Criminologia crítica e crítica do direito penal – introdução a sociologia do dirieto penal ,3ª edição,Instituto Carioca de Criminologia, Alessandro Baratta

pag. 29 á 40 A criminologia positivista tem por objeto não propriamente o delito, mas o homem delinqüente, considerado como um indivíduo diferente. O modelo positivista é o estudo das causas ou dos fatores da criminalidade, para individualizar medidas adequadas para removê-los intervindo, sobretudo no sujeito criminoso. Já a Escola Liberal Clássica não considera o delinqüente como um ser diferente dos outros. Como comportamento o delito surgia da livre vontade do indivíduo e não de causas patológicas, e por isso do ponto de vista da responsabilidade moral das próprias ações o delinqüente não era diferente. O Direito Penal e a pena eram considerados pela Escola Clássica como instrumento legal para defender a sociedade do crime, criando assim, uma contra motivação do crime. As Escolas liberais Clássicas, contestavam o modelo positivista, deslocando sua atenção da criminalidade para o direito penal. Nesse contexto é importante destacar Beccaria , que parte de uma concepção filosófica para uma concepção jurídica filosoficamente fundada dos conceitos de delito , de responsabilidade penal e de pena. Para ele a base da justiça humana é a utilidade comum. Os elementos fundamentais da teoria do delito e da pena são o dano e a defesa social. Grandomenico Romagnosi também é de se relevar. Em seu pensamento o princípio essencial do direito individual é a conservação da espécie humana e a obtenção da máxima utilidade. Para ele três eram as relação jurídicas fundamentais: o direito e o dever de cada um de conservar sua própria existência ; o dever recíproco do homem de não atentar sobre a sua existência ; o direito de cada um de não ser ofendido pelo outro. A pena constituiu em relação ao impulso criminoso um contra estímulo, se tornando assim, um meio de defesa social. Já Carrara afirma que o fim da pena não é a retribuição, mas a eliminação do perigo social que sobreviria da impunidade do delito. Lombroso considerava o delito como um ente natural , determinado por causas biológicas de natureza hereditária. Ferri ampliava o quadro dos fatores do delito dispondo-os em três partes: fatores antropológicos, físicos e sociais. A criminalidade podia torna-se objeto de estudo nas suas causas independentemente do estudo das reações sociais do direito penal. Conclusão Há uma grande divergência de pensamentos entre as Escolas Positiva e Clássica vez que esta tem como objeto de seu estudo o crime e aquela o próprio criminoso. Idéias essas que não só se contrapõe no objeto de estudo, mas também, nas suas idéias relacionadas ao crime, a pena, ao criminoso bem como aos seus métodos de estudo. Diferenças estas que, são de grande importância para estudos criminológicos até os dias de hoje. Razões da Conclusão Interesse e Relevância Dos estudos destas Escolas surgiram grandes obras como, Dos Delitos e Das Penas de Beccaria. Surgiram também estudos como os de Lombroso que é de grande importância para a criminologia que não reside tanto em sua famosa tipologia (onde destaca a categoria do

tão antigo quanto a existência do homem. 2. senão no método que utilizou em suas investigações: o método empírico -indutivo. tem por objeto ações e comportamentos. fossem considerados puníveis.br/revista/texto/9150/politica-criminal-criminologia-evitimologia#ixzz2PEj7hApI Resumo: CRIMINOLOGIA CRÍTICA E CRÍTICA DO DIREITO PENAL – ALESSANDRO BARATTA INTRODUÇÃO – SOCIOLOGIA JURÍDICA E SOCIOLOGIA JURÍDICO-PENAL 1. A sociologia do direito. e o atavismo que. . e os problemas específicos das relações formais entre normas e entre ordenamentos.Sociologia Jurídica: Modos de ação e estruturas sociais. compreende-se que a sociologia jurídica se ocupa com modos de ação e de comportamento: que têm como consequências normas jurídicas. e ao mesmo tempo a relação entre o direito e outros setores da ordem social. A teoria geral do direito. a sociologia jurídica aborda a relação entre mecanismos de ordenação do direito e da comunidade. Objeto da Sociologia Jurídico-Penal A sociologia jurídico-penal estudará: * As ações e os comportamentos normativos que consistem na formação e na aplicação de um sistema penal dado. há algum que. Sua proposta era saber se entre os delitos previstos pelas nossas leis atuais. caracteriza o tipo criminoso – ao que parece – contou com o estudo minucioso de vinte e cinco mil reclusos de prisões européias. Leia mais: http://jus. sendo que um controle depende da idoneidade. eleva o nível de abstração da ciência dogmática do direito.Direito: Normas e estruturas normativas. que são percebidos como efeitos das normas jurídicas. . que têm como consequências normas jurídicas ou são efeitos de normas jurídicas. Objeto da Sociologia Jurídica A partir da distinção entre comunidade – organização compreensiva da vida humana em comum – e direito. Dessa forma. Criminologia científica observa devidamente o crime como um problema social. conforme o seu ponto de vista. que serão postos em relação com modelos de ação e de comportamento. como se viu. A filosofia do direito tem por objeto os valores conexos aos sistemas normativos. A teoria do direito tem por objeto a estrutura lógico-semântica das normas. Assim como Garofalo que teve como sua grande contribuição criminológica à tentativa de conceder um conceito de delito natural. em todos os tempos e lugares. A sociologia teórica cabe o estudo dos fenômenos que não são empiracamente observáveis. Sua teoria do delinqüente nato foi formulada com base em resultados de mais de quatrocentas autópsias de delinqüentes e seis mil análises de delinqüentes vivos. entendidas como proposições. .com."delinqüente nato") ou em sua teoria criminológica.

* Batizou a Criminologia como “estudo das causas da criminalidade” (paradigma etiológico). * Individualizar Remover Intervir no indivíduo (Correcionalismo).* Os efeitos do sistema entendido como aspecto “institucional” da reação ao comportamento desviante e do correspondente controle social. sobretudo. em pesquisas bem localizadas. * Individualizar “sinais” antropológicos. adotada para definir um horizonte explicativo interpretativo dentro o qual são considerados os fenômenos singulares. não é sem influência. inspirada na filosofia e na psicologia do positivismo naturalismo: * Teoria patológica da criminalidade. sobre a realidade social do desvio e sobre a consolidação do status social do delinquente. o labeling approach. adotada para delimitar objetos específicos de indagação. Dentro disso. A sociologia jurídico-penal. * Não foi posto em dúvida. Este horizonte coincide com toda estrutura socioeconômica e. os fatores condicionantes e os efeitos dessa reação. encontram-se a microssociologia e a macrossociologia. esta consiste precisamente na tentativa de unir uma perspectiva microssociológica. * O objeto não é propriamente o delito. Um modo de fazer a sociologia é construir um discurso baseado em dados empiricamente controláveis. as reações não-institucionais também geram o efeito estigmatizante da reação da opinião pública sobre o status social do delinquente. com o objeto da sociologia geral. especialmente por causa de seu efeito estigmatizante. ao contrário. considerando. portanto. * Rígido determinismo. * Consideração dos fatores sociais. em metodologias previamente declaradas e experimentadas. a sua função no interior da estrutura social dada. estuda os comportamentos que representam uma reação ante o comportamento desviante. * Negação do livre arbítreo. a sua gênese. A Criminologia Positivista e a Escola Liberal Clássica do Direito Penal Criminologia Positivista. assim como as implicações funcionais dessa reação com a estrutura social global. Se hoje é possível encontrar uma tendência de desenvolvimento positivo na pesquisa sociológico-jurídica. mas o homem (diferente) delinquente. o fato de que os autores de certos comportamentos tornem-se objeto da ação de órgãos da repressão penal. A sociologia criminal estuda o comportamento desviante com relevância penal. Microssociologia e Macrossociologia. . Essas duas disciplinas tem como problemática comum o conceito e definição de desvio. * Baseadas sobre as características biológicas e psicológicas que diferenciariam os sujeitos “criminosos” dos indivíduos “normais”. com uma perspectiva macrossociológica. I – A ESCOLA LIBERAL CLÁSSICA DO DIREITO PENAL E A CRIMINOLOGIA POSITIVISTA 1. O equívoco depende de uma falta de distinção entre o objeto específico da pesquisa sociológicojurídica e o horizonte explicativo e interpretativo dentro do qual os fenômenos setoriais analisados podem e devem ser inseridos. com características clinicamente observáveis. * Observar os indivíduos assim “assinalados”. * As conexões entre um sistema penal dado e a correspondente estrutura econômico-social. parcial ou totalmente pelo labeling approach (?). * As reações não-institucionais ao comportamento desviante. Possibilidade e função de sua integração. Segundo os representantes deste enfoque. 3. Contudo.

o delito surgia da livre vontade do indivíduo. é o repúdio do determinismo e da consideração do delinquente como um indivíduo diferente. * “se depois do rimeiro delito existisse uma certeza moral de que não ocorreria nenhum outro. a sociedade não teria o direitode puni-lo”. 2. * Como comportamento. Pena como contra-estímulo ao impulso criminoso * Necessidade de fazer surgir o sistema de direito penal de uma verdadeira e própria filosofia do direito. * O critério da medida da pena é o mínimo sacrifício necessário da liberdade individual que ela implica. em particular. * Contrato social! Sacrifício da liberdade individual mediante a açao do Estado e. * Deslocaram sua atenção da criminalidade para o direito penal. * Princípios da humanidade. “A soma dessas mínimas porções possíveis forma o direito de punir”. * Se detinha principalmente sobre o delito (entendido como conceito jurídico. Da Filosofia do Direito Penal e uma fundamentação filosófica da Ciência Penal. mas filosoficamente fundada dos conceitos de delito. * Pressupostos para uma teoria jurídica do delito e da pena. * Negação da justiça de gabinete.A consideração do crime como um comportamento definido pelo direito. * Pena Não como intervenção Mas como defesa da sociedade contra o crime. de uma concepção filosófica para uma concepção jurídica. do exercício do poder punitivo pelo próprio Estado. * Leis O homem deve reconhecer mediante a razão. * Maior felicidade para o maior número. do pacto social). * Superação da natural dependência humana da natureza através do estado social. Escola Libral Clásica: * Não considerava o delinquente como diferente. * O fim da pena é a defesa social. não de causas patológicas. * Direito Natural Conservação da espécie humana (o direito e o dever de cada um preservar a própria existência. violação do direito. utilidade. * Dano Social e Defesa Social – Teoria do Delito e Teoria da Pena. são aspectos essenciais da nova criminologia. Beccaria Beccaria desenvolveu um processo que vai da filosofia do direito penal a uma fundamentação filosófica da ciência do direito penal. de pena. legalidade. de responsabilidade penal. * Formulação pragmática e utilitarista. ou seja. através do . * Liberdade e responsabilidade moral pelas próprias ações. * Contrato social e divisão de poderes. * Exclusão da pena de morte Impensável colocar no depósito público a própria existência. O pensamento de Romagnosi. * Pena Contra-estímulo. o dever recíproco dos homens de não atentar contra sua existência. o direito de cada um de não ser ofendido por outro). * Base da justiça é a utilidade comum (emerge da necessidade de manter unidos os interesses particulares. 3. do processo inquisitório. da tortura. superar o hipotético estado de natureza). * O maior esforço da sociedade deve ser colocado no prevenção do delito. * Época dos pioneiros.

O nascimento da moderna Ciência do Direito Penal na Itália. * “o delito não é um ente de fato. não uma retribuição. cumprem processos de seleção que se desenvolvem na sociedade. 4. Princípios da Ideologia da Defesa Social: * Princípio da Legitimidade: O Estado está legitimado para reprimir a criminalidade por meio de indivíduos.. . ou seja. A Ideologia da Defesa Social como ideologia comum às escolas clássicas e positiva.. * Grispigni: Delito como elemento sintomático da personalidade do autor. mas também uma violação do direito. 5. Princípios da Ideologia da Defesa Social Tanto a Escola Clássica quanto a Escola Positiva realizam um modelo de ciência penal integrada. * Meios preventivos: Substutivos penais Modo curativo e reeducativo. * Os mecanismos seletivos que funcionam nesse sistema. mas um ente jurídico”. * Função da pena: Defesa social. Sistema Jurídico de Carrara * Visão rigorosamente jurídica do delito. como se verá logo. e por outro lado. * Busca por uma verdade superior e independente da contingente autoridade da lei positiva. o pertencimento aos diversos estratos sociais é decisivo. eliminação do perigo social que é a impunidade. à totalidade natural e social em que se insere sua existência. por um lado.melhoramento e desenvolvimento das condições de vida social.sua essência deve consistir na violação de um direito” * Lei Absoluta Constituída pela única ordem possível para a humanidade (vontade do Criador). * Parte prática: O fundamento é dado pela autoridade da lei positiva. a toda personalidade do delinquente e a sua história biológica (sobretudo hereditária) e psicológica. Lombroso * Abstrair o fato do delito do contexto ontológico que o liga. Escola Positivista e explicação patológica da criminalidade. da criação das normas à sua aplicação. * Determinismo: Comportamento como expressão da realidade. “. e para os quais. * Consideração jurídica objetiva do delito predomine sobre a consideração subjetiva e ética do indivíduo. * Parte teórica: O fundamento lógico é dado pela verdade. um modelo no qual ciência jurídica e concepção geral do homem e da sociedade estão estreitamente ligadas. * Delito Não só um mero fato danoso para a sociedade. Criminoso como diferente. * Derivada de um impulso jusracionalista e racionalista do universo social e moral. * Pena: Defesa social. * Garófalo: Acentuação dos fatores psicológicos/ Ferri: Acentuação dos fatores físicos e sociais. que representam instâncias. II – A IDEOLOGIA DA DEFESA SOCIAL 1. mas o direito que qualifica este fato humano não deve isolar a ação do indivíduo da totalidade natural e social. * Delito como ato de livre vontade do sujeito. * O delito é um ente jurídico. pela natureza das coisas. os quais reprovam e condenam o comportamento desviante individual e à reafirmação dos valores e das normas sociais. * Criminalidade Estudo de suas causas. tendo em comum a Ideologia da Defesa Social. * Ferri substitui a responsabilidade moral por responsabilidade social.

A Teoria Freudiana do “delito por sentimento de culpa” e as Teorias Psicanalíticas da Sociedade Punitiva As teorias criminológicas da reação social e as compreendidas no movimento da “criminologia . * Ideologia Negativa: Falsa consciência. * Princípio do Interesse Social e do Delito Natural: Delito como ofensa aos interesses fundamentais (comuns a todos cidadãos). dentro de uma específica estrutura econômicosocial. Sanção concreta. Essas concepções comportam uma neutralidade apenas aparente em relação ao esquematismo que domina a distribuição da matéria. sobre a qual se pretende hoje basear um novo modelo integrado de ciência do direito penal. etc. mas por conceitos mais determinados. desvio criminal é o mal. apresenta um notável atraso com relação à interpretação que desta matéria se faz hoje no âmbito das ciências sociais. Na criminologia positivista a tarefa da criminologia é reduzida a explicação causal do comportamento criminoso. ler p.* Princípio do Bem e do Mal: Delito como dano. Essas novas teorias inseridas no campo da sociologia criminal burguesa se caracterizam por uma atitude racionalista. Uma teoria adequada da criminalidade. * Princípio da Igualdade: Criminalidade Violação da lei penal Comportamento de uma minoria. dos “comportamentos socialmente negativos”. * Ideologia Positiva: Programa de ação. 44 em diante) Em todas as edições do modelo integrado de ciência penal não encontram uma alternativa crítica. 3. O horizonte macrossociológico de uma tal teoria não é dado por um conceito ideal de sociedade. Função Legitimante desenvolvida pela ideologia da defesa social em face do sitema penal (não vi muita importância nesse item. O fio condutor da análise é dado por uma assunção fundamental: o conceito de defesa social corresponde a uma ideologia caracterizada por uma concepção abstrata e aistórica de sociedade. avalia-se mais que o criminoso. sobre a base de uma análise dos conflitos de classe e das contradições específicas que caracterizam a estrutura econômico-social das relações de produção de determinada fase do desenvolvimento de uma formação econômico-social. e da criminalização.”sociedade capitalista”. NEGAÇÃO DO PRINCÍPIO DE LEGITIMIDADE 1. é caracterizada por elementos antiéticos à ideologia da defesa social. como os de “sociedade feudal”. Os princípios que integram a Ideologia da Defesa Social encontram uma direta confrontação crítica nas teorias sociológicas contemporâneas sobre a criminalidade. sendo uma justa e adequada contramotivação ao comportamento criminoso. Esta teoria trabalha. na ciência do direito penal. 2. delinquente como elemento negativo. idealizações mistificantes das funções reais dos institutos penais. entendida como uma totalidade de valores e interesses. * Princípio da Finalidade ou da Prevenção: A pena tem função de prevenir o crime. progressista. em caso de dúvida. além disso. Necessidade de situar os elementos de uma Teoria do Desvio. ressocializar o delinquente. reformista e. geralmente. baseando-se na diferença fundamental entre indivíduos criminosos e não-criminosos. Entretando a Ideologia da Defesa Social. o próprio crime. Reação penal se aplica de modo igual. Já na Escola Clássica. essas teorias incidem sobre um ponto: o relativo à atitude interior do delinquente (culpabilidade). sociedade constituída é o bem. III – AS TEORIAS PSICANALÍTICAS DA CRIMINALIDADE E DA SOCIEDADE PUNITIVA. mas somente uma modificação e um aperfeiçoamento da ideologia da defesa social. Contudo.

