento 13 § 4º A ação supletiva e redistributiva não poderá ser exercida em favor do Distrito Federal. 71. que não vise. ainda que realizadas para beneficiar direta ou indiretamente a rede escolar. Art. A União apoiará técnica e financeiramente os sistemas de ensino no provimento da educação intercultural às comunidades indígenas. quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública de domicílio do educando. do Distrito Federal ou do Município em favor da manutenção e do desenvolvimento do ensino. assim como nos relatórios a que se refere o § 3º do art. na área de ensino de sua responsabilidade. 73. suas comunidades e povos. § 2º Os programas a que se refere este artigo. A ação supletiva e redistributiva da União e dos Estados será exercida de modo a corrigir. III .

Os discentes da educação superior poderão ser aproveitados em tarefas de ensino e pesquisa pelas respectivas instituições. (Incluído pela Lei nº 10. 86. com diretrizes e metas para os dez anos seguintes. bem como a dos Estados aos seus Municípios. 83. § 6º A assistência financeira da União aos Estados. de 2006) II . III . Art. (Incluído pela Lei nº 12. de acordo com seu rendimento e seu plano de estudos.274.1.desenvolver currículos e programas específicos. 79-A. ressalvados os direitos assegurados pelos arts. em todos os níveis e modalidades de ensino. de 2006) a) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’. supletivamente. 85. que incluirá: I . § 2o O poder público deverá recensear os educandos no ensino fundamental. (Regulamento) § 1º A educação a distância. III . É instituída a Década da Educação. 82. será oferecida por instituições especificamente credenciadas pela União. pelos concessionários de canais comerciais. de 2006) I – matricular todos os educandos a partir dos 6 (seis) anos de idade no ensino fundamental. neles incluindo os conteúdos culturais correspondentes às respectivas comunidades. no prazo de um ano a partir da publicação desta Lei. Art. o atendimento aos povos indígenas efetivar-se-á. § 5º Serão conjugados todos os esforços objetivando a progressão das redes escolares públicas urbanas de ensino fundamental para o regime de escolas de tempo integral.788. É permitida a organização de cursos ou instituições de ensino experimentais. (Redação dada pela Lei nº 11. e. de 9. destinado à educação escolar nas comunidades indígenas. (Regulamento) § 4º A educação a distância gozará de tratamento diferenciado. na sua condição de instituições de pesquisa. para isto. de 2012) II . 87.2003) Art. (Redação dada pela Lei nº 12. podendo haver cooperação e integração entre os diferentes sistemas.274.2003) Art.custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radiodifusão sonora e de sons e imagens e em outros meios de comunicação que sejam explorados mediante autorização. § 3o No que se refere à educação superior. em sintonia com a Declaração Mundial sobre Educação para Todos. 81. sem ônus para o Poder Público. § 1º A União. (Redação dada pela Lei nº 11. 80. ao Congresso Nacional. e de educação continuada. de 2006) § 3o O Distrito Federal. (Redação dada pela Lei nº 11.274.274. 79-B. de 2006) b) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11. 41 da Constituição Federal e 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. utilizando também.639. § 3º As normas para produção. IV .639.integrar todos os estabelecimentos de ensino fundamental do seu território ao sistema nacional de avaliação do rendimento escolar. também. 84. assim como de estímulo à pesquisa e desenvolvimento de programas especiais. caberão aos respectivos sistemas de ensino. Art.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS II . Art. nos termos da legislação específica. o Plano Nacional de Educação.elaborar e publicar sistematicamente material didático específico e diferenciado. organizada com abertura e regime especiais.416. 212 da Constituição Federal e dispositivos legais pertinentes pelos governos beneficiados. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância. cada Estado e Município. As instituições de educação superior constituídas como universidades integrar-se-ão. sem prejuízo de outras ações. mediante a oferta de ensino e de assistência estudantil. a iniciar-se um ano a partir da publicação desta Lei.concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas. de 2011) Art. os recursos da educação a distância. Os sistemas de ensino estabelecerão as normas de realização de estágio em sua jurisdição. § 2º A União regulamentará os requisitos para a realização de exames e registro de diploma relativos a cursos de educação a distância. com especial atenção para o grupo de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos de idade e de 15 (quinze) a 16 (dezesseis) anos de idade. TÍTULO IX Das Disposições Transitórias Art. ao Distrito Federal e aos Municípios. encaminhará. III . exercendo funções de monitoria. O ensino militar é regulado em lei específica. desde que obedecidas as disposições desta Lei. .reserva de tempo mínimo. § 4º Até o fim da Década da Educação somente serão admitidos professores habilitados em nível superior ou formados por treinamento em serviço. (VETADO)(Incluído pela Lei nº 10.274. devem: (Redação dada pela Lei nº 11. de 9. concessão ou permissão do poder público.1. controle e avaliação de programas de educação a distância e a autorização para sua implementação.330.realizar programas de capacitação para todos os professores em exercício. a União. Didatismo e Conhecimento 14 Art. ao Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia. nas universidades públicas e privadas. Qualquer cidadão habilitado com a titulação própria poderá exigir a abertura de concurso público de provas e títulos para cargo de docente de instituição pública de ensino que estiver sendo ocupado por professor não concursado.603. de acordo com as normas fixadas pelos sistemas de ensino. admitida a equivalência de estudos.prover cursos presenciais ou a distância aos jovens e adultos insuficientemente escolarizados. de 2006) c) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11. por mais de seis anos. observada a lei federal sobre a matéria. de 2008) Art. ficam condicionadas ao cumprimento do art.manter programas de formação de pessoal especializado. IV .

9 de janeiro de 2001. A União. 4oA União instituirá o Sistema Nacional de Avaliação e estabelecerá os mecanismos necessários ao acompanhamento das metas constantes do Plano Nacional de Educação. ainda. os Estados. As creches e pré-escolas existentes ou que venham a ser criadas deverão. 20 de dezembro de 1996. e foi elaborado para que sua vigência se limitasse a 10 anos.INTRODUÇÃO 1. Havia grande preocupação com a instrução. Art. a ser comemorado. Art. em articulação com os Estados. na Câmara. 180o da Independência e 113o da República.915 propostas de alteração ao texto (emendas) ao PL 8035/2010 foi apresentado na Câmara dos Deputados. por intermédio das Comissões de Educação. os Estados.540.692. de 28 de novembro de 1968. Brasília. mediante delegação deste. DE 9 DE JANEIRO DE 2001 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte  Lei: Art.131. 5o Os planos plurianuais da União. de 11 de agosto de 1971 e 7. não é aprovado. de 18 de outubro de 1982. Art. anualmente. 90. É o maior número de emendas recebido desde a Constituição de 1988 até hoje. Enquanto o novo Plano Nacional de Educação. As questões suscitadas na transição entre o regime anterior e o que se institui nesta Lei serão resolvidas pelo Conselho Nacional de Educação ou. constante do documento anexo. dos Estados. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. ajudaram no amadurecimento da percepção coletiva da educação como um problema nacional. Art.172/2001. 15 2 PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO: LEI Nº 10. 7o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Cultura e Desporto da Câmara dos Deputados e da Comissão de Educação do Senado Federal. Art. procederá a avaliações periódicas da implementação do Plano Nacional de Educação.192. 89. do Distrito Federal e dos Municípios empenhar-se-ão na divulgação deste Plano e da progressiva realização de seus objetivos e metas. Brasília. o Distrito Federal. À medida que o quadro social. elaborar planos decenais correspondentes. 175º da Independência e 108º da República. em 12 de dezembro. (Regulamento) § 1º As instituições educacionais adaptarão seus estatutos e regimentos aos dispositivos desta Lei e às normas dos respectivos sistemas de ensino. político e econômico do início deste século se desenhava. 2 A partir da vigência desta Lei. de 24 de novembro de 1995 e 9. Didatismo e Conhecimento . a educação começava a se impor como condição fundamental para o desenvolvimento do País.172. para um projeto. este continuará continua em vigor. e as demais leis e decretos-lei que as modificaram e quaisquer outras disposições em contrário. foi enviado ao Congresso Nacional em 15 de dezembro de 2010 e recebeu o número PL 8035/2010. integrar-se ao respectivo sistema de ensino. 92.044. Art. nos prazos por estes estabelecidos. que deveria ser resultado das discussões e deliberações da Conferência Nacional de Educação finalizada em março de 2010.024. HISTÓRICO A instalação da República no Brasil e o surgimento das primeiras idéias de um plano que tratasse da educação para todo o território nacional aconteceram simultaneamente. o Distrito Federal e os Municípios deverão. com vistas à correção de deficiências e distorções. nos seus diversos níveis e modalidades. do Distrito Federal e dos Municípios serão elaborados de modo a dar suporte às metas constantes do Plano Nacional de Educação e dos respectivos planos decenais. Art. as Leis nºs 5. 6o-A. Um conjunto de 2. FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Paulo Renato Souza PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO O Plano Nacional de Educação válido atualmente é este de 2001. não alteradas pelas Leis nºs 9. preservada a autonomia universitária. pelos órgãos normativos dos sistemas de ensino. Nas duas primeiras décadas.  É instituído o ‘Dia do Plano Nacional de Educação’. § 1o O Poder Legislativo. no prazo de três anos. com duração de dez anos. 3oA União. a partir da data de sua publicação. o Distrito Federal e os Municípios adaptarão sua legislação educacional e de ensino às disposições desta Lei no prazo máximo de um ano. 91. os municípios e a sociedade civil. cabendo ao Congresso Nacional aprovar as medidas legais decorrentes. O projeto de lei (PL) que cria o Plano Nacional de Educação (PNE) para vigorar de 2011 a 2020.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. Art. I . com base no Plano Nacional de Educação. Art. de 20 de dezembro de 1961. 52 é de oito anos. 6oOs Poderes da União. LEI FEDERAL Nº 10. as várias reformas educacionais. FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Paulo Renato Souza § 2o A primeira avaliação realizar-se-á no quarto ano de vigência desta Lei. Revogam-se as disposições das Leis nºs 4. Art. o Art. 1o Fica aprovado o Plano Nacional de Educação. e 5. acompanhará a execução do Plano Nacional de Educação. § 2º O prazo para que as universidades cumpram o disposto nos incisos II e III do art. de 21 de dezembro de 1995 e. para que a sociedade o conheça amplamente e acompanhe sua implementação. a contar da publicação desta Lei. dos Estados. 88.

comuns e especializados. um plano com sentido unitário e de bases científicas. O art.”. culturais.155. respectivamente. capaz de conferir estabilidade às iniciativas governamentais na área de educação. determina nos artigos 9º e 87. políticos e educacionais brasileiros. . e de Constituição. Considerando que os recursos financeiros são limitados e que a capacidade para responder ao desafio de oferecer uma educação compatível. Em 10 de fevereiro de 1998. . com diretrizes e metas para os dez anos posteriores. compreensivo do ensino de todos os graus e ramos. sugerindo ao Governo as medidas que julgasse necessárias para a melhor solução dos problemas educacionais bem como a distribuição adequada de fundos especiais”. Havia. o Deputado Ivan Valente apresentou no Plenário da Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 4. de 1996.CONSED e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação . Atribuía. embasado nas lutas e proposições daqueles que defendem uma sociedade mais justa e igualitária”. a elaborar o plano para ser aprovado pelo Poder Legislativo. apensado ao PL nº 4. Na justificação. incorporaram. Na Exposição de Motivos destaca o Ministro da Educação a concepção do Plano. sem que a iniciativa chegasse a se concretizar. o Deputado Nelson Marchezan. competência precípua ao Conselho Nacional de Educação.024. relativa ao projeto de lei que “Institui o Plano Nacional de Educação”. iniciativa essa aprovada pelo então Conselho Federal de Educação.. 25 homens e mulheres da elite intelectual brasileira. de 1996 . são estabelecidas prioridades neste plano. que “estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional”. de 1998 que “aprova o Plano Nacional de Educação”. Garantia de ensino fundamental obrigatório de oito anos a todas as crianças de 7 a 14 anos. Em 1965. com sucesso. elaborado já na vigência da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. um grupo de educadores.CONED e sistematizou contribuições advindas de diferentes segmentos da sociedade civil. 2. novamente proposta pelo Ministério da Educação e Cultura e discutida em quatro Encontros Nacionais de Planejamento. os documentos resultantes de ampla mobilização regional e nacional que foram apresentados pelo Brasil nas conferências da UNESCO constituíram subsídios igualmente importantes para a preparação do documento. O documento teve grande repercussão e motivou uma campanha que resultou na inclusão de um artigo específico na Constituição Brasileira de 16 de julho de 1934. organizado na forma da lei. que a União encaminhe o Plano ao Congresso Nacional. segundo o dever constitucional e as necessidades sociais. quando foram introduzidas normas descentralizadoras e estimuladoras da elaboração de planos estaduais. de 1998. o Poder Executivo enviou ao Congresso Nacional a Mensagem 180/98.173. a Lei nº 9. . que instituiu o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério. nos estabelecimentos oficiais. Considerou ainda realizações anteriores. Propunham a reconstrução educacional. O processo pedagógico deverá ser adequado às necessidades dos alunos e corresponder a um ensino socialmente significativo. em seu art. em sintonia com a Declaração Mundial sobre Educação para Todos. consolidou os trabalhos do I e do II Congresso Nacional de Educação . e institui a Década da Educação. Justiça e de Redação. um ano após a publicação da citada lei. de 1995. Ele não foi proposto na forma de um projeto de lei. 214 contempla esta obrigatoriedade. Na primeira.. na Tailândia. a elaboração do Plano. cinquenta anos após a primeira tentativa oficial. O art.. Essa prioridade inclui o necessário esforço dos sistemas de ensino para que todas obtenham a formação mínima para o exercício da cidadania e para o usufruto do patrimônio cultural da sociedade moderna. com força de lei. de Finanças e Tributação.a elevação global do nível de escolaridade da população. uma nova revisão. a ideia de um Plano Nacional de Educação. A idéia prosperou e nunca mais foi inteiramente abandonada. à dos países desenvolvidos precisa ser construída constante e progressivamente. 1. Lei nº 4. assegurando o seu ingresso e permanência na escola e a conclusão desse ensino. com exceção da Carta de 37. O primeiro Plano Nacional de Educação surgiu em 1962. A ideia de uma lei ressurgiu em 1967.  Os projetos foram distribuídos às Comissões de Educação. e coordenar e fiscalizar a sua execução. a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. é Relator. “de grande alcance e de vastas proporções. o Distrito Federal e os Municípios. em 13 de março de 1998. do ponto de vista legal.155/98. Várias entidades foram consultadas pelo MEC. 150 declarava ser competência da União “fixar o plano nacional de educação. lançou um manifesto ao povo e ao governo que ficou conhecido como “Manifesto dos Pioneiros da Educação”. beneficiando a implantação de ginásios orientados para o trabalho e o atendimento de analfabetos com mais de dez anos. Cultura e Desporto.. mas apenas como uma iniciativa do Ministério da Educação e Cultura. que teve como eixos norteadores. 152. em colaboração com os Estados. o Plano tem como objetivos: . o consenso de que o plano devia ser fixado por lei. destaca o Autor a importância desse documento-referência que “contempla dimensões e problemas sociais. de 1961.394. Era basicamente um conjunto de metas quantitativas e qualitativas a serem alcançadas num prazo de oito anos. preparado de acordo com as recomendações da reunião organizada pela UNESCO e realizada em Jomtien. A construção deste plano atendeu aos compromissos assumidos pelo Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública. obedecendo aos princípios da participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e a participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. OBJETIVOS E PRIORIDADES Em síntese.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Em 1932. Além deste. Com a Constituição Federal de 1988.a redução das desigualdades sociais e regionais no tocante ao acesso e à permanência. na educação pública e . que cabe à União. Em 1966. Prioridade de tempo integral para as crianças das camadas sociais mais necessitadas. sofreu uma revisão. Por outro lado. ressurgiu a ideia de um plano nacional de longo prazo. implícita ou explicitamente. que se chamou Plano Complementar de Educação. principalmente o Plano Decenal de Educação para Todos. desde sua Didatismo e Conhecimento 16 participação nos trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte. subjacente. em 1993. Estabelece ainda. Em 11 de fevereiro de 1998. introduziu importantes alterações na distribuição dos recursos federais. destacando-se o Conselho Nacional de Secretários de Educação . Iniciou sua tramitação na Câmara dos Deputados como Projeto de Lei nº 4. e a Emenda Constitucional nº 14.democratização da gestão do ensino público.UNDIME.a melhoria da qualidade do ensino em todos os níveis. em todo o território do País”. na extensão e na qualidade. Todas as constituições posteriores. a Constituição Federal de 1988.

considerando-se a alfabetização de jovens e adultos como ponto de partida e parte intrínseca desse nível de ensino. Seu crescimento. entre elas o tempo para estudo e preparação das aulas. às necessidades da sociedade. deu-se principalmente a partir dos anos 70 deste século e 17 Didatismo e Conhecimento . são definidas metas de ampliação dos percentuais de atendimento da respectiva faixa etária. no entanto. no que se refere a lideranças científicas e tecnológicas. No entanto. 3. Garantia de ensino fundamental a todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria ou que não o concluíram. principalmente quando os pais trabalham fora de casa. nucleares. à cada circunstância. . A alfabetização dessa população é entendida no sentido amplo de domínio dos instrumentos básicos da cultura letrada. o ensino médio e a educação superior. Está prevista a extensão da escolaridade obrigatória para crianças de seis anos de idade. sociedade e famílias a investirem na atenção às crianças pequenas. a educação das crianças menores de 7 anos tem uma história de cento e cinquenta anos.as diretrizes e metas para a formação e valorização do magistério e demais profissionais da educação. portanto. No Brasil. Particular atenção deverá ser dada à formação inicial e continuada. em parte. EDUCAÇÃO INFANTIL 1. com piso salarial e carreira de magistério. A erradicação do analfabetismo faz parte dessa prioridade. À medida que essa ciência da criança se democratiza. como também para os jovens e adultos que não cursaram os níveis de ensino nas idades próprias. pais e responsáveis. seja em decorrência da necessidade da família de contar com uma instituição que se encarregue do cuidado e da educação de seus filhos pequenos. e a gradual extensão do acesso ao ensino médio para todos os jovens que completam o nível anterior. II – NÍVEIS DE ENSINO A – EDUCAÇÃO BÁSICA 1. assim como. desenvolvimento. como desdobramento. além das demandas do mercado de trabalho. que conduza ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva. A ampliação do atendimento. Além do direito da criança. Ampliação do atendimento nos demais níveis de ensino – a educação infantil. salário digno. integrada às diferentes formas de educação. nos níveis mais elevados. descuidar desse período significa desperdiçar um imenso potencial humano. garantia crescente de vagas e. neste plano. Não são apenas argumentos econômicos que têm levado governos. inclusive educação profissional. artísticas e culturais. a linguagem. Mas o argumento social é o que mais tem pesado na expressão da demanda e no seu atendimento por parte do Poder Público. simultaneamente. Faz parte dessa valorização a garantia das condições adequadas de trabalho. da evolução histórica da sociedade humana. Tratando-se de metas gerais para o conjunto da Nação. elaboração de planos estaduais e municipais. Ele deriva das condições limitantes das famílias trabalhadoras. 4. da diversidade do espaço físico e político mundial e da constituição da sociedade brasileira. será preciso. como meio e condição de formação.1 Diagnóstico A educação das crianças de zero a seis anos em estabelecimentos específicos de educação infantil vem crescendo no mundo inteiro e de forma bastante acelerada. a música. e até mais agudos nesses anos recentes. Valorização dos profissionais da educação. Considerando que esses fatores continuam presentes. empresariais e sindicais. atendê-la com profissionais especializados capazes de fazer a mediação entre o que a criança já conhece e o que pode conhecer significa investir no desenvolvimento humano de forma inusitada. monoparentais. ou seja. das de renda familiar insuficiente para prover os meios adequados para o cuidado e educação de seus filhos pequenos e da impossibilidade de a maioria dos pais adquirirem os conhecimentos sobre o processo de desenvolvimento da criança que a pedagogia oferece. contemplando também o aperfeiçoamento dos processos de coleta e difusão dos dados. a Constituição Federal estabelece o direito dos trabalhadores. Hoje se sabe que há períodos cruciais no desenvolvimento. Isso. é de se supor que a educação infantil continuará conquistando espaço no cenário educacional brasileiro como uma necessidade social. das operações matemáticas elementares. Na base dessa questão está o direito ao cuidado e à educação a partir do nascimento. adequação às especificidades locais e definição de estratégias adequadas. quer no ensino fundamental. políticas e intelectuais. Envolve. A educação é elemento constitutivo da pessoa e. Se essas oportunidades forem perdidas.as diretrizes para a gestão e o financiamento da educação. é preciso evitar uma educação pobre para crianças pobres e a redução da qualidade à medida que se democratiza o acesso. ao trabalho. à ciência e à tecnologia. Faz parte dessa prioridade a garantia de oportunidades de educação profissional complementar à educação básica. deve estar presente desde o momento em que ela nasce. quer na educação infantil.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 2. nos próximos dez anos. oportunidade de formação que corresponda às necessidades das diferentes faixas etárias. como instrumentos indispensáveis para a gestão do sistema educacional e melhoria do ensino. seja pelos argumentos advindos das ciências que investigaram o processo de desenvolvimento da criança. a formação do cidadão responsável e consciente de seus direitos e deveres. 5. a educação infantil ganha prestígio e interessados em investir nela. integração social e realização pessoal. em especial dos professores. Para as demais séries e para os outros níveis.as diretrizes e metas para cada nível e modalidade de ensino e . significa maior acesso. Este Plano Nacional de Educação define por conseguinte: . durante os quais o ambiente pode influenciar a maneira como o cérebro é ativado para exercer funções em áreas como a matemática. será muito mais difícil obter os mesmos resultados mais tarde. ainda. Ao contrário. Se a inteligência se forma a partir do nascimento e se há “janelas de oportunidade” na infância quando um determinado estímulo ou experiência exerce maior influência sobre a inteligência do que em qualquer outra época da vida. determinará a prioridade que as crianças das famílias de baixa renda terão na política de expansão da educação infantil. Desenvolvimento de sistemas de informação e de avaliação em todos os níveis e modalidades de ensino. à educação de seus filhos e dependentes de zero a seis anos.

certamente não por ter alcançado a satisfação da demanda. no entanto. que vem se verificando nos últimos anos. o que. até alguns anos atrás. atualmente. As estatísticas informavam sobre os atendimentos conveniados. dispomos de dados mais consistentes. De uma população de aproximadamente 9. A maioria dos ambientes não conta com profissionais qualificados. à questão de valores e às habilidades específicas para tratar com seres tão abertos ao mundo e tão ávidos de explorar e conhecer. Em 1998. Com 51 e mais alunos temos apenas 29.400. que recebiam apoio financeiro e. pois em 1993 detinham 31% dos estabelecimentos e. Em relação a 1987. Por determinação da LDB. Daí porque os cursos de formação de magistério para a educação infantil devem ter uma atenção especial à formação humana. indicando um atendimento de 381.7% para 25.106 pré-escolas. Didatismo e Conhecimento 18 A partir de 1993. De 1987 para 1998 houve aumento do número dos diplomados em nível universitário trabalhando na educação infantil (de 20 para 44 mil). Grande parte era atendida por instituições filantrópicas e associações comunitárias. ¼ delas.8 mil. de 34 para 24%. porque é nessa idade. A distribuição das matrículas. Considerando o aumento do número de famílias abaixo do nível de pobreza no Brasil. segundo as diretrizes curriculares nacionais emanadas do Conselho Nacional de Educação. quanto ao gênero. porque foram grupos tratados diferentemente. IV da Constituição Federal. ficando a faixa de 4 a 6 para a pré-escola. os Estados atendiam 850 mil e. Esse é um dos temas importantes para o PNE.5%. coletados pelo sistema nacional de estatísticas educacionais. Em relação ao número de alunos por estabelecimento. transformando-se em instituições de educação.8%. em alguns casos. 208. que existem creches de boa qualidade. não havendo um levantamento completo de quantas crianças estavam freqüentando algum tipo de instituição nessa faixa etária. 17 mil. em 1997. sejam públicas ou privadas. Em torno de 13% dos professores possuem apenas o ensino fundamental. e mais acentuadamente a partir de 1994. O atendimento maior se dá nas idades mais próximas da escolarização obrigatória. brinquedos e outros materiais pedagógicos adequados.804 crianças. Nível de formação acadêmica.6% do total. considerando-se que nos primeiros anos de vida.2 milhões.7%. elevando o percentual nessa categoria em relação ao total de professores. particulares. de 22.4% para 65. é fundamental que os profissionais sejam altamente qualificados. conclui-se que há uma demanda reprimida ou um não-atendimento das necessidades de seus filhos pequenos. Os com ensino médio completo eram 95 mil em 1987 e em 1998 já chegavam a 146 mil. Já os Municípios passaram. Esse fenômeno decorre da expressão e pressão da demanda sobre a esfera de governo (municipal) que está mais próximo às famílias e corresponde à prioridade constitucional de atuação dos Municípios nesse nível. 50. Em 1998.3%. saúde. ele caiu para 4. a retração foi maior ainda: para 396 mil matrículas. das quais o Nordeste detém quase metade (47. um número de 1. Os Municípios passaram de 47. somente 600 mil. A Sinopse Estatística da Educação Básica reuniu dados de 1998 sobre a creche. em idades que variam de menos de 4 a mais de 9 anos.2 milhões de crianças. 78. em 1998. também. o que revela uma progressiva melhoria da qualificação docente. está equilibrada: feminino. A primeira faixa esteve predominantemente sob a égide da assistência social e tinha uma característica mais assistencial. equivalendo a 46. que os estímulos educativos têm maior poder de influência sobre a formação da personalidade e o desenvolvimento da criança. Atendia principalmente as crianças cujas mães trabalhavam fora de casa. quer por instituições que atuaram nesse campo. Esses dados são alvissareiros. Em 1987. É preciso analisar separadamente as faixas etárias de 0 a 3 e de 4 a 6 anos. decisões políticas e programas governamentais têm sido meios eficazes de expansão das matrículas e de aumento da consciência social sobre o direito. que correspondem a 96.7 milhões. O Poder Público será cada vez mais instado a atuar nessa área.9% para 9. como cuidados físicos.4% dos estabelecimentos. aumentado sua parcela. estaduais e 72. estava presente em 5.5% e masculino. simultaneamente ao ensino fundamental. Trata-se de um tempo que não pode estar descurado ou mal orientado.4%. São dados incompletos. de 39. é dever constitucional. as matrículas quase estacionaram no patamar de 4. constata-se uma redução acentuada no atendimento por parte dos Estados. Existiam. Das 219 mil funções docentes. que desenvolvem proposta pedagógica de alta qualidade educacional. Observando a distribuição das matrículas entre as esferas públicas e a iniciativa privada. Diferentemente de outros países e até de preocupações internacionais. uma vez que o déficit de atendimento é bastante grande. dada a maleabilidade da criança às interferências do meio social. não significa necessariamente habilidade para educar crianças pequenas. especialmente da qualidade das experiências educativas.5%) e o Sudeste. não desenvolve programa educacional. Já em 1998. A mobilização de organizações da sociedade civil. Bons materiais pedagógicos e uma respeitável literatura sobre organização e funcionamento das instituições para esse segmento etário vêm sendo produzidos nos últimos anos no país. Qualquer número.2% para 66. alimentação. o que caracteriza pequenas unidades pré-escolares de uma sala. Mas deve-se registrar.3 milhão de matrículas para 2. será uma quantidade muito pequena diante da magnitude do segmento populacional de 0 a 3 anos. com profissionais com formação e experiência no cuidado e educação de crianças. no conjunto. naquele período. Para a faixa de 4 a 6 anos. uma pequena redução na área particular e um grande aumento na esfera municipal. não dispõe de mobiliário. 4. completo ou incompleto. precisamente. de 1. 129 mil são municipais.1 milhões e 44%.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS foi mais acelerado até 1993. Esse equilíbrio é uniforme em todas as regiões do País. e deverão adotar objetivos educacionais. observa-se o mesmo fenômeno que ocorreu com as matrículas: os Estados se retraíram.6% e as da iniciativa privada. é interessante observar que quase metade (45%) atende até 25 alunos. de sorte que a maioria das crianças de 6 anos já está na pré-escola. baixando sua participação no total de matrículas de 25. Estimativas precárias indicavam. constituído de 12 milhões de crianças. somente 8. no entanto. .320 Municípios. 66% são formados em nível médio e 20% já têm o curso superior. aliás. como são as crianças. como a antiga LBA.7% e a iniciativa privada. a importância e a necessidade da educação infantil.3 milhões estavam matriculadas em pré-escolas no ano de 1997. Essa determinação segue a melhor pedagogia. quer nos objetivos. mesmo porque só agora as creches começam a registrar-se nos órgãos de cadastro educacional. 49.000 crianças atendidas na faixa de 0 a 3 anos. determinado pelo art. as creches atenderão crianças de zero a três anos. orientação pedagógica de algum órgão público. em nosso País essa questão não requer correções.

 As diretrizes curriculares nacionais para a educação infantil. o Trabalho. Ela estabelece as bases da personalidade humana. Além disso. Finalmente. Serão essas. indicam os efeitos positivos da ação educacional nos primeiros anos de vida. relativamente a 1998. um diagnóstico das necessidades da educação infantil precisa assinalar as condições de vida e desenvolvimento das crianças brasileiras. a Saúde e as Comunicações Sociais. As instituições de educação infantil vêm se tornando cada vez mais necessárias. onde o espaço externo é restrito e tem que ser dividido com muitos outros alunos. 1. também. Essa carência ocorre para menos de 0. Há bastante segurança em afirmar que o investimento em educação infantil obtém uma taxa de retorno econômico superior a qualquer outro.0 por 1 na esfera municipal e de 23. em 1999. A educação infantil inaugura a educação da pessoa.153 pré-escolas. coincidem em afirmar a importância dos primeiros anos de vida para o desenvolvimento e aprendizagem posteriores. a inexistência de energia elétrica em 20% dos estabelecimentos. o trabalho e o emprego. na estadual. A pedagogia mesma vem acumulando considerável experiência e reflexão sobre sua prática nesse campo e definindo os procedimentos mais adequados para oferecer às crianças interessantes. 1990). cultura e lazer. que afeta a maioria delas. 84% das quais se situam no Nordeste. como complementares à ação da família. No horizonte dos dez anos deste Plano Nacional de Educação. desafiantes e enriquecedoras oportunidades de desenvolvimento e aprendizagem. mas construída pela criança. a moradia. ao longo da vida.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Outra questão importante a analisar é o número de crianças por professor pois. O efeito sinergético de ações na área da saúde. definidas pelo Conselho Nacional de Educação. As ciências que se debruçaram sobre a criança nos últimos cinquenta anos. pois está com 14 crianças por professor. quer sobre outros aspectos da vida social. que a educação infantil terá um papel cada vez maior na formação integral da pessoa. As primeiras experiências da vida são as que marcam mais profundamente a pessoa. Recursos antes aplicados na educação infantil foram carreados. Tem-se atribuído essa redução à implantação do FUNDEF. medidas econômicas relativas aos recursos financeiros necessários e medidas administrativas para articulação dos setores da política social envolvidos no atendimento dos direitos e das necessidades das crianças. estabelecem os marcos para a elaboração das propostas pedagógicas para as crianças de 0 a 6 anos. responsabilidade. embora ainda em pequeno número. Tailândia. as atitudes de autoconfiança. no desenvolvimento de sua capacidade de aprendizagem e na elevação do nível de inteligência das pessoas. em instituições específicas ou em programas de atenção educativa. Em relação à infraestrutura dos estabelecimentos. estando privadas da rica atividade nesses ambientes nada menos que 54% das crianças. Daí porque a intervenção na infância. sendo 127 mil em estabelecimento sem esgoto sanitário. a renda e os espaços sociais de convivência. a educação. consoante determina o art. Pois todos esses são elementos constitutivos da vida e do desenvolvimento da criança.7. a nutrição. em 1998. 9o. o que já foi afirmado pelo mais importante documento internacional de educação deste século. além das organizações da sociedade civil. saúde. certamente. há que se apontar que 4. persistindo. o que é um bom número para a faixa de 4 a 6 anos. ao ensino fundamental. Avaliações longitudinais. tendo sido fechadas muitas instituições de educação infantil. a Declaração Mundial de Educação para Todos (Jomtien. as circunstâncias e os fatos. a Justiça. Considera-se. a Cultura. nutrição e apoio familiar são vistos como um importante instrumento de desenvolvimento econômico e social. que englobem ações integradas de educação. de cooperação. terá que ser encontrada uma solução para as diversas demandas. investigando como se processa o seu desenvolvimento. ficando 167 mil crianças matriculadas sem possibilidade de acesso aos meios mais modernos da informática como instrumentos lúdicos de aprendizagem.4. Quando positivas. nutrição e educação está demonstrado por avaliações de políticas e programas. esse problema deve merecer atenção especial na década da educação. não têm abastecimento de água. criativo e grupal nessa faixa etária. na interação social mediante a ação sobre os objetos.5% das crianças atendidas nas regiões Sudeste. que contemplou separadamente o ensino fundamental das etapas anterior e posterior da educação básica. IV da LDB. na comunidade e nas instituições. O setor privado baixa a média nacional para 18. tais como decisões e compromissos políticos dos governantes em relação às crianças. requerem-se. como a Educação. A Sinopse Estatística da Educação Básica/1999 registra um decréscimo de cerca de 200 mil matrículas na pré-escola. a relação é de 21. sob pena de termos uma educação infantil descaracterizada. Mais grave é que 58% das crianças freqüentam estabelecimento sem sanitário adequado. da inteligência. É possível que muitos dos estabelecimentos sejam anexos a escolas urbanas de ensino fundamental. a demanda de educação infantil poderá ser atendida com qualidade. Dada a importância do brinquedo livre. que atendem a 69.2 Diretrizes A educação infantil é a primeira etapa da Educação Básica. no Nordeste. da vida emocional. ademais de orientações pedagógicas e medidas administrativas conducentes à melhoria da qualidade dos serviços oferecidos. Essa educação se dá na família. embora em número menor (159 mil). sem prejuízo da prioridade constitucional do ensino fundamental. Para tanto. no âmbito internacional. Sul e Centro-Oeste. Na década da educação. beneficiando a toda criança que necessite e cuja família queira ter seus filhos frequentando uma instituição educacional. medidas de natureza política. nessa faixa etária. Didatismo e Conhecimento 19 . 70% dos estabelecimentos não têm parque infantil. quer sobre a vida acadêmica posterior. por Municípios e Estados. as crianças precisam de atenção bastante individualizada em muitas circunstâncias e requerem mais cuidados dos adultos do que nos níveis subsequentes da escolarização. da socialização. que retira de suas famílias as possibilidades mais primárias de alimentálas e assisti-las. através de programas de desenvolvimento infantil. pela predominância da atividade cognoscitiva em sala de aula. a partir do nascimento.714 crianças. tem que ser enfrentada com políticas abrangentes que envolvam a saúde. a Assistência Social. A pobreza. Há que se registrar. complementadas pelas normas dos sistemas de ensino dos Estados e Municípios. Esses valores são semelhantes em todas as regiões. E têm oferecido grande suporte para a educação formular seus propósitos e atuação a partir do nascimento. pré-escolas da zona rural. No setor público. mesmo porque inteligência não é herdada geneticamente nem transmitida pelo ensino. solidariedade. tendem a reforçar. mais da metade das quais.

conforme as diretrizes curriculares e a metodologia da educação infantil. 208. constitui diretriz importante a superação das dicotomias creche/pré-escola. As inversões financeiras requeridas para cumprir as metas de abrangência e qualidade deverão ser vistas sobretudo como aplicações necessárias em direitos básicos dos cidadãos na primeira etapa da vida e como investimento. atendimento a carentes/educação para classe média e outras. o movimento e o brinquedo. nutrindo-se dele e renovando-o constantemente. A expansão que se verifica no atendimento das crianças de 6 e 5 anos de idade. este plano propõe que a oferta pública de educação infantil conceda prioridade às crianças das famílias de menor renda. adaptação dos estabelecimentos quanto às condições físicas. As metas estão relacionadas à demanda manifesta. em hipótese alguma. transcendendo a questão da renda familiar. que. de sorte que esta se torne. da produção de aprendizagens e a habilidade de reflexão sobre a prática. No entanto. implementada através de programas específicos de orientação aos pais. VI da Constituição Federal. porém necessariamente. Deve-se contemplar. b) instalações sanitárias e para a higiene pessoal das crianças. cada vez mais. de formação da inteligência e da personalidade. Didatismo e Conhecimento . que exigem “adaptação” entre o que hoje constitui a creche e a pré-escola. o Poder Público tem o dever de atendê-la.Municípios. caracterizar a educação infantil pública como uma ação pobre para pobres. Em vista daquele direito e dos efeitos positivos da educação infantil sobre o desenvolvimento e a aprendizagem das crianças. Elaborar. 1. consoante o art. quando os pais trabalham fora de casa. produzindo aprendizagens coerentes. aos valores e às expressões culturais das diferentes localidades. mobiliário. Considerando. A formação dos profissionais da educação infantil merecerá uma atenção especial. 20 A educação infantil é um direito de toda criança e uma obrigação do Estado (art. A norma constitucional de integração das crianças especiais no sistema regular será. fonte de novos conhecimentos e habilidades na educação das crianças. alcançar a meta de 50% das crianças de 0 a 3 anos e 80% das de 4 e 5 anos. a necessidade do atendimento em tempo integral para as crianças de idades menores. tanto a Constituição Federal quanto a LDB são explícitas na corresponsabilidade das três esferas de governo . a 30% da população de até 3 anos de idade e 60% da população de 4 e 6 anos (ou 4 e 5 anos) e. c) instalações para preparo e/ou serviço de alimentação. definida pelo número de crianças na faixa etária. no mundo inteiro. é preciso sublinhar que é uma diretriz nacional o respeito às diversidades regionais. diretrizes para essa modalidade constarão do capítulo sobre educação especial. Além da formação acadêmica prévia. mais amplas e profundas. Afinal a existência da possibilidade de acesso e o conhecimento dos benefícios da frequência a um centro de educação infantil de qualidade induzem um número cada vez maior de famílias a demandar uma vaga para seus filhos. conduzirá invariavelmente à universalização. água potável. situando as instituições de educação infantil nas áreas de maior necessidade e nelas concentrando o melhor de seus recursos técnicos e pedagógicos. o Brasil poderá chegar a uma educação infantil que abarque o segmento etário 0 a 6 anos (ou 0 a 5. na medida em que as crianças de 6 anos ingressem no ensino fundamental) sem os percalços das passagens traumáticas. ventilação. equipamentos e materiais pedagógicos. ao mútuo conhecimento de processos de educação. 30. mas sempre que sua família deseje ou necessite. Ampliar a oferta de educação infantil de forma a atender. Importante. das famílias de renda mais baixa. expectativas. o atendimento de qualquer criança num estabelecimento de educação infantil é uma das mais sábias estratégias de desenvolvimento humano. As medidas propostas por este plano decenal para implementar as diretrizes e os referenciais curriculares nacionais para a educação infantil se enquadram na perspectiva da melhoria da qualidade. sobretudo no que se refere à limitação de meios financeiros e técnicos. IV da Constituição Federal). O que este plano recomenda é uma educação de qualidade prioritariamente para as crianças mais sujeitas à exclusão ou vítimas dela. na educação infantil. e não à demanda potencial. com iluminação. que formam a base sócio histórica sobre a qual as crianças iniciam a construção de suas personalidades. Quanto às esferas administrativas. respeitando as diversidades regionais. Para orientar uma prática pedagógica condizente com os dados das ciências e mais respeitosa possível do processo unitário de desenvolvimento da criança. Educação e cuidados constituem um todo indivisível para crianças indivisíveis. como vem ocorrendo entre esta e a primeira série do ensino fundamental. insolação. num processo de desenvolvimento marcado por etapas ou estágios em que as rupturas são bases e possibilidades para a sequência. acrescentando-se a eles a própria oferta como motivadora da procura. nesse processo. mais do que qualquer outra coisa. cujas taxas de retorno alguns estudos já indicam serem elevadas. d) ambiente interno e externo para o desenvolvimento das atividades. em apoio técnico e financeiro aos Municípios.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Na distribuição de competências referentes à educação infantil. assistência ou assistencialismo/ educação. qualificação dos professores. de tal maneira que a educação familiar e a escolar se complementem e se enriqueçam. é o cuidado na qualidade do atendimento. inserida no trabalho pedagógico. A qualificação específica para atuar na faixa de zero a seis anos inclui o conhecimento das bases científicas do desenvolvimento da criança. incluindo o repouso. No período dos dez anos coberto por este plano.e da família. até o final da década. rede elétrica e segurança. as condições concretas de nosso País. que orientações políticas e práticas sociais equivocadas foram produzindo ao longo da história. A articulação com a família visa. padrões mínimos de infraestrutura para o funcionamento adequado das instituições de educação infantil (creches e pré-escolas) públicas e privadas. a expressão livre. pois só esta o justifica e produz resultados positivos. f) adequação às características das crianças especiais. a União e os Estados atuarão subsidiariamente. mas um direito da criança. também. equipamentos e materiais pedagógicos. Por isso. esgotamento sanitário. valores. esse segmento da educação vem crescendo significativamente e vem sendo recomendado por organismos e conferências internacionais. visão para o espaço externo. já constatado por muitas pesquisas. em cinco anos. assegurem o atendimento das características das distintas faixas etárias e das necessidades do processo educativo quanto a: a) espaço interno. tornando-se cada vez mais óbvios. Essa prioridade não pode. dada a relevância de sua atuação como mediadores no processo de desenvolvimento e aprendizagem. 2. com reflexos positivos sobre todo o processo de aprendizagem posterior. no prazo de um ano. requer-se a formação permanente. A criança não está obrigada a frequentar uma instituição de educação infantil. no entanto. e) mobiliário. Estado e União . Quando a avaliação recomendar atendimento especializado em estabelecimentos específicos. pois a educação infantil não é obrigatória. Os fatores históricos que determinam a demanda continuam vigentes em nossa sociedade.3 Objetivos e Metas 1.

da Constituição Federal afirma: “O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo”. 20. Observar as metas estabelecidas nos demais capítulos referentes à educação infantil. com conteúdos específicos. que realize as seguintes metas: a) que. Estabelecer em todos os Municípios. 5. 13. visando ao apoio técnico-pedagógico para a melhoria da qualidade e à garantia do cumprimento dos padrões mínimos estabelecidos pelas diretrizes nacionais e estaduais. 30. 19. (Tabela 1). Implantar conselhos escolares e outras formas de participação da comunidade escolar e local na melhoria do funcionamento das instituições de educação infantil e no enriquecimento das oportunidades educativas e dos recursos pedagógicos. 6. um amplo consenso sobre a situação e os problemas do ensino fundamental. Diagnóstico De acordo com a Constituição Brasileira. com vistas a melhorar a eficiência e garantir a generalização da qualidade do atendimento. modalidade normal. § 1º. Estabelecer parâmetros de qualidade dos serviços de educação infantil. É básico na formação do cidadão. 7. expansão. em cinco anos. inclusive. 22. Isto significa que há muitas crianças matriculadas no ensino fundamental com idade acima de 14 anos.1. um sistema de acompanhamento. no prazo de três anos. § 1º. b) que. da Constituição Federal. Exercer a ação supletiva da União e do Estado junto aos Municípios que apresentem maiores necessidades técnicas e financeiras. inclusive das universidades e institutos superiores de educação e organizações não governamentais. prioritariamente nas regiões onde o déficit de qualificação é maior. oferecendo. ENSINO FUNDAMENTAL 2. 16. nos estabelecimentos públicos e conveniados. 12. de forma que. 32. 10. Didatismo e Conhecimento 21 . 25. nos termos dos arts. somente admitir novos profissionais na educação infantil que possuam a titulação mínima em nível médio. Incluir as creches ou entidades equivalentes no sistema nacional de estatísticas educacionais. Estados e Municípios.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 3. programas de orientação e apoio aos pais com filhos entre 0 e 3 anos. prioritariamente. Em 1998. em cinco anos. 24. estabelecido no art. até o final da década. sempre que possível em articulação com as instituições de ensino superior que tenham experiência na área. saúde e assistência na manutenção. Assegurar. 4. assistência financeira. 11. o controle e a avaliação. além de outros recursos municipais os 10% dos recursos de manutenção e desenvolvimento do ensino não vinculados ao FUNDEF sejam aplicados. Assegurar que. 15. em dez anos. 208 preconiza a garantia de sua oferta. dando-se preferência à admissão de profissionais graduados em curso específico de nível superior. Encaminhar ao Congresso Nacional projeto de lei visando à regulamentação daquele dispositivo. nos estabelecimentos públicos e privados. Assegurar que. 18. seus projetos pedagógicos. sejam atendidos os padrões mínimos de infraestrutura definidos na meta nº 2. o fornecimento de materiais pedagógicos adequados às faixas etárias e às necessidades do trabalho educacional. em cinco anos. com a colaboração da União. Estabelecer um Programa Nacional de Formação dos Profissionais de educação infantil. Adotar progressivamente o atendimento em tempo integral para as crianças de 0 a 6 anos. no prazo de três anos. O art. para a atualização permanente e o aprofundamento dos conhecimentos dos profissionais que atuam na educação infantil. administração. A partir da vigência deste plano. em todos os Municípios. colocar em execução programa de formação em serviço. em seu art. 21. em dois anos. todos os Municípios tenham definido sua política para a educação infantil. 7o. 9. em todos os Municípios. (VETADO) 23. com base nas diretrizes nacionais. 8. Instituir mecanismos de colaboração entre os setores da educação. No prazo máximo de três anos a contar do início deste plano. controle e avaliação das instituições de atendimento das crianças de 0 a 3 anos de idade. através da colaboração financeira da União e dos Estados. Existe hoje. o ensino fundamental é obrigatório e gratuito. nas normas complementares estaduais e nas sugestões dos referenciais curriculares nacionais. de modo a atingir a meta estabelecida pela LDB para a década da educação. Assegurar que. da escrita e do cálculo constituem meios para o desenvolvimento da capacidade de aprender e de se relacionar no meio social e político. com a participação dos profissionais de educação neles envolvidos. VI e 211. 208. em cinco anos. em cada município ou por grupos de Município. todos os professores tenham habilitação específica de nível médio e. que atendam aos requisitos de infraestrutura definidos no item anterior. inclusive para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria. tínhamos mais de 8 milhões de pessoas nesta situação. em dez anos. Promover debates com a sociedade civil sobre o direito dos trabalhadores à assistência gratuita a seus filhos e dependentes em creches e pré-escolas. controle e supervisão da educação infantil. 17. Extinguir as classes de alfabetização incorporando imediatamente as crianças no ensino fundamental e matricular. públicas ou privadas. o pleno domínio da leitura. preferencialmente em articulação com instituições de ensino superior. XXV. Estabelecer. As matrículas do ensino fundamental brasileiro superam a casa dos 35 milhões. somente autorizar construção e funcionamento de instituições de educação infantil. violência doméstica e desagregação familiar extrema. A partir do segundo ano deste plano. em todos os Municípios e com a colaboração dos setores responsáveis pela educação. Garantir a alimentação escolar para as crianças atendidas na educação infantil. e seu não oferecimento pelo Poder Público ou sua oferta irregular implica responsabilidade da autoridade competente. 26. O art. Adaptar os prédios de educação infantil de sorte que. saúde e assistência social e de organizações não governamentais. Ampliar a oferta de cursos de formação de professores de educação infantil de nível superior. e como instrumento para a adoção das medidas de melhoria da qualidade. no Brasil. número superior ao de crianças de 7 a 14 anos representando 116% dessa faixa etária. da Constituição Federal. formação de nível superior. em três anos. jurídica e de suplementação alimentar nos casos de pobreza. todos estejam conformes aos padrões mínimos de infraestrutura estabelecidos. todos os dirigentes de instituições de educação infantil possuam formação apropriada em nível médio (modalidade Normal) e. todas as instituições de educação infantil tenham formulado. pois de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. naquele nível todas as crianças de 7 anos ou mais que se encontrem na educação infantil. com a cooperação técnica e financeira da União e dos Estados. 2. bem como para a formação do pessoal auxiliar. na educação infantil. Realizar estudos sobre custo da educação infantil com base nos parâmetros de qualidade. como referência para a supervisão. também. É prioridade oferecê-lo a toda população brasileira. 70% tenham formação específica de nível superior. 14.

864 6.150 1.786 789.938 20.394.192 255. condensados na Tabela 2.073 8.995 44. Os dados evolutivos.892 1.568 99.580 215.985 30.736 642 1.407.001 15.062 195.137 18.935 4.609 1.806 8.666 441.266 951.890 209.232 50. em termos tanto de cobertura quanto de eficiência.521 116.446 10.050 2.921 2.287 2.440 6.663. é a forma mais perversa e irremediável de exclusão social. em 25/3/98.672 499. foi considerada a idade que o aluno completou em 1998) Didatismo e Conhecimento 22 .063 248.Matrícula.293.303 66.986 16.305 172.633 29.984 22.859 456 8.079 43.987 952.299 12.686 19.483 18.470 215.918.408 100.169 2.270 24.994 1.288 Menos 7 anos 147.838 4.383 65.441 28.392 346.948 71.842.554 6.847 105.008 1.016.724 149.224 24.808.876.251.119 De 7 a 14 Anos 26.991 4.135.578 8.636 82.561 2.530 357.375. pois nega o direito elementar de cidadania.431.124 149.646 117.492 485.711 882.948 412.870.847 532.345 104.553.880 308.034 22.262 86.719 322.584 82.808 256.382 296.370 2.558 80.874 1.853 115.759 23.855.387 276.187.479 688.239 122.782 479 1.066 113.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A exclusão da escola de crianças na idade própria. seja por incúria do Poder Público.803 9.369.142 787.857.018 2.609 1. Tabela 1 .127 10.714 3.429 1.210.886 595 42.682 4.319 39.593 8.912 701.315 2.904 1.020 69.770.526 18.388 605.532 5.690 185.954 10.618 24.015 531.121 608 Fonte MEC/INEP/SEEC – (Nota: A idade foi obtida a partir do Ano do Nascimento informado no censo escolar.712 149.399 423.372 1.881 77.770 44.837 459.295 54.983 5.237 650.331 45.079 21.548 16.175 Mais de 19 anos 221.652 171.777 614.060 33.273 34.342 73.146 71.220 144.G.998 142.466 849.728 63.539 428.809 130.964 10.341 111.830 22.813 32.717 4.473 750.813 117.742 71.238 116.590 2.015 472.913 8.771 1.642 23.777.554 3.377.247 1.383 25.953 10.249.052 Menos de 7 anos 449.638 437 4.758 15.062 810.534 50.067 14.do Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Sudeste Minas Gerais Espírito Santo Rio de Janeiro São Paulo Sul Paraná Santa Catarina R.780 10.605 3.423 182.684 92.769 50.178 3.863 2.447 1.732 320 1.631 3.373 29.420 75.736 5. seja por omissão da família e da sociedade.490.472 3.097.910.287 7.892 164 20.056 229.892 184.169 516 24.693 150.175 412.766.279 36. G.606 De 15 a 19 anos 1.616 7.606.822 11.518 4.954 81.868 1.377.380 4.091 8.082 134.961 1. por Faixa Etária e Localização – 1998 Matrícula por Faixa Etária e Localização Unidade da Federação Brasil Norte Rondônia Acre Amazonas Roraima Pará Amapá Tocantins Nordeste Maranhão Piauí Ceará R.383 120.169 12.526 248.214 1.630 250.559 2.361 97.195.G.197 31.446 13.863 48.313 68.394 159.143 15.121 130.153.165 1.506 974. isto é.207.378 126.072 1.180 12.585.537 97.785 2.742 2.691 480. indicam claramente esta questão.916 12.185 8.991 27.278 464.103 16.786 2.036 32.248 8. A consciência desse fato e a mobilização social que dela decorre têm promovido esforços coordenados das diferentes instâncias do Poder Público que resultaram numa evolução muito positiva do sistema de ensino fundamental como um todo.761 9.878 17.814 3.080 53.289 11.952 2.459 7.818.993 12.953 216 13.729 22.883 245 17.305.254 94.173 De 15 a 19 anos 7.131 1.297.964 264.922 144. do Sul Mato Grosso Goiás Distrito Federal Total Total 35.815 86.553 619.423 839.796 152.303 350.915 Total 6.586 463.466 632.061 3.098 498.698 40.686 956 1.836 11.880 1.712 90.876 557.335 13.565 452.845 Mais de 19 anos 1.266 377.057 1.698 4.565.629 552.355 57.679 242.815 364.512 54.100 312.511 37.075 744. reproduzindo o círculo da pobreza e da marginalidade e alienando milhões de brasileiros de qualquer perspectiva de futuro.723 20.924.791 604. do Sul Centro-Oeste M.211 1.686 91.716 85.472 134.361 864 3. no ensino fundamental.104 4.992 140.136 3.480 1.224 424.818 103.117 2.149 983.161 2.156.285 436.823 5.177 513 2.365 91.805 34.779 1.137.279 49.172 12.766 286.468 598.648 1.097 224.204 171.176 638.669 13.227 731.333 149.558.910 441.340 27.566 19.411 16.447.815 32.488 577.322 15.054 244.448 664.742 899 Rural De 7 a 14 anos 5.792.082 241.440 262.

469 x 11.157 2. de 86% para cerca de 91% entre 1991 e 1996.0 114.161 Fontes: MEC/INEP/SEEC e IBGE Considerando-se o número de crianças de 7 a 14 anos matriculadas no ensino fundamental.558.650. sob a responsabilidade do Poder Público. Trata-se.185. chegando a 64% o índice de distorção.737.180. Uma parcela dessa população pode ser reincorporada à escola regular e outra precisa ser atingida pelos programas de educação de jovens e adultos. o índice de atendimento dessa faixa etária (taxa de escolarização líquida) aumentou.2 114.062 2. apenas cerca de 622 mil frequentavam a 8ª série do ensino fundamental.701 1. por sua vez.330 11.649 x 9. o fato de ainda haver crianças fora da escola não tem como causa determinante o déficit de vagas.914 7.852 x 3. de problemas localizados. O Fundo Nacional de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério. De acordo com o censo escolar de 1996. está relacionado à precariedade do ensino e às condições de exclusão e marginalidade social em que vivem segmentos da população brasileira.901.2 96.474 10. o ingresso no ensino fundamental é relativamente tardio no Brasil. o que inclui algumas que estão na pré-escola. Além de indicar atraso no percurso escolar dos alunos. concentrando-se em bolsões de pobreza existentes nas periferias urbanas e nas áreas rurais.140.333 x 10.4 116.531 x 8. dos 3. Esse problema dá a exata dimensão do grau de ineficiência do sistema educacional do País: os alunos levam em média 10. verificamos que.804. em ambos os casos. é surpreendente e inaceitável que ainda haja crianças fora da escola. o número de crianças de 7 a 14 anos efetivamente matriculadas em algum nível de ensino. uma situação de inchaço nas matrículas do ensino fundamental.475.2 Diretrizes As diretrizes norteadoras da educação fundamental estão contidas na Constituição Federal.1 x 111. o que tem sido um dos principais fatores de evasão. assim como o Projeto Nordeste/Fundescola.665 x 3.010. Apesar do expressivo aumento de 9 pontos percentuais de crescimento entre 1991 e 1998.9 Brasil 1991 1996 Norte 1991 1996 Nordeste 1991 1996 Sudeste 1991 1996 Sul 1991 1996 Centro-Oeste 1991 1996 xx 27. do trabalho infantil.860 3. na faixa de 7 a 14 anos.9 x 94. o ensino privado absorvia apenas 9. em 1998.8 x 79.525.820. além de uma parcela muito reduzida que já ingressou no ensino médio.774 x 2. mantendo-se o atual número de vagas.2 89.400.811. o ensino fundamental deverá atingir a sua universalização.601. priorizando o auxílio técnico e financeiro para as regiões que apresentam maiores deficiências.674 x 4.7 milhões de crianças de 7 a 14 anos fora da escola.007 x 1.480 12.209 x 6. A existência de crianças fora da escola e as taxas de analfabetismo estão estreitamente associadas. O progresso foi impressionante. pois nas regiões Norte e Nordeste a taxa de escolarização líquida passou a 90%. Na maioria das situações. Não basta.5 milhões de adolescentes nessa faixa etária. que decorre basicamente da distorção idadesérie.246.773.417.248.611.958.4 anos para completar as oito séries do ensino fundamental.369 4. a qual.5% das matrículas. tanto em termos de cobertura como de sucesso escolar. portanto.815 x 2. A taxa de atendimento subiu para 96%. mantendo as crianças por período excessivamente longo no ensino fundamental. A desigualdade regional é grave. Tendo em vista este conjunto de dados e a extensão das matrículas no ensino fundamental. Em 1998. mantendo a tendência decrescente de participação relativa.9 94.909.214 10. sendo de seis anos a idade padrão na grande maioria dos sistemas.127. outras que frequentam classes de alfabetização. Esta medida é importante porque.589.203.339 2.475. Nos cinco primeiros anos de vigência deste plano. são cerca de 2. Se considerarmos.6 126. da população muito pobre.171.9 116.8 x 93.3 Matrícula no Ensino Fundamental 7 a 14 anos x 23.780.428 25.5 82. devem garantir os recursos para a correção dessas desigualdades. O problema da exclusão ainda é grande no Brasil.8 x 94. As diferenças regionais estão diminuindo.803.5 x 110. É preciso que a União continue atenta a este problema.270 x 2.Taxas de Escolarização Bruta e Líquida na faixa etária de 7 a 14 anos Brasil e Regiões – 1991 e 1996 Região/ Ano População de 7 a 14 anos Matrícula no Ensino Fundamental Total x 29. Corrigir essa situação constitui prioridade da política educacional.532 9.194 3. abrir vagas.724 33. é consequência dos elevados índices de reprovação.8 x 118. que depende. essa taxa de atendimento cresceu de 91. Tomando como referência apenas as crianças de 14 anos.876 2. por outro lado.089 x 10. Programas paralelos de assistência a famílias são fundamentais para o acesso à escola e a permanência nela. inclusive nos demais países da América Latina. ampliar o ensino obrigatório para nove séries. portanto. permanência e qualidade da Didatismo e Conhecimento 23 .980 Taxa de Escolarização Líquida % x 86. em comparação com os demais países.580 28.1 90. portanto aproximando-se da média nacional.693.528. principalmente se tomarmos os dados já disponíveis de 1998: taxa bruta de escolarização de 128% e líquida.730 x 1. as regiões Norte e Nordeste continuam apresentando as piores taxas de escolarização do País. No Nordeste essa situação é mais dramática.4 94. 2.131. A correção dessa distorção abre a perspectiva de. o atendimento é ainda maior e o progresso igualmente impressionante: entre 1991 e 1998.201.6% para 95%.8 116. na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e nas Diretrizes Curriculares para o ensino fundamental.7 x 96.777. parte das quais nela já esteve e a abandonou. para sua subsistência.965. Temos.822 Taxa Escolarização Bruta % x 105.230 1.860 x 1.899. o que está muito próximo de uma universalização real do atendimento.8 x 72. a situação de distorção idade-série provoca custos adicionais aos sistemas de ensino. considerando a indissociabilidade entre acesso. mais de 46% dos alunos do ensino fundamental têm idade superior à faixa etária correspondente a cada série. com início aos seis anos de idade. de 95%.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Tabela 2 .1 x 99. De acordo com a contagem da população realizada pelo IBGE em julho de 1996.

Para garantir um melhor equilíbrio e desempenho dos seus alunos. insolação. alimentação escolar. propõem a inserção de temas transversais como ética. é um avanço significativo para diminuir as desigualdades sociais e ampliar democraticamente as oportunidades de aprendizagem. . assim como do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB). A LDB. f) mobiliário. com adaptações adequadas a portadores de necessidades especiais. A gestão da educação e a cobrança de resultados. a escola tem responsabilidades sociais que extrapolam o simples ensinar. tanto das metas como dos objetivos propostos neste plano. A escola rural requer um tratamento diferenciado. desenvolvimento de atividades artísticas e alimentação adequada. g) telefone e serviço de reprodução de textos. À medida que forem sendo implantadas as escolas de tempo integral. estabelecendo em regiões em que se demonstrar necessárioprogramas específicos. a critério dos sistemas de ensino. garantindo o acesso e a permanência de todas as crianças na escola. incluindo: a) espaço. regularizar os percursos escolares. até a conclusão. b) instalações sanitárias e para higiene. E. sobretudo nos Municípios de menor renda. pluralidade cultural. d) adaptação dos edifícios escolares para o atendimento dos alunos portadores de necessidades especiais. embasadas na ciência da educação. à medida que for sendo universalizado o atendimento na faixa de 7 a 14 anos. por meio de programas de aceleração da aprendizagem e de recuperação paralela ao longo do curso. A expressiva presença de jovens com mais de 14 anos no ensino fundamental demanda a criação de condições próprias para a aprendizagem dessa faixa etária. as taxas de repetência e evasão. o tempo. até os espaços especializados de atividades artístico-culturais. faz-se necessário ampliar o atendimento social. segurança e temperatura ambiente. biblioteca e serviço de merenda escolar. permitindo que crianças e adolescentes permaneçam na escola o tempo necessário para concluir este nível de ensino. equipamentos e materiais pedagógicos. abre novas perspectivas no desenvolvimento de habilidades para dominar esse novo mundo que se desenha. atendimento diferenciado da alimentação escolar e disponibilidade de professores. com os equipamentos discriminados nos itens de”e” a “h”. § 2º. 2. garantindo efetiva aprendizagem. O atraso no percurso escolar resultante da repetência e da evasão sinaliza para a necessidade de políticas educacionais destinadas à correção das distorções idade-série. como a própria expressão da organização educativa da unidade escolar. mas ao ensino de qualidade. 7. e a criação de sistemas complementares nos Estados e Municípios permitirão um permanente acompanhamento da situação escolar do País. h) informática e equipamento multimídia para o ensino. podendo dimensionar as necessidades e perspectivas do ensino médio e superior. em cinco anos. recreativas e a adequação de equipamentos. esportivas.3 Objetivos e Metas 1. O atendimento em tempo integral. pois a oferta de ensino fundamental precisa chegar a todos os recantos do País e a ampliação da oferta de quatro séries regulares em substituição às classes isoladas unidocentes é meta a ser perseguida. dos Estados e dos Municípios. Deve-se assegurar a melhoria da infraestrutura física das escolas. A partir do segundo ano da vigência deste plano. que deverão orientar-se pelo princípio democrático da participação. em decorrência. Reforçando o projeto político-pedagógico da escola. com a colaboração da União. Ampliar para nove anos a duração do ensino fundamental obrigatório com início aos seis anos de idade. ventilação. programas para equipar todas as escolas. contemplando-se desde a construção física. 3. 4. no prazo de cinco anos a partir da data de aprovação deste plano. Além do currículo composto pelas disciplinas Didatismo e Conhecimento 24 tradicionais. surgem os conselhos escolares. c) espaços para esporte. água potável. entre outros. adequadas à sua maneira de usar o espaço. livro didático e transporte escolar. em cinco anos. a totalidade dos itens. em todos os sistemas de ensino e com o apoio da União e da comunidade escolar. mudanças significativas deverão ocorrer quanto à expansão da rede física. trabalho e consumo. a consolidação e o aperfeiçoamento do censo escolar. 2. Esta estrutura curricular deverá estar sempre em consonância com as diretrizes emanadas do Conselho Nacional de Educação e dos conselhos de educação dos Estados e Municípios. gradualmente. Elaborar. no prazo de um ano. em seu art. O turno integral e as classes de aceleração são modalidades inovadoras na tentativa de solucionar a universalização do ensino e minimizar a repetência. especialmente para crianças carentes. preconiza a progressiva implantação do ensino em tempo integral. iluminação. sinalizaram a reforma curricular expressa nos Parâmetros Curriculares Nacionais. recreação. Assegurar que. 6. que surgiram como importante proposta e eficiente orientação para os professores. Os temas estão vinculados ao cotidiano da maioria da população. os recursos didáticos e às formas peculiares com que a juventude tem de conviver. meio ambiente. A ampliação da jornada escolar para turno integral tem dado bons resultados. professores e demais trabalhadores da educação. todas as escolas atendam os itens de “a” a “d” e. padrões mínimos nacionais de infraestrutura para o ensino fundamental. finalmente. 34. Estabelecer. pais. envolverão comunidade. Regularizar o fluxo escolar reduzindo em 50%. 5. Universalizar o atendimento de toda a clientela do ensino fundamental. prática de esportes. Além do atendimento pedagógico. valorizando um paradigma curricular que possibilite a interdisciplinaridade. no mínimo em duas refeições. As novas concepções pedagógicas. somente autorizar a construção e funcionamento de escolas que atendam aos requisitos de infraestrutura definidos. alunos. generalizando inclusive as condições para a utilização das tecnologias educacionais em multimídia. oportunizando orientação no cumprimento dos deveres escolares. rede elétrica. eliminando mais celeremente o analfabetismo e elevando gradativamente a escolaridade da população brasileira. A atualidade do currículo. A oferta de cursos para a habilitação de todos os profissionais do magistério deverá ser um compromisso efetivo das instituições de educação superior e dos sistemas de ensino. O direito ao ensino fundamental não se refere apenas à matrícula. compatíveis com o tamanho dos estabelecimentos e com as realidades regionais. com procedimentos como renda mínima associada à educação. consideradas as peculiaridades regionais e a sazonalidade. em dez anos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS educação escolar. e) atualização e ampliação do acervo das bibliotecas. para os alunos do ensino fundamental. É preciso avançar mais nos programas de formação e de qualificação de professores. considerando a especificidade de horários. A oferta qualitativa deverá.

se o fluxo escolar fosse regular. 20 horas semanais de efetivo trabalho escolar. Tanto nos países desenvolvidos quanto nos que lutam para superar o subdesenvolvimento. de forma a adequá-los às características da clientela e promover a eliminação gradual da necessidade de sua oferta. o ensino médio tem um importante papel a desempenhar. a prática de esportes e atividades artísticas. 12. é particularmente preocupante o reduzido acesso ao ensino médio. Assegurar. educação especial e financiamento e gestão. A situação agrava-se quando se considera que. por bairro ou distrito de residência e/ou locais de trabalho dos pais. a Renda Mínima Associada a Ações Socioeducativas para as famílias com carência econômica comprovada. Integrar recursos do Poder Público destinados à política social. Esses pequenos incrementos anuais terão efeito cumulativo. ENSINO MÉDIO 3.795/99. universalizando. Ao final de alguns anos. estabelecendo entre seus critérios a adequada abordagem das questões de gênero e etnia e a eliminação de textos discriminatórios ou que reproduzam estereótipos acerca do papel da mulher. do negro e do índio. 15. que abranja um período de pelo menos sete horas diárias.401 estudantes. 25. 10. cultural e etária do alunado do ensino médio. Ampliar progressivamente a oferta de livros didáticos a todos os alunos das quatro séries finais do ensino fundamental. Em primeiro lugar porque. que a carga horária semanal dos cursos diurnos compreenda. com observância das Diretrizes Curriculares para o ensino fundamental e dos Parâmetros Curriculares Nacionais. na medida em que estão relacionadas às previstas neste capítulo. 23. Estabelecer. porque há um grande número de adultos que volta à escola vários anos depois de concluir o ensino fundamental. contínua e permanente em conformidade com a Lei nº 9. textos científicos. Elevar de quatro para cinco o número de livros didáticos oferecidos aos alunos das quatro séries iniciais do ensino fundamental. considerando a especificidade do alunado e as exigências do meio. os jovens chegam ao ensino médio bem mais velhos. com a colaboração da União. todas as escolas tenham formulado seus projetos pedagógicos. Assegurar a elevação progressiva do nível de desempenho dos alunos mediante a implantação. econômica. em três anos. Estimular os Municípios a proceder um mapeamento. 27. Estavam matriculados no ensino médio. 20. em virtude das elevadas taxas de repetência no ensino fundamental. formação de professores. Assegurar que. 16. quatro séries completas.** 11. dentro de três anos. em todos os sistemas de ensino. apoio às tarefas escolares. muito menor que nos demais países latino-americanos em desenvolvimento. Prover de transporte escolar as zonas rurais. os cálculos das taxas de atendimento dessa faixa etária são pouco confiáveis. no mesmo ano. Estados e Municípios. no caso do ensino médio. no mínimo duas refeições. como espaço de participação e exercício da cidadania. resultarão em uma mudança nunca antes observada na composição social. Garantir. Significa que. Promover a participação da comunidade na gestão das escolas. 26. especialmente quando se considera a acelerada elevação do grau de escolaridade exigida pelo mercado de trabalho. levando em consideração as realidades e as necessidades pedagógicas e de aprendizagem dos alunos. Apoiar e incentivar as organizações estudantis. 18. Prover. Isso é muito pouco. quando necessário. Didatismo e Conhecimento 25 24. Justamente em virtude disso. no caso brasileiro. de forma a cobrir as áreas que compõem as Diretrizes Curriculares do ensino fundamental e os Parâmetros Curriculares Nacionais.383 habitantes na faixa etária de 15 a 19 anos. 9. em dois anos. A Contagem da População realizada pelo IBGE em 1997 acusa uma população de 16. com prioridade para as regiões nas quais o acesso dos alunos ao material escrito seja particularmente deficiente. 14. Eliminar a existência. o provimento da alimentação escolar e o equilíbrio necessário garantindo os níveis calóricos-proteicos por faixa etária. Prever formas mais flexíveis de organização escolar para a zona rural. embora as estatísticas demonstrem que os concluintes do ensino fundamental começam a chegar à terceira etapa da educação básica em número um pouco maior. Ampliar. nos moldes do Programa de Renda Mínima Associado a Ações Socioeducativas. A educação ambiental. Articular as atuais funções de supervisão e inspeção no sistema de avaliação. o ensino médio comportaria bem menos que metade de jovens desta faixa etária. pelo menos. nas escolas de tempo integral. a reorganização curricular dos cursos noturnos. Prover de literatura.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 8. em ações conjuntas da União. Transformar progressivamente as escolas unidocentes em escolas de mais de um professor. 21. pelo menos. sem prejuízo do atendimento da demanda. por meio de censo educacional. Em segundo lugar. progressivamente a jornada escolar visando expandir a escola de tempo integral. será desenvolvida como uma prática educativa integrada. Observar as metas estabelecidas nos capítulos referentes à educação a distância. obras básicas de referência e livros didático-pedagógicos de apoio ao professor as escolas do ensino fundamental. . de forma a garantir a escolarização dos alunos e o acesso à escola por parte do professor. 3. a expansão do ensino médio pode ser um poderoso fator de formação para a cidadania e de qualificação profissional. com colaboração financeira da União. de um programa de monitoramento que utilize os indicadores do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica e dos sistemas de avaliação dos Estados e Municípios que venham a ser desenvolvidos. Estados e Municípios. com previsão de professores e funcionários em número suficiente. 13. Manter e consolidar o programa de avaliação do livro didático criado pelo Ministério de Educação. em dois anos. 30. a cada ano.1 Diagnóstico Considerando o processo de modernização em curso no País. 29. por diversas razões. dos Estados e Municípios. de mais de dois turnos diurnos e um turno noturno. 5.580. Associar as classes isoladas unidocentes remanescentes a escolas de. das crianças fora da escola. bem como a adequada formação profissional dos professores. preferencialmente para as crianças das famílias de menor renda. 17. 22.933. para garantir entre outras metas. idealmente. educação indígena. nas escolas. 28. visando localizar a demanda e universalizar a oferta de ensino obrigatório. tratada como tema transversal. a instituição de conselhos escolares ou órgãos equivalentes. 19.

757 176.1 Total 31.3 52. De fato os 6.017. ao lado das taxas de distorção idade-série.5 x -25.4 36.968.2 53.2 75.8% da população de 15 a 17 anos não se explica.9 74. entretanto.0 x 1. 54.8 48. aspectos positivos no panorama do ensino médio brasileiro. em idade pedagogicamente adequada (Tabela 5 ).7 56. estão associadas à baixa qualidade daquele nível de ensino. por sua vez.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Em virtude dessas duas condições. em 1998.9 68.5 6.1 36.0 18.2 69.0 10.1 58. apesar da melhoria dos últimos anos.6 17. pois apresenta características diferentes das outras séries. a idade recomendada é de 15 anos para a 1ª série.9 Fonte: MEC/INEP/SEEC.6 69.488 1. que.185 3.7 28.0 x 2.8 x 19.230 para 6.2 53.1 Total 21.0 64.120. na de 1991-94.688 – estudavam à noite.6 52. por desinteresse do Poder Público em atender à demanda.2 1997 Reprovação 7.6 32.2 114.1 10.9 57. a matrícula evoluiu de 3.9 10.ou seja 3. pois a oferta de vagas na 1ª série do ensino médio tem sido consistentemente superior ao número de egressos da 8ª série do ensino fundamental.968.8 Crescimento % 84.4 49. A exclusão ao ensino médio deve-se às baixas taxas de conclusão do ensino fundamental.4 77.8%. Apenas no período de 1991a 1998.6 19.0 41.3 41.6 72.1 37.4 43.9 10.8 73. o ensino médio atende majoritariamente jovens e adultos com idade acima da prevista para este nível de ensino (Tabela 3).0 46.230 x 103.5 23.612 x 128. Os números do abandono e da repetência.475 317.625.5 Abandono 13. conforme estimativas contidas na Tabela 6. este índice caiu para 50. os dados da repetência e abandono.4 39.7 7.6 4.5 1998 Valor Absoluto 6. para 43.7 43.474 3.8 68. 16 para a 2ª e 17 para a 3ª série.1 12.770.226. O ensino médio convive.2 20.751. a demanda por ensino médio deverá se ampliar de forma explosiva. Nos próximo anos.8%.3 16.1 91. Se os alunos estão chegando em maior número a esse nível de ensino.4 53.0 x 3.3 71.872 % 100. Informe Estatístico.1 Tabela 4 . o que está claramente associado a uma recente melhoria do ensino fundamental e à ampliação do acesso ao ensino médio.9 3ª série 51.6 36. A 4ª série do ensino médio não é incluída nos cálculos.3 10.4 41. Didatismo e Conhecimento 26 . O mais importante deles é que este foi o nível de ensino que apresentou maior taxa de crescimento nos últimos anos.2 35. Causas externas ao sistema educacional contribuem para que adolescentes e jovens se percam pelos caminhos da escolarização.2 26.6 17. da qual resultam elevados índices de repetência e evasão. Há. devendo-se supor que já estejam inseridos no mercado de trabalho.0 4. Tabela 3 .4 79.1 53.8 76.6 57.4 44.968.769 1.1 9.531 x 122.637 % 100. ainda são bastante desfavoráveis (Tabela 4).7 65.7 33.8 70.817.5 50. em todo o sistema.8% .1 10. com alta seletividade interna.5 55.7 66.770.6 20. de acordo com censo escolar.6 72.7 25.092 2.0 51.8 53. 74% dos que iniciavam o ensino médio conseguiam concluí-lo na coorte 1977-80. já ocorridas. Tabela 5 . agravadas por dificuldades da própria organização da escola e do processo ensino-aprendizagem.531 alunos do ensino médio.Ensino Médio – Taxa de Distorção idade-série 1996-1998 Regiões Brasil 1996 1998 Norte 1996 1998 Nordeste 1996 1998 Sudeste 1996 1998 Sul 1996 1998 Centro-Oeste 1996 1998 Total Geral 55.7 27.6 x 1.0 16.7 12.0 48.3 Fonte: MEC/INEP/SEEC Nota: Não incluído o não-seriado nas taxas de reprovação Desagregados por regiões.5 7.2 71.4 1995 Reprovação 10.0 26.Ensino Médio – Taxa de Abandono e Reprovação 1995 e 1997 Regiões Abandono Brasil Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste 21. entretanto.927 5.641 x 96.4 60.789 2. como resultado do esforço que está sendo feito para elevar as taxas de conclusão da 8ª série.472. Fonte: MEC/INEP/SEEC Nota: Para o ensino médio.8 73.8 2ª série 54. os índices de conclusão nas últimas décadas sinalizam que há muito a ser feito.2 49.015.531 alunos.Ensino Médio – Matrícula Brasil – 1991 e 1998 Dependência Administrativa Faixa Etária Total Dependência Administrativa Federal Estadual Municipal Particular Faixa Etária Menos de 15 anos 15 a 17 anos Mais de 17 anos 1991 Valor Absoluto 3.301. 1996 e censo escolar 1998 O número reduzido de matrículas no ensino médio – apenas cerca de 30. Na coorte 1970-73.7 26.9 86.7 1ª série 57.6 62.4 26.2 33. permitem visualizar – na falta de políticas específicas – em que região haverá maior percentual de alunos no ensino médio.804 1.3 47. também.

interpretar e tomar decisões. vai permitir que um Didatismo e Conhecimento 27 crescente número de jovens ambicione uma carreira educacional mais longa. assim como a Lei de Diretrizes e Bases. atesta o caráter cada vez mais público deste nível de ensino.552 17. no ensino médio.104 14.739 6. Ao longo dos dez anos de vigência deste plano. a tensão expressa nos privilégios e nas exclusões decorre da origem social. que devem ser destinados prioritariamente à educação básica. esse foi o que enfrentou.879 32. associado à tendência para a diminuição da idade dos concluintes.446 10.041 20. Como os Estados e o Distrito Federal estão obrigados a aplicar 15% da receita de impostos no ensino fundamental. forme pessoas mais aptas a assimilar mudanças. a demanda pelo ensino médio – terceira etapa da educação básica – vai compor-se. que aspirem melhoria social e salarial e precisem dominar habilidades que permitem assimilar e utilizar. o surpreendente crescimento do ensino médio se deve. e os sistemas estatísticos já disponíveis. Por outro lado.151 19.503 13. isso significa que. hoje ele se dá no limiar e dentro do ensino médio. o ensino médio proposto neste plano deverá enfrentar o desafio dessa dualidade com oferta de escola média de qualidade a toda a demanda. à semelhança do que ocorre com o ensino fundamental. é essencial para o acompanhamento dos resultados do ensino médio e correção de seus equívocos. a diretrizes que levem à correção do fluxo de alunos na escola básica. Em vista disso. cooperação e respeito às individualidades. que respeitem as diferenças e superem a segmentação social.253 33. certamente. de forma clara.255 17.2 Diretrizes O aumento lento. Uma educação que propicie aprendizagem de competências de caráter geral. foi no ensino médio que se observou o maior crescimento de matrículas do País. habilidades para incorporar valores éticos de solidariedade. comunicação. domínio de aptidões básicas de linguagens. . sobretudo nas áreas de Ciências e Matemática.131 35. o ponto de ruptura do sistema educacional brasileiro situou-se no acesso à escola. Preparando jovens e adultos para os desafios da modernidade.439 34. Pelo caráter que assumiu na história educacional de quase todos os países. Entre os diferentes níveis de ensino. a Emenda Constitucional nº 14. 35% daquele atendido no nível fundamental. abstração. mais recentemente.164 20. recursos adicionais como os que existem para o ensino fundamental na forma do Salário Educação.369 Fonte: MEC/INEP/SEEC (*) Dados estimados Entretanto. Se. atribui aos Estados a responsabilidade pela sua manutenção e desenvolvimento. os sistemas de avaliação já existentes em algumas unidades da federação que. entretanto. às matrículas na rede estadual (Tabela 3).027 21. 3.666 15. posteriormente na passagem do antigo primário ao ginásio. serão criados em outras. a ampliação do ensino médio vem competindo com a criação de universidades estaduais. em seguida pela diferenciação da qualidade do ensino oferecido. entre objetivos humanistas ou econômicos.544 33. prioritariamente. O mais razoável seria promover a expansão da educação superior estadual com recursos adicionais. mais autônomas em suas escolhas. no ensino médio. mas contínuo. Esta destinação assegurará a manutenção e a expansão deste nível de ensino nos próximos anos. Um aspecto que deverá ser superado com a implementação das Novas Diretrizes Curriculares para o ensino médio e com programas de formação de professores.962 8.562 18.Educação Básica – Matrículas Brasil: 1995 – 2010 (em mil) Ano x 1995 1996 1998 2000* 2002* 2004* 2005* 2008* 2010* x Total 32. o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). dependerá da utilização judiciosa dos recursos vinculados à educação. mesmo com a universalização do ensino médio.020 10. Quanto ao financiamento do ensino médio. o estabelecimento de um sistema de avaliação.774 10. porém. Desde meados dos anos 80. para este nível de ensino. especialmente quando se considera que o ensino fundamental consta de oito séries e o Médio. também. da Constituição Federal que prevê como dever do Estado a garantia da progressiva universalização do ensino médio gratuito. percepção da dinâmica social e capacidade para nela intervir. As metas de expansão da oferta e de melhoria da qualidade do ensino médio devem estar associadas. o número de alunos matriculados será. A diminuição da matrícula na rede privada. Há de se considerar. no passado mais longínquo. A expansão futura.325 15. hoje com índices de distorção idade-série inaceitáveis. constituem importantes mecanismos para promover a eficiência e a igualdade do ensino médio oferecido em todas as regiões do País.261 14. capacidade de observar.288 15. Essa destinação deve prover fundos suficientes para a ampliação desse nível de ensino.488 35.980 Médio 5. a maior crise em termos de ausência de definição dos rumos que deveriam ser seguidos em seus objetivos e em sua organização.225 Fundamental 1ª a 4ª 20. os demais 10% vinculados à educação deverão ser aplicados. no caso do ensino médio. Assim. Na disputa permanente entre orientações profissionalizantes ou acadêmicas. que. a oferta da educação média de qualidade não pode prescindir de definições pedagógicas e administrativas fundamentais a uma formação geral sólida e medidas econômicas que assegurem recursos financeiros para seu financiamento. O Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) e.282 18.624 15. produtivamente. 208. esse crescimento foi superior a 100%. Estatísticas recentes confirmam esta tendência. De 1985 a 1994. enquanto no ensino fundamental foi de 30%. compreensão dos processos produtivos. conforme disposto no art. sem comprometer os 25% constitucionalmente vinculados à educação.691 15.313 5. não se trata apenas de expansão. em muitos Estados.947 34. recursos tecnológicos novos e em acelerada transformação. nos últimos anos. no máximo.245 x 5ª a 8ª 12. II. do número dos que conseguem concluir a escola obrigatória.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Tabela 6 . de segmentos já inseridos no mercado de trabalho. especialmente porque não há.813 32.297 10. o ensino médio deverá permitir aquisição de competências relacionadas ao pleno exercício da cidadania e da inserção produtiva: autoaprendizagem. os demais 10% vinculados à educação deverão ser aplicados. a educação média é particularmente vulnerável à desigualdade social. prioritariamente. nessa instância federativa. de apenas três.383 10. De fato. Assim. como os Estados estão obrigados a aplicar 15% da receita de impostos no ensino fundamental. basicamente. operados pelo MEC.

Esses elementos devem pautar a organização do ensino a partir das novas diretrizes curriculares para o ensino médio. a contar da vigência deste Plano. 4. Assegurar que. capacitação e valorização do magistério. no ensino médio. 14. as escolas existentes. em cinco anos. Estabelecer. contínua e permanente em conformidade com a Lei nº 9. 18. em 10 anos. em cinco anos. das quatro primeiras séries do ensino fundamental e da educação infantil. os cerca de 1. 17. j) telefone e reprodutor de texto. também. pelo menos 50%. inclusive. 28 b) instalações sanitárias e condições para a manutenção da higiene em todos os edifícios escolares. o atendimento da totalidade dos egressos do ensino fundamental e a inclusão dos alunos com defasagem de idade e dos que possuem necessidades especiais de aprendizagem. Assim. de forma a adequá-lo às necessidades do aluno-trabalhador. no prazo de cinco anos. manutenção e melhoria das condições de funcionamento das escolas. A educação ambiental. B. em dois anos. Apoiar e incentivar as organizações estudantis. oportunidades de formação nesse nível de ensino àqueles que não a possuem. Implantar e consolidar. (Tabela 7). b) a expansão gradual do número de escolas públicas de ensino médio de acordo com as necessidades de infraestrutura identificada ao longo do processo de reordenamento da rede física atual. Elaborar. Reconhece-se que a carência de professores da área de Ciências constitui problema que prejudica a qualidade do ensino e dificulta tanto a manutenção dos cursos existentes como sua expansão. que se agravarão se o Plano Nacional de Educação não estabelecer uma política que promova sua renovação e desenvolvimento.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Há que se considerar. tratadas noutra parte deste documento. a nova concepção curricular elaborada pelo Conselho Nacional de Educação. tratada como tema transversal. e) adaptação dos edifícios escolares para o atendimento dos alunos portadores de necessidades especiais. Adotar medidas para a universalização progressiva de todos os padrões mínimos durante a década. no prazo de um ano. pelo menos. c) no prazo de dois anos. Observar. às de formação. Criar mecanismos. em cinco anos. como conselhos ou equivalentes. em 5% ao ano. em um ano. estejam concluindo a educação básica com uma sólida formação geral. pelo menos. 3. no Brasil. Atualmente.5 milhões de jovens egressos do nível médio têm à sua disposição um número razoável de vagas. as metas estabelecidas nos capítulos referentes à formação de professores. a 100% da demanda de ensino médio. 7. suficiente para garantir o atendimento dos alunos que trabalham. para incentivar a participação da comunidade na gestão. que assegure: a) o reordenamento. especialmente nas áreas de Ciências e Matemática. Melhorar o aproveitamento dos alunos do ensino médio. padrões mínimos nacionais de infraestrutura para o ensino médio. A disposição constitucional (art. da rede de escolas públicas que contemple a ocupação racional dos estabelecimentos de ensino estaduais e municipais. as metas do PNE devem associar-se. Como nos demais níveis de ensino. de forma a diminuir para quatro anos o tempo médio para conclusão deste nível. g) informática e equipamento multimídia para o ensino. 15. já elaboradas e aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação. de forma a atingir níveis satisfatórios de desempenho definidos e avaliados pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB). 11. Quando necessário atendimento especializado. com o objetivo. 2. d) o oferecimento de vagas que. a uma revisão da organização didático-pedagógica e administrativa do ensino noturno. Não autorizar o funcionamento de novas escolas fora dos padrões de “a” a “g”. 10. financiamento e gestão e ensino a distância. fortemente. Didatismo e Conhecimento . iluminação. de forma a atender aos padrões mínimos estabelecidos. c) espaço para esporte e recreação.795/99.EDUCAÇÃO SUPERIOR 4. em dez anos. pelo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e pelos sistemas de avaliação que venham a ser implantados nos Estados. em decorrência da universalização e regularização do fluxo de alunos no ensino fundamental. sem prejuízo da qualidade do ensino. sérios problemas. 16. para melhoria do ensino e da aprendizagem. serão observadas diretrizes específicas contidas no capítulo sobre educação especial. Reduzir. correspondam a 50% e.1 Diagnóstico A educação superior enfrenta. III) de integração dos portadores de deficiência na rede regular de ensino será. será desenvolvida como uma prática educativa integrada. 20. telefone e reprodutor de textos. d) espaço para a biblioteca.3 Objetivos e Metas 1. compatíveis com as realidades regionais. incentivando a criação de instalações próprias para esse nível de ensino. no que diz respeito ao ensino médio. 208. Formular e implementar. Adaptar. tanto no que diz respeito ao projeto pedagógico como em termos de gerência de recursos mínimos para a manutenção do cotidiano escolar. a partir do primeiro ano deste Plano. incluindo: a) espaço. e. Adotar medidas para ampliar a oferta diurna e manter a oferta noturna. 5. programa emergencial para formação de professores. oferecendo. 19. que todos os professores do ensino médio possuam diploma de nível superior. Proceder. com biblioteca. todas as escolas estejam equipadas. no prazo de cinco anos. implementada através de qualificação dos professores e da adaptação das escolas quanto às condições físicas. Adotar medidas para a universalização progressiva das redes de comunicação. 12. 6. as diretrizes do Plano Nacional de Educação apontam para a criação de incentivos e a retirada de todo obstáculo para que os jovens permaneçam no sistema escolar e. o tempo e os recursos didáticos disponíveis. progressivamente. ventilação e insolação dos prédios escolares. EDUCAÇÃO SUPERIOR 4. 8. mobiliário. Assegurar a autonomia das escolas. Assegurar que. f) instalação para laboratórios de ciências. entre outros. 3. Assegurar. a repetência e a evasão. h) atualização e ampliação do acervo das bibliotecas incluindo material bibliográfico de apoio ao professor e aos alunos. que o ensino médio atende a uma faixa etária que demanda uma organização escolar adequada à sua maneira de usar o espaço. de facilitar a delimitação de instalações físicas próprias para o ensino médio separadas. 9. equipamentos e materiais pedagógicos. i) equipamento didático-pedagógico de apoio ao trabalho em sala de aula. em cinco anos. aos 17 ou 18 anos de idade. 13. a totalidade das escolas disponham de equipamento de informática para modernização da administração e para apoio à melhoria do ensino e da aprendizagem. como espaço de participação e exercício da cidadania. uma política de gestão da infraestrutura física na educação básica pública.

