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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO 12ª Promotoria de Justiça do Núcleo de Defesa

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO

12ª Promotoria de Justiça do Núcleo de Defesa do Pat. Público e da Probidade Administrativa

MISSÃO: Defender o regime democrático, a ordem jurídica e os interesses sociais e individuais indisponíveis, buscando a justiça social e pleno exercício da cidadania.

Exmo. Sr. Juiz de Direito da Vara Especializada de Ação Cível Pública e Ação Popular da Comarca de Cuiabá.

O

MINISTÉRIO

PÚBLICO

DO

ESTADO DE MATO GROSSO pelo Promotor de Justiça abaixo assinado, no exercício de suas atribuições legais, legitimado pelos arts. 127 e 129 inciso III, da Constituição Federal, art. 103 da Constituição Estadual, art. 1º da Lei Complementar Estadual nº 27/93, 25 inciso IV, letra “b”; 26, inciso I e 29 inciso VIII, da Lei nº 8.625/93-LONMP e pela Lei Federal nº 7.347/85 – ACP vem perante Vossa Excelência propor a presente AÇÃO CIVIL DE RESSARCIMENTO DE DANOS AO ERÁRIO C/C

PEDIDO

DE

LIMINAR

DE

INDISPONIBILIDADE

DE

BENS

E

EXIBIÇÃO

DOCUMENTOS contra:

brasileiro,

separado, Deputado Estadual, Presidente da Assembléia Legislativa do Estado de Mato Grosso, portador da cédula de identidade RG n° 297.707/SSP-MT e do CPF n° 387.539.109-82, nascido em Guaçuí-ES em 08/04/59, filho de Daury Riva e Maria Pirovani Riva, residente na rua Estevão de Mendonça, nº 199, Edifício Giardino de Roma, Bairro Goiabeiras, em Cuiabá-MT;

BOSAIPO,

brasileiro, casado, Conselheiro do TCE/MT e advogado, inscrito na OAB/MT sob o nº 3.655/MT, com CPF n° 094.169.601-44, nascido em Goiânia-GO em 03/11/54, filho de Antônio Bosaipo e Teresa Costa Melo Bosaipo, residente na rua Manoel Leopoldino, apt° 265, Ed. Luciana, Bairro Araés, em Cuiabá-MT;

3 – GUILHERME DA COSTA GARCIA,

brasileiro, casado, economista, servidor da Assembléia Legislativa de Mato Grosso,

1 –

JOSÉ

GERALDO

RIVA,

2

HUMBERTO

MELO

Edifício Sede das Promotorias de Justiça Reunidas, setor do Ministério Público, rua 04, s/nº., Centro Político Administrativo - CPA.

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO 12ª Promotoria de Justiça do Núcleo de Defesa

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12ª Promotoria de Justiça do Núcleo de Defesa do Pat. Público e da Probidade Administrativa

MISSÃO: Defender o regime democrático, a ordem jurídica e os interesses sociais e individuais indisponíveis, buscando a justiça social e pleno exercício da cidadania.

portador da cédula de identidade RG nº 099.641/SSP-MT e do CPF nº 001.706.071- 00, nascido em Vila Bela da Santíssima Trindade-MT em 08/11/43, filho de Joaquim da Costa Garcia e Trinidad Poquiviqui, residente na rua Estevão de Mendonça, n° 2148, bairro Morada do Sol, em Cuiabá-MT;

brasileiro,

4

NIVALDO

DE

ARAÚJO,

casado, funcionário público, portador da cédula de identidade RG nº 1305768-5/SSP- MT e do CPF nº 042.675.241-49, nascido em Cáceres-MT em 15/09/48, filho de Gastão de Araújo e Saturnina de Araújo, também conhecida como “Bazurina de Araújo”, residente e domiciliado na rua Cel. João Lourenço de Figueiredo, quadra 3, casa 1, Jardim Tropical, em Cuiabá-MT;

5 – GERALDO LAURO, brasileiro, casado, funcionário público, portador da cédula de identidade RG nº 0145976-7/SSP-MT e do CPF nº 201.139.351-53, nascido em Irerê-PR em 23/09/60, filho de José Lauro Neto e Nair Cavalarini Lauro, residente e domiciliado na rua 93, quadra 87, casa 37, bairro Morada da Serra IV, em Cuiabá-MT;

6 – VARNEY FIGUEIREDO DE LIMA, brasileiro, casado, funcionário público, portador da cédula de identidade RG nº 0614132-3/SSP-MT e do CPF nº 363.119.101-44, nascido em Cuiabá em 19/10/65, filho de Mário Gonçalves de Lima e Darcy Fortunato Gonçalves de Lima, residente e domiciliado na Rua A, s/n, quadra 11, bloco 9, apartamento 101, Residencial Paiaguás, CEP 78048240, em Cuiabá-MT; pelos motivos de fato

e de direito que passa a aduzir.