Na doutrina freudiana da neurose. As teorias psicanalíticas da sociedade punitiva colocam em dúvida também o princípio de ligitimidade e interpretam como mistificação racionalizante as pretensas funções preventivas a reação punitiva. uma tendência a confessar. extrai a conclusão de que a tendência de desenvolvimento do direito penal é a da superação da pena. Freud aponta que a repressão de instintos delituosos pel ação do superego. . A variante de Franz Alexander e Hugo Staub a tal hipótese A dupla função da pena de Theodor Reik: * Satisfação da necessidade inconsciente de punição que impele a uma ação proibida. uma defesa e um reforço do superego. Reik. anterior ao delito e que aparece não como uma consequência da ação delituosa. que o exemplo de sua liberação no delinquente torna mais fortes. * Função da pena em face da sociedade (prevenção geral) e em face do autor de um delito (prevenção especial). Esses instintos. são acompanhados. no inconsciente. A punição representa. a reação penal ao comportamento delituoso não tem a função de eliminar ou circunscrever a criminalidade. não destrói estes instintos. 2. por um sentimento de culpa. * Retribuição Impulso. através de sua inconsciente identificação com o delinquente. * Satisfaz também a necessidade de punição da sociedade. nota-se que a teoria psicanalítica do comportamento criminoso representa uma radical negação do tradicional conceito de culpabilidade.crítica” – como se verá – deslocaram o foco da análise do fenômeno criminal. “O mau exemplo do delinquente age de modo sedutor sobre os próprios impulsos reprimidos e aumenta sua pressão”. mais em geral. mas deixa que estes se sedimentem no inconsciente. Teoria Retributiva: * Encontra correspondência nas autopunições inconscientes que encontramos nos neuróticos. A intervenção punitiva do grupo se verifica somente em função subsidiária à punição espontânea. O enriquecimento posterior da Teoria Psicanalítica da Sociedade Punitiva e a Crítica da Justiça Penal na obra de Alexander e Staub Dois motivos de Alexander e Staub: * Variante do fundamental princípio freudiano da identidade dos impulsos que movem o delinquente e a sociedade na reação punitiva. todavia. de tal modo. e se individualiza nas pesoas que estão a seu serviço. do sujeito criminalizado para o sistema penal e os processos de criminalização que dele fazem parte e. Franz Alexander e Hugo Staub põe em relevo o mecanismo sociopsicológico através do qual a pena inflingida a quem delinque vem contrabalançar a pressão dos impulsos reprimidos. * Reguladas pelo principios do talião. que consiste em influenciar a coletividade ou o autor do delito. Desloca o âmbito de aplicação da teoria da sociedade punitiva da reação não-institucioal para a institucional. Theodor Reik e a sua explicação psicanalítica das Teorias Retributivas e Preventiva da Pena. Levando isso em consideração. Ambas teorias transferem a função da pena para um resultado futuro. A finalidade da pena parte da investigação psicológica que Freud fez do sentimento de culpa. mas como a sua mais profunda motivação. para todo o sistema da reação social ao desvio. posto que todos os componentes do grupo se sentem ameaçados pela violação do tabu e por isso se antecipam na punição do violador. Segundo essas teorias. 3. Explica a presença de fortes presenças anti-sociais não suficientemente reprimidas. mas corresponde a mecanismos psicológicos em face dos quais o desvio criminalizado aparece como necessário e ineliminável da sociedade.

os dois momentos. o da explicação etiológica do comportamento criminoso e o da interpretação funcional da reação punitiva. a possibilidade de eliminar as agressões diminuiu por causa do pacifismo que impunha uma renúncia à eliminação de agressões bélicas e por causa das modificações da vida econômica. na realidade. não são mediata. aistoricamente centradas em um fundamental. teoria do delinquente como bode expiatório. natural e ineliminável antagonismo entre indivíduo e sociedade. 4. não ocorrem na realidade no que se refere à satisfação dissimulada de agressões de massa. Para Reiwald. * As teorias psicanalíticas reconduzem a concepção da universalidade do deliti ao natural antagonismo entre indivíduo e sociedade. Para esses dois autores. mais imediatamente identificados entre si. NEGAÇÃO DO PRINCÍPIO DO BEM E DO MAL 1. a um alívio do trabalho de inibição. para outros indivíduos através de mecanismos de projeção.* Identificação de um sujeito individual com a sociedade punitiva e com os órgãos da reação penal Leva ao reforço do superego e a um desvio da agressão em forma legítima. A pena adquire assim também um significado de recompensa pela renúncia ao sadismo. de modo que uma parte dela é transferida para o exterior. descarregadas através da identificação do sujeito com os atos da sociedade punitiva. Reiwald introduz o conceito de projeção de bode expiatório. * Voltam-se contra uma minoria e grupos marginais. Por fim. constituindo a . através dos mass media. Tais teorias geralmente se apresentam semelhantes as teorias de orientação positivista. entretanto. mas também que as tendências agressivas das massas encontrem mais ampla eliminação através de sublimações. este mecanismo de identificação com a sociedade punitiva conduz à diminuição da quantidade de agressões para inibir e. Ostermeyer e Naegeli Para Ostermeyer. Limites das Teorias Psicanalíticas da Criminalidade e da Sociedade Punitiva. que por meio da fantasia. a literatura e os filmes são alguns desses mecanismos. A conceituação realizada por Alexander e Staub. Naegeli então diz. portanto. A virada sociológica na criminologia contemporânea: Durkheim A teoria da anomia foi desenvolvida por Merton e introduzida por Durkheim. A reprodução da concepção universalista de delito As teorias psicanalíticas da criminalidade não conseguiram superar os limites fundamentais da criminologia tradicional. a pena não basta para descarregar toda a agressão reprimida. * Comportamento criminoso e reação punitiva são expressões da mesma realidade psicológica. que é sobre esses delinquentes que são projetadas as nossas mais ou menos inconscientes tendências criminosas * A tendência a transferir esta sombra sobre uma terceira pessoa Insulta-se e pune-se o objeto desta transferência O bode expiatório “Projeção da Sombra”: * Provêm da parte de toda uma comunidade. Além disso. 5. IV – A TEORIA ESTRUTURAL-FUNCIONALISTA DO DESVIO E DA ANOMIA. assim como a teoria funcionalista. leva os membros da sociedade a projetar as próprias tendências anti-sociais em figuras de delinquentes particularmente temíveis. Para que semelhante resultado seja possível é necessário não só que os homens alcancem um maior controle do ego sobre a vida afetiva. A obra de Reiwald. ou em tipos de sujeitos desviantes. * Sempre sobe aqueles que parecem diferentes da maioria.

repelida e sancionada pela sociedade. absolutamente normal como o comportamento. estabiliza e mantém vivo o sentimento coletivo que sustenta a conformidade às normas. Fins culturais. Suicídio em momentos de depressão econômica. tornando a revolta individual. mas também nos momentos de expansão Adequação. Dentro de seus limites funcionais. * Caráter patológico do crime Crime como doença social Significa admitir que a doença não é algo acidental. * Estrutura Social: Conjunto das relações sociais. “O delito é a antecipação da moral futura”. mas. devido à irredutível maldade humana”. o comportamento criminoso possibilita a originalidade moral do idealista. patológica. mas também “uma parte integrante de toda sociedade sã”. Esse modelo de Merton consiste em reportar o desvio a uma possível contradição entre estrutura social e cultura. dessa forma. nas quais os membros de uma sociedade ou . Para Merton. da constituição fundamental do ser vivente Confusão da vida social com sua patologia. 2. * O devio é um fenômeno normal de toda estrutura social. sancionado pelo direito penal. Merton: A superação do dualismo indivíduo-sociedade. O fato de que a autoridade pública descarregue a própria reação reguladora sobre fenômenos de desvio permite uma maior elasticidade em relação a outros setores normativos. * Somente quando são ultrapassados determinados limites. nem em uma situação patológica da estrutura social. o fenômeno do desvio é negativo. acesso aos meios institucionais e “Anomia” Merton e Durkheim se opõem as concepções patológicas do desvio. deriva em certos casos. * O delito é não só “um fenômeno inevitável. baseado sobre uma divisão social do trabalho muito mais deferenciada e coercitiva. * Cultura Propõe metas A estrutura econômico-social oferece meios legítimos para alcançar as metas Metas Constituem motivações Modelos de comportamentos institucionalizados. desenvolvendo a moral de uma sociedade. Merton considera: * Cultura: Conjunto de representações axiológicas comuns que regulam o comportamento dos membros de uma sociedade ou de um grupo. ao contrário. Entretanto. o comportamento desviante é um fator necessário e útil para o equilíbrio e o desenvolvimento sócio-cultural.primeira alternativa clássica à concepção dos caracteres diferenciais biopsicológicos. embora repugnante. * Delito Ligado as condições de toda vida coletiva. a estrutura social não teria somente um efeito repressivo. perigosa e criminal. fica a desproporção (a qual não é um fenômeno anormal ou patológico) entre a disposição dos meios legítimos para que o indivíduo alcance as metas. as quais consideram a sociedade como uma força que reprime o livre desenvolvimento dos recursos vitais individuais e que gera a tendência a revoltar-se contra sua ação repressiva. Delito: * Provocando e estimulando a reação social. * Entidade particular. promovendo a transformação e renovação social. Durkheim: * “Não existe sociedade em que não exista criminalidade”. Teoria estrutural funcionalista da anomia e da criminalidade: * As causas do desvio não devem ser pesquisadas nem em fatores bioantropológicos e naturais. Sendo assim. mas também estimulante em relação ao comportamento individual. Durkheim aponta também o acento sobre fatores intrínsecos ao sistema sócio-econômico do capitalismo. o desvio é um produto da estrutura social.

* Suas teorias tem mais relação com a criminalidade das camadas mais baixas. como qualquer outro modelo de comportamento. * Ritualismo: Respeito somente formal aos meios institucionais. Sendo assim. que se verifica especialmente quando ocorre uma forte discrpância entre normas e fins culturais. Crítica a Merton: * Merton foi constrangido a acentuar a consideração de um elemento subjetivo-individual (falta de interiorização das normas institucionais). * Aderem e personificam decididamente o fim social dominante na sociedade norte-americana (sucesso econômico) sem ter interiorizado as normas institucionais. O comportamento criminoso típico corresponde ao modelo de inovação. * Inovação: Adesão aos fins culturais. Relação entre fins culturais e meios institucionais: Cinco modelos de “Adequação Individual” A estrutura social não permite a todos os membros da sociedade um comportamento ao mesmo tempo conforme aos valores e às normas. 3. contudo. sem o respeito aos meios institucionais.de um grupo estão diferentemente inseridos. * Até que ponto a criminalide de colarinho branco podia explicar-se com a discrepância entre fins culturais e acesso aos meios institucionais?. por outro lado. Compatibilidade e integração das Teorias Funcionalistas e das Teorias das Subculturas Criminais . * Merton não vê o nexo funcional objetivo. afirmação substitutiva de fins alternativos. oferece em escassa medida o acesso aos meios convencionais e legítimos de sucesso. em relação a de um elemento estrutural-objetivo (a limitada possibilidade de acesso aos meios legítimos para a obtenção do fim cultural. * Teoria da “associação diferencial”: A criminalidade. se aprende conforme contatos específicos aos quais está exposto o sujeito. 4. * Anomia: Crise da estrutura cultural. * Rebelião: Mais do que negação. Modelos de Adequação Individual: * Conformidade: Uma massa de indivíduos constitui uma sociedade somente se a conformidade é a atitude típica que nela se encontra. por um lado. * Apatia: Negação dos fins culturais e meios institucionais. * Maior exposição dos estratos sociais inferiores Merton. Merton e a Criminalidade do “Colarinho Branco" * Discrepância entre as estatísticas oficiais da criminalidade e a criminalidade oculta. Estratificação Social Possibilidades em conformidade com o setor social em que se encontram os indivíduos Acentuação cultural do sucesso econômico e que. que reconduz a criminalidade de colarinho branco à estrutura do processo de produção e do processo de circulação do capital. e as possibilidades socialmente estruturadas de agir em conformidade com aquelas. no seu ambiente social e profissional. Criminalidade do “Colarinho Branco” para Merton: * Desvio inovador Homens de negócio Amplamente desviantes. escassamente perseguidos. NEGAÇÃO DO PRINCÍPIO DE CULPABILIDADE 1. V – A TEORIA DAS SUBCULTURAS CRIMINAIS. o sucesso econômico). os indivíduos ocupam diferentes posições na sociedade. pois o comportamento desviante deriva da discrepância entre fins culturais e meios institucionais.

A teoria das subculturas se preocupa principalmente em estudar como a subcultura delinquencial se comunica aos jovens delinquentes e. no interior da estrutura social. portanto. * Uma subcultura caracterizada por elementos de “não-utilitarismo”. * Pluralismo de subgrupos culturais Fechados em face do sistema institucional de valores e de normas Só aparentemente está a disposição do sujeito escolher o sistema de valores ao qual adere. ou o sistema de valores. ocupam posições semelhantes. * Representa a solução de problemas de adaptação. 3. Cohen: A análise da subcultura dos bandos juvenis Sutherland: * Análise das formas de aprendizagem do comportamento criminoso. está na origem das subculturas criminais. pois. * Crítica daquelas teorias gerais do comportamento criminoso: Falsa amostra de criminalidade. Essas teorias negam que o delito possa ser considerado uma expressão de uma atitude contrário aos valores e às normas sociais gerais. pelo grau relativo de frequência e de intensidade de suas relações com os dois tipos de comportamento” Mecanismos de aprendizagem e diferenciação dos contatos. * Delinquência de colarinho branco.A teoria funcionalista pretende estudar o vínculo funcional do comportamento desviante com a estrutura social. com base na estratificação social. Sutherland: Crítica das teorias gerais sobre a criminalidade. 2. cuja origem é extraída de um processo de interação entre rapzes que. em larga medida. Não existe. * Incapacidade de se adaptar aos standards da cultura oficial Gera problemas de status e de autoconsideração. de “malvadeza” e de “negativismo” exprime e justifica a hostilidade e a agressão contra as causas da própria frustração social. não explicam corretamente a criminalidade de colarinho branco e não explicam nem mesmo a criminalidade dos estratos inferiores. * Linha artificial de discriminação que o direito assinala entre a atitude interior conformista . * Teoria funcionalista da anomia Teoria das subculturas criminais Diversidade estrutural das chances. Relatividade do sistema de valores penalmente tutelados: Negação do “Princípio de Culpabilidade” O núcleo teórico das teorias das subculturas criminais se opõe ao princípio da ideologia da defesa social acima denominado princípio da culpabilidade. e afirma que existem valores e normas específicos dos diversos grupos sociais (subcultura). Estratificação e pluralismo cultural dos grupos sociais. não se deixam “determinar pelo valor”. sendo culpável a atitude daqueles que. No âmbito destas se desenvolvem nomas e modelos de comportamento desviantes daqueles característicos dos estratos médios. explicam somente as características da criminalidade dos que pertencem aos estratos inferiores Cohen: * Subcultura dos bandos juvenis: Sistema de crenças e de valores. podendo. um sistema de valores. em face dos quais o indivíduo é livre de determinar-se. deixa em aberto o problema estrutural da origem dos modelos subculturais de comportamento que são comunicados. A distribuição das chances de acesso aos meios legítimos. * “Teoria das associações diferenciais”: “O fato de que uma pessoa torne-se ou não um criminoso é determinado.

Peso específico da escolha individual Relativo. O delinquente resolvem. o delinquente geralmente adere. ao contrário que: * No interior de uma sociedade moderna existem em conunto com valores e regas sociais comuns. A ideologia jurídica tradicional tende a reconhecer uma espécie de mínimo ético. * Frequentemete são acolhidos valores presentes somente em certos grupos ou tem certas áreas e negados por outros grupos e em outras áreas. A teoria das subculturas criminais mostra que os mecanismos de aprendizagem e de interiorização de regras e modelos de comportamento não diferem dos mecanismos de socialização. em sentido favorável ao comportamento desviante Neutralização da eficácia do controle social sobre a própria motivação do comportamento. * O direito penal seleciona entre valores e modelos alternativos. em realidade. como base do sistema penal. Pressupostos derivados da relação: “consciência social” x sistemas alternativos de valores e regras (subculturas) * O sistema de valores e de modelos de comportamento recebido pelo sistema penal corresponde aos valores e normas sociais que o legislador encontra preconstituídos. * Negação de vitimização: A vítima é interpretada como um indivíduo que merece o tratamento sofrido. a ordem social dominante. mas não imorais ou danosas e aplica uma série de redefinições. A teoria da anomia põe em releve o caráter normal do desvio. * Condenação dos que condenam: Atenção negativa aos fatos e às motivações dos cidadãos . O elemento característico de uma subcultura criminão não é um sistema de valores que representa uma reviravolta dos valores difusos na sociedade respeitosa da lei. na sua construção e na sua aplicação tem um peso prevalente. como o conjunto dos critérios positivos de conduta social compartilhados pela comunidade ou pela grande maioria dos consócios. também valores e regras específicas de grupos diversos ou antagônicos. * Relatividade dos sistemas de valores e regras sociais com as relações sociais de produção e do antagonismo entre grupos sociais.(positiva) e atitude desviante (reprovável) Conjunto de valores e dos modelos de comportamento protegidos pelo sistema penal. O jovem delinquente “reconhece”. também a relatividade do sistema de valores que são tutelados pelas normas do direito penal. Sykes e Matza: “As Técnicas de Neutralização” * Neutralizar a eficácia dos valores e das normas sociais aos quais. Técnicas de Neutralização: * Exclusão da própria responsabilidade: O delinquente interpreta a si mesmo mais como arrastado pelas circunstâncias do que ativo. ou responsabilidade ética individual. “Descriminantes” oficiais. Porque o mundo dos delinquentes não é nitidamente separado. apesar de tudo. válida pelo delinquente”. e por isso. VI – UMA CORREÇÃO DA TEORIA DAS SUBCULTURAS CRIMINAIS: A TEORIA DAS TÉCNICAS DE NEUTRALIZAÇÃO 1. Já a investigação sociológica mostra. * Negação de ilicitude: Interpreta suas ações como somente proibidas. pelo menos em parte. também na sociedade. de acordo com grupos sociais que. Essa última teoria nega o princípio da culpabilidade. e que são aceitos pela maioria dos consócios. mas inserido. “sob forma de justificação para o comportamento desviante. * O sistema penal varia em conformidade ao sistema de valores e de regras sociais.

