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Lei de Drogas(1)

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  • CAPÍTULO III DAS INCOMPATIBILIDADES E IMPEDIMENTOS
  • CAPÍTULO IV DO CONFLITO DE JURISDIÇÃO

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL – POLÍCIA FEDERAL

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AULA 00(Demonstrativa): Lei 11.343/2006

SUMÁRIO

1. Apresentação

2. Cronograma

3. Introdução

4. Disposições Preliminares

5. SISNAD – Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre
Drogas

6. Das Atividades de Prevenção do Uso Indevido, Atenção e
Reinserção Social de Usuários e Dependentes de Drogas

7. Da Repressão à Produção não Autorizada e ao Tráfico Ilí-
cito de Drogas

8. Dos Crimes

9. Do Procedimento Penal

10. Da Instrução Criminal

11. Da cooperação Internacional

13. Bateria de Exercícios

APRESENTAÇÃO
Olá caro Aluno
,

É uma grande satisfação poder ministrar para vocês o curso de Legisla-
ção especial – Lei 11.343/2006 para o concurso da Polícia Federal.
Antes de tudo, gostaria de me apresentar. Sou Fernando Barletta, for-
mado pela Escola Naval, tendo permanecido nas fileiras militares até o posto
de Capitão-Tenente durante 14 anos. Hoje, sou Policial Federal, e desde então
um admirador do Direito Penal, Processual e de Legislação Especial, atuando
em outros cursos como, por exemplo, o Mestre dos concursos.
Nossa corrida pelo melhor resultado não só dependerá de mim mais
também de você, meu Aluno. E inserido nesse contexto de profunda relação
acadêmica, lutaremos juntos para atingirmos o fim maior: SUA APROVAÇÃO!!!
É sabido que o tão esperado concurso da Polícia Federal foi autorizado
no último dia 13/12/2011, divulgado no diário oficial pela portaria do Ministério

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do Planejamento sendo liberadas 500 vagas para o cargo de Agente, 350 para
Escrivão, 150 para Delegado, 110 papiloscopista e 100 para Perito Federal. Os
salários para os cargos pretendidos variam entre R$ 7.818,00 a R$ 13.672.
O último concurso foi realizado em 2009, para agente e escrivão. O con-
curso recebeu 114.738 inscrições. O cargo de agente recebeu 63.294 inscri-
ções para 200 vagas (316,47 por vaga); e o de escrivão, 51.444 para 400 va-
gas (128,61 por vaga).

A expectativa é que a divulgação do edital saia no início do ano de 2012.
Bom, trabalharei como se estivesse ministrando uma aula presencial pa-
ra vocês, sem muita formalidade e longe dos exageros formais do Direito. Aqui
serei bem claro, direto e objetivo.
Nosso curso conterá exercícios comentados a cada tópico apresentado e
ao final de cada aula conterá uma bateria de exercícios também comentados,
focando logicamente a banca CESPE.

CRONOGRAMA

Nosso cronograma já está pronto e será o seguinte:

Aula Demonstrativa

Tráfico ilícito e uso indevido de substâncias entorpecentes (Lei nº 11.343/06).

Aula 01

O direito de representação e o processo de responsabilidade administrativa
civil e penal, nos casos de abuso de autoridade (Lei nº 4.898/1965).

Aula 02

Definição dos crimes de tortura (Lei nº 9.455/1965).

Aula 03 (23/01/2012)

Estatuto do Desarmamento (Lei nº10.826/2003).

Aula 04 (13/02/2012)

Crimes Ambientais (Lei 9.605/98).

Aula 05 (20/02/2012)

Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1970).

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INTRODUÇÃO

Com a criação da nova lei de entorpecentes, a 11.343 de 23 de agosto
de 2006, esta aparece eivada de um tratamento mais responsável no que tan-
ge à matéria de tráfico e ao uso de entorpecentes.
Sua interpretação está em consonância aos moldes sociais de nosso co-
tidiano, pois o ordenamento jurídico atual se adequa à variabilidade das ques-
tões sociais.

A nova Lei de Drogas, de 23 de agosto de 2006, instituiu o SISNAD, e

prescreve:

• Medidas para prevenção do uso indevido, atenção e reinserção so-
cial de usuários e dependentes de drogas;
• Estabelece normas para repressão à produção não-autorizada e
ao tráfico ilícito de drogas; e
• Define crimes.
Esta Lei, por tratar de um assunto que envolve a sociedade nos dias de
hoje, traz a tona um contexto atual e que atinge diretamente a população e
torna-se um objeto de grandes discussões.
O preâmbulo da referida lei aparece da seguinte forma:
Institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas - Sisnad; pres-
creve medidas para prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social de
usuários e dependentes de drogas; estabelece normas para repressão à produ-
ção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas; define crimes e dá outras pro-
vidências.

Mas porque falar do preâmbulo professor?
Falo pelo fato da legislação ser objeto de grande debate e discussão por
tratar de assuntos muito relevantes em nosso cotidiano, trazendo em seu texto
finalidades bem definidas:
• A prevenção do uso indevido, atenção e a reinserção social de usuários e
dependentes de drogas;
• Normas para a repressão à produção não autorizada; e
• Normas para a repressão ao tráfico ilícito de drogas.
Você, meu aluno, tem que perceber que além destas finalidades expostas, a
nova lei traz em seu preâmbulo a preocupação do tratamento referente ao
“uso indevido”. Esse é o aspecto mais que inovador da nova Lei 11.343/06 em
relação à antiga 6.368/76.
É importante eu tecer alguns comentários previstos na Constituição Federal
em relação ao tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins...
...mostrarei primeiramente dois incisos do art 5º da CF:

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XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de gra-
ça ou anistia a prática da tortura , o tráfico ilícito de entorpecentes e
drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por
eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evi-
tá-los, se omitirem;
LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em
caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de com-
provado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas
afins, na forma da lei;

A maioria da doutrina sempre coloca em evidência que a prática do tráfico
ilícito de entorpecentes traz para o cidadão delinguente uma das consequên-
cias mais gravosa no ordenamento penal. A esse tipo de delito não cabe fian-
ça, graça ou anistia.

E de acordo com o inciso LI do art 5º, citado anteriormente, o tráfico ilícito
de entorpecentes é o único crime que permite a extradição de brasileiro após
ser naturalizado.

E já que você, meu aluno, fará o concurso da Polícia Federal, não posso
deixar de dar uma “palhinha” sobre o art. 144 da Constituição Federal...
Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade
de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade
das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos:
I - polícia federal;
(...)
§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado
e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se a:(Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

(...)
II - prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas
afins
, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de
outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência;
Então, perceberam?
Uma das atribuições da Polícia Federal, dentre outras, é a de prevenir e re-
primir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. Essa competência se
expande no caráter nacional, quando a repressão for interestadual; e interna-
cional, quando a repressão ultrapassar os limites de nossas fronteiras.
Então professor, não entendi!!!
Para de sofrer meu aluno, vamos lá qual é a dúvida?
Se você, professor, falou que entre os Estados a competência também é da
Polícia Federal...então porque as polícias dos Estados combatem o tráfico ilícito
de drogas?

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Boa pergunta aluno...é o seguinte: As polícias estaduais fazem por delega-
ção de atribuição o combate ao tráfico através de convênios entre a União e o
Estado. A partir desse acordo prévio e por convênio, a prevenção e repressão
ao tráfico ilícito de entorpecentes passa a ser concorrente com a Federal.
Mas professor...isso é o tratamento aqui no Brasil!!! E como é tratado o te-
ma de tráfico ilícito de entorpecentes no mundo afora?
É...não vou me estender muito, mas necessito falar um sobre esse trata-

mento...

Internacionalmente, a repressão ao uso e ao tráfico de drogas são normati-
zados pelos acordos, convenções e tratados. Foi no momento em que as subs-
tâncias eram usadas internacionalmente de maneira discriminada, que surgiu a
necessidade de controlar o uso, o consumo e reprimir o tráfico através dos
acordos entre os países.
Ex: Convenção de Genebra de 1936; Convenção Única sobre Entorpecentes
de 1961; Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnaci-
onal de 2000, mais conhecida como CONVENÇÃO DE PALERMO.
Então, vamos começar a destrinchar os artigos da Lei?
Iremos individualizar artigo por artigo, sempre buscando o entendimento da
doutrina e jurisprudência correspondente.
Vamos lá!!!

DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
Art. 1º Esta Lei institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre
Drogas - Sisnad
; prescreve medidas para prevenção do uso indevido, aten-
ção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas; estabelece nor-
mas para repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas e
define crimes (grifo nosso).
Parágrafo único. Para fins desta Lei, consideram-se como drogas as substân-
cias ou os produtos
capazes de causar dependência, assim especificados
em lei ou relacionados em listas atualizadas periodicamente pelo Poder Execu-
tivo da União(grifo nosso).
Após algumas décadas desde a vigência da Lei 6.368/76 e alguns anos
da vigência da Lei 10.409/02, veio o a vigorar em nosso ordenamento jurídico
a nova Lei de Drogas 11.343/06, revogando as anteriores, como prescreve o
art. 75 da nova Lei de Drogas.
Art. 75. Revogam-se a Lei nº 6.368, de 21 de outubro de 1976, e a Lei nº
10.409, de 11 de janeiro de 2002.
Fazendo uma breve retrospectiva do combate ao trafico de entorpecen-
tes e sobre a evolução das Legislações pertinentes podemos destacar dois
momentos:

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1º momento – A Lei 6368/76 trazia todos os crimes vinculados ao
tráfico de entorpecentes e seu respectivo procedimento especial;
2º momento – Apareceu a Lei 10409/02 com o intuito basicamente
de substituir a Lei 6368/76, onde este trazia também os crimes e seus respec-
tivos procedimentos especiais; mas o Presidente da republica não sancionou
por inteiro a Lei 10409/02, ficando em vigor apenas a parte do procedimento
especial. Ou seja, ela revogou os procedimentos da Lei 6368/76 e recepcionou
os crimes da mesma. Só que na prática as autoridades trabalhavam com o di-
reito material da lei 6368/76 (crimes) e com o direito processual da lei
10409/02 (procedimento especial).
Para acabar com o uso de duas leis diferentes para tratamento do mes-
mo assunto, veio a lei 11.343/06 que tratou dos crimes e do procedimento pe-
nal, revogando as duas anteriores.
A Lei 11.343/06 instituiu o Sisnad – Sistema Nacional de Políticas Públi-
cas sobre drogas, que combinado ao Decreto nº 5.912 de 27 de setembro do
ano de 2006, versa sobre toda a Política Pública sobre drogas. Sisnad, hoje, é
a nova denominação do Sistema Nacional Antidrogas que era conceituado no
art. 3º da Lei 6.368/76 combinado ao Decreto 3.696/00, que não mais estão
em vigor.

Assim, O antigo Sistema Nacional Antidrogas desde então passa a se
chamar Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (SISNAD), cuja
finalidade vem descrita no TÍTULO II em seu art. 3º da nova Lei.
A nova Lei aborda um novo mecanismo para o desenvolvimento, dentro
da esfera política e social sobre as drogas, de uma política pública do Brasil
sobre drogas.

Dando continuidade ao entendimento e evolução o Sisnad, este é com-
posto por órgãos e entidades da Administração Pública que desenvolvem me-
didas de repressão à produção, ao uso e ao tráfico de entorpecentes. Além dis-
so, atua no sentido de prevenir o uso indevido de drogas, desenvolvendo ativi-
dades de tratamento, recuperação e reinserção social de usuários e dependen-
tes de drogas.

Essa nova Lei apresenta uma visão inovadora no que tange a prevenção
ao uso de drogas, através de uma educação e um tratamento aos usuários e
aos dependentes. Somado a isso, traz em seu corpo um aumento das penas e
a tipificação de novos crimes. Outra novidade é que o objeto material passa a
ser a droga como descrito no parágrafo único do Art. 1º da Lei.
Parágrafo único. Para fins desta Lei, consideram-se como drogas as substân-
cias ou os produtos capazes de causar dependência, assim especificados em lei
ou relacionados em listas atualizadas periodicamente pelo Poder Executivo da
União.

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O parágrafo único do art. 1º define o conceito de drogas para um fim
legal. A Lei em nenhum momento difere substância de produto, sendo assim,
dá a entender que todo e qualquer tipo de material capaz de causar dependên-
cia no ser humano é caracterizado como droga. É claro, desde que esteja inse-
rido em listas atualizadas periodicamente pelo Poder Executivo da União.
Mas a Lei não traz em seu entendimento o conceito de substância e pro-

duto.

Substância – é qualquer espécie de matéria formada por átomos
de elementos específicos em proporções específicas. Cada substância
possui um conjunto definido de propriedades e uma composição química.
Elas também podem ser inorgânicas (como a água e os sais minerais)ou
orgânicas (como a proteína, carboidratos, lipídeos, ácido nucleico e vi-
taminas). (fonte Wikipédia)
Produto – é uma substância que forma-se como o resultado de reações
químicas ou biológicas (em reações que são bioquímicas). (fonte Wiki-
pédia)
Assim, até o momento em que a União coloque em vigor uma lista atua-
lizada como é citado no parágrafo único, é para considerar como drogas as
substâncias entorpecentes constantes na Portaria SVS/MS nº 344/98 (Órgão
Governamental vinculado ao Ministério da Saúde – Agência Nacional de Vigi-
lância Sanitária - ANVISA), como elenca o art. 66 da Lei.
Art. 66 Lei 11.343/06. Para fins do disposto no parágrafo único do art. 1o des-
ta Lei, até que seja atualizada a terminologia da lista mencionada no preceito,
denominam-se drogas substâncias entorpecentes, psicotrópicas, precursoras e
outras sob controle especial, da Portaria SVS/MS no 344, de 12 de maio de
1998.

Sendo assim, somente a lei federal é que poderá enumerar em lista es-
pecífica substâncias e produtos como tóxicos, pois trata de matéria penal e
processual penal. A fundamentação está elencada no art. 22 da Constituição
Federal, onde a competência é privativa da União. E a execução cabe ao Minis-
tério da Saúde através de decreto ou portaria.
Art.22 CF – Compete privativamente a União Legislar sobre:
I – Direito Civil, comercial, PENAL, PROCESSUAL, eleitoral, agrário, marítimo,
aeronáutico, espacial e do trabalho;
É importante destacarmos que a Lei de Drogas continua sendo caracteri-
zada uma norma penal em branco.
Norma penal em branco - Modalidade em que o preceito é incompleto, de-
vendo ser integrado por outra norma, geralmente ato administrativo. A maté-
ria tem relevo para o efeito de caracterização da abolitio criminis, ou não,
quando houver revogação ou modificação da norma integradora.
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E segundo Celso Demando – “chamadas leis que não possuem definição inte-
gral, necessitando ser complementadas por outras leis, decretos ou portarias”
– Código Penal Comentado, 3ª edição, pág 8.
Então, caro aluno, fica o seguinte entendimento: A norma penal em
branco necessitará de outro instrumento legal para entrar em vigor. Contudo,
no caso específico da Lei 11.343/06, necessitará de outra lei, decreto do Poder
Executivo ou ato administrativo do Governo Federal na área de saúde.
(Prova: CESPE - 2009 - SEJUS-ES - Agente Penitenciário / Direito Penal / Lei
nº 11.343-2006 - Lei de Drogas; )
Em relação à legislação penal extravagante e aos crimes definidos na parte
especial do Código Penal, julgue os itens a seguir.
De acordo com a legislação que tipifica o tráfico ilícito e o uso indevido de dro-
gas, são consideradas entorpecentes aquelas capazes de produzir dependência
física ou psíquica, constantes nas relações publicadas em conjunto com a lei
específica, por esta constituir norma penal em branco.
( ) Certo ( ) Errado
Certo
Art. 2º Ficam proibidas, em todo o território nacional, as drogas, bem
como o plantio, a cultura, a colheita e a exploração de vegetais e substra-
tos dos quais possam ser extraídas ou produzidas drogas, ressalvada a hipó-
tese de autorização legal ou regulamentar, bem como o que estabelece a Con-
venção de Viena, das Nações Unidas, sobre Substâncias Psicotrópicas, de
1971, a respeito de plantas de uso estritamente ritualístico-religioso (grifo
nosso).
Parágrafo único. Pode a União autorizar o plantio, a cultura e a colheita dos
vegetais referidos no caput deste artigo, exclusivamente para fins medicinais
ou científicos, em local e prazo predeterminados, mediante fiscalização, respei-
tadas as ressalvas supramencionadas (grifo nosso).
O art. 2º e seu parágrafo único estabelecem a proibição das drogas por
todo o território Nacional e qualquer forma de manejo ou exploração das mes-
mas, a não ser que haja uma autorização legal ou regulamentar como, por
exemplo, sua utilização em rituais religiosos, aprovados pela Convenção de
Viena.

Na própria letra da lei do art. 2º buscaremos o significado das ações ti-

das como proibidas:
Plantio - O plantio designa-se pela ação de semear, colocar na terra a se-
mente para que a planta cresça e dê algum tipo de fruto;
Cultivar – A cultura designa-se como a ação de trabalhar na terra para que
ela possa fomentar o crescimento saudável de uma planta;

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Colher – A colheita designa-se como a ação de retirar os frutos de uma
planta;
Explorar – A exploração designa-se como o uso e desenvolvimento de mé-
todos de pesquisas para o cultivo.
Assim percebemos que o plantio, a cultura, a colheita e a exploração são
de vegetais e substratos, que quando trabalhados e modificados de sua forma
inicial, deles são extraídos produtos, substâncias e drogas ilícitas em geral.
Tal proibição das drogas, como regra, é em todo o território nacional al-
cançando também a matéria prima que cultivada, coletada, e explorada desti-
na-se à obtenção de drogas.
O próprio art. 2º caput traz um ressalva expressa ao uso de substâncias
psicotrópicas de plantas de uso estritamente ritualístico-religioso:
“(...) a hipótese de autorização legal ou regulamentar, bem como o que esta-
belece a Convenção de Viena, das Nações Unidas, sobre Substâncias Psicotró-
picas, de 1971, a respeito de plantas de uso estritamente ritualístico-religioso”.
Então a ressalva pode ser:
Autorização legal ou regulamentar – é uma ressalva genérica que de-
penderá ainda de uma lei ou regulamento;
Convenção de Viena – é uma ressalva específica, pois está elencada no
próprio art. 2º caput.
No parágrafo único dá a Lei uma possibilidade da União em autorizar o
plantio, a cultura e a colheita de vegetais e substratos dos quais possam ser
extraídas ou produzidas drogas para uso exclusivo medicinal ou científico. Tal
regulamentação deve conter dados do local onde serão executadas as ativida-
des bem como o prazo para elaboração.
Sobre a Convenção de Viena de 1971 – ONU – esta foi aprovada pelo
Decreto Legislativo nº 90, de 05/12/1972, e promulgada pelo Decreto nº
79.388, de março de 1977, da Presidência da República.
É importante salientar que em virtude do prescrito no art. 5º § 3º da CF
combinado à emenda 45/04, a Convenção de Viena não se equipara a uma
emenda constitucional.
Art. 5º § 3º CF. Os tratados e convenções internacionais sobre direitos huma-
nos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois tur-
nos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes
às emendas constitucionais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de
2004
).

Ainda no contexto do art. 2º no que tange ao uso da terra para o plan-
tio, a cultura, a colheita e a exploração de vegetais e substratos que possam
ser extraídas ou produzidas drogas, a Constituição Brasileira em seu texto não

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só condena como também confisca a propriedade que usa a terra para aqueles
fins.
Art. 243 CF/88. As glebas de qualquer região do País onde forem localizadas
culturas ilegais de plantas psicotrópicas serão imediatamente expropriadas e
especificamente destinadas ao assentamento de colonos, para o cultivo de
produtos alimentícios e medicamentosos, sem qualquer indenização ao pro-
prietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei.
Parágrafo único. Todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em de-
corrência do tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins será confiscado e
reverterá em benefício de instituições e pessoal especializados no tratamento e
recuperação de viciados e no aparelhamento e custeio de atividades de fiscali-
zação, controle, prevenção e repressão do crime de tráfico dessas substâncias.
A Convenção de Viena em seu art 32-4 elencou reservas com veremos:
Art 32 - 4 da Convenção de Viena – “Qualquer Estado em cujo território cres-
çam no estado selvagem plantas contendo substâncias inscritas na lista I e
utilizadas tradicionalmente por certos grupos restritos bem determinados na
ocasião de cerimônias mágicas ou religiosas, pode, na altura da assinatura da
ratificação ou da adesão, fazer reservas sobre estas plantas no que se refere
às disposições do artigo 7, exceto nas relativas ao comércio internacional”.
Isso em função da própria norma não definir o que realmente se carac-
teriza como pequenos grupos, dando a entender que seja grupos onde se im-
pera a afinidade e os graus de parentesco, inscritos em um mesmo molde so-
cial, prevalecendo as tradições hereditárias. Então, podemos dizer que a mino-
ria destinatária dessa norma poderia, dentro do nosso contexto, ser os índios.
A única coisa que se deve respeitar é a proibição do comércio internaci-
onal, contanto que o grupo seja pequeno, pois se houver religiões com multi-
dões de fanáticos ou adeptos, a ela não cabe tal exceção ficando proibida a
utilização das plantas descritas.

DO SISTEMA NACIONAL DE POLÍTICAS PÚBLICAS SOBRE DROGAS
SISNAD

Para começarmos a tecer algum comentário sobre SISNAD, é importante
visualizarmos onde podemos encontrá-lo na lei. Seu conceito, instituição, fina-
lidade, princípios, objetivos e sua composição estão previstos na Lei 11.343/06
em seus Títulos I e II.

Finalidade do SISNAD

Art. 3º O Sisnad tem a finalidade de articular, integrar, organizar e coordenar
as atividades relacionadas com:
I - a prevenção do uso indevido, a atenção e a reinserção social de usuários e
dependentes de drogas;

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II - a repressão da produção não autorizada e do tráfico ilícito de drogas.
Terá o novo sistema criado pelo Poder Público, o SISNAD, a incumbência
de tratar a questão sobre as drogas no âmbito da Política Nacional. O próprio
art 3º caput se encarrega de verbalizar tais ações que desde então serão apli-
cadas por esse novo Sistema.

FINALIDADES

ARTICULAR INTEGRAR ORGANIZAR COORDENAR

I - a prevenção do uso indevido, a atenção e a reinserção social de
usuários e dependentes de drogas;
II - a repressão da produção não autorizada e do tráfico ilícito de dro-
gas

DOS PRINCÍPIOS E DOS OBJETIVOS DO SISTEMA NACIONAL DE POLÍ-
TICAS PÚBLICAS SOBRE DROGAS

PRINCÍPIOS DO SISNAD
Art. 4º São princípios do Sisnad:
I - o respeito aos direitos fundamentais da pessoa humana, especialmente
quanto à sua autonomia e à sua liberdade;
II - o respeito à diversidade e às especificidades populacionais existentes;
III - a promoção dos valores éticos, culturais e de cidadania do povo brasileiro,
reconhecendo-os como fatores de proteção para o uso indevido de drogas e
outros comportamentos correlacionados;
IV - a promoção de consensos nacionais, de ampla participação social, para o
estabelecimento dos fundamentos e estratégias do Sisnad;
V - a promoção da responsabilidade compartilhada entre Estado e Sociedade,
reconhecendo a importância da participação social nas atividades do Sisnad;
VI - o reconhecimento da intersetorialidade dos fatores correlacionados com o
uso indevido de drogas, com a sua produção não autorizada e o seu tráfico ilí-
cito;

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VII - a integração das estratégias nacionais e internacionais de prevenção do
uso indevido, atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas
e de repressão à sua produção não autorizada e ao seu tráfico ilícito;
VIII - a articulação com os órgãos do Ministério Público e dos Poderes Legisla-
tivo e Judiciário visando à cooperação mútua nas atividades do Sisnad;
IX - a adoção de abordagem multidisciplinar que reconheça a interdependência
e a natureza complementar das atividades de prevenção do uso indevido,
atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas, repressão da
produção não autorizada e do tráfico ilícito de drogas;
X - a observância do equilíbrio entre as atividades de prevenção do uso indevi-
do, atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas e de re-
pressão à sua produção não autorizada e ao seu tráfico ilícito, visando a garan-
tir a estabilidade e o bem-estar social;
XI - a observância às orientações e normas emanadas do Conselho Nacional
Antidrogas - Conad.

O inciso V, que busca uma ação compartilhada entre Estado e Socieda-
de, visando a melhor maneira em se criar e aperfeiçoar as políticas públicas.
Criando-se, dessa forma, um emaranhado de atividades que englobem o tema
sobre drogas.

No inciso VIII, a articulação entre os órgãos citados visa uma condição
de aperfeiçoamento e acerto no que tange as atividades e projetos cujo tema
são as drogas.

No inciso XIX, a abordagem multidisciplinar diz respeito à abordagem da
prevenção do uso indevido, a atenção e a reinserção social de usuários e de-
pendentes de drogas, como também à a repressão da produção não autorizada
e do tráfico ilícito de drogas.
Quando o último inciso fala sobre a observância às orientações e normas
emanadas do Conselho Nacional Antidrogas – Conad, coloca esse órgão como
principal dentro do SISNAD. Ele está previsto no Decreto nº 5912/06.
Integram o SISNAD:
I - o Conselho Nacional Antidrogas - CONAD, órgão normativo e de deliberação
coletiva do sistema, vinculado ao Ministério da Justiça; (Redação dada pelo
Decreto nº 7.426, de 2010 (...)
Art. 5º O Sisnad tem os seguintes objetivos:
I - contribuir para a inclusão social do cidadão, visando a torná-lo menos vul-
nerável a assumir comportamentos de risco para o uso indevido de drogas, seu
tráfico ilícito e outros comportamentos correlacionados;(grifo nosso)
II - promover a construção e a socialização do conhecimento sobre drogas no
país;

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III - promover a integração entre as políticas de prevenção do uso indevido,
atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas e de repres-
são à sua produção não autorizada e ao tráfico ilícito e
as políticas públicas setoriais dos órgãos do Poder Executivo da União, Distrito
Federal, Estados e Municípios;
IV - assegurar as condições para a coordenação, a integração e a articulação
das atividades de que trata o art. 3o desta Lei.

CAPÍTULO II
DA COMPOSIÇÃO E DA ORGANIZAÇÃO DO SISTEMA NACIONAL DE
POLÍTICAS PÚBLICAS SOBRE DROGAS

Art. 6º (VETADO)
Art. 7º A organização do Sisnad assegura a orientação central e a execução
descentralizada das atividades realizadas em seu âmbito, nas esferas federal,
distrital, estadual e municipal e se constitui matéria definida no regulamento
desta Lei.

O interessante é que o art 3º do Decreto 5912/06 que regulamentou a Lei
11343/06, prevê a mesma coisa, e nele o Observatório Brasileiro de Informa-
ções sobre Drogas é que será o responsável pela orientação central e a execu-
ção descentralizada das atividades.
Art. 3o

A organização do SISNAD assegura a orientação central e a execução
descentralizada das atividades realizadas em seu âmbito, nas esferas federal e,
mediante ajustes específicos, estadual, municipal e do Distrito Federal, dispon-
do para tanto do Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas, unidade
administrativa da Estrutura Regimental aprovada pelo Decreto no

5.772, de 8

de maio de 2006.

Art. 8º (VETADO)
CAPÍTULO III
(VETADO)
Art. 9º (VETADO)
Art. 10. (VETADO)
Art. 11. (VETADO)
Art. 12. (VETADO)
Art. 13. (VETADO)
Art. 14. (VETADO)
CAPÍTULO IV
DA COLETA, ANÁLISE E DISSEMINAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE DROGAS

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Art. 15. (VETADO)
Art. 16. As instituições com atuação nas áreas da atenção à saúde e da assis-
tência social que atendam usuários ou dependentes de drogas devem comuni-
car ao órgão competente do respectivo sistema municipal de saúde os casos
atendidos e os óbitos ocorridos, preservando a identidade das pessoas, con-
forme orientações emanadas da União.
A letra da Lei cria uma determinação obrigatória para as instituições de
saúde e assistência social que venham a atender os usuários e os dependentes
de drogas. O que se deve observar, sempre é a preservação da intimidade da
pessoa e de sua família.
Art. 17. Os dados estatísticos nacionais de repressão ao tráfico ilícito de drogas
integrarão sistema de informações do Poder Executivo.
O Poder Executivo deve estar a par de toda a dinâmica de informações
referentes à repressão ao tráfico ilícito de drogas. Como o art. 17 cita em seu
texto em relação aos dados estatísticos é importante dizer que no caso especí-
fico do Brasil, os dados oficiais sobre drogas são disponibilizados pelo Observa-
tório Brasileiro de Informações sobre Drogas – OBID, órgão vinculado à Secre-
taria Nacional de Políticas sobre drogas – SENAD, da Presidência da República.
Todos os órgãos Judiciais, Policiais, Alfandegários e Sanitários, que tra-
tam de dados sobre a prevenção, fiscalização, controle e repressão ao tráfico
ilícito de entorpecentes, devem manter atualizados os registros e as estatísti-
cas sobre tais assuntos. Como sabemos, tais estatísticas servem como uma
estrutura basilar para futuras tomadas de decisões e direcionamentos da políti-
ca de prevenção, fiscalização e repressão ao tráfico ilícito a entorpecentes.
Como o foco desta Lei é principalmente o desenvolvimento de atividades
ligadas diretamente à prevenção e reinserção social de usuários e dependentes
de drogas, vamos nesta parte da Lei esmiuçar toda essa estrutura da política
pública.

DAS ATIVIDADES DE PREVENÇÃO DO USO INDEVIDO, ATENÇÃO E
REINSERÇÃO SOCIAL DE USUÁRIOS E DEPENDENTES DE DROGAS
CAPÍTULO I
DA PREVENÇÃO

Art. 18. Constituem atividades de prevenção do uso indevido de drogas, para
efeito desta Lei, aquelas direcionadas para a redução dos fatores de vulnerabi-
lidade e risco e para a promoção e o fortalecimento dos fatores de proteção.
Então as atividades de prevenção do uso indevido de drogas são duas, a
REDUÇÃO e o FORTALECIMENTO:
Redução dos fatores de vulnerabilidade e risco; e
Promover e fortalecer os fatores de proteção.

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A prevenção, em seu sentido estrito, significa afastar a perspectiva de
acesso as drogas, não deixar que as pessoas, motivadas por inúmeros fatores,
tenham algum tipo de contato com as drogas ou que façam uso da mesma.
Art. 19. As atividades de prevenção do uso indevido de drogas devem observar
os seguintes princípios e diretrizes:
I - o reconhecimento do uso indevido de drogas como fator de interferência na
qualidade de vida do indivíduo e na sua relação com a comunidade à qual per-
tence;
II - a adoção de conceitos objetivos e de fundamentação científica como forma
de orientar as ações dos serviços públicos comunitários e privados e de evitar
preconceitos e estigmatização das pessoas e dos serviços que as atendam;
III - o fortalecimento da autonomia e da responsabilidade individual em rela-
ção ao uso indevido de drogas;
IV - o compartilhamento de responsabilidades e a colaboração mútua com as
instituições do setor privado e com os diversos segmentos sociais, incluindo
usuários e dependentes de drogas e respectivos familiares, por meio do esta-
belecimento de parcerias;
V - a adoção de estratégias preventivas diferenciadas e adequadas às especifi-
cidades socioculturais das diversas populações, bem como das diferentes dro-
gas utilizadas;
VI - o reconhecimento do “não-uso”, do “retardamento do uso” e da redução
de riscos como resultados desejáveis das atividades de natureza preventiva,
quando da definição dos objetivos a serem alcançados;
VII - o tratamento especial dirigido às parcelas mais vulneráveis da população,
levando em consideração as suas necessidades específicas;
VIII - a articulação entre os serviços e organizações que atuam em atividades
de prevenção do uso indevido de drogas e a rede de atenção a usuários e de-
pendentes de drogas e respectivos familiares;
IX - o investimento em alternativas esportivas, culturais, artísticas, profissio-
nais, entre outras, como forma de inclusão social e de melhoria da qualidade
de vida;
X - o estabelecimento de políticas de formação continuada na área da preven-
ção do uso indevido de drogas para profissionais de educação nos 3 (três) ní-
veis de ensino;
XI - a implantação de projetos pedagógicos de prevenção do uso indevido de
drogas, nas instituições de ensino público e privado, alinhados às Diretrizes
Curriculares Nacionais e aos conhecimentos relacionados a drogas;
XII - a observância das orientações e normas emanadas do Conad;
XIII - o alinhamento às diretrizes dos órgãos de controle social de políticas se-
toriais específicas.

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Parágrafo único. As atividades de prevenção do uso indevido de drogas dirigi-
das à criança e ao adolescente deverão estar em consonância com as diretrizes
emanadas pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente -
Conanda.

CAPÍTULO II
DAS ATIVIDADES DE ATENÇÃO E DE REINSERÇÃO SOCIAL DE
USUÁRIOS OU DEPENDENTES DE DROGAS

Art. 20. Constituem atividades de atenção ao usuário e dependente de drogas
e respectivos familiares, para efeito desta Lei, aquelas que visem à melhoria
da qualidade de vida e à redução dos riscos e dos danos associados ao uso de
drogas.

Pela definição são todas as atividades direcionadas à melhoria da quali-
dade de vida e a redução dos riscos e danos associados ao uso de drogas.
Art. 21. Constituem atividades de reinserção social do usuário ou do depen-
dente de drogas e respectivos familiares, para efeito desta Lei, aquelas direci-
onadas para sua integração ou reintegração em redes sociais.
Já as atividades de reinserção social são todas voltadas à integração e
reintegração do usuário ou dependente em redes sociais. A integração é carac-
terizada quando um indivíduo sente-se inserido em determinado grupo por
compartilhar seus regulamentos, sendo um primeiro contato com o grupo; en-
quanto na reintegração existe um pressuposto de retorno ao grupo, que no
caso das drogas, consiste em realizar novamente a integração dos antigos con-
sumidores de drogas na comunidade, através de uma política social.

ATIVIDADES DE ATENÇÃO AO USUÁ-
RIO E DEPENDENTE DE DROGAS E
FAMILIARES

ATIVIDADES DE REINSSERÇÃO SO-
CIAL DO USUÁRIO E DEPENDENTE DE
DROGAS E FAMILIARES

• Que vise à melhoria da quali-
dade de vida; e
• Que vise à redução dos riscos e
dos danos associados ao uso de
drogas.

• Aquelas direcionadas para sua
integração; ou
• Direcionada para sua reintegra-
ção em redes sociais.

Art. 22. As atividades de atenção e as de reinserção social do usuário e do de-
pendente de drogas e respectivos familiares devem observar os seguintes prin-
cípios e diretrizes:

É importante salientar que tanto as atividades de atenção quanto as de
reinserção caminham quase que simultaneamente. Isso reforça ainda mais o
entendimento da obrigatoriedade do Estado em desenvolver e colocar em prá-

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tica a política de acompanhamento e proteção ao usuário, somado ao fator da
reinserção desse usuário ao mundo social.
I - respeito ao usuário e ao dependente de drogas, independentemente de
quaisquer condições, observados os direitos fundamentais da pessoa humana,
os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde e da Política Nacional de
Assistência Social;

Quando o inciso preceitua “direitos fundamentais da pessoa humana”,
não podemos esquecer de relembrar o elencado na norma Constitucional.
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos
Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático
de Direito e tem como fundamentos:
III - a dignidade da pessoa humana;
Combinado com...
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, ga-
rantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabili-
dade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade,
nos termos seguintes
Em relação à saúde e assistência social, o texto Constitucional não deixou de
conceituar nos seguintes artigos.
Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante
políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de
outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua
promoção, proteção e recuperação.
Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, inde-
pendentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos
Os artigos elencados acima da Constituição Federal, por si só, já dizem

tudo...
II - a adoção de estratégias diferenciadas de atenção e reinserção social do
usuário e do dependente de drogas e respectivos familiares que considerem as
suas peculiaridades socioculturais;
III - definição de projeto terapêutico individualizado, orientado para a inclusão
social e para a redução de riscos e de danos sociais e à saúde;
O projeto terapêutico individualizado dedica-se exclusivamente à aten-
ção e reinserção social basicamente para direcionar a reinserção social.
IV - atenção ao usuário ou dependente de drogas e aos respectivos familiares,
sempre que possível, de forma multidisciplinar e por equipes multiprofissio-
nais;
V - observância das orientações e normas emanadas do Conad;

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VI - o alinhamento às diretrizes dos órgãos de controle social de políticas seto-
riais específicas.
Art. 23. As redes dos serviços de saúde da União, dos Estados, do Distrito Fe-
deral, dos Municípios desenvolverão programas de atenção ao usuário e ao
dependente de drogas, respeitadas as diretrizes do Ministério da Saúde e os
princípios explicitados no art. 22 desta Lei, obrigatória a previsão orçamentária
adequada.

As redes dos serviços sociais que integram a União, Estados, Distrito Fede-
ral e Municípios, através do Sistema único de Saúde – SUS, previsto no art 195
§ 10 da CF.

§ 10. A lei definirá os critérios de transferência de recursos para o sistema
único de saúde e ações de assistência social da União para os Estados, o
Distrito Federal e os Municípios, e dos Estados para os Municípios, observada a
respectiva contrapartida de recursos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº
20, de 1998)

Art. 24. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão con-
ceder benefícios às instituições privadas
que desenvolverem programas
de reinserção no mercado de trabalho, do usuário e do dependente de drogas
encaminhados por órgão oficial.
Esse é um meio pelo qual setores da política pública utilizam para que o
setor privado não despreze o usuário e o dependente de drogas, visto que o
trabalho é a melhor maneira de reinserção ao meio social.
Art. 25. As instituições da sociedade civil, sem fins lucrativos, com atuação nas
áreas da atenção à saúde e da assistência social, que atendam usuários ou de-
pendentes de drogas poderão receber recursos do Funad, condicionados à
sua disponibilidade orçamentária e financeira.
Então, parcela das entidades civis poderá receber algum tipo de apoio
por parte do Governo se trabalhar em prol do atendimento aos usuários e de-
pendentes de drogas.
São elas:
Instituições privadas - poderão receber benefícios da União, Estado,
Distrito dos Municípios se desenvolverem programas de reinserção no
mercado de trabalho.

Instituições da sociedade civil, sem fins lucrativos, com atuação
nas áreas da atenção à saúde e da assistência social –
poderão re-
ceber recursos do Funad.
Art. 26. O usuário e o dependente de drogas que, em razão da prática de in-
fração penal, estiverem cumprindo pena privativa de liberdade ou submetidos
a medida de segurança, têm garantidos os serviços de atenção à sua saúde,
definidos pelo respectivo sistema penitenciário.

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É notório que o simples fato do usuário e o dependente de drogas estar
cumprindo pena privativa de liberdade ou submetido à medida de segurança,
não lhe tira o direito de ser assistido através do Sistema de Saúde.
Além disso, a própria Lei de Execução Penal – LEP - em sua redação pre-

ceitua:

Art. 11 da LEP. A assistência será:
I - material;
II - à saúde;
III -jurídica;
IV - educacional;
V - social;
VI - religiosa.
Art. 14 da LEP. A assistência à saúde do preso e do internado de caráter pre-
ventivo e curativo, compreenderá atendimento médico, farmacêutico e odonto-
lógico.
Assistência à saúde compreende:
Médico;
Farmacêutico; e
Odontológico.

DOS CRIMES E DAS PENAS

Art. 27. As penas previstas neste Capítulo poderão ser aplicadas isolada ou
cumulativamente, bem como substituídas a qualquer tempo, ouvidos o Ministé-
rio Público e o defensor.

O primeiro ponto que devemos saber e que difere da antiga lei é o fato
que usuário não é mais condenado à privativa de liberdade.
A doutrina dominante considera este entendimento da lei como impor-
tante, pois o usuário não representa para a sociedade um perigo iminente,
apesar de ajudar a financiar o tráfico de drogas.
O interessante é que apesar do substantivo usuário constar no rol incri-
minador “DOS CRIMES E DAS PENAS”; para um usuário que após tratamento e
reeducação insistir em fazer uso de substância proscrita, fica isento da pena
privativa de liberdade.

AS PENAS PODERÃO SER APLICADAS

ISOLADA

CUMULADA

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20

A nova legislação retirou o usuário de drogas da conseqüência prisional,
sendo assim, percebeu que seria melhor dar-lhe condições para o seu trata-
mento e a sua ressocialização.
Não se pode afirmar que o simples fato de o usuário não poder ser preso,
não quer dizer que sua conduta deixou de ser crime. Digo pela análise do art
5º XVLI da CF, pois iremos perceber que existe outras penas como conseqüên-
cia de atitudes criminosas.
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras,

as seguintes:
a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos;
Retornando ao previsto no art. 27, ao consumidor de drogas poderá ser
aplicada isoladamente ou cumulativamente advertência sobre os efeitos das
drogas, prestação de serviços à comunidade e medida educativa de compare-
cimento a programa ou curso educativo.
Professor, como é decidido o tipo de sanção?
Quem for julgar deverá basear-se no art. 59 do Código Penal:
Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta
social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e conseqüên-
cias do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme
seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime
I - as penas aplicáveis dentre as cominadas
Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer
consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo
com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas:
I - advertência sobre os efeitos das drogas;
II - prestação de serviços à comunidade;
III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.
Da maneira que está descrito o tipo penal do art.28, o “uso” não configura
conduta típica. Este artigo condena quem:

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• Adquirir;
• Guardar;
• Tiver em depósito;
• Transportar;
• Trouxer consigo;

Para consumo pessoal

• Semear;
• Cultivar; e
• Colher.

Ainda dentro do contexto do núcleo do tipo destacado acima, observa-se
que as condutas descritas apresentam como finalidade a droga, pois neste ar-
tigo, diferente do objetivo que iremos ver no art. 33, visa o agente o consumo
pessoal.

Trata-se, no entanto, de um crime de pequeníssimo potencial ofensivo.
Ao crime do usuário admite-se a transação penal da Lei 9099/95 e o im-
pedimento de prisão em flagrante, previsto no art. 48 desta lei.
Art 48 § 2o Tratando-se da conduta prevista no art. 28 desta Lei, não se im-
porá prisão em flagrante
, devendo o autor do fato ser imediatamente en-
caminhado ao juízo competente ou, na falta deste, assumir o compromisso de
a ele comparecer, lavrando-se termo circunstanciado e providenciando-se as
requisições dos exames e perícias necessários.
Art. 48 § 5º Para os fins do disposto noart. 76 da Lei no 9.099, de 1995, que
dispõe sobre os Juizados Especiais Criminais, o Ministério Público poderá pro-
por a aplicação imediata de pena prevista no art. 28 desta Lei, a ser especifi-
cada na proposta.

Alguns destaques do art. 28:
Sujeito ativo – qualquer do povo;
Sujeito passivo – é a sociedade;
Objeto material – droga;
A não conseqüência da punição de pena privativa de liberdade já estava
prevista na Convenção de Viena em seu art. 22, b.

ARTIGO

22

Disposições Penais
b) Não obstante a alínea precedente, quando dependentes de substâncias
psicotrópicas houverem cometido tais delitos
, as partes poderão tomar
providências para que, como uma alternativa à condenação ou pena ou como
complemento à pena, tais dependentes sejam submetidos a medidas de
tratamento, pós-tratamento, educação, reabilitação e reintegração so-
cial,
em conformidade com o parágrafo 1 do artigo 20.

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22

O STF se pronunciou da seguinte forma:
(Supremo Tribunal Federal, RE 430.105-9-RJ) preceitua que há crime, reti-
rando apenas as penas privativas de liberdade (detenção ou reclusão), e não
originou o abolitio criminis. O entendimento do STF foi que existe a des-
penalização
. Não houve a descriminalização do art.28 caput. Continua
sendo considerado crime em nosso ordenamento.
A Turma, resolvendo questão de ordem no sentido de que o art. 28 da
Lei 11.343/2006 (Nova Lei de Tóxicos) não implicou abolitio criminis
do delito de posse de drogas para consumo pessoal
, então previsto no
art. 16 da Lei 6.368/76, julgou prejudicado recurso extraordinário em que o
Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro alegava a incompetência dos
juizados especiais para processar e julgar conduta capitulada no art. 16 da Lei
6.368/76. Considerou-se que a conduta antes descrita neste artigo continua
sendo crime sob a égide da lei nova, tendo ocorrido, isto sim, uma despenali-
zação, cuja característica marcante seria a exclusão de penas privati-
vas de liberdade como sanção principal ou substitutiva da infração pe-
nal
. Afastou-se, também, o entendimento de parte da doutrina de que o fato,
agora, constituir-se-ia infração penal sui generis, pois esta posição acarretaria
sérias conseqüências, tais como a impossibilidade de a conduta ser enquadra-
da como ato infracional, já que não seria crime nem contravenção penal, e a
dificuldade na definição de seu regime jurídico. Ademais, rejeitou-se o argu-
mento de que o art. 1º do DL 3.914/41 (Lei de Introdução ao Código Penal e à
Lei de Contravenções Penais) seria óbice a que a novel lei criasse crime sem a
imposição de pena de reclusão ou de detenção, uma vez que esse dispositivo
apenas estabelece critério para a distinção entre crime e contravenção, o que
não impediria que lei ordinária superveniente adotasse outros requisitos gerais
de diferenciação ou escolhesse para determinado delito pena diversa da priva-
ção ou restrição da liberdade. Aduziu-se, ainda, que, embora os termos da No-
va Lei de Tóxicos não sejam inequívocos, não se poderia partir da premissa de
mero equívoco na colocação das infrações relativas ao usuário em capítulo
chamado "Dos Crimes e das Penas". Por outro lado, salientou-se a previsão,
como regra geral, do rito processual estabelecido pela Lei 9.099/95. Por fim,
tendo em conta que o art. 30 da Lei 11.343/2006 fixou em 2 anos o prazo de
prescrição da pretensão punitiva e que já transcorrera tempo superior a esse
período, sem qualquer causa interruptiva da prescrição, reconheceu-se a ex-
tinção da punibilidade do fato e, em conseqüência, concluiu-se pela perda de
objeto do recurso extraordinário.

RE 430105 QO/RJ, rel. Min. Sepúlveda Pertence, 13.2.2007. (RE-

430105)

Podemos verificar que não está prevista a prisão para o usuário de dro-
gas. Este, deverá ser encaminhado para o juizado criminal, e nas comarcas
onde não existir plantão, aí sim, deve-se conduzir à autoridade policial.

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Mas não podemos confundir...a captura é feita pela polícia, sendo que
esta não lavrará prisão em flagrante e sim um termo circunstanciado, que será
enviado ao Juizado Criminal.
§ 1o

Às mesmas medidas submete-se quem, para seu consumo pessoal,
semeia, cultiva ou colhe plantas destinadas à preparação de pequena quan-
tidade de substância ou produto capaz de causar dependência física ou psíqui-
ca.

Aos que apresentam alguma dessas condutas também são submetidos

ao caput do art. 28.

Semeia
Cultiva

para consumo pessoal

Colhe

( Prova: TJ-DFT - 2007 - TJ-DF - Juiz - Objetiva.2 / Direito Penal / Lei
nº 11.343-2006 - Lei de Drogas; )
Qual o entendimento do Supremo Tribunal Federal relativamente ao
art. 28 da Lei n. 11.343/2006 (Nova Lei de Tóxicos)?
a) Implicou
abolitio criminis do delito de posse de drogas para consu-
mo pessoal.
b) A posse de drogas para consumo pessoal continua sendo crime sob
a égide da lei nova, tendo ocorrido, contudo, uma despenalização, cuja
característica marcante seria a exclusão de penas privativas de liber-
dade como sanção principal ou substitutiva da infração penal.
c) Pertence ao Direito penal, mas não constitui "crime", mas uma in-
fração penal
sui generis; houve descriminalização formal e ao mesmo
tempo despenalização, mas não
abolitio criminis.
d) Não pertence ao Direito penal, constituindo-se numa infração do
Direito judicial sancionador, seja quando a sanção alternativa é fixada
em transação penal, seja quando imposta em sentença final (no pro-
cedimento sumaríssimo da Lei dos Juizados), tendo ocorrido descrimi-
nalização substancial (ou seja:
abolitio criminis).
Gabarito:Letra B

(Prova: CESPE - 2011 - PC-ES - Delegado de Polícia - Específicos / Di-
reito Penal / Lei nº 11.343-2006 - Lei de Drogas; )
Julgue os itens seguintes, referentes aos dispositivos aplicáveis ao
tráfico ilícito e ao uso indevido de substâncias entorpecentes.

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A conduta de porte de drogas para consumo pessoal possui a natureza
de infração
sui generis, porquanto o fato deixou de ser rotulado como
crime tanto do ponto de vista formal quanto material.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: Errado

Acerca das modificações penais e processuais penais introduzidas pela
Lei n.º 11.343/2006 - Lei de Tóxicos – com relação à figura do usuário
de drogas, assinale a opção correta.
a) A conduta daquele que, para consumo pessoal, cultiva plantas des-
tinadas à preparação de substância capaz de causar dependência física
ou psíquica permanece sem tipificação.
b) É possível, além das penas de advertência, prestação de serviços à
comunidade ou medida educativa, a imposição de pena privativa de
liberdade ao usuário de drogas.
c) O porte de drogas tornou-se infração de menor potencial ofensivo,
estando sujeito ao procedimento da Lei n.º 9.099/1995, que dispõe
sobre os juizados especiais criminais.
d) Poderá ser imposta ao usuário de drogas prisão em flagrante, de-
vendo o autuado ser encaminhado ao juízo competente para que este
se manifeste sobre a manutenção da prisão, após a lavratura do termo
circunstanciado.
Gabarito: Letra C

( Prova: CESPE - 2009 - OAB - Exame de Ordem Unificado - 3 - Primeira
Fase / Direito Penal / Lei nº 11.343-2006 - Lei de Drogas; )
Com relação à legislação referente ao combate às drogas, assinale a
opção correta.
a) O agente que, para consumo pessoal, semeia plantas destinadas à
preparação de pequena quantidade de substância capaz de causar de-
pendência psíquica pode ser submetido à medida educativa de compa-
recimento a programa ou curso educativo.
b) O agente que tiver em depósito, para consumo pessoal, drogas sem
autorização poderá ser submetido à pena de reclusão.
c) O agente que transportar, para consumo pessoal, drogas em desa-
cordo com determinação legal poderá ser submetido à pena de deten-
ção.

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d) O agente que entregar a consumo drogas, ainda que gratuitamente,
em desacordo com determinação legal, pode ser submetido à pena de
advertência sobre os efeitos das drogas.
Letra A - Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transpor-
tar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização
ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será sub-
metido às seguintes penas:
I - advertência sobre os efeitos das drogas;
II - prestação de serviços à comunidade;
III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso edu-
cativo.

§ 2o

Para determinar se a droga destinava-se a consumo pessoal, o juiz aten-
derá à natureza e à quantidade da substância apreendida, ao local e às condi-
ções em que se desenvolveu a ação, às circunstâncias sociais e pessoais, bem
como à conduta e aos antecedentes do agente.
A avaliação poderá ser feita inicialmente perante a autoridade policial
quando o usuário lhe for apresentado, assim, podendo diferenciá-lo entre usu-
ário ou traficante, apesar da palavra final ser da autoridade judicial.
Em qualquer das esferas (policial / judiciária) a avaliação deve ser moti-

vada.

Mas quais são os critérios de avaliação professor?
São os seguintes:
• Natureza;
• Quantidade da substância apreendida;
• Local e às condições em que se desenvolveu a ação;
• Circunstâncias sociais e pessoais; e
• Conduta e aos antecedentes do agente.

§ 3o

As penas previstas nos incisos II e III do caput deste artigo serão apli-
cadas pelo prazo máximo de 5 (cinco) meses.
II - prestação de serviços à comunidade;
III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.

Serão aplicadas pelo prazo máximo de 5 (cinco) meses
(Prova: FCC - 2010 - SJCDH-BA - Agente Penitenciário / Direito Penal /
Lei nº 11.343-2006 - Lei de Drogas; )
É certo que a pena de prestação de serviços à comunidade, à qual po-
derá ser submetido aquele que guarda drogas para consumo pessoal,

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26

a) será cumprida em entidades educacionais que se ocupem, exclusi-
vamente, da recuperação de dependentes de drogas.
b) prescreve em um ano.
c) será aplicada pelo prazo máximo de cinco meses.
d) será aplicada pelo prazo máximo de um ano, em caso de reincidên-
cia.
e) não poderá ser aplicada cumulativamente com a pena de advertên-
cia.
Gabarito: Letra C

§ 4o

Em caso de reincidência, as penas previstas nos incisos II e III do caput
deste artigo serão aplicadas pelo prazo máximo de 10 (dez) meses.
Se houver reincidência 10 (dez) meses
§ 5o

A prestação de serviços à comunidade será cumprida em programas co-
munitários, entidades educacionais ou assistenciais, hospitais, estabelecimen-
tos congêneres, públicos ou privados sem fins lucrativos, que se ocupem, pre-
ferencialmente, da prevenção do consumo ou da recuperação de usuários e
dependentes de drogas.
§ 6o

Para garantia do cumprimento das medidas educativas a que se refere o
caput, nos incisos I, II e III, a que injustificadamente se recuse o agente, po-
derá o juiz submetê-lo, sucessivamente a:
I - admoestação verbal;
II - multa.

(Prova: CESPE - 2011 - PC-ES - Escrivão de Polícia - Específicos / Direi-
to Penal / Lei nº 11.343-2006 - Lei de Drogas; )

Com relação à legislação especial, julgue o item que se segue.
Caso, em juízo, o usuário de drogas se recuse, injustificadamente, a
cumprir as medidas educativas que lhe foram impostas pelo juiz, este
poderá submetê-lo, alternativamente, a admoestação verbal ou a pa-
gamento de multa.
( ) Certo ( ) Errado

A letra da lei diz sucessivamente e não alternativamente.
Errado

Caso ainda o agente se recuse de qualquer medida educativa perante o
juízo, ainda assim o juiz poderá submetê-lo a admoestação verbal e multa.
§ 7o

O juiz determinará ao Poder Público que coloque à disposição do infrator,
gratuitamente, estabelecimento de saúde, preferencialmente ambulatorial, pa-
ra tratamento especializado.

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Todo o aparato é disponível ao agente para a sua recuperação e ressoci-

alização.

(Prova: CESPE - 2009 - OAB - Exame de Ordem Unificado - 3 - Primeira
Fase / Direito Penal / Lei nº 11.343-2006 - Lei de Drogas; )
Com relação à legislação referente ao combate às drogas, assinale a
opção correta.
a) O agente que, para consumo pessoal, semeia plantas destinadas à
preparação de pequena quantidade de substância capaz de causar de-
pendência psíquica pode ser submetido à medida educativa de compa-
recimento a programa ou curso educativo.
b) O agente que tiver em depósito, para consumo pessoal, drogas sem
autorização poderá ser submetido à pena de reclusão.
c) O agente que transportar, para consumo pessoal, drogas em desa-
cordo com determinação legal poderá ser submetido à pena de deten-
ção.
d) O agente que entregar a consumo drogas, ainda que gratuitamente,
em desacordo com determinação legal, pode ser submetido à pena de
advertência sobre os efeitos das drogas.
Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou
trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em
desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às
seguintes penas:
I - advertência sobre os efeitos das drogas;
II - prestação de serviços à comunidade;
III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso edu-
cativo.
Gabarito: Letra A

Art. 29. Na imposição da medida educativa a que se refere o inciso II do § 6o
do art. 28, o juiz, atendendo à reprovabilidade da conduta, fixará o número de
dias-multa, em quantidade nunca inferior a 40 (quarenta) nem superior a 100
(cem), atribuindo depois a cada um, segundo a capacidade econômica do
agente
, o valor de um trinta avos até 3 (três) vezes o valor do maior salário
mínimo.

De acordo com o Código Penal, em seu art.60, o valor dia-multa está li-
gado á capacidade econômica do agente.
Art. 60 - Na fixação da pena de multa o juiz deve atender, principalmente, à
situação econômica do réu. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Parágrafo único. Os valores decorrentes da imposição da multa a que se refe-
re o § 6o

do art. 28 serão creditados à conta do Fundo Nacional Antidrogas.

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28

FUNAD - responsável por estabelecer critérios e implementar a justa reversão
do patrimônio obtido ilicitamente em atividades de tráfico de drogas ou a elas
associada, em favor da sociedade. As informações sobre o Funad estão dispo-
níveis

no

site

da

Secretaria

Nacional

de

Políticas

sobre

gas: www.senad.gov.br (FONTE. MINISTÉRIO DA JUSTIÇA)
Devemos prestar a máxima atenção nas questões de prova que envolva
esse tema, pelo fato de que no Código Penal as demais multas, que não sejam
originadas da arrecadação de drogas, tem outro destino.
Art. 49 - A pena de multa consiste no pagamento ao fundo penitenciário da
quantia fixada na sentença e calculada em dias-multa. Será, no mínimo, de 10
(dez) e, no máximo, de 360 (trezentos e sessenta) dias-multa. (Redação dada
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 30. Prescrevem em 2 (dois) anos a imposição e a execução das penas,
observado, no tocante à interrupção do prazo, o disposto nos arts. 107 e se-
guintes do Código Penal.

Nos delitos que envolvam usuários de drogas a letra da lei utilizou um
prazo padrão de 2 anos para a prescrição tanto da punição quanto para a exe-
cução da pena.

DA REPRESSÃO À PRODUÇÃO NÃO AUTORIZADA E AO TRÁFICO ILÍCI-
TO DE DROGAS
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 31. É indispensável a licença prévia da autoridade competente para produ-
zir, extrair, fabricar, transformar, preparar, possuir, manter em depósito, im-
portar, exportar, reexportar, remeter, transportar, expor, oferecer, vender,
comprar, trocar, ceder ou adquirir, para qualquer fim, drogas ou matéria-prima
destinada à sua preparação, observadas as demais exigências legais.
É lógico, meu aluno, que num assunto como este o Estado quer ter o
controle total acerca da movimentação e do manuseio dessas substâncias. Pa-
ra se ter o controle de todas as atividades que tem relação com as drogas, a
legislação determina a licença prévia.
Como a Lei em questão é considerada um norma penal em branco, é
responsabilidade do órgão vinculado ao Ministério da Saúde enumerar as dro-
gas que serão proibidas, assegurando a conferência da respectiva licença. É
muito mais fácil se alterar uma portaria da Anvisa do que uma lei Federal.
Art. 32. As plantações ilícitas serão imediatamente destruídas pelas auto-
ridades
de polícia judiciária, que recolherão quantidade suficiente para
exame pericial, de tudo lavrando auto de levantamento das condições encon-

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tradas, com a delimitação do local, asseguradas as medidas necessárias para a
preservação da prova.

Mais uma vez também está previsto na Convenção de Viena:
Art. 22.3. Qualquer substância psicotrópica, ou outra substância, ou qualquer
equipamento utilizado ou destinado a ser utilizado na prática de qualquer dos
delitos mencionados nos parágrafos 1 e 2, será sujeito a apreensão e confisco.
§ 1o A destruição de drogas far-se-á por incineração, no prazo máximo de 30
(trinta) dias, guardando-se as amostras necessárias à preservação da prova.
§ 2o A incineração prevista no § 1o deste artigo será precedida de autori-
zação judicia
l, ouvido o Ministério Público, e executada pela autoridade de
polícia judiciária
competente, na presença de representante do Ministério
Público e da autoridade sanitária competente, mediante auto circunstanciado e
após a perícia realizada no local da incineração.
A autorização pode ser no inquérito ou em autos apartados, mas é o
meio que permite a incineração.
§ 3o Em caso de ser utilizada a queimada para destruir a plantação, observar-
se-á, além das cautelas necessárias à proteção ao meio ambiente, o disposto
no Decreto no 2.661, de 8 de julho de 1998, no que
couber, dispensada a autorização prévia do órgão próprio do Sistema
Nacional do Meio Ambiente - Sisnama
.
Para a queima da plantação, não necessita de nenhuma autorização co-
mo no caso das drogas. A queima deve ser quase que instantânea.
Ao se comentar sobre o Decreto 2611/98 diz-se respeito ao art. 27 do

Código Florestal:
Art. 27. É proibido o uso de fogo nas florestas e demais formas de vegetação.
Parágrafo único. Se peculiaridades locais ou regionais justificarem o em-
prego do fogo em práticas agropastoris ou florestais, a permissão será estabe-
lecida em ato do Poder Público, circunscrevendo as áreas e estabelecendo
normas de precaução. (Regulamento).
Esse artigo diz exatamente como devem ser realizadas as queimadas.
§ 4o As glebas cultivadas com plantações ilícitas serão expropriadas, conforme
o disposto no art. 243 da Constituição Federal, de acordo com a legislação em
vigor.

Art. 243 CF. As glebas de qualquer região do País onde forem localizadas
culturas ilegais de plantas psicotrópicas serão imediatamente expropriadas e
especificamente destinadas ao assentamento de colonos, para o cultivo de
produtos alimentícios e medicamentosos, sem qualquer indenização ao pro-
prietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei.
Parágrafo único. Todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em
decorrência do tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins será confiscado e

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30

reverterá em benefício de instituições e pessoal especializados no tratamento e
recuperação de viciados e no aparelhamento e custeio de atividades de fiscali-
zação, controle, prevenção e repressão do crime de tráfico dessas substâncias
Obs: A expropriação é feita em processo separado..
Quando o preceito legal ressalta a pessoa “autoridade policial”, esta diz
respeito ao Delegado de Polícia, pessoa com atribuiãode presidir o inquérito
policial.

O recolhimento de quantidade para o exame pericial fica a cargo do perito
em uma quantidade não estipulada por lei.
A formalização com o Auto de Levantamento deve conter todas as ativida-
des e circunstâncias que possam especificar o exato lugar da plantação, as
condições em que se encontrava, a extensão, dentre outros.

INCINERAÇÃO

Plantações ilícitas de drogas

Imediatamente destruídas

Quem destrói?

Polícia judiciária competente

Tudo é formalizado no...

Auto de levantamento

Destruição das drogas

Por meio de INCINERAÇÃO

Prazo máximo

30 dias

Quem autoriza a incineração

Autoridade judicial

A incineração deve ser na presença de
quem?

De representante do Ministério Público
e da autoridade Sanitária

Queimadas das plantações

Proteger o meio ambiente

DOS CRIMES

Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir,
vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo,
guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda
que gratuitamente
, sem autorização ou em desacordo com determinação
legal ou regulamentar:

Temos aí um crime com vários núcleos verbais, sendo importante dizer
que permaneceram os dezoitos verbos que existia na lei antiga.
Por um lado a Lei 11343/06 beneficiou os usuários enquanto que para os
traficantes foi imposta uma pena mais severa com uma duração maior ainda e
com respectiva majoração das multas.
Sujeito ativo – Qualquer pessoa

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31

Sujeito passivo – a sociedade
Bem jurídico – saúde pública

AÇÕES DO TIPO

IMPORTAR

Entrar com droga no Brasil

EXPORTAR

Sair com a droga do Brasil

REMETER

Movimentação da droga para outra pessoa dentro do Brasil

PREPARAR

É manuseio da substância para obter a droga

PRODUZIR

Fabricar

FABRICAR

Utilização mecânica para obter a droga

ADQUIRIR

Trazer para si a posse da droga

VENDER

Repassar para outra pessoa mediante pagamento

PERMUTA

É a venda por meio de troca

EXPOR À VENDA

Colocá-la visível para os compradores

OFERECER

Doar a droga sem que receba recompensa

PRESCREVER

Recomendar o uso

MINISTRAR

Utilizar a droga em alguém através de um instrumento

FORNECER

Suprir outrem com droga

OBS1: Na exposição à venda, a droga deve estar materialmente pre-
sente no ponto de venda, não configurando-se assim, a exposição por meio de
catálogo ou até uma exposição pela internet.
OBS2: Na prescrição, caracteriza-se como crime próprio, pois somente
o profissional da saúde que tem os meios legais para prescrever.
Nesse contesto da gratuidade, todas as condutas descritas no tipo penal
são indiferentes ao resultado do lucro. O agente poderá praticar qualquer tipo
verbal respondendo somente por um único crime.
Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhen-
tos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa.
Os dias-multas estão previstos no art.43 desta lei:
Art. 43. Na fixação da multa a que se referem os arts. 33 a 39 desta Lei, o
juiz, atendendo ao que dispõe o art. 42 desta Lei, determinará o número de
dias-multa, atribuindo a cada um, segundo as condições econômicas dos acu-
sados, valor não inferior a um trinta avos nem superior a 5 (cinco) vezes o
maior salário-mínimo.

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32

§ 1o

Nas mesmas penas incorre quem:
I - importa, exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende, expõe à venda,
oferece, fornece, tem em depósito, transporta, traz consigo ou guarda, ainda
que gratuitamente
, sem autorização ou em desacordo com determinação
legal ou regulamentar, matéria-prima, insumo ou produto químico desti-
nado à preparação de drogas
;
CUIDADO MEU ALUNO!!!

Este inciso apresenta alguns verbos iguais aos do caput do art.33, sendo
que este o objeto é a matéria-prima e naquele é a droga já pronta.
E no caso da autorização, devemos ter o cuidado com as pegadinhas da
CESPE, pois já apareceu em prova: “importa, exporta, remete, produz maté-
ria-prima com autorização”; este não é fato típico.
II - semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar, de plantas que se constituam em maté-
ria-prima para a preparação de drogas;
Nesse parágrafo, inciso I e II são estabelecidas condutas equiparadas às
do caput do art. 33 e considera-se como tráfico equiparado. E percebe-se que
ambos os incisos acima constituem os núcleos destinados à preparação da
droga.
OBS: Se o agente importar drogas sem autorização (caput do 33), exportar
matéria
prima destinada à preparação da droga e sem autorização (inciso I)
e ainda cultivar plantas que possuem matéria-prima para a preparação da
droga (inciso II); estará praticando 3 delitos autônomos.
III - utiliza local ou bem de qualquer natureza de que tem a propriedade,
posse, administração, guarda ou vigilância, ou consente que outrem dele se
utilize, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar, para o tráfico ilícito de drogas.
É a destinação do lugar em que a pessoa tem a propriedade, posse, ad-
ministração, guarda, vigilância ou consente que outrem utiliza com a finalidade
para o tráfico de drogas.

Quando a lei descreve “local”, caracteriza-se como qualquer habitat; e
ao descrever “bem de qualquer natureza” caracteriza-se como qualquer tipo de
bem.
Ex: local – casa, lojas, apartamentos, sobrados, etc.
Bem – carros, motos, ônibus, aeronaves, embarcações, etc.
Mesmo quem utiliza momentaneamente local ou bem de qualquer natu-
reza configura crime, pois também não há a necessidade que o infrator tenha
qualquer intenção de auferir lucro.

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33

Ex: Francisco empresta sua mansão para seu primo João fazer festa ra-
ve sabendo que nesta festa haverá venda de entorpecentes. Nesse caso have-
rá crime de acordo com o inciso III do § 1º.
§ 2o

Induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga:
Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa de 100 (cem) a 300 (tre-
zentos) dias-multa.

Aqui não há a necessidade que a pessoa faça uso da droga para caracte-
rizar o induzimento, auxílio ou instigação. É a forma privilegiada.
§ 3o

Oferecer droga, eventualmente e sem objetivo de lucro, a pessoa
de seu relacionamento
, para juntos a consumirem:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, e pagamento de 700 (sete-
centos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa, sem prejuízo das penas previs-
tas no art. 28.

Devemos notar que o oferecimento é eventual, tendo o oferecedor uma
relação com oferecido, e que por parte de quem está oferecendo não haja in-
tenção de lucro, mesmo que futura. Basta o oferecimento para que configure
crime.
§ 4o

Nos delitos definidos no caput e no § 1o

deste artigo, as penas poderão
ser reduzidas de um sexto a dois terços, vedada a conversão em penas
restritivas de direitos
, desde que o agente seja primário, de bons antece-
dentes, não se dedique às atividades criminosas nem integre organização cri-
minosa.

De cara devemos ter em mente a vedação da conversão da pena em
restritiva de direitos. E a diminuição da pena é autorizada caso o agente seja
primário, com bons antecedentes, não se dedique à atividade criminosa e não
faça parte de organização criminosa.

CONVERSÃO EM
RESTRITIVA DE DIREITOS

Diminuição da pena do tráfico de 1/6 à 2/3, nas seguintes condições:
Agente seja primário
Bons antecedentes
Não se dedique às atividades criminosas
Não integre organização criminosa.
O legislador teve a intenção de diferenciar o traficante costumeiro da pes-
soa que pela primeira vez traficou.
Como surgiram algumas dúvidas sobre a conversão em restritiva de direi-
tos, vou adicionar à aula principal tal explicação...
É o seguinte...

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34

Embora o § 4.º do art. 33 apresenta em sua aparência um conteúdo
mais benéfico, podemos ver que todo o art. 33 da lei nada tem de benéfico,
pois aumentou a pena do tráfico de drogas, para de 5 a 15 anos em relação à
Lei passada e ainda impôs uma multa mais pesada de 500 a 1.500 dias-multa
Nessa época da publicação da nova Lei houve muitas discussões sobre o

assunto.

O Plenário do STF decidiu ser inconstitucional os dispositivos da Lei de
Drogas que proíbem a conversão de pena de prisão, em cárcere, para pena
restritiva de direitos nos casos de condenações por tráfico ilícito de drogas.
Para o STF, a proibição de substituição da Lei 11.343/06 (art. 33, §4º,
e art. 44
) viola o princípio da individualização da pena, consagrado pela
Constituição Federal de 1988.
Art. 5º XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre
outras, as seguintes:
a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos;
Sendo assim, o Juiz da Condenação por tráfico deve avaliar o caso con-
creto caso a caso e de acordo com as particularidades do caso e a pena de res-
trição de direito pode sim ser aplicada, quando recomendável.
Portanto, o dispositivo legal mencionado por você é sim inconstitucional,
por ofensa ao princípio da princípio da individualização da pena. Exemplo re-
cente:

PROCESSO ELETRÔNICO

DJe-231 DIVULG 05-12-2011 PUBLIC 06-12-2011

Parte(s)

RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI
RECTE.(S) : xxx
ADV.(A/S) : xxxx
RECDO.(A/S) : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA

Ementa
EMENTA RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. Tráfico de entor-
pecentes. Causa de diminuição de pena (art. 33, § 4º, da Lei nº
11.343/06). Eleição do grau de redução. Motivação idônea para a re-

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35

dução em grau intermediário. Recurso não provido. Conversão da pena
privativa de liberdade em pena restritiva de direitos. Possibilidade.
Precedentes. Questão, todavia, não analisada pelas instâncias antece-
dentes. Ordem de habeas corpus concedida de ofício. 1. Encontra-se
convenientemente motivada a eleição do grau de redução pela mino-
rante do § 4º do art. 33 da Lei 11.343/06. 2. Embora o paciente seja
primário, a natureza da droga apreendida (42 pedras de crack) justifi-
cam a diminuição da pena em 1/3 (um terço). 3. Recurso não provido.
4. Impossibilidade de análise em sede recursal de temas não aprecia-
dos nas instâncias antecedentes, sob pena de indevida supressão de
instância. 5. A jurisprudência desta Suprema Corte admite a possibili-
dade de substituição da pena privativa de liberdade por pena restritiva
de direitos, mesmo quando se trata do delito de tráfico ilícito de entor-
pecentes. Precedentes. Questão, todavia, não analisada pelas instân-
cias antecedentes. 6. Ordem de habeas corpus concedida de ofício.
Decisão

A Turma negou provimento ao recurso ordinário em habeas corpus, mas con-
cedeu a ordem, de ofício, nos termos do voto do Relator. Unânime. Presidência
da Senhora Ministra Cármen Lúcia. 1ª Turma, 22.11.2011.

Exercício...
( Prova: CESPE - 2010 - MPU - Analista - Processual / Direito Penal /
Lei nº 11.343-2006 - Lei de Drogas; )
Julgue os próximos itens, relativos a direito penal.
Em relação ao crime de tráfico de drogas, considera-se, tráfico privile-
giado o praticado por agente primário, com bons antecedentes crimi-
nais, que não se dedica a atividades criminosas nem integra organiza-
ção criminosa, sendo-lhe aplicada a redução de pena de um sexto a
dois terços, independentemente de o tráfico ser nacional ou internaci-
onal e da quantidade ou espécie de droga apreendida, ainda que a pe-
na mínima fique aquém do mínimo legal.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: certo

Art. 34. Fabricar, adquirir, utilizar, transportar, oferecer, vender, distribuir,
entregar a qualquer título, possuir, guardar ou fornecer, ainda que gratuita-
mente, maquinário, aparelho, instrumento ou qualquer objeto destina-
do à fabricação, preparação, produção ou transformação de drogas
,
sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e pagamento de 1.200 (mil e du-
zentos) a 2.000 (dois mil) dias-multa.

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36

Trata-se do tráfico de maquinário, onde a pessoa se enquadra em diver-
sos núcleos do tipo penal. O importante desse artigo é a questão do dolo por
parte de quem está com o maquinário, visto que, este deverá ter a consciência
de sua utilização e sua finalidade. Não necessita que o agente possuidor do
maquinário tenha realizado a fabricação, preparação, produção ou a transfor-
mação da droga, sendo necessário apenas sua intenção de fazer.
Qualquer conduta descrita neste artigo caracteriza-se como tráfico de
drogas, equiparado à crime hediondo.
Art. 35. Associarem-se duas ou mais pessoas para o fim de praticar, rei-
teradamente ou não
, qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e §
1o

, e 34 desta Lei:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e pagamento de 700 (setecentos)
a 1.200 (mil e duzentos) dias-multa.
Parágrafo único. Nas mesmas penas do caput deste artigo incorre quem se
associa para a prática reiterada do crime definido no art. 36 desta Lei.
Esse crime difere do previsto no art. 288 do Código Penal – quadrilha ou
bando no que tange a quantidade de pessoas.

Quadrilha ou bando
Art. 288 - Associarem-se mais de três pessoas, em quadrilha ou bando,
para o fim de cometer crimes:
Para associação ao tráfico de drogas necessita apenas duas ou mais pes-
soas. O comentário de “reiteradamente ou não” significa que não existe a ne-
cessidade da habitualidade.
O crime de associação caracteriza-se como crime autônomo, e para que
aja a consumação do delito, deverá haver entre os agentes animus de finalida-
de.

O parágrafo único caracteriza-se como uma forma de associação visto
que seus agentes se associam para financiar ou custear otráficode drogas ou
de maquinários para sua produção.
Art. 36. Financiar ou custear a prática de qualquer dos crimes previstos nos
arts. 33, caput e § 1o

, e 34 desta Lei:
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 20 (vinte) anos, e pagamento de 1.500 (mil e
quinhentos) a 4.000 (quatro mil) dias-multa.
Esse artigo foi um novo aparato legal da lei para punir o financiador do

tráfico.

O legislador considerou essa atitude como sendo mais incriminadora que
o próprio tráfico, tanto que sua pena é maior que a do tráfico,pois para ele o
financiador alimenta a figura do traficante.

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37

Art. 37. Colaborar, como informante, com grupo, organização ou associ-
ação
destinados à prática de qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput
e § 1o

, e 34 desta Lei:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e pagamento de 300 (trezentos) a
700 (setecentos) dias-multa.
O que devemos ter em mente é que para ser considerado informante o
agente deverá ser estranho à organização criminosa.
Art. 38. Prescrever ou ministrar, culposamente, drogas, sem que delas ne-
cessite o paciente, ou fazê-lo em doses excessivas ou em desacordo com de-
terminação legal ou regulamentar:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e pagamento de 50 (cin-
qüenta) a 200 (duzentos) dias-multa.
Parágrafo único. O juiz comunicará a condenação ao Conselho Federal
da categoria profissional
a que pertença o agente.
Para as conseqüentes medidas administrativas cabíveis, o juiz comunica
a condenação do profissional, simplesmente para auxiliar a fiscalização das
atividades laborativas de seus profissionais.
Neste artigo o sujeito ativo é o profissional da saúde (crime próprio) e o
passivo é a pessoa que receber as dose,excessivas ou não. É importante frisar
que tal conduta é culposa, caracterizada pela imprudência, negligência ou im-
perícia.
Art. 39. Conduzir embarcação ou aeronave após o consumo de drogas,
expondo a dano potencial a incolumidade de outrem:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, além da apreensão do veí-
culo, cassação da habilitação respectiva ou proibição de obtê-la, pelo mesmo
prazo da pena privativa de liberdade aplicada, e pagamento de 200 (duzentos)
a 400 (quatrocentos) dias-multa.
Também faz parte da pena:
• Apreensão do veículo;
• Cassação da habilitação;
• Proibição de obtê-la.
Parágrafo único. As penas de prisão e multa, aplicadas cumulativamente com
as demais, serão de 4 (quatro) a 6 (seis) anos e de 400 (quatrocentos) a 600
(seiscentos) dias-multa, se o veículo referido no caput deste artigo for de
transporte coletivo de passageiros.
Esse tipo de atitude por parte do agente causador deverá ser em área
pública, colocando em risco outrem, bastando para encriminá-lo a prova tes-
temunhal.

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38

Art. 40. As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são aumentadas
de um sexto a dois terços, se:
Só alcança os artigos 33 a 37.
I - a natureza, a procedência da substância ou do produto apreendido e as cir-
cunstâncias do fato evidenciarem a transnacionalidade do delito;
II - o agente praticar o crime prevalecendo-se de função pública ou no de-
sempenho de missão de educação, poder familiar, guarda ou vigilância;
III - a infração tiver sido cometida nas dependências ou imediações de es-
tabelecimentos prisionais, de ensino ou hospitalares, de sedes de entidades
estudantis, sociais, culturais, recreativas, esportivas, ou beneficentes, de locais
de trabalho coletivo, de recintos onde se realizem espetáculos ou diversões de
qualquer natureza, de serviços de tratamento de dependentes de drogas ou de
reinserção social, de unidades militares ou policiais ou em transportes públi-
cos;
IV - o crime tiver sido praticado com violência, grave ameaça, emprego
de arma de fogo
, ou qualquer processo de intimidação difusa ou coletiva;
V - caracterizado o tráfico entre Estados da Federação ou entre estes e o
Distrito Federal;
VI - sua prática envolver ou visar a atingir criança ou adolescente ou a
quem tenha, por qualquer motivo, diminuída ou suprimida a capacidade de
entendimento e determinação;
VII - o agente financiar ou custear a prática do crime.

(Prova: MPE-SP - 2011 - MPE-SP - Promotor de Justiça / Direito Penal
/ Lei nº 11.343-2006 - Lei de Drogas; ) Não constitui causa especial
de aumento de pena a prática do tráfico de drogas
a) dentro de estabelecimento hospitalar.
b) nas imediações de delegacia de polícia.
c) nas dependências de complexo penitenciário.
d) entre municípios de um mesmo Estado.
e) no exercício de atividade educativa.
Gabarito: Letra d – gabarito no art. 40 acima
Art. 41. O indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente com a
investigação policial e o processo criminal
na identificação dos demais co-
autores ou partícipes do crime e na recuperação total ou parcial do produto
do crime
, no caso de condenação, terá pena reduzida de um terço a dois
terços.

A colaboração do indiciado, na fase do inquérito; e do acusado,na fase
processual, deve ser voluntária e resultar na efetiva identificação de coautores

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39

e partícipes ou na recuperação total ou parcial do produto do crime. A colabo-
ração deve ser eficaz, pois se a polícia souber sobre o que o colaborador tem a
dizer, não será causa de diminuição de pena.
O nome que se dá à colaboração é DELAÇÃO PREMIADA.

( Prova: TJ-DFT - 2011 - TJ-DF - Juiz / Direito Penal / Lei nº 11.343-
2006 - Lei de Drogas; ) Da repressão à produção e ao tráfico ilícito de
drogas, anotamos:
a) Desde que para fins terapêuticos, desnecessário se faz a licença
prévia da autoridade competente para produzir, extrair, fabricar,
transformar, preparar, possuir, manter em depósito, importar, expor-
tar, reexportar, remeter, transportar, expor, oferecer, vender, com-
prar, trocar, ceder ou adquirir, drogas ou matéria-prima destinada à
sua preparação;
b) O laudo de constatação da natureza e quantidade do produto, da
substância ou da droga ilícita é suficiente para estabelecer a autoria e
materialidade;
c) O indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente com a inves-
tigação policial e o processo criminal na identificação dos demais co-
autores ou partícipes do crime e na recuperação total ou parcial do
produto do crime, no caso de condenação, terá a pena reduzida de um
terço (1/3) a dois terços (2/3);
d) Após concluído o inquérito policial, dar-se-á vista ao representante
do Ministério Público que, em 10 (dez) dias poderá requerer o seu ar-
quivamento, sendo que, a esse ato, a autoridade judiciária não poderá
se opor.
Letra C – resposta no artigo 41.

O produto do crime não é o lucro auferido com a droga, mas sim a pró-
pria droga, onde produto do crime é diferente de proveito do crime.
Art. 42. O juiz, na fixação das penas, considerará, com preponderância so-
bre o previsto no art. 59 do Código Penal, a natureza e a quantidade da
substância ou do produto, a personalidade e a conduta social do agente.
O legislador menciona que acima do art. 59 (preponderância) deve o magistra-
do levar em conta para a fixação da pena:
Natureza e a quantidade da substância ou do produto
Personalidade e a conduta social do agente.
Mas sempre observando o art. 59 CP.

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Fixação da pena

Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta
social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e conseqüên-
cias do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme
seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime: (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 43. Na fixação da multa a que se referem os arts. 33 a 39 desta Lei, o
juiz, atendendo ao que dispõe o art. 42 desta Lei, determinará o número de
dias-multa
, atribuindo a cada um, segundo as condições econômicas dos
acusados
, valor não inferior a um trinta avos nem superior a 5 (cinco)
vezes
o maior salário-mínimo.
Para a concessão dos dias-multa o magistrado nesse segundo momento
leva em consideração a situação econômica do acusado variando de 1/30 até 5
vezes o salário mínimo.
Parágrafo único. As multas, que em caso de concurso de crimes serão im-
postas sempre cumulativamente, podem ser aumentadas até o décuplo se,
em virtude da situação econômica do acusado, considerá-las o juiz ineficazes,
ainda que aplicadas no máximo.
Art. 44. Os crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1o

, e 34 a 37 desta Lei

são inafiançáveis e insuscetíveis de sursis, graça, indulto, anistia e li-
berdade provisória, vedada a conversão de suas penas em restritivas
de direitos.

MUITO IMPORTANTE !!! Os crimes...

Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, ad-
quirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar,
trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou
fornecer
drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo
com determinação legal ou regulamentar:
Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (qui-
nhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa.

§ 1o

Nas mesmas penas incorre quem:
I - importa, exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende, expõe
à venda, oferece, fornece, tem em depósito, transporta, traz consigo
ou guarda
, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar, matéria-prima, insumo ou produto
químico destinado à preparação de drogas
;
II - semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em desacordo
com determinação legal ou regulamentar, de plantas que se constituam em
matéria-prima para a preparação de drogas;

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III - utiliza local ou bem de qualquer natureza de que tem a proprie-
dade, posse, administração, guarda ou vigilância, ou consente que ou-
trem dele se utilize
, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desa-
cordo com determinação legal ou regulamentar, para o tráfico ilícito de
drogas.

Art. 34. Fabricar, adquirir, utilizar, transportar, oferecer, vender,
distribuir, entregar a qualquer título, possuir, guardar ou fornecer,
ainda que gratuitamente, maquinário, aparelho, instrumento
ou qual-
quer objeto destinado à fabricação, preparação, produção ou transfor-
mação de drogas
, sem autorização ou em desacordo com determinação legal
ou regulamentar:

Art. 35. Associarem-se duas ou mais pessoas para o fim de praticar,
reiteradamente ou não, qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e
§ 1o

, e 34 desta Lei:
Art. 36. Financiar ou custear a prática de qualquer dos crimes previs-
tos nos arts. 33, caput e § 1o

, e 34 desta Lei:
Art. 37. Colaborar, como informante, com grupo, organização ou asso-
ciação destinados à prática de qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, ca-
put e § 1o

, e 34 desta Lei:
Todos são: INAFIANÇÁVEIS E INSUSCETÍVEIS DE SURSIS, GRAÇA, IN-
DULTO E LIBERDADE PROVISÓRIA...
...VEDADA A CONVERSÃO EM RESTRITIVAS DE DIREITOS.

Parágrafo único. Nos crimes previstos no caput deste artigo, dar-se-á o livra-
mento condicional após o cumprimento de dois terços da pena, vedada sua
concessão ao reincidente específico.
É permitido o LIVRAMENTO CONDICIONAL após o cumprimento de 2/3
da pena.

No art. 33 da Lei no

11.343/2006 (tráfico de drogas) é vedado ao juiz:
a) conceder sursis, comutar a pena e convertê-la para restrição de di-
reitos.
b) conceder sursis, indultar e comutar a pena e convertê-la la em res-
trição de direitos.
c) conceder sursis e converter a pena em restrição de conceder sursis,
indultar a pena e convertê-la para restrição de direitos.
d) conceder sursis, indultar a pena e convertê-la para restrição de di-
reitos.
e) conceder sursis e livramento condicional, indultar e comutar a pena
e convertê-la em restrição de direitos.

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42

Gabarito: Letra B

Art. 44. Os crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1o

, e 34 a 37 desta Lei são
inafiançáveis e insuscetíveis de sursis, graça, indulto, anistia e liberdade provi-
sória, vedada a conversão de suas penas em restritivas de direitos
Art. 45. É isento de pena o agente que, em razão da dependência, ou sob
o efeito, proveniente de caso fortuito ou força maior, de droga, era, ao
tempo da ação ou da omissão, qualquer que tenha sido a infração penal prati-
cada, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de de-
terminar-se de acordo com esse entendimento.
A dependência faz relação com o viciado que é equiparado ao doente
mental, permitindo-lhe a aplicação de uma medida de segurança no lugar da
pena restritiva de liberdade.
Caso fortuito é simples ingestão da droga por lapso, engano. E força
maior
seria a ingestão obrigada por um terceiro.
Assim, exclui-se a culpabilidade como previsto no art. 28 § 1º do CP, equipa-
rando-se à embriaguez.
§ 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, provenien-
te de caso fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, intei-
ramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de
acordo com esse entendimento.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
Parágrafo único. Quando absolver o agente, reconhecendo, por força pericial,
que este apresentava, à época do fato previsto neste artigo, as condições refe-
ridas no caput deste artigo, poderá determinar o juiz, na sentença, o seu en-
caminhamento para tratamento médico adequado.
O artigo 45 preceitua o mesmo elencado o art.26 do Código Penal, atuando
junto ao critério biopscológico.
Art. 26 CP- É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvol-
vimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omis-
são, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determi-
nar-se de acordo com esse entendimento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)

O indivíduo estava drogado à época do fato e não apresenta a capacidade
de entender o caráter ilícito do fato.
Art. 46. As penas podem ser reduzidas de um terço a dois terços se, por
força das circunstâncias previstas no art. 45 desta Lei, o agente não pos-
suía, ao tempo da ação ou da omissão
, a plena capacidade de entender o
caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
Então são dois casos a saber:

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43

ISENÇÃO DE PENA

inteiramente incapaz de entender o caráter
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo
com esse entendimento.

REDUÇÃO DE PENA

plena capacidade de entender o caráter ilíci-
to do fato ou de determinar-se de acordo com
esse entendimento
Art. 47. Na sentença condenatória, o juiz, com base em avaliação que ateste a
necessidade de encaminhamento do agente para tratamento, realizada por
profissional de saúde com competência específica na forma da lei, determinará
que a tal se proceda, observado o disposto no art. 26 desta Lei.
Art. 26. O usuário e o dependente de drogas que, em razão da prática de
infração penal, estiverem cumprindo pena privativa de liberdade ou submeti-
dos a medida de segurança, têm garantidos os serviços de atenção à sua saú-
de, definidos pelo respectivo sistema penitenciário.
O presente artigo procurou garantir um bom atendimento ao usuário de
drogas ou dependente, que esteja cumprindo pena privativa de liberdade.

DO PROCEDIMENTO PENAL

Art. 48. O procedimento relativo aos processos por crimes definidos neste Tí-
tulo rege-se pelo disposto neste Capítulo, aplicando-se, subsidiariamente, as
disposições do Código de Processo Penal e da Lei de Execução Penal.
A regra geral para o procedimento penal é da própria lei 11.343, porém
se esta deixar de prever algum procedimento, atuará como subsidiária o Códi-
go de Processo Penal e a Lei de Execução Penal.
Toda lei específica que trata de alguma matéria, como regra, prevalece
sobre o Código Penal, de Processo Penal e a Lei de Execução Penal.
§ 1o

O agente de qualquer das condutas previstas no art. 28 desta Lei, salvo
se houver concurso com os crimes previstos nos arts. 33 a 37 desta Lei, será
processado e julgado na forma dos arts. 60 e seguintes da Lei no

9.099, de 26

de setembro de 1995, que dispõe sobre os Juizados Especiais Criminais.
Art. 28 Lei 11343. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou
trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desa-
cordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes
penas:

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Artigo 60 lei 9099- O Juizado Especial Criminal, provido por Juízes togados ou
togados e leigos, tem competência para a conciliação, o julgamento e a execu-
ção das infrações penais de menor potencial ofensivo
Será competente o Juizado Especial Criminal se o agente incidir no art.
28 desta lei, aplicando a Lei 9099/95 – Juizado Especial Criminal.
Se houver concurso de crimes do art. 28 e dos art. 33 ao 37 desta lei,
não há que se falar em Juizado Especial; pois o traficante usuário responderá
pelo art. 33 ou 34, absorvendo o delito do art. 28.
§ 2o

Tratando-se da conduta prevista no art. 28 desta Lei, não se imporá pri-
são em flagrante, devendo o autor do fato ser imediatamente encaminha-
do ao juízo competente
ou, na falta deste, assumir o compromisso de a
ele comparecer
, lavrando-se termo circunstanciado e providenciando-se as
requisições dos exames e perícias necessários.
É o seguinte: Policial pegando o usuário na rua, não poderá prendê-lo
em flagrante. Leva-o para a delegacia e formaliza o Termo Circunstanciado
apresentando-o em seguida ao Juízo competente; na falta, o usuário assina
um compromisso de comparecer ao juízo.
Então, em nenhum caso do art. 28 será imposta a prisão em flagrante.

§ 3o

Se ausente a autoridade judicial, as providências previstas no § 2o

deste
artigo serão tomadas de imediato pela autoridade policial, no local em que se
encontrar, vedada a detenção do agente.
§ 4o

Concluídos os procedimentos de que trata o § 2o

deste artigo, o agente
será submetido a exame de corpo de delito, se o requerer ou se a autori-
dade de polícia judiciária entender conveniente, e em seguida liberado.
É de praxe encaminhar o usuário ao exame de corpo de delito de modo
que se evitem ações futuras contra a equipe policial por um suposto excesso
ou abuso. Então a autoridade policial, para se resguardar, costuma enviá-lo
para o exame antes da liberação.
Mas, NÃO É OBRIGATÓRIA A RELALIZAÇÃO DO EXAME!!!

§ 5o

Para os fins do disposto no art. 76 da Lei no

9.099, de 1995, que dispõe
sobre os Juizados Especiais Criminais, o Ministério Público poderá propor a
aplicação imediata de pena prevista no art. 28
desta Lei, a ser especifica-
da na proposta.
Art. 76 LEI 9099/95. Havendo representação ou tratando-se de crime de ação
penal pública incondicionada, não sendo caso de arquivamento, o Ministério

Público poderá propor a aplicação imediata de pena restritiva de direi-
tos ou multas
, a ser especificada na proposta.
Penas do Art. 28 desta Lei:
I - advertência sobre os efeitos das drogas;
II - prestação de serviços à comunidade;

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III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.
Art. 49. Tratando-se de condutas tipificadas nos arts. 33, caput e § 1o

, e 34 a
37 desta Lei, o juiz, sempre que as circunstâncias o recomendem, empregará
os instrumentos protetivos de colaboradores e testemunhas previstos na Lei no
9.807, de 13 de julho de 1999.
Serão empregados instrumento de proteção aos colaboradores e às teste-
munhas a depender do caso concreto.
A Lei 9.087/99 preceitua a proteção especial a vítimas e testemunhas, para
todas as pessoas que sofrerem algum tipo de coação moral, física ou material
no curso do processo ou na investigação criminal.
Art. 50. Ocorrendo prisão em flagrante, a autoridade de polícia judiciária fará,
imediatamente, comunicação ao juiz competente, remetendo-lhe cópia do auto
lavrado, do qual será dada vista ao órgão do Ministério Público, em 24 (vinte e
quatro) horas.

Além da comunicação da prisão em flagrante, imediatamente, ao juízo
competente, deve-se enviar cópia do auto de prisão em flagrante à Defensoria
Pública, caso o agente não tenha advogado constituído, e para o Ministério Pú-
blico.

Aos presos pela Polícia Federal deve-se enviar os autos ao Juízo Federal,
ao Ministério Público Federal e à Defensoria Pública da União.
Na situação em que o agente não apresente advogado constituído de-
termina-se o cumprimento do art. 306 do Código de Processo Penal.
Art. 306. A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comu-
nicados imediatamente ao juiz competente, ao Ministério Público e à família do
preso ou à pessoa por ele indicada. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de
2011).

§ 1o

Em até 24 (vinte e quatro) horas após a realização da prisão, será
encaminhado ao juiz competente o auto de prisão em flagrante e, caso o autu-
ado não informe o nome de seu advogado, cópia integral para a Defensoria
Pública. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).
§ 2o

No mesmo prazo, será entregue ao preso, mediante recibo, a nota
de culpa, assinada pela autoridade, com o motivo da prisão, o nome do condu-
tor e os das testemunhas. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).
§ 1o

Para efeito da lavratura do auto de prisão em flagrante e estabelecimento
da materialidade do delito, é suficiente o laudo de constatação da natureza e
quantidade da droga, firmado por perito oficial ou, na falta deste, por pessoa
idônea.

O Laudo de Constatação poderá ser firmado por qualquer pessoa idônea

na falta do perito oficial.

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46

Aplica-se ainda ao flagrante de crime de drogas as regras previstas no
Capítulo II do Título IX do CPP.

DA PRISÃO EM FLAGRANTE

Art. 301. Qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus
agentes deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito.
Art. 304. Apresentado o preso à autoridade competente, ouvirá esta o
condutor e colherá, desde logo, sua assinatura, entregando a este cópia do
termo e recibo de entrega do preso. Em seguida, procederá à oitiva das teste-
munhas que o acompanharem e ao interrogatório do acusado sobre a imputa-
ção que lhe é feita, colhendo, após cada oitiva suas respectivas assinaturas,
lavrando, a autoridade, afinal, o auto. (Redação dada pela Lei nº 11.113, de
2005)

§ 2o

A falta de testemunhas da infração não impedirá o auto de prisão
em flagrante; mas, nesse caso, com o condutor, deverão assiná-lo pelo menos
duas pessoas que hajam testemunhado a apresentação do preso à autoridade.
§ 2o

O perito que subscrever o laudo a que se refere o § 1o

deste artigo não

ficará impedido de participar da elaboração do laudo definitivo.
Art. 51. O inquérito policial será concluído no prazo de 30 (trinta) dias, se o
indiciado estiver preso, e de 90 (noventa) dias, quando solto.

INDICIADO PRESO – 30 DIAS
INDICIADO SOLTO – 90 DIAS

Parágrafo único. Os prazos a que se refere este artigo podem ser duplicados
pelo juiz, ouvido o Ministério Público, mediante pedido justificado da autorida-
de de polícia judiciária.

O inquérito policial relativo ao crime de drogas tem um prazo máximo de
30 dias para se encerrado se o réu estiver preso e de 90 dias para o réu solto.
Sua conclusão terá início com a formalização de um relatório pelo Delegado de
Polícia.
Art. 52. Findos os prazos a que se refere o art. 51 desta Lei, a autoridade de
polícia judiciária, remetendo os autos do inquérito ao juízo:
I - relatará sumariamente as circunstâncias do fato, justificando as razões
que a levaram à classificação do delito, indicando a quantidade e natureza da
substância ou do produto apreendido, o local e as condições em que se desen-
volveu a ação criminosa, as circunstâncias da prisão, a conduta, a qualificação
e os antecedentes do agente; ou
No relatório do Delegado é muito importante que este, de forma resumi-
da, declare os motivos de considerar o indiciado como traficante e não usuário.

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47

II - requererá sua devolução para a realização de diligências necessárias.
As investigações devem prosseguir da melhor maneira possível estando
o indiciado solto. Mas se o indiciado estiver preso, deve-se dar cumprimento ao
previsto no art. 51:
Art. 51. O inquérito policial será concluído no prazo de 30 (trinta) dias, se o
indiciado estiver preso, e de 90 (noventa) dias, quando solto
Parágrafo único. A remessa dos autos far-se-á sem prejuízo de diligências
complementares:
I - necessárias ou úteis à plena elucidação do fato, cujo resultado deverá ser
encaminhado ao juízo competente até 3 (três) dias antes da audiência de
instrução e julgamento
;
II - necessárias ou úteis à indicação dos bens, direitos e valores de que seja
titular o agente, ou que figurem em seu nome, cujo resultado deverá ser en-
caminhado ao juízo competente até 3 (três) dias antes da audiência de
instrução e julgamento
.
Art. 53. Em qualquer fase da persecução criminal relativa aos crimes pre-
vistos nesta Lei, são permitidos, além dos previstos em lei, mediante auto-
rização judicial e ouvido o Ministério Público
, os seguintes procedimentos
investigatórios:
I - a infiltração por agentes de polícia, em tarefas de investigação, consti-
tuída pelos órgãos especializados pertinentes;
A representação pela infiltração dos agentes de polícia é feita pela auto-
ridade policial, sempre ouvido o MP e sendo autorizada pelo juiz.
II - a não-atuação policial sobre os portadores de drogas, seus precurso-
res químicos ou outros produtos utilizados em sua produção, que se encontrem
no território brasileiro, com a finalidade de identificar e responsabilizar
maior número de integrantes
de operações de tráfico e distribuição, sem
prejuízo da ação penal cabível.
A esse procedimento dá-se o nome de AÇÃO CONTROLADA!!!
É um procedimento pelo qual os policiais envolvidos em determinada in-
vestigação, retardam a prisão em flagrante das “mulas” do tráfico deixando-os
atuar para que execute a prisão em momento mais oportuno com a finalidade
de prender os fornecedores/compradores e financiadores do tráfico.
Ex: Uma “mula” com a bagagem com 10 kg de pasta base de cocaína
tenta embarcar em um aeroporto “x” com destino ao “y”. Os policiais já esta-
vam monitorando tal mula há 2 meses. Essa mula levará a droga para um
grande traficante de uma determinada região do Brasil; assim, pede-se autori-
zação pela AÇÃO CONTROLADA ao juiz para o acompanhamento da mula até o
traficante, para prendê-lo.

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Parágrafo único. Na hipótese do inciso II deste artigo, a autorização será con-
cedida desde que sejam conhecidos o itinerário provável e a identificação
dos agentes do delito ou de colaboradores
.

Da Instrução Criminal

Art. 54. Recebidos em juízo os autos do inquérito policial, de Comissão Parla-
mentar de Inquérito ou peças de informação, dar-se-á vista ao Ministério Pú-
blico para, no prazo de 10 (dez) dias, adotar uma das seguintes providências:
As vistas do MP deverá ser de 10 dias a contar do recebimento, sendo
que esse prazo servirá para o indiciado preso ou solto.
I - requerer o arquivamento;
Caso o MP discorde sobre o arquivamento seguirá o disposto no art. 28

CPP.
Art. 28 CPP. Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denún-
cia, requerer o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de
informação, o juiz, no caso de considerar improcedentes as razões invocadas,
fará remessa do inquérito ou peças de informação ao procurador-geral, e este
oferecerá a denúncia, designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-
la, ou insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só então estará o juiz obri-
gado a atender.
II - requisitar as diligências que entender necessárias;
III - oferecer denúncia, arrolar até 5 (cinco) testemunhas e requerer as demais
provas que entender pertinentes.
É só para saber o nº máximo de testemunhas que poderão ser arrola-

das, ou seja, 5.
Art. 55. Oferecida a denúncia, o juiz ordenará a notificação do acusado para
oferecer defesa prévia, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias.

DEFESA PRÉVIA DO ACUSADO

10 DIAS, POR ESCRITO

§ 1o Na resposta, consistente em defesa preliminar e exceções, o acusado po-
derá argüir preliminares e invocar todas as razões de defesa, oferecer docu-
mentos e justificações, especificar as provas que pretende produzir e, até o
número de 5 (cinco), arrolar testemunhas.
§ 2o As exceções serão processadas em apartado, nos termos dos arts. 95 a
113 do Decreto-Lei no 3.689
, de 3 de outubro de 1941 - Código de Processo
Penal.
Art. 95 CPP. Poderão ser opostas as exceções de:
I - suspeição;
II - incompetência de juízo;

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III - litispendência;
IV - ilegitimidade de parte;
V - coisa julgada.
Art. 96. A argüição de suspeição precederá a qualquer outra, salvo quando
fundada em motivo superveniente.
Art. 97. O juiz que espontaneamente afirmar suspeição deverá fazê-lo por es-
crito, declarando o motivo legal, e remeterá imediatamente o processo ao seu
substituto, intimadas as partes.
Art. 98. Quando qualquer das partes pretender recusar o juiz, deverá fazê-lo
em petição assinada por ela própria ou por procurador com poderes especiais,
aduzindo as suas razões acompanhadas de prova documental ou do rol de tes-
temunhas.
Art. 99. Se reconhecer a suspeição, o juiz sustará a marcha do processo,
mandará juntar aos autos a petição do recusante com os documentos que a
instruam, e por despacho se declarará suspeito, ordenando a remessa dos au-
tos ao substituto.
Art. 100. Não aceitando a suspeição, o juiz mandará autuar em apartado a
petição, dará sua resposta dentro em três dias, podendo instruí-la e oferecer
testemunhas, e, em seguida, determinará sejam os autos da exceção remeti-
dos, dentro em 24 vinte e quatro horas, ao juiz ou tribunal a quem competir o
julgamento.
§ 1o

Reconhecida, preliminarmente, a relevância da argüição, o juiz ou tribu-
nal, com citação das partes, marcará dia e hora para a inquirição das testemu-
nhas, seguindo-se o julgamento, independentemente de mais alegações.
§ 2o

Se a suspeição for de manifesta improcedência, o juiz ou relator a rejeita-

rá liminarmente.
Art. 101. Julgada procedente a suspeição, ficarão nulos os atos do processo
principal, pagando o juiz as custas, no caso de erro inescusável; rejeitada, evi-
denciando-se a malícia do excipiente, a este será imposta a multa de duzentos
mil-réis a dois contos de réis.
Art. 102. Quando a parte contrária reconhecer a procedência da argüição, po-
derá ser sustado, a seu requerimento, o processo principal, até que se julgue o
incidente da suspeição.
Art. 103. No Supremo Tribunal Federal e nos Tribunais de Apelação, o juiz que
se julgar suspeito deverá declará-lo nos autos e, se for revisor, passar o feito
ao seu substituto na ordem da precedência, ou, se for relator, apresentar os
autos em mesa para nova distribuição.
§ 1o

Se não for relator nem revisor, o juiz que houver de dar-se por suspeito,
deverá fazê-lo verbalmente, na sessão de julgamento, registrando-se na ata a
declaração.

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§ 2o

Se o presidente do tribunal se der por suspeito, competirá ao seu substi-
tuto designar dia para o julgamento e presidi-lo.
§ 3o

Observar-se-á, quanto à argüição de suspeição pela parte, o disposto nos
arts. 98 a 101, no que Ihe for aplicável, atendido, se o juiz a reconhecer, o que
estabelece este artigo.
§ 4o

A suspeição, não sendo reconhecida, será julgada pelo tribunal pleno,
funcionando como relator o presidente.
§ 5o

Se o recusado for o presidente do tribunal, o relator será o vice-

presidente.
Art. 104. Se for argüida a suspeição do órgão do Ministério Público, o juiz, de-
pois de ouvi-lo, decidirá, sem recurso, podendo antes admitir a produção de
provas no prazo de três dias.
Art. 105. As partes poderão também argüir de suspeitos os peritos, os intér-
pretes e os serventuários ou funcionários de justiça, decidindo o juiz de plano
e sem recurso, à vista da matéria alegada e prova imediata.
Art. 106. A suspeição dos jurados deverá ser argüida oralmente, decidindo de
plano do presidente do Tribunal do Júri, que a rejeitará se, negada pelo recu-
sado, não for imediatamente comprovada, o que tudo constará da ata.
Art. 107. Não se poderá opor suspeição às autoridades policiais nos atos do
inquérito, mas deverão elas declarar-se suspeitas, quando ocorrer motivo legal.
Art. 108. A exceção de incompetência do juízo poderá ser oposta, verbalmen-
te ou por escrito, no prazo de defesa.
§ 1o

Se, ouvido o Ministério Público, for aceita a declinatória, o feito será re-
metido ao juízo competente, onde, ratificados os atos anteriores, o processo
prosseguirá.
§ 2o

Recusada a incompetência, o juiz continuará no feito, fazendo tomar por
termo a declinatória, se formulada verbalmente.
Art. 109. Se em qualquer fase do processo o juiz reconhecer motivo que o
torne incompetente, declará-lo-á nos autos, haja ou não alegação da parte,
prosseguindo-se na forma do artigo anterior.
Art. 110. Nas exceções de litispendência, ilegitimidade de parte e coisa julga-
da, será observado, no que Ihes for aplicável, o disposto sobre a exceção de
incompetência do juízo.
§ 1o

Se a parte houver de opor mais de uma dessas exceções, deverá fazê-lo
numa só petição ou articulado.
§ 2o

A exceção de coisa julgada somente poderá ser oposta em relação ao fato
principal, que tiver sido objeto da sentença.
Art. 111. As exceções serão processadas em autos apartados e não suspende-
rão, em regra, o andamento da ação penal.

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