I - SÍNTESE DOS PEDIDOS

1 - O Ministério Público do Estado de Mato Grosso, por meio dessa ação pretende a condenação dos requeridos JOSÉ GERALDO RIVA e HUMBERTO DE MELLO BOSAIPO ao ressarcimento dos danos causados ao erário, em razão de atos ilícitos, no valor de R$ 2.018.630,77 (dois milhões, dezoito mil, seiscentos e trinta reais e setenta e sete centavos), porque na qualidade de gestores responsáveis pela Administração da Assembléia Legislativa Estadual foram responsáveis por aquele desvio. Também busca-se responsabilizar os requeridos GERALDO LAURO, GUILHERME GARCIA, VARNEY FIGUEIREDO DE LIMA e NIVALDO DE

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ARAUJO pois estes na qualidade de servidores públicos responsáveis à época dos fatos pelos setores de finanças, licitação e patrimônio da Assembléia Legislativa Estadual, colaboraram diretamente na prática dos atos fraudulentos, concorrendo para consecução deles, beneficiando-se direta e indiretamente dos ilícitos perpetrados contra o patrimônio público. Ressalta-se não inclusão de LUIZ EUGÊNIO DE GODÓY no pólo passivo da presente ação ante a circunstância de ter falecido em 03/04/2007 (fls. 385), bem como por ser solidária a responsabilidade dos demais requeridos pelos danos causados ao erário.

2 – Reivindica-se pelos fundamentos expostos na presente ação, liminar de indisponibilidade de bens dos requeridos, assim como exibição de documentos por parte da Assembléia Legislativa de Mato Grosso.

II – FATOS

3 – Em 19/11/04 o autor instaurou o Inquérito Civil nº 102/2004 (GEAP nº 000383-02/2004) com dois volumes e quatro anexos, em continuidade às investigações relativas às denúncias de desvio e apropriação indevida de recursos públicos do Poder Legislativo Estadual, através da emissão e pagamento com cheques para empresas inexistentes ou irregulares. As investigações tiveram início em virtude da notícia e encaminhamento de documentos pela Justiça Federal, demonstrando que mais de sessenta e cinco milhões de reais oriundos da Assembléia Legislativa do Estado de Mato Grosso haviam circulado pelas contas da Confiança Factoring Fomento Mercantil Ltda, empresa pertencente ao grupo João Arcanjo Ribeiro, sendo isso um dos desdobramentos da operação intitulada “Arca de Noé”, desencadeada em conjunto pela Polícia Federal, Ministério Público Federal e Ministério Público Estadual, visando desmantelar a organização criminosa chefiada pelo então temido e poderoso “comendador” (fls. 78/101 do anexo I).

4 - Os documentos apreendidos na factoring de propriedade de Arcanjo demonstraram uma inusitada movimentação financeira, com o desconto em favor da Confiança Factoring de um grande volume de cheques sacados contra a conta corrente da Assembléia Legislativa deste Estado (AL/MT), que somados ao relatório do Banco Central encaminhado ao MPE pela Justiça Federal (fls. 03/178, anexo I), geraram a suspeita de que a factoring de Arcanjo teria sido utilizada para a lavagem de dinheiro proveniente da AL/MT, mediante pagamentos efetuados

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para pretensos credores.

5 – Para apurar a ocorrência destes

pagamentos o autor desta ação ingressou com uma medida judicial de exceção ao sigilo bancário da conta corrente nº 86.100-6, Agência Setor Público do Banco do Brasil de Cuiabá-MT, de titularidade da Assembléia Legislativa do Estado de Mato Grosso. Em virtude desta medida, foram encaminhados ao Ministério Público cópias de inúmeros cheques emitidos e sacados contra a conta corrente da AL/MT, sendo que dentre os documentos mencionados foram identificadas 41 (quarenta e uma) cópias de

cheques nominais à empresa PEDRO ANTONIO CAMARGO – OLIMPICUS SPORTS, a seguir relacionados (fls. 63/143, do anexo II):

cheque nº

data

valor

observação

5465

01/11/00

R$ 55.000,00

c/c Confiança Factoring

7865

22/01/01

R$ 58.000,00

c/c Confiança Factoring

8026

01/02/01

R$ 44.000,00

sacado, endosso Godoy

8155

15/02/01

R$ 60.000,00

c/c Confiança Factoring

8199

23/02/01

R$ 68.000,00

sacado, endosso Godoy

8145

23/02/01

R$ 50.000,00

sacado, endosso Godoy

8282

02/03/01

R$ 54.000,00

sacado, endosso Godoy

7594

22/03/01

R$ 42.500,00

c/c Confiança Factoring

6541

02/04/01

R$ 54.000,00

c/c JVP Factoring

6545

10/04/01

R$ 55.000,00

sacado, endosso Godoy

6870

03/05/01

R$ 60.000,00

c/c Supermercado Guarani

7614

23/05/01

R$ 44.000,00

c/c Confiança Factoring

7590

23/05/01

R$ 59.000,00

c/c Confiança Factoring

7318

05/06/01

R$ 2.000,00

sacado, endosso Godoy

7342

13/06/01

R$ 61.630,00

sacado, endosso Godoy

9527

09/07/01

R$ 37.600,00

compensado, banco 320

6910

10/07/01

R$ 40.000,00

compensado, banco 320

9658

11/07/01

R$ 68.700,00

sacado, endosso Godoy

7660

30/08/01

R$ 67.000,00

compensado banco 291, confirmado por Ney

6754

02/10/01

R$ 45.000,00

sacado, endosso Godoy

10524

10/10/01

R$ 70.535,00

sacado, endosso Godoy

10613

18/10/01

R$ 2.000,00

sacado, endosso Godoy

10593

19/10/01

R$ 77.270,00

sacado, endosso Godoy

11267

13/12/01

R$ 56.000,00

sacado, endosso Godoy

11740

28/12/01

R$ 51.500,00

sacado, endosso Godoy

11579

02/01/02

R$ 65.000,00

sacado, endosso Godoy

12402

25/02/02

R$ 67.850,30

sacado, endosso Godoy

12786

20/03/02

R$ 50.000,00

sacado, endosso Godoy

13224

17/04/02

R$ 5.089,73

sacado, endosso Godoy

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13268

19/04/02

R$ 43.350,00

sacado, endosso Godoy

13741

05/06/02

R$ 30.000,00

sacado, endosso Godoy

14568

30/07/02

R$ 33.445,00

sacado, endosso G. Lauro

14690

13/08/02

R$ 74.500,00

sacado, endosso G. Lauro

14703

14/08/02

R$ 39.159,00

sacado, endosso G. Lauro

14942

27/08/02

R$ 42.100,00

compensado

14938

27/08/02

R$ 43.350,00

sacado

14972

30/08/02

R$ 64.327,00

sacado

17292

30/09/02

R$ 50.000,00

sacado, endosso G. Lauro

15922

22/10/02

R$ 52.000,00

sacado

16010

31/10/02

R$ 11.397,74

sacado

13177

30/12/02

R$ 64.327,00

c/c DM Fomento Mercantil Ltda.

Total:

 

R$ 2.018.630,77

 

6 – Diante da grande quantidade de cheques

e do alto valor do montante pago à empresa PEDRO ANTONIO CAMARGO – OLIMPICUS SPORTS o autor realizou diligências buscando averiguar a idoneidade e a existência da empresa acima indicada, bem como requisitou ao Presidente da AL/MT cópias de todos os procedimentos de licitação, empenho e comprovantes de recebimento de mercadoria ou da prestação de serviços relativos a todos os pagamentos efetuados para aquela empresa, sem contudo obter resposta.

7 – Iniciadas as investigações, prontamente

apurou-se que a empresa PEDRO ANTONIO CAMARGO – OLIMPICUS SPORTS nunca funcionou no endereço constante de seu contrato social, conforme relatório do GAECO/MT (fls. 23/28) e conforme declarações da proprietária do imóvel e do morador e documentos por ela juntados (fls. 73/33 e 20). Além disso, sua Inscrição Estadual foi suspensa por irregularidade fiscal e não consta que tenha feito qualquer recolhimento (fls. 59/64) e as informações da Secretaria Municipal de Finanças apontam apenas o pagamento de taxa de licença e funcionamento, sem o recolhimento de ISS (fls.

67/68).

Conforme se verifica do documento de fls. 08, a empresa foi constituída em 11/10/00 para menos de um mês depois, em 01/11/00, receber o primeiro dos cheques da AL/MT. Não há dúvida, era empresa “fantasma”, utilizada para a prática de atos fraudulentos, dilapidando o patrimônio público. Além disso, não pode ser verificado se Pedro Antônio Camargo, suposto proprietário da empresa, é uma pessoa real. Isso porque o suposto endereço residencial apontado no documento constitutivo da empresa, na verdade não existe

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(fls. 23/24) e também ele não consta como eleitor no TRE/MT (fls. 56/57). 8 – Como se vê pelo quadro acima e pela análise da documentação referente à empresa PEDRO ANTONIO CAMARGO – OLIMPICUS SPORTS, está claramente demonstrado que a empresa foi utilizada fraudulentamente para justificar a emissão dos cheques de titularidade da AL/MT, restando evidente a existência de um esquema de lavagem e desvio de dinheiro público.

Todo esse esquema de montar e utilizar empresas inexistentes ou irregulares como supostas beneficiárias de cheques emitidos pela AL/MT, contou com a efetiva participação das pessoas de JOSÉ QUIRINO PEREIRA e JOEL QUIRINO PEREIRA. Durante investigações realizadas no âmbito do inquérito policial nº 252/03, instaurado pela Delegacia Fazendária para apuração de crimes contra a ordem econômica e tributária e no cumprimento de determinação judicial de busca e apreensão, foram encontradas no escritório de contabilidade dos acusados JOEL e JOSÉ QUIRINO PEREIRA, robustas provas do envolvimento deles com a geração e montagem fraudulenta de empresas, utilizadas posteriormente como pretensas fornecedoras da AL/MT. Entre os documentos apreendidos encontram-se arquivos referentes aos contratos sociais das empresas e um arquivo intitulado “Relatório AL”, onde consta relação de firmas e a indicação de que elas seriam utilizadas para licitações junto à AL/MT. Consta ainda desse “relatório” relação de empresas utilizadas, data de emissão dos cheques e respectivos valores. Cópias de tais documentos foram encaminhados ao MPE e encontram-se juntadas no anexo IV, que faz parte integrante do inquérito civil que embasa esta demanda. O nome da empresa PEDRO ANTONIO CAMARGO – OLIMPICUS SPORTS e de seu proprietário aparece às fls. 13, 20, 22, 24, 25, 26, 30, 61 e 99 do anexo IV, inclusive com a Declaração de Imposto de Renda dele, o que demonstra sua utilização no esquema de desvio de dinheiro público. Bastante

reveladora é também a observação constante das fls. 17 daquele relatório: falta

abrir + cinco empresas. Além disso, JOEL era o contador da suposta empresa,

conforme se verifica das fls. 14 do vol. I.

9 – A empresa denominada PEDRO ANTONIO CAMARGO – OLIMPICUS SPORTS foi utilizada dolosamente como

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pretensa fornecedora da Assembléia Legislativa Estadual por GUILHERME DA COSTA GARCIA, GERALDO LAURO, VARNEY FIGUEIREDO DE LIMA e NIVALDO ARAÚJO, responsáveis à época dos fatos pelos setores de finanças, licitação e patrimônio da AL/MT, que colaboraram com as falcatruas e beneficiaram-se do esquema montado. Todos agiam em conjunto dentro da Assembléia Legislativa e sob orientação e comando dos Deputados HUMBERTO MELO BOSAIPO e JOSÉ GERALDO RIVA, como verdadeira quadrilha, organizada por eles para desviarem e apropriarem-se criminosamente de dinheiro público. Visando apurar tais fatos, expediu-se ofício datado de 23/12/03 (fls. 36/37), mas o então Presidente da AL/MT, José Geraldo Riva, deixou de atender a requisição ministerial ao argumento de que a documentação requerida já era objeto de apreciação pelo Tribunal de Contas Estadual, onde já havia sido designada data para inquirição do requerido (fls. 38). Novos ofícios foram expedido para a AL/MT (fls. 123 e 211/214), mas o então Presidente Silval da Cunha Barbosa deixou transcorrer o prazo sem apresentar resposta. Posteriormente foram extraídas de outro procedimento fotocópias de atos do Poder Legislativo Estadual, constando os nomes dos membros da comissão de licitação desde o ano de 1995 e termos de declarações por eles prestadas, que foram acostadas ao inquérito que serve de base a esta ação (fls.

182/269).

Também foi oficiado aos Deputados José Geraldo Riva (fls. 116/122) e Humberto Melo Bosaipo (fls. 109/115), questionando a emissão dos cheques em favor da empresa Pedro Antônio Camargo – Olimpicus Sports, sendo que ambos negaram qualquer irregularidade (fls. 95/101 e 91/93, respectivamente). A verdade é que até o presente momento a AL/MT mantém em sigilo indevido, imoral e ilegal os documentos que teriam dado origem ao pagamento narrado nestes autos. Pela atitude constada é bem provável que eles nem existam! 10 – A análise das cópias dos cheques e dos extratos bancários referentes à conta corrente da AL/MT, bem como do relatório do Banco Central, mostra que dos cheques emitidos em favor da suposta empresa PEDRO ANTONIO CAMARGO – OLIMPICUS SPORTS, vinte e oito (28) deles foram sacados diretamente na boca do caixa, conforme consta da relação que está no bojo desta inicial.

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Observa-se dos cheques sacados diretamente na boca do caixa, consta no verso deles uma assinatura que pretensamente pertenceria a um dos representantes da empresa PEDRO ANTONIO CAMARGO – OLIMPICUS SPORTS, mas que na verdade é uma assinatura falsificada, uma vez que a empresa não existia. Além da assinatura do pretenso representante da empresa, consta também do verso destes cheques a assinatura de um dos emitentes, ou seja, de um dos requeridos que á época representavam a AL/MT. Em vários cheques consta também a assinatura de GERALDO LAURO. Essa assinatura funcionava junto ao Banco do Brasil como uma autorização dada pelos emitentes do cheque para o saque direto no caixa, sendo que algumas vezes eles mesmos sacavam os cheques e em outras o saque se dava por pessoas por eles indicadas, sendo por eles providenciada, inclusive, a provisão de numerário junto ao banco para os saques. Esses fatos foram confirmados pela gerente de contas da agência do setor público do Banco do Brasil, Raquel Alves Coelho em 10/03/03, através de declarações prestadas nos autos do Inquérito Civil Público nº 009/03, juntadas às fls. 166/167 do procedimento que dá suporte a esta inicial. 11 – Também é certo que parte dos cheques emitidos em favor da suposta empresa PEDRO ANTONIO CAMARGO – OLIMPICUS SPORTS foram creditados, via compensação bancária, na conta corrente de titularidade da CONFIANÇA FACTORING, empresa pertencente ao grupo JAR (João Arcanjo Ribeiro) e por onde circularam, conforme relatório do banco central (fls. 78/101 do anexo I), mais de sessenta e cinco milhões provenientes da Assembléia Legislativa do Estado.