a mais difusa e a mais eficaz das técnicas de neutralização. no nosso caso. o círculo de amigos. 3. A teoria das subculturas individualizou os veículos de transmissão entre fatores econômicos-estruturais e comportamento subjetivo individual. A teoria das subculturas retoma. não se colocam o problema das relações sociais e econômicas sobre as quais se fundam a lei e os mecanismos de criminalização e de estifmatização. que desaprovam o comportamento do delinquente (hipócritas). “precisamente através da aprendizagem destas técnicas o menos se torna delinquente. “Labeling Approach”: Uma revolução científica no âmbito da sociologia criminal As teorias da “reação social”. o fenômeno criminal e a consequente reação punitiva. a gang. e a aprovação por parte de outras pessoas. A teoria das subculturas como Teoria de “Médio Alcance” A teoria funcionalista e a teoria das subculturas. VII – O NOVO PARADIGMA CRIMINOLÓGICO: “LABELING APPROACH”. de preferência. os fenômenos da criminalização e da pena) para permanecer. Não oferecer nem um explicação teórica. e não tanto a aprendizagem de imperativos morais. OU ENFOQUE DA REAÇÃO SOCIAL. que derivam de pequenos grupos sociais aos quais o delinquente pertence: os irmãos. A orientação sociológica em que se situa o “Labeling Approach” Segundo o interacionismo simbólico. provavelmente. novamente. explícito e repetido. a sociedade – ou seja. dos órgão de acusação publica e dos juízes. O status social de delinquente pressupõem o efeito da atividade das instâncias oficiais do controle social da delinquência. ou seja. ou labeling approach. entre criminalidade e mecanismos de distribuição de oportunidades sociais e de riqueza. 2. portanto. por segmentos da sociedade nos quais uma divergência entre os ideais comuns e a prática social é evidente. partem da consideração de que não se pode compreender a criminalidade se não se estuda a ação do sistema penal. * Apelo a instâncias superiores: Expectativas e deveres de fidelidade e solidariedade. 2. e universalizar. visto que nada permite uma tão grande capacidade de atenuar os escrúpulos e de procurar proteção dos remorsos do superego. de fato. e das exceções e justificações aprendidas nos contatos com os indivíduos e subculturas desviantes. Observações críticas sobre a teoria das subculturas criminais. a realidade social – é constituída por . que deriva da síntese dos valores e regras aprendidas nos contatos com a sociedade conformista. valores ou atitudes que estão em oposição direta com os da sociedade dominante”. A Teoria das “Técnicas de Neutralização” como integração e correção da Teoria das Subculturas Sykes e Matza consideram que. nem uma alternativa prática às condições sócioeconômicas indicadas como condições do fenômeno criminal significa. NEGAÇÃO DO PRINCÍPIO DO FIM OU DA PREVENÇÃO 1. o efeito estigmatizante da atividade da polícia. A priori se poderia sustentar que estas justificações para o comportamento desviante são aceitas. quanto o apoio enfático. aceitar estas condições como limite da operacionalidade teórica e prática da teoria criminológica. realmente. dentro dos limites do setor examinado. * Teoria de Médio Alcance: Uma teoria que parte da análise de determinados setores da fenomenologia social (como seria. Segundo eles o comportamento delinquencial se apresenta como baseado sobre um sistema conjunto de valores e regras.obedientes da lei. os elementos contidos na mertoniana da anomia: a correlação entre criminalidade e estratificação social e. A formação de uma subcultura é ela mesma. no próprio contexto explicativo.

* Mudança de indentidade social do indivíduo. que invalida também o conceito de Becker . * Thomas Kuhn define o paradigma etiológico e o paradigma do controle como dois paradigmas incompatíveis. Keckeisen apresenta a quintessência do labeling approach da seguinte maneira: “se tratamos como criminosa uma pessoa é provável que ela se torne criminosa”. a partir de Becker e Shur. Nessa teoria. especialmente as penas detentivas. ele também considera que o desenvovimento condicionado da interação corresponde na teoria como reificação do conceito de desvio. da constituição do desvio como qualidade atribuída a comportamentos e a indivíduos. * O paradigma do controle parte da problematização da suposta validade dos juízos sobre o desvio (dimensão da definição e dimensão do poder). na sua expressão consequente e radical. 3. por isso. O comportamento desviante como comportamento rotulado como tal * Estigmatização na formação do status social de desviante. Na verdade. elaborado sobretudo por Coser e Dahrendorf. Essas interrogações conduziram o labeling approach para o estudo da formação da “identidade” desviante. no curso da interação. As direções teóricas que contribuíram para o desenvolvimento das duas dimensões do paradifma da reação social Enquanto os autores pertencentes à primeira e à segunda direção teórica desenvolveram principalmente a dimensão da definição. * O comportamento desviante (e o papel social correspondente) sucessivo à reação “torna-se um meio de defesa. esses resultados mostram que a intervenção do sistema penal. mas depende de algumas condições e. a coordenação dos comportamentos em relação a certas normas que não se efetuam de maneira automática. desenvolveram particularmente a dimensão do poder. além disso. em particular. o “resíduo objetivista”. * Através da mudança da identidade social Estigmatização Tendência a assumir ou permanecer no papel social no qual a estigmatização o introduziu. 4. Partindo do teorema de Thomas (“se algumas situações são definidas como reais. elas são reais nas suas consequências”). ou seja. e para o problema da definição. deve ser considerada como uma operação problemática. na maioria dos casos. *A ação é comportamento ao qual se atribui um sentido ou um significado social dentro da interação. e as consequências efetivas desta ligação para os desvios sucessivos por parte da pessoa”. considerados no seu modelo ideal. os autores que utilizaram o paradigma do controle no quadro da sociologia do conflito. uma consolidação da identidade desviante do condenado e o seu ingresso em uma verdadeira e própria carreira criminosa. assim como autores do labeling approach questionam: “Quem é definido como desviante? Qual o efeito dessa definição? Quem define?”. de ataque ou de adaptação em relação aos problemas manifestos e ocultos criados pela reação social ao primeiro desvio” * Os resultados da criminologia liberal contemporânea põem em dúvida o princípio do fim ou da prevenção e. * Lemert Principais problemas deuma teoria da criminalidade: “Como surge o comportamento desviante” / “como os atos desviantes são ligados simbolicamente. Esta reificação do conceito de desvio seria.uma infinidade de interações concretas entre indivíduos. pois. antes de terem um efeito reeducativo sobre o delinquente determinam. Os interacionistas. aos quais um processo de tipificação confere um significado que se afasta das situações concretas e continua a estender-se através da linguagem. a concepção reeducativa da pena.

todas as questões sobre a criminalidade se transformam em interrogações sobre as condições e as causas de criminalização. * Para desencadear a reação social o comportamento deve ser capaz de perturbar a percepção habitual. um “comportamento transgressor da norma” (rule breaking behavior) torna-se um “comportamento desviante” (deviant behavior). A análise dos processos de definição do senso comum nos interacionistas e nos fenomenólogos Tipificação: * Peguntar-se. * O que é a criminalidade se aprende. seja a elaboração das regras (criminalização primária) ou a aplicação das regras (criminalização secundária). percebido como o oposto do comportamento “normal” As condições que podem se chamar condições de atribuição da responsabilidade moral. Processos de definição do senso comum na análise dos interacionistas e dos fenomenólogos Os processos de definição que se tornam relevantes dentro do modelo teórico em exame não podem se limitar àqueles realizados pelas instâncias oficiais de controle social. * Definem uma pessoa. * Por consequência. * Tal comportamento é. mas sua interpretação. ou devida a um constrangimento ou a um evento excepcional. diante da qual os membros do grupo se encontram em um dado momento. se sabia que agia contra as normas. é o problema central de uma teoria do desvio e da criminalidade aderente ao labeling approach. * Um autor que sabia o que estava fazendo. é assimilada a situações . antes de tudo. O problema da validade do juízo pelo qual a qualidade de desviante é atribuída a um comportamento ou a um sujeito. como fazendo parte de uma certa categoria de desviantes. os quais se produzem em situações não-oficiais. O Processo de Tipificação da situação. comunidade e sociedade: * Interpretam um comportamento como desviante. no senso comum têm duas categorias: * Convencionalidade: Aqui se pergunta se a ação foi fortuita. se tivesse querido. eles se identificam com os processos de definição do senso comum. na medida em que é a interpretação que decide o que é qualificado desviante e o que não o é. Outras considerações: * Não é um comportamento por si mesmo que desencaceia uma reação. “O comportamento transgressor da norma” seria um comportamento já qualificado de modo valorativo e considerado como tendo uma qualidade própria. 6. * Põem em ação um tratamento apropriado em face desta pessoa. teria podido agir diversamente. * O comportamento é indiferente em relação às reações possíveis. de fato. * Teoricidade: Aqui se pergunta se o autor inha consciência do que fazia. antes mesmo que as instâncias oficiais intervenham. distanciando-se dos modelos das normas estabelecidas. 5.e que degrada o processo do labeling a uma mera repetição do que é já “dado”. pela observação da reação social diante do comportamento. mediante quais regras (basic rules). Kituse formulou o problema nos seguintes termos: o desvio é um processo no curso do qual alguns indivíduos. uma nova situação. pertencentes a algum grupo. antes de tudo. Condições gerais que determinam se a aplicação: * Um comportamento que infinja a routine. No processo do labeling. cujo comportamento corresponda a esta intepretação. * Um autor que.

é possível uma interpretação contextual e orgânica de ambos os aspectos da questão. da superfície fenomênica. como tal. não de todo identificadas. . O sistema jurídico. * Só sobre aquela realidade já preconstituída e tomada por dada é possível “reconhecer” uma situação e atribuir-lhe um significado desviante.precedentes. permite-lhes fornecer uma série de elementos descritivos. solução de continuidade. Só descendo do nível fenomênico da superfície das relações sociais. * O processo de definição interno ao senso comum corresponde ao que se produz no âmbito jurídico. O caráter de médio alcance destas teorias. enquanto as torna vagamente fungíveis a um ulterior enquadramento em teorias mais compreensivas. ao nível da sua lógica material. funciona de modo que entre os processos de definição formal e os processos de definição e de reação informal não existe. verdadeiramente. indubitavelmente úteis. * Processo de “necociação”(bargain).

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful