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Projeto

PERGUNTE
E
RESPONDEREMOS
ON-LINE

Apostolado Veritatis Spiendor


com autorizagáo de
Dom Estéváo Tavares Bettencourt, osb
(¡n memoríam)
APRESEfsTTAQÁO
DA EDipÁO ON-LINE
Diz Sao Pedro que devemos
estar preparados para dar a razáo da
nossa esperanca a todo aquele que no-la
pedir (1 Pedro 3,15).

Esta necessidade de darmos


conta da nossa esperanca e da nossa fé
hoje é mais premente do que outrora,
visto que somos bombardeados por
numerosas correntes filosóficas e
religiosas contrarias á fé católica. Somos
assim incitados a procurar consolidar
nossa crenca católica mediante um
aprofundamento do nosso estudo.
Eis o que neste site Pergunte e
Responderemos propóe aos seus leitores:
aborda questdes da atualidade
controvertidas, elucidando-as do ponto de
II vista cristáo a fim de que as dúvidas se
dissipem e a vivencia católica se fortaleca
no Brasil e no mundo. Queira Deus
abengoar este trabalho assim como a
equipe de Veritatis Splendor que se
encarrega do respectivo site.

Rio de Janeiro, 30 de julho de 2003.


Pe. Esteváo Bettencourt, OSB

NOTA DO APOSTOLADO VERITATIS SPLENDOR

Celebramos convenio com d. Esteváo Bettencourt e


passamos a disponibilizar nesta área, o excelente e sempre atual
conteúdo da revista teológico - filosófica "Pergunte_ e
Responderemos", que conta com mais de 40 anos de publicagáo.
A d. Esteváo Bettencourt agradecemos a confiaca
depositada em nosso trabalho, bem como pela generosidade e
zelo pastoral assim demonstrados.
BÍ0.U&
MORÚL

DEZEMBRO DE 1972
ANO XIII — N« 156
t

índice

Pág.

NATAL 5~
Mais um "furo" recente :
JESÚS TINHA 1,65m DE ALTURA?
COMO ERA JESÚS? 531
A margem de urn llvro Interessante:
"A RESSURREigAO DE CRISTO.
A NOSSA RESSURREICAO NA MORTE" 542

Noticias dos EE. UU. chamaran) a atencSo:


DIVORCIO LEGALIZADO PELA IGREJA ?
COMUNHAO PARA "CASÁIS" NAO CASADOS ? 558

Poesía e Mística:
"O PROFETA" de Gibran Khalll Glbran 571

LIVROS EM RESENHA 572


ÍNDICE GERAL DE 1972 576

• • •

NO PRÓXIMO NÚMERO:

«Serthor, ensina-nos a orar !» CNBB completou vinte anos.


Testemunhas de Jeová : quem :5o ? Morris W.e$t : «Escán
dalo na Igreja».

— X

«PERGUNTE E RESPONDEREMOS»

Assinatura anual CrS 30'00


Número avulso de qualquer mes Cr$ 4>00
Volumos cncadernados de 1958 e 1959 (proco unitario) .... Cr$ 35,00
Índice Geral de 1957 a 1964 Ct$ 10,00
Índice de qualquer ano Cr$ &00
EDITORA LAUDES S. A.
PR ADMINISTEACAO
6M B«a SSo Rafael. 38, ZO09

20000 Rio «leTnelro (GB) Tels.: 208-9981 e 268-2706


O mes de dezembro é fortemente marcado pela perspec
tiva de Natal. Este volta todos os anos, colocando ante osunos- .
sos olhos a sua ornamentagáo característica: o presepio, ,¡ a'
árvore, os presentes, os cantos, etc. Este conjunto de figuras
e sinais tem algoUé fólclórico e, a primeira vista, dlspansáveir
Nao se pode esquecer, porém, que o cenário popular de. Natal
é para o cristáo, veículo de valiosa mensagem; nem poderla
déixar de ser assim, pois Natal é, antes do mais, a plenitudé
da Palavra de Deus entre os homens: «Depois de ter falado
outrora muitas vezes e de varios modos, a nossos país por in
termedio dos profetas, Deus nestes últimos tempos falou-nos
por seu Filho» (Hebr 1,1). .
Natal fala-nos, portanto, com profundidade.
Da sua rica mensagem, salientemos dois tópicos principáis:
1) «Deus pirimeiro nos amou» (cf. 1 Jo 4,9s). Com efeitó.
No relacionamento entre Deus e o homem, a iniciativa toca
a Deus e nao ao homem; háo é o homem que, por seus mé
ritos, desencadeia o favor de Deus, mas, ao contrario, e Deus
quení gratuita e benévolamente se dá ao homem, de tal sorte
que este nao faz senáo responder ao Senhor. Esta verdade e
típica do Cristianismo (sem dúvida, preparado pela Revela-
cíco de Deus a Israel no Antigo Testamento): o filosofo grego
anterior a Cristo admitía que o homem pudesse amar (com
amor interesseiro) a Divindade, pois esta é mais perfeita e
feliz do que o homem; este, voltando se para a Divindade, so
podia esperar ser beneficiado por ela; a recíproca, porém, nao
seria verdadeira; a Divindade nao tinha amor ao homem, por
que nada tinha a ganhar da parte do homem... Quanto ao
homem religioso pré-cristáo, procurava captar a benevolencia
dos deuses e espíritos superiores mediante artes mágicas: «Dou
para que des», dizia o devoto romano á Divindade. O homem se-
< ría servido pelo deus invocado na medida em que servisse a este.
É sobre tal fundo de cena que se destaca pujantemente
a mensagem de Natal. Todos os anos, ao ressoar de novo, ela
nos diz que Deus tem a iniciativa da nos amar,... e de nos
amar com amor divino, isto é, irreversível, inabalável, «sim-
isim» para todo o sempre. Desde que, pecador como e, o ho
mem se chegue ao Deus de Natal com um coragáo arrepen
tido e humilde, encontrará nele a grande resposta do Amor
que nao se cansa nem decepciona com a volubilidade da .cria
tura. Se nos vacilamos, Ele nao vacila, pois é Deus, e nao
homem (cf. Núm 23,19; Os 11,9).

— 529 —
2) «Ele é a nossa paz» (Ef 2,14). Deus tornou-se homem
para fazer que o amor volte do homem a Deus e passe do ho
mem ao homem. «De dois povos fez um só»¿f^"doA°.m^0
intermediario de separagáo: a ínimizade» (Ef 2,14). A numa-
nidade anterior a Cristo estava dividida, do ponto de vista
religioso, em povo judeu e povo pagáo (a grande multadao dos
náo-judeus que adoravam ídolos); Cristo veio derrabar bar-
reiras e divisSes entre os homens; «veio anunciar a paz a vos
(judeus) que estáveis perto, e a paz aos que estavam longe
(pagaos). Por Ele temos, uns e outros, acesso ao Pai, em um
só e mesmo Espirito» (Ef 2,17).
Este reencontró dos homens em Cristo vem-se proces-
sando através dos sáculos e das maneiras mais diversas pos.
siveis A imprensa nos diz, por exemplo, que nos Estados Uni
dos ao lado da «Jesús Revolution» (movida por antigos «nip-
pies») existe na juventude israelita contemporánea <um vigo-
gorosó movimento em diregáo a Cristo. Segundo o rabino Shlo-
mo Cunin, pelo menos 7.000 jovens judeus abragaram o Cris
tianismo recentemente nos EE.UU. O judeo-cristáo Abe Schnei-
der afirma que nos últimos meses somente na California
houve mais conversóes de judeus para o Cristianismo que
nos últimos 23 anos. Se bem que esses convertidos procedam
de todas as idades e dasses sociais, é inegável a predominan
cia dos jovens. Eles encontram Cristo como o Messias, isto e,
o Grande Prometido do Antigo Testamento e o Salvador da
humanidade. Gostam de chamar-se «messianistas» ou «com-
pleted jews»' (judeus aperfeigoados). Para o rabino Tannen-
baum de Manhattan, a causa dessas conversón é o novo des
pertar do estudo ida Biblia entre os cristáos, coisa que faz
falta entre os judeus. A fundacáo do Estado de Israel e suas
Vitorias, tidas como realizagáo das profecías de Jesús (cf. Le
2124-27) somadas a pobreza espiritual de que sofre o judais
mo contemporáneo, segundo o rabino N. Yor Berkowitz, tam-
bém contribuiram para tanto.

Pois bem. É nesta quadra da historia universal que o


Natal de 1972 vem falar a nos, cristáos. Ele nos lembra, em
urna palavra, o amor de Deus,... amor irreversível, que será
fonte de coragem inabalável para que superemos nossas diver
gencias num clima de paz.
Ao Doador de todos os bens, PR agradece quanto rece-
beu no ano de 1972. A gratidáo se estende a todos os amigos
e leitores de PR, a quem a redagáo e a administracao da re
vista desejam Feliz Natal e Próspero Ano Novo!

— 530
«PERGUNTE E RESPONDEREMOS»
Ano XIII — NM56 — Dezembro de 1972

Mals um "furo" recente:

jesús tinha 1,65 de altura?


como era jesús?
Em slntese: Recentemente propalou-se a afirmacSo de estudiosos Ita-
nos segundo a qual Jesús devla ter apenas 1,65 m de altura e cábelos
curtos, pois os homens do Oriente Medio eram balxos e SSo Paulo diz que
ao homem nao convém usar cabeleira (cf. 1 Cor 11,14).
Quanto ao uso de cabeleira e barba por parte de Jesús, ó algo de
multo provável ou mesmo certo, pols a praxe era comum entre os homens
da Palestina: em sinal de luto é que estes raspavam ou arrancavam os cá
belos, que normalmente Ihes catam sobre o pescoco. A observacSo felta
por SSo Paulo aplica-se ao ambiente grego de Corinto, onde a praxe era
diferente da Judéla.

Sobre a estatura física e o semblante de Jesús n§o há noticia fide


digna nem nos Evangelhos nem na Tradlslo. Os escritores e pintores crls-
tSos segulndo conjeturas de fé e teología, tenderam a descrever Jesús
como "o mals belo dos fllhos dos romens" (cf. SI 44,3); nao faltaran», po-
rém, aqueles que apresentaram Jesús como o homem desfigurado pela dor
(cf. Is 53,1-12; SI 21).
Sl" Um dos testemunhos mals Interessantes da Tradlcao é o Santo Sudarlo
de Turlm, que, conforme bons autores, é a mortalha na qual Cristo, descldo
da cruz, terá sido envolvido. Esse paño dá a ver os traeos de um homem
de 1 78 m de altura, dotado de complexáo física avantajada e harmonlosa.
Independentemente do crédito que se atrlbua ou nlo ao Sudarlo de Turlm,
tal é a conclusSo mals provável: somente um homem robusto e perfelta-
mente equilibrado poderla suportar tudo que os Evangelhos referem a res-
peito de Cristo.

Comentario: Segundo as fontes noticiosas, algo de novo


se pode idizer sobre a estatura física de Jesús. Eis o que se
lé no «Jornal do Brasil» de 9/X/72, 1» cad., p. 8:

— 531 —
4 «PERGUNTE E RESPONDEREMOS» 156/1972

ESTUDD REVELA ALTURA REAL DE J. CRISTO

Roma (AFP-JB) — Monsenhor Glullo RIccl, após esludar o sudarlo que,


de acordó com a tradlcáo, envolveu o corpo de Cristo na sepultura, revé-
lou que Jesús tlnha 1,65 m de altura, e n3o 1,85 m, como se acredita.

Segundo o Jornal "II Messagero", esla Informacáo é mals acellável,


doIs os homens do Oriente Medio aínda hoje s3o balxos e se Jesús Cristo
ttvesse mals de 1,80 m de altura, cortamente os Evangelhos o menciona-
rtam, o que nSo ocorreu.

E OS CÁBELOS?
A questáo da altura de Cristo surglu em conseqQénda de urna tentativa
de roubo do sudario, na semana passada, que se encontra em Turlm. O
atentado nao teve éxito, mas atralu a alengüo para o santo sudarlo.

O jornal "II Messagero" retembrou também que fié um ano um erudito


florentino, Diño Pieraccionl, havia chamado a atehcSo das autoridades re
ligiosas com retacSo a outra característica tísica de Jesús Cristo: os cábelos.

Segundo Pieraccionl, Cristo usava cábelos curtos, pols na epístola de


Sao Paulo aos Corintios existe um trecho que diz: "É Indecente para um
homem usar cábelos comprldos."

Visto que tais noticias despertaram a atengáo do públi


co, as páginas que se seguem procuraráo oferecer ao leitor
a possível dooumentagáo e algumas reflexóes sobre o assunto.

1. Sudario «fe Turim : que é ?


1. O Sudario (ou Mortalha) de Turim é um lencol de
1,70 ni de largura e 4,36 m de comprimento, dito «de Turim»
porque guardado em Turim desde 1578 como propriedade da
Casa de Savoia. Nesse paño, segundo interessantes argumen
tos Jesús foi envolvido logo após ter sido desddo da cruz.
O lencol apresenta os traeos característicos de um homem
morto, portador das chagas e dos vestigios de maus tratos
que parecem corresponder estritamente aos da Paixáo de Cris
to Os estudiosos, analisando tais tragos humanos impressos
na mortalha, afirmam que nao se podem explicar por pintura,
mas supóem necessariamente o contato do paño com um au
téntico cadáver recoberto de ferimentos^ esse cadáver devia
ser o de um semita do inicio da era crista.
Um dos mais notáveis estudiosos do assunto é o Dr. Pi-
erre Barbet, médico-cirurgiáo . francés, que dedicou anos ao
estudo dos vestigios da anatomía e fisiología gravados na Mor
talha de Turim. Exprime as suas conclusóes nos seguintes
termos:

_ 532 —
A FISIONOMÍA HUMANA DE CRISTO

"Esteve, portento, um cadáver nes-ja mortalha. Por que deveria ter


sido o de Jesús Cristo e nfio.o de outro homem? Eliminemos logo e rápida
mente esta objegfio repetida com freqüéncia. O cadáver que nela esteve
depositado, tem todos os estigmas da Palxáo. Todos os vestigios que de-
ve ter um crucificado, alguém dirá. Com efeito, inclusive a flagelacSo e o
ferlmento de tanca no coracáo, se o corpo tlver sido devolvido a familia
(como o veremos no cap. II C, 6?). Mas um único crucificado, que o sal-
bamos, foi coroado de esplnhos; e este é o nosso. Além disto, se este nao
fosse o sudarlo de Jesús Cristo, por que o terlam guardado com tanto ca-
rlnho? Enfim, que condenado á morte poderla apresentar em seu semblante
tanta nobreza e majestade divina?" ("A PaixSo de Cristo segundo o cirur-
gláo", p. 49).

2. Todavía nao se poderia deixar de observar que a au


tenticidade do Santo Sudario é contestada por autores que le-
vam em conta a acidentada historia dessa peca.

Com efeito. Nao há noticia alguma do Sudario antes do


ano de 640. O testemunho histórico seguinte data de 1204.
De 1204 a 1349, as crónicas de novo guardam silencio sobre
o assunto. Em 1349, houve um incendio na catedral de
Besangon, após o qual se encontrou vazio o relicario
do paño sagrado, que havia sido guardado naquela igreja.
Este reaparece em 1357 como posse do conde Godofredo de
Charny, que levou o Sudario para Lirey. Em 1532 houve um
incendio na cápela de Chambérry, onde se encontrava a Mor
talha; urna gota de prata derretida queimou vm canto do teci-
do dobrado no relicario, deixando-lhe duas series de furos,
que as clarissas de Chambérry consertaram da melhor manei-
ra possível. Finalmente foi essa venerável pega transferida
para Turim em 1578.
Esta serie de vicissitudes deixa alguns estudiosos céticos
sobre a autenticidade do Santo Sudario; as lacunas no curso
da historia e os incendios Ihes parecem diminuir grandemen
te o crédito que outros autores querem dar á Mortalha de
Turim.

3. A questáo da genuinidade do Santo Sudario fica aberta.


A posigáo afirmativa do Dr. Barbet e de outros pesquisado-
res tem fundamentos válidos; baseia-se principalmente no
exame científico dessa pega. Em suma, os dentistas sao pro
pensos a dizer sim ao Sudario de Turim, ao passo que os his
toriadores se mostram reservados (essa reserva, porém, nao
anula a argumentagáo dos homens de ciencia).
Ulteriores pormenores sobre os pros e contras no tocante
á autenticidade do Sudario de Turim encontram-se em PR
10/1958 pp. 407-413; 119/1969, pp. 464-473.

— 533 —
6 tPERGUNTE E RESPONDEREMOS» 156/1972

Era importante observar estes dados concernentes ao


Santo Sudario de Turim, já que tal paga se tornou ponto de
partida para conjeturas sobre o aspecto físico de Jesús Cristo.

Passemos agora ao exame das sentengas sobre a fisiono


mía humana de Jesús.

2. A estatura de Jesús

1. Baseando-se nos tragos impressos no Santo Sudario,


o Dr. Pierre Barbet faz a saguinte síntese :
"O conjunto revela urna anatomía perfeitamente proporcionada, elegante
e robusta, de um homem que mede cerca de 1,80 metro. O rosto... é belo e
imponente. Está o rosto enquadrado em duas massas de cábelos, que pa-
recem um tanto repuxados para a frente" ("A paix&o de Cristo segundo o
cirurgiSo", p. 31).

"O esterno tem urna altura de 18 cm, o que nada tem de exagerado
num homem de 1,78 m mals ou menos" (ib., p. 158).

"Quando... formos marcar a chaga do coragSo sobre o tórax de um


homem vigoroso de 1,80 m., verificaremos que esta chaga se encontra na
face lateral do tórax, nítidamente atrás do plano anterior esternocostal"
(ib., p. 159).

Do Santo Sudario depreende-se que Jesús teria tido acen


tuado tipo de semita, nariz comprido, boca bem vincada, bar
ba e cábelos abundantes; em suma) um rosto de fascinante
beleza.