Os requeridos RIVA e BOSAIPO alegaram que a AL/MT não mantinha negociações diretas com a factoring e que este montante foi movimentado por credores e fornecedores da AL/MT que mantinham negócios com a empresa de João Arcanjo Ribeiro. Todavia, essa versão não corresponde à verdade, pois o que realmente ocorria era a utilização da factoring para sacar dinheiro público, forjando pagamentos inexistentes e indevidos, dando aparência de legalidade a um plano arquitetado para espoliar fraudulentamente o erário. As investigações revelaram que necessitando de dinheiro para pagamento de despesas pessoais ou decorrentes de campanhas eleitorais, os

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requeridos JOSÉ RIVA e HUMBERTO BOSAIPO recorriam, freqüentemente, à Confiança Factoring onde emprestavam dinheiro e, em troca, para garantir a quitação das referidas operações (empréstimos) eram entregues por eles cheques emitidos contra a conta corrente da Assembléia Legislativa deste Estado (conta n° 86.100, Agência Setor Público do Banco do Brasil de Cuiabá-MT). Tais cheques eram nominais a supostos fornecedores da AL/MT (como no caso da empresa ora investigada) e eram registrados junto à factoring como se estivessem sendo descontados em uma operação de fomento mercantil, tudo como forma de encobrir o desvio e a apropriação indevida de recursos públicos. Para que isso ocorresse, emitiram cheques como se essas empresas fossem fornecedores da AL/MT, encaminhando-os para a Confiança Factoring, onde eram trocados por dinheiro ou por outros cheques emitidos pela factoring e nominais a pessoas ou empresas indicadas pelos referidos deputados. Para completar a operação de rombo, posteriormente os cheques emitidos contra a conta corrente da Assembléia Legislativa Estadual eram compensados ou sacados em prol da Confiança Factoring, fechando-se assim o círculo criminoso de desvio de dinheiro público.

12 – Nesse sentido, bem esclarecedoras são

as declarações de Nilson Roberto Teixeira, à época dos fatos gerente da empresa Confiança Factoring. Primeiramente, ouvido em sede inquisitorial em 21/06/03 (fls. 140/153) confirmou a utilização fraudulenta do nome de uma das empresa do “esquema” para mascarar uma operação de crédito realizada entre a Confiança

Factoring e os Deputados José Geraldo Riva e Humberto Bosaipo. Tais fatos foram plenamente confirmados pelo depoimento de Kátia Maria Aprá, colhido em 30/07/03 (fls. 159/161), funcionária da Confiança Factoring, encarregada da tesouraria e responsável pela emissão dos cheques pela factoring, obedecendo as ordens de Nilson Teixeira. A mesma Kátia Aprá em depoimento colhido posteriormente, em 09/03/04 (fls. 161-D/161-H), corroborou as declarações anteriores.

13 – É evidente que toda essa operação de

desvio e apropriação indevida de dinheiro público não poderia de forma alguma ter sido realizada com êxito, sem a efetiva participação dos Deputados Estaduais JOSÉ RIVA e HUMBERTO BOSAIPO que, à época dos fatos, exerciam cargo de comando na Assembléia Legislativa deste Estado. Foram co-responsáveis e eram ordenadores

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de despesas, além de emitentes dos cheques nominais a supostos credores, utilizados

para a quitação de operações financeiras realizadas junto à Confiança Factoring. A efetiva responsabilidade deles é reforçada pelas declarações já prestadas por Nilson e Kátia, que afirmam que as operações eram realizadas a pedido dos deputados RIVA e BOSAIPO.

Essa versão é confirmada pelas declarações de JURACY BRITO (fls. 351/353) e CRISTIANO GUERINO VOLPATO (fls. 342/344), onde eles afirmam que como funcionários da AL/MT compareceram, mais de uma vez, à Confiança Factoring, a mando dos Deputados JOSÉ GERALDO RIVA e HUMBERTO BOSAIPO e que lá receberam cheques, que, posteriormente, foram sacados ou endossados em prol dos referidos Deputados. Esclarecedoras também são as declarações prestadas por ROMILDO ROSA NASCIMENTO (fls. 346/349), onde afirma que, como funcionário da AL/MT, exercendo o cargo de motorista à disposição do Deputado JOSÉ GERALDO RIVA, obedecendo a ordens deste, pagava as contas pessoais do Deputado, tais

como, água, telefone, energia, escola dos filhos etc

cheques que muitas vezes eram de emissão da Confiança Factoring. Afirma também que algumas vezes os cheques eram emitidos pela Confiança Factoring nominais a ele, que descontava os referidos cheques e pagava as contas pessoais do Deputado JOSÉ GERALDO RIVA.

14 – Em relação aos servidores GUILHERME DA COSTA GARCIA e GERALDO LAURO, foram incluídos no pólo passivo desta ação porque atuavam conjuntamente como ordenadores de despesa, por integrarem a Mesa Diretora da Assembléia Legislativa e por atribuição do cargo de Secretário de Finanças (tesoureiro) da AL/MT e nessa qualidade Guilherme assinava cheques emitidos contra a conta corrente daquele Parlamento Estadual, sendo que o requerido VARNEY FIGUEIREDO DE LIMA colaborou com as falcatruas porque também confirmou o pagamento do cheque de nº 7660 de emissão da AL/MT em favor da mencionada empresa. Por sua vez, NIVALDO DE ARAÚJO era um dos responsáveis pelos setores de licitação e patrimônio, portanto incumbido da fiscalização e obediência aos princípios norteadores da licitação pública, sua legalidade e regularidade, o que em nenhum momento foi observado. 15 – Conforme pode ser visto da planilha de

e que, para isso, descontava

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MISSÃO: Defender o regime democrático, a ordem jurídica e os interesses sociais e individuais indisponíveis, buscando a justiça social e pleno exercício da cidadania.

cheques juntada no Anexo II (fls. 63/64), foi beneficiada pelo cheque nº 6541 (R$ 54.000,00), a empresa JVP FACTORING. Quando ouvido nesta Promotoria, seu proprietário, JANIO VIEGAS DE PINHO, afirmou que recebeu o cheque da empresa Computel Venda e Instaladora de Suporte Técnico de Informática - ME (fls. 05/12 do anexo III).

Já segundo o cheque nº 6870 (R$ 60.000,00) foi depositado na conta da empresa SUPERMERCADOS GUARANI. Ouvido seu proprietário, VALCIR PIRAN, afirmou que essa empresa nunca contratou com a Assembléia Legislativa e o valor teria sido recebido do senhor João Nery Chirali, em razão da venda de um veículo (fls. 176/183 do anexo II). Por sua vez, o Sr. João Nery Chirali afirmou que não conhecia a empresa Olimpicus Esportes, mas que teria sido procurado por um representante dessa empresa no ano 2000 ou 2001, que teria encomendado a confecção de 20 mil camisetas não sabendo a quem seriam destinadas, tendo recebido o cheque em questão e o utilizado na compra do carro do Sr. Valcir Piran (fls. 171/173 do anexo II).

De outra parte, o proprietário da empresa DM Fomento Mercantil Ltda., DINARTE MANTOVANI, empresa que teve o cheque nº 13177 (R$ 64.327,00), emitido e sacado da conta da AL/MT depositado em sua conta corrente, esquivou-se de esclarecer o motivo do recebimento de tal cheque, tendo mencionado apenas que a empresa não negociou com a Assembléia Legislativa Estadual (fls. 154/155 do anexo II).

A verdade é que os cheques não se destinavam a empresa em questão, que nada forneceu e não prestou nenhum serviço à AL/MT, servindo apenas para justificar a emissão deles, possibilitando o saque e apropriação do dinheiro público.

Desse modo, com o encerramento das investigações promovidas no âmbito do inquérito civil nº 102/2004 (GEAP nº 000383-02/2004), comprovou-se que R$ 2.018.630,77 provenientes de verbas da Assembléia Legislativa de Mato Grosso, foram desviados pelos requeridos em proveito deles, por meio de ardiloso esquema em que utilizaram a empresa PEDRO ANTONIO CAMARGO – OLIMPICUS SPORTS como falsa fornecedora de bens, emitindo quarenta e um (41) cheques daquela Casa de Leis para ela, no intuito de justificar a saída ilegal de dinheiro daquele parlamento.

16 – Em face do ocorrido e das provas

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anexas a esta inicial, não resta outra alternativa ao Ministério Público Estadual senão ingressar com a presente ação civil pública para buscar o ressarcimento dos prejuízos causados ao erário pelos diversos desvios perpetrados.

III - D I R E I T O

17 – A Lei nº 7.347/85 (Ação Civil Pública), em seu artigo 1º, inciso IV, prevê a ação de responsabilidade por danos causados a qualquer interesse difuso ou coletivo. A natureza difusa dos danos ao erário é inconteste, tendo em vista que a agressão não fere exclusivamente a pessoa jurídica de direito público interno, mas sim a toda a coletividade, que mantém o funcionamento da administração pública por meio do pagamento de tributos. A respeito da natureza do bem jurídico tutelado no caso em concreto, leciona o professor Paulo de Tarso Brandão 1 :

É inegável o caráter preponderantemente difuso do interesse que envolve a higidez do erário público. Talvez esse seja o exemplo mais puro de interesse difuso, na medida em que diz respeito a um número indeterminado de pessoas, ou seja, a todos aqueles que habitam o Município, o Estado ou o próprio País, a cujos governos cabe gerir o patrimônio lesado, e mais todas as pessoas que venham ou possam vir, ainda que transitoriamente, a desfrutar do conforto de uma perfeita aplicação ou a ter os dissabores da má gestão do dinheiro público.

Lembro que, infelizmente, as sanções pela prática de ato de improbidade administrativa não poderão ser aplicadas, em virtude da prescrição. Porém, perfeitamente preservado o direito de buscar o ressarcimento da importância que deixou os cofres públicos indevidamente e proporcionou enriquecimento ilícito aos particulares, a teor do artigo 37, § 5º, da Constituição Federal, cabendo ao Ministério Público a proteção do patrimônio público por expressa determinação contida nos arts. 127 e 129, inciso III, da Constituição Federal, art. 103 da Constituição Estadual, art. 1º da Lei Complementar Estadual nº 27/93, art. 25, inciso IV da Lei 8.625/93 – LONMP e na Lei Federal nº 7.347/85 – ACP.

18 – A atitude dos requeridos causou prejuízo ao erário, saltando aos olhos a necessidade de serem condenados ao ressarcimento. O fundamento jurídico que determina a indenização do dano é princípio antigo do direito, segundo o qual todo aquele que causa dano tem o dever de fazer sua

1 BRANDÃO, Paulo de Tarso. Ação Civil Pública. São Paulo: Obra Jurídica. 1996.

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recomposição, pois as normas jurídicas não admitem o enriquecimento sem causa, sendo certo que o prejuízo sofrido pelo patrimônio público possui uma característica sui generis, o fato de ser, por mandamento constitucional, imprescritível. Portanto, do cotejo entre os fatos relatados com o direito posto, a única conclusão aceitável e admitida é a condenação dos requeridos no dever de indenizar o patrimônio público pelo imenso prejuízo que lhe causaram, na medida em que desviaram mais de R$ 2.018.630,77 dos cofres estaduais para proveito próprio,

enriquecendo-se às custas da população mato-grossense.

IV – PEDIDOS DE LIMINARES

A) PEDIDO DE INDISPONIBILIDADE DE BENS

19 – Nos termos do art. 12, § 1º da Lei nº 7.347/85, requer-se em sede liminar a indisponibilidade dos bens dos requeridos JOSÉ GERALDO RIVA, HUMBERTO MELO BOSAIPO, GERALDO LAURO, VARNEY FIGUEIREDO DE LIMA, GUILHERME DA COSTA GARCIA e NIVALDO DE ARAÚJO até a medida necessária para o ressarcimento do dano aqui fixado. A documentação que instrui esta ação colaciona provas manifestas da prática de atos praticados pelos requeridos que prejudicaram os cofres públicos. A decretação da indisponibilidade de bens do deputado e de seus cúmplices é medida obrigatória que visa resguardar o ressarcimento integral do dano causado ao patrimônio público com acessórios e demais penalidades previstas em lei (multa civil, correção monetária e juros), especialmente pelo montante desfalcado e pelas várias ações civis públicas já propostas (mais de setenta), representando altos valores em reais, com enorme possibilidade de serem frustradas futuras execuções. Nesse sentido, cautelarmente, requer-se a concessão de liminar de indisponibilidade de bens dos requeridos e, para assegurar seu cumprimento, requeiro a Vossa Excelência sejam ordenadas as seguintes providências:

(a) – oficiar aos cartórios de registro de imóveis de Cuiabá, Várzea Grande, Juara, Juína, Portos dos Gaúchos, Chapada dos Guimarães e Barra do Garças, para que se averbe em todas as matrículas de imóveis pertencentes aos requeridos a cláusula de indisponibilidade aqui versada, para ciência de terceiros, remetendo-se a este Juízo cópias das matriculas encontradas em nome dos requeridos;

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(b)

– oficiar ao Presidente do Departamento Estadual de Trânsito – DETRAN/MT, para que insira restrição de indisponibilidade nos registros e se abstenha de efetuar qualquer transferência de veículos pertencentes aos requeridos desta ação, encaminhando a este Juízo relação com informações completas de todos os bens encontrados;

(c)

– mandar intimar os requeridos da concessão da liminar de indisponibilidade de bens, ordenando-lhes expressamente que se abstenham da prática de quaisquer atos que impliquem alienação parcial ou total dos seus patrimônios, sob as penas da lei.

B) PEDIDO DE EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS

20 – É fundamental para o deslinde da presente ação o exame de todos os procedimentos referentes às hipotéticas licitações, empenhos, comprovação da entrega de bens ou serviços e dos pagamentos efetuados pela AL/MT em favor da empresa PEDRO ANTONIO CAMARGO – OLIMPICUS SPORTS, se é que eles existem, pois tudo indica o contrário. Embora estes documentos tenham sido requisitados, não foram apresentados ao Ministério Público para análise durante o processamento do procedimento que serve de base à presente ação. Quem sabe agora, por determinação judicial, eles apareçam! Anoto que os artigos 355 a 363 do Código de Processo Civil trazem como meio de prova lícito o pedido de exibição de documento ou coisa, concedendo ao magistrado o poder de ordenar que a parte ou um terceiro apresente, em juízo, documentos que estejam em seu poder e que sejam importantes para o deslinde da causa.

Assim, diante dessa possibilidade e considerando a necessidade da medida, pois administrativamente a Assembléia Legislativa se nega a conceder cópia da documentação, requer-se liminarmente que Vossa Excelência determine à Assembléia Legislativa, por meio de seu representante e com fundamento no art. 360 do CPC, a EXIBIÇÃO de todos os documentos relativos às possíveis licitações ou quaisquer processos de compra que envolvam a empresa PEDRO ANTONIO CAMARGO – OLIMPICUS SPORTS, contendo todos os comprovantes, em especial os de liquidação da despesa, com o empenho, pagamento e comprovação da entrega de bens ou serviços, conforme cheques emitidos e sacados

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contra a conta corrente da AL/MT, já relacionados nesta inicial.

V – PREQUESTIONAMENTO

21 – Expressamente e desde já o Ministério

Público prequestiona a matéria legal e constitucional envolvida na presente causa, para efeitos de eventual recurso especial e extraordinário, devendo sobre ela esse Juízo posicionar-se de forma clara e precisa. Na verdade, trata-se de simples cautela processual para, na eventualidade de serem potencialmente utilizados os recursos especial e extraordinário, não se faça Juízo de Admissibilidade Negativo, com fundamento na ausência de prequestionamento, em todas as instâncias. Assim, o não acolhimento da pretensão formulada pelo Ministério Público nesta causa, contraria e nega vigência a lei federal, consubstanciada no artigo 1º, V, da Lei Federal nº 7.347/85 e também contraria dispositivo da Constituição da República, consubstanciado no artigo 37 caput e 5º.

VI – PEDIDOS DE MÉRITO

22 – Pelo acima exposto o Ministério Público

de Mato Grosso requer a Vossa Excelência:

(a) – a distribuição, registro e autuação desta petição juntamente com o Inquérito Civil

102/2004 (GEAP nº 000383-02/2004), com dois volumes, contendo os anexos I, II e

III que integram as investigações, justificam a propositura da presente demanda e

contém provas dos atos lesivos ao erário; (b) – seja determinada a distribuição, registro e autuação com o recebimento da inicial,

procedendo-se à intimação pessoal do ESTADO DE MATO GROSSO, na pessoa do Excelentíssimo Procurador-Geral do Estado, o qual pode ser encontrado na rua 06, s/nº, Centro Político Administrativo, nesta Capital, a fim de que, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, manifeste-se sobre a ação, observando-se a que esta intimação deverá anteceder a citação dos requeridos, eis que poderá integrar a lide na qualidade de litisconsorte ativo; (c) – seja adotado rito ordinário e observada a Lei nº 7.347/85-LACP, já que pretende-se apenas o ressarcimento dos danos causados ao erário, determinando- se a citação dos réus para apresentarem contestação, no prazo e forma legal, com

as advertências dos arts. 285 e 319 do CPC, sob as pena da lei;

(d)

– seja permitido provar-se o alegado por todos os meio em direito admitidos, tais

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como perícias, a serem especificadas oportunamente, depoimentos de testemunhas, a serem arroladas tempestivamente, juntada oportuna de novos documentos e especialmente a colheita de depoimento pessoal dos requeridos, sob pena de confissão;

(e)

– ao final, seja julgada procedente em todos os seus termos a presente ação para

condenar solidariamente os réus ao ressarcimento integral do dano causado ao erário, no valor de R$ 2.018.630,77 (dois milhões, dezoito mil, seiscentos e trinta reais e setenta e sete centavos), valor não atualizado, sobre o qual deverá incidir correção monetária e juros de mora, até o efetivo ressarcimento aos cofres do Estado, a serem apurados em futura liquidação;

(f)

– sejam os requeridos ainda condenados ao ônus da sucumbência, uma vez que a lei da ação civil pública não os isentou desse encargo, quando vencidos;

(g) – que determine a intimação pessoal do autor (MPE) nesta ação, conforme determinação do art. 236 § 2º, do CPC, no endereço constante do rodapé, observando-se ainda o disposto no art. 18 da Lei nº 7.347/85 (sem adiantamento de custas, emolumentos, honorários periciais ou outras despesas). 23 – Dá-se à presente causa para efeitos

legais o valor de R$ 2.018.630,77.

Nestes termos, pede deferimento. Cuiabá, 03 de março de 2009.

CÉLIO JOUBERT FÚRIO Promotor de Justiça

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