6% nas municipais.632 584. .736 193.407.950 651.590 918.670 2. Didatismo e Conhecimento 29 .126 941.680 577.736 629. para 2 milhões e 125 mil em 1998.522 325.031 124.423 317.125. sendo provável que o crescimento seja oriundo de alunos das camadas mais pobres da população.950 Particular 764 3.Evolução da Matrícula por Dependência Administrativa– Brasil .286 1.518.810 548.417 202. como resultado conjugado de fatores demográficos.788 1.945.789 168. Apenas em 1998.609 1.303 827.455 959.788 1. portanto.315 210.640 Estadual 109.199 326.535.678 274.678 Federal 57 1.784 75.013 146.594.516 690.78 38.628 Estadual 74 1. o setor privado tem oferecido pouco menos de dois terços das vagas na educação superior (Tabela 8).dados referentes a 1998 Entretanto.503.450 700.729 % Públicas 35.971 93.26 61.697 194.645 92.215 243.940 340.615 2.86 Particular 885.197 156.833 408.351 584.58 38.399.71 40.133. o crescimento foi de 12. 55% dos estudantes deste nível frequentavam cursos noturnos.29 59.668 1.988 570. Nos últimos vinte anos.102 1.152 970.13 59.868.056 1. Em 1998.06 61. além das políticas de melhoria do ensino médio.320 906.18 60. na rede estadual esta porcentagem sobe para 62%.26 60.204 934.08 40.163 1.387 363.958 Federal 316.540 735.715 313.64 60.135 325.42 61.95 40. Isto é.57 38.341 83.034 1.867 320.662 653.283 308.22 61. e 27.671 121.759.414 578.36 39.318 Fonte : INEP/MEC .306 115.29 59.625 605.00 40.734 329.87 40.64 38.182 804.934 96.367.155 Total Públicas 492.543 367.386.547 89. Tabela 8 .00 59.794 103.342 98.74 38.265 92.936 239.490 961.503 76.01 58.43 60.5% nas estaduais.427 759.529 1.48 37.703 1.659 134. aumento das exigências do mercado de trabalho.689 571.599 862.418.286 93.539 1.05 59. bem acima das públicas.470.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Tabela 7 .555 1.232 535.661. Nestas.índice igual ao atingido pelo sistema em toda a década de 80.594 94.03 37.059.196 1.317 44. A matrícula no ensino médio deverá crescer nas redes estaduais.36 61.186.535 231. em 1997.109 87. A matrícula nas instituições de educação superior vem apresentando um rápido crescimento nos últimos anos. 18.52 62.564 885.433 1.74 39.71 41.339 109.338 89.929 840.080 1.118 326. De 1994 para cá.667 83.92 59.816 153.987 395. prevê -se uma explosão na demanda por educação superior.82 39.901 147.388 576.540. o número total de matriculados saltou de 1 milhão e 945 mil.14 Fonte : MEC/INEP A participação do ensino privado no nível superior aumentou sobretudo na década de 70.97 62.884 344.434 75.125 67.904 1. haverá uma demanda crescente de alunos carentes por educação superior.1980 – 1998 Ano 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 Total 1.831 315.374 89.965 585.1% nas instituições privadas.879 556.531 388.133 216.888 70.584 1.992 1.438.94 38.565.039 190. um crescimento de 9%. o número de alunos subiu 36.229 % Particular 64. como decorrência de uma pressão de demanda a partir da “questão dos excedentes”.660 810.Quadro do Ensino Superior no Brasil – 1998 E n s i n o Total Superior Instituições Cursos Ingressantes V a g a s oferecidas Vagas não preenchidas 973 6. Houve.982 859.99 41.782 Municipal 78 507 39.267 4.252 129.353 776.792 1.555 1.054 850.987 1.101 253.980 454.4% nas federais.934 Municipal 66.321.377.217 316.160 90.

tecnológico e cultural do País.5 133.480 100.1 108. ainda que. ao passo que as estaduais e particulares.4 124.6 122.9 4.688 80. mesmo quando se leva em consideração o setor privado. (Tabela 10).7 102. o que precisará ser corrigido.702 114.22 54.7 102. as federais de 2.975 % 62.9%.11 Fonte : MEC/INEP/SEEC No conjunto da América Latina.2 134. embora conte com 40% da faixa etária.61 3.0 101.0 98.que constituem o suporte necessário para o desenvolvimento científico.4% e.2 100.6 101.14 33. o Brasil apresenta um dos índices mais baixos de acesso à educação superior.1 110.34 75.0 144.01 9.14 17.5 122.5 128. Assim.8 5.01 38.048 % 5. os recursos destinados pelos Estados à educação superior devem ser adicionais aos 25% da receita de impostos vinculada à manutenção e desenvolvimento da educação básica. A contribuição estadual para a educação superior tem sido importante.19 11.96 61. uma distribuição de vagas muito desigual por região.0 120.4 127. a participação das municipais seja pouco expressiva – a participação das municipais correspondia a menos de 6% do total das matrículas -. entre 1988 e 1998. configura um caso à parte. Deve-se observar. É importante observar que o crescimento do setor público se deveu. no caso da educação superior.960 44.44 3.210 61.73 Municipal 121. esta tendência de ampliação das municipais contraria o disposto na Emenda Constitucional nº 14. à ampliação do atendimento nas redes estaduais.25 8.0 99.6 123.133 163.2 98. uma vez que adotou o ingresso irrestrito.4 114.6%). de 1996. onde o sistema municipal de ensino deve atender prioritariamente à educação infantil e ao ensino fundamental.6 142.264 5.11 3.716 55.08 Particular 1. verificou-se ampliação expressiva das matrículas em estabelecimentos municipais. à Venezuela (26%) e à Bolívia (20. Ainda que em termos do contingente.7 104.4 Fonte: MEC/INEP/SEEC Didatismo e Conhecimento 30 .9 106.6%).7 122.06 Estadual 274. Mas o Brasil continua em situação desfavorável frente ao Chile (20.2 97. que esta desigualdade resulta da concentração das matrículas em instituições particulares das regiões mais desenvolvidas.155 952 10.0 101.Índice de Crescimento da Matrícula por Dependência Administrativa Brasil 1988-1998 1998=100 Ano 1998 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 Crescimento médio Anual Federal 100.681 43. entretanto.4 115.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A manutenção das atividades típicas das universidades .8 Privada 100. Paralelamente.4 123.93 11.004 419. está mais bem distribuído e cumpre assim uma função importante de diminuição das desigualdades regionais .321 862. A Argentina.6 125. a expansão do setor privado deve continuar.277 % 19.9 Estadual 100. Para um desenvolvimento equilibrado e nos marcos do regime de colaboração. como se verifica na Tabela 8.4 Municipal 100. o que se reflete em altos índices de repetência e evasão nos primeiros anos.455 127.543 14.934 9. registra-se também. por outro lado.4 129. Observe-se.285 % 12.077 310.7 115. apresentam crescimento de 4.585 Federal 408.8 157.159 1.76 14.148.38 26. Como se pode verificar na Tabela 9. O setor público.99 13.5 108.16 27. nos últimos anos.2 143.321.8 104.Matrícula por Dependência Administrativa – Brasil e Regiões – Nível Superior 1998 Dependência Administrativa Região Brasil Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Total 2.5 98.5 121. a porcentagem de matriculados na educação superior brasileiro em relação à população de 18 a 24 anos é de menos de 12%.1 4.640 45.69 1.09 54.366 99.8% ao ano.2 113.957 118. mas não deve ocorrer em detrimento da expansão com qualidade do ensino médio.47 32. comparando-se desfavoravelmente com os índices de outros países do continente.087 230. pesquisa e extensão .991 71.6 2. desde que garantida a qualidade.5 105. não será possível sem o fortalecimento do setor público. com crescimento de 5. Tabela 9 . Tabela 10 .958 85.ensino.função esta que deve ser preservada.125.229 28.

735 Aposentadorias e Pensões 859. Entretanto.IFES . Além disso.Despesas com Investimentos e Inversões Financeiras Exercício 1995 1996 1997 1998 Total 260.891.930 1. (Tabela 12) Tabela 12 .valores constantes de 1998. deflacionando-se com base no IGP-DI/FGV.419. Tabela 11 .381 1.172 Fonte : Tribunal de Contas da União – valores constantes de 1998 Verifica-se. Há que se pensar. que reflete uma acirrada disputa de concepções. na formação de qualificação em áreas técnicas e profissionais.470. seja como padrão de referência no ensino de graduação.592.0 49.0 .35.168.679.970.032 849. após um salto em 1996.552. 31 Fonte :SIAFI/TCU – valores constantes de 1998. o apoio público é decisivo.957.609.428. Há uma variação de 5 a 11 mil reais como gasto anual por aluno. como foi estabelecido na França.478. em racionalização de gastos e diversificação do sistema.937.319 172.IFES – Participação das Despesas com Aposentadorias e Pensões no Total de Despesas com Pessoal e Encargos Sociais R$ 1.8 Fonte : Tribunal de Contas da União . mormente à universidade e aos centros de pesquisa. Como estratégia de diversificação.224 4.2 1995 1996 1997 1998 859.419. entende-se que devem ser custeados pela União. seja na pesquisa básica e na pós-graduação stricto sensu.679. As instituições públicas deste nível de ensino não podem prescindir do apoio do Estado. no que se refere à questão dos inativos.00 % (apos. ainda o comportamento das despesas com investimentos e inversões financeiras.2 (%) Em Relação a 1995 0. para que se atinjam as metas previstas na LDB quanto à titulação docente. Recomenda-se que a comunidade acadêmica procure critérios consensuais de avaliação.00 % ( apos.478.3 53. Tabela 13 .354. por exemplo. uma vez que não se pode confundir a função-”ensino” com as funções “pesquisa” e “extensão”. A importância que neste plano se deve dar às Instituições de Ensino Superior (IES). dependendo da metodologia adotada e da visão do analista. Para que estas possam desempenhar sua missão educacional. que.278.907.9 29. Há uma grande controvérsia acerca do gasto por aluno no nível superior.499. Desta forma são embutidos no custo da graduação os consideráveis gastos com pesquisa – o que não se admite. isto é. incluindo manutenção em geral.154. Muitos estudiosos brasileiros também contestam esta posição. o percentual relativo às aposentadorias é crescente ao longo do período e que o verdadeiro significado dessa despesa é mais perceptível quando comparada com outras despesas das IFES como os gastos com Outros Custeios e CapitalOCC: o que é gasto com o pagamento dos inativos e pensionistas é equivalente ao montante gasto com todas as demais despesas das IFES que não se referem a pessoal. 4.7 . Alguns autores desconsideram ainda os elevados gastos com os hospitais universitários e as aposentadorias.984.IFES – Relação entre Despesas com Aposentadorias e Pensões e com Outros Custeios e Capital Didatismo e Conhecimento . cabe-lhe qualificar os docentes que atuam na educação básica e os docentes da educação superior que atuam em instituições públicas e privadas.470.2 Diretrizes Nenhum país pode aspirar a ser desenvolvido e independente sem um forte sistema de educação superior.5 30.472.5 33. a importância da educação superior e de suas instituições é cada vez maior. na França.499. O Tribunal de Contas da União ressalta que.914 1.0 66.609. função prevista na Carta Magna. (Tabela 13). investimentos.381 1.3 64. além de significativo. institucional e social.623 168. ao contrário das despesas totais das IFES.00 Exercício 1995 1996 1997 1998 Pessoal e Encargos 2. as despesas com investimento apresentam declínio.8 Outros Custeios e Capital R$ 1. + occ ) 49. hoje mais do que nunca e assim tende a ser cada vez mais é a base do desenvolvimento científico e tecnológico e que este é que está criando o dinamismo das sociedades atuais.452. mas desligados do orçamento das Instituições Federais de Ensino Superior – IFES. exclusive os Centros Federais de Educação Tecnológica-CEFETs Não cabe ao Plano Nacional de Educação tomar partido nesta disputa.403 1. sem custo adicional excessivo. com diploma intermediário.578. Parte dos estudos acerca do tema divide simplesmente todo o orçamento da universidade pelo número de alunos.981.973. portanto que o percentual de recursos destinados à manutenção e investimento nas IFES decresce na mesma proporção em que aumentam os gastos com inativos e pensionistas.421. Num mundo em que o conhecimento sobrepuja os recursos materiais como fator de desenvolvimento humano.7 46. etc. erige-se sobre a constatação de que a produção de conhecimento. evidentemente. mantendo o papel do setor público. (Tabela 11).496 1.33.2 Exercício Aposentadorias e Pensões R$ 1.5 .032 % (B/A) 28.287.3 51. há que se pensar na expansão do póssecundário. passaram a apresentar relativa estabilidade. É importante observar.66.637 86.496 1. permitiria uma expansão substancial do atendimento nas atuais instituições de educação superior.348 4.016 Índice de Gasto 100. exclusive os CEFETs Dessa forma.0 50. A própria modulação do ensino universitário.168 1.7 48.578.168 1. + occ) 51. As universidades públicas têm um importante papel a desempenhar no sistema.1 32.714 4.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS À União atribui-se historicamente o papel de atuar na educação superior. inversões financeiras.

os requisitos de relevância. extensão. para ampliar as possibilidades de atendimento nos cursos presenciais. sobretudo os carentes. A pressão pelo aumento de vagas na educação superior. destacando a necessidade de se garantir o acesso a laboratórios. Há necessidade da expansão das universidades públicas para atender à demanda crescente dos alunos. regulares ou de educação continuada. exercida nas dimensões previstas na Carta Magna: didático-científica. Deve-se ressaltar. em todos os campos da vida e da atividade humana e abrindo um horizonte para um futuro melhor para a sociedade brasileira. Ressalte-se a importância da expansão de vagas no período noturno. têm um importante papel a cumprir no sistema de educação superior e sua expansão. depositária e criadora de conhecimentos. que o setor público neste processo. no conjunto dos esforços nacionais. Esta é sua função precípua e que deve atrair a maior parcela dos recursos de sua receita vinculada. já está acontecendo e tenderá a crescer. mas também das outras instituições de educação superior deve haver não só uma estreita articulação entre este nível de ensino e os demais como também um compromisso com o conjunto do sistema educacional brasileiro. para o que constitui instrumento adequado a institucionalização de um amplo sistema de avaliação associada à ampliação dos programas de pós-graduação. 30% da faixa etária de 18 a 24 anos. pesquisa e extensão. também. Estabelecer uma política de expansão que diminua as desigualdades de oferta existentes entre as diferentes regiões do País. Nessas instituições apropria-se o patrimônio do saber humano que deve ser aplicado ao conhecimento e desenvolvimento do País e da sociedade brasileira. a produção de pesquisa e inovação. As universidades constituem. que exercem as funções que lhe foram atribuídas pela Constituição: ensino. Seu núcleo estratégico há de ser composto pelas universidades. portanto. assim como preparar seus professores. administrativa e de gestão financeira e patrimonial. a formação dos quadros profissionais. devendo exercer inclusive prerrogativas da autonomia. Por esse motivo. . é necessário rever e ampliar. segundo a capacidade de cada um. Esse núcleo estratégico tem como missão contribuir para o desenvolvimento do País e a redução dos desequilíbrios regionais. o papel de fundamentar e divulgar os conhecimentos ministrados nos outros níveis de ensino. da pesquisa e da criação artística. no mínimo. desde que respeitados os parâmetros de qualidade estabelecidos pelos sistemas de ensino. bem como ao desenvolvimento da pesquisa necessária ao País. Deve-se assegurar. nos marcos de um projeto nacional. Ressalte-se que à educação superior está reservado. cujo objetivo é qualificar os docentes que atuam na educação superior. que depende dessas instituições. A diretriz básica para o bom desempenho desse segmento é a autonomia universitária. uma vez que realizam mais de 90% da pesquisa e da pós-graduação nacionais .em sintonia com o papel constitucional a elas reservado. pesquisa e extensão. reduzindo as desigualdades. que decorre do aumento acelerado do número de egressos da educação média. (VETADO) 3. científicos e culturais de nível superior.3 Objetivos e Metas 1. 2. pelo menos. evitando-se o fácil caminho da massificação. o desenho federativo brasileiro reservou à União o papel de atuar na educação superior. utilizando-o. o principal instrumento de transmissão da experiência cultural e científica acumulada pela humanidade. É importante a contribuição do setor privado. a partir de uma matriz que considere suas funções constitucionais. que as instituições não vocacionadas para a pesquisa. 4. A universidade é. A oferta de educação básica de qualidade para todos está grandemente nas mãos dessas instituições. Deve-se planejar a expansão com qualidade. inclusive. O sistema de educação superior deve contar com um conjunto diversificado de instituições que atendam a diferentes demandas e funções. É importante garantir um financiamento estável às universidades públicas. também. reformular o rígido sistema atual de controles burocráticos. Didatismo e Conhecimento 32 Para promover a renovação do ensino universitário brasileiro. É igualmente indispensável melhorar a qualidade do ensino oferecido. as rápidas transformações destinam às universidades o desafio de reunir em suas atividades de ensino. considerando que as universidades. até o final da década. tecnológica e humanística nas universidades. A Constituição Federal preceitua que o dever do Estado com a educação efetiva-se mediante a garantia de. Esta providência implicará a melhoria do indicador referente ao número de docentes por alunos. a ampliação da margem de liberdade das instituições não-universitárias e a permanente avaliação dos currículos constituem medidas tão necessárias quanto urgentes. bibliotecas e outros recursos que assegurem ao aluno-trabalhador o ensino de qualidade a que têm direito nas mesmas condições de que dispõem os estudantes do período diurno. No mundo contemporâneo. que já oferece a maior parte das vagas na educação superior e tem um relevante papel a cumprir. a busca de solução para os problemas atuais são funções que destacam a universidade no objetivo de projetar a sociedade brasileira num futuro melhor. a oferta de educação superior para. Historicamente. a política de incentivo à pósgraduação e à investigação científica. para colocar o País à altura das exigências e desafios do Séc. Finalmente. É o caso dos centros universitários. XXI. A efetiva autonomia das universidades. em colaboração com o Ministério da Ciência e Tecnologia e com as Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa. na medida que a elas compete primordialmente a formação dos profissionais do magistério. Prover.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS As IES têm muito a fazer. mas que praticam ensino de qualidade e. incluindo a superação das desigualdades sociais e regionais. sobretudo as federais possuem espaço para este fim. estas instituições devem ter estreita articulação com as instituições de ciência e tecnologia – como aliás está indicado na LDB (art. a partir da reflexão e da pesquisa. entre outros. acesso aos níveis mais elevados do ensino. qualidade e cooperação internacional. Estabelecer um amplo sistema interativo de educação a distância. encontrando a solução para os problemas atuais. 4. eventualmente. tenha uma expansão de vagas tal que. para que a educação superior possa enfrentar as rápidas transformações por que passa a sociedade brasileira e constituir um polo formulador de caminhos para o desenvolvimento humano em nosso país. simultaneamente. Assim. 86). é preciso. mantenha uma proporção nunca inferior a 40% do total. também. não só por parte da universidade.

Estimular a adoção. desta forma. para atender as necessidades da educação continuada de adultos. pelas instituições públicas. na educação básica. levando em consideração a avaliação do custo e a qualidade do ensino oferecido. com recursos públicos federais e estaduais. 13. que considere. em nível nacional. solidariedade e tolerância). Estabelecer um sistema de financiamento para o setor público. 26. Estimular a inclusão de representantes da sociedade civil organizada nos Conselhos Universitários. Estimular a consolidação e o desenvolvimento da pósgraduação e da pesquisa das universidades. na distribuição de recursos para cada instituição. capazes de possibilitar a elevação dos padrões de qualidade do ensino. 7. diretrizes curriculares que assegurem a necessária flexibilidade e diversidade nos programas de estudos oferecidos pelas diferentes instituições de educação superior. Garantir a criação de conselhos com a participação da comunidade e de entidades da sociedade civil organizada. nas informações coletadas anualmente através do questionário anexo ao Exame Nacional de Cursos. 21. administrativa e de gestão financeira para as universidades públicas. desenvolver ações imediatas no sentido de impedir que o êxodo continue e planejar estratégias de atração desses pesquisadores. o acesso à educação superior. com vistas a oferecer bolsas de estudo e apoio ao prosseguimento dos estudos. 6.Financiamento e Gestão da Educação Superior 24. as instituições de educação superior a constituírem programas especiais de titulação e capacitação de docentes. permitindo-lhes. Instituir programas de fomento para que as instituições de educação superior constituam sistemas próprios e sempre que possível nacionalmente articulados.* 32. do ensino e da extensão. para acompanhamento e controle social das atividades universitárias. Criar políticas que facilitem às minorias. 15. (VETADO) 30. 10% do total de créditos exigidos para a graduação no ensino superior no País será reservado para a atuação dos alunos em ações extensionistas. para exercício do magistério ou de formação geral. em novas profissões. 20. Estimular as instituições de ensino superior a identificar. (VETADO) 25. Estender. no mínimo. diferentes prerrogativas de autonomia às instituições não-universitárias públicas e privadas. tais como bolsa-trabalho ou outros destinados a apoiar os estudantes carentes que demonstrem bom desempenho acadêmico. investigar suas causas. Assegurar efetiva autonomia didática. de extensão e no caso das universidades. de avaliação institucional e de cursos.* 8. tais como trancamento de matrícula ou abandono temporário dos cursos superiores motivados por gravidez e/ou exercício de funções domésticas relacionadas à guarda e educação dos filhos. 12. 9. incentivando a criação de cursos noturnos com propostas inovadoras. com a certificação. com base no sistema de avaliação. com o objetivo de assegurar o retorno à sociedade dos resultados das pesquisas. nos estratos de renda mais baixa. Incentivar a generalização da prática da pesquisa como elemento integrante e modernizador dos processos de ensinoaprendizagem em toda a educação superior. Promover levantamentos periódicos do êxodo de pesquisadores brasileiros formados. 11. para outros países. também de pesquisa. com ou sem formação superior. resguardada a qualidade dessa oferta. estudantes com altas habilidades intelectuais. em dez anos. a oferta de cursos de extensão. favorecendo e valorizando estabelecimentos não-universitários que ofereçam ensino de qualidade e que atendam clientelas com demandas específicas de formação: tecnológica. bem como de talentos provenientes de outros países. o número de alunos atendidos. vítimas de discriminação. competir em igualdade de condições nos processos de seleção e admissão a esse nível de ensino. Utilizar parte dos recursos destinados à ciência e tecnologia. 28. respeito mútuo. Estimular. . Implantar o Programa de Desenvolvimento da Extensão Universitária em todas as Instituições Federais de Ensino Superior no quadriênio 2001-2004 e assegurar que. de cursos sequenciais e de cursos modulares. 31. Garantir. nas instituições de educação superior. 14. 23. 34. além da pesquisa. apoiado no sistema nacional de avaliação. 17. (VETADO) 27. científica. meio ambiente. dobrando. permitindo maior flexibilidade na formação e ampliação da oferta de ensino. na perspectiva de integrar o necessário esforço nacional de resgate da dívida social e educacional.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 5. da extensão e da gestão acadêmica.4 . Diversificar a oferta de ensino. preferencialmente aquelas situadas em localidades não atendidas pelo Poder Público. questões relevantes para a formulação de políticas de gênero. 29. diálogo. Diversificar o sistema superior de ensino. Estabelecer sistema de recredenciamento periódico das instituições e reconhecimento periódicos dos cursos superiores. o número de pesquisadores qualificados. equipamentos e bibliotecas. ética (justiça. 22. 33. exigir melhoria progressiva da infra-estrutura de laboratórios. da pesquisa. 10. Institucionalizar um amplo e diversificado sistema de avaliação interna e externa que englobe os setores público e privado. Implantar planos de capacitação dos servidores técnicoadministrativos das instituições públicas de educação superior. de programas de assistência estudantil. 5%. Didatismo e Conhecimento 33 19. Promover o aumento anual do número de mestres e de doutores formados no sistema nacional de pós-graduação em. saúde e temas locais. 18. Incluir nas diretrizes curriculares dos cursos de formação de docentes temas relacionados às problemáticas tratadas nos temas transversais. pelo menos. desenvolvendo e consolidando a pós-graduação no País. sendo de competência da IES definir a forma de utilização dos recursos previstos para esta finalidade. através de programas de compensação de deficiências de sua formação escolar anterior. especialmente no que se refere à abordagem tais como: gênero. como condição para o recredenciamento das instituições de educação superior e renovação do reconhecimento de cursos. 4. e promova a melhoria da qualidade do ensino. pluralidade cultural. 16. Incluir. para consolidar o desenvolvimento da pós-graduação e da pesquisa. profissional liberal. educação sexual. A partir de padrões mínimos fixados pelo Poder Público. de forma a melhor atender às necessidades diferenciais de suas clientelas e às peculiaridades das regiões nas quais se inserem. Estabelecer. Oferecer apoio e incentivo governamental para as instituições comunitárias sem fins lucrativos. inclusive com a participação de alunos no desenvolvimento da pesquisa.

educação indígena.39 11.03 0.81 1 a 3 anos 21.53 40.83 Fonte: IBGE.7 % 11.44 10.88 0.10 8.29 14.46 25. aumenta a população a ser atingida. Embora tenha havido progresso com relação a essa questão. no que diz respeito à educação superior.75 13.96 1. I).10 19. Cerca de 30% da população analfabeta com mais de 15 anos está localizada no Nordeste.84 18. Tabela 15 .85 20.46 10.10 15.20 25.68 0.99 22. EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 5.55 42.86 16. as metas estabelecidas nos capítulos referentes à educação a distância. Tabela 14 .32 4.03 9. Didatismo e Conhecimento 34 . como se verifica na Tabela 15.81 11. 1998. educação especial e educação de jovens e adultos. (Tabela 14).00 5.17 22.75 7.72 6. Trata-se de tarefa que exige uma ampla mobilização de recursos humanos e financeiros por parte dos governos e da sociedade. Os déficits do atendimento no ensino fundamental resultaram. pois. Contagem da População de 1996.61 24. v.71 1.51 0.7 % 8.80 17.80 11. Amazonas.47 17. Todos os indicadores apontam para a profunda desigualdade regional na oferta de oportunidades educacionais e a concentração de população analfabeta ou insuficientemente escolarizada nos bolsões de pobreza existentes no País.51 8.1996.34 5.Taxas de Analfabetismo das Pessoas de 15 anos de idade ou mais – Brasil e Regiões – 1996 Brasil Região Norte urbana * Região Nordeste Região Sudeste Região Sul Região Centro-Oeste 14.36 5.11 5.Escolarização da População – 1996 Classes de Anos de Estudo (%) Grupos de idades Total 10 a 14 anos 15 a 19 anos 20 a 24 anos 25 a 29 anos 30 a 39 anos 40 a 49 anos 50 a 59 anos 60 anos ou mais I d a d e ignorada Sem Instrução e menos de 1 ano 13.87 15.87 13. Roraima.37 32. num grande número de jovens e adultos que não tiveram acesso ou não lograram terminar o ensino fundamental obrigatório.7 % 8.02 Não determinados 0.36 8 anos 8. Pará e Amapá. 18.84 11.32 26.6 % 28. Observar.27 8 a 11 anos 14. Acre.00 0.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 35.35 5. é muito elevado o número de jovens e adultos que não lograram completar a escolaridade obrigatória.15 22.08 10.08 0.6 % Fonte : Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.61 20.85 12.14 5 a 7 anos 18.Rio de Janeiro. abrangendo a formação equivalente às oito séries do ensino fundamental.60 0.66 12. *Exclusive a população da área rural de Rondônia.01 20. III – MODALIDADES DE ENSINO 5. formação de professores.76 6.25 0.61 10. O analfabetismo está intimamente associado às taxas de escolarização e ao número de crianças fora da escola.29 8. 214.99 16. o número de analfabetos é ainda excessivo e envergonha o País: atinge 16 milhões de brasileiros maiores de 15 anos.81 8.79 0.08 4 anos 16.-4 6.50 12 anos e mais 5.05 14. IBGE. Uma concepção ampliada de alfabetização.1 Diagnóstico A Constituição Federal determina como um dos objetivos do Plano Nacional de Educação a integração de ações do poder público que conduzam à erradicação do analfabetismo (art.41 3.18 10.59 17.9 % 11. ao longo dos anos.73 19.07 19.59 19.87 0.20 8.53 3.37 14.70 23.

574 6.9 6.1997 (*) Sexo e Localização do Domicílio Total Total Não Alfabetizada Analfabetismo % Homens Não Alfabetizada Analfabetismo % Mulheres Não Alfabetizada Analfabetismo % Urbana Não Alfabetizada Analfabetismo % Rural Não Alfabetizada Analfabetismo % 108.7 8.8 25 a 29 anos 12.4 4.726.186 9.4 2.691 28. Tabela 16 .6 6. para 15.643 2.5 Branca 6.2 6.1 6.133 3.675.7 13.048.6 6.849.Média de anos de estudo das pessoas de 10 anos ou mais de idade por sexo e cor – 1996 Brasil Total Total Região Urbana Norte 5.179.382 31.2 6. Pará e Amapá.6 11. em 1991.601.537.245.2 4. (CD-ROM).448 14. é de se esperar que apenas a dinâmica demográfica seja insuficiente para promover a redução em níveis razoáveis nos próximos anos.6 9.4 5.9 14.063.1% da população.761 11.3 4.2 11.968 1.2 3.4 13.080 434.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Embora o analfabetismo esteja concentrado nas faixas etárias mais avançadas (Tabela 16) e as taxas tenham se reduzido.801 9.390 15.883.8 5.159.421. distorções significativas em função do gênero.564. Roraima. As gerações antigas não podem ser consideradas como as únicas responsáveis pelas taxas atuais.981.006.0 6.3 5.656 1.555 7.517 10.0 População de 15 anos ou mais por Grupos de Idade 15 a 19 anos 16.058 960.2 8.0 5.683.9 3.275 1.4 40 a 49 anos 17.519 5. Entretanto.195 1.4 5.562 10. Como se infere da Tabela 15.562 3.421.218 3.382.303.194 1. passando de 20. para acelerar a redução do analfabetismo é necessário agir ativamente tanto sobre o estoque existente quanto sobre as futuras gerações.365.2 30 a 39 anos 23.312.4 3.489.5 50 anos ou mais 24.517.675 1.8 6.6 5. nota-se uma distorção.705 8.802 7.744 5.4 19.667. uma maior média de anos de estudo.795 36.855 32.295 623.031. quando o fator verificado é a etnia.043.350.127 26.374 5. Tomando-se o corte regional.691 34.126.454.924 14.596 515.214.667 469.8 87.389 2.264.8 3.560 7. Como há reposição do estoque de analfabetos.435 6.0 5.351.961 23. há também uma redução insuficiente do analfabetismo ao longo do tempo. O problema não se resume a uma questão demográfica.7 Região Nordeste Região Sudeste Região Sul Região Oeste Centro- Fonte: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 1996.3 10.375 1.590 15.391 490.899 637.5 2.318.058.9 4.348.118.774 6.9 4.931 10.786.953.114 1.931 55.8 5.211 14.219.076 9.6 55.267.População de 15 anos ou mais de idade por situação de alfabetização .807 599.6 20 a 24 anos 13. pois pessoas entre quinze e trinta anos em 1997 somavam cerca de 21.274.984 7.083.800 14. Amazonas.7 8.580.500. além do fenômeno da regressão. a indicar a necessidade de políticas focalizadas.255.650 15. Acre.372 14.955.2 Mulheres 5. (Tabela 17) Tabela 17 .144 442.8 5. não se verificam.595 10.484 304.5 Média de anos de estudo Homens 5.8 10. tomado este indicador.064.07 52.773 5.669 4.7 20.4 19.6 % em 1995.3 4.114.197.840.7 3.455.451 25.730 4.239 499.856. em todas as regiões. Por isso.0 5.2 4.779 542.283 2.025.608.7 Fonte: IBGE .Censo Demográfico 1991/PNAD 1995/1996/1997 * Exclusive a população rural de Rondônia.3 Preta e Parda 4. estando inclusive as mulheres melhor posicionadas nos grupos etários abaixo de 40 anos.2 12. Didatismo e Conhecimento 35 .227.830 18.251 361.4 % do analfabetismo total.5 6.383 941. as mulheres têm.666 8.5 4.987 1.591.0 6.

De acordo com a Carta Magna (art. associações de bairros. sindicatos. 4. 2. considerar que o resgate da dívida educacional não se restringe à oferta de formação equivalente às quatro séries iniciais do ensino fundamental. Trata-se de um direito público subjetivo (CF. em cinco anos. ademais. sem uma efetiva contribuição da sociedade civil. tornando-os mais atrativos. com o envolvimento das organizações da sociedade civil diretamente envolvidas na temática. Para inserir a população no exercício pleno da cidadania. Assim. devem ser consideradas pelos sistemas de ensino responsáveis pela educação de jovens e adultos. no sentido de considerar a necessidade de formação permanente – o que pode dar-se de diversas formas: organização de jornadas de trabalho compatíveis com o horário escolar. têm implicações diretas nos valores culturais. os Estados e o Distrito Federal. esta política deve ser integrada àquelas dirigidas às crianças. como bolsas de estudo. até o final da década. Embora o financiamento das ações pelos poderes públicos seja decisivo na formulação e condução de estratégias necessárias para enfrentar o problema dos déficits educacionais. há que se buscar parcerias com os equipamentos culturais públicos. assim como na reorganização do mundo do trabalho. . Estabelecer programa nacional. I). Desenvolve-se o conceito de educação ao longo de toda a vida. as metas que se seguem. mantenham programas de formação de educadores de jovens e adultos. lograr-se-á universalizar uma formação equivalente às oito séries iniciais do ensino fundamental. e ampliar suas oportunidades no mercado de trabalho. compete aos poderes públicos disponibilizar os recursos para atender a essa educação. meios de comunicação de massa e organizações da sociedade civil em geral devem ser agentes dessa ampla mobilização. Como face da pobreza. além de políticas dirigidas para as mulheres. 6. Neste sentido. em virtude do acelerado avanço científico e tecnológico e do fenômeno da globalização. para assegurar que as escolas públicas de ensino fundamental e médio localizadas em áreas caracterizadas por analfabetismo e baixa escolaridade ofereçam programas de alfabetização e de ensino e exames para jovens e adultos. Assim. Mas não basta ensinar a ler e a escrever. Esta questão é abordada no capítulo referente ao financiamento e gestão. As experiências bem sucedidas de concessão de incentivos financeiros. a partir da aprovação do PNE. no nível fundamental deve ser oferecida gratuitamente pelo Estado a todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria. deve ser garantido. Universidades. auxiliando na diminuição do surgimento de “novos analfabetos”. além de estratégias específicas para a população rural. Para atender a essa clientela. por fim. Assim. ou à procura de emprego. tais como museus e bibliotecas e privados. Uma tarefa dessa envergadura necessita da garantia e programação de recursos necessários. anualmente. igrejas.e habilitados para no mínimo. Assegurar. dificilmente o analfabetismo será erradicado e. de forma a incentivar a generalização das iniciativas mencionadas na meta anterior. entidades estudantis. imprescindíveis à construção da cidadania no País. 7. numerosa e heterogênea no que se refere a interesses e competências adquiridas na prática social. cuja escolarização têm. como as que associam educação e renda mínima. concessão de licenças para frequência em cursos de atualização. não mais restrita a um período particular da vida ou a uma finalidade circunscrita. 208. empresas. para os cursos em nível de ensino fundamental para jovens e adultos. Realizar. o acesso ao ensino médio. aos que completaram o ensino fundamental. há que se diversificar os programas. que há de se iniciar com aalfabetização. programas visando a alfabetizar 10 milhões de jovens e adultos. as taxas de analfabetismo acompanham os desequilíbrios regionais brasileiros. 5. Assegurar. dar-se-á atendimento integral à família. É necessária. A integração dos programas de educação de jovens e adultos com a educação profissional aumenta sua eficácia. é fundamental a participação solidária de toda a comunidade. em regime de colaboração com os demais entes federativos. o exercício do magistério nas séries iniciais do ensino fundamental. melhorar sua qualidade de vida e de fruição do tempo livre. Da mesma forma. de acordo com as diretrizes curriculares nacionais. Sempre que possível. Também é oportuno observar que há milhões de trabalhadores inseridos no amplo mercado informal. 3. tanto no que diz respeito às regiões político-administrativas. até o final da década. Por isso. muito menos. na organização das rotinas individuais. 5. pelo Ministério da Educação. como cinemas e teatros. de material didático-pedagógico. ou ainda – sobretudo as mulheres – envolvidos com tarefas domésticas. A necessidade de contínuo desenvolvimento de capacidades e competências para enfrentar essas transformações alterou a concepção tradicional de educação de jovens e adultos. de forma a atender a demanda de órgãos públicos e privados envolvidos no esforço de erradicação do analfabetismo. na participação política. requerem um esforço nacional. a oferta de uma formação equivalente às oito séries iniciais do ensino fundamental. É importante o apoio dos empregadores. com responsabilidade partilhada entre a União. Estabelecer. que constituam referência para os agentes integrados ao esforço nacional de erradicação do analfabetismo. a oferta de educação de jovens e adultos equivalente às quatro séries iniciais do ensino fundamental para 50% da população de 15 anos e mais que não tenha atingido este nível de escolaridade. 208. é importante o acompanhamento regionalizado das metas. a produção de materiais didáticos e técnicas pedagógicas apropriadas. é importante ressaltar que.2 Diretrizes As profundas transformações que vêm ocorrendo em escala mundial. além da especialização do corpo docente. adequado à clientela. em cinco anos e. capacitados para atuar de acordo com o perfil da clientela . Daí a importância da associação das políticas de emprego e proteção contra o desemprego à formação de jovens e adultos. § 1º). Assegurar que os sistemas estaduais de ensino.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 5. erradicar o analfabetismo.3 Objetivos e Metas 1. ainda. a oferta de cursos equivalentes às quatro séries finais do ensino fundamental para toda a população de 15 anos e mais que concluiu as quatro séries iniciais. nas relações sociais. Dada a importância de criar oportunidades de convivência com um ambiente cultural enriquecedor. Cabe. A oferta do ciclo completo de oito séries àqueles que lograrem completar Didatismo e Conhecimento 36 as séries iniciais é parte integrante dos direitos assegurados pela Constituição Federal e deve ser ampliada gradativamente. Estabelecer programa nacional de fornecimento. levantamento e avaliação de experiências em alfabetização de jovens e adultos. como no que se refere ao corte urbano/rural. art. implantação de cursos de formação de jovens e adultos no próprio local de trabalho. um grande impacto na próxima geração. a modalidade de ensino “educação de jovens e adultos”. a educação de jovens e adultos deve compreender no mínimo. os Municípios e a sociedade organizada.

26. assim como de condições para a recepção de programas de teleducação. tem dado prioridade à atualização e aperfeiçoamento de professores para o ensino fundamental e ao enriquecimento do instrumental pedagógico disponível para esse nível de ensino. Estimular as universidades e organizações nãogovernamentais a oferecer cursos dirigidos à terceira idade. Reestruturar. respeitando-se as especificidades da clientela e a diversidade regional. 21. 22. em todas as unidades prisionais e nos estabelecimentos que atendam adolescentes e jovens infratores. Estimular a concessão de créditos curriculares aos estudantes de educação superior e de cursos de formação de professores em nível médio que participarem de programas de educação de jovens e adultos. Sempre que possível. Incentivar as instituições de educação superior a oferecerem cursos de extensão para prover as necessidades de educação continuada de adultos. Ainda são incipientes. avaliação e divulgação dos resultados dos programas de educação de jovens e adultos. EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS 6. 11. 87. Aperfeiçoar o sistema de certificação de competências para prosseguimento de estudos. 15. 16. assim como a autorização para sua implementação (art. que tem produzido programas educativos de boa qualidade.1 Diagnóstico No processo de universalização e democratização do ensino. Estão também em fase inicial os treinamentos que orientam os professores a utilizar sistematicamente a televisão. As possibilidades da educação a distância são particularmente relevantes quando analisamos o crescimento dos índices de conclusão do ensino fundamental e médio. no prazo de um ano. especialmente para a televisão. formação dos professores. Há. nesse setor. 9. incentivando seu aproveitamento nos cursos presenciais. no que diz respeito à educação de jovens e adultos. § 3º). Articular as políticas de educação de jovens e adultos com as culturais. contemplando para esta clientela as metas n° 5 e nº 14.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 8. Entretanto a regulamentação constante na Lei de Diretrizes e Bases é o reconhecimento da construção de um novo paradigma da educação a distância. aos estabelecimentos escolares.5º. para a educação de jovens e adultos. a TV Escola deverá revelar-se um instrumento importante para orientar os sistemas de ensino quanto à adoção das Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino fundamental e os Parâmetros Curriculares. Ao introduzir novas concepções de tempo e espaço na educação. O Ministério da Educação. Além do mais. 14. Dobrar em cinco anos e quadruplicar em dez anos a capacidade de atendimento nos cursos de nível médio para jovens e adultos. 18. 6. são de responsabilidade dos sistemas de ensino as normas para produção. educação a distância. por bairro ou distrito das residências e/ou locais de trabalho. 23. Expandir a oferta de programas de educação a distância na modalidade de educação de jovens e adultos. Implantar. formação profissional e educação indígena. há que se considerar a contribuição do setor privado. penitenciário. 17. Realizar estudos específicos com base nos dados do censo demográfico da PNAD. Articular as políticas de educação de jovens e adultos com as de proteção contra o desemprego e de geração de empregos. os programas educativos podem desempenhar um papel inestimável no desenvolvimento cultural da população em geral. associar ao ensino fundamental para jovens e adultos a oferta de cursos básicos de formação profissional. capaz de elevar a qualidade e aumentar o número de programas produzidos e apresentados. financiamento e gestão. tenham ou não formação de nível superior. portanto. O País já conta com inúmeras redes de televisão e rádio educativas no setor público. assim como o estabelecimento dos requisitos para a realização de exames e o registro de diplomas (art. Incluir. O Ministério da Educação. educação tecnológica. 12. de sorte que sua clientela seja beneficiária de ações que permitam ampliar seus horizontes culturais. assim como de formação profissional. programas de educação de jovens e adultos de nível fundamental e médio. 20. a União e os Estados são parceiros necessários para o desenvolvimento da informática nas escolas de ensino fundamental e médio. por meio de censo educacional. visando localizar e induzir a demanda e programar a oferta de educação de jovens e adultos para essa população. Paralelamente. . bem como o efetivo aproveitamento do potencial de trabalho comunitário das entidades da sociedade civil. da população analfabeta. especialmente no Brasil. o rádio e o computador como instrumentos pedagógicos de grande importância. etc) para verificar o grau de escolarização da população. O sistema também se ressente da falta de uma rede informatizada que permita o acesso generalizado aos programas existentes. parâmetros nacionais de qualidade para as diversas etapas da educação de jovens e adultos. À União cabe o credenciamento das instituições autorizadas a oferecer cursos de educação a distância. as metas estabelecidas para o ensino fundamental. a partir da aprovação do Plano Nacional de Educação. aquelas que concretizam um trabalho em regime de cooperação. nas secretarias estaduais e municipais de educação. um meio auxiliar de indiscutível eficácia. 13. o vídeo. Instar Estados e Municípios a procederem um mapeamento. Cursos a distância ou semipresenciais podem desempenhar um papel crucial na oferta de formação equivalente ao nível fundamental e médio para jovens e adultos insuficientemente escolarizados. como instrumento para assegurar o cumprimento das metas do Plano. Além disso. 87. nos termos do art. Observar. a educação a distância tem função estratégica: contribui para o surgimento de mudanças significativas na instituição escolar e influi nas decisões a serem tomadas pelos dirigentes políticos e pela sociedade civil na definição das prioridades educacionais. criar e fortalecer. a Educação de Jovens e Adultos nas formas de financiamento da Educação Básica. controle e avaliação dos programas. A TV Escola e o fornecimento. 10. Elaborar. no entanto. Nas empresas públicas e privadas incentivar a criação de programas permanentes de educação de jovens e adultos para os seus trabalhadores.** 19. inúmeras iniciativas neste setor. de censos específicos (agrícola. Didatismo e Conhecimento 37 25. na educação a distância. §§ 1º e 2º). Realizar em todos os sistemas de ensino. do equipamento tecnológico necessário constituem importantes iniciativas. Estabelecer políticas que facilitem parcerias para o aproveitamento dos espaços ociosos existentes na comunidade. os desafios educacionais existentes podem ter. a cada dois anos. setores próprios incumbidos de promover a educação de jovens e adultos.§1º da LDB. 24. onde os déficitseducativos e as desigualdades regionais são tão elevados.

por meio de um sistema de auto-regulamentação. especialmente no que diz respeito à oferta de ensino fundamental. comprometendo-o a desenvolver programas que atendam as metas propostas neste capítulo. é preciso aproveitar melhor a competência existente no ensino superior presencial para institucionalizar a oferta de cursos de graduação e iniciar um projeto de universidade aberta que dinamize o processo de formação de profissionais qualificados. Capacitar. para a disseminação de programas culturais e educativos. da Ciência e Tecnologia e das Comunicações para o desenvolvimento da educação a distância no País. as empresas. Apoiar financeira e institucionalmente a pesquisa na área de educação a distância. consagrada pela Constituição Federal. dentro de um ano.3 Objetivos e Metas 1. promovendo sua integração no projeto pedagógico da escola. 3. embora sujeitos a padrões de qualidade que precisam ser objeto de preocupação não só dos órgãos governamentais. assegurando às escolas e à comunidade condições básicas de acesso a esses meios. . proposta de regulamentação da reserva de tempo mínimo. 14. transmissão radiofônica e televisiva. Ampliar. especialmente na Escola Normal. a formação de recursos humanos para educação a distância.000 núcleos de tecnologia educacional. nos cursos de Pedagogia e nas Licenciaturas. 13. pela ampliação da infraestrutura tecnológica e pela redução de custos dos serviços de comunicação e informação. há certamente que permitir-se a multiplicação de iniciativas. criando. Promover. 16. em dois anos. em parceria com o Ministério do Trabalho. especialmente na área de formação de professores para a educação básica. em nível superior. incorporando em sua programação temas que afirmem pela igualdade de direitos entre homens e mulheres. de nível fundamental e médio. 8. Promover. é fundamental equipar as escolas com multimeios. logo após a aprovação do Plano. Iniciar. em cinco anos. para transmissão de programas educativos pelos canais comerciais de rádio e televisão. não devendo substituir. O material escrito. 15. Utilizar os canais educativos televisivos e radiofônicos. programas de computador. e integrar a informática na formação regular dos alunos. 6. capacitar os professores para utilizá-los. Só será permitida a celebração de contratos onerosos para a retransmissão de programa de Educação à Distância com redes de televisão e de rádio quando não houver cobertura da Televisão e de Rádio Educativa. a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional introduziu uma abertura de grande alcance para a política educacional. especialmente nas universidades. pelo menos 500. assim como a adequada abordagem de temas referentes à etnia e portadores de necessidades especiais. um programa que assegure essa colaboração. os serviços nacionais de aprendizagem e as escolas técnicas federais. mas também dos próprios produtores.000 professores para a utilização plena da TV Escola e de outras redes de programação educacional. com o fornecimento do equipamento correspondente. seja por meio dos mais recentes processos de utilização conjugada de meios como a telemática e a multimídia. as relações de comunicação e interação direta entre educador e educando. 4. Assegurar às escolas públicas. em dez anos. 9.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 6. Incentivar. a produção e difusão de programas de formação profissional a distância. no entanto. normas para credenciamento das instituições que ministram cursos a distância. As tecnologias utilizadas na educação a distância não podem. a regulamentação e o controle de qualidade por parte do Poder Público são indispensáveis e devem ser rigorosos. incentivando a participação das universidades e das demais instituições de educação superior credenciadas. 2. Garantir a integração de ações dos Ministérios da Educação. seja por meio de correspondência. ficar restritas a esta finalidade. a oferta de formação a distância em nível superior para todas as áreas. Didatismo e Conhecimento 38 2. internet. entretanto. deverá apresentar a mesma qualidade dos materiais audiovisuais. da Cultura. Há. a produção de programas de educação a distância de nível médio. Numa visão prospectiva. o acesso universal à televisão educativa e a outras redes de programação educativo-cultural. Quando se trata. em todos os níveis e modalidades de ensino. 6. Os programas educativos e culturais devem ser incentivados dentro do espírito geral da liberdade de imprensa. 12. Promover imagens não estereotipadas de homens e mulheres na Televisão Educativa. o vídeo. Enviar ao Congresso Nacional. de cursos regulares. entretanto. com a colaboração da União e dos Estados e em parceria com instituições de ensino superior. A Lei de Diretrizes e Bases considera a educação a distância como um importante instrumento de formação e capacitação de professores em serviço. a oferta de cursos a distância. Estabelecer. que dêem direito a certificados ou diplomas. É preciso ampliar o conceito de educação a distância para poder incorporar todas as possibilidades que as tecnologias de comunicação possam propiciar a todos os níveis e modalidades de educação. Elas constituem hoje um instrumento de enorme potencial para o enriquecimento curricular e a melhoria da qualidade do ensino presencial. no prazo de um ano. Municipais ou pelo Ministério da Educação. de forma a atender as demandas da sociedade brasileira. o rádio e o computador constituem importantes instrumentos pedagógicos auxiliares. No conjunto da oferta de programas para formação a distância. Instalar. Para isto. A televisão. A União deverá estabelecer. do Trabalho. 11. inclusive em horários nobres. gradualmente.2 Diretrizes Ao estabelecer que o Poder Público incentivará o desenvolvimento de programas de educação a distância. que distinguirem-se claramente as políticas dirigidas para o incentivo de programas educativos em geral e aquelas formuladas para controlar e garantir a qualidade dos programas que levam à certificação ou diploma. bem como a elaboração dos programas será realizada pelas Secretarias Estaduais. 7. portanto. Ampliar a oferta de programas de formação a distância para a educação de jovens e adultos. 17. dentro de 2 anos. de prazo razoavelmente curto. em cooperação da União com os Estados e Municípios. com especial consideração para o potencial dos canais radiofônicos e para o atendimento da população rural. parte integrante e essencial para a eficácia desta modalidade de educação. 5. padrões éticos e estéticos mediante os quais será feita a avaliação da produção de programas de educação a distância. 10. sem ônus para o Poder Público. os quais deverão atuar como centros de orientação para as escolas e para os órgãos administrativos dos sistemas de ensino no acesso aos programas informatizados e aos vídeos educativos. assim como redes telemáticas de educação. Fortalecer e apoiar o Sistema Nacional de Rádio e Televisão Educativa.

739 12.000 computadores em 30. que são os que dela mais necessitam.1996 52. 22. justamente porque ela é muito heterogênea. pois permitem atender a uma demanda muito variada. em dez anos. 500.0 3.8 0. Destes.389 490. promovendo condições de acesso à internet. Funcionou sempre como mecanismo de exclusão fortemente associado à origem social do estudante. ao prever que o cidadão brasileiro deve galgar – com apoio do Poder Público – níveis altos de escolarização.451 8.7 42.394 9. de acordo com as estimativas mais recentes.1 Diagnóstico Não há informações precisas.3 311. além de treinamento em serviço de cursos técnicos oferecidos pelas empresas para seus funcionários.8 50. 12. Há muito. em cinco anos. Associada a esse fato está a limitação de vagas nos estabelecimentos públicos. técnicos e tecnológicos oferecidos pelas escolas técnicas federais.881 3. à formação de professores.0 -4.9 1.8 0.513 % 20. Equipar. como forma de separar aqueles que não se destinariam às melhores posições na sociedade.443 9. de Dados Auxiliar de Contabilidade Magistério – Est. Em apenas 15% delas há bibliotecas. especialmente a produção de softwares educativos de qualidade.7 2.0 2. SESC e outros). mas sobretudo o médio. em razão da oferta restrita.4 0. até aqueles ministrados por instituições empresariais. afastando os jovens trabalhadores. à educação de jovens e adultos. Adicionais Eletrônica Agropecuária Mecânica Secretariado Total Concluintes 1988 127. assim como um certo número. . já atinja. a Educação Profissional tem reafirmado a dualidade propedêutico-profissional existente na maioria dos países ocidentais.789 8. em cinco anos. a matrícula em 1996 expressa que. iniciado pelo Ministério da Educação em 1999. no que diz respeito às escolas técnicas públicas de nível médio. 21. Capacitar. à educação indígena e à educação especial. 150.6 1. o que torna inviável uma multiplicação capaz de poder atender ao conjunto de jovens que procura formação profissional.1 18.3 0. no Brasil. em dez anos.8 2. No sistema escolar. municipais e pelos estabelecimentos do chamado Sistema S (SESI.000 escolas públicas de ensino fundamental e médio. inclusive de educação a distância. 20. SENAC. EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 7.548 24. cerca de cinco milhões de trabalhadores.000 técnicos em informática educativa e ampliar em 20% ao ano a oferta dessa capacitação.2 46. especialmente na rede das 152 escolas federais de nível técnico e tecnológico.5 % do PIB (Produto Interno Bruto). sobre a oferta de formação para o trabalho.3 haviam cursado alguma habilitação profissional. O primeiro Censo da Educação Profissional. em cada dez concluintes do ensino médio. Um cenário que as diretrizes da educação profissional propostas neste plano buscam superar. sabe-se que a maioria das habilitações de baixo custo e prestígio encontra-se em instituições noturnas estaduais ou municipais.4 110.0 TECNOLÓGICA E FORMAÇÃO Fonte: MEC/INEP/SEEC Funcionando em escolas onde há carências e improvisações generalizadas. Capacitar.1988 e 1996 Habitações Magistério 1º grau Técnico Contabilidade Administração Proc. as metas pertinentes incluídas nos capítulos referentes à educação infantil. Instalar.9 1. de cursos particulares de curta duração. até porque estudos têm demonstrado que o aumento de um ano na média educacional da população economicamente ativa determina um incremento de 5. das secretarias estaduais e municipais do trabalho e dos sistemas nacionais de aprendizagem.023 113.165 14. Além disso. que aliam a formação geral de nível médio à formação profissional. Observar. SENAI. A heterogeneidade e a diversidade são elementos positivos. Embora não existam estatísticas detalhadas a respeito.768 8. a elevação da escolaridade do trabalhador coloca-se como essencial para a inserção competitiva do Brasil no mundo globalizado. está longe de atingir a população de jovens que precisa se preparar para o mercado de trabalho e a de adultos que a ele precisa se readaptar. O maior problema.9 23. Além das redes federais e estaduais de escolas técnicas. no que diz respeito à educação a distância e às novas tecnologias educacionais.001 31. sindicais.811 325. 7.1 Crescimento 1988 .056 8.4 32.293 15.3 0. criou-se um sistema de seleção que tende a favorecer os alunos de maior renda e melhor nível de escolarização. com computadores e conexões internet que possibilitem a instalação de uma Rede Nacional de Informática na Educação e desenvolver programas educativos apropriados.2 1. é que a alta qualidade do ensino que oferecem está associada a um custo extremamente alto para sua instalação e manutenção.0 53. fornecerá dados abrangentes sobre os cursos básicos.249 7. 4. que se imagina muito grande. estaduais.2 10. Didatismo e Conhecimento 39 Afora estas redes específicas – a federal e outras poucas estaduais vocacionadas para a educação profissional – as demais escolas que oferecem educação profissional padecem de problemas de toda ordem. o País selou a educação profissional de qualquer nível.349 7. 19. 3.959 5.000 professores multiplicadores em informática da educação.7 1. O principal deles é que a oferta é pequena: embora. Mas há fatores preocupantes.6 1996 193.6 15.186 32.7 -22. comunitárias e filantrópicas.4 51. todas as escolas de nível médio e todas as escolas de ensino fundamental com mais de 100 alunos.000 professores e 34.005 % 16. Tabela 18 – Habilitações de nível médio com maior número de concluintes .8 0. existem os programas do Ministério do Trabalho.2 eram concluintes egressos das habilitações de Magistério e Técnico em Contabilidade – um conjunto três vezes maior que a soma de todas as outras nove habilitações listadas pela estatística.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 18. menos de 5% oferecem ambiente adequado para estudo das ciências e nem 2% possuem laboratório de informática – indicadores da baixa qualidade do ensino que oferecem às camadas mais desassistidas da população.024 174. Nesse contexto.7 0.

9. e a não-formal.1 Diagnóstico A Constituição Federal estabelece o direito de as pessoas com necessidades especiais receberem educação preferencialmente na rede regular de ensino (art. para ampliar e incentivar a oferta de educação profissional. a cada cinco anos. o que não impede o oferecimento de cursos de curta duração voltados para a adaptação do trabalhador às oportunidades do mercado de trabalho. a produção de programas de educação a distância que ampliem as possibilidades de educação profissional permanente para toda a população economicamente ativa. 10. sempre associados à educação básica. serviços sociais do comércio. Por isso mesmo. 5. Transformar. a oferta de formação de nível técnico aos alunos nelas matriculados ou egressos do ensino médio. inclusive no trabalho. os serviços nacionais de aprendizagem e a iniciativa privada. dentro de dois anos. articular e ampliar a capacidade instalada na rede de instituições de educação profissional. seja estruturada nos níveis básico – independente do nível de escolarização do aluno. a cada cinco anos. Estabelecer. portanto. Incentivar. Estabelecer. Estabelecer parcerias entre os sistemas federal. Estimular permanentemente o uso das estruturas públicas e privadas não só para os cursos regulares. 2. mas também para o treinamento e retreinamento de trabalhadores com vistas a inseri-los no mercado de trabalho com mais condições de competitividade e produtividade. sempre que possível. dentro de um ano. não podendo esta ficar reduzida à aprendizagem de algumas habilidades técnicas. levando em conta seu nível de escolarização e as peculiaridades e potencialidades da atividade agrícola na região. da agricultura e da indústria e os sistemas nacionais de aprendizagem.2 Diretrizes Há um consenso nacional: a formação para o trabalho exige hoje níveis cada vez mais altos de educação básica. de múltiplas fontes. em parceria com agências governamentais e instituições privadas. As metas do Plano Nacional de Educação estão voltadas para a implantação de uma nova educação profissional no País e para a integração das iniciativas. associados à promoção de níveis crescentes de escolarização regular. técnico e de renda. estão sendo implantadas novas diretrizes no sistema público de educação profissional. de treinamentos. um sistema integrado de informações. 8. e cada vez mais. voltados para a melhoria do nível técnico das práticas agrícolas e da preservação ambiental. Mobilizar. adquirida por meios diversos. como ocorre nos países desenvolvidos. a oferta de cursos básicos destinados a atender à população que está sendo excluída do mercado de trabalho. com a colaboração entre o Ministério da Educação. Os recursos provêm.3 Objetivos e Metas 1. É importante também considerar que a oferta de educação profissional é responsabilidade igualmente compartilhada entre o setor educacional. técnico complementar ao ensino médio e tecnológico superior de graduação ou de pós-graduação. portanto. as escolas técnicas de nível superior. com a oferta de programas que permitam aos alunos que não concluíram o ensino fundamental obter formação equivalente. Estabelecer a permanente revisão e adequação às exigências de uma política de desenvolvimento nacional e regional. dos cursos básicos. 8. Prevê-se. associadas à reforma do ensino médio. Têm como objetivo central generalizar as oportunidades de formação para o trabalho. 208. gradativamente. o trabalhador rural. articular e aumentar a capacidade instalada na rede de instituições de educação profissional. 7. até o final da década. Mobilizar. Prevê-se que a educação profissional. secretarias do trabalho. os CEFETs. por meio de recursos públicos e privados. técnicos e superiores da educação profissional. Integrar a oferta de cursos básicos profissionais. possibilitando a elevação de seu nível educacional. Mobilizar. as universidades. contar com recursos das próprias empresas. Reorganizar a rede de escolas agrotécnicas. 7. É necessário também. sob o ponto de vista operacional. a oferta de educação profissional permanente para a população em idade produtiva e que precisa se readaptar às novas exigências e perspectivas do mercado de trabalho. programas de formação de formadores para a educação tecnológica e formação profissional. Finalmente. de forma a garantir que cumpram o papel de oferecer educação profissional específica e permanente para a população rural. observadas as ofertas do mercado de trabalho. 12. tarefa que exige a colaboração de múltiplas instâncias do Poder Público e da sociedade civil. III). notadamente em matéria de formação de formadores e desenvolvimento metodológico. Estabelecer junto às escolas agrotécnicas e em colaboração com o Ministério da Agricultura cursos básicos para agricultores. mencionando. Trata- . unidades da rede de educação técnica federal em centros públicos de educação profissional e garantir. A política de educação profissional é. a integração desses dois tipos de formação: a formal. o Ministério do Trabalho. de forma especial. 11. 14. o Ministério do Trabalho. estaduais e municipais e a iniciativa privada. de modo a triplicar. Didatismo e Conhecimento 40 4. geral. 3. que pelo menos um desses centros em cada unidade federada possa servir como centro de referência para toda a rede de educação profissional. adquirida em instituições especializadas. mas deve constituir educação continuada. dentro da perspectiva do desenvolvimento auto-sustentável. a cada cinco anos. 15. as quais devem financiar a qualificação dos seus trabalhadores. EDUCAÇÃO ESPECIAL 8. de forma a aproveitar e valorizar a experiência profissional dos formadores. de modo a triplicar. sem prejuízo de que sua oferta seja conjugada com ações para elevação da escolaridade. entendese que a educação profissional não pode ser concebida apenas como uma modalidade de ensino médio. em colaboração com empresários e trabalhadores nas próprias escolas e em todos os níveis de governo. A diretriz atual é a da plena integração dessas pessoas em todas as áreas da sociedade. Estabelece para isso um sistema flexível de reconhecimento de créditos obtidos em qualquer uma das modalidades e certifica competências adquiridas por meios não-formais de educação profissional.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 7. 6. que oriente a política educacional para satisfazer as necessidades de formação inicial e continuada da força de trabalho. Modificar. que perpassa toda a vida do trabalhador. articular e ampliar a capacidade instalada na rede de instituições de educação profissional. ainda. 13. de modo a triplicar. as normas atuais que regulamentam a formação de pessoal docente para essa modalidade de ensino. Observar as metas estabelecidas nos demais capítulos referentes à educação tecnológica e formação profissional.

melhoria da qualificação dos professores do ensino fundamental para essa clientela. mentais. O atendimento por nível de ensino. como formação máxima. estaduais. . municipais e 0. Na região Sul.2% dos professores (melhor dito. Os números de matrícula nos estabelecimentos escolares são tão baixos que não permitem qualquer confronto com aquele contingente. e o direito de receber essa educação sempre que possível junto com as demais pessoas nas escolas “regulares”.1% dos Municípios ofereciam educação especial. nele incluído o oferecido por entidades filantrópicas. 15. Apenas 5% das turmas estão em “classes comuns com apoio pedagógico” e 6% são de “educação precoce” . é responsável por quase metade de toda a educação especial no País. as crianças. As tendências recentes dos sistemas de ensino são as seguintes: . Todas as possibilidades têm por objetivo a oferta de educação de qualidade. 26. apresenta o seguinte quadro: 87. além do atendimento específico.7%. jovens e adultos especiais sejam atendidos em escolas regulares. realizar o atendimento em classes e escolas especializadas. sala especial e escola especial. federais. municipais. o que reflete a necessidade de um compromisso maior da escola comum com o atendimento do aluno especial.2% em “oficinas pedagógicas”. se isto não for possível em função das necessidades do educando.6% dos seus Municípios. Mas. de duas questões . portanto. Em “outras modalidades” são atendidas 25% das turmas de educação especial. . nas quais estão 38% das turmas atendidas.expansão da oferta dos cursos de formação/especialização pelas universidades e escolas normais.8%. apenas 14% desses estabelecimentos possuíam instalação sanitária para alunos com necessidades especiais. A legislação.1% não ofereciam educação especial em 1998. . As políticas recentes do setor têm indicado três situações possíveis para a organização do atendimento: participação nas classes comuns. Notase que o atendimento particular.4%.2%). Diante dessa política. respectivamente).3%. que atendiam a 31% das matrículas. A Organização Mundial de Saúde estima que em torno de 10% da população têm necessidades especiais.7% delas estão em “salas de recursos” e 12..258 na educação de jovens e adultos. Em princípio. com problemas físicos. as matrículas apresentam alguma variação nessa distribuição: 53. 4. As informações de 1998 estabelecem outra classificação. em 1998. do MEC/INEP). federais. a situação é bastante boa: apenas 3.3%. nos níveis fundamental e médio (52 e 49%. com apenas 9. no ensino fundamental. físicas. a necessidade de preparação do corpo docente. completo ou incompleto. Inexistência. 13. 31. As diferenças regionais são grandes. ressalvando os casos de excepcionalidade em que as necessidades do educando exigem outras formas de atendimento. no entanto.1%). 7. comum a todas as pessoas.o direito à educação. Em 1998. Dadas as discrepâncias regionais e a insignificante atuação federal. 1. há necessidade de uma atuação mais incisiva da União nessa área.507 Municípios brasileiros. chamando a atenção que 62% do atendimento registrado está localizado em escolas especializadas..1% são da iniciativa privada. 13. Apenas 0. teremos cerca de 15 milhões de pessoas com necessidades especiais. O particular está muito à frente na educação infantil especial (64%) e o estadual. Observando as modalidades de atendimento educacional. auditivas. Em relação à qualificação dos profissionais de magistério. .visuais. ou seja.9% recebiam “outro tipo de atendimento”(Sinopse Estatística da Educação Básica/Censo Escolar 1998. Outro elemento fundamental é o material didático-pedagógico adequado. Espírito Santo é o Estado com o mais alto percentual de Municípios que oferecem educação especial (83.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS se. Comparando o atendimento público com o particular. múltiplas.3% com altas habilidades ou eram superdotados e 5. das funções docentes). de conduta.607 crianças na educação infantil.6% dos seus Municípios apresentando dados de atendimento. Somente a partir do ano 2000 o Censo Demográfico fornecerá dados mais precisos. Didatismo e Conhecimento 41 A eliminação das barreiras arquitetônicas nas escolas é uma condição importante para a integração dessas pessoas no ensino regular. Como os estabelecimentos são de diferentes tamanhos. No CentroOeste. em 1998.8%.ampliação do regulamento das escolas especiais para prestarem apoio e orientação aos programas de integração. Eram formados em nível médio 51% e. Não há dados sobre o atendimento do aluno com necessidades especiais na educação superior. considerando a diretriz da integração. e do corpo técnico e administrativo das escolas aumenta enormemente. que permitirão análises mais profundas da realidade. Se essa estimativa se aplicar também no Brasil.2% dos estabelecimentos de educação especial em 1998 eram estaduais. como está a educação especial brasileira? O conhecimento da realidade é ainda bastante precário. 132. sendo o Paraná o de mais alto percentual (83. particulares e 0.1% de visão. em nível superior. todos os professores deveriam ter conhecimento da educação de alunos especiais. Dos 5. a oficinas pedagógicas e a outras modalidades não especificadas no Informe. com problemas de audição. destacando-se Rio Grande do Norte.integração/inclusão do aluno com necessidades especiais no sistema regular de ensino e. Os sistemas de ensino costumam oferecer cursos de preparação para os professores que atuam em escolas especiais.403 alunos. havia 293.2%. 58. 2. verifica-se que este dá preferência à educação precoce. conforme as necessidades específicas dos alunos. de que. 3. é sábia em determinar preferência para essa modalidade de atendimento educacional.685. A região Norte é a menos servida nesse particular. possuíam o ensino fundamental.8%.3% dos Municípios. 59. Mato Grosso do Sul tinha atendimento em 76. de recursos. mas o municipal vem crescendo sensivelmente no atendimento em nível fundamental. Entre as esferas administrativas. porque não dispomos de estatísticas completas nem sobre o número de pessoas com necessidades especiais nem sobre o atendimento. distúrbios de conduta e também superdotação ou altas habilidades. por isso 73% deles fizeram curso específico.2%. predominam as “classes especiais”. a ausência dessa modalidade acontece em 78. pois o percentual dos estabelecimentos com aquele requisito baixa para 6%. enquanto aquele dá prioridade às classes especiais e classes comuns com apoio pedagógico.5%. distribuídos da seguinte forma: 58% com problemas mentais. sempre que possível. segundo os dados de 1997. 12%. inadequação e precariedades podem ser constatadas em muitos centros de atendimento a essa clientela. constituindo uma meta necessária na década da educação. no ensino médio. No Nordeste. insuficiência. 45. Estas podem ser de diversas ordens . 48.148 atendimentos. Segundo dados de 1998. com deficiências múltiplas. Os dados não informam sobre outras facilidades como rampas e corrimãos. São informados como “outros” 64. 24.705.

sempre que for recomendado pela avaliação de suas condições pessoais. quer porque o espectro das necessidades especiais é variado. inclusive em termos de recursos. originadas quer de deficiência física. quando a criança ingressa no ensino fundamental. apesar desse relativamente longo período. A esses deve ser dado maior apoio pedagógico nas suas próprias . a qualificação dos professores para o atendimento nas escolas regulares e a especialização dos professores para o atendimento nas novas escolas especiais. assistência e promoção social. oferta de transporte escolar adaptado. são importantes a flexibilidade e a diversidade. jovens e adultos com necessidades especiais sejam atendidos em escolas regulares. quer de características como altas habilidades. no que a participação da comunidade é fator essencial. o apoio do governo a essas instituições como parceiras no processo educacional dos educandos com necessidades especiais. produção de livros e materiais pedagógicos adequados para as diferentes necessidades. Justifica-se. destacam-se a sensibilização dos demais alunos e da comunidade em geral para a integração. demais técnicos. As escolas especiais devem ser enfatizadas quando as necessidades dos alunos assim o indicarem. o atendimento não se limita à área educacional. problemas de dispersão de atenção ou de disciplina. superdotação ou talentos. Certas organizações da sociedade civil. Quanto às escolas especiais. as adaptações curriculares.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Apesar do crescimento das matrículas. pode ser um importante meio de garantir-lhe o acesso e à frequência à escola. historicamente. escolas regulares de ensino fundamental. Para a população de baixa renda. etc. destinadas aos alunos parcialmente integrados. Requer-se um esforço determinado das autoridades educacionais para valorizar a permanência dos alunos nas classes regulares. precisam contar com professores especializados e material pedagógico adequado. sido um exemplo de compromisso e de eficiência no atendimento educacional dessa clientela.533/97) estendido a essa clientela. de seus equipamentos e materiais pedagógicos). o apoio do governo a tais organizações visa tanto à continuidade de sua colaboração quanto à maior eficiência por contar com a participação dos pais nessa tarefa. os atuais programas para oferecimento de órteses e próteses de diferentes tipos. O Programa de Renda Mínima Associado a Ações Socioeducativas (Lei n. saúde e assistência é fundamental e potencializa a ação de cada um deles. Mas o grande avanço que a década da educação deveria produzir será a construção de uma escola inclusiva. que podem ser aplicados pelos professores. Como é sabido. é uma condição para que às pessoas especiais sejam assegurados seus direitos à educação. III). pré-escolas. de natureza filantrópica. inclusiva. há que se detectarem as deficiências. Não há como ter uma escola regular eficaz quanto ao desenvolvimento e aprendizagem dos educandos especiais sem que seus professores. O ambiente escolar como um todo deve ser sensibilizado para uma perfeita integração. centros de educação infantil. como as visuais e auditivas. Por isso. A União tem um papel essencial e insubstituível no planejamento e direcionamento da expansão do atendimento. bem como em instituições especializadas e outras instituições é uma prioridade para o Plano Nacional de Educação. a articulação e a cooperação entre os setores de educação. situadas nas escolas “regulares”. As classes especiais. o atendimento deve começar precocemente. A formação de recursos humanos com capacidade de oferecer o atendimento aos educandos especiais nas creches. pessoal administrativo e auxiliar sejam preparados para atendê-los adequadamente. como modalidade de educação escolar. A integração dessas pessoas no sistema de ensino regular é uma diretriz constitucional (art. Mas. Em relação às crianças com altas habilidades (superdotadas ou talentosas). jovens e adultos especiais como cidadãos e de seu direito de estarem integrados na sociedade o mais plenamente possível. o déficit é muito grande e constitui um desafio imenso para os sistemas de ensino. A educação especial. que envolvem os pais de crianças especiais. ao longo de seu desenvolvimento. há ainda necessidade de ampliar. portanto. médio e superior. para a identificação desses problemas e seu adequado tratamento. quanto na qualificação dos professores e demais profissionais envolvidos. que garanta o atendimento à diversidade humana. 8. Existem testes simples. para garantir o atendimento da clientela. pois diversas ações devem ser realizadas ao mesmo tempo. aberta à diversidade dos alunos. eliminando a nociva prática de encaminhamento para classes especiais daqueles que apresentam dificuldades comuns de aprendizagem. inclusive como forma preventiva. adaptação das escolas para que os alunos especiais possam nelas transitar. dos Estados e Distrito Federal e dos Municípios. Uma política explícita e vigorosa de acesso à educação. uma vez que as desigualdades regionais na oferta educacional atestam uma enorme disparidade nas possibilidades de acesso à escola por parte dessa população especial. Quando esse tipo de instituição não puder ser criado nos Municípios menores e mais pobres. mas envolve especialistas sobretudo da área da saúde e da psicologia e depende da colaboração de diferentes órgãos do Poder Público. jovens e adultos com necessidades especiais. Na hipótese de não ser possível o atendimento durante a educação infantil. com vistas a verificar a intensidade.9. notadamente na etapa da educação infantil. mais eficaz ela se tornará no decorrer dos anos. quer porque as realidades são bastante diversificadas no País. de responsabilidade da União. É medida racional que se evite a duplicação de recursos através da articulação daqueles setores desde a fase de diagnóstico de déficits sensoriais até as terapias específicas.2 Diretrizes A educação especial se destina às pessoas com necessidades especiais no campo da aprendizagem. com a colaboração dos Ministérios da Saúde e da Previdência. A garantia de vagas no ensino regular para os diversos graus e tipos de deficiência é uma medida importante. tal diretriz ainda não produziu a mudança necessária na realidade escolar. de sorte que todas as crianças. têm. a identificação levará em conta o contexto socioeconômico e cultural e será feita por meio de observação sistemática do comportamento e do desempenho do aluno. Considerando as questões envolvidas no desenvolvimento e na aprendizagem das crianças. a frequência e a consistência dos traços. Tal política abrange: o âmbito social. que podem dificultar a aprendizagem Didatismo e Conhecimento 42 escolar. recomenda-se a celebração de convênios intermunicipais e com organizações não-governamentais. terá que ser promovida sistematicamente nos diferentes níveis de ensino. mental ou múltipla. produzindo efeitos mais profundos sobre o desenvolvimento das crianças. órgãos oficiais e entidades não governamentais de assistência social. em particular os vinculados à saúde. Entre elas. tanto nos aspectos administrativos (adequação do espaço escolar. Quanto mais cedo se der a intervenção educacional. a política de inclusão as reorienta para prestarem apoio aos programas de integração. Longe de diminuir a responsabilidade do Poder Público para com a educação especial. sensorial. fazendo parte da política governamental há pelo menos uma década. Propõe-se uma escola integradora. do reconhecimento das crianças. 208. e o âmbito educacional. O apoio da União é mais urgente e será mais necessário onde se verificam os maiores déficits de atendimento. Entre outras características dessa política.

entre outras. estar previstos no ensino fundamental. em parceria com as áreas de saúde. prioritariamente. Generalizar. promovendo sua colocação no mercado de trabalho. Enfermagem e Arquitetura. . Entretanto. inclusive através de parceria com organizações da sociedade civil voltadas para esse tipo de atendimento. progressivamente. segundo aqueles padrões. Didatismo e Conhecimento 43 11. 7. pelo menos um curso desse tipo em cada unidade da Federação. durante a década. 20. as escolas de educação básica e. Ampliar. 5 e 6. em cinco anos. 13. da aplicação de testes de acuidade visual e auditiva em todas as instituições de educação infantil e do ensino fundamental. para seus familiares e para o pessoal da unidade escolar. do atendimento às necessidades educacionais especiais de seus alunos. quando for o caso. assistência social. em braille e em caracteres ampliados. 3. Garantir a generalização. previdência e assistência social para. em parceria com a área de saúde. se necessário. 8. tornar disponíveis órteses e próteses para todos os educandos com deficiências. sempre que possível. os recursos devem. Assegurar. para o desenvolvimento de programas de qualificação profissional para alunos especiais. Organizar. o número desses centros. especialmente nas universidades públicas. 8. 10. no projeto pedagógico das unidades escolares. Introduzir. as classes especiais. 21. Incluir ou ampliar. incrementando. em parceria com organizações governamentais e não-governamentais. 12. mediante um programa de formação de monitores. da educação infantil e metas nº 4. inclusive através de consórcios entre Municípios. em cinco anos. utilizando inclusive a TV Escola e outros programas de educação a distância. 5. a realização de estudos e pesquisas. nos dois primeiros anos de vigência deste plano. 9. especialmente creches. públicas e privadas. em cinco anos. em conformidade aos já definidos requisitos de infraestrutura para atendimento dos alunos especiais. redes municipais ou intermunicipais para tornar disponíveis aos alunos cegos e aos de visão subnormal livros de literatura falados. 15. no prazo de dez anos. em cinco anos. trabalho e com as organizações da sociedade civil. Incentivar. indicadores básicos de qualidade para o funcionamento de instituições de educação especial. transporte escolar com as adaptações necessárias aos alunos que apresentem dificuldade de locomoção. em cinco anos. c) adaptar. tendo em vista as especificidades dessa modalidade de educação e a necessidade de promover a ampliação do atendimento. em instituições especializadas ou regulares de educação infantil. 4. o atendimento dos alunos com necessidades especiais na educação infantil e no ensino fundamental. fornecendo-lhes o apoio adicional de que precisam. em até quatro anos. as classes especiais e salas de recursos. em cinco anos. dentro de cinco anos. de forma a favorecer e apoiar a integração dos educandos com necessidades especiais em classes comuns. para os professores em exercício na educação infantil e no ensino fundamental. Estabelecer programas para equipar. de forma a detectar problemas e oferecer apoio adequado às crianças especiais. Em coerência com as metas nº 2. públicos ou privados. redimensionar conforme as necessidades da clientela. e generalizar em dez anos. para formar pessoal especializado em educação especial. e generalizar. o transporte escolar. em dez anos. Implantar. em parceria com organizações não-governamentais. com aparelhos de amplificação sonora e outros equipamentos que facilitem a aprendizagem. Generalizar. Ampliar o fornecimento e uso de equipamentos de informática como apoio à aprendizagem do educando com necessidades especiais. Incluir nos currículos de formação de professores. 2. Estabelecer cooperação com as áreas de saúde. livros didáticos falados. destinado ao atendimento de pessoas com severa dificuldade de desenvolvimento. pelo menos um centro especializado. Tornar disponíveis. do ensino fundamental: a) estabelecer. os prédios escolares existentes. 16. até o final da década. as de educação superior que atendam educandos surdos e aos de visão sub-normal. os padrões mínimos de infraestrutura das escolas para o recebimento dos alunos especiais. 18. a oferta de cursos sobre o atendimento básico a educandos especiais. o ensino da Língua Brasileira de Sinais para os alunos surdos e. nos níveis médio e superior.3 Objetivos e Metas 1. também. em cada unidade da Federação. Considerando que o aluno especial pode ser também da escola regular. conteúdos e disciplinas específicas para a capacitação ao atendimento dos alunos especiais. especialmente pelas instituições de ensino superior. Articular as ações de educação especial e estabelecer mecanismos de cooperação com a política de educação para o trabalho. 6. 17. em parceria com as áreas de assistência social e cultura e com organizações não-governamentais. conteúdos disciplinares referentes aos educandos com necessidades especiais nos cursos que formam profissionais em áreas relevantes para o atendimento dessas necessidades. em braille e em caracteres ampliados. b) a partir da vigência dos novos padrões. provendo. dentro de três anos a contar da vigência deste plano. como Medicina. Implantar. durante a década. Nos primeiros cinco anos de vigência deste plano. somente autorizar a construção de prédios escolares. 14. salas de recursos e outras alternativas pedagógicas recomendadas. 22. Definir. assim como atendimento especializado de saúde. sua observância. para todos os alunos cegos e para os de visão sub-normal do ensino fundamental. em todos os Municípios e em parceria com as áreas de saúde e assistência.d. em cinco anos. garantindo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS classes. em conjunto com as entidades da área. em níveis de graduação e pósgraduação. em dez anos. no primeiro ano de vigência deste plano. programas destinados a ampliar a oferta da estimulação precoce (interação educativa adequada) para as crianças com necessidades educacionais especiais. e não separá-los como se precisassem de atendimento especial. recomenda-se reservar-lhe uma parcela equivalente a 5 ou 6% dos recursos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino. Assegurar a inclusão. 3 e 4. Definir condições para a terminalidade para os educandos que não puderem atingir níveis ulteriores de ensino. 19. habilitação específica. de sorte que as diferentes regiões de cada Estado contem com seus serviços. nestes casos. definindo os recursos disponíveis e oferecendo formação em serviço aos professores em exercício. Estabelecer. sobre as diversas áreas relacionadas aos alunos que apresentam necessidades especiais para a aprendizagem. quando necessário. como parte dos programas de formação em serviço. atendendo-se.

programas de atendimento aos alunos com altas habilidades nas áreas artística. o que vem sendo regulamentado em vários textos legais. 24. 27. atestado em avaliação conduzida pelo respectivo sistema de ensino. 17 e 18. Aumentar os recursos destinados à educação especial. contemplando as experiências bem sucedidas em curso e reorientando outras para que elaborem regimentos.000 índios em terras indígenas. EDUCAÇÃO INDÍGENA 9. que venha ao encontro de seus projetos de futuro. os Estados e os Municípios. No prazo de três anos a contar da vigência deste plano. buscando alternativas à submissão desses grupos. Assegurar a continuidade do apoio técnico e financeiro às instituições privadas sem fim lucrativo com atuação exclusiva em educação especial. ainda. como meio para assegurar o acesso a conhecimentos gerais sem precisar negar as especificidades culturais e a identidade daqueles grupos.000 e 329. construindo projetos educacionais específicos à realidade sociocultural e histórica de determinados grupos indígenas. a tônica foi uma só: negar a diferença. para tanto. específica. 11. intelectual ou psicomotora. o mínimo equivalente a 5% dos recursos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino. Implantar gradativamente. desde o século XVI. Não há informações sobre os índios urbanizados. As pesquisas mais recentes indicam que existem hoje entre 280. Há. após séculos de práticas genocidas. uma clara distribuição de responsabilidades entre a União. a oferta de programas de educação escolar às comunidades indígenas esteve pautada pela catequização. um novo significado e um novo sentido. trabalho e previdência e com as organizações da sociedade civil. Representou também uma mudança em termos de execução: se antes as escolas indígenas eram mantidas pela FUNAI (ou por secretarias estaduais e municipais de educação. compartilhando uma mesma concepção sobre o processo educativo a ser oferecido para as comunidades indígenas. mas sim uma simples transferência de atribuições e responsabilidades. Há também a necessidade de regularizar juridicamente as escolas indígenas. nas ações referidas nas metas nº 6. O abandono da previsão de desaparecimento físico dos índios e da postura integracionista que buscava assimilar os índios à comunidade nacional. Diferentes experiências surgiram em várias regiões do Brasil. a instituição da escola entre grupos indígenas serviu de instrumento de imposição de valores alheios e negação de identidades e culturas diferenciadas. e muitos deles preservam suas línguas e tradições. organizar e pôr em funcionamento em todos os sistemas de ensino um setor responsável pela educação especial. O tamanho reduzido da população indígena. o quadro geral da educação escolar indígena no Brasil. o que dificulta a implementação de uma política nacional que assegure a especificidade do modelo de educação intercultural e bilíngue às comunidades indígenas. no que diz respeito a essa modalidade de ensino. 14. A escola entre grupos indígenas ganhou. com as parcerias com as áreas de saúde. a fim de atingir. criou-se uma situação de acefalia no processo de gerenciamento global da assistência educacional aos povos indígenas. A estadualização das escolas indígenas e.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 23. como a garantia de seus territórios e formas menos violentas de relacionamento e convivência entre essas populações e outros segmentos da sociedade nacional. . então. Por isso mesmo. hoje. Grupos organizados da sociedade civil passaram a trabalhar junto com comunidades indígenas. assimilar os índios. 9. Não há. civilização e integração forçada dos índios à sociedade nacional. muito a ser feito e construído no sentido da universalização da oferta de uma educação escolar de qualidade para os povos indígenas.1 Diagnóstico No Brasil. Só dessa forma se poderá assegurar não apenas sua sobrevivência física mas também étnica. A estadualização assim conduzida não representou um processo de instituição de parcerias entre órgãos governamentais e entidades ou organizações da sociedade civil. fazer com que eles se transformassem em algo diferente do que eram. em dez anos. está integrado nas mudanças e inovações garantidas pelo atual texto constitucional e fundamenta-se no reconhecimento da extraordinária capacidade Didatismo e Conhecimento 44 de sobrevivência e mesmo de recuperação demográfica. que possa atuar em parceria com os setores de saúde. trabalho e previdência. calendários. contando. Só em anos recentes esse quadro começou a mudar. praticando a interculturalidade e o bilingüismo e adequando-se ao seu projeto de futuro. 26. assistência social. as metas pertinentes estabelecidas nos capítulos referentes aos níveis de ensino. através de convênios firmados com o órgão indigenista oficial). a serem coletadas pelo censo educacional e pelos censos populacionais. intercultural e bilíngüe. constituindo cerca de 210 grupos distintos. à formação de professores e ao financiamento e gestão. agora cabe aos Estados assumirem tal tarefa. assistência social. sua municipalização ocorreram sem a criação de mecanismos que assegurassem uma certa uniformidade de ações que garantissem a especificidade destas escolas. é regionalmente desigual e desarticulado. resgatando a dívida social que o Brasil acumulou em relação aos habitantes originais do território. A transferência da responsabilidade pela educação indígena da Fundação Nacional do Índio para o Ministério da Educação não representou apenas uma mudança do órgão federal gerenciador do processo. materiais didático-pedagógicos e conteúdos programáticos adaptados às particularidades étno-culturais e linguísticas próprias a cada povo indígena. nos termos da Declaração Mundial sobre Educação para Todos. currículos. a partir do primeiro ano deste plano. Dos missionários jesuítas aos positivistas do Serviço de Proteção aos Índios. Nesse processo. Estabelecer um sistema de informações completas e fidedignas sobre a população a ser atendida pela educação especial. permeado por experiências fragmentadas e descontínuas. em alguns casos. e deste para as secretarias estaduais de educação. 28. Observar. 25. porque os entendia como categoria étnica e social transitória e fadada à extinção. sua dispersão e heterogeneidade tornam particularmente difícil a implementação de uma política educacional adequada. Com a transferência de responsabilidades da FUNAI para o MEC. é de particular importância o fato de a Constituição Federal ter assegurado o direito das sociedades indígenas a uma educação escolar diferenciada. como se verifica hoje. bem como pela administração dos recursos orçamentários específicos para o atendimento dessa modalidade. que realizem atendimento de qualidade. do ensino catequético ao ensino bilíngue. Em que pese a boa vontade de setores de órgãos governamentais. 9. de autonomia e que garanta a sua inclusão no universo dos programas governamentais que buscam a satisfação das necessidades básicas de aprendizagem.

merenda escolar. 16. 7. à alfabetização. com níveis de remuneração correspondentes ao seu nível de qualificação profissional. quer na própria escola indígena. Estabelecer um programa nacional de colaboração entre a União e os Estados para. Ampliar. a sua execução. de qualidade. tanto no que se refere ao projeto pedagógico quanto ao uso de recursos financeiros públicos para a manutenção do cotidiano escolar. para uso nas escolas instaladas em suas comunidades. 3. a oferta às comunidades indígenas de programas educacionais equivalentes às quatro primeiras séries do ensino fundamental. livro didático. cabendo aos Estados e Municípios. assegurando o fornecimento desses benefícios às escolas. 14. Instituir e regulamentar. Formular. dicionários e outros. a serem executados pelas secretarias estaduais ou municipais de educação. elaborados por professores indígenas juntamente com os seus alunos e assessores. respeitando seus modos de vida.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 9. dentro de cinco anos. ao reconhecimento oficial e à regularização legal de todos os estabelecimentos de ensino localizados no interior das terras indígenas e em outras áreas assim como a constituição de um cadastro nacional de escolas indígenas. de forma a contemplar a especificidade da educação indígena. universidades e organizações ou associações indígenas. em dois anos. a condução de pesquisas de caráter antropológico visando à sistematização e incorporação dos conhecimentos e saberes tradicionais das sociedades indígenas e à elaboração de materiais didáticopedagógicos.2 Diretrizes A Constituição Federal assegura às comunidades indígenas a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. à construção coletiva de conhecimentos na escola e à valorização do patrimônio cultural da população atendida. programas voltados à produção e publicação de materiais didáticos e pedagógicos específicos para os grupos indígenas. quer integrando os alunos em classes comuns nas escolas próximas. 13. setores responsáveis pela educação indígena. quanto para que sejam respeitadas em suas particularidades. 6. Atribuir aos Estados a responsabilidade legal pela educação indígena. sempre que possível. incluindo bibliotecas. 2. Criar. videotecas e outros materiais de apoio. 18. em cinco anos. no que se refere à metodologia e ensino de segundas línguas e ao estabelecimento e uso de um sistema ortográfico das línguas maternas. dentro do prazo máximo de dois anos. Criar. tanto para que estas escolas sejam de fato incorporadas e beneficiadas por sua inclusão no sistema oficial. 17. 5. com concurso de provas e títulos adequados às particularidades linguísticas e culturais das sociedades indígenas. um plano para a implementação de programas especiais para a formação de professores indígenas em nível superior. concepções e mecanismos. a profissionalização e reconhecimento público do magistério indígena. com a incumbência de promovê-la. dentro de um ano. A coordenação das ações escolares de educação indígena está. estruturar e fortalecer. 11. Didatismo e Conhecimento 45 8.3 Objetivos e Metas 1. Estabelecer e assegurar a qualidade de programas contínuos de formação sistemática do professorado indígena. 9. quer quanto aos seus objetivos e necessidades. Fortalecer e ampliar as linhas de financiamento existentes no Ministério da Educação para implementação de programas de educação escolar indígena. Universalizar. Estabelecer. a oferta de ensino de 5ª a 8ª série à população indígena. incluindo livros. hoje. a aplicação pelas escolas indígenas na formulação do seu projeto pedagógico. acompanhá-la e gerenciá-la. Adaptar programas do Ministério da Educação de auxílio ao desenvolvimento da educação. as diretrizes curriculares nacionais e os parâmetros curriculares e universalizar. já existentes. 4. A formação que se contempla deve capacitar os professores para a elaboração de currículos e programas específicos para as escolas indígenas. . Universalizar imediatamente a adoção das diretrizes para a política nacional de educação escolar indígena e os parâmetros curriculares estabelecidos pelo Conselho Nacional de Educação e pelo Ministério da Educação. o aperfeiçoamento e o reconhecimento de experiências de construção de uma educação diferenciada e de qualidade atualmente em curso em áreas indígenas. é melhor atendida através de professores índios. quer através de delegação de responsabilidades aos seus Municípios. gradativamente. enquanto professores de suas comunidades. 10. É preciso reconhecer que a formação inicial e continuada dos próprios índios. através da colaboração das universidades e de instituições de nível equivalente. 9. a categoria oficial de “escola indígena” para que a especificidade do modelo de educação intercultural e bilíngue seja assegurada. Implantar. sob a coordenação geral e com o apoio financeiro do Ministério da Educação. as técnicas de edificação próprias do grupo. garantindo a esses professores os mesmos direitos atribuídos aos demais do mesmo sistema de ensino. A educação bilíngue. suas visões de mundo e as situações sociolingüísticas específicas por elas vivenciadas. sob responsabilidade do Ministério de Educação. ao mesmo tempo que se lhes ofereça o atendimento adicional necessário para sua adaptação. Proceder. A proposta de uma escola indígena diferenciada. com a criação da categoria de professores indígenas como carreira específica do magistério. dentro de um ano. Fortalecer e garantir a consolidação. a fim de garantir o acesso ao ensino fundamental pleno. equipar as escolas indígenas com equipamento didático-pedagógico básico. o ensino bilíngue. organizações de apoio aos índios. garantindo a plena participação de cada comunidade indígena nas decisões relativas ao funcionamento da escola. dentro de dois anos. nas secretarias estaduais de educação. quer em termos do contingente escolar. TV Escola. Assegurar a autonomia das escolas indígenas. de acordo com o uso social e concepções do espaço próprias de cada comunidade indígena. vídeos. como transporte escolar. que garantam a adaptação às condições climáticas da região e. especialmente no que diz respeito aos conhecimentos relativos aos processos escolares de ensino-aprendizagem. padrões mínimos mais flexíveis de infraestrutura escolar para esses estabelecimentos. Criar. bilíngues ou não. além de condições sanitárias e de higiene. 12. adequada às peculiaridades culturais dos diferentes grupos. deve ocorrer em serviço e concomitantemente à sua própria escolarização. dentro de um ano. biblioteca escolar. tanto no Ministério da Educação como nos órgãos estaduais de educação. em dez anos. nos sistemas estaduais de ensino. representa uma grande novidade no sistema educacional do País e exige das instituições e órgãos responsáveis a definição de novas dinâmicas. quer diretamente. 15.

129.Educação infantil: 219. à participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e nos conselhos escolares.948 48.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 19.356 . com a colaboração entre a União. a intolerância e o preconceito em relação a essas populações. somente poderá ser alcançada se for promovida. ficam baldados quaisquer esforços para alcançar as metas estabelecidas em cada um dos níveis e modalidades do ensino.719 1ª à 4ª séries 44. das instituições formadoras em qualificar e formar professores têm se tornado pouco eficazes para produzir a melhoria da qualidade do ensino por meio de formação inicial porque muitos professores se deparam com uma realidade muitas vezes desanimadora. Essa valorização só pode ser obtida por meio de uma política global de magistério. Promover.872 103. o Plano Nacional de Educação estabelece diretrizes e metas relativas à melhoria das escolas. IV – MAGISTÉRIO DA EDUCAÇÃO BÁSICA 10. quer. à infra-estrutura.250 326. a valorização do magistério. Completo Total Fonte: MEC/INEP: Sinopse Estatística 1996. a produção de programas de formação de professores de educação a distância de nível fundamental e médio. segundo os dados de 1998 (MEC/INEP/SEEC): . como meio de combater o desconhecimento. Incompl. quer no que diz respeito à formulação das propostas pedagógicas. de um lado. Promover a correta e ampla informação da população brasileira em geral.625 661.119 916.as condições de trabalho. É preciso criar condições que mantenham o entusiasmo inicial.947 5ª à 8ª séries 712 5. em todas as modalidades de ensino.051 Ens.641 531.581 22.462 32. A simultaneidade dessas três condições. conforme se vê a seguir: Tabela 19 .043 174.Ensino fundamental: 1. Implantar. As funções docentes em educação básica.791 1. As funções docentes estão assim distribuídas. FORMAÇÃO DOS PROFESSORES E VALORIZAÇÃO DO MAGISTÉRIO 10. 20. Esforços dos sistemas de ensino e. que exige profissionais cada vez mais qualificados e permanentemente atualizados.a formação continuada.066.874 . desde a educação infantil até a educação superior (e isso não é uma questão meramente técnica de oferta de maior número de cursos de formação inicial e de cursos de qualificação em serviço) por outro lado é fundamental manter na rede de ensino e com perspectivas de aperfeiçoamento constante os bons profissionais do magistério.913 153.274 Pré-Esc e Alfabetiz. 20. aos instrumentos e materiais pedagógicos e de apoio. especialmente nas regiões agrárias. .356 jovens e adultos 567 1. .Ensino médio: 365.distribuição nacional por nível de formação e níveis escolares em que atuam – 1998 Níveis e modalidades de atuação Nível de formação Total de funções 65. Em coerência com esse diagnóstico.335 50.. é uma lição extraída da prática. ao mesmo tempo. Salário digno e carreira de magistério entram. há que se repensar a própria formação. Sem esta. especificamente.715 798.Educação especial: 37. 21.a formação profissional inicial.439. que é um dos objetivos centrais do Plano Nacional de Educação. a qual implica. dentro de um ano. simultaneamente. a dedicação e a confiança nos resultados do trabalho pedagógico. contado mais de uma vez.Educação de jovens e adultos: 103.Classes de alfabetização: 46.593 . Formar mais e melhor os profissionais do magistério é apenas uma parte da tarefa. Nota: O mesmo docente pode atuar em mais de um nível/modalidade de ensino e em mais de um estabelecimento.256 172. os últimos publicados pelo MEC/INEP/SEEC.147 265.258 501. como componentes essenciais.Funções Docentes . mais do que uma conclusão lógica. Ens.051 A análise da distribuição das funções docentes por nível de formação e níveis escolares em que atuam somente pode ser feita sobre os dados de 1996. nesse contexto.150 68.396 2.Fund. quer no tocante aos espaços físicos.Fund. etc. visando à auto sustentação e ao uso da terra de forma equilibrada.064 . os Estados e Municípios e em parceria com as instituições de ensino superior. sendo.968 80. Didatismo e Conhecimento 46 . Avaliação de desempenho também tem importância. ainda. O número de professores é menor.744 educação especial 322 847 19.126 . É preciso que os professores possam vislumbrar perspectivas de crescimento profissional e de continuidade de seu processo de formação. considerando que o mesmo docente pode estar atuando em mais de um nível e/ou modalidade de ensino e em mais de um estabelecimento. nesse caso. Médio Completo Ens. sobre as sociedades e culturas indígenas. passam de 2 milhões. Sup. grande número de professores abandona o magistério devido aos baixos salários e às condições de trabalho nas escolas.108 37.508 ensino médio 18 675 38. Se. aqui. aos meios tecnológicos.1 Diagnóstico A melhoria da qualidade do ensino. . em vista dos desafios presentes e das novas exigências no campo da educação. salário e carreira.801 365. Ano após ano. Completo Ens. quanto à formulação dos planos de carreira e de remuneração do magistério e do pessoal administrativo e de apoio.079 17. cursos de educação profissional.

10. Tratando-se de um processo em curso. modalidade normal. Devem ser aplicados. 7o). Se os 10% dos mínimos constitucionalmente vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino não postos no FUNDEF forem efetivamente destinados. calculando-se a partir dos dados disponíveis sobre o percentual dos que atuam nesse nível com curso superior.um sistema de educação continuada que permita ao professor um crescimento constante de seu domínio sobre a cultura letrada. o que deverá ser feito nos planos estaduais. este plano reforça o propósito através de metas específicas. não se trata de qualificar os professores para nelas permanecerem. não houve melhoria para os professores.2 Diretrizes A qualificação do pessoal docente se apresenta hoje como um dos maiores desafios para o Plano Nacional de Educação.424/96. Daí por que não basta ser formado num determinado nível de ensino. Considerando o grande aumento do número de matrículas nesse nível de ensino. art. dentro de uma visão crítica e da perspectiva de um novo humanismo. Os quatro primeiros precisam ser supridos pelos sistemas de ensino. se aplica também na formação para o magistério na educação infantil. Quanto aos da creche. pelo menos. Os dados acima apontam somente para a necessidade atual.976 precisam obter diploma de nível médio.000. para que o magistério brasileiro que está atuando nos sistemas de ensino possua o nível de formação mínimo estabelecido pela lei. o domínio dos conhecimentos objeto de trabalho com os alunos e dos métodos pedagógicos que promovam a aprendizagem. A implementação de políticas públicas de formação inicial e continuada dos profissionais da educação é uma condição e um meio para o avanço científico e tecnológico em nossa sociedade e. os seguintes requisitos: . As características psicológicas. entre 1996 e 1999. . Para o ensino médio: 44. mas para atuarem no ensino fundamental. uma vez que a produção do conhecimento e a criação de novas tecnologias dependem do nível e da qualidade da formação das pessoas. A melhoria da qualidade do ensino. o respeito a que têm direito como cidadãos em formação. depreender-se-ia dessa Tabela a seguinte necessidade de qualificação: Para a educação infantil: 29. isto é. Assim. aliás. Quanto às classes de alfabetização: como serão desfeitas. conforme as diretrizes e metas deste plano. nas séries iniciais e finais do ensino fundamental e no ensino médio. modalidade normal. o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério está fazendo uma extraordinária mudança naqueles Estados e Municípios onde o professor recebia salários muito baixos. não há dados. à educação infantil e. Esta exigência. concentrada num único estabelecimento de ensino e que inclua o tempo necessário para as atividades complementares ao trabalho em sala de aula. a valorização do magistério . antes. para dimensionar a demanda e definir a estratégia e os recursos requeridos. A questão principal. é de supor que a quantidade de professores nessa situação seja bem maior. na escola. na expectativa de que isso constitua um importante passo e instrumento na valorização do magistério. ao ensino médio.compromisso social e político do magistério.166 professores que possuem formação apenas de ensino fundamental e que deverão cursar pelo menos o ensino médio. inferiores ao salário mínimo. os problemas ficarão em parte minimizados. Em cumprimento à Lei 9. uma vez que os docentes exercem um papel decisivo no processo educacional. Um levantamento urgente se faz necessário. estão sendo elaborados ou reformulados os planos de carreira do magistério. entretanto.uma formação profissional que assegure o desenvolvimento da pessoa do educador enquanto cidadão e profissional.salário condigno. Em alguns lugares. não poderá ser cumprido sem a valorização do magistério. A avaliação do FUNDEF vem apontando as falhas e sugerindo revisões com vistas a solucionar os problemas que vêm ocorrendo. e o Poder Público precisa se dedicar prioritariamente à solução deste problema.486 necessitam de formação superior. com outras ocupações que requerem nível equivalente de formação. Nos Estados e Municípios onde o salário já era mais alto do que o possibilitado pelo FUNDEF. Considerando que este plano fixa metas de expansão e de melhoria da qualidade do ensino. interesse pelo trabalho e participação no trabalho de equipe. dificuldades adicionais para certos Municípios manter o padrão anterior de remuneração. a fim de dimensionar o esforço que em cada um deles deverá ser feito para alcançar o patamar mínimo de formação exigido. sociais e físicas das diferentes faixas etárias carregam modos diversos de encarar os objetos de conhecimento e de aprender. Para as 4 últimas séries do ensino fundamental: 159.jornada de trabalho organizada de acordo com a jornada dos alunos. é a qualificação para a especificidade da tarefa. para o desenvolvimento do País. São 13. principalmente se houve admissões sem a qualificação mínima exigida. É fundamental que os dados sobre necessidades de qualificação sejam desagregados por Estado. A valorização do magistério implica.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Se uma função docente correspondesse a um professor. ficaram prejudicados. modalidade normal. . . nos Estados. 97% dos professores têm nível médio ou superior. nesses dois casos. as necessidades de formação crescerão na mesma proporção daquelas metas.429/96.883 carecem de formação de nível superior. para atingirem a qualificação mínima permitida. indispensável para assegurar à população brasileira o acesso pleno à cidadania e a inserção nas atividades produtivas que permita a elevação constante do nível de vida. As necessidades de qualificação para a educação especial e para a educação de jovens e adultos são pequenas no que se refere ao nível de formação pois. nos Municípios. No campo da remuneração. é preciso adquirir o conhecimento da especificidade do processo de construção do conhecimento em cada uma daquelas circunstâncias e faixas etárias. com licenciatura plena. os professores de educação infantil. portanto. Para as 4 primeiras séries do ensino fundamental: 94. competitivo. O quinto depende dos próprios professores: o compromisso com a aprendizagem dos alunos. no mercado de trabalho. . pelo menos 60% dos recursos do FUNDEF na remuneração do pessoal de magistério em efetivo exercício de suas atividades no ensino fundamental público (Lei Didatismo e Conhecimento 47 9. constitui um compromisso da Nação. em 1997. de jovens e adultos e de ensino médio. em ambas as modalidades.458 professores que atuam na pré-escola precisam fazer o curso de nível médio. Chega-se ao número de 58. obrigatoriamente. Este compromisso.

de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. portadores de diplomas de licenciatura e de habilitação de nível médio para o magistério. k) desenvolvimento do compromisso social e político do magistério. da garantia de condições adequadas de formação. 9. para o que será necessário formar professores dessas mesmas comunidades. f) domínio das novas tecnologias de comunicação e da informação e capacidade para integrá-las à prática do magistério. 87. política e pedagógica que se considera necessário. 62 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação. bem como nos conteúdos especificamente pedagógicos. j) vivência.424/96 e a criação de novos planos. Aquela relativa aos professores que atuam na esfera privada será de responsabilidade das respectivas instituições. no mínimo. em quaisquer de seus níveis e modalidades. portanto. deverá dar especial atenção à formação permanente (em serviço) dos profissionais da educação. A formação continuada dos profissionais da educação pública deverá ser garantida pelas secretarias estaduais e municipais de educação. g) análise dos temas atuais da sociedade. técnicos. c) atividade docente como foco formativo. Este plano estabelece as seguintes diretrizes para a formação dos profissionais da educação e sua valorização: Os cursos de formação deverão obedecer. em decorrência do avanço científico e tecnológico e de exigência de um nível de conhecimentos sempre mais amplos e profundos na sociedade moderna. A formação continuada do magistério é parte essencial da estratégia de melhoria permanente da qualidade da educação. Na formação inicial é preciso superar a histórica dicotomia entre teoria e prática e o divórcio entre a formação pedagógica e a formação no campo dos conhecimentos específicos que serão trabalhados na sala de aula. quando conveniente. h) inclusão das questões relativas à educação dos alunos com necessidades especiais e das questões de gênero e de etnia nos programas de formação. dos planos de carreira para o magistério. já no primeiro ano deste PNE. 7. ético e político. o diagnóstico da demanda de habilitação de professores leigos e organizarse. 6. (VETADO) 5. A formação inicial dos profissionais da educação básica deve ser responsabilidade principalmente das instituições de ensino superior. 10. programas de formação de professores. que não possuem. aos seguintes princípios: a) sólida formação teórica nos conteúdos específicos a serem ensinados na Educação Básica. e l) conhecimento e aplicação das diretrizes curriculares nacionais dos níveis e modalidades da educação básica. possibilitando-lhes a formação exigida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. de formas de gestão democrática do ensino. nos termos do art. Implementar. Quando feita na modalidade Didatismo e Conhecimento 48 de educação a distância. de trabalho e de remuneração e. deverá ser oferecido também nas suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. o financiamento e a manutenção dos programas como ação permanente e a busca de parceria com universidades e instituições de ensino superior. Quanto à remuneração. organizados a partir das necessidades expressas pelos professores. já a partir do primeiro ano deste plano. 62 da LDB. Nos Municípios onde a necessidade de novos professores é elevada e é grande o número de professores leigos. e) pesquisa como princípio formativo. em todos os sistemas de ensino. sua realização incluirá sempre uma parte presencial. ensino e extensão e a relação entre teoria e prática podem garantir o patamar de qualidade social. cumprida em um único estabelecimento escolar. a formação dos profissionais para as áreas técnicas e administrativas deve esmerar-se em oferecer a mesma qualidade dos cursos para o magistério. Garantir. . os novos níveis de remuneração em todos os sistemas de ensino. do bom desempenho na atividade. 2. cuja atuação incluirá a coordenação. de modo a elaborar-se. Este Plano. Identificar e mapear. A partir da entrada em vigor deste PNE. entre outras formas. Por essa razão. somente admitir professores e demais profissionais de educação que possuam as qualificações mínimas exigidas no art. promoção e afastamentos periódicos para estudos que levem em conta as condições de trabalho e de formação continuada e a avaliação do desempenho dos professores. que se encontrem fora do sistema de ensino. 4. funcionários administrativos e de apoio que atuam na escola. segundo o preceito constitucional.3 Objetivos e Metas 1. constituída. com piso salarial próprio. Destinar entre 20 e 25% da carga horária dos professores para preparação de aulas. onde as funções de pesquisa. integrando a teoria à prática pedagógica. Dessa forma. Essa formação terá como finalidade a reflexão sobre a prática educacional e a busca de seu aperfeiçoamento técnico.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS depende. em seu art. b) ampla formação cultural. é indispensável que níveis mais elevados correspondam a exigências maiores de qualificação profissional e de desempenho. com vistas a seu possível aproveitamento. gradualmente. durante o curso. A formação continuada assume particular importância. da cultura e da economia. no caso de os antigos ainda não terem sido reformulados segundo aquela lei. que oferecem a formação admitida para atuação na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental formam os profissionais. O ensino fundamental nas comunidades indígenas. identificar e mapear. assegurando a promoção por mérito. uma jornada de trabalho de tempo integral. i) trabalho coletivo interdisciplinar. avaliações e reuniões pedagógicas. elaborados e aprovados de acordo com as determinações da Lei nº. e visará à abertura de novos horizontes na atuação profissional. de encontros coletivos. pelo lado dos profissionais do magistério. As instituições de formação em nível médio (modalidade Normal). a habilitação de nível médio para o magistério. pelo lado do Poder Público. igualmente. os professores em exercício em todo o território nacional.docentes. Garantir a implantação. 3. em dois anos. d) contato com a realidade escolar desde o início até o final do curso. há que se prever na carreira sistemas de ingresso. A educação escolar não se reduz à sala de aula e se viabiliza pela ação articulada entre todos os agentes educativos . a partir do primeiro ano deste plano.

temas específicos da história. Incluir em quaisquer cursos de formação profissional. a partir da colaboração da União. É preciso. sendo o orçamento da seguridade social da ordem de 105 bilhões. Desenvolver programas de educação a distância que possam ser utilizados também em cursos semipresenciais modulares. a formação de jovens e adultos e a educação infantil. nas instituições públicas de nível superior. da cultura. de programas de formação. 17. 18. Nos concursos de provas e títulos para provimento dos cargos de professor para a educação indígena. Garantir que. 23. inclusive nas modalidades de educação especial e de jovens e adultos. Promover. de nível médio e superior. que. cursos regulares noturnos e cursos modulares de licenciatura plena que facilitem o acesso dos docentes em exercício à formação nesse nível de ensino. específica e adequada às características e necessidades de aprendizagem dos alunos. 13. a gestão escolar. todos os professores em exercício na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental. prevendo a continuidade dos estudos desses profissionais em nível superior. Criar. . com base nas diretrizes de que trata a meta nº 8. entretanto. 70% dos professores de educação infantil e de ensino fundamental (em todas as modalidades) possuam formação específica de nível superior. Identificar e mapear. Observar as metas estabelecidas nos demais capítulos referentes à formação de professores e valorização do magistério. a oferta. a partir da constatação da necessidade de maior investimento. nas instituições de ensino superior públicas. dos conhecimentos. 24. no nível federal. Didatismo e Conhecimento 49 20. em instituições específicas. incluir requisitos referentes às particularidades culturais. o desenvolvimento das competências profissionais e a avaliação da formação inicial e continuada dos professores. dos grupos indígenas. Garantir. como subsídio à definição de necessidades e características dos cursos de formação continuada. de licenciatura plena em instituições qualificadas. por exemplo. de forma a tornar possível o cumprimento da meta anterior. e não à totalidade dos recursos orçamentários. valor que sequer cobre os gastos com instituições de ensino superior (Tabela 20). já no primeiro ano de vigência deste plano. dos Estados e Municípios. em particular. cursos profissionalizantes de nível médio destinados à formação de pessoal de apoio para as áreas de administração escolar. na perspectiva da integração social. para todos os níveis e modalidades de ensino. no prazo de 5 anos. dentro de um ano. especialmente linguísticas. 9. 26. A receita vinculada à manutenção e desenvolvimento do ensino. contando com a parceria das instituições de ensino superior sediadas nas respectivas áreas geográficas. dos Estados e dos Municípios. no mínimo. dos Estados e dos Municípios. que os sistemas estaduais e municipais de ensino mantenham programas de formação continuada de professores alfabetizadores. todos os professores de ensino médio possuam formação específica de nível superior. para a educação especial. A vinculação é realizada em relação às receitas resultantes de impostos. no mesmo padrão dos cursos oferecidos na sede. Promover. equivalia a 325. no prazo de dez anos. para a educação de jovens e adultos e para as séries iniciais do ensino fundamental. Generalizar. obtida em curso de licenciatura plena nas áreas de conhecimento em que atuam. habilitação de nível médio (modalidade normal). Ampliar. 19. 16. desfazer alguns enganos. seja por meio de uma gestão mais eficiente. multimeios e manutenção de infraestruturas escolares. Estabelecer. Definir diretrizes e estabelecer padrões nacionais para orientar os processo de credenciamento das instituições formadoras. O orçamento fiscal da União de 1998. 11. por meio de um programa conjunto da União. Os percentuais constitucionalmente vinculados à manutenção e ao desenvolvimento do ensino devem representar o ponto de partida para a formulação e implementação de metas educacionais. 28. Os recursos de impostos não constituem sequer a totalidade dos recursos tributários (que incluem taxas e contribuições de melhoria). 15. no prazo de três anos a partir da vigência deste PNE. de modo a atender à demanda local e regional por profissionais do magistério graduados em nível superior. a médio prazo. de cursos de especialização voltados para a formação de pessoal para as diferentes áreas de ensino e. conhecimentos sobre educação das pessoas com necessidades especiais. inclusive para alimentação escolar e. as necessidades de formação inicial e continuada do pessoal técnico e administrativo. Garantir. O imposto é espécie do gênero tributo. diretrizes e parâmetros curriculares para os cursos superiores de formação de professores e de profissionais da educação para os diferentes níveis e modalidades de ensino. das sociedades indígenas e dos trabalhadores rurais e sua contribuição na sociedade brasileira. não chegou a 4 bilhões. que observem os princípios definidos na diretriz nº 1 e preparem pessoal qualificado para a educação infantil.1 Diagnóstico A fixação de um plano de metas exige uma definição de custos assim como a identificação dos recursos atualmente disponíveis e das estratégias para sua ampliação. no prazo de dois anos. nos currículos e programas dos cursos de formação de profissionais da educação. para outras áreas que a realidade demonstrar ser necessário. das manifestações artísticas e religiosas do segmento afro-brasileiro.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 8. 25. elaborando e dando início à implementação. observando as diretrizes e os parâmetros curriculares. Há uma imagem equivocada de que esta fonte representa valor elevado. Ampliar a oferta de cursos de mestrado e doutorado na área educacional e desenvolver a pesquisa neste campo. 22. Onde ainda não existam condições para formação em nível superior de todos os profissionais necessários para o atendimento das necessidades do ensino. nos sistemas de ensino. 10. 21. 12. bem como a certificação. a avaliação periódica da qualidade de atuação dos professores. na sede ou fora dela. cursos de formação de professores. Garantir que.FINANCIAMENTO E GESTÃO 11. Desenvolver programas de pós-graduação e pesquisa em educação como centro irradiador da formação profissional em educação. 14.6 bilhões. seja por meio de criação de novas fontes. os programas de formação em serviço que assegurem a todos os professores a possibilidade de adquirir a qualificação mínima exigida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. em ação conjunta da União. 27. no prazo de dez anos. possuam. estabelecer cursos de nível médio. V . Incluir. Incentivar as universidades e demais instituições formadoras a oferecer no interior dos Estados.

enquanto nas redes municipais equivalia a 1.070 % 0 38.303 2.248 3.440 495 0 620 9.Jurídicas Contrib.985.6 17.891 152.696 2. a Constituição definiu uma divisão de responsabilidades entre a União.164 12.0 3.273.8 6.927 913.085 Todas as esferasconsolidado 23.326 11.214.119.Despesa por Fonte( R$ milhões) Fonte Recursos ordinários Manutenção e desenvolvimento do ensino – art 212. Assim.3 2.512 Fonte : FECAMP – em valores históricos Tabela 22 .8 0 7. responsáveis pela maioria das matrículas o valor aplicado não passava de 88 reais.5 4.489 370 271 356 3. estabelecendo ainda a organização dos sistemas de ensino em regime de colaboração.153 % 0 52.1 29.152 246 0 1.152 2.7 4.763.788 486 259 787 1. CF Salário-Educação Contrib.1 3.Ministério da Educação . somadas todas as esferas administrativas.067.4 6. onde o estado arcava com a maior parte das matrículas do ensino fundamental.310.8 4.8 100.968.5 6.4 2.129 167.814 Esfera de governo Estados 12.685.547 6.503.Gastos Diretos com Educação das Administrações Públicas – 1997 Natureza da despesa União Pessoal e encargos sociais Transferência de Assistência e Previdência Outras despesas correntes Investimentos Inversões financeiras Total 4.201.074 2.360 613 39 1. Didatismo e Conhecimento 50 .0 1997 977 3. em São Paulo.Elaboração.7 4.517. Social p/ Seguridade Social Fundo de Estabilização Fiscal – FEF Recursos Diretamente arrecadados Recursos de Concessões e Permissões Outros Total 1995 0 3.012 40.542 917.275.5 13.256.7 1.099 2.243.9 100.1 0 6.919.851. verificavam-se graves distorções. o gasto correspondia a 336 reais.4 100. os Estados e os Municípios.983.513 717.774.8 5.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Tabela 20 .085 % 10.812 9.132.250.237.26 34.634.0 Fonte : SIAFI/PRODASEN .4 11.4 0.641 603.254.3 Fonte: Fecamp Em 1995. Tabela 21 .474.228. O conjunto dos Município do Maranhão e de Alagoas era responsável por dois terços das matrículas e recebia apenas um terço dos recursos.430.138 3.6 47. COFF/CD 1995 a 1998 .762 11.874 19.1 34.797. antes da aprovação da Emenda Constitucional nº 14.165 reais.3 5.129 8. dois cidadãos do mesmo estado e do mesmo nível de ensino eram tratados de forma absolutamente distinta.Gastos Com Educação – Esferas Federativas – 1997 Ente federativo UNIÃO ESTADOS MUNICÍPIOS % 23.Lei Orçamentária Dada a natureza federativa do Estado brasileiro.731 3.2 0 15.955.3 5.5 0 34.3 100.0 1998 478 3.711.768 % 4.388 575 0 621 9.826 738 529 694 2.8 5.4 25.3 19. o gasto médio por aluno era de 343 reais.733 518 496 932 10.446.0 1999 1.632 530 0 671 9. ao passo que nas redes municipais.842.0 1996 0 4. Social S/ Lucro das Pessoas.4 100.831 619 161 0 3. No extremo oposto.027.613 Municípios 7.226. As Tabelas 21 e 22 mostram o retrato dos gastos com educação. Por exemplo.643 % 10. na reduzida rede estadual.317 2.413.058.067.valores liquidados 1999 . no Maranhão.3 0 6.4 35.9 6.9 37.8 8.617.627.483.

8 2.0 Valor por aluno/ano Antes do FUNDEF (A) 77. Tabela 24 .963 12. dos 5. cota do IPI-Exp).838.125.8 3.00) Até 100 De 100 a 150 De 150 a 200 De 200 a250 De 250 a 315 Subtotal Outros Municípios Total Municípios Número 308 613 474 370 394 2.006. a União efetua a complementação. no âmbito de determinado estado não atingir o valor mínimo. cota do ICMS.1 39.7 7.com a subvinculação ao pagamento dos professores melhoraram os salários e foram novamente atraídos para a carreira professores que ocupavam outras posições no mercado de trabalho.193. Este é constituído por uma cesta de recursos equivalentes a 15% de alguns impostos do estado (FPE. .Efeitos Financeiros do FUNDEF.2     Receita Adicional Bruta (R$ Milhões) 429. Se o fundo.7 375.4 96.096 237.4 437.3 163.0 211.209 2.6 163.461 434.758 8.7 281. Em 1998 esta foi equivalente a cerca de 435 milhões (Tabela 23).7 9. Conforme indica a Tabela 24. A maior visibilidade dos recursos possibilitou inclusive a identificação de desvios.5     % (B/A) 317 170 145 72 44 129     Fonte : MEC/SEADE – Balanço do primeiro ano do FUNDEF Didatismo e Conhecimento 51 .280 % 13.058 8.222. Para o exercício de 1999 a previsão é de que a complementação da União seja de cerca de 610 milhões (Portaria nº 286/99-MF).3 211.819 13.0 1. Os núcleos da proposta do FUNDEF são: o estabelecimento de um valor mínimo por aluno a ser despendido anualmente (fixado em 315 reais para os anos de 1998 e 1999).diminuiu consideravelmente o número de classes de alfabetização e de alunos maiores de 7 anos na pré-escola. cerca de 39% (2. o FUNDEF foi o instrumento de uma política que induziu várias outras transformações: .5 124.a fixação de um critério objetivo do número de matrículas e a natureza contábil do fundo permitiram colocar os recursos onde estão os alunos e eliminar práticas clientelistas.257. a redistribuição dos recursos do fundo.2 258. verificou-se uma transferência líquida de recursos das redes estaduais para as municipais.9     Variação Do valor por aluno 247.com a obrigatoriedade da apresentação de planos de carreira com exigência de habilitação.159 3.178.00) – 1998 Valor por aluno/ ano (R$1. além da compensação referente às perdas com a desoneração das exportações.6 16.989 314.1 518.435.1 9.8 195.9 12.003 12.0 17. segundo o número de matrículas e a subvinculação de 60% de seu valor para o pagamento de profissionais do magistério em efetivo exercício.2 60.Origem das Receitas do Fundef – 1998 R$ Mil Receita FPM FPE ICMS IPI-Exp. LC 87/96 Subtotal Complementação da União Total Valor Distribuído 1.506 Municípios brasileiros.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Para corrigir esta situação foi concebido o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério. que passou a ser conhecido como FUNDEF.com a criação de contas únicas e específicas e dos conselhos de acompanhamento e controle social do FUNDEF deu-se mais transparência à gestão.2 100. deflagrou-se um processo de profissionalização da carreira.1 8. sendo trazidos para o ensino fundamental.746. É inegável o efeito redistributivo do FUNDEF.528 % 14. cota do IPI-Exp.506 % 5.8 100.551 2. nos Municípios com gasto abaixo do valor mínimo (R$ 315. sobretudo no Nordeste – onde as redes municipais são responsáveis por cerca de 50% das matrículas.9 463.0 Fonte : SIAFI/Tribunal de Contas da União Além de promover a equidade.159) contavam com um valor por aluno/ano abaixo do valor mínimo nacional de 315 reais. .0 389.0 Alunos/97 Número 1.3 405. Em 21 dos 26 Estados.4 33.002 1. decorrentes da Lei Complementar n° 87/96.6 100.192.9 335.4 66. .6 6.0 66.638.8 124. Tabela 23 .4 225.347 5.565 4.740.759.1 140. .315 1.) e dos Municípios (FPM.6 11.7     Com o FUNDEF (B) 324.045 1. ICMS.3 1.2 178.787.

643. em 1997. Dado recente da OCDE indica um gasto público em educação no Brasil equivalente a 5% do PIB (Tabela 25). educação infantil e ensino médio. Conforme dispunha o Plano Nacional de Educação para Todos. o repasse automático dos recursos vinculados. tendo como objetivo o desenvolvimento de uma gestão responsável. A partir de 1986 iniciouse a disseminação de informações que continham grave erro metodológico. no futuro.6 x 5. Este dado foi informado à OCDE pelo governo brasileiro. em 1998. para aquele exercício.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A partir desta redistribuição. Como apontou Barjas Negri (Financiamento da Educação no Brasil . de atingir. Este plano propõe que num prazo de dez anos atinjamos um gasto público equivalente a 7% do PIB. isto é. a meta contida no PL nº 4. ao estabelecer.9 3.535. afigura-se muito modesta. na medida em que fosse sendo erradicado o analfabetismo. Isso pode ter elevado indevidamente a estimativa do percentual do PIB.8 5. Este esforço inicial é indispensável. De toda sorte.0 4. de um fundo único para toda a educação básica – que não pode ser feito no âmbito deste plano. através de aumento contínuo e progressivo de todas as esferas federativas.1997).1 2. Outra é a situação do Brasil.69. ao número de 4. no § 5º do art. A transparência da gestão de recursos financeiros e o exercício do controle social permitirão garantir a efetiva aplicação dos recursos destinados à educação.8 6. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional facilita amplamente esta tarefa. Em valores atuais. De 1997 para 1998. Para tanto é necessário o compromisso do Congresso Nacional.6 4. Recentemente. políticas e técnicas. Estes aumentaram de 11.dado que só pode ser aferido após a consolidação dos balanços de todos Estados. incluindo os gastos do setor privado (que Negri estima em 1% do PIB).024. sem a devida dedução das transferências intragovernamentais destinadas à educação. a meta estabelecida pelo PL nº 4. portanto os gastos apenas com educação.0 3. a partir das vinculações. do governo federal para os governos estaduais e municipais e dos governos estaduais para os municipais. É certo que alguns ajustes e aperfeiçoamentos são necessários. que tem os enormes desafios discutidos neste plano. corrigida a distorção idade-série e aperfeiçoada a gestão. “há uma grande controvérsia sobre o quanto se gasta com educação no Brasil. Negri havia chegado. com o objetivo de aumentar a racionalidade e produtividade. em 1995.2% os gastos públicos com educação para o ano de 1995.072.0 3. Para superar esta dificuldade.” O governo federal vem atuando de maneira a descentralizar recursos.MEC/INEP.Despesas Públicas em Educação.4 5. de modo a fortalecer sua autonomia (Tabela 26). Negri procurou em criterioso estudo estimar os recursos potencialmente disponíveis. para 32. Neste processo foi induzida a formação de Associações de Pais e Mestres ou de Conselhos escolares. inclusive a eventual criação.8 5. direcionando-os diretamente às escolas. tanto nos níveis centrais como nos descentralizados. Tabela 25 .53% de recursos disponíveis. apenas no setor público o equivalente a 10% do PIB é muito elevada. houve um aumento expressivo de 6% nas matrículas.4 4.7 x 3. embora trabalhe com a execução o IPEA considera os gastos da função educação e cultura. os países desenvolvidos que já fizeram um amplo esforço no período pós-guerra estabilizaram seus gastos. que elaborarão os planos plurianuais e orçamentos que vigorarão no período. em relação ao PIB – 1995 PAÍS AMÉRICA DO NORTE Canadá Estados Unidos México AMÉRICA DO SUL Argentina* BRASIL Chile* Paraguai* Uruguai* ÁSIA Coréia Malásia* Tailândia* EUROPA Áustria Dinamarca França Noruega Portugal Espanha Suécia Reino Unido % do PIB x 5. cada ponto percentual significa cerca de 10 bilhões de reais. e dos Legislativos subnacionais. mas que constavam ainda do Anuário Estatístico de 1995). A profissionalização requer também a ampliação do leque de diferentes profissões envolvidas na gestão educacional. Observe-se que. Com o tempo haveria uma estabilização num patamar menor. o FUNDEF constituiu-se em instrumento fundamental para alcançar a meta prioritária da universalização. Destacam-se as questões de como garantir o financiamento da educação de jovens e adultos. superestimando. como está previsto na própria legislação. ou seja.6 Fonte: Base de dados da OCDE *Dados de 1996 Financiamento e gestão estão indissoluvelmente ligados. uma vez que requer alteração na Emenda Constitucional nº 14. o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA calculou em 4.3 6. qualquer política de financiamento há de partir do FUNDEF.591 em 1998. mas não o quanto se gasta . de atingir 6.380.5% do PIB.155/98. incluindo-se uma dupla contagem de gastos.173/98.6 x 3.6 4. Municípios e da União. Não se devem interpretar estes dados de maneira estática. Essa profissionalização implica a definição de competências específicas e a dotação de novas capacidades humanas. 52 Didatismo e Conhecimento . Por outro lado.5 5.8 6. que cresceram de 30. Partindo deste dado oficial. O problema deste método é que capta muito bem o que se deve gastar. inflacionando os dados da UNESCO” (de 1989. “a melhoria dos níveis de qualidade do ensino requer a profissionalização tanto das ações do Ministério da Educação e dos demais níveis da administração educativa como a ação nos estabelecimentos de ensino. para 54. ao órgão gestor e ao regulamentar quais as despesas admitidas como gastos com manutenção e desenvolvimento do ensino.

632 Número de alunos 28. pelo simples fato de estar matriculado numa escola estadual ou municipal. reduzindo a repetência e a evasão e envolvendo mais a família com a educação de seus filhos – ingrediente indispensável para o sucesso escolar. adotada pela primeira vez pela Constituição de 1934. Partindo deste enfoque. dá-se um enfoque positivo ao financiamento da Educação. Por se tratar não propriamente de um programa educacional. ainda uma vez. Desta forma. a vinculação de recursos impõe-se não só pela prioridade conferida à Educação. é preciso reconhecê-la como um valor emsi. Instaurada a equidade. de nada adiantariam as previsões de dever do Estado. Assim. ainda. aqueles que não cumprissem determinadas disposições eram punidos.262 Valor em R$ mil 229. permite um controle social mais eficaz e evita a aplicação excessiva de recursos nas atividades–meio e as injunções de natureza política. mas também como condição de uma gestão mais eficaz.306 167. Cumpre consolidar e aperfeiçoar outra diretriz introduzida a partir do FUNDEF. Até então. o que permitiu manter níveis razoáveis de investimento na educação pública. expressos pelo número de matrículas. se não fossem dados os instrumentos para garanti-lo. As políticas que associam a renda mínima à educação.337 Fonte: FNDE (Relatório de Atividades e Gerência do Programa). A educação deve ser considerada uma prioridade estratégica para um projeto nacional de desenvolvimento que favoreça a superação das desigualdades na distribuição de renda e a erradicação da pobreza.428 304. Outra diretriz importante é a gestão de recursos da educação por meio de fundos de natureza contábil e contas específicas. a Educação e seu financiamento não serão tratados neste PNE como um problema econômico. há estímulo para a universalização do ensino. cuja preocupação central foi a equidade. o desafio é obter a adequação da aprendizagem a um padrão mínimo de qualidade (art. para o desenvolvimento humano e para a melhoria da qualidade de vida da população.348 259. É fundamental fortalecer a educação como um dos alicerces da rede de proteção social.672. e destes entre si. no bojo do processo de abertura política. é importante o conceito operacional de valor mínimo gasto por aluno. com a aprovação da Emenda Calmon. Além disso. § 1º). quem tem alunos.857. por aluno. IX) como “a variedade e quantidade mínimas. A Constituição de 1988. requisito para o exercício pleno da cidadania.CF). houve uma drástica redução de gastos na educação – como demonstrou o Senador João Calmon nos debates que precederam a aprovação de sua proposta. ressurgindo com a redemocratização em 1946. através do aumento dos recursos destinados à complementação do FUNDEF. Além disso. 227.229 31. A Constituição Federal preceitua que à União compete exercer as funções redistributiva e supletiva de modo a garantir a equalização de oportunidades educacionais (art. os que cumprem são premiados. pelo Estado e pela sociedade. definido em termos precisos na LDB (art. 211.2 Diretrizes Ao tratar do financiamento da Educação. Daí emerge a primeira diretriz básica para o financiamento da Educação: a vinculação constitucional de recursos à manutenção e desenvolvimento do ensino. em primeiro lugar. por iniciativa própria ou com apoio da União. sendo a base do planejamento. e.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Tabela 26 . Observe-se a propósito que a Educação é uma responsabilidade do Estado e da 53 Didatismo e Conhecimento . O avanço significativo dos indicadores educacionais alcançado na década de 90 apoiou-se na vinculação de recursos. caput. por ano. a diversidade da capacidade de arrecadação de Estados e Municípios. mas o de custo-aluno-qualidade. O fundo contábil permite que a vinculação seja efetiva. 211. mas aos alunos em cada escola.350. o fundamento da obrigação do Poder Público de financiá-la é o fato de constituir um direito. inclusive a econômica. Aqui o conceito chave já não é mais o de valor mínimo. Tratase de dar às crianças real possibilidade de acesso e permanência na escola.800 28. Nos interregnos em que o princípio da vinculação foi enfraquecido ou suprimido. A equidade refere-se não só aos sistemas. sendo consolidada pela Constituição de 1988. mas de um programa social de amplo alcance. deve ser financiado com recursos oriundos de outras fontes que não as destinadas à educação escolar em senso estrito. definido nacionalmente.760 106. acompanhadas de rigorosas sanções aos agentes públicos em caso de desrespeito a este direito.Mensagem presidencial ao Congresso Nacional/1999 *a partir de 1997. a partir da Lei nº 9533/97. Embora a educação tenha outras dimensões relevantes. devendo ser assegurada “com absoluta prioridade” à criança e ao adolescente (art. sintonizada com os valores jurídicos que emanam dos documentos que incorporam as conquistas de nossa época – tais como a Declaração Universal de Direitos do Homem e a Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança –. CF e art. diretamente pela União em áreas em que as crianças se encontrem em situação de risco. Assim. ou.Programa Dinheiro na Escola 1995 a 1998 – Atendimento Ano 1995 1996 1997 1998** Número de escolas* 144. as ações para tanto com aquelas dirigidas ao combate do trabalho infantil. levava a uma diferença significativa de gasto por aluno. Agora. mas como um uma questão de cidadania. Embora encontre ainda alguma resistência em alguns nichos da tecnocracia econômica mais avessos ao social. de insumos indispensáveis ao desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem”. 60. Este deve ser a referência para a política de financiamento da Educação. Há que se combinar . adotadas em alguns Estados e Municípios. apenas escolas com mais de 20 alunos ** Dados até julho 11. têm-se revelado instrumentos eficazes de melhoria da qualidade de ensino. Para enfrentar esta necessidade. A LDB preceitua que aos Municípios cabe exercer a função redistributiva com relação a suas escolas. Para tanto.287. e não se reduza a um jogo ex post de justificação para efeito de prestação de contas.4º.§ 1º. de nada adianta receber dos fundos educacionais um valor por aluno e praticar gastos que privilegiem algumas escolas em detrimento das escolas dos bairros pobres. Somente a garantia de recursos e seu fluxo regular permitem o planejamento educacional. 205.711 129. O dinheiro é aplicado na atividade-fim: recebe mais quem tem rede. determinou expressamente que a Educação é um direito de todos e dever do Estado e da família (art. Com o FUNDEF inaugurou-se importante diretriz de financiamento: a alocação de recursos segundo as necessidades e compromissos de cada sistema. e particularmente à União cabe fortalecer sua função supletiva. os sistemas de ensino devem ajustar suas contribuições financeiras a este padrão desejado. com critérios educacionais.583 26. CF) pela família.743 279.§ 4º. ADCT).

as Procuradorias da União e dos Estados. parcela da dívida ativa tributária que seja resultante de impostos). de sorte que o que ocorre num determinado nível repercute nos demais. 9. Estabelecer programa nacional de apoio financeiro e técnico-administrativo da União para a oferta. para o Ministério da Justiça em relação a educação de jovens e adultos para presos e egressos. O MEC há de ter uma atuação conjunta com o Ministério do Trabalho. A adoção de ambos os sistemas requer a formação de recursos humanos qualificados e a informatização dos serviços. 70 da LDB. Para que a gestão seja eficiente há que se promover o autêntico federalismo em matéria educacional. ISS . como é o caso do ensino fundamental. nos Estados e no Distrito Federal (IPVA. órgãos de gestão nos sistemas de ensino. Estabelecer a utilização prioritária para a educação de jovens e adultos. inicialmente nas secretarias. CF). para o Ministério das Comunicações. no que se refere à educação infantil. do IRRF e do IOF-Ouro. Mesmo na hipótese de competência bem definida. 5. entre as metas dos planos plurianuais vigentes nos próximos dez anos.FAT. Para que seja possível o planejamento educacional. 10. fóruns e planejamento interestaduais. no que concerne à erradicação da pobreza. para a Assistência Social. os Conselhos de Acompanhamento e Controle Social do FUNDEF. discriminando os valores correspondentes a cada uma das alíneas do art. a educação infantil como prioridade para a aplicação dos 10% dos recursos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino não reservados para o ensino fundamental.CF) e da União (art.VI. devendo as unidades escolares contar com repasse direto de recursos para desenvolver o essencial de sua proposta pedagógica e para despesas de seu cotidiano. O mesmo raciocínio vale para a Assistência Social e para a Saúde. Assim sendo. Ciência e Tecnologia e assim por diante. para os Ministérios da Cultura. que assegura o repasse automático dos recursos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino para o órgão responsável por este setor. administrativa e de gestão financeira. (VETADO) 8. Entre esses mecanismos deve estar a aferição anual pelo censo escolar da efetiva automaticidade dos repasses. (VETADO) 2.1 Financiamento 1. nos Municípios mais pobres. formação e treinamento de trabalhadores. que definem os gastos admitidos como de manutenção e desenvolvimento do ensino e aqueles que não podem ser incluídos nesta rubrica. como os Conselhos de Acompanhamento e Controle Social do FUNDEF. inclusive. Este deve dar-se. Finalmente. Esporte e Turismo. de educação de jovens e adultos para a população de 15 anos e mais. Deve-se promover a efetiva desburocratização e descentralização da gestão nas dimensões pedagógica.indispensável para verificar a eficácia das políticas públicas em matéria de educação. em nível das unidades escolares. Implementar mecanismos de fiscalização e controle que assegurem o rigoroso cumprimento do art. que não teve acesso ao ensino fundamental. devem ser fortalecidas as instâncias de controle interno e externo. 212 da Constituição Federal em termos de aplicação dos percentuais mínimos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino. cota do ITR. não pode ser negligenciada a função supletiva dos Estados (art. 6. regionais e intermunicipais. com o aprimoramento da base de dados educacionais do aperfeiçoamento dos processos de coleta e armazenamento de dados censitários e estatísticas sobre a educação nacional. é importante implantar sistemas de informação. Quanto à distribuição e gestão dos recursos financeiros. preferencialmente. como os Conselhos de Educação e os órgãos de controle social. VI. tanto no que se refere aos aspectos quantitativos como qualitativos.3 Objetivos e Metas 11. nos Estados. nos quais devem ser aplicados. como é o caso do transporte escolar. Desta maneira. 7. para a qualificação. 3. cuja competência deve ser ampliada. as organizações não-governamentais e a população em geral para exercerem a fiscalização necessária para o cumprimento das metas nº 2. provido por Estados e Municípios. cada sistema de ensino 54 há de implantar gestão democrática. Estados e Municípios. Garantir. em áreas de atuação comum. o cumprimento do § 5º do art.§ 1º . Portanto. a partir da divisão de responsabilidades previstas na Carta Magna. 70 e 71 da Lei de Diretrizes e Bases. 11. reunindo competências seja em termos de apoio técnico ou recursos financeiros. nos níveis estadual e municipal) da área há de ter o papel central no que se refere à educação escolar. Há competências concorrentes. uma diretriz importante é o aprimoramento contínuo do regime de colaboração. Didatismo e Conhecimento . Evidentemente. mas também. por meio da formação de conselhos escolares de que participe a comunidade educacional e formas de escolha da direção escolar que associem a garantia da competência ao compromisso com a proposta pedagógica emanada dos conselhos escolares e a representatividade e liderança dos gestores escolares. Estabelecer mecanismos destinados a assegurar o cumprimento dos arts. Mas há também que se articular com outros ministérios (ou secretarias). Criar mecanismos que viabilizem. ITBI. os sindicatos. parcela da dívida ativa tributária que seja resultante de impostos). 30. mediante ações. 3 e 4. Em nível de gestão de sistema na forma de Conselhos de Educação que reúnam competência técnica e representatividade dos diversos setores educacionais. contando com recursos do Fundo Penitenciário. o ensino médio como prioridade para a aplicação dos 10% dos recursos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino não reservados para o ensino fundamental. Estabelecer. constitui diretriz da maior importância a transparência. sempre que possível. Estabelecer. mas com o objetivo de conectá-las em rede com suas escolas e com o MEC. 211. cota do IRRF e do IOF-Ouro. não só entre União. 11.3. Envolve todo o governo e deve permear todas as suas ações. entre entes da mesma esfera federativa. a previsão do suporte financeiro às metas constantes deste PNE. Mobilizar os Tribunais de Contas. Ainda que consolidadas as redes de acordo com a vontade política e capacidade de financiamento de cada ente. que é de responsabilidade dos Municípios. 4.* Entre esses mecanismos estará o demonstrativo de gastos elaborado pelos poderes executivos e apreciado pelos legislativos com o auxílio dos tribunais de contas respectivos. nos Municípios. 30.FUNPEN . de 15% dos recursos destinados ao ensino fundamental cujas fontes não integrem o FUNDEF: nos Municípios (IPTU. como a educação infantil. ITCM. CF e art. recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador . A educação é um todo integrado. A Educação não é uma preocupação confinada em gueto de um segmento. no exercício de sua autonomia.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS sociedade e não apenas de um órgão. de forma a alcançar todos os recursos destinados à Educação Básica. poder-se-á consolidar um sistema de avaliação . o Ministério (ou Secretaria. no que se refere aos recursos para a universalização que devem ser disponibilizados em condições privilegiadas para as escolas públicas. algumas ações devem envolver Estados e Municípios. imediatamente. 69 da Lei de Diretrizes e Bases.

23. nos levantamentos estatísticos e no censo escolar informação acerca do gênero. à criação de condições de acesso da escola. nos Municípios. Elaborar e executar planos estaduais e municipais de educação. 11. 29. a descentralização. gradualmente. Definir padrões mínimos de qualidade da aprendizagem na Educação Básica numa Conferência Nacional de Educação. Ampliar a oferta de cursos de formação em administração escolar nas instituições públicas de nível superior. a partir de critérios objetivos. recursos do Trabalho para a qualificação dos trabalhadores. Consolidar e aperfeiçoar o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica – SAEB e o censo escolar. 22. recursos da Saúde e Assistência Social para a educação infantil. Informatizar progressivamente. que envolva a comunidade educacional. às redes de comunicação informática. atendendo. nos Estados. preferencialmente com cursos de especialização.2 Gestão 19. quando necessários. em dez anos. um programa de avaliação de desempenho que atinja. A União deverá calcular o valor mínimo para o custo-aluno para efeito de suplementação dos fundos estaduais rigorosamente de acordo com o estabelecido pela Lei nº 9. 32. qualquer que seja sua origem. 27. Assegurar que. 24. 42. compartilhando responsabilidades. diretamente aos estabelecimentos públicos de ensino. 39. 17. de sorte a garantir o acesso e permanência na escola a toda população em idade escolar no País. Estabelecer políticas e critérios de alocação de recursos federais. pelo menos.424/96. em todos os Estados. 25. de forma a reduzir desigualdades regionais e desigualdades internas a cada sistema. normas e diretrizes gerais desburocratizantes e flexíveis. VI – ACOMPANHAMENTO E AVALIAÇÃO DO PLANO Um plano da importância e da complexidade do PNE tem que prever mecanismos de acompanhamento e avaliação que lhe dêem segurança no prosseguimento das ações ao longo do tempo e nas diversas circunstâncias em que se desenvolverá. Estabelecer. Assegurar recursos do Tesouro e da Assistência Social para programas de renda mínima associados à educação.Observar as metas estabelecidas nos demais capítulos referentes a financiamento e gestão. com a participação da comunidade. Ampliar o atendimento dos programas de renda mínima associados à educação. 15. programas de formação do pessoal técnico das secretarias. através do repasse de recursos diretamente às escolas para pequenas despesas de manutenção e cumprimento de sua proposta pedagógica.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 12. em cada sistema de ensino. Informatizar. com auxílio técnico e financeiro da União. 40. Aperfeiçoar o regime de colaboração entre os sistemas de ensino com vistas a uma ação coordenada entre entes federativos. Integrar ações e recursos técnicos. a equidade. em cinco anos. programas diversificados de formação continuada e atualização visando a melhoria do desempenho no exercício da função ou cargo de diretores de escolas. 13. de modo a preservar as escolas rurais no meio rural e imbuídas dos valores rurais. 36. em todos os Estados. . em cinco anos. programas de acompanhamento e avaliação dos estabelecimentos de educação infantil. integrando-as em rede ao sistema nacional de estatísticas educacionais. 37. em cinco anos pelo menos. as necessidades dos setores de informação e estatísticas educacionais. 31. planejamento e avaliação. a administração das escolas com mais de 100 alunos. Promover medidas administrativas que assegurem a permanência dos técnicos formados e com bom desempenho nos quadros das secretarias. em dez anos. as secretarias estaduais de educação. 50% dos diretores. Definir. a autonomia da escola. Estabelecer. Estabelecer. 34. em consonância com este PNE. Apoiar tecnicamente as escolas na elaboração e execução de sua proposta pedagógica. o foco na aprendizagem dos alunos e a participação da comunidade. com auxílio técnico e financeiro da União e dos Estados. de forma a permitir o cumprimento da meta anterior. Conselhos da Acompanhamento e Controle Social dos recursos destinados à Educação não incluídos no FUNDEF. Instituir em todos os níveis. em cinco anos. com auxílio técnico e financeiro da União. todas as escolas estejam no sistema. 16. 21. com a colaboração técnica e financeira da União. normas de gestão democrática do ensino público. conectando-as em rede com as secretarias de educação. Editar pelos sistemas de ensino. Informatizar. Estabelecer. no final da década. com a colaboração dos Municípios e das universidades. 33. recursos destinados à universalização das telecomunicações. recursos do Fundo Penitenciário para a educação de presos e egressos. 18.Incluir. a metade dos Municípios com mais de 20. 43. para suprir. todas as escolas contem com diretores adequadamente formados em nível superior. a partir das funções constitucionais próprias e supletivas e das metas deste PNE. em cinco anos. 26. pelo menos. Desenvolver padrão de gestão que tenha como elementos a destinação de recursos para as atividades-fim. 44. estaduais e municipais. todas as secretarias municipais de educação. em cada categoria de dados coletados. pelo menos. possuam formação específica em nível superior e que. Adaptações e medidas corretivas conforme a realidade for mudando ou assim que novas exigências forem aparecendo dependerão de um bom acompanhamento e de uma constante avaliação de percurso. (VETADO) 14. de tal forma que. através de apoio técnico a consórcios intermunicipais e colegiados regionais consultivos. Promover a autonomia financeira das escolas mediante repasses de recursos. em três anos. Didatismo e Conhecimento 55 30. 38. administrativos e financeiros do Ministério de Educação e de outros Ministérios nas áreas de atuação comum. nos moldes dos Conselhos de Acompanhamento e Controle Social do FUNDEF. 41. Assegurar a autonomia administrativa e pedagógica das escolas e ampliar sua autonomia financeira.3. que estimulem a iniciativa e a ação inovadora das instituições escolares. com auxílio técnico e financeiro da União. Organizar a educação básica no campo. Promover a equidade entre os alunos dos sistemas de ensino e das escolas pertencentes a um mesmo sistema de ensino. 28. todas as escolas de mais de 50 alunos do ensino fundamental e Médio.000 habitantes. 35. Estimular a criação de Conselhos Municipais de Educação e apoiar tecnicamente os Municípios que optarem por constituir sistemas municipais de ensino. Estimular a colaboração entre as redes e sistemas de ensino municipais. 20.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
Será preciso, de imediato, iniciar a elaboração dos planos estaduais em consonância com este Plano Nacional e, em seguida, dos planos municipais, também coerentes com o plano do respectivo Estado. Os três documentos deverão compor um conjunto integrado e articulado. Integrado quanto aos objetivos, prioridades, diretrizes e metas aqui estabelecidas. E articulado nas ações, de sorte que, na soma dos esforços das três esferas, de todos os Estados e Municípios mais a União, chegue-se às metas aqui estabelecidas. A implantação e o desenvolvimento desse conjunto precisam de uma coordenação em âmbito nacional, de uma coordenação em cada Estado e no Distrito Federal e de uma coordenação na área de cada Município, exercidas pelos respectivos órgãos responsáveis pela Educação. Ao Ministério da Educação cabe um importante papel indutor e de cooperação técnica e financeira. Trata-se de corrigir acentuadas diferenças regionais, elevando a qualidade geral da educação no País. Os diagnósticos constantes deste plano apontam algumas, nos diversos níveis e/ou modalidades de ensino, na gestão, no financiamento, na formação e valorização do magistério e dos demais trabalhadores da educação. Há muitas ações cuja iniciativa cabe à União, mais especificamente ao Poder Executivo Federal. E há metas que precisam da cooperação do Governo Federal para serem executadas, seja porque envolvem recursos de que os Estados e os Municípios não dispõem, seja porque a presença da União confere maior poder de mobilização e realização. Desempenharão também um papel essencial nessas funções o Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação - CONSED e a União Nacional de Dirigentes Municipais de Educação - UNDIME, nos temas referentes à Educação Básica, assim como o Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras - CRUB, naqueles relativos à educação superior. Considerase, igualmente, muito importante a participação de entidades da comunidade educacional, dos trabalhadores da educação, dos estudantes e dos pais reunidos nas suas entidades representativas. É necessário que algumas entidades da sociedade civil diretamente interessadas e responsáveis pelos direitos da criança e do adolescente participem do acompanhamento e da avaliação do Plano Nacional de Educação. O art. 227, § 7o, da Constituição Federal determina que no atendimento dos direitos da criança e do adolescente (incluídas nesse grupo as pessoas de 0 a 18 anos de idade) seja levado em consideração o disposto no art. 204, que estabelece a diretriz de “participação da população, por meio de organizações representativas, na formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis”. Além da ação direta dessas organizações há que se contar com a atuação dos conselhos governamentais com representação da sociedade civil como o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente CONANDA, os Conselhos Estaduais e Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente e os Conselhos Tutelares (Lei n. 8069/90). Os Conselhos de Acompanhamento e Controle Social do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério - FUNDEF, organizados nas três esferas administrativas, deverão ter, igualmente, corresponsabilidade na boa condução deste plano. A avaliação do Plano Nacional de Educação deve valerse também dos dados e análises qualitativas e quantitativas fornecidos pelo sistema de avaliação já operado pelo Ministério da Educação, nos diferentes níveis, como os do Sistema de Avaliação do Ensino Básico – SAEB; do Exame Nacional do Ensino Didatismo e Conhecimento
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Médio – ENEM; do Sistema de Avaliação do Ensino Superior (Comissão de Especialistas, Exame Nacional de Cursos, Comissão de Autorização e Reconhecimento), avaliação conduzida pela Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES. Além da avaliação contínua, deverão ser feitas avaliações periódicas, sendo que a primeira será no quarto ano após a implantação do PNE. A organização de um sistema de acompanhamento e controle do PNE não prescinde das atribuições específicas do Congresso Nacional, do Tribunal de Contas da União - TCU e dos Tribunais de Contas dos Estados - TCEs, na fiscalização e controle. Os objetivos e as metas deste plano somente poderão ser alcançados se ele for concebido e acolhido como Plano de Estado, mais do que Plano de Governo e, por isso, assumido como um compromisso da sociedade para consigo mesma. Sua aprovação pelo Congresso Nacional, num contexto de expressiva participação social, o acompanhamento e a avaliação pelas instituições governamentais e da sociedade civil e a consequente cobrança das metas nele propostas, são fatores decisivos para que a educação produza a grande mudança, no panorama do desenvolvimento, da inclusão social, da produção científica e tecnológica e da cidadania do povo brasileiro.

3 CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL (ART. 205 A 214).

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 CAPÍTULO III DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO DESPORTO Seção I DA EDUCAÇÃO Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII - garantia de padrão de qualidade.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) Parágrafo único. A lei disporá sobre as categorias de trabalhadores considerados profissionais da educação básica e sobre a fixação de prazo para a elaboração ou adequação de seus planos de carreira, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. § 1º É facultado às universidades admitir professores, técnicos e cientistas estrangeiros, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 11, de 1996) § 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa científica e tecnológica.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 11, de 1996) Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009)(Vide Emenda Constitucional nº 59, de 2009) II - progressiva universalização do ensino médio gratuito; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino; IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um; VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando; VII - atendimento ao educando, em todas as etapas da educação básica, por meio de programas suplementares de material didáticoescolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) § 1º - O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo. § 2º - O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade competente. § 3º - Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela freqüência à escola. Art. 209. O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as seguintes condições: I - cumprimento das normas gerais da educação nacional; II - autorização e avaliação de qualidade pelo Poder Público. Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais. Didatismo e Conhecimento
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§ 1º - O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. § 2º - O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada às comunidades indígenas também a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino. § 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios, financiará as instituições de ensino públicas federais e exercerá, em matéria educacional, função redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no ensino fundamental e médio. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 4º Na organização de seus sistemas de ensino, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios definirão formas de colaboração, de modo a assegurar a universalização do ensino obrigatório. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) § 5º A educação básica pública atenderá prioritariamente ao ensino regular. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino. § 1º - A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, ou pelos Estados aos respectivos Municípios, não é considerada, para efeito do cálculo previsto neste artigo, receita do governo que a transferir. § 2º - Para efeito do cumprimento do disposto no «caput» deste artigo, serão considerados os sistemas de ensino federal, estadual e municipal e os recursos aplicados na forma do art. 213. § 3º A distribuição dos recursos públicos assegurará prioridade ao atendimento das necessidades do ensino obrigatório, no que se refere a universalização, garantia de padrão de qualidade e equidade, nos termos do plano nacional de educação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) § 4º - Os programas suplementares de alimentação e assistência à saúde previstos no art. 208, VII, serão financiados com recursos provenientes de contribuições sociais e outros recursos orçamentários. § 5º A educação básica pública terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salário-educação, recolhida pelas empresas na forma da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)(Vide Decreto nº 6.003, de 2006)

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
§ 6º As cotas estaduais e municipais da arrecadação da contribuição social do salário-educação serão distribuídas proporcionalmente ao número de alunos matriculados na educação básica nas respectivas redes públicas de ensino. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) Art. 213. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas, podendo ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, definidas em lei, que: I - comprovem finalidade não-lucrativa e apliquem seus excedentes financeiros em educação; II - assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária, filantrópica ou confessional, ou ao Poder Público, no caso de encerramento de suas atividades. § 1º - Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de estudo para o ensino fundamental e médio, na forma da lei, para os que demonstrarem insuficiência de recursos, quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública na localidade da residência do educando, ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão de sua rede na localidade. § 2º - As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão receber apoio financeiro do Poder Público. Art. 214. A lei estabelecerá o plano nacional de educação, de duração decenal, com o objetivo de articular o sistema nacional de educação em regime de colaboração e definir diretrizes, objetivos, metas e estratégias de implementação para assegurar a manutenção e desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis, etapas e modalidades por meio de ações integradas dos poderes públicos das diferentes esferas federativas que conduzam a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) I - erradicação do analfabetismo; II - universalização do atendimento escolar; III - melhoria da qualidade do ensino; IV - formação para o trabalho; V - promoção humanística, científica e tecnológica do País. VI - estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do produto interno bruto. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) Art. 1º A Constituição Federal passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 7º ..................................................................................... ................................................................................................. XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5 (cinco) anos de idade em creches e pré-escolas; ........................................................................................”(NR) “Art. 23. ................................................................................... Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para a cooperação entre a União e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional.”(NR) “Art. 30. ................................................................................... ................................................................................................. VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, programas de educação infantil e de ensino fundamental; ........................................................................................”(NR) “Art. 206. ................................................................................. ................................................................................................. V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; ................................................................................................. VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal. Parágrafo único. A lei disporá sobre as categorias de trabalhadores considerados profissionais da educação básica e sobre a fixação de prazo para a elaboração ou adequação de seus planos de carreira, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.”(NR) “Art. 208. ................................................................................. .................................................................................................. IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade; ........................................................................................”(NR) “Art. 211. ................................................................................. ................................................................................................ § 5º A educação básica pública atenderá prioritariamente ao ensino regular.”(NR) “Art. 212. ................................................................................. ................................................................................................ § 5º A educação básica pública terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salário-educação, recolhida pelas empresas na forma da lei. § 6º As cotas estaduais e municipais da arrecadação da contribuição social do salário-educação serão distribuídas proporcionalmente ao número de alunos matriculados na educação básica nas respectivas redes públicas de ensino.”(NR) Art. 2º O art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias passa a vigorar com a seguinte redação: (Vigência)

4 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 53, DE 19/12/2006.

EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 53, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2006 Dá nova redação aos arts. 7º, 23, 30, 206, 208, 211 e 212 da Constituição Federal e ao art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. AS MESAS DA CÂMARA DOS DEPUTADOS E DO SENADO FEDERAL, nos termos do § 3º do art. 60 da Constituição Federal, promulgam a seguinte Emenda ao texto constitucional:

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os Estados. proporcionalmente ao número de alunos das diversas etapas e modalidades da educação básica presencial.a complementação da União de que trata o inciso V do caput deste artigo será de. III e IV do caput do art. o Distrito Federal e os Municípios destinarão parte dos recursos a que se refere o caput do art. na forma da lei a que se refere o inciso III do caput deste artigo. de forma a preservar.00 (três bilhões de reais).00 (dois bilhões de reais). 155. conforme o inciso II do caput deste artigo. no financiamento da educação básica.a União complementará os recursos dos Fundos a que se refere o inciso II do caput deste artigo sempre que. II . 208 da Constituição Federal e as metas de universalização da educação básica estabelecidas no Plano Nacional de Educação. no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal. V .33% (dezoito inteiros e trinta e três centésimos por cento). 60. no terceiro ano de vigência dos Fundos. e) prazo para fixar.os valores a que se referem as alíneas a. no ano anterior à vigência desta Emenda Constitucional. 160 da Constituição Federal. IV . observados os arts. considerando-se para os fins deste inciso os valores previstos no inciso VII do caput deste artigo. vedada a utilização dos recursos a que se refere o § 5º do art.000. II e III do art. do inciso IV do caput do art. b) a forma de cálculo do valor anual mínimo por aluno. de natureza contábil.a distribuição dos recursos e de responsabilidades entre o Distrito Federal. a partir da promulgação desta Emenda Constitucional. a distribuição proporcional de seus recursos. d) 10% (dez por cento) do total dos recursos a que se refere o inciso II do caput deste artigo. para o ensino médio e para a educação de jovens e adultos 1/3 (um terço) das matrículas no primeiro ano.66% (dezesseis inteiros e sessenta e seis centésimos por cento). 212 da Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento da educação básica e à remuneração condigna dos trabalhadores da educação. 212 da Constituição Federal suportará. § 2º O valor por aluno do ensino fundamental. 211 da Constituição Federal. 2/3 (dois terços) no segundo ano e sua totalidade a partir do terceiro ano. o valor por aluno não alcançar o mínimo definido nacionalmente. no segundo ano.FUNDEB.proporção não inferior a 60% (sessenta por cento) de cada Fundo referido no inciso I do caput deste artigo será destinada ao pagamento dos profissionais do magistério da educação básica em efetivo exercício. § 3º O valor anual mínimo por aluno do ensino fundamental.aplica-se à complementação da União o disposto no art. no mínimo: a) R$ 2. fixado em observância ao disposto no inciso VII do caput deste artigo.até 10% (dez por cento) da complementação da União prevista no inciso V do caput deste artigo poderá ser distribuída para os Fundos por meio de programas direcionados para a melhoria da qualidade da educação. bem como as metas do Plano Nacional de Educação.observadas as garantias estabelecidas nos incisos I.000. no máximo. XI . respeitadas as seguintes disposições: I . X . no primeiro ano de vigência dos Fundos. Até o 14º (décimo quarto) ano a partir da promulgação desta Emenda Constitucional.000. 211 da Constituição Federal. § 1º A União.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS “Art. a lei disporá sobre: a) a organização dos Fundos. III e IV do caput do art. nos respectivos âmbitos de atuação prioritária estabelecidos nos §§ 2º e 3º do art. no Distrito Federal e em cada Estado. III . e das alíneas a e b do inciso I e do inciso II do caput do art.500. os Estados. 159 da Constituição Federal: a) 16.FUNDEF. e c do inciso VII do caput deste artigo serão atualizados. todos da Constituição Federal. 30% (trinta por cento) da complementação da União. da seguinte forma: I .000. as diferenças e as ponderações quanto ao valor anual por aluno entre etapas e modalidades da educação básica e tipos de estabelecimento de ensino. e distribuídos entre cada Estado e seus Municípios. em lei específica. os Estados e seus Municípios é assegurada mediante a criação. o valor real da complementação da União. d) a fiscalização e o controle dos Fundos. conforme estabelecido nos §§ 2º e 3º do art.000. 157. VI . c) R$ 4. VII .000.000.000. 159. . XII . anualmente. a partir do quarto ano de vigência dos Fundos. levar-se-á em conta a totalidade das matrículas no ensino fundamental e considerar-se-á para a educação infantil. c) os percentuais máximos de apropriação dos recursos dos Fundos pelas diversas etapas e modalidades da educação básica.no caso dos impostos e transferências constantes do inciso II do caput do art. no segundo ano de vigência dos Fundos. 208 e 214 da Constituição Federal. Didatismo e Conhecimento 59 b) R$ 3. será alcançada gradativamente nos primeiros 3 (três) anos de vigência dos Fundos.os Fundos referidos no inciso I do caput deste artigo serão constituídos por 20% (vinte por cento) dos recursos a que se referem os incisos I. b. o Distrito Federal e os Municípios deverão assegurar. b) 18. de forma a garantir padrão mínimo definido nacionalmente. 155. 158. no Fundo de cada Estado e do Distrito Federal. VIII . não poderá ser inferior ao praticado no âmbito do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério .os recursos recebidos à conta dos Fundos instituídos nos termos do inciso I do caput deste artigo serão aplicados pelos Estados e Municípios exclusivamente nos respectivos âmbitos de atuação prioritária. os incisos II. II. não poderá ser inferior ao valor mínimo fixado nacionalmente no ano anterior ao da vigência desta Emenda Constitucional. o inciso II do caput do art. e as alíneas a e b do inciso I e o inciso II do caput do art.a vinculação de recursos à manutenção e desenvolvimento do ensino estabelecida no art. a melhoria da qualidade de ensino. 158. de um Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação FUNDEB. no primeiro ano. matriculados nas respectivas redes.o não-cumprimento do disposto nos incisos V e VII do caput deste artigo importará crime de responsabilidade da autoridade competente. IX .00 (quatro bilhões e quinhentos milhões de reais). 212 da Constituição Federal. piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica. § 5º A porcentagem dos recursos de constituição dos Fundos. no âmbito do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação . em caráter permanente. § 4º Para efeito de distribuição de recursos dos Fundos a que se refere o inciso I do caput deste artigo.

Brasília. por se tratar de um Fundo de natureza contábil. que é afetada pelo desempenho da economia. de 12 de setembro de 1996. de: I . Nesta abrangência temos: EDUCAÇÃO BÁSICA: Creche + Pré-escola + Ensino Fundamental + Médio. 212 da Constituição Federal e no inciso VI do capute parágrafo único do art.”(NR) Art. 155. 3o desta Lei. da distribuição. O financiamento da educação pública é instrumento fundamental para a redução das desigualdades sociais no Brasil. observado o disposto nesta Lei. Estadual e Municipal). do recebimento e da aplicação final dos recursos) e a Municipal (os Municípios participam da composição. o Fundo tem seu vínculo com a esfera Federal (a União participa da composição e distribuição dos recursos). nos termos desta Emenda Constitucional. 158 da Constituição Federal: a) 6. c) 20% (vinte por cento). nos termos do art. inclusive Educação de Jovens e Adultos. mantidos os efeitos do art. com base no nº de alunos. Art. na forma prevista no art. 1o  É instituído. 2o  Os Fundos destinam-se à manutenção e ao desenvolvimento da educação básica pública e à valorização dos trabalhadores em educação. . a Estadual (os Estados participam da composição. em 19 de dezembro de 2006.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS c) 20% (vinte por cento). por fim. pelo fato da arrecadação e distribuição dos recursos que o formam serem realizadas pela União e pelos Estados. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Estadual. 60 do Ato das  Disposições  Constitucionais Transitórias .”(NR) § 6º (Revogado). na medida em que as principais fontes de recursos para a educação provêm da arrecadação de impostos. como agente financeiro do Fundo e. conforme estabelecido pela Emenda Constitucional nº 14. II . formado com recursos provenientes das três esferas de governo (Federal. 10 e no inciso I do caput do art. a partir do terceiro ano. Assim. no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal. vigente por 14 anos (2007 a 2020) e sua distribuição é com base no número de alunos da educação básica (Matriculados nos respectivos âmbitos de atuação prioritária) e constantes do último Censo Escolar.FUNDEB. nem Municipal. instituído pela Emenda Constitucional nº 53.pelo menos 5% (cinco por cento) do montante dos impostos e transferências que compõem a cesta de recursos do Fundeb. Esses aspectos do Fundeb o revestem de peculiaridades que transcendem sua simples caracterização como Federal.pelo menos 25% (vinte e cinco por cento) dos demais impostos e transferências. de modo que os recursos previstos no art. do inciso II do caput do art.ADCT. no segundo ano. b) 13. até o início da vigência dos Fundos. a proposta de emenda constitucional para a criação do Fundeb . 157. II . 3º Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data de sua publicação. de natureza contábil. Em suma o FUNDEB é um fundo de natureza contábil.33% (treze inteiros e trinta e três centésimos por cento). e dos incisos II e III do caput do art. A instituição dos Fundos previstos no caput deste artigo e a aplicação de seus recursos não isentam os Estados.66% (seis inteiros e sessenta e seis centésimos por cento). 11 da Lei nº 9. em decorrência dos créditos dos seus recursos serem realizados automaticamente em favor dos Estados e Municípios de forma igualitária. no primeiro ano. o Ministério da Educação encaminhou. DE 20/6/2007. dos estados e municípios para a educação básica pública através da criação de Fundos Estaduais com a totalidade dos recursos vinculados à educação (previstos no artigo 212 da Constituição Federal) para a totalidade de alunos da educação básica pública e dentre outros assuntos prevê a criação de um piso salarial profissional nacional para os educadores públicos e a distribuição dos recursos gerados pelo fundo através da criação dos custos-alunoqualidade diferenciados por modalidade de ensino. de 20 de dezembro de 1996.494. Parágrafo único. O Fundeb não é considerado Federal. a que se referem os incisos I a IX do capute o § 1odo art. A proposta do fundo é a disponibilização crescente de recursos da União. Um importante aspecto da política econômica adotada por sucessivos governos foi a contenção de gastos para possibilitar o equilíbrio das contas públicas e viabilizar o pagamento das dívidas externa e interna. tendo como abrangência toda a Educação Didatismo e Conhecimento 60 5 LEI Nº 11. dependendo da ótica que se observa. do recebimento e da aplicação final dos recursos).Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação – que substituiu o Fundef. Estadual ou Municipal. LEI Nº 11. 3o desta Lei somados aos referidos neste inciso garantam a aplicação do mínimo de 25% (vinte e cinco por cento) desses impostos e transferências em favor da manutenção e desenvolvimento do ensino. Existe uma forte vinculação entre o financiamento público da educação e a situação socioeconômica do país. QUE REGULAMENTA O FUNDEB. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. o Distrito Federal e os Municípios da obrigatoriedade da aplicação na manutenção e no desenvolvimento do ensino. Básica.394. § 7º (Revogado). um Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação . a partir do terceiro ano.no caso dos impostos e transferências constantes dos incisos I e III do caput do art. incluindo sua condigna remuneração. ao Congresso Nacional.494 DE 20 DE JUNHO DE 2007 LEI FEDERAL Nº 11.494/2007 – Regulamenta o FUNDEB Em junho de 2005. de 19 de dezembro de 2006 (Um fundo independente para cada Estado e para o Distrito Federal). do Distrito Federal. com a participação do Banco do Brasil.

6o  A complementação da União será de. 159 da Constituição Federal e no Sistema Tributário Nacional de que trata a Lei no 5. no mínimo. os Fundos contarão com a complementação da União. relativamente a imóveis situados nos Municípios. II . III . 158 da Constituição Federal. calculado na forma do Anexo desta Lei. § 2o  A vinculação de recursos para manutenção e desenvolvimento do ensino estabelecida no art.  Para a distribuição da parcela de recursos da complementação a que se refere o caputdeste artigo aos Fundos de âmbito estadual beneficiários da complementação nos termos do art. VIII . são compostos por 20% (vinte por cento) das seguintes fontes de receita: I . 154 da Constituição Federal prevista no inciso II do caput do art. 155 combinado com o inciso IV do caput do art. Seção II Da Complementação da União Art. 4o desta Lei.receitas da dívida ativa tributária relativa aos impostos previstos neste artigo. II . 212 da Constituição Federal suportará. 160 da Constituição Federal. 155 combinado com o inciso III do caput do art. 157 da Constituição Federal.parcela do produto da arrecadação do imposto sobre produtos industrializados devida aos Estados e ao Distrito Federal e prevista no inciso II do caput do art. 7o  Parcela da complementação da União. VI . 10% (dez por cento) do total dos recursos a que se refere o inciso II do caput do art. § 1o  Inclui-se na base de cálculo dos recursos referidos nos incisos do caput deste artigo o montante de recursos financeiros transferidos pela União aos Estados. a ser fixada anualmente pela Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade instituída na forma da Seção II do Capítulo III desta Lei.parcela do produto da arrecadação do imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza e do imposto sobre produtos industrializados devida ao Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal – FPE e prevista na alínea a do inciso I do caput do art.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS CAPÍTULO II DA COMPOSIÇÃO FINANCEIRA Seção I Das Fontes de Receita dos Fundos Art. assegurados os repasses de. 155 da Constituição Federal. V . a serem realizados até o último dia útil de cada mês. § 2o  A complementação da União a maior ou a menor em função da diferença entre a receita utilizada para o cálculo e a receita realizada do exercício de referência será ajustada no 1o (primeiro) quadrimestre do exercício imediatamente subseqüente e debitada ou creditada à conta específica dos Fundos.parcela do produto da arrecadação do imposto sobre a propriedade territorial rural. 159 da Constituição Federal e no Sistema Tributário Nacional de que trata a Lei nº 5. § 2o  O valor anual mínimo por aluno será definido nacionalmente.o desempenho do sistema de ensino no que se refere ao esforço de habilitação dos professores e aprendizagem dos educandos e melhoria do fluxo escolar. Didatismo e Conhecimento . § 3o  O não-cumprimento do disposto no caput deste artigo importará em crime de responsabilidade da autoridade competente. no mínimo. Parágrafo único. 30% (trinta por cento) da complementação da União. limitada a até 10% (dez por cento) de seu valor anual. de 26 de dezembro de 1989.imposto sobre transmissão causa mortis e doação de quaisquer bens ou direitos previsto no inciso I do caput do art. § 1o  É vedada a utilização dos recursos oriundos da arrecadação da contribuição social do salário-educação a que se refere o § 5º do art. § 1o  O valor anual mínimo por aluno definido nacionalmente constitui-se em valor de referência relativo aos anos iniciais do ensino fundamental urbano e será determinado contabilmente em função da complementação da União. nos termos da Seção II deste Capítulo.imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transportes interestadual e intermunicipal e de comunicação previsto no inciso II do caput do art.a apresentação de projetos em regime de colaboração por Estado e respectivos Municípios ou por consórcios municipais. levar-se-á em consideração: I . § 2o  Além dos recursos mencionados nos incisos do caput e no § 1o deste artigo. 158 da Constituição Federal. o valor médio ponderado por aluno. 5o  A complementação da União destina-se exclusivamente a assegurar recursos financeiros aos Fundos. 5% (cinco por cento) da complementação anual.parcela do produto da arrecadação do imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza e do imposto sobre produtos industrializados devida ao Fundo de Participação dos Municípios – FPM e prevista na alínea b do inciso I do caput do art. aplicando-se o disposto no caput do art. conforme disposto na Lei Complementar nº 87. no máximo. no mínimo. no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal. de 85% (oitenta e cinco por cento) até 31 de dezembro de cada ano. de 13 de setembro de 1996.172. relativa a programas direcionados para a melhoria da qualidade da educação básica. na forma do regulamento. Art. considerando-se a complementação da União após a dedução da parcela de que trata o art. 7o desta Lei.172. IV . 159 da Constituição Federal e na Lei Complementar no 61. e IX . ao Distrito Federal e aos Municípios. § 1o  A complementação da União observará o cronograma da programação financeira do Tesouro Nacional e contemplará pagamentos mensais de. 60 do ADCT. Art. 45% (quarenta e cinco por cento) até 31 de julho. de 25 de outubro de 1966.parcela do produto da arrecadação do imposto que a União eventualmente instituir no exercício da competência que lhe é atribuída pelo inciso I do caput do art. bem como juros e multas eventualmente incidentes.imposto sobre a propriedade de veículos automotores previsto no inciso III do caput do art. 158 da Constituição Federal. 3o  Os Fundos. de 25 de outubro de 1966. e de 100% (cem por cento) até 31 de janeiro do exercício imediatamente subseqüente. 212 da Constituição Federal na complementação da União aos Fundos. no âmbito de cada Estado e no Distrito Federal. VII . 4o  A União complementará os recursos dos Fundos sempre que. Art. conforme o caso. fixado 61 de forma a que a complementação da União não seja inferior aos valores previstos no inciso VII do caput do art.  prevista no  inciso II do caput do art. 60 do ADCT. poderá ser distribuída para os Fundos por meio de programas direcionados para a melhoria da qualidade da educação básica. não alcançar o mínimo definido nacionalmente.

§ 2o  As instituições a que se refere o § 1o deste artigo deverão obrigatória e cumulativamente: I .atender a padrões mínimos de qualidade definidos pelo órgão normativo do sistema de ensino. VI . conforme os dados apurados no censo escolar mais atualizado. XIV . § 3o  Os profissionais do magistério da educação básica da rede pública de ensino cedidos para as instituições a que se referem os §§ 1o.creche em tempo integral. confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos e conveniadas com o poder público. conforme os §§ 2º e 3º do art. X . modalidades e tipos de estabelecimento será resultado da multiplicação do fator de referência por um fator específico fixado entre 0. com atuação exclusiva na modalidade. na forma do Anexo desta Lei. § 5o  Eventuais diferenças do valor anual por aluno entre as instituições públicas da etapa e da modalidade referidas neste artigo e as instituições a que se refere o § 1o deste artigo serão aplicadas na criação de infra-estrutura da rede escolar pública. XII .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS III . entre o governo estadual e os de seus Municípios. III . na educação especial oferecida em instituições comunitárias. para efeito da distribuição dos recursos previstos no inciso II do caput do art. as matrículas na rede regular de ensino. § 2o  Serão consideradas. no prazo de 30 (trinta) dias da publicação dos dados do censo escolar no Diário Oficial da União. sem fins lucrativos.oferecer igualdade de condições para o acesso e permanência na escola e atendimento educacional gratuito a todos os seus alunos. conveniadas com o poder público.30 (um inteiro e trinta centésimos).394. com avaliação no processo.educação de jovens e adultos com avaliação no processo. 3o e 4o deste artigo somente poderão ser destinados às categorias de despesa previstas no art. § 4o  Observado o disposto no parágrafo único do art. § 4o  Os Estados. o cômputo das matrículas  das pré-escolas.comprovar finalidade não lucrativa e aplicar seus excedentes financeiros em educação na etapa ou modalidade previstas nos §§ 1o.assegurar a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária. e no § 2o deste artigo. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica: I . na proporção do número de alunos matriculados nas respectivas redes de educação básica pública presencial.INEP. 21 desta Lei. XIII . CAPÍTULO III DA DISTRIBUIÇÃO DOS RECURSOS Seção I Disposições Gerais Art. 8o  A distribuição de recursos que compõem os Fundos.ensino médio integrado à educação profissional. considerando-se exclusivamente as matrículas nos respectivos âmbitos de atuação prioritária. § 1o  A ponderação entre diferentes etapas. IX. pelo prazo de 4 (quatro) anos. XI . IV . na forma do regulamento. ter aprovados seus projetos pedagógicos. § 3o  Para os fins do disposto neste artigo. observado o disposto no § 1o do art. considerando as ponderações aplicáveis. para  a  educação especial.a vigência de plano estadual ou municipal de educação aprovado por lei. 3o e 4o deste artigo.anos iniciais do ensino fundamental no campo. § 2o  A ponderação entre demais etapas. confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos. conveniadas com o poder público e que atendam às crianças de 4 (quatro) e 5 (cinco) anos. o Distrito Federal e os Municípios poderão.creche em tempo parcial. de 20 de dezembro de 1996. conforme o censo escolar mais atualizado até a data de publicação desta Lei. admitir-se-á o cômputo das matrículas efetivadas. inclusive. II . 60 da Lei no 9. IV . conforme o censo escolar mais atualizado.educação indígena e quilombola. em classes comuns ou em classes especiais de escolas regulares. observandose. V . § 1o  Admitir-se-á. serão consideradas exclusivamente as matrículas presenciais efetivas. XV . XVI . § 6o  Os recursos destinados às instituições de que tratam os §§ 1o. efetivadas. os Estados e seus Municípios. § 1o  Os recursos serão distribuídos entre o Distrito Federal. 22 desta Lei. 11 desta Lei.anos finais do ensino fundamental no campo. VIII . realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira . o cômputo das matrículas efetivadas na educação infantil oferecida em creches para crianças de até 3 (três) anos. obrigatoriamente. 32 desta Lei. XVII . 70 da Lei nº 9. Didatismo e Conhecimento 62 Art. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino adotará como referência o fator 1 (um) para os anos iniciais do ensino fundamental urbano.ter certificado do Conselho Nacional de Assistência Social ou órgão equivalente. em relação às instituições comunitárias. VII . o regulamento disporá sobre a educação básica em tempo integral e sobre os anos iniciais e finais do ensino fundamental. 3o e 4o deste artigo ou ao poder público no caso do encerramento de suas atividades. observado o disposto no § 1o do art.ensino médio em tempo integral.ensino fundamental em tempo integral. § 4o  O direito à educação infantil será assegurado às crianças até o término do ano letivo em que completarem 6 (seis) anos de idade. 8o desta Lei serão considerados como em efetivo exercício na educação básica pública para fins do disposto no art. no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal.o esforço fiscal dos entes federados.educação especial. III . IV . dar-se-á.anos finais do ensino fundamental urbano. 211 da Constituição Federal. confessionais ou filantrópicas. em qualquer hipótese. § 3o  Admitir-se-á. comunitárias. . filantrópica ou confessional com atuação na etapa ou modalidade previstas nos §§ 1o.  A distribuição proporcional de recursos dos Fundos levará em conta as seguintes diferenças entre etapas.ensino médio no campo. II . de 20 de dezembro de 1996.pré-escola em tempo integral.anos iniciais do ensino fundamental urbano. Art.70 (setenta centésimos) e 1.394. o limite previsto no art. e em escolas especiais ou especializadas.pré-escola em tempo parcial. 60 do ADCT. 10. apresentar recursos para retificação dos dados publicados.ensino médio urbano. V . 3o e 4o do art. observadas as condições previstas nos incisos I a V do § 2o deste artigo.educação de jovens e adultos integrada à educação profissional de nível médio. 9o  Para os fins da distribuição dos recursos de que trata esta Lei.

para vigência no exercício seguinte. que realizará a distribuição dos valores devidos aos Estados. para vigência no exercício subseqüente: I . § 1o  Os repasses aos Fundos provenientes das participações a que se refere o inciso II do caput do art. a Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade. § 3o  A participação na Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade é função não remunerada de relevante interesse público. até o dia 31 de janeiro. 15. os Estados e o Distrito Federal em relação às respectivas parcelas do Fundo cuja arrecadação e disponibilização para distribuição sejam de sua responsabilidade. requisitar ou orientar a elaboração de estudos técnicos pertinentes. Distrito Federal e Municípios a que se refere a Lei Complementar no 87.1 (um) representante dos secretários  estaduais de educação de cada uma das 5 (cinco) regiões político-administrativas do Brasil  indicado  pelas  seções regionais do Conselho Nacional de Secretários de Estado da Educação . bem como os repasses aos Fundos à conta das compensações financeiras aos Estados.a estimativa da receita total dos Fundos. 16 desta Lei. observado o disposto no art. III . III . respeitados os critérios e as finalidades estabelecidas nesta Lei. Parágrafo único. serão repassados automaticamente para contas únicas e específicas dos Governos Estaduais. III . Art. II . 11 desta Lei. levando em consideração a correspondência ao custo real da respectiva etapa e modalidade e tipo de estabelecimento de educação básica. provenientes da União. e seus membros. Art. do Distrito Federal e dos Municípios nas contas específicas a que se refere este artigo.ADCT. baixado em portaria do Ministro de Estado da Educação.elaborar. 10 desta Lei. 13. 159 da Constituição Federal. O Poder Executivo federal publicará.o valor anual mínimo por aluno definido nacionalmente. instituídas para esse fim e mantidas na instituição financeira de que trata o art. 11. lavrada conforme seu regimento interno. sempre que necessário. no âmbito do Ministério da Educação. 14. § 1o  As deliberações da Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade serão registradas em ata circunstanciada.  Fica instituída.fixar anualmente o limite proporcional de apropriação de recursos pelas diferentes etapas.fixar anualmente a parcela da complementação da União a ser distribuída para os Fundos por meio de programas direcionados para a melhoria da qualidade da educação básica. constarão dos orçamentos da União.UNDIME. . percentual de até 15% (quinze por cento) dos recursos do Fundo respectivo. observados os mesmos prazos. procedimentos e forma de divulgação adotados para o repasse do restante dessas transferências constitucionais em favor desses governos. § 2o  A Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade exercerá suas competências em observância às garantias estabelecidas nos incisos I. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica. 7o desta Lei. os valores da arrecadação efetiva dos impostos e das transferências de que trata o art. de 13 de setembro de 1996. São unidades transferidoras a União. até 31 de dezembro de cada exercício. IV . 208 da Constituição Federal e às metas de universalização da educação básica estabelecidas no plano nacional de educação. II . observará. dos Estados e do Distrito Federal.  Para o ajuste da complementação da União de que trata o § 2o do art.  Os recursos dos Fundos. compete à Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade: I . os Estados e o Distrito Federal deverão publicar na imprensa oficial e encaminhar à Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda. II . Didatismo e Conhecimento 63 § 1o  Serão adotados como base para a decisão da Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade os dados do censo escolar anual mais atualizado realizado pelo Inep. 16. ao Distrito Federal e aos Municípios. IV . modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica. bem como respectivos critérios de distribuição.CONSED. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias . 6o desta Lei. observado o disposto no art. CAPÍTULO IV DA TRANSFERÊNCIA E DA GESTÃO DOS RECURSOS Art. nos termos da alínea c do inciso III do caput do art.1 (um) representante do Ministério da Educação. V . 17. Art.  No exercício de suas atribuições. dos Estados e do Distrito Federal e serão creditados pela União em favor dos Governos Estaduais. vinculadas ao respectivo Fundo. 158 e as alíneas a e b do inciso I do caput e inciso II do caput do art. quando convocados.a estimativa dos valores anuais por aluno no âmbito do Distrito Federal e de cada Estado. III e IV do caput do art.  As despesas da Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade correrão à conta das dotações orçamentárias anualmente consignadas ao Ministério da Educação. II.especificar anualmente as ponderações aplicáveis entre diferentes etapas.  Os recursos dos Fundos serão disponibilizados pelas unidades transferidoras ao Banco do Brasil S.A. Art. do Distrito Federal e dos Municípios. 12. 3o desta Lei referentes ao exercício imediatamente anterior. ou Caixa Econômica Federal. § 2o  As deliberações relativas à especificação das ponderações serão baixadas em resolução publicada no Diário Oficial da União até o dia 31 de julho de cada exercício. Seção II Da Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade Art. observado o disposto no art. segundo estudos de custo realizados e publicados pelo Inep.1 (um) representante dos secretários municipais de educação de cada uma das 5 (cinco) regiões político-administrativas do Brasil indicado pelas  seções regionais da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação . com a seguinte composição: I . farão jus a transporte e diárias.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. em cada Estado e no Distrito Federal.a estimativa do valor da complementação da União.  A apropriação dos recursos em função das matrículas na modalidade de educação de jovens e adultos.elaborar seu regimento interno. Parágrafo único.

pelos Estados e pelo Distrito Federal deverão ser registrados de forma detalhada a fim de evidenciar as respectivas transferências. Art. III . § 3o  A instituição financeira de que trata o caput deste artigo. III e IV do § 1o do  art. Art. de 11 de janeiro de 1990. poderão ser utilizados no 1o (primeiro) trimestre do exercício imediatamente subseqüente. CAPÍTULO V DA UTILIZAÇÃO DOS RECURSOS Art. observados os mesmos prazos. 19. no momento em que a arrecadação estiver sendo realizada nas contas do Fundo abertas na instituição financeira de que trata o caputdeste artigo. de 20 de dezembro de 1996. 69 da Lei no 9. 5º da Lei Complementar nº 61. na instituição financeira responsável pela movimentação dos recursos.394. aos conselhos referidos nos incisos II.como garantia ou contrapartida de operações de crédito. os Estados e os Municípios poderão celebrar convênios para a transferência de alunos. segundo os critérios e respeitadas as finalidades estabelecidas nesta Lei. em ações consideradas como de manutenção e desenvolvimento do ensino para a educação básica pública.no financiamento das despesas não consideradas como de manutenção e desenvolvimento da educação básica. planejamento. 155 combinados com os incisos III e IV do caput do art. observados os mesmos prazos.efetivo exercício: atuação efetiva no desempenho das atividades de magistério previstas no inciso II deste parágrafo associada à sua regular vinculação contratual. de 20 de dezembro de 1996. que não impliquem rompimento da relação jurídica existente. § 7o  Os recursos depositados na conta específica a que se refere o caput deste artigo serão depositados pela União.  Os recursos dos Fundos.  Os recursos disponibilizados aos Fundos pela União. Estados e Municípios na forma prevista no § 5o do art. serão utilizados pelos Estados. 211 da Constituição Federal. Art. de 26 de dezembro de 1989. § 2o  Até 5% (cinco por cento) dos recursos recebidos à conta dos Fundos. na forma do disposto no art. com o ente governamental que o remunera. 24 desta Lei os extratos  bancários referentes à conta do fundo. conforme estabelecido nos §§ 2º e 3º do art. de 20 de dezembro de 1996. 158 da Constituição Federal constarão dos orçamentos dos Governos Estaduais e do Distrito Federal e serão depositados pelo estabelecimento oficial de crédito previsto no art. . profissionais que oferecem suporte pedagógico direto ao exercício da docência: direção ou administração escolar. creditará imediatamente as parcelas devidas ao  Governo Estadual. Distrito Federal ou Município. ações ou programas considerados como ação de manutenção e desenvolvimento do ensino para a educação básica. 159 da Constituição Federal. será repassada pelo Governo Estadual ao respectivo Fundo e os recursos serão creditados na conta específica a que se refere este artigo.remuneração: o total de pagamentos devidos aos profissionais do magistério da educação. conforme o art. 70 da Lei nº 9.394. permanentemente. de 26 de dezembro de 1989.  Nos termos do § 4º do art. 23.profissionais do magistério da educação: docentes. II . § 4o  Os recursos dos Fundos provenientes da parcela do imposto sobre produtos industrializados. inclusive os encargos sociais incidentes. § 5o  Do montante dos recursos do imposto sobre produtos industrializados de que trata o inciso II do caput do art. no exercício financeiro em que lhes forem creditados. considera-se: I . procedendo à divulgação dos valores creditados de forma similar e com a mesma periodicidade utilizada pelos Estados em relação ao restante da transferência do referido imposto. quadro ou tabela de servidores do Estado. pelo Distrito Federal e pelos Municípios. II . com ônus para o empregador. recursos humanos. Parágrafo único.  Pelo menos 60% (sessenta por cento) dos recursos anuais totais dos Fundos serão destinados ao pagamento da remuneração dos profissionais do magistério da educação básica em efetivo exercício na rede pública. de que trata o inciso II do caput do art. serão creditados pela União em favor dos Governos Estaduais e do Distrito Federal nas contas específicas. II e III do caput do art. lastreadas em títulos da dívida pública. de modo a preservar seu poder de compra.  (VETADO) Art.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS § 2o  Os repasses aos Fundos provenientes dos impostos previstos nos incisos I. inclusive relativos à complementação da União recebidos nos termos do § 1o do art. procedimentos e forma de divulgação previstos na Lei Complementar nº 61. contraídas pelos Estados. materiais e encargos financeiros. acompanhados da transferência imediata de recursos financeiros correspondentes ao número de matrículas assumido pelo ente federado. pelo Distrito Federal ou pelos Municípios que não se destinem ao financiamento de projetos. conforme disposto no art. Distrito Federal. § 6o A instituição financeira disponibilizará. observados os critérios e as finalidades estabelecidas nesta Lei. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica nos seus respectivos âmbitos de atuação prioritária. Didatismo e Conhecimento 64 Parágrafo único.  Os eventuais saldos de recursos financeiros disponíveis nas contas específicas dos Fundos cuja perspectiva de utilização seja superior a 15 (quinze) dias deverão ser aplicados em operações financeiras de curto prazo ou de mercado aberto. supervisão. em decorrência do efetivo exercício em cargo. inspeção.  Os ganhos financeiros auferidos em decorrência das aplicações previstas no caput deste artigo deverão ser utilizados na mesma finalidade e de acordo com os mesmos critérios e condições estabelecidas para utilização do valor principal do Fundo. 159 da Constituição Federal a parcela devida aos Municípios. internas ou externas. 71 da Lei nº 9. não sendo descaracterizado  por  eventuais afastamentos temporários previstos em lei. integrantes da estrutura. inclusive aqueles oriundos de complementação da União. Art.  É vedada a utilização dos recursos dos Fundos: I . 22. assim como de transporte escolar. mediante abertura de crédito adicional. 6o desta Lei. Parágrafo único. orientação educacional e coordenação pedagógica. 4o da Lei Complementar no 63. no que se refere aos recursos dos impostos e participações mencionados no § 2o deste artigo.  Para os fins do disposto no caput deste artigo.394. 21. ao Distrito Federal e aos Municípios nas contas específicas referidas neste artigo. 211 da Constituição Federal. 20. temporária ou estatutária. § 1o  Os recursos poderão ser aplicados pelos Estados e Municípios indistintamente entre etapas. 18. emprego ou função. procedimentos e forma de divulgação do restante dessa transferência aos Municípios. conforme o caso.

tesoureiro. § 2o  Integrarão ainda os conselhos municipais dos Fundos. pais de alunos e estudantes. bem como cônjuges.UNDIME. § 6o  O presidente dos conselhos previstos no caput deste artigo será eleito por seus pares em reunião do colegiado. no âmbito da União. f) 2 (dois) representantes dos estudantes da educação básica pública. h) 2 (dois) representantes dos pais de alunos da educação básica pública. e o Poder Executivo  competente  designará os integrantes dos conselhos previstos nos incisos II. o Ministério da Educação designará os integrantes do conselho previsto no inciso I do § 1o deste artigo. II . g) 2 (dois) representantes dos estudantes da educação básica pública. § 4o  Indicados os conselheiros. 1 (um) dos quais indicado pela entidade estadual de estudantes secundaristas. e dos Secretários Estaduais. g) 1 (um) representante da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação .em âmbito estadual. por conselhos instituídos especificamente para esse fim. § 5o  São impedidos de integrar os conselhos a que se refere o caput deste artigo: I .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS CAPÍTULO VI DO ACOMPANHAMENTO. por no mínimo 9 (nove) membros. dos quais pelo menos 1 (um) da Secretaria Municipal de Educação ou órgão educacional equivalente. Distritais ou Municipais. observados os seguintes critérios de composição: I .  O acompanhamento e o controle social sobre a distribuição.CONSED. do Distrito Federal e dos Municípios. f) 1 (um) representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação . e) 1 (um) representante do Conselho Nacional de Secretários de Estado da Educação .em âmbito municipal. um dos quais indicado pela entidade de estudantes secundaristas. II . de 13 de julho de 1990. III . dos Estados.cônjuge e parentes consangüíneos ou afins. parentes consangüíneos ou afins. um dos quais indicado pela União Brasileira de Estudantes Secundaristas . dos quais pelo menos 1 (um) do órgão estadual responsável pela educação básica. III e IV do § 1o deste artigo. b) 1 (um) representante dos professores da educação básica pública. IV . do Presidente e do Vice-Presidente da República. contador ou funcionário de empresa de assessoria ou consultoria que prestem serviços relacionados à administração ou controle interno dos recursos do Fundo. § 3o  Os membros dos conselhos previstos no caput deste artigo serão indicados até 20 (vinte) dias antes do término do mandato dos conselheiros anteriores: I . Orçamento e Gestão. d) 1 (um) representante do Conselho Nacional de Educação. municipais e do Distrito Federal e das entidades de classes organizadas. sendo impedido de ocupar a função o representante do governo gestor dos recursos do Fundo no âmbito da União. b) 2 (dois) representantes dos Poderes Executivos Municipais. d) 1 (um) representante da seccional da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação . dos Ministros de Estado. pelo conjunto dos estabelecimentos ou entidades de âmbito nacional. editada no pertinente âmbito governamental. sendo: a) 2 (dois) representantes do Poder Executivo Municipal. desses profissionais. f) 2 (dois) representantes dos pais de alunos da educação básica pública.em âmbito federal. II . CONTROLE SOCIAL.no Distrito Federal. por no mínimo 14 (quatorze) membros.UBES.CNTE. indicados por seus pares.estudantes que não sejam emancipados. sem vinculação ou subordinação institucional ao Poder Executivo local e serão renovados periodicamente ao final de cada mandato dos seus membros.é considerada atividade de relevante interesse social. junto aos respectivos governos. sendo: a) 3 (três) representantes do Poder Executivo estadual. estadual ou municipal. III . i) 2 (dois) representantes dos estudantes da educação básica pública. 24. do Governador e do Vice-Governador. III . até 3o (terceiro) grau. quando houver. b) 1 (um) representante do Ministério da Fazenda.UNDIME. e) 1 (um) representante da seccional da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação . no âmbito dos Poderes Executivos em que atuam os respectivos conselhos. excluídos os membros mencionados nas suas alíneas b e d. II . c) 1 (um) representante do Ministério do Planejamento. 1 (um) representante do respectivo Conselho Municipal de Educação e 1 (um) representante do Conselho Tutelar a que se refere a Lei no 8. por no mínimo 9 (nove) membros.nos casos dos representantes dos diretores. nos casos das representações dessas instâncias. § 8o  A atuação dos membros dos conselhos dos Fundos: I .nos casos de representantes de professores e servidores.não será remunerada. até 3o (terceiro) grau. IV . a transferência e a aplicação dos recursos dos Fundos serão exercidos. § 7o  Os conselhos dos Fundos atuarão com autonomia. e) 2 (dois) representantes dos pais de alunos da educação básica pública. . COMPROVAÇÃO E FISCALIZAÇÃO DOS RECURSOS Art. sendo a composição determinada pelo disposto no inciso II deste parágrafo.pais de alunos que: a) exerçam cargos ou funções públicas de livre nomeação e exoneração no âmbito dos órgãos do respectivo Poder Executivo gestor dos recursos. dos Estados.pelos dirigentes dos órgãos  federais. na forma dos incisos I e II do § o 3 deste artigo. por no mínimo 12 (doze) membros. sendo: a) até 4 (quatro) representantes do Ministério da Educação. pelos respectivos pares. do Prefeito e do Vice-Prefeito. conforme o caso. pelas entidades sindicais da respectiva categoria.CNTE.069. em processo eletivo organizado para esse fim. estaduais. ou b) prestem serviços terceirizados. c) 1 (um) representante dos diretores das escolas básicas públicas. c) 1 (um) representante do Conselho Estadual de Educação. Didatismo e Conhecimento 65 d) 1 (um) representante dos servidores técnico-administrativos das escolas básicas públicas. § 1o  Os conselhos serão criados por legislação específica. do Distrito Federal e dos Municípios.

no que tange às atribuições a cargo dos órgãos federais. relacionada ao pleno cumprimento desta Lei.veda. quando os conselheiros forem representantes de professores e diretores ou de servidores das escolas públicas. especialmente em relação à aplicação da totalidade dos recursos dos Fundos.  Aos conselhos incumbe. do regime democrático. Art. IV . do Distrito Federal e dos Municípios. . d) outros documentos necessários ao desempenho de suas funções. e os Municípios à intervenção dos respectivos Estados a que pertencem. empenho. supervisionar o censo escolar anual e a elaboração da proposta orçamentária anual.pelo Tribunal de Contas da União.FNDE. no curso do mandato. 26. b) a adequação do serviço de transporte escolar. serão exercidos: I .apresentar ao Poder Legislativo local e aos órgãos de controle interno e externo manifestação formal acerca dos registros contábeis e dos demonstrativos gerenciais do Fundo. observada a regulamentação aplicável. Art. Art. III e IV do § 1o do art. 29. no âmbito de suas respectivas esferas governamentais de atuação. IV . bem como dos órgãos federais. dos interesses sociais e individuais indisponíveis. 35 da Constituição Federal. atribuição de falta injustificada nas atividades escolares. 212 da Constituição Federal e do disposto nesta Lei sujeitará os Estados e o Distrito Federal à intervenção da União. 8o desta Lei. c) documentos referentes aos convênios com as instituições a que se refere o art. 27. 2 (dois) anos. III . compete ao Ministério Público dos Estados e do Distrito Federal e Territórios e ao Ministério Público Federal. receber e analisar as prestações de contas referentes a esses Programas. Didatismo e Conhecimento 66 II . as quais deverão discriminar aqueles em efetivo exercício na educação básica e indicar o respectivo nível. que deverá ser apresentado ao Poder Executivo respectivo em até 30 (trinta) dias antes do vencimento do prazo para a apresentação da prestação de contas prevista no caputdeste artigo. devendo a autoridade convocada apresentar-se em prazo não superior a 30 (trinta) dias. junto aos respectivos entes governamentais sob suas jurisdições. com o objetivo de concorrer para o regular e tempestivo tratamento e encaminhamento dos dados estatísticos e financeiros que alicerçam a operacionalização dos Fundos. convocar o Secretário de Educação competente ou servidor equivalente para prestar esclarecimentos acerca do fluxo de recursos e a execução das despesas do Fundo. aos Estados. formulando pareceres conclusivos acerca da aplicação desses recursos e encaminhando-os ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação . 24 desta Lei poderão.  Os conselhos dos Fundos não contarão com estrutura administrativa própria. Parágrafo único. sempre que julgarem conveniente: I . c) a utilização em benefício do sistema de ensino de bens adquiridos com recursos do Fundo. Art.  A defesa da ordem jurídica.  Os conselhos referidos nos incisos II. § 9o  Aos conselhos incumbe. ao Distrito Federal e aos Municípios garantir infra-estrutura e condições materiais adequadas à execução plena das competências dos conselhos e oferecer ao Ministério da Educação os dados cadastrais relativos à criação e composição dos respectivos conselhos. § 10.veda. o Distrito Federal e os Municípios prestarão contas dos recursos dos Fundos conforme os procedimentos adotados pelos Tribunais de Contas competentes. acompanhar a aplicação dos recursos federais transferidos à conta do Programa Nacional de Apoio ao Transporte  do Escolar .pelos Tribunais de Contas dos Estados. no máximo. c) afastamento involuntário e injustificado da condição de conselheiro antes do término do mandato para o qual tenha sido designado. 25. V . e ser-lhes-á dada ampla publicidade. atualizados.  Na hipótese da inexistência de estudantes emancipados.  Os registros contábeis e os demonstrativos gerenciais mensais. II .realizar visitas e inspetorias in loco para verificar:  a) o desenvolvimento regular de obras e serviços efetuados nas instituições escolares com recursos do Fundo. liquidação e pagamento de obras e serviços custeados com recursos do Fundo. do Distrito Federal e dos Municípios.  Os Estados. inclusive por meio eletrônico. b) folhas de pagamento dos profissionais da educação. no curso do mandato: a) exoneração ou demissão do cargo ou emprego sem justa causa ou transferência involuntária do estabelecimento de ensino em que atuam. Art. também.  Os membros dos conselhos de acompanhamento e controle terão mandato de.PNATE e do Programa de Apoio aos Sistemas de Ensino para Atendimento à Educação de Jovens e Adultos e.  A fiscalização e o controle referentes ao cumprimento do disposto no art. Parágrafo único. modalidade ou tipo de estabelecimento a que estejam vinculados. b) atribuição de falta injustificada ao serviço em função das atividades do conselho. 34 e do inciso III do caput do art. relativos aos recursos repassados e recebidos à conta dos Fundos assim como os referentes às despesas realizadas ficarão permanentemente à disposição dos conselhos responsáveis. especialmente quanto às transferências de recursos federais. 28. § 12. ainda. ainda. § 11. nos termos da alínea e do inciso VII do caput do  art.  As prestações de contas serão instruídas com parecer do conselho responsável.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS III .requisitar ao Poder Executivo cópia de documentos referentes a: a) licitação.assegura isenção da obrigatoriedade de testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em razão do exercício de suas atividades de conselheiro e sobre as pessoas que lhes confiarem ou deles receberem informações.pelo órgão de controle interno no âmbito da União e pelos órgãos de controle interno no âmbito dos Estados. estaduais e municipais de controle interno e externo. especialmente em relação à complementação da União. 212 da Constituição Federal e do disposto nesta Lei. representação estudantil poderá acompanhar as reuniões do conselho com direito a voz. permitida 1 (uma) recondução por igual período.  O descumprimento do disposto no art. incumbindo à União. quando os conselheiros forem representantes de estudantes em atividades do conselho.por decisão da maioria de seus membros. III . § 13.

500. e III .no apoio técnico relacionado aos procedimentos e critérios de aplicação dos recursos dos Fundos. 155.para os impostos e transferências constantes dos incisos I e III do caput do art.na realização de avaliações dos resultados da aplicação desta Lei. § 3o  A complementação da União será de. devendo a primeira dessas medidas se realizar em até 2 (dois) anos após a implantação do Fundo.000. no 2o (segundo) ano. no âmbito do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério . por meio de sistema de informações  orçamentárias e financeiras e de cooperação com os Tribunais de Contas dos Estados e Municípios e do Distrito Federal. no 1o (primeiro) ano de vigência dos Fundos. a complementação da União não sofrerá ajuste quanto a seu montante em função da diferença entre a receita utilizada para o cálculo e a receita realizada do exercício de referência. do Distrito Federal e dos Estados para a fiscalização da aplicação dos recursos dos Fundos que receberem complementação da União. e c) 20% (vinte por cento). 158 da Constituição Federal: Didatismo e Conhecimento 67 a) 6. 25 e 27 desta Lei.000. II .no monitoramento da aplicação dos recursos dos Fundos. estabelecido pela Emenda Constitucional nº 14. 159 da Constituição Federal. 3o desta Lei será alcançada conforme a seguinte progressão: I . c) a totalidade das matrículas a partir do 3o (terceiro) ano de vigência do Fundo. 3o desta Lei: a) 16.para os impostos e transferências constantes do inciso II do caput do art. apurado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. inclusive.66% (dezesseis inteiros e sessenta e seis centésimos por cento). § 7o  Até o 3o (terceiro) ano de vigência dos Fundos. § 4o  Os valores a que se referem os incisos I. 45% (quarenta e cinco por cento) até 31 de julho e de 100% (cem por cento) até 31 de dezembro de cada ano. anualmente.  Os Fundos serão implantados progressivamente nos primeiros 3 (três) anos de vigência.33% (treze inteiros e trinta e três centésimos por cento). anualmente. incisos II e III do caput do art.000. ou índice equivalente que lhe venha a suceder. observado o disposto no § 2o do art.R$ 3. bem como para a receita a que se refere o § 1o do art. no período compreendido entre o mês da promulgação da Emenda Constitucional no 53.FUNDEF. § 6o  Até o 3o (terceiro) ano de vigência dos Fundos. b) 13. inclusive. pela variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor – INPC. inciso II do caput do art.66% (seis inteiros e sessenta e seis centésimos por cento). a realização e a utilização dos valores financeiros repassados. Art.para a educação infantil. . 6o desta Lei quanto à distribuição entre os fundos instituídos no âmbito de cada Estado. de forma a preservar em caráter permanente o valor real da complementação da União. II . no mínimo. fiscalização e controle interno e externo.00 (três bilhões de reais).CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS § 1o  A legitimidade do Ministério Público prevista no caputdeste artigo não exclui a de terceiros para a propositura de ações a que se referem o inciso LXXIII do caput do art. não poderá ser inferior ao efetivamente praticado em 2006. § 2o  As matrículas de que trata o art. 5% (cinco por cento) da complementação anual. § 1o  A porcentagem de recursos de que trata o art.000. § 5o  Os valores a que se referem os incisos I.na realização de estudos técnicos com vistas na definição do valor referencial anual por aluno que assegure padrão mínimo de qualidade do ensino. do inciso IV do caput do art. 157. de 12 de setembro de 1996. conforme o disposto neste artigo. no 1o (primeiro) ano. 5º e o § 1º do art. no Fundo de cada Estado e do Distrito Federal. 129 da Constituição Federal. no mínimo. inclusive. das alíneas a e b do inciso I e do inciso II do caput do art. o ensino médio e a educação de jovens e adultos: a) 1/3 (um terço) das matrículas no 1o (primeiro) ano de vigência do Fundo. III . a partir do 3o (terceiro) ano. II . junto aos Estados. no 3o (terceiro) ano de vigência dos Fundos. no 2o (segundo) ano. no 2o (segundo) ano de vigência dos Fundos. por meio de publicação e distribuição de documentos informativos e em meio eletrônico de livre acesso público. 158. com vistas na adoção de medidas operacionais e de natureza político-educacional corretivas. Distrito Federal e Municípios e às instâncias responsáveis pelo acompanhamento.00 (dois bilhões de reais).na capacitação dos membros dos conselhos.R$ 2.para o ensino fundamental regular e especial público: a totalidade das matrículas imediatamente a partir do 1o (primeiro) ano de vigência do Fundo.33% (dezoito inteiros e trinta e três centésimos por cento).00 (quatro bilhões e quinhentos milhões de reais). 31. 9o desta Lei serão consideradas conforme a seguinte progressão: I .  O Ministério da Educação atuará: I . o cronograma de complementação da União observará a programação financeira do Tesouro Nacional e contemplará pagamentos mensais de. II e III do § 3o deste artigo serão atualizados.000.  O valor por aluno do ensino fundamental.000.000. e c) 20% (vinte por cento). sendo-lhes assegurado o acesso gratuito aos documentos mencionados nos arts. CAPÍTULO VII DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS Seção I Disposições Transitórias Art. a partir do 3o (terceiro) ano. a serem realizados até o último dia útil de cada mês. nos primeiros 3 (três) anos de vigência dos Fundos. de 19 de dezembro de 2006.na divulgação de orientações sobre a operacionalização do Fundo e de dados sobre a previsão. 155. § 2o  Admitir-se-á litisconsórcio facultativo entre os Ministérios Públicos da União. IV . Art. e 1o de janeiro de cada um dos 3 (três) primeiros anos de vigência dos Fundos. VI . II e III do § 3o deste artigo serão corrigidos. no mínimo: I . no 1o (primeiro) ano. b) 18. assegurados os repasses de. 32. 30. b) 2/3 (dois terços) das matrículas no 2o (segundo) ano de vigência do Fundo. V . II .000.R$ 4.

resulte inferior ao valor por aluno do ensino fundamental.educação especial . nos termos da legislação local específica e desta Lei. VII . adotarse-á este último exclusivamente para a distribuição dos recursos do ensino fundamental.00 (um inteiro).  Os Municípios poderão integrar. dos Municípios. VI . mantendo-se as demais ponderações para as restantes etapas.  O Ministério da Educação deverá realizar. É assegurada a participação popular e da comunidade educacional no processo de definição do padrão nacional de qualidade referido no caputdeste artigo. 3o.0.95 (noventa e cinco centésimos). a transferência e a aplicação dos recursos do Fundo. no mínimo.creche conveniada em tempo parcial .1.0.10 (um inteiro e dez centésimos).1. Art.1.aos quais tenham sido aplicadas  medidas socioeducativas nos termos da Lei no 8.educação indígena e quilombola .90 (noventa centésimos).0. § 2o  Na fixação dos valores a partir do 2o (segundo) ano de vigência do Fundeb.1.90 (noventa centésimos).0. no Fundo de cada Estado e do Distrito Federal. 39. 35. II .05 (um inteiro e cinco centésimos).80 (oitenta centésimos). 36. § 2o  O valor por aluno do ensino fundamental a que se refere o caput deste artigo terá como parâmetro aquele efetivamente praticado em 2006.IBGE ou índice equivalente que lhe venha a suceder. a melhoria da qualidade do ensino. III .20 (um inteiro e vinte centésimos).creche pública em tempo integral .ensino fundamental em tempo integral .0.que cumpram pena no sistema penitenciário. que será corrigido.ensino médio no campo . 24 desta Lei. Art. dos Estados. . Didatismo e Conhecimento 68 XV . § 1o  A Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade fixará  as ponderações referentes à creche e pré-escola em tempo integral. anualmente. as seguintes pontuações: I . Art. do Distrito Federal.80 (oitenta centésimos). no âmbito do Fundef. observado o disposto no inciso IV do § 1o e nos §§ 2o.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS § 1o  Caso o valor por aluno do ensino fundamental. contando com representantes da União. 38. Parágrafo único.ensino médio em tempo integral . promovidas pelas unidades federadas. programas de apoio ao esforço para conclusão da educação básica dos alunos regularmente matriculados no sistema público de educação: I .educação de jovens e adultos integrada à educação profissional de nível médio.1.  A União desenvolverá e apoiará políticas de estímulo às iniciativas de melhoria de qualidade do ensino.creche pública em tempo parcial . 4o e 5o do art.1.pré-escola . com avaliação no processo .25 (um inteiro e vinte e cinco centésimos). Art.pré-escola em tempo parcial . previsto no art. XIV .0. Art. IV .20 (um inteiro e vinte centésimos). no Fundo de cada Estado e do Distrito Federal.anos finais do ensino fundamental no campo . V . em regime de colaboração.  A União. XI .1.1. 34. 33. 24 desta Lei. 212 da Constituição Federal. § 1o  A câmara específica de acompanhamento e controle social sobre a distribuição. acesso e permanência na escola. V .80 (oitenta centésimos).069.anos iniciais do ensino fundamental no campo . o Distrito Federal e os Municípios deverão assegurar no financiamento da educação básica.1. de forma a garantir padrão mínimo de qualidade definido nacionalmente.25 (um inteiro e vinte e cinco centésimos).ensino médio urbano .anos iniciais do ensino fundamental urbano . de 13 de julho de 1990.  No 1o (primeiro) ano de vigência do  Fundeb. os Estados e o Distrito Federal desenvolverão. as ponderações entre as matrículas da educação infantil seguirão. IX .educação de jovens e adultos com avaliação no processo . XII . § 2o  Aplicar-se-ão para a constituição dos Conselhos Municipais de Educação as regras previstas no § 5o do art. IV . fórum nacional com o objetivo de avaliar o financiamento da educação básica nacional.creche conveniada em tempo integral . ainda que na condição de presos provisórios. em 5 (cinco) anos contados da vigência dos Fundos. Parágrafo único.ensino médio integrado à educação profissional . os Estados. inclusive mediante adaptações dos  conselhos do Fundef existentes na data de publicação desta Lei. X . as ponderações seguirão as seguintes especificações: I .creche .20 (um inteiro e vinte centésimos). II .30 (um inteiro e trinta centésimos). apurado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística .70 (setenta centésimos).15 (um inteiro e quinze centésimos).INPC.30 (um inteiro e trinta centésimos). Art. na forma do regulamento.1.15 (um inteiro e quinze centésimos). VIII . 37.pré-escola em tempo integral .anos finais do ensino fundamental urbano . instituindo câmara específica para o acompanhamento e o controle social sobre a distribuição.  Os conselhos dos Fundos serão instituídos no prazo de 60 (sessenta) dias contados da vigência dos Fundos. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica.10 (um inteiro e dez centésimos). VI .0. Seção II Disposições Finais Art. o Conselho do Fundo ao Conselho Municipal de Educação. dos trabalhadores da educação e de pais e alunos.70 (setenta centésimos). no período de 12 (doze) meses encerrados em junho do ano imediatamente anterior. III . A União.1. a transferência e a aplicação dos recursos do Fundeb terá competência deliberativa e terminativa. no âmbito do Fundeb.1.1. em especial aquelas voltadas para a inclusão de crianças e adolescentes em situação de risco social. II . XIII .0. com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor .  O valor anual mínimo por aluno definido nacionalmente para o ensino fundamental no âmbito do Fundeb não poderá ser inferior ao mínimo fixado nacionalmente em 2006 no âmbito do Fundef.

49. 40. 31 desta Lei. e o § 3º do art.2 e 3.  Nos meses de janeiro e fevereiro de 2007. recursos orçamentários para a promoção de programa emergencial de apoio ao ensino médio e para reforço do programa nacional de apoio ao transporte escolar. 41. 60 do ADCT (EC no 53/06): Comp/União:    ≥    R$ 2. a distribuição dos recursos dos Fundos é realizada na forma prevista nesta Lei.2) complementação do último Fundo até que seu valor anual por aluno se iguale ao valor anual por aluno do Fundo imediatamente superior. modalidades e/ou ao tipo de estabelecimento de ensino j. 11 (educação de jovens e adultos) desta Lei. Art. além dos destinados à complementação ao Fundeb. multiplicado pelos fatores de ponderações aplicáveis. III . φ j : fator de diferenciação aplicável à etapa e/ou às N ji : número de matrículas na etapa e/ou nas modalidades e/ ou no tipo de estabelecimento de ensino j no Estado i. conforme operação 3.4) as operações 3. será pago no mês de abril de 2007. de 9 de junho de 2004.  Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação. 1º a 8º e 13 da Lei nº 9. 43.  Os Planos de Carreira deverão contemplar capacitação profissional especialmente voltada à formação continuada com vistas na melhoria da qualidade do ensino. 31 desta Lei e os aportes referentes a janeiro e fevereiro de 2007.  piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica.845. 48. II . referentes ao exercício de 2006. os arts.a melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem. 47. realizados na forma do disposto neste artigo. de modo a assegurar: I . no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal.000. antes da complementação da União. conforme os seguintes procedimentos: 3. obtido pela razão entre o total de recursos de cada Fundo e o número de matrículas presenciais efetivas nos âmbitos de atuação prioritária (§§ 2o e 3o do art.integração entre o trabalho individual e a proposta pedagógica da escola. Complementação da União fixada a partir dos valores mínimos previstos no inciso VII do caput do art. 3. 2) dedução da parcela da complementação da União de que trata o art.00 (dois bilhões de reais). 2º da Lei nº 10. ANEXO Nota explicativa: O cálculo para a distribuição dos recursos do Fundeb é realizado em 4 (quatro) etapas subsequentes: Didatismo e Conhecimento 69 1) cálculo do valor anual por aluno do Fundo. em cada Estado e no Distrito Federal.  Nos 2 (dois) primeiros anos de vigência do Fundeb. 45.000. de 5 de março de 2004. em lei específica.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art.424.  O poder público deverá fixar.3 são repetidas tantas vezes quantas forem necessárias até que a complementação da União tenha sido integralmente distribuída.a remuneração condigna dos profissionais  na educação básica da rede pública.3) uma vez equalizados os valores anuais por aluno dos Fundos. de 24 de dezembro de 1996. a complementação da União será distribuída a esses 2 (dois) Fundos até que seu valor anual por aluno se iguale ao valor anual por aluno do Fundo imediatamente superior.  (VETADO) Art. fica mantida a sistemática de repartição de recursos prevista na Lei no 9. 3) distribuição da complementação da União. Art. 4) verificação. o Distrito Federal e os Municípios deverão implantar Planos de Carreira e remuneração dos profissionais da educação básica. de 24 de  dezembro de 1996.000.  Ficam revogados. procedendo-se aos eventuais ajustes em cada Fundo. Art. Parágrafo único. de forma que o valor anual mínimo por aluno resulte definido nacionalmente em função dessa complementação.880.424. até 31 de agosto de 2007. 3. . Parágrafo único. da observância do disposto no § 1o do art.  (VETADO) Art. NPi : número de matrículas do Estado i. 3. Art. 211 da Constituição Federal). 12 da Lei no 10. Fi : valor do Fundo do Estado i. conforme a sistemática estabelecida nesta Lei.  A partir de 1o de março de 2007. 7o desta Lei.  O ajuste da distribuição dos recursos referentes ao primeiro trimestre de 2007 será realizado no mês de abril de 2007. Parágrafo único.  mediante a utilização dos coeficientes de participação do Distrito Federal. Art. 44. e o art.2. Fórmulas de cálculo: Valor anual por aluno: F VAi = i NPi NPi = ∑φ j =1 15 j N ji em que: VAi : valor por aluno no Estado i. no 1o (primeiro) ano de vigência.  O ajuste referente à diferença entre o total dos recursos da alínea a do inciso I e da alínea a do inciso II do § 1o do art. será integralmente distribuída entre março e dezembro.  Os Fundos terão vigência até 31 de dezembro de 2020. ponderadas pelos fatores de diferenciação. a partir de 1o de janeiro de 2007. Os Estados. Art. 42.  A complementação da União prevista no inciso I do § 3o do art. sem o pagamento de complementação da União. 32 (ensino fundamental) e no art. de cada Estado e dos Municípios. Parágrafo único. referente ao ano de 2007. Art.1) ordenação decrescente dos valores anuais por aluno obtidos nos Fundos de cada Estado e do Distrito Federal. a União alocará. 46.

do Estado i ou de um de seus Municípios. se mostraram “perenes” -. NPei : número de matrículas na educação de jovens e adultos ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis. Para Estados que não recebem complementação da União (VAi ≥ VAmin ) . a fim de obter a distribuição aplicável a demais etapas.e de modo a excluir da noção de conhecimento. como “processo de qualificação de mão-de-obra especializada”. sendo batizado com vários nomes diferentes. B ] : função mínimo. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica da rede k do Estado i. Este preparo é considerado como mero treinamento ou adestramento em certas técnicas e habilidades e não deveria merecer o honroso privilégio de ser considerada parte integrante do processo educacional.000. A e B. por exemplo. ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis. que considera o maior valor entre A e B. de sua visão da educação. no 3o (terceiro) ano de vigência. e. NPoi : número de matrículas em demais etapas. concebendo a noção de conhecimento de modo a incluir nela quase que tão somente os pontos de vista e temas que. NPeki : número de matrículas na educação de jovens e adultos da rede k do Estado i. B ]: função máximo. no 2o (segundo) ano de vigência.00 (quatro bilhões e quinhentos milhões de reais). ≥    10% (dez por cento) do total de recursos do fundo. a partir do 4o (quarto) ano de vigência. Certamente nesta questão tem havido radicais de ambos os lados. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino: ∗ ∗ ∗ Fi ∗ = F fi + Fei + Foi NPfki : número de matrículas no ensino fundamental da rede k do Estado i. αFi ∗   NPei + NPoi  ( ) ∗ * ∗ Foi = Fi ∗ − F fi − Fei em que: ensino fundamental efetivamente praticado em 2006. sobreviveram o teste de durabilidade e que. Para o Distrito Federal e cada um dos Estados:  NPfi ∗  ∗ F fi = Max  Fi . Max[ A . α : limite proporcional de apropriação de recursos pela educação de jovens e adultos. “processo de formação de recursos humanos para as áreas técnicas”. ∗ : parcela de recursos do Fundo do Estado i destinada à Fei educação de jovens e adultos.00 (três bilhões de reais). ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis. etc. pelos Estados e seus Municípios: ∗ Fki = NPfki NPfi ∗ F fi + NPeki ∗ NPoki ∗ Fei + Foi NPei NPoi Fi ∗ = ni + 1 k =1 ∑F ∗ ki em que: k: rede de educação básica do Distrito Federal. ≥    R$ 4. portanto. NPoki : número de matrículas de demais etapas. Didatismo e Conhecimento 70 Analisemos.há uma escola de teoria educacional chamada “perenialismo” -. tem-se: Fi∗ = Fi Distribuição de recursos entre o Distrito Federal.000. De um lado há aqueles que enfatizam a conexão entre educação e conhecimento. a União complementará os ∗ recursos do Fundo do Estado i até que VAmin = Fi ni Estado i. os Estados e seus Municípios: A distribuição de recursos entre o Distrito Federal. de certa maneira. F fi : valor transferido tendo como base o valor por aluno do em ∗que: F fi : parcela de recursos do Fundo do Estado i destinada ao ensino fundamental. Apropriação de recursos do Fundo do Estado i pelo Distrito Federal. tudo aquilo que se refere mais diretamente ao preparo para o exercício de uma profissão técnica. O total de matrículas ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis é obtido da seguinte forma: Min[A . que considera o menor valor entre NPi = NPfi + NPei + NPoi em que: 6 EDUCAÇÃO NO MUNDO CONTEMPORÂNEO: EXIGÊNCIAS DE UM NOVO PERFIL DE CIDADÃO. consequentemente. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica. Complementação da União e valor anual mínimo por aluno definido nacionalmente: Sempre que (VAi < VAmin ) . ∗ Fki : valor transferido para a rede k de educação básica do : número de Municípios do Estado i. 32 (ensino fundamental) e o disposto no art. Fi ∗ : valor do Fundo do Estado i após a complementação da União. . 11 (educação de jovens e adultos) desta Lei. os Estados e seus Municípios observa o disposto no § 1o do art. F fi   NPi    NPei ∗ * Fei = Min  Fi ∗ − F fi . no âmbito Fundef.000.500.000. ∗ : parcela de recursos do Fundo do Estado i destinada a Foi demais etapas.000. ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino. de início.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS ≥    R$ 3. NPfi : número de matrículas no ensino fundamental ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis. ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis. NPi em que: VAmin : valor mínimo por aluno definido nacionalmente. a questão da chamada educação humanística versus a chamada educação técnico-profissionalizante.

Esta não é nossa intenção. A maior parte do mundo vive em sociedades de classes. ninguém. visto que o acesso a um e a outro subsistema não é. à relação entre educação e democracia. entretanto. Nesta cultura. não fazendo várias distinções básicas e deixando de lado os aspectos complexos que envolvem processos educacionais concretos (e não imaginários). etc.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Do outro lado há aqueles. outros ingredientes que possam não parecer diretamente profissionalizantes só sendo permitidos. onde os conteúdos considerados valiosos por uns e por outros não se identificam. Imaginemos. e não condenar o seu sistema educacional por incorporá-los. e. por razões predominantes econômicas. a nosso ver. cada um deles enfatizando certo conjunto de valores. para o problema que surge em decorrência da coexistência de valores conflitantes dentro de uma mesma cultura. Outra solução. ou para o qual enviaria seus filhos. seja como forma de realização pessoal. o sistema educacional a apresentar certas características que poderia não apresentar em outros contextos. valores conflitantes. não incluímos nenhuma indicação acerca de quem considera valiosos os conteúdos do processo educacional. há os que procuram realçar o papel do trabalho como fator de desenvolvimento econômico. Problema mais sério e grave é trazido à tona por aqueles que apontam ao fato de que sistemas e subsistemas educacionais são organizados e administrados por uma ínfima parcela da população. pois permitiria que cada qual escolhesse o subsistema em que iria ingressar. devemos criticar e combater os valores dessa cultura. (De certa maneira. uma cultura cujos valores sejam bastante coerentes. que está estreitamente ligado ao que acabamos de dizer. as velhas discussões medievais acerca das vantagens e desvantagens da vida contemplativa e da vida ativa se repetem. também. igualmente. inclusive. Concordam. Em uma cultura cujos valores sejam diametricamente opostos aos da cultura que acabamos de imaginar. fato este que faz com que o sistema educacional enfrente sérios problemas e dificuldades para levar em conta esta divergência e conflitância de valores. Esta solução pareceria democrática. Na prática sabemos que esta solução não tem sido muito democrática. sem dúvida. de um lado. Estamos. Didatismo e Conhecimento 71 Voltamos a enfatizar. seja o valor preponderante. os interesses e os valores dessa classe (que. e. que enfatizam a conexão entre educação e vida. es- . dependendo de seus próprios valores e daqueles que cada um dos subsistemas enfatizasse. e o exercício da cidadania democrática é tido como algo valioso. afirmam. invariavelmente. Deixamos. o elemento predominante no processo educacional. agora. Não nos cabe aqui analisar esta questão. a formação profissional. Se nossos valores não coincidem com os dessa cultura que imaginamos. pois nela. Naturalmente. de conteúdos considerados valiosos e de concepções de quais devam ser os objetivos educacionais específicos a serem promovidos. etc. Não vamos tentar resolver essa controvérsia. conseqüentemente. dentro de uma mesma cultura. na qual o trabalho. para a apreciação das artes. está desejosa de manter o status quo. “adorno”. mas ainda assim conteúdos considerados valiosos naquele contexto. e um processo educacional que prepara o indivíduo para o exercício da cidadania democrática pode também prepará-lo para o exercício de uma profissão. “perfumaria”. pode coexistir. mesmo que não concorde com a hierarquia de valores predominante naquele contexto. portanto. em que o objetivo educacional básico é a preparação do indivíduo para a vida ativa do trabalho. observamos que os conteúdos (no sentido visto) que podem ser parte integrante do processo educacional são conteúdos considerados valiosos dentro de um dado contexto sociocultural. Educar. Tudo o mais é “ornamento”. apenas para esclarecer alguns aspectos da questão e mostrar a abrangência de nossa conceituação de educação. para o exercício de uma profissão. têm valores diferentes. dentro do processo educacional. A questão difícil que pode ser colocada. e refletem. vê a tarefa da educação como sendo. Somente vamos procurar situá-la dentro de nossa conceituação de educação. a democraticidade de sua proposta e combatido a falta de democraticidade da solução que esboçamos. seja como fator básico de desenvolvimento econômico. a preparação para o trabalho. Mencionamos. devemos criticar e combater esses valores. para o gozo dos momentos de lazer. frequentemente. com outras roupagens). se concebermos o termo “cultura” em um sentido amplo. e as várias classes sociais. em decorrência disso. Em uma sociedade pluralista. sem discutir o fato. é preparar para a vida. concebendo a noção de vida de modo a realçar suas ligações com o trabalho. será. os que propõem um sistema educacional único (a “escola única”) têm reivindicado. franqueado. menos educação. O que acabamos de dizer aplica-se. o processo educacional terá conteúdos basicamente diferentes no que diz respeito ao seu teor. a todos. fato que levará. sem dúvida. e não condenar o seu sistema educacional por incorporá-los. porém. e que diz respeito ao que poderíamos chamar de relacionamento entre educação e sociedade. que se considerarmos o termo “cultura” em um sentido amplo (como quando se fala em “cultura brasileira”). porque dominante. preparar uma elite para vir a ser os futuros “donos do poder”. invariavelmente da chamada classe dominante. a democracia. Não vamos entrar aqui nos méritos ou deméritos dessas soluções nem mencionar outras que têm sido propostas. é como mudar valores sem atuar na educação? Isto nos traz ao nosso terceiro comentário. observando que esta solução leva. preconiza a existência de um sistema educacional único que gradativamente se diferencia em subsistemas e que permite mobilidade horizontal (entre os subsistemas) e vertical (entre os subsistemas de um nível e os de outro nível). Dentre os que assumem esta posição há os que enfatizam o trabalho como forma de auto realização individual. frequentemente não menos radicais. Observamos atrás que. deliberadamente. de outro lado. mutatis mutandis. e que. Ao conceituar a educação. preparar o restante da população para se conformar com a condição de dominados) e não daqueles a quem esses sistemas e sub-sistemas se destinam. Estamos simplesmente procurando ilustrar o fato de que dentro de uma mesma cultura pode haver valores conflitantes. para efeito de argumentação. pode condenar a educação por ser estritamente profissionalizante: ela estará se ocupando dos conteúdos considerados valiosos naquele contexto. onde diferentes fossem os valores. se não concordamos com os valores de uma determinada cultura. mais em moda no Brasil de hoje. que foram deverá tomar o sistema educacional? Uma solução que se tem dado a este problema é o da criação de vários subsistemas educacionais. apontando. na medida em que. Na verdade. valores conflitantes podem coexistir dentro de uma mesma cultura. enquanto valor é plenamente compatível com outros valores. consequentemente. Em um contexto sociocultural em que a democracia é um valor básico. o processo educacional vai ser visto como (pelo menos em parte) preparação para o exercício da cidadania democrática. onde valores se chocam. de perpetuar seus privilégios. pois nosso propósito é mostrar que mesmo esse ponto de vista acerca da educação se enquadra dentro de nossa conceituação. e ao explicitar aquela conceituação. à existência de um subsistema educacional para os “nossos filhos” e de outro(s) subsistema(s) para “os filhos dos outros”. quer nos parecer. simplificando as coisas aqui. mesmo de maneira indireta. e a deixar de lado suas ligações com o lazer. de igual maneira. venham a contribuir para o bom desempenho profissional. Em um contexto socioeconômico como o que acabamos de imaginar.

exame esse de que pode.e que o ensino tem um vínculo conceitual com a intenção de produzir a aprendizagem. Há muita controvérsia. por isso mesmo. hábitos. sim. possibilitasse ao aluno assumir uma postura crítica diante do próprio tipo de educação que estava recebendo. excluindo-se da esfera da doutrinação mesmo conteúdos intelectuais e cognitivos de outros tipos (como. quer nos parecer que seja impossível dizer. ou pontos de vista. Alguém pode. compreensão esta que inevitavelmente envolve o seu questionamento. etc. Condicionamento tem que haver com comportamento. Parece haver pouca dúvida. depois de este alguém ter se tornado aquilo para que tivesse potencialidade. procuramos conceituar a educação. portanto. por exemplo. sem ensino. A dificuldade básica dessa conceituação diz respeito à noção de potencialidades. E ao decidirmos quais potencialidades deveriam e quais não deveriam ser desenvolvidas cairíamos no domínio dos “conteúdos considerados valiosos”. ao mesmo tempo. atitudes. como veremos. possivelmente. o desafio educacional maior seria o de encontrar uma maneira de promover a educação profissional que cumprisse o objetivo de preparar para o trabalho e para uma profissão. Uma segunda consideração geral que devemos fazer acerca do conceito de doutrinação é a de que. A noção de potencialidades. é uma daquelas noções que só têm sentido retrospectivamente. bem como para aqueles que a conceituam em termos do que ela deve ser. teorias. 72 Portanto. entre as potencialidades cujo desenvolvimento é considerado valioso e aquelas cujo desenvolvimento não é assim visto). o do autoquestionamento da educação. Cumpre-nos relembrar. de certos conteúdos. afirmamos que os conteúdos que podem ser objeto de educação são (desde que considerados valiosos) os mais amplos possíveis. Vimos. na qual o valor preponderante era o trabalho. etc. por exemplo. que incluímos. Contudo. porém. e já os gregos nos alertavam acerca da “akrasia”. resultar sua rejeição? Naquela cultura que imaginamos atrás. a menos que conteúdo dessa doutrinação seja alguma coisa do tipo que acabamos de mencionar. a nosso ver. Desde que a doutrinação tem.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS paço para aqueles que conceituam a educação em termos do que ela é. em relação ao conceito de doutrinação. Processos que levam ao mero domínio e à mera aceitação de conteúdos. a doutrinação também tem um vínculo conceitual com a intenção de produzir a aprendizagem. quais sejam as suas potencialidades. sem compreensão. Ao passo que faz bastante sentido dizer que al- Didatismo e Conhecimento . ou a banhar-se diariamente. sem crítica. a doutrinação é sempre intencional. doutrinação.mas isto já é outra coisa: estamos lidando. um vínculo conceitual com o ensino. que conceitua a educação como o desenvolvimento das potencialidades do indivíduo. mas. não devemos nos esquecer de que a educação como ela é frequentemente não é educação. ser desenvolvidas. Quando. também. e. ou convicções. porque muito embora possamos falar em educação em termos do que ela é. mas condicionamento e doutrinação não é a mesma coisa. muito embora a educação possa ocorrer. É somente na medida em que a educação leva o indivíduo a questionar sua própria educação que está recebendo que ela está se desincumbindo de sua tarefa. quando aplicada a seres humanos. ou fraqueza da vontade). agora. e mesmo de modo não intencional. mesmo que fosse possível descobrir a priori quais as potencialidades dos indivíduos. mesmo daqueles unanimemente considerados valiosos. não restringindo. Mas por que é que afirmamos que a doutrinação só pode ocorrer em situações de ensino? A resposta a esta pergunta nos parece óbvia e simples. não pode ser visto como educacional. que a educação tem um vínculo conceitual com a aprendizagem -.). seu maior desafio: de que maneira podem indivíduos vir a adquirir domínio de certos conteúdos considerados valiosos e.não faz sentido dizer que houve educação se não houve nenhuma aprendizagem -. Não parece fazer o menor sentido afirmar que alguém foi doutrinado. em nossa conceituação de educação. A exigência de que um processo. podem ser doutrinados. O dilema educacional por excelência é. para que seja educacional. e observamos que um processo que leva ao domínio. inclusive. com crenças e não com atitudes. por exemplo. essa difundida conceituação de educação caracteriza o processo educacional como algo impossível (por não ser possível identificar a priori quais as potencialidades de alguém). parece haver uma grande limitação no tocante aos conteúdos que podem ser doutrinados. ou a tomar banho diariamente. a priori. ou qualquer coisa desse tipo. ou. cai dentro de nossa conceituação (se se admite a possibilidade de identificar potencialidades a priori. Parece absurdo dizer que alguém foi doutrinado a adotar uma atitude passiva diante da violência. para ser educacional. Não vamos. deva levar ao domínio e à compreensão de conteúdos considerados valiosos. ou. aqui. não são educacionais por não levarem os indivíduos à compreensão desses conteúdos. hoje em dia. esses conteúdos à esfera intelectual e cognitiva. Este é um lembrete que qualifica o que dissemos no final do parágrafo anterior. talvez. deva levar ao domínio e compreensão de conteúdos considerados valiosos coloca o processo educacional diante daquilo que consideramos sua maior dificuldade. depois que essas potencialidades já foram “atualizadas”. ser doutrinado na crença de que se deva tomar uma atitude passiva diante da violência -. Baseando-nos naquilo que um dando indivíduo se torna. ocorrendo sempre em situações de ensino. Pode ser que algumas potencialidades (como. garantias de que quem acredite que se deva tomar uma atitude passiva diante da violência venha a assumir esta atitude quando confrontado com a violência: há sempre a possibilidade de que haja incoerência entre o pensamento e comportamento de uma pessoa. como vimos. Alguém pode ter sido condicionado a adotar uma atitude passiva diante da violência. ensino e aprendizagem. de que os conteúdos que podem ser doutrinados são sempre conteúdos intelectuais e cognitivos do tipo mencionado (crenças. porém. podemos afirmar que tinha potencialidade de tornar-se aquilo (pois doutra forma não se teria tornado). e. sem investigação da razão de ser. a saber: apenas crenças. adquirir suficiente compreensão desses conteúdos de modo a assumir diante deles uma postura crítica e aberta. isto é. Quando falamos em doutrinação. Salientamos um comentário. Só sabemos. Doutrinação tem que haver com crenças. quais as potencialidades de alguém a posteriori. este acerca do ponto de vista. na seção anterior. tentar solucionar todas as disputas e divergências: vamos apenas nos situar dentro da controvérsia. a nossa ver. igualmente. (Não há. bastante difundido. a exigência de que o processo. apresentando e defendendo um conceito de doutrinação e mostrando como o conceito de doutrinaçãose relaciona com os conceitos de educação. ou ideologias. portanto. habilidades intelectuais). nada nos garante que todas as suas potencialidades devessem. que os leve a um exame criterioso desses conteúdos e das alternativas a eles. portanto. então. Em relação a qualquer indivíduo. pontos de vista. de maneira alguma. portanto. a potencialidade para comportamento agressivo e destrutivo) não devessem ser desenvolvidas. ao mesmo tempo. cai-se na necessidade de discriminar entre as potencialidades que devem e as que não devem ser desenvolvidas.

como podem a física e a astronomia serem ensinadas de modo doutrinacional. moralidade. e política não há como evitar a doutrinação e que em áreas como a física e a astronomia não faz sentido falar-se em doutrinação. pois quer nos parecer que em nossa cultura não seja considerado valioso um conteúdo que consista de enunciados falsos. etc. Isto quer dizer que não há conteúdos que estejam inevitavelmente fadados a serem objeto de doutrinação. etc. o ensino estará sendo educacional. bem como seu relacionamento com o conceito de educação. O que distingue a educação da doutrinação. pontos de vista. é basicamente a intenção da pessoa que ensina. será que a doutrinação nada mais é do que a educação. diferentemente daquela que se associa com a educação. nessa comparação. e isto em função da intenção daquele que ensina de que exatamente isto ocorra. a saber. educacionalmente e doutrinacionalmente. mas que não são objeto da doutrinação. embora alguns conteúdos sejam. como sugerem alguns. mas o fez sem compreensão: a aprendizagem. sem examinar e compreender sua razão de serem. Na segunda passagem observamos: “. segundo nossa conceituação. pois. ou contrários à melhor evidência disponível. Portanto.e. à doutrinação. Mas se este é o caso. mesmo conteúdos considerados valioso podem ser doutrinados. portanto. isto é. exatamente quando se trata de conteúdos considerados como altamente valiosos que há o maior risco de doutrinação. a moralidade e a política serem ensinadas de maneira educacional.). e é a intenção que se torna o critério básico e fundamental que nos permite diferenciar entre um ensino educacional e um ensino doutrinacional. devemos abordar a seguinte questão: tendo em vista as conclusões alcançadas atrás. com a intenção de que esses conteúdos sejam meramente aprendidos (isto é.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS guém se educou. sem dúvida aprendeu um certo conteúdo (possivelmente até através do ensino). Dada nossa conceituação de educação e doutrinação. não devem ser parte integrante do processo educacional. doutrinacional. deixando fora de nossa análise outros conteúdos (habilidades intelectuais e cognitivas. atitudes. a doutrinação se realiza somente através do ensino. em nossa seção anterior. que este conteúdo seja considerado valioso no contexto em que se realiza seu ensino. o conteúdo em questão pode ser ensinado de maneira educacional bem como de maneira não educacional.. o ensino está sendo não educacional. de sua razão de ser. . talvez. não nos parece fazer o menor sentido afirmar que alguém se doutrinou: sempre afirmamos que alguém foi doutrinado. a nosso ver. aprendeu certos conteúdos considerados valiosos de maneira a realmente compreendê-los. aprendidos. O ensino e aprendizagem de conteúdos que consistam de enunciados falsos. sendo. no sentido visto. quando esta ocorre através do ensino e se ocupa de conteúdos intelectuais e cognitivos do tipo mencionado (crenças. enfaticamente negativa. a educação informal (no segundo sentido visto) para nos determos na educação que se realiza através do ensino. a saber. para efeito de argumentação.. a doutrinação: doutrinação é o processo através do qual uma pessoa ensina os outros certos conteúdos intelectuais e cognitivos (crenças. Desde que. e. de que a educação pode ocorrer. exame este indispensável para sua compreensão. ou acerca dos quais a evidência seja inconclusiva. mas não compreendidos). grande probabilidade de serem falsos).). aludimos. vamos comparar educação e doutrinação no que dizem respeito a esses conteúdos. da aprendizagem não significativa. de passagem. e não na sua compreensão. etc. neste caso. ou que resulta da doutrinação. meramente passiva -. Também deixaremos de lado. o que realmente distingue a doutrinação da educação? Em duas ocasiões. como ponto de referência. ou. Mas isto não quer dizer que mesmo estes conteúdos não possam ser ensinados de dois modos diferentes. “O ensino de conteúdos deste tipo parece bem mais próximo da doutrinação do que da educação”. meramente aceita.)? A resposta a esta questão deve ser. ou. certos conteúdos intelectuais e cognitivos (normas sociais e valores culturais). seja inconclusiva. Tomemos. estamos em condições de conceituar. talvez. como veremos. mais precisamente. quem doutrina está muito mais interessado em que seus alunos simplesmente aceitam (acreditem em) certos pontos de vista do que em que eles venham a examinar os fundamentos desses pontos de vista. com a intenção de que estes conteúdos Didatismo e Conhecimento 73 sejam aceitos não obstante a evidência. consequentemente. Feitas essas colocações. foi não-educacional.). talvez. certo conteúdo intelectual e cognitivo: digamos uma doutrina política. tanto podem a religião. favorável ou contrária. é a aprendizagem não acompanhada por compreensão. como acabamos de observar. relembramos aqui essas passagens: “Alguém que aceita normas sociais e valores culturais sem examinar e compreender sua razão de ser. Se a intenção é a de que os alunos meramente aprendam (i. é o da aprendizagem não acompanhada por compreensão. etc.) de que se ocupa a educação. Baseando-nos nesta conceituação de doutrinação. crenças. sem um exame criterioso de seus fundamentos epistemológicos. comportamentos. ou uma teoria científica. etc. Com esta tomada de posição nos contrapomos àqueles que afirmam que em áreas coimo religião. Isto posto. É verdade que vimos que apenas certos conteúdos podem ser doutrinados (conteúdos intelectuais e cognitivos de certo tipo. Além disso. Se este é o caso. no caso. acreditem em) o conteúdo em questão. possivelmente. de enunciados acerca dos quais a evidência. Pare melhor entendermos esse conceito. que a aprendizagem que se associa com a doutrinação. Vamos supor. será que o único aspecto a distinguir a educação da doutrinação é que esta é um caso específico daquela? Em outras palavras. doutrinação tem que haver apenas com conteúdos intelectuais e cognitivos de certo tipo (crenças. a compreendê-los. educacionalmente ou doutrinacionalmente. o ensino também foi não-educacional (tendo sido.. mais preferidos por doutrinadores a outros. como constatamos. o conteúdo não é o critério básico e fundamental que nos permite diferenciar entre educação e doutrinação. pois. através do ensino. aceitem. O que a segunda passagem nos sugere é que a intenção de quem doutrina está muito mais voltada para a aceitação dos conteúdos que ele está ensinando do que para um exame criterioso dos fundamentos epistemológicos desses conteúdos.o indivíduo. consequentemente. O que nos sugerem estas observações feitas atrás? A primeira nos sugere que o tipo de aprendizagem associado com a doutrinação. Se a intenção de quem ensina é a de que os alunos aprendam e compreendam este conteúdo. como bem mostram algumas pesquisas recentes na área da história e sociologia da ciência. Em outras palavras. O mesmo conteúdo poderá ser ensinado de um ou de outro modo. ou seja. É aqui que aquilo que a segunda passagem nos sugere se liga com o que a primeira nos sugeriu. doutrinacional). podemos agora procurar esclarecer alguns dos aspectos mais controvertidos desse conceito. pois os que assim afirmam privilegiam o conteúdo como critério básico e fundamental de diferenciação entre educação e doutrinação. ou de enunciados que a melhor evidência disponível indique terem pouca probabilidade de serem verdadeiros (e. e se a aprendizagem foi decorrência de um ensino que estava interessado apenas na aceitação das normas e dos valores. e frequentemente ocorre.

a menos que esteja em condições tais que o acesso a esta evidência lhe seja totalmente impossível. O que ensina de maneira doutrinacional coloca-se na posição do orgulhoso possuidor da verdade. um exame crítico e rigoroso dos fundamentos epistemológicos do conteúdo em questão. o critério básico e fundamental de diferenciação entre doutrinação e educação. seja distorcida. É de se esperar. também. não há mais porque buscá-la. que a educação se preocupa muito mais em dar ao indivíduo condições de não ser facilmente persuadido. humildemente. crenças em que o próprio doutrinador não acredita. que evidência contrária não seja apresentada. ou. aceitá-lo ou rejeitá-lo. no nível das intenções. que esta evidência. Também não é em função das consequências do ensino que podemos dizer se o ensino foi educacional ou doutrinacional. devemos concluir que não há doutrinação não intencional. Poderíamos mesmo dizer. Podemos concluir. mesmo que se refira à evidência. o aluno venha a ter uma mente mais fechada. como sugerem outros.) correm grande risco de doutrinarem (ao invés de educarem) se não estiverem constantemente atualizados acerca dos desenvolvimentos nas áreas que ensinam. por algum motivo. que. mesmo. aproximar-se. que ocorre quando há doutrinação. O segundo. embora seja de es esperar que aquele que ensina com a intenção de que seus alunos aprendam e compreendam os conteúdos ensinados e aquele que ensina coma intenção de que seus alunos meramente aceitem os conteúdos ensinados venham a se valer de métodos de ensino diferentes. cada vez mais. enquanto a doutrinação é um processo que tem por objetivo a transmissão e mera aceitação de crenças. Isto significa que professores de conteúdos intelectuais e cognitivos do tipo visto (crenças. Teríamos maiores reservas em atribuir-lhe esta intenção se não houvesse maneiras viáveis de ele obter acesso a esta evidência. Podemos atribuir-lhe a intenção de doutrinar. Na verdade. portanto. a limitação de opções (frequentemente a uma só). é em situações assim que a doutrinação se torna mais fácil e mais provável. já mostrada por muitos. Também no caso de alguém que não tem conhecimento de evidência contrária àquilo que está ensinando. ou conteúdos que a melhor evidência disponível indique terem pouca probabilidade de serem verdadeiros como sendo. A questão. na busca da verdade. como sugerem ainda outros. o “desprivilegiamento” da evidência em favor da crença. pois. a ampliação de horizontes. do que com a análise crítica. normalmente. Desde que. uma atitude mais dogmática e menos crítica. doutrinando. consequentemente. a redução de horizontes. não se pode negligenciar nenhum aspecto da evidência que possa ser relevante. da verdade. na verdade. condicionando sua aceitação ou não dos conteúdos ensinados a este exame da evidência. isenta de preconceitos. ou doutrinas. tirem suas próprias conclusões. principalmente estas -.podem contribuir para que nos aproximemos da verdade. como vimos à intenção de alguém (que não nós mesmos) só pode ser determinada pela análise de suas ações em um dado contexto. é de se esperar que o ensino educacional resulte em aprendizagem acompanhada de compreensão. e quem os propõe só pode ser ignorante ou mal-intencionado. mas que. Daí a conexão. de pontos de vista divergentes. como é de se esperar. o aluno venha a ter uma mente mais aberta e flexível. o que acabamos de ver nos permite afirmar que é inteiramente possível que haja doutrinação mesmo de conteúdos verdadeiros. ou teorias. e. em alguns casos piores de doutrinação. entre . aos fundamentos epistemológicos do conteúdo em pauta. podem ser mal sucedidos. que. a persuasão e não o incentivo ao livre exame. Em segundo lugar. Em primeiro lugar. É muito mais fácil doutrinar alguém na ideologia capitalista nos Estados Unidos do que em um país radicalmente socialista. porém. o professor que ensina conteúdos falsos como sendo verdadeiros. embora neste caso também seja de esperar que as consequências do ensino educacional e do ensino doutrinacional sejam diferentes. pois na medida em que estes divergem da “verdade” só podem ser errôneos ou falsos. o fechamento de mentes. enquanto a doutrinação se preocupa muito mais com a persuasão. em cujo caso as consequências que deles poderiam advir não seriam aquelas que. é mais complexa aqui. quanto o realizado de maneira doutrinacional. em função dessa compreensão. é de se esperar. através do estudo e do exame da evidência. Esta é uma questão subjetiva. do que em fazer com que seus alunos simplesmente aceitem o conteúdo: seu intuito não é persuadir seus alunos a aceitarem o conteúdo. se ele tem condições de obter acesso a esta evidência e não se preocupa em fazê-lo. porém. Não importa que ele acredite que os conteúdos que ensina sejam verdadeiros. Em condições normais. sendo apresentada. Na medida. de evitar o erro. É de se esperar que o aluno doutrinado acabe por assumir a seguinte atitude: “É nisto que acredito: vamos ver agora se encontro alguma evidência para fundamentar minhas crenças”. um apego mais emocional do que evidenciar às suas convicções. que em decorrência de um ensino doutrinacional. em decorrência de um ensino educacional. a análise séria de alternativas. Podemos fazer algumas observações específicas em relação aos aspectos mais controversos do problema da doutrinação.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Nem é tampouco o método de ensino. temos que admitir que possa haver doutrinação mesmo quando os conteúdos são considerados valiosos e todos aprovam o que está acontecendo. e. a situação é complexa. Desde que. dos fundamentos epistemológicos.. Em terceiro lugar. está em incessante busca da verdade. porque tolerar pontos de vista alternativos e conflitantes. etc. se esperariam. mesmo a repressão. Como vimos atrás. é possível atribuir a alguém a intenção de doutrinar mesmo que esta pessoa não admita esta intenção. e. pois ninguém questiona o valor e a veracidade daquilo que está sendo ensinado. Didatismo e Conhecimento 74 Aquele que ensina de maneira educacional coloca-se na posição de quem. e vice-versa. e que o ensino doutrinacional resulte na mera aceitação (sem compreensão) dos conteúdos ensinados. com a transmissão de crenças que se supõem verdadeiras (ou. etc. à luz da evidência. fazendo paralelo a uma importante corrente de filosofia de ciência e de filosofia política.. principalmente. etc. assim. em que a verdade já é considerada uma possessão. entre a crença na posse da verdade e a intolerância.diriam mesmo. a educação é um processo que tem por objetivo a abertura de mentes. de fato. a educação é tolerante. O primeiro possivelmente utilizará métodos que envolvam a livre discussão de ideias. porém. é possível que suas razões para aceitar suas crenças não passem de racionalizações. A questão importante é a do relacionamento entre o conteúdo e a evidência. verdadeiros. Não podemos nos esquecer. estará. pois mesmo as críticas e a evidência negativa -. a falsidade. Com esta atitude. que se preocupe com a análise e o exame da evidência. não seja analisada com justiça e isenção de ânimos e preconceitos. após análise e exame críticos da evidência. mas levá-los a compreendê-lo. o incentivo à livre opção dos alunos. se não inteiramente suprimida. onde argumentos contra a ideologia capitalista provavelmente serão muito mais abundantes e comuns. poderíamos afirmar que ele se preocupará muito mais em fazer que seus alunos considerem a evidência e. deseja incutir em seus alunos). de que tanto o ensino realizado de maneira educacional. muito provavelmente. pois lhe foi ensinado preocupar-se mais com certas crenças. da evidência. subordinará a análise da evidência à sua intenção de fazer com que os alunos aceitem o conteúdo.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
os conteúdos e os seus fundamentos epistemológicos -- questão esta que, apesar das controvérsias atuais na área da epistemologia e da filosofia da ciência, nos parece ser objetivas. Em quarto lugar, devemos abordar, ainda que brevemente, a complicada questão que se coloca em relação a crianças em tenra idade, que ainda não atingiram a chamada “idade da razão”. Será que, no que diz respeito a estas crianças, só nos resta à alternativa de doutrinação, visto não serem elas capazes, segundo se crê, de compreensão, no sentido visto, de exame de evidência, de opção livre e consciente? Em relação a este problema devemos distinguir (pelo menos) dois aspectos. O primeiro é que exigir que crianças pequenas se comportem de determinada maneira, ou que adotem determinadas atitudes, não é, segundo nossa caracterização, doutriná-las, porque os conteúdos aqui não são conteúdos intelectuais e cognitivos do tipo passível de doutrinação (crenças, etc.), mas comportamentos e atitudes. A doutrinação poderá ocorrer no momento em que se procura fazer com que as crianças aceitem certas justificativas para o comportamento e as atitudes que lhes estão sendo exigidos. O segundo aspecto é que mesmo a crianças que ainda não atingiram a maturidade mental e intelectual necessária para compreender a razão de ser de certos comportamentos e atitudes que lhes são exigidos podem ser oferecidas as razões dessas exigências, as alternativas, etc., de maneira bastante aberta e flexível. Haverá doutrinação se a intenção for a de que as crianças aceitam estas justificativas (ou qualquer outro conteúdo do tipo passível de doutrinação) passivamente, sem discussão, a despeito de qualquer outro tipo de consideração, ou argumentação, ou evidência. Em quinto lugar, a possibilidade de doutrinação faz com que aqueles que se preocupa com a educação, de seus filhos ou de seus alunos, se confrontem com um sério dilema, semelhante ao grande desafio a que fizemos menção no final da seção anterior. Este dilema, embora possa aparecer em qualquer área, aparece mais frequentemente naquelas áreas em que a evidência parece ser mais inconcludente, mas em que, por ironia do destino, se encontram algumas das questões mais básicas e importantes com que tem que se defrontar o ser humano: a moralidade, a política, e a religião. Por um lado, acreditamos (por exemplo) ser necessário apresentar a nossos filhos e alunos o ponto de vista moral, o lado moral das coisas, para que venham a serem seres morais. Do outro lado, acreditamos que temos de evitar a doutrinação, se queremos realmente educar nossos filhos e alunos, isto é, se queremos que sejam indivíduos livres para pensar e escolher, liberdade esta que é pré-condição para que eles venham a serem seres morais. É diante deste dilema que os educadores terão que procurar as melhores maneiras de prosseguir, sabendo, de antemão, que a tarefa é dificílima e que muitos, antes deles, optaram, ou por não procurar oferecer nenhum ensino nessas áreas, ou, então, pela doutrinação como única alternativa viável. [E o exemplo?] É em confronto com este dilema que muitos têm optado pela alternativa da chamada «educação negativa», que não é nem educação nem negativa, devendo, talvez, ser descrita como «não educação neutra», por paradoxal que esta expressão também pareça: afirmam que o ensino da moralidade, da política, e da religião não deve ser ministrado até que a criança atinja maturidade suficiente para analisar a evidência e tirar suas próprias conclusões. Outros têm se desesperado e concluído que a única alternativa, apesar dos pesares, é doutrinar -- estes são os doutrinadores contra sua própria vontade. Tanto os defensores da «educação negativa» como os que, contra a vontade, optam pela doutrinação, não veem uma terceira Didatismo e Conhecimento
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alternativa, não veem uma solução realmente educacional para o problema. Embora não afirmemos que esta solução seja fácil de alcançar, cremos que desenvolvimentos recentes, principalmente no campo da educação moral, têm nos indicado o caminho a seguir na direção de uma educação moral viável e digna do nome. Mas ainda há muito por fazer nesta área. Em sexto e último lugar, gostaríamos de observar que, de tudo o que foi dito acerca da doutrinação, fica claro porque a doutrinação é indesejável e moralmente censurável. Quem doutrina não respeita a liberdade de pensamento e de escolha de seus alunos, procurando incutir crenças em suas mentes e não lhes dando condições de analisar e examinar a evidência, decidindo, então, por si próprios; quem doutrina desrespeita os cânones de racionalidade e objetividade, tratando questões abertas como se fossem fechadas, questões incertas como se fossem certas, enunciados falsos ou não demonstrados como verdadeiros como se fossem verdades acima de qualquer suspeita. É verdade que esta tomada de posição contra à doutrinação já implica, ao mesmo tempo, um comprometimento com certos valores e ideais básicos, como o da liberdade de pensamento e de escolha dos alunos (e de qualquer pessoa), o da racionalidade, etc. É importante que se reconheça isto para que não se incorra no erro de pensar que a adoção desses valores e ideais não precisa ser defensável, e, mais que isto, defendida, através da argumentação. Argumentos contra a adoção desses valores e ideais precisam ser cuidadosamente analisados para que, ao propor a tese da indesejabilidade e falta de apoio moral da doutrinação, não o façamos de modo a imitar os doutrinadores, isto é, tratando como fechada uma questão que é realmente aberta. Cremos não ser esta a ocasião de fazer esta defesa dos valores e ideais da liberdade de pensamento e escolha, nem da racionalidade. Mas isto não significa que estes valores e ideais não precisem ser defendidos. Com estas observações concluímos esta seção sobre doutrinação. Cremos que a análise desse conceito, além de valiosa em si mesma, nos ajuda a compreender melhor, por contraste, o que seja a educação. Uma análise mais completa deveria incluir um exame das semelhanças e diferenças existentes entre doutrinação, treinamento, condicionamento, lavagem cerebral, etc. Há importantes diferenças, bem como semelhanças, entre estes conceitos. Isto, porém, precisará ficar para outro trabalho. Cremos ter dado respostas a algumas das perguntas acerca do relacionamento existente entre o conceito de educação e os conceitos de ensino e aprendizagem, bem como entre educação e valores, educação e cultura, etc. Nossas respostas, reconhecidamente em forma de esboço, são, na verdade, bastante pessoais. É possível e provável que muitos discordem delas. Acreditamos, contudo, que elas fazem sentido, é justificável, e nos ajudam a “colocar a cabeça em ordem” em relação a essas noções. Dada à importância que atribuímos ao conceito de doutrinação, resolvemos dedicar a este conceito uma seção em separado, pois quer nos parecer que a análise desse conceito nos ajuda a compreender melhor, por contraste, o conceito de educação. A muitos pode parecer que o tipo de investigação que caracterizamos neste trabalho, embora de alguma utilidade e de algum interesse, não seja de grande importância. Mais importante do que a tarefa “clarificatória” que a filosofia pode desenvolver, diriam, é sua tarefa “normativa”, à qual ela não se deve furtar: a filosofia deve contribuir -- continuariam -- para que as grandes e pequenas decisões que diariamente precisam ser tomadas na área da educação sejam tomadas de maneira a evidenciar sabedoria, e não apenas clareza de pensamento. À filosofia da educação competiria, pois, segundo muitos, investigar a questão dos objetivos específicos da educação, propondo metas a serem atingidas e valores a serem promovidos.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
Concordamos, em grande parte, com o espírito dessas observações. Achamos que clareza em nossos conceitos e acerca de nossas pressuposições básicas não é tudo, não é condição suficiente para a sabedoria de nossas decisões, dos alvos que propomos a nós mesmos e aos outros, dos valores que adotamos e que desejamos que os outros também cultivem. Contudo, estamos certos de que esta clareza seja condição necessária para esta sabedoria. Embora alguém possa ter clareza quanto às suas concepções, sem ser sábio, ninguém consegue ser sábio sem antes adquirir clareza acerca das convicções mantidas por ele próprio e por outros. Quer nos parecer, portanto, que a tarefa do educador, e quiçá do filósofo da educação, não termine com a análise e clarificação dos conceitos educacionais básicos e das pressuposições que sustentam a atividade educacional. A tarefa clarificatória da filosofia é apenas um preâmbulo à tarefa mais normativa de examinar, questionar, e propor objetivos e valores. O filósofo, porém, não detém o monopólio destas últimas questões. No que diz respeito aos objetivos e valores que devem nortear a vida, e, consequentemente, o processo educacional, o filósofo, como qualquer outra pessoa, estará sempre buscando, procurando, pois na área de valores e objetivos de vida não há peritos e profissionais: cada um, em última instância, tem que escolher os seus valores básicos e os objetivos que deverão nortear sua vida. Não há como abrir mão dessa tarefa solicitando a um filósofo (ou a seja lá quem for) que faça isto por nós, sem abrirmos mão de nossa autonomia, e, em última instância, de nós mesmos. À filosofia da educação como aqui caracterizada deve, portanto, seguir uma teoria da educação que tenha como principal tarefa o exame dos princípios básicos, objetivos, valores, etc., que prevalecem em nossa cultura e que norteiam, atualmente, a educação em nosso país, a reflexão crítica sobre eles e sobre a realidade social, econômica e cultural que envolve o processo educacional, e, se necessário for (e quase sempre o é), a proposta de novos princípios básicos, objetivos e valores para a nossa cultura e para a nossa educação. À teoria da educação compete, portanto, a tarefa normativa a que fizemos referência, e para se desincumbir desta tarefa a teoria da educação deve recorrer não só à filosofia da educação, mas também à sociologia da educação, à psicologia da educação, à economia da educação, à medicina preventiva e social, etc. -- ou, para encurtar, a qualquer ramo do saber que possa contribuir alguma coisa, nunca se esquecendo de incluir na mistura uma boa dose de bom senso. Para muitos, o que acabamos de caracterizar como sendo a tarefa da teoria da educação nada mais é do que a real tarefa da filosofia da educação. Não temos o menor interesse em discutir rótulos, pois a discussão seria meramente acadêmica. Quer nos parecer, porém, que a bem da clareza, seja recomendável e de bom alvitre estabelecer uma distinção entre a filosofia da educação e a teoria educacional, pelas seguintes razões. (a) A filosofia da educação, como aqui caracterizada, é uma atividade reflexiva de segunda ordem, que tem como objeto as reflexões de primeira ordem feitas sobre os vários aspectos do processo educacional; a teoria educacional é uma atividade reflexiva de primeira ordem, no nosso entender, que tem por objeto básico a realidade educacional e não reflexões que tenham sido feitas sobre esta realidade; estas reflexões servirão de subsídios ao teórico da educação para que este elabore suas próprias conclusões, mas ele tem, basicamente, que “debruçar-se sobre a realidade educacional”, para entendê-la, explicá-la, criticá-la e propor sua reformulação. Didatismo e Conhecimento
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(b) Na medida em que a teoria educacional tem que se valer das contribuições das várias ciências que estudam a educação, ela extrapola os domínios da filosofia e, consequentemente, da filosofia da educação. A filosofia da educação, como aqui concebida, deveria ser vista como observamos, como um prolegômenos, um preâmbulo à teoria educacional, cuja tarefa principal seria fornecer ao teórico da educação os instrumentos conceituais básicos para a sua teoria. (c) A teoria educacional, embora possa (e talvez deva) ser considerada científica, tem uma finalidade que vai além da mera explicação e interpretação da realidade educacional: ela procura orientar e guiar a prática educacional. É por isso que a teoria da educação, além de estudar e examinar a realidade educacional tem a função de criticar esta realidade e de propor novas direções a seguir. A teoria da educação, para usar uma expressão que se torna comum, não tem como tarefa simplesmente constatar qual é a realidade educacional: ela vai além e contesta esta realidade, não em função de um espírito puramente negativista, mas em função de uma proposta de realidade diferente. E esta proposta envolve, inevitavelmente, valores diferentes. Portanto, a teoria educacional, em sua tarefa de orientar e guiar a prática educacional envolve, necessariamente, um ingrediente de valores. O texto em questão, dentro de seus limites, procurou, entre outras coisas, apresentar os rudimentos de um preâmbulo à teoria educacional, fazendo, no processo, um primeiro ensaio em direção a uma demarcação entre filosofia da educação e teoria educacional.

7 POLÍTICAS PÚBLICAS PARA EDUCAÇÃO.

Em termos de políticas públicas, a relevância do debate atual é a respeito do currículo da escola fundamental, isso parece óbvio, já que toda política educacional só ganha sentido se estiver referida àquilo que deve ser seu propósito por excelência, ou seja, o provimento, aos educandos, de um conteúdo cultural que lhes proporcione formar-se como cidadãos. No entanto, esse debate parece não ter conseguido ainda a força social e política suficiente para questionar radicalmente a estrutura curricular de nossas escolas, de modo a buscar medidas que visem a superá-la. O currículo da escola fundamental tem permanecido com a mesma configuração há muitas décadas, mantendo sua forma verbalista e restringindo seu conteúdo às disciplinas tradicionais, adstritas a conhecimentos e informações. A sociedade mudou, novos direitos políticos, civis e sociais foram alcançados ou entraram na pauta de reivindicações, mas a concepção de currículo e daquilo que é necessário para a formação humano-histórica dos cidadãos continua a mesma. Apesar disso, especialmente nos últimos anos, tanto as políticas públicas quanto boa parte da academia parecem dar pouca atenção à importância do currículo para a efetiva qualidade do ensino, preferindo pautar suas iniciativas e análises quase exclusivamente nos resultados das avaliações em massa, que privilegiam a aferição de conhecimentos “adquiridos”, sem grande atenção para a cultura em seu sentido pleno. E este, me parece, é mais um fator que reforça a relevância de se problematizar a atual estrutura curricular da escola fundamental, em razão dos subsídios que

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
esse questionamento pode oferecer para uma melhor adequação da própria maneira como o Estado procura avaliar a qualidade do ensino. Independentemente do real poder das avaliações externas para aferir a aquisição de conhecimentos, será que seus resultados podem servir de parâmetros para indicar até que ponto o Estado está atendendo ao direito das pessoas à cultura, visto que esta, em seu sentido pleno, não é contemplada em tais medições? Tal discussão deve iniciar-se pela constatação de que o currículo é um dos aspectos que mostram mais enfaticamente como a escola tradicional tem privilegiado uma dimensão “conteudista” do ensino, que enxerga a instituição escolar como mera transmissora de conhecimentos e informações. Daí a relevância de se pensar em sua reformulação numa perspectiva mais ampla que contemple a formação integral do educando. Certamente, não se pode contestar a importância dos conteúdos das disciplinas tradicionais (Matemática, Geografia, História, Ciências etc.), que são imprescindíveis para a formação humana e não podem, sob nenhum pretexto, ser minimizados. Todavia, conteúdos como a dança, a música, as artes plásticas e outras manifestações da cultura são igualmente necessários para o usufruto de uma vida plena de realização pessoal. As questões relacionadas com a ética, a política, a arte, o cuidado pessoal, o uso do corpo e tantos outros temas relacionados ao viver bem das pessoas e grupos não podem constituir apenas “temas transversais” a compor versões escritas de currículos, mas transformar-se em temas centrais na prática diária das escolas. Essas matérias que envolvem o uso do corpo, a criatividade, o manuseio de objetos concretos, opiniões individuais, posturas diante de valores, enfim, matérias que levam os educandos a se comportarem mais explicitamente como sujeitos, são importantes não apenas por seu valor intrínseco de componentes da cultura que precisam ser apropriados, mas também porque elas tendem a tornar mais interessantes as demais matérias, especialmente quando com estas se inter-relacionam, tornando o aprendizado mais prazeroso e levando os estudantes a assumirem o estudo de todos os conteúdos como algo que enriquece suas vidas e faz parte constitutiva de seu cotidiano. Por isso, ao se propor a oferecer tão pouco (conhecimentos e informações), a escola tradicional nem esse pouco consegue transmitir. É que as informações e os conhecimentos usualmente só ganham interesse por parte do educando se estiverem no contexto de toda a cultura. Não se pode esquecer que os valores (querer aprender, por exemplo) são componentes culturais. Quando se trata das questões de currículo não convém nunca deixar de associar conteúdo e forma de ensinar. Se a condição para o educando aprender é que ele seja sujeito, então, por mais abstrato e complexo que seja determinado conteúdo cultural (conhecimento, valor, arte etc.), o aluno só aceita o convite do educador para apropriar-se dele, se se fizer autor, ou seja, ele só aprende na forma de quem age orientado por sua vontade. E isto não é uma questão apenas teórica, mas prática. Corolário disso é que o educador também não pode ser um mero repetidor de conteúdos, mas deve buscar a forma mais adequada para criar no educando a vontade de aprender. É nisso que tem investido toda a Didática, historicamente: criar métodos, técnicas, procedimentos, que produzam no aluno a vontade de aprender. Essa questão da associação entre forma de ensinar e conteúdo que se ensina se torna ainda mais proeminente, quando não se trata apenas de conhecimentos a serem adquiridos, mas de valores e posturas a serem assumidos. Não se pode, por exemplo, ensinar democracia com base em formas autoritárias de ensinar. É nessas situações que mais claramente se percebe que, em educação, a forma é conteúdo. Didatismo e Conhecimento
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Quando se fala de formas de ensinar que favoreçam a vontade de estudar do educando, é bom não se esquecer de que esse princípio não se restringe a uma relação entre professor e aluno dentro de uma sala de aula. É a escola inteira que deve ser motivadora; portanto, é a escola toda que deve se tornar educadora. A esse respeito, o enriquecimento do currículo não pode se restringir a mero acréscimo de disciplinas a serem estudadas, mas a uma verdadeira transformação da escola num lugar desejável pelo aluno, onde ele não vá apenas para se preparar para a vida, mas para vivê-la efetivamente. Assim, ele não é mero “cliente” de uma sala de aula, mas cidadão de toda uma escola que lhe propicia condições de participar de variadas atividades, no grupo de dança, no coral, no clube de ciências, no conjunto musical, no grupo de teatro, na roda de capoeira etc. Assim concebida, a escola é um lugar que deve fazer parte da vida das crianças, não provocar sua negação. Não deixa de ser desalentador perceber o quanto nossa escola tradicional tem negado esse princípio. Basta contemplar o mito de que ensino não se pode misturar com brincadeira, bastante presente no imaginário de nossos professores da escola fundamental, para se ter a dimensão dessa verdadeira negação da escola como local onde se constroem personalidades humano-históricas. Esse mito se sintetiza no esforço que às vezes se percebe em professores do primeiro ano do ensino fundamental que, desde o primeiro dia de aula, procuram convencer as crianças vindas da escola de educação infantil de que a escola, diferentemente da pré-escola, não é lugar de brincar, mas de estudar. Imagine-se a situação de crianças pequenas – para quem a alegria de viver se resume, em boa parte, em brincar – ver-se privada disso. Como é possível ensinar para alunos cuja forma privilegiada de se fazer sujeito é o brincar, se se lhes proíbe essa atividade? É como se fosse possível aprender sem ser sujeito. É como se vivêssemos um tempo em que a Didática ainda não tivesse descoberto a importância do lúdico na aprendizagem. Hoje, com o avanço dos conhecimentos na Pedagogia, continuar repelindo a brincadeira como adversária do ensino implica cortar pela raiz a possibilidade de fazer da escola uma verdadeira casa de educação, o que aponta mais uma vez para a relevância de se estudarem alternativas de transformação do currículo da escola fundamental, tanto no conteúdo quanto na forma. A cultura como matéria-prima do currículo Falar do currículo da escola fundamental é falar do conteúdo do ensino, mas de uma forma mais ampla do que usualmente se entende. Os “conteudistas” reduzem o conteúdo aos conhecimentos e informações que são transmitidos pela escola. Todavia, se educação é formação de personalidades humano-históricas, o seu conteúdo tem a ver com a cultura em seu sentido pleno: conhecimentos, informações, valores, crenças, tecnologia, ciência, arte, filosofia, direito etc., ou seja, tudo aquilo que é criado pelos homens, por contraposição à natureza, que existe independentemente de sua ação e vontade. O conceito de cultura, nesse sentido mais amplo, tem relação com o significado que lhe dá, pois a palavra cultura designa a soma total das criações humanas, ou o resultado organizado da experiência de um grupo qualquer, num dado momento ou momentos sucessivos. Incluem instrumentos, habitações, armas, todos os bens de produção existentes no grupo, como os processos de sua utilização; e ainda tudo quanto esse grupo tenha elaborado na forma de atitudes e crenças, ideias e opiniões, códigos e instruções, arte e ciência, organização social e filosofia de vida. Uma cultura se constitui pelo que se vê, de elementos materiais, e não materiais, ou simbólicos.

Vitor Henrique Paro (2003) constata a força da escolaridade pregressa em professores do ensino fundamental. mas principalmente pela conduta assumida na relação. como comumente se supõe. Para. de discussão. está-se falando sobre um dos componentes da estrutura curricular. Se fosse valorizado. de uma forma ou de outra. que ele reconheça e aceite o valor desse elemento e. ou melhor. com seus alunos. Ou seja. essa forma não é assimilada pelo educando apenas como forma de ensinar e aprender. Mas para as gerações atuais. no processo de aprendizado. Às vezes. Uma formação em serviço que logre produzir mudanças consistentes nas condutas políticas dos professores de hoje. Aprende-se a dominar.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A primeira consequência da consideração da cultura como conteúdo do ensino é que a estrutura curricular está necessariamente associada à estrutura didática. sua personalidade. Em consequência. os valores. outro aspecto relacionado aos conhecimentos incluídos no currículo escolar refere-se à natureza mesma desses conhecimentos. não é difícil imaginar sua conduta de hoje com seus alunos. valores etc. Acontece que a formação dessa “personalidade democrática” do educador escolar não se faz inteiramente por meio dos livros e dos cursos de Pedagogia e outros de formação de professores. Verifica. ao se tratar da estrutura didática. para fazer-se eficientemente. a intenção e o êxito. 2003). A importância desse fator decorre do fato de que a transmissão de valores – e das condutas que eles favorecem – não se sustenta em palavras e preceitos. além dessa preocupação com uma forma de ensino que provoque sua efetiva realização. Como se vê. o indivíduo é exposto a relações sociais que marcam. tanto quanto para a melhoria dessa educação visando a gerações futuras. de modo a incluir em sua prática cotidiana momentos de estudo. para as gerações futuras cumpre melhorar a educação que é oferecida hoje em nossas escolas fundamentais. Mas. em pleno período de seu desenvolvimento biopsíquico. em geral. e que o educador. indelevelmente. Aqui. E a estratégia adequada para dotar o ensino de bons professores no que diz respeito a esse quesito não pode restringir-se à melhoria da formação profissional nos cursos superiores de Pedagogia e assemelhados. é muito mais um replicador das relações pelas quais ele passou no ensino fundamental do que aplicador dos conhecimentos. predominantemente. A relação pedagógica como relação entre sujeitos supõe que o educando. Para isso. para ensinar. porque é aí que. entre cidadãos. esse componente político1 presente na educação como prática democrática é ingrediente curricular fundamental na formação de personalidades livres e autônomas. se pode formar a personalidade democrática dos professores de amanhã. a forma como foram tratados. ao lado de todos os demais elementos da cultura (conhecimentos. eles são tão importantes que é preciso providenciar uma forma de ensiná-los que produza sua real apropriação. se levarmos em conta o caráter autoritário das relações vigentes na escola que esse professor frequentou quando jovem. Nessa perspectiva. o estudante. de trocas de experiências e de práticas coletivas. é preciso que o educador “queira” ser democrático e “seja capaz de agir” democraticamente. o primeiro conteúdo do currículo é precisamente a forma de ensinar. por seus mestres” (PARO. e de sua capacidade de exercitar essa condição na interação com o educando. regras ou recomendações. visto ser no contexto da cultura que se forjam os conhecimentos. além disso. com a diferença de que o lugar incômodo foi trocado pelo mais cômodo. Ao contrário. a primeira questão que viria à tona aos formuladores de currículos e programas para o ensino fundamental seria a consideração do caráter democrático da personalidade do educador escolar. Já as crianças pequenas tratam as suas bonecas exatamente da mesma maneira como são tratadas. por meio daquilo que denomina “determinantes psicobiográficos” da propensão à reprovação. ao fazer-se conteúdo do ensino. pela simples razão de os valores não serem passados apenas por palavras. para a educação. Assim. como sujeito. sendo de particular importância o tipo de educação que ele recebe durante o ensino fundamental. Em estudo que verifica as razões do apego de educadores ao emprego da reprovação escolar. O modo de pensar é aqui o mesmo que na juventude e que foi formado pela experiência quotidiana. na verdade. em sua personalidade vão-se incorporando valores de cunho universal relacionados à forma democrática de convivência entre humanos. não se está querendo dizer que os conhecimentos e informações constantes das disciplinas escolares não sejam importantes.). É por isso que o professor do ensino fundamental de hoje. então. objetos e valores presentes na “relação” pedagógica. para aprender. técnicas. o caminho mais curto é a formação em serviço das dezenas de milhares de professores que hoje operam no ensino fundamental. para dar conta da passagem da democracia como componente curricular. Ao enfatizar a importância da forma em sua dimensão de conteúdo do currículo escolar. visando à melhoria da prática pedagógica. Mas. incorpora os valores que dão forma à maneira de essa cultura ser passada. é preciso que a estrutura mesma da escola seja transformada. Ao educar-se. de modo a tocarem em suas próprias personalidades. Esta é uma condição necessária para que o educador possa levar o educando a fazer-se sujeito e aprender. as visões de mundo e os modos de conduta incorporados durante os primeiros períodos de vida muito dificilmente serão apagados ou substituídos na idade adulta. são parte integrante do currículo escolar. aplique sua vontade na transmissão de tal elemento. como um ensino de caráter punitivo e que desconsidera a subjetividade do educando “parece levar os professores de hoje a reproduzirem. fazendo sofrer os seus educandos precisamente aquilo por que ele passou. obedecendo. quando estudantes. Didatismo e Conhecimento 78 princípios e métodos com que teve contato em sua formação docente. Em vista disso. O essencial dessa formação é constituído muito antes de o jovem chegar ao ensino superior. Lamentavelmente. A importância determinante. corresponde-se de tal maneira que a pessoa que recebeu a educação se coloca mais tarde na vida no lugar do seu educador. como autor. porque o mais determinante dessa “formação” já se deu quando o futuro professor frequentava a escola fundamental. dos atributos políticos (autoritários ou democráticos) incorporados na personalidade de cada professor do ensino fundamental deve levar à constatação de que tais atributos. ou seja. seja “verdadeiro” na transmissão de determinado componente cultural. é claro. As crenças. seja levado a aplicar sua vontade. exige uma forma democrática de relacionamento. precisa superar a atual maneira pontual e anárquica que tem preponderado nos “programas” de formação em serviço e “formações a distância” vigentes. de leitura. especialmente do professor. . A relação pedagógica. esse componente não tem recebido a devida atenção por parte das políticas públicas em educação.

Tal cuidado estava presente até mesmo no método dos jesuítas que. Quanto . Nos dias atuais tornou-se quase sagrado o mito da “sociedade do conhecimento” e da necessidade de adequar-se a ela. a sociologia e outras disciplinas do campo das ciências humanas. Língua Portuguesa. Se todos os que aprendessem a ler atendessem a seus interesses vitais. A reflexão. se os espíritos continuam virgens. a capacidade de raciocínio e a aptidão para o julgamento são relegados a um plano inferior. Certamente.). que comporão as matérias ou disciplinas escolares (Matemática. Afirmou-se por muito tempo: abrir escolas é fechar prisões. Não há dúvida de que o conhecimento deve ser crítico. nenhuma estatística seria capaz de dizê-lo. se com este termo estivermos entendendo a superação de uma visão ingênua do mundo. Didatismo e Conhecimento 79 Entretanto. há que se selecionar. dança. “ideias que são simplesmente recebidas pela mente sem que sejam utilizadas ou testadas ou mergulhadas em novas combinações”. A alfabetização pura e simples nada tem feito de construtivo. na vida adulta. entretanto. implica considerar pelo menos três tipos de providências relativas a sua concretização: uma seleção de conteúdos. como a história. Filosofia etc. a criatividade. com base apenas na autoridade do professor ou da escola. Isto vai contra a crença de que a forma por excelência de o ensino se fazer crítico é selecionando os conhecimentos que tragam explicitamente uma intenção política de conscientização. Tanto que todo o ensino francês parece se reduzir a um gigantesco empreendimento de alienação mental. a capacidade de expressão exata. as notas. quando se inicia seriamente a aprendizagem da leitura e da escrita. de modo a propiciar condições de novos avanços e aprofundamentos em cada conteúdo nos estágios e níveis subsequentes do ensino. Por mais “neutra” que possa parecer uma disciplina como a Matemática. Muito embora não se possa menosprezar a importância dessas disciplinas – e não se deva descartar determinado conteúdo curricular por ele ser explicitamente político – o componente crítico deve estar presente não apenas em todo conhecimento veiculado pelas disciplinas. coroando tudo isso.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A esse respeito. No primeiro caso. de seus direitos. apesar de se referirem ao sistema francês na década de 1960. A estratégia preferida para proceder a essa adequação parece ser a aquisição da maior quantidade possível de informação. o caráter crítico do ensino estaria presente apenas naquelas disciplinas que veiculam explicitamente valores ou posturas políticas. Segundo esse ponto de vista. Os únicos elementos importantes da vida escolar são os programas. ao domínio do corpo. de toda colaboração efetiva com os outros. em sua crítica à escola. um simples repetidor de conteúdo é uma preocupação que sempre esteve presente na História da Educação. de seus deveres. já enfatizava a importância da formação. Nossos currículos parecem constituir um enorme rol de conhecimentos a serem armazenados nas cabeças dos estudantes. o princípio prevalecente nessas escolhas deve ser o da busca de uma síntese possível do conteúdo de cada área. pois tudo o que ensina é em grande parte esquecido”. de modo a que ele não se torne. A Matemática continuará contribuindo para inibir o espírito crítico se continuar sendo ensinada de maneira “bancária” (FREIRE. ao esporte. Os conhecimentos positivos de geografia ou de física poderão estar antiquados no cabo de poucos lustros. as classificações e. ou seja. A criança que hoje é levada a aceitar passivamente um algoritmo ou uma regra sem compreender seu funcionamento. mas que contemple também as demais dimensões da cultura. Michel Lobrot (1977). História. mas considera que ela “pode desviar definitivamente o jovem de toda pesquisa intelectual. afirma que esta “não exerce quase nenhuma influência no saber e na capacidade dos adultos. o espírito crítico. É preciso precaver-se contra aquilo que Whitehead chama de “ideias inertes”. o que chama a atenção é precisamente a ausência dessa preocupação por parte das políticas públicas. uma articulação entre os vários tipos de conteúdos e uma adequação estrutural da escola com vistas a essa nova concepção de currículo. aperfeiçoar-se individualmente. porém. De nada vale. o critério na apreciação dos homens. 1975). isto é. e uma ordenação que leve em conta cada fase ou ciclo de desenvolvimento curricular. a alfabetização só por si seria um programa excelente. aplicam-se sob medida ao Brasil de hoje: George coloca que a partir da idade de 6 anos. as palavras de George Gudsdorf (1987) são bastante atuais e. por um lado. se os fatos já se não tivessem encarregado de fazê-lo. Alfabetizar o indivíduo sem fazê-lo crescer. Se perguntássemos. ao artesanato. A adoção de uma concepção de currículo que não se baste no rol de conhecimentos a serem transmitidos. é crítico todo conhecimento que esteja comprometido com a verdade. os exames. teatro. os novos componentes curriculares relacionados à arte (música. os exercícios. a criança francesa torna-se a presa de um sistema cujo único ideal é empanturrar cérebros sem levar em conta o essencial desenvolvimento equilibrado da personalidade. é preciso garantir a flexibilidade suficiente para permitir os necessários ajustes às características regionais e estimular a criatividade de cada unidade escolar. de indivíduos que não fossem meros acúmulos de conhecimentos. o raciocínio seguro. A esse respeito. de suas responsabilidades e de suas obrigações. pela escola. por exemplo. à saúde etc. se se guardam intactos em sua feição primitiva.) e. por outro. nas diversas áreas do saber e das ciências. é comum ouvir-se falar da necessidade de um conteúdo do ensino que seja crítico e que favoreça a consciência política dos educandos. ter consciência de seu papel social. aceitará preconceitos e injustiças sociais. mas que soubessem refletir e apreciar a cultura. os conhecimentos relevantes. também passivamente. tenderá a ser o mesmo indivíduo que. O cuidado com a formação do jovem. em que as regras e algoritmos são memorizadas sem nenhum questionamento ou descoberta por parte do educando. Neste sentido. mas também em toda cultura que venha a compor o currículo escolar. sem perguntar seu significado e razão de ser. como muitos acreditam que se propiciará um aprendizado mais crítico. obtivessem adaptação a seu meio social e não lessem senão ideias construtoras. artes plásticas etc. e a escola passa a ser valorizada quase só na medida de sua capacidade de fornecer informações. bela e enérgica de uma alma harmoniosamente desenvolvida representam aquisições humanas de valor perene. é dar-lhe um instrumento cuja prática pode ser mais prejudicial do que benéfica. na comunidade e para a comunidade. a afirmativa de que a instrução é a grande panaceia universal. se ela instila um fastio insuperável e mantém uma mentalidade de competição e de respeito formal aos mestres”. Tais considerações desautorizariam. e aceitos passivamente pelo aluno. apesar de não contar com os avanços atuais da Pedagogia. Além disso. não é enxertando questões sociais nos exemplos de problemas matemáticos. quantas prisões as escolas fecharam. embora se possa (ou se deva) estabelecer mínimos curriculares ou parâmetros orientadores que tenham validade nacional. quando adulto. se os conhecimentos forem apenas “revelados” pelo professor. de toda curiosidade. ao folclore.

para que essa herança cultural seja distribuída de modo desigual aos cidadãos. também o currículo deve levar em conta essa condição. na forma de todo desenvolvimento científico. a percepção da complexidade do mundo e dos seres. enriquecer a vida presente do educando. Quanto a isso. espaços. filosófico. portanto. e se propõe a abordagem plena da cultura. Todavia. o direito ao ensino fundamental é visto apenas em termos do cumprimento dessas metas. ao mundo natural. mas propiciar condições para que cada unidade escolar encontre a melhor forma de dispor seus recursos e adequá-los ao currículo adotado e à população usuária. para seguir nos níveis subsequentes de ensino e para tornar-se apto ao trabalho (ou melhor. Ora. isso não pode significar o direito apenas a pequenos “pedaços” da cultura. Em geral costuma-se valorizar o ensino escolar. o afinamento das emoções. destinando aos desprotegidos as migalhas dos conhecimentos escolares. Como geralmente não se adota uma concepção de educação como apropriação da cultura. tempos e equipamentos completamente diversificados. quer nasçamos no barraco da favela. mas não são tudo. sem nenhuma referência à cultura plena como direito. a boa disposição para com o próximo. com funções. como o exercício da reflexão. de tudo o que nossos antepassados. para além da necessidade natural. na forma da assim chamada “cultura erudita”. Por isso. As escolas devem ter a prerrogativa de serem consideradas em relação a suas circunstâncias especiais. Língua Portuguesa. pautada por valores progressistas de afirmação da condição de sujeito de todos os cidadãos. portanto. uma das reivindicações é precisamente fazer com que essas outras dimensões da cultura deem mais sentido à escola. Uma nova concepção de currículo que se preocupe com toda a cultura certamente exigirá outra escola. Esta preparação é usualmente associada aos conhecimentos mínimos necessários para o indivíduo viver em sociedade. quando se advoga a superação do atual currículo fundado apenas em conhecimentos e informações. porém. Do ponto de vista dos valores democráticos. ético. ao fazerem a história. o terceiro tipo de providência que deve acompanhar uma reforma curricular refere-se à reestruturação da própria unidade escolar e de seu desenrolar cotidiano. não modificado por seu próprio corpo docente. Didatismo e Conhecimento 80 Todavia. A cultura. na forma das chamadas disciplinas escolares (Matemática. embaixo de uma ponte ou na mansão de algum magnata. O direito à cultura significa. pois é necessário um grande esforço de educação e autoeducação a fim de reconhecermos sinceramente este postulado. sem dúvida.. . o cultivo do humor. a cultura não pode ser considerada um bem privado a que apenas os privilegiados das camadas mais abastadas têm acesso. a tendência mais funda é achar que nossos direitos são mais urgentes que os do próximo. humano-histórico. partes importantíssimas da herança cultural. enquanto forma sua personalidade e prepara para futuros enriquecimentos cultural. que independe da ação e da vontade do homem). A imensa maioria das escolas é concebida para receber turmas de alunos ouvintes. para realizar-se como tal. é preciso estar alerta para o fato de que pensar em direitos humanos tem um pressuposto: reconhecer que aquilo que consideramos indispensável para nós é também indispensável para o próximo. mas histórica). mas não deveria ser permitido o currículo inteiramente rígido. em particular o fundamental. Por isso. ao emprego). Na verdade. pelo que ele pode trazer de contribuição ao desenvolvimento econômico e social do país e para a preparação individual dos cidadãos. Ela clama por uma educação que logre preparar o indivíduo para o usufruto de todos os bens espirituais e materiais criados historicamente no contexto da cultura. entendida a cultura como toda a criação humana (contraposta. inclusive no plano estritamente individual. nos deixaram por herança (não genética. O direito à cultura Tomar a educação como apropriação da cultura traz importantes consequências para a apreciação dos direitos humanos. somos meras natureza. A realização pessoal exige muito mais do que fragmentos de cultura que nossa escola se propõe a fornecer. a capacidade de penetrar nos problemas da vida. etc. que lamentavelmente é precisamente isso que acontece: a cultura é distribuída de acordo com a origem social dos indivíduos. para sentir-se bem. A classificação das escolas para determinadas finalidades é necessária. é pela apropriação dessa cultura (pela educação). a aquisição do saber. ou melhor. em salas separadas. é o próprio substrato da liberdade do homem. propiciando maior prazer e satisfação na apropriação dos conhecimentos. portanto. conclui-se que esse processo confirma no homem aqueles traços que reputamos essenciais. tecnológico etc. Nesse sentido. convém ter sempre presente que. a escola é a verdadeira unidade educacional em qualquer sistema nacional para a salvaguarda da eficiência. é preciso que haja inter-relacionamento entre os vários conteúdos. as artes e a cultura em geral comportam divisões em disciplinas ou áreas. É preciso não se esquecer de que. liberto dos grilhões da necessidade. artístico. numa sociedade verdadeiramente democrática. concorrendo assim para o benefício do todo cultural de que fazem parte. Para que isso aconteça. essa visão da cultura como necessidade (e direito) universal ainda está longe de se generalizar em nossa sociedade. As ciências. Essa me parece a essência do problema. como afirmei no início deste artigo. de modo que os vários componentes culturais propiciem aquilo que é próprio de uma educação verdadeiramente significativa: ser intrinsecamente interessante. Mesmo as pessoas que têm maior acesso à cultura muito raramente percebem essa dimensão dos direitos humanos. Finalmente. não precisa apenas de conhecimentos e informações. os mais pobres tendo que permanecer à beira da necessidade natural por lhes serem negada as condições objetivas de se desenvolverem culturalmente. Quando falamos de direito à educação. Estas são. o direito à própria humanização do indivíduo. cada indivíduo se faz mais livre à medida que se apropria da cultura. não para estas se fazerem estanques e independentes umas das outras. Neste quesito também não se deve homogeneizar. os mais ricos tendo a sua disposição os meios e recursos que lhes possibilitam o desenvolvimento de suas potencialidades. a que todos os cidadãos. todas essas são qualidades que nos são dadas pela educação como apropriação da cultura. mas para facilitar o tratamento específico naquilo que lhes convém. A segunda medida relativa ao dimensionamento curricular diz respeito à imprescindível conexão dos conteúdos das chamadas disciplinas teóricas com os conteúdos relacionados às outras dimensões da cultura que farão parte do currículo. Fazemo-nos humanos à medida que nos apropriamos da cultura. pelo fato mesmo de serem cidadãos. têm o direito de acesso. Geografia. portanto. O ser humano.). No nascimento.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS a isso. Dessa forma. não há nenhuma razão. que o homem se diferencia da mera natureza e se faz humano. Sabemos. o senso da beleza.

. por meio de obediência. ou seja. Os educadores escolares e o currículo Qualquer projeto de mudança na estrutura curricular do ensino fundamental precisa partir da realidade atual de nossas escolas. no exercício do companheirismo etc. Uma questão que aparece quando se menciona a necessidade de um currículo mais rico para o ensino fundamental. baseada na apreciação consciente dos valores. valores cuja função social e psicológica seja inteligível. os modos de ser e de agir que enriquecem a personalidade das crianças e criam nelas valores democráticos. parece adotar uma concepção que tem mais a ver com disciplina e moralização: Seu relato. imitação ou de sugestão emocional. diz que precisa ensinar a cidadania. no entanto. Uma professora da segunda série. individuais ou coletivos. Como vimos até aqui. A esse respeito a pesquisa de campo procurou identificar entre os depoentes suas concepções de currículo. A escola.] que os pais não estão dando mais. demonstra uma sociedade agressiva. como são no Brasil. já se denuncia que ela não tem condições de desempenhar. Deixa escapar.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Desse modo. Neste tópico procuro apresentar o ponto de vista dos entrevistados a respeito desses temas. em alguma medida. a falta de tempo que eles acham que eles não têm mais pro seu filho [. instrução.. Nesse período de formação de suas personalidades. saúde. Não percebe que as crianças de sete ou oito anos não têm suficiente discernimento para discutir a política nacional. no desenvolvimento da autonomia e da autodisciplina. passando uma moral que as populações não teriam. as questões levantadas e as opiniões dos educadores parecem representar. com “luta pelo poder” ou com seu sentido formal e específico envolvendo o funcionamento dos poderes da república. com a política em sua forma democrática. Não seria. mas as condutas. identificando-a. cheia de problemas. sobretudo em apreciação dos valores racionais. mais do que isso. na valorização da paz. devemos reeducar o homem integral. a seguir. pelo acréscimo de conhecimentos nas listas das disciplinas tradicionais. Diante da pergunta sobre como “preparar para a vida”. Quanto as valorações e os métodos de educação em vigor.] eu discuto [. tomando posição diante de atos governamentais. então. quando perguntada sobre o assunto diz. assim. sem dúvida. bem como suas perspectivas em relação à eventual transformação dessa realidade. verificamos que para criar um cidadão obediente à lei cuja obediência não se baseia exclusivamente na cegueira da aceitação e do hábito. passível de envolver todos os atos e momentos da vida em sociedade. na relação dialógica entre todos que participam da situação de ensino. É comum encontrar-se no discurso dos educadores escolares um apelo para a imposição de «limites». talvez isto não lhes passe pela cabeça. eu acho que é pela falta do limite [. Eu acho que é importante a criança. E não por mal. comida. é que seria possível oferecer condições de aprendizado e prática da democracia a essas crianças. . eu me identificar com o outro. Ao falar sobre fatores sociológicos que perturbam o processo de valoração na sociedade moderna. mesmo na primeira série. Um quesito importante dessa tarefa é saber o que pensam os professores e demais educadores escolares. sonegar a cultura é sonegar uma parte da capacidade de viver em liberdade. desde pequena. como casa. o negócio do mensalão [.. assim.]. suas apreciações relativas à atual estrutura curricular. essa é a parte que a escola tem que fazer que eu acho que o pai também tem que fazer [. de saída. é a que se refere à necessidade da inclusão da política no conteúdo escolar. ao se reportar aos valores como conteúdos do ensino. de brincadeiras e de trabalho. não se pode criar um novo mundo moral alicerçado. já ter consciência de certas coisas. a forma se faz conteúdo. até para poder opinar. judiciários ou legislativos... Considerando o caráter imprescindível da cultura para a formação integral da personalidade e para o efetivo exercício da cidadania. etc. mas somente porque quando arrolam seus direitos não estendem todos eles ao semelhante. na convivência em grupos de estudo. dificilmente serão capazes de se haver com valores cujo apelo à razão e cujos princípios subjacentes podem e devem ser discutidos. Quando se põe a explicar o que é isso diz: “Eu ser um cidadão. como acaba sendo hoje em dia”. parece mais próxima de uma abordagem correta do problema quando procura adequá-lo em termos de conduta para com o outro. assim. agindo democraticamente. Elas afirmam que o próximo tem direito.] É que eles não entendem o caminho. isso que eu falo que eles estão pondo na escola. os comportamentos.. a partir da manifestação da professora.. sonegando aos educandos outros elementos culturais igualmente valiosos.. as visões a respeito de currículo comumente presentes na realidade educacional brasileira. As pessoas que se acham condicionadas a aceitar cegamente valores. no comportamento de aceitação do outro..” Mas. Ainda não nos demos completamente conta de quão tremenda seria a reforma da educação necessária para fazer funcionar uma sociedade democrática. a oportunidade de proporcionar aos educandos condições de entrar em contato com a política e. mais do que nunca. “Eu acho (isso eu acho. não tenho certeza ainda). em lugar da criação de condutas democráticas.. Aqui. mas de dar-lhes condições de aprender democracia. Mas será que pensam que seu semelhante pobre teria direito a ler Dostoievski ou ouvir os quartetos de Beethoven? Apesar das boas intenções no outro setor. eu respeitar o outro. o esforço para incluir o semelhante no mesmo elenco de bens que reivindicamos está na base da reflexão sobre os direitos humanos. isto é. coisas que ninguém bem formado admite hoje em dia que seja privilégio de minorias. como convivência pacífica entre indivíduos e grupos que “se afirmam como sujeitos”. para depois não ser levada. porque não se trata de “doutrinar” as crianças. De um modo geral. Escapa-lhe a compreensão da política em seu sentido amplo de convivência entre sujeitos. Isso é essencial. é vista como tendo que exercer um papel civilizatório. e a atribuição à família de um papel civilizador que. que é favorável a que se ensine e se discuta política com os alunos: “Eu acho que as crianças desde pequenas já têm que entender certas coisas. não são preponderantemente os discursos. eu gostar do outro. em certo sentido. o currículo da escola fundamental não pode restringir-se a uma lista de conhecimentos e informações. na discussão e na tomada de decisões nas pequenas coisas do dia a dia. a certos bens fundamentais.] [a questão dos valores]. na forma meramente verbal. Ora. incontinenti. Eu procuro fazer isso com meus alunos. Outra professora da terceira série. as pessoas são frequentemente vítimas de uma curiosa obnubilação. Percebe-se. Didatismo e Conhecimento 81 Nesse sentido mais amplo e rigoroso de democracia. e ao mesmo tempo conservar um sistema educacional que em suas técnicas essenciais aja por meio da criação de inibições e procure impedir o desenvolvimento da capacidade crítica. que ela se expressa a partir de um conceito restrito de política.

. o professor. porque é uma escola “chata”.. Na verdade. fazer alguma mágica. o pauzinho da barraca e transformar numa escola gostosa. a dançar. em geral. que existiria em escolas do Estado. os estudantes ainda são atraídos pela escola. Na verdade não é só porque “não se pode” que a cultura não é privilegiada. extra tudo. enriquecer o currículo é dar novos conhecimentos. convém ser culto para transmitir cultura. desse importante bem cultural. diz que seus alunos não gostam da aula de artes. um programa muito rígido impõe dificuldades à criatividade e a uma maior abertura para conteúdos culturais mais elaborados e mais diversificados. Às vezes. que ela considera uma boa ideia. Acontece que os professores e demais adultos com os quais a criança tem contato (inclusive seus familiares) são frutos de uma escola tão carente de cultura quanto a de hoje. fazer uma competição entre pais e filhos.] e teria que. Sobre o enriquecimento do currículo. Não deixa de ser altamente intrigante que as crianças não gostem da aula de artes! Observe-se o que a escola consegue fazer com a cultura. extraclasse. Também nas várias investigações tenho procurado saber entre os professores e pessoal da escola a respeito da causa dessa atração. acaba se dando conta de suas deficiências e. de consultório médico. Dificilmente se encontra uma sala de espera de escritório. demonstra se preocupar com o caráter enfadonho das atividades escolares. Há professores que sequer veem a necessidade de alguma mudança substancial na estrutura curricular. com muitas referências dos alunos a respeito da falta que sentem da escola nas férias. Como deu a entender a diretora da escola. há um terceiro fator decisivo a dificultar a transmissão da cultura no ensino fundamental. O fato de não ter havido ainda nenhum movimento (pelo menos que seja de conhecimento público) que reclame contra essa restrição ao direito de ler. O problema já começa com o ensino de Língua Portuguesa. colocar isso tudo de lado e transformar a escola numa escola prazerosa. se refere à escola de tempo integral. Uma professora da primeira série. mas a pergunta que se faz é se esse é o único empecilho. As crianças. a vice-diretora.]. parece que. sim [. criar uma atividade extraescolar. até mesmo com seus conteúdos mais prazerosos. quando se fala que a escola tem que dar cidadania aos educandos. De repente.procurou-se atualizar as informações junto aos entrevistados desta investigação. Tem que transformar numa escola prazerosa. mas cultura em seu sentido pleno: trata-se da influência decisiva da capacidade do educador no desempenho de seu papel. que em geral confirmaram a hipótese. numa “contação” de história [. quando convidado a refletir sobre o currículo atual. Embora o tema já tenha sido tratado anteriormente. Essa falta de interesse pela aula de artes lembra um dos aspectos mais importantes para uma escola que pretenda transmitir. Mas.. Nada se menciona do direito à cultura integral. Uma das surpresas é constatar como a escola consegue criar nas crianças a ojeriza à própria cultura. tradicional. quando muito sugerindo alguma atividade ou conteúdo no currículo existente. de repartição pública. com ênfase nos valores. enfadonho e ineficiente desde a alfabetização até o contato (quando há) com as obras literárias nacionais e internacionais. Um aspecto curioso relacionado à estrutura didática e curricular de nossa escola fundamental é o fato de que. é possível encontrar entre os educadores escolares quem perceba o caráter pouco atrativo do currículo e da didática da escola e se preocupe com isso e com a necessidade de mudança. O mal que a escola tem feito à apreciação da leitura é alarmante. desinteressante) como a professora dá a disciplina. como dizem aí vulgarmente. parece bem um indicativo do exíguo número de pessoas que tentam dele usufruir nessas situações. pode-se citar a desvalorização que tem entre nós o exercício da leitura. uma escola lúdica. mas não é apenas isso. Associado a esse tema está a fraca importância que é dada socialmente a qualquer tipo de refinamento cultural. mas também porque o professor não sabe o que fazer. Não sabe arrolar as razões por que a escola deve mudar para ser eficaz. o que evidencia a falta de suporte técnico-pedagógico do sistema de ensino para proporcionar aos trabalhadores da educação aptidão e confiança para sugerir e implementar qualquer tipo de mudança no campo didático ou curricular. de aeroporto. porque a escola não tem estrutura para realizar seus fins. se está pensando apenas em mais conhecimentos e conhecimentos mais adequados aos tempos modernos. Segundo essa concepção. convém não ignorar que qualquer solução para a formação cultural das crianças de hoje precisa incluir o acesso à cultura também dos adultos. ela é conteudista. pelo menos uma vez. sim. por exemplo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Em suma. em mágica e. e a conclusão que esses depoimentos favorecem é que seu motivo principal é o convívio com os colegas. Segundo o estudo. acabam por adquirir resistência à leitura e ficam privadas. em vez de adquirirem o hábito de ler e a capacidade de usufruir do direto à literatura. a diretora da escola. Didatismo e Conhecimento 82 Quem visita a escola fundamental com olhos críticos a todo momento se surpreende com as relações e fatos que presencia. Embora não pareça ser a regra. numa atitude defensiva.] Fala-se em grandes transformações. Vera Sanches percebe que é isso também. embora não fundamente tecnicamente a mudança. num grande circo [. mesmo com métodos ultrapassados que lhes tolhem a espontaneidade e com currículos pouco significativos para suas vidas. especialmente seus professores. fazer uma competição de jogos.. mas que a notícia que ela tem é de que “é uma porcaria”. Parece que não. estimulantes e belos. Ela acha que a criança precisa aprender. mas também a cantar. Tenho-me interessado por esse fenômeno em várias pesquisas de campo que tenho feito e sempre se confirma essa hipótese. apresenta justificativas ou desculpas para o fato de não estar desenvolvendo determinados conteúdos. criativos. quando adultas. sim. extra currículo. um dia. por exemplo. É ousada. Chutar mesmo. sente que precisa mudar. Durante uma pesquisa. não apenas a ler e a escrever.. fazer alguma coisa. Por isso. Para ficar apenas num exemplo. quer uma escola “prazerosa”. os poucos que tiveram a felicidade de uma formação que os levou ao gosto pela leitura acabam por ser permanentemente tolhidos em suas tentativas de ler em lugares públicos. a realizar atividades artísticas etc. ou de qualquer local em que se tenha de aguardar para ser atendido que não tenha um televisor ou um rádio ligado num volume que impede o saudável exercício da leitura. Não bastasse isso. essa sim capaz de formar personalidades consentâneas com o conceito de cidadania. Ela faz críticas ao modo (formal. porque a escola nossa é chata. você tirar um pouco da sua aula conteudista.. a escola do dia a dia é uma escola chata. não apenas conhecimentos.. além das más condições de trabalho do professor e do baixo valor atribuído ao aspecto cultural. A situação exige uma mudança mais profunda que toca no que se ensina e como se ensina. e a gente tem normas chatas.

na estrutura didática. que na sociedade em geral se concretiza na falta do acesso aos bens culturais de vastas camadas da população. O cuidado em proporcionar educadores capazes para uma educação de qualidade precisa considerar que o que. .2011/2020) constante do Anexo desta Lei. a primeira questão curricular de importância é seu relacionamento com a estrutura didática da escola. a concepção global da escola precisa mudar se quisermos que ela seja adequada a uma educação comprometida com a formação de sujeitos humano-históricos. É a cultura em seu sentido pleno.2011/2020: I . devem ser incluídos no rol de elementos culturais componentes do ensino fundamental. sua apropriação na forma “simplória” da mera passagem de conhecimentos. todavia. embora tais conteúdos não devam.erradicação do analfabetismo. Em vista disso. IV . começa na escola. Uma verdade – que se suspeita secular – é que os professores de determinada geração reproduzem com seus alunos o que seus mestres fizeram com eles no passado. O que é urgente é que conteúdos importantíssimos. as mudanças no currículo do ensino fundamental devem se articular com as demais transformações que nossa tradicional escola exige: na estrutura administrativa. ganhem o seu lugar de importância no currículo. com vistas ao cumprimento do disposto no art. formando as novas gerações. ordenação e relacionamento das disciplinas tradicionais. sofrer restrições. tanto em nível de sistema quanto no âmbito das unidades escolares. e de acordo com sua especificidade humana-social. A multiplicidade e a complexidade dos elementos culturais não admitem. Aspecto de destaque na discussão do direito do cidadão à cultura é o oferecimento de uma educação que concorra para a construção daquilo que se poderia chamar de personalidade democrática do indivíduo. 2o São diretrizes do PNE . O processo pedagógico escolar. contribuir para a formação do professor de amanhã.melhoria da qualidade do ensino. na atividade discente e na participação da comunidade. são esses “novos” conteúdos – pelo envolvimento com a subjetividade do “aprendente” que eles exigem e propiciam – que contribuirão para que a apropriação dos conhecimentos tradicionais (agora sim) possam ser apreendidos com mais eficácia. mais influiu na personalidade do professor foi uma escola fundamental tão carente de cultura quanto a de hoje. ao cuidado pessoal. Tendo em vista esses conteúdos bem como o avanço teórico-prático da Didática no que se refere à necessária consideração do educando como sujeito no processo pedagógico.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS O escopo do texto foi o de trazer ao campo das discussões a questão do currículo do ensino fundamental. o suposto básico é que. Nenhuma “sociedade do conhecimento”. PARÂMETROS E ORIENTAÇÕES NACIONAIS.universalização do atendimento escolar. A negação desse direito. 1o Fica aprovado o Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2020 (PNE . que.superação das desigualdades educacionais. mas de modo a questionar a estrutura curricular em seus próprios fundamentos. então. PROJETO DE LEI Nº 8035/2010 Aprova o Plano Nacional de Educação para o decênio 20112020 e dá outras providências. que privilegia a seleção. O CONGRESSO NACIONAL decreta: Art. do ponto de vista estritamente técnico. sem que seja exercitada na prática da vida cotidiana. V . Art. sobrevive apenas com conhecimentos. como insiste o jargão acadêmico. é preciso ser democrático para formar personalidades democráticas. à ética. é preciso extremo cuidado na formação dos professores. especialmente na fase de desenvolvimento biopsíquico e social da criança e do jovem. a rigor. para a formação do estudante desse nível de ensino não bastam os conteúdos de conhecimentos e informações que compõem as disciplinas escolares tradicionais. 8 CURRÍCULOS E PROGRAMAS: DIRETRIZES. e independentemente de medidas que se venham tomar com relação à formação de professores em nível superior.formação para o trabalho. assim como a educação não se faz crítica apenas a partir de conhecimentos críticos. Em vista disso e considerando a importância do período em que se frequenta o ensino fundamental na construção da personalidade. em nenhuma hipótese. Por isso. A esse respeito. de modo a abarcar a cultura em suas múltiplas dimensões. ao uso do corpo etc. à luz dos avanços científicos na área da Pedagogia. 214 da Constituição. quer do oferecimento dos meios intelectuais necessários para seu pleno usufruto. Para quebrar essa tradição. Em suma. com relação à discussão do redimensionamento do currículo da escola fundamental. Espera-se também que as ponderações apresentadas contribuam para uma melhor reflexão sobre o real sentido da qualidade do ensino e sobre a necessidade da elaboração e adoção de instrumentos mais adequados para sua avaliação. deixando na sombra o verdadeiro direito à humanização do cidadão que é seu direito à cultura. numa sociedade democrática. que hoje são minimizados ou completamente ignorados. Não. Verificou-se. A estreiteza do conceito de educação que a relaciona apenas à transmissão de conhecimentos e informações tem reduzido a apenas isso a compreensão do direito constitucional à educação. quer da fruição dessa cultura. não esquecendo que é Didatismo e Conhecimento 83 preciso ser culto para transmitir cultura. elaboram e implementam políticas públicas para a educação. como propósito de oferecer subsídios teóricos e argumentativos àqueles que discutem. conteúdos relacionados à arte. precisa ser contemplado com tempos e espaços que favoreçam seu pleno desenvolvimento e que garantam sua realização como prática democrática enriquecedora de personalidades cidadãs. portadores de cultura e que usufruem dos bens culturais como direito universal. convém dedicar todo esforço na formação em serviço das centenas de milhares de professores que já estão nas escolas. em seus conteúdos pautados na transmissão de conhecimentos. no trabalho docente. III . ao mesmo tempo. pela recusa. também a democracia não se aprende nem passa a compor a personalidade. que precisa ser considerada como matéria-prima do currículo quando o que está em jogo é o atendimento do direito do cidadão. à política. as questões políticas educacionais sobre a estrutura curricular da escola fundamental corroboram considerações sobre os demais aspectos da estrutura total da escola feitas no relatório geral da pesquisa. Por outro lado. II . Essa parece ser uma forma efetiva de melhorar a escola de hoje e. que abarca tudo o que é produzido historicamente pelos seres humanos.

e X . metas de expansão das respectivas redes públicas de educação infantil segundo padrão nacional de qualidade compatível com as peculiaridades locais. a oferta de educação infantil de forma a atender a cinquenta por cento da população de até três anos. § 1o As estratégias definidas no Anexo desta Lei não elidem a adoção de medidas adicionais em âmbito local ou de instrumentos jurídicos que formalizem a cooperação entre os entes federados. podendo ser complementadas por mecanismos nacionais e locais de coordenação e colaboração recíproca. Art.011/2020. 7o A consecução das metas do PNE . Art. o quadro de pessoal e os recursos pedagógicos e de acessibilidade empregados na creche e na pré-escola. 4o As metas previstas no Anexo desta Lei deverão ter como referência os censos nacionais da educação básica e superior mais atualizados. disponíveis na data da publicação desta Lei. Art. § 1o Os entes federados deverão estabelecer em seus respectivos planos de educação metas que considerem as necessidades específicas das populações do campo e de áreas remanescentes de quilombos. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica . O Fórum Nacional de Educação.2011/2020 e a implementação das estratégias deverão ser realizadas em regime de colaboração entre a União. Art. de modo a garantir a construção de currículos capazes de incorporar os avanços das ciências no atendimento da população de quatro e cinco anos. Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação. § 2o Os sistemas de ensino dos Estados. ou adequar os planos já aprovados em lei. o Distrito Federal e os Municípios. combinados com os dados relativos ao desempenho dos estudantes apurados na avaliação nacional do rendimento escolar. dos Estados. com intervalo de até quatro anos entre elas. em consonância com as diretrizes. do respeito à diversidade e a gestão democrática da educação. 1. 1. assegurando sistema educacional inclusivo em todos os níveis. .2011/2020 e com os respectivos planos de educação. a ser instituído no âmbito do Ministério da Educação. com o objetivo de avaliar e monitorar a execução do PNE . até 2016. os Estados. 9o Os Estados. Didatismo e Conhecimento 84 § 2o Os entes federados deverão estabelecer em seus respectivos planos de educação metas que garantam o atendimento às necessidades educacionais específicas da educação especial.2011-2020 e subsidiar a elaboração do Plano Nacional de Educação para o decênio 20212030. para atender às necessidades financeiras do cumprimento das demais metas do PNE .INEP. 8o. o atendimento escolar da população de quatro e cinco anos. científica e tecnológica do País. 1. 5o A meta de ampliação progressiva do investimento público em educação será avaliada no quarto ano de vigência dessa Lei. e ampliar. VIII . podendo ser revista. as diretrizes orçamentárias e os orçamentos anuais da União. VII . 8o Os Estados. em regime de colaboração entre a União. vinculado ao Ministério da Educação. 6o A União deverá promover a realização de pelo menos duas conferências nacionais de educação até o final da década. Art. § 3o A educação escolar indígena deverá ser implementada por meio de regime de colaboração específico que considere os territórios étnico-educacionais e de estratégias que levem em conta as especificidades socioculturais e lingüísticas de cada comunidade. § 2o O INEP empreenderá estudos para desenvolver outros indicadores de qualidade relativos ao corpo docente e à infraestrutura das escolas de educação básica. a fim de viabilizar sua plena execução.5) Fomentar a formação inicial e continuada de profissionais do magistério para a educação infantil.valorização dos profissionais da educação. Estratégias: 1.promoção da sustentabilidade sócio-ambiental. o Distrito Federal e os Municípios deverão aprovar leis específicas disciplinando a gestão democrática da educação em seus respectivos âmbitos de atuação no prazo de um ano contado da publicação desta Lei. a fim de aferir a infraestrutura física. Art. até 2020.1) Definir. do Distrito Federal e dos Municípios deverão prever mecanismos para o acompanhamento local da consecução das metas do PNE . os Estados.2) Manter e aprofundar programa nacional de reestruturação e aquisição de equipamentos para a rede escolar pública de educação infantil. conforme o caso. voltado à expansão e à melhoria da rede física de creches e pré-escolas públicas. metas e estratégias previstas no PNE . Art. 3o As metas previstas no Anexo desta Lei deverão ser cumpridas no prazo de vigência do PNE .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS VI .estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do produto interno bruto. Parágrafo único.6) Estimular a articulação entre programas de pós-graduação stricto sensu e cursos de formação de professores para a educação infantil. IX . Art. Art. § 1o O IDEB é calculado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira . o Distrito Federal e os Municípios deverão elaborar seus correspondentes planos de educação. 10.2011/2020.difusão dos princípios da equidade. metas e estratégias do PNE . O plano plurianual.4) Estimular a oferta de matrículas gratuitas em creches por meio da concessão de certificado de entidade beneficente de assistência social na educação. desde que não haja prazo inferior definido para metas específicas. Art. etapas e modalidades. do Distrito Federal e dos Municípios deverão ser formulados de maneira a assegurar a consignação de dotações orçamentárias compatíveis com as diretrizes. garantindo equidade educacional.3) Avaliar a educação infantil com base em instrumentos nacionais.2011/2020 e dos planos previstos no art. 12.IDEB será utilizado para avaliar a qualidade do ensino a partir dos dados de rendimento escolar apurados pelo censo escolar da educação básica. 1. articulará e coordenará as conferências nacionais de educação previstas no caput. no prazo de um ano contado da publicação desta Lei. 11. 1.2011/2020.promoção humanística. promovendo a consulta prévia e informada a essas comunidades. ANEXO METAS E ESTRATÉGIAS Meta 1: Universalizar. o Distrito Federal e os Municípios.

2) Manter e ampliar programas e ações de correção de fluxo do ensino fundamental por meiodo acompanhamento individualizado do estudante com rendimento escolar defasado e pelaadoção de práticas como aulas de reforço no turno complementar. até 2020.1) Criar mecanismos para o acompanhamento individual de cada estudante do ensino fundamental. o atendimento escolar para toda a população de quinze adezessete anos e elevar. bem como de produção de material didático e de formação de professores para a educação do campo. identificando motivos de ausência e baixa freqüência e garantir. os novos saberes e os tempos escolares. 2. 2. com os objetivos de renovar e padronizar a frota rural de veículos escolares. 1. 2. expectativas de aprendizagem para todos os anos do ensinofundamental. em regime de colaboração.1) Institucionalizar programa nacional de diversificação curricular do ensino médio. Estratégias: 3. criando rede de proteção contra formasassociadas de exclusão. preservando-se seu caráter pedagógico integrado aoitinerário formativo do estudante.incluindo adequação do calendário escolar de acordo com a realidade local e com ascondições climáticas da região. nesta faixa etária. 1. dos povos indígenas e dascomunidades quilombolas. neles incluindo os conteúdos culturais correspondentes às respectivas comunidades e considerando o fortalecimento das práticas socioculturais e da língua materna de cada comunidade indígena. 3. Meta 3: Universalizar. a fim deincentivar abordagens interdisciplinares estruturadas pela relação entre teoria e prática. Estratégias: 2. 2.fundamentado em matriz de referência do conteúdo curricular do ensino médio e emtécnicas estatísticas e psicométricas que permitam a comparabilidade dos resultados doexame. limitando a nucleação de escolas e o deslocamento das crianças.7) Fortalecer o acompanhamento e o monitoramento do acesso e da permanência na escolapor parte dos beneficiários de programas de assistência social e transferência de renda. no âmbito dos sistemas de ensino. tecnologia. a freqüência e o apoio à aprendizagem. 3.6) Estimular a expansão do estágio para estudantes da educação profissional técnica de nívelmédio e do ensino médio regular.identificando motivos de ausência e baixa frequência e garantir.9) Implementar políticas de prevenção à evasão motivada por preconceito e discriminação àorientação sexual ou à identidade de gênero. de forma a atender às especificidades das comunidades rurais. com qualificação social e profissional parajovens que estejam fora da escola e com defasagem idade-série. garantindo o transporte intracampo. de forma a reposicioná-lo no ciclo escolar de maneira compatível comsua idade. 2.9) Disciplinar. até 2016. promovendo a utilização pedagógica das tecnologias da informação e dacomunicação. produção de material didático específicoe formação continuada de professores. Didatismo e Conhecimento 85 2.12) Definir. por meio de mecanismos de consulta prévia e informada. reduzir a evasão escolar da educação do campo e racionalizar o processo de compra de veículos para o transporte escolar do campo. tais como ciência. 2.10) Oferecer atividades extracurriculares de incentivo aos estudantes e de estímulo a habilidades.3) Utilizar exame nacional do ensino médio como critério de acesso à educação superior. em prol daeducação do campo e da educação indígena. transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação.discriminando-se conteúdos obrigatórios e conteúdos eletivos articulados em dimensõestemáticas.10) Fomentar programas de educação de jovens e adultos para a população urbana e do campona faixa etária de quinze a dezessete anos. a organização do tempo e das atividades didáticas entre a escola e o ambiente comunitário.6) Manter programas de formação de pessoal especializado. 3. em regime de colaboração. emparceria com as áreas da assistência social e da saúde.5) Manter programa nacional de reestruturação e aquisição de equipamentos para escolas do campo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 1.2) Fortalecer o acompanhamento e o monitoramento do acesso e da permanência na escola por parte dos beneficiários de programas de transferência de renda. 3. 2. até dezembro de 2012. 2.4) Ampliar programa nacional de aquisição de veículos para transporte dos estudantes do campo. à contextualização curricular e ao desenvolvimento do estudantepara a vida cidadã e para o trabalho. com especial atenção às classes multisseriadas. 3.4) Fomentar a expansão das matrículas de ensino médio integrado à educação profissional. de maneira articulada. 3. 2. visando ao aprendizado de competências próprias daatividade profissional. cultura e esporte. Meta 2: Universalizar o ensino fundamental de nove anos para toda população de seis a quatorze anos.8) Respeitar a opção dos povos indígenas quanto à oferta de educação infantil. de forma concomitante ao ensino médio público. de produção de material didático e de desenvolvimento de currículos e programas específicos para educação escolar nas comunidades indígenas. cabendo aos sistemas estaduais e municipais reduzir o tempo máximo dos estudantes em deslocamento a partir de suas realidades. trabalho.7) Fomentar o atendimento das crianças do campo na educação infantil por meio do redimensionamento da distribuição territorial da oferta.5) Fomentar a expansão da oferta de matrículas gratuitas de educação profissional técnica denível médio por parte das entidades privadas de formação profissional vinculadas aosistema sindical.7) Desenvolver tecnologias pedagógicas que combinem. reconhecendo aespecificidade da infância e da adolescência. 3. de maneira a assegurar a formação básica comum. assegurando a transversalidade da educação especial na educação infantil.a frequência e o apoio à aprendizagem. 3. a taxa líquida de matrículas no ensino médio paraoitenta e cinco por cento. a organização do trabalho pedagógico. estudos de recuperação eprogressão parcial. 2.8) Estimular a oferta dos anos iniciais do ensino fundamental para as populações do camponas próprias comunidades rurais.9) Fomentar o acesso à creche e à pré-escola e a oferta do atendimento educacional especializado complementar aos educandos com deficiência. 3.inclusive mediantes certames e concursos nacionais.3) Promover a busca ativa de crianças fora da escola. . apoiado por meio deações de aquisição de equipamentos e laboratórios.11) Universalizar o acesso à rede mundial de computadores em banda larga de alta velocidadee aumentar a relação computadores/estudante nas escolas da rede pública de educaçãobásica.8) Promover a busca ativa da população de quinze a dezessete anos fora da escola. em parceria com as áreas de assistência social e saúde.observando-se as peculiaridades das populações do campo.

da Lei no 12.2 5. os oito anos de idade. do DistritoFederal e dos Municípios. banheiros e outrosequipamentos.3) Associar a prestação de assistência técnica e financeira à fixação de metas intermediárias.7 3. 7.quando for o caso. transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidadesou superdotação na rede regular de ensino.7 5. museus.1) Contabilizar. 6. até o final do terceiro ano. Estratégias: 4. .2 5. 5. disponibilização de materialdidático acessível e recursos de tecnologia assistiva. de forma que o tempo depermanência de crianças.1) Fomentar a estruturação do ensino fundamental de nove anos com foco na organização deciclo de alfabetização com duração de três anos.2) Institucionalizar e manter.3) Selecionar.0 Anos finais do ensino fundamental 3.3) Fomentar a articulação da escola com os diferentes espaços educativos e equipamentospúblicos como centros comunitários.1) Formalizar e executar os planos de ações articuladas dando cumprimento às metas dequalidade estabelecidas para a educação básica pública e às estratégias de apoio técnico efinanceiro voltadas à melhoria da gestão educacional.2) Aplicar exame periódico específico para aferir a alfabetização das crianças.12) Redimensionar a oferta de ensino médio nos turnos diurno e noturno.assegurada a diversidade de métodos e propostas pedagógicas. para a população de quatro a dezessete anos. das redespúblicas de educação básica e dos sistemas de ensino da União.9 5. 13. 5.2) Implantar salas de recursos multifuncionais e fomentar a formação continuada deprofessores para o atendimento educacional especializado complementar. de forma a atender a toda a demanda.5) Apoiar a alfabetização de crianças indígenas e desenvolver instrumentos de acompanhamento que considerem o uso da língua materna pelas comunidades indígenas. no máximo.3 4. ao desenvolvimento de recursos pedagógicos e àmelhoria e expansão da infraestrutura física da rede escolar. Didatismo e Conhecimento 86 5. Meta 6: Oferecer educação em tempo integral em cinquenta por cento das escolas públicas deeducação básica. programa nacional de ampliação ereestruturação das escolas públicas por meio da instalação de quadras poliesportivas. 4.FUNDEB.3) Ampliar a oferta do atendimento educacional especializado complementar aos estudantesmatriculados na rede pública de ensino regular. 3. 7.nos termos e nas condições estabelecidas conforme pactuação voluntária entre os entes.9 4. a fim de garantir a alfabetização plena detodas as crianças. dos Estados. Estratégias: 6.7 5. 6.LIBRAS.4 4.a aplicação em gratuidade em atividades de ampliação da jornada escolar de estudantesmatriculados nas escolas da rede pública de educação básica. em regime de colaboração.priorizando sistemas e redes de ensino com IDEB abaixo da média nacional. Meta 4: Universalizar. § 1o. acompanhar e divulgar bienalmente os resultados do IDEB das escolas. 6. 4. teatros ecinema. bem como adistribuição territorial das escolas de ensino médio. sem prejuízo do cômputo dessas matrículas naeducação básica regular. mediante oferta de educação básica pública em tempo integral.101.0 5. bibliotecas. oferta de transporte acessível. Estratégias: 5. nas escolasurbanas e rurais. bem como oacompanhamento dos resultados nos sistemas de ensino em que forem aplicadas. para fins do repasse do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento daEducação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação . bem como de produção de material didático e de formação de recursoshumanos para a educação em tempo integral. auditórios. Meta 7: Atingir as seguintes médias nacionais para o IDEB: IDEB 2011 2013 2015 2017 2019 2021 Anos iniciais do ensino fundamental 4. certificar e divulgar tecnologias educacionais para alfabetização de crianças.1) Estender progressivamente o alcance do programa nacional de ampliação da jornadaescolar. de forma concomitante e emarticulação com a rede pública de ensino. considerando aspeculiaridades locais. no máximo.6 4.5 Ensino médio 3. inciso I. o atendimento escolar aosestudantes com deficiência. Meta 5: Alfabetizar todas as crianças até. asmatrículas dos estudantes da educação regular da rede pública que recebem atendimentoeducacional especializado complementar.6) Atender as escolas do campo na oferta de educação em tempo integral. à formação de professores eprofissionais de serviços e apoio escolar.5 5. bibliotecas.laboratórios. 6.4) Fomentar o desenvolvimento de tecnologias educacionais e de inovação das práticaspedagógicas nos sistemas de ensino que assegurem a alfabetização e favoreçam a melhoriado fluxo escolar e a aprendizagem dos estudantes. consideradas as diversas abordagensmetodológicas e sua efetividade.4) Manter e aprofundar programa nacional de acessibilidade nas escolas públicas paraadequação arquitetônica.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 3. de forma concomitante e emarticulação com a rede pública de ensino. 4.5) Fomentar a educação inclusiva. 4. por meio deatividades de acompanhamento pedagógico e interdisciplinares.7 6. buscandoatender a pelo menos metade dos alunos matriculados nas escolas contempladas peloprograma.de acordo com as necessidades específicas dos estudantes. parques.5) Orientar. de maneira a garantir a ampliação doatendimento aos estudantes com deficiência na rede pública regular de ensino.0 5.6) Fortalecer o acompanhamento e o monitoramento do acesso à escola por parte dosbeneficiários do benefício de prestação continuada.2) Fixar.9 4. e oferta da educação bilíngue emlíngua portuguesa e Língua Brasileira de Sinais . de 27 de novembro de 2009. praças. cozinhas. 6. na forma do art.11) Universalizar o acesso à rede mundial de computadores em banda larga de alta velocidadee aumentar a relação computadores/estudante nas escolas da rede pública de educaçãobásica. 4. promovendo a articulação entre o ensino regular e oatendimento educacional especializado complementar ofertado em salas de recursosmultifuncionais da própria escola ou em instituições especializadas. 5. refeitórios. promovendo a utilização pedagógica das tecnologias da informação e dacomunicação nas escolas da rede pública de ensino médio.4) Estimular a oferta de atividades voltadas à ampliação da jornada escolar de estudantesmatriculados nas escolas da rede pública de educação básica por parte das entidadesprivadas de serviço social vinculadas ao sistema sindical. adolescentes e jovens na escola ou sob sua responsabilidadepasse a ser igual ou superior a sete horas diárias durante todo o ano letivo.2 Estratégias: 7.

conselhosescolares. 7. de 10 de março de 2008. 7.10) Institucionalizar e manter. 7. certificar e divulgar tecnologias educacionais para o ensino fundamental emédio. de forma a buscar atingir as metasdo IDEB. atenção eatendimento à saúde e integridade física. do DistritoFederal e dos Municípios. 7. trabalho e emprego. 7. de acordo com as seguintes projeções: PISA 2009 2012 2015 2018 2021 Média dos resultados em matemática. com os propósitos de que a educação sejaassumida como responsabilidade de todos e de ampliar o controle social sobre ocumprimento das políticas públicas educacionais. 7. acesso a bibliotecas. com vistas à redução dadesigualdade educacional. alimentação e assistência à saúde. mental e moral dos profissionais da educação.9) Ampliar programas e aprofundar ações de atendimento ao estudante. vinculado ao Ministério do Desenvolvimento.11) Prover equipamentos e recursos tecnológicos digitais para a utilização pedagógica noambiente escolar a todas as escolas de ensino fundamental e médio.transporte. assegurada a diversidade de métodos e propostas pedagógicas. 7. bem como oacompanhamento dos resultados nos sistemas de ensino em que forem aplicadas.1) Institucionalizar programas e desenvolver tecnologias para correção de fluxo.como condição para a melhoria da qualidade do ensino. bem comoigualar a escolaridade média entre negros e não negros. Indústria eComércio Exterior.19) Assegurar. energia elétrica.14) Garantir políticas de combate à violência na escola e construção de cultura de paz eambiente escolar dotado de segurança para a comunidade escolar.leitura e ciências 395 417 438 455 473 Meta 8: Elevar a escolaridade média da população de dezoito a vinte e quatro anos de modo aalcançar mínimo de doze anos de estudo para as populações do campo. e equipamentos e laboratórios deciências. programa nacional de reestruturaçãoe aquisição de equipamentos para escolas públicas. com representação detrabalhadores em educação. promoção e atenção à saúde.069. em regime de colaboração. da região demenor escolaridade no país e dos vinte e cinco por cento mais pobres. . bemcomo priorizar estudantes com rendimento escolar defasado. assegurando-se osprincípios do Estatuto da Criança e do Adolescente de que trata a Lei no 8.leitura e ciências obtidos nas provas do Programa Internacional de Avaliação de Alunos -PISA. 7. como forma de controle externo da convergência entre os processos de avaliaçãodo ensino conduzidos pelo INEP e processos de avaliação do ensino internacionalmentereconhecidos.cultura. 7. bem como manter programa nacional de formação inicial econtinuada para o pessoal técnico das secretarias de educação. respeitada a diversidade regional.15) Implementar políticas de inclusão e permanência na escola para adolescentes e jovens quese encontram em regime de liberdade assistida e em situação de rua. que as ajude agarantir melhores condições para o aprendizado dos estudantes. pais. Normalizaçãoe Qualidade Industrial .6) Selecionar. recuperação e progressão parcial.5) Garantir transporte gratuito para todos os estudantes da educação do campo na faixa etáriada educação escolar obrigatória.4) Aprimorar continuamente os instrumentos de avaliação da qualidade do ensinofundamental e médio.20) Mobilizar as famílias e setores da sociedade civil. mediante articulação entre os órgãos responsáveis pelas áreas da saúde e daeducação. com vistas à ampliação da participação da comunidade escolar noplanejamento e na aplicação dos recursos e o desenvolvimento da gestão democráticaefetiva. por meio de programas suplementares de material didático-escolar. por meio deações colaborativas com fóruns de educação para a diversidade étnicoracial.Inmetro. 7. acessibilidade à pessoa com deficiência. 7.645. 8.17) Ampliar a educação escolar do campo. 7.22) Universalizar.2) Fomentar programas de educação de jovens e adultos para os segmentos populacionaisconsiderados. Estratégias: 8. em todas as etapas daeducação básica.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 7.21) Promover a articulação dos programas da área da educação.639. 7. que assegurem a melhoria do fluxo escolar e aaprendizagem dos estudantes.24) Orientar as políticas das redes e sistemas de educação.16) Garantir o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena. de 13 dejulho de 1990. considerando asespecificidades dos segmentos populacionais considerados.8) Apoiar técnica e financeiramente a gestão escolar mediante transferência direta de recursosfinanceiros à escola.23) Estabelecer ações efetivas especificamente voltadas para a prevenção. 7. quilombola e indígena a partir de visão articuladaao desenvolvimento sustentável e à preservação da identidade cultural. acesso a espaçospara prática de esportes. acesso à rede mundial de computadores em banda larga de altavelocidade. a todas as escolas públicas de educação básica. que estejam fora da escola e com defasagem idade série. garantindo equidade da aprendizagem.25) Confrontar os resultados obtidos no IDEB com a média dos resultados em matemática. de forma a englobar o ensino de ciências nos exames aplicados nosanos finais do ensino fundamental e incorporar o exame nacional de ensino médio aosistema de avaliação da educação básica. 7. equipes pedagógicas e com a sociedade civil em geral. Didatismo e Conhecimento 87 7. acesso a bens culturais e à arte. deacordo com especificações definidas pelo Instituto Nacional de Metrologia. de âmbito local e nacional. água tratada e saneamentobásico.12) Estabelecer diretrizes pedagógicas para a educação básica e parâmetros curricularesnacionais comuns. de 9 de janeiro de 2003.13) Informatizar a gestão das escolas e das secretarias de educação dos Estados. assistência social. escolhidos pelos seus pares. estadual e local. 7. o atendimento aos estudantes da rede pública de educação básica por meio deações de prevenção. acompanhamento pedagógico individualizado. oDistrito Federal e os Municípios que tenham aprovado lei específica para a instalação deconselhos escolares ou órgãos colegiados equivalentes.com os de outras áreas como saúde. mediante renovação integral da frota de veículos. esporte. nos termos da Lei no10. 7. 7. tendo em vista a equalização regionaldas oportunidades educacionais. 7. procurando reduzir a diferença entre as escolas com os menores índices e amédia nacional.18) Priorizar o repasse de transferências voluntárias na área da educação para os Estados. 7.7) Fomentar o desenvolvimento de tecnologias educacionais e de inovação das práticaspedagógicas nos sistemas de ensino. possibilitando a criação de rede de apoio integral às famílias. articulando a educação formal comexperiências de educação popular e cidadã. alunos e comunidade. e da Lei no 11.

a relação de alunos por professor para vinte. voltado à conclusão doensino fundamental e à formação profissional inicial.1) Assegurar a oferta gratuita da educação de jovens e adultos a todos os que não tiveramacesso à educação básica na idade própria. de forma a estimular a conclusão daeducação básica. 10. objetivando aelevação do nível de escolaridade do trabalhador. de acordocom as necessidades e interesses dos povos indígenas. do trabalho. da tecnologia e da cultura ecidadania.5) Ampliar a oferta de matrículas gratuitas de educação profissional técnica de nível médiopelas entidades privadas de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. 11.5) Fortalecer acompanhamento e monitoramento de acesso à escola específicos para ossegmentos populacionais considerados.1) Manter programa nacional de educação de jovens e adultos. Ciência e Tecnologia. 11.1) Expandir as matrículas de educação profissional técnica de nível médio nos InstitutosFederais de Educação.8) Estimular o atendimento do ensino médio integrado à formação profissional. produção dematerial didático específico e formação continuada de professores.2) Fomentar a expansão da oferta de educação profissional técnica de nível médio nas redespúblicas estaduais de ensino. 10.4) Institucionalizar programa nacional de reestruturação e aquisição de equipamentosvoltados à expansão e à melhoria da rede física de escolas públicas que atuam naeducação de jovens e adultos integrada à educação profissional.6) Promover busca ativa de crianças fora da escola pertencentes aos segmentos populacionaisconsiderados. Meta 9: Elevar a taxa de alfabetização da população com quinze anos ou mais para noventa etrês vírgula cinco por cento até 2015 e erradicar.5) Fomentar a produção de material didático. . até 2020. 11. sociais eculturais locais e regionais.4) Fomentar a expansão da oferta de matrículas gratuitas de educação profissional técnica porparte das entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas aosistema sindical. sua vinculação com arranjos produtivos.7) Institucionalizar programa nacional de assistência ao estudante. em articulação com a área da saúde. de forma a organizar o tempo e o espaço pedagógicos adequados àscaracterísticas de jovens e adultos por meio de equipamentos e laboratórios. de forma concomitante ao ensino público.assegurando a qualidade da oferta. com a finalidade de ampliar a oferta e democratizar oacesso à educação profissional pública e gratuita.2) Implementar ações de alfabetização de jovens e adultos com garantia de continuidade daescolarização básica. Meta 12: Elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para cinquenta por cento e ataxa líquida para trinta e três por cento da população de dezoito a vinte e quatro anos.4) Promover chamadas públicas regulares para educação de jovens e adultos e avaliação dealfabetização por meio de exames específicos.10) Elevar gradualmente a taxa de conclusão média dos cursos técnicos de nível médio narede federal de educação profissional.6) Expandir a oferta de financiamento estudantil à educação profissional técnica de nívelmédio oferecida em instituições privadas de educação superior. 10. 9. a permanência. vinte e cinco por cento das matrículas de educação de jovens eadultos na forma integrada à educação profissional nos anos finais do ensinofundamental e no ensino médio. emcursos planejados. para os segmentospopulacionais considerados. 8. identificando motivos de ausência e baixafreqüência e colaborando com Estados e Municípios para garantia de frequência e apoio àaprendizagem. Meta 11: Duplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível médio. 8. 9. assegurandoa qualidade da oferta.3) Fomentar a integração da educação de jovens e adultos com a educação profissional. inclusive na modalidade de educação a distância.3) Fomentar a expansão da oferta de educação profissional técnica de nível médio namodalidade de educação a distância. 11. 11. 11. Meta 10: Oferecer. levando em consideração a responsabilidadedos Institutos na ordenação territorial. que permitam aferição do grau deanalfabetismo de jovens e adultos com mais de quinze anos de idade.4) Ampliar a oferta de programas de reconhecimento de saberes para fins da certificaçãoprofissional em nível técnico. 10. programa nacional de atendimentooftalmológico e fornecimento gratuito de óculos para estudantes da educação de jovens eadultos. a aprendizagem e a conclusão com êxito da educação de jovens eadultos integrada com a educação profissional.7) Institucionalizar sistema de avaliação da qualidade da educação profissional técnica denível médio das redes públicas e privadas.2) Fomentar a expansão das matrículas na educação de jovens e adultos de forma a articulara formação inicial e continuada de trabalhadores e a educação profissional. 10. nos cursos presenciais.5) Executar.3) Promover o acesso ao ensino fundamental aos egressos de programas de alfabetização egarantir o acesso a exames de reclassificação e de certificação da aprendizagem. 10. 9. Estratégias: 10. financeira e de apoio psico-pedagógico que contribuam para garantir oacesso.8) Fomentar a diversificação curricular do ensino médio para jovens e adultos. o desenvolvimento de currículos e metodologias específicas para avaliação e formação continuada de docentes das redespúblicas que atuam na educação de jovens e adultos integrada à educação profissional. de acordo com os seus interesses e necessidades. Estratégias: 11. com base noincremento de programas de assistência estudantil e mecanismos de mobilidadeacadêmica. 11. integrando aformação integral à preparação para o mundo do trabalho e promovendo a inter-relaçãoentre teoria e prática nos eixos da ciência. de maneira a estimular a ampliação do atendimento desses estudantes narede pública regular de ensino. o analfabetismo absoluto ereduzir em cinquenta por cento a taxa de analfabetismo funcional. 8.9) Expandir o atendimento do ensino médio integrado à formação profissional para os povosdo campo. Estratégias: 9. bem como a interiorização da educação profissional. 9. no mínimo. científica e tecnológica para noventa por cento eelevar. 11. compreendendo ações deassistência social.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 8.6) Fomentar a oferta pública de formação inicial e continuada para trabalhadores articulada àeducação de jovens e adultos. Didatismo e Conhecimento 88 10. 11. em parceria com as áreas de assistência social e saúde. em regime de colaboração e com apoio das entidadesprivadas de formação profissional vinculadas ao sistema sindical.3) Garantir acesso gratuito a exames de certificação da conclusão dos ensinos fundamental emédio. de acordo com as características e especificidades do público daeducação de jovens e adultos.

utilizando metodologias.4) Induzir a melhoria da qualidade dos cursos de pedagogia e licenciaturas. de modo querealizem. demodo a atingir a titulação anual de sessenta mil mestres e vinte e cinco mil doutores. em âmbito nacional e internacional. dez por cento do total de créditos curriculares exigidos para agraduação em programas e projetos de extensão universitária. Meta 13: Elevar a qualidade da educação superior pela ampliação da atuação de mestres edoutores nas instituições de educação superior para setenta e cinco por cento. na forma dalegislação. ofertar um terço das vagas em cursosnoturnos e elevar a relação de estudantes por professor para dezoito. sobretudo nas áreas de ciências ematemática. de mais áreas. 14. efetivamente. inclusive mediante a adoção de políticas afirmativas. sendo. de 14 de abril de 2004. por meio daaplicação de instrumento próprio de avaliação aprovado pela Comissão Nacional deAvaliação da Educação Superior . conclusão e formação de profissionais para atuação junto a estaspopulações. 14.2) Ampliar a cobertura do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes . assegurando maior visibilidade nacional einternacional às atividades de ensino.especialmente ao mestrado profissional. 13.5) Ampliar. 12. 13.2) Ampliar a oferta de vagas por meio da expansão e interiorização da rede federal deeducação superior.7) Assegurar. trinta e cinco porcento doutores. Estratégias: 14. do corpo docente em efetivo exercício. Didatismo e Conhecimento 89 12. direcionando sua atividade. pesquisa e extensão. por meioda constituição de fundo garantidor do financiamento. na forma da lei. 13. de que trata a Lei no 10. destacando-se aqualificação e a dedicação do corpo docente. de forma aampliar e interiorizar o acesso à graduação.CONAES. nomínimo. combinando formação geral e prática didática. 12.ENEM. 12. aoferta de vagas públicas em relação à população na idade de referência e observadas ascaracterísticas regionais das micro e mesorregiões definidas pela Fundação InstitutoBrasileiro de Geografia e Estatística . .considerando as necessidades do desenvolvimento do País. no mínimo.13) Expandir atendimento específico a populações do campo e indígena. as políticas de inclusão e de assistênciaestudantil nas instituições públicas de educação superior. regulação e supervisão.861.4) Fomentar a oferta de educação superior pública e gratuita prioritariamente para aformação de professores para a educação básica. tendo emvista o enriquecimento da formação de nível superior.IBGE. e as agências estaduais de fomento à pesquisa.2) Estimular a integração e a atuação articulada entre a Coordenação de Aperfeiçoamento dePessoal de Nível Superior CAPES. considerando a densidade populacional. 12. na forma de programas de pósgraduaçãostricto sensu. apoiando seusucesso acadêmico. 13.com vistas a potencializar a atuação regional. 14.ENADE aplicado ao finaldo primeiro ano do curso de graduação pelo Exame Nacional do Ensino Médio . 13. 12. inclusive por meio do SistemaUniversidade Aberta do Brasil. Meta 14: Elevar gradualmente o número de matrículas na pós-graduação stricto sensu.1) Aprofundar e aperfeiçoar o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior -SINAES.7) Fomentar a formação de consórcios entre universidades públicas de educação superior. 12.1) Expandir o financiamento da pós-graduação stricto sensu por meio das agências oficiaisde fomento.12) Consolidar e ampliar programas e ações de incentivo à mobilidade estudantil e docenteem cursos de graduação e pósgraduação.ENADE. sociais eculturais do País. 13.260. bem como a aplicação de instrumentosde avaliação que orientem as dimensões a serem fortalecidas.FIES. inclusive por meio de plano dedesenvolvimento institucional integrado. da Rede Federal de Educação Profissional. 12.6) Expandir o financiamento estudantil por meio do Fundo de Financiamento ao Estudantedo Ensino Superior .recursos e tecnologias de educação a distância. fortalecendo aparticipação das comissões próprias de avaliação.6) Substituir o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes . 12. mediante estratégiasde aproveitamento de créditos e inovações acadêmicas que valorizem a aquisição decompetências de nível superior.16) Consolidar processos seletivos nacionais e regionais para acesso à educação superiorcomo forma de superar exames vestibulares individualizados. 12.3) Elevar gradualmente a taxa de conclusão média dos cursos de graduação presenciais nasuniversidades públicas para noventa por cento. considerando as necessidades econômicas.3) Expandir o financiamento estudantil por meio do FIES à pós-graduação stricto sensu. pesquisa institucionalizada. em relação a acesso. sejam avaliados no que diz respeito àaprendizagem resultante da graduação. Estratégias: 13.9) Ampliar a participação proporcional de grupos historicamente desfavorecidos naeducação superior.14) Mapear a demanda e fomentar a oferta de formação de pessoal de nível superior. fortalecendo as ações deavaliação. por meio de programas especiais.a fim de apurar o valor agregado dos cursos de graduação. Científica e Tecnológica edo Sistema Universidade Aberta do Brasil.15) Institucionalizar programa de composição de acervo digital de referências bibliográficaspara os cursos de graduação.currículo e mundo do trabalho.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Estratégias: 12. 12. 12. a inovação tecnológica e amelhoria da qualidade da educação básica. do total. 12. demodo a que mais estudantes.8) Fomentar a ampliação da oferta de estágio como parte da formação de nível superior.10) Assegurar condições de acessibilidade nas instituições de educação superior. de que trata a Lei no 10.permanência.4) Expandir a oferta de cursos de pós-graduação stricto sensu. de modo a permitir aos graduandos aaquisição das competências necessárias a conduzir o processo de aprendizagem de seusfuturos alunos. mediante ações planejadas e coordenadas. de modo a ampliar as taxas deacesso à educação superior de estudantes egressos da escola pública. uniformizando a expansão no territórionacional. de forma a dispensarprogressivamente a exigência de fiador.11) Fomentar estudos e pesquisas que analisem a necessidade de articulação entre formação. bem como para atender ao déficit de profissionais em áreas específicas. de 12 de julho de 2001.1) Otimizar a capacidade instalada da estrutura física e de recursos humanos das instituiçõespúblicas de educação superior.5) Elevar o padrão de qualidade das universidades.3) Induzir processo contínuo de autoavaliação das instituições superiores. 12. 12.

2011/2020.5) Consolidar programas.2) Consolidar o financiamento estudantil a estudantes matriculados em cursos de licenciaturacom avaliação positiva pelo SINAES. supervisionado porprofissional do magistério com experiência de ensino.9) Manter e expandir programa de acervo digital de referências bibliográficas para os cursosde pós-graduação. Municípios e Distrito Federal. dos Estados. de forma orgânica e articulada às políticas deformação dos Estados. na forma da Lei no 10.9) Valorizar o estágio nos cursos de licenciatura.10) Implementar cursos e programas especiais para assegurar formação específica em suaárea de atuação aos docentes com formação de nível médio na modalidade normal.2) Instituir programa de acompanhamento do professor iniciante. os Estados.4) Fomentar a oferta de cursos técnicos de nível médio destinados à formação defuncionários de escola para as áreas de administração escolar.4) Ampliar e consolidar portal eletrônico para subsidiar o professor na preparação de aulas. definindo diretrizes nacionais. de forma a ampliar aspossibilidades de formação em serviço. 15.4) Consolidar plataforma eletrônica para organizar a oferta e as matrículas em cursos deformação inicial e continuada de professores.1) Constituir fórum permanente com representação da União. Distrito Federal e Municípios. nacional e internacional. permitindoinclusive a amortização do saldo devedor pela docência efetiva na rede pública deeducação básica. em efetivo exercício. incentivando a atuação em rede e o fortalecimento de gruposde pesquisa.7) Implementar ações para redução de desigualdades regionais e para favorecer o acesso daspopulações do campo e indígena a programas de mestrado e doutorado. 15. Estratégias: 17.3) Implementar.1) Estruturar os sistemas de ensino buscando atingir.2) Consolidar sistema nacional de formação de professores. formação na áreado saber e didática específica. a fim de subsidiar a realização deconcursos públicos de admissão pelos Estados. Estratégias: 18. e defina obrigações recíprocas entre os partícipes.disponibilizando gratuitamente roteiros didáticos e material suplementar. no prazo de dois anos.861. 14. 14. pesquisa e extensão. no prazo de um ano de vigência do PNE . dos Estados.2) Acompanhar a evolução salarial por meio de indicadores obtidos a partir da pesquisanacional por amostragem de domicílios periodicamente divulgados pelo IBGE. 15. 16. entre asinstituições de ensino. Estratégias: 15. bem como para divulgação e atualizaçãodos currículos eletrônicos dos docentes.8) Ampliar a oferta de programas de pós-graduação stricto sensu. sem prejuízo de outras. no âmbito da União. o planejamento estratégico para dimensionamento dademanda por formação continuada e fomentar a respectiva oferta por parte dasinstituições públicas de educação superior. 18. a existência de planos de carreira para osprofissionais do magistério em todos os sistemas de ensino. do DistritoFederal e dos Municípios. especialmente o dedoutorado.1) Realizar. por meio das funções de avaliação. 15.5) Institucionalizar. com base emavaliação documentada.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 14. a fim de fundamentar. obtida em curso de licenciatura na área de conhecimentoem que atuam. nãolicenciados ou licenciados em área diversa da de atuação docente. licenças para qualificação profissional em nível de pósgraduaçãostricto sensu. projetos e ações que objetivem a internacionalização da pesquisa eda pós-graduação brasileira. dos Municípios e dos trabalhadores em educação para acompanhamento daatualização progressiva do valor do piso salarial profissional nacional para osprofissionais do magistério público da educação básica. o Distrito Federal e osMunicípios. a ser disponibilizado para os professoresdas escolas da rede pública de educação básica.6) Implementar programas específicos para formação de professores para as populações docampo.1) Atuar conjuntamente. sem prejuízo de outros. instituições formadoras e processos de certificação dos cursos. 15. 14. 14. inclusive para alimentação escolar. 16.a plena implementação das respectivas diretrizes curriculares. 17. visando trabalho sistemático de conexãoentre a formação acadêmica dos graduandos e as demandas da rede pública de educaçãobásica. Meta 18: Assegurar. do DistritoFederal. Meta 15: Garantir. com implementação gradual da jornada de trabalhocumprida em um único estabelecimento escolar. regulação e supervisão da educação superior. 15. que todos os professores da educação básica possuam formaçãoespecífica de nível superior.6) Promover o intercâmbio científico e tecnológico. 15. noventa por cento de servidores nomeados em cargos de provimento efetivoem efetivo exercício na rede pública de educação básica. 16. com base em plano estratégico que apresente diagnóstico dasnecessidades de formação de profissionais do magistério e da capacidade de atendimentopor parte de instituições públicas e comunitárias de educação superior existentes nosEstados. em regime de colaboração entre a União.áreas prioritárias. 18. 17. dividindo a carga horária em formação geral.3) Realizar prova nacional de admissão de docentes. deliteratura e dicionários.7) Promover a reforma curricular dos cursos de licenciatura. 18. 90 Meta 16: Formar cinquenta por cento dos professores da educação básica em nível de pósgraduaçãolato e stricto sensu e garantir a todos formação continuada em sua área deatuação.planos de carreira para o magistério. Meta 17: Valorizar o magistério público da educação básica. 15. 16. Estratégias: 16. multimeios e manutençãoda infraestrutura escolar.8) Induzir. em seu quadro de profissionais domagistério. 15. paradidáticos. do Distrito Federal e dos Municípios. comunidades quilombolas e povos indígenas. a fim de incentivar a formação de profissionais do magistério paraatuar na educação básica pública. Didatismo e Conhecimento . nos campi novos abertos no âmbito dos programas de expansão einteriorização das instituições superiores públicas.5) Prever. nos planos de carreira dos profissionais da educação dos Estados.3) Expandir programa de composição de acervo de livros didáticos. a decisão pela efetivação ou não efetivação do professor ao finaldo estágio probatório. em regime de colaboração. política nacionalde formação e valorização dos profissionais da educação. do Distrito Federal e dos Municípios.3) Ampliar programa permanente de iniciação à docência a estudantes matriculados emcursos de licenciatura. de forma a assegurar o foco noaprendizado do estudante. a fim de aproximar o rendimentomédio do profissional do magistério com mais de onze anos de escolaridade dorendimento médio dos demais profissionais com escolaridade equivalente. de 2004.

1. no prazo de dois anos de vigência desta Lei. 20. a fim de subsidiar a definição de critérios objetivospara o provimento dos cargos de diretores escolares. Estratégias: 19. Os indicadores mais recentes confirmam o alcance de bons resultados em quase todos os níveis e dimensões da educação.PNE atualmente vigente. o censo dos funcionários de escola da educação básica. a Lei n° 10. a Emenda Constitucional nº 59. essencial Didatismo e Conhecimento 91 para a redução das desigualdades no Brasil. no prazo de um ano de vigência desta Lei. A educação é um dos mais importantes instrumentos de inclusão social.assegurando o acesso ao ensino como direito público subjetivo. Por isso. acelerando mudanças na educação brasileiraimpulsionadas por mobilização popular. demonstrando o empenho do Governo e da sociedadebrasileira em saldar a enorme dívida que o Brasil tem com a educação. de 1996 . a partir da década de 1980. para quealcancemos os níveis desejados e necessários para o desenvolvimento do país. também no desenvolvimento econômico do país. a nomeação comissionada de diretores de escola vinculada acritérios técnicos de mérito e desempenho e à participação da comunidade escolar. oDistrito Federal e os Municípios que tenham aprovado lei específica estabelecendo planosde carreira para os profissionais da educação. de 2001. política nacional de formaçãocontinuada para funcionários de escola. É inegável que nos anos mais recentes o temaeducação foi sendo definitivamente alçado à prioridade na agenda nacional. efetivação da democracia e ampliação da cidadania para muitosbrasileiros. tratando-a como direito social inalienável e fundamental para o exercício da cidadania. Todavia. de vários instrumentos legais degrande impacto para a educação brasileira. Excelentíssimo Senhor Presidente da República.5) Implantar. Por essa razão. Antecedentes A redemocratização do País.1) Garantir fonte de financiamento permanente e sustentável para todas as etapas emodalidades da educação pública. Temos a honra de submeter à consideração de Vossa Excelência o anexo Projeto deLei que “Aprova o Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2020 e dá outrasprovidências”.1) Priorizar o repasse de transferências voluntárias na área da educação para os Estados.8) Priorizar o repasse de transferências voluntárias na área da educação para os Estados. oestabelecimento de metas e estratégias para garantia de uma educação de qualidade para todosos brasileiros tem que ser prioridade nacional. a aprovação deum novo Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2020 deve ser encarada comoestratégica para o país. em regime de colaboração com ossistemas de ensino.494. 20. 20. Estratégias: 20. destacando-se a Lei de Diretrizes e Bases daEducação Nacional (Lei nº 9. 03 de novembro de 2010. mais recentemente. construída em regime de colaboração com ossistemas de ensino. No que tange à educação.2011/2020 na forma ora proposta representa um importante avançoinstitucional para o país. Meta 19: Garantir. 2009. há ainda muitoque fazer. de 2007. de 1996. nomínimo. do Distrito Federale dos Municípios. a Lei nº 11.5) Definir o custo aluno-qualidade da educação básica à luz da ampliação do investimentopúblico em educação.172. Formatado A Constituição Federal de 1988 incorpora estas bandeiras e traz avançosconsideráveis dos pontos de vista jurídico. queinstituiu o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorizaçãodo Magistério – FUNDEF. normativo e institucional para garantia dos direitossociais. O PNE . fez surgir como uma das principais bandeiras a luta pelo direito à educação. as modificações na ordem jurídico-institucionalcompletaram-se com a aprovação. 19. Na esfera infra-constitucional. 18. 20. que ampliouo ensino obrigatório dos 4 aos 17 anos de idade. impondo a corresponsabilidadedos entes federados por sua implementação e garantindo a aplicação de percentuais mínimos dareceitas provenientes de impostos para sua manutenção e desenvolvimento. pelo Congresso Nacional. definindo metas e estratégias para avançar no processo de melhoria daeducação brasileira.2) Aperfeiçoar e ampliar os mecanismos de acompanhamento da arrecadação dacontribuição social do salárioeducação. o texto aprovado exprime uma concepção ampla de educação. 20.7) Considerar as especificidades socioculturais dos povos indígenas no provimento de cargosefetivos para as escolas indígenas. A melhoria continuada do nível de educação da população certamente irá refletir-senão só na qualidade da vida. com planejamento sistemático ede longo prazo é de fundamental importância para vencer esta batalha. mediante lei específica aprovada no âmbito dos Estados. . e. Meta 20: Ampliar progressivamente o investimento público em educação até atingir.3) Destinar recursos do Fundo Social ao desenvolvimento do ensino. mobilizandoGovernos e os mais diversos segmentos da sociedade em torno de um objetivo comum: aampliação do acesso à educação de qualidade para todos os brasileiros.6) Realizar.6) Desenvolver e acompanhar regularmente indicadores de investimento e tipo de despesaper capita por aluno em todas as etapas da educação pública. O tratamento da educação como política de Estado.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 18. 18. que regulamentou o Fundo deManutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais daEducação . que estabeleceu o Plano Nacional deEducação . 18.2) Aplicar prova nacional específica. a Emenda Constitucional nº 14.LDB).4) Fortalecer os mecanismos e os instrumentos que promovam a transparência e o controlesocial na utilização dos recursos públicos aplicados em educação. o patamar de sete por cento do produto interno bruto do País. Formatado E M N° 033Brasília.394. A LDB reestruturou e definiu as diretrizes e bases da educação escolar no Brasil. oDistrito Federal e os Municípios que tenham aprovado lei específica prevendo aobservância de critérios técnicos de mérito e desempenho e a processos que garantam aparticipação da comunidade escolar preliminares à nomeação comissionada de diretoresescolares. mas.FUNDEB.

sobretudo.destacando-se especialmente as conferências municipais. Cumpre. fixou-se o prazo decenal para oplano nacional de educação. indispensáveis à criação das condições objetivas paraa efetivação de políticas de Estado. etapas e24modalidades por meio de ações integradas dos poderes públicos das diferentes esferasfederativas.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Delineou o papel a ser desempenhado pela União. abrangendo todosos eixos. O PNE em vigor contribuiu para a construção depolíticas e programas voltados à melhoria da educação. nas conferências nacionais de educação e cultura promovidas pela Câmara dosDeputados entre 2000 e 2005. O Fundef instaurou um novo modelo de financiamento do ensino fundamental. etapas emodalidades da educação não eram entendidos enquanto momentos de um processo.a Lei veio sofrendo várias alterações. de 1994. O Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE O PNE foi lançado quando vigorava no país uma visão fragmentada da educação. Didatismo e Conhecimento . Sem que a União aumentasse o investimento na educaçãobásica. conceitos fundamentais que garantem a organização dos sistemaseducacionais do país. a realização de conferências nacionais deeducação como espaços de participação da sociedade na construção de novos marcos para aspolíticas educacionais. Fundada na justificativa da necessidade de estabelecer prioridades. nasconferências e encontros recentemente realizados pelo Ministério da Educação (ConferênciaNacional de Educação Profissional e Tecnológica. Além deste efeito direto. fixando objetivos e metas para a educação brasileira por um período de dezanos . desarticulou-se uma política importantíssima para o país. de 9 de janeiro de 2001. De lá para cá.implementando importante mecanismo de redistribuição de recursos vinculados à educação comvistas a cumprir o princípio constitucional da equalização do financiamento. quanto as perspectivas de continuidade de escolarização. um conjunto de mais de 40 medidas. No texto atual. por sua vez. permitindo a organização deeixos norteadores. reforçando mutuamente cada etapa de ensino. Constituiu-se. Além destes marcos jurídicos. Os pilares de sustentação doPDE são: financiamento adequado. era necessário superar essas oposições. 2. que possibilitou grandes conquistas para a educação nacionalao prever a obrigatoriedade do ensino de quatro a dezessete anos. ampliar a abrangência dosprogramas suplementares para todas as etapas da educação básica e estabelecer nova redaçãopara o parágrafo 214 da Constituição Federal. promovesse a articulação entre aspolíticas específicas e coordenasse os instrumentos disponíveis (políticos. Sob o discurso de universalização do ensino fundamental. ressaltese. objetivos.a chamada “Década da Educação”. melhoria da qualidade do ensino. Apesar de não ser a tradução direta do PNE. Porto Alegre São Paulo e Recife). aprovado pelo Congresso Nacional e instituído pela Lei nº10. avaliação e responsabilização dos agentes públicos quecomandam o sistema educacional. níveis e modalidades da Educação. Ademais. metas e estratégias de implementação paraassegurar a manutenção e desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis. no âmbito da educação básica. traçou rumos para as políticas e açõesgovernamentais. Belo Horizonte. modalidades e níveiseducacionais. nas conferências brasileirasde educação (realizadas na década de 80 em São Paulo. por exemplo. O PNE 2001-2010. realizada entre 28 de março e 01 deabril de 2010. o argumento serviu de pretexto para asfixiar o sistema federal de educação superior einviabilizar a expansão da rede. regulou e regulamentou a estrutura e o funcionamento do ensino nacional. 92 Como resposta a esta situação. Uma terceira oposiçãoverificada deu-se entre ensino médio e educação profissional. Os programas e ações do PDE foram institucionalizados em Leis. ensino médio. intermunicipais e estaduais queresultaram na Conferência Nacional de Educação CONAE. Ao vedar por decreto a oferta deensino médio articulado à educação profissional e proibir por lei a expansão do sistema federalde educação profissional. a atenção exclusiva ao ensino fundamentalresultou em descaso com as outras duas etapas (ensino infantil e médio). ainda. especificou os níveis e modalidades deensino. o PDE como conjunto de programas eações destinadas à melhoria da educação. visando à adequação de seus dispositivos às alteraçõesconstitucionais.componentes de uma unidade geral.formação para o trabalho. nos congressos nacionais de educação (em Belo Horizonte.127. Traçou os princípios educativos. especialmente em nível federal. em instrumento essencial na universalização do ensino fundamental. na Conferência Nacional Educação Para Todos. Para mudar este quadro e alcançar efetivamente resultados mais favoráveis na educação. técnicos e financeiros)entre os três níveis federativos. cuja vigência se estende a 2020. com o objetivo de articular nacionalmente os sistemas de ensino emregime de colaboração e definir diretrizes. com acriação do Fundeb.Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena e Fórum Nacional de Educação Superior). além dos objetivos já fixados na redação anterior (erradicação doanalfabetismo. ensinofundamental. O PDE apresenta mecanismospara aprofundar o diagnóstico das condições da educação. Diante da falta de recursos. comprometendo tanto abase do ensino. De acordo com esta visão. Estados. acabou por constituir-se em importante instrumentopara persecução das metas quantitativas estabelecidas naquele diploma legal. devemconduzir ainda ao estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação comoproporção do produto interno bruto. ampliou-se o escopo do financiamento.563 municípios. o resultado desta política para aeducação básica foi a falta de professores com licenciatura para exercer o magistério e alunos doensino médio desmotivados pela insuficiência de oferta de ensino gratuito nas universidadespúblicas. educação especial e educação de jovens e adultos.assim. muito embora tenha vindodesacompanhado dos instrumentos executivos para consecução das metas por ele estabelecidas. criou-se aindesejável oposição entre educação básica e superior. contemplando educação infantil. A visão sistêmica que enlaça todos os projetos doPDE empresta coerência e promove a articulação de todo o sistema. o DistritoFederal e os 5. caberia aogestor público optar pela primeira. registrar a atuação do Ministério da Educação na aprovação da Emenda Constitucional 59/2009. Goiânia eBrasília). reforçaram-se falsas oposições e promoveu-se verdadeira disputa entre etapas. buscando uma visão sistêmica da educaçãoque compreendesse o ciclo educacional de modo integral. formação de professores e valorização do magistério e gestãoe mobilização das comunidades. por fim. Decretos PortariasInsterministeriais e Planos de Ações Articuladas firmados com todos os 26 estados. Conferência Nacional de Educação Básica. Tais ações. pelas escolas e demaisinstituições de ensino. para a melhoria da qualidade doensino em todos os aspectos e para a democratização do acesso. Esta concepção esteve presente. Em 2007. Niterói. universalização do atendimento escolar. este Governo lançou em 2007 o Plano deDesenvolvimento da Educação – PDE. à atualização de conceitos às novas visões e estratégias educacionais e aoaprimoramento de parte de suas normas. promoção humanística. Municípios.passando a abranger toda a educação básica. científica e tecnológica do País). os diversos níveis.

programas e ações. Os papéis do MEC. características e dimensões em um país de porte continental como o Brasil. Assim. 9 CONCEPÇÕES DE ENSINO E APRENDIZAGEM E ATIVIDADE DOCENTE. pelo Legislativo e ainda pela sociedade civil. 4º da Lei do PNE prevê que “a União instituiráo Sistema Nacional de Avaliação e estabelecerá os mecanismos necessários aoacompanhamento das metas constantes do Plano Nacional de Educação”. Resultou. sistematizados pelo MEC. o MEC tem como atribuição não apenas instituir “os mecanismos necessários aoacompanhamento das metas constantes do Plano Nacional de Educação” e assegurar a realização de avaliações periódicas dos seus níveis de implementação. Piaget escreveu sobre a interação entre indivíduo e meio constituída através de dois processos: organização interna das experiências e adaptação ao meio. dadas suanatureza. simultaneamente. partiu de várias concepções e perspectivas.realizados nas cinco regiões do País. Por sua vez. publicado em 2004. ela envolveuquestões específicas da educação e outras que a transcendem. A criança transforma aquilo que aprende de acordo com sua capacidade interna e nata. acompanhará a execução do PlanoNacional de Educação”. merecem ser destacados: (a) a realização de estudo sobre aimplementação do PNE pela Consultoria Legislativa. realizados pelo Centrode Planejamento e Desenvolvimento Regional (Cedeplar/UFMG). em articulação com osestados.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 3. ambos viram o desenvolvimento e a aprendizagem da criança como participativa. com aparticipação de especialistas em educação. com vistas àcorreção de deficiências e distorções”. com a participação de especialistas em educação. também. respectivamente. portanto. entendida como política de Estado e.131. mediante a construção pessoal desse conhecimento. em setembro e outubro de 2005. desencadeados pelos diferentes agentes. Comefeito. Vygotsky e Piaget estavam preocupados com o desenvolvimento intelectual. e coordenados pelo MEC/Seb/ Dase/Cafise. se essa capacidade de aprendizagem e oportunidade lhe for oferecida. Discordaram quanto ao processo de construção desse conhecimento. Vygotsky estava preocupado com a questão de como os fatores sociais e culturais influenciam o desenvolvimento intelectual. por intermédio das Comissões deEducação. As crianças constroem e internalizam o conhecimento que esses seres instruídos possuem. coordenada pela SEA/MEC. deanálise contextualizada.concorrentes e complementares. o artigo 3º da lei que aprovou o PNE determina que: “a União. na medida em que a proposição depolíticas na área envolve a ação da sociedade política e da sociedade civil. (c) os Semináriosregionais de acompanhamento e avaliação do PNE e dos planos decenais correspondentes. mas eles partilham de pontos de vista semelhantes. pois além de constituir-se em instrumento estruturante e de planejamento das açõesgovernamentais. criadora. portanto.CNE. a Lei nº9. define como uma das suas atribuições “subsidiar a elaboração e acompanhara execução do Plano Nacional de Educação”. (b) o Colóquio Nacional sobreMecanismos de Acompanhamento e Avaliação do Plano Nacional de Educação. e (g) a Avaliação do PNE. em 2006. histórico social e ontogenético. a Avaliação Preliminardo PNE. não circunscritaà esfera governamental. pressupostos escritos por Vygotsky Lev Semenovich Vygotsky estudou sistematicamente a psicologia e seu projeto principal foi os processos de transformação do desenvolvimento na dimensão filogenética. realizado emBrasília. sob a responsabilidade da Coordenação Geral de Articulação e Fortalecimento Institucional dos Sistemas de Ensino (Cafise) da Seb/MEC. traduzidas porpolíticas. os indivíduos interagem com agentes sociais mais lecionados. Como órgão formulador e executor das políticas federais deeducação. da Câmara dosDeputados e da Comissão de Educação do Senado Federal. alto grau de complexidade. onde a teoria é um acontecimento da invenção ou construção que ocorre na mente do indivíduo. que: “o Poder Legislativo. O PNE 2011-2020 – Uma construção coletiva Como referido. Para ele as crianças adquirem uma forma própria de se desenvolver no social. Ambos entenderam o conhecimento como adaptação e como construção individual e compreenderam a aprendizagem e o desenvolvimento como autorregulados. Piaget não deu ênfase aos valores sociais e culturais no desenvolvimento da inteligência. em 2005. exercer acoordenação do processo de execução dos próximos Planos. Dentre os processos avaliativos ocorridos ao longo da implementação do PNEvigente. Observa-se. de 2001 a 2008. portanto. cabendo ao Congresso Nacional aprovar medidas legais decorrentes. A avaliação daspolíticas públicas na arena educacional apresenta. (e) os Ciclos dedebates pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) com vistas a subsidiar o MEC no envio depropostas para o Congresso Nacional. procederá a avaliaçõesperiódicas da implementação do Plano Nacional de Educação”. como professores e colegas. o PNE 2001-2010 representou um importante avanço institucional. por solicitação da Comissão de Educação eCultura da Câmara dos Deputados. porém cada um começou e perseguiu por diferentes questões e problemas. sobretudo. pela União. de 2001 a 2005. Piaget estava interessado em como o conhecimento é adquirido ou construído. de 24 de novembro de 1995. que renomeou e reestruturou o Conselho Nacional deEducação . Piaget aprovou a construção individual como singular e diferente. embora comumente liga- . A avaliação do PNE. mas. em que se articularam as dimensões técnica e política. Os §§ 1º e 2º desse artigoestipulam. não acreditava que a transmissão direta desse tipo fosse viável. o Distrito Federal. coordenada pela DTDIE/ Didatismo e Conhecimento 93 Inep. Já o art. A teoria de Vygotsky é uma teoria de transmissão do conhecimento da cultura para a criança. que a legislação educacional em vigor distribui entre várias instituições a responsabilidade pelo acompanhamento e avaliação do PNE.do CNE e das comissões de educação da Câmara e do Senado Federal são. Enquanto que Piaget. não ocorrendo de maneira automática. tornando-se transformadora da aprendizagem. em 2006. e que “a primeira avaliação realizar-se-á no quarto ano de vigênciadesta lei. os municípios e a sociedade civil. As diferenças entre os dois autores parecem ser muitas. trouxe previsão legal que determinou e exigiu monitoramento e avaliaçãoperiódicas de sua execução. Cultura e Desporto [hoje Comissão de Educação e Cultura]. (d) osdiagnósticos regionais da situação educacional diante das metas do PNE.

O processo não é o de recriar um modelo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS da e próxima daquela da cultura. o ambiente social é a fonte de modelos dos quais as construções devem se aproximar. Piaget. para Vygotsky toda construção era mediada pelos fatores externos sociais. Em relação à aprendizagem e desenvolvimento. superiores rudimentares e processos psicológicos avançados. na regulação do comportamento e. Vygotsky substituiu os instrumentos de trabalho por instrumentos psicológicos. O papel do professor é visto basicamente como o de encorajar. Os fatores sociais influenciam a desequilibração individual através do conflito cognitivo e apontam que há construção a ser feita. no sentido vygotskiano. Vygotsky retoma o tema da zona de desenvolvimento proximal e sua relação com a aprendizagem. copia o que está socialmente exposto e a disposição. através da ação. Dessa forma. modelar cuidadosamente o conhecimento. seus pontos de vista sobre o relacionamento sejam diferentes. uma vez que irão contribuir no desenvolvimento dos processos psicológicos. e sendo produzido pela internalização de atividades sociais. pois além da função comunicativa. a evolução dos processos naturais até alcançar os processos mentais superiores. mas não como necessária ao desenvolvimento intelectual. Vai ocorrendo períodos de desequilibração para uma nova sustentação de bases. ele não é copiado de um referencial e modelo. reconheceu infinitamente o papel dos fatores sociais no desenvolvimento intelectual. Vygotsky atribui importância a linguagem. A aprendizagem. na organização e planejamento da ação. As implicações do desenvolvimento para Piaget e Vygotsky Tomando o ponto de vista educacional. explicando desta forma. Em segundo lugar. Piaget considerou a construção do conhecimento como um ato individual da criança. A interação social no desenvolvimento e aprendizagem escolar para Piaget e Vygotsky Para Vygotsky (1998). acreditavam no desenvolvimento e aprendizagem. que toda situação de aprendizagem escolar se depara sempre com uma história de aprendizagem prévia. A única maneira de avançar a um nível intelectual mais elevado não é na linguagem com suas representações. O que é desejado é que o professor deixe de ser um expositor satisfeito em transmitir soluções prontas. para Vygotsky desempenham um papel fundamental no desenvolvimento intelectual. é sempre possível o avanço das construções anteriores. ou seja. É a fonte do conhecimento socialmente construído que serve de modelo e media as construções do indivíduo. A interação e a linguagem têm um importante destaque no pensamento de Vygotsky. como vontade. As crianças por sua vez vão tornando-se indivíduos com funções e habilidades intelectuais. através da ação. através da fala. tanto Vygotsky como Piaget. com isso a criança tem a chance de errar e construir. enquanto que a zona de desenvolvimento proximal é o nível em que os estudantes podem resolver problemas com “apoio”(Lester 1994. assegura que significados linguisticamente criados sejam significados sociais e compartilhados. o professor e o programa institucional devem modelar ou explicar o conhecimento. também desta forma. enquanto que para Piaget o próprio desenvolvimento é a força propulsora. Tanto para Piaget como para Vygotsky.4). 94 Didatismo e Conhecimento . a criança constrói o seu próprio conhecimento interno a partir do que é oferecido. Nos primeiros. A verdadeira construção do conhecimento não é medida. as duas teorias divertem. instrumento de imenso poder. Piaget coloca que a nova construção é sempre realizada sobre uma construção anterior e que. O papel da linguagem no desenvolvimento intelectual para Vygotsky e Piaget A diferença mais nítida entre os dois teóricos. a linguagem. e com isso o facilitador ou professor é o instrutor da criança. entre outras coisas. A cultura estabelece um conhecimento que é internalizado e construído pelas crianças. a criança pode utilizar as fontes e formas de informação no processo de construção. com a desiquilibração. não podendo ir além daquele estádio adquirido. A criança não inventa. Vygotsky chamou de zona de desenvolvimento potencial e zona de desenvolvimento proximal. Piaget. com a modelação do conhecimento e a interação social. portanto. Embora Vygotsky e Piaget considerassem o conhecimento como uma construção individual. por sua vez. quando o indivíduo emprega a capacidade de empregar símbolos para representar. a interação com os colegas e adultos. mas rememora. o trabalho do agente é. mas não produz inteligência. Piaget considerou a linguagem falada como manifestação da função simbólica. Vygotsky tinha a ideia de que a aprendizagem é a força propulsora do desenvolvimento intelectual. (Fowler 1994). onde cada pessoa tem um ritmo. a aprendizagem não começa na escola. Isto é. Os fatores sociais. são consideradas para a construção do conhecimento social. e sim. consequentemente. Vygotsky trata a aquisição da linguagem do meio social como o resultado entre raciocínio e pensamento em nível intelectual. mas não o produz (Fowler 1994). A criança pode ativamente ouvir uma exposição ou ler um livro e empregar a informação recebida na construção. Sabemos que muitos indivíduos estão estacionados em algumas etapas de desenvolvimento e isso é refletido no dia-a dia. estimular e apoiar a exploração. embora. como processo psicológico superior adquirido na vida social mais extensa e por toda a espécie. o ambiente da sala de aula requer interação social. os estudantes podem aprender coisas que não aprendiam sozinhos. a linguagem reflete. Nas obras de Piaget. (1973). com um jeito particular de pensar. Piaget tinha a concepção de que o nível de desenvolvimento colocava limites sobre o que podia ser aprendido e sobre o nível da compreensão possível daquela aprendizagem. mas o de inventá-lo. por isso. em todas as demais funções psíquicas superiores do sujeito. é referente ao papel da linguagem no desenvolvimento intelectual. de desenvolvimento. ela é essencial no processo de transição do interpessoal em intramental. pela motivação da criança. Vygotsky (1987). a construção e invenção. Para Vygotsky. O conhecimento anterior é reconstruído diante da desiquilibração socialmente provocada e estimulada. “É óbvio que o professor enquanto organizador permanece indispensável no sentido de criar as situações e de arquitetar os projetos iniciais que introduzam os problemas significativos à criança. na formação do pensamento e da consciência. A sociedade atribui a isto. memória e atenção. ele colocaria a linguagem oral. assunto deste estudo. Para Piaget. o que reflete o desenvolvimento intelectual. Piaget considerou a linguagem como facilitadora. e o desenvolvimento são adquiridos por modelos e. Ou seja. A zona de desenvolvimento potencial é o nível de desenvolvimento em que os estudantes são capazes de solucionar problemas de forma independente. pelo fator social e ambiente. estimulando a iniciativa e a pesquisa”. o seu papel deveria ser aquele de um mentor. p. Para Piaget. claro. um processo de transmissão de cultura. embora por circunstâncias distintas. As interações sociais foram consideradas como uma fonte do conflito cognitivo. faz uma diferenciação entre processos psicológicos. de desequilibração e. ele é necessário para proporcionar contraexemplos que forcem a reflexão e a reconsideração das soluções rápidas. Assim.

maturação biológica. afirmando serem as influências sociais mais importantes que o contexto biológico. Resulta das ações e interações do sujeito com o ambiente onde vive. Piaget chamou de acomodação. instigado. sendo que a linguagem funciona como mediador. fica curioso. com maior propriedade. com maior facilidade utiliza a mamadeira. sejam eles do mundo físico ou cultural. que Piaget destaca. pais e outras crianças mais velhas e mais experientes. através dos “porquês” e dos “como”. Vygotsky afirma que o conhecimento se dá dentro de um contexto. ele pode atingir maneiras através das quais a instrução será mais útil para a criança. O que promove este movimento é o processo de equilibração. b) A criança consegue autonomia na resolução do problema. completa-se o processo a que Piaget chamou de adaptação. construindo acomodações e assimilações. o esquema assimilador se torna solidificado e disponível para que a pessoa realize novas acomodações. ocorrendo em função da maturidade da pessoa. mediado pelo grupo. Lima (1990). consegue chegar a zona de desenvolvimento Didatismo e Conhecimento 95 proximal. A criança vai adquirindo estruturas linguísticas e cognitivas. Ex: interação e troca com outras crianças e do adulto como modelo. o indivíduo pode olhar como desafio. nem resultado do simples registro de percepções e informações como comenta o empirismo. . ajudando à criança a superar suas capacidades. O autor ressalta a importância de que esses processos sejam internalizados pela criança. a linguagem e a compreensão de regras sociais que não são inatas. elas observam o que os outros dizem. existiria uma interação entre o indivíduo e o meio. porque dizem. pela sua própria estrutura mental. de maneira que é necessário investigar. Desta forma. pois é este que se transforma para a elaboração de novos conhecimentos. Segundo Piaget. a acomodação. Piaget procurou mostrar quais as mudanças qualitativas por quais passa a criança. Vygotky afirma que a aprendizagem da criança se dá pelas interações com outras crianças de seu ambiente. ou por outra criança mais velha. Todo o conhecimento é uma construção que vai sendo elaborada desde a infância. Recriam e conservam o que se passa ao redor. a aprendizagem acelera processos superiores internos que são capazes de atuar quando a criança encontra interagida com o meio ambiente e com outras pessoas. Dolle (1993). A adaptação do sujeito vai ocorrendo. formando desta forma uma construção dinâmica entre aprendizagem e desenvolvimento. mas. desde o estágio inicial de uma inteligência prática (período sensório-motor). Em função desta constatação. que não são impostas de dentro para fora e sim construídas pelo sujeito ao longo do desenvolvimento. através da interação sujeito com os objetos que procura conhecer. O autor considera que o ambiente poderá influenciar no desenvolvimento cognitivo. uma criança que já construiu o esquema de sugar. A mediação é a forma de conceber o percurso transcorrido pela pessoa no seu processo de aprender. a partir da adolescência. comer com colher. A referência da zona de desenvolvimento proximal implica na compreensão de outras ideias que completa a ideia central. o professor terá condições de não só utilizar meios concretos. O pensamento vai se tornando cada vez mais complexo e abrangente. Desenvolvimento e aprendizagem para Piaget Ao elaborar a teoria psicogenética. Este questionamento é o interesse principal da epistemologia genética. Resumindo. o desenvolvimento é de fora para dentro. que sejam professores. que determina o que por ela é internalizado. através da internalização. mas terá que modificar o esquema para chupeta. é necessário investigar como esses conhecimentos são adquiridos. A este processo de ampliação ou modificação de um esquema de assimilação. interagindo com objetos do conhecimento cada vez mais diferentes e abstratos. O desenvolvimento cognitivo para Piaget. a assimilação. a adaptação e a assimilação. tanto intelectual como moral. Por isso. o desenvolvimento ocorre em função da aprendizagem. conceito central na teoria construtivista. Também será mais fácil para essa criança. Desenvolvimento proximal e desenvolvimento real para Vygotsky Para Vygotsky (1987). ligados com outros fatores como experiências. mais tarde poderá realizar sozinha. a zona de desenvolvimento proximal representa o espaço entre o nível de desenvolvimento real. Os objetos do conhecimento têm propriedades e particularidades que nem sempre são assimiladas pela pessoa. Diante de um estímulo. se utilizando a mediação.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Vygotsky coloca que no cotidiano das crianças. O desenvolvimento cognitivo para Vygotsky e Piaget Segundo Piaget (1987). c) Segundo Vygotsky (1987). embora seja estimulado pelo objeto. genética. por isso que a sua teoria ficou conhecida como sócio interacionista. internalizando tudo o que é observado e se apropriando do que viu e ouviu. a moral. motivado e. é também possível graças à atividade do sujeito. A educação é um processo necessário. a criança o fazia com colaboração de um adulto ou um companheiro. a origem do desenvolvimento cognitivo dá-se do interior para o exterior. ela já tem esquemas assimilados. através de estágios diferentes um do outro. ressaltando a maturidade do desenvolvimento. o conhecimento não pode ser aceito como algo predeterminado desde o nascimento ou de acordo com a teoria inatista. pois é alcançado por meio de ações físicas e também mentais. através da assistência e auxílio do adulto. A criança vai usando o sistema. o que falam. Não se pode ignorar o papel desempenhado pelas crianças ao se relacionarem e interagirem com outras pessoas. etc. Vygotsky colocou que “as funções mentais superiores são produto do desenvolvimento sócio histórico da espécie. uma suposta falta no conhecimento. fazer uso de recursos que se reportem ao pensamento abstrato. é importante considerar o principal objetivo da educação que é autonomia. é o de equilibração. Quando o professor. ou seja. visuais e reais. onde a criança era apta a resolver um problema sozinha. e o nível de desenvolvimento potencial. procura restabelecer o equilíbrio que é sempre dinâmico. Para que esta adaptação se torne abrangente. a lógica. através de assimilações e acomodações. ao contrário do pensamento de Piaget que assegura ser a aprendizagem uma consequência do desenvolvimento. aquele momento. A cada adaptação constituída e realizada. lógico-dedutivo. A abordagem de Vygotsky se contrapõe a de Piaget. Com sucessivas aproximações. tais como: a) O que a criança consegue hoje com a colaboração de uma pessoa mais especializada. porque falam. para a teoria vygotskiana. porém sua ênfase recai no papel do ambiente para o desenvolvimento biológico. formando os esquemas. faz com que a pessoa se “desequilibra” intelectualmente. até o pensamento formal.

Os educadores não devem deixar de perceber o sujeito em relação ao tempo e a cultura. é externo. emprega-se. neste estudo. explícita ou implicitamente. a criança sozinha “não dá conta” de suas próprias experimentações. e colocações de questões para a própria criança perceber onde está. se essa capacidade de aprendizagem e oportunidade lhe for oferecida. “A afetividade pode ser a causa de acelerações ou retardos no desenvolvimento intelectual e que ela própria não engendra estruturas cognitivas. a utilização inerente de construção ou uma espera do meio. apenas acreditava que a criança adquire esses modelos externos. Vygotsky chamou de zona de desenvolvimento potencial e zona de desenvolvimento proximal. história e modelo social. a aprendizagem é a força propulsora do desenvolvimento intelectual. Os fatores sociais para Vygotsky desempenham um papel fundamental no desenvolvimento intelectual. numa tentativa de contribuir. onde o ser é visto como ativo. 96 Didatismo e Conhecimento . As duas concepções sobre aprendizagem devem ser complementares. se existe a pessoa que oferece orientação para o indivíduo. com ajuda externa. Piaget não desconsiderava que o conhecimento é influenciado pelo externo. Para Piaget a construção do conhecimento individual é única. fatores internos e externos intercalando-se. para Vygotsky o sujeito não é apenas ativo. dentro do que lhe é cobrado. históricos e culturais influenciáveis no desenvolvimento.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A afetividade está correlacionada a esta inteligência e desempenha papel de uma fonte energética da qual dependeria o funcionamento da inteligência. para ocorrer o conhecimento. porque constitui conhecimento através de relações intra e interpessoais. A desequilibração é sempre possível para as construções anteriores. tendo em vista que o modo como os professores realizam o seu trabalho na escola tem a ver com esses pressupostos teóricos. com isso. Embora se reconheçam as dificuldades do estabelecimento de uma síntese dessas diferentes tendências pedagógicas. Para Piaget o conhecimento é construído. inter alia. No segundo. sem medição. ele acaba por superar. É na troca com outros sujeitos e consigo próprio que há internalização de conhecimentos. enquanto que para Piaget. para que não ocorra falhas no processo de conhecimento e também pra que não ocorra desgaste demasiado. Porém. com um jeito particular de pensar. mas ao mesmo tempo tem uma influência constitucional única que a ajuda ou dificulta a construir seu conhecimento. Nas trocas de valores entre o meio. Assim. a “renovada não-diretiva” e a “tecnicista”. tornando-se transformadora da aprendizagem. mas as “superiores”. que as classifica em dois grupos: “liberais” e “progressistas”. (Texto adaptado de Flávia Sayegh). por isso a utilização dos dois processos deve ser considerada. cujas influências se refletem no ecletismo do ensino atual. 10 TEORIAS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO. É necessário errar. a aprendizagem favorece o desenvolvimento das funções mentais. No primeiro grupo. Sabemos que muitos indivíduos estão estacionados em algumas etapas de desenvolvimento e isso é refletido no dia-a dia. Enquanto no referencial construtivista o conhecimento se dá a partir da ação do sujeito sobre a realidade. dependendo do nível intelectual da constituição mental. sob influência desse meio e como são passados os conhecimentos. O que resultaria num bloqueio na aprendizagem. Na medida em que o indivíduo recebe uma orientação. não adianta acreditar unicamente na constituição do próprio sujeito. não podendo. o que permite a constituição de conhecimentos e da consciência. teoricamente. A criança transforma aquilo que aprende de acordo com sua capacidade interna. a “libertária” e a “crítico-social dos conteúdos”. diferentes pressupostos sobre o papel da escola e da aprendizagem. exigido. Não são somente as desequilibrações anteriores que podem ser desenvolvidas. através da cultura. estão incluídas a tendência “tradicional”. Não adiantaria irem além do ritmo da criança. Para Vygotsky. como forma de constituição individual. A teoria de Vygotsky trata o indivíduo como um agente e o meio. É necessário um modelo para orientar e fazer a criança pensar sobre como está para desenvolver-se. é a forma em que os indivíduos podem resolver os problemas com apoio. uma forma seria sem apoio na resolução de problemas e a outra forma. os indivíduos podem adquirir conhecimentos que antes não podiam. para Vygotsky. cabe observar e usar técnicas para que esse desenvolvimento ocorra. consequentemente. Piaget reconheceu os fatores sociais no desenvolvimento intelectual que provoca desiquilibração e construção desse conhecimento. Tanto Piaget como Vygotsky estavam preocupados com a questão do desenvolvimento e cada um buscou formas diferentes e complementares para elaboração das estruturas mentais e formação de esquemas. Muitas vezes. Enquanto para Piaget a aprendizagem depende do estágio de desenvolvimento atingido pelo sujeito. com a modelação de conhecimento e a interação do meio social. mostrar o caminho para a aprendizagem. pode não haver um potencial para as novas acomodações. Sabe-se que a prática escolar está sujeita a condicionantes de ordem sociopolítica que implicam diferentes concepções de homem e de sociedade e. de maneira tradicional ou simplista. ou seja . papéis e funções sociais. a tendência “libertadora”. a “renovada progressivista”. reforçando. justifica-se o presente estudo. Quando a criança estiver “congelada” no desenvolvimento. mas interativo. A cultura estabelece um conhecimento que é internalizado e construído pelas crianças. a pessoa ir além do seu ritmo. para a formação continuada de professores. e nem contar com meios externos. para haver desequilíbrio necessário para novas aquisições. os indivíduos interagem com o social. O facilitador deve investigar. o indivíduo vai aprendendo a pensar por si mesmo. nem modifica as estruturas do funcionamento nas quais intervém” Dolle (1993). para saber onde o indivíduo se encontra para fornecer subsídios para novas aquisições. Se a criança não consegue ir além do que lhe é permitido mentalmente. antes desconhecidas por ele mesmo. as crianças internalizam e constroem o conhecimento. como muitos pensam. o próprio desenvolvimento é a força propulsora. criadora. O objetivo deste texto é verificar os pressupostos de aprendizagem empregados pelas diferentes tendências pedagógicas na prática escolar brasileira. a teoria de José Carlos Libâneo. Os estágios de desenvolvimento são importantes na a avaliação profissional. cabe ao facilitador. Para Piaget o nível de desenvolvimento colocava limites sobre o que podia ser aprendido e sobre o nível de compreensão possível daquela aprendizagem. ele começa a formular hipóteses. a criança têm chance de errar e construir. Deve haver senso de percepção para perceber o que a criança necessita no momento. Seria uma troca de meios para que esse desenvolvimento ocorra. enquanto que Vygotsky comentou os fatores sociais. com colegas e mediadores. para poder ir aonde quer chegar. Através disso.

No ensino da língua. sendo o ambiente apenas um meio estimulador. a tendência liberal tradicional se caracteriza por acentuar o ensino humanístico. o aluno é educado para atingir sua plena realização através de seu próprio esforço. Portanto. articulando-se diretamente com o sistema produtivo. No aspecto teórico-prático. informações de um emissor a um receptor. como um adulto em miniatura. este trabalho pelo fato de que novos avanços no campo da Psicologia da Aprendizagem. de acordo com as aptidões individuais. a preparar o aluno para assumir seu papel na sociedade. a partir da LDB 9. sem levar em conta as características próprias de cada idade. Devido a essa ênfase no aspecto cultural. ou seja. a pesquisa. sobretudo. essas ideias escolanovistas não trouxeram maiores consequências. 97 A escola continua. No ensino da língua. será dado ênfase ao ensino da Língua Portuguesa. A partir da Reforma do Ensino. baseada na teoria de aprendizagem S-R. encontraram. tomando como modelo de norma culta as obras dos nossos grandes escritores clássicos. dessa forma. valorizando as tentativas experimentais. e a avaliação é realizada através de provas escritas e exercícios de casa. Trata-se de um ensino centrado no aluno. que implantou a escola tecnicista no Brasil. É a tomada de consciência. pois esbarraram na prática da tendência liberal tradicional. Se. vê o aluno como depositário passivo dos conhecimentos. a tecnologia comportamental. a uma adequação pessoal às solicitações do ambiente. considerando-se as diferentes concepções de linguagem que perpassam esses períodos do pensamento pedagógico brasileiro. as diferenças entre as classes sociais não são consideradas. pois vê nessa gramática uma perspectiva de normatização linguística.692/71. Quanto aos pressupostos de aprendizagem. Assim. segundo Piaget. nessa tendência. Tendências Pedagógicas Liberais Segundo LIBÂNEO (1990). aprender se torna uma atividade de descoberta. para que o aluno forme “hábitos” do uso correto da linguagem. o ensino da gramática pela gramática. Os conteúdos são organizados pelo professor. nas manifestações na prática escolar das diversas tendências educacionais. nessa tendência tradicional. portanto. Seu interesse principal é. com a Lei 5. a Gramática Tradicional ou Normativa se constitui no núcleo dessa visão do ensino da língua. através do desenvolvimento da cultura individual. exigindo uma atitude receptiva e mecânica do aluno.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Justifica-se. No ensino da língua portuguesa. na tendência liberal tradicional. por isso ela deve imitar a vida. apenas menos desenvolvida. emprega a ciência da mudança de comportamento. a atividade pedagógica estava centrada no professor. tal como ocorreu com a corrente pragmatista. para os estruturalistas. a descoberta. a escola tecnicista. para tanto. nos drills. Skinner foi o expoente principal dessa corrente psicológica. é uma autoaprendizagem. adaptando as necessidades do educando ao meio social. dominar o código. ou seja. por isso a ênfase na repetição. ou seja. Só é retido aquilo que se incorpora à atividade do aluno. também conhecida como behaviorista. é a garantia de se chegar ao domínio da língua oral ou escrita. Sendo assim. etc. o papel da escola na formação de atitudes. numa sequência lógica.394/96. uma barreira na prática da tendência liberal tradicional. o professor terá condições de avaliar os fundamentos teóricos empregados na sua prática em sala de aula. Tendência Liberal Renovada Não-Diretiva Acentua-se. o que presume a necessidade de regras do bem falar e do bem escrever. também. A língua – como diz TRAVAGLIA (1998) – é vista como um código. a ideia de que o ensino consiste em repassar os conhecimentos para o espírito da criança é acompanhada de outra: a de que a capacidade de assimilação da criança é idêntica à do adulto. a pedagogia liberal sustenta a ideia de que a escola tem por função preparar os indivíduos para o desempenho de papéis sociais. e a autonomia da escola na construção de sua Proposta Pedagógica. predomina. preponderaram as influências do estruturalismo linguístico e a concepção de linguagem como instrumento de comunicação. a tendência liberal renovada (ou pragmatista) acentua o sentido da cultura como desenvolvimento das aptidões individuais. Tendência Liberal Tecnicista A escola liberal tecnicista atua no aperfeiçoamento da ordem social vigente (o sistema capitalista). o que é incorporado passa a compor a estrutura cognitiva para ser empregado em novas situações. defende-se a ideia de “aprender fazendo”. Aprender é modificar suas próprias percepções. na escola renovada progressivista. assim. através da descoberta pessoal. Segundo essa concepção de linguagem. o estudo do meio natural e social. Tendência Liberal Tradicional Segundo esse quadro teórico. Como pressupostos de aprendizagem. o que torna a avaliação escolar sem sentido. A criança é vista. Portanto. Conforme MATUI (1988). Todo o esforço deve visar a uma mudança dentro do indivíduo. Apenas se aprende o que estiver significativamente relacionado com essas percepções. embora a escola passe a difundir a ideia de igualdade de oportunidades. as diferenças de classe social não são consideradas e toda a prática escolar não tem nenhuma relação com o cotidiano do aluno. produzir indivíduos “competentes” para o mercado de trabalho. pois. ou seja. embora muito difundidas. Através do conhecimento dessas tendências pedagógicas e dos seus pressupostos de aprendizagem. portanto centrada no aluno. teoria gramatical. não se preocupando com as mudanças sociais. em razão disso. Vygotsky e Wallon. que devem ser acumulados na mente através de associações. Isso pressupõe que o indivíduo precisa adaptar-se aos valores e normas vigentes na sociedade de classe. levando em conta os interesses do aluno. também. na instrução programada. sendo o professor apenas um facilitador. Segundo RICHTER (2000). preocupamse com a organização lógica do pensamento. parte-se da concepção que considera a linguagem como expressão do pensamento. bem como a revalorização das ideias de psicólogos interacionistas. De acordo com essa escola tradicional. Tendência Liberal Renovada Progressivista Segundo essa perspectiva teórica de Libâneo. um conjunto de signos que se combinam segundo regras e que é capaz de transmitir uma mensagem. razão pela qual deve estar mais preocupada com os problemas psicológicos do que com os pedagógicos ou sociais. as ideias da escola renovada não-diretiva. A retenção se dá pela relevância do aprendido em relação ao “eu”. saber gramática. exigem uma atualização constante do professor. a visão behaviorista acredita que adquirimos uma língua por meio de imitação e formação de hábitos. com ênfase nos exercícios repetitivos e de recapitulação da matéria. saber a língua é. privilegiando-se a auto avaliação. Os seguidores dessa corrente linguística. Didatismo e Conhecimento . de cultura geral. como Piaget. não leva em conta a desigualdade de condições.

têm em comum a análise crítica do sistema capitalista. mas insiste que o conhecimento não é suficiente se. reflexão e crítica. a pedagogia progressista designa as tendências que. De base empirista (Paulo Freire se proclamava um deles) e marxista (com as ideias de Gramsci). a partir da Lei 5. o receptor é retirado da sua condição de mero objeto do sentido do texto. não conseguiu superar os equívocos apresentados pelo ensino da língua centrado na gramática normativa. a Semântica Argumentativa e a Pragmática. nunca assumiram compromisso com as transformações da sociedade. De modo geral. o trabalho com as estruturas linguísticas. o ato de conhecimento na relação educativa. como queriam os inatistas. partindo de uma análise crítica das realidades sociais. nem no receptor. a força motivadora deve decorrer da codificação de uma situação-problema que será analisada criticamente. procura valorizar o texto produzido pelo aluno. situando-se também no campo da economia. vincula a educação à luta e organização de classe do oprimido. isto é. A escola libertadora. a pedagogia libertadora ultrapassa os limites da pedagogia. de alguém que estava ali para decifrá-lo. então. que constitui a sua realidade fundamental. ou sob algumas as influências teóricas do estruturalismo e do gerativismo. sintetiza sua ideia de dialogismo: “Eu vou ao texto carinhosamente. Assim. isto é. entre outros. essas teorias buscam uma aproximação com modernas correntes do ensino da língua que consideram a linguagem como forma de atuação sobre o homem e o mundo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS No ensino da Língua Portuguesa. fornecendo-lhe um instrumental. Um dos pontos em comum entre esses psicólogos é o fato de serem interacionistas. aprender é um ato de conhecimento da realidade concreta. a condição para se libertar da exploração política e econômica. em oposição às liberais. como ocorria. o saber mais importante para o oprimido é a descoberta da sua situação de oprimido. apesar das contribuições teóricas do estruturalismo. no contexto da luta de classes. na prática. como diziam os empiristas. simbolicamente. tradicionalmente. por meio da aquisição de conteúdos e da socialização. como processo de interação verbal.394/96. No ensino da língua. Tendências Pedagógicas Progressistas Segundo Libâneo. com ensino da gramática tradicional. acentua a primazia dos conteúdos no seu confronto com as realidades sociais. a tradicional. e só tem sentido se resulta de uma aproximação crítica dessa realidade. Didatismo e Conhecimento 98 . em comum. procurassem legitimar a ordem econômica e social do sistema capitalista. sustentam implicitamente as finalidades sociopolíticas da educação. através da elaboração da consciência crítica passo a passo com sua organização de classe. Na visão da pedagogia dos conteúdos. ou seja. descendente. embora. visam a favorecer o desenvolvimento de pessoas mais livres. bottomup. no ensino da leitura. no ensino da língua. Assim. revalorizam-se as ideias de Piaget. além da negociação de sentidos na leitura. Vygotsky e Wallon. numa perspectiva sócio histórica. A transferência da aprendizagem só se realiza no momento da síntese. Segundo GADOTTI (1988). para Paulo Freire. e a negação de toda forma de repressão. também conhecida como a pedagogia de Paulo Freire. nessa abordagem interacionista. ou seja. No ensino da língua. assim como a possibilidade de negociação de sentido na leitura. conforme Gadotti. da política e das ciências sociais. a partir de uma negociação de sentido entre enunciador e receptor. ao lado e junto deste. segundo essa concepção de linguagem. a tendência progressista crítico-social dos conteúdos. mas ascendente/descendente. da situação real vivida pelo educando. Para citar um exemplo no ensino da língua. predominaram os métodos de base ora empirista. envolvendo o exercício da abstração. Por isso. Tendência Progressista Libertária A escola progressista libertária parte do pressuposto de que somente o vivido pelo educando é incorporado e utilizado em situações novas.394/96 Após a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de n. Em parte. admite-se o princípio da aprendizagem significativa. não importa qual. como afirma Libâneo. deduz-se que as tendências pedagógicas liberais. Assim. Paulo Freire.º 9. separadas do homem no seu contexto social. porque concebem o conhecimento como resultado da ação que se passa entre o sujeito e um objeto. Paulo Freire não considera o papel informativo.394/96. mas resulta da interação entre ambos. pelo qual se procura alcançar. a travar um diálogo comigo”. A tendência tecnicista é de certa forma. para uma participação organizada e ativa na democratização da sociedade. uma modernização da escola tradicional e. esses problemas ocorreram devido às dificuldades de o professor assimilar as novas teorias sobre o ensino da língua materna. Tendência Progressista Libertadora As tendências progressistas libertadora e libertária têm. da Reforma do Ensino. Portanto o conhecimento que o educando transfere representa uma resposta à situação de opressão a que se chega pelo processo de compreensão. no sujeito. Como pressuposto de aprendizagem. O processo de leitura. portanto. o conhecimento não está. Tendência Progressista Crítico-Social dos Conteúdos Conforme Libâneo. valorizam o texto produzido pelo aluno. a partir do seu conhecimento de mundo. como queriam os empiristas. Vygotsky e Wallon. nem no objeto. não se elabora uma nova teoria do conhecimento e se os oprimidos não podem adquirir uma nova estrutura do conhecimento que lhes permita reelaborar e reordenar seus próprios conhecimentos e apropriar-se de outros. ora inatista. é visto como possibilidade de desenvolver a expressão oral e escrita. Tendências Pedagógicas Pós-LDB 9. não é centrado no texto. essas tendências. quando o aluno supera sua visão parcial e confusa e adquire uma visão mais clara e unificadora. As ideias desses psicólogos interacionistas vêm ao encontro da concepção que considera a linguagem como forma de atuação sobre o homem e o mundo e das modernas teorias sobre os estudos do texto. partindo do que o aluno já sabe. decodificá-lo. No ensino da Leitura. A ênfase na aprendizagem informal via grupo. ascendente. A partir da LDB 9. Já as tendências pedagógicas progressistas. ou seja. A atuação da escola consiste na preparação do aluno para o mundo adulto e suas contradições. segundo essa perspectiva interacionista. numa entrevista.692/71. segundo os inatistas. principalmente com as difusão das ideias de Piaget. a razão de ser dos fatos. a Análise do Discurso. a leitura como processo permite a possibilidade de negociação de sentidos em sala de aula. por se declararem neutras. como a Linguística Textual. por isso o saber sistematizado só terá relevância se for possível seu uso prático. diferentemente da libertadora e libertária. eu puxo uma cadeira e convido o autor. a defesa da autogestão pedagógica e o antiautoritarísmo. (Texto adaptado de Delcio Barros da Silva). top-down. a renovada e a tecnicista. por meio de representações da realidade concreta. De acordo com esse quadro teórico de José Carlos Libâneo. De acordo com ARANHA (1998).

relacionamento professor e aluno. São analisadas as relações e a forma de vincular os diferentes conteúdos de aprendizagem. dão um papel de destaque para os temas transversais. • Significação – interessante para o aluno quando relacionadopor situações vivenciadas por ele. ser. libertária e crítica social dos conteúdos. pelos educadores e educadoras nas escolas e nos encontros da categoria docente. pesquisando e organizando e selecionando alternativas. Zabala descreve as possibilidades dos centros de interesse de Decroly. •Flexibilidade – somente quando houver possibilidade de fazeralterações no conteúdo suprimindo itens ou incluindo novostópicos de acordo com o interesse dos alunos.Critérios para a Seleção de Conteúdos. ajudando-os na vida cotidiana a solucionar osproblemas e enfrentar situações novas.A unidade que é um tipo de organização estrutural inclui experiênciasque abrange. os conhecimentos foram alocados em disciplinas. o autor denominou tais métodos de globalizadores.Tanto a organização do conhecimento como as experiênciaseducativas são importantes. observando o desenvolvimento e aprendizagens do aluno. podendo também serchamado de organização psicológica significativa para o próprio aluno. Didatismo e Conhecimento 99 . reconstruindo o conhecimento. O Programa pessoal de cada professor pode ser anual. nos movimentos sociais? Como podemos lidar pedagogicamente com a diversidade? Esses e outros questionamentos estão colocados. o conhecimento sobre as novas formas de organização é necessário para a compreensão e reflexão destes documentos. e para o encaminhamento de novas propostas de ensino.O conteúdo é um conjunto de referencia a conhecimentos. Os conteúdos devem estar organizados por princípios lógicosestabelecendo relação entre seus elementos. mensal ousemanal. No tocante aos métodos globalizadores. tradicional.Cada proposta pedagógica baseia-se em uma determinada ideia deensino-aprendizagem e da interação professor-aluno. Os conteúdos são importantes à medida que constituem aorganização sobre a qual o aluno constrói o conhecimento. É preciso incutir nas crianças ejovens o s valores essenciais para a sobrevivência da comunidade. renovada não-diretiva e a Pedagogia progressista que élibertadora.O papel do professor bem preparado é fundamental para o inferir doaluno. ponto de partida para aquisição de informações. A experiência de quem aprendeu é antes. O programa escolar oficial é a ação educativa para um determinadograu de ensino. adequados às exigências e condições que osalunos vivem. principalmente. quantidade. Portanto. o que foi maisimportante e o que foi relevante. desenvolvendo o conhecimento e o desenvolvimento de seu ser. comocooperação. a temática de organização dos conteúdos de aprendizagem não poderia ser mais atual e significativa para a educação brasileira de maneira geral. pensar e agir. um processo de aquisiçãode novos modos de perceber.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 11 CURRÍCULO BASEADO EM HABILIDADES E COMPETÊNCIAS. observando a qualidade. em uma lógica da organização curricular. uma organizaçãovertical (plano temporal ) que envolver a continuidade e a sequencia queenvolve o conteúdo repetidas vezes em diferentes fases de um cursoaprofundando e ampliando a sequencia e o horizontal ( plano de umamesma série) que se refere ao relacionamento entre as diversas áreas docurrículo integrando e visando garantir a unidade do conhecimento. Contudo. especifica os objetivos e conteúdos de acordo com as condições década classe. conteúdo de ensino. os métodos de projetos de Kilpatrick. Pedagogia Liberal cujas tendências são. porém deve o mesmo ter responsabilidade namontagem. justiça. A organização do Conteúdo.O aluno deve ser envolver pessoalmente com o conteúdo. Ao longo da história. assimestará construindo.O professor dispõe de flexibilidade para selecionar os conteúdos maisadequados aos seus alunos. as experiências que o homem adquire serãotransmitidas ao aluno e as experiências que o próprio aluno vivenciara emtorno desses conhecimentos adquiridos. selecionadas e organizadas pelas escolas (Turra –planejamento de ensino e avaliação). hoje. métodos. é organizada em torno dos problemas ouprojetos importantes dos alunos. em geral elaborado em nível de sistema oficial de ensino econsegue dar uma unidade ao trabalho dos professores nas escolas doestado ou município. pois os conteúdos de aprendizagem só podem ser considerados relevantes na medida em que desenvolvam nos alunos a capacidade para compreender uma realidade que se manifesta globalmente. A organização dos conteúdos nesses métodos. Através da estrutura da disciplinapodemos ter uma visão ampla do conhecimento estudado. conhecimento e interessesde seus alunos. Os conteúdos devem apresentar uma sequência. Como a questão da diversidade tem sido pensada nos diferentes espaços sociais. e particularmente para a Educação Física.hábitos etc. fazendoassociações. o desenvolvimento do modelopedagógico adequado para o nível de alunos que frequenta as escolar éessencial para um bom desenvolvimento cognitivo. o professor deve-se basear nos seguintes critérios: • Validade – relação clara e nítida com os objetivos a serematingidos no ensino e conteúdos • Utilidade – possibilidade de aplicar o conhecimento emsituações novas. atitudes.Conteúdo são experiências educativas onde se apoia a práticamental. e sim assimilar o que se deseja passar. O conceito do conteúdo não é simplesmente a aquisição deinformação.Conteúdos podem dizer respeito à organização de conhecimentosobre a base de suas próprias regras ou são as experiências educativas nocampo do conhecimento. e os projetos de trabalhos globais. o professor dever fazer umaligação do já conhecido com o novo o que torna o conteúdosignificativo. habilidades e atitudes para alcançarmos osobjetivos proposto no processo de orientação educacional. nos últimos anos é cada vez mais comum encontrarmos propostas que rompem com a organização por unidades centradas exclusivamente em disciplinas. A função da escolar é a difusão do conhecimento visando à melhoriada qualidade de vida das camadas populares. Por outro lado.A escola como formadora é o centro da educação constante e temcomo função repassar o conhecimento. Daí a importância da compreensão do significado da transversalidade. o estudo do meio. ou melhor. pressupostos de aprendizagem e práticaescolar. No nosso entendimento. visa operacionalizar as diretrizes curriculares do sistema deensino. respeito ao próximo.O professor José Carlos Libâneo analisa cada uma dessas tendênciasenvolvendo os aspectos do papel da escola. O Desenvolvimento dos Conteúdos e as Concepções Pedagógicas. Os PCNs. para odesenvolvimento de hábitos. renovada-progressista. as DCNs do Ensino Médio referenciam como princípio básico para este nível a interdisciplinaridade. valorização do trabalho etc. nos seus documentos do Ensino Fundamental. várias semanas. • Adequação ao nível de desenvolvimento do aluno – adequar erespeitar a maturidade intelectual do aluno deve haverassimilação essenciais e desejáveis contribuindo para seudesenvolvimento.

médio e profissional? Seria interessante diagnosticar se a diversidade é apenas uma preocupação de um grupo de professores(as). é que construímos nosso conhecimento. As diferenças são também construídas pelos sujeitos sociais ao longo do processo histórico e cultural. pode se transformar em práticas xenófobas (aversão ou ódio ao estrangeiro) e em racismo (crença na existência da superioridade e inferioridade racial). ensino fundamental e ensino médio) até a educação superior incluindo a EJA. os quais realizam práticas curriculares variadas. A diversidade faz parte do acontecer humano. Algumas dessas diversidades provocam impedimentos de natureza distinta no processo de desenvolvimento das pessoas (as comumente chamadas de “portadoras de necessidades especiais”). o escolar. no ensino fundamental. sociais e culturais. pela riqueza da diversidade. trabalharmos pedagogicamente com a diversidade. A primeira constatação talvez seja que. Como toda forma de diversidade é hoje recebida na escola.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Ao realizarmos essa discussão. Sendo assim. Portanto. a nossa primeira tarefa poderá ser o questionamento sobre a presença ou não dessas indagações na nossa prática docente. os nossos currículos. Durante toda a nossa vida realizamos aprendizagens de naturezas mais diferentes. Nessa tensão. A construção das diferenças ultrapassa as características biológicas. nos projetos pedagógicos e nas diferentes Secretarias de Educação. Por mais que a diversidade seja um elemento constitutivo do processo de humanização. Ao analisarmos o cotidiano da escola. a presença da diversidade no acontecer humano nem sempre garante um trato positivo dessa diversidade. cultural e social. O discurso. A educação de uma maneira geral é um processo constituinte da experiência humana. valores. a diversidade pode ser entendida como a construção histórica. observáveis a olho nu. quanto o domínio das práticas culturais existentes no nosso meio são imprescindíveis para a realização do acontecer humano. Seres humanos apresentam. permeados por relações de poder e dominação. Este último. no contexto das relações sociais. mas. As discussões acima realizadas poderão ajudar a aprofundar as reflexões sobre a diversidade no coletivo de educadores. por isso se faz presente em toda e qualquer sociedade. diferença e multiplicidade. tanto o desenvolvimento biológico. há uma tendência nas culturas. Mas essas três qualidades não se constroem no vazio e nem se limitam a ser nomes abstratos. representações e identidades. a Educação Profissional e a Educação Especial. nos processos de adaptação do homem e da mulher ao meio social e no contexto das relações de poder. diversidade biológica. por vezes. Elas se constroem no contexto social e. Será que existe sensibilidade para a diversidade na educação infantil. educadores e educadoras. Didatismo e Conhecimento 100 Os currículos e práticas escolares que incorporam essa visão de educação tendem a ficar mais próximos do trato positivo da diversidade humana. Ele atravessa todos os níveis de ensino desde a educação básica (educação infantil. quando exacerbado. representações do mundo. sobretudo. a diversidade pode ser entendida como um fenômeno que atravessa o tempo e o espaço e se torna uma questão cada vez mais séria quanto mais complexas vão se tornando as sociedades. há uma tensão nesse processo. sendo assim. são únicos em suas personalidades e são também diversos em suas formas de perceber o mundo. Ela se faz presente na produção de práticas. De acordo com Elvira de Souza Lima (2006). técnicas artísticas. A diversidade é um componente do desenvolvimento biológico e cultural da humanidade. Há uma relação estreita entre o olhar e o trato pedagógico da diversidade e a concepção de educação que informa as práticas educativas. não se caracteriza somente pela unidade do gênero humano. É o que chamamos de etnocentrismo. Mas não será essa afirmativa uma contradição? Como a educação escolar pode se manter distante da diversidade sendo que a mesma se faz presente no cotidiano escolar por meio da presença de professores/ as e alunos/as dos mais diferentes pertencimentos étnico-raciais. especial. as reflexões aqui realizadas aplicam-se aos profissionais que atuam em todos esses campos. só passaram a ser percebidos dessa forma. por um currículo que atenda a essa universalidade. que aprendemos a ver como diferentes desde o nosso nascimento. de humanização e desumanização. de ressaltar como positivos e melhores os valores que lhe são próprios. há a demanda óbvia. Que concepções de diversidade permeiam as nossas práticas. de fato. ainda. são acompanhados de uma maneira tensa e. em específico. Todavia. marcado pela interação contínua entre o ser humano e o meio. uma rejeição em relação ao diferente. saberes. científicas. Esse fenômeno. na EJA. porque nós. sobretudo. mesmo os aspectos tipicamente observáveis. não é tarefa fácil para nós. idades e culturas? Esse desafio é enfrentado por todos nós que atuamos no campo da educação. Mapear o trato que já é dado à diversidade pode ser um ponto de partida para novos equacionamentos da relação entre diversidade e currículo. é um dos recortes do processo educativo mais amplo. de um modo geral. linguagens. Sendo assim. a relação entre currículo e diversidade é muito mais complexa. ambígua de lidar com o diverso. A relação existente entre educação e diversidade coloca-nos diante do seguinte desafio: o que entendemos por diversidade? Que diversidade pretendemos esteja contemplada no currículo das escolas e nas políticas de currículo? Para responder a essas questões. Nesse processo. qual é o lugar ocupado pela diversidade? Ela figura como tema que transversaliza o currículo? Faz parte do núcleo comum? Ou encontra espaço somente na parte diversificada? Do ponto de vista cultural. gerando certo estranhamento e. fazem-se necessários alguns esclarecimentos e posicionamentos sobre o que entendemos por diversidade e currículo. assim os nomeamos e identificamos. seres humanos e sujeitos sociais. no contexto da cultura. a diversidade é norma da espécie humana: seres humanos são diversos em suas experiências culturais. experiências de sociabilidade e de aprendizagem. valores. de alguns coletivos de profissionais no interior das escolas e secretarias de educação ou se já alcançou um lugar de destaque nas preocupações pedagógicas e nos currículos. Seria muito mais simples dizer que o substantivo diversidade significa variedade. outra tarefa faz-se necessária: é preciso ter clareza sobre a concepção de educação que nos orienta. Os diferentes contextos históricos. Para avançarmos nessas questões. Estamos diante de uma terceira tarefa. a compreensão e o trato pedagógico da diversidade vão muito além da visão romântica do elogio à diferença ou da visão negativa que advoga que ao falarmos sobre a diversidade corremos o risco de discriminar os ditos diferentes. Por isso. nos projetos pedagógicos e nas propostas educacionais. enquanto uma experiência que atravessa toda sociedade e toda cultura. pois a experiência da diversidade faz parte dos processos de socialização. A escolarização. Afinal. a diversidade pode ser tratada de maneira desigual e naturalizada. cultural e social das diferenças. a nossa relação com os alunos e suas famílias e as nossas relações profissionais? Como enxergamos a diversidade enquanto cidadãos e cidadãs nas nossas práticas cotidianas? . até mesmo.

os trabalhadores do campo e demais povos da floresta. Além disso. Ela se constrói em determinado contexto histórico. a variedade de seres vivos e ambientes em conjunto é chamada de diversidade biológica ou biodiversidade. passaram a ser exploradas e tratadas de forma desigual e discriminatória. idades. o homem e a mulher participam desse processo enquanto espécie e sujeito sociocultural. para romper com o bioimperialismo o qual impõe monoculturas. pressupõe uma interação. b) toda a discussão a que hoje assistimos sobre a preservação. as comunidades tradicionais (como os seringueiros). Ou seja. não é inata. passam a reivindicar dos governos o reconhecimento e posse das suas terras. citado por Silvério (2006). dos desequilíbrios ecológicos de qualquer parte do sistema. Dessa forma. neste texto. orientado pela busca de políticas e estratégias de desenvolvimento alternativo. Ao discutir a diversidade cultural. Elas já acompanham há muito o campo da educação especial. ao refletirmos sobre a presença dos seres humanos no contexto da diversidade biológica.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Essas indagações poderão orientar os nossos encontros pedagógicos. experiências. E mais: somos desafiados pela própria experiência humana a aprender a conviver com as diferenças. da relação deste como um dos componentes dessa diversidade. histórica e culturalmente construída recebe a mesma interpretação nas diferentes sociedades. A diversidade cultural varia de contexto para contexto. Nos últimos anos. a identidade. Por isso. sobretudo. mas porque afetam a todos nós e colocam em risco a vida da espécie humana e a das demais espécies. Além disso. necessitam ser ampliadas e aprofundadas para compreendermos outras diferenças presentes na escola. devemos entender dois aspectos importantes: a) o ser humano enquanto parte da diversidade biológica não pode ser entendido fora do contexto da diversidade cultural. assim como a redistribuição e a ocupação responsável de terras improdutivas. Nem sempre aquilo que julgamos como diferença social. Tanto a identidade pessoal quanto a identidade social são formadas em diálogo aberto. Nessa concepção. Por isso. os problemas ambientais não são considerados graves porque afetam o planeta. O nossogrande desafio está em desenvolver uma postura ética de não hierarquizar as diferenças e entender que nenhum grupo humano e social é melhor ou pior do que outro. o modo de ser e de interpretar o mundo também é variado e diverso. Assim como a diversidade. garantem sua sobrevivência e produzem conhecimentos por meio de uma relação mais direta com o ambiente em que vivem. Na realidade. é intermediada pelo reconhecimento obtido dos outros em decorrência de sua ação. • a luta política pelo direito à diversidade. Assim como a diversidade. algumas dessas variabilidades do gênero humano receberam leituras estereotipadas e preconceituosas. apresentam diversidade biológica. Podemos dizer que o que nos torna mais semelhantes enquanto gênero humano é o fato de todos apresentarmos diferenças: de gênero. políticos. Ao contrário. conservação e uso sustentável da biodiversidade não diz respeito somente ao uso que o homem faz do ambiente externo. de seu “eu”. o desenvolvimento só pode ser um desenvolvimento ecológico e socialmente sustentável. É nessa perspectiva que privilegiaremos. • diversidade cultural e currículo. enquanto processo. da expansão das monoculturas. A diversidade cultural: algumas reflexões O ser humano se constitui por meio de um processo complexo: somosao mesmo tempo semelhantes (enquanto gênero humano) e muito diferentes (enquanto forma de realização do humano ao longo da história e da cultura). Ou seja. • diversidade e organização dos tempos e espaços escolares. político e cultural. mas. alguns aspectos acerca da diversidade a fim de dar mais elementos às nossas indagações sobre o currículo. esses grupos vêm se organizando cada vez mais e passam a exigir das escolas e dos órgãos responsáveis pelas elas o direito ao reconhecimento dos seus saberes e sua incorporação aos currículos. No entanto. Coloca em risco a capacidade de sustentabilidade proporcionada pela biodiversidade. entre outros. as características. culturas. culturais e sociais estão intimamente embricados. Tal situação afeta toda a espécie humana da qual fazemos parte. Entre eles podemos destacar os indígenas. Estes constroem conhecimentos variados a respeito dos recursos da biodiversidade que nem sempre são considerados pela escola. mostram diferenças entre si. parcialmente exterior. ou seja. Do ponto de vista biológico. De acordo com Shiva (2003). Didatismo e Conhecimento 101 A falta de controle e de conhecimento dos fatores de degradação ambiental. A discussão acima suscita algumas reflexões: que indagações o debate sobre a diversidade biológica traz para os currículos? A nossa abordagem em sala de aula e os nossos projetos pedagógicos sobre educação ambiental têm explorado a complexidade e os conflitos trazidos pela forma como a sociedade atual se relaciona com a diversidade biológica? Como incorporar a discussão sobre a biodiversidade nas propostas curriculares das escolas e das redes de ensino? Um primeiro passo poderia ser a reflexão sobre a nossa postura diante desse debate enquanto educadores e educadoras e partícipes dessa mesma biodiversidade. • diversidade e conhecimento. os problemas ambientais. Existem grupos humanos que. Mesmo os animais e plantas pertencentes à mesma espécie apresentam diferenças entre si. com os outros. São eles • diversidade biológica e currículo. ela é negociada durante a vida toda dos sujeitos por meio do diálogo. o avanço tecnológico do qual nos gabamos como seres dotados de razão e capazes de transformar a natureza não tem significado avanço para a própria biodiversidade da qual participamos. porém. não podemos nos esquecer de pontuar que ela se dá lado a lado com a construção de processos identitários. entre outros fatores. Portanto. têm colaborado para a vulnerabilidade desses e outros grupos. A ideia que um indivíduo faz de si mesmo. Lamentavelmente. entende-se que a natureza é formada por vários tipos de ambientes e cada um deles é ocupado por uma infinidade de seres vivos diferentes que se adaptam ao mesmo. parcialmente interior. para se constituir como realidade. Os seres humanos. nenhuma identidade é construída no isolamento. a não efetivação de uma justa reforma agrária. social. Estas dependem de maneira vital das relações dialógicas com os outros. somos diferentes. raça/etnia. ao longo do processo histórico e cultural e no contexto das relações de poder estabelecidas entre os diferentes grupos humanos. O desenvolvimento ecológico e socialmente sustentável tem como orientação a construção da biodemocracia com quem respeita/cultiva a biodiversidade. enquanto seres vivos. entendido como algo externo. Jacques d’Adesky (2001) destaca que a identidade. os processos de formação em serviço desde a educação infantil até o ensino médio e EJA. os remanescentes de quilombos. • diversidade e ética. devido a sua história e cultura. os atributos ou as formas “inventadas” pela cultura . Algumas considerações sobre a diversidade biológica ou biodiversidade A diversidade pode ser entendida em uma perspectiva biológica e cultural. a diversidade precisa ser entendida em uma perspectiva relacional.

A luta política pelo direito à diversidade Como já foi dito. a luta dos povos da floresta. ele acaba sendo. Segundo Tomaz Tadeu da Silva (1995) o conhecimento. os valores e as identidades dos nossos alunos e alunas. foi tomando forma e materialidade. Muito do que fomos educados a ver e distinguir como diferença é. Ainda segundo esse autor. socioeconômicos e políticos tensos. Esquecer esse processo de produção – no qual estão envolvidas as relações desiguais de poder entre grupos sociais – significa reificar o conhecimento e reificar o currículo. fundamentalmente. corporificam noções particulares sobre conhecimento. os procedimentos pedagógicos. por exemplo. No processo histórico. raça. Não podemos esquecer que essa sociedade é construída em contextos históricos. verdade. classe – noções que acabam também nos fixando em posições muito particulares ao longo desses eixos (de autoridade) (Silva. destacando apenas os seus aspectos de consumo e não de produção. imersos em relações de poder. Moreira e Vera Maria Candau (2006) existem várias concepções de currículo. ao afirmarem que. O currículo não está envolvido em um simples processo de transmissão de conhecimentos e conteúdos. sobretudo nos contextos de colonização e dominação. Então. mesmo uma lista de conteúdos não teria propriamente existência e sentido. poder e identidade. O currículo pode ser considerado uma atividade produtiva e possui um aspecto político que pode ser visto em dois sentidos: em suas ações (aquilo que fazemos) e em seus efeitos (o que ele nos faz). desmistificando a ideia de inferioridade que paira sobre algumas dessas diferenças socialmente construídas e exigindo que o elogio à diversidade seja mais do que um discurso sobre a variedade do gênero humano. se a diversidade faz parte do acontecer humano. O autor ainda adverte que as narrativas contidas no currículo trazem embutidas noções sobre quais grupos sociais podem representar a si e aos outros e quais grupos sociais podem apenas ser representados ou até mesmo serem totalmente excluídos de qualquer representação. os grupos humanos não passaram a hostilizar e dominar outros grupos simplesmente pelo fato de serem diferentes. como essa instituição poderá omitir o debate sobre a diversidade? E como os currículos poderiam deixar de discuti-la? Mas o que entendemos por currículo? Segundo Antônio Flávio B. as vivências da infância (principalmente a popular) e a luta das mulheres? São narrativas que fixam os sujeitos e os movimentos sociais em noções estereotipadas ou realizam uma interpretação emancipatória dessas lutas e grupos sociais? Que grupos sociais têm o poder de se representar e quais podem apenas ser representados nos currículos? Que grupos sociais e étnico/raciais têm sido historicamente representados de forma estereotipada e distorcida? Diante das respostas a essas perguntas. é a instituição social na qual as diferentes presenças se encontram. 1995). a cobrança hoje feita em relação à forma como a escola lida com a diversidade no seu cotidiano. aquilo que fazemos com essa coisa. enquanto docentes. se não se fizesse nada com ela. Dessa forma poderemos avançar na superação de concepções românticas sobre a diversidade cultural presentes nas várias práticas pedagógicas e currículos. o currículo não se restringe apenas a ideias e abstrações. o que é moral e o que é imoral. Trabalhar com a diversidade na escola não é um apelo romântico do final do século XX e início do século XXI. assim como sua seleção e legitimação. nas suas práticas faz parte de uma história mais ampla. A perspectiva de currículo acima citada poderá nos ajudar a questionar a noção hegemônica de conhecimento que impera na escola. quais formas de conhecer são válidas e quais não o são. Os autores se apoiam em Silva (1999). construídas por sujeitos concretos. nem sempre a diversidade entendida como a construção histórica. As discussões sobre currículo incorporam. o que é certo e o que é errado. ao corporificar narrativas particulares sobre o indivíduo e a sociedade. A produção do conhecimento. sobretudo a pública. mas a experiências e práticas concretas. está transpassada pela diversidade. Possui um caráter político e histórico e também constitui uma relação social. o movimento indígena. as questões curriculares são marcadas pelas discussões sobre conhecimento. como uma listagem de conteúdos. 1995). pois. levando-nos a refletir sobre a tensa e complexa relação entre esta noção e os outros saberes que fazem parte do processo cultural e histórico no qual estamos imersos. no sentido de que a produção de conhecimento nele envolvida se realiza por meio de uma relação entre pessoas. em resumo. além disso. 102 Didatismo e Conhecimento . Estamos. participa do processo de constituição de sujeitos (e sujeitos também muito particulares). Como nos diz Carlos Rodrigues Brandão (1986)“por diversas vezes. Elas. explícita ou implicitamente. os movimentos do campo. Também pode ser considerado um discurso que. sobre os diferentes grupos sociais. as narrativas do currículo contam histórias que fixam noções particulares de gênero. ao longo do processo cultural e histórico. Nesse sentido. a cultura e o currículo são produzidos no contexto das relações sociais e de poder. uma invenção humana que. As reflexões do autor nos sugerem que é preciso ter consciência. debates sobre os conhecimentos escolares. as trajetórias dos jovens da periferia. compromissos e ponto de vista teóricos. as relações sociais. com maior ou menor ênfase. mesmo quando pensamos no currículo como uma coisa. das identidades e das diferenças.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS para distinguir tanto o sujeito quanto o grupo a que ele pertence dependem do lugar por eles ocupado na sociedade e da relação que mantêm entre si e com os outros. cobrando que as mesmas sejam tratadas de forma justa e igualitária. social e cultural das diferenças implica em um trato igualitário e democrático em relação àqueles considerados diferentes. marcados por processos de colonização e dominação. das marcas da diversidade presentes nas diferentes áreas do conhecimento e no currículo como um todo: ver a diversidade nos processos de produção e de seleção do conhecimento escolar. Retomo. no seu currículo. na realidade. os grupos humanos tornam o outro diferente para fazê-lo inimigo”. então a escola. Ora. no terreno das desigualdades. Assim. só nos resta agir. as de outros são desvalorizadas e proscritas. as narrativas contidas no currículo. representam os diferentes grupos sociais de forma diferente: enquanto as formas de vida e a cultura de alguns grupos são valorizadas e instituídas como cânone. Sendo assim. aqui. 2006). Na realidade. Tem a ver com as estratégias por meio das quais os grupos humanos considerados diferentes passaram cada vez mais a destacar politicamente as suas singularidades. quais vozes são autorizadas e quais não o são (Silva. o que é bom e o que é mau. sair do imobilismo e da inércia e cumprir a nossa função pedagógica diante da diversidade: construir práticas pedagógicas que realmente expressem a riqueza das identidades e da diversidade cultural presente na escola e na sociedade. sobre formas de organização da sociedade. o movimento das pessoas com deficiência. Não se trata apenas de incluir a diversidade como um tema nos currículos. Podemos indagar que histórias as narrativas do currículo têm contado sobre as relações raciais. o que é belo e o que é feio. Elas dizem qual conhecimento é legítimo e qual é ilegítimo. as quais refletem variados posicionamentos. uma discussão já realizada em outro texto (Gomes. portanto.

mas. A fim de conseguir alcançar esse objetivo. Entretanto. como a diversidade se faz presente? Será que os movimentos sociais conseguem indagar e incorporar mais a diversidade do que a própria escola e a política educacional? Um bom exercício para perceber o caráter indagador da diversidade nos currículos seria analisar as propostas e documentos oficiais com os quais lidamos cotidianamente. imprimem mudanças nos projetos pedagógicos. que trouxeram a luta pelo direito à diversidade como uma indagação ao campo do currículo. ainda existe muito trabalho a fazer. O reconhecimento e a realização dessa mudança do olhar sobre o “outro” e sobre nós mesmos a partir das diferenças deve superar o apelo romântico ao diverso e ao diferente e construir políticas e práticas pedagógicas e curriculares nas quais a diversidade é uma dimensão constitutiva do currículo. Certamente. porém. Para este autor. enquanto sujeitos políticos. nos projetos pedagógicos das escolas os saberes produzidos pelas diversas áreas e ciências articulados com os saberes produzidos pelos movimentos sociais e pela comunidade. portanto. indígenas. Que indagações a diversidade traz aos currículos? E nas escolas. sobretudo. nos projetos pedagógicos das escolas. um dos aspectos significativos desse novo cenário é a percepção de que a escola é um espaço de sociabilidade para onde convergem diferentes experiências socioculturais. no Ministério da Educação. algumas diferenças foram naturalizadas e inferiorizadas sendo. Ainda segundo Silvério (2006). todos nós precisaremos passar por um processo de reeducação do olhar. homossexuais. o conhecimento produzido pela juventude na vivência da sua condição juvenil. homofobia e xenofobia. Há diversos conhecimentos produzidos pela humanidade que ainda estão ausentes nos currículos e na formação dos professores. a partir da segunda metade do século XX. um dos aprendizados trazidos pelo debate sobre o lugar da diversidade e da diferença cultural no Brasil contemporâneo é que a sociedade brasileira passa por um processo de (re)configuração do pacto social a partir da insurgência de atores sociais até então pouco visíveis na cena pública. Falar sobre diversidade e diferença implica posicionarse contra processos de colonização e dominação. do trabalho docente fosse conformar todos a esse protótipo único? Os educandos são os sujeitos centrais da ação educativa. no Governo Federal. uma determinada visão dos alunos nas propostas curriculares. o conhecimento produzido pelas mulheres no processo de luta pela igualdade de gênero. E foram eles. na produção de material didático alternativo e acessível em consonância às necessidades educacionais especiais dos alunos. Cabe destacar. É entender o impacto subjetivo destes processos na vida dos sujeitos sociais e no cotidiano da escola.um momento de maior consolidação de algumas demandas dos movimentos sociais e da sua luta pelo direito à diferença. começa a viver – não sem contradições e conflitos . o conhecimento produzido pela comunidade negra ao longo da luta pela superação do racismo. Esse contexto coloca um conjunto de problemas e desafios à sociedade como um todo. mas também e. mas não questiona o lugar que a diversidade de culturas ocupa na escola. provocou transformações significativas na forma como a política pública educacional era concebida durante a primeira metade daquele século. É urgente incorporar esses conhecimentos que versam sobre a produção histórica das diferenças e das desigualdades para superar tratos escolares românticos sobre a diversidade. nas Secretarias Estaduais e Municipais de Educação. democrático e aberto à diversidade. o papel dos movimentos sociais e culturais nas demandas em prol do respeito à diversidade no currículo. nos currículos e políticas educacionais. sim. mas agindo. as culturas diferem entre si. apesar dos avanços. por exemplo. Mais do que múltiplas. E é possível que. na literatura infanto-juvenil. Há uma nova sensibilidade nas escolas públicas. a entrada em cena. sexismo. econômicas e sociais de fenômenos como etnocentrismo. Didatismo e Conhecimento 103 De acordo com Valter Roberto Silvério (2006). entre outros. No que diz respeito à educação. quer seja pela ausência deste ou por um reconhecimento considerado inadequado de sua diferença. Podemos dizer que a sociedade brasileira. Tais movimentos indagam a sociedade como um todo e. das propostas políticas pedagógicas das Secretarias de Educação e do MEC? Elas são legitimadas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais? Fazem parte do currículo vivenciado nas escolas e das políticas curriculares? A resposta a essas questões poderá nos ajudar a compreender o lugar ocupado pela diversidade cultural na educação escolar. E foram eles. à política educacional. em um campo político. sobretudo. Para tal. do planejamento das ações. interferem na política educacional e na elaboração de leis educacionais e diretrizes curriculares. planejando. que trouxeram a luta pelo direito à diversidade como uma indagação ao campo do currículo. Os educandos são os sujeitos centrais da ação educativa. no plano de aula. ou mais precisamente. aqui. racismo. organizando o currículo como se os alunos fossem um bloco homogêneo e um corpo abstrato? Como se convivêssemos com um protótipo único de aluno? Como se a função da escola. É perceber como. Esse é um movimento que vai além do pedagógico. para a diversidade e suas múltiplas dimensões na vida dos sujeitos. todos nós que atuamos e nos ocupamos da escola somos desafiados a rever o ordenamento curricular e as práticas pedagógicas. Podemos ir além: com que olhar foram e são vistos os educandos nas suas diversas identidades e diferenças? Será que ainda continuamos discursando sobre a diversidade. nos livros didáticos. Estamos. Sensibilidade que vem se traduzindo em ações pedagógicas de transformação do sistema educacional em um sistema inclusivo. E mais: muitas que temos múltiplas culturas. portanto. É possível perceber alguns avanços na produção teórica educacional. as quais refletem diversas e divergentes formas de inserção grupal na história do país. Mas será que essas ações são iniciativas apenas de grupos de educadores(as) sensíveis diante da diversidade? Ou elas são assumidas como um dos eixos do trabalho das escolas. a inserção da diversidade nos currículos implica compreender as causas políticas. em uma . tratadas de forma desigual e discriminatória. É incorporar no currículo. entendendo que estes não representam apenas uma determinada visão de conhecimento que pode excluir o “outro” e suas diferenças. das relações estabelecidas na escola. como um tema. na segunda metade do século XX. nesses contextos. de movimentos sociais denominados identitários. Essa situação possibilita o reconhecimento da cultura docente.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Por isso. a questão é com que tipo de olhar eles foram e são vistos. articulados ou não em movimentos sociais. como. não como um dos eixos centrais da orientação curricular. do aluno e da comunidade. Questionam os currículos. iremos notar que a questão da diversidade aparece. colocam em xeque a escola uniformizadora que tanto imperou em nosso sistema de ensino. a demanda por reconhecimento é aquela a partir da qual vários movimentos sociais que têm por fundamento uma identidade cultural (negros. a presença da cultura escolar. articulados ou não em movimentos sociais. entre outros) passam a reivindicar reconhecimento.

56). os costumes. Eles apresentam diferentes formas de ver e conceber o mundo. por vezes. regionais e políticas que compõem a “parte diversificada” dos currículos pode ser visto. a corporeidade. idade e experiência de vida. mas não são consideradas como integrantes do eixo central. Nesse sentido. Não podemos afirmar que esses saberes são totalmente inexistentes na realidade escolar. Elas podem até mesmo trazer certa diversificação. Alguns aspectos específicos do currículo indagados pela diversidade. É dela que herdamos. A incorporação da diversidade no currículo deve ser entendida não como uma ilustração ou modismo. No entanto. Podemos dizer que houve avanço em relação à sensibilidade para com a diversidade incorporada – mesmo que de forma tímida – na Lei. as características regionais e locais. Ainda estamos presos à divisão núcleo comum e parte diversificada presente na lei 5692/71. diferem-se em gênero. a LDB confere liberdade de organização aos sistemas de ensino. marcadas por singularidades advindas dos processos históricos. ocupa um lugar menor do que o núcleo comum. cultural e social que marca a trajetória humana. mesmo que reconheçamos a importância desse fôlego dado à diversidade nos documentos oficiais. Essa autora discute que o saber científico se impôs como forma dominante de conhecimento sobre os outros conhecimentos produzidos pelas diferentes sociedades e povos africanos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS mesma escola. Além disso. Nessa concepção. mas como um eixo que orienta as experiências e práticas curriculares. tende a reduzir a diversidade cultural à diversidade regional e não dialoga com os sujeitos. porém. explorar o potencial criativo. Guardadas as devidas especificidades históricas. uma monocultura do saber que privilegia o saber científico (transposto didaticamente como conteúdo escolar) como único e legítimo. Vivemos. artístico e estético dos alunos e alunas. com o formato de atividades paralelas. culturais. Diversidade e conhecimento – A antropóloga Paula Meneses (2005). Reconhecer não apenas a diversidade no seu aspecto regional e local. é importante destacar que ele não é suficiente. muitas vezes. também. sim. na igualdade social. Nessa perspectiva curricular. culturais e geográficas que dizem respeito à realidade africana abordada pela autora acima citada. É nesta parte que. a reflexão das ciências sociais. as políticas educacionais. os educadores e as educadoras conseguem ousar. Por isso. Esta última. Antes. podemos dizer que há. ao analisar o caso da universidade em Moçambique e a produção de saberes realizada pelos países que se encontram fora do eixo do Ocidente. localizada em uma região específica. certos saberes que não encontram um lugar definido nos currículos oficiais podem ser compreendidos como uma ausência ativa e. O peso da rigidez dessa lei marcou profundamente a organização e a estrutura das escolas. vivemos no contexto das diferentes culturas. encontremos no interior da sala de aula alunos que portam diferentes culturas locais. marginal. encontramse estereotipados e presentes no chamado “currículo oculto” e. Essa forma de interpretar e lidar com o conhecimento se perpetua na teoria e na prática escolar em todos os níveis de ensino desde a educação infantil até o ensino superior. a diversidade está presente na parte diversificada. a cultura. a forma fragmentada de como o conhecimento escolar e o currículo ainda são tratados e a persistente associação entre educação escolar e preparo para o mercado de trabalho. muitas vezes. Inspirados em Boaventura de Sousa Santos (2004). desde que eles se orientem a partir de um eixo central por ela colocado: os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base comum nacional que será complementada. existem focos de resistência que sempre lutaram contra a hegemonia de certos conteúdos escolares previamente selecionados e o apogeu da ciência moderna na escola Didatismo e Conhecimento 104 . da nossa visão de mundo. Esse movimento de mudança sugere a necessidade de aprofundar mais sobre a diversidade nos currículos. hierarquicamente. segundo a lei. na educação brasileira. por uma parte diversificada. a sua presença enquanto construção histórica. entendida como a orientação legal para a construção das diretrizes curriculares nacionais dela advindas. E é neste último que encontramos os ditos conhecimentos historicamente acumulados recontextualizados como conhecimento escolar. em cada sistema de ensino e em cada escola. No seu artigo 26. mas. possuem valores diferenciados. A cultura não deve ser vista como um tema e nem como disciplina. transversal e. Se a convivência com a diferença já é salutar para a reeducação do nosso olhar. suas vivências e práticas. deve ser vista como um direito. traz algumas reflexões que podem nos ajudar a indagar a relação entre conhecimento e diversidade no Brasil. ao mesmo tempo. Nesse mesmo debate. podem ser compreendidos como a produção da nãoexistência. Ao mesmo tempo. portanto. pois coloca essa discussão em um lugar provisório. Um direito garantido a todos e não somente àqueles que são considerados diferentes. sim. variedade ou “pluralidade”. Os movimentos sociais. políticos e também culturais por meio dos quais são construídas. nesse sentido. quanto mais o aprendizado do imperativo ético que esse processo nos traz. a visão reducionista dessa lei marcou as décadas de 1970 e 1980 como uma forma hegemônica de pensar e organizar o currículo e as escolas e ainda se faz presente e persistente na visão que muitas escolas têm do seu papel social e na visão que docentes e administradores têm de sua função profissional. Podemos indagar como a diversidade é apresentada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB nº 9394/96. sociais. projetos sociais e experiências lúdicas. que atenda uma determinada comunidade. dos nossos sentidos. Conviver com a diferença (e com os diferentes) é construir relações que se pautem no respeito. como vulnerabilidade e liberdade. no que se refere ao seu número.e que tem servido aos interesses dos grupos sócio raciais hegemônicos . da cultura. portanto. pertencem a diferentes grupos étnico-raciais. nos dizeres de Boaventura de Sousa Santos (2004). Segundo Arroyo (2006. realizar trabalhos mais próximos da comunidade. Em outros momentos. a sexualidade são “partes que diversificam o currículo” e não “núcleos”. podemos notar uma situação semelhante quando refletimos sobre o lugar ocupado pelos saberes construídos pelos movimentos sociais e pelos setores populares na escola brasileira. Eles existem. deve ser um elemento presente e indagador do currículo. os projetos das escolas expressam esse avanço com contornos e nuances diferentes. Dez anos se passaram. um novo brilho. podemos localizar a dicotomia construída nos currículos entre o saber considerado como “comum a todos” e o saber entendido como “diverso”. por mais que possamos negar. p. mais do que uma multiplicidade de culturas. Rever o nosso paradigma curricular. na igualdade de oportunidades e no exercício de uma prática e postura democráticas. da economia e da clientela. a discussão sobre a relação ou distinção entre conhecimento e saber . deve ser compreendida no campo político e tenso no qual as diferenças são produzidas. O lugar não hegemônico ocupado pelas questões sociais. as artes. é exigida pelas características regionais e locais da sociedade.é colocada pela autora no contexto de um debate epistemológico e político. sobretudo. Ou seja. muitas vezes. as quais se articulam com as do bairro e região. no contexto da diversidade cultural e esta. intencionalmente produzida. a qual os educadores sabem que.

Será que nos relacionamos com os “outros” presentes na escola. educação inclusiva. Não se trata de negar a importância do conhecimento escolar. mas de abolir o equivoco histórico da escola e da educação de ter como foco prioritariamente os “conteúdos” e não os sujeitos do processo educativo. o que consideram ser o bem e a virtude. Marilena Chauí (1998) ainda esclarece que embora toda ética seja universal do ponto de vista da sociedade que a institui (universal porque os seus valores são obrigatórios para todos os seus membros). sobre a linguagem que utilizamos. 2006). econômicas e culturais da ação moral. cultural e político. pois somos seres históricos e culturais e nossa ação se desenrola no tempo. Nesse percurso construímos as nossas identidades. educação ambiental e EJA. os procedimentos e instrumentos que usamos para avaliar os alunos e a forma como os conhecimentos são aprendidos e apreendidos. Estas propostas e projetos têm se realizado .) refletir sobre nossas ações cotidianas na escola. A diversidade coloca em xeque os processos tradicionais de avaliação escolar. educação do campo. Como se pode notar. a ética é referência para que a escolha do sujeito seja aceita como um princípio geral que respeite e proteja o ser humano no mundo. faz-se necessário retomar a concepção de diversidade que orienta a reflexão presente nesse texto: a diversidade é entendida como a construção histórica. A ética fundamenta a moral. do negro. como contrapartida. Tomaremos como exemplo dessas práticas a educação de pessoas com deficiência. das pessoas com deficiência tem desencadeado mudanças na legislação e na política educacional. cultural e Didatismo e Conhecimento 105 . adolescência. assumir a diversidade no currículo implica compreender o nosso caminhar no processo de formação humana que se realiza em um contexto histórico. No entanto. Segundo Amauri Carlos Ferreira (2006). algumas indagações podem ser feitas: como vemos o debate sobre a inclusão das crianças com deficiência na escola regular comum? As escolas regulares comuns introduzem no seu currículo a necessidade de uma postura ética em relação a essas crianças? Enxergamos essas crianças na sua potencialidade humana e criadora ou nos apegamos à particularidade da “deficiência” que elas apresentam? Esse debate faz parte dos processos de formação inicial e em serviço? Buscamos conhecer as experiências significativas realizadas na perspectiva da educação inclusiva? Nesse momento. educação para a diversidade.os como sujeitos sociais e de direitos? O reconhecimento do aluno e do professor como sujeitos de direitos é também compreendê. 2006). nossas práticas em sala de aula. educação e diversidade étnico-racial. Nesse sentido. Essa é mais uma indagação que podemos fazer aos currículos. Por realizar-se como relação intersubjetiva e social a ética não é alheia ou indiferente às condições históricas e políticas. O não reconhecimento dos saberes e das práticas sociais no currículo tem resultado no desperdício da experiência social dos(as) educandos(as). A consideração destes e de outros saberes trará novos elementos não só para as análises dos movimentos sociais e seus processos de produção do conhecimento como também para a discussão sobre a reorientação curricular. Também tem indagado a relação entre conhecimento escolar e o conhecimento produzido pelos movimentos sociais. tem sido colocada no campo das “ausências” resultando no “desperdício da experiência social e educativa”. enquanto educadores a“(. educação quilombola etc. Nessa perspectiva. A relação entre ética e diversidade nos coloca diante de práticas e políticas voltadas para o respeito às diferenças e para a superação dos preconceitos e discriminações. revisão de propostas curriculares e dos processos de formação de professores. nas propostas mais progressistas de educação escolar tais como: educação do campo. Eles questionam não só o currículo que se efetiva nas escolas como. educação indígena. pois são construídas nas relações sociais. sobre aquilo que prejulgamos ou outras situações do cotidiano”. mas de abolir o equivoco histórico da escola e da educação de ter como foco prioritariamente os “conteúdos” e não os sujeitos do processo educativo. também. uma vez que a sua importância social. do ponto de vista dos valores. Construímos relações que podem ou não se pautar no respeito às diferenças. das comunidades remanescentes de quilombos. A grande questão é: como o conhecimento escolar poderá contribuir para o pleno desenvolvimento humano dos sujeitos? Não se trata de negar a importância do conhecimento escolar. a discussão sobre a diversidade permite-nos avançar em outro ponto do debate: a indagação sobre diversidade e ética. social. a ética exprime a maneira como a cultura e a sociedade definem para si mesmas o que julgam ser a violência e o crime.los como sujeitos éticos. A luta travada em torno da educação do campo. No que se refere à educação de pessoas com deficiência. representações e preconceitos que permeiam a relação estabelecida com os alunos. o ethos. ao expressar a sua natureza reflexiva na sistematização das normas. Este nem sempre tem sido considerado enquanto tal pelo próprio campo educacional.não sem conflitos . considerando. Tal processo vem ocorrendo.em algumas escolas públicas e em propostas pedagógicas da educação básica. juventude e vida adulta poderá ser uma orientação que tenha como foco os sujeitos da educação. Diversidade e ética – além de indagar a relação currículo e conhecimento.. indígena. podemos dizer que a relação entre currículo e conhecimento nos convida a um exercício epistemológico e pedagógico de tornar os saberes produzidos pelos movimentos sociais e pela comunidade em “emergências”. a relação entre ética e diversidade ainda é pouco explorada nas discussões sobre o currículo. Por isso se transforma para responder a exigências novas da sociedade e da cultura. Essas e outras indagações que podemos fazer ao conhecimento e sua presença no currículo são colocadas principalmente pelos movimentos sociais e pelos sujeitos em movimento. a educação dos negros e a educação do campo.. a comunidade e demais profissionais da escola. valores. São experiências de gestão democrática. o mal e o vício e. Segundo Marilena Chauí (1998). dos(as) educadores(as) e da comunidade nas propostas educacionais (Santos. Estes já conseguiram algumas vitórias satisfatórias. política e pedagógica. Isso nos impele.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS brasileira. como costume. articula-se às escolhas que o sujeito faz ao longo da vida. sobretudo. educação ambiental. Estas extrapolam o nível interpessoal e intersubjetivo. os movimentos sociais conquanto sujeitos políticos podem ser vistos como produtores de saber. por vezes. Discutir a diversidade no campo da ética significa rever posturas. Um bom caminho para repensar as propostas curriculares para infância. (Fernandes e Freitas. representações e valores sobre nós mesmos e sobre os “outros”. ela está em relação com o tempo e a história. Ainda inspirados em Boaventura de Sousa Santos (2006).

Nessa perspectiva. Esta secretaria. Um deles é a criação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR). a desigualdade racial? De forma semelhante podemos indagar: e os alunos brancos. realizando intervenções sistemáticas no interior do Estado. Indaga. Além da SEPPIR. é permeada de diversas leituras e interpretações. valores. A inclusão de toda diversidade e. interessa reconhecê. As práticas significativas de educação inclusiva se propõem a desconstruir o imaginário negativo sobre as diferenças. O debate torna-se necessário não apenas no âmbito das propostas. São políticas e propostas orientadas por concepções mais democráticas de educação. movimentos sociais e ONG’s. É nesse campo complexo que se encontram as propostas de educação inclusiva. Dessas novas iniciativas.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS social das diferenças. E epistemológico na medida em que realizarmos uma crítica à racionalidade ocidental. o debate sobre a inclusão de crianças com deficiência revela que não basta apenas a inclusão física dessas crianças na escola. a Coordenadoria de Diversidade e Inclusão Educacional que tem realizado publicações. E mais: compreender as discussões e práticas em torno dessa diferença como mais um desafio na garantia do direito à educação e conhecer as várias experiências educacionais inclusivas que vêm sendo realizadas em diferentes estados e municípios. ignorando e até mesmo desprezando outros conhecimentos. negros e quilombolas precisam saber mais sobre os povos indígenas? Como faremos para articular todas essas dimensões? Precisaremos de um currículo específico que atenda a cada diferença? Ou essas discussões podem e devem ser incluídas no currículo de uma maneira geral? Caminhando na mesma perspectiva de Boaventura Sousa Santos (2006). Há também a necessidade de uma mudança de lógica. interpretações da realidade. Não será suficiente incluir as crianças com deficiência na escola regular comum se também não realizarmos um processo de reeducação do olhar e das práticas a fim de superar os estereótipos que pairam sobre esses sujeitos. as escolas de educação básica estão desafiadas a implementar a lei de nº 10. Do ponto de vista político. os currículos. Entendendo que a questão racial permeia toda a história social. independentemente do nosso pertencimento étnico-racial. sobre o fenômeno da repetência. a discriminação com relação às variações linguísticas. raciais. cultural e política brasileira e que afeta a todos nós. como ainda nomeiam alguns fóruns). estamos desafiados a reinventar novas práticas pedagógicas e curriculares e abrir um novo horizonte de possibilidades cartografado por alternativas radicais às que deixaram de o ser. especificamente. observáveis a olho nu. Nesse sentido. o racismo. de mundo. p. de abrangência nacional. da organização da escola (seus tempos e espaços) e do currículo escolar para que a educação inclusiva cumpra o seu objetivo educativo.las como sujeitos de direitos e compreender como se construiu e se constrói historicamente o olhar social e pedagógico sobre a sua diferença. com apoio ou não das universidades e secretarias estaduais e municipais. Nessa nova forma de intervenção do Movimento Negro e de intelectuais comprometidos com a luta antirracista. No entanto. Na última década houve vários avanços nas políticas de inclusão. alguns avanços foram conseguidos. enquanto uma diferença que se faz presente nos mais diversos grupos humanos. étnicas etc. das pessoas com deficiência indaga a escola. a sua organização. o movimento negro passou a adotar uma postura mais propositiva. A construção do olhar sobre as pessoas com deficiências ultrapassa as características biológicas. Isso nos leva a indagar em que medida os currículos escolares expressam uma visão restrita de conhecimento. Como todo processo de luta pelo direito à diferença. entendida como uma forma de pensar que se tornou totalizante e hegemônica. construído no contexto das desigualdades sociais. foi constituída no interior da Secretaria de Educação Continuada. Esta lei torna obrigatória a inclusão do ensino da . sobretudo. da postura pedagógica. Carlos Skliar (2004. a sua organização temporal. suas histórias. os rituais de enturmação.12) questiona: a escola regular tende a produzir mecanismos educativos dentro de um marco de diversidade cultural? Ao refletir sobre a estrutura rígida que ainda impera nas escolas. Os teóricos que investigam a inclusão de crianças com deficiência na escola regular comum possuem opiniões diversas sobre o tema e o indagam a partir de diferentes abordagens teóricas e políticas. A construção das diferenças ultrapassa as características biológicas. Propostas de educação inclusiva acontecem nas redes de educação e nas escolas. secretarias estaduais e municipais. suas potencialidades e vivências. é responsável por várias ações voltadas para a igualdade racial em conjunto com outros ministérios. a cultura escolar não imune à construção histórica. Alfabetização e Diversidade (SECAD). de sociedade e de ser humano acumulados pelos coletivos diversos. das práticas discriminatórias e da lenta implementação da igualdade de oportunidades em nossa sociedade.aprendizagem. também. o movimento negro brasileiro tem feito reivindicações e construído práticas pedagógicas alternativas. universidades.5 Estas experiências têm revelado a eficiência e os benefícios da educação inclusiva não só para os alunos com deficiência. alunos brancos e índios precisam saber mais sobre a cultura negra. conferências e produção de material didático voltado para a temática. os processos de avaliação e todo o processo ensino. e propusermos novos rumos para sua superação a fim de alcançarmos uma transformação social. podemos dizer que a resposta a essas questões passa por uma ruptura política e epistemológica. cultural e social da diversidade e das diferenças. a nossa inserção na luta antirracista? Colocamos a discussão sobre a questão racial no currículo no campo da ética ou a entendemos como uma reivindicação dos ditos “diferentes” que só deverá ser feita pelas escolas nas quais o público atendido é de maioria negra? Afinal.639/03. a fim de introduzir essa discussão nos currículos. no início do terceiro milênio. Como a escola lida com a cultura negra e com as demandas do Movimento Negro? Garantir uma educação de qualidade para todos significa. Ricas experiências têm sido desenvolvidas em vários estados e municípios. a exclusão sistemática. Didatismo e Conhecimento 106 A educação dos negros é outro campo político e pedagógico que nos ajuda a avançar na relação entre ética e diversidade e traz mais indagações ao currículo. esse também é tenso. mas também no âmbito das concepções de diferença. A construção histórica e cultural da deficiência (ou necessidade especial. mas para a escola com um todo. A educação dos negros é outro campo político e pedagógico que nos ajuda a avançar na relação entre ética e diversidade e traz mais indagações ao currículo. de deficiência e de inclusão. no caso das pessoas com deficiência. Muitas delas estão alicerçadas em preconceitos e discriminações denunciados historicamente por aqueles(as) que atuam no campo da Educação Especial e pelos movimentos sociais que lutam pela garantia dos direitos desses sujeitos. marcado por limites e avanços. É preciso também compreender os dilemas e conflitos entre as perspectivas clínicas e pedagógicas que acompanham a história da Educação Especial.

à qual todos(as) alunos e alunas indistintamente têm de adequar seus tempos. Povos da Floresta. Trata-se de uma alteração da lei nº 9394/96. é importante refletir que ele exprime uma determinada concepção e interpretação de sujeito social. por meio da Resolução CNE/ CEB n. A implementação das leis e das diretrizes acima citadas vem somar às demandas destes e de outros movimentos sociais que se mantêm atentos à luta por uma educação que articule a garantia dos direitos sociais e o respeito à diversidade humana e cultural. No entanto. transformar demandas em práticas e políticas educacionais (Arroyo. gerando uma tensão entre tempos escolares e tempos da vida. bimestres. Quilombolas. na qual foram incluídos mais três artigos. repetência. as escolas da educação básica poderão se orientar a partir de um documento que discute detalhadamente o teor da lei. há que se indagar como. Por isso. As pesquisas educacionais mostram que a rigidez desse ordenamento é uma das causas do abandono escolar de coletivos sociais considerados como mais vulneráveis. o espaço da escola também não é neutro e precisa passar por um processo de desnaturalização. Nesse ponto tão nuclear. Ela é também um espaço sociocultural e imprime marcas profundas no nosso processo de formação humana. A partir desta lei. o Conselho Nacional de Educação aprovou a resolução 01 de 17 de março de 2004. que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações ÉtnicoRaciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira. entre tempos rígidos do aprender escolar e tempos não controláveis do sobreviver. Sem Terra.aprendizagem. avaliação. jovens e adultos submetidos a tempos da vida tão precários? Serão os(as) educandos(as) que terão que se adequar aos tempos rígidos da escola ou estes terão que ser repensados em função das diversas vivências e controle dos tempos dos(as) educandos(as)? Propostas de escolas e de redes de ensino vêm tentando minorar essas tensões tomando como critério o respeito à diversidade de vivências do tempo dos(as) alunos(as) e da comunidade. o Conselho Nacional de Educação aprovou as Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo. 2004). Assim como o tempo. Rever esses ordenamentos temporais é uma exigência ética e política para a garantia do direito à diversidade. O tempo para aprender não é um tempo curto. adolescentes. que foi durante mais de um século se cristalizando em calendários. trabalho e sobrevivência. É preciso desnaturalizar o nosso olhar sobre o tempo escolar. A instituição das diretrizes é resultado das lutas e reivindicações dos movimentos sociais e organizações que lutam por uma educação que contemple a diversidade dos povos que vivem no e do campo com suas diversas identidades. além disso. aos poucos. reprovação. pelo currículo que se realiza no cotidiano das escolas e pela ação pedagógica de uma maneira geral. Extrativistas e Assalariados Rurais. Por isso. Em 2002. ao mesmo tempo. O espaço escolar exprime uma determinada concepção e interpretação de sujeito social.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS História da África e da Cultura Afro. Diversidade e organização dos tempos e espaços escolares – Um currículo que respeita a diversidade precisa de um espaço/ tempo objetivo para ser concretizado. apresentando sugestões de trabalho e de práticas pedagógicas. de 03 de abril de 2002. Nesse sentido. o tempo da escola é conflitivo porque é um tempo instituído. rituais de transmissão. Eles são pensados levando em conta os coletivos diversos? O tempo/espaço escolar leva em conta os educandos com deficiência ou aqueles que dividem o seu tempo entre escola. reprovação e repetência que atingem. A rigidez e a naturalização da organização dos tempos e espaços escolares entram em conflito com a diversidade de vivências dos tempos e espaços dos alunos e das alunas. Entender a lógica institucionalizada do tempo escolar que se impõe sobre os/as alunos/as e professores(as) é fundamental para compreender muitos problemas crônicos da educação escolar. tais como. A organização escolar é ainda bastante rígida. Ribeirinhos. níveis. Caldart e Molina. Pequenos Agricultores. Os Movimentos do Campo também têm conseguido. semestres.Brasileira nos currículos dos estabelecimentos de ensino públicos e particulares da educação básica. 01. Podemos dizer que a escola enquanto instituição social se realiza. É ainda este autor que nos diz que a compreensão das nuances e dos dilemas da construção do tempo da escola poderá nos ajudar a corrigir os problemas de evasão. os jovens e adultos trabalhadores da EJA etc? Os currículos incorporam uma organização espacial e temporal do conhecimento e dos processos de ensino. No que concerne ao espaço físico da escola. A partir das reflexões do autor podemos dizer que a relação diversidade-currículo se defronta com um dado a ser equacionado: os(as) educandos(as) são diversos também nas vivências e Didatismo e Conhecimento 107 controle de seus tempos de vida. a diversidade indaga os currículos e as escolas: repensar seu ordenamento temporal como exigência da garantia do direito de todos(as) à educação. trabalho e sobrevivência. tal como já é comemorado pelo movimento negro e por alguns setores da sociedade. a escola não é só um espaço/tempo de aprendizagem. e se. como um espaço físico específico e também sociocultural. Como equacionar essas tensões? Que tipo de organização escolar e que ordenamento temporal dos currículos e dos processos de ensinar-aprender serão os mais adequados para garantir a permanência e o direito à educação de crianças. Ela também acrescenta que o dia 20 de novembro (considerado dia da morte de Zumbi) deverá ser incluído no calendário escolar como dia nacional da consciência negra. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. A tendência da escola é flexibilizar a diversidade indaga os currículos e as escolas: repensar seu ordenamento temporal como exigência da garantia do direito de todos(as) à educação. séries. os setores populares e os exclui da instituição escolar. E. Como será a organização dos nossos espaços escolares? Será que o espaço da escola é pensado e ressignificado no sentido de garantir o desenvolvimento de um senso de liberdade. a organização escolar não pode ser reduzida há um tempo empobrecido de experiências pedagógicas e de vida. os quais versam sobre essa obrigatoriedade. o currículo pode ser visto como um ordenamento temporal do conhecimento e dos processos de ensinar e aprender. esses avanços políticos têm sido considerados pelo campo do currículo. sobretudo. segmentada e uniforme em nossa tradição. a escola é também uma organização temporal. Como nos diz Miguel Arroyo (2004a). Nesse sentido. Pescadores. de criatividade e de experimentação? Será que a forma como organizamos o espaço possibilita ao aluno e à aluna interagir . Segundo Arroyo (2004a). Esta tensão é maior nos coletivos sociais submetidos a formas de vida e de sobrevivência precarizadas. podemos indagar como a educação escolar tem equacionado a questão do tempo e do espaço escolar.

• no caso da transdisciplinaridade. pontualmente. Para este último sentido de articulação apontou também George Gusdorf. o trabalho. da interdisciplinaridade ou da transdisciplinaridade. A Figura 1 traduz esta relação entre disciplinas. Finalizando. pré. dos pais. estabelecem. os conteúdos escolares. alterar a lógica e a utilização do espaço escolar e garantir uma justa remuneração aos educadores e educadoras. entendida como pleno desenvolvimento dos(as) educandos (as). podemos dizer que estamos diante de questões fortes que indagam o currículo das nossas escolas e por isso exigem respostas igualmente fortes e ágeis. Parafraseando Boaventura de Sousa Santos. esta relação entre conteúdos disciplinares pode ocorrer intradisciplinam ente (dentro da mesma área do saber. movimentar-se com tranquilidade e autonomia? Ou o espaço entra como um elemento de condicionamento e redução cultural de nossas crianças. Vários têm sido os contributos do conhecimento produzido e divulgado no campo das Ciências da Educação sobre a importância de procedimentos de articulação curricular. este tipo de organização corresponde ao grau máximo de coordenação entre as disciplinas e interdisciplinas e é apontada como facilitadora da interpretação e compreensão das realidades na sua extensão e complexidade. mais longos e mais atentos às múltiplas dimensões da formação dos sujeitos. Em consequência. também. A avaliação poderá ser realizada de forma mais coletiva e com o objetivo de acompanhamento do processo de construção do conhecimento dos(as) aluno(as) 108 nas suas múltiplas dimensões humanas e não como instrumento punitivo ou como forma de “medir o desempenho escolar”. historicamente. a denúncia aos tempos mal remunerados. organizado em etapas em ascensão. fatalmente. O movimento dos(as) trabalhadores(as) da educação e os movimentos sociais vêm lutando por maior controle e alargamento do tempo de escola. ocorre a valorização de um grupo de disciplinas que se inter-relacionam e cujo nível de relações pode ir desde o estabelecimento de processos de comunicação entre si até à integração de conteúdos e conceitos fundamentais que proporcionem uma visão global das situações (influencia­da pelos “olhares” das diferentes disciplinas de base). Por isso. pressupõe-se uma organização em que diversas disciplinas que se situam. autoritários. A construção de uma escola democrática implica em repensar as estruturas e o funcionamento dos sistemas de ensino como um todo. criar tempos mais democráticos de formação docente e dos alunos. por exemplo. arranjar sua sala de aula. e embora continuando a manter as suas fronteiras de conhecimento. apropriado e alterado por sujeitos sociais concretos: crianças. no tempo da escola estão em jogo direitos dos profissionais da educação. geralmente. querendo com isto significar: • no caso da multidisciplinaridade. Neste último caso incluem-se trabalhos que consideram que o currículo deve ter em conta o meio em que se insere a escola e a relação entre a cultura escolar e as culturas de origem dos alunos a quem esse currículo sedes­tina. a escola participa dos processos de socialização e possibilita a construção de redes de sociabilidade a partir da inter-relação entre as experiências escolares e aquelas que construímos em outros espaços sociais. A articulação entre currículo. o tempo escolar será questionado. alterá-la esteticamente. Por outro lado. • no caso da interdisciplinaridade. juventude e vida adulta. ao discutir a relação entre diversidade e organização dos tempos e espaços escolares. é de realçar os que elegem como argumentos questões focadas na relação entre conteúdos disciplinares e os que o fazem focando questões culturais.adolescência. tais como a vida familiar. o tempo escolar poderá ser organizado de maneiras diversas. adolescentes. tempos e espaços escolares pressupõe uma nova estrutura de escola que se articula em torno de uma concepção mais ampla de educação. jovens e adultos. É preciso pensar o tempo como processo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS com o ambiente. os movimentos sociais e organizações da sociedade civil e as manifestações culturais. os instrumentos tradicionais da avaliação escolar e a própria concepção de avaliação que ainda imperam na escola também serão indagados. em fluxos mais flexíveis. adolescentes. como construção histórica e cultural. quando sustentou Didatismo e Conhecimento . 1977). fracasso/ sucesso serão redefinidos a fim de garantir aos alunos e às alunas o direito a uma educação que respeite a diversidade cultural e os sujeitos nas suas temporalidades humanas. vem apontando para a necessidade de uma redefinição e organização da escola a qual inclui. deixa de existir o parcelamento das disciplinas. no mesmo nível hierárquico. é importante considerar que o questionamento às lógicas e práticas cristalizadas e endurecidas de organização dos tempos/ espaços escolares faz parte das lutas e conquistas da categoria docente que. adolescência. como. calcado na ideia de um percurso único para todos e da produtividade. Esses mesmos sujeitos. interagem com o espaço e com o tempo de forma diferenciada. por exemplo. mães e dos alunos e alunas. Os que concebem a articulação curricular enquanto meio de estabelecimento de relação entre disciplinas e os seus conteúdos apontam-na no sentido da multidisciplinaridade. embora se tenham por base os seus conheci­mentos. Portanto. do que seja reprovável/aprovável. Pensar o espaço da escola é considerar que o mesmo será ocupado. extenuantes e alienantes. Além disso. os critérios do que seja precedente. Para construir uma nova forma de organização dos tempos teremos que superar a ideia de um tempo linear. numa perspectiva de interligação que permita um encadeamento em espiral de aprofundamento e de complexidade crescente dos conteúdos disciplinares) ou interdisciplinam ente (numa interrelação de conteúdos que pertencem a áreas do saber distintas). relações entre si. a distribuição dos tempos e espaços estarão interligados a um objetivo central: a formação e vivência sociocultural próprias das diferentes temporalidades da vida – infância. adolescentes e jovens? Enquanto espaço sociocultural. como. Dessa forma. Ao discutirmos sobre o espaço. Entre eles. na década de 70 (Gusdorf. Só assim os(as) alunos(as) serão realmente considerados A avaliação poderá ser realizada de forma mais coletiva e com o objetivo de acompanhamento do processo de construção do conhecimento dos(as) aluno(as) nas suas múltiplas dimensões humanas e não como instrumento punitivo ou como forma de “medir o desempenho escolar”. assim como os(as) jovens e adultos(as) trabalhadores(as) lutam por adequar o tempo rígido do trabalho a um tempo mais flexível de educação. reorganizar o coletivo dos(as) professores(as). Nesse processo. jovens e adultos é um desafio para os(as) educadores(as) e uma questão a ser pensada quando reivindicamos uma escola democrática e um currículo que contemple a diversidade. no decorrer das suas temporalidades humanas. Será que essa tem sido uma preocupação da educação escolar? Será que ao pensarmos a gestão da escola consideramos a organização dos espaços escolares como uma questão relevante? Será que exploramos o conteúdo histórico e político imerso na arquitetura escolar? Compreender a percepção e utilização do espaço pelas crianças.

lembra a necessidade de se passar da produção do conhecimento convencional que lhe era reconhecido para a produção de um “conhecimento pluriuniversitário. tem sido reconhecida a influência da componente social na aprendizagem. segundo as ideias até aqui sistematizadas. numa perspectiva pós-moderna. as vozes que reclamam a necessidade de se romper com o acantonamento das disciplinas na lógica da multidisciplinaridade. através de uma “pedagogia da totalidade”. proporcionam releituras e reinterpretações do mesmo fenómeno ou situação (Stoer e Cortesão. Dito por outras palavras. entendida como “conjuntos de saberes. isto é. contextualizado. No entanto. Afirmou na altura que quanto mais as disciplinas se desenvolvem. é tendo também por referência esta perspectiva que cada vez mais tem sido reconhecida a importância de equipas multidisciplinares que. enquanto característica de um grupo pode contribuir para superar leituras frágeis e superficiais das situações. Sisto. quer pelo reconhecimento e importância atribuídos às culturas de origem de cada um dos alunos que constituem a população escolar. quer pelo tipo de interação que é proporcionada (interação entre sujeitos). qualquer que seja a disciplina de onde provenha o saber considerado necessário. várias têm sido. portanto. é esta condição que justifica um trabalho de equipa entre professores de diferentes disciplinas na construção e desenvolvimento de projetos curriculares. Leite. quando existem condições para ocorrer um “conflito sociocognitivo” (Piaget. e quando existe uma relação entre o “novo” (o conhecimento a adquirir) e o conhecimento que possuímos. com a especificidade de cada um dos seus membros. 2002). isto é. Acredita-se que o cruzamento de saberes e de opiniões diversas. 1977. Ora. ou seja. a articulação é concebida como o estabelecimento de relações entre a cultura escolar e as culturas de origem dos alunos e como meio indutor de processos de construção do conhecimentos que envolvem diferentes pontos de vista que. favorecem leituras e interpretações mais rigorosas das situações do que se elas ocorrerem baseadas apenas em conhecimentos monodisciplinares. por razões de acesso a modos de apropriação de conhecimentos. no entanto. Na verdade. E. 2007). a propósito das alterações que têm ocorrido na relação das instituições universitárias com a sociedade. a articulação entre conteúdos e a articulação curricular justificar-se-iam . O conhecimento produzido sobre a aprendizagem tem-nos também dito que esta tem mais probabilidades de ocorrer quando se torna significativa. E é tendo por referência esta situação que Alice Casimiro Lopes. 2008). estudou as raízes epistemológicas dessas disciplinas para compreendê-las. conhecimentos esses que ganham novos sentidos quando se envolvem na leitura e na interpretação conjunta de um mesmo fenómeno ou situação. 1997) que nos faça estabelecer interações com o que nos é próximo e familiar. em entrevista à Revista em Educação. mas também de atribuição de sentidos às situações vivi­das. transdisciplinar. Ameu ver. Nesta orientação. se organize de modo a tomar-se mais rigoroso porque tem em conta os alunos concretos e estabelece relações com as situações reais recorrendo a procedimentos reflexivos que o fazem mais rico. Doll (2002). 109 Também Goodson. portanto. este tem sido um aspeto que tem justificado a organização de muitos dos sistemas escolares atuais. ao interagirem. 1999. os currículos escolares continuam a privilegiar uma organização fundada nas disciplinas apoiada numa docência também ela fortemente disciplinar. interativo” (Santos 2004). na base da qual contestou a hiperespecialização por se afastar da formação simultânea de um homem culto. em artigo que reflete razões por que somos tão disciplinares e por que nos organizamos disciplinarmente. e convocando Doll (2002). 1977). Ou seja. mas sim “as disciplinas como construções sociais que atendem a determinadas finalidades” e que “reúnem sujeitosem determinados territórios”(Lopes. filósofo e artista (Gusdorf. Veiculando uma visão humanista que apontava para a formação do “homem integral”. mais perdem o contato com are­alidade humana. bem como métodos e dispositivos de pensa­mento comuns capazes de produzir e reproduzir esses saberes”. Reconhecendo que a estruturação de um currículo em tomo de disciplinas facilita a organização escolar. é necessário que o currículo. e que esta é a tradição de muitos dos sistemas educativos. possível entender o currículo Didatismo e Conhecimento . Santos (2004). sábio. elegendo como objetivo a configuração e a vivência de um currículo que positivamente responda à multiculturalidade propõem processos que ultrapassem os limites estruturais dos espaços físicos da instituição escolar e permitam a construção de um conhecimento contextualizado. O reconhecimento da importância de projetos que promovam articulações com o local é também realçado pelos educadores que. quando permite atribuir sentidos às situações com que convivemos. Aliada a esta justificação. aos alunos) trazer ao domínio da consciência o que sabem para interpretar essa situação. e transpondo a sua ideia para o que está em foco neste texto. Nesta perspectiva. não se justifica o desenvolvimento de um currículo que não tenha em conta a diversidade de experiências de situações vividas pelos alunos a quem se quer ensinar e a quem se deseja oferecer condições para aprender.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS a importância de se trabalhar na lógica de relações entre as disciplinas. considera-se que a aprendizagem é favorecida quando existe uma relação entre conteúdos que promove uma leitura das situações reais o mais próxima possível dessa realidade e quando se recorre a pontos de partida que permitem a quem está a aprender (e. sem ser no quadro de um processo político e social. este autor foi buscar as suas raízes do conhecimento integrado à Grécia antiga. de um modo geral. Em síntese. a este propósito. afirma que “isso acontece porque não está em foco o sentido epistemológico de disciplina”. aponta para a importância de se recorrer a processos de construção do conheci­mento que envolva distintos pontos de vista e distintas áreas de saber. o que justifica a necessidade de se encontrar outras formas de aceder ao conhecimento. desafiando os limites dos ambientes escolares existentes. nesta linha. Neste entendimento. propõe o recurso a projetos pedagógicos contra hegemônicos que estimulem uma atitude crítica e criativa do conhecimento e criem condições para refletir os entraves da estrutura curricular. de um “conhecimento politicamente estruturado” (Goodson. afirma que a análise do histórico de uma série de disciplinas no currículo escolar mostrou que «havia uma política governando as disciplinas» não sendo. sendo-lhe atribuídas razões que passam pela facilidade organizativa e de relação direta entre a formação inicial dos professores e a dos alunos a formar.

Zabala eAmau (2010.. Dizem estes autores: Uma escola que pretenda ensinar competência para responder a problemas da vida deve realizar uma análise que determine com rigor quais são as competências alcançáveis. mas sim questionar a forma como estes poderiam ser reposicionados nos contextos dos temas”. isto é. e fixar critérios precisos que permitam o estabelecimento de pautas para a seleção e priorização dos conteúdos de ensino. Em síntese. e como em outro lugar afirmámos (Leite et al. Ou seja. De certo modo. o que é importante é prever e concretizar momentos de articulação curricular que dê sentido e utilidade social ao que se aprende. 110 Na continuação desta posição. em função das finalidades propostas e das características singulares dos alunos (Zabala e Amau. Na continuidade deste raciocínio.. mas. mas a utilização apropriada de estratégias e métodos coerentes com o conhecimento disponível sobre como são produzidas as aprendizagens. mas em aplicar as formas de ensino adequadas” (Zabala e Amau. a organização e o desenvolvimento do currículo em tomo de competências. esta é também a posição de Zabala (1998) quando se refere aos métodos globalizadores que.) aprendem-se exercendo as ações correspondentes que as configuram” (Zabala e Arnau. 2010).. ignorar a importância de saberes disciplina­ res. o que pretendo aqui realçar é a importância de procedi­mentos curriculares que permitam apreender a complexidade das situações em análise. revisar as práticas que dificultam esses objetivos. não se fique limitado ao que são as experiências de partida dos alunos e aos conhecimentos locais.. trata-se de uma concepção que perspectiva como ponto de entrada para a organização curricular não as disciplinas. Neste caso. mas como intenção levar ao reconhecimento dos limites de cada uma delas e. deixando de ter significado por si sós. Por isso. e com intervenções expositivas convencionais [. a concepção de currículo que se orienta por esta intenção não significa “abandonar os conteúdos valorizados. aproximando escola e vida.) recomendam: O professor deverá utiliza r uma metodologia variada com sequências didáticas enfocadas sob o método de projetos. estas i deias? Neste texto. tenha o meio não só como ponto de partida. 2000). Como pode ser delineada e concretizada a articulação curricular nos projetos curriculares? A atribuição à educação escolar do objetivo de participar na criação de condições que promovam a equidade e a justiça social (Conne. convivendo com análise de casos. cada professor deve seguir na sua área o seguinte esquema: “situação da realidade. do ponto de vista estratégico. contestando a utilidade das competências em educação. Segundo Zabala e Arnau (2010). tornar as escolas algo mais que simples locais onde se ‘passa a matéria”’ (GimenoSacristán e Pérez Gómez. pressupõe que a instituição escolar. “revisar e ampliar o sentido do que são conteúdos relevantes. 2002). pelas especificidades que constituem a vida de cada comunidade e de cada ambiente escolar. Estas ideias lembram-nos o que já neste texto sustentam os quando afirmamos que os projetos curriculares devem ter como ponto de partida o que é próximo e familiar aos alunos a quem se destinam. afirmámos já a importância de ter em conta as experiências de vida dos alunos e de partir dessa experiência e desse conhecimento para o ensino de no­vos conhecimentos. referem ainda que “os componentes procedimentais das competências (trabalho em equipa. de modo algum.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Também Apple e Beane (2000). 2011).. favorecer situações que recorrem ao contributo das que sejam necessárias para uma melhor compreensão/interpretação do mundo em que vivemos”. a interdisciplinaridade. torná-los atrativos para os estudantes. Neste sentido. esta atitude exige aos professores uma forte relação com os locais e uma atenção acrescida aos modos de trabalho pedagógico. é envolvido na responsabilidade da educação e formação da população que o constitui. É o que Canário (2005) propõe quando se refere à criação e valorização de elos entre a escola e a comunidade. mas também como recurso que. Alerta ainda este autor para que. 2006). formalização segundo os critérios científicos da disciplina e aplicação a outras situ­ações para facilitar a generalização e o domínio dos conceitos e das habilidades aprendidas” (Zabala e Arnau. aspeto que é facilitado quando interagem contributos de diferentes áreas do saber e que traduzem diferentes leituras. características de uma orientação clássica onde apenas têm lugar os alunos socializados com a cultura escolar. nestes procedimentos de desenvolvimento do currículo. entre outras. podemos questionar: como concretizar. e isto pelas condições de base que criam para que cada aluno faça novas aprendizagens socialmente reconhecidas como relevantes. empenhadamente. que lhe seja interessante e o desafie a responder a questões que não separem os conteúdos em compartimentos tratados como estanques. 2010). aproveitar os meios disponíveis. tal como outros modelos de articulação curricular. não somente as desejáveis. para melhorar a cultura que se dissemina no sistema educacional. etc. passam pelo recurso a métodos de enfoque globalizador. isto é. propõe. a um problema ou a uma situação que se pretende compreender. não pondo de parte os contributos das disciplinas. propõe um regresso a “fontes do bom saber e do bom fazer”. Ao mesmo tempo. e como tenho afirmado (Leite. constituindo uma resposta às limitações do ensino tradicional. apontam no sentido de uma articulação na lógica de um currículo integrado. E é este procedimento que torna as escolas democráticas (Apple e Beane. observação.] o objetivo não será a variedade. Devo esclarecer que as ideias que aqui estou a sustentar não significam. as situações reais inerentes a um problema a resolver ou uma situação na qual se pretende intervir. de um currículo em que os vários conteúdos estão subordinados a uma ideia central. E para esta concretização. proposição de questões. Neste sentido. não se restringindo a uma unidade didática. utilização de instrumentos e recursos disciplinares. por processos que partam de uma situação próxima da realidade do aluno. pesquisas do meio. pretendem que as aprendizagens sejam o mais significativas possível e permitam resolver os problemas de compreensão e de participação nas situações da vida real. implica a construção de um conhecimento sobre cada situação e um constante revisar dos caminhos delineados. Outra posição a ter em conta é a de GimenoSacristán e Pérez Gómez (2011) quando. portanto. os clássicos ou as novas tecnologias. Tal como afirma Beane (2000). sim. 1997) implica que se tenha uma atenção acrescida aos fenómenos da diversidade cultural e aos pontos de partida dos alunos que constituem a população escolar. 2011). afirmando que é necessário “considerar a vida quotidiana e os recursos do meio ambiente para relacionar a experiência do sujeito com as aprendizagens escolares sem cair em localismos limitadores” (GimenoSacristán e Pérez Gómez. nesta ruptura de muros relacionais que a separam das comunidades. 2010). 2010). “tem como ponto de partida as disciplinas. Por isso. este procedimento. afirmam que “a solução não está em acrescentar novos conteúdos. Como é evidente. e admitindo a importância de processos de articulação Didatismo e Conhecimento . sem a pré-determinar. na linha dos que atribuem um sentido social ao saber e na defesa de currículos democráticos. E implica que o reconheci­mento dessa situação seja acompanhado por processos de organização e desenvolvimento do currículo que rompam com lógicas etnocêntricas e homogeneizantes.

Não é feito para ser mandado para alguém ou algum setor. Assim. Nesse sentido. A primeira é política. É um resumo das condições e funcionamento da escola e ao mesmo tempo um diagnóstico seguido de compromissos aceitos e firmados pela escola consigo mesma – sob o olhar atento do poder público. que inclui a ampla participação dos representantes dos diferentes segmentos da escola nas decisões/ações administrativo-pedagógicas ali desenvolvidas. onde todos os educadores possam pensar. quer ainda dos que fazem parte da mesma comunidade educativa. A Escola torna-se um ambiente desafiador que provoca o questionamento. visa uma nova organização no trabalho pedagógico com participação da comunidade. porque articula o compromisso sócio-político aos interesses da comunidade. que não deve ser tratado de forma dogmática e esvaziada de significado. fundado na reflexão coletiva. diminuindo os efeitos fragmentários da divisão do trabalho que reforça as diferenças e hierarquiza os poderes de decisão. questionar e compartilhar saberes. tenta instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico em dois níveis: o da escola como um todo e o da sala de aula. E. Assim. Entretanto. realização de atividades entre a es­cola e a comunidade. o qual se relaciona a duas dimensões. 2004). podendo ser: constitucional. para que se possa construir o PPP. (1998). 111 12 CONSTRUÇÃO DA PROPOSTA PEDAGÓGICA DA ESCOLA: PRESSUPOSTOS E ESTRATÉGIAS. envolvimento das famílias na responsabilização pelo ato de educar e formar as suas crianças e jovens. rompendo com a rotina do mando impessoal e racionalizado da burocracia que permeia as relações no interior da escola. uma vez que organiza seu trabalho pedagógico baseando-se em sua realidade. refletir e avaliar o processo de construção do conhecimento. é preciso entender que o projeto político pedagógico da escola dará indicações necessárias à organização do trabalho pedagógico. discutir. Já. (FREITAS et al. portanto. Onde há lugar para transformações. O Projeto Político Pedagógico (PPP) é construído e vivenciado por todos os envolvidos com o processo educativo da escola. O Projeto Político Pedagógico representa um desafio importante na caminhada de uma escola que busca efetivamente uma educação de qualidade. ele configura a identidade da escola. onde numa atitude dialógica se constroem conhecimentos. política e social. e. o projeto político pedagógico. associando-o com o contexto social. A principio.. colaboração e criatividade. pública e gratuita: “igualdade” de condições para acesso e permanência na escola.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS organizacional. “gestão democrática”. propiciando a vivência democrática necessária para a participação de todos os membros da comunidade escolar e o exercício da cidadania. a reflexão e a criação de alternativas e soluções. “qualidade” de ensino para todos. mas sim para ser usado como referência para as lutas da escola. Isto significa resgatar a escola como espaço público. pois reside na possibilidade de se efetivar a intenção escolar: a formação do cidadão. E. igualmente muito importante. há que trabalhar. Portanto. ao se constituir em processo democrático. corporativas e autoritárias. É importante ressaltar que o projeto político pedagógico é inconcluso. Nessa perspectiva. nas seguintes dimensões: definição e estabelecimento de relações entre conteúdos das disciplinas que constituem os diferentes níveis de ensino. pelo menos. visto que sua sistematização nunca é definitiva e deve ser produto de um processo de planejamento participativo. na busca de alternativas viáveis à efetivação de sua intencionalidade. Ambas as dimensões relacionam-se reciprocamente. preocupa-se em instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico que supere os conflitos. A principal possibilidade de construção do projeto políticopedagógico passa pela relativa autonomia da escola. duvidar. contradições. deve alicerçar o conceito de autonomia. cooperação entre docentes quer da mesma área disciplinar. cultural. sendo norteada por referenciais ditados pelo sistema de ensino. a escola deve assumir o trabalho de reflexão sobre sua finalidade educativa. que é tida como espaço social marcado pela manifestação de práticas contraditórias (luta e/ou acomodação) de todos os envolvidos. lugar de debate. a equipe escolar e os funcionários aprendam a pensar e a realizar o fazer pedagógico de modo coerente. para que o PPP seja possível deve- Didatismo e Conhecimento . Para VEIGA. Projeto Político Pedagógico: discutindo conceitos A abordagem do PPP fundamenta-se em alguns princípios que norteiam a escola democrática. a construção desse projeto político pedagógico. a escola deve ter autonomia e se basear em um referencial que tenha uma teoria pedagógica compromissada em solucionar problemas educativos e de ensino.(Texto adaptado de Carlinda Leite). Pelo caráter democrático. do diálogo. A escola é o lugar da concepção. tudo isto recorrendo a procedimentos democraticamente contratualizados em contratos didáticos. definição de pontos de contato entre projetos que permitam realizar aprendizagens cognitivas e desenvolver competências de intervenção nas situações com que se convive. a “valorização do magistério” que objetiva a formação inicial e a continuada. que inclui o trabalho do professor na dinâmica interna da sala de aula. valorização das experiências de vida e dos quotidianos diversificados. quer dos que trabalham com os mesmos alunos. vivenciam relações e valores em vista da educação integral. de sua capacidade de delinear sua própria identidade. há sete elementos básicos que podem ser apontados. “autonomia” de atuação. permitindo aos sujeitos que o produzem pensar. É uma ação intencional e um compromisso definido coletivamente. a segunda define as ações educativas. realização e avaliação de seu projeto educativo. conhecimento dos contextos em que se situa cada escola. processual e contínuo. o mais importante. buscando eliminar as relações competitivas. Uma escola autônoma. condições de trabalho e remuneração docente. Nesse sentido. considera-se o PPP como um processo permanente de reflexão e discussão de problemas escolares. envolvimento dos alunos nos processos de construção das suas aprendizagens. Ela é um espaço em que as pessoas possa dialogar. executar e avaliar o seu próprio trabalho. curricular e pedagógica. se propiciar situações que permitam que os professores. a construção do PPP é a própria organização do trabalho pedagógico da escola. O projeto pedagógico não é uma peça burocrática e sim um instrumento de gestão e de compromisso político e pedagógico coletivo. Sendo.

uma vez que necessita organizar seu trabalho pedagógico com base em seus alunos. A sensibilização à cultura do registro do pensado e vivido pela escola. que assegura a locação. E. respondendo. em relação às práticas de gestão e à atuação dos órgãos colegiados. formação em valores e virtudes. questiona-se os pressupostos burocráticos que inviabilizam a formação de cidadãos. a busca de processos mais democráticos e. a partir da organização de um currículo fundado na solidariedade. rigoroso e visceral com as situações. O currículo é estruturado em períodos fixos de tempo para cada disciplina. ensino e aprendizagem. relaciona-se com a sua estrutura organizacional: a pedagógica que se referem às interações políticas. de modo a articular.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Em segundo lugar. incluindo todos os setores necessários ao desenvolvimento do seu trabalho. Didatismo e Conhecimento 112 O objetivo do Ato Situacional é apreender o movimento interno da escola. Sua análise estrutural visa identificar quais elementos são valorizados e por quem. Há uma correlação de forças propiciando a construção de novas formas de relações de trabalho. visando a um esforço analítico da realidade constatada no Ato Situacional. • Cultura do cuidado. destacam-se o cultivo do rigor conceitual. por último. Ao ser avaliada. o aprender a ser e o aprender a conviver. aprender a fazer. o aprender a conhecer. Direção escolar e equipe pedagógica devem prever momentos coletivos para este fim. dimensão ético-valorativa e transcendente. povos e pessoas em situação de risco. A avaliação é também responsabilidade coletiva e parte integrante do processo de construção do PPP. dessa forma. as relações de trabalho que devem girar em torno de atitudes solidárias. sociais. deve prever meios que estimulem a participação de todos no processo de decisão e. Em suma. dimensão comunitária e social. que essa organização do trabalho pedagógico relaciona-se com organização social. Em sexto. existem vários caminhos para construção do PPP. O como realizar as tarefas configura o Ato Operacional refere-se às atividades a serem assumidas e realizadas para mudar a realidade das escolas. • Opção pela comunicação. em igualdade de importância. na perspectiva da Ecologia Integral. com espaços abertos à reflexão coletiva que fortaleçam o dialogo. momento da criação coletiva. o encontro de alternativas criativas para problemas cristalizados no cotidiano. dimensão cognitiva. a administrativa. Vale acrescentar. as dimensões da ecologia pessoal. aos grandes desafios do mundo e da sociedade contemporâneos. Logo. pressupondo a sistematização dos meios para que se efetive. que estabelecem. a escola discute a sua concepção de educação e sociedade. Em quarto. é possível apontar três movimentos básicos deste processo de construção do PPP. • Materialização da Proposta Educativa na perspectiva dos quatro pilares da educação para o século XXI. o Projeto Político Pedagógico visa reorganizar formalmente a escola e dar certa qualidade em todo processo vivido. o aumento do interesse da escola em conhecer melhor sua comunidade. No entanto. educação. e vai definindo como as prioridades devem ser trabalhadas. No Ato Conceitual. suas mudanças e se esforça para propor alternativas coletivas. Em quinto. Todavia. escola. o tempo escolar que é um dos elementos constitutivos da organização do trabalho pedagógico. Os movimentos de acompanhamento e avaliação devem seguir todos os atos. Este é dinâmico e seu processo envolve. recíprocas e de participação coletiva. A construção do projeto da escola A construção/reformulação/avaliação do Projeto PolíticoPedagógico necessita de uma ação conjunta. seus polos de poder e seus conflitos. tais como: dimensão física e estética. conhecer seus conflitos e contradições. é durante o início do ano letivo. fazer seu diagnóstico e definir onde é prioritário agir. visando à participação política dos envolvidos com o processo educativo da escola. dentro e fora da escola. Porém. De modo geral. processo e produto. a busca de excelência acadêmica em tudo que se faz e se produz. uma gestão deve considerar as condições concretas presentes na escola. a descentralização do poder. cuja estrutura administrativa. uma vez que ele retrata o entendimento e o percurso possível trilhado em cada uma das escolas. Identificam-se alguns pressupostos e eixos sustentadores e norteadores do processo ensino . A organização temporal do conhecimento é marcada pela segmentação do dia letivo. Envolve três momentos: a descrição e a problematização da realidade escolar. Entre eles temos: o calendário e o horário escolar. a compreensão crítica da realidade descrita e problematizada. vale a pena insistir em um processo em que a escola seja a autora do seu Projeto. em especial. Todas essas dimensões devem ser expressas e concretizadas nas propostas e projetos pedagógicos. a avaliação deve favorecer o desenvolvimento da capacidade discente de apropriar-se dos saberes científicos. a gestão de recursos humanos. devido ao fato da escola ser uma instituição social que reflete internamente as determinações e contradições da sociedade capitalista. físicos e financeiros. de forma a possibilitar a implementação de decisões coletivas. o processo de decisão. Conceitual e Operacional. Implica a tomada de decisão para atingir os objetivos e as metas definidas coletivamente. A escola é o lugar de concepção. após as férias de julho e no encerramento do ano letivo que estes momentos são pensados e previstos pelas escolas. são pontos fundamentais para o avanço democrático e formativo no âmbito das escolas. Geralmente. que refere-se à organização do conhecimento escolar. • No campo acadêmico. a proposição de alternativas de ação. a comunicação horizontal entre os diferentes segmentos envolvidos com o processo educativo. Em terceiro. e. além do patrimônio escolar e de como esse se apresenta. pautados no respeito às diferenças. o empenho na atualização constante dos conhecimentos. homem. denominados pela autora de: Ato Situacional. ainda. busca explicar e compreender as causas da existência de problemas. • Diálogo profundo. há necessidade de se instalarem mecanismos institucionais. a avaliação do PPP que parte da necessidade de se conhecer a realidade escolar. Por isso. tecnológicos produzidos e deve ser resultante de um processo coletivo de avaliação diagnóstica.aprendizagem: • Cuidado com todas as dimensões humanas. bem como suas relações. o aguçamento da crítica e da autocrítica. no currículo e nas práticas educativas. às questões de ensino-aprendizagem e às curriculares. temos o currículo. currículo. simultaneamente. realização e avaliação de seu projeto educativo. da ecologia ambiental e da ecologia social. De acordo com Veiga (1998). a fim de indagar sobre suas características. para se tornar possível. não são suficientes. avaliar é conhecer a organização do trabalho pedagógico. é necessário . dimensão afetiva. bem como introduzir novas questões e propostas de ações. e. sendo uma construção social do saber.

reuniões do Conselho Escolar e do Grêmio Estudantil. conselhos de classe. cada escola implementa no seu ritmo e tempo próprios e na dimensão das vontades dos coletivos nela atuantes. a escola não define o seu padrão de qualidade dentro das suas limitações e possibilidades.] A gestão do projeto político-pedagógico Considera-se que a gestão do projeto político pedagógico realiza-se não somente durante o seu acompanhamento. valorização do profissional da educação escolar.. XI.. Enfim. VIII.. seja ela curta. igualdade de condições para acesso e permanência na escola. reuniões de pais. a qualidade tem uma natureza auto reflexiva – reflexão sobre a prática. II. assumindo postura de não neutralidade diante dos distintos caminhos a seguir. ensinar. como também pelas redes de ensino e pelo poder público. o pensamento. uma administração: [. A organização. mas também durante a sua elaboração. utilizando-se do princípio da racionalidade. pesquisar e divulgar a cultura. que visa objetivos sociais. Quanto a sua construção. sem os constrangimentos da gerência capitalista e da parcelarização desumana do trabalho. 3º: I. reuniões pedagógicas. na forma desta lei e da legislação do sistema de ensino. será um documento de gaveta. pluralismo de ideias e concepções pedagógicas. a qualidade tem uma natureza contextual e plural – admitem modalidades de realização diferentes. (PARO. é uma instituição social que se diferencia de uma organização. em direção ao alcance dos objetivos verdadeiramente educacionais da escola. que se preocupe com o coletivo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS discuti-lo também. [. a escola não pode prescindir da administração. porém sem perder a perspectiva de realização de um trabalho de qualidade. Outro aspecto que merece ênfase na gestão do projeto político pedagógico é a questão da avaliação. aos conhecimentos que se quer ensinar. É necessário implementá-lo. numa esclarecida recorrência às questões relevantes do interesse comum e historicamente requeridas. idiossincrasias. cabe ao Conselho Escolar das instituições aprová-los. A questão que se coloca é como administrar. Entende-se que o enfoque da qualidade negociada abrange uma totalidade de fatores essenciais à vida de uma instituição que se pauta por uma gestão participativa e democrática. Como um coletivo. uma cultura que deve ser levada em consideração em um processo de gestão. o trabalho e as práticas sociais [. de forma democrática e participativa. gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais. VII. 2004). valorização da experiência extracurricular. a qualidade é um processo – a qualidade constrói-se. pois nunca estará finalizado. garantia do padrão de qualidade. O enfoque de qualidade que se pretende enfatizar na gestão do projeto político pedagógico é o da “qualidade negociada”.. mas segue o padrão de partida definido pelo coletivo do sistema educacional da sociedade.. com o desenvolvimento dos seus profissionais. Sendo assim. não há modelos a serem seguidos porque não há escolas idênticas. apenas para cumprir formalidades burocráticas.. como as pessoas. O padrão de qualidade de partida deve ser definido não só pela escola internamente.] que. Há sim. a qualidade tem uma natureza formadora – produz uma cultura. o que se pretende é que a escola tenha uma administração participativa. observando os referenciais legais. vinculação entre a educação escolar. Deste ponto de vista. Em sendo assim. III. É um documento que necessita de constante avaliação por parte da própria escola. seja uma decorrência do trabalho cooperativo de todos os envolvidos no processo escolar. Cabe aqui ressaltar a fundamental importância do pedagogo escolar na organização do trabalho pedagógico e na viabilização destes momentos. No entanto. 2002). ênfase de prioridades. Qualidade negociada não significa a ausência de um padrão de qualidade. à sociedade que se quer para viver. Como instituição social a escola busca a universalidade. através dos seus órgãos executores (estaduais ou municipais) a incumbência de orientar os estabelecimentos de ensino quanto à elaboração ou reelaboração dos seus Projetos Políticos Pedagógicos. caso contrário. a qualidade tem uma natureza participativa – natureza polifônica. usando métodos e técnicas que garantam o alcance deles. tendo como referência e princípio normativo e valorativo a sociedade em que atua. sem ferir o calendário escolar. por parte do sistema educacional. na hora atividade dos professores. Apesar das dificuldades inerentes aos sistemas da sociedade atual. portanto. no seu Art. Sobre o enfoque da qualidade negociada na administração do projeto político pedagógico. a arte e o saber. a qualidade tem uma natureza transformadora – transformar para melhor. Ao construir-se o projeto da escola algumas questões necessitam ser feitas em relação aos sujeitos que se quer formar. gestão democrática do ensino público. sem autoritarismos. VI. A qualidade negociada assim caracterizada através dos seguintes indicadores: a qualidade tem uma natureza transacional – não é um valor absoluto e não se estabelece a priori. V. porque na escola há vida e a vida modifica-se continuamente. liberdade de aprender. assim se posiciona Freitas: O pressuposto deste enfoque é que as instituições também “aprendem”. Enquanto o planejamento dimensiona o que se vai construir. porque fundamenta novas decisões. A escola como uma instituição social difere de uma organização. mas que tem uma especificidade organizativa. entendida como uma construção participativa e coletiva. para a sua particularidade. induz à transformação para melhor dos seus atores (BONDIOLI. entendida como atividade natural humana para alcançar certos fins e objetivos e que se utiliza de forma racional de recursos materiais e humanos (PARO 2002). 113 A escola. é necessário afirmar que é uma atribuição da escola. Novos desafios surgem todos os dias e novas demandas são exigidas. Para retratar a sua importância. IV. por sua vez. respeito a liberdade e apreço a tolerância.] a avaliação como crítica de percurso é uma ferramenta necessária Didatismo e Conhecimento . em um contexto de sociedade dominado pelo modelo de produção capitalista. IX. está voltada para si. X. supõe ação. tendo como princípio e referência ela mesma em um processo de competição com outras com os mesmos objetivos (CHAUI. coexistência de instituições públicas e privadas de ensino. 2003). Construir um projeto pedagógico da escola é mantê-la em constante estado de reflexão e elaboração. guiados por uma “vontade coletiva”. a avaliação subsidia essa construção. ele será sempre um ponto de partida. as instituições têm uma memória das suas lutas e demandas e são um organismo vivo que reflete sobre sua realidade e seu futuro. pode-se utilizar o que diz Luckesi a esse respeito: A avaliação poderia ser compreendida como uma crítica de percurso de ação. É fundamental que o documento descreva os princípios norteadores que estão contemplados na LDB nº 9394/96. cujos pressupostos foram analisados no item anterior desse trabalho e onde fica clara a importância da participação e compromisso do coletivo da escola. seja prolongada.

Didatismo e Conhecimento 114 Assim. Projeto Político Pedagógico: Gestão Democrática A escola como uma instituição social voltada para a educação do cidadão. Este é. Justifica-se essa forma positiva de encarar o desafio da gestão escolar na frase de Marx: [. um desafio a ser vencido pela escola e o Projeto Político-Pedagógico ocupa um importante papel nesse processo. os seus agentes sociais. A escola não pode pensar a si mesma desconhecendo suas relações com seu entorno. assegurando a unidade teórica e metodológica no trabalho didático e pedagógico. avaliação. Apesar do reconhecimento legal. a escola não atingirá os seus objetivos de forma ótima. (LUCKESI. 1995). é de fundamental importância que a construção e o acompanhamento do projeto político pedagógico estejam alicerçados em uma administração participativa. o poder de produzir os efeitos esperados (SANDER. É necessário que seja o “retrato da escola”. pais. cujos critérios estão voltados à economicidade. entendida como aquela que a escola faz de si mesma. Tem como pressuposto a gestão escolar democrática e participativa e articula seus compromissos em torno à construção do projeto pedagógico da escola. Entende-se que uma vez formulado e conhecido o problema a sua solução está posta. Considerado como o eixo central da organização do trabalho na escola. esses objetivos podem ser alcançados com melhor qualidade quando integrados e articulados aos objetivos administrativos. alcance os seus objetivos. Quanto à utilização racional de recursos pela gestão da escola. construído e reconstruído coletivamente. com as relações dos homens entre si”. a unidade na organização do trabalho escolar e a coerência entre o planejado e o executado nas práticas escolares. ou seja. afirmar novos . com seus limites e perspectivas. como oportunidade de reflexão para mudanças de direção e caminhos.] a humanidade só se propõe as tarefas que pode resolver. cujos critérios são os resultados. valorizando as diferenças de cada um no processo educacional e na concepção política de construção de sistemas educacionais com escolas abertas para todos. métodos. pois. de forma segregada. coletiva.. comunidade e sociedade de forma geral.. tem como objetivos principais a sua instrução e a sua formação. Neste sentido. na proposta pedagógica que propõe-se ensinar a todos os alunos. Nunca foram tão discutidos os princípios constitucionais de igualdade de condições de acesso e permanência na escola. econômicos. no processo administrativo. a “coordenação” tem a ver. no interior desse processo. formação continuada) e ao objetivo da escola. organizando a escola para exercer o importante papel que lhe é próprio: socializar conhecimentos. implicando na necessidade de reverter os velhos conceitos de normalidade e padrões de aprendizagem. a eficiência. 2004). têm que ser compatíveis com a especificidade organizativa. 1998). realmente. em que as decisões sejam democratizadas e que o seu processo de avaliação e revisão seja uma prática coletiva constante. implementa a política de inclusão educacional. e quando se fala em avaliação institucional. A educação inclusiva é hoje o debate mais presente na educação de país. Entretanto. e que esta é a principal função da escola. A política de inclusão educacional A educação especial envolve um amplo processo de mudanças para a implantação de sistemas educacionais inclusivos. com a qualidade que dela esperam os seus alunos. se chegará à conclusão de que a própria tarefa só aparece onde as condições materiais de sua solução já existem. de forma racional. e construído por várias mãos. burocrático e técnico. a auto avaliação. assim como o é no redimensionamento da direção da ação. Entretanto. não significa aplicar os conceitos da administração empresarial na escola. alcançando os seus objetivos especificamente pedagógicos/ educacionais de forma significativa. chamo atenção para o fato de que o Projeto PolíticoPedagógico.. é um dos elementos mais importantes para a gestão democrática. norteador para as ações que formam a identidade da escola. parte de uma concepção de educação aceita pelo coletivo e que deve unir as ações deste na escola. ou. Construir o projeto político pedagógico da escola é fundamental. que contemplem a diversidade humana. ele deve articular os aspectos administrativos (plano de ação do diretor/ escola e regimento escolar) aos aspectos pedagógicos (currículo. 1985). com os objetivos e fins da instituição escola. Paro (2002) chama de “coordenação do esforço humano coletivo” ou simplesmente “coordenação”. o projeto políticopedagógico. Ainda sobre avaliação. Buscar a eficiência e a eficácia de forma racional através dos recursos materiais e humanos. não basta que ele simplesmente exista. fundamentada nos princípios éticos do respeito aos direitos humanos. administrá-la de modo eficiente e eficaz é uma das condições para que cumpra o seu papel. (MARX. reveste-se de uma importância vital para a sua realização. considerando o seu todo pedagógico e administrativo e suas relações externas. isso não elimina a necessidade de se buscar. Fatalmente. portanto. Para que a escola. revertendo as propostas convencionais de criar programas especiais para atender. Quando assim administrada a escola oferece condições para a melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem. o processo de democratização da gestão escolar tem se desenvolvido lentamente. (FREITAS et al. políticos que podem impulsioná-la para uma gestão eficiente e eficaz. instruídos e formados. como bem mostra o trecho abaixo: A peça chave na questão da avaliação institucional é o projeto político pedagógico da escola e suas relações com a gestão escolar. A utilização racional do esforço humano. a própria escola possui as suas forças transformadoras. Considerando que é do interesse da sociedade que seus cidadãos sejam educados. alunos com necessidades especiais e inserindo os gestores públicos e os profissionais da educação na elaboração de políticas para todos. Quanto às técnicas de gestão a serem utilizadas. e a eficácia. Por isso. mas envolve relações com a família e com a comunidade externa mais ampla. se considera mais atentamente. assim Paro (2002) se posiciona: “Enquanto a “racionalização do trabalho” se refere às relações homem/natureza. Inclui não só a comunidade interna da escola. (Texto adaptado de Rosária Albertina da Fonseca Costa). O Ministério da Educação do Brasil.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS ao ser humano no processo de construção dos resultados que planificou produzir. pois é um documento fundamental. bem como. porém não administrá-lo adequadamente não leva a lugar algum. Na grande maioria dos estabelecimentos escolares ainda predomina uma administração de caráter centralizado. pelo menos são captadas no processo de seu devir. 13 EDUCAÇÃO INCLUSIVA: FUNDAMENTOS LEGAIS E O PAPEL DO PROFESSOR.

Entretanto.A oferta de educação especial.O atendimento educacional será feito em duas classes. discriminação e exclusão do estudante. V . com a oferta de educação de qualidade para todos. bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artísticas. no que diz respeito à prática de ensino curricular da escola à formação profissional do corpo docente aos métodos e técnicas pedagógicas adotadas no ensino aos meios (recursos humanos materiais) disponíveis em cada escola. não devem ser enfatizadas. II . para educando portadores de necessidades especiais. constatamos que a educação para deficientes auditivos requer uma metodologia por meio da Língua de Sinais-Libras. que os profissionais da sala de aula comum precisam se adaptar a essa realidade. A promoção da inclusão implica na identificação e minimização de barreiras à aprendizagem e participação. principalmente. mediante articulação com os órgãos oficiais afins. observar a inserção desses alunos no sistema regular de ensino. como meio primordial de comunicação. Através de pesquisas. retirando-os da sala de aula e ministrando-lhes em ensino individual que tecnicamente achavam o mais adequado. dever constitucional de Estado.professores com especialização adequada em nível médio ou superior. trabalhando com esses alunos descobrindo suas dificuldades e procurando inseri-los juntos aos outros alunos ditos normais. serviços de apoio especializado. tem início na faixa etária de zero a seis anos. na qual a diversidade deve ser entendida e promovida como elemento enriquecedor da aprendizagem e catalizador do desenvolvimento pessoal e social. 2º. visando a sua efetivação na vida em sociedade. A escola tem sido marcada em sua organização por critérios seletivos que tem como base a concepção homogeneizadora do ensino. Os Sistemas de ensino assegurarão aos educando com necessidades especiais. Principais fundamentos da educação inclusiva Partindo dos princípios de: igualdade de oportunidade e de educação para todos é inegável que deve-se ampliar as oportunidades educacionais para uma grande parcela da população em que está inserido o acesso e a permanência a escolarização aos alunos considerados portadores de necessidades especiais.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS valores na escola que contemplem a cidadania. então. Entende-se por Educação Especial. As Leis que regem a Educação Inclusiva Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional no se artigo 58 e artigo 59 determina que: Art. a modalidade de educação escolar. o acesso universal e a garantia do direito de todas as crianças. I . para atender às suas necessidades. comprovou-se que esta solução não resolve e é frustrante e devastadora para todas as crianças.terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental. jovens e adultos têm direito a uma educação de qualidade. Levar sempre em consideração o fato de que as pessoas são diferentes e que. 115 O corpo docente junto com os pais desejou um modo mais inclusivo de educar todas as crianças. e aceleração para concluir em menor tempo o programa  escolar para os super dotados. e na maximização dos recursos que apóiam ambos os processos. métodos. que a inclusão não seja somente física. Com o passar do tempo. Ao invés disso a escola deve adquirir uma melhor compreensão do contexto educacional onde as dificuldades escolares se manifestam em buscar formas para tornar o currículo mais acessível e significativo. como assina Lindquist.educação especial para o trabalho. não são nossos sistemas educacionais que tem o direito a certos tipos de crianças. escolas ou serviços especializados. Didatismo e Conhecimento . mas que haja uma aprendizagem significativa para todos os alunos. III . intelectuais ou psicomotoras. dentro da qual alguns estudantes são rotulados O não reconhecimento da diversidade com o recurso existente na escola e o ciclo constituído pela rotulação. para atender às peculiaridades da clientela de educação especial. É o sistema escolar de um país que tem que se ajustar para satisfazer as necessidades de todas as crianças. sim. O foco deste estudo não é só olhar a realidade dos deficientes e. Observamos que a escola necessita se adaptar para acolher os alunos com necessidades especiais educacionais. jovens e adultos têm direito a uma educação de qualidade. sempre que. técnicas. bem como os recursos destinados a educação de deficientes auditivos. a educação inclusiva que tem como objetivo modificar o modelo educacional arcaico vigente através da retirada das crianças dessa Prisão de Especialidades. livre de seleção e da consequente classificação de alunos em diferentes tipos de instituições especializados. quando necessário.currículos. bem como professores de ensino regular capacitados para a integração desses educando nas classes comuns. jovens e adultos de participação nos diferentes espaços da estrutura social. que recupera seu caráter democrático através da adoção legal. para atendimento especializado. e na maximização dos recursos que apóiam ambos os processos de ensino aprendizagem. É o sistema escolar de um país que tem que se ajustar para satisfazer as necessidades de todas as crianças. há muitas dificuldades para se chegar a esse objetivo. não são nossos sistemas educacionais que tem o direito a certos tipos de crianças. Se concordarmos que todas as crianças. então. Em uma escola inclusiva.58. durante a educação infantil. inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo. em virtude de suas deficiências. como assina Lindquist. O enfoque da educação Inclusiva O movimento mundial em direção à sistemas educacionais inclusivos indicam uma nova visão da educação. portanto a escola deve ajudar cada um a desenvolver sua aptidão num contexto comum a todos. Para que uma escola se torne um modelo de educação inclusiva não deve haver exigências quanto a acesso. IV . oferecida preferencialmente na Rede Regular de Ensino. nem a mecanismos ou discriminação de qualquer espécie. Uma escola cuja política se comprometa com a igualdade de oportunidades e condições para todos os estudantes a fim de garantir que todos possam ser bem sucedidos educacionalmente.acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível de ensino regular. 1º. A promoção da inclusão implica na identificação e minimização de barreiras a aprendizagem e participação. Durante alguns anos os corpos docentes (escola) da educação especial tentaram dar uma resposta aos alunos com necessidades especiais. na escola regular. contribuem para aprofundar as desigualdades educacionais ao invés de combatê-las. surgindo assim. 3º. não sendo possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular.Haverá. em função das condições específicas dos alunos. para os efeitos desta Lei. Se concordarmos que todas as crianças. recursos educativos e organização específica. a situação de desvantagem ou deficiência do educando.

se a deixarem segregada. não consiste apenas na permanência física desses alunos junto aos demais educando. Cabe não só aos pais a responsabilidade de procurar matrícula. desenvolvê-las é o mais importante do que um simples número que restringe. além das suas condições orgânicas. orientação. entusiasmo. projeto político pedagógico que condiz com a realidade. idade. independentemente de etnia. melhores ou piores umas que as outras. Ninguém vence sozinho. não é isso. que atinja a todos. emocional. gradativamente constrói a consciência de que a escola é um bem público que também é seu” A avaliação (já citada). mas é ter coragem para reconhecer que errou e seguir em frente. é perceber que se irá errar muitas vezes e fracassar. Especialmente na deficiência auditiva. sexo. bem como desenvolver o potencial dessas pessoas. deve haver flexões curriculares para atender todo o público escolar. social. não pode ser chamado de educador. resumindo. A luta em se ter uma escola inclusiva de verdade é grande. mas também da escola e da comunidade. o que o professor não pode é enfatizar a limitação das pessoas e sim mostrar-lhes que são capazes de evoluir sempre. bem como. que cada conquista não é o ponto final. “A inclusão está fundada na dimensão humana e sociocultural que procura enfatizar formas de interação positivas. deficiência. pois prefere o erro (e muitas vezes bitolar e acabar com a vida de uma criança) do que ter a humildade de pedir ajuda. “A escola deve buscar refletir sobre sua prática. “A escola que pretende ser inclusiva deve se planejar para gradativamente implementar as adequações necessárias. sem ser excludente. Ninguém nasce sabendo as coisas. O professor que enfatiza o fracasso da outra pessoa. é determinante quanto ao tipo de escola e recursos que podem proporcionar seu melhor aproveitamento. real- Didatismo e Conhecimento . pois “Ensinar exige risco. Mas o que não se pode aceitar é o docente que se deixa abater diante das dificuldades. a proposta pedagógica deve ser estudada. direção. para que obtenham sucesso na corrente educativa geral”. econômico. capaz igual aos demais estudantes. Enfim. e toda a comunidade em geral. por isso aprendemos sempre”. “Assim. questionar seu projeto pedagógico e verificar se ele está voltado para diversidade” Percebe-se que aqui não se está falando em tratar as crianças como diferentes. Mais do que isso. de que tem o direito de colocar seus filhos na escola. esse problema deixa de existir. é querer. ao se lidar com crianças com deficiências. pois todos estão sob o princípio da igualdade. alunos. reinventada. “A pedagogia adotada na escola inclusiva deve ser a pedagogia voltada à criança como um todo. bitola e constrange uma pessoa. inteligente. pais. reconhecer e ir à busca dessas crianças e levá-las a escola.” Para a construção de uma escola inclusiva. Um ensino significativo. passível de crítica por levar ao rótulo que tem a deficiência como uma desvantagem. 116 A vontade de vencer deve ser maior que o medo de fracassar. confiança e tranqüilidade. que todos sabem lidar perfeitamente. para garantir o acesso de alunos com necessidades educacionais especiais à aprendizagem e ao conhecimento. não é assim tão fácil precisa dos principais ingredientes da receita: vontade de que as coisas realmente aconteçam. A pessoa com deficiência tem que sentir-se valorizada. de nada adianta colocar a criança especial dentro de uma classe comum. alunos. reconhecendo e respeitando a diversidade e respondendo a cada um de acordo com suas potencialidades e necessidades” O sucesso de toda escola só acontece quando há a participação e a integração de todos os envolvidos no processo educacional: docentes. Cada um possui limites. Mas é inegável que cada aluno tem a sua própria história composta pelo seu ambiente familiar. condição social ou qualquer outra situação. uma escola inclusiva ideal requer muitas coisas. e merece ser tratado como ser especial. A legislação é bem clara quando relata que se deve oferecer estudo gratuito a todas as crianças de 0 a 14 anos. mas sim da necessidade da escola conhecer a diversidade com que trabalha para que realmente possa desenvolver um bom trabalho. pois cada ser é uno. mas o que ocorre muitas vezes é os pais (principalmente de pessoas com necessidades especiais) não saberem disso. Todos possuem limitações. que não busca ajuda. um desvio da norma. aquela que garante a qualidade de ensino educacional a cada um de seus alunos. tendo como ponto de partida a escuta dos alunos. mas apóia a todos: professores. pois não se limita a ajudar somente os alunos que apresentam dificuldades na escola. suas habilidades e capacidades próprias. pessoal administrativo. precisa-se ter vontade. importante. Construir uma escola inclusiva. que é indiferente. tudo se aprende e não se deve nunca perder a esperança. pais e comunidade escolar”. apoio às dificuldades e acolhimento das necessidades dessas pessoas. Pois como já dizia Paulo Freire “Todos nós sabemos alguma coisa. fé. mas representa a ousadia de rever concepções e paradigmas. Vale ressaltar um aspecto a ser comentado sobre o aluno com deficiência auditiva que é a classificação da pessoa com necessidade especial. uma escola somente poderá ser considerada inclusiva quando estiver organizada para favorecer a cada aluno. Na perspectiva da inclusão. vegetando em sala de aula. entre outros ingredientes. todos nós ignoramos alguma coisa. Também não se deseja a uniformização das crianças. é apenas o estímulo para buscar cada vez mais. a “história” do aluno precisa ser conhecida para ser mais valorizada. primeiramente é importante que o município tenha elaborado e em funcionamento o Plano Municipal de Educação. e trabalhá-las. que sejam todas consideradas iguais. políticas públicas definidas e acessíveis. Não se deseja de forma alguma. é aquele que garante o acesso ao conjunto sistematizado de conhecimentos como recursos a serem mobilizados”. esse sim é um fracassado. bem como já dizia Che Guevara “Tenemos que ser fuertes. pero jamais perder la ternura” “Escola inclusiva é. Para nortear esses trabalhos faz-se necessário ter objetivos bem claros. exclusa. não se pode julgar todos iguais. até os “ditos normais” também possuem. possibilidades. não pode haver nenhum tipo de discriminação ou preconceito. ninguém é perfeito.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A política de inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais na rede de regular de ensino. ocasionando segregação e marginalização. “Quando a família dispõe de meios efetivos de participação ativa e regular na vida da escola. políticos empenhados. é acreditar que pode dar certo e o mais importante ter consciência de que muito já se está sendo feito mais ainda é pouco. “A inclusão causa uma mudança de perspectiva educacional. dizer que ser professor é fácil ou de que ter crianças totalmente diversas e com necessidades especiais em sala é tranqüilo fácil de trabalhar. perseverança. pois sem planejamento é praticamente impossível estabelecer prioridades e necessidades reais do município e das escolas. aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de rejeição” O processo de avaliação deverá ser todo reformulado também. cada qual tem seus talentos. respeitando suas diferenças e atendimento as suas necessidades. existe grande distância entre o real e o ideal. ou seja. fundamentação teórica relacionada com a prática (materialismo dialético). superação.

E qual o papel da escola nesta inclusão? Uma boa escola. capaz de proporcionar para todos.direito a plena aprendizagem e participação eficaz.escolas responsivas e de qualidade. tem se mostrado um desafio seja pela novidade para muitos. pois os grupos humanos são muito diversos e cada um tem seus padrões culturais. embora prevista na nossa LDB (Lei 9394/96) e claramente explicitado no artigo 14. etnias. seja pela inexperiência do verdadeiro trabalho em equipe. a vida do humano no mundo implica em luta pela sobrevivência e socialização. Não é uma maneira justa identificar como vigorantes estereótipos de normalidade vigentes de maneira universal. . a elaboração de um projeto político pedagógico para as escolas. reiteram vertentes constantemente levantadas como: o direito a educação e garantia de financiamentos que propiciem melhorar a oferta educacional para todos. dentro do estado. processo avaliatório. Em contra partida para lograr êxito e transformar-se em “escola inclusiva” necessário a REMOÇÃO DE BARREIRAS através de gestão administrativa pública. com todos e sem discriminação o aprendizado com participação de todos. apatia. Mas afinal. 117 Didatismo e Conhecimento . amor. O padrão de normalidade existe levando-se em consideração as semelhanças mais comuns entre os indivíduos. e outros obstáculos que precisam ser trabalhados para a consagração da educação inclusiva. escolas responsivas e de qualidade. participação da família e da comunidade. no que consiste um sistema educacional inclusivo? De forma clara. considerando-se uma cadeia de fatores que se interligam entre si.. Destarte. e assuma o papel de protagonista de sua própria vida. condições financeiras. a proposta de inclusão. despreparo dos educadores e gestores. criando um espaço sistemático para encontros entre Ministros de Educação dos Paises da América Latina e Caribe. reconhecimento e incentivo ao fortalecimento capacitatório dos docentes. está desempenhando com certeza absoluta. Muito mais que um plano de trabalho. o ideal dos sistemas educacionais inclusivos visam: . Nesse processo objetiva-se apenas a inclusão de todos. dão vida própria a denominação SOCIEDADE. Um espaço adequado para pessoas que precisam de adequação. reconhecimento e adaptação dessas diversidades. adequações na prática pedagógica.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS mente único como é. constantes estudos e pesquisas como ações indispensáveis ao processo educativo. a UNESCO apresentou um projeto Principal de Educação em Paris. o projeto visa a “identificação única” da escola. e esta deve ocorrer não só na escola mas em toda a vida social da pessoa. acesso e transparência a população quanto aos processos de gestão educacional. Por mais que se executem padrões ou tentativas de favorecimento de uns em detrimento de outros. entre elas: a pobreza. na Conferência Geral de Educação. e por todos indivíduos que coletivamente unidos. desde que tenha oportunidades adequadas para desenvolver sua potencialidade”. passando por professores.o direito a educação igualitária em relação a diversidade de classes. as pessoas se organizam em grupos com pessoas que se assemelham dentro de características que são comuns aqueles com quem estão se relacionando. Assim é possível pensar que é importante que as pessoas tenham a possibilidade de viver de uma maneira mais autônoma dentro de um ambiente que verdadeiramente os acolha. o que não significa tratar todos de forma iguais. mas possibilitar a cada um o que necessita de acordo com suas características próprias. mas educar a pessoa com deficiência para um socialização de fato para que esteja preparada para saber se portar diante das diversidades sociais. causadores da morosidade do avanço das técnicas inclusivas. sentido-se assim estimulados e à vontade para se arriscar tendo a oportunidade de experimentar realidades diversas verdadeiramente incluídos partilhando das mesmas atividades em nível de igualdade. a humanidade até na própria forma de compreensão de humanidade é diversa. Tais desafios tem sido objeto de sucessivas conferencias internacionais entre os países em desenvolvimento. é pensar a sociedade nos âmbitos das diversidades e assimilação. com a proposta básica de parcerias internacionais e cooperação dentro de cada país. alunos. evidenciando os valores e percurso que pretende seguir para atingir a plenitude educativa. beneficiar-se de programas educacionais. 1981. noções éticas. E se indagarmos a quem cabe a remoção de todas estas barreiras: a resposta mais sensata é : CABE A TODOS: desde o porteiro da escola até o Presidente da República. sendo assim uma visão bem saudável e politicamente real disso. especificamente voltadas para a América Latina e Caribe. então diverso é aquilo que é múltiplo de diferenças.. e não como já se fundou e se funda em muitas defesas a perspectivas de uma sociedade segregadora apontando como culpado a diversidade de grupos sociais organizados. . que se dá através de uma boa formação de educadores. Destes encontros resultam recomendações de cunho organizacional para implementação gradual da inclusão. objetiva e sintetizada. funcionários. . podendo socializar-se com aqueles que partilham das mesma necessidades. características. raiva. É preciso esse espaço de socialização.o direito à igualdade de oportunidades. a seu modo e respeitando seu tempo. Nesse contexto. Os seres humanos são ligados por sentimentos que podem ser os mais diversos possíveis. que implicam em processos cruéis de adaptação que cada um tem que passar para si formar como ser humano. morais e outras séries de juízos que moldam uma sociedade. entre outros transtornos sociais . I. sem exclusões. realizadas periodicamente através de fóruns de discussões. alunos) se lembrem de que todo aluno pode. que. que servem como modelo para suas comunidades especificas. A pessoa com deficiência ensinando os caminhos para escola inclusiva A palavra diversidade tem seu sentidodentro da multiplicidade de diferenças que possam ser reconhecidas. “É importante que o professor e toda a comunidade escolar (diretor. carências psíquicas. tendo muito mais que um cooperativismo ou um tipo de ajuda humanitária. o alto índice de analfabetismo.

atual Instituto Benjamin Constant – IBC. prorrogada pela Portaria nº 948. por meio de diagnósticos. em 1857. Assim. e o Instituto dos Surdos Mudos. Não há como sanear a consequência do problema sem atingir a causa. Essa problematização explicita os processos normativos de distinção dos alunos em razão de características intelectuais. em 1945. cultural. recomendações. responsável pela gerência da educação especial no Brasil. Só assim. impulsionou ações educacionais voltadas às pessoas com deficiência e às pessoas com superdotação. desencadeada em defesa do direito de todos os alunos de estarem juntos. os que se encontram em atraso considerável quanto à idade regular de matrícula e os superdotados”. que acompanha os avanços do conhecimento e das lutas sociais. sob formas distintas. ao definir “tratamento especial” para os alunoscom “deficiências físicas. é fundada a primeira Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE. o Ministério da Educação/Secretaria de Educação Especial apresenta a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. que pressupõem a seleção. No Brasil. uma imediata reflexão de valores. conferências. que. discussões e manifestações para a sua efetiva implementação tendem a virar “letra morta” se todos os elementos subjetivos causadores da exclusão não forem revistos pelas administrações públicas federais em harmonia com as administrações estaduais e municipais.de 5 de junho de 2007. Nesta perspectiva. culturais. Ao reconhecer que as dificuldades enfrentadas nos sistemas de ensino evidenciam a necessidade de confrontar as práticas discriminatórias e criar alternativas para superá-las. entre outras. que altera a LDBEN de 1961. visando constituir políticas públicas promotoras de uma educação de qualidade para todos os alunos. implicando uma mudança estrutural e cultural da escola para que todos os alunos tenham suas especificidades atendidas. a exclusão tem apresentado características comuns nos processos de segregação e integração.692/71. e. por Helena Antipoff. a educação inclusiva compreende vários fatores que vão além dos portões da “escola” e não produzem a eficácia pretendida por todos os elementos de cunho sócio-político-econômico elencados em várias oportunidades neste texto. a organização de escolas e classes especiais passa a ser repensada. Essa organização. evidencia-se o paradoxo inclusão/ exclusão quando os sistemas de ensino universalizam o acesso. qualquer tentativa de modificação ou melhorias será inócua. que atuam na área da Educação. naturalizando o fracasso escolar. acreditando na possibilidade de mudar a realidade atual da nossa estrutura educacional e aceitando tais ideias como solução para a exclusão. com a criação de duas instituições: o Imperial Instituto dos Meninos Cegos. instituição especializada no atendimento às pessoas com deficiência mental. Didatismo e Conhecimento 118 II – Marcos históricos e normativos A escola historicamente se caracterizou pela visão da educação que delimita a escolarização como privilégio de um grupo. fundamentada no conceito de normalidade/anormalidade. determina formas de atendimento clínico-terapêuticos fortemente ancorados nos testes psicométricos que. A partir da visão dos direitos humanos e do conceito de cidadania fundamentado no reconhecimento das diferenças e na participação dos sujeitos. de 09 de outubro de 2007. Não há como pensar em INCLUSÃO a qualquer título sem antes acabar com a EXCLUSÃO. estruturantes do modelo tradicional de educação escolar.024/61. em 1854. o atendimento educacional às pessoas com deficiência passa a ser fundamentado pelas disposições da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN. A Lei nº 5. aprendendo e participando. cabe mais do que ninguém. preferencialmente dentro do sistema geral de ensino. mentais. revisão de pré conceitos. terminologias e modalidades que levaram à criação de instituições especializadas. A partir dos referenciais para a construção de sistemas educacionais inclusivos. que aponta o direito dos “excepcionais” à educação. é que poderemos participar ativamente do processo educacional inclusivo. sob a égide integracionista. inviável e puramente utopia. decorre uma identificação dos mecanismos e processos de hierarquização que operam na regulação e produção das desigualdades. uma exclusão que foi legitimada nas políticas e práticas educacionais reprodutoras da ordem social. sociais e lingüísticas. A educação inclusiva constitui um paradigma educacional fundamentado na concepção de direitos humanos. é criado o primeiro atendimento educacional especializado às pessoas com superdotação na Sociedade Pestalozzi. em 1954. que conjuga igualdade e diferença como valores indissociáveis. físicas. A partir do processo de democratização da escola. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva Documento elaborado pelo Grupo de Trabalho nomeado pela Portaria Ministerial nº 555. escolas especiais e classes especiais. normatizações. mas a estes leitores. não promove a organização de um sistema de ensino capaz de atender às necessidades educacionais especiais e acaba reforçando o encaminhamento dos alunos para as classes e escolas especiais. No início do século XX é fundado o Instituto Pestalozzi (1926). pois enquanto cada um não receber esta mensagem verdadeiramente para si. mas ainda configuradas por campanhas assistenciais e iniciativas isoladas do Estado. evidenciando diferentes compreensões. social e pedagógica. porque primeiro precisamos nos libertar das nossas próprias barreiras e encontrarmos uma verdade em todo o contexto aqui relatado. Para muitos que leem. e que avança em relação à idéia de eqüidade formal ao contextualizar as circunstâncias históricas da produção da exclusão dentro e fora da escola. sem nenhum tipo de discriminação. ambos no Rio de Janeiro. A educação especial se organizou tradicionalmente como atendimento educacional especializado substitutivo ao ensino comum. Em 1973. hoje denominado Instituto Nacional da Educação dos Surdos – INES. Em 1961. .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Como vemos. a educação inclusiva assume espaço central no debate acerca da sociedade contemporânea e do papel da escola na superação da lógica da exclusão. I – Introdução O movimento mundial pela educação inclusiva é uma ação política. Lei nº 4. o atendimento às pessoas com deficiência teve início na época do Império. este texto pode soar apenas mais um texto puramente utópico. mas continuam excluindo indivíduos e grupos considerados fora dos padrões homogeneizadores da escola. infelizmente todas as instruções. definem as práticas escolares para os alunos com deficiência. o MEC cria o Centro Nacional de Educação Especial – CENESP. E.

) possuem condições de acompanhar e desenvolver as atividades curriculares programadas do ensino comum. no artigo 59. Ao reafirmar os pressupostos construídos a partir de padrões homogêneos de participação e aprendizagem. prevista no seu artigo 2º. assegura a terminalidade específica àqueles que não atingiram o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental. o Decreto nº 3. porém. ao admitir a possibilidade de substituir o ensino regular. inciso V) e “[. 24. definindo como discriminação com base na deficiência toda diferenciação ou exclusão que possa impedir ou anular o exercício dos direitos humanos e de suas liberdades fundamentais. preconiza que os sistemas de ensino devem assegurar aos alunos currículo. garantindo o pleno desenvolvimento da pessoa. em sua organização curricular. exigindo uma reinterpretação da educação especial. inciso IV). mediante cursos e exames” (art. 37). No seu artigo 206. o ensino. assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos. à formação docente.. Define. estabelece a “igualdade de condições de acesso e permanência na escola” como um dos princípios para o ensino e garante. Lei nº 8. à acessibilidade física e ao atendimento educacional especializado.” As Diretrizes ampliam o caráter da educação especial para realizar o atendimento educacional especializado complementar ou suplementar à escolarização. recursos e organização específicos para atender às suas necessidades.853/89. Na perspectiva da educação inclusiva. é implementado pelo MEC o Programa Educação Inclusiva: direito à diversidade. à oferta do atendimento educacional especializado e à garantia da acessibilidade. documentos como a Declaração Mundial de Educação para Todos (1990) e a Declaração de Salamanca (1994) passam a influenciar a formulação das políticas públicas da educação inclusiva. não se efetiva uma política pública de acesso universal à educação. inciso I. Resolução CNE/CEB nº 2/2001. bem como a inclusão da disciplina de Libras como parte integrante do currículo nos cursos de formação de professores e de fonoaudiologia. Lei nº 9. e assegura a aceleração de estudos aos superdotados para conclusão do programa escolar.. condições de vida e de trabalho. raça. promovendo um amplo processo de formação de gestores e educadores nos municípios brasileiros para a garantia do direito de acesso de todos à escolarização. aponta um déficit referente à oferta de matrículas para alunos com deficiência nas classes comuns do ensino regular. idade e quaisquer outras formas de discriminação” (art. Em 1994. permanecendo a concepção de “políticas especiais” para tratar da educação de alunos com deficiência.] oportunidades educacionais apropriadas. a Resolução CNE/CP nº 1/2002. Acompanhando o processo de mudança.956/2001. O Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. sem preconceitos de origem. apesar do acesso ao ensino regular. O Plano Nacional de Educação – PNE. seus interesses. Em 2003.19). afirma que as pessoas com deficiência têm os mesmos direitos humanos e liberdades fundamentais que as demais pessoas. a educação como um direito de todos. dentre as normas para a organização da educação básica. compreendendo o projeto da Grafia Braille para a Língua Portuguesa e a recomendação para o seu uso em todo o território nacional. A atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. é publicada a Política Nacional de Educação Especial. define a educação especial como uma modalidade transversal a todos os níveis e modalidades de ensino. (MEC/SEESP. A Convenção da Guatemala (1999). mas mantendo a responsabilidade da educação desses alunos exclusivamente no âmbito da educação especial.436/02 reconhece a Língua Brasileira de Sinais – Libras como meio legal de comunicação e expressão. formação docente voltada para a atenção à diversidade e que contemple conhecimentos sobre as especificidades dos alunos com necessidades educacionais especiais. as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. no artigo 55. cor.678/02 do MEC aprova diretrizes e normas para o uso.3º. 208). Lei nº 10. Ao estabelecer objetivos e metas para que os sistemas de ensino favoreçam o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos. não é organizado um atendimento especializado que considere as suas singularidades de aprendizagem. consideradas as características do alunado. a produção e a difusão do sistema Braille em todas as modalidades de ensino. no mesmo ritmo que os alunos ditos normais” (p.298.172/2001. a oferta do atendimento educacional especializado. que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica. no artigo 2º. em virtude de suas deficiências. Também nessa década. reforça os dispositivos legais supracitados ao determinar que “os pais ou responsáveis têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino”. que regulamenta a Lei nº 7. como dever do Estado.. adotado para promover a eliminação das barreiras que impedem o acesso à escolarização. o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho. A Constituição Federal de 1988 traz como um dos seus objetivos fundamentais “promover o bem de todos..394/96. define que as instituições de ensino superior devem prever. não potencializam a adoção de uma política de educação inclusiva na rede pública de ensino. Também define. ao dispor sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência. sexo.069/90. Em 1999.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Nesse período. A Lei nº 10. Este Decreto tem importante repercussão na educação. . compreendida no contexto da diferenciação. determinam que: Didatismo e Conhecimento 119 “Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos. A Portaria nº 2. métodos. 2001). orientando o processo de “integração instrucional” que condiciona o acesso às classes comuns do ensino regular àqueles que “(. promulgada no Brasil pelo Decreto nº 3. com vistas a apoiar a transformação dos sistemas de ensino em sistemas educacionais inclusivos. a Política não provoca uma reformulação das práticas educacionais de maneira que sejam valorizados os diferentes potenciais de aprendizagem no ensino comum. a “possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado” (art. destaca que “o grande avanço que a década da educação deveria produzir seria a construção de uma escola inclusiva que garanta o atendimento à diversidade humana”. no artigo 205. determinando que sejam garantidas formas institucionalizadas de apoiar seu uso e difusão. enfatizando a atuação complementar da educação especial ao ensino regular. cabendo às escolas organizarem-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais. preferencialmente na rede regular de ensino (art. No que se refere aos alunos com superdotação.

lançam o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos. Também são realizadas alterações que ampliam o universo da pesquisa. instrutor e tradutor/intérprete de Libras. a formação e a certificação de professor. a educação não se estruturou na perspectiva da inclusão e do atendimento às necessidades educacionais especiais.296/04 regulamentou as Leis nº 10. juntamente com a Organização das Nações Unidas para a Educação. que passa a registrar a série ou ciclo escolar dos alunos identificados no campo da educação especial. é desenvolvido com o objetivo de promover a acessibilidade urbana e apoiar ações que garantam o acesso universal aos espaços públicos. A partir de 2004. etapas e modalidades de ensino. matrícula na rede pública. das turmas. 09). a Ciência e a Cultura – UNESCO. às matrículas. o Censo Escolar registra uma evolução nas matrículas. Plano de Desenvolvimento da Educação: razões. fortalecendo seu ingresso nas escolas públicas. dispõe sobre a inclusão da Libras como disciplina curricular. expressando um crescimento de 107%. o Censo Web. e à formação dos professores que atuam no atendimento educacional especializado.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Em 2004. às matrículas em classes especiais. são efetivadas mudanças no instrumento de pesquisa do Censo. O Decreto nº 5. em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social compatível com a meta da plena participação e inclusão. a implantação de salas de recursos multifuncionais. conforme tipos de deficiência. para a orientação às famílias e a formação continuada dos professores. bem como possibilita o cruzamento com outros bancos de dados. Em 2007. Para a implementação do PDE é publicado o Decreto nº 6. p. o cumprimento do princípio constitucional que prevê a igualdade de condições para o acesso e permanência na escola e a continuidade nos níveis mais elevados de ensino (2007. o Programa Brasil Acessível. Neste mesmo ano.326 em 1998 para 700. possibilita o acompanhamento dos indicadores da educação especial: acesso à educação básica. Nesse contexto. aprovada pela ONU em 2006 e da qual o Brasil é signatário.098/00. estabelecendo normas e critérios para a promoção da acessibilidade às pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. oferta do atendimento educacional especializado. assistência e previdência social. sob alegação de deficiência. o formulário impresso do Censo Escolar foi transformado em um sistema de informações on-line. no currículo da educação básica. o Censo Escolar/MEC/INEP coleta dados referentes ao número geral de matrículas. que qualifica o processo de manipulação e tratamento das informações. acessibilidade nos prédios escolares. verifica-se um crescimento de 640%. No que se refere ao ingresso em classes comuns do ensino regular. passando de 43. que objetiva. tendo como eixos a formação de professores para a educação especial. princípios e programas é reafirmada a visão que busca superar a oposição entre educação regular e educação especial. Com relação aos dados da educação especial.923 alunos em 1998 para 325. escolas com acesso ao ensino regular e formação docente para o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos. são organizados centros de referência na área das altas habilidades/superdotação para o atendimento educacional especializado. limitando. de 337. o ensino da Língua Portuguesa como segunda língua para alunos surdos e a organização da educação bilíngüe no ensino regular. municípios com matrícula de alunos com necessidades educacionais especiais. constituindo a organização da política de educação inclusiva de forma a garantir esse atendimento aos alunos da rede pública de ensino. ao número de alunos do ensino regular com atendimento educacional especializado. dentre as suas ações. acesso e a permanência das pessoas com deficiência na educação superior e o monitoramento do acesso à escola dos favorecidos pelo Beneficio de Prestação Continuada – BPC. Contrariando a concepção sistêmica da transversalidade da educação especial nos diferentes níveis. Impulsionando a inclusão educacional e social. estabelece que os Estados-Partes devem assegurar um sistema de educação inclusiva em todos os níveis de ensino. permite atualização dos dados dentro do mesmo ano escolar. com a implantação dos Núcleos de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação –NAAH/S em todos os estados e no Distrito Federal. é lançado o Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE. a Secretaria Especial dos Direitos Humanos. a acessibilidade arquitetônica dos prédios escolares.094/2007.24). o Decreto nº 5. à infra-estrutura das escolas quanto à acessibilidade arquitetônica. visando ao acesso à escola dos alunos surdos. os Ministérios da Educação e da Justiça. b) As pessoas com deficiência possam ter acesso ao ensino fundamental inclusivo. adotando medidas para garantir que: a) As pessoas com deficiência não sejam excluídas do sistema educacional geral sob alegação de deficiência e que as crianças com deficiência não sejam excluídas do ensino fundamental gratuito e compulsório. Em 2007. realizado anualmente em todas as escolas de educação básica. tais como os das áreas de saúde. A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. escola especial e classes comuns de ensino regular. transtornos do desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação. agregando informações individualizadas dos alunos. reafirmado pela Agenda Social. Em 2005. temáticas relativas às pessoas com deficiência e desenvolver ações afirmativas que possibilitem acesso e permanência na educação superior. que estabelece nas diretrizes do Compromisso Todos pela Educação. a garantia do acesso e permanência no ensino regular e o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos. do Ministério das Cidades. Didatismo e Conhecimento 120 No documento do MEC. III – Diagnóstico da Educação Especial O Censo Escolar/MEC/INEP. dos professores e da escola. em igualdade de condições com as demais pessoas na comunidade em que vivem (Art. com o objetivo de disseminar os conceitos e diretrizes mundiais para a inclusão. contemplar. .436/2002. possibilitando monitorar o percurso escolar.624 em 2006. que regulamenta a Lei nº 10.626/05.316 em 2006. escolas privadas e privadas sem fins lucrativos. ingresso nas classes comuns.048/00 e nº 10. reafirmando o direito e os benefícios da escolarização de alunos com e sem deficiência nas turmas comuns do ensino regular. à oferta da matrícula nas escolas públicas. Para compor esses indicadores no âmbito da educação especial. o Ministério Público Federal publica o documento O Acesso de Alunos com Deficiência às Escolas e Classes Comuns da Rede Regular. de qualidade e gratuito. à sala de recursos ou aos equipamentos específicos.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
Quanto à distribuição dessas matrículas nas esferas pública e privada, em 1998 registra-se 179.364 (53,2%) alunos na rede pública e 157.962 (46,8%) nas escolas privadas, principalmente em instituições especializadas filantrópicas. Com o desenvolvimento das ações e políticas de educação inclusiva nesse período, evidencia-se um crescimento de 146% das matrículas nas escolas públicas, que alcançaram 441.155 (63%) alunos em 2006, conforme demonstra o gráfico: Com relação à distribuição das matrículas por etapa de ensino em 2006: 112.988 (16%) estão na educação infantil, 466.155 (66,5%) no ensino fundamental, 14.150 (2%) no ensino médio, 58.420 (8,3%) na educação de jovens e adultos, e 48.911 (6,3%) na educação profissional. No âmbito da educação infantil, há uma concentração de matrículas nas escolas e classes especiais, com o registro de 89.083 alunos, enquanto apenas 24.005 estão matriculados em turmas comuns. O Censo da Educação Especial na educação superior registra que, entre 2003 e 2005, o número de alunos passou de 5.078 para 11.999 alunos, representando um crescimento de 136%. A evolução das ações referentes à educação especial nos últimos anos é expressa no crescimento de 81% do número de municípios com matrículas, que em 1998 registra 2.738 municípios (49,7%) e, em 2006 alcança 4.953 municípios (89%). Aponta também o aumento do número de escolas com matrícula, que em 1998 registra apenas 6.557 escolas e, em 2006 passa a registrar 54.412, representando um crescimento de 730%. Das escolas com matrícula em 2006, 2.724 são escolas especiais, 4.325 são escolas comuns com classe especial e 50.259 são escolas de ensino regular com matrículas nas turmas comuns. O indicador de acessibilidade arquitetônica em prédios escolares, em 1998, aponta que 14% dos 6.557 estabelecimentos de ensino com matrícula de alunos com necessidades educacionais especiais possuíam sanitários com acessibilidade. Em 2006, das 54.412 escolas com matrículas de alunos atendidos pela educação especial, 23,3% possuíam sanitários com acessibilidade e 16,3% registraram ter dependências e vias adequadas (dado não coletado em 1998). No âmbito geral das escolas de educação básica, o índice de acessibilidade dos prédios, em 2006, é de apenas 12%. Com relação à formação inicial dos professores que atuam na educação especial, o Censo de 1998, indica que 3,2% possui ensino fundamental, 51% ensino médio e 45,7% ensino superior. Em 2006, dos 54.625 professores nessa função, 0,62% registram ensino fundamental, 24% ensino médio e 75,2% ensino superior. Nesse mesmo ano, 77,8% desses professores, declararam ter curso específico nessa área de conhecimento. IV – Objetivo da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva tem como objetivo o acesso, a participação e a aprendizagem dos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas escolas regulares, orientando os sistemas de ensino para promover respostas às necessidades educacionais especiais, garantindo: Transversalidade da educação especial desde a educação infantil até a educação superior; - Atendimento educacional especializado; - Continuidade da escolarização nos níveis mais elevados do ensino; Didatismo e Conhecimento
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- Formação de professores para o atendimento educacional especializado e demais profissionais da educação para a inclusão escolar; - Participação da família e da comunidade; - Acessibilidade urbanística, arquitetônica, nos mobiliários e equipamentos, nos transportes, na comunicação e informação; e - Articulação intersetorial na implementação das políticas públicas. V – Alunos atendidos pela Educação Especial Por muito tempo perdurou o entendimento de que a educação especial, organizada de forma paralela à educação comum, seria a forma mais apropriada para o atendimento de alunos que apresentavam deficiência ou que não se adequassem à estrutura rígida dos sistemas de ensino. Essa concepção exerceu impacto duradouro na história da educação especial, resultando em práticas que enfatizavam os aspectos relacionados à deficiência, em contraposição à sua dimensão pedagógica. O desenvolvimento de estudos no campo da educação e dos direitos humanos vêm modificando os conceitos, as legislações, as práticas educacionais e de gestão, indicando a necessidade de se promover uma reestruturação das escolas de ensino regular e da educação especial. Em 1994, a Declaração de Salamanca proclama que as escolas regulares com orientação inclusiva constituem os meios mais eficazes de combater atitudes discriminatórias e que alunos com necessidades educacionais especiais devem ter acesso à escola regular, tendo como princípio orientador que “as escolas deveriam acomodar todas as crianças independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, lingüísticas ou outras” (BRASIL, 2006, p.330). O conceito de necessidades educacionais especiais, que passa a ser amplamente disseminado a partir dessa Declaração, ressalta a interação das características individuais dos alunos com o ambiente educacional e social. No entanto, mesmo com uma perspectiva conceitual que aponte para a organização de sistemas educacionais inclusivos, que garanta o acesso de todos os alunos e os apoios necessários para sua participação e aprendizagem, as políticas implementadas pelos sistemas de ensino não alcançaram esse objetivo. Na perspectiva da educação inclusiva, a educação especial passa a integrar a proposta pedagógica da escola regular, promovendo o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. Nestes casos e outros, que implicam em transtornos funcionais específicos, a educação especial atua de forma articulada com o ensino comum, orientando para o atendimento às necessidades educacionais especiais desses alunos. A educação especial direciona suas ações para o atendimento às especificidades desses alunos no processo educacional e, no âmbito de uma atuação mais ampla na escola, orienta a organização de redes de apoio, a formação continuada, a identificação de recursos, serviços e o desenvolvimento de práticas colaborativas. Os estudos mais recentes no campo da educação especial enfatizam que as definições e uso de classificações devem ser contextualizados, não se esgotando na mera especificação ou categorização atribuída a um quadro de deficiência, transtorno,

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
distúrbio, síndrome ou aptidão. Considerase que as pessoas se modificam continuamente, transformando o contexto no qual se inserem. Esse dinamismo exige uma atuação pedagógica voltada para alterar a situação de exclusão, reforçando a importância dos ambientes heterogêneos para a promoção da aprendizagem de todos os alunos. A partir dessa conceituação, considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimentos de longo prazo, de natureza física, mental ou sensorial que, em interação com diversas barreiras, podem ter restringida sua participação plena e efetiva na escola e na sociedade. Os alunos com transtornos globais do desenvolvimento são aqueles que apresentam alterações qualitativas das interações sociais recíprocas e na comunicação, um repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo. Incluem-se nesse grupo alunos com autismo, síndromes do espectro do autismo e psicose infantil. Alunos com altas habilidades/superdotação demonstram potencial elevado em qualquer uma das seguintes áreas, isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade e artes, além de apresentar grande criatividade, envolvimento na aprendizagem e realização de tarefas em áreas de seu interesse. VI – Diretrizes da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva A educação especial é uma modalidade de ensino que perpassa todos os níveis, etapas e modalidades, realiza o atendimento educacional especializado, disponibiliza os recursos e serviços e orienta quanto a sua utilização no processo de ensino e aprendizagem nas turmas comuns do ensino regular. O atendimento educacional especializado tem como função identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas. As atividades desenvolvidas no atendimento educacional especializado diferenciam-se daquelas realizadas na sala de aula comum, não sendo substitutivas à escolarização. Esse atendimento complementa e/ou suplementa a formação dos alunos com vistas à autonomia e independência na escola e fora dela. Dentre as atividades de atendimento educacional especializado são disponibilizados programas de enriquecimento curricular, o ensino de linguagens e códigos específicos de comunicação e sinalização e tecnologia assistiva. Ao longo de todo o processo de escolarização esse atendimento deve estar articulado com a proposta pedagógica do ensino comum. O atendimento educacional especializado é acompanhado por meio de instrumentos que possibilitem monitoramento e avaliação da oferta realizada nas escolas da rede pública e nos centros de atendimento educacional especializados públicos ou conveniados. O acesso à educação tem início na educação infantil, na qual se desenvolvem as bases necessárias para a construção do conhecimento e desenvolvimento global do aluno. Nessa etapa, o lúdico, o acesso às formas diferenciadas de comunicação, a riqueza de estímulos nos aspectos físicos, emocionais, cognitivos, psicomotores e sociais e a convivência com as diferenças favorecem as relações interpessoais, o respeito e a valorização da criança. Didatismo e Conhecimento
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Do nascimento aos três anos, o atendimento educacional especializado se expressa por meio de serviços de estimulação precoce, que objetivam otimizar o processo de desenvolvimento e aprendizagem em interface com os serviços de saúde e assistência social. Em todas as etapas e modalidades da educação básica, o atendimento educacional especializado é organizado para apoiar o desenvolvimento dos alunos, constituindo oferta obrigatória dos sistemas de ensino. Deve ser realizado no turno inverso ao da classe comum, na própria escola ou centro especializado que realize esse serviço educacional. Desse modo, na modalidade de educação de jovens e adultos e educação profissional, as ações da educação especial possibilitam a ampliação de oportunidades de escolarização, formação para ingresso no mundo do trabalho e efetiva participação social. A interface da educação especial na educação indígena, do campo e quilombola deve assegurar que os recursos, serviços e atendimento educacional especializado estejam presentes nos projetos pedagógicos construídos com base nas diferenças socioculturais desses grupos. Na educação superior, a educação especial se efetiva por meio de ações que promovam o acesso, a permanência e a participação dos alunos. Estas ações envolvem o planejamento e a organização de recursos e serviços para a promoção da acessibilidade arquitetônica, nas comunicações, nos sistemas de informação, nos materiais didáticos e pedagógicos, que devem ser disponibilizados nos processos seletivos e no desenvolvimento de todas as atividades que envolvam o ensino, a pesquisa e a extensão. Para o ingresso dos alunos surdos nas escolas comuns, a educação bilíngüe – Língua Portuguesa/Libras desenvolve o ensino escolar na Língua Portuguesa e na língua de sinais, o ensino da Língua Portuguesa como segunda língua na modalidade escrita para alunos surdos, os serviços de tradutor/intérprete de Libras e Língua Portuguesa e o ensino da Libras para os demais alunos da escola. O atendimento educacional especializado para esses alunos é ofertado tanto na modalidade oral e escrita quanto na língua de sinais. Devido à diferença lingüística, orienta-se que o aluno surdo esteja com outros surdos em turmas comuns na escola regular. O atendimento educacional especializado é realizado mediante a atuação de profissionais com conhecimentos específicos no ensino da Língua Brasileira de Sinais, da Língua Portuguesa na modalidade escrita como segunda língua, do sistema Braille, do Soroban, da orientação e mobilidade, das atividades de vida autônoma, da comunicação alternativa, do desenvolvimento dos processos mentais superiores, dos programas de enriquecimento curricular, da adequação e produção de materiais didáticos e pedagógicos, da utilização de recursos ópticos e não ópticos, da tecnologia assistiva e outros. A avaliação pedagógica como processo dinâmico considera tanto o conhecimento prévio e o nível atual de desenvolvimento do aluno quanto às possibilidades de aprendizagem futura, configurando uma ação pedagógica processual e formativa que analisa o desempenho do aluno em relação ao seu progresso individual, prevalecendo na avaliação os aspectos qualitativos que indiquem as intervenções pedagógicas do professor. No processo de avaliação, o professor deve criar estratégias considerando que alguns alunos podem demandar ampliação do tempo para a realização dos trabalhos e o uso da língua de sinais, de textos em Braille, de informática ou de tecnologia assistiva como uma prática cotidiana.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
Cabe aos sistemas de ensino, ao organizar a educação especial na perspectiva da educação inclusiva, disponibilizar as funções de instrutor, tradutor/intérprete de Libras e guia-intérprete, bem como de monitor ou cuidador dos alunos com necessidade de apoio nas atividades de higiene, alimentação, locomoção, entre outras, que exijam auxílio constante no cotidiano escolar. Para atuar na educação especial, o professor deve ter como base da sua formação, inicial e continuada, conhecimentos gerais para o exercício da docência e conhecimentos específicos da área. Essa formação possibilita a sua atuação no atendimento educacional especializado, aprofunda o caráter interativo e interdisciplinar da atuação nas salas comuns do ensino regular, nas salas de recursos, nos centros de atendimento educacional especializado, nos núcleos de acessibilidade das instituições de educação superior, nas classes hospitalares e nos ambientes domiciliares, para a oferta dos serviços e recursos de educação especial. Para assegurar a intersetorialidade na implementação das políticas públicas a formação deve contemplar conhecimentos de gestão de sistema educacional inclusivo, tendo em vista o desenvolvimento de projetos em parceria com outras áreas, visando à acessibilidade arquitetônica, aos atendimentos de saúde, à promoção de ações de assistência social, trabalho e justiça. Os sistemas de ensino devem organizar as condições de acesso aos espaços, aos recursos pedagógicos e à comunicação que favoreçam a promoção da aprendizagem e a valorização das diferenças, de forma a atender as necessidades educacionais de todos os alunos. A acessibilidade deve ser assegurada mediante a eliminação de barreiras arquitetônicas, urbanísticas, na edificação – incluindo instalações, equipamentos e mobiliários – e nos transportes escolares, bem como as barreiras nas comunicações e informações. alunos, sente-se tentado ameaça-los com a arma poderosa da avaliação, dizendo que irá tirar-lhes pontos, chamará os pais, irá colocá-los para fora da sala, encaminhá-los para a coordenação, etc. Nesta concepção, o mais comum é o professor, não conseguindo motivar o aluno para o trabalho, comece a usar a nota como um instrumento de pressão para obter a disciplina e participação, contribuindo assim, para a sua alienação. Para a mesma autora, muitas vezes as avaliações são realizadas como julgamento das capacidades, sem nada a contribuir para o desenvolvimento do educando, não sendo levado em conta, o modo como essa avaliação está sendo feita como, por exemplo: trabalhos avaliativos, provas orais ou escritas de dupla ou individual e saber que cada aluno é diferente no processo de ensino-aprendizagem um do outro.Outra forma, que a avaliação é utilizada pelo educador é a de uma mera reprodução e repetição dos conteúdos e conhecimentos, assim preocupam-se em vencer os conteúdos programáticos.Na maioria das vezes, a avaliação é vista pelos olhos dos alunos como uma promoção e não como parte do processo de ensino-aprendizagem, assim como um castigo, não podendo sair, brincar porque tem prova e pelos olhos da maioria professores um meio de demonstrar a autoridade. Aspectos Positivos e Negativos da avaliação Dentro da sala de aula, o termo avaliar está, intimamente relacionado à resolução de provas, exames, resultado de nota, ser aprovado ou reprovado. Em meio a esses fatores, a prova torna-se instrumento característico de todo processo de uma avaliação tradicional, mas pode também ser de muita utilidade para o professor e aluno saberem em que medida o processo de ensino-aprendizagem está útil para a formação do conhecimento do aluno.Nessa perspectiva, verifica-se que esse instrumento é adequado especialmente quando desejamos avaliar procedimentos específicos, a capacidade de organizar ideias, a clareza da expressão e a possibilidade de apresentar soluções originais. Assim, a avaliação tem seu lado positivo e negativo. O primeiro pode ser atribuído ao fato da avaliação admitir uma função de orientadora e cooperativa, sendo assim, realizada de uma forma contínua, cumulativa e ordenada dentro da sala de aula com o objetivo de fazer um diagnóstico da situação de aprendizagem de cada educando, em relação aos conteúdos passados pelo professor, desse modo, verificando se o aluno está progredindo no processo de ensino-aprendizagem.A avaliação, dessa forma, tem uma função prognostica que avalia os conhecimentos prévios dos alunos, considerada a avaliação de entrada, avaliação de input; uma função diagnóstica, do dia-a-dia , a fim de verificar quem absorveu todos conhecimentos e adquiriu as habilidades previstas nos objetivos estabelecidos. Por outro lado, a avaliação está voltada com a função de classificação, apresentando o lado negativo, pois o aluno que não alcançou a média fica sob a visão de excluído e fracassado perante os colegas de classe, professores e escola, ocasionando muitas vezes a evasão escolar. De acordo com Luckesi (2006), a avaliação que é praticada na escola é sinônimo da avaliação da culpa. As notas são usadas para como índices de classificação de alunos, onde os desempenhos são comparados e não perspectivas que se desejam atingir. O que significa em termos de avaliação um aluno ter obtido nota 5,0 ou média 5,0? E o que tirou 4,0? O primeiro, na maioria das escolas está aprovado, enquanto o segundo, reprovado. O que o primeiro sabe é considerado suficiente. Suficiente para quê? E o
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14 AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM: CONCEPÇÕES, ESTRATÉGIAS E IMPORTÂNCIA DOS RESULTADOS PARA A MELHORIA DA QUALIDADE DO ENSINO.

Avaliação Educacional O ato de ensinar e de aprender está relacionado a realizações de mudanças e aquisições de comportamento, tanto motores, cognitivos, quanto afetivos e sociais. Com base nesses preceitos, a avaliação, ou seja, o ato de avaliar consiste em verificar se estes tais comportamentos estão sendo realmente alcançados no grau exigido pelo professor servindo de suporte para que o aluno progrida na aprendizagem e na construção do saber.Com isso, avaliação tem o papel de orientar o aluno a tomar consciência de seus conhecimentos, ter posicionamento crítico e saber se está avançando na superação das dificuldades para continuar progredindo no processo de ensino aprendizagem. Existem, ainda hoje, professores que se preocupam em fazer uso da avaliação como instrumento de tortura, pressão e controle do comportamento prendendo-se em respostas “mecânicas” como certo/errado valorizando o “produto” final e não compreendem todo o processo que o aluno chegou para dar aquela resposta.O professor, então, tendo observado o “mau comportamento” dos Didatismo e Conhecimento

Da mesma forma. implica necessariamente uma ação que promova melhoria na situação avaliada. a dificuldade para incorporar e compreender a concepção de avaliação mediadora. no poder. A tendência. como instrumento de acompanhamento do trabalho. o educador deve conversar com seu aluno e verificar o porquê desse erro e como foi cometido. da compreensão das setas. critérios objetivos. É a compreensão e definição da finalidade da avaliação da aprendizagem que deve nortear as metodologias e não o inverso. da formação.0 “sabe” não pode ser mais importante do que aquilo que não “sabe”? Dentro do contexto da avaliação temos o erro. tornando assim um “obstáculo vencido” e uma avaliação adequada. pois a partir disso desencadeiam-se processos de mudança muito mais amplos do que a simples modificação das práticas de ensino. fundada na ação pedagógica reflexiva. para compartilhar dos sentimentos de conquista. seleção. é a de procurar superar a concepção positivista e classificatória das práticas avaliativas escolares (baseada em verdades absolutas. cidadania e direito à educação. a melhoria das evoluções individuais. evidenciando o caráter burocrático e seletivo que persiste no país. dentre os principais estudiosos do assunto. pelo desejo de superação. que confere ao educador uma grande responsabilidade por seu compromisso com o objeto avaliado e com sua própria aprendizagem . e a escola. deve servir à promoção. assim como no caminho a Santiago de Compostela. referenciada em valores. interagida com o meio físico e social. por ser uma atividade de reflexão sobre os próprios atos. Em se tratando da avaliação da aprendizagem. de compreensão de outras perspectivas e de reflexão sobre as próprias crenças. na maioria das vezes. que acabam enlaçando tanto os professores quanto os alunos em suas relações pessoais verticais e horizontais. explicativa e de desempenho. lugar em que ocorre a gestão educacional de um trabalho coletivo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS que ele não sabe? O que ele deixou de “saber” não pode ser mais importante do que o que ele “sabe”? E o que o aluno que tirou 4. para que possam compreender os limites e as possibilidades dos alunos e delinear ações que possam favorecer seu desenvolvimento. Visão centrada no professor e em medidas padronizadas de disciplinas fragmentadas. acesso a um nível superior de aprendizagem por meio de uma educação digna e de direito de todos os seres humanos. na interação e na socialização. Esse autor ainda ressalta que. quando praticamos a avaliação. dentro de um dado contexto. significando algo que não ocorreu de maneira correta. Assim. da promoção da cidadania. confiança na capacidade de todos. tem o sentido de avançar sempre: promover e a autora nos apresenta as setas do caminho. A intenção prognóstica. medidas padronizadas e estatísticas) em favor de uma ação consciente e refleDidatismo e Conhecimento 124 xiva sobre o valor do objeto avaliado. as situações avaliadas e do exercício do diálogo entre os envolvidos. avaliar necessita da conversa uns com os outros. No entanto. A contraposição básica estabelecida por este princípio é estabelecida entre uma concepção classificatória de avaliação da aprendizagem escolar e a concepção de avaliação mediadora. isto é. na arbitrariedade. o trajeto a ser percorrido. sua finalidade não é o registro do desempenho escolar. Da mesma forma. é a avaliação reflexiva que pode transformar a realidade avaliada. mas. a avaliação. no processo de melhoria da qualidade de ensino. Uma das maiores dificuldades de compreensão das propostas educacionais contemporâneas reside no problema da .Luckesi (2006) afirma quando o professor atribui uma atividade a seus alunos e observa que estes não conseguem obter o resultado esperado. estabelecem-se normas classificatórias e normativas. No entanto. assim como quando realizamos o caminho a Santiago de Compostela. observa-se na maioria das escolas brasileiras. ciclos. Buscando caminhos. que se fundamentam na competição. Essa reflexão envolve os próprios princípios da democracia. na Espanha. que se contrapõem às concepções avaliativas classificatórias. pela vontade de chegar ao objetivo/destino que vai sendo traçado. programas de aceleração. em conjunto. como se tem observado até agora. por meio de oportunidades de expressão desses sentimentos. classificação e competição. Rumos da Avaliação neste século. é frequente o aluno dizer que só agora ele percebeu o que era para fazer. a despeito das inovações propostas pela nova LDB (9394/ 96). A finalidade da avaliação mediadora é subsidiar o professor. gera inquietação e incertezas para os professores. o que revela a manutenção das práticas tradicionais e a resistência à implementação de regimes não seriados. adquiriu um enfoque político e social. ao mesmo tempo. Em seus regimentos escolares enunciam-se objetivos de avaliação contínua. mas sim a observação contínua das manifestações de aprendizagem para desenvolver ações educativas que visem à promoção. a avaliação de um curso só terá sentido se for capaz de possibilitar a implementação de programas que resultem em melhorias do curso. alienadora. leva à intenção de acompanhamento permanente de mediação e intervenção pedagógica favorável à aprendizagem. esse erro pode ser útil vindo a ser utilizado como fonte de virtude para aprendizagem escolar. Dessa maneira. da escola ou da instituição avaliada. ou seja. o erro conscientemente elaborado possibilita o avanço. assume-se conscientemente o papel do avaliador no processo. A avaliação mediadora. a finalidade da avaliação é promover a evolução da aprendizagem dos educandos e a promoção da qualidade do trabalho educativo. Pelo contrário. apontando para onde vamos: De para avaliação para classificação. é necessário que ocorra uma reflexão conjunta de professores. Regimes seriados versus regimes não-seriados. Avaliação a serviço da aprendizagem.A avaliação. A organização homogeneizada. compreendida como a avaliação da aprendizagem escolar. de negociação. isto é. pelo sonho. objetivos e discussão interdisciplinar.a de como ocorre o processo avaliativo. A avaliação a serviço da ação. Avaliar para Promover Para Hoffmann. normativa Mobilização em direção à busca de sentido e significado da ação. alunos e comunidade. é impulsionado pelo inusitado. A autora resume os princípios básicos – as setas do caminho – a seguir. a atitude reprodutora. seriação. de todos os níveis. Visão dialógica. no individualismo. neste caminho. somativa. pois tanto para o professor quanto para o aluno ao reconhecerem a origem e a constituição dos seus erros passam a superá-los. A ousadia do ato de avaliar. que intensificou a pesquisa sobre o assunto. O problema da avaliação da aprendizagem tem sido discutido intensamente neste último século. influi e sofre a influência desse próprio ato de pensar e agir. desencadeia o respeito às individualidades. É no confronto de ideias que a avaliação vai se construindo para cada um dos professores à medida que discutem. valores. princípios e metodologias. as quais devem ser respeitadas. Nas últimas décadas. Hoffmann é contrária à ideia de que primeiro é preciso mudar a escola e a sociedade para depois mudar a avaliação. Esse processo. Para transformar a escola.

Nesse sentido programas e projetos desenvolvidos para dar conta de problemas apresentados para o estudo de uma área de conhecimento ou para resolver questões de determinadas escolas.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS organização do regime escolar em ciclos e outras formas não seriadas. Isso está longe de ser menos exigente. promovendo os “melhores” e retendo os “piores”. dialogar com a escola. nos faz ponderar que as dificuldades de aprendizagem dos alunos não podem ser atribuídas às famílias. fundamentam-se em concepções desenvolvimentistas e democráticas. As reformas educacionais oriundas de posturas políticas que não devem se sobrepujar aos atos educativos. que não significa atribuir a eles a tarefa da escola. A educação inclusiva Num processo de avaliação mediadora. Os regimes seriados estabelecem oficialmente uma série de obstáculos aos alunos. e não o produto. nos estudos paralelos. sendo possível observar sua evolução de diversas formas ao longo do processo de ensino-aprendizagem. fundamentos filosóficos e considerações sociais. classificatórios que deem conta da complexidade do ato avaliativo. Nesse sentido. assumir o que lhes é de responsabilidade. Deste modo. Estudos paralelos de recuperação são próprios a uma prática de avaliação mediadora. não como riqueza. mas dos profissionais que atuam nas escolas. É compromisso dos pais acompanhar o processo vivido pelos filhos. etc. desde que se tenha garantido as melhores . Dessa forma.se propondo a deferir uma sentença ao aluno. Não basta desenvolver a avaliação educacional a serviço de uma ação com perspectiva par o futuro. a constituição de suas famílias. entretanto. As provas de recuperação se confundem com a recuperação das notas já alcançadas. das necessidades e dos ritmos dos alunos. orientados por modelos avaliativos classificatórios e com caráter sentencitivo. essa organização de trabalho escolar exige à realização de uma prática pedagógica que assuma a diversidade humana como riqueza. principalmente. mas como instrumento de dominação de uns poucos sobre muitos. que alerta: “o que caracteriza a individualização dos percursos não é a solidão no trabalho. As práticas educacionais exigem. metodologia. no aprofundamento das noções. deliberadora de novas ações que garantam a aquisição de competências necessárias à aprendizagem dos alunos. As questões atitudinais não devem ocupar um tempo enorme em detrimento das questões do ensino-aprendizagem. Cada professor estabelece uma relação diferenciada de saber com seus alunos. ao contrário. está direcionada ao futuro do desenvolvimento do aluno. as novas medidas em avaliação educacional afetam os sentimentos dos atores envolvidos. mas o caráter único da trajetória de cada aluno no conjunto de sua escolaridade”. projetar a avaliação no futuro dos alunos significa reforçar as setas dos seus caminhos: confiar. trabalho científico.Hoffman defende que esta deve ser uma ação voltada para o futuro. paralela ou final) são considerados parte integrante do processo de ensino e de aprendizagem para atendimento à diversidade das características. Didatismo e Conhecimento 125 Os conselhos de classe vêm sendo realizados. A participação das famílias. Promover o diálogo entre os pais e os professores é função da escola. ética em seu sentido mais original. novas formas de relações educativas se constituem a partir da cooperação e não da competição. Para Hoffman. estes últimos. Nestas sessões. a realidade social destes pais. num processo de avaliação classificatória. porque está embasada em juízo de valor. mas torná-la referência para decisões educativas pautadas por valores. a promoção se baseia na evolução alcançada pelo aluno. o reforço e a recuperação (nas suas modalidades contínua. rigorosa e mais permissiva.Não concordamos que deva haver regra única em avaliação. muito menos o trabalho de superação destas dificuldades não pode recair sob a responsabilidade destes. contando com a cooperação de toda a turma. bem como são de sua responsabilidade a aquisição de atitudes e habilidades que favoreçam o enriquecimento das relações interpessoais no ambiente escolar. retomadas. A ideia de recuperação vem sendo concebida como retrocesso. É compromisso seu orientá-los na resolução de dúvidas..Não encontramos mecanismos únicos. além de conhecimento. por posturas políticas.Alertamos para o fato de que Hoffman defende que o termo paralelo pressupõe estudos desenvolvidos pelo professor em sua classe e no decorrer natural do processo. Os momentos do conselho de classe precisam ser repensados pelas escolas e serem utilizados para a ampliação das perspectivas acerca dos diferentes jeitos de ser e de aprender do educando que interage com outros educadores e com outros conhecimentos. a inclusão da dimensão ética e sensível.Os protagonistas da avaliação precisam ser levados a refletir sobre o que fazem e por que fazem. considerando. retomo. desafiá-los a prosseguir por meio de provocações significativas. com repetição de conteúdos. Neste processo o conhecimento é construído entre descobertas e dúvidas. Os regimes não seriados. Conselhos de classe versus “conselhos de classe”.Os estudos paralelos precisam acompanhar os percursos individuais de formação dos alunos e considerar os princípios da pedagogia diferenciada. que devem ser respeitadas e. É preciso considerar a complexidade inerente a tal finalidade. é comparado com ele próprio. em grande parte das escolas. Os pais devem participar da escolaridade de seus filhos. porque não há melhores nem piores. porque cada situação envolve a singularidade dos participantes do processo educativo.Uma atividade ética. se torna possível acolher a todos os alunos. de caráter interativo e reflexivo. apoiar. a luta pela sobrevivência. a avaliação contínua adquire o significado de avaliação mediadora do processo de desenvolvimento e da aprendizagem de cada aluno.Provas de recuperação versus estudos paralelos. A razão dessa dificuldade reside justamente no apego às ideias tradicionais às quais se vinculam o processo de avaliação classificatória e seletiva. obstáculos e avanços. na sua singularidade e de acordo com suas possibilidades. sendo que. O trabalho do aluno. “os piores” estarão predestinados ao fracasso e à exclusão. por se tratar de uma atividade prática. a natureza do envolvimento. reconhecer suas possibilidades e respeitá-las. estariam respondendo às dimensões ético-políticas neste contexto avaliativo. o privilégio ao passado é evidente. para a qual nos chama a atenção Perrenoud (2000). por meio de critérios pré-definidos arbitrariamente como requisitos para a passagem à série seguinte. e a melhor forma de fazê-lo é no dia-a-dia da sala de aula. sugerir e. A progressão da aprendizagem. focalizando o processo de aprendizagem. a aprendizagem. de acordo com suas possibilidades e da promoção da qualidade na escola. As diferenças individuais são reconhecidas. ao fazê-lo. ainda que elencada no bojo de diretrizes unificadoras das reformas educacionais. Pelo contrário. as facilidades e dificuldades de cada um como parte das características humanas. Os desempenhos individuais dos alunos são utilizados para se comparar uns com os outros.

Baseiam-se. profundidade. são inconclusos. A dimensão da exclusão de muitos alunos da escola pode ser medida: • pela constatação das práticas reprovativas baseadas em parâmetros de maturidade e de normalidade. priva os alunos com necessidades especiais de uma escolaridade digna. Classes numerosas podem dificultar essa aproximação. Todo o aprendiz está sempre a caminho Constatamos.Como tal. negando a relativização desses parâmetros em diferentes condições de aprendizagem. sem pressa. em certos e errados absolutos. convicção de que as incertezas são parte da educação porque esta é fruto de relações humanas. isto é.Entravam o diálogo entre os professores. pois cada participante do processo pode colaborar com a aprendizagem dos outros. Os professores do Ensino Médio. notas e conceitos são superficiais e genéricos em relação à qualidade das tarefas e manifestação dos alunos. mas indicadora de progresso. um sério compromisso irá mobilizar a escola brasileira deste século: formar e qualificar profissionais conscientes de sua responsabilidade ética frente à inclusão. Assim. escassez de materiais e outras situações apontadas por muitos como justificativa para a má quaDidatismo e Conhecimento 126 lidade do ensino). Avaliação mediadora significa a busca de significado para todas as dimensões do processo por meio de uma investigação séria sobre as características próprias dos aprendizes. nas aulas frontais. mas umas das alternativas é justamente o trabalho em equipe por parte dos professores. mas aprende ao seu tempo e de forma única e singular. despersonalizando as dificuldades de avanços de cada aluno. tanto pelo professor. quando não se compreende que o processo de aquisição de conhecimentos é não linear e infinito. A inclusão nas classes regulares de alunos que necessitam de atendimento especializado. entre professores e alunos e da escola com os pais. Na última década. vivendo cada dia o inusitado. A auto-avaliação como processo contínuo A auto-avaliação é um processo contínuo que só se justifica quando se constitui como oportunidade de reflexão.O aprendiz determina o próprio tempo da aprendizagem. a padronização dos percursos incorre em sérios prejuízos para os alunos. no afã de estarem sempre concluindo caminhos que. Qualidade significa intensidade. vivendo situações problema. sem interferir no direito de escolha do aprendiz sobre os rumos de sua trajetória de conhecimento. são comuns e o professor precisa compreender que trata-se deuma resposta incorreta. são professores e escolas que precisam adequar-se aos alunos e não os alunos que devem adequar-se às escolas e aos professores. tomada de consciência sobre a própria aprendizagem e sobre a própria conduta. É importante refletir a cada passo. interativamente. sua magnitude não pode ser medida em “escalas métricas” ou por recursos de “conversão entre sistema de mensuração”. Desta forma. conhecer para promover e não para julgar e classificar. que há um conjunto de variações de respostas dos alunos de todo os níveis de ensino. dizendo muito sobre “qualidade”. ou em textos. Outra concepção de tempo em avaliação O tempo é um tema recorrente nas discussões sobre avaliação.O trabalho em equipe de professores envolve o compromisso de compartilhamento das experiências. Sobre isso. favorecendo a abordagem interdisciplinar.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS oportunidades possíveis à aprendizagem e ao desenvolvimento de todos e de cada um.Privilegiam a classificação e a competição em detrimento da aprendizagem. É preciso respeitar seu tempo de aprender e de ser.Reforçam o valor mercadológico das aprendizagens e das relações de autoritarismo em sala de aula.Produzem a ficção de um ensino homogêneo pela impossibilidade de acompanhar a heterogeneidade do grupo. fundamentalmente qualitativas. mesmo em condições limitantes (classes superlotadas. a autora afirma que uma pedagogia diferenciada pode se desenvolver na experiência coletiva da sala de aula. enquanto pessoa. de uma comunidade. Se incluir é fundamental e singular. desde que haja a clareza de que o aluno aprende na relação com os outros. É preciso reconhecer que nas práticas atuais. o ensino não está centrado no professor. o aluno irá progressivamente compreender e evoluir conceitualmente. Esta variabilidade de manifestações nos aponta que muitas tentativas de acerto são feitas por meio de ensaios e erros. às suas dificuldades ou à sua incapacidade.A trajetória a ser percorrida pela avaliação requer diálogo. é necessário valorizar cada passo do processo. não havendo como delimitar tempos fixos. suas possibilidades. • pela ocorrência dos encaminhamentos de alunos para classes e escolas especiais por erros na avaliação pedagógica. A responsabilidade pelo desenvolvimento da aprendizagem contínua do aluno recai sobre os educadores e sobre a comunidade. premidos pelo vestibular. em condições de igualdade educativa. Sendo assim. criação. a ampliação das perspectivas acerca da aprendizagem dos alunos.Dessa compreensão decorre o princípio da educação inclusiva: oferecer ao aluno oportunidade máxima de aprendizagem e de inserção social. no caminho. Tendo oportunidade de confrontar suas ideias com as dos colegas.Nesse contexto. quanto em um ao letivo.Superficializam e adulteram a visão da progressão das aprendizagens e do seu conjunto tanto em uma única tarefa. perfeição. dialogar. sem que haja a preparação do professor no desempenho de seu papel. principalmente nas séries finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. arbitrariamente. pelo caráter somativo que anula o processo. pela superficialidade do acompanhamento. no sistema de ensino e na sala de aula. com o qual interage ativa e continuamente. É preciso conhecer o aluno enquanto aprendiz. acompanhar. Essas estratégias são desenhadas por meio de respostas que chamamos de erro. ajudar. o que implica desagregar-se do tempo determinado para aprender dado conteúdo. o tempo é determinado pelo aprendiz e o conteúdo pode ser proposto e explorado de diversas formas. como pela turma. Isso significa encontrar meios para favorecer aprendizagem de todos os alunos.Outro problema passa a se constituir aqui. para ampliar suas possibilidades e favorecer a superação de . membro de uma família. Cada passo é uma grande conquista A autora oferece sugestões e exemplos de oportunidades de aprendizagem que podem ser oferecidas. abertura e interação. as trajetórias da avaliação se propõem a respeitar os tempos e percursos individuais de formação. Para Hoffman. a responsabilidade pelo fracasso não pode ser atribuída ao aluno. na verdade. que podem dividir entre si a tarefa de acompanhar mais de perto um grupo de alunos (tutoria). desaguam os conteúdos que têm que dar conta. oferece ao aluno condições adequadas de aprendizagem de acordo com suas características. de avanço em relação a uma fase anterior do aprendizado. porque.O aprendiz é sujeito de sua história. além de impossível de se determinar a priori: a questão dos conteúdos acadêmicos e do tempo.Notas e conceitos classificatórios padronizam o que é diferente.como no caminho de Santiago. Mediar é aproximar. em termos de avaliação.

A intervenção pedagógica deve estar comprometida com a superação de desafios que possam ser enfrentados pelos alunos. A compreensão que o aluno tem de uma dada disciplina interfere em sua aprendizagem em outras disciplinas. repensar.A mediação. educacionais que fundamentam as tomadas de decisões com base nos processos de avaliação realizados. . de troca de mensagens e de significados. avaliar é questionar. oferecendo oportunidade para que estabeleçam relações entre conceitos e entre as várias áreas do conhecimento. excessivo fracionamento dos objetivos. sociais.A interpretação das respostas dos alunos possibilita ao professor perceber necessidades e interesses individuais de múltiplas dimensões (análise qualitativa). exigindo alterações qualitativas nas formas registro e tomadas de decisão sobre aprovação. Assim: experiências coletivas resultam em construções individuais (cada aluno aprenderá a seu jeito. o destino essencial das ações educativas precisa ser o compromisso fundamental do educador no processo de avaliação da aprendizagem.os valores sociais e éticos. No âmbito escolar. articuladas às observações feitas. que percorrem o caminho conosco. o que implica em aprendizagens diferentes dentro de um mesmo contexto. responderá a sua maneira). atividades que podem ser para todo o grupo. Os conteúdos Cabe ao professor: • atentar às concepções prévias dos alunos e seus modos de expressarem-se sobre elas para poder organizar situações de aprendizagem capazes de envolver esses alunos. mas pontos de passagem. comprometer-se com seus próprios avanços e dificuldades. Definir os rumos. . de confronto. A continuidade da ação pedagógica condiciona-se aos processos vividos. quais os critérios utilizados. delinear o norte. enriquecedoras e complementares. sobre o seu aprender a aprender. Novas experiências educativas. favorecendoos avançar sempre. . As múltiplas dimensões do olhar avaliativo Avaliar. que constituirão diversos rumos de prolongamento dos temas em estudo. em sua totalidade. conforme Vygotsky e Piaget é essencial na construção do conhecimento. avançados e necessidades dos alunos. propor tarefas desafiadoras em processo consecutivo/contínuo.as concepções de avaliação. A intervenção pedagógica é determinada pela compreensão dos processos realizados pelo aprendiz em sua relação com o objeto de conhecimento. Surge aí o compromisso ético implícito no processo de avaliação mediadora. • estar alerta aos desdobramentos dos objetivos traçados inicialmente. quais possibilidades e alternativas que pode ser citadas em favor do aprendiz.Avaliar segundo esses princípios implica refletir sobre as crenças. intenções. novos rumos para a continuidade do trabalho educativo.os registros obtidos. obedecem a ritmos e interesses diversos.Aprender exige engajamento do aprendiz na construção de sentidos o que implica busca de informações pertinentes momentos diversificados de aprendizagem contínua. A finalidade do controle deve ser entendida a favor do aluno e não como obrigação imposta pelo sistema. os próprios alunos). 2000). em seu tempo. Isso só tem sentido dentro de uma perspectiva classificatória e seletiva.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS dificuldades.O mesmo processo se aplica aos próprios professores. supervisor e demais profissionais de suporte pedagógico. interesses. são propostas e/ou negociadas com os alunos (explicações do professor. “Entretanto. oferecendo ao aluno múltiplas oportunidades de pensar.Transformar respostas em novas perguntas. O planejamento pedagógico revela múltiplos direcionamentos e está diretamente vinculado ao processo avaliatório. taxionomias intermináveis. até que ponto são claros e transparentes para todas a comunidade (escola. cada um a experimenta de uma forma singular.Novas tarefas e/ou atividades são propostas para acompanham o aluno em sua evolução (preferencialmente tarefas avaliativas individuais). isso reverte o compromisso do profissional do educador: quais os princípios e valores morais. no processo de orientação e apoio de colegas. implica em prestar atenção aos seus fundamentos. Os trajetos de cada aprendiz são únicos. família. os melhores guias são os próprios peregrinos. para poder ter acesso às suas dimensões sobre: . A avaliação contínua significa acompanhamento da construção do conhecimento por parte do aprendiz. em pequenos grupos ou específicas para determinados alunos). • organizar momentos de estruturação do pensamento. dentro de uma visão interdisciplinar. buscar conhecimentos. Isso 127 resulta em que o trabalho do professor acerca dos conceitos que pretende ensinar consiste em provocar gradativamente os aprendizes. precisamos construir olhares mais profundos. Assim. Cada resposta deve suscitar mais perguntas.o processo de avaliação. formular perguntas. Avaliação é controle.Para Vygotsky a Didatismo e Conhecimento .Perguntar mais do que responder. e permanente tensão no ambiente escolar entre os que querem transmitir conhecimentos e os que querem desenvolver práticas sociais”(Perrenoud. enfrentando as mesmas dificuldades e provocando-nos a andar mais depressa. Avaliação e mediação De acordo com a autora. Avaliação mediadora é um processo interativo. e diversificação dos procedimentos de aprendizagem. uma vez que as decisões metodológicas estabelecem as condições de aprendizagem ampliando ou restringindo o processo de conhecimento. O plano epistemológico. Delineando objetivos. interdisciplinaridade e transversalidade são inerentes ao processo educativo. favorecendo aos alunos oportunidades para objetivação de suas ideias e a consolidação dos conceitos e noções desenvolvidas.Avaliar para reprovar não é indicador da qualidade da escola ou do professor. tanto por parte dos aprendizes como do próprio professor. ampliando sua consciência sobre seu próprio fazer e pensar. o aluno é levado a pensar e explicitar suas próprias estratégias de aprendizagem. quais os benefícios ou prejuízos que podem advir desse processo de controle outorgado à escola e aos professores. engajar-se na solução de problemas. Metas e objetivos não se constituem em pontos de chegada absolutos. quais as condições existentes. este trabalho se dá em um contexto escolar concreto em que”a escola enfrenta muitos limites nesse sentido: behaviorismo. mesmo vivendo a mesma experiência. Como um grande iceberg do qual só se percebe os registros. a quem se destinam. Cabe ao professor perguntar mais do que responder. estratégias. Ao ser solicitado a explicar como chegou a uma dada solução de uma situação. ideias.

sendo uma interpretação que assume diferentes significados e dimensões ao longo do processo educacional. O papel do educador ao desencadear processos de aprendizagem é o de mediador da mobilização para aprendê-lo. • Mediar o desenvolvimento de aprendizagens coletivas e de atendimento individual.o professor precisa interpretar perguntas.A finalidade da avaliação no que se refere à mobilização é de adequar as propostas e as situações às necessidades e possibilidades dos alunos. diferentes graus de compreensão. no processo de internalização o aluno atribui sentido à informação criando e recriando significados com o uso e a audição/leitura da língua falada e escrita. Mediando a experiência educativa. Mediando a mobilização. de interação de trocas. Atividades diversificadas ou diferenciadas? Diversificar experiências educativas representa alguns princípios importantes em avaliação mediadora: diversificá-las em tempo. criando perguntas mobilizadoras. que necessita ser aperfeiçoado. consiga questionar e provocar. Através mobilização. que devem ser conhecidas em favor do alunos e não para fortalecer pré-conceitos sobre ele. crítico sobre seu planejamento. e no próprio professor. uma vez que essas atividades são oportunidades de interação em meio ao processo e não pontos de chegada. Não há sentido em avaliar tarefas coletivas atribuindo valores individuais ou somar pontos por participação e outras atividades. para poder fornecer-lhes a aprendizagem significativa. uma vez que “são dúvidas” . com diversos graus de dificuldades. sem subestimar. de encontros. sem delimitar. Como mediar o desejo e a necessidade de aprender? Didatismo e Conhecimento 128 O trabalho do professor consiste em: • mediar o desejo e a necessidade de aprender. Conhecer as condições prévias permite planejar tempos de descobertas. sem desrespeitar. O que o aluno já sabe é baseado em elaborações intuitivas sobre dados da realidade. • mediar a expressão do conhecimento ao longo de tarefas gradativas e articuladas. Mediar as experiências educativas significa acompanhar o aluno em ação-reflexão-ação.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS reconstrução é importante porque. mesmo que as respostas não sejam ainda corretas. levando a refletirem sobre seus entendimentos no diálogo educativo. ampliada progressivamente. refletir sobre si próprio enquanto aprendiz. experiências interativas e oportunidades de expressão do pensamento individual. minimizam a pressão exercida pelo questionamento do professor. de forma individual. Diferenciar experiências educativas atende aos pressupostos básicos da ação docente: • Aprender sobre o aprender. realizamos a experiência educativa. é ao mesmo tempo individual e coletivo. Esses desafios possibilitam a aquisição de competências necessárias aos professores/profissionais reflexivos. • Valorizar a heterogeneidade os grupo no processo de formação a diversidade. A expressão/construção da “aprendizagem significativa” pode se realizar de múltiplas formas e em diferentes níveis de compreensão. . termos de realização individual. chegamos à expressão do conhecimento.Duas perguntas se tornam essenciais na mediação: Qual a dimensão do envolvimento do aluno com a atividade de aprender? Como ele interage com os outros? As estratégias de aprendizagem. em grandes grupos para promover confronto de ideias entre aprendizes e entre estes e o professor. As condições prévias referem-se a história escolar e de vida de cada aluno. que o leva a uma interpretação que necessita. interagir com os outros. Significa oferecer aos aprendizes: experiências necessárias e complementares (diversificadas no tempo). entendido como construção do conhecimento.A dinâmica do processo avaliativo. Os desafios propostos durante a atividade educativa são observados por Hoffmann: • Nem sempre o que o professor diz ao estudante é entendido como ele gostaria. Para Vygotsky e Piaget. por meio de diversos recursos didáticos e de diversas formas de expressão do conhecimento. o conceito de mobilização implica a ideia do movimento. Mediar a mobilização significa suscitar o envolvimento do aluno no processo de aprendizagem. termos dos recursos didáticos e termos da expressão do conhecimento. e pode ser reformulada. • A estratégia utilizada pelo aluno. ao fazer algo.A avaliação mediadora destina-se a mobilizar. em pequenos grupos. a linguagem é a mediação do pensamento. • Oferecer ajuda específica se discriminar. ao longo do período letivo. tanto por parte do professor como do aluno. mas estes necessitam ser redimensionados continuamente ao longo do processo. • mediar as estratégias de aprendizagem no meio de atividades diversificadas e diferenciadas. favorecer a experiência educativa e a expressão do conhecimento e a abertura a novas possibilidades por parte do aprendiz. • Posturas afetivas. A investigação de concepções prévias.Qual o papel do educador/ avaliador?É o papel de mediador. Mediando a expressão do conhecimento. só pode ser intuída pelo professor e ajudá-lo ou confundi-lo. É preciso que ele seja propositivo. • mediar as experiências educativas. sem antecipar respostas prontas. • Reconhecer que o processo de conhecimento é qualitativamente diferente. articular novas perguntas a um processo contínuo de construção do conhecimento.Para Charlot. • O professor sabe onde o aluno poderá chegar. exigindo-lhe manter-se flexível. em parcerias. uma vez que o processo de aprendizagem. • O aluno nem sempre expressa suas dúvidas ou as expressa claramente. nos processos simultâneos de busca informações. atento. tornando-o capaz de pensar sobre seus próprios pensamentos elaborando seus conceitos e reelaborando outros.Note-se ainda que a interação social é fundamental. Conhecer as concepções prévias do aluno favorece o planejamento em termos de pontos de partida. • Ouvir o aluno antes de intervir assegura melhores interpretações sobre suas estratégias. graus de dificuldade. Mediar as estratégias de aprendizagem significa intervir no processo de aprendizagem provocando no aprendiz. de diálogos. pois resulta da ação do aprendiz sobre o objeto de conhecimento e da interação social.A avaliação é um processo dinâmico e espiralado que acompanha o processo de construção do conhecimento. A dinâmica da avaliação é complexa. e os possíveis rumos a seguir. de expressão. mas não deverá dizê-lo assim suas orientações serão sempre incompletas. refletir sobre seus procedimentos de aprendizagem. Os processos de educação e de avaliação exigem do professor a postura investigativa durante todo o percurso educativo. A análise das concepções prévias dos alunos não pode ser confundida com as condições prévias do aluno. por meio de diferentes linguagens. o que nos possibilita mobilizar novas competências adquiridas no processo. nessas intervenções. pois nela se dará a aprendizagem.

Nada. expressos por ambos. compreensão do processo de construção está atrelado às concepções sobre a finalidade de educação. Para Hoffmann. em termos do planejamento e análise. originando significativas práticas de auto-avaliação. escolha de afirmações verdadeiras ou Didatismo e Conhecimento 129 falsas. etc. tem por finalidade a evolução do aluno em termos de postura reflexiva sobre o que aprende. que também evolui.Os registros não necessitam ser genéricos. de acordo com suas necessidades e possibilidades. a clareza de intenções do professor sobre o uso que fará dos seus resultados. favorecera tomada de consciência do aluno sobre limites e possibilidades no processo de conhecimento. desde um simples comentário do professor até o uso de instrumentos formais. inseguranças. O significado dos registros para os professores. A prática classificatória assumiu “status” de precisão. possibilitando ao educando refletir sobre sua apropria aprendizagem. muito mais do que embasados em normas de elaboração. confiantes em sua perspectiva ética e humanizadora. normas de redação técnica. No caso que nos interessa. escreve ou faz não é seu pensamento. planejamento de estratégias de intervenção. Mediar a aprendizagem significa. Nesse sentido. portfólios. daí a necessidade do diálogo. tendo . se aprimora e precisa ser trabalhada. Implica também refletir sobre as condições oferecidas para que tal conjunto de aprendizagem ocorra. registrando e organizando dados da nossa memória. Tarefas gradativas e articuladas. A interpretação dos sentidos. mas sua expressão. Tarefas avaliativas. itens de múltipla escolha. a reflexão em ação e a reflexão sobre a ação (trocando ideias com outros colegas). Os registros escolares precisam refletir com clareza os princípios de avaliação mediadora delineados. as quais determinam as estratégias metodológicas de ensino. sendo o desempenho do aluno considerado como provisório. Critérios de correção de tarefas. uma vez que está em processo de aprendizagem. itens de resposta. está sempre sujeita a ambiguidade. em termos de procedimento. para não cairmos no erro do esquecimento. Critérios de avaliação podem ser entendidos por orientações didáticas de execução de uma tarefa. Isso só ocorre mediante a postura igualmente reflexiva do educador. trabalhos e outros instrumentos. Ora é o aluno que é levado a fazer os próprios registros. preenchimento de lacunas. mas a sua expressão. a partir de ações do cotidiano. Respeito às diferentes formas de expressão.. sendo necessário. questões combinadas. O principio fundamental da expressão do conhecimento: o que ouvimos. O que o aluno fala. organização no papel. Uma postura reflexiva do aluno e do professor. nem devem ser centrados em cumprimento de tarefas quantitativos ou organização de cadernos e materiais. ora é o professor quem registra o que observou do aluno. a avaliação subsidia decisões a respeito da aprendizagem dos educandos. A organização de dossiês dos alunos. em avaliação. Esses instrumentos tornam-se mediadores na medida em que contribuem para entender a evolução do aluno e apontar ao professor novos rumos para sua intervenção pedagógica sempre o mais favorável possível à aprendizagem do aluno. pois o que verdadeiramente importa é a clareza da tarefa para o aluno e a reflexão do professor sobre a interpretação que será dada as expressões dos alunos em termos de encaminhamentos pedagógicos a serem realizados a seguir.tarefas avaliativas. • para o aluno: oportunidade de reorganização e expressão de conhecimentos x elemento de reflexão sobre os conhecimentos construídos e procedimentos de aprendizagem. são planejadas tendo como referencia principal a sua finalidade. trabalhos e todas as formas de expressão do aluno que me permitam acompanhar o seu processo de aprendizagem . precisamos agir como historiadores. Instrumentos de avaliação são registros de diferentes naturezas. As tarefas avaliativas operam funções de reflexão que possibilitam: • para o professor: elemento de reflexão sobre os conhecimentos expressos pelos alunos x elemento de reflexão sobre o sentido da sua ação pedagógica. Quando a autora se refere a instrumentos de avaliação. as estratégias que utiliza e sua interação com os outros. de tal forma que registros classificatórios sejam superados em favor de registros que assumam o caráter de experiências em construção. Os limites no diálogo entre professores e alunos devem ser considerados como positivos na busca de sintonia. Os instrumentos de avaliação devem respeitar as diferentes formas de expressão do aluno. Na perspectiva mediadora. mas apenas relativas ao conjunto de aprendizagens ocorridas em um dado período. O processo de avaliação precisa ser coerente com todo o processo de aprendizagem. da troca de ideias que favoreça a convergência de significados. ao mesmo tempo em que definem a dimensão do diálogo entre alunos e professor. ela subsidia um curso de ação que visa construir um resultado previamente definido. Os instrumentos de avaliação. definirão a dimensão do diálogo entre alunos e professor. por seus aspectos formais: número de páginas. Os registros em avaliação mediadora envolvem desde o uso de instrumentos comumente utilizados. a avaliação mediadora é mais exigente e rigorosa para alunos e professores porque suscita a permanente análise do pensamento em construção. notas ou conceitos não podem ser consideradas definitivas. numa visão mediadora. etc. fazendo anotações e outros apontamentos. indefinições. testes. serve como regra geral. ao próprio aluno e a suas famílias uma visão evolutiva do processo. nem de ordem atitudinal. não possui uma finalidade em si. toda avaliação.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Mediar a expressão do conhecimento implica a reutilização de instrumentos de avaliação como desencadeadores da continuidade da ação pedagógica. está falando sobre testes. definição de sua finalidade. expressando o seu conhecimento em tarefas. o que significa muitas tarefas individuais e análise imediata do professor. A Avaliação da Aprendizagem Escolar A avaliação da aprendizagem escolar adquire seu sentido na medida em que se articula com um projeto pedagógico e com seu consequente projeto de ensino. tanto no geral quanto no caso específico da aprendizagem. vemos ou lemos não é o pensamento do aluno. que também evolui e se aprimora progressivamente e necessita ser trabalhada. de todos os alunos. A avaliação. Instrumentos a serviço das metodologias. relatórios de avaliação envolve meios de registro de um conjunto de aprendizagem do aluno que permitam ao professor. A interpretação que o professor faz das expressões do aluno está sempre sujeita a ambiguidades. inseguranças e indefinições. para sua superação. tais como: provas (objetivas e dissertativas) exercícios. desde sua concepção. desenhos. ou vale para todas as situações. objetividade e cientificidade. Registros em avaliação mediadora Se estivermos contando uma história.

mas sem nenhuma grande dificuldade. as determinações de um objeto ou fenômeno. Por exemplo. o professor obtém o resultado . ou por palavras denotativas de qualidade. IN = inferior. Tendo por base a compreensão exposta neste texto. Isso significa que iremos trabalhar com esses conceitos a partir de suas “determinações” no movimento real da prática escolar com a qual convivemos. Transformação da Medida em Nota ou Conceito Outra conduta do professor no processo de aferição do aproveitamento escolar tem sido a conversão da medida em nota ou conceito. como um “concreto pensado”. ou em conceito. tais como SS = superior. o professor tem diversas possibilidades de utilizá-lo. ela nos permite. IN (inferior) = um ou dois acertos. teremos sempre presente este fato. Fenomenologia da Aferição dos Resultados da Aprendizagem Escolar Na prática da aferição do aproveitamento escolar. Por isso. tendo como matriz de abordagem os conceitos de verificação e avaliação. SR = sem rendimento. Regular. por decisão pessoal ou por norma escolar. Aqui também ocorre a transposição indevida de qualidade para quantidade. Um exemplo é suficiente para compreender como se dá esse processo. os encaminhamentos que estaremos fazendo para a prática da avaliação da aprendizagem destinam-se a servir de base para tomadas de decisões no sentido de construir com e nos educandos conhecimentos. basicamente. com alguma segurança. obtendo-se o que seria a média da aprendizagem do educando no bimestre ou no semestre letivo.da aprendizagem do educando que. “síntese de múltiplas determinações’”. O conceito é uma formulação abstrata que configura. por isso. MI = médio inferior. na perspectiva de. Para proceder a essa transformação tem-se estabelecido variadas tabelas de conversão. ME (médio) = cinco ou seis acertos. Para os desvendamentos e proposições sobre a avaliação da aprendizagem. em princípio. posteriormente. que prioriza o desenvolvimento dos educandos . MS = médio superior. Péssimo. ME = médio. As escalas de conversão poderão ser mais complexas que estas. a ciência. não pode ser estudada. ele se utiliza da média de notas ou conceitos. Assim. por sua vez. Se não há uma tabela oficial na escola. em função do instrumento de coleta de dados que constrói ou utiliza. SS (superior) = nove ou dez acertos. objetivo . a média é obtida após a conversão dos conceitos em números. No contexto do pensamento marxista. MI (médio inferior) = três ou quatro acertos. Bom. Iniciaremos nossa análise pela descrição fenomenológica dessas três condutas dos professores. retirar proveitos para a prática docente. a análise crítica que pretendemos proceder da prática avaliativa. obter uma média de conceitos qualitativos. no pensamento. ao final. deixa-nos aberta a possibilidade de encaminhamentos.crianças. A partir daí.por suposto. a literatura. que de símbolos qualitativos se transformam indevidamente em quantitativos. ainda que impropriamente. é transformado ou em nota. que nos permitirá. três procedimentos sucessivos: • medida do aproveitamento escolar. de notas ou conceitos. são de verificação ou de avaliação. assumindo que estamos trabalhando no contexto do projeto educativo. adquirindo conotação numérica. a média é facilitada pelo fato de se estar operando com números. A ciência constitui um instrumento com o qual se trabalha no desvendamento dos objetos e.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS em vista garantir a qualidade do resultado que estamos construindo. os professores realizam. abstrair caDidatismo e Conhecimento 130 racterísticas que nos indicarão se os atos de aferição do aproveitamento escolar. Caso o professor. multiplique as situações e os momentos de aferição do aproveitamento escolar. referentes aos resultados da aprendizagem dos educandos. e assim sucessivamente. • utilização dos resultados identificados. entre MS e a nota oito. Deste modo. Notas e conceitos. o conceito equivale a uma categoria explicativa. praticados pelos professores. e não com os termos verificação e avaliação. Importa enfatizar que estaremos trabalhando com os conceitos de verificação e avaliação. estaremos retirando consequências para a prática docente. tentando responder à seguinte pergunta: a configuração formada pelos dados da prática escolar. ganhando conotação verbal. os modos de ser e de viver. No caso deste texto. basta fazer uma média simples ou ponderada. No caso das notas. habilidades e hábitos que possibilitem o seu efetivo desenvolvimento. medida sob a forma de acertos ou pontos. um aluno que acertou oito questões obtém nota oito. define-se como verificação ou como avaliação? Da resposta que pudermos dar a esta questão. acreditando que o esforço científico visa fundamentar a ação humana de forma adequada. tais como: . MS (médio superior) = sete ou oito acertos. Tal descrição delimita um quadro empírico. O nosso esforço. escolher um caminho de ação. tais como Excelente. o resultado é expresso ou por símbolos alfabéticos. • transformação da medida em nota ou conceito. no limite do possível. Utilização dos Resultados Com o resultado em mãos. jovens e adultos . é expor os elementos do movimento real na prática escolar. no caso dos conceitos. conforme a decisão. cada professor cria a sua. A transformação de acertos em conceitos poderia ser feita por uma escala como a que segue: SR (sem rendimento) = nenhum acerto. pode-se estabelecer a equivalência entre S e a nota dez. Inferior. que cremos serem coerentes e consistentes. as correspondências entre acertos e notas são simples: cada questão equivale a um décimo da nota máxima. Neste último caso.a partir de um processo de assimilação ativa do legado cultural já produzido pela sociedade: a filosofia. que serão expostos neste texto. identificando-a com o conceito de verificação ou de avaliação. A transformação dos resultados medidos em nota ou conceito dá-se através do estabelecimento de uma equivalência simples entre os acertos ou pontos obtidos pelo educando e uma escala. relativos ao tratamento dos resultados da aprendizagem dos alunos. expressam a qualidade que se atribui à aprendizagem do educando. Para um teste de dez questões. que seria dez. abordaremos a prática da aferição do aproveitamento escolar. definida e delineada sem um projeto que a articule. previamente definida. de tal forma que se torna possível. através da assimilação ativa do legado cultural da sociedade. para obter o resultado final de um bimestre ou ano letivo. compreende e expressa uma realidade empírica concreta. que ordena. a arte. Com o processo de medida. Muito Bom. ao longo deste texto.

verumfacere . isto é. o professor deverá: • coletar.reifica a aprendizagem. estamos preocupados com a aprovação ou reprovação do educando. polarizados pela aprendizagem e desenvolvimento do educando. aprová-lo’. dos resultados que se deseja. o conceito verificação emerge das determinações da conduta de. se configura como verificação ou avaliação. no geral. ao contrário. mas sim a nota. aprendam aquilo que deveriam aprender. simplesmente. A terceira opção possível de utilização dos resultados da aprendizagem é a mais rara na escola. esta não tem sido a nossa conduta habitual de educadores escolares. E nas ocasiões onde se possibilita uma revisão dos conteúdos. verificação não implica que o sujeito retire dela consequências novas e significativas.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS .situação que nenhum de nós. através da ameaça de reprovação . sob a forma de verificação. Contudo. propomos que a avaliação do aproveitamento escolar seja praticada como uma atribuição de qualidade aos resultados da aprendizagem dos educandos. no mínimo registram-se os dados em cadernetas e. produzindo uma configuração do efetivamente aprendido. na quase totalidade das vezes. à medida que tem servido para desenvolver o ciclo do medo nas crianças e jovens. Ao contrário. A Escola Opera Com Verificação e Não Com Avaliação da Aprendizagem Iniciemos pelos conceitos de verificação e avaliação. A avaliação. Nesse sentido. a seguir. chama-se a atenção do aluno. . no máximo. manifesta-se como um ato dinâmico que qualifica e subsidia o reencaminhamento da ação. caso ele tenha obtido uma nota ou conceito inferior. Neste sentido.sob a modalidade da verificação. a partir de um padrão (nível de expectativa) preestabelecido e admitido como válido pela comunidade dos educadores e especialistas dos conteúdos que estejam sendo trabalhados. A partir dessa observação.oferecer ao educando. do ponto de vista educativo. usualmente tem-se utilizado a primeira e. sinteticamente. deve-se observar que a orientação. . Por si. A partir dessas observações. buscar “ver se algo é isso mesmo”. as observações até aqui desenvolvidas demonstram que a aferição da aprendizagem escolar é utilizada. O momento de aferição do aproveitamento escolar não é ponto definitivo de chegada. como a de viver sob a égide do medo. análise e síntese dos dados ou informações que delimitam o objeto ou ato com o qual se está trabalhando. em si. o atual processo de aferir a aprendizagem escolar. no Diário de Classe ou Caderneta de Alunos. descrita no item anterior. Contudo. usualmente. Uso da Avaliação Em primeiro lugar. para. O termo verificar provém etimologicamente do latim . além de não obter as mais significativas consequências para a melhoria do ensino e da aprendizagem. em sã consciência. E isso. afetivas. a verificação transforma o processo dinâmico da aprendizagem em passos estáticos e definitivos. Com isso. neste caso. pode desejar para si ou para outrem. e isso depende mais de uma nota que de uma aprendizagem ativa. mas para que estude “tendo em vista a melhoria da nota”. no geral. Se os dados obtidos revelarem que o educando se encontra numa situação negativa de aprendizagem e. não é para que o educando estude a fim de aprender melhor. e tendo ciência de que o exercício efetivo da avaliação seria mais significativo para a construção dos resultados da aprendizagem do educando. tendo por base seus aspectos essenciais e. no máximo. construam efetivamente os resultados necessários da aprendizagem. possibilitando consequências na direção da construção. identificarmos se a fenomenologia da aferição do aproveitamento escolar. obtenção. podemos dizer que a prática educacional brasileira opera na quase totalidade das vezes. pedindo-lhe que estude para fazer uma segunda aferição. sob a forma de verificação. sob a forma de verificação.registrá-lo.atentar para as dificuldades e desvios da aprendizagem dos educandos e decidir trabalhar com eles para que. possui uma nota ou um conceito de reprovação. para classificar os alunos em aprovados ou reprovados. neste segmento do texto. como verificação. fugiremos ao aspecto classificatório que. é um desvio. “investigar a verdade de alguma coisa”. como objetivo final. de fato. importa observar que o que está motivando e polarizando a ação não é a aprendizagem necessária. O modo de trabalhar com os resultados da aprendizagem escolar .dos educandos. poder-se-á arguir: estudar para melhorar a nota não possibilita uma aprendizagem efetiva? É possível que sim.e significa “fazer verdadeiro”. contudo. inteligível. uma tomada de decisão que direcione o aprendizado e. através da constante “ameaça” da reprovação. fazendo dela uma “coisa” e não um processo. nesta circunstância. isto é. Por isso. segundo nossa concepção. a escola brasileira opera com a verificação e não com a avaliação da aprendizagem. a efetiva aprendizagem seria o centro de todas as atividades do educador. propomos. por isso. permitindo que ele faça uma nova aferição. intencionalmente. em nossa ação docente. por isso. “vê-se” ou “não se vê” alguma coisa. algumas indicações que poderão ser estudadas e discutidas na perspectiva de gerar encaminhamentos para a melhor forma de condução possível do ensino escolar. pois exige que estejamos. O processo de verificar configura-se pela observação. uma “oportunidade” de melhorar a nota ou conceito. têm sido incapaz de retirar do processo de aferição as consequências mais significativas para a melhoria da qualidade e do nível de aprendizagem dos educandos. tem-se utilizado o processo de aferição da aprendizagem de uma forma negativa. tendo em vista a melhoria da nota e. no movimento real da aferição da aprendizagem escolar. Didatismo e Conhecimento 131 A dinâmica do ato de verificar encerra-se com a obtenção do dado ou informação que se busca. Em síntese. da forma mais objetiva possível. As entrelinhas do processo descrito no tópico anterior demonstram que. no pensamento abstrato. Em síntese. ao avaliar. . mas um momento de parar para observar se a caminhada está ocorrendo com a qualidade que deveria ter. • atribuir uma qualidade a essa configuração da aprendizagem. a segunda opção. o desenvolvimento do educando. Diante do fato de que. ainda impõe aos educandos consequências negativas. não é para proceder a uma aprendizagem ainda não realizada ou ao aprofundamento de determinada aprendizagem. mas sim para “melhorar” a nota do educando e. no momento em que se chega à conclusão que tal objeto ou ato possui determinada configuração. consequentemente. psicomotoras . A verificação encerra-se no momento em que o objeto ou ato de investigação chega a ser configurado. nos deparamos com a prática escolar da verificação e não da avaliação. consistente. as manifestações das condutas cognitivas. tem atravessado a aferição do aproveitamento escolar. analisar e sintetizar.

a verificação. e)Estimular as potencialidades dos estudantes. importa estabelecer um padrão mínimo de conhecimentos. 3. 4)(Prefeitura Municipal de Sorocaba/SP-2001) . professores. Todavia. A nossa prática educativa se expressa mais ou menos da seguinte forma: “Ensinamos. A avaliação implica a retomada do curso de ação. como ocorre hoje na prática escolar. e)nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil. ou seja. um padrão mínimo de conhecimentos. O sistema social não demonstra estar tão interessado em que o educando aprenda a partir do momento que investe pouco na Educação.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS • a partir dessa qualificação. porém. b)na convivência humana. habilidades e hábitos que o educando deverá adquirir. habilidades e hábitos e não uma média mínima de notas. estamos interessados na aprovação ou reprovação dos educandos nas séries escolares. b)Apenas uma está correta. está suficientemente amadurecida para oferecer subsídios à condução de uma prática educativa capaz de Didatismo e Conhecimento 132 levar ã construção de resultados significativos da aprendizagem. há que se investir na construção dos resultados desejados. exceto: a)na vida familiar. tanto do ponto de vista financeiro quanto do pedagógico. se ensinamos. há que se estar interessado em que o educando aprenda aquilo que está sendo ensinado. e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino. c)nas manifestações grevistas. não poderíamos deixar de menciona-la. sim. só será possível na medida em que se estiver efetivamente interessado na aprendizagem do educando. Sem esta perspectiva dinâmica de aprendizagem para o desenvolvimento. o objetivo primeiro da aferição do aproveitamento escolar não será a aprovação ou reprovação do educando. A avaliação só pode funcionar efetivamente num trabalho educativo com estas características. QUESTÕES Alguns exercícios 1. a LDB.(PI 2006 – PEDAGOGO) – Não é função do ensino: a)Organizar os conteúdos de uma área do saber. d)Três estão corretas.A gratuidade do ensino fundamental em estabelecimentos oficiais de ensino é garantida constitucionalmente a alunos de: . é importante que tanto a prática educativa como a avaliação sejam conduzidas com um determinado rigor científico e técnico. pois os itens I. c)Duas estão corretas. há que se ensinar até que aprendam. na efetiva aprendizagem do educando. terá espaço. III – pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas. pois sem ela a avaliação não alcançará seu papel significativo na produção de um ensino-aprendizagem satisfatório. que se manifestem em prol do desenvolvimento do educando. Estar interessado que o Educando Aprenda e Desenvolva: A prática da avaliação da aprendizagem. Resposta D.a reorientação imediata da aprendizagem. mas em nenhum momento se faz menção ao direito à greve ou sua estruturação.Segundo disposição expressa no art. a segunda. . estática. 2. a verificação é uma configuração dos resultados parciais ou finais. Não caberia tratar desta questão neste texto. a)Todas estão corretas. habilidade ou hábito.o encaminhamento dos educandos para passos subsequentes da aprendizagem. todavia. atingiram um nível da satisfatoriedade no que estava sendo trabalhado. a arte e o saber. qualitativamente. Padrão Mínimo de Conduta: Para que se utilize corretamente a avaliação no processo ensino-aprendizagem. tomar uma decisão sobre as condutas docentes e discentes a serem seguidas. que esteja sendo ensinado e aprendido. os processos formativos educacionais nela descritos abrangem os que se desenvolvem. A resposta a ser assinalada é a alternativa C. IV – gratuidade do ensino público. pois não é papel do educador estabelecer juízos sobre o desempenho dos estudantes. caso esteja se desviando. A ciência pedagógica. II. c)Transmitir conhecimento e informação.394/1996. pesquisar e divulgar o pensamento. não é o que ocorre. Rigor Científico e Metodológico: Para que a avaliação se tome um instrumento subsidiário significativo da prática educativa. e)Todas estão erradas. em seu sentido pleno. mas sim contribuir para que ele evolua no processo. caso sua qualidade se mostre insatisfatória e o conteúdo.Segundo disposição constitucional vigente. tendo em vista: . d)Estabelecer juízos sobre o desempenho dos estudantes. A avaliação é um diagnóstico da qualidade dos resultados intermediários ou finais. ou a sua reorientação. vale lembrar o baixo investimento pedagógico. hoje. A resposta correta é A. d)nas instituições de ensino e pesquisa. A primeira é dinâmica. caso se considere que. b)Assegurar o desenvolvimento das capacidades dos estudantes. Nós. na medida em que podemos pensar que quem está trabalhando nó ensino está interessado em que os educandos aprendam. II – liberdade de aprender. Os dados estatísticos educacionais estão aí para demonstrar o pequeno investimento. a avaliação não terá espaço. no contexto escolar. seja efetivamente essencial para a formação do educando. III e IV apresentam satisfatoriamente princípios pertinentes aos propósitos educacionais previstos na LDB e na Constituição Federal. ensinar. mas o direcionamento da aprendizagem e seu consequente desenvolvimento. Assim. No caso da avaliação da aprendizagem. o que é que vamos fazer”? De fato. estamos pouco atentos ao seu efetivo desenvolvimento. Parece um contra senso essa afirmação. desde que ela só dimensione o fenômeno sem encaminhar decisões. os alunos não aprenderam e estamos interessados que aprendam. se ele não tiver sido satisfatório. 1º da lei nº 9. mas os alunos não aprenderam. pois todos os demais processos estão previstos no 1º Artigo da LDB. assim como normalmente os alunos e seus pais. o ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I – igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola.

podem ser trabalhados com o objetivo de desenvolver nos alunos uma postura de respeito às diferenças. (C) acesso e permanência dos educandos nas escolas. 12 – O trabalho realizado de forma conjunta pela coordenação e pela orientação pedagógica visa a atingir as seguintes finalidades educacionais.obedecendo ao princípio da participação dos profissionaisno projeto pedagógico. c)Até 16 anos. de acordo com os PCNs.º 9. permeiam necessariamente toda a prática educativa que abarca relações entre os alunos.Julgue os itens a seguir e assinale a opção correta: O Sistema Federal de ensino compreende: I . e)Até 21 anos.envolvimento de todos que fazem parte direta ou indiretamente no processo educacional. 10 – Dos princípios de ensino estabelecidos na Lei Federal n. V . desde o início da escolaridade.compartilhamento na solução de problemas e nas tomadas de decisão do diretor escolar. IV . II . (C) representação e da experimentação. apenas. (D) gestão democrática do ensino público. (E) coexistência de instituições públicas e privadas de ensino.394/96. IV e V.os órgãos federais de educação. (E) II.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS a)Até 14 anos. c)Três estão corretas. Resposta C. (D) coerção. 6 . monitoramento e avaliação dos resultados. II e III. ensino fundamental e ensino médio. apenas. apenas. As demais estão incompletas. (E) imposição. (C) valorização do profissional da educação escolar. (D) II e III. 11 – A respeito dos Temas Transversais. e)Todas estão erradas. EXCETO: (A) melhoria da qualidade de ensino em todos os níveis. III e IV. II . c)Pelo ensino fundamental e ensino médio apenas. (B) gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais.as instituições de educação superior mantidas pelo Poder Público estadual a)Uma está correta. 5 . b)Duas estão corretas. o trabalho e as práticas sociais. 21 da LDB. apenas. (B) I.A Educação Básica. (B) a mídia. Alternativa B. e que continuem sendo tratados cada vez com maiores possibilidades de reflexão. implicam a necessidade de um trabalho sistemático e contínuo no decorrer de toda a escolaridade. pode-se afirmar que I. (A) vinculação entre a educação escolar. (C) I e II.(Prefeitura Municipal de Sorocaba/SP-2001) . o que possibilitará um tratamento cada vez mais aprofundado das questões eleitas.as instituições de educação superior criadas e mantidas pela iniciativa privada. 9– Ao concebermos a aprendizagem como a sucessão de aquisições constantes e dependentes da oportunidade que o meio oferece ao educando. Estão corretas as afirmativas: (A) I. A criança que brinca entra no mundo do trabalho. b)Pela educação infantil e ensino fundamental apenas. (D) o horário escolar. III. (B) II. na sala de aula.as instituições de ensino mantidas pela União. IV e V. d)Até 18 anos. (C) II. na forma dessa Lei. Alternativa A. Didatismo e Conhecimento . (E) garantia da obtenção de qualquer formação mínima para o exercício da cidadania. 8 – O brincar fornece à criança a possibilidade de construir uma identidade autônoma e criativa. Está correto o contido em (A) I. d)Todas estão corretas. IV .visão de conjunto associada a uma posição hierárquica. identifique aquele que se concretiza mais diretamente nas atividades do professor. 7 – Por gestão participativa entende-se: I . b)Qualquer idade. entre professores e alunos e entre diferentes membros da comunidade escolar. e)Pelo ensino fundamental apenas. nos termos do art. relacionados a seguir. (D) democratização da gestão.implementação. (B) imaturidade. pois o ensino fundamental deve ser garantido em qualquer idade a todos e de maneira gratuita. nos estabelecimentos oficiais. da cultura e do afeto pela via da: 133 (A) família. é formada: a)Pela educação infantil. III e V. ou seja. compreensão e autonomia. (C) a valorização das diferenças individuais entre os alunos. (D) I. a Educação Básica é composta pela Educação Infantil e Ensinos Fundamental e Médio. d)Pela educação infantil apenas.estabelecimento de objetivos claros e democráticos. conforme salienta o Artigo 16 da LDB. (B) elevação global da escolarização dos educandos. assumimos um compromisso com: (A) o espaço físico de que o professor dispõe para trabalhar. III . (E) I. III . (E) a qualidade do educando na totalidade. II e III. II.

tem o compromisso de intervir efetivamente para promover o desenvolvimento e a socialização de seus alunos. formação técnico-profissional e educação à distância.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 13 – O empenho em conceituar a educação de forma ampla. incorporadas em forma de legislação. E 8. C 13. buscando o caminho para a construção de uma escola comum. educação de populações indígenas. educação especial. (C) a ruptura entre a educação básica e o ensino superior. (B) a compreensão do mundo acadêmico e integração entre os sujeitos aprendentes. extensa a todo o território nacional. (D) a desvinculação da educação infantil. Essa função socializadora remete a dois aspectos: (A) a Inter socialização entre diferentes grupos e a aquisição de conhecimentos científicos. por ser uma instituição social com propósito explicitamente educativo. da pré-escola e da creche com os sistemas de ensino fundamental e médio das redes municipais e estaduais. C 12. (D) o desenvolvimento individual e o contexto social e cultural. (B) o abandono da educação de jovens e adultos trabalhadores. E 9. GABARITO 7. D ANOTAÇÕES ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— 134 ANOTAÇÕES ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— Didatismo e Conhecimento . (E) a compreensão das relações sociais e a valorização do processo educativo-pedagógico. prioridades e objetivos com vistas à elaboração de uma política pública que atenda ao território brasileiro. B 10. B 11. pode ser considerado um avanço no esforço para superar: (A) a falta de articulação entre a educação regular. (C) a capacidade de crítica e o desenvolvimento de técnicas. A 14. a educação infantil e o ensino fundamental com as estratégias de atendimento a população infanto-juvenil. assim como a tentativa de articular a variada gama de iniciativas educacionais. 14 – A escola. (E) as divergências entre a Secretarias de Educação e o Conselho Nacional de Educação visando a redefinição de diretrizes.

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