As impressóes do Dr. Barbet sao comparülhadas por


varios outros estudiosos — antigos e recentes —, que admitem
tenha sido Jesús forte e robusto, pois levou sempre urna vida
pobre e austera, dada á abnegagáo e á labuta; tenham-se em
varios outros estudiosos — antigos e recentes —, que admitem
passou em oragáo (Le 6,12; Me 1,35), a alimentagáo irregu
lar e sobria que o sustentava através de urna atividade sem
tregua (cf. Me 3,20; 6,31), a carencia de qualquer domicilio
fixo (cf. Le 9,58; Mt 8,20)... Apoiando-se nestes dados do
Evangelho, o teólogo Karl Adam nao hesita em atribuir a
Jesús notável sanidad? física e mental. Veja-se o testemunho
respectivo transcrito em PR 153/1972, p. 401.

2. A opiniáo segundo a qual Jesús teria tido apenas 1,65


m de altura, porque os homens no Oriente Medio até hoje
sao baixos e, se Jesús tivesse tido mais de 1,80 m de altura,
— 534 —
A FISIONOMÍA' HUMANA DE CRISTO

os Evangelhos o teriam mencionado, é assaz pessoal e gra


tuita Mesmo em populacóes marcadas por determrnado tipo
físico há sempre individuos de aspecto mais saliente e pro-
prio. Ademáis os Evangelistas nao pretendiam descrever o
retrato de Jesús, nem mesmo referir tragos de Cristo que nao
tivessem estrito interesse para a catequese; as narragoes do
Evangelho estáo subordinadas & proclamagao da Boa:Nova,
por isto nao sao crónicas nem retratos físicos ou psicológicos no
sentido moderno das palavras.

3. E a cabeleíra de Cristo ?
Afirma-se que Jesús nao usava cabeleira, tevando-se em
1 conta o texto de Sao Paulo em 1 Cor 11, 14s:
"NSo é a própria natureza que vos ensina que é vergonhoso para o
homem usar cábelos compridos, ao passo que para a mulher é gloria ter
longa cabeleira, porque a cabeleira Ihe foi dada como veuf

Note-se, porém, que este trecho foi escrito para cristáos


gregos (de Corinto) por volta de 56. Seria inadequado crer
que as observagóes do Apostólo se aplicariam também a am
biente semita palestinense e, em particular, ao própno Cristo.

Com efeito, pelas térras do Oriente próximo a cabeleira,


nos homens, era geralmente estimada. De modo especial, a
barba sempre foi considerada como símbolo da virilidade e da
autoiidade masculinas. Segundo as tradigóes do Oriente, ate
hoje um varáo em posto de relevo e o anciáo veneravel tra-
zem barba longa. Quanto ao uso de cabeleira entre os povos
antigos, observe-se o seguinte:

No Egito antigo, os plebeus usavam o cábelo cortado. Os


faraós, porém, principes, nobres, militares e homens de clas-
ses abastadas ostentavam grandes perucas, que equivaliam aos
atuais turbantes dos orientáis.

Entre os asárics e babilonios, a cabeleira era sinal de dig-


nidade. Caía, cobrindo as orelhas, até o alto das costas, onde
terminava em forma de leque, frisada como barba.

Os bedniínos orientáis muito apreciavam o cábelo compri-


do; as suas tribos se distinguiam urna das outras pelos diferen
tes adornos das cabeleiras.

— 535 —
8 «PERGUNTE E RESPONDEREMOS» 156/1972

Os hebreus traziam cábelo longo e trancado. Cábelos com-


pridos e ondulados eram urna gloria tanto para o homem como
para a mulher (cf. Jz 16,13.19; 2 Sam 14,26). A barba nos
íiomens também era tida como enfeite positivo (cf. SI 133,2;
2 Sam 20,9). — Nos casos de luto os homens raspavam a ca-
beleira em sinal de tristeza; chegavam mesmo a arrancar os
cábelos. Vejam-se, por exemplo, os seguintes textos:

Esdr 9,3, onde refere Esdras: "Ao ouvlr estas palavras, rasguel a mlnha
túnica e a capa, arranquei os cábelos da cabega e da barba, e sentel-me
desolado".

Jó 1,20: "EntBo Jó levantou-se, rasgou o seu manto e raspou a cabeca.


Depois, prostrado por térra, dlsse: Sal nu do ventre de mlnha mSe e nu
voltarei para ele".

Jer 41,4s: "Dols días depois da morte de Godolias,... chegou de Slquém


um grupo de oltenta homens, de barba raspada, vestes rasgadas e rosto
desfigurado".

Alias, o costume de se cortaran os cábelos em sinal de


luto era freqüente também fora de Israel, como atesta a pró-
pria Biblia:

Is 15,2: "Moab lamenta-se; todas as cabesas estfio raspadas e todas


as barbas cortadas. Andam pelas rúas vestidos de sacos".

Jer 48,37: "No povo de Moab, todas as cabecas foram raspadas, todas
as barbas cortadas. Foram golpeadas as mfio3, os rlns cobertos de sacos .

Ap°nas alguns tipos de cabeleiras eram proibidos aos is


raelitas "por serem de origem paga. Vejam-se mais estas pas-
sagens:

Lev 19,27: "NSo arredondareis as extremidades do cábelo e nSo raspa


reis os cantos da barba".

Dt 14,1: "Vos sois os fllhos do Senhor vosso Deus. NSo faréis, pols,
IncisSo alguma no vosso corpo, nao raspareis os cábelos entre os olhos em
honra de um morto".

Os nazireus, ou seja, homens que eram especialmente con


sagrados a Deus por um voto, deixavam os cábelos crescer li-
vremente. É o que se depreende de

Núm 6 5: "Durante todo o tempo estipulado para a sua abstencSo


(tempo de voto do nazireato), a navalha nSo deve passar pela cabeca do
nazireu; até o flm dos días em que quiser vlver em abstencSo em honra do
Senhor, permanecerá santo e deixará crescer llvremente os cábelos da sua
b"

_ 536 —
A FISIONOMÍA HUMANA DE CRISTO

Em 1 Sam 1,11 diz Ana, futura mfie de Samuel: "Senhor dos exércitos,
se Vos dlgnardes olhar para a aflicáo da vossa serva e Vos lembrardes.de
mlm, se nao Vos esquecerdes da vossa escrava e Ihe derdes um fllho
varflo, eu o consagrarel ao Senhor durante todos os días da sua vida, é'a
navalha nfio passará sobre a sua cabeca". ■ <•' V i'-7

Note-se também o caso de Sansao e sua cabeleira em Jz


13, 5.16; a cabeleira, no caso, nada tinha de mágico, mas era
a expressáo do nazireato ou da consagragáo de SansáÓ ao1 Se
nhor; por causa dessa consagragáo (simbolizada pela cabelei
ra) é que Javé dava forga e coragem ao seú herói na luta
contra os opressores filisteus.

De tais textos se pode deduzir que Jesús, precisamente


por seguir os costumes do seu povo, devia ter cabeleira e barba
respeitáveís.

Na Grecia, onde estava situada a cldade de Corinto, a


praxe era a seguinte: até o séc. V (guerras médicas), predo-
minava o uso de trangas a semelhanga dos costumes orientáis.
Após o século V, quando cessou o influxo dos povos orientáis,
as longas cabeleiras tornaramrse nota distintiva da mulher; os
homens traziam cábelo frisado, que nunca chegava até o pesco-
go. Os escravos tinham o cábelo cortado rente.

Assim se explica a norma dada por Sao Paulo aos Corin


tios (cf. 1 Cor 11,14), norma que nao pode ser extendida ao
ambiente palestinense, onde vivia Jesús.

Procuremos agora, á guisa de ilustragáo, colher as vozes


da tradigáo crista concernentes ao aspecto físico de Cristo.

4. Através dos séculos, a imagem «fe Jesús

~É compreensivel que os cristáos, ao longo do tempo, te-


nham procurado conhecer ou reconstituir os tragos do sem
blante é da estatura de Cristo.

1. Os Evangelhos, nesta perspectiva, nao fornecem dado


algum. Verdade é que Jesús foi reconhecido, entre os convivas
de um banquete, pela pecadora que Ihe ungiu os pés (cf. Le
7,39-50); urna mulher o distinguiu entre a multidáo e o acla-
mou (cf. Le 11,27). Estes dados, porém, nao bastam para se
dizer, como já disseram alguns comentadores, que Jesús era ds
belo e majestoso porte.

— 537 —
10 «PERGUNTE E RESPONDEREMOS» 156/1972

O silencio dos Evangelistas no tocante ao fsico de Jesús


se explica bem desde que se levem em conta a psicología e as
intencóes dos mesmos: nao se propuseram fazer o perfil sensi-
vel de Cristo, mas apenas redigir a sua Boa-Nova em vista
da catequese dos povos.
2 No decorrer dos sáculos, tradicóes diversas afirma-
ram que certos retratos de Cristo haviam sido confeccionados
por milagre. Eis algumas dessas narragóes, que tem rndisou-
tivelmenta caráter lendário:

a) Guando Cristo se retirou para os céus, os Apostólos


teriam pedido a S. Lucas, pintor como era, que reproduzisse
a face de Cristo, para que ninguém a esquecesse: entao, após
tres dias de oracóes e jejuns, quando o futuro Evangelista ia
iniciar o trabalho, apareceu na sua tela de pintor a Santa Face
de Jesús confeccionada de modo milagroso. — Diga-se de pas-
sagem: Sao Lucas nao era do grupo dos doze Apostólos, nem se
pode dizer que tenha sido pintor; descreveu, sim, cenas do
Evangelho que a iconografía crista reproduzm esmeradamen
te ñas telas dos pintores; a anunciagáo do anjo a María, a vi
sita de María a Isabel, o nascimento de Jesús, o encontró de
Jesús no Templo aos doze anos...

b) A mulher que sofría de fluxo de sangue e fora curada


por Jesús (cf. Me 5,25-29), terá tentado pintar os tragos do
seu benfeitor. Mas os retratos que ela fazia, eram sempre
muito diferentes do semblante que ela vira; pelo que perdeu
o ánimo. Foi entáo que Jesús, compadecido, lhe apareceu;
pediu-lhe alimento; depois, limpando o rosto com urna toalna,
ai deixou impressa a sua Santa Face.
c) Outra estória fala de Verónica... Esta, seguindo a
Jesús que carregava a cruz para o Calvario, enxugou com um
véu o rosto do Senhor recoberto de suor e sangue; nesse paño
terá ficado indelevelmente gravada a imagem de Cristo. — A
respeito de .Verónica (ou também Berenice) e a ongem de sua
estória, veja-se PR 27/1960, pp. 112-118.
d) Em Moscou, na antiga Catedral da Assungáo, conser-
vava-se urna outra «Santa Face», cuja origem é narrada nos
seguintes termos:

Abgar reí de Edessa na Siria, era contemporáneo de Je


sús Teñdó ouvido que Cristo era hostilizado pelos fariseus,
quería que o Senhor se refugiasse nos territorios de Edessa.

_ 538 —
A FISIONOMÍA HUMANA DE CRISTO _11

Já que o Mestre nao aceitou o convite, Abgar mandou-lhe um


pintor para fazer o retrato daquele homem cuja fama cnegara
ao seu conhecimento; mas o artista, deslumhrado pelo brilho do
Deus encamado, nao conseguiu desenliar o mínimo trago; Je
sús entáo aplicou a face ao manto do pintor, fixando ali a sua
imagem, mais bela do que poderia ter Mto a mao humana.
Estas lendas, por mais imaginosas que parecam, sao por
tadoras de simbolismo profundo: segundo aqueles que as nar-
raram, significam que é no coracáo daqueles que O procu-
ram e amam que Jesús imprime a sua face.
3. Nos escritos dos autores cristáos através dos sáculos,
encontramos aparentes informagóes sobre o físico de Jesús.
Pode-se dizer que nao foram inspiradas por dados concretos
fornecidos pelos Apostólos ou discípulos contemporáneos de
Cristo, mas, sim, por textos bíblicos anteriores a Cristo, que
eram tomados como descrigóes antedpadas do aspecto humano
de Jesús. Urna serie de depoimentos inspira-se do salmo 44,
3-5, onde o reí messiánico é descrito cheio de fortaleza e encan
to. Ei-los: '
a) Sao Joao Crisóstoro» (t 407): «O aspecto de Cristo
era, por si, cheio de graga admirável» (In Math. 27,2)....
b) Sao Jerónimo (t 420): «Cristo tinha um olhar que lan-
cava raios de fogo de luz celeste, e a majestade divina bnlhava
sobre a sua fronte» (In Math c. 21, 15). :
«Mais forte do que o ímá, atraía tudo a si» (epist 65,8).
c) Por volta de 550, Antomlno de Placeuga, tendo feito urna
Dereerinacáo a Jerusalém, assegurou ter visto a marca, dei-
xadk ¿or Jesús sobre, a pedra, de «um pé belo e gracioso»!
Terá visto também um quadro do Senhor pintado ao vivo,
em que o Messias aparecia com «estatura media, rosto formo-
so, cábelos um tanto encarácolados, máo elegante e dedos afi
lados» .
d) No sáculo vm, dizia-se que André de «Creta encontra
ra um retrato pintado por S. Lucas, no qual Jesús aparecia
com «supercilios unidos, rosto comprido, cabega inclinada e es
tatura bem proporcionada».

e) Pouco mais tarde, um monge grego chamado Epif&nio


chegava ao ponto de precisar que Jesús tinha seis pés de altu-

— 539 —
12 «PERGUNTE E RESPONDEREMOS> 156/1972

ra, nariz grande, tez «da cor do trigo», sobrancelhas pretas,


cábelos ruivos e... que parecia bastante com sua máe!
f) Sao Joao Damasceno, no séc. VIII, e Nicéforo Caliste,
que no séc. XIV reproduzia urna crónica do séc. X, nao fa-
zem senáo atestar pareceres dúbios.
g) Sao Tomás de Aquino (t 1274) dizia: «Cristo tinha
urna complexáo perfeita,... nada de desornado e disforme na-
via em seu corpo» (S. Teol. ni, qu. 46, a. 6; qu. 54, a. 1,
ad 3).
h) O documento mais interessante desta serie é urna
«Carta de Léntulo», que teve grande voga no sáculo XIV, mas
parece ter sido de todo ignorada anteriormente -Umsuptt
«governador de Jerusalém» (?), dito Públio Léntulo (?), tera
escrito «ao Senado e ao Povo Romano» (fórmula esta repu
blicana, que o Imperador Tiberio, contemporáneo de Lentulo,
dificilmente aceitaría); nessa carta Léntulo descreve com por
menores (por vezes poéticos) o físico ds Cristo? a noticia pode
ser impressionante do ponto de vista psicológico, mas é des
tituida de probabilidade histórica. Ei-la:
"Apareceu nestes lempos — e vive ainda — um homem de grande
poder, chamado Jesús Cristo. Os povos o chamam profeta da verdade; e
seus discípulos o dizem Fllho de Deus Ressusclta os ^osecura todas
as doengas. É homem de estatura media; tem o rosto de tal mane rsi ve-
nerável que todas as pessoas que o contemplan podem, ao mesmo lempo,
temé-lo e amé-lo. Os seus cábelos sfio da cor das aveISs maduras, lisos
aló quasl a«¿reinas, com llgelro reflexo azulado e soltos, depols, sobre as
éspáduas. Estao divididos em duas partes no vórtice da cabeca, como.os
usam os nazlreus. A sua testa é unida e multo serena tem semblante «un
ruga nem mancha, e a tez corada; o nariz e a boca nao tem de el os. Traz
barba abundante, da mesma cor da cabetelra. Dividida no quelxo, mas
nfio multo comprida. Seu áspelo é simples e digno; seus¡ olhos claros^
É terrlvel ao repreender, suave e amável em suas advertencias..., mostra
bom humor com ponderacáo. Chorou atgumas vezes, mas nunca riu.E
esbelto e reto de estatura; possul bragos dignos de admlragSo. A aua con
versa ó sensata, breve e modesta. Em consequSncIa, pode-se dlzer preci
samente com o profeta que ó o mais belo dos filhos dos homens (cf. SI
44,3)".
Ao lado dessas afirmagóes elogiosas do físico de Cristo,
encontram-se na tradigáo crista algumas que apresentam Je
sús como «homem desfigurado e sem beleza». Como as ante
riores, também estas tradicóes nao podem ser tidas como fon-
tes para um fiel retrato da realidade de Cristo. Devem-se a
outro texto biblico, a saber, Is 53,1-12: nesta passagem, o Ser
vidor de Javé (o Cristo) é descrito como «esposo da dor e ta-
miliar do sofrimento, exposto ao desprezo de todos os que o
véem». Compreende-se que este texto de Isaías nao possa ser

— 540 —
A FISIONOMÍA HUMANA DE CRISTO 13

tomado como descrigáo do físico cotidiano de Jesús, pois se


refere ao Messias padecente no fim da sua vida pública. O
mesmo se diga do SI 21, utilizado por alguns escritores cristáos
para afirmar a desfiguragáo de Jesús: o salmista descreve
apenas o Messias em sua Paixáo, «feito verme e nao homem,
vitima da qual transpassaram máos e pés e de quem conta-
ram todos os ossos».

Pergunta-se agora: que dizer em síntese, após tal percur-


so dos dados da tradicáo?

5. Conclusóo

Nao é possível reconstituir de maneira segura e definitiva


os traeos fisionómicos de Jesús Cristo. Nem os Evangelhos
nem a literatura e a iconografia cristas posteriores nos trans-
miliram alguma noticia fidedigna a respeito. Os contemporá
neos de Cristo consignaram por escrito apenas o que mteres-
sava á catequese.

Em conseqüéncia, S. Irineu, bispo de Liáo (Franga) em


fins do séc. H, que teve contato com o grupo muito antigo dos
cristáos de Éfeso, verificava: «A imagem física de Jesús é-nos
desconhecida». S. Agostinho (t 430) também observava: «Co
mo seria o rosto de Cristo, ignoramo-lo integramente».
Dos testemunhos da tradicáo, o mais explícito e significa
tivo é o Sudario de Turim. Este — sujeito, sim, a hesitagáo de
historiadores — nos aprésenla urna figura de Cristo físicamen
te avantajada e harmoniosa. Tal dado é confirmado pela con-
sideracáo dos feitos de Cristo narrados no Evangelho: somente
um homem robusto e perfeitamente equilibrado tena podido
ser o sujeito de tais labutas e gestos heroicos. Esta conclusao
merece acato: para explicar a obra de Cristo, há de se supor
um tipo humano perfeitamente constituido.

BIBLIOGRAFÍA :

Danlel-Rops, "Jesús no seu tempo". Porto 1950.


Pierre Barbet, "A palxfio da Cristo segundo o clrurglSo". SSo Paulo 1966.
Josef Bllnzler, "II processo di Gesü". Brescia 1966.
Van den Born, "Dlclonárlo Enciclopédico da Biblia". Petrópolis 1971.
PR 10/1958 pp. 507-413 (Sudarlo de Turim); 119/1969, pp. 464-473
(Sudarlo de Turim); 86/1967, pp. 83-91; 153/1972, pp. 391-407 (Jesús, Deus e
homem).

— 541 —
A margem de um livro ¡nteressante:

"a ressurreicáo de cristo


a nossa ressurreicáo na morte"

Em slntese: o novo llvro de Freí Leonardo Boff "A ressurrelc5o de Cris


to A nossa ressurreicSo na morte" consta de duas partes. — Na primelra,
analta ra textos do Evangelho concernentes á ressurreicáo de Jesús; após
examinar as sentencas e hipóteses da exegese contemporánea sobre, o as-
sunto, afirma a realidade da ressurreicáo corporal de Cristo. Apenas cabe
aquí observar que o autor recorre copiosamente ao método da historia das
formas, seVvIndo-se de criterios por vezes multo pessoais e pouco objetivos.
- Na segunda parte do llvro, Leonardo Boff defende a tese de que o ser
humano ó um todo inseparável (é corpo-atma, nao corpo « «£«0 g»*
morre todo, e ressuscita logo após a morte; nossos morios |á ressuscltaram,
no flm dos lempos estará consumada a sua ressurreicáo porque o cosmos
fnteiro estará glorificado.

A propósito desta nova tese, pode-se dizer que contradiz á constante


doutrina da Igreja, mais de urna vez professada por Papas e Concilios. O
fema nao pode ser dirimido por experiencias científicas "^m apenas por re
curso á filosofía; ele toca a doutrina da fé, da qual a Igreja é a Mestra cre-
denclada. Os argumentos a que recorre a nova tese. nao sSo de todo per
suasivos. Asslm:

— nao se pode dizer que a filosofía grega (segundo a qual o homem é


corpo + alma) nSo seja bíblica, e que o magisterio, ao falar de corpo e
alma, adotou um platonismo depurado, em vez de seguir concepcoes semi
tas e bíblicas;

— o ser humano, com a morte, nao entra na eternldade. Esta é


existencia sem comeco nem flm; por Isto compete a Deus só. O homem
tevé comeco; por Isto conhece sucessSo — sucessSo que pode existir en
tre a morte da pessoa e a ressurreigflo dos corpos no flm dos tempos;

0 purgatorio é doutrina de fé, que, na nova concepcfio, parece per


der o significado que Ihe compete realmente.

EIs por que o novo llvro sobre RessurreicSo, ao lado de bellsslmas pá


ginas sobre a morte e a vida eterna, nos parece apresentar pontos assaz
dlscutfvels e duvldosos. principalmente quando confrontados com as propo-
slcfies do magisterio da Igreja.

— 542 —
«A NOSSA RESSURREICAO NA MORTE» 15

Comentario: O conheddo teólogo franciscano Frei Leo


nardo Boff lancou em setembro pp. mais um de seus livros: «A
ressurreigáo de Cristo. A nossa ressurreigáo na morte» (Vozes,
Petrópolis 1972). O livro é original e interessante; destacam-
-se nele, entre outros dados, certas reflexóes sobre a morte e
seu significado para o homem (pp. 92-101). Contudo essa
obra por suas concepcóes antropológicas e suas conseqüencias
para a fé católica, tem suscitado interrogagóes em muitos lei-
tores. Em vista disto, procuraremos, a seguir, resumir as suas
idéias principáis a fim de comentá-las serenamente.

1. As tdéias-mestras do livro

Na primeira parte do seu escrito, o autor comega por lem-


brar que os homens sempre procuraram conceber a imagem
do homem novo, ideal, plenamente realizado. Os selvagens o
pfojetaram dentro de suas categorías primitivas; o dentista o
entende a partir dos dados da genética, prevendo a mampula-
cáo do genotipo humano, ao passo que o crístáo configura o
homem novo segundo o modelo do Cristo Jesús morto e res-
suscitado; é a ressurreicáo de Cristo que inspira as concepgoes
e a esperánga do cristáo no tocante a consumagáo do homem e
do mundo (pp. 9-18).
Em conseqüéncia, o autor passa a analisar as teses e hi-
póteses dos exegetas protestantes e católicos que hoje em dia
tentam penetrar ñas narrativas do Evangelho referentes á
ressurreicáo de Cristo (pp. 19-40). Algumas dessas sentencas,
inspiradas pelo racionalismo, nao correspondem as exigen
cias da fé, como nota Frei Leonardo. A seguir, o escritor, ser-
vindo-se de dados da exegese contemporánea, tenta reconsti
tuir sumariamente as sucessivas fases da Paixáo, morte e
ressurreieáo de Cristo (pp. 41-55).
Jesús ressuscitado é o novo Adáo. Nele se realiza o sonho
da humanidade cutrora tido como utopia:-1 o homem obtém a
Vitoria sobre a morte, vitória que se torna «topia». Cristo res-
suscitado toma dimensóes cósmicas e abre para todos os ho
mens a perspectiva de superar os males presentes e participar
da vida nova de Cristo (pp. 56-64).

1 Vencer ou Superar a morte sempre pareceu algo de utópico aos ho


mens. "Utopia" em grego compoe-se de ouk (nfio) e Topos (lugar); é o que
nSo tem lugar.

— 543 —
16 «PERGUNTE E RESPONDEREMOS» 156/1972

Comega a esta altura a parte mais original ido livro: a


nossa ressurreigáo na morte. Como entenderemos a nossa par-
ticipagáo na vitória do Senhor Jesús?
O autor parte da proposigáo segundo a qual o homem é
um composto dé corpo e alma; esta seria imortal por si, ao
passo que o corpo estaría fadado a se dissolver na poeira da
térra. Em conseqüéncia, a morte é a separagáo de corpo e
alma- esta recebe imediatamente a sua sangáo (ceu, talvez
precedido de purgatorio), ou inferno; no fim dos tempos, sera
de novo unida á materia ou & corporeidade, quando se der a
ressurreigáo universal.

O autor franciscano julga que esta concepcáo, por mais


comum que seja na teología católica, deve ser feformulada.
A idéia de que o homem é coipo e ato» parece-lne ter sabor
platónico, grego, e nao bíblico. Segundo as concepgoes bíbli
cas — ás quais faz eco, no caso, a filosofía moderna —, o ho
mem é urna unidade, ou seja, corpo-ábnai; em consequencia,
morre por inteiro (nao pode haver separagáo de corpo e alma),
mas também rassuscita imediatamente todo inteiro. «A sobre
vivencia da alma, tal como a reflexáo da teología posterior
tentou eruir destes textos de ressurreigáo (em Sao Joáo e Sao
Paulo), parece nao ser afirmada por tales. Falam simplesmen-
te em ressurreigáo que afeta o homem todo. A ressurreigáo
é obra do Espirito que já agora possuimos. Ele mantera a con-
tinuidade entre a vida e a morte> (p. 77).
Essa ressurreicáo logo após a morte dá inicio a .um pro-
cesso de transfiguragáo do homem todo, processo que atingi
rá a sua plenitude no fim dos tempos, quando o mundo inteiro
for consumado. O homem é um nó de relagSes com todo o
universo, de modo que, somente quando o universo estiver to
talmente transfigurado, a transfiguragáo do homem estará
plenamente realizada.
É a tese do homem oorponalma que fundamenta ou mesmo
exige a afirmagáo de que, quando o homem morre, morre o
ser humano todo e, conseqüentemente (para que nao se perca
a continuidade na existencia), ressuscita logo o mesmo ser hu
mano todo. Essa tese vem assím explicada pelo teólogo fran
ciscano:
"O homem ó um ser em tensSo constante entre urna abertura realizada e
urna abertura absoluta. Ele está dlmenslonallzado para a totalldade e con-
tudo sempre preso ñas estreltezas da sltuacSo concreta. O homem se ex
perimenta felto e simultáneamente sempre aínda por fazer: ele é finito e (n-

544 —
«A NOSSA RESSURREICAO NA MORTE» 17

finito. Essa experldncla profunda fol expressa pela filosofla platónica por cor
no e alma. Corpo é o homem felto e dado; alma é seu principio dinámico
com um tropismo Insaciável para o Infinito. A traglcldade desta concepcSo
conslstiu na entlflcacSo e objetivacSo de corpo e alma como duas coisas
no homem. A experiencia, porém, nos convence que o homem ó a unldade
de todas as suas dlmensBes: é o mesmo homem que guarda a sua Identi-
dade e unldade de eü em cada urna das dlmensOes referidas ácima" (p. 84).

Frei Leonardo expóe minuciosamente o sentido que ele


atribuí as diversas expressóes com que a Biblia se refere ao
homem: homem-carne, homenvcorpo (basar, em hebraico), ho-
mem-alma (nephesh, em hebraico), homem-espírito (machi em
hebraico); cf. pp. 87-89. E condui:

"O homem, pols, na antropología bíblica forma urna unldade: todo ele
Intelro é carne, corpo, alma e espirito. Pode vlver duas opcSes fundamen-
mentais: como homem-carne e como homem-espirlto. Como homenvcame,
contenta-se consigo mesmo e fecha-se em seu próprlo horizonte. Como ho-
mem-esplrlto, abre-se para Deus, de quem recebe a existencia e a Imortall-
dade. Ele é desafiado a viver urna destas posslbllldades exlstencials" (p. 89).

Urna conseqüéncia do que o autor sxpóe erri seu.,livro é


a afirmagáo seguinte: a glorificagáo corporal de María SS. após
a vida presente, glorificagáo que chamamos «Assungáo», nao é
privilegio da Máe ide Deus, mas um espécimen do que se dá
com todos os cristáos falecidos na graga de Deus; a mesma
graga se estenderia, pois, a todos os que morrem no Senhor,
apenas em termos reduzidos (cf. pp. 105-107).

Eis algumas das numerosas idéias que Freí Leonardo pro-


póe em seu livro. Elas resumem o conteúdo essencial dessa
obra. Procuraremos agora refletir sobre as posigóes do autor.

2. Aprofundando a temática

2.1. A resswrreisóo de Cristo

No tocante á ressurreigáo de Cristo, o autor afasta-se das


interpretagóes alegóricas para afirmar a realidade da ressur
reigáo "corpórea de Jesús. Cristo ressuscitado apareceu aos seus
discípulos na veracidade do seu corpo glorificado. É interes-
sante percorrer a exposigáo — fruto de numerosas leituras e
de notável capacidade de síntese — que Frei Leonardo^ faz
das diversas sentengas e hipóteses que a exegese contemporánea
(católica e protestante) formula no tocante aos acontecimentos

— 545 —
18 «PERGUNTE E RESPONDEREMOS» 156/1972

da Páscoa do Senhorj como se compreende, o leitor que deseje


entender essas páginas de Frei Leonardo, deverá possuir certa
iniciagáo em exegese bíblica e em teología — sem o que se jul-
gará estranho em meio as ponderagóes langadas pelos autores
em foco.

Ao analisar os textos do Evangelho concernentes á Pai-


xáo, Morte e Ressurreigáo de Cristo, o teólogo franciscano re
corre copiosamente ao chamado «Método da Historia das For
mas». A aplicagáo de tal método consiste em se procurar
reconstituir o processo histórico por que passou a palavra viva
de Cristo e dos Apostólos antes de ser consignada por escrito
nos Evangelhos. Coni efeito, o texto bíblico é o eco da pregagáo
oral do Senhor e dos seus discípulos; donde se vé a necessidade
de se tentar conhecer os ambientes dessa piegagáo oral do
Senhor e dos discípulos para se poder entender por que
a mensagem foi finalmente redigida deste ou daquele
modo (segundo S. Mateus, segundo S. Marcos, segun
do S. Lucas, segundo S. Joáo...). O magisterio da Igreja
aceita tal método de estudo, contanto que se guarde a consci-
éncia de que a palavra de Cristo apregoada pelos discípulos nos
diversos ambientes do Mediterráneo nao foi deturpada pelos
homens, mas, ao contrario, homogéneamente explicitada e
aplicada, de sorte que no texto escrito dos Evangelhos temos
a auténtica mensagem do Senhor Jesús: no Evangelho é a
Cristo mesmo que ouvimos. — Contudo a aplicagáo do Méto
do da Historia das Formas, por parte do estudioso, é, em
muitos casos, tarefa muito pessoal ou o resultado de posigóes
e opgóes particulares do exegeta. Ora Frei Leonardo, ao es-
tudar os relatos da ressurreigáo e das aparigóes de Cristo nos
Evangelhos, fez suas opgóes, isto é, propós sentengas pessoais
(ou de alguma corrente de estudiosos) e sujeitas a contradigáo.
Tenha-se em vista, por exemplo, um tópico entre outros. ou
seja, a interpretagáo que o autor franciscano (seguindo, alias,
alguns mestres de S. Escritura) dá á transfiguragáo de Cristo
descrita em, Mt 17,1-8; Me 9,1-9-. Esta seria um acontecimento
posterior á Páscoa ou urna aparigáo de Jesús ressuscitado
projetada no tempo anterior á sua morte e ressurreigáo; na
realidade, Cristo nao se teria transfigurado sobre a monta-
nha em preseinga de Pedro, Tiago e Joáo no decorrer da sua
vida pública (cf. p. 54).

— 546 —
«A NOSSA RESSURREICAO NA MORTE» 1?

A tese qu* Frei Leonardo assim adota, é urna opgáo (nao


•ma condusáo necessária) \ Podem-se-lhe opor ponderosas
razóes em favor da realidade da Transfiguragáo sobre alta
montanha durante a vida mortal de Jesús. Leve-se em conta
o arrazoado que Xavier Léon-Dufour (autor conoeituado, que
nao se prende cegamente a tradigóes) propóe a respeito:
"O aconteclmento fol real? O episodio da Transflguracao, tal como está
situado na vida pública de Jesús pelos Sinótloos, nfio pode ser um relato de
Slo pascl|Pque a tradlcSo terla antecipado. Esta hlpótese obrigarla a
effiar Numerosos elementos cuja ausencia retirarla & "aiiaetoa w» In-
dote próprla. Ñas aparlcSes pascáis, os relatos p8em em relevo nao a
transformacao, mas a Identidade do Ressuscltado com Jesús de Nazaré; a
gfórlYpSnece velada aos olhos dos discípulos; a nuvem n8o aparece
Moisés e Ellas n§o intervém; urna palavra como a de Pedro' nao terla sen
tido; quem terla ousado Inventá-la?
EntSo pode-se dlzer que o episodio da Transflguracao, no Evangelio,
é a Spagao de urna aparicBo de Cristo em sua glórta, como aaP«4«o
que teve Saulo de Tarso na estrada de Damasco? — Também neste caso
serla necessárlo suprimir todos os elementos descritivos e simbólicos do
relato, excetuada a gloria.

Ao contrario, em favor da hlstoricldade do aconteclmento, pode-se fa-


zer va?er a correspondencia da maioria dos dados com dados multo segu
ros da vida terrestr*-de Jesús, tais como a escolha dos tres discípulos, o
lato da sua incompreensBo... O leitor ó convidado a ver neste aconteclmen
to misterioso (da Transflguracao) o selo colocado por Deus ao anuncio que
Jesús, no auge da sua vida pública, acabara de fazer a respeito da sorte
do RÍho do Homem" ("Études d'Évangile". París 1965, p. 106s).

De maneira semelhante, frente a outras posigóes exegé-


ticas assumidas pelo teólogo franciscano, poder-se-iam levantar
dúvidas válidas e serias; sao posigóes opcionais, mas nao obn-
gatórias nem indiscutíveis. O autor, porém, nao chama a aten-
cáo do leitor para o caráter meramente opcional e, por isto,
discutível de tais posigóes; em conseqüéncia, o leitor nao ini
ciado na exegese ou na teología pode julgar que todo o que
ele aprendeu até agora estava errado,... que a doutnna da fe

*É natural que perguntemos: pode-se aceitar esta Interpretasao da trans-


flguracSo1 asslm apresentada por Freí Leonardo sem entrar em choque com

8 "A^gorfpoder-se-la dlzer que os Evangelistas usaram de um artificio


redacionll legitimo dentro das regras da literatura antlga. Cíente disto, o
tóltor entenderla que o episodio da TransflgurapBo quería apenas¡dlzer que
o Cristo mortal já era portador de um germen de gloria e de vltórla sobre a
morte; o misterio de Páscoa ]á estarla latente e atuante dentro do corpo
í-sSitoífé bom estamos aquí; se qulseres «arel aquí tros tendas:
urna para TI, urna para Moisés, e outra para Ellas' (Mt 17,4).

_ 547 —
2o «PERGUNTE E RESPONDEREMOS» 156/1972

está totalmente mudada; isto perturba e prejudica o público


cristáo pois pode levar á crise de féou ao descrédito geral.
Alias, diga-se urna vez por todas:- o livro inteiro «A Ressurrei-
cáo Nossa ressurreicáo» desenvolve de vez em quando po-
sicóes discutidas, que o autor nao apresenta como tais, mas,
sim como definitivas; para o grande público, principalmente
no Brasil, é indispensável aos mestres e aos escritores que
abordem assuntos delicados, apresentar sempre todas as face
tas de qualquer problema discutido; isto facilita ao leitor leigo
no assunto um julgamento tranquilo e consciente, em vez de
Ihe causar as perplexidades ou crises que tantas vezes temos
presenciado nos últimos tempos.

2.2. A nossa ressurreicáo na morte

Procuremos agora equacionar os dados sugeridos pela tese


de Leonardo Boff concernente á nossa ressurreicáo.

2.2.1. A base da questáo

A questáo referente ao que nos acontecerá no instante de


nossa morte e logo depois desta nao jpode ser elucidada por
experiencia do estudioso. A resposta deve ser dada «a priori»,
ou seja, a partir de principios filosóficos e das fontes da Reve-
lagáo (ou da Palavra de Deus): á filosofía e á fé toca dizer
o que é esencialmente o homem e em que consiste propria-
mente a morte.

■*r" Ora dois sistemas filosóficos vém ao caso neste contexto.


a) Certas correntes da filosofía baseadas no pensamento
grego antigo ensinam que o homem é composto de corpo e
alma. Esta é espiritual e, por isto, naturalmente imortal (tem
comeco, mas nao terá fim), ao passo que o corpo se decompoe
e destrói quando a alma se separa dele na hora da morte.
Em conseqüéncia, após a morte a alma humana sobrevive sem
corpo.

b) Numerosas vozes da filosofía moderna preferem acen


tuar a unidade do ser humano. Em vez de conceber a este
como coipo e alma, preferem té-lo na conta de corpo-alma,
Conseqüentemente, na hora da morte nao se diga que a alma
(imortal) sobrevive enquanto o corpo é destruido, mas, sim,
que o homem morre todo. — O pensamento semita antigo —
em particular, o dos judeus — era muito dado as concepQoes
concretas; por conseguinte, aproximava-se dessa visao unitaria

— 548 —
<tA NOSSA RESSURREICAO NA MORTE» 21

do ssr humano; nao entendía a existencia de urna alma sepa


rada do corpo.

2.2.2. Que sugere a Biblia?

- Pergunta-se agora: qual das duas concepcóes é adotada


pela Biblia?

Os livros bíblicos do Antigo Testamento foram escritos


preponderantemente em ambiente semita; por isto freqüente-
mente reproduzem a concepgáo unitaria do homem; este nao
seria capaz de atos conscientes senao mediante a sua corporei-
dade. Todavía a S. Escritura nao reflete apenas o pensamentó
semita; mais de um dos seus livros traz marcas da cosmovisáo
e da antropología gregas; assim o livro da Sabedoria, as cartas
de Sao Paulo... Tenha-se em vista também o texto de Mt 10,
28, em que as palavras de Cristo supóem a existencia, no ho
mem, de corpo e alma distintos um do outro: «Nao temáis os
que matam o corpo e nao podem matar a alma. Temei, antes,
aquele que pode fazer parecer na geena o corpo (soma) e a alma
(psydié)».
Deve-se mesmo dizer:. o pensamentó semita antigo, dado
sempre a concepcóes concretas, foi-se desenvolvendo no sentido
do helenismo, de modo que nos tempos de Cristo a existencia
de urna alma distinta do corpo do homem nao era estranha ao
judaismo. Vé-se, pois, que nao se devem identificar «pensamen
tó semita (ou judaico)» e «pensamentó bíblico», de um lado, e,
de outro lado, «pensamentó grego (ou helenista)» e «pensa
mentó extrabíblico». Na verdade, para comunicar a sua men-
sagem aos homens, Deus podia servir-se, como de fato se ser-
viu, tanto de categorías do pensamentó semita como de elemen
tos da filosofía gregaj seria arbitrario querer, de antemáo,
excluir um ou outro desses meios de expressao, pois o pensa
mentó helenista é táo humano quanto o pensamentó judaico.

2.2.3. E o magisterio do Igreja?

Se a Escritura Divina pode ser interpretada ora no sen


tido do judaismo (homem=todo unitario) ora no do helenismo
(homem=corpo e alma), pergunta-se: o magisterio da Igreja
terá algum pronunciamento sobre o homem, a morte e a vida
postuma?

A resposta é afirmativa; assim o Papa Bento XII em


1336 definhi as seguintes proposicóes:

— 549 —
^ «PERGUNTE E RESPONDEREMOS» 156/1972

"Por esta ConstlhiIcSo, que há de valer para sempre, definimos com au-
torldade apostólica que, por dlsposIcSo geral de Deus,

as almas de todos os santos que delxaram este mundo antes da palxSo


de Nosso Senhor Jesús Cristo,

as almas dos santos apostólos... e dos outros fiéis falecldos depois


de ter recebido o santo batlsmo de Cristo, dado que nada tenha havido a
purificar quando morreram ou nada naja a purificar quando futuramente
raorrerem, ou — caso tenha havido ou hala algo a purificar — urna vez
purificadas após a morte,

as almas das crlancas que tenham renascldo ou que futuramente hajam


de renascer pelo dito batlsmo de Cristo, e que venham a morrer antes do
uso do llvre arbitrio,

essas almas todas, logo depois da morte e da purificado de que pre-


cisem, mesmo antes da ressurrefcao dos corpos e do Juízo geral, após a
ascens3o do Salvador Nosso Senhor Jesús Cristo aos céus,

toram, estSo e estarSo no cóu, possuldoras do reino dos cóus e do


paraíso celeste com Cristo, gozando do consorcio dos santos anjos...

Além disto, definimos que, por disposicio geral de Deus, as almas


dos que moiteram em pecado atual e mortal, logo depois da morte, descem
ao inferno, onde sao atormentadas pelas penas Infernáis.

Nao obstante, no día do Juízo todos os homens em seus corpos com-


parecerSo perante o tribunal de Cristo, para prestar contas de seus ajos
próprlos, a fim de que cada qual retira o que tlver felto de bom ou de mau
em seu corpo (cf. 2 Cor 5,10)" (Denzinger, Enqulrldlo rr? 1000s).

Tal texto, como se vé, supóe que a ressurreigáo dos corpos


só se dé no fim dos tempos por ocasiáo do juízo final — o que,
alias, é muito bíblico (pois a Escritura associa sempre a res
surreigáo dos corpos e a vinda gloriosa do Senhor Jesús; cf.
1 Cor 15, 22-28; 1 Tes 4,15-17). Antes, porém, da ressurreicáo
dos corpos, a alma, plenamente consciente de si, já usufnñ da
sorte que ela mesma construiu para si (visáo beatífica de Deus
ou afastamento do Bem Infinito). ,

O Concilio do Latráo V em 1513 assim se pronunciou:


«Condenamos e reprovamos todos os que afirmam que a alma
intelectiva seja mortal ou a mesma em todos os homens» (En-
quiridio n' 1440; cf. 2766. 3771).

Note-se também que a antropología do Concilio do Vati


cano H professa a espiritualidade e a imortalidade da alma
distinta do corpo mortal:

— 550 —
«A NOSSA RESSURREICAO NA MORTE> 23

"Constando de corpo e alma, mas realmente uno, o homem, por sua


próprla condlcSo corporal, sintetiza em si os elementos do mundo mate*
rlal... O homem deve estimar e honrar o seu corpo, porque criado por Dóus
e destinado á ressiirrelcio no último dia... Reconhecendo em si mesmo a
alma espiritual e Imortal, o homem, longe de se Iludir..., atinge a ventada
em toda a sua profundeza!'. (Const "Gaudlum et Spes" n? 14). ■ ■

Seja citado tambán o Credo do Povo de Deus redigido


pelo S. Padre Paulo VI em 1968, a fim de dissipar dúvidas.e
hesitagoes contemporáneas:

"Cremos em um so Deus, Pai, Filho e Espirito Santo... Criador, em


cada homem, da alma espiritual e Imortal...

Cremos na vtda eterna. Cremos que as almas de todo» aqueles que


morrem na grasa de Cristo, quer se devam aínda purificar no purgatorio,
quer sejam recebidas por Jesús no paraíso, no mesmo instante em que del-
xam os seus corpos, como sucedeu ao bom ladráo, formam o povo de Deus,
para além da morte, a qual será definitivamente vencida no día da ressurrel-
cio, em que estas almas se reunlráo aos seus corpos.

Cremos que a multldáo das almas que Já estáo reunidas ao redor de


Jesús e de María no paraíso, formam a Igreja do céu, onde, na eternidade
feliz, véem Deus como Ele é e onde sSo também, em graus diversos, asso-
cladas aos santos anjos no governo divino exercido por Cristo glorioso,
intercedendo por nos e ajudando a nossa fraqueza com a sua solicltude
fraterna" (n? 8. 283).

Como se compreende, a distingáo ácima proposta, entre


corpo e alma, no entendimento dos cristáos, nada tem do dua
lismo platónico ou órfico. O cristáo nao compartilha a idéia
de que o homem seja alma espiritual encarcerada no corpo;
este nao é mau por natureza, mas é criatura feita por Deus
para integrar, com a alma, o composto «homem».

2.2.4. Autoridade da nova sentenca

1. Varios teólogos contemporáneos, entre os quais Leo


nardo Boff, julgam que a clássica posigáo da Igreja até aqui
exposta é reformável, pois se exprimiu em contingentas catego
rías de pensamento grego. As declaragóes atrás citadas do
magisterio da Igreja nao seriam definitivas, porque proferidas
em funcáo de circunstancias e situagóes hoje ultrapassadas;
o platonismo depurado teria inspirado as fórmulas de Bento
XII e do Concilio do Latráo V (p. 68). Sao palavras de Leonardo
Boff* «Se o Concilio do Latráo se movesse dentro do horizonte
da antropología semita, poderia fazer a afirmagáo que fez?

— 551 —
24 «PERGUNTE E RESPONDEREMOS» 156/1972

Certamente, em vez de falar em imortalidade da alma, cano


nizaría a imortalidade da pessoa humana total, e nao de urna
parte déla. Essa interpretacáo parece, segundo as mais recen,
tes pesquisas, revestir de fato a intengáo conciliar. M. Schmaus,
no seu recenta manual de dogmática, diz: 'Nao há nenbuma
declaracáo da Magisterio que defina obrigatoriamente a morte
como separacáo do corpo e da alma. As declaracóes oficiáis
querem garantir a continuidade da vida do homem para além
da morte, mas nao afirmam sxpressa e formalmente que esta
vida deva ser entendida exclusivamente como imortalidade da
alma espiritual. Quando os textos do Magisterio (especialmente
a declaracáo de Bento XII: DS 1000) afirmam a imortali
dade da alma espiritual, utilizam urna formulacáo emprestada
do modelo grego de pensar, através da qual era explicada a
sobrevivencia do homem para além da morte' (Tter Glaube
der Kirche' II. Munique 1970, 744)» (L. Boff, «A ressurrei-
cáo...», p. 69).

A doutrina da fé se salva, segundo os autores da nova


sentenca, também dentro das categorías do pensamento mo
derno: o homem é unidade indissolúvel (corpo-alma). Conse-
qüentemente, ele morre por inteiro e ressuscita ¡mediatamente.
Por ocasiáo do juízo final esta ressurreigáo estará consumada
porque entáo também a patria do homem, o cosmos, estará
transfigurada.

Os defensores desta posigáo escreveram belas páginas da


bibliografía teológica contemporánea sobre o assunto; sao fi
guras beneméritas por seus estudos (assim Michael Schmaus,
P. Benoit, Joseph Moingt, L. Boff...). É o que nos leva a
indagar: será a nova posigáo aceitável aos olhos da fé católica?

2. Sábese que a doutrina da ressurreigáo logo após a


morte foi impugnada pela Comissáo Cardinalícia que exami-
nou o Novo Catecismo Holandés, onde ela era professada. As
conversagóes sobre o assunto entre os teólogos holandeses e
Roma terminaram com urna corregió do texto do Catecismo,
que foi transcrita em PR 138/1971, pp. 256s, e da qual extra-
irnos apenas o final: «Dos mortos — com excecáo de María
— dir-se-á simplesmente que tém a promessa da ressurreigáo».

Este texto é importante por distinguir entre promessa da


ressiureigájo e ressunreisfio. É aquela, e nao esta, que toca aos
defuntos faleados antes do dia do juízo final.

— 552 —
<üA NOSSA RESSURREICAO NA MORTE» 25

Esta intervengáo do magisterio da Igreja no Catecismo


Holandés deve ser levada em estrita conta, pois a questáo nao
se resolve por experiencias científicas nem simplesmentepor
principios de filosofía, mas envolve artigos de fe, artigos que,
para o fiel católico, sao auténticamente ensinados é esclareci
dos pelo magisterio da Igreja. •: ■

Mas pode-se dizer que a teoría dos teólogos contemporá


neos é herética? ' ■'" '.'/'■
Seria intempestivo ou categórico demais falar de here>
sáa no caso. Preferimos ponderar os seguintes tópicos, que con-
tribuiráo fortemente para encaminhar a resposta á pergunta:

1) Parece ura poúcó sumario ou precipitado dizer que as


definigóes de Bento XH e do Concilio do Latráo V nao tém
valor normativo ou decisivo no assunto; nao se pode crér que
visavam apenas a responder a urna problemática hoje ültra-
passada; o magisterio inténcionóu, a quanto parece, afirmar
definitivamente á imortalidade da alma e sua entrada ná/sprte
postuma, como alma separada do corpo, anteriormente á resr
surreiQáo da carne/que se dará por ocasiáo da segunda yinda
de Cristo. —As afirmagóes do Concilio do Vaticano n, as.ob-
servacóes da Comissáo revisora do Catecismo Holandés e os
artigos do Credo do Povo de Deus nao teriam o sentido de con
firmar conscientemente a clássica doutrina da Igreja? — A
resposta positiva parece ciará. '
2) A apregoada oposigáo entre filosofía semita (uni
taria) e filosofía grega (dualista) nao é táo evidente quanto
julgam os arautos da nova tese. Mesmo os júdeus'mais ántigos
admitiam que, após a morte do homem, permanecía em vida
(embora inconsciente, no xeol) um núcleo da personalidade
chamado rafa (o que quer dizer ser débil, lánguido). Os refaim,
na regiáo subterránea (xeol), levavam vida umbrátil, adorme
cida, mas conservavam, sem dú\ñda, a vida, mesmo separada
mente do corpo (este ia para o sepulcro e lá se decompunha;
cf. Gen 37,33; 49,29-32; 50, 1-13). Aos poucos, esse conceito
de refaim foi-se clareando; a consciénda atribuida a esse núcleo
da personalidade foi sendo cada vez mais acentuada, de modo
que a concepgáo de «alma e corpo a integrar o homem» já nao
era estranha ao judaismo no limiar da era crista (cf. livros da
Sabedoria, dos Macabeus...). A respeito já foi publicado um
artigo em PR 123/1970, pp. 104-116.

— 553 —
26 «PERGUNTE E RESPONDEREMOS? 156/1972

3) É inadequado dizer-se que o ser humano após a morte


entra na eternidade, onde já nao há tempo, mas posse simul
tánea de todo o ser e toda a existencia. Se o homem, mediante
a morte, entrasse na eternidade, entender-se-ia que a ressurrei-
gao fosse instantánea; nao haveria como protrai-la até o dia
do juízo final da humanidade. — Na verdade, porém, a eter
nidade (a existencia ssm comego e sem fim) é propriedade
exclusiva de Deus; somente Deus nao tem comeco nem flm e,
por isto, é eterno. Qualquer criatura — por consegtrinte, o ser
humano — tem comeco; por isto conhece sucessáo, desenvol-
ve-se aos poucos. Compreende-se entáo que após a morte a al
ma humana ainda possa aguardar esse acontedmento vindouro
que será a ressurreicjio dos corpos; tal expectativa nao se me
dirá pela sucessáo de dias e noites na existencia postuma, mas,
sim, pela sucessáo de atos (ora mais intensos, ora menos inten
sos) que constituí o evo ou a eviternidade. Do evo nao temos
experiencia enquanto vivemos neste mundo; todavía ele se con-
ceitua lógicamente como o tipo de duracáo que compete a urna
criatura que teve comeco (nao é eterna), mas nao está sujeita a
sucessáo de dias e noites que caracteriza a vida nesta térra.
Na verdade, o ser humano traz em si algo (clasicamente se di
ría: urna alma espiritual) que teve comeco (pois foi criada),
mas nao terá fim, pois é imortal (o espirito, sendo um ser sim
ples, nao composto, nao se decompós, isto é, nao morre).

4) Quem reconhece o evo, nao tem diflculdade em admi


tir um purgatorio real e bem definido. Na sentenca nova, o
purgatorio seria urna crise, tim crisol: na hora da morte, o ho
mem se perceberia destorcido e dobrado ou enrugado pelas
marcas do pecado e dos maus hábitos; teria que arrancar-se e
desfazer-se, num momento, daquelas distorgóes que durante a
vida inteira ele teria acarretado sobre si.1 — Pergunta-se: será
que num momento alguém consegue libertar-se radicalmente do
amor próprio e das diversas distoreces que os maus hábitos e os
pecados implicam para um ser humano? Essa purificac.áo nao é,
antes, <um processo paulatino, no qual o amor de Deus vai pene
trando sucesivamente nos cantos e dobras da alma humana?
Mais: se o purgatorio é instantáneo para todos os homens, en
táo que sentido tém os sufragios pelos defuntos que a Igreja
desde os seus primeiros tempos vem praticando, consciente de

i As conceptees de Leonardo Boff sobre o purgatorio encontram-se su


mariamente ás pp. 98s do llvro "A RessurrelcSo..." e, amplamente, no artigo
da revista "Vozes" 5/1972, pp. 67-71.

— 554 —
«A NOSSA RESSURREICAO NA MORTE» ,_27

que está prosseguinlo e cissenvolvendo idéias e práticas já ates


tadas na Biblia antes de Cristo? Cf. 2 Mac 12,39-46.

5) Pode-se também indagar se as concep;6es do autor


franciscano sobre "a morte nao sao um pouco poéticos e utópi
cas; cf. pp. 92-39). Será que na hora da morte todo hornern faz
sua suprema decisáb? A morte será o ponto alto e mais cons
ciente da existencia de todo ser humano? — Para muitos. a
morte é precedida de esclerosamente e outros males que afetam
a lucidez do pensamento, de modo que morrem com suas capa
cidades humanas (diminuidas. Tais pessoas devem ter feito an
teriormente a sua opcáo decisiva; esta, alias, vai-se afirmando
paulatinamente no decorrer da vida de um homem. mas nem
sempie se há de afirmar lucidamente na hora ida morte.

Nao há dúvida, a morte tem aspecto positivo para o cris-


táo; é remate de caminhada. é chegada á Casa do Pai, é limiar
do encontró face-a-face com a Beleza Infinita.

6) Por último, ainda notamos:

Os conceitos de natureza e grasa expostos as pp. 89s sa-


tisfazem ao ensinamento da Igreja? A graca, nessa cohcepcáo,
ainda seria algo de distinto da natureza?

A manipulagÉto do genotipo e dos condicionamentos biológi


cos do homem podem ser. sem restricóes. aceites pela conscién-
cia crista, contanto que visem «á maior libertacáo físico-psíqui-
co-pessoal da especie humana»? Como entender essa libertacáo
que legitimaria algo de táo delicado para a consciéncia moral?
Cf. pp. 14s.

Eis os motivos por que, diante do novo livro de Frei Leo


nardo Boff, nao podemos deixar de admirar as belas páginas
aue apresenta, mas também nao vemos como silenciar a estru-
tura discutível eos pontos duvidosos que constituem o trámite
da tese sobre a ressurreicjío do homem no momento mesmo da
morte.

O autor é benemérito por procurar exprimir as verdades


da fé em linguagem dos tempos atuais, mas reconhecerá que é
próprio do seu mister cair em ambigüidades ou miasmo em po-
sigóes insuficientemente ortodoxas e, por isto, reformáveis.

— 555 —
28 «PERGUNTE E RESPONDEREMOS> 156/1972

BIBLIOGRAFÍA :

Favoráveis á concepgao clásslca sao:

Card. J. Danlólou, "A ressurrelgao". Porto 1971.

F. X. Durwell, "A ressurreigáo de Jesús, misterio de salvacao". S8o


Paulo 1970.

J. Comblin, "A ressurrelcao". SSo Paulo 1965.

C. Pozo, "Teología del más allá", BAC n? 282. Madrid 1968.

ídem, "Las correcciones al Catecismo holandés'. Madrid 1969.

W. Bulst, "Auferstehung", em "Sacramentum Mundi" I. Frelburg 1967,


pp. 413-416. .

Favoráveis á nova sentenca sao:

K. Rahner, "Sentido teológico de la muerte". Barcelona 1965.

L. Boros, "Mysterium mortis".

E. Poússet, "La résurrection", em "Nouvelle Revue Théologlque" 91


(196?), pp. 1031-1033.

P. Benoit, "Ressurrelcáo no flm dos tempos ou logo depols da morte?"


em, "Conclllum" 60 (1970), pp. 1289-1298.

Varios autores no fascículo 107 do periódico "Lumiére et Vle".

M. Schmaus, "Der Glaube der KIrche" II. München 1970, pp. 734-789.

— 9SS —
• •• Nem meshio urna ;.
• •; Córíípáhhia'-qüb' tía 60 a'rios '■'•
verñ acompanhandó ó ... ■ Más'süá , . ' '.
progrcsso, presente em todo responsabílidade maior é-
o país (com cerca de 3500 corn gente.

postos de servigo), na Seu pessoal é treinado


industria (com mais de 300 de acordó com as modernas
produtos), no campo técnicas, administrativas.
e no lar. A Esso sabe que
A Esso tem urna precisa de gente, porque
• - tradicjio de pioneirismo. ninguém, nem mesmo urna

Chegou á "' # . grande compa- I ~~


',. Transarnazónica com as -, .nhiai pode fazer |
: - primeiras frentes de trabalho ' nada sozinhó.^
Noticias dos EE. UU. chamaran) a atencao:

divorcio legalizado pela igreja ?


comunhao para "(asáis" nao (asados?

Em sinteae: Nao poucos autores católicos tfim dado atencfio á proble


mática do divorcio, visando a aliviar a sorte de casáis Infelizes em seu
contrato matrimonial.

A fim de se examlnarem as novas teses propostas sobre o assunto,


convém flxar dols pontos que ficarfio firmes na doutrlna da Igreja:

1) a Indissolubilldade do matrimonio decorre da lei natural ou é inórente


ao concelto de amor autentico, Independentemente de qualquer crenca re
ligiosa;

2) o vinculo natural fol elevado ao plano sobrenatural por Jesús Cristo.


Em conseqQéncia, a Igreja enslna que o concelto de matrimonio se realiza
demanelra perfelta em todo casamento sacramental e consumado. Somente
este é de todo fndissolúvel. O vínculo natural, asslm como o casamento sa
cramental nao consumado, tem sido dlssolvldos pela Igreja desde que naja
motivo para Isto. ■

A futura leglslacfio canónica nSo alterará o (tem 2 ácima. O que se


espera, é urna revlsio da lista de impedimentos dirimentes do matrimonio;
os que flguram atualmente no Código de Dlrelto Canónico supdem, por ve-
zes, costumes já ultrapassados e nfio levam em conta sltuacSes Inéditas con
temporáneas. Há quem pleltele também a revisáo do concelto de matrimonio
consumado, apelando para criterios mala pessoais ou subjetivos; as novas
sentencas, porém, parecen» desvirtuar a objetlvldade do matrimonio consu
mado; praticamente, este delxaria de existir.

Quanto á concessSo da ComunhSo Eucarística a pessoas "unidas" en


tre si, mas nao casadas legalmente perante a Igreia, é evidentemente um
avanco que nSo se Justifica perante a doutrina católica e que provocou re-
centemente duas declaracdes de Srs. Blspos no Brasil; estes pastores lem-
braram a Illceidade de tal InovacSo. Que os "casáis" nfio casados, embora
nSo possam receber a S. Comunhao, n3o delxem de orar a Deus e de O
procurar na slncerldade do seu coracBol

Goment&rio: Quem acompanha o rumo das idéias no mun


do e na Igreja de nossos tempos, pode notar que se váo esbo-
cando novas tendencias no tocante á Moral conjugal: alern

— 558 —
DIVORCIO LEGALIZADO? 31

da questáo do controle da natalidade e dos anticoncepcionais,


está em voga na Igreja Católica o estudo do divorcio, que tem
suscitado vasta bibliografía entre autores católicos em vista
da reforma do Direito. Canónico. Tenha-se em vista,.;eñtre: ou-:
tros dados, a interessante resenha bibliográfica (apresentacáo
dé livros e artigos^sobre divorcio publicados desde 1965),;elau
borada pelo P. Marcus Bach e editada na revista '¿Perspectiva
Teológica», ano IV, n» 7 (julho-dezembro), 1972, pp. 255-281.
•i ■-•.'x¡r«!
Recentemente, a imprensa noticiava que nos EE.UU. da
América alguns bispos e sacerdotes concederam a Comunháo
Eucarística a pessoas que, após o divorcio, estáo unidas á con
sortes em vida conjugal nao sacramental. A nova praxe tem
provocado protestos dentro da própria Igreja Católica. Cf.
«Time», october 2, 1972 p. 34.
Qucessivos Congressos de teólogos, moralistas e canonistas
tém-se realizado a fim de debater problemas moráis, entre os
quais figura freqüentemente o divorcio. Pode-se mencionar,
por exemplo, o Simposio sobre «O vinculo matrimonial» efetua-
do de 15 a 18 de outubro de 1967, na Universidad» de Notre-
-Dame nos EE.XJU. Em mato de 1970, ocorreu em Estrasburgo
(Franga) um grande Coloquio Internacional de Direito Ecle
siástico, onde o P. Gerhardz, professor de Direito Canónico na
Universidade da Francoforte (Alemanha), apresentou novas
teses.
Aínda em setembro de 1970 teve lugar em Chantilly (Fran
ca) um Congresso de teóloetos moralistas: entre outras coisas,
debateu a nocáo de matrimonio consumado; este dependería ne-
cessária e exclusivamente da cópula carnal? Urna vez efetuada
a uniáo sexual, estará definitivamente consumada a uniáo ma
trimonial? — Em resposta a estas perguntas, os congressistas
de Chantilly chegaram a preconizar, para o novo Código de Di
reito Canónico, dois tipos de casamento cristáo: o primeiro (que
nao deveria ser confundido com casamento experimental) para
as pessoas ainda nao plenamente maduras do ponto de vista
cristáo; seria um contrato natural, reconhecido e abengoado pe
la Igreja, o qual encaminharia os cónjuges para o segundo tipo
de casamento. Este outro seria o sacramento propriamente di
to dotado de indissolubilidade absoluta (ao menos em tese, pois
se poderiam admitir excecoes); só seria ministrado quando os
esposos estivessem suficientemente seguros na sua vida conju
gal e fortes na sua fé crista.
Sao também numerosas as obras que, com muita erudigáo,
abordam a indissolubilidade do matrimonio e o divorcio. As ra-

— 559 —
32 «PERGUNTE E RESPONDEREMOS» 156/1972

zóes que geralmente movem os respectivos autores, sao de ín


dole pastoral: procurando conservar plena fidelidade a Cristo e
ao Evangelho no tocante a doutrina do matrimonio, tém em vis
ta simultáneamente aliviar a sorte dos esposos que naufragaram
em seu casamento. O Patriarca Máximo IV Saigh, de Antio-
quia, terá dito ao Padre Wenger, ex-redator do jornal «La
Croix» de París: «Nao poderemos permanecer em paz diante
dos sofrimentos freqüentemente agudos de grande número de
homens, se nao fizermos tudo que esteja em nosso poder para
encontrar a luz» (citado em «Ecclesia» tí> 261, dezembro 1970,
p 22) A intencáo de quem assim fála, é certamente boa e lou-
vável- todavía as tentativas de solugáo apresentadas para ir
ao encontró dos casáis infelizes suscitam por vezes hesitagao e
perplexidade. Eis por que, ñas páginas subseqüentes, procura,
remos tragar algumas linhas seguras que projetaráo luz sobre
as sentengas e hipóteses da literatura teológica contemporánea.

1. Dois pontos essenciais


O juízo a se proferir sobre a tese favorável ao divorcio de
pende da resposta a urna dupla questáo de importancia capital,
a saber:

— A indissolubilidade do matrimonio apregoada pela Igre-


ja Católica é a expressáo da lei natural e da fé crista ou cons
tituí um artigo da disciplina própria da Igreja Católica? — Nes-
te caso, a indissolubilidade se impóe aos católicos, e somente a
estés. E, se é mera questáo de disciplina eclesiástica, compreen-
de-se que se pleiteie reforma da mesma.

— Mas pode-se também perguntar: a indissolubilidade do


matrimonio nao é um dado inscrito na própria natureza hu
mana?

Após atento exame do assunto, a sá razáo e a teología afir-


mam a segunda tese, assim enunciada:

1.1. O matrimonio é mdtssolúvel por sua própria índole ou


por Iel natural, anteriormente a qualquer lei positiva (religiosa ou
civil).
Como se justifica esta afirmativa?

A uniáo conjugal é naturalmente inspirada palo amor. Ora


amar é, antes do mais, dar-se, e dar-se de maneira total e gra-

— 560 —
DIVORCIO LEGALIZADO? 33

tuita. Um tal amor nobilita o ser humano. Este só é grande na


medida em que se dá; a verdadeira grandeza consiste em que o
homem se dedique totalmente. Restrigoes e instabilidade nos
compromissos e no amor sao sinal de fraqueza e imaturidade.
Note-s>a também que a doagáo mutua de dois conjugues é ó tipo
de uniáo mais íntima possível; por isto ela pede essa totalidade
que consta de monogamia e indissolubilidade (uniáo de dois con
sortes para toda a vida). Um jovem que diga á sua namorada:
«Eu te amo perdidamente até amanhá ao meio-dia», nao a con
vence Quem declare: «Darei tudo por ti até enjoar»,- nao en
trega amor, mas um simulacro de amor forado, porque egoís
ta; tal simulacro nao é apto a suscitar amor, mas, sim, cobiga
interesseira (egocéntrica).
Além disto, observam os sociólogos que o matrimonio mo-
nogámico e indissolúvsl constituí o ambiente mais oportuno pa
ra o feliz desenvolvimento dos filhos.
Nem sempre os homens compreenderam a indissolubilidade
do matrimonio, embora seja decorrente da lei natural; tenham-
-se em vista, por exemplo, os judeus, aos quais a Leí de Moisés
concedía o divorcio (cf. Dt 24,1-4). Na verdade, existem na leí
natural
— prewseitos primarios, dos quais jamáis pode haver dispen
sa (por exemplo, nao adorar falsos deuses ou ídolos, nao matar
o inocente...), e .

preceifios secunfláirios, que sao passivos de dispensa, su-


pondo-se determinada populagáo em urna fase primitiva ou rer
tardada de vida moral. Tal é o preceito natural da indissolubi-
lidade do matrimonio, do qual o povo de Israel foi dispensado
quando aínda era um povo rude ou de dura oarviz, segundo as
palavras do próprio Cristo:

«Acercaram-se de Jesús alguns fariseus com intencáo dé o


apanhar era falta e lhe perguntaram: 'É lícito ao homem repu
diar a sua esposa por qualquer motivo?1
Ele respondeu: 'Nao lestes que o Criador no principio os
criou homem e mulher e lhes disse: Por isto o homem deíxará
pai e máe e se unirá á sua esposa e os dois formaráo urna so
carne? Assim já riáo sao dois, mas urna só carne. Portante,
nao separe o homem aquilo que Deus uniu.'
'Por que entáo, dizem eles, mandou Moisés dar o documen
to de repudio e abandonar a esposa?'

— 561 —
34 «PERGUNTE E RESPONDEREMOS» 156/1972

Ele Ihes diz: 'Fbi por causa da dureza de vosso coragáo


que Moisés vos permitiu abandonar vossas esposas, mas a prin
cipio nao foi assim'» (Mt 19,8).

Após Cristo, é missáo dos filósofos e da Igreja apregoar o


ideal matrimonial em sua grandeza e totalidade.

Por isto é que, mesmo ñas sociedades pluralistas contempo


ráneas, onde credos e filosofías diversas sao simultáneamente
professados, a Igreja nao cessa de proclamar a indissolubilidade
do vínculo nao somente para os fiéis católicos, mas também pa
ra os náo-católicos. Ela tem consciéncia de nao estar preten-
dendo, mediante a legislacáo civil, impor a sociedade pluralista
normas propriamente católicas (o que seria censurável e viola
ría o direito de todo homem á liberdade religiosa). Rejeitando o
divorcio de maneira peremptória, a Igreja tem consciéncia de
estar simplesmente defendendo os direitos do homem como ho
mem.

Eis urna segunda proposigáo que ficará sendo fundamental


na doutrina da Igreja:

1.2. A indissolubilidade natural do matrimonio foi por Jesús


Cristo elevada ao plano sobrenatural ou sacramental.

Em outras palavras: a uniáo conjugal de dois cristáos já


nao é simplesmente célula -da sociedade humana, mas participa
de urna realidade maior e ainda mais densa que é a uniáo de
Cristo com a Igreja; o sacerdocio e a Redencáo de Cristo se
exercem de maneira especial no casal cristáo. Na familia
crista preparam-«e nao apenas bons cidadáos da cidade terres
tre, mas também, e principalmente, filhos de Deus, irmáos do
Primogénito, herdeiros da patria celeste. Tudo o que no lar
cristáo se faga, reveste-se de nova dignidade; é sempre santo,
jamáis meramente profano, pois o matrimonio é um sacramen
to permanente (é sacramento que nao cessa quando cessa a ce-
lebragáo ritual do mesmo em presenga de um presbítero, mas
se prolongam enquanto os esposos vivem). Também a Eucaris
tía é sacramento permanente: nao termina com a celebragáo da
S. Missa, mas subsiste enquanto subsistem o pao e o vinho
consagrados.

Aos poucos dentro da Igreja aflorou a consciéncia de que a


indissolubilidade cabe por excelencia ao matrimonio desde que
seja

— 562 —
DIVORCIO LEGALIZADO ? 35

1) sacramental (ratum, em latim), isto é, celebrado vali


damente entre dois fiéis católicos, e

2) consumado pela uniáo carnal.

Tal casamento realiza em plenitude o conceito de matrimo


nio. Em conseqüéncia, a Igreja, por motivos graves (que ge-
ralmente sao a preservagáo e a conservagáo da fé dos interes-
sados), tem dissolvido o casamento nao sacramental (o vínculo
natural) e o casamento sacramental nao consumado. — Pre
cisamente cinco sao os casos concretos em que os tribunais ecle
siásticos tém disolvido o matrimonio nao sacramental ou o ma
trimonio sacramental nao consumado:

1) o caso do privilegio paulino (cf. 1 Cor 7, 12-16 e Có


digo de Direito Canónico, can. 1120): de dois cónjuges nao ba-
tizados, um se converte á fé católica; o consorte nao batizado,
em conseqüénda, recusa-se a conviver com ele em paz. A Igreja
entáo, baseando-se nos dizeres de Sao Paulo, pode dissolver o
vínculo natural entre eles existente;

2) o matrimonio sacramental nao consumado é dissolvido


por privilegio petrino. Este se aplica a tres outros casos:

3) matrimonio contraído por dois náo-católicos, dos quais


um é batizado e o outro nao. Pode haver dispensa desde que um
se torne católico e a coabitacáo venha a ser impossível. O pri-
meiro caso deste tipo registrou-se em 1924;

4) matrimonio contraído por dois náo-católicos, dos quais


um ao menos é batizado e dos quais nenhum se torna católico.
Para que um desses cónjuges possa contrair matrimonio com um
católico a Igreja tem concedido dispensa do casamento anterior.
Para tanto, porém, requer que a vida conjugal já esteja prati-
camente desfeita.

5) Já se registrou também a dissolucáo de casamento


contraído por um católico com um náo-batizado com dispensa de
diferenga de culto religioso (tal casamento nao era sacramento).

Em suma, somente goza de absoluta indissolubilidade o ma


trimonio sacramental consumado. É possível, pois, que novas
dispensas váo sendo concedidas pela Igreja em relagáo ao vinculo
meramente natural ou á uniáo conjugal nao consumada.

— 563 —
36 cPERGUNTE E RESPONDEREMOS» 156/1972

De modo geral, a legislagáo da Igreja sobre indissoloibili-


dade e dispensa do vinculo baseia-se, de aun lado, sobre a pala-
vra de Cristo em Mt 19,6 («Nao separe o homem. o que Deus
uniu») e, de outro lado, sobre o poder de ligar e desligar conce
dido por Jesús a Psdro e seus sucessores (cf. Mt 16, 16-19).

Pergunta-.se agora: a legislagáo e a praxe da Igreja nao po-


.deráo mudar no futuro? Nao teremos talvez em breve um Di-
reito Canónico reformado, muito mais «condescendente»? É o
que vamos examinar sob o título seguinte:

2. Que poderá mudar?

A afirmacáo de que o matrimonio sacramental (ratum) e


consumado é indissolúvel, pertence ao patrimonio da fé crista.
A Iemja nao tem poder sobre ela; nao lhe é lícito, portante,
cancelá-la ou alterá-la.

Todavía na bibiografia teológica dos últimos tempos os au


tores oleiteiam novas maneiras de entender ou de aplicar a
proposicáo ácima. Estudarsmos de modo especial o que se re
fere aos impedimentos do matrimonio e á consumacáo do mesmo.

2.1. Impadimentos dirimentes

Como no Direito Civil, assim no Direito eclesiástico sao re-


conhecidos certos óbices 'a validade do casamento. Quando um
ca^iranto sacramental é celebrado apesar de um impedimento
dirimente sem nue se tenha obtido a devida dispensa, o matri
monio é nulo. Os cónjuges poderáo viver anos e anos como
esposos aparentes; na verdade. porém, nao estaráo casados; des
de que se prove a existencia de tal impedimento, a Igreja decla
ra nulo tal casamento, isto é, verifica e publica a nulidade de
urna tal >uni5o — o que bem difere de anular («anular» significa
«tornar nulo» algo que em si era válido).

Os impedimentos dirimentes enunciados peo Direito Canó


nico menaceráo, sem dúvida, urna revisáo oportuna. Entre eles
figura, por exemplo. o erro de pessoa (can. 1083). Tal erro é
entendido polo Código em sentido muito restrito: ocorre quando
alguém se" casa com a pessoa A julgando que é a passoa B;
ora isto na verdade se dá muito raramente, podendo todavía
acontecer nos casamentes por procuragáo. Existem hoje em dia

— 564 —
DIVORCIO LEGALIZADO ? 37

muitos erros de pessoa mais freqüentes, como sao, por exemplo,


os erros sobre as condigóes de saúde física ou mental do con
sorte.
Sabe-se outrossim que a inversáo sexual ou o homossexua-
lismo é fenómeno cada vez mais difuso em nossos dias. Verifi-
cou-se também que nao se corrige simplesmente mediante forca
de vontade e disciplina do paciente, mas pode ser algo de pro.
fundamente arraigado no físico e no psíquico da pessoa. Nessas
condigóes vem a ser um obstáculo real para a vida conjugal.
O limita mínimo de idade para se contrair validamente
matrimonio canónico parece, em nossos dias, baixo demais: 16
anos completos para o rapaz; 14 anos completos para a moca.
Nota-se que grande número de casamentos sao contraídos em
ccndicóes de imaturidade psicológica, de tal sorte que se deve-
ria exigir idade um tanto mais elevada para a validada do ca
samento religioso.
Nao poderia também o novo Direito Canónico dispor que
aos futuros nubentes se proporcionasse um período de prepa-
racáo (com palestras e instrucóes, o que está longe de equivaler
a experiencias pré-matrimoniais), a fim de se evitaren» casa-
mertos precipitados, irrefletidos? Tais enlaces, por insuficien
cia de deliberacáo e empenho por parte dos nubentes, nao se-
ráo, em nao poucos casos, inválidos?

Pergunta-se também como julgar o caso de um rapaz que


tenha cometido imprudencia com urna jovem ^^tezento*
eneravidar. A praxe sempre mandou que os dois mteressados
sT ciassem a fim de salvar o nome da moga e dar lar e legali-
fa¿Tfutura prole. Pergunta-se, porém, se o casamento assim
contraído é plenamente livre,.. .se os dois joyens terji condi-
cóes para realizar um casal estavel, feliz e digno. Visto que
em muitos casos nao se pode responder afirmativamente, ]ul-
ga-se oportuno abolir tal praxe, ficando, porém ao joyem a
estrita obrigacáo de dar asslsténcia (ao menos, material ou
fbianceira) á máe solteira e a seu filho. — Conforme noticia
publicada pelo «Daily Mirror» de Londres e transcrita pelo
«Jornal do Brasil» de 30/XII/70, urna entre cinco noivas ingle,
sas se casa porque é obrigada a fazé-lo; os jornais apresentam
a fotografía de urna noiva grávida vestida de véu branco e gri-
nalda ! Será que muitos dos enlaces contraídos em consequen,
cia di» urna desordem moral se concertam realmente, de modo
a se tornar estáveis e felizes ? Nao seria melhor nao fossem
sequer contraídos ?

— 565 —
38 «PERGUNTE E RESPONDEREMOS» 156/1972

Em suma, a vida moderna oferece, sem dúvida, situagóes e


elementos inéditos, que podem afetar o contrato matrimonial
a ponto de torná-lo, por um motivo ou por outro, nulo. Conse-
qüentemente a lista dos impedimentos matrimoniáis, que traz
marcas de civilizagóes antigás, poderia ser revisionada sem que
com isto ss cometesse traigáo ou infidelidade em relagáo á ins-
tituigáo crista do casamento.

Muito mais delicada é a revisáo .do

2.2. Conceito de matrimonio consumado

Até o presente momento o Direito Canónico usa como cri


terio de consumagáo do matrimonio a realizagáo da cópula
camal entre os cónjuges; urna vez efetuado o ato fisiológico
como tal, o casamento é tido como consumado para sempre.
Ora nao poucos estudiosos propóem nova conceituagáo, afir
mando que o ser humano é alguém que se realiza aos poucos ;
em particular, o casamento só atinge a sua perfeigáo e solidez
gravativamente; por conseguinte, para que se possa falar de
matrimonio consumado, seráo necessários, em alguns casos,
varios anos; o amor perfeito é que vem a ser o criterio ade-
quado.

Observa, por exemplo, o famoso teólogo E. Schillebeeckx :

■■O Sim entre os cónjuges é um acontecimento que evoluí: corneja an


tes do casamento, tem o seu momento de soler» confirmaste ni' "lebracác
do matrimonio soclalmente reconhecida, mas também depois disto deve to
mar corpo e isto durante toda a vida. Nesse amaduredmento — esta é a
Derqunta — quai o momento em que se pode considerar realmente consu
mado o matrimonio, de tal forma que seja indlssolúvel de acordó comas
normas canónicas? Apenas se pode reconhecer algum sentido á Importan
cia que o Direlto Canónico dá ao primeiro ato conjugal. Humanamente con
siderado esse prlmeiro contato é, multas vezes, um desastre; por Isto, an
tropológicamente, ó destituido de valor ou ó, justamente pelo contrario, o
prlmelro germen de urna desIntegracSo do matrimonio... Humanamente con
siderado, o matrimonio já pode estar consumado na IntengSo muito tempe
antes que tenha sido realizado de fato o ato sexual; ao contrario, há alguns
matrimonios que, mesmo após a repetida realizagSo do ato sexual, nSo po
dem ser considerados antropológicamente consumados" ("O matrimonio cns-
t3o e a realidade humana de sua total desintegracSo", ad Instar manuscriptl.
em tradugáo portuguesa).

Que dizer a propósito ?

— Tnegavelmente Schillebeeckx e outros teólogos procuram


encontrar o verdadeiro sentido da expressáo «matrimonio con-

— 566 —
DIVORCIO LEGALIZADO ? 39

sumado». Acontece, porém, que a nova conosituacáo é de todo


subjetiva e arbitraria; identifícar-se-ia com amor firme. Ora
este, por mais estável que parega, está sempre sujeito a crescer,
como também a se retratar ou a definhar, de sorte que nunca
se poderia falar propriamente de «matrimonio consumado».
Em materia jurídica requerem-se dados objetivos; embora a
ciencia do Direito conté com o dinamismo e a mobilidade da
natureza humana, ela só pode existir caso trate com realidades
que todos possam reconhecer mediante criterios objetivos.

Verdade é que a primeira cópula carnal entre esposos nem


sempre corresponde a um amor profundamente enraizado. Por
seu conceito, porém, ela supóe e exprime amor,... amor que
naturalmente deverá crescer com o decorrer dos tempos; todos
os valores humanos tendem a se aperfeigoar paulatinamente
0 que nao quer dizer que nao possam ser auténticos desde a
sua primeira manifestagáo.

Para evitar que a cópula conjugal nao seja expressáo da


amor, mas alto leviano, deve-se recomendar a preparacáo para
o matrimonio mediante cursos aptamente ministrados. O que
falta 'á maioria dos jovens casáis, é talvez a tomada de cons-
ciéncia previa dos aspectos biológico, psicológico, moral e reli
gioso do matrimonio. Casamentes empreendidos com levian-
dade ou precipitagáo, aos quais se atribuí o sentido de mera
experiencia retratável (se for conveniente retratá-la), eis o
que torna táo instável e as vezes penosa a vida matrimonial.

Note-sa ainda que a nova conceituagáo de «matrimonio con


sumado» abre a porta para o chamado «casamento experimen
tal», ensaio de casamento que, se nao for tido como consumado
pelos «cónjuges», poderá ceder a outro casamento, também ele
experimental... E isto indefinidamente !

Por último, verifica-se que oartos autores, opondo-se á


índole jurídica e institucional do matrimonio, pretendem dar-lhe
um caráter mais personalista e condizente com as aspiracóes
do ser humano. Caem, porém, muitas vezes no campo do puro
subjetivismo ; vém a afirmar, sim. de urna forma ou de outra,
que o casamento se dissolve quando o amor morre. Neste caso,
um matrimonio validamente contraído poderia tornarle nulo
quando cessassem a paz e o bem-estar conjugáis. — É, porém,
necessário lembrar a distingáo entre personalismo e subjetivismo:
o respeito á personalidade ou aos valores específicamente hu
manos, pessoais, merece todo apoio; todavía ele se concilia per-

— 567 —
40 «PERGUNTE E RESPONDEREMOS» 156/1972

feitamente com a existencia de normas objetivas e de subor-


dinagáo (por vezes, abnegada e dura) as mesmas. O individua
lismo, ao contrario, redunda em puro subjetivismo, só reconhe-
cendo por normas as concepgóes próprias do individuo; desta
atitude só se podem esperar distorcóes da personalidade humana.

As novas Idélas se acham compendiadas todas, por exemplo, no livrc


de V Stelnlnger: "Auflosbarkelt unaufloslicher Ehen". Graz-WIen-Koln 1968.
Em tradugio francesa: "Peut-on dissoudre le mariage?" París, 1970.

APÉNDICE

A fim de ilustrar quanto acaba de ser exposto, váo aquí


transcritos tres documentos abalizados.

I) O primeiro é a resposta de D. Ivo Ltorscheiter, Se


cretario Geral da Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil,
ao Bispo-Prelado da Abaetetuba (PA), datada de 9 de dezem-
bro de 1971 e divulgada por causa do noticiario proveniente
dos EE. UU. da América :
«A consulta expressa em suo prezada carta de 2 do corronte
mgs sobre admissao aos sacramentos de casáis que nao podem
legitimar a sua uniáo — aborda om problema pastoral certamente
doloroso e delicado. A pedido de V. Excia., e em caráter pessoal,
manifestó o meu parecer sobre o assunto :

1) Nao ignoro a existencia de moralistas que advogam a ficei-


dade e até a conveniencia de admitir tais casáis aos sacramentos,
depois de toem examinadas as suas intencóes e afastado o perigo
de escándalo.

2) Da minha parte, ocho mais correto outro modo de encarar


a questáo :

a) estamos na suposiíáo de que os referidos casáis vivem em


situacao objetivamente irregular, «mbora nao possam agora modi-
ficá-la ;

b) sao misteriosos os caminhos da bondade de Deus, que


pode tocar e santificar o coraccio do homem em circunstancias e por
formas a nos desconhecidas ;

c) por isso mesmo, eu animaría tais casáis a confiarsm em


Deus, procurando servi-lo do melhor modo possível; mesmo privados
dos sacramentos, Deus ,poderá ampará-los e salvá-los.

— 568 —
DIVORCIO LEGALIZADO? 41

3} Parece-me, salvo melhor ¡uízo, ,que assim atendemos melhor


aos dados da Teología e as exigencias da Moral e da Pastoral; e,
sem menosprezar o valor dos sacramentos, nao fazemos deles depender
o amor e a onípoténcia de Deus».

H) O segundo documento é urna Nota da Curia Metropo


litana do Rio de Janeiro assinada por D. José de Castro Pinto,
BispovAuxiliar, aos 5/X/1972:

«A ma« elementar prudencia nos manda verificar o que real


mente aconteceu (o noticiario proveniente dos Estados Unidos), pois
a noticia, como está exarada, nos dá a ¡mpressao de exageres ou
generalizacSes de algum abuso particular.

Na hipótese de alguns, ou mesmo muitos, abusos cometidos


nesse sentido, a leí da Igreja nao foi revogada, tanto mais que
neste assunto estáo implicados pontos de ordem teológica, nao apenas
aspectos disciplinares ; pelo que nao seriam decisoes abusivas e par
ticulares que viriam ter forca de leí, nem mesmo de dispensa de
lei gemí».

ni) Transcrevemos aínda a entrevista de D. José de Cas


tro Pinto publicada pelo jornal «O Globo» do Rio de Janeiro
aos 6/X/1972 :

«Um homem ou urna mulher que, separando-se do outro c6n-


Suge volta a se casar — disse D. José de Castro Pinto — se excluí,
por si mesmo, da comunháo da Igreja, ísto é, se torna excomulgado,
nao podendo participar dos sacramentos da lgr*|a Católica. A indis-
solubilidade do casamento — continuou — é um dos pontosi da
doutrina que Cristo deixou ó lgr.eja de mane.ra clara e insofismavel.

T3o clara acentuou o Vigário Geral da Arquidiocese do Río


de Janeiro — que os Apostólos observaran», depois de ouvirem a
afirmacáo de Cristo : 'Se é assim, é melhor nao casar1.

Dom José de Castro Pinto explicou que a permissao do divorcio


por Moisés, com autorizacáo de Deus, tem sua justificativa na situa-
cáo em que se encontrava a mulher antes de Cristo. — 'Ela era, disse,
propriedadé do pai; do marido, depois de casar; e do filho mois
velho, quando se tornava viúva. O marido, como propnietário, tinha
direitós absolutos, sobre ela, inclusive de espancá-la e/ou mató-la.

Perante esta situacáo — explicou D. José — é que a lei mosaica


permitiu ao marido, como proprietário, abandonar a mulher, o que

— 569 —
42 «PERGUNTE E RESPONDEREMOS» 156/1972

era melhor do que «spancá-la ou matá-la, tanto mais que a poliga


mia era costume da época. Com Cristo, porém, a dignidade da mulher
foi restobelecida, razáo pela ,qual o casamento pode voltar ao estado
primitivo, imposto por Deus : o da indissolubilidade'.

D. José de Castro Pinto ne.gou a possibilidade do divorcio com


fundamento na falta de amor subseqOente ao casamento.

'Nao se pode afirmar — disse — que, aos 19,20 ou 21 anos,


um ¡overn nao tenha condicoes de se decidir pelo resto da vida, como
se requer para o casamento, quando tem tais condicoes diante de
varios outros problemas.

Os casos nos quais fique comprovado, após o casamento, que


houve erro de pessoa, devem ser apurados e, se constatados, podem
produzir a declaracao de nulidade, isto é, a declaracao de que o ato,
embora com todas as aparéncias, nao teve o requisito essencial para
ser um casamento.

Mas, se o casamento foi válido — observou D. José —, a


Igreja jamáis poderá consentir em que se¡a tornado nulo, de maneira
que os cónjuges voltem a se casar. Nos casos de abuso por parte
de algum sacerdote, permitindo o que a lgre¡a nao permite, o cami-
nho a seguir é o da punicáo desse sacerdote «través dos processos
previstos no próprio Código de Direito Canónico, isto é, da adver
tencia pessoal as penalidades maiores, inclusive a excomunhao'».

"A experiencia me ensinou que ninguém no


mundo é consolado sem que primeiro tenha consolado
e que nada recebemos que antes nao tendamos
dado.
Entre nos, homens, há apenas troca.
Deus é o único que dá, que apenas dá."

(Georges Bernanos)

— 570 —
Poesía e Mística:

"o profeta11
de gibran khalil gibran1

Gibran Khalil é um pensador árabe que viveu em Beirute,


Bostón París, Nova Iorque, refletindo sobre a realidade da
existencia em meio aos homens. Em «O Profeta», o autor
imagina um profeta exilado em térra longíqua á espera do
navio que o deveria levar de volta á sua ilha natal. No dia em
que o navio chega, o povo cerca o profeta e pede-lhe que lhe
deixe antes de partir, algo de sua sabedoria. O profeta póe-se
entáo a discorrer sobre amor, matrimonio, filhos, comer e beber,
trabalho, crime e castigo, liberdade, prece, religiáo, inorte...
O S9U estilo tem algo de poético; recorre a freqüentes imagens,
aptas a dar certa grasa ao texto.

Há belas afirmacóes ñas páginas de Gibran; tenha-se em


vista por exemplo, o capitulo sobre o matrimonio (pp. los).
Há porém, textos confusos, como os que se referem la morte
(pp. 85s), á religiáo (pp. 81s), á oracáo (pp. 71s), ao Eu-divino
(pp. 39s). A filosofía que inspira o autor, parece ser, em ultima
análise, o panteísmo, ou seja, a concepcáo de que a Divindade
se identifica com a natureza cósmica e o homem. Leve-se em
conta, por exemplo, a reflexáo sobre o Bu-divino que ha em
cada um de nos.: «Similar ao océano é o vosso Eu-divino...
E similar também ao sol é vosso Eu-divino... Mas vosso
Euidivino nao reside sozinho no vosso ser... Em vos muito
é aínda do homem, e muito nao é ainda do homem.. -Como
urna procissáo, vos avancais, juntos, para vosso Eu-divino»
(pp. 39s). Que significam tais dizeres propriamente ?
Sobre a oracáo lemos o seguinte : «Que é a oragáo senáo
a expansáo de vosso ser para o éter vívente ?... Quando re
záis, yos eleváis até encontrardes ñas alturas aqueles que estao

iTraducáo e apresentagfio de Mansour Chalina. "Biblioteca do Leltor


Moderno'", vol. 71. Rio de Janeiro 1968, 140 x 215 mm, 98 pp.

— 571 —
44 «PERGUNTE E RESPONDEREMOS» 156/1972

orando á mesma hora e que fora da oracáo talvez nunca encon-


trásseis» (p. 71). Pergunta-se: que é o éter vívente ? Como
entender a elevacáo do orante até encontrar-se no espaco com
outros orantes? Tém-se ai concepgóes assaz diversas das do
Cristianismo.

Era suma, o livro «O Profeta» pode ter encanto poético,


mas, do ponto de vista doutrinário, é fraoo e confuso. Se algum
cristáo deseja um livro de meditacáo e prece, leía, por exemplo,
(para só citar alguns poucos escritos da bibliografía recente
no Brasil): Mchel Quoist, «Construir o homem e o mundo»,
«Poemas para rezar» (Livraria Duas Cidades, Sao Paulo) ;
L Jordáo Villela, «Nao estou só» (ed. Vozes), «Aprenda a ser
fe'liz» (Ed. José Olimpio), A. Ribeiro Guimaráes, «Caminhos
da vida» (ed. Vozes), H. Baggio, «Oracáo da caminhada»,
«Caminhando juntos» (ed. Vozes), C. e H. Kesselmeier, «Cristo,
Caminho, Verdade, Vida» (Sonó-Viso do Brasil).

Estéváo Bettencourt. O.S.B.

livros em resentía
Católicos Penteoostals, por Kevin e Dorothy Ranaghan. Tradu-
cao de Paulo de Aragáo Lins. - Edigáo de O. S. Boyer, Pindamo-
nhangaba (SP)?1» tiragem em Janeiro de 1972, 110 x 180 mm, 332 pp.
Este livro, escrito nos EE.UU. da América, narra as origens do
movimento pentecostal católico: este lniclou-se nos anos de 1966/1967
m Sersidade de Duquesne em Pittsburg (U.S.A.) e propagou-se para
outros centros de estudos superiores norte-americanos. O livro refere
as experiencias dos primeiros apostólos do movimento e íornece os
fundamentos teológicos do mesmo. Chama a atencáo, entre ou1ro&
o cap. VI intitulado «O falar em linguas», onde varios exemplos deste
dom do Espirito sSo expostos. Na verdade, o Espirito Santo outor-
gou outrora e ainda hoje pode outorgar, o dom das línguas; faz-se
mister porém, o dom do discernimento (que também é graca do
Espirito), a fim de se distinguirem de fenómenos meramente psico
lógicos as auténticas gracas de Deus.

Recomenda-se a obra a quem deseje formar um juizo esclare


cido sobre o pentecostalismo tal como é entendido entre os católicos.

— 572 —
LIVROS EM RESENHA _ü>

HA lugar para Deas na ciencia moderna? por Brizzi, Cimino,


DezzaTGallo, Jaeger. Lambertini, Marcozzi, Soccprsl Tradugáo de
GuUhérme Pinto Carvalheira. ColecSo «Pontos controversos» n» 6
- Ed. Paulinas. Caxias do Sul 1971. 120 x 180 mm, pp. 171 pp.
Temos aquí urna coletánea de capítulos devidos a especialistas,
aueinostram como os-resultados de pesquisas da ciencia moderna le-
3amM estudiosos a reconhecer a existencia e os atributos de Deus.
Este refulge nos limites da ciencia. Assim a astronomía, investi
gando o cornos e suas vertiginosas dimensfies, leva a conhecer o
Deus Eterno- a anatomía, investigando as maravilhas do corpo hu
mano dáTestemunho da sabedoria do Criador; a física moderna a»
na á Causa Primeira (a teoría da relatividade de Elnstein nao afeta
o Absoluto de Deus); a paleoetnologia aponta vestigios de culto re-
Ugioso na pré-história; a ciencia do pireito e a procura da justica
encontram sua íonte primeira e seu fundamento na Justica Divina,
que é também Amor.

O livro está redigido com objetividade; tem caráter de divul-


gacáo e destlna-se a circulo de leltores relativamente ampio. Preci-
sávamos, no Brasil, de tal instrumento de trabalho, principalmente
ñas escolas de ensino medio e superior. Embora se diga que o ceticis-
mo dos séc. XVHI e XIX esta, hoje em dia, superado, era oportuno
que numa visáo panorámica se percebesse como a ciencia em seus
diversos setores de trabalho pode levar a Deus. Dir-se-ia mesmo:
quanto mais alguém é culto, tanto mais condicaes tem de reconhecer
seu Criador. É o que justifica as palavras do S. Padre Paulo VI:

«A Igreja olha o progresso científico... com admiracáo, com


simpatía, com confianca... Onde há pesquisa e descoberta, aumento
de saber e de acSo, al existe... penetracao da obra de Deus, aproxl-
macao dos dois termos em jogo: o homem e Deus.

fi por isso que... o progresso científico, longe de esvaziar a


reltgISo, prepara as suas mais altas e profundas expressOes. Hoje
esta convergencia do mundo científico para um reconheclmento re-
lirfoso final e transcendente comeca a projetar-se nos espirites mais
meditativos e é de aesejar-se que sirva de preludio a um novo.Cán
tico das criaturas, matemática e racional, mas n&o menos lírico e
místico que o do irmSo Francisco.
Prepare seus fUhos par» o futuro, por JoSo Mohana. — Edi
tora Globo, Porto Alegre 1972, 145 x 215 mm, 272 pp.

Jofio Mohana, médico e sacerdote, já é o autor de «A vida se-


rimi dos soltaros e casados e <tAju«¡tamento conjugal» (além de ou-
tros Hvros varios). Com a obra ácima catalogada, ele entrega ao
público urna valiosa colecao de preoaracSo para o casamento ou de
tO para o esposo-pai e a esposa-máe.

O autor analisa a vida biológica, a vida social e a vida espiri


tual dos filhos, abordando os problemas que possam surgir em cada
urna dessas áreas. Particularmente interessantes, entre outros, sao
os capítulos «Como fazer o filho homossexual?» e «Como evitar o
füho homossexual?>; Mohana examina al as causas do homossexua-
lismo em termos científicos, propondo-lhe também a profilaxia e os

— 573 —
46 «PERGUNTE E RESPONDEREMOS» 156/1972

remedios, entre os quais estáo certos principios de auténtica edu-


cacao sexual. De ponta a ponta, o livro oferece orientacáo segura e
equilibrada; aceita quanto de positivo hajam dito Freud e a escola
psicanalitica, guardando, porém, sempre uma visáo crista dos pro
blemas da formacao da personalidade. Mohana procura lazer que a
razáo e o bom senso dos pais prevalecam sobre o sentimentalismo
vazio, o amor lúcido sobre o amor miope. «Conceder tudo-ao íilhb'é
fabricar uma bomba a longo prazo. Os pais que n§o sabem dizér
'nao' a um filho, nao estáo preparando este filho para os 'nao' úá
vida» (p. 109). O autor, porém, nao deixa de exigir que os genitores
dém aos íilhos o testemunho de auténtico autodominio no uso do
sexo, harmonía e amor, a íim de poder conservar autorldade Junto
aos filhos. — É de notar também que nao esquece a íormagao reli
giosa das criancas: «Há pais que se descuidam desse trabalho, e en-
táo temos a possibilidade de presenciar dois fenómenos: íilhos com
maniíestacóes religiosas típicamente irracionais, imaturas, instinti
vas; ou filhos com a religiosldade abafada, soterrada por mil outros
compromissos da vida, sem fé e aparentemente sem, religlosidade,
mas de íato com a realidad© se escoando, disfarcada, em cultos
mlméticos, em verdadeiras liturgias a Ídolos forjados pela sede de
absoluto que nao morre no coracáo do homem» (p. 238).

Asslm concebido, o livro se torna um manual de psicología e


formacao nao somente para os íilhos, mas também para os genitores;
o autor demonstra vasta cultura geral e ampia experiencia da vida,
que se traduzem em numerosos casos concretos a ilustrar o pensa-
mentó exposto. Mohana escreve em estilo simples e concreto, á
guisa de coloquio amigo, evitando o tom de tratado de erudlcáo di-
licil e obscuro. É o que torna a leitura do livro agradável e altamen
te proveí tosa; nao há quem nao possa aprender muita coisa ao ler
estas páginas de J. Mohana.

Milton e Márcia na Lúa, por Modesto Marques de Ohveira. —


EdicSes Paulinas, Sao Paulo 1972, 160 x 225 mm, 120 pp.

M. Marques de Oliveira é um jurista que se tem dedicado a


Comunicagáo e á literatura infantil.

Este é o quinto livro do autor numa serie desuñada a crianzas.


Conta, em estilo de ílcgáo, o caso de dois brasileirinhos, Milton e Már
cia, que conseguiram introduzir-se clandestinamente na nave espacial
Apolo-77, no intuito de provar ao mundo que Deus está presente em
toda parte. Durante a viagem. o computador acusou excesso de peso
a bordo da nave espacial e indicou a presenca das criangas como
íator mortiíero para a tripulacáo; a salvacao desta estarla em lancar
íora no espago as duas criangas. Estas, porém, uma vez descobertas,
puseram-se a orar com tranqüilidade, pedindo o auxilio de Deus;
entao uma nuvem de meteoritos foi de encontró a Apolo-77 e retlrou
da superficie desta cápsula espacial uma quantidade de metal de
sessenta e nove quilos, seiscentas e vinte gramas e meia — exata-
mente o peso das duas criancas. Estas assim puderam íicar a bordo,
e a nave chegou á Lúa em boas condlgoes; o milagre fora a resposta
á prece das criancas e de parte da tripulagáo.
O enredo do livro está cheio de ensinamentos religiosos de gran
de alcance sobre a oracáo, o milagre, o valor da máquina e o do ho-

— 574 —
LIVROS EM RESENHA 47

mem a materializacáo da civüizagao da automacSo, a tristeza e a


alegría, a confissáo dos pecados, a eutanasia... Desta forma se
transmite a crianca que leia, urna serie de verdades religiosas...
O üvro no seu género de ficcáo para criancas, está bem redi-
gido- lembra cá e lá «O Pequeño Príncipe» de Salnt-Exupéry. O
autor promete continuar a narrar no mesmo estilo o desenrolar e o
íim dessa viagem espacial. Como literatura infantil, o livro merece
ser recomendado.

E.B.

a amazonia precisa de senté como vocé!


Vocé ¡ó conhece?

O VIBRA é um Movimento de Voluntarios Internadonais e Bra


sileros para a Amazonia. Está Inserido no Plano de Pastoral, Pro
feto 5-2, da Igreja na Amazonia.

Que tem em mira?

— Visa a ptomocáo integral (espiritual e material) do homem


da Amazonia, á luz do Evangelho, mediante alfabetizacao, campa-
nhas de ©rientacáo sobre higiene, saude e habitacáo, educajco cí
vica, educacño crista e catequese, escolas profTsstonais, cooperativas
agrícolas, artesanatos, pequeñas industrias...

Nao se oferece salario, mas, slm, urna pequeño ajuda de


cusió em dinheiro, hospedagem decente e alímentacáo — o que
permite ao voluntario levar urna vida simples, digna e honesta, como
simples e pobre é a vida dos irritaos que «le vai ajudar, testemu-
nhando a belezo da fraternidade crista. Por isto é Importanttssimo
o parecer do Vigário do lugar, que predsa de conhecer o candidato
a Voluntario e apresenté-lo por carta assinada pelo mesmo Vigório.

O estágio na Amaz6nia, após o devido h-elnamento oferecído


ao candidato, pode durar um ou dois anos.

Se vocé estiver tnteressado (a), queira dirigir sua corresponden


cia a CONFERINCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL — VIBRA.
Rúa do Russel, 76, Caixa postal 85, 20000 RIO DE JANEIRO (GB1
ZC-01.

_ 575 _
ÍNDICE 1972

ERGUNTE

Responderemos
ÍNDICE 1972

(Os números a direita indicam respectivamente fascículo, ano de


edigáo e página).

A
ABORTO LEGAL? 151/1972, p. 291.
ABSOLVICAO SACRAMENTAL SEM CONFIS-
SAO?..... 154/1972, p. 435.
ACORDÓ CATÓLICO-ANGLICANO SOBRE ETJ- •
CARISTIA 152/1972, p. 3M.
«AMA E FAZE QUE QUISERES» : como enten
der ? 151/1972, p. 332.
AMOR FRATERNO E VIDA PÚBLICA 147/1972, p. 111.
AUSCHWITZ, campo de concentragáo 154/1972, p. 467.
AUTORIDADE E CONTESTACAO NA IGREJA 150/1972, p. 252.
153/1972, p. 417.
E DIALOGO 153/1972, p. 423.
RENOVADA 153/1972, p. 422.

B
BARREAU, J.-C, em entrevista sobre fé 147/1972, p. 132.
BENEDITINOS, em encontró latino-americano.. 154/1972, p. 471.
BIBLIA E DESCOBERTA DE MANUSCRITOS.. 154/1972, p. 454.
ORACAO 146/1972, p. 85.
BIOLOGÍA ANTIGA E ONANISMO 146/1972, p. 81.
BOFF, LEONARDO e seus livros 152/1972, p. 385.
' 156/1972, p. 542.

c
CABELEIRA DE CRISTO 156/1972, p. 535.
CADÁVER DE JESÚS ENCONTRADO NA PA
LESTINA ? .......... 145/1972, p. 4.
CAMILO TORRES E VIOLENCIA 150/1972, p. 265.
CARISMAS E COMUNIDADES PENTECOSTAIS 149/1972, p. 230.
CARTA DE UM MENINO QUE NAO NASCEU, A
SUA MAE 15V1972, p. 308.
CATÓLICOS E ANGLICANOS EM DIALOGO .. 152/1972, p. 374.
NA IRLANDA DO NORTE .. 145/1972, p. 17.
CELIBATO DO CLERO ABOLIDO ? 155/1972, p. 480.
CIENCIA E CONSCtÉNCIA PSICOLÓGICA DE
CRISTO 151/1972, p. 330.
COMA E REATIVACAO DE ORGANISMOS .. 150/1972, p. 244.
COMUNHAO PARA «CASÁIS» NAO CASADOS ? 156/1972, p. 558.
COMUNIDADES CARISMATICAS 149/1972, p. 235.
CONFISSAO DOS PECADOS, instituigáo divina 154/1972, p. 436.
E ABSOLVICAO COLETIVA .... 154/1972, p. 435.
POSTERIOR A ABSOLVICAO .. 154/1972, p. 440.
CONGELAMENTO DE ORGANISMOS E MORAL
CRISTA 150/1972, p. 244.
150/1972, p. 249.

— 577 —
50 ÍNDICE DE 1972

CONSTANTINOPLA, CONCILIO DE (e reencar-


nagáo) 145/1972, p. 32.
CONTEMPLACAO NA ORACÁO 146/1972, p. 91.
UONTESTACAO AO ABORTO 151/1972, p. 302.
NA IGREJA 149/1972, p. 195.
CORRECÁO FRATERNA É LICITA ? 150/1972, p. 257.
CR1SE DE AUTORIDADE 153/1972, p. 417.
CRISTIANISMO NA RÚSSIA 155/1972, p. 510.
NORTE-AMERICANO: «REVIVALS» .. 149/1972, p. 235.
CRITICA NA IGREJA 152/1972, p. 367.
CRUC1FDCAO DE JESÚS E ARQUEOLOGÍA.. 145/1972, P. 7.

D
DEMING, BÁRBARA E NÁO-VIOLÉNCIA 150/1972, p. 284.
UüUS tí O SOFRIMENTO 146/1972, p. 61.
DiACONATO PERMANENTE (h. casados).... 155/1972, p. 485.
DIÁLOGO DENTRO DA IGREJA 150/1972, p. 259.
DiGNIDADE DA PESSOA HUMANA 147/1972, p. 110.
DIVORCIO LEGALIZADO PELA IGREJA? .. Ib6/1972, p. 558.

E
ECUMENISMO E «IGREJA BRASILEIRA» .... 149/1972, p. 227.
ENCARNACAO DE DEUS e erros recentes .. 15V1972, p. 310.
ENCONTRÓ DE BENEDITINOS 154/1972, p. 471.
ESCATOLOGIA, que é? 147/1972, p. 103.
ESTATURA DE JESÚS 156/1972, p. 534.
EUCARISTÍA em acordó católico — angllcano .. 152/1972, p. 374.
EVANGELISTAS FORAM VERÍDICOS ? 152/1872, p. 348.
EVOLUCAO PACIFICA OU VIOLENCIA ? .... 150/1972, p. 265.

E
FÉ E VÍAS QUE LEVAM A FÉ 146/1972, p. 47.
CATÓLICA E ERROS RECENTES (SS.
Trindade, Cristo) 15V1972, p. 319.
FENÓMENOS PENTECOSTAIS EXTRAORDINA
RIOS 149/1972, p. 234.
FIDELIDADE DOS EVANGELHOS 152/1972, p. 355.
FINANCAS DA SANTA SÉ 147/1972, p. 122.
FUTUROLOGIA E ESCATOLOGIA, como dlíe-
rem? 147/1972, p. 99.

G
GANDHI E NAO-VIOLÉNCIA 150/1972, p. 280.
GARAUDY ROGER, E CRISTO 148/1972, p. 145.
GIV' AT HA-MIVTAR e descobertas arqueoló
gicas 145/1972, p. 4.
GRACA DE DEUS (necessária para a lé) 146/1972, p. 59.
GRÜNDEL, JOHANNES, E MORAL CONJUGAL 146/1972, p. 73.
GUERRA DE RELIGIAO NA IRLANDA 145/1972, p. 20.

— 578 —
ÍNDICE DE 1972 51

H
HELDER CÁMARA E NAO-VIOLÉNCIA 150/1972, p. 283.
HISTORIA DA FORMACAO DOS EVANGELHOS 152/1972, p. 349.
HUMANITARISMO (difere de ecumenismo) ... 149/1972, p. 228.

• ■■i--, : ■ ■ ■ ■ _ I
IGREJA CATÓLICA ADOTOU DOUTRINA DA
' REENCARNACAO ? 145/1972, p. 25.
"'.'• APOSTÓLICA BRASILEIRA (ICAB) ... 149/1972, p. 218.
OU ROMANA?. 149/1972, p. 220.
E MANIFESTÓ DOS 33 152/1972, p. 367.
IMAGEM DE JESÚS, através dos séculos .... 156/1972, p. 537.
«INTELUGENTZIA» RUSSA CONTESTA 155/1972, p. 518.
INTERCOMUNHAO DE CATÓLICOS E PRO
TESTANTES 154/1972, p. 446.
«INTERROGATORIO, Os de Peter Weiss 15V1972, p. 467.
IRLANDA em confuto religioso 145/1972, p. 12.

JEAN-CLAUDE BARREAU, em entrevista sobre íé 147/1972, p. 132.


JESÚS CRISTO ERA REALMENTE DEUS ? .. 151/1972, p. 310;
152/1972, p. 343;
153/1972, p. 391.
SUPERSTAR 153/1972, p. 408.
DE NAZARÉ, livro de José Comblin .... 151/1972, p. 324.
E ORACAO 15V1972, p. 328.
E AMBIENTE JUDAICO ANTIGO 148/1972, p. 149.
FILHO DE SOLDADO ROMANO? .... 148/1972, p. 148.
COMO ERA ? (perfü físico) 156/1972, p. 534.
«JESÚS CRISTO LIBERTADOR», livro de L.
Boff 152/1972, p. 385.
JOAO. BATISTA E ELIAS (o mesmo persona-
gem?) 145/1972, p. 26.
JOVENS E IGREJA ENTENDEM-SE ? 148/1972, p. 184.
JUDAS, na pega «Jesús Cristo, Superstar» 153/1972, p. 413.
JUVENTUDE E SEDE DE VALORES 148/1972, p. 189.

L
LEGITIMACAO DA PROSTITUICAO 153/1972, p. 499.
LEIS DA NATUREZA E SOFRIMENTO 146/1972, p. 64.
LIBERDADE RELIGIOSA E «IGREJA BRASI-
1 LEIRA» 149/1972, p. 224.
LIBERDADE DO HOMEM, na origem de sofri-
mento 146/1972, p. 65.

.'■..:, m
MADALENA, na peca «Jesús Cristo Superstar» 153/1972, p. 412.
MAE DE ALUGUEL ? 153/1972, p. 428.
INCUBADORA? 153/1972, p. 430.
MAL NO MUNDO E EXISTENCIA DE DEUS .. 146/1972, p. 61.
MANIFESTÓ DOS 33 (contra a resignagáo na
Igreja) 152/1972, p. 367.

— 579 —
52 ÍNDICE DE 1972

MANUSCRITOS BÍBLICOS e descobertas recentes 154/1972, p. 454.


MARCUSE E REVOLUCAO VIOLENTA 150/1972, p. 267.
MARÍA, VIRGEM E MAE — objecfies 148/1972, p. 153.
MARTÍN LUTHER KING E NAO-VIOLÉNCIA 150/1972, p. 282.
MATRIMONIO CONSUMADO INDISSOLOVEL 156/1972, p. 560.
MEDITACÁO na vida. de oracao 146/1972, p. 89.
MÉTODO DA HISTORIA DAS FORMAS 152/1972, p. 343
e 385.
156/1972, p. 546.
«MESA LEIGA», no teatro 149/1972, p. 209.
MISSA OBRIGATÓRIA ? 152/1972, p. 360.
MORAL CONJUGAL E SEXUAL 146/1972, p. 73.
CRISTA 150/1972, p. 268.
MORTE CLÍNICA E M. REAL 150/1972, p. 247.
MOTU PROPRIO «AD PASCENDUM» 155/1972, p. 480.
MOTU PROPRIO «MINISTERIA QUAEDAM» 155/1972, p. 480.
MOVIMENTO PENTECOSTAL ENTRE CATÓ
LICOS 149/1972, p. 230.
MULHER E ORDENACAO SACERDOTAL .... 155/1972, p. 487.
MULHERES E SERVICQS NA IGREJA 155/1972, p. 480.
«MUNDO EXTRA-SENSORIAL», livro de Hans
Lerlin 148/1972, p. 165.

N
NAO VIOLENCIA ATIVA : que é ? 150/1972, p. 280.
NEO-CLERICALISMO, na política 147/1972, p. 115.
NEO-INTEGRISMO, na política 147/1972, p. 115.

O
OBJECAO DE COSCIÉNCIA: sim ou nao ? .... 148/1972, p. 171.
O' CALLAGHAN E MANUSCRITOS BÍBLICOS 154/1972, p. 454.
ORACAO, como se faz ? 146/1972, p. 85.
, nutrida pela Biblia 146/1972, p. 88.
pelos mortos 145/1972, p. 37.
ORDENACAO DIACONAL DE HOMENS CASA- .
DOS 155/1972, p. 485.
ORDENACAO SACERDOTAL DE MULHERES 155/1972, p. 487.
ORDENS MENORES em reforma 155/1972, p. 483.
ORÍGENES E ORIGENISMO 145/1972, p. 30.

P
PANDERA, PARTHENOS e JESÚS 148/1972, p. 150.
PAULO VI E ORDENACAO DE MULHERES 155/1972, p. 480.
PECADO, SÓ QUANDO PREJUDICA O PRO-
" XIMO? 151/1972, p. 335.
PENTECOSTAIS CATÓLICOS 149/1972, p. 230.
PERFIL PSICOF1SICO DE JESÚS 153/1972, p. 401.
PERSONALIDADE DE JESÚS : sadia ou n&o ? 153/1972, p. 401.
PIÓ XII MORREU ENVENENADO ? 154/1972, p. 461.
POLÍTICA TEOLOGÍA 147/1972, p. 107.
POLITIZACAO DA IGREJA: sim ou nao? .. 147/1972, p. 114.
PRECEITO DA MISSA DOMINICAL — docu-
mentó dos bispos do Canadá 152/1972, p. 364.

— 580 —
ÍNDICE DE 1972 53

«PROFETA, O>, de Gibran Khalil Gibran 156/1972, p. 571.


PROMOCAO DA MULHER E PROSTITUICAO 155/1972, p. 506.
PROSTITUICAO LEGAL ? 155/1972, p. 495.
PROTESTANTES COMUNGAM NA IGREJA CA
TÓLICA ? 154/1972, p. 445.

Q
QUADRO DO FUTURO 147/1972, p. 120.
QUMRAN E MANUSCRITOS DO NOVO TESTA
MENTO 154/1972, p. 454.

R .
REATTVACAO DE ORGANISMO EM COMA ... 150/1972, p. 244.
REATIVAMENTOS PENTECOSTAIS 149/1972, p. 230.
REENCARNACAO ADOTADA PELA IGREJA? 145/1972, p. 25.
. E ESCRITURA 145/1972, p. 26.
E MUNDO EXTRA-SENSORIAL ...... 148/1972, p. 159.
E TRADICAO CRISTA 145/1972, p. 29.
REFORMA DAS ORDENS MENORES 155/1972, p. 483.
REINO DE DEUS : imánente e transcendente .. 147/1972, p. 117.
RENOVACAO E FIDELIOADE NA IGREJA 151/1972, p. 323.
RESIGNACAO NA IGREJA (Manifestó dos 33) 152/1972, p. 367.
«RESSURREICAO DE CRISTO, A. A NOSSA
RESSURREICAO NA MORTE», livro de Leo
nardo Boff 156A972, p. 542.
RESSURREICAO APÓS CONGELAMENTO DE
ORGANISMOS? 150/1972, p. 247.
REVOLUCÍO JUSTA 150/1972, p. 276.
VIOLENTA 150/1972, p. 266.

S
SACRAMENTO DA ORDEM em reforma 155/1972, p. 481.
SACRAMENTOS DA IGREJA CATÓLICA APOS
TÓLICA BRASILEIRA 149/1972, p. 225.
SANT1SSIMA TRINDADE : tres modalidades de
Déus ? 151/1972, p. 310.
SOFRIMENTO E DEUS 146/1972, p. 71.
SOLSCHENIZYN em carta ao Patriarca de Moscou 155/1972, p.511.
SUBSERVIÉNCIA PARA NAO MORRER ? .... 155/1972, p. 510.
SUDARIO DE TURIM E FÍSICO DE JESÚS .... 156/1972, p. 552.

T
TALMUD E JESÚS 148/1972. p. 148.
TEOLOGÍA POLÍTICA ., 147/1972, p. 108.
DA REVOLUCAO 147/1972, p. 108.
TRINDADE, SS., E FÉ DA IGREJA 151/1972, p. 318.

V
VATICANO E JUSTICA SOCIAL 147/1972, p. 122.
«VERDADE SOBRE A REENCARNACAO», llvro
■ de Hans Holzer 148/1972, p. 160.
VIOLENCIA OU EVOLUCAO PACIFICA ? .... 150/1972, p. 265.
VIRGINDADE DE MARÍA: objecSes 148/1972, p. 156.

— 581 —
54 ÍNDICE DE 1972

EDITORIAIS

A BONDADE E O AMOR 145/1972, p. 3.


A MAE DA VH5A 149/1972, p. 193.
A PALAVRA DO PAPAGAIO 146/1972, p. 45.
«A QUEM... SE NAO AH?» 152/1972, p. 343.
«AS MAOS QUE ORAM» 153/1972, p. 389.
DE ENCONTRÓ EM ENCONTRÓ 155/1972, p. 477.
«... DE FÉ COMO DE PAO, AGUA OU AR* .. 150/1972, p. 243.
DIALOGO DO SERVICO 148/1972, p. 147.
LEMBRE-SE 155/1972, p. 479.
NATAL 156/1972, p. 529.
NEM QUENTE NEM. FRIÓ 147/1972, p. 97.
O SÍMBOLO DO CORACAO 150/1972, p. 241.
PARA ALÉM DO ORIENTE E DO OCIDENTE 145/1972, p. 1.
QUEM DIRÍA? 148/1972, p. 145.
«TARDE TE AMEI!» 151/1972, p. 289.
«VI A FACE DE DEUS.. .> 151/1972, p. 433.

LIVROS APRECIADOS

André Alsteens — A MASTURBACAO NA ADO


LESCENCIA 153/1972, p. 432.
B. Beni dos Santos — O SENTIDO PERSONA
LISTA DO MATRIMONIO 154/1972, p. 470.
Bertrand de Margerie, S.J. — CRISTO PARA O
MUNDO. O CORACAO DO CORDEIRO 151/1972, p. 338.
Boaventura Kloppenburg, O.F.M. — O SER DO
PADRE 151/1972, p. 339.
Carlos da Silveira — ENCONTRÓ COM O INFI
NITO 150/1972, p. 287.
Carmem Mendonca — CATECISMO EXISTEN-
CIAL. MENSAGEM DE CRISTO AS
CRIANCAS DE HOJE 146/1972, p. 94;
148/1972, p. 192.
Chenu, Congar e outros — VOCACAO : INQUIE-
TACOES E PESQUISAS 150/1972, p. 287.
Claude Tresmontant — O ENSINAMENTO DE „_,„„_ .„
JESCHUA DE NAZARÉ 154/1972, p. 475.
O PROBLEMA DA REVELACAO 154/1972, p. 475.
Pomenico Grasso — A MENSAGEM DE CRISTO 146/1972, p. 94.
Donald B. Lourian — VITORIA SOBRE AS
DROGAS. UM PROGRAMA DE ACAO 153/1972,3«capa.
Frederico Dattler, SVD — LÉXICO B1BLICO-LI-
TORGICO 155/1972, p. 528.

— 582 —
ÍNDICE DE 1972 55

G. Tüchle e C.A. Bouman — NOVA HISTORIA


DA IGREJA, vol. IH (Reforma e Con
tra-Reforma) 147/1972, p. 143.
Haroldo J. Rahm, S.J. e María J.R. Lamego
— SERÉIS BATEADOS NO ESPIRITO
SANTO 155/1972, p. 528.
Héñri de Lubac — A-IGREJA NA CRISE ATUAL 154/1972, p. 475.
Irene Tavares de Sá — JUVENTUDE EM CRISE
OU SOCIEDADE EM CRISE ? INTRO-
DUCAO AO ESTUDO DE PROBLEMAS
'BRASILEIROS 148/1972, p. 169.
Irineu Wilges, O.F.M. — HISTORIA E DOU-
TRINA DO DIACONATO ATÉ O CON
CILIO DE TRENTO 149/1972, p. 239.
Jean-Jacques Lariviére — CREIO NESTE DEUS 146/1972, p. 96.
Jeanne Delais — OS FILHOS DO DIVORCIO 150/1972, p. 287.
Joáo Mohana —PREPARE SEUS FILHOS PARA
O FUTURO 156/1972, p. 573.
Jocy Rodrigues — CANTIGAS DO POVO DE
DEUS 153/1972, p. 407.
Johannes Feiner, Magnus Lóhrer e outros — MYS-
TERIUM SALUTIS, U/1: DEUS UNO E
TRINO 154/1972, p. 470.
John L. Mckenzie, S.J. — OS GRANDES TE
MAS DO ANTIGO TESTAMENTO .... 145/1972, p. 43.
José F. de Oliveira, SCJ — ALICERCE PARA
UM MUNDO NOVO. A FÉ EXPLICADA
AOS JOVENS 146/1972, p. 95.
Joseph Ratzinger — FÉ E FUTURO 147/1972, p. 144.
Kevin e Dorothy Ranaghan — CATÓLICOS PEN-
TECOSTAIS 156/1972, p.
L.J. Rogier e J. de Berthier de Sauvigny com
a colaboragSo de Joseph Hajjar — NOVA
HISTORIA DA IGREJA, vol. IV (Século
das Luzes, RevolucSes, RestauragBes).. 147/1972, p. 143.
Leonardo Boff — JESÚS CRISTO LIBERTADOR.
ENSAIO DE CRISTOLOGIA CRITICA
PARA O NOSSO TEMPO 152/1972, p. 385.
A RESSURREICAO DE CRISTO. A NOS-
SA RESSURREICAO NA MORTE 156/1972, p. 542.
Luiz Gonzaga, Frei — SEREMOS UM EM DOIS.
ORIENTACÁO SOBRE O NAMORO 154/1972, p. 470.
MarceUe Audair — VIVA JOVEM 145/1972, p. 44.
Mari&ngela Didier — AJUDEM-ME A CRESCER 146/1972, p. 95.
Maria Aparecida Ataliba de Lima Gongalves —
MULHER VOCÉ 154/1972, p. 470.
Mario Cuminetti — A EUCARISTÍA, LIBERTA-
CAO DO HOMEM 154/1972,3« capa.
Martín Hengel — FOI JESÚS REVOLUCIONA
RIO ? 149/1972, p. 239.
Modesto Marques de Oliveira — M1LTON E
MARCIA NA LÚA 156/1972, p.
O. e L. Terreiro e outros — DIÁLOGOS CONJU
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56 ÍNDICE DE 1972

Osear Cullmann — JESÚS E OS REVOLUCIONA-


RÍOS DO SEU TEMPO 149/1972, p. 208.
Paulo VI. — A ORACAO HOJE 149/1972, p. 208.
Raimundo Cintra. O.P. e outros —CREDO PARA
AMANHA 3 15V1972, p. 339.
Romain Matignon — EQUILIBRIO PSÍQUICO E
. VIDA CONSAGRADA 150/1972, p. 288.
Rolf Reichert — HISTORIA DA PALESTINA .. 148/1972, p. 192.
Thierry Maertens e Jean Frisque — GUIA DA
ASSEMBLÉIA CRISTA 9. FESTAS COM
PREVALÉNCIA SOBRE O DOMINGO,
LECIONARIO, BIOGRAFÍA DOS SAN
TOS, ÍNDICES 154/1972,3» capa.
Van den Born — DICIONARIO ENCICLOPÉDICO
DA BIBLIA ' 147/1972, p. 143.
Varios autores — HA LUGAR PARA DEUS NA
CIENCIA MODERNA ? 156/1972, p.
Waldomiro Otavio Piazza,S.J. — TEOLOGÍA
FUNDAMENTAL PARA LEIGOS. A
PALAVRA DE DEUS NA SAGRADA
ESCRITURA 149/1972, p. 239.
Zezinho, SCJ — A JUVENTUDE É UMA PARA-
BOLA 148/1972, p. Í92.
. DIGA AO MUNDO QUE SOU JOVEM 148/1972, p. 192.

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