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Entre todos os textos e anotações do Rabbi Baruch Shalom Halevi Ashlag (o Rabash), havia

Entre todos os textos e anotações do Rabbi Baruch Shalom Halevi Ashlag (o Rabash), havia um caderno de anotações especial que ele sempre carregava consigo. Este caderno continha as transcrições de suas conversas com seu pai, Rabbi Yehuda Leib Halevi Ashlag (Baal HaSulam), autor do Sulam (Ladder), comentários sobre o Livro do Zohar e muitos outros textos sobre a Cabala. Ao não se sentir bem no Ano Novo Judaico, em setembro de 1991, o Rabash chamou seu discípulo e assistente pessoal, Michael Laitman, para o seu lado no leito e lhe entregou este caderno. Sua capa tinha apenas uma palavra: Shamati (Eu Ouvi). Ao entregar o caderno disse para Laitman: “Leve-o e aprenda com ele.” Na manhã seguinte faleceu nos braços de seu aluno, deixando-o e muitos outros discípulos sem orientação neste mundo. Comprometido com a herança do Rabash de disseminar a sabedoria da Cabala, Laitman publicou o caderno exatamente como estava escrito, retendo assim o poder de transformação do texto. Entre os livros da Cabala, o Shamati representa uma composição única e poderosa, cujos poderes se mantém muito tempo após sua leitura.

SHAMATI_1 - NÃO HÁ NINGUÉM ALÉM DO CRIADOR

Shamati em Parashat Yitro, 1º de Fevereiro de 1944

Está escrito que "não há ninguém além do Criador", o que significa que não há nenhum poder no mundo capaz de fazer alguma coisa contra Sua Vontade.

E se o homem vê que há coisas neste mundo, que negam o domínio do Alto, é porque Ele quer assim.

E considera-se uma correção, chamada "a esquerda rejeita e a direita

acrescenta", significando que aquilo que o lado esquerdo rejeita é considerado uma correção. Isso significa que há coisas no mundo, que por princípio estão destinadas a desviar a pessoa do caminho correto, e mantê-la distanciada da santidade.

O benefício dessas rejeições é que através delas a pessoa recebe a real

necessidade e um completo desejo pela ajuda de Deus, pois vê que de outra

forma está perdida.

Não apenas ela não progride em seu trabalho, como vê ainda que regride, e que lhe falta a força para sequer observar a Torah e as Mitzvot, mesmo que não seja em Seu nome. Porque somente se superar genuinamente todos os obstáculos, acima da razão, ela pode observar a Torah e as Mitzvot.

Mas nem sempre ela tem a força para ir acima da razão, porque se ocorresse o contrário, Deus proíba, ela seria forçada a se desviar do caminho do Criador, e não agir pelo Seu nome.

A pessoa sempre sentiu que o fragmento é maior que o total, o que significa que

há mais descidas que ascensões. Ela não vê uma finalidade para esses apuros, e

sempre se sente excluída da santidade, porque vê que é difícil para ela observar até mesmo uma insignificância, se não agir acima da razão, mas nem sempre ela

é capaz de agir assim. E qual será o fim de tudo isso?

Então essa pessoa entende que ninguém pode ajudá-la, a não ser o próprio Deus. Isso faz com que ela dirija um pedido sincero ao Criador para que abra seus olhos e coração, e a aproxime da eterna adesão a Deus. Ela compreende, então, que todas as rejeições que ela experimentou vieram do Criador.

Isso significa que as rejeições que ela experimentou não aconteceram por sua culpa, ou por que não era capaz de prosseguir, mas sim porque essas rejeições são para aqueles que verdadeiramente querem se aproximar de Deus. E para que essa pessoa não se satisfaça com apenas um pouco, mais precisamente, para que não permaneça como uma criança sem conhecimento, ela recebe ajuda

do Alto, de modo a que não seja capaz de dizer que "graças a Deus, ela observa

a Torah e pratica boas ações, e portanto, o que mais ela poderia pedir?"

Só se essa pessoa tiver um verdadeiro desejo, ela receberá ajuda do Alto. E lhe

são mostradas constantemente as suas faltas no estado presente, isto é, são-lhe enviados pensamentos e opiniões que trabalham contra seus esforços. Isto é para que ela veja que ela não está unificada a Deus. E quanto mais ela supera, mais percebe o quão longe da santidade ela se encontra, por comparação aos outros, que se sentem unificados a Deus.

Mas essa pessoa, por outro lado, sempre tem suas queixas e exigências, e não consegue justificar o comportamento do Criador, nem o modo como Ele age com relação a ela. E isso vai lhe provocando dor, porque ela não se sente unificada ao Senhor, até que chegue a sentir que não tem participação nenhuma na santidade.

E embora ela seja ocasionalmente despertada pelo Alto, e isso

momentaneamente a reavive, logo ela cai novamente em um abismo. Porém, é isso que lhe faz compreender que somente Deus pode ajudar e realmente atraí- la para mais perto.

A pessoa sempre deve tentar se aproximar do Criador, isto é: tentar fazer com

que todos os seus pensamentos se refiram a Ele. Isso quer dizer que mesmo que ela esteja no pior estado, do qual não possa haver uma grande queda, ela não deve abandonar Seu domínio, isto é, não deve pensar que há outra autoridade que o afaste de entrar na santidade, e que tenha o poder de beneficiar ou ferir.

Portanto a pessoa não deve pensar que é o poder do Outro Lado (sitra achrah), que não lhe permite praticar boas ações e seguir os caminhos de Deus, mas sim, que tudo isso é determinado pelo Criador.

Como dizia o Baal Shem Tov, aquele que afirmar que há outro poder no mundo, isto é, conchas, está num estado em que "serve a outros deuses", ainda que não pense, necessariamente, em cometer o pecado da heresia; mas se ele pensa que há outra autoridade e força, que não o Criador, desse modo ele está cometendo um pecado.

Além disso, aquele que diz que o homem tem sua própria autoridade, ou seja, aquele que diz que ontem ele mesmo não quis seguir os caminhos de Deus, esse também se considera como tendo cometido o pecado de heresia. Isso significa que ele não acredita que somente o Criador conduz o mundo.

Quando a pessoa comete um pecado, certamente deve se lamentar por isto e se arrepender por tê-lo cometido, mas aqui também nós devemos colocar a dor e a lástima na ordem correta: aquilo a que ela atribuir a causa do pecado, é nesse ponto que ela deve se arrepender.

A pessoa então deve se arrepender e dizer: "eu cometi esse pecado porque o

Criador me lançou abaixo da santidade, em um lugar imundo, no lavatório, onde está a imundície". Isso é o mesmo que dizer que o Criador lhe deu um desejo e um apetite por se divertir e respirar o ar de um lugar mal-cheiroso. (E também se pode dizer, como está nos livros, que às vezes o homem encarna no corpo de um porco, e então ele recebe um desejo e o apetite por manter-se com coisas que ele já teria decidido que eram lixos, mas agora ele novamente quer se reavivar com elas).

E também, quando a pessoa sente que está em um estado de ascensão, e sente

algum prazer no trabalho, ela não deve dizer: "agora eu estou em um estado em que compreendo que é valioso servir a Deus". Melhor seria que soubesse que

agora o Senhor a notou, e por isso a atraiu para Si, o que é a razão pela qual ela sente prazer no trabalho. Ela deve tomar o cuidado de nunca abandonar o domínio da santidade, nem dizer que há outra força operando, além do Criador. (Mas isso significa que a questão de encontrar favor aos olhos do Senhor, ou o oposto, não depende do homem, mas sim, que tudo depende de Deus. E o homem com sua mente superficial, não consegue compreender por que o Senhor agora gosta dele e após, não gostará).

igualmente quando a pessoa lamenta que o Criador não a traz para perto, ela também deveria ter cuidado para não se queixar por ter sido distanciada do Criador, pois fazendo assim ela se torna um recipiente para seu próprio benefício, e aquele que recebe é separado do Criador. Melhor seria que ela lamentasse o exílio da Presença Divina, isto é, por infligir tristeza à Presença divina.

A pessoa deveria tomar como exemplo a ocasião em que algum pequeno órgão

está dolorido. A dor é sentida principalmente no coração e na mente, que são a generalidade do homem. E certamente a sensação de um simples órgão não se

assemelha à sensação da completa estatura da pessoa, onde a maior parte da dor é sentida.

Igualmente é a dor que a pessoa sente quando ela é distanciada do Senhor, já que o homem é apenas um órgão da Presença Divina, pois a Presença Divina é a alma de Israel em geral. Assim a sensação de um simples órgão não se assemelha à sensação da dor em geral. Isso significa que a Presença Divina lamenta que haja partes dela mesma que estejam distanciadas, e que ela não pode ajudar. (E esse pode ser o significado das palavras: "quando o homem lamenta, a Presença Divina diz: isto está mais leve que a minha cabeça"). E se o homem não relaciona a ele mesmo a tristeza de estar distanciado de Deus, ele é salvo de cair na armadilha do desejo de receber para si mesmo, que é a separação da santidade.

O mesmo se aplica quando alguém se sente um tanto mais próximo da

santidade. Quando ele está feliz de ter merecido favor aos olhos do Senhor, ele

precisa dizer que o centro de sua alegria é que agora há alegria na Presença Divina, por ter conseguido trazer seu próprio órgão para mais perto, e não rejeitá-lo.

E o homem se alegra por ter sido dotado com a capacidade de agradar à

Presença Divina. Do mesmo modo, a alegria que um indivíduo sente, é apenas uma parte da alegria que o total sente. E através desses cálculos ele perde seu individualismo, e evita cair na armadilha do Outro Lado, que é o desejo de receber para si mesmo.

Todavia, o desejo de receber é necessário, pois é isso o que constitui uma pessoa, e nada existe numa pessoa além do desejo de receber que lhe é atribuído pelo Criador. De qualquer forma, o desejo de receber prazer deve ser corrigido para adquirir a forma de doação.

Isso quer dizer que o prazer e a alegria, sentidos pelo desejo de receber, devem ter a intenção de transmitir contentamento ao Alto, em razão do prazer que acontece abaixo. Pois esse foi o propósito da criação, de beneficiar Suas criações. E isso é chamado à alegria da Presença Divina acima.

Por essa razão, o homem deve buscar conselho sobre como ele pode causar

contentamento acima. E certamente, se ele recebe prazer, o contentamento será sentido acima. Assim, ele deve ansiar por estar sempre no palácio do Rei, e por ter a capacidade de lidar com os tesouros do Rei. E isso certamente causará contentamento acima. Conclui-se que seu inteiro anseio deve ser em prol do Criador.

SHAMATI_5 - LISHMA É UM DESPERTAR DE CIMA

Shamati em 1945

Para alcançar Lishma , não está em nossas mãos entender, como também não é para a mente

humana entender como estas coisas podem ser neste mundo

permitido entender quando uma pessoa se dedica à Torah e aos Mitzvot, assim ela entenderá alguma coisa. Deve haver gratificação pessoal lá, caso contrário ninguém consegue fazer nada.

Isto é assim pois só nos é

Ao contrário, esta é uma iluminação quem vem de Cima, e somente quem a prova pode conhecer e entender. Está escrito sobre isso: “Prove e veja como o Senhor é bom”.

Sendo assim devemos entender porque precisamos buscar conselhos em como alcançar Lishma. Mas, nenhum conselho ajuda e se Deus não lhe dá outra natureza, chamada “Desejo de Doar”, não há trabalho que a ajude a conseguir o Lishma.

A resposta é, como nossos sábios disseram (Avot, 2:21) ”Não é para você completar o trabalho,

e você não está livre para deixá-lo.” Isto significa que devemos despertar de baixo, desde que isso é considerado como prece.

Uma prece é considerada uma deficiência e sem deficiência não há satisfação. Assim, quando uma pessoa tem necessidade de Lishma, a satisfação vem de Cima, significando que a pessoa recebe a satisfação para suas necessidades. Segue-se que o trabalho da pessoa é necessário para receber Lishma do Criador somente na forma de falta e um Kli (vaso). Ainda, a pessoa nunca pode conseguir a satisfação sozinha: seria mais um presente de Deus.

No entanto a prece deve ser uma prece completa, ou seja, do fundo do coração. Significa que a pessoa sabe cem por cento que não há ninguém no mundo que pode ajudá-la a não ser o Criador.

Agora, como a pessoa sabe que não há ninguém mais para ajudá-la a não ser o Criador? A pessoa pode adquirir esta consciência precisamente quando esgotou todos os poderes à sua disposição e nada a ajudou. Então, a pessoa deve fazer tudo o que é possível no mundo para alcançar “para o Criador”. Então, a pessoa pode fazer sua prece do fundo do coração, assim o Criador ouve sua prece.

Entretanto, a pessoa deve saber, quando se esforça para conseguir o Lishma, quando trás para si querer trabalhar inteiramente para doar completamente, significando apenas para doar e não receber nada. Somente então a pessoa começa a ver que os seus órgãos não concordam com a idéia.

Daí a pessoa chega a um claro entendimento de que não há outro conselho a não ser despejar sua reclamação ao Senhor para que a ajude para que o corpo concorde em escravizar-se incondicionalmente ao Criador, quando se dá conta de que não pode persuadir seu corpo a anular-se completamente. Acontece que precisamente quando a pessoa vê que não há razão para ter esperança de que seu corpo concorde em trabalhar para o Criador, por si próprio, a prece da pessoa pode ser do fundo do coração, e depois sua prece é aceita.

Devemos saber que ao alcançar Lishma colocamos nossa inclinação para o mal à morte. A inclinação para o mal é o desejo de receber para si próprio, e adquirindo o desejo de doar cancela este desejo de receber, de ser capaz de fazer qualquer coisa. Isto é considerado colocá- lo à morte. Desde que removido de seu escritório e já que não tem nada a fazer pois não está mais em uso, quando lhe foi revogada a função, isto é considerado coloca-lo à morte.

Quando contemplamos “Que lucro o homem terá de seu trabalho enquanto trabalha sob o sol”, vemos que não é tão difícil escravizar-se ao Seu Nome, por duas razões:

De qualquer maneira, querendo ou não, temos que trabalhar neste mundo, e o que nos resta dos esforços que fazemos?

Entretanto, ao trabalharmos Lishma, recebemos prazer durante o trabalho em si, também.

De acordo com o provérbio de Sayer de Dubna, que falou sobre o verso, “voce não Me chamou, Jacob, nem se cansou Comigo, Israel.” Ele disse que isso é como um homem rico que partiu de trem com uma mala pequena. Ele a colocou no lugar onde todos os negociantes colocavam suas bagagens para que os carregadores as levassem para o hotel onde os negociantes ficavam. O

carregador pensou que o negociante certamente levaria a mala pequena ele próprio, já que não

é

necessário um carregador para isso, então levou a mala maior.

O

negociante quis pagar uma pequena taxa ao carregador, como sempre o fez , mas o

carregador não aceitou. Ele disse: “eu trouxe para o hotel uma mala grande; ela me cansou e eu nem apanhei a sua mala, e você quer me pagar tão pouco por isso?”

A lição é que quando uma pessoa vem e diz que se esforçou muito para manter a Torah e

Mitzvot, o Criador lhe responde “mas não Me convidaram, ó Jacó”. Em outras palavras, não foi minha bagagem que você carregou, mas a bagagem de outra pessoa. Como a pessoa diz que se

esforçou muito na Torah e Mitzvot, deve ter tido um outro senhor para o qual trabalhou, então

a pessoa deve ir até ele para receber seu pagamento.

Isto é o que significa, “nem se cansou Comigo, ó Israel.” O que significa que aquele que trabalha para o Criador não tem trabalho, pelo contrário, tem prazer e estado de espírito elevado.

Entretanto, aquele que trabalha por outro propósito não pode chegar ao Criador com reclamações de que o Criador não lhe dá vitalidade no trabalho, já que a pessoa não trabalha para o Criador, para o Senhor lhe pagar pelo trabalho. Ao invés disso, a pessoa deve reclamar às pessoas para as quais trabalhou para que estas lhe administrem prazer e vitalidade.

E como há muitos propósitos em Lo Lishma, a pessoa deve exigir do objetivo pelo qual

trabalhou, que lhe de a recompensa : prazer e vitalidade. É dito sobre elas, “Aqueles que as fazem sejam iguais a elas; de fato, que cada um confia nelas”.

No entanto, de acordo com isso, é desconcertante. Afinal de contas, vemos que, mesmo quando uma pessoa toma para si o fardo do Reino dos Céus, sem qualquer outra intenção, ela ainda não sente alguma vivacidade, para dizer que esta vivacidade obriga-a a tomar sobre si o fardo do

Reino dos Céus. E a razão é que tomar sobre si este encargo é somente por causa da fé acima da razão.

Em outras palavras, a pessoa o faz por coerção, sem desejo de fazê-lo. Então, podemos perguntar: porque sentimos esforço neste trabalho, com o corpo constantemente buscando a hora de se livrar deste trabalho, já que não sentimos vitalidade no trabalho? De acordo com o acima mencionado, quando trabalhamos modestamente, com o único propósito de doar, porque o Criador não lhe dá gosto e vitalidade no trabalho?

A resposta é que temos de saber que este assunto é uma grande correção. Se não fosse por isso,

ou seja se a Luz e a vitalidade acontecessem instantaneamente quando se toma para si o fardo

do Reino dos Céus, a pessoa teria vitalidade no trabalho. Em outras palavras, a vontade de receber, também, teria concordado com a realização deste trabalho.

Neste estado a pessoa iria certamente concordar, porque ela quer saciar seu desejo, significando que ela iria trabalhar para seu benefício próprio. Se fosse o caso, jamais teria sido possível atingir Lishma.

Isto é assim porque a pessoa seria compelida a fazer um trabalho para o seu próprio benefício,

já que sentiria um maior prazer na obra de Deus do que em desejos corpóreos. Assim, a pessoa

teria que permanecer em Lo Lishma , pois assim ela teria tido a satisfação no trabalho. Onde não

há satisfação, não podemos fazer nada, pois sem lucro, não se pode trabalhar. Daqui decorre que, se recebeu uma satisfação neste trabalho de Lo Lishma, a pessoa teria que permanecer nesse estado.

Isto seria semelhante ao que as pessoas dizem, que, quando há pessoas que perseguem um ladrão para pegá-lo, o ladrão, também, corre e grita, "pega o ladrão." Então, é impossível reconhecer quem é o verdadeiro ladrão, e pegar o ladrão e o roubo de suas mãos.

No entanto, quando o ladrão, ou seja, a vontade de receber, não sente qualquer gosto e vivacidade no trabalho de aceitar o fardo do Reino dos Céus, se neste caso a pessoa trabalha com fé acima da razão, coercivamente, e o corpo se torna habituado a esse trabalho contra a vontade do desejo de receber, então a pessoa tem os meios pelos quais chegar a um trabalho que vai ter como propósito levar contentamento ao Criador.

Isto é assim porque a principal exigência é a de uma pessoa chegue a Dvekut (aderência), com o Criador através do trabalho, que é interpretado como equivalência de forma, onde todas as ações são feitas com a finalidade de doar.

É como o versículo diz: "Então tu deverás deliciar-te no Senhor." O significado de "Então," é a

primeira, no início do trabalho, a pessoa não tem prazer. Em vez disso, foi um trabalho coercivo.

Mas depois, quando a pessoa já se acostumou ao trabalho a fim de doar, e não se examina para saber se ela se sente bem no trabalho, mas, acredita que está trabalhando para trazer contentamento ao Criador, a pessoa deve acreditar que o Criador aceita o trabalho dos inferiores, independentemente de como e quanto é a forma de trabalhar. Em tudo, o Criador analisa a intenção, e isto traz contentamento ao Criador. Então é dito, "Então tu deverás deliciar-te no Senhor." Mesmo durante o trabalho para Deus a pessoa vai sentir prazer e deleite, pois agora realmente ela faz um trabalho para o Criador, porque o esforço que ela fez durante o trabalho coercivo a qualifica como pessoa para trabalhar para o Criador. E então você descobrirá, também, que o prazer que a pessoa recebe se relaciona com o Criador, significando especificamente para o Criador.

14- O QUE É A GRANDEZA DO CRIADOR

Shamati em 1948

A Romemut (grandeza / sublimidade) do Criador significa que se deve pedir ao Criador pela

força para ir acima da razão. Isso significa que há duas interpretações da grandeza do Criador:

A. Não se satisfazer com conhecimento, que é o intelecto, com o qual se pode responder às

próprias questões. Em vez disso, deve-se desejar que o Criador responda às suas questões. Isto

é chamado Romemut porque toda a sabedoria vem do Alto e não do homem, que poderia

responder às próprias questões. Seja o que for que se possa responder é considerado uma resposta com a mente externa. Isso significa que o desejo de receber compreende que é valioso guardar a Torah e as Mitzvot. Porém, se acima da razão, a pessoa é compelida a trabalhar, isto é considerado 'contra a opinião do desejo de receber'.

B. A grandeza do Criador significa que a pessoa se torna necessitada do Criador para satisfazer seus desejos. Assim:

A pessoa precisa ir acima da razão. Então ela verá que está vazia, e consequentemente, tornar-

se-á necessitada do Criador.

Somente o Criador pode dar a força de ser capaz de ir acima da razão. Em outras palavras, o que

o Criador dá é chamado 'a Romemut do Criador'.

16 - O QUE É O DIA DO SENHOR E A NOITE DO SENHOR NO TRABALHO

Shamati, Jerusalem em 1941

Nossos sábios dizem sobre o verso “Infortúnio para vocês que desejam o dia do Senhor! Para que vocês teriam o dia do Senhor? Isto é escuridão, e não luz” (Amos, 5): “Há uma parábola sobre um galo e um morcego que estavam esperando a luz. O galo disse ao morcego: ‘Eu espero pela luz porque a luz é minha; mas você, para que você precisaria da luz?” (Sanhedrin, 98, 2). A interpretação é que como o morcego não tem olhos para ver, que proveito ele tem da luz do sol? Ao contrário, para aquele que não tem olhos, a luz do sol somente escurece mais.

Precisamos entender essa parábola, ou seja, como os olhos estão conectados com olhar para a Luz de Deus, que o texto chama ‘o dia do Senhor’. Quanto a isso, eles fornecem uma parábola sobre o morcego, aquele que sem olhos, fica no escuro.

Também precisamos entender o que é o dia do Senhor e o que é a noite do Senhor, e qual a diferença entre eles. Discernimos o dia das pessoas pelo nascer do sol, mas como discernir o dia do Senhor?

A resposta é: como o aparecimento do sol. Em outras palavras, quando o sol brilha sobre o solo, nós chamamos a isto ‘dia’. E quando o sol não brilha, isto é chamado ‘escuridão’. É o mesmo

com o Criador. O dia é chamado ‘revelação’, e a escuridão é chamada ‘ocultamento da face’.

Isto significa que quando há revelação da face, quando isto está claro como o dia para alguém, isto é chamado ‘um dia’. Como nossos sábios disseram (Psachim 2) sobre o verso, ‘O assassino se levanta com a luz, para matar o pobre e o necessitado; e de noite ele é como um ladrão’.

Como ele diz, ‘e de noite ele é como um ladrão’, conclui-se que a luz é o dia. Ele diz então, que se o assunto estiver tão claro para você como a luz que vem sobre as almas, ele é um assassino,

e é possível salvá-lo em sua alma. Então vemos que com relação a ‘dia’, a Gemarah diz que se trata de um assunto claro como o dia.

Daí se segue que o dia do Senhor significa que a Providência - como o Criador conduz o mundo - será claramente sob a forma de benevolência. Por exemplo, quando uma pessoa reza, sua oração é imediatamente respondida e ela recebe aquilo pelo que rezou, e um é bem sucedido sempre que se volver para o Senhor. Isso e chamada " o dia do Senhor"

Portanto, a escuridão que é a noite, significará ocultamento da face. Isto pode trazer dúvidas sobre a orientação benevolente assim como pensamentos estranhos. Em outras palavras, o ocultamento da orientação traz todos estes pensamentos e idéias estranhas. Especificamente, a pessoa experimenta um estado em que sente que o mundo se tornou escuro para ela.

Agora podemos interpretar o que está escrito, "Infortúnio para vocês que desejam o dia do Senhor! Para que vocês teriam o dia do Senhor? Isto é escuridão, e não luz". Acontece que, aqueles que esperam pelo dia do Senhor, quer dizer que estão esperando para serem agraciados com fé acima da razão, esta fé será tão forte como se eles vissem com seus próprios olhos, com certeza, isto é assim, significando que o Criador conduz o mundo com benevolência.

Em outras palavras, eles não querem ver como o Criador conduz o mundo com benevolência, porque ver é contraditório a ter fé. Em outras palavras, a fé está precisamente aonde ela é contrária à razão. E quando as pessoas fazem o que está contra a razão, isto é chamado "fé acima da razão".

Isto significa que elas acreditam que a condução do Criador sobre as criaturas é benevolente. E

quando elas não vêem com certeza absoluta, elas não dizem ao Criador "Nós queremos ver a benevolência do mesmo modo que ver com a razão". Preferivelmente, elas querem que ela permaneça nelas como fé acima da razão.

Mas elas pedem ao Criador que as impregnem com tanta força que a fé será tão forte como se vissem com a razão. Significa que não haverá diferença entre fé e conhecimento pela mente. Isto é o que elas, ou seja, as que querem aderir ao Criador, se referem como "o dia do Senhor".

Em outras palavras, se elas sentirem isto como conhecimento, então a Luz de Deus, chamada ‘a Abundância Superior’, irá para os vasos de recepção, chamados ‘vasos separados’. E elas não querem isto, porque iria para o desejo de receber, que é oposto à Kedusha (Santidade), que é contrária ao desejo de receber para auto-gratificação. Em vez disso, elas querem aderir ao Criador, e isso somente pode acontecer por meio da equivalência de forma.

Porém, para chegar a isto, ou seja, para ter um desejo e uma urgência para aderir ao Criador, já que se nasce com a natureza do desejo de receber para seu próprio benefício, como é possível atingir algo que está completamente contra a natureza? Por isso é preciso fazer grandes esforços até adquirir uma segunda natureza, que é o desejo de doar.

Quando é conferido a alguém o desejo de doar, ele se qualifica para receber a Abundância Superior com ele, e sem mácula, pois todas as falhas vêm somente por meio do desejo de receber para si mesmo. Em outras palavras, mesmo quando alguém faz alguma coisa para doar, profundamente no seu interior há um pensamento de que ele receberá algo em troca desse ato de doação que está praticando.

Em resumo, a pessoa é incapaz de fazer seja o que for se não receber alguma coisa em troca do ato. É preciso ter prazer, e qualquer prazer que se receba para si mesmo, causará por si mesmo a separação da vida das vidas.

Isso impede a adesão com o Criador, pois o assunto da Dvekut (Adesão) é medido pela equivalência de forma. Portanto é impossível ter pura doação sem uma mistura de recepção, por seus próprios poderes. Assim, para ter os poderes de doação, precisamos de uma segunda natureza, de modo que ganhemos força para alcançar a equivalência de forma.

Em outras palavras, o Criador é o doador e não recebe nada, pois não Lhe falta nada. Isso significa que o que Ele dá, também, não é por causa de uma carência, ou seja, se Ele não tivesse ninguém para doar, ele sentiria isto como um desejo. Ao contrário, precisamos perceber isto como um jogo. Isto é, não é que quando Ele quer doar, Ele precise doar, mas isto tudo funciona como um jogo. É, como disseram nossos sábios quanto à senhora, que perguntou: ‘O que o Criador fez após ter criado o mundo?’ A resposta foi ‘Ele sentou-se e brincou com uma baleia’, como está escrito, "O Senhor criou a baleia para divertir-se com ela" (Avoda Zarah, Idolatria, p.

3).

O assunto da baleia refere-se à Dvekut e conexão como está escrito. Isto significa que o

propósito, que é a conexão do Criador com as criaturas, é somente um jogo e não é uma questão de desejo e necessidade.

A diferença entre um jogo e um desejo é que tudo que vem do desejo é uma necessidade. Se a

pessoa não obtém o que quer, está carente. Porém, num jogo, mesmo se a pessoa não obtém a coisa, isto não é considerado uma carência, como eles dizem, ‘não é tão mau que eu não tenha obtido o que eu pensei, porque não é tão importante’. Isso é assim porque o desejo que se teve por aquilo era meramente diversão, e não sério.

Segue-se que o total propósito é que o trabalho da pessoa seja inteiramente em doação, e que ela não tenha um desejo e urgência para receber prazer pelo seu trabalho.

Isto é um alto grau, pois é implementado no Criador. E isto é chamado ‘ o dia do Senhor’.

O dia do Senhor é chamado ‘plenitude’, como está escrito, ‘Deixe que as estrelas da manhã

então sejam escuridão; deixe que procurem pela luz, mas não tenham nenhuma’. Luz é

considerada plenitude.

Quando se adquire a segunda natureza, o desejo de doar, que o Criador dá para a pessoa após a primeira natureza, sendo o desejo de receber e que agora recebe o desejo de doar, então ela está qualificada para servir ao Criador em plenitude, e isso é considerado ‘o dia do Senhor’.

Então, aquele que não adquiriu a segunda natureza e possa servir o Criador na forma de doação,

e espera para ser recompensado, com a capacidade de doação, ou seja, quando se fez esforços

e se fez todo o possível para obter essa força, a pessoa é considerada como esperando o dia do Senhor, o que quer dizer, ter equivalência de forma com o Criador.

Quando chegar o dia do Senhor, ela estará jubilando de alegria. Ela está feliz que tenha escapado do poder do desejo de receber para si mesmo, que a separava do Criador. Agora, adere-se ao Criador, o que se considera como ter ascendido ao topo.

Porém, acontece o oposto com aquele cujo trabalho é apenas para receber para si mesmo. Este ficará feliz enquanto pensar que terá uma recompensa pelo seu trabalho. Então ele vê que o desejo de receber não receberá nenhuma recompensa pelo seu trabalho, e então se torna triste

e preguiçoso. Às vezes, ele chega a cogitar sobre o começo, e diz, ‘eu não jurei que faria isto’.

Então, além do mais, o dia do Senhor é atingir o poder de doar. Se a pessoa precisasse que lhe dissessem que tal será o seu proveito por ter-se engajado em Torah e Mitzvot, ela diria, ‘Eu considero isto escuridão, não luz’, pois esse conhecimento traz a pessoa para a escuridão,como ja foi dito.

18 - O QUE QUER DIZER "MINHA ALMA CHORARÁ EM SEGREDO DURANTE O TRABALHO?

Shamati, Jerusalem em 1940

Quando o poder do ocultamento subjuga alguém, chega-se a um estado em que o trabalho torna-se insosso, e não é possível imaginar ou sentir nenhum amor ou temor, e nem fazer coisa alguma em santidade. Então o único conselho é clamar ao Criador para que tenha piedade e remova a venda de seus olhos e coração.

Esse assunto do clamar é muito importante. Como escreveram nossos sábios: ‘todos os portais foram trancados, exceto o portal das lágrimas’. O mundo pergunta sobre isto: se o portal das lágrimas não está trancado, qual é a necessidade dos portais? Ele (*o Baal haSulam) disse que é

como uma pessoa que pede ao amigo um certo objeto necessário. Esse objeto toca o seu coração, e ele pede e suplica ao seu amigo, usando todos os modos de prece e apelo. Mesmo assim, seu amigo não lhe dá a mínima atenção. E quando ele vê que não há propósito em preces e apelos, então, ele ergue sua voz em pranto.

Foi dito sobre isso: ‘todos os portais foram trancados, exceto o portal das lágrimas’. Então, quando foi que não se trancaram os portais das lágrimas? Precisamente quando todos os demais foram trancados. Isto é, quando há espaço para os portais das lágrimas, e quando se vê que eles não foram trancados. Porém, quando os portais da prece estão abertos, então os portais das lágrimas e do pranto são irrelevantes. Este é o significado dos portais das lágrimas estarem trancados. Então, quando os portais das lágrimas não estão trancados? Precisamente quando todos os portais estão trancados, os portais das lágrimas estão abertos. Isto é, quando ainda se tem o conselho da prece e da súplica.

Este é o significado de ‘minha alma chorará em segredo’. Isto significa que, quando se chega a um estado de ocultamento, então ‘minha alma chorará’, porque não há outra opção. Este é o significado de ‘seja o que for que tua mão consiga fazer pela força, então faça’.

21 - QUANDO A PESSOA SE SENTE EM UM ESTADO DE ASCENSÃO

Shamati - Heshvan 23, em 9 de Novembro de 1944

Quando no sentimos em estado de ascensão, com o espírito elevado e sem desejo para qualquer outra coisa que não seja a espiritualidade, é bom mergulhar nos segredos da Torah para alcançar sua internalidade. Mesmo se vermos, que que apesar dos esforços para entender qualquer coisa, ainda não sabemos nada, mesmo assim vale a pena mergulhar nos segredos da Torah, mesmo que seja cem vezes na mesma coisa.

Não devemos nos desesperar, ou seja, dizer que não adianta, já que não entendemos nada, e isto ocorre por duas razões:

Quando estudamos algum assunto e desejamos ansiosamente entendê-lo, este desejo é chamado de prece, pois a prece é uma falta que sentimos. Significa que a pessoa anseia o que não possui e que o Criador vai preencher este desejo.

A prece é medida de acordo com o desejo. A coisa que mais precisamos, o desejo por ela é maior. De acordo com a medida desta necessidade, é a medida do desejo.

Há uma regra que diz que onde nos esforçamos mais, o esforço aumenta o desejo e quer receber o preechimento para este desejo. Também, um desejo é chamado de ”o trabalho no coração” pois o Criador quer os corações.

Acontece que a pessoa então pode fazer uma prece verdadeira, porque quando estudamos as palavras da Torah, o coração deve estar livre de todos os outros desejos e dar força à mente para que ela possa pensar e examinar. Se não há desejo no coração, a mente não pode verificar, como nossos sábios diziam: ”Uma pessoa só aprende o que o coração quer”.

Para que nossa prece seja aceita, tem que ser uma prece completa. Assim, quando a examinamos completamente, evocamos uma prece completa, então nossa prece pode ser atendida, pois o Criador a ouve. No entanto, existe uma condição: a prece deve ser completa e não ter outras coisas misturadas no meio dela.

A segunda razão é que, esse momento, uma vez que estamos separados da corporalidade e

estamos mais próximos do atributo da doação, é a hora mais adequada para se conectar com o interior do Torah. Aparece àqueles que tenham equivalência com o Criador, uma vez que a Torah, o Criador, e Israel, são um. No entanto, quando estamos em um estado de auto-recepção ele pertence a externalidade, e não à Internalidade.

23 - VÓS, QUE AMAIS AO SENHOR, ODIAI O MAL

Shamati, Sivan 17, em 2 de Junho de 1931

No versículo, "Vós, que amais ao Senhor, odiai o mal. Ele preserva as almas dos Seus santos; Ele os livra das mãos dos ímpios" (*Salmo 97:10), ele (*o Baal HaSulam) interpreta que não é suficiente amar o Criador e querer ser premiado com a adesão com o Criador. Também é preciso odiar o mal.

A questão do ódio é expressa por odiar o mal, chamado 'o desejo de receber'. É possível ver que

não há artifício para livrar-se do mal, e ao mesmo tempo, não se quer aceitar a situação. E a pessoa sente as perdas que o mal lhe causa, e também vê a verdade, que não é possível anular o mal por si mesmo, pois trata-se de uma força natural vinda do Criador, que imprimiu o desejo de receber no homem.

Neste estado, o versículo nos diz o que é possível fazer, ou seja, odiar o mal. E desse modo o Criador o preservará desse mal, como está escrito, 'Ele preserva as almas dos seus santos'. O que é 'preservar'? 'Ele os livra das mãos dos ímpios'. Nesse estado, a pessoa já é bem sucedida, pois ela tem algum contato com o Criador, mesmo que seja a mais tênue conexão.

Na verdade, a questão do mal subsiste e serve como Achoraim (outro lado) do Partzuf. Mas isso

é assim somente por meio da própria correção: pelo sincero ódio ao mal, ele se corrige na forma de Achoraim. O ódio vem porque quando se quer obter adesão com o Criador, então há uma conduta entre os amigos: se duas pessoas chegam a compreender que cada um odeia aquilo que o seu amigo odeia, e ama aquilo e aquele que seu amigo ama, então eles chegam a um vínculo perpétuo, como uma aposta que nunca perderão.

Por isso, como o Criador ama doar, os mais inferiores devem também adaptar-se a desejar somente doar. O Criador também odeia ser um receptor, pois Ele é completamente pleno e não necessita coisa alguma. Então o homem, também, precisa odiar a recepção para si mesmo.

Resulta do que foi dito, que é preciso odiar amargamente o desejo de receber, pois todas as

ruínas do mundo vêm somente por causa do desejo de receber. E com por meio desse ódio, a pessoa corrige-se e submete-se à Kedusha (Santidade).

26 - O FUTURO DA PESSOA DEPENDE E ESTÁ LIGADO À SUA GRATIDÃO PELO PASSADO

Shamati em 1943

Está escrito: "O Senhor é alto e os baixos verão", porque somente os baixos podem ver a

grandeza. As letras Yakar (precioso) são as letras Yakir (saberão). Isto significa que alguém sabe

a grandeza de algo na medida em que isto lhe seja precioso.

A pessoa impressiona-se de acordo com a importância da coisa. A impressão traz à pessoa uma

sensação no coração e na medida em que reconhece sua importância, a alegria nasce no seu interior.

Então, se a pessoa conhece a sua baixeza, vê que não é mais privilegiada que seus contemporâneos, pois há muitas pessoas no mundo que não receberam a força para fazer o santo trabalho mesmo do modo mais simples, mesmo sem intenção, Lo Lishma (não em Seu Nome), mesmo em Lo Lishma de Lo Lishma e nem mesmo em preparação para a preparação do revestimento de Kedusha (Santidade), enquanto ela recebeu o desejo e o pensamento de ainda assim, eventualmente, fazer o santo trabalho, mesmo do modo mais simples possível. Se a pessoa consegue apreciar a importância disto, de acordo com a importância que ela confere ao santo trabalho, nessa medida ela receberá exaltação e será grata por isso.

Isto é assim porque na verdade não podemos apreciar a importância de sermos capazes de às vezes, observar as Mitzvot do Criador, mesmo sem nenhuma intenção. Nesse estado, chega-se a sentir o júbilo e a alegria no coração. O louvor e a gratidão que se dá a isto, expande os sentimentos e a pessoa fica alegre em razão de cada simples ponto no santo trabalho, e sabe para quem está trabalhando e assim eleva-se ainda mais alto.

Este é o significado do que está escrito: "eu Te agradeço pela graça que me destes", ou seja, pelo passado, e assim pode-se dizer com confiança, e de fato se diz: "e isto farás de mim".

30 - O MAIS IMPORTANTE É QUERER APENAS DOAR

Shamati, após Shabbat Vayikra, 20 de março de 1943

O mais importante é não querer nada além de doar por causa da Sua grandeza, porque toda

recepção é falha. É impossível sair da recepção, senão tomando o outro extremo, o que quer dizer, doar.

A força que nos movimenta, ou seja, a de ampliação, que compele ao trabalho, é apenas a Sua

grandeza. É preciso pensar que, no extremo, os esforços e o trabalho precisam ser feitos, mas que através dessas forças se pode conseguir algum benefício e prazer. Em outras palavras, pode- se agradar a um corpo limitado com seu trabalho e esforço, o que pode ser um hóspede passageiro ou um eterno, o que significa que a própria energia remanesce na eternidade.

Isto é similar a uma pessoa que tenha o poder de construir um país inteiro, e construa apenas uma cabana que é arruinada por um vento forte. Vocês verão que todas as forças foram desperdiçadas. Porém, se a pessoa permanece em Kedusha (Santidade), então, todas as forças remanescem na eternidade. É somente daí que se deve receber a própria base para o trabalho e todas as outras bases são desqualificadas.

A força da fé é suficiente para que a pessoa trabalhe sob a forma de doação. Isto significa que se pode acreditar que o Criador recebe o seu trabalho, mesmo que o seu trabalho não seja tão importante aos seus próprios olhos. Mesmo assim, o Criador recebe tudo. Se alguém se atribui

trabalhar para Ele, Ele dá as boas vindas e quer todos os trabalhos, sejam quais forem.

Então, se a pessoa quer usar a fé pelo modo da recepção, então a fé não será suficiente para ela. Isso significa que nessa ocasião ela tem dúvidas na fé. A razão é que a recepção não é a verdade, pois, de fato, não se tem nada do trabalho: somente o Criador receberá de seu trabalho.

Assim, as dúvidas são reais. Em outras palavras, esses pensamentos externos que emergem na mente são argumentos verdadeiros. Porém, se a pessoa quer usar a fé para prosseguir do modo da doação, ela certamente não terá dúvida na fé. Se ela tem dúvidas, ela precisa saber que provavelmente não quer prosseguir no modo da doação, porque, para doar, a fé é suficiente.

31 - TUDO O QUE AGRADA AO ESPÍRITO DO POVO

Tudo o que agrada ao espírito do povo. Ele perguntou, 'Mas vimos que os maiores e mais renomados estavam em desacordo. Então, o espírito do povo não se agrada com isso'.

Ele respondeu que eles não disseram 'todo o povo', mas 'o espírito do povo'. Isto significa que somente os corpos estão em desacordo, ou seja, que cada um está trabalhando com o desejo de receber.

Porém, 'o espírito do povo' já é a espiritualidade. E 'agradar' – que os justos que ampliam a generosidade, a ampliam para toda a geração. E somente porque eles ainda não revestiram seu espírito, não conseguem alcançar e sentir a bondade que os justos ampliaram.

32 - UM LANCE DE SORTE É UM DESPERTAR DO ALTO

Shamati - Terumah 4 em 10 de fevereiro de 1943

Um lance de sorte é um despertar do alto, quando o inferior não participa em nada. Esse é o significado de 'lançar Pur', o 'lance de sorte'. Haman estava reclamando e disse, 'nem respeitam as leis do rei'.

Isto significa que a escravidão começa para o trabalhador no estado de Lo Lishma (não em Seu Nome ), ou seja, para auto-recepção. Por isso, por que a Torah foi dada a eles, porque mais tarde eles estavam receberam Lishma ( em Seu Nome ), e receberam as Luzes e o alcance da supremacia?

Então vem o queixoso e pergunta, 'Por que eles receberam essas coisas sublimes, pelas quais eles não trabalharam e nem esperavam, mas mesmo seus pensamentos e objetivos eram somente coisas que concernem suas próprias necessidades, chamadas Lo Lishma?' Este é o significado de 'O malvado pode preparar isto, mas o justo o usará'.

Isto significa que ele estava previamente trabalhando em um estado de malvado, o que é Lo Lishma, mas para o receptor. Após, ele recebeu Lishma, o que significa que todo o trabalho entra no domínio de Kedusha (Santidade), ou seja, tudo para doar. Este é o significado de 'o justo o usará'.

Este é o significado de Purim como de Yom Kippurim (Dia da Expiação). Purim é um despertar do Alto, e Yom Kippurim é um despertar de baixo, ou seja, através de arrependimento. Porém, há um despertar do Alto aí, também, que corresponde aos lances que lá estavam, 'um lance para o Senhor, e outro lance para Azazel', e o Criador é o inspetor.

34 - O LUCRO DA TERRA

Shamati em Tevet, 1942

Sabe-se que nada aparece na sua verdadeira forma, somente através do seu oposto, "tanto

quanto a luz supera trevas." Isto significa que tudo aponta para outra coisa e, pelo oposto desta coisa, a existência deste oposto pode ser percebida.

Assim, é impossível compreender totalmente algo em sua verdadeira forma se seu paralelo está ausente. Por exemplo: é impossível avaliar se uma coisa é boa, se seu oposto está faltando, apontando para o ruim. É o mesmo que com a amargura e a ternura, amor e ódio, fome e saciedade, coesão e separação. Acontece que é impossível chegar à adesão ao amor antes de adquirir o ódio da separação.

Para se chegar a odiar a separação é necessário que se saiba o que é separação, ou seja, do que se está separado. Em outras palavras, deve-se analisar do que e de quem se está separado, e depois se pode tentar reparar isto e conectar-se com o que se está separado. Por exemplo, uma pessoa sabe que se beneficiará unindo-se a Ele, assim, pode concluir e saber o que perde ao manter-se separado.

Ganho e perda são medidos de acordo com o prazer ou sofrimento. Uma pessoa fica longe daquilo que a faz sofrer e odeia isso. A medida da distância depende da medida do sofrimento, pois é da natureza do homem escapar do sofrimento. Assim um depende do outro, ou seja, a medida do sofrimento deve ser a medida que nos aplicamos ao trabalho para ficarmos longe disso. Em outras palavras os sofrimentos causam ódio por esta coisa que induz aos tormentos, e nesta medida devemos ficar longe dela.

Sendo assim devemos saber qual é a equivalência de forma para que saibamos o que fazer para alcançar a adesão, chamada de equivalência de forma. Através disso a pessoa saberá qual é a disparidade de forma e separação. É dito em livros e muitos autores também dizem que o Criador é benevolente, o que significa que Sua condução aparece aos seres inferiores como benevolência, e é nisso que devemos acreditar.

Portanto, quando a pessoa examina o comportamento do mundo e começa a analisar a si mesmo e aos outros, e como eles sofrem ao invés de deleitarem-se sob a Providência, como seria adequado para o Seu nome - Benevolente, então é difícil para a pessoa dizer que a providencia é benevolente e distribui abundância.

Entretanto devemos saber que nesta situação, quando não podemos dizer que o Criador

somente doa coisas boas, somos considerados fracos devido ao sofrimento que nos faz condenar nosso Criador. Somente quando vemos que o Criador doa prazer justificamos o Criador, como nossos sábios dizem: “Quem é virtuoso?” Aquele que justifica o Criador, o que significa que o Criador rege o mundo com virtude.

Assim, quando a pessoa sofre, acaba se afastando do Criador desde que, naturalmente o Criador se torna odioso, já que lhe envia tormentos. Consequentemente, onde deveríamos amar ao Criador agora torna-se oposto, pois agora a pessoa passa a odiar ao Criador.

Consequentemente, o que a pessoa deveria fazer para amar ao Criador? Para este propósito nos foi dado o remédio que é empenhar-se na Torah e Mitzvot e a luz de dentro dela, reforma. Há Luz lá, que nos deixa sentir a severidade do estado de separação e lentamente, quando a pessoa pretende adquirir a Luz da Torah, odeia a separação que foi criada nela. Então, começa a sentir as razões que fazem com que ela e sua alma estejam separadas do Criador.

Por isso a pessoa deve acreditar que a Sua condução é benevolente, mas como a pessoa está imersa em amor próprio, induz à disparidade de forma nela,já que havia a necessidade de correção com a finalidade de doação, chamada equivalência de forma. Somente desta maneira o prazer e deleite podem ser recebidos. A inabilidade de receber deleite e prazer que o Criador quer dar evoca no receptor ódio pela separação, e depois pode discernir o grande benefício na equivalência de forma e a pessoa começa a desejar a adesão.

Em conseqüência, toda forma aponta para outra forma. Portanto, todas as quedas, onde a pessoa sente que chegou a um estado de separação, são oportunidades para discernir entre alguma coisa e seu oposto. Em outras palavras, a pessoa deveria aprender com as quedas dos benefícios das ascensões, ou ela não será capaz de acessar a importância de estar sendo trazida para perto e a ascensão que lhe foi dada. Ela não seria capaz de extrair a importância que ela poderia extrair, como quando a pessoa recebe comida sem nunca ter sentido fome.

Acontece que as descidas, que são os tempos de separação, produzem a importância da adesão nas ascensões enquanto as ascensões fazem a pessoa detestar as quedas que lhe causa a separação. Em outras palavras, ela não pode avaliar como as quedas são ruins quando se fala calúnias sobre a Providência e nem sequer se sente à quem calunia, para saber que ela deve arrepender-se de tal pecado. Isto é chamado de difamar contra o Criador.

Assim, segue-se que precisamente quando se tem as duas formas, ela pode discernir a distância entre uma e outra, “na mesma medida que a Luz excede as trevas”. Só então poderemos avaliar

e respeitar a questão da adesão pela qual o deleite e prazer no Pensamento da Criação podem

ser adquiridos, sendo “Seu desejo, fazer o bem para Suas criações”. Tudo que aparece aos nossos olhos, nada mais é que do que o Criador que quer que nós atinjamos a forma pela qual Ele faz; estas são as formas de completar a meta.

Mas, não é tão simples de adquirir adesão com o Criador. Exige um grande esforço e empenho

para adquirir a sensação e o sentimento de deleite e prazer. Antes disso, a pessoa deve justificar

a Providência, acreditar acima da razão que o Criador age com bondade com a criatura e diz:

”Eles tem olhos, mas não vêem”.

Nossos sábios dizem: "Habakkuk veio e os atribuiu a um", como está escrito: “Os justos devem viver por sua fé.” Significa que a pessoa não precisa se engajar em detalhes, mas concentrar

todo o seu trabalho em um único ponto, uma regra, que é fé no Criador. Ela deve rezar para o Criador para ajudá-la a tornar-se capaz de avançar com a fé acima da razão. Há poder na fé, já que quando a pessoa sente ódio da separação considera-se que a fé, indiretamente, a faz odiar

a separação.

Vemos que existe uma grande diferença entre a fé, visão e conhecimento. Algo que pode ser visto e conhecido, se a mente necessita disso, é bom fazer essa coisa e decidir por isso de uma vez, essa decisão é o suficiente com referência a essa coisa sobre a qual decidiu. Em outras palavras, ela executa na forma em que ela decidiu. Isto é assim porque a mente a acompanha em cada ato, a fim de não quebrar o que a mente lhe diz e lhe permite compreender, cada ato, cem por cento, na medida em que a mente a trouxe para a decisão a que chegou.

No entanto, a fé é uma questão de acordo potencial . Em outras palavras, a pessoa dá poder à mente e diz que ela, na verdade, que vale a pena trabalhar tanto quanto a fé necessite trabalhar acima da razão. Daí, a fé acima da razão é útil apenas durante este ato, quando ela acredita. Só então é que ela está preparada para fazer um esforço acima da razão no trabalho.

Inversamente, quando ela sai da fé por um momento apenas, ou seja, quando a fé enfraquece por um breve momento, a pessoa cessa imediatamente a Torah e o trabalho. Ela faz um bom

que não há pouco tempo ele tomou sobre si o fardo de fé acima da razão.

No entanto, quando ela percebe em sua mente que isto é uma coisa ruim para ela, que é algo que faz sua vida correr risco, ela não precisa de explicações repetitivas nem razões sobre o porquê disto ser uma coisa perigosa. Pelo contrário, uma vez que ela percebeu perfeitamente em sua mente que deveria praticar essas coisas, que a mente lhe diz especificamente o que é bom e o que é ruim, ela agora segue essa decisão.

Vemos a diferença que existe entre o que a mente necessita e o que somente a fé necessita e qual é a razão que , quando alguma coisa é baseada na fé devemos primeiro lembrar a forma da fé , caso contrário a pessoa cai de seu nível para um estado de fraqueza. Estes estados podem acontecer até mesmo em um único dia; a pessoa pode cair de seu nível muitas vezes em um dia porque é impossível que a fé acima da razão não pare por um momento durante um dia.

Devemos saber que a razão para este esquecimento da fé provém do fato de que a fé acima da razão é oposta a todos os desejos do corpo. Desde que os desejos corpóreos vêm impressos em nós por natureza, o corpo sempre puxa para nossa natureza. Somente quando agarrado à fé tem

a capacidade de trazer a pessoa para fora dos desejos corpóreos e ir acima da razão, ou seja, das razões do corpo.

Assim antes que a pessoa adquira os vasos de doação, chamada adesão, a fé não pode ser

encontrada nela de forma permanente. Quando a fé não brilha para a pessoa ela vê quão baixo

é seu estado, tão baixo como qualquer um pode estar, e tudo isso vem à ela devido à

disparidade de forma, que é o desejo de receber para si própria. Esta separação causa a ela todos os tormentos, destrói tudo o que foi construído e todo o esforço empregado no trabalho.

No minuto que a pessoa perde a fé, ela vê que está pior do que quando começou no caminho do trabalho de doação e assim adquire ódio pela separação desde que ela imediatamente começa a sentir os tormentos em si mesma e no mundo inteiro. Torna-se difícil para ela justificar a providência Dele sobre suas criaturas, no que se refere à Sua benevolência, e então sente que o mundo inteiro tornou-se escuro em sua frente e nada lhe traz alegria.

Assim, toda vez que uma pessoa começa a corrigir a falha de maldizer a Providência, ela adquire ódio da separação, e através do ódio que sente na separação começa a amar a adesão. Em

outras palavras, começa a sofrer durante as separações o que a traz mais perto da adesão ao

Criador. Igualmente, na mesma medida que sente a escuridão como ruim, assim começa a sentir

a adesão como algo bom. Assim a pessoa aprende como aprecia-la quando recebe um pouco desta adesão, e aprende a valorizá-la.

Agora podemos ver que todos os tormentos que existem neste mundo nada mais são que uma preparação para os tormentos reais. Estes são os tormentos que devemos alcançar ou não seremos capazes de atingir nada espiritualmente, já que não existe Luz sem o vaso, e a condenação e a difamação da Providência se refere a estes tormentos. E é para isso que rezamos, para não difamar a Providência, e estes são os tormentos que o Criador aceita. Este é o significado de dizer que o Criador ouve as preces de cada boca.

A razão pela qual o Criador responde à estes tormentos é para que não peçamos ajuda para os

nossos próprios vasos de recepção, daí podemos dizer que se o Criador garante , à pessoa, seu desejo, isto a levaria mais longe do Criador, devido à disparidade de forma que ela assim adquiria. E na realidade é o oposto. A pessoa deve pedir fé, ao Criador, para que ela tenha força para superar e adquirir equivalência de forma, pois a pessoa vê que por não ter uma fé permanente, ou seja, quando a fé não brilha para ela, ela duvida da Providência.

Isto por sua vez a leva a um estado chamado “mal”, quando se condena ao Criador. Acontece que o sofrimento que a pessoa sente é porque ela acusa a Providência. A pessoa se fere pois onde deveria valorizar o Criador, dizendo: “Abençoado seja Ele que nos criou em Sua Glória”, o que significaria que as criaturas respeitam o Criador, e vê que o comportamento humano não é adequado à Sua Glória. Todos reclamam e exigem que primeiro a Providência deveria ser aberta, que o Criador rege o mundo em benevolência. Como não se abre, dizem que esta Providência não O glorifica, e isso fere a pessoa.

Assim, pelo tormento ela é compelida a maldizer o Criador, e assim quando pede ao Criador para que lhe dê o poder da fé e alcançar a benevolência, não é para que ela receba o bem para

que se delicie. Ao contrário seria apenas para que ela não maldissesse que é o que na realidade fere a pessoa. Para ela própria, ela quer acreditar que o Criador rege o mundo em benevolência,

e quer que sua fé se assente na sensação de como se fosse dentro da razão.

Portanto, quando pratica a Torah e Mitzvot ela atrai a Luz de Deus não para si, mas como a pessoa não suportaria não ser capaz de justificar Sua Providência que é benevolência, isto a fere

e ela profana o nome de Deus, cujo nome é Benevolente e seu corpo clama o contrário.

Esta é a dor que a acomete desde que está separada e não pode justificar Sua direção. Isto é considerado como odiar o estado de separação, e quando a pessoa sente este sofrimento o Criador ouve suas preces e a traz para perto Dele. Assim a pessoa adquire a adesão, a dor que a pessoa sente devido à separação a faz adquirir adesão, e assim está dito: “Na mesma medida que a luz excede a escuridão”.

Este é o significado do “Lucro da terra em todos os sentidos” . Terra é a criação e em todos os sentidos significa pelo benefício, ou que a diferença entre o estado de separação e o estado de adesão é visível. Por isto, é garantida à pessoa, a adesão com todos, ou seja, o Criador, a raiz de todas as coisas.

41 - O QUE SÃO GRANDEZA E INSIGNIFICANCIA NA FÉ

Shamati na noite seguinte ao feriado de Pesach, 29 de março de 1945.

Está escrito, 'eles acreditaram no Senhor, e em Seu servo Moisés'. Precisamos saber que as Luzes de Pesach (Páscoa) têm o poder de transmitir a Luz da fé. Porém, não pensem que a Luz da fé é algo pequeno, porque a grandeza e a insignificância dependem somente dos receptores.

Quando alguém não trabalha no caminho da verdade, acredita que tenha muita fé, e na medida da fé que essa pessoa tenha, ela possa distribuir para muitas pessoas, e elas terão temor e plenitude.

Porém, aquele que quer verdadeiramente servir ao Criador, e que se examina constantemente, se quiser trabalhar com devoção, 'e com todo o seu coração', verá que está sempre deficiente na fé, o que significa que ele está sempre carente disto.

Somente quando a pessoa tem fé, ela pode sentir que está sempre perante ao Rei. Quando se sente a grandeza do Rei, é possível descobrir o amor de duas formas: de um modo bom, e do modo dos julgamentos rigorosos. Por isso, aquele que procura a verdade é aquele que precisa da Luz da fé. Se tal pessoa ouve falar sobre, ou vê algum modo de obter a Luz da fé, então ela fica feliz, como se tivesse encontrado uma grande fortuna.

Por isso, aquelas pessoas que procuram a verdade, na festa de Pesach, tornam-se capazes de ter

a Luz da fé, como lemos na Parasha (porção da Torah), ' e eles acreditaram no Senhor, e em Seu servo Moisés', porque então vem o tempo em que é possível distribuir isto.

43 - UMA QUESTÃO DE VERDADE E FÉ

Eu ouvi

A Verdade é aquilo que a pessoa sente e vê com seus olhos. Este discernimento é chamado

"recompensa e castigo", o que significa que nada pode ser ganho sem esforço. É como uma pessoa que senta em sua casa e não quer fazer nada que propicie o seu sustento. Ela diz que, como o Criador é o bem que faz o bem e provê a todos, conseqüentemente, Ele certamente lhe enviará as suas necessidades; por outro lado, não se exige dela nenhuma ação.

Obviamente, se esta pessoa se comportar desta maneira, certamente morrerá de fome. A razão também exige isso, assim parece aos nossos olhos, e esta é realmente verdade, ou seja, que ela morrerá de fome.

Porém, ao mesmo tempo, a pessoa deve acreditar acima da razão, que pode obter tudo que necessita sem qualquer esforço ou dificuldade, por causa da Providência privada (particular). Em outras palavras, o Criador faz e fará todas as ações, e a pessoa não O ajuda em nada. O Criador faz tudo, e a pessoa não pode acrescentar ou subtrair.

No entanto, como ambas podem andar de mãos dadas, se uma contradiz a outra? Denomina-se discernimento aquilo que a mente da pessoa alcança. Isso significa que sem a ajuda do homem, sem o trabalho ou esforço prévio, nada será alcançado. Isto é chamado de "Verdade", porque o Criador quis que a pessoa se sentisse daquele jeito. É por isso que este caminho é chamado "o Caminho da Verdade".

Não deixe que isso lhe confunda: se ambas estão em contradição, como é possível que essa situação seja verdadeira? A resposta é que a Verdade não se refere à forma ou à situação. Pelo contrário, ela se refere à sensação que o Criador quis que a pessoa sentisse; esta é a "Verdade." Daí resulta que a questão da Verdade pode ser dita exatamente em relação ao Criador, ou seja, em relação à Sua Vontade, de que Ele quer que a pessoa sinta e perceba desse modo.

Ao mesmo tempo, contudo, a pessoa deve acreditar que, embora não sinta e não perceba com

o olho de sua mente, que o Criador possa ajudá-la a obter todos os benefícios que podem ser alcançados sem qualquer esforço, isso se refere apenas à Providência privada.

O motivo pelo qual a pessoa não consegue alcançar a questão da Providência privada, antes de

atingir a questão da recompensa e castigo, é que a Providência privada é algo eterno, e a mente

da pessoa não é eterna. Conseqüentemente, algo eterno não pode revestir algo não eterno. Assim, uma vez que a pessoa foi recompensada com o discernimento da recompensa e do castigo, a recompensa e o castigo se tornam um Kli (Vaso), onde a Providência privada pode se revestir.

Agora, podemos entender o versículo, "Ó Senhor, daí-nos a salvação; Ó Senhor, daí-nos a

prosperidade". "Dái-nos a salvação" se refere à recompensa e castigo. A pessoa deve rogar que

o Criador lhe proporcione trabalho e esforço, através dos quais será recompensada. Ao mesmo tempo, deve rogar pela prosperidade, que é a Providência privada, isto é, que ela será recompensada com todos os benefícios do mundo, sem qualquer trabalho ou esforço./

Nós também vemos isso nos bens materiais (percebidos por sua separação em lugares, ou seja, em dois corpos; enquanto que nas questões espirituais tudo é analisado num único corpo, porém duas vezes). Existem pessoas que obtêm seus bens exclusivamente por meio de um grande esforço, energia e inteligência. Ao mesmo tempo, vemos o oposto, que pessoas que não

são tão inteligentes, que não têm tanta energia e não fazem grandes esforços, têm êxito e se tornam os maiores proprietários de imóveis e bens no mundo.

A resposta é que esses objetos materiais se estendem de suas Raízes Superiores, ou seja, da

recompensa e castigo e da Providência privada. A única diferença é que na espiritualidade, isso

surge num único lugar, ou seja, num único sujeito, porém um por um, isto é, numa pessoa, porém em dois estados. Na corporalidade, surge numa única vez, mas em dois sujeitos, ou seja, uma vez, porém em duas pessoas diferentes.

44 - MENTE E CORAÇÃO

Shamati em Tevet 10, 1º de fevereiro de 1928

É preciso examinar se a fé está em ordem, isto é, se a pessoa tem temor e amor, como está escrito: "Se eu sou um pai, onde está minha honra, e se eu sou um Senhor, onde está meu temor?" E isto é chamado "Mente".

Também precisamos ver que não haja nenhum desejo de auto-gratificação, nem mesmo um pensamento de querer para si mesmo que lhe acometa, mas que todos os seus desejos sejam somente para doar ao Criador. Isso é chamado "coração", que é o significado de "O Misericordioso quer o coração".

46

- PODER DE ISRAEL SOBRE AS KLIPOT

Qual é a autoridade de Israel sobre as klipot, e vice-versa, qual é o controle das klipot sobre Israel? Primeiro é necessário explicar o que é ‘Israel’, e o que são as ‘nações do mundo’. Foi repetido que a parte interior dos kelim de panim onde a pessoa é capaz de trabalhar ‘almenat leashpia’ (com o propósito de beneficiar) é compreendida como ‘Israel’. O contrário disto, as ‘nações do mundo’, são apresentadas como a parte externa dos ‘kelim de achoraim’. Sua ação é ‘almenat lekabel’ (com o propósito de receber).

O controle das nações do mundo sobre Israel consiste em sua incapacidade de trabalhar com

uma intenção (kavanah) de beneficiar, mas somente de receber nos kelim de achoraim. Elas influenciam os trabalhadores do Criador, de modo que eles transfiram a luz para baixo, para dentro dos kelim de achoraim.

A autoridade de Israel é que em cada um deles é dada a capacidade de trabalhar com o

propósito de beneficiar, o que acontece somente nos ‘kelim de panim’. Também se a Or Chochmah (luz chochmah) é distribuída, é somente para o ‘Achap de aliah’.

58 - ALEGRIA É UM "REFLEXO" DAS BOAS AÇÕES

Shamati, em Sukkot

Alegria é um "reflexo" das boas ações. Se as ações são de Kedusha (Santidade), então, por isso, a alegria aparece. Porém, precisamos saber que também há um discernimento de Klipa (concha). Para saber se isto é Kedusha, o escrutínio está na razão. Na Kedusha, há razão, e no Sitra Achra (outro lado), não há razão, pois outro deus é estéril e não traz frutos. Por isso, quando se vem ao contentamento, deve-se mergulhar nas palavras da Torá a fim de descobrir a mente da Torá.

Também precisamos saber que o contentamento é discernido como a sublime luminescência que aparece por MAN, que são boas ações. O Criador sentencia a pessoa onde ela está. Em outras palavras, se alguém assume o encargo do Reino dos Céus pela eternidade, há uma imediata e sublime luminescência sobre isto, que também é considerada eternidade.

Mesmo se alguém vê que evidentemente cairá logo de seu degrau, Ele (o Criador), ainda o sentencia onde ele está. Isso significa que se a pessoa agora fez com que sua mente tomasse sobre si o encargo do Reino dos Céus pela eternidade, isto é considerado plenitude.

Porém, se alguém assume o encargo do Reino dos Céus e não quer que esse estado permaneça em si para sempre, isto e este ato não são considerados plenitude, e naturalmente, a Luz Superior não pode vir e repousar sobre isto. Assim é, porque (a Luz) é completa e eterna, e não está sujeita a mudança. Com a pessoa, porém, mesmo que ela queira, o estado em que está não pode ser eterno.

61 - SEUS ARREDORES MUITO TURBULENTOS

Shamati em Nisan 9, April 18, 1948

Nossos sábios dizem sobre o verso, “Seus arredores muito turbulentos” (*ver nota abaixo) que o Criador é particularmente meticuloso com os justos. Ele perguntou: "se eles são geralmente justos, por que merecem uma grande punição"?

A questão é que todas as fronteiras sobre as quais falamos quanto aos mundos são sob a perspectiva dos receptores, o que significa que as mais baixas se limitam e se restringem a um certo grau, e assim permanecem abaixo. Acima, elas consentem com tudo o que as inferiores fazem, por isso, nessa medida a abundância se estende abaixo. Por isso, por seus pensamentos, palavras e ações, as inferiores induzem a abundância a vir desde o alto.

Resulta que se o mais baixo considera um ato ou palavra menores como um ato importante, seja uma cessação momentânea de adesão com o Criador, seja infringir a mais séria proibição na Torah, então consente-se acima com a opinião do inferior, e isso é considerado como uma infração a uma séria proibição. Assim, o justo diz que o Criador é particularmente meticuloso com ele, e assim como diz o inferior, assim se concorda acima.

Quando o inferior não sente uma proibição leve como séria, do alto, eles também não consideram as coisas mínimas que ele desobedece como grandes proibições. Por isso, tal pessoa é tratada como se fosse uma pessoa pequena, o que significa que suas opiniões e pecados são considerados pequenos. Eles são pesados como o mesmo, e a pessoa é considerada pequena, no geral. Porém, quando alguém se refere a uma coisa mínima e diz que o Criador é muito meticuloso sobre isso, este é considerado uma grande pessoa, e tanto seus pecados quanto suas opiniões são grandes.

Pode-se sofrer por cometer uma transgressão na mesma medida em que se sente prazer por praticar uma boa ação. Há uma parábola sobre isto: um homem cometeu um crime terrível contra o reino, e foi sentenciado a vinte anos de prisão com trabalhos forçados. A prisão ficava fora do país, em algum lugar desolado do mundo. A sentença foi executada imediatamente e ele foi enviado para esse lugar desolado no fim do mundo.

Chegando lá, ele encontrou outras pessoas que haviam sido sentenciadas pelo reino. Mas ele adoeceu de amnésia e esqueceu que tinha mulher e filhos, amigos e conhecidos. Passou a pensar que o mundo inteiro não era mais do que aquilo que estava diante dos seus olhos naquele lugar desolado, com aquelas pessoas que estavam ali; e que ele tinha nascido ali e não sabia mais do que isso. Assim, sua percepção estava de acordo com o sentimento presente e ele não tinha ligação com a realidade de fato, somente com seu conhecimento e suas sensações.

Ali, foram-lhe ensinadas regras e regulamentos para que ele não cometesse novas infrações, e se abstivesse das más ações que estavam ali escritas, e soubesse como corrigir suas ações de modo a ser libertado dali. Nos livros do rei, ele aprendeu que aquele que quebra uma tal regra, por exemplo, é enviado para uma terra isolada, longe de qualquer povoado. Ele ficou impressionado com a dureza da punição, que fossem aplicadas punições tão severas.

Desse modo, ele nunca pensou que ele mesmo era aquele que havia quebrado as regras do estado, que ele havia sido duramente sentenciado que o veredicto havia sido executado. Além

disso, como ele adoecera de amnésia, ele não sentia o seu estado real.

Esse é o significado de ‘seus arredores muito turbulentos’: a pessoa deve considerar seu próprio movimento, como se ela já tivesse infringido o mandamento do rei, e já tivesse sido banida da comunidade. Agora, graças a diversas boas ações, sua memória começa a funcionar e a pessoa começa a sentir o quanto ela se distanciou daquela parte povoada do mundo.

Então ela começa a se engajar no arrependimento até que seja libertada de lá e trazida de volta

à comunidade, e esse trabalho vem especificamente do seu próprio trabalho. Ela começa a

sentir que ele cresceu longe de sua origem e de sua raiz, até que lhe seja conferida a adesão com o Criador.

(*NT: Salmo 50:3,4: ‘Que nosso Deus venha e não fique silencioso. Um fogo consumidor diante dEle, e Seus arredores muito turbulentos. Ele convocará os céus acima e a terra, para que Ele vingue o Seu povo’).

62 - QUEDAS E ENCORAJAMENTOS, ASCENSÕES E QUEIXAS

Shamati em 19 de Adar I, 29 de fevereiro de 1948

Quedas e Encorajamentos, ascensões e queixas. É preciso sempre examinar a si mesmo, se a sua Torá e trabalho não estão descendo para o abismo. Isto porque a grandeza da pessoa é medida por seu grau de Dvekut (Adesão) com o Criador, o que significa a medida de sua anulação perante o Criador.

Em outras palavras, seu amor próprio não merece referência, mas sim o seu desejo por anular- se completamente. Isto porque naquele que trabalha para receber, a medida de seu trabalho é

a medida da própria grandeza. Nessa ocasião, ele se torna um ser, um objeto, e uma autoridade separada. Nesse estado é difícil anular-se perante do Criador.

Porém, quando se trabalha para doar, e quando se completa o próprio trabalho, o que significa

a correção de todos os seus vasos de recepção para si mesmo desde o que ele possuía na raiz de sua alma, então não há nada mais para fazer no mundo. Segue-se que é preciso pensar e concentrar-se somente neste ponto.

O sinal de que se está trilhando o caminho da verdade é estar na forma de 'queda e

encorajamento', o que significa que todo o seu trabalho está em um estado de declínio. Nesse

estado, a pessoa está sob a autoridade do Sitra Achra (Outro Lado), e então ela ascende e se queixa, o que significa que ela se sente em um estado de ascensão, e queixa-se pelos outros. Porém, aquele que trabalha em pureza sempre se queixa de si mesmo, e vê os outros em um estado melhor do que aquele em que se sente.

65 - SOBRE O REVELADO E O OCULTO

Shamati em Tevet 29, 18 de janeiro de 1942

Está escrito, 'As coisas secretas pertencem ao Senhor nosso Deus; mas as coisas que estão reveladas pertencem a nós e a nossas crianças para sempre, para que possamos cumprir todas as palavras desta lei'. Devemos perguntar, 'O que é isto que o texto vem a nos dizer, que as coisas secretas pertencem ao Senhor?' Não devemos dizer que o oculto significa inatingível e que as coisas reveladas significam atingíveis. Podemos ver que há pessoas com conhecimento na parte oculta, assim como pessoas que não têm conhecimento da parte revelada. E não se pode dizer que isso signifique que há mais pessoas com conhecimento na parte revelada do que na parte oculta (se fosse assim, vocês teriam apenas uma parte do quadro total).

A questão é que neste mundo, vemos que há ações que são reveladas como ações aos nossos

olhos. Isso significa que a mão do homem está envolvida ali. Alternativamente, há ações em que vemos que foi praticado um ato, mas o homem não pôde fazer nada ali. Em vez disso, foi uma força oculta que operou.

É assim que dizem nossos sábios: 'Há três sócios no homem: o Criador, seu pai e sua mãe'. A

parte revelada é o mandamento para ser abundante e multiplicar-se. Esse ato é praticado pelos

pais. E se os pais cumprem suas tarefas apropriadamente, o Criador coloca uma alma no recém- nascido. Isso significa que seus pais fizeram a parte revelada, pois eles somente podem fazer a parte revelada, mas a parte oculta – colocar a alma no recém-nascido – aqui, os pais não podem fazer nada: somente o próprio Criador faz isto.

Da mesma forma, nas Mitzvot, precisamos fazer apenas a parte revelada, pois somente aqui podemos agir, ou seja, engajarmos-nos em Torá e Mitzvot pois 'isto satisfaz à Sua palavra'. Porém, para a parte oculta, ou seja, a alma na observação de Torá e Mitzvot, chamada 'fazer', é preciso pedir ao Criador que Ele a faça, ou seja, que coloque uma alma na parte prática de nosso quinhão.

A parte prática é chamada 'uma vela de uma Mitzvá', que são somente velas, que precisam ser

acesas pela 'Torá, Luz'. A Luz da Torá incendeia a Mitzvá e dá a alma e a vivacidade na parte

prática, assim como o recém-nascido, em que há três sócios.

E este é o significado de 'as coisas que são reveladas pertencem a nós', ou seja, que nós

precisamos trabalhar na forma de 'seja o que for que tua mão alcance para fazer pela tua força,

faça-o'. É somente aqui que podemos agir; porém, obter a alma e vitalidade, depende do Criador.

E este é o significado de 'As coisas secretas pertencem ao Senhor nosso Deus'. O Criador

promete de que se nós fizermos a parte que nos foi revelada, agindo sob as condições da Torá e das Mitzvot na parte prática, o Criador colocará uma alma em nossas ações. Porém, antes que sejamos recompensados com o oculto, chamado 'a alma', nossa parte revelada é como um corpo sem alma. Então, precisamos ser recompensados com a parte oculta, e isto está somente

nas mãos do Criador.

72 - SEGURANÇA É UM REVESTIMENTO DA LUZ

Segurança (bitachon) é um revestimento da luz, que é chamado uma ‘vida’. Isto é porque não há luz fora do kli (vaso, desejo). Por isso, a luz que nós chamamos a luz da vida não pode emanar quando o kli está cheio, o desejo de revesti-la. O desejo preenchido com a luz é chamado segurança. Isso significa que toda ação difícil pode ser percebida como realizável. Isso significa que a luz da segurança preenche o desejo. Assim, o nível da vida de um homem é determinado pelo nível de percepção da segurança, o nível da luz que emana no kli. Isto é porque a segurança que ele tem determina o nível da vida nele.

Assim, um homem pode ver por si mesmo que o tempo todo ele está na percepção de experimentar o sentido da vida internamente; uma segurança emana em todas as coisas e ele não vê que algo pode impedir que ele realize o objetivo desejado. Isto é porque a luz da vida emana do alto e transfere o poder superior para ele, o poder ‘acima do humano’, pois a luz superior é ilimitada em suas possibilidades, diferentemente do poder material.

109 - DUAS ESPECIES DE REFEIÇÃO

Shamati em Heshvan 20

Habitualmente distinguimos duas espécies de refeição: animais em geral e peixe, e em ambas há sinais de impureza. A Torá nos dá sinais pelos quais podemos saber como evitá-las de modo a não cair no domínio na impureza.

Quanto ao peixe, temos os sinais das nadadeiras e escamas. Quando vemos esses sinais no peixe, sabemos ser cautelosos e não cair nas mãos da impureza. Snapir (nadadeira) significa Soneh–Peh–Or (aversão–boca– Luz). Isso se refere a Malchut, chamada 'boca', e todas as Luzes vêm dela, que é discernida como fé.

E quando se vê que se está no estado do sabor do pó, numa ocasião em que se deve acreditar,

então se sabe com certeza que é preciso corrigir suas ações. E isto é chamado 'Shechinah (Divindade) no pó'. Deve-se rezar para elevar a Divindade do pó.

Kaskeset (escamas) significa que por ocasião de Snapir, a pessoa é completamente incapaz de trabalhar. Em vez disso, quando se supera o Snapir, uma questão concernente à Providência aparece em seu pensamento. E isto é chamado Kash (palha, bagatela). Nesse estado, cai-se de seu trabalho. Mais tarde, vai-se vencer e começar a trabalhar acima da razão, e outra dúvida concernente à Providência aparecerá em sua mente.

Assim, há duas vezes Kash, que são Kas-Keset (escamas). E toda a vez que vence a razão, ele ascende e então, cai. Então ele vê que não pode vencer, devido à proliferação das dúvidas. Nesse estado, não há escolha senão clamar ao Criador, como está escrito, 'e as Crianças de Israel suspiraram em razão do cativeiro, e seu lamento foi até Deus, e Ele as livrou do Egito', o que significa, de todos os problemas.

Nossos sábios proferiram uma regra famosa, segundo a qual o Criador diz, 'Ele e Eu não podemos habitar sob o mesmo teto', isto é, porque eles são opostos um ao outro. É assim porque há dois corpos no homem – o corpo interno e o corpo externo. A sustentação espiritual reveste-se no corpo interno, discernida como fé e doação, chamada 'mente e coração'. E o corpo externo tem a sustentação corpórea, que é conhecimento e recepção.

E no meio, entre o corpo interno e o corpo externo, há um corpo intermediário, que não tem

nome próprio. Porém, se a pessoa pratica boas ações, o corpo intermediário agarra-se ao corpo

interno, o que é considerado a morte do corpo externo. E se ele se agarra ao corpo externo, isto

é a morte do corpo interno. É assim porque nesse estado, a escolha está no corpo intermediário: continuar aderindo à Kedusha (Santidade), ou ao contrário.

111 - RESPIRAÇÃO, SOM E FALA

Shamati em 29 de Sivan, 2 de julho de 1943, em Jerusalém

Há um discernimento de Respiração, Som e Fala, e há um discernimento de Gelo, e outro de Terrível. Respiração significa Or Chozer (a Luz que retorna), que resulta do masach (tela). Isto é uma força limitativa. Enquanto ela não estiver acumulada na medida de 'não permita que eles voltem à tolice', ela é chamada 'Respiração'.

Quando essa medida se completa, esta limitação, o Masach com a Luz que retorna, é chamada 'Som'. Som é como um aviso que lhe diz para não quebrar as leis da Torá. E se ele as quebrar, no mesmo momento deixará de experimentar. Por isso, quando ele sabe com certeza que se as quebrar, ocorrerá uma pausa, ele conserva a limitação.

E então ele chega ao estado de 'Fala', que é Malchut. Nessa ocasião é possível haver o Zivug (cópula espiritual) do Criador e da Divindade, e a iluminação de Chochmah (Sabedoria) vai se estender abaixo.

Sabe-se que há dois graus: 1) Doação sem nenhuma recepção, e 2) Recepção para doar.

Então, quando ele vê que já chegou ao grau em que pode receber para doar, por que precisa da servidão que acontece somente na forma de doar para doar? Afinal, o Criador sente mais contentamento da recepção para doar, pois a Luz da Sabedoria, que entra nos vasos de recepção, é a luz do propósito da criação. Por isso, por que ele deveria se empenhar no trabalho de doar para doar, que é a Luz da correção da criação?

Nessa ocasião ele imediatamente deixa de experimentar (*sentir o sabor), e então é deixado exposto e nu. Isto porque a Luz de Chassadim (Misericórdia) é a luz que reveste a Luz de Chochma. E se o revestimento é esquecido, mesmo que ele tenha a Luz de Chochmah, ele ainda não tem nada com que com que revestir a Chochmah.

Nessa ocasião ele chega ao estado chamado 'o gelo terrível'. Isto porque Yesod de Abba, que dá Chochmah, chamado 'limitação de Chassadim e ampliação de Chochmah' é gelo. É como a água que foi cristalizada: embora haja água, ela não se expande abaixo.

E Yesod de Ima é chamado 'terrível', considerado curto e extenso. É chamado 'curto' porque há um bloqueio em Chochmah, por causa da ausência de Chochmah ali, devido ao segundo Tzimtzum. E isto é 'terrível'. Por isso, é precisamente através de ambos: Chochmah estende-se através de Yesod de Abba, e Chassadim estende-se através de Yesod de Ima.

129 - A DIVINDADE NO PÓ

Vocês gostam de sofrer. Então Ele disse: ‘Nem eles, nem suas recompensas’, sobre ‘essa beleza que se desgasta no pó’. Os sofrimentos ocorrem primáriamente onde há a fé acima da razão. E a quantidade dos sofrimentos depende da medida em que eles contrariam a razão. Isto é chamado o estado de fé acima da razão e este trabalho agrada ao Criador. Daí se conclue que a recompensa para nós é este trabalho, porque ele agrada ao Criador.

Entretanto, antes que um possa ter sucesso e justificar a Sua orientação, a Divindade está no pó. Isto significa que o trabalho por meio da fé, chamado Santa Divindade, está no exílio, cancelado pelo pó. Ele disse: ‘Nem eles, nem suas recompensas’. Quer dizer que ele não pode suportar esse período de estados intermediários. E este é o significado de sua resposta para ele: "Eu estou chorando por isso e por aquilo".

148 - A ANÁLISE "AMARGO/DOCE" E "VERDADE/MENTIRA"

A análise ‘amargo/doce’ está na mente, enquanto a análise ‘verdade/mentira’ está no coração.

Assim, é necessário prestar atenção no trabalho do coração, de modo que ele (o trabalho) seja

para beneficiar, em vez de receber. Mas somente o receber, é o ‘Doce’, e somente o beneficiar,

é o ‘Amargo’, do ponto de vista da natureza. O trabalho de transformação do receber em beneficiar é chamado ‘Trabalho interno do Coração’.

O trabalho da ‘verdade/ mentira’ está na mente. Aqui está a necessidade de trabalhar no

benefício, isto é, acreditar na fé do sábio, pois o trabalhador (a pessoa normal) não consegue

resolver a questão da fé de modo pacífico, por si mesmo.

201 - O ESPIRITUAL E O MATERIAL

Shamati em Hanukah 1, 18 de Dezembro de 1938

Vemos que muitas pessoas trabalham com o suor de seu rosto para adquirir posses materiais, mesmo quando suas vidas estão em risco. Mesmo assim, para realização espiritual, mesmo quando eles têm tais pensamentos, eles trabalham apenas numa medida limitada, e com muitas questões e dúvidas.

Além disso, as pessoas querem trabalhar pelo material mesmo se o retorno são pequenas recompensas. Enquanto pelo espiritual, não querem trabalhar de modo algum, se não estiverem completamente seguras de que irão receber plenamente aquilo que esperam.

Isso é ainda mais surpreendente diante do fato de que é absolutamente claro para a razão que o corpo (ou seja, tudo o que é material) não pode ter nenhum valor possível, pois é sabido de

todos qual é o seu fim. Nada permanece, dele ou de suas aquisições. Então por que é mais fácil trabalhar por um corpo temporário (intenção egoísta), que por uma alma eterna (intenções altruístas)?

Isto é assim porque as intenções egoístas que se mantêm em guarda sobre o corpo (chamadas ‘klipot’ (as intenções egoístas de sua existência) erguem-se sobre as intenções espirituais, altruístas. Então torna-se difícil ignorá-las.

Por isso, já que aqueles que não estão estudando Kabbalah não são afetados por esta klipa, é fácil evitar o conflito com o corpo (intenções egoístas). A dificuldade de romper com os desejos do corpo (intenção egoísta do homem, a intenção ‘para mim mesmo’) é o lado oposto (ACHAP) dos futuros desejos limpos (intenção ‘para o Criador’).

Esses desejos limpos são chamados ‘mesirut nefesh’ (auto-sacrifício). Precisamente graças a eles, e também dentro deles, a pessoa recebe a luz do Criador. Então, é impossível atingir qualquer nível espiritual antes que ela esteja pronta a se sacrificar completamente. Essa situação se repete a cada vez que um novo desejo egoísta aparece; a pessoa os corrige com seu auto-sacrifício.

206 - FÉ E PRAZER

Shamati em 1938

A pessoa nunca se pergunta: ‘Por que e com qual objetivo eu procuro prazer?’. Mesmo se o menor pensamento lhe ocorre, de perguntar sobre o propósito do prazer, isso indica que ele não tem verdadeiro prazer. Isso é porque o verdadeiro prazer, que corresponde ao desejo, precisa preencher completamente o desejo vazio, até um ponto em que não deixe nenhum vácuo no desejo, nenhum vazio de prazer. Nesse caso, não seria deixado espaço para os pensamentos, razão e consciência para a questão sobre o propósito do prazer. Se alguém está perguntando sobre o objetivo do prazer, isto é uma indicação de que o prazer ainda não é completo e então, não preencheu completamente o oco (o vazio) do prazer.

Semelhantemente, com a fé: a fé precisa preencher todo o espaço, no lugar do conhecimento. É por isso que é necessário imaginar como o conhecimento teria preenchido o seu vazio (desejo),

e se esforçar por uma situação em que a fé preencha os mesmos espaços, no mesmo grau, no lugar do conhecimento.

208 - BASE DOS ESFORÇOS

Os esforços que a pessoa faz são apenas uma preparação para chegar a um estado de permanente auto-sacrifício (Mesirut Nefesh), pois é impossível atingir qualquer estágio espiritual antes de adotar essa qualidade, porque é essa mesma qualidade que permite qualquer ascensão.

209 - TRÊS CONDIÇÕES PARA A PRECE

Ter fé que o Criador pode redimi-lo, independentemente do fato de que ele tenha características, hábitos e circunstâncias piores do que qualquer outro em sua geração.

Que ele já tenha feito tudo o que poderia fazer e a redenção ainda não tenha vindo.

Que se o Criador não redimi-lo, a morte é preferível a uma tal existência.

A prece tem origem no sentimento de perda no coração da pessoa: quanto maior o sentimento

de falta daquilo que a pessoa deseja, mais forte é a prece. Afinal, aquele que anseia por excessos não é semelhante àquele sentenciado à pena capital, para quem cada instante é uma prece por redenção.

213 - RECONHECENDO O DESEJO

O princípio básico, primário, é aumentar o desejo, pois essa é a base sobre a qual se ergue a estrutura, e a força da construção se mede pela força de sua fundação.

Muitas coisas levam a pessoa a trabalhar, mas elas não visam a causa. Assim a fundação enfraquece todo o prédio. Embora de não pelo Seu nome a pessoa chegue ao pelo Seu nome, ainda se alonga o tempo antes que a pessoa retorne ao seu curso. Assim a causa deve estar sempre diante dos seus olhos. Diz-se: ‘Eu vejo o Senhor sempre perante mim’, e quem está em casa não é como aquele que está perante o rei. Aquele que acredita na realidade do Criador, que acredita que a terra está preenchida com a Sua honra, esse homem está preenchido com amor e medo, e não precisa de preparações ou observação, somente para se anular perante o rei, assim como vemos que aquele que verdadeiramente ama seu amigo, pensa somente no melhor para ele e evita qualquer coisa que não seja benéfica para seu amigo. Tudo isto se faz sem nenhum pensamento, pois é tão natural quanto o amor de uma mãe por seu filho, que somente deseja beneficiar seu filho e não precisa de nenhum pensamento prévio para isto, assim como nenhum instinto precisa da mente, pois é operado pelos próprios sentidos. Os próprios sentidos são naturalmente devotados, pois devido ao amor por um objeto eles dão coração e alma por ele, até que tenham atingido seu objetivo, ou sua vida não é uma vida.

Então, se uma pessoa sente que está em plenitude, isso significa que ela tem fé. E se a pessoa não sente que está perante o rei, então, ela está oposta a Ele. Por isso, a pessoa deve primeiro e principalmente considerar a escravidão, e precisa lamentar não ter fé suficiente, já que o desejo pela fé é o fundamento da pessoa, e ela deve rezar pelo trabalho e pelo desejo de sentir esse querer, pois se não tiver esse desejo, a pessoa não tem o vaso para receber o preenchimento. É preciso acreditar que o Criador escuta todas as nossas preces e que a pessoa será salva também através de uma fé abrangente.

232 - CONCLUSÃO DOS ESFORÇOS

‘Não acreditem naquele que afirma que fez os esforços mas não atingiu os resultados desejados’. ‘Não atingiu os resultados desejados’ significa: ‘não descobriu a bênção do Criador’.

‘Não acreditem naquele que afirma que atingiu sem nenhum esforço’. Aquele que afirma isso não mente, pois não fala de si mesmo, mas determina a regra para todos. Se ele vê que descobriu a bênção aos olhos do Criador, então o que as palavras ‘não acreditem’ têm a ver com

isso?

O fato é que quando um homem que recebe a bênção aos olhos do Criador pela prece, ela não

se torna uma força especial, que poderia ser efetiva, do mesmo modo que seus esforços podem

atingir. Há um exemplo similar em nosso mundo. Há aqueles que são pagos pelos seus esforços

e há aqueles que rezam para serem pagos e recebem. Mas no espiritual, mesmo que uma

pessoa receba a bênção aos olhos do Criador, ela então precisa pagar completamente, o que significa ‘aplicar’ a mesma quantidade de esforços que os outros aplicaram. Se ela não aplicar os mesmos esforços, ela perde seu kli. Assim se afirma, ‘Não acreditem naquele que afirma que atingiu sem nenhum esforço’, porque ele perde tudo. Por isso, ele precisa pagar com seus esforços.

Assim, um homem precisa temer a perda daquilo que ele atingiu e adquiriu, pois isto desceu a ele do alto, e se ele não justificar (o que recebeu) ‘fazendo um pagamento adiantado’, ele perderá isto.

Fonte: Artigos traduzidos para o português do livro Shamati(que está em Hebraico e inglês) no site do Instituto Bnei Baruch:

Link do livro completo em inglês:

Mais informações sobre Cabalá Autêntica em português:

E em outros idiomas: