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SOCIEDADE LIMITADA

Disciplinada pelos arts. 1.052 a 1.087 do CC Tipo societário de maior freqüência: 90%

Principais características:

limitação da responsabilidade dos sócios: Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social.

contratualidade: as relações entre sócios podem pautar-se nas disposições de vontade destes, sem os rigores ou balizamentos próprios do regime legal da sociedade anônima, por ex. Maior margem para negociações.

Previsão legal: Disciplinada pelos arts. 1.052 a 1.087 do CC. Subsidiariamente pelas regras da sociedade simples (art. 927 a 1.032 do CC). A aplicação subsidiária da lei da sociedades anônimas (LSA) também é possível, desde que haja previsão expressa no contrato social.

1)

Responsabilidade dos sócios

Limite da responsabilidade do sócio: o total do capital social subscrito e não integralizado.( a integralização pode ser feita à prazo). Os credores tem direito de atingir o patrimônio dos sócios do montante não integralizado. Se os sócios são devedores do capital em partes desiguais, aquele que foi prejudicado tem direito de regresso contra o outro sócio. Integralizado o capital social, os sócios não tem nenhuma responsabilidade.

Perante a sociedade, cada sócio é individualmente responsável pela integralização da cota por ele subscrita; face aos credores sociais, todos os sócios respondem, solidariamente, pelo total do capital social subscrito e não integralizado (Campinho)

OBS: O que é capital subscrito? É o montante de recursos que os sócios se comprometem a entregar para a formação da sociedade.

Exceções: em caráter excepcional os sócios responderão subsidiária, mas ilimitadamente:

a) Deliberação contrária à lei ou ao contrato social: sócios responderão ilimitadamente pelas obrigações sociais relacionadas à deliberação ilícita. Necessária formalização da discordância dos sócios dissidentes. A doutrina diverge sobre a subsidiariedade ou a ausência do benefício de ordem.

b) Sociedade marital: infringindo a regra do art. 977 do CC, não obstante o entendimento de ser nula a sociedade;

c) Desconsideração da pessoa jurídica: (forma aplicada pela Justiça do Trabalho é de base legal questionável);

d) Fraude contra credores: valendo-se do expediente de separação patrimonial,em decorrência da teoria da desconsideração da pessoa jurídica;

e) Débitos com a Seguridade Social: em razão do disposto no art. 13 da Lei 8.620/93, que pode ser cobrado de qualquer sócio da sociedade limitada (Art. 13. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à Seguridade Social).

2. Deliberação dos sócios

Matérias a serem deliberadas em Assembléia, ou reunião, neste caso quando houver no máximo dez sócios (em razão da maior importância):

a) designação e destituição de administradores;

b) remuneração dos administradores;

c) votação das contas anuais dos administradores;

d) modificação do contrato social;

e) operações societárias, dissolução e liquidação da sociedade;

f) expulsão de minoritário (art. 1.085)

ASSEMBLÉIA para sociedades com mais de dez sócios

Convocação mediante avisos publicados por três vezes na imprensa oficial e em jornal de grande circulação, com antecedência mínima de oito dias;

Deliberação mediante presença de sócios que representem pelo menos três quartos do capital social. Não havendo quorum suficiente, procede-se a segunda convocação com três outras publicações de avisos com antecedência de cinco dias. A segunda assembléia se instala validamente com qualquer número de presentes.

Direção pela mesa composta por dois sócios, um presidente e o outro secretário, que deverão garantir o direito de voz e voto a todos os sócios presentes;

Redação de ata que reproduza fielmente a ocorrência;

Assembléia Ordinária (ou anual): Deve ser realizada obrigatoriamente uma a cada ano, para: tomar as contas dos administradores, votar o balando patrimonial e de resultados e eleger administradores, caso se tenha exaurido o mandato por prazo determinado. Caso a sociedade tenha Conselho Fiscal seus membros serão eleitos nesta oportunidade.

REUNIÃO DE SÓCIOS para sociedades com até 10 sócios:

Liberdade de disposição do contrato social para versar sobre a realização das reuniões

Aplicação das disposições sobre assembléia somente sobre aquilo que o Contrato Social for omisso;

Em geral a deliberação é por maioria de votos dos sócios presentes, computando-se maior proporção por aqueles que detém maior parte do capital social.

Substituição válida destes atos: Tanto a Assembléia como a Reunião podem ser substituídas por documento que explicite a deliberação adotada desde que assinado pela totalidade dos sócios.

Ata de Assembléia ou Reunião: deverá ser assinada por todos e arquivada na Junta Comercial.

Quorum para determinadas matérias

a) unanimidade:

a.1. destituir administrador sócio nomeado no contrato social, caso não seja previsto quorum diverso neste mesmo

instrumento; a.2. designar administrador não-sócio, se o capital social não está totalmente integralizado;

b) ¾ do capital social:

b.1.modificação do contrato social, salvo matérias sujeitas a quorum diferente; b.2. aprovar incorporação, fusão, dissolução da sociedade ou levantamento da liquidação;

c) 2/3 do capital social:

c.1. designar administrador não sócio, se o capital social está totalmente integralizado

d) mais da metade do capital:

d.1. designar administrador em ato separado do contrato social; d.2. destituir administrador sócio designado em ato separado do contrato social; d.3. destituir administrador não sócio; d.4. expulsar sócio minoritário se permitido no contrato social.

3. ADMINISTRAÇÃO

3.1 Quem pode ser administrador?

Uma ou mais pessoas;

Sócios ou não; (no caso de administrador não sócio deve constar do contrato social esta possibilidade)

Designados em contrato social ou em ato separado.

3.2. Quem escolhe e quem destitui?

Sócios, observando-se em cada caso, a maioria qualificada exigida por lei para a hipótese.

3.3. Mandato do administrador

Por prazo determinado ou indeterminado definidos pelo C.S. ou por ato em separado;

Renúncia produz efeito contra terceiros após arquivo na Junta Comercial e publicação, e à sociedade, a partir do momento que tomam conhecimento;

Obrigação de prestação de contas anuais, junto com os balanços patrimoniais e de resultados, no prazo de quatro meses ao término do exercício social.

3.4. Responsabilidade do administrador

Inadimplemento da sociedade limitada quanto aos débitos da dívida ativa, de natureza tributária ou não tributária ART. 135, III do CTN:

Art. 135 - São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos:

III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.

Responder pessoalmente pelos atos praticados em nome da sociedade, que são estranhos ao objeto social ou aos negócios que ela costuma desenvolver, quando a sociedade limitada esta sujeita à aplicação supletiva do regime das sociedades simples (No caso de ser aplicado supletivamente as regras da S.A. a sociedade empresária responde por qualquer ato praticado em seu nome, sem prejuízo ao direito de regresso contra o administrador que excedeu seus poderes).

APLICAÇÃO SUPLETIVA DAS SOCIEDADES LIMITADAS

 

APLICAÇÃO SUPLETIVA DA SOCIEDADE SIMPLES

APLICAÇÃO DA SOCIEDADE ANÔNIMA

DISSOLUÇÃO PARCIAL

a) Morte do sócio (1.028 Código Civil)

a) retirada motivada

 

b) expulsão

b) Liquidação de cotas a pedido de credor de sócio (1.026CC)

Obs: não pela vontade unilateral (imotivada), ou a

c) Retirada motivada (art.1.077 e 1.029CC)

pedido de credor.

 

d) Retirada imotivada (art.

 

1.029CC)

e) Expulsão de sócio.

DESEMPATE DAS DELIBERAÇÕES

a) quantidade de sócios (art. 1.010, §2º)

a) quantidade de (ações) de cotas (art. 129, §2º da LSA)

DESTINAÇÃO DO RESULTADO

a) maioria dos sócios delibera sobre a destinação do resultado, podendo decidir pelo reinvestimento da

a) Prever

o

dividendo

obrigatório

a

ser

 

distribuído anualmente

(omisso

o

instrumento

pelo menos metade do

totalidade dos lucros ou

lucro

deve

ser

distribuição

dos

distribuiído

entre

os

resultados.

sócios como dividendo.

VINCULAÇÃO DA SOCIEDADE A ATOS ESTRANHOS AO OBJETO SOCIAL

a) Não vincula aos atos praticados em seu

a) A sociedade responde, mesmo pelos atos praticados pelo administrador, realizados em seu nome, ainda que alheios ao objeto social.

nome

pelo

administrador por atos alheios ao objeto social

 

(art. 1.015, III Código Civil)

As regras da sociedade simples se aplicam supletivamente à sociedade limitada.

As regras da sociedade anônima se aplicarão nas sociedades limitadas se previstas no contrato social.

NOME EMPRESARIAL DA SOCIEDADE LIMITADA

Opção pela denominação ou razão social sempre acrescida do termo “LTDA” ou “LIMITADA” – abreviado ou por extenso

Art. 1.058, §3º do Código Civil

A interpretação do dispositivo é de que a falta do termo “LTDA” ou “LIMITADA” acarreta da responsabilidade pessoal dos administradores que não usaram devidamente o nome, não responsabilizando os demais.

Restringe-se ao ato onde o nome não foi apresentado corretamente;

Previsão que visa proteger terceiro de boa-fé: provado que o terceiro tinha conhecimento não haverá responsabilidade pessoal dos sócios. Ex: se antes da contratação exigiu a apresentação do contrato social, tomando conhecimento de que se tratava de uma sociedade limitada.

PRAZO DA SOCIEDADE LIMITADA

Prazo determinado: pode ser pré-definido o prazo da sociedade. - art. 1.033, I prorrogação, se a sociedade não entrar em liquidação passa para indeterminado.

Prazo indeterminado

QUOTAS

É a entrada, contingente de bens, coisas ou valores com o qual cada sócio contribui ou se obriga para a formação do capital social.

Diferente de ação, a quota é a fração ideal; fração certa e determinada

Indivisível (art. 1.056 Código Civil);

Aquisição por dinheiro ou bens (não pode ser através de prestação de serviços);

Natureza jurídica: direito pessoal e patrimonial.

Direito pessoal: personalíssimo Direito patrimonial:

Casos de co-propriedade (art. 1.056, §1º Código Civil) condomínimo de quota representação por um dos detentores art. 1.056, §2º (respondem solidariamente pela integralização). Ex: cessão ou sucessão Melhor orientação: divisão das parcelas de cotas

Não é título de crédito;

Não tem cartularidade

Não se representa por um certificado;

Prova da titularidade: Contrato social

CESSÃO DE QUOTAS:

Art. 1057 Código Civil possibilidade de cessão de quotas a qualquer sóco independente da audiência dos outros ou a estranho se não houver oposição de mais de ¼ do capital social. A cessão terá eficácia quanto aos terceiros a partir da averbação do respectivo instrumento, subscrito pelos sócios anuentes.

Contrato social pode dispor de forma diversa quanto à cessão de quotas.

CAPITAL SOCIAL: fundo originário que não se confunde com PATRIMÔNIO SOCIAL.

INTEGRALIZAÇÃO: quitação do valor das cotas a que o sócio se obrigou. Ausência de leis determinando condições e épocas de sua integralização o que causa insegurança.

Impedimento de ser paga com prestação de serviços.

Aquisição pela própria sociedade: Não houve previsão legal neste sentido. Por isso admite-se somente a aquisição por outro sócio ou terceiro. Ex: em casos de penhora.

AUMENTO E REDUÇÃO DO CAPITAL SOCIAL

AUMENTO:

Modificação no Contrato Social

Permitido quando o capital social estiver integralizado (art. 1.081CC)

Sócios têm preferência de aquisição de adquirira mais quotas;

O aumento se dá por elevação da quantidade de quotas ou pelo aumento no valor das quotas.

REDUÇÃO (ART. 1.082 a 1.084 Código Civil):

Modificação do Contrato Social

Diminuição do valor nominal ou do número de quotas, desde que não cause prejuízo a terceiros e mediante justificativa;

AUMENTO OU REDUÇÃO DEVEM:

Ser publicados na imprensa oficial do Estado e em jornal de grande circulação da ata ou reunião;

Após 90 dias, se não houver oposição de credor, registrar na Junta Comercial.

SÓCIO REMISSO

Sócio que está em mora para a integralizar o capital social. A sociedade constituir em mora para integralizar em 30 dias, sob pena dos sócios poderem tomá-las para si ou transferi-las para terceiros, devolvendo o que foi pago.

Alternativamente: cobrança forçada, acrescida dos danos; ou

Exclusão do sócio remisso com a redução da participação ao montante adquirido até aquele momento (art. 1.058 e 1.004 do Código Civil)

Hipótese de redução do capital social.

DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE LIMITADA

Extinção: processo de término da personalidade jurídica

Dissolução: ato que desencadeia o processo de termino da personalidade jurídica da sociedade ou que desvincula um sócio do quadro societário.

Princípio da preservação da empresa.

Espécies de dissolução:

a)

Parcial: conflito entre os sócios ou entre estes e os sucessores de um deles, impossibilitam a preservação dos laços contratuais. Dissolução dos vínculos contratuais que a originaram. (art. 1028 a 1032 1.085 e 1.086 do CC)

b)

Total: processo desencadeado para o término da personalidade jurídica.

c)

Judicial: por sentença (art. 656 a 674 do CPC de 1939- art. 1218, VIII, art. 1034 do CPC)

d)

Extrajudicial: por deliberação dos sócios

Causas de dissolução total

a)

Vontade dos sócios (art. 1033, II e III): necessária unanimidade no caso de sociedade contratada por prazo determinado. No caso de sociedade por prazo indeterminado é suficiente deliberação a favor da dissolução de sócios representantes de mais da metade do capital social. Jurisprudência acolhe o princípio da preservação da empresa conferindo ao minoritário continuar a sociedade.

b)

Decurso do prazo determinado de duração (art. 1.033, I): se transcorrer o prazo e a sociedade não entrar em liquidação será considerada indeterminada. O registro de prorrogação deve ser realizada antes do vencimento do prazo, sob pena de se encontrar irregular (questão controversa na doutrina)

c)

Falência (art. 1.044, 1.051 e 1.087):

d)

Exaurimento do objeto social (art. 1.034, II): hipótese em que a sociedade e contratada exclusivamente para realizar uma determinada obra, operação ou serviço.

e)

Inexeqüibilidade do objeto social (art. 1.034, II): Exemplos: a) inexistência de mercado para o produto ou serviço social; b) insuficiência do capital social para produzir ou circular o bem ou serviço referido como objeto no contrato social; c) a grave desinteligência entre os sócios, que impossibilite a continuidade de negócios comuns.

f)

Unipessoalidade por mais de 180 dias (art. 1.033, IV): prazo para restabelecimento da pluralidade de sócios.

g)

Causas contratuais (art. 1.035): possibilidade que fica à critérios dos sócios. Ex: não obtenção de patamar de lucro, redução de número de sócios a limites prefixados.

h)

Anulação do seu ato de constituição:

- Registro: O instrumento do distrato ou ata da assembléia ou reunião deverá declarar as importâncias repartidas entre os sócios e indicar a pessoa ou pessoas responsáveis pelo ativo e passivo remanescente, bem como informar os motivos da dissolução. Deverá constar assinatura de pelo menos ¾ do capital social (quorum mínimo para realização da assembléia ou reunião)

DISSOLUÇÃO TOTAL → LIQUIDAÇÃO → EXTINÇÃO

* Causas de dissolução parcial

a) vontade dos sócios: com a saída de um deles, mediante apuração de seus haveres.

b) morte de sócios: sucessores não estão obrigados a ingressar na sociedade podendo promover a dissolução

parcial.

c) retirada de sócios: se por prazo indeterminado mediante notificação com antecedência de sessenta dias aos

demais sócios. Se por prazo determinado deve demonstrar a justa causa em juízo (necessariamente) ou por ser dissidente de alteração contratual, incorporação ou fusão deliberadas pela maioria.

d) exclusão do sócio: judicial ou extrajudicial:

d.1. Sócio remisso: pode ser extrajudicial (art. 1004) d.2. Motivada por falta grave no cumprimento de obrigações ou incapacidade superveniente: necessariamente judicial (art. 1030)

d.3. de minoritário por prática de atos graves que põem em risco s continuidade da empresa: poderá ser extrajudicial se o contrato social permitir; se omisso, deverá ser judicial (art. 1085)

e) falência de sócio: para apuração dos haveres integrarem a massa falida (art. 1030, parágrafo único)

f) liquidação da quota a pedido de credor de sócio: pedido do credor para liquidar a quota do sócio credor. O valor será apurado com base num balanço patrimonial especial (art. 1026, parágrafo único).

OBS: Se a sociedade limitada estiver sujeita à regência supletiva da LSA, só se dissolve parcialmente nas hipóteses de retirada motivada ou expulsão.

LIQUIDAÇÃO E APURAÇÃO DE HAVERES

Após dissolução total segue a liquidação e partilha;

Após dissolução parcial segue apuração de haveres e o reembolso;

Liquidação

- Nomeação de um liquidante (administrador ou não);

- Realização do ativo e pagamento do passivo. - Poderá ser judicial ou extrajudicial, independente da forma assumida na dissolução ( a forma da dissolução também independe da forma da liquidação);

- Durante a liquidação a sociedade está autorizada somente para prática de atos que solucionassem as pendências

obrigacionais;

- Administração pelo liquidante e não pelo administrador;

- Nome deverá ser acrescido “em liquidação”(art. 1103, parágrafo único);

- Patrimônio líquido remanescente será partilhado entre os sócios, proporcionalmente a participação de cada um no

capital social, se outra razão não houver sido acordada, seja no contrato social, seja em ato posterior.

- Partilhado, extingue a sociedade empresária, com a perda da personalidade jurídica. Cancelamento junto ao registro competente (art. 51, parágrafo 3. CC)

Apuração de haveres

- Definição do quantum devido pela sociedade ao sócio desvinculado. - Direito ao valor patrimonial e não ao valor nominal ou de mercado;

DISSOLUÇÃO DE FATO

- Não observância dos procedimentos de extinção de pessoa jurídica;

- Comportamento que se enquadra como causa para decretação de falência;

- Responsabilidade pessoal dos sócios;