CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
1 LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL: LEI Nº 9.394/96 E SUAS ALTERAÇÕES.
TÍTULO I Da Educação Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. § 1º Esta Lei disciplina a educação escolar, que se desenvolve, predominantemente, por meio do ensino, em instituições próprias. § 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social. Destaca-se que a lei possui abrangência somente nos ambientes escolares, sendo que processos educacionais são muito mais amplos e também podem ocorrer em outros espaços e situações. TÍTULO II Dos Princípios e Fins da Educação Nacional Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; IV - respeito à liberdade e apreço à tolerância; V - coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; VI - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; VII - valorização do profissional da educação escolar; VIII - gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino; IX - garantia de padrão de qualidade; X - valorização da experiência extraescolar; XI - vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais. Todos os aspectos mencionados neste artigo são de extrema importância, visto que abordam os princípios democráticos previstos e inspirados pela Constituição promulgada em 1988, na qual se valorizam a criticidade, a participação popular, o envolvimento coletivo, o pluralismo de ideias entre outros aspectos. TÍTULO III Do Direito à Educação e do Dever de Educar Art. 4º O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de:
1

LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, popularmente conhecida pela sigla LDB, define e regulariza o sistema de educação  brasileiro  baseado em princípios constitucionais. A primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional foi criada no ano de 1961, sendo posteriormente substituída por uma nova versão, já em 1971. A mais recente, e também atual, foi promulgada no ano de 1996. Em 1988, com a promulgação da Nova Constituição da República Federativa do Brasil, a versão anterior da LDB foi considerada obsoleta, carecendo de uma interpretação mais atualizada e atenta aos novos desafios educacionais do país. No entanto, esta aprovação aconteceu somente após oito anos da nova constituição, ou seja, em 1996. O texto aprovado em 1996 é fruto de um longo debate, pautado na existência de duas propostas distintas, quais sejam: a primeira, popularmente conhecida como Projeto Jorge Hage, sendo resultado de uma série de debates abertos com a sociedade, organizados pelo  Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública, apresentado na  Câmara dos Deputados; já a segunda foi elaborada pelos então senadores  Darcy Ribeiro,  Marco Maciel  e  Maurício Correa, sendo esta em articulação com o poder executivo através do MEC. Destaca-se que a principal divergência entre as duas versões era em razão do papel do Estado. O Projeto Jorge Hage apresentava uma grande preocupação com mecanismos de controle social do sistema de ensino; Já a segunda visava uma estrutura de poder mais centrada nas mãos do  governo. Ao final, prevaleceram majoritariamente as ideias da segunda proposta, encabeçadas pelo educador e então Senador Darcy Ribeiro. De antemão, antes da análise de alguns artigos, torna-se importante o apontamento de alguns aspectos principais relacionados à Lei 9394/96. A Lei foi promulgada no ano de 1996, mais precisamente no dia 20 de dezembro, sob o mandato do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Darcy Ribeiro foi o relator da lei 9394/96. Paulo Renato de Souza era o Ministro da Educação. A Nova LDB pressupõe a Gestão democrática do ensino público e progressiva autonomia pedagógica e administrativa das unidades escolares, aspectos previstos nos artigos 3 e 15. Na sequência segue a LDB na íntegra, acompanhada de alguns comentários dos aspectos mais relevantes. LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Didatismo e Conhecimento

TÍTULO IV Da Organização da Educação Nacional Nos próximos artigos. II .700.prestar assistência técnica e financeira aos Estados.atendimento ao educando. manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais do sistema federal de ensino e o dos Territórios. Art. X – vaga na escola pública de educação infantil ou de ensino fundamental mais próxima de sua residência a toda criança a partir do dia em que completar 4 (quatro) anos de idade. de modo a assegurar formação básica comum. seja para os alunos em idade escolar.recensear a população em idade escolar para o ensino fundamental. de maneira gratuita. III . ainda. a partir dos seis anos de idade. II . IV . por aluno. independentemente da escolarização anterior. e os jovens e adultos que a ele não tiveram acesso. em colaboração com os Estados.oferta de ensino noturno regular. o Poder Público assegurará em primeiro lugar o acesso ao ensino obrigatório. Didatismo e Conhecimento 2 § 3º Qualquer das partes mencionadas no caput deste artigo tem legitimidade para peticionar no Poder Judiciário. o Poder Público criará formas alternativas de acesso aos diferentes níveis de ensino. § 1º Caberá à União a coordenação da política nacional de educação. o ensino fundamental e o ensino médio. o Distrito Federal e os Municípios organizarão. torna-se importante perceber que as responsabilidade ora são específicas e ora são compartilhadas. § 4º Comprovada a negligência da autoridade competente para garantir o oferecimento do ensino obrigatório. conforme as prioridades constitucionais e legais. Também.cumprimento das normas gerais da educação nacional e do respectivo sistema de ensino. outros direitos merecem destaque.114. II . da pesquisa e da criação artística. obrigatório e gratuito. transporte. de 2008). na hipótese do § 2º do art. ressalvado o previsto no art. a obrigatoriedade de matrícula dos menores a partir dos seis anos. de 2005) Esta informação é bastante observada em concursos.atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais. IX .organizar. inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria. junto aos pais ou responsáveis. por meio de programas suplementares de material didático-escolar. garantindo-se aos que forem trabalhadores as condições de acesso e permanência na escola.oferta de educação escolar regular para jovens e adultos. nos termos deste artigo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS I . 208 da Constituição Federal. exercendo sua função redistributiva e supletiva.061. no ensino fundamental.elaborar o Plano Nacional de Educação. que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos. merece destaque o processo de universalização do ensino médio. como o papel do Estado em garantir a todos o ensino fundamental.estabelecer. 5º O acesso ao ensino fundamental é direito público subjetivo. organização sindical. preferencialmente na rede regular. de insumos indispensáveis ao desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem. VII . 9º A União incumbir-se-á de: (Regulamento) I . neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11. Ademais. como o EJA adequando às necessidades e disponibilidades dos discentes e creches e préescolas gratuitamente a todas as crianças de zero a seis anos. IV .universalização do ensino médio gratuito. Art. seja para aqueles que não tiveram acesso em idade própria. § 5º Para garantir o cumprimento da obrigatoriedade de ensino. preferencialmente na rede regular de ensino. também é papel do estado ofertar ensino noturno com as mesmas condições do ensino diurno. o Distrito Federal e os Municípios. sendo os pais os responsáveis sujeitos a penalidades se não a fizerem.capacidade de autofinanciamento. alimentação e assistência à saúde. Ainda. o Ministério Público. grupo de cidadãos. associação comunitária. em colaboração com os Estados. (Redação dada pela Lei nº 12. em regime de colaboração. ao Distrito Federal e aos Municípios para o desenvolvimento de seus sistemas de ensino e o atendimento prioritário à escolaridade obrigatória. 7º O ensino é livre à iniciativa privada. articulando os diferentes níveis e sistemas e exercendo função normativa. acionar o Poder Público para exigi-lo.ensino fundamental. competências e diretrizes para a educação infantil. e.padrões mínimos de qualidade de ensino. VIII . III . os respectivos sistemas de ensino. os Estados. merece destaque vários aspectos. ou seja. 213 da Constituição Federal. § 2º Em todas as esferas administrativas. 6o É dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula dos menores. poderá ela ser imputada por crime de responsabilidade. e com a assistência da União: I . redistributiva e supletiva em relação às demais instâncias educacionais. segundo a capacidade de cada um.fazer-lhes a chamada pública. atendidas as seguintes condições: I . no ensino fundamental público. (Redação dada pela Lei nº 11. Inegavelmente. de 2009) III . Art. VI . o Distrito Federal e os Municípios.acesso aos níveis mais elevados do ensino. com características e modalidades adequadas às suas necessidades e disponibilidades. podendo qualquer cidadão. II . pela freqüência à escola. V . III . adequado às condições do educando. entidade de classe ou outra legalmente constituída.zelar. § 2º Os sistemas de ensino terão liberdade de organização nos termos desta Lei.autorização de funcionamento e avaliação de qualidade pelo Poder Público. também é papel do estado o atendimento de alunos com necessidades especiais. contemplando em seguida os demais níveis e modalidades de ensino. Art. definidos como a variedade e quantidade mínimas. em regime de colaboração. Art. sendo gratuita e de rito sumário a ação judicial correspondente.atendimento gratuito em creches e pré-escolas às crianças de zero a seis anos de idade. 8º A União. Por fim. § 1º Compete aos Estados e aos Municípios. .

III . com prioridade. (Redação dada pela Lei nº 12. com funções normativas e de supervisão e atividade permanente.7. 10.2003) Parágrafo único.baixar normas gerais sobre cursos de graduação e pós-graduação. possibilidade de atuar em outros níveis de ensino. objetivando a definição de prioridades e a melhoria da qualidade do ensino. e. respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino.oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas.prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento. prestar assistência técnica e financeira. III .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS V . credenciar. de 2009) VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município. o ensino fundamental. (Redação dada pela Lei nº 12.assegurar processo nacional de avaliação das instituições de educação superior.assumir o transporte escolar dos alunos da rede municipal. ao juiz competente da Comarca e ao respectivo representante do Ministério Público a relação dos alunos que apresentem quantidade de faltas acima de cinquenta por cento do percentual permitido em lei.2003) Parágrafo único. permitida a atuação em outros níveis de ensino somente quando estiverem atendidas plenamente as necessidades de sua área de competência e com recursos acima dos percentuais mínimos vinculados pela Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento do ensino.assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar no ensino fundamental. os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino.definir. se for o caso. Art. credenciar.articular-se com as famílias e a comunidade.061. terão a incumbência de: I . de 31. as quais devem assegurar a distribuição proporcional das responsabilidades. a União terá acesso a todos os dados e informações necessários de todos os estabelecimentos e órgãos educacionais. e. manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino. o ensino fundamental. criado por lei. VIII .assumir o transporte escolar dos alunos da rede estadual. credenciar e supervisionar os estabelecimentos do seu sistema de ensino. respectivamente. cabe à União elaborar o Plano Nacional de Educação. de 31. Os estabelecimentos de ensino. possui no processo. baixar normas (graduação e pós-graduação). III . independente do nível ou modalidade. IV . desde que mantenham instituições de educação superior. parceria com os municípios para a oferta de ensino fundamental. Os Municípios poderão optar. oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas e.velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente. de 2001) . o ensino médio a todos que o de andarem. VI . IV .elaborar e executar políticas e planos educacionais. supervisionar e avaliar. V .autorizar. de acordo com a população a ser atendida e os recursos financeiros disponíveis em cada uma dessas esferas do Poder Público. Os Municípios incumbir-se-ão de: I . com prioridade. Didatismo e Conhecimento 3 Em resumo. reconhecer. VI . com os Municípios.709. VI .baixar normas complementares para o seu sistema de ensino. ainda. Em resumo. os responsáveis legais. estabelecer competências e diretrizes (nortear currículos). supervisionar e avaliar. analisar e disseminar informações sobre a educação. sobre a frequência e rendimento dos alunos. VII . cabe aos Estados e ao Distrito Federal Manter suas instituições oficiais. supervisionar seus estabelecimentos. A seguir.exercer ação redistributiva em relação às suas escolas. conviventes ou não com seus filhos. respeitado o disposto no art. em colaboração com os sistemas de ensino.administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros. IV . todas importantes para o entendimento das reais atribuições que cada escola. os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino. II . II . supervisionar e avaliar (ensino superior) – esta função também pode ser delegada ao estado. (Incluído pela Lei nº 10.013. Art.assegurar o ensino fundamental e oferecer. reconhecer. transporte de alunos da rede municipal.baixar normas complementares para o seu sistema de ensino. sendo. VII . reconhecer. baixar normas. baixar normas complementares. V .coletar. VI . sem exceções. § 1º Na estrutura educacional. manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino.7.assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas. transporte (rede estadual).709.287. haverá um Conselho Nacional de Educação. 38 desta Lei. de 2009) VII . com prioridade. § 3º As atribuições constantes do inciso IX poderão ser delegadas aos Estados e ao Distrito Federal.organizar. IX .elaborar e executar sua proposta pedagógica. II . serão apresentadas todas as obrigações das unidades de ensino. com a cooperação dos sistemas que tiverem responsabilidade sobre este nível de ensino. cabe aos municípios manter instituições oficiais.autorizar. autorizar. elaborar e aplicar processos nacionais de avaliação. integrando e coordenando as suas ações e as dos seus Municípios. integrando-os às políticas e planos educacionais da União e dos Estados. Os Estados incumbir-se-ão de: I . 12. § 2° Para o cumprimento do disposto nos incisos V a IX.informar pai e mãe. respectivamente. (Incluído pela Lei nº 10. Art. por se integrar ao sistema estadual de ensino ou compor com ele um sistema único de educação básica. em consonância com as diretrizes e planos nacionais de educação. credenciar. V . bem como sobre a execução da proposta pedagógica da escola. assegurar o ensino fundamental.autorizar.(Incluído pela Lei nº 10. Em resumo. médio e superior. criando processos de integração da sociedade com a escola. formas de colaboração na oferta do ensino fundamental. Ao Distrito Federal aplicar-se-ão as competências referentes aos Estados e aos Municípios.organizar. 11.

presente no art. respectivamente. Art.as instituições de educação superior mantidas pelo Poder Público municipal. Art. 14. 17. IV .comunitárias. Art. Os sistemas municipais de ensino compreendem: I . assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores.as instituições de ensino mantidas. que incluam na sua entidade mantenedora representantes da comunidade. IV . II . 15. as instituições de educação infantil. observadas as normas gerais de direito financeiro público. II .estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento.educação básica. 13. no Artigo 14.zelar pela aprendizagem dos alunos. 18. serão apresentados a composição de cada um dos sistemas de ensino. mantidas e administradas pelo Poder Público.colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade.públicas. TÍTULO V Dos Níveis e das Modalidades de Educação e Ensino CAPÍTULO I Da Composição dos Níveis Escolares Os níveis escolares apresentados na sequência não carecem de maiores comentários. pois são de fácil interpretação. 20. (Redação dada pela Lei nº 12. 19. Art. pelo Poder Público estadual e pelo Distrito Federal. 22. II . também merece destaque a separação em duas categorias administrativas (Públicas e Privadas). segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino. III .participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. A educação escolar compõe-se de: I . assim entendidas as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas que atendem a orientação confessional e ideologia específicas e ao disposto no inciso anterior. A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando. criadas e mantidas pela iniciativa privada. II . amplamente difundido na nova LDB. Art. integram seu sistema de ensino. médio e de educação infantil mantidas pelo Poder Público municipal. Os sistemas de ensino dos Estados e do Distrito Federal compreendem: I . saber identificar os itens pertinentes a cada sistema é extremamente importante. O sistema federal de ensino compreende: I . 16.privadas. Ainda na sequência.particulares em sentido estrito. Na sequência. 19.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS No artigo anterior foram apresentadas as atribuições das unidades de ensino. Art. de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: I . Art. inclusive cooperativas educacionais. além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento. o que está em pauta são as atividades incumbidas aos docentes. assim entendidas as mantidas e administradas por pessoas físicas ou jurídicas de direito privado.020. na forma da lei.participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola.os órgãos de educação estaduais e do Distrito Federal. III – os órgãos municipais de educação. temas estes bastante recorrentes em concursos ligados à LDB.os órgãos federais de educação. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica. ensino fundamental e ensino médio. Didatismo e Conhecimento 4 Parágrafo único. assim entendidas as criadas ou incorporadas. IV . VI . III .as instituições de educação superior criadas e mantidas pela iniciativa privada. à avaliação e ao desenvolvimento profissional. Tratamse de temas bastante observados em concursos públicos que abordam temas da LDB.filantrópicas. II . ou seja. o estadual/distrital e o municipal. . formada pela educação infantil. Art.as instituições de ensino fundamental e médio criadas e mantidas pela iniciativa privada.participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino.confessionais.as instituições de ensino mantidas pela União. III .as instituições de educação infantil criadas e mantidas pela iniciativa privada. Percebe-se.ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos. V . Portanto. Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira. Agora.as instituições do ensino fundamental. assim entendidas as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas. mais uma vez a presença do termo democrática. II . II . 21. o federal. CAPÍTULO II DA EDUCAÇÃO BÁSICA Seção I Das Disposições Gerais Art. Art. Os docentes incumbir-se-ão de: I . respectivamente. sem fins lucrativos. No Distrito Federal. todas também extremamente importantes. As instituições privadas de ensino se enquadrarão nas seguintes categorias: (Regulamento) I . assim entendidas as que são instituídas e mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas de direito privado que não apresentem as características dos incisos abaixo.educação superior. As instituições de ensino dos diferentes níveis classificam-se nas seguintes categorias administrativas: (Regulamento) I .elaborar e cumprir plano de trabalho. II . de 2009) III .

25. Cabe ao respectivo sistema de ensino.793.793. desde que preservada a sequência do currículo. grupos não-seriados. de 2012) . mas não exclusivo. sem com isso reduzir o número de horas letivas previsto nesta Lei. Parágrafo único.769. (Incluído pela Lei nº 10. estabelecer parâmetro para atendimento do disposto neste artigo. africana e europeia. para o ensino de línguas estrangeiras. com níveis equivalentes de adiantamento na matéria. a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos. de 1º. (Incluído pela Lei nº 10. por uma parte diversificada. (Incluído pela Lei nº 10. dentro das possibilidades da instituição. obrigatoriamente.cabe a cada instituição de ensino expedir históricos escolares. obrigatoriamente. é componente curricular obrigatório da educação básica. especialmente em suas expressões regionais. de 1º. ou por forma diversa de organização. sendo sua prática facultativa ao aluno: (Redação dada pela Lei nº 10. A educação básica poderá organizar-se em séries anuais.2003) III – que estiver prestando serviço militar inicial ou que. do componente curricular de que trata o § 2o deste artigo. Didatismo e Conhecimento 5 VII . 23. observadas as normas do respectivo sistema de ensino. III . com as especificações cabíveis. na competência e em outros critérios. b) por transferência. o estudo da língua portuguesa e da matemática.2003) V – (VETADO)(Incluído pela Lei nº 10. (Incluído pela Lei nº 10.793. especialmente das matrizes indígena. 24. com aproveitamento. V . Art. com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais.793. 26. § 5º Na parte diversificada do currículo será incluído. e) obrigatoriedade de estudos de recuperação. de 21 de outubro de 1969. para alunos que cursaram. tendo como base as normas curriculares gerais.12.2003) II – maior de trinta anos de idade. alternância regular de períodos de estudos. exigida pelas características regionais e locais da sociedade. para candidatos procedentes de outras escolas. Art. c) independentemente de escolarização anterior. em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar. constituirá componente curricular obrigatório nos diversos níveis da educação básica. mediante avaliação feita pela escola. cuja escolha ficará a cargo da comunidade escolar.2003) I – que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a seis horas. com base na idade. para os casos de baixo rendimento escolar. de 1º. ou outros componentes curriculares. (Incluído pela Lei nº 12. será organizada de acordo com as seguintes regras comuns: I .a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios: a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno. § 1º Os currículos a que se refere o caput devem abranger. Art. que defina o grau de desenvolvimento e experiência do candidato e permita sua inscrição na série ou etapa adequada.287.poderão organizar-se classes. o ensino de pelo menos uma língua estrangeira moderna. c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado. integrada à proposta pedagógica da escola. a ser complementada. períodos semestrais. conforme o disposto no seu regimento e nas normas do respectivo sistema de ensino. quando houver. exigida a frequência mínima de setenta e cinco por cento do total de horas letivas para aprovação. (Redação dada pela Lei nº 12. conforme regulamentação do respectivo sistema de ensino. de 1º.12. exceto a primeira do ensino fundamental. de 1º.12. A educação básica.a carga horária mínima anual será de oitocentas horas. VI .793. de 2008) § 7o Os currículos do ensino fundamental e médio devem incluir os princípios da proteção e defesa civil e a educação ambiental de forma integrada aos conteúdos obrigatórios. ciclos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. estiver obrigado à prática da educação física. § 2º O calendário escolar deverá adequar-se às peculiaridades locais. (Incluído pela Lei nº 11. de 1º.nos estabelecimentos que adotam a progressão regular por série. a carga horária e as condições materiais do estabelecimento.044. ou turmas. distribuídas por um mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar. d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito. § 2o O ensino da arte. declarações de conclusão de série e diplomas ou certificados de conclusão de cursos. sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar. de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos.793. de preferência paralelos ao período letivo. IV . b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar.793.o controle de frequência fica a cargo da escola. artes. da cultura. de 1º. pode ser feita: a) por promoção. nos níveis fundamental e médio.608. a critério do respectivo sistema de ensino. na própria escola. Será objetivo permanente das autoridades responsáveis alcançar relação adequada entre o número de alunos e o professor. inclusive climáticas e econômicas. (Incluído pela Lei nº 10. de 2010) § 3o A educação física. à vista das condições disponíveis e das características regionais e locais.12.12. inclusive quando se tratar de transferências entre estabelecimentos situados no País e no exterior. a série ou fase anterior. com alunos de séries distintas. excluído o tempo reservado aos exames finais. em situação similar.2003) IV – amparado pelo Decreto-Lei no 1. da economia e da clientela. § 1º A escola poderá reclassificar os alunos.12. o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política. Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum. o regimento escolar pode admitir formas de progressão parcial. especialmente do Brasil.2003) VI – que tenha prole.a classificação em qualquer série ou etapa. II . § 6o A música deverá ser conteúdo obrigatório.12. a partir da quinta série.2003) § 4º O ensino da História do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro.

29. é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. Em resumo. tais como o estudo da história da África e dos africanos.o desenvolvimento da capacidade de aprender. IV . II .adequação à natureza do trabalho na zona rural.organização escolar própria. § 1º É facultado aos sistemas de ensino desdobrar o ensino fundamental em ciclos. Art. a Educação Básica: Organização: anos. mínimo de 200 dias letivos. sendo o ensino a distância utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais. § 2o Os conteúdos referentes à história e cultura afrobrasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar. 27. das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade. grupos não-seriados (adaptabilidade a diferentes situações). (Redação dada pela Lei nº 9. Na educação infantil a avaliação far-se-á mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento.645. vedadas quaisquer formas de proselitismo. para crianças de até três anos de idade. § 2º Os estabelecimentos que utilizam progressão regular por série podem adotar no ensino fundamental o regime de progressão continuada. Art. com duração de 9 (nove) anos.consideração das condições de escolaridade dos alunos em cada estabelecimento. O ensino fundamental obrigatório.(Incluído pela Lei nº 12. IV . incluindo adequação do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas. observadas as normas do respectivo sistema de ensino. resgatando as suas contribuições nas áreas social. de 22. Frequência Mínima de 75%. de 2006) I . 26-A. gratuito na escola pública.conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e interesses dos alunos da zona rural. semestres. ou entidades equivalentes. Os conteúdos curriculares da educação básica observarão. A educação infantil será oferecida em: I . de 2007). públicos e privados. Didatismo e Conhecimento 6 II . econômica e política.525.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. Na oferta de educação básica para a população rural. obrigatoriamente. aos direitos e deveres dos cidadãos. II . para as crianças de quatro a seis anos de idade. de 13 de julho de 1990. de respeito ao bem comum e à ordem democrática. dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social. (Redação dada pela Lei nº 11. psicológico.475. tendo como diretriz a Lei no 8. a partir desses dois grupos étnicos. ciclos. § 4º O ensino fundamental será presencial.472. especialmente: I . sem prejuízo da avaliação do processo de ensinoaprendizagem. Currículo: Base Nacional Comum e Base Nacional Diversificada. (Incluído pela Lei nº 11. Art. assegurada às comunidades indígenas a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem.creches. assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil. 32. iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade. que institui o Estatuto da Criança e do Adolescente. torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena.069. de 2011). intelectual e social. III .274. § 5o O currículo do ensino fundamental incluirá. a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional. os sistemas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua adequação às peculiaridades da vida rural e de cada região.o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem. 30. da tecnologia. II . Mínimo de 800 horas/ano. de 2008). em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras. pertinentes à história do Brasil. de matrícula facultativa. Seção III Do Ensino Fundamental Art. tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade. Art.7. ainda. Obs: Adaptações ao ambiente rural. 31. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio. § 1o O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira. III . conteúdo que trate dos direitos das crianças e dos adolescentes. mediante: (Redação dada pela Lei nº 11. . as seguintes diretrizes: I . tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores. Seção II Da Educação Infantil Art.645. do sistema político. observada a produção e distribuição de material didático adequado. § 6º O estudo sobre os símbolos nacionais será incluído como tema transversal nos currículos do ensino fundamental. A educação infantil. sem o objetivo de promoção. de 2008).a compreensão do ambiente natural e social.a difusão de valores fundamentais ao interesse social. (Redação dada pela Lei nº 11. 33. de 2008). terá por objetivo a formação básica do cidadão. a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil. 28. (Redação dada pela Lei nº 11.o fortalecimento dos vínculos de família. primeira etapa da educação básica. III .1997) § 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a definição dos conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas para a habilitação e admissão dos professores. Avaliação: contínua e cumulativa. Art. da escrita e do cálculo. § 3º O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa. O ensino religioso.645.promoção do desporto educacional e apoio às práticas desportivas não-formais. complementando a ação da família e da comunidade.orientação para o trabalho.pré-escolas. em seus aspectos físico. tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura. mesmo para o acesso ao ensino fundamental.

). III . de 2008) I . Em caso de progressão regular. Mínimo de três anos. o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura. escolhida pela comunidade escolar. dentro das disponibilidades da instituição.741. acesso ao conhecimento e exercício da cidadania.adotará metodologias de ensino e de avaliação que estimulem a iniciativa dos estudantes. de 2008) I . § 1º São ressalvados os casos do ensino noturno e das formas alternativas de organização autorizadas nesta Lei. Seção IV-A Da Educação Profissional Técnica de Nível Médio (Incluído pela Lei nº 11.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS § 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil.741. de 2008) Art.741. (Incluído pela Lei nº 11. A jornada escolar no ensino fundamental incluirá pelo menos quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula. será desenvolvida de forma: (Incluído pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11. no ensino de cada disciplina. efetuando-se matrícula única para cada aluno. poderá prepará-lo para o exercício de profissões técnicas. a língua portuguesa como instrumento de comunicação. 36-B desta Lei. II .integrada.a compreensão dos fundamentos científicotecnológicos dos processos produtivos. Currículo: inclusão obrigatória de uma Língua Estrangeira Moderna e outra em caráter optativo (participação da comunidade). constituída pelas diferentes denominações religiosas.as normas complementares dos respectivos sistemas de ensino.741. as metodologias e as formas de avaliação serão organizados de tal forma que ao final do ensino médio o educando demonstre: I . III . a compreensão do significado da ciência. Formação Básica do Cidadão (leitura. de 2008) I . das letras e das artes. sendo progressivamente ampliado o período de permanência na escola. de 2008) III . para continuar aprendendo. atendida a formação geral do educando.741.741.será incluída uma língua estrangeira moderna. nos termos de seu projeto pedagógico. IV – serão incluídas a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias em todas as séries do ensino médio.741. 35.a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental.. na mesma instituição de ensino. é facultado o uso da progressão continuada. etapa final da educação básica. Em resumo: Consolidação e Aprofundamento. em cursos destinados a quem já tenha concluído o ensino médio.conhecimento das formas contemporâneas de linguagem. II . Didatismo e Conhecimento 7 § 2º(Revogado pela Lei nº 11. terá como finalidades: I . para a definição dos conteúdos do ensino religioso. A educação profissional técnica de nível médio será desenvolvida nas seguintes formas: (Incluído pela Lei nº 11. Ciclos (facultativo). efetuando-se matrículas distintas para cada curso.741.domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna.741. facultativamente. (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) Art. A preparação geral para o trabalho e. possibilitando o prosseguimento de estudos. A educação profissional técnica de nível médio articulada. II . preparação para aperfeiçoamentos posteriores. (Incluído pela Lei nº 11.741. cálculos. 36-B. preparação para o trabalho. O ensino médio.o aprimoramento do educando como pessoa humana. de 2008) § 3º Os cursos do ensino médio terão equivalência legal e habilitarão ao prosseguimento de estudos. tolerância. 36. de 2008) II . Seção IV Do Ensino Médio Art.741.» Art. a critério dos sistemas de ensino. a habilitação profissional poderão ser desenvolvidas nos próprios estabelecimentos de ensino médio ou em cooperação com instituições especializadas em educação profissional.articulada com o ensino médio. como disciplina obrigatória. e podendo ocorrer: (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) a) na mesma instituição de ensino. e uma segunda.concomitante. de 2008) II . IV . de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores.741. (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) Parágrafo único.as exigências de cada instituição de ensino. Art. 34.(Incluído pela Lei nº 11. de 2008) Art.684. incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico. § 2º O ensino fundamental será ministrado progressivamente em tempo integral. oferecida a quem ingresse no ensino médio ou já o esteja cursando. valores sociais. Sem prejuízo do disposto na Seção IV deste Capítulo. aproveitando-se as oportunidades educacionais disponíveis.destacará a educação tecnológica básica. o ensino médio. A educação profissional técnica de nível médio deverá observar: (Incluído pela Lei nº 11. 36-C. solidariedade.741. com duração mínima de três anos. sendo o curso planejado de modo a conduzir o aluno à habilitação profissional técnica de nível médio. (Incluído pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11. escrita. O currículo do ensino médio observará o disposto na Seção I deste Capítulo e as seguintes diretrizes: I . de 2008) Parágrafo único. de 2008) II . (Incluído pela Lei nº 11. em caráter optativo. relacionando a teoria com a prática.741.a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando. oferecida somente a quem já tenha concluído o ensino fundamental. de 2008) ..741. de 2008) § 1º Os conteúdos.subsequente. Em resumo: Mínimo de 9 anos. prevista no inciso I do caputdo art.os objetivos e definições contidos nas diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. (Incluído pela Lei nº 11. 36-A. Filosofia e Sociologia (obrigatórias).

de 2008) Parágrafo único. aproveitando-se as oportunidades educacionais disponíveis. § 1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e aos adultos. 40.741. de 2008) I – de formação inicial e continuada ou qualificação profissional. possibilitando a construção de diferentes itinerários formativos.741. para os maiores de dezoito anos. mediante ações integradas e complementares entre si. de 2008) § 1o Os cursos de educação profissional e tecnológica poderão ser organizados por eixos tecnológicos.no nível de conclusão do ensino fundamental. § 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos educandos por meios informais serão aferidos e reconhecidos mediante exames. 38. seus interesses. O conhecimento adquirido na educação profissional e tecnológica. quando registrados. (Incluído pela Lei nº 11. visando ao planejamento e ao desenvolvimento de projeto pedagógico unificado. (Incluído pela Lei nº 11. de acordo com as diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. (Incluído pela Lei nº 11. II . reconhecimento e certificação para prosseguimento ou conclusão de estudos. Ensino Médio (maiores de 18 anos).741. 39. § 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso e a permanência do trabalhador na escola.741. da ciência e da tecnologia. observadas as normas do respectivo sistema e nível de ensino. mediante cursos e exames.741. (Redação dada pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) Em resumo: Permite consorciar a formação do Ensino Médio com a formação profissional técnica. na forma do regulamento. mediante cursos e exames. consideradas as características do alunado. Seção V Da Educação de Jovens e Adultos Art. . A educação profissional será desenvolvida em articulação com o ensino regular ou por diferentes estratégias de educação continuada. características e duração.741. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria. em instituições especializadas ou no ambiente de trabalho. 41. (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) Art. de 2008) Art. que não puderam efetuar os estudos na idade regular. Próprios estabelecimentos de Ensino Médio ou por meio de parcerias com outras instituições. terão validade nacional e habilitarão ao prosseguimento de estudos na educação superior.741.741. no que concerne a objetivos.741. de 2008) II – de educação profissional técnica de nível médio. de 2008) § 3o Os cursos de educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação organizar-se-ão. de 2008) c) em instituições de ensino distintas. para os maiores de quinze anos. integra-se aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho. (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) Art. no cumprimento dos objetivos da educação nacional. oferecerão cursos especiais. 42. de cada etapa que caracterize uma qualificação para o trabalho. condicionada a matrícula à capacidade de aproveitamento e não necessariamente ao nível de escolaridade. habilitando ao prosseguimento de estudos em caráter regular. Em resumo: Busca assegurar gratuitamente aos jovens e aos adultos. condições de vida e de trabalho. A educação profissional e tecnológica. consideradas as características do alunado. de 2008) III – de educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação. além dos seus cursos regulares. (Redação dada pela Lei nº 11. seus interesses. de 2008) Art.estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo. Avaliação de Competências (absorvidas formal e informalmente). de 2008) Art. mediante convênios de intercomplementaridade. Didatismo e Conhecimento 8 oportunidades educacionais apropriadas. (Incluído pela Lei nº 11. abertos à comunidade. § 1º Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão: I .741. inclusive no trabalho. com a educação profissional. preferencialmente. Articulada com o Ensino Médio ou subsequente. (Incluído pela Lei nº 11. oportunidades educacionais apropriadas.741. nas formas articulada concomitante e subsequente.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS b) em instituições de ensino distintas. 37.no nível de conclusão do ensino médio.741. Os diplomas de cursos de educação profissional técnica de nível médio. que não puderam efetuar os estudos na idade regular. (Incluído pela Lei nº 11.741.(Redação dada pela Lei nº 11. que compreenderão a base nacional comum do currículo. As instituições de educação profissional e tecnológica. § 3o A educação de jovens e adultos deverá articular-se. condições de vida e de trabalho. possibilitarão a obtenção de certificados de qualificação para o trabalho após a conclusão. A educação superior tem por finalidade: I . Ensino Fundamental (maiores de 15 anos). de 2008) CAPÍTULO IV DA EDUCAÇÃO SUPERIOR Art. (Incluído pela Lei nº 11.741. 36-D. 43. quando estruturados e organizados em etapas com terminalidade. CAPÍTULO III DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL Da Educação Profissional e Tecnológica (Redação dada pela Lei nº 11. com aproveitamento. Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos. Os cursos de educação profissional técnica de nível médio. de 2008) § 2o A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes cursos: (Incluído pela Lei nº 11. (Regulamento) Art.741. poderá ser objeto de avaliação.

em suspensão temporária de prerrogativas da autonomia. A educação superior abrangerá os seguintes cursos e programas: (Regulamento) I .de pós-graduação. § 3º É obrigatória afrequência de alunos e professores. abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS II . quando houver. (Redação dada pela Lei nº 11. públicas ou privadas. aberta à participação da população. terão prazos limitados. recursos disponíveis e critérios de avaliação. mediante processo seletivo prévio. poderão ter abreviada a duração dos seus cursos. e aqueles conferidos por instituições nãouniversitárias serão registrados em universidades indicadas pelo Conselho Nacional de Educação. e. se necessários. Na educação superior. para a superação das deficiências. III . bem como do cronograma das chamadas para matrícula. desde que tenham concluído o ensino médio ou equivalente. tem. obrigando-se a cumprir as respectivas condições. bem como o credenciamento de instituições de educação superior. abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino. científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino. de 2007). em intervenção na instituição. Os resultados do processo seletivo referido no inciso II do caput deste artigo serão tornados públicos pelas instituições de ensino superior. demonstrado por meio de provas e outros instrumentos de avaliação específicos.331. § 1º As instituições informarão aos interessados. Art. Parágrafo único. (Regulamento) Didatismo e Conhecimento 9 § 1º Após um prazo para saneamento de deficiências eventualmente identificadas pela avaliação a que se refere este artigo. (Regulamento) Art. 45. As instituições de educação superior aceitarão a transferência de alunos regulares. VI . Art. de acordo com as normas dos sistemas de ensino. aplicados por banca examinadora especial.formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento. garantida a necessária previsão orçamentária. Parágrafo único.promover a extensão. excluído o tempo reservado aos exames finais. Art. III . no mínimo. o ano letivo regular. § 2º Os alunos que tenham extraordinário aproveitamento nos estudos. de diferentes níveis de abrangência. salvo nos programas de educação a distância. desse modo. terão validade nacional como prova da formação recebida por seu titular. e mediante processo seletivo. sendo obrigatória a oferta noturna nas instituições públicas.incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica. em particular os nacionais e regionais. aperfeiçoamento e outros. periodicamente. ou em descredenciamento. II . § 4º As instituições de educação superior oferecerão. respeitandose os acordos internacionais de reciprocidade ou equiparação. sua duração. desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive. § 2º Os diplomas de graduação expedidos por universidades estrangeiras serão revalidados por universidades públicas que tenham curso do mesmo nível e área ou equivalente. duzentos dias de trabalho acadêmico efetivo. independente do ano civil. requisitos. . A educação superior será ministrada em instituições de ensino superior.cursos sequenciais por campo de saber. de publicações ou de outras formas de comunicação. 49. no período noturno. compreendendo programas de mestrado e doutorado. de 2006) Art. 47.estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente. com variados graus de abrangência ou especialização. abrirão matrícula nas disciplinas de seus cursos a alunos não regulares que demonstrarem capacidade de cursá-las com proveito. visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura. Art. haverá reavaliação. A autorização e o reconhecimento de cursos. IV . em desativação de cursos e habilitações. quando da ocorrência de vagas. cursos de graduação nos mesmos padrões de qualidade mantidos no período diurno. de acordo com os critérios para preenchimento das vagas constantes do respectivo edital. § 1º Os diplomas expedidos pelas universidades serão por elas próprias registrados. (Regulamento) § 2º No caso de instituição pública. o Poder Executivo responsável por sua manutenção acompanhará o processo de saneamento e fornecerá recursos adicionais. IV . que poderá resultar. VII . § 3º Os diplomas de Mestrado e de Doutorado expedidos por universidades estrangeiras só poderão ser reconhecidos por universidades que possuam cursos de pós-graduação reconhecidos e avaliados. os programas dos cursos e demais componentes curriculares. sendo obrigatória a divulgação da relação nominal dos classificados. 46. após processo regular de avaliação. (Incluído pela Lei nº 11. para cursos afins. As transferências exofficio dar-se-ão na forma da lei. Os diplomas de cursos superiores reconhecidos.suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretização. abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos em cada caso pelas instituições de ensino. (Regulamento) Art. V . sendo renovados. cursos de especialização. a respectiva ordem de classificação. visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição. prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade.632. conforme o caso. antes de cada período letivo. As instituições de educação superior. integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento de cada geração. na mesma área de conhecimento e em nível equivalente ou superior. qualificação dos professores.de graduação. quando registrados.de extensão. abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos pelas instituições de ensino. 50.promover a divulgação de conhecimentos culturais. na hipótese de existência de vagas. e colaborar na sua formação contínua. aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira. 44. 48.

adotar regime financeiro e contábil que atenda às suas peculiaridades de organização e funcionamento. quais sejam: Objetiva formar diplomados em diferentes áreas. IV . assim como um plano de cargos e salários. 53.realizar operações de crédito ou de financiamento. de extensão e de domínio e cultivo do saber humano. Parágrafo único. (Regulamento) II . quanto regional e nacional. Para garantir a autonomia didáticocientífica das universidades. II . dentro dos recursos orçamentários disponíveis.criar. 51. de estatuto jurídico especial para atender às peculiaridades de sua estrutura. promover a extensão. expansão. são asseguradas às universidades. 55.aprovar e executar planos. Nas instituições públicas de educação superior. III .elaborar e reformar os seus estatutos e regimentos em consonância com as normas gerais atinentes. assim como dos seus planos de carreira e do regime jurídico do seu pessoal. pós-graduação (mestrado. As instituições públicas de educação superior obedecerão ao princípio da gestão democrática. cursos e programas de educação superior previstos nesta Lei. especialização.elaborar o regulamento de seu pessoal em conformidade com as normas gerais concernentes.planos de carreira docente. organizar e extinguir. III . V . na forma da lei. II . articulando-se com os órgãos normativos dos sistemas de ensino. Em qualquer caso. incentivar a pesquisa e a disseminação do conhecimento. programas e projetos de pesquisa científica. além das atribuições asseguradas pelo artigo anterior. bem como da escolha de dirigentes.propor o seu quadro de pessoal docente.um terço do corpo docente. legados e cooperação financeira resultante de convênios com entidades públicas e privadas. técnico e administrativo.contratação e dispensa de professores. diplomas e outros títulos. sobre: I . X . observadas as diretrizes gerais pertinentes. produção artística e atividades de extensão. bem como administrar rendimentos conforme dispositivos institucionais. com base em avaliação realizada pelo Poder Público. quando for o caso. As instituições de educação superior credenciadas como universidades.(Regulamento) Alguns aspectos acerca da educação superior merecem destaque. VI . serviços e aquisições em geral. assegurada a existência de órgãos colegiados deliberativos.). acordos e convênios. Caberá à União assegurar. os docentes ocuparão setenta por cento dos assentos em cada órgão colegiado e comissão. de pesquisa. quitações e tomar outras providências de ordem orçamentária. graduação. Cursos e Programas: sequenciais. II . 54. Art. inclusive nos que tratarem da elaboração e modificações estatutárias e regimentais. 57. tanto do ponto de vista científico e cultural.firmar contratos. extensão. (Regulamento) § 1º No exercício da sua autonomia. levarão em conta os efeitos desses critérios sobre a orientação do ensino médio. ao deliberar sobre critérios e normas de seleção e admissão de estudantes. de que participarão os segmentos da comunidade institucional. As universidades mantidas pelo Poder Público gozarão. aperfeiçoamento etc. 56. IV .criação.um terço do corpo docente em regime de tempo integral. para aquisição de bens imóveis. instalações e equipamentos. V .elaborar seus orçamentos anuais e plurianuais.receber subvenções. recursos suficientes para manutenção e desenvolvimento das instituições de educação superior por ela mantidas. modificação e extinção de cursos. As universidades são instituições pluridisciplinares de formação dos quadros profissionais de nível superior. as seguintes atribuições: I .conferir graus. em seu Orçamento Geral. o professor ficará obrigado ao mínimo de oito horas semanais de aulas. VI . do respectivo sistema de ensino. VII .elaboração da programação dos cursos. organização e financiamento pelo Poder Público. III .aprovar e executar planos. sem prejuízo de outras. III . financeira e patrimonial necessárias ao seu bom desempenho. com titulação acadêmica de mestrado ou doutorado. VIII . local e regional. doações. VI . de acordo com os recursos alocados pelo respectivo Poder mantenedor. § 2º Atribuições de autonomia universitária poderão ser estendidas a instituições que comprovem alta qualificação para o ensino ou para a pesquisa. que se caracterizam por: (Regulamento) I . Art.ampliação e diminuição de vagas. as universidades públicas poderão: I . VII . programas e projetos de investimentos referentes a obras.administrar os rendimentos e deles dispor na forma prevista no ato de constituição. serviços e aquisições em geral. atendidas as normas gerais pertinentes e os recursos disponíveis. obedecendo às normas gerais da União e. V .efetuar transferências. (Regulamento) Art. Parágrafo único.fixar os currículos dos seus cursos e programas. com aprovação do Poder competente.fixar o número de vagas de acordo com a capacidade institucional e as exigências do seu meio. Art.programação das pesquisas e das atividades de extensão.produção intelectual institucionalizada mediante o estudo sistemático dos temas e problemas mais relevantes. IV .estabelecer planos. Parágrafo único. caberá aos seus colegiados de ensino e pesquisa decidir. anualmente. pelo menos. doutorado. heranças. nas leis e nos respectivos estatutos. . programas e projetos de investimentos referentes a obras.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. Art. em sua sede. É facultada a criação de universidades especializadas por campo do saber. 52. Didatismo e Conhecimento 10 Art. IX . No exercício de sua autonomia.

nesta formação. de 2009) II – a associação entre teorias e práticas. de 2009) II – trabalhadores em educação portadores de diploma de pedagogia. de modo a atender às especificidades do exercício de suas atividades. A formação dos profissionais da educação. de 2009) III – o aproveitamento da formação e experiências anteriores. a critério da instituição de ensino. 61. II . (Regulamento) § 1º A União.acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular. para educandos portadores de necessidades especiais. de 2009). os Estados e os Municípios. de graduação plena. Art. na escola regular. bem como com títulos de mestrado ou doutorado nas mesmas áreas. Entende-se por educação especial. o Distrito Federal.014. (Incluído pela Lei nº 12. subsidiariamente fazendo uso de recursos e tecnologias de educação a distância. que propicie o conhecimento dos fundamentos científicos e sociais de suas competências de trabalho. TÍTULO VI Dos Profissionais da Educação Art. mediante estágios supervisionados e capacitação em serviço. serviços de apoio especializado.014. § 2º O atendimento educacional será feito em classes. para atendimento especializado.056. tem início na faixa etária de zero a seis anos. Art. escolas ou serviços especializados.terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental. nela estando em efetivo exercício e tendo sido formados em cursos reconhecidos. 59. Parágrafo único. 58. independentemente do apoio às instituições previstas neste artigo.014. (Incluído pela Lei nº 12. em curso de licenciatura.014. para atender às suas necessidades. A formação de profissionais de educação para administração. (Incluído pela Lei nº 12.educação especial para o trabalho. será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pósgraduação.programas de educação continuada para os profissionais de educação dos diversos níveis.professores com especialização adequada em nível médio ou superior. destinado à formação de docentes para a educação infantil e para as primeiras séries do ensino fundamental. Os institutos superiores de educação manterão: (Regulamento) I . Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: I . sempre que. (Incluído pela Lei nº 12. planejamento. quando necessário. (Incluído pela Lei nº 12. na modalidade Normal.014. (Incluído pela Lei nº 12. em instituições de ensino e em outras atividades. bem como aos objetivos das diferentes etapas e modalidades da educação básica. a continuada e a capacitação dos profissionais de magistério. deverão promover a formação inicial.056. § 3º A formação inicial de profissionais de magistério dará preferência ao ensino presencial. planejamento. inclusive o curso normal superior. V . são: (Redação dada pela Lei nº 12. inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo. de 2009) III – trabalhadores em educação. a oferecida em nível médio. 62.014. oferecida preferencialmente na rede regular de ensino. de 2009) Art. não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. como alternativa preferencial. para fins de apoio técnico e financeiro pelo Poder Público. para os efeitos desta Lei. § 1º Haverá. terá como fundamentos: (Incluído pela Lei nº 12. inspeção e orientação educacional.014. O Poder Público adotará. em função das condições específicas dos alunos. (Redação dada pela Lei nº 12. de 2009) Parágrafo único. métodos. § 2º A formação continuada e a capacitação dos profissionais de magistério poderão utilizar recursos e tecnologias de educação a distância. supervisão e orientação educacional para a educação básica. (Redação dada pela Lei nº 12. como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental. de 2009). com habilitação em administração. 64. 60. . admitida. Art. durante a educação infantil. inspeção. para atender às peculiaridades da clientela de educação especial. em universidades e institutos superiores de educação. de 2009) Didatismo e Conhecimento 11 I – professores habilitados em nível médio ou superior para a docência na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio.056. a base comum nacional. recursos educativos e organização específicos. III . § 3º A oferta de educação especial. II . bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística. em regime de colaboração.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS CAPÍTULO V DA EDUCAÇÃO ESPECIAL Art. mediante articulação com os órgãos oficiais afins. portadores de diploma de curso técnico ou superior em área pedagógica ou afim. Art. (Incluído pela Lei nº 12. a ampliação do atendimento aos educandos com necessidades especiais na própria rede pública regular de ensino.014. supervisão. bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns. a modalidade de educação escolar. 63.cursos formadores de profissionais para a educação básica.currículos. de 2009). em virtude de suas deficiências. III . IV . técnicas. especializadas e com atuação exclusiva em educação especial.programas de formação pedagógica para portadores de diplomas de educação superior que queiram se dedicar à educação básica. Os órgãos normativos dos sistemas de ensino estabelecerão critérios de caracterização das instituições privadas sem fins lucrativos. visando a sua efetiva integração na vida em sociedade. Consideram-se profissionais da educação escolar básica os que. e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados. de 2009) I – a presença de sólida formação básica. garantida. intelectual ou psicomotora. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior. dever constitucional do Estado.

de 2006) § 2o Para os efeitos do disposto no § 5º do art. até o vigésimo dia. e os Estados.realização de atividades-meio necessárias ao funcionamento dos sistemas de ensino. II . V . observados os seguintes prazos: I .outros recursos previstos em lei.aquisição de material didático-escolar e manutenção de programas de transporte escolar. nos termos das normas de cada sistema de ensino.aquisição. inclusive nos termos dos estatutos e dos planos de carreira do magistério público: I . 40 e no § 8o do art. 201 da Constituição Federal. Considerar-se-ão como de manutenção e desenvolvimento do ensino as despesas realizadas com vistas à consecução dos objetivos básicos das instituições educacionais de todos os níveis.receita de impostos próprios da União. ao Distrito Federal e aos Municípios.progressão funcional baseada na titulação ou habilitação. VIII . § 2º Serão consideradas excluídas das receitas de impostos mencionadas neste artigo as operações de crédito por antecipação de receita orçamentária de impostos. assegurando-lhes. ou pelos Estados aos respectivos Municípios. pois apresenta aspectos relativos aos percentuais do orçamento que obrigatoriamente deverão ser aplicados na educação. Art. nunca menos de dezoito.condições adequadas de trabalho. incluído na carga de trabalho.recursos arrecadados do vigésimo primeiro dia ao final de cada mês. até o décimo dia do mês subsequente. A preparação para o exercício do magistério superior far-se-á em nível de pós-graduação. para efeito do cálculo previsto neste artigo. V . manutenção. IV . que resultem no não atendimento dos percentuais mínimos obrigatórios. Art.recursos arrecadados do primeiro ao décimo dia de cada mês. reconhecido por universidade com curso de doutorado em área afim. O Artigo apresentado na sequência (69) é extremamente importante. quando exercidas em estabelecimento de educação básica em seus diversos níveis e modalidades. dos Estados. § 4º As diferenças entre a receita e a despesa previstas e as efetivamente realizadas. (Incluído pela Lei nº 11. receita do governo que a transferir. A formação docente. construção e conservação de instalações e equipamentos necessários ao ensino. 68. ajustada. III .amortização e custeio de operações de crédito destinadas a atender ao disposto nos incisos deste artigo.ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos.levantamentos estatísticos.(Renumerado pela Lei nº 11.piso salarial profissional. do Distrito Federal e dos Municípios ocorrerá imediatamente ao órgão responsável pela educação. VI . incluirá prática de ensino de.receita do salário-educação e de outras contribuições sociais. § 1o A experiência docente é pré-requisito para o exercício profissional de quaisquer outras funções de magistério. dos Estados. vinte e cinco por cento.301. O notório saber. prioritariamente em programas de mestrado e doutorado. e na avaliação do desempenho. planejamento e avaliação. no mínimo. incluídas.concessão de bolsas de estudo a alunos de escolas públicas e privadas. Serão recursos públicos destinados à educação os originários de: I . VII . são consideradas funções de magistério as exercidas por professores e especialistas em educação no desempenho de atividades educativas. será considerada a receita estimada na lei do orçamento anual. além do exercício da docência.aperfeiçoamento profissional continuado. são apresentados onde e em que estes recursos podem ser aplicados. inclusive com licenciamento periódico remunerado para esse fim. § 6º O atraso da liberação sujeitará os recursos a correção monetária e à responsabilização civil e criminal das autoridades competentes. Didatismo e Conhecimento 12 . IV . estudos e pesquisas visando precipuamente ao aprimoramento da qualidade e à expansão do ensino. exceto para a educação superior. do Distrito Federal e dos Municípios.receita de transferências constitucionais e outras transferências. VI . A União aplicará. de 2006) TÍTULO VII Dos Recursos financeiros Art. por lei que autorizar a abertura de créditos adicionais. 65. serão apuradas e corrigidas a cada trimestre do exercício financeiro. II . da receita resultante de impostos. II . § 5º O repasse dos valores referidos neste artigo do caixa da União. V . § 3º Para fixação inicial dos valores correspondentes aos mínimos estatuídos neste artigo. Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da educação. ou o que consta nas respectivas Constituições ou Leis Orgânicas. as de direção de unidade escolar e as de coordenação e assessoramento pedagógico. poderá suprir a exigência de título acadêmico.301. quando for o caso.período reservado a estudos. II . 70.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art.recursos arrecadados do décimo primeiro ao vigésimo dia de cada mês. 66. no artigo 70. até o trigésimo dia. tema bastante observado em concursos públicos. com base no eventual excesso de arrecadação. trezentas horas. III . Art. 69. na manutenção e desenvolvimento do ensino público. III . Parágrafo único. Posteriormente. 67. anualmente. § 1º A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados. o Distrito Federal e os Municípios.remuneração e aperfeiçoamento do pessoal docente e demais profissionais da educação.receita de incentivos fiscais. compreendidas as transferências constitucionais. IV . compreendendo as que se destinam a: I . não será considerada. III – uso e manutenção de bens e serviços vinculados ao ensino. Art.

no caso de encerramento de suas atividades. Art. III .assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária. assistência médico-odontológica. desportivo ou cultural. ou ao Poder Público. Didatismo e Conhecimento 13 § 4º A ação supletiva e redistributiva não poderá ser exercida em favor do Distrito Federal. A União. ainda que realizadas para beneficiar direta ou indiretamente a rede escolar. bonificações. Art. § 2º Os programas a que se refere este artigo. 74. quando não vinculada às instituições de ensino. § 2º A capacidade de atendimento de cada governo será definida pela razão entre os recursos de uso constitucionalmente obrigatório na manutenção e desenvolvimento do ensino e o custo anual do aluno. Art.proporcionar aos índios. a União poderá fazer a transferência direta de recursos a cada estabelecimento de ensino. Art. filantrópica ou confessional. conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional e demais sociedades indígenas e não-índias. Art. 73. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas. as disparidades de acesso e garantir o padrão mínimo de qualidade de ensino. sejam militares ou civis. inclusive mediante bolsas de estudo. 78. a valorização de suas línguas e ciências.garantir aos índios. As receitas e despesas com manutenção e desenvolvimento do ensino serão apuradas e publicadas nos balanços do Poder Público. ao aprimoramento de sua qualidade ou à sua expansão. relativo ao padrão mínimo de qualidade. ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão da sua rede local. desenvolverá programas integrados de ensino e pesquisa. que não vise. A ação supletiva e redistributiva prevista no artigo anterior ficará condicionada ao efetivo cumprimento pelos Estados.fortalecer as práticas socioculturais e a língua materna de cada comunidade indígena. III . o cumprimento do disposto no art. dos Estados e dos Municípios se estes oferecerem vagas. para os que demonstrarem insuficiência de recursos. II . 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e na legislação concernente. 10 e o inciso V do art. quando efetivada fora dos sistemas de ensino.obras de infraestrutura. a recuperação de suas memórias históricas. 11 desta Lei. Não constituirão despesas de manutenção e desenvolvimento do ensino aquelas realizadas com: I .subvenção a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial. a reafirmação de suas identidades étnicas. em número inferior à sua capacidade de atendimento. podendo ser dirigidos a escolas comunitárias. do Distrito Federal ou do Município em favor da manutenção e do desenvolvimento do ensino. terão os seguintes objetivos: I . na forma da lei. dividendos. suas comunidades e povos. II . incluídos nos Planos Nacionais de Educação. 212 da Constituição Federal. 72. § 2º As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão receber apoio financeiro do Poder Público. na prestação de contas de recursos públicos. O custo mínimo de que trata este artigo será calculado pela União ao final de cada ano.pesquisa. O Sistema de Ensino da União. quando em desvio de função ou em atividade alheia à manutenção e desenvolvimento do ensino. inclusive diplomáticos. Art. com os seguintes objetivos: I . § 1º Os programas serão planejados com audiência das comunidades indígenas. Parágrafo único. § 1º A ação a que se refere este artigo obedecerá a fórmula de domínio público que inclua a capacidade de atendimento e a medida do esforço fiscal do respectivo Estado. V . ou. 71. sem prejuízo de outras prescrições legais. farmacêutica e psicológica. para oferta de educação escolar bilíngue e intercultural aos povos indígenas. 77. IV . precipuamente. assim como nos relatórios a que se refere o § 3º do art. na área de ensino de sua responsabilidade. Distrito Federal e Municípios do disposto nesta Lei. e outras formas de assistência social. 165 da Constituição Federal. § 1º Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de estudo para a educação básica.apliquem seus excedentes financeiros em educação. considerado o número de alunos que efetivamente frequentam a escola. IV . com a colaboração das agências federais de fomento à cultura e de assistência aos índios. considerando variações regionais no custo dos insumos e as diversas modalidades de ensino.formação de quadros especiais para a administração pública. II .prestem contas ao Poder Público dos recursos recebidos. em colaboração com os Estados. . o acesso às informações. desenvolvendo programas integrados de ensino e pesquisa. o Distrito Federal e os Municípios. A União apoiará técnica e financeiramente os sistemas de ensino no provimento da educação intercultural às comunidades indígenas. prioritariamente. com validade para o ano subseqüente. capaz de assegurar ensino de qualidade. TÍTULO VIII Das Disposições Gerais Art.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. participações ou parcela de seu patrimônio sob nenhuma forma ou pretexto. VI . 79. confessionais ou filantrópicas que: I . estabelecerá padrão mínimo de oportunidades educacionais para o ensino fundamental. 76. progressivamente. quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública de domicílio do educando. Art. 75. § 3º Com base nos critérios estabelecidos nos §§ 1º e 2º.pessoal docente e demais trabalhadores da educação.programas suplementares de alimentação.comprovem finalidade não-lucrativa e não distribuam resultados. conforme o inciso VI do art. A ação supletiva e redistributiva da União e dos Estados será exercida de modo a corrigir. suas comunidades e povos. Os órgãos fiscalizadores examinarão. baseado no cálculo do custo mínimo por aluno. no art.

bem como a dos Estados aos seus Municípios. utilizando também. 212 da Constituição Federal e dispositivos legais pertinentes pelos governos beneficiados. o atendimento aos povos indígenas efetivar-se-á. (Incluído pela Lei nº 10. no prazo de um ano a partir da publicação desta Lei.330. de 2006) c) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11.integrar todos os estabelecimentos de ensino fundamental do seu território ao sistema nacional de avaliação do rendimento escolar. de 9. os recursos da educação a distância. 83. com especial atenção para o grupo de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos de idade e de 15 (quinze) a 16 (dezesseis) anos de idade. Art. III .2003) Art. organizada com abertura e regime especiais. de 2006) I – matricular todos os educandos a partir dos 6 (seis) anos de idade no ensino fundamental. Art. É instituída a Década da Educação. de 2012) II . § 6º A assistência financeira da União aos Estados. de 2006) II . em sintonia com a Declaração Mundial sobre Educação para Todos. ressalvados os direitos assegurados pelos arts. 85. 82.274. mediante a oferta de ensino e de assistência estudantil. III . cada Estado e Município. encaminhará. § 2º A União regulamentará os requisitos para a realização de exames e registro de diploma relativos a cursos de educação a distância.2003) Art. de acordo com as normas fixadas pelos sistemas de ensino. ao Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia.274. IV . § 1º A União. Os sistemas de ensino estabelecerão as normas de realização de estágio em sua jurisdição. § 4º Até o fim da Década da Educação somente serão admitidos professores habilitados em nível superior ou formados por treinamento em serviço. de 2006) b) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11. (Redação dada pela Lei nº 11. TÍTULO IX Das Disposições Transitórias Art. de 2006) a) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11. 87. 79-A.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS II . e de educação continuada. em todos os níveis e modalidades de ensino. por mais de seis anos. . 41 da Constituição Federal e 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. de 2006) § 3o O Distrito Federal.274. e. também. (Regulamento) § 4º A educação a distância gozará de tratamento diferenciado. supletivamente. observada a lei federal sobre a matéria. (Redação dada pela Lei nº 11.416.603. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância.manter programas de formação de pessoal especializado. sem ônus para o Poder Público.elaborar e publicar sistematicamente material didático específico e diferenciado. pelos concessionários de canais comerciais.274. caberão aos respectivos sistemas de ensino.prover cursos presenciais ou a distância aos jovens e adultos insuficientemente escolarizados. devem: (Redação dada pela Lei nº 11. 84. 80. exercendo funções de monitoria.788. de 2011) Art. nos termos da legislação específica. (Redação dada pela Lei nº 11. (VETADO)(Incluído pela Lei nº 10. 81. (Redação dada pela Lei nº 12.639. Qualquer cidadão habilitado com a titulação própria poderá exigir a abertura de concurso público de provas e títulos para cargo de docente de instituição pública de ensino que estiver sendo ocupado por professor não concursado.274.reserva de tempo mínimo.realizar programas de capacitação para todos os professores em exercício. podendo haver cooperação e integração entre os diferentes sistemas. Art. controle e avaliação de programas de educação a distância e a autorização para sua implementação. nas universidades públicas e privadas. a iniciar-se um ano a partir da publicação desta Lei. o Plano Nacional de Educação. que incluirá: I . sem prejuízo de outras ações.concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas. assim como de estímulo à pesquisa e desenvolvimento de programas especiais. destinado à educação escolar nas comunidades indígenas. para isto. Didatismo e Conhecimento 14 Art. § 5º Serão conjugados todos os esforços objetivando a progressão das redes escolares públicas urbanas de ensino fundamental para o regime de escolas de tempo integral. a União. IV . III . (Incluído pela Lei nº 12. na sua condição de instituições de pesquisa. concessão ou permissão do poder público. ficam condicionadas ao cumprimento do art. § 3º As normas para produção.1. O ensino militar é regulado em lei específica. neles incluindo os conteúdos culturais correspondentes às respectivas comunidades.639. será oferecida por instituições especificamente credenciadas pela União.custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radiodifusão sonora e de sons e imagens e em outros meios de comunicação que sejam explorados mediante autorização. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’.1. ao Distrito Federal e aos Municípios. (Regulamento) § 1º A educação a distância. § 3o No que se refere à educação superior.desenvolver currículos e programas específicos. Os discentes da educação superior poderão ser aproveitados em tarefas de ensino e pesquisa pelas respectivas instituições. de acordo com seu rendimento e seu plano de estudos. Art. de 2008) Art. ao Congresso Nacional. com diretrizes e metas para os dez anos seguintes. É permitida a organização de cursos ou instituições de ensino experimentais. 86. § 2o O poder público deverá recensear os educandos no ensino fundamental. As instituições de educação superior constituídas como universidades integrar-se-ão. desde que obedecidas as disposições desta Lei. de 9. 79-B. admitida a equivalência de estudos.

Art. os Estados. A União. integrar-se ao respectivo sistema de ensino. Art. 5o Os planos plurianuais da União. Art. 89. de 20 de dezembro de 1961. com base no Plano Nacional de Educação. Cultura e Desporto da Câmara dos Deputados e da Comissão de Educação do Senado Federal. nos seus diversos níveis e modalidades. DE 9 DE JANEIRO DE 2001 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte  Lei: Art. os Estados. não alteradas pelas Leis nºs 9. 180o da Independência e 113o da República. 2 A partir da vigência desta Lei. I . Revogam-se as disposições das Leis nºs 4. 3oA União. É o maior número de emendas recebido desde a Constituição de 1988 até hoje. elaborar planos decenais correspondentes. dos Estados. Art. pelos órgãos normativos dos sistemas de ensino. 20 de dezembro de 1996. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.540. com vistas à correção de deficiências e distorções. político e econômico do início deste século se desenhava. LEI FEDERAL Nº 10. nos prazos por estes estabelecidos. Havia grande preocupação com a instrução. O projeto de lei (PL) que cria o Plano Nacional de Educação (PNE) para vigorar de 2011 a 2020.692.172. do Distrito Federal e dos Municípios empenhar-se-ão na divulgação deste Plano e da progressiva realização de seus objetivos e metas. Enquanto o novo Plano Nacional de Educação.024.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. § 2º O prazo para que as universidades cumpram o disposto nos incisos II e III do art. dos Estados. e 5. foi enviado ao Congresso Nacional em 15 de dezembro de 2010 e recebeu o número PL 8035/2010. em articulação com os Estados. de 24 de novembro de 1995 e 9. Didatismo e Conhecimento . o Distrito Federal e os Municípios deverão. na Câmara. as Leis nºs 5. constante do documento anexo. preservada a autonomia universitária. de 21 de dezembro de 1995 e. os municípios e a sociedade civil. em 12 de dezembro. este continuará continua em vigor. de 18 de outubro de 1982. e foi elaborado para que sua vigência se limitasse a 10 anos. para que a sociedade o conheça amplamente e acompanhe sua implementação. 6o-A. Art. As creches e pré-escolas existentes ou que venham a ser criadas deverão. As questões suscitadas na transição entre o regime anterior e o que se institui nesta Lei serão resolvidas pelo Conselho Nacional de Educação ou. o Art. mediante delegação deste. procederá a avaliações periódicas da implementação do Plano Nacional de Educação. a contar da publicação desta Lei. § 1o O Poder Legislativo. a partir da data de sua publicação. Art. do Distrito Federal e dos Municípios serão elaborados de modo a dar suporte às metas constantes do Plano Nacional de Educação e dos respectivos planos decenais. 1o Fica aprovado o Plano Nacional de Educação. Art.044. FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Paulo Renato Souza PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO O Plano Nacional de Educação válido atualmente é este de 2001. Brasília.915 propostas de alteração ao texto (emendas) ao PL 8035/2010 foi apresentado na Câmara dos Deputados.INTRODUÇÃO 1. 92. o Distrito Federal. o Distrito Federal e os Municípios adaptarão sua legislação educacional e de ensino às disposições desta Lei no prazo máximo de um ano. de 28 de novembro de 1968. de 11 de agosto de 1971 e 7. 15 2 PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO: LEI Nº 10. as várias reformas educacionais. 4oA União instituirá o Sistema Nacional de Avaliação e estabelecerá os mecanismos necessários ao acompanhamento das metas constantes do Plano Nacional de Educação. com duração de dez anos. Brasília. Art. cabendo ao Congresso Nacional aprovar as medidas legais decorrentes. e as demais leis e decretos-lei que as modificaram e quaisquer outras disposições em contrário. 9 de janeiro de 2001. anualmente. a educação começava a se impor como condição fundamental para o desenvolvimento do País. ajudaram no amadurecimento da percepção coletiva da educação como um problema nacional. 6oOs Poderes da União. que deveria ser resultado das discussões e deliberações da Conferência Nacional de Educação finalizada em março de 2010. não é aprovado. a ser comemorado. para um projeto.192. 90. ainda. 7o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. HISTÓRICO A instalação da República no Brasil e o surgimento das primeiras idéias de um plano que tratasse da educação para todo o território nacional aconteceram simultaneamente. À medida que o quadro social. 88. Art. no prazo de três anos. 91. (Regulamento) § 1º As instituições educacionais adaptarão seus estatutos e regimentos aos dispositivos desta Lei e às normas dos respectivos sistemas de ensino. acompanhará a execução do Plano Nacional de Educação. 175º da Independência e 108º da República.131. 52 é de oito anos. FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Paulo Renato Souza § 2o A primeira avaliação realizar-se-á no quarto ano de vigência desta Lei.172/2001. por intermédio das Comissões de Educação. Art. Um conjunto de 2. Nas duas primeiras décadas.  É instituído o ‘Dia do Plano Nacional de Educação’.

e a Emenda Constitucional nº 14. com sucesso. Na primeira. capaz de conferir estabilidade às iniciativas governamentais na área de educação. . Propunham a reconstrução educacional. A idéia prosperou e nunca mais foi inteiramente abandonada.  Os projetos foram distribuídos às Comissões de Educação. relativa ao projeto de lei que “Institui o Plano Nacional de Educação”. consolidou os trabalhos do I e do II Congresso Nacional de Educação . ressurgiu a ideia de um plano nacional de longo prazo. de Finanças e Tributação. é Relator. e de Constituição. em seu art. o consenso de que o plano devia ser fixado por lei. de 1996 . 1. os documentos resultantes de ampla mobilização regional e nacional que foram apresentados pelo Brasil nas conferências da UNESCO constituíram subsídios igualmente importantes para a preparação do documento. assegurando o seu ingresso e permanência na escola e a conclusão desse ensino.. iniciativa essa aprovada pelo então Conselho Federal de Educação.394. a elaboração do Plano. . Em 1965.democratização da gestão do ensino público. subjacente. Essa prioridade inclui o necessário esforço dos sistemas de ensino para que todas obtenham a formação mínima para o exercício da cidadania e para o usufruto do patrimônio cultural da sociedade moderna. Na Exposição de Motivos destaca o Ministro da Educação a concepção do Plano. que teve como eixos norteadores. Estabelece ainda. em 13 de março de 1998. em todo o território do País”. uma nova revisão. o Deputado Nelson Marchezan. o Poder Executivo enviou ao Congresso Nacional a Mensagem 180/98. O primeiro Plano Nacional de Educação surgiu em 1962. 214 contempla esta obrigatoriedade. e coordenar e fiscalizar a sua execução. Havia. o Distrito Federal e os Municípios. implícita ou explicitamente. o Plano tem como objetivos: . obedecendo aos princípios da participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e a participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. políticos e educacionais brasileiros. de 1996. que se chamou Plano Complementar de Educação. de 1998 que “aprova o Plano Nacional de Educação”. desde sua Didatismo e Conhecimento 16 participação nos trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte. apensado ao PL nº 4. Prioridade de tempo integral para as crianças das camadas sociais mais necessitadas. quando foram introduzidas normas descentralizadoras e estimuladoras da elaboração de planos estaduais. em colaboração com os Estados.CONED e sistematizou contribuições advindas de diferentes segmentos da sociedade civil.. 25 homens e mulheres da elite intelectual brasileira. 150 declarava ser competência da União “fixar o plano nacional de educação.a elevação global do nível de escolaridade da população. um ano após a publicação da citada lei.a melhoria da qualidade do ensino em todos os níveis. Justiça e de Redação. que a União encaminhe o Plano ao Congresso Nacional. nos estabelecimentos oficiais. a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 4. competência precípua ao Conselho Nacional de Educação. com diretrizes e metas para os dez anos posteriores. novamente proposta pelo Ministério da Educação e Cultura e discutida em quatro Encontros Nacionais de Planejamento. Por outro lado. Em 10 de fevereiro de 1998. OBJETIVOS E PRIORIDADES Em síntese. principalmente o Plano Decenal de Educação para Todos. Na justificação..CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Em 1932. Cultura e Desporto. Em 11 de fevereiro de 1998. O documento teve grande repercussão e motivou uma campanha que resultou na inclusão de um artigo específico na Constituição Brasileira de 16 de julho de 1934.155/98. segundo o dever constitucional e as necessidades sociais. Era basicamente um conjunto de metas quantitativas e qualitativas a serem alcançadas num prazo de oito anos. culturais. O processo pedagógico deverá ser adequado às necessidades dos alunos e corresponder a um ensino socialmente significativo. A ideia de uma lei ressurgiu em 1967. Todas as constituições posteriores. de 1961.173. determina nos artigos 9º e 87. de 1995. Além deste. organizado na forma da lei. com exceção da Carta de 37. embasado nas lutas e proposições daqueles que defendem uma sociedade mais justa e igualitária”. um grupo de educadores. um plano com sentido unitário e de bases científicas. elaborado já na vigência da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. são estabelecidas prioridades neste plano.024. comuns e especializados.a redução das desigualdades sociais e regionais no tocante ao acesso e à permanência. de 1998. O art. sugerindo ao Governo as medidas que julgasse necessárias para a melhor solução dos problemas educacionais bem como a distribuição adequada de fundos especiais”. Considerando que os recursos financeiros são limitados e que a capacidade para responder ao desafio de oferecer uma educação compatível. que “estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional”. A construção deste plano atendeu aos compromissos assumidos pelo Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública. Várias entidades foram consultadas pelo MEC. Garantia de ensino fundamental obrigatório de oito anos a todas as crianças de 7 a 14 anos. O art. . com força de lei. na educação pública e . na extensão e na qualidade. 2. o Deputado Ivan Valente apresentou no Plenário da Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 4. e institui a Década da Educação. respectivamente. Considerou ainda realizações anteriores. que cabe à União. Atribuía. preparado de acordo com as recomendações da reunião organizada pela UNESCO e realizada em Jomtien. Em 1966. a Lei nº 9. a ideia de um Plano Nacional de Educação. cinquenta anos após a primeira tentativa oficial. Com a Constituição Federal de 1988. sem que a iniciativa chegasse a se concretizar. destaca o Autor a importância desse documento-referência que “contempla dimensões e problemas sociais. destacando-se o Conselho Nacional de Secretários de Educação . a Constituição Federal de 1988. 152. na Tailândia. em sintonia com a Declaração Mundial sobre Educação para Todos. à dos países desenvolvidos precisa ser construída constante e progressivamente.UNDIME. compreensivo do ensino de todos os graus e ramos. introduziu importantes alterações na distribuição dos recursos federais. “de grande alcance e de vastas proporções. do ponto de vista legal. a elaborar o plano para ser aprovado pelo Poder Legislativo. Ele não foi proposto na forma de um projeto de lei. que instituiu o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério.”.155. lançou um manifesto ao povo e ao governo que ficou conhecido como “Manifesto dos Pioneiros da Educação”. mas apenas como uma iniciativa do Ministério da Educação e Cultura. em 1993.. sofreu uma revisão.CONSED e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação . Iniciou sua tramitação na Câmara dos Deputados como Projeto de Lei nº 4. incorporaram. beneficiando a implantação de ginásios orientados para o trabalho e o atendimento de analfabetos com mais de dez anos.

ao trabalho. a educação das crianças menores de 7 anos tem uma história de cento e cinquenta anos. deu-se principalmente a partir dos anos 70 deste século e 17 Didatismo e Conhecimento . no entanto. significa maior acesso. Na base dessa questão está o direito ao cuidado e à educação a partir do nascimento. em parte. Para as demais séries e para os outros níveis. Faz parte dessa prioridade a garantia de oportunidades de educação profissional complementar à educação básica. será preciso. empresariais e sindicais. como desdobramento. garantia crescente de vagas e. integração social e realização pessoal. políticas e intelectuais. nos próximos dez anos. a música. Hoje se sabe que há períodos cruciais no desenvolvimento. além das demandas do mercado de trabalho.1 Diagnóstico A educação das crianças de zero a seis anos em estabelecimentos específicos de educação infantil vem crescendo no mundo inteiro e de forma bastante acelerada. às necessidades da sociedade. pais e responsáveis. II – NÍVEIS DE ENSINO A – EDUCAÇÃO BÁSICA 1. da diversidade do espaço físico e político mundial e da constituição da sociedade brasileira. nos níveis mais elevados. à ciência e à tecnologia. seja em decorrência da necessidade da família de contar com uma instituição que se encarregue do cuidado e da educação de seus filhos pequenos. . é de se supor que a educação infantil continuará conquistando espaço no cenário educacional brasileiro como uma necessidade social. à educação de seus filhos e dependentes de zero a seis anos. A educação é elemento constitutivo da pessoa e. Faz parte dessa valorização a garantia das condições adequadas de trabalho. Não são apenas argumentos econômicos que têm levado governos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 2. 5. desenvolvimento. salário digno. neste plano. descuidar desse período significa desperdiçar um imenso potencial humano.as diretrizes e metas para a formação e valorização do magistério e demais profissionais da educação. A alfabetização dessa população é entendida no sentido amplo de domínio dos instrumentos básicos da cultura letrada. são definidas metas de ampliação dos percentuais de atendimento da respectiva faixa etária. das operações matemáticas elementares. entre elas o tempo para estudo e preparação das aulas. determinará a prioridade que as crianças das famílias de baixa renda terão na política de expansão da educação infantil. inclusive educação profissional. seja pelos argumentos advindos das ciências que investigaram o processo de desenvolvimento da criança. considerando-se a alfabetização de jovens e adultos como ponto de partida e parte intrínseca desse nível de ensino. Além do direito da criança. Seu crescimento. durante os quais o ambiente pode influenciar a maneira como o cérebro é ativado para exercer funções em áreas como a matemática. Está prevista a extensão da escolaridade obrigatória para crianças de seis anos de idade. e até mais agudos nesses anos recentes. Ampliação do atendimento nos demais níveis de ensino – a educação infantil. no que se refere a lideranças científicas e tecnológicas. ainda. Valorização dos profissionais da educação. em especial dos professores. monoparentais. Desenvolvimento de sistemas de informação e de avaliação em todos os níveis e modalidades de ensino. A erradicação do analfabetismo faz parte dessa prioridade. que conduza ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva. simultaneamente. como também para os jovens e adultos que não cursaram os níveis de ensino nas idades próprias.as diretrizes e metas para cada nível e modalidade de ensino e . como meio e condição de formação. o ensino médio e a educação superior. oportunidade de formação que corresponda às necessidades das diferentes faixas etárias. No Brasil.as diretrizes para a gestão e o financiamento da educação. 4. nucleares. Se essas oportunidades forem perdidas. assim como. à cada circunstância. quer no ensino fundamental. a Constituição Federal estabelece o direito dos trabalhadores. ou seja. contemplando também o aperfeiçoamento dos processos de coleta e difusão dos dados. integrada às diferentes formas de educação. quer na educação infantil. portanto. Envolve. Mas o argumento social é o que mais tem pesado na expressão da demanda e no seu atendimento por parte do Poder Público. Isso. Particular atenção deverá ser dada à formação inicial e continuada. artísticas e culturais. elaboração de planos estaduais e municipais. das de renda familiar insuficiente para prover os meios adequados para o cuidado e educação de seus filhos pequenos e da impossibilidade de a maioria dos pais adquirirem os conhecimentos sobre o processo de desenvolvimento da criança que a pedagogia oferece. Este Plano Nacional de Educação define por conseguinte: . da evolução histórica da sociedade humana. e a gradual extensão do acesso ao ensino médio para todos os jovens que completam o nível anterior. À medida que essa ciência da criança se democratiza. é preciso evitar uma educação pobre para crianças pobres e a redução da qualidade à medida que se democratiza o acesso. com piso salarial e carreira de magistério. 3. No entanto. será muito mais difícil obter os mesmos resultados mais tarde. atendê-la com profissionais especializados capazes de fazer a mediação entre o que a criança já conhece e o que pode conhecer significa investir no desenvolvimento humano de forma inusitada. como instrumentos indispensáveis para a gestão do sistema educacional e melhoria do ensino. a linguagem. Garantia de ensino fundamental a todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria ou que não o concluíram. principalmente quando os pais trabalham fora de casa. a formação do cidadão responsável e consciente de seus direitos e deveres. Tratando-se de metas gerais para o conjunto da Nação. EDUCAÇÃO INFANTIL 1. a educação infantil ganha prestígio e interessados em investir nela. Ao contrário. Se a inteligência se forma a partir do nascimento e se há “janelas de oportunidade” na infância quando um determinado estímulo ou experiência exerce maior influência sobre a inteligência do que em qualquer outra época da vida. sociedade e famílias a investirem na atenção às crianças pequenas. Ele deriva das condições limitantes das famílias trabalhadoras. adequação às especificidades locais e definição de estratégias adequadas. deve estar presente desde o momento em que ela nasce. Considerando que esses fatores continuam presentes. A ampliação do atendimento.

certamente não por ter alcançado a satisfação da demanda. e mais acentuadamente a partir de 1994. também. aumentado sua parcela. De uma população de aproximadamente 9.4%. conclui-se que há uma demanda reprimida ou um não-atendimento das necessidades de seus filhos pequenos. não dispõe de mobiliário. e deverão adotar objetivos educacionais. baixando sua participação no total de matrículas de 25. no entanto. estava presente em 5.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS foi mais acelerado até 1993.5%) e o Sudeste. no conjunto. que vem se verificando nos últimos anos. pois em 1993 detinham 31% dos estabelecimentos e. os Estados atendiam 850 mil e. simultaneamente ao ensino fundamental. as creches atenderão crianças de zero a três anos.7% e a iniciativa privada. que recebiam apoio financeiro e. Os Municípios passaram de 47. a retração foi maior ainda: para 396 mil matrículas. Estimativas precárias indicavam. com profissionais com formação e experiência no cuidado e educação de crianças.7%. completo ou incompleto. Existiam. Considerando o aumento do número de famílias abaixo do nível de pobreza no Brasil. em 1998.5%. uma vez que o déficit de atendimento é bastante grande. indicando um atendimento de 381.6% do total.7% para 25. das quais o Nordeste detém quase metade (47. somente 8. A primeira faixa esteve predominantemente sob a égide da assistência social e tinha uma característica mais assistencial.4% dos estabelecimentos. Grande parte era atendida por instituições filantrópicas e associações comunitárias. De 1987 para 1998 houve aumento do número dos diplomados em nível universitário trabalhando na educação infantil (de 20 para 44 mil). equivalendo a 46. transformando-se em instituições de educação. em 1997. à questão de valores e às habilidades específicas para tratar com seres tão abertos ao mundo e tão ávidos de explorar e conhecer. Para a faixa de 4 a 6 anos. de 39. estaduais e 72. A maioria dos ambientes não conta com profissionais qualificados.4% para 65. O Poder Público será cada vez mais instado a atuar nessa área.2 milhões de crianças. considerando-se que nos primeiros anos de vida. .804 crianças. em alguns casos. a importância e a necessidade da educação infantil. Qualquer número. em nosso País essa questão não requer correções. dada a maleabilidade da criança às interferências do meio social. Esses dados são alvissareiros.5% e masculino.2% para 66.3 milhão de matrículas para 2. As estatísticas informavam sobre os atendimentos conveniados. Por determinação da LDB. Esse equilíbrio é uniforme em todas as regiões do País. A distribuição das matrículas. ¼ delas. porque foram grupos tratados diferentemente.8 mil. que os estímulos educativos têm maior poder de influência sobre a formação da personalidade e o desenvolvimento da criança. Em torno de 13% dos professores possuem apenas o ensino fundamental.400. São dados incompletos.7 milhões. Essa determinação segue a melhor pedagogia. Em 1998. como são as crianças. observa-se o mesmo fenômeno que ocorreu com as matrículas: os Estados se retraíram. atualmente. Mas deve-se registrar. constata-se uma redução acentuada no atendimento por parte dos Estados. decisões políticas e programas governamentais têm sido meios eficazes de expansão das matrículas e de aumento da consciência social sobre o direito. como a antiga LBA. Em relação a 1987. Trata-se de um tempo que não pode estar descurado ou mal orientado. A mobilização de organizações da sociedade civil.320 Municípios. Esse é um dos temas importantes para o PNE. que correspondem a 96. Os com ensino médio completo eram 95 mil em 1987 e em 1998 já chegavam a 146 mil. Didatismo e Conhecimento 18 A partir de 1993. será uma quantidade muito pequena diante da magnitude do segmento populacional de 0 a 3 anos. Daí porque os cursos de formação de magistério para a educação infantil devem ter uma atenção especial à formação humana. ficando a faixa de 4 a 6 para a pré-escola. O atendimento maior se dá nas idades mais próximas da escolarização obrigatória. A Sinopse Estatística da Educação Básica reuniu dados de 1998 sobre a creche.9% para 9. 50. Observando a distribuição das matrículas entre as esferas públicas e a iniciativa privada. Esse fenômeno decorre da expressão e pressão da demanda sobre a esfera de governo (municipal) que está mais próximo às famílias e corresponde à prioridade constitucional de atuação dos Municípios nesse nível. naquele período. coletados pelo sistema nacional de estatísticas educacionais. orientação pedagógica de algum órgão público.3 milhões estavam matriculadas em pré-escolas no ano de 1997. particulares. 4. somente 600 mil. É preciso analisar separadamente as faixas etárias de 0 a 3 e de 4 a 6 anos. IV da Constituição Federal. não havendo um levantamento completo de quantas crianças estavam freqüentando algum tipo de instituição nessa faixa etária. elevando o percentual nessa categoria em relação ao total de professores. 78. é interessante observar que quase metade (45%) atende até 25 alunos. quer nos objetivos. porque é nessa idade. Já em 1998. é fundamental que os profissionais sejam altamente qualificados. um número de 1.2 milhões. Atendia principalmente as crianças cujas mães trabalhavam fora de casa. dispomos de dados mais consistentes. é dever constitucional. Em relação ao número de alunos por estabelecimento.6% e as da iniciativa privada. 208. o que revela uma progressiva melhoria da qualificação docente. quanto ao gênero.1 milhões e 44%. alimentação.8%. de sorte que a maioria das crianças de 6 anos já está na pré-escola. brinquedos e outros materiais pedagógicos adequados. as matrículas quase estacionaram no patamar de 4. como cuidados físicos. o que caracteriza pequenas unidades pré-escolares de uma sala. precisamente. o que. não significa necessariamente habilidade para educar crianças pequenas. de 34 para 24%. constituído de 12 milhões de crianças. não desenvolve programa educacional. Já os Municípios passaram. 66% são formados em nível médio e 20% já têm o curso superior. ele caiu para 4. determinado pelo art.000 crianças atendidas na faixa de 0 a 3 anos. Das 219 mil funções docentes.3%. que existem creches de boa qualidade. 17 mil. especialmente da qualidade das experiências educativas. 129 mil são municipais. aliás. 49. que desenvolvem proposta pedagógica de alta qualidade educacional. quer por instituições que atuaram nesse campo. uma pequena redução na área particular e um grande aumento na esfera municipal. no entanto. Em 1998. em idades que variam de menos de 4 a mais de 9 anos. sejam públicas ou privadas. saúde. de 22. Bons materiais pedagógicos e uma respeitável literatura sobre organização e funcionamento das instituições para esse segmento etário vêm sendo produzidos nos últimos anos no país. está equilibrada: feminino. mesmo porque só agora as creches começam a registrar-se nos órgãos de cadastro educacional. de 1. Com 51 e mais alunos temos apenas 29. Diferentemente de outros países e até de preocupações internacionais.106 pré-escolas. até alguns anos atrás. segundo as diretrizes curriculares nacionais emanadas do Conselho Nacional de Educação. Em 1987. Nível de formação acadêmica.

complementadas pelas normas dos sistemas de ensino dos Estados e Municípios. relativamente a 1998. estabelecem os marcos para a elaboração das propostas pedagógicas para as crianças de 0 a 6 anos. 1990). consoante determina o art. cultura e lazer. que atendem a 69. 1. embora ainda em pequeno número. persistindo. IV da LDB. nessa faixa etária. na estadual. coincidem em afirmar a importância dos primeiros anos de vida para o desenvolvimento e aprendizagem posteriores. Essa carência ocorre para menos de 0. Essa educação se dá na família. a renda e os espaços sociais de convivência. quer sobre a vida acadêmica posterior. que a educação infantil terá um papel cada vez maior na formação integral da pessoa. quer sobre outros aspectos da vida social. o que é um bom número para a faixa de 4 a 6 anos. ficando 167 mil crianças matriculadas sem possibilidade de acesso aos meios mais modernos da informática como instrumentos lúdicos de aprendizagem. 70% dos estabelecimentos não têm parque infantil. requerem-se. 84% das quais se situam no Nordeste. por Municípios e Estados. as circunstâncias e os fatos.7.2 Diretrizes A educação infantil é a primeira etapa da Educação Básica. medidas econômicas relativas aos recursos financeiros necessários e medidas administrativas para articulação dos setores da política social envolvidos no atendimento dos direitos e das necessidades das crianças. nutrição e apoio familiar são vistos como um importante instrumento de desenvolvimento econômico e social. Há que se registrar. mesmo porque inteligência não é herdada geneticamente nem transmitida pelo ensino.714 crianças. Ela estabelece as bases da personalidade humana. responsabilidade. E têm oferecido grande suporte para a educação formular seus propósitos e atuação a partir do nascimento. sem prejuízo da prioridade constitucional do ensino fundamental. pois está com 14 crianças por professor. ao ensino fundamental. não têm abastecimento de água. a inexistência de energia elétrica em 20% dos estabelecimentos. Na década da educação. da vida emocional. Mais grave é que 58% das crianças freqüentam estabelecimento sem sanitário adequado. tendo sido fechadas muitas instituições de educação infantil. Quando positivas. criativo e grupal nessa faixa etária. Para tanto. tendem a reforçar. investigando como se processa o seu desenvolvimento. em 1999. pela predominância da atividade cognoscitiva em sala de aula. que englobem ações integradas de educação. as crianças precisam de atenção bastante individualizada em muitas circunstâncias e requerem mais cuidados dos adultos do que nos níveis subsequentes da escolarização. O efeito sinergético de ações na área da saúde. No horizonte dos dez anos deste Plano Nacional de Educação. saúde. definidas pelo Conselho Nacional de Educação. estando privadas da rica atividade nesses ambientes nada menos que 54% das crianças. esse problema deve merecer atenção especial na década da educação. No setor público. Em relação à infraestrutura dos estabelecimentos. no Nordeste. Recursos antes aplicados na educação infantil foram carreados. pré-escolas da zona rural. onde o espaço externo é restrito e tem que ser dividido com muitos outros alunos. A pobreza. A Sinopse Estatística da Educação Básica/1999 registra um decréscimo de cerca de 200 mil matrículas na pré-escola. além das organizações da sociedade civil. medidas de natureza política.  As diretrizes curriculares nacionais para a educação infantil. embora em número menor (159 mil). Serão essas. Avaliações longitudinais. que contemplou separadamente o ensino fundamental das etapas anterior e posterior da educação básica. há que se apontar que 4. como complementares à ação da família. 9o. Considera-se. o trabalho e o emprego. nutrição e educação está demonstrado por avaliações de políticas e programas. de cooperação. As primeiras experiências da vida são as que marcam mais profundamente a pessoa. que afeta a maioria delas. desafiantes e enriquecedoras oportunidades de desenvolvimento e aprendizagem. Dada a importância do brinquedo livre. um diagnóstico das necessidades da educação infantil precisa assinalar as condições de vida e desenvolvimento das crianças brasileiras. também. a nutrição. Didatismo e Conhecimento 19 . terá que ser encontrada uma solução para as diversas demandas. o Trabalho. A educação infantil inaugura a educação da pessoa. indicam os efeitos positivos da ação educacional nos primeiros anos de vida. a Saúde e as Comunicações Sociais. a educação. O setor privado baixa a média nacional para 18. ao longo da vida. Daí porque a intervenção na infância. As instituições de educação infantil vêm se tornando cada vez mais necessárias. sendo 127 mil em estabelecimento sem esgoto sanitário. ademais de orientações pedagógicas e medidas administrativas conducentes à melhoria da qualidade dos serviços oferecidos.0 por 1 na esfera municipal e de 23. a moradia. no âmbito internacional. a relação é de 21. que retira de suas famílias as possibilidades mais primárias de alimentálas e assisti-las. a Justiça. a Declaração Mundial de Educação para Todos (Jomtien. a Assistência Social.5% das crianças atendidas nas regiões Sudeste. na comunidade e nas instituições. Há bastante segurança em afirmar que o investimento em educação infantil obtém uma taxa de retorno econômico superior a qualquer outro. A pedagogia mesma vem acumulando considerável experiência e reflexão sobre sua prática nesse campo e definindo os procedimentos mais adequados para oferecer às crianças interessantes. certamente. beneficiando a toda criança que necessite e cuja família queira ter seus filhos frequentando uma instituição educacional.4. tem que ser enfrentada com políticas abrangentes que envolvam a saúde. as atitudes de autoconfiança. através de programas de desenvolvimento infantil. em 1998. na interação social mediante a ação sobre os objetos. As ciências que se debruçaram sobre a criança nos últimos cinquenta anos. da socialização.153 pré-escolas. a Cultura. da inteligência. É possível que muitos dos estabelecimentos sejam anexos a escolas urbanas de ensino fundamental. Tailândia. Esses valores são semelhantes em todas as regiões. Tem-se atribuído essa redução à implantação do FUNDEF. a demanda de educação infantil poderá ser atendida com qualidade. no desenvolvimento de sua capacidade de aprendizagem e na elevação do nível de inteligência das pessoas. mais da metade das quais. Sul e Centro-Oeste. Finalmente. a partir do nascimento.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Outra questão importante a analisar é o número de crianças por professor pois. o que já foi afirmado pelo mais importante documento internacional de educação deste século. como a Educação. em instituições específicas ou em programas de atenção educativa. sob pena de termos uma educação infantil descaracterizada. Pois todos esses são elementos constitutivos da vida e do desenvolvimento da criança. solidariedade. mas construída pela criança. Além disso. tais como decisões e compromissos políticos dos governantes em relação às crianças.

inserida no trabalho pedagógico. constitui diretriz importante a superação das dicotomias creche/pré-escola. b) instalações sanitárias e para a higiene pessoal das crianças. a expressão livre. num processo de desenvolvimento marcado por etapas ou estágios em que as rupturas são bases e possibilidades para a sequência. Os fatores históricos que determinam a demanda continuam vigentes em nossa sociedade. c) instalações para preparo e/ou serviço de alimentação. produzindo aprendizagens coerentes. equipamentos e materiais pedagógicos. Quando a avaliação recomendar atendimento especializado em estabelecimentos específicos. que. de formação da inteligência e da personalidade. pois só esta o justifica e produz resultados positivos. já constatado por muitas pesquisas. e) mobiliário. 30. As metas estão relacionadas à demanda manifesta. nutrindo-se dele e renovando-o constantemente. mas um direito da criança. até o final da década. mobiliário. respeitando as diversidades regionais. a necessidade do atendimento em tempo integral para as crianças de idades menores. implementada através de programas específicos de orientação aos pais. das famílias de renda mais baixa. Quanto às esferas administrativas. Afinal a existência da possibilidade de acesso e o conhecimento dos benefícios da frequência a um centro de educação infantil de qualidade induzem um número cada vez maior de famílias a demandar uma vaga para seus filhos. a 30% da população de até 3 anos de idade e 60% da população de 4 e 6 anos (ou 4 e 5 anos) e. d) ambiente interno e externo para o desenvolvimento das atividades. caracterizar a educação infantil pública como uma ação pobre para pobres. incluindo o repouso. em cinco anos. insolação. tanto a Constituição Federal quanto a LDB são explícitas na corresponsabilidade das três esferas de governo . é preciso sublinhar que é uma diretriz nacional o respeito às diversidades regionais. na educação infantil. valores. tornando-se cada vez mais óbvios. A criança não está obrigada a frequentar uma instituição de educação infantil. o Brasil poderá chegar a uma educação infantil que abarque o segmento etário 0 a 6 anos (ou 0 a 5. o Poder Público tem o dever de atendê-la.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Na distribuição de competências referentes à educação infantil. mas sempre que sua família deseje ou necessite. esgotamento sanitário. fonte de novos conhecimentos e habilidades na educação das crianças. rede elétrica e segurança. dada a relevância de sua atuação como mediadores no processo de desenvolvimento e aprendizagem. O que este plano recomenda é uma educação de qualidade prioritariamente para as crianças mais sujeitas à exclusão ou vítimas dela. Deve-se contemplar. transcendendo a questão da renda familiar. as condições concretas de nosso País.Municípios. que exigem “adaptação” entre o que hoje constitui a creche e a pré-escola. Em vista daquele direito e dos efeitos positivos da educação infantil sobre o desenvolvimento e a aprendizagem das crianças. no mundo inteiro. expectativas. Educação e cuidados constituem um todo indivisível para crianças indivisíveis. alcançar a meta de 50% das crianças de 0 a 3 anos e 80% das de 4 e 5 anos. As medidas propostas por este plano decenal para implementar as diretrizes e os referenciais curriculares nacionais para a educação infantil se enquadram na perspectiva da melhoria da qualidade. Essa prioridade não pode. como vem ocorrendo entre esta e a primeira série do ensino fundamental. Considerando. VI da Constituição Federal. conduzirá invariavelmente à universalização. nesse processo. e não à demanda potencial. é o cuidado na qualidade do atendimento. equipamentos e materiais pedagógicos. adaptação dos estabelecimentos quanto às condições físicas. assistência ou assistencialismo/ educação. padrões mínimos de infraestrutura para o funcionamento adequado das instituições de educação infantil (creches e pré-escolas) públicas e privadas. em apoio técnico e financeiro aos Municípios. no entanto. com iluminação. 1. de tal maneira que a educação familiar e a escolar se complementem e se enriqueçam. f) adequação às características das crianças especiais. esse segmento da educação vem crescendo significativamente e vem sendo recomendado por organismos e conferências internacionais. também. situando as instituições de educação infantil nas áreas de maior necessidade e nelas concentrando o melhor de seus recursos técnicos e pedagógicos. ao mútuo conhecimento de processos de educação. o atendimento de qualquer criança num estabelecimento de educação infantil é uma das mais sábias estratégias de desenvolvimento humano. mais amplas e profundas.e da família. diretrizes para essa modalidade constarão do capítulo sobre educação especial. 20 A educação infantil é um direito de toda criança e uma obrigação do Estado (art. ventilação. pois a educação infantil não é obrigatória. da produção de aprendizagens e a habilidade de reflexão sobre a prática. requer-se a formação permanente. Além da formação acadêmica prévia. em hipótese alguma. IV da Constituição Federal). água potável. mais do que qualquer outra coisa. conforme as diretrizes curriculares e a metodologia da educação infantil. As inversões financeiras requeridas para cumprir as metas de abrangência e qualidade deverão ser vistas sobretudo como aplicações necessárias em direitos básicos dos cidadãos na primeira etapa da vida e como investimento. A norma constitucional de integração das crianças especiais no sistema regular será. que formam a base sócio histórica sobre a qual as crianças iniciam a construção de suas personalidades. que orientações políticas e práticas sociais equivocadas foram produzindo ao longo da história. Elaborar. Didatismo e Conhecimento . o movimento e o brinquedo. A articulação com a família visa. qualificação dos professores. assegurem o atendimento das características das distintas faixas etárias e das necessidades do processo educativo quanto a: a) espaço interno. Por isso. A formação dos profissionais da educação infantil merecerá uma atenção especial. porém necessariamente. definida pelo número de crianças na faixa etária. consoante o art. A qualificação específica para atuar na faixa de zero a seis anos inclui o conhecimento das bases científicas do desenvolvimento da criança. aos valores e às expressões culturais das diferentes localidades. quando os pais trabalham fora de casa. No entanto. Importante. no prazo de um ano. Estado e União . este plano propõe que a oferta pública de educação infantil conceda prioridade às crianças das famílias de menor renda. cujas taxas de retorno alguns estudos já indicam serem elevadas. sobretudo no que se refere à limitação de meios financeiros e técnicos. acrescentando-se a eles a própria oferta como motivadora da procura. 208. Para orientar uma prática pedagógica condizente com os dados das ciências e mais respeitosa possível do processo unitário de desenvolvimento da criança. No período dos dez anos coberto por este plano. na medida em que as crianças de 6 anos ingressem no ensino fundamental) sem os percalços das passagens traumáticas. visão para o espaço externo. a União e os Estados atuarão subsidiariamente. 2. de sorte que esta se torne. A expansão que se verifica no atendimento das crianças de 6 e 5 anos de idade. cada vez mais.3 Objetivos e Metas 1. com reflexos positivos sobre todo o processo de aprendizagem posterior. Ampliar a oferta de educação infantil de forma a atender. atendimento a carentes/educação para classe média e outras.

todos os dirigentes de instituições de educação infantil possuam formação apropriada em nível médio (modalidade Normal) e. 4. em seu art. 6. 30. no prazo de três anos. também. É prioridade oferecê-lo a toda população brasileira. Diagnóstico De acordo com a Constituição Brasileira. 208 preconiza a garantia de sua oferta. um sistema de acompanhamento. 13. Ampliar a oferta de cursos de formação de professores de educação infantil de nível superior. 21. Adotar progressivamente o atendimento em tempo integral para as crianças de 0 a 6 anos. 26. 16. seus projetos pedagógicos. todos os Municípios tenham definido sua política para a educação infantil. Incluir as creches ou entidades equivalentes no sistema nacional de estatísticas educacionais. jurídica e de suplementação alimentar nos casos de pobreza. A partir do segundo ano deste plano. (Tabela 1). 5. o ensino fundamental é obrigatório e gratuito. Isto significa que há muitas crianças matriculadas no ensino fundamental com idade acima de 14 anos. É básico na formação do cidadão. da Constituição Federal. inclusive. da Constituição Federal afirma: “O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo”. prioritariamente nas regiões onde o déficit de qualificação é maior. No prazo máximo de três anos a contar do início deste plano. como referência para a supervisão. para a atualização permanente e o aprofundamento dos conhecimentos dos profissionais que atuam na educação infantil. 8. Assegurar que. violência doméstica e desagregação familiar extrema. 19. O art. 208. colocar em execução programa de formação em serviço. em todos os Municípios. 7. pois de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. até o final da década. o controle e a avaliação. em cinco anos. com vistas a melhorar a eficiência e garantir a generalização da qualidade do atendimento. com a cooperação técnica e financeira da União e dos Estados. Em 1998. número superior ao de crianças de 7 a 14 anos representando 116% dessa faixa etária.1. através da colaboração financeira da União e dos Estados. prioritariamente. Didatismo e Conhecimento 21 . em cinco anos. ENSINO FUNDAMENTAL 2. § 1º. sempre que possível em articulação com as instituições de ensino superior que tenham experiência na área. inclusive para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria. formação de nível superior. Assegurar. todos os professores tenham habilitação específica de nível médio e. Realizar estudos sobre custo da educação infantil com base nos parâmetros de qualidade. em cada município ou por grupos de Município. 10. 15. Adaptar os prédios de educação infantil de sorte que. expansão. 9. Assegurar que. administração. Encaminhar ao Congresso Nacional projeto de lei visando à regulamentação daquele dispositivo. somente admitir novos profissionais na educação infantil que possuam a titulação mínima em nível médio. em dois anos. 11. em dez anos. no Brasil. e como instrumento para a adoção das medidas de melhoria da qualidade. 20. controle e avaliação das instituições de atendimento das crianças de 0 a 3 anos de idade. Estabelecer parâmetros de qualidade dos serviços de educação infantil. estabelecido no art. Promover debates com a sociedade civil sobre o direito dos trabalhadores à assistência gratuita a seus filhos e dependentes em creches e pré-escolas. 25. 18. assistência financeira. As matrículas do ensino fundamental brasileiro superam a casa dos 35 milhões. sejam atendidos os padrões mínimos de infraestrutura definidos na meta nº 2. todos estejam conformes aos padrões mínimos de infraestrutura estabelecidos. visando ao apoio técnico-pedagógico para a melhoria da qualidade e à garantia do cumprimento dos padrões mínimos estabelecidos pelas diretrizes nacionais e estaduais. o pleno domínio da leitura. de forma que. Implantar conselhos escolares e outras formas de participação da comunidade escolar e local na melhoria do funcionamento das instituições de educação infantil e no enriquecimento das oportunidades educativas e dos recursos pedagógicos. naquele nível todas as crianças de 7 anos ou mais que se encontrem na educação infantil. Estabelecer. na educação infantil. Estabelecer em todos os Municípios. Estabelecer um Programa Nacional de Formação dos Profissionais de educação infantil. nas normas complementares estaduais e nas sugestões dos referenciais curriculares nacionais. em três anos. b) que. da escrita e do cálculo constituem meios para o desenvolvimento da capacidade de aprender e de se relacionar no meio social e político. Garantir a alimentação escolar para as crianças atendidas na educação infantil. oferecendo. públicas ou privadas. o fornecimento de materiais pedagógicos adequados às faixas etárias e às necessidades do trabalho educacional. Estados e Municípios. em cinco anos. A partir da vigência deste plano. Instituir mecanismos de colaboração entre os setores da educação. 14. com base nas diretrizes nacionais. XXV. 32. nos estabelecimentos públicos e privados. e seu não oferecimento pelo Poder Público ou sua oferta irregular implica responsabilidade da autoridade competente. O art.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 3. em todos os Municípios. 17. 12. Observar as metas estabelecidas nos demais capítulos referentes à educação infantil. dando-se preferência à admissão de profissionais graduados em curso específico de nível superior. Assegurar que. Extinguir as classes de alfabetização incorporando imediatamente as crianças no ensino fundamental e matricular. da Constituição Federal. 2. 24. saúde e assistência na manutenção. programas de orientação e apoio aos pais com filhos entre 0 e 3 anos. VI e 211. com a colaboração da União. com a participação dos profissionais de educação neles envolvidos. em dez anos. (VETADO) 23. preferencialmente em articulação com instituições de ensino superior. um amplo consenso sobre a situação e os problemas do ensino fundamental. modalidade normal. que atendam aos requisitos de infraestrutura definidos no item anterior. inclusive das universidades e institutos superiores de educação e organizações não governamentais. bem como para a formação do pessoal auxiliar. que realize as seguintes metas: a) que. em todos os Municípios e com a colaboração dos setores responsáveis pela educação. § 1º. todas as instituições de educação infantil tenham formulado. de modo a atingir a meta estabelecida pela LDB para a década da educação. no prazo de três anos. Exercer a ação supletiva da União e do Estado junto aos Municípios que apresentem maiores necessidades técnicas e financeiras. 70% tenham formação específica de nível superior. Existe hoje. controle e supervisão da educação infantil. tínhamos mais de 8 milhões de pessoas nesta situação. nos estabelecimentos públicos e conveniados. 22. 7o. além de outros recursos municipais os 10% dos recursos de manutenção e desenvolvimento do ensino não vinculados ao FUNDEF sejam aplicados. somente autorizar construção e funcionamento de instituições de educação infantil. em cinco anos. com conteúdos específicos. nos termos dos arts. saúde e assistência social e de organizações não governamentais.

732 320 1.315 2.518 4.197 31.237 650. seja por incúria do Poder Público.684 92.135.270 24.210.521 116.609 1.883 245 17.373 29.341 111.365 91.383 65.638 437 4.050 2.054 244.072 1.448 664.565.340 27.176 638.585.679 242.121 130.669 13.961 1.483 18.791 604.399 423.553.691 480.431.097.447.057 1.127 10.423 839.232 50.985 30. G.do Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Sudeste Minas Gerais Espírito Santo Rio de Janeiro São Paulo Sul Paraná Santa Catarina R.565 452.372 1. reproduzindo o círculo da pobreza e da marginalidade e alienando milhões de brasileiros de qualquer perspectiva de futuro.716 85.119 De 7 a 14 Anos 26.814 3.440 262.060 33.459 7.830 22.279 36.532 5.187.530 357.766 286.335 13.618 24.892 1.080 53.061 3.712 90.991 27.616 7.803 9.904 1.815 364. isto é.423 182.377.224 424.818.984 22.511 37.690 185.150 1.165 1.172 12.686 91.098 498.578 8.383 25.847 105.633 29.890 209.863 2. do Sul Centro-Oeste M.590 2.169 516 24.853 115.211 1.479 688.808.488 577.387 276.146 71.506 974.441 28.Matrícula.870.948 412.770 44.995 44.777.953 216 13. Os dados evolutivos.195.279 49.779 1. do Sul Mato Grosso Goiás Distrito Federal Total Total 35.322 15.766.964 264. A consciência desse fato e a mobilização social que dela decorre têm promovido esforços coordenados das diferentes instâncias do Poder Público que resultaram numa evolução muito positiva do sistema de ensino fundamental como um todo.554 6.192 255.717 4.910 441.609 1.770.420 75.847 532.408 100.859 456 8.874 1.015 472.473 750.742 899 Rural De 7 a 14 anos 5.121 608 Fonte MEC/INEP/SEEC – (Nota: A idade foi obtida a partir do Ano do Nascimento informado no censo escolar.136 3.913 8.553 619.892 164 20.185 8. no ensino fundamental.842.066 113.686 956 1.878 17.468 598.131 1.512 54.857.809 130.015 531.173 De 15 a 19 anos 7.559 2.369.287 7.837 459.845 Mais de 19 anos 1.063 248.297.636 82.052 Menos de 7 anos 449.429 1.953 10.792.808 256.952 2.566 19.377.986 16.548 16.806 8.124 149.345 104.278 464.285 436.711 882.723 20.207.472 134.998 142.214 1.954 81.663.646 117.606.117 2.204 171.892 184.813 32.786 789.682 4.100 312.922 144.091 8.983 5.759 23.383 120.293.008 1.319 39.994 1.915 Total 6.266 951.490.863 48.466 632.729 22.056 229.333 149.266 377.470 215.724 149.161 2.822 11.313 68.388 605.652 171.175 412.686 19.305 172.018 2.629 552.780 10.361 97.156.580 215.736 5.938 20.016.742 71.910.935 4.836 11.991 4.305.331 45.062 810.693 150.020 69.881 77.411 16.736 642 1.075 744.220 144.466 849.924.758 15.987 952.785 2.472 3.712 149.728 63.742 2.769 50.251.175 Mais de 19 anos 221.631 3.097 224.143 15.247 1.561 2.534 50.855.224 24.073 8.392 346. em 25/3/98.993 12.142 787.964 10.796 152.262 86.303 350.407.287 2.273 34.227 731.537 97.180 12.815 32.648 1.001 15.916 12.355 57.526 18.169 2.447 1.886 595 42.082 241.079 43. indicam claramente esta questão.370 2.G. é a forma mais perversa e irremediável de exclusão social.672 499.036 32.446 13.558.062 195.584 82.813 117.526 248.805 34.153.558 80.876.169 12.992 140.375.239 122.137 18.342 73.289 11. pois nega o direito elementar de cidadania.761 9.446 10.394.079 21.149 983.238 116.254 94.698 40.818 103.714 3.103 16.912 701.954 10.876 557.082 134.067 14.868 1.593 8. seja por omissão da família e da sociedade.605 3.440 6.666 441.782 479 1.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A exclusão da escola de crianças na idade própria.492 485.248 8.104 4.299 12.815 86.823 5.G.288 Menos 7 anos 147.568 99. condensados na Tabela 2.786 2.554 3.586 463.771 1.380 4.177 513 2.838 4.378 126.303 66.034 22.880 1.178 3.948 71.394 159.630 250.480 1.921 2.777 614.137.382 296.361 864 3.864 6. foi considerada a idade que o aluno completou em 1998) Didatismo e Conhecimento 22 .719 322. por Faixa Etária e Localização – 1998 Matrícula por Faixa Etária e Localização Unidade da Federação Brasil Norte Rondônia Acre Amazonas Roraima Pará Amapá Tocantins Nordeste Maranhão Piauí Ceará R.880 308. Tabela 1 .295 54.918. em termos tanto de cobertura quanto de eficiência.539 428.698 4.249.606 De 15 a 19 anos 1.642 23.

A correção dessa distorção abre a perspectiva de.724 33.8 x 72.1 90. chegando a 64% o índice de distorção. de problemas localizados. do trabalho infantil.6% para 95%.650. De acordo com a contagem da população realizada pelo IBGE em julho de 1996.131.730 x 1.7 x 96.4 anos para completar as oito séries do ensino fundamental. Esse problema dá a exata dimensão do grau de ineficiência do sistema educacional do País: os alunos levam em média 10.531 x 8. Temos.2 89.4 116.9 Brasil 1991 1996 Norte 1991 1996 Nordeste 1991 1996 Sudeste 1991 1996 Sul 1991 1996 Centro-Oeste 1991 1996 xx 27.400. o ensino privado absorvia apenas 9.2 Diretrizes As diretrizes norteadoras da educação fundamental estão contidas na Constituição Federal.469 x 11. tanto em termos de cobertura como de sucesso escolar.209 x 6.773. por outro lado.2 96.8 x 79. É preciso que a União continue atenta a este problema. A taxa de atendimento subiu para 96%.811. Tendo em vista este conjunto de dados e a extensão das matrículas no ensino fundamental. são cerca de 2. o que tem sido um dos principais fatores de evasão.665 x 3.Taxas de Escolarização Bruta e Líquida na faixa etária de 7 a 14 anos Brasil e Regiões – 1991 e 1996 Região/ Ano População de 7 a 14 anos Matrícula no Ensino Fundamental Total x 29. de 95%. em ambos os casos. mantendo-se o atual número de vagas.674 x 4.339 2.369 4.475.528.8 116. No Nordeste essa situação é mais dramática. por sua vez. ampliar o ensino obrigatório para nove séries.899. portanto.5 82. as regiões Norte e Nordeste continuam apresentando as piores taxas de escolarização do País.5% das matrículas.5 x 110.201. mantendo a tendência decrescente de participação relativa.901.804. portanto.611.8 x 94.777.1 x 111. portanto aproximando-se da média nacional. verificamos que.649 x 9.852 x 3.161 Fontes: MEC/INEP/SEEC e IBGE Considerando-se o número de crianças de 7 a 14 anos matriculadas no ensino fundamental. priorizando o auxílio técnico e financeiro para as regiões que apresentam maiores deficiências.909.185.8 x 93. a qual. considerando a indissociabilidade entre acesso.601. a situação de distorção idade-série provoca custos adicionais aos sistemas de ensino. o que está muito próximo de uma universalização real do atendimento.693.248.589.774 x 2.1 x 99. concentrando-se em bolsões de pobreza existentes nas periferias urbanas e nas áreas rurais.9 x 94. Uma parcela dessa população pode ser reincorporada à escola regular e outra precisa ser atingida pelos programas de educação de jovens e adultos. o índice de atendimento dessa faixa etária (taxa de escolarização líquida) aumentou.9 116.876 2.127.8 x 118. o ensino fundamental deverá atingir a sua universalização.980 Taxa de Escolarização Líquida % x 86. apenas cerca de 622 mil frequentavam a 8ª série do ensino fundamental. que decorre basicamente da distorção idadesérie. Na maioria das situações.480 12. parte das quais nela já esteve e a abandonou. principalmente se tomarmos os dados já disponíveis de 1998: taxa bruta de escolarização de 128% e líquida. O problema da exclusão ainda é grande no Brasil.428 25. As diferenças regionais estão diminuindo. na faixa de 7 a 14 anos. De acordo com o censo escolar de 1996.958.180.062 2.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Tabela 2 . Trata-se.914 7. permanência e qualidade da Didatismo e Conhecimento 23 . devem garantir os recursos para a correção dessas desigualdades.089 x 10. A desigualdade regional é grave.822 Taxa Escolarização Bruta % x 105.558.737. o ingresso no ensino fundamental é relativamente tardio no Brasil.330 11. Em 1998.701 1.203.532 9. sob a responsabilidade do Poder Público. Não basta. para sua subsistência. que depende.525.4 94.157 2.0 114. em comparação com os demais países.140. dos 3. está relacionado à precariedade do ensino e às condições de exclusão e marginalidade social em que vivem segmentos da população brasileira. abrir vagas.860 x 1. Esta medida é importante porque.2 114.230 1. Apesar do expressivo aumento de 9 pontos percentuais de crescimento entre 1991 e 1998.007 x 1. Programas paralelos de assistência a famílias são fundamentais para o acesso à escola e a permanência nela.6 126.820. de 86% para cerca de 91% entre 1991 e 1996. A existência de crianças fora da escola e as taxas de analfabetismo estão estreitamente associadas. outras que frequentam classes de alfabetização.580 28. o atendimento é ainda maior e o progresso igualmente impressionante: entre 1991 e 1998.803. em 1998. o que inclui algumas que estão na pré-escola. o fato de ainda haver crianças fora da escola não tem como causa determinante o déficit de vagas.815 x 2. Corrigir essa situação constitui prioridade da política educacional. na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e nas Diretrizes Curriculares para o ensino fundamental.270 x 2.246. 2. sendo de seis anos a idade padrão na grande maioria dos sistemas.475. é surpreendente e inaceitável que ainda haja crianças fora da escola. o número de crianças de 7 a 14 anos efetivamente matriculadas em algum nível de ensino.9 94.5 milhões de adolescentes nessa faixa etária. O progresso foi impressionante. com início aos seis anos de idade. mais de 46% dos alunos do ensino fundamental têm idade superior à faixa etária correspondente a cada série. pois nas regiões Norte e Nordeste a taxa de escolarização líquida passou a 90%. assim como o Projeto Nordeste/Fundescola. além de uma parcela muito reduzida que já ingressou no ensino médio.965.474 10. Se considerarmos. Tomando como referência apenas as crianças de 14 anos. essa taxa de atendimento cresceu de 91. O Fundo Nacional de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério.860 3. da população muito pobre. Além de indicar atraso no percurso escolar dos alunos.417.7 milhões de crianças de 7 a 14 anos fora da escola.194 3. é consequência dos elevados índices de reprovação.214 10.333 x 10. mantendo as crianças por período excessivamente longo no ensino fundamental. inclusive nos demais países da América Latina. uma situação de inchaço nas matrículas do ensino fundamental.171.780. Nos cinco primeiros anos de vigência deste plano.010.3 Matrícula no Ensino Fundamental 7 a 14 anos x 23.

O turno integral e as classes de aceleração são modalidades inovadoras na tentativa de solucionar a universalização do ensino e minimizar a repetência. em dez anos. Reforçando o projeto político-pedagógico da escola. h) informática e equipamento multimídia para o ensino. A atualidade do currículo. gradualmente. em todos os sistemas de ensino e com o apoio da União e da comunidade escolar. alunos. Além do atendimento pedagógico. oportunizando orientação no cumprimento dos deveres escolares. c) espaços para esporte. Estabelecer. Os temas estão vinculados ao cotidiano da maioria da população. meio ambiente. a consolidação e o aperfeiçoamento do censo escolar. § 2º. A expressiva presença de jovens com mais de 14 anos no ensino fundamental demanda a criação de condições próprias para a aprendizagem dessa faixa etária. com os equipamentos discriminados nos itens de”e” a “h”. com procedimentos como renda mínima associada à educação. garantindo o acesso e a permanência de todas as crianças na escola. mudanças significativas deverão ocorrer quanto à expansão da rede física. que deverão orientar-se pelo princípio democrático da participação. em cinco anos. Deve-se assegurar a melhoria da infraestrutura física das escolas. com a colaboração da União. mas ao ensino de qualidade. segurança e temperatura ambiente. os recursos didáticos e às formas peculiares com que a juventude tem de conviver. prática de esportes. 6. sobretudo nos Municípios de menor renda. Esta estrutura curricular deverá estar sempre em consonância com as diretrizes emanadas do Conselho Nacional de Educação e dos conselhos de educação dos Estados e Municípios. Universalizar o atendimento de toda a clientela do ensino fundamental. equipamentos e materiais pedagógicos. especialmente para crianças carentes. em seu art. A gestão da educação e a cobrança de resultados. finalmente. A partir do segundo ano da vigência deste plano. pois a oferta de ensino fundamental precisa chegar a todos os recantos do País e a ampliação da oferta de quatro séries regulares em substituição às classes isoladas unidocentes é meta a ser perseguida. 5. assim como do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB). padrões mínimos nacionais de infraestrutura para o ensino fundamental. recreativas e a adequação de equipamentos. Ampliar para nove anos a duração do ensino fundamental obrigatório com início aos seis anos de idade. no prazo de cinco anos a partir da data de aprovação deste plano. até a conclusão. que surgiram como importante proposta e eficiente orientação para os professores. entre outros. e) atualização e ampliação do acervo das bibliotecas. Regularizar o fluxo escolar reduzindo em 50%. A LDB. 4. água potável. em decorrência. f) mobiliário. a escola tem responsabilidades sociais que extrapolam o simples ensinar. eliminando mais celeremente o analfabetismo e elevando gradativamente a escolaridade da população brasileira. A oferta qualitativa deverá. dos Estados e dos Municípios. trabalho e consumo. O atendimento em tempo integral. d) adaptação dos edifícios escolares para o atendimento dos alunos portadores de necessidades especiais. faz-se necessário ampliar o atendimento social. A ampliação da jornada escolar para turno integral tem dado bons resultados. a critério dos sistemas de ensino. permitindo que crianças e adolescentes permaneçam na escola o tempo necessário para concluir este nível de ensino. biblioteca e serviço de merenda escolar. A escola rural requer um tratamento diferenciado. 7. contemplando-se desde a construção física. em cinco anos. O atraso no percurso escolar resultante da repetência e da evasão sinaliza para a necessidade de políticas educacionais destinadas à correção das distorções idade-série. a totalidade dos itens. para os alunos do ensino fundamental.3 Objetivos e Metas 1. garantindo efetiva aprendizagem. Para garantir um melhor equilíbrio e desempenho dos seus alunos. preconiza a progressiva implantação do ensino em tempo integral. regularizar os percursos escolares.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS educação escolar. podendo dimensionar as necessidades e perspectivas do ensino médio e superior. por meio de programas de aceleração da aprendizagem e de recuperação paralela ao longo do curso. generalizando inclusive as condições para a utilização das tecnologias educacionais em multimídia. 2. . no mínimo em duas refeições. até os espaços especializados de atividades artístico-culturais. Elaborar. incluindo: a) espaço. As novas concepções pedagógicas. surgem os conselhos escolares. 3. recreação. livro didático e transporte escolar. À medida que forem sendo implantadas as escolas de tempo integral. tanto das metas como dos objetivos propostos neste plano. atendimento diferenciado da alimentação escolar e disponibilidade de professores. consideradas as peculiaridades regionais e a sazonalidade. adequadas à sua maneira de usar o espaço. abre novas perspectivas no desenvolvimento de habilidades para dominar esse novo mundo que se desenha. g) telefone e serviço de reprodução de textos. o tempo. as taxas de repetência e evasão. compatíveis com o tamanho dos estabelecimentos e com as realidades regionais. professores e demais trabalhadores da educação. b) instalações sanitárias e para higiene. como a própria expressão da organização educativa da unidade escolar. insolação. é um avanço significativo para diminuir as desigualdades sociais e ampliar democraticamente as oportunidades de aprendizagem. no prazo de um ano. desenvolvimento de atividades artísticas e alimentação adequada. esportivas. alimentação escolar. programas para equipar todas as escolas. O direito ao ensino fundamental não se refere apenas à matrícula. rede elétrica. considerando a especificidade de horários. E. ventilação. à medida que for sendo universalizado o atendimento na faixa de 7 a 14 anos. A oferta de cursos para a habilitação de todos os profissionais do magistério deverá ser um compromisso efetivo das instituições de educação superior e dos sistemas de ensino. 2. Além do currículo composto pelas disciplinas Didatismo e Conhecimento 24 tradicionais. envolverão comunidade. todas as escolas atendam os itens de “a” a “d” e. pais. estabelecendo em regiões em que se demonstrar necessárioprogramas específicos. e a criação de sistemas complementares nos Estados e Municípios permitirão um permanente acompanhamento da situação escolar do País. Assegurar que. valorizando um paradigma curricular que possibilite a interdisciplinaridade. iluminação. É preciso avançar mais nos programas de formação e de qualificação de professores. sinalizaram a reforma curricular expressa nos Parâmetros Curriculares Nacionais. com adaptações adequadas a portadores de necessidades especiais. 34. embasadas na ciência da educação. pluralidade cultural. propõem a inserção de temas transversais como ética. somente autorizar a construção e funcionamento de escolas que atendam aos requisitos de infraestrutura definidos.

30. tratada como tema transversal. em dois anos. Assegurar a elevação progressiva do nível de desempenho dos alunos mediante a implantação. com previsão de professores e funcionários em número suficiente. de forma a garantir a escolarização dos alunos e o acesso à escola por parte do professor. nas escolas de tempo integral. com colaboração financeira da União. em ações conjuntas da União. a instituição de conselhos escolares ou órgãos equivalentes.795/99. que abranja um período de pelo menos sete horas diárias. Assegurar. o ensino médio comportaria bem menos que metade de jovens desta faixa etária. Transformar progressivamente as escolas unidocentes em escolas de mais de um professor. econômica. Manter e consolidar o programa de avaliação do livro didático criado pelo Ministério de Educação. Estavam matriculados no ensino médio. em três anos. no mesmo ano. 28. Eliminar a existência. 19. Assegurar que. Estados e Municípios. Prover. formação de professores. será desenvolvida como uma prática educativa integrada. Esses pequenos incrementos anuais terão efeito cumulativo. resultarão em uma mudança nunca antes observada na composição social.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 8. progressivamente a jornada escolar visando expandir a escola de tempo integral. Ao final de alguns anos. 15. embora as estatísticas demonstrem que os concluintes do ensino fundamental começam a chegar à terceira etapa da educação básica em número um pouco maior. 9. por diversas razões. Em primeiro lugar porque. preferencialmente para as crianças das famílias de menor renda. por bairro ou distrito de residência e/ou locais de trabalho dos pais. 23. 13. 21.580.1 Diagnóstico Considerando o processo de modernização em curso no País. 27. cultural e etária do alunado do ensino médio. Associar as classes isoladas unidocentes remanescentes a escolas de. 5.401 estudantes. 10. de forma a adequá-los às características da clientela e promover a eliminação gradual da necessidade de sua oferta. nos moldes do Programa de Renda Mínima Associado a Ações Socioeducativas. bem como a adequada formação profissional dos professores. Ampliar progressivamente a oferta de livros didáticos a todos os alunos das quatro séries finais do ensino fundamental. A educação ambiental. com prioridade para as regiões nas quais o acesso dos alunos ao material escrito seja particularmente deficiente. a Renda Mínima Associada a Ações Socioeducativas para as famílias com carência econômica comprovada. no caso do ensino médio. ENSINO MÉDIO 3. Estabelecer. 3. Promover a participação da comunidade na gestão das escolas. levando em consideração as realidades e as necessidades pedagógicas e de aprendizagem dos alunos. Justamente em virtude disso. Isso é muito pouco. 20. Elevar de quatro para cinco o número de livros didáticos oferecidos aos alunos das quatro séries iniciais do ensino fundamental. dos Estados e Municípios. Articular as atuais funções de supervisão e inspeção no sistema de avaliação. Significa que. no caso brasileiro. de forma a cobrir as áreas que compõem as Diretrizes Curriculares do ensino fundamental e os Parâmetros Curriculares Nacionais. universalizando. Didatismo e Conhecimento 25 24. considerando a especificidade do alunado e as exigências do meio. 29. Integrar recursos do Poder Público destinados à política social. como espaço de participação e exercício da cidadania. que a carga horária semanal dos cursos diurnos compreenda. quatro séries completas. a reorganização curricular dos cursos noturnos. contínua e permanente em conformidade com a Lei nº 9. Estados e Municípios. Observar as metas estabelecidas nos capítulos referentes à educação a distância. 12. sem prejuízo do atendimento da demanda. especialmente quando se considera a acelerada elevação do grau de escolaridade exigida pelo mercado de trabalho. a expansão do ensino médio pode ser um poderoso fator de formação para a cidadania e de qualificação profissional.383 habitantes na faixa etária de 15 a 19 anos. 26. o provimento da alimentação escolar e o equilíbrio necessário garantindo os níveis calóricos-proteicos por faixa etária. obras básicas de referência e livros didático-pedagógicos de apoio ao professor as escolas do ensino fundamental. Ampliar. os cálculos das taxas de atendimento dessa faixa etária são pouco confiáveis. muito menor que nos demais países latino-americanos em desenvolvimento. Prever formas mais flexíveis de organização escolar para a zona rural.** 11. textos científicos. . na medida em que estão relacionadas às previstas neste capítulo. quando necessário. do negro e do índio. apoio às tarefas escolares. com a colaboração da União. Apoiar e incentivar as organizações estudantis. se o fluxo escolar fosse regular. 20 horas semanais de efetivo trabalho escolar. em todos os sistemas de ensino. a cada ano. educação indígena. educação especial e financiamento e gestão. por meio de censo educacional. a prática de esportes e atividades artísticas. com observância das Diretrizes Curriculares para o ensino fundamental e dos Parâmetros Curriculares Nacionais.933. todas as escolas tenham formulado seus projetos pedagógicos. Estimular os Municípios a proceder um mapeamento. no mínimo duas refeições. Em segundo lugar. o ensino médio tem um importante papel a desempenhar. estabelecendo entre seus critérios a adequada abordagem das questões de gênero e etnia e a eliminação de textos discriminatórios ou que reproduzam estereótipos acerca do papel da mulher. 16. 14. nas escolas. em dois anos. Garantir. 22. em virtude das elevadas taxas de repetência no ensino fundamental. A situação agrava-se quando se considera que. 18. visando localizar a demanda e universalizar a oferta de ensino obrigatório. Tanto nos países desenvolvidos quanto nos que lutam para superar o subdesenvolvimento. 17. de um programa de monitoramento que utilize os indicadores do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica e dos sistemas de avaliação dos Estados e Municípios que venham a ser desenvolvidos. 25. Prover de transporte escolar as zonas rurais. porque há um grande número de adultos que volta à escola vários anos depois de concluir o ensino fundamental. pelo menos. idealmente. os jovens chegam ao ensino médio bem mais velhos. é particularmente preocupante o reduzido acesso ao ensino médio. pelo menos. Prover de literatura. dentro de três anos. de mais de dois turnos diurnos e um turno noturno. das crianças fora da escola. para garantir entre outras metas. A Contagem da População realizada pelo IBGE em 1997 acusa uma população de 16.

Há. a matrícula evoluiu de 3. este índice caiu para 50.9 Fonte: MEC/INEP/SEEC. os índices de conclusão nas últimas décadas sinalizam que há muito a ser feito. 74% dos que iniciavam o ensino médio conseguiam concluí-lo na coorte 1977-80.1 36.968.8 48.4 1995 Reprovação 10. O ensino médio convive. devendo-se supor que já estejam inseridos no mercado de trabalho.8%.0 64.3 41.8%.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Em virtude dessas duas condições.9 3ª série 51. na de 1991-94.968. A exclusão ao ensino médio deve-se às baixas taxas de conclusão do ensino fundamental. por sua vez.8 76. o que está claramente associado a uma recente melhoria do ensino fundamental e à ampliação do acesso ao ensino médio.7 7.531 x 122.8% da população de 15 a 17 anos não se explica. Os números do abandono e da repetência. Apenas no período de 1991a 1998.757 176.6 4. em idade pedagogicamente adequada (Tabela 5 ).7 66.2 20.1 37.230 para 6.6 72.1 9.769 1.0 46.9 74.4 39.9 10.612 x 128.6 36.9 10. estão associadas à baixa qualidade daquele nível de ensino. De fato os 6. entretanto. já ocorridas.3 Fonte: MEC/INEP/SEEC Nota: Não incluído o não-seriado nas taxas de reprovação Desagregados por regiões.0 16.7 25. da qual resultam elevados índices de repetência e evasão.1 12.641 x 96. a demanda por ensino médio deverá se ampliar de forma explosiva.1 10.5 55. de acordo com censo escolar. por desinteresse do Poder Público em atender à demanda.6 32.817.6 19.474 3.3 52.0 51. como resultado do esforço que está sendo feito para elevar as taxas de conclusão da 8ª série.2 33. Informe Estatístico.688 – estudavam à noite. a idade recomendada é de 15 anos para a 1ª série.7 12.1 Tabela 4 .8 2ª série 54.2 75. 16 para a 2ª e 17 para a 3ª série.7 65.Ensino Médio – Taxa de Abandono e Reprovação 1995 e 1997 Regiões Abandono Brasil Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste 21.226. 1996 e censo escolar 1998 O número reduzido de matrículas no ensino médio – apenas cerca de 30.1 Total 31.6 69.472.2 49.092 2.1 Total 21.0 10.0 48.8 70.968.120.1 58. entretanto.4 49.770.9 86.4 43.8 53. Tabela 5 . O mais importante deles é que este foi o nível de ensino que apresentou maior taxa de crescimento nos últimos anos.0 x 3.1 53.4 60.015. Tabela 3 .ou seja 3.5 23.2 53.872 % 100.2 69.2 114.6 17.5 x -25.531 alunos do ensino médio. ainda são bastante desfavoráveis (Tabela 4).0 x 2.6 17.6 57.8 x 19. que. ao lado das taxas de distorção idade-série.4 44.6 72.770.7 28.5 50.488 1. os dados da repetência e abandono.789 2. também.8 Crescimento % 84.751.0 26.017.Ensino Médio – Taxa de Distorção idade-série 1996-1998 Regiões Brasil 1996 1998 Norte 1996 1998 Nordeste 1996 1998 Sudeste 1996 1998 Sul 1996 1998 Centro-Oeste 1996 1998 Total Geral 55. A 4ª série do ensino médio não é incluída nos cálculos. com alta seletividade interna. Nos próximo anos.5 6.2 35. em 1998.7 43. em todo o sistema.4 26. permitem visualizar – na falta de políticas específicas – em que região haverá maior percentual de alunos no ensino médio.5 1998 Valor Absoluto 6.3 16.0 18. Didatismo e Conhecimento 26 .9 68. Causas externas ao sistema educacional contribuem para que adolescentes e jovens se percam pelos caminhos da escolarização.8 68.8 73.0 4.6 52.6 20.2 71.7 33.4 53. 54.475 317.1 10.1 91.2 53. Fonte: MEC/INEP/SEEC Nota: Para o ensino médio. Se os alunos estão chegando em maior número a esse nível de ensino.6 62.637 % 100. o ensino médio atende majoritariamente jovens e adultos com idade acima da prevista para este nível de ensino (Tabela 3).7 1ª série 57.804 1.7 26. Na coorte 1970-73.0 x 1.Ensino Médio – Matrícula Brasil – 1991 e 1998 Dependência Administrativa Faixa Etária Total Dependência Administrativa Federal Estadual Municipal Particular Faixa Etária Menos de 15 anos 15 a 17 anos Mais de 17 anos 1991 Valor Absoluto 3.8% . conforme estimativas contidas na Tabela 6.7 56.4 79. apesar da melhoria dos últimos anos. agravadas por dificuldades da própria organização da escola e do processo ensino-aprendizagem.625.2 1997 Reprovação 7.9 57. pois a oferta de vagas na 1ª série do ensino médio tem sido consistentemente superior ao número de egressos da 8ª série do ensino fundamental.185 3.301.3 71.230 x 103. pois apresenta características diferentes das outras séries.4 77.2 26.3 47.6 x 1. para 43.0 41.5 7.927 5.3 10.5 Abandono 13.7 27.4 36.4 41. aspectos positivos no panorama do ensino médio brasileiro.531 alunos.8 73.

35% daquele atendido no nível fundamental. conforme disposto no art.739 6. prioritariamente. O Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) e. basicamente. Uma educação que propicie aprendizagem de competências de caráter geral.446 10. domínio de aptidões básicas de linguagens.164 20.552 17. às matrículas na rede estadual (Tabela 3). posteriormente na passagem do antigo primário ao ginásio. recursos adicionais como os que existem para o ensino fundamental na forma do Salário Educação. II. compreensão dos processos produtivos. especialmente quando se considera que o ensino fundamental consta de oito séries e o Médio. o estabelecimento de um sistema de avaliação. entre objetivos humanistas ou econômicos. Um aspecto que deverá ser superado com a implementação das Novas Diretrizes Curriculares para o ensino médio e com programas de formação de professores. habilidades para incorporar valores éticos de solidariedade. no ensino médio.313 5. Em vista disso. atesta o caráter cada vez mais público deste nível de ensino. percepção da dinâmica social e capacidade para nela intervir. abstração. entretanto. Preparando jovens e adultos para os desafios da modernidade.255 17. De fato. prioritariamente. a tensão expressa nos privilégios e nas exclusões decorre da origem social. comunicação. o ensino médio deverá permitir aquisição de competências relacionadas ao pleno exercício da cidadania e da inserção produtiva: autoaprendizagem.879 32. o número de alunos matriculados será. 3. o ensino médio proposto neste plano deverá enfrentar o desafio dessa dualidade com oferta de escola média de qualidade a toda a demanda. Entre os diferentes níveis de ensino. é essencial para o acompanhamento dos resultados do ensino médio e correção de seus equívocos. que devem ser destinados prioritariamente à educação básica. mesmo com a universalização do ensino médio. o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). foi no ensino médio que se observou o maior crescimento de matrículas do País. cooperação e respeito às individualidades. que aspirem melhoria social e salarial e precisem dominar habilidades que permitem assimilar e utilizar.027 21.325 15. em seguida pela diferenciação da qualidade do ensino oferecido. a oferta da educação média de qualidade não pode prescindir de definições pedagógicas e administrativas fundamentais a uma formação geral sólida e medidas econômicas que assegurem recursos financeiros para seu financiamento.383 10. do número dos que conseguem concluir a escola obrigatória. .947 34. os demais 10% vinculados à educação deverão ser aplicados. certamente. Na disputa permanente entre orientações profissionalizantes ou acadêmicas. De 1985 a 1994. vai permitir que um Didatismo e Conhecimento 27 crescente número de jovens ambicione uma carreira educacional mais longa. de segmentos já inseridos no mercado de trabalho. à semelhança do que ocorre com o ensino fundamental. Assim. assim como a Lei de Diretrizes e Bases. a maior crise em termos de ausência de definição dos rumos que deveriam ser seguidos em seus objetivos e em sua organização. constituem importantes mecanismos para promover a eficiência e a igualdade do ensino médio oferecido em todas as regiões do País.962 8. esse foi o que enfrentou. Como os Estados e o Distrito Federal estão obrigados a aplicar 15% da receita de impostos no ensino fundamental. Ao longo dos dez anos de vigência deste plano. Pelo caráter que assumiu na história educacional de quase todos os países. no máximo. em muitos Estados. o surpreendente crescimento do ensino médio se deve.Educação Básica – Matrículas Brasil: 1995 – 2010 (em mil) Ano x 1995 1996 1998 2000* 2002* 2004* 2005* 2008* 2010* x Total 32.225 Fundamental 1ª a 4ª 20. a diretrizes que levem à correção do fluxo de alunos na escola básica. de forma clara.666 15. Se. dependerá da utilização judiciosa dos recursos vinculados à educação. no passado mais longínquo. forme pessoas mais aptas a assimilar mudanças. capacidade de observar.020 10. Estatísticas recentes confirmam esta tendência. os demais 10% vinculados à educação deverão ser aplicados. nos últimos anos.544 33. esse crescimento foi superior a 100%. Quanto ao financiamento do ensino médio.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Tabela 6 . que respeitem as diferenças e superem a segmentação social. hoje ele se dá no limiar e dentro do ensino médio. para este nível de ensino.562 18. e os sistemas estatísticos já disponíveis. a Emenda Constitucional nº 14.2 Diretrizes O aumento lento.282 18.503 13. mais recentemente.488 35.624 15. Essa destinação deve prover fundos suficientes para a ampliação desse nível de ensino. Por outro lado. isso significa que. associado à tendência para a diminuição da idade dos concluintes. de apenas três. 208. Desde meados dos anos 80. interpretar e tomar decisões. que. a ampliação do ensino médio vem competindo com a criação de universidades estaduais. operados pelo MEC.439 34. a demanda pelo ensino médio – terceira etapa da educação básica – vai compor-se.104 14. especialmente porque não há. A diminuição da matrícula na rede privada.253 33.151 19. mas contínuo.774 10. serão criados em outras. como os Estados estão obrigados a aplicar 15% da receita de impostos no ensino fundamental. sem comprometer os 25% constitucionalmente vinculados à educação. o ponto de ruptura do sistema educacional brasileiro situou-se no acesso à escola. Assim. As metas de expansão da oferta e de melhoria da qualidade do ensino médio devem estar associadas. também. Esta destinação assegurará a manutenção e a expansão deste nível de ensino nos próximos anos. da Constituição Federal que prevê como dever do Estado a garantia da progressiva universalização do ensino médio gratuito. produtivamente. mais autônomas em suas escolhas. no ensino médio.288 15.369 Fonte: MEC/INEP/SEEC (*) Dados estimados Entretanto.041 20.813 32.261 14. hoje com índices de distorção idade-série inaceitáveis. nessa instância federativa. sobretudo nas áreas de Ciências e Matemática. A expansão futura.980 Médio 5.297 10. Há de se considerar. atribui aos Estados a responsabilidade pela sua manutenção e desenvolvimento. enquanto no ensino fundamental foi de 30%.245 x 5ª a 8ª 12. O mais razoável seria promover a expansão da educação superior estadual com recursos adicionais. a educação média é particularmente vulnerável à desigualdade social.691 15. os sistemas de avaliação já existentes em algumas unidades da federação que. no caso do ensino médio. porém.131 35. não se trata apenas de expansão. recursos tecnológicos novos e em acelerada transformação.

4. a uma revisão da organização didático-pedagógica e administrativa do ensino noturno. Adotar medidas para a universalização progressiva de todos os padrões mínimos durante a década. Reduzir. 20.3 Objetivos e Metas 1. correspondam a 50% e.1 Diagnóstico A educação superior enfrenta. no prazo de cinco anos. 16.EDUCAÇÃO SUPERIOR 4. em cinco anos. Assim. a nova concepção curricular elaborada pelo Conselho Nacional de Educação. 10. mobiliário. as diretrizes do Plano Nacional de Educação apontam para a criação de incentivos e a retirada de todo obstáculo para que os jovens permaneçam no sistema escolar e. Adaptar. j) telefone e reprodutor de texto. Reconhece-se que a carência de professores da área de Ciências constitui problema que prejudica a qualidade do ensino e dificulta tanto a manutenção dos cursos existentes como sua expansão. Assegurar que. o tempo e os recursos didáticos disponíveis. 208. Assegurar a autonomia das escolas. o atendimento da totalidade dos egressos do ensino fundamental e a inclusão dos alunos com defasagem de idade e dos que possuem necessidades especiais de aprendizagem. (Tabela 7). todas as escolas estejam equipadas. equipamentos e materiais pedagógicos. implementada através de qualificação dos professores e da adaptação das escolas quanto às condições físicas. Quando necessário atendimento especializado. os cerca de 1. III) de integração dos portadores de deficiência na rede regular de ensino será. c) no prazo de dois anos. ventilação e insolação dos prédios escolares. 14. em cinco anos. já elaboradas e aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação. pelo menos 50%. serão observadas diretrizes específicas contidas no capítulo sobre educação especial. em cinco anos. Melhorar o aproveitamento dos alunos do ensino médio. sérios problemas. que todos os professores do ensino médio possuam diploma de nível superior. das quatro primeiras séries do ensino fundamental e da educação infantil. às de formação. a 100% da demanda de ensino médio. 11. Estabelecer. 3. fortemente. no prazo de um ano. Implantar e consolidar. incentivando a criação de instalações próprias para esse nível de ensino. 7. iluminação.5 milhões de jovens egressos do nível médio têm à sua disposição um número razoável de vagas. 12. uma política de gestão da infraestrutura física na educação básica pública. pelo menos. capacitação e valorização do magistério. também. de facilitar a delimitação de instalações físicas próprias para o ensino médio separadas. tratadas noutra parte deste documento. 19. c) espaço para esporte e recreação. incluindo: a) espaço. será desenvolvida como uma prática educativa integrada. com biblioteca. Elaborar. as metas estabelecidas nos capítulos referentes à formação de professores. programa emergencial para formação de professores. 3. b) a expansão gradual do número de escolas públicas de ensino médio de acordo com as necessidades de infraestrutura identificada ao longo do processo de reordenamento da rede física atual. 13. suficiente para garantir o atendimento dos alunos que trabalham. em dez anos. e) adaptação dos edifícios escolares para o atendimento dos alunos portadores de necessidades especiais. 18. progressivamente. EDUCAÇÃO SUPERIOR 4. Assegurar que. h) atualização e ampliação do acervo das bibliotecas incluindo material bibliográfico de apoio ao professor e aos alunos. em cinco anos. pelo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e pelos sistemas de avaliação que venham a ser implantados nos Estados. de forma a adequá-lo às necessidades do aluno-trabalhador. a partir do primeiro ano deste Plano. oportunidades de formação nesse nível de ensino àqueles que não a possuem. que o ensino médio atende a uma faixa etária que demanda uma organização escolar adequada à sua maneira de usar o espaço. A educação ambiental. f) instalação para laboratórios de ciências. a repetência e a evasão. para melhoria do ensino e da aprendizagem. g) informática e equipamento multimídia para o ensino. de forma a atingir níveis satisfatórios de desempenho definidos e avaliados pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB).CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Há que se considerar. tanto no que diz respeito ao projeto pedagógico como em termos de gerência de recursos mínimos para a manutenção do cotidiano escolar. 8. padrões mínimos nacionais de infraestrutura para o ensino médio. para incentivar a participação da comunidade na gestão. em decorrência da universalização e regularização do fluxo de alunos no ensino fundamental. aos 17 ou 18 anos de idade. Apoiar e incentivar as organizações estudantis. especialmente nas áreas de Ciências e Matemática. no ensino médio. d) espaço para a biblioteca. d) o oferecimento de vagas que. no prazo de cinco anos. Formular e implementar. entre outros. no que diz respeito ao ensino médio. 2. Como nos demais níveis de ensino. da rede de escolas públicas que contemple a ocupação racional dos estabelecimentos de ensino estaduais e municipais. 28 b) instalações sanitárias e condições para a manutenção da higiene em todos os edifícios escolares. A disposição constitucional (art. Adotar medidas para ampliar a oferta diurna e manter a oferta noturna. 17. em 5% ao ano. i) equipamento didático-pedagógico de apoio ao trabalho em sala de aula. 15. sem prejuízo da qualidade do ensino. a totalidade das escolas disponham de equipamento de informática para modernização da administração e para apoio à melhoria do ensino e da aprendizagem. as metas do PNE devem associar-se. de forma a diminuir para quatro anos o tempo médio para conclusão deste nível. e. Não autorizar o funcionamento de novas escolas fora dos padrões de “a” a “g”. Observar. Proceder. em 10 anos. como espaço de participação e exercício da cidadania. no Brasil. a contar da vigência deste Plano. financiamento e gestão e ensino a distância. Criar mecanismos. pelo menos.795/99. em dois anos. 6. de forma a atender aos padrões mínimos estabelecidos. manutenção e melhoria das condições de funcionamento das escolas. oferecendo. como conselhos ou equivalentes. Esses elementos devem pautar a organização do ensino a partir das novas diretrizes curriculares para o ensino médio. Adotar medidas para a universalização progressiva das redes de comunicação. compatíveis com as realidades regionais. Atualmente. Didatismo e Conhecimento . as escolas existentes. inclusive. 5. que assegure: a) o reordenamento. telefone e reprodutor de textos. 9. com o objetivo. tratada como tema transversal. Assegurar. em um ano. contínua e permanente em conformidade com a Lei nº 9. B. que se agravarão se o Plano Nacional de Educação não estabelecer uma política que promova sua renovação e desenvolvimento. estejam concluindo a educação básica com uma sólida formação geral.

160 90.531 388.18 60.318 Fonte : INEP/MEC .940 340.736 629.987 395. como decorrência de uma pressão de demanda a partir da “questão dos excedentes”. Apenas em 1998.317 44.659 134.03 37. para 2 milhões e 125 mil em 1998.950 Particular 764 3.516 690.339 109.980 454. como resultado conjugado de fatores demográficos.48 37. Nestas. A matrícula no ensino médio deverá crescer nas redes estaduais.522 325.868.564 885.00 40.321. 55% dos estudantes deste nível frequentavam cursos noturnos. A matrícula nas instituições de educação superior vem apresentando um rápido crescimento nos últimos anos.00 59.13 59.14 Fonte : MEC/INEP A participação do ensino privado no nível superior aumentou sobretudo na década de 70.490 961.dados referentes a 1998 Entretanto.05 59.102 1.594 94.759.418.054 850.987 1.341 83.632 584.265 92.387 363.535. Didatismo e Conhecimento 29 .667 83.186.031 124.645 92.71 41.594.794 103.353 776.518.286 93.056 1.64 60.734 329.36 39.417 202.535 231.125.229 % Particular 64.059.26 61.82 39. o número total de matriculados saltou de 1 milhão e 945 mil.Evolução da Matrícula por Dependência Administrativa– Brasil . em 1997.414 578.367.455 959.283 308.índice igual ao atingido pelo sistema em toda a década de 80.788 1.982 859.433 1.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Tabela 7 .118 326.42 61.57 38.680 577. bem acima das públicas. prevê -se uma explosão na demanda por educação superior.599 862.388 576.58 38.97 62.26 60.29 59.879 556.565.529 1. 18.584 1.929 840.945.697 194.286 1.135 325.590 918.29 59.950 651.64 38.197 156.640 Estadual 109.729 % Públicas 35.965 585.540. Houve.678 Federal 57 1.74 39.660 810.386.470.22 61.678 274.958 Federal 316.788 1.789 168.109 87.217 316. o crescimento foi de 12.831 315.Quadro do Ensino Superior no Brasil – 1998 E n s i n o Total Superior Instituições Cursos Ingressantes V a g a s oferecidas Vagas não preenchidas 973 6. De 1994 para cá.792 1. na rede estadual esta porcentagem sobe para 62%.306 115. Em 1998.267 4.125 67.423 317.08 40.689 571. portanto.904 1.615 2. aumento das exigências do mercado de trabalho.816 153.374 89.320 906.971 93.555 1.196 1.540 735.92 59.715 313.101 253.303 827.95 40. .555 1.671 121. o número de alunos subiu 36.199 326.86 Particular 885.736 193.1980 – 1998 Ano 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 Total 1. Nos últimos vinte anos. e 27.434 75.668 1.884 344.232 535.013 146.543 367.182 804.609 1.52 62.74 38.06 61.252 129.503 76.427 759.888 70.351 584.342 98.547 89. um crescimento de 9%.399.43 60.934 Municipal 66.628 Estadual 74 1.1% nas instituições privadas.784 75. Isto é. além das políticas de melhoria do ensino médio.87 40.080 1.4% nas federais.152 970. haverá uma demanda crescente de alunos carentes por educação superior.934 96. sendo provável que o crescimento seja oriundo de alunos das camadas mais pobres da população.155 Total Públicas 492.810 548.703 1.71 40.338 89.936 239.503.377.315 210.99 41.133 216.539 1.78 38. Tabela 8 .215 243. o setor privado tem oferecido pouco menos de dois terços das vagas na educação superior (Tabela 8).034 1.163 1.662 653.6% nas municipais.5% nas estaduais.94 38.438.661.039 190.204 934.670 2.867 320.126 941.407.625 605.782 Municipal 78 507 39.01 58.988 570.992 1.833 408.36 61.450 700.901 147.133.

321. Tabela 9 . está mais bem distribuído e cumpre assim uma função importante de diminuição das desigualdades regionais .716 55.14 17. pesquisa e extensão .4 Fonte: MEC/INEP/SEEC Didatismo e Conhecimento 30 . mesmo quando se leva em consideração o setor privado.159 1.2 134.264 5.7 104. Paralelamente.681 43.06 Estadual 274.0 101.16 27.702 114.934 9.4 114.4 Municipal 100.9 106.7 115. à Venezuela (26%) e à Bolívia (20.69 1.5 121.585 Federal 408. as federais de 2.960 44.7 122.4 129. Como se pode verificar na Tabela 9. como se verifica na Tabela 8.19 11. os recursos destinados pelos Estados à educação superior devem ser adicionais aos 25% da receita de impostos vinculada à manutenção e desenvolvimento da educação básica. Assim. mas não deve ocorrer em detrimento da expansão com qualidade do ensino médio.210 61.991 71.366 99. ao passo que as estaduais e particulares. o que precisará ser corrigido.5 105.73 Municipal 121.0 99.6%).321 862.0 120. nos últimos anos.6 125.8 5. embora conte com 40% da faixa etária.5 122.455 127.01 9.077 310.9%.0 98.2 113.5 128.9 Estadual 100.480 100. por outro lado.975 % 62.6 142.76 14.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A manutenção das atividades típicas das universidades . à ampliação do atendimento nas redes estaduais.8 Privada 100. tecnológico e cultural do País.6 101.que constituem o suporte necessário para o desenvolvimento científico. entretanto.285 % 12.229 28. A contribuição estadual para a educação superior tem sido importante.543 14.99 13. esta tendência de ampliação das municipais contraria o disposto na Emenda Constitucional nº 14.2 100. O setor público.155 952 10.2 97. É importante observar que o crescimento do setor público se deveu. Mas o Brasil continua em situação desfavorável frente ao Chile (20.6 123. de 1996.34 75. o que se reflete em altos índices de repetência e evasão nos primeiros anos.4 127.640 45.7 102. uma distribuição de vagas muito desigual por região.1 110.09 54.5 133.93 11.4 115. apresentam crescimento de 4.Matrícula por Dependência Administrativa – Brasil e Regiões – Nível Superior 1998 Dependência Administrativa Região Brasil Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Total 2.5 98.função esta que deve ser preservada.277 % 19.11 Fonte : MEC/INEP/SEEC No conjunto da América Latina.125.96 61. Para um desenvolvimento equilibrado e nos marcos do regime de colaboração. onde o sistema municipal de ensino deve atender prioritariamente à educação infantil e ao ensino fundamental. Tabela 10 .688 80.Índice de Crescimento da Matrícula por Dependência Administrativa Brasil 1988-1998 1998=100 Ano 1998 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 Crescimento médio Anual Federal 100. a porcentagem de matriculados na educação superior brasileiro em relação à população de 18 a 24 anos é de menos de 12%. comparando-se desfavoravelmente com os índices de outros países do continente.44 3.22 54.8 157.087 230. Observe-se.9 4. não será possível sem o fortalecimento do setor público. uma vez que adotou o ingresso irrestrito.4% e.048 % 5.08 Particular 1.8 104. a participação das municipais seja pouco expressiva – a participação das municipais correspondia a menos de 6% do total das matrículas -. A Argentina.958 85. (Tabela 10).1 108.2 98.7 102.6%).14 33. com crescimento de 5.47 32.6 122.004 419.01 38.0 101. entre 1988 e 1998.8% ao ano. desde que garantida a qualidade.4 123. Deve-se observar.5 108. a expansão do setor privado deve continuar.133 163.0 144. verificou-se ampliação expressiva das matrículas em estabelecimentos municipais. o Brasil apresenta um dos índices mais baixos de acesso à educação superior.957 118. ainda que.4 124.11 3. Ainda que em termos do contingente. no caso da educação superior.25 8. que esta desigualdade resulta da concentração das matrículas em instituições particulares das regiões mais desenvolvidas.ensino. registra-se também.61 3. configura um caso à parte.1 4.6 2.38 26.2 143.148.

381 1. Tabela 11 . (Tabela 13). uma vez que não se pode confundir a função-”ensino” com as funções “pesquisa” e “extensão”. (Tabela 12) Tabela 12 .5 30.2 (%) Em Relação a 1995 0.00 % ( apos. Tabela 13 . ainda o comportamento das despesas com investimentos e inversões financeiras. no que se refere à questão dos inativos.679. a importância da educação superior e de suas instituições é cada vez maior.421.970.679.168. Entretanto. dependendo da metodologia adotada e da visão do analista.287. cabe-lhe qualificar os docentes que atuam na educação básica e os docentes da educação superior que atuam em instituições públicas e privadas.419.637 86.735 Aposentadorias e Pensões 859.472.3 53.8 Fonte : Tribunal de Contas da União . As universidades públicas têm um importante papel a desempenhar no sistema.452. mormente à universidade e aos centros de pesquisa.419.578. Muitos estudiosos brasileiros também contestam esta posição.623 168.0 66.907. (Tabela 11). Há que se pensar. incluindo manutenção em geral.valores constantes de 1998.00 Exercício 1995 1996 1997 1998 Pessoal e Encargos 2. na formação de qualificação em áreas técnicas e profissionais. permitiria uma expansão substancial do atendimento nas atuais instituições de educação superior. para que se atinjam as metas previstas na LDB quanto à titulação docente. mantendo o papel do setor público.319 172.891. Desta forma são embutidos no custo da graduação os consideráveis gastos com pesquisa – o que não se admite.IFES . entende-se que devem ser custeados pela União. A própria modulação do ensino universitário.154.914 1. além de significativo.278. em racionalização de gastos e diversificação do sistema. Num mundo em que o conhecimento sobrepuja os recursos materiais como fator de desenvolvimento humano. função prevista na Carta Magna.609. 31 Fonte :SIAFI/TCU – valores constantes de 1998.172 Fonte : Tribunal de Contas da União – valores constantes de 1998 Verifica-se.3 64.478.496 1.66.984. o percentual relativo às aposentadorias é crescente ao longo do período e que o verdadeiro significado dessa despesa é mais perceptível quando comparada com outras despesas das IFES como os gastos com Outros Custeios e CapitalOCC: o que é gasto com o pagamento dos inativos e pensionistas é equivalente ao montante gasto com todas as demais despesas das IFES que não se referem a pessoal. com diploma intermediário.5 33.930 1.0 . Alguns autores desconsideram ainda os elevados gastos com os hospitais universitários e as aposentadorias.348 4.1 32. evidentemente.33.5 .609. O Tribunal de Contas da União ressalta que. após um salto em 1996. as despesas com investimento apresentam declínio.478.470. na França.0 50. como foi estabelecido na França.0 49. que reflete uma acirrada disputa de concepções.973.35. sem custo adicional excessivo. deflacionando-se com base no IGP-DI/FGV.8 Outros Custeios e Capital R$ 1. mas desligados do orçamento das Instituições Federais de Ensino Superior – IFES.2 1995 1996 1997 1998 859.7 48.981. exclusive os CEFETs Dessa forma.00 % (apos.7 .381 1.470.7 46.032 849.016 Índice de Gasto 100.IFES – Relação entre Despesas com Aposentadorias e Pensões e com Outros Custeios e Capital Didatismo e Conhecimento . isto é.937.496 1. 4. há que se pensar na expansão do póssecundário. Como estratégia de diversificação.168 1. + occ) 51. o apoio público é decisivo. etc. passaram a apresentar relativa estabilidade.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS À União atribui-se historicamente o papel de atuar na educação superior. que.224 4. Recomenda-se que a comunidade acadêmica procure critérios consensuais de avaliação.IFES – Participação das Despesas com Aposentadorias e Pensões no Total de Despesas com Pessoal e Encargos Sociais R$ 1.Despesas com Investimentos e Inversões Financeiras Exercício 1995 1996 1997 1998 Total 260. investimentos. exclusive os Centros Federais de Educação Tecnológica-CEFETs Não cabe ao Plano Nacional de Educação tomar partido nesta disputa. portanto que o percentual de recursos destinados à manutenção e investimento nas IFES decresce na mesma proporção em que aumentam os gastos com inativos e pensionistas. seja como padrão de referência no ensino de graduação.592. institucional e social. hoje mais do que nunca e assim tende a ser cada vez mais é a base do desenvolvimento científico e tecnológico e que este é que está criando o dinamismo das sociedades atuais.499.032 % (B/A) 28.9 29.354.428. É importante observar.552.2 Exercício Aposentadorias e Pensões R$ 1.578.403 1. Além disso. + occ ) 49. A importância que neste plano se deve dar às Instituições de Ensino Superior (IES). erige-se sobre a constatação de que a produção de conhecimento. ao contrário das despesas totais das IFES.499. inversões financeiras.168 1. por exemplo. Parte dos estudos acerca do tema divide simplesmente todo o orçamento da universidade pelo número de alunos.3 51. As instituições públicas deste nível de ensino não podem prescindir do apoio do Estado. Há uma grande controvérsia acerca do gasto por aluno no nível superior. Há uma variação de 5 a 11 mil reais como gasto anual por aluno.2 Diretrizes Nenhum país pode aspirar a ser desenvolvido e independente sem um forte sistema de educação superior. seja na pesquisa básica e na pós-graduação stricto sensu.714 4.957. Para que estas possam desempenhar sua missão educacional.

É igualmente indispensável melhorar a qualidade do ensino oferecido. No mundo contemporâneo. que exercem as funções que lhe foram atribuídas pela Constituição: ensino. tecnológica e humanística nas universidades. Didatismo e Conhecimento 32 Para promover a renovação do ensino universitário brasileiro. que as instituições não vocacionadas para a pesquisa. A diretriz básica para o bom desempenho desse segmento é a autonomia universitária. Esta é sua função precípua e que deve atrair a maior parcela dos recursos de sua receita vinculada. inclusive. o principal instrumento de transmissão da experiência cultural e científica acumulada pela humanidade. Nessas instituições apropria-se o patrimônio do saber humano que deve ser aplicado ao conhecimento e desenvolvimento do País e da sociedade brasileira. para ampliar as possibilidades de atendimento nos cursos presenciais. que já oferece a maior parte das vagas na educação superior e tem um relevante papel a cumprir. já está acontecendo e tenderá a crescer. As universidades constituem. Estabelecer uma política de expansão que diminua as desigualdades de oferta existentes entre as diferentes regiões do País. também. pesquisa e extensão. Há necessidade da expansão das universidades públicas para atender à demanda crescente dos alunos. Esse núcleo estratégico tem como missão contribuir para o desenvolvimento do País e a redução dos desequilíbrios regionais. científicos e culturais de nível superior. exercida nas dimensões previstas na Carta Magna: didático-científica. é necessário rever e ampliar. que decorre do aumento acelerado do número de egressos da educação média. A oferta de educação básica de qualidade para todos está grandemente nas mãos dessas instituições. nos marcos de um projeto nacional. no mínimo. a partir da reflexão e da pesquisa. a oferta de educação superior para. Ressalte-se que à educação superior está reservado. administrativa e de gestão financeira e patrimonial. Seu núcleo estratégico há de ser composto pelas universidades. 4.3 Objetivos e Metas 1. não só por parte da universidade. Deve-se planejar a expansão com qualidade. 86). estas instituições devem ter estreita articulação com as instituições de ciência e tecnologia – como aliás está indicado na LDB (art. as rápidas transformações destinam às universidades o desafio de reunir em suas atividades de ensino. para o que constitui instrumento adequado a institucionalização de um amplo sistema de avaliação associada à ampliação dos programas de pós-graduação. reduzindo as desigualdades. é preciso. a produção de pesquisa e inovação. É importante garantir um financiamento estável às universidades públicas. até o final da década. para que a educação superior possa enfrentar as rápidas transformações por que passa a sociedade brasileira e constituir um polo formulador de caminhos para o desenvolvimento humano em nosso país. a partir de uma matriz que considere suas funções constitucionais. A Constituição Federal preceitua que o dever do Estado com a educação efetiva-se mediante a garantia de. eventualmente. para colocar o País à altura das exigências e desafios do Séc. a política de incentivo à pósgraduação e à investigação científica. Deve-se ressaltar. depositária e criadora de conhecimentos. destacando a necessidade de se garantir o acesso a laboratórios. na medida que a elas compete primordialmente a formação dos profissionais do magistério. também. o papel de fundamentar e divulgar os conhecimentos ministrados nos outros níveis de ensino. . bem como ao desenvolvimento da pesquisa necessária ao País. Assim. entre outros. É o caso dos centros universitários. uma vez que realizam mais de 90% da pesquisa e da pós-graduação nacionais . extensão. A pressão pelo aumento de vagas na educação superior. sobretudo as federais possuem espaço para este fim. desde que respeitados os parâmetros de qualidade estabelecidos pelos sistemas de ensino. o desenho federativo brasileiro reservou à União o papel de atuar na educação superior. a busca de solução para os problemas atuais são funções que destacam a universidade no objetivo de projetar a sociedade brasileira num futuro melhor. A efetiva autonomia das universidades. 4.em sintonia com o papel constitucional a elas reservado. portanto. evitando-se o fácil caminho da massificação. regulares ou de educação continuada. mantenha uma proporção nunca inferior a 40% do total. Estabelecer um amplo sistema interativo de educação a distância. 2. A universidade é. no conjunto dos esforços nacionais. reformular o rígido sistema atual de controles burocráticos. a formação dos quadros profissionais. sobretudo os carentes. encontrando a solução para os problemas atuais. devendo exercer inclusive prerrogativas da autonomia. É importante a contribuição do setor privado. 30% da faixa etária de 18 a 24 anos. qualidade e cooperação internacional. cujo objetivo é qualificar os docentes que atuam na educação superior. Historicamente. Deve-se assegurar. têm um importante papel a cumprir no sistema de educação superior e sua expansão. Por esse motivo. considerando que as universidades. XXI. incluindo a superação das desigualdades sociais e regionais. Ressalte-se a importância da expansão de vagas no período noturno. que depende dessas instituições. (VETADO) 3. também. O sistema de educação superior deve contar com um conjunto diversificado de instituições que atendam a diferentes demandas e funções. utilizando-o. acesso aos níveis mais elevados do ensino. pesquisa e extensão. a ampliação da margem de liberdade das instituições não-universitárias e a permanente avaliação dos currículos constituem medidas tão necessárias quanto urgentes. os requisitos de relevância. em colaboração com o Ministério da Ciência e Tecnologia e com as Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa. em todos os campos da vida e da atividade humana e abrindo um horizonte para um futuro melhor para a sociedade brasileira. simultaneamente. mas que praticam ensino de qualidade e.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS As IES têm muito a fazer. da pesquisa e da criação artística. tenha uma expansão de vagas tal que. bibliotecas e outros recursos que assegurem ao aluno-trabalhador o ensino de qualidade a que têm direito nas mesmas condições de que dispõem os estudantes do período diurno. segundo a capacidade de cada um. mas também das outras instituições de educação superior deve haver não só uma estreita articulação entre este nível de ensino e os demais como também um compromisso com o conjunto do sistema educacional brasileiro. Finalmente. Prover. que o setor público neste processo. Esta providência implicará a melhoria do indicador referente ao número de docentes por alunos. assim como preparar seus professores. pelo menos.

incentivando a criação de cursos noturnos com propostas inovadoras. tais como bolsa-trabalho ou outros destinados a apoiar os estudantes carentes que demonstrem bom desempenho acadêmico. profissional liberal. desenvolver ações imediatas no sentido de impedir que o êxodo continue e planejar estratégias de atração desses pesquisadores. diálogo. Estabelecer um sistema de financiamento para o setor público. Incentivar a generalização da prática da pesquisa como elemento integrante e modernizador dos processos de ensinoaprendizagem em toda a educação superior. tais como trancamento de matrícula ou abandono temporário dos cursos superiores motivados por gravidez e/ou exercício de funções domésticas relacionadas à guarda e educação dos filhos. Utilizar parte dos recursos destinados à ciência e tecnologia. 20. Implantar o Programa de Desenvolvimento da Extensão Universitária em todas as Instituições Federais de Ensino Superior no quadriênio 2001-2004 e assegurar que. e promova a melhoria da qualidade do ensino. (VETADO) 30. nos estratos de renda mais baixa. levando em consideração a avaliação do custo e a qualidade do ensino oferecido. sendo de competência da IES definir a forma de utilização dos recursos previstos para esta finalidade. estudantes com altas habilidades intelectuais. que considere. 16. desenvolvendo e consolidando a pós-graduação no País. 33. com vistas a oferecer bolsas de estudo e apoio ao prosseguimento dos estudos. 17. competir em igualdade de condições nos processos de seleção e admissão a esse nível de ensino. Diversificar o sistema superior de ensino. para outros países. respeito mútuo. como condição para o recredenciamento das instituições de educação superior e renovação do reconhecimento de cursos. 15. dobrando. capazes de possibilitar a elevação dos padrões de qualidade do ensino. Estimular as instituições de ensino superior a identificar. na perspectiva de integrar o necessário esforço nacional de resgate da dívida social e educacional. (VETADO) 25. A partir de padrões mínimos fixados pelo Poder Público. em nível nacional. 31. preferencialmente aquelas situadas em localidades não atendidas pelo Poder Público. Incluir nas diretrizes curriculares dos cursos de formação de docentes temas relacionados às problemáticas tratadas nos temas transversais. Assegurar efetiva autonomia didática. com ou sem formação superior. Criar políticas que facilitem às minorias. na educação básica. Promover o aumento anual do número de mestres e de doutores formados no sistema nacional de pós-graduação em. 18. 10% do total de créditos exigidos para a graduação no ensino superior no País será reservado para a atuação dos alunos em ações extensionistas. permitindo-lhes. 11. o número de pesquisadores qualificados. ética (justiça. Estimular a consolidação e o desenvolvimento da pósgraduação e da pesquisa das universidades. Incluir. da extensão e da gestão acadêmica. para atender as necessidades da educação continuada de adultos. diretrizes curriculares que assegurem a necessária flexibilidade e diversidade nos programas de estudos oferecidos pelas diferentes instituições de educação superior.Financiamento e Gestão da Educação Superior 24. no mínimo. 13. 26. 12. o número de alunos atendidos. Estabelecer sistema de recredenciamento periódico das instituições e reconhecimento periódicos dos cursos superiores. 28. Estimular a adoção. para acompanhamento e controle social das atividades universitárias. o acesso à educação superior. também de pesquisa. de extensão e no caso das universidades. 34. bem como de talentos provenientes de outros países. Estimular a inclusão de representantes da sociedade civil organizada nos Conselhos Universitários. Implantar planos de capacitação dos servidores técnicoadministrativos das instituições públicas de educação superior. apoiado no sistema nacional de avaliação. com recursos públicos federais e estaduais. além da pesquisa. de avaliação institucional e de cursos. . Didatismo e Conhecimento 33 19. Promover levantamentos periódicos do êxodo de pesquisadores brasileiros formados. Garantir a criação de conselhos com a participação da comunidade e de entidades da sociedade civil organizada. permitindo maior flexibilidade na formação e ampliação da oferta de ensino. (VETADO) 27. Estender. Diversificar a oferta de ensino. resguardada a qualidade dessa oferta. solidariedade e tolerância). 14. da pesquisa. de cursos sequenciais e de cursos modulares. questões relevantes para a formulação de políticas de gênero. 21. para consolidar o desenvolvimento da pós-graduação e da pesquisa. de forma a melhor atender às necessidades diferenciais de suas clientelas e às peculiaridades das regiões nas quais se inserem. 9. 23. de programas de assistência estudantil. Institucionalizar um amplo e diversificado sistema de avaliação interna e externa que englobe os setores público e privado. do ensino e da extensão. 5%. nas informações coletadas anualmente através do questionário anexo ao Exame Nacional de Cursos. inclusive com a participação de alunos no desenvolvimento da pesquisa. através de programas de compensação de deficiências de sua formação escolar anterior.* 8. com o objetivo de assegurar o retorno à sociedade dos resultados das pesquisas. 29. 4. 7. Estimular. Estabelecer. 6. pelo menos. 22.4 . Garantir. favorecendo e valorizando estabelecimentos não-universitários que ofereçam ensino de qualidade e que atendam clientelas com demandas específicas de formação: tecnológica.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 5. as instituições de educação superior a constituírem programas especiais de titulação e capacitação de docentes. equipamentos e bibliotecas. 10. a oferta de cursos de extensão. pluralidade cultural. com base no sistema de avaliação.* 32. pelas instituições públicas. na distribuição de recursos para cada instituição. saúde e temas locais. administrativa e de gestão financeira para as universidades públicas. vítimas de discriminação. desta forma. educação sexual. especialmente no que se refere à abordagem tais como: gênero. científica. em novas profissões. com a certificação. para exercício do magistério ou de formação geral. Oferecer apoio e incentivo governamental para as instituições comunitárias sem fins lucrativos. meio ambiente. exigir melhoria progressiva da infra-estrutura de laboratórios. nas instituições de educação superior. investigar suas causas. Instituir programas de fomento para que as instituições de educação superior constituam sistemas próprios e sempre que possível nacionalmente articulados. em dez anos. diferentes prerrogativas de autonomia às instituições não-universitárias públicas e privadas.

Trata-se de tarefa que exige uma ampla mobilização de recursos humanos e financeiros por parte dos governos e da sociedade.99 16.75 7.84 18. EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 5. é muito elevado o número de jovens e adultos que não lograram completar a escolaridade obrigatória.41 3. 18.72 6.07 19.08 0.25 0.61 10. O analfabetismo está intimamente associado às taxas de escolarização e ao número de crianças fora da escola.10 19.34 5. Roraima. pois.37 14. Uma concepção ampliada de alfabetização. Contagem da População de 1996.32 4.02 Não determinados 0.84 11.46 10.61 20.75 13.Rio de Janeiro. v. as metas estabelecidas nos capítulos referentes à educação a distância.20 25.14 5 a 7 anos 18.05 14.9 % 11. III – MODALIDADES DE ENSINO 5. Todos os indicadores apontam para a profunda desigualdade regional na oferta de oportunidades educacionais e a concentração de população analfabeta ou insuficientemente escolarizada nos bolsões de pobreza existentes no País. Amazonas.10 15.6 % 28. no que diz respeito à educação superior.85 20. aumenta a população a ser atingida.03 0. num grande número de jovens e adultos que não tiveram acesso ou não lograram terminar o ensino fundamental obrigatório.1996.59 17. Observar.81 1 a 3 anos 21.85 12.53 40. Pará e Amapá.44 10.00 5.86 16. I).87 15.87 0.53 3.Escolarização da População – 1996 Classes de Anos de Estudo (%) Grupos de idades Total 10 a 14 anos 15 a 19 anos 20 a 24 anos 25 a 29 anos 30 a 39 anos 40 a 49 anos 50 a 59 anos 60 anos ou mais I d a d e ignorada Sem Instrução e menos de 1 ano 13.39 11. educação especial e educação de jovens e adultos.66 12.01 20.68 0.29 8.46 25.73 19.59 19.08 10.87 13.7 % 8. ao longo dos anos.03 9.50 12 anos e mais 5.37 32.00 0.7 % 8. como se verifica na Tabela 15.83 Fonte: IBGE.-4 6. Embora tenha havido progresso com relação a essa questão. abrangendo a formação equivalente às oito séries do ensino fundamental.18 10.7 % 11.51 8.61 24.35 5. 1998.36 8 anos 8. Os déficits do atendimento no ensino fundamental resultaram.32 26. formação de professores.36 5.81 11.15 22.96 1.6 % Fonte : Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.76 6.88 0. o número de analfabetos é ainda excessivo e envergonha o País: atinge 16 milhões de brasileiros maiores de 15 anos. Didatismo e Conhecimento 34 .Taxas de Analfabetismo das Pessoas de 15 anos de idade ou mais – Brasil e Regiões – 1996 Brasil Região Norte urbana * Região Nordeste Região Sudeste Região Sul Região Centro-Oeste 14.11 5.81 8.79 0. Tabela 14 .80 17.55 42.99 22. Tabela 15 .10 8.29 14.71 1.70 23. Acre.1 Diagnóstico A Constituição Federal determina como um dos objetivos do Plano Nacional de Educação a integração de ações do poder público que conduzam à erradicação do analfabetismo (art.80 11.60 0. (Tabela 14). Cerca de 30% da população analfabeta com mais de 15 anos está localizada no Nordeste.17 22.27 8 a 11 anos 14. *Exclusive a população da área rural de Rondônia.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 35. educação indígena. 214.51 0.47 17.08 4 anos 16. IBGE.20 8.

318.691 34.114 1.8 5.883.800 14.562 10.031.7 8.2 Mulheres 5.7 3.5 Média de anos de estudo Homens 5.7 Região Nordeste Região Sudeste Região Sul Região Oeste Centro- Fonte: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 1996. para acelerar a redução do analfabetismo é necessário agir ativamente tanto sobre o estoque existente quanto sobre as futuras gerações.574 6.07 52.3 5.2 8. (Tabela 17) Tabela 17 .2 11.076 9.245.4 5.955.489.8 5. além do fenômeno da regressão.194 1.683.2 12.5 Branca 6.239 499. nota-se uma distorção.0 6. estando inclusive as mulheres melhor posicionadas nos grupos etários abaixo de 40 anos.População de 15 anos ou mais de idade por situação de alfabetização . há também uma redução insuficiente do analfabetismo ao longo do tempo.801 9.295 623.744 5.267.390 15.3 Preta e Parda 4.6 6.9 6.0 5.063.264. Tomando-se o corte regional.025.6 11.555 7.830 18.802 7.773 5.899 637.375 1.372 14.7 Fonte: IBGE .421. As gerações antigas não podem ser consideradas como as únicas responsáveis pelas taxas atuais.454.5 2.9 3. quando o fator verificado é a etnia.351.840.365.227.774 6.048.0 6.8 6.562 3. em todas as regiões.Censo Demográfico 1991/PNAD 1995/1996/1997 * Exclusive a população rural de Rondônia.537.218 3.058.500. Por isso.726.4 4. em 1991.1 6.2 6.705 8.283 2.6 20 a 24 anos 13.179. Como se infere da Tabela 15. distorções significativas em função do gênero.7 20.596 515.761 11.3 10.275 1.3 4.251 361.855 32.7 13. é de se esperar que apenas a dinâmica demográfica seja insuficiente para promover a redução em níveis razoáveis nos próximos anos.856.8 25 a 29 anos 12.931 55.7 8.421.595 10.211 14. não se verificam.197.2 6.931 10.4 13.118. uma maior média de anos de estudo.2 4.6 % em 1995.0 5. Tabela 16 . Entretanto.795 36.601.6 5.4 % do analfabetismo total.9 4. Pará e Amapá.656 1.730 4.6 6.580.807 599.058 960.981. Acre.591.382 31.9 4. para 15.348.Média de anos de estudo das pessoas de 10 anos ou mais de idade por sexo e cor – 1996 Brasil Total Total Região Urbana Norte 5.127 26.4 19.517 10.455. Roraima.6 55.5 4.675.4 2.083.3 4.924 14.195 1.560 7.2 4.691 28.274.114.779 542.389 2.6 9.374 5.968 1.519 5.219.144 442.312.2 3.159. Didatismo e Conhecimento 35 .667 469.1% da população.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Embora o analfabetismo esteja concentrado nas faixas etárias mais avançadas (Tabela 16) e as taxas tenham se reduzido.303.133 3.666 8.517. Como há reposição do estoque de analfabetos.2 30 a 39 anos 23.1997 (*) Sexo e Localização do Domicílio Total Total Não Alfabetizada Analfabetismo % Homens Não Alfabetizada Analfabetismo % Mulheres Não Alfabetizada Analfabetismo % Urbana Não Alfabetizada Analfabetismo % Rural Não Alfabetizada Analfabetismo % 108. as mulheres têm.126.043.675 1.4 5.650 15.064. pois pessoas entre quinze e trinta anos em 1997 somavam cerca de 21.5 6. O problema não se resume a uma questão demográfica.564.8 10.8 5.383 941.451 25.4 19.391 490.8 3. tomado este indicador.8 87.590 15.484 304.435 6.0 População de 15 anos ou mais por Grupos de Idade 15 a 19 anos 16.984 7.186 9.849.5 50 anos ou mais 24. passando de 20.669 4.786.382.4 40 a 49 anos 17. a indicar a necessidade de políticas focalizadas.0 5.448 14. Amazonas.987 1.608.350.080 434.643 2.006.953.9 14. (CD-ROM).961 23.214.255.4 3.667.

é fundamental a participação solidária de toda a comunidade. tanto no que diz respeito às regiões político-administrativas. ou ainda – sobretudo as mulheres – envolvidos com tarefas domésticas. 5. lograr-se-á universalizar uma formação equivalente às oito séries iniciais do ensino fundamental. Por isso. entidades estudantis. até o final da década. deve ser garantido. De acordo com a Carta Magna (art. associações de bairros. e ampliar suas oportunidades no mercado de trabalho. Assim. sem uma efetiva contribuição da sociedade civil. devem ser consideradas pelos sistemas de ensino responsáveis pela educação de jovens e adultos. assim como na reorganização do mundo do trabalho. Assim. as taxas de analfabetismo acompanham os desequilíbrios regionais brasileiros. capacitados para atuar de acordo com o perfil da clientela . igrejas. mantenham programas de formação de educadores de jovens e adultos. os Municípios e a sociedade organizada. aos que completaram o ensino fundamental. I). 208. 5. sindicatos. empresas. os Estados e o Distrito Federal. Mas não basta ensinar a ler e a escrever. com responsabilidade partilhada entre a União. 6.e habilitados para no mínimo. a oferta de cursos equivalentes às quatro séries finais do ensino fundamental para toda a população de 15 anos e mais que concluiu as quatro séries iniciais. Daí a importância da associação das políticas de emprego e proteção contra o desemprego à formação de jovens e adultos. nas relações sociais. Sempre que possível. como no que se refere ao corte urbano/rural. A integração dos programas de educação de jovens e adultos com a educação profissional aumenta sua eficácia. as metas que se seguem.2 Diretrizes As profundas transformações que vêm ocorrendo em escala mundial. 7. Neste sentido. têm implicações diretas nos valores culturais. com o envolvimento das organizações da sociedade civil diretamente envolvidas na temática. de material didático-pedagógico. como as que associam educação e renda mínima. As experiências bem sucedidas de concessão de incentivos financeiros. Também é oportuno observar que há milhões de trabalhadores inseridos no amplo mercado informal. pelo Ministério da Educação. auxiliando na diminuição do surgimento de “novos analfabetos”. é importante o acompanhamento regionalizado das metas. É importante o apoio dos empregadores. compete aos poderes públicos disponibilizar os recursos para atender a essa educação. por fim. Da mesma forma. numerosa e heterogênea no que se refere a interesses e competências adquiridas na prática social. Realizar. A oferta do ciclo completo de oito séries àqueles que lograrem completar Didatismo e Conhecimento 36 as séries iniciais é parte integrante dos direitos assegurados pela Constituição Federal e deve ser ampliada gradativamente. o acesso ao ensino médio. Uma tarefa dessa envergadura necessita da garantia e programação de recursos necessários. implantação de cursos de formação de jovens e adultos no próprio local de trabalho. como bolsas de estudo. Assegurar. É necessária. para assegurar que as escolas públicas de ensino fundamental e médio localizadas em áreas caracterizadas por analfabetismo e baixa escolaridade ofereçam programas de alfabetização e de ensino e exames para jovens e adultos. é importante ressaltar que. de forma a atender a demanda de órgãos públicos e privados envolvidos no esforço de erradicação do analfabetismo. tais como museus e bibliotecas e privados. Assim. 208. a oferta de educação de jovens e adultos equivalente às quatro séries iniciais do ensino fundamental para 50% da população de 15 anos e mais que não tenha atingido este nível de escolaridade.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 5. 2. há que se buscar parcerias com os equipamentos culturais públicos. em cinco anos e. Desenvolve-se o conceito de educação ao longo de toda a vida. dificilmente o analfabetismo será erradicado e. Assegurar que os sistemas estaduais de ensino. em cinco anos. para os cursos em nível de ensino fundamental para jovens e adultos. de forma a incentivar a generalização das iniciativas mencionadas na meta anterior. concessão de licenças para frequência em cursos de atualização. Embora o financiamento das ações pelos poderes públicos seja decisivo na formulação e condução de estratégias necessárias para enfrentar o problema dos déficits educacionais. . tornando-os mais atrativos. a oferta de uma formação equivalente às oito séries iniciais do ensino fundamental. além de estratégias específicas para a população rural. de acordo com as diretrizes curriculares nacionais. requerem um esforço nacional. na participação política. em regime de colaboração com os demais entes federativos. art. erradicar o analfabetismo.3 Objetivos e Metas 1. adequado à clientela. Dada a importância de criar oportunidades de convivência com um ambiente cultural enriquecedor. a educação de jovens e adultos deve compreender no mínimo. Como face da pobreza. melhorar sua qualidade de vida e de fruição do tempo livre. considerar que o resgate da dívida educacional não se restringe à oferta de formação equivalente às quatro séries iniciais do ensino fundamental. no sentido de considerar a necessidade de formação permanente – o que pode dar-se de diversas formas: organização de jornadas de trabalho compatíveis com o horário escolar. meios de comunicação de massa e organizações da sociedade civil em geral devem ser agentes dessa ampla mobilização. levantamento e avaliação de experiências em alfabetização de jovens e adultos. até o final da década. não mais restrita a um período particular da vida ou a uma finalidade circunscrita. que há de se iniciar com aalfabetização. Estabelecer programa nacional de fornecimento. a modalidade de ensino “educação de jovens e adultos”. na organização das rotinas individuais. Esta questão é abordada no capítulo referente ao financiamento e gestão. há que se diversificar os programas. em virtude do acelerado avanço científico e tecnológico e do fenômeno da globalização. A necessidade de contínuo desenvolvimento de capacidades e competências para enfrentar essas transformações alterou a concepção tradicional de educação de jovens e adultos. Para atender a essa clientela. Cabe. dar-se-á atendimento integral à família. Trata-se de um direito público subjetivo (CF. Assegurar. ainda. como cinemas e teatros. anualmente. que constituam referência para os agentes integrados ao esforço nacional de erradicação do analfabetismo. ou à procura de emprego. Estabelecer programa nacional. 4. Universidades. cuja escolarização têm. a produção de materiais didáticos e técnicas pedagógicas apropriadas. a partir da aprovação do PNE. além de políticas dirigidas para as mulheres. Estabelecer. no nível fundamental deve ser oferecida gratuitamente pelo Estado a todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria. § 1º). muito menos. 3. um grande impacto na próxima geração. Para inserir a população no exercício pleno da cidadania. o exercício do magistério nas séries iniciais do ensino fundamental. imprescindíveis à construção da cidadania no País. programas visando a alfabetizar 10 milhões de jovens e adultos. ademais. esta política deve ser integrada àquelas dirigidas às crianças. além da especialização do corpo docente.

a TV Escola deverá revelar-se um instrumento importante para orientar os sistemas de ensino quanto à adoção das Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino fundamental e os Parâmetros Curriculares. O Ministério da Educação. programas de educação de jovens e adultos de nível fundamental e médio. Articular as políticas de educação de jovens e adultos com as culturais. avaliação e divulgação dos resultados dos programas de educação de jovens e adultos.5º. 14. um meio auxiliar de indiscutível eficácia. do equipamento tecnológico necessário constituem importantes iniciativas. de sorte que sua clientela seja beneficiária de ações que permitam ampliar seus horizontes culturais. Realizar estudos específicos com base nos dados do censo demográfico da PNAD. À União cabe o credenciamento das instituições autorizadas a oferecer cursos de educação a distância. aquelas que concretizam um trabalho em regime de cooperação. onde os déficitseducativos e as desigualdades regionais são tão elevados. assim como a autorização para sua implementação (art. as metas estabelecidas para o ensino fundamental. 11. por bairro ou distrito das residências e/ou locais de trabalho. Além do mais. 15.§1º da LDB. 9. Implantar. . criar e fortalecer. Ainda são incipientes. tem dado prioridade à atualização e aperfeiçoamento de professores para o ensino fundamental e ao enriquecimento do instrumental pedagógico disponível para esse nível de ensino.1 Diagnóstico No processo de universalização e democratização do ensino. Estimular a concessão de créditos curriculares aos estudantes de educação superior e de cursos de formação de professores em nível médio que participarem de programas de educação de jovens e adultos. que tem produzido programas educativos de boa qualidade. 22. 20. formação profissional e educação indígena. Instar Estados e Municípios a procederem um mapeamento. a Educação de Jovens e Adultos nas formas de financiamento da Educação Básica. EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS 6. Estimular as universidades e organizações nãogovernamentais a oferecer cursos dirigidos à terceira idade. assim como de formação profissional. Estabelecer políticas que facilitem parcerias para o aproveitamento dos espaços ociosos existentes na comunidade. Ao introduzir novas concepções de tempo e espaço na educação. O sistema também se ressente da falta de uma rede informatizada que permita o acesso generalizado aos programas existentes. 16. visando localizar e induzir a demanda e programar a oferta de educação de jovens e adultos para essa população. parâmetros nacionais de qualidade para as diversas etapas da educação de jovens e adultos. Dobrar em cinco anos e quadruplicar em dez anos a capacidade de atendimento nos cursos de nível médio para jovens e adultos. a educação a distância tem função estratégica: contribui para o surgimento de mudanças significativas na instituição escolar e influi nas decisões a serem tomadas pelos dirigentes políticos e pela sociedade civil na definição das prioridades educacionais. etc) para verificar o grau de escolarização da população.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 8. incentivando seu aproveitamento nos cursos presenciais. 87. Realizar em todos os sistemas de ensino. de censos específicos (agrícola. em todas as unidades prisionais e nos estabelecimentos que atendam adolescentes e jovens infratores. formação dos professores. educação a distância. nos termos do art. Articular as políticas de educação de jovens e adultos com as de proteção contra o desemprego e de geração de empregos. Aperfeiçoar o sistema de certificação de competências para prosseguimento de estudos. 18. os desafios educacionais existentes podem ter. Entretanto a regulamentação constante na Lei de Diretrizes e Bases é o reconhecimento da construção de um novo paradigma da educação a distância. Sempre que possível. setores próprios incumbidos de promover a educação de jovens e adultos. Elaborar. 13. Reestruturar. assim como de condições para a recepção de programas de teleducação. financiamento e gestão. especialmente para a televisão. 12. para a educação de jovens e adultos. da população analfabeta. o vídeo. 87. penitenciário. aos estabelecimentos escolares. 24. inúmeras iniciativas neste setor. §§ 1º e 2º). nesse setor. 6. Incluir. educação tecnológica. o rádio e o computador como instrumentos pedagógicos de grande importância. A TV Escola e o fornecimento. 23. especialmente no Brasil. § 3º). como instrumento para assegurar o cumprimento das metas do Plano. assim como o estabelecimento dos requisitos para a realização de exames e o registro de diplomas (art. portanto. 21. respeitando-se as especificidades da clientela e a diversidade regional. há que se considerar a contribuição do setor privado. bem como o efetivo aproveitamento do potencial de trabalho comunitário das entidades da sociedade civil. Observar. O Ministério da Educação. controle e avaliação dos programas. no prazo de um ano. Incentivar as instituições de educação superior a oferecerem cursos de extensão para prover as necessidades de educação continuada de adultos. Há. tenham ou não formação de nível superior. na educação a distância. no que diz respeito à educação de jovens e adultos. 26. a partir da aprovação do Plano Nacional de Educação. 10. Didatismo e Conhecimento 37 25. por meio de censo educacional. são de responsabilidade dos sistemas de ensino as normas para produção. capaz de elevar a qualidade e aumentar o número de programas produzidos e apresentados. a União e os Estados são parceiros necessários para o desenvolvimento da informática nas escolas de ensino fundamental e médio. O País já conta com inúmeras redes de televisão e rádio educativas no setor público. Cursos a distância ou semipresenciais podem desempenhar um papel crucial na oferta de formação equivalente ao nível fundamental e médio para jovens e adultos insuficientemente escolarizados. Paralelamente. Além disso. Nas empresas públicas e privadas incentivar a criação de programas permanentes de educação de jovens e adultos para os seus trabalhadores. contemplando para esta clientela as metas n° 5 e nº 14. As possibilidades da educação a distância são particularmente relevantes quando analisamos o crescimento dos índices de conclusão do ensino fundamental e médio. nas secretarias estaduais e municipais de educação. associar ao ensino fundamental para jovens e adultos a oferta de cursos básicos de formação profissional. no entanto. Estão também em fase inicial os treinamentos que orientam os professores a utilizar sistematicamente a televisão. a cada dois anos. Expandir a oferta de programas de educação a distância na modalidade de educação de jovens e adultos.** 19. 17. os programas educativos podem desempenhar um papel inestimável no desenvolvimento cultural da população em geral.

Numa visão prospectiva. Para isto. que dêem direito a certificados ou diplomas. em cinco anos. a oferta de formação a distância em nível superior para todas as áreas. 5. assegurando às escolas e à comunidade condições básicas de acesso a esses meios. Promover. nos cursos de Pedagogia e nas Licenciaturas. a produção e difusão de programas de formação profissional a distância. para transmissão de programas educativos pelos canais comerciais de rádio e televisão. Promover imagens não estereotipadas de homens e mulheres na Televisão Educativa. consagrada pela Constituição Federal. 11. a produção de programas de educação a distância de nível médio. Promover. 6. a formação de recursos humanos para educação a distância. sem ônus para o Poder Público. 8. A Lei de Diretrizes e Bases considera a educação a distância como um importante instrumento de formação e capacitação de professores em serviço. Municipais ou pelo Ministério da Educação. capacitar os professores para utilizá-los. incorporando em sua programação temas que afirmem pela igualdade de direitos entre homens e mulheres. Iniciar. o rádio e o computador constituem importantes instrumentos pedagógicos auxiliares. de forma a atender as demandas da sociedade brasileira. especialmente na área de formação de professores para a educação básica. Fortalecer e apoiar o Sistema Nacional de Rádio e Televisão Educativa. inclusive em horários nobres. Garantir a integração de ações dos Ministérios da Educação. do Trabalho. assim como redes telemáticas de educação. gradualmente. mas também dos próprios produtores. A União deverá estabelecer. programas de computador. promovendo sua integração no projeto pedagógico da escola. Só será permitida a celebração de contratos onerosos para a retransmissão de programa de Educação à Distância com redes de televisão e de rádio quando não houver cobertura da Televisão e de Rádio Educativa. a regulamentação e o controle de qualidade por parte do Poder Público são indispensáveis e devem ser rigorosos. de cursos regulares. Elas constituem hoje um instrumento de enorme potencial para o enriquecimento curricular e a melhoria da qualidade do ensino presencial. Instalar. Estabelecer. com a colaboração da União e dos Estados e em parceria com instituições de ensino superior. proposta de regulamentação da reserva de tempo mínimo. 6.000 núcleos de tecnologia educacional. pela ampliação da infraestrutura tecnológica e pela redução de custos dos serviços de comunicação e informação. 9. pelo menos 500. seja por meio de correspondência. comprometendo-o a desenvolver programas que atendam as metas propostas neste capítulo. 10. Ampliar a oferta de programas de formação a distância para a educação de jovens e adultos. por meio de um sistema de auto-regulamentação. parte integrante e essencial para a eficácia desta modalidade de educação. Ampliar. É preciso ampliar o conceito de educação a distância para poder incorporar todas as possibilidades que as tecnologias de comunicação possam propiciar a todos os níveis e modalidades de educação. 2. entretanto. bem como a elaboração dos programas será realizada pelas Secretarias Estaduais. especialmente no que diz respeito à oferta de ensino fundamental. entretanto. 12. em dez anos. 4. 15. Há.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 6. seja por meio dos mais recentes processos de utilização conjugada de meios como a telemática e a multimídia. assim como a adequada abordagem de temas referentes à etnia e portadores de necessidades especiais. Assegurar às escolas públicas. dentro de 2 anos.2 Diretrizes Ao estabelecer que o Poder Público incentivará o desenvolvimento de programas de educação a distância. Apoiar financeira e institucionalmente a pesquisa na área de educação a distância. de prazo razoavelmente curto. ficar restritas a esta finalidade. da Ciência e Tecnologia e das Comunicações para o desenvolvimento da educação a distância no País. especialmente nas universidades. normas para credenciamento das instituições que ministram cursos a distância. embora sujeitos a padrões de qualidade que precisam ser objeto de preocupação não só dos órgãos governamentais. No conjunto da oferta de programas para formação a distância. deverá apresentar a mesma qualidade dos materiais audiovisuais. a oferta de cursos a distância. não devendo substituir. 7. criando. o acesso universal à televisão educativa e a outras redes de programação educativo-cultural. padrões éticos e estéticos mediante os quais será feita a avaliação da produção de programas de educação a distância. a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional introduziu uma abertura de grande alcance para a política educacional. em cooperação da União com os Estados e Municípios. as relações de comunicação e interação direta entre educador e educando. logo após a aprovação do Plano. portanto. um programa que assegure essa colaboração. e integrar a informática na formação regular dos alunos. que distinguirem-se claramente as políticas dirigidas para o incentivo de programas educativos em geral e aquelas formuladas para controlar e garantir a qualidade dos programas que levam à certificação ou diploma. 3. é preciso aproveitar melhor a competência existente no ensino superior presencial para institucionalizar a oferta de cursos de graduação e iniciar um projeto de universidade aberta que dinamize o processo de formação de profissionais qualificados. As tecnologias utilizadas na educação a distância não podem. em nível superior. Incentivar. os serviços nacionais de aprendizagem e as escolas técnicas federais. . transmissão radiofônica e televisiva. A televisão. Utilizar os canais educativos televisivos e radiofônicos. de nível fundamental e médio. Didatismo e Conhecimento 38 2. Os programas educativos e culturais devem ser incentivados dentro do espírito geral da liberdade de imprensa. O material escrito. Quando se trata. internet. Enviar ao Congresso Nacional.000 professores para a utilização plena da TV Escola e de outras redes de programação educacional. com especial consideração para o potencial dos canais radiofônicos e para o atendimento da população rural. 14. no prazo de um ano. 17. as empresas. é fundamental equipar as escolas com multimeios. no entanto. dentro de um ano. Capacitar. os quais deverão atuar como centros de orientação para as escolas e para os órgãos administrativos dos sistemas de ensino no acesso aos programas informatizados e aos vídeos educativos. especialmente na Escola Normal. em dois anos. para a disseminação de programas culturais e educativos. 16. com o fornecimento do equipamento correspondente. o vídeo. incentivando a participação das universidades e das demais instituições de educação superior credenciadas. 13. em todos os níveis e modalidades de ensino. há certamente que permitir-se a multiplicação de iniciativas. em parceria com o Ministério do Trabalho. da Cultura.3 Objetivos e Metas 1.

8 0. além de treinamento em serviço de cursos técnicos oferecidos pelas empresas para seus funcionários. existem os programas do Ministério do Trabalho. SESC e outros).293 15.7 2.768 8. especialmente na rede das 152 escolas federais de nível técnico e tecnológico. já atinja.5 % do PIB (Produto Interno Bruto).000 professores e 34. especialmente a produção de softwares educativos de qualidade.056 8.7 -22. SENAI. Além disso. Observar.4 110. Em apenas 15% delas há bibliotecas.6 1. SENAC. à educação de jovens e adultos.8 0. 7.7 0. em dez anos. mas sobretudo o médio. ao prever que o cidadão brasileiro deve galgar – com apoio do Poder Público – níveis altos de escolarização.0 TECNOLÓGICA E FORMAÇÃO Fonte: MEC/INEP/SEEC Funcionando em escolas onde há carências e improvisações generalizadas. Destes. está longe de atingir a população de jovens que precisa se preparar para o mercado de trabalho e a de adultos que a ele precisa se readaptar.451 8. o que torna inviável uma multiplicação capaz de poder atender ao conjunto de jovens que procura formação profissional. em cada dez concluintes do ensino médio. 4.1996 52.513 % 20.8 50. . menos de 5% oferecem ambiente adequado para estudo das ciências e nem 2% possuem laboratório de informática – indicadores da baixa qualidade do ensino que oferecem às camadas mais desassistidas da população. cerca de cinco milhões de trabalhadores. em cinco anos. sobre a oferta de formação para o trabalho.4 32. que se imagina muito grande.349 7. Funcionou sempre como mecanismo de exclusão fortemente associado à origem social do estudante.6 1996 193. a matrícula em 1996 expressa que. EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 7.1 Crescimento 1988 .0 -4. Instalar.4 0. no Brasil.7 42. de cursos particulares de curta duração. Associada a esse fato está a limitação de vagas nos estabelecimentos públicos.2 eram concluintes egressos das habilitações de Magistério e Técnico em Contabilidade – um conjunto três vezes maior que a soma de todas as outras nove habilitações listadas pela estatística.7 1. estaduais.548 24.000 professores multiplicadores em informática da educação.3 0.165 14.2 10. Embora não existam estatísticas detalhadas a respeito. A heterogeneidade e a diversidade são elementos positivos. criou-se um sistema de seleção que tende a favorecer os alunos de maior renda e melhor nível de escolarização. técnicos e tecnológicos oferecidos pelas escolas técnicas federais.1 Diagnóstico Não há informações precisas. como forma de separar aqueles que não se destinariam às melhores posições na sociedade. inclusive de educação a distância.023 113. assim como um certo número.001 31. Há muito.005 % 16.000 técnicos em informática educativa e ampliar em 20% ao ano a oferta dessa capacitação. Didatismo e Conhecimento 39 Afora estas redes específicas – a federal e outras poucas estaduais vocacionadas para a educação profissional – as demais escolas que oferecem educação profissional padecem de problemas de toda ordem. Além das redes federais e estaduais de escolas técnicas.443 9. justamente porque ela é muito heterogênea. até aqueles ministrados por instituições empresariais. Capacitar.2 1.186 32.0 2. fornecerá dados abrangentes sobre os cursos básicos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 18. O principal deles é que a oferta é pequena: embora.811 325. em dez anos.881 3.739 12. 500.249 7. que são os que dela mais necessitam. Adicionais Eletrônica Agropecuária Mecânica Secretariado Total Concluintes 1988 127.000 computadores em 30.9 1. à educação indígena e à educação especial. no que diz respeito à educação a distância e às novas tecnologias educacionais.389 490. iniciado pelo Ministério da Educação em 1999.959 5. que aliam a formação geral de nível médio à formação profissional.6 15. das secretarias estaduais e municipais do trabalho e dos sistemas nacionais de aprendizagem.8 2. de Dados Auxiliar de Contabilidade Magistério – Est. promovendo condições de acesso à internet.3 0. No sistema escolar.9 23.394 9. as metas pertinentes incluídas nos capítulos referentes à educação infantil. Nesse contexto. afastando os jovens trabalhadores.8 0. comunitárias e filantrópicas.1988 e 1996 Habitações Magistério 1º grau Técnico Contabilidade Administração Proc. Equipar.024 174.789 8.4 51. O primeiro Censo da Educação Profissional. 22. o País selou a educação profissional de qualquer nível. com computadores e conexões internet que possibilitem a instalação de uma Rede Nacional de Informática na Educação e desenvolver programas educativos apropriados. Capacitar.000 escolas públicas de ensino fundamental e médio.2 46. 20. é que a alta qualidade do ensino que oferecem está associada a um custo extremamente alto para sua instalação e manutenção. no que diz respeito às escolas técnicas públicas de nível médio. à formação de professores. O maior problema.0 3. 12. municipais e pelos estabelecimentos do chamado Sistema S (SESI. em razão da oferta restrita. todas as escolas de nível médio e todas as escolas de ensino fundamental com mais de 100 alunos.9 1. até porque estudos têm demonstrado que o aumento de um ano na média educacional da população economicamente ativa determina um incremento de 5. de acordo com as estimativas mais recentes. Mas há fatores preocupantes. a elevação da escolaridade do trabalhador coloca-se como essencial para a inserção competitiva do Brasil no mundo globalizado. 21. Um cenário que as diretrizes da educação profissional propostas neste plano buscam superar. 19. sindicais. 150. Tabela 18 – Habilitações de nível médio com maior número de concluintes . em cinco anos.3 haviam cursado alguma habilitação profissional. a Educação Profissional tem reafirmado a dualidade propedêutico-profissional existente na maioria dos países ocidentais. pois permitem atender a uma demanda muito variada. 3. sabe-se que a maioria das habilitações de baixo custo e prestígio encontra-se em instituições noturnas estaduais ou municipais.1 18.0 53.3 311.

tarefa que exige a colaboração de múltiplas instâncias do Poder Público e da sociedade civil. de forma a garantir que cumpram o papel de oferecer educação profissional específica e permanente para a população rural. Mobilizar. Incentivar. 10. 7. possibilitando a elevação de seu nível educacional. as normas atuais que regulamentam a formação de pessoal docente para essa modalidade de ensino. 15.1 Diagnóstico A Constituição Federal estabelece o direito de as pessoas com necessidades especiais receberem educação preferencialmente na rede regular de ensino (art. Têm como objetivo central generalizar as oportunidades de formação para o trabalho. um sistema integrado de informações. dos cursos básicos. 9. em parceria com agências governamentais e instituições privadas. associadas à reforma do ensino médio. que pelo menos um desses centros em cada unidade federada possa servir como centro de referência para toda a rede de educação profissional. As metas do Plano Nacional de Educação estão voltadas para a implantação de uma nova educação profissional no País e para a integração das iniciativas. Mobilizar. entendese que a educação profissional não pode ser concebida apenas como uma modalidade de ensino médio. Por isso mesmo. Estimular permanentemente o uso das estruturas públicas e privadas não só para os cursos regulares. 14. Estabelece para isso um sistema flexível de reconhecimento de créditos obtidos em qualquer uma das modalidades e certifica competências adquiridas por meios não-formais de educação profissional. as escolas técnicas de nível superior. 6. Reorganizar a rede de escolas agrotécnicas. 208. por meio de recursos públicos e privados. a cada cinco anos. técnico e de renda. Finalmente. seja estruturada nos níveis básico – independente do nível de escolarização do aluno. associados à promoção de níveis crescentes de escolarização regular. os CEFETs. sempre que possível. mencionando. 7. 3. técnicos e superiores da educação profissional. a produção de programas de educação a distância que ampliem as possibilidades de educação profissional permanente para toda a população economicamente ativa. ainda. portanto. Modificar. a oferta de educação profissional permanente para a população em idade produtiva e que precisa se readaptar às novas exigências e perspectivas do mercado de trabalho. 2. Mobilizar. sempre associados à educação básica. voltados para a melhoria do nível técnico das práticas agrícolas e da preservação ambiental.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 7. o Ministério do Trabalho. Estabelecer. A política de educação profissional é. da agricultura e da indústria e os sistemas nacionais de aprendizagem. com a colaboração entre o Ministério da Educação. Observar as metas estabelecidas nos demais capítulos referentes à educação tecnológica e formação profissional. a cada cinco anos. É necessário também. 12. a integração desses dois tipos de formação: a formal. É importante também considerar que a oferta de educação profissional é responsabilidade igualmente compartilhada entre o setor educacional. EDUCAÇÃO ESPECIAL 8. 13. serviços sociais do comércio. de modo a triplicar. articular e aumentar a capacidade instalada na rede de instituições de educação profissional. gradativamente. Prevê-se. 8. a oferta de formação de nível técnico aos alunos nelas matriculados ou egressos do ensino médio. de forma especial. e cada vez mais. A diretriz atual é a da plena integração dessas pessoas em todas as áreas da sociedade. dentro de dois anos. e a não-formal. o Ministério do Trabalho. de forma a aproveitar e valorizar a experiência profissional dos formadores. 11. unidades da rede de educação técnica federal em centros públicos de educação profissional e garantir. articular e ampliar a capacidade instalada na rede de instituições de educação profissional. Estabelecer parcerias entre os sistemas federal. secretarias do trabalho. até o final da década. Integrar a oferta de cursos básicos profissionais. Didatismo e Conhecimento 40 4. para ampliar e incentivar a oferta de educação profissional. com a oferta de programas que permitam aos alunos que não concluíram o ensino fundamental obter formação equivalente. estão sendo implantadas novas diretrizes no sistema público de educação profissional. Estabelecer. o trabalhador rural. III). contar com recursos das próprias empresas. adquirida em instituições especializadas. de modo a triplicar. de treinamentos. Trata- . inclusive no trabalho. em colaboração com empresários e trabalhadores nas próprias escolas e em todos os níveis de governo.3 Objetivos e Metas 1.2 Diretrizes Há um consenso nacional: a formação para o trabalho exige hoje níveis cada vez mais altos de educação básica. que oriente a política educacional para satisfazer as necessidades de formação inicial e continuada da força de trabalho. Estabelecer junto às escolas agrotécnicas e em colaboração com o Ministério da Agricultura cursos básicos para agricultores. dentro da perspectiva do desenvolvimento auto-sustentável. mas deve constituir educação continuada. portanto. observadas as ofertas do mercado de trabalho. as universidades. o que não impede o oferecimento de cursos de curta duração voltados para a adaptação do trabalhador às oportunidades do mercado de trabalho. notadamente em matéria de formação de formadores e desenvolvimento metodológico. levando em conta seu nível de escolarização e as peculiaridades e potencialidades da atividade agrícola na região. sob o ponto de vista operacional. os serviços nacionais de aprendizagem e a iniciativa privada. a cada cinco anos. Prevê-se que a educação profissional. adquirida por meios diversos. não podendo esta ficar reduzida à aprendizagem de algumas habilidades técnicas. de múltiplas fontes. mas também para o treinamento e retreinamento de trabalhadores com vistas a inseri-los no mercado de trabalho com mais condições de competitividade e produtividade. geral. dentro de um ano. as quais devem financiar a qualificação dos seus trabalhadores. 8. como ocorre nos países desenvolvidos. estaduais e municipais e a iniciativa privada. 5. Estabelecer a permanente revisão e adequação às exigências de uma política de desenvolvimento nacional e regional. articular e ampliar a capacidade instalada na rede de instituições de educação profissional. a oferta de cursos básicos destinados a atender à população que está sendo excluída do mercado de trabalho. Os recursos provêm. sem prejuízo de que sua oferta seja conjugada com ações para elevação da escolaridade. de modo a triplicar. programas de formação de formadores para a educação tecnológica e formação profissional. técnico complementar ao ensino médio e tecnológico superior de graduação ou de pós-graduação. que perpassa toda a vida do trabalhador. Transformar.

403 alunos. Os dados não informam sobre outras facilidades como rampas e corrimãos. no entanto.2%. 59. 45. conforme as necessidades específicas dos alunos. As políticas recentes do setor têm indicado três situações possíveis para a organização do atendimento: participação nas classes comuns. 31. ressalvando os casos de excepcionalidade em que as necessidades do educando exigem outras formas de atendimento. 26. Dos 5.3% dos Municípios. . constituindo uma meta necessária na década da educação.3%. Apenas 0. No Nordeste. como está a educação especial brasileira? O conhecimento da realidade é ainda bastante precário. realizar o atendimento em classes e escolas especializadas. 58. Mas.1% são da iniciativa privada.3% com altas habilidades ou eram superdotados e 5. comum a todas as pessoas. insuficiência. mentais. as crianças. nas quais estão 38% das turmas atendidas. em nível superior.2%. sala especial e escola especial. chamando a atenção que 62% do atendimento registrado está localizado em escolas especializadas. com problemas físicos. porque não dispomos de estatísticas completas nem sobre o número de pessoas com necessidades especiais nem sobre o atendimento.8%. 48. segundo os dados de 1997. destacando-se Rio Grande do Norte. a situação é bastante boa: apenas 3. estaduais. com deficiências múltiplas.5%. .melhoria da qualificação dos professores do ensino fundamental para essa clientela.607 crianças na educação infantil.2% dos professores (melhor dito. Em “outras modalidades” são atendidas 25% das turmas de educação especial. Observando as modalidades de atendimento educacional. . e do corpo técnico e administrativo das escolas aumenta enormemente. São informados como “outros” 64. A legislação. sempre que possível.7% delas estão em “salas de recursos” e 12. inadequação e precariedades podem ser constatadas em muitos centros de atendimento a essa clientela. Os sistemas de ensino costumam oferecer cursos de preparação para os professores que atuam em escolas especiais. Somente a partir do ano 2000 o Censo Demográfico fornecerá dados mais precisos. com apenas 9. distribuídos da seguinte forma: 58% com problemas mentais.685. predominam as “classes especiais”.2% dos estabelecimentos de educação especial em 1998 eram estaduais. Mato Grosso do Sul tinha atendimento em 76. Entre as esferas administrativas. Todas as possibilidades têm por objetivo a oferta de educação de qualidade. Didatismo e Conhecimento 41 A eliminação das barreiras arquitetônicas nas escolas é uma condição importante para a integração dessas pessoas no ensino regular. Estas podem ser de diversas ordens . a oficinas pedagógicas e a outras modalidades não especificadas no Informe. 7. distúrbios de conduta e também superdotação ou altas habilidades.258 na educação de jovens e adultos. há necessidade de uma atuação mais incisiva da União nessa área. Comparando o atendimento público com o particular. Dadas as discrepâncias regionais e a insignificante atuação federal. no ensino médio. municipais.integração/inclusão do aluno com necessidades especiais no sistema regular de ensino e. As informações de 1998 estabelecem outra classificação. Outro elemento fundamental é o material didático-pedagógico adequado. múltiplas. como formação máxima. Diante dessa política.ampliação do regulamento das escolas especiais para prestarem apoio e orientação aos programas de integração. federais. de duas questões . As diferenças regionais são grandes. ou seja. 132. Em relação à qualificação dos profissionais de magistério. enquanto aquele dá prioridade às classes especiais e classes comuns com apoio pedagógico. auditivas. jovens e adultos especiais sejam atendidos em escolas regulares. nos níveis fundamental e médio (52 e 49%.8%. completo ou incompleto.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS se. 13. federais. nele incluído o oferecido por entidades filantrópicas.8%. possuíam o ensino fundamental. do MEC/INEP). de recursos. das funções docentes). Se essa estimativa se aplicar também no Brasil. apresenta o seguinte quadro: 87. 15. havia 293. por isso 73% deles fizeram curso específico. respectivamente). . de que. é sábia em determinar preferência para essa modalidade de atendimento educacional.1% de visão. Como os estabelecimentos são de diferentes tamanhos.1% não ofereciam educação especial em 1998. que atendiam a 31% das matrículas. municipais e 0. Os números de matrícula nos estabelecimentos escolares são tão baixos que não permitem qualquer confronto com aquele contingente.4%.9% recebiam “outro tipo de atendimento”(Sinopse Estatística da Educação Básica/Censo Escolar 1998. particulares e 0. no ensino fundamental.3%. físicas. apenas 14% desses estabelecimentos possuíam instalação sanitária para alunos com necessidades especiais.o direito à educação.1% dos Municípios ofereciam educação especial.2%).705. se isto não for possível em função das necessidades do educando.148 atendimentos. 13. A Organização Mundial de Saúde estima que em torno de 10% da população têm necessidades especiais. sendo o Paraná o de mais alto percentual (83. além do atendimento específico. A região Norte é a menos servida nesse particular. com problemas de audição. considerando a diretriz da integração.. 1.1%). Segundo dados de 1998.6% dos seus Municípios. 2.6% dos seus Municípios apresentando dados de atendimento. em 1998. a ausência dessa modalidade acontece em 78. teremos cerca de 15 milhões de pessoas com necessidades especiais. 4. mas o municipal vem crescendo sensivelmente no atendimento em nível fundamental. Notase que o atendimento particular. é responsável por quase metade de toda a educação especial no País. Espírito Santo é o Estado com o mais alto percentual de Municípios que oferecem educação especial (83. As tendências recentes dos sistemas de ensino são as seguintes: . 12%. todos os professores deveriam ter conhecimento da educação de alunos especiais. Em 1998.507 Municípios brasileiros. 3.expansão da oferta dos cursos de formação/especialização pelas universidades e escolas normais. O particular está muito à frente na educação infantil especial (64%) e o estadual. 24. Eram formados em nível médio 51% e.visuais. em 1998. de conduta. No CentroOeste. Apenas 5% das turmas estão em “classes comuns com apoio pedagógico” e 6% são de “educação precoce” . Em princípio. portanto. Inexistência. e o direito de receber essa educação sempre que possível junto com as demais pessoas nas escolas “regulares”..2% em “oficinas pedagógicas”. Não há dados sobre o atendimento do aluno com necessidades especiais na educação superior. pois o percentual dos estabelecimentos com aquele requisito baixa para 6%. O atendimento por nível de ensino. verifica-se que este dá preferência à educação precoce.7%. que permitirão análises mais profundas da realidade. o que reflete a necessidade de um compromisso maior da escola comum com o atendimento do aluno especial. a necessidade de preparação do corpo docente. Na região Sul. as matrículas apresentam alguma variação nessa distribuição: 53.

Mas o grande avanço que a década da educação deveria produzir será a construção de uma escola inclusiva. os atuais programas para oferecimento de órteses e próteses de diferentes tipos.2 Diretrizes A educação especial se destina às pessoas com necessidades especiais no campo da aprendizagem. como as visuais e auditivas. A União tem um papel essencial e insubstituível no planejamento e direcionamento da expansão do atendimento. de seus equipamentos e materiais pedagógicos). de sorte que todas as crianças. que garanta o atendimento à diversidade humana. tanto nos aspectos administrativos (adequação do espaço escolar. as adaptações curriculares. produção de livros e materiais pedagógicos adequados para as diferentes necessidades. A educação especial. situadas nas escolas “regulares”. têm. inclusive em termos de recursos. problemas de dispersão de atenção ou de disciplina. Tal política abrange: o âmbito social. superdotação ou talentos. uma vez que as desigualdades regionais na oferta educacional atestam uma enorme disparidade nas possibilidades de acesso à escola por parte dessa população especial. saúde e assistência é fundamental e potencializa a ação de cada um deles. As escolas especiais devem ser enfatizadas quando as necessidades dos alunos assim o indicarem. Considerando as questões envolvidas no desenvolvimento e na aprendizagem das crianças. pessoal administrativo e auxiliar sejam preparados para atendê-los adequadamente. produzindo efeitos mais profundos sobre o desenvolvimento das crianças. em particular os vinculados à saúde. Para a população de baixa renda. inclusive como forma preventiva. e o âmbito educacional. são importantes a flexibilidade e a diversidade. originadas quer de deficiência física. III). notadamente na etapa da educação infantil. mais eficaz ela se tornará no decorrer dos anos. Mas. a política de inclusão as reorienta para prestarem apoio aos programas de integração. pode ser um importante meio de garantir-lhe o acesso e à frequência à escola. pois diversas ações devem ser realizadas ao mesmo tempo. a identificação levará em conta o contexto socioeconômico e cultural e será feita por meio de observação sistemática do comportamento e do desempenho do aluno. a articulação e a cooperação entre os setores de educação. bem como em instituições especializadas e outras instituições é uma prioridade para o Plano Nacional de Educação. quando a criança ingressa no ensino fundamental. jovens e adultos com necessidades especiais sejam atendidos em escolas regulares. A integração dessas pessoas no sistema de ensino regular é uma diretriz constitucional (art. centros de educação infantil. há que se detectarem as deficiências. oferta de transporte escolar adaptado. a qualificação dos professores para o atendimento nas escolas regulares e a especialização dos professores para o atendimento nas novas escolas especiais. assistência e promoção social. o atendimento não se limita à área educacional. sempre que for recomendado pela avaliação de suas condições pessoais. Justifica-se. Quanto às escolas especiais. aberta à diversidade dos alunos. quer porque o espectro das necessidades especiais é variado. o apoio do governo a essas instituições como parceiras no processo educacional dos educandos com necessidades especiais. o apoio do governo a tais organizações visa tanto à continuidade de sua colaboração quanto à maior eficiência por contar com a participação dos pais nessa tarefa. Existem testes simples. do reconhecimento das crianças. fazendo parte da política governamental há pelo menos uma década. tal diretriz ainda não produziu a mudança necessária na realidade escolar. precisam contar com professores especializados e material pedagógico adequado. quanto na qualificação dos professores e demais profissionais envolvidos. Requer-se um esforço determinado das autoridades educacionais para valorizar a permanência dos alunos nas classes regulares. jovens e adultos com necessidades especiais. que envolvem os pais de crianças especiais. O Programa de Renda Mínima Associado a Ações Socioeducativas (Lei n. órgãos oficiais e entidades não governamentais de assistência social. 8. inclusiva. Propõe-se uma escola integradora. Não há como ter uma escola regular eficaz quanto ao desenvolvimento e aprendizagem dos educandos especiais sem que seus professores. sensorial. para a identificação desses problemas e seu adequado tratamento. pré-escolas. Certas organizações da sociedade civil. A garantia de vagas no ensino regular para os diversos graus e tipos de deficiência é uma medida importante. que podem dificultar a aprendizagem Didatismo e Conhecimento 42 escolar. destacam-se a sensibilização dos demais alunos e da comunidade em geral para a integração. demais técnicos. As classes especiais. que podem ser aplicados pelos professores. Na hipótese de não ser possível o atendimento durante a educação infantil. quer porque as realidades são bastante diversificadas no País. quer de características como altas habilidades. Entre outras características dessa política. o déficit é muito grande e constitui um desafio imenso para os sistemas de ensino. apesar desse relativamente longo período. destinadas aos alunos parcialmente integrados. há ainda necessidade de ampliar. dos Estados e Distrito Federal e dos Municípios. eliminando a nociva prática de encaminhamento para classes especiais daqueles que apresentam dificuldades comuns de aprendizagem. É medida racional que se evite a duplicação de recursos através da articulação daqueles setores desde a fase de diagnóstico de déficits sensoriais até as terapias específicas. a frequência e a consistência dos traços. mas envolve especialistas sobretudo da área da saúde e da psicologia e depende da colaboração de diferentes órgãos do Poder Público. historicamente. Como é sabido. o atendimento deve começar precocemente. de natureza filantrópica. Uma política explícita e vigorosa de acesso à educação. O apoio da União é mais urgente e será mais necessário onde se verificam os maiores déficits de atendimento. é uma condição para que às pessoas especiais sejam assegurados seus direitos à educação. como modalidade de educação escolar.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Apesar do crescimento das matrículas. Longe de diminuir a responsabilidade do Poder Público para com a educação especial. adaptação das escolas para que os alunos especiais possam nelas transitar. para garantir o atendimento da clientela. Quando esse tipo de instituição não puder ser criado nos Municípios menores e mais pobres. com a colaboração dos Ministérios da Saúde e da Previdência. de responsabilidade da União. escolas regulares de ensino fundamental. Entre elas. Em relação às crianças com altas habilidades (superdotadas ou talentosas). recomenda-se a celebração de convênios intermunicipais e com organizações não-governamentais. Por isso. sido um exemplo de compromisso e de eficiência no atendimento educacional dessa clientela. Quanto mais cedo se der a intervenção educacional. portanto. no que a participação da comunidade é fator essencial. A formação de recursos humanos com capacidade de oferecer o atendimento aos educandos especiais nas creches. com vistas a verificar a intensidade. mental ou múltipla. A esses deve ser dado maior apoio pedagógico nas suas próprias . ao longo de seu desenvolvimento.533/97) estendido a essa clientela. terá que ser promovida sistematicamente nos diferentes níveis de ensino.9. médio e superior. jovens e adultos especiais como cidadãos e de seu direito de estarem integrados na sociedade o mais plenamente possível. etc. 208. O ambiente escolar como um todo deve ser sensibilizado para uma perfeita integração.

Enfermagem e Arquitetura. especialmente creches. Organizar. 22. 15. . 3 e 4. livros didáticos falados. em até quatro anos. nestes casos. indicadores básicos de qualidade para o funcionamento de instituições de educação especial. b) a partir da vigência dos novos padrões. 3. Entretanto. tornar disponíveis órteses e próteses para todos os educandos com deficiências. segundo aqueles padrões.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS classes. salas de recursos e outras alternativas pedagógicas recomendadas. Estabelecer programas para equipar. em cinco anos. em braille e em caracteres ampliados. Garantir a generalização. a oferta de cursos sobre o atendimento básico a educandos especiais. mediante um programa de formação de monitores. no projeto pedagógico das unidades escolares. nos dois primeiros anos de vigência deste plano. as classes especiais e salas de recursos. em conformidade aos já definidos requisitos de infraestrutura para atendimento dos alunos especiais. recomenda-se reservar-lhe uma parcela equivalente a 5 ou 6% dos recursos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino. programas destinados a ampliar a oferta da estimulação precoce (interação educativa adequada) para as crianças com necessidades educacionais especiais. garantindo. sempre que possível. estar previstos no ensino fundamental. dentro de três anos a contar da vigência deste plano. até o final da década. fornecendo-lhes o apoio adicional de que precisam. Generalizar. a realização de estudos e pesquisas. em dez anos. em braille e em caracteres ampliados. e generalizar em dez anos. 6. 16. em parceria com organizações não-governamentais. inclusive através de parceria com organizações da sociedade civil voltadas para esse tipo de atendimento. e generalizar. para todos os alunos cegos e para os de visão sub-normal do ensino fundamental. durante a década. de forma a detectar problemas e oferecer apoio adequado às crianças especiais. 4. quando necessário. Em coerência com as metas nº 2. redes municipais ou intermunicipais para tornar disponíveis aos alunos cegos e aos de visão subnormal livros de literatura falados. nos níveis médio e superior. as escolas de educação básica e. c) adaptar. Tornar disponíveis. especialmente pelas instituições de ensino superior. da educação infantil e metas nº 4. Generalizar. o ensino da Língua Brasileira de Sinais para os alunos surdos e. 8. do ensino fundamental: a) estabelecer. para os professores em exercício na educação infantil e no ensino fundamental. no primeiro ano de vigência deste plano. provendo. quando for o caso. Estabelecer. Articular as ações de educação especial e estabelecer mecanismos de cooperação com a política de educação para o trabalho. em parceria com as áreas de assistência social e cultura e com organizações não-governamentais. Estabelecer cooperação com as áreas de saúde. Didatismo e Conhecimento 43 11. Incluir ou ampliar. do atendimento às necessidades educacionais especiais de seus alunos. durante a década. os recursos devem. assim como atendimento especializado de saúde. em cinco anos. em parceria com organizações governamentais e não-governamentais. as de educação superior que atendam educandos surdos e aos de visão sub-normal. como parte dos programas de formação em serviço. transporte escolar com as adaptações necessárias aos alunos que apresentem dificuldade de locomoção. em cinco anos. trabalho e com as organizações da sociedade civil. o número desses centros. Considerando que o aluno especial pode ser também da escola regular. inclusive através de consórcios entre Municípios. em instituições especializadas ou regulares de educação infantil. públicos ou privados. em cinco anos. especialmente nas universidades públicas. 5 e 6. entre outras. em conjunto com as entidades da área. conteúdos disciplinares referentes aos educandos com necessidades especiais nos cursos que formam profissionais em áreas relevantes para o atendimento dessas necessidades. como Medicina. tendo em vista as especificidades dessa modalidade de educação e a necessidade de promover a ampliação do atendimento. destinado ao atendimento de pessoas com severa dificuldade de desenvolvimento.3 Objetivos e Metas 1. em cada unidade da Federação. Incluir nos currículos de formação de professores. sua observância. incrementando. utilizando inclusive a TV Escola e outros programas de educação a distância. previdência e assistência social para.d. em parceria com a área de saúde. para formar pessoal especializado em educação especial. Ampliar o fornecimento e uso de equipamentos de informática como apoio à aprendizagem do educando com necessidades especiais. de sorte que as diferentes regiões de cada Estado contem com seus serviços. somente autorizar a construção de prédios escolares. e não separá-los como se precisassem de atendimento especial. em cinco anos. 2. 8. definindo os recursos disponíveis e oferecendo formação em serviço aos professores em exercício. Ampliar. progressivamente. 10. com aparelhos de amplificação sonora e outros equipamentos que facilitem a aprendizagem. 14. públicas e privadas. sobre as diversas áreas relacionadas aos alunos que apresentam necessidades especiais para a aprendizagem. de forma a favorecer e apoiar a integração dos educandos com necessidades especiais em classes comuns. 9. os padrões mínimos de infraestrutura das escolas para o recebimento dos alunos especiais. assistência social. em dez anos. Assegurar a inclusão. no prazo de dez anos. 18. para seus familiares e para o pessoal da unidade escolar. em parceria com as áreas de saúde. habilitação específica. o transporte escolar. Incentivar. se necessário. em cinco anos. Definir condições para a terminalidade para os educandos que não puderem atingir níveis ulteriores de ensino. pelo menos um curso desse tipo em cada unidade da Federação. 13. 20. promovendo sua colocação no mercado de trabalho. conteúdos e disciplinas específicas para a capacitação ao atendimento dos alunos especiais. Implantar. 5. também. em todos os Municípios e em parceria com as áreas de saúde e assistência. Implantar. pelo menos um centro especializado. atendendo-se. 7. 21. da aplicação de testes de acuidade visual e auditiva em todas as instituições de educação infantil e do ensino fundamental. Introduzir. o atendimento dos alunos com necessidades especiais na educação infantil e no ensino fundamental. dentro de cinco anos. as classes especiais. Nos primeiros cinco anos de vigência deste plano. Assegurar. 12. em níveis de graduação e pósgraduação. os prédios escolares existentes. em cinco anos. 17. redimensionar conforme as necessidades da clientela. Definir. 19. prioritariamente. para o desenvolvimento de programas de qualificação profissional para alunos especiais.

então. como meio para assegurar o acesso a conhecimentos gerais sem precisar negar as especificidades culturais e a identidade daqueles grupos. Observar. no que diz respeito a essa modalidade de ensino. currículos.1 Diagnóstico No Brasil. O abandono da previsão de desaparecimento físico dos índios e da postura integracionista que buscava assimilar os índios à comunidade nacional. sua municipalização ocorreram sem a criação de mecanismos que assegurassem uma certa uniformidade de ações que garantissem a especificidade destas escolas. As pesquisas mais recentes indicam que existem hoje entre 280. nos termos da Declaração Mundial sobre Educação para Todos. e muitos deles preservam suas línguas e tradições. sua dispersão e heterogeneidade tornam particularmente difícil a implementação de uma política educacional adequada. desde o século XVI. intercultural e bilíngüe. um novo significado e um novo sentido. hoje. constituindo cerca de 210 grupos distintos. 11. Dos missionários jesuítas aos positivistas do Serviço de Proteção aos Índios. A estadualização assim conduzida não representou um processo de instituição de parcerias entre órgãos governamentais e entidades ou organizações da sociedade civil. Estabelecer um sistema de informações completas e fidedignas sobre a população a ser atendida pela educação especial. através de convênios firmados com o órgão indigenista oficial). A transferência da responsabilidade pela educação indígena da Fundação Nacional do Índio para o Ministério da Educação não representou apenas uma mudança do órgão federal gerenciador do processo. à formação de professores e ao financiamento e gestão. civilização e integração forçada dos índios à sociedade nacional. bem como pela administração dos recursos orçamentários específicos para o atendimento dessa modalidade. 9. agora cabe aos Estados assumirem tal tarefa. fazer com que eles se transformassem em algo diferente do que eram. Por isso mesmo. 26. 14.000 índios em terras indígenas. trabalho e previdência. em dez anos. A escola entre grupos indígenas ganhou. programas de atendimento aos alunos com altas habilidades nas áreas artística. Assegurar a continuidade do apoio técnico e financeiro às instituições privadas sem fim lucrativo com atuação exclusiva em educação especial. construindo projetos educacionais específicos à realidade sociocultural e histórica de determinados grupos indígenas. está integrado nas mudanças e inovações garantidas pelo atual texto constitucional e fundamenta-se no reconhecimento da extraordinária capacidade Didatismo e Conhecimento 44 de sobrevivência e mesmo de recuperação demográfica. Diferentes experiências surgiram em várias regiões do Brasil. Há também a necessidade de regularizar juridicamente as escolas indígenas. nas ações referidas nas metas nº 6. assistência social. a serem coletadas pelo censo educacional e pelos censos populacionais. contando. Grupos organizados da sociedade civil passaram a trabalhar junto com comunidades indígenas. específica. que realizem atendimento de qualidade. como se verifica hoje. o mínimo equivalente a 5% dos recursos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino. resgatando a dívida social que o Brasil acumulou em relação aos habitantes originais do território. com as parcerias com as áreas de saúde. 9. a instituição da escola entre grupos indígenas serviu de instrumento de imposição de valores alheios e negação de identidades e culturas diferenciadas. como a garantia de seus territórios e formas menos violentas de relacionamento e convivência entre essas populações e outros segmentos da sociedade nacional. Nesse processo. e deste para as secretarias estaduais de educação. em alguns casos. 27. Implantar gradativamente. contemplando as experiências bem sucedidas em curso e reorientando outras para que elaborem regimentos. trabalho e previdência e com as organizações da sociedade civil. que venha ao encontro de seus projetos de futuro. Com a transferência de responsabilidades da FUNAI para o MEC. é regionalmente desigual e desarticulado. compartilhando uma mesma concepção sobre o processo educativo a ser oferecido para as comunidades indígenas. Em que pese a boa vontade de setores de órgãos governamentais. a tônica foi uma só: negar a diferença. porque os entendia como categoria étnica e social transitória e fadada à extinção. 25. Há. No prazo de três anos a contar da vigência deste plano.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 23. as metas pertinentes estabelecidas nos capítulos referentes aos níveis de ensino. após séculos de práticas genocidas. 24. materiais didático-pedagógicos e conteúdos programáticos adaptados às particularidades étno-culturais e linguísticas próprias a cada povo indígena. calendários. O tamanho reduzido da população indígena. é de particular importância o fato de a Constituição Federal ter assegurado o direito das sociedades indígenas a uma educação escolar diferenciada. criou-se uma situação de acefalia no processo de gerenciamento global da assistência educacional aos povos indígenas. para tanto. assimilar os índios. intelectual ou psicomotora. assistência social. a oferta de programas de educação escolar às comunidades indígenas esteve pautada pela catequização. o quadro geral da educação escolar indígena no Brasil. Não há informações sobre os índios urbanizados. que possa atuar em parceria com os setores de saúde. buscando alternativas à submissão desses grupos. Aumentar os recursos destinados à educação especial. praticando a interculturalidade e o bilingüismo e adequando-se ao seu projeto de futuro. a fim de atingir. Só em anos recentes esse quadro começou a mudar. ainda. uma clara distribuição de responsabilidades entre a União. a partir do primeiro ano deste plano. mas sim uma simples transferência de atribuições e responsabilidades. organizar e pôr em funcionamento em todos os sistemas de ensino um setor responsável pela educação especial. muito a ser feito e construído no sentido da universalização da oferta de uma educação escolar de qualidade para os povos indígenas. o que vem sendo regulamentado em vários textos legais. o que dificulta a implementação de uma política nacional que assegure a especificidade do modelo de educação intercultural e bilíngue às comunidades indígenas.000 e 329. os Estados e os Municípios. permeado por experiências fragmentadas e descontínuas. Só dessa forma se poderá assegurar não apenas sua sobrevivência física mas também étnica. Representou também uma mudança em termos de execução: se antes as escolas indígenas eram mantidas pela FUNAI (ou por secretarias estaduais e municipais de educação. 17 e 18. de autonomia e que garanta a sua inclusão no universo dos programas governamentais que buscam a satisfação das necessidades básicas de aprendizagem. do ensino catequético ao ensino bilíngue. . Não há. A estadualização das escolas indígenas e. atestado em avaliação conduzida pelo respectivo sistema de ensino. 28. EDUCAÇÃO INDÍGENA 9.

através da colaboração das universidades e de instituições de nível equivalente. A coordenação das ações escolares de educação indígena está. dicionários e outros. suas visões de mundo e as situações sociolingüísticas específicas por elas vivenciadas. nas secretarias estaduais de educação. com níveis de remuneração correspondentes ao seu nível de qualificação profissional. deve ocorrer em serviço e concomitantemente à sua própria escolarização. videotecas e outros materiais de apoio. em dez anos. de acordo com o uso social e concepções do espaço próprias de cada comunidade indígena. A proposta de uma escola indígena diferenciada. dentro de dois anos. merenda escolar. assegurando o fornecimento desses benefícios às escolas. vídeos. a sua execução. dentro de um ano. em cinco anos. 16. já existentes. 5. à alfabetização. é melhor atendida através de professores índios. 7. para uso nas escolas instaladas em suas comunidades. concepções e mecanismos. Criar. dentro do prazo máximo de dois anos. cabendo aos Estados e Municípios. 3. . 18. Estabelecer e assegurar a qualidade de programas contínuos de formação sistemática do professorado indígena. Estabelecer. tanto no Ministério da Educação como nos órgãos estaduais de educação. Ampliar. estruturar e fortalecer. Fortalecer e ampliar as linhas de financiamento existentes no Ministério da Educação para implementação de programas de educação escolar indígena. sob a coordenação geral e com o apoio financeiro do Ministério da Educação. 14. Universalizar imediatamente a adoção das diretrizes para a política nacional de educação escolar indígena e os parâmetros curriculares estabelecidos pelo Conselho Nacional de Educação e pelo Ministério da Educação. à construção coletiva de conhecimentos na escola e à valorização do patrimônio cultural da população atendida. tanto para que estas escolas sejam de fato incorporadas e beneficiadas por sua inclusão no sistema oficial. no que se refere à metodologia e ensino de segundas línguas e ao estabelecimento e uso de um sistema ortográfico das línguas maternas. quanto para que sejam respeitadas em suas particularidades. A educação bilíngue. a profissionalização e reconhecimento público do magistério indígena. elaborados por professores indígenas juntamente com os seus alunos e assessores. enquanto professores de suas comunidades. Criar. A formação que se contempla deve capacitar os professores para a elaboração de currículos e programas específicos para as escolas indígenas. acompanhá-la e gerenciá-la. 15. setores responsáveis pela educação indígena. 9. 13. a categoria oficial de “escola indígena” para que a especificidade do modelo de educação intercultural e bilíngue seja assegurada. Assegurar a autonomia das escolas indígenas. Proceder. Instituir e regulamentar. que garantam a adaptação às condições climáticas da região e. garantindo a esses professores os mesmos direitos atribuídos aos demais do mesmo sistema de ensino. programas voltados à produção e publicação de materiais didáticos e pedagógicos específicos para os grupos indígenas. a aplicação pelas escolas indígenas na formulação do seu projeto pedagógico. 11. as técnicas de edificação próprias do grupo. ao reconhecimento oficial e à regularização legal de todos os estabelecimentos de ensino localizados no interior das terras indígenas e em outras áreas assim como a constituição de um cadastro nacional de escolas indígenas. 2. como transporte escolar. Didatismo e Conhecimento 45 8. padrões mínimos mais flexíveis de infraestrutura escolar para esses estabelecimentos. Estabelecer um programa nacional de colaboração entre a União e os Estados para. gradativamente. ao mesmo tempo que se lhes ofereça o atendimento adicional necessário para sua adaptação. Criar.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 9. quer quanto aos seus objetivos e necessidades. É preciso reconhecer que a formação inicial e continuada dos próprios índios. garantindo a plena participação de cada comunidade indígena nas decisões relativas ao funcionamento da escola. além de condições sanitárias e de higiene. equipar as escolas indígenas com equipamento didático-pedagógico básico. dentro de um ano. adequada às peculiaridades culturais dos diferentes grupos. sob responsabilidade do Ministério de Educação. com concurso de provas e títulos adequados às particularidades linguísticas e culturais das sociedades indígenas. Implantar. incluindo bibliotecas. Atribuir aos Estados a responsabilidade legal pela educação indígena. 10. com a criação da categoria de professores indígenas como carreira específica do magistério. em dois anos. sempre que possível. quer na própria escola indígena. Formular.2 Diretrizes A Constituição Federal assegura às comunidades indígenas a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. universidades e organizações ou associações indígenas. quer através de delegação de responsabilidades aos seus Municípios. bilíngues ou não. TV Escola. nos sistemas estaduais de ensino. dentro de cinco anos. 17. quer em termos do contingente escolar. a condução de pesquisas de caráter antropológico visando à sistematização e incorporação dos conhecimentos e saberes tradicionais das sociedades indígenas e à elaboração de materiais didáticopedagógicos. de qualidade. livro didático. especialmente no que diz respeito aos conhecimentos relativos aos processos escolares de ensino-aprendizagem. o aperfeiçoamento e o reconhecimento de experiências de construção de uma educação diferenciada e de qualidade atualmente em curso em áreas indígenas. a serem executados pelas secretarias estaduais ou municipais de educação. a oferta de ensino de 5ª a 8ª série à população indígena. o ensino bilíngue. com a incumbência de promovê-la. respeitando seus modos de vida. hoje. Fortalecer e garantir a consolidação. dentro de um ano. Adaptar programas do Ministério da Educação de auxílio ao desenvolvimento da educação. organizações de apoio aos índios. biblioteca escolar. incluindo livros. quer integrando os alunos em classes comuns nas escolas próximas. tanto no que se refere ao projeto pedagógico quanto ao uso de recursos financeiros públicos para a manutenção do cotidiano escolar. Universalizar. 6. 9. 12. a oferta às comunidades indígenas de programas educacionais equivalentes às quatro primeiras séries do ensino fundamental. um plano para a implementação de programas especiais para a formação de professores indígenas em nível superior. 4. a fim de garantir o acesso ao ensino fundamental pleno. quer diretamente. as diretrizes curriculares nacionais e os parâmetros curriculares e universalizar. representa uma grande novidade no sistema educacional do País e exige das instituições e órgãos responsáveis a definição de novas dinâmicas.3 Objetivos e Metas 1. de forma a contemplar a especificidade da educação indígena.

791 1. a intolerância e o preconceito em relação a essas populações.872 103.396 2. etc.126 . há que se repensar a própria formação. grande número de professores abandona o magistério devido aos baixos salários e às condições de trabalho nas escolas.064 . Ens.051 A análise da distribuição das funções docentes por nível de formação e níveis escolares em que atuam somente pode ser feita sobre os dados de 1996.258 501. em todas as modalidades de ensino. Formar mais e melhor os profissionais do magistério é apenas uma parte da tarefa.a formação profissional inicial. mais do que uma conclusão lógica.948 48. desde a educação infantil até a educação superior (e isso não é uma questão meramente técnica de oferta de maior número de cursos de formação inicial e de cursos de qualificação em serviço) por outro lado é fundamental manter na rede de ensino e com perspectivas de aperfeiçoamento constante os bons profissionais do magistério. ficam baldados quaisquer esforços para alcançar as metas estabelecidas em cada um dos níveis e modalidades do ensino. Completo Total Fonte: MEC/INEP: Sinopse Estatística 1996.Fund. Incompl. .335 50.508 ensino médio 18 675 38. Avaliação de desempenho também tem importância. considerando que o mesmo docente pode estar atuando em mais de um nível e/ou modalidade de ensino e em mais de um estabelecimento. 20.Educação especial: 37. de um lado.119 916.462 32. a produção de programas de formação de professores de educação a distância de nível fundamental e médio.Funções Docentes . Essa valorização só pode ser obtida por meio de uma política global de magistério. . aqui. o Plano Nacional de Educação estabelece diretrizes e metas relativas à melhoria das escolas. salário e carreira.256 172. Didatismo e Conhecimento 46 . nesse caso.356 jovens e adultos 567 1..079 17. cursos de educação profissional.Fund. IV – MAGISTÉRIO DA EDUCAÇÃO BÁSICA 10. Implantar.968 80.801 365. especialmente nas regiões agrárias. Salário digno e carreira de magistério entram. Se. ao mesmo tempo.625 661.distribuição nacional por nível de formação e níveis escolares em que atuam – 1998 Níveis e modalidades de atuação Nível de formação Total de funções 65. os Estados e Municípios e em parceria com as instituições de ensino superior. especificamente.744 educação especial 322 847 19.051 Ens. como meio de combater o desconhecimento. contado mais de uma vez. quer no tocante aos espaços físicos.Ensino fundamental: 1. com a colaboração entre a União. quer no que diz respeito à formulação das propostas pedagógicas.439. aos instrumentos e materiais pedagógicos e de apoio.066. passam de 2 milhões. simultaneamente. visando à auto sustentação e ao uso da terra de forma equilibrada. Sem esta.Classes de alfabetização: 46.274 Pré-Esc e Alfabetiz.Ensino médio: 365.1 Diagnóstico A melhoria da qualidade do ensino. aos meios tecnológicos. FORMAÇÃO DOS PROFESSORES E VALORIZAÇÃO DO MAGISTÉRIO 10. . 20.356 . As funções docentes estão assim distribuídas. a dedicação e a confiança nos resultados do trabalho pedagógico. a qual implica.581 22. Ano após ano.147 265. quanto à formulação dos planos de carreira e de remuneração do magistério e do pessoal administrativo e de apoio. Médio Completo Ens.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 19. ainda. Nota: O mesmo docente pode atuar em mais de um nível/modalidade de ensino e em mais de um estabelecimento. nesse contexto. sobre as sociedades e culturas indígenas. conforme se vê a seguir: Tabela 19 .715 798.947 5ª à 8ª séries 712 5. As funções docentes em educação básica. segundo os dados de 1998 (MEC/INEP/SEEC): .874 . Completo Ens. quer. a valorização do magistério.719 1ª à 4ª séries 44.108 37. 21. dentro de um ano.641 531. os últimos publicados pelo MEC/INEP/SEEC.Educação de jovens e adultos: 103. É preciso criar condições que mantenham o entusiasmo inicial. sendo.250 326. como componentes essenciais. Promover. somente poderá ser alcançada se for promovida.as condições de trabalho. O número de professores é menor. que é um dos objetivos centrais do Plano Nacional de Educação. A simultaneidade dessas três condições.913 153. das instituições formadoras em qualificar e formar professores têm se tornado pouco eficazes para produzir a melhoria da qualidade do ensino por meio de formação inicial porque muitos professores se deparam com uma realidade muitas vezes desanimadora. É preciso que os professores possam vislumbrar perspectivas de crescimento profissional e de continuidade de seu processo de formação.593 . é uma lição extraída da prática.150 68. Sup. Em coerência com esse diagnóstico.043 174.Educação infantil: 219. à participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e nos conselhos escolares.129. em vista dos desafios presentes e das novas exigências no campo da educação. Esforços dos sistemas de ensino e. à infra-estrutura. que exige profissionais cada vez mais qualificados e permanentemente atualizados.a formação continuada. Promover a correta e ampla informação da população brasileira em geral.

Esta exigência. nos Estados. Devem ser aplicados. Quanto às classes de alfabetização: como serão desfeitas. A melhoria da qualidade do ensino.000.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Se uma função docente correspondesse a um professor.976 precisam obter diploma de nível médio. é a qualificação para a especificidade da tarefa. obrigatoriamente. competitivo.486 necessitam de formação superior. o domínio dos conhecimentos objeto de trabalho com os alunos e dos métodos pedagógicos que promovam a aprendizagem.2 Diretrizes A qualificação do pessoal docente se apresenta hoje como um dos maiores desafios para o Plano Nacional de Educação. dificuldades adicionais para certos Municípios manter o padrão anterior de remuneração. no mercado de trabalho. . nas séries iniciais e finais do ensino fundamental e no ensino médio. em 1997.429/96. calculando-se a partir dos dados disponíveis sobre o percentual dos que atuam nesse nível com curso superior. Este compromisso. portanto. Um levantamento urgente se faz necessário. O quinto depende dos próprios professores: o compromisso com a aprendizagem dos alunos. modalidade normal. modalidade normal. é preciso adquirir o conhecimento da especificidade do processo de construção do conhecimento em cada uma daquelas circunstâncias e faixas etárias. Os dados acima apontam somente para a necessidade atual. se aplica também na formação para o magistério na educação infantil. é de supor que a quantidade de professores nessa situação seja bem maior. para o desenvolvimento do País. os problemas ficarão em parte minimizados. entretanto.jornada de trabalho organizada de acordo com a jornada dos alunos. isto é. Para as 4 primeiras séries do ensino fundamental: 94. Daí por que não basta ser formado num determinado nível de ensino. 10. As necessidades de qualificação para a educação especial e para a educação de jovens e adultos são pequenas no que se refere ao nível de formação pois. os seguintes requisitos: . estão sendo elaborados ou reformulados os planos de carreira do magistério. a fim de dimensionar o esforço que em cada um deles deverá ser feito para alcançar o patamar mínimo de formação exigido. São 13. e o Poder Público precisa se dedicar prioritariamente à solução deste problema.compromisso social e político do magistério.um sistema de educação continuada que permita ao professor um crescimento constante de seu domínio sobre a cultura letrada. ficaram prejudicados. Para as 4 últimas séries do ensino fundamental: 159. não houve melhoria para os professores. para atingirem a qualificação mínima permitida. as necessidades de formação crescerão na mesma proporção daquelas metas. 7o).883 carecem de formação de nível superior. uma vez que os docentes exercem um papel decisivo no processo educacional. indispensável para assegurar à população brasileira o acesso pleno à cidadania e a inserção nas atividades produtivas que permita a elevação constante do nível de vida. Em alguns lugares. Assim. nos Municípios. dentro de uma visão crítica e da perspectiva de um novo humanismo. . ao ensino médio. 97% dos professores têm nível médio ou superior. Em cumprimento à Lei 9. para dimensionar a demanda e definir a estratégia e os recursos requeridos. a valorização do magistério . em ambas as modalidades. art. Chega-se ao número de 58. É fundamental que os dados sobre necessidades de qualificação sejam desagregados por Estado. constitui um compromisso da Nação. concentrada num único estabelecimento de ensino e que inclua o tempo necessário para as atividades complementares ao trabalho em sala de aula. de jovens e adultos e de ensino médio. modalidade normal. principalmente se houve admissões sem a qualificação mínima exigida. No campo da remuneração.uma formação profissional que assegure o desenvolvimento da pessoa do educador enquanto cidadão e profissional. Para o ensino médio: 44. entre 1996 e 1999. não há dados. pelo menos. mas para atuarem no ensino fundamental. A questão principal. Tratando-se de um processo em curso. este plano reforça o propósito através de metas específicas. uma vez que a produção do conhecimento e a criação de novas tecnologias dependem do nível e da qualidade da formação das pessoas. As características psicológicas. Considerando o grande aumento do número de matrículas nesse nível de ensino. o que deverá ser feito nos planos estaduais.166 professores que possuem formação apenas de ensino fundamental e que deverão cursar pelo menos o ensino médio. interesse pelo trabalho e participação no trabalho de equipe. Nos Estados e Municípios onde o salário já era mais alto do que o possibilitado pelo FUNDEF. pelo menos 60% dos recursos do FUNDEF na remuneração do pessoal de magistério em efetivo exercício de suas atividades no ensino fundamental público (Lei Didatismo e Conhecimento 47 9. o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério está fazendo uma extraordinária mudança naqueles Estados e Municípios onde o professor recebia salários muito baixos. .458 professores que atuam na pré-escola precisam fazer o curso de nível médio. A implementação de políticas públicas de formação inicial e continuada dos profissionais da educação é uma condição e um meio para o avanço científico e tecnológico em nossa sociedade e. para que o magistério brasileiro que está atuando nos sistemas de ensino possua o nível de formação mínimo estabelecido pela lei. os professores de educação infantil. com licenciatura plena. conforme as diretrizes e metas deste plano. à educação infantil e. A valorização do magistério implica. inferiores ao salário mínimo. com outras ocupações que requerem nível equivalente de formação. . na expectativa de que isso constitua um importante passo e instrumento na valorização do magistério. não se trata de qualificar os professores para nelas permanecerem. o respeito a que têm direito como cidadãos em formação. sociais e físicas das diferentes faixas etárias carregam modos diversos de encarar os objetos de conhecimento e de aprender. antes. aliás.salário condigno.424/96. depreender-se-ia dessa Tabela a seguinte necessidade de qualificação: Para a educação infantil: 29. Quanto aos da creche. Se os 10% dos mínimos constitucionalmente vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino não postos no FUNDEF forem efetivamente destinados. A avaliação do FUNDEF vem apontando as falhas e sugerindo revisões com vistas a solucionar os problemas que vêm ocorrendo. Os quatro primeiros precisam ser supridos pelos sistemas de ensino. na escola. nesses dois casos. Considerando que este plano fixa metas de expansão e de melhoria da qualidade do ensino. não poderá ser cumprido sem a valorização do magistério.

9. de encontros coletivos. Quanto à remuneração. quando conveniente. de formas de gestão democrática do ensino. no caso de os antigos ainda não terem sido reformulados segundo aquela lei. a partir do primeiro ano deste plano. i) trabalho coletivo interdisciplinar. que oferecem a formação admitida para atuação na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental formam os profissionais. possibilitando-lhes a formação exigida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. b) ampla formação cultural. que não possuem. A formação continuada dos profissionais da educação pública deverá ser garantida pelas secretarias estaduais e municipais de educação. elaborados e aprovados de acordo com as determinações da Lei nº. promoção e afastamentos periódicos para estudos que levem em conta as condições de trabalho e de formação continuada e a avaliação do desempenho dos professores. durante o curso. portanto. Este Plano. do bom desempenho na atividade. identificar e mapear. . A educação escolar não se reduz à sala de aula e se viabiliza pela ação articulada entre todos os agentes educativos . organizados a partir das necessidades expressas pelos professores. f) domínio das novas tecnologias de comunicação e da informação e capacidade para integrá-las à prática do magistério. 3. os professores em exercício em todo o território nacional. que se encontrem fora do sistema de ensino. deverá ser oferecido também nas suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. k) desenvolvimento do compromisso social e político do magistério. (VETADO) 5. avaliações e reuniões pedagógicas. A partir da entrada em vigor deste PNE. Identificar e mapear. deverá dar especial atenção à formação permanente (em serviço) dos profissionais da educação. bem como nos conteúdos especificamente pedagógicos. ensino e extensão e a relação entre teoria e prática podem garantir o patamar de qualidade social. g) análise dos temas atuais da sociedade. da garantia de condições adequadas de formação. assegurando a promoção por mérito. ético e político. em decorrência do avanço científico e tecnológico e de exigência de um nível de conhecimentos sempre mais amplos e profundos na sociedade moderna. o diagnóstico da demanda de habilitação de professores leigos e organizarse. entre outras formas. de modo a elaborar-se.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS depende. constituída. Aquela relativa aos professores que atuam na esfera privada será de responsabilidade das respectivas instituições. 62 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Dessa forma. técnicos. 6. j) vivência. 62 da LDB. Na formação inicial é preciso superar a histórica dicotomia entre teoria e prática e o divórcio entre a formação pedagógica e a formação no campo dos conhecimentos específicos que serão trabalhados na sala de aula.424/96 e a criação de novos planos. em quaisquer de seus níveis e modalidades. portadores de diplomas de licenciatura e de habilitação de nível médio para o magistério. Destinar entre 20 e 25% da carga horária dos professores para preparação de aulas. de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. Garantir. já no primeiro ano deste PNE. Essa formação terá como finalidade a reflexão sobre a prática educacional e a busca de seu aperfeiçoamento técnico. A formação continuada do magistério é parte essencial da estratégia de melhoria permanente da qualidade da educação. 10. a habilitação de nível médio para o magistério. há que se prever na carreira sistemas de ingresso.3 Objetivos e Metas 1. em seu art. cuja atuação incluirá a coordenação. política e pedagógica que se considera necessário. programas de formação de professores. é indispensável que níveis mais elevados correspondam a exigências maiores de qualificação profissional e de desempenho. com piso salarial próprio. em dois anos. onde as funções de pesquisa. Quando feita na modalidade Didatismo e Conhecimento 48 de educação a distância. aos seguintes princípios: a) sólida formação teórica nos conteúdos específicos a serem ensinados na Educação Básica. sua realização incluirá sempre uma parte presencial. h) inclusão das questões relativas à educação dos alunos com necessidades especiais e das questões de gênero e de etnia nos programas de formação. igualmente. 87. 7. somente admitir professores e demais profissionais de educação que possuam as qualificações mínimas exigidas no art. pelo lado do Poder Público. já a partir do primeiro ano deste plano. funcionários administrativos e de apoio que atuam na escola. no mínimo. cumprida em um único estabelecimento escolar. As instituições de formação em nível médio (modalidade Normal). para o que será necessário formar professores dessas mesmas comunidades. Nos Municípios onde a necessidade de novos professores é elevada e é grande o número de professores leigos. Este plano estabelece as seguintes diretrizes para a formação dos profissionais da educação e sua valorização: Os cursos de formação deverão obedecer. integrando a teoria à prática pedagógica. e l) conhecimento e aplicação das diretrizes curriculares nacionais dos níveis e modalidades da educação básica. nos termos do art. a formação dos profissionais para as áreas técnicas e administrativas deve esmerar-se em oferecer a mesma qualidade dos cursos para o magistério. gradualmente. de trabalho e de remuneração e. e) pesquisa como princípio formativo. dos planos de carreira para o magistério. o financiamento e a manutenção dos programas como ação permanente e a busca de parceria com universidades e instituições de ensino superior. Implementar. 4. O ensino fundamental nas comunidades indígenas. os novos níveis de remuneração em todos os sistemas de ensino. 2. uma jornada de trabalho de tempo integral. com vistas a seu possível aproveitamento. A formação inicial dos profissionais da educação básica deve ser responsabilidade principalmente das instituições de ensino superior. d) contato com a realidade escolar desde o início até o final do curso. A formação continuada assume particular importância. em todos os sistemas de ensino. c) atividade docente como foco formativo. Por essa razão. segundo o preceito constitucional.docentes. da cultura e da economia. e visará à abertura de novos horizontes na atuação profissional. Garantir a implantação. pelo lado dos profissionais do magistério.

Criar. 26. a avaliação periódica da qualidade de atuação dos professores. 22. de programas de formação. O imposto é espécie do gênero tributo. nos sistemas de ensino. no prazo de 5 anos. Ampliar. no prazo de dois anos. Há uma imagem equivocada de que esta fonte representa valor elevado. elaborando e dando início à implementação. específica e adequada às características e necessidades de aprendizagem dos alunos. cursos de formação de professores. cursos regulares noturnos e cursos modulares de licenciatura plena que facilitem o acesso dos docentes em exercício à formação nesse nível de ensino. não chegou a 4 bilhões.1 Diagnóstico A fixação de um plano de metas exige uma definição de custos assim como a identificação dos recursos atualmente disponíveis e das estratégias para sua ampliação. 14. diretrizes e parâmetros curriculares para os cursos superiores de formação de professores e de profissionais da educação para os diferentes níveis e modalidades de ensino. de cursos de especialização voltados para a formação de pessoal para as diferentes áreas de ensino e. de forma a tornar possível o cumprimento da meta anterior. Garantir. inclusive nas modalidades de educação especial e de jovens e adultos. dos grupos indígenas. no nível federal. contando com a parceria das instituições de ensino superior sediadas nas respectivas áreas geográficas. Promover. que. os programas de formação em serviço que assegurem a todos os professores a possibilidade de adquirir a qualificação mínima exigida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. . a oferta. das manifestações artísticas e religiosas do segmento afro-brasileiro. incluir requisitos referentes às particularidades culturais. estabelecer cursos de nível médio. Incentivar as universidades e demais instituições formadoras a oferecer no interior dos Estados. 25. a partir da colaboração da União. Onde ainda não existam condições para formação em nível superior de todos os profissionais necessários para o atendimento das necessidades do ensino. como subsídio à definição de necessidades e características dos cursos de formação continuada. no mesmo padrão dos cursos oferecidos na sede. Incluir em quaisquer cursos de formação profissional. 15. seja por meio de uma gestão mais eficiente.6 bilhões. para outras áreas que a realidade demonstrar ser necessário. em particular. com base nas diretrizes de que trata a meta nº 8. de nível médio e superior. dos Estados e Municípios. 24. Desenvolver programas de educação a distância que possam ser utilizados também em cursos semipresenciais modulares. V . Generalizar. 11. Nos concursos de provas e títulos para provimento dos cargos de professor para a educação indígena. sendo o orçamento da seguridade social da ordem de 105 bilhões. no prazo de dez anos. e não à totalidade dos recursos orçamentários. para todos os níveis e modalidades de ensino. para a educação de jovens e adultos e para as séries iniciais do ensino fundamental. habilitação de nível médio (modalidade normal). em instituições específicas. Definir diretrizes e estabelecer padrões nacionais para orientar os processo de credenciamento das instituições formadoras. Didatismo e Conhecimento 49 20. dentro de um ano. 18. dos Estados e dos Municípios. cursos profissionalizantes de nível médio destinados à formação de pessoal de apoio para as áreas de administração escolar. Observar as metas estabelecidas nos demais capítulos referentes à formação de professores e valorização do magistério. bem como a certificação. especialmente linguísticas. no prazo de dez anos. por meio de um programa conjunto da União. possuam. nas instituições de ensino superior públicas. dos Estados e dos Municípios. prevendo a continuidade dos estudos desses profissionais em nível superior. 70% dos professores de educação infantil e de ensino fundamental (em todas as modalidades) possuam formação específica de nível superior. o desenvolvimento das competências profissionais e a avaliação da formação inicial e continuada dos professores. entretanto. valor que sequer cobre os gastos com instituições de ensino superior (Tabela 20).FINANCIAMENTO E GESTÃO 11. 27. 17. todos os professores de ensino médio possuam formação específica de nível superior. nos currículos e programas dos cursos de formação de profissionais da educação.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 8. em ação conjunta da União. na sede ou fora dela. as necessidades de formação inicial e continuada do pessoal técnico e administrativo. Os percentuais constitucionalmente vinculados à manutenção e ao desenvolvimento do ensino devem representar o ponto de partida para a formulação e implementação de metas educacionais. 12. 16. inclusive para alimentação escolar e. multimeios e manutenção de infraestruturas escolares. obtida em curso de licenciatura plena nas áreas de conhecimento em que atuam. É preciso. todos os professores em exercício na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental. que os sistemas estaduais e municipais de ensino mantenham programas de formação continuada de professores alfabetizadores. temas específicos da história. Incluir. a médio prazo. das sociedades indígenas e dos trabalhadores rurais e sua contribuição na sociedade brasileira. Promover. 23. A receita vinculada à manutenção e desenvolvimento do ensino. desfazer alguns enganos. Garantir. dos conhecimentos. na perspectiva da integração social. Garantir que. 9. no prazo de três anos a partir da vigência deste PNE. Estabelecer. Os recursos de impostos não constituem sequer a totalidade dos recursos tributários (que incluem taxas e contribuições de melhoria). A vinculação é realizada em relação às receitas resultantes de impostos. já no primeiro ano de vigência deste plano. de licenciatura plena em instituições qualificadas. Ampliar a oferta de cursos de mestrado e doutorado na área educacional e desenvolver a pesquisa neste campo. equivalia a 325. 19. Desenvolver programas de pós-graduação e pesquisa em educação como centro irradiador da formação profissional em educação. de modo a atender à demanda local e regional por profissionais do magistério graduados em nível superior. para a educação especial. 10. nas instituições públicas de nível superior. seja por meio de criação de novas fontes. 13. a partir da constatação da necessidade de maior investimento. Identificar e mapear. no mínimo. que observem os princípios definidos na diretriz nº 1 e preparem pessoal qualificado para a educação infantil. 21. a gestão escolar. da cultura. O orçamento fiscal da União de 1998. conhecimentos sobre educação das pessoas com necessidades especiais. a formação de jovens e adultos e a educação infantil. 28. observando as diretrizes e os parâmetros curriculares. por exemplo. Garantir que.

8 6.067.0 Fonte : SIAFI/PRODASEN .503.6 47.129 8. onde o estado arcava com a maior parte das matrículas do ensino fundamental. COFF/CD 1995 a 1998 .774.256.788 486 259 787 1. Social S/ Lucro das Pessoas.132.919.851.812 9.4 100.5 6. em São Paulo.513 717. dois cidadãos do mesmo estado e do mesmo nível de ensino eram tratados de forma absolutamente distinta. o gasto correspondia a 336 reais.214.446.4 100.797.3 Fonte: Fecamp Em 1995. responsáveis pela maioria das matrículas o valor aplicado não passava de 88 reais.0 3.2 0 15.4 25.1 3.826 738 529 694 2.5 0 34.512 Fonte : FECAMP – em valores históricos Tabela 22 .891 152.613 Municípios 7.7 4.1 0 6. Social p/ Seguridade Social Fundo de Estabilização Fiscal – FEF Recursos Diretamente arrecadados Recursos de Concessões e Permissões Outros Total 1995 0 3. na reduzida rede estadual.3 19.474.542 917.138 3.Ministério da Educação .129 167.4 11. O conjunto dos Município do Maranhão e de Alagoas era responsável por dois terços das matrículas e recebia apenas um terço dos recursos. Assim.0 1999 1.874 19.201.085 Todas as esferasconsolidado 23.Despesa por Fonte( R$ milhões) Fonte Recursos ordinários Manutenção e desenvolvimento do ensino – art 212.3 100. estabelecendo ainda a organização dos sistemas de ensino em regime de colaboração.9 37.8 8.8 4.3 0 6.Elaboração.275.413.0 1998 478 3. os Estados e os Municípios.273.027.8 0 7.360 613 39 1.440 495 0 620 9.5 4.valores liquidados 1999 .303 2.3 5.012 40.8 5. No extremo oposto.152 246 0 1.955.326 11.152 2.641 603.6 17.985.842. a Constituição definiu uma divisão de responsabilidades entre a União.4 35.547 6.248 3.7 1.067.164 12.085 % 10. o gasto médio por aluno era de 343 reais.Gastos Diretos com Educação das Administrações Públicas – 1997 Natureza da despesa União Pessoal e encargos sociais Transferência de Assistência e Previdência Outras despesas correntes Investimentos Inversões financeiras Total 4.4 6.153 % 0 52. Tabela 21 .5 13.243.762 11.226.074 2.26 34.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Tabela 20 .731 3.070 % 0 38.627. enquanto nas redes municipais equivalia a 1.711. verificavam-se graves distorções.9 100. ao passo que nas redes municipais.685.617.3 5.388 575 0 621 9.310.119.814 Esfera de governo Estados 12.634.733 518 496 932 10.Gastos Com Educação – Esferas Federativas – 1997 Ente federativo UNIÃO ESTADOS MUNICÍPIOS % 23.831 619 161 0 3.7 4.Jurídicas Contrib.317 2.9 6.4 0.768 % 4. Por exemplo. antes da aprovação da Emenda Constitucional nº 14.983.250.228.099 2.8 5. CF Salário-Educação Contrib.0 1997 977 3.483.968.4 2. somadas todas as esferas administrativas. Didatismo e Conhecimento 50 .165 reais.927 913. As Tabelas 21 e 22 mostram o retrato dos gastos com educação.237.643 % 10.Lei Orçamentária Dada a natureza federativa do Estado brasileiro.632 530 0 671 9.1 29.517.8 100.430.3 2.1 34.254.696 2.489 370 271 356 3.763.0 1996 0 4. no Maranhão.058.

787.2 60. Para o exercício de 1999 a previsão é de que a complementação da União seja de cerca de 610 milhões (Portaria nº 286/99-MF). Tabela 23 .com a obrigatoriedade da apresentação de planos de carreira com exigência de habilitação.6 6.diminuiu consideravelmente o número de classes de alfabetização e de alunos maiores de 7 anos na pré-escola.00) – 1998 Valor por aluno/ ano (R$1.7 9.3 163.9 463.8 2. cota do IPI-Exp.506 % 5. no âmbito de determinado estado não atingir o valor mínimo.963 12.4 437.461 434.) e dos Municípios (FPM.193.746. cota do IPI-Exp). . Tabela 24 . Se o fundo.2 178.758 8.435. o FUNDEF foi o instrumento de uma política que induziu várias outras transformações: .4 66.838.0 389.3 405.0 Alunos/97 Número 1. ICMS. A maior visibilidade dos recursos possibilitou inclusive a identificação de desvios. dos 5.125.8 100. Os núcleos da proposta do FUNDEF são: o estabelecimento de um valor mínimo por aluno a ser despendido anualmente (fixado em 315 reais para os anos de 1998 e 1999).9     Variação Do valor por aluno 247.7 375.0 211.506 Municípios brasileiros.347 5.7 7. segundo o número de matrículas e a subvinculação de 60% de seu valor para o pagamento de profissionais do magistério em efetivo exercício.0 17.759.8 195. nos Municípios com gasto abaixo do valor mínimo (R$ 315.819 13.159) contavam com um valor por aluno/ano abaixo do valor mínimo nacional de 315 reais.638.5 124.209 2.2     Receita Adicional Bruta (R$ Milhões) 429.006.280 % 13.257.1 140. além da compensação referente às perdas com a desoneração das exportações.Origem das Receitas do Fundef – 1998 R$ Mil Receita FPM FPE ICMS IPI-Exp.com a criação de contas únicas e específicas e dos conselhos de acompanhamento e controle social do FUNDEF deu-se mais transparência à gestão.1 8.4 33. cerca de 39% (2.551 2. Conforme indica a Tabela 24.7     Com o FUNDEF (B) 324.3 1.1 518.315 1. a redistribuição dos recursos do fundo. LC 87/96 Subtotal Complementação da União Total Valor Distribuído 1. verificou-se uma transferência líquida de recursos das redes estaduais para as municipais.740. a União efetua a complementação. sendo trazidos para o ensino fundamental.178.058 8.002 1.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Para corrigir esta situação foi concebido o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério.222. cota do ICMS.com a subvinculação ao pagamento dos professores melhoraram os salários e foram novamente atraídos para a carreira professores que ocupavam outras posições no mercado de trabalho.0 Fonte : SIAFI/Tribunal de Contas da União Além de promover a equidade.192. .3 211.528 % 14.0 66.565 4.a fixação de um critério objetivo do número de matrículas e a natureza contábil do fundo permitiram colocar os recursos onde estão os alunos e eliminar práticas clientelistas.1 39.9 335. . .00) Até 100 De 100 a 150 De 150 a 200 De 200 a250 De 250 a 315 Subtotal Outros Municípios Total Municípios Número 308 613 474 370 394 2.8 3. sobretudo no Nordeste – onde as redes municipais são responsáveis por cerca de 50% das matrículas. deflagrou-se um processo de profissionalização da carreira.4 225.7 281.0 Valor por aluno/ano Antes do FUNDEF (A) 77.2 258.2 100.9 12. que passou a ser conhecido como FUNDEF.4 96.0 1.1 9. Este é constituído por uma cesta de recursos equivalentes a 15% de alguns impostos do estado (FPE. decorrentes da Lei Complementar n° 87/96.159 3.5     % (B/A) 317 170 145 72 44 129     Fonte : MEC/SEADE – Balanço do primeiro ano do FUNDEF Didatismo e Conhecimento 51 .Efeitos Financeiros do FUNDEF.8 124.6 16.003 12.045 1.6 100. É inegável o efeito redistributivo do FUNDEF.6 11.096 237.989 314. Em 1998 esta foi equivalente a cerca de 435 milhões (Tabela 23).6 163. Em 21 dos 26 Estados.

Não se devem interpretar estes dados de maneira estática.535.380. Tabela 25 . tanto nos níveis centrais como nos descentralizados.6 4. Este plano propõe que num prazo de dez anos atinjamos um gasto público equivalente a 7% do PIB.8 5. incluindo os gastos do setor privado (que Negri estima em 1% do PIB). apenas no setor público o equivalente a 10% do PIB é muito elevada. ao estabelecer.8 6. O problema deste método é que capta muito bem o que se deve gastar. no futuro.6 4. Negri havia chegado. isto é.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A partir desta redistribuição. Conforme dispunha o Plano Nacional de Educação para Todos. a meta contida no PL nº 4. Para tanto é necessário o compromisso do Congresso Nacional. inflacionando os dados da UNESCO” (de 1989. e dos Legislativos subnacionais.5 5. embora trabalhe com a execução o IPEA considera os gastos da função educação e cultura.7 x 3.6 Fonte: Base de dados da OCDE *Dados de 1996 Financiamento e gestão estão indissoluvelmente ligados.173/98. para 54. os países desenvolvidos que já fizeram um amplo esforço no período pós-guerra estabilizaram seus gastos. Este dado foi informado à OCDE pelo governo brasileiro. ao órgão gestor e ao regulamentar quais as despesas admitidas como gastos com manutenção e desenvolvimento do ensino.4 5.5% do PIB.9 3. Observe-se que. que cresceram de 30. para aquele exercício. em 1997.8 6. corrigida a distorção idade-série e aperfeiçoada a gestão.072. De toda sorte. o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA calculou em 4. Por outro lado. inclusive a eventual criação. A transparência da gestão de recursos financeiros e o exercício do controle social permitirão garantir a efetiva aplicação dos recursos destinados à educação.” O governo federal vem atuando de maneira a descentralizar recursos. Para superar esta dificuldade. Como apontou Barjas Negri (Financiamento da Educação no Brasil . o repasse automático dos recursos vinculados. do governo federal para os governos estaduais e municipais e dos governos estaduais para os municipais. Em valores atuais. a partir das vinculações. cada ponto percentual significa cerca de 10 bilhões de reais.8 5. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional facilita amplamente esta tarefa. portanto os gastos apenas com educação. “a melhoria dos níveis de qualidade do ensino requer a profissionalização tanto das ações do Ministério da Educação e dos demais níveis da administração educativa como a ação nos estabelecimentos de ensino. mas não o quanto se gasta . A partir de 1986 iniciouse a disseminação de informações que continham grave erro metodológico. Outra é a situação do Brasil.4 4. ao número de 4. que tem os enormes desafios discutidos neste plano.0 3. de atingir. Municípios e da União. superestimando. qualquer política de financiamento há de partir do FUNDEF. Com o tempo haveria uma estabilização num patamar menor. através de aumento contínuo e progressivo de todas as esferas federativas. de atingir 6. em 1998.6 x 5. Essa profissionalização implica a definição de competências específicas e a dotação de novas capacidades humanas. Isso pode ter elevado indevidamente a estimativa do percentual do PIB. houve um aumento expressivo de 6% nas matrículas. com o objetivo de aumentar a racionalidade e produtividade. De 1997 para 1998. na medida em que fosse sendo erradicado o analfabetismo. como está previsto na própria legislação. 52 Didatismo e Conhecimento . no § 5º do art. tendo como objetivo o desenvolvimento de uma gestão responsável. É certo que alguns ajustes e aperfeiçoamentos são necessários. sem a devida dedução das transferências intragovernamentais destinadas à educação. direcionando-os diretamente às escolas. a meta estabelecida pelo PL nº 4.155/98. políticas e técnicas. para 32. de modo a fortalecer sua autonomia (Tabela 26). afigura-se muito modesta.0 4. Negri procurou em criterioso estudo estimar os recursos potencialmente disponíveis.1997). A profissionalização requer também a ampliação do leque de diferentes profissões envolvidas na gestão educacional.0 3.dado que só pode ser aferido após a consolidação dos balanços de todos Estados. Dado recente da OCDE indica um gasto público em educação no Brasil equivalente a 5% do PIB (Tabela 25).69.1 2. incluindo-se uma dupla contagem de gastos. Destacam-se as questões de como garantir o financiamento da educação de jovens e adultos.643. em 1995. educação infantil e ensino médio. em relação ao PIB – 1995 PAÍS AMÉRICA DO NORTE Canadá Estados Unidos México AMÉRICA DO SUL Argentina* BRASIL Chile* Paraguai* Uruguai* ÁSIA Coréia Malásia* Tailândia* EUROPA Áustria Dinamarca França Noruega Portugal Espanha Suécia Reino Unido % do PIB x 5.2% os gastos públicos com educação para o ano de 1995. Partindo deste dado oficial. de um fundo único para toda a educação básica – que não pode ser feito no âmbito deste plano.53% de recursos disponíveis. o FUNDEF constituiu-se em instrumento fundamental para alcançar a meta prioritária da universalização. Neste processo foi induzida a formação de Associações de Pais e Mestres ou de Conselhos escolares.591 em 1998. mas que constavam ainda do Anuário Estatístico de 1995). uma vez que requer alteração na Emenda Constitucional nº 14. Este esforço inicial é indispensável. ou seja.024.Despesas Públicas em Educação.MEC/INEP. Recentemente.6 x 3. “há uma grande controvérsia sobre o quanto se gasta com educação no Brasil. Estes aumentaram de 11. que elaborarão os planos plurianuais e orçamentos que vigorarão no período.3 6.

a partir da Lei nº 9533/97. e particularmente à União cabe fortalecer sua função supletiva. Para enfrentar esta necessidade. com a aprovação da Emenda Calmon.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Tabela 26 . Embora a educação tenha outras dimensões relevantes. Nos interregnos em que o princípio da vinculação foi enfraquecido ou suprimido. mas aos alunos em cada escola. O dinheiro é aplicado na atividade-fim: recebe mais quem tem rede. por ano. Outra diretriz importante é a gestão de recursos da educação por meio de fundos de natureza contábil e contas específicas. Daí emerge a primeira diretriz básica para o financiamento da Educação: a vinculação constitucional de recursos à manutenção e desenvolvimento do ensino. aqueles que não cumprissem determinadas disposições eram punidos. Além disso. os que cumprem são premiados. há estímulo para a universalização do ensino.§ 1º. O avanço significativo dos indicadores educacionais alcançado na década de 90 apoiou-se na vinculação de recursos.306 167.672. Por se tratar não propriamente de um programa educacional.4º. o desafio é obter a adequação da aprendizagem a um padrão mínimo de qualidade (art. quem tem alunos. em primeiro lugar.711 129. caput. Assim. Desta forma. o que permitiu manter níveis razoáveis de investimento na educação pública. pelo Estado e pela sociedade. de nada adianta receber dos fundos educacionais um valor por aluno e praticar gastos que privilegiem algumas escolas em detrimento das escolas dos bairros pobres. A Constituição de 1988. Assim. Este deve ser a referência para a política de financiamento da Educação. ADCT).350. de insumos indispensáveis ao desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem”. a Educação e seu financiamento não serão tratados neste PNE como um problema econômico. IX) como “a variedade e quantidade mínimas. apenas escolas com mais de 20 alunos ** Dados até julho 11. 211. adotadas em alguns Estados e Municípios. 211. Somente a garantia de recursos e seu fluxo regular permitem o planejamento educacional. determinou expressamente que a Educação é um direito de todos e dever do Estado e da família (art. os sistemas de ensino devem ajustar suas contribuições financeiras a este padrão desejado. e. por iniciativa própria ou com apoio da União. Até então. mas de um programa social de amplo alcance. Tratase de dar às crianças real possibilidade de acesso e permanência na escola.632 Número de alunos 28. a diversidade da capacidade de arrecadação de Estados e Municípios.348 259. O fundo contábil permite que a vinculação seja efetiva.800 28.760 106.287. definido em termos precisos na LDB (art. dá-se um enfoque positivo ao financiamento da Educação. levava a uma diferença significativa de gasto por aluno.Programa Dinheiro na Escola 1995 a 1998 – Atendimento Ano 1995 1996 1997 1998** Número de escolas* 144. é importante o conceito operacional de valor mínimo gasto por aluno. CF e art. Para tanto. devendo ser assegurada “com absoluta prioridade” à criança e ao adolescente (art. inclusive a econômica. para o desenvolvimento humano e para a melhoria da qualidade de vida da população.428 304. com critérios educacionais. As políticas que associam a renda mínima à educação. expressos pelo número de matrículas. diretamente pela União em áreas em que as crianças se encontrem em situação de risco. Cumpre consolidar e aperfeiçoar outra diretriz introduzida a partir do FUNDEF. É fundamental fortalecer a educação como um dos alicerces da rede de proteção social. ainda uma vez. através do aumento dos recursos destinados à complementação do FUNDEF. Instaurada a equidade.CF). sintonizada com os valores jurídicos que emanam dos documentos que incorporam as conquistas de nossa época – tais como a Declaração Universal de Direitos do Homem e a Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança –. mas como um uma questão de cidadania. e destes entre si. se não fossem dados os instrumentos para garanti-lo. requisito para o exercício pleno da cidadania.743 279. permite um controle social mais eficaz e evita a aplicação excessiva de recursos nas atividades–meio e as injunções de natureza política. houve uma drástica redução de gastos na educação – como demonstrou o Senador João Calmon nos debates que precederam a aprovação de sua proposta. é preciso reconhecê-la como um valor emsi.337 Fonte: FNDE (Relatório de Atividades e Gerência do Programa). sendo a base do planejamento. pelo simples fato de estar matriculado numa escola estadual ou municipal. sendo consolidada pela Constituição de 1988. definido nacionalmente. A educação deve ser considerada uma prioridade estratégica para um projeto nacional de desenvolvimento que favoreça a superação das desigualdades na distribuição de renda e a erradicação da pobreza.§ 4º.583 26. 60. no bojo do processo de abertura política. Embora encontre ainda alguma resistência em alguns nichos da tecnocracia econômica mais avessos ao social. o fundamento da obrigação do Poder Público de financiá-la é o fato de constituir um direito.857. mas também como condição de uma gestão mais eficaz. ressurgindo com a redemocratização em 1946. § 1º). CF) pela família.262 Valor em R$ mil 229. mas o de custo-aluno-qualidade. reduzindo a repetência e a evasão e envolvendo mais a família com a educação de seus filhos – ingrediente indispensável para o sucesso escolar. Com o FUNDEF inaugurou-se importante diretriz de financiamento: a alocação de recursos segundo as necessidades e compromissos de cada sistema. Além disso. A equidade refere-se não só aos sistemas.229 31. e não se reduza a um jogo ex post de justificação para efeito de prestação de contas. 227. ou. Aqui o conceito chave já não é mais o de valor mínimo. acompanhadas de rigorosas sanções aos agentes públicos em caso de desrespeito a este direito. ainda. 205. Agora. A LDB preceitua que aos Municípios cabe exercer a função redistributiva com relação a suas escolas. a vinculação de recursos impõe-se não só pela prioridade conferida à Educação. por aluno. Partindo deste enfoque.2 Diretrizes Ao tratar do financiamento da Educação. adotada pela primeira vez pela Constituição de 1934.Mensagem presidencial ao Congresso Nacional/1999 *a partir de 1997. A Constituição Federal preceitua que à União compete exercer as funções redistributiva e supletiva de modo a garantir a equalização de oportunidades educacionais (art. Há que se combinar . as ações para tanto com aquelas dirigidas ao combate do trabalho infantil. cuja preocupação central foi a equidade. de nada adiantariam as previsões de dever do Estado. têm-se revelado instrumentos eficazes de melhoria da qualidade de ensino. deve ser financiado com recursos oriundos de outras fontes que não as destinadas à educação escolar em senso estrito. Observe-se a propósito que a Educação é uma responsabilidade do Estado e da 53 Didatismo e Conhecimento .

11. para o Ministério da Justiça em relação a educação de jovens e adultos para presos e egressos. O MEC há de ter uma atuação conjunta com o Ministério do Trabalho. a partir da divisão de responsabilidades previstas na Carta Magna. Finalmente. Em nível de gestão de sistema na forma de Conselhos de Educação que reúnam competência técnica e representatividade dos diversos setores educacionais. mediante ações. como a educação infantil. como os Conselhos de Acompanhamento e Controle Social do FUNDEF. de 15% dos recursos destinados ao ensino fundamental cujas fontes não integrem o FUNDEF: nos Municípios (IPTU. 3.3 Objetivos e Metas 11. Implementar mecanismos de fiscalização e controle que assegurem o rigoroso cumprimento do art. de forma a alcançar todos os recursos destinados à Educação Básica. Mesmo na hipótese de competência bem definida. O mesmo raciocínio vale para a Assistência Social e para a Saúde.1 Financiamento 1. os Conselhos de Acompanhamento e Controle Social do FUNDEF. (VETADO) 2. as Procuradorias da União e dos Estados. cada sistema de ensino 54 há de implantar gestão democrática. Portanto. para o Ministério das Comunicações. em áreas de atuação comum. entre as metas dos planos plurianuais vigentes nos próximos dez anos. as organizações não-governamentais e a população em geral para exercerem a fiscalização necessária para o cumprimento das metas nº 2. 69 da Lei de Diretrizes e Bases. Evidentemente. para os Ministérios da Cultura. devem ser fortalecidas as instâncias de controle interno e externo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS sociedade e não apenas de um órgão. Entre esses mecanismos deve estar a aferição anual pelo censo escolar da efetiva automaticidade dos repasses. 70 da LDB. Estados e Municípios. 10. Para que a gestão seja eficiente há que se promover o autêntico federalismo em matéria educacional. Didatismo e Conhecimento . mas com o objetivo de conectá-las em rede com suas escolas e com o MEC. que é de responsabilidade dos Municípios. do IRRF e do IOF-Ouro. tanto no que se refere aos aspectos quantitativos como qualitativos. Desta maneira. uma diretriz importante é o aprimoramento contínuo do regime de colaboração. Mas há também que se articular com outros ministérios (ou secretarias). cota do IRRF e do IOF-Ouro. fóruns e planejamento interestaduais. que assegura o repasse automático dos recursos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino para o órgão responsável por este setor. regionais e intermunicipais. cuja competência deve ser ampliada. (VETADO) 8.VI. Quanto à distribuição e gestão dos recursos financeiros. de sorte que o que ocorre num determinado nível repercute nos demais. por meio da formação de conselhos escolares de que participe a comunidade educacional e formas de escolha da direção escolar que associem a garantia da competência ao compromisso com a proposta pedagógica emanada dos conselhos escolares e a representatividade e liderança dos gestores escolares. Ciência e Tecnologia e assim por diante. poder-se-á consolidar um sistema de avaliação .indispensável para verificar a eficácia das políticas públicas em matéria de educação. os sindicatos. como é o caso do transporte escolar.3. VI. para a qualificação. Estabelecer programa nacional de apoio financeiro e técnico-administrativo da União para a oferta. discriminando os valores correspondentes a cada uma das alíneas do art. A adoção de ambos os sistemas requer a formação de recursos humanos qualificados e a informatização dos serviços. 30. A educação é um todo integrado. cota do ITR. ISS . 7. o Ministério (ou Secretaria. provido por Estados e Municípios. com o aprimoramento da base de dados educacionais do aperfeiçoamento dos processos de coleta e armazenamento de dados censitários e estatísticas sobre a educação nacional. a educação infantil como prioridade para a aplicação dos 10% dos recursos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino não reservados para o ensino fundamental. parcela da dívida ativa tributária que seja resultante de impostos).FAT. Assim sendo.* Entre esses mecanismos estará o demonstrativo de gastos elaborado pelos poderes executivos e apreciado pelos legislativos com o auxílio dos tribunais de contas respectivos. 6. 211.CF) e da União (art. Para que seja possível o planejamento educacional. nos níveis estadual e municipal) da área há de ter o papel central no que se refere à educação escolar. devendo as unidades escolares contar com repasse direto de recursos para desenvolver o essencial de sua proposta pedagógica e para despesas de seu cotidiano. Estabelecer. algumas ações devem envolver Estados e Municípios. imediatamente. Garantir. órgãos de gestão nos sistemas de ensino. inclusive. Há competências concorrentes. A Educação não é uma preocupação confinada em gueto de um segmento. Deve-se promover a efetiva desburocratização e descentralização da gestão nas dimensões pedagógica.FUNPEN . de educação de jovens e adultos para a população de 15 anos e mais. para a Assistência Social. parcela da dívida ativa tributária que seja resultante de impostos). Este deve dar-se. recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador . formação e treinamento de trabalhadores. o ensino médio como prioridade para a aplicação dos 10% dos recursos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino não reservados para o ensino fundamental. administrativa e de gestão financeira. não só entre União. que definem os gastos admitidos como de manutenção e desenvolvimento do ensino e aqueles que não podem ser incluídos nesta rubrica. não pode ser negligenciada a função supletiva dos Estados (art. Esporte e Turismo. CF). reunindo competências seja em termos de apoio técnico ou recursos financeiros. Criar mecanismos que viabilizem. no que se refere aos recursos para a universalização que devem ser disponibilizados em condições privilegiadas para as escolas públicas. o cumprimento do § 5º do art. é importante implantar sistemas de informação. nos Estados e no Distrito Federal (IPVA. 70 e 71 da Lei de Diretrizes e Bases. que não teve acesso ao ensino fundamental. Estabelecer. 5. em nível das unidades escolares. 9. mas também. ITCM. no que concerne à erradicação da pobreza. nos quais devem ser aplicados. contando com recursos do Fundo Penitenciário.§ 1º . sempre que possível. CF e art. Ainda que consolidadas as redes de acordo com a vontade política e capacidade de financiamento de cada ente. Envolve todo o governo e deve permear todas as suas ações. entre entes da mesma esfera federativa. preferencialmente. no que se refere à educação infantil. 212 da Constituição Federal em termos de aplicação dos percentuais mínimos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino. 3 e 4. nos Municípios. nos Estados. nos Municípios mais pobres. como os Conselhos de Educação e os órgãos de controle social. no exercício de sua autonomia. Estabelecer a utilização prioritária para a educação de jovens e adultos. constitui diretriz da maior importância a transparência. Mobilizar os Tribunais de Contas. inicialmente nas secretarias. ITBI. como é o caso do ensino fundamental. Estabelecer mecanismos destinados a assegurar o cumprimento dos arts. 11. 30. a previsão do suporte financeiro às metas constantes deste PNE. 4.

Promover a equidade entre os alunos dos sistemas de ensino e das escolas pertencentes a um mesmo sistema de ensino. 28. 37. em todos os Estados. 23. Assegurar recursos do Tesouro e da Assistência Social para programas de renda mínima associados à educação. 32. 20. Ampliar a oferta de cursos de formação em administração escolar nas instituições públicas de nível superior. com auxílio técnico e financeiro da União e dos Estados. Definir. a descentralização. com auxílio técnico e financeiro da União. com a colaboração dos Municípios e das universidades. recursos da Saúde e Assistência Social para a educação infantil. as necessidades dos setores de informação e estatísticas educacionais. integrando-as em rede ao sistema nacional de estatísticas educacionais. quando necessários. em cada sistema de ensino. as secretarias estaduais de educação. Assegurar a autonomia administrativa e pedagógica das escolas e ampliar sua autonomia financeira. recursos do Fundo Penitenciário para a educação de presos e egressos. 41. de sorte a garantir o acesso e permanência na escola a toda população em idade escolar no País. Elaborar e executar planos estaduais e municipais de educação. . através do repasse de recursos diretamente às escolas para pequenas despesas de manutenção e cumprimento de sua proposta pedagógica. estaduais e municipais. 25. possuam formação específica em nível superior e que. 15. Conselhos da Acompanhamento e Controle Social dos recursos destinados à Educação não incluídos no FUNDEF. em dez anos. recursos destinados à universalização das telecomunicações. 26. em cinco anos. em dez anos. 34. em cinco anos pelo menos. o foco na aprendizagem dos alunos e a participação da comunidade. compartilhando responsabilidades. em cada categoria de dados coletados. 18. 35. planejamento e avaliação. Estabelecer. com a colaboração técnica e financeira da União. programas diversificados de formação continuada e atualização visando a melhoria do desempenho no exercício da função ou cargo de diretores de escolas. Editar pelos sistemas de ensino. Integrar ações e recursos técnicos. nos Estados. administrativos e financeiros do Ministério de Educação e de outros Ministérios nas áreas de atuação comum. Ampliar o atendimento dos programas de renda mínima associados à educação. que envolva a comunidade educacional. 50% dos diretores. 16. Aperfeiçoar o regime de colaboração entre os sistemas de ensino com vistas a uma ação coordenada entre entes federativos. A União deverá calcular o valor mínimo para o custo-aluno para efeito de suplementação dos fundos estaduais rigorosamente de acordo com o estabelecido pela Lei nº 9. pelo menos. atendendo. Instituir em todos os níveis. Estabelecer políticas e critérios de alocação de recursos federais. que estimulem a iniciativa e a ação inovadora das instituições escolares. a partir das funções constitucionais próprias e supletivas e das metas deste PNE. Didatismo e Conhecimento 55 30. pelo menos. 43. pelo menos. recursos do Trabalho para a qualificação dos trabalhadores. normas e diretrizes gerais desburocratizantes e flexíveis. em consonância com este PNE. Estabelecer.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 12. 38. à criação de condições de acesso da escola. 36. Adaptações e medidas corretivas conforme a realidade for mudando ou assim que novas exigências forem aparecendo dependerão de um bom acompanhamento e de uma constante avaliação de percurso. Informatizar progressivamente. programas de acompanhamento e avaliação dos estabelecimentos de educação infantil. com auxílio técnico e financeiro da União. 44. conectando-as em rede com as secretarias de educação. qualquer que seja sua origem. Desenvolver padrão de gestão que tenha como elementos a destinação de recursos para as atividades-fim. diretamente aos estabelecimentos públicos de ensino.000 habitantes. Estimular a colaboração entre as redes e sistemas de ensino municipais. um programa de avaliação de desempenho que atinja. a partir de critérios objetivos. Definir padrões mínimos de qualidade da aprendizagem na Educação Básica numa Conferência Nacional de Educação. Promover medidas administrativas que assegurem a permanência dos técnicos formados e com bom desempenho nos quadros das secretarias. VI – ACOMPANHAMENTO E AVALIAÇÃO DO PLANO Um plano da importância e da complexidade do PNE tem que prever mecanismos de acompanhamento e avaliação que lhe dêem segurança no prosseguimento das ações ao longo do tempo e nas diversas circunstâncias em que se desenvolverá. 17.3. 11.Observar as metas estabelecidas nos demais capítulos referentes a financiamento e gestão. Organizar a educação básica no campo. no final da década. em cinco anos. para suprir. através de apoio técnico a consórcios intermunicipais e colegiados regionais consultivos. gradualmente. a metade dos Municípios com mais de 20. a administração das escolas com mais de 100 alunos. Estimular a criação de Conselhos Municipais de Educação e apoiar tecnicamente os Municípios que optarem por constituir sistemas municipais de ensino. 39. todas as escolas contem com diretores adequadamente formados em nível superior. Estabelecer. preferencialmente com cursos de especialização.2 Gestão 19. Apoiar tecnicamente as escolas na elaboração e execução de sua proposta pedagógica. 29. todas as secretarias municipais de educação. em todos os Estados. Informatizar. de tal forma que. em três anos. nos moldes dos Conselhos de Acompanhamento e Controle Social do FUNDEF.Incluir. nos levantamentos estatísticos e no censo escolar informação acerca do gênero. a equidade. 13. em cinco anos. 24. com auxílio técnico e financeiro da União. às redes de comunicação informática. 40. 22. programas de formação do pessoal técnico das secretarias. Informatizar. todas as escolas estejam no sistema. Estabelecer. 31. de forma a permitir o cumprimento da meta anterior. nos Municípios. Assegurar que. a autonomia da escola. 33. (VETADO) 14. Consolidar e aperfeiçoar o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica – SAEB e o censo escolar. com a participação da comunidade. Promover a autonomia financeira das escolas mediante repasses de recursos. 42. 21. de modo a preservar as escolas rurais no meio rural e imbuídas dos valores rurais. normas de gestão democrática do ensino público. em cinco anos.424/96. de forma a reduzir desigualdades regionais e desigualdades internas a cada sistema. todas as escolas de mais de 50 alunos do ensino fundamental e Médio. 27.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
Será preciso, de imediato, iniciar a elaboração dos planos estaduais em consonância com este Plano Nacional e, em seguida, dos planos municipais, também coerentes com o plano do respectivo Estado. Os três documentos deverão compor um conjunto integrado e articulado. Integrado quanto aos objetivos, prioridades, diretrizes e metas aqui estabelecidas. E articulado nas ações, de sorte que, na soma dos esforços das três esferas, de todos os Estados e Municípios mais a União, chegue-se às metas aqui estabelecidas. A implantação e o desenvolvimento desse conjunto precisam de uma coordenação em âmbito nacional, de uma coordenação em cada Estado e no Distrito Federal e de uma coordenação na área de cada Município, exercidas pelos respectivos órgãos responsáveis pela Educação. Ao Ministério da Educação cabe um importante papel indutor e de cooperação técnica e financeira. Trata-se de corrigir acentuadas diferenças regionais, elevando a qualidade geral da educação no País. Os diagnósticos constantes deste plano apontam algumas, nos diversos níveis e/ou modalidades de ensino, na gestão, no financiamento, na formação e valorização do magistério e dos demais trabalhadores da educação. Há muitas ações cuja iniciativa cabe à União, mais especificamente ao Poder Executivo Federal. E há metas que precisam da cooperação do Governo Federal para serem executadas, seja porque envolvem recursos de que os Estados e os Municípios não dispõem, seja porque a presença da União confere maior poder de mobilização e realização. Desempenharão também um papel essencial nessas funções o Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação - CONSED e a União Nacional de Dirigentes Municipais de Educação - UNDIME, nos temas referentes à Educação Básica, assim como o Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras - CRUB, naqueles relativos à educação superior. Considerase, igualmente, muito importante a participação de entidades da comunidade educacional, dos trabalhadores da educação, dos estudantes e dos pais reunidos nas suas entidades representativas. É necessário que algumas entidades da sociedade civil diretamente interessadas e responsáveis pelos direitos da criança e do adolescente participem do acompanhamento e da avaliação do Plano Nacional de Educação. O art. 227, § 7o, da Constituição Federal determina que no atendimento dos direitos da criança e do adolescente (incluídas nesse grupo as pessoas de 0 a 18 anos de idade) seja levado em consideração o disposto no art. 204, que estabelece a diretriz de “participação da população, por meio de organizações representativas, na formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis”. Além da ação direta dessas organizações há que se contar com a atuação dos conselhos governamentais com representação da sociedade civil como o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente CONANDA, os Conselhos Estaduais e Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente e os Conselhos Tutelares (Lei n. 8069/90). Os Conselhos de Acompanhamento e Controle Social do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério - FUNDEF, organizados nas três esferas administrativas, deverão ter, igualmente, corresponsabilidade na boa condução deste plano. A avaliação do Plano Nacional de Educação deve valerse também dos dados e análises qualitativas e quantitativas fornecidos pelo sistema de avaliação já operado pelo Ministério da Educação, nos diferentes níveis, como os do Sistema de Avaliação do Ensino Básico – SAEB; do Exame Nacional do Ensino Didatismo e Conhecimento
56

Médio – ENEM; do Sistema de Avaliação do Ensino Superior (Comissão de Especialistas, Exame Nacional de Cursos, Comissão de Autorização e Reconhecimento), avaliação conduzida pela Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES. Além da avaliação contínua, deverão ser feitas avaliações periódicas, sendo que a primeira será no quarto ano após a implantação do PNE. A organização de um sistema de acompanhamento e controle do PNE não prescinde das atribuições específicas do Congresso Nacional, do Tribunal de Contas da União - TCU e dos Tribunais de Contas dos Estados - TCEs, na fiscalização e controle. Os objetivos e as metas deste plano somente poderão ser alcançados se ele for concebido e acolhido como Plano de Estado, mais do que Plano de Governo e, por isso, assumido como um compromisso da sociedade para consigo mesma. Sua aprovação pelo Congresso Nacional, num contexto de expressiva participação social, o acompanhamento e a avaliação pelas instituições governamentais e da sociedade civil e a consequente cobrança das metas nele propostas, são fatores decisivos para que a educação produza a grande mudança, no panorama do desenvolvimento, da inclusão social, da produção científica e tecnológica e da cidadania do povo brasileiro.

3 CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL (ART. 205 A 214).

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 CAPÍTULO III DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO DESPORTO Seção I DA EDUCAÇÃO Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII - garantia de padrão de qualidade.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) Parágrafo único. A lei disporá sobre as categorias de trabalhadores considerados profissionais da educação básica e sobre a fixação de prazo para a elaboração ou adequação de seus planos de carreira, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. § 1º É facultado às universidades admitir professores, técnicos e cientistas estrangeiros, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 11, de 1996) § 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa científica e tecnológica.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 11, de 1996) Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009)(Vide Emenda Constitucional nº 59, de 2009) II - progressiva universalização do ensino médio gratuito; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino; IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um; VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando; VII - atendimento ao educando, em todas as etapas da educação básica, por meio de programas suplementares de material didáticoescolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) § 1º - O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo. § 2º - O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade competente. § 3º - Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela freqüência à escola. Art. 209. O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as seguintes condições: I - cumprimento das normas gerais da educação nacional; II - autorização e avaliação de qualidade pelo Poder Público. Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais. Didatismo e Conhecimento
57

§ 1º - O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. § 2º - O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada às comunidades indígenas também a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino. § 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios, financiará as instituições de ensino públicas federais e exercerá, em matéria educacional, função redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no ensino fundamental e médio. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 4º Na organização de seus sistemas de ensino, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios definirão formas de colaboração, de modo a assegurar a universalização do ensino obrigatório. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) § 5º A educação básica pública atenderá prioritariamente ao ensino regular. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino. § 1º - A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, ou pelos Estados aos respectivos Municípios, não é considerada, para efeito do cálculo previsto neste artigo, receita do governo que a transferir. § 2º - Para efeito do cumprimento do disposto no «caput» deste artigo, serão considerados os sistemas de ensino federal, estadual e municipal e os recursos aplicados na forma do art. 213. § 3º A distribuição dos recursos públicos assegurará prioridade ao atendimento das necessidades do ensino obrigatório, no que se refere a universalização, garantia de padrão de qualidade e equidade, nos termos do plano nacional de educação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) § 4º - Os programas suplementares de alimentação e assistência à saúde previstos no art. 208, VII, serão financiados com recursos provenientes de contribuições sociais e outros recursos orçamentários. § 5º A educação básica pública terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salário-educação, recolhida pelas empresas na forma da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)(Vide Decreto nº 6.003, de 2006)

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
§ 6º As cotas estaduais e municipais da arrecadação da contribuição social do salário-educação serão distribuídas proporcionalmente ao número de alunos matriculados na educação básica nas respectivas redes públicas de ensino. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) Art. 213. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas, podendo ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, definidas em lei, que: I - comprovem finalidade não-lucrativa e apliquem seus excedentes financeiros em educação; II - assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária, filantrópica ou confessional, ou ao Poder Público, no caso de encerramento de suas atividades. § 1º - Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de estudo para o ensino fundamental e médio, na forma da lei, para os que demonstrarem insuficiência de recursos, quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública na localidade da residência do educando, ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão de sua rede na localidade. § 2º - As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão receber apoio financeiro do Poder Público. Art. 214. A lei estabelecerá o plano nacional de educação, de duração decenal, com o objetivo de articular o sistema nacional de educação em regime de colaboração e definir diretrizes, objetivos, metas e estratégias de implementação para assegurar a manutenção e desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis, etapas e modalidades por meio de ações integradas dos poderes públicos das diferentes esferas federativas que conduzam a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) I - erradicação do analfabetismo; II - universalização do atendimento escolar; III - melhoria da qualidade do ensino; IV - formação para o trabalho; V - promoção humanística, científica e tecnológica do País. VI - estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do produto interno bruto. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) Art. 1º A Constituição Federal passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 7º ..................................................................................... ................................................................................................. XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5 (cinco) anos de idade em creches e pré-escolas; ........................................................................................”(NR) “Art. 23. ................................................................................... Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para a cooperação entre a União e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional.”(NR) “Art. 30. ................................................................................... ................................................................................................. VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, programas de educação infantil e de ensino fundamental; ........................................................................................”(NR) “Art. 206. ................................................................................. ................................................................................................. V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; ................................................................................................. VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal. Parágrafo único. A lei disporá sobre as categorias de trabalhadores considerados profissionais da educação básica e sobre a fixação de prazo para a elaboração ou adequação de seus planos de carreira, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.”(NR) “Art. 208. ................................................................................. .................................................................................................. IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade; ........................................................................................”(NR) “Art. 211. ................................................................................. ................................................................................................ § 5º A educação básica pública atenderá prioritariamente ao ensino regular.”(NR) “Art. 212. ................................................................................. ................................................................................................ § 5º A educação básica pública terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salário-educação, recolhida pelas empresas na forma da lei. § 6º As cotas estaduais e municipais da arrecadação da contribuição social do salário-educação serão distribuídas proporcionalmente ao número de alunos matriculados na educação básica nas respectivas redes públicas de ensino.”(NR) Art. 2º O art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias passa a vigorar com a seguinte redação: (Vigência)

4 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 53, DE 19/12/2006.

EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 53, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2006 Dá nova redação aos arts. 7º, 23, 30, 206, 208, 211 e 212 da Constituição Federal e ao art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. AS MESAS DA CÂMARA DOS DEPUTADOS E DO SENADO FEDERAL, nos termos do § 3º do art. 60 da Constituição Federal, promulgam a seguinte Emenda ao texto constitucional:

Didatismo e Conhecimento

58

em lei específica. em caráter permanente. § 5º A porcentagem dos recursos de constituição dos Fundos. 208 e 214 da Constituição Federal.os recursos recebidos à conta dos Fundos instituídos nos termos do inciso I do caput deste artigo serão aplicados pelos Estados e Municípios exclusivamente nos respectivos âmbitos de atuação prioritária. d) 10% (dez por cento) do total dos recursos a que se refere o inciso II do caput deste artigo. da seguinte forma: I . V . 155.66% (dezesseis inteiros e sessenta e seis centésimos por cento). § 1º A União. 211 da Constituição Federal.33% (dezoito inteiros e trinta e três centésimos por cento). nos respectivos âmbitos de atuação prioritária estabelecidos nos §§ 2º e 3º do art. vedada a utilização dos recursos a que se refere o § 5º do art.os valores a que se referem as alíneas a. 160 da Constituição Federal.000. todos da Constituição Federal. matriculados nas respectivas redes. no segundo ano de vigência dos Fundos.aplica-se à complementação da União o disposto no art. levar-se-á em conta a totalidade das matrículas no ensino fundamental e considerar-se-á para a educação infantil. na forma da lei a que se refere o inciso III do caput deste artigo.a complementação da União de que trata o inciso V do caput deste artigo será de. a partir da promulgação desta Emenda Constitucional.00 (quatro bilhões e quinhentos milhões de reais). no terceiro ano de vigência dos Fundos. os Estados. 158. e distribuídos entre cada Estado e seus Municípios. as diferenças e as ponderações quanto ao valor anual por aluno entre etapas e modalidades da educação básica e tipos de estabelecimento de ensino. 212 da Constituição Federal suportará. c) os percentuais máximos de apropriação dos recursos dos Fundos pelas diversas etapas e modalidades da educação básica. o Distrito Federal e os Municípios destinarão parte dos recursos a que se refere o caput do art. o Distrito Federal e os Municípios deverão assegurar. no Fundo de cada Estado e do Distrito Federal. de forma a preservar. os Estados. conforme estabelecido nos §§ 2º e 3º do art. a melhoria da qualidade de ensino. Didatismo e Conhecimento 59 b) R$ 3. II e III do art.proporção não inferior a 60% (sessenta por cento) de cada Fundo referido no inciso I do caput deste artigo será destinada ao pagamento dos profissionais do magistério da educação básica em efetivo exercício. no Distrito Federal e em cada Estado. o valor por aluno não alcançar o mínimo definido nacionalmente. no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal. de um Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação FUNDEB. no primeiro ano. IV . 60.a distribuição dos recursos e de responsabilidades entre o Distrito Federal. b) a forma de cálculo do valor anual mínimo por aluno. de natureza contábil. III . no segundo ano. 159 da Constituição Federal: a) 16. III e IV do caput do art.observadas as garantias estabelecidas nos incisos I. d) a fiscalização e o controle dos Fundos. 159. os Estados e seus Municípios é assegurada mediante a criação. respeitadas as seguintes disposições: I . 2/3 (dois terços) no segundo ano e sua totalidade a partir do terceiro ano. b) 18.000.000. .a União complementará os recursos dos Fundos a que se refere o inciso II do caput deste artigo sempre que.000. § 2º O valor por aluno do ensino fundamental. piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica. proporcionalmente ao número de alunos das diversas etapas e modalidades da educação básica presencial.até 10% (dez por cento) da complementação da União prevista no inciso V do caput deste artigo poderá ser distribuída para os Fundos por meio de programas direcionados para a melhoria da qualidade da educação. VIII . 158.00 (dois bilhões de reais).os Fundos referidos no inciso I do caput deste artigo serão constituídos por 20% (vinte por cento) dos recursos a que se referem os incisos I. XII . no ano anterior à vigência desta Emenda Constitucional.000.500. X . não poderá ser inferior ao valor mínimo fixado nacionalmente no ano anterior ao da vigência desta Emenda Constitucional. 212 da Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento da educação básica e à remuneração condigna dos trabalhadores da educação. a partir do quarto ano de vigência dos Fundos.a vinculação de recursos à manutenção e desenvolvimento do ensino estabelecida no art. IX . § 3º O valor anual mínimo por aluno do ensino fundamental. considerando-se para os fins deste inciso os valores previstos no inciso VII do caput deste artigo. II. no mínimo: a) R$ 2. e) prazo para fixar. b. II . § 4º Para efeito de distribuição de recursos dos Fundos a que se refere o inciso I do caput deste artigo. não poderá ser inferior ao praticado no âmbito do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério . e c do inciso VII do caput deste artigo serão atualizados. c) R$ 4. 30% (trinta por cento) da complementação da União.00 (três bilhões de reais). bem como as metas do Plano Nacional de Educação. no âmbito do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS “Art. XI . os incisos II.no caso dos impostos e transferências constantes do inciso II do caput do art. 155. e as alíneas a e b do inciso I e o inciso II do caput do art. 208 da Constituição Federal e as metas de universalização da educação básica estabelecidas no Plano Nacional de Educação. e das alíneas a e b do inciso I e do inciso II do caput do art. Até o 14º (décimo quarto) ano a partir da promulgação desta Emenda Constitucional. no financiamento da educação básica. será alcançada gradativamente nos primeiros 3 (três) anos de vigência dos Fundos. a distribuição proporcional de seus recursos. observados os arts.o não-cumprimento do disposto nos incisos V e VII do caput deste artigo importará crime de responsabilidade da autoridade competente. o valor real da complementação da União. III e IV do caput do art. para o ensino médio e para a educação de jovens e adultos 1/3 (um terço) das matrículas no primeiro ano.000.000.000. VI . 212 da Constituição Federal. do inciso IV do caput do art. anualmente. no máximo.FUNDEF. no primeiro ano de vigência dos Fundos. 157. a lei disporá sobre: a) a organização dos Fundos. 211 da Constituição Federal. conforme o inciso II do caput deste artigo. o inciso II do caput do art. de forma a garantir padrão mínimo definido nacionalmente.FUNDEB. VII . fixado em observância ao disposto no inciso VII do caput deste artigo.

494/2007 – Regulamenta o FUNDEB Em junho de 2005. Básica. com a participação do Banco do Brasil. o Ministério da Educação encaminhou. de 20 de dezembro de 1996. em 19 de dezembro de 2006. Estadual e Municipal). Parágrafo único. a partir do terceiro ano. formado com recursos provenientes das três esferas de governo (Federal. tendo como abrangência toda a Educação Didatismo e Conhecimento 60 5 LEI Nº 11. 3º Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data de sua publicação. vigente por 14 anos (2007 a 2020) e sua distribuição é com base no número de alunos da educação básica (Matriculados nos respectivos âmbitos de atuação prioritária) e constantes do último Censo Escolar. como agente financeiro do Fundo e. na medida em que as principais fontes de recursos para a educação provêm da arrecadação de impostos. observado o disposto nesta Lei. O Fundeb não é considerado Federal. 10 e no inciso I do caput do art.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS c) 20% (vinte por cento). Um importante aspecto da política econômica adotada por sucessivos governos foi a contenção de gastos para possibilitar o equilíbrio das contas públicas e viabilizar o pagamento das dívidas externa e interna. o Fundo tem seu vínculo com a esfera Federal (a União participa da composição e distribuição dos recursos). que é afetada pelo desempenho da economia. a que se referem os incisos I a IX do capute o § 1odo art. . 155.ADCT. 3o desta Lei. A instituição dos Fundos previstos no caput deste artigo e a aplicação de seus recursos não isentam os Estados. Estadual ou Municipal. c) 20% (vinte por cento).FUNDEB. A proposta do fundo é a disponibilização crescente de recursos da União. 60 do Ato das  Disposições  Constitucionais Transitórias . um Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação . do Distrito Federal. Brasília. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. b) 13.Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação – que substituiu o Fundef. conforme estabelecido pela Emenda Constitucional nº 14. 157. Existe uma forte vinculação entre o financiamento público da educação e a situação socioeconômica do país. da distribuição. QUE REGULAMENTA O FUNDEB. 11 da Lei nº 9. de 12 de setembro de 1996. até o início da vigência dos Fundos. do recebimento e da aplicação final dos recursos). de modo que os recursos previstos no art. pelo fato da arrecadação e distribuição dos recursos que o formam serem realizadas pela União e pelos Estados. de: I . do recebimento e da aplicação final dos recursos) e a Municipal (os Municípios participam da composição. 3o desta Lei somados aos referidos neste inciso garantam a aplicação do mínimo de 25% (vinte e cinco por cento) desses impostos e transferências em favor da manutenção e desenvolvimento do ensino. Estadual. com base no nº de alunos. dependendo da ótica que se observa.”(NR) § 6º (Revogado). DE 20/6/2007. no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal. Em suma o FUNDEB é um fundo de natureza contábil. em decorrência dos créditos dos seus recursos serem realizados automaticamente em favor dos Estados e Municípios de forma igualitária. incluindo sua condigna remuneração. Art. 158 da Constituição Federal: a) 6. e dos incisos II e III do caput do art. na forma prevista no art.394. instituído pela Emenda Constitucional nº 53. mantidos os efeitos do art. § 7º (Revogado). nos termos do art.494. no segundo ano. O financiamento da educação pública é instrumento fundamental para a redução das desigualdades sociais no Brasil. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. dos estados e municípios para a educação básica pública através da criação de Fundos Estaduais com a totalidade dos recursos vinculados à educação (previstos no artigo 212 da Constituição Federal) para a totalidade de alunos da educação básica pública e dentre outros assuntos prevê a criação de um piso salarial profissional nacional para os educadores públicos e a distribuição dos recursos gerados pelo fundo através da criação dos custos-alunoqualidade diferenciados por modalidade de ensino. por se tratar de um Fundo de natureza contábil. de 19 de dezembro de 2006 (Um fundo independente para cada Estado e para o Distrito Federal). por fim. II . inclusive Educação de Jovens e Adultos.66% (seis inteiros e sessenta e seis centésimos por cento). ao Congresso Nacional. a partir do terceiro ano. de natureza contábil. 212 da Constituição Federal e no inciso VI do capute parágrafo único do art.33% (treze inteiros e trinta e três centésimos por cento).494 DE 20 DE JUNHO DE 2007 LEI FEDERAL Nº 11. nos termos desta Emenda Constitucional. Assim. nem Municipal. II .”(NR) Art. 2o  Os Fundos destinam-se à manutenção e ao desenvolvimento da educação básica pública e à valorização dos trabalhadores em educação. 1o  É instituído.no caso dos impostos e transferências constantes dos incisos I e III do caput do art. a proposta de emenda constitucional para a criação do Fundeb . do inciso II do caput do art. o Distrito Federal e os Municípios da obrigatoriedade da aplicação na manutenção e no desenvolvimento do ensino. no primeiro ano. Nesta abrangência temos: EDUCAÇÃO BÁSICA: Creche + Pré-escola + Ensino Fundamental + Médio.pelo menos 5% (cinco por cento) do montante dos impostos e transferências que compõem a cesta de recursos do Fundeb. LEI Nº 11.pelo menos 25% (vinte e cinco por cento) dos demais impostos e transferências. a Estadual (os Estados participam da composição. Esses aspectos do Fundeb o revestem de peculiaridades que transcendem sua simples caracterização como Federal.

VII . 155 combinado com o inciso III do caput do art. 158 da Constituição Federal. 158 da Constituição Federal. 60 do ADCT. conforme disposto na Lei Complementar nº 87. 4o  A União complementará os recursos dos Fundos sempre que. e de 100% (cem por cento) até 31 de janeiro do exercício imediatamente subseqüente.parcela do produto da arrecadação do imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza e do imposto sobre produtos industrializados devida ao Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal – FPE e prevista na alínea a do inciso I do caput do art. 158 da Constituição Federal. de 25 de outubro de 1966. 155 combinado com o inciso IV do caput do art.receitas da dívida ativa tributária relativa aos impostos previstos neste artigo. relativa a programas direcionados para a melhoria da qualidade da educação básica. 159 da Constituição Federal e no Sistema Tributário Nacional de que trata a Lei no 5. de 13 de setembro de 1996.parcela do produto da arrecadação do imposto que a União eventualmente instituir no exercício da competência que lhe é atribuída pelo inciso I do caput do art. 160 da Constituição Federal. § 1o  A complementação da União observará o cronograma da programação financeira do Tesouro Nacional e contemplará pagamentos mensais de. Art. 30% (trinta por cento) da complementação da União. considerando-se a complementação da União após a dedução da parcela de que trata o art. assegurados os repasses de. limitada a até 10% (dez por cento) de seu valor anual. no âmbito de cada Estado e no Distrito Federal. 5o  A complementação da União destina-se exclusivamente a assegurar recursos financeiros aos Fundos. § 3o  O não-cumprimento do disposto no caput deste artigo importará em crime de responsabilidade da autoridade competente.parcela do produto da arrecadação do imposto sobre a propriedade territorial rural. 212 da Constituição Federal suportará. § 2o  O valor anual mínimo por aluno será definido nacionalmente.172. nos termos da Seção II deste Capítulo. 159 da Constituição Federal e no Sistema Tributário Nacional de que trata a Lei nº 5. 7o desta Lei. na forma do regulamento.  Para a distribuição da parcela de recursos da complementação a que se refere o caputdeste artigo aos Fundos de âmbito estadual beneficiários da complementação nos termos do art. 10% (dez por cento) do total dos recursos a que se refere o inciso II do caput do art.parcela do produto da arrecadação do imposto sobre produtos industrializados devida aos Estados e ao Distrito Federal e prevista no inciso II do caput do art. bem como juros e multas eventualmente incidentes. no mínimo. ao Distrito Federal e aos Municípios. 212 da Constituição Federal na complementação da União aos Fundos. § 2o  Além dos recursos mencionados nos incisos do caput e no § 1o deste artigo. os Fundos contarão com a complementação da União. Didatismo e Conhecimento . 7o  Parcela da complementação da União. VIII . e IX .o desempenho do sistema de ensino no que se refere ao esforço de habilitação dos professores e aprendizagem dos educandos e melhoria do fluxo escolar. 155 da Constituição Federal.imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transportes interestadual e intermunicipal e de comunicação previsto no inciso II do caput do art. V . § 1o  O valor anual mínimo por aluno definido nacionalmente constitui-se em valor de referência relativo aos anos iniciais do ensino fundamental urbano e será determinado contabilmente em função da complementação da União. 5% (cinco por cento) da complementação anual. o valor médio ponderado por aluno.imposto sobre a propriedade de veículos automotores previsto no inciso III do caput do art. 154 da Constituição Federal prevista no inciso II do caput do art. a serem realizados até o último dia útil de cada mês. II . 4o desta Lei. § 1o  Inclui-se na base de cálculo dos recursos referidos nos incisos do caput deste artigo o montante de recursos financeiros transferidos pela União aos Estados. § 2o  A complementação da União a maior ou a menor em função da diferença entre a receita utilizada para o cálculo e a receita realizada do exercício de referência será ajustada no 1o (primeiro) quadrimestre do exercício imediatamente subseqüente e debitada ou creditada à conta específica dos Fundos. § 2o  A vinculação de recursos para manutenção e desenvolvimento do ensino estabelecida no art.parcela do produto da arrecadação do imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza e do imposto sobre produtos industrializados devida ao Fundo de Participação dos Municípios – FPM e prevista na alínea b do inciso I do caput do art. aplicando-se o disposto no caput do art. 159 da Constituição Federal e na Lei Complementar no 61. 6o  A complementação da União será de. Seção II Da Complementação da União Art. 157 da Constituição Federal. no mínimo.a apresentação de projetos em regime de colaboração por Estado e respectivos Municípios ou por consórcios municipais.imposto sobre transmissão causa mortis e doação de quaisquer bens ou direitos previsto no inciso I do caput do art. são compostos por 20% (vinte por cento) das seguintes fontes de receita: I . poderá ser distribuída para os Fundos por meio de programas direcionados para a melhoria da qualidade da educação básica. de 85% (oitenta e cinco por cento) até 31 de dezembro de cada ano. no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal. III . a ser fixada anualmente pela Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade instituída na forma da Seção II do Capítulo III desta Lei. Art. Art. 60 do ADCT. calculado na forma do Anexo desta Lei. de 26 de dezembro de 1989.172. no mínimo. fixado 61 de forma a que a complementação da União não seja inferior aos valores previstos no inciso VII do caput do art. de 25 de outubro de 1966. no máximo. conforme o caso.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS CAPÍTULO II DA COMPOSIÇÃO FINANCEIRA Seção I Das Fontes de Receita dos Fundos Art. Parágrafo único. 45% (quarenta e cinco por cento) até 31 de julho. não alcançar o mínimo definido nacionalmente. VI . IV . levar-se-á em consideração: I . II . relativamente a imóveis situados nos Municípios. § 1o  É vedada a utilização dos recursos oriundos da arrecadação da contribuição social do salário-educação a que se refere o § 5º do art. 3o  Os Fundos.  prevista no  inciso II do caput do art.

INEP. o cômputo das matrículas  das pré-escolas.educação especial.30 (um inteiro e trinta centésimos). com atuação exclusiva na modalidade. na forma do Anexo desta Lei. conveniadas com o poder público e que atendam às crianças de 4 (quatro) e 5 (cinco) anos. pelo prazo de 4 (quatro) anos.ensino médio em tempo integral. § 2o  Serão consideradas. serão consideradas exclusivamente as matrículas presenciais efetivas. confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos e conveniadas com o poder público. VI .comprovar finalidade não lucrativa e aplicar seus excedentes financeiros em educação na etapa ou modalidade previstas nos §§ 1o. de 20 de dezembro de 1996. realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira . ter aprovados seus projetos pedagógicos. 10.ensino fundamental em tempo integral. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino adotará como referência o fator 1 (um) para os anos iniciais do ensino fundamental urbano.educação indígena e quilombola. § 3o  Admitir-se-á. § 4o  Observado o disposto no parágrafo único do art. apresentar recursos para retificação dos dados publicados.70 (setenta centésimos) e 1. IV . no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal. III . observandose. o limite previsto no art.creche em tempo parcial.ter certificado do Conselho Nacional de Assistência Social ou órgão equivalente. obrigatoriamente.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS III . § 3o  Para os fins do disposto neste artigo.pré-escola em tempo integral. o Distrito Federal e os Municípios poderão. em relação às instituições comunitárias. 70 da Lei nº 9.atender a padrões mínimos de qualidade definidos pelo órgão normativo do sistema de ensino. 3o e 4o deste artigo ou ao poder público no caso do encerramento de suas atividades. . 3o e 4o deste artigo somente poderão ser destinados às categorias de despesa previstas no art. e em escolas especiais ou especializadas. conforme os §§ 2º e 3º do art. § 1o  Admitir-se-á. VII . para  a  educação especial. IV . 8o desta Lei serão considerados como em efetivo exercício na educação básica pública para fins do disposto no art.anos iniciais do ensino fundamental urbano. 8o  A distribuição de recursos que compõem os Fundos.creche em tempo integral. 3o e 4o deste artigo.  A distribuição proporcional de recursos dos Fundos levará em conta as seguintes diferenças entre etapas. XII . § 2o  A ponderação entre demais etapas. 60 do ADCT. comunitárias. 22 desta Lei. XVII . § 2o  As instituições a que se refere o § 1o deste artigo deverão obrigatória e cumulativamente: I .a vigência de plano estadual ou municipal de educação aprovado por lei. em classes comuns ou em classes especiais de escolas regulares. X . XIV . § 4o  Os Estados. considerando-se exclusivamente as matrículas nos respectivos âmbitos de atuação prioritária. considerando as ponderações aplicáveis. II . o cômputo das matrículas efetivadas na educação infantil oferecida em creches para crianças de até 3 (três) anos. os Estados e seus Municípios. XV . 21 desta Lei. V . conveniadas com o poder público. para efeito da distribuição dos recursos previstos no inciso II do caput do art.educação de jovens e adultos integrada à educação profissional de nível médio. na educação especial oferecida em instituições comunitárias. § 4o  O direito à educação infantil será assegurado às crianças até o término do ano letivo em que completarem 6 (seis) anos de idade. na proporção do número de alunos matriculados nas respectivas redes de educação básica pública presencial. confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos.ensino médio no campo. II .anos finais do ensino fundamental urbano. filantrópica ou confessional com atuação na etapa ou modalidade previstas nos §§ 1o. IX. XVI . V . observado o disposto no § 1o do art. sem fins lucrativos. § 1o  A ponderação entre diferentes etapas. 211 da Constituição Federal. § 3o  Os profissionais do magistério da educação básica da rede pública de ensino cedidos para as instituições a que se referem os §§ 1o.o esforço fiscal dos entes federados. modalidades e tipos de estabelecimento será resultado da multiplicação do fator de referência por um fator específico fixado entre 0. VIII .pré-escola em tempo parcial.anos iniciais do ensino fundamental no campo. IV . dar-se-á.394. CAPÍTULO III DA DISTRIBUIÇÃO DOS RECURSOS Seção I Disposições Gerais Art. admitir-se-á o cômputo das matrículas efetivadas. XIII . inclusive. e no § 2o deste artigo. observadas as condições previstas nos incisos I a V do § 2o deste artigo.educação de jovens e adultos com avaliação no processo. de 20 de dezembro de 1996. com avaliação no processo.ensino médio integrado à educação profissional. 60 da Lei no 9. § 1o  Os recursos serão distribuídos entre o Distrito Federal. Didatismo e Conhecimento 62 Art. entre o governo estadual e os de seus Municípios.assegurar a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária. conforme os dados apurados no censo escolar mais atualizado. o regulamento disporá sobre a educação básica em tempo integral e sobre os anos iniciais e finais do ensino fundamental. 3o e 4o do art. conforme o censo escolar mais atualizado até a data de publicação desta Lei. § 6o  Os recursos destinados às instituições de que tratam os §§ 1o. Art. observado o disposto no § 1o do art. 9o  Para os fins da distribuição dos recursos de que trata esta Lei. 32 desta Lei. III .anos finais do ensino fundamental no campo. efetivadas. 11 desta Lei. confessionais ou filantrópicas. no prazo de 30 (trinta) dias da publicação dos dados do censo escolar no Diário Oficial da União. as matrículas na rede regular de ensino. § 5o  Eventuais diferenças do valor anual por aluno entre as instituições públicas da etapa e da modalidade referidas neste artigo e as instituições a que se refere o § 1o deste artigo serão aplicadas na criação de infra-estrutura da rede escolar pública. em qualquer hipótese. na forma do regulamento. XI .ensino médio urbano.394.oferecer igualdade de condições para o acesso e permanência na escola e atendimento educacional gratuito a todos os seus alunos. conforme o censo escolar mais atualizado. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica: I .

1 (um) representante dos secretários municipais de educação de cada uma das 5 (cinco) regiões político-administrativas do Brasil indicado pelas  seções regionais da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação .a estimativa do valor da complementação da União. 17. § 1o  As deliberações da Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade serão registradas em ata circunstanciada. Distrito Federal e Municípios a que se refere a Lei Complementar no 87. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias . 11 desta Lei. II. 158 e as alíneas a e b do inciso I do caput e inciso II do caput do art.UNDIME. nos termos da alínea c do inciso III do caput do art. 12. compete à Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade: I . III . São unidades transferidoras a União. serão repassados automaticamente para contas únicas e específicas dos Governos Estaduais. percentual de até 15% (quinze por cento) dos recursos do Fundo respectivo. III . ao Distrito Federal e aos Municípios. observado o disposto no art. procedimentos e forma de divulgação adotados para o repasse do restante dessas transferências constitucionais em favor desses governos. dos Estados e do Distrito Federal e serão creditados pela União em favor dos Governos Estaduais. os valores da arrecadação efetiva dos impostos e das transferências de que trata o art. observados os mesmos prazos. . Art. 159 da Constituição Federal. § 2o  A Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade exercerá suas competências em observância às garantias estabelecidas nos incisos I.  A apropriação dos recursos em função das matrículas na modalidade de educação de jovens e adultos. Parágrafo único. Parágrafo único. bem como os repasses aos Fundos à conta das compensações financeiras aos Estados. III e IV do caput do art. dos Estados e do Distrito Federal. § 1o  Os repasses aos Fundos provenientes das participações a que se refere o inciso II do caput do art.  Os recursos dos Fundos serão disponibilizados pelas unidades transferidoras ao Banco do Brasil S.ADCT. requisitar ou orientar a elaboração de estudos técnicos pertinentes. bem como respectivos critérios de distribuição.a estimativa dos valores anuais por aluno no âmbito do Distrito Federal e de cada Estado. CAPÍTULO IV DA TRANSFERÊNCIA E DA GESTÃO DOS RECURSOS Art. § 2o  As deliberações relativas à especificação das ponderações serão baixadas em resolução publicada no Diário Oficial da União até o dia 31 de julho de cada exercício. 13.1 (um) representante do Ministério da Educação.o valor anual mínimo por aluno definido nacionalmente.especificar anualmente as ponderações aplicáveis entre diferentes etapas.CONSED. IV . constarão dos orçamentos da União. 11. vinculadas ao respectivo Fundo. ou Caixa Econômica Federal. III . 10 desta Lei. observado o disposto no art. quando convocados. os Estados e o Distrito Federal deverão publicar na imprensa oficial e encaminhar à Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda. 7o desta Lei. até o dia 31 de janeiro.  As despesas da Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade correrão à conta das dotações orçamentárias anualmente consignadas ao Ministério da Educação. 15. até 31 de dezembro de cada exercício.A. a Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade.  No exercício de suas atribuições. farão jus a transporte e diárias. segundo estudos de custo realizados e publicados pelo Inep. e seus membros. levando em consideração a correspondência ao custo real da respectiva etapa e modalidade e tipo de estabelecimento de educação básica. lavrada conforme seu regimento interno. O Poder Executivo federal publicará. os Estados e o Distrito Federal em relação às respectivas parcelas do Fundo cuja arrecadação e disponibilização para distribuição sejam de sua responsabilidade.  Fica instituída. Seção II Da Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade Art. 16 desta Lei.fixar anualmente a parcela da complementação da União a ser distribuída para os Fundos por meio de programas direcionados para a melhoria da qualidade da educação básica. 3o desta Lei referentes ao exercício imediatamente anterior. 16. que realizará a distribuição dos valores devidos aos Estados.  Para o ajuste da complementação da União de que trata o § 2o do art. II . § 3o  A participação na Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade é função não remunerada de relevante interesse público.1 (um) representante dos secretários  estaduais de educação de cada uma das 5 (cinco) regiões político-administrativas do Brasil  indicado  pelas  seções regionais do Conselho Nacional de Secretários de Estado da Educação . Didatismo e Conhecimento 63 § 1o  Serão adotados como base para a decisão da Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade os dados do censo escolar anual mais atualizado realizado pelo Inep.fixar anualmente o limite proporcional de apropriação de recursos pelas diferentes etapas. instituídas para esse fim e mantidas na instituição financeira de que trata o art. Art. sempre que necessário.elaborar seu regimento interno. 14. provenientes da União. do Distrito Federal e dos Municípios. respeitados os critérios e as finalidades estabelecidas nesta Lei. IV . 208 da Constituição Federal e às metas de universalização da educação básica estabelecidas no plano nacional de educação. no âmbito do Ministério da Educação. baixado em portaria do Ministro de Estado da Educação. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica. observado o disposto no art. em cada Estado e no Distrito Federal.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art. do Distrito Federal e dos Municípios nas contas específicas a que se refere este artigo. de 13 de setembro de 1996. 6o desta Lei.  Os recursos dos Fundos. com a seguinte composição: I . observará. II .elaborar. Art. V . modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica. para vigência no exercício seguinte. Art. II .a estimativa da receita total dos Fundos. para vigência no exercício subseqüente: I .

III e IV do § 1o do  art. 70 da Lei nº 9. 71 da Lei nº 9. § 1o  Os recursos poderão ser aplicados pelos Estados e Municípios indistintamente entre etapas. 24 desta Lei os extratos  bancários referentes à conta do fundo.profissionais do magistério da educação: docentes. integrantes da estrutura. de 20 de dezembro de 1996. serão creditados pela União em favor dos Governos Estaduais e do Distrito Federal nas contas específicas.394. Didatismo e Conhecimento 64 Parágrafo único. na forma do disposto no art. poderão ser utilizados no 1o (primeiro) trimestre do exercício imediatamente subseqüente. 21. em ações consideradas como de manutenção e desenvolvimento do ensino para a educação básica pública. no momento em que a arrecadação estiver sendo realizada nas contas do Fundo abertas na instituição financeira de que trata o caputdeste artigo. 159 da Constituição Federal a parcela devida aos Municípios. inclusive relativos à complementação da União recebidos nos termos do § 1o do art. não sendo descaracterizado  por  eventuais afastamentos temporários previstos em lei. aos conselhos referidos nos incisos II. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica nos seus respectivos âmbitos de atuação prioritária. será repassada pelo Governo Estadual ao respectivo Fundo e os recursos serão creditados na conta específica a que se refere este artigo. § 2o  Até 5% (cinco por cento) dos recursos recebidos à conta dos Fundos. considera-se: I .394. Art. segundo os critérios e respeitadas as finalidades estabelecidas nesta Lei. que não impliquem rompimento da relação jurídica existente. profissionais que oferecem suporte pedagógico direto ao exercício da docência: direção ou administração escolar. observados os mesmos prazos.como garantia ou contrapartida de operações de crédito. Art.  Os eventuais saldos de recursos financeiros disponíveis nas contas específicas dos Fundos cuja perspectiva de utilização seja superior a 15 (quinze) dias deverão ser aplicados em operações financeiras de curto prazo ou de mercado aberto. § 4o  Os recursos dos Fundos provenientes da parcela do imposto sobre produtos industrializados. III . Parágrafo único. de modo a preservar seu poder de compra. no que se refere aos recursos dos impostos e participações mencionados no § 2o deste artigo. 159 da Constituição Federal. procedimentos e forma de divulgação do restante dessa transferência aos Municípios. 211 da Constituição Federal. na instituição financeira responsável pela movimentação dos recursos. 158 da Constituição Federal constarão dos orçamentos dos Governos Estaduais e do Distrito Federal e serão depositados pelo estabelecimento oficial de crédito previsto no art. de 26 de dezembro de 1989. II .remuneração: o total de pagamentos devidos aos profissionais do magistério da educação. 4o da Lei Complementar no 63. serão utilizados pelos Estados.no financiamento das despesas não consideradas como de manutenção e desenvolvimento da educação básica. 20. observados os mesmos prazos. com o ente governamental que o remunera.  Os ganhos financeiros auferidos em decorrência das aplicações previstas no caput deste artigo deverão ser utilizados na mesma finalidade e de acordo com os mesmos critérios e condições estabelecidas para utilização do valor principal do Fundo. temporária ou estatutária. permanentemente. II e III do caput do art. inclusive aqueles oriundos de complementação da União.  Nos termos do § 4º do art.  Os recursos disponibilizados aos Fundos pela União. conforme o art. ações ou programas considerados como ação de manutenção e desenvolvimento do ensino para a educação básica. Estados e Municípios na forma prevista no § 5o do art. conforme disposto no art. orientação educacional e coordenação pedagógica. 211 da Constituição Federal. de 20 de dezembro de 1996. procedendo à divulgação dos valores creditados de forma similar e com a mesma periodicidade utilizada pelos Estados em relação ao restante da transferência do referido imposto. inspeção.  Os recursos dos Fundos. de 26 de dezembro de 1989.  Pelo menos 60% (sessenta por cento) dos recursos anuais totais dos Fundos serão destinados ao pagamento da remuneração dos profissionais do magistério da educação básica em efetivo exercício na rede pública. recursos humanos. de 11 de janeiro de 1990. Distrito Federal. os Estados e os Municípios poderão celebrar convênios para a transferência de alunos. quadro ou tabela de servidores do Estado. pelo Distrito Federal e pelos Municípios. lastreadas em títulos da dívida pública. Art.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS § 2o  Os repasses aos Fundos provenientes dos impostos previstos nos incisos I. supervisão. conforme estabelecido nos §§ 2º e 3º do art. § 5o  Do montante dos recursos do imposto sobre produtos industrializados de que trata o inciso II do caput do art. Art. materiais e encargos financeiros.efetivo exercício: atuação efetiva no desempenho das atividades de magistério previstas no inciso II deste parágrafo associada à sua regular vinculação contratual.  É vedada a utilização dos recursos dos Fundos: I . ao Distrito Federal e aos Municípios nas contas específicas referidas neste artigo. 6o desta Lei. . inclusive os encargos sociais incidentes. em decorrência do efetivo exercício em cargo. 69 da Lei no 9. 155 combinados com os incisos III e IV do caput do art. procedimentos e forma de divulgação previstos na Lei Complementar nº 61. internas ou externas. 22.394. 19.  Para os fins do disposto no caput deste artigo. no exercício financeiro em que lhes forem creditados. conforme o caso. contraídas pelos Estados. pelo Distrito Federal ou pelos Municípios que não se destinem ao financiamento de projetos. planejamento.  (VETADO) Art. 5º da Lei Complementar nº 61. emprego ou função. observados os critérios e as finalidades estabelecidas nesta Lei. creditará imediatamente as parcelas devidas ao  Governo Estadual. 18. assim como de transporte escolar. de 20 de dezembro de 1996. Distrito Federal ou Município. acompanhados da transferência imediata de recursos financeiros correspondentes ao número de matrículas assumido pelo ente federado. II . § 3o  A instituição financeira de que trata o caput deste artigo. § 7o  Os recursos depositados na conta específica a que se refere o caput deste artigo serão depositados pela União. 23. CAPÍTULO V DA UTILIZAÇÃO DOS RECURSOS Art. Parágrafo único. pelos Estados e pelo Distrito Federal deverão ser registrados de forma detalhada a fim de evidenciar as respectivas transferências. de que trata o inciso II do caput do art. com ônus para o empregador. § 6o A instituição financeira disponibilizará. mediante abertura de crédito adicional.

observados os seguintes critérios de composição: I . por no mínimo 9 (nove) membros.CNTE. até 3o (terceiro) grau. g) 2 (dois) representantes dos estudantes da educação básica pública. IV .em âmbito estadual. c) 1 (um) representante dos diretores das escolas básicas públicas. pelo conjunto dos estabelecimentos ou entidades de âmbito nacional. desses profissionais. .069. b) 1 (um) representante do Ministério da Fazenda.  O acompanhamento e o controle social sobre a distribuição. f) 1 (um) representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação . editada no pertinente âmbito governamental. 1 (um) representante do respectivo Conselho Municipal de Educação e 1 (um) representante do Conselho Tutelar a que se refere a Lei no 8. dos Ministros de Estado. c) 1 (um) representante do Conselho Estadual de Educação. nos casos das representações dessas instâncias. do Distrito Federal e dos Municípios. b) 1 (um) representante dos professores da educação básica pública. f) 2 (dois) representantes dos estudantes da educação básica pública. dos quais pelo menos 1 (um) da Secretaria Municipal de Educação ou órgão educacional equivalente. por no mínimo 14 (quatorze) membros. estadual ou municipal.nos casos dos representantes dos diretores. sendo: a) 2 (dois) representantes do Poder Executivo Municipal. um dos quais indicado pela União Brasileira de Estudantes Secundaristas . 24. § 3o  Os membros dos conselhos previstos no caput deste artigo serão indicados até 20 (vinte) dias antes do término do mandato dos conselheiros anteriores: I .tesoureiro. d) 1 (um) representante do Conselho Nacional de Educação. f) 2 (dois) representantes dos pais de alunos da educação básica pública. d) 1 (um) representante da seccional da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação .em âmbito federal. indicados por seus pares. II .pais de alunos que: a) exerçam cargos ou funções públicas de livre nomeação e exoneração no âmbito dos órgãos do respectivo Poder Executivo gestor dos recursos. por conselhos instituídos especificamente para esse fim. e) 1 (um) representante do Conselho Nacional de Secretários de Estado da Educação . bem como cônjuges. parentes consangüíneos ou afins. sendo a composição determinada pelo disposto no inciso II deste parágrafo. IV . junto aos respectivos governos. na forma dos incisos I e II do § o 3 deste artigo. pelas entidades sindicais da respectiva categoria. sem vinculação ou subordinação institucional ao Poder Executivo local e serão renovados periodicamente ao final de cada mandato dos seus membros. dos Estados. até 3o (terceiro) grau. III .estudantes que não sejam emancipados. dos quais pelo menos 1 (um) do órgão estadual responsável pela educação básica.cônjuge e parentes consangüíneos ou afins. no âmbito dos Poderes Executivos em que atuam os respectivos conselhos.no Distrito Federal. c) 1 (um) representante do Ministério do Planejamento. II . e dos Secretários Estaduais.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS CAPÍTULO VI DO ACOMPANHAMENTO. § 1o  Os conselhos serão criados por legislação específica. Orçamento e Gestão.nos casos de representantes de professores e servidores. § 2o  Integrarão ainda os conselhos municipais dos Fundos. municipais e do Distrito Federal e das entidades de classes organizadas. III e IV do § 1o deste artigo. § 6o  O presidente dos conselhos previstos no caput deste artigo será eleito por seus pares em reunião do colegiado. do Prefeito e do Vice-Prefeito. § 8o  A atuação dos membros dos conselhos dos Fundos: I . e) 1 (um) representante da seccional da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação . III .UBES. por no mínimo 12 (doze) membros. II . CONTROLE SOCIAL. h) 2 (dois) representantes dos pais de alunos da educação básica pública.UNDIME. a transferência e a aplicação dos recursos dos Fundos serão exercidos. i) 2 (dois) representantes dos estudantes da educação básica pública. ou b) prestem serviços terceirizados. do Distrito Federal e dos Municípios.não será remunerada. II . de 13 de julho de 1990. Didatismo e Conhecimento 65 d) 1 (um) representante dos servidores técnico-administrativos das escolas básicas públicas. pelos respectivos pares. dos Estados. pais de alunos e estudantes.CONSED. no âmbito da União. Distritais ou Municipais. sendo impedido de ocupar a função o representante do governo gestor dos recursos do Fundo no âmbito da União. do Governador e do Vice-Governador. § 5o  São impedidos de integrar os conselhos a que se refere o caput deste artigo: I . b) 2 (dois) representantes dos Poderes Executivos Municipais. sendo: a) até 4 (quatro) representantes do Ministério da Educação. conforme o caso. do Presidente e do Vice-Presidente da República. III .UNDIME. sendo: a) 3 (três) representantes do Poder Executivo estadual. e) 2 (dois) representantes dos pais de alunos da educação básica pública. estaduais. excluídos os membros mencionados nas suas alíneas b e d. § 4o  Indicados os conselheiros. um dos quais indicado pela entidade de estudantes secundaristas.pelos dirigentes dos órgãos  federais. quando houver. o Ministério da Educação designará os integrantes do conselho previsto no inciso I do § 1o deste artigo. em processo eletivo organizado para esse fim. § 7o  Os conselhos dos Fundos atuarão com autonomia. g) 1 (um) representante da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação .CNTE. contador ou funcionário de empresa de assessoria ou consultoria que prestem serviços relacionados à administração ou controle interno dos recursos do Fundo. e o Poder Executivo  competente  designará os integrantes dos conselhos previstos nos incisos II. COMPROVAÇÃO E FISCALIZAÇÃO DOS RECURSOS Art. por no mínimo 9 (nove) membros.é considerada atividade de relevante interesse social.em âmbito municipal. 1 (um) dos quais indicado pela entidade estadual de estudantes secundaristas.

Art. representação estudantil poderá acompanhar as reuniões do conselho com direito a voz. ainda. 25. quando os conselheiros forem representantes de estudantes em atividades do conselho. o Distrito Federal e os Municípios prestarão contas dos recursos dos Fundos conforme os procedimentos adotados pelos Tribunais de Contas competentes. b) atribuição de falta injustificada ao serviço em função das atividades do conselho. convocar o Secretário de Educação competente ou servidor equivalente para prestar esclarecimentos acerca do fluxo de recursos e a execução das despesas do Fundo. compete ao Ministério Público dos Estados e do Distrito Federal e Territórios e ao Ministério Público Federal. c) documentos referentes aos convênios com as instituições a que se refere o art. III . relativos aos recursos repassados e recebidos à conta dos Fundos assim como os referentes às despesas realizadas ficarão permanentemente à disposição dos conselhos responsáveis. 27. IV . modalidade ou tipo de estabelecimento a que estejam vinculados. III . também. permitida 1 (uma) recondução por igual período. c) afastamento involuntário e injustificado da condição de conselheiro antes do término do mandato para o qual tenha sido designado. 2 (dois) anos.  As prestações de contas serão instruídas com parecer do conselho responsável.veda. observada a regulamentação aplicável. acompanhar a aplicação dos recursos federais transferidos à conta do Programa Nacional de Apoio ao Transporte  do Escolar . § 9o  Aos conselhos incumbe. empenho.  A defesa da ordem jurídica. 29. § 13. supervisionar o censo escolar anual e a elaboração da proposta orçamentária anual.pelo órgão de controle interno no âmbito da União e pelos órgãos de controle interno no âmbito dos Estados. especialmente em relação à aplicação da totalidade dos recursos dos Fundos. do Distrito Federal e dos Municípios. 212 da Constituição Federal e do disposto nesta Lei. Art. e os Municípios à intervenção dos respectivos Estados a que pertencem.requisitar ao Poder Executivo cópia de documentos referentes a: a) licitação.pelos Tribunais de Contas dos Estados.  Os registros contábeis e os demonstrativos gerenciais mensais. Parágrafo único.  Na hipótese da inexistência de estudantes emancipados. estaduais e municipais de controle interno e externo. II . 26. do regime democrático. . inclusive por meio eletrônico. que deverá ser apresentado ao Poder Executivo respectivo em até 30 (trinta) dias antes do vencimento do prazo para a apresentação da prestação de contas prevista no caputdeste artigo. IV . aos Estados. devendo a autoridade convocada apresentar-se em prazo não superior a 30 (trinta) dias. b) a adequação do serviço de transporte escolar. relacionada ao pleno cumprimento desta Lei. b) folhas de pagamento dos profissionais da educação. junto aos respectivos entes governamentais sob suas jurisdições. 8o desta Lei. nos termos da alínea e do inciso VII do caput do  art. § 12. no curso do mandato: a) exoneração ou demissão do cargo ou emprego sem justa causa ou transferência involuntária do estabelecimento de ensino em que atuam. c) a utilização em benefício do sistema de ensino de bens adquiridos com recursos do Fundo. § 10. do Distrito Federal e dos Municípios. formulando pareceres conclusivos acerca da aplicação desses recursos e encaminhando-os ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação .  Os Estados. no máximo.por decisão da maioria de seus membros. 35 da Constituição Federal. Didatismo e Conhecimento 66 II . d) outros documentos necessários ao desempenho de suas funções. e ser-lhes-á dada ampla publicidade. Parágrafo único. § 11. com o objetivo de concorrer para o regular e tempestivo tratamento e encaminhamento dos dados estatísticos e financeiros que alicerçam a operacionalização dos Fundos. Art. III e IV do § 1o do art. especialmente quanto às transferências de recursos federais.  O descumprimento do disposto no art. receber e analisar as prestações de contas referentes a esses Programas. atualizados. especialmente em relação à complementação da União. 212 da Constituição Federal e do disposto nesta Lei sujeitará os Estados e o Distrito Federal à intervenção da União.realizar visitas e inspetorias in loco para verificar:  a) o desenvolvimento regular de obras e serviços efetuados nas instituições escolares com recursos do Fundo. no que tange às atribuições a cargo dos órgãos federais.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS III .FNDE. 28. 24 desta Lei poderão. Art. ainda. liquidação e pagamento de obras e serviços custeados com recursos do Fundo.assegura isenção da obrigatoriedade de testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em razão do exercício de suas atividades de conselheiro e sobre as pessoas que lhes confiarem ou deles receberem informações. incumbindo à União. bem como dos órgãos federais. dos interesses sociais e individuais indisponíveis. quando os conselheiros forem representantes de professores e diretores ou de servidores das escolas públicas. no curso do mandato. ao Distrito Federal e aos Municípios garantir infra-estrutura e condições materiais adequadas à execução plena das competências dos conselhos e oferecer ao Ministério da Educação os dados cadastrais relativos à criação e composição dos respectivos conselhos. V . no âmbito de suas respectivas esferas governamentais de atuação.apresentar ao Poder Legislativo local e aos órgãos de controle interno e externo manifestação formal acerca dos registros contábeis e dos demonstrativos gerenciais do Fundo.veda.  Os conselhos referidos nos incisos II.  Aos conselhos incumbe. sempre que julgarem conveniente: I .PNATE e do Programa de Apoio aos Sistemas de Ensino para Atendimento à Educação de Jovens e Adultos e.  A fiscalização e o controle referentes ao cumprimento do disposto no art. as quais deverão discriminar aqueles em efetivo exercício na educação básica e indicar o respectivo nível. atribuição de falta injustificada nas atividades escolares.  Os membros dos conselhos de acompanhamento e controle terão mandato de. serão exercidos: I .pelo Tribunal de Contas da União.  Os conselhos dos Fundos não contarão com estrutura administrativa própria. 34 e do inciso III do caput do art. Art.

com vistas na adoção de medidas operacionais e de natureza político-educacional corretivas. 155. no 2o (segundo) ano de vigência dos Fundos. no mínimo.no apoio técnico relacionado aos procedimentos e critérios de aplicação dos recursos dos Fundos. b) 18. fiscalização e controle interno e externo. anualmente. 31. no 1o (primeiro) ano. bem como para a receita a que se refere o § 1o do art. no mínimo: I . b) 2/3 (dois terços) das matrículas no 2o (segundo) ano de vigência do Fundo. VI .na realização de avaliações dos resultados da aplicação desta Lei. no 1o (primeiro) ano de vigência dos Fundos. do inciso IV do caput do art. II e III do § 3o deste artigo serão atualizados. por meio de sistema de informações  orçamentárias e financeiras e de cooperação com os Tribunais de Contas dos Estados e Municípios e do Distrito Federal. anualmente. sendo-lhes assegurado o acesso gratuito aos documentos mencionados nos arts. o ensino médio e a educação de jovens e adultos: a) 1/3 (um terço) das matrículas no 1o (primeiro) ano de vigência do Fundo. estabelecido pela Emenda Constitucional nº 14.  Os Fundos serão implantados progressivamente nos primeiros 3 (três) anos de vigência. b) 13. a partir do 3o (terceiro) ano. 30. a realização e a utilização dos valores financeiros repassados.000. no mínimo. 9o desta Lei serão consideradas conforme a seguinte progressão: I .00 (quatro bilhões e quinhentos milhões de reais). II . 129 da Constituição Federal. inclusive. e III . a complementação da União não sofrerá ajuste quanto a seu montante em função da diferença entre a receita utilizada para o cálculo e a receita realizada do exercício de referência.no monitoramento da aplicação dos recursos dos Fundos. de 19 de dezembro de 2006. Art.00 (dois bilhões de reais). § 5o  Os valores a que se referem os incisos I.33% (treze inteiros e trinta e três centésimos por cento). devendo a primeira dessas medidas se realizar em até 2 (dois) anos após a implantação do Fundo. no 2o (segundo) ano. § 3o  A complementação da União será de. não poderá ser inferior ao efetivamente praticado em 2006.  O Ministério da Educação atuará: I . a partir do 3o (terceiro) ano. incisos II e III do caput do art. 155. IV . 157. CAPÍTULO VII DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS Seção I Disposições Transitórias Art. no período compreendido entre o mês da promulgação da Emenda Constitucional no 53. III . de forma a preservar em caráter permanente o valor real da complementação da União. observado o disposto no § 2o do art. assegurados os repasses de.000. 3o desta Lei será alcançada conforme a seguinte progressão: I . inciso II do caput do art. inclusive.000. 32. por meio de publicação e distribuição de documentos informativos e em meio eletrônico de livre acesso público. no 3o (terceiro) ano de vigência dos Fundos. inclusive. no Fundo de cada Estado e do Distrito Federal. c) a totalidade das matrículas a partir do 3o (terceiro) ano de vigência do Fundo.na realização de estudos técnicos com vistas na definição do valor referencial anual por aluno que assegure padrão mínimo de qualidade do ensino. e c) 20% (vinte por cento).na capacitação dos membros dos conselhos. 5º e o § 1º do art.para o ensino fundamental regular e especial público: a totalidade das matrículas imediatamente a partir do 1o (primeiro) ano de vigência do Fundo. pela variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor – INPC.000. no âmbito do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério . apurado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE.000. do Distrito Federal e dos Estados para a fiscalização da aplicação dos recursos dos Fundos que receberem complementação da União. 3o desta Lei: a) 16.R$ 3. 158. Distrito Federal e Municípios e às instâncias responsáveis pelo acompanhamento. e 1o de janeiro de cada um dos 3 (três) primeiros anos de vigência dos Fundos.33% (dezoito inteiros e trinta e três centésimos por cento). junto aos Estados. § 2o  Admitir-se-á litisconsórcio facultativo entre os Ministérios Públicos da União.para a educação infantil.na divulgação de orientações sobre a operacionalização do Fundo e de dados sobre a previsão. o cronograma de complementação da União observará a programação financeira do Tesouro Nacional e contemplará pagamentos mensais de. § 4o  Os valores a que se referem os incisos I. § 6o  Até o 3o (terceiro) ano de vigência dos Fundos.000. II e III do § 3o deste artigo serão corrigidos.  O valor por aluno do ensino fundamental. 45% (quarenta e cinco por cento) até 31 de julho e de 100% (cem por cento) até 31 de dezembro de cada ano. no 2o (segundo) ano.para os impostos e transferências constantes dos incisos I e III do caput do art. ou índice equivalente que lhe venha a suceder. conforme o disposto neste artigo. e c) 20% (vinte por cento). no 1o (primeiro) ano. II . II .000.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS § 1o  A legitimidade do Ministério Público prevista no caputdeste artigo não exclui a de terceiros para a propositura de ações a que se referem o inciso LXXIII do caput do art.FUNDEF. das alíneas a e b do inciso I e do inciso II do caput do art. 159 da Constituição Federal.000. a serem realizados até o último dia útil de cada mês.R$ 4. § 1o  A porcentagem de recursos de que trata o art. 25 e 27 desta Lei.00 (três bilhões de reais). V . nos primeiros 3 (três) anos de vigência dos Fundos. II . § 7o  Até o 3o (terceiro) ano de vigência dos Fundos.para os impostos e transferências constantes do inciso II do caput do art.R$ 2. de 12 de setembro de 1996. Art. § 2o  As matrículas de que trata o art.66% (dezesseis inteiros e sessenta e seis centésimos por cento).500. 158 da Constituição Federal: Didatismo e Conhecimento 67 a) 6. 6o desta Lei quanto à distribuição entre os fundos instituídos no âmbito de cada Estado. .66% (seis inteiros e sessenta e seis centésimos por cento). 5% (cinco por cento) da complementação anual.

educação especial . XIV . o Distrito Federal e os Municípios deverão assegurar no financiamento da educação básica. dos Municípios.anos iniciais do ensino fundamental no campo .1. Art.069. de forma a garantir padrão mínimo de qualidade definido nacionalmente.1. 34. 38. A União. no âmbito do Fundef. apurado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística . § 2o  O valor por aluno do ensino fundamental a que se refere o caput deste artigo terá como parâmetro aquele efetivamente praticado em 2006. Seção II Disposições Finais Art. anualmente.pré-escola em tempo integral . nos termos da legislação local específica e desta Lei.creche pública em tempo integral . VII .IBGE ou índice equivalente que lhe venha a suceder. em especial aquelas voltadas para a inclusão de crianças e adolescentes em situação de risco social. .anos iniciais do ensino fundamental urbano . 39. Didatismo e Conhecimento 68 XV .ensino médio em tempo integral . do Distrito Federal. V .1. Parágrafo único. 24 desta Lei. XIII .0.INPC. as seguintes pontuações: I .05 (um inteiro e cinco centésimos).80 (oitenta centésimos).  No 1o (primeiro) ano de vigência do  Fundeb.80 (oitenta centésimos).30 (um inteiro e trinta centésimos). 24 desta Lei.95 (noventa e cinco centésimos). as ponderações seguirão as seguintes especificações: I . promovidas pelas unidades federadas. com avaliação no processo .  Os conselhos dos Fundos serão instituídos no prazo de 60 (sessenta) dias contados da vigência dos Fundos. os Estados. X .1. acesso e permanência na escola. 4o e 5o do art. 33. VIII .70 (setenta centésimos).creche conveniada em tempo parcial . modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica. 36.  Os Municípios poderão integrar.0.0. no mínimo.aos quais tenham sido aplicadas  medidas socioeducativas nos termos da Lei no 8. em 5 (cinco) anos contados da vigência dos Fundos.1.25 (um inteiro e vinte e cinco centésimos). IV . fórum nacional com o objetivo de avaliar o financiamento da educação básica nacional. resulte inferior ao valor por aluno do ensino fundamental.ensino médio integrado à educação profissional .90 (noventa centésimos). previsto no art. XI . adotarse-á este último exclusivamente para a distribuição dos recursos do ensino fundamental. inclusive mediante adaptações dos  conselhos do Fundef existentes na data de publicação desta Lei.1. Parágrafo único.70 (setenta centésimos). de 13 de julho de 1990.educação de jovens e adultos com avaliação no processo . o Conselho do Fundo ao Conselho Municipal de Educação. que será corrigido.0.1. 35. 3o. Art. Art. IX . os Estados e o Distrito Federal desenvolverão.00 (um inteiro).1.0.ensino fundamental em tempo integral .10 (um inteiro e dez centésimos). XII . a transferência e a aplicação dos recursos do Fundo.pré-escola . § 2o  Na fixação dos valores a partir do 2o (segundo) ano de vigência do Fundeb. mantendo-se as demais ponderações para as restantes etapas.  O Ministério da Educação deverá realizar. § 1o  A câmara específica de acompanhamento e controle social sobre a distribuição. no âmbito do Fundeb. II .ensino médio no campo . dos Estados. § 2o  Aplicar-se-ão para a constituição dos Conselhos Municipais de Educação as regras previstas no § 5o do art. II .creche . Art.1.  A União desenvolverá e apoiará políticas de estímulo às iniciativas de melhoria de qualidade do ensino. Art.  A União. a transferência e a aplicação dos recursos do Fundeb terá competência deliberativa e terminativa.anos finais do ensino fundamental no campo .1. II .0.15 (um inteiro e quinze centésimos). III .  O valor anual mínimo por aluno definido nacionalmente para o ensino fundamental no âmbito do Fundeb não poderá ser inferior ao mínimo fixado nacionalmente em 2006 no âmbito do Fundef. no Fundo de cada Estado e do Distrito Federal.90 (noventa centésimos).CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS § 1o  Caso o valor por aluno do ensino fundamental.25 (um inteiro e vinte e cinco centésimos).que cumpram pena no sistema penitenciário.creche conveniada em tempo integral . no Fundo de cada Estado e do Distrito Federal.20 (um inteiro e vinte centésimos). ainda que na condição de presos provisórios.1. na forma do regulamento. É assegurada a participação popular e da comunidade educacional no processo de definição do padrão nacional de qualidade referido no caputdeste artigo. contando com representantes da União.educação indígena e quilombola . Art. VI . observado o disposto no inciso IV do § 1o e nos §§ 2o. as ponderações entre as matrículas da educação infantil seguirão. com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor . a melhoria da qualidade do ensino. VI .anos finais do ensino fundamental urbano . III . no período de 12 (doze) meses encerrados em junho do ano imediatamente anterior. 37.educação de jovens e adultos integrada à educação profissional de nível médio. dos trabalhadores da educação e de pais e alunos.15 (um inteiro e quinze centésimos). programas de apoio ao esforço para conclusão da educação básica dos alunos regularmente matriculados no sistema público de educação: I .80 (oitenta centésimos). V .ensino médio urbano .1. instituindo câmara específica para o acompanhamento e o controle social sobre a distribuição. IV .creche pública em tempo parcial .20 (um inteiro e vinte centésimos).1.0. em regime de colaboração. § 1o  A Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade fixará  as ponderações referentes à creche e pré-escola em tempo integral.20 (um inteiro e vinte centésimos).30 (um inteiro e trinta centésimos).0.pré-escola em tempo parcial . 212 da Constituição Federal.10 (um inteiro e dez centésimos).

3. realizados na forma do disposto neste artigo. 46. em lei específica.  Os Planos de Carreira deverão contemplar capacitação profissional especialmente voltada à formação continuada com vistas na melhoria da qualidade do ensino. 3.a remuneração condigna dos profissionais  na educação básica da rede pública. Parágrafo único. até 31 de agosto de 2007. e o § 3º do art. II . 2) dedução da parcela da complementação da União de que trata o art. 11 (educação de jovens e adultos) desta Lei. .880. da observância do disposto no § 1o do art. de 24 de dezembro de 1996. Art. 12 da Lei no 10.  A partir de 1o de março de 2007. 31 desta Lei e os aportes referentes a janeiro e fevereiro de 2007. no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal. Art. a partir de 1o de janeiro de 2007. de 24 de  dezembro de 1996. Art. 45. referente ao ano de 2007. 40.00 (dois bilhões de reais). a União alocará. Art.  piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica. 47.  Ficam revogados. recursos orçamentários para a promoção de programa emergencial de apoio ao ensino médio e para reforço do programa nacional de apoio ao transporte escolar.2 e 3.  Os Fundos terão vigência até 31 de dezembro de 2020. e o art. fica mantida a sistemática de repartição de recursos prevista na Lei no 9.  O poder público deverá fixar.  (VETADO) Art. Os Estados. 31 desta Lei. de cada Estado e dos Municípios. multiplicado pelos fatores de ponderações aplicáveis.000. conforme os seguintes procedimentos: 3. III . 60 do ADCT (EC no 53/06): Comp/União:    ≥    R$ 2. 211 da Constituição Federal). ponderadas pelos fatores de diferenciação. Parágrafo único. de 5 de março de 2004. Fi : valor do Fundo do Estado i. NPi : número de matrículas do Estado i. Complementação da União fixada a partir dos valores mínimos previstos no inciso VII do caput do art.4) as operações 3. conforme a sistemática estabelecida nesta Lei. 32 (ensino fundamental) e no art. 3.2) complementação do último Fundo até que seu valor anual por aluno se iguale ao valor anual por aluno do Fundo imediatamente superior. 3) distribuição da complementação da União. Parágrafo único.  mediante a utilização dos coeficientes de participação do Distrito Federal. Art. conforme operação 3. 41.  Nos meses de janeiro e fevereiro de 2007. obtido pela razão entre o total de recursos de cada Fundo e o número de matrículas presenciais efetivas nos âmbitos de atuação prioritária (§§ 2o e 3o do art. 43.3 são repetidas tantas vezes quantas forem necessárias até que a complementação da União tenha sido integralmente distribuída. Parágrafo único.a melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem.000. em cada Estado e no Distrito Federal.845. sem o pagamento de complementação da União.424. ANEXO Nota explicativa: O cálculo para a distribuição dos recursos do Fundeb é realizado em 4 (quatro) etapas subsequentes: Didatismo e Conhecimento 69 1) cálculo do valor anual por aluno do Fundo. referentes ao exercício de 2006.3) uma vez equalizados os valores anuais por aluno dos Fundos. de forma que o valor anual mínimo por aluno resulte definido nacionalmente em função dessa complementação. Fórmulas de cálculo: Valor anual por aluno: F VAi = i NPi NPi = ∑φ j =1 15 j N ji em que: VAi : valor por aluno no Estado i.integração entre o trabalho individual e a proposta pedagógica da escola. será integralmente distribuída entre março e dezembro.  A complementação da União prevista no inciso I do § 3o do art. 44. 48. Art.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Art.  O ajuste da distribuição dos recursos referentes ao primeiro trimestre de 2007 será realizado no mês de abril de 2007. no 1o (primeiro) ano de vigência. antes da complementação da União. os arts. procedendo-se aos eventuais ajustes em cada Fundo. de 9 de junho de 2004. 49. 7o desta Lei. 2º da Lei nº 10.  (VETADO) Art.  O ajuste referente à diferença entre o total dos recursos da alínea a do inciso I e da alínea a do inciso II do § 1o do art.2.  Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação.  Nos 2 (dois) primeiros anos de vigência do Fundeb. modalidades e/ou ao tipo de estabelecimento de ensino j. o Distrito Federal e os Municípios deverão implantar Planos de Carreira e remuneração dos profissionais da educação básica.000. a distribuição dos recursos dos Fundos é realizada na forma prevista nesta Lei. φ j : fator de diferenciação aplicável à etapa e/ou às N ji : número de matrículas na etapa e/ou nas modalidades e/ ou no tipo de estabelecimento de ensino j no Estado i. de modo a assegurar: I . a complementação da União será distribuída a esses 2 (dois) Fundos até que seu valor anual por aluno se iguale ao valor anual por aluno do Fundo imediatamente superior. será pago no mês de abril de 2007. 4) verificação. 1º a 8º e 13 da Lei nº 9. além dos destinados à complementação ao Fundeb. 42.1) ordenação decrescente dos valores anuais por aluno obtidos nos Fundos de cada Estado e do Distrito Federal.424. Art.

11 (educação de jovens e adultos) desta Lei. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica da rede k do Estado i. Fi ∗ : valor do Fundo do Estado i após a complementação da União.00 (três bilhões de reais). os Estados e seus Municípios: A distribuição de recursos entre o Distrito Federal. O total de matrículas ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis é obtido da seguinte forma: Min[A . do Estado i ou de um de seus Municípios.e de modo a excluir da noção de conhecimento. ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis. consequentemente. NPfi : número de matrículas no ensino fundamental ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis. Apropriação de recursos do Fundo do Estado i pelo Distrito Federal. no 3o (terceiro) ano de vigência. 32 (ensino fundamental) e o disposto no art. concebendo a noção de conhecimento de modo a incluir nela quase que tão somente os pontos de vista e temas que. pelos Estados e seus Municípios: ∗ Fki = NPfki NPfi ∗ F fi + NPeki ∗ NPoki ∗ Fei + Foi NPei NPoi Fi ∗ = ni + 1 k =1 ∑F ∗ ki em que: k: rede de educação básica do Distrito Federal. e. a partir do 4o (quarto) ano de vigência. NPoi : número de matrículas em demais etapas. se mostraram “perenes” -. ∗ Fki : valor transferido para a rede k de educação básica do : número de Municípios do Estado i. por exemplo. ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino. de certa maneira. de sua visão da educação. α : limite proporcional de apropriação de recursos pela educação de jovens e adultos. Para Estados que não recebem complementação da União (VAi ≥ VAmin ) . como “processo de qualificação de mão-de-obra especializada”. tem-se: Fi∗ = Fi Distribuição de recursos entre o Distrito Federal. A e B. ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis.500. etc. NPeki : número de matrículas na educação de jovens e adultos da rede k do Estado i. NPi em que: VAmin : valor mínimo por aluno definido nacionalmente. sobreviveram o teste de durabilidade e que. ∗ : parcela de recursos do Fundo do Estado i destinada a Foi demais etapas. a fim de obter a distribuição aplicável a demais etapas. ∗ : parcela de recursos do Fundo do Estado i destinada à Fei educação de jovens e adultos. a União complementará os ∗ recursos do Fundo do Estado i até que VAmin = Fi ni Estado i. os Estados e seus Municípios observa o disposto no § 1o do art. NPei : número de matrículas na educação de jovens e adultos ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis.000. F fi   NPi    NPei ∗ * Fei = Min  Fi ∗ − F fi . a questão da chamada educação humanística versus a chamada educação técnico-profissionalizante. de início.00 (quatro bilhões e quinhentos milhões de reais).há uma escola de teoria educacional chamada “perenialismo” -. ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis.000. NPoki : número de matrículas de demais etapas. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino: ∗ ∗ ∗ Fi ∗ = F fi + Fei + Foi NPfki : número de matrículas no ensino fundamental da rede k do Estado i. no 2o (segundo) ano de vigência. Este preparo é considerado como mero treinamento ou adestramento em certas técnicas e habilidades e não deveria merecer o honroso privilégio de ser considerada parte integrante do processo educacional.000. que considera o maior valor entre A e B. De um lado há aqueles que enfatizam a conexão entre educação e conhecimento. sendo batizado com vários nomes diferentes. .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS ≥    R$ 3.000. Para o Distrito Federal e cada um dos Estados:  NPfi ∗  ∗ F fi = Max  Fi . αFi ∗   NPei + NPoi  ( ) ∗ * ∗ Foi = Fi ∗ − F fi − Fei em que: ensino fundamental efetivamente praticado em 2006. B ] : função mínimo. portanto. B ]: função máximo. modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica.000. Max[ A . “processo de formação de recursos humanos para as áreas técnicas”. ≥    R$ 4. F fi : valor transferido tendo como base o valor por aluno do em ∗que: F fi : parcela de recursos do Fundo do Estado i destinada ao ensino fundamental. Didatismo e Conhecimento 70 Analisemos. ≥    10% (dez por cento) do total de recursos do fundo. Certamente nesta questão tem havido radicais de ambos os lados. Complementação da União e valor anual mínimo por aluno definido nacionalmente: Sempre que (VAi < VAmin ) . no âmbito Fundef. tudo aquilo que se refere mais diretamente ao preparo para o exercício de uma profissão técnica. que considera o menor valor entre NPi = NPfi + NPei + NPoi em que: 6 EDUCAÇÃO NO MUNDO CONTEMPORÂNEO: EXIGÊNCIAS DE UM NOVO PERFIL DE CIDADÃO.

pode condenar a educação por ser estritamente profissionalizante: ela estará se ocupando dos conteúdos considerados valiosos naquele contexto. em decorrência disso. o sistema educacional a apresentar certas características que poderia não apresentar em outros contextos. porque dominante. apenas para esclarecer alguns aspectos da questão e mostrar a abrangência de nossa conceituação de educação. deliberadamente. que foram deverá tomar o sistema educacional? Uma solução que se tem dado a este problema é o da criação de vários subsistemas educacionais. mais em moda no Brasil de hoje. portanto. menos educação. concebendo a noção de vida de modo a realçar suas ligações com o trabalho. a formação profissional. Dentre os que assumem esta posição há os que enfatizam o trabalho como forma de auto realização individual. (De certa maneira. Na prática sabemos que esta solução não tem sido muito democrática. apontando. dependendo de seus próprios valores e daqueles que cada um dos subsistemas enfatizasse. invariavelmente. e refletem. e as várias classes sociais. frequentemente. Didatismo e Conhecimento 71 Voltamos a enfatizar. fato este que faz com que o sistema educacional enfrente sérios problemas e dificuldades para levar em conta esta divergência e conflitância de valores. para a apreciação das artes. “perfumaria”. Esta não é nossa intenção. à existência de um subsistema educacional para os “nossos filhos” e de outro(s) subsistema(s) para “os filhos dos outros”. e. e o exercício da cidadania democrática é tido como algo valioso. es- . cada um deles enfatizando certo conjunto de valores. frequentemente não menos radicais. Não vamos tentar resolver essa controvérsia. dentro de uma mesma cultura. preconiza a existência de um sistema educacional único que gradativamente se diferencia em subsistemas e que permite mobilidade horizontal (entre os subsistemas) e vertical (entre os subsistemas de um nível e os de outro nível). onde valores se chocam. onde diferentes fossem os valores. enquanto valor é plenamente compatível com outros valores. mas ainda assim conteúdos considerados valiosos naquele contexto. também. Observamos atrás que. vê a tarefa da educação como sendo. o elemento predominante no processo educacional. os que propõem um sistema educacional único (a “escola única”) têm reivindicado. o processo educacional terá conteúdos basicamente diferentes no que diz respeito ao seu teor. Estamos simplesmente procurando ilustrar o fato de que dentro de uma mesma cultura pode haver valores conflitantes. na qual o trabalho. para o gozo dos momentos de lazer. os interesses e os valores dessa classe (que. se não concordamos com os valores de uma determinada cultura. valores conflitantes podem coexistir dentro de uma mesma cultura. uma cultura cujos valores sejam bastante coerentes. em que o objetivo educacional básico é a preparação do indivíduo para a vida ativa do trabalho. observando que esta solução leva. a nosso ver. inclusive. a todos. etc. e ao explicitar aquela conceituação. Se nossos valores não coincidem com os dessa cultura que imaginamos. ou para o qual enviaria seus filhos. Não nos cabe aqui analisar esta questão. Na verdade. entretanto. a democraticidade de sua proposta e combatido a falta de democraticidade da solução que esboçamos. preparar o restante da população para se conformar com a condição de dominados) e não daqueles a quem esses sistemas e sub-sistemas se destinam. e que. com outras roupagens). será. Em um contexto socioeconômico como o que acabamos de imaginar. Não vamos entrar aqui nos méritos ou deméritos dessas soluções nem mencionar outras que têm sido propostas. A maior parte do mundo vive em sociedades de classes. A questão difícil que pode ser colocada. mutatis mutandis. têm valores diferentes. sem dúvida. afirmam. agora. visto que o acesso a um e a outro subsistema não é. pode coexistir. dentro do processo educacional. a democracia. a preparação para o trabalho. por razões predominantes econômicas. e não condenar o seu sistema educacional por incorporá-los. seja como fator básico de desenvolvimento econômico. Concordam. Educar. é como mudar valores sem atuar na educação? Isto nos traz ao nosso terceiro comentário. observamos que os conteúdos (no sentido visto) que podem ser parte integrante do processo educacional são conteúdos considerados valiosos dentro de um dado contexto sociocultural. ninguém. e um processo educacional que prepara o indivíduo para o exercício da cidadania democrática pode também prepará-lo para o exercício de uma profissão. não fazendo várias distinções básicas e deixando de lado os aspectos complexos que envolvem processos educacionais concretos (e não imaginários). Imaginemos. preparar uma elite para vir a ser os futuros “donos do poder”. “adorno”. de perpetuar seus privilégios. Problema mais sério e grave é trazido à tona por aqueles que apontam ao fato de que sistemas e subsistemas educacionais são organizados e administrados por uma ínfima parcela da população. seja o valor preponderante. seja como forma de realização pessoal. igualmente. Outra solução. pois nela. mesmo que não concorde com a hierarquia de valores predominante naquele contexto. e a deixar de lado suas ligações com o lazer. de outro lado. consequentemente. Naturalmente. devemos criticar e combater os valores dessa cultura. está desejosa de manter o status quo. que se considerarmos o termo “cultura” em um sentido amplo (como quando se fala em “cultura brasileira”). conseqüentemente. sem discutir o fato. Nesta cultura. fato que levará. simplificando as coisas aqui. etc. à relação entre educação e democracia. Deixamos. para efeito de argumentação. onde os conteúdos considerados valiosos por uns e por outros não se identificam. de conteúdos considerados valiosos e de concepções de quais devam ser os objetivos educacionais específicos a serem promovidos. devemos criticar e combater esses valores. na medida em que. as velhas discussões medievais acerca das vantagens e desvantagens da vida contemplativa e da vida ativa se repetem. franqueado. invariavelmente da chamada classe dominante. porém. pois nosso propósito é mostrar que mesmo esse ponto de vista acerca da educação se enquadra dentro de nossa conceituação. pois permitiria que cada qual escolhesse o subsistema em que iria ingressar. Estamos. de igual maneira. Ao conceituar a educação. venham a contribuir para o bom desempenho profissional. mesmo de maneira indireta. Tudo o mais é “ornamento”.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Do outro lado há aqueles. para o exercício de uma profissão. há os que procuram realçar o papel do trabalho como fator de desenvolvimento econômico. quer nos parecer. e não condenar o seu sistema educacional por incorporá-los. não incluímos nenhuma indicação acerca de quem considera valiosos os conteúdos do processo educacional. sem dúvida. para o problema que surge em decorrência da coexistência de valores conflitantes dentro de uma mesma cultura. O que acabamos de dizer aplica-se. se concebermos o termo “cultura” em um sentido amplo. e que diz respeito ao que poderíamos chamar de relacionamento entre educação e sociedade. de um lado. Mencionamos. Em uma cultura cujos valores sejam diametricamente opostos aos da cultura que acabamos de imaginar. Somente vamos procurar situá-la dentro de nossa conceituação de educação. Em um contexto sociocultural em que a democracia é um valor básico. que enfatizam a conexão entre educação e vida. Em uma sociedade pluralista. o processo educacional vai ser visto como (pelo menos em parte) preparação para o exercício da cidadania democrática. outros ingredientes que possam não parecer diretamente profissionalizantes só sendo permitidos. é preparar para a vida. que está estreitamente ligado ao que acabamos de dizer. Esta solução pareceria democrática. valores conflitantes. e.

Há muita controvérsia. Doutrinação tem que haver com crenças. pontos de vista. então. Vimos. podem ser doutrinados. e observamos que um processo que leva ao domínio. por isso mesmo. Uma segunda consideração geral que devemos fazer acerca do conceito de doutrinação é a de que. Quando falamos em doutrinação. quais as potencialidades de alguém a posteriori. Processos que levam ao mero domínio e à mera aceitação de conteúdos. sem investigação da razão de ser. essa difundida conceituação de educação caracteriza o processo educacional como algo impossível (por não ser possível identificar a priori quais as potencialidades de alguém). ensino e aprendizagem. ou. seu maior desafio: de que maneira podem indivíduos vir a adquirir domínio de certos conteúdos considerados valiosos e. Baseando-nos naquilo que um dando indivíduo se torna. adquirir suficiente compreensão desses conteúdos de modo a assumir diante deles uma postura crítica e aberta.). de que os conteúdos que podem ser doutrinados são sempre conteúdos intelectuais e cognitivos do tipo mencionado (crenças. garantias de que quem acredite que se deva tomar uma atitude passiva diante da violência venha a assumir esta atitude quando confrontado com a violência: há sempre a possibilidade de que haja incoerência entre o pensamento e comportamento de uma pessoa. esses conteúdos à esfera intelectual e cognitiva. bem como para aqueles que a conceituam em termos do que ela deve ser. bastante difundido. é uma daquelas noções que só têm sentido retrospectivamente. e. entre as potencialidades cujo desenvolvimento é considerado valioso e aquelas cujo desenvolvimento não é assim visto). o desafio educacional maior seria o de encontrar uma maneira de promover a educação profissional que cumprisse o objetivo de preparar para o trabalho e para uma profissão. em relação ao conceito de doutrinação. cai-se na necessidade de discriminar entre as potencialidades que devem e as que não devem ser desenvolvidas. possibilitasse ao aluno assumir uma postura crítica diante do próprio tipo de educação que estava recebendo. porque muito embora possamos falar em educação em termos do que ela é. Só sabemos. afirmamos que os conteúdos que podem ser objeto de educação são (desde que considerados valiosos) os mais amplos possíveis. a saber: apenas crenças. em nossa conceituação de educação. ao mesmo tempo. de maneira alguma. Pode ser que algumas potencialidades (como. depois que essas potencialidades já foram “atualizadas”. como veremos. hábitos. quer nos parecer que seja impossível dizer. ser doutrinado na crença de que se deva tomar uma atitude passiva diante da violência -. porém.não faz sentido dizer que houve educação se não houve nenhuma aprendizagem -. este acerca do ponto de vista. a potencialidade para comportamento agressivo e destrutivo) não devessem ser desenvolvidas. ou pontos de vista. agora. A dificuldade básica dessa conceituação diz respeito à noção de potencialidades. ou fraqueza da vontade). teorias. portanto. também. isto é. Em relação a qualquer indivíduo. ou a tomar banho diariamente. a doutrinação também tem um vínculo conceitual com a intenção de produzir a aprendizagem. e já os gregos nos alertavam acerca da “akrasia”. a nosso ver. Mas por que é que afirmamos que a doutrinação só pode ocorrer em situações de ensino? A resposta a esta pergunta nos parece óbvia e simples. ou qualquer coisa desse tipo. portanto. atitudes. A exigência de que um processo. não são educacionais por não levarem os indivíduos à compreensão desses conteúdos. Alguém pode ter sido condicionado a adotar uma atitude passiva diante da violência. que incluímos. por exemplo. ou ideologias. doutrinação. de certos conteúdos. cai dentro de nossa conceituação (se se admite a possibilidade de identificar potencialidades a priori. podemos afirmar que tinha potencialidade de tornar-se aquilo (pois doutra forma não se teria tornado). sim.e que o ensino tem um vínculo conceitual com a intenção de produzir a aprendizagem. a exigência de que o processo. talvez. tentar solucionar todas as disputas e divergências: vamos apenas nos situar dentro da controvérsia. O dilema educacional por excelência é. para que seja educacional. que a educação tem um vínculo conceitual com a aprendizagem -. para ser educacional. portanto. a menos que conteúdo dessa doutrinação seja alguma coisa do tipo que acabamos de mencionar. que os leve a um exame criterioso desses conteúdos e das alternativas a eles. (Não há. não restringindo. e mesmo de modo não intencional. nada nos garante que todas as suas potencialidades devessem. Quando.mas isto já é outra coisa: estamos lidando. ou a banhar-se diariamente. como vimos. deva levar ao domínio e à compreensão de conteúdos considerados valiosos. hoje em dia. resultar sua rejeição? Naquela cultura que imaginamos atrás.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS paço para aqueles que conceituam a educação em termos do que ela é. exame esse de que pode. apresentando e defendendo um conceito de doutrinação e mostrando como o conceito de doutrinaçãose relaciona com os conceitos de educação. a doutrinação é sempre intencional. ao mesmo tempo. Condicionamento tem que haver com comportamento. por exemplo. igualmente. porém. possivelmente. parece haver uma grande limitação no tocante aos conteúdos que podem ser doutrinados. não devemos nos esquecer de que a educação como ela é frequentemente não é educação. com crenças e não com atitudes. por exemplo. aqui. etc. mas condicionamento e doutrinação não é a mesma coisa. que conceitua a educação como o desenvolvimento das potencialidades do indivíduo. um vínculo conceitual com o ensino. mas. ser desenvolvidas. deva levar ao domínio e compreensão de conteúdos considerados valiosos coloca o processo educacional diante daquilo que consideramos sua maior dificuldade. Alguém pode. ou convicções. Ao passo que faz bastante sentido dizer que al- Didatismo e Conhecimento . não pode ser visto como educacional. depois de este alguém ter se tornado aquilo para que tivesse potencialidade. excluindo-se da esfera da doutrinação mesmo conteúdos intelectuais e cognitivos de outros tipos (como. Este é um lembrete que qualifica o que dissemos no final do parágrafo anterior. Cumpre-nos relembrar. sem crítica. muito embora a educação possa ocorrer. É somente na medida em que a educação leva o indivíduo a questionar sua própria educação que está recebendo que ela está se desincumbindo de sua tarefa. Não vamos. sem compreensão. E ao decidirmos quais potencialidades deveriam e quais não deveriam ser desenvolvidas cairíamos no domínio dos “conteúdos considerados valiosos”. etc. ou. o do autoquestionamento da educação. inclusive. ocorrendo sempre em situações de ensino. mesmo que fosse possível descobrir a priori quais as potencialidades dos indivíduos. procuramos conceituar a educação. Parece absurdo dizer que alguém foi doutrinado a adotar uma atitude passiva diante da violência. a priori. compreensão esta que inevitavelmente envolve o seu questionamento. portanto. Não parece fazer o menor sentido afirmar que alguém foi doutrinado. 72 Portanto. sem ensino. quais sejam as suas potencialidades. Salientamos um comentário. a nossa ver. na seção anterior. e. Contudo. Desde que a doutrinação tem. Parece haver pouca dúvida. habilidades intelectuais). na qual o valor preponderante era o trabalho. mesmo daqueles unanimemente considerados valiosos. quando aplicada a seres humanos. A noção de potencialidades.

Isto posto.).. é a aprendizagem não acompanhada por compreensão. mas o fez sem compreensão: a aprendizagem. exatamente quando se trata de conteúdos considerados como altamente valiosos que há o maior risco de doutrinação. Se a intenção é a de que os alunos meramente aprendam (i. de que a educação pode ocorrer. crenças. nessa comparação. como veremos. como sugerem alguns.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS guém se educou. O que distingue a educação da doutrinação. como ponto de referência. através do ensino. O ensino e aprendizagem de conteúdos que consistam de enunciados falsos. acreditem em) o conteúdo em questão. estamos em condições de conceituar. que este conteúdo seja considerado valioso no contexto em que se realiza seu ensino. É verdade que vimos que apenas certos conteúdos podem ser doutrinados (conteúdos intelectuais e cognitivos de certo tipo. é basicamente a intenção da pessoa que ensina. de passagem. segundo nossa conceituação. neste caso. mais precisamente. Dada nossa conceituação de educação e doutrinação. não nos parece fazer o menor sentido afirmar que alguém se doutrinou: sempre afirmamos que alguém foi doutrinado.). mas não compreendidos).) de que se ocupa a educação. doutrinação tem que haver apenas com conteúdos intelectuais e cognitivos de certo tipo (crenças. meramente aceita. aceitem. enfaticamente negativa. de enunciados acerca dos quais a evidência. Com esta tomada de posição nos contrapomos àqueles que afirmam que em áreas coimo religião. educacionalmente e doutrinacionalmente. Baseando-nos nesta conceituação de doutrinação.). deixando fora de nossa análise outros conteúdos (habilidades intelectuais e cognitivas. não devem ser parte integrante do processo educacional. de sua razão de ser. será que a doutrinação nada mais é do que a educação. grande probabilidade de serem falsos). à doutrinação. pois quer nos parecer que em nossa cultura não seja considerado valioso um conteúdo que consista de enunciados falsos. . e. devemos abordar a seguinte questão: tendo em vista as conclusões alcançadas atrás. ou. foi não-educacional. bem como seu relacionamento com o conceito de educação.)? A resposta a esta questão deve ser. e é a intenção que se torna o critério básico e fundamental que nos permite diferenciar entre um ensino educacional e um ensino doutrinacional. Se a intenção de quem ensina é a de que os alunos aprendam e compreendam este conteúdo. consequentemente. etc. diferentemente daquela que se associa com a educação. a nosso ver. para efeito de argumentação.o indivíduo. O que nos sugerem estas observações feitas atrás? A primeira nos sugere que o tipo de aprendizagem associado com a doutrinação. e política não há como evitar a doutrinação e que em áreas como a física e a astronomia não faz sentido falar-se em doutrinação. Vamos supor. Mas isto não quer dizer que mesmo estes conteúdos não possam ser ensinados de dois modos diferentes. talvez. podemos agora procurar esclarecer alguns dos aspectos mais controvertidos desse conceito. Também deixaremos de lado. certo conteúdo intelectual e cognitivo: digamos uma doutrina política. exame este indispensável para sua compreensão. e frequentemente ocorre. a saber. Mas se este é o caso. com a intenção de que estes conteúdos Didatismo e Conhecimento 73 sejam aceitos não obstante a evidência. o ensino estará sendo educacional. doutrinacional. o ensino está sendo não educacional. como constatamos. quando esta ocorre através do ensino e se ocupa de conteúdos intelectuais e cognitivos do tipo mencionado (crenças. sendo. a compreendê-los. o ensino também foi não-educacional (tendo sido. talvez. mas que não são objeto da doutrinação. relembramos aqui essas passagens: “Alguém que aceita normas sociais e valores culturais sem examinar e compreender sua razão de ser. portanto. como bem mostram algumas pesquisas recentes na área da história e sociologia da ciência. com a intenção de que esses conteúdos sejam meramente aprendidos (isto é. etc. Se este é o caso. embora alguns conteúdos sejam.e. aprendeu certos conteúdos considerados valiosos de maneira a realmente compreendê-los. Isto quer dizer que não há conteúdos que estejam inevitavelmente fadados a serem objeto de doutrinação. ou seja. “O ensino de conteúdos deste tipo parece bem mais próximo da doutrinação do que da educação”. seja inconclusiva. o que realmente distingue a doutrinação da educação? Em duas ocasiões. é o da aprendizagem não acompanhada por compreensão. ou que resulta da doutrinação. ou acerca dos quais a evidência seja inconclusiva. sem dúvida aprendeu um certo conteúdo (possivelmente até através do ensino). atitudes. pontos de vista. a educação informal (no segundo sentido visto) para nos determos na educação que se realiza através do ensino. mesmo conteúdos considerados valioso podem ser doutrinados. ou uma teoria científica. o conteúdo não é o critério básico e fundamental que nos permite diferenciar entre educação e doutrinação. vamos comparar educação e doutrinação no que dizem respeito a esses conteúdos. e não na sua compreensão. sem examinar e compreender sua razão de serem. possivelmente. Feitas essas colocações. meramente passiva -. O mesmo conteúdo poderá ser ensinado de um ou de outro modo.. moralidade. É aqui que aquilo que a segunda passagem nos sugere se liga com o que a primeira nos sugeriu. e isto em função da intenção daquele que ensina de que exatamente isto ocorra. Tomemos. aprendidos. isto é. tanto podem a religião. a saber. Portanto. etc. quem doutrina está muito mais interessado em que seus alunos simplesmente aceitam (acreditem em) certos pontos de vista do que em que eles venham a examinar os fundamentos desses pontos de vista. no sentido visto. da aprendizagem não significativa. como acabamos de observar. será que o único aspecto a distinguir a educação da doutrinação é que esta é um caso específico daquela? Em outras palavras. talvez. a doutrinação se realiza somente através do ensino. no caso. Na segunda passagem observamos: “. educacionalmente ou doutrinacionalmente. Em outras palavras. que a aprendizagem que se associa com a doutrinação. pois. sem um exame criterioso de seus fundamentos epistemológicos.. pois os que assim afirmam privilegiam o conteúdo como critério básico e fundamental de diferenciação entre educação e doutrinação. Desde que. aludimos. certos conteúdos intelectuais e cognitivos (normas sociais e valores culturais). a doutrinação: doutrinação é o processo através do qual uma pessoa ensina os outros certos conteúdos intelectuais e cognitivos (crenças. etc. etc. em nossa seção anterior. mais preferidos por doutrinadores a outros. Além disso. favorável ou contrária. comportamentos. e se a aprendizagem foi decorrência de um ensino que estava interessado apenas na aceitação das normas e dos valores. O que a segunda passagem nos sugere é que a intenção de quem doutrina está muito mais voltada para a aceitação dos conteúdos que ele está ensinando do que para um exame criterioso dos fundamentos epistemológicos desses conteúdos. ou. consequentemente. doutrinacional). o conteúdo em questão pode ser ensinado de maneira educacional bem como de maneira não educacional. Pare melhor entendermos esse conceito. ou contrários à melhor evidência disponível. como podem a física e a astronomia serem ensinadas de modo doutrinacional. pois. a moralidade e a política serem ensinadas de maneira educacional. ou de enunciados que a melhor evidência disponível indique terem pouca probabilidade de serem verdadeiros (e.

em alguns casos piores de doutrinação. a falsidade. A questão. Isto significa que professores de conteúdos intelectuais e cognitivos do tipo visto (crenças. subordinará a análise da evidência à sua intenção de fazer com que os alunos aceitem o conteúdo. como é de se esperar. em cujo caso as consequências que deles poderiam advir não seriam aquelas que. uma atitude mais dogmática e menos crítica. a menos que esteja em condições tais que o acesso a esta evidência lhe seja totalmente impossível. Também não é em função das consequências do ensino que podemos dizer se o ensino foi educacional ou doutrinacional. do que em fazer com que seus alunos simplesmente aceitem o conteúdo: seu intuito não é persuadir seus alunos a aceitarem o conteúdo. O que ensina de maneira doutrinacional coloca-se na posição do orgulhoso possuidor da verdade. isenta de preconceitos. podem ser mal sucedidos. É de se esperar que o aluno doutrinado acabe por assumir a seguinte atitude: “É nisto que acredito: vamos ver agora se encontro alguma evidência para fundamentar minhas crenças”. entre . etc. estará. cada vez mais. não há mais porque buscá-la. ou doutrinas. do que com a análise crítica. Em segundo lugar. a educação é um processo que tem por objetivo a abertura de mentes. se esperariam. seja distorcida. mesmo que se refira à evidência. o “desprivilegiamento” da evidência em favor da crença. que evidência contrária não seja apresentada. devemos concluir que não há doutrinação não intencional. da evidência.. principalmente estas -. não se pode negligenciar nenhum aspecto da evidência que possa ser relevante. a limitação de opções (frequentemente a uma só). à luz da evidência. que ocorre quando há doutrinação. dos fundamentos epistemológicos. é mais complexa aqui. Desde que. que. etc. Também no caso de alguém que não tem conhecimento de evidência contrária àquilo que está ensinando. Na medida. em função dessa compreensão. é de se esperar que o ensino educacional resulte em aprendizagem acompanhada de compreensão. de pontos de vista divergentes. o aluno venha a ter uma mente mais fechada. enquanto a doutrinação é um processo que tem por objetivo a transmissão e mera aceitação de crenças. Com esta atitude. de que tanto o ensino realizado de maneira educacional. embora seja de es esperar que aquele que ensina com a intenção de que seus alunos aprendam e compreendam os conteúdos ensinados e aquele que ensina coma intenção de que seus alunos meramente aceitem os conteúdos ensinados venham a se valer de métodos de ensino diferentes. consequentemente. humildemente. também. aproximar-se. já mostrada por muitos. como sugerem outros. Em terceiro lugar. Podemos concluir. o que acabamos de ver nos permite afirmar que é inteiramente possível que haja doutrinação mesmo de conteúdos verdadeiros. que a educação se preocupa muito mais em dar ao indivíduo condições de não ser facilmente persuadido. quanto o realizado de maneira doutrinacional. mas que. portanto. ou conteúdos que a melhor evidência disponível indique terem pouca probabilidade de serem verdadeiros como sendo. um exame crítico e rigoroso dos fundamentos epistemológicos do conteúdo em questão. temos que admitir que possa haver doutrinação mesmo quando os conteúdos são considerados valiosos e todos aprovam o que está acontecendo. verdadeiros. tirem suas próprias conclusões. se não inteiramente suprimida. entre a crença na posse da verdade e a intolerância. é em situações assim que a doutrinação se torna mais fácil e mais provável. está em incessante busca da verdade. assim. Daí a conexão. pois mesmo as críticas e a evidência negativa -.diriam mesmo. e vice-versa. na verdade. muito provavelmente. O segundo. que.) correm grande risco de doutrinarem (ao invés de educarem) se não estiverem constantemente atualizados acerca dos desenvolvimentos nas áreas que ensinam. na busca da verdade. a situação é complexa.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Nem é tampouco o método de ensino. ou. e. porém. é possível que suas razões para aceitar suas crenças não passem de racionalizações. principalmente. pois. fazendo paralelo a uma importante corrente de filosofia de ciência e de filosofia política. o incentivo à livre opção dos alunos. após análise e exame críticos da evidência. condicionando sua aceitação ou não dos conteúdos ensinados a este exame da evidência. Didatismo e Conhecimento 74 Aquele que ensina de maneira educacional coloca-se na posição de quem. normalmente. Podemos atribuir-lhe a intenção de doutrinar. é de se esperar. enquanto a doutrinação se preocupa muito mais com a persuasão. como sugerem ainda outros. É muito mais fácil doutrinar alguém na ideologia capitalista nos Estados Unidos do que em um país radicalmente socialista. mesmo a repressão. e. aos fundamentos epistemológicos do conteúdo em pauta. pois ninguém questiona o valor e a veracidade daquilo que está sendo ensinado. O primeiro possivelmente utilizará métodos que envolvam a livre discussão de ideias. que esta evidência. pois lhe foi ensinado preocupar-se mais com certas crenças. A questão importante é a do relacionamento entre o conteúdo e a evidência. Não podemos nos esquecer. crenças em que o próprio doutrinador não acredita. Podemos fazer algumas observações específicas em relação aos aspectos mais controversos do problema da doutrinação. mas levá-los a compreendê-lo.podem contribuir para que nos aproximemos da verdade. Teríamos maiores reservas em atribuir-lhe esta intenção se não houvesse maneiras viáveis de ele obter acesso a esta evidência. a redução de horizontes. poderíamos afirmar que ele se preocupará muito mais em fazer que seus alunos considerem a evidência e. a educação é tolerante. e. Esta é uma questão subjetiva. É de se esperar. Não importa que ele acredite que os conteúdos que ensina sejam verdadeiros. deseja incutir em seus alunos). pois na medida em que estes divergem da “verdade” só podem ser errôneos ou falsos. porém. Poderíamos mesmo dizer. Em condições normais.. doutrinando. a ampliação de horizontes. que em decorrência de um ensino doutrinacional. é possível atribuir a alguém a intenção de doutrinar mesmo que esta pessoa não admita esta intenção. ou teorias. etc. onde argumentos contra a ideologia capitalista provavelmente serão muito mais abundantes e comuns. se ele tem condições de obter acesso a esta evidência e não se preocupa em fazê-lo. da verdade. a persuasão e não o incentivo ao livre exame. porque tolerar pontos de vista alternativos e conflitantes. no nível das intenções. a análise séria de alternativas. Como vimos atrás. porém. com a transmissão de crenças que se supõem verdadeiras (ou. sendo apresentada. através do estudo e do exame da evidência. o fechamento de mentes. e que o ensino doutrinacional resulte na mera aceitação (sem compreensão) dos conteúdos ensinados. Desde que. de evitar o erro. Na verdade. embora neste caso também seja de esperar que as consequências do ensino educacional e do ensino doutrinacional sejam diferentes. por algum motivo. o critério básico e fundamental de diferenciação entre doutrinação e educação. em que a verdade já é considerada uma possessão. o aluno venha a ter uma mente mais aberta e flexível. que se preocupe com a análise e o exame da evidência. de fato. como vimos à intenção de alguém (que não nós mesmos) só pode ser determinada pela análise de suas ações em um dado contexto. em decorrência de um ensino educacional. aceitá-lo ou rejeitá-lo. não seja analisada com justiça e isenção de ânimos e preconceitos. mesmo. Em primeiro lugar. o professor que ensina conteúdos falsos como sendo verdadeiros. um apego mais emocional do que evidenciar às suas convicções. e quem os propõe só pode ser ignorante ou mal-intencionado.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
os conteúdos e os seus fundamentos epistemológicos -- questão esta que, apesar das controvérsias atuais na área da epistemologia e da filosofia da ciência, nos parece ser objetivas. Em quarto lugar, devemos abordar, ainda que brevemente, a complicada questão que se coloca em relação a crianças em tenra idade, que ainda não atingiram a chamada “idade da razão”. Será que, no que diz respeito a estas crianças, só nos resta à alternativa de doutrinação, visto não serem elas capazes, segundo se crê, de compreensão, no sentido visto, de exame de evidência, de opção livre e consciente? Em relação a este problema devemos distinguir (pelo menos) dois aspectos. O primeiro é que exigir que crianças pequenas se comportem de determinada maneira, ou que adotem determinadas atitudes, não é, segundo nossa caracterização, doutriná-las, porque os conteúdos aqui não são conteúdos intelectuais e cognitivos do tipo passível de doutrinação (crenças, etc.), mas comportamentos e atitudes. A doutrinação poderá ocorrer no momento em que se procura fazer com que as crianças aceitem certas justificativas para o comportamento e as atitudes que lhes estão sendo exigidos. O segundo aspecto é que mesmo a crianças que ainda não atingiram a maturidade mental e intelectual necessária para compreender a razão de ser de certos comportamentos e atitudes que lhes são exigidos podem ser oferecidas as razões dessas exigências, as alternativas, etc., de maneira bastante aberta e flexível. Haverá doutrinação se a intenção for a de que as crianças aceitam estas justificativas (ou qualquer outro conteúdo do tipo passível de doutrinação) passivamente, sem discussão, a despeito de qualquer outro tipo de consideração, ou argumentação, ou evidência. Em quinto lugar, a possibilidade de doutrinação faz com que aqueles que se preocupa com a educação, de seus filhos ou de seus alunos, se confrontem com um sério dilema, semelhante ao grande desafio a que fizemos menção no final da seção anterior. Este dilema, embora possa aparecer em qualquer área, aparece mais frequentemente naquelas áreas em que a evidência parece ser mais inconcludente, mas em que, por ironia do destino, se encontram algumas das questões mais básicas e importantes com que tem que se defrontar o ser humano: a moralidade, a política, e a religião. Por um lado, acreditamos (por exemplo) ser necessário apresentar a nossos filhos e alunos o ponto de vista moral, o lado moral das coisas, para que venham a serem seres morais. Do outro lado, acreditamos que temos de evitar a doutrinação, se queremos realmente educar nossos filhos e alunos, isto é, se queremos que sejam indivíduos livres para pensar e escolher, liberdade esta que é pré-condição para que eles venham a serem seres morais. É diante deste dilema que os educadores terão que procurar as melhores maneiras de prosseguir, sabendo, de antemão, que a tarefa é dificílima e que muitos, antes deles, optaram, ou por não procurar oferecer nenhum ensino nessas áreas, ou, então, pela doutrinação como única alternativa viável. [E o exemplo?] É em confronto com este dilema que muitos têm optado pela alternativa da chamada «educação negativa», que não é nem educação nem negativa, devendo, talvez, ser descrita como «não educação neutra», por paradoxal que esta expressão também pareça: afirmam que o ensino da moralidade, da política, e da religião não deve ser ministrado até que a criança atinja maturidade suficiente para analisar a evidência e tirar suas próprias conclusões. Outros têm se desesperado e concluído que a única alternativa, apesar dos pesares, é doutrinar -- estes são os doutrinadores contra sua própria vontade. Tanto os defensores da «educação negativa» como os que, contra a vontade, optam pela doutrinação, não veem uma terceira Didatismo e Conhecimento
75

alternativa, não veem uma solução realmente educacional para o problema. Embora não afirmemos que esta solução seja fácil de alcançar, cremos que desenvolvimentos recentes, principalmente no campo da educação moral, têm nos indicado o caminho a seguir na direção de uma educação moral viável e digna do nome. Mas ainda há muito por fazer nesta área. Em sexto e último lugar, gostaríamos de observar que, de tudo o que foi dito acerca da doutrinação, fica claro porque a doutrinação é indesejável e moralmente censurável. Quem doutrina não respeita a liberdade de pensamento e de escolha de seus alunos, procurando incutir crenças em suas mentes e não lhes dando condições de analisar e examinar a evidência, decidindo, então, por si próprios; quem doutrina desrespeita os cânones de racionalidade e objetividade, tratando questões abertas como se fossem fechadas, questões incertas como se fossem certas, enunciados falsos ou não demonstrados como verdadeiros como se fossem verdades acima de qualquer suspeita. É verdade que esta tomada de posição contra à doutrinação já implica, ao mesmo tempo, um comprometimento com certos valores e ideais básicos, como o da liberdade de pensamento e de escolha dos alunos (e de qualquer pessoa), o da racionalidade, etc. É importante que se reconheça isto para que não se incorra no erro de pensar que a adoção desses valores e ideais não precisa ser defensável, e, mais que isto, defendida, através da argumentação. Argumentos contra a adoção desses valores e ideais precisam ser cuidadosamente analisados para que, ao propor a tese da indesejabilidade e falta de apoio moral da doutrinação, não o façamos de modo a imitar os doutrinadores, isto é, tratando como fechada uma questão que é realmente aberta. Cremos não ser esta a ocasião de fazer esta defesa dos valores e ideais da liberdade de pensamento e escolha, nem da racionalidade. Mas isto não significa que estes valores e ideais não precisem ser defendidos. Com estas observações concluímos esta seção sobre doutrinação. Cremos que a análise desse conceito, além de valiosa em si mesma, nos ajuda a compreender melhor, por contraste, o que seja a educação. Uma análise mais completa deveria incluir um exame das semelhanças e diferenças existentes entre doutrinação, treinamento, condicionamento, lavagem cerebral, etc. Há importantes diferenças, bem como semelhanças, entre estes conceitos. Isto, porém, precisará ficar para outro trabalho. Cremos ter dado respostas a algumas das perguntas acerca do relacionamento existente entre o conceito de educação e os conceitos de ensino e aprendizagem, bem como entre educação e valores, educação e cultura, etc. Nossas respostas, reconhecidamente em forma de esboço, são, na verdade, bastante pessoais. É possível e provável que muitos discordem delas. Acreditamos, contudo, que elas fazem sentido, é justificável, e nos ajudam a “colocar a cabeça em ordem” em relação a essas noções. Dada à importância que atribuímos ao conceito de doutrinação, resolvemos dedicar a este conceito uma seção em separado, pois quer nos parecer que a análise desse conceito nos ajuda a compreender melhor, por contraste, o conceito de educação. A muitos pode parecer que o tipo de investigação que caracterizamos neste trabalho, embora de alguma utilidade e de algum interesse, não seja de grande importância. Mais importante do que a tarefa “clarificatória” que a filosofia pode desenvolver, diriam, é sua tarefa “normativa”, à qual ela não se deve furtar: a filosofia deve contribuir -- continuariam -- para que as grandes e pequenas decisões que diariamente precisam ser tomadas na área da educação sejam tomadas de maneira a evidenciar sabedoria, e não apenas clareza de pensamento. À filosofia da educação competiria, pois, segundo muitos, investigar a questão dos objetivos específicos da educação, propondo metas a serem atingidas e valores a serem promovidos.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
Concordamos, em grande parte, com o espírito dessas observações. Achamos que clareza em nossos conceitos e acerca de nossas pressuposições básicas não é tudo, não é condição suficiente para a sabedoria de nossas decisões, dos alvos que propomos a nós mesmos e aos outros, dos valores que adotamos e que desejamos que os outros também cultivem. Contudo, estamos certos de que esta clareza seja condição necessária para esta sabedoria. Embora alguém possa ter clareza quanto às suas concepções, sem ser sábio, ninguém consegue ser sábio sem antes adquirir clareza acerca das convicções mantidas por ele próprio e por outros. Quer nos parecer, portanto, que a tarefa do educador, e quiçá do filósofo da educação, não termine com a análise e clarificação dos conceitos educacionais básicos e das pressuposições que sustentam a atividade educacional. A tarefa clarificatória da filosofia é apenas um preâmbulo à tarefa mais normativa de examinar, questionar, e propor objetivos e valores. O filósofo, porém, não detém o monopólio destas últimas questões. No que diz respeito aos objetivos e valores que devem nortear a vida, e, consequentemente, o processo educacional, o filósofo, como qualquer outra pessoa, estará sempre buscando, procurando, pois na área de valores e objetivos de vida não há peritos e profissionais: cada um, em última instância, tem que escolher os seus valores básicos e os objetivos que deverão nortear sua vida. Não há como abrir mão dessa tarefa solicitando a um filósofo (ou a seja lá quem for) que faça isto por nós, sem abrirmos mão de nossa autonomia, e, em última instância, de nós mesmos. À filosofia da educação como aqui caracterizada deve, portanto, seguir uma teoria da educação que tenha como principal tarefa o exame dos princípios básicos, objetivos, valores, etc., que prevalecem em nossa cultura e que norteiam, atualmente, a educação em nosso país, a reflexão crítica sobre eles e sobre a realidade social, econômica e cultural que envolve o processo educacional, e, se necessário for (e quase sempre o é), a proposta de novos princípios básicos, objetivos e valores para a nossa cultura e para a nossa educação. À teoria da educação compete, portanto, a tarefa normativa a que fizemos referência, e para se desincumbir desta tarefa a teoria da educação deve recorrer não só à filosofia da educação, mas também à sociologia da educação, à psicologia da educação, à economia da educação, à medicina preventiva e social, etc. -- ou, para encurtar, a qualquer ramo do saber que possa contribuir alguma coisa, nunca se esquecendo de incluir na mistura uma boa dose de bom senso. Para muitos, o que acabamos de caracterizar como sendo a tarefa da teoria da educação nada mais é do que a real tarefa da filosofia da educação. Não temos o menor interesse em discutir rótulos, pois a discussão seria meramente acadêmica. Quer nos parecer, porém, que a bem da clareza, seja recomendável e de bom alvitre estabelecer uma distinção entre a filosofia da educação e a teoria educacional, pelas seguintes razões. (a) A filosofia da educação, como aqui caracterizada, é uma atividade reflexiva de segunda ordem, que tem como objeto as reflexões de primeira ordem feitas sobre os vários aspectos do processo educacional; a teoria educacional é uma atividade reflexiva de primeira ordem, no nosso entender, que tem por objeto básico a realidade educacional e não reflexões que tenham sido feitas sobre esta realidade; estas reflexões servirão de subsídios ao teórico da educação para que este elabore suas próprias conclusões, mas ele tem, basicamente, que “debruçar-se sobre a realidade educacional”, para entendê-la, explicá-la, criticá-la e propor sua reformulação. Didatismo e Conhecimento
76

(b) Na medida em que a teoria educacional tem que se valer das contribuições das várias ciências que estudam a educação, ela extrapola os domínios da filosofia e, consequentemente, da filosofia da educação. A filosofia da educação, como aqui concebida, deveria ser vista como observamos, como um prolegômenos, um preâmbulo à teoria educacional, cuja tarefa principal seria fornecer ao teórico da educação os instrumentos conceituais básicos para a sua teoria. (c) A teoria educacional, embora possa (e talvez deva) ser considerada científica, tem uma finalidade que vai além da mera explicação e interpretação da realidade educacional: ela procura orientar e guiar a prática educacional. É por isso que a teoria da educação, além de estudar e examinar a realidade educacional tem a função de criticar esta realidade e de propor novas direções a seguir. A teoria da educação, para usar uma expressão que se torna comum, não tem como tarefa simplesmente constatar qual é a realidade educacional: ela vai além e contesta esta realidade, não em função de um espírito puramente negativista, mas em função de uma proposta de realidade diferente. E esta proposta envolve, inevitavelmente, valores diferentes. Portanto, a teoria educacional, em sua tarefa de orientar e guiar a prática educacional envolve, necessariamente, um ingrediente de valores. O texto em questão, dentro de seus limites, procurou, entre outras coisas, apresentar os rudimentos de um preâmbulo à teoria educacional, fazendo, no processo, um primeiro ensaio em direção a uma demarcação entre filosofia da educação e teoria educacional.

7 POLÍTICAS PÚBLICAS PARA EDUCAÇÃO.

Em termos de políticas públicas, a relevância do debate atual é a respeito do currículo da escola fundamental, isso parece óbvio, já que toda política educacional só ganha sentido se estiver referida àquilo que deve ser seu propósito por excelência, ou seja, o provimento, aos educandos, de um conteúdo cultural que lhes proporcione formar-se como cidadãos. No entanto, esse debate parece não ter conseguido ainda a força social e política suficiente para questionar radicalmente a estrutura curricular de nossas escolas, de modo a buscar medidas que visem a superá-la. O currículo da escola fundamental tem permanecido com a mesma configuração há muitas décadas, mantendo sua forma verbalista e restringindo seu conteúdo às disciplinas tradicionais, adstritas a conhecimentos e informações. A sociedade mudou, novos direitos políticos, civis e sociais foram alcançados ou entraram na pauta de reivindicações, mas a concepção de currículo e daquilo que é necessário para a formação humano-histórica dos cidadãos continua a mesma. Apesar disso, especialmente nos últimos anos, tanto as políticas públicas quanto boa parte da academia parecem dar pouca atenção à importância do currículo para a efetiva qualidade do ensino, preferindo pautar suas iniciativas e análises quase exclusivamente nos resultados das avaliações em massa, que privilegiam a aferição de conhecimentos “adquiridos”, sem grande atenção para a cultura em seu sentido pleno. E este, me parece, é mais um fator que reforça a relevância de se problematizar a atual estrutura curricular da escola fundamental, em razão dos subsídios que

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
esse questionamento pode oferecer para uma melhor adequação da própria maneira como o Estado procura avaliar a qualidade do ensino. Independentemente do real poder das avaliações externas para aferir a aquisição de conhecimentos, será que seus resultados podem servir de parâmetros para indicar até que ponto o Estado está atendendo ao direito das pessoas à cultura, visto que esta, em seu sentido pleno, não é contemplada em tais medições? Tal discussão deve iniciar-se pela constatação de que o currículo é um dos aspectos que mostram mais enfaticamente como a escola tradicional tem privilegiado uma dimensão “conteudista” do ensino, que enxerga a instituição escolar como mera transmissora de conhecimentos e informações. Daí a relevância de se pensar em sua reformulação numa perspectiva mais ampla que contemple a formação integral do educando. Certamente, não se pode contestar a importância dos conteúdos das disciplinas tradicionais (Matemática, Geografia, História, Ciências etc.), que são imprescindíveis para a formação humana e não podem, sob nenhum pretexto, ser minimizados. Todavia, conteúdos como a dança, a música, as artes plásticas e outras manifestações da cultura são igualmente necessários para o usufruto de uma vida plena de realização pessoal. As questões relacionadas com a ética, a política, a arte, o cuidado pessoal, o uso do corpo e tantos outros temas relacionados ao viver bem das pessoas e grupos não podem constituir apenas “temas transversais” a compor versões escritas de currículos, mas transformar-se em temas centrais na prática diária das escolas. Essas matérias que envolvem o uso do corpo, a criatividade, o manuseio de objetos concretos, opiniões individuais, posturas diante de valores, enfim, matérias que levam os educandos a se comportarem mais explicitamente como sujeitos, são importantes não apenas por seu valor intrínseco de componentes da cultura que precisam ser apropriados, mas também porque elas tendem a tornar mais interessantes as demais matérias, especialmente quando com estas se inter-relacionam, tornando o aprendizado mais prazeroso e levando os estudantes a assumirem o estudo de todos os conteúdos como algo que enriquece suas vidas e faz parte constitutiva de seu cotidiano. Por isso, ao se propor a oferecer tão pouco (conhecimentos e informações), a escola tradicional nem esse pouco consegue transmitir. É que as informações e os conhecimentos usualmente só ganham interesse por parte do educando se estiverem no contexto de toda a cultura. Não se pode esquecer que os valores (querer aprender, por exemplo) são componentes culturais. Quando se trata das questões de currículo não convém nunca deixar de associar conteúdo e forma de ensinar. Se a condição para o educando aprender é que ele seja sujeito, então, por mais abstrato e complexo que seja determinado conteúdo cultural (conhecimento, valor, arte etc.), o aluno só aceita o convite do educador para apropriar-se dele, se se fizer autor, ou seja, ele só aprende na forma de quem age orientado por sua vontade. E isto não é uma questão apenas teórica, mas prática. Corolário disso é que o educador também não pode ser um mero repetidor de conteúdos, mas deve buscar a forma mais adequada para criar no educando a vontade de aprender. É nisso que tem investido toda a Didática, historicamente: criar métodos, técnicas, procedimentos, que produzam no aluno a vontade de aprender. Essa questão da associação entre forma de ensinar e conteúdo que se ensina se torna ainda mais proeminente, quando não se trata apenas de conhecimentos a serem adquiridos, mas de valores e posturas a serem assumidos. Não se pode, por exemplo, ensinar democracia com base em formas autoritárias de ensinar. É nessas situações que mais claramente se percebe que, em educação, a forma é conteúdo. Didatismo e Conhecimento
77

Quando se fala de formas de ensinar que favoreçam a vontade de estudar do educando, é bom não se esquecer de que esse princípio não se restringe a uma relação entre professor e aluno dentro de uma sala de aula. É a escola inteira que deve ser motivadora; portanto, é a escola toda que deve se tornar educadora. A esse respeito, o enriquecimento do currículo não pode se restringir a mero acréscimo de disciplinas a serem estudadas, mas a uma verdadeira transformação da escola num lugar desejável pelo aluno, onde ele não vá apenas para se preparar para a vida, mas para vivê-la efetivamente. Assim, ele não é mero “cliente” de uma sala de aula, mas cidadão de toda uma escola que lhe propicia condições de participar de variadas atividades, no grupo de dança, no coral, no clube de ciências, no conjunto musical, no grupo de teatro, na roda de capoeira etc. Assim concebida, a escola é um lugar que deve fazer parte da vida das crianças, não provocar sua negação. Não deixa de ser desalentador perceber o quanto nossa escola tradicional tem negado esse princípio. Basta contemplar o mito de que ensino não se pode misturar com brincadeira, bastante presente no imaginário de nossos professores da escola fundamental, para se ter a dimensão dessa verdadeira negação da escola como local onde se constroem personalidades humano-históricas. Esse mito se sintetiza no esforço que às vezes se percebe em professores do primeiro ano do ensino fundamental que, desde o primeiro dia de aula, procuram convencer as crianças vindas da escola de educação infantil de que a escola, diferentemente da pré-escola, não é lugar de brincar, mas de estudar. Imagine-se a situação de crianças pequenas – para quem a alegria de viver se resume, em boa parte, em brincar – ver-se privada disso. Como é possível ensinar para alunos cuja forma privilegiada de se fazer sujeito é o brincar, se se lhes proíbe essa atividade? É como se fosse possível aprender sem ser sujeito. É como se vivêssemos um tempo em que a Didática ainda não tivesse descoberto a importância do lúdico na aprendizagem. Hoje, com o avanço dos conhecimentos na Pedagogia, continuar repelindo a brincadeira como adversária do ensino implica cortar pela raiz a possibilidade de fazer da escola uma verdadeira casa de educação, o que aponta mais uma vez para a relevância de se estudarem alternativas de transformação do currículo da escola fundamental, tanto no conteúdo quanto na forma. A cultura como matéria-prima do currículo Falar do currículo da escola fundamental é falar do conteúdo do ensino, mas de uma forma mais ampla do que usualmente se entende. Os “conteudistas” reduzem o conteúdo aos conhecimentos e informações que são transmitidos pela escola. Todavia, se educação é formação de personalidades humano-históricas, o seu conteúdo tem a ver com a cultura em seu sentido pleno: conhecimentos, informações, valores, crenças, tecnologia, ciência, arte, filosofia, direito etc., ou seja, tudo aquilo que é criado pelos homens, por contraposição à natureza, que existe independentemente de sua ação e vontade. O conceito de cultura, nesse sentido mais amplo, tem relação com o significado que lhe dá, pois a palavra cultura designa a soma total das criações humanas, ou o resultado organizado da experiência de um grupo qualquer, num dado momento ou momentos sucessivos. Incluem instrumentos, habitações, armas, todos os bens de produção existentes no grupo, como os processos de sua utilização; e ainda tudo quanto esse grupo tenha elaborado na forma de atitudes e crenças, ideias e opiniões, códigos e instruções, arte e ciência, organização social e filosofia de vida. Uma cultura se constitui pelo que se vê, de elementos materiais, e não materiais, ou simbólicos.

dos atributos políticos (autoritários ou democráticos) incorporados na personalidade de cada professor do ensino fundamental deve levar à constatação de que tais atributos. é preciso que a estrutura mesma da escola seja transformada. o primeiro conteúdo do currículo é precisamente a forma de ensinar. o indivíduo é exposto a relações sociais que marcam. Acontece que a formação dessa “personalidade democrática” do educador escolar não se faz inteiramente por meio dos livros e dos cursos de Pedagogia e outros de formação de professores. Mas para as gerações atuais. para a educação. que ele reconheça e aceite o valor desse elemento e. E a estratégia adequada para dotar o ensino de bons professores no que diz respeito a esse quesito não pode restringir-se à melhoria da formação profissional nos cursos superiores de Pedagogia e assemelhados. especialmente do professor. porque é aí que. ou seja. o estudante. 2003). Didatismo e Conhecimento 78 princípios e métodos com que teve contato em sua formação docente. Ao contrário. de trocas de experiências e de práticas coletivas. de modo a tocarem em suas próprias personalidades. e que o educador. incorpora os valores que dão forma à maneira de essa cultura ser passada. corresponde-se de tal maneira que a pessoa que recebeu a educação se coloca mais tarde na vida no lugar do seu educador. O modo de pensar é aqui o mesmo que na juventude e que foi formado pela experiência quotidiana. Ao educar-se. Aqui. ou melhor. Em consequência. é preciso que o educador “queira” ser democrático e “seja capaz de agir” democraticamente. Em vista disso. Mas. Esta é uma condição necessária para que o educador possa levar o educando a fazer-se sujeito e aprender. sendo de particular importância o tipo de educação que ele recebe durante o ensino fundamental. como autor. em sua personalidade vão-se incorporando valores de cunho universal relacionados à forma democrática de convivência entre humanos. para ensinar. Já as crianças pequenas tratam as suas bonecas exatamente da mesma maneira como são tratadas. se pode formar a personalidade democrática dos professores de amanhã. ao se tratar da estrutura didática. não é difícil imaginar sua conduta de hoje com seus alunos. exige uma forma democrática de relacionamento. Mas. pela simples razão de os valores não serem passados apenas por palavras. mas principalmente pela conduta assumida na relação. técnicas. de uma forma ou de outra. Verifica. seja levado a aplicar sua vontade. Ao enfatizar a importância da forma em sua dimensão de conteúdo do currículo escolar. em pleno período de seu desenvolvimento biopsíquico. se levarmos em conta o caráter autoritário das relações vigentes na escola que esse professor frequentou quando jovem. porque o mais determinante dessa “formação” já se deu quando o futuro professor frequentava a escola fundamental. por meio daquilo que denomina “determinantes psicobiográficos” da propensão à reprovação. não se está querendo dizer que os conhecimentos e informações constantes das disciplinas escolares não sejam importantes. para fazer-se eficientemente. a primeira questão que viria à tona aos formuladores de currículos e programas para o ensino fundamental seria a consideração do caráter democrático da personalidade do educador escolar. para dar conta da passagem da democracia como componente curricular. Para isso. Lamentavelmente. A relação pedagógica. na verdade. então. visto ser no contexto da cultura que se forjam os conhecimentos. eles são tão importantes que é preciso providenciar uma forma de ensiná-los que produza sua real apropriação. está-se falando sobre um dos componentes da estrutura curricular. É por isso que o professor do ensino fundamental de hoje. de leitura. é claro. para as gerações futuras cumpre melhorar a educação que é oferecida hoje em nossas escolas fundamentais. a intenção e o êxito. Ou seja. são parte integrante do currículo escolar. A importância determinante. com seus alunos. além disso. ao lado de todos os demais elementos da cultura (conhecimentos. visando à melhoria da prática pedagógica. indelevelmente. esse componente não tem recebido a devida atenção por parte das políticas públicas em educação. como comumente se supõe. por seus mestres” (PARO. Nessa perspectiva. O essencial dessa formação é constituído muito antes de o jovem chegar ao ensino superior. ao fazer-se conteúdo do ensino. como um ensino de caráter punitivo e que desconsidera a subjetividade do educando “parece levar os professores de hoje a reproduzirem. As crenças. Às vezes. como sujeito. o caminho mais curto é a formação em serviço das dezenas de milhares de professores que hoje operam no ensino fundamental. além dessa preocupação com uma forma de ensino que provoque sua efetiva realização. esse componente político1 presente na educação como prática democrática é ingrediente curricular fundamental na formação de personalidades livres e autônomas. Assim. Uma formação em serviço que logre produzir mudanças consistentes nas condutas políticas dos professores de hoje. precisa superar a atual maneira pontual e anárquica que tem preponderado nos “programas” de formação em serviço e “formações a distância” vigentes. em geral.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A primeira consequência da consideração da cultura como conteúdo do ensino é que a estrutura curricular está necessariamente associada à estrutura didática. e de sua capacidade de exercitar essa condição na interação com o educando. outro aspecto relacionado aos conhecimentos incluídos no currículo escolar refere-se à natureza mesma desses conhecimentos. quando estudantes. a forma como foram tratados.). valores etc. fazendo sofrer os seus educandos precisamente aquilo por que ele passou. entre cidadãos. seja “verdadeiro” na transmissão de determinado componente cultural. A relação pedagógica como relação entre sujeitos supõe que o educando. sua personalidade. obedecendo. objetos e valores presentes na “relação” pedagógica. aplique sua vontade na transmissão de tal elemento. Se fosse valorizado. regras ou recomendações. Para. essa forma não é assimilada pelo educando apenas como forma de ensinar e aprender. Aprende-se a dominar. tanto quanto para a melhoria dessa educação visando a gerações futuras. os valores. para aprender. Como se vê. . é muito mais um replicador das relações pelas quais ele passou no ensino fundamental do que aplicador dos conhecimentos. Vitor Henrique Paro (2003) constata a força da escolaridade pregressa em professores do ensino fundamental. predominantemente. com a diferença de que o lugar incômodo foi trocado pelo mais cômodo. as visões de mundo e os modos de conduta incorporados durante os primeiros períodos de vida muito dificilmente serão apagados ou substituídos na idade adulta. de discussão. A importância desse fator decorre do fato de que a transmissão de valores – e das condutas que eles favorecem – não se sustenta em palavras e preceitos. de modo a incluir em sua prática cotidiana momentos de estudo. Em estudo que verifica as razões do apego de educadores ao emprego da reprovação escolar. no processo de aprendizado.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A esse respeito. de modo a que ele não se torne. dança. as classificações e. na comunidade e para a comunidade. a capacidade de expressão exata. Certamente. se com este termo estivermos entendendo a superação de uma visão ingênua do mundo. Alfabetizar o indivíduo sem fazê-lo crescer. ao artesanato. quando se inicia seriamente a aprendizagem da leitura e da escrita. os conhecimentos relevantes. à saúde etc. já enfatizava a importância da formação. Não há dúvida de que o conhecimento deve ser crítico. Tais considerações desautorizariam. teatro. em que as regras e algoritmos são memorizadas sem nenhum questionamento ou descoberta por parte do educando. a afirmativa de que a instrução é a grande panaceia universal. 1975). é comum ouvir-se falar da necessidade de um conteúdo do ensino que seja crítico e que favoreça a consciência política dos educandos. em sua crítica à escola. que comporão as matérias ou disciplinas escolares (Matemática. porém. quando adulto. e uma ordenação que leve em conta cada fase ou ciclo de desenvolvimento curricular. Os únicos elementos importantes da vida escolar são os programas. mas considera que ela “pode desviar definitivamente o jovem de toda pesquisa intelectual. o critério na apreciação dos homens. a sociologia e outras disciplinas do campo das ciências humanas.). o caráter crítico do ensino estaria presente apenas naquelas disciplinas que veiculam explicitamente valores ou posturas políticas. afirma que esta “não exerce quase nenhuma influência no saber e na capacidade dos adultos. A alfabetização pura e simples nada tem feito de construtivo. por um lado. “ideias que são simplesmente recebidas pela mente sem que sejam utilizadas ou testadas ou mergulhadas em novas combinações”.) e. A reflexão. A adoção de uma concepção de currículo que não se baste no rol de conhecimentos a serem transmitidos. De nada vale. é crítico todo conhecimento que esteja comprometido com a verdade. é preciso garantir a flexibilidade suficiente para permitir os necessários ajustes às características regionais e estimular a criatividade de cada unidade escolar. apesar de não contar com os avanços atuais da Pedagogia. aceitará preconceitos e injustiças sociais. há que se selecionar. é dar-lhe um instrumento cuja prática pode ser mais prejudicial do que benéfica. de seus deveres. o espírito crítico. artes plásticas etc. de seus direitos. mas que contemple também as demais dimensões da cultura. mas também em toda cultura que venha a compor o currículo escolar. de modo a propiciar condições de novos avanços e aprofundamentos em cada conteúdo nos estágios e níveis subsequentes do ensino. Tal cuidado estava presente até mesmo no método dos jesuítas que. bela e enérgica de uma alma harmoniosamente desenvolvida representam aquisições humanas de valor perene. também passivamente. Por mais “neutra” que possa parecer uma disciplina como a Matemática. Se perguntássemos. por exemplo. e a escola passa a ser valorizada quase só na medida de sua capacidade de fornecer informações. os exercícios. Além disso. se ela instila um fastio insuperável e mantém uma mentalidade de competição e de respeito formal aos mestres”. na vida adulta. uma articulação entre os vários tipos de conteúdos e uma adequação estrutural da escola com vistas a essa nova concepção de currículo. Se todos os que aprendessem a ler atendessem a seus interesses vitais. ter consciência de seu papel social. nas diversas áreas do saber e das ciências. o raciocínio seguro. a capacidade de raciocínio e a aptidão para o julgamento são relegados a um plano inferior. por outro. o que chama a atenção é precisamente a ausência dessa preocupação por parte das políticas públicas. as palavras de George Gudsdorf (1987) são bastante atuais e. de indivíduos que não fossem meros acúmulos de conhecimentos. A Matemática continuará contribuindo para inibir o espírito crítico se continuar sendo ensinada de maneira “bancária” (FREIRE. coroando tudo isso. a criatividade. quantas prisões as escolas fecharam. sem perguntar seu significado e razão de ser. O cuidado com a formação do jovem. se os espíritos continuam virgens. Neste sentido. pois tudo o que ensina é em grande parte esquecido”. não é enxertando questões sociais nos exemplos de problemas matemáticos. embora se possa (ou se deva) estabelecer mínimos curriculares ou parâmetros orientadores que tenham validade nacional. A criança que hoje é levada a aceitar passivamente um algoritmo ou uma regra sem compreender seu funcionamento. apesar de se referirem ao sistema francês na década de 1960. mas que soubessem refletir e apreciar a cultura. A esse respeito. como muitos acreditam que se propiciará um aprendizado mais crítico. como a história. e aceitos passivamente pelo aluno. A estratégia preferida para proceder a essa adequação parece ser a aquisição da maior quantidade possível de informação. Nos dias atuais tornou-se quase sagrado o mito da “sociedade do conhecimento” e da necessidade de adequar-se a ela. ao folclore. o princípio prevalecente nessas escolhas deve ser o da busca de uma síntese possível do conteúdo de cada área. nenhuma estatística seria capaz de dizê-lo. a alfabetização só por si seria um programa excelente. obtivessem adaptação a seu meio social e não lessem senão ideias construtoras. se se guardam intactos em sua feição primitiva. aplicam-se sob medida ao Brasil de hoje: George coloca que a partir da idade de 6 anos. No primeiro caso. Língua Portuguesa. se os fatos já se não tivessem encarregado de fazê-lo. Filosofia etc. ao domínio do corpo. É preciso precaver-se contra aquilo que Whitehead chama de “ideias inertes”. ou seja. Segundo esse ponto de vista. Michel Lobrot (1977). pela escola. os novos componentes curriculares relacionados à arte (música. Didatismo e Conhecimento 79 Entretanto. os exames. Afirmou-se por muito tempo: abrir escolas é fechar prisões. de suas responsabilidades e de suas obrigações. as notas. Os conhecimentos positivos de geografia ou de física poderão estar antiquados no cabo de poucos lustros. implica considerar pelo menos três tipos de providências relativas a sua concretização: uma seleção de conteúdos. um simples repetidor de conteúdo é uma preocupação que sempre esteve presente na História da Educação. a criança francesa torna-se a presa de um sistema cujo único ideal é empanturrar cérebros sem levar em conta o essencial desenvolvimento equilibrado da personalidade. entretanto. de toda curiosidade. aperfeiçoar-se individualmente. isto é. Nossos currículos parecem constituir um enorme rol de conhecimentos a serem armazenados nas cabeças dos estudantes. Tanto que todo o ensino francês parece se reduzir a um gigantesco empreendimento de alienação mental. com base apenas na autoridade do professor ou da escola. Quanto . de toda colaboração efetiva com os outros. ao esporte. se os conhecimentos forem apenas “revelados” pelo professor. Muito embora não se possa menosprezar a importância dessas disciplinas – e não se deva descartar determinado conteúdo curricular por ele ser explicitamente político – o componente crítico deve estar presente não apenas em todo conhecimento veiculado pelas disciplinas. tenderá a ser o mesmo indivíduo que. Isto vai contra a crença de que a forma por excelência de o ensino se fazer crítico é selecionando os conhecimentos que tragam explicitamente uma intenção política de conscientização. História.

embaixo de uma ponte ou na mansão de algum magnata. Todavia. Quanto a isso. A classificação das escolas para determinadas finalidades é necessária. para sentir-se bem. Essa me parece a essência do problema. Ela clama por uma educação que logre preparar o indivíduo para o usufruto de todos os bens espirituais e materiais criados historicamente no contexto da cultura. nos deixaram por herança (não genética. a capacidade de penetrar nos problemas da vida. portanto.). destinando aos desprotegidos as migalhas dos conhecimentos escolares. A realização pessoal exige muito mais do que fragmentos de cultura que nossa escola se propõe a fornecer. em salas separadas. A imensa maioria das escolas é concebida para receber turmas de alunos ouvintes. A cultura. mas histórica). Uma nova concepção de currículo que se preocupe com toda a cultura certamente exigirá outra escola. O ser humano. etc. portanto. todas essas são qualidades que nos são dadas pela educação como apropriação da cultura. o afinamento das emoções. Em geral costuma-se valorizar o ensino escolar. ético. a aquisição do saber. para além da necessidade natural. e se propõe a abordagem plena da cultura. Língua Portuguesa. sem nenhuma referência à cultura plena como direito. ao emprego). têm o direito de acesso. uma das reivindicações é precisamente fazer com que essas outras dimensões da cultura deem mais sentido à escola. não precisa apenas de conhecimentos e informações. Por isso. os mais ricos tendo a sua disposição os meios e recursos que lhes possibilitam o desenvolvimento de suas potencialidades. não para estas se fazerem estanques e independentes umas das outras. não há nenhuma razão. mas para facilitar o tratamento específico naquilo que lhes convém. que o homem se diferencia da mera natureza e se faz humano. isso não pode significar o direito apenas a pequenos “pedaços” da cultura. As ciências. Geografia. enquanto forma sua personalidade e prepara para futuros enriquecimentos cultural. Do ponto de vista dos valores democráticos. inclusive no plano estritamente individual. ao mundo natural. propiciando maior prazer e satisfação na apropriação dos conhecimentos. mas não são tudo. Neste quesito também não se deve homogeneizar. em particular o fundamental. a escola é a verdadeira unidade educacional em qualquer sistema nacional para a salvaguarda da eficiência. Fazemo-nos humanos à medida que nos apropriamos da cultura. é preciso que haja inter-relacionamento entre os vários conteúdos. de tudo o que nossos antepassados. liberto dos grilhões da necessidade. No nascimento. é o próprio substrato da liberdade do homem. as artes e a cultura em geral comportam divisões em disciplinas ou áreas. Mesmo as pessoas que têm maior acesso à cultura muito raramente percebem essa dimensão dos direitos humanos. para realizar-se como tal. concorrendo assim para o benefício do todo cultural de que fazem parte. também o currículo deve levar em conta essa condição. mas não deveria ser permitido o currículo inteiramente rígido. Quando falamos de direito à educação. para que essa herança cultural seja distribuída de modo desigual aos cidadãos. porém. pautada por valores progressistas de afirmação da condição de sujeito de todos os cidadãos. humano-histórico. O direito à cultura Tomar a educação como apropriação da cultura traz importantes consequências para a apreciação dos direitos humanos. que independe da ação e da vontade do homem). portanto. Na verdade. para seguir nos níveis subsequentes de ensino e para tornar-se apto ao trabalho (ou melhor. a que todos os cidadãos. que lamentavelmente é precisamente isso que acontece: a cultura é distribuída de acordo com a origem social dos indivíduos. não modificado por seu próprio corpo docente. o direito à própria humanização do indivíduo. os mais pobres tendo que permanecer à beira da necessidade natural por lhes serem negada as condições objetivas de se desenvolverem culturalmente. A segunda medida relativa ao dimensionamento curricular diz respeito à imprescindível conexão dos conteúdos das chamadas disciplinas teóricas com os conteúdos relacionados às outras dimensões da cultura que farão parte do currículo. entendida a cultura como toda a criação humana (contraposta. Finalmente. sem dúvida. Didatismo e Conhecimento 80 Todavia. Como geralmente não se adota uma concepção de educação como apropriação da cultura. mas propiciar condições para que cada unidade escolar encontre a melhor forma de dispor seus recursos e adequá-los ao currículo adotado e à população usuária. como afirmei no início deste artigo. é preciso estar alerta para o fato de que pensar em direitos humanos tem um pressuposto: reconhecer que aquilo que consideramos indispensável para nós é também indispensável para o próximo. pelo fato mesmo de serem cidadãos. As escolas devem ter a prerrogativa de serem consideradas em relação a suas circunstâncias especiais. pelo que ele pode trazer de contribuição ao desenvolvimento econômico e social do país e para a preparação individual dos cidadãos. a percepção da complexidade do mundo e dos seres. a cultura não pode ser considerada um bem privado a que apenas os privilegiados das camadas mais abastadas têm acesso. é pela apropriação dessa cultura (pela educação). enriquecer a vida presente do educando. Sabemos. somos meras natureza. Estas são. Para que isso aconteça.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS a isso. convém ter sempre presente que. a boa disposição para com o próximo.. Ora. na forma da assim chamada “cultura erudita”. Nesse sentido. pois é necessário um grande esforço de educação e autoeducação a fim de reconhecermos sinceramente este postulado. com funções. espaços. ao fazerem a história. tecnológico etc. O direito à cultura significa. conclui-se que esse processo confirma no homem aqueles traços que reputamos essenciais. a tendência mais funda é achar que nossos direitos são mais urgentes que os do próximo. como o exercício da reflexão. numa sociedade verdadeiramente democrática. quando se advoga a superação do atual currículo fundado apenas em conhecimentos e informações. quer nasçamos no barraco da favela. filosófico. partes importantíssimas da herança cultural. portanto. na forma das chamadas disciplinas escolares (Matemática. o cultivo do humor. cada indivíduo se faz mais livre à medida que se apropria da cultura. . na forma de todo desenvolvimento científico. Esta preparação é usualmente associada aos conhecimentos mínimos necessários para o indivíduo viver em sociedade. Dessa forma. Por isso. ou melhor. o terceiro tipo de providência que deve acompanhar uma reforma curricular refere-se à reestruturação da própria unidade escolar e de seu desenrolar cotidiano. artístico. de modo que os vários componentes culturais propiciem aquilo que é próprio de uma educação verdadeiramente significativa: ser intrinsecamente interessante. essa visão da cultura como necessidade (e direito) universal ainda está longe de se generalizar em nossa sociedade. tempos e equipamentos completamente diversificados. É preciso não se esquecer de que. o senso da beleza. o direito ao ensino fundamental é visto apenas em termos do cumprimento dessas metas.

de saída. De um modo geral. na relação dialógica entre todos que participam da situação de ensino. Um quesito importante dessa tarefa é saber o que pensam os professores e demais educadores escolares. na forma meramente verbal. o negócio do mensalão [. até para poder opinar. Didatismo e Conhecimento 81 Nesse sentido mais amplo e rigoroso de democracia. mais do que nunca. e a atribuição à família de um papel civilizador que. Isso é essencial. isto é.. individuais ou coletivos. sonegar a cultura é sonegar uma parte da capacidade de viver em liberdade. ou seja. na valorização da paz. parece mais próxima de uma abordagem correta do problema quando procura adequá-lo em termos de conduta para com o outro. Quanto as valorações e os métodos de educação em vigor. diz que precisa ensinar a cidadania. a falta de tempo que eles acham que eles não têm mais pro seu filho [. a seguir. como são no Brasil. passando uma moral que as populações não teriam. e ao mesmo tempo conservar um sistema educacional que em suas técnicas essenciais aja por meio da criação de inibições e procure impedir o desenvolvimento da capacidade crítica. de brincadeiras e de trabalho.. Uma questão que aparece quando se menciona a necessidade de um currículo mais rico para o ensino fundamental. as visões a respeito de currículo comumente presentes na realidade educacional brasileira. dificilmente serão capazes de se haver com valores cujo apelo à razão e cujos princípios subjacentes podem e devem ser discutidos. em alguma medida. ao se reportar aos valores como conteúdos do ensino. o esforço para incluir o semelhante no mesmo elenco de bens que reivindicamos está na base da reflexão sobre os direitos humanos. Nesse período de formação de suas personalidades. Uma professora da segunda série. saúde. baseada na apreciação consciente dos valores. já se denuncia que ela não tem condições de desempenhar. a certos bens fundamentais. desde pequena. como acaba sendo hoje em dia”. não são preponderantemente os discursos. no exercício do companheirismo etc. Mas será que pensam que seu semelhante pobre teria direito a ler Dostoievski ou ouvir os quartetos de Beethoven? Apesar das boas intenções no outro setor. é que seria possível oferecer condições de aprendizado e prática da democracia a essas crianças. E não por mal. que é favorável a que se ensine e se discuta política com os alunos: “Eu acho que as crianças desde pequenas já têm que entender certas coisas. Não percebe que as crianças de sete ou oito anos não têm suficiente discernimento para discutir a política nacional. assim.. A esse respeito a pesquisa de campo procurou identificar entre os depoentes suas concepções de currículo. sonegando aos educandos outros elementos culturais igualmente valiosos. demonstra uma sociedade agressiva. Neste tópico procuro apresentar o ponto de vista dos entrevistados a respeito desses temas. para depois não ser levada. na discussão e na tomada de decisões nas pequenas coisas do dia a dia. é a que se refere à necessidade da inclusão da política no conteúdo escolar. assim. imitação ou de sugestão emocional. as pessoas são frequentemente vítimas de uma curiosa obnubilação.] que os pais não estão dando mais. valores cuja função social e psicológica seja inteligível. no comportamento de aceitação do outro. a forma se faz conteúdo. Os educadores escolares e o currículo Qualquer projeto de mudança na estrutura curricular do ensino fundamental precisa partir da realidade atual de nossas escolas. eu acho que é pela falta do limite [.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Desse modo. eu respeitar o outro. etc. Elas afirmam que o próximo tem direito.]. As pessoas que se acham condicionadas a aceitar cegamente valores. Ainda não nos demos completamente conta de quão tremenda seria a reforma da educação necessária para fazer funcionar uma sociedade democrática. por meio de obediência. Não seria. em certo sentido. a oportunidade de proporcionar aos educandos condições de entrar em contato com a política e. eu gostar do outro. que ela se expressa a partir de um conceito restrito de política. com a política em sua forma democrática. suas apreciações relativas à atual estrutura curricular. Percebe-se. parece adotar uma concepção que tem mais a ver com disciplina e moralização: Seu relato. “Eu acho (isso eu acho. então.] eu discuto [. pelo acréscimo de conhecimentos nas listas das disciplinas tradicionais.. Ora. os modos de ser e de agir que enriquecem a personalidade das crianças e criam nelas valores democráticos. como convivência pacífica entre indivíduos e grupos que “se afirmam como sujeitos”. verificamos que para criar um cidadão obediente à lei cuja obediência não se baseia exclusivamente na cegueira da aceitação e do hábito.. Diante da pergunta sobre como “preparar para a vida”. a partir da manifestação da professora.] [a questão dos valores]. cheia de problemas. mais do que isso. como casa. agindo democraticamente. não se pode criar um novo mundo moral alicerçado.] É que eles não entendem o caminho. devemos reeducar o homem integral. A escola. na convivência em grupos de estudo. Deixa escapar.. mas somente porque quando arrolam seus direitos não estendem todos eles ao semelhante. os comportamentos. as questões levantadas e as opiniões dos educadores parecem representar. isso que eu falo que eles estão pondo na escola.. no entanto. É comum encontrar-se no discurso dos educadores escolares um apelo para a imposição de «limites». com “luta pelo poder” ou com seu sentido formal e específico envolvendo o funcionamento dos poderes da república. Ao falar sobre fatores sociológicos que perturbam o processo de valoração na sociedade moderna. o currículo da escola fundamental não pode restringir-se a uma lista de conhecimentos e informações. é vista como tendo que exercer um papel civilizatório. instrução. não tenho certeza ainda). Considerando o caráter imprescindível da cultura para a formação integral da personalidade e para o efetivo exercício da cidadania. Outra professora da terceira série. porque não se trata de “doutrinar” as crianças. já ter consciência de certas coisas. talvez isto não lhes passe pela cabeça. . mas de dar-lhes condições de aprender democracia.” Mas. sobretudo em apreciação dos valores racionais. Como vimos até aqui. coisas que ninguém bem formado admite hoje em dia que seja privilégio de minorias. eu me identificar com o outro. identificando-a. Aqui. no desenvolvimento da autonomia e da autodisciplina. assim. em lugar da criação de condutas democráticas. passível de envolver todos os atos e momentos da vida em sociedade.. incontinenti.. Eu acho que é importante a criança. sem dúvida. mesmo na primeira série. tomando posição diante de atos governamentais. quando perguntada sobre o assunto diz. mas as condutas. judiciários ou legislativos.. Quando se põe a explicar o que é isso diz: “Eu ser um cidadão. essa é a parte que a escola tem que fazer que eu acho que o pai também tem que fazer [. Escapa-lhe a compreensão da política em seu sentido amplo de convivência entre sujeitos. Eu procuro fazer isso com meus alunos. comida. bem como suas perspectivas em relação à eventual transformação dessa realidade.

fazer uma competição de jogos. Associado a esse tema está a fraca importância que é dada socialmente a qualquer tipo de refinamento cultural. Não bastasse isso... convém não ignorar que qualquer solução para a formação cultural das crianças de hoje precisa incluir o acesso à cultura também dos adultos. como dizem aí vulgarmente. Chutar mesmo. Às vezes. o que evidencia a falta de suporte técnico-pedagógico do sistema de ensino para proporcionar aos trabalhadores da educação aptidão e confiança para sugerir e implementar qualquer tipo de mudança no campo didático ou curricular. Tem que transformar numa escola prazerosa. A situação exige uma mudança mais profunda que toca no que se ensina e como se ensina.. mas cultura em seu sentido pleno: trata-se da influência decisiva da capacidade do educador no desempenho de seu papel. O problema já começa com o ensino de Língua Portuguesa. acabam por adquirir resistência à leitura e ficam privadas. extra tudo. quando se fala que a escola tem que dar cidadania aos educandos. Mas. desinteressante) como a professora dá a disciplina. o professor. criar uma atividade extraescolar. Não sabe arrolar as razões por que a escola deve mudar para ser eficaz. Parece que não. Tenho-me interessado por esse fenômeno em várias pesquisas de campo que tenho feito e sempre se confirma essa hipótese. por exemplo. numa atitude defensiva. . fazer uma competição entre pais e filhos. fazer alguma coisa. parece que. mas que a notícia que ela tem é de que “é uma porcaria”. Dificilmente se encontra uma sala de espera de escritório. sim [. Não deixa de ser altamente intrigante que as crianças não gostem da aula de artes! Observe-se o que a escola consegue fazer com a cultura. ela é conteudista. numa “contação” de história [. quando convidado a refletir sobre o currículo atual. mas não é apenas isso. embora não fundamente tecnicamente a mudança. por exemplo. que ela considera uma boa ideia.. sim.] Fala-se em grandes transformações. Didatismo e Conhecimento 82 Quem visita a escola fundamental com olhos críticos a todo momento se surpreende com as relações e fatos que presencia. O mal que a escola tem feito à apreciação da leitura é alarmante. mas também porque o professor não sabe o que fazer. pelo menos uma vez. Acontece que os professores e demais adultos com os quais a criança tem contato (inclusive seus familiares) são frutos de uma escola tão carente de cultura quanto a de hoje. É ousada. Sobre o enriquecimento do currículo. há um terceiro fator decisivo a dificultar a transmissão da cultura no ensino fundamental. Ela acha que a criança precisa aprender. Uma das surpresas é constatar como a escola consegue criar nas crianças a ojeriza à própria cultura. Na verdade não é só porque “não se pode” que a cultura não é privilegiada. a escola do dia a dia é uma escola chata. mesmo com métodos ultrapassados que lhes tolhem a espontaneidade e com currículos pouco significativos para suas vidas. sim. a vice-diretora. porque a escola não tem estrutura para realizar seus fins. e a gente tem normas chatas. não apenas conhecimentos. os estudantes ainda são atraídos pela escola. em vez de adquirirem o hábito de ler e a capacidade de usufruir do direto à literatura.procurou-se atualizar as informações junto aos entrevistados desta investigação. Uma professora da primeira série. Embora não pareça ser a regra. Durante uma pesquisa.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Em suma. Um aspecto curioso relacionado à estrutura didática e curricular de nossa escola fundamental é o fato de que. pode-se citar a desvalorização que tem entre nós o exercício da leitura. Ela faz críticas ao modo (formal. até mesmo com seus conteúdos mais prazerosos. de repartição pública. Por isso. ou de qualquer local em que se tenha de aguardar para ser atendido que não tenha um televisor ou um rádio ligado num volume que impede o saudável exercício da leitura. porque a escola nossa é chata. com muitas referências dos alunos a respeito da falta que sentem da escola nas férias. mas a pergunta que se faz é se esse é o único empecilho.] e teria que. é possível encontrar entre os educadores escolares quem perceba o caráter pouco atrativo do currículo e da didática da escola e se preocupe com isso e com a necessidade de mudança. diz que seus alunos não gostam da aula de artes. o pauzinho da barraca e transformar numa escola gostosa. acaba se dando conta de suas deficiências e. além das más condições de trabalho do professor e do baixo valor atribuído ao aspecto cultural. colocar isso tudo de lado e transformar a escola numa escola prazerosa. Embora o tema já tenha sido tratado anteriormente. enriquecer o currículo é dar novos conhecimentos. em mágica e. demonstra se preocupar com o caráter enfadonho das atividades escolares. com ênfase nos valores. quer uma escola “prazerosa”. fazer alguma mágica. sente que precisa mudar. criativos.. extraclasse. se está pensando apenas em mais conhecimentos e conhecimentos mais adequados aos tempos modernos. Essa falta de interesse pela aula de artes lembra um dos aspectos mais importantes para uma escola que pretenda transmitir. e a conclusão que esses depoimentos favorecem é que seu motivo principal é o convívio com os colegas. De repente. Segundo essa concepção. os poucos que tiveram a felicidade de uma formação que os levou ao gosto pela leitura acabam por ser permanentemente tolhidos em suas tentativas de ler em lugares públicos. As crianças. num grande circo [. a diretora da escola. Segundo o estudo. Nada se menciona do direito à cultura integral. a dançar. estimulantes e belos. você tirar um pouco da sua aula conteudista. tradicional. convém ser culto para transmitir cultura. quando adultas. desse importante bem cultural. que existiria em escolas do Estado. Como deu a entender a diretora da escola. extra currículo. que em geral confirmaram a hipótese.]. enfadonho e ineficiente desde a alfabetização até o contato (quando há) com as obras literárias nacionais e internacionais. quando muito sugerindo alguma atividade ou conteúdo no currículo existente. Também nas várias investigações tenho procurado saber entre os professores e pessoal da escola a respeito da causa dessa atração. em geral. de consultório médico. não apenas a ler e a escrever. se refere à escola de tempo integral. de aeroporto. O fato de não ter havido ainda nenhum movimento (pelo menos que seja de conhecimento público) que reclame contra essa restrição ao direito de ler.. mas também a cantar. porque é uma escola “chata”. Na verdade. parece bem um indicativo do exíguo número de pessoas que tentam dele usufruir nessas situações. uma escola lúdica. um dia. especialmente seus professores. Vera Sanches percebe que é isso também. a realizar atividades artísticas etc. Para ficar apenas num exemplo. essa sim capaz de formar personalidades consentâneas com o conceito de cidadania. apresenta justificativas ou desculpas para o fato de não estar desenvolvendo determinados conteúdos. Há professores que sequer veem a necessidade de alguma mudança substancial na estrutura curricular. um programa muito rígido impõe dificuldades à criatividade e a uma maior abertura para conteúdos culturais mais elaborados e mais diversificados.

III . e independentemente de medidas que se venham tomar com relação à formação de professores em nível superior. O processo pedagógico escolar. A esse respeito. que precisa ser considerada como matéria-prima do currículo quando o que está em jogo é o atendimento do direito do cidadão.melhoria da qualidade do ensino. numa sociedade democrática. portadores de cultura e que usufruem dos bens culturais como direito universal. sofrer restrições.2011/2020) constante do Anexo desta Lei. Art.formação para o trabalho. Aspecto de destaque na discussão do direito do cidadão à cultura é o oferecimento de uma educação que concorra para a construção daquilo que se poderia chamar de personalidade democrática do indivíduo. É a cultura em seu sentido pleno. V . a primeira questão curricular de importância é seu relacionamento com a estrutura didática da escola. convém dedicar todo esforço na formação em serviço das centenas de milhares de professores que já estão nas escolas. à política. que abarca tudo o que é produzido historicamente pelos seres humanos. Não. 1o Fica aprovado o Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2020 (PNE . ao uso do corpo etc. à ética. sobrevive apenas com conhecimentos. sem que seja exercitada na prática da vida cotidiana. começa na escola. O CONGRESSO NACIONAL decreta: Art. para a formação do estudante desse nível de ensino não bastam os conteúdos de conhecimentos e informações que compõem as disciplinas escolares tradicionais. Tendo em vista esses conteúdos bem como o avanço teórico-prático da Didática no que se refere à necessária consideração do educando como sujeito no processo pedagógico. em seus conteúdos pautados na transmissão de conhecimentos. as questões políticas educacionais sobre a estrutura curricular da escola fundamental corroboram considerações sobre os demais aspectos da estrutura total da escola feitas no relatório geral da pesquisa. deixando na sombra o verdadeiro direito à humanização do cidadão que é seu direito à cultura. também a democracia não se aprende nem passa a compor a personalidade. o suposto básico é que. como insiste o jargão acadêmico. contribuir para a formação do professor de amanhã. com relação à discussão do redimensionamento do currículo da escola fundamental. é preciso extremo cuidado na formação dos professores. Em suma. Por outro lado. 8 CURRÍCULOS E PROGRAMAS: DIRETRIZES. A multiplicidade e a complexidade dos elementos culturais não admitem. especialmente na fase de desenvolvimento biopsíquico e social da criança e do jovem. Para quebrar essa tradição. então. mais influiu na personalidade do professor foi uma escola fundamental tão carente de cultura quanto a de hoje. de modo a abarcar a cultura em suas múltiplas dimensões. Essa parece ser uma forma efetiva de melhorar a escola de hoje e. precisa ser contemplado com tempos e espaços que favoreçam seu pleno desenvolvimento e que garantam sua realização como prática democrática enriquecedora de personalidades cidadãs. ao cuidado pessoal. que. não esquecendo que é Didatismo e Conhecimento 83 preciso ser culto para transmitir cultura. do ponto de vista estritamente técnico. Em vista disso e considerando a importância do período em que se frequenta o ensino fundamental na construção da personalidade. ordenação e relacionamento das disciplinas tradicionais. que privilegia a seleção.erradicação do analfabetismo. sua apropriação na forma “simplória” da mera passagem de conhecimentos. todavia. é preciso ser democrático para formar personalidades democráticas. II . como propósito de oferecer subsídios teóricos e argumentativos àqueles que discutem. Nenhuma “sociedade do conhecimento”. à luz dos avanços científicos na área da Pedagogia. com vistas ao cumprimento do disposto no art. Verificou-se.2011/2020: I . na atividade discente e na participação da comunidade. . assim como a educação não se faz crítica apenas a partir de conhecimentos críticos. as mudanças no currículo do ensino fundamental devem se articular com as demais transformações que nossa tradicional escola exige: na estrutura administrativa. PARÂMETROS E ORIENTAÇÕES NACIONAIS. O que é urgente é que conteúdos importantíssimos. quer da fruição dessa cultura. elaboram e implementam políticas públicas para a educação. pela recusa. Por isso. tanto em nível de sistema quanto no âmbito das unidades escolares.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS O escopo do texto foi o de trazer ao campo das discussões a questão do currículo do ensino fundamental. mas de modo a questionar a estrutura curricular em seus próprios fundamentos. IV . Uma verdade – que se suspeita secular – é que os professores de determinada geração reproduzem com seus alunos o que seus mestres fizeram com eles no passado. no trabalho docente. que hoje são minimizados ou completamente ignorados.superação das desigualdades educacionais. ganhem o seu lugar de importância no currículo. embora tais conteúdos não devam. são esses “novos” conteúdos – pelo envolvimento com a subjetividade do “aprendente” que eles exigem e propiciam – que contribuirão para que a apropriação dos conhecimentos tradicionais (agora sim) possam ser apreendidos com mais eficácia. a concepção global da escola precisa mudar se quisermos que ela seja adequada a uma educação comprometida com a formação de sujeitos humano-históricos. Em vista disso. PROJETO DE LEI Nº 8035/2010 Aprova o Plano Nacional de Educação para o decênio 20112020 e dá outras providências. formando as novas gerações. que na sociedade em geral se concretiza na falta do acesso aos bens culturais de vastas camadas da população. e de acordo com sua especificidade humana-social. em nenhuma hipótese.universalização do atendimento escolar. O cuidado em proporcionar educadores capazes para uma educação de qualidade precisa considerar que o que. 214 da Constituição. a rigor. Espera-se também que as ponderações apresentadas contribuam para uma melhor reflexão sobre o real sentido da qualidade do ensino e sobre a necessidade da elaboração e adoção de instrumentos mais adequados para sua avaliação. A negação desse direito. na estrutura didática. devem ser incluídos no rol de elementos culturais componentes do ensino fundamental. quer do oferecimento dos meios intelectuais necessários para seu pleno usufruto. conteúdos relacionados à arte. 2o São diretrizes do PNE . ao mesmo tempo. A estreiteza do conceito de educação que a relaciona apenas à transmissão de conhecimentos e informações tem reduzido a apenas isso a compreensão do direito constitucional à educação.

6) Estimular a articulação entre programas de pós-graduação stricto sensu e cursos de formação de professores para a educação infantil. IX . § 1o O IDEB é calculado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira . o Distrito Federal e os Municípios. Art. o Distrito Federal e os Municípios deverão aprovar leis específicas disciplinando a gestão democrática da educação em seus respectivos âmbitos de atuação no prazo de um ano contado da publicação desta Lei. 1. desde que não haja prazo inferior definido para metas específicas.2011/2020 e com os respectivos planos de educação. do Distrito Federal e dos Municípios deverão prever mecanismos para o acompanhamento local da consecução das metas do PNE . o atendimento escolar da população de quatro e cinco anos. do Distrito Federal e dos Municípios deverão ser formulados de maneira a assegurar a consignação de dotações orçamentárias compatíveis com as diretrizes. Art. 6o A União deverá promover a realização de pelo menos duas conferências nacionais de educação até o final da década.2011/2020. 1. os Estados.011/2020. 10. § 3o A educação escolar indígena deverá ser implementada por meio de regime de colaboração específico que considere os territórios étnico-educacionais e de estratégias que levem em conta as especificidades socioculturais e lingüísticas de cada comunidade. com o objetivo de avaliar e monitorar a execução do PNE . O plano plurianual. 7o A consecução das metas do PNE . Parágrafo único. no prazo de um ano contado da publicação desta Lei. Didatismo e Conhecimento 84 § 2o Os entes federados deverão estabelecer em seus respectivos planos de educação metas que garantam o atendimento às necessidades educacionais específicas da educação especial. os Estados. disponíveis na data da publicação desta Lei.estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do produto interno bruto. Art. Estratégias: 1. § 1o Os entes federados deverão estabelecer em seus respectivos planos de educação metas que considerem as necessidades específicas das populações do campo e de áreas remanescentes de quilombos. 9o Os Estados. § 2o O INEP empreenderá estudos para desenvolver outros indicadores de qualidade relativos ao corpo docente e à infraestrutura das escolas de educação básica. Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação. Art.promoção humanística.difusão dos princípios da equidade. 1. Art. § 2o Os sistemas de ensino dos Estados.2011/2020 e dos planos previstos no art. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica . até 2020. 4o As metas previstas no Anexo desta Lei deverão ter como referência os censos nacionais da educação básica e superior mais atualizados. de modo a garantir a construção de currículos capazes de incorporar os avanços das ciências no atendimento da população de quatro e cinco anos. 8o.4) Estimular a oferta de matrículas gratuitas em creches por meio da concessão de certificado de entidade beneficente de assistência social na educação. vinculado ao Ministério da Educação. com intervalo de até quatro anos entre elas. podendo ser revista.2011/2020 e a implementação das estratégias deverão ser realizadas em regime de colaboração entre a União. VII . ANEXO METAS E ESTRATÉGIAS Meta 1: Universalizar.1) Definir. 8o Os Estados.INEP. assegurando sistema educacional inclusivo em todos os níveis. o Distrito Federal e os Municípios deverão elaborar seus correspondentes planos de educação. podendo ser complementadas por mecanismos nacionais e locais de coordenação e colaboração recíproca. científica e tecnológica do País. 11. do respeito à diversidade e a gestão democrática da educação. Art. em consonância com as diretrizes. 12. promovendo a consulta prévia e informada a essas comunidades. 5o A meta de ampliação progressiva do investimento público em educação será avaliada no quarto ano de vigência dessa Lei.valorização dos profissionais da educação. Art.2011/2020. combinados com os dados relativos ao desempenho dos estudantes apurados na avaliação nacional do rendimento escolar. . 1.5) Fomentar a formação inicial e continuada de profissionais do magistério para a educação infantil. 1. metas e estratégias previstas no PNE . a oferta de educação infantil de forma a atender a cinquenta por cento da população de até três anos. para atender às necessidades financeiras do cumprimento das demais metas do PNE . Art. Art.IDEB será utilizado para avaliar a qualidade do ensino a partir dos dados de rendimento escolar apurados pelo censo escolar da educação básica.3) Avaliar a educação infantil com base em instrumentos nacionais. até 2016. etapas e modalidades. conforme o caso. VIII .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS VI . § 1o As estratégias definidas no Anexo desta Lei não elidem a adoção de medidas adicionais em âmbito local ou de instrumentos jurídicos que formalizem a cooperação entre os entes federados. garantindo equidade educacional.2011-2020 e subsidiar a elaboração do Plano Nacional de Educação para o decênio 20212030. as diretrizes orçamentárias e os orçamentos anuais da União. voltado à expansão e à melhoria da rede física de creches e pré-escolas públicas. 3o As metas previstas no Anexo desta Lei deverão ser cumpridas no prazo de vigência do PNE . a ser instituído no âmbito do Ministério da Educação. em regime de colaboração entre a União.promoção da sustentabilidade sócio-ambiental. o Distrito Federal e os Municípios. O Fórum Nacional de Educação. e X . a fim de viabilizar sua plena execução.2) Manter e aprofundar programa nacional de reestruturação e aquisição de equipamentos para a rede escolar pública de educação infantil. metas e estratégias do PNE . Art. o quadro de pessoal e os recursos pedagógicos e de acessibilidade empregados na creche e na pré-escola. dos Estados. a fim de aferir a infraestrutura física. articulará e coordenará as conferências nacionais de educação previstas no caput. e ampliar. metas de expansão das respectivas redes públicas de educação infantil segundo padrão nacional de qualidade compatível com as peculiaridades locais. ou adequar os planos já aprovados em lei.

. 3. 3. até 2016.3) Promover a busca ativa de crianças fora da escola. garantindo o transporte intracampo.5) Fomentar a expansão da oferta de matrículas gratuitas de educação profissional técnica denível médio por parte das entidades privadas de formação profissional vinculadas aosistema sindical. a taxa líquida de matrículas no ensino médio paraoitenta e cinco por cento. limitando a nucleação de escolas e o deslocamento das crianças.8) Respeitar a opção dos povos indígenas quanto à oferta de educação infantil.discriminando-se conteúdos obrigatórios e conteúdos eletivos articulados em dimensõestemáticas. 2.8) Promover a busca ativa da população de quinze a dezessete anos fora da escola. com qualificação social e profissional parajovens que estejam fora da escola e com defasagem idade-série. tais como ciência.a frequência e o apoio à aprendizagem.9) Fomentar o acesso à creche e à pré-escola e a oferta do atendimento educacional especializado complementar aos educandos com deficiência. 2. de forma a reposicioná-lo no ciclo escolar de maneira compatível comsua idade.identificando motivos de ausência e baixa frequência e garantir. de maneira articulada.observando-se as peculiaridades das populações do campo.8) Estimular a oferta dos anos iniciais do ensino fundamental para as populações do camponas próprias comunidades rurais. o atendimento escolar para toda a população de quinze adezessete anos e elevar. 3. com os objetivos de renovar e padronizar a frota rural de veículos escolares. transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação. Estratégias: 2. de forma concomitante ao ensino médio público. cultura e esporte. a organização do trabalho pedagógico.fundamentado em matriz de referência do conteúdo curricular do ensino médio e emtécnicas estatísticas e psicométricas que permitam a comparabilidade dos resultados doexame.1) Criar mecanismos para o acompanhamento individual de cada estudante do ensino fundamental.4) Ampliar programa nacional de aquisição de veículos para transporte dos estudantes do campo. 2. 2. 2.incluindo adequação do calendário escolar de acordo com a realidade local e com ascondições climáticas da região. trabalho. reconhecendo aespecificidade da infância e da adolescência.2) Fortalecer o acompanhamento e o monitoramento do acesso e da permanência na escola por parte dos beneficiários de programas de transferência de renda. tecnologia.12) Definir. os novos saberes e os tempos escolares. de produção de material didático e de desenvolvimento de currículos e programas específicos para educação escolar nas comunidades indígenas. produção de material didático específicoe formação continuada de professores.6) Estimular a expansão do estágio para estudantes da educação profissional técnica de nívelmédio e do ensino médio regular. Meta 3: Universalizar.9) Disciplinar.inclusive mediantes certames e concursos nacionais. neles incluindo os conteúdos culturais correspondentes às respectivas comunidades e considerando o fortalecimento das práticas socioculturais e da língua materna de cada comunidade indígena. cabendo aos sistemas estaduais e municipais reduzir o tempo máximo dos estudantes em deslocamento a partir de suas realidades. Estratégias: 3. preservando-se seu caráter pedagógico integrado aoitinerário formativo do estudante. 3. 2. com especial atenção às classes multisseriadas. apoiado por meio deações de aquisição de equipamentos e laboratórios. em regime de colaboração. promovendo a utilização pedagógica das tecnologias da informação e dacomunicação. criando rede de proteção contra formasassociadas de exclusão. 3. 1. bem como de produção de material didático e de formação de professores para a educação do campo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 1. até 2020. identificando motivos de ausência e baixa freqüência e garantir.7) Desenvolver tecnologias pedagógicas que combinem. emparceria com as áreas da assistência social e da saúde.7) Fomentar o atendimento das crianças do campo na educação infantil por meio do redimensionamento da distribuição territorial da oferta. até dezembro de 2012. 3. a freqüência e o apoio à aprendizagem. em parceria com as áreas de assistência social e saúde. visando ao aprendizado de competências próprias daatividade profissional. 2.2) Manter e ampliar programas e ações de correção de fluxo do ensino fundamental por meiodo acompanhamento individualizado do estudante com rendimento escolar defasado e pelaadoção de práticas como aulas de reforço no turno complementar. 2. 3.5) Manter programa nacional de reestruturação e aquisição de equipamentos para escolas do campo. 3. nesta faixa etária. de forma a atender às especificidades das comunidades rurais. em prol daeducação do campo e da educação indígena. assegurando a transversalidade da educação especial na educação infantil. dos povos indígenas e dascomunidades quilombolas.10) Fomentar programas de educação de jovens e adultos para a população urbana e do campona faixa etária de quinze a dezessete anos. 3. por meio de mecanismos de consulta prévia e informada. Didatismo e Conhecimento 85 2. no âmbito dos sistemas de ensino. Meta 2: Universalizar o ensino fundamental de nove anos para toda população de seis a quatorze anos. 2. 2. de maneira a assegurar a formação básica comum.6) Manter programas de formação de pessoal especializado. a organização do tempo e das atividades didáticas entre a escola e o ambiente comunitário.11) Universalizar o acesso à rede mundial de computadores em banda larga de alta velocidadee aumentar a relação computadores/estudante nas escolas da rede pública de educaçãobásica.9) Implementar políticas de prevenção à evasão motivada por preconceito e discriminação àorientação sexual ou à identidade de gênero. à contextualização curricular e ao desenvolvimento do estudantepara a vida cidadã e para o trabalho.1) Institucionalizar programa nacional de diversificação curricular do ensino médio.7) Fortalecer o acompanhamento e o monitoramento do acesso e da permanência na escolapor parte dos beneficiários de programas de assistência social e transferência de renda. 1. a fim deincentivar abordagens interdisciplinares estruturadas pela relação entre teoria e prática. estudos de recuperação eprogressão parcial. reduzir a evasão escolar da educação do campo e racionalizar o processo de compra de veículos para o transporte escolar do campo. em regime de colaboração. expectativas de aprendizagem para todos os anos do ensinofundamental.4) Fomentar a expansão das matrículas de ensino médio integrado à educação profissional.10) Oferecer atividades extracurriculares de incentivo aos estudantes e de estímulo a habilidades.3) Utilizar exame nacional do ensino médio como critério de acesso à educação superior.

7 5. de forma que o tempo depermanência de crianças.FUNDEB. de 27 de novembro de 2009. 6. do DistritoFederal e dos Municípios. em regime de colaboração. de forma concomitante e emarticulação com a rede pública de ensino.4) Manter e aprofundar programa nacional de acessibilidade nas escolas públicas paraadequação arquitetônica. 7. 6.11) Universalizar o acesso à rede mundial de computadores em banda larga de alta velocidadee aumentar a relação computadores/estudante nas escolas da rede pública de educaçãobásica.9 4.1) Estender progressivamente o alcance do programa nacional de ampliação da jornadaescolar. buscandoatender a pelo menos metade dos alunos matriculados nas escolas contempladas peloprograma. refeitórios. promovendo a articulação entre o ensino regular e oatendimento educacional especializado complementar ofertado em salas de recursosmultifuncionais da própria escola ou em instituições especializadas. considerando aspeculiaridades locais. Meta 7: Atingir as seguintes médias nacionais para o IDEB: IDEB 2011 2013 2015 2017 2019 2021 Anos iniciais do ensino fundamental 4. transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidadesou superdotação na rede regular de ensino.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 3. de forma a atender a toda a demanda. auditórios. bibliotecas. adolescentes e jovens na escola ou sob sua responsabilidadepasse a ser igual ou superior a sete horas diárias durante todo o ano letivo.2 5.7 6. 4. 5.6) Fortalecer o acompanhamento e o monitoramento do acesso à escola por parte dosbeneficiários do benefício de prestação continuada.5) Apoiar a alfabetização de crianças indígenas e desenvolver instrumentos de acompanhamento que considerem o uso da língua materna pelas comunidades indígenas. inciso I.0 5.3) Ampliar a oferta do atendimento educacional especializado complementar aos estudantesmatriculados na rede pública de ensino regular.3) Associar a prestação de assistência técnica e financeira à fixação de metas intermediárias. à formação de professores eprofissionais de serviços e apoio escolar.1) Formalizar e executar os planos de ações articuladas dando cumprimento às metas dequalidade estabelecidas para a educação básica pública e às estratégias de apoio técnico efinanceiro voltadas à melhoria da gestão educacional. o atendimento escolar aosestudantes com deficiência. da Lei no 12. 4. até o final do terceiro ano. das redespúblicas de educação básica e dos sistemas de ensino da União. por meio deatividades de acompanhamento pedagógico e interdisciplinares. e oferta da educação bilíngue emlíngua portuguesa e Língua Brasileira de Sinais .LIBRAS. museus. para fins do repasse do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento daEducação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação . 6. Didatismo e Conhecimento 86 5.7 5.0 5. bem como de produção de material didático e de formação de recursoshumanos para a educação em tempo integral.2) Institucionalizar e manter. cozinhas. promovendo a utilização pedagógica das tecnologias da informação e dacomunicação nas escolas da rede pública de ensino médio. Meta 5: Alfabetizar todas as crianças até.3 4. na forma do art.4) Estimular a oferta de atividades voltadas à ampliação da jornada escolar de estudantesmatriculados nas escolas da rede pública de educação básica por parte das entidadesprivadas de serviço social vinculadas ao sistema sindical. ao desenvolvimento de recursos pedagógicos e àmelhoria e expansão da infraestrutura física da rede escolar. a fim de garantir a alfabetização plena detodas as crianças.9 5. dos Estados. bem como adistribuição territorial das escolas de ensino médio. 13. 4.9 4.nos termos e nas condições estabelecidas conforme pactuação voluntária entre os entes. no máximo. 4. asmatrículas dos estudantes da educação regular da rede pública que recebem atendimentoeducacional especializado complementar. de forma concomitante e emarticulação com a rede pública de ensino.2 5.5 Ensino médio 3.2) Implantar salas de recursos multifuncionais e fomentar a formação continuada deprofessores para o atendimento educacional especializado complementar. Meta 4: Universalizar.quando for o caso. .12) Redimensionar a oferta de ensino médio nos turnos diurno e noturno. no máximo. nas escolasurbanas e rurais. Meta 6: Oferecer educação em tempo integral em cinquenta por cento das escolas públicas deeducação básica.6 4.6) Atender as escolas do campo na oferta de educação em tempo integral.4 4. parques. teatros ecinema. de maneira a garantir a ampliação doatendimento aos estudantes com deficiência na rede pública regular de ensino.0 Anos finais do ensino fundamental 3.101. oferta de transporte acessível.assegurada a diversidade de métodos e propostas pedagógicas.a aplicação em gratuidade em atividades de ampliação da jornada escolar de estudantesmatriculados nas escolas da rede pública de educação básica.2) Fixar. programa nacional de ampliação ereestruturação das escolas públicas por meio da instalação de quadras poliesportivas.4) Fomentar o desenvolvimento de tecnologias educacionais e de inovação das práticaspedagógicas nos sistemas de ensino que assegurem a alfabetização e favoreçam a melhoriado fluxo escolar e a aprendizagem dos estudantes.3) Fomentar a articulação da escola com os diferentes espaços educativos e equipamentospúblicos como centros comunitários.5) Orientar. 5.3) Selecionar. 6. § 1o. 7.7 3.1) Contabilizar. Estratégias: 6. 3. bem como oacompanhamento dos resultados nos sistemas de ensino em que forem aplicadas.laboratórios. para a população de quatro a dezessete anos. praças. 5. os oito anos de idade. mediante oferta de educação básica pública em tempo integral.5 5. Estratégias: 5. 6.de acordo com as necessidades específicas dos estudantes. certificar e divulgar tecnologias educacionais para alfabetização de crianças.1) Fomentar a estruturação do ensino fundamental de nove anos com foco na organização deciclo de alfabetização com duração de três anos.2) Aplicar exame periódico específico para aferir a alfabetização das crianças. bibliotecas. Estratégias: 4. 4. consideradas as diversas abordagensmetodológicas e sua efetividade.priorizando sistemas e redes de ensino com IDEB abaixo da média nacional.2 Estratégias: 7. disponibilização de materialdidático acessível e recursos de tecnologia assistiva. sem prejuízo do cômputo dessas matrículas naeducação básica regular. acompanhar e divulgar bienalmente os resultados do IDEB das escolas. banheiros e outrosequipamentos.5) Fomentar a educação inclusiva.

5) Garantir transporte gratuito para todos os estudantes da educação do campo na faixa etáriada educação escolar obrigatória. . Didatismo e Conhecimento 87 7.leitura e ciências 395 417 438 455 473 Meta 8: Elevar a escolaridade média da população de dezoito a vinte e quatro anos de modo aalcançar mínimo de doze anos de estudo para as populações do campo. nos termos da Lei no10. o atendimento aos estudantes da rede pública de educação básica por meio deações de prevenção. por meio deações colaborativas com fóruns de educação para a diversidade étnicoracial. em regime de colaboração.19) Assegurar.17) Ampliar a educação escolar do campo. da região demenor escolaridade no país e dos vinte e cinco por cento mais pobres. promoção e atenção à saúde. com representação detrabalhadores em educação. tendo em vista a equalização regionaldas oportunidades educacionais. bem como manter programa nacional de formação inicial econtinuada para o pessoal técnico das secretarias de educação.11) Prover equipamentos e recursos tecnológicos digitais para a utilização pedagógica noambiente escolar a todas as escolas de ensino fundamental e médio. de âmbito local e nacional.com os de outras áreas como saúde. acesso a bibliotecas. alimentação e assistência à saúde. mediante articulação entre os órgãos responsáveis pelas áreas da saúde e daeducação.645. deacordo com especificações definidas pelo Instituto Nacional de Metrologia. como forma de controle externo da convergência entre os processos de avaliaçãodo ensino conduzidos pelo INEP e processos de avaliação do ensino internacionalmentereconhecidos.15) Implementar políticas de inclusão e permanência na escola para adolescentes e jovens quese encontram em regime de liberdade assistida e em situação de rua. Estratégias: 8. por meio de programas suplementares de material didático-escolar. respeitada a diversidade regional. trabalho e emprego. considerando asespecificidades dos segmentos populacionais considerados. 7. de 9 de janeiro de 2003. acesso à rede mundial de computadores em banda larga de altavelocidade.4) Aprimorar continuamente os instrumentos de avaliação da qualidade do ensinofundamental e médio.18) Priorizar o repasse de transferências voluntárias na área da educação para os Estados. 7.25) Confrontar os resultados obtidos no IDEB com a média dos resultados em matemática. alunos e comunidade.12) Estabelecer diretrizes pedagógicas para a educação básica e parâmetros curricularesnacionais comuns. recuperação e progressão parcial. conselhosescolares. em todas as etapas daeducação básica. 7.transporte. de 13 dejulho de 1990.leitura e ciências obtidos nas provas do Programa Internacional de Avaliação de Alunos -PISA.639. oDistrito Federal e os Municípios que tenham aprovado lei específica para a instalação deconselhos escolares ou órgãos colegiados equivalentes. esporte. 7.6) Selecionar. de forma a buscar atingir as metasdo IDEB. 7. com vistas à ampliação da participação da comunidade escolar noplanejamento e na aplicação dos recursos e o desenvolvimento da gestão democráticaefetiva. acessibilidade à pessoa com deficiência. 7. 7. 7. certificar e divulgar tecnologias educacionais para o ensino fundamental emédio. 7. Normalizaçãoe Qualidade Industrial .1) Institucionalizar programas e desenvolver tecnologias para correção de fluxo. 7. de forma a englobar o ensino de ciências nos exames aplicados nosanos finais do ensino fundamental e incorporar o exame nacional de ensino médio aosistema de avaliação da educação básica. de 10 de março de 2008. que assegurem a melhoria do fluxo escolar e aaprendizagem dos estudantes. bem como oacompanhamento dos resultados nos sistemas de ensino em que forem aplicadas. Indústria eComércio Exterior.23) Estabelecer ações efetivas especificamente voltadas para a prevenção. mediante renovação integral da frota de veículos. 7. quilombola e indígena a partir de visão articuladaao desenvolvimento sustentável e à preservação da identidade cultural.10) Institucionalizar e manter. articulando a educação formal comexperiências de educação popular e cidadã. 8. 7. equipes pedagógicas e com a sociedade civil em geral.2) Fomentar programas de educação de jovens e adultos para os segmentos populacionaisconsiderados.9) Ampliar programas e aprofundar ações de atendimento ao estudante. energia elétrica. 7.cultura. procurando reduzir a diferença entre as escolas com os menores índices e amédia nacional. e da Lei no 11. do DistritoFederal e dos Municípios.20) Mobilizar as famílias e setores da sociedade civil. 7.8) Apoiar técnica e financeiramente a gestão escolar mediante transferência direta de recursosfinanceiros à escola.16) Garantir o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena. programa nacional de reestruturaçãoe aquisição de equipamentos para escolas públicas.14) Garantir políticas de combate à violência na escola e construção de cultura de paz eambiente escolar dotado de segurança para a comunidade escolar. vinculado ao Ministério do Desenvolvimento. assegurando-se osprincípios do Estatuto da Criança e do Adolescente de que trata a Lei no 8. garantindo equidade da aprendizagem.13) Informatizar a gestão das escolas e das secretarias de educação dos Estados. atenção eatendimento à saúde e integridade física. a todas as escolas públicas de educação básica.069. escolhidos pelos seus pares. e equipamentos e laboratórios deciências. de acordo com as seguintes projeções: PISA 2009 2012 2015 2018 2021 Média dos resultados em matemática. bem comoigualar a escolaridade média entre negros e não negros. mental e moral dos profissionais da educação.21) Promover a articulação dos programas da área da educação. acesso a bens culturais e à arte.como condição para a melhoria da qualidade do ensino. com vistas à redução dadesigualdade educacional. estadual e local. pais.Inmetro. 7. 7.7) Fomentar o desenvolvimento de tecnologias educacionais e de inovação das práticaspedagógicas nos sistemas de ensino. com os propósitos de que a educação sejaassumida como responsabilidade de todos e de ampliar o controle social sobre ocumprimento das políticas públicas educacionais.24) Orientar as políticas das redes e sistemas de educação. água tratada e saneamentobásico.22) Universalizar. 7. bemcomo priorizar estudantes com rendimento escolar defasado. 7. acesso a espaçospara prática de esportes. assegurada a diversidade de métodos e propostas pedagógicas. possibilitando a criação de rede de apoio integral às famílias. 7.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 7. assistência social. 7. acompanhamento pedagógico individualizado. que estejam fora da escola e com defasagem idade série. que as ajude agarantir melhores condições para o aprendizado dos estudantes.

9.5) Ampliar a oferta de matrículas gratuitas de educação profissional técnica de nível médiopelas entidades privadas de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. de forma concomitante ao ensino público.1) Expandir as matrículas de educação profissional técnica de nível médio nos InstitutosFederais de Educação. o desenvolvimento de currículos e metodologias específicas para avaliação e formação continuada de docentes das redespúblicas que atuam na educação de jovens e adultos integrada à educação profissional. no mínimo. bem como a interiorização da educação profissional.3) Fomentar a integração da educação de jovens e adultos com a educação profissional. 10. 11. Meta 12: Elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para cinquenta por cento e ataxa líquida para trinta e três por cento da população de dezoito a vinte e quatro anos. em articulação com a área da saúde. produção dematerial didático específico e formação continuada de professores. 11. Meta 11: Duplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível médio. vinte e cinco por cento das matrículas de educação de jovens eadultos na forma integrada à educação profissional nos anos finais do ensinofundamental e no ensino médio. 10. com a finalidade de ampliar a oferta e democratizar oacesso à educação profissional pública e gratuita. sua vinculação com arranjos produtivos. objetivando aelevação do nível de escolaridade do trabalhador. Ciência e Tecnologia. identificando motivos de ausência e baixafreqüência e colaborando com Estados e Municípios para garantia de frequência e apoio àaprendizagem. programa nacional de atendimentooftalmológico e fornecimento gratuito de óculos para estudantes da educação de jovens eadultos. a aprendizagem e a conclusão com êxito da educação de jovens eadultos integrada com a educação profissional. de acordocom as necessidades e interesses dos povos indígenas.4) Institucionalizar programa nacional de reestruturação e aquisição de equipamentosvoltados à expansão e à melhoria da rede física de escolas públicas que atuam naeducação de jovens e adultos integrada à educação profissional. nos cursos presenciais.9) Expandir o atendimento do ensino médio integrado à formação profissional para os povosdo campo.6) Expandir a oferta de financiamento estudantil à educação profissional técnica de nívelmédio oferecida em instituições privadas de educação superior.5) Executar. sociais eculturais locais e regionais. de acordo com as características e especificidades do público daeducação de jovens e adultos. assegurandoa qualidade da oferta. 11.7) Institucionalizar programa nacional de assistência ao estudante.2) Fomentar a expansão das matrículas na educação de jovens e adultos de forma a articulara formação inicial e continuada de trabalhadores e a educação profissional. de maneira a estimular a ampliação do atendimento desses estudantes narede pública regular de ensino.8) Estimular o atendimento do ensino médio integrado à formação profissional. 8. 10. até 2020. Estratégias: 9. emcursos planejados. o analfabetismo absoluto ereduzir em cinquenta por cento a taxa de analfabetismo funcional. financeira e de apoio psico-pedagógico que contribuam para garantir oacesso. Estratégias: 10.3) Fomentar a expansão da oferta de educação profissional técnica de nível médio namodalidade de educação a distância. 11.5) Fortalecer acompanhamento e monitoramento de acesso à escola específicos para ossegmentos populacionais considerados. voltado à conclusão doensino fundamental e à formação profissional inicial. integrando aformação integral à preparação para o mundo do trabalho e promovendo a inter-relaçãoentre teoria e prática nos eixos da ciência. 11. do trabalho. de forma a organizar o tempo e o espaço pedagógicos adequados àscaracterísticas de jovens e adultos por meio de equipamentos e laboratórios. Estratégias: 11.7) Institucionalizar sistema de avaliação da qualidade da educação profissional técnica denível médio das redes públicas e privadas.10) Elevar gradualmente a taxa de conclusão média dos cursos técnicos de nível médio narede federal de educação profissional.1) Assegurar a oferta gratuita da educação de jovens e adultos a todos os que não tiveramacesso à educação básica na idade própria.assegurando a qualidade da oferta. 9. da tecnologia e da cultura ecidadania.4) Promover chamadas públicas regulares para educação de jovens e adultos e avaliação dealfabetização por meio de exames específicos. 8. em parceria com as áreas de assistência social e saúde.8) Fomentar a diversificação curricular do ensino médio para jovens e adultos. Meta 9: Elevar a taxa de alfabetização da população com quinze anos ou mais para noventa etrês vírgula cinco por cento até 2015 e erradicar. 9. a relação de alunos por professor para vinte. 10.6) Promover busca ativa de crianças fora da escola pertencentes aos segmentos populacionaisconsiderados.6) Fomentar a oferta pública de formação inicial e continuada para trabalhadores articulada àeducação de jovens e adultos.2) Implementar ações de alfabetização de jovens e adultos com garantia de continuidade daescolarização básica. científica e tecnológica para noventa por cento eelevar. 11.3) Promover o acesso ao ensino fundamental aos egressos de programas de alfabetização egarantir o acesso a exames de reclassificação e de certificação da aprendizagem. de acordo com os seus interesses e necessidades. 11. 9. . compreendendo ações deassistência social.4) Fomentar a expansão da oferta de matrículas gratuitas de educação profissional técnica porparte das entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas aosistema sindical. 11. de forma a estimular a conclusão daeducação básica.3) Garantir acesso gratuito a exames de certificação da conclusão dos ensinos fundamental emédio. Didatismo e Conhecimento 88 10. Meta 10: Oferecer. a permanência. inclusive na modalidade de educação a distância. 8. para os segmentospopulacionais considerados. 10. que permitam aferição do grau deanalfabetismo de jovens e adultos com mais de quinze anos de idade. com base noincremento de programas de assistência estudantil e mecanismos de mobilidadeacadêmica. 10.2) Fomentar a expansão da oferta de educação profissional técnica de nível médio nas redespúblicas estaduais de ensino.5) Fomentar a produção de material didático.1) Manter programa nacional de educação de jovens e adultos. levando em consideração a responsabilidadedos Institutos na ordenação territorial.4) Ampliar a oferta de programas de reconhecimento de saberes para fins da certificaçãoprofissional em nível técnico. 11.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 8. em regime de colaboração e com apoio das entidadesprivadas de formação profissional vinculadas ao sistema sindical.

de modo a permitir aos graduandos aaquisição das competências necessárias a conduzir o processo de aprendizagem de seusfuturos alunos. 12. 14.1) Otimizar a capacidade instalada da estrutura física e de recursos humanos das instituiçõespúblicas de educação superior. Científica e Tecnológica edo Sistema Universidade Aberta do Brasil.a fim de apurar o valor agregado dos cursos de graduação. dez por cento do total de créditos curriculares exigidos para agraduação em programas e projetos de extensão universitária. 12. 12. regulação e supervisão.7) Assegurar.16) Consolidar processos seletivos nacionais e regionais para acesso à educação superiorcomo forma de superar exames vestibulares individualizados. 13. 12. em âmbito nacional e internacional. uniformizando a expansão no territórionacional.3) Induzir processo contínuo de autoavaliação das instituições superiores. as políticas de inclusão e de assistênciaestudantil nas instituições públicas de educação superior. trinta e cinco porcento doutores. conclusão e formação de profissionais para atuação junto a estaspopulações.11) Fomentar estudos e pesquisas que analisem a necessidade de articulação entre formação. tendo emvista o enriquecimento da formação de nível superior. 12.5) Ampliar.861.3) Expandir o financiamento estudantil por meio do FIES à pós-graduação stricto sensu. a inovação tecnológica e amelhoria da qualidade da educação básica. 12.6) Substituir o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes . por meioda constituição de fundo garantidor do financiamento. sendo. combinando formação geral e prática didática. na forma dalegislação.4) Induzir a melhoria da qualidade dos cursos de pedagogia e licenciaturas. 13. demodo a atingir a titulação anual de sessenta mil mestres e vinte e cinco mil doutores.permanência. 13. inclusive por meio de plano dedesenvolvimento institucional integrado. 12. Didatismo e Conhecimento 89 12. de forma a dispensarprogressivamente a exigência de fiador. fortalecendo aparticipação das comissões próprias de avaliação. inclusive mediante a adoção de políticas afirmativas. na forma de programas de pósgraduaçãostricto sensu. 13. de modo a ampliar as taxas deacesso à educação superior de estudantes egressos da escola pública.3) Elevar gradualmente a taxa de conclusão média dos cursos de graduação presenciais nasuniversidades públicas para noventa por cento. de que trata a Lei no 10. mediante estratégiasde aproveitamento de créditos e inovações acadêmicas que valorizem a aquisição decompetências de nível superior. nomínimo. 13. 14. sobretudo nas áreas de ciências ematemática. efetivamente.recursos e tecnologias de educação a distância. 13. Meta 13: Elevar a qualidade da educação superior pela ampliação da atuação de mestres edoutores nas instituições de educação superior para setenta e cinco por cento. do total.260.6) Expandir o financiamento estudantil por meio do Fundo de Financiamento ao Estudantedo Ensino Superior .2) Ampliar a oferta de vagas por meio da expansão e interiorização da rede federal deeducação superior. 12. pesquisa institucionalizada. de forma aampliar e interiorizar o acesso à graduação. utilizando metodologias.12) Consolidar e ampliar programas e ações de incentivo à mobilidade estudantil e docenteem cursos de graduação e pósgraduação. do corpo docente em efetivo exercício.2) Estimular a integração e a atuação articulada entre a Coordenação de Aperfeiçoamento dePessoal de Nível Superior CAPES. de 14 de abril de 2004. aoferta de vagas públicas em relação à população na idade de referência e observadas ascaracterísticas regionais das micro e mesorregiões definidas pela Fundação InstitutoBrasileiro de Geografia e Estatística . de que trata a Lei no 10.com vistas a potencializar a atuação regional. . sejam avaliados no que diz respeito àaprendizagem resultante da graduação. 14. no mínimo. Estratégias: 13.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Estratégias: 12.5) Elevar o padrão de qualidade das universidades.FIES. de modo querealizem.ENADE aplicado ao finaldo primeiro ano do curso de graduação pelo Exame Nacional do Ensino Médio .8) Fomentar a ampliação da oferta de estágio como parte da formação de nível superior.ENEM.IBGE. por meio daaplicação de instrumento próprio de avaliação aprovado pela Comissão Nacional deAvaliação da Educação Superior . em relação a acesso.4) Expandir a oferta de cursos de pós-graduação stricto sensu. mediante ações planejadas e coordenadas. sociais eculturais do País.ENADE.considerando as necessidades do desenvolvimento do País. considerando as necessidades econômicas. 12. demodo a que mais estudantes. fortalecendo as ações deavaliação.9) Ampliar a participação proporcional de grupos historicamente desfavorecidos naeducação superior.1) Aprofundar e aperfeiçoar o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior -SINAES. de mais áreas. 12. 12. e as agências estaduais de fomento à pesquisa. 12.15) Institucionalizar programa de composição de acervo digital de referências bibliográficaspara os cursos de graduação.13) Expandir atendimento específico a populações do campo e indígena. 12.currículo e mundo do trabalho. por meio de programas especiais.4) Fomentar a oferta de educação superior pública e gratuita prioritariamente para aformação de professores para a educação básica. inclusive por meio do SistemaUniversidade Aberta do Brasil. bem como a aplicação de instrumentosde avaliação que orientem as dimensões a serem fortalecidas.2) Ampliar a cobertura do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes . direcionando sua atividade. bem como para atender ao déficit de profissionais em áreas específicas. ofertar um terço das vagas em cursosnoturnos e elevar a relação de estudantes por professor para dezoito. na forma da lei. Meta 14: Elevar gradualmente o número de matrículas na pós-graduação stricto sensu. destacando-se aqualificação e a dedicação do corpo docente. Estratégias: 14. pesquisa e extensão.14) Mapear a demanda e fomentar a oferta de formação de pessoal de nível superior.7) Fomentar a formação de consórcios entre universidades públicas de educação superior. 12. da Rede Federal de Educação Profissional. considerando a densidade populacional.CONAES.1) Expandir o financiamento da pós-graduação stricto sensu por meio das agências oficiaisde fomento.10) Assegurar condições de acessibilidade nas instituições de educação superior. de 12 de julho de 2001. apoiando seusucesso acadêmico. assegurando maior visibilidade nacional einternacional às atividades de ensino.especialmente ao mestrado profissional.

no prazo de um ano de vigência do PNE .5) Consolidar programas.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 14. 15. com implementação gradual da jornada de trabalhocumprida em um único estabelecimento escolar. visando trabalho sistemático de conexãoentre a formação acadêmica dos graduandos e as demandas da rede pública de educaçãobásica. a fim de fundamentar. Didatismo e Conhecimento .8) Ampliar a oferta de programas de pós-graduação stricto sensu. no âmbito da União. paradidáticos. a fim de incentivar a formação de profissionais do magistério paraatuar na educação básica pública. o Distrito Federal e osMunicípios. a ser disponibilizado para os professoresdas escolas da rede pública de educação básica.1) Constituir fórum permanente com representação da União. 90 Meta 16: Formar cinquenta por cento dos professores da educação básica em nível de pósgraduaçãolato e stricto sensu e garantir a todos formação continuada em sua área deatuação.3) Ampliar programa permanente de iniciação à docência a estudantes matriculados emcursos de licenciatura. política nacionalde formação e valorização dos profissionais da educação. Meta 17: Valorizar o magistério público da educação básica. 18. nacional e internacional. 16. pesquisa e extensão. Estratégias: 17. o planejamento estratégico para dimensionamento dademanda por formação continuada e fomentar a respectiva oferta por parte dasinstituições públicas de educação superior.disponibilizando gratuitamente roteiros didáticos e material suplementar. dos Estados. deliteratura e dicionários. 17. supervisionado porprofissional do magistério com experiência de ensino. do Distrito Federal e dos Municípios. 18. em seu quadro de profissionais domagistério. 16.3) Realizar prova nacional de admissão de docentes. Estratégias: 15. 17.3) Expandir programa de composição de acervo de livros didáticos. os Estados. 15. nos planos de carreira dos profissionais da educação dos Estados. sem prejuízo de outras. regulação e supervisão da educação superior. na forma da Lei no 10. instituições formadoras e processos de certificação dos cursos. sem prejuízo de outros. e defina obrigações recíprocas entre os partícipes. 15. definindo diretrizes nacionais. comunidades quilombolas e povos indígenas. que todos os professores da educação básica possuam formaçãoespecífica de nível superior. do Distrito Federal e dos Municípios. formação na áreado saber e didática específica. bem como para divulgação e atualizaçãodos currículos eletrônicos dos docentes. em regime de colaboração entre a União. Estratégias: 18.6) Implementar programas específicos para formação de professores para as populações docampo.9) Manter e expandir programa de acervo digital de referências bibliográficas para os cursosde pós-graduação. projetos e ações que objetivem a internacionalização da pesquisa eda pós-graduação brasileira.6) Promover o intercâmbio científico e tecnológico. Municípios e Distrito Federal.2) Acompanhar a evolução salarial por meio de indicadores obtidos a partir da pesquisanacional por amostragem de domicílios periodicamente divulgados pelo IBGE. 14. a existência de planos de carreira para osprofissionais do magistério em todos os sistemas de ensino. 15. especialmente o dedoutorado. dividindo a carga horária em formação geral.5) Institucionalizar. nos campi novos abertos no âmbito dos programas de expansão einteriorização das instituições superiores públicas. 18. dos Municípios e dos trabalhadores em educação para acompanhamento daatualização progressiva do valor do piso salarial profissional nacional para osprofissionais do magistério público da educação básica. entre asinstituições de ensino.8) Induzir. dos Estados.a plena implementação das respectivas diretrizes curriculares. 15. 16.4) Fomentar a oferta de cursos técnicos de nível médio destinados à formação defuncionários de escola para as áreas de administração escolar. multimeios e manutençãoda infraestrutura escolar. no prazo de dois anos.4) Ampliar e consolidar portal eletrônico para subsidiar o professor na preparação de aulas. 14.7) Promover a reforma curricular dos cursos de licenciatura.1) Estruturar os sistemas de ensino buscando atingir.7) Implementar ações para redução de desigualdades regionais e para favorecer o acesso daspopulações do campo e indígena a programas de mestrado e doutorado. de forma orgânica e articulada às políticas deformação dos Estados. obtida em curso de licenciatura na área de conhecimentoem que atuam. com base em plano estratégico que apresente diagnóstico dasnecessidades de formação de profissionais do magistério e da capacidade de atendimentopor parte de instituições públicas e comunitárias de educação superior existentes nosEstados.2) Consolidar sistema nacional de formação de professores. 14. 15.áreas prioritárias.4) Consolidar plataforma eletrônica para organizar a oferta e as matrículas em cursos deformação inicial e continuada de professores. Meta 18: Assegurar.2) Consolidar o financiamento estudantil a estudantes matriculados em cursos de licenciaturacom avaliação positiva pelo SINAES. de forma a assegurar o foco noaprendizado do estudante.planos de carreira para o magistério. com base emavaliação documentada. Meta 15: Garantir. a fim de aproximar o rendimentomédio do profissional do magistério com mais de onze anos de escolaridade dorendimento médio dos demais profissionais com escolaridade equivalente. do DistritoFederal. 15. incentivando a atuação em rede e o fortalecimento de gruposde pesquisa.3) Implementar. 14. de 2004. a fim de subsidiar a realização deconcursos públicos de admissão pelos Estados. a decisão pela efetivação ou não efetivação do professor ao finaldo estágio probatório. 16.2) Instituir programa de acompanhamento do professor iniciante. do DistritoFederal e dos Municípios. inclusive para alimentação escolar. 15. 15. licenças para qualificação profissional em nível de pósgraduaçãostricto sensu.1) Atuar conjuntamente. Distrito Federal e Municípios.2011/2020. de forma a ampliar aspossibilidades de formação em serviço. nãolicenciados ou licenciados em área diversa da de atuação docente.1) Realizar. noventa por cento de servidores nomeados em cargos de provimento efetivoem efetivo exercício na rede pública de educação básica. em efetivo exercício. Estratégias: 16.5) Prever. permitindoinclusive a amortização do saldo devedor pela docência efetiva na rede pública deeducação básica. por meio das funções de avaliação.10) Implementar cursos e programas especiais para assegurar formação específica em suaárea de atuação aos docentes com formação de nível médio na modalidade normal.9) Valorizar o estágio nos cursos de licenciatura.861. em regime de colaboração.

impondo a corresponsabilidadedos entes federados por sua implementação e garantindo a aplicação de percentuais mínimos dareceitas provenientes de impostos para sua manutenção e desenvolvimento. demonstrando o empenho do Governo e da sociedadebrasileira em saldar a enorme dívida que o Brasil tem com a educação. o texto aprovado exprime uma concepção ampla de educação.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 18. oDistrito Federal e os Municípios que tenham aprovado lei específica prevendo aobservância de critérios técnicos de mérito e desempenho e a processos que garantam aparticipação da comunidade escolar preliminares à nomeação comissionada de diretoresescolares. normativo e institucional para garantia dos direitossociais. oDistrito Federal e os Municípios que tenham aprovado lei específica estabelecendo planosde carreira para os profissionais da educação.FUNDEB. do Distrito Federale dos Municípios. mais recentemente. 20. a Lei n° 10.1) Priorizar o repasse de transferências voluntárias na área da educação para os Estados. tratando-a como direito social inalienável e fundamental para o exercício da cidadania.5) Definir o custo aluno-qualidade da educação básica à luz da ampliação do investimentopúblico em educação. e. com planejamento sistemático ede longo prazo é de fundamental importância para vencer esta batalha. O tratamento da educação como política de Estado. Antecedentes A redemocratização do País.6) Desenvolver e acompanhar regularmente indicadores de investimento e tipo de despesaper capita por aluno em todas as etapas da educação pública. o censo dos funcionários de escola da educação básica. Excelentíssimo Senhor Presidente da República. Na esfera infra-constitucional. No que tange à educação. as modificações na ordem jurídico-institucionalcompletaram-se com a aprovação. acelerando mudanças na educação brasileiraimpulsionadas por mobilização popular. 03 de novembro de 2010.2011/2020 na forma ora proposta representa um importante avançoinstitucional para o país.4) Fortalecer os mecanismos e os instrumentos que promovam a transparência e o controlesocial na utilização dos recursos públicos aplicados em educação. efetivação da democracia e ampliação da cidadania para muitosbrasileiros. que regulamentou o Fundo deManutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais daEducação . 20. nomínimo. 20.2) Aplicar prova nacional específica. de 1996 . destacando-se a Lei de Diretrizes e Bases daEducação Nacional (Lei nº 9. de 2007. Formatado A Constituição Federal de 1988 incorpora estas bandeiras e traz avançosconsideráveis dos pontos de vista jurídico. A educação é um dos mais importantes instrumentos de inclusão social.assegurando o acesso ao ensino como direito público subjetivo. mobilizandoGovernos e os mais diversos segmentos da sociedade em torno de um objetivo comum: aampliação do acesso à educação de qualidade para todos os brasileiros. Os indicadores mais recentes confirmam o alcance de bons resultados em quase todos os níveis e dimensões da educação. 19. O PNE . A melhoria continuada do nível de educação da população certamente irá refletir-senão só na qualidade da vida.494. É inegável que nos anos mais recentes o temaeducação foi sendo definitivamente alçado à prioridade na agenda nacional. a Emenda Constitucional nº 59. a partir da década de 1980. no prazo de um ano de vigência desta Lei.5) Implantar.1) Garantir fonte de financiamento permanente e sustentável para todas as etapas emodalidades da educação pública. 20. Todavia. mediante lei específica aprovada no âmbito dos Estados. pelo Congresso Nacional. 1. o patamar de sete por cento do produto interno bruto do País. 18. de vários instrumentos legais degrande impacto para a educação brasileira. 2009. Por isso. A LDB reestruturou e definiu as diretrizes e bases da educação escolar no Brasil. de 1996. oestabelecimento de metas e estratégias para garantia de uma educação de qualidade para todosos brasileiros tem que ser prioridade nacional. 18. 18. que ampliouo ensino obrigatório dos 4 aos 17 anos de idade. a Emenda Constitucional nº 14. Meta 20: Ampliar progressivamente o investimento público em educação até atingir. Temos a honra de submeter à consideração de Vossa Excelência o anexo Projeto deLei que “Aprova o Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2020 e dá outrasprovidências”. Meta 19: Garantir. Estratégias: 19. a Lei nº 11. a fim de subsidiar a definição de critérios objetivospara o provimento dos cargos de diretores escolares. queinstituiu o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorizaçãodo Magistério – FUNDEF. também no desenvolvimento econômico do país. mas. definindo metas e estratégias para avançar no processo de melhoria daeducação brasileira. em regime de colaboração com ossistemas de ensino.394. que estabeleceu o Plano Nacional deEducação .2) Aperfeiçoar e ampliar os mecanismos de acompanhamento da arrecadação dacontribuição social do salárioeducação. para quealcancemos os níveis desejados e necessários para o desenvolvimento do país. . a nomeação comissionada de diretores de escola vinculada acritérios técnicos de mérito e desempenho e à participação da comunidade escolar. política nacional de formaçãocontinuada para funcionários de escola. a aprovação deum novo Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2020 deve ser encarada comoestratégica para o país. Formatado E M N° 033Brasília.LDB). construída em regime de colaboração com ossistemas de ensino.8) Priorizar o repasse de transferências voluntárias na área da educação para os Estados. de 2001.7) Considerar as especificidades socioculturais dos povos indígenas no provimento de cargosefetivos para as escolas indígenas. há ainda muitoque fazer. 20. no prazo de dois anos de vigência desta Lei.PNE atualmente vigente. Por essa razão.3) Destinar recursos do Fundo Social ao desenvolvimento do ensino.172. Estratégias: 20. fez surgir como uma das principais bandeiras a luta pelo direito à educação.6) Realizar. essencial Didatismo e Conhecimento 91 para a redução das desigualdades no Brasil.

Ademais. ensinofundamental. de 9 de janeiro de 2001.a Lei veio sofrendo várias alterações. reforçaram-se falsas oposições e promoveu-se verdadeira disputa entre etapas. conceitos fundamentais que garantem a organização dos sistemaseducacionais do país. registrar a atuação do Ministério da Educação na aprovação da Emenda Constitucional 59/2009. Constituiu-se. o DistritoFederal e os 5. ressaltese.127. realizada entre 28 de março e 01 deabril de 2010. no âmbito da educação básica.Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena e Fórum Nacional de Educação Superior). formação de professores e valorização do magistério e gestãoe mobilização das comunidades. avaliação e responsabilização dos agentes públicos quecomandam o sistema educacional. nas conferências brasileirasde educação (realizadas na década de 80 em São Paulo. Municípios. os diversos níveis. caberia aogestor público optar pela primeira.563 municípios. aprovado pelo Congresso Nacional e instituído pela Lei nº10.componentes de uma unidade geral. permitindo a organização deeixos norteadores. nas conferências nacionais de educação e cultura promovidas pela Câmara dosDeputados entre 2000 e 2005. etapas emodalidades da educação não eram entendidos enquanto momentos de um processo. o resultado desta política para aeducação básica foi a falta de professores com licenciatura para exercer o magistério e alunos doensino médio desmotivados pela insuficiência de oferta de ensino gratuito nas universidadespúblicas. indispensáveis à criação das condições objetivas paraa efetivação de políticas de Estado. com acriação do Fundeb. promovesse a articulação entre aspolíticas específicas e coordenasse os instrumentos disponíveis (políticos. para a melhoria da qualidade doensino em todos os aspectos e para a democratização do acesso. Belo Horizonte. abrangendo todosos eixos. Fundada na justificativa da necessidade de estabelecer prioridades. o argumento serviu de pretexto para asfixiar o sistema federal de educação superior einviabilizar a expansão da rede. acabou por constituir-se em importante instrumentopara persecução das metas quantitativas estabelecidas naquele diploma legal. quanto as perspectivas de continuidade de escolarização. níveis e modalidades da Educação. por exemplo. este Governo lançou em 2007 o Plano deDesenvolvimento da Educação – PDE. Conferência Nacional de Educação Básica. Esta concepção esteve presente. Além destes marcos jurídicos.formação para o trabalho. A visão sistêmica que enlaça todos os projetos doPDE empresta coerência e promove a articulação de todo o sistema.destacando-se especialmente as conferências municipais. cuja vigência se estende a 2020. De acordo com esta visão. comprometendo tanto abase do ensino. objetivos. O PNE 2001-2010. Cumpre. O Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE O PNE foi lançado quando vigorava no país uma visão fragmentada da educação. devemconduzir ainda ao estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação comoproporção do produto interno bruto. era necessário superar essas oposições. a realização de conferências nacionais deeducação como espaços de participação da sociedade na construção de novos marcos para aspolíticas educacionais. buscando uma visão sistêmica da educaçãoque compreendesse o ciclo educacional de modo integral. Apesar de não ser a tradução direta do PNE. etapas e24modalidades por meio de ações integradas dos poderes públicos das diferentes esferasfederativas. universalização do atendimento escolar. reforçando mutuamente cada etapa de ensino. O PNE em vigor contribuiu para a construção depolíticas e programas voltados à melhoria da educação. em instrumento essencial na universalização do ensino fundamental. além dos objetivos já fixados na redação anterior (erradicação doanalfabetismo. Para mudar este quadro e alcançar efetivamente resultados mais favoráveis na educação. ampliar a abrangência dosprogramas suplementares para todas as etapas da educação básica e estabelecer nova redaçãopara o parágrafo 214 da Constituição Federal. modalidades e níveiseducacionais. fixou-se o prazo decenal para oplano nacional de educação. nasconferências e encontros recentemente realizados pelo Ministério da Educação (ConferênciaNacional de Educação Profissional e Tecnológica. à atualização de conceitos às novas visões e estratégias educacionais e aoaprimoramento de parte de suas normas. Tais ações. O Fundef instaurou um novo modelo de financiamento do ensino fundamental. desarticulou-se uma política importantíssima para o país. especialmente em nível federal. Ao vedar por decreto a oferta deensino médio articulado à educação profissional e proibir por lei a expansão do sistema federalde educação profissional. ainda. fixando objetivos e metas para a educação brasileira por um período de dezanos . Decretos PortariasInsterministeriais e Planos de Ações Articuladas firmados com todos os 26 estados. Didatismo e Conhecimento . Sob o discurso de universalização do ensino fundamental. 92 Como resposta a esta situação. Em 2007. No texto atual. visando à adequação de seus dispositivos às alteraçõesconstitucionais. Uma terceira oposiçãoverificada deu-se entre ensino médio e educação profissional.assim. na Conferência Nacional Educação Para Todos. educação especial e educação de jovens e adultos.passando a abranger toda a educação básica. nos congressos nacionais de educação (em Belo Horizonte. ampliou-se o escopo do financiamento. sobretudo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Delineou o papel a ser desempenhado pela União. de 1994. muito embora tenha vindodesacompanhado dos instrumentos executivos para consecução das metas por ele estabelecidas. Estados. um conjunto de mais de 40 medidas. pelas escolas e demaisinstituições de ensino. contemplando educação infantil. Porto Alegre São Paulo e Recife). por sua vez. O PDE apresenta mecanismospara aprofundar o diagnóstico das condições da educação. criou-se aindesejável oposição entre educação básica e superior. especificou os níveis e modalidades deensino. que possibilitou grandes conquistas para a educação nacionalao prever a obrigatoriedade do ensino de quatro a dezessete anos. ensino médio. Os programas e ações do PDE foram institucionalizados em Leis. De lá para cá. com o objetivo de articular nacionalmente os sistemas de ensino emregime de colaboração e definir diretrizes. científica e tecnológica do País). Niterói.a chamada “Década da Educação”. o PDE como conjunto de programas eações destinadas à melhoria da educação. Traçou os princípios educativos. regulou e regulamentou a estrutura e o funcionamento do ensino nacional.implementando importante mecanismo de redistribuição de recursos vinculados à educação comvistas a cumprir o princípio constitucional da equalização do financiamento. técnicos e financeiros)entre os três níveis federativos. intermunicipais e estaduais queresultaram na Conferência Nacional de Educação CONAE. Além deste efeito direto. a atenção exclusiva ao ensino fundamentalresultou em descaso com as outras duas etapas (ensino infantil e médio). promoção humanística. Sem que a União aumentasse o investimento na educaçãobásica. traçou rumos para as políticas e açõesgovernamentais. 2. Diante da falta de recursos. melhoria da qualidade do ensino. Goiânia eBrasília). metas e estratégias de implementação paraassegurar a manutenção e desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis. Os pilares de sustentação doPDE são: financiamento adequado. por fim.

que: “o Poder Legislativo. ela envolveuquestões específicas da educação e outras que a transcendem. portanto. sistematizados pelo MEC. traduzidas porpolíticas. A avaliação daspolíticas públicas na arena educacional apresenta. Piaget não deu ênfase aos valores sociais e culturais no desenvolvimento da inteligência. Dentre os processos avaliativos ocorridos ao longo da implementação do PNEvigente. Vygotsky estava preocupado com a questão de como os fatores sociais e culturais influenciam o desenvolvimento intelectual. não ocorrendo de maneira automática. de 2001 a 2008. a Lei nº9. porém cada um começou e perseguiu por diferentes questões e problemas. pelo Legislativo e ainda pela sociedade civil. e (g) a Avaliação do PNE. portanto. o Distrito Federal. define como uma das suas atribuições “subsidiar a elaboração e acompanhara execução do Plano Nacional de Educação”. 9 CONCEPÇÕES DE ENSINO E APRENDIZAGEM E ATIVIDADE DOCENTE. o PNE 2001-2010 representou um importante avanço institucional. procederá a avaliaçõesperiódicas da implementação do Plano Nacional de Educação”. As crianças constroem e internalizam o conhecimento que esses seres instruídos possuem.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 3. mas. entendida como política de Estado e. Ambos entenderam o conhecimento como adaptação e como construção individual e compreenderam a aprendizagem e o desenvolvimento como autorregulados.realizados nas cinco regiões do País. portanto. Vygotsky e Piaget estavam preocupados com o desenvolvimento intelectual. criadora. cabendo ao Congresso Nacional aprovar medidas legais decorrentes. A criança transforma aquilo que aprende de acordo com sua capacidade interna e nata. se essa capacidade de aprendizagem e oportunidade lhe for oferecida. sob a responsabilidade da Coordenação Geral de Articulação e Fortalecimento Institucional dos Sistemas de Ensino (Cafise) da Seb/MEC. O PNE 2011-2020 – Uma construção coletiva Como referido.131. mediante a construção pessoal desse conhecimento. que renomeou e reestruturou o Conselho Nacional deEducação . simultaneamente. merecem ser destacados: (a) a realização de estudo sobre aimplementação do PNE pela Consultoria Legislativa. em setembro e outubro de 2005. por solicitação da Comissão de Educação eCultura da Câmara dos Deputados. (e) os Ciclos dedebates pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) com vistas a subsidiar o MEC no envio depropostas para o Congresso Nacional. desencadeados pelos diferentes agentes. A teoria de Vygotsky é uma teoria de transmissão do conhecimento da cultura para a criança. Enquanto que Piaget. As diferenças entre os dois autores parecem ser muitas. em 2005. em 2006. com vistas àcorreção de deficiências e distorções”. realizados pelo Centrode Planejamento e Desenvolvimento Regional (Cedeplar/UFMG). trouxe previsão legal que determinou e exigiu monitoramento e avaliaçãoperiódicas de sua execução. Observa-se. (d) osdiagnósticos regionais da situação educacional diante das metas do PNE. acompanhará a execução do PlanoNacional de Educação”. realizado emBrasília.concorrentes e complementares. que a legislação educacional em vigor distribui entre várias instituições a responsabilidade pelo acompanhamento e avaliação do PNE. publicado em 2004.do CNE e das comissões de educação da Câmara e do Senado Federal são. características e dimensões em um país de porte continental como o Brasil. respectivamente. deanálise contextualizada. da Câmara dosDeputados e da Comissão de Educação do Senado Federal. na medida em que a proposição depolíticas na área envolve a ação da sociedade política e da sociedade civil. onde a teoria é um acontecimento da invenção ou construção que ocorre na mente do indivíduo. em 2006. (b) o Colóquio Nacional sobreMecanismos de Acompanhamento e Avaliação do Plano Nacional de Educação. coordenada pela DTDIE/ Didatismo e Conhecimento 93 Inep.CNE. pois além de constituir-se em instrumento estruturante e de planejamento das açõesgovernamentais. Já o art. Assim. dadas suanatureza. de 2001 a 2005. mas eles partilham de pontos de vista semelhantes. histórico social e ontogenético. pela União. Resultou. alto grau de complexidade. tornando-se transformadora da aprendizagem. com a participação de especialistas em educação. programas e ações. partiu de várias concepções e perspectivas. Por sua vez. Os §§ 1º e 2º desse artigoestipulam. A avaliação do PNE. em que se articularam as dimensões técnica e política. Piaget aprovou a construção individual como singular e diferente. os indivíduos interagem com agentes sociais mais lecionados. exercer acoordenação do processo de execução dos próximos Planos. também. o MEC tem como atribuição não apenas instituir “os mecanismos necessários aoacompanhamento das metas constantes do Plano Nacional de Educação” e assegurar a realização de avaliações periódicas dos seus níveis de implementação. o artigo 3º da lei que aprovou o PNE determina que: “a União. não circunscritaà esfera governamental. Comefeito. embora comumente liga- . de 24 de novembro de 1995. Discordaram quanto ao processo de construção desse conhecimento. não acreditava que a transmissão direta desse tipo fosse viável. Para ele as crianças adquirem uma forma própria de se desenvolver no social. 4º da Lei do PNE prevê que “a União instituiráo Sistema Nacional de Avaliação e estabelecerá os mecanismos necessários aoacompanhamento das metas constantes do Plano Nacional de Educação”. pressupostos escritos por Vygotsky Lev Semenovich Vygotsky estudou sistematicamente a psicologia e seu projeto principal foi os processos de transformação do desenvolvimento na dimensão filogenética. por intermédio das Comissões deEducação. Cultura e Desporto [hoje Comissão de Educação e Cultura]. Como órgão formulador e executor das políticas federais deeducação. e coordenados pelo MEC/Seb/ Dase/Cafise. e que “a primeira avaliação realizar-se-á no quarto ano de vigênciadesta lei. os municípios e a sociedade civil. Piaget estava interessado em como o conhecimento é adquirido ou construído. a Avaliação Preliminardo PNE. sobretudo. coordenada pela SEA/MEC. (c) os Semináriosregionais de acompanhamento e avaliação do PNE e dos planos decenais correspondentes. Piaget escreveu sobre a interação entre indivíduo e meio constituída através de dois processos: organização interna das experiências e adaptação ao meio. Os papéis do MEC. em articulação com osestados. como professores e colegas. com aparticipação de especialistas em educação. ambos viram o desenvolvimento e a aprendizagem da criança como participativa.

o que reflete o desenvolvimento intelectual. explicando desta forma. e o desenvolvimento são adquiridos por modelos e. Para Piaget. (Fowler 1994). com um jeito particular de pensar. reconheceu infinitamente o papel dos fatores sociais no desenvolvimento intelectual. na formação do pensamento e da consciência. através da ação. A criança não inventa. O que é desejado é que o professor deixe de ser um expositor satisfeito em transmitir soluções prontas. Vygotsky retoma o tema da zona de desenvolvimento proximal e sua relação com a aprendizagem. para Vygotsky toda construção era mediada pelos fatores externos sociais. uma vez que irão contribuir no desenvolvimento dos processos psicológicos. As implicações do desenvolvimento para Piaget e Vygotsky Tomando o ponto de vista educacional. memória e atenção. Vygotsky trata a aquisição da linguagem do meio social como o resultado entre raciocínio e pensamento em nível intelectual. superiores rudimentares e processos psicológicos avançados. seus pontos de vista sobre o relacionamento sejam diferentes. Piaget. é sempre possível o avanço das construções anteriores. p. e sim. as duas teorias divertem. enquanto que a zona de desenvolvimento proximal é o nível em que os estudantes podem resolver problemas com “apoio”(Lester 1994. assunto deste estudo. a linguagem reflete. e sendo produzido pela internalização de atividades sociais. estimulando a iniciativa e a pesquisa”. Vygotsky substituiu os instrumentos de trabalho por instrumentos psicológicos. mas não como necessária ao desenvolvimento intelectual. O papel da linguagem no desenvolvimento intelectual para Vygotsky e Piaget A diferença mais nítida entre os dois teóricos. Piaget coloca que a nova construção é sempre realizada sobre uma construção anterior e que. Vygotsky atribui importância a linguagem. Em segundo lugar. copia o que está socialmente exposto e a disposição. como processo psicológico superior adquirido na vida social mais extensa e por toda a espécie. Piaget considerou a construção do conhecimento como um ato individual da criança. um processo de transmissão de cultura. para Vygotsky desempenham um papel fundamental no desenvolvimento intelectual. não podendo ir além daquele estádio adquirido. claro. As interações sociais foram consideradas como uma fonte do conflito cognitivo.4). A única maneira de avançar a um nível intelectual mais elevado não é na linguagem com suas representações. As crianças por sua vez vão tornando-se indivíduos com funções e habilidades intelectuais. A sociedade atribui a isto. A verdadeira construção do conhecimento não é medida. Isto é. o ambiente da sala de aula requer interação social. é referente ao papel da linguagem no desenvolvimento intelectual. O conhecimento anterior é reconstruído diante da desiquilibração socialmente provocada e estimulada. mas o de inventá-lo. também desta forma. mas não produz inteligência. a aprendizagem não começa na escola. Embora Vygotsky e Piaget considerassem o conhecimento como uma construção individual. entre outras coisas. faz uma diferenciação entre processos psicológicos. a linguagem. o professor e o programa institucional devem modelar ou explicar o conhecimento. portanto. pela motivação da criança. quando o indivíduo emprega a capacidade de empregar símbolos para representar. pois além da função comunicativa. a criança pode utilizar as fontes e formas de informação no processo de construção. com a desiquilibração. através da ação. e com isso o facilitador ou professor é o instrutor da criança. com a modelação do conhecimento e a interação social. A interação e a linguagem têm um importante destaque no pensamento de Vygotsky. assegura que significados linguisticamente criados sejam significados sociais e compartilhados. instrumento de imenso poder. são consideradas para a construção do conhecimento social. o seu papel deveria ser aquele de um mentor. Os fatores sociais influenciam a desequilibração individual através do conflito cognitivo e apontam que há construção a ser feita. Piaget tinha a concepção de que o nível de desenvolvimento colocava limites sobre o que podia ser aprendido e sobre o nível da compreensão possível daquela aprendizagem. Dessa forma. a evolução dos processos naturais até alcançar os processos mentais superiores. na organização e planejamento da ação. de desequilibração e. por isso. em todas as demais funções psíquicas superiores do sujeito. que toda situação de aprendizagem escolar se depara sempre com uma história de aprendizagem prévia. Assim. 94 Didatismo e Conhecimento . A aprendizagem. na regulação do comportamento e. mas rememora. os estudantes podem aprender coisas que não aprendiam sozinhos. “É óbvio que o professor enquanto organizador permanece indispensável no sentido de criar as situações e de arquitetar os projetos iniciais que introduzam os problemas significativos à criança. enquanto que para Piaget o próprio desenvolvimento é a força propulsora. consequentemente. tanto Vygotsky como Piaget. ela é essencial no processo de transição do interpessoal em intramental. Vygotsky chamou de zona de desenvolvimento potencial e zona de desenvolvimento proximal. Para Piaget. mas não o produz (Fowler 1994). no sentido vygotskiano. através da fala. ele não é copiado de um referencial e modelo. O papel do professor é visto basicamente como o de encorajar. ele colocaria a linguagem oral. Ou seja. Vai ocorrendo períodos de desequilibração para uma nova sustentação de bases. Piaget. A cultura estabelece um conhecimento que é internalizado e construído pelas crianças. ou seja. Nas obras de Piaget. embora por circunstâncias distintas. O processo não é o de recriar um modelo. ele é necessário para proporcionar contraexemplos que forcem a reflexão e a reconsideração das soluções rápidas. É a fonte do conhecimento socialmente construído que serve de modelo e media as construções do indivíduo. A interação social no desenvolvimento e aprendizagem escolar para Piaget e Vygotsky Para Vygotsky (1998). como vontade. Vygotsky (1987). modelar cuidadosamente o conhecimento. estimular e apoiar a exploração. Piaget considerou a linguagem como facilitadora. Os fatores sociais. Para Vygotsky. embora. onde cada pessoa tem um ritmo. Tanto para Piaget como para Vygotsky. acreditavam no desenvolvimento e aprendizagem. Vygotsky tinha a ideia de que a aprendizagem é a força propulsora do desenvolvimento intelectual. por sua vez. Nos primeiros. A criança pode ativamente ouvir uma exposição ou ler um livro e empregar a informação recebida na construção. o ambiente social é a fonte de modelos dos quais as construções devem se aproximar. com isso a criança tem a chance de errar e construir. pelo fator social e ambiente. a criança constrói o seu próprio conhecimento interno a partir do que é oferecido. (1973). A zona de desenvolvimento potencial é o nível de desenvolvimento em que os estudantes são capazes de solucionar problemas de forma independente. de desenvolvimento. Em relação à aprendizagem e desenvolvimento. Piaget considerou a linguagem falada como manifestação da função simbólica. Sabemos que muitos indivíduos estão estacionados em algumas etapas de desenvolvimento e isso é refletido no dia-a dia. a construção e invenção.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS da e próxima daquela da cultura. a interação com os colegas e adultos. o trabalho do agente é.

Recriam e conservam o que se passa ao redor. com maior facilidade utiliza a mamadeira. a criança o fazia com colaboração de um adulto ou um companheiro. para a teoria vygotskiana. é importante considerar o principal objetivo da educação que é autonomia. Lima (1990). genética. . Resulta das ações e interações do sujeito com o ambiente onde vive. motivado e. mas terá que modificar o esquema para chupeta. elas observam o que os outros dizem. de maneira que é necessário investigar. ao contrário do pensamento de Piaget que assegura ser a aprendizagem uma consequência do desenvolvimento. que determina o que por ela é internalizado. a origem do desenvolvimento cognitivo dá-se do interior para o exterior. pois é alcançado por meio de ações físicas e também mentais. ligados com outros fatores como experiências. é o de equilibração. A adaptação do sujeito vai ocorrendo. através da interação sujeito com os objetos que procura conhecer. Por isso. a moral. com maior propriedade. Este questionamento é o interesse principal da epistemologia genética. a zona de desenvolvimento proximal representa o espaço entre o nível de desenvolvimento real. se utilizando a mediação. A criança vai usando o sistema. O desenvolvimento cognitivo para Piaget. Desta forma. Vygotky afirma que a aprendizagem da criança se dá pelas interações com outras crianças de seu ambiente. Piaget chamou de acomodação. etc. comer com colher. Os objetos do conhecimento têm propriedades e particularidades que nem sempre são assimiladas pela pessoa. através de assimilações e acomodações. o professor terá condições de não só utilizar meios concretos. consegue chegar a zona de desenvolvimento Didatismo e Conhecimento 95 proximal. A abordagem de Vygotsky se contrapõe a de Piaget. aquele momento. afirmando serem as influências sociais mais importantes que o contexto biológico. desde o estágio inicial de uma inteligência prática (período sensório-motor). através da assistência e auxílio do adulto. uma suposta falta no conhecimento. pela sua própria estrutura mental. a partir da adolescência. através de estágios diferentes um do outro. porque falam. lógico-dedutivo. instigado. Desenvolvimento proximal e desenvolvimento real para Vygotsky Para Vygotsky (1987). formando desta forma uma construção dinâmica entre aprendizagem e desenvolvimento. ela já tem esquemas assimilados. tais como: a) O que a criança consegue hoje com a colaboração de uma pessoa mais especializada. Todo o conhecimento é uma construção que vai sendo elaborada desde a infância. Piaget procurou mostrar quais as mudanças qualitativas por quais passa a criança. que Piaget destaca. que sejam professores. nem resultado do simples registro de percepções e informações como comenta o empirismo. c) Segundo Vygotsky (1987). embora seja estimulado pelo objeto. A educação é um processo necessário. internalizando tudo o que é observado e se apropriando do que viu e ouviu. O pensamento vai se tornando cada vez mais complexo e abrangente. Quando o professor. visuais e reais. Desenvolvimento e aprendizagem para Piaget Ao elaborar a teoria psicogenética. fazer uso de recursos que se reportem ao pensamento abstrato. Para que esta adaptação se torne abrangente. que não são impostas de dentro para fora e sim construídas pelo sujeito ao longo do desenvolvimento. O autor considera que o ambiente poderá influenciar no desenvolvimento cognitivo. A criança vai adquirindo estruturas linguísticas e cognitivas. interagindo com objetos do conhecimento cada vez mais diferentes e abstratos. o que falam. ele pode atingir maneiras através das quais a instrução será mais útil para a criança. e o nível de desenvolvimento potencial. Segundo Piaget. por isso que a sua teoria ficou conhecida como sócio interacionista. formando os esquemas. A cada adaptação constituída e realizada. uma criança que já construiu o esquema de sugar. a linguagem e a compreensão de regras sociais que não são inatas. O que promove este movimento é o processo de equilibração. Ex: interação e troca com outras crianças e do adulto como modelo. Vygotsky afirma que o conhecimento se dá dentro de um contexto. Também será mais fácil para essa criança. mediado pelo grupo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Vygotsky coloca que no cotidiano das crianças. o conhecimento não pode ser aceito como algo predeterminado desde o nascimento ou de acordo com a teoria inatista. conceito central na teoria construtivista. a acomodação. sendo que a linguagem funciona como mediador. O autor ressalta a importância de que esses processos sejam internalizados pela criança. ajudando à criança a superar suas capacidades. mais tarde poderá realizar sozinha. A este processo de ampliação ou modificação de um esquema de assimilação. maturação biológica. ou seja. até o pensamento formal. porque dizem. mas. Em função desta constatação. a aprendizagem acelera processos superiores internos que são capazes de atuar quando a criança encontra interagida com o meio ambiente e com outras pessoas. através da internalização. ou por outra criança mais velha. faz com que a pessoa se “desequilibra” intelectualmente. A referência da zona de desenvolvimento proximal implica na compreensão de outras ideias que completa a ideia central. Vygotsky colocou que “as funções mentais superiores são produto do desenvolvimento sócio histórico da espécie. Não se pode ignorar o papel desempenhado pelas crianças ao se relacionarem e interagirem com outras pessoas. tanto intelectual como moral. porém sua ênfase recai no papel do ambiente para o desenvolvimento biológico. onde a criança era apta a resolver um problema sozinha. o esquema assimilador se torna solidificado e disponível para que a pessoa realize novas acomodações. ressaltando a maturidade do desenvolvimento. ocorrendo em função da maturidade da pessoa. através dos “porquês” e dos “como”. Diante de um estímulo. Resumindo. fica curioso. pais e outras crianças mais velhas e mais experientes. completa-se o processo a que Piaget chamou de adaptação. é também possível graças à atividade do sujeito. sejam eles do mundo físico ou cultural. A mediação é a forma de conceber o percurso transcorrido pela pessoa no seu processo de aprender. é necessário investigar como esses conhecimentos são adquiridos. procura restabelecer o equilíbrio que é sempre dinâmico. o desenvolvimento ocorre em função da aprendizagem. a adaptação e a assimilação. pois é este que se transforma para a elaboração de novos conhecimentos. b) A criança consegue autonomia na resolução do problema. O desenvolvimento cognitivo para Vygotsky e Piaget Segundo Piaget (1987). Com sucessivas aproximações. o indivíduo pode olhar como desafio. a lógica. construindo acomodações e assimilações. a assimilação. o desenvolvimento é de fora para dentro. existiria uma interação entre o indivíduo e o meio. Dolle (1993).

a teoria de José Carlos Libâneo. Deve haver senso de percepção para perceber o que a criança necessita no momento. É necessário errar. pode não haver um potencial para as novas acomodações. o indivíduo vai aprendendo a pensar por si mesmo. Os educadores não devem deixar de perceber o sujeito em relação ao tempo e a cultura. antes desconhecidas por ele mesmo. mas interativo. se essa capacidade de aprendizagem e oportunidade lhe for oferecida. os indivíduos podem adquirir conhecimentos que antes não podiam. o próprio desenvolvimento é a força propulsora. onde o ser é visto como ativo. Embora se reconheçam as dificuldades do estabelecimento de uma síntese dessas diferentes tendências pedagógicas. A criança transforma aquilo que aprende de acordo com sua capacidade interna. Os fatores sociais para Vygotsky desempenham um papel fundamental no desenvolvimento intelectual. No segundo. com ajuda externa. Se a criança não consegue ir além do que lhe é permitido mentalmente. a “renovada progressivista”. papéis e funções sociais. justifica-se o presente estudo. Não são somente as desequilibrações anteriores que podem ser desenvolvidas. No primeiro grupo. enquanto que Vygotsky comentou os fatores sociais. nem modifica as estruturas do funcionamento nas quais intervém” Dolle (1993). ou seja . teoricamente. Os estágios de desenvolvimento são importantes na a avaliação profissional. que as classifica em dois grupos: “liberais” e “progressistas”. 10 TEORIAS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO. Porém. o que permite a constituição de conhecimentos e da consciência. e nem contar com meios externos. é externo. A teoria de Vygotsky trata o indivíduo como um agente e o meio. história e modelo social. Para Vygotsky. Seria uma troca de meios para que esse desenvolvimento ocorra. a criança têm chance de errar e construir. para haver desequilíbrio necessário para novas aquisições. com a modelação de conhecimento e a interação do meio social. reforçando. 96 Didatismo e Conhecimento . cabe observar e usar técnicas para que esse desenvolvimento ocorra. para poder ir aonde quer chegar. mostrar o caminho para a aprendizagem. ele começa a formular hipóteses. diferentes pressupostos sobre o papel da escola e da aprendizagem. Piaget reconheceu os fatores sociais no desenvolvimento intelectual que provoca desiquilibração e construção desse conhecimento. Sabemos que muitos indivíduos estão estacionados em algumas etapas de desenvolvimento e isso é refletido no dia-a dia. com isso. de maneira tradicional ou simplista. a utilização inerente de construção ou uma espera do meio. tornando-se transformadora da aprendizagem. “A afetividade pode ser a causa de acelerações ou retardos no desenvolvimento intelectual e que ela própria não engendra estruturas cognitivas. As duas concepções sobre aprendizagem devem ser complementares. Quando a criança estiver “congelada” no desenvolvimento. porque constitui conhecimento através de relações intra e interpessoais. explícita ou implicitamente. e colocações de questões para a própria criança perceber onde está. fatores internos e externos intercalando-se. Através disso. uma forma seria sem apoio na resolução de problemas e a outra forma. a tendência “libertadora”. Piaget não desconsiderava que o conhecimento é influenciado pelo externo. Para Piaget o conhecimento é construído. se existe a pessoa que oferece orientação para o indivíduo. ele acaba por superar. enquanto que para Piaget. sem medição. a aprendizagem favorece o desenvolvimento das funções mentais. Tanto Piaget como Vygotsky estavam preocupados com a questão do desenvolvimento e cada um buscou formas diferentes e complementares para elaboração das estruturas mentais e formação de esquemas. tendo em vista que o modo como os professores realizam o seu trabalho na escola tem a ver com esses pressupostos teóricos. para Vygotsky o sujeito não é apenas ativo. históricos e culturais influenciáveis no desenvolvimento. cabe ao facilitador. exigido. mas as “superiores”. inter alia. sob influência desse meio e como são passados os conhecimentos. não adianta acreditar unicamente na constituição do próprio sujeito. com colegas e mediadores. a pessoa ir além do seu ritmo. Para Piaget a construção do conhecimento individual é única. Para Piaget o nível de desenvolvimento colocava limites sobre o que podia ser aprendido e sobre o nível de compreensão possível daquela aprendizagem. através da cultura. Não adiantaria irem além do ritmo da criança. a “libertária” e a “crítico-social dos conteúdos”. com um jeito particular de pensar. por isso a utilização dos dois processos deve ser considerada. O objetivo deste texto é verificar os pressupostos de aprendizagem empregados pelas diferentes tendências pedagógicas na prática escolar brasileira. consequentemente. Sabe-se que a prática escolar está sujeita a condicionantes de ordem sociopolítica que implicam diferentes concepções de homem e de sociedade e. criadora. como forma de constituição individual. emprega-se. (Texto adaptado de Flávia Sayegh). numa tentativa de contribuir. como muitos pensam. Nas trocas de valores entre o meio. os indivíduos interagem com o social. a aprendizagem é a força propulsora do desenvolvimento intelectual. estão incluídas a tendência “tradicional”. Na medida em que o indivíduo recebe uma orientação. para a formação continuada de professores. para que não ocorra falhas no processo de conhecimento e também pra que não ocorra desgaste demasiado. dentro do que lhe é cobrado. dependendo do nível intelectual da constituição mental. É na troca com outros sujeitos e consigo próprio que há internalização de conhecimentos. para ocorrer o conhecimento. Vygotsky chamou de zona de desenvolvimento potencial e zona de desenvolvimento proximal. O facilitador deve investigar.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A afetividade está correlacionada a esta inteligência e desempenha papel de uma fonte energética da qual dependeria o funcionamento da inteligência. a “renovada não-diretiva” e a “tecnicista”. É necessário um modelo para orientar e fazer a criança pensar sobre como está para desenvolver-se. A cultura estabelece um conhecimento que é internalizado e construído pelas crianças. mas ao mesmo tempo tem uma influência constitucional única que a ajuda ou dificulta a construir seu conhecimento. apenas acreditava que a criança adquire esses modelos externos. neste estudo. Assim. para saber onde o indivíduo se encontra para fornecer subsídios para novas aquisições. Enquanto no referencial construtivista o conhecimento se dá a partir da ação do sujeito sobre a realidade. é a forma em que os indivíduos podem resolver os problemas com apoio. para Vygotsky. não podendo. Muitas vezes. cujas influências se refletem no ecletismo do ensino atual. Enquanto para Piaget a aprendizagem depende do estágio de desenvolvimento atingido pelo sujeito. a criança sozinha “não dá conta” de suas próprias experimentações. O que resultaria num bloqueio na aprendizagem. as crianças internalizam e constroem o conhecimento. A desequilibração é sempre possível para as construções anteriores.

na tendência liberal tradicional. nessa tendência tradicional. a tendência liberal tradicional se caracteriza por acentuar o ensino humanístico. saber gramática. embora muito difundidas. como um adulto em miniatura. de cultura geral. predomina. apenas menos desenvolvida. ou seja. as diferenças entre as classes sociais não são consideradas. é a garantia de se chegar ao domínio da língua oral ou escrita. levando em conta os interesses do aluno. as ideias da escola renovada não-diretiva. a pesquisa. a visão behaviorista acredita que adquirimos uma língua por meio de imitação e formação de hábitos. o ensino da gramática pela gramática. o estudo do meio natural e social. sendo o ambiente apenas um meio estimulador. Trata-se de um ensino centrado no aluno. Seu interesse principal é.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Justifica-se. também. Quanto aos pressupostos de aprendizagem. Portanto. Os seguidores dessa corrente linguística. Segundo RICHTER (2000). privilegiando-se a auto avaliação. No ensino da língua. segundo Piaget. ou seja. a tendência liberal renovada (ou pragmatista) acentua o sentido da cultura como desenvolvimento das aptidões individuais. Devido a essa ênfase no aspecto cultural. 97 A escola continua. tomando como modelo de norma culta as obras dos nossos grandes escritores clássicos. aprender se torna uma atividade de descoberta. a escola tecnicista. No aspecto teórico-prático. Tendência Liberal Tradicional Segundo esse quadro teórico. Através do conhecimento dessas tendências pedagógicas e dos seus pressupostos de aprendizagem. Isso pressupõe que o indivíduo precisa adaptar-se aos valores e normas vigentes na sociedade de classe. como Piaget. a atividade pedagógica estava centrada no professor. vê o aluno como depositário passivo dos conhecimentos. dominar o código. o papel da escola na formação de atitudes. tal como ocorreu com a corrente pragmatista. ou seja. na instrução programada. exigindo uma atitude receptiva e mecânica do aluno. por isso a ênfase na repetição. A partir da Reforma do Ensino. considerando-se as diferentes concepções de linguagem que perpassam esses períodos do pensamento pedagógico brasileiro. produzir indivíduos “competentes” para o mercado de trabalho. a partir da LDB 9. será dado ênfase ao ensino da Língua Portuguesa. na escola renovada progressivista. que implantou a escola tecnicista no Brasil. saber a língua é. Sendo assim. este trabalho pelo fato de que novos avanços no campo da Psicologia da Aprendizagem. Tendência Liberal Renovada Progressivista Segundo essa perspectiva teórica de Libâneo. exigem uma atualização constante do professor. É a tomada de consciência. as diferenças de classe social não são consideradas e toda a prática escolar não tem nenhuma relação com o cotidiano do aluno. para tanto. Assim. e a avaliação é realizada através de provas escritas e exercícios de casa. através do desenvolvimento da cultura individual. Tendência Liberal Tecnicista A escola liberal tecnicista atua no aperfeiçoamento da ordem social vigente (o sistema capitalista). encontraram. sem levar em conta as características próprias de cada idade. com ênfase nos exercícios repetitivos e de recapitulação da matéria. assim. Se. portanto centrada no aluno. com a Lei 5. A criança é vista. valorizando as tentativas experimentais. Conforme MATUI (1988). Os conteúdos são organizados pelo professor. também conhecida como behaviorista. a tecnologia comportamental. parte-se da concepção que considera a linguagem como expressão do pensamento. Como pressupostos de aprendizagem. por isso ela deve imitar a vida. a Gramática Tradicional ou Normativa se constitui no núcleo dessa visão do ensino da língua. para os estruturalistas. para que o aluno forme “hábitos” do uso correto da linguagem. bem como a revalorização das ideias de psicólogos interacionistas. emprega a ciência da mudança de comportamento. um conjunto de signos que se combinam segundo regras e que é capaz de transmitir uma mensagem. o que torna a avaliação escolar sem sentido. etc. a preparar o aluno para assumir seu papel na sociedade.692/71. ou seja. Todo o esforço deve visar a uma mudança dentro do indivíduo. adaptando as necessidades do educando ao meio social. uma barreira na prática da tendência liberal tradicional. Didatismo e Conhecimento . em razão disso. numa sequência lógica. No ensino da língua portuguesa. a uma adequação pessoal às solicitações do ambiente. A retenção se dá pela relevância do aprendido em relação ao “eu”.394/96. Tendências Pedagógicas Liberais Segundo LIBÂNEO (1990). preocupamse com a organização lógica do pensamento. dessa forma. De acordo com essa escola tradicional. nessa tendência. o que presume a necessidade de regras do bem falar e do bem escrever. e a autonomia da escola na construção de sua Proposta Pedagógica. razão pela qual deve estar mais preocupada com os problemas psicológicos do que com os pedagógicos ou sociais. que devem ser acumulados na mente através de associações. a ideia de que o ensino consiste em repassar os conhecimentos para o espírito da criança é acompanhada de outra: a de que a capacidade de assimilação da criança é idêntica à do adulto. pois. preponderaram as influências do estruturalismo linguístico e a concepção de linguagem como instrumento de comunicação. através da descoberta pessoal. não se preocupando com as mudanças sociais. baseada na teoria de aprendizagem S-R. portanto. não leva em conta a desigualdade de condições. é uma autoaprendizagem. nas manifestações na prática escolar das diversas tendências educacionais. teoria gramatical. também. o aluno é educado para atingir sua plena realização através de seu próprio esforço. sendo o professor apenas um facilitador. Apenas se aprende o que estiver significativamente relacionado com essas percepções. embora a escola passe a difundir a ideia de igualdade de oportunidades. articulando-se diretamente com o sistema produtivo. essas ideias escolanovistas não trouxeram maiores consequências. sobretudo. informações de um emissor a um receptor. a pedagogia liberal sustenta a ideia de que a escola tem por função preparar os indivíduos para o desempenho de papéis sociais. Só é retido aquilo que se incorpora à atividade do aluno. Segundo essa concepção de linguagem. Aprender é modificar suas próprias percepções. nos drills. A língua – como diz TRAVAGLIA (1998) – é vista como um código. o professor terá condições de avaliar os fundamentos teóricos empregados na sua prática em sala de aula. pois vê nessa gramática uma perspectiva de normatização linguística. a descoberta. o que é incorporado passa a compor a estrutura cognitiva para ser empregado em novas situações. Tendência Liberal Renovada Não-Diretiva Acentua-se. pois esbarraram na prática da tendência liberal tradicional. defende-se a ideia de “aprender fazendo”. Vygotsky e Wallon. de acordo com as aptidões individuais. Skinner foi o expoente principal dessa corrente psicológica. Portanto. No ensino da língua.

na prática. como afirma Libâneo. Na visão da pedagogia dos conteúdos. Já as tendências pedagógicas progressistas. admite-se o princípio da aprendizagem significativa. segundo essa perspectiva interacionista. a força motivadora deve decorrer da codificação de uma situação-problema que será analisada criticamente. segundo os inatistas. sintetiza sua ideia de dialogismo: “Eu vou ao texto carinhosamente. ou seja. descendente. não é centrado no texto.394/96 Após a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de n. ou seja. é visto como possibilidade de desenvolver a expressão oral e escrita. porque concebem o conhecimento como resultado da ação que se passa entre o sujeito e um objeto. como queriam os inatistas. conforme Gadotti. Segundo GADOTTI (1988). separadas do homem no seu contexto social. envolvendo o exercício da abstração. situando-se também no campo da economia. A ênfase na aprendizagem informal via grupo. procurassem legitimar a ordem econômica e social do sistema capitalista. no ensino da leitura. esses problemas ocorreram devido às dificuldades de o professor assimilar as novas teorias sobre o ensino da língua materna. De acordo com esse quadro teórico de José Carlos Libâneo. De acordo com ARANHA (1998). Em parte. acentua a primazia dos conteúdos no seu confronto com as realidades sociais. fornecendo-lhe um instrumental. não conseguiu superar os equívocos apresentados pelo ensino da língua centrado na gramática normativa. revalorizam-se as ideias de Piaget. em comum. procura valorizar o texto produzido pelo aluno. Um dos pontos em comum entre esses psicólogos é o fato de serem interacionistas. têm em comum a análise crítica do sistema capitalista. top-down. segundo essa concepção de linguagem. embora. Tendências Pedagógicas Progressistas Segundo Libâneo. vincula a educação à luta e organização de classe do oprimido. por meio de representações da realidade concreta. por meio da aquisição de conteúdos e da socialização. portanto.394/96. ou sob algumas as influências teóricas do estruturalismo e do gerativismo. nessa abordagem interacionista.692/71. ora inatista. a partir da Lei 5. mas ascendente/descendente. simbolicamente.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS No ensino da Língua Portuguesa. aprender é um ato de conhecimento da realidade concreta. em oposição às liberais. ou seja. o ato de conhecimento na relação educativa. Como pressuposto de aprendizagem. a tendência progressista crítico-social dos conteúdos. como queriam os empiristas. A tendência tecnicista é de certa forma. (Texto adaptado de Delcio Barros da Silva). reflexão e crítica. o conhecimento não está. visam a favorecer o desenvolvimento de pessoas mais livres. Vygotsky e Wallon. através da elaboração da consciência crítica passo a passo com sua organização de classe. isto é. no contexto da luta de classes. No ensino da língua. Assim. a leitura como processo permite a possibilidade de negociação de sentidos em sala de aula. O processo de leitura. Paulo Freire. Tendência Progressista Crítico-Social dos Conteúdos Conforme Libâneo. Tendências Pedagógicas Pós-LDB 9. como processo de interação verbal. assim como a possibilidade de negociação de sentido na leitura. a renovada e a tecnicista. além da negociação de sentidos na leitura. partindo do que o aluno já sabe. a pedagogia libertadora ultrapassa os limites da pedagogia. então.º 9. de alguém que estava ali para decifrá-lo. como ocorria. da política e das ciências sociais. nunca assumiram compromisso com as transformações da sociedade. para uma participação organizada e ativa na democratização da sociedade. da situação real vivida pelo educando. Tendência Progressista Libertadora As tendências progressistas libertadora e libertária têm. por se declararem neutras. pelo qual se procura alcançar. a tradicional. Para citar um exemplo no ensino da língua. não se elabora uma nova teoria do conhecimento e se os oprimidos não podem adquirir uma nova estrutura do conhecimento que lhes permita reelaborar e reordenar seus próprios conhecimentos e apropriar-se de outros. a condição para se libertar da exploração política e econômica. De base empirista (Paulo Freire se proclamava um deles) e marxista (com as ideias de Gramsci). o trabalho com as estruturas linguísticas. valorizam o texto produzido pelo aluno. mas insiste que o conhecimento não é suficiente se. ao lado e junto deste. numa perspectiva sócio histórica. bottomup. por isso o saber sistematizado só terá relevância se for possível seu uso prático. Didatismo e Conhecimento 98 . A transferência da aprendizagem só se realiza no momento da síntese. da Reforma do Ensino. De modo geral. isto é. Portanto o conhecimento que o educando transfere representa uma resposta à situação de opressão a que se chega pelo processo de compreensão. A partir da LDB 9. Assim. Assim. sustentam implicitamente as finalidades sociopolíticas da educação. A escola libertadora. e a negação de toda forma de repressão.394/96. No ensino da Leitura. a travar um diálogo comigo”. uma modernização da escola tradicional e. essas teorias buscam uma aproximação com modernas correntes do ensino da língua que consideram a linguagem como forma de atuação sobre o homem e o mundo. ascendente. para Paulo Freire. diferentemente da libertadora e libertária. tradicionalmente. numa entrevista. com ensino da gramática tradicional. mas resulta da interação entre ambos. também conhecida como a pedagogia de Paulo Freire. a defesa da autogestão pedagógica e o antiautoritarísmo. No ensino da língua. que constitui a sua realidade fundamental. o receptor é retirado da sua condição de mero objeto do sentido do texto. Tendência Progressista Libertária A escola progressista libertária parte do pressuposto de que somente o vivido pelo educando é incorporado e utilizado em situações novas. Paulo Freire não considera o papel informativo. predominaram os métodos de base ora empirista. A atuação da escola consiste na preparação do aluno para o mundo adulto e suas contradições. a Semântica Argumentativa e a Pragmática. deduz-se que as tendências pedagógicas liberais. quando o aluno supera sua visão parcial e confusa e adquire uma visão mais clara e unificadora. As ideias desses psicólogos interacionistas vêm ao encontro da concepção que considera a linguagem como forma de atuação sobre o homem e o mundo e das modernas teorias sobre os estudos do texto. entre outros. Por isso. principalmente com as difusão das ideias de Piaget. não importa qual. a razão de ser dos fatos. nem no receptor. apesar das contribuições teóricas do estruturalismo. partindo de uma análise crítica das realidades sociais. a partir de uma negociação de sentido entre enunciador e receptor. o saber mais importante para o oprimido é a descoberta da sua situação de oprimido. a Análise do Discurso. no ensino da língua. a pedagogia progressista designa as tendências que. decodificá-lo. e só tem sentido se resulta de uma aproximação crítica dessa realidade. essas tendências. Vygotsky e Wallon. eu puxo uma cadeira e convido o autor. no sujeito. a partir do seu conhecimento de mundo. como diziam os empiristas. nem no objeto. como a Linguística Textual.

justiça. conteúdo de ensino. em uma lógica da organização curricular. O Desenvolvimento dos Conteúdos e as Concepções Pedagógicas. observando a qualidade. o que foi maisimportante e o que foi relevante.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 11 CURRÍCULO BASEADO EM HABILIDADES E COMPETÊNCIAS. e sim assimilar o que se deseja passar. A organização dos conteúdos nesses métodos. nos seus documentos do Ensino Fundamental. O programa escolar oficial é a ação educativa para um determinadograu de ensino. várias semanas. • Significação – interessante para o aluno quando relacionadopor situações vivenciadas por ele. libertária e crítica social dos conteúdos. A organização do Conteúdo. é organizada em torno dos problemas ouprojetos importantes dos alunos. Portanto. renovada-progressista. métodos.O aluno deve ser envolver pessoalmente com o conteúdo. em geral elaborado em nível de sistema oficial de ensino econsegue dar uma unidade ao trabalho dos professores nas escolas doestado ou município. Os PCNs. No nosso entendimento. O conceito do conteúdo não é simplesmente a aquisição deinformação.O papel do professor bem preparado é fundamental para o inferir doaluno.A unidade que é um tipo de organização estrutural inclui experiênciasque abrange. os conhecimentos foram alocados em disciplinas.Cada proposta pedagógica baseia-se em uma determinada ideia deensino-aprendizagem e da interação professor-aluno. principalmente. pelos educadores e educadoras nas escolas e nos encontros da categoria docente. dão um papel de destaque para os temas transversais. Ao longo da história. ajudando-os na vida cotidiana a solucionar osproblemas e enfrentar situações novas. podendo também serchamado de organização psicológica significativa para o próprio aluno. o autor denominou tais métodos de globalizadores. adequados às exigências e condições que osalunos vivem. quantidade. Os conteúdos devem estar organizados por princípios lógicosestabelecendo relação entre seus elementos.relacionamento professor e aluno. o estudo do meio. pois os conteúdos de aprendizagem só podem ser considerados relevantes na medida em que desenvolvam nos alunos a capacidade para compreender uma realidade que se manifesta globalmente. ser. o professor dever fazer umaligação do já conhecido com o novo o que torna o conteúdosignificativo. conhecimento e interessesde seus alunos. assimestará construindo. pesquisando e organizando e selecionando alternativas. especifica os objetivos e conteúdos de acordo com as condições década classe. e para o encaminhamento de novas propostas de ensino. É preciso incutir nas crianças ejovens o s valores essenciais para a sobrevivência da comunidade. observando o desenvolvimento e aprendizagens do aluno. o conhecimento sobre as novas formas de organização é necessário para a compreensão e reflexão destes documentos. São analisadas as relações e a forma de vincular os diferentes conteúdos de aprendizagem. pensar e agir. reconstruindo o conhecimento. tradicional.O conteúdo é um conjunto de referencia a conhecimentos. ponto de partida para aquisição de informações. Zabala descreve as possibilidades dos centros de interesse de Decroly. Por outro lado. as DCNs do Ensino Médio referenciam como princípio básico para este nível a interdisciplinaridade. Daí a importância da compreensão do significado da transversalidade.Conteúdo são experiências educativas onde se apoia a práticamental.Tanto a organização do conhecimento como as experiênciaseducativas são importantes. • Adequação ao nível de desenvolvimento do aluno – adequar erespeitar a maturidade intelectual do aluno deve haverassimilação essenciais e desejáveis contribuindo para seudesenvolvimento.O professor dispõe de flexibilidade para selecionar os conteúdos maisadequados aos seus alunos.O professor José Carlos Libâneo analisa cada uma dessas tendênciasenvolvendo os aspectos do papel da escola. a temática de organização dos conteúdos de aprendizagem não poderia ser mais atual e significativa para a educação brasileira de maneira geral. desenvolvendo o conhecimento e o desenvolvimento de seu ser. e os projetos de trabalhos globais. visa operacionalizar as diretrizes curriculares do sistema deensino. habilidades e atitudes para alcançarmos osobjetivos proposto no processo de orientação educacional. o professor deve-se basear nos seguintes critérios: • Validade – relação clara e nítida com os objetivos a serematingidos no ensino e conteúdos • Utilidade – possibilidade de aplicar o conhecimento emsituações novas. um processo de aquisiçãode novos modos de perceber. o desenvolvimento do modelopedagógico adequado para o nível de alunos que frequenta as escolar éessencial para um bom desenvolvimento cognitivo. Os conteúdos devem apresentar uma sequência. Pedagogia Liberal cujas tendências são.hábitos etc. hoje. Através da estrutura da disciplinapodemos ter uma visão ampla do conhecimento estudado. No tocante aos métodos globalizadores. Como a questão da diversidade tem sido pensada nos diferentes espaços sociais. Contudo. respeito ao próximo. as experiências que o homem adquire serãotransmitidas ao aluno e as experiências que o próprio aluno vivenciara emtorno desses conhecimentos adquiridos. selecionadas e organizadas pelas escolas (Turra –planejamento de ensino e avaliação). A experiência de quem aprendeu é antes. valorização do trabalho etc. A função da escolar é a difusão do conhecimento visando à melhoriada qualidade de vida das camadas populares. e particularmente para a Educação Física. ou melhor. comocooperação. uma organizaçãovertical (plano temporal ) que envolver a continuidade e a sequencia queenvolve o conteúdo repetidas vezes em diferentes fases de um cursoaprofundando e ampliando a sequencia e o horizontal ( plano de umamesma série) que se refere ao relacionamento entre as diversas áreas docurrículo integrando e visando garantir a unidade do conhecimento. fazendoassociações. mensal ousemanal. renovada não-diretiva e a Pedagogia progressista que élibertadora. para odesenvolvimento de hábitos. Os conteúdos são importantes à medida que constituem aorganização sobre a qual o aluno constrói o conhecimento. os métodos de projetos de Kilpatrick. atitudes. •Flexibilidade – somente quando houver possibilidade de fazeralterações no conteúdo suprimindo itens ou incluindo novostópicos de acordo com o interesse dos alunos. nos movimentos sociais? Como podemos lidar pedagogicamente com a diversidade? Esses e outros questionamentos estão colocados. O Programa pessoal de cada professor pode ser anual.A escola como formadora é o centro da educação constante e temcomo função repassar o conhecimento.Critérios para a Seleção de Conteúdos. Didatismo e Conhecimento 99 . nos últimos anos é cada vez mais comum encontrarmos propostas que rompem com a organização por unidades centradas exclusivamente em disciplinas.Conteúdos podem dizer respeito à organização de conhecimentosobre a base de suas próprias regras ou são as experiências educativas nocampo do conhecimento. pressupostos de aprendizagem e práticaescolar. porém deve o mesmo ter responsabilidade namontagem.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Ao realizarmos essa discussão. assim os nomeamos e identificamos. Afinal. Nesse processo. Seria muito mais simples dizer que o substantivo diversidade significa variedade. não é tarefa fácil para nós. por um currículo que atenda a essa universalidade. uma rejeição em relação ao diferente. É o que chamamos de etnocentrismo. a diversidade é norma da espécie humana: seres humanos são diversos em suas experiências culturais. na EJA. no contexto da cultura. A primeira constatação talvez seja que. Portanto. diferença e multiplicidade. Nessa tensão. A relação existente entre educação e diversidade coloca-nos diante do seguinte desafio: o que entendemos por diversidade? Que diversidade pretendemos esteja contemplada no currículo das escolas e nas políticas de currículo? Para responder a essas questões. Mapear o trato que já é dado à diversidade pode ser um ponto de partida para novos equacionamentos da relação entre diversidade e currículo. Esse fenômeno. Elas se constroem no contexto social e. a compreensão e o trato pedagógico da diversidade vão muito além da visão romântica do elogio à diferença ou da visão negativa que advoga que ao falarmos sobre a diversidade corremos o risco de discriminar os ditos diferentes. só passaram a ser percebidos dessa forma. a nossa primeira tarefa poderá ser o questionamento sobre a presença ou não dessas indagações na nossa prática docente. a diversidade pode ser tratada de maneira desigual e naturalizada. há uma tensão nesse processo. valores. especial. os quais realizam práticas curriculares variadas. trabalharmos pedagogicamente com a diversidade. mesmo os aspectos tipicamente observáveis. por isso se faz presente em toda e qualquer sociedade. a presença da diversidade no acontecer humano nem sempre garante um trato positivo dessa diversidade. ainda. Os diferentes contextos históricos. Ela se faz presente na produção de práticas. Por isso. até mesmo. fazem-se necessários alguns esclarecimentos e posicionamentos sobre o que entendemos por diversidade e currículo. Como toda forma de diversidade é hoje recebida na escola. Estamos diante de uma terceira tarefa. Que concepções de diversidade permeiam as nossas práticas. As discussões acima realizadas poderão ajudar a aprofundar as reflexões sobre a diversidade no coletivo de educadores. a diversidade pode ser entendida como a construção histórica. tanto o desenvolvimento biológico. Durante toda a nossa vida realizamos aprendizagens de naturezas mais diferentes. Ele atravessa todos os níveis de ensino desde a educação básica (educação infantil. ambígua de lidar com o diverso. sendo assim. o escolar. observáveis a olho nu. A diversidade faz parte do acontecer humano. há uma tendência nas culturas. marcado pela interação contínua entre o ser humano e o meio. de fato. A diversidade é um componente do desenvolvimento biológico e cultural da humanidade. são únicos em suas personalidades e são também diversos em suas formas de perceber o mundo. cultural e social. porque nós. por vezes. Didatismo e Conhecimento 100 Os currículos e práticas escolares que incorporam essa visão de educação tendem a ficar mais próximos do trato positivo da diversidade humana. mas. valores. A escolarização. técnicas artísticas. representações do mundo. os nossos currículos. Algumas dessas diversidades provocam impedimentos de natureza distinta no processo de desenvolvimento das pessoas (as comumente chamadas de “portadoras de necessidades especiais”). Todavia. enquanto uma experiência que atravessa toda sociedade e toda cultura. é que construímos nosso conhecimento. saberes. sobretudo. outra tarefa faz-se necessária: é preciso ter clareza sobre a concepção de educação que nos orienta. Sendo assim. educadores e educadoras. As diferenças são também construídas pelos sujeitos sociais ao longo do processo histórico e cultural. quando exacerbado. Será que existe sensibilidade para a diversidade na educação infantil. são acompanhados de uma maneira tensa e. de alguns coletivos de profissionais no interior das escolas e secretarias de educação ou se já alcançou um lugar de destaque nas preocupações pedagógicas e nos currículos. em específico. Para avançarmos nessas questões. cultural e social das diferenças. pois a experiência da diversidade faz parte dos processos de socialização. A educação de uma maneira geral é um processo constituinte da experiência humana. qual é o lugar ocupado pela diversidade? Ela figura como tema que transversaliza o currículo? Faz parte do núcleo comum? Ou encontra espaço somente na parte diversificada? Do ponto de vista cultural. há a demanda óbvia. de um modo geral. científicas. de ressaltar como positivos e melhores os valores que lhe são próprios. Este último. no ensino fundamental. a Educação Profissional e a Educação Especial. seres humanos e sujeitos sociais. a diversidade pode ser entendida como um fenômeno que atravessa o tempo e o espaço e se torna uma questão cada vez mais séria quanto mais complexas vão se tornando as sociedades. linguagens. Sendo assim. a relação entre currículo e diversidade é muito mais complexa. Mas essas três qualidades não se constroem no vazio e nem se limitam a ser nomes abstratos. ensino fundamental e ensino médio) até a educação superior incluindo a EJA. de humanização e desumanização. no contexto das relações sociais. pela riqueza da diversidade. permeados por relações de poder e dominação. a nossa relação com os alunos e suas famílias e as nossas relações profissionais? Como enxergamos a diversidade enquanto cidadãos e cidadãs nas nossas práticas cotidianas? . nos projetos pedagógicos e nas propostas educacionais. nos projetos pedagógicos e nas diferentes Secretarias de Educação. gerando certo estranhamento e. não se caracteriza somente pela unidade do gênero humano. sociais e culturais. A construção das diferenças ultrapassa as características biológicas. representações e identidades. diversidade biológica. Ao analisarmos o cotidiano da escola. as reflexões aqui realizadas aplicam-se aos profissionais que atuam em todos esses campos. O discurso. nos processos de adaptação do homem e da mulher ao meio social e no contexto das relações de poder. Seres humanos apresentam. Por mais que a diversidade seja um elemento constitutivo do processo de humanização. Mas não será essa afirmativa uma contradição? Como a educação escolar pode se manter distante da diversidade sendo que a mesma se faz presente no cotidiano escolar por meio da presença de professores/ as e alunos/as dos mais diferentes pertencimentos étnico-raciais. Há uma relação estreita entre o olhar e o trato pedagógico da diversidade e a concepção de educação que informa as práticas educativas. De acordo com Elvira de Souza Lima (2006). experiências de sociabilidade e de aprendizagem. que aprendemos a ver como diferentes desde o nosso nascimento. médio e profissional? Seria interessante diagnosticar se a diversidade é apenas uma preocupação de um grupo de professores(as). quanto o domínio das práticas culturais existentes no nosso meio são imprescindíveis para a realização do acontecer humano. pode se transformar em práticas xenófobas (aversão ou ódio ao estrangeiro) e em racismo (crença na existência da superioridade e inferioridade racial). é um dos recortes do processo educativo mais amplo. idades e culturas? Esse desafio é enfrentado por todos nós que atuamos no campo da educação. sobretudo.

Didatismo e Conhecimento 101 A falta de controle e de conhecimento dos fatores de degradação ambiental. da relação deste como um dos componentes dessa diversidade. A diversidade cultural varia de contexto para contexto. Ela se constrói em determinado contexto histórico. têm colaborado para a vulnerabilidade desses e outros grupos. Lamentavelmente. Elas já acompanham há muito o campo da educação especial. Os seres humanos. • diversidade e conhecimento. neste texto. enquanto seres vivos. ou seja. Tanto a identidade pessoal quanto a identidade social são formadas em diálogo aberto. os atributos ou as formas “inventadas” pela cultura . orientado pela busca de políticas e estratégias de desenvolvimento alternativo. político e cultural. ao longo do processo histórico e cultural e no contexto das relações de poder estabelecidas entre os diferentes grupos humanos. Por isso. dos desequilíbrios ecológicos de qualquer parte do sistema. para se constituir como realidade. Por isso. para romper com o bioimperialismo o qual impõe monoculturas. enquanto processo. A ideia que um indivíduo faz de si mesmo. garantem sua sobrevivência e produzem conhecimentos por meio de uma relação mais direta com o ambiente em que vivem. porém. histórica e culturalmente construída recebe a mesma interpretação nas diferentes sociedades. apresentam diversidade biológica. Coloca em risco a capacidade de sustentabilidade proporcionada pela biodiversidade. o modo de ser e de interpretar o mundo também é variado e diverso. A discussão acima suscita algumas reflexões: que indagações o debate sobre a diversidade biológica traz para os currículos? A nossa abordagem em sala de aula e os nossos projetos pedagógicos sobre educação ambiental têm explorado a complexidade e os conflitos trazidos pela forma como a sociedade atual se relaciona com a diversidade biológica? Como incorporar a discussão sobre a biodiversidade nas propostas curriculares das escolas e das redes de ensino? Um primeiro passo poderia ser a reflexão sobre a nossa postura diante desse debate enquanto educadores e educadoras e partícipes dessa mesma biodiversidade. De acordo com Shiva (2003). os remanescentes de quilombos. as comunidades tradicionais (como os seringueiros). Ao discutir a diversidade cultural. culturais e sociais estão intimamente embricados. de seu “eu”. parcialmente exterior. Dessa forma. Ou seja. ao refletirmos sobre a presença dos seres humanos no contexto da diversidade biológica. passam a reivindicar dos governos o reconhecimento e posse das suas terras. somos diferentes. O nossogrande desafio está em desenvolver uma postura ética de não hierarquizar as diferenças e entender que nenhum grupo humano e social é melhor ou pior do que outro. é intermediada pelo reconhecimento obtido dos outros em decorrência de sua ação. o desenvolvimento só pode ser um desenvolvimento ecológico e socialmente sustentável. necessitam ser ampliadas e aprofundadas para compreendermos outras diferenças presentes na escola. A diversidade cultural: algumas reflexões O ser humano se constitui por meio de um processo complexo: somosao mesmo tempo semelhantes (enquanto gênero humano) e muito diferentes (enquanto forma de realização do humano ao longo da história e da cultura). É nessa perspectiva que privilegiaremos. mas porque afetam a todos nós e colocam em risco a vida da espécie humana e a das demais espécies. conservação e uso sustentável da biodiversidade não diz respeito somente ao uso que o homem faz do ambiente externo. Nem sempre aquilo que julgamos como diferença social. idades. Entre eles podemos destacar os indígenas. b) toda a discussão a que hoje assistimos sobre a preservação. com os outros. a diversidade precisa ser entendida em uma perspectiva relacional. mas. o homem e a mulher participam desse processo enquanto espécie e sujeito sociocultural. nenhuma identidade é construída no isolamento. entre outros fatores. devido a sua história e cultura. esses grupos vêm se organizando cada vez mais e passam a exigir das escolas e dos órgãos responsáveis pelas elas o direito ao reconhecimento dos seus saberes e sua incorporação aos currículos. Nos últimos anos. E mais: somos desafiados pela própria experiência humana a aprender a conviver com as diferenças. Além disso. experiências. • a luta política pelo direito à diversidade. pressupõe uma interação. parcialmente interior. O desenvolvimento ecológico e socialmente sustentável tem como orientação a construção da biodemocracia com quem respeita/cultiva a biodiversidade. • diversidade e ética. o avanço tecnológico do qual nos gabamos como seres dotados de razão e capazes de transformar a natureza não tem significado avanço para a própria biodiversidade da qual participamos. Tal situação afeta toda a espécie humana da qual fazemos parte. Mesmo os animais e plantas pertencentes à mesma espécie apresentam diferenças entre si. Existem grupos humanos que. entendido como algo externo. ela é negociada durante a vida toda dos sujeitos por meio do diálogo. social. citado por Silvério (2006). da expansão das monoculturas. entende-se que a natureza é formada por vários tipos de ambientes e cada um deles é ocupado por uma infinidade de seres vivos diferentes que se adaptam ao mesmo. culturas. Algumas considerações sobre a diversidade biológica ou biodiversidade A diversidade pode ser entendida em uma perspectiva biológica e cultural. Além disso. alguns aspectos acerca da diversidade a fim de dar mais elementos às nossas indagações sobre o currículo. passaram a ser exploradas e tratadas de forma desigual e discriminatória. as características. São eles • diversidade biológica e currículo. mostram diferenças entre si. sobretudo. os problemas ambientais. Do ponto de vista biológico. • diversidade cultural e currículo. a variedade de seres vivos e ambientes em conjunto é chamada de diversidade biológica ou biodiversidade. Assim como a diversidade. Ao contrário. não é inata. Nessa concepção. Portanto. Estas dependem de maneira vital das relações dialógicas com os outros. os trabalhadores do campo e demais povos da floresta. algumas dessas variabilidades do gênero humano receberam leituras estereotipadas e preconceituosas.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Essas indagações poderão orientar os nossos encontros pedagógicos. devemos entender dois aspectos importantes: a) o ser humano enquanto parte da diversidade biológica não pode ser entendido fora do contexto da diversidade cultural. os problemas ambientais não são considerados graves porque afetam o planeta. entre outros. os processos de formação em serviço desde a educação infantil até o ensino médio e EJA. Estes constroem conhecimentos variados a respeito dos recursos da biodiversidade que nem sempre são considerados pela escola. Assim como a diversidade. políticos. não podemos nos esquecer de pontuar que ela se dá lado a lado com a construção de processos identitários. a identidade. assim como a redistribuição e a ocupação responsável de terras improdutivas. Na realidade. Podemos dizer que o que nos torna mais semelhantes enquanto gênero humano é o fato de todos apresentarmos diferenças: de gênero. Ou seja. Jacques d’Adesky (2001) destaca que a identidade. a não efetivação de uma justa reforma agrária. raça/etnia. • diversidade e organização dos tempos e espaços escolares. No entanto.

imersos em relações de poder. Podemos indagar que histórias as narrativas do currículo têm contado sobre as relações raciais. O currículo pode ser considerado uma atividade produtiva e possui um aspecto político que pode ser visto em dois sentidos: em suas ações (aquilo que fazemos) e em seus efeitos (o que ele nos faz). Nesse sentido. levando-nos a refletir sobre a tensa e complexa relação entre esta noção e os outros saberes que fazem parte do processo cultural e histórico no qual estamos imersos. construídas por sujeitos concretos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS para distinguir tanto o sujeito quanto o grupo a que ele pertence dependem do lugar por eles ocupado na sociedade e da relação que mantêm entre si e com os outros. o currículo não se restringe apenas a ideias e abstrações. a cobrança hoje feita em relação à forma como a escola lida com a diversidade no seu cotidiano. O currículo não está envolvido em um simples processo de transmissão de conhecimentos e conteúdos. sobre formas de organização da sociedade. destacando apenas os seus aspectos de consumo e não de produção. Como nos diz Carlos Rodrigues Brandão (1986)“por diversas vezes. marcados por processos de colonização e dominação. Assim. ao afirmarem que. Na realidade. A produção do conhecimento. Esquecer esse processo de produção – no qual estão envolvidas as relações desiguais de poder entre grupos sociais – significa reificar o conhecimento e reificar o currículo. O autor ainda adverte que as narrativas contidas no currículo trazem embutidas noções sobre quais grupos sociais podem representar a si e aos outros e quais grupos sociais podem apenas ser representados ou até mesmo serem totalmente excluídos de qualquer representação. cobrando que as mesmas sejam tratadas de forma justa e igualitária. Retomo. enquanto docentes. só nos resta agir. portanto. Muito do que fomos educados a ver e distinguir como diferença é. mesmo quando pensamos no currículo como uma coisa. se a diversidade faz parte do acontecer humano. as vivências da infância (principalmente a popular) e a luta das mulheres? São narrativas que fixam os sujeitos e os movimentos sociais em noções estereotipadas ou realizam uma interpretação emancipatória dessas lutas e grupos sociais? Que grupos sociais têm o poder de se representar e quais podem apenas ser representados nos currículos? Que grupos sociais e étnico/raciais têm sido historicamente representados de forma estereotipada e distorcida? Diante das respostas a essas perguntas. No processo histórico. As discussões sobre currículo incorporam. Sendo assim. no terreno das desigualdades. Ainda segundo esse autor. Os autores se apoiam em Silva (1999). Possui um caráter político e histórico e também constitui uma relação social. os procedimentos pedagógicos. 102 Didatismo e Conhecimento . o que é bom e o que é mau. sair do imobilismo e da inércia e cumprir a nossa função pedagógica diante da diversidade: construir práticas pedagógicas que realmente expressem a riqueza das identidades e da diversidade cultural presente na escola e na sociedade. 2006). além disso. as narrativas contidas no currículo. os grupos humanos não passaram a hostilizar e dominar outros grupos simplesmente pelo fato de serem diferentes. das marcas da diversidade presentes nas diferentes áreas do conhecimento e no currículo como um todo: ver a diversidade nos processos de produção e de seleção do conhecimento escolar. a luta dos povos da floresta. foi tomando forma e materialidade. mesmo uma lista de conteúdos não teria propriamente existência e sentido. ele acaba sendo. ao longo do processo cultural e histórico. sobre os diferentes grupos sociais. as questões curriculares são marcadas pelas discussões sobre conhecimento. o movimento das pessoas com deficiência. As reflexões do autor nos sugerem que é preciso ter consciência. o que é belo e o que é feio. aquilo que fazemos com essa coisa. pois. no sentido de que a produção de conhecimento nele envolvida se realiza por meio de uma relação entre pessoas. na realidade. o que é moral e o que é imoral. o movimento indígena. socioeconômicos e políticos tensos. as relações sociais. Não se trata apenas de incluir a diversidade como um tema nos currículos. no seu currículo. classe – noções que acabam também nos fixando em posições muito particulares ao longo desses eixos (de autoridade) (Silva. A luta política pelo direito à diversidade Como já foi dito. os movimentos do campo. sobretudo nos contextos de colonização e dominação. Não podemos esquecer que essa sociedade é construída em contextos históricos. quais formas de conhecer são válidas e quais não o são. Moreira e Vera Maria Candau (2006) existem várias concepções de currículo. com maior ou menor ênfase. sobretudo a pública. compromissos e ponto de vista teóricos. Estamos. A perspectiva de currículo acima citada poderá nos ajudar a questionar a noção hegemônica de conhecimento que impera na escola. por exemplo. Elas dizem qual conhecimento é legítimo e qual é ilegítimo. uma discussão já realizada em outro texto (Gomes. fundamentalmente. como essa instituição poderá omitir o debate sobre a diversidade? E como os currículos poderiam deixar de discuti-la? Mas o que entendemos por currículo? Segundo Antônio Flávio B. aqui. ao corporificar narrativas particulares sobre o indivíduo e a sociedade. participa do processo de constituição de sujeitos (e sujeitos também muito particulares). então a escola. a cultura e o currículo são produzidos no contexto das relações sociais e de poder. Ora. nem sempre a diversidade entendida como a construção histórica. poder e identidade. é a instituição social na qual as diferentes presenças se encontram. as quais refletem variados posicionamentos. Elas. explícita ou implicitamente. Também pode ser considerado um discurso que. quais vozes são autorizadas e quais não o são (Silva. social e cultural das diferenças implica em um trato igualitário e democrático em relação àqueles considerados diferentes. mas a experiências e práticas concretas. Tem a ver com as estratégias por meio das quais os grupos humanos considerados diferentes passaram cada vez mais a destacar politicamente as suas singularidades. corporificam noções particulares sobre conhecimento. as narrativas do currículo contam histórias que fixam noções particulares de gênero. uma invenção humana que. raça. nas suas práticas faz parte de uma história mais ampla. como uma listagem de conteúdos. Então. os valores e as identidades dos nossos alunos e alunas. Trabalhar com a diversidade na escola não é um apelo romântico do final do século XX e início do século XXI. debates sobre os conhecimentos escolares. as de outros são desvalorizadas e proscritas. em resumo. assim como sua seleção e legitimação. 1995). Segundo Tomaz Tadeu da Silva (1995) o conhecimento. se não se fizesse nada com ela. os grupos humanos tornam o outro diferente para fazê-lo inimigo”. está transpassada pela diversidade. as trajetórias dos jovens da periferia. Dessa forma poderemos avançar na superação de concepções românticas sobre a diversidade cultural presentes nas várias práticas pedagógicas e currículos. representam os diferentes grupos sociais de forma diferente: enquanto as formas de vida e a cultura de alguns grupos são valorizadas e instituídas como cânone. o que é certo e o que é errado. desmistificando a ideia de inferioridade que paira sobre algumas dessas diferenças socialmente construídas e exigindo que o elogio à diversidade seja mais do que um discurso sobre a variedade do gênero humano. 1995). das identidades e das diferenças. verdade.

Esse contexto coloca um conjunto de problemas e desafios à sociedade como um todo. Mais do que múltiplas. para a diversidade e suas múltiplas dimensões na vida dos sujeitos. a questão é com que tipo de olhar eles foram e são vistos. começa a viver – não sem contradições e conflitos . a presença da cultura escolar. articulados ou não em movimentos sociais. racismo. mas agindo. ainda existe muito trabalho a fazer. como um tema. Estamos. entre outros) passam a reivindicar reconhecimento. a partir da segunda metade do século XX. indígenas. em uma . das relações estabelecidas na escola.um momento de maior consolidação de algumas demandas dos movimentos sociais e da sua luta pelo direito à diferença. portanto. mas.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Por isso. Para este autor. É urgente incorporar esses conhecimentos que versam sobre a produção histórica das diferenças e das desigualdades para superar tratos escolares românticos sobre a diversidade. No que diz respeito à educação. econômicas e sociais de fenômenos como etnocentrismo. A fim de conseguir alcançar esse objetivo. o papel dos movimentos sociais e culturais nas demandas em prol do respeito à diversidade no currículo. um dos aprendizados trazidos pelo debate sobre o lugar da diversidade e da diferença cultural no Brasil contemporâneo é que a sociedade brasileira passa por um processo de (re)configuração do pacto social a partir da insurgência de atores sociais até então pouco visíveis na cena pública. todos nós precisaremos passar por um processo de reeducação do olhar. nos projetos pedagógicos das escolas os saberes produzidos pelas diversas áreas e ciências articulados com os saberes produzidos pelos movimentos sociais e pela comunidade. mas também e. Podemos dizer que a sociedade brasileira. portanto. É perceber como. organizando o currículo como se os alunos fossem um bloco homogêneo e um corpo abstrato? Como se convivêssemos com um protótipo único de aluno? Como se a função da escola. Há uma nova sensibilidade nas escolas públicas. E foram eles. a inserção da diversidade nos currículos implica compreender as causas políticas. Entretanto. do planejamento das ações. na literatura infanto-juvenil. E mais: muitas que temos múltiplas culturas. sim. O reconhecimento e a realização dessa mudança do olhar sobre o “outro” e sobre nós mesmos a partir das diferenças deve superar o apelo romântico ao diverso e ao diferente e construir políticas e práticas pedagógicas e curriculares nas quais a diversidade é uma dimensão constitutiva do currículo. não como um dos eixos centrais da orientação curricular. Os educandos são os sujeitos centrais da ação educativa. É possível perceber alguns avanços na produção teórica educacional. do aluno e da comunidade. como a diversidade se faz presente? Será que os movimentos sociais conseguem indagar e incorporar mais a diversidade do que a própria escola e a política educacional? Um bom exercício para perceber o caráter indagador da diversidade nos currículos seria analisar as propostas e documentos oficiais com os quais lidamos cotidianamente. democrático e aberto à diversidade. apesar dos avanços. iremos notar que a questão da diversidade aparece. Sensibilidade que vem se traduzindo em ações pedagógicas de transformação do sistema educacional em um sistema inclusivo. uma determinada visão dos alunos nas propostas curriculares. à política educacional. Que indagações a diversidade traz aos currículos? E nas escolas. na segunda metade do século XX. homofobia e xenofobia. Mas será que essas ações são iniciativas apenas de grupos de educadores(as) sensíveis diante da diversidade? Ou elas são assumidas como um dos eixos do trabalho das escolas. E é possível que. enquanto sujeitos políticos. interferem na política educacional e na elaboração de leis educacionais e diretrizes curriculares. em um campo político. planejando. É incorporar no currículo. aqui. as culturas diferem entre si. sexismo. que trouxeram a luta pelo direito à diversidade como uma indagação ao campo do currículo. sobretudo. Falar sobre diversidade e diferença implica posicionarse contra processos de colonização e dominação. das propostas políticas pedagógicas das Secretarias de Educação e do MEC? Elas são legitimadas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais? Fazem parte do currículo vivenciado nas escolas e das políticas curriculares? A resposta a essas questões poderá nos ajudar a compreender o lugar ocupado pela diversidade cultural na educação escolar. nos currículos e políticas educacionais. sobretudo. as quais refletem diversas e divergentes formas de inserção grupal na história do país. algumas diferenças foram naturalizadas e inferiorizadas sendo. nas Secretarias Estaduais e Municipais de Educação. nos livros didáticos. como. Tais movimentos indagam a sociedade como um todo e. Questionam os currículos. tratadas de forma desigual e discriminatória. mas não questiona o lugar que a diversidade de culturas ocupa na escola. colocam em xeque a escola uniformizadora que tanto imperou em nosso sistema de ensino. quer seja pela ausência deste ou por um reconhecimento considerado inadequado de sua diferença. que trouxeram a luta pelo direito à diversidade como uma indagação ao campo do currículo. Ainda segundo Silvério (2006). o conhecimento produzido pelas mulheres no processo de luta pela igualdade de gênero. porém. a demanda por reconhecimento é aquela a partir da qual vários movimentos sociais que têm por fundamento uma identidade cultural (negros. É entender o impacto subjetivo destes processos na vida dos sujeitos sociais e no cotidiano da escola. provocou transformações significativas na forma como a política pública educacional era concebida durante a primeira metade daquele século. por exemplo. homossexuais. no Governo Federal. no Ministério da Educação. imprimem mudanças nos projetos pedagógicos. Para tal. E foram eles. a entrada em cena. entre outros. na produção de material didático alternativo e acessível em consonância às necessidades educacionais especiais dos alunos. Há diversos conhecimentos produzidos pela humanidade que ainda estão ausentes nos currículos e na formação dos professores. entendendo que estes não representam apenas uma determinada visão de conhecimento que pode excluir o “outro” e suas diferenças. Cabe destacar. no plano de aula. de movimentos sociais denominados identitários. Essa situação possibilita o reconhecimento da cultura docente. Esse é um movimento que vai além do pedagógico. um dos aspectos significativos desse novo cenário é a percepção de que a escola é um espaço de sociabilidade para onde convergem diferentes experiências socioculturais. ou mais precisamente. nesses contextos. Didatismo e Conhecimento 103 De acordo com Valter Roberto Silvério (2006). o conhecimento produzido pela comunidade negra ao longo da luta pela superação do racismo. todos nós que atuamos e nos ocupamos da escola somos desafiados a rever o ordenamento curricular e as práticas pedagógicas. do trabalho docente fosse conformar todos a esse protótipo único? Os educandos são os sujeitos centrais da ação educativa. o conhecimento produzido pela juventude na vivência da sua condição juvenil. articulados ou não em movimentos sociais. Podemos ir além: com que olhar foram e são vistos os educandos nas suas diversas identidades e diferenças? Será que ainda continuamos discursando sobre a diversidade. nos projetos pedagógicos das escolas. Certamente.

ao analisar o caso da universidade em Moçambique e a produção de saberes realizada pelos países que se encontram fora do eixo do Ocidente. em cada sistema de ensino e em cada escola. Podemos dizer que houve avanço em relação à sensibilidade para com a diversidade incorporada – mesmo que de forma tímida – na Lei. encontremos no interior da sala de aula alunos que portam diferentes culturas locais. sim. a diversidade está presente na parte diversificada. podem ser compreendidos como a produção da nãoexistência. culturais. podemos notar uma situação semelhante quando refletimos sobre o lugar ocupado pelos saberes construídos pelos movimentos sociais e pelos setores populares na escola brasileira. certos saberes que não encontram um lugar definido nos currículos oficiais podem ser compreendidos como uma ausência ativa e. diferem-se em gênero. deve ser vista como um direito. Antes. idade e experiência de vida. dos nossos sentidos. mesmo que reconheçamos a importância desse fôlego dado à diversidade nos documentos oficiais. Essa autora discute que o saber científico se impôs como forma dominante de conhecimento sobre os outros conhecimentos produzidos pelas diferentes sociedades e povos africanos. na igualdade de oportunidades e no exercício de uma prática e postura democráticas. Um direito garantido a todos e não somente àqueles que são considerados diferentes. Ao mesmo tempo. é importante destacar que ele não é suficiente. pertencem a diferentes grupos étnico-raciais. mas como um eixo que orienta as experiências e práticas curriculares. explorar o potencial criativo. ao mesmo tempo. a discussão sobre a relação ou distinção entre conhecimento e saber . variedade ou “pluralidade”. podemos dizer que há. entendida como a orientação legal para a construção das diretrizes curriculares nacionais dela advindas. Conviver com a diferença (e com os diferentes) é construir relações que se pautem no respeito. sim. Esta última. vivemos no contexto das diferentes culturas. A incorporação da diversidade no currículo deve ser entendida não como uma ilustração ou modismo. com o formato de atividades paralelas. Em outros momentos. Ou seja. políticos e também culturais por meio dos quais são construídas. intencionalmente produzida. ocupa um lugar menor do que o núcleo comum. é exigida pelas características regionais e locais da sociedade. Os movimentos sociais. Reconhecer não apenas a diversidade no seu aspecto regional e local. pois coloca essa discussão em um lugar provisório. Nessa perspectiva curricular. segundo a lei. também. na igualdade social. Não podemos afirmar que esses saberes são totalmente inexistentes na realidade escolar. Elas podem até mesmo trazer certa diversificação. Essa forma de interpretar e lidar com o conhecimento se perpetua na teoria e na prática escolar em todos os níveis de ensino desde a educação infantil até o ensino superior. hierarquicamente. Dez anos se passaram. encontramse estereotipados e presentes no chamado “currículo oculto” e. Por isso. Nesse mesmo debate. os projetos das escolas expressam esse avanço com contornos e nuances diferentes. da cultura. culturais e geográficas que dizem respeito à realidade africana abordada pela autora acima citada. uma monocultura do saber que privilegia o saber científico (transposto didaticamente como conteúdo escolar) como único e legítimo. Guardadas as devidas especificidades históricas. a qual os educadores sabem que. no que se refere ao seu número. Eles existem. no contexto da diversidade cultural e esta. Podemos indagar como a diversidade é apresentada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB nº 9394/96. localizada em uma região específica. a LDB confere liberdade de organização aos sistemas de ensino. sociais. suas vivências e práticas. muitas vezes. desde que eles se orientem a partir de um eixo central por ela colocado: os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base comum nacional que será complementada. Se a convivência com a diferença já é salutar para a reeducação do nosso olhar. O peso da rigidez dessa lei marcou profundamente a organização e a estrutura das escolas. realizar trabalhos mais próximos da comunidade. os educadores e as educadoras conseguem ousar. cultural e social que marca a trajetória humana. Alguns aspectos específicos do currículo indagados pela diversidade. por mais que possamos negar. mas não são consideradas como integrantes do eixo central. a forma fragmentada de como o conhecimento escolar e o currículo ainda são tratados e a persistente associação entre educação escolar e preparo para o mercado de trabalho. p. possuem valores diferenciados. deve ser compreendida no campo político e tenso no qual as diferenças são produzidas. E é neste último que encontramos os ditos conhecimentos historicamente acumulados recontextualizados como conhecimento escolar. sobretudo. os costumes. O lugar não hegemônico ocupado pelas questões sociais.e que tem servido aos interesses dos grupos sócio raciais hegemônicos . da nossa visão de mundo. existem focos de resistência que sempre lutaram contra a hegemonia de certos conteúdos escolares previamente selecionados e o apogeu da ciência moderna na escola Didatismo e Conhecimento 104 . a corporeidade. um novo brilho. projetos sociais e experiências lúdicas. as artes. mais do que uma multiplicidade de culturas. podemos localizar a dicotomia construída nos currículos entre o saber considerado como “comum a todos” e o saber entendido como “diverso”. Segundo Arroyo (2006. portanto. quanto mais o aprendizado do imperativo ético que esse processo nos traz. Eles apresentam diferentes formas de ver e conceber o mundo. É dela que herdamos.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS mesma escola. marginal. Esse movimento de mudança sugere a necessidade de aprofundar mais sobre a diversidade nos currículos. Inspirados em Boaventura de Sousa Santos (2004). da economia e da clientela. porém. transversal e. Além disso. Diversidade e conhecimento – A antropóloga Paula Meneses (2005).é colocada pela autora no contexto de um debate epistemológico e político. portanto. a visão reducionista dessa lei marcou as décadas de 1970 e 1980 como uma forma hegemônica de pensar e organizar o currículo e as escolas e ainda se faz presente e persistente na visão que muitas escolas têm do seu papel social e na visão que docentes e administradores têm de sua função profissional. a reflexão das ciências sociais. as características regionais e locais. a sexualidade são “partes que diversificam o currículo” e não “núcleos”. tende a reduzir a diversidade cultural à diversidade regional e não dialoga com os sujeitos. que atenda uma determinada comunidade. mas. No seu artigo 26. Rever o nosso paradigma curricular. Ainda estamos presos à divisão núcleo comum e parte diversificada presente na lei 5692/71. como vulnerabilidade e liberdade. na educação brasileira. as políticas educacionais. por uma parte diversificada. artístico e estético dos alunos e alunas. É nesta parte que.56). a sua presença enquanto construção histórica. A cultura não deve ser vista como um tema e nem como disciplina. deve ser um elemento presente e indagador do currículo. nesse sentido. as quais se articulam com as do bairro e região. Nessa concepção. por vezes. muitas vezes. Vivemos. muitas vezes. traz algumas reflexões que podem nos ajudar a indagar a relação entre conhecimento e diversidade no Brasil. No entanto. a cultura. Nesse sentido. nos dizeres de Boaventura de Sousa Santos (2004). regionais e políticas que compõem a “parte diversificada” dos currículos pode ser visto. marcadas por singularidades advindas dos processos históricos.

os procedimentos e instrumentos que usamos para avaliar os alunos e a forma como os conhecimentos são aprendidos e apreendidos. dos(as) educadores(as) e da comunidade nas propostas educacionais (Santos. A consideração destes e de outros saberes trará novos elementos não só para as análises dos movimentos sociais e seus processos de produção do conhecimento como também para a discussão sobre a reorientação curricular. A diversidade coloca em xeque os processos tradicionais de avaliação escolar. algumas indagações podem ser feitas: como vemos o debate sobre a inclusão das crianças com deficiência na escola regular comum? As escolas regulares comuns introduzem no seu currículo a necessidade de uma postura ética em relação a essas crianças? Enxergamos essas crianças na sua potencialidade humana e criadora ou nos apegamos à particularidade da “deficiência” que elas apresentam? Esse debate faz parte dos processos de formação inicial e em serviço? Buscamos conhecer as experiências significativas realizadas na perspectiva da educação inclusiva? Nesse momento. Segundo Amauri Carlos Ferreira (2006). Tomaremos como exemplo dessas práticas a educação de pessoas com deficiência. educação do campo. educação indígena. Por realizar-se como relação intersubjetiva e social a ética não é alheia ou indiferente às condições históricas e políticas. cultural e Didatismo e Conhecimento 105 . Como se pode notar. como contrapartida. uma vez que a sua importância social. os movimentos sociais conquanto sujeitos políticos podem ser vistos como produtores de saber. educação ambiental e EJA. Discutir a diversidade no campo da ética significa rever posturas. O não reconhecimento dos saberes e das práticas sociais no currículo tem resultado no desperdício da experiência social dos(as) educandos(as). Ainda inspirados em Boaventura de Sousa Santos (2006). A grande questão é: como o conhecimento escolar poderá contribuir para o pleno desenvolvimento humano dos sujeitos? Não se trata de negar a importância do conhecimento escolar. do negro. Eles questionam não só o currículo que se efetiva nas escolas como. ela está em relação com o tempo e a história. Diversidade e ética – além de indagar a relação currículo e conhecimento. nossas práticas em sala de aula..) refletir sobre nossas ações cotidianas na escola. Estas extrapolam o nível interpessoal e intersubjetivo. revisão de propostas curriculares e dos processos de formação de professores. Marilena Chauí (1998) ainda esclarece que embora toda ética seja universal do ponto de vista da sociedade que a institui (universal porque os seus valores são obrigatórios para todos os seus membros). adolescência. pois somos seres históricos e culturais e nossa ação se desenrola no tempo. A relação entre ética e diversidade nos coloca diante de práticas e políticas voltadas para o respeito às diferenças e para a superação dos preconceitos e discriminações. a educação dos negros e a educação do campo. Por isso se transforma para responder a exigências novas da sociedade e da cultura. A ética fundamenta a moral. Nesse percurso construímos as nossas identidades. cultural e político. Um bom caminho para repensar as propostas curriculares para infância. A luta travada em torno da educação do campo. o ethos. Estas propostas e projetos têm se realizado . faz-se necessário retomar a concepção de diversidade que orienta a reflexão presente nesse texto: a diversidade é entendida como a construção histórica. sobretudo. a ética exprime a maneira como a cultura e a sociedade definem para si mesmas o que julgam ser a violência e o crime. a relação entre ética e diversidade ainda é pouco explorada nas discussões sobre o currículo. considerando. educação ambiental. mas de abolir o equivoco histórico da escola e da educação de ter como foco prioritariamente os “conteúdos” e não os sujeitos do processo educativo. das pessoas com deficiência tem desencadeado mudanças na legislação e na política educacional.em algumas escolas públicas e em propostas pedagógicas da educação básica. valores. representações e preconceitos que permeiam a relação estabelecida com os alunos. educação inclusiva. social. por vezes. Tal processo vem ocorrendo. Este nem sempre tem sido considerado enquanto tal pelo próprio campo educacional. pois são construídas nas relações sociais. No que se refere à educação de pessoas com deficiência.os como sujeitos sociais e de direitos? O reconhecimento do aluno e do professor como sujeitos de direitos é também compreendê. juventude e vida adulta poderá ser uma orientação que tenha como foco os sujeitos da educação. como costume. 2006). educação para a diversidade. enquanto educadores a“(. indígena. 2006). Também tem indagado a relação entre conhecimento escolar e o conhecimento produzido pelos movimentos sociais. das comunidades remanescentes de quilombos. a ética é referência para que a escolha do sujeito seja aceita como um princípio geral que respeite e proteja o ser humano no mundo. também.los como sujeitos éticos. ao expressar a sua natureza reflexiva na sistematização das normas. São experiências de gestão democrática. Isso nos impele. Não se trata de negar a importância do conhecimento escolar. Nesse sentido. sobre a linguagem que utilizamos. articula-se às escolhas que o sujeito faz ao longo da vida. Essa é mais uma indagação que podemos fazer aos currículos. representações e valores sobre nós mesmos e sobre os “outros”. Construímos relações que podem ou não se pautar no respeito às diferenças. Será que nos relacionamos com os “outros” presentes na escola.. econômicas e culturais da ação moral. mas de abolir o equivoco histórico da escola e da educação de ter como foco prioritariamente os “conteúdos” e não os sujeitos do processo educativo. Estes já conseguiram algumas vitórias satisfatórias. nas propostas mais progressistas de educação escolar tais como: educação do campo. Nessa perspectiva. No entanto. a discussão sobre a diversidade permite-nos avançar em outro ponto do debate: a indagação sobre diversidade e ética. sobre aquilo que prejulgamos ou outras situações do cotidiano”. tem sido colocada no campo das “ausências” resultando no “desperdício da experiência social e educativa”. assumir a diversidade no currículo implica compreender o nosso caminhar no processo de formação humana que se realiza em um contexto histórico. educação quilombola etc. (Fernandes e Freitas. do ponto de vista dos valores.não sem conflitos . educação e diversidade étnico-racial. a comunidade e demais profissionais da escola. Segundo Marilena Chauí (1998). o que consideram ser o bem e a virtude. podemos dizer que a relação entre currículo e conhecimento nos convida a um exercício epistemológico e pedagógico de tornar os saberes produzidos pelos movimentos sociais e pela comunidade em “emergências”.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS brasileira. o mal e o vício e. Essas e outras indagações que podemos fazer ao conhecimento e sua presença no currículo são colocadas principalmente pelos movimentos sociais e pelos sujeitos em movimento. política e pedagógica.

Isso nos leva a indagar em que medida os currículos escolares expressam uma visão restrita de conhecimento. secretarias estaduais e municipais. a sua organização. É nesse campo complexo que se encontram as propostas de educação inclusiva. Indaga. entendida como uma forma de pensar que se tornou totalizante e hegemônica. a sua organização temporal. independentemente do nosso pertencimento étnico-racial. Os teóricos que investigam a inclusão de crianças com deficiência na escola regular comum possuem opiniões diversas sobre o tema e o indagam a partir de diferentes abordagens teóricas e políticas. Alfabetização e Diversidade (SECAD). e propusermos novos rumos para sua superação a fim de alcançarmos uma transformação social. mas também no âmbito das concepções de diferença. o racismo. de deficiência e de inclusão. Didatismo e Conhecimento 106 A educação dos negros é outro campo político e pedagógico que nos ajuda a avançar na relação entre ética e diversidade e traz mais indagações ao currículo. a discriminação com relação às variações linguísticas.las como sujeitos de direitos e compreender como se construiu e se constrói historicamente o olhar social e pedagógico sobre a sua diferença. É preciso também compreender os dilemas e conflitos entre as perspectivas clínicas e pedagógicas que acompanham a história da Educação Especial. mas para a escola com um todo. As práticas significativas de educação inclusiva se propõem a desconstruir o imaginário negativo sobre as diferenças. interessa reconhecê. Carlos Skliar (2004. é responsável por várias ações voltadas para a igualdade racial em conjunto com outros ministérios.12) questiona: a escola regular tende a produzir mecanismos educativos dentro de um marco de diversidade cultural? Ao refletir sobre a estrutura rígida que ainda impera nas escolas. A construção das diferenças ultrapassa as características biológicas. Nesse sentido. no início do terceiro milênio. O debate torna-se necessário não apenas no âmbito das propostas. a fim de introduzir essa discussão nos currículos. da organização da escola (seus tempos e espaços) e do currículo escolar para que a educação inclusiva cumpra o seu objetivo educativo. a Coordenadoria de Diversidade e Inclusão Educacional que tem realizado publicações. os currículos. E epistemológico na medida em que realizarmos uma crítica à racionalidade ocidental. enquanto uma diferença que se faz presente nos mais diversos grupos humanos. das práticas discriminatórias e da lenta implementação da igualdade de oportunidades em nossa sociedade. de abrangência nacional. São políticas e propostas orientadas por concepções mais democráticas de educação. as escolas de educação básica estão desafiadas a implementar a lei de nº 10. podemos dizer que a resposta a essas questões passa por uma ruptura política e epistemológica.639/03. da postura pedagógica. estamos desafiados a reinventar novas práticas pedagógicas e curriculares e abrir um novo horizonte de possibilidades cartografado por alternativas radicais às que deixaram de o ser. p. como ainda nomeiam alguns fóruns). Dessas novas iniciativas. No entanto. conferências e produção de material didático voltado para a temática. os processos de avaliação e todo o processo ensino. Além da SEPPIR. A construção do olhar sobre as pessoas com deficiências ultrapassa as características biológicas. marcado por limites e avanços. com apoio ou não das universidades e secretarias estaduais e municipais. interpretações da realidade. o debate sobre a inclusão de crianças com deficiência revela que não basta apenas a inclusão física dessas crianças na escola. alguns avanços foram conseguidos. suas potencialidades e vivências. a cultura escolar não imune à construção histórica. A educação dos negros é outro campo político e pedagógico que nos ajuda a avançar na relação entre ética e diversidade e traz mais indagações ao currículo.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS social das diferenças. étnicas etc. especificamente. sobretudo. E mais: compreender as discussões e práticas em torno dessa diferença como mais um desafio na garantia do direito à educação e conhecer as várias experiências educacionais inclusivas que vêm sendo realizadas em diferentes estados e municípios. Como a escola lida com a cultura negra e com as demandas do Movimento Negro? Garantir uma educação de qualidade para todos significa. valores.5 Estas experiências têm revelado a eficiência e os benefícios da educação inclusiva não só para os alunos com deficiência. movimentos sociais e ONG’s. cultural e social da diversidade e das diferenças. a nossa inserção na luta antirracista? Colocamos a discussão sobre a questão racial no currículo no campo da ética ou a entendemos como uma reivindicação dos ditos “diferentes” que só deverá ser feita pelas escolas nas quais o público atendido é de maioria negra? Afinal. o movimento negro brasileiro tem feito reivindicações e construído práticas pedagógicas alternativas. Nessa perspectiva. cultural e política brasileira e que afeta a todos nós. os rituais de enturmação. das pessoas com deficiência indaga a escola. também. observáveis a olho nu. Como todo processo de luta pelo direito à diferença. Do ponto de vista político. universidades. é permeada de diversas leituras e interpretações. Propostas de educação inclusiva acontecem nas redes de educação e nas escolas. Um deles é a criação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR). construído no contexto das desigualdades sociais. Não será suficiente incluir as crianças com deficiência na escola regular comum se também não realizarmos um processo de reeducação do olhar e das práticas a fim de superar os estereótipos que pairam sobre esses sujeitos. a exclusão sistemática. Entendendo que a questão racial permeia toda a história social. foi constituída no interior da Secretaria de Educação Continuada. A construção histórica e cultural da deficiência (ou necessidade especial. Muitas delas estão alicerçadas em preconceitos e discriminações denunciados historicamente por aqueles(as) que atuam no campo da Educação Especial e pelos movimentos sociais que lutam pela garantia dos direitos desses sujeitos. A inclusão de toda diversidade e. a desigualdade racial? De forma semelhante podemos indagar: e os alunos brancos. de mundo. ignorando e até mesmo desprezando outros conhecimentos. Esta secretaria. Ricas experiências têm sido desenvolvidas em vários estados e municípios. Nessa nova forma de intervenção do Movimento Negro e de intelectuais comprometidos com a luta antirracista. sobre o fenômeno da repetência. raciais. o movimento negro passou a adotar uma postura mais propositiva. alunos brancos e índios precisam saber mais sobre a cultura negra. realizando intervenções sistemáticas no interior do Estado.aprendizagem. Na última década houve vários avanços nas políticas de inclusão. suas histórias. Há também a necessidade de uma mudança de lógica. Esta lei torna obrigatória a inclusão do ensino da . no caso das pessoas com deficiência. esse também é tenso. negros e quilombolas precisam saber mais sobre os povos indígenas? Como faremos para articular todas essas dimensões? Precisaremos de um currículo específico que atenda a cada diferença? Ou essas discussões podem e devem ser incluídas no currículo de uma maneira geral? Caminhando na mesma perspectiva de Boaventura Sousa Santos (2006). de sociedade e de ser humano acumulados pelos coletivos diversos.

Pescadores. É ainda este autor que nos diz que a compreensão das nuances e dos dilemas da construção do tempo da escola poderá nos ajudar a corrigir os problemas de evasão.aprendizagem. Extrativistas e Assalariados Rurais. tal como já é comemorado pelo movimento negro e por alguns setores da sociedade. as escolas da educação básica poderão se orientar a partir de um documento que discute detalhadamente o teor da lei. transformar demandas em práticas e políticas educacionais (Arroyo. Eles são pensados levando em conta os coletivos diversos? O tempo/espaço escolar leva em conta os educandos com deficiência ou aqueles que dividem o seu tempo entre escola. avaliação. e se. na qual foram incluídos mais três artigos. semestres. Podemos dizer que a escola enquanto instituição social se realiza. pelo currículo que se realiza no cotidiano das escolas e pela ação pedagógica de uma maneira geral. repetência. A partir das reflexões do autor podemos dizer que a relação diversidade-currículo se defronta com um dado a ser equacionado: os(as) educandos(as) são diversos também nas vivências e Didatismo e Conhecimento 107 controle de seus tempos de vida. Esta tensão é maior nos coletivos sociais submetidos a formas de vida e de sobrevivência precarizadas. entre tempos rígidos do aprender escolar e tempos não controláveis do sobreviver. os quais versam sobre essa obrigatoriedade. E. Ela é também um espaço sociocultural e imprime marcas profundas no nosso processo de formação humana. o Conselho Nacional de Educação aprovou as Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo. 2004). No que concerne ao espaço físico da escola. Sem Terra. Pequenos Agricultores. Caldart e Molina. Entender a lógica institucionalizada do tempo escolar que se impõe sobre os/as alunos/as e professores(as) é fundamental para compreender muitos problemas crônicos da educação escolar. o espaço da escola também não é neutro e precisa passar por um processo de desnaturalização. além disso. segmentada e uniforme em nossa tradição. o currículo pode ser visto como um ordenamento temporal do conhecimento e dos processos de ensinar e aprender. trabalho e sobrevivência. Como equacionar essas tensões? Que tipo de organização escolar e que ordenamento temporal dos currículos e dos processos de ensinar-aprender serão os mais adequados para garantir a permanência e o direito à educação de crianças. podemos indagar como a educação escolar tem equacionado a questão do tempo e do espaço escolar. o tempo da escola é conflitivo porque é um tempo instituído. rituais de transmissão. Nesse ponto tão nuclear. séries. que foi durante mais de um século se cristalizando em calendários. 01. como um espaço físico específico e também sociocultural. No entanto. As pesquisas educacionais mostram que a rigidez desse ordenamento é uma das causas do abandono escolar de coletivos sociais considerados como mais vulneráveis. tais como. É preciso desnaturalizar o nosso olhar sobre o tempo escolar. Segundo Arroyo (2004a). jovens e adultos submetidos a tempos da vida tão precários? Serão os(as) educandos(as) que terão que se adequar aos tempos rígidos da escola ou estes terão que ser repensados em função das diversas vivências e controle dos tempos dos(as) educandos(as)? Propostas de escolas e de redes de ensino vêm tentando minorar essas tensões tomando como critério o respeito à diversidade de vivências do tempo dos(as) alunos(as) e da comunidade. Por isso. reprovação. Como nos diz Miguel Arroyo (2004a). gerando uma tensão entre tempos escolares e tempos da vida. Os Movimentos do Campo também têm conseguido. o Conselho Nacional de Educação aprovou a resolução 01 de 17 de março de 2004. sobretudo. os setores populares e os exclui da instituição escolar. Como será a organização dos nossos espaços escolares? Será que o espaço da escola é pensado e ressignificado no sentido de garantir o desenvolvimento de um senso de liberdade. por meio da Resolução CNE/ CEB n. níveis. a diversidade indaga os currículos e as escolas: repensar seu ordenamento temporal como exigência da garantia do direito de todos(as) à educação. Povos da Floresta. apresentando sugestões de trabalho e de práticas pedagógicas. A implementação das leis e das diretrizes acima citadas vem somar às demandas destes e de outros movimentos sociais que se mantêm atentos à luta por uma educação que articule a garantia dos direitos sociais e o respeito à diversidade humana e cultural. O espaço escolar exprime uma determinada concepção e interpretação de sujeito social. a escola é também uma organização temporal.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS História da África e da Cultura Afro. de 03 de abril de 2002. a organização escolar não pode ser reduzida há um tempo empobrecido de experiências pedagógicas e de vida. ao mesmo tempo. Ribeirinhos. os jovens e adultos trabalhadores da EJA etc? Os currículos incorporam uma organização espacial e temporal do conhecimento e dos processos de ensino. Diversidade e organização dos tempos e espaços escolares – Um currículo que respeita a diversidade precisa de um espaço/ tempo objetivo para ser concretizado. Nesse sentido. A rigidez e a naturalização da organização dos tempos e espaços escolares entram em conflito com a diversidade de vivências dos tempos e espaços dos alunos e das alunas. adolescentes. bimestres. Trata-se de uma alteração da lei nº 9394/96. reprovação e repetência que atingem. A instituição das diretrizes é resultado das lutas e reivindicações dos movimentos sociais e organizações que lutam por uma educação que contemple a diversidade dos povos que vivem no e do campo com suas diversas identidades. a escola não é só um espaço/tempo de aprendizagem.Brasileira nos currículos dos estabelecimentos de ensino públicos e particulares da educação básica. Assim como o tempo. A partir desta lei. que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações ÉtnicoRaciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira. A tendência da escola é flexibilizar a diversidade indaga os currículos e as escolas: repensar seu ordenamento temporal como exigência da garantia do direito de todos(as) à educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Rever esses ordenamentos temporais é uma exigência ética e política para a garantia do direito à diversidade. Nesse sentido. Em 2002. à qual todos(as) alunos e alunas indistintamente têm de adequar seus tempos. Por isso. de criatividade e de experimentação? Será que a forma como organizamos o espaço possibilita ao aluno e à aluna interagir . A organização escolar é ainda bastante rígida. é importante refletir que ele exprime uma determinada concepção e interpretação de sujeito social. Quilombolas. esses avanços políticos têm sido considerados pelo campo do currículo. trabalho e sobrevivência. aos poucos. Ela também acrescenta que o dia 20 de novembro (considerado dia da morte de Zumbi) deverá ser incluído no calendário escolar como dia nacional da consciência negra. há que se indagar como. O tempo para aprender não é um tempo curto.

o trabalho. reorganizar o coletivo dos(as) professores(as). por exemplo. Dessa forma. alterá-la esteticamente. é importante considerar que o questionamento às lógicas e práticas cristalizadas e endurecidas de organização dos tempos/ espaços escolares faz parte das lutas e conquistas da categoria docente que. tempos e espaços escolares pressupõe uma nova estrutura de escola que se articula em torno de uma concepção mais ampla de educação. esta relação entre conteúdos disciplinares pode ocorrer intradisciplinam ente (dentro da mesma área do saber. A avaliação poderá ser realizada de forma mais coletiva e com o objetivo de acompanhamento do processo de construção do conhecimento dos(as) aluno(as) 108 nas suas múltiplas dimensões humanas e não como instrumento punitivo ou como forma de “medir o desempenho escolar”. • no caso da interdisciplinaridade. alterar a lógica e a utilização do espaço escolar e garantir uma justa remuneração aos educadores e educadoras. ao discutir a relação entre diversidade e organização dos tempos e espaços escolares. os conteúdos escolares. pontualmente. no tempo da escola estão em jogo direitos dos profissionais da educação. a denúncia aos tempos mal remunerados. criar tempos mais democráticos de formação docente e dos alunos. relações entre si. adolescentes e jovens? Enquanto espaço sociocultural. É preciso pensar o tempo como processo. Por outro lado. Finalizando. os instrumentos tradicionais da avaliação escolar e a própria concepção de avaliação que ainda imperam na escola também serão indagados. mães e dos alunos e alunas. Nesse processo. ocorre a valorização de um grupo de disciplinas que se inter-relacionam e cujo nível de relações pode ir desde o estabelecimento de processos de comunicação entre si até à integração de conteúdos e conceitos fundamentais que proporcionem uma visão global das situações (influencia­da pelos “olhares” das diferentes disciplinas de base).adolescência. mais longos e mais atentos às múltiplas dimensões da formação dos sujeitos. adolescência. embora se tenham por base os seus conheci­mentos. Será que essa tem sido uma preocupação da educação escolar? Será que ao pensarmos a gestão da escola consideramos a organização dos espaços escolares como uma questão relevante? Será que exploramos o conteúdo histórico e político imerso na arquitetura escolar? Compreender a percepção e utilização do espaço pelas crianças. organizado em etapas em ascensão. 1977). autoritários. Para construir uma nova forma de organização dos tempos teremos que superar a ideia de um tempo linear. movimentar-se com tranquilidade e autonomia? Ou o espaço entra como um elemento de condicionamento e redução cultural de nossas crianças. a escola participa dos processos de socialização e possibilita a construção de redes de sociabilidade a partir da inter-relação entre as experiências escolares e aquelas que construímos em outros espaços sociais. podemos dizer que estamos diante de questões fortes que indagam o currículo das nossas escolas e por isso exigem respostas igualmente fortes e ágeis. fracasso/ sucesso serão redefinidos a fim de garantir aos alunos e às alunas o direito a uma educação que respeite a diversidade cultural e os sujeitos nas suas temporalidades humanas. como construção histórica e cultural. estabelecem. Por isso. Em consequência. como. o tempo escolar poderá ser organizado de maneiras diversas. Neste último caso incluem-se trabalhos que consideram que o currículo deve ter em conta o meio em que se insere a escola e a relação entre a cultura escolar e as culturas de origem dos alunos a quem esse currículo sedes­tina. na década de 70 (Gusdorf. Portanto. dos pais. A Figura 1 traduz esta relação entre disciplinas. Ao discutirmos sobre o espaço. é de realçar os que elegem como argumentos questões focadas na relação entre conteúdos disciplinares e os que o fazem focando questões culturais. como. • no caso da transdisciplinaridade. pressupõe-se uma organização em que diversas disciplinas que se situam. este tipo de organização corresponde ao grau máximo de coordenação entre as disciplinas e interdisciplinas e é apontada como facilitadora da interpretação e compreensão das realidades na sua extensão e complexidade. Esses mesmos sujeitos. Parafraseando Boaventura de Sousa Santos. no mesmo nível hierárquico. entendida como pleno desenvolvimento dos(as) educandos (as). também. geralmente. Além disso. assim como os(as) jovens e adultos(as) trabalhadores(as) lutam por adequar o tempo rígido do trabalho a um tempo mais flexível de educação. por exemplo. O movimento dos(as) trabalhadores(as) da educação e os movimentos sociais vêm lutando por maior controle e alargamento do tempo de escola. tais como a vida familiar. da interdisciplinaridade ou da transdisciplinaridade. pré. arranjar sua sala de aula. jovens e adultos. extenuantes e alienantes. calcado na ideia de um percurso único para todos e da produtividade. Entre eles. Pensar o espaço da escola é considerar que o mesmo será ocupado. os movimentos sociais e organizações da sociedade civil e as manifestações culturais.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS com o ambiente. quando sustentou Didatismo e Conhecimento . deixa de existir o parcelamento das disciplinas. o tempo escolar será questionado. jovens e adultos é um desafio para os(as) educadores(as) e uma questão a ser pensada quando reivindicamos uma escola democrática e um currículo que contemple a diversidade. Os que concebem a articulação curricular enquanto meio de estabelecimento de relação entre disciplinas e os seus conteúdos apontam-na no sentido da multidisciplinaridade. adolescentes. do que seja reprovável/aprovável. Para este último sentido de articulação apontou também George Gusdorf. vem apontando para a necessidade de uma redefinição e organização da escola a qual inclui. A construção de uma escola democrática implica em repensar as estruturas e o funcionamento dos sistemas de ensino como um todo. A articulação entre currículo. juventude e vida adulta. interagem com o espaço e com o tempo de forma diferenciada. fatalmente. os critérios do que seja precedente. Vários têm sido os contributos do conhecimento produzido e divulgado no campo das Ciências da Educação sobre a importância de procedimentos de articulação curricular. querendo com isto significar: • no caso da multidisciplinaridade. e embora continuando a manter as suas fronteiras de conhecimento. Só assim os(as) alunos(as) serão realmente considerados A avaliação poderá ser realizada de forma mais coletiva e com o objetivo de acompanhamento do processo de construção do conhecimento dos(as) aluno(as) nas suas múltiplas dimensões humanas e não como instrumento punitivo ou como forma de “medir o desempenho escolar”. a distribuição dos tempos e espaços estarão interligados a um objetivo central: a formação e vivência sociocultural próprias das diferentes temporalidades da vida – infância. historicamente. numa perspectiva de interligação que permita um encadeamento em espiral de aprofundamento e de complexidade crescente dos conteúdos disciplinares) ou interdisciplinam ente (numa interrelação de conteúdos que pertencem a áreas do saber distintas). adolescentes. apropriado e alterado por sujeitos sociais concretos: crianças. no decorrer das suas temporalidades humanas. em fluxos mais flexíveis.

quando existem condições para ocorrer um “conflito sociocognitivo” (Piaget. Sisto. Nesta orientação. é esta condição que justifica um trabalho de equipa entre professores de diferentes disciplinas na construção e desenvolvimento de projetos curriculares. a propósito das alterações que têm ocorrido na relação das instituições universitárias com a sociedade. Nesta perspectiva. Ora. este autor foi buscar as suas raízes do conhecimento integrado à Grécia antiga. e convocando Doll (2002). a articulação é concebida como o estabelecimento de relações entre a cultura escolar e as culturas de origem dos alunos e como meio indutor de processos de construção do conhecimentos que envolvem diferentes pontos de vista que. tem sido reconhecida a influência da componente social na aprendizagem. propõe o recurso a projetos pedagógicos contra hegemônicos que estimulem uma atitude crítica e criativa do conhecimento e criem condições para refletir os entraves da estrutura curricular. 1999. a articulação entre conteúdos e a articulação curricular justificar-se-iam . isto é. Veiculando uma visão humanista que apontava para a formação do “homem integral”. não se justifica o desenvolvimento de um currículo que não tenha em conta a diversidade de experiências de situações vividas pelos alunos a quem se quer ensinar e a quem se deseja oferecer condições para aprender. elegendo como objetivo a configuração e a vivência de um currículo que positivamente responda à multiculturalidade propõem processos que ultrapassem os limites estruturais dos espaços físicos da instituição escolar e permitam a construção de um conhecimento contextualizado. 109 Também Goodson. e que esta é a tradição de muitos dos sistemas educativos. Reconhecendo que a estruturação de um currículo em tomo de disciplinas facilita a organização escolar. O reconhecimento da importância de projetos que promovam articulações com o local é também realçado pelos educadores que. entendida como “conjuntos de saberes. qualquer que seja a disciplina de onde provenha o saber considerado necessário. portanto. quer pelo reconhecimento e importância atribuídos às culturas de origem de cada um dos alunos que constituem a população escolar. de um modo geral. ou seja. de um “conhecimento politicamente estruturado” (Goodson. e transpondo a sua ideia para o que está em foco neste texto. portanto. 1997) que nos faça estabelecer interações com o que nos é próximo e familiar. Dito por outras palavras. afirma que a análise do histórico de uma série de disciplinas no currículo escolar mostrou que «havia uma política governando as disciplinas» não sendo. em artigo que reflete razões por que somos tão disciplinares e por que nos organizamos disciplinarmente. sendo-lhe atribuídas razões que passam pela facilidade organizativa e de relação direta entre a formação inicial dos professores e a dos alunos a formar. Acredita-se que o cruzamento de saberes e de opiniões diversas. interativo” (Santos 2004). quer pelo tipo de interação que é proporcionada (interação entre sujeitos). contextualizado. bem como métodos e dispositivos de pensa­mento comuns capazes de produzir e reproduzir esses saberes”.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS a importância de se trabalhar na lógica de relações entre as disciplinas. na base da qual contestou a hiperespecialização por se afastar da formação simultânea de um homem culto. Doll (2002). 2007). o que justifica a necessidade de se encontrar outras formas de aceder ao conhecimento. sábio. Aliada a esta justificação. favorecem leituras e interpretações mais rigorosas das situações do que se elas ocorrerem baseadas apenas em conhecimentos monodisciplinares. aponta para a importância de se recorrer a processos de construção do conheci­mento que envolva distintos pontos de vista e distintas áreas de saber. é tendo também por referência esta perspectiva que cada vez mais tem sido reconhecida a importância de equipas multidisciplinares que. conhecimentos esses que ganham novos sentidos quando se envolvem na leitura e na interpretação conjunta de um mesmo fenómeno ou situação. considera-se que a aprendizagem é favorecida quando existe uma relação entre conteúdos que promove uma leitura das situações reais o mais próxima possível dessa realidade e quando se recorre a pontos de partida que permitem a quem está a aprender (e. no entanto. várias têm sido. as vozes que reclamam a necessidade de se romper com o acantonamento das disciplinas na lógica da multidisciplinaridade. E é tendo por referência esta situação que Alice Casimiro Lopes. Ou seja. sem ser no quadro de um processo político e social. 1977). mais perdem o contato com are­alidade humana. 2002). Na verdade. numa perspectiva pós-moderna. quando permite atribuir sentidos às situações com que convivemos. por razões de acesso a modos de apropriação de conhecimentos. filósofo e artista (Gusdorf. enquanto característica de um grupo pode contribuir para superar leituras frágeis e superficiais das situações. mas também de atribuição de sentidos às situações vivi­das. se organize de modo a tomar-se mais rigoroso porque tem em conta os alunos concretos e estabelece relações com as situações reais recorrendo a procedimentos reflexivos que o fazem mais rico. Leite. segundo as ideias até aqui sistematizadas. No entanto. Em síntese. possível entender o currículo Didatismo e Conhecimento . estudou as raízes epistemológicas dessas disciplinas para compreendê-las. através de uma “pedagogia da totalidade”. aos alunos) trazer ao domínio da consciência o que sabem para interpretar essa situação. E. lembra a necessidade de se passar da produção do conhecimento convencional que lhe era reconhecido para a produção de um “conhecimento pluriuniversitário. Afirmou na altura que quanto mais as disciplinas se desenvolvem. proporcionam releituras e reinterpretações do mesmo fenómeno ou situação (Stoer e Cortesão. 2008). Santos (2004). em entrevista à Revista em Educação. este tem sido um aspeto que tem justificado a organização de muitos dos sistemas escolares atuais. desafiando os limites dos ambientes escolares existentes. O conhecimento produzido sobre a aprendizagem tem-nos também dito que esta tem mais probabilidades de ocorrer quando se torna significativa. a este propósito. 1977. Neste entendimento. nesta linha. ao interagirem. Ameu ver. é necessário que o currículo. mas sim “as disciplinas como construções sociais que atendem a determinadas finalidades” e que “reúnem sujeitosem determinados territórios”(Lopes. e quando existe uma relação entre o “novo” (o conhecimento a adquirir) e o conhecimento que possuímos. transdisciplinar. os currículos escolares continuam a privilegiar uma organização fundada nas disciplinas apoiada numa docência também ela fortemente disciplinar. isto é. afirma que “isso acontece porque não está em foco o sentido epistemológico de disciplina”. com a especificidade de cada um dos seus membros.

ignorar a importância de saberes disciplina­ res. portanto. De certo modo. proposição de questões. trata-se de uma concepção que perspectiva como ponto de entrada para a organização curricular não as disciplinas. características de uma orientação clássica onde apenas têm lugar os alunos socializados com a cultura escolar. deixando de ter significado por si sós.) aprendem-se exercendo as ações correspondentes que as configuram” (Zabala e Arnau. afirmámos já a importância de ter em conta as experiências de vida dos alunos e de partir dessa experiência e desse conhecimento para o ensino de no­vos conhecimentos. estas i deias? Neste texto. Segundo Zabala e Arnau (2010). Estas ideias lembram-nos o que já neste texto sustentam os quando afirmamos que os projetos curriculares devem ter como ponto de partida o que é próximo e familiar aos alunos a quem se destinam. não se restringindo a uma unidade didática. pretendem que as aprendizagens sejam o mais significativas possível e permitam resolver os problemas de compreensão e de participação nas situações da vida real. a um problema ou a uma situação que se pretende compreender. observação. E para esta concretização. 2010).CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Também Apple e Beane (2000). e fixar critérios precisos que permitam o estabelecimento de pautas para a seleção e priorização dos conteúdos de ensino. 2002). isto é. mas. para melhorar a cultura que se dissemina no sistema educacional. 2011). 2010). passam pelo recurso a métodos de enfoque globalizador. Alerta ainda este autor para que. Ou seja. e admitindo a importância de processos de articulação Didatismo e Conhecimento . Por isso. em função das finalidades propostas e das características singulares dos alunos (Zabala e Amau. o que é importante é prever e concretizar momentos de articulação curricular que dê sentido e utilidade social ao que se aprende. as situações reais inerentes a um problema a resolver ou uma situação na qual se pretende intervir.. nestes procedimentos de desenvolvimento do currículo. e como tenho afirmado (Leite. e isto pelas condições de base que criam para que cada aluno faça novas aprendizagens socialmente reconhecidas como relevantes. esta atitude exige aos professores uma forte relação com os locais e uma atenção acrescida aos modos de trabalho pedagógico. o que pretendo aqui realçar é a importância de procedi­mentos curriculares que permitam apreender a complexidade das situações em análise. revisar as práticas que dificultam esses objetivos. E é este procedimento que torna as escolas democráticas (Apple e Beane. não se fique limitado ao que são as experiências de partida dos alunos e aos conhecimentos locais. referem ainda que “os componentes procedimentais das competências (trabalho em equipa. esta é também a posição de Zabala (1998) quando se refere aos métodos globalizadores que. por processos que partam de uma situação próxima da realidade do aluno. E implica que o reconheci­mento dessa situação seja acompanhado por processos de organização e desenvolvimento do currículo que rompam com lógicas etnocêntricas e homogeneizantes. do ponto de vista estratégico. afirmando que é necessário “considerar a vida quotidiana e os recursos do meio ambiente para relacionar a experiência do sujeito com as aprendizagens escolares sem cair em localismos limitadores” (GimenoSacristán e Pérez Gómez. afirmam que “a solução não está em acrescentar novos conteúdos. e com intervenções expositivas convencionais [. contestando a utilidade das competências em educação. de um currículo em que os vários conteúdos estão subordinados a uma ideia central. sim. Neste sentido. aproveitar os meios disponíveis. torná-los atrativos para os estudantes. é envolvido na responsabilidade da educação e formação da população que o constitui. mas também como recurso que. Como é evidente. mas sim questionar a forma como estes poderiam ser reposicionados nos contextos dos temas”. Ao mesmo tempo. 2006). Na continuidade deste raciocínio. Devo esclarecer que as ideias que aqui estou a sustentar não significam. mas como intenção levar ao reconhecimento dos limites de cada uma delas e. Como pode ser delineada e concretizada a articulação curricular nos projetos curriculares? A atribuição à educação escolar do objetivo de participar na criação de condições que promovam a equidade e a justiça social (Conne. não pondo de parte os contributos das disciplinas. Outra posição a ter em conta é a de GimenoSacristán e Pérez Gómez (2011) quando. podemos questionar: como concretizar. este procedimento. convivendo com análise de casos. mas em aplicar as formas de ensino adequadas” (Zabala e Amau. 2010). na linha dos que atribuem um sentido social ao saber e na defesa de currículos democráticos. sem a pré-determinar. e como em outro lugar afirmámos (Leite et al. tornar as escolas algo mais que simples locais onde se ‘passa a matéria”’ (GimenoSacristán e Pérez Gómez.] o objetivo não será a variedade. apontam no sentido de uma articulação na lógica de um currículo integrado. pressupõe que a instituição escolar. 2000). implica a construção de um conhecimento sobre cada situação e um constante revisar dos caminhos delineados. Neste sentido. isto é. aspeto que é facilitado quando interagem contributos de diferentes áreas do saber e que traduzem diferentes leituras. os clássicos ou as novas tecnologias. cada professor deve seguir na sua área o seguinte esquema: “situação da realidade. pesquisas do meio. 110 Na continuação desta posição.. empenhadamente. Por isso. 2010). formalização segundo os critérios científicos da disciplina e aplicação a outras situ­ações para facilitar a generalização e o domínio dos conceitos e das habilidades aprendidas” (Zabala e Arnau. constituindo uma resposta às limitações do ensino tradicional. Em síntese. entre outras. Dizem estes autores: Uma escola que pretenda ensinar competência para responder a problemas da vida deve realizar uma análise que determine com rigor quais são as competências alcançáveis. não somente as desejáveis. propõe um regresso a “fontes do bom saber e do bom fazer”... 1997) implica que se tenha uma atenção acrescida aos fenómenos da diversidade cultural e aos pontos de partida dos alunos que constituem a população escolar. tenha o meio não só como ponto de partida. a organização e o desenvolvimento do currículo em tomo de competências. “revisar e ampliar o sentido do que são conteúdos relevantes. de modo algum. mas a utilização apropriada de estratégias e métodos coerentes com o conhecimento disponível sobre como são produzidas as aprendizagens. nesta ruptura de muros relacionais que a separam das comunidades.. propõe. Tal como afirma Beane (2000).) recomendam: O professor deverá utiliza r uma metodologia variada com sequências didáticas enfocadas sob o método de projetos. utilização de instrumentos e recursos disciplinares. favorecer situações que recorrem ao contributo das que sejam necessárias para uma melhor compreensão/interpretação do mundo em que vivemos”. É o que Canário (2005) propõe quando se refere à criação e valorização de elos entre a escola e a comunidade. a interdisciplinaridade. que lhe seja interessante e o desafie a responder a questões que não separem os conteúdos em compartimentos tratados como estanques. a concepção de currículo que se orienta por esta intenção não significa “abandonar os conteúdos valorizados. 2011). aproximando escola e vida. Zabala eAmau (2010. “tem como ponto de partida as disciplinas. pelas especificidades que constituem a vida de cada comunidade e de cada ambiente escolar. tal como outros modelos de articulação curricular. Neste caso. etc.

A principio. realização e avaliação de seu projeto educativo. 111 12 CONSTRUÇÃO DA PROPOSTA PEDAGÓGICA DA ESCOLA: PRESSUPOSTOS E ESTRATÉGIAS. onde todos os educadores possam pensar. Ela é um espaço em que as pessoas possa dialogar. diminuindo os efeitos fragmentários da divisão do trabalho que reforça as diferenças e hierarquiza os poderes de decisão. a equipe escolar e os funcionários aprendam a pensar e a realizar o fazer pedagógico de modo coerente. conhecimento dos contextos em que se situa cada escola. sendo norteada por referenciais ditados pelo sistema de ensino. nas seguintes dimensões: definição e estabelecimento de relações entre conteúdos das disciplinas que constituem os diferentes níveis de ensino. condições de trabalho e remuneração docente. curricular e pedagógica. de sua capacidade de delinear sua própria identidade. Nesse sentido. corporativas e autoritárias. mas sim para ser usado como referência para as lutas da escola. “gestão democrática”. associando-o com o contexto social. Nessa perspectiva. A principal possibilidade de construção do projeto políticopedagógico passa pela relativa autonomia da escola. pois reside na possibilidade de se efetivar a intenção escolar: a formação do cidadão. A Escola torna-se um ambiente desafiador que provoca o questionamento. política e social. É importante ressaltar que o projeto político pedagógico é inconcluso. “qualidade” de ensino para todos. a “valorização do magistério” que objetiva a formação inicial e a continuada. considera-se o PPP como um processo permanente de reflexão e discussão de problemas escolares. se propiciar situações que permitam que os professores. O projeto pedagógico não é uma peça burocrática e sim um instrumento de gestão e de compromisso político e pedagógico coletivo. quer dos que trabalham com os mesmos alunos. buscando eliminar as relações competitivas. 2004). que não deve ser tratado de forma dogmática e esvaziada de significado. colaboração e criatividade. propiciando a vivência democrática necessária para a participação de todos os membros da comunidade escolar e o exercício da cidadania. o qual se relaciona a duas dimensões. portanto. e. envolvimento das famílias na responsabilização pelo ato de educar e formar as suas crianças e jovens. Nesse sentido. quer ainda dos que fazem parte da mesma comunidade educativa. Assim. permitindo aos sujeitos que o produzem pensar. cultural. o mais importante. processual e contínuo. há que trabalhar. envolvimento dos alunos nos processos de construção das suas aprendizagens. É uma ação intencional e um compromisso definido coletivamente. na busca de alternativas viáveis à efetivação de sua intencionalidade. a construção do PPP é a própria organização do trabalho pedagógico da escola. Portanto. É um resumo das condições e funcionamento da escola e ao mesmo tempo um diagnóstico seguido de compromissos aceitos e firmados pela escola consigo mesma – sob o olhar atento do poder público. A primeira é política. (FREITAS et al. porque articula o compromisso sócio-político aos interesses da comunidade. definição de pontos de contato entre projetos que permitam realizar aprendizagens cognitivas e desenvolver competências de intervenção nas situações com que se convive. pública e gratuita: “igualdade” de condições para acesso e permanência na escola. Pelo caráter democrático. O Projeto Político Pedagógico (PPP) é construído e vivenciado por todos os envolvidos com o processo educativo da escola. visa uma nova organização no trabalho pedagógico com participação da comunidade. lugar de debate. onde numa atitude dialógica se constroem conhecimentos. do diálogo. a segunda define as ações educativas. que é tida como espaço social marcado pela manifestação de práticas contraditórias (luta e/ou acomodação) de todos os envolvidos. (1998). deve alicerçar o conceito de autonomia. O Projeto Político Pedagógico representa um desafio importante na caminhada de uma escola que busca efetivamente uma educação de qualidade. igualmente muito importante. cooperação entre docentes quer da mesma área disciplinar. para que o PPP seja possível deve- Didatismo e Conhecimento . A escola é o lugar da concepção.. Isto significa resgatar a escola como espaço público. que inclui o trabalho do professor na dinâmica interna da sala de aula.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS organizacional. Assim. rompendo com a rotina do mando impessoal e racionalizado da burocracia que permeia as relações no interior da escola. ao se constituir em processo democrático. E. uma vez que organiza seu trabalho pedagógico baseando-se em sua realidade. Entretanto. “autonomia” de atuação. Ambas as dimensões relacionam-se reciprocamente. contradições. para que se possa construir o PPP. discutir. tudo isto recorrendo a procedimentos democraticamente contratualizados em contratos didáticos. a construção desse projeto político pedagógico. há sete elementos básicos que podem ser apontados. tenta instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico em dois níveis: o da escola como um todo e o da sala de aula. duvidar. visto que sua sistematização nunca é definitiva e deve ser produto de um processo de planejamento participativo. vivenciam relações e valores em vista da educação integral. ele configura a identidade da escola. é preciso entender que o projeto político pedagógico da escola dará indicações necessárias à organização do trabalho pedagógico. Onde há lugar para transformações. a escola deve ter autonomia e se basear em um referencial que tenha uma teoria pedagógica compromissada em solucionar problemas educativos e de ensino. fundado na reflexão coletiva. questionar e compartilhar saberes.(Texto adaptado de Carlinda Leite). preocupa-se em instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico que supere os conflitos. Uma escola autônoma. o projeto político pedagógico. Para VEIGA. Sendo. valorização das experiências de vida e dos quotidianos diversificados. a reflexão e a criação de alternativas e soluções. Não é feito para ser mandado para alguém ou algum setor. E. Projeto Político Pedagógico: discutindo conceitos A abordagem do PPP fundamenta-se em alguns princípios que norteiam a escola democrática. que inclui a ampla participação dos representantes dos diferentes segmentos da escola nas decisões/ações administrativo-pedagógicas ali desenvolvidas. executar e avaliar o seu próprio trabalho. a escola deve assumir o trabalho de reflexão sobre sua finalidade educativa. refletir e avaliar o processo de construção do conhecimento. Já. realização de atividades entre a es­cola e a comunidade. podendo ser: constitucional. pelo menos.

o aprender a ser e o aprender a conviver. tecnológicos produzidos e deve ser resultante de um processo coletivo de avaliação diagnóstica. é necessário . e. seus polos de poder e seus conflitos. respondendo. uma vez que ele retrata o entendimento e o percurso possível trilhado em cada uma das escolas. busca explicar e compreender as causas da existência de problemas. o aumento do interesse da escola em conhecer melhor sua comunidade. momento da criação coletiva. o Projeto Político Pedagógico visa reorganizar formalmente a escola e dar certa qualidade em todo processo vivido. uma gestão deve considerar as condições concretas presentes na escola. visando a um esforço analítico da realidade constatada no Ato Situacional. tais como: dimensão física e estética. homem. rigoroso e visceral com as situações. Logo. com espaços abertos à reflexão coletiva que fortaleçam o dialogo. Todas essas dimensões devem ser expressas e concretizadas nas propostas e projetos pedagógicos. dimensão ético-valorativa e transcendente. Este é dinâmico e seu processo envolve. A construção do projeto da escola A construção/reformulação/avaliação do Projeto PolíticoPedagógico necessita de uma ação conjunta. Didatismo e Conhecimento 112 O objetivo do Ato Situacional é apreender o movimento interno da escola. Há uma correlação de forças propiciando a construção de novas formas de relações de trabalho. é durante o início do ano letivo. De acordo com Veiga (1998). dentro e fora da escola. a compreensão crítica da realidade descrita e problematizada. Sua análise estrutural visa identificar quais elementos são valorizados e por quem. o processo de decisão. sociais. o encontro de alternativas criativas para problemas cristalizados no cotidiano. a avaliação do PPP que parte da necessidade de se conhecer a realidade escolar. em igualdade de importância. o aprender a conhecer. • Materialização da Proposta Educativa na perspectiva dos quatro pilares da educação para o século XXI. Entre eles temos: o calendário e o horário escolar. Conceitual e Operacional. educação. De modo geral. Vale acrescentar. da ecologia ambiental e da ecologia social. Todavia. bem como suas relações. que assegura a locação. sendo uma construção social do saber. incluindo todos os setores necessários ao desenvolvimento do seu trabalho. Em quarto. após as férias de julho e no encerramento do ano letivo que estes momentos são pensados e previstos pelas escolas. as dimensões da ecologia pessoal. Direção escolar e equipe pedagógica devem prever momentos coletivos para este fim. uma vez que necessita organizar seu trabalho pedagógico com base em seus alunos. Por isso. o tempo escolar que é um dos elementos constitutivos da organização do trabalho pedagógico. avaliar é conhecer a organização do trabalho pedagógico. temos o currículo. em relação às práticas de gestão e à atuação dos órgãos colegiados. dimensão comunitária e social. além do patrimônio escolar e de como esse se apresenta. o aguçamento da crítica e da autocrítica. a escola discute a sua concepção de educação e sociedade. que refere-se à organização do conhecimento escolar. No Ato Conceitual. aprender a fazer. A escola é o lugar de concepção. formação em valores e virtudes. a proposição de alternativas de ação. denominados pela autora de: Ato Situacional. e. Em quinto. dimensão afetiva. Em suma. pressupondo a sistematização dos meios para que se efetive. a descentralização do poder. a partir da organização de um currículo fundado na solidariedade. dimensão cognitiva. Implica a tomada de decisão para atingir os objetivos e as metas definidas coletivamente. ensino e aprendizagem. Os movimentos de acompanhamento e avaliação devem seguir todos os atos. pautados no respeito às diferenças. realização e avaliação de seu projeto educativo. A organização temporal do conhecimento é marcada pela segmentação do dia letivo. • Cultura do cuidado. existem vários caminhos para construção do PPP. às questões de ensino-aprendizagem e às curriculares.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Em segundo lugar. Envolve três momentos: a descrição e a problematização da realidade escolar. a busca de processos mais democráticos e. Ao ser avaliada. ainda. destacam-se o cultivo do rigor conceitual. currículo. no currículo e nas práticas educativas. que estabelecem. a avaliação deve favorecer o desenvolvimento da capacidade discente de apropriar-se dos saberes científicos. que essa organização do trabalho pedagógico relaciona-se com organização social. suas mudanças e se esforça para propor alternativas coletivas. • No campo acadêmico. bem como introduzir novas questões e propostas de ações. por último. No entanto. relaciona-se com a sua estrutura organizacional: a pedagógica que se referem às interações políticas. Porém. a gestão de recursos humanos. físicos e financeiros. e vai definindo como as prioridades devem ser trabalhadas. a administrativa. O como realizar as tarefas configura o Ato Operacional refere-se às atividades a serem assumidas e realizadas para mudar a realidade das escolas. fazer seu diagnóstico e definir onde é prioritário agir. deve prever meios que estimulem a participação de todos no processo de decisão e. o empenho na atualização constante dos conhecimentos. é possível apontar três movimentos básicos deste processo de construção do PPP. vale a pena insistir em um processo em que a escola seja a autora do seu Projeto. dessa forma. recíprocas e de participação coletiva. na perspectiva da Ecologia Integral. devido ao fato da escola ser uma instituição social que reflete internamente as determinações e contradições da sociedade capitalista. a fim de indagar sobre suas características. simultaneamente.aprendizagem: • Cuidado com todas as dimensões humanas. A avaliação é também responsabilidade coletiva e parte integrante do processo de construção do PPP. Geralmente. povos e pessoas em situação de risco. de forma a possibilitar a implementação de decisões coletivas. E. • Opção pela comunicação. escola. visando à participação política dos envolvidos com o processo educativo da escola. as relações de trabalho que devem girar em torno de atitudes solidárias. Em terceiro. a busca de excelência acadêmica em tudo que se faz e se produz. cuja estrutura administrativa. questiona-se os pressupostos burocráticos que inviabilizam a formação de cidadãos. são pontos fundamentais para o avanço democrático e formativo no âmbito das escolas. a comunicação horizontal entre os diferentes segmentos envolvidos com o processo educativo. Em sexto. há necessidade de se instalarem mecanismos institucionais. • Diálogo profundo. não são suficientes. para se tornar possível. A sensibilização à cultura do registro do pensado e vivido pela escola. de modo a articular. aos grandes desafios do mundo e da sociedade contemporâneos. Identificam-se alguns pressupostos e eixos sustentadores e norteadores do processo ensino . em especial. conhecer seus conflitos e contradições. O currículo é estruturado em períodos fixos de tempo para cada disciplina. processo e produto.

Construir um projeto pedagógico da escola é mantê-la em constante estado de reflexão e elaboração.] A gestão do projeto político-pedagógico Considera-se que a gestão do projeto político pedagógico realiza-se não somente durante o seu acompanhamento. conselhos de classe. Sendo assim. assumindo postura de não neutralidade diante dos distintos caminhos a seguir. de forma democrática e participativa. O padrão de qualidade de partida deve ser definido não só pela escola internamente. 2002). valorização da experiência extracurricular. A qualidade negociada assim caracterizada através dos seguintes indicadores: a qualidade tem uma natureza transacional – não é um valor absoluto e não se estabelece a priori. VII. Cabe aqui ressaltar a fundamental importância do pedagogo escolar na organização do trabalho pedagógico e na viabilização destes momentos. como as pessoas. cabe ao Conselho Escolar das instituições aprová-los. mas que tem uma especificidade organizativa. é uma instituição social que se diferencia de uma organização. O enfoque de qualidade que se pretende enfatizar na gestão do projeto político pedagógico é o da “qualidade negociada”.] a avaliação como crítica de percurso é uma ferramenta necessária Didatismo e Conhecimento . utilizando-se do princípio da racionalidade. assim se posiciona Freitas: O pressuposto deste enfoque é que as instituições também “aprendem”. Sobre o enfoque da qualidade negociada na administração do projeto político pedagógico. o pensamento. a arte e o saber. sem os constrangimentos da gerência capitalista e da parcelarização desumana do trabalho. 2003). uma cultura que deve ser levada em consideração em um processo de gestão. em um contexto de sociedade dominado pelo modelo de produção capitalista. A questão que se coloca é como administrar. será um documento de gaveta. VIII. sem ferir o calendário escolar. mas segue o padrão de partida definido pelo coletivo do sistema educacional da sociedade.. 113 A escola. [. pesquisar e divulgar a cultura. através dos seus órgãos executores (estaduais ou municipais) a incumbência de orientar os estabelecimentos de ensino quanto à elaboração ou reelaboração dos seus Projetos Políticos Pedagógicos. Entende-se que o enfoque da qualidade negociada abrange uma totalidade de fatores essenciais à vida de uma instituição que se pauta por uma gestão participativa e democrática. pois nunca estará finalizado.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS discuti-lo também. a qualidade tem uma natureza participativa – natureza polifônica. gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais. XI. pode-se utilizar o que diz Luckesi a esse respeito: A avaliação poderia ser compreendida como uma crítica de percurso de ação. mas também durante a sua elaboração. que se preocupe com o coletivo. No entanto.. está voltada para si. ele será sempre um ponto de partida. pluralismo de ideias e concepções pedagógicas. o trabalho e as práticas sociais [. por parte do sistema educacional. portanto. ensinar. X. porém sem perder a perspectiva de realização de um trabalho de qualidade. Há sim. a qualidade é um processo – a qualidade constrói-se. Como instituição social a escola busca a universalidade. usando métodos e técnicas que garantam o alcance deles. garantia do padrão de qualidade. (PARO. a qualidade tem uma natureza transformadora – transformar para melhor. na forma desta lei e da legislação do sistema de ensino. Qualidade negociada não significa a ausência de um padrão de qualidade. Enfim. É fundamental que o documento descreva os princípios norteadores que estão contemplados na LDB nº 9394/96. reuniões do Conselho Escolar e do Grêmio Estudantil. Ao construir-se o projeto da escola algumas questões necessitam ser feitas em relação aos sujeitos que se quer formar. tendo como referência e princípio normativo e valorativo a sociedade em que atua. apenas para cumprir formalidades burocráticas. com o desenvolvimento dos seus profissionais. caso contrário. o que se pretende é que a escola tenha uma administração participativa. seja uma decorrência do trabalho cooperativo de todos os envolvidos no processo escolar. por sua vez. porque fundamenta novas decisões. reuniões pedagógicas. A organização. Quanto a sua construção. a qualidade tem uma natureza contextual e plural – admitem modalidades de realização diferentes. tendo como princípio e referência ela mesma em um processo de competição com outras com os mesmos objetivos (CHAUI. aos conhecimentos que se quer ensinar. Novos desafios surgem todos os dias e novas demandas são exigidas. é necessário afirmar que é uma atribuição da escola. porque na escola há vida e a vida modifica-se continuamente. a qualidade tem uma natureza auto reflexiva – reflexão sobre a prática. Apesar das dificuldades inerentes aos sistemas da sociedade atual. igualdade de condições para acesso e permanência na escola.] que. Em sendo assim. não há modelos a serem seguidos porque não há escolas idênticas. supõe ação. 3º: I. Para retratar a sua importância. no seu Art. valorização do profissional da educação escolar. a qualidade tem uma natureza formadora – produz uma cultura. induz à transformação para melhor dos seus atores (BONDIOLI. A escola como uma instituição social difere de uma organização. Deste ponto de vista. Enquanto o planejamento dimensiona o que se vai construir. à sociedade que se quer para viver. como também pelas redes de ensino e pelo poder público.. sem autoritarismos. VI. idiossincrasias. seja ela curta. em direção ao alcance dos objetivos verdadeiramente educacionais da escola. numa esclarecida recorrência às questões relevantes do interesse comum e historicamente requeridas. ênfase de prioridades. 2004). seja prolongada. IX. É necessário implementá-lo. a escola não define o seu padrão de qualidade dentro das suas limitações e possibilidades... entendida como uma construção participativa e coletiva. as instituições têm uma memória das suas lutas e demandas e são um organismo vivo que reflete sobre sua realidade e seu futuro.. a escola não pode prescindir da administração. respeito a liberdade e apreço a tolerância. coexistência de instituições públicas e privadas de ensino. cada escola implementa no seu ritmo e tempo próprios e na dimensão das vontades dos coletivos nela atuantes. V. liberdade de aprender. Como um coletivo. observando os referenciais legais. a avaliação subsidia essa construção. III. II. cujos pressupostos foram analisados no item anterior desse trabalho e onde fica clara a importância da participação e compromisso do coletivo da escola. que visa objetivos sociais. Outro aspecto que merece ênfase na gestão do projeto político pedagógico é a questão da avaliação. guiados por uma “vontade coletiva”. IV. gestão democrática do ensino público. uma administração: [. vinculação entre a educação escolar. É um documento que necessita de constante avaliação por parte da própria escola. para a sua particularidade. reuniões de pais. na hora atividade dos professores. entendida como atividade natural humana para alcançar certos fins e objetivos e que se utiliza de forma racional de recursos materiais e humanos (PARO 2002).

alcance os seus objetivos. Este é. administrá-la de modo eficiente e eficaz é uma das condições para que cumpra o seu papel. parte de uma concepção de educação aceita pelo coletivo e que deve unir as ações deste na escola. Quando assim administrada a escola oferece condições para a melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem. revertendo as propostas convencionais de criar programas especiais para atender. Tem como pressuposto a gestão escolar democrática e participativa e articula seus compromissos em torno à construção do projeto pedagógico da escola. Considerando que é do interesse da sociedade que seus cidadãos sejam educados. esses objetivos podem ser alcançados com melhor qualidade quando integrados e articulados aos objetivos administrativos. Nunca foram tão discutidos os princípios constitucionais de igualdade de condições de acesso e permanência na escola. como bem mostra o trecho abaixo: A peça chave na questão da avaliação institucional é o projeto político pedagógico da escola e suas relações com a gestão escolar. que contemplem a diversidade humana. valorizando as diferenças de cada um no processo educacional e na concepção política de construção de sistemas educacionais com escolas abertas para todos. Buscar a eficiência e a eficácia de forma racional através dos recursos materiais e humanos. ele deve articular os aspectos administrativos (plano de ação do diretor/ escola e regimento escolar) aos aspectos pedagógicos (currículo. A escola não pode pensar a si mesma desconhecendo suas relações com seu entorno. isso não elimina a necessidade de se buscar. é de fundamental importância que a construção e o acompanhamento do projeto político pedagógico estejam alicerçados em uma administração participativa. A educação inclusiva é hoje o debate mais presente na educação de país. ou seja. Fatalmente. a auto avaliação. na proposta pedagógica que propõe-se ensinar a todos os alunos. e que esta é a principal função da escola. a escola não atingirá os seus objetivos de forma ótima. de forma segregada... assim Paro (2002) se posiciona: “Enquanto a “racionalização do trabalho” se refere às relações homem/natureza. Para que a escola. chamo atenção para o fato de que o Projeto PolíticoPedagógico. não basta que ele simplesmente exista.] a humanidade só se propõe as tarefas que pode resolver. cujos critérios são os resultados. Ainda sobre avaliação. entendida como aquela que a escola faz de si mesma. formação continuada) e ao objetivo da escola. econômicos. não significa aplicar os conceitos da administração empresarial na escola. o poder de produzir os efeitos esperados (SANDER. de forma racional. com seus limites e perspectivas. portanto. fundamentada nos princípios éticos do respeito aos direitos humanos. (LUCKESI. os seus agentes sociais. avaliação. métodos. norteador para as ações que formam a identidade da escola. reveste-se de uma importância vital para a sua realização. é um dos elementos mais importantes para a gestão democrática. Paro (2002) chama de “coordenação do esforço humano coletivo” ou simplesmente “coordenação”. A utilização racional do esforço humano. considerando o seu todo pedagógico e administrativo e suas relações externas. e quando se fala em avaliação institucional. bem como. Apesar do reconhecimento legal. cujos critérios estão voltados à economicidade. tem como objetivos principais a sua instrução e a sua formação. pois é um documento fundamental. burocrático e técnico. com os objetivos e fins da instituição escola.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS ao ser humano no processo de construção dos resultados que planificou produzir. porém não administrá-lo adequadamente não leva a lugar algum. Entende-se que uma vez formulado e conhecido o problema a sua solução está posta. O Ministério da Educação do Brasil. Entretanto. alunos com necessidades especiais e inserindo os gestores públicos e os profissionais da educação na elaboração de políticas para todos. comunidade e sociedade de forma geral. 1998). (Texto adaptado de Rosária Albertina da Fonseca Costa). instruídos e formados. Projeto Político Pedagógico: Gestão Democrática A escola como uma instituição social voltada para a educação do cidadão. se considera mais atentamente. Construir o projeto político pedagógico da escola é fundamental. organizando a escola para exercer o importante papel que lhe é próprio: socializar conhecimentos. Quanto às técnicas de gestão a serem utilizadas. a eficiência. 2004). assegurando a unidade teórica e metodológica no trabalho didático e pedagógico. Na grande maioria dos estabelecimentos escolares ainda predomina uma administração de caráter centralizado. Didatismo e Conhecimento 114 Assim. se chegará à conclusão de que a própria tarefa só aparece onde as condições materiais de sua solução já existem. ou. implicando na necessidade de reverter os velhos conceitos de normalidade e padrões de aprendizagem. Entretanto. o projeto políticopedagógico. com a qualidade que dela esperam os seus alunos. e construído por várias mãos. mas envolve relações com a família e com a comunidade externa mais ampla. pois. no interior desse processo. A política de inclusão educacional A educação especial envolve um amplo processo de mudanças para a implantação de sistemas educacionais inclusivos. com as relações dos homens entre si”. a própria escola possui as suas forças transformadoras. pais. como oportunidade de reflexão para mudanças de direção e caminhos. (MARX. 1985). Inclui não só a comunidade interna da escola. Por isso. no processo administrativo. Considerado como o eixo central da organização do trabalho na escola. Neste sentido. têm que ser compatíveis com a especificidade organizativa. e a eficácia. 13 EDUCAÇÃO INCLUSIVA: FUNDAMENTOS LEGAIS E O PAPEL DO PROFESSOR.. o processo de democratização da gestão escolar tem se desenvolvido lentamente. pelo menos são captadas no processo de seu devir. Quanto à utilização racional de recursos pela gestão da escola. realmente. alcançando os seus objetivos especificamente pedagógicos/ educacionais de forma significativa. a “coordenação” tem a ver. a unidade na organização do trabalho escolar e a coerência entre o planejado e o executado nas práticas escolares. em que as decisões sejam democratizadas e que o seu processo de avaliação e revisão seja uma prática coletiva constante. construído e reconstruído coletivamente. (FREITAS et al. É necessário que seja o “retrato da escola”. implementa a política de inclusão educacional. Justifica-se essa forma positiva de encarar o desafio da gestão escolar na frase de Marx: [. assim como o é no redimensionamento da direção da ação. políticos que podem impulsioná-la para uma gestão eficiente e eficaz. um desafio a ser vencido pela escola e o Projeto Político-Pedagógico ocupa um importante papel nesse processo. 1995). coletiva. afirmar novos .

oferecida preferencialmente na Rede Regular de Ensino.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS valores na escola que contemplem a cidadania. Os Sistemas de ensino assegurarão aos educando com necessidades especiais. comprovou-se que esta solução não resolve e é frustrante e devastadora para todas as crianças. quando necessário. como assina Lindquist. e na maximização dos recursos que apóiam ambos os processos. como meio primordial de comunicação. sempre que. jovens e adultos têm direito a uma educação de qualidade. É o sistema escolar de um país que tem que se ajustar para satisfazer as necessidades de todas as crianças. a situação de desvantagem ou deficiência do educando. na qual a diversidade deve ser entendida e promovida como elemento enriquecedor da aprendizagem e catalizador do desenvolvimento pessoal e social. 2º. I . nem a mecanismos ou discriminação de qualquer espécie. 115 O corpo docente junto com os pais desejou um modo mais inclusivo de educar todas as crianças. para atendimento especializado. visando a sua efetivação na vida em sociedade. mas que haja uma aprendizagem significativa para todos os alunos. retirando-os da sala de aula e ministrando-lhes em ensino individual que tecnicamente achavam o mais adequado. com a oferta de educação de qualidade para todos. Observamos que a escola necessita se adaptar para acolher os alunos com necessidades especiais educacionais. Se concordarmos que todas as crianças. surgindo assim. para atender às peculiaridades da clientela de educação especial. observar a inserção desses alunos no sistema regular de ensino. que a inclusão não seja somente física. Se concordarmos que todas as crianças. métodos. na escola regular.58. A promoção da inclusão implica na identificação e minimização de barreiras à aprendizagem e participação. trabalhando com esses alunos descobrindo suas dificuldades e procurando inseri-los juntos aos outros alunos ditos normais. As Leis que regem a Educação Inclusiva Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional no se artigo 58 e artigo 59 determina que: Art. há muitas dificuldades para se chegar a esse objetivo.O atendimento educacional será feito em duas classes. Com o passar do tempo. V . dever constitucional de Estado.educação especial para o trabalho. em função das condições específicas dos alunos. bem como professores de ensino regular capacitados para a integração desses educando nas classes comuns. escolas ou serviços especializados. técnicas. Principais fundamentos da educação inclusiva Partindo dos princípios de: igualdade de oportunidade e de educação para todos é inegável que deve-se ampliar as oportunidades educacionais para uma grande parcela da população em que está inserido o acesso e a permanência a escolarização aos alunos considerados portadores de necessidades especiais. principalmente. e aceleração para concluir em menor tempo o programa  escolar para os super dotados. Entretanto. então. Levar sempre em consideração o fato de que as pessoas são diferentes e que.terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental. Ao invés disso a escola deve adquirir uma melhor compreensão do contexto educacional onde as dificuldades escolares se manifestam em buscar formas para tornar o currículo mais acessível e significativo. Durante alguns anos os corpos docentes (escola) da educação especial tentaram dar uma resposta aos alunos com necessidades especiais. jovens e adultos de participação nos diferentes espaços da estrutura social. não sendo possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. para atender às suas necessidades. IV . durante a educação infantil. constatamos que a educação para deficientes auditivos requer uma metodologia por meio da Língua de Sinais-Libras. intelectuais ou psicomotoras. que os profissionais da sala de aula comum precisam se adaptar a essa realidade. Entende-se por Educação Especial. Através de pesquisas. O enfoque da educação Inclusiva O movimento mundial em direção à sistemas educacionais inclusivos indicam uma nova visão da educação. É o sistema escolar de um país que tem que se ajustar para satisfazer as necessidades de todas as crianças. III . dentro da qual alguns estudantes são rotulados O não reconhecimento da diversidade com o recurso existente na escola e o ciclo constituído pela rotulação. A promoção da inclusão implica na identificação e minimização de barreiras a aprendizagem e participação. que recupera seu caráter democrático através da adoção legal. sim.A oferta de educação especial. tem início na faixa etária de zero a seis anos.professores com especialização adequada em nível médio ou superior. portanto a escola deve ajudar cada um a desenvolver sua aptidão num contexto comum a todos. O foco deste estudo não é só olhar a realidade dos deficientes e. serviços de apoio especializado. então. A escola tem sido marcada em sua organização por critérios seletivos que tem como base a concepção homogeneizadora do ensino.Haverá. a educação inclusiva que tem como objetivo modificar o modelo educacional arcaico vigente através da retirada das crianças dessa Prisão de Especialidades. inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo. não devem ser enfatizadas. para educando portadores de necessidades especiais. discriminação e exclusão do estudante. 1º. Para que uma escola se torne um modelo de educação inclusiva não deve haver exigências quanto a acesso.currículos. o acesso universal e a garantia do direito de todas as crianças. no que diz respeito à prática de ensino curricular da escola à formação profissional do corpo docente aos métodos e técnicas pedagógicas adotadas no ensino aos meios (recursos humanos materiais) disponíveis em cada escola. não são nossos sistemas educacionais que tem o direito a certos tipos de crianças. II . a modalidade de educação escolar. jovens e adultos têm direito a uma educação de qualidade. e na maximização dos recursos que apóiam ambos os processos de ensino aprendizagem. contribuem para aprofundar as desigualdades educacionais ao invés de combatê-las. não são nossos sistemas educacionais que tem o direito a certos tipos de crianças.acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível de ensino regular. como assina Lindquist. bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artísticas. livre de seleção e da consequente classificação de alunos em diferentes tipos de instituições especializados. Uma escola cuja política se comprometa com a igualdade de oportunidades e condições para todos os estudantes a fim de garantir que todos possam ser bem sucedidos educacionalmente. para os efeitos desta Lei. em virtude de suas deficiências. 3º. bem como os recursos destinados a educação de deficientes auditivos. mediante articulação com os órgãos oficiais afins. recursos educativos e organização específica. Em uma escola inclusiva. Didatismo e Conhecimento .

resumindo. questionar seu projeto pedagógico e verificar se ele está voltado para diversidade” Percebe-se que aqui não se está falando em tratar as crianças como diferentes. mas é ter coragem para reconhecer que errou e seguir em frente. possibilidades. que é indiferente. políticos empenhados. melhores ou piores umas que as outras. ao se lidar com crianças com deficiências. mas sim da necessidade da escola conhecer a diversidade com que trabalha para que realmente possa desenvolver um bom trabalho. que cada conquista não é o ponto final. Pois como já dizia Paulo Freire “Todos nós sabemos alguma coisa. de nada adianta colocar a criança especial dentro de uma classe comum. mas apóia a todos: professores. bitola e constrange uma pessoa. pois não se limita a ajudar somente os alunos que apresentam dificuldades na escola. alunos. bem como desenvolver o potencial dessas pessoas. capaz igual aos demais estudantes. não se pode julgar todos iguais. uma escola inclusiva ideal requer muitas coisas. Especialmente na deficiência auditiva. bem como. direção. Mais do que isso. projeto político pedagógico que condiz com a realidade. superação. reconhecendo e respeitando a diversidade e respondendo a cada um de acordo com suas potencialidades e necessidades” O sucesso de toda escola só acontece quando há a participação e a integração de todos os envolvidos no processo educacional: docentes. passível de crítica por levar ao rótulo que tem a deficiência como uma desvantagem. aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de rejeição” O processo de avaliação deverá ser todo reformulado também.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS A política de inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais na rede de regular de ensino. pois “Ensinar exige risco. “Quando a família dispõe de meios efetivos de participação ativa e regular na vida da escola. pois sem planejamento é praticamente impossível estabelecer prioridades e necessidades reais do município e das escolas. que todos sabem lidar perfeitamente. ninguém é perfeito. ocasionando segregação e marginalização. condição social ou qualquer outra situação. O professor que enfatiza o fracasso da outra pessoa. Construir uma escola inclusiva. não consiste apenas na permanência física desses alunos junto aos demais educando. que atinja a todos. para garantir o acesso de alunos com necessidades educacionais especiais à aprendizagem e ao conhecimento. não pode ser chamado de educador. apoio às dificuldades e acolhimento das necessidades dessas pessoas. sem ser excludente. Não se deseja de forma alguma. Mas o que não se pode aceitar é o docente que se deixa abater diante das dificuldades. existe grande distância entre o real e o ideal. real- Didatismo e Conhecimento . é acreditar que pode dar certo e o mais importante ter consciência de que muito já se está sendo feito mais ainda é pouco. “Assim. não é assim tão fácil precisa dos principais ingredientes da receita: vontade de que as coisas realmente aconteçam. a “história” do aluno precisa ser conhecida para ser mais valorizada. fé. reinventada. é aquele que garante o acesso ao conjunto sistematizado de conhecimentos como recursos a serem mobilizados”. pais. idade. econômico. reconhecer e ir à busca dessas crianças e levá-las a escola. A luta em se ter uma escola inclusiva de verdade é grande. Na perspectiva da inclusão. bem como já dizia Che Guevara “Tenemos que ser fuertes. a proposta pedagógica deve ser estudada. entre outros ingredientes. até os “ditos normais” também possuem. esse sim é um fracassado. além das suas condições orgânicas. Ninguém nasce sabendo as coisas. políticas públicas definidas e acessíveis. 116 A vontade de vencer deve ser maior que o medo de fracassar. dizer que ser professor é fácil ou de que ter crianças totalmente diversas e com necessidades especiais em sala é tranqüilo fácil de trabalhar. pois prefere o erro (e muitas vezes bitolar e acabar com a vida de uma criança) do que ter a humildade de pedir ajuda. A pessoa com deficiência tem que sentir-se valorizada. sexo. Mas é inegável que cada aluno tem a sua própria história composta pelo seu ambiente familiar. Enfim. é determinante quanto ao tipo de escola e recursos que podem proporcionar seu melhor aproveitamento. fundamentação teórica relacionada com a prática (materialismo dialético). e trabalhá-las. que não busca ajuda. emocional. pessoal administrativo. “A inclusão está fundada na dimensão humana e sociocultural que procura enfatizar formas de interação positivas. todos nós ignoramos alguma coisa. mas também da escola e da comunidade. e toda a comunidade em geral. e merece ser tratado como ser especial. o que o professor não pode é enfatizar a limitação das pessoas e sim mostrar-lhes que são capazes de evoluir sempre. é apenas o estímulo para buscar cada vez mais. pois todos estão sob o princípio da igualdade. de que tem o direito de colocar seus filhos na escola. Cada um possui limites. esse problema deixa de existir. social.” Para a construção de uma escola inclusiva. “A pedagogia adotada na escola inclusiva deve ser a pedagogia voltada à criança como um todo. um desvio da norma. A legislação é bem clara quando relata que se deve oferecer estudo gratuito a todas as crianças de 0 a 14 anos. orientação. uma escola somente poderá ser considerada inclusiva quando estiver organizada para favorecer a cada aluno. primeiramente é importante que o município tenha elaborado e em funcionamento o Plano Municipal de Educação. por isso aprendemos sempre”. respeitando suas diferenças e atendimento as suas necessidades. aquela que garante a qualidade de ensino educacional a cada um de seus alunos. inteligente. não é isso. Também não se deseja a uniformização das crianças. exclusa. mas o que ocorre muitas vezes é os pais (principalmente de pessoas com necessidades especiais) não saberem disso. cada qual tem seus talentos. “A inclusão causa uma mudança de perspectiva educacional. pais e comunidade escolar”. suas habilidades e capacidades próprias. precisa-se ter vontade. se a deixarem segregada. vegetando em sala de aula. independentemente de etnia. tendo como ponto de partida a escuta dos alunos. gradativamente constrói a consciência de que a escola é um bem público que também é seu” A avaliação (já citada). que sejam todas consideradas iguais. para que obtenham sucesso na corrente educativa geral”. entusiasmo. importante. “A escola que pretende ser inclusiva deve se planejar para gradativamente implementar as adequações necessárias. Ninguém vence sozinho. Para nortear esses trabalhos faz-se necessário ter objetivos bem claros. “A escola deve buscar refletir sobre sua prática. pois cada ser é uno. confiança e tranqüilidade. perseverança. deve haver flexões curriculares para atender todo o público escolar. deficiência. ou seja. alunos. mas representa a ousadia de rever concepções e paradigmas. Vale ressaltar um aspecto a ser comentado sobre o aluno com deficiência auditiva que é a classificação da pessoa com necessidade especial. pero jamais perder la ternura” “Escola inclusiva é. não pode haver nenhum tipo de discriminação ou preconceito. tudo se aprende e não se deve nunca perder a esperança. Um ensino significativo. é perceber que se irá errar muitas vezes e fracassar. Cabe não só aos pais a responsabilidade de procurar matrícula. desenvolvê-las é o mais importante do que um simples número que restringe. Todos possuem limitações. é querer.

condições financeiras. processo avaliatório. funcionários. com todos e sem discriminação o aprendizado com participação de todos. escolas responsivas e de qualidade. O padrão de normalidade existe levando-se em consideração as semelhanças mais comuns entre os indivíduos. e outros obstáculos que precisam ser trabalhados para a consagração da educação inclusiva. que se dá através de uma boa formação de educadores. pois os grupos humanos são muito diversos e cada um tem seus padrões culturais. . a UNESCO apresentou um projeto Principal de Educação em Paris. raiva. que servem como modelo para suas comunidades especificas. Por mais que se executem padrões ou tentativas de favorecimento de uns em detrimento de outros. carências psíquicas. podendo socializar-se com aqueles que partilham das mesma necessidades. Não é uma maneira justa identificar como vigorantes estereótipos de normalidade vigentes de maneira universal.. constantes estudos e pesquisas como ações indispensáveis ao processo educativo. a humanidade até na própria forma de compreensão de humanidade é diversa. Nesse processo objetiva-se apenas a inclusão de todos. características. . e por todos indivíduos que coletivamente unidos. as pessoas se organizam em grupos com pessoas que se assemelham dentro de características que são comuns aqueles com quem estão se relacionando. na Conferência Geral de Educação. A pessoa com deficiência ensinando os caminhos para escola inclusiva A palavra diversidade tem seu sentidodentro da multiplicidade de diferenças que possam ser reconhecidas. causadores da morosidade do avanço das técnicas inclusivas. E se indagarmos a quem cabe a remoção de todas estas barreiras: a resposta mais sensata é : CABE A TODOS: desde o porteiro da escola até o Presidente da República. Mas afinal. 117 Didatismo e Conhecimento . Em contra partida para lograr êxito e transformar-se em “escola inclusiva” necessário a REMOÇÃO DE BARREIRAS através de gestão administrativa pública.escolas responsivas e de qualidade. I. morais e outras séries de juízos que moldam uma sociedade. seja pela inexperiência do verdadeiro trabalho em equipe. o alto índice de analfabetismo. que implicam em processos cruéis de adaptação que cada um tem que passar para si formar como ser humano. alunos) se lembrem de que todo aluno pode. sem exclusões. sendo assim uma visão bem saudável e politicamente real disso. reconhecimento e incentivo ao fortalecimento capacitatório dos docentes. tendo muito mais que um cooperativismo ou um tipo de ajuda humanitária. com a proposta básica de parcerias internacionais e cooperação dentro de cada país. e esta deve ocorrer não só na escola mas em toda a vida social da pessoa. que. a vida do humano no mundo implica em luta pela sobrevivência e socialização. participação da família e da comunidade. mas educar a pessoa com deficiência para um socialização de fato para que esteja preparada para saber se portar diante das diversidades sociais. acesso e transparência a população quanto aos processos de gestão educacional. o projeto visa a “identificação única” da escola. realizadas periodicamente através de fóruns de discussões.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS mente único como é. mas possibilitar a cada um o que necessita de acordo com suas características próprias. 1981. Muito mais que um plano de trabalho. amor.. beneficiar-se de programas educacionais. evidenciando os valores e percurso que pretende seguir para atingir a plenitude educativa. Tais desafios tem sido objeto de sucessivas conferencias internacionais entre os países em desenvolvimento.o direito a educação igualitária em relação a diversidade de classes. alunos. o que não significa tratar todos de forma iguais. tem se mostrado um desafio seja pela novidade para muitos. Destarte. e não como já se fundou e se funda em muitas defesas a perspectivas de uma sociedade segregadora apontando como culpado a diversidade de grupos sociais organizados. dão vida própria a denominação SOCIEDADE. no que consiste um sistema educacional inclusivo? De forma clara. passando por professores. sentido-se assim estimulados e à vontade para se arriscar tendo a oportunidade de experimentar realidades diversas verdadeiramente incluídos partilhando das mesmas atividades em nível de igualdade. objetiva e sintetizada. etnias.direito a plena aprendizagem e participação eficaz. “É importante que o professor e toda a comunidade escolar (diretor. dentro do estado. reconhecimento e adaptação dessas diversidades. Assim é possível pensar que é importante que as pessoas tenham a possibilidade de viver de uma maneira mais autônoma dentro de um ambiente que verdadeiramente os acolha. apatia. a seu modo e respeitando seu tempo. É preciso esse espaço de socialização. considerando-se uma cadeia de fatores que se interligam entre si. desde que tenha oportunidades adequadas para desenvolver sua potencialidade”. capaz de proporcionar para todos. a elaboração de um projeto político pedagógico para as escolas. a proposta de inclusão. entre outros transtornos sociais . E qual o papel da escola nesta inclusão? Uma boa escola. reiteram vertentes constantemente levantadas como: o direito a educação e garantia de financiamentos que propiciem melhorar a oferta educacional para todos. criando um espaço sistemático para encontros entre Ministros de Educação dos Paises da América Latina e Caribe. adequações na prática pedagógica. entre elas: a pobreza. despreparo dos educadores e gestores. então diverso é aquilo que é múltiplo de diferenças. Um espaço adequado para pessoas que precisam de adequação. Os seres humanos são ligados por sentimentos que podem ser os mais diversos possíveis. Destes encontros resultam recomendações de cunho organizacional para implementação gradual da inclusão. o ideal dos sistemas educacionais inclusivos visam: . está desempenhando com certeza absoluta. e assuma o papel de protagonista de sua própria vida. noções éticas.o direito à igualdade de oportunidades. especificamente voltadas para a América Latina e Caribe. embora prevista na nossa LDB (Lei 9394/96) e claramente explicitado no artigo 14. é pensar a sociedade nos âmbitos das diversidades e assimilação. Nesse contexto. .

prorrogada pela Portaria nº 948. o atendimento às pessoas com deficiência teve início na época do Império. que altera a LDBEN de 1961. Para muitos que leem. em 1854. escolas especiais e classes especiais. a educação inclusiva compreende vários fatores que vão além dos portões da “escola” e não produzem a eficácia pretendida por todos os elementos de cunho sócio-político-econômico elencados em várias oportunidades neste texto. sob a égide integracionista. qualquer tentativa de modificação ou melhorias será inócua. e o Instituto dos Surdos Mudos. hoje denominado Instituto Nacional da Educação dos Surdos – INES. instituição especializada no atendimento às pessoas com deficiência mental. A educação especial se organizou tradicionalmente como atendimento educacional especializado substitutivo ao ensino comum. recomendações. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva Documento elaborado pelo Grupo de Trabalho nomeado pela Portaria Ministerial nº 555. preferencialmente dentro do sistema geral de ensino. responsável pela gerência da educação especial no Brasil. é fundada a primeira Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE. é que poderemos participar ativamente do processo educacional inclusivo. infelizmente todas as instruções. não promove a organização de um sistema de ensino capaz de atender às necessidades educacionais especiais e acaba reforçando o encaminhamento dos alunos para as classes e escolas especiais. E. que conjuga igualdade e diferença como valores indissociáveis. por meio de diagnósticos. A educação inclusiva constitui um paradigma educacional fundamentado na concepção de direitos humanos. evidencia-se o paradoxo inclusão/ exclusão quando os sistemas de ensino universalizam o acesso. desencadeada em defesa do direito de todos os alunos de estarem juntos. o atendimento educacional às pessoas com deficiência passa a ser fundamentado pelas disposições da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN. sem nenhum tipo de discriminação. o Ministério da Educação/Secretaria de Educação Especial apresenta a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. A partir dos referenciais para a construção de sistemas educacionais inclusivos. em 1945. é criado o primeiro atendimento educacional especializado às pessoas com superdotação na Sociedade Pestalozzi. inviável e puramente utopia. pois enquanto cada um não receber esta mensagem verdadeiramente para si. terminologias e modalidades que levaram à criação de instituições especializadas. Nesta perspectiva. Em 1973.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Como vemos. os que se encontram em atraso considerável quanto à idade regular de matrícula e os superdotados”. que. culturais. fundamentada no conceito de normalidade/anormalidade. naturalizando o fracasso escolar. a organização de escolas e classes especiais passa a ser repensada. evidenciando diferentes compreensões. implicando uma mudança estrutural e cultural da escola para que todos os alunos tenham suas especificidades atendidas. mentais. e. uma imediata reflexão de valores. em 1954. Em 1961. Não há como sanear a consequência do problema sem atingir a causa. aprendendo e participando. A Lei nº 5. por Helena Antipoff. visando constituir políticas públicas promotoras de uma educação de qualidade para todos os alunos. e que avança em relação à idéia de eqüidade formal ao contextualizar as circunstâncias históricas da produção da exclusão dentro e fora da escola. conferências. atual Instituto Benjamin Constant – IBC. porque primeiro precisamos nos libertar das nossas próprias barreiras e encontrarmos uma verdade em todo o contexto aqui relatado. o MEC cria o Centro Nacional de Educação Especial – CENESP. Assim. Só assim. . Didatismo e Conhecimento 118 II – Marcos históricos e normativos A escola historicamente se caracterizou pela visão da educação que delimita a escolarização como privilégio de um grupo. No Brasil. cultural. este texto pode soar apenas mais um texto puramente utópico. cabe mais do que ninguém. mas continuam excluindo indivíduos e grupos considerados fora dos padrões homogeneizadores da escola. social e pedagógica. sociais e lingüísticas. Essa organização. sob formas distintas. a exclusão tem apresentado características comuns nos processos de segregação e integração.024/61. com a criação de duas instituições: o Imperial Instituto dos Meninos Cegos. em 1857. Lei nº 4. ambos no Rio de Janeiro. normatizações. I – Introdução O movimento mundial pela educação inclusiva é uma ação política. Essa problematização explicita os processos normativos de distinção dos alunos em razão de características intelectuais. que atuam na área da Educação. físicas. revisão de pré conceitos. A partir da visão dos direitos humanos e do conceito de cidadania fundamentado no reconhecimento das diferenças e na participação dos sujeitos. A partir do processo de democratização da escola. a educação inclusiva assume espaço central no debate acerca da sociedade contemporânea e do papel da escola na superação da lógica da exclusão. No início do século XX é fundado o Instituto Pestalozzi (1926). impulsionou ações educacionais voltadas às pessoas com deficiência e às pessoas com superdotação. uma exclusão que foi legitimada nas políticas e práticas educacionais reprodutoras da ordem social. mas a estes leitores. que pressupõem a seleção. Ao reconhecer que as dificuldades enfrentadas nos sistemas de ensino evidenciam a necessidade de confrontar as práticas discriminatórias e criar alternativas para superá-las. ao definir “tratamento especial” para os alunoscom “deficiências físicas. acreditando na possibilidade de mudar a realidade atual da nossa estrutura educacional e aceitando tais ideias como solução para a exclusão. mas ainda configuradas por campanhas assistenciais e iniciativas isoladas do Estado. que acompanha os avanços do conhecimento e das lutas sociais. definem as práticas escolares para os alunos com deficiência. estruturantes do modelo tradicional de educação escolar. decorre uma identificação dos mecanismos e processos de hierarquização que operam na regulação e produção das desigualdades.692/71. de 09 de outubro de 2007. Não há como pensar em INCLUSÃO a qualquer título sem antes acabar com a EXCLUSÃO.de 5 de junho de 2007. discussões e manifestações para a sua efetiva implementação tendem a virar “letra morta” se todos os elementos subjetivos causadores da exclusão não forem revistos pelas administrações públicas federais em harmonia com as administrações estaduais e municipais. entre outras. determina formas de atendimento clínico-terapêuticos fortemente ancorados nos testes psicométricos que. que aponta o direito dos “excepcionais” à educação.

em virtude de suas deficiências. 2001). prevista no seu artigo 2º. A Convenção da Guatemala (1999).. Também define. preferencialmente na rede regular de ensino (art.678/02 do MEC aprova diretrizes e normas para o uso. idade e quaisquer outras formas de discriminação” (art. a oferta do atendimento educacional especializado.956/2001. Lei nº 10. consideradas as características do alunado.] oportunidades educacionais apropriadas. assegura a terminalidade específica àqueles que não atingiram o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental. à oferta do atendimento educacional especializado e à garantia da acessibilidade. não se efetiva uma política pública de acesso universal à educação. reforça os dispositivos legais supracitados ao determinar que “os pais ou responsáveis têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino”. A Portaria nº 2. dentre as normas para a organização da educação básica. porém. a Resolução CNE/CP nº 1/2002. inciso I. O Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. no mesmo ritmo que os alunos ditos normais” (p. a produção e a difusão do sistema Braille em todas as modalidades de ensino. a “possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado” (art. 208). à formação docente.. destaca que “o grande avanço que a década da educação deveria produzir seria a construção de uma escola inclusiva que garanta o atendimento à diversidade humana”. cabendo às escolas organizarem-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais. . A Lei nº 10. como dever do Estado.436/02 reconhece a Língua Brasileira de Sinais – Libras como meio legal de comunicação e expressão. ao admitir a possibilidade de substituir o ensino regular. 24. (MEC/SEESP. inciso IV). garantindo o pleno desenvolvimento da pessoa. determinam que: Didatismo e Conhecimento 119 “Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos.069/90. preconiza que os sistemas de ensino devem assegurar aos alunos currículo. Também nessa década. apesar do acesso ao ensino regular. permanecendo a concepção de “políticas especiais” para tratar da educação de alunos com deficiência.3º. mas mantendo a responsabilidade da educação desses alunos exclusivamente no âmbito da educação especial. definindo como discriminação com base na deficiência toda diferenciação ou exclusão que possa impedir ou anular o exercício dos direitos humanos e de suas liberdades fundamentais.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Nesse período. é publicada a Política Nacional de Educação Especial. assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos. a Política não provoca uma reformulação das práticas educacionais de maneira que sejam valorizados os diferentes potenciais de aprendizagem no ensino comum. cor. com vistas a apoiar a transformação dos sistemas de ensino em sistemas educacionais inclusivos. compreendida no contexto da diferenciação.19). Lei nº 8. inciso V) e “[. seus interesses. estabelece a “igualdade de condições de acesso e permanência na escola” como um dos princípios para o ensino e garante. determinando que sejam garantidas formas institucionalizadas de apoiar seu uso e difusão. não é organizado um atendimento especializado que considere as suas singularidades de aprendizagem. promovendo um amplo processo de formação de gestores e educadores nos municípios brasileiros para a garantia do direito de acesso de todos à escolarização.394/96.) possuem condições de acompanhar e desenvolver as atividades curriculares programadas do ensino comum. Resolução CNE/CEB nº 2/2001. Em 1994. enfatizando a atuação complementar da educação especial ao ensino regular. 37). Ao reafirmar os pressupostos construídos a partir de padrões homogêneos de participação e aprendizagem. recursos e organização específicos para atender às suas necessidades. raça. sem preconceitos de origem. o ensino. afirma que as pessoas com deficiência têm os mesmos direitos humanos e liberdades fundamentais que as demais pessoas. Em 1999. e assegura a aceleração de estudos aos superdotados para conclusão do programa escolar. Ao estabelecer objetivos e metas para que os sistemas de ensino favoreçam o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos. promulgada no Brasil pelo Decreto nº 3. A atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. compreendendo o projeto da Grafia Braille para a Língua Portuguesa e a recomendação para o seu uso em todo o território nacional. o Decreto nº 3. as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. A Constituição Federal de 1988 traz como um dos seus objetivos fundamentais “promover o bem de todos. que regulamenta a Lei nº 7. adotado para promover a eliminação das barreiras que impedem o acesso à escolarização. no artigo 2º. aponta um déficit referente à oferta de matrículas para alunos com deficiência nas classes comuns do ensino regular. mediante cursos e exames” (art. define que as instituições de ensino superior devem prever. Acompanhando o processo de mudança.298. sexo. bem como a inclusão da disciplina de Libras como parte integrante do currículo nos cursos de formação de professores e de fonoaudiologia. Lei nº 9. O Plano Nacional de Educação – PNE.” As Diretrizes ampliam o caráter da educação especial para realizar o atendimento educacional especializado complementar ou suplementar à escolarização. define a educação especial como uma modalidade transversal a todos os níveis e modalidades de ensino. o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho. orientando o processo de “integração instrucional” que condiciona o acesso às classes comuns do ensino regular àqueles que “(. No que se refere aos alunos com superdotação. Este Decreto tem importante repercussão na educação. Em 2003. Na perspectiva da educação inclusiva. formação docente voltada para a atenção à diversidade e que contemple conhecimentos sobre as especificidades dos alunos com necessidades educacionais especiais.. no artigo 59. que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica. à acessibilidade física e ao atendimento educacional especializado. não potencializam a adoção de uma política de educação inclusiva na rede pública de ensino. a educação como um direito de todos. métodos.853/89. no artigo 205. em sua organização curricular. ao dispor sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência. documentos como a Declaração Mundial de Educação para Todos (1990) e a Declaração de Salamanca (1994) passam a influenciar a formulação das políticas públicas da educação inclusiva. é implementado pelo MEC o Programa Educação Inclusiva: direito à diversidade. No seu artigo 206.172/2001. condições de vida e de trabalho. Define. exigindo uma reinterpretação da educação especial. no artigo 55..

assistência e previdência social. b) As pessoas com deficiência possam ter acesso ao ensino fundamental inclusivo. a educação não se estruturou na perspectiva da inclusão e do atendimento às necessidades educacionais especiais. limitando. dispõe sobre a inclusão da Libras como disciplina curricular. o ensino da Língua Portuguesa como segunda língua para alunos surdos e a organização da educação bilíngüe no ensino regular. A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. do Ministério das Cidades. dentre as suas ações. permite atualização dos dados dentro do mesmo ano escolar. com o objetivo de disseminar os conceitos e diretrizes mundiais para a inclusão. que estabelece nas diretrizes do Compromisso Todos pela Educação. contemplar.624 em 2006. a acessibilidade arquitetônica dos prédios escolares. os Ministérios da Educação e da Justiça. Com relação aos dados da educação especial. às matrículas.094/2007. de 337. o cumprimento do princípio constitucional que prevê a igualdade de condições para o acesso e permanência na escola e a continuidade nos níveis mais elevados de ensino (2007.098/00. à oferta da matrícula nas escolas públicas. o Programa Brasil Acessível. que objetiva. possibilita o acompanhamento dos indicadores da educação especial: acesso à educação básica. de qualidade e gratuito. é desenvolvido com o objetivo de promover a acessibilidade urbana e apoiar ações que garantam o acesso universal aos espaços públicos. princípios e programas é reafirmada a visão que busca superar a oposição entre educação regular e educação especial. Em 2007. p. realizado anualmente em todas as escolas de educação básica. Para a implementação do PDE é publicado o Decreto nº 6. Plano de Desenvolvimento da Educação: razões. fortalecendo seu ingresso nas escolas públicas. adotando medidas para garantir que: a) As pessoas com deficiência não sejam excluídas do sistema educacional geral sob alegação de deficiência e que as crianças com deficiência não sejam excluídas do ensino fundamental gratuito e compulsório. Contrariando a concepção sistêmica da transversalidade da educação especial nos diferentes níveis. Neste mesmo ano. acessibilidade nos prédios escolares. municípios com matrícula de alunos com necessidades educacionais especiais. às matrículas em classes especiais. matrícula na rede pública. agregando informações individualizadas dos alunos. escola especial e classes comuns de ensino regular. escolas privadas e privadas sem fins lucrativos. acesso e a permanência das pessoas com deficiência na educação superior e o monitoramento do acesso à escola dos favorecidos pelo Beneficio de Prestação Continuada – BPC.296/04 regulamentou as Leis nº 10. expressando um crescimento de 107%. sob alegação de deficiência. possibilitando monitorar o percurso escolar. instrutor e tradutor/intérprete de Libras. visando ao acesso à escola dos alunos surdos.626/05. A partir de 2004. lançam o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos. reafirmado pela Agenda Social. o formulário impresso do Censo Escolar foi transformado em um sistema de informações on-line.048/00 e nº 10. Impulsionando a inclusão educacional e social. em igualdade de condições com as demais pessoas na comunidade em que vivem (Art. que regulamenta a Lei nº 10. constituindo a organização da política de educação inclusiva de forma a garantir esse atendimento aos alunos da rede pública de ensino. à infra-estrutura das escolas quanto à acessibilidade arquitetônica. a Secretaria Especial dos Direitos Humanos. . oferta do atendimento educacional especializado. ao número de alunos do ensino regular com atendimento educacional especializado. a implantação de salas de recursos multifuncionais. O Decreto nº 5. que qualifica o processo de manipulação e tratamento das informações. são organizados centros de referência na área das altas habilidades/superdotação para o atendimento educacional especializado. Em 2005. Em 2007. III – Diagnóstico da Educação Especial O Censo Escolar/MEC/INEP. Para compor esses indicadores no âmbito da educação especial. reafirmando o direito e os benefícios da escolarização de alunos com e sem deficiência nas turmas comuns do ensino regular. o Decreto nº 5. o Censo Web. o Ministério Público Federal publica o documento O Acesso de Alunos com Deficiência às Escolas e Classes Comuns da Rede Regular. bem como possibilita o cruzamento com outros bancos de dados. a Ciência e a Cultura – UNESCO. são efetivadas mudanças no instrumento de pesquisa do Censo. no currículo da educação básica. No que se refere ao ingresso em classes comuns do ensino regular. para a orientação às famílias e a formação continuada dos professores. conforme tipos de deficiência. tendo como eixos a formação de professores para a educação especial. 09). Também são realizadas alterações que ampliam o universo da pesquisa. e à formação dos professores que atuam no atendimento educacional especializado. o Censo Escolar registra uma evolução nas matrículas. ingresso nas classes comuns. com a implantação dos Núcleos de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação –NAAH/S em todos os estados e no Distrito Federal. estabelece que os Estados-Partes devem assegurar um sistema de educação inclusiva em todos os níveis de ensino. juntamente com a Organização das Nações Unidas para a Educação. aprovada pela ONU em 2006 e da qual o Brasil é signatário. tais como os das áreas de saúde.326 em 1998 para 700. é lançado o Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE. Didatismo e Conhecimento 120 No documento do MEC. à sala de recursos ou aos equipamentos específicos. verifica-se um crescimento de 640%. Nesse contexto.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Em 2004.436/2002. em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social compatível com a meta da plena participação e inclusão.923 alunos em 1998 para 325. dos professores e da escola. passando de 43. escolas com acesso ao ensino regular e formação docente para o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos. transtornos do desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação. a formação e a certificação de professor. estabelecendo normas e critérios para a promoção da acessibilidade às pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. das turmas.24). temáticas relativas às pessoas com deficiência e desenvolver ações afirmativas que possibilitem acesso e permanência na educação superior. que passa a registrar a série ou ciclo escolar dos alunos identificados no campo da educação especial.316 em 2006. a garantia do acesso e permanência no ensino regular e o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos. etapas e modalidades de ensino. o Censo Escolar/MEC/INEP coleta dados referentes ao número geral de matrículas.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
Quanto à distribuição dessas matrículas nas esferas pública e privada, em 1998 registra-se 179.364 (53,2%) alunos na rede pública e 157.962 (46,8%) nas escolas privadas, principalmente em instituições especializadas filantrópicas. Com o desenvolvimento das ações e políticas de educação inclusiva nesse período, evidencia-se um crescimento de 146% das matrículas nas escolas públicas, que alcançaram 441.155 (63%) alunos em 2006, conforme demonstra o gráfico: Com relação à distribuição das matrículas por etapa de ensino em 2006: 112.988 (16%) estão na educação infantil, 466.155 (66,5%) no ensino fundamental, 14.150 (2%) no ensino médio, 58.420 (8,3%) na educação de jovens e adultos, e 48.911 (6,3%) na educação profissional. No âmbito da educação infantil, há uma concentração de matrículas nas escolas e classes especiais, com o registro de 89.083 alunos, enquanto apenas 24.005 estão matriculados em turmas comuns. O Censo da Educação Especial na educação superior registra que, entre 2003 e 2005, o número de alunos passou de 5.078 para 11.999 alunos, representando um crescimento de 136%. A evolução das ações referentes à educação especial nos últimos anos é expressa no crescimento de 81% do número de municípios com matrículas, que em 1998 registra 2.738 municípios (49,7%) e, em 2006 alcança 4.953 municípios (89%). Aponta também o aumento do número de escolas com matrícula, que em 1998 registra apenas 6.557 escolas e, em 2006 passa a registrar 54.412, representando um crescimento de 730%. Das escolas com matrícula em 2006, 2.724 são escolas especiais, 4.325 são escolas comuns com classe especial e 50.259 são escolas de ensino regular com matrículas nas turmas comuns. O indicador de acessibilidade arquitetônica em prédios escolares, em 1998, aponta que 14% dos 6.557 estabelecimentos de ensino com matrícula de alunos com necessidades educacionais especiais possuíam sanitários com acessibilidade. Em 2006, das 54.412 escolas com matrículas de alunos atendidos pela educação especial, 23,3% possuíam sanitários com acessibilidade e 16,3% registraram ter dependências e vias adequadas (dado não coletado em 1998). No âmbito geral das escolas de educação básica, o índice de acessibilidade dos prédios, em 2006, é de apenas 12%. Com relação à formação inicial dos professores que atuam na educação especial, o Censo de 1998, indica que 3,2% possui ensino fundamental, 51% ensino médio e 45,7% ensino superior. Em 2006, dos 54.625 professores nessa função, 0,62% registram ensino fundamental, 24% ensino médio e 75,2% ensino superior. Nesse mesmo ano, 77,8% desses professores, declararam ter curso específico nessa área de conhecimento. IV – Objetivo da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva tem como objetivo o acesso, a participação e a aprendizagem dos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas escolas regulares, orientando os sistemas de ensino para promover respostas às necessidades educacionais especiais, garantindo: Transversalidade da educação especial desde a educação infantil até a educação superior; - Atendimento educacional especializado; - Continuidade da escolarização nos níveis mais elevados do ensino; Didatismo e Conhecimento
121

- Formação de professores para o atendimento educacional especializado e demais profissionais da educação para a inclusão escolar; - Participação da família e da comunidade; - Acessibilidade urbanística, arquitetônica, nos mobiliários e equipamentos, nos transportes, na comunicação e informação; e - Articulação intersetorial na implementação das políticas públicas. V – Alunos atendidos pela Educação Especial Por muito tempo perdurou o entendimento de que a educação especial, organizada de forma paralela à educação comum, seria a forma mais apropriada para o atendimento de alunos que apresentavam deficiência ou que não se adequassem à estrutura rígida dos sistemas de ensino. Essa concepção exerceu impacto duradouro na história da educação especial, resultando em práticas que enfatizavam os aspectos relacionados à deficiência, em contraposição à sua dimensão pedagógica. O desenvolvimento de estudos no campo da educação e dos direitos humanos vêm modificando os conceitos, as legislações, as práticas educacionais e de gestão, indicando a necessidade de se promover uma reestruturação das escolas de ensino regular e da educação especial. Em 1994, a Declaração de Salamanca proclama que as escolas regulares com orientação inclusiva constituem os meios mais eficazes de combater atitudes discriminatórias e que alunos com necessidades educacionais especiais devem ter acesso à escola regular, tendo como princípio orientador que “as escolas deveriam acomodar todas as crianças independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, lingüísticas ou outras” (BRASIL, 2006, p.330). O conceito de necessidades educacionais especiais, que passa a ser amplamente disseminado a partir dessa Declaração, ressalta a interação das características individuais dos alunos com o ambiente educacional e social. No entanto, mesmo com uma perspectiva conceitual que aponte para a organização de sistemas educacionais inclusivos, que garanta o acesso de todos os alunos e os apoios necessários para sua participação e aprendizagem, as políticas implementadas pelos sistemas de ensino não alcançaram esse objetivo. Na perspectiva da educação inclusiva, a educação especial passa a integrar a proposta pedagógica da escola regular, promovendo o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. Nestes casos e outros, que implicam em transtornos funcionais específicos, a educação especial atua de forma articulada com o ensino comum, orientando para o atendimento às necessidades educacionais especiais desses alunos. A educação especial direciona suas ações para o atendimento às especificidades desses alunos no processo educacional e, no âmbito de uma atuação mais ampla na escola, orienta a organização de redes de apoio, a formação continuada, a identificação de recursos, serviços e o desenvolvimento de práticas colaborativas. Os estudos mais recentes no campo da educação especial enfatizam que as definições e uso de classificações devem ser contextualizados, não se esgotando na mera especificação ou categorização atribuída a um quadro de deficiência, transtorno,

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
distúrbio, síndrome ou aptidão. Considerase que as pessoas se modificam continuamente, transformando o contexto no qual se inserem. Esse dinamismo exige uma atuação pedagógica voltada para alterar a situação de exclusão, reforçando a importância dos ambientes heterogêneos para a promoção da aprendizagem de todos os alunos. A partir dessa conceituação, considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimentos de longo prazo, de natureza física, mental ou sensorial que, em interação com diversas barreiras, podem ter restringida sua participação plena e efetiva na escola e na sociedade. Os alunos com transtornos globais do desenvolvimento são aqueles que apresentam alterações qualitativas das interações sociais recíprocas e na comunicação, um repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo. Incluem-se nesse grupo alunos com autismo, síndromes do espectro do autismo e psicose infantil. Alunos com altas habilidades/superdotação demonstram potencial elevado em qualquer uma das seguintes áreas, isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade e artes, além de apresentar grande criatividade, envolvimento na aprendizagem e realização de tarefas em áreas de seu interesse. VI – Diretrizes da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva A educação especial é uma modalidade de ensino que perpassa todos os níveis, etapas e modalidades, realiza o atendimento educacional especializado, disponibiliza os recursos e serviços e orienta quanto a sua utilização no processo de ensino e aprendizagem nas turmas comuns do ensino regular. O atendimento educacional especializado tem como função identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas. As atividades desenvolvidas no atendimento educacional especializado diferenciam-se daquelas realizadas na sala de aula comum, não sendo substitutivas à escolarização. Esse atendimento complementa e/ou suplementa a formação dos alunos com vistas à autonomia e independência na escola e fora dela. Dentre as atividades de atendimento educacional especializado são disponibilizados programas de enriquecimento curricular, o ensino de linguagens e códigos específicos de comunicação e sinalização e tecnologia assistiva. Ao longo de todo o processo de escolarização esse atendimento deve estar articulado com a proposta pedagógica do ensino comum. O atendimento educacional especializado é acompanhado por meio de instrumentos que possibilitem monitoramento e avaliação da oferta realizada nas escolas da rede pública e nos centros de atendimento educacional especializados públicos ou conveniados. O acesso à educação tem início na educação infantil, na qual se desenvolvem as bases necessárias para a construção do conhecimento e desenvolvimento global do aluno. Nessa etapa, o lúdico, o acesso às formas diferenciadas de comunicação, a riqueza de estímulos nos aspectos físicos, emocionais, cognitivos, psicomotores e sociais e a convivência com as diferenças favorecem as relações interpessoais, o respeito e a valorização da criança. Didatismo e Conhecimento
122

Do nascimento aos três anos, o atendimento educacional especializado se expressa por meio de serviços de estimulação precoce, que objetivam otimizar o processo de desenvolvimento e aprendizagem em interface com os serviços de saúde e assistência social. Em todas as etapas e modalidades da educação básica, o atendimento educacional especializado é organizado para apoiar o desenvolvimento dos alunos, constituindo oferta obrigatória dos sistemas de ensino. Deve ser realizado no turno inverso ao da classe comum, na própria escola ou centro especializado que realize esse serviço educacional. Desse modo, na modalidade de educação de jovens e adultos e educação profissional, as ações da educação especial possibilitam a ampliação de oportunidades de escolarização, formação para ingresso no mundo do trabalho e efetiva participação social. A interface da educação especial na educação indígena, do campo e quilombola deve assegurar que os recursos, serviços e atendimento educacional especializado estejam presentes nos projetos pedagógicos construídos com base nas diferenças socioculturais desses grupos. Na educação superior, a educação especial se efetiva por meio de ações que promovam o acesso, a permanência e a participação dos alunos. Estas ações envolvem o planejamento e a organização de recursos e serviços para a promoção da acessibilidade arquitetônica, nas comunicações, nos sistemas de informação, nos materiais didáticos e pedagógicos, que devem ser disponibilizados nos processos seletivos e no desenvolvimento de todas as atividades que envolvam o ensino, a pesquisa e a extensão. Para o ingresso dos alunos surdos nas escolas comuns, a educação bilíngüe – Língua Portuguesa/Libras desenvolve o ensino escolar na Língua Portuguesa e na língua de sinais, o ensino da Língua Portuguesa como segunda língua na modalidade escrita para alunos surdos, os serviços de tradutor/intérprete de Libras e Língua Portuguesa e o ensino da Libras para os demais alunos da escola. O atendimento educacional especializado para esses alunos é ofertado tanto na modalidade oral e escrita quanto na língua de sinais. Devido à diferença lingüística, orienta-se que o aluno surdo esteja com outros surdos em turmas comuns na escola regular. O atendimento educacional especializado é realizado mediante a atuação de profissionais com conhecimentos específicos no ensino da Língua Brasileira de Sinais, da Língua Portuguesa na modalidade escrita como segunda língua, do sistema Braille, do Soroban, da orientação e mobilidade, das atividades de vida autônoma, da comunicação alternativa, do desenvolvimento dos processos mentais superiores, dos programas de enriquecimento curricular, da adequação e produção de materiais didáticos e pedagógicos, da utilização de recursos ópticos e não ópticos, da tecnologia assistiva e outros. A avaliação pedagógica como processo dinâmico considera tanto o conhecimento prévio e o nível atual de desenvolvimento do aluno quanto às possibilidades de aprendizagem futura, configurando uma ação pedagógica processual e formativa que analisa o desempenho do aluno em relação ao seu progresso individual, prevalecendo na avaliação os aspectos qualitativos que indiquem as intervenções pedagógicas do professor. No processo de avaliação, o professor deve criar estratégias considerando que alguns alunos podem demandar ampliação do tempo para a realização dos trabalhos e o uso da língua de sinais, de textos em Braille, de informática ou de tecnologia assistiva como uma prática cotidiana.

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
Cabe aos sistemas de ensino, ao organizar a educação especial na perspectiva da educação inclusiva, disponibilizar as funções de instrutor, tradutor/intérprete de Libras e guia-intérprete, bem como de monitor ou cuidador dos alunos com necessidade de apoio nas atividades de higiene, alimentação, locomoção, entre outras, que exijam auxílio constante no cotidiano escolar. Para atuar na educação especial, o professor deve ter como base da sua formação, inicial e continuada, conhecimentos gerais para o exercício da docência e conhecimentos específicos da área. Essa formação possibilita a sua atuação no atendimento educacional especializado, aprofunda o caráter interativo e interdisciplinar da atuação nas salas comuns do ensino regular, nas salas de recursos, nos centros de atendimento educacional especializado, nos núcleos de acessibilidade das instituições de educação superior, nas classes hospitalares e nos ambientes domiciliares, para a oferta dos serviços e recursos de educação especial. Para assegurar a intersetorialidade na implementação das políticas públicas a formação deve contemplar conhecimentos de gestão de sistema educacional inclusivo, tendo em vista o desenvolvimento de projetos em parceria com outras áreas, visando à acessibilidade arquitetônica, aos atendimentos de saúde, à promoção de ações de assistência social, trabalho e justiça. Os sistemas de ensino devem organizar as condições de acesso aos espaços, aos recursos pedagógicos e à comunicação que favoreçam a promoção da aprendizagem e a valorização das diferenças, de forma a atender as necessidades educacionais de todos os alunos. A acessibilidade deve ser assegurada mediante a eliminação de barreiras arquitetônicas, urbanísticas, na edificação – incluindo instalações, equipamentos e mobiliários – e nos transportes escolares, bem como as barreiras nas comunicações e informações. alunos, sente-se tentado ameaça-los com a arma poderosa da avaliação, dizendo que irá tirar-lhes pontos, chamará os pais, irá colocá-los para fora da sala, encaminhá-los para a coordenação, etc. Nesta concepção, o mais comum é o professor, não conseguindo motivar o aluno para o trabalho, comece a usar a nota como um instrumento de pressão para obter a disciplina e participação, contribuindo assim, para a sua alienação. Para a mesma autora, muitas vezes as avaliações são realizadas como julgamento das capacidades, sem nada a contribuir para o desenvolvimento do educando, não sendo levado em conta, o modo como essa avaliação está sendo feita como, por exemplo: trabalhos avaliativos, provas orais ou escritas de dupla ou individual e saber que cada aluno é diferente no processo de ensino-aprendizagem um do outro.Outra forma, que a avaliação é utilizada pelo educador é a de uma mera reprodução e repetição dos conteúdos e conhecimentos, assim preocupam-se em vencer os conteúdos programáticos.Na maioria das vezes, a avaliação é vista pelos olhos dos alunos como uma promoção e não como parte do processo de ensino-aprendizagem, assim como um castigo, não podendo sair, brincar porque tem prova e pelos olhos da maioria professores um meio de demonstrar a autoridade. Aspectos Positivos e Negativos da avaliação Dentro da sala de aula, o termo avaliar está, intimamente relacionado à resolução de provas, exames, resultado de nota, ser aprovado ou reprovado. Em meio a esses fatores, a prova torna-se instrumento característico de todo processo de uma avaliação tradicional, mas pode também ser de muita utilidade para o professor e aluno saberem em que medida o processo de ensino-aprendizagem está útil para a formação do conhecimento do aluno.Nessa perspectiva, verifica-se que esse instrumento é adequado especialmente quando desejamos avaliar procedimentos específicos, a capacidade de organizar ideias, a clareza da expressão e a possibilidade de apresentar soluções originais. Assim, a avaliação tem seu lado positivo e negativo. O primeiro pode ser atribuído ao fato da avaliação admitir uma função de orientadora e cooperativa, sendo assim, realizada de uma forma contínua, cumulativa e ordenada dentro da sala de aula com o objetivo de fazer um diagnóstico da situação de aprendizagem de cada educando, em relação aos conteúdos passados pelo professor, desse modo, verificando se o aluno está progredindo no processo de ensino-aprendizagem.A avaliação, dessa forma, tem uma função prognostica que avalia os conhecimentos prévios dos alunos, considerada a avaliação de entrada, avaliação de input; uma função diagnóstica, do dia-a-dia , a fim de verificar quem absorveu todos conhecimentos e adquiriu as habilidades previstas nos objetivos estabelecidos. Por outro lado, a avaliação está voltada com a função de classificação, apresentando o lado negativo, pois o aluno que não alcançou a média fica sob a visão de excluído e fracassado perante os colegas de classe, professores e escola, ocasionando muitas vezes a evasão escolar. De acordo com Luckesi (2006), a avaliação que é praticada na escola é sinônimo da avaliação da culpa. As notas são usadas para como índices de classificação de alunos, onde os desempenhos são comparados e não perspectivas que se desejam atingir. O que significa em termos de avaliação um aluno ter obtido nota 5,0 ou média 5,0? E o que tirou 4,0? O primeiro, na maioria das escolas está aprovado, enquanto o segundo, reprovado. O que o primeiro sabe é considerado suficiente. Suficiente para quê? E o
123

14 AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM: CONCEPÇÕES, ESTRATÉGIAS E IMPORTÂNCIA DOS RESULTADOS PARA A MELHORIA DA QUALIDADE DO ENSINO.

Avaliação Educacional O ato de ensinar e de aprender está relacionado a realizações de mudanças e aquisições de comportamento, tanto motores, cognitivos, quanto afetivos e sociais. Com base nesses preceitos, a avaliação, ou seja, o ato de avaliar consiste em verificar se estes tais comportamentos estão sendo realmente alcançados no grau exigido pelo professor servindo de suporte para que o aluno progrida na aprendizagem e na construção do saber.Com isso, avaliação tem o papel de orientar o aluno a tomar consciência de seus conhecimentos, ter posicionamento crítico e saber se está avançando na superação das dificuldades para continuar progredindo no processo de ensino aprendizagem. Existem, ainda hoje, professores que se preocupam em fazer uso da avaliação como instrumento de tortura, pressão e controle do comportamento prendendo-se em respostas “mecânicas” como certo/errado valorizando o “produto” final e não compreendem todo o processo que o aluno chegou para dar aquela resposta.O professor, então, tendo observado o “mau comportamento” dos Didatismo e Conhecimento

o trajeto a ser percorrido. confiança na capacidade de todos. quando praticamos a avaliação. no poder. pela vontade de chegar ao objetivo/destino que vai sendo traçado. explicativa e de desempenho. medidas padronizadas e estatísticas) em favor de uma ação consciente e refleDidatismo e Conhecimento 124 xiva sobre o valor do objeto avaliado. ou seja. a finalidade da avaliação é promover a evolução da aprendizagem dos educandos e a promoção da qualidade do trabalho educativo. princípios e metodologias. No entanto. Visão centrada no professor e em medidas padronizadas de disciplinas fragmentadas. o erro conscientemente elaborado possibilita o avanço. No entanto. que confere ao educador uma grande responsabilidade por seu compromisso com o objeto avaliado e com sua própria aprendizagem . a melhoria das evoluções individuais. Avaliação a serviço da aprendizagem. Rumos da Avaliação neste século. é impulsionado pelo inusitado.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS que ele não sabe? O que ele deixou de “saber” não pode ser mais importante do que o que ele “sabe”? E o que o aluno que tirou 4. ao mesmo tempo. referenciada em valores. Esse processo. as situações avaliadas e do exercício do diálogo entre os envolvidos. interagida com o meio físico e social. A autora resume os princípios básicos – as setas do caminho – a seguir. assim como quando realizamos o caminho a Santiago de Compostela. no individualismo. A avaliação a serviço da ação. que se fundamentam na competição. Da mesma forma. adquiriu um enfoque político e social. A finalidade da avaliação mediadora é subsidiar o professor. evidenciando o caráter burocrático e seletivo que persiste no país. somativa. Assim. o que revela a manutenção das práticas tradicionais e a resistência à implementação de regimes não seriados. tem o sentido de avançar sempre: promover e a autora nos apresenta as setas do caminho. pelo sonho. a dificuldade para incorporar e compreender a concepção de avaliação mediadora. A contraposição básica estabelecida por este princípio é estabelecida entre uma concepção classificatória de avaliação da aprendizagem escolar e a concepção de avaliação mediadora. Para transformar a escola. pois tanto para o professor quanto para o aluno ao reconhecerem a origem e a constituição dos seus erros passam a superá-los. É no confronto de ideias que a avaliação vai se construindo para cada um dos professores à medida que discutem. avaliar necessita da conversa uns com os outros. fundada na ação pedagógica reflexiva. ciclos. pois a partir disso desencadeiam-se processos de mudança muito mais amplos do que a simples modificação das práticas de ensino. deve servir à promoção. a atitude reprodutora. o educador deve conversar com seu aluno e verificar o porquê desse erro e como foi cometido. mas sim a observação contínua das manifestações de aprendizagem para desenvolver ações educativas que visem à promoção. Uma das maiores dificuldades de compreensão das propostas educacionais contemporâneas reside no problema da . A tendência. a avaliação de um curso só terá sentido se for capaz de possibilitar a implementação de programas que resultem em melhorias do curso. alunos e comunidade. influi e sofre a influência desse próprio ato de pensar e agir. seriação. mas. isto é. implica necessariamente uma ação que promova melhoria na situação avaliada. da promoção da cidadania. A avaliação mediadora.Luckesi (2006) afirma quando o professor atribui uma atividade a seus alunos e observa que estes não conseguem obter o resultado esperado. programas de aceleração. É a compreensão e definição da finalidade da avaliação da aprendizagem que deve nortear as metodologias e não o inverso. de negociação. Nas últimas décadas. Dessa maneira. observa-se na maioria das escolas brasileiras. A organização homogeneizada. da formação. A intenção prognóstica. como instrumento de acompanhamento do trabalho. é a avaliação reflexiva que pode transformar a realidade avaliada. compreendida como a avaliação da aprendizagem escolar. que acabam enlaçando tanto os professores quanto os alunos em suas relações pessoais verticais e horizontais. é necessário que ocorra uma reflexão conjunta de professores. gera inquietação e incertezas para os professores. A ousadia do ato de avaliar. pelo desejo de superação. na interação e na socialização. tornando assim um “obstáculo vencido” e uma avaliação adequada.0 “sabe” não pode ser mais importante do que aquilo que não “sabe”? Dentro do contexto da avaliação temos o erro. valores. classificação e competição. acesso a um nível superior de aprendizagem por meio de uma educação digna e de direito de todos os seres humanos. alienadora. dentro de um dado contexto. desencadeia o respeito às individualidades. dentre os principais estudiosos do assunto. por meio de oportunidades de expressão desses sentimentos. seleção. Regimes seriados versus regimes não-seriados. para compartilhar dos sentimentos de conquista. assume-se conscientemente o papel do avaliador no processo. na Espanha. Hoffmann é contrária à ideia de que primeiro é preciso mudar a escola e a sociedade para depois mudar a avaliação. objetivos e discussão interdisciplinar. cidadania e direito à educação. Essa reflexão envolve os próprios princípios da democracia. a avaliação. que se contrapõem às concepções avaliativas classificatórias. esse erro pode ser útil vindo a ser utilizado como fonte de virtude para aprendizagem escolar. Em se tratando da avaliação da aprendizagem. Buscando caminhos. Esse autor ainda ressalta que. isto é. Avaliar para Promover Para Hoffmann. de compreensão de outras perspectivas e de reflexão sobre as próprias crenças. Visão dialógica. na maioria das vezes. leva à intenção de acompanhamento permanente de mediação e intervenção pedagógica favorável à aprendizagem. apontando para onde vamos: De para avaliação para classificação. significando algo que não ocorreu de maneira correta. critérios objetivos. no processo de melhoria da qualidade de ensino. as quais devem ser respeitadas.A avaliação. que intensificou a pesquisa sobre o assunto. na arbitrariedade. para que possam compreender os limites e as possibilidades dos alunos e delinear ações que possam favorecer seu desenvolvimento. Em seus regimentos escolares enunciam-se objetivos de avaliação contínua. lugar em que ocorre a gestão educacional de um trabalho coletivo. sua finalidade não é o registro do desempenho escolar. como se tem observado até agora. normativa Mobilização em direção à busca de sentido e significado da ação. O problema da avaliação da aprendizagem tem sido discutido intensamente neste último século. de todos os níveis. neste caminho. estabelecem-se normas classificatórias e normativas. Da mesma forma.a de como ocorre o processo avaliativo. Pelo contrário. assim como no caminho a Santiago de Compostela. é frequente o aluno dizer que só agora ele percebeu o que era para fazer. por ser uma atividade de reflexão sobre os próprios atos. da compreensão das setas. a despeito das inovações propostas pela nova LDB (9394/ 96). em conjunto. e a escola. da escola ou da instituição avaliada. é a de procurar superar a concepção positivista e classificatória das práticas avaliativas escolares (baseada em verdades absolutas.

de acordo com suas possibilidades e da promoção da qualidade na escola. metodologia.Hoffman defende que esta deve ser uma ação voltada para o futuro. Os momentos do conselho de classe precisam ser repensados pelas escolas e serem utilizados para a ampliação das perspectivas acerca dos diferentes jeitos de ser e de aprender do educando que interage com outros educadores e com outros conhecimentos. que não significa atribuir a eles a tarefa da escola. Os pais devem participar da escolaridade de seus filhos. apoiar. trabalho científico. “os piores” estarão predestinados ao fracasso e à exclusão. sugerir e. promovendo os “melhores” e retendo os “piores”. e não o produto. ao contrário.Os estudos paralelos precisam acompanhar os percursos individuais de formação dos alunos e considerar os princípios da pedagogia diferenciada. A progressão da aprendizagem. na sua singularidade e de acordo com suas possibilidades. a constituição de suas famílias. etc. É compromisso seu orientá-los na resolução de dúvidas. Dessa forma. Estudos paralelos de recuperação são próprios a uma prática de avaliação mediadora. As questões atitudinais não devem ocupar um tempo enorme em detrimento das questões do ensino-aprendizagem. das necessidades e dos ritmos dos alunos. estes últimos. não como riqueza. que alerta: “o que caracteriza a individualização dos percursos não é a solidão no trabalho. essa organização de trabalho escolar exige à realização de uma prática pedagógica que assuma a diversidade humana como riqueza. por meio de critérios pré-definidos arbitrariamente como requisitos para a passagem à série seguinte. as facilidades e dificuldades de cada um como parte das características humanas. dialogar com a escola. que devem ser respeitadas e. É preciso considerar a complexidade inerente a tal finalidade. por posturas políticas.Alertamos para o fato de que Hoffman defende que o termo paralelo pressupõe estudos desenvolvidos pelo professor em sua classe e no decorrer natural do processo. num processo de avaliação classificatória. Os regimes seriados estabelecem oficialmente uma série de obstáculos aos alunos. rigorosa e mais permissiva. Para Hoffman. A ideia de recuperação vem sendo concebida como retrocesso. de caráter interativo e reflexivo. Pelo contrário. Cada professor estabelece uma relação diferenciada de saber com seus alunos. entretanto. o privilégio ao passado é evidente. a realidade social destes pais. a avaliação contínua adquire o significado de avaliação mediadora do processo de desenvolvimento e da aprendizagem de cada aluno. As práticas educacionais exigem. Os regimes não seriados.Uma atividade ética. a promoção se baseia na evolução alcançada pelo aluno. sendo que.Os protagonistas da avaliação precisam ser levados a refletir sobre o que fazem e por que fazem. as novas medidas em avaliação educacional afetam os sentimentos dos atores envolvidos. As reformas educacionais oriundas de posturas políticas que não devem se sobrepujar aos atos educativos. a inclusão da dimensão ética e sensível. ética em seu sentido mais original. classificatórios que deem conta da complexidade do ato avaliativo. a luta pela sobrevivência. As diferenças individuais são reconhecidas. está direcionada ao futuro do desenvolvimento do aluno. além de conhecimento. Promover o diálogo entre os pais e os professores é função da escola. mas o caráter único da trajetória de cada aluno no conjunto de sua escolaridade”. com repetição de conteúdos.se propondo a deferir uma sentença ao aluno. contando com a cooperação de toda a turma. muito menos o trabalho de superação destas dificuldades não pode recair sob a responsabilidade destes. mas como instrumento de dominação de uns poucos sobre muitos. orientados por modelos avaliativos classificatórios e com caráter sentencitivo.. é comparado com ele próprio. É compromisso dos pais acompanhar o processo vivido pelos filhos. novas formas de relações educativas se constituem a partir da cooperação e não da competição. em grande parte das escolas.Provas de recuperação versus estudos paralelos. nos faz ponderar que as dificuldades de aprendizagem dos alunos não podem ser atribuídas às famílias. Nesse sentido programas e projetos desenvolvidos para dar conta de problemas apresentados para o estudo de uma área de conhecimento ou para resolver questões de determinadas escolas. porque cada situação envolve a singularidade dos participantes do processo educativo. deliberadora de novas ações que garantam a aquisição de competências necessárias à aprendizagem dos alunos. bem como são de sua responsabilidade a aquisição de atitudes e habilidades que favoreçam o enriquecimento das relações interpessoais no ambiente escolar. Isso está longe de ser menos exigente. mas dos profissionais que atuam nas escolas. ao fazê-lo. reconhecer suas possibilidades e respeitá-las. Os desempenhos individuais dos alunos são utilizados para se comparar uns com os outros. Deste modo.Não concordamos que deva haver regra única em avaliação. desafiá-los a prosseguir por meio de provocações significativas. nos estudos paralelos. porque não há melhores nem piores. estariam respondendo às dimensões ético-políticas neste contexto avaliativo.Não encontramos mecanismos únicos. ainda que elencada no bojo de diretrizes unificadoras das reformas educacionais. mas torná-la referência para decisões educativas pautadas por valores. focalizando o processo de aprendizagem. A educação inclusiva Num processo de avaliação mediadora. desde que se tenha garantido as melhores . paralela ou final) são considerados parte integrante do processo de ensino e de aprendizagem para atendimento à diversidade das características. para a qual nos chama a atenção Perrenoud (2000). A participação das famílias. retomadas. Didatismo e Conhecimento 125 Os conselhos de classe vêm sendo realizados. a natureza do envolvimento. Neste processo o conhecimento é construído entre descobertas e dúvidas. porque está embasada em juízo de valor. As provas de recuperação se confundem com a recuperação das notas já alcançadas. principalmente. fundamentam-se em concepções desenvolvimentistas e democráticas. Conselhos de classe versus “conselhos de classe”. obstáculos e avanços.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS organização do regime escolar em ciclos e outras formas não seriadas. retomo. Nestas sessões. o reforço e a recuperação (nas suas modalidades contínua. A razão dessa dificuldade reside justamente no apego às ideias tradicionais às quais se vinculam o processo de avaliação classificatória e seletiva. fundamentos filosóficos e considerações sociais. a aprendizagem. no aprofundamento das noções. assumir o que lhes é de responsabilidade. O trabalho do aluno. projetar a avaliação no futuro dos alunos significa reforçar as setas dos seus caminhos: confiar. se torna possível acolher a todos os alunos. por se tratar de uma atividade prática. e a melhor forma de fazê-lo é no dia-a-dia da sala de aula. Nesse sentido. sendo possível observar sua evolução de diversas formas ao longo do processo de ensino-aprendizagem. Não basta desenvolver a avaliação educacional a serviço de uma ação com perspectiva par o futuro. considerando.

principalmente nas séries finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Classes numerosas podem dificultar essa aproximação. sem que haja a preparação do professor no desempenho de seu papel. às suas dificuldades ou à sua incapacidade. convicção de que as incertezas são parte da educação porque esta é fruto de relações humanas. negando a relativização desses parâmetros em diferentes condições de aprendizagem. que há um conjunto de variações de respostas dos alunos de todo os níveis de ensino. entre professores e alunos e da escola com os pais. em certos e errados absolutos. A responsabilidade pelo desenvolvimento da aprendizagem contínua do aluno recai sobre os educadores e sobre a comunidade. favorecendo a abordagem interdisciplinar.Como tal. porque. Se incluir é fundamental e singular.Outro problema passa a se constituir aqui. priva os alunos com necessidades especiais de uma escolaridade digna. Avaliação mediadora significa a busca de significado para todas as dimensões do processo por meio de uma investigação séria sobre as características próprias dos aprendizes. Outra concepção de tempo em avaliação O tempo é um tema recorrente nas discussões sobre avaliação. A dimensão da exclusão de muitos alunos da escola pode ser medida: • pela constatação das práticas reprovativas baseadas em parâmetros de maturidade e de normalidade. no caminho. isto é. pois cada participante do processo pode colaborar com a aprendizagem dos outros. Tendo oportunidade de confrontar suas ideias com as dos colegas. Assim. • pela ocorrência dos encaminhamentos de alunos para classes e escolas especiais por erros na avaliação pedagógica. Isso significa encontrar meios para favorecer aprendizagem de todos os alunos. a autora afirma que uma pedagogia diferenciada pode se desenvolver na experiência coletiva da sala de aula. A inclusão nas classes regulares de alunos que necessitam de atendimento especializado. Esta variabilidade de manifestações nos aponta que muitas tentativas de acerto são feitas por meio de ensaios e erros.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS oportunidades possíveis à aprendizagem e ao desenvolvimento de todos e de cada um. sem interferir no direito de escolha do aprendiz sobre os rumos de sua trajetória de conhecimento. desde que haja a clareza de que o aluno aprende na relação com os outros.Nesse contexto. no afã de estarem sempre concluindo caminhos que.A trajetória a ser percorrida pela avaliação requer diálogo. Mediar é aproximar.O trabalho em equipe de professores envolve o compromisso de compartilhamento das experiências. ou em textos. perfeição. conhecer para promover e não para julgar e classificar. É importante refletir a cada passo. Essas estratégias são desenhadas por meio de respostas que chamamos de erro.como no caminho de Santiago. fundamentalmente qualitativas. É preciso respeitar seu tempo de aprender e de ser. É preciso conhecer o aluno enquanto aprendiz. ajudar. a ampliação das perspectivas acerca da aprendizagem dos alunos. tomada de consciência sobre a própria aprendizagem e sobre a própria conduta. são inconclusos.Produzem a ficção de um ensino homogêneo pela impossibilidade de acompanhar a heterogeneidade do grupo. escassez de materiais e outras situações apontadas por muitos como justificativa para a má quaDidatismo e Conhecimento 126 lidade do ensino).Reforçam o valor mercadológico das aprendizagens e das relações de autoritarismo em sala de aula. Sendo assim. além de impossível de se determinar a priori: a questão dos conteúdos acadêmicos e do tempo. quando não se compreende que o processo de aquisição de conhecimentos é não linear e infinito. Para Hoffman. oferece ao aluno condições adequadas de aprendizagem de acordo com suas características. são professores e escolas que precisam adequar-se aos alunos e não os alunos que devem adequar-se às escolas e aos professores. nas aulas frontais. sua magnitude não pode ser medida em “escalas métricas” ou por recursos de “conversão entre sistema de mensuração”. É preciso reconhecer que nas práticas atuais. vivendo situações problema. Desta forma.Baseiam-se. sem pressa. interativamente.Entravam o diálogo entre os professores. a padronização dos percursos incorre em sérios prejuízos para os alunos. o aluno irá progressivamente compreender e evoluir conceitualmente.Notas e conceitos classificatórios padronizam o que é diferente. como pela turma. na verdade. Cada passo é uma grande conquista A autora oferece sugestões e exemplos de oportunidades de aprendizagem que podem ser oferecidas. de uma comunidade.O aprendiz é sujeito de sua história. criação. despersonalizando as dificuldades de avanços de cada aluno. quanto em um ao letivo. Na última década.O aprendiz determina o próprio tempo da aprendizagem. Sobre isso. as trajetórias da avaliação se propõem a respeitar os tempos e percursos individuais de formação. de avanço em relação a uma fase anterior do aprendizado. profundidade. não havendo como delimitar tempos fixos. que podem dividir entre si a tarefa de acompanhar mais de perto um grupo de alunos (tutoria). Qualidade significa intensidade. mesmo em condições limitantes (classes superlotadas. dizendo muito sobre “qualidade”. em condições de igualdade educativa. abertura e interação. premidos pelo vestibular. é necessário valorizar cada passo do processo. mas aprende ao seu tempo e de forma única e singular. a responsabilidade pelo fracasso não pode ser atribuída ao aluno. desaguam os conteúdos que têm que dar conta. suas possibilidades. tanto pelo professor. em termos de avaliação. com o qual interage ativa e continuamente. são comuns e o professor precisa compreender que trata-se deuma resposta incorreta. arbitrariamente.Superficializam e adulteram a visão da progressão das aprendizagens e do seu conjunto tanto em uma única tarefa. pela superficialidade do acompanhamento.Privilegiam a classificação e a competição em detrimento da aprendizagem. no sistema de ensino e na sala de aula. Todo o aprendiz está sempre a caminho Constatamos. o ensino não está centrado no professor. dialogar.Dessa compreensão decorre o princípio da educação inclusiva: oferecer ao aluno oportunidade máxima de aprendizagem e de inserção social. membro de uma família. Os professores do Ensino Médio. notas e conceitos são superficiais e genéricos em relação à qualidade das tarefas e manifestação dos alunos. o tempo é determinado pelo aprendiz e o conteúdo pode ser proposto e explorado de diversas formas. o que implica desagregar-se do tempo determinado para aprender dado conteúdo. para ampliar suas possibilidades e favorecer a superação de . A auto-avaliação como processo contínuo A auto-avaliação é um processo contínuo que só se justifica quando se constitui como oportunidade de reflexão. um sério compromisso irá mobilizar a escola brasileira deste século: formar e qualificar profissionais conscientes de sua responsabilidade ética frente à inclusão. mas umas das alternativas é justamente o trabalho em equipe por parte dos professores. enquanto pessoa. vivendo cada dia o inusitado. pelo caráter somativo que anula o processo. acompanhar. mas indicadora de progresso.

. implica em prestar atenção aos seus fundamentos. o destino essencial das ações educativas precisa ser o compromisso fundamental do educador no processo de avaliação da aprendizagem.O mesmo processo se aplica aos próprios professores. Isso só tem sentido dentro de uma perspectiva classificatória e seletiva. articuladas às observações feitas. . mesmo vivendo a mesma experiência. • organizar momentos de estruturação do pensamento. de troca de mensagens e de significados. repensar. educacionais que fundamentam as tomadas de decisões com base nos processos de avaliação realizados. Isso 127 resulta em que o trabalho do professor acerca dos conceitos que pretende ensinar consiste em provocar gradativamente os aprendizes. cada um a experimenta de uma forma singular. o que implica em aprendizagens diferentes dentro de um mesmo contexto. e diversificação dos procedimentos de aprendizagem. Definir os rumos.os registros obtidos. que percorrem o caminho conosco. conforme Vygotsky e Piaget é essencial na construção do conhecimento.Avaliar para reprovar não é indicador da qualidade da escola ou do professor. 2000). exigindo alterações qualitativas nas formas registro e tomadas de decisão sobre aprovação. precisamos construir olhares mais profundos. engajar-se na solução de problemas. uma vez que as decisões metodológicas estabelecem as condições de aprendizagem ampliando ou restringindo o processo de conhecimento. quais os critérios utilizados. em pequenos grupos ou específicas para determinados alunos). mas pontos de passagem.Para Vygotsky a Didatismo e Conhecimento . isso reverte o compromisso do profissional do educador: quais os princípios e valores morais. os melhores guias são os próprios peregrinos. intenções. Avaliação mediadora é um processo interativo. dentro de uma visão interdisciplinar.Avaliar segundo esses princípios implica refletir sobre as crenças. são propostas e/ou negociadas com os alunos (explicações do professor. Assim.Transformar respostas em novas perguntas. e permanente tensão no ambiente escolar entre os que querem transmitir conhecimentos e os que querem desenvolver práticas sociais”(Perrenoud. .o processo de avaliação. sociais. • estar alerta aos desdobramentos dos objetivos traçados inicialmente. em sua totalidade. Metas e objetivos não se constituem em pontos de chegada absolutos. O plano epistemológico. até que ponto são claros e transparentes para todas a comunidade (escola.os valores sociais e éticos. formular perguntas.Perguntar mais do que responder. buscar conhecimentos. oferecendo ao aluno múltiplas oportunidades de pensar. As múltiplas dimensões do olhar avaliativo Avaliar. a quem se destinam. No âmbito escolar. supervisor e demais profissionais de suporte pedagógico. A continuidade da ação pedagógica condiciona-se aos processos vividos. atividades que podem ser para todo o grupo. taxionomias intermináveis. “Entretanto. novos rumos para a continuidade do trabalho educativo. oferecendo oportunidade para que estabeleçam relações entre conceitos e entre as várias áreas do conhecimento. família. avaliar é questionar. O planejamento pedagógico revela múltiplos direcionamentos e está diretamente vinculado ao processo avaliatório. Novas experiências educativas. em seu tempo. interdisciplinaridade e transversalidade são inerentes ao processo educativo. Os conteúdos Cabe ao professor: • atentar às concepções prévias dos alunos e seus modos de expressarem-se sobre elas para poder organizar situações de aprendizagem capazes de envolver esses alunos. obedecem a ritmos e interesses diversos. que constituirão diversos rumos de prolongamento dos temas em estudo. os próprios alunos). este trabalho se dá em um contexto escolar concreto em que”a escola enfrenta muitos limites nesse sentido: behaviorismo. A intervenção pedagógica é determinada pela compreensão dos processos realizados pelo aprendiz em sua relação com o objeto de conhecimento. favorecendo aos alunos oportunidades para objetivação de suas ideias e a consolidação dos conceitos e noções desenvolvidas. avançados e necessidades dos alunos. enriquecedoras e complementares. Os trajetos de cada aprendiz são únicos. enfrentando as mesmas dificuldades e provocando-nos a andar mais depressa. interesses. A avaliação contínua significa acompanhamento da construção do conhecimento por parte do aprendiz. comprometer-se com seus próprios avanços e dificuldades. quais as condições existentes. delinear o norte. responderá a sua maneira).Novas tarefas e/ou atividades são propostas para acompanham o aluno em sua evolução (preferencialmente tarefas avaliativas individuais).A mediação. A compreensão que o aluno tem de uma dada disciplina interfere em sua aprendizagem em outras disciplinas. o aluno é levado a pensar e explicitar suas próprias estratégias de aprendizagem.Aprender exige engajamento do aprendiz na construção de sentidos o que implica busca de informações pertinentes momentos diversificados de aprendizagem contínua. favorecendoos avançar sempre. sobre o seu aprender a aprender. Delineando objetivos.A interpretação das respostas dos alunos possibilita ao professor perceber necessidades e interesses individuais de múltiplas dimensões (análise qualitativa). no processo de orientação e apoio de colegas. estratégias. Cada resposta deve suscitar mais perguntas. A intervenção pedagógica deve estar comprometida com a superação de desafios que possam ser enfrentados pelos alunos. quais os benefícios ou prejuízos que podem advir desse processo de controle outorgado à escola e aos professores.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS dificuldades. para poder ter acesso às suas dimensões sobre: . Avaliação e mediação De acordo com a autora. Ao ser solicitado a explicar como chegou a uma dada solução de uma situação. propor tarefas desafiadoras em processo consecutivo/contínuo. Como um grande iceberg do qual só se percebe os registros.as concepções de avaliação. excessivo fracionamento dos objetivos. quais possibilidades e alternativas que pode ser citadas em favor do aprendiz. Surge aí o compromisso ético implícito no processo de avaliação mediadora. de confronto. Assim: experiências coletivas resultam em construções individuais (cada aluno aprenderá a seu jeito. Cabe ao professor perguntar mais do que responder. A finalidade do controle deve ser entendida a favor do aluno e não como obrigação imposta pelo sistema. ideias. tanto por parte dos aprendizes como do próprio professor. Avaliação é controle. ampliando sua consciência sobre seu próprio fazer e pensar.

Conhecer as condições prévias permite planejar tempos de descobertas.Note-se ainda que a interação social é fundamental. de diálogos. A investigação de concepções prévias. Os processos de educação e de avaliação exigem do professor a postura investigativa durante todo o percurso educativo. • Ouvir o aluno antes de intervir assegura melhores interpretações sobre suas estratégias. mas estes necessitam ser redimensionados continuamente ao longo do processo. . ao fazer algo. Mediando a mobilização. minimizam a pressão exercida pelo questionamento do professor.Qual o papel do educador/ avaliador?É o papel de mediador. • mediar as experiências educativas. Através mobilização. Conhecer as concepções prévias do aluno favorece o planejamento em termos de pontos de partida. termos dos recursos didáticos e termos da expressão do conhecimento. • A estratégia utilizada pelo aluno. graus de dificuldade. por meio de diversos recursos didáticos e de diversas formas de expressão do conhecimento. • Reconhecer que o processo de conhecimento é qualitativamente diferente. e pode ser reformulada. refletir sobre si próprio enquanto aprendiz. Não há sentido em avaliar tarefas coletivas atribuindo valores individuais ou somar pontos por participação e outras atividades.A avaliação é um processo dinâmico e espiralado que acompanha o processo de construção do conhecimento. ao longo do período letivo. O que o aluno já sabe é baseado em elaborações intuitivas sobre dados da realidade. • Valorizar a heterogeneidade os grupo no processo de formação a diversidade. só pode ser intuída pelo professor e ajudá-lo ou confundi-lo. É preciso que ele seja propositivo. o que nos possibilita mobilizar novas competências adquiridas no processo. Mediar a mobilização significa suscitar o envolvimento do aluno no processo de aprendizagem. mesmo que as respostas não sejam ainda corretas. A dinâmica da avaliação é complexa. e os possíveis rumos a seguir. em pequenos grupos. de expressão.A dinâmica do processo avaliativo. consiga questionar e provocar. O papel do educador ao desencadear processos de aprendizagem é o de mediador da mobilização para aprendê-lo. • Mediar o desenvolvimento de aprendizagens coletivas e de atendimento individual. criando perguntas mobilizadoras. de encontros. Atividades diversificadas ou diferenciadas? Diversificar experiências educativas representa alguns princípios importantes em avaliação mediadora: diversificá-las em tempo. atento. é ao mesmo tempo individual e coletivo. favorecer a experiência educativa e a expressão do conhecimento e a abertura a novas possibilidades por parte do aprendiz. sem desrespeitar. nos processos simultâneos de busca informações. pois resulta da ação do aprendiz sobre o objeto de conhecimento e da interação social. uma vez que essas atividades são oportunidades de interação em meio ao processo e não pontos de chegada. Mediando a expressão do conhecimento. e no próprio professor. chegamos à expressão do conhecimento. Mediar as experiências educativas significa acompanhar o aluno em ação-reflexão-ação. em grandes grupos para promover confronto de ideias entre aprendizes e entre estes e o professor. Diferenciar experiências educativas atende aos pressupostos básicos da ação docente: • Aprender sobre o aprender. no processo de internalização o aluno atribui sentido à informação criando e recriando significados com o uso e a audição/leitura da língua falada e escrita. uma vez que “são dúvidas” . exigindo-lhe manter-se flexível. Mediar as estratégias de aprendizagem significa intervir no processo de aprendizagem provocando no aprendiz. • Oferecer ajuda específica se discriminar. pois nela se dará a aprendizagem.Para Charlot. refletir sobre seus procedimentos de aprendizagem. nessas intervenções.A avaliação mediadora destina-se a mobilizar. mas não deverá dizê-lo assim suas orientações serão sempre incompletas. Para Vygotsky e Piaget. articular novas perguntas a um processo contínuo de construção do conhecimento. diferentes graus de compreensão. • mediar as estratégias de aprendizagem no meio de atividades diversificadas e diferenciadas. • Posturas afetivas. Esses desafios possibilitam a aquisição de competências necessárias aos professores/profissionais reflexivos. Como mediar o desejo e a necessidade de aprender? Didatismo e Conhecimento 128 O trabalho do professor consiste em: • mediar o desejo e a necessidade de aprender. ampliada progressivamente. sem subestimar. experiências interativas e oportunidades de expressão do pensamento individual.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS reconstrução é importante porque. de forma individual. em parcerias. para poder fornecer-lhes a aprendizagem significativa. o conceito de mobilização implica a ideia do movimento. uma vez que o processo de aprendizagem. que o leva a uma interpretação que necessita. A análise das concepções prévias dos alunos não pode ser confundida com as condições prévias do aluno. que devem ser conhecidas em favor do alunos e não para fortalecer pré-conceitos sobre ele.o professor precisa interpretar perguntas. As condições prévias referem-se a história escolar e de vida de cada aluno. tanto por parte do professor como do aluno. termos de realização individual. tornando-o capaz de pensar sobre seus próprios pensamentos elaborando seus conceitos e reelaborando outros. de interação de trocas. A expressão/construção da “aprendizagem significativa” pode se realizar de múltiplas formas e em diferentes níveis de compreensão.A finalidade da avaliação no que se refere à mobilização é de adequar as propostas e as situações às necessidades e possibilidades dos alunos. Mediando a experiência educativa. realizamos a experiência educativa. a linguagem é a mediação do pensamento. levando a refletirem sobre seus entendimentos no diálogo educativo. • O aluno nem sempre expressa suas dúvidas ou as expressa claramente. • O professor sabe onde o aluno poderá chegar. Os desafios propostos durante a atividade educativa são observados por Hoffmann: • Nem sempre o que o professor diz ao estudante é entendido como ele gostaria. sem antecipar respostas prontas. sem delimitar. sendo uma interpretação que assume diferentes significados e dimensões ao longo do processo educacional. crítico sobre seu planejamento. • mediar a expressão do conhecimento ao longo de tarefas gradativas e articuladas. por meio de diferentes linguagens. interagir com os outros. que necessita ser aperfeiçoado. entendido como construção do conhecimento. com diversos graus de dificuldades.Duas perguntas se tornam essenciais na mediação: Qual a dimensão do envolvimento do aluno com a atividade de aprender? Como ele interage com os outros? As estratégias de aprendizagem. Significa oferecer aos aprendizes: experiências necessárias e complementares (diversificadas no tempo).

em termos do planejamento e análise. daí a necessidade do diálogo. definirão a dimensão do diálogo entre alunos e professor. itens de múltipla escolha. Nada. preenchimento de lacunas. indefinições. Ora é o aluno que é levado a fazer os próprios registros. Tarefas avaliativas.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS Mediar a expressão do conhecimento implica a reutilização de instrumentos de avaliação como desencadeadores da continuidade da ação pedagógica. desenhos. Os registros em avaliação mediadora envolvem desde o uso de instrumentos comumente utilizados. a avaliação subsidia decisões a respeito da aprendizagem dos educandos. sendo necessário. confiantes em sua perspectiva ética e humanizadora. itens de resposta. etc. compreensão do processo de construção está atrelado às concepções sobre a finalidade de educação. questões combinadas. Para Hoffmann. a clareza de intenções do professor sobre o uso que fará dos seus resultados. O principio fundamental da expressão do conhecimento: o que ouvimos. está sempre sujeita a ambiguidade. o que significa muitas tarefas individuais e análise imediata do professor. definição de sua finalidade. Os limites no diálogo entre professores e alunos devem ser considerados como positivos na busca de sintonia. registrando e organizando dados da nossa memória. escreve ou faz não é seu pensamento. tendo . inseguranças e indefinições. O processo de avaliação precisa ser coerente com todo o processo de aprendizagem. Quando a autora se refere a instrumentos de avaliação. uma vez que está em processo de aprendizagem. serve como regra geral. trabalhos e outros instrumentos. ora é o professor quem registra o que observou do aluno. A interpretação dos sentidos. não possui uma finalidade em si. para sua superação. A Avaliação da Aprendizagem Escolar A avaliação da aprendizagem escolar adquire seu sentido na medida em que se articula com um projeto pedagógico e com seu consequente projeto de ensino. vemos ou lemos não é o pensamento do aluno. sendo o desempenho do aluno considerado como provisório. Nesse sentido. portfólios. planejamento de estratégias de intervenção. Os instrumentos de avaliação. tais como: provas (objetivas e dissertativas) exercícios. ao mesmo tempo em que definem a dimensão do diálogo entre alunos e professor. Tarefas gradativas e articuladas. testes. O que o aluno fala. Critérios de avaliação podem ser entendidos por orientações didáticas de execução de uma tarefa. trabalhos e todas as formas de expressão do aluno que me permitam acompanhar o seu processo de aprendizagem . mas a sua expressão. ou vale para todas as situações. A organização de dossiês dos alunos. expressando o seu conhecimento em tarefas. muito mais do que embasados em normas de elaboração. numa visão mediadora. No caso que nos interessa. precisamos agir como historiadores. toda avaliação.Os registros não necessitam ser genéricos. em termos de procedimento. que também evolui e se aprimora progressivamente e necessita ser trabalhada. Na perspectiva mediadora. mas sua expressão. notas ou conceitos não podem ser consideradas definitivas. pois o que verdadeiramente importa é a clareza da tarefa para o aluno e a reflexão do professor sobre a interpretação que será dada as expressões dos alunos em termos de encaminhamentos pedagógicos a serem realizados a seguir. escolha de afirmações verdadeiras ou Didatismo e Conhecimento 129 falsas. da troca de ideias que favoreça a convergência de significados. Implica também refletir sobre as condições oferecidas para que tal conjunto de aprendizagem ocorra. O significado dos registros para os professores. Respeito às diferentes formas de expressão. organização no papel. ela subsidia um curso de ação que visa construir um resultado previamente definido. tanto no geral quanto no caso específico da aprendizagem. ao próprio aluno e a suas famílias uma visão evolutiva do processo. a reflexão em ação e a reflexão sobre a ação (trocando ideias com outros colegas). Esses instrumentos tornam-se mediadores na medida em que contribuem para entender a evolução do aluno e apontar ao professor novos rumos para sua intervenção pedagógica sempre o mais favorável possível à aprendizagem do aluno. originando significativas práticas de auto-avaliação. A interpretação que o professor faz das expressões do aluno está sempre sujeita a ambiguidades. de acordo com suas necessidades e possibilidades. desde sua concepção. Critérios de correção de tarefas. objetividade e cientificidade. possibilitando ao educando refletir sobre sua apropria aprendizagem. nem de ordem atitudinal. A prática classificatória assumiu “status” de precisão. de todos os alunos.. Instrumentos de avaliação são registros de diferentes naturezas. normas de redação técnica. de tal forma que registros classificatórios sejam superados em favor de registros que assumam o caráter de experiências em construção. se aprimora e precisa ser trabalhada. favorecera tomada de consciência do aluno sobre limites e possibilidades no processo de conhecimento. Mediar a aprendizagem significa. as quais determinam as estratégias metodológicas de ensino. Os instrumentos de avaliação devem respeitar as diferentes formas de expressão do aluno. está falando sobre testes. etc. nem devem ser centrados em cumprimento de tarefas quantitativos ou organização de cadernos e materiais.tarefas avaliativas. • para o aluno: oportunidade de reorganização e expressão de conhecimentos x elemento de reflexão sobre os conhecimentos construídos e procedimentos de aprendizagem. A avaliação. Isso só ocorre mediante a postura igualmente reflexiva do educador. as estratégias que utiliza e sua interação com os outros. relatórios de avaliação envolve meios de registro de um conjunto de aprendizagem do aluno que permitam ao professor. tem por finalidade a evolução do aluno em termos de postura reflexiva sobre o que aprende. expressos por ambos. fazendo anotações e outros apontamentos. para não cairmos no erro do esquecimento. inseguranças. desde um simples comentário do professor até o uso de instrumentos formais. a partir de ações do cotidiano. Instrumentos a serviço das metodologias. mas apenas relativas ao conjunto de aprendizagens ocorridas em um dado período. a avaliação mediadora é mais exigente e rigorosa para alunos e professores porque suscita a permanente análise do pensamento em construção. Os registros escolares precisam refletir com clareza os princípios de avaliação mediadora delineados. que também evolui. Registros em avaliação mediadora Se estivermos contando uma história. em avaliação. Uma postura reflexiva do aluno e do professor. são planejadas tendo como referencia principal a sua finalidade. As tarefas avaliativas operam funções de reflexão que possibilitam: • para o professor: elemento de reflexão sobre os conhecimentos expressos pelos alunos x elemento de reflexão sobre o sentido da sua ação pedagógica. por seus aspectos formais: número de páginas.

identificando-a com o conceito de verificação ou de avaliação. Por exemplo. a arte. As escalas de conversão poderão ser mais complexas que estas. escolher um caminho de ação. habilidades e hábitos que possibilitem o seu efetivo desenvolvimento. MS (médio superior) = sete ou oito acertos. são de verificação ou de avaliação.a partir de um processo de assimilação ativa do legado cultural já produzido pela sociedade: a filosofia. na perspectiva de. três procedimentos sucessivos: • medida do aproveitamento escolar. e assim sucessivamente. a análise crítica que pretendemos proceder da prática avaliativa. Com o processo de medida. previamente definida. em princípio. que prioriza o desenvolvimento dos educandos . que de símbolos qualitativos se transformam indevidamente em quantitativos. de tal forma que se torna possível. Péssimo. a ciência. retirar proveitos para a prática docente. ou por palavras denotativas de qualidade. MS = médio superior. A transformação dos resultados medidos em nota ou conceito dá-se através do estabelecimento de uma equivalência simples entre os acertos ou pontos obtidos pelo educando e uma escala.crianças. por isso. praticados pelos professores. Para um teste de dez questões. em função do instrumento de coleta de dados que constrói ou utiliza. Isso significa que iremos trabalhar com esses conceitos a partir de suas “determinações” no movimento real da prática escolar com a qual convivemos. compreende e expressa uma realidade empírica concreta. abstrair caDidatismo e Conhecimento 130 racterísticas que nos indicarão se os atos de aferição do aproveitamento escolar. é transformado ou em nota. assumindo que estamos trabalhando no contexto do projeto educativo. Inferior. estaremos retirando consequências para a prática docente. IN (inferior) = um ou dois acertos. ganhando conotação verbal. Bom. que ordena. conforme a decisão. O nosso esforço. objetivo . o resultado é expresso ou por símbolos alfabéticos. adquirindo conotação numérica. no caso dos conceitos. No contexto do pensamento marxista. acreditando que o esforço científico visa fundamentar a ação humana de forma adequada. os modos de ser e de viver. o professor tem diversas possibilidades de utilizá-lo. Neste último caso. ela nos permite. Assim. o professor obtém o resultado . relativos ao tratamento dos resultados da aprendizagem dos alunos. referentes aos resultados da aprendizagem dos educandos. Notas e conceitos. Tal descrição delimita um quadro empírico. Muito Bom. Regular. Deste modo. ao longo deste texto. Aqui também ocorre a transposição indevida de qualidade para quantidade. Para os desvendamentos e proposições sobre a avaliação da aprendizagem. Transformação da Medida em Nota ou Conceito Outra conduta do professor no processo de aferição do aproveitamento escolar tem sido a conversão da medida em nota ou conceito. ele se utiliza da média de notas ou conceitos. a média é facilitada pelo fato de se estar operando com números. No caso deste texto. por decisão pessoal ou por norma escolar. ME (médio) = cinco ou seis acertos. os professores realizam.da aprendizagem do educando que. No caso das notas. teremos sempre presente este fato. deixa-nos aberta a possibilidade de encaminhamentos. tais como SS = superior. IN = inferior. o conceito equivale a uma categoria explicativa. ao final. Utilização dos Resultados Com o resultado em mãos. tendo como matriz de abordagem os conceitos de verificação e avaliação.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS em vista garantir a qualidade do resultado que estamos construindo. no pensamento. que serão expostos neste texto. SR = sem rendimento. tentando responder à seguinte pergunta: a configuração formada pelos dados da prática escolar. no limite do possível. e não com os termos verificação e avaliação. tais como: . Fenomenologia da Aferição dos Resultados da Aprendizagem Escolar Na prática da aferição do aproveitamento escolar. multiplique as situações e os momentos de aferição do aproveitamento escolar. através da assimilação ativa do legado cultural da sociedade. expressam a qualidade que se atribui à aprendizagem do educando. para obter o resultado final de um bimestre ou ano letivo. basta fazer uma média simples ou ponderada. mas sem nenhuma grande dificuldade. que cremos serem coerentes e consistentes. abordaremos a prática da aferição do aproveitamento escolar. os encaminhamentos que estaremos fazendo para a prática da avaliação da aprendizagem destinam-se a servir de base para tomadas de decisões no sentido de construir com e nos educandos conhecimentos. ainda que impropriamente. Tendo por base a compreensão exposta neste texto. com alguma segurança. obtendo-se o que seria a média da aprendizagem do educando no bimestre ou no semestre letivo. que nos permitirá. as correspondências entre acertos e notas são simples: cada questão equivale a um décimo da nota máxima. ME = médio. • utilização dos resultados identificados. Caso o professor. O conceito é uma formulação abstrata que configura. definida e delineada sem um projeto que a articule. A transformação de acertos em conceitos poderia ser feita por uma escala como a que segue: SR (sem rendimento) = nenhum acerto. ou em conceito. A ciência constitui um instrumento com o qual se trabalha no desvendamento dos objetos e. a literatura. é expor os elementos do movimento real na prática escolar. que seria dez. a média é obtida após a conversão dos conceitos em números. Iniciaremos nossa análise pela descrição fenomenológica dessas três condutas dos professores. obter uma média de conceitos qualitativos. A partir daí. tais como Excelente. Se não há uma tabela oficial na escola. Para proceder a essa transformação tem-se estabelecido variadas tabelas de conversão. medida sob a forma de acertos ou pontos. de notas ou conceitos. SS (superior) = nove ou dez acertos. Um exemplo é suficiente para compreender como se dá esse processo. MI = médio inferior. • transformação da medida em nota ou conceito. pode-se estabelecer a equivalência entre S e a nota dez. posteriormente. não pode ser estudada. basicamente. um aluno que acertou oito questões obtém nota oito. “síntese de múltiplas determinações’”. as determinações de um objeto ou fenômeno. define-se como verificação ou como avaliação? Da resposta que pudermos dar a esta questão.por suposto. Por isso. Importa enfatizar que estaremos trabalhando com os conceitos de verificação e avaliação. entre MS e a nota oito. cada professor cria a sua. por sua vez. jovens e adultos . como um “concreto pensado”. MI (médio inferior) = três ou quatro acertos.

no máximo. permitindo que ele faça uma nova aferição. a segunda opção.situação que nenhum de nós. O termo verificar provém etimologicamente do latim . algumas indicações que poderão ser estudadas e discutidas na perspectiva de gerar encaminhamentos para a melhor forma de condução possível do ensino escolar. buscar “ver se algo é isso mesmo”. “investigar a verdade de alguma coisa”. A Escola Opera Com Verificação e Não Com Avaliação da Aprendizagem Iniciemos pelos conceitos de verificação e avaliação. Contudo. O momento de aferição do aproveitamento escolar não é ponto definitivo de chegada. tem atravessado a aferição do aproveitamento escolar. . a verificação transforma o processo dinâmico da aprendizagem em passos estáticos e definitivos. o conceito verificação emerge das determinações da conduta de. por isso. usualmente tem-se utilizado a primeira e. isto é. na quase totalidade das vezes. A partir dessa observação. identificarmos se a fenomenologia da aferição do aproveitamento escolar. Nesse sentido. sob a forma de verificação. analisar e sintetizar. têm sido incapaz de retirar do processo de aferição as consequências mais significativas para a melhoria da qualidade e do nível de aprendizagem dos educandos. sinteticamente. O modo de trabalhar com os resultados da aprendizagem escolar . consequentemente. A terceira opção possível de utilização dos resultados da aprendizagem é a mais rara na escola. Em síntese. no mínimo registram-se os dados em cadernetas e. neste segmento do texto. manifesta-se como um ato dinâmico que qualifica e subsidia o reencaminhamento da ação. verificação não implica que o sujeito retire dela consequências novas e significativas. fazendo dela uma “coisa” e não um processo. uma tomada de decisão que direcione o aprendizado e. no pensamento abstrato. fugiremos ao aspecto classificatório que. para. possibilitando consequências na direção da construção. nos deparamos com a prática escolar da verificação e não da avaliação. uma “oportunidade” de melhorar a nota ou conceito. mas para que estude “tendo em vista a melhoria da nota”. propomos. As entrelinhas do processo descrito no tópico anterior demonstram que. A partir dessas observações. psicomotoras . por isso. intencionalmente. caso ele tenha obtido uma nota ou conceito inferior. no Diário de Classe ou Caderneta de Alunos. Em síntese. o professor deverá: • coletar. análise e síntese dos dados ou informações que delimitam o objeto ou ato com o qual se está trabalhando. aprendam aquilo que deveriam aprender. tendo em vista a melhoria da nota e. neste caso. da forma mais objetiva possível. em si. pois exige que estejamos. esta não tem sido a nossa conduta habitual de educadores escolares. em sã consciência. à medida que tem servido para desenvolver o ciclo do medo nas crianças e jovens. em nossa ação docente. tem-se utilizado o processo de aferição da aprendizagem de uma forma negativa. de fato. como a de viver sob a égide do medo. as observações até aqui desenvolvidas demonstram que a aferição da aprendizagem escolar é utilizada. as manifestações das condutas cognitivas. E nas ocasiões onde se possibilita uma revisão dos conteúdos. contudo. estamos preocupados com a aprovação ou reprovação do educando. ao contrário.dos educandos.oferecer ao educando. mas sim a nota.verumfacere . podemos dizer que a prática educacional brasileira opera na quase totalidade das vezes. obtenção. afetivas. isto é. Diante do fato de que. produzindo uma configuração do efetivamente aprendido.registrá-lo. possui uma nota ou um conceito de reprovação.atentar para as dificuldades e desvios da aprendizagem dos educandos e decidir trabalhar com eles para que. poder-se-á arguir: estudar para melhorar a nota não possibilita uma aprendizagem efetiva? É possível que sim. a efetiva aprendizagem seria o centro de todas as atividades do educador.reifica a aprendizagem. descrita no item anterior. importa observar que o que está motivando e polarizando a ação não é a aprendizagem necessária. Neste sentido. pode desejar para si ou para outrem. sob a forma de verificação. dos resultados que se deseja. aprová-lo’. Se os dados obtidos revelarem que o educando se encontra numa situação negativa de aprendizagem e. deve-se observar que a orientação. E isso. se configura como verificação ou avaliação. Com isso. propomos que a avaliação do aproveitamento escolar seja praticada como uma atribuição de qualidade aos resultados da aprendizagem dos educandos. e isso depende mais de uma nota que de uma aprendizagem ativa. simplesmente. não é para que o educando estude a fim de aprender melhor. consistente. construam efetivamente os resultados necessários da aprendizagem. no máximo. mas sim para “melhorar” a nota do educando e. nesta circunstância. no geral. Por isso. através da ameaça de reprovação . Uso da Avaliação Em primeiro lugar. Ao contrário. Didatismo e Conhecimento 131 A dinâmica do ato de verificar encerra-se com a obtenção do dado ou informação que se busca. não é para proceder a uma aprendizagem ainda não realizada ou ao aprofundamento de determinada aprendizagem. como verificação. para classificar os alunos em aprovados ou reprovados. o atual processo de aferir a aprendizagem escolar. A avaliação. no movimento real da aferição da aprendizagem escolar.e significa “fazer verdadeiro”. .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS . pedindo-lhe que estude para fazer uma segunda aferição. através da constante “ameaça” da reprovação. Contudo. a partir de um padrão (nível de expectativa) preestabelecido e admitido como válido pela comunidade dos educadores e especialistas dos conteúdos que estejam sendo trabalhados. além de não obter as mais significativas consequências para a melhoria do ensino e da aprendizagem.sob a modalidade da verificação. e tendo ciência de que o exercício efetivo da avaliação seria mais significativo para a construção dos resultados da aprendizagem do educando. Por si. o desenvolvimento do educando. sob a forma de verificação. . ao avaliar. A verificação encerra-se no momento em que o objeto ou ato de investigação chega a ser configurado. segundo nossa concepção. no momento em que se chega à conclusão que tal objeto ou ato possui determinada configuração. tendo por base seus aspectos essenciais e. • atribuir uma qualidade a essa configuração da aprendizagem. usualmente. no geral. é um desvio. polarizados pela aprendizagem e desenvolvimento do educando. chama-se a atenção do aluno. a seguir. inteligível. O processo de verificar configura-se pela observação. como objetivo final. ainda impõe aos educandos consequências negativas. mas um momento de parar para observar se a caminhada está ocorrendo com a qualidade que deveria ter. do ponto de vista educativo. “vê-se” ou “não se vê” alguma coisa. a escola brasileira opera com a verificação e não com a avaliação da aprendizagem.

não é o que ocorre. há que se investir na construção dos resultados desejados. 2. porém. A nossa prática educativa se expressa mais ou menos da seguinte forma: “Ensinamos. a segunda. exceto: a)na vida familiar. Estar interessado que o Educando Aprenda e Desenvolva: A prática da avaliação da aprendizagem. c)Transmitir conhecimento e informação. e)nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil. pois sem ela a avaliação não alcançará seu papel significativo na produção de um ensino-aprendizagem satisfatório. importa estabelecer um padrão mínimo de conhecimentos. tomar uma decisão sobre as condutas docentes e discentes a serem seguidas. desde que ela só dimensione o fenômeno sem encaminhar decisões. não poderíamos deixar de menciona-la. 3. há que se estar interessado em que o educando aprenda aquilo que está sendo ensinado. em seu sentido pleno. mas sim contribuir para que ele evolua no processo.(PI 2006 – PEDAGOGO) – Não é função do ensino: a)Organizar os conteúdos de uma área do saber. na efetiva aprendizagem do educando. III – pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas. d)Estabelecer juízos sobre o desempenho dos estudantes. os processos formativos educacionais nela descritos abrangem os que se desenvolvem.A gratuidade do ensino fundamental em estabelecimentos oficiais de ensino é garantida constitucionalmente a alunos de: . Parece um contra senso essa afirmação. o que é que vamos fazer”? De fato. há que se ensinar até que aprendam. O sistema social não demonstra estar tão interessado em que o educando aprenda a partir do momento que investe pouco na Educação. o ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I – igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola.o encaminhamento dos educandos para passos subsequentes da aprendizagem. assim como normalmente os alunos e seus pais. habilidades e hábitos e não uma média mínima de notas.394/1996. a LDB. a)Todas estão corretas. A ciência pedagógica. estática. d)Três estão corretas. estamos pouco atentos ao seu efetivo desenvolvimento. 4)(Prefeitura Municipal de Sorocaba/SP-2001) . II. Assim. seja efetivamente essencial para a formação do educando. d)nas instituições de ensino e pesquisa. pois não é papel do educador estabelecer juízos sobre o desempenho dos estudantes. caso esteja se desviando. A primeira é dinâmica. a verificação. A resposta a ser assinalada é a alternativa C. na medida em que podemos pensar que quem está trabalhando nó ensino está interessado em que os educandos aprendam. caso sua qualidade se mostre insatisfatória e o conteúdo. um padrão mínimo de conhecimentos. professores. A avaliação só pode funcionar efetivamente num trabalho educativo com estas características. sim. caso se considere que. qualitativamente. Sem esta perspectiva dinâmica de aprendizagem para o desenvolvimento. vale lembrar o baixo investimento pedagógico.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS • a partir dessa qualificação.a reorientação imediata da aprendizagem.Segundo disposição expressa no art. c)nas manifestações grevistas. ensinar. A resposta correta é A. se ensinamos. Os dados estatísticos educacionais estão aí para demonstrar o pequeno investimento. estamos interessados na aprovação ou reprovação dos educandos nas séries escolares. tendo em vista: . que se manifestem em prol do desenvolvimento do educando. como ocorre hoje na prática escolar. No caso da avaliação da aprendizagem. a arte e o saber. atingiram um nível da satisfatoriedade no que estava sendo trabalhado. ou seja. III e IV apresentam satisfatoriamente princípios pertinentes aos propósitos educacionais previstos na LDB e na Constituição Federal. o objetivo primeiro da aferição do aproveitamento escolar não será a aprovação ou reprovação do educando. Rigor Científico e Metodológico: Para que a avaliação se tome um instrumento subsidiário significativo da prática educativa. 1º da lei nº 9. que esteja sendo ensinado e aprendido. hoje. habilidade ou hábito. todavia. está suficientemente amadurecida para oferecer subsídios à condução de uma prática educativa capaz de Didatismo e Conhecimento 132 levar ã construção de resultados significativos da aprendizagem. a avaliação não terá espaço. mas o direcionamento da aprendizagem e seu consequente desenvolvimento. tanto do ponto de vista financeiro quanto do pedagógico. Não caberia tratar desta questão neste texto. mas em nenhum momento se faz menção ao direito à greve ou sua estruturação. a verificação é uma configuração dos resultados parciais ou finais. e)Todas estão erradas. pois os itens I. e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino. Nós. só será possível na medida em que se estiver efetivamente interessado na aprendizagem do educando. é importante que tanto a prática educativa como a avaliação sejam conduzidas com um determinado rigor científico e técnico. Resposta D. A avaliação implica a retomada do curso de ação. b)na convivência humana. pois todos os demais processos estão previstos no 1º Artigo da LDB. ou a sua reorientação. os alunos não aprenderam e estamos interessados que aprendam. QUESTÕES Alguns exercícios 1. II – liberdade de aprender. b)Apenas uma está correta. mas os alunos não aprenderam. A avaliação é um diagnóstico da qualidade dos resultados intermediários ou finais. terá espaço.Segundo disposição constitucional vigente. Padrão Mínimo de Conduta: Para que se utilize corretamente a avaliação no processo ensino-aprendizagem. Todavia. . habilidades e hábitos que o educando deverá adquirir. se ele não tiver sido satisfatório. no contexto escolar. IV – gratuidade do ensino público. e)Estimular as potencialidades dos estudantes. pesquisar e divulgar o pensamento. c)Duas estão corretas. b)Assegurar o desenvolvimento das capacidades dos estudantes.

apenas. conforme salienta o Artigo 16 da LDB. 8 – O brincar fornece à criança a possibilidade de construir uma identidade autônoma e criativa.as instituições de ensino mantidas pela União. (E) garantia da obtenção de qualquer formação mínima para o exercício da cidadania. Alternativa A. pode-se afirmar que I.394/96.(Prefeitura Municipal de Sorocaba/SP-2001) . c)Pelo ensino fundamental e ensino médio apenas. (B) imaturidade. 5 . da cultura e do afeto pela via da: 133 (A) família. (D) o horário escolar. monitoramento e avaliação dos resultados. Resposta C.A Educação Básica. (D) I. apenas. o trabalho e as práticas sociais. III. (C) acesso e permanência dos educandos nas escolas.º 9. 7 – Por gestão participativa entende-se: I . é formada: a)Pela educação infantil. d)Todas estão corretas. 11 – A respeito dos Temas Transversais. (E) a qualidade do educando na totalidade.Julgue os itens a seguir e assinale a opção correta: O Sistema Federal de ensino compreende: I . Didatismo e Conhecimento . nos estabelecimentos oficiais. (E) II. entre professores e alunos e entre diferentes membros da comunidade escolar. (B) I. b)Qualquer idade.os órgãos federais de educação. IV e V. e que continuem sendo tratados cada vez com maiores possibilidades de reflexão. II . apenas. na sala de aula. d)Até 18 anos.implementação. 6 .CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS a)Até 14 anos. IV . II. (E) I. e)Todas estão erradas. compreensão e autonomia.visão de conjunto associada a uma posição hierárquica. e)Até 21 anos. (C) II. implicam a necessidade de um trabalho sistemático e contínuo no decorrer de toda a escolaridade. II . V . 12 – O trabalho realizado de forma conjunta pela coordenação e pela orientação pedagógica visa a atingir as seguintes finalidades educacionais. de acordo com os PCNs. (C) representação e da experimentação. relacionados a seguir. c)Até 16 anos.as instituições de educação superior criadas e mantidas pela iniciativa privada. A criança que brinca entra no mundo do trabalho. (C) valorização do profissional da educação escolar. (B) a mídia. (D) II e III. IV e V. As demais estão incompletas. (B) gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais. (C) I e II. d)Pela educação infantil apenas. (B) elevação global da escolarização dos educandos. identifique aquele que se concretiza mais diretamente nas atividades do professor. (A) vinculação entre a educação escolar. (D) coerção. III e V. b)Pela educação infantil e ensino fundamental apenas. (B) II. III . III . b)Duas estão corretas. na forma dessa Lei.obedecendo ao princípio da participação dos profissionaisno projeto pedagógico. (E) coexistência de instituições públicas e privadas de ensino. nos termos do art. apenas. (D) democratização da gestão. assumimos um compromisso com: (A) o espaço físico de que o professor dispõe para trabalhar. Estão corretas as afirmativas: (A) I. 9– Ao concebermos a aprendizagem como a sucessão de aquisições constantes e dependentes da oportunidade que o meio oferece ao educando. EXCETO: (A) melhoria da qualidade de ensino em todos os níveis. IV . Está correto o contido em (A) I. permeiam necessariamente toda a prática educativa que abarca relações entre os alunos. pois o ensino fundamental deve ser garantido em qualquer idade a todos e de maneira gratuita. ou seja. III e IV.compartilhamento na solução de problemas e nas tomadas de decisão do diretor escolar. 21 da LDB. desde o início da escolaridade. II e III. (E) imposição. II e III. (C) a valorização das diferenças individuais entre os alunos. a Educação Básica é composta pela Educação Infantil e Ensinos Fundamental e Médio.envolvimento de todos que fazem parte direta ou indiretamente no processo educacional. 10 – Dos princípios de ensino estabelecidos na Lei Federal n.estabelecimento de objetivos claros e democráticos.as instituições de educação superior mantidas pelo Poder Público estadual a)Uma está correta. o que possibilitará um tratamento cada vez mais aprofundado das questões eleitas. ensino fundamental e ensino médio. e)Pelo ensino fundamental apenas. c)Três estão corretas. Alternativa B. podem ser trabalhados com o objetivo de desenvolver nos alunos uma postura de respeito às diferenças. (D) gestão democrática do ensino público.

(D) a desvinculação da educação infantil. pode ser considerado um avanço no esforço para superar: (A) a falta de articulação entre a educação regular. assim como a tentativa de articular a variada gama de iniciativas educacionais. (B) a compreensão do mundo acadêmico e integração entre os sujeitos aprendentes. prioridades e objetivos com vistas à elaboração de uma política pública que atenda ao território brasileiro. (C) a ruptura entre a educação básica e o ensino superior. educação de populações indígenas. B 11. da pré-escola e da creche com os sistemas de ensino fundamental e médio das redes municipais e estaduais. educação especial.CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS 13 – O empenho em conceituar a educação de forma ampla. B 10. GABARITO 7. (B) o abandono da educação de jovens e adultos trabalhadores. extensa a todo o território nacional. tem o compromisso de intervir efetivamente para promover o desenvolvimento e a socialização de seus alunos. E 8. D ANOTAÇÕES ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— 134 ANOTAÇÕES ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— Didatismo e Conhecimento . (C) a capacidade de crítica e o desenvolvimento de técnicas. (E) a compreensão das relações sociais e a valorização do processo educativo-pedagógico. (E) as divergências entre a Secretarias de Educação e o Conselho Nacional de Educação visando a redefinição de diretrizes. (D) o desenvolvimento individual e o contexto social e cultural. C 12. E 9. buscando o caminho para a construção de uma escola comum. Essa função socializadora remete a dois aspectos: (A) a Inter socialização entre diferentes grupos e a aquisição de conhecimentos científicos. a educação infantil e o ensino fundamental com as estratégias de atendimento a população infanto-juvenil. C 13. por ser uma instituição social com propósito explicitamente educativo. formação técnico-profissional e educação à distância. A 14. incorporadas em forma de legislação. 14 – A escola